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RELEMBRAR, RELEMBRAR PARA JAMAIS ESQUECER

RELEMBRAR, RELEMBRAR PARA JAMAIS ESQUECER

Dr. Eduardo Mascarenhas

O Décimo Segundo Passo é uma espécie de liturgia de rememoração. ao cuidar de outros dependentes, cada um rememora a sua dependência.
Mas não é só esse passo que proporciona esse permanente lembrar-se.
Todas as reuniões dos grupos anônimos são liturgias de rememoração. Tal como os católicos se encontram semanalmente na missa para comemorar, ou seja, memorar junto a fragilidade e os mistérios da carne (vida terrena), os grupos anônimos se reúnem para comemorar a existência dos mistérios e tentações das grandes compulsões. O fato de essa memoração ser feita em conjunto – comemoração – é importante, pois provoca um sentimento que não pode ser negado ou apagado pelas astúcias da tentação (compulsão).
Além disso, nas reuniões dos grupos anônimos, seus membros fazem depoimentos que, invariavelmente, se iniciam com: “Eu sou um alcoólatra (ou toxicômano) em recuperação”. O tempo do verbo é claro: eu sou. Não é eu fui, eu estou sendo, nada que amenize a cortante afirmação.
Isso não é feito como uma execração pública. Nada tem a ver com aqueles condenados medievais que carregavam no peito uma placa com seus crimes infamantes, para serem expostos ao público. Pelo contrário. É até uma maneira de se afirmar nem criminoso nem, como pessoa, inferior a ninguém.
Serve, contudo, para marcar a ferro e fogo a recordação. Para que o “alcoólatra ou toxicômano em recuperação” relembre sua condição de dependente, pois a mais perigosa das astúcias das compulsões se manifesta pelo apagamento dessa lembrança. Sob o fogo cruzado do desejo fissurado, a mente esquece tudo. Sai de si e vira porta-voz da fissura que a possui e dominou.
para relembrar a força da compulsão, aquele que está dando seu depoimento encerra-o dizendo ter permanecido sóbrio pelas últimas 24 horas e rogando permanecer sóbrio pelas 24 horas seguintes. Depois é depois. Não dá para prever.
E, nem precisa. Afinal os séculos e milênios são feitos nada mais nada menos do que por uma sucessão de 24 horas.

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RELIGIÃO É RE-LIGAR, REENCONTRAR O FIO DA MEADA – DR. EDUARDO MASCARENHAS

RELIGIÃO É RE-LIGAR, REENCONTRAR O FIO DA MEADA

Dr. Eduardo Mascarenhas

Também a religião pode ser vista por vários ângulos. Pode ser vista pelo ângulo místico, quando se propõe a explicar o mistério por meio da revelação feita por Deus ao homem, registrada nas Sagradas Escrituras. E estas devem ser lidas ao pé da letra. Mas outros caminhos podem ser explorados.
A palavra religião, do verbo latino “religare”, significa “re-ligar”.
Ou seja, encontrar o fio da meada, o pé das coisas; restabelecer os vínculos entre o céu e a terra, entre o fora do comum e o cotidiano, entre o mistério e o banal.
Se religião foi, para muitos, uma emboscada anti-sexual, isso nada tem a ver com o sentido mais profundo do termo. quem foi que disse que Deus tem de ser necessariamente moralista, de direita, fazendo promessas de uma vida futura para que a gente se esqueça da vida presente? Quem foi que disse que Ele é existencialmente um conservado e politicamente um reacionário:

PECAR É APENAS “ERRAR O ALVO”

a palavra pecado, por sua vez, vem do latim “pecare” que significa tão comente “errar o alvo”. Logo, o pecador seria alguém com tendência a dar tiros e esmo e não acertar nos seus objetivos mais profundos – aqueles que lhe trariam maior grau de felicidade e realização. Instigado por “tentações”, o pecador sairia de sua rota, se extraviaria de seus caminhos, se perdendo em prazeres laterais. Daí as expressões “perdido”, “perdição”.
Entenda-se por “tentações” força de atração daqueles prazeres laterais que obrigam o “pecador” a desviar-se de seu fluxo mais central de desejos. “Tentação” é um desejo fissurado, que só pensa na sua gratificação instantânea e não se conforma em ter de se harmonizar com o todo – o conjunto dos desejos vistos de uma maneira mais global.
Ora, o que é uma compulsão senão um desejo fissurado e um prazer lateral que perturba, com sua boca voraz, a satisfação mais ampla dos desejos e prazeres? É, nesse sentido, algo que faz a pessoa perder o rumo, extraviar-se, errar o alvo.
logo, “tentação” é a maneira de dizer, uma linguagem mística o que, numa linguagem mais psicológica, se chamaria de compulsão. E “pecado”, “perdição” são as suas consequências. Não é sem motivo que alguém disse que o pecado nada mais era do que um “abuso do bom”. A busca fissurada do prazer.
Qual seria o remédio para esses males?
A convocação da serenidade e da autoridade do “Senhor” – símbolo da superação do desgoverno. Só a serenidade pode fazer frente à compulsão.
Essa convocação pode ser feita de muitas maneiras. Uma delas é através da prece.
Esse é para mim o sentido da Oração da Serenidade, proferida pelos grupos anônimos. Por conta de seu convite à transcendência das animalidades e da convocação dos níveis mais altos da mente e do sublime, faz parte, segundo esse ponto de vista, do Décimo Primeiro Passo.
Antes de passar ao próximo passo, cumpre aqui um esclarecimento, à guisa de tornar o texto mais rigoroso e cheio de precisão.
A Oração da Serenidade pelo contrário do que muitos pensam, não é uma oração universal com a qual se iniciam todas as reuniões dos grupos anônimos de mútua ajuda. No Brasil ela se tornou uma tradição – é verdade, porém, que nos Estados Unidos, por exemplo, muitas reuniões se iniciam sem oração alguma e outras se iniciam com orações diversas, entre as quais o Padre Nosso.
Fizemos essa meditação sobre ao Oração da Serenidade, portanto, como uma homenagem aos grupos brasileiros.
A rigor, pelo conteúdo do seu texto, se tivéssemos que escolher uma oração para representar o Décimo Primeiro Passo, ela seria a Oração de São Francisco, cujos versos evocam mais o sentido desse passo de entrega ao transcendente.

ORAR, NO FUNDO, É RECITAR POEMA – DR. EDUARDO MASCARENHAS

ORAR, NO FUNDO, É RECITAR POEMA

Dr. Eduardo Mascarenhas

Apesar de não se dizerem religiosos ou sequer teístas, os Grupos anônimos iniciam suas reuniões como uma oração em que invocam inclusive o nome de Deus.
À primeira vista, isso pareceria uma liturgia de inspiração protestante, no mesmo estilo de agradecer ao Senhor, antes das refeições, o pão de cada dia.
Bill e Bob, os fundadores dos primeiros grupos de Alcoólicos Anônimos, provavelmente eram protestantes, ou pelo menos porque viviam numa cultura protestante como a norte-americana foram por ela influenciados. O estilo com que são redigidos os Doze Passos e as Doze Tradições não deixa margem de dúvidas. Contudo, apesar dessas fortes aparências – nunca é demais repetir – os Grupos Anônimos não são protestantes nem exigem uma interpretação protestante de suas sugestões. Cada qual as interprete como bem lhe aprouver, como uma parábola.
A oração que inaugura as reuniões, chamada Oração da Serenidade, está portanto, aberta a interpretações. Seu texto é o seguinte: “Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, a coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir uma das outras”.
Vocês hão de convir, é uma bela oração.
Qualquer oração, contudo, desperta resistência em muita gente. É que ela desperta lembranças desagradáveis da infância, quando era obrigado a repetir frases então complemente sem sentido. Ou, se tinham sentido, era para algum tipo de prazer.
Entretanto, não podemos ser regidos pela criança que um dia fomos. Uma oração como a da Serenidade pode muito bem ser uma forma de relembrar as dificuldades que nos acossam todos os dias e os riscos de reagirmos de modo rasteiro e primitivo. Orar pode ser ainda uma forma de convocar nossos níveis psíquicos mais altos, nossas funções mentais mais elevadas. Noutras palavras, nossas virtudes.
O processo psicanalítico é uma forma de trazer para a consciência nossos níveis primitivos e pueris ou até nossos níveis mais criativos e originais, que ficaram esparsos nas nossas poeiras mentais. A escuta e a fala do psicanalista operam, assim, de modo análogo a uma oração. Só que a fala não será vazada em termos místicos nem universais. Mas será vazada em algum estilo ou retórica, o que já represente um certo grau de quebra de neutralidade e um certo grau de sugestão, no mau sentido do termo. Como a fala do analista não é vazada em termos universais, mas singulares, termos que emergem daquele momento singular, naquele encontro singular ela também marca uma diferença. Mas essa suposta “singularidade” não é tão singular assim, pois está poderosamente influenciada pelas teorias do psicanalista e estas não são singulares nem emergiram daquele encontro singular. São universais. De certo modo, pertencem ao sistema de crenças do psicanalista, seu credo teórico, sua religião científica. Não sei se o que o psicanalista diz para seu paciente, no fundo, no fundo, não passa de uma enorme e ultra disfarçada oração, que nem ele mesmo, psicanalista, sabe qual é. O que sei é que, na segunda frase do psicanalista, quem é do meio já sabe qual é o seu credo teórico e o que ele, em última instância, estará dizendo para o seu psicanalisando.
Assim sendo, creio ser superficial rejeitar uma oração só porque tradicionalmente ela vem ligada a um sistema fechado, autoritário e doutrinário.
O problema não está na oração. Está no sistema em que ela se encontra inscrita. Até porque todo discurso, vazado em termos místicos ou não, não passa de uma forma de oração. Tudo é oração. Tudo evoca e relembra um aspecto parcial desse universo infinito chamado vida. Evoca e relembra certos aspectos e esquece outros. Ilumina e lança sombras nesse mesmo ato de iluminar. O que importa não é o fato de a fala ser uma oração. E sim o fato de ela estar a serviço de sistemas libertários ou autoritários; se ela relembra e evoca para expandir e libertar ou para restringir e aprisionar. A mesma Oração da Serenidade – como qualquer outra oração, fala, ato ou discurso – pode provocar efeitos libertários e carcerários. Tudo depende de quem emite e de quem escuta. Não há discurso, em si, livre desses perigos. O conceito de neutralidade, de não interferência, de não intrusão é bem mais complexo do que parece à primeira escuta.
Em que difere, então, a oração das outras falas? No estilo de sua redação, em seu tom solene e transcendental, com sua evocação de forças misteriosas, poderosas, cósmicas.
Mas, se na nossa cultura, solenidade, transcendência, mistério e forças cósmicas são ligadas às tradições judaico-cristãs, isso não passa de uma circunstância histórica. Na realidade essas categorias, em si, não pertencem a nenhum sistema cultural. Podem pertencer a todos. Místicos, materialistas e pagãos. Mais ainda: as tradições judaico-cristãs não são homogêneas nem estáticas. Não só se movimentam e se transformam como estão sujeitas – como qualquer tradição – às interpretações de cada um. Tanto assim que existem até padres, pastores e rabinos das mais variadas tendências: desde tendências ultraconservadoras a tendências ultraliberais. Não existem o judaísmo, o cristianismo. Nada na vida é singular e absoluto. Tudo é plural e incompleto. Uma oração pode ser considerada uma espécie de poema místico ou transcendental. Seus ritos e cadências produzem efeito de solenidade e evocação. Paira algo sagrado no ar.
E sagrado não tem necessariamente nada a ver com religião. Sagrado pode ser um determinado momento entre uma mãe e seu filho, momentos entre casais enamorados, momentos dos cidadão em alguns acontecimentos cívicos. Quando cantamos o Hino Nacional, podemos estar fazendo uma espécie de oração; só que uma oração cívica e não religiosa.
Quando cantamos uma canção romântica, podemos estar fazendo uma espécie de oração; só que voltada para alguém e não ao céu. Até quando cantamos o hino do nosso clube ou o samba-enredo de nossa escola estamos fazendo uma espécie de oração. Só que esportiva ou carnavalesca.
O que caracteriza a oração é que ela visa a atingir a inteligência e a razão muito mais pela emoção. E pela repetição de evocação. Nisso, por exemplo, ela se diferencia de uma palestra ou discussão.
A serviço de que ela estará? É isso que importa. A serviço da ampliação da consciência? A serviço da superação desses cárceres chamados compulsões? A serviço de tornar conscientes ou inconsciente?
O resto é falta de conhecimento sobre a teoria dos discursos. É divinização das aparências imediatas. É esquecer que tudo o que se faz sistematicamente é uma liturgia, não mais que uma liturgia e que poderia perfeitamente ser feito de mil outras maneiras, através de mil outras liturgias.

REVISTA VIVÊNCIA

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE A.A. Nº 38 – NOV/DEZ 1995

NA DIREÇÃO DE DEUS
(Nize)

“Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse
todos estes defeitos de caráter (Sexto Passo). “Humildemente
rogamos a Ele que nos livrasse de nossas
imperfeições” (Sétimo Passo).

1º Passo: Aceitação – eu não posso.
2º Passo: Esperança – alguém pode.
3º Passo: Confiança – se eu deixar.
4º Passo: Autoconhecimento.
5º Passo: Humildade.

Meta: Maturidade emocional! – Através do Primeiro Passo, nos rendemos ante a doença do alcoolismo. Também percebemos nossa impotência diante, não só do álcool, como também diante de pessoas, sentimentos, situações e que devemos aprender a lidar com isto, se quisermos construir uma sobriedade rica e construtiva. O Primeiro Passo nos dá a nossa limitação humana.
Com o Segundo e Terceiro Passos, percebemos que, nesta busca, precisamos de ajuda. Necessitaremos não só pedir, como aceitar e isto significa que começamos a confiar, porque só peço e aceito ajuda quando confio que posso ser ajudado. Poderemos ver também que insanidade é tomarmos a mesma atitude esperando resultados diferentes. O Segundo Passo nos dá confiança, fé e esperança e o Terceiro Passo nos convida à entrega, que nos alivia de pesos desnecessários. Os três primeiros passos são de aceitação.
Com o Quarto e Quinto Passos, adquirimos os instrumentos para autoconhecimento e auto aceitação. Podemos aprender a nos perdoar e, quando compartilhamos, também começamos a ver aspectos em nós que sozinhos seria difícil perceber. Assim, quando saímos do Quinto Passo, a sensação é de alívio. Agora precisaremos mais do que nunca de humildade, porque o Quarto e Quinto Passos nos ajudaram a identificar nossos defeitos de caráter, mas não nos libertaram deles.
À medida que vamos atuando com os Sexto e Sétimo Passos, vamos percebendo que podemos ir adquirindo:
Responsabilidades com nossos sentimentos e atitudes: Porque nos propõe avaliarmos honestamente nossas atitudes e identificarmos nossos sentimentos, para que possamos lidar adequadamente com situações e mudarmos quando necessário:
– quem não gosta de se sentir um pouco superior ou mesmo bastante superior?
– quem não gosta de deixar que a avareza se faça passar por um acúmulo necessário de bens?
– quem não exacerba seu auto respeito, transformando-o em orgulho?
Boa vontade para atuar em cima de nossas mudanças: Se quisermos obter algum resultado concreto na prática dos Sexto e Sétimo Passos para a solução de problemas fora do álcool, precisaremos fazer uma tentativa: sermos menos teimosos e em vez de dizermos que “a isto jamais renunciarei”, digamos: “a isto ainda não posso renunciar”. Não digamos “nunca”; isto pode ser uma abertura perigosa e pode nos fechar a porta para a mudança, para a graça de Deus e para ajuda dos grupos.
Os Sexto e Sétimo Passos são um convite à mudança e representam a chave que nos abre a porta para o nosso amadurecimento emocional. Também nos ensina que cabe a nós a tarefa inicial desta mudança e nos propõe também a conviver com equilíbrio com as coisas que não podemos modificar. Mostra-nos que a diferença entre o adolescente e o adulto é igual ao que existe entre a luta por um objetivo qualquer de nossa escolha e a meta perfeita que é Deus. Os Sexto e Sétimo Passos usam diretamente a palavra Deus, e é na direção Dele que apontam estes passos. Isto significa que ao relembrarem estes passos são um convite à superação dessa mania de tudo saber ou de tudo poder, ou seja, ao relembrarem Deus, tornam-se um convite à superação desta mania de querer ser Deus, quebrar a onipotência – tirar carteirinha de ser humano.
“Ajudai-me, Senhor, a mudar aquelas coisas que posso modificar, mas ajudai-me ainda mais, Senhor, quando sei exatamente o que devo mudar, mas não tenho a coragem de fazê-lo”.

“A LIMITAÇÃO DO HOMEM É A OPORTUNIDADE DE DEUS”.

Vivência nº 38 – Novembro/Dezembro 1995

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE A.A. Nº 38 NOV/DEZ 1995

AS TRÊS PARTES DA ESPIRITUALIDADE
Anônimo (Grapevine – 91)

Espiritualidade é ser responsável? Pagar as contas, ajudar
os outros, trabalhar direito, ir às reuniões.
Veja a opinião do autor.

Fui ao meu padrinho, um homem muito sábio, e perguntei-lhe:
– Qual é o sentido exato de espiritualidade em A.A.? Estou realmente confuso.
Meu padrinho inclinou-se para trás na cadeira, entrefechou os olhos e olhou bem olhado para mim.
– Você já está com mais de dez anos de sobriedade?
– São quase doze agora.
– Tem lido o Livro Azul ultimamente?
– Bom, eu vou a um grupo que estuda o Livro Azul uma vez por semana – respondi.
– Então eu vou lhe contar uma história e você pode tirar as suas próprias conclusões.
Eu achei que isso ia se transformar numa longa sessão, por isso me reclinei também e entrecerrei os olhos.
Meu padrinho continuou:
– O Livro Azul conta que a vida espiritual não é uma teoria, que nós precisamos vivê-la. Esta história é sobre um homem que não estava em A.A. e que passava muito tempo dentro da igreja. Ele indicava os lugares aos domingos e cantava no coro da igreja. Ele realmente sentia-se espiritual. Mas, passado algum tempo, a quantidade de cachaça que ele consumia aumentou a um ponto tal que ele perdeu o controle.
Ele se tornou um dos nossos. Para sorte dele, encontrou A.A. e se recuperou. Ele continua indo à igreja, mas a sua atitude mudou. O que aconteceu? Ele começou a ajudar os outros. Ele se tornou responsável.
– Você quer dizer que ser responsável tem algo a ver com espiritualidade? – perguntei.
– Tem tudo a ver. Nós temos de vivê-la, não só falar a respeito. E ser responsável significa fazer as coisas certas, numa base diária.
– O que você quer dizer exatamente? – disparei de volta.
– Ser responsável significa simplesmente fazer coisas, como pagar as contas na data certa, ir trabalhar na hora, fazer a minha parte no serviço da casa, se necessário, e assim por diante.
Isso não significa que a gente não possa se divertir – o divertimento e as férias são muito importantes. Eu também preciso cuidar da minha saúde, tendo uma alimentação adequada e fazendo exercícios regularmente.
– Ta bom. É isso aí, então?
– Isso é uma boa parte, mas tem mais. Como uma pessoa responsável, também preciso ser razoavelmente bem disciplinado: ir às reuniões em uma base regular, trabalhar nos Passos em uma base regular, fazer exercícios em um horário regular.
– Mais alguma coisa? – quis saber eu.
– Bom, um outro item de peso é estar disponível. Quando pessoas pedem ajuda, eu preciso poder estender a mão e ouvi-Ias, escutar o que têm a dizer sobre a sua situação. Em alguns casos, preciso levar as pessoas à sua primeira reunião, para que comecem. É necessário que esteja disponível.
– Está me parecendo que a espiritualidade é mais ação do que oração.
– Certo. Mas a oração é muito importante, porque necessito da ajuda do meu Poder Superior em todas as coisas. Resumindo: para mim, espiritualidade compõe-se de três partes: ser responsável, ser um tanto quanto disciplinado, e estar disponível.
– Isso me cheira a um trabalho de tempo integral – resmunguei.
– É isso aí, finalizou o meu padrinho, mas é a maneira mais fácil de se conseguir paz de espírito que eu conheço.
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ESSÊNCIA DO CRESCIMENTO
Que nunca tenhamos medo de mudanças necessárias. Certamente temos que fazer a diferença entre mudanças para pior e mudanças para melhor. Mas desde que uma necessidade se torna bem
aparente num indivíduo, num grupo ou em A.A. como um todo,
há muito já se verificou que não podemos ficar estacionários. A
essência de todo crescimento é uma disposição de mudar para
melhor e uma disposição incansável de aceitar qualquer responsabilidade que essa mudança implique. (Bill W.)
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Vivência nº 38 – NOVEMBRO/DEZEMBRO 1995

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE A.A. Nº 38 – NOV/DEZ 1995

DEUS, MEDO E RECUPERAÇÃO
(Beto, Vilhena/RO)

Os Passos como caminho para
viver a vida em paz, sem os tão
conhecidos medos.

Ás vezes penso que Deus e nossa consciência estão interligados. No meu tempo de bebedeiras, a palavra Deus, soava como algo opressor, castigador. Tudo o que os clérigos, autoridades, psiquiatras e a sociedade “politicamente correta” diziam, imediatamente leva para o campo pessoal, fazia com que a ira viesse à tona e começava a defender teses e opiniões que, muitas vezes, nem minhas eram. Automaticamente, gerava controvérsias nas quais eu precisava ficar com a última palavra. Como resultado as pessoas ficavam chateadas e se afastavam. Não bastasse isso, minha vida atolada em desonestidades, confusões sexuais, problemas financeiros e o orgulho bombardeado por fracassos, fazia-me sentir totalmente culpado perante o “Deus Castigador”. Não é de se admirar que ficasse com minha consciência pesada.
Hoje, estou tentando colocar em prática os princípios de A.A. no meu dia-a-dia. Procuro, através da prece e da meditação, alcançar o caminho correto. Esse mesmo “Deus Castigador” se tornou Deus Perdão, Deus Amor, amigo íntimo que sabe tudo sobre minha vida e está do meu lado, mesmo quando repito aqueles erros do passado. Não sinto mais medo e revolta em relação a Deus. Ao invés disso, tenho por Ele admiração, respeito e amor que fazem me sentir extremamente bem.
O mesmo ocorre com a sociedade. Quando uma pessoa expõe seu ponto de vista ou uma crítica, não fico com raiva, simplesmente procuro analisar o que foi dito. Se houver alguma ligação comigo, aceito e procuro reparar o que for necessário, se não houver, deixo que a coisa toda vá embora, ficando, assim, com a consciência livre e leve para seguir adiante. Assim sendo, fica fácil concluir que se minha consciência estiver direcionada às coisas boas e eu estiver trabalhando por elas, Deus é bom, mas, se não houver um esforço para progredir no campo pessoal e espiritual, qualquer erro que venha a cometer me fará pensar que Deus é ruim, que está de olho em mim.
Então, qual é a diferença, o motivo que separa o trabalho da inércia? Ora, todos nós sabemos que os Doze Passos são a solução para os nossos problemas. Se analisarmos bem, descobriremos que o único motivo que nos impede de praticá-los é o medo de fazê-los errado, ou, medo de que seja muito difícil fazê-los.
Observem o que Liane Cordas, em seu livro O Lago da Reflexão, tem a dizer sobre o medo: “Enquanto o medo domina nosso pensamento, podemos fazer muito pouco para modificar nossas circunstâncias para melhor. O medo paralisa qualquer ação útil ou construtiva. Medos de derrota, humilhação, perigo, inadequação e sofrimento podem esgotar nossas forças e coragem para enfrentar os desafios da vida. Nossos medos também nos impedem de perseguir oportunidades para o crescimento e o sucesso. Quantos de nós, antes de nossa exposição a esta filosofia viva, tínhamos medo de assumir o controle de nossa vida? Quantos de nós procurávamos compensar os medos de inadequação,
assumindo responsabilidades e problemas dos outros? Uma vez aceitando esta filosofia, somos ensinados a superar as dificuldades, limitando as preocupações a coisas que estão ao nosso alcance controlar. Aprendemos a viver um dia de cada vez. Somos lembrados de que não podemos modificar ninguém além de nós mesmos”.
Companheiros, mente aberta para o Segundo Passo e a chave da boa vontade do Terceiro Passo são suficientes para começar a caminhada em direção aos nossos ideais.

Vivência nº 38 – Novembro/Dezembro 1995

SAIBA MAIS UM POUQUINHO SOBRE NOSSA TERCEIRA TRADIÇÃO

SAIBA MAIS UM POUQUINHO SOBRE NOSSA TERCEIRA TRADIÇÃO.
A primeira Mulher que foi expulsa do AA

E tornou-se a razão da nossa Tradição #3
A pioneira de AA Sybil Corwin fala de história…

Isto me foi passado por um amigo. Penso que vocês gostem deste pedacinho de nossa história sobre um dos “porquês” de termos Tradições.
Esta é a história de Irma Livoni. Todos os anos por volta desta época, eu tento contar esta verdadeira história sobre o que aconteceu em 7 de Dezembro de 1941 (Dia da Invasão de Pearl Harbour pelos Japoneses) mas não só por isso e sim para contar o que aconteceu a uma das poucas mulheres que estava em AA naqueles tempos e sobre uma carta que ela recebeu pelo correio na segunda-feira, dia 8 de Dezembro, que literalmente, a expulsou de AA.
Em Dezembro de 1984, eu estava sóbrio há já 2 anos e meio, e trabalhando com meus padrinhos B ob e Sybil Corwin desde Janeiro. Sybil parou de beber em Março de 1941 e a esta altura estava, portanto, sóbria a 43 anos. Estávamos voltando para casa de carro de uma reunião e ela me perguntou a data (ela só sabia que era domingo). Eu a informei que era 8 de Dezembro e que no dia anterior (7 de Dezembro) fora o aniversário do Dia da Invasão de Pearl Harbour.
Ela disse: “Matt, eu já te contei sobre Irma Livoni?” “Não,” respondi. “Quem é ela? ”Ela disse: “Bem, quando chegarmos em casa, entre para um café e eu te conto uma estória sobre a história de AA e algumas das razões pelas quais temos a nossa Tradição 3. Aliás, Matt, você sabia que nossa literatura fala especificamente de “pederastas, doidos varridos e mulheres decaídas” ? e já que eu e você somos pelo menos duas de tais pessoas, deveríamos estar especialmente agradecidos à Tradição 3. Eu lhe mostro quando chegarmos em casa.”
Eu ri alto e bom som uma vez que a Sybil possuía um grande senso de humor e ela já fora uma dançarina de boite antes de ficar sóbria, sabe, daquelas que cobravam 10 centavos por cada dança, e desde então já se divorciara duas vezes e era uma mãe solteira além de alcoólica naquele tempo, portanto descrevê-la como “uma mulher decaída” não estava longe da verdade de então.
Ela me disse que era muito diferente nas décadas dos anos 30 e 40 para uma mulher que fosse alcoólatra. Sybil disse que era um tempo quando as mulheres usavam chapéus e luvas e “mulheres de respeito” dificilmente seriam vistas em bares ou em festas de arromba. Nossos estudos dos Passos às quintas-feiras haviam resolvido para não abordar as Tradições antes de chegarmos ao Passo 12, portanto, imaginei que estas não seriam muito importantes e pensava que provavelmente eu morreria de tédio com esta conversa, mas ela prendeu minha curiosidade falando que nossa literatura se referia a “pederastas, doidso varridos e mulheres decaídas”, então concordei em entrar para um café. Além disso, Sybil já estava sóbria há mais tempo que eu tinha de vida. Eu não discutia muito com ela…
Em casa, Sybil pegou seu exemplar do Grande Livro. E disse, tome, quero que você me encontre as tradições aqui e leia para mim a Tradição 3. Aquele exemplar era a primeira edição do Livro Grande. Muito maior que o meu. Eu perguntei falando do tamanho do livro: “É por isso que chamam de Livro Grande ou Grande Livro?” Ela disse, “exatamente. Bill mandou imprimi-lo em folhas grandes, com amplas margens em volta do texto para que as pessoas achassem que estavam recebendo algo “volumoso” pelo seu dinheiro.”
Eu olhei no final do livro onde pensei que estariam as Tradições, mas não as encontrei. Disse: “Eu não consigo encontrá-las Sybil.” Ela respondeu: “É claro. Isto é porque ainda não tinhamos quaisquer tradições pelos idos de 1941 quando eu ingressei, e Matt, AA estava em risco mortal de se destruir, e é por isso que agora temos as Tradições.” Então ela me mandou procurá-las no meu exemplar da 3ª edição e no meu livro dos 12 mais 12.
Eu não a li por inteiro. Só o enunciado sob o título, e ela então começou a me contar a história de IRMA LIVONI.
Irma era uma de suas afilhadas. Também ingressou em 1941, logo após ela mesma. Sybil a acolheu em sua casa. (Ela me contou que naquele tempo, o fundo de poço de muitos era bem fundo, sem casa, sem trabalho, sem relógio, sem carro, nada). Sybil disse que era muito diferente naquele tempo para uma mulher ser uma alcoólatra. Que a maioria delas havia queimado todas as pontes atrás de si de acesso às suas famílias, e eram olhadas por cima e depreciadas, muito mais que os alcoólatras masculinos. Sybil contou que ela ficou observando o AA ajudar Irma a ficar sóbria, limpa e construir uma nova vida e conseguir sua primeira moradia através da sobriedade.
Aí ela contou que no dia 5 de Dezembro de 1941, um grupo auto-proclamado de membros assinou uma carta dirigida a Irma e a postou no correio dois dias antes do Dia de Pearl Harbour, naquela mesma sexta-feira, 5 de Dezembro.

Eis uma cópia dessa carta.

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ALCOÓLICOS ANONIMOS

Caixa Postal 607

Hollywood, California

5 de Dezembro de 1941

Irma Livoni

939 S. Gramercy Place

Los Angeles, California

Prezada Sra. Livone:

Em uma reunião do Comitê Executivo do Grupo de Alcoólicos Anônimos de Los Angeles, tida em 4 de Dezembro de 1941, foi decidido que sua freqüência às reuniões do grupo não era mais desejada até que viessem a ser dadas certas explicações e planos para o futuro que satisfaçam o comitê. Esta decisão foi tomada por razões que deverão ser claramente evidentes para a senhora. Foi decidido que, se assim desejar, poderá comparecer diante dos membros deste comitê e declarar sua atitude.
Esta oportunidade lhe será concedida entre a data atual e 15 de Dezembro de 1941. V.Sa., pode comunicar-se conosco no endereço acima até aquela data.

Caso não deseje comparecer, considerarmos o assunto encerrado e sua participação encerrada.

Alcoólicos Anônimos, Grupo Los Angeles

Mortimer, Frank, Edmund, Fay D., Pete, Al

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Eu estava atônito. “Como eles puderam fazer isto Sybil?” É porque nós não tinhamos quaisquer guias de orientação, quaisquer tradições para nos proteger dos bem intencionados. AA era ainda muito nova, e as pessoas faziam muitas coisas pensando que estavam protegendo a Irmandade.”
Sybil então me disse para fechar os olhos e imaginar que eu estava naquele tempo e cenário. Ela explicou novamente que o dia 7 de Dezembro era o dia da invasão de Pearl Harbour, um domingo. Ela disse que naquele domingo, todo mundo em Los Angeles estava com medo de que a cidade também seria atacada e bombardeada. A energia foi desligada e a cidade estava às escuras, tanto que se temia tal ataque. Ela contou que no dia 8, segunda-feira, o Presidente Roosevelt discursou dizendo que aquela data viveria na infâmia e que daquele fato em diante estávamos em guerra com o Japão e com a Alemanha.
E foi naquele dia que Irma recebeu a carta. Naquele tempo só existia uma única reunião em todo o estado da California, quando a própria Sybil havia ingressado em 1941. Em Dezembro pode ser que já havia outros 2 ou 3 grupos, mas Irma não tinha para onde ir, ninguém a quem recorrer, e não havia nenhum outro grupo na California a que ela pudesse pedir ajuda.
“Imagine,” disse Sybil. “Somente 1 ou 2 reuniões em todo o seu estado, e você sendo rejeitado pela própria família e pela sociedade e pelo único grupo de pessoas que estavam do seu lado, seu grupo de AA todo. Imagine eles fechando a porta na sua cara e lhe mandando tal carta.”
Eu estremeci ao pensar nisso. Era época natalina, as lojas estavam decoradas e a pobre Irma ficou sozinha. Eu viajei mentalmente para pensar como era em 1984, quando já havia cerca de 2000 reuniões por semana só na California do Sul, e então imaginei como seria não haver nenhuma ajuda para um alcoólatra desesperado.
Sybil me contou que a Irma nunca mais voltou a uma reunião, deixou o AA e morreu de alcoolismo. Ela chegou a escrever ao Bill sobre o incidente, e eu não posso lhe dizer que esta foi a razão, mas parece que o trecho seguinte da Tradição 3 se aplica exatamente sobre tal situação.

Trecho da Tradição 3, do livro 12+12, página 141:

“… de que jamais puniríamos ou privaríamos quem quer que fosse de fazer parte de AA; de que jamais devemos compelir qualquer um de pagar seja o que for; acreditar ou conformar-se com o que quer que fosse. A resposta a isto agora contida na Tradição 3 é simples por excelência. Finalmente, a experiência tinha nos ensinado de que, privar a qualquer alcoólico da oportunidade integral, era freqüentemente ditar-lhe a sentença de morte, e não raro condená-lo à miséria (desgraça) infindável. Quem ousaria ser juiz, júri e carrasco de seu irmão doente?”
JUIZ, JÚRI E CARRASCO. Me lembro de olhar para estas palavras repetidamente. A cada vez pareciam-me crescer cada vez mais.

JUIZ, JÚRI E CARRASCO
JUIZ, JÚRI E CARRASCO
JUIZ, JÚRI E CARRASCO

Na realidade, eu não havia notado “carrasco” quando li este trecho a primeira vez no meu grupo de estudos. Mas agora, senti-me mal novamente por esta pobre senhora. Puxa. Estas palavras passaram a ter um significado muito mais profundo agora do que da leitura anterior. Então eis que, 23 anos mais tarde, e em cada 7 e 8 de Dezembro, sempre me lembro da Irma Livoni, e imagino o quanto sou afortunado de agora termos tradições. Penso também o quanto eu foi feliz de conhecer a Sybil e afortunado por ela ter-se se proposto a ser minha madrinha.
Anos mais tarde, entendi que tudo que ela me havia ensinado era tesouro, mas em 1984 eu ainda não fazia ideia de quem a Sybil era realmente nem quanto eu era feliz por tê-la como madrinha. Ela era uma peça ambulante da história viva mas eu só entendi o quanto era importante isso para compreender porque nós fazemos algumas coisas tais como a história que ela me contou de que antes eles nunca diziam “Olá Sybil” ou ninguém dizia “Olá, meu nome é Matt e eu sou um alcoólico” naqueles tempos idos.
Além de ser uma das primeiras mulheres em AA, Sybil foi a primeira mulher a oeste do Mississippi. Ela também se tornou e coordenou o escritório central de Los Angeles por 12 anos, e tornou-se uma amiga intima de Bill e Lois. Ela e seu Bob até costumavam passar férias com eles. Ela costumava me contar todo tipo de histórias sobre Bill Wilson e as coisas que ele dizia a ela.
Ele sempre se interessou muito em saber como o AA funcionava para as mulheres, já que naquele tempo havia muito poucas no AA mundial. Marty Mann chegou antes de Sybil; mas poucas das que vinham ficavam sóbrias.
Naquela noite aprendi que ninguém pode ser expulso de AA. Podemos convidar um bebado que nos perturbe a ficar quieto, ou podemos convidá-lo para fora da sala naquele dia, mas não votamos para expulsar quem quer que seja de vez.
Nem desprezamos qualquer pessoa por causa de nossas linhas guia, e nossas tradições nos dizem que ninguém tem que acreditar em nada (ninguém sequer precisa gostar de mim) nem tem que aceitar conformadamente qualquer coisa; não têm que se vestir de alguma maneira definida, ou fazer a barba, ou pagar qualquer coisa. Mesmo que eu volte novamente a ficar bêbado, ainda continuarei a ser bem vindo a uma reunião de A.
Esta é, portanto, a história de Irma Livoni. Passe isto adiante a vontade, para qualquer um que voce ache que possa se interessar em saber um pouco mais do como e porque as tradições surgiram. Para mim, esta história da rosto e forma à Tradição 3, o rosto de uma mulher que nunca conheci, e que foi expulsa de AA. Que voltou a beber e morreu.
Notas:

(Este relato foi escrito originalmente em 1984)

Sybil foi a primeira mulher a ficar sóbria em AA a oeste do Rio Mississippi. Ao se recuperar de uma ressaca em uma sauna pública de Los Angeles, ela se deparou com um exemplar da revista Saturday Evening Post datado de 1 de Março de 1941, e leu o artigo de Jack Alexander sobre Alcoólicos Anônimos. Ela escreveu ao AA de New York, e Ruth Hock, secretária de Bill W., respondeu-lhe uma semana depois, levando-a a ingressar no “Grupo Mãe” de AA em Los Angeles. Sybil permaneceu sóbria por toda sua vida, administrou o Escritório Central de Los Angeles por muitos anos e antes de sua morte, tornou-se o membro sóbrio mais antigo de AA..
O companheiro John M, dos Steppers da OIAA, ele próprio acabando de completar 43 anos, teceu os seguintes comentários adicionais a esse respeito:
Grato por postar isso Ewart. Eu participei de reuniões com a Sybil C nos anos 70 em Los Angeles e ouvi suas partilhas muitas vezes. Penso que a nossa “cotovia” Toni (também membro dos Steppers atuais) também a conheceu. Sybil faleceu em 1998. Ela era muito eloquente e ela mesma uma parte importante da história de AA. Permaneceu sóbria por quase 60 anos de sua longa vida. Ela com certeza tornou-se a mulher sóbria mais antiga de AA ao falecer.
… … …. Naquele tempo, eu mesmo vi uma cópia carbono da tal carta datilografada do Comité Executivo e o texto que você passou é exatamente esse, exceto que ela foi assinada pelos membros com seus nomes completos. Essa cópia está arquivada no Escritório Central de LA…
Mas, informações posteriores afirmam que Irma Livoni parece não ter morrido de voltar a beber como se acreditou e temeu. Ela teria vivido outros 35 na vizinha cidade de Long Beach e morreu em 1974… Esta última informação vem do grupo no Yahoo Amantes da História de AA (AA History Lovers-yahoogroups), que vem pesquisando o assunto há algum tempo.
Mas é indubitável que este caso teve um forte impacto sobre Bill W e tornou-se o alicerce por trás da Terceira Tradição de AA.

Li gostei copiei e colei.
E. Ávila.

CAPÍTULO 4 DO LIVRO ALCOÓLICOS ANÔNIMOS – NÓS OS AGNÓSTICOS

CAPÍTULO 4 DO LIVRO ALCOÓLICOS ANÔNIMOS. NÓS OS AGNÓSTICOS.

A minha experiência em A.A. me diz que, ao analisar um tema de nossa Irmandade, tenho que ver bem seus princípios em conjunto e considerar o espírito de A.A. como um todo, pois se eu usar somente uma parte desse todo, isoladamente, e/ou analisar sob a influência de minhas crenças ou do meu meio, sabendo que o A.A. é um programa essencialmente espiritual, universal e neutro ems todos os aspectos externos, certamente incorrerei em engano.
A concepção de um Deus é uma sugestão de A.A. que não é muito bem entendida por seus membros, apesar de que muitos de nós chegamos na Irmandade brigados com Deus, descrentes nele ou mesmo não acreditando em sua existência, poucos procuram saber o que quer dizer conceber um Deus. Inicialmente eu pensava que Deus era aquele que eu havia aprendido da religião, tinha quase uma ideia de um ser antropomorfo, formado como eu mesmo, era uma ideia vaga a qual nunca havia analisado ou discutido com outros sobre ela, inicialmente na minha vida aquela informação satisfez, com a sugestão de A.A.., não no começo, mas mais adiante, comecei a me perguntar o que era Deus pra mim, e analisando e trocando ideias sobre o assunto, sem ter uma concepção bem clara e última pois isto não é do alcance humano,, mas passei a entender que se tudo nesse nosso universo é energia, os corpos humanos, os objetos, as casas, os astros, os espaços vazios do universo e entre os seres, Deus só pode ser Energia, pois ele permeia tudo, é tudo. Esta é a minha concepção de Deus hoje.

É sob essa ótica que comento alguns trechos do Livro Azul aqui.

1 – Capítulo 1. História de Bill W.

Faço alguns comentários sobre o capítulo 1.
Ali se vê claramente, que Bill naquele momento, não fazia distinção definida entre religiosidade que, sempre deverá estar ligada a alguma religião, e espiritualidade que pode não estar ligada a nenhuma religião e/ou filosofia. Mais tarde A.A. nos legou de modo inequívoco que é um programa espiritual, e não religioso, e como tal devemos tratá-lo. Demonstrou ali Bill também, a sua resistência a termos religiosos, como para nominar a Divindade ou a citações religiosas. Essa rejeição ou reserva, a expressões e/ou citações religiosas bem definidas, (que indicam uma religião, explícita ou implicitamente, com origem da grande influência religiosa da época) é comum a muitos alcoólicos, e quase sempre geram elas divergências entre nós, afetando sempre a Unidade.

“Meu amigo sugeriu o que me pareceu uma ideia original. Ele me disse: Porque você não escolhe a própria concepção de Deus? ” Pág. 35..

2 – Capítulo 2. Há uma solução.

“Assim, ao sermos abordados por aqueles em quem o problema havia sido solucionado, nada nos restava além de apanhar a simples caixa de ferramentas espirituais colocadas a nossos pés. Encontramos o paraíso e fomos lançados numa quarta dimensão da existência, com a qual jamais havíamos sonhado”. Pág. 48.
“Não há exceções? Há respondeu o médico. Exceções a casos como o seu têm acontecido sempre. Aqui ou ali, uma vez ou outra, alcoólicos têm passado por experiências espirituais vitais”. Pág. 50.
“Ao ouvir isto, nosso amigo sentiu-se um pouco aliviado, pois refletiu que, afinal de contas, era um bom membro da igreja. Esta esperança, entretanto, foi destruída pelo médico quando lhe disse que, embora suas convicções religiosas fossem muito boas, não significavam, no seu caso, a experiência vital necessária”. Pág. 50.

(Segundo entendo a experiência espiritual vital necessária, quando não ocorre de modo repentino e de certa forma extraordinária e não explicável, só consigo atingir quando consigo praticar de modo bastante adequado e persistente, e isto é pessoal, Os passos onde o 11º é vital entre os outros que continuamos percorrendo sempre, o que se constitui um programa essencialmente espiritual, para toda a vida, e para aqueles que buscam a sobriedade emocional e a paz).

3 – Capítulo 3. Mais sobre o alcoolismo.
“Declaração de um médico de um hospital mundialmente famoso: “Mesmo não sendo religioso, tenho um profundo respeito pelo enfoque espiritual em casos como os seus”. “Sua defesa precisa vir de um Poder Superior. ” “ Pág. 64 e 65.

4 – Capítulo 4. Nós os Agnósticos.

“Se for este o caso, você pode estar sofrendo uma doença que somente uma experiência espiritual poderá controlar.” Pág. 67.
“Precisávamos encontrar um poder através do qual pudéssemos viver”. E precisava ser um Poder superior a nós mesmos. Mas onde encontrar esse poder?
“Bem, é exatamente disto que trata este livro. Seu principal objetivo e ajuda-lo a encontrar um Poder superior a você, que resolverá seu problema. Isto significa que escrevemos um livro que acreditamos ser tanto espiritual quanto moral, e significa, é claro, que falaremos de Deus. Aqui começa a dificuldade para o agnóstico. ” ……..sua expressão se anuvia quando tocamos em assuntos espirituais e, sobre tudo quando mencionamos Deus, pois reabrimos um tema do qual aquela pessoa havia simplesmente se afastado ou ignorado por completo. ” “Sabemos como ele se sente. Compartilhamos de suas honestas dúvidas e preconceitos. Alguns de nós fomos violentamente antirreligiosos. Para outros a palavra “Deus” trazia a recordação específica de algo que havia sido usado para impressioná-los na infância. Pág. 68.
“Tão logo admitimos a possível existência de uma Inteligência Criativa, de um Espírito do Universo como base de tudo o que existe, começamos a nos deixar dominar por um novo sentido de poder e direção, desde que tomássemos outras providências simples. ” Pág. 69.
“Quando, portanto, falamos de Deus com você o concebe, queremos falar de seu próprio conceito de Deus”. Isto se aplica, também, a outros termos espirituais encontrados neste livro. “Não deixe que preconceito algum, de sua parte, contra termos espirituais possa impedi-lo de perguntar, honestamente, a si mesmo o que significam para você”. “No princípio, isto foi tudo o que precisamos para dar início a um crescimento espiritual, para criar nossa primeira relação consciente com Deus, assim como cada um de nós O concebia”. Pág. 69.
“Tratava-se de crescimento, mas, se quiséssemos crescer era preciso começar de algum lugar. ” “….Então usamos nosso próprio conceito por mais limitado que fosse. ” “Acredito agora ou pelo menos desejo acreditar que existe um Poder Superior mim? ” Tão logo alguém possa dizer que acredita, ou quer acreditar, podemos garantir, enfaticamente, que está no caminho certo. Pág. 70.

(Entendo que a verdadeira fé de que A.A. me fala, é a fé não decorrente do que me ensinaram, mas a fé que tem origem na minha experiência, ou seja, ao praticar os passos vim a sentir em mim a presença Divina através de Sua proteção e inspiração, vivenciando assim a Sua existência, na sobriedade e na paz de espírito e na sua providência em tudo que preciso, apesar dos conflitos externos).

(Entendo ainda que quanto ao ateu, ao agnóstico e ao crente de qualquer matiz, A.A. me sugere que use a tolerância e a não agressão com exposição de minhas crenças pessoais de modo como se fosse a única verdadeira. Penso que aí o melhor caminho é eu não criticar ninguém pelo seu crer, nem qualquer religião, filosofia ou crença, nem a ausência de uma ou de todas estas, quer seja crítica de modo implícito ou explícito. O ateu e o agnóstico acabarão crendo em algo superior a eles, e no modo da concepção de cada um e no tempo certo).

(Penso que o que aprendi de todos os setores da vivência humana, que poderia dar como origem a cultura geral, foram no sentido da busca da materialidade, do prazer, do prestígio e do poder. Tudo isto me levou ao puxão de orelha Divino, que foi o meu alcoolismo ativo, mas que me trouxe ao AA. com seu programa essencialmente espiritual que me ensinou a viver sem beber, em paz e já um pouco sóbrio também emocionalmente, apesar das vicissitudes inerentes à vida. Por tudo isto, agradeço ao Deus da minha concepção).

“Ao vermos outras pessoas resolverem seus problemas por meio de uma simples confiança no Espírito do Universo, fomos obrigados a parar de duvidar do poder de Deus”. “Nossas ideias não funcionavam. Mas a ideia de Deus dava certo”. Pág. 74.
Como sempre os comentários e meu modo de ver esse tema, é meu caminho, nada contra o caminho de quem quer que seja.

Abraços fraternos, paz, luz e mais 24 h sóbrias.
magno/RS.

A IGREJA DA MEIA-NOITE

A Igreja da Meia-Noite
Philip Yancey

Recentemente fui a uma igreja singular que consegue atrair milhões de membros devotos todas as semanas sem ter sede denominacional e nem funcionários contratados. O nome é Alcoólicos Anônimos. Fui a convite de um amigo que me confessara, pouco tempo antes, seu problema com a bebida. Ele me disse:
– Venha comigo, e verá uma amostra de como deve ter sido a Igreja primitiva.
À meia-noite de uma segunda-feira, entrei em uma casa caindo aos pedaços, que já abrigara seis sessões naquele dia. Nuvens de fumaça de cigarro pairavam no ar como gás lacrimogêneo. Não passou muito tempo antes que eu percebesse o que meu amigo queria dizer com sua alusão à Igreja primitiva. Um político muito conhecido e vários milionários proeminentes se misturavam com desempregados desanimados e garotos que colocavam band-aids nos braços para esconder as marcas das agulhas. O “momento de compartilhar” foi semelhante às descrições de terapia ideais que encontramos nos livros de cursos de psicologia. As pessoas ouviam em compaixão, respondiam com ardor e abraçavam-se ao final. As apresentações eram mais ou menos assim:
– Oi, sou Tom, e sou dependente de álcool e drogas.
Imediatamente todos gritavam em uníssono, como um coral do teatro grego:
– Oi Tom!
Cada participante da reunião deu o relatório de seu progresso pessoal na batalha contra a dependência. Cartazes com frases simpáticas – “Um dia de cada vez”, “Você consegue”- enfeitavam as paredes desbotadas da sala. Meu amigo acredita que esses arcaísmos revelam outra semelhança com a Igreja primitiva. A maior parte da sabedoria de A.A. é passada de uma pessoa para a outra pela tradição oral, que vem desde a fundação da entidade, há mais de sessenta anos. Ninguém usa muito as publicações atualizadas de A.A. e nem seus artigos de relações públicas. Em vez disso, confiam principalmente em um velho livro embolorado com o título prosaico: Alcoólicos Anônimos, conhecido como O Livro Grande, que conta a historia dos primeiros membros, em um estilo pomposo, parecido com o da Bíblia.
A.A. não possui qualquer propriedade, não tem uma sede com luxos como mala direta e centro de mídia, não há uma equipe de consultores bem pagos e nem conselheiros de investimentos a cruzar o país de avião. Os fundadores do movimento estabeleceram garantias que acabariam com qualquer iniciativa para implantar a burocracia. Acreditavam em que o programa só teria sucesso se permanecesse no nível mais básico e intimo: um alcoólico dedicando sua vida a ajudar outro. Mesmo assim A.A. mostrou-se tão eficaz que mais de 250 organizações, de Chocólatras Anônimos a grupos de pacientes com câncer, surgiram como uma imitação consciente de sua técnica.
Os muitos paralelos com a Igreja primitiva não são meras coincidências históricas. Os fundadores cristãos insistiram em que a dependência de Deus deveria ser uma parte obrigatória do programa. Na noite em que participei da reunião, todos na sala repetiram em voz alta os doze princípios, que reconhecem total dependência de Deus para perdão e força (os membros mais agnósticos podem substituir pelo eufemismo “Poder Superior”, mas depois de algum tempo isso começa a soar tão vazio que eles geralmente acabam passando para Deus). Durante os momentos de compartilhar, algumas pessoas usaram o nome de Deus em uma série de profanidades, e na sentença seguinte agradeciam a Ele por ajudá-las a atravessar mais uma semana.
Meu amigo admite abertamente que A.A. tomou o lugar da igreja na vida dele, e isso às vezes o perturba. Ele denomina a situação de “a questão Cristológica” de A.A. E diz:
– A.A. não adota uma teologia da qual possa falar. Raramente se menciona Cristo. Os grupos tomaram emprestada a sociologia da igreja, bem como algumas das palavras e dos conceitos, mas não há doutrina subjacente. Sinto falta das doutrinas, mas em primeiro lugar estou tentando sobreviver e A.A. me ajuda muito mais nesta luta do que qualquer igreja local.
A igreja – e é possível avistar muitas torres através das janelas do prédio onde o grupo de A.A. se reúne – parece irrelevante, enfadonha e sem substancia para meu amigo. Outros no grupo explicam sua resistência à igreja relatando historias de rejeição, julgamento e sentimento de culpa. Uma igreja local é o ultimo lugar em que se levantariam para declarar que são alcoólicos e dependentes de drogas. Ninguém os saudaria com alegria, como nas reuniões de A.A.
Meu amigo acredita que um dia acabará voltando para a igreja, já que não abandonou sua fé. Ele afirma que, na verdade, o envolvimento em A.A. o ajudou a solucionar alguns dos paradoxos mais difíceis do cristianismo. Tomemos como exemplo o debate livre-arbítrio/determinismo: como alguém pode aceitar toda a responsabilidade por suas ações, quando sabe que os antecedentes familiares, desequilíbrios hormonais e as forcas sobrenaturais do mal contribuíram para seu comportamento? Uma das personagens de William Faulkner expressou-se assim:
– Não vou fazer. Mas não consigo evitar.
A.A. é bem menos ambíguo: todo participante tem que reconhecer a responsabilidade total e completa por todo seu comportamento, até mesmo pelo que acontece durante um estupor alcoólico ou um blackout (apagamento – uma espécie de limbo, no qual o alcoólico continua a agir, mas com amnésia, sem percepção consciente). É proibido racionalizar.
Meu amigo prossegue:
– A.A. me ajudou também a aceitar a noção do pecado original. Na verdade, embora muitos cristãos desprezam esta doutrina, o pecado original combina perfeitamente com as pessoas que freqüentam A.A. Expressamos esta verdade cada vez que nos apresentamos, dizendo que somos alcoólicos. Ninguém se esquiva dizendo que era alcoólico.
Para este meu amigo, a imersão em Alcoólicos Anônimos significou encontrar a salvação em seu sentido mais literal. Sabe que uma escorregadela poderia causar, ou melhor, causaria com certeza sua morte prematura. Mais de uma vez o companheiro dele dentro de A.A. atendeu seus chamados às quatro horas da madrugada, indo encontrá-lo encurvado em um restaurante escuro, escrevendo vezes sem conta em um caderno, como um garoto sendo castigado na escola: “Deus, ajuda-me atravessar os próximos cinco minutos”. Hoje ele aproxima-se de seu quinto aniversario de sobriedade, um marco importante segundo a avaliação de A.A. E mesmo assim sabe que 50% das pessoas que vencem esta etapa acabam caindo de novo.
Sai impressionado da “igreja da meia-noite”, mas ainda me perguntando por que A.A. atende determinadas necessidades que a igreja local não consegue atender, ou pelo menos não conseguiu, no caso de meu amigo. Pedi-lhe que apontasse a qualidade mais importante ausente na igreja e presente em A.A. Ele olhou para sua xícara de café por um longo tempo, parecia estar assistindo ao liquido resfriar. Esperei ouvir uma palavra como amor, aceitação ou, por conhecê-lo bem, talvez a ausência de institucionalismo. Em lugar disso, ele disse, bem baixo, uma única palavra: dependência. E explicou:
– Nenhum de nós é capaz de prosseguir sozinho, e não foi para isso que o Jesus veio? Ainda assim, a maioria das pessoas na igreja apresenta um ar de satisfação consigo mesmas, com piedade ou superioridade. Não sinto que, conscientemente, elas se apóiam em Deus ou umas nas outras. Parece que a vida delas está em ordem. Um alcoólico se sente inferior e incompleto na igreja.
Ficou em silêncio um pouco, até que um sorriso apareceu em seu rosto. E concluiu dizendo:
– É engraçado. O que mais odeio em mim, meu alcoolismo, é exatamente o que Deus usou para me trazer de volta até Ele. Por ser alcoólico sei que não consigo sobreviver sem Deus. Talvez seja este o valor redentor dos alcoólicos. Talvez Deus nos esteja chamando a ensinar aos santos o que significa depender d’Ele e de Sua comunidade na Terra.

O autor: Philip Yancey nasceu em Atlanta, EUA em 1949. Jornalista, escritor e pensador cristão, é editor associado da revista Christianity Today (Cristianismo Hoje). A trabalho ou a passeio, Yancey, esteve por várias vezes no Brasil, onde seus escritos são uma referência para diversos setores cristãos. Este artigo foi subtraído de seu livro mais conhecido, “Perguntas que Precisam de Respostas” e, junto com outros livros de sua autoria, Alma sobrevivente; Decepcionado com Deus; Desventuras da vida cristã (com Tim Stafford) e A dádiva da dor (com o Dr. Paul Brand) são publicados no Brasil pela Editora Mundo Cristão http://www.mundocristao.com.br
Este artigo foi postado na internet por michaeljacobs@uol.com.br que se corresponde com o autor e está sendo repassado com sua permissão.