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REUNIÕES DE A.A. EM INSTITUIÇÕES DE TRATAMENTO

Reuniões de A.A. em instituições de tratamento
Box 4-5-9, Ago. Set. / 1987 (pág. 8) =>http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_aug-sept87.pdf
Título original:“Los que Abusan de Sustancias Quimicas, y las Reuniones de A.A.”
Um problema enfrentado pelos AAs que levam a mensagem às instituições de tratamento é a quantidade, cada vez maior, de adictos não alcoólicos que se tratam nesses centros. Com frequência, os procedimentos que tratam da assistência a estes pacientes nas reuniões de A.A. não estão
suficientemente claros, e esta falta de precisão pode causar problemas a estes membros que levam a mensagem. A política de A.A. respeito aos adictos não alcoólicos, frequentemente não é conhecida pelos responsáveis pela instituição e os membros do Comitê de Instituições de Tratamento – CIT vem-se obrigados a lhes falar a esse respeito. Algumas instituições de tratamento têm a tendência a reunir alcoólicos e os que abusam de outras substâncias químicas numa só categoria, supondo que sofram da mesma adição, e o tratamento reflete este enfoque. Certamente, as instituições têm suas razões e os motivos adequados para conduzir o tratamento dessa maneira. Entretanto, os AAs que levam a mensagem com frequência descobrem que os responsáveis por estas instituições incentivam os adictos não alcoólicos a assistir as reuniões de A.A. dentro de suas instalações. Ademais, devido à eficácia do programa de A.A. ao prestar ajuda e apoio aos alcoólicos no pós-tratamento, com frequência aconselham também os adictos não alcoólicos a procurar A.A. após receberem alta da instituição. Neste caso, os métodos da instituição de tratamento se contrapõem às Tradições de A.A. O Comitê de Instituições de Tratamento – CIT tem a responsabilidade de informar os administradores e o pessoal clínico das instituições sobre a unicidade de propósito de A.A. Compete também a estes Comitês instruir estes profissionais sobre a política e as Tradições de A.A. As reuniões de A.A. que se realizam dentro de uma instituição de tratamento não podem ser “reuniões sobre o abuso de substâncias químicas”,mas, apenas para alcoólicos – incluindo os alcoólicos com outras adições. Mesmo sendo difícil e levando muito tempo para explicar ao pessoal das instituições de tratamento a necessidade de se ater à política de A.A. referente a esta questão, a experiência nos demonstra que a comunicação é mais efetiva quando os AAs o fazem de maneira generosa e com espírito de cooperação.
Extraído do Livro de Trabalho com as Instituições de Tratamento

NA “ANARQUIA BENIGNA” DE A.A., A CONSCIÊNCIA DE GRUPO ESCLARECIDA É A ÚLTIMA AUTORIDADE

Na “anarquia benigna”de A.A., a consciência de Grupo esclarecida é a última autoridade.
Box 4-5-9, Fev. Mar. 1989 (pág. 5) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_feb-mar89.pdf
Título original: “En la ‘anarquía benigna’de A.A. la consciência de grupo informada es nuestra última autoridade”
Ao cofundador Bill W., comparar A.A. com uma “anarquia benigna”,com razão, A.A. é um movimento espiritual e, como diz claramente a Segunda Tradição, nossa última autoridade “é um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa consciência coletiva”.
Mas, o que é exatamente a consciência de Grupo? Noque se diferencia de uma opinião de Grupo ou de uma votação majoritária? E, qual é a melhor maneira de alcançá-la?
De maneira geral tem-se entendido que a consciência de Grupo busca a unanimidade através do esclarecimento espiritual e o apego aos nossos Passos Tradições e conceitos. Ao tratar assuntos delicados, o Grupo trabalha lentamente – evitando apresentar moções (*) formais até que apareça
uma definição clara do ponto de vista coletivo. Antepondo os princípios às personalidades, o Grupo se previne contra as opiniões dominantes. Ouve-se asua voz quando o Grupo bem informado chega a uma decisão. O resultado dessa decisão está fundamentado em algo mais que uma simples contagem de votos “sim” ou “não” – precisamente porque é a manifestação espiritual da consciência do Grupo. O falecido Dean K., que serviu um período como delegado do interior da Califórnia e depois como diretor do Escritório Central de Seattle, disse que há duas maneiras de chegar à consciência de Grupo.“ A maneira competitiva permite a quem tem a voz mais alta promover sua ideia, pedir votos e chegar a uma decisão ‘majoritária’. Isto não é a consciência de Grupo esclarecida. A forma cooperativa permite ao Grupo reunir-se com confiança mútua para tomar uma decisão de Grupo que não é a vitória pessoal de um único indivíduo”.A fórmula de Dean para uma consciência de Grupo cooperativa e esclarecida requer que se apresentem os fatos desde todos os ângulos ao tratar de qualquer questão. Enfaticamente, Dean disse:
“Não se abre à discussão geral. Isso permitiria aos membros mais barulhentos dominar o debate.
Sugere-se que o coordenador peça a cada membro dar sua opinião durante um tempo de dois minutos. Ninguém deveria ter uma segunda oportunidade de falar até que todos tenham falado; assim, inclusive o membro mais calado terá a mesma oportunidade de se manifestar. O coordenador
não dá sua opinião até que todos demais tenham manifestado a sua. È importante ouvir sempre a voz da minoria; entretanto, é preciso ter em mente o fato de que a voz minoritária, embora às vezes tenha razão, pode frequentemente não tê-la. A não ser que seja muito convincente, deveria ser considerada como o que é – ou seja, uma voz minoritária. Permitir que a minoria sempre influenciasse a maioria é permitir que o rabo mova o cachorro”. Para além do nível de Grupo, A conferência de Serviços Gerais de A.A. tem a responsabilidade de atuar como a consciência de Grupo coletiva da Irmandade. A Conferência, a entidade de A.A. mais parecida com a voz coletiva, produz opiniões a respeito de assuntos importantes de política que podem afetar A.A. na sua totalidade; aprova a seleção de alguns dos candidatos à Junta de Serviços Gerais e elege outros. Entretanto, nem a Conferência nem a Junta podem dar ordens a nenhum Grupo ou membro de A.A. Nem sempre bem compreendido como conceito, a consciência de Grupo esclarecida, tal como está expressada na Segunda Tradição, é uma poderosa ideia espiritual que torna possível a indivíduos dos mais diversos temperamentos e procedência, superar a ambição pessoal e unir-se para realizar nosso propósito comum: mantemo-nos sóbrios e estender a mão de A.A. ao alcoólico que ainda sofre.
(*) N.T.: Moção => Do inglês e do francêsmotion. Proposta. Proposta, em uma assembleia, acerca do estudo de uma questão, ou relativa a qualquer incidente que surja nesta assembleia. Moção em A.A.:Ocorre nas assembleias e nas tomadas de consciência dos Grupos quando um membro apresenta uma proposta (moção),normalmente divergente, como alternativa àquela que está em pauta ou sendo votada. Também pode ser uma proposta complementar. A proposta é aprovada se conseguir a aprovação de dois terços dos presentes, seja através de votação secreta ou de mãos levantadas.

REUNIÕES DE A.A. ABERTAS E FECHADAS: HÁ UMA DIFERENÇA

Reuniões de A.A. abertas e fechadas: há uma diferença
Box 4-5-9, Fev. Mar. / 1998 (pág. 3 a 5) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_feb-mar98.pdf
Título original: “Las reuniones abiertas y cerradas: Hay una diferencia”
Qual a diferença entre reuniões abertas e fechadas?Do que se fala em cada uma delas? Há exceções que ampliam os limites? Um dependente de drogas pode assistir às reuniões fechadas de A.A.? Quem determina as regras? E mais: o recém chegado sabe a diferença que há entre uma e outra? Como diz a Quarta Tradição, “Cada Grupo de A.A. deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros Grupos ou a A.A. em seu conjunto”.Dessa forma, como podemos supor, as reuniões que nossos milhares de Grupos realizam têm cada uma, seu caráter particular. No geral, porém, a maioria das reuniões – desde as reuniões de novos até as de Passos e Temáticas – classificam-se em duas categorias: abertas e fechadas, como define o folheto “O Grupo de A.A. “Qualquer pessoa interessada no programa de A.A. para a recuperação do alcoolismo pode assistir às reuniões abertas. As reuniões fechadas são unicamente para os membros de A.A., ou para aqueles que tenham um problema com a bebida e tenham “o desejo de parar de beber”. Sejam abertas ou fechadas, as reuniões dos Grupos de A.A. são realizadas e coordenadas por membros de A.A. Nas reuniões abertas, pode-se convidar aos não AAs para falar, conforme determinar a consciência de Grupo. Ao longo dos anos, têm surgido vários mal-entendidos sobre ser ou não apropriado falar de certos temas nas reuniões abertas. A importância dada a esse assunto era tamanha que os membros da Conferência de Serviços Gerais de 1987 continuaram discutindo sobre o tema até altas horas da noite e em seguida emitiram uma declaração disponível para os Grupos que se interessassem: “Esta é uma reunião aberta de Alcoólicos Anônimos. Estamos encantados com a presença de vocês aqui, especialmente os principiantes. Em conformidade com nossa unicidade de propósitos e nossa Terceira Tradição, que diz que,’para ser membro de A.A., o único requisito é o desejo de parar de beber’, pedimos a todos os participantes que limitem seus comentários a seus problemas com o álcool”. Tradicionalmente as reuniões abertas são para qualquer pessoa que deseje assisti-la. Não obstante, a experiência nos indica que não se deve deixar ao sabor do acaso a escolha dos temas de discussão; muito pelo contrário, a sugestão é de que as reuniões se realizem segundo um formato e procedimento cuidadosamente preparados com a finalidade de que a discussão fique centrada nos problemas relacionados com o álcool. Ironicamente, parece ser mais importante reafirmar o propósito primordial de A.A. nas reuniões abertas do que nas fechadas. É preciso recordar a alguns participantes que estão em uma reunião aberta de Alcoólicos Anônimos, e não em uma reunião genérica de um “Grupo de Doze Passos”. Membros de A.A. de todas as partes do mundo têm enviado cartas ao Escritório de Serviços Gerais – ESG, pedindo informações sobre diversos aspectos das reuniões abertas e fechadas e compartilhando suas próprias experiências e opiniões. Apresentamos a seguir alguns exemplos em forma de perguntas e respostas: O que acontece se um profissional ou outra pessoa que não seja membro de A.A. resolve identificar-se como tal a si mesmo numa reunião fechada de A.A.?
Existem duas soluções que têm dado resultado:
1) Alguns Grupos imediatamente consultam a consciência coletiva e declaram que a reunião é “aberta” para que o visitante possa ficar e observar como é uma reunião de A.A. (um membro comentou que é provável que o alcoólico de primeira vez não tenha a mínima ideia do que é uma reunião aberta ou fechada e, a menos que haja disputa, não se sentirá prejudicado com a troca de formato).
2) Outros Grupos, no intuito de proteger o anonimato dos AAs presentes, levam o visitante para um canto e recomendam outras reuniões abertas de A.A. nas vizinhanças, ou pedem a um voluntário que o leve para tomar um café a fim de explicar-lhe pessoalmente como funciona o programa.
Deve-se permitir que pessoas com outros problemas além do alcoolismo – em particular o abuso das drogas, assistam às reuniões fechadas de A.A.?
A Conferência de 1997 aprovou uma definição revisada da declaração da Unicidade de Propósito de A.A. que oferece uma possível solução: “O alcoolismo e a drogadicção podem ser classificados como ‘abuso de substâncias químicas’ou como ‘dependência de substâncias químicas’.
Por conseguinte, às vezes se permite, em A.A., tanto a introdução dos não alcoólicos como a dos alcoólicos e lhes é feita a recomendação de que assistam às reuniões. Qualquer pessoa pode assistir às reuniões abertas de A.A. Mas unicamente os que têm um problema com a bebida podem assistir às reuniões fechadas ou tornarem-se membros de A.A. As pessoas que têm outros problemas diferentes do alcoolismo podem se tornar membros de A.A. somente se tiverem um problema com a bebida”.
O que vocês acham dos AAs que falam nas reuniões sobre sua experiência com as drogas, assim como a relacionada com o álcool?
Cada vez mais gente que chega em A.A. hoje em dia é adicta ao álcool e outras drogas. Dessa forma, não é de se estranhar que falem nas reuniões sobre sua drogadicção. As pessoas podem falar com franqueza nas reuniões fechadas de A.A. e mencionar seu problema com drogas, mas o importante é não perder de vista o fato de que é uma reunião de A.A. Nas nossas reuniões, da mesma forma que em nossa literatura, colocamos como foco principal o vínculo que temos em comum – nosso alcoolismo – e não nossas diferenças.
É preciso identificar-se como alcoólico nas reuniões para poder participar?
Quando cheguei em A.A., há muitos anos, não existiam normas rígidas a respeito da forma como cada um de nós devia se apresentar. A mim me parece que hoje em dia, se você não diz quem você é, alguém logo pode perguntar, aos gritos: “Quem é você?”E, para dizer a verdade, acredito que o fato de que uma pessoa esteja ali, na reunião, indica claramente que tem o desejo de parar de beber.Por que não deixar que os principiantes sejam eles mesmos, por que temos que forçar as pessoas a dizer a mesma coisa? Sempre tive a impressão de que simplesmente estar ali já era o suficiente. Nunca ouvi alguém falar sobre a existência de uma norma que diga que você tem que se identificar como alcoólico para poder participar. Não obstante, é à consciência coletiva do Grupo que corresponde uma tomada de posição.
Deve-se permitir que as crianças assistam as reuniões fechadas?
Muitas pessoas trazem criancinhas às reuniões porque, de outra forma, não poderiam assistir – ou porque não têm dinheiro para pagar uma pessoa que tome conta ou porque não encontram quem possa fazer isso. A decisão corresponde ao Grupo. Costuma-se decidir cada caso conforme se apresente; às vezes, no entanto, o Grupo cria certas diretrizes a serem seguidas. Ensinaram-me em A.A. que todas as reuniões de Passos e Tradições devem ser fechadas.
Isso está correto?
A experiência compartilhada de A.A. demonstra que a maioria dos Grupos decide ter suas reuniões de Passos e Tradições fechadas. No entanto, cada Grupo tem autonomia para decidir sobre o assunto. É permitido o comparecimento às reuniões de pessoas que não sejam membros de A.A.?
Sim. Desde os primórdios de A.A., os Grupos têm contado com a presença de não AAs como participantes e oradores em suas reuniões abertas. De fato, Bill W. pedia constantemente a médicos, clérigos e outros não AAs para que comparecessem às reuniões. Naturalmente, a decisão de fazê-lo fica por conta da consciência do Grupo. O bonito da autonomia é que não há regras que possam limitar o Grupo em sua capacidade de levar a mensagem. Inclusive, se não estamos de acordo com o que fazem outros Grupos, estes têm o direito de guiar-se por sua consciência de Grupo. Ao ler a literatura de A.A. encontramos muitas coisas que parecem ser contraditórias e pouco consequentes; mas acredito que essa é a verdadeira natureza de A.A., uma vez que se trata de uma comunidade espiritual que não pode ser definida específica e rigidamente. A ideia de autonomia é também espiritual e deixa que as questões sejam resolvidas por um Poder Superior a nós mesmos.
Como começaram as reuniões fechadas?
As raízes de A.A. remontam ao Grupo Oxford, um movimento evangélico cristão que surgiu nos anos 20. Além das reuniões regulares, havia “esquadrilhas de bêbados” que se reuniam separadamente. Nos primeiros dias de A.A., quando todos os membros eram homens, suas esposas
costumavam assistir às reuniões, segundo diz Lois W. (esposa de Bill W., o cofundador de A.A., e fundadora de Al-Anon). Conta ela que começaram a realizar-se reuniões fechadas porque os maridos se cansaram de suas esposas os acompanharem a todas as reuniões.

ONDE SE ORIGINA A CONSCIÊNCIA DE GRUPO ESCLARECIDA

Onde se origina a consciência de Grupo Esclarecida
Box 4-5-9, Abr. Mai./1984 (pág. 4-5) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_april-may84.pdf
Titulo original: “Donde se Origina em Realidad la Conciencia de GrupoInformada”
“Lembro que certa vez, quando eu era ainda principiante e crítico, disse a um veterano que o Grupo estava louco. Disse-me que fosse para um canto da sala e fala-se aquilo para mim mesmo. Ainda demorou muito tempo para perceber que naquele momento começava a entender que uma consciência de Grupo esclarecida inicia-se no próprio indivíduo”.
Assim iniciou David L., um Delegado do Novo México, uma discussão sobre “A importância de uma consciência de Grupo esclarecida”, o tema de apresentação no Fórum Regional do Sudeste, em Denver, Colorado, em dezembro passado.
Fazendo observar que “esclarecer”significa “instruir”,ou “guiar”ou “iluminar”;David disse que o conceito oposto é “ocultar”. “Enquanto à minha própria conduta, embora nunca oculte alguma coisa a nenhum principiante intencionalmente, faço o mesmo deixando que o principiante divague, adiando discussões sobre a necessidade de ter um Grupo base ou de assisti uma reunião de consciência de Grupo. Irrito-me quando este mesmo principiante – sem consultar a consciência do Grupo, pinta a sala de reunião de roxo. A verdadeira bobagem é que se pintasse a sala de branco ou azul ou outra cor do meu agrado, e possível que eu não disse-se nada a respeito da consciência de Grupo. Assim, que o processo da consciência de Grupo esclarecida, comece com a intenção de cada pessoas estar o melhor informada possível; somente desta maneira, eu posso conceder este privilégio ao principiante. De acordo com a minha experiência, A.A. raramente tem problemas que não sejam procedentes de uma consciência de Grupo não esclarecida, por exemplo, não contribuir
com os órgão de serviço; ou ter caciques ao invés de servidores de Grupo”.
Para que a consciência de Grupo se mantenha verdadeiramente esclarecida, David oferece as seguintes sugestões:
1. Como indivíduos devemos nos assegurar de estar bem informados a respeito do modo de vida de A.A., ler sua literatura e nos dispor a compartilhar com os principiantes.
“Temos que estar bem informados sobe as nossas Doze Tradições: o futuro da Irmandade depende da nossa compreensão das mesmas. Considere o que aconteceu com os Washingtonianos (um movimento de esforço pessoal muito promissor, que existiu entre os alcoólicos na década de 1840). Se houvessem tido nossas Tradições, esta sociedade ainda estaria viva e com boa saúde”.
2. Devemos conhecer e participar da nossa estrutura de serviço. “Em A.A. me ensinaram a acreditar que o serviço é ‘dar para ter’, aquele velho paradoxo de A.A. que se manifesta nas diversas atividades, desde arrumar a sala ou faze visitas de Décimo Segundo Passo, até se assegurar de que a mensagem seja levada aos presídios e hospitais. Não posso separar a recuperação do serviço”.
3. Compreender a necessidade de celebrar reuniões de consciência de Grupo. “Não estou dizendo reuniões às quais comparecem dois ou três veteranos membros do Comitê de Serviços, que tomam todas as decisões pelo Grupo. Quero dizer uma reunião separada, planejada para tomar a consciência de Grupo referente a assuntos que afetam o Grupo ou A.A. na sua totalidade. Se um par de veteranos faz tudo, como podemos dizer aos principiantes que não temos um sistema de hierarquia em A.A.?”.
4. Ter consciência de que realmente há líderes em A.A. – servidores fieis que não mandam, como se explica em nossas Tradições e com mais detalhe no “Manual de Serviço de A.A.”. “Tomei conhecimento de que é possível que eu não seja bom para o meu Grupo; é possível que eu tente satisfazer minhas próprias necessidades egoístas. Ou posso me entregar ao Grupo com vontade de servir. Por outro lado, um Grupo também pode não ser bom para mim. Certa vez um padrinho me disse: ‘David, se o seu Grupo permite que você vire um ‘peixe gordo’, o Grupo não é apropriado para você’. Ele tinha razão”.
Concluindo, David L. falou de sua crença de que, “defrontar-se com a consciência de Grupo se torna mais fácil se confiarmos na Oração da Serenidade. A serenidade a coragem e a sabedoria foram sempre essenciais. Conforta-me saber que nosso Poder Superior, ou Deus como eu quero chama-lo, na realidade se manifesta em nossa consciência de Grupo. Quero que A.A. sobreviva para mim, para meu filho e para os membros futuros que ainda não viram a luz; e isto exige que eu me torne responsável. Deus cuidará de nós”.

CONSCIÊNCIA COLETIVA

Consciência Coletiva
Texto do Dr. Lair Marques, Ex-Custódio e Presidente da JUNAAB
“Consciência Coletiva: como o AA se organiza e decide seus caminhos”
“… um Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva”.
“… que todas as decisões importantes sejam tomadas através de discussão, votação e, sempre que possível, por substancial unanimidade”.
O que é consciência coletiva?
É um estado ao qual se chega por meio da participação de todos os membros que compõem um grupo, em especial nas reuniões de serviço, no processo em que se busca o conhecimento de algum assunto ou problema que esteja em estudo e se estende também às decisões que eventualmente irão ser tomadas.
Como se desenvolve o processo?
Dando oportunidade e até solicitando que todos os membros presentes participem que ofereçam as suas contribuições tanto para o estudo do problema quanto para a sua solução.
Isto significa que ninguém deve ser excluído, que ninguém deve ficar de fora. É indispensável que o coordenador seja capaz de conter os que procurar impor as suas vontades e pontos de vista, limitando a oportunidade de participação e o tempo disponível para apresentar as suas contribuições
e, por outro lado, oferecer aos mais retraídos, a eles em especial, bem como a todos os membros presentes, a mesma oportunidade e o mesmo espaço de tempo para participar no processo de busca da consciência coletiva. Não só oferecer, mas, muitas vezes, é preciso até solicitar que os mais tímidos apresentem os seus pontos de vista. O poder coletivo contendo o poder individual, a grandiosidade do alcoólico.
Numa primeira rodada, pode ocorrer que as opiniões fiquem muito distantes umas das outras, mas, quando se faz uma nova rodada de opiniões na qual se buscam novos entendimentos e posições acerca do assunto em estudo, o que se observa é que, após pensar e meditar por algum tempo acerca
do que já havia sido colocado por todos os companheiros anteriormente, as opiniões vão tendendo para uma área mais central, vão ficando menos distantes entre si, vão se aglutinando em torno de uma ideia ou decisão que, num certo momento, surgirá como sendo apoiada por uma substancial
unanimidade. As opiniões vão gradativamente tendendo para um ponto central. Não há limitação quanto ao número de rodadas nem quanto ao tempo necessário às exposições. O processo deverá demorar o tempo que for necessário.
Como todos devem ser ouvidos, porque deve haver uma ampla participação e também porque os assuntos precisam ser estudados por completo e detalhadamente e ainda porque também as decisões a serem tomadas são sempre importantes, este processo pode exigir um longo tempo de
participação e de maturação e pode igualmente exigir um esforço prolongado.
É importante que não haja pressa. Talvez a reunião se prolongue bastante e é possível que poucos itens de uma agenda sejam abordados ou que poucas decisões sejam tomadas, mas o que é preciso ter em mente é que o processo em si é o fato mais importante e isso ocorre porque ele tem valor terapêutico. Ele vale, em primeiro lugar, pela evolução e pelo crescimento espiritual que propicia. A Irmandade de Alcoólicos Anônimos não é uma empresa em que a eficiência e o uso do tempo ficam em função dos resultados esperados e dos objetivos fixados pelo próprio processo administrativo.
Em Alcoólicos Anônimos, tempo não é dinheiro; é saúde, é recuperação, é crescimento espiritual, sobretudo. A Irmandade de Alcoólicos Anônimos é, antes de tudo, uma Irmandade em que todos procuram deter a sua doença e entrar num processo de cura, não física, mas psicológica e espiritual e
a participação no serviço, especialmente no processo que leva à consciência coletiva, tem grande importância para a recuperação e para que se possa alcançar a serenidade. O próprio processo da busca da consciência coletiva é, pela sua natureza, uma maneira de diminuir a velocidade que impomos às nossas vidas, de evitar o estresse. Nele tudo se desenvolve sem obsessividade e cada membro participante vive um agora mais longo, mais demorado. Por que é importante chegar à consciência coletiva?Porque é um processo sábio por meio do qual não sairão vencedores nem vencidos. Porque, pela ampla participação, todos aceitam, ao final e ao cabo, e sem resistências psicológicas, as decisões que foram acordadas e ainda porque, em face da ampla participação, todos se sentem igualmente responsáveis pelas ações que serão tomadas e também pelas suas consequências e, numa visão maior, até mesmo pelos destinos da Irmandade de Alcoólicos Anônimos. O usual é que procuremos ser mais espertos e controlar uns aos outros em função de objetivos individuais ou do interesse de pequenos grupos e isso costuma ocorrer ao nos comportarmos seguindo o estímulo psicológico que recebemos no decurso das nossas vidas. Por meio da consciência coletiva, os conflitos podem ser resolvidos sem derramamento de sangue
físico ou emocional e mais ainda, com sabedoria. Sempre que se busca adequadamente chegar à consciência coletiva, os gladiadores baixam as armas e os escudos e se tornam hábeis em ouvir e entender e, sobretudo, em respeitar e aceitar os dons dos outros, bem como as suas limitações. Ao longo da busca da consciência coletiva, aceitamos que somos diferentes, mas que, por outro lado, estamos ligados aos demais membros pelas nossas feridas e pelo fato de estarmos aprendendo a lutar juntos mais do que uns contra os outros. Os conflitos são resolvidos. Os membros aprendem a desistir de facções e de compor pequenos subgrupos. Aprendem a ouvir mutuamente e a não rejeitar. O silêncio de quem escuta representa uma abertura, uma disponibilidade em relação ao outro. É como criar uma zona de silêncio que traduz a confiança no outro. Dar um lugar aos outros é indispensável para que possamos desenvolver a nossa relação existencial. A amabilidade do acolhimento, da abertura, não exclui a personalidade de quem escuta daquele que procura o verdadeiro em meio a múltiplas verdades. Só assim se chega à plenitude do diálogo. É como viver as tarefas do mundo tais como elas se apresentam. A vida é então realizada e confirmada na concretude de cada instante, de cada dia. A busca da consciência coletiva é uma experiência importante para por fim aos conflitos humanos, pois, durante o processo de busca, não procuramos tirar a energia dos outros companheiros. Sempre que alguém sai vencedor, o perdedor fica deprimido, em baixa. Mas se procuramos a consciência coletiva, estaremos então recebendo energia de outra fonte, do Poder Superior. Na consciência coletiva está contida uma filosofia do diálogo, da relação entre os membros de A.A. Importa uma relação desenvolvida no diálogo, na atitude existencial da face-a-face. Há uma vibração recíproca na face-a-face. O diálogo assim desenvolvido abre novas perspectivas em relação ao sentido da existência humana de cada um dos membros participantes porque está voltado para um novo projeto de existência e não para um passado nostálgico. O processo da busca da consciência coletiva estabelece uma nova relação entre os membros de AA e, numa visão maior, entre os seres humanos. Se consultada a consciência coletiva, as decisões são realistas?
A ampla participação assegura que a realidade seja conhecida nos seus mais diferentes aspectos, que nenhuma particularidade seja omitida, que nenhuma consequência das decisões a serem tomadas deixe de ser considerada. O estudo resulta sempre completo porque é o resultado da soma de todas as experiências, de todas as visões. Significa que se estuda e se decide com segurança. Frequentemente, o nosso narcisismo nos faz sentir que somos os guardiões de uma estrutura frágil e ameaçada e que, se não fosse por nós, tudo já estaria perdido. Isso é a manifestação de que algo está errado com a nossa saúde mental e espiritual e que é preciso colocar, lado a lado, a nossa realidade com a que é percebida pelos irmãos em quem confiamos. O fato é que a verdade compartilhada é poderosa e eleva o espírito e é por isso que compartilhamos quando participamos das atividades do grupo ou das que são mais ligadas ao serviço. Frequentemente a verdade é um processo, o resultado de uma relação entre nós mesmos e os outros, a qual dá à verdade maior clareza e brilho.Precisamos de coragem para ver a verdade, mas ela nos fortalece, e estar dentro da realidade significa não estar alienado. Ocorre uma confiança no
diálogo, na busca comum da verdade. No conjunto, o grupo sempre aprecia melhor porque inclui membros com muitos e diferentes pontos de vista e com a liberdade assegurada de expressá-los por meio do processo que busca a consciência coletiva. Incorpora-se o claro e o escuro, o sagrado e o profano, a tristeza e a alegria, a glória e a lama e é por essa razão que as decisões são bem elaboradas. Não é provável que se deixe de apreciar algum aspecto importante. Como cada membro representa um padrão de referência e, se eles são muitos, o grupo de trabalho se aproxima mais e mais da realidade. As decisões são realistas e usualmente seguras.
Não ao totalitarismo!
É comum pensar que as diferenças possam sempre ser resolvidas por uma autoridade maior. No passado de cada um de nós, era costumeiro apelarpara a intervenção do pai ou da mãe para o entendimento de situações e para a solução de problemas. Procura-se frequentemente até apelar para um ditador benevolente. Mas Alcoólicos Anônimos, em favor da maturidade dos seus membros, nunca pode ser totalitária. Nós nos acostumamos, ao longo da nossa vida, a aceitar certas formas de autoridade que sempre serviram como orientação para definir a realidade em que vivemos e sem ela nos sentimos confusos e perdidos. Mas a busca da consciência coletiva passa a ser o exercício através do qual sempre, e em grupo, encontramos a orientação, sempre conhecemos de uma maneira mais completa a realidade e, é bom acentuar, sem a necessidade de qualquer autoridade que não a do Poder Superior. No decurso do processo de busca da consciência coletiva acontece o retorno da sensação de segurança, agora sob uma forma mais espiritualizada, a segurança espiritual. A maneira menos primitiva de se resolverem as diferenças individuais é a de apelar para o que chamamos de democracia. Pelo voto, determina-se o lado que prevalece. A maioria governa. Mas este processo exclui as aspirações da minoria. Pelo contrário, o processo de tomada da consciência coletiva inclui as aspirações da minoria. É como transcender as diferenças pessoais de modo a incluir, na mesma medida, a minoria. Entrar no processo que leva à consciência coletiva é ir além da democracia. Recorrer ao voto não é a solução. Apenas o consenso integra as minorias e, em realidade, até evita a formação delas. O processo pelo qual se chega ao consenso é uma aventura porque não se pode antecipar o que vai resultar, é algo quase místico e mágico, mas que funciona. Durante o processo de busca da consciência coletiva, a autoridade fica descentralizada. Não há líderes e, ao mesmo tempo, todos são igualmente líderes. Há um verdadeiro “fluxo de liderança”.
Os membros se sentem livres para se expressar e para oferecer as suas contribuições e o fazem no seu exato momento e na devida dimensão. Há lideranças. É o espírito de comunidade que lidera e não o individualismo. O desenvolvimento da Humildade. O processo de busca da consciência coletiva atenua o individualismo áspero que leva à arrogância e isso se faz por meio da limitação da participação, ao evitar preponderância e excessos – a velha prepotência e a conhecida manipulação. O poder individual só é contido, só é limitado, pelo poder coletivo. Este é um principio fundamental. Isto é exatamente o que acontece no processo de busca da consciência coletiva. Desenvolve-se, nos membros do grupo de trabalho, um individualismo ameno que leva à humildade. Durante o processo, as dádivas de todos são apreciadas e também reconhecidas as suas próprias limitações e isso está na base da aceitação das nossas próprias imperfeições. “Conhece-te a ti mesmo”é uma regra segura para chegar à humildade. Nesse momento, fica muito claro que o problema não é a dependência e sim a real interdependência. Não só os membros se tornam mais humildes, mas também o grupo como um todo. O grupo como um lugar seguro. As pessoas se tornam mais amenas quando participam do processo de busca da consciência coletiva porque se olham através das lentes do respeito. O grupo se torna um lugar seguro porque há aceitação e compreensão, e as pessoas sentem com uma intensidade nova o amor e a confiança. Desarmam-se. Passa a haver a paz e, sobretudo, os membros aprendem a fazer a paz. É também um lugar seguro porque no grupo ninguém está tentando curar, converter ou mudar o outro e, paradoxalmente, é exatamente por isso que a cura e a conversão acontecem. No grupo, as pessoas são livres para serem elas mesmas, livres para procurar a própria saúde psicológica e espiritual. Tudo isso faz do grupo um lugar seguro em que as pessoas podem abrir mão das suas defesas, das suas máscaras, dos seus disfarces. Aceitamos ser vulneráveis, expor as nossas feridas e fraquezas, e assim fazendo, aprendemos também a ser afetados pelas feridas dos outros. O amor que surge neste compartilhar só é possível porque abrimos mão da norma social de pretender ser invulneráveis. Num lugar seguro as pessoas se desarmam e aprendem a fazer a paz, que nasce do processo de busca da consciência coletiva. Um estado de espírito muito especial. Quando nos preparamos psicologicamente para participar de uma reunião de serviço em que se vai à busca da consciência coletiva e nos sujeitamos ao processo que leva a ela, desenvolve-se uma atmosfera tal que, paradoxalmente, nela as pessoas falam mais baixo e, no entanto, são mais ouvidas. Nada é agitado e não se forma o caos. Pode haver discussão e luta, mas ela é construtiva e move-se em direção do consenso. Em realidade, entra-se no processo de formação de uma verdadeira comunidade. Esse estado de espírito é indispensável para que se possa estar aberto para a manifestação do Poder Superior. Para a inspiração e para a voz do Espírito Santo. Quando nos dirigimos para uma reunião de serviço, não podemos imaginar qual será o resultado dos trabalhos nem devemos interferir nele. O processo de formação da consciência coletiva é verdadeiramente um mistério. O estado de espírito de quem vai para uma reunião de serviço. Quando se vai para uma reunião de serviço, é preciso ter em mente que a intenção, a ideia, é levar tão somente uma contribuição, uma experiência pessoal. É preciso lembrar sempre que o todo é formado pelas partes e que cada um de nós não é senão uma parte, mas uma parte realmente importante. Cabe ainda lembrar que as nossas experiências são tanto o fruto das nossas vivências, e por isso são muito ricas, mas também limitadas à esfera pessoal. Ao mesmo tempo, precisamos ter a consciência do valor da contribuição que podemos dar, mas também de que ela será parte de um todo, de um conjunto maior, que se formará a partidas contribuições de cada um dos presentes à reunião. O que fica dessas considerações é que a atitude de humildade é indispensável se se deseja chegar à consciência coletiva. É aceitar que, pelo menos diante do fato de se estar frente a uma manifestação do Poder Superior, a prepotência, a arrogância, o narcisismo e a agressividade possam dar lugar à humildade e à aceitação daquilo que irá resultar da soma de todos os conhecimentos e contribuições, mas, sobretudo aceitar que ao final se chegará ao melhor caminho, à melhor solução, à melhor decisão. O que acontece quando não se busca a consciência coletiva. Muitas coisas podem acontecer. A realidade pode ser distorcida e as conclusões ou decisões podem não ser as mais sábias ou convenientes. Parte dos que compõem o grupo pode ficar excluída dos trabalhos, por ser constituída de membros mais tímidos ou por estarem dominados pelos mais prepotentes, pelos que melhor fazem uso da palavra. Pode ocorrer que, antes de uma reunião, os componentes do grupo procurem contatar outros membros para lhes convencer acerca das suas pretensões ou postulações ou, simplesmente, conseguir adesões ou fazer acordos. Obviamente a consciência coletiva estará sendo manipulada e aí poderiam os mais doentes chegar ao seu “dia de glória”,pois teriam manipulado até mesmo o Poder Superior.No entanto, nessas condições, a consciência coletiva não se estabelece e Ele não fala. Talvez falem outras vozes menos divinas. Quando não se busca a consciência coletiva, o que usualmente acontece é correr o sangue emocional e até mesmo o físico. Usualmente a luta se estabelece, mas ela não leva a nada porque é caótica, é barulhenta e não construtiva. As agressões tornam as reuniões cansativas e os resultados são nulos ou diminutos. As reuniões se tornam tanto desagradáveis quanto improdutivas. É um conflito sem frutos e que vai para lugar nenhum. As pessoas tornam-se prisioneiras das suas raivas, dos seus ressentimentos e das suas ambições pessoais desmesuradas. Outros procuram concertar as cabeças, convencer ou curar os seus companheiros e isso, muitas vezes, pode até parece ser coisa de amor, mas o fato é que fazem isso para o seu próprio conforto, em seu favor. É fundamental que busquemos a complementação sempre que opiniões diferentes ou contrárias às nossas forem apresentadas. Devemos buscar, nessas situações, o sentido de existir, de ser. Devemos identificar, na existência dos opostos, o sentido da complementaridade. Sempre que nos incompatibilizamos uns com os outros é porque estamos medindo forças e assumindo posições antagônicas. Se buscarmos o sentido do complementar, poderemos reverter o antagonismo e somar as nossas potencialidades em torno de um propósito único. Desse modo, não perdendo o nosso ponto de vista, identificamos um sentido maior que é a grande manifestação da Consciência Coletiva. A insensatez Quando não se busca a consciência coletiva, a insensatez se estabelece no grupo. Isto é, ele passa a agir de forma contrária aos seus próprios interesses, de forma contrária à apontada pela razão. Exatamente ao contrário da sabedoria que está no exercício do julgamento atuando com base na experiência e no uso das informações disponíveis. No caos e na manipulação, buscam-se as atitudes contrárias aos próprios interesses da Irmandade de Alcoólicos Anônimos, não obstante as advertências desesperadas de alguns e da existência de alternativas melhores e viáveis. A busca da insensatez torna-se trágica e, dolorosamente, um comportamento dominante. Dominados pelas paixões, os membros do grupo abandonam o comportamento racional, tornam-se passionais. A mitologia grega tinha uma figura para representar a cegueira da razão, o desvario involuntário, de cujas consequências os companheiros depois se arrependem, chamada Ate, filha de Eris, deusa da discórdia e da disputa. Tomados de cega insensatez, as vítimas da deusa se tornam incapazes de realizar uma escolha racional, de distinguir entre atos morais e imorais. Onde e como o Céu e a Terra se tocam. O homem, desde tempos imemoriais, vem procurando fazer contato com as forças criadoras, com o sagrado. Procurou lugares e objetos em que o céu e a terra se encontrassem. Concebeu a montanha e a cidade sagradas, a residência real, a árvore da vida e da imortalidade, a fonte da juventude, etc. De acordo com crenças indianas, o monte Meru seria uma montanha sagrada e sobre ela brilharia a estrela polar. Na crença iraniana, a montanha Elburz seria o ponto em que a terra estava ligada ao céu. A população budista do Laos considera sagrado o monte Zinnalo. No Edda, o Himinbjorg, que quer dizer “montanha celestial”, é considerado o ponto em que o arco-íris alcançaria a parábola do céu. Para os povos mesopotâmicos, o Zigurate era a montanha cósmica. Na Palestina era o Monte Tabor. Para os cristãos, a montanha cósmica era o Gólgota, o lugar onde Adão tinha sido criado e sepultado e o sangue do Salvador teria sido derramado sobre o crânio de Adão, servindo para a sua redenção. Esta crença ainda permanece entre os cristãos orientais. A cidade da Babilônia, como indica o próprio nome, era tida como a “porta dos deuses”, pois era por meio dela que os deuses desciam para a terra. A ideia de que o santuário reproduz o Universo, na sua essência, passou para a arquitetura religiosa da Europa cristã e para as basílicas dos primeiros séculos, do mesmo modo que as catedrais medievais reproduziam simbolicamente a “Jerusalém celestial”.
O lugar sagrado, o “Centro”, seria a zona da realidade absoluta e lá estariam os seus símbolos: a árvore da vida e da imortalidade, a fonte da juventude, etc. daí a ideia de que a estrada que leva ao “Centro” é um “caminho difícil”.Difícil também a peregrinação aos lugares sagrados como Meca, Hardwar e Jerusalém, feita em viagens cheias de perigos e realizadas por expedições heroicas. As mesmas dificuldades encontra aquele que procura caminhar em direção ao seu ego, ao “Centro”do seu ser. A estrada é árdua e cheia de perigos porque representa um ritual de passagem do âmbito profano para o sagrado, do efêmero e ilusório para a realidade e para a eternidade, da morte para a vida, do homem para a divindade. Chegar ao “Centro”equivale a uma consagração; a existência profana e ilusória dá lugar a uma nova existência, a uma vida real, duradoura. Na busca da consciência coletiva o grupo de trabalho procura chegar ao”Centro”,ao ponto mais elevado.Eu, pessoalmente, considero que é através do processo de formação da consciência coletiva, após percorrer um caminho muitas vezes árduo e difícil, é que estabelecemos um contato entre o céu e a terra. É por meio do processo de busca da consciência coletiva que o céu e a terra se tocam. A consciência coletiva é a voz do Poder Superior. O conceito de substancial unanimidade e a ideia da formação de uma verdadeira comunidade centrada na busca da manifestação do Poder Superior está na base de uma nova dimensão de divindade e permitirão que a Irmandade de Alcoólicos Anônimos se aperfeiçoe de maneira progressiva e que, por meio da busca da consciência coletiva, os seus membros conquistem a mais absoluta liberdade espiritual, ficando então livres de preconceitos e de sentimentos negativos em relação aos demais companheiros.

O QUE É UMA CONSCIÊNCIA DE GRUPO ESCLARECIDA

O que é uma consciência de Grupo esclarecida
Box 4-5-9, Out. Nov. 1984 (pág. 1-2) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_oct-nov83.pdf
Titulo original: “¿Qué es una Conciencia de Grupo Bien Informada’?”
• Quando A.A. tinha apenas dois anos de existência e Bill W. estava quebrado, um amigo, com boas intenções, ofereceu-lhe um posto tentador como terapeuta leigo, com seu próprio consultório, uma conta corrente à vista no banco e uma generosa parte nos benefícios. Entusiasmado, Bill foi para a sua casa; era noite de reunião no salão de baixo e Bill diz “Apressei-me a contar-lhes a história da oportunidade que se apresentava a mim”. Mas, os demais membros resistiram a que seu cofundador se convertesse num AA profissional, e Bill não o fez. Foi exercida a consciência de Grupo.
• Quando seu Grupo elege um coordenador, e não escolhe Joaquim L., um veterano popular que já desempenhou bem essa função, favorecendo Rosa N., sem tanta graça talvez, mas uma mulher de confiança é exercida a consciência de Grupo.
• Talvez os membros do seu Grupo não possam decidir se deve ou não mudar o formato de uma reunião ou pagar cotas ao clube onde se reúne para celebrar seus aniversários. Ninguém tem razão necessariamente. Mas quando a questão é colocada para discussão e votação é
provável que a consciência de Grupo vá prevalecer.
Embora nem sempre compreendida, a consciência de Grupo, como definida na Segunda Tradição, é, entretanto, um conceito básico e poderoso que possibilita que indivíduos de procedência e temperamento diversos possam ir além das suas ambições pessoais e se unirem num objetivo comum: manterem-se sóbrios e ajudar o alcoólico que ainda sofre a alcançar a sobriedade.
Não era fácil consegui-lo. Como Bill W. contou: “Poucos obstáculos foram mais difíceis de eliminar do que aqueles que fecharam o passo à ideia de que a consciência de Grupo de A.A. deve ser a única e última autoridade nos nossos assuntos”.
No decorrer dos anos, a experiência, o trabalho por tentativas, demonstrou que os Grupos de A.A. não quiseram que os diretores dos assuntos ques e referem aos seus princípios e ao serviço, fossem escolhidos por outros; queriam dirigir seus assuntos por si próprios.
Ademais, ficou claro que eles podiam realizar este desejo de uma maneira muito eficaz. Como disse Bill: “A consciência de Grupo adequadamente esclarecida sobre os fatos, os problemas e os princípios em questão, frequentemente era mais assertiva que qualquer líder nomeado por ele mesmo ou pelos outros”
Na maioria dos casos não é tão fácil chegar à consciência de Grupo. Recentemente, Lawrence H., de Orornocto, NB, Canadá, formulou este problema ao Escritório de Serviços Gerais – ESG:
“Numa reunião de eleição da nossa Assembleia de Área, alguns membros que haviam servido como MCD´s faz uns dez anos, deixaram que seus nomes ficassem incluídos entre os candidatos para Delegado, inclusive depois de uma discussão que durou uma hora. O problema é que o atual
‘Manual de Serviço de A.A.’ diz:‘Podem-se candidatar os membros do Comitê atuais ou antigos’.
Anteriormente dizia‘… podem ser membros do Comitê em exercício, ouque se demitem ou ambas as coisas’”.
Na resposta, o ESG assinalou que “o Manual de Serviço não é um conjunto de leis inflexíveis, mas, apenas uma compilação de sugestões que podem ser utilizadas da maneira que se deseje para estabelecer guias para a elegibilidade de candidatos a qualquer encargo”.
Continuando, o ESG ofereceu outras sugestões: “Estas decisões devem ser tomadas e submetidas a votação antes das eleições. Se, por exemplo, sua Área decide que os MCD´s que exerceram o encargo há muitos anos atrás não são elegíveis, esta decisão deve ser tomada em uma reunião de assembleia amplamente divulgada antes da eleição. Quando estas questões são submetidas a votação, os membros deverão ouvir as razões de ambas as partes e ter a oportunidade de manifestar suas preocupações. A Quarta Garantia do Decimo Segundo Conceito, recomenda‘que todas as decisões importantes sejam tomadas atravésde discussão, votação e, sempre que possível, por substancial unanimidade’”. Em outras palavras, a responsabilidade de tomar a decisão foi devolvida a quem pertencia – à consciência de Grupo esclarecida da Área de New Brunswik, Nebraska.
Dutch O., de Fort Lupton, Colorado, apresenta uma questão relacionada com o assunto:
“Quando é o momento apropriado para buscar a consciência de Grupo? Com quanto tempo de antecedência deve ser avisada a reunião para discutir a questão antes de agir sobre ela? E, quantos membros deverão estar presentes para que se possa começar a trata-la?”.
Respondendo a estas perguntas, o ESG sugeriu que seria apropriado buscar a consciência de Grupo quando houver um problema que devesse ser submetido a votação. A frase “consciência de Grupo esclarecida”, geralmente significa que todas as informações necessárias foram estudadas e
todos os pontos de vista foram expressos antes que o Grupo vote. As experiências de Grupo compartilhadas com o ESG, indicam que é uma boa ideia que sejam notificados todos os membros do Grupo que possam fazer parte com uma boa antecedência; geralmente duas semanas é o suficiente. Alguns Grupos dizem que dois terços dos membros deverão estar presentes, mas nem sempre é possível reunir tantas pessoas. Cada Grupo baseando-se na sua própria experiência estabelece suas próprias regras com relação à proporção necessária de votos, mas, sempre com o objetivo de alcançar uma “substancial unanimidade”. Como escreveu Bill em relação à Quarta Garantia: “Quando uma decisão que foi tomada por substancial unanimidade resulta equivocada, não pode haver recriminações acaloradas. Todos poderão dizer: ‘Bom, debatemos a questão, tomamos a decisão, mas resultou ser uma decisão ruim. Que tenhamos mais sorte a próxima vez! ’”.

A REUNIÃO DE SERVIÇO DO GRUPO: ONDE O SERVIÇO COMEÇA

A Reunião de Serviço do Grupo: Onde o serviço começa
Box 4-5-9, Fev. Mar. / 1990 (pág. 4) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_feb-mar90.pdf
Título original: “La reunión de negócios del grupo: Donde empieza el servicio”
Os 75.000 Grupos que atualmente (1990) compõem A.A., têm o que Bill W. chamou “a responsabilidade final e a autoridade suprema pelosserviços mundiais de A.A.”Mas, onde começa esta cadeia cada vez mais longa de responsabilidade? Quem tem autoridade para tornar isso realidade?
A estrutura de A.A. em sua totalidade começa com o Grupo individual; e a maneira com que cada Grupo conduz seus assuntos, por efeito de ondas, influi na totalidade da Irmandade. A orientação do Grupo é essencialmente estabelecida em suas Reuniões de Serviço (dependendo do lugar, esta reunião tem outras denominações: business meeting ou, reunião de negócios, reunião administrativa, etc.) onde a consciência informada do Grupo se manifesta respeito a diversas questões, desde a política e as finanças do Grupo até assuntos do Escritório de Serviços Locais e Serviços Gerais. Considerando a importância das Reuniões de Serviço dos Grupos, a Área de Sacramento, Califórnia, preparou uma serie de diretrizes sugeridas referentes ao tema, para sua discussão numa Mesa de Trabalho dos servidores dos Comitês de Serviço dos Grupos realizada no ano passado. A seguir aparece uma adaptação dos extratos destas diretrizes. Burke D., membro do Comitê de Distrito disse que “as compartilhamos com a esperança de que nossos companheiros encontrem tanta utilidade como tem tido para nós”. Quem convoca e organiza a Reunião de Serviço? Para a maioria dos Grupos esta é uma função do RSG (ou do coordenador, secretário ou tesoureiro do Grupo, ou o Comitê de Serviços, se houver). A experiência demonstrou que as Reuniões de Serviço regulares, realizadas normalmente a cada mês o a cada trimestre, contribuem de maneira significativa para a unidade e a identidade do Grupo. Quando se celebram? Uma vez que cada Grupo é autônomo, não existe uma única resposta: porém, podemos oferecer algumas ideias que tem dado bons
resultados: anunciar que a Reunião de Serviço irá começar 30 minutos ou uma hora antes de abrir a reunião regular, conforme a quantidade de assuntos
que irão ser discutidos. Ou pode ser feita imediatamente depois da reunião regular. Em alguns casos, celebra-se a Reunião de Serviço ao mesmo que a reunião regular, em outra sala separada e da mesma forma com que alguns Grupos realizam sua “mesa de Passos”.Outros Grupos fazem sua Reunião de Serviço durante um “jantar improvisado” numa noite diferente às dedicadas a suas reuniões regulares.
Quem assiste?
Geralmente, apenas os membros do Grupo podem participar das Reuniões de Serviço. Alguns Grupos convidam outras pessoas que não fazem parte do Grupo, mas, pedem que se abstenham de votar nos assuntos relacionados com as atividades do Grupo.
Que tipo de serviços são tratados?
A agenda varia de Grupo para Grupo, e conforme os temas que deverão ser considerados.
Entretanto, eis alguns aspectos de serviço de Grupo que permanecem constantes: a eleição de novos servidores; a programação de novos e diferentes tipos de reuniões; a apresentação e discussão do relatório financeiro do tesoureiro; a apresentação de informações sobre o andamento dos trabalhos realizados pelos servidores do Grupo; a destinação de fundos excedentes ao necessário aos órgãos de serviço, etc. Além disso, programar reuniões de unidade com outros Grupos ou organizações para intercambio de experiências e estabelecer a consciência de Grupo no que se refere a assuntos que serão discutidos e/ou submetidos a votação na Assembleia de Área. Independentemente de realizar suas Reuniões de Serviço, muitos Grupos fazem periodicamente um “inventário de Grupo” – uma franca e honesta discussão relacionada com os pontos fortes e fracos do Grupo. Também são de utilidade as “sessões de compartilhamento”,onde os membros podem ventilar qualquer problema ou oferecer soluções para evita-los.
Procedimentos da Reunião:
Geralmente as Reuniões de Serviço são pouco formais. Entretanto, conforme a necessidade poderão se remeter a “Robert’s Rules of Order” (N.T.:“Regras de Ordem de Robert”é o título de um livro escrito em 1876 pelo Coronel Henry Martyn Robert (1837-1923), que contêm regras de ordem destinadas a serem adotadas por uma autoridade parlamentar para uso por uma assembleia deliberativa),sempre que não se crie nenhum conflito com as Tradições. A maioria dos membros tem pouca experiência nos procedimentos parlamentares e é possível que alguns se possam sentir intimidados no momento de falar. Antes que se possa definir a consciência de Grupo, é essencial que todos os membros conheçam toda informação pertinente ao tema em questão. Em muitos casos, é pedido a um membro individual ou a uma pequena comissão estabelecida para esse fim, que estudem os prós e contras relacionados com o assunto e que apresentem suas conclusões perante a Reunião.