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AS MÃOS DA MINHA AVÓ

As Mãos da Minha Avó
autor desconhecido

A minha avó que tinha mais de 90 anos, estava sentada num banco na varanda, e tinha um aspecto fraco. Ela não se mexia, estava apenas sentada a fixar seu olhar nas mãos. Quando me sentei ao pé dela, nem sequer se mexeu, não teve nenhuma reacção.Eu não a queria perturbar, mas ao fim de um certo tempo perguntei-lhe se estava bem.
Ela levantou a cabeça e sorriu para mim.
– Sim, eu estou bem, não te preocupes, respondeu ela com uma voz forte e clara.
– Eu não a queria incomodar, mas você estava aí com o olhar fixado nas suas mãos, e eu apenas pretendi saber se estava tudo bem consigo.
– Já alguma vez viste bem as tuas mãos? Perguntou-me ela.Quer dizer, vê-las como deve de ser?
Então eu olhei para as minhas mãos e fixei-as. Sem compreender bem o que ela queria dizer, respondi que não, nunca tinha olhado bem para as minhas mãos.

A minha avó sorriu para mim e contou-me o seguinte:

-Pára um bocadinho e pensa bem como as tuas mãos te têm servido desde a tua nascença. As minhas mãos cheias de rugas, secas e fracas, foram as ferramentas que eu utilizei para abraçar a vida.
Elas permitiram agarrar-me a qualquer coisa para evitar que eu caísse, antes que eu aprendesse a andar.
Elas levaram a comida à minha boca e vestiram-me. Quando era criança a minha mãe mostrou-me como uni-las para rezar.
Elas ataram as minhas botas e meus sapatos. Elas tocaram no meu marido e enxugaram as minhas lágrimas quando ele foi para a guerra.
Elas já estiveram sujas, cortadas, enrugadas e inchadas.
Elas não tiveram jeito nenhum quando tentei segurar o meu primeiro filho.
Decoradas com a aliança de casamento, elas mostraram ao mundo que eu amava alguém único e especial.
Elas escreveram cartas ao teu avô, e tremeram quando ele foi enterrado.
Elas seguraram os meus filhos, depois os meus netos.
Consolaram os vizinhos e também tremeram de raiva quando havia alguma
coisa que eu não compreendia.
Elas cobriram o meu rosto, pentearam os meus cabelos e lavaram o meu corpo.
Elas já estiveram pegajosas, húmidas, secas e com rugas.
Hoje, como nada funciona como dantes para mim, elas continuam a amparar-me e, eu ainda as uno para orar.
Estas mãos contêm a história da minha vida.
Mas, as mais importantes, é que serão estas mesmas mãos que um dia, Deus segurará para me levar com Ele para o seu Paraíso.
Com elas, Ele me colocará a Seu lado. E lá, eu poderei utilizá-las para tocar na face de Cristo.

Pensativo olhava para as minhas mãos.
Nunca mais as verei da mesma maneira.

Mais tarde Deus estendeu as Suas mãos e levou a minha avó para Ele.
Quando eu me machuco nas mãos, quando elas são sensíveis,
quando acarinho os meus filhos, ou a minha esposa, penso sempre na minha avó. Apesar da sua idade avançada, ainda teve inteligência suficiente para me fazer compreender o valor das minhas mãos!..

FRUTOS DO SUCESSO

FRUTOS DO SUCESSO

Autora : Silvia Schmidt
No livro “Sorte é Prá Quem Quer“

“O que estás fazendo?”, perguntou um Mestre ao discípulo visivelmente cansado.
– Estou terminando o engarrafamento do fertilizante que criei para fazer crescerem fortes e viçosas as Árvores do Sucesso. Quem comer os seus frutos será, com certeza, alguém bem sucedido.

“Bom saber que estiveste empenhado em serviço para o bem do próximo” , disse o Mestre.
Sorrindo com satisfação, saiu o discípulo em direção a verdes campos para cumprir a tarefa que se havia atribuído.

Passado um bom tempo, novamente ambos se encontraram e, desta vez, estava o discípulo com sinais de grande desapontamento.
” Por que estás tão cabisbaixo, filho? ”

– Ora, Mestre … foram tantos os que comeram os frutos das Árvores do Sucesso e até hoje não tive notícia de que alguém o alcançou.
” Como fizeste todo o serviço? ” , perguntou o Mestre.

– Bem … juntei Sementes de Desejo de Vencer a Sementes de Disposição para o Trabalho, de Amor à Prosperidade, de Fé em Deus e de Tempo Suficiente para Orar. Em seguida coloquei todas num forte chá, feito com verdes Folhas de Esperança e saí regando as terras das Árvores do Sucesso. Todas cresceram fortes e com belos frutos, mas aqueles que os comeram não tiveram o resultado que era de se esperar: o sucesso não aconteceu .

O Mestre ouviu atentamente a narrativa e finalmente disse:
” Não te desanimes, filho. Começa tudo de novo já que agora está mais fácil: é só regar as terras novamente.
Mas lembra-te de juntar ao fertilizante a ÚNICA semente que faltou
” Qual foi ela, Mestre? ” , perguntou o discípulo, muito intrigado.

Respondeu o Mestre :
” Filho, tu esqueceste a Semente da Confiança dos Homens em Si Mesmos ”

AS FLORES QUE EU NÃO PLANTEI

As Flores Que Eu Não Plantei

Autora : Silvia Schmidt

Venho, Senhor, ao Teu Jardim para reaprender a plantar.
Um dia me ensinaste que todas as boas sementes germinam
e me deste a terra do meu coração para bom plantio,
recomendando-me atenção para o livre arbítrio.

Senhor, não tive generosidade suficiente para com
meu semelhante e hoje, quando necessito da
generosidade de outrem, dificilmente eu a encontro.
Não tenho colhido a flor da generosidade porque não a plantei.

Senhor, não dei à Natureza todo o respeito que ela, como
obra Tua, merecia ter recebido de mim. Fui negligente, Senhor.
Agora, o ar que eu respiro não é tão puro quanto deveria
ser para que minha saúde não fosse tão ameaçada.
Não tenho colhido a flor da perfeita saúde porque não a plantei.

Senhor, disseste-me que a felicidade sempre estaria em minha
Vida se eu me lembrasse de levar felicidade àqueles
que choravam e que não tinham um ombro onde se debruçar.
Não tenho colhido a flor da Felicidade Plena porque não a plantei.

Senhor, não levei a sério quando me revelaste que o preconceito
era uma erva daninha que, pouco a pouco, mataria o meu jardim.
Não olhei sem julgamento para os diferentes de mim,
não observei todos os seres e tudo o mais que criaste
sem sentir-me maior e melhor do que eles.
Não tenho colhido a flor do Amor Incondicional porque não a plantei.

Senhor, agora venho ao Teu Jardim, buscando ter uma
e, talvez, a última chance de reencontrar as sementes
que desejaste ver germinadas em meu coração.

Não sei se vês em minha visita algum sinal de humildade.
Já muito agi com orgulho e não tenho colhido
a flor da humildade porque não a plantei.

Aceita, Senhor, esta minha vinda, e dá-me o perdão,
o mesmo perdão que a tantos e tantos eu neguei.
Achas que ainda mereço a Tua bênção, Senhor?
Se não me deres o que peço, eu compreenderei.
Não tenho colhido a flor do merecimento porque não a plantei.

Acolherei a Tua decisão, Senhor, seja ela qual for,
e se não for aquela que espero eu entenderei.
Não tenho colhido a flor do perdão porque não a plantei.

http://www.humancats.com/Frutos/sucesso.htm

DIVAGANDO – MARCO LEITE

DIVAGANDO
por Marco leite

Alteridade
Uma das coisas que aprendi em minha vida de recuperação comportamental foi praticar a alteridade, que nada mais é do que me colocar no lugar da pessoa a qual estou julgando. Eu, particularmente, tenho a mania de julgador e essa prática é muito difícil. Mas, me esforço, e quando cometo esse erro procuro corrigi-lo através de um pedido de desculpas ou procurando não cometer mais os pré-julgamentos tão característicos de quando se está em adicção ativa.
Aprendi muito cedo, na Fazenda onde fiz minha recuperação, que compreender o outro é fundamental para uma forma de viver melhor. É preciso cativar, ouvir, cruzar experiências e descobrir no que erramos para chegar ao ponto em que chegamos, enfim, é um ajudando o outro.

Mudança de atitude
Saí da Fazenda e continuei ajudando quem me ajudou, e é isso que tem me mantido em pé. Como sempre falo, estou salvando a minha própria pele. Uma das coisas fundamentais que carrego comigo é que não tenho inimigos, eu sou o meu maior inimigo. Li, em algum lugar, um provérbio chinês que dizia: “A pessoa que ama os outros também será amada”, e compreendi que é só assim que posso mudar. É amando que eu derroto o veneno da raiva, do ressentimento e do rancor, e só posso fazer isso me dedicando a dar carinho às pessoas que me rodeiam. Pois, como pode alguém querer meu mal se mal não lhe faço.

Inimigo íntimo
Não posso e não devo querer mudar o mundo ou as pessoas, a única pessoa que posso mudar é a mim mesmo. E cabe a mim escolher se quero ser mau ou bom. Deus me deu o livre arbítrio para escolher isso. Para ser uma pessoa melhor tenho que saber que meu maior inimigo está dentro de mim mesmo. São minhas atitudes erradas que podem vir a alimentar a parte ruim de minha personalidade. Só por hoje, não alimento isso, procuro agir com serenidade e aceitação de saber que meu inimigo não é a pessoa que me odeia e sim a que eu odeio, portando, tenho me dedicado a dar amor e amizade por onde passo e tem me feito muito bem isso.

Luta diária
Todos os dias em que acordo, Deus me dá um presente e ele vale por 24 horas, pois vivo o “só por hoje”. Esse presente requer um certo esforço, pois durante minha caminhada de recuperação compreendi que sou cheio de defeitos de caráter. E para terminar meu dia bem tenho que lutar para controlar esses defeitos, sempre com a ajuda de Deus. Porém, ele não me dá as soluções e sim ferramentas para não fraquejar no primeiro obstáculo que aparecer, pois a fuga é muito mais fácil.
Por isso procuro sempre pensar antes de reagir a uma situação e refletir sobre coisas que passei em minha caminhada de recuperação. Preciso entender que as pessoas que mais nos dão dor de cabeça hoje, poderão vir a ser as que mais nos darão alegrias no futuro.
Artigo para Jornal O Timoneiro
Canoas – RS

O ESPÍRITO DA UNIDADE DE A.A.

U N I D A D E
O Espírito da Unidade de A. A.
Nosso bem estar comum deve estar em primeiro lugar…
Ao analisar “O Espírito da Unidade de A. A., chegamos a conclusão que ele é a essência do comportamento dos membros de A .A.. Este comportamento tem o objetivo de preservar a Unidade de A. A.. É a união de pessoas que se identificam com um problema comum e todos com um único propósito, de buscar a melhor maneira de solucioná-lo, procurando agir com um só pensamento, uma só maneira de trabalhar e sempre juntos em igualdade, garantindo assim o bem-estar comum que existe entre os membros, esforçando sempre para que ele seja da melhor qualidade. Nos relacionando em grupo num sentido de ajuda mútua e dedicando ao programa de recuperação, a nossa libertação do alcoolismo virá de uma forma gradativa, trazendo a esperança de uma vida de paz e felicidade sempre conquistando vitórias através de um desenvolvimento espiritual”.
É bom lembrar como os membros pioneiros de Alcoólicos Anônimos começaram a encontrar uma linha de conduta com o propósito de assegurar o futuro da nossa Irmandade. Logo chegaram a conclusão que sem unidade, poucas chances teriam para sobreviver em grupo e muito pouco teriam para oferecer, no sentido de aliviar os milhares de alcoólatras que ainda poderiam chegar a procura da liberdade. Pouco a pouco adotando as lições aprendidas através das experiências vividas, primeiro como norma de procedimento e depois como tradição, concluíram que:
Cada membro de Alcoólicos Anônimos é apenas uma pequena parte de um todo. Que nenhum membro pode ser punido ou expulso da irmandade. Que o Grupo precisa sobreviver, caso contrário, não sobreviverá o indivíduo, portanto nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar;
Nossos líderes são apenas servidores de confiança, não tem poderes para governar, eles devem liderar pelo exemplo e jamais por imposição. A única autoridade em Alcoólicos Anônimos é um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa consciência coletiva;
Nossa irmandade deve incluir todos aqueles que sofrem do alcoolismo, por isso não devemos recusar nenhuma pessoa que queira se recuperar, nem seu ingresso em A .A. poderá jamais depender de dinheiro ou formalidades.
Dois ou mais alcoólicos reunidos com o propósito de procurar pela sobriedade, podem se considerar um Grupo de A. A., desde que como Grupo, não tenham nenhuma outra afiliação. Com respeito aos seus próprios assuntos, cada Grupo deve ser livre de qualquer autoridade, a não ser de sua própria consciência. Mas, quando seus planos afetam outros grupos, estes, deverão ser consultados. Nenhum grupo, comitê regional ou indivíduo jamais deverá tomar qualquer atitude que possa afetar grandemente A. A. como um todo, sem antes trocar idéias com os nossos comitês de serviços. Pois esse procedimento nos manterá em unidade, buscando cumprir o único propósito primordial.
Cada Grupo deve ser uma entidade espiritual, tendo somente um propósito primordial, o de transmitir a sua mensagem, e ajudar outros alcoólicos a se recuperarem através dos “Doze Passos” de A. A..
Problemas de dinheiro, propriedade, prestígio e autoridade podem facilmente nos afastar do nosso objetivo primordial, portanto, qualquer propriedade de considerável valor e utilidade para Alcoólicos Anônimos, deverá ser organizada e administrada separadamente, fazendo assim uma divisão entre o material e o espiritual.
Os Grupos de A. A. devem ser mantidos totalmente pelas contribuições voluntárias de seus próprios membros. O Grupo deve atingir este ideal em um tempo mais curto possível. Qualquer levantamento de fundos a nível público, usando o nome de Alcoólicos Anônimos é altamente perigoso. Que a aceitação de doação ou contribuição de qualquer fonte de fora é desaconselhável. Da mesma forma, causa muita preocupação, as tesourarias de A. A. que, ultrapassando as reservas consideradas prudentes, continuam a acumular fundos sem qualquer propósito determinado de A .A.. A experiência tem freqüentemente mostrado que nada pode, na verdade, destruir tanto nossa herança espiritual como fúteis disputas de propriedade, dinheiro e autoridade. Não podemos esquecer, que todo dinheiro que entra na sacola da Sétima Tradição pertence a Alcoólicos Anônimos como um todo – ele precisa circular para fazer com que a mensagem possa chegar a todos os alcoólicos que ainda sofrem.
Alcoólicos Anônimos deve sempre se manter não profissional. Definimos profissionalismo como a prática remunerada de orientação a alcoólicos. Mas podemos empregar alcoólicos em serviços para os quais possam ser contratados também não alcoólicos. Tais serviços podem ser remunerados, mas nosso costumeiro trabalho do Décimo Segundo Passo nunca deve ser pago.
Como irmandade, Alcoólicos Anônimos não deve ter nenhum tipo de organização. Nossos líderes devem ser sempre revezados. Todos os representantes devem ser guiados pelo espírito de servir, pois os verdadeiros líderes de Alcoólicos Anônimos nada mais são que servidores de confiança e com experiência em relação ao A. A. em seu todo. Seus títulos não lhes conferem nenhuma autoridade. Eles não governam, agem com respeito mútuo.
Nenhum membro ou Grupo de A. A. jamais deverá opinar sobre questões alheias a irmandade, sujeitas a controvérsia, especialmente com relação a política, combate ao álcool ou sectarismo religioso, de forma a envolver a Alcoólicos Anônimos. Os Grupos de A. A. não se opõem a nada. Com respeito a estas questões, eles não devem dar qualquer opinião. Por isso, precisamos ter cuidado com o nosso relacionamento com o público para não confundirmos e envolvermo-nos em assuntos alheios ao nosso propósito primordial.
Nossas relações com o público em geral devem ser caracterizadas pelo anonimato pessoal. Nossos nomes e fotografias como membros de A. A. não devem ser divulgados pelo Rádio, Filmes ou Imprensa. Nossas relações com o público devem ser orientadas pelo princípio da atração, não da promoção. E, finalmente, acreditamos que o princípio do anonimato tem um enorme significado espiritual. Ele nos lembra que devemos colocar os princípios acima das personalidades e que devemos realmente praticar a verdadeira humildade. Sendo o anonimato a garantia de proteção que a Irmandade oferece a todos aqueles alcoólicos que queiram se juntar a nós, cresce a responsabilidade de cada membro em respeitar o direito de seu companheiro em manter seu anonimato. O grupo precisa evitar situações que possa expor o anonimato de seus membros.
Uma vez que esta linha de comportamento seja respeitada com disposição, dedicação e, acima de tudo com fidelidade, vamos conquistar a “harmonia”, que no nosso entendimento é o verdadeiro “espírito” da “Unidade” de A. A.. Harmonia é a disposição bem ordenada entre as partes de um todo, é a paz coletiva entre as pessoas; e paz é a ausência de violências, perturbações e conflitos entre as pessoas, paz é sossego, é serenidade. Tudo isto está contido na “harmonia”. Entretanto, considerando que a nossa irmandade é composta de membros que buscam o aperfeiçoamento espiritual, ainda tem comportamentos defeituosos, vamos ver que existem algumas falhas e determinados defeitos que nos ameaçam continuamente.
As Tradições nos orientam para melhorar nossa maneira de trabalhar e viver juntos, elas são também um antídoto para nossos diversos males. As Tradições são para a sobrevivência e harmonia do Grupo como os Doze Passos são para a sobriedade e paz de espírito de cada membro. Elas apontam para muitos de nossos defeitos individuais. Por dedução elas pedem para nunca usar o nome de A. A. na busca de poder pessoal, fama, dinheiro e prestígio. Pedem a cada um de nós para deixar de lado, o orgulho e o ressentimento. Pedem o sacrifício para o benefício do Grupo como também o benefício pessoal.
Considerando que cada membro é uma pequena parte de um todo (nossa irmandade), concluímos que a qualidade da “unidade” depende do quanto cada um de nós estejamos dispostos e empenhados a respeitar todos os princípios de Alcoólicos Anônimos. Um membro que contribui para a boa qualidade da “unidade”, ele procura com satisfação freqüentar as reuniões sempre com o propósito de compartilhar suas experiências e forças com os companheiros, dando a eles a máxima atenção quando eles também estiverem nos transmitindo algo, procurando respeitar as condições de cada um, bem como as convicções, ele procura também, prestar serviços com responsabilidade e dedicação, seu primeiro impulso é o de ser um servidor, buscando o interesse pelo bem-estar comum em vez de pensar em si mesmo. Não condena aqueles que não aceitam suas opiniões, bem como, não impõem seus conhecimentos aos companheiros. Procura em seu programa não ter ódio, rancor, ressentimentos, nem desejos de vingança. Perdoa e esquece as ofensas, e só se lembra dos benefícios recebidos, porque sabe que também quer ser perdoado. Não procura descobrir e por em evidência os defeitos alheios, se a necessidade a tanto o obriga, procura sempre se posicionar do lado bom, na tentativa de atenuar o mal. Estuda suas próprias imperfeições e sem cessar esforça para combatê-las. Jamais procura valorizar seu talento á custa dos outros, ao contrário, busca todas as ocasiões para ressaltar aquilo que é mais interessante nos demais. Está sempre pronto a ajudar aquele que ainda sofre pelo alcoolismo. Procura descobrir quais as atividades que melhor funcionam como Padrinho para oferecer a melhor ajuda ao recém-chegado, procurando ajudá-lo a se recuperar através do programa de recuperação, “Os Doze Passos”, principalmente com seus exemplos. Procura se posicionar na sua verdadeira disponibilidade para participar da “auto-suficiência” de A .A., contribuindo sempre com lealdade. Respeita a promessa de sigilo pelo anonimato dos companheiros, inclusive de suas histórias.
Enfim, se cada membro procurar sempre pelo aperfeiçoamento na recuperação individual e dedicar o melhor dos esforços e atenção ao aprimoramento do Grupo, dando força para que ele seja cada vez mais um Grupo consciente, estaremos cuidando de melhorar sempre a qualidade da nossa “Unidade” e de cabeça erguida poderemos caminhar em direção à perfeita harmonia que é o verdadeiro “Espírito da Unidade de A. A.”.

A RELAÇÃO DO INDIVÍDUO COM A.A. COMO GRUPO

A Relação do Indivíduo Com A.A. como Grupo.

Pode ser que alcoólicos Anônimos seja uma nova forma de sociedade humana.O Primeiro dos Doze Pontos de nossa Tradição diz: Cada membro de Alcoólicos Anônimos não é senão uma pequena parte de um grande todo. É necessário que eu o A.A. continue vivendo ou, do contrário, seguramente a maioria de nós morrerá. Por isto, o nosso bem-estar comum tem prioridade, porém seguido de perto pelo bem-estar individual. Isto representa um reconhecimento, comum em todas as sociedades, de que, às vezes, o indivíduo tem que antepor o bem-estar de seus companheiros aos seus próprios desejos descontrolados.
Se o indivíduo não cedesse nada, em benefício do bem-estar comum, não poderia existir sociedade alguma o que restaria seria a obstinação e a anarquia, no pior sentido da palavra.
Todavia, o Terceiro Ponto de nossa Tradição parece ser um convite aberto à anarquia. Aparentemente, contradiz o Primeiro Ponto. Ele diz: Nossa Comunidade deve incluir a todos os que sofrem de alcoolismo. Por isto, não podemos rechaçar a ninguém que queira recuperar-se. Para tornar-se membro de A.A. não depende de dinheiro ou formalidade. Quando dois ou três alcoólatras se reunirem para manter a sobriedade, podem chamar-se um grupo de A.A.. Isto implica claramente em dizer que um alcoólatra é membro se ele assim o disser; que não podemos privá-lo de ser membro; que não podemos exigir-lhe sequer um centavo; que não podemos impor-lhe nossas crenças e costumes; que ele pode recusar tudo o que sustentamos e, não obstante, continuar sendo membro. Na realidade, nossa Tradição leva o Princípio de independência individual a tal fantástico extremo que, enquanto tiver o mínimo interesse na sobriedade, o alcoólico mais imoral, mais anti-social, mais crítico, pode reunir-se com uma quantas almas gêmeas e anunciar-nos que foi formado um novo grupo de A.A. Mesmo opondo-se a Deus, à medicina, contrários ao nosso programa de recuperação, inclusive uns contrários aos outros, estes indivíduos desenfreados, ainda assim, constituem um grupo de A.A., se assim o crêem.
Às vezes, nossos amigos não-alcoólicos nos perguntam: Temo-los ouvido dizer que o A.A. tem estrutura social segura E prosseguem: Devem estar brincando. Segundo vemos, sua Terceira Tradição tem uma cimentação tão firme quanto à cimentação da Torre de Babel. No Primeiro Ponto, vocês dizem abertamente que o bem-estar do grupo tem a primazia. Em seguida, no Ponto Três, passam a dizer a cada A.A. que ninguém o pode impedir que pense ou faça como melhor lhe convenha. É certo que no Segundo Ponto falam vagamente de uma autoridade final, Um Deus amoroso tal como se expresse na consciência do grupo. Com todo respeito aos seus pontos de vista, olhada de fora esta Tradição parece irrealista. Além de tudo, o mundo atual não é senão a triste história de como a maioria dos homens tem perdido sua consciência e, por isto, não pode encontrar o seu caminho. Agora vêm vocês, alcoólicos (gente, além de tudo, pouco equilibrada. Verdade?) para nos dizer amavelmente: 1) Que o A.A. é um formoso socialismo muito democrático. 2) Que o A.A. também é uma ditadura, sujeitando-se os seus membros ao mandato benigno de Deus. E, finalmente, que o A.A. é tão individualista que a organização não pode punir aos seus membros por mal comportamento ou incredulidade. Portanto, continuam nossos amigos, quer nos parecer, dentro da Sociedade de Alcoólicos Anônimos vocês têm uma democracia, uma ditadura e uma anarquia, tudo funcionando ao mesmo tempo. Deita-se tranqüilamente na mesma cama estes conceitos que nos dias atuais acham-se em tão violento conflito que vão dilacerando o mundo? Contudo, sabemos que o A.A. dá resultado. Portanto, vocês, de alguma forma, devem ter conciliado estas grandes forças. Contem-nos, se puderem, o que é que mantém o A.A. unido? Por que o A.A. também não se desgarra?Se todo membro de A.A. goza de uma liberdade pessoal que pode chegar à libertinagem, por que sua Sociedade não explode? Deveria explodir, mas não explode.
É provável que, ao ler o nosso Primeiro Ponto, nossos amigos do mundo afora, tão tomados pela perplexidade deste paradoxo, deixem de atentar para uma declaração muito significativa: É necessário que o A.A. continue vivendo ou, do contrário, seguramente a maioria de nós morrerá.
Esta dura asserção leva implícito todo um mundo de significado para cada membro de Alcoólicos Anônimos. Embora seja totalmente certo que nenhum grupo de A.A. pode forçar a qualquer alcoólico a contribuir com dinheiro ou a submeter-se aos Doze Passos, cada membro de A.A. se vê obrigado, com o passar do tempo, a fazer estas coisas.
A verdade é que, na vida de cada alcoólico, sempre há um tirano à espreita. Chama-se álcool. Astuto, impiedoso, suas armas são a aflição, a loucura e a morte. Não importa o tempo que levemos sóbrios, ele se coloca sempre ao nosso lado, vigiando, pronto para aproveitar qualquer oportunidade para reiniciar seu trabalho de destruição. Tal como um agente da Gestapo, ele ameaça a cada cidadão A.A. com a tortura e a extinção a menos que o cidadão A.A. esteja disposto a viver sem egoísmo, amiúde antepondo a seus planos e ambições pessoais o bem-estar de A.A. no seu todo.
Aparentemente, nenhum ser humano pode forçar os alcoólatras a viverem juntos felizes e utilmente. Porém o Sr. Álcool pode e costuma fazê-lo!
Isto se pode ilustrar com uma história: Faz algum tempo, listamos amplamente nossos aparentes fracassos ocorridos durante os primeiros anos de A.A. A cada alcoólatra que aparecia na lista, se lhe havia sido dada uma boa orientação.
A maioria havia assistido as reuniões durante vários meses. Depois de recair e tornar a recair, todos desapareceram. Alguns diziam que não eram alcoólatras. Outros não puderam aceitar nossa crença em Deus. Uns quantos carregavam intensos ressentimentos contra seus companheiros. Anarquistas convencidos, não podiam ajustar-se à nossa Sociedade. E como a nossa Sociedade não se ajustava a eles, marcharam. Porém, só temporariamente. No curso dos anos, a maioria destes chamados fracassos tem retornado, convertendo- se, freqüentemente, em excelentes membros. Nunca fomos atrás deles. Voltaram por conta própria.
Cada vez que vejo alguém que acaba de retornar, pergunto-lhe porque voltou a se unir ao nosso rebanho. Invariavelmente, sua resposta é mais ou menos assim: Quando contatei A.A. pela primeira vez, inteirei-me de que alcoolismo é uma enfermidade: uma obsessão mental que nos impulsiona a beber e uma sensibilidade física que nos condena à loucura ou à morte se continuamos bebendo. Porém, logo fiquei desgostoso com os métodos de A.A. e cheguei a odiar a alguns dos alcoólicos que conhecia ali. E ainda continuava com a idéia de que podia deixar a bebida pelos meus próprios meios. Depois de vários anos bebendo de forma terrível, compreendi que era impotente para controlar o álcool e me rendi. Retornava ao A.A. porque não tinha outro lugar a que recorrer. Já havia tentado em todos os demais. Tendo alcançado este ponto, soube que teria que fazer algo rapidamente: que tinha que praticar os Doze Passos do programa de recuperação de A.A.; que teria que deixar de odiar aos meus companheiros alcoólicos; que agora teria que ocupar meu lugar entre eles, como uma pequena parte deste grande todo, a Sociedade de Alcoólicos Anônimos. Tudo se reduzia à simples alternativa do agir ou morrer. Tinha que me ajustar aos princípios de A.A. se não, poderia despedir-me da vida. Acabou a anarquia para mim e aqui estou.
Esta história mostra a razão pela qual, nós, os A.As., temos que viver juntos. Do contrário, morreremos sós. Somos os atores de um drama inexorável, no qual a morte é o ponto dos que vacilam em seus papéis (nota do tradutor: ponto, aqui, significa pessoa que no teatro vai lendo o que os atores hão de dizer, para lhes auxiliar a memória). Há alguém que possa imaginar a imposição de uma disciplina mais rigorosa que esta?
Não obstante, a história do beber descontrolado nos mostra que o temor, por si só, tem disciplinado a muitos poucos alcoólatras. Para nos mantermos unidos, nós, os anarquistas, é necessário muito mais do que o simples temor.Há uns poucos anos, fazendo uma palestra em (Baltimore), encontrava-me pondo sal nos grandes sofrimentos que nós, os alcoólicos, havíamos conhecido.
Desconfio que as minhas palavras tinham um forte cheiro de autocomiseração e exibicionismo. Insistia em descrever a nossa experiência de bebedores como uma grande calamidade, um terrível infortúnio. Depois da reunião, fui abordado por um padre, que com um tom muito gentil, me disse: Eu o ouvi dizer que cria que sua maneira de beber era um infortúnio. Entretanto, a mim me parece que, no seu caso, aquilo era uma tremenda bem-aventurança.
Não foi essa experiência horrível o que o humilhou tanto que fez com que pudesse encontrar a Deus? Não foi o sofrimento o que lhe abriu os olhos e o coração? Todas as oportunidades que você tem hoje, toda esta maravilhosa experiência a que você chama de A.A., tiveram sua origem num profundo sofrimento pessoal. No seu caso, não foi nenhum infortúnio. Foi uma bem-aventurança que não tem preço. Vocês, A.As., são pessoas privilegiadas.
Este sincero e profundo comentário me comoveu muito. Marca um momento decisivo de minha vida. Fez-me pensar, como nunca, sobre a relação que mantinha com meus companheiros de A.A. Fez-me pôr em dúvida os meus próprios motivos. Por que havia vindo à Baltimore? Estava ali só para banhar-me nos aplausos e louvação dos meus companheiros? Estava ali como mestre ou como pregador?
Via-me como um eminente expedicionário da cruzada moral Ao refletir, confessei envergonhadamente a mim mesmo que tinham todos esses motivos, que havia extraído um prazer indireto, e bastante egocêntrico, de minha visita. Mas, isso era tudo? Não haveria um motivo melhor do que a minha avidez por prestígio e aplauso? Fora à Baltimore unicamente para satisfazer a esta necessidade e a nenhuma outra mais profunda ou nobre? Então, me veio uma luz de inspiração.Sob minha vanglória superficial ou pueril, vi operando Alguém muito superior a mim. Alguém que queria transformar- me; Alguém que, se eu o permitisse, livrar-me-ia dos meus desejos menos honestos e os substituiria com aspirações mais louváveis, nas quais, se eu tivesse suficiente humildade, poderia encontrar a paz.Naquele momento, vi nitidamente a razão pala qual devia ter vindo à Baltimore.
Devia ter viajado para ali possuído pela feliz convicção de que necessitava dos baltimorenses ainda mais do que eles necessitavam de mim; que teria necessidade de compartilhar com eles tanto suas penas, quanto suas alegrias; que teria necessidade de sentir-me unido a eles, fusionando-me em sua sociedade; que, inclusive, se eles persistissem em considerar-me como seu mestre, eu deveria considerar a mim mesmo como aluno deles. Compreendi que havia estado vivendo muito isolado, muito apartado dos meus companheiros e muito surdo a essa voz interior. Ao invés de ir à Baltimore como mero agente que levava a mensagem de experiência, cheguei com fundador de Alcoólicos Anônimos. E, tal como um vendedor numa convenção, coloquei meu crachá de identificação para que todos pudessem vê-lo bem. Como seria melhor se tivesse gratidão ao invés de satisfação de mim mesmo ? gratidão por haver padecido os sofrimentos do alcoolismo; gratidão pelo milagre da recuperação que a Providência havia operado em mim; gratidão pelo privilégio de servir aos meus companheiros alcoólatras e gratidão pelos laços fraternais que me uniam a eles numa camaradagem cada vez mais íntima, como raras sociedades conhecem. Era verdade o que me dissera o padre: ?Seu infortúnio converteu-se em bem-aventurança.
Vocês, os A.As., são pessoas privilegiadas.
A experiência que tive em Baltimore não foi nada insólita. Cada A.A. passa em sua vida por parecidos acontecimentos espirituais decisivos momentos de iluminação que o une, cada vez mais intimamente, aos seus companheiros e ao seu Criador. O ciclo é sempre o mesmo. Primeiro, recorremos ao A.A. porque morreríamos se não o fizéssemos. Depois, para deixar de beber, dependemos de sua filosofia e do companheirismo que nos é oferecido. Depois, por algum tempo, tendemos a voltar a depender de nós mesmos, e buscamos a felicidade por intermédio do poder e dos aplausos. Finalmente, algum acidente, talvez um grave contratempo, nos abre ainda mais os olhos. Na medida em que vamos aprendendo as novas lições e aceitamos, de fato, o que nos ensinam, alcançamos um novo e mais frutífero nível de ação e emoção. A vida adquire um sentido mais nobre. Vislumbramos novas realidades; percebemos a qualidade de amor que nos faz enxergar que mais vale dar do que receber. Estas são as razões pelas quais cremos que Alcoólicos Anônimos pode ser uma nova forma de sociedade
Cada grupo de A.A. é um refúgio seguro. Porém, sempre está rodeado pelo tirano álcool. Como os companheiros de Eddie Rickenbacker, flutuando numa balsa em alto mar, nós, os que vivemos no refúgio de A.A., apegamo-nos uns aos outros com uma determinação tal que o mundo raramente pode compreender.
A anarquia do indivíduo vai desaparecendo. Se desvanece o egoísmo e a democracia se converte em realidade. Começamos a conhecer a verdadeira liberdade de espírito. Tornamo-nos, cada vez mais, conscientes de que tudo vai bem; de que cada um de nós pode confiar, incondicionalmente, em quem nos guia com amor desde o nosso interior e desde do alto.

(Artigo escrito por Bill W. para a Grapevine de julho/46)

QUEM É MEMBRO DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

QUEM É MEMBRO DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS?

(A Terceira Tradição originou-se deste artigo de Bill W., publicado
na revista The A.A. Grapevine)

A primeira edição do livro “Alcoólicos Anônimos” faz esta breve declaração, a respeito de afiliação: “O único requisito para ser membro é o sincero desejo de parar de beber. Não pertencemos a nenhuma seita ou denominação religiosa, em particular, nem nos opomos a nenhuma delas. Simplesmente almejamos ajudar os afligidos por esse mal”. Isso expressa nossos sentimentos na época em que nosso livro foi publicado, isto é, em 1939.

Desde esse dia todos os tipos de experiência com membros foram tentados. O número de regras estabelecidas para ingressos de membros (e infringidas em sua maioria) era enorme. Há dois ou três anos atrás, o Escritório Geral pediu aos grupos que enviassem as listas de suas regras para afiliação. Quando elas chegaram, registramos uma por
uma. Foram necessárias muitas folhas de papel. Um breve estudo dessa infinidade de regras nos levou a uma conclusão surpreendente. Se todas essas regras realmente tivessem sido seguidas, por toda parte, teria sido praticamente impossível qualquer alcoólico ter ingressado em Alcoólicos Anônimos. Cerca de nove entre dez de nossos
mais antigos e melhores membros jamais poderiam ter sido aceitos!

Em alguns casos, teríamos também sido desencorajados pelas exigências a nós impostas. Os primeiros membros de A.A., em sua maioria, teriam sido rejeitados porque recaíam muito, porque sua moral era péssima, porque tinham tanto problemas psíquicos como com o álcool. Ou ainda, acredite ou não, porque não tinham vindo das melhores classes da sociedade. Nós, os mais antigos, poderíamos ter sido excluídos por não ler o livro “Alcoólicos Anônimos” ou por nosso padrinho ter se recusado a confiar em nós, como candidatos, e assim por diante. O modo como nossos “alcoólicos dignos” têm as vezes tentado julgar os “menos dignos” é, como vemos agora, engraçado. Imaginem, se vocês puderem, um alcoólico julgando outro!

Uma vez ou outra grupos de A.A. resolvem ir criando regras. Do mesmo modo,quando um grupo começa a crescer rapidamente, ele enfrenta muitos problemas sérios. Mendigos começam a mendigar. Membros ficam bêbados e às vezes levam outros a ficarem bêbados como eles. Os que têm problemas psíquicos caem em depressão ou agridem os companheiros. Fofoqueiros se justificam, denunciando os Lobos e os Chapeuzinhos Vermelhos do lugar. Recém chegados argumentam que não são alcoólicos absolutamente, mas de qualquer modo continuam vindo. “Recaídos”
tiram partido do bom nome de A.A. para conseguir empregos para si mesmos. Outros recusam aceitar todos os Doze Passos do programa de recuperação. Alguns vão mais longe, dizendo que esse “negócio de Deus” é besteira e completamente desnecessário. Nessas condições, nossos membros mais conservadores do programa ficam assustados. Essas condições assustadoras devem ser controladas, eles chamam, de outro modo A.A. certamente irá à ruína total. Eles vêem com alarme para o bem do movimento!

A essa altura o grupo entra na fase dos regulamentos e regras. Atas de Constituição, estatutos e regras para ser membros são emitidos, e a autoridade é garantida aos comitês para que filtrem os nomes dos indesejáveis e disciplinem os violadores. Então os mais antigos do grupo, agora revestidos de autoridade,começam a se ocupar. Os
desobedientes são jogados para fora, na desgraça. Os respeitáveis intrometidos atiram pedras nos pecadores. Com relação aos pecadores, estes ou insistem em ficar, ou então formam um novo grupo para si mesmos. Ou talvez se juntem a uma turma
mais afim e menos intolerante da vizinhança. Os mais antigos logo descobrem que as regras e os regulamentos, não funcionam muito bem. As tentativas, em sua maioria, causam ondas de dissensão e intolerância no grupo, e essa condição é agora reconhecida como sendo a pior para a vida do grupo.

Depois de um período, o medo e a intolerância diminuem e o grupo sai são e salvo. Todos aprenderam muito. Assim é que poucos de nós estão com medo daquilo que qualquer recém-chegado possa fazer para a reputação ou para a eficiência de A.A. Aqueles que recaem, aqueles que mendigam, aqueles que escandalizam, aqueles com problemas psíquicos, aqueles que se rebelam quanto ao programa, aqueles que
tiram partido de reputação de A.A. – todos esses raramente prejudicam, por muito tempo, um grupo de A.A. Alguns deles vêm a ser nossos mais respeitados e queridos amigos. Alguns têm ficado para pôr à prova nossa paciência, apesar de estar sóbrios. Outros se afastam. Nós começamos a vê-los não como ameaças, mas como nossos professores. Eles nos obrigam a cultivar a paciência, a tolerância e a humildade.
Nós finalmente percebemos que eles são somente pessoas mais doentes do que nós, que nós que os condenamos somos os fariseus, cuja falsa justiça leva nosso grupo ao mais profundo prejuízo espiritual.

Todo A.A. mais antigo treme quando se lembra dos nomes das pessoas que uma vez condenou, pessoas que ele confidencialmente havia dito que nunca ficariam sóbrios, pessoas que ele tinha certeza que deveriam ser colocadas para fora de A.A., para o bem do movimento. Agora que algumas dessas pessoas estão sóbrias, há anos, e podem ser encontradas entre seus melhores amigos, o membro mais antigo pergunta
para si mesmo: “E se todos tivessem julgado essas pessoas, como eu uma vez fiz? E se A.A. tivesse batido a porta na cara delas? Onde elas estariam hoje?”

Por isso é que julgamos o recém-chegado cada vez menos. Se o álcool é um problema incontrolável para ele e ele deseja fazer algo a respeito, isso é suficiente para nós. Não nos preocupamos se seu caso é grave ou brando, se sua moral é boa ou má, se ele tem outras complicações ou não. A porta de nosso A.A. permanece aberta e, se ele passa por ela e começa a fazer finalmente algo a respeito de seu problema, ele é considerado membro de Alcoólicos Anônimos. Ele não assina nada, não faz nenhum acordo, não promete nada. Nós não exigimos nada. Ele se junta a nós por sua própria vontade. Hoje em dia, na maioria dos grupos,ele nem mesmo tem que admitir que é um alcoólico. Ele pode ingressar em A.A. pela mera suspeita de que possa se um alcoólico, de que já possa apresentar os sintomas fatais de nossa doença.

Naturalmente esse não é o caso de todos aqueles que estão em A.A. As regras para ser membro ainda existem. Se um membro insiste em vir embriagado, nas reuniões,
ele pode ser levado para fora; podemos pedir para alguém tirá-lo dali. Mas, na maioria dos grupos, ele pode voltar no dia seguinte, se estiver sóbrio. Embora ele possa ser colocado para fora de um clube, ninguém pensa em colocá-lo para fora de A.A. Ele é um membro, contanto que diga que é. Conquanto esse amplo conceito de afiliação
ao A.A. ainda não seja unânime, ele representa hoje a principal corrente do pensamento de A.A. Não queremos negar a ninguém a oportunidade de recuperar-se do alcoolismo. Queremos ser justos, tanto quanto possível, sempre ficando ao alcance de todos.

Talvez essa tendência signifique algo muito mais profundo do que uma mera mudança de atitude sobre a questão de afiliação. Talvez isso signifique que estamos perdendo totalmente o medo daquelas violentas tempestades emocionais que às vezes cruzam nosso mundo alcoólico; talvez isso mostre nossa confiança de que depois da tempestade vem a bonança; uma calma que é mais compreensão, mais compaixão, mais tolerância do que qualquer outra que jamais conhecemos.