O PROCESSO DE RECAÍDA E SUA PREVENÇÃO

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 142 – MAR/ABR 2013

O PROCESSO DE RECAÍDA
E SUA PREVENÇÃO

O artigo a seguir dá “nome aos bois” da recaída.

O que é Recaída? É voltar ao uso do álcool após um período de abstinência.

Por que me preocupar com a recaída? A recaída é uma realidade que faz parte da doença (alcoolismo) e possui particularidades. Conhecendo tais particularidades, é possível evitá-la, ou melhor, preveni-la.

Você pode estar em uma recaída antes mesmo de usar o álcool. Isto pode durar dias, semanas, meses ou anos.Existem sinais de alerta, são os Sintomas de Recaída Emocional (antes do primeiro gole). Aqui está a lista de alguns deles, mais significativos e frequentes:

1. MUDANÇAS DE COMPORTAMENTO

– Discussões sem motivo aparente;
– Abandono ou menor participação em A.A.;
– Parar num bar ou outro local de “ativa” socialmente para beber refrigerante;
– Compulsão para cigarro, sexo, jogo, comida, consumismo etc.

2. MUDANÇAS DE ATITUDES

– Não se preocupar com o passado ou com a manutenção de
abstinência;
– Pensamentos negativos e auto destrutivos;
– Não valorizar as conquistas adquiridas sem o álcool.

3. MUDANÇAS DE SENTIMENTOS OU HUMOR

– Depressão;
– Raiva e ressentimento de si próprio ou de outros;
– Irritabilidade;
– Oscilações bruscas de humor (angústia e súbita euforia);

4. MUDANÇAS DE PENSAMENTOS

– Achar que merece beber por passar algum tempo de abstinência;
– Pensar em substituir o tipo de bebida ou droga, concluindo que não faria mal;
– Pensar estar curado após um determinado período sem uso;
– Achar que pode controlar a quantidade de químicos;
– Achar que pode se automedicar ou usar outras drogas;

Estes são alguns dos sinais. Podem indicar que o seu processo de
recaída esteja em andamento. Neste caso, é importante que você tenha um plano estratégico para lidar com situações que podem colocar a recuperação em risco.

Você pode estar em uma recaída antes mesmo de usar o álcool.
Isto pode durar dias, semanas, meses ou anos.

Observando a lista a seguir é possível identificar possíveis situações de alto risco (inclusive aquelas que eventualmente já lhe proporcionaram uma recaída):

– Dificuldade de externar raiva (não expressa adequadamente, age passiva ou agressivamente)
– Ansiedade ou nervosismo
– Monotonia ou falta de interesse em lazeres construtivos
– Negação — “eu não sou alcoólatra…”
– Depressão
– Outras compulsividades (desafios, sexo, jogo, comida, cigarro, roubo etc)
– Cansaço
– Medos que parecem sem fundamento
– Baixa autoestima
– Culpa
– Auto piedade
– Impaciência com o plano de recuperação (imediatismo)
– Solidão, isolamento
– Autossuficiência e prepotência
– Ressentimento, Irritabilidade/Intolerância
– Vergonha
– Voltar aos ambientes da “ativa”
– Fantasiar o prazer dos químicos sem lembrar as consequências
– Dificuldade de dizer não, de recusar álcool e outras drogas oferecidos por amigos
– Descrédito no programa de AA
– Achar que o seu alcoolismo é diferente dos outros
– Não aceitar o envolvimento da família em atividades de Recuperação (Al-anon e Nar-anon, por exemplo)
– Problemas de relacionamento — conjugal, familiar e social
– Dificuldade de fazer novos relacionamentos e amizades
– Auto desconfiança e de terceiros
– Companheiro(a) ou cônjuge com problemas de dependência química na ativa
– Problemas sexuais — associar sempre o sexo aos químicos, medo do sexo na sobriedade, impotência temporária, compulsão sexual, baixo autovalor
– Expectativas desmedidas em terceiros e em si
– Perfeccionismo
– Grandiosidade
– Orgulho
– Ter químicos ao alcance (em casa, no trabalho, etc)
– Desafiar o químico
– Associar ambientes e odores ao químico, lembrança constante de sucesso no trabalho
– Inadequação ao ficar limpo
– Dificuldades de lidar com estresse e frustrações
– Responsabilizar terceiros por suas perdas e problemas
– Procurar causas para sua doença
– (outros)

José Cássio
Psicólogo e Conselheiro em Adicções

Vivência nº 142 – Março/Abril/2013

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PORQUE NÃO REFLETIR

Prezados membros deste grupo.
Não concordo com os descompromissos para com os Legados de A.A., mas nada tenho contra quem assim o proceda, ajo apenas no plano das ideias, sem jamais ficar com ressentimentos ou reserva contra quem quer que seja. Ouvi algumas vezes de membros de A.A. com boa recuperação e larga experiência, que os membros de A.A. que passarem a conhecer a importância das Tradições e da preservação de seus ditames, bem como todos os servidores de qualquer nível em exercício de suas funções, tem o dever de zelar para que estes princípios salvadores sejam preservados.
Muitos de nós, não entendemos bem isso e trazemos para nossos grupos temas, palestras e comentários sobre psiquiatria e medicina, teologia e religião, entre outros belos temas como poesias, histórias edificantes etc. A..A. tem literatura riquíssima e linda, aprovada pelo GSO e JUNAAB, que qualquer um de nós passando o resto de nossa vida transcrevendo ou falando em nossos grupos, com certeza não as transcreveríamos ou líamos todas, no entanto, alguns de nós trazemos outras mensagens que nada tem a ver com A.A., e nem tem a sua aprovação, a não ser o que até possa ter uma parte de tudo o que ele já nos oferece.
Muitos também não entendem que a SIMPLICIDADE REFERE-SE A RECUPERAÇÃO, QUANTO AOS SERVIÇOS PRECISAMOS NOS ORGANIZAR.
SIMPLICIDADE EM A.A.
NA OPINIÃO DE BILL 162
Mantenha-o simples
“Precisamos distinguir bem entre A SIMPLICIDADE ESPIRITUAL E A
SIMPLICIDADE FUNCIONAL. “QUANDO DIZEMOS QUE A.A. NÃO PREGA NENHUMA DOUTRINA TEOLÓGICA, A NÃO SER “DEUS COMO NÓS O CONCEBEMOS”, SIMPLIFICAMOS MUITO A VIDA DE A.A., EVITANDO CONFLITO E REJEIÇÃO.
(Será que dá para entender esse texto ai? Não é para deixar a religião de lado em nossa Recuperação)
Mas, quando entramos nas questões de ação, pelos grupos, áreas
e por A.A. como um todo, achamos que devemos nos organizar um pouco para levar a mensagem – ou então enfrentar o caos. E o caos não é simplicidade. ”
Bill W
****************
” Existem duas ou três coisas que lampejaram em minha mente, nas quais me amparo para emprestar um pouco de ênfase. Uma delas é a simplicidade do nosso programa. NÃO VAMOS ESTRAGAR TUDO COM COMPLEXOS FREUDIANOS E COISAS QUE SÃO INTERESSANTES PARA MENTE CIENTÍFICA, MAS QUE MUITO POUCO TEM A VER COM O NOSSO VERDADEIRO TRABALHO DE A. A. Nossos Doze passos, quando apurados até o fim, se resumem nas palavras “amor” e “serviço”. Entendemos o que é o amor e compreendemos o que é serviço. Assim conservemos essas duas coisas em mente”.
Dr Bob
(Não dá para entender isso ai? Que não devemos incluir a medicina nem a psiquiatria na nossa Recuperação?
Conforme se vê acima, Bill fala que A.A. não prega nenhuma doutrina teológica, e Bob diz: Não vamos estragar tudo com complexos freudianos e coisas que são interessantes para a mente cientifica mas que muito pouco tem a ver com nosso verdadeiro trabalho em A.A.
Tudo que A.A. precisava da Medicina, das Religiões, da Filosofia, do Misticismo e da sabedoria milenar, A.A. incluiu nos seus Três Legados e nos seus Livros, nada mais precisamos acrescentar.
Segundo o Terceiro Legado de A.A., A.A. não apoia nem combate quais quer causas. Alguns dizem, mas só coloco aqui coisas boas e belas, e aí pergunto, cada indivíduo não tem uma ideia diferente do que é uma coisa boa, bela e especial, e outras, eu poderia colocar aqui entendendo como boas coisas uma Bula Papal, um texto budista, o Sermão da Montanha, livros sagrados de Shiva da índia, trechos do alcorão, etc. A dificuldade é que quem daria o limite e quais seriam estes? Se não ficarmos com o que é nosso, a liberdade absoluta e a confusão se estabeleceria e deixaríamos de ser A..A., pois para ser um grupo de A.A., não deve estar vinculado a qualquer ideia de fora por mais simples e boa que ela possa parecer, além do mais A.A. tem tudo do melhor sobre religião, medicina, espiritualidade, misticismo e filosofia milenar dos povos.
A.A. meus amigos, é algo absolutamente diferente de qualquer outra
organização, e o desrespeito a seus princípios já fez fechar nos últimos
anos mais de um milhar de grupos cara a cara no Brasil.
No livro “Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade” na pág. 87 está contida uma severa advertência quando diz: “As Doze Tradições são para sobrevivência e harmonia do grupo o que os Doze Passos de A.A. são para a sobriedade e paz de espírito de cada membro.” Entre outros textos de nossa literatura este demonstra o quanto devemos aos princípios que nos foram deixados em três preciosos Legados: Recuperação – Unidade – Serviço.
Temos que ter em mente os perigos a que nos expomos ao endossarmos outras causas. A Sexta Tradição alerta para que “NÃO NOS AFASTEMOS DE NOSSO PROPÓSITO PRIMORDIAL” enfaticamente descrito na Quinta Tradição.
Além do mais, nos igualaríamos a outras formas de sociedade onde as pessoas digladiam-se para impor os seus pontos de vista, ou pior ainda, das correntes de opiniões religiosas, psicológicas, políticas, filosóficas, etc… da qual fazem parte.
Temos um ponto de união – OS PRINCÍPIOS – porque não só usá-los?
Temos alguns pontos de divergência – OS GOSTOS PREFERÊNCIAS E COSTUMES PESSOAIS E DE GRUPOS E ALGUNS ÓRGÕS DE SERVIÇO.
Porque utilizá-los?
Isso é uma aspiração, que entendo estar dentro do que diz nossa amada
Irmandade.
Abraços fraternos, paz, luz e mais 24 h sóbrias.
magno/RGS

SEQUELAS DO ALCOOLISMO

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 53 – MAI/JUN 1998

SEQUELAS DO ALCOOLISMO

Todas as pessoas que convivem com um alcoólico sofrem. E, tal como os alcoólicos, todas ficam com sequelas – precisamos saber disso em nossa recuperação.

Sou filha de um alcoólico, portanto, sofri com a doença e ainda sofro com as sequelas que ela me deixou. Tenho vinte anos, sou estudante de Direito e hoje meu pai não bebe mais. Não sei ao certo quando ele começou, tenho vagas lembranças de que, quando eu era criança, meu pai não bebia. Íamos a festas e sua companhia era sempre um copo de refrigerante. Mas ele começou a beber cada vez mais, e depois de um certo tempo não precisava de muito para sofrer com os efeitos da bebida.

Vivemos crises muito grandes: meu pai, minha mãe, minha irmã e eu. Cada um refugiou-se de um modo. É engraçado como os seres humanos sofrem de diferentes maneiras. Meu pai afastou-se de nós, não podíamos contar com o salário dele e muito menos com sua amizade. Ele vivia no bar. Na escola, meus amigos contavam-me que o viram no bar “tal”, várias vezes. Cada vez mais uma profunda dor invadia minha alma.

Minha mãe chorava, e como chorava! Às vezes eu pedia a Deus para levar-me embora do mundo material, não suportava ver minha mãe sofrendo. Minha irmã fugia, ela tinha um jeito estranho (ainda hoje) de enfrentar os problemas: não gostava de falar do pai, nem das bebedeiras, da mãe chorando, nem nada. Evitava ao máximo cada um de nós. À noite ia para a faculdade e aos finais de semana saía com o namorado. Talvez ela sofresse muito e não quisesse falar no assunto… não sei, não quero saber… não sou ninguém para julgar.

Todas as noites minha casa virava um verdadeiro inferno, era a hora em que meu pai chegava. Brigas, ofensas, lágrimas, e Deus é testemunha de como chorei sozinha e clamei por Sua ajuda.

Meu pai chegou num estágio em que já bebia de manhã cedinho, antes de ir para o trabalho, e eu tomava café sentindo o bafo de bebida. Sofri tanto que cheguei, numa época, a acreditar que odiava meu pai. Por que ele era assim? Por que nos fazia sofrer? Tinha nojo dele porque ele fedia a bebida, vivia de bebida, amava mais a bebida do que a nós.

Quando eu tinha dezesseis anos de idade, minha família enfrentou a maior de todas as crises. Meu pai estava no fundo do poço e agora o único caminho que tinha era subir, ou ficar sozinho. Estava perdendo o emprego e principalmente a nós, era hora de encarar isso. Minha mãe pediu a separação, já havia sofrido demais. E meu pai enfrentou a doença.. Internou-se numa clínica em Curitiba e hoje encontrou A.A.

Em nenhum momento fui visita-lo e hoje isso me dói muito. Tanto minha mãe como minha irmã foram vê-lo, mas eu não.

Quando ele voltou para casa, não acreditei no que via. Era outro, assistiu tevê conosco, conversou. Naquele mesmo instante descobri que eu não o odiava, apenas tinha medo de amá-lo. Hoje sei que posso contar com ele vinte e quatro horas por dia e tenho confiança em que não vai beber. Consigo realizar meu sonho a cada dia: estudar Direito. Meu pai tem sido o grande amigo para apoiar-me e é ele que tem-me dado forças, com sua demonstração de fé, para continuar.

Apesar disso enfrento as sequelas que o alcoolismo deixou. Hoje sofro com minha insegurança, o pesadelo de errar atormenta-me a alma. Ajudo outras pessoas a resolver seus problemas, mas não consigo resolver os meus. O alcoolismo deixou cicatrizes muito fortes e tenho medo de beber. Na faculdade sofro muito porque não admito perder e todos os dias acredito que não conseguirei. Certa vez, uma psicóloga disse-me que tudo isso que ainda invade minha vida é fruto do alcoolismo. Amo tanto minha família que não gosto de voltar à cidade onde estudo para continuar meu curso. Hoje minha família está tão bem que eu tenho vontade de viver todo o tempo do mundo com eles, para recompensar os anos em que vivemos separados.

Mas tenho fé que, assim como meu pai enfrentou o alcoolismo e continua enfrentando até hoje, eu enfrentarei meu desequilíbrio emocional. Somos fortes e em nós descobrimos forças incalculáveis. Hoje sei que “segurei” minha família, tornei-me adulta cedo demais, nunca gostei de brincar, mas sim de ajudá-los a resolver seus problemas. Espero um dia resolver os meus próprios, e Deus sabe o quanto desejo isso.

Sei que o alcoolismo é uma doença e que me afetou. Não existem remédios para isso, somente aquela força que existe em nós, fruto do amor de Deus e que é capaz de vencer essas feridas. Para o sofrimento de tantas famílias como a minha, a única solução é A.A. Assim como meu pai lida com essas sequelas, espero também faze-lo. Mas isso se dá passo a passo, assim como se diz na Irmandade de A..A. Afinal de contas, “a pressa é inimiga da perfeição”. E existe perfeição?

(Daiana L.S.)

Nota da Redação: Com programa semelhante ao de A.A. os Grupos Familiares AL-Anon têm ajudado centenas de milhares de pessoas a obter uma vida serena, compreendendo seus parentes ou amigos alcoólicos, acolhendo-as e proporcionando alívio e encorajamento..

Vivência nº 53 Maio/Junho 1998

AS MULHERES E O ALCOOLISMO

As mulheres e o Alcoolismo
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A questão do alcoolismo é ampla e atinge os diversos segmentos da esfera social do indivíduo; grupos de trabalho, grupos de relação e a família, possibilitando assim várias abordagens, o que vem sendo feito com freqüência nas últimas duas décadas, quando o alcoolismo passou a ser visto como doença pela Organização Mundial de Saúde, e como tal merecendo “tratamento”.
Na verdade, a existência de prejuízos associados ao uso indevido de álcool pelas mulheres é muito maior do que se costuma admitir. O alcoolismo feminino é um fenômeno mais silencioso e discreto que o masculino, devido à carga negativa de estigma. Existe uma diferença de tolerância cultural quanto aos problemas do álcool quando atinge cada um dos sexos. Assim os pileques do garoto são muitas vezes vistos de forma hilariante e, até, estimulados como sinal de masculinidade em algumas sociedades, ou em meios sociais específicos. Para a mulher é diferente, não “fica bem” exagerar, comportamento classificado como não feminino. Cria-se a expectativa d a mulher como exemplo, sempre em controle dos seus atos. Na verdade essa distinção de papéis não se aplica apenas para o caso das bebidas alcoólicas, mas estende-se aos valores básicos determinados culturalmente para os dois sexos.
As discussões sobre a relação entre as mulheres e as bebidas alcoólicas são recentes dentro dos estudos das dependências. As pesquisas desenvolvidas apontam dois aspectos da questão: de um lado, a existência de algumas características específicas do alcoolismo feminino (versus o masculino), de outro, a inveracidade de algumas crenças negativas relacionadas, principalmente, ao tratamento de mulheres.
O padrão de ingestão, as situações e a quantidade do beber das mulheres diferem freqüentemente daqueles do homem, principalmente quando se trata de mulheres não inseridas no mercado de trabalho. Por exemplo, a dona-de-casa alcoolista bebe muito mais em casa do que no bar. Desempenha as primeiras tarefas domésticas do dia e, quando está sozinha, bebe. Geralmente acaba negligenciando algumas tarefas domésticas. No caso da mulher profissionalmente inserida no mercado de trabalho se acrescenta aos problemas mencionados acima os percebidos no alcoolismo masculino, que podem ser: a queda de produtividade no trabalho, dificuldades de relacionamento com os colegas, gastos excessivos com bebida. A mulher alcoolista tende a negar o uso excessivo de álcool; por isso, o diagnóstico médico do alcoolismo entre elas é feito mais tardiamente. Já a evolução do quadro de dependência se dá mais rapidamente do que entre os homens.
A evolução mais devastadora do alcoolismo entre mulheres se dá, principalmente, por dois fatores. Primeiro, porque parecem existir diferenças biológicas que predispõem a mulher a ter mais problemas médicos, mesmo quando bebem menos que o homem, resultando em intoxicação mais imediata. O segundo fator refere-se a reações que variam de vergonha a perplexidade e medo, que geralmente envolvem tanto a mulher alcoolista como sua família quando se deparam com o problema, retardando assim o seu processo de ajuda e tratamento mais que no caso do homem dependente do álcool. Além disso, os serviços, não se dando conta da importância de tratamentos especificamente femininos, não facilitavam a adesão de mulheres ao tratamento, já bastante dificultada pela gama de preconceitos sociais. É importante que o diagnóstico e a procura de ajuda sejam feitos o mais rápido possível. Mas é essencial tratar-se a dependência como uma doença, associada a fatores psicológicos, biológicos e sociais e não como uma falta de caráter do homem e da mulher.
A mulher alcoolista, além da rotulação de “bêbada e irresponsável”, é estigmatizada como a “vergonha da família”, mesmo quando, na maioria das vezes, o marido também bebe. Sentindo-se só em casa, enquanto o marido bebe no botequim, ela freqüentemente bebe por não suportar a sua realidade de preterida Os filhos por sua vez sentem vergonha da vizinhança, que percebe o alcoolismo da mãe, mas não têm a mesma atitude em relação ao pai que também bebe.
O rótulo de alcoolista carrega uma gama de preconceitos tanto em relação ao homem como em relação à mulher, embora a mulher alcoolista sofra maior discriminação. Ao participar da A.A. ( Alcoólicos anônimos), que é uma irmandade que trabalha como grupo de apoio, no sentido de restabelecer o sujeito à sociedade, o preconceito se ameniza; a mulher passa então a ser vista como uma “ex-alcoolista”. O sentido de estigma se torna mais brando.
A mulher alcoolista chega a A.A. com baixa auto-estima por não cumprir o papel que lhe é exigido socialmente. Ante a possibilidade de uma melhora progressiva, pelos testemunhos e de provas de força e esperança dos membros do grupo, tornando-se uma “ex-alcoolista”, diminuída a carga de estigma, ela recupera perante os outros a confiança por ter superado o vício. O estigma agora se liga ao passado, não mais a um presente sofredor.
Existe uma presença maior de homens nas reuniões de grupo da A.A., talvez porque os homens aceitam mais facilmente a forma de tratamento adotada, demonstrando que não têm vergonha de assumir perante a sociedade a sua condição de doentes. Com a mulher alcoolista é diferente; ela sente dificuldade de assumir o alcoolismo por causa da carga de estigma que suporta.
Apoio coletivo, este é o interesse da A.A. Cada membro encontra no outro uma força para falar de seus problemas com a bebida. Ali o alcoolista pode encontrar pessoas que passaram por problemas parecidos e, se estão todos “no mesmo barco”, consegue através da troca de experiências não mais se sentir sozinho para enfrentar a sua doença. Apresentado como doente, o sujeito tem sua conduta desviante “explicada” de uma forma que o exime parcialmente da responsabilidade pela sua condição; resta-lhe somente a obrigação de se esforçar para se manter sóbrio. Mas essa nova identidade de “doente incurável”, porém “tratável”, também carrega seu próprio estigma de instabilidade e de provável recaída.
Apesar de proporcionar grande alívio a muitas alcoolistas, não se pode dizer que a A.A. neutralize completamente a estigmatização sofrida por essas mulheres, mesmo após deixarem de beber por longos períodos. Mas, mesmo quando A.A. não consegue erradicar definitivamente o estigma sofrido, não há dúvida que, ao abrandá-lo e ao dar um apoio social que permita a recuperação da auto-estima, seu efeito é muito positivo, tanto para seus membros quanto para suas famílias, suas relações de amizade e de trabalho, e também para a sociedade.

COOPERAÇÃO SEM AFILIAÇÃO À LUZ DA 6A. TRADIÇÃO

COOPERAÇÃO SEM AFILIAÇÃO À LUZ DA 6a TRADIÇÃO.
Sendo as tradições, integrantes do segundo legado, pressupõe-se para praticá-las, a anteposição do exercício do primeiro legado, a Recuperação, cujo componente decisivo é a espiritualidade, e esta, é algo conquistado com a aproximação com o Deus do nosso entendimento, através da busca que são as orações, do encontro que é a meditação, e como consequência as modificações de nosso comportamento, expressa no dia a dia, em tolerância, boa vontade, paz, amor, alegria de viver, disciplina, responsabilidade, e a necessidade de compartilhar isto; não é algo que se exerça quando se quer, por decisão intelectual, é algo que se desenvolve, com a meditação, a oração e as atitudes sadias, físicas e mentais positivas e com as espirituais.
Aqui trataremos de tradições de AA, não de preferências, hábitos e costumes nossos pessoais, ou de nossos grupos e até de alguns de nossos órgãos de serviço.
O que são Tradições: Normas, diretrizes, limites, que precisamos utilizar e obedecer, em nosso relacionamento entre nós mesmos, nossos grupos, nossos órgãos de serviço e o público em geral, e que tem origem na experiência, ali consta o que deu e o que não deu certo. A.A. nos obriga a obedecer a esses princípios? Não. Nós nos obrigamos e os obedecemos com boa vontade, porque precisamos e porque gostamos dos benefícios que essa obediência nos proporciona, e sabemos o que nos causa a desobediência aos mesmos. Bill disse: Não precisamos de mais nada, a dor e o amor são nossos disciplinadores.
As Tradições são para a boa convivência entre os membros de A.A. e destes com a comunidade em geral, assim como a Recuperação é para o bem estar individual dos membros de A.A. o uso das Tradições é também necessário para a harmonia na organização dos Serviços em A.A.
A.A. entretanto como entidade intangível não age, seus membros é que praticam a recuperação, as tradições e os serviços, e pelo exercício destes, é seus membros que são os responsáveis.
Para que Tradições: Para que agindo dentro desses limites pela experiência demonstrados desejáveis e necessários, A..A. possa permanecer vivo e a disposição de todos os doentes alcoolistas até quando o Poder Superior quiser. A história, e a experiência dos Washingtonianos e dos grupos de Oxford, que AA soube muito bem aproveitar, nos mostraram os riscos da não observação dos ditames da 6a Tradição. Nossa liberdade deve ser responsável, pois em caso contrario podemos por em risco a própria existência de nossa Irmandade.
6a Tradição – “Nenhum grupo de A.A. deverá jamais sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à Irmandade, a fim de que problemas de dinheiro, propriedade, prestígio, unicidade e unidade não nos afastem do nosso objetivo primordial.”
Quando verificamos termos resposta para o alcoolismo, pensamos poder dar resposta a todos os problemas da humanidade. Tendo nós, aprendido a viver felizes, sonhamos unir medicina e religião para nos tornarmos uma panaceia para todos os males da humanidade. Fizemos muitas tentativas sem sucesso com hospitais, com impulsos educacionais e reformadores. Tais aventuras nos levaram a uma convicção inabalável: “Em hipótese alguma poderíamos endossar qualquer empresa congênere, por melhor que esta pudesse parecer, nós de Alcoólicos Anônimos não poderíamos ser tudo para todos os homens, nem nos caberia tentar sê-lo”. Parece-nos que neste campo definido e claro da vinculação formal, não temos tido muita dificuldade em nos guiarmos dentro dos princípios da 6a Tradição, e nos mantermos afastados do vínculo oficial e documentado..
Quando o Dr. Bob disse para Bill, mantenha isso simples, ele completou com muita propriedade, não nos envolvamos com complexos freudianos (medicina) nem com princípios teológicos (religiões), e muitos de nós trazemos isso para nossas reuniões, tratados de psiquiatria e questões religiosos por exemplo, nada impede que estudemos isso particularmente.
Já no campo informal, por falta de estudo em profundidade do assunto no decorrer do tempo, temos falhado e incorrido em vinculação implícita e informal clara, com as organizações e instituição religiosas, ou clinicas de recuperação do alcoolismo, com as quais muitas vezes nos relacionamos de modo muito próximo e particular, porém sem vínculo direto, mas com vínculo informal para a sociedade, que nos vê muito próximo e amistosamente, não distinguindo esse relacionamento como inesistente.
O nome de A.A. não deve ser usado nem implícita nem explicitamente, por qualquer outra entidade ou instituição ou clinica de recuperação do alcoolismo; como AA tem prestígio, somos procurados insistentemente para decidir e trabalhar juntos, e não raro algumas entidades vinculam A.A. à suas atividades, e alguns de nós muitas vezes aceitamos isso. O que é aceitar isto? é como membro de A.A., junto com a entidade e lá dentro, tratar de serviços de A.A. e agir juntos. Bem como divulgar oficialmente os nomes de clínicas em nossos grupos. Sempre que informarmos sobre endereços de clínicas devemos dizer que A.A. não está vinculado a esses serviços, mas que conhecemos todas as clínicas e informamos a totalidade delas, sem preferência por alguma.
Aqui na nossa cidade temos uma experiência: Fomos, uns quatro membros mais antigos e conhecidos aqui, assediados insistentemente para participarmos das reuniões de um Concelho Municipal Antidrogas, que procederia um movimento para fazer um grande encontro numa Universidade local, e uma arrecadação de fundos para diversas entidades. Fui encarregado de tratar do assunto e na primeira e única reunião de que participamos, informei de que A.A. não agia em conjunto com outras atividades, não participaria de fundos arrecadados, mas que estávamos a disposição de todos para apresentar no encontro final do movimento, o que é A.A., quais são seus fundamentos, como funcionamos e quais nossos trabalhos e onde estávamos a disposição dos interessados. Fizemos o nosso slide, tínhamos 20 minutos para apresentá-lo, treinei para executar o trabalho nesse tempo, e no final da apresentação o Pe. Haroldo, que coordenava o encontro disse: Pela primeira vez vi um aa usar apenas 30 segundos a mais do que o tempo de que dispunha. Não sabia que ali seria feito esse registro e observação, mas fiquei muito feliz por A.A., pois ali, com nossa atitude era disciplina de A.A. que estava sendo apresentada.
Às vezes por gratidão pela hospitalização nossa ou de algum nosso parente, e por desconhecimento, não nos damos conta que estamos nos vinculando a outros órgãos, ao participarmos ativamente de suas atividades como aas. Não devemos participar como representantes de A.A., em centros comunitários, conselhos de saúde, associações de moradores, atividades ou campanhas religiosas ou de quaisquer outras instituições. Se eu participo regularmente das reuniões da comunidade ou instituição onde está sediado meu grupo, ou em outras, mesmo que não participe das decisões desses órgãos, os membros desses órgãos e a comunidade vão sentir e interpretar isso como se fizéssemos parte delas. Isto caracterizaria uma participação implícita, ninguém assina, nem registra nada, não se declara participante, mas todos assim o entendem por estarmos sempre ali, caracterizando-se um vínculo, principalmente quando somos membros de A.A. muito conhecidos nessas comunidades.
Ao usarmos salas de qualquer instituição, estamos implicitamente nos vinculando às mesmas, é o que a comunidade ali entende.
Não devemos e não podemos permitir que nossas atividades sejam confundidas com outras atividades de outros órgãos, de forma que possam dar margem à interpretação de que estamos envolvidos ou apoiando outras causas que não sejam o nosso propósito primordial. Temos que ter o cuidado de como aas, não trabalharmos em qualquer entidade, mesmo que seja para tratar de alcoolismo. Alcoólicos Anônimos não é um movimento reformador nem de prevenção ao alcoolismo. Se convidado no meu bairro para qualquer movimento, devo ter a humildade de dizer que não estou lá em nome de A.A. e sim como indivíduo.
Precisamos preservar o nome de A.A. para que nossa Irmandade permaneça viva até quando o Deus do nosso entendimento quiser, e salvar as vidas dos alcoolistas no futuro.
Respeitando os regulamentos de onde nos apresentamos, desde que estes não contrariem nossas tradições, quando então não deveremos nos apresentar, podemos ir a qualquer lugar condizente com A.A., dizer o que é A.A., quais são seus princípios, quais suas atividades, como funciona e onde estão localizados nossos grupos, ou ainda fazer palestras sobre A.A. e seus processos de recuperação.
Este é meu entendimento da Sexta Tradição.

SOBRIEDADE EMOCIONAL: FRONTEIRA DE BEM-ESTAR

Área do Distrito Federal
Coordenação do 5º Comitê de Distrito
3º Ciclo de Estudos Doze Passos de Alcoólicos Anônimos
Sobriedade Emocional: Fronteira de Bem-estar
De 4 a 6 de 2011
Dr. Laís Marques da Silva – ex-custódio e presidente da JUNAAB

Sóbrio e Sobriedade
Sobriedade é a qualidade ou estado de estar sóbrio. É uma condição de
grande importância para o alcoólico, pois é para ela que o programa de
recuperação está voltado e a sobriedade só é alcançada por meio da
abstinência. É evitar o primeiro gole, é ter um programa que considera
um dia de cada vez, o programa de 24 horas. Assumir o compromisso de
parar de beber por toda vida, num primeiro momento, seria muito pesado,
compromisso esse que, usualmente, já fora assumido muitas vezes antes
mas que não vinha sendo posto em prática até então por ser difícil de
cumprir. A abstinência por cada vinte e quatro horas, de cada vez, só
por hoje, incorpora a sabedoria que nos foi transmitida há milênios
quando o Mestre dizia que a cada dia bastavam as suas tribulações. A
sobriedade é como um alicerce, indispensável e que dá o necessário apoio
para tudo o que deve suceder a essa primeira conquista. Primeira porque
outras devem ocorrer em sequência. Afinal, ninguém faz um alicerce e
fica nisso, para nesse ponto. A existência de um alicerce pressupõe que
se vá fazer algo mais, que é a construção e, no nosso caso, a construção
da serenidade que vem por meio da adoção do programa de recuperação. Por
tudo isso a sobriedade nos é muito cara, por ser o passo inicial, por
ser indispensável, por ser a primeira grande vitória e porque, uma vez
assumido o compromisso com o programa, o alcoólico começa a vencer o seu
primeiro e grande obstáculo que é a negação.. Assim, aí está o início da
recuperação, de uma nova vida.
Numa primeira acepção, ou entendimento, da palavra sobriedade, vimos que
ela se refere ao organismo do alcoólico, em que se consideram os efeitos
da ingestão de uma droga, no caso, o álcool.
Voltamo-nos agora para outra acepção da palavra sobriedade, mas dentro
de outra dimensão, que é a emocional. Sobriedade emocional existe quando
se está com as emoções em ordem, em equilíbrio. O primeiro entendimento
da palavra, que acabamos de desenvolver, volta-se mais para o aspecto do
organismo intoxicado, sob o efeito da droga. Agora, no campo emocional,
sobriedade significa estar calmo, com um comportamento moderado marcado
pela temperança, pela moderação, contido no tom e na cor e sem exibir
excesso de emoção ou fantasia.

Serenidade

Sóbrio e emocionalmente sereno, o alcoólico se apresenta calmo, que é a
qualidade de estar sóbrio, de ser marcado pela temperança, moderação e
seriedade. É não estar intoxicado, é não ter o hábito de beber ou de
usar drogas e é sereno por estar tranquilo, manso e sossegado, sem
preocupações ou pressa. Seus compromissos não o incomodam além da justa
medida e não sente que o mundo vai acabar, caso não os cumpra. Vive o
momento presente sem sofrer o peso do presente ou estar preocupado com
relação ao futuro. Aceita o mundo como ele é, uma vez que aceita as
coisas que não pode modificar. Está consciente de que o seu problema com
o álcool o faz sentir dor mas que esse estado de consciência é o início
da libertação e é preciso que esse entendimento cresça sempre, porque
significa progredir ao longo da vida.
Desenvolvemos a compreensão do que é a serenidade porque ela é uma
qualidade indispensável para que o alcoólico se mantenha sóbrio e,
assim, retornamos para o tema da sobriedade porque, sem ela, o alcoólico
pode ser envolvido pelo ressentimento, pelo desespero, pelo egocentrismo
e afastar-se do convívio social e isso pode leva-lo à garrafa. Não
desfrutando da indispensável serenidade, o alcoólico pode não conseguir
manter esses problemas dentro de limites seguros. A serenidade permite
ver com maior clareza e distinguir bem as coisas.
Por outro lado, é preciso estar atentos para o fato de que todos nós
temos o nosso lado de sombra, aquela nossa parte que gostamos de negar,
de não pensar e de não estar consciente dela e corremos até o risco de
tentar botar para baixo do tapete, o que não só não é solução mas
complica muito as coisas. Mas o mal não é a coisa em sim, mas o problema
está em não aprender a lidar com esse nosso lado. Ignorá-lo e procurar
não estar consciente dele pode ser o caminho do desastre ou, pelo menos,
não teremos serenidade enquanto não tivermos uma boa compreensão desta
realidade. É preciso se aceitar e amar a si próprios e aí estaremos no
caminho da serenidade.
Estando sóbrios e emocionalmente serenos, estaremos, em alguma medida,
dentro do quadro que iremos desenhar da pessoa sóbria, serena: tem
esperança, é amorosa, humilde, paciente e honesta. É alegre e sabe que
tem valor. Le livros e revistas, frequenta os grupos de A. A., visita
amigos, aprecia as belezas do mundo, pratica passatempos, toca
instrumentos musicais, vai à praia, viaja e muito mais.
Para ajudar a alcançar e manter a serenidade há grupos em que são
expostos pensamentos que ajudam e que, pela repetição constante, passam
a fazer parte do subconsciente, como: “um dia de cada vez”, “viva e
deixe viver”, “isso também passará”, “com calma se resolve”, “vá de
vagar, mas vá”, “se funciona, não conserte” e outros mais.
Em A. A. não se diz quando eu crescer na minha programação eu vou… e
isso porque estaremos sempre crescendo. É perigoso pensar que está bem e
deixar de crescer porque não é possível para ninguém estar sereno o
tempo todo, mesmo não sendo um alcoólico e pela razão simples de que
somo humanos e, portanto, imperfeitos. Logo, o crescimento dever ser
constante.

Bem-estar

Nesse ponto chegamos ao segundo termo do binômio do lema do encontro, a
fronteira de bem-estar.
O bem-estar é a parte subjetiva da saúde mental. É a satisfação com a
vida, é um componente da felicidade. É sentir-se calmo e feliz.
O bem-estar pode ser visto como um estado de prazer ou felicidade
(hedonismo) ou apoiar-se no bem estar que traduz o pleno funcionamento
das potencialidades de uma pessoa (eu demonismo), ou seja, na sua
capacidade de pensar, raciocinar e usar o bom senso. São os aspectos
subjetivo e psicológico do bem-estar respectivamente.
O que podemos observar nos grupos de A. A. é que os que seguem o caminho
da sobriedade e se tornam serenos atravessam a fronteira e penetram na
condição de bem-estar nas duas dimensões, rapidamente aqui analisadas.

O QUE É EVITAR O PRIMEIRO GOLE

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 27 JAN/FEV 1994

O que é evitar o primeiro gole

Evitar o Primeiro Gole não é somente evitar o ato físico de beber, é também, e principalmente, evitar as circunstâncias que possam nos levar a ingerir o Primeiro Gole.
É necessário permanecermos atentos aos motivos que podemos usar como “justificativas” para beber, atento aos sentimentos para aprender a lidar com eles sem usarmos a “bengala” tão conhecida.
Evitar o Primeiro Gole é, também:
– Mudar a nossa rotina – principalmente nas horas em que bebíamos;
– Evitar os velhos caminhos – ponha no lugar algo que lhe dê prazer;
– Evitar os companheiros de copo;
– Mudar, reciclar, virar a página.
Quando bebíamos, tudo era justificativa para beber, alegria, ressentimentos, raiva, depressão ou sentimento de ser a última pessoa na face da Terra.
Esses velhos hábitos estão dentro de nós e voltam facilmente quando nossas emoções nos dominam.
Precisamos ficar atentos 24 horas por dia e aprender lidar com as nossas emoções para que o velho hábito de beber não nos pegue de surpresa, pois corremos o risco de ingerir esse Primeiro Gole por puro impulso, mesmo antes de pensar..
Precisamos aprender a colocar hábitos novos no lugar dos velhos ( um velho hábito a gente não tira, substitui ).
Precisamos cultivar o hábito de cuidar de nós mesmo.

Carinhosamente…
Amorosamente.

( Vivência nº 27 – Janeiro/Fevereiro 1994 ).