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SEXTO PASSO DE A.A.

Antes de falarmos sobre o SEXTO PASSO, seria oportuno contextualizá-lo no conjunto dos DOZE PASSOS.

Todos conhecem a história da criação dos DOZE PASSOS: Bill W. os escreveu em 30 minutos, sob inteira inspiração.

Para mim, essa INSPIRAÇÃO é um contacto com uma realidade SUPERIOR, TOTAL, que está aqui e agora, presente em todos os momentos, regendo todo o Universo. Mas, não a vemos, não a apalpamos e, assim, não conseguimos descrevê-la racionalmente.

Esse sistema já foi percebido em outras épocas, por outras pessoas, que o traduziram em linguagens diferentes, Jesus usou os 12 apóstolos para nos dizer de 12 naturezas humanas, pelas quais devemos passar para chegar a Ele, ao homem perfeito.

A astrologia, que data de mais de 5.000 anos, também colocava o homem viajando por 12 astros, transitando por 12 forças, 12 percepções diferentes da realidade, traduzidas em 12 signos do zodíaco, sempre em busca da totalidade, da integralidade de si.

Os astrônomos, por sua vez, dividiram o tempo em 12 meses, subdivididos em 4 estações, que resumem o nascimento, o crescimento, a maturidade e a morte de todos os seres vivos.

Pois bem. O homem sente que lhe falta algo; não compreende o quê; e busca preencher esse vazio – às vezes com bebida, com drogas, com ideologias.

Os DOZE PASSOS são uma linguagem universal. Por isso, podem ser utilizados pelos alcoólicos, para expulsar sua obsessão pela bebida, tornando-o um homem íntegro; podem ser utilizados pelo dependente de drogas; pelo comedor compulsivo; pelo fumante; enfim, para qualquer plano de vida, que proponha uma integralidade física, psíquica, emocional e espiritual. É isso que os DOZE PASSOS nos oferecem: um caminho para o SER INTEGRAL.

Assim, os 4 primeiros Passos representam o primeiro nascimento: crianças inocentes e irresponsáveis ainda, é a primeira AÇÃO do homem diante de um mundo desconhecido e ameaçador: admitimos nossa impotência (perante o álcool), constatamos a existência de um PODER SUPERIOR a nós, entregamos nossa vida aos SEUS cuidados e começamos a nos conhecer, fazendo um minucioso inventário de nós mesmos.
Nos 4 Passos seguintes (5, 6, 7 e 8), admitimos os nossos defeitos e a nossa impotência diante deles; nos prontificamos para que o PODER SUPERIOR os remova, introduzindo, como instrumento, a ORAÇÃO; e constatamos a nossa necessidade do OUTRO; fazemos, então, uma relação de todos a quem prejudicamos.

Os últimos 4 Passos (9, 10, 11 e 12) é o nascimento do espírito: passamos a fazer as reparações aos outros, dos danos que causamos e passamos a colocar em prática, no nosso dia, a humildade, fazendo, a todo o instante, um exame de consciência. Aprendemos a nos conectar com o PODER SUPERIOR, através da MEDITAÇÃO e, finalmente, nos sacrificamos pelo outro, transmitindo ao mundo o nosso aprendizado.

O SEXTO PASSO está no segundo nascimento: nascimento da razão, da disciplina. É o exercício espiritual que adestra o nosso EGO.
O sexto passo nos ensina que não temos que lutar contra os nossos defeitos de caráter: a vaidade, o orgulho, o medo, a inveja, a preguiça, a gula e os excessos. Numa queda de braço, todos esses defeitos vencem, facilmente, o espírito ainda imaturo do homem, e nos derrubam, colocando-nos novamente na frente da garrafa.

O SEXTO PASSO nos propõe ESTAR DIANTE DESSES DEFEITOS, MAS SEPARADO DELES, NÃO PERTENCENDO A ELES. O que o SEXTO PASSO nos propõe é o DESAPEGO: é ver o nosso EGO sem críticas, sem julgamentos, sem justificativas, sem culpas. Ver nossos defeitos, imparcialmente, é prontificar-se para DEUS.

É aquela ENTREGA que fizemos no primeiro passo – admitimos que éramos impotentes perante o álcool – mas, agora, em outro nível, no nível do homem adulto, que já se conhece e, por isso, admite que é impotente perante o seu próprio ego, sua própria personalidade, perante as circunstâncias de sua vida, perante os outros, e, assim, entrega tudo isso também ao PODER SUPERIOR.
Aqui, permitimos que a vontade do PODER SUPERIOR seja feita.

Existe uma tradução livre do Pai-Nosso, diretamente do aramaico, a língua de Jesus, que nos fala mais profundamente acerca do perdão que a costumeira oração recitada pelos cristãos:

“Desfaz os laços dos erros que nos prendem, assim como nós liberamos as amarras com que aprisionamos a culpa dos nossos irmãos. Desembaraça-nos dos nós internos, para que possamos restaurar em nossos corações os laços simples que nos unem a outros seres”.

ALCANÇAR A SOBRIEDADE – 5º PASSO

ALCANÇAR A SOBRIEDADE
5º PASSO DE A.A.

Os “Doze Passos” são o núcleo do programa de recuperação individual de AA. Não são teorias abstratas: baseiam-se na experiência dos primeiros membros de AA que lá chegaram por tentativas, umas bem sucedidas e outras falhadas. Descrevem a atitude e as atividades que esses primeiros membros acharam importantes para alcançarem a sobriedade. Aceitar os “Doze Passos” não é, de forma nenhuma obrigatório.
No entanto, a experiência sugere que os membros que se esforçam honestamente por seguir estes Passos e por aplicá-los na sua vida diária, vão muito mais longe em AA do que aqueles que apenas os encaram com ligeireza. Tem-se dito que é impossível seguir à letra todos os Passos dia a dia. Embora isto possa ser verdade, na medida em que os Doze Passos refletem uma aproximação à vida que é totalmente nova para a maioria dos alcoólicos, muitos membros de AA sentem que os Passos são uma necessidade prática para manterem a sua sobriedade.

QUINTO PASSO
“Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.”

Os Doze Passos desincham o ego. O Quinto Passo é difícil, porém necessário à sobriedade e à paz de espírito. A confissão é uma disciplina antiga. Sem a destemida admissão dos próprios defeitos, poucos poderiam se manter sóbrios. Que recebemos do Quinto Passo? O começo da verdadeira afinidade com o homem e com Deus. Perde-se a sensação de isolamento; recebe-se e se dá o perdão; aprende-se a humildade; alcançam-se a honestidade e a realidade a respeito de nós mesmos. O perigo da justificação. Como escolher a pessoa em quem confiar. Os resultados são a tranqüilidade e a consciência de Deus. A união com Deus e com o homem prepara-nos para os próximos passos.

QUINTO PASSO

“Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.”

Todos os Doze Passos de A.A. nos pedem para atuar em sentido contrário aos nossos desejos naturais, todos desinflam nosso ego. Quando se trata de desinflar o ego, poucos passos são mais duros de aceitar que o Quinto. Mas, dificilmente, algum deles é mais necessário à obtenção da sobriedade prolongada e à paz de espírito do que este.

A experiência de A.A. nos indicou que não podemos viver sozinhos com insistentes problemas e os defeitos de caráter que os causam e agravam. Caso tenhamos passado o holofote do Quarto Passo sobre nossas vidas, e se ele tiver realçado aquelas experiências que preferimos não lembrar, se chegamos a aprender com os pensamentos e as ações erradas feriram a nós e a outrem, então se torna mais imperativo do que nunca desistir de viver sozinhos com esses fantasmas torturantes de ontem. É preciso falar com alguém a esse respeito.

Tão intensos, porém, são nosso medo e a relutância de fazê-lo que, ao início, muitos AAs tentam contornar o Quinto Passo. Procuramos uma maneira mais fácil – que geralmente consiste na admissão ampla e quase indolorosa de que, quando bebíamos, éramos, às vezes, maus elementos. Então, para completar, acrescentamos descrições dramáticas desse lado d nosso comportamento quando bêbados que, em todo caso, nossos amigos provavelmente já conhecem.

Mas, das coisas que realmente nos aborrecem e marcam, nada dizemos. Certas lembranças penosas e aflitivas, dizemos para nós mesmos, não devem ser compartilhadas com ninguém. Essas serão nosso segredo. Ninguém deve saber. Esperamos levá-las conosco para a sepultura.

Contudo, se a experiência de A.A. serve para algo, ela nos diz que a esse procedimento, não só falta critério, como também, é uma resolução perigosa. Poucas atitudes atrapalhadas causaram mais problemas do que se recusar a pratica do Quinto Passo. Algumas pessoas são incapazes de permanecer sóbrias, outras recairão periodicamente enquanto não fizerem uma verdadeira “limpeza de casa”. Até os veteranos em A.A., sóbrios há anos, frequentemente pagam caro por haver praticado este passo superficialmente. Contarão como tentaram carregar o peso sozinhos; quanto sofreram com a irritabilidade, a ansiedade, o remorso e a depressão; e como, inconscientemente procurando o alívio, às vezes até imputavam aos seus melhores amigos os defeitos de caráter que eles mesmos estavam tentando encobrir. Enfim, descobriram que o alívio nunca chegava com a confissão dos pecados alheios e sim, cada qual se concentrando nos seus.

Este sistema de admitir os próprios defeitos a outra pessoa é, sem dúvida, muito antigo. Tem sido validado em todos os séculos, e caracteriza a vida de toda pessoa espiritualmente orientada e verdadeiramente religiosa. Mas hoje, a religião não é nem de longe o único defensor deste princípio salvador. Os psiquiatras e psicólogos apontam a profunda necessidade que todo ser humano tem de, na prática, discernir e conhecer as falhas de sua própria personalidade e discutir sobre elas com uma pessoa compreensiva e digna de confiança. No que se refere aos alcoólicos, A.A. iria mais longe ainda. A maioria de seus membros não teria dúvida em proclamar que, sem a corajosa admissão de seus defeitos perante outro ser humano, não teria podido se manter sóbria. Sem que estejamos dispostos a tentar esse reconhecimento, parece claro que a Graça Divina não nos tocará para expulsar nossas obsessões destrutivas.

Que somos capazes de ganhar com o Quinto Passo? Em primeiro lugar, livrar-nos-emos dessa terrível sensação de isolamento que sempre tivemos. Quase sem exceção, os alcoólicos são torturados pela solidão. Mesmo antes de nossas bebedeiras se tornarem graves e as pessoas se afastarem de nós, quase todos nós sofremos a sensação de estarmos sós. Éramos acanhados e não nos atrevíamos a nos aproximar dos outros, ou éramos capazes de ser “bons sujeitos”, almejando a atenção e o companheirismo, embora jamais o conseguíssemos, pelo menos em nossa maneira de entender. Sempre existia aquela barreira misteriosa que não conseguíamos compreender nem superar. Era como se fôssemos atores num palco, subitamente descobrindo que não sabíamos uma só linha de nosso papel. Eis uma das razões pela qual amávamos tanto o álcool. Ele nos permitia desempenhar nosso papel a qualquer tempo. Mas, até Baco acabou nos prejudicando; finalmente, nos arrasava e deixava numa solidão aterrorizante.

Quando chegamos em A.A., e pela primeira vez na vida nos encontramos entre pessoas que pareciam nos entender, a sensação de fazer parte de alguma coisa era tremendamente emocionante. Achamos que o problema do isolamento havia terminado. Porém, logo descobrimos que embora não estivéssemos mais sozinhos no sentido social, ainda sofríamos muito os antigos tormentos aflitivos de sentir-nos à parte. Enquanto não falássemos, com toda franqueza, de nossos conflitos e ouvíssemos outra pessoa fazer a mesma coisa, ainda não estaríamos participando. A solução era o Quinto Passo. Era o começo de um verdadeiro parentesco com as pessoas e com Deus.

Este passo vital também foi o meio pelo qual começamos a ter a sensação de que poderíamos ser perdoados, não importando o que houvéssemos pensado ou feito. Frequentemente, enquanto dávamos este passo com nossos padrinhos ou conselheiros espirituais, pela primeira vez, nos sentíamos verdadeiramente capazes de perdoar aos outros, não importa quão profundamente sentíssemos que nos houvessem maltratado. Nosso inventário moral nos havia persuadido de que o perdão geral era desejável, mas foi somente quando demos o Quinto Passo com resolução, que soubemos, em nosso íntimo, o quanto seríamos capazes de aceitar o perdão e perdoar também.

Outra grande dádiva que podemos esperar por confiar nossos defeitos a outro ser humano é a humildade – uma palavra frequentemente mal compreendida. Para aqueles que têm progredido em A.A., representa um reconhecimento claro do que e de quem somos realmente, seguido de um esforço sincero para ser aquilo que poderíamos ser. Portanto, nossa primeira medida prática em direção à humildade deveria consistir no reconhecimento de nossas deficiências. Não se pode corrigir defeito algum sem ver claramente o que é. Mais precisaremos fazer mais do que ver. A olhada objetiva que demos no Quarto Passo foi, afinal de contas, apenas uma olhada. Todos nós vimos, por exemplo, que às vezes nos faltava honestidade e tolerância, e éramos dominados por crises de auto piedade ou delírios de grandeza. Porém, embora isto fosse uma experiência humilhante, não significava, necessariamente, que já houvéssemos alcançado a verdadeira humildade. Embora finalmente reconhecidos, nossos defeitos permaneciam. Era necessário fazer algo a respeito deles e logo descobrimos que sozinhos não conseguíamos afastá-los, mesmo que desejássemos.

Maior realismo e, portanto, mais honestidade a nosso respeito são os nossos grandes e positivos benefícios que ganhamos sob a influência do Quinto Passo. Enquanto fazíamos o inventário, começamos a suspeitar de quantos problemas nos havia causado o nosso auto engano. Disso havia se originado uma ponderação inquietante. Se nos havíamos enganado durante quase toda vida, como poderíamos agora estar seguros de que não seríamos auto enganados? Como poderíamos estar certos de tínhamos feito um verdadeiro catálogo de nossos defeitos e os havíamos admitido realmente, até para nós mesmos? Estando ainda perturbados pelo medo, pela auto piedade e por outros sentimentos feridos, provavelmente não estávamos em condições de nos avaliar com justiça. Demasiada culpa e remorsos poderiam fazer com que exagerássemos nossas falhas. Ou então, a ira e o orgulho ferido poderiam ser camuflagem atrás da qual estávamos escondendo alguns de nossos defeitos enquanto culpávamos outros por eles. Possivelmente, também, ainda estávamos sendo prejudicados por muitas falhas, grandes e pequenas, que nunca sonhávamos ter.

Portanto, era evidente que uma autoanálise de nossos defeitos, feita solitariamente baseada só nisso, nem de longe seria suficiente. Precisaríamos da ajuda externa de Deus e de um ser humano para saber, com certeza, a verdade a nosso respeito e admiti-la. Unicamente através de uma discussão sobre nós mesmos, sem esconder nada, estando dispostos a receber advertências e aceitar conselhos, poderíamos começar a caminhar em direção ao pensamento correto, à honestidade sólida e à autêntica humildade.

Porém, muitos de nós ainda nos sentíamos relutantes e dizíamos: “Por que não pode Deus, na forma em que O entendemos, nos contar onde estamos errados? Se o Criador nos deu nossas vidas, deve então, saber com minúcias onde, como e quando temos errado desde o início. Por que não fazer nossas admissões diretamente a Ele? Por que é necessária a interferência de uma outra pessoa neste assunto?”
A essa altura, as dificuldades de tentar lidar corretamente com Deus, sozinhos, são duplas. Embora possamos, a princípio, ficar espantados ao reconhecer que Deus sabe tudo a nosso respeito, somos capazes de nos acostumar a isso em pouco tempo. De algum modo, estar sozinho com Deus não parece ser tão embaraçoso quanto enfrentar uma outra pessoa. Até que resolvamos sentar e falar em voz alta a respeito das coisas que há tempo, temos escondido, nossa disposição de “limpar a casa” é meramente teórica. O fato de sermos honestos com outra pessoa, confirma que temos sido honestos conosco e com Deus.

A segunda dificuldade está naquilo que nos vem enquanto estamos sós, e que pode ser deturpado pelos nossos anseios e racionalizações. A vantagem em falar com outra pessoa é que podemos, de forma direta, obter seus comentários e conselhos sobre a nossa situação, não podendo haver dúvidas em nossas mentes sobre esses conselhos. Tratando-se de assuntos espirituais, andar sozinho é perigoso. Quantas vezes ouvimos pessoas bem intencionadas proclamar a orientação de Deus, quando era mais do que evidente que estavam muito enganadas. Faltando-lhes tanto a prática quanto a humildade, haviam se iludido e se permitiam justificar a mais rematada bobagem sob a alegação de que era isto que Deus lhes havia dito. Vale notar que pessoas de maior desenvolvimento espiritual quase sempre insistem em verificar, com amigos ou conselheiros espirituais, a orientação que consideram haver recebido de Deus. É certo, então, que um recém-chegado não deva correr o risco de cometer, desta maneira, enganos, talvez trágicos, por falta de critérios. Embora os comentários ou conselhos de outros possam conter falhas, é possível que sejam mais específicos do que qualquer orientação direta que possamos receber enquanto ainda somos tão inexperientes no estabelecimento do contato com um Poder Superior a nós.

Nosso próximo problema será descobrir a pessoa na qual iremos confiar. Aqui devemos tomar bastante cuidado, lembrando-nos que a prudência é considerada uma das mais valiosas virtudes. É possível que seja necessário compartilhar com esta pessoa fatos a nosso respeito que ninguém mais deva saber. Desejaremos falar com alguém experiente que não só tenha se mantido abstêmio, como também conseguido superar outras sérias dificuldades, iguais talvez às nossas. Esta pessoa poderá ser o nosso padrinho, embora não necessariamente. Se a nossa confiança nele estiver bem desenvolvida, se o seu temperamento e seus problemas forem semelhantes aos nossos, então nossa escolha será boa. Além do mais, nosso padrinho já tem a vantagem de conhecer alguma coisa a respeito do nosso caso.

Contudo, possivelmente sua relação com ele seja tal que você desejaria revelar apenas uma parte de sua história. Se for este o caso, faça-o sem dúvida, pois deve começar o mais breve possível. Poderá acontecer porém, que você venha a escolher alguma outra pessoa para as revelações mais difíceis e profundas. Esta pessoa poderá estar inteiramente desligada de A.A. por exemplo, seu preceptor religioso ou seu médico. Para alguns de nós, uma pessoa totalmente estranha poderá ser a melhor escolha.
A inteira confiança depositada naquele com quem compartilharemos nossa autoanálise, e nossa boa disposição, serão as provas verdadeiras da situação. Mesmo depois de ter encontrado a pessoa, o aproximar-se dele ou dela requer muita decisão. Ninguém deve dizer que o programa de A.A. não requer força de vontade; este é um dos momentos em que poderá ser necessária toda que tiver. Felizmente, contudo, você provavelmente receberá uma surpresa agradável. Quando tenha explicado seu propósito cuidadosamente, e o depositário de sua confiança tenha entendido o quanto ele poderá ajudar, na verdade, a conversação começará facilmente e logo se tornará animada. Em breve, seu ouvinte poderá contar uma ou outra história a respeito dele que deixará você ainda mais à vontade. Desde que você nada esconda, sua sensação de alívio aumentará de minuto a minuto. As emoções reprimidas durante anos saem de seu confinamento, e milagrosamente desaparecem ao serem expostas. À medida que a dor diminui, é substituída por uma tranquilidade balsâmica. E quando a humildade e a serenidade se misturam desta maneira, outra importantíssima coisa é capaz de ocorrer. Muitos AAs anteriormente agnósticos ou ateus, nos dizem que foi nesta fase do Quinto Passo que realmente sentiram, pela primeira vez, a presença de Deus. E mesmo aqueles que já tinham fé, frequentemente se tornam conscientes de Deus como nunca antes o foram.

A sensação de estar unidos a Deus e ao homem, a saída do isolamento por meio de um compartilhar aberto e honesto do terrível peso de nossa culpa, nos leva a um lugar de descanso onde podemos preparar-nos para os passos seguintes em direção a uma sobriedade plena e significativa.

TEMÁTICA QUINTO PASSO.

Por: Emílio M.

01. O que e como entendi e tentei praticar o Quinto Passo de A.A., em meu nome e não no da Irmandade. (Enumero os parágrafos para facilitar os debates nos Seminários).

02. Só autoanálise não resolve. Preciso aliviar o peso. Se revelar aquilo que sinto, o que revelo me libertará. Devo falar sobre meus defeitos, meus erros, meus segredos, e mazelas. Preciso sair da defensiva. Cessar de culpar os outros. Não obterei resultados, confessando os defeitos e máculas alheias. Fui invadido pela enchente do alcoolismo com suas exigências, nefastas e desastrosas consequências. O Quinto Passo visa uma faxina ampla, geral e irrestrita de toda minha vida passada. Devo também revelar qualidades e virtudes para manter minha auto – estima. Assim fica muito mais fácil para seguir em frente.
Um veterano da guerra do Vietnã, quando soube que trabalhar o Quarto e Quinto Passo não era lá muito fácil disse: “Pode ser difícil para vocês, mas não para mim que enfrentei aquela deplorável e sangrenta guerra. Farei esta tarefa com a maior facilidade”. Pois bem, ele não chegou nem na metade desta empreitada, quando começou a esbravejar, a rebelar-se, até que em dado momento bradou: “Por favor, me mandem de volta para o Vietnã. Lá foi mais fácil”.
Conclui que ele chegou neste estado de desespero, porque a guerra lá era contra os outros e, aqui ele entrou em estado de beligerância pois só escrevia aspectos negativos de sua vida, se ele tivesse escrito também pontos positivos conseguiria manter o equilíbrio e a auto – estima e concluiria aquilo que todos somos capazes de fazer.
“Depois de termos feito o nosso inventário pessoal, que fazemos com ele? Temos estado a esforçar-nos por adquirir uma nova atitude, uma nova relação com o nosso Criador e por descobrir os obstáculos no nosso caminho.
…Talvez isto seja difícil, especialmente falar dos nossos defeitos com outra pessoa. Achamos que já fizemos bastante ao admiti-los a nós próprios. Mas temos dúvidas acerca disso. Na prática, esta auto avaliação feita apenas por nós não é suficiente…. Teremos mais facilidade em falar de nós mesmos com outra pessoa quando descobrirmos fortes razões para o fazer. E a melhor razão é que, se omitirmos este passo vital, podemos não resolver o problema da bebida. Vezes sem conta, os recém-chegados têm tentado guardar para si próprios certos fatos das suas vidas. Para evitar esta experiência de humildade, recorreram a métodos mais fáceis. Quase invariavelmente acabaram por se embebedar. Como tinham sido persistentes com o resto do programa, perguntavam-se por que tinham recaído. A razão, segundo nós, é que nunca acabaram a sua limpeza interior. Com efeito, fizeram o inventário, mas guardaram para si algumas das piores coisas da sua vida. Eles só julgaram que se tinham desfeito do seu egoísmo e medo; só julgaram que se tinham tornado humildes. Mas não tinham aprendido suficiente humildade, coragem e honestidade, no sentido em que achamos necessário, até terem contado a outra pessoa toda a história da sua vida.
Mais do que a maioria das pessoas, o alcoólico leva uma vida dupla. Tem muito de ator. Para o mundo exterior ele apresenta a sua personagem teatral. É a que ele gosta que os outros vejam. Quer gozar de uma certa reputação, embora saiba no seu íntimo que não a merece. Esta incongruência agrava-se por coisas que ele faz com as bebedeiras. Quando volta a si, revolta-se com certos episódios dos quais mal se lembra. Estas recordações são um pesadelo. Ele treme só de pensar que alguém o possa ter visto. Na medida do possível, tenta enterrar estas lembranças no mais fundo de si mesmo. Espera que nunca venham à luz do dia. Vive num medo e tensão permanentes, o que faz com que beba ainda mais. Em geral, os psicólogos estão de acordo conosco neste aspecto. Gastamos milhares de reais em consultas. São poucos os casos que conhecemos em que demos uma verdadeira oportunidade a estes médicos. Raramente lhes dissemos toda a verdade ou seguimos os seus conselhos. Do mesmo modo que nos recusávamos a ser honestos com estes homens compreensivos, também não éramos honestos com ninguém. Não é de admirar que os médicos tenham uma má opinião dos alcoólicos e das suas hipóteses de recuperação! Temos de ser inteiramente honestos com alguém, se esperamos viver felizes neste mundo por muito tempo. Naturalmente e com razão, pensamos bem antes de escolher a pessoa ou pessoas com quem decidimos fazer este passo íntimo e confidencial.
Uma vez escolhida a pessoa que irá ouvir a nossa história, não perdemos tempo. Temos um inventário escrito e estamos preparados para uma longa conversa. Explicamos ao nosso confidente o que nos propomos fazer e a razão de o fazê-lo. Ele deve compreender que estamos empenhados num assunto que é de vida ou de morte. A maioria das pessoas que abordamos desta maneira ficará contente por querer ajudar e sentir-se-á honrada com a nossa confiança.
Colocamos nosso orgulho de lado, metemos mãos à obra, revelando cada aspecto tortuoso de caráter e pondo à luz todos os recantos obscuros do nosso passado. Uma vez feito este passo sem nada omitir, sentimos uma grande alegria. Podemos olhar o mundo de frente. Podemos estar sozinhos perfeitamente tranquilos e em paz. Os nossos medos desaparecem. Começamos a sentir a proximidade do nosso Criador. Até aí podíamos ter tido crenças espirituais, mas agora começamos a viver uma experiência espiritual. O sentimento de que o nosso problema de álcool desapareceu surgirá com frequência e intensidade. Sentimos que estamos na grande Estrada, caminhando de mãos dadas com o Espírito do Universo”.

03. “Poucas atitudes atrapalhadas causaram mais problemas do que recusar-se à prática do Quinto Passo. Algumas pessoas são incapazes de permanecer sóbrias, outras recairão periodicamente enquanto não fizerem uma verdadeira ‘limpeza de casa’. Até os veteranos em A.A., sóbrios há anos, frequentemente pagam caro por haver praticado este passo superficialmente”.

04. A prática do Programa requer: boa vontade, mente aberta, honestidade, humildade e disposição. Para exercitar o Quinto Passo, preciso de autodeterminação, ‘força de vontade’, coragem e prudência para escolher o melhor momento.
Procuro um padrinho da minha confiança. (“Dá-te Bem Com Muitos, Mas Escolhe Como Conselheiro Um Entre Mil”). Se for um AA, ele deverá ter feito seu próprio Quarto e Quinto Passos. Também posso escolher um médico, psicólogo, assistente social ou um clérigo, independente da denominação religiosa, mas que entenda a proposição deste Passo. Convém dar-lhe o livro Os Doze Passos, caso não os conheça. È recomendável, apadrinhar pessoas do mesmo sexo mas, não obrigatoriamente. Na condição de padrinho de Quinto Passo, jamais poderei revelar nenhuma das confidencias para quem quer que seja. Preciso levá-las para a sepultura.
“Quando pedimos orientação a um amigo em AA, não deveríamos deixar de lhe lembrar nossa necessidade de completo sigilo. A comunicação íntima é normalmente tão livre e fácil entre nós que um AA ao orientar, pode algumas vezes esquecer, quando esperamos que ele guarde segredo. A santidade protetora dessas relações humanas que tantas curas faz, nunca deveria ser violada. Essas comunicações privilegiadas tem vantagens incalculáveis. Encontramos nelas a perfeita oportunidade de ser totalmente honestos. Não temos que pensar no possibilidade de prejudicar outras pessoas, nem precisamos temer o ridículo ou a condenação. Aqui também temos a melhor oportunidade possível de identificar a auto ilusão”.

05. Com o Quarto Passo escrito e revisado, marco com o padrinho, dia e hora mais apropriados, para não interromper a exposição. Convém que seja feita num mesmo dia. A minha experiência e a de outros companheiros comprovam isto. Pois, fazer o Quinto Passo fracionado seria como cortar o rabo de um cachorro de centímetro em centímetro, em semanas alternadas. É mais sofrido. Cortando o rabo na altura certa dói uma única vez..
Já ouvi companheiros afirmarem que o receptor deste Passo deve restringir-se a ouvir sem dar retorno. Respeito, mas discordo. Devo dar retornos embasados na minha experiência, porém sem nunca exercer o papel de conselheiro, como um desacreditado professor ou pretenso dono da verdade. Retornar, desde que não complique a situação é recomendável. Se não souber dar um retorno adequado, é melhor calar-me. Para ilustrar comento um fato triste: Um companheiro era compulsivo sexual. Relatou isto ao padrinho. Até aí tudo bem. Mas, agora surge o absurdo. O afiliado recebeu a seguinte recomendação: “Frequente prostíbulos, o mais que puder, até você esgotar toda a energia sexual assim, ficarás livre deste problema”. Entendo que seria o mesmo que sugerir a um alcoólico beber diariamente, até enjoar e assim resolveria seu alcoolismo.
Ouvi o Quinto Passo de alguns companheiros com problemas desta natureza. Minha sugestão: Tentar dar outro enfoque aos pensamentos e atitudes luxuriantes poderá ajudar conquanto este desvio de conduta seja leve, mas se o mesmo for profundo recomendo buscar ajuda adequada como: Compulsivos Sexuais Anônimos ou consultar um bom sexólogo. Sempre que estou diante de uma situação difícil, peço um tempo, rogo orientação Divina, consulto um companheiro mais experiente.(sem o afiliado saber e sem citar o nome ao companheiro consultado) Só depois disto dou-lhe o retorno.
Fiz meu Quinto Passo com um companheiro que atua na área do alcoolismo. Iniciei e terminei no mesmo dia. Na manhã seguinte uma profissional perguntou-me: “Emílio, como está se sentido após o Passo de ontem? Sem titubear respondi: Em estado de graça! Queres uma carona? Ela respondeu: “Tenho inveja de vocês AAs. e NAs., por disporem deste extraordinário recurso espiritual”. O Quinto Passo propicia profunda libertação que não se explica, se vivência.
(Atenção – Não confundir Quatro e Quinto Passo com os Passos Oito e Nove. Várias vezes ouvi comentários denotando esta confusão).

06. “Todos os Doze Passos de AA nos pedem para irmos contra nossos desejos naturais; todos eles reduzem nosso ego. Quando se trata de redução de ego, poucos Passos são mais duros de aceitar que o Quinto. Dificilmente qualquer um deles é mais necessário à sobriedade prolongada e à paz de espírito.
A experiência de AA nos ensinou que não podemos viver sozinhos com os problemas que nos pressionam e com os defeitos de caráter que os causam ou agravam. Se passarmos o holofote do Passo Quatro sobre nossas vidas e se ele mostrar, para nosso alívio, aquelas experiências que preferimos não lembrar, então se torna mais urgente do que nunca desistirmos de viver sozinhos com aqueles atormentadores fantasmas do passado. Temos que falar deles para alguém.
Não podemos depender totalmente dos amigos para resolver todas as nossas dificuldades. Um bom conselheiro nunca pensará em tudo por nós. Ele sabe que a escolha final deve ser nossa. Entretanto, ele pode ajudar a eliminar o medo, o oportunismo e a ilusão, tornando-nos capazes de fazer escolhas afetuosas, prudentes e honestas”.

07. “Tão intensos, porém, são o nosso medo e a relutância de fazê-lo que, ao início, muitos AAs. tentam contornar o Quinto Passo. … Certas lembranças penosas e aflitivas, dizemos para nós mesmos, não devem ser compartilhadas com ninguém. Essas serão nosso segredo. Ninguém deve saber. Esperamos levá-las conosco para a sepultura”.

08. “Este sistema de admitir os próprios defeitos a outra pessoa é, sem dúvida, muito antigo. Tem sido validado em todos os séculos, e caracteriza a vida de toda pessoa espiritualmente orientada e verdadeiramente religiosa. Mas, hoje, a religião não é nem de longe o único defensor deste princípio salvador. Os psiquiatras e psicólogos apontam a profunda necessidade que todo o ser humano tem de, na prática, discernir e conhecer as falhas de sua própria personalidade e de discutir sobre elas com uma pessoa compreensiva e digna de confiança. No que se refere aos alcoólicos, A.A. iria mais longe ainda. A maioria de seus membros não teria dúvida em proclamar que sem a corajosa admissão de seu defeitos perante outro ser humano, não podia se manter sóbria. Sem que estejamos dispostos a tentar esse reconhecimento, parece claro que a graça divina não nos tocará para expulsar nossas obsessões destrutivas”.

09. Muito mais que a ciência ou a religião, A.A. recomenda, com veemência, verbalizar defeitos, remorsos, culpas, mazelas, enfim tudo aquilo que me incomoda. Pois sou tão doente quanto forem meus segredos. “Somente A Verdade Vos Libertará”. E qual é a minha verdade? É a verdade do alcoolismo. Nefasto e Destruidor. Vale apenas libertar-me deste passado desastroso, desonrado, falido e sofrido como este. Se largo o peso deste fardo a caminhada ficará mais leve, mas se preferir levar para a sepultura o caixão pesará demais. Preciso virar-me do avesso tal qual pipoca. Devo aguardar o tempo oportuno para fazer o Quinto Passo, mas a demora pode ser desastrosa. Nunca é demais enfatizar, como posso trabalhar bem os demais Passos, se continuou atolado até os joelhos na lama deixada pela perfídia enchente alcoólica? E embrulhado na vida passada?

10. “Quando chegamos ao A.A., e pela primeira vez na vida nos encontramos entre pessoas que parecia nos entender, a sensação de fazer parte de alguma coisa era tremendamente emocionante. Achamos que o problema do isolamento havia terminado. Porém, logo descobrimos que embora não estivéssemos mais sozinhos no sentido social, ainda sofríamos muito os antigos tormentos aflitivos de sentirmo-nos à parte. Enquanto não falássemos, com toda a franqueza, de nossos conflitos e ouvíssemos outra pessoa fazer a mesma coisa, ainda não estaríamos participando, a solução era o Passo 5. Era o começo de um verdadeiro parentesco com as pessoas e com Deus”.

11. “Unicamente através de uma discussão sobre nós mesmos, sem esconder nada, estando dispostos a receber advertências e aceitar conselhos, poderíamos começar a caminhar em direção ao pensamento correto, à honestidade sólida e à autêntica humildade”.

12. JANELA DE JOHARY.

EU ABERTO:
Eu conheço e revelo facilmente. Meu nome é Emílio sou casado , moro em Ctba, sou pai de duas filha e tenho um casal de netos. Enfim, digo tudo aquilo que não me Compromete.

EU CEGO:
Só o outro vê. Preciso ser revelado. Logo, o outro precisa ter a bondade e assumir o risco de revelar-me, isto é, de apontar o meu EU CEGO – claro que com amor.

EU SECRETO:
Conheço. Mas não revelo facilmente, pois me envergonha. Ex. Enchia a cara e urinava nos postes, nas paredes e até nos automóveis.

EU INCONSCIENTE:
Nem eu, nem os outros conhecemos. Logo, é impossível revelar. Porém, na medida que verbalizo, o inconsciente fluirá. Isso é libertação.

Observo que esta “janela” – representa – como que, alguns “compartimentos” do meu cérebro. De sorte que quanto mais eu verbalizar, maiores serão as vantagens. Retiro da minha “cabeça” tudo aquilo que, se lá deixasse, um dia poderia explodir ou aumentar minhas neuroses. Uma panela de pressão sem a válvula poderá explodir. Assim que a aciono minha válvula de escape o alívio é garantido, ainda que seja gradativo.

13. “A essa altura, as dificuldades de tentar lidar corretamente com Deus, sozinhos, são duplas. Embora possamos, a princípio, ficar espantados ao reconhecer que Deus sabe tudo a nosso respeito, somos capazes de nos acostumar a isso em pouco tempo. De algum modo, estar sozinho com Deus não parece ser tão embaraçoso quanto enfrentar uma outra pessoa. Até que resolvamos sentar e falar em voz alta a respeito das coisas que, há tempo temos escondido, nossa disposição de limpar a casa é meramente teórica. o fato de sermos honestos com outra pessoa, confirma que temos sido honestos conosco e com Deus”.

14. “Desde que você nada esconda, sua sensação de alívio aumentará de minuto a minuto. As emoções reprimidas durante anos saem de seu confinamento, milagrosamente, e desaparecem ao serem expostas. À medida que a dor diminui, é substituída por uma tranquilidade balsâmica. E quando a humildade e a serenidade se misturam desta maneira, outra importantíssima coisa é capaz de ocorrer. Muitos AAs., anteriormente agnósticos ou ateus, nos dizem que foi nesta fase do Quinto Passo que realmente sentiram, pela primeira vez, a presença de Deus. E mesmo aqueles que tinham fé, frequentemente se tornam conscientes de Deus como nunca antes o foram”.

15. Superficialidade no Quinto Passo exige elevado preço. Revelarei tudo quanto relacionei, desde que me conheço como gente. Se, revelasse apenas parte, seria como um neurocirurgião abrir um crânio para drenar um abcesso e drena-se apenas parte do mesmo. É preciso drenar tudo para que a cura seja possível. Preciso virar-me do avesso.

16. Com a ajuda de Deus e do padrinho coloco sobre o meu passado uma grande pedra. E nunca mais a removerei. O passado a Ele pertence. O sofrimento acabou. Agora posso viver o “Só Por Hoje”!

17. “O Poder Superior detesta a mente tortuosa, mas aprecia o comportamento íntegro. Pois o poder d’Ele é grande, mas Ele é glorificado pelos humildes”.

18. “Quando conheceres a verdade sobre ti mesmo e a tua semelhança com o Criador, nada mais te atemorizará; e poderás caminhar com teus próprios pés”.

19. Tendo trabalhado bem o Quinto Passo conforme, A.A. sugere, saio do isolamento. Minha espiritualidade e a humildade crescem; posso perdoar-me, perdoar e ser perdoado. Melhoro minha tolerância e atenuo a auto piedade. Livro-me dos delírios de grandeza, do autoengano, do medo, do remorso, e da culpa. Consolido uma sobriedade mais serena e feliz. Sinto um verdadeiro parentesco com Deus e com o próximo. E o meu estado de graça será percebido pelos outros. E agora estou pronto para trabalhar os demais Passos com mais facilidade.

20. “Saiba dominar-se e vencer a si mesmo. Vitorioso não é aquele que vence os outros, mas o que se vence a si mesmo, dominando seus vícios e superando seus defeitos. A vitória sobre si mesmo é muito mais difícil, e quem consegue isto pode ser classificado como verdadeiro herói. Aprenda a dominar-se, e jamais desanime. Se desta vez não conseguiu, recomece e um dia sairá vitorioso!”

21. Dizer: – “Eu faço o meu Quarto e Quinto Passos nas reuniões de A.A., ou só na presença de Deus” É declarar-se irresponsável ou no mínimo mal informado. Tudo isso é ‘papo furado’. Não liberta. Não funciona. Não resolve. Não alivia. Não gera sobriedade. Ao contrário, só tumultua e piora cada vez mais. Além disto o Quinto Passo é bem claro: “Admitimos Perante Deus, Perante Nós Mesmos E Perante Outro Ser Humano, A Natureza Exata De Nossas Falhas”. E não perante – Outros Seres Humanos. Existem certas particularidades que só poderei revelar ao meu padrinho de Quinto Passo e a mais ninguém.
“De algum modo, estar sozinho com Deus não parece ser tão embaraçoso quanto enfrentar uma outra pessoa. Até que resolvamos sentar e falar em voz alta a respeito daquilo que, há tanto tempo, temos escondido, nossa disposição de “limpar a casa” é ainda muito teórica. Quando somos honestos com uma outra pessoa, isso confirma que temos sido honestos, conosco e com Deus.
O perverso desejo de ocultar um mau motivo, atrás do bom, se infiltra nos atos humanos de alto a baixo. Este tipo sutil e evasivo, de farisaísmo, pode se esconder sob o ato ou pensamento mais insignificante. Aprender a identificar, admitir e corrigir estas falhas, todos os dias, constitui a essência da formação do caráter e de uma vida satisfatória”.

22. “Enquanto eu calei, meus ossos se consumiam, o dia todo rugindo, porque dia e noite a tua mão pesava sobre mim. O meu coração tornou-se como feixe de palha em pleno calor de verão. Confessei a ti o meu mal, não te encobri o meu delito. … E tu absolvestes o meu delito, perdoastes o meu mal. … Tu és o meu refúgio, tu me libertas da angústia, e me envolves com cantos de libertação”.

23. “Que somos capazes da ganhar com o Quinto Passo? Em primeiro lugar, livramo-nos dessa terrível sensação de isolamento que sempre tivemos. Quase sem exceção, os alcoólicos são torturados pela solidão. Mesmo ante de nossas bebedeiras se tornarem graves e as pessoas se afastarem de nós, quase todos nós sofremos a sensação de estarmos sós. Éramos acanhados e não nos atrevíamos a nos aproximar dos outros, ou éramos capazes ser “bons sujeitos”, almejando a atenção e o companheirismo, embora jamais o conseguíamos, pelo menos em nossa maneira de entender. Sempre existia aquela barreira misteriosa que não conseguíamos compreender nem superar. Era como se fôssemos atores num palco, subitamente descobrindo que não sabíamos uma só linha de nosso papel. Eis uma das razões pela qual amávamos tanto o álcool. Ele nos permita desempenhar nosso papel a qualquer tempo. Mas, até Baco acabou nos prejudicando; finalmente, nos arrasava e deixava numa solidão aterrorizante…”.
“… A sensação de estar unido a Deus e ao homem, a saída do isolamento por meio de um compartilhar aberto e honesto do terrível peso de nossa culpa, nos leva a um lugar de descanso onde poderemos preparar-nos para os Passos seguintes em direção a uma sobriedade plena e significativa”.

24. Humildemente, sugiro aos companheiros, estudarem e praticarem a programação de A.A., contida na Literatura que está disponível nos Grupos e nas Centrais pelo preço de reposição.

25. Incluí os versículos Bíblicos, pertinentes a esse Passo, para enriquecer o tema mas, sem nenhuma conotação religiosa.

1Jo. 1 9. “Se reconhecemos os nossos pecados, Deus, que é fiel e justo, perdoará nossos pecados e nos purificará de toda injustiça”.

At. 3,19.“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor”,

Dn. 9, 9. “Ao nosso Deus, pertencem a misericórdia e o perdão; pois nos rebelamos contra ele,”

Eclo. 4 20-31. “Observe as circunstâncias, mas guarde-se do mal e não se envergonhe de si mesmo. Existe uma vergonha que conduz ao pecado, e existe uma vergonha que traz honra e graça. Não seja muito severo consigo mesmo, e não se envergonhe do seu erro. Não deixe de falar no momento oportuno, e não esconda a sua sabedoria, porque é pelo falar que se reconhece a sabedoria, e é pela palavra que se percebe a instrução. Não contradiga a verdade, mas envergonhe-se de sua própria ignorância. Não se envergonhe de confessar os próprios pecados, … Lute até a morte pela verdade, e o Senhor Deus combaterá por você. Não seja arrogante no falar, nem preguiçoso e covarde no agir…”.

Eclo. 5, 4-7. “ Não diga: ‘Pequei e nada me aconteceu’, … Não demore para se converter ao Senhor, e não fique adiando isso de um dia para outro, porque a justiça do Senhor virá de repente, e você perecerá no dia do castigo”.

Eclo 6, 6. “Dá-Te Bem Com Muitos, Mas Escolhe Como Conselheiro Um Entre Mil”.

Eclo. 8,17. “Não Faça Confidências Para Uma Pessoa Ingênua, Porque Ela Não É Capaz De Manter Segredo”.

Eclo 21, 1 – ss. “Meu filho, você pecou? Não torne a pecar, e peça perdão das culpas passadas. Fuja do pecado como de uma serpente, porque, se você se aproximar, ele o morderá… Quem despreza a correção segue o caminho do pecador, mas quem teme ao Senhor se arrepende sinceramente… O caminho dos pecadores é bem pavimentado, mas desemboca nas profundezas da mansão dos mortos”.

Hb. 8,12. “Porque serei misericordioso para com suas iniquidades e de seus pecados não me lembrarei mais”.

Hb.10, 17. “E não me lembrarei mais de seus pecados e de suas iniqüidades”.

Lv. 5,5. “Deverá, pois, quando for culpado…, confessar aquilo em que houver pecado”.

Is.44, 22. “Apagai as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi”.

Jo. 8 1-11 “… e disse: ‘Quem de vocês não tiver pecado, atire nela a primeira pedra’…Ouvindo isso, eles foram saindo um a um, começando pelos mais velhos…Então Ele se levantou e perguntou: ‘Mulher, onde estão os outros? Ninguém condenou você?’ Ela respondeu: ‘Ninguém, Senhor’. Então Ele disse: ‘Eu também não a condeno. Pode ir, e não peque mais’”.

Jo. 8,22. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

Jó. 13,23. “Quantas iniquidades e pecados tenho eu? Faze-me saber a minha transgressão e o meu pecado”.

Jr. 5, 25.“As vossas iniquidades desviaram estas coisas, e os vossos pecados apartaram de vós o bem”.

Lc. 5,20. “E vendo-lhes a fé, disse ele: Homem, são perdoados os teus pecados”.

Lc. 7, 47 e 48. “…Perdoados lhe são os pecados, que são muitos; porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama. E disse a ela: Perdoados são os teus pecados”.

Lc. 15, 20-32. “… Quando ainda estava longe, o pai o avistou, e teve compaixão. Saiu correndo, o abraçou, e o cobriu de beijos. Então o filho disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço que me chamem teu filho’. Mas o pai disse aos empregados: ‘Depressa, tragam a melhor túnica para vestir o meu filho. E coloquem um anel no seu dedo e sandálias nos pés. … Vamos fazer um banquete. … Mas, era preciso festejar e nos alegrar, porque esse seu irmão estava morto, e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado’”.

Lc. 11, 4. “E perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo aquele que nos deve; e não nos deixes entrar em tentação, [mas livra-nos do mal.]”

Lc. 15,7.“Digo-vos que assim haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento”.

Lv. 5, 5. “Se alguém se tornar culpado, … deverá confessar o pecado cometido”.

Mq. 7,19. “Tornará a apiedar se de nós; pisará aos pés as nossas iniquidades. Tu lançarás todos os nossos pecados nas profundezas do mar”.

Mc. 3,28. “Em verdade vos digo: Todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, bem como todas as blasfêmias que proferirem;”

Mc. 7, 22 e 23. “A cobiça, as maldades, o dolo, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a insensatez; todas estas más coisas procedem de dentro e contaminam o homem”.

Mt. 10, 32.“Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus”.

Pr. 28, 13-14. “Quem esconde suas faltas, jamais tem sucesso; quem as confessa e abandona, alcança o perdão. Feliz o homem que está sempre alerta, pois o turrão cai na desgraça”.

Rm. 11, 27. “E este será o meu pacto com eles, quando eu tirar os seus pecados”.

Sl. 25, 11.“Por amor do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, pois é grande”.

Sl. 25,18. “Olha para a minha aflição e para a minha dor, e perdoa todos os meus pecados”.

Tg. 5,16. “E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados Confessai, portanto, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. A súplica de um justo pode muito na sua atuação”.

Bibliografia: “Os Doze Passos”, “Livro Azul – Edição Brasileira”, “Livro Azul – Edição Portuguesa”, “Na Opinião Do Bill”, “A.A. Atinge A Maioridade”, “Reflexões Diárias”, – “Coletânea I e II” – F., Aluízio. – “Minutos De Sabedoria” – P. T., Carlos. “Otimismo Em Gotas” – O, R, Dantas. “Sagradas Escrituras” – Edição Pastoral. “Salmos Na Linguagem De Hoje” – Sociedade Bíblica Do Brasil.

PERGUNTAS SOBRE OS PASSOS.

A recuperação é encontrada, fundamentalmente, a partir da experiência pessoal de cada membro ao trabalhar os passos. Cada um poderá acrescentar, eliminar dados. A escolha é de cada um.
Nunca será demais salientar a importância da colaboração do padrinho ou madrinha.

5 – PASSO 05

5.1 – Todos os Doze Passos de A.A. nos pedem para atuar em sentido contrário aos nossos desejos naturais…Porquê?

5.2 – Por que poucos passos são mais duros de aceitar que o Quinto?

5.3 – Podemos viver sozinhos com os problemas e que os defeitos de caráter causam e agravam?

5.4 – De que forma o quinto Passo nos auxilia a viver conviver com essas
experiências e fatos de nosso passado realçados pelo “holofote” do Quarto Passo ?

5.5 – Nosso medo e relutância fazem com que procuremos “uma maneira mais fácil”. Quais os perigos dessa atitude?

5.6 – Tentara “carrega o peso” sozinho pode causar instabilidade, ansiedade, depressão e remorso. Como obter alívio?

5.7 – Admitir os próprios pecados a outro é alguma novidade inventada pelo A.A. ?

5.8 – Só as religiões acreditam na eficácia da confissão das próprias falhas?

5.9 – Basta discernir e conhecer as falhas da própria personalidade, ou é imperativo discuti-las?

5.10 – Acha que grande parte dos A.As. teriam conseguido manter sua sobriedade sem a corajosa admissão de seus defeitos perante outro ser humano?

5.11 – Acha que pode levar para a sepultura as lembranças aflitivas e humilhantes?

5.12 – Por que o Quinto Passo nos livra das sensações de isolamento?

5.13 – …”Era como se fôssemos atores num palco, subitamente reconhecendo que não sabíamos uma só linha do nosso papel. Eis uma das razões pela qual amávamos o álcool. Ele nos permitia desempenhar nosso papel a qualquer tempo.”…

5.14 – Quando chegamos ao A.A. nos encontramos entre pessoas que pareciam nos entender, a sensação de “fazer parte” de alguma coisa era emocionante. Achávamos que problema do isolamento havia terminado. Porém logo descobrimos…

5.15 – Acredita que a prática desse passo nos fortalece a esperança de possamos vir a ser perdoados? Por quê?

5.16 – …Foi somente quando demos o Quinto Passo com resolução que “soubemos”, em nosso íntimo , que poderíamos aceitar o perdão e perdoar também.

5.17 – Confiar nossos defeitos a outro ser humano nos ajuda a caminhar no sentido da humildade?

5.18 – O que significa humildade?

5.19 – Pode-se corrigir um defeito sem antes ver claramente o que ele é? Basta ver?

5.20 – Mesmo desejando muito, acha possível livrar-se dos defeitos sozinho?

5.21 – Autoengano nos causou uma série de problemas. Como poderemos nos assegurar de não persistir no autoengano?

5.22 – Como se certificar de que o inventário do Quarto Passo foi completo?

5.23 – Ainda perturbados pelo medo, pela auto piedade, ou outros sentimentos feridos, temos condições de nos avaliar com justiça e equilíbrio?

5.24 – Por quê Deus, na forma em que O concebemos, não pode nos contar diretamente onde estamos errados?

5.25 – Por quê não podemos fazer a admissão direta e somente a Ele?

5.26 – Por quê é necessária a interferência de uma terceira pessoa neste assunto de Quinto Passo?

5.27 – Enfrentar “Deus” parece ser tão embaraçoso quanto enfrentar outro ser humano?

5.28 – Tratando-se de assuntos espirituais, andar sozinho é perigoso. Concorda? Por quê?

5.29 – Por quê, embora possam conter falhas, os comentários de outra pessoa podem nos atender melhor do que uma suposta “orientação direta de Deus”?

5.30 – Como descobrir a pessoa na qual confiar?

5.31 – A pessoa que nos auxilia no Quinto Passo tem que ser nosso padrinho em A.A.?

5.32 – Se seu relacionamento com seu padrinho só permite que você revele parte de sua história, como agir?

5.33 – A pessoa que nos auxilia no Quinto Passo pode estar inteiramente desligada do A.A.?

5.34 – Quais, na sua opinião, as qualidades ou condições que devemos buscar na pessoa que nos auxiliará na prática do Quinto Passo?

5.35 – Você já praticou o Quinto Passo? Qual foi a sensação? Quais foram os resultados?

5.36 – Como abordar a pessoa que nos auxiliará na prática do Quinto Passo?

SEGUNDA TRADIÇÃO DE A.A.

SEGUNDA TRADIÇÃO

Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum – Um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança; não tem poderes para governar.

Esta é uma excelente oportunidade para pararmos e refletirmos a respeito de um assunto tão importante, na medida em que afeta a todos nós, nossos representantes e a sua atuação, como o estamos incentivando ( ou não) e o que podemos fazer.
Para que nossa tarefa, enquanto membros do grupo de AA, seja mais efetiva, precisamos que fique clara determinadas palavras, uma vez que, a consciência de grupo, quando bem informada a cerca dos fatos, resultados e princípios envolvidos, é muitas vezes mais sábia do que qualquer líder, autonomeado ou não.
Por isto, vamos nos deter no que diz especificamente a nossa obra e tentar interpretar seu sentido mais claro.
As expressões LÍDERES, SERVIDORES E PODER PARA GOVERNAR, foram retirados do resumo da 2a Tradição.
A liderança é conquista que se consegue através de atitudes, comportamento, exemplo de vida e nunca manifestação da vontade de alguém, muito menos de um encargo de serviço.
O servidor é alguém escolhido pelo grupo para representa-lo e pela sua atuação, teremos uma ideia do grupo, a partir deste servidor.
Poder para governar, nos dá uma ideia de autoridade, e aí fica fácil o entendimento, quando o texto sugere a inspiração divina na manifestação do grupo.
Não raro, confundimos o nosso servidor quando lhe outorgamos a representação do grupo, pois esquecemos de deixar claro de que apesar da representação, ele não dispõe de autoridade, mas sim de imensa responsabilidade, que é a de ter uma capacidade muito grande de conhecer este grupo, e de saber muito bem identificar qual seu posicionamento numa série de assuntos. Só isso.
O servidor precisa ter claro que não deve se acostumar com esta posição, por ser muitas vezes influenciado por preconceitos e interesses pessoais, sob pena de revestir-se involuntariamente de personalismo quase sempre prejudiciais ao seu crescimento.
O bom servidor precisa saber interpretar seus anseios, suas aspirações, quando em serviço e tomar atitudes que levem em conta seu grupo e não desejos pessoais, desta forma ele saberá que poderá ser mais útil ao seu grupo, se souber transformar- se em “velho mentor”.
A nossa literatura nos brinda com uma afirmação que deve estar sempre presente em nosso convívio: “NOSSOS LÍDERES NÃO DIRIGEM POR MANDATO, LIDERAM PELO EXEMPLO.”
Principalmente de nosso servidor será cobrado(alguns dizem que em AA não se cobra nada!!!) sua efetiva busca da serenidade e da Reforma que trata os Doze Passos. Temos convicção de que se deve solicitar ao servidor seu afastamento de encargos quando estes objetivos maiores não estiverem sendo alcançados, para salvaguardar a integridade do companheiro.
As vezes nos preocupamos quando um companheiro esquece que a caminhada é longa e que as mudanças precisam ser constantes. É nosso espírito corporativo que clama, que precisamos, todos nós, subir em elevação ética e moral e não em promoção.
Ou seja, se o meu grupo não se melhorar o que eu vou representar? Quem quer representar uma massa falida? Ninguém. Todos queremos nos inserir dentro de algo que nos abasteça a todo momento.
Num primeiro momento nos juntamos a um grupo de pessoas que não estavam bebendo, pois isto era fundamental naquele instante de nossas vidas. E agora, o que aconteceu conosco? Vamos ficar parados, contando as horas, esperando as próximas 24 horas? É claro que não, isto não queremos. O que nos resta portanto, é deixar de lado uma velha companheira, a preguiça, e provocar a melhoria de todos a nossa volta, a partir de nossos próprios atos.
Em realidade deveríamos provocar a todos em nosso grupo para que cada um seja um membro efetivamente integrado com os objetivos do grupo, renovando-se a cada momento, ampliando propósitos, para desta forma podermos exercer a verdadeira autoridade, que é portanto, coletiva. De certa forma todos nós SOMOS LÍDERES.
Temos certeza de que logo que surgirem os primeiros sinais de efetiva participação consciente, qualquer um de nós se sentira bem a vontade para o trabalho edificante.
Felizmente para nós, achamos que não precisamos de nenhuma autoridade humana. Temos duas autoridades que são muito mais eficientes. Uma é benigna, a outra é maligna. Existe um Poder Superior, Deus, que através de suas Leis Naturais, espera que nós nos identificamos com Elas, ou seja, alcancemos a sobriedade. A outra autoridade, a maligna (o álcool) que me faz lembrar que a minha discordância destas Leis me levará à morte.
Podemos então dizer, e ir mais além, que no centro da vida de AA, e que A.A. como um todo, e todo AA individualmente, é bendito porque confia em um Poder Superior (Deus como O Concebemos) e por esta confiança, lidera sempre através Dele e por Ele.
Portanto, temos todos os benefícios das ditaduras políticas bárbaras de hoje em dia, mas nenhuma de suas obrigações. Assim existe autoridade suficiente, amor suficiente e penalidade suficiente, todos eles sem nenhum humano manejando o poder.

A verdadeira liderança se faz dentro do grupo pela manifestação de nós mesmos e de nossos pares e cada um de nós tem uma responsabilidade muito grande com todo este contexto, bem maior do que aquela oriunda da responsabilidade de servir.

UNIDADE

Unidade
Por Marcos – Cachoeira do Campo-MG

“Bill, nós adoramos recebe-lo e ouvi-lo falar. Conte-nos onde você costumava esconder as suas garrafas e fale-nos daquela sua experiência espiritual. Mas não venha nos falar mais a respeito dessas malditas Tradições.” (Levar Adiante – pg 353).

Era mais ou menos coisas deste tipo que Bill ouvia quando, antevendo o perigo que corria A.A., colocou o pé na estrada e passou a divulgar o que ele chamava de Doze Pontos Para Garantir o Nosso Futuro. O nome Tradições só veio mais tarde e atesta toda a genialidade de Bill, pois já pensaram se ele tivesse dado o nome de “12 regras”, “12 leis”, “estatuto”, ou qualquer outra coisa que significasse regulamento? Talvez nenhum membro de A.A. aceitaria estes princípios. Bill conhecia muito bem seus companheiros alcoólicos; ele sabia que nenhum bêbado que se auto-respeitasse, sóbrio ou não, se submeteria docilmente a um conjunto de “leis” – isso seria autoritário demais!

Mas por que Bill sentiu a necessidade das Tradições como garantia do futuro de A.A.?
Bill tinha uma mente obcecada e uma visão de futuro excepcional. Ele sabia o que era bom para A.A. e não desistia de seus propósitos facilmente quando em benefício de A.A.
Bill estudou e pesquisou profundamente sobre o Movimento Washigtoniano, movimento que surgiu de maneira espetacular nos Estados Unidos um século antes de A.A. com o objetivo de salvar bêbados e da mesma maneira espetacular que surgiu naufragou por dois motivos básicos:
1- Eles não consideravam o alcoolismo como uma doença e sim como um desvio de caráter, uma fraqueza, que podia ser corrigido apenas com a força de vontade e
2- Não oferecia um padrão de conduta, uma orientação para seus membros que salvaguardassem o movimento. Por exemplo, táticas carnavalescas de promoção e a carência de qualquer princípio de anonimato era o modo que eles divulgavam o movimento; participavam ativamente de controvérsias públicas, política, religião, etc.
A.A. já tinha corrigido o primeiro motivo quando afirmou que o Alcoolismo é uma doença incurável e que a força de vontade é inteiramente nula no seu combate, mas e a segunda causa do naufrágio dos Washingtonianos, como fazer?
Pois bem, as respostas a estas perguntas vieram nos anos seguintes e tiveram a sua origem nos próprios Grupos. Desde 1937, já contávamos com o auxílio de um Escritório e grande parte do trabalho de Bill W. neste escritório era cuidar da correspondência. A maioria da correspondência pedia orientação para a abertura de novos Grupos ou pediam sugestões para a solução de problemas de funcionamentos dos grupos. A idéia da criação de diretrizes para funcionamento de grupos surgiu justamente da crescente correspondência com pedidos de ajuda.
As Tradições em A.A. representam a experiência extraída de nosso passado e nos apoiamos nelas para nos manter em unidade, através dos obstáculos e perigos que nos possa trazer.
Tradição significa um método específico de determinada ação, atitude ou ensinamento que são passados de geração para geração. Uma coisa que se torna tradicional, se torna normal, e, portanto, é seguida muitas vezes sem nenhuma indagação.
Nota-se, de um modo geral, a grande dificuldade que tem o membro de A.A. com a prática das Tradições, chega a ser até um preconceito. Talvez por nunca recebermos a informação correta para o significado dos princípios de A.A. quando chegamos ao Grupo pela primeira vez. Tive muita dificuldade em quebrar esta barreira. Como diz uma citação de Hebert Spencer em nosso livro azul: “Há um princípio que é uma barreira a toda informação, que é uma refutação de qualquer argumento e que não pode deixar de manter um homem na ignorância perpetua: o princípio consiste em depreciar antes de investigar”. Normalmente depreciamos antes.
Devido a esse “depreciar antes de investigar” é que aceitamos passivamente a afirmação que as Tradições de A.A. são só para os Grupos.
“Mas as Doze Tradições também apontam diretamente para muitos de nossos defeitos individuais. Por dedução, elas pedem a cada um de nós para deixar de lado o orgulho e o ressentimento. Elas pedem pelo benefício do Grupo, bem como pelo benefício pessoal. Elas nos pedem para nunca usar o nome de A.A. em busca de poder pessoal, fama ou dinheiro. As Tradições garantem a igualdade de todos os membros e a independência de todos os Grupos.” (A.A. Atinge a Maioridade – pg 87).
Se formos cuidadosos em sua prática veremos que são as Tradições que têm a capacidade de revelar aqueles defeitos que mais nos prejudicam e que insistem em dirigir a nossa vida. São os conflitos em nossas relações interpessoais um valioso terreno de observação de nossa personalidade. Esses conflitos são reveladores de nós mesmos. Afinal, todos temos uma agenda oculta e nesta agenda estão escondidos aqueles nossos já conhecidos instintos de busca de prestígio, poder e prazer. A nossa incrível capacidade de conduzir as coisas para que beneficiem a nós mesmos. O querer sempre estar com a razão. Nessa questão vale um parêntesis: vocês já perceberam quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independente de tê-la ou não? Energia perdida. Em vão.
Tal como Os Passos surgiram com a finalidade de evitar que voltássemos a beber e ao longo de sua prática percebeu-se que poderíamos conseguir muito mais com eles, o mesmo ocorre com as Tradições de A.A. Se em seu princípio a finalidade era orientar os Grupos para problemas que fossem surgindo, com a sua prática percebeu-se rapidamente que elas são um poderoso instrumento em minha recuperação. Afinal, se os Passos são sugeridos para um melhor conhecimento de mim mesmo, para melhorar a minha auto-aceitação, as Tradições tem o poder de me mostrar a melhor maneira de viver em grupos. Se aprendermos a conviver com os companheiros do Grupo de A.A. já teremos um ótimo indicador de como conviver com as demais pessoas de nossos diversos grupos. Se os Passos nos ensinam a viver, as tradições têm o poder de nos ensinar a conviver, talvez a nossa maior dificuldade. Só se cresce espiritualmente na convivência com os outros. Aqui temos outra máxima muito usada por nós que é: “quer saber como está meu relacionamento com Deus, pergunte as pessoas que convivem comigo”.
Quanto mais praticarmos as Tradições em nossos relacionamentos, mais cresceremos em direção a um Poder Superior, mais cresceremos espiritualmente.

Uma filósofa afirmou determinada época que se reprimimos uma tradição, ela escapa pelo ladrão e retorna…
Assim se dá em A.A., se reprimimos uma das Tradições mais à frente seremos obrigados a observá-la novamente. Para o nosso próprio bem.
As Tradições de A.A. existem justamente para isso, para evitar a repetição de erros. Erros velhos não nos levam a nenhum crescimento, que cometamos erros novos, pois através deles é que continuaremos a aperfeiçoar a melhor maneira de viver em grupos, de nos relacionarmos com a sociedade lá fora e, principalmente, melhorar a nossa qualidade de recuperação.

O crescimento espiritual inicia quando nos juntamos a um Grupo a passamos a viver em Unidade com os companheiros deste Grupo e com o A.A. em seu todo.

BENDITAS TRADIÇÕES DE A.A.: SÓBRIO MODO DE CONVIVÊNCIA!

“Benditas Tradições de A.A.: sóbrio modo de convivência!”
Algumas vezes, quando as coisas parecem não estar indo muito bem no grupo, nos organismos de serviços ou até mesmo em nossa Irmandade como um todo, ficamos tentados a utilizar a força das nossas personalidades para resolvermos os problemas. Achamos que, se não fizermos nada, tudo vai se perder ou acabar. Quando isto acontece, normalmente, embutido neste pensamento está o medo. Entendemos este sentimento até certo ponto, pois o instinto de preservação é um dos mais aguçados nos seres humanos e nós, alcoólicos, que quase sucumbimos por causa da doença do alcoolismo, sabemos que nossas vidas só foram alcançadas graças à unidade de A.A. Dependemos diretamente dela. “Torna-se claro que o Grupo tem de sobreviver para que o indivíduo não pereça”. Por isso, ao menor sinal de turbulência, quase que instintivamente, tendemos a lançar mão das Doze Tradições como se fossem armas, transformando-as em regras que todos, obrigatoriamente, deveriam seguir rigidamente. Costumamos ter a impressão de que, se não fizermos isto, vamos perder o controle, e que tudo estará perdido.
Felizmente, apesar de agirmos assim em algumas situações, ao final tem prevalecido o entendimento de que nossas Tradições devem ser praticadas e guiadas pelos sentimentos da confiança e da fé. Caso contrário, nossa personalidade alcoólica, naturalmente, resistente a receber ordens, impediria que nos agrupássemos em torno do nosso único propósito e individualmente, como já dissemos, não sobreviveríamos. Ao trocarmos regras por sugestões, imposição de leis por liberdade, medo por confiança, garantimos a preservação das nossas vidas e daqueles que ainda estão por chegar.
A garantia de que devemos continuar praticando-as dessa forma, ou seja, com todo nosso amor e tolerância, reside na nossa própria história. “Nos primeiros anos de existência (1935 a 1946), A.A. viu-se às voltas com inúmeros problemas e dificuldades decorrentes de sua própria expansão, primeiro dentro dos Estados Unidos e Canadá, depois também em outros países e continentes. Problemas ligados à formação dos seus grupos sob circunstâncias as mais inusitadas, à sua sustentação financeira e coesão interna, aos requisitos para tornar-se membro e às relações intergrupos e com a comunidade/sociedade, os quais chegavam ao conhecimento dos co-fundadores principalmente através de cartas enviadas por indivíduos e grupos recém-formados. As respostas sempre personalizadas a essa volumosa correspondência, analisadas e discutidas por um grupo pequeno, coeso e pragmático de pessoas, cujo fluxo durou cerca de dez anos, associadas também ao conhecimento mais técnico de alguns pioneiros profissionalmente ligados ao mundo das organizações comerciais, formaram a base principal para a formulação das Tradições, que em 1946 foram sistematizadas e publicadas pela primeira vez, enunciando as soluções genéricas encontradas e doravante sugeridas a todos os grupos, para fazer frente àquelas dificuldades”.
As Doze Tradições foram forjadas através das nossas experiências. E criaram um modo de convivência singular (especial, individual, particular, estranho, excêntrico, incrível), singularmente forjado, que afetou profundamente o modo de convivência de seus membros. Tivemos a completa liberdade para errar e acertar. Em momentos que corríamos o risco de nos perder, necessariamente, um Deus amantíssimo, respeitando nossa liberdade, em última análise agia para nos guardar. A graça da sobriedade liberada por Deus, sem nenhuma obrigação e sem que nada fosse exigido em troca, retirou de qualquer um de nós, membros desta Irmandade, a autoridade para impor aos seus iguais qualquer coisa que seja. Permitindo que tenhamos por meio da pratica das “benditas Tradições de A.A.: um sóbrio modo de convivência”.
Não somos dirigidos por mandamentos. Viver pelas Tradições como se elas fossem regras seria o mesmo que rejeitar aqueles que, num primeiro momento, não teriam a menor condição de entendê-las, quanto mais praticá-las. Se as utilizássemos como Leis, elas serviriam mais como sentença de condenação do que de salvação. Os alcoólicos, mesmo antes de chegar, estariam condenados à morte. A prática das Tradições por parte daqueles que já estão em recuperação não é uma questão de obrigação e nem se trata de uma coisa boa ou ruim. Nós lhes obedecemos porque inicialmente precisamos, e depois porque gostamos do tipo de vida que tal obediência proporciona. Quando as praticamos por amor, respeitamos o desejo do próprio Poder Superior que nos acolheu e nos acolhe, mediante o livre exercício da nossa vontade. Deus não deseja que acreditemos Nele porque somos forçados. Ninguém ama por decreto. Somos atraídos para Ele por causa de sua bondade e misericórdia. Com sua imensurável grandeza, faz-se anônimo para realizar os milagres no nosso meio e às vezes se faz tão pequeno que nem notamos sua presença. É incrível como Ele parece gostar de estar em nossa companhia.
O mundo tem passado por muitas mudanças e grandes avanços no campo da medicina; mas, quanto à doença do alcoolismo, ainda não se descobriu a cura. Os seus males continuam atingindo os alcoólicos de hoje da mesma forma que os de ontem. Em alguns casos, os sintomas atuais são ainda piores (dependência cruzada). Se nós, seres perecíveis, não mudamos, quanto mais Deus. Por isto, se até agora o Poder Superior permitiu que o A.A. funcionasse durante todos estes anos, acredito que, amorosamente, dar-nos-á a liberdade para, como personagens vivas, continuarmos a escrever esta história até o dia em que Ele precisar de nós. Entendo que, se nos mantivermos firmes no nosso propósito primordial, por dois motivos seria inimaginável calcular o tempo de existência da nossa Irmandade. O primeiro é o incomensurável amor de Deus. O segundo está ligado ao aumento da população mundial. A medicina, através de pesquisas feitas por organismos oficiais de saúde, comprova que de 10 a 15% desta população é portadora desta enfermidade. Assim sendo, proporcionalmente, nossa demanda aumenta e não diminui. Enquanto existir um alcoólico em nosso planeta, nossa missão continuará.
Acreditamos que, como antídoto para os nossos maiores temores, devemos nos esforçar para fazermos o melhor que pudermos na prática dos três legados: Recuperação (Doze Passos), Unidade (Doze Tradições) e Serviço (Doze Conceitos). Silenciando nossos anseios pessoais, trocando as dores do alcoolismo pelo amor da recuperação e cuidando em sermos zelosos na renovação do nosso caráter, por meio das sugestões do programa. Com estas tentativas, acredito que estaremos fazendo a parte que nos cabe nesse todo que é o A.A. Podemos nos acalmar e confiar, porque o Poder Superior sempre tem feito a parte Dele.
A Irmandade de Alcoólicos Anônimos, através de suas Tradições, constitui-se para muitos num estranho espetáculo. Como bêbados irresponsáveis podem chegar ao ponto de conviverem harmoniosamente entre eles e com a sociedade que os rodeia? Por meio da admissão de suas fraquezas, conseguem transformar defeitos em dons. Mas, na verdade, quando nossa sociedade assume esta postura, paradoxalmente, ela se torna a nossa grande fonte de força que misteriosamente nos mantém unidos. Nossas Tradições, na realidade, são uma fratura exposta de nossas falhas; é o reconhecimento de que temos muitos defeitos. Esta atitude eleva-nos o entendimento sobre a necessidade de seguirmos as orientações dos nossos princípios tradicionais, sem o qual pereceríamos por falta de unidade.
Outro aspecto é que individualmente elas atuam no mesmo sentido, apontam claramente para nossas imperfeições. Quando percebemos nossos próprios erros, criamos a condição favorável para repará-los. Além disso, outra conseqüência desta prática é que, ao notarmos nossas falhas, tornamo-nos mais amenos e tolerantes com os outros, deixando de ser tão exigentes. Muitas vezes conseguimos silenciar nosso teimoso ego e deixar de lado nosso orgulho, evitando ressentimentos. Atentamos também para o fato de que, coletivamente, as Tradições só vão funcionar em toda a sua essência se individualmente eu me decidir a praticá-las. Não é mais uma questão de como os outros devem proceder, mas sim de como eu posso ajudar e ser útil. “As Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos simbolizam a característica de sacrifício de nossas vidas em comum e elas constituem a maior força de unidade que conhecemos”.
Nosso Segundo Legado é a UNIDADE, representada pela pratica das Doze Tradições, sem a qual, provavelmente, a maioria de nós não existiria. Um dos significados da palavra “legado” é herança. Com isto, concluímos que herdamos das mãos de Deus este tesouro valioso. Herdamos também o privilégio de sermos agentes na transmissão desta mensagem de salvação para os alcoólicos que ainda sofrem. Pela unidade, somos guardados de um problema insolúvel. Recebemos como dádiva o milagre de manter sob controle uma doença incurável.
A maior prova de gratidão que podemos expressar é quando escondemos nossas personalidades atrás dos princípios e reconhecemos que somos apenas agentes de Deus, agentes de milagres. Não somos agentes secretos, mas fomos chamados, escolhidos para sermos seus agentes anônimos.
Poucos têm o privilégio de serem milagres ambulantes. Viver esta experiência é algo fantástico e, ainda por cima, temos um plano de vida que nos possibilita experimentarmos “liberdade, felicidade, não lamentar o passado, nem recusar a enxergá-lo; compreender o significado da palavra serenidade e conhecer a paz; ajudar outras pessoas, sentimento de inutilidade e de autopiedade desaparecidos, perder o interesse por coisas egoístas e nos interessarmos pelos nossos semelhantes; o egoísmo deixando de existir, nosso entendimento e atitudes perante a vida modificados; o medo das pessoas e da insegurança econômica nos abandonando, intuitivamente resolveremos situações que costumavam nos desconsertar”, ver estas promessas sendo cumpridas em nossas vidas não tem preço. “Percebemos, de repente, que Deus está fazendo por nós o que não conseguimos fazer sozinhos”.
Despertados pelas dádivas da dor e do amor, nossos braços se recusarão a ficar cruzados. Lançar-nos-emos sobre a pratica das Tradições com a maior humildade e agradecimento de que podemos dispor. “Quando cheio de gratidão, o coração por certo só pode dar amor, a mais bela emoção que jamais poderemos sentir”.
Por gratidão, desejaremos: 1º – Sacrificar nosso orgulho, medo, raiva, anseio pessoal em benefício do bem estar comum; atuaremos sempre no sentido de preservar a unidade, nosso bem mais precioso (Primeira Tradição); 2º – Aceitar a consciência do grupo como única autoridade final em nossos assuntos, ser apenas servidor de confiança, nunca um governador (Segunda Tradição); 3º – Não seremos nada exclusivistas; eliminaremos tudo que possa impedir a chegada de mais um, não importando o que ele tenha feito ou o que ainda venha a fazer (Terceira Tradição); 4º – Respeitaremos a liberdade dos grupos para conduzir seus próprios assuntos (Quarta Tradição); 5º – Concentrar-nos-emos apenas naquilo para que fomos chamados, no nosso único propósito, transmitir a mensagem ao alcoólico que ainda sofre (Quinta Tradição); 6º – Como consequência lógica da tradição anterior, evitaremos filiarmo-nos a qualquer sociedade ou empreendimento alheios à nossa Irmandade, para que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos afastem de nosso objetivo primordial (Sexta Tradição); 7º – Recusaremos receber qualquer doação de fora, assumiremos a responsabilidade pelo pagamento de nossas legítimas despesas, voluntariamente depositaremos nossas contribuições na sacola, único lugar em A.A. onde o material se mistura com o espiritual (Sétima Tradição); 8º – Damos de graça o que de graça recebemos, nenhum serviço será realizado profissionalmente, poderemos até contratar funcionários para prestar serviços especializados, mas como membros serviremos sempre voluntariamente (Oitava Tradição); 9º – Não nos organizaremos a ponto de criarmos governos que possam impor disciplina, normas e regulamentos; a ninguém delegaremos poderes para punir ou expulsar possíveis infratores, entretanto poderemos criar juntas ou comitês de serviços com o objetivo de colocar a sobriedade ao alcance de todos que a queiram (Nona Tradição); 10º – Não entraremos em controvérsias públicas, sabemos que nossa Irmandade perecerá se assim o fizermos, nossa sobrevivência é mais importante do que qualquer outra causa, a recuperação do alcoolismo é para nós a própria vida (Décima Tradição); 11º – Nossas relações com o público terá como base a atração em vez da promoção, preservaremos nosso anonimato pessoal na imprensa, rádio, filmes e televisão, neste sentido nosso anonimato será cem por cento, deixaremos que os nossos amigos falem por nós, queremos a melhor publicidade possível para nossos princípios e à sua obra, mas não de nossos membros individualmente, para nós o importante será sempre a mensagem não o mensageiro (Décima Primeira Tradição); e 12º – Movidos pelo espírito do anonimato, como membros de A.A., deixaremos de lado nossos desejos naturais de distinção pessoal tanto entre nossos companheiros como entre o público em geral, ao sacrificarmos nossos anseios humildemente “tomamos parte na confecção de um manto protetor que cobre toda a nossa Irmandade e sob o qual nós podemos crescer e trabalhar em unidade”, nosso alicerce espiritual (Décima Segunda Tradição).
Anteriormente falamos das promessas, contidas no “Livro Azul”, que estão relacionadas à prática dos Doze Passos sugeridos como um programa de recuperação. Agora, gostaria de apontar uma que é alcançada com a prática das Tradições e que nos foi revelada no “Livro Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade”: “Temos a grande garantia de que coisas melhores ainda virão”.
Estar em recuperação nesta Irmandade é realmente um privilégio. Minha gratidão deveria ser sem limites. Por mais que eu tente retribuir um pouco do muito que tenho recebido, ainda fica mais difícil. Quando me disponho a prestar algum serviço para a obra, sou o primeiro a ser beneficiado. Existe um princípio espiritual que diz: “é dando que se recebe”, os que o exercem em A.A. tem experimentado sua veracidade. Hoje entendo o que Bill quis dizer com a frase, “A gratidão deveria ir para frente, nunca para trás”. Não evitamos o primeiro gole no ontem nem no amanhã, ele ainda não chegou, nossa sobriedade é construída no hoje, nas presentes 24 horas. Da mesma forma, entendemos que a maior prova de gratidão a ser oferecida está na nossa disposição diária de servirmos em qualquer atividade de A.A., não importando qual. Em Alcoólicos Anônimos não existe tarefa ou encargo mais importante do que o outro. Todos, sem exceção, sendo executados com amor e gratidão, cooperam para que vidas sejam salvas.

O NOSSO BEM ESTAR COMUM DEVERÁ ESTAR EM PRIMEIRO LUGAR; A RECUPERAÇÃO PESSOAL DEPENDE DA UNIDADE DE AA

1 Tradição
“ o nosso bem estar comum devera estar em primeiro lugar; a recuperação pessoal depende da unidade de AA”
A qualidade mais preciosa que a sociedade de Alcoólicos Anónimos tem é a unidade. As nossas vidas e as daqueles que estão para vir dependem directamente dela. Ou permanecemos unidos ou AA morre. Sem unidade, o coração de AA deixaria de bater, as nossas artérias mundiais deixariam de levar a graça vivificante de Deus e a sua dadiva desperdiçar-se-ia.
Fechados outra vez nas masmorras, os alcoólicos acusar-nos-iam, dizendo :que coisa extraordinária poderia ter sido AA!”
“ Que significa isto?” perguntam alguns com ansiedade.
“Então, em AA o individuo não conta? Será que tem que ser dominado e absorvido pelo seu grupo?”
Podemos responder a esta pergunta com um veemente “NÃO”!. Acreditamos que não existe no mundo outra irmandade que cuide de cada um dos seus membros com tanto carinho; certamente que não há nenhuma que guarde mais ciosamente o direito de cada individuo pensar, falar e agir livremente. Nenhum AA pode obrigar outro a fazer o que quer que seja;
Ninguém pode ser punido ou expulso. Os nossos doze passos são apenas sugestões para a nossa recuperação; as doze tradições, que garantem a unidade do AA, não contem uma única proibição. Dizem repetidamente “Nós devemos…” mas nunca “Tu tens de …!”
Para muitas pessoas, toda esta liberdade individual é sinonimo de pura anarquia. Qualquer recém-chegado, qualquer amigo que olhe para AA pela primeira vez, fica muito perplexo. Vêem uma liberdade que parece quase permissividade. No entanto reconhecem de imediato, uma força irresistível de propósito e acção em AA “Como é possível”, perguntam, “que este grupo de anarquistas funcione? Como é possível que coloquem em primeiro lugar o seu bem estar comum? O que será que os mantêm unidos”?
Aqueles que observam AA mais de perto encontram rapidamente a chave deste estranho paradoxo. O membro de AA precisa de adoptar os princípios da recuperação. A sua vida depende, de facto da obediência e princípios espirituais. Se ele se desvia muito, o castigo é certo e rápido: adoece e morre. Inicialmente, submete-se porque precisa, mas depois descobre um modo de vida que quer verdadeiramente seguir. Para alem disto, descobre que não pode manter esta dadiva preciosa, se não a der aos outros. Ninguém em AA consegue sobreviver se não transmitir a mensagem. No momento em que se forma um grupo, através do trabalho do decimo segundo passo, faz-se outra descoberta – a de que a maioria dos indivíduos não se recupera a não ser que haja um grupo. Compreende- se que o clamor dos desejos e ambições pessoais deve ser silenciado, sempre que prejudiquem o grupo. Torna-se claro que o grupo tem de sobreviver para que o individuo não morra.
Assim á partida, a questão principal é como viver e trabalhar em conjunto enquanto grupos. No mundo que nos rodeia temos lideres destruírem povos inteiros. A luta pela riqueza, poder e prestigio tem estado a dilacerar a humanidade como nunca. Se personalidades fortes tem ficado num impasse ao procurar a paz e a harmonia, o que é que poderia acontecer ao nosso errático bando de alcoólicos? Com o mesmo ardor com que tínhamos lutado e rezado pela recuperação individual, começamos a procurar os princípios pelos quais AA, como tal, pudesse sobreviver. A estrutura da nossa sociedade foi forjada através da experiência.
Vezes sem conta, em inúmeras cidades e aldeias, revivemos a historia de Eddie rickenbacker e dos seus bravos companheiros, quando o seu avião se despenhou no pacifico. Com nós, viram-se subitamente salvos da morte, mas ainda flutuando num mar perigoso. Perceberam muito bem que o seu bem estar comum estava em primeiro lugar. Nenhum podia ser egoísta em relação a agua e ao pão. Cada um tinha de pensar nos outros, pois sabiam que só podiam encontrar a sua verdadeira força ancorados numa mesma fé. E assim fizeram, de forma a ultrapassar todas as imperfeições da sua frágil embarcação, todas as provas de incerteza, de dor, de medo e de desespero, e ate a morte de um deles.
Assim tem sido, também, com AA . pela fé e pelas obras, conseguimos basear-nos em lições de experiência inacreditável. Essas lições vivem nas doze tradições de alcoólicos anónimos que – se Deus quiser – nos manterão unidos enquanto ele precisar de nós.

TERCEIRA TRADIÇÃO – ABAIXO OS PRECONCEITOS – ESTÁ HAVENDO DISCRIMINAÇÕES EM A.A.?

TERCEIRA TRADIÇÃO

ABAIXO OS PRECONCEITOS

ESTÁ HAVENDO DISCRIMINAÇÕES EM A.A.?

Em 1939 a primeira edição do livro “Alcoólicos Anônimos” já firmava as bases do que viria a ser uma das mais queridas tradições, quando dizia: “O único requisito para ser membro é o desejo sincero de deixar de beber (…) Simplesmente almejamos ajudar os afligidos por esse mal.”
Assim sendo, com o passar do tempo este princípio mostrou-nos que A.A. nunca deveria ser exclusivo; não deveria excluir ninguém. Pelo contrário, deveríamos ser sempre inclusivos, devendo, portanto, incluir todos aqueles que nos procuram em busca de solução para seu alcoolismo. Para alcançar este propósito, a experiência de A.A. nos ensinou que não devemos ter regras para o ingresso na Irmandade, que um único requisito precisa ser atendido, o desejo de abandonar a bebida.
Este entendimento, hoje bem sedimentado entre nós, porém ainda não é suficientemente forte ou não foi devidamente aprofundado, para entendermos que a aplicação da Terceira Tradição vai além da chegada do membro pela primeira vez em uma sala de reuniões de A.A. Vejamos:
“Discriminação: Tratamento pior ou injusto dado a alguém por causa de características pessoais; intolerância, preconceito.
Ato que quebra o princípio da igualdade, como distinção, exclusão, restrição ou preferências, (o grifo é nosso) motivado por raça, cor, sexo, idade, trabalho, credo religioso ou convicções políticas (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).”
Duas definições para a palavra discriminação. Ao aceitarmos a Terceira Tradição como permanente norma de procedimento para o recebimento de novos membros, conseguimos suplantar o contido na primeira definição. Quanto à segunda, precisamos levar em consideração algo ali contido e para nós de fundamental importância: o princípio da igualdade. No livro “Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade”, página 87, existe um alerta sobre este princípio quando diz: “As Tradições garantem a igualdade de todos os membros…”
Atualmente nos deparamos em A.A. com alguns costumes que nos trazem preocupações quanto a quebra do princípio da igualdade entre nós. À luz deste princípio vejamos alguns procedimentos que contém características discriminatórias:

RESTRIÇÃO – Livro de assinaturas – ao criar constrangimento a membros ou visitantes que não saibam assinar, pode restringir a sua participação nas reuniões.
EXCLUSÃO – Reunião fechada só para membros ou pessoas que tenham problemas com a bebida – exclui aqueles que nos procuram “pela mera suspeita de que possa ser um alcoólico.” (A Tradição de A.A. Como se Desenvolveu – pág.16)
DISTINÇÃO – Fichas por ingresso ou tempo de sobriedade – atinge profundamente o princípio de que o programa “é só por hoje”, ao evidenciar a distinção por tempo de permanência em A.A.
DISTINÇÃO / PREFERÊNCIAS – Festa por tempo de abstinência alcoólica –transformaram-se em verdadeiras homenagens, que vão de encontro ao objetivo do programa que é o desinflar do ego. Criam a tendência de privilegiar-se aquele ou aquela que possam oferecer grandes “festas” em detrimento dos que não podem fazê-lo.
DISTINÇÃO – Aplausos e palmas – privilegiam alguns com a maior ou menor intensidade da ovação.
EXCLUSÃO – Orações e preces em conjunto realizadas ao início ou final das reuniões – excluem aqueles que não são religiosos, quebrando o princípio de que a prática do programa é individual.

DISTINÇÃO / EXECUÇÃO / RESTRIÇÃO / PREFERÊNCIAS – Lista de contribuições, rifas e GAF (Grupo de Apoio Financeiro) – criam distinção ao privilegiar os que podem contribuir com maiores quantias, excluem os que não tem condições financeiras para participarem dessas práticas, restringem a participação dos que o fazem apenas na sacola anônima e voluntariamente como prevêem os princípios e criam a tendência de dar-se “preferência” aos que contribuem mais.

DISTINÇÃO / RESTRIÇÃO – Aquisição ou construção de sede própria – cria distinção ao tornar o membro que a construíram “benfeitores de A.A.”; o fato de não terem contribuído para a construção de tal sede torna-se uma restrição àqueles que chegam depois, porque neste aspecto jamais serão iguais aos que lá já estavam quando da construção ou aquisição da mesma. Além de constituir-se numa violação flagrante da Sexta Tradição e da Garantia Dois do Conceito Doze.

Por tudo isso, somos levados a refletir a respeito da importância de obedecer os princípios de nossa Irmandade. Quando deles nos afastamos colocamos em risco as nossas vidas e a daqueles que ainda estão por vir. A Terceira Tradição visa tornar possível o ingresso e a permanência de qualquer alcoólico em nossa Irmandade. Ao chegar e ao retornar cada dia às salas de A.A., onde a única identificação requerida seja a mínima que de imediato nos identifica: “sou um alcoólico”; que juntamente com a expressão “hoje eu não bebi”, torna o indivíduo participante com todos os direitos que as Tradições lhe garantem e mais do que isso, cria a indispensável igualdade que nos une em torno de um propósito comum – a busca da Sobriedade pela Recuperação.
Se buscarmos nos princípios de A.A. as soluções espirituais que comprovadamente funcionam, estaremos livres das ameaças que poderiam por em risco o nosso futuro.
Quando as Tradições pedem a cada indivíduo, Grupo e Setor de A.A. que ponham de lado todos os seus desejos, ambições e ações inconvenientes, elas nos lembram “que a unidade é tão vital para nós, membros de A.A., que não podemos nos arriscar tomando aquelas atitudes e práticas, que têm às vezes, desmoralizado outras formas de sociedade humana.”
A Terceira Tradição na sua forma integral alerta – Nossa experiência em Alcoólicos Anônimos nos ensinou que:
“Nossa Irmandade deve incluir todos os que sofrem do alcoolismo. Não podemos, portanto, recusar quem quer que deseje se recuperar. A condição para tornar-se membro não deve nunca depender de dinheiro ou formalidade. Dois ou três alcoólicos quaisquer reunidos em busca da sobriedade podem se autodeterminar um grupo de A.A., desde que como grupo não possuam qualquer outra afiliação.”

Bibliografia: Os Doze Passos e as Doze Tradições
Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade
A Tradição de A.A. como se desenvolveu – Por Bill W. Relatório Final da XXVI Conferência de serviços gerais

Isaías
(Delegado de Área – RJ)