Author Archives: passea

ESPIRITUALIDADE EM A.A.

Espiritualidade em A.A.
O que é espiritualidade?

Certa vez fizeram esta pergunta ao Dalai-Lama e ele deu uma resposta extremamente simples “Espiritualidade é aquilo que produz no ser humano uma mudança interior”. Não entendendo direito, alguém perguntou novamente: mas se eu praticar a religião e observar as tradições, isso não é espiritualidade? O Dalai-Lama respondeu. Pode ser espiritualidade, mas, se não produzir em você uma transformação, não é espiritualidade.

Parece-me que o principal a ser retido desse pequeno diálogo com o Dalai-Lama, é que espiritualidade é aquilo que produz dentro de nós uma mudança. O ser humano é um ser de mudanças, pois nunca está pronto, está sempre se fazendo, física psíquica, social e culturalmente. Mas há mudanças e mudanças. Há mudanças que não transformam nossa estrutura de base. São superficiais e exteriores, ou meramente quantitativas.

Já a Espiritualidade em A.A., é algo muito sublime, o prazer de viver é o tema e a ação sua palavra chave, o meio de que A.A. dispõe em nosso preparo para a recepção dessa dádiva, está na prática dos Doze Passos de nosso programa. Portanto, procedamos a um rápido levantamento do que temos tentado fazer até aqui.

O Primeiro Passo nos revelou um fato surpreendentemente paradoxal: descobrimos que éramos totalmente incapazes de nos livrar da obsessão pelo álcool até que admitíssemos nossa impotência diante dele. No Segundo Passo vimos que já não éramos capazes de, pôr nossos próprios meios, retornar à sanidade, e que algum Poder Superior teria que fazê-lo pôr nós, para que pudéssemos sobreviver. Em conseqüência, no Terceiro Passo, entregamos nossa vontade e nosso destino aos cuidados de Deus, na forma em que o concebemos, a título provisório, aqueles de nós que eram ateus ou agnósticos descobriram que o nosso Grupo ou AA no todo, poderia atuar como Poder Superior. A partir do Quarto Passo começamos a procurar dentro de nós as coisas que nos haviam levado à bancarrota física, moral e espiritual e fizemos um corajoso e profundo inventário moral. Em face do Quinto Passo decidimos que apenas fazer um inventário não seria suficiente, sabíamos que era necessário abandonar nosso funesto isolamento com nossos conflitos e, honestamente, confiá-los a Deus e a outro ser humano. No Sexto Passo, muitos dentre nós recuaram pela simples razão de que não desejavam a pronta remoção de alguns defeitos de caráter dos quais ainda gostavam muito, sabíamos, porém, todos, da necessidade de nos ajustar ao princípio fundamental deste passo, portanto decidimos que embora tivéssemos alguns defeitos de caráter que ainda não podíamos expulsar, devíamos de todos os modos abandonar nossa obstinada e revoltante dependência deles. Dissemos, “Talvez não possa fazer isso hoje mas, pelo menos, posso parar de protestar. Então no Sétimo Passo, rogamos humildemente a Deus que, de acordo com as condições reinantes no dia do pedido e se esta fosse a Sua vontade, nos libertasse de nossas imperfeições. No Oitavo Passo, continuamos a limpeza de nosso interior, pois sabíamos que não só estávamos em conflito conosco, como também com pessoas e fatos do mundo em que vivíamos , precisávamos começar a restabelecer relações amistosas e, para esse fim, relacionando as pessoas que havíamos ofendido, nos propusemos, com disposição, a remediar os males que praticamos. Prosseguimos nesse desígnio no Nono Passo, reparando diretamente junto às pessoas atingidas, os danos que causamos, salvo quando disso resultassem prejuízos para elas ou outros. No Décimo Passo, havíamos iniciado o estabelecimento de uma base para a vida cotidiana, conhecendo claramente que seria necessário fazer de maneira contínua o inventário pessoal, admitindo prontamente os erros que fôssemos encontrando. No Décimo Primeiro Passo, vimos que se um Poder Superior nos havia devolvido à sanidade e permitido que vivêssemos com relativa paz de espírito num mundo conturbado, valia a pena conhecê-lo melhor, através do contato mais direto possível, ficamos sabendo que o uso persistente da oração e da meditação abria, de fato, o canal para que, no lugar onde havia existido um fio de água, corresse um caudaloso rio que levava em direção ao indiscutível poder e a orientação segura de Deus, tal como estávamos podendo conhecê-lo, cada vez melhor.

Assim praticando esses passos, experimentamos um despertar espiritual e a espiritualidade em AA sobre o qual não nos restava a menor dúvida, e agora, o que diremos do Décimo Segundo Passo? A energia maravilhosa que ele desencadeia e a ação pronta pela qual leva nossa mensagem ao próximo alcoólico sofredor, e que finalmente convertem os Doze Passos em ação sobre todas as nossas atividades é a recompensa, a magnífica realidade de Alcoólicos Anônimos, é comum em quase todos os membros de AA, a afirmação de que nenhuma satisfação é mais profunda e nenhuma alegria é mais intensa e duradoura do que um décimo segundo passo bem executado, contemplar os olhos de homens e mulheres se abrirem maravilhados à medida em que passa das trevas à luz, suas vidas se tornando rapidamente cheias de propósito e sentido, famílias inteiras se reintegrando, o alcoólico sendo recebido alegremente em sua comunidade como cidadão respeitável, e acima de tudo, ver estas pessoas despertadas para a presença de um Deus amantíssimo em suas vidas, são fatos que constituem a essência do bem que nos invade, quando levamos a mensagem de AA ao irmão sofredor, isto é espiritualidade em AA.

Agora, a maior pergunta que já fizemos: o que dizer da prática destes princípios em todas as nossa atividades? Temos condições para amar a vida em todos os seus aspectos com tanto entusiasmo quanto amamos aquela pequena parcela que descobrimos, quando tentamos ajudar outros alcoólicos a alcançar a sobriedade? Somos capazes de levar às nossas vidas em família, pôr vezes bastante complicadas, o mesmo espírito de amor e tolerância com que tratamos nossos companheiros do grupo de AA? As pessoas de nossa família que foram envolvidas e até marcadas pela nossa doença, merecem de nós o mesmo grau de confiança e fé que temos em nossos padrinhos? Estamos prontos para arcar com as novas e reconhecidas responsabilidades que nos cercam? Além do mais, como podemos nos ajustar à derrota ou ao êxito aparentes? Podemos aceitar e nos adaptar a ambos sem desespero ou orgulho? Podemos aceitar a pobreza, a doença, a solidão e o luto com coragem e serenidade? A resposta de AA, a tais perguntas é:, sim tudo isso é possível, se vivenciarmos os Doze Passos de AA, isso é espiritualidade em AA, é mais maravilhoso ainda, sentir que não é necessário sermos especialmente distinguidos dentre nossos companheiros para podermos ser úteis e profundamente felizes, muitos de nós podemos ser líderes proeminentes e nem querem ser, o serviço prestado com prazer, as obrigações cabalmente cumpridas, os reveses calmamente aceitos ou resolvidos com a ajuda de Deus, o reconhecimento de que, tanto no lar como fora dele, somos confrades num esforço comum, o bem compreendido fato de que, perante Deus, todos os seres humanos são importantes, a prova de que o amor, livremente oferecido, na certa traz um retorno total, a certeza de que não mais estamos isolados e sozinhos em prisões criadas pela nossa mente, a segurança de que não somos mais desadaptados, senão que nos integramos e fazemos parte do esquema de coisas criadas pôr Deus, estas são as satisfações permanentes e legítimas de que fruímos, de uma vida correta, que nenhuma pompa ou ostentação de riquezas materiais poderá suplantar, isto é espiritualidade em AA, é dar sem esperar nada em troca, é viver e deixar viver, isto é espiritualidade em AA.
Juracy M.

VOCÊ CONHECE ESSA CARTA?

Baependi, 10 de novembro de 2010.

Estimados Companheiros de A.A.

Saudações.

No esforço conjunto da Junta de Custódios de A.A recém empossada de, ao comemorar o Cinqüentenário Mundial da Irmandade nos idos de 1985, com os pés plantados no presente, olhos fixos no futuro, vencendo toda sorte de obstáculos, achou por bem prover a Irmandade de um veículo de informação a altura dos nossos anseios que pudesse consolidar sua mensagem de esperança aos seus membros e transpor os horizontes, apresentando, de maneira sóbria e consistente, a Irmandade de Alcoólicos Anônimos aos profissionais liberais, religiosos, mestres da educação, empresários e tantas outras pessoas de boa vontade.
O sonho acalentado por muitos, aconteceu, tornou-se realidade. Hoje comemora-se, com humildade e alegria, os 25 Anos da Revista Vivência que com suas inúmeras edições, tem conseguido proclamar aos quatro cantos que Alcoolismo embora seja uma doença progressiva e de evolução crônica e fatal, é perfeitamente controlável, que existe esperança de recuperação e uma programação eficaz que tem restaurado milhões de vidas e reconstruído inúmeras famílias.
É de Goethe a afirmação – “ Nada sabe de sua arte aquele que lhe ignora a história”. A trajetória da Revista Vivência é sedimentada em momentos históricos da Irmandade de A.A.. Tudo começou nos idos de 1977, mais precisamente em 05 de abril, por ocasião da 1ª Conferência de Serviços Gerais da JUNAAB quando uma das recomendações, mais precisamente a Recomendação de número 8, da Comissão de Literatura e Publicações foi aprovada com o seguinte teor: – “Consideramos oportuno que Alcoólicos Anônimos no Brasil possua a sua Revista, a exemplo do “Grapevine” e “El Mensaje”. Para concretizar este objetivo, recomendamos aos Delegados do R.J. que elaborem um projeto, com análise de custos e possibilidade de implantação de uma nova entidade de A.A. no Brasil, para ser debatida na próxima Conferência de Serviços Gerais”. Muitos fatos aconteceram, muitas considerações, ponderações revestidas de incertezas quanto a viabilidade deste projeto, até que na Conferência da JUNAAB, em Blumenau, foi aprovada por unanimidade, a Recomendação de número 2 da mesma Comissão de Literatura e Publicações que reiterava a criação urgente da Revista Brasileira de A.A. no sentido de canalizar proveitosamente a criatividade dos A.As. do Brasil. Matéria referente a esta Recomendação foi amplamente registrada no Boletim Informativo da JUNAAB – BOB – número 30, de Maio / Junho 1984. No centro das discussões ponderava-se: estaria a Irmandade suficientemente madura para sustentar uma Revista? O que publicaria? Qual seria o nome da Revista? Tamanho, periodicidade? E o encarregado? Cientes de que Alcoólicos Anônimos não é a única saída para quem quer parar de beber, os Companheiros fazem questão de mostrar a mensagem de recuperação e como conseguiram alcançar a tão almejada sobriedade. Considerando–se que o programa de recuperação baseia-se na troca de experiências em Grupo, a Literatura de A.A. relata esse caminho encontrado pelos pioneiros e a Vivência, como veículo de informação tem conseguido estabelecer um elo entre a Irmandade de Alcoólicos Anônimos e a comunidade.
É de um Jesuíta esta reflexão:
“ Na página branca do tempo, escrevemos o que queremos.
Deus nos dá a liberdade.
Cada um escreve a sua história, o seu destino”.
Nós de Alcoólicos Anônimos que pela graça do Poder Superior resgatamos vidas através de princípios espirituais sedimentados no mandamento do amor, devemos nos conscientizar de que – “Amar quer dizer estar disponível para fazer da própria vida um dom, pronto para ultrapassar as fronteiras da existência individual e se consumir para a felicidade dos outros”.
Que o Poder Superior conceda sua graça fecunda de sobriedade a toda família de A.A. e que nos encoraje a exercitar o amor para que a página branca do tempo de nossa vida seja um ramalhete de dedicação e amor ao irmão que sofre as agruras da doença alcoolismo.
Que o Encontro da Revista Vivência seja uma oportunidade para o exercício da convivência fraterna e incentivo para continuarem a prática de levar a mensagem.
Fraternalmente.
JOSÉ NICOLIELLO VIOTTI

DOIS MENSAGEIROS

Dois mensageiros

Onde poderia escapar de minhas dúvidas sobre todas as crenças
que eu já tinha tido medo
de perguntar?

Senti-me preso em meu quarto de hotel, preso pela minha própria ansiedade e indecisão. Os acontecimentos da noite anterior tinham sacudido fortemente o alicerce espiritual já fraco do meu programa de A.A.. Apesar das condições que eu atribuí à aceitação de um Poder Superior a mim mesmo, permaneci sóbrio durante quase quatro anos. Agora, eu estava cheio de medo do abandono por um Deus no qual eu nunca tinha realmente acreditado.
O quarto enfatizou o meu desespero. Era um esconderijo. Eu estava me escondendo do meu chefe, cujo desafio para minha fé me fazia sentir impotente e sozinho. E estava me escondendo de tudo que estivesse além daquelas paredes, porque minha insegurança fez com que tudo e todos se tornassem uma ameaça. Era como nos velhos tempos, quando o melhor que eu conseguia fazer era
levar minha garrafa para um lugar secreto e me isolar do mundo.

O sermão havia começado no jantar e continuou até
tarde da noite.

Mas saber que estava me escondendo só aumentou o meu tormento. Onde mais eu poderia ir? Onde poderia escapar de minhas dúvidas sobre todas as crenças que eu já tinha tido medo de perguntar? Em uma sóbria me respondeu.
Achei o número na lista telefônica de Chicago, mas não liguei, e sabia que estava evitando a Irmandade que tinha salvado a minha vida. Minha mente se voltou para a noite anterior. O sermão havia começado no jantar e continuou até tarde da noite. Meu chefe tinha entusiasticamente ex-posto em suas bases, as crenças cristãs. A força de suas convicções e suas exortações, cuja fé eu deveria abraçar, só serviu para aumentar o receio que eu tinha da rendição a qualquer coisa, além de A.A. como uma fonte de ajuda para alcoólicos. Reagindo na defensiva, eu tinha combatido os seus argumentos com as frases que tinha aprendido: Deus na forma em que O concebíamos… Viemos a acreditar em um Poder Superior a nós mesmos… Sua vontade em relação a nós… Mas eram palavras ditas com a cabeça, e não com o coração. Elas eram lançadas como uma cortina de fumaça para esconder minhas dúvidas interiores.
Enquanto conversávamos, o poder dos sinais de perigo aumentou. Meu dia de palavras vãs para o Segundo e o Terceiro Passos estavam chegando ao fim, e eu podia sentir o vazio em minha alma. “Como?”, eu me perguntava, “você começa a acreditar em algo que você pregou acreditar o tempo todo?”.
Pensei novamente em ir a uma reunião. Mas estava com medo, assustado com a minha própria hipocrisia, com medo de sua exposição. Mesmo se eu pudesse encontrar conforto lá, rodeado pelo único poder que estava disposto a aceitar, não estava disposto a experimentar a solidão vazia que viria depois de deixar Deus, na forma em que eu O concebi, depois da reunião.
A necessidade de sair do meu quarto se tornou mais urgente, mas, para onde deveria ir? Para o restaurante do hotel? Talvez até ao bar para beber um pouco, só para me sentir parte de algo? Nenhuma das opções era aceitável.
Finalmente, decidi sair do hotel para encontrar uma lanchonete em algum lugar. A decisão não fazia qualquer sentido, e eu sabia disso. Uma tempestade se anunciava lá fora. Chicago era uma cidade estranha. Não estava com fome. Mesmo assim me vesti o terno, gravata e, sobretudo e desbravei a noite de neve. Eu não tinha idéia de para onde estava indo. Mas Alguém sabia.
Deus estava prestes a se apresentar. Atravessei a Michigan Avenue e tinha andado uns poucos metros além do meio-fio, quando um homem saiu de uma porta sombria. Ele estava com barba por fazer e roupas muito sujas, como se não as trocasse há muito tempo. Havia furos na ponta da touca encardida, puxada para baixo firme-mente, em torno de suas orelhas pa-ra afastar o frio congelante.
Suas mãos mergulharam profundamente nos bolsos do casaco do Exército, desbotado e encardido. “Ei, senhor, você pode me ajudar?”. Minha reação inicial foi ignorá-lo. Mas parei impulsivamente. Ele era muito mais jovem do que parecia, à primeira vista, talvez tivesse uns vinte e tantos anos. “Você pode me emprestar $0,50 para um hambúrguer, senhor? Não como desde ontem.”
Enquanto ele falava, o velho aroma de vinho barato já conhecido me inundou, dominando o frescor da neve que caía. Parte de mim quis recusar. Eu sabia que o dinheiro não seria gasto em um hambúrguer. Mas me lembrei de como era, como a necessidade de uma bebida poderia re-virar entranhas e provocar dor no corpo todo. Lembrei-me de como a primeira golada poderia acalmar os

“Pensei novamente em ir a uma reunião. Mas estava com medo, assustado com a minha própria hipocrisia, com medo de sua exposição.”

demônios, mesmo que apenas por pouco tempo. Retirei um dólar e o mostrei com a mão trêmula. Eu que-ria dizer algo mais, que uma outra escolha era possível. Mas eu não consegui. “Obrigado, senhor”. Murmurei que estava tudo bem, e comecei a me afastar. “Ei, senhor, sabe onde posso encontrar uma reunião
de A.A. por aqui?”. As palavras me atingiram com uma força estrondosa. Senti uma dormência latejando pelo meu corpo. Eu desconfiava de meus ouvidos. “O quê?”, perguntei incrédulo. “Uma reunião de A.A. Eu… Eu não consigo parar de beber”.
A incongruência da situação foi esmagadora. Por que um mendigo sujo perguntaria a um respeitável empresário sobre uma reunião de A.A.? Como ele seria capaz de pensar que eu saberia? No entanto, à medida que olhava para ele em silêncio e atordoado, vi o desespero que havia tido há tantos anos, eu tinha a resposta.
“Eu não sei”, consegui dizer. Senti-me de repente flutuante. “Mas nós vamos encontrar juntos. Eu também sou um alcoólico”. Encontramos um telefone público nas proximidades. Liguei para o Escritório Central para saber da localização da próxima reunião. Meu amigo alcoolizado precisou me dizer onde estávamos.
“O Grupo Semente de Mostarda”, disse a voz amigável de uma mulher. “Você está a apenas um quarteirão de lá.” Outro choque. Enquanto eu procurava o número de tele-fone do A.A. no meu quarto, havia notado um anúncio separado sobre o Grupo Semente de Mostarda.
Pareceu-me um nome interessante e me chamou atenção. Mas com a minha ignorância da geografia de Chicago, parecia estar a quinze quilômetros do meu hotel. Não estava. Estava a menos de dois quarteirões de distância. A reunião já havia começado quando entra os na sala.
Fomos direcionados para duas cadeiras no lado externo do semi-círculo de participantes. Um microfone de mão estava sendo passado para cada pessoa. Minha mente estava cambaleando. Levou algum tempo até eu tomar conhecimento do assunto em discussão. Era o Terceiro Passo.
Eu me senti como se estivesse vivendo uma fantasia, preso de alguma forma em uma conspiração de coincidências, além da minha compreensão. Lembrei-me do meu primeiro dia em A.A., quando me disseram para orar, acreditando ou não. Eu era um ateu alcoólico que bebia diariamente e era incapaz de permanecer sóbrio por muito tempo.
Com a sobriedade em jogo, estava disposto a tentar. Nos últimos quatro anos, eu rezava, porque estava com medo de agir diferente. Mas eu ainda não acreditava que isso pudesse dar certo. Agora, tentando compreender os acontecimentos que me levaram a esta reunião, a este encontro particular, me perguntava, seria possível?
O microfone foi de repente parar na minha mão. Antes de falar pensei nas palavras do Terceiro Passo: Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos. Então entendi. Esta não era uma fantasia. Não tinha havido coincidências, nenhum acidente do destino.
Na minha angústia, Deus me enviou dois mensageiros: um para me mostrar que eu estava perdido, o outro para me mostrar o caminho. Eu partilhei. Falei sobre o
meu tormento anterior, sobre os meus sentimentos, sobre meus medos.
Disse a eles sobre como descobri o nome desse grupo, sem saber o significado dessa descoberta. Contei como tinha encontrado o meu novo amigo, que agora estava ao meu la-do. E sobre como Deus (como eu estava começando a entender) tinha nos trazido a esta reunião.

R.H.^
Culver City, Califórnia

Este depoimento foi extraído do livro
“Despertar Espiritual – Viagens do Espírito”, que em breve estará disponível para aquisição
nos Escritórios de
Serviços Locais.

Fonte:
Revista Vivência – nº 125
Maio e Junho de 2010

23a. REUNIÃO DE SERVIÇO MUNDIAL – POLÔNIA

23ª Reunião de Serviço Mundial
Local: Varsóvia – Polônia
Data: 12 -16 de outubro de 2014.
Tema: Os três legados, vitais para a recuperação

Introdução

O que é uma RSM?

• Como toda atividade de A.A., a
Como toda atividade de A.A., a Reunião de Serviço Mundial tem como objetivo primordial o de levar a mensagem de Alcoólicos Anônimos ao alcoólico que ainda sofre, onde quer que ele esteja no mundo, seja qual seja o idioma que ele fale.

A RSM busca meios de alcançar esse objetivo e serve como foro para compartilhar a experiência, força e esperança dos delegados que se reúnem a cada dois anos, provenientes de todas as partes do mundo.

Além disso, pode representar uma expressão da consciência de grupo a nível mundial.

O por quê da RSM?

• Palavras de Bill W.: “Faz muito tempo que nos demos conta que o GSO de Nova Iorque não poderia prestar para sempre todos os serviços gerais a todos os países. Uma estrutura central seria prejudicial porque:

• 1- A centralização criaria uma “capital” mundial de A.A. em Nova Iorque, isto não seria prudente;

2- Excluiria a possibilidade de direção eficaz em outros países;

3- Outros países seriam privados da responsabilidade saudável de dirigir seus próprios serviços;

4- Do ponto de vista administrativo seria impossível Nova Iorque cuidar de um escritório no Brasil, por exemplo. Poderia NY continuar como conselheiro tão somente.

5- Seria muito difícil ou impossível financiar uma operação centralizada em NY. Como que os grupos estrangeiros contribuiriam para tal operação?

Um breve histórico

Outubro de 1967 – Bill sugeriu a JSG dos EUA alguns procedimentos preliminares entre eles umas pesquisas com os 15 países com maior população de Aas para verificar se tinham o desejo de realizar uma RSM em NY em fins de 1969.

A junta aprovou o projeto e foram enviados questionários de pesquisa e uma carta explicativa de Bill.

As ideias de Bill foram aprovadas entusiasticamente pelos países interessados pela CSG dos EUA/Canada de 1968.

A primeira RSM se realiza em 1969. A segunda em 1972, ambas em NY. A partir daí, de dois em dois anos alternando NY e outro país.

Bill W. a respeito da RSM disse o seguinte:

“Sinto que começa um crescimento maravilhoso de A.A. em todo o mundo ao pensar que 20 ou mais de nós reunidos, cara-a-cara, falando da grande visão dos Escritórios de Serviços Gerais estabelecidos em todas as partes do mundo”.

Como sugestão, ficou estabelecido que:

– Que cada estrutura envie dois delegados, de preferência alcoólicos, mas podendo ser um alcoólico e outro não, sendo esse necessariamente participante da Junta de Serviços;

– Que as despesas dos delegados sejam totalmente pagas pela sua estrutura.

– A reunião de serviço mundial não é uma Conferência.

Ainda Palavras de Bill W.:

– É possível que algum dia a população de A.A. no estrangeiro supere a dos Estados Unidos, Estariam de acordo os grupos estrangeiros – que não tem nenhuma representação na reunião norte-americana a financiar as atividades do GSO de NY?

– Afortunadamente temos compreendido a possibilidade destes problemas futuros;

– O nosso Manual do Terceiro Legado e os estatutos estabelecem que os EUA/Canadá são apenas parte da estrutura mundial de A.A.

Um pouco de História da do leste Europeu onde se situa Varsóvia, sede da 23ª, sede da 23ª Reunião de Serviço Mundial

– 1917 Revolução Russa e o avanço do Comunismo na Europa, em especial no Leste Europeu.

– De 1937-1945 A Ocupação da Europa (Polônia, República Tcheca, etc.) pelas tropas de Hitler- Nazismo.

– 1939 – Ocupação da República Tcheca (Praga-Região da Boêmia);

– 1941- Adotada a Solução Final-extermínio dos judeus;

– 1942- Saída dos guetos para campos de concentração;

– 1945-Fim da 2ª Guerra Mundial;

– 1989 – A queda do Muro de Berlim.

O A.A. na Polônia- a importância do Apadrinhamento de País a País.

– O primeiro Grupo de A.A. na Polônia surgiu em 1974.

– Não havia repressão contra A.A. A polícia secreta não prendia as pessoas nos Grupos de A.A. na Polônia.

– Em março de 1989, antes da queda do Muro de Berlim (novembro de 1989), havia 300 Grupos de A.A., hoje há 2.300.

– O A.A. na Polônia foi apadrinhado por alemães ocidentais, finlandeses, norte-americanos e europeus em geral.
– Em 1984, companheiros da Finlândia visitaram a Polônia, em um ônibus, em apadrinhamento.

– Muitos membros de A.A. Norte-americanos, de origem polonesa, visitavam constantemente a Polônia, em missão de apadrinhamento.

– A Igreja Católica sempre foi muito forte na Polônia, mesmo nos tempos do Comunismo, o que ajudou o A.A. a crescer naquele país.

Os Delegados participantes da Reunião de Serviço Mundial são divididos em Comitês, Grupos de trabalho.

Os quatro comitês –

– Agenda,
– Literatura/Publicações,
– Políticas/Admissões/Finanças e
– Comitê Trabalhando Com Os Outros. Além desses Comitês,

– Além dos Comitês, cada país participante relata os Pontos de Destaque de seu país nos últimos dois anos e são repassadas informações sobre as reuniões Zonais (África, Europa, Américas e Ásia-Oceania). Em nosso caso, a Redela, Reunião das Américas.

Os temas da 23ª Reunião de Serviço Mundial

1º Tema- A.A. desde 1935 até agora – as Doze Tradições fazem Alcoólicos Anônimos funcionar.

A- De que maneira as Tradições têm guiado o A.A. em seu País?

B- As Tradições dão vida ao segundo legado. De que maneira elas podem ajudar a manter e melhorar a Unidade em seu país?

C – De que maneira em seu país os Grupos compartilham a importância das Tradições com os novos membros?

D- Os grupos e membros em seu país enfocam as Tradições como princípios espirituais ou os costumes locais se converteram em regras inflexíveis?

2º tema – Quando em uma comunidade pequena não se encontram membros suficientes para fazer o Serviço, deve-se ignorar o princípio da Rotatividade?

A- De que maneira os membros respeitam o princípio da Rotatividade se não há membros suficientes para prestar serviço?

B- Quando os membros de uma comunidade pequena ocupam uma e outra vez os mesmos encargos, como fazem os membros locais para colocar os Princípios acima das Personalidades?

C- De que maneira nossos grupos podem atrair novos membros para possam servir?

3º tema – O alcoolismos e outras dependências
– “Sou alcoólico e adicto”…. – ouvido em nossas reuniões de A.A.

A- Como os Grupos de seu país explicam aos novos a unicidade de nosso propósito?

B- Os grupos de seu país dão uma calorosa acolhida aos principiantes que tem uma história de abuso de outras drogas, além do abuso do álcool?

C- Que papel desempenha o apadrinhamento em apoiar o nosso propósito primordial?

D- De que forma em seu país se comunica aos nosso amigos não alcoólatras o único propósito de A.A.?

Os Comitês

O Comitê de agenda recomendou que os temas para a 24ª RSM sejam:

1- Apadrinhamento de País a País;
2- A.A. sem fronteiras: Muitos idiomas, muitas culturas, uma única mensagem;
3- Da recuperação sem ego e soberba surge a verdadeira liderança;
4- O Grupo Base: A base espiritual de nossa recuperação;
5- O serviço e sua espiritualidade;
6- A reunião depois da reunião – companheirismo e apadrinhamento.
7- O ressentimento: o que significa para a recuperação individual e para a sobrevivência do grupo;
8- Comunicação entre as gerações: Estamos tendo êxito?
9- A espiritualidade de nossas contribuições financeiras.

O Comitê de literatura e Publicações discutiu os seguintes pontos:

1- Que os Delegados à RSM divulguem o que é o FIL e sua importância;
2- O que sua estrutura está fazendo com os excedentes da venda de literatura, incluindo vendas para fora da Irmandade?
3- Qual o impacto da redução do preço de literatura naqueles países que já tiveram esta experiência?
4-Como a consciência coletiva de seu país chegou a uma consciência de grupo a respeito da tradução da literatura de A.A.?
5- Como é aprovada a literatura produzida em seu próprio país?
6-Qual a experiência já existente a respeito dos e-books, as mídias sociais, aplicativos de celulares, mensagens de texto e outros meios modernos?
7- Falar da experiência de baixar impropriamente a literatura de A.A. da Internet e como sua comunidade está tratando deste assunto.

O Comitê Trabalhando com os Outros discutiu os seguintes pontos:

1- Cooperação com a lei (Poder Judiciário)
2- Cooperação com as comunidades de Idosos;
3- Cooperação com os profissionais da medicina;
4- Reuniões ou grupos na Internet: Atividade de serviço e a estrutura em geral;
5- “…Não se pode transmitir algo que não se tem”. (Livro Alcoólicos Anônimos);

• O Comitê de Normas de Procedimentos e Finanças discutiu os seguintes pontos:

• 1- Aprovou o pedido de participação da 23ª RSM as seguintes estruturas:
• República Tcheca;
• Hong Kong;
• Irã;
• Romênia.

• Além destes países a Rússia também participou pela primeira vez;
• 2- Revisou os requisitos para os países participantes da RSM;

• 3- Revisou os requisitos para ser Delegado a uma RSM;

• 4- Revisou as finanças e as cotas do Delegado para a próxima RSM:

• – O comitê observou que com a redução da cota por delegado em 2004 houve um aumento na participação dos países por outro lado a estrutura norte-américa está sobrecarregada. A cota atual é de U$1.100,00 e o custo por delegado foi de U$5,465.00. Diante disso, recomendou um aumento para U$1.500,00 a partir da 24ª RSM;

• 5- Foram discutidas várias formas de baixar o custo da RSM (hotel mais barato, passagens aéreas; diminuição dos dias da RSM;

• A 24ª RSM será realizada de 23 a 27 de outubro de 2016.

Pontos de destaque da Reunião de Varsóvia

1- Participaram 45 Estruturas, representados por 75 Delegados, sendo 13 mulheres.

2 –Cinco estruturas participaram pela primeira vez: Rússia, Hong Kong, Romênia, República Tcheca e Irã.

3- O A.A. está presente hoje em 183 países,

4- Sendo que em 170 já existe o livro Alcoólicos Anônimos traduzido na língua local. Em 61 países existe uma estrutura.

5- O livro Alcoólicos Anônimos completou 75 anos este ano e somente nos Estados Unidos já foram vendidos 35 milhões de exemplares.

6- A próxima RSM será em Nova Iorque em 2016.

7- Ao final da 23ª RSM a Oração da Serenidade foi proferida em 28 idiomas diferentes presentes

RESPONSABILIDADE – “NA OPINIÃO DO BILL”

RESPONSABILIDADE
“NA OPINIÃO DO BILL”

NA OPINIÃO DO BILL 9
O grupo e a ampla comunidade mundial
No momento em que o trabalho do Décimo Segundo Passo forma um grupo, uma descoberta é feita – que a maioria dos indivíduos não consegue se recuperar, se não houver um grupo. Surge a compreensão de que cada membro é apenas uma pequena parte de um grande todo; de que nenhum sacrifício pessoal é grande demais para a preservação da Irmandade. Ele aprende que o clamor dos desejos e ambições interiores deve ser silenciado, sempre que possa prejudicar o grupo.
Torna-se claro que o grupo precisa sobreviver para que o indivíduo não pereça.
* * *
“O membro sozinho no mar, o A.A. em guerra numa terra distante – todos esses membros sabem que pertencem à Comunidade Mundial de A.A., que sua separação é apenas física, que seus companheiros podem estar tão perto como está o próximo porto. E a mais importante, que eles estão certos de que a graça de Deus está realmente com eles, em alto mar ou na solitária terra distante, como está com aqueles que estão em sua própria terra”.
1 – As Doze Tradições, pág. 14
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 13
Dádiva compartilhada
A.A. é mais do que um conjunto de princípios; é uma sociedade de alcoólicos em ação. Precisamos levar a mensagem, caso contrário, nós mesmos poderemos recair e aqueles, a quem não foi dada a verdade, podem perecer.
* * *
A fé é mais do que nossa maior dádiva; seu compartilhar com os outros é nossa maior responsabilidade. Que nós de A.A. possamos buscar continuamente a sabedoria e a boa vontade pelas quais possamos desempenhar bem a grande tarefa que o Doador de todas as dádivas perfeitas colocou em nossas mãos.
1 – O Manual de Serviços de A.A., pág 5 (E.U.A)
2 – Grapevine de abril de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 32
Responsabilidade Moral
“Algumas pessoas se opõem firmemente à posição de A.A. de que o alcoolismo é uma doença. Sentem que esse conceito tira dos alcoólicos a responsabilidade moral. Como qualquer A.A. sabe, isso está longe de ser verdade. Não utilizamos o conceito de doença para eximir nossos membros da responsabilidade. Pelo contrário, usamos o fato de que se trata de uma doença fatal para impor a mais severa obrigação moral ao sofredor, a obrigação de usar os Doze Passos de A.A. para se recuperar.
“Nos primórdios de suas bebedeiras, o alcoólico freqüentemente é culpado de irresponsabilidade. Mas no momento em que tem a compulsão para beber, ele não pode ser responsável por sua conduta. Ele então tem uma obsessão que o condena a beber e uma sensibilidade física ao álcool que garante sua loucura final e morte.
“Mas quando ele toma consciência dessa condição, fica sob pressão para aceitar o programa de recuperação moral de A.A.”
Palestra de 1960

NA OPINIÃO DO BILL 50
A.A.: Anarquia benigna e democracia
Quando chegamos em A.A., encontramos uma liberdade pessoal maior do que qualquer outra sociedade conhece. Não somos obrigados a fazer nada. Nesse sentido, essa sociedade é uma anarquia benigna. A palavra “anarquia” tem um mau significado para a maioria de nós. Mas acho que o idealista, que primeiro advogou a idéia, sentia que se os homens tivessem garantido liberdade absoluta e não fossem obrigados a obedecer ninguém, eles então voluntariamente se associariam a um interesse comum. A.A. é uma associação do tipo benigno que ele imaginou.
Mas quando tivemos que entrar em ação – para funcionar como grupos – descobrimos que tínhamos que vir a ser uma democracia. À medida que os primeiros membros iam-se retirando, começamos a eleger nossos servidores pela maioria de votos. Cada grupo nesse sentido veio a ser uma reunião democrática com os membros da comunidade. Todos os planos para a ação do grupo tinham de ser aprovados pela maioria. Isso significa que nenhum indivíduo poderia designar a si mesmo para atuar por seu grupo ou por A.A. como um todo. Para nós não servia nem ditadura nem paternalismo.
A.A. Atinge a Maioridade, págs. 200 e 201

NA OPINIÃO DO BILL 57
Melhor que o ouro
Como recém-chegados, muitos de nós têm se entregado à intoxicação espiritual. Como um explorador faminto ao esgotar a última migalha de alimento, encontramos o ouro. A alegria que sentimos, ao ser libertados de uma vida toda de frustração, foi enorme.
O recém-chegado sente que encontrou algo melhor que o ouro. Ele pode não ver, de imediato, que apenas tocou a superfície de uma mina infinita, que só pagará dividendos se a explorar para o resto da vida e insistir em doar toda a produção.
Alcoólicos Anônimos, pág. 135

NA OPINIÃO DO BILL 79
De quem é a responsabilidade?
“Um grupo de A.A., como tal, não pode cuidar de todos os problemas pessoais de seus membros, muito menos das pessoas não-alcoólicas que nos cercam. O grupo de A.A. não é, por exemplo, um mediador das relações domésticas, nem fornece ajuda financeira a ninguém.
“Embora o membro possa às vezes ser auxiliado nesses assuntos por seus amigos em A.A., a principal responsabilidade para solucionar todos os seus problemas de viver e crescer recai sobre ele mesmo. Se um grupo de A.A. desse essa espécie de ajuda, sua eficiência e energia seriam irremediavelmente dissipadas.
“É por isso que a sobriedade – libertação do álcool – através dos ensinamentos e da prática dos Doze Passos de A.A., é o único propósito do grupo. Se não nos apegarmos a esse princípio cardinal, é quase certo que entraremos em colapso. E se entrarmos em colapso, não podemos ajudar ninguém.”
Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 84
Benefícios da responsabilidade
“Felizmente as despesas de A.A. por pessoa são muito pequenas. Deixarmos de atendê-las seria fugir a uma responsabilidade que nos beneficia.
“Muitos alcoólicos têm dito que nunca tiveram dificuldades que o dinheiro não resolvesse. Nós somos um grupo que, quando bebíamos, sempre estendíamos a mão em busca de auxílio. Então, quando começamos a pagar nossas próprias contas, isso constitui uma mudança saudável.”
* * *
“Por causa da bebida, meu amigo Henry perdeu um emprego de salário elevado. Restava uma bela casa – com uma despesa três vezes maior do que seus reduzidos ganhos.
“Ele poderia ter alugado a casa, por uma quantia suficiente, a fim de se sustentar. Mas não! Henry disse que sabia que Deus o queria morando ali e Ele daria um jeito de serem pagas as contas. Assim, ele continuou amontoando dívidas e cheio de fé. Não foi surpresa quando finalmente os credores se apossaram da casa.
“Henry hoje ri disso, pois aprendeu que Deus ajuda muito mais àqueles que estão dispostos a se ajudar.”
1 – Carta de 1960
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 125
Olhe além do horizonte
Meu local de trabalho fica numa colina, atrás de nossa casa. Olhando para o vale, vejo a casa comunitária da vila, onde se reúne nosso grupo. Além do círculo de meu horizonte está o mundo inteiro de A.A.
* * *
A unidade de Alcoólicos Anônimos é a qualidade mais preciosa que nossa sociedade tem. Nossas vidas e as vidas dos que estão por chegar dependem diretamente dela. Sem unidade, o coração de Alcoólicos Anônimos deixaria de bater; nossas artérias mundiais não mais levariam a inspiradora graça de Deus.
1 – A.A. Today, pág. 7
2 – As Doze Tradições, pág. 13

NA OPINIÃO DO BILL 229
O dia do regresso ao lar
“Assim como a sobriedade significa vida longa e felicidade para o indivíduo, a unidade significa exatamente a mesma coisa para nossa Sociedade como um todo. Unidos, vivemos; desunidos, perecemos.”
***
“Devemos pensar profundamente em todos aqueles doentes que ainda virão ao A.A. Quando eles procuram retornar à fé e à vida, queremos que encontrem em A.A. tudo o que encontramos e ainda mais, se for possível. Nenhum cuidado, nenhuma vigilância, nenhum esforço para preservar a constante eficiência e a força espiritual de A.A. será grande demais para nos pôr inteiramente de prontidão para o dia do regresso deles ao lar”.
1 – Carta de 1949
2 – Palestra de 1959

NA OPINIÃO DO BILL 255
Uma compreensão mais ampla
Para alcançar mais alcoólicos, será necessário que a compreensão de A.A. e a boa vontade pública, em relação ao A.A., comecem a crescer em toda parte. Precisamos ainda nos relacionar melhor com a medicina, religião, empregadores, governos, tribunais, prisões, hospitais psiquiátricos e todas as entidades ligadas ao campo do alcoolismo. Precisamos da boa vontade, cada vez maior, por parte dos editores, escritores, televisão e rádio. Esses meios de publicidade – local, nacional e internacional – deveriam tornar-se cada vez mais acessíveis.
***
Nada é mais importante para o futuro bem-estar de A.A. do que a maneira pela qual utilizamos o colosso dos modernos meios de comunicação. Usados bem e com altruísmo, podem produzir resultados que ultrapassem nossa imaginação.
Se usarmos mal esse grande instrumento, seremos destruídos pelas manifestações egoístas de nossa própria gente. Contra esse perigo, o anonimato dos membros de A.A., perante o público em geral, é nosso escudo e nossa proteção.
1 – Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 54
2 – Grapevine de novembro de 1960

NA OPINIÃO DO BILL 271
A.A. em duas palavras
“Todo o progresso de A.A. pode ser expressado em apenas duas palavras: humildade e responsabilidade. Todo nosso desenvolvimento espiritual pode ser medido, com precisão, conforme nosso grau de adesão a esses magníficos padrões.
“Uma humildade aprofundando-se sempre, acompanhada de uma crescente boa vontade para aceitar e cumprir as responsabilidades bem definidas – estas são realmente nossas pedras de toque para todo o crescimento na vida do espírito. Elas nos proporcionam a essência do bem, tanto no ser como no atuar. É por meio delas que conseguimos encontrar e fazer a vontade de Deus.”
Palestra de 1965 (publicada na Grapevine de janeiro de 1966)

NA OPINIÃO DO BILL 292
A respeito de companheirismo
Caso a distorção da vida familiar, por causa do álcool, tenha sido grande, pode ser necessário um longo período de paciente esforço. Depois que o marido ingressa em A.A., a esposa pode ficar decepcionada, e até muito ressentida, pelo fato de A.A. ter feito o que não fizeram todos os seus anos de dedicação. Seu marido pode vir a se envolver tanto com A.A. e com seus novos amigos que ele, sem consideração, passa mais tempo fora de casa do que quando bebia. Então, cada um culpa o outro.
Mas o alcoólico, reconhecendo o que sua esposa aturou, e agora entendendo bem o quanto a prejudicou, bem como a seus filhos, quase sempre retoma suas responsabilidades conjugais com a disposição de reparar o que pode e aceitar o que não pode. Ele insiste em praticar em seu lar todos os Doze Passos de A.A., obtendo muitas vezes excelentes resultados. A essa altura, ele começa com firmeza e com carinho a se comportar como um companheiro e não como um menino mau.
Os Doze Passos, pág. 105

NA OPINIÃO DO BILL 317
Visão além do dia de hoje
Acho que a visão é a capacidade de fazer boas estimativas, tanto para o futuro imediato como para um futuro mais distante. Alguns poderiam sentir que esse tipo de esforço seria uma heresia contra “Um dia de cada vez”. Mas esse princípio valioso realmente se refere à nossa vida mental e emocional e quer dizer principalmente que não somos tolos, para lamentar o passado nem sonhar com o futuro de olhos abertos.
Como indivíduos e como irmandade, vamos certamente sofrer se deixarmos toda a tarefa do planejamento para o amanhã, nas mãos da Providência. A verdadeira Providência Divina foi dar a nós, seres humanos, uma considerável capacidade de antevisão e Ela evidentemente espera que a usemos. Naturalmente, podemos muitas vezes cometer erros de cálculo quanto ao futuro, no todo ou em parte, mas o pior é recusar-se a pensar nele.
Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 44

OS TRÊS LEGADOS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

Os Três Legados de Alcoólicos Anônimos

As principais heranças dos primeiros vinte anos de Alcoólicos Anônimos são os Legados de Recuperação, de Unidade e de Serviço. Pelo primeiro nos recuperamos do alcoolismo; pelo segundo permanecemos em unidade; pelo terceiro nossa irmandade funciona e serve seu propósito fundamental, que é o de levar a mensagem de A.A. para todos aqueles que dela precisam e a querem.

A parte seguinte deste livro se baseia em três palestras proferidas por Bill, um co-fundador, na comemoração do vigésimo aniversário de A.A. A primeira conta a história das pessoas e das correntes de influência que tornaram possível a Recuperação em A.A. A segunda mostra a experiência da qual foram concebidas as Tradições de Alcoólicos Anônimos, as tradições que hoje mantém A.A. em Unidade. A terceira conta como Alcoólicos Anônimos desenvolveu os Serviços que levam sua mensagem aos mais longínquos lugares da terra.

RECUPERAÇÃO: O PRIMEIRO LEGADO

Estamos reunidos aqui em St. Louis para comemorar o vigésimo aniversário de A.A. Viemos agradecer a Deus o fato d’Ele ter libertado muitos de nós, de nossa escravidão. Estamos aqui para expressar, aos inúmeros amigos de A.A., nossa gratidão por tudo o que eles têm feito para ajudar nesse impressionante milagre de recuperação e compartilhar com eles e com todos os outros a certeza da graça de Deus entre nós.

Perto de muitos de nós, nesta tarde, encontram-se mulheres, maridos, mães, pais, filhos e filhas daqueles que viveram a noite escura do alcoolismo conosco, aqueles que esperaram com dedicação e esperança uma manhã cheia de luz que estava para chegar. Sua fé e fidelidade finalmente foram justificadas e na verdade tornaram possível essa ocasião. Nossa gratidão é algo que nenhum de nós pode dizer em palavras, mas esperamos que todas essas pessoas queridas que nos cercam compreenderão a dimensão do agradecimento que existe dentro de nossos corações.

Desejamos render tributo especial a nossos amigos da medicina e da religião, cujos conhecimentos, fé e ajuda sem limites foram investidos na formação de nossa irmandade e em seu crescimento, através dos vinte anos transcorridos.

Também não podemos nos esquecer daqueles mensageiros de A.A., os homens e mulheres da imprensa e de todos os meios de comunicação, que têm levado a mensagem de A.A. para os alcoólicos sofredores e suas famílias. Somente Deus sabe quanta miséria e quantas mortes eles têm evitado, ao narrar a história de A.A. para o mundo.

Estamos reunidos em St. Louis ainda para um outro propósito, que é de declarar que A.A. atingiu a maioridade. Não estamos afirmando que temos finalmente nos tornado adultos! Mas estamos aqui para considerar que nossos vinte anos de experiência nos têm ensinado, o que são os Legados dessa experiência e o que são as responsabilidades em relação à preservação dessa herança muito valiosa.

Estamos aqui para rever o conhecimento que adquirimos de como nos recuperar de nossa doença, de como permanecer em unidade e de como servir na transmissão da mensagem de A.A. para todos aqueles que ainda sofrem dessa estranha e fatal doença chamada alcoolismo.

Por tradição, em Alcoólicos Anônimos não fazemos discursos. Simplesmente falamos a respeito de nossas próprias experiências e das experiências daqueles que nos rodeiam. Minha palestra não será exceção.

Em meados do verão de 1934, eu estava internado no Hospital Charles B. Towns, no Central Park West. Eu tinha estado lá antes. Eu conhecia o querido velho Dr. Silkworth. Em certa ocasião, ele pensou que eu pudesse me recuperar, mas eu continuava seriamente dependente e agora me encontrava acamado no andar superior do hospital, sabendo pela primeira vez que estava completamente sem esperança.

UNIDADE: O SEGUNDO LEGADO

Hoje, nós de A.A., estamos juntos e sabemos que vamos permanecer juntos. Estamos
em paz uns com os outros e com o mundo que nos rodeia. Por isso, muitos de nossos conflitos são resolvidos e nosso destino parece assegurado. Os problemas de ontem têm produzido as benções de hoje.

Nossa história não é uma história comum; ao contrário, é a história de como, pela Graça de Deus, uma força desconhecida tem-se levantado da grande fraqueza; de como sob ameaças de desunião e colapso, a unidade mundial e a irmandade têm sido forjadas. No curso dessa experiência, temos desenvolvido uma série de princípios tradicionais pelos quais vivemos e trabalhamos unidos, bem como nos relacionamos como uma irmandade para o mundo que nos rodeia. Esses princípios são chamados de Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos. Elas representam a experiência extraída de nosso passado, e nos apoiamos nelas para nos manter em unidade, através dos obstáculos e perigos que o futuro nos possa trazer.

Não foi sempre assim. Nos primeiro dias, vimos que era uma coisa para alguns alcoólicos se recuperarem, mas o problema de viver e trabalhar juntos era algo mais. Por conseguinte, foi para um futuro desconhecido que olhamos pela janela da sala de estar da casa do Dr. Bob, em 1937, quando pela primeira vez percebemos que os alcoólicos poderiam ser capazes de se recuperar em grande escala. O mundo ao redor de nós, o mundo de pessoas mais normais, estava sendo destruído. Poderíamos nós, os alcoólicos recuperados, permanecer juntos? Poderíamos nós levar a mensagem de A.A.? Poderíamos nós funcionar como grupos e como um todo? Ninguém poderia dizer. Nossos amigos psiquiatras, com alguma razão começavam a nos prevenir: “Esta irmandade de alcoólicos é dinamite emocional. Seu conteúdo neurótico pode explodi-la em pedacinhos.” Quando estávamos bebendo, na verdade, éramos muito explosivos. Agora que estamos sóbrios, bebedeiras secas nos farão explodir?

SERVIÇO: O TERCEIRO LEGADO

Estamos aqui reunidos para as últimas horas da comemoração do vigésimo aniversário de A.A.

Acima de nós está hasteada uma bandeira com a inscrição do novo símbolo de A.A., um círculo contendo um triângulo. O círculo simboliza A.A. no mundo inteiro, e o triângulo simboliza os Três Legados de A.A.: Recuperação, Unidade e Serviço. Dentro do nosso novo mundo maravilhoso, encontramos a libertação e nossa obsessão fatal. Talvez não seja por acaso que escolhemos esse símbolo. Os sacerdotes e os profetas da antiguidade viam o círculo contendo o triângulo como uma forma de afastar os espíritos maus; o círculo de A.A. e o triângulo de Recuperação, Unidade e Serviço, na verdade, têm significado tudo isso para nós e muito mais.

Ao nos reunirmos, em nossa primeira noite, aqui em St. Louis olhamos para a base de nosso triângulo, o Primeiro Legado de A.A. é Recuperação, onde tudo se baseia e da qual tudo depende. Durante nossa segunda noite refletimos sobre a Unidade, o Segundo Legado de A.A., e todo o seu enorme significado para nosso futuro. Agora queremos pensar acerca do terceiro lado de nosso triângulo, o Terceiro Legado de Serviço de A.A., o qual nesta hora de encerramento será passado às suas mãos para sempre. Então nosso símbolo estará completo, e possam a Recuperação, Unidade e Serviço, razão pela qual foi criada nossa Irmandade com a proteção de Deus, estar sempre sob Seu comando por tanto tempo quanto Ele queira usar essa sociedade.

O Décimo Segundo Passo de A.A., levar a mensagem, é serviço básico que nossa irmandade oferece: é o nosso principal objetivo e a razão primordial de nossa existência. A.A. é mais do que um conjunto de princípios; é uma sociedade de alcoólicos recuperados em ação. Precisamos levar a mensagem de A.A., caso contrário nós mesmos podemos cair, e aqueles a quem não chegou ainda a verdade podem morrer. Essa é a razão pela qual dizemos tão freqüentemente que ação é a palavra mágica. A ação para levar a mensagem de A.A. é, portanto o coração de nosso Terceiro Legado de Serviço.

Entretanto, alguns de nós ainda estão um pouco confusos a respeito do Terceiro Legado de A.A. Ainda perguntamos: “O que é exatamente o Terceiro legado?” “Até onde vai a ação de Serviço?”

A resposta é simples. Um serviço de A.A. é qualquer coisa que realmente nos ajude a alcançar companheiros que estão sofrendo. Como temos visto, o chamado do Décimo Segundo Passo é o maior de todos os serviços de A.A. Mas a publicidade que permite ao provável membro entrar em contato conosco, o carro no qual o transportamos, a gasolina que gastamos, as xícaras de café que lhe pagamos e todas essas ajudas foram necessárias para fazer nossa visita possível e eficiente. E isso é somente o começo. Nossos serviços envolvem locais de reuniões, cooperação com hospitais, escritório, folhetos e livros. Os serviços podem precisar de comitês, Delegados, Custódios e Conferências. Incluem pequenas contribuições voluntárias em dinheiro para que o grupo, a área e A.A. como um todo possam funcionar. Os serviços abrangem, desde a xícara de café até a Sede de Serviços Geris, para a ação nacional e internacional. A soma de todos esses serviços é o Terceiro legado de A.A. Tais serviços são absolutamente necessários para e existência e crescimento de A.A. Aspirando simplicidade, muitas vezes nos perguntamos se poderíamos eliminar alguns dos serviços atuais de A.A. Seria maravilhoso não se ter preocupações, nem políticas, nem despesas e nem responsabilidades! Mas isso é apenas um sonho acerca de simplicidade; isso, na
verdade, não seria simplicidade. Sem seus serviços essenciais, A.A. se converteria rapidamente numa anarquia disforme, confusa e irresponsável.

ROTATIVIDADE – COMO CONSERVAMOS A EXPERIÊNCIA DE QUEM SERVIU ANTES DE NÓS

Rotatividade
Como conservamos a experiência de quem serviu antes de nós

Bolívar Hernán Zaruna-Equador

Dizia Bill sobre o terceiro legado de A.A., o serviço: “Nosso 12º Passo -levar a mensagem-é o serviço básico que presta a comunidade de A.A.; é nosso principal objetivo e a razão primordial de nossa existência. Portanto AA é mais que um conjunto de princípios, é uma sociedade alcoólicos em ação. Devemos levar a mensagem, pois se não o fizermos, nós mesmos podemos recair e aqueles a quem não foi comunicado a verdade, podem morrer.
De modo que um serviço de A.A. é tudo aquilo que nos ajuda a alcançar o alcoólico que ainda sofre, abrange desde o passo doze em si, uma chamada telefônica e uma xícara de café, até o Escritório de Serviços Gerais de A.A. para as atividades nacionais ou internacionais. A soma total desses serviços é o nosso terceiro legado.
No início de nosso livro Levar Adiante, encontramos o seguinte:
“Nunca esquecerei a primeira vez que me encontrei com Bill Wilson. Eu estava sem beber por pouco tempo e estava tão emocionado, tão entusiasmado de conhecer pessoalmente ao cofundador que joguei sobre ele uma enxurrada de palavras, expressando o que minha sobriedade significava para mim, assim como minha imortal gratidão para com ele por ter iniciado AA. Quando terminei de falar, ele tomou minha mão na sua e simplesmente disse: Passe Adiante”
Com essa ligeira introdução, quero compartilhar que cheguei ao serviço de Custódio substituindo um servidor que saiu, logo apresentei meu currículo com o desejo de cumprir um período completo de serviço e graças a Deus aqui estou. Porém, nesse processo não recebi a experiência dos servidores anteriores, porém isso não diminuiu minha responsabilidade em servir nem tampouco parou meu fervoroso desejo de aprender a cada dia, em cada instante, um pouquinho mais dessa bendita Irmandade. Por isso não falto aos diversos eventos de A.A. que se realizam em meu país e, quando as circunstâncias permitem, fora dele. Não descuido de minha comunicação com meu padrinho e não tenho deixado de abrir as páginas de nosso revigorante e espiritualizada literatura.
Considero que não ganharia muito, ou serviria muito pouco, se a experiência de serviço e as vivências recebidas em cada espaço de serviço que o criador tem me colocado ficassem unicamente comigo e gravado somente em minha mente e em meu coração como privilegiadas recordações de meu constante caminhar pelo caminho maravilhoso de AA.
Penso que a melhor e mais eficaz maneira de guardar a experiência de haver servido é depositando-a nesse entesourado cofre que sempre deverá estar aberto aos demais, quer dizer, nesse novo servidor, essa nova estrutura, esse novo grupo. Não posso permitir-me o luxo de guardar a experiência vivida unicamente comigo: devo completar esse círculo de amor e serviço, transmitindo-a outros, apadrinhando ao futuro candidato a servir. Não quero por nenhum motivo ser parte de algo ou de alguém que me conduza a algo que não se sabe.
Estamos conscientes que algum momento teremos que abandonar o serviço que nos tenha sido designado, quer seja no grupo, no distrito, na área ou na Junta e permitir que outro companheiro continue o serviço, porém acredito que seria irresponsabilidade de minha parte deixar de transmitir para ele minhas experiências vividas, naturalmente sem me transformar em seu mestre instrutivo, e sim em seu depositário de consulta permanente.
Que jamais o ego ou a autossuficiência interfira no propósito e a edificante intenção de sempre transmitir as experiências do serviço a outro companheiro, a outro grupo, a área onde pertença ou a estrutura de cada país, até que finalmente em meu encontro com o criador possa dizer: “Graças, Pai, por haver me dado lucidez para transmitir a outros irmãos o que aprendi. Claro que me faltou muito, meu bom Deus, porém o que me permitiu fazer, eu fiz. Assim deixei na mente e nos corações de meus queridos irmãos o que pude viver. Agora cabe a eles seguir transmitindo suas próprias experiências em mentes e corações novos. E assim permitir, pai celestial, que a luz que nos foi dada jamais se extinga. E que este depositário de consultas de amor e serviço nunca se feche, porque és o teu poder o que o manterá aberto sempre”.
Em nós está o saber, como, quando e onde guardamos a experiência do serviço vivido e qual é o propósito final desta interminável cadeia de transmitir a outras nossas experiências, sabendo que lá fora ainda há seres humanos, quem sabe muito próximo a nós, que estão vivendo o inferno do alcoolismo ativo.
Companheiras e companheiros, mil agradecimentos a todos por escutar-me, que Deus os abençoe. Pela graça e bondade de meu PS, hoje não bebi.

– A importância da rotatividade

Yasuo Nimura-Japão

Meu nome é Yasuo, sou alcoólico.
Se fala que o coração de A.A. começou a bater quando o primeiro encontro de Bill e Bob. Podemos também dizer que o espírito de rotatividade foi estabelecido no exato momento em que nossos cofundadores entregaram nossos serviços mundiais à Irmandade, 20 anos depois, na convenção de St.Lois. Bem,27 anos, em junho de 1985, assisti a minha primeira reunião de AA. Em Osaka tinha somente 10 anos da chegada de AA. em Tóquio, cinco anos depois de Tóquio, alguns membros foram até Osaka para transmitir a mensagem e formaram as primeiras reuniões. Quando comecei a assistir as reuniões, a única literatura traduzida para o japonês era o livro grande,12×12 e uns poucos folhetos. Foi através desses panfletos, especificamente “O Grupo de A.A.”, que soube pela primeira vez da expressão “Espírito da Rotatividade” e de sua importância. Está escrito lá que o ponto principal da rotatividade está na tradição 2 quando diz que os princípios antecedem as personalidades.
Está escrito que, para prevenir que um membro se agarre a uma posição particular, praticamos tradicionalmente o princípio da rotatividade. Conforme vamos nos recuperando do alcoolismo nas reuniões, ao envolver-nos com o serviço em nossos grupos, nos comitês e no serviço geral estrutura, os benefícios da recuperação são concedidos a cada membro por igual, por meio da unidade da Irmandade e do princípio da rotatividade.
Compartilhando algumas de minhas experiências, o grupo me permitiu fazer o café e a limpeza geral. Depois de 3 meses, foi me dada a oportunidade de coordenar as reuniões e logo fui o tesoureiro. Ao realizar esses serviços, recebi a benção da recuperação do alcoolismo e um contínuo crescimento em sobriedade.
Naquele tempo nossa região estava dividida em áreas e quando tinha apenas um ano de sobriedade outro membro me pediu que servisse como membro do comitê de área, um serviço que requeria minha presença as reuniões mensais com outros 4 ou 5 companheiros.
Foi seguindo esta progressão que compreendi a importância da quinta tradição e da transmissão da mensagem.
Por um lado, para alguém como eu que buscava fama nos títulos, quando o mandato terminava eu estava disposto a permanecer no posto se não havia outros candidatos para ocupá-los, porém havia outras ocasiões em que meu inflado egoísmo e meus desejos egocêntricos eram conduzidos à humildade pelo princípio da rotatividade.
A rotatividade permite a todos os membros, se eles desejarem, igualdade de condições para servir. Não deve ser uma pressão para os membros nem um requisito, os encargos de serviço, pelo contrário, terão que ser aceitados voluntariamente e ser vistos como um meio para o fortalecimento da própria sobriedade, em segundo lugar, a rotatividade está estreitamente relacionada com o princípio do anonimato de A.A. e seu profundo princípio espiritual da humildade. Graças ao espírito da rotatividade, podemos ser servidores anônimos e a todos os membros se lhes é dado o mesmo direito de servir. Não é pelo falso delírio de grandeza que chegamos a ser RSG, MCD ou Delegado de Área, nem servimos impulsionados pela arrogância ou autopiedade ou poder ou a autoridade senão por ser um servidor de confiança como descreve a segunda tradição. Aceitamos esses encargos e recebemos o amor e a paz de Deus. Não é um verdadeiro presente da sobriedade por parte de Deus? Não é nossa escolha de permanecer anônimos uma forma essencial de impulsionar nossa espiritualidade e de cultivar o sacrifício e a humildade? E o terceiro, quero compartilhar o estado atual no Japão. Há bastante problemas com a rotatividade nesse momento. Existem 560 registrados e nossos membros somam aproximadamente 6.000.Nossa conferência está composta de vinte delegados de área,6 custódios classe B e 2 classe A,4 membros do escritório de serviços gerais e dois delegados a RSM. Entretanto, a cada ano, são muito poucas as pessoas que estão dispostas a servir e frequentemente não contamos com membros suficientes para preencher os encargos. É uma luta que acontece todo ano o preenchimento desses encargos. Não temos suficientes alcoólicos recuperados que têm disponibilidade de tempo para tal. Os que estão dispostos a aceitar trabalham em empresas, o que torna difícil aceitar serviços fora do grupo. Em nossa área um de nossos dedicados servidores disse o seguinte acerca da dificuldade com a rotatividade: “já que não tem gente nova disponível para servir, seguirei servindo. Entretanto, se ao término deste próximo período ninguém se propor me afastarei de qualquer forma”. Qualquer dos cenários significa um problema.
No Japão, frequentemente vejo membros que se interessam pelo serviço na estrutura de AA. e em encontrar um padrinho de serviço. A rotatividade não deve seguir sendo uma preocupação. Vou propor na próxima conferência, como parte do meu reporte da RSM, que enfatizemos o apadrinhamento no serviço.
Ao escrever essa apresentação, me foi dada uma maravilhosa oportunidade para refletir profundamente, uma vez mais, no espírito da rotatividade, o anonimato, a humildade e o papel e relação de nossos servidores de confiança, conforme a 2ª Tradição. É por isso que agradeço a todos vocês.

Fundo Internacional de Literatura
Phyllis Halliday, Gerente do GSO, EUA/Canadá

Ao se realizar esta 23ª Reunião de Serviço Mundial já se passaram 24 anos desde que a 11ª RSM recomendou à secretaria “… envie uma carta a todos os países participantes com o objetivo de solicitar cooperação na tarefa de recolher fundos como resposta ao problema atual de fornecer a literatura inicial aos países que não podem pagar suas próprias traduções e aquisições”.
Desde aquele momento, a reação dos países de todas as partes do mundo de A.A. segue sendo positiva, alentadora e muito gratificante.
Em 1992 o Comitê de Literatura e Publicações da RSM informou que chegaram ao entendimento de que o Fundo internacional de Literatura está dentro do âmbito do Comitê de Literatura e Publicações da RSM. O Comitê informou que AAWS utilizará estes fundos para suprir os gastos com a produção de literatura em outros idiomas, bem como para reembolsar a outros organismos de A.A. por gastos similares” e disse que AAWS deve ter “… a liberdade de priorizar o uso destes fundos segundo a necessidade expressada por cada Escritório de Serviços Gerais ou delegado”. O comitê solicitou que AAWS fornecesse a cada RSM “um informe sobre as contribuições recebidas e desembolsos feitos nesta conta”.
Como vocês podem ver, em nosso último informe de 2010, as contribuições baixaram consideravelmente. Nos últimos cinco anos, os gastos se mantiveram inferiores a 125.000 dólares americanos a média é de 94.000 dólares ao ano. É possível que estas duas cifras representem uma tendência, mas é muito cedo para se determinar se isto procede. A informação que temos recebido de muitos de vocês indica que o momento ruim da economia global afetou de forma negativa as contribuições. Um ex custódio de uma outra estrutura de serviço disse a um servidor do GSO em Nova York que seu país teve que escolher entre contribuir com mais dinheiro ao FIL ou demitir um funcionário de seu Escritório de Serviços Gerais. Alguns de vocês deparam diariamente com situações parecidas, e nossa Irmandade nos Estados Unidos e Canadá não está isenta da insegurança econômica dos dias atuais.
Dito isto, tenho que acrescentar que o FIL é uma das múltiplas responsabilidades que o AAWS, Inc. tem para com a irmandade mundial de A.A., o cumprimento das quais nos enche de alegria, já que nestes trabalhos podemos ver claramente o amor de A.A. em ação. Cada contribuição ao FIL ajuda a pagar os gastos com tradução e outra ajuda com literatura.
Os pedidos de ajuda nos chegam de diversas formas, e às vezes quando menos se espera. No ano de 2011, na REDELA, a reunião zonal das Américas, nossos delegados (EUA/CAN) receberam uma solicitação conjunta, por parte dos delegados do Equador, Peru e Bolívia, para traduzir o livro Alcoólicos Anônimos em Quéchua, o velho idioma dos Incas, que hoje é falado por mais de oito milhões de pessoas, principalmente nos Andes. A solicitação foi enviada ao nosso GSO, à diretora de publicações de AAWS, que por sua vez solicitou aos delegados do Equador, Peru e Bolívia para que formem um comitê supervisor do projeto, que contará com o apoio do Fundo Internacional de Literatura. E dessa maneira se inicia outra tradução, e por ter a literatura de A.A. disponível em tantos idiomas quanto seja possível, seguimos salvando incontáveis vidas.
Desde 1991 os gastos de AAWS de ajuda para a Literatura Internacional nos países emergentes da Europa, África, Ásia, Oriente Médio, Oceania e as Américas superaram 2,6 milhões de dólares. Nos dois últimos anos fornecemos exemplares do livro Alcoólicos Anônimos e outra literatura grátis a Bulgária, China, Haiti, Indonésia, Lituânia, Mongólia e Vietnã. Temos quinze traduções do livro Alcoólicos Anônimos em andamento e este ano se publicou traduções para o idioma Sessoto, para os habitantes de Lesoto, África, e em maori para os das ilhas Cook. A tradução em maori foi para mim um trabalho especialmente alentador, porque representa uma demonstração clara da responsabilidade que assumimos de ajudarmos uns aos outros. Um membro de A.A. da Irlanda, que estava de visita às Ilhas Cook ajudou os habitantes da ilha a encontrar uma editora na Nova Zelândia, para imprimir a tradução em maori e agora vai voltar às Ilhas Cook para ajudar seus companheiros de lá a distribuir o livro. É assim que funciona!
Desde que nos reunimos em 2010, foram publicados livros e folhetos de A.A. em vários idiomas, incluído dez dialetos da Índia, tcheco, chinês, Khmer (Camboja), mongol e twi (Gana). Nós nos sentimos profundamente agradecidos pela presença de A.A. agora em mais de 180 países, e por ter traduções da literatura de A.A . em 87 idiomas. Não seria possível conseguir tudo isso sem o seu constante apoio-econômico e espiritual.
Como nosso cofundador Bill W. disse em 1968, a respeito da importância de se publicar uma literatura padrão, começando pelo livro Alcoólicos Anônimos, “Este volume e todos os demais livros e folhetos escritos desde aquela época, colocaram A.A. à disposição do mundo todo. Por conseguinte, não foi possível modificar a mensagem de A.A. Dessa forma, começamos nossa primeira tentativa de assegurar a unidade de A.A. e sua eficácia “Com os corações agradecidos, os diretores da Junta de Serviço Mundial de A.A.W.S. e os Custódios da junta de Serviços Gerais dos Estados Unidos e Canadá reconhecem com gratidão coletiva os muitos “sacrifícios na sacola” que vocês vêm fazendo para ajudar a levar a mensagem de esperança de A.A. a todas as partes do mundo. Estou profundamente agradecida a vocês.