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A RECONQUISTA DA RESPONSABILIDADE – (NA OPINIÃO DO BILL)

A reconquista da responsabilidade – (Na Opinião do Bill)
“A.A. nos oferece o caminho ao crescimento espiritual.”
Mais do que um gesto de gratidão por tudo o que temos recebido trabalhar com os outros é a reconquista de um grande valor espiritual: a responsabilidade. Por quanto tempo é possível ser grato a qualquer coisa?
Esse tempo vai depender do reconhecimento que se é possível ter do quanto algo foi ou está sendo importante na vida de alguém.
Em A.A. o programa de vida proposto, no entendimento de todos, é o que deverá durar pela vida toda.
Até porque o ser humano é capaz de mudanças, também pela vida toda. Se nós, membros da Irmandade, nos sujeitarmos a uma reformulação de vida, devemos então ter consciência de que essa reformulação será sempre um processo e não um fim em si mesmo.
O Programa de Recuperação de A.A. nos mostra que a nossa busca pela sanidade física, emocional e espiritual deverá ser sempre um processo contínuo e crescente.
É continuo porque aprendemos a viver só por hoje. Viver sóbrio e não sofrer com os dissabores da vida. Um dia de cada vez estamos, então, reconstruindo nossas vidas a partir dos alicerces destroçados pelas explosões emocionadas e apaixonadas a que fomos submetidos pelo álcool, por causada fraqueza de nosso caráter que fez com que o errado parecesse certo. É crescente porque, a partir do reconhecimento dessa fraqueza ou da admissão da derrota total, como diz em nosso Primeiro Passo, é que, com certeza, estaremos nos conduzindo através de uma estrada de luz; com obstáculos, que com certeza, mais que uma barreira, deverá ser encarada como sendo mais uma oportunidade
que A.A. nos oferece para caminhar em direção ao crescimento espiritual.
Em nosso programa de vida temos a oportunidade de desfrutar várias maneiras de nos conduzir em busca da perfeição. Essa busca deverá ser encarada como algo prazeroso ao invés de algo que será feito apenas por uma necessidade diária. E, o básico de tudo isso, da simplicidade e das inúmeras possibilidades que nos apresentam, está em dar de graça o que de graça recebemos. Dica simples e fácil de praticar, pois cada um dos membros da Irmandade sabe perfeitamente que o Décimo Segundo Passo corporifica esse dar.
É interessante que cada um de nós reflita e entenda que quanto mais damos,mais nos é acrescentado, pois que a sobriedade será plena, quando com outros ela for compartilhada.
Como se isso fosse pouco, temos ainda um alerta piscando intensamente em nossa mente: quando tudo falhar, trabalhar com os outros funciona. Ora, se essa maravilha está em nossas mãos, por que então não presentear aos outros, num sentimento de gratidão como presente que outrora de outras mãos recebemos?
Quando qualquer um de nós não sentir necessidade de repartir o que tem acumulado de bom, é porque o sentimento de ingratidão está tomando forma em nosso coração e isso poderá representar muito mais que pura ingratidão; poderá representar a volta à desintegração moral justificada por mais um defeito de caráter muito bem conhecido por nós: o egoísmo. É o egoísmo que cumpriu seu papel muito bem em nossa deformação; nos conduziu ao egocentrismo justificado pela nossa auto-suficiência absoluta.
Agora, então, é o momento de sairmos de nós e abrirmos para, um dar e receber; mantermos viva a chama da alegria de voltarmos a sermos úteis a nós e aos outros.
Porque, quando qualquer um, em qualquer lugar estender a mão pedindo ajuda, a mão de A.A. lá deverá estar através dos membros da Irmandade, e assim sentiremos a alegria e o prazer sadio de sermos responsáveis.
Trabalhar com os outros vale a pena. Pelo resto da vida.
Anônimo/Mato Grosso/MT
“Só sei que se espera de você, em certo ponto, que faça mais do que levar a mensagem de A.A. a outros alcoólicos. Em A.A. buscamos não apenas a sobriedade; tentamos voltar a ser cidadãos do mundo, que rejeitamos e que também nos rejeitou. Essa é a demonstração máxima de que o trabalho do Décimo Segundo Passo é o primeiro e não o último.”
Vivência nº 100 – Mar./Abr. 2006

ANTÍDOTO CONTRA O MEDO: A PRUDÊNCIA, A CONFIANÇA E A FÉ – BILL W.

Antídoto contra o medo: A prudência , a confiança e a Fé – BILL W.
Esta Conferência foi aberta reforçando-se os temas de prudência, da confiança e da fé, e estas foram as atitudes que caracterizaram todas as sessões e debates. Nesta reunião, portanto, a confiança abundou entre nós e nos livramos de quase toda a inquietação e medo. Para dizer a verdade todos se desenvolveram com tanta tranquilidade que nos sentimos um pouco aborrecidos e “ os pontos de vistas alarmistas dos que estavam preocupados com o bem da Irmandade.”. Não obstante, conhecemos a emoção; uma emoção saudável de outro gênero ou espécie. Por exemplo, me sentia gratamente emocionado ao ver o esmero, a disciplina e a dedicação com as quais esta assembleia, durante longos dias, realizou vários trabalhos rotineiros, porém muito necessários. Alegro-me muito ao ouvir os senhores, os delegados, render repetidos agradecimentos às pessoas de suas áreas – às centenas de membros do comitê e aos milhares de representantes de serviços gerais, cujos esforços unificados foram, e sempre deverão serem, a base fundamental sobre a qual com certeza descansa nossa estrutura de serviços mundiais, e todos os nossos trabalhos. A direção dos serviços de A.A. de acordo com os senhores, não é assunto unicamente dos delegados e dos custódios; tem que ser uma responsabilidade de grande totalidade dos membros – e já o é. Além do mais, foram gratas as notícias que nos chegaram de todas as partes de nossa Irmandade, que indicam que a confiança que temos em nossos serviços mundiais, assim como em nossos servidores, vai crescendo; e que o medo de antigamente quase desapareceu. Estes são alguns motivos que temos para sentir-nos emocionados nesta extraordinária Conferência de 1959. Está ainda fresca a minha memória a gargalhada de um dos delegados ao levantar-se em uma das seções e dizer-me: “ Bill , a noite em que cheguei aqui, todos escutamos teu pequeno e convincente sermão a respeito da confiança e da fé. Bem, agora o que me responderias se te dissesse que em nosso canto do pais, tínhamos um companheiro encarregado de servir de tesoureiro de uma reunião bem grande e importante; que assim que as entradas foram vendidas e o dinheiro foi depositado em nossa conta bancária, o referido companheiro encontrava-se com uma sede insaciável, retirou do banco e bateu asas numa viajem de mil milhas através do pais”. Todos lembramos como os delegados sorriram enquanto ele falava e como, ao terminar, nós rompemos em risos. Houve uma época, faz anos, em que esse tesoureiro defraudador poderia haver minado nossa confiança. Pois lembro muito bem a primeira vez que isso aconteceu. Lembro também o assombro e consternação que me causou quando um de meus amigos mais íntimos começou a me atacar sem piedade, porque não gostava da minha maneira de atuar na Fundação Alcoólica. Lembro das primeiras rupturas do anonimato ante o público, e todos os temores e violentas controvérsias que se introduziram. Tais eram os alarmes dos primeiros anos der A.A. Tínhamos medo de não conseguir nos manter sóbrios; tínhamos medo de que nosso Grupo não pudesse sobreviver, tínhamos medo de que o A.A. fosse por água abaixo. Mas os tempos mudaram. O que antes nos fazia morrer de medo, agora nos faz morrer de rir – por exemplo, a história do tesoureiro viajante. Creio que neste relato encontramos algumas coisas muito boas. Consideremos: em nosso riso não havia nem uma pitada de desprezo ou ira. Não havia a menor ideia de impor castigos; e duvido que tenha havido entre nós algum que tivesse pensado em chama-lo de ladrão. Neste riso havia uma compreensão compassiva, um reconhecimento de que qualquer um entre nós continua sem do capaz de uma boa loucura parecida. Por tê-lo compreendido tão bem, certamente, nos deu vontade de rir ao pensar o quanto ficariam estupefatos os nossos companheiros, organizadores da convenção. Ao receber a notícia e ver que se encontrava sem um centavo; mas creio que nosso riso tinha significado muito mais profundo. Estou seguro de que, na realidade, riamos de nós mesmos, e de nossos velhos e exagerados temores. Nos alegrávamos de que houvessem desaparecido. Havia-se desvanecido o espanto e o temor do prejuízo que poderiam causar os erros e o comportamento de um só companheiro, assim como velho conceito de que as pressões e os conflitos do mundo ao nosso redor poderiam invadir e destruir o A.A. algum dia. Creio que ríamos porque nos sentíamos liberados de todo o medo, e livres. Havíamos deixado de duvidar de nossa segurança coletiva. Estas reflexões me leva a outra ideia, e outro motivo de consolação. Parece ser verdade que, enquanto que em quase todas as nações e sociedades o comportamento coletivo com frequência tem sido pior que o comportamento individual de seus membros. Por exemplo, , no mundo de hoje, podem ser contados aqueles que anseiam entrar na guerra. Não obstante, muitos países atribuem as conquistas aos conflitos armados. Os países homenageados pela honradez individual de seus cidadãos falsificam seus livros de contabilidade, provocam a inflação do seu dinheiro, sobrecarregam a população com dívidas que nunca poderão pagar, e fazem todo o tipo de propaganda fraudulenta. Inclusive as grandes religiões, como organizações, em total desacordo com os seus ensinamentos, comportam-se com e intolerância que a maioria de seus adeptos não pode imaginar, nem sonhar imitar em suas vidas particulares. A massa, faz todo tipo de coisa que o indivíduo que a compõem raramente as fariam sozinhos e por motivos próprios. Embora não nos corresponda fazer um inventário moral do mundo com algum sentimento de orgulho ou de superioridade, creio que é justo e oportuno fazer notar que os AAs, até esta data, têm manifestado um comportamento coletivo que talvez seja superior a nossa conduta individual. Em nosso caso, parece que o todo é algo melhor que a soma das partes. Somos mais uma turma de gente agressiva e sedenta de poder. Não obstante, A.A. como um todo, nunca repreendeu a ninguém. Como indivíduos, gostamos de dinheiro, porém mantemos pobres as tesourarias da nossa Irmandade. Gostamos do prestígio, porém de uma ou outra forma, nos mantemos anônimos. Como indivíduos, somos propensos a ser agressivos; porém nossa Irmandade não é agressiva e não se envolve em assuntos alheios. Em poucas palavras, formamos um contraste inusitado com o mundo que nos rodeia, e esperamos fervorosamente assim continuar. Nesta época perigosa, teremos uma constante necessidade desse tipo de prudência coletiva. Mais do que tudo, esta prudência garantirá nossa eficácia, nossa segurança e nossa sobrevivência. Nossa prudência coletiva com relação ao dinheiro, a fama e as controvérsias – deriva certamente das nossas Doze Tradições – prosseguir ganhando uma infinidade de amizades para A.A. e, de igual importância, não nos fez nenhum inimigo. Que este processo benigno, dentro e fora de nossa Irmandade, nunca chegue ao fim. Como esta magnífica Conferência nos ensinou, a ausência do medo deu lugar á sabedoria e á prudência; a prudência nos conduziu a fé e á confiança – confiança em nossos semelhantes, confiança em nós mesmos, e confiança no amor de Deus. BILL W. – Novembro de 1959.

AS “REGRAS” SÃO PERIGOSAS, MAS A UNIDADE É VITAL

As “regras” são perigosas, mas a unidade é vital
A.A. possui uma política adequada de relações públicas? Seria ela adequada para enfrentar nossas necessidades presentes e futuras? – Embora nunca tenha sido definitivamente formulada ou exatamente enunciada, possuímos certamente uma política de Relações Públicas parcialmente formada. Como tudo em A.A. ela evolui das tentativas e erros. Ninguém a inventou. Ninguém jamais ditou um conjunto de regras ou regulamentos que a descrevesse e eu espero que ninguém jamais o faça. Porque as regras e os regulamentos parecem não nos servir para muita coisa. Raramente, funcionam de forma correta. Se tivéssemos que proceder de acordo com os estatutos, alguém teria que elabora-los e, mais difícil ainda, alguém teria que implantá-los. A elaboração de estatutos foi tentada frequentemente. Isso normalmente resulta em controvérsia tanto entre os formuladores como entre os que devem seguir as regras. E quando se trata de impor uma ordem – bem, todos vocês sabem o que acontece. Quando tentamos impor regras e regulamentos não importa o quão razoáveis, quase sempre ficamos tão “ encrencados” que nossa autoridade desaparece. Alguém vocifera : “Abaixo os ditadores, cortem-lhes as cabeça!” Comissões de controle injuriadas e atônitas, uma em seguida da outra, e “líder” após “líder” descobrem que a autoridade humana, seja ele imparcial ou benigna, raramente funciona duradoura ou adequadamente em relação aos nossos problemas. Os alcoólicos (mesmo aqueles Esmolambados) são individualistas mais inflexíveis que existem, verdadeiros anarquistas no intimo. Claro está que ninguém afirma que essa nossa característica seja uma virtude áurea. Durante seus primeiros anos na Irmandade, todos os AAs tiveram o quanto bastasse da ânsia de se rebelar contra a autoridade. Eu tive e ainda não posso afirmar que não tenha mais. Também tive período de “fazedor” de regras, um regente da conduta de outras pessoas.Também passei muitas noites insones acalentando o meu ego “ferido”, perguntando-me como os outros cujas vidas eu buscava controlar., podiam sertão irracionais, tão irrefletidos com este “pobre sujeito”. Hoje, posso rememorar essas experiências com muita diversão. E igualmente com gratidão. Elas me ensinaram que a própria qualidade que me levava a governar outras pessoas era o mesmo egocentrismo que entrava em ebulição nos meus companheiros de A.A.., quando se recusavam a ser governados! O leitor que não pertence ao A.A. poderia exclamar” Isso parece se muito sério para o futuro dessa gente. Nenhuma organização, nada de regras, nenhuma autoridade?Isso é anarquia; é dinamite é “atômico” e vai explodir. Relações Públicas …francamente! se não existe nenhuma autoridade, como é que eles podem ter algum tipo de Relações Públicas? Foi essa mesma falha que arruinou os alcoólicos washingtonianos, cem anos atrás. Eles proliferaram até totalizar cem mil membros e ai entraram em colapso. Nenhuma política ou autoridade efetiva. Brigavam entre eles e acabaram com um olho roxo causado pelo público. Esses Aas não são exatamente o mesmo tipo de beberrões, o mesmo tipo anarquista? Como esperam eles ter sucesso onde os washingtonianos fracassaram? Boas perguntas essas. Teríamos nós as respostas? Embora nunca possamos estar plenamente certos, existe uma razão para esperar que sim, porque parece haver forças trabalhando em A.A. que é um pouco evidente entre nossos companheiros alcoólicos da década de 1840. Para começar nosso programa de A.A é espiritualmente centralizado. A maioria de nós encontrou humildade suficiente para acreditar em Deus e se apoiar n’Ele l. Encontramos essa humildade enfrentamos o fato do alcoolismo ser uma doença fatal., em relação a qual somos individualmente impotentes. Os washingtonianos, por outro lado, achavam que a bebida era apenas outro hábito arraigado que podia ser interrompido pela força de vontade expressa em promessas, mais a força de sustentação do amparo mútuo, através de uma sociedade compreensiva de ex-bêbados. Aparentemente, eles pouco pensavam em modificar a personalidade e, menos ainda, em conversão espiritual. O amparo mútuo e as promessas fizeram muito por eles, mas não foram suficientes; seus egos individuais ainda geravam turbulência em todos os canais, menos o álcool. As forças egoísticas que não possuíam nenhuma humildade, que quase não se lembravam de que a penalidade para a teimosia excessiva é mortal para o alcoólico que não tinha nenhum Poder Superior ao qual servir, destruíram definitivamente os washingtonianos. Consequentemente quando contemplamos o futuro, nós, os AAs devemos sempre perguntar se o espírito que hoje nos une em nossa casa comum, será sempre mais forte que aquelas ambições e aqueles desejos pessoais que tendem a nos afastar. Enquanto as forças positivas forem mais poderosas, não poderemos fracassar. Até aqui, felizmente, os vínculos que nos unem foram muito mais fortes do que aqueles que poderiam nos dispersar. Embora o A.A. individual não sofra nenhuma coerção humana e desfrute de uma liberdade pessoal quase perfeita, atingimos, não obstante, uma maravilhosa unidade acerca do que é essencialmente vital. Os Doze Passos de nosso programa de A.A.. por exemplo, não são empurrados garganta abaixo de ninguém. Os Passos não se apoiam em nenhuma determinação humana. No entanto, nos unimos poderosamente ao redor deles, pois a verdade neles contida salvou as nossas vidas, abriu-nos a porta para um novo mundo. Nossa experiência confirma que essas verdades universais funcionam. A anarquia do indivíduo cede perante sua força de persuasão A pessoa se torna sóbria e é levada pouco a pouco a concordar plenamente com nossos princípios simples. Em última instância, essas verdades passam a governar a vida da pessoa e ela começa a viver de acordo com a força das mesmas, a força mais poderosa que se conhece, a força da sua plena concordância livremente concedida. O indivíduo é agora governado não por pessoas, mas sim por princípios, pelas verdades e como diria a maioria de nós, por Deus. VAI CONTINUAR….

BASTA O DESEJO E NADA MAIS – 3A. TRADIÇÃO

Basta o Desejo e nada mais – 3ª tradição

“Alcoólicos Anônimos não fecha a porta a ninguém que se apresente a nós com o problema alcoólico.”
O fato de Alcoólicos Anônimos não fazer qualquer exigência para que um alcoólico se torne membro representa para muitos a diferença entre a vida e a morte. A cultura do A.A. brasileiro, no entanto impõe uma série de exigências que ao longo de décadas, acabaram por se transformar em costumes muito enraizados, difíceis de serem banidos do dia-a-dia de nossos grupos, sem atentar para esse detalhe tão significativo.
Paralelamente a essa grave dificuldade de nos adaptar ao comportamento mundial da Irmandade assistimos o desenrolar de um movimento que teve ainda na década de 80 e chegado ao início dos anos 90 com o nome de “O Grupo: – Mudança na Matriz”, tema da Conferência de Serviços Gerais de 1992 – Brasília/DF. Tamanha era a consciência da necessidade de uma radical mudança no nosso proceder para com os recém-chegados, que aquela Conferência aprovou, por unanimidade, uma recomendação sugerindo a
“NÂO FORMALIZAÇÃO DE INGRESSO NAS REUNIÕES DE A.A.”.
Tal sugestão foi recebida com muita alegria pelos que sempre lutaram a favor da aplicação dos nossos princípios tradicionais,
mas o mesmo não ocorreu com aqueles que insistiam e ainda hoje insistem na defesa do antigo costume nacional, de fazer a solene entrega de fichas de ingresso ou por tempo de abstinência. Após tantos anos de luta para conscientizar os servidores responsáveis por tal violação direta da TRADIÇÃO TRÊS de A.A. seria o caso até mesmo de se desistir de tocar neste assunto inusitadamente tido como delicado e polêmico.
Não deveria ser assim, uma vez que nossas vidas dependem exclusivamente da nossa disposição em aderir aos princípios básicos de nossa recuperação. Se nos afastamos demais diz a experiência “o castigo é certo e rápido; nós adoecemos e morremos”.
Não é necessária uma pesquisa muito acurada em nossos textos para se concluir que Alcoólicos Anônimos não fecha a porta a ninguém que se apresente a nós com o problema alcoólico.
Tem ela total liberdade, ou pelo menos deveria ter, para permanecer em nosso meio o tempo que quiser, mesmo sem admitir prontamente o seu problema e muito menos que deseja fazer parte do Grupo a partir desta ou daquela data.
Por experiência própria sabemos que a negação é um dos principais sintomas da nossa enfermidade. Como então poderíamos exigir que alguém admitisse para nós que é um alcoólico e que por essa razão aceitar nossa ajuda para parar de beber? O que nos leva a exigir isso das pessoas, sabendo que elas poderão estar ainda muito doentes, despreparadas para admitir algo tão doloroso e estigmatizante quanto o alcoolismo?
Ainda em 1946, antes mesmo das palestras de Bill W. sobre as Normas de Procedimento mais adequadas à nossa irmandade que se transformaram em nossos Doze Princípios Tradicionais, já se publicara a informação que o número de regras para ser membro era ZERO.
Estranho é constatar que ainda hoje mais de 60 anos depois, ainda se vê praticamente a totalidade de um país com mais de 5.000 grupos insistirem na violação desse princípio tão fundamental como se nada valesse a tão dolorosa experiência do nosso passado.
Diante de fato tão grave, não há como desperdiçar uma oportunidade como esta oferecida pela nossa Revista Brasileira de Alcoólicos Anônimos – VIVÊNCIA, para dizer aos nossos irmãos do Brasil que acordem! Não temos mais o direito de ser juiz, júri e carrasco dos nossos irmãos sofredores.
Deixemo-los chegar e ficarem calados nos assistindo, nos observando, até que concluam que o nosso “Modo de Vida” é bom e pode servir para eles também. Deixemo-los perceber que ao conquistar a sobriedade conquistamos também o atributo da tolerância, algo raro de se encontrar na personalidade doentia de um alcoólico na ativa. Percebendo nossas exigências descabidas e sem propósitos podem sim se afastar definitivamente de nós. Ao fazê-lo, poderão estar assinando suas próprias sentenças de morte, mas no fundo, de quem terá sido a culpa?
Portanto, se não queremos carregar conosco este remorso, melhor seria agir como é correto agir, dizendo ao recém-chegado: – você será um membro de A.A. no momento em que assim o quiser. Por isso, basta mesmo:

O DESEJO!
NADA MAIS!!!

A MENSAGEM

A Mensagem

Há muitos anos uma conhecida revista trazia um artigo intitulado “Meu Regresso das Trevas do Alcoolismo Condensado do A.A. Grapevine”. O autor anônimo dizia que há um ano e meio era um bebedor inveterado e, mais à frente, podia-se ler: “…foram os Alcoólicos Anônimos que me trouxeram à realidade”. A matéria era um depoimento. Diz o autor que entrou em contato com a Fundação do Alcoólico, em Nova Iorque, por carta e na rápida resposta constavam as seguintes observações: “Nossa Irmandade será eficiente, se você quiser que seja.Os requisitos para a admissão resumem-se num só: o desejo de não mais beber, desejo esse que você parece possuir. Faremos todo o possível para auxiliá-lo e, naturalmente, não cobraremos coisa alguma.”

Mandaram-lhe alguns folhetos nos quais podiam-se observar que a abstinência dos AAs era simples: “Levante-se cedo pela manhã, decidido a não beber naquele dia inteiro. Nunca diga que não beberá jamais, preocupe-se somente com o dia de hoje.” Segundo o artigo, o autor recaiu mas mesmo assim continuou a correspondência.
Passado algum tempo, a Fundação enviava-lhe cartas diárias com várias sugestões para que se mantivesse sóbrio. “As cartas produziam resultados onde tudo mais havia falhado porque eles falavam a minha linguagem, eles eram alcoólicos como eu”, enfatizava no depoimento. Desta forma o companheiro voltou à sobriedade e manteve-se nela. O artigo era bem escrito, rico em detalhes, no qual o autor, falando de si mesmo, deixava claros os pontos mais importantes do Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos.

A revista era a Seleções do Reader’s Digest, a data era abril de 1946.A mensagem impressa de A.A. estava no Brasil. Um ano depois deu-se a efetivação desta mensagem com o início propriamente dito de Alcoólicos Anônimos no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, Estado da Guanabara.
Agora, há meio século(1), tentaremos nos reportar, baseados nos documentos de nossa memória histórica, aos acontecimentos marcantes desses Cinqüenta Anos de Amor em Ação.

Vivência n° 46 Edição Especial 50 anos Mar./Abr. 1997. (2)

Notas do RV:

(1) Hoje, há 59 anos;

(2) Texto transcrito em homenagem aos 58 anos de A.A. no Brasil.

A LUZ DA TERCEIRA TRADIÇÃO

A Luz da Terceira Tradição

“Em qualquer associação que se tem conhecimento, a norma de ingresso é recheada de exigências, tais como: pagamento de taxas ou inscrição, folha corrida da polícia, documentação de identidade civil, etc.

Por que Alcoólicos Anônimos abandonou suas regras de afiliação?

O segundo parágrafo da Terceira Tradição declara o seguinte:
– Estabelecer esse princípio de filiação foi obra de muitos anos de
angústia. No começo nada parecia tão frágil, tão quebradiço, como um grupo de Alcoólicos Anônimos. Dificilmente um alcoólico, por nós abordado, dava-nos qualquer atenção; aqueles que se juntavam a nós eram como velas bruxuleando aos ventos de uma tempestade.

Reiteradamente suas chamas incertas se apagavam e não podiam mais ser acesas. Isso quer nos parecer, companheiro leitores, que pouquíssimos eram os que ficavam em Alcoólicos Anônimos; a maioria recaía e não mais retornava. Tanto isso é verdade, quando deparamos logo a seguir com o seguinte trecho da Terceira Tradição: ‘Nosso pensamento, não formulado embora constante, era: qual dentre nós será o próximo?’

Essa Tradição diz claramente que a severidade para o ingresso em A.A., era resultante do medo que os velhos mentores tinham de abrir as portas da Irmandade a pessoas que tivesse outros problemas além do álcool e que viesse, publicamente, praticar atos prejudiciais ao A.A.

Todos temiam que alguém ou alguma coisa fizesse virar o barco, atirando-os todos de volta à bebida. Decidiram como regras de ingresso, a não aceitação de mendigos, vadios, débeis mentais, encarcerados, homossexuais, prostitutas, etc. Estes, mesmo que tivessem o problema alcoólico não eram aceitos em A.A.

Os velhos mentores agiam assim porque tinham medo da destruição que poderia advir com a aceitação de pessoas com outros problemas. A primeira experiência que foi motivo do abandono das regras de ingresso aconteceu quando um homem bateu às portas de um dos grupos da época e pediu para fazer parte.

A seguir contou seu problema alcoólico e disse que, além desse, era portador de outra dependência mais ruins que a do álcool. Os veteranos (de portas fechadas) só viam obstáculos e disseram que o grupo era composto somente de pessoas alcoólicas e quando já estavam a ponto de dispensar o homem que pediu abrigo, uma voz surgiu entre eles: ‘O QUE FARIA O MESTRE?’

Decidiram então, aceitar o seu ingresso em A.A., e ele, exultante
entregou-se às atividades do grupo, praticando o Décimo Segundo Passo, transmitindo a mensagem a dezenas de pessoas doentes do alcoolismo. E mais, ele nunca incomodou ninguém com o seu outro problema. Esse foi apenas um exemplo dos muitos que culminaram com a abolição das regras de ingresso em A.A., ficando só com a conhecida universalmente: PARA SER MEMBRO DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS O UNICO REQUISITO É O DESEJO DE PARAR DE BEBER.”

“A Terceira Tradição, concentrada na única maneira em que sou igual aos outros, levou-me a conhecer a ajudar todo tipo de alcoólico, da mesma forma como eles também me ajudaram. Charlotte, a atéia mostrou-me os mais altos padrões de ética e honra; Clay de outra raça, ensinou-me a paciência; Winslow, que é gay, levou-me pelo exemplo à verdadeira compaixão; a jovem Megan diz que me ver nas reuniões, sóbrio há 30 anos, faz com que ela continue voltando. A Terceira Tradição garante que conseguiremos o que precisamos: um ao outro.”

Reflexões Diárias (25 de janeiro)

(Vivência no. 25 – jul/ago/ set/1993)

A LITERATURA DE A.A. NO BRASIL

A literatura de A.A. no Brasil

Um companheiro americano radicado em São Paulo, se dispôs a traduzir o livro Alcoólicos Anônimos e comunicou-se com o GSO (General Service Officce), que respondeu sua carta em outubro de 1966 sugerindo-lhe a tradução dos onze primeiros capítulos, após a formação de um Comitê de Tradução.

Após longas discussões com A.A.W.S (Alcoholics Anonymous World Service) ocorreu a concessão para impressão do livro Alcoólicos Anônimos.

A publicação do livro Alcoólicos Anônimos, conhecido no Brasil como Livro Azul, proporcionou o intercâmbio oficial entre os Grupos existentes na época e o seu cadastramento, uma vez que o CLAAB (Centro de Distribuição de Literatura de AA Para o Brasil ) ia anotando os endereços, dias e horários de reuniões, conforme as solicitações do livro pelos Grupos, fornecendo-os às pessoas que buscavam ajuda.

Isto abriu caminho para que as demais obras de A.A. tivessem suas traduções aprovadas e publicadas.

A literatura tem desempenhado um importante papel no crescimento de A.A. Um fenômeno notável no último quarto de século foi a explosão de traduções de nossa literatura básica para inúmeros idiomas e dialetos. Em cada um dos países em que a semente de A.A. foi plantada, ela primeiro fincou raízes lentamente, passando a crescer a passos largos a partir do momento em que se divulgou a literatura. Atualmente o livro “Alcoólicos Anônimos” está traduzido para quarenta e três idiomas.

À medida que a mensagem de recuperação alcançava um número cada vez maior de pessoas, ela também passou a afetar as vidas de uma crescente variedade de alcoólicos. Quando a frase “Somos pessoas que, normalmente, não se encontrariam juntas” (citada neste livro) foi escrita em 1939, ela se referia a uma Irmandade composta em sua maioria por homens (e umas poucas mulheres) provenientes de um ambiente social, ético e econômico bastante parecido. Como muitas outras partes do texto básico de A.A., estas palavras revelaram-se muito mais proféticas do que nossos membros fundadores sequer poderiam imaginar. As histórias acrescentadas a esta edição representam a participação em nossa Irmandade de pessoas cujas características – de idade, gênero, raça e cultura – se ampliaram e se aprofundaram para incluir virtualmente qualquer indivíduo que os nossos primeiros cem membros poderiam esperar atingir.

Quem vende a literatura

O Escritório de Serviços Gerais da JUNAAB recebe muitos pedidos de venda de literatura de membros de A.A., profissionais e empresas interessadas na questão do alcoolismo. Aos membros de A.A. procuramos sempre esclarecer que essa pratica não é possível pois a venda de literatura faz parte da sustentação financeira de toda a estrutura de serviço, alem das contribuições repassadas pelos Grupos.

Quando a solicitação de venda parte de profissionais ou empresas de modo geral, informamos com base na localidade ou sede o endereço do ESL – Escritório de Serviços Locais mais próximo. Lembremos que os ESLs representam o nucleo oficial da estrutura para as operações de venda de literatura e a JUNAAB nao pode e nao deve estabelecer uma concorrência neste sentido. Sugerimos que os ESLs mantenham estoque minimo de cada titulo para atender a demanda local.