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UM POUCO DE HISTÓRIA

CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS

1968 a 1975

Início da Estrutura de Serviços no Brasil, alicerçada em quatro itens:
. Fundação em 20/09/69, em São Paulo, do Centro de Distribuição de Literatura de A.A. para o Brasil – CLAAB;
. Unificação de A.A. no Rio de Janeiro, em 20/06/71, resultando na criação do primeiro Escritório Nacional de Serviços (ENSAA);
. Realização do Primeiro Conclave em São Paulo, no carnaval de 1974, quando o CLAAB foi considerado um Organismo Nacional de Serviços de A.A.;
. Em 1974 o ENSAA do Rio de Janeiro encerra suas atividades.

Esses acontecimentos serviram de ponto de partida para o extraordinário crescimento da Irmandade, considerando-se que houve um aumento de 468% no número de Grupos, percentual inferior apenas ao período de 1962 a 1968, cujo crescimento foi da ordem de 780%.
Na época foram formados Grupos em Brasília (DF), Porto Alegre (RS) e Campo Gran-de (MS).
1975
Realizado o 2º Conclave em São Paulo.
O fundamental foi a fundação da JUNAAB, em 29/2/76, instituída consoante carta no seguinte teor:

São Paulo 1º novembro de 1975.
Estimados Companheiros:
A débil chama ateada por Bill e Bob, há quarenta anos, sem dúvida por inspiração divina, é hoje esplendente luzeiro a espraiar seu brilho pelo mando todo, iluminando o caminho de uma infinidade de alcoólatras em serena sobriedade: homens e mulheres que, unidos pela Fé, pela Esperança e pelo Amor, se empenham, com sincera humildade, em busca de seu aprimoramento espiritual.
No decorrer do quadragésimo ano de existência do A.A. mundial, o CLAAB, por sua diretoria executiva, vem, jubilosamente, congratular-se com os estimados companheiros pela inestimável contribuição desse valoroso Grupo à expansão e fortalecimento de A.A. no Brasil, augurando-lhes um sempre crescente êxito na tarefa de transmitirem a Sublime Mensagem aos alcoólicos que ainda sofrem. O crescimento e a unidade do A.A. em nosso País é uma esplêndida realidade que muito nos sensibiliza e conforta.
O Brasil, contando atualmente com mais de 500 Grupos, deverá proximamente vencer a última etapa do desenvolvimento da estrutura dos Serviços Gerais, consolidando a união dos AAs de nossa querida Pátria, iniciada no memorável Conclave de Carnaval de 1974, com a reestruturação do CLAAB e posse de sua primeira Diretoria Nacional.
Durante o 2º Conclave, o Conselho Diretor do CLAAB, reunido em Assembléia Geral Extraordinária, no dia 10 de fevereiro deste ano, com a presença de 18 diretores (delegados representando 11 Estados, inclusive o Distrito Federal), deliberou sobre a criação da Junta de Serviços Geraisde A.A. para o Brasil, a ser efetivada durante o próximo Conclave a realizar-se em São Paulo, no Carnaval de 1976.
A Junta, à qual o CLAAB ficará subordinado, deverá inicialmente, ser constituída pelos atuais Delegados Estaduais eleitos para o biênio 1975/76, mais os que vierem a ser eleitos para o biênio 1976/77.
A criação da Junta propiciará melhor distribuição dos encargos executivos, com o imprescindível desmembramento das funções ora atribuídas apenas aos dois membros da diretoria executiva do CLAAB, o que trará a desejada e necessária eficiência na execução dos serviços, mormente quanto à presteza no atendimento da correspondência.
A propósito, pedimos muitas desculpas aos estimados Companheiros por nossa aparente desatenção com relação à correspondência, tal como cartas não respondidas ou respondidas com atraso, falhas que lamentavelmente não temos conseguido superar, não obstante nossa dedicação e sincera vontade de servir. Cumpre-nos, outrossim, informar o seguinte:
A imprevista mudança do escritório – por terem os locadores, não obstante haverem prometido uma prorrogação do contrato, solicitado a entrega da sala – acarretou despesas extraordinárias de não pequena monta, com a aquisição de estantes e móveis, pois os que guarneciam o escritório pertenciam aos locadores.
Foram feitas novas impressões dos quatro folhetos e contratada uma nova edição do Livro Grande, que deverá ser-nos entregue em dezembro, conforme prometido pela editora.
Por esses motivos e pelo fato de diversos Grupos e alguns AAs individualmente, inclusive pretensos líderes, terem deixado de pagar literatura que solicitaram para pagamento a curto prazo, desequilibrando, assim, nossas previsões financeiras, fomos obrigados a adiar a publicação de “O Grupo”, cujo lançamento será feito, o mais tardar, até a Carnaval de 1976.
Por outro lado, temos a satisfação de, com nossos agradecimentos, registrar as contribuições dos Grupos relacionados em anexo, as quais, neste ano, atingiram a soma de Cr$ 3.275,40.
Apraz-nos, também, comunicar que a dívida do CLAAB para com o GS0 está reduzida a apenas US$391,45.
A criação da Junta de Serviços Gerais nacional é o passo decisivo para a afirmação da maioridade de Alcoólicos Anônimos no Brasil. Por isso apelamos para que todos os Grupos cooperem com seu prestígio em prol da unidade do A.A. brasileiro, nenhum deles se omitindo nas próximas eleições para a escolha dos delegados estaduais.
Que o Poder Superior guie e ilumine a todos nós!
Fraternalmente
P/ CLAAB
Arlindo Mello Bianchi Waldomiro de Oliveira
Diretor Executivo-Secretário.
1976

O chamamento foi atendido mediante a presença de 16 Estados e participação de 27 membros – Delegados Estaduais – que somados aos membros do Conselho Diretor do CLAAB, reuniram-se no salão geral do Hilton Hotel em São Paulo capital, aos 20 (vinte) dias do mês de fevereiro de 1976, assinando o livro próprio de presença, sob a Presidência do companheiro Sigoulf Rau, e tendo como secretário o companheiro Luiz Alves de Araújo Filho, indicados pela Assembléia que se instalava para a instituição da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos para o Brasil – JUNAAB, que após a leitura, ampla discussão e as devidas emendas, foram aprovados os tão esperados Estatutos.
No bojo dos Estatutos foram transcritos os Doze Passos e as Doze Tradições, enquanto nos seus artigos, parágrafos e itens regulamentavam o funcionamento da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil – JUNAAB, consubstanciando que: é uma sociedade civil, sem fins lucrativos de duração indeterminada, com Fórum na Capital da cidade de São Paulo, regendo o seu Estatuto nas disposições legais que lhe forem aplicadas. Tem como objetivo promover a Unidade e continuidade da irmandade de Alcoólicos Anônimos no Brasil.
O Estatuto dispõe que são Órgãos da Junta de Serviços Gerais (JUNAAB) uma ASSEMBLÉIA GERAL, uma DIRETORIA e o CLAAB.
Embora o CLAAB seja subordinado a Junta, é um órgão distinto e autônomo, legalmente constituído, com Estatuto próprio sujeito às disposições aplicáveis em lei, formado por uma Diretoria e um Conselho Fiscal.
A Ata relativa à Instituição da Junta de Serviços Gerais de A.A. do Brasil e respectivo Estatuto foram registrados sob nº 2.519, dia 20/6/76, no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas de São Paulo Capital, enquanto os Estatutos e Ata da Constituição do CLAAB aprovados em 1/3/76, acham-se registrados no 1º Registro de Títulos e Documentos de São Paulo, em data de 30/6/76, sobre o nº 2.548 e anotado sob o número 19.671, Livro A nº 19 do Registro de Pessoas Jurídicas. A Assembléia que criou a JUNAAB, credenciou o A.A. brasileiro a enviar dois representantes para a 4ª Reunião Mundial de Serviços (hoje RSM), em Nova York, em outubro de 1976.
1977
PRIMEIRA CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS DO BRASIL

Nos dias 05 e 06/04, reuniram-se em Recife(PE) a Junta de Serviços Gerais de A. A. do Brasil em Assembléia Geral Ordinária. Cumprindo as formalidades de abertura, seguiu-se o item 3 da Ordem do Dia, aprovando-se que os trabalhos se desenvolvessem tal qual uma Conferência de Serviços Gerais, formada por Delegados estaduais, pelos membros da JUNAAB e Diretores do CLAAB, que integraram as Comissões, em número de quatro: Agenda, Literatura e Publicações, Finanças e Política e Admissões, iniciativa fruto da experiência trazida da Reunião Mundial pelos dois representantes brasileiros.
Assim é que, desde a aprovação do primeiro Estatuto da JUNAAB e o início dos Serviços Gerais, havia convicção de que essas iniciativas eram temporárias e objetivavam a obtenção de ações de maior alcance e definição. Isso já demonstrava uma recomendação da 1ª Conferência para que os Delegados Estaduais indicassem nomes de membros de A.A. com mais de 10 anos de sobriedade contínua, para servirem como Custódios, e de pessoas não alcoólicas, bem relacionadas com a Irmandade, para funcionarem como membros da JUNAAB – note-se que tais pessoas não foram mencionadas como futuros Custódios não alcoólicos.
Nessa mesma ocasião, Órgãos de Serviços Locais já existentes, se formalizavam estruturalmente e compartilhavam através do recém ativado Boletim BOB, informativo da JUNAAB, as suas experiências. Ainda sinalizando progresso estrutural, este Boletim publicava informações e esclarecimento sobre os Serviços Gerais, particularmente as atribuições do Delegado Estadual e do RSG.
Recomendou-se que o Conclave Nacional de A.A. fosse realizado a cada dois anos, preferencialmente nas capitais, e a Conferência de Serviços Gerais anualmente, alternando com o local do Conclave e a sede de Serviços Gerais – São Paulo/Capital.
1978

Acontecia a 2ª Conferência de Serviços Gerais em Belo Horizonte(MG) e o 5º Conclave, de 20 a 22/03, que adiou os procedimentos para reforma estatutária para posterior deliberação.

1979

A 3ª Conferência de Serviços Gerais ocorreu de 12 a 14/04 em São Paulo, salientando a Constituição de uma Comissão Especial e Permanente para a Reforma Estatutária, cujo trabalho findaria em dezembro de 1981 e seria apresentado na 6ª Conferência de Serviços Gerais.
1980
Em Porto Alegre, de 31/03 a 03/04, acontecia a 4ª Conferência de Serviços Gerais, que confirmou e reforçou a Comissão Especial e Permanente para Reforma Estatutária nos termos da Conferência anterior. Simultaneamente realizava-se o 6º Conclave Nacional.
Alertava ainda aos Grupos, quanto às traduções e publicações que corriam a revelia do CLAAB e demais organismos de serviços, sendo repassadas aos Grupos e a companheiros individualmente, em desrespeito aos direitos autorais. Literatura essa considerada clandestina (pirata).
1981
Nos dias 16 a 18/04 reuniu-se a 5ª Conferência de Serviços Gerais em São Paulo e, como mencionado, recomendou o desmembramento Administrativo Financeiro e Físico do CLAAB/ESG, ficando o CLAAB apenas como distribuidor de literatura de A.A. para o Brasil, enquanto o ESG assumiria de fato os Serviços Gerais (Executivo) de A.A. em nível nacional.

Em 07/11 foi inaugurada a nova sede do ESG, que se desmembrou do CLAAB, constituindo Estatuto próprio, com registro no Terceiro Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas de São Paulo, sob nº 27.091, em 02/10/81, sob denominação de “os Estatutos de Alcoólicos Anônimos do Brasil Escritório de Serviços Gerais S/C. AABESG”, que funcionou à Rua Itaipu, 31 – Praça da Árvore – Vila Mirandópolis. Na época, cogitou-se até em adquirir sede própria, o que não aconteceu (felizmente para o nosso bem e para A.A. como um todo).
Ainda neste ano os Conclaves passaram a denominar-se Convenção, por melhor adequar-se à irmandade de Alcoólicos Anônimos.
Registrou-se a uniformização do emblema (símbolo de A.A.), tendo na base do triângulo o 1º Legado – RECUPERAÇÃO; no lado esquerdo o 2º Legado – UNIDADE; no lado direito o 3º Legado – SERVIÇO; e suprimindo do emblema a palavra RESPONSABILIDADE, que não é Legado. Também houve a oficialização das cores brancas e azul para o pavilhão (Bandeira), inserindo-se nosso Símbolo conforme apresenta nossa bandeira atual (o símbolo em azul).
1982

Face as ações havidas nos anos anteriores, nesta 6ª Conferência e 7ª Convenção, realizadas de 05 a 09/04, em Fortaleza(CE), foi discutido e aprovado o tão almejado Estatuto da JUNAAB, que possibilitaria a Alcoólicos Anônimos no Brasil exercitar a ESTRUTURA TRADICIONAL DA IRMANDADE e instituir a Junta de Custódio, composta de seis membros de A.A. e três não alcoólicos.
Recomendou-se também, a tradução e versão do Manual de Serviços Americano/Canadense, para nosso uso experimental e conseqüente adaptação à realidade brasileira.
1983
Na 7ª Conferência de Serviços Gerais em São Paulo, realizada de 30/3 a 1/4, foram eleitos os primeiros Custódios do Brasil, em número de nove, conforme o previsto, sendo três não alcoólicos e seis alcoólicos membros da Irmandade, oriundos dos Grupos, todos para serem empossados na oitava CSG, em 1984.
O encargo de Custódio era questionado porque muitos AAs receavam o comportamento dos não alcoólicos, principalmente no que concerne à condução dos negócios da JUNAAB e nas relações com os Grupos em geral.
Historicamente, os Custódios em A.A. surgiram com a Fundação do Alcoólico, na América do Norte, e precederam a estrutura da Conferência de Serviços Gerais daquele país, que podia receber doações de fora e os doadores abaterem do Imposto de Renda as quantias doadas. Com advento dos princípios, em particular das Tradições, a aceitação dessas contribuições foram abolidas.
Com a publicação e divulgação do Manual de Serviços, em 1983, algumas Áreas iniciaram a implantação experimental da Estrutura de Serviços Gerais, resultando na participação e aceitação dos RSGs. De sorte que nessa Conferência houve abertura para explanação sobre a experiência levada a efeito por essas Áreas, documentada por trabalho escrito e entregue à Junta de Serviços Gerais.
1984

O acontecimento relevante dessa 8ª Conferência de Serviços Gerais, acontecida de 16 a 19/4, conjuntamente com a 8ª Convenção, em Blumenau(SC), foi a instalação da Junta de Custódios, com a seguinte constituição: Presidente da Junta de Custódios – Dr. José Nicolielo Viotti, Custódio Classe A; Jefferson Baptista de Carvalho – 2º Vice-presidente, Custódio classe B; 1º Tesoureiro – Professor Joaquim Luglio, Custódio Classe A; 2º Tesoureiro – Adauto de Almeida Machado, Custódio Classe B; Secretário Geral – Waldir Ferreira Gonçalves, Custódio Classe B; 2º Secretário – José Washington Chaves, Custódio Classe B; Custódios Adjuntos – os companheiros Lúcio Antônio Pinto, Eduardo Guimarães, Custódios Classe B.
Nessa Conferência, houve a abertura para explanação em plenário sobre a constituição da estrutura de Serviços Gerais de A.A. na Área de Minas Gerais, feita pelo coordenador da Área, documentada mediante trabalho escrito e entregue a Junta de Serviços Gerais naquela oportunidade. A experiência mineira motivaria os demais Estados – Áreas – a trabalhar para, igualmente, implantar a estrutura preconizada.
1985

O Serviço de A.A. ganha força e vigor com a formação da Junta de Custódio que passa a reunir-se em Baependi (MG), sob a Coordenação do seu Presidente não-alcoólico, tendo como convidados representantes nacionais sem caracterização de encargos.
Na 9ª Conferência realizada em São Paulo, de 1 a 4/4, a Presidência da Junta, entre os vários informes, ressalvadas as dificuldades e aproveitando experiências de companheiros que anseiam em colaborar, cita a criação dos seguintes Comitês de Serviços da Junta: Finanças, Informações e Relações Públicas, Cooperação com a Comunidade Profissional, Instituições Correcionais, Arquivos e Conferência.
Nessa Conferência foi proposta e aprovada a criação de uma Comissão Especial para Reforma do Manual de Serviços de A.A. para o Brasil, composta de dois membros da Área de Minas Gerais, dois da Área de São Paulo e dois Custódios Regionais, um da Região Sudeste e outro da Região Centro-Oeste.

Abrimos um parêntese para a questão “Dinheiro”
Conquanto, a introdução da Sacola da 7ª Tradição tenha ocorrido no Brasil em 1952, a autossuficiência sempre foi precária, quase nenhuma.
O desconhecimento dos princípios básicos, e o constante crescimento da Irmandade no país, nos seus aspectos dinâmicos e doutrinários estiveram sempre à mercê do arbítrio e interpretação dos líderes da época, que se incumbiram de propagar, o que persiste ainda hoje, que em A.A. não se paga nada – ninguém é obrigado a nada – direcionando enganosamente a liberdade democrática oferecida pela Irmandade, que sugere que o membro para se recuperar deve submeter-se aos princípios. Logo, o próprio membro deve obrigar-se, participando das reuniões, vivenciando os Doze Passos, exercitando as Tradições, entre elas a Sétima, no sentido espiritual e material – doando-se espontaneamente, inclusive com dinheiro.
Devido a essa falta de informação, membros de nossos Órgãos de Serviço viajaram por todo o Brasil, conscientizando, divulgando a Literatura, ao mesmo tempo que angariavam fundos para a sustentação de nossos Escritórios – CLAAB/ESG.
1986

A 10ª Conferência e 9ª Convenção ocorreram de 24 a 26/3, em João Pessoa(PB). Recomendou-se a sistemática de contribuições proporcional para os Órgãos de Serviço, assim distribuídas: 60% para Centrais/Intergrupais; 25% para o Comitê de Área e 15% para a JUNAAB.
1987

Em São Paulo acontece a 11ª Conferência de Serviços Gerais, de 16 a 18/4, tendo como assunto de destaque a apreciação do anteprojeto do Manual de Serviços, adaptado à realidade brasileira, transformando-se a Reunião Ordinária em Extraordinária.
1988

A 12ª Conferência e a 10ª Convenção, realizaram-se nos dias 27 a 29/3, em Curitiba(PR). O assunto prevalecente referiu-se à reforma dos Estatutos da Junta, seguido das eleições de Custódios, Delegados à RSM e apresentação dos relatórios dos Organismos de Serviços da Junta. Fato inédito foi a introdução de uma Comissão de Avaliação da Conferência.
O A.A. Brasileiro assumiu compromissos de apadrinhamento de países africanos como Angola, Moçambique, Guiné, Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, segundo relatou nosso Delegado à RSM. Esclareceu também que quanto a Portugal o trabalho está se desenvolvendo a contento e que, de acordo com informes do CLAAB, já adquiriram mais literatura do que nove de nossas Áreas.
Os estatutos da JUNAAB, com nova redação e analisados todos os capítulos, foram aprovados por unanimidade pela plenária em sessão extraordinária. Isso posto, incontinente, foi colocado em discussão e aprovação o Regimento Interno da Conferência de Serviços Gerais, que identicamente foi aprovado.
1989/1990
A 13ª Conferência foi realizada em Santos(SP), nos dias 22 a 24/3. Mais uma vez tivemos propostas de Reformas dos Estatutos, justificadas para atender às exigências fiscais, considerando que o ESG estava registrado indevidamente como personalidade jurídica, com CGC, quando esta característica deveria ser da JUNAAB. Não obstante protestos da minoria, as alterações foram aprovadas com introdução do Regulamento da Revista Brasileira de A.A. – Vivência. Houve proposta para a revisão do Manual de Serviços, de modo que foi criada uma Comissão composta de quatro companheiros, sendo três Delegados de Área e um Custódio.

Em 1990 realiza-se em Belém (PA) a 14ª Conferência de Serviços Gerais nos dias 08 a 12/4, simultaneamente com a 11ª Convenção. Foi recomendado que nos anos entre as Convenções, as Conferências fossem realizadas na Área Metropolitana da Cidade Sede ou sua circunvizinha (até 200 Km.).
Em apreciação pela Plenária, o Manual de Serviços, com a revisão elaborada pela Comissão Especial de Reforma, foi sugerido e acatado a supressão dos Capítulos I, este com a ressalva de permanecer o RSG, e o VI, de título “AS CENTRAIS ESTADUAIS DE SERVIÇOS – CENSAAs ” para ser examinado separadamente, num Encontro Nacional de Centrais/Intergrupais.
O anteprojeto de Reforma do Estatuto da JUNAAB, após discussões e emendas, foi finalmente aprovado, em 13/4 e registrado posteriormente como personalidade jurídica, em Cartório para esses fins.
A Junta tratou de estruturar o Escritório de Serviços Gerais – ESG, de modo que, como Secretaria Executiva da Junta, possibilitasse o intercâmbio não só entre a comunidade A.A. mas também com a comunidade não A.A., transmitido e levando a mensagem da Irmandade.
Para tal fim foram compostos os Comitês relacionados a seguir:
Comitê de Assuntos da Conferência (CAC);
Comitê de Finanças (CF);
Comitê Trabalhando com os Outros (CTO);
Comitê de Informação ao Público (CIP);
Comitê de Cooperação com a Comunidade Profissional(CCCP);
Comitê de Literatura (CL);
Comitê Institucional (CI):
de Instituições de Tratamento (CIT);
de Instituições Correcionais (CIC);
Todos esses Comitês com atribuições definidas.

Cinco anos depois – Plano de trabalho apresentado pela Conferência
Comunicação;
Modernização;
Departamento de Vídeo e Som;
Arquivo;
Estrutura Nacional;
Finanças;
Reuniões da Junta ;
Instalações Adequadas;
Custódio Classe “A” Ação;
CLAAB ;
Vivência;
Bob.
A partir daí os textos das apostilas constituem a História dos Serviços de A.A. no e do Brasil, acrescidas de informações referentes ao A.A. Mundial.

Encontro de Centrais e Intergrupais
No 4º Encontro desses Órgãos de Serviços, realizado em Volta Redonda(RJ), nos dias 13 e 14/10/90, com o objetivo inicial de se criar um Guia de Normas e Procedimentos que evitasse pontos polêmicos no funcionamento, formou-se uma Comissão e se estipulou tempo para apresentação de sugestões.
O 5º Encontro deu-se em Porto Alegre(RS), dias 31/5 e 1/6/91. Considerando que as atividades de CTO estariam afetas às CENSAAs/ISAAs, portanto atribuições dos RIs, que compõe seus Conselhos de Representantes (CRI), formaram-se os Sub-Conselhos (SubCRIs), com um Coordenador denominado Coordenador do Sub-Conselho (CSC), nas unidades geográficas dos Comitês de Distrito para tratar da divulgação da Irmandade, enquanto os RSGs e MCDs cuidariam de preparar o Grupo para receber os visitantes, alcoólicos e não alcoólicos, em cumprimento à Quinta Tradição.
No 6º Encontro nos dias 19 e 20/6/92, em Fortaleza(CE), após as discussões e emendas, o Guia Nacional de CENSAAs e ISAAs foi aprovado e confirmado na 17ª Conferência de Serviços Gerais em Santos(SP), dias 6 a 9/4/93, sendo publicado em agosto do mesmo ano.

BILL ESCREVE SOBRE O AMOR

Bill escreve sobre o AMOR.

A próxima etapa
SOBRIEDADE EMOCIONAL

Acredito que muitos veteranos que submeteram nosso Programa de Recuperação de A.A. a testes severos, mas bem-sucedidos, ainda descobrem que frequentemente lhes falta sobriedade emocional. Talvez eles venham a ser a ponta de lança do próximo desenvolvimento importante em A.A. — o desenvolvimento de uma maturidade e um equilíbrio muito mais reais (o mesmo que dizer humildade), em nossos relacionamentos com nós mesmos, com nossos companheiros e com Deus.

Aqueles anseios adolescentes que tantos de nós experimentavam, por aprovação superior, segurança perfeita e romance perfeito — anseios muito adequados quando se tem dezessete anos — revelam-se uma forma de vida impossível quando temos quarenta e sete ou cinquenta e sete anos.

Desde o início de A.A., passei por imensos percalços em todas essas áreas, devido à minha incapacidade de crescer emocional e espiritualmente. Meu Deus, como foi doloroso tentar exigir o impossível, como doeu descobrir, finalmente, que havíamos
colocado o carro adiante dos bois durante todo esse tempo! Veio então a agonia final de perceber o quão pavorosamente errados tínhamos sido, mas ainda assim nos descobrimos incapazes de pular fora do carrossel emocional.

Como traduzir uma convicção mental correta em um resultado emocional correto e, assim, numa vida fácil, boa e feliz — bem, esse problema não é só dos neuróticos; é o problema da própria vida para todos nós que chegamos ao ponto da real disposição para respeitar princípios corretos em todas as nossas atividades.

Mesmo assim, à medida em que talhávamos esses princípios, a paz e a alegria ainda nos fugiam. Foi a esse ponto que tantos veteranos de A.A, chegaram. E é um ponto infernal, literalmente. Como poderá nosso inconsciente — de onde ainda fluem tantos dos nossos temores, compulsões e falsas aspirações — ser alinhado com aquilo em que realmente acreditamos, sabemos e queremos? Como convencer o nosso obtuso, raivoso e oculto “Mr. Hyde”, converte-se em nossa tarefa principal.

Cheguei recentemente à conclusão de que isso pode ser conseguido. Acredito nisso porque comecei encontrar muitas pessoas perdidas na escuridão — gente como você eu — começando a obter resultados. No último outono, uma depressão sem nenhuma causa racional quase me levou para o buraco. Comecei a temer que estivesse me encaminhando para outro longo período crônico. Considerando-se as aflições que sofri com os períodos de depressão, a perspectiva não era nada brilhante.

Eu continuava me perguntando: “Por que é que os Doze Passos não podem funcionar para aliviar a depressão?” Lembrava-me a toda hora da Oração de São Francisco,.. “E melhor consolar do que ser consolado”. A fórmula estava lá, tudo bem. Mas por que é que ela não funcionava?

Percebi subitamente qual era o problema. Minha falha básica sempre fora a dependência — a dependência quase absoluta — de pessoas ou circunstâncias que me alimentassem com prestígio, segurança e coisas assim. Não conseguindo obter essas coisas de acordo com meus sonhos e especificações perfeccionistas, eu havia lutado por elas. E quando veio a derrota, assim também veio minha depressão.

Não havia nenhuma possibilidade de converter o altruísta amor de São Francisco em uma forma de vida funcional e radiosa, até que essas dependências fatais e quase absolutas fossem eliminadas.

Uma vez que eu havia experimentado um pequeno desenvolvimento espiritual ao longo dos anos, a qualidade absoluta dessas dependências apavorantes nunca fora antes tão cruamente revelada. Reforçado por um pouco de Graça que podia garantir através da oração, constatei que tinha que dispender cada grama de força de vontade e ação para romper essas dependências emocionais falhas em relação às pessoas, ao A.A. e, na verdade, em relação a qualquer conjunto de circunstâncias que fosse.

Só então eu poderia ser livre para amar como São Francisco havia amado. As satisfações emocionais e instintivas eram na realidade, como percebi, os dividendos extras de experimentar o amor, oferecer o amor e expressar o amor adequado a cada relacionamento na vida.

Falando francamente, eu não poderia me tornar disponível para receber o amor de Deus, até que fosse capaz de oferecê-lo de volta amando aos outros da forma que Ele me amava. E eu não poderia possivelmente fazer isso enquanto fosse vitimizado pelas dependências.
Para mim, dependência significava exigência, a exigência da posse e do controle das pessoas e das condições que me rodeavam.

Embora as palavras “dependência absoluta” possam parecer um truque, foram elas que me ajudaram a iniciar minha libertação até meu presente grau de estabilidade e silêncio mental, qualidades que estou agora tentando consolidar oferecendo amor aos outros, independentemente do seu retorno.

Esse parece ser o circuito de restabelecimento primordial: um amor altruísta pela criação de Deus e pelos Seus filhos, através do qual nos tornamos receptivos ao amor D’Ele por nós. E da máxima clareza que o fluxo verdadeiro não poderá fluir até que nossas dependências paralisantes sejam rompidas, e rompidas em profundidade. Somente então poderemos possivelmente ter um lampejo daquilo que o amor adulto realmente é.

Cálculo espiritual, dirá você. Nada disso. Observe qualquer recém-chegado em A.A. há seis meses trabalhando em um novo caso de Décimo Segundo Passo. Se a “vítima” disser “Vá para o Diabo”, o Mensageiro apenas sorrirá e se dedicará a outro caso. Ele não se sentirá frustrado ou rejeitado. Se o caso seguinte se interessar e, por sua vez, começar a conceder amor e atenção a outros alcoólicos embora não conceda nada ao seu Padrinho, este estará contente de qualquer forma. Nem assim ele se sentirá rejeitado; ao invés disso, ele se alegrará pelo fato do primeiro membro abordado estar sóbrio e feliz, E se o seu caso seguinte acabar mais tarde se tornando seu melhor amigo (ou amor), então o Padrinho experimentará a alegria máxima, Mas ele saberá muito bem que essa felicidade é um produto colateral — o dividendo extra por haver se dado sem nada exigir em troca.

A coisa realmente estabilizante para ele será ter e oferecer amor àquele bêbado desconhecido na soleira da sua porta. Assim trabalhava São Francisco, poderoso e prático: menos dependência e menos exigência.

Nos seis primeiros meses da minha própria sobriedade, trabalhei exaustivamente com muitos alcoólicos. Não tive êxito com nenhum deles. Não obstante, esse trabalho manteve-me sóbrio. A questão não era aqueles alcoólicos me darem alguma coisa. Minha estabilidade veio da tentativa de dar e não de exigir recebimento.

É dessa forma portanto que acredito que a estabilidade emocional possa funcionar. Se examinarmos cada contratempo que nos aparece. grande ou pequeno, descobriremos na raiz dele alguma dependência doentia e sua consequente exigência doentia. Vamos abandonar continuamente, com a ajuda de Deus, essas dependências embaraçantes. Poderemos então nos libertar para viver com amor; poderemos então ser capazes de dar o Décimo Segundo Passo, em relação a nós mesmos e aos outros, a fim de alcançar a sobriedade emocional.

E claro que não ofereci a vocês nenhuma ideia realmente nova — apenas um truque que começou a desembaraçar alguns dos meus próprios “embruxamentos” em profundidade. Hoje em dia, meu cérebro não dispara mais compulsivamente para a exaltação, a grandiosidade ou a depressão. Consegui um lugar calmo sob o sol brilhante.

Oração atribuída a São Francisco de Assis
Ó Senhor!

Faze de mim um instrumento da Tua Paz;
onde há ódio, faze que eu leve o Amor;
onde há ofensa, que eu leve o Perdão;
onde há discórdia, que eu leve a União;
onde há dúvidas, que eu leve a Fé! onde há erros, que eu leve a Verdade;
onde há desespero, que eu leve a Esperança;
onde há tristeza, que eu leve a Alegria; onde há trevas, que eu leve a Luz!
O Mestre! Faze que eu procure menos
Ser consolado, do que consolar;
Ser compreendido, do que compreender;
Ser amado, do que amar…
Porquanto:
É dando que se recebe; é perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a Vida Eterna.
Amém.

02 ARTIGOS SOBRE A 2A. TRADIÇÃO DE A.A.

“TEMÀTICA: “Um DEUS Amantíssimo que se manifesta em nossa em
nossa Consciência COLETIVA .
AUTOR: A.R.

A Filosofia de A.A.é constituída pelos TRÊS LEGADOS, a nós
deixados pelos nossos primeiros membros:- RECUPERAÇÂO, UNIDADE e SERVIÇO.

Os Passos foram escritos por BILLW, em dezembro de 1939, sob inspiração divina, durante uma meia hora e constituem o nosso PROGRAMA de RECUPERAÇÂO.

As Tradições foram forjadas por BILL, Dr. BOB e os outros primeiros membros, mas em 11 anos, e fundamentam o Legado UNIDADE em nossa Irmandade.

Diz-se muito em A.A. que os Passos nos mostram como Viver: uma
Nova Maneira de Viver.As Tradições nos mostram como
Conviver: uma Nova Maneira de Viver… em GRUPO. Assim as
Tradições complementam os Passos. Elas são a segurança dos
Passos.Elas são tão importantes para nós que já na Primeira
delas encontramos: “ A REABILITAÇÃO INDIVIDUAL
DEPENDE DA UNIDADE DE A.A.”

1. A Necessidade das Tradições:
Na 10ª Tradição encontramos um exemplo de sociedade que,
não conseguindo manter sua Unidade, fracassou em sua missão
de ajudar aos alcoólatras: a sociedade Washingtoniana. Ela meteu-se
em questões alheias a ela (a abolição), em controvérsias públicas, e por isto desapareceu.
Mas deixou-nos LIÇÃO. Devemos aprender…

2 . Como era o início?
Sabemos que os nossos primeiros membros preferiram, em vez das
“SEIS ETAPAS” dos Grupos Oxford”, os nossos “DOZE PASSOS”.
Esta troca foi proposital e providencial. A palavra ETAPAS
significa PARADAS em uma caminhada enquanto que PASSOS
designa o próprio caminhar, o seguir em frente.
Com as Tradições aconteceu algo semelhante; de início, nos

Grupos Oxford, existiam as NORMAS. Normas significam regras,
imposições, lei… Nossos primeiros membros preferiram a
palavra TRADIÇÕES que são princípios fortemente arraigados
a uma sociedade, povo ou civilização (ColetâneaI, pag.99).

3. Uma visão inicial:
As Doze Tradições, que constituem o nosso legado UNIDADE,
possuem uma Tradição fundamental, endereçada só para a
Irmandade: é a Primeira. Ela é a Tradição da Unidade em A.A., por excelência. As outras onze a complementam.
As doze Tradições possuem também uma tradição fundamental para reger o relacionamento de A.A. com a Comunidade: é a Quinta Tradição: o Propósito Primordial. Fazendo uma comparação bíblica, a quinta tradição é o SAL de A.A. No dia em que o A.A. esquecê-la, perderá também a sua razão de ser.

No entanto, a tradição que foi a primeira a ser forjada e
experimentada, a tradição que é a essência, a substância espiritual
de todas as outras, foi a Décima Segunda: o ANONIMATO,
o Alicerce espiritual de A.A. (a humildade).

4. Algumas questões inúteis…
Nos termos da segunda Tradição, somente uma autoridade… um Deus
amantíssimo…. Aceitamos também a inspiração divina das
Tradições. Alguns companheiros não compreendem isto e, de maneira inútil, questionam:
Por que não colocar a Sétima Tradição em primeiro lugar, já que ela trata de finanças…e o dinheiro é a mola do mundo?
A 3ª. Tradição é que deveria vir primeiro, já que é ela que abre as portas de A.A.
A 12ª. Tradição deveria vir primeiro já que é o alicerce espiritual e foi a primeira a ser forjada.
1. A 5ª. Tradição é que deveria vir primeiro já que é o Propósito
Primordial.

A 4ª. Tradição é que deveria vir primeiro já que trata da autonomia… etc…etc…etc.
A verdade é que “Nós, AAs, não podemos ferir uma Tradição

sem ferir a todas as outras” (Coletânea I, pág. 99)

5. A Segunda Tradição
Ela nos diz que “Somente uma autoridade preside, em última análise,
ao nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que se manifesta em
nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar”.
Em sua formulação inicial, a 2ª. tradição tinha o seguinte enunciado:

“Para nosso propósito de grupo, há somente uma autoridade suprema – um Deus
amoroso que
se manifesta em consciência de grupo”.
Este é um dos maiores enigmas da Irmandade. Todos os que
nos conhecem, se perguntam, boquiabertos: De onde vem a direção de A.A.? Quem a dirige?
Na verdade, nem mesmo as CENSAAs e as ISAAs,DISTRITOS, ESLs, a JUNAAB ou a CONFERÊNCIA Não têm poderes governativos sobre os grupos e sim apenas poderes consultivos.
O texto da Segunda Tradição nos fala do Comp. John Doe que funda um Grupo, dirigi-o por certo período de tempo, mas chega a hora que os membros do Grupo pedem : “Façamos uma eleição”. A consciência coletiva do Grupo assume o controle da situação. Fica instituído o COMITÊ ROTATIVO.Este comitê è formado .de servidores de Confiança e não Senadores.

Deste modo, o A.A. terá sempre uma verdadeira

LIDERANÇA. Sobre o serviço em A.A.,duas figuras ficaram famosas 😮 Velho Mentor e o Velho Resmungão.

O Velho Mentor é aquele que vê a Sabedoria das decisões do Grupo e não se ressente com a diminuição de seu status no Grupo.

Sua experiência è aproveitada no Grupo.

O VELHO Resmungão acredita que o Grupo não pode subsistir sem ele. Alguns, esvaziados de todos os Princípios de A.A., acabam se embebedando.

Na Segunda Tradição ainda encontramos o exemplo de BILL, ao receber o convite do dono do Hospital de NOVA IORQUE, CHARLIE.” BILL acho uma pena você estar em tamanhas dificuldades financeiras. Porquê você não transfere seu trabalho para cá? Você pode se transformar num terapeuta leigo e terá o maior sucesso do que qualquer outro”. Ao contar isto ao Grupo, escutou: “BILL,a sua proposta nos incomoda bastante.Não percebe que você jamais poderá se transformar num profissional?” E BILL concluiu:-“Assim falou a consciência do Grupo. O grupo tinha razão . EU ouvi e GRAÇAS a DEUS obedeci.”

CONCLUSÂO:- As Tradições também não contèm nenhum “ Não pode”[ proibição]e sim DEVE, DEVEMOS, DEVERÀ [ver Tradições 1,4,6,7,8,9,10]

Diante de tamanha liberdade, não è de se estranhar a

pergunta que encontramos na Primeira Tradição: “Como consegue funcionar um bando de anarquistas?” “que coisa os mantèm unidos?”A resposta vem logo na segunda TRADIÇÂO:-“ Somente uma autoridade preside…um DEUS amantíssimo…”. Nossos lideres são apenas servidores de confiança.”

SEGUNDO ARTIGO.

Segunda Tradição: “Somente uma autoridade preside ,em última análise, ao nosso propósito comum- um Deus amantíssimo , que se manifesta em nossa ‘Consciência Coletiva’. Nossos líderes são apenas servidores de confiança ; não tem poderes para governar.

“SEGUNDA TRADIÇÃO, EQUILÍBRIO ENTRE A PRIMEIRA E A TERCEIRA TRADIÇÕES.”

Autor :- MAGNO

“Conheça a Literatura de Alcoólicos Anônimos Para Transmitir corretamente a Mensagem.”

AA tem resposta para tudo em relação a si mesmo, qualquer coisa pode e deve ser resolvida com tranqüilidade e em paz. Sempre temos que ver todos os princípios envolvidos em cada situação e não só o que salva ou defende o que está de acordo com o que eu quero, prefiro, ou é o melhor para mim.

– Vejamos, a Terceira Tradição fala da minha liberdade individual, não é verdade?
Mas até onde vai essa minha liberdade? Ela não tem limites? Ela vai até o momento que:

– Vejamos a 1 Tradição: Nosso bem estar comum deve estar em primeiro
lugar, a reabilitação individual depende da Unidade de AA.
Ao impor minha vontade (Terceira tradição, sem limites responsáveis) estou ferindo a UNIDADE o bem estar coletivo (Primeira Tradição).
Qual o espírito de AA? Qual o bom senso? Sempre devo usar eu a liberdade responsável.

Meu bem estar, minha vontade, meus desejos, minha interpretação, não devem estar acima da interpretação ou do bem estar coletivo.
Quando chegar a esse ponto crítico, onde direitos coletivos e individuais se chocam, eu indivíduo, devo ceder para que o bem estar geral permaneça vivo, para que AA. permaneça vivo.

Na dúvida, como chegar à conclusão, do limite desses dois direitos:
– Vejamos a Segunda Tradição: Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos lideres são apenas servidores de confiança, não tem poderes para governar. Alguns dirão entre outros entendimentos que essa consciência pode falhar, e isso é verdade, mas pergunto, qual o outro processo melhor? Desde que exercitada essa consciência coletiva, dentro de discussão à luz dos princípios de AA, até a exaustão e se possível chegar próximo à unanimidade.
A experiência tem demonstrado, que mesmo quando ocorra equívocos na expressão da Consciência Coletiva, o Poder Superior cuida para que no tempo devido, tudo volte ao ponto ideal e à normalidade, e como já dito não há outro meio melhor de decisão. Sendo certo que em AA não existe exclusão, nem punição ou assemelhado, não é menos certo que eu pago minha desobediência a esses princípios, se não com o voltar a beber e a morte, mas no mínimo com meu mal estar, minha depressão, minha insatisfação, minha inquietude, meu vazio, minha irritação, minha falta de paz .
Bill nos deixa bem claro: Obedecemos a esses princípios porque queremos, precisamos e gostamos do resultado que essa obediência nos traz. Ao obedecer espontaneamente eu a esses princípios, certamente estarei beneficiando a todos, mas fundamentalmente e antes de tudo a mim mesmo. Posso eu desrespeitar, uma decisão do grupo, advinda da decisão manifestada pela Consciência Coletiva desse mesmo Grupo, mas eu não devo e não faço, pois segundo meu entendimento, meu ponto de vista não deve prevalecer sobre a decisão coletiva, eu não tenho esse direito mas tenho o dever de respeitar àqueles que ainda não entenderam isso, que essa submissão de minha vontade individual às decisões coletivas são fundamentais para a sobrevivência de AA no futuro.

Esses irmãos e irmãs precisam mais de tolerância do que de críticas, mas não esqueçamos, tolerância não implica em permissividade, que elimina o mínimo de paz necessária para a recuperação e tranqüilo funcionamento de um grupo; o bem comum está na Primeira Tradição, e AA nos chama atenção para a importância da Unidade para a sobrevivência de AA. Quem analisa profundamente os Três Legados, verifica que qualquer pensamento filosofia ou sentimento amoroso, que alguém possa encontrar em qualquer literatura não oficial, AA já integrou nesses legados: os da recuperação, os da convivência e os da administração.
Estou ferindo a Primeira Tradição (a Unidade): Quando sobreponho minha vontade ao da Consciência Coletiva. Quando uso palavras ofensivas, desrespeitosas e intolerantes. Quando respondo quem procedeu como acima dito, com termos do mesmo nível. Quando levo o questionamento para o nível pessoal e não para o dos princípios e das ideais.

Para todos os questionamentos AA tem um caminho: Direitos de Participação, Decisão, Apelação e as Garantias (Doze Conceito).
Não há porque eu partir para o xingamento ou ofensas, AA me dá direitos e meios para buscar o que entendo justo, e a Consciência Coletiva é a instância final da Irmandade, mesmo que eu não goste disso, mesmo que eu não concorde com isso, porque AA assim o diz.

Se entendo, que um servidor errou ou fez algo que não aceito, que me sinto prejudicado, posso e devo pedir sua substituição, e a consciência coletiva deverá ser respeitada, mesmo que eu não concorde ou não goste de sua decisão. Os servidores de confiança, devem mais de que ninguém obedecer às decisões da Consciência Coletiva, pois se não o fizerem deixarão de ser de confiança.

Tudo isto visa que pensemos mais no coletivo do que em cada um de nós individualmente, pois sem o bem coletivo e sem a Unidade, daremos pouca oportunidade de recuperação aos membros do grupo, e esses membros são mais importantes do que eu.

As decisões importantes e que afetem a todos, sempre deverão ser feitas no fórum respectivo: Reuniões de Serviço no Grupo, Reuniões de RSGs no Distrito, Reuniões de Assembléias no CR ou na Área e na Conferência.
Essas decisões não são determinações, e muito menos autoritárias, mas são a expressão da consciência coletiva respectiva de cada setor, e a experiência nos diz, que a obediência às mesmas é o melhor caminho.

TERCEIRA TRADIÇÃO – PARA SER MEMBRO DE A.A., O ÚNICO REQUISITO É O DESEJO DE PARAR DE BEBER

TERCEIRA TRADIÇÃO – PARA SER MEMBRO DE A.A., O ÚNICO REQUISITO É O DESEJO DE PARAR DE BEBER

Esta tradição tem um imenso significado. Realmente, AA diz a qualquer pessoa que tenha um problema com álcool: “és membro de AA, a partir do momento em que tu decidires. Podes dizer que és um de nos e ninguém te pode proibir. Independentemente de quem és, a que ponto desceste ou qual a gravidade dos teus problemas emocionais – mesmo dos teus crimes – não podemos negar-te AA.
Não queremos deixar-te de fora. Não temos medo nenhum de sermos prejudicados, por muito retorcido ou violento que possas ser. O que realmente queremos é que tenhas as mesmas chances que nos tivemos de alcançar a sobriedade. Assim, passas a ser um membro de AA no momento que decidires”.
Foram precisos anos de dolorosas experiências para estabelecer este principio de associação. Nos primeiros tempos, nada parecia tão frágil , tão fácil de quebrar, como um grupo de AA. Quase nenhum dos alcoólicos de que nos aproximávamos nos dava atenção: a maior parte dos que se juntavam a nos, eram como velas tremulas num vendaval. A sua chama vacilante apagou-se, vezes sem conta, para não voltar a acender-se. O nosso pensamento permanente, não formulado, era: “ qual de nós será o próximo?”
Um membro dá-nos uma vivida imagem desses dias: “ a uma dada altura” conta ele, “ todos os grupos de AA tinham imensas regras de admissão. Todos estavam aterrados com a ideia de que alguma coisa ou alguém fizesse virar o barco, e nos lançasse à todos de volta para a bebida. O escritório da nossa fundação pediu a cada grupo que enviasse a sua lista de regras “protectoras”. A lista completa era enorme. Se todas essas regras estivessem em vigor em todo o lado, ninguém teria conseguido ser membro de AA, de tal modo era a nossa ansiedade e o nosso medo.
Estávamos decididos a só admitir em AA aquela classe hipotética de pessoas a que chamávamos “alcoólicos puros”. Para alem da sua maneira excessiva de beber e dos consequentes resultados desastrosos, não podiam ter outros problemas. Assim, mendigos, vagabundos, asilados, reclusos, homossexuais, loucos e mulheres da vida ficavam definitivamente de fora. Sim senhor, cuidaríamos apenas dos alcoólicos puros e respeitáveis! Quaisquer outros iriam destruir-nos, sem duvida. Para alem disso, se recebêssemos estas pessoas estranhas, que diriam de nós as pessoas decentes? Erguemos uma vedação de malha fina à volta de AA.
Isto parece cómico. Talvez pensem que nos, os mais antigos éramos muito intolerantes. Mas posso dizer-vos que, naquela altura, a situação não tinha nada de engraçado. Éramos inflexíveis porque sentíamos que as nossas vidas e lares estavam ameaçados, e isso não tinha graça nenhuma. Intolerantes, dizem? Bom, tínhamos medo. Naturalmente, começamos a agir como a maior parte das pessoas, quando estão assustadas. Afinal não é o medo a verdadeira causa da intolerância? Sim, éramos intolerantes.
Como podíamos, nessa altura, adivinhar que todos esses medos eram infundados? Como podíamos saber que milhares destas pessoas, por vezes assustadoras, teriam recuperações espantosas, e se iriam converter nos melhores colaboradores e amigos mais íntimos? Como acreditar que AA viesse a ter uma taxa de divórcios muito inferior à media? Como prever nessa altura que pessoas tão desordeiras viessem a tornar-se os nossos principais mestres de paciência e de tolerância? Poderia alguém, nesse tempo, imaginar uma sociedade que incluísse todos os possíveis tipos de carácter, e que superasse com facilidade todas as barreiras de raça, credo, filiação politica e de idioma?
Por que é que AA abandonou finalmente todas as suas regras de admissão? Por que é deixamos que cada um decida por si próprio se é ou não alcoólico e se quer juntar-se a nos ou não?
Por que é que ousamos dizer, ao contrario das experiências de sociedade e de governo em todo o lado que nunca podemos castigar nem expulsar ninguém, que nunca podemos obrigar ninguém a pagar seja o que for, acreditar seja no que for ou obedecer seja o que for?
A resposta a isto, como veremos agora na terceira tradição, era simplicíssima. A experiência afinal ensinou-nos que privar um alcoólico de toda e qualquer oportunidade era, por vezes assinar a sua sentença de morte e, muitas vezes, condena-lo a um infindável sofrimento. Quem se atreveria a ser juiz e carrasco do próprio irmão doente?
Á medida que os grupos foram tomando consciência destes factores, as regras de admissão foram finalmente abandonadas.
Sucessivas experiências dramáticas confirmaram esta determinação, ate que ela se tornou nossa tradição universal. Eis dois exemplos:
Estávamos no segundo ano do calendário de AA, só existiam dois grupos de alcoólicos anónimos sem nome e em dificuldades, que tentavam manter-se voltados para a luz. Um recém-chegado apareceu num desse grupos, bateu a porta e pediu para entrar. Falou francamente com o membro mais antigo do grupo. Em pouco tempo, provou que o seu caso era desesperado e que acima de tudo queria ficar bem”Mas”, perguntou, “será que deixam juntar –me ao vosso grupo? Uma vez que sou vitima de outra adicção ainda mais estigmatizante do que o alcoolismo, podem não me querer entre vós, ou quererão?”
lá estava o dilema. O que deveria o grupo fazer? O membro mais antigo chamou outros dois e em segredo, colocou-lhes aquela situação explosiva: “ QUE FAZEMOS”, perguntou. Se o mandamos embora, ele não tardara em morrer. Se o deixamos ficar. só Deus sabe os problemas que ira causar. Que deve ser a resposta – sim ou não?”.
Ao principio, os antigos só olharam para as objecções. “ nós lidamos só com alcoólicos. Não devíamos sacrificar este individuo pelo bem de todos os outros?”
Assim continuou a discussão enquanto o destino do recém-chegado oscilava na balança. Então, um dos três falou de formas diferentes. “ Aquilo que nós realmente tememos, é a nossa reputação. Temos muito mais medo do que as pessoas possam dizer, do que dos problemas que este estranho alcoólico possa trazer. Enquanto falávamos, passavam-me pela mente cinco palavras “O QUE FARIA O MESTRE?”. Não se disse mais nada. Que mais se podia ter dito?
Radiante, o recém-chegado mergulhou nas tarefas do decimo segundo passo. Incansavelmente, levou a mensagem de AA a dezenas de pessoas. Como este grupo foi dos primeiros, desde então essas dezenas multiplicaram-se em milhares. Nunca prejudicou ninguém por causa da sua outra dificuldade. AA tinha dado o seu primeiro passo na formação da terceira tradição.
Pouco depois de este homem com o duplo estigma ter pedido admissão, um ouro grupo de AA aceitou como membro um vendedor a quem chamaremos ED. Era muito dinâmico e atrevido como qualquer vendedor. Tinha, pelo menos, uma ideia por minuto sobre como melhorar AA vendia estas ideias aos seus companheiros com o mesmo entusiasmo com que distribuía cera para polir automóveis. Havia, porem, uma que não era muito vendável. ED era um ateu. A sua obsessão preferida era a de que AA podia funcionar melhor sem esse “disparate Deus”
Intimidava todos, e todos esperavam que ele em breve fosse beber – pois na altura, AA tendia para o lado da devoção. Devia haver um forte castigo, pensava-se para a blasfémia. Para confusão de todos, ED mantinha-se sóbrio.
Finalmente chegou a sua vez de falar numa reunião. Trememos, pois sabíamos o que estava para vir. Prestou homenagem à comunidade, contou como a sua família se tinha reencontrado, exaltou a virtude da honestidade, recordou as alegrias do trabalho de decimo segundo passo e então, lançou a bomba.”Não suporto esta coisa de Deus”, exclamou. “ Não passa de uma aldrabice para pessoas fracas. Este grupo não precisa disso e eu não suporto a ideia. Que vá para o inferno!”
Uma enorme onda de indignação abateu-se sobre a reunião, levando os seus membros a uma única resolução: “Fora com ele!”
Os mais antigos chamaram-no de lado. Disseram-lhe com firmeza, “Aqui não podes falar assim”. Terás que parar ou sair”.
Muito sarcástico ED. Respondeu: “Não me digam! Ai é assim?”
Aproximou-se de uma estante e tirou um maço de papeis. Em cima estava o prefacio do livro “Alcoólicos Anónimos” , então em preparação. Leu alto , “O ÚNICO REQUESITO PARA SER MEMBRO DE AA É O DESEJO DE PARAR DE BEBER” . implacavelmente, ED continuou ; QUANDO VOCES ESCREVERAM ESTA FRASE, significava isso mesmo, ou não?
Desanimados os membros mais antigos olharam uns para os outros, pois sabiam que tinham sido apanhados. Assim ED ficou .
Ed não só ficou, como ficou sóbrio – mês após mês. Quanto mais tempo se mantinha abstinente, mais alto falava – contra Deus. O grupo estava numa angustia tão grande que toda a tolerância fraterna desapareceu. Quanto, mas quando , murmuravam uns para os outros, “é que o tipo se vai embebedar?”
Bastante tempo depois , ED conseguiu um emprego de vendedor que o levou para fora da cidade. Ao fim de alguns dias, chegaram as noticias. Enviou um telegrama a pedir dinheiro, e todos sabiam o que é que isso significava. Depois passou a telefonar. Naqueles dias nos íamos a qualquer lado para fazer o trabalho de decimo segundo passo, por muito prometedor que o caso parecesse. Mas desta vez ninguém se mexeu. “Deixem-no sozinho” deixem-no tentar por si próprio; talvez aprenda a lição.”
Uma noite, cerca de duas semanas depois, ED entrou furtivamente na casa de um membro e, sem que a família soubesse, meteu-se na cama.
Ao amanhecer, o dono da casa e outro amigo tomavam o café da manha.
Nisto, ouviu-se um barulho nas escadas. Para consternação destes ED apareceu. Com um sorriso brincalhão, disse “ então, já fizeram a vossa meditação matinal?”
Pressentiram rapidamente que ele falava mesmo a sério. Aos bocados, lá foi contando a sua historia.
Num estado vizinho, ED tinha-se alojado num hotel barato.
Depois de todos os seus pedidos de ajuda terem sido ignorados, estas palavras soavam na sua mente febril: “Abandoram-me.
Fui abandonado pelos meus iguais. Isto é o fim… não há mais nada”.
As voltas na cama, a sua mão roçou numa cómoda próxima, tocando num livro. Ao abri-lo. Leu. Era a Bíblia. ED nunca chegou a dizer mais nada do que viu e sentiu naquele quarto de hotel. Foi em 1938. desde então nunca mais bebeu.
Hoje em dia, quando os membros antigos que conhecem ED se reúnem, exclamam: E se tivéssemos conseguido expulsar ED por blasfémia? O que lhe teria acontecido, e a todos os outros que mais tarde ajudou?”
Foi assim que a mão da providência nos deu, cedo, um sinal de que qualquer alcoólico é um membro da nossa sociedade quando ele próprio diz que é.

1A. TRADIÇÃO DE A.A.

1º Tradição de AA

1 Tradição
“ o nosso bem estar comum devera estar em primeiro lugar; a recuperação pessoal depende da unidade de AA”
A qualidade mais preciosa que a sociedade de Alcoólicos Anônimos tem é a unidade. As nossas vidas e as daqueles que estão para vir dependem diretamente dela. Ou permanecemos unidos ou AA morre. Sem unidade, o coração de AA deixaria de bater, as nossas artérias mundiais deixariam de levar a graça vivificante de Deus e a sua dadiva desperdiçar-se-ia.
Fechados outra vez nas masmorras, os alcoólicos acusar-nos-iam, dizendo :que coisa extraordinária poderia ter sido AA!”
“ Que significa isto?” perguntam alguns com ansiedade.
“Então, em AA o individuo não conta? Será que tem que ser dominado e absorvido pelo seu grupo?”
Podemos responder a esta pergunta com um veemente “NÃO”!. Acreditamos que não existe no mundo outra irmandade que cuide de cada um dos seus membros com tanto carinho; certamente que não há nenhuma que guarde mais ciosamente o direito de cada individuo pensar, falar e agir livremente. Nenhum AA pode obrigar outro a fazer o que quer que seja;
Ninguém pode ser punido ou expulso. Os nossos doze passos são apenas sugestões para a nossa recuperação; as doze tradições, que garantem a unidade do AA, não contem uma única proibição. Dizem repetidamente “Nós devemos…” mas nunca “Tu tens de …!”
Para muitas pessoas, toda esta liberdade individual é sinônimo de pura anarquia. Qualquer recém-chegado, qualquer amigo que olhe para AA pela primeira vez, fica muito perplexo. Vêem uma liberdade que parece quase permissividade. No entanto reconhecem de imediato, uma força irresistível de propósito e ação em AA “Como é possível”, perguntam, “que este grupo de anarquistas funcione? Como é possível que coloquem em primeiro lugar o seu bem estar comum? O que será que os mantêm unidos”?
Aqueles que observam AA mais de perto encontram rapidamente a chave deste estranho paradoxo. O membro de AA precisa de adotar os princípios da recuperação. A sua vida depende, de facto da obediência e princípios espirituais. Se ele se desvia muito, o castigo é certo e rápido: adoece e morre. Inicialmente, submete-se porque precisa, mas depois descobre um modo de vida que quer verdadeiramente seguir. Para alem disto, descobre que não pode manter esta dadiva preciosa, se não a der aos outros. Ninguém em AA consegue sobreviver se não transmitir a mensagem. No momento em que se forma um grupo, através do trabalho do decimo segundo passo, faz-se outra descoberta – a de que a maioria dos indivíduos não se recupera a não ser que haja um grupo. Compreende- se que o clamor dos desejos e ambições pessoais deve ser silenciado, sempre que prejudiquem o grupo. Torna-se claro que o grupo tem de sobreviver para que o individuo não morra.
Assim á partida, a questão principal é como viver e trabalhar em conjunto enquanto grupos. No mundo que nos rodeia temos lideres destruírem povos inteiros. A luta pela riqueza, poder e prestigio tem estado a dilacerar a humanidade como nunca. Se personalidades fortes tem ficado num impasse ao procurar a paz e a harmonia, o que é que poderia acontecer ao nosso errático bando de alcoólicos? Com o mesmo ardor com que tínhamos lutado e rezado pela recuperação individual, começamos a procurar os princípios pelos quais AA, como tal, pudesse sobreviver. A estrutura da nossa sociedade foi forjada através da experiência.
Vezes sem conta, em inúmeras cidades e aldeias, revivemos a historia de Eddie Rickenbacker e dos seus bravos companheiros, quando o seu avião se despenhou no pacifico. Com nós, viram-se subitamente salvos da morte, mas ainda flutuando num mar perigoso. Perceberam muito bem que o seu bem estar comum estava em primeiro lugar. Nenhum podia ser egoísta em relação a água e ao pão. Cada um tinha de pensar nos outros, pois sabiam que só podiam encontrar a sua verdadeira força ancorados numa mesma fé. E assim fizeram, de forma a ultrapassar todas as imperfeições da sua frágil embarcação, todas as provas de incerteza, de dor, de medo e de desespero, e ate a morte de um deles.
Assim tem sido, também, com AA . pela fé e pelas obras, conseguimos basear-nos em lições de experiência inacreditável. Essas lições vivem nas doze tradições de alcoólicos anônimos que – se Deus quiser – nos manterão unidos enquanto ele precisar de nós.

” Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece. ”
Abraços!
Varella.

BENDITAS TRADIÇÕES DE A.A.: SÓBRIO MODO DE CONVIVÊNCIA

TEMA: “Benditas Tradições de A.A.: sóbrio modo de convivência!”
Algumas vezes, quando as coisas parecem não estar indo muito bem no grupo, nos organismos de serviços ou até mesmo em nossa Irmandade como um todo, ficamos tentados a utilizar a força das nossas personalidades para resolvermos os problemas. Achamos que, se não fizermos nada, tudo vai se perder ou acabar. Quando isto acontece, normalmente, embutido neste pensamento está o medo. Entendemos este sentimento até certo ponto, pois o instinto de preservação é um dos mais aguçados nos seres humanos e nós, alcoólicos, que quase sucumbimos por causa da doença do alcoolismo, sabemos que nossas vidas só foram alcançadas graças à unidade de A.A. Dependemos diretamente dela. “Torna-se claro que o Grupo tem de sobreviver para que o indivíduo não pereça”. Por isso, ao menor sinal de turbulência, quase que instintivamente, tendemos a lançar mão das Doze Tradições como se fossem armas, transformando-as em regras que todos, obrigatoriamente, deveriam seguir rigidamente. Costumamos ter a impressão de que, se não fizermos isto, vamos perder o controle, e que tudo estará perdido.
Felizmente, apesar de agirmos assim em algumas situações, ao final tem prevalecido o entendimento de que nossas Tradições devem ser praticadas e guiadas pelos sentimentos da confiança e da fé. Caso contrário, nossa personalidade alcoólica, naturalmente, resistente a receber ordens, impediria que nos agrupássemos em torno do nosso único propósito e individualmente, como já dissemos, não sobreviveríamos. Ao trocarmos regras por sugestões, imposição de leis por liberdade, medo por confiança, garantimos a preservação das nossas vidas e daqueles que ainda estão por chegar.
A garantia de que devemos continuar praticando-as dessa forma, ou seja, com todo nosso amor e tolerância, reside na nossa própria história. “Nos primeiros anos de existência (1935 a 1946), A.A. viu-se às voltas com inúmeros problemas e dificuldades decorrentes de sua própria expansão, primeiro dentro dos Estados Unidos e Canadá, depois também em outros países e continentes. Problemas ligados à formação dos seus grupos sob circunstâncias as mais inusitadas, à sua sustentação financeira e coesão interna, aos requisitos para tornar-se membro e às relações intergrupos e com a comunidade/sociedade, os quais chegavam ao conhecimento dos co-fundadores principalmente através de cartas enviadas por indivíduos e grupos recém-formados. As respostas sempre personalizadas a essa volumosa correspondência, analisadas e discutidas por um grupo pequeno, coeso e pragmático de pessoas, cujo fluxo durou cerca de dez anos, associadas também ao conhecimento mais técnico de alguns pioneiros profissionalmente ligados ao mundo das organizações comerciais, formaram a base principal para a formulação das Tradições, que em 1946 foram sistematizadas e publicadas pela primeira vez, enunciando as soluções genéricas encontradas e doravante sugeridas a todos os grupos, para fazer frente àquelas dificuldades”.
As Doze Tradições foram forjadas através das nossas experiências. E criaram um modo de convivência singular (especial, individual, particular, estranho, excêntrico, incrível), singularmente forjado, que afetou profundamente o modo de convivência de seus membros. Tivemos a completa liberdade para errar e acertar. Em momentos que corríamos o risco de nos perder, necessariamente, um Deus amantíssimo, respeitando nossa liberdade, em última análise agia para nos guardar. A graça da sobriedade liberada por Deus, sem nenhuma obrigação e sem que nada fosse exigido em troca, retirou de qualquer um de nós, membros desta Irmandade, a autoridade para impor aos seus iguais qualquer coisa que seja. Permitindo que tenhamos por meio da pratica das “benditas Tradições de A.A.: um sóbrio modo de convivência”.
Não somos dirigidos por mandamentos. Viver pelas Tradições como se elas fossem regras seria o mesmo que rejeitar aqueles que, num primeiro momento, não teriam a menor condição de entendê-las, quanto mais praticá-las. Se as utilizássemos como Leis, elas serviriam mais como sentença de condenação do que de salvação. Os alcoólicos, mesmo antes de chegar, estariam condenados à morte. A prática das Tradições por parte daqueles que já estão em recuperação não é uma questão de obrigação e nem se trata de uma coisa boa ou ruim. Nós lhes obedecemos porque inicialmente precisamos, e depois porque gostamos do tipo de vida que tal obediência proporciona. Quando as praticamos por amor, respeitamos o desejo do próprio Poder Superior que nos acolheu e nos acolhe, mediante o livre exercício da nossa vontade. Deus não deseja que acreditemos Nele porque somos forçados. Ninguém ama por decreto. Somos atraídos para Ele por causa de sua bondade e misericórdia. Com sua imensurável grandeza, faz-se anônimo para realizar os milagres no nosso meio e às vezes se faz tão pequeno que nem notamos sua presença. É incrível como Ele parece gostar de estar em nossa companhia.
O mundo tem passado por muitas mudanças e grandes avanços no campo da medicina; mas, quanto à doença do alcoolismo, ainda não se descobriu a cura. Os seus males continuam atingindo os alcoólicos de hoje da mesma forma que os de ontem. Em alguns casos, os sintomas atuais são ainda piores (dependência cruzada). Se nós, seres perecíveis, não mudamos, quanto mais Deus. Por isto, se até agora o Poder Superior permitiu que o A.A. funcionasse durante todos estes anos, acredito que, amorosamente, dar-nos-á a liberdade para, como personagens vivas, continuarmos a escrever esta história até o dia em que Ele precisar de nós. Entendo que, se nos mantivermos firmes no nosso propósito primordial, por dois motivos seria inimaginável calcular o tempo de existência da nossa Irmandade. O primeiro é o incomensurável amor de Deus. O segundo está ligado ao aumento da população mundial. A medicina, através de pesquisas feitas por organismos oficiais de saúde, comprova que de 10 a 15% desta população é portadora desta enfermidade. Assim sendo, proporcionalmente, nossa demanda aumenta e não diminui. Enquanto existir um alcoólico em nosso planeta, nossa missão continuará.
Acreditamos que, como antídoto para os nossos maiores temores, devemos nos esforçar para fazermos o melhor que pudermos na prática dos três legados: Recuperação (Doze Passos), Unidade (Doze Tradições) e Serviço (Doze Conceitos). Silenciando nossos anseios pessoais, trocando as dores do alcoolismo pelo amor da recuperação e cuidando em sermos zelosos na renovação do nosso caráter, por meio das sugestões do programa. Com estas tentativas, acredito que estaremos fazendo a parte que nos cabe nesse todo que é o A.A. Podemos nos acalmar e confiar, porque o Poder Superior sempre tem feito a parte Dele.
A Irmandade de Alcoólicos Anônimos, através de suas Tradições, constitui-se para muitos num estranho espetáculo. Como bêbados irresponsáveis podem chegar ao ponto de conviverem harmoniosamente entre eles e com a sociedade que os rodeia? Por meio da admissão de suas fraquezas, conseguem transformar defeitos em dons. Mas, na verdade, quando nossa sociedade assume esta postura, paradoxalmente, ela se torna a nossa grande fonte de força que misteriosamente nos mantém unidos. Nossas Tradições, na realidade, são uma fratura exposta de nossas falhas; é o reconhecimento de que temos muitos defeitos. Esta atitude eleva-nos o entendimento sobre a necessidade de seguirmos as orientações dos nossos princípios tradicionais, sem o qual pereceríamos por falta de unidade.
Outro aspecto é que individualmente elas atuam no mesmo sentido, apontam claramente para nossas imperfeições. Quando percebemos nossos próprios erros, criamos a condição favorável para repará-los. Além disso, outra conseqüência desta prática é que, ao notarmos nossas falhas, tornamo-nos mais amenos e tolerantes com os outros, deixando de ser tão exigentes. Muitas vezes conseguimos silenciar nosso teimoso ego e deixar de lado nosso orgulho, evitando ressentimentos. Atentamos também para o fato de que, coletivamente, as Tradições só vão funcionar em toda a sua essência se individualmente eu me decidir a praticá-las. Não é mais uma questão de como os outros devem proceder, mas sim de como eu posso ajudar e ser útil. “As Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos simbolizam a característica de sacrifício de nossas vidas em comum e elas constituem a maior força de unidade que conhecemos”.
Nosso Segundo Legado é a UNIDADE, representada pela pratica das Doze Tradições, sem a qual, provavelmente, a maioria de nós não existiria. Um dos significados da palavra “legado” é herança. Com isto, concluímos que herdamos das mãos de Deus este tesouro valioso. Herdamos também o privilégio de sermos agentes na transmissão desta mensagem de salvação para os alcoólicos que ainda sofrem. Pela unidade, somos guardados de um problema insolúvel. Recebemos como dádiva o milagre de manter sob controle uma doença incurável.
A maior prova de gratidão que podemos expressar é quando escondemos nossas personalidades atrás dos princípios e reconhecemos que somos apenas agentes de Deus, agentes de milagres. Não somos agentes secretos, mas fomos chamados, escolhidos para sermos seus agentes anônimos.
Poucos têm o privilégio de serem milagres ambulantes. Viver esta experiência é algo fantástico e, ainda por cima, temos um plano de vida que nos possibilita experimentarmos “liberdade, felicidade, não lamentar o passado, nem recusar a enxergá-lo; compreender o significado da palavra serenidade e conhecer a paz; ajudar outras pessoas, sentimento de inutilidade e de autopiedade desaparecidos, perder o interesse por coisas egoístas e nos interessarmos pelos nossos semelhantes; o egoísmo deixando de existir, nosso entendimento e atitudes perante a vida modificados; o medo das pessoas e da insegurança econômica nos abandonando, intuitivamente resolveremos situações que costumavam nos desconsertar”, ver estas promessas sendo cumpridas em nossas vidas não tem preço. “Percebemos, de repente, que Deus está fazendo por nós o que não conseguimos fazer sozinhos”.
Despertados pelas dádivas da dor e do amor, nossos braços se recusarão a ficar cruzados. Lançar-nos-emos sobre a pratica das Tradições com a maior humildade e agradecimento de que podemos dispor. “Quando cheio de gratidão, o coração por certo só pode dar amor, a mais bela emoção que jamais poderemos sentir”.
Por gratidão, desejaremos: 1º – Sacrificar nosso orgulho, medo, raiva, anseio pessoal em benefício do bem estar comum; atuaremos sempre no sentido de preservar a unidade, nosso bem mais precioso (Primeira Tradição); 2º – Aceitar a consciência do grupo como única autoridade final em nossos assuntos, ser apenas servidor de confiança, nunca um governador (Segunda Tradição); 3º – Não seremos nada exclusivistas; eliminaremos tudo que possa impedir a chegada de mais um, não importando o que ele tenha feito ou o que ainda venha a fazer (Terceira Tradição); 4º – Respeitaremos a liberdade dos grupos para conduzir seus próprios assuntos (Quarta Tradição); 5º – Concentrar-nos-emos apenas naquilo para que fomos chamados, no nosso único propósito, transmitir a mensagem ao alcoólico que ainda sofre (Quinta Tradição); 6º – Como conseqüência lógica da tradição anterior, evitaremos filiarmo-nos a qualquer sociedade ou empreendimento alheios à nossa Irmandade, para que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos afastem de nosso objetivo primordial (Sexta Tradição); 7º – Recusaremos receber qualquer doação de fora, assumiremos a responsabilidade pelo pagamento de nossas legítimas despesas, voluntariamente depositaremos nossas contribuições na sacola, único lugar em A.A. onde o material se mistura com o espiritual (Sétima Tradição); 8º – Damos de graça o que de graça recebemos, nenhum serviço será realizado profissionalmente, poderemos até contratar funcionários para prestar serviços especializados, mas como membros serviremos sempre voluntariamente (Oitava Tradição); 9º – Não nos organizaremos a ponto de criarmos governos que possam impor disciplina, normas e regulamentos; a ninguém delegaremos poderes para punir ou expulsar possíveis infratores, entretanto poderemos criar juntas ou comitês de serviços com o objetivo de colocar a sobriedade ao alcance de todos que a queiram (Nona Tradição); 10º – Não entraremos em controvérsias públicas, sabemos que nossa Irmandade perecerá se assim o fizermos, nossa sobrevivência é mais importante do que qualquer outra causa, a recuperação do alcoolismo é para nós a própria vida (Décima Tradição); 11º – Nossas relações com o público terá como base a atração em vez da promoção, preservaremos nosso anonimato pessoal na imprensa, rádio, filmes e televisão, neste sentido nosso anonimato será cem por cento, deixaremos que os nossos amigos falem por nós, queremos a melhor publicidade possível para nossos princípios e à sua obra, mas não de nossos membros individualmente, para nós o importante será sempre a mensagem não o mensageiro (Décima Primeira Tradição); e 12º – Movidos pelo espírito do anonimato, como membros de A.A., deixaremos de lado nossos desejos naturais de distinção pessoal tanto entre nossos companheiros como entre o público em geral, ao sacrificarmos nossos anseios humildemente “tomamos parte na confecção de um manto protetor que cobre toda a nossa Irmandade e sob o qual nós podemos crescer e trabalhar em unidade”, nosso alicerce espiritual (Décima Segunda Tradição).
Anteriormente falamos das promessas, contidas no “Livro Azul”, que estão relacionadas à prática dos Doze Passos sugeridos como um programa de recuperação. Agora, gostaria de apontar uma que é alcançada com a prática das Tradições e que nos foi revelada no “Livro Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade”: “Temos a grande garantia de que coisas melhores ainda virão”.
Estar em recuperação nesta Irmandade é realmente um privilégio. Minha gratidão deveria ser sem limites. Por mais que eu tente retribuir um pouco do muito que tenho recebido, ainda fica mais difícil. Quando me disponho a prestar algum serviço para a obra, sou o primeiro a ser beneficiado. Existe um princípio espiritual que diz: “é dando que se recebe”, os que o exercem em A.A. tem experimentado sua veracidade. Hoje entendo o que Bill quis dizer com a frase, “A gratidão deveria ir para frente, nunca para trás”. Não evitamos o primeiro gole no ontem nem no amanhã, ele ainda não chegou, nossa sobriedade é construída no hoje, nas presentes 24 horas. Da mesma forma, entendemos que a maior prova de gratidão a ser oferecida está na nossa disposição diária de servirmos em qualquer atividade de A.A., não importando qual. Em Alcoólicos Anônimos não existe tarefa ou encargo mais importante do que o outro. Todos, sem exceção, sendo executados com amor e gratidão, cooperam para que vidas sejam salvas.

UNIDADE – MARCOS – CACHOEIRA DO CAMPO – MG

Unidade
Marcos – Cachoeira do Campo-MG

“Bill, nós adoramos recebe-lo e ouvi-lo falar. Conte-nos onde você costumava esconder as suas garrafas e fale-nos daquela sua experiência espiritual. Mas não venha nos falar mais a respeito dessas malditas Tradições.” (Levar Adiante – pg 353).

Era mais ou menos coisas deste tipo que Bill ouvia quando, antevendo o perigo que corria A.A., colocou o pé na estrada e passou a divulgar o que ele chamava de Doze Pontos Para Garantir o Nosso Futuro. O nome Tradições só veio mais tarde e atesta toda a genialidade de Bill, pois já pensaram se ele tivesse dado o nome de “12 regras”, “12 leis”, “estatuto”, ou qualquer outra coisa que significasse regulamento? Talvez nenhum membro de A.A. aceitaria estes princípios. Bill conhecia muito bem seus companheiros alcoólicos; ele sabia que nenhum bêbado que se auto-respeitasse, sóbrio ou não, se submeteria docilmente a um conjunto de “leis” – isso seria autoritário demais!

Mas por que Bill sentiu a necessidade das Tradições como garantia do futuro de A.A.?
Bill tinha uma mente obcecada e uma visão de futuro excepcional. Ele sabia o que era bom para A.A. e não desistia de seus propósitos facilmente quando em benefício de A.A.
Bill estudou e pesquisou profundamente sobre o Movimento Washigtoniano, movimento que surgiu de maneira espetacular nos Estados Unidos um século antes de A.A. com o objetivo de salvar bêbados e da mesma maneira espetacular que surgiu naufragou por dois motivos básicos:
1- Eles não consideravam o alcoolismo como uma doença e sim como um desvio de caráter, uma fraqueza, que podia ser corrigido apenas com a força de vontade e
2- Não oferecia um padrão de conduta, uma orientação para seus membros que salvaguardassem o movimento. Por exemplo, táticas carnavalescas de promoção e a carência de qualquer princípio de anonimato era o modo que eles divulgavam o movimento; participavam ativamente de controvérsias públicas, política, religião, etc.
A.A. já tinha corrigido o primeiro motivo quando afirmou que o Alcoolismo é uma doença incurável e que a força de vontade é inteiramente nula no seu combate, mas e a segunda causa do naufrágio dos Washingtonianos, como fazer?
Pois bem, as respostas a estas perguntas vieram nos anos seguintes e tiveram a sua origem nos próprios Grupos. Desde 1937, já contávamos com o auxílio de um Escritório e grande parte do trabalho de Bill W. neste escritório era cuidar da correspondência. A maioria da correspondência pedia orientação para a abertura de novos Grupos ou pediam sugestões para a solução de problemas de funcionamentos dos grupos. A idéia da criação de diretrizes para funcionamento de grupos surgiu justamente da crescente correspondência com pedidos de ajuda.
As Tradições em A.A. representam a experiência extraída de nosso passado e nos apoiamos nelas para nos manter em unidade, através dos obstáculos e perigos que nos possa trazer.
Tradição significa um método específico de determinada ação, atitude ou ensinamento que são passados de geração para geração. Uma coisa que se torna tradicional, se torna normal, e, portanto, é seguida muitas vezes sem nenhuma indagação.
Nota-se, de um modo geral, a grande dificuldade que tem o membro de A.A. com a prática das Tradições, chega a ser até um preconceito. Talvez por nunca recebermos a informação correta para o significado dos princípios de A.A. quando chegamos ao Grupo pela primeira vez. Tive muita dificuldade em quebrar esta barreira. Como diz uma citação de Hebert Spencer em nosso livro azul: “Há um princípio que é uma barreira a toda informação, que é uma refutação de qualquer argumento e que não pode deixar de manter um homem na ignorância perpetua: o princípio consiste em depreciar antes de investigar”. Normalmente depreciamos antes.
Devido a esse “depreciar antes de investigar” é que aceitamos passivamente a afirmação que as Tradições de A.A. são só para os Grupos.
“Mas as Doze Tradições também apontam diretamente para muitos de nossos defeitos individuais. Por dedução, elas pedem a cada um de nós para deixar de lado o orgulho e o ressentimento. Elas pedem pelo benefício do Grupo, bem como pelo benefício pessoal. Elas nos pedem para nunca usar o nome de A.A. em busca de poder pessoal, fama ou dinheiro. As Tradições garantem a igualdade de todos os membros e a independência de todos os Grupos.” (A.A. Atinge a Maioridade – pg 87).
Se formos cuidadosos em sua prática veremos que são as Tradições que têm a capacidade de revelar aqueles defeitos que mais nos prejudicam e que insistem em dirigir a nossa vida. São os conflitos em nossas relações interpessoais um valioso terreno de observação de nossa personalidade. Esses conflitos são reveladores de nós mesmos. Afinal, todos temos uma agenda oculta e nesta agenda estão escondidos aqueles nossos já conhecidos instintos de busca de prestígio, poder e prazer. A nossa incrível capacidade de conduzir as coisas para que beneficiem a nós mesmos. O querer sempre estar com a razão. Nessa questão vale um parêntesis: vocês já perceberam quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independente de tê-la ou não? Energia perdida. Em vão.
Tal como Os Passos surgiram com a finalidade de evitar que voltássemos a beber e ao longo de sua prática percebeu-se que poderíamos conseguir muito mais com eles, o mesmo ocorre com as Tradições de A.A. Se em seu princípio a finalidade era orientar os Grupos para problemas que fossem surgindo, com a sua prática percebeu-se rapidamente que elas são um poderoso instrumento em minha recuperação. Afinal, se os Passos são sugeridos para um melhor conhecimento de mim mesmo, para melhorar a minha auto-aceitação, as Tradições tem o poder de me mostrar a melhor maneira de viver em grupos. Se aprendermos a conviver com os companheiros do Grupo de A.A. já teremos um ótimo indicador de como conviver com as demais pessoas de nossos diversos grupos. Se os Passos nos ensinam a viver, as tradições têm o poder de nos ensinar a conviver, talvez a nossa maior dificuldade. Só se cresce espiritualmente na convivência com os outros. Aqui temos outra máxima muito usada por nós que é: “quer saber como está meu relacionamento com Deus, pergunte as pessoas que convivem comigo”.
Quanto mais praticarmos as Tradições em nossos relacionamentos, mais cresceremos em direção a um Poder Superior, mais cresceremos espiritualmente.

Uma filósofa afirmou determinada época que se reprimimos uma tradição, ela escapa pelo ladrão e retorna…
Assim se dá em A.A., se reprimimos uma das Tradições mais à frente seremos obrigados a observá-la novamente. Para o nosso próprio bem.
As Tradições de A.A. existem justamente para isso, para evitar a repetição de erros. Erros velhos não nos levam a nenhum crescimento, que cometamos erros novos, pois através deles é que continuaremos a aperfeiçoar a melhor maneira de viver em grupos, de nos relacionarmos com a sociedade lá fora e, principalmente, melhorar a nossa qualidade de recuperação.

O crescimento espiritual inicia quando nos juntamos a um Grupo a passamos a viver em Unidade com os companheiros deste Grupo e com o A.A. em seu todo.