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REVISTA VIVÊNCIA

O QUE É A REVISTA VIVÊNCIA?

A revista “Vivência” é a nossa “reunião impressa” para os membros de A.A do Brasil. Redigida, revisada e lida por membros de A.A. e outras pessoas interessadas no programa de A.A. de recuperação do alcoolismo, “Vivência” é uma corda salva-vidas que une um alcoólico com outro.
“Vivência” comunica a experiência, força e esperança de seus colaboradores e reflete um amplo espectro geográfico da experiência atual de Alcoólicos Anônimos com a recuperação, a unidade e o serviço. Publica também artigos de pessoas não alcoólicas, que colaboram espontaneamente com a Revista.
As páginas da “Vivência” são a visão de como cada membro de A.A., de maneira individual, aplica em sua vida o programa de recuperação, e é um fórum para as mais variadas e divergentes opiniões de A.A. do Brasil.
Os artigos não pretendem ser comunicados oficiais de Alcoólicos Anônimos enquanto irmandade, e a publicação de qualquer artigo não implica que Alcoólicos Anônimos e a revista “Vivência” estejam de acordo com as opiniões expressas.
A Revista é editada bimestralmente e todas as colaborações são bem-vindas.

PORQUE SER UM ASSINANTE DA VIVÊNCIA?

A revista VIVÊNCIA, criada sob a inspiração da GRAPEVINE, tem desempenhado satisfatoriamente a sua função, não apenas na troca de experiências, mas também na divulgação da literatura, de eventos e na transmissão da mensagem de AA para os possíveis alcoólicos, seus familiares, para os profissionais da área de saúde, e para a comunidade em geral. A VIVÊNCIA registra a evolução da nossa Irmandade no Brasil a cada dois meses, através de fatos gerados na JUNAAB e das informações recebidas de todas as Áreas. A cada número ela traz notícias sobre Encontro Estaduais, Regionais, Convenções, Conferências, Seminários e outros eventos que refletem o nível de consciência compartilhada a cerca de nossos princípios. A VIVÊNCIA é um excelente meio de divulgação de alcoólicos Anônimos junto à comunidade em geral, um eficaz instrumento do CTO, constituindo-se também extraordinário canal interno de comunicação permanentemente aberto. Externamente é o nosso cartão de visitas para a sociedade. Além disso traz indispensável contribuição para o fortalecimento da nossa preciosa UNIDADE. Os relatos de experiências por companheiros e companheiras de todo o País são recursos adicionais para o melhor entendimento e prática dos TRÊS LEGADOS.

OBJETIVOS PRINCIPAIS DA REVISTA VIVÊNCIA:

a) Informar o público em geral como funciona a Irmandade de A. A.
b) Destacar o Programa de Recuperação de A. A. através dos depoimentos de companheiros que chegam à redação.
c) Informar aos membros e aos Grupos de A. A. o que a Comunidade Profissional pensa a respeito da nossa Irmandade e sobre os problemas do alcoolismo.

Qual a importância da Revista Vivência para a divulgação da mensagem de A.A.

VIVÊNCIA, É uma forma de atração e não de persuasão. Condensamos material de inquestionável interesse não só para quantos foram ou ainda são vitimas do alcoolismo, mas, igualmente, para aqueles que se preocupam em conhecer, no âmago, a complexidade de um problema que tantos males tem causado à humanidade.
Ela foi criada com a finalidade de veicular o pensamento da comunidade sobre o programa e os princípios da irmandade, pensamento este externado na forma de depoimentos ou comentário sobre como cada um pratica o programa sugerido de A.A., e como os princípios têm sido assimilados e praticados em proveito próprio da instituição como um todo.
Por outro lado, em se tratando de uma publicação acessível ao público em geral, a revista desempenha, também, o seu papel institucional na medida em que transmite a esse público o que é, o que faz, como faz, e o que deixa de fazer Alcoólicos Anônimos enquanto Irmandade. Neste particular é com indisfarçável satisfação que registramos sua plena aceitação, principalmente por parte da comunidade profissional que conosco comunga do mesmo propósito primordial, dentro de uma mesma visão e com a mesma abordagem acerca do problema do alcoolismo.
Assim, quanto à sua finalidade, não restam dúvidas de que a VIVÊNCIA tem preenchido este seu duplo papel, em que pese o fato dos seus primeiros números haverem sido editados em caráter experimental. A nossa dificuldade não está, pois, na revista em si como publicação, mas na quase impossibilidade de mantê-la como órgão financeiramente autônomo dentro da estrutura dos nossos serviços considerados essenciais.
Sabem os que lidam no campo empresarial das comunicações, e nele no particular de jornais e revistas, que as publicações desse gênero vão buscar seus recursos financeiros na venda de espaços para a publicação de anúncios e de matéria de cunho institucional por parte de empresas e instituições. A nossa revista, muito embora tenha também o público externo como destinatário, não pode, por força de um nosso princípio tradicional, buscar nessa fonte os recursos financeiros de que necessita. Neste caso é a própria Irmandade que terá de arcar com o sustento financeiro da sua revista, seja por meio de assinaturas seja por meio de venda avulsa por parte das Centrais e Intergrupais de Serviços.
Apesar das dificuldades o número de assinantes vem aumentando e aumentará muito mais quando cada um fizer do seu companheiro, amigo, parente ou colega de serviço mais um assinante da nossa revista.
Ao longo de toda a sua história, a Revista Vivência vem contribuindo, de forma decisiva, para firmar e para difundir a cultura de A.A., importante e fundamental fator de coesão e de unidade. Tem sido também, o veículo de expressão das experiências pessoais de numerosos membros da Irmandade, assim como o meio disponível que lhes tem possibilitado expressar as suas visões, emoções, experiências e esperanças, ou, simplesmente, servido para contar as suas histórias. Ela tem sido a expressão da alma de A.A. e, por isso, traz toda a riqueza da criação humana.

Como melhor divulgar a revista Vivência aos Profissionais

A VIVÊNCIA – EXISTIR PARA SERVIR. Não tem opinião sobre assuntos alheios à Irmandade de Alcoólicos Anônimos e nem pretende entrar em qualquer controvérsia, dentro ou fora da Irmandade. Nosso objetivo é o de levar a mensagem salvadora de A.A. ao alcoólico sofredor. Não estamos trabalhando com uma mercadoria qualquer. Estamos lidando com vidas humanas, o mais precioso dos bens.

A sobriedade só tem sentido se for partilhada com outros. Aliás, este é o método mais eficiente para nos conservarmos sóbrios. Quando tudo falha, esta opção funciona. Não podemos desperdiçar energias inutilmente. Outros alcoólicos morreriam, se o fizéssemos. E quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, queremos que a mão de A.A. esteja sempre ali. E por isso, nós somos responsáveis.

VIVÊNCIA, por isso mesmo, é uma proposta sedimentada no universo vitorioso de A.A. É uma forma de atração e não de persuasão. Condensamos material de inquestionável interesse não só para quantos foram ou ainda são vitimas do alcoolismo, mas, igualmente, para aqueles que se preocupam em conhecer, no âmago, a complexidade de um problema que tantos males tem causado à humanidade.

REVISTA VIVÊNCIA E CTO – COMPARTILHANDO A MENSAGEM

O propósito primordial de Alcoólicos Anônimos é transmitir a sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre. A finalidade básica do CTO – Comitê Trabalhando com os Outros é organizar, estruturar, padronizar e facilitar a divulgação da mensagem de A.A..
No desempenho dessas atribuições o CTO conta com uma poderosa aliada que é a REVISTA VIVÊNCIA, cujo conteúdo contribui efetivamente de duas maneiras: na formação e na informação. Na formação dos servidores do comitê ela apresenta artigos sobre a atuação do CTO nas outras áreas, constituindo-se numa valiosa troca de experiências que nos proporciona oportunidades para o aprimoramento do nosso trabalho.
Mas, é no campo da informação, ou seja, na transmissão da mensagem de A.A. que a Vivência apresenta uma performance excepcional. Uma pessoa que não conheça Alcoólicos Anônimos ao ter em mãos um exemplar da nossa Revista percebe claramente, pela apresentação gráfica, que ela é elaborada com capricho e carinho. Ao manuseá-la o leitor encontra já nas primeiras páginas o Preâmbulo que é uma síntese da finalidade de A.A., além dos enunciados dos Doze Passos e das Doze Tradições. Mais adiante, encontra uma variedade enorme de artigos que vão, desde depoimentos de membros, trechos da literatura de A.A. até artigos de profissionais da saúde, educação e outros. Aliás, os artigos de profissionais constituem uma recomendação do nosso trabalho junto à comunidade, abrindo portas para que conquistemos mais amigos.
“A história de A.A. esta repleta de nomes de não alcoólicos, profissionais e leigos, que se interessaram pelo programa de recuperação de A.A.. Milhões de nós devemos nossas vidas a essas pessoas e nossa dívida de gratidão não tem limites.” (Do folheto: A.A. em sua Comunidade).
Portanto, ao oferecermos um exemplar da revista ou uma assinatura para alguém não- alcoólico estamos também contribuindo para levar a mensagem e fazendo um trabalho de CTO, que é o agente da Quinta Tradição e do Décimo Segundo Passo. Muitas pessoas que tomam conhecimento da nossa Revista acabam ficando interessadas pelos assuntos ali tratados e tornam-se assinantes.
Mas é no trabalho do Décimo Segundo Passo e na Quinta Tradição que a Vivência vem ampliando a sua participação junto aos Comitês Trabalhando com os Outros dos Grupos , no trabalho de estudos e treinamentos para melhoria e padronização da mensagem de nossa Irmandade. A sua dinâmica com experiência atuais e passadas de membros de A.A., e de nossos profissionais amigos, são matérias facilitadoras para compreensão e aplicação dos Princípios de Alcoólicos Anônimos.
Queremos ressaltar que a Vivência não foi criada objetivando substituir nossas literaturas oficiais de Alcoólicos Anônimos. “ A Revista tem como objetivo principal, o de informar ao público em geral como funciona a Irmandade de A.A., destacando o Programa de Recuperação, tendo também a finalidade de informar aos membros e aos Grupos de A.A. o que a comunidade profissional pensa a respeito de nossa Irmandade e sobre o problema do alcoolismo”. (Manual de Serviço de AA, pág. 125).
Assim podemos destacar dentro do seu conteúdo:
.Apadrinhamento, principalmente, aos recém-chegados na compreensão do Programa de Recuperação através dos depoimentos pessoais;
.Complementação ao trabalho do Comitê Trabalhando Com Os Outros através dos depoimentos pessoais e artigos de profissionais amigos;
.Apadrinhamento aos profissionais de diversas áreas no conhecimento de como funciona o Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos;
.Artigos dos Profissionais amigos que nos ajuda a compreender a doença do alcoolismo, e a visão dos mesmos nas práticas diárias com os bebedores-problemas;
.Enfim, o apadrinhamento nos Princípios de AA: Recuperação, Unidade e Serviço.

CTO E A VIVENCIA

Todos nós sabemos que CTO significa Comitê Trabalhando com os Outros, gostaríamos de interpretar essas letras para “Companheiros em ação com os outros”, ora Bill não dizia que o Alcoólicos Anônimos é uma sociedade de alcoólicos em ação, assim resumidamente toda a nossa ação seja ela para a manutenção da nossa estrutura, a edição de livros, periódicos, informativos e livretes têm como finalidade exclusiva a transmissão da mensagem ao alcoólico que ainda sofre. Devemos utilizar todos esses meios sempre que possível como ferramenta eficaz na transmissão da mensagem àqueles que precisam. Nos Estados Unidos a Revista Grapevine é tida por alguns como a principal ferramenta de Décimo Segundo Passo, e nos trabalhos de Informação ao
Publico.
Sabemos o quanto a nossa Vivencia tem ajudado muitos alcoólicos (as) na manutenção da sua sobriedade porque não podem frequentar as reuniões em nossos grupos, pelos mais variados motivos, ou seja, companheiros (as) que se encontram em locais longínquos e de difícil acesso, os que cumprem pena em regime fechado, os que se encontram internados em clinicas de recuperação ou hospitalizados, os que cumprem jornada de trabalho a noite então eles (as) “frequentam a nossa reunião impressa”, a forma como a Vivência é conhecida, pois como nas nossas reuniões presenciais o conteúdo da revista também é o compartilhar e experiências forças e esperanças.
Temos assim o conhecimento da eficácia da Vivencia na manutenção da recuperação do alcoólico, porque então não a utilizamos como meio de abordagem ao alcoólico que ainda sofre, porque não a utilizamos como de meio de informação e aproximação com toda a comunidade profissional das mais variadas especialidades, talvez estejamos sendo redundante, pois uma grande parcela de companheiros(as) da nossa irmandade tem conhecimento desta ferramenta de comprovada eficácia, o que nos falta de fato é ação. Precisamos é deixar de ver a Revista como um periódico gerador de receitas, mas sim como ferramenta auxiliar da mensagem de A.A.
Ressaltamos que nos Estados Unidos a Revista Grapevine, a nossa Revista pioneira, em muitos anos apresentou resultado financeiro negativo, mas não deixou de cumprir o seu papel na transmissão da mensagem, pois lá não se poupa esforços sejam eles financeiros ou não para que a mensagem chegue ao seu destino. Pó outro lado acreditamos que os exemplares já lidos devem continuar com o seu propósito de oferecer ajuda aos que precisam após a leitura pelo assinante, dentre as forma de utilização desses exemplares, para que a mensagem siga adiante, destacamos por experiência as seguintes:
o Deixe no consultório do seu médico ou dentistas, quando não oferecer
assinatura de cortesia.
o Encaminhe para as clinicas de recuperação e instituições de tratamento
o Encaminhe para as instituições prisionais depois de contato prévio
o Deixe no salão do seu cabeleireiro
o Ofereça ao familiar que pediu ajuda
o Faça chegar ao companheiro (a) que se afastou
o Presenteie o ingressante
o Traga para o grupo para ser utilizada como tema de estudos
Essas são algumas maneiras simples de utilização da Revista, que podem ser
facilmente adotadas. Precisamos ampliar a nossa base de dados dos nossos amigos profissionais da medicina, psicologia , psiquiatria e outros da áreas sociais, através de assinaturas de cortesia que vem caindo ano a ano, e isso exige um trabalho de responsabilidade e amor dos nossos representantes da Vivencia em todos os níveis da nossa estrutura. Sabemos que quando falamos com o coração a mensagem chega e atinge, não temos duvida que os depoimentos contidos na nossa Revista são a mais a pura linguagem do coração, reflitamos sobre isso.

CTO e Vivência: Caminhando juntos

Qual o objetivo do CTO?

É fazer cumprir a nossa Quinta Tradição:
“Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre”.

O Comitê Trabalhando Com os Outros organiza, estrutura e padroniza a divulgação da mensagem de A.A., pois nenhum alcoólico poderá ser ajudado se não souber o que é A.A. e onde poderá ser encontrado.

A Revista Vivência pode ajudar o CTO atingir seus objetivos? De que modo?

Na página 01 da Revista, no Preâmbulo, há uma síntese do que é Alcoólicos Anônimos. Nossos Passos, Tradições, Conceitos, 12 Perguntas e endereços dos ELS também estão inseridos.

As Comissões do Comitê Trabalhando com os Outros:

Muitas vezes utilizamos “terceiras pessoas” para fazer a mensagem de A.A. chegar ao Alcoólico.
Bill utilizou um profissional da Medicina: Doutor Silkwort: um ministro religioso: Reverendo Walter Tunks, a Irmã Ignatia e Sra. Henrietta Seiberling.

O CCCP – Comissão de Cooperação com a Comunidade Profissional – é a Comissão responsável pelo bom relacionamento entre Alcoólicos Anônimos e a imensa gama de profissionais. Esta Comissão entra em contato com os Profissionais da Organização que pretende “dar assistência” aos alcoólicos.

. No 1º contato com o profissional, o companheiro da CCCP leva uma Revista Vivência e oferece ao profissional. No dia da Reunião com os funcionários, oferece alguns exemplares para os mesmos.

A CIP – Comissão de Informação ao Público – é a Comissão do CTO que informa o público em geral sobre o Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos. Ela mantém viva a imagem da Irmandade junto à Comunidade informando principalmente os profissionais sobre o trabalho que pode ser feito com o alcoólico ativo.

Como a CIP pode utilizar a Vivência para atingir seus objetivos?
. A Imprensa: A TV quer fazer um programa sobre o alcoolismo e convida A.A. No 1° contato com o repórter, levar um exemplar da Revista Vivência.
. A Medicina: o médico psiquiatra chama A.A. para colaborar com o hospital psiquiátrico: presenteá-lo com um exemplar da Revista Vivência.
. A Justiça: juízes, promotores, delegados, como funciona o A.A.? Há revistas com depoimentos de detentos, levar um exemplar.
. A Educação: Universidades, Estagiárias: presentear o Reitor e depois os estagiários que chegam aos grupos.
. A Religião: vamos formar um grupo; precisamos do salão da Igreja. Informar o religioso o que é Alcoólicos Anônimos – levar uma revista.
. As Organizações Não-Governamentais, por exemplo, Casas de Recuperação; temos grupo de apoio; levar a cada 15 dias um exemplar e sortear entre os internos.
. Assinatura-Cortesia: na comunidade onde se localiza o Grupo: ao Profissional, ao Religioso, à Assistente Social, ao Médico, etc.
. Nas Reuniões de Informação ao Público: montar um stand com literatura de A.A. e exemplares da Vivência. Um RV presente para a divulgação da Revista:
a) Falar sobre a revista, folheando-a;
b) Deixar a(s) folhear (em) também;
c) Abrir na página: Como saber se alguém é alcoólico?
d) Além de oferecer a assinatura, se notar que a pessoa está interessada, oferecer um exemplar da Vivência.

A CIT – Comissão de Instituições de Tratamento – é a Comissão que leva a mensagem de A.A. aos internos dos hospitais, Clinicas de Repouso. Levando a mensagem de A.A., esta Comissão reforça a possibilidade do paciente alcoólico continuar sóbrio após a alta através da frequência aos grupos de A.A.

Como a Revista Vivência pode ajudar a CIT?
A Revista Vivência traz depoimentos de companheiros que estiveram internados, saíram da internação e foram direto a um Grupo de A.A. Presentear o Diretor da Instituição com um exemplar. No dia da Reunião do Grupo de Apoio, sortear um exemplar entre os pacientes. Eles irão aguardar este momento. A Oração da Serenidade: falar durante o depoimento e mostrar a 4ª capa da Revista.

A CIC – Comissão de Instituições Correcionais – é A Comissão que leva a mensagem de A.A. aos presídios, penitenciárias e Instituições Correcionais. O que faz a Comissão de Instituições Correcionais?
Primeiro: palestras aos funcionários do presídio; é importantíssimo que eles tenham a noção exata de como a Irmandade vê o alcoolismo, sua proposta de recuperação e que tipo de atividade A.A. pretende desenvolver junto aos presos;
Segundo: reunião com os reeducandos alcoólicos.
Como utilizar a Revista Vivência para a CIC atingir seus objetivos?
No 1º contato com o Diretor do Presídio: levar uma Revista Vivência. Presentear os funcionários e os reeducando.

Como poderemos adquirir para o Comitê Trabalhando com Os Outros as revistas para este trabalho maravilhoso da Quinta Tradição?
. solicitando aos companheiros que queiram colaborar com os trabalhos do Décimo Segundo Passo e Quinta Tradição, que façam doações das Revistas Vivência já lidas.
. aquisição pelo Grupo, Distrito ou mesmo pelo CTO junto aos ELS das revistas com os temas conforme o trabalho a ser realizado. E o mais importante: apadrinhar o ESL que dê desconto para esta aquisição.

Revista Vivência: uma excelente ferramenta na prática dos Três Legados de A.A.

Na Recuperação:

É uma reunião impressa. Identificamo-nos com os depoimentos publicados nas edições da Revista Vivência, pois eles são um veículo de recuperação à nossa disposição a qualquer tempo e lugar possibilitando assim, o conhecimento de relatos “que talvez nunca ouvíssemos”, pois são depoimentos de companheiros e companheiras que estão em outros estados, como por exemplo: nós que moramos em Goiás, como ouvir experiências de companheiros do Acre, Amazonas ou até mesmo no Sul sem nos deslocarmos para lá ou eles para cá?
A Vivência é a manifestação da vontade de Deus através dos membros; fonte geradora de força, experiência e esperança, resultando em maior qualidade de recuperação de seus leitores.

Na Unidade:

Na unidade orgânica dos Representantes de Serviços do Grupo a Vivência é um elo de ligação com o Universo de Alcoólicos Anônimos através de todos os eventos e acontecimentos publicados. É a manifestação do Amor de Deus através dos artigos dos companheiros onde muitas vezes ou quase sempre são inspirados por Deus em bloco. Explico: são muitas experiências sobre um mesmo assunto com prismas diferentes e amplos que transmitem sentimentos, pensamentos e ações que ajudam a transformar o velho homem renovando assim, o sentimento de unidade do novo homem, único e verdadeiro caminho da sobriedade.

No Serviço:

“Quem quiser ser o primeiro, terá que ser servo de todos”.
Ter o privilégio de ser um servidor em A.A. e digo mais: um servidor da Revista Vivência, assim como no Comitê Trabalhando com os Outros e outro qualquer encargo é sem dúvida um tanto complicado e ardil aos olhos do velho homem.
Ser RV, RVD e CRV vem suprindo minhas carências e deficiências gerando crescimento como pessoa, como profissional e na vida familiar. O mais importante tem sido o crescimento espiritual quando imbuído de coragem, sabedoria, amor, boa vontade e anonimato venho servindo o próximo sem nenhum reconhecimento material ou troca de favores pessoais, apenas o mais importante: paz e graça da parte de Deus nosso Pai.

ESCREVER O QUE?

A revista VIVÊNCIA tem se preocupado em compartilhar as maneiras individuais de se praticar nossos princípios. Acreditamos que em A.A. a única forma de ensinar é falando da gente, sobre a nossa experiência, falando a linguagem do coração. Portanto, como já ficou claro em nossas edições, damos preferência aos artigos que falam sobre experiências vividas, sejam elas baseadas em fatos acontecidos dentro da Recuperação do autor, dentro da Unidade do Grupo ou em Serviço de A.A. Talvez você tenha ouvido uma frase numa reunião de A.A. que gostaria de compartilhar, ou talvez somente queira narrar um acontecimento curto de poucas linhas. Não importa o tamanho, mande para nós. Precisamos também de artigos que caracterizem a função informativa de VIVÊNCIA para a comunidade em geral, inclusive de profissionais amigos.

DOZE MANEIRAS DE USAR A VIVÊNCIA

Sente-se ressentido, confuso ou simplesmente aborrecido? Gaste alguns minutos com VIVÊNCIA. Sua leitura lhe trará nova perspectiva do seu problema de bebida, do A.A. e de você.
Para milhares de leitores, em milhares de grupos, no Brasil e no exterior, VIVÊNCIA é muito mais que uma revista. É parte vital deste programa que ajuda homens e mulheres a levar uma vida feliz e produtiva sem álcool.
VIVÊNCIA é um informativo inspirador, mensageiro simpático e prestativo como um membro ou pessoa amiga – ou mesmo um grupo de A.A. de qualquer tamanho. É particularmente útil no apadrinhamento.
Quer ter acesso aos Passos e Tradições? VIVÊNCIA não pode lhe dizer o que fazer, mas certamente pode lhe mostrar a experiência de outros.
Eis algumas formas práticas como VIVÊNCIA é útil para muitos companheiros e grupos:

1. É uma reunião escrita
VIVÊNCIA é a solução ideal para quem não pode assistir às reuniões regularmente ou para quem deseja mais reuniões. Compacta de fácil leitura, a cada bimestre, publica a essência do que de “melhor” você poderia esperar de uma reunião.
2. É o presente ideal
Para um companheiro ou amigo, poucos presentes podem ser mais apropriados do que uma assinatura de VIVÊNCIA. É uma lembrança continuada de sua atenção e fonte de prazer e de inspiração para o presenteado.

3. Preparando palestras
Procurando ideias para fazer uma palestra mais interessante? Você encontrará na leitura de VIVÊNCIA: histórias pessoais, artigos interpretativos, anedotas, noticiário de A.A. do Brasil e do mundo, opiniões de médicos sobre o alcoolismo e o programa de recuperação oferecido pelo A.A. e muitas outras matérias.

4. Informações
Como A.A está chegando aos hospitais e prisões? O que é a Conferência de Serviços Gerais e o que ela significa para os membros de A.A. individualmente? E quanto ao A.A. no resto do mundo? VIVÊNCIA traz o mundo para sua casa e o mantém sempre atualizado.

5. É um fórum
Quer transmitir uma ideia? VIVÊNCIA lhe dá uma visão tão ampla quanto possível de A.A. como um todo, onde você e seus companheiros podem permutar histórias, pontos de vista e interpretações do programa de recuperação.

6. Companheira nas abordagens
Permita que VIVÊNCIA mostre ao recém-chegado o que A.A. realmente é – uma maravilhosa comunidade humana de mais de dois milhões de homens e mulheres em todo o mundo, unidos no propósito comum de permanecerem sóbrios e ajudar outros a alcançarem a sobriedade.

7. Reuniões temáticas mais produtivas
Grupos de todo Brasil estão usando artigos de VIVÊNCIA para discussão em reuniões temáticas. Com VIVÊNCIA, os membros ficam melhor preparados para tais reuniões, capazes de contribuir mais construtivamente.

8. A experiência acumulada
Você pensa que seu grupo tem problemas? Não se preocupe. Procure inteirar-se das inúmeras experiências de grupos publicadas frequentemente em VIVÊNCIA. É uma forma construtiva de manter seu grupo sintonizado com as Tradições.

9. Uma aliada no A.A. Institucional
Existe alguém no seu grupo apadrinhando (ou pretendendo apadrinhar) um grupo em hospital ou numa prisão? Uma assinatura de presente será profundamente apreciada por homens e mulheres com limitados contatos com o mundo exterior.

10. Ofertada ao recém-chegado
Muitos grupos usam VIVÊNCIA como importante ajuda para os programas de apadrinhamento. Encorajam os recém-chegados a ler a revista, a discutir e fazer perguntas sobre os assuntos lidos. Alguns grupos oferecem gratuitamente uma revista a cada visitante.

11. Ligação com a Irmandade
A.A. vem crescendo muito em todo o mundo. Seu grupo, seu distrito ou Área estão experimentando as dores do crescimento? Muitas soluções podem ser encontradas através das experiências compartilhadas em VIVÊNCIA.

12. Arquivo da história de A.A.
VIVÊNCIA espelha os acontecimentos da Irmandade de Alcoólicos Anônimos no momento atual. É uma preciosa coleção da experiência acumulada ao longo dos

Porque a Revista Vivência é importante para os Aas, amigos de A. A. e Profissionais?

A Revista Vivência é …
– Um “Décimo Segundo Passo moderno”. Quantas vezes ficamos inibidos em abandonar o assunto alcoolismo; basta começarmos mostrando Nossa Revista seguida da abordagem;
– Uma “Reunião Ambulante”; podemos levá-la a qualquer lugar e para casa. Quando chegamos cansados do serviço, sem ânimo de irmos à reunião do grupo, ou há alguém doente na família, que nos prende em casa, a Vivência nos servirá de alento para o momento apenas;
– A melhor ajuda para os companheiros que estão em iminente recaída. É só ler qualquer matéria que a compulsão desaparece;
– Como sugestão, poderá ser livro de cabeceira de todo AA, pois lendo toda manhã um trecho de qualquer matéria, ficaremos fortalecidos nas próximas vinte e quatro horas;
– Útil no Apadrinhamento! Basta oferecer uma Revista Vivência ao seu afilhado;
– Importante para esclarecer os Profissionais e a Comunidade, pois divulga Alcoólicos Anônimos e seu programa de recuperação. Poderá chegar aos profissionais e à comunidade através de assinaturas/cortesia;
– Eficaz nas abordagens e aos familiares: basta oferecermos um exemplar da mesma ao alcoólico problemático ou a um familiar do mesmo.

AO REPRESENTANTE DA REVISTA VIVÊNCIA

– Sugere-se que todo RV leia a Revista Vivência para obter subsídios e desenvolver seu trabalho.
– Faça sua própria assinatura, pois ninguém pode divulgar um produto que não conhece.
– A tarefa do RV é divulgar a Revista Vivência junto aos membros do grupo e familiarizá-los com a oportunidade de aprimoramento da sobriedade que ela oferece, através de artigos baseados em experiências pessoais de recuperação escritos por companheiros de A. A., além dos artigos escritos por não Aas sobre suas experiências profissionais. Chamada às vezes de “reunião impressa”, a Vivência também publica um calendário mensal dos eventos especiais de A. A.
– Ao RV eleito pelo grupo, sugere-se enviar seu nome e endereço para Vivência, Caixa Postal 580, CEP 01060-970, São Paulo – SP. Os mesmos dados devem ser enviados para o Coordenador de Publicação e Literatura da Área. Com estas informações ele será devidamente cadastrado e receberá regularmente a correspondência com os formulários de assinatura da Vivência.

Outras atribuições do RV

– Informar ao grupo a chegada de cada nova edição e comentar sobre as matérias nela publicadas;
– Fazer com que a Vivência sempre esteja exposta em lugar visível no grupo e, se possível, manter um pequeno mural com frases da última edição, cupom de assinatura, lista das assinaturas vencidas e a vencer, etc.
– Sugerir ao grupo que ofereça, assinaturas de cortesia da Vivência a médicos, juízes, advogados, delegados, assistentes sociais, jornalistas, repórteres, etc.
– Sugerir ao grupo que use artigos da Revista nas reuniões com temas e nos trabalhos do CTO – Motivar os membros do grupo a mandarem colaborações para a Vivência: artigos, desenhos, etc.
– Solicitar aos profissionais, principalmente àqueles que conhecem o nosso programa, o envio de artigos à Revista.
– Orientar e motivar os companheiros a fazerem ou renovarem suas assinaturas, e encaminhar à Vivência as assinaturas, renovações e sugestões dos assinantes.
– Seria bom que o RVD participasse das Reuniões Mensais do Distrito apresentando sugestões para o RSG, incentivando a eleição do RV e, caso o grupo ainda não possua, o RSG faria a divulgação da Revista.
– Ao RVD que tiver condições de visitar os Grupos de seu Distrito sugere-se apadrinhar ou acompanhar o RV do Grupo falando sempre sobre a Revista Vivência e principalmente sobre o tema específico de cada edição.
– A participação do RVD na Reunião Mensal da Área, na medida do possível, também é importante.
– Tudo que fizermos para A. A. através de um trabalho como Servidor de confiança estaremos fazendo para nós mesmos.

COMO CONQUISTAR E MANTER OS ASSINANTES DA REVISTA
VIVÊNCIA?
1) Da importância dos Detalhes
• As melhores técnicas de conquistar assinantes não custam absolutamente nada.
• Os assinantes adoram cortesia, simpatia, entusiasmo, alegria e companheirismo.
• Um aperto de mão, um abraço com alegria e a satisfação em atender, valem mais que todas as promoções que são feitas por outros meios.
2) Acompanhamento
• a chave da fidelidade do assinante é o acompanhamento.
• Jamais esquecer o assinante. Jamais deixar que ele esqueça.
• Será bem sucedido quando se faz o acompanhamento dos membros assinantes
3) Contato Pessoal
• A propaganda é apenas 1% do processo de divulgação; o contato no dia a dia é o que realmente funciona.
• Nada substitui um contato pessoal e caloroso.
• Todos querem se sentir únicos, esperados e importantes.
4) Sorrir
• A cada dia olho no espelho e analiso como anda a minha expressão facial.
• Evito expressão de indiferença
• Elimino a expressão de tristeza.
• Reforço toda expressão de alegria.
• Sorrio com franqueza quando falo algo.
5) Demonstração do Produto
• Valorizo cada demonstração, pois represento pessoas que se envolveram no processo das edições.
• Procuro sempre mostrar da melhor forma a Revista Vivência e os Serviços.
• Os apelos feitos para os olhos são 70% mais eficazes do que apenas o uso das palavras.
6) Facilidade e Agilidade
• Quanto mais facilito e agilizo a operação, mais os assinantes são atraídos.
• Manter as coisas simples, eliminando burocracia excessiva.
7) Laços de Companheiros
• Faço amigos. Todos gostam de comprar amigos.
• Procuro encantar os assinantes.
• Lealdade e transparência nas informações.
8) Comodidade
• Faço tudo para que o assinante ache cômodo fazer assinatura ou renovar comigo.
• Jamais dificulto as coisas.
• Procuro ser solução e não problema para o assinante.
9) Credibilidade
• Os pequenos atos desonestos prejudicam tanto ou mais que os grandes.
• Não prometo o que não posso cumprir.
• Evito criar altas expectativas.
• Procuro fazer mais que prometi.
• Os companheiros precisam confiar em mim para fazer ou renovar assinaturas.
• Eu sou a imagem da estrutura de serviços da Irmandade.
10) Motivação
• Pensamento positivo me transforma naquilo que penso.
• Ajo entusiasticamente.
• Entusiasmado, contagio meus companheiros RV’s, RVD’s e eles, os assinantes.
• “Não” é a palavra mais desmotivante.
11) Assinantes satisfeitos
• Assinantes satisfeitos são meus mais poderosos aliados.
• Minha principal tarefa é fazer o assinante feliz.
• Eles voluntariamente farão divulgação da Revista Vivência e da Irmandade.
12) Ação
• Haja o que houver, ajo.
• Perdendo tempo, destruo muitas oportunidades.
• Procuro a perfeição: sempre algo para melhorar.
• Ideias não são suficientes, somente a ação importa.
13) Reclamações
• Para cada reclamação, outros 20 assinantes com o mesmo problema não o fizeram.
• A reclamação é de grande valia para sanar os erros e melhorar sempre mais.
• Transformo o assinante queixoso em assinante ativo.
14) Persistência
• Em geral, não é no primeiro contato que a pessoa assina a Revista Vivência.
• A maioria desiste apenas a um passo do sucesso. Thomas A. Edison, um dos maiores gênios da nossa História, persistiu mil vezes até inventar a lâmpada elétrica.
15) Criatividade
• Uso a imaginação.
• Observo e anoto tudo o que pode ser mudado e melhorado.
• Não imito, crio.
• As boas ideias possuem uma elegante simplicidade.
• Toda ideia nova é absurda, até que se torne um sucesso.
16) Acreditar em si mesmo
“Eu posso” é uma sentença poderosa. Há situações em que meu “faro” é fundamental.
• Ouço a minha intuição.
• Acredito em mim, mesmo que ninguém mais acredite.
Se eu não acreditar em mim, quem o fará?
• Todos gostam de compartilhar com o otimista.
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ATRAÇÃO X PROMOÇÃO

ATRAÇÃO X PROMOÇÃO

O PONTO DE PARTIDA

Na década de 1950, Bill W. recebeu um convite que, a princípio, pareceu-lhe tentador: ser a matéria de capa da revista semanal americana Time, estampando a parte de trás de sua cabeça e constando a história de sua vida associada à de Alcoólicos Anônimos. Certamente que tal acontecimento seria capaz de divulgar nossa Irmandade nos quatro cantos do mundo, pois essa publicação já tinha, naquela época, renome internacional. Mas Bill W. não aceitou a oferta, mesmo tendo consciência de que estaria impondo a vários sofredores da doença do alcoolismo a continuação de seu sofrimento ou – quem poderá saber! – “uma sentença de morte para alguns bêbados.”(1) Bill sabia, contudo, que se aceitasse tal proposta estaria abrindo um precedente perigoso, ao transgredir um de nossos princípios já estabelecidos: o da atração em vez da promoção.
Nos primeiros anos de existência da Irmandade de Alcoólicos Anônimos, havia o temor de que alguém ou algum evento externo viesse abalar a ainda incipiente irmandade, que a custo buscava existir, ou seus primeiros membros, há muito pouco tempo abstêmios. Quando da publicação do Livro Alcoólicos Anônimos (em 1939), temia-se uma enxurrada de pedidos de ajuda à recém-criada Fundação do Alcoólico, que não pudessem ser respondidos a contento ou que viessem a expor publicamente os companheiros e suas famílias. Em artigo publicado na Revista Grapevine, o próprio Bill relata aqueles momentos:
“No livro Alcoólicos Anônimos, há somente três referências ao princípio do anonimato. O prefácio de nossa primeira edição afirma: “A quebra do anonimato poderia prejudicar as nossas atividades profissionais, visto sermos homens de negócio ou de profissão liberal, logo recomendamos a todos os nossos companheiros que, ao escrever ou falar para o público sobre alcoolismo, omitam seus nomes, designando-se simplesmente, como membros de Alcoólicos Anônimos”. E depois: “Encarecidamente solicitamos também aos homens de imprensa que observem esse pedido, pois de outro modo seríamos muito prejudicados”. (2)
Fato decisivo para a divulgação da irmandade foi a publicação, em 1941, do artigo de Jack Alexander, no Saturday Evening Post, revista de circulação nacional que gozava, àquela época, de grande prestígio junto ao público norte-americano. Credita-se a este artigo o grande crescimento do número de membros de nossa irmandade no período de um ano – de dois mil para oito mil membros, um aumento de seis mil em relação a 1940. (3)
Até então tínhamos dificuldade na divulgação da mensagem, haja vista, o fato de que o Livro Alcoólicos Anônimos escrito com esta finalidade ─ de ser uma abordagem ─ ter sido um fracasso de venda ao contrário do que nossos pioneiros esperavam. Com esta divulgação e a consequente propagação da mensagem, o quadro reverteu-se e Alcoólicos Anônimos cresceu de uma forma, pode-se dizer, galopante. Desta forma, a primeira metade dos anos 40 foi dedicada à divulgação da Irmandade. Porém, paradoxalmente, vimo-nos envolvidos num dilema que quase nos paralisou, precisávamos da imprensa para que o movimento se tornasse conhecido, mas ao mesmo tempo temíamos que esta exposição nos levasse de volta às inevitáveis quebra do anonimato. Decidimos então não fornecer os nomes completos ao ser entrevistados pelos órgãos de imprensa, ainda que, com fundado receio de que esse posicionamento causasse uma sensível diminuição do interesse da mídia por nós.
Entretanto, esses e outros acontecimentos resultaram na boa vontade da imprensa com nossa Irmandade fazendo diminuir, mesmo que brandamente, o estigma social do alcoolismo, embora, paralelamente, surgisse um novo problema: “… alguns membros de A.A. começaram a admitir publicamente sua afiliação para a mídia. Um dos primeiros a fazer isso foi um famoso jogador de beisebol, cuja volta era tão espetacular que a imprensa dava exagerada atenção ao sucesso de sua luta contra o álcool. Acreditando que pudesse ajudar A.A., revelando sua adesão à Irmandade, ele falava dela abertamente.” (4) A essa quebra de anonimato no nível da mídia seguiram-se inúmeras outras, que tanto estavam imbuídas de boas intenções quanto de má-fé; tanto tinham como objetivo tornar a Irmandade mais conhecida quanto a autopromoção de alguns membros que ligavam o nome de A.A. aos mais diversos empreendimentos.
Todos esses episódios, sejam eles positivos ou negativos, foram de crucial importância para que se forjasse a 11ª Tradição de Alcoólicos Anônimos, norteadora de nossas relações públicas, quanto ao anonimato. Como escreve Bill W, no livro A.A. atinge a maioridade:
“… os Custódios de A.A. foram autorizados a conduzir todas as nossas relações públicas, e estabeleceu-se o princípio de atração em vez de promoção como a chave de nossa relação com o mundo à nossa volta. Não é por acaso que o esboço original, na ‘forma longa’ da 11ª Tradição mantém a declaração de que ‘é melhor deixar que nossos amigos nos recomendem.’
“Foi por esse processo que a 11ª Tradição de A.A. foi desenvolvida. Para nós ela representa mais do que simplesmente uma política de relações públicas. Ela é mais do que uma negação do egoísmo. A 11ª Tradição é certamente um lembrete permanente de que a ambição pessoal não tem lugar em A.A., mas nela também está implícito que cada membro deveria se tornar um guardião ativo de nossa irmandade, em suas relações com o público em geral.” (5)
É fato que todas as Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos são fruto de uma experiência vivida por nossos membros e grupos, que buscavam não só a manutenção imediata de nossa Irmandade mas também a sua perpetuação para as gerações vindouras, evitando-se assim equívocos cometidos por outras irmandades e associações que haviam desaparecido por diversas razões contra as quais lutamos a cada vinte e quatro horas. E essa realidade nos é transmitida desde a 1ª Tradição:
“Assim como havíamos um dia lutado e rezado pela reabilitação individual, assim também encetamos uma busca séria dos princípios através dos quais A.A. propriamente dito poderia sobreviver. A estrutura da nossa Irmandade foi forjada à custa dos ensinamentos da experiência.”(6)
Mas infelizmente para nós, membros de Alcoólicos Anônimos do Brasil, toda essa gama de princípios veiculados nas Doze Tradições chegou-nos apenas 25 anos após o início das atividades do primeiro grupo de A.A. em nosso país.

A NOSSA TAREFA

Registre-se, que muito daquilo que temos hoje no que concerne ao respeito às tradições e aos princípios que nos asseguram a existência como Irmandade devemos à realização, anualmente, da Conferência de Serviços Gerais que se sucede até o presente, e que, sem sombra de dúvida, há 36 anos vêm refletindo os anseios da consciência coletiva de nossa Irmandade no Brasil. Além disso, tomou-se a sábia decisão de atribuir-lhes temas baseados nos princípios de A.A., exatamente como a XXVIII Conferência de Serviços Gerais, realizada em 2004, e que faz referência à nossa 11ª Tradição: a Atração em vez da promoção.
Exemplo brilhante da prática deste princípio temos quando Bill W. negou-se a associar publicamente sua vida pessoal à de Alcoólicos Anônimos na Revista Time, então, ele já nos indicava a necessidade vital de que respeitássemos as tradições concernentes ao Anonimato. Esse evento constitui para nós, membros, um exemplo de humildade e abnegação, pois Bill W. conseguiu enxergar que, para o futuro da Irmandade, uma publicidade pessoal, mesmo que positiva, poderia pôr em risco a sobrevivência de A.A.. E é disto que trata a 11ª Tradição, ao colocar em pé de igualdade a necessidade de sermos humildes, mas ao mesmo tempo responsáveis pelo futuro de A. A., já que deveríamos constituir um exemplo dentro de nossos grupos, em nossas famílias, na comunidade em que vivemos e trabalhamos, e isso representa o sacrifício de nossos desejos interiores de prestígio pessoal e de renome; o sacrifício que impõe desprendimento de tudo o que venha a macular o nome e o futuro de nossa Irmandade.
Em artigo publicado na Revista Grapevine, Bill afirma que: “Nada é mais importante para o futuro bem-estar de A.A. do que a maneira pela qual utilizamos o colosso dos modernos meios de comunicação. Usados bem e com altruísmo, podem produzir resultados que ultrapassem nossa imaginação. Se usarmos mal esse grande instrumento seremos destruídos pelas manifestações egoístas de nossa própria gente. Contra esse perigo, o anonimatos dos membros de A.A., perante o público em geral, é nosso escudo e nossa proteção.” (7) Este mesmo raciocínio podemos usar hoje para a Internet que através das redes sociais e demais mecanismos de comunicação que traz em seu bojo, poderá ser de inestimável valia na transmissão da mensagem, desde que, a saibamos usar em consonância com os princípios que norteiam a nossa existência enquanto instituição voltada unicamente ao seu propósito único e primordial, a transmissão da mensagem.

OS FRUTOS

Talvez nunca se tenha falado tanto de nossa Irmandade quanto nos últimos anos. Nossos amigos sejam eles médicos, psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, profissionais da imprensa, juízes, todos eles têm reiteradas vezes recomendado as salas de A. A. como solução para a doença do alcoolismo. Os diversos meios de comunicação – emissoras de rádio e televisão, jornais, revistas têm veiculado insistentemente a mensagem de A.A. Cabe a nós, portanto, a tarefa de nos anularmos como individualidades, para que a mensagem salvadora de A.A. alcance o seu objetivo: o alcoólico que ainda sofre.
No entanto, não podemos esquecer os avisos contidos em nossa literatura, como no Conceito XI quando ao descrever as atividades do Comitê de Informações ao Público, em nossa estrutura o Comitê Trabalhando com os Outros – CTO, lembra que: “as técnicas usadas para promover uma grande personalidade ou para vender uma nova loção para cabelos não serviriam para A.A.”. Continuando afirma, ainda, que: “ devemos evitar táticas agressivas de promoção” (8). No original em espanhol: “(…) sin que nos metamos com la publicidad agresiva”. (9)
No ano de 1999 a mesma Revista Time à qual Bill W. disse não, colocou-o entre as vinte pessoas que mais influenciaram o Século XX. Isto prova o quanto andamos certos ao recusar o prestígio pessoal. A atitude firme em defesa das nossas tradições será sempre a nossa salvaguarda no futuro, quanto mais nos aferramos aos nossos princípios mais Alcoólicos Anônimos é respeitado e reconhecido pela sociedade.
A Garantia Cinco do Conceito XII afirma: “é evidente que a harmonia, segurança e eficiência futuras de A.A. dependerão muitíssimo de uma atitude passiva e não agressiva em todas as nossa relações públicas”.
Toda quebra de anonimato é um precedente perigoso, que pode destruir um dos princípios basilares de A.A. Nos Doze Passos a humildade se revela como o lastro de uma recuperação permanente, para o indivíduo. Da mesma forma, esta virtude é de fundamental importância para A.A. como um todo. Portanto, a nossa experiência nos mostrou que todas as nossas relações públicas, devem nortear-se pelo princípio de atração em vez de promoção como a chave de nossa relação com o mundo.

(1) Levar adiante, p. 342.
(2) A Tradição de A.A. como se desenvolveu, p. 56.
(3) A.A. Atinge a maioridade, p. 171.
(4) Entendendo o anonimato, p.6.
(5) A.A. Atinge a maioridade, p. 118
(6) Os Doze Passos e as Doze Tradições, p. 174.
(7) Na opinião do Bill, p. 255.
(8) Doze Conceitos para Serviço Mundial, p. 82.
(9) El Manual de Servicio de A.A. y Doce Conceptos para el Servicio Mundial; e. 2006-2007 p. 51.

A TRADIÇÃO DE A.A. COMO SE DESENVOLVEU

A TRADIÇÃO DE A.A. COMO SE DESENVOLVEU

Neste livrete o companheiro Bill W. mostra o início e o desenvolvimento dos princípios essenciais para a unidade e sobrevivência de Alcoólicos Anônimos.
A questão central deste tema é como nós, membros de A.A. preservaremos melhor nossa unidade?
Os laços que nos unem, precisam ser muito mais fortes do que as forças que nos dividiriam se pudessem. A unidade é essencial para a nossa segurança.
Quatro condições básicas são aqui apresentadas para que possamos a cumprir a nossa missão como irmandade que tem por finalidade transmitir uma mensagem que possibilite a recuperação do alcoólico que ainda sofre:

1ª – Como membros de A.A, cada um de nós conseguir recusar prestígio público e renunciar a qualquer desejo de influência pessoal;

2ª – Se como movimento, insistimos em permanecer pobres, a fim de evitar disputas a respeito de grande propriedade e sua administração;

3ª – Se rejeitarmos sempre todas as alianças políticas, sectárias ou quaisquer outras, evitando assim a divisão interna e a notoriedade pública;

4ª – Se como movimento, continuarmos sendo uma entidade espiritual, interessada somente em levar nossa mensagem aos companheiros sofredores, sem recompensa ou obrigação.

Atitudes e práticas que têm desmoralizado outras formas de sociedades humanas seriam um risco para A.A porque poderiam atingir de morte a unidade tão vital para nós.
A unidade de A.A. não pode se preservar automaticamente e assim como na recuperação, temos que sempre trabalhar para mantê-la, eis alguns requisitos necessários: honestidade, humildade, mente aberta, altruísmo e, acima de tudo vigilância.
Em determinado momento percebemos a necessidade de trabalhar e viver juntos  conviver.
Cada membro deve tomar consciência de tendências perturbadoras que nos põem em perigo como um todo. Aqui vale a pena uma reflexão, será que nos dias atuais ainda corremos esse risco? Assim como os defeitos pessoais põem em risco a sobriedade e paz de espírito do indivíduo, a quebra da unidade ameaça de morte a irmandade de Alcoólicos Anônimos.
Os “Doze Pontos da Tradição de A.A.” constituem nossa primeira tentativa para estabelecer princípios sólidos da conduta de grupo e relações públicas. Nesta ocasião as Doze Tradições já se mostravam sólidas o suficiente para se tornar o guia básico e a proteção para A.A. (grifo nosso) Devemos aplicar as Tradições tão seriamente à vida do grupo como fazemos com os Doze Passos de recuperação para nós mesmos.
Unidade permanente para que possamos aliviar o sofrimento daqueles que ainda estão por se unir a nós em busca da liberdade pessoal que um dia alcançamos.
Ninguém inventou Alcoólicos Anônimos. Ele brotou. Por ensaio e erro tem produzido uma rica experiência. Tentamos e erramos, tentamos e erramos e com isto adquirimos uma rica experiência, que nos foi legada, porque alguém teve a humildade de deixar escrito para nós, primeiro como norma de procedimento e depois como tradição.
Mas nesta hora foi colocado um aviso de prudência “não deveríamos ser por demais rígidos; a letra pode matar o espírito”. Para isto evitamos as pequenas regras e proibições; o falso orgulho de pensarmos que tínhamos dito a última palavra; a tentação de impor nossas rígidas regras aos alcoólicos, sob a ameaça de deixá-los de fora. Isso seria impedir o crescimento e desenvolvimento de Alcoólicos Anônimos.
As lições aprendidas com as nossas experiências valem muito. Adquirimos durante esses anos um grande conhecimento do problema de conviver  viver e trabalhar juntos. Se conseguirmos isto de forma permanente, então, e somente então, nosso futuro estará assegurado.
Depois da libertação da calamidade pessoal que não mais os escravizava, a maior preocupação dos nossos membros mais antigos passou a ser o futuro de Alcoólicos Anônimos. Neste momento, aqui reunidos, buscamos certamente, a resposta para a pergunta: “como preservar entre nós A.As., essa poderosa unidade para que nem a fraqueza das pessoas, nem a tensão e disputa desses tempos modernos possam prejudicar a nossa causa comum?” (grifos nossos)
Já naquela ocasião e, infelizmente ainda hoje, falávamos em nossos problemas de grupo. Basicamente esses problemas foram assim definidos:

a) relações de uns membros com os outros;

b) relações do grupo com o mundo exterior;

c) a relação do grupo com Alcoólicos Anônimos como um todo;

d) o lugar que Alcoólicos Anônimos ocupa na sociedade moderna;

e) a relação do grupo com a estrutura de Alcoólicos Anônimos;

f) a nossa atitude – membros e grupos -com relação a liderança, dinheiro e autoridade.

O futuro de A.A pode muito bem depender de como sentimos e atuamos a respeito das coisas que são sujeitas a controvérsia e como consideramos as nossas relações públicas.

Ao final dessas considerações de suma importância para a existência de Alcoólicos Anônimos chegou-se àquela época a duas indagações vitais para a definição do conjunto de princípios que hoje norteiam e balizam a nossa convivência representando, ainda, a garantia da preservação de Alcoólicos Anônimos.

– Será que já adquirimos experiência suficiente para apresentar normas de procedimentos bem definidas sobre essas questões preponderantes para nós?

– Podemos agora estabelecer os princípios gerais que poderiam levar às tradições vitais  tradições mantidas no coração de cada A.A por sua própria convicção profunda e pelo consentimento comum de seus companheiros? (grifo nosso)

Essa é a questão. Apesar de que respostas completas para todas as nossas dúvidas possam nunca ser encontradas, tenho certeza, disse Bill W., tenho certeza que chegamos finalmente a uma posição vantajosa, de onde podemos vislumbrar os principais contorno de um corpo de tradição que, se Deus quiser, pode permanecer como um eficiente vigilante contra todas as destruições de tempo e circunstancias. (grifo nosso)

Finalmente, Bill W. expressa o sentimento dos membros da época ao assentarem os trilhos que evitaram que a locomotiva chamada Alcoólicos Anônimos descarrilasse e não conseguisse atingir o seu único e primordial objetivo, ou seja, a transmissão de sua mensagem. Eis na íntegra o trecho que marca a entrega das tradições à nossa irmandade:

“Atuando de acordo com o desejo persistente dos velhos amigos de A.A. e com a convicção de que agora é possível um entendimento e acordo geral entre nossos membros, arriscarei colocar em palavras estas sugestões para uma Tradição de Relações de Alcoólicos Anônimos  Doze Pontos para assegurar nosso futuro.”

AS TRADIÇÕES NA FORMA INTEGRAL

A experiência de A.A. nos tem ensinado que:

1ª Cada membro de Alcoólicos Anônimos é apenas uma pequena parte de um grande todo. A.A. precisa continuar a viver ou a maioria de nos certamente morrerá. Portanto nosso bem-estar comum vem em primeiro lugar. Mas o bem-estar individual vem logo depois.

2ª Para os objetivos de nosso grupo, há somente uma autoridade final – um Deus amantíssimo, como pode expressar-Se em nossa consciência coletiva.

3ª Nossa Irmandade deve incluir todos os que sofrem do alcoolismo. A condição para tornar-se membro não deve nunca depender de dinheiro ou formalidade. Dois ou três alcoólicos quaisquer reunidos em busca de sobriedade podem se autodenominar um grupo de A.A., desde que como grupo não possuam qualquer outra afiliação.

4ª Com respeito a seus próprios assuntos, nenhum grupo de A.A. esta sujeito a autoridade alguma além de sua própria consciência. Quando porem, seus planos interferirem no bem-estar de grupos vizinhos, estes devem ser consultados. E nenhum grupo, comitê regional ou membro como indivíduo deve tomar qualquer atitude que possa afetar seriamente A.A. como um todo, sem consultar os custódios da Junta de Serviços Gerais. Em tais questões, nosso bem-estar comum tem absoluta primazia.

5ª Cada grupo de Alcoólicos Anônimos deve ser uma entidade espiritual com um único propósito primordial – o de levar sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.

6ª Problemas de dinheiro, propriedade e autoridade podem facilmente nos afastar de nosso objetivo espiritual primordial. Acreditamos, portanto, que quaisquer bens de valor considerável, de real utilidade a A.A. devem ser incorporados e administrados separadamente, fazendo-se assim uma divisão entre material e espiritual. Um grupo de A.A., como tal, jamais deve dedicar-se ao comércio. Entidades secundárias de auxílio a A.A., tais como clubes ou hospitais, que requeiram muitos bens materiais e muita administração devem ser incorporadas, de forma que, se necessário, possam os grupos livremente descartarem-se deles. Tais instituições não deveriam, portanto, usar o nome de A.A. Sua administração deve ser exclusiva responsabilidade das pessoas que as financiam. Para os clubes, são em geral preferíveis gerentes que sejam membros de A.A. Mas os hospitais e outros locais de recuperação devem, porem, ficar afastados de A.A e ter supervisão médica. Embora um grupo de A.A. possa cooperar com quem quer que seja, tal cooperação nunca deve chegar ao ponto de filiação ou endosso, real ou implícito. Um grupo de A.A. não pode vincular-se a ninguém.

7ª Os grupos de A.A. devem ser inteiramente autofinanciados pelas contribuições voluntárias de seus próprios membros. Acreditamos que cada grupo deve atingir, em pouco tempo, esse ideal; que qualquer solicitação de fundos usando-se o nome de A.A. é altamente perigosa, seja ela feita por grupo, clubes, hospitais ou outros agentes exteriores; que a aceitação de grandes donativos de qualquer fonte ou de contribuições que acarretem quaisquer obrigações é desaconselhável. Vemos ainda com muita preocupação aquelas tesourarias de A.A. que continuam a acumular alem da reserva prudente, fundos sem um propósito específico. A experiência tem nos demonstrado, frequentemente, que nada pode destruir nosso patrimônio espiritual com tanta certeza, como as discussões fúteis sobre propriedade, dinheiro e autoridade.

8ª Alcoólicos Anônimos deveria manter-se sempre não-profissional. Definimos profissionalismo como o emprego do aconselhamento a alcoólicos em troca de honorários ou salário. Todavia podemos empregar alcoólicos pra desempenhar aquelas funções para as quais, em outras circunstâncias, teríamos que contratar não-alcoólicos. Mas nosso trabalho habitual de Décimo Segundo Passo de A.A. jamais deve ser pago.

9ª Cada grupo de A.A. necessita da menor organização possível. A forma rotativa da liderança é a melhor. O grupo pequeno pode eleger um secretário; o grupo grande seu comitê rotativo e os grupos de uma ampla região metropolitana seu comitê central ou intergrupal, o qual frequentemente emprega um secretário em tempo integral. Os Custódios da Junta de Serviços Gerais de A.A. se constituem na realidade, em nosso Comitê de Serviços Gerais de A.A.. São eles os guardiões de nossa Tradição de A.A. e os depositários das contribuições voluntárias dos A.As, através dos quais mantemos nosso Escritório de Serviços Gerais em Nova York. Eles são autorizados pelos grupos a cuidar de nossas relações públicas em geral e garantem a integridade de nosso principal órgão de divulgação: a revista A.A. Grapevine. Todos esses representantes tem suas ações guiadas pelo espírito de serviço, pois os verdadeiros líderes em A.A. são apenas servidores experientes e de confiança da Irmandade. Seus títulos não lhes conferem nenhuma autoridade real e eles não governam. O respeito universal é a chave para sua utilidade.

10ª Nenhum grupo ou membro de A.A. deve jamais expressar, de forma a envolver A.A., qualquer opinião sobre assuntos controversos externos – particularmente política, medidas de combate ao álcool ou religião sectária. Os grupos de A.A. não se opõem a nada. Com respeito a tais assuntos, eles não podem expressar qualquer opinião.

11ª Nossas relações com o público em geral devem caracterizar-se pelo anonimato pessoal. Acreditamos que A.A. deve evitar a publicidade sensacional. Nossos nomes e fotografias, como membros de A.A., não devem ser divulgados pelo rádio, filmados ou publicamente impressos. Nossas relações públicas devem orientar-se pelo princípio da atração e não da promoção. Nunca há necessidade de elogiarmos a nós mesmos. Achamos melhor deixar que nossos amigos nos recomendem.

12ª Finalmente, nós de Alcoólicos Anônimos acreditamos que o princípio do anonimato tem uma enorme significação espiritual. Lembra-nos que devemos colocar os princípios acima das personalidades; que devemos realmente conduzir-nos com genuína humildade. Isto para que as nossas grandes bênçãos jamais nos corrompam, a fim de que vivamos para sempre e grata contemplação d’ Aquele que reina sobre todos nós.

Arrozal, 30/10 a 01/11/2009.

Uma Declaração de Unidade

O futuro de A.A. depende de ser colocado, em primeiro lugar, o nosso bem-estar comum, a fim de manter a nossa Irmandade unida. Da unidade de A.A. dependem as nossas vidas e as vidas daqueles que virão.

A LIDERANÇA EM ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

A LIDERANÇA EM ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

SEGUNDA TRADIÇÃO

“Somente uma autoridade preside em última análise o nosso propósito comum ─ um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa Consciência Coletiva, nossos líderes são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar”.

Líderes– pessoas cujas ações e palavras exercem influência sobre o pensamento e comportamento de outras.

A Segunda Tradição focaliza um Deus amantíssimo, a Consciência de Grupo e a liderança em A.A., ela é a chave que liberta os membros e servidores líderes de A.A. do “individualismo” e que, portanto, precisa ser aplicada (praticada) dentro de nossa Irmandade como um todo. A experiência acumulada pelos precursores mostrou que a Consciência de Grupo deve ser a única autoridade. Ainda hoje isto causa muitas discussões nos Grupos e órgãos de serviço, vemos que movidos pelas circunstâncias e apego ao poder, alguns membros ainda não acreditam nesta realidade, por natureza eles entendem que devem determinar normas e conduzir os trabalhos de A.A. à sua maneira, achando que sem a sua voz de comando nada poderá dar certo, adquirindo assim, um “direito” ilimitado de conduzir A.A. Pior ainda, muitos destes pensam que têm o direito de escolher seus sucessores, sem se aperceberem que a autoridade final deve vir da voz da consciência do Grupo. Isso não significa que estes membros não tenham utilidade, pelo contrário, suas experiências quando aplicadas sem autoritarismo ou interesse pessoal, sempre terão grande valia para o desenvolvimento da nossa Irmandade.

TERÁ A.A. UMA LIDERANÇA?

O Conceito IX na nos diz que “nenhuma sociedade pode funcionar bem sem uma liderança capaz em todos os seus níveis, e A.A. não pode ser exceção”.

A Segunda Tradição nos assegura igualdade:

 Dá-nos o direito de escolher nossos servidores e líderes.

 Garante a democracia plena.

 Também, nos põe a salvo de qualquer retaliação, pois quando colocamos em risco a harmonia do grupo ─ UNIDADE , a punição é a embriaguez do individuo e a dissolução do Grupo.

 Mostra como evitar problemas de autoridade e abuso de personalidade dentro dos serviços.

 Insere o princípio da rotatividade no serviço para evitar que companheiros criem raízes em um determinado encargo. Este princípio estimula os mais novos a prestar serviço para A.A., trazendo recompensas espirituais mais benignas do que fama pessoal e prestígio para alguém.

 Demonstra que os servidores não devem se impor aos mais demais membros, e sim têm a responsabilidade de compartilhar forças, esperanças e sobretudo experiências, baseado nos princípios de A.A. para que o Grupo tenha a sua consciência esclarecida.

 Nos mostra que pelos princípios de nossa Irmandade o líder ou velho mentor não lidera pelo prestígio pessoal, mas pelo exemplo dentro e fora da Irmandade.

SUBMISSÃO À CONSCIÊNCIA COLETIVA
Ao nos dispormos a aceitar encargos de serviço, estamos nos submetendo à Consciência Coletiva. Por isso não deve haver qualquer imposição hierarquizada pessoal ou individualizada dentro da Irmandade. Como verdadeiros servidores e líderes, devemos formular metas de trabalho e submetê-las à Consciência Coletiva do Grupo ou órgão de serviços. Bill W. no Conceito IX nos diz que, “equipar nossa estrutura de serviços em todos os níveis, com trabalhadores capazes e com boa vontade, tem de ser uma atividade constante e que a nossa futura eficiência depende de renovadas gerações de líderes”. Temos trabalhado a formação de novos líderes de serviço? A Segunda Tradição nos mostra os mais veteranos com o dever de transmitir espiritualidade aos mais novos, para que eles futuramente sejam os servidores e líderes de A.A. e então que estes veteranos tornem-se mentores, observando o desenrolar dos acontecimentos, com sua experiência e exemplo de espiritualidade muitas vezes ajudando a resolver situações. Notável o fato de que o velho mentor apresentado pela Segunda Tradição é aquele que continua nos Grupos convivendo, ele é alguém que está sempre por perto pronto para partilha, não existe velho mentor isolado do Grupo.

RECUPERAÇÃO BASE DE TUDO
Precisamos nos recuperar à luz dos Doze Passos para aprendermos a ser servidores e não apenas “líderes”. Liderar em A.A. significa servir¸ orientar, amar para fazer tudo graciosamente, sem expectativa de retorno. Liderar em Alcoólicos Anônimos é servir, precisamos aprender a sermos servidores (servos) ao invés de apenas líderes. Está claro no enunciado da Segunda Tradição “(…) nossos líderes são apenas servidores de confiança; não tem poderes para governar”. O grande problema é que a maioria de nós líderes não aprendemos antes a ser servos, pois isto se dá com a prática da recuperação (Doze Passos) em nossa vida pessoal, por isso muitas vezes deturpamos a beleza do líder servidor de confiança colocado pela Segunda Tradição “Nossos líderes não dirigem pelo mandato, lideram pelo exemplo”. Ainda no Conceito IX encontramos: “um líder no serviço de A.A. é, portanto, um homem (ou uma mulher) que pode pessoalmente colocar princípios, planos e normas ação de maneira tão delicada e efetiva que leva o resto de nós a querer apoiá-lo e ajudá-lo na sua tarefa”. Eis a essência da Segunda Tradição, os líderes em A.A. não lideram pessoas, eles lideram serviços e responsabilidades, por isto os líderes mostrados pela Segunda Tradição e pelo Conceito IX lideram mostrando como se faz, ou seja, fazendo primeiro.

ATUEM POR NÓS, MAS NÃO MANDEM EM NÓS
A Segunda Tradição nos ensina que não precisamos de “governo ou governantes”, o chefe no sentido convencional do termo, com poder de mando, de advertir, punir, suspender, de demitir, de expulsar, de aprovar ou desaprovar ingressos, editar leis e regulamentos etc. não queremos isto porque a experiência já nos disse que não dá certo e nem é bom para nós. Precisamos ser servidores líderes ou a autêntica liderança proposta nesta Tradição que é a do exemplo, que não é a melhor forma de convencer mas a única, não existirá.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Primeira Tradição afirma que o Décimo Segundo Passo ─ o que leva a mensagem, forma o Grupo. O crescimento de A.A. está diretamente ligado à nossa capacidade de transmitir a mensagem. Um alcoólico falando com outro alcoólico, um membro dedicando-se ao serviço da Irmandade, um membro contribuindo anônima e voluntariamente para manter o seu Grupo e os organismos de serviço, estas são algumas formas que encontramos para que a estrutura permaneça firme e o serviço não entre em colapso. A prática permanente das recomendações de prudência e espiritualidade contidas nas Garantias Gerais da Conferência inseridas no Artigo 12 da Ata de Constituição da Conferência e consolidadas no Conceito XII permitirá que a nossa estrutura de serviços mundiais a cada dia torne-se mais sólida e que a transmissão da mensagem ao alcoólico que ainda sofre seja contínua e permanente.

Por outro lado, a aplicação dos princípios enunciados nos Doze Conceitos para Serviços Mundiais nos assegura que teremos sempre a boa e indispensável liderança em todos os níveis de nossas atividades. A Garantia Um define a autoridade e o poder em A.A. da seguinte forma: “a força espiritual que flui das atividades e atitudes de humildade verdadeira, sem egoísmo e dedicados servidores de A.A.”, esta sim, é a forma de autoridade e poder sem as quais não podemos passar.

“Os nossos líderes são apenas servidores de confiança, não têm poderes para governar” este é o alerta da Segunda Tradição, por este motivo, nos Conceitos encontramos importantes orientações para o exercício da liderança em A.A. como as que se seguem, entre outras:
 Verificações e prestações de contas de maneira a impedir a autoridade irrestrita;
 Nenhum Grupo ou indivíduo deveria ser colocado em posição de autoridade suprema sobre outros;
 Deveríamos evitar uma desnecessária concentração de dinheiro ou influência pessoal em qualquer grupo ou entidade de serviço;
 Em cada de nível de serviço a autoridade deveria ser igual à responsabilidade;
 Dupla administração deveria ser evitada;
 Os grupos de A.A. são a autoridade final;
 Os líderes deverão ser empossados somente com responsabilidades delegadas;
 Amor-dedicação pelos nossos companheiros e pelos princípios;
 Delegação de autoridade operacional para representantes com plenos poderes para atuar e falar pelos Grupos;
 Ampla autoridade e responsabilidade delegadas aos servidores de confiança;
 Delegação e distribuição adequada de autoridade, responsabilidade e liderança;
 Os servidores de confiança devem estar sempre prontos para fazer pelos Grupos o que os Grupos não podem ou não devem fazer por si mesmos;
 Confiamos nos nossos servidores
 Na eventualidade dos nossos servidores falharem nas suas responsabilidades ainda teremos ampla oportunidade para adverti-los ou substituí-los;
 Devemos evitar a todo custo a colocação de muito dinheiro ou de muita autoridade em qualquer entidade de serviço;
 Boa liderança não pode funcionar bem numa estrutura mal planejada;
 Má liderança não funciona nem na melhor das estruturas;
 É necessário habilidade e boa vontade para servir a Alcoólicos Anônimos;
 Ambições pessoais precisam ser postas de lado, antagonismos e controvérsias esquecidas, no momento de escolher os servidores;
 Devem ser nomeados os mais qualificados;
 É preciso ter cuidado e abnegação na escolha de servidores.
 Precisamos de liderança capaz em todos os níveis;
 Os nossos líderes não dirigem por mandato, lideram pelo exemplo;
 Dizemos aos nossos líderes: “Atuem por nós, mas não mandem em nós.”
 Quando um líder nos guia pela força excessiva nos revoltamos; mas quando ele se torna um submisso cumpridor de ordens e não usa critério próprio, então ele realmente não é um líder;
 Tolerância, responsabilidade, flexibilidade e visão são atributos que os líderes de serviço de A.A., precisam ter em todos os níveis de nossa atividade.
 Quando falamos de liderança em A.A. devemos selecionar no intuito de obter o melhor talento que pudermos encontrar;
 Todos os padrinhos são necessariamente líderes.

SERVIÇO = AMOR E AÇÃO ──> CRESCIMENTO DE A.A.
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VIDAS SALVAS

INVENTÁRIO DIÁRIO

” INVENTÁRIO DIÁRIO ”

O propósito deste inventário diário é uma auto-avaliação e só por hoje nossos pensamentos estarão concentrados em nossa recuperação.

Seguem as perguntas:

1) De que maneira agi diferente hoje?

2) Estive com a cabeça fora do programa dos Doze Passos? Como?

3) O que fiz hoje que não correspondeu ao meu propósito no programa?

4) O que eu gostaria de ter feito hoje no meu programa e não fiz?

5) Hoje foi bom para mim?

6) Procrastinei hoje?

7) Tive inveja?

8) Tive preguiça?

9) Menti?

10) Pensei em luxúria?

11) Tive gula?

12) Hoje foi um bom dia?

13) Tive serenidade?

14) Admiti minhas impotências?

15) Fui capaz de confiar em Deus (Poder Superior)?

16) O que aprendi hoje sobre mim mesmo?

17) Fiz reparações hoje?

18) Admiti meus erros?

19) Prejudiquei alguém ou a mim mesmo?

20) Estou disposto a mudar?

21) Hoje o importante foi dar continuidade ao programa?

22) Estive consciente de meus erros?

23) Fiz minha espiritualidade consciente e buscando o Poder Superior?

24) Senti medo?

25) Senti alegria?

26) Tive algum sentimento que não tenha sido relacionado neste inventário?

Recomenda-se que esse exercício seja feito no término da jornada diária e acompanhado de uma boa espiritualidade.
Responda com sinceridade, é para você mesmo.

PROGRAMA DOS 12 PASSOS

PROGRAMA DOS 12 PASSOS.

CENTRO DE RECUPERAÇÃO NOVA ESPERANÇA
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO AOS 12 PASSOS

Os Doze Passos dos Alcoólicos Anônimos:
1. Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossa vida.
2. Viemos a acreditar que um poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos a sanidade.
3. Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que o concebíamos.
4. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.
5. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano a natureza exata de nossas falhas.
6. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
7. Humildemente rogamos a ele que nos livrasse de nossas imperfeições.
8. Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.
9. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outra pessoa.
10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
11. Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que o concebíamos, rogando apenas pelo conhecimento de sua vontade em relação a nós e por forças para realizar essa vontade.
12. Tendo experimentado em despertar espiritual, graças a esses passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.
Fizemos algumas adaptações dos Dozes Passos dos Alcoólicos Anônimos, para inseri-los no tratamento das diversas dependências químicas. Utilizou-se os Doze Passos com passagens das Escrituras Sagradas relacionadas a cada passo e o objetivo que se quer alcançar.
A pessoa que toma a decisão de seguir o tratamento no CERENE, sente a necessidade de mudanças na sua vida. Todos que aqui se internam possuem um problema muito grave: a dependência química. Seu anseio é alcançar novamente uma vida sóbria e equilibrada – esse é o alvo do seu tratamento. Mas não é através de um passe de mágica que se chega até esse alvo. Existe um longo caminho que separa o ponto de partida do ponto de chegada. Esse caminho é o processo de recuperação.
 Para o grupo discutir: Quais as diferenças entre uma solução instantânea para determinado problema e uma solução através do processo?
Através do estudo dos 12 passos, pretendemos dar orientação necessária para que os internos consigam atravessar todo o caminho do processo de recuperação.
Apesar das muitas diferenças particulares entre a situação de um para o outro, há também diversos pontos em comum na trajetória de todas as pessoas que enfrentam o problema da dependência química. Além disso, muitas outras pessoas já passaram por um processo de recuperação. Milhões de pessoas já fizeram esse percurso e conseguiram chegar até o alvo da vida sóbria e equilibrada. Se deu certo para eles, também poderá dar certo para quem hoje está buscando a recuperação.
Portanto, nós iremos estudar os passos que muitos já seguiram para chegar até o alvo da recuperação. Não apenas estudar, mas pôr em prática todos esses passos para que vocês possam também chegar até o alvo.
Os 12 passos já estão sendo praticados desde 1935. Naquele ano os norte-americanos William Wilson (Bill) e o Dr. Robert Smith (Dr. Bob) deram início ao trabalho hoje famoso dos AA – Alcoólicos Anônimos. Por causa de sua dependência do álcool, Bill esteve hospitalizado em 1934. Ali no hospital, ele passou por uma experiência espiritual que acabou com seu desejo de beber. Nos meses seguintes, ele procurou ajudar outros alcoólatras a também pararem de beber. O primeiro que seguiu o método de Bill foi um médico, conhecido por Dr. Bob. Os dois juntos elaboraram os 12 Passos para a recuperação do alcoolismo.
Os 12 Passos foram elaborados a partir da compreensão de vários princípios de vida que Deus tem revelado na Bíblia, não só para pessoas dependentes químicas, mas para todo ser humano. O Bill e o Dr. Bob não inventaram nada novo. Eles apenas organizaram alguns princípios bíblicos para definir uma seqüência lógica para o processo da recuperação.
O que é interessante para nós, é que a forma como estão organizados os princípios bíblicos nos 12 Passos nos ajuda a descobrir qual é o primeiro passo que deve ser dado. Depois mostra qual é o passo seguinte, orientando-nos numa seqüência lógica, de modo que a pessoa só pode dar um determinado passo se ela já tiver dado todos os passos anteriores. Além disso, ensina que é preciso dar todos os doze passos para se chegar à vida de sóbria e equilibrada. Não se deve parar no meio do caminho.
Em 1953, surgiu o trabalho dos Narcóticos Anônimos. Eles adotaram os mesmos doze passos dos AA., pois naquela época já estava comprovada a eficiência do método. Atualmente, os AA e os NA continuam usando os 12 Passos, mas afrouxaram muito o conceito de Deus. O poder divino ou poder superior que eles buscam não se restringe ao Deus da Bíblia. Nesse sentido, houve um desvirtuamento grave em relação ao que pensavam os autores dos 12 Passos originais.
Nós aqui no CERENE temos plena convicção que existe apenas um Deus verdadeiro; é o Deus que se revelou a nós através da Bíblia e da vida de Jesus Cristo. Portanto, queremos estudar e praticar os 12 Passos sempre em submissão à vontade desse Deus revelada nas Escrituras Sagradas, como desejavam Bill e o Dr. Bob, desde o início dos 12 Passos.
Cada um dos 12 Passos envolvem uma decisão, envolvem uma mudança, assim, como o passo que decidimos dar com as nossas pernas nos fazem mudar de lugar e nos levam a um alvo.
 Para o grupo discutir: Qual a importância de conhecermos e seguirmos princípios de vida, para alcançarmos a recuperação da dependência química?

Para fins de estudo, os 12 Passos podem ser organizados em 4 grupos, de acordo com o assunto principal que eles abordam.
Nº do Grupo Passos do Grupo Assunto principal do Grupo
1 1 a 3. Relacionamento com Deus
2 4 a 7. Relacionamento com o próprio eu
3 8 e 9. Relacionamento com outras pessoas
4 10 a 12. Aprimoramento dos relacionamentos tratados nos passos anteriores.
 Para o grupo compartilhar: A seguir, serão apresentados alguns depoimentos de pessoas que enfrentaram o mesmo problema de vocês. Após a leitura de cada depoimento, o grupo poderá comentar sobre os pontos em comum nas experiências dos dependentes químicos, comparando suas próprias experiências com as experiências apresentadas nos depoimentos.

1. “No início foi divertido usar. Para nós, o uso se tornou um hábito e finalmente foi necessário usar para sobreviver. O progresso da doença não era evidente para nós. Continuávamos no caminho da destruição, sem saber para onde nos levava. Éramos dependentes químicos e não sabíamos”.

2. “Através das drogas, tentávamos evitar a realidade, a dor e a miséria. Quando passava o efeito das drogas, percebíamos que ainda tínhamos os mesmos problemas e que estavam piorando. Procurávamos alívio, usando de novo e mais uma vez, mais drogas e com mais freqüência”.

3. “Chegamos a um ponto em nossas vidas em que nos sentimos uma causa perdida. Tínhamos pouco valor para a família, para os nossos amigos ou no emprego. O fracasso tinha se tornado nossa maneira de viver e a auto-estima já não existia. Talvez o sentimento mais doloroso de todos fosse o desespero”.

4. “À medida que o sentimento de auto-aversão crescia, precisávamos usar mais e mais para mascarar nossos sentimentos. Estávamos doentes e cansados de dor e encrenca. Estávamos assustados e tentávamos fugir do nosso medo”.

5. “Quando mentimos, trapaceamos ou roubamos, nós nos desmoralizávamos diante de nossos próprios olhos. Já bastava de autodestruição. Quando nada mais aliviava a nossa paranóia e medo, chegamos no fundo do poço, prontos a pedir ajuda”.
6. “Reconhecemos que não usávamos as drogas – elas nos usavam. Descobrimos que a nossa doença só pode ser detida através da abstinência. Uma é demais e mil não bastam”.
Agora vamos ver um depoimento de pessoas que alcançaram o alvo da recuperação: “Que mudança na nossa maneira de ser! Sabemos que o tratamento funciona. O programa nos convenceu de que nós precisávamos modificar, em vez de tentar modificar as pessoas e situações à nossa volta. Descobrimos novas oportunidades. Encontramos um sentido de auto-estima. Perdemos o nosso medo do desconhecido. Somos libertos”.
Palavra de encorajamento: “Não temas, porque Eu Sou contigo; não te assombres, porque Eu Sou teu Deus, Eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel”. Isaías 41.10.
PRIMEIRO PASSO

 ADMITIMOS que éramos impotentes perante o álcool/drogas e que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.
 “Pois eu sei que o que é bom não vive em mim, isto é, na minha natureza humana. Porque, ainda que a vontade de fazer o bem esteja em mim, eu não consigo fazê-lo”. Romanos 7.18.
ADMITIR é o verbo que resume qual é a decisão que devemos tomar no 1º Passo para conseguirmos mudar o nosso jeito de viver. Precisamos tomar a decisão de admitir a nossa IMPOTÊNCIA.
Impotência = falta de poder. Quem está na dependência química tem falta de poder para “tocar” a vida sem fugir da realidade. Essa falta de poder se manifesta em relação a questões bem básicas da vida humana:
1. Relacionar-se de modo saudável com as outras pessoas;
2. Lidar de modo equilibrado com os sentimentos (depressão, solidão, revolta, medo, culpa, baixa auto-estima).
A expressão chave do versículo que serve de base para o 1º Passo (Romanos 7.18) é: Eu não consigo. Quem chegou a dependência química, além de não conseguir sozinho parar de se drogar/alcoolizar, não consegue mais enfrentar a realidade sozinho.
O 1º Passo não é ir para frente; é parar. É parar de andar tentando sair “dessa” através de seu próprio esforço. O 1º Passo é desistir – desistir de lutar sozinho contra um gigante muito mais forte do que você.
 Para compartilhar: Experiências do grupo em relação à decisão de desistir de lutar sozinho contra a dependência química.
Antes de dar o 1º Passo, você precisava de uma substância química para alterar artificialmente os sentimentos que a realidade causava em você. E por alguns instantes isso dava certo. Mas era uma mudança artificial e passageira. É como naquele conto de fadas da Cinderela.
Na vida real da personagem, a Cinderela era uma menina maltratada pela madrasta; só tinha que trabalhar; vivia uma vida triste sem esperança. Na fantasia criada pelo autor da história, ocorre uma mudança repentina na vida dela. Num passe de mágica, uma fada a transformou numa linda princesa. A cinderela sentiu uma alegria tremenda ao ter sido a moça escolhida para dançar com o príncipe durante o baile.
Essa euforia só durou até a meia-noite. Depois da meia-noite ela voltou a ser a mesma menina desprezada e infeliz. De manhã, ela teria que voltar a trabalhar duro e enfrentar as maldades da madrasta. Ela continuaria a viver sem amigos e sem esperança. Quando passou o efeito da magia, a realidade continuava exatamente do mesmo jeito que antes.
Ninguém pode mudar a sua própria realidade da noite para o dia. Isso só acontece no mundo da fantasia. Mesmo que a Cinderela tivesse ganhado sozinha na Mega-sena, ela não conseguiria mudar o seu jeito de ser de uma hora para outra. Não bastaria usar um belo vestido e uma coroa de princesa para ela conseguir superar o seu complexo de inferioridade e sua depressão, para sufocar suas mágoas contra a madrasta. Isso leva tempo e não se cura com dinheiro, bens materiais ou prazeres. É necessário um longo processo de tratamento do caráter. A mudança tem que acontecer de dentro pra fora. Essa mudança de caráter só acontece de fato, quando deixamos Deus transformar o nosso jeito de ser. Isso não é fantasia. Isso é um milagre de Deus. Deus opera milagre quando nós estamos dispostos a ouvir e a obedecer a sua Palavra.
O 1º Passo é admitir que você foi enganado por uma “fada” e que na vida real você está fracassado. É admitir que precisa buscar uma ajuda real para aprender a viver dentro da realidade. A fada da droga nunca poderá lhe dar uma vida que vale a pena, simplesmente porque ela é pura fantasia. A Cinderela que casou com o príncipe e viveu feliz para sempre, nunca existiu. O namoro com a droga jamais acabará num casamento feliz. A fantasia da droga foi criada pelo diabo para arrastar muitas pessoas para longe do céu, para longe de Deus, para longe da verdadeira felicidade.
 Para o grupo discutir: Quais são as semelhanças entre o mundo da fantasia e o uso das drogas/álcool?
Podem surgir algumas dificuldades ou empecilhos para você conseguir dar o 1º Passo:
1) O orgulho egoísta protesta contra a idéia de impotência pessoal e a desistência de controle. Mas somente quando você aprender a cultivar a humildade, surgirá a esperança de uma recuperação verdadeira. Para trocar o orgulho por humildade, você precisa se olhar no espelho. Lá dentro do espelho você vai enxergar um homem com atitudes vergonhosas, com hábitos que prejudicam a sua própria vida e também a vida das outras pessoas com quem ele convive. Você consegue se orgulhar desse homem que está ali dentro do espelho?
2) O medo de mudar de vida também pode impedir alguém de admitir seu fracasso. Apesar de não ter mais motivo algum para se orgulhar do seu jeito vergonhoso de viver, você acabou se acostumando com essa vida. A confusão se tornou algo normal. Surge o receio de que não tem mais como colocar as coisas em ordem. Você acha melhor ficar com a dor e os problemas que conhece tão bem, em vez de ter que enfrentar situações desconhecidas para alcançar um novo estilo de vida.
3) Outra dificuldade é a negação. Muitos dependentes negam que seu problema seja tão sério a ponto de estar fora de seu controle. Prefere-se usar óculos com lentes cor-de-rosa. Através dessas lentes parece que a vida não está tão ruim e se tem a ilusão de que as coisas um dia vão melhorar. Essa ilusão já levou muitos até a morte.
4) Outro empecilho é quando o dependente procura se justificar. Ele pensa e fala que está nesta situação por causa dos seus pais, ou da sua esposa, ou do patrão, ou das amizades, ou de uma doença, ou desemprego, ou da pobreza. São mil razões externas; o problema nunca é visto como estando dentro dele. Ele também usa os óculos com lentes cor-de-rosa. Ele se ilude pensando que abandonar os pais, a esposa, os amigos vai resolver seu problema. Ele vai embora de casa, mas os problemas vão junto com ele, pois estão dentro dele.
Para conseguir dar o 1º Passo é preciso reconhecer essas dificuldades e procurar superá-las. Geralmente esses obstáculos permanecem por muito tempo impedindo o dependente químico de buscar ajuda fora de si próprio. Em muitos casos, esses obstáculos só são derrubados, quando se chega a um estágio lastimável que leva ao desespero (fundo do poço).
O fundo do poço pode se apresentar sob três aspectos:
1) Um poço de natureza física: problemas graves de saúde (doença, acidentes) ou perda de bens e dinheiro (dívidas).
2) Um poço de natureza emocional: crise conjugal, confronto com familiares, prisão, desemprego, tentativa de suicídio.
3) Um poço de natureza espiritual: sentimento de que está longe de Deus, vida vazia e sedenta.
O 1º Passo é o alicerce para todos os outros passos. É um primeiro exame sobre o estágio onde se encontra a sua vida. Através desse exame você pode descobrir e aceitar que sua vida está desgovernada. Aceitar isso não é fácil.
No inicio do processo de recuperação é comum a pessoa experimentar confusão, tristeza, insônia e um sentimento de crise. São reações normais às fortes lutas interiores pelas quais ela está passando. No inicio do tratamento as dificuldades podem até ser maiores que antes. Mas se o dependente perseverar na caminhada da recuperação, ele vai chegar a experimentar a vida sóbria e equilibrada, que antes parecia ser impossível de se alcançar.
SEGUNDO PASSO

 Viemos a ACREDITAR que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos a sanidade.
 “Porque Deus é quem efetua em vocês tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade”. Filipenses 2.13.
O 1º Passo é tomar consciência da triste realidade de que você está preso, preso ao vício, e de que você não tem nenhuma condição de sair dessa prisão sozinho. Quando você chega ao fundo do poço, há duas opções: olhar para dentro de si e render-se à depressão e ao desespero ou olhar para cima e descobrir que existe alguém disposto a oferecer a mão que você precisa.
O 2º Passo é descobrir que existe um caminho de libertação. Dar o 2º Passo é ficar sabendo que alguém com poder muito além do nosso pode nos tirar do fundo do poço. Ele está esperando que façamos nossa parte: ACREDITAR → confiar que Ele pode e quer nos ajudar.
Podem surgir algumas dificuldades ou empecilhos para que alguém que quer dar o 2º Passo:
1) Uma primeira dificuldade é a pessoa achar que não tem fé, que não consegue acreditar. Mas, ninguém pode dizer que não tem fé. Cada pessoa consegue acreditar numa série de coisas que ela não domina. Quando embarcamos num avião, então precisamos acreditar que aquele aparelho é capaz de manter um vôo seguro e nos levar até onde queremos, mesmo sem entendermos nada de aviação.
Quem chegou a ser um dependente químico é porque teve fé que o álcool ou a droga era uma boa coisa. Conseguiu acreditar numa mentira, apesar de ter sentido na pele o grande mal que o vício faz na sua vida. Por muito tempo o adicto alimentava a esperança de que daria para viver bem com a droga. Fé numa canoa furada.
O 2º Passo é a chance de sair dessa canoa furada e de embarcar num barco seguro. A Bíblia está cheia de exemplos de pessoas que deram esse 2º Passo. Elas abandonaram a canoa furada de uma vida dominada pelos próprios desejos e entraram no barco seguro de uma vida submissa a Deus. Essas pessoas não se decepcionaram com Deus.
2) Outra dificuldade para dar o 2º Passo é achar que é possível viver sem Deus. Mas todas as pessoas têm fé em algum “deus”. Aquela pessoa ou aquela coisa que toma o primeiro lugar na nossa vida é o nosso deus. A bíblia deixa claro que existe um só Deus verdadeiro. Só Ele deve ocupar o primeiro lugar na nossa vida. Mas o ser humano é capaz de colocar outras coisas em 1º lugar, e colocar Deus para fora da jogada da sua vida.
Quais são os falsos deuses que algumas pessoas acolhem?
a) Outras pessoas, objetos, idéias ou instituições que valorizamos acima de tudo: pais, filhos, cônjuge, pastor, ídolo do esporte ou do cinema, santos, imagens, amuletos, seitas, nosso time, etc.
b) Nós mesmos: quando achamos que nós somos mais importantes que tudo; quando toda nossa vida está voltada a satisfazer nossos próprios desejos e necessidades; quando não conseguimos confiar na ajuda de mais ninguém, a não ser no nosso próprio esforço. Este deus se manifesta através do egocentrismo, do narcisismo e do orgulho.
c) Agentes viciadores: ou seja, tudo aquilo que nos faz viver como escravos trabalhando para satisfazer desejos dominadores: drogas ou álcool, comida, dinheiro ou poder, fama ou reconhecimento, carreira profissional, boas obras, legalismo, perfeccionismo, religiosidade.
d) A superioridade da humanidade. Nenhuma outra criatura tem tanto poder e inteligência como o ser humano. Essa superioridade nos fascina e desperta em nós o desejo de confiar nas capacidades humanas acima de tudo. O homem realmente é capaz de muitas coisas, mas ele não é capaz de tudo, ele não é deus. Basta um exemplo: o homem não consegue derrotar a morte; por mais que a medicina e a tecnologia avancem curando várias doenças, um dia cada pessoa vai morrer. Só o Deus Eternos tem poder para dar vida e para ressuscitar a vida depois da morte, como Ele fez depois que Jesus Cristo foi crucificado na cruz. João 11.25-26.
3) Outra dificuldade surge quando temos uma visão deformada de Deus. Ninguém nunca viu Deus face a face. Para entendermos como Ele é, precisamos associá-lo a uma idéia conhecida. As idéias mais freqüentes que temos de Deus são compreendê-lo como um pai ou uma autoridade. Mas pode acontecer que nós só tenhamos conhecido um pai ausente ou muito autoritário; e também tenhamos uma imagem negativa das autoridades humanas que conhecemos – elas talvez sejam impotentes ou muito tiranas e cruéis. Se tivermos essa imagem distorcida de Deus, é preciso corrigir essa visão. E para isso é importante conhecermos a vida de Jesus nos evangelhos. João 14.8e9.
4) A maior dificuldade para darmos o 2º Passo pode ser a nossa teimosia, ou indiferença ou rebeldia contra Deus. Às vezes, o sofrimento é o único caminho capaz de nos ensinar a confiar não em nós e sim em Deus. 2ª Coríntios 1.8-10.
Quando nos tornamos abertos ao agir de Deus, aos poucos a serenidade começará a substituir nossa ansiedade. Vão surgir então pequenos sinais de melhora e gradativamente a vida vai se encaminhando para um novo rumo. Não esperem resultados instantâneos e grandiosos. A luta não irá acabar tão cedo. Mas a grande diferença é que você não precisa mais lutar sozinho, sem chance nenhuma de alcançar a vitória.
TERCEIRO PASSO

 Decidimos ENTREGAR nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus e de Seu Filho Jesus Cristo, que a nós se revelaram através da Bíblia.
 Portanto, meus irmãos, por causa da grande misericórdia divina, peço que vocês se ofereçam completamente a Deus como sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a Ele”. Romanos 12.1.
O 3º Passo nos leva de uma fé que estava apenas no mundo dos nossos pensamentos para uma fé que passa a envolver de modo bem prático toda a nossa vida. O 3º Passo é o passo da entrega da nossa vida para os cuidados de Deus. Abandonamos o volante e o entregamos para Deus. A partir de agora é Ele quem dirige a nossa vida.
Jesus nos convida a pararmos de confiar em nós mesmos. Para começar uma nova vida, é preciso antes desistir da velha maneira de viver. Na velha vida, você tinha o volante na sua mão; na nova vida, você entrega todo o volante nas mãos de Deus. Isto significa que contar com a ajuda de Deus para sair da dependência química, requer confiança em Deus e obediência a Deus. Você precisa confiar que Ele vai dirigir a sua vida com segurança. Você precisa obedecer a Deus, acompanhando Ele pelos caminhos por onde ele decidir te levar.
De agora em diante, são os desejos de Deus que você vai atender, pois os desejos dele promovem a vida. Entregar-se a Deus não é exigir que ele satisfaça os desejos que você tem. Para dar o 3º Passo, você precisa desistir da sua auto-suficiência, rebeldia e incredulidade.
O 3º Passo é o passo mais importante de todos: é a nossa entrega a Deus. Acontece uma vez de forma especial, mas depois tem que ser repetida diariamente. Leia Mateus 11.28-30.
QUARTO PASSO

 Fizemos minuciosa e destemida AVALIAÇÃO moral de nós mesmos.
 “Examinemos seriamente o que temos feito e voltemos para o Deus Eterno”. Lamentações 3.40.
Até aqui estudamos o primeiro grupo dos 12 Passos. Temos visto que cada passo envolve uma decisão. Essas decisões precisamos tomar para conseguirmos alcançar a recuperação. Os 3 primeiros passos são decisões que temos que tomar para mudar nossa forma de relacionamento com Deus, de modo a alcançar a harmonia entre e nós.
Saber quais são os 3 passos, ainda não quer dizer que você já tenha tomado a decisão de colocá-los em prática. Isto é uma questão bem pessoal.
 É importante lembrar: A recuperação só vai se construindo quando os passos são praticados.
Nós vamos iniciar agora o estudo sobre o segundo grupo de passos, que está mais relacionado com mudanças para alcançarmos a harmonia com nosso próprio eu.
O 4º O Passo é fazer uma avaliação moral, ou inventário moral, ou auto-análise. Como deve ser essa auto-análise? Minuciosa (em detalhes) e destemida (coragem para não esconder nada).
Fazer uma auto-análise é parecido com fazer uma arrumação no nosso guarda-roupa:
1) Vamos dar uma olhada para ver o que tudo tem lá dentro do guarda-roupa;
2) Vamos decidir o que vale a pena guardar e em que lugar colocar essas coisas úteis;
3) Vamos decidir o que não vale a pena guardar, o que é inútil, e o que vamos fazer com essas coisas imprestáveis.
Para quem se encontra dentro do ciclo da dependência química, geralmente a vida virou uma grande confusão. É como se o guarda-roupa estivesse com as roupas bagunçadas. Você quer encontrar uma camisa limpa para sair, mas não consegue achar. Você só encontra ali no armário roupas sujas, rasgadas e amassadas. Parece que todas as roupas estão fora do lugar apropriado. Desse jeito fica muito difícil viver. Mas se você se dispuser a fazer uma arrumação nessa confusão, a vida vai voltar a ser agradável.
Quando fizemos nossa auto-análise, iremos trazer à tona várias lembranças do nosso passado, boas e ruins. Em alguns momentos, isso vai se tornar desagradável e até vai nos causar dor e sofrimento. Mesmo assim, precisamos continuar. Nós precisamos colocar o guarda-roupa em ordem, precisamos livrar a nossa vida da confusão.
Quem tem um espinho no dedo, fica incomodado com a dor até que o espinho saia. Na hora de tirar o espinho, a dor vai até aumentar, mas depois que o espinho sair, vem o alívio. Valeu a pena passar pela dor para poder arrancar o espinho. Fazer a avaliação moral pode provocar uma dor maior, mas depois da dor virá o alívio.
Analisando o nosso passado, teremos melhores condições de entender nosso atual estilo de vida. Depois disso, seremos mais capazes para escolher um estilo de vida melhor para o nosso futuro.
Fazendo a auto-análise estaremos nos conhecendo melhor. É como se colocar diante de um espelho para se conhecer. Imaginem se não existisse espelho! Nunca saberíamos como é a nossa fisionomia. No 4º Passo usamos um espelho que permite conhecermos como somos por dentro, como é o nosso caráter. Quando alguém se olha no espelho, pode perceber se ele fica bem de barba ou não, se fica bem de cabelo curto ou comprido. Aí é possível melhorar sua imagem, o seu exterior. Olhando-nos no espelho da auto-avaliação, poderemos melhorar nosso interior, nosso caráter.
De modo bem prático, fazer o 4º Passo é pegar uma caneta e um papel e fazer um registro por escrito das nossas qualidades positivas e negativas. Não é só pensar ou falar sobre as qualidades. É colocar no papel. Isso vai nos ajudar a ter uma compreensão mais clara e objetiva sobre o nosso caráter.
Para dar o 4º Passo é importante pedirmos a ajuda de Deus. Devemos pedir que Ele nos ajude a revelar todas as nossas qualidades positivas e negativas. Devemos pedir que Deus nos conceda coragem para sermos profundos e sinceros, mesmo quando tivermos que tocar nas feridas que nos causam dor. Devemos pedir que Deus torne essa auto-análise proveitosa para alcançarmos uma vida saudável.
Se você já deu o 3º Passo, você sabe que não estará sozinho ao dar o 4º Passo. Não estamos em condições de arrumarmos sozinhos o nosso guarda-roupa. Precisamos da orientação de Deus para saber avaliar o que convém guardar e o que convém jogar fora. Só Deus sabe como colocar a nossa vida de novo em ordem.
Existem diversas maneiras de se fazer esse registro das qualidades do nosso caráter. Pode ser feito através de um relato espontâneo ou seguir um roteiro dirigido. Nós vamos adotar a segunda forma.
 Hoje vamos identificar quais são as áreas mais importantes para a nossa auto-análise, através de um questionário próprio para isso.
 O registro escrito do nosso 4º Passo consistirá nas nossas respostas a um outro questionário mais detalhado. Esse questionário servirá como roteiro dirigido para a nossa reflexão sobre as qualidades positivas e negativas do nosso caráter.
A seguir iremos analisar características básicas de alguns sentimentos que poderemos encontrar dentro do nosso “guarda-roupa”.

MEDO/ ANSIEDADE
CARACTERÍSTICAS ANTÍDOTO
1. Dificuldade em confiar nos outros e em si mesmo CONFIANÇA EM DEUS
2. Preocupação, impaciência, incerteza, desespero; “Entreguem todas as suas preocupações a Deus, pois Ele cuida de vocês”. 1 Pedro 5.7.
3. Sentir-se ameaçado e inseguro;
4. Dificuldade em enfrentar situações novas.
CULPA
CARACTERÍSTICAS ANTÍDOTO
1. Sentir-se sujo, condenado, frustrado, inferior e inadequado. CONFESSAR E ARREPENDER-SE.
2. Sentir-se esgotado por carregar um grande peso emocional. “Então eu te confessei o meu pecado e não escondi a minha maldade. Resolvi confessar tudo a ti, e tu perdoaste todas as minhas faltas”. Salmo 32.5.
3. Hipocrisia, ao se tentar esconder esse sentimento.
4. Pode gerar uma auto-imagem negativa.
AMARGURA E RESSENTIMENTO
CARACTERÍSTICAS ANTÍDOTO
1. Sentir-se zangado, magoado ou ultrajado por causa de atitudes de outras pessoas, por um período prolongado de tempo; OFERECER O PERDÃO
2. Dificuldade em aceitar e perdoar o ofensor. “Perdoem uns aos outros, se alguém de vocês tem alguma queixa contra alguém”. Colossenses 3.14.
3. Tendência a ser pessimista, sempre vendo e lembrando o lado negativo de tudo.
4. Tendência a condenar os outros.
DEPRESSÃO
CARACTERÍSTICAS ANTÍDOTO
1. Sentir-se constantemente triste, cansado, abatido e desanimado; ESPERAR PELA AJUDA DE DEUS
2. Ter desejos de sumir ou morrer; “Por que estou tão triste e desanimado? Eu porei a minha esperança em Deus”. Salmo 43.5.
3. Sentir-se sem energia e entusiasmo
4. Pessimismo e desesperança
QUINTO PASSO

 CONFESSAMOS perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.
 “Confessem os seus pecados uns aos outros e façam oração uns pelos outros, para que vocês sejam curados”. Tiago 5.16.
No 5º Passo nós vamos mostrar o que sobrou depois da “arrumação do nosso armário” feita no 4º Passo. Não iremos esconder na gaveta de baixo as roupas estragadas e imprestáveis. Vamos deixá-las do lado de fora do armário e admitir perante Deus, perante nós mesmos e perante outra pessoa, que até agora as nossas falhas estavam causando confusão na nossa vida.
Em primeiro lugar, começamos a ser honestos com Deus. Através de uma conversa franca com Deus, revelamos a Ele todo o conjunto de nossas falhas, que detectamos durante o 4º Passo. não precisamos fazer isso para que Deus possa tomar conhecimento dos nossos erros. Ele já os conhece muito bem. Mas isso nem sempre está claro para nós. Quando revelamos a Deus nossa vida errada, então nós tomamos consciência de que Ele está por dentro de tudo o que temos feito.
Pode ser que até agora tenhamos nos escondido da realidade de nossos problemas, chegando até a culpar Deus por eles. Mas, no momento em que reconhecemos diante de Deus: “Pai, pequei contra ti”, abrimos a porta para experimentarmos o amor e o perdão de Deus. Esse amor e esse perdão são fundamentais para a nossa recuperação.
Em segundo lugar, passamos a ser honestos conosco mesmos. Iniciamos essa nova atitude ao desenvolver a nossa auto-avaliação no 4º Passo. Antes disso era comum usarmos máscaras para esconder nossos verdadeiros problemas. Por causa disso nós mesmos já não sabíamos qual era o nosso verdadeiro “eu”.
No 5º Passo, nós vamos tirar um tempo a sós para ler em voz alta o que nós escrevemos no 4º Passo. depois de pronunciarmos (e ao mesmo tempo ouvirmos) o relato honesto da nossa vida, poderemos ter uma compreensão mais clara sobre o nosso verdadeiro “eu”. Esse é um momento significativo da nossa vida! Poderemos aproveitar essa oportunidade para refletirmos sobre as mudanças que gostaríamos de ver no nosso próprio caráter.
Em terceiro lugar, começamos a ser honestos também com outra pessoa. Compartilhar nossa história com outra pessoa pode parecer traumático. Nosso costume era não nos expor, nunca deixando outros saberem de nossos medos e fraquezas. O 5º Passo é a saída do nosso isolamento e solidão. Requer que nos humilhemos e sejamos totalmente honestos.
Precisamos escolher com cuidado a pessoa com quem vamos compartilhar. Deve ser alguém que ouvirá com compaixão e compreensão, não condenando ou julgando. Normalmente não deve ser nosso cônjuge ou alguém de nossa família, porque essa pessoa está emocionalmente envolvida com nosso passado.
Podemos destacar 4 resultados positivos do 5º Passo.
1) Nossa auto-aceitação aumenta ao confessarmos nossos problemas. A confissão é um passo indispensável no processo de recuperação, mesmo que não consigamos compreender bem o seu papel.
2) Podemos sentir grande alívio emocional depois de desabafar sobre os sentimentos que nos mantinham presos e nos impediam de desfrutar a alegria e a liberdade.
3) Tomamos mais um passo quanto a sermos sinceros. Neste momento, provavelmente pela primeira vez, revelaremos para outra pessoa os nossos segredos e feridas mais profundas.
4) Vícios, feridas e pecados nos isolam de outras pessoas e de Deus. Ao compartilhar este passo, quebraremos as barreiras que temos construído.

SEXTO PASSO

 PRONTIFICAMO-NOS inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
 “Humilhem-se diante do Senhor, e Ele os porá numa posição de honra”. Tiago 4.10.
Depois de confessarmos os nossos pecados de caráter no 5º Passo, o passo mais lógico que devemos tomar em seguida é QUERER nos livrar desses defeitos. Já sabemos que sozinhos não temos condições de remover esses defeitos (1º Passo). Mas aprendemos a confiar toda a nossa vida aos cuidados de Deus (3º Passo). Ele tem o poder e a vontade de nos ajudar no processo de mudança do nosso caráter.
Nesse momento, é muito importante que continuemos a ser honestos conosco mesmos. Precisamos refletir se realmente estamos disposto a deixar que Deus tire todos os nossos defeitos, inclusive aqueles nossos “vícios menores”. Geralmente estamos “cegos” quanto a alguns de nossos defeitos. Os grandes são óbvios, mas os secundários podem surgir com força, no espaço vazio que aparece quando os problemas maiores são eliminados. Precisamos pedir a ajuda de pessoas que nos conhecem bem, para indicar áreas que não enxergamos.
As mudanças de caráter são o resultado de um esforço mútuo: Deus nos dá a direção e o poder; nós comparecemos com a vontade, a fé e a obediência. Deus nunca nos impõe a sua presença. Precisamos convidá-lo a entrar em nossas vidas, encorajados pela certeza de que Ele nunca nos abandonará, nem abusará de nós.
Esse processo não acontece de uma vez, especialmente porque demoramos muitos anos para desenvolver padrões de comportamento errados. Eles não vão desaparecer da noite para o dia. Temos que ser pacientes enquanto Deus nos faz pessoas com um caráter novo. O processo, em certo sentido, leva a vida toda, mas se nos prontificarmos para essa mudança é o começo do novo estilo de vida que estamos assumindo.
SÉTIMO PASSO

 Humildemente ROGAMOS a Deus que nos livrasse de nossas imperfeições.
 “Se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça”. 1João 1.9.
Durante os seis primeiros passos, tomamos consciência de nossos problemas, examinamos honestamente nossas vidas, revelamos aspectos de nós mesmos antes ocultos e ficamos prontos para mudar nossas atitudes. O 7º Passo é a oportunidade de nos dirigirmos a Deus e pedir-lhe que nos livre das imperfeições do nosso caráter.
Ao rogar a Deus que elimine nossas imperfeições, faremos bem em lembrar que Ele dá a graça diretamente a nós por meio da oração e reflexão na Bíblia, mas também através de outras pessoas. Pastores, professores, médicos e terapeutas podem todos ser instrumentos da graça divina. Nossa disposição de buscar ajuda externa é indicação clara de nossa vontade de mudar de vida.
Ao rogarmos para que Deus nos livre das nossas imperfeições, é importante que as apresentemos individualmente e especificamente. Não é necessário apresentá-las todas de uma só vez. O importante é confiar que Deus ouviu e vai lhe atender! Talvez você não sinta nem perceba nenhuma mudança imediata depois de orar. Porém creia que Deus ouviu o seu pedido e agirá junto com você para eliminar as imperfeições do seu caráter.
OITAVO PASSO

 FIZEMOS UMA RELAÇÃO de todas as pessoas que tínhamos prejudicado. E NOS DISPUSEMOS a reparar os danos a elas causados.
 “Façam aos outros a mesma coisa que querem que os outros façam a vocês”. Lucas 6.31.
A auto-análise que fizemos no 4º Passo revelou que nosso comportamento impróprio causou danos somente a nós, mas também às pessoas que nos são importantes. Agora precisamos nos preparar para assumir a responsabilidade pelos nossos atos e corrigir nossos erros.
O trabalho do 8º e 9º Passos vai melhorar o nosso relacionamento conosco mesmos, assim como o relacionamento com as outras pessoas. Começaremos a nos libertar do isolamento e da ilusão. Para darmos esses passos é fundamental que tenhamos disposição para consertar os danos que causamos aos outros.
No 8º Passo, examinaremos nossos erros é uma tarefa difícil. Novamente, sentimentos incômodos podem vir à tona, à medida que lutamos contra atitudes do passado. Para muitos, será difícil admitir erros. Nosso padrão tem sido acusar os outros e revidar de maneira incorreta. Assim que consentimos em olhar para nós mesmos, veremos que em muitos casos nós demos continuidade à destruição iniciada por outros. Um ciclo vicioso de rancores e ódios foram sendo criados; ignoramos nossos problemas dirigindo nossa atenção aos problemas das pessoas com quem convivemos.
É necessário pedir perdão e perdoar a nós mesmos para ultrapassar antigos ressentimentos. Desenvolver a capacidade de se perdoar é um importante elemento para a recuperação. Para isso, primeiro precisamos aceitar a responsabilidade pelos prejuízos causados e, em seguida, reparar Oe erros com dignidade e respeito. Pedir perdão sem reparar nossos erros com dignidade e respeito. Pedir perdão sem reparar nossos erros não resulta em verdadeira reconciliação.
Para corrigir nossos erros passados, devemos ter vontade de enfrentá-los registrando por escrito os danos que causamos. Ao fazer a lista de pessoas a quem prejudicamos, devemos pensar somente nos passos que precisamos tomar, mesmo que elas rejeitem nossa aproximação. Em alguns casos, pessoas dessa lista se sentirão amargas em relação a nós e talvez relutem contra essa tentativa de aproximação. É possível que tenham um profundo ressentimento e não tenham vontade de se reconciliar conosco. Independentemente da aceitação, devemos perdoar e pedir perdão. Lembramos que a lista que fizemos é principalmente para o nosso benefício, mais do que para o benefício daqueles a quem prejudicamos.
Para restaurar um relacionamento que foi quebrado em virtude de termos ferido ou pecado contra alguém, existem três passos a seguir: arrepender-se, pedir perdão e fazer restituição.
1) Arrependimento: Com o coração quebrantado, reconhecemos que maltratamos Deus e outras pessoas. Nós admitimos que não somos apenas vítimas, mas também tornamo-nos instrumentos para ferir outros. Precisamos meditar sobre a dor que provocamos, para que o nosso arrependimento não seja simplesmente intelectual e frio.
2) Pedir perdão: É provável que não tenhamos o hábito de pedir perdão quando maltratamos alguém. Para alcançarmos o alvo da vida sóbria e equilibrada, precisamos aprender a desenvolver corretamente esse hábito. Primeiramente, vejamos algumas maneiras erradas, que devem ser evitadas ao se pedir perdão:
a) “Me perdoe, mas…” Esse “mas” elimina seu pedido de perdão e ressalta sua justificação por suas ações. Quem está pedindo perdão precisa evitar confrontar qualquer erro da outra pessoa. É preciso deixar que a outra pessoa espontaneamente reconheça que também errou e decida pedir-lhe perdão. O correto é não acusar, nem se justificar.
b) “Desculpe se eu machuquei você”. O pedido de desculpas é muito diferente do pedido de perdão. O primeiro não inclui uma admissão de pecado. O pedido de desculpas só é válido quando nossa falta não provocou um “machucado” em outra pessoa – por exemplo, se nos atrasamos para um compromisso ou se interrompemos uma conversa.mas quando houver pecado, o correto é pedir perdão, não pedir desculpas.
c) “Me perdoe, se ofendi você…” A palavra “se” coloca a responsabilidade na pessoa ofendida. O pensamento embutido no pedido é o seguinte: “ Se você é tão fraco e sensível que acabou se ofendendo, tudo bem, eu peço perdão”. Desta forma, a pessoa que está pedindo perdão não está verdadeiramente assumindo sua culpa. O correto é assumir a responsabilidade pelo que fizemos.
d) “Me perdoe qualquer coisa”; ou “Me perdoe pelo que fiz” (sem especificar o que foi feito). Essas expressões escondem nosso pecado. É necessário nomear nosso pecado. O correto é pedir um perdão específico.
e) “Oh, que coisa! Machuquei você, não é? Me perdoe!” O reconhecer que ferimos alguém, não devemos pedir perdão instantaneamente, como se fosse uma coisa insignificante. Ainda que paremos para refletir apenas de cinco a dez segundos, devemos pensar sobre a dor que causamos e expressar um coração dolorido por haver machucado o outro. Se não conseguirmos comunicar nossa dor. O perdão que nos será estendido poderá ser barato, só da boca para fora. O correto é demonstrar um coração dolorido pelo que fez.
3) Fazer restituição: este aspecto será tratado em detalhes no 9º Passo.
NONO PASSO

 FIZEMOS REPARAÇÕES diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.
 “Se você for ao altar para dar a sua oferta a Deus e se lembrar ali de que o seu irmão tem alguma queixa contra você, deixe a oferta diante do altar e vá logo fazer as pazes com o seu irmão. Depois volte e dê a oferta a Deus”. Mateus 5.23-24.
No 8º Passo nos dispusemos a reparar os danos a todas as pessoas que tínhamos prejudicado. No 9º Passo seremos mais restritos e específicos quanto à definição de quem são as pessoas a quem vamos fazer reparações e quando. As primeiras pessoas da lista devem ser nosso cônjuge e membros próximos de nossa família.
Em alguns casos só poderemos compartilhar parte do que fizemos, porque abrir todo o jogo acabaria prejudicando a outros. Por exemplo, se fizemos algo errado junto com outras pessoas, não cabe a nós a expor.
Em outros casos, o reparo da relação terá que ser postergado. Talvez a dor da outra pessoa seja tão grande e recente que uma conversa sobre o assunto só traria mais dor, possivelmente acompanhada de uma raiva terrível. Também pode ser que nós ainda precisemos resolver alguma ira ou ressentimento antes de estarmos livres para oferecer reparo do dano que causamos.
Existem, ainda, algumas pessoas que não devemos contar, porque isso só abriria uma relação que deve permanecer fechada. É o caso, por exemplo, de alguém que foi viciado em sexo e está pensando em fazer reparo para companheiros dos velhos tempos. Da mesma forma não devemos abrir o jogo com pessoas que seriam mais prejudicadas do que ajudadas por nosso esforço.
Vejamos agora o caso de adultério. O exame desse caso nos dará dicas para outras situações. Existem alguns princípios importantes que podem nos orientar:
1) Devemos falar a verdade: não mentir (Efésios 4.15 e 25). Uma mentira geralmente requer outras para se manter. E uma vez descoberta, nosso cônjuge não terá nenhuma razão para acreditar mais em nossa palavra. Essa perda de confiança pode ter seqüelas tão grandes ou maiores do que a confissão da traição.
2) Devemos agir em amor, fazendo o que é melhor para o outro, não pensando em nosso próprio bem em primeiro lugar.
3) O círculo de pessoas envolvidas na transgressão deve ser também o da confissão. A confissão não precisa passar por pessoas que não sabiam da transgressão e não foram atingidas por ela.
4) Devemos tratar os outros como gostaríamos de ser tratados. Geralmente a pessoa traída já suspeita da infidelidade. O pecado do adultério criou um muro que separa o casal. Se não confessarmos, Satanás pode ganhar outra oportunidade, a do medo de que nosso cônjuge venha descobrir nosso pecado. Será muito melhor confessarmos do que ele descobrir nosso pecado através de terceiros.
É recomendável que a pessoa que traiu seu cônjuge busque orientação de Deus, bem como uma orientação pastoral sobre a confissão de seu pecado. É preciso levar em consideração o estado emocional do cônjuge, pois o impacto que ele irá sofrer após a confissão pode abalá-lo a ponto de não conseguir recuperar-se. Nesse caso, convém postergar a confissão até que a saúde emocional do cônjuge seja restaurada a ponto de permitir a confissão e a reconciliação.
A pessoa que pecou não pode fazer nenhuma exigência a seu cônjuge, nem a do perdão. O perdão verdadeiro possivelmente demorará. Não pode ser forçado. O cônjuge terá que passar por um tempo de luto e dor.
A pessoa que pecou tem que render seus direitos conjugais quanto ao ato sexual. O infiel perdeu seus direitos. Agora terá que aguardar seu cônjuge estar disposto a restituir-lhe o direito perdido. Quem pecou terá de ser muito paciente e demonstrar verdadeiros frutos de arrependimento. Muitas vezes ajuda se houver um acordo para que qualquer mudança na relação física fique nas mãos da pessoa traída. Nesse caso, a pessoa que traiu não tomará nenhuma iniciativa, a fim de não forçar ou abusar emocionalmente de seu cônjuge.
Aquele que traiu deve pensar em outras formas de restituição. Algumas possibilidades podem incluir:
• Começar a sair juntos semanalmente;
• Sempre voltar direto do trabalho para casa, comprometendo-se a ligar para o cônjuge quando estiver saindo. Isto demonstra respeito, amor, valorização do cônjuge para não permitir que nenhuma brecha surja de novo no casamento;
• Ler junto com o cônjuge literatura sobre restauração dos laços matrimoniais.
Se você tiver algo para confessar, mas não sabe se vai prejudicar mais do que ajudar, compartilhe com seu conselheiro ou outra pessoa de confiança, revendo os princípios e a exemplificação acima para procurar discernir os propósitos de Deus.
Sentiremos uma nova paz e serenidade, quando pedirmos perdão àqueles que prejudicamos, fazendo-lhes os reparos necessários. Isso inclui restituir os danos causados, na medida do possível. Por exemplo: se você roubou, devolver; se difamou alguém, voltar às pessoas que ouviram seu mal falar e confessar seu pecado a elas, tentando resgatar a reputação da pessoa cujo nome você manchou. Tais reparos nos liberam do sentimento de culpa e nos dão até maior saúde física e emocional. Podem surgir alguns pensamentos que tentem nos desviar desse 9º Passo.
Ainda não é hora certa de fazer isso. Podemos adiar achando desculpas infinitas para não encarar aqueles que nós temos prejudicado. Devemos ser honestos conosco mesmos e não adiar nada por causa do medo. Nossa prontidão em aceitar as conseqüências de nosso passado e assumir a responsabilidade para a restauração do bem-estar daqueles que nós prejudicamos é o coração do 9º Passo.
O que passou, passou. Racionalizamos achando que nosso passado ficou para trás e que não há necessidade de trazer esses problemas à tona. Fantasiamos que não é necessário consertar erros do passado, que simplesmente precisamos alterar nosso comportamento atual. É verdade que alguns de nossos atos do passado devem ser postos de lado, sem nenhuma confrontação, mas quanto mais pessoas e situações pudermos rever, melhor. Isso nos ajudará a progredir mais rapidamente na caminhada para uma nova vida de paz e serenidade.

DÉCIMO PASSO

 CONTINUAMOS fazendo a auto-avaliação e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
 “Assim aquele que pensa que está de pé é melhor ter cuidado para não cair”. 1ª Coríntios 10.12.
Nos primeiros nove passos, colocamos “nossa casa em ordem” e desenvolvemos a capacidade de mudar alguns dos nossos padrões de comportamento destrutivo. Agora iremos aumentar nossa habilidade de formar hábitos novos e saudáveis, tanto em nossa vida particular quanto na forma como nos relacionamentos com outras pessoas. O 10º Passo nos leva a firmarmo-nos num novo estilo de vida.
Esse novo estilo de vida se caracteriza por vivermos livres!
Vivermos livres das garras do passado. Agora é possível vivermos livres da escravidão emocional; livres de falar palavras que machucam;livres dos ressentimentos que nos fizeram agir de forma desequilibrada; livres dos velhos hábitos disfuncionais que perturbavam nossas vidas; livres de carregar mentiras e segredos. Enfim, agora podemos viver livres da nuvem escura que nos acompanhava.
Vivemos livres para desfrutar da vida de modo saudável no presente e no futuro. Agora é possível vivermos livres para expressarmos nossas emoções com sinceridade e sem machucar outras pessoas; livres para viver de forma equilibrada e sã; livres para desenvolver hábitos saudáveis; livres para falar palavras de sabedoria e de acordo com a verdade. Enfim, agora podemos viver livres para andar na luz.
Esse novo estilo de vida envolve três hábitos fundamentais:
1) O hábito de enfrentar dificuldades com a confiança de que Deus está no controle de tudo. Para desenvolver esse hábito, precisamos perseverar na prática dos Passos 1, 2 e 3.
2) O hábito de auto-avaliação. Reconhecemos que nunca estamos “prontos”, ou seja, sempre temos traços do nosso caráter que precisam ser melhorados. A auto-avaliação é um exame de nossos pontos fortes e fracos, e de nossas motivações e comportamentos. Pode ser um exame “relâmpago” ao final de cada dia, e também um exame mais minucioso de tempos em tempos. Para desenvolver esse hábito, precisamos perseverar na prática dos Passos 4, 5, 6 e 7.
3) O hábito de reconhecer nossas falhas em nossos relacionamentos e pedir perdão. Isso requer que examinemos diariamente como foi o nosso dia e que nos dispusemos a fazer reparações necessárias para com as pessoas que prejudicamos. O erro que cometemos não importa tanto quanto o que fazemos depois dele. Temos aprendido que depois do erro é preciso seguir os seguintes passos: reconhecer o erro, arrepender-se, confessar, pedir perdão e fazer reparação. Para desenvolver esse hábito, precisamos perseverar na prática dos Passos 8 e 9.
Depois que conseguimos caminhar até o 9º Passo, pode facilmente surgir a tentação de confiarmos na nossa auto-suficiência. Podemos achar que temos todas as respostas e que não precisamos mais continuar com os 12 Passos. Precisamos resistir à tentação de abandonar essa caminhada. É preciso reconhecer que os sucessos que obtivemos somente podem ser mantidos se estivermos prontos a praticar os 12 Passos diariamente durante o resto de nossas vidas.
DÉCIMO PRIMEIRO PASSO

 Procuramos, através da oração e da meditação, MELHORAR nosso contato consciente com Deus, rogando apenas pelo conhecimento de Sua vontade em relação a nós e por forças para realizar essa vontade.
 “Habite ricamente em vocês a Palavra de Cristo”. Colossenses 3.16.
Nos Passos 1 a 3, reconhecemos que o nosso “carro” não nos oferecia nenhuma segurança e que não tínhamos as mínimas condições de consertá-lo sozinhos. Por isso, procuramos a ajuda de um “mecânico” competente e de confiança.
Nos Passos 4 a 9, passamos por um processo parecido com o de um carro levado para a oficina para alguns reparos sérios que deveriam ter sido feitos há muito tempo. Dedicamos tempo e energia para restaurar nosso “motor”.
Nos Passos 10 e 11, temos a oportunidade de manter nosso “motor” em boas condições, através da dedicação de tempo para regularmente fazer a manutenção e cuidar de nosso “carro” restaurado. Aprendemos a reconhecer os problemas corrigi-los prontamente e continuar procurando maneiras para melhorar nosso viver sóbrio e equilibrado.
Na medida em que estivermos dispostos a investir na manutenção necessária, veremos que nossas vidas funcionarão bem.
O 11º Passo nos leva a firmarmo-nos em nosso relacionamento com Deus, que é a base do nosso novo estilo de vida.
O escritor A. W. Tozer afirma que “todos os nossos problemas surgem de um conceito errado de Deus”. Somente depois que compreendermos o quanto Deus nos ama e se importa com os detalhes de nossa vida, teremos um desejo profundo de conversar com Ele. Somente depois que reconhecermos que Deus nos perdoou totalmente, deixaremos de sentir vergonha e receio de estar em Sua presença.
Em Apocalipse 21.3-4, lemos a preciosa promessa que Deus irá cumprir no futuro: “Deus vai morar com os seres humanos. O próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos olhos deles todas as lágrimas. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. As coisas velhas já passaram”.
Enquanto aguardamos essa época em que Deus vai morar junto conosco, temos a nossa disposição duas formas de nos comunicarmos diretamente com Deus:
1) Desenvolvendo o hábito da oração: Numa definição simples, oração é conversar com Deus. Durante essa conversa você pode agradecer pela ajuda que Deus tem dado diariamente. Você também pode pedir a ajuda de Deus para enfrentar as dificuldades que surgem dia a dia. Você pode interceder pela ajuda de Deus para outras pessoas necessitadas. Nessa conversa, você pode simplesmente contar para Deus como foi o seu dia, como estão seus sentimentos, desejos e planos, tal qual se costuma fazer com os amigos íntimos. Você também pode engrandecer a Deus pelo Seu caráter perfeito e pelas Suas obras maravilhosas.
2) Desenvolvendo o hábito da meditação na Bíblia. Meditação é um pensamento sério, profundo e focalizado. Deus deseja comunicar para nós os seus pensamentos. Ele pode usar diversas maneiras para esse fim, mas a maneira mais comum é através da Sua Palavra. “Toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver”. 2ª Timóteo 3.16.

DÉCIMO SEGUNDO PASSO

 Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procuramos TRANSMITIR esta mensagem a outros e PRATICAR estes princípios em todas as nossas atividades.
 “Irmão, se alguém for surpreendido em alguma transgressão, vocês que são espirituais deverão restaurá-lo com mansidão. Cuide-se, porém, cada um para que também não seja tentado”. Gálatas 6.1.
Chegamos! O último passo! parece o fim, mas é o começo. É o começo de uma vida orientada não segundo nossas necessidades, feridas e problemas, mas orientada para ajudar outras pessoas em suas dificuldades.
Chegou a hora de nos direcionarmos a estender a mão para pessoas que lutam com dependências emocionais e ações viciadoras ou compulsivas. Durante nossa caminhada até aqui, nós recebemos ajuda e aceitação que, agora podemos passar para outros.
Quando chegamos nesse último passo, depois de conseguirmos superar muitos de nossos problemas antigos, podem surgir novas tentações e dificuldades. Se não estivermos sensíveis ao Espírito Santo e conscientes dessas tentações, podemos cair de novo. Vamos verificar algumas delas:
1) Ser levados pelo desânimo momentâneo. Sempre existirão altos e baixos, ainda que a prática regular dos 12 Passos permita evitar os excessos que conhecemos no passado. Ao mesmo tempo, não devemos levar muito a sério quando temos momentos ou dias de mal-humor e supor que estamos voltando para os vales profundos do passado. Devemos procurar ajuda imediatamente e nos firmar nos hábitos do novo estilo de vida.
2) Cair no orgulho de pensar que não existe nenhuma seqüela de nossos problemas do passado. Não devemos esquecer que nossas fraquezas do passado sempre serão áreas de vulnerabilidade. Em nossa presunção, podemos supor que não precisamos mais ter cuidado quanto a essas fraquezas.
3) Sucumbir à tentação de dominar outras pessoas carentes. Podemos acabar manipulando e controlando as pessoas que estamos tentando ajudar, ao invés de liberá-las com nosso amor, aceitação e apoio. Às vezes, entramos numa co-dependência para nos sentirmos importantes e significantes.
4) Cair na tentação de deixar outras pessoas cuidarem de nós. Corremos o risco de manipular outras pessoas assumirem responsabilidades que são nossas. Se elas não corresponderem às nossas expectativas, acabamos amargurados com elas. Outro risco é encontrarmos pessoas dominadoras e nos submetermos a elas, ao invés de assumirmos responsabilidade por nossas próprias vidas.
5) Esquecer que estamos num processo contínuo de crescimento. O fato de termos conseguido superar vários problemas do passado, pode nos levar a afrouxar nosso empenho pela continuidade da recuperação.
6) ficar inconformados com nossas circunstâncias. Podemos imaginar que, por termos feito os 12 Passos, não devemos mais ter problemas. Pensamos que as dificuldades devem sumir completamente: desemprego, problemas de saúde, dificuldades financeiras, desavenças familiares, etc.
Ao experimentar um despertar espiritual, este é confirmado e aprofundado quando transmitimos a outros o que Deus fez em nós. Só retemos o que entregamos para outros. Se você quiser reter e aprofundar a sua recuperação, você precisa compartilhar com outros o que Deus fez, e está fazendo em sua vida. A sua história de recuperação pode ajudar outros que estão presos onde você estava. Você está disposto a deixar que Deus o use para ajudar a libertar outras pessoas?
Nós conhecemos de dentro para fora como são os relacionamentos e as famílias disfuncionais; também conhecemos intimamente a luta para lidar com feridas e traumas emocionais. Deus tem permitido que por meio dos nossos sofrimentos cheguemos a entender as outras pessoas que sofrem, podendo nos identificar com elas de uma forma que outras pessoas não conseguiram. E por meio de nossa jornada na direção da recuperação, entendemos também como estender esperança para aqueles que ainda estão presos.
A última parte do 12º Passo afirma que procuramos praticar os princípios dos 12 Passos em todas as nossas atividades. Isso quer dizer que, se fomos transformados espiritualmente, as pessoas irão enxergar isso em nossos tratos financeiros, em nossos relacionamentos, em nosso contato com a vizinhança, em nossa conduta sexual, em nosso desempenho profissional e assim por diante. Gradativamente, nossa transformação será evidente em todas as áreas de nossas vidas.
PREVENÇÃO DA RECAÍDA

Encontro 1.

O que é Recaída?
É um processo que leva um dependente químico a retomar o uso abusivo de álcool/drogas, depois de ter iniciado um programa de tratamento e recuperação da dependência química.
O que é Prevenção da Recaída?
É um conjunto de habilidades e modificações do estilo de vida do dependente químico para evitar uma recaída. Em outras palavras, a prevenção da recaída é um programa de autocontrole para ajudar o dependente químico a alcançar dois objetivos: 1) adquirir habilidades para lidar com as situações de risco de recaída e 2) modificar o seu estilo de vida.
O que é Situação de Risco de Recaída?
É qualquer situação da vida do dependente químico que pode colocar em perigo a sua sobriedade e equilíbrio emocional (alvo da recuperação). Essas situações são justamente aquelas que também levaram a pessoa a cair na Dependência Química. Em geral, as situações de risco são aquelas que motivam a pessoa a buscar uma Satisfação imediata através das drogas. Podem ser 1) situações de tensão, das quais se quer livrar imediatamente; 2) situações de oferta de prazer, o qual se quer usufruir instantaneamente. As situações de risco tem a ver com a pergunta: Por que (ou quando) você usava drogas?
Diante de uma situação de risco, a pessoa tem duas opções: enfrenta a situação (resposta de enfrentamento) ou se deixa levar pela situação. Cada uma das opções tem dois finais diferentes, conforme o quadro abaixo:

Em muitas Situações de Risco, uma boa resposta de enfrentamento será dizer Não. Quanto melhor a pessoa conseguir enfrentar as Situações de Risco, mais firme ela se manterá na sua recuperação e aumentará sua capacidade para lidar com outras situações de risco que surgirem.
BALANÇO DO ENVOLVIMENTO AFETIVO COM AS DROGAS.
A dependência química estabelece uma relação afetiva muito forte e doentia entre o dependente e a droga. As substancias químicas se mostram muito sedutoras devido aos seus efeitos psíquicos.
Na Prevenção da Recaída é fundamental a pessoa romper com a sua relação afetiva com a droga. Essa relação fazia a pessoa imaginar que seria impossível lidar com a vida sem o “apoio”da droga. Mas agora, é necessário aprender e manter um novo modo de viver, no qual não pode mais haver lugar para a droga.
O QUADRO DAS VANTAGENS E DESVANTAGENS, poderá ajudar você a manter sempre na lembrança que os prejuízos que a droga causa são sempre muito maiores do que os seus benefícios.
VANTAGENS DE USAR DESVANTAGENS DE USAR

DESVANTAGENS DE NÃO USAR VANTAGENS DE NÃO USAR

Encontro 2.

No Encontro 1, vimos que o programa de prevenção da recaída procura auxiliar o dependente químico em recuperação a alcançar dois objetivos:
1) Adquirir habilidades para lidar com as situações de risco.
2) Modificar seu estilo de vida.
O 1º objetivo procura capacitar a pessoa a enfrentar as situações de risco. Esse objetivo está mais ligado ao que a pessoa NÃO DEVE FAZER para permanecer de pé, ou seja, para levar uma vida longe de situações de risco. Neste encontro, queremos abordar mais especificamente o 2º objetivo.
O estilo de vida de qualquer pessoa é caracterizado pelo conjunto de seus hábitos. Durante o processo de instalação da dependência química, é comum a pessoa abandonar hábitos saudáveis e iniciar hábitos destrutivos. No processo de recuperação, é preciso inverter essa ordem. Agora é preciso abandonar os hábitos destrutivos e iniciar ou reiniciar hábitos saudáveis.
Na fase ativa da dependência química, o principal hábito do estilo de vida do dependente era consumir drogas para obter prazer e aliviar tensões. Agora, na fase da recuperação, esse hábito destrutivo deve ser totalmente eliminado (ABSTINÊNCIA TOTAL). Mas a pessoa precisa descobrir e praticar hábitos saudáveis para obter prazer e aliviar tensões.
Essa mudança de hábitos enfrenta um sério problema: A LEI DA INÉRCIA. Essa lei da física também se aplica ao comportamento humano. Por natureza, temos a tendência a nos acomodarmos no nosso jeito de ser. Para sair da acomodação é preciso injetar muita energia física e psicológica. Para alguém ser bem sucedido na sua recuperação, ele precisará de muita AÇÃO E MOTIVAÇÃO.
Ao construir um novo estilo de vida, a pessoa estará construindo algumas cercas em volta da estrada da recuperação, para evitar sua saída da estrada certa e entrada em desvios perigosos (situações de risco). As cercas do novo estilo de vida vão delimitar uma área segura. Enquanto a pessoa permanecer dentro dos limites da cerca, estará livre dos riscos da recaída. As cercas são as habilidades para enfrentar as situações de risco (RESPOSTAS DE ENFRENTAMENTO). A melhor prevenção da recaída é não andar muito perto da cerca e sim andar o mais próximo possível no centro da estrada da recuperação, representado pela prática dos hábitos saudáveis. Vale aquele ditado: “Não convém cutucar a onça com a vara curta”.

A MAIOR DÁDIVA DE TODAS

A Maior Dádiva de Todas

“A maior dádiva que uma pessoa pode receber é um despertar espiritual. Este seria sem dúvida o veredicto correto de um alcoólico bem recuperado, membro da Irmandade de A.A. Bem, mas o que é este despertar espiritual, esta experiência transformadora? Como se produz em nós e o que se faz? Para começar, um despertar espiritual é o canal pelo qual encontramos a sobriedade. E para nós, alcoólicos, a sobriedade significa a própria vida. Sabemos que o despertar espiritual é a chave que nos abre a possibilidade de sobreviver ao alcoolismo e que, para a maioria de nós, é a única chave. Temos que despertar, senão morremos. Não, a sobriedade não é senão um mero começo, é somente a primeira conta de que pouco a pouco podemos descartar a velha vida – a que não deu certo – e substituí-la por uma nova vida que pode dar certo e que dará, sejam quais forem as circunstâncias… podemos levar uma vida de possibilidades ilimitadas se estivermos dispostos a perseverar em nosso despertar.” (Trechos extraídos do Livro “A Linguagem do Coração”, páginas 275 e 276).