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ROTEIRO SUGERIDO PARA ALCOÓLICOS ANÔNIMOS NOS TRABALHOS DA CIP

ROTEIRO SUGERIDO PARA ALCOÓLICOS ANÔNIMOS NOS TRABALHOS DA CIP

1 – Devemos, antes de tudo, nos colocar no lugar dos receptadores. Quero dizer, temos que ter a sensível medida de suas condições de ouvintes, leigos ou não, que em sua grande maioria desconhece por completo todo o conteúdo informativo que abordaremos na ocasião da CIP. Além do mais, temos que obstruir por meio de informações claras as barreiras naturais que se opõem ao propósito único dos nossos trabalhos, quais sejam: pré-conceitos, estigma, negação, desconhecimento, vergonha, equívocos, ironia.

2 – É necessário ganhar a confiança e a solicitude dos interessados logo no início do trabalho. Pensem: alguns desses ouvintes estão curiosos; muitos outros nos assistem contrariados ou com má vontade; e há os que estão ali de bom grado, esses já estão do nosso lado.

2.1 – Devemos nos apresentar com humildade, confiança e como alcoólicos RECUPERADOS ou como EX-BEBEDORES PROBLEMA. Não podemos oferecer dúvidas quanto a isso. Afirmar que há dez anos não bebemos e apesar de todo esse tempo continuamos em recuperação é, no mínimo, incoerente, contraditório e pavoroso. Não podemos deixar brechas desnecessárias para indagações e mais resistências.

2.2 – É preciso dizer-lhes que estamos ali para solicitar sua ajuda e compreensão diante do nosso papel informativo e de relações públicas. Devemos confirmar que os integrantes da equipe não possuem qualquer qualidade oratória, que não somos profissionais, que estamos ali nos expondo por dever e responsabilidade quanto ao fornecimento ao maior número possível de interessados das mesmas informações que nos fizeram parar de beber. Que desejamos, na verdade, convencê-los a se tornarem potências difusoras de nossa mensagem ao alcoólico que ainda sofre. A única razão de nossa existência.

O 1° aspecto de nossas intenções: Alcançar o Alcoólico Indiretamente.

3 – Toda condução dos trabalhos deve ter como objetivo atingir nosso alvo, o alcoólico que ainda sofre, INDIRETAMENTE. Isso deve ficar bem estabelecido logo no início, pois não estamos ali para constranger ninguém. Nossa preocupação é abastecer os ouvintes com informações práticas que estejam ao alcance de todos; informações que os identifiquem com o provável alcoólico de suas relações. Comecemos afirmando que todos os presentes são conhecedores de alguém em suas famílias, no ambiente de trabalho, na vizinhança, quem sabe entre seus amigos, num grau distante ou próximo, que carregaram ou ainda carregam o drama do alcoolismo em suas vidas. Agindo assim, faremos se sentirem também um pouco responsáveis e cooperativos.

4 – “Garanto aos senhores e senhoras…” A atenção será obtida a partir daí. Cabe a nós, então, mantê-los interessados até o final dos trabalhos. Não precisamos repetir mecanicamente preâmbulo algum. Todo o preâmbulo será conferido junto ao escopo informativo do trabalho. Há alguns pontos do preâmbulo que só fazem sentido para nós, membros familiarizados. São esses pontos que devemos abordar o mais claramente possível, explicando as razões e os porquês.

5 – Preparado o terreno a partir da apresentação e confirmação do caráter de nosso trabalho junto a eles, começamos a efetivar o conteúdo informativo.

5.1 – Iniciamos afirmando que Alcoólicos Anônimos é para todos. Não queremos que ninguém fique de fora dos nossos quadros de membros. Temos todas as amostras de nossa sociedade: culturas e raças diferentes; orientações sexuais diversas; homens e mulheres de poder e força; pessoas obscuras e anônimas; apenados e santos padres; agnósticos, religiosos e ateus; os intelectuais estão com a gente e os iletrados também. Enfim, todos os humanos! Até mesmo eu, pois a doença do alcoolismo é imparcial e democrática. Também é necessário esclarecer que não há taxas e nem mensalidades; que somos AUTOSSUSTENTÁVEIS através de nossas próprias contribuições voluntárias; que Alcoólicos Anônimos é inteiramente de graça!

5.2 – Já que afirmamos que o alcoolismo é uma doença, devemos dizer que como tal está catalogada pela OMS. É igualmente relevante abordarmos a origem de Alcoólicos Anônimos, informando que foi criado em 1935, nos Estados Unidos, durante a Grande Depressão, no pós-guerra, a partir da necessidade de dois homens desesperados pelo alcoolismo encontrar uma solução para suas condições aflitivas. Também é importante mencionar que, passados quatro anos desse primeiro encontro, foi lançado o livro Alcoólicos Anônimos, o qual fez surgir diversos grupos em todo território americano e, mais tarde, fora dele.

5.3 – Temos que ressaltar que, segundo Alcoólicos Anônimos, a doença do alcoolismo se manifesta no indivíduo a partir de uma combinação diabólica: a obsessão pelo beber aliada à compulsão orgânica. Esses dois fatores, somados, determinam a ocorrência da doença. Devemos esmiuçar, com ilustrações próprias, sucintas e evitando ao máximo qualquer ação sensibilizatória, como essa doença se manifestava em nossas vidas; elevar os nossos fundos de poço até o nível que os atinja, sem, no entanto, ir tão fundo. Devemos mencionar os aspectos da doença e afirmar que não há cura, mas sim, recuperação, pois caso houvesse cura, poderíamos apreciar qualquer bebida sem a perda do controle, isto é, o fator orgânico não seria mais acionado. É ainda necessário informar sobre o aspecto progressivo da doença, aspecto diferenciador entre o alcoólico moderado e o desesperado, determinante para sua estória de vida cheia de riscos.

5.4 – É importante relatarmos as características comportamentais desse sujeito alcoólico: o quanto se ressente ao ser criticado ou aconselhado pela sua maneira de beber; o desejo que possui de controlar o uso do álcool, o que intensifica o fator obsessivo; a insistência em negar sua condição de alcoólico, comprometendo cada vez mais sua saúde; os riscos provocados pelo descontrole; as justificativas e racionalizações que cria para continuar bebendo; o quanto aborrece seus familiares pela sua maneira de beber.

O 2° aspecto de nossas intenções: Uma Olhar Compreensivo.

6 – Devemos apresentar uma VISÃO COMPREENSIVA do ser humano enfermo, estigmatizado e incompreendido. Estimular um olhar que toda sociedade deveria possuir para o bom entendimento do que se passa com esse indivíduo, a fim de ajudá-lo. Existem momentos mais adequados para tratar do assunto com o alcoólico que sofre? Sim, o momento em que ele busca o isolamento empurrado pelo remorso ocasionado pela última bebedeira. Em muitos casos, esse é o momento mais indicado. Vejamos: esse momento é delicado e íntimo. Somente alguém muito confiável pode assumir esse papel (cônjuges, filhos, pais e amigos, a princípio). Devemos também levar em consideração que tal oportunidade pode levar meses para ocorrer, e que o interessado em ajudar o alcoólico deve ser paciente e amoroso, devendo evitar discussões ou críticas. É necessário recomendar essa pessoa de confiança ao Ala-Anon para que se familiarize com toda a problemática.

6.1 – É necessário enfatizar que ninguém nesse mundo é capaz de mudar o alcoólico. Tal atitude é responsabilidade do próprio e é intransferível. Nós que estamos de fora só conseguiremos acender seu desejo de recuperação e apoiá-lo nessa trajetória. É preciso confirmar que o sujeito não tem culpa por ter se tornado alcoólico, mas que possui, sim, responsabilidades pelo fato ter ocorrido com ele. Ninguém deseja tornar-se doente por mais que tenha contribuído para isso. O mesmo ocorre com um hipertenso ou diabético: um exagera no sal e o outro no açúcar, mas nenhum deles desejou tornar-se um doente.

7 – Por que encaminhar o indivíduo adoecido a um grupo de Alcoólicos Anônimos? O que o grupo oferece que nós outros não conseguimos? Vamos tentar responder a essas indagações extraindo o que há de mais comum em nossas reuniões e nos aproximando o máximo possível do ideal. Temos que vender o melhor peixe! A meu ver, o que atrai realmente o indivíduo para junto de nós é a sensação de pertencer. Seu instinto social, até o momento em total desordem, começa a ser preenchido. A lacuna da solidão e do isolamento vai deixando de existir, fornecendo-lhe segurança, autoestima e esperança. Acredito que todo o resto das virtudes que um grupo possui só colabora para que essa sensação de pertencimento seja fortalecida cada vez mais. Vamos a elas: a afinidade quanto ao propósito; a identificação pelos sentimentos; a compreensão pelas semelhantes experiências; a segurança do anonimato; um ambiente fraterno e propício à recuperação; um lugar livre de julgamentos ou condenações; a liberdade de escolha. Não há imposições e, sim, recomendações. Na verdade, um genuíno movimento de compaixão é o que nos move. A transmissão integral é estabelecida dessa forma, e, só no grupo.

Enfim, esses são os elementos que me vieram à cabeça nesse momento em que escrevo. É importante não romantizar muito, sob o risco de o discurso parecer uma falso. Sejamos honestos: entre o ideal e o real há uma grande distância. O peixe talvez seja o melhor, mas não é tão grande!

8 – Devemos demonstrar de forma sintética o (programa), nosso método de recuperação. Nunca devemos esmiuçar o passo a passo. É importante darmos relevo aos princípios espirituais, à necessidade de combater o egoísmo com atitudes positivas, à relevância da aquisição de novos valores e ao exercício de novos hábitos como, por exemplo, o inventário de si mesmo (autoexame). Lembremo-nos: em relação ao programa, não temos meios de abordá-lo. Essa é uma atribuição somente dos grupos e não da *CIP. Quem seguir por esse caminho correrá riscos devido à subjetividade do programa.

9 – Devemos abolir a discussão sobre teorias teológicas ou despertares espirituais. Recordemos que não somos nem seita nem religião, e abraçamos os adeptos de todos credos e também os que não possuem credo algum. Lembremos que respeitamos todos os pontos de vista, mas que, certamente, nas reuniões de A.A. todos ouvirão falar em Deus ou em um Poder Superior, conforme qualquer um desejar e se desejar!

10 – Devemos apresentar sucintamente o funcionamento de nossa irmandade (sociedade) em todo o mundo, sob os dois legados – UNIDADE e SERVIÇO – e sua aceitação em diversas culturas e línguas. É importante mencionar a forma de obter nossas obras literárias, fornecer nossos dados de contato e informar sobre tudo o que possa ser útil ao atendimento do pedido de ajuda de todo e qualquer candidato à recuperação.

11 – A exposição deve ser finalizada com um último agradecimento, colocando-nos à disposição para responder às questões formuladas pelos ouvintes e esclarecer tudo o que seja possível. Caso sejam solicitadas informações que não possamos atender nesse momento, é importante responder de forma verdadeira. Quanto às indagações teológicas e científicas, o melhor é nos abstermos. Esse mérito não é nosso! Afirmemos que não temos meios para responder a essas questões e que deixaremos o contato de alguém capacitado para fazê-lo.

Não há bicho de sete cabeças algum! Todos com um mínimo de boa vontade poderão fazer esse papel com total qualidade. Não precisamos ser experts ou doutores para relatar de forma bastante natural e verdadeira o que se passa conosco. E façamos isso com as nossas palavras. Lancemos as iscas somente! Lembremos de tratar esse modesto material como um roteiro sugerido e facilitador. Certamente, existem ou existirão outros roteiros com o mesmo intuito de facilitar o acesso de todos à produção dos trabalhos de *CTO, contribuindo para a ampliação das tarefas e a abrangência da mensagem, resultando, quem sabe, numa maior eficiência dos trabalhos. Mas isso, somente o tempo e o nosso bom Deus poderão confirmar.

*Comitê Trabalhando com Outros
*Comissão de Informação Pública

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NO MÊS DE JUNHO VOCÊ LEU NA OPINIÃO DO BILL?

01 de JUNHO
UM NOVO PONTO DE VISTA

Todos os nossos pontos de vista e atitudes perante a vida irão se modificar.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 103 ou p. 112
Quando bebia, minha atitude era totalmente egoísta, totalmente autocentrada; meu prazer e meu conforto vinham em primeiro lugar. Agora que estou sóbrio, o egoísmo começou a ir embora. Toda minha atitude em relação à vida e às outras pessoas está mudando. Para mim, o primeiro “A” em nosso nome significa “atitude”. Minha atitude é mudada pelo segundo “A” em nosso nome que significa “ação”. Praticando os Passos, assistindo às reuniões e transmitindo a mensagem, posso recuperar minha sanidade. Ação é a palavra mágica! Com uma atitude positiva de ajuda e uma ação regular em A.A., posso manter-me sóbrio e ajudar os outros a alcançar a sobriedade. Minha atitude agora é a de estar disposto a caminhar qualquer distância para manter-me sóbrio.

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02 de JUNHO

O CAMINHO ASCENDENTE

Eis os Passos que demos…

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 80 ou p. 88

Estas são as palavras introdutórias aos Doze Passos. Na sua simplicidade direta elas deixam de lado todas as considerações psicológicas e filosóficas sobre a virtude dos Passos. Eles descrevem o que fiz: pratiquei os Passos e o resultado foi a sobriedade. Estas palavras não implicam em que eu deva caminhar pela estrada trilhada pelos que vieram antes. Ao invés disso mostram que existe uma maneira de ficar sóbrio, e que é um caminho que eu preciso encontrar. É um caminho novo que leva para a luz infinita no topo da montanha. Os Passos me aconselham sobre os apoios que são seguros e os abismos a evitar. Eles me fornecem as ferramentas de que preciso durante grande parte da jornada solitária de minha alma. Quando falo desta jornada, compartilho minha experiência, força e esperança com os outros.

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03 de JUNHO

NUMA ASA E NUMA ORAÇÃO

… olhamos então para o Sexto Passo. Frisamos que a boa vontade é indispensável.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 96 ou 104

O Quarto e Quinto Passos são difíceis, mas de grande valor. Agora estava parado no Sexto Passo e, em desespero, peguei o Livro Grande e li esta passagem. Estava fora, rezando por vontade própria, quando levantei meus olhos e vi um grande pássaro subindo para o céu. Eu o observei subitamente entregar-se às poderosas correntes de ar das montanhas.Levado pelo vento, mergulhando e elevando-se, o pássaro fez coisas aparentemente impossíveis. Foi um exemplo inspirador de uma criatura “soltando-se” para um poder maior que ela própria. Percebi que se o pássaro “retomasse seus controles” e tentasse voar com menos confiança, apenas com sua força, poderia estragar o seu aparente voo livre. Esta percepção me deu disposição para rezar a Oração do Sétimo Passo. Nem sempre é fácil conhecer a vontade de Deus. Devo procurar e estar pronto para aproveitar as correntes de ar, pois é aí que a oração e a meditação ajudam. Porque por mim mesmo eu não sou nada, peço a Deus que me conceda o conhecimento de Sua vontade e força e coragem para transmiti-la – hoje.

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04 de JUNHO

LIBERTANDO-NOS DE NOSSOS VELHOS EGOS

Lendo cuidadosamente as primeiras cinco proposições, perguntamo-nos se omitimos alguma coisa, pois estamos construindo um arco pelo qual passaremos finalmente como homens livres…
Estamos agora prontos para que Deus retire de nós todas as coisas que já admitimos serem censuráveis?

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 96 ou p. 104 e 105

O Sexto Passo é o último de “preparação”. Embora já tenha usado a oração extensivamente, ainda não fiz nenhum pedido formal ao meu Poder Superior nos primeiros Seis Passos. Identifiquei meu problema, vim a acreditar que havia uma solução, tomei a decisão de procurar esta solução, e “limpei a casa”. Agora me pergunto: estou disposto a viver uma vida de sobriedade, de mudança, de me libertar do meu velho ego? Preciso determinar se estou realmente pronto para mudar. Revejo o que tenho feito e estou disposto a que Deus remova todos os meus defeitos de caráter; para que, no próximo Passo, eu diga ao meu Criador que estou disposto e peça ajuda. “Se ainda nos apegarmos a algo que não queremos soltar, peçamos a Deus que nos dê a vontade de fazê-lo.” (Alcoólicos Anônimos, p. 96 ou p. 105)

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05 de JUNHO

INTEIRAMENTE PRONTO?

“Este é o Passo que separa os adultos dos adolescentes…” … a diferença entre “os adultos e os adolescentes” é igual à que existe entre a luta por um objetivo qualquer de nossa escolha e a meta perfeita que é Deus… Sugere-se que devemos estar inteiramente dispostos a procurar a perfeição… No momento em que dizemos: “não, nunca”, nossa mente se fecha para a graça de Deus… Este é o ponto exato em que teremos de abandonar nossos objetivos limitados e avançar em direção à vontade de Deus para conosco.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 55, 60 e 61

Estou inteiramente pronto a deixar que Deus remova estes defeitos de caráter? Reconheço que não tenho condições de salvar a mim mesmo? Vim a crer que não posso. Se sou incapaz, se minhas melhores intenções dão errado, se meus desejos têm uma motivação egoísta e se meu conhecimento e minha vontade são limitados – então estou pronto a admitir a vontade de Deus em minha vida.

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06 de JUNHO

TUDO QUE FAZEMOS É TENTAR

Será que Ele pode levá-las embora, todas elas?

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 96 ou p. 105

Ao fazer o Sexto Passo, lembrei que estou lutando por alcançar um “progresso espiritual”. Alguns de meus defeitos de caráter ficarão comigo pelo resto de minha vida, mas muitos foram suavizados ou eliminados. Tudo que o Sexto Passo pede de mim é que me torne disposto a nomear meus defeitos, reconhecer que são meus e estar disposto a me livrar daqueles que puder, só por hoje. Quando cresço no programa, muitos dos meus defeitos tornam-se mais censuráveis para mim que anteriormente, portanto, preciso repetir o Sexto Passo para que possa ser mais feliz comigo mesmo e manter minha sobriedade.

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07 de JUNHO

ESPERANÇA A LONGO PRAZO

Visto que a maioria de nós nasceu com abundância de desejos naturais, não é de se admirar que, frequentemente deixemos que excedam de seu propósito. Quando nos impelem cegamente, ou quando, obstinadamente, exigimos que nos deem mais satisfações e prazeres do que é possível ou do que merecemos, estamos no ponto em que nos afastamos do grau de perfeição que Deus deseja para nós aqui na terra. Esta é a medida de nossos defeitos de caráter ou, se preferirmos, de nossos pecados.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 57

Aqui é onde nasce a esperança a longo prazo e se ganha a perspectiva da natureza de minha doença e do caminho de minha recuperação. A beleza de A.A. repousa em saber que minha vida, com a ajuda de Deus, vai melhorar. A caminhada em A.A. torna-se mais rica, o entendimento se transforma em verdade, os sonhos tornam-se realidades – e o hoje é para sempre.

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08 de JUNHO

ABRINDO-SE PARA MUDAR

A autoanálise é o meio pelo qual trazemos um nova visão, ação e graça para influir no lado escuro e negativo do nosso ser. Com ela vem o desenvolvimento daquele tipo de humildade, que nos permite receber a ajuda de Deus… descobrimos que pouco a pouco vamos nos despojando da vida antiga – a vida que não funcionou – por uma nova vida que pode e funciona sob quaisquer condições.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 10, 8

Foi me dado um indulto diário, que depende de minha condição espiritual, desde que procure o progresso e não a perfeição. Para me tornar pronto para mudar, eu pratico a boa vontade, abrindo-me às possibilidades de mudança.
Se percebo que existem defeitos que atrapalham minha utilidade em A.A. e para os outros, me preparo, meditando e recebendo orientação. “Alguns de nós tentamos nos apegar às nossas velhas ideias e o resultado foi nulo, até que nos rendemos completamente.” (Alcoólicos Anônimos, p. 79 ou 87)
Para soltar-me e deixar Deus agir, preciso somente entregar meus velhos costumes para Ele; não mais lutar nem tentar controlar, mas simplesmente acreditar que com a ajuda de Deus estou mudando, e assim afirmando me torno pronto. Esvazio-me para me encher de percebimento, luz e amor, e estou preparado para encarar cada dia com esperança.

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09 de JUNHO

VIVER NO PRESENTE

Primeiro, tentamos viver no presente só para não beber, – e vemos que funciona. E depois que essa ideia se torna parte de nosso modo de pensar, verificamos que viver a vida em segmentos de 24 horas é uma forma eficaz e agradável de lidar com outros assuntos também.

VIVER SÓBRIO, p. 18

“Um dia de cada vez.” Para o ingressante este e outros lemas de A.A. podem parecer ridículos. As senhas da Irmandade de A.A. podem se tornar linhas de vida, nos momentos de tensão. Cada dia pode ser como uma rosa desabrochando de acordo com o plano de um Poder Superior a mim mesmo. Meu programa deve ser plantado no local certo, onde ele precisará ser preparado, alimentado e protegido da doença. Meu plantio exige paciência e minha percepção de que algumas flores serão mais perfeitas que outras. Cada estágio das pétalas se abrindo pode trazer maravilhas e deleite, se eu não interferir ou deixar minhas expectativas anularem minha aceitação – e estas coisas trazem serenidade.

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10 de JUNHO

IMPACIENTE? TENTE LEVITAR

Reagimos mais fortemente às frustrações do que as pessoas normais.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 111

Impaciência com as outras pessoas é um dos meus maiores defeitos. Seguir um carro que anda devagar numa avenida que não dá ultrapassagem, ou esperar pela conta num restaurante, me levam à loucura. Antes de dar uma chance a Deus para me acalmar, explodo, e isso é o que chamo ser mais rápido que Deus. Esta experiência repetida várias vezes me deu uma ideia. Pensei que se eu pudesse olhar para estes acontecimentos sob o ponto de vista de Deus, poderia controlar melhor meu comportamento e meus sentimentos. Tentei e quando encontrei outro motorista lento, olhei o outro carro e a mim mesmo. Vi um casal de velhos dirigindo e conversando alegremente sobre os seus netos. Eles eram seguidos por mim, carrancudo e o rosto vermelho – que não tinha hora marcada para encontrar ninguém. Eu parecia tão bobo que caí na realidade e diminui a marcha. Ver as coisas do ponto de vista de Deus pode ser muito relaxante.

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11 de JUNHO

OBRIGAÇÕES FAMILIARES

…Uma vida espiritual que não inclua… obrigações familiares, poderá não ser tão perfeita.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 145 ou p. 158

Posso estar fazendo grandes progressos no programa – praticando-o nas reuniões, no trabalho, nas atividades de serviço – e descobrir que as coisas estão se dilapidando em casa. Contava com as pessoas que amo para me entender, mas elas não podem. Contava com elas para ver e avaliar meu progresso mas, elas não podem – a não ser que eu lhes mostre.
Ignoro suas necessidades e desejos de ter minha atenção e meu interesse? Quando estou com elas fico irritado ou aborrecido? As minhas reparações são um “desculpem-me” resmungado, ou tomam a forma de paciência e tolerância? Fico pregando tentando reformá-las ou castigá-las? “A vida espiritual não é uma teoria. Nós temos que vivê-la.” (Alcoólicos Anônimos, p. 102 ou p. 111)

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12 de JUNHO

FORMANDO UMA VERDADEIRA PARCERIA

Mas, o maior sofrimento que temos padecido se originam de nossas relações deturpadas com parentes, amigos e a sociedade em geral.
Temos sido por demais obtusos e teimosos nestas relações. O fato principal que deixamos de reconhecer é a nossa incapacidade total de manter uma verdadeira intimidade com outro ser humano.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 46

Estas palavras podem ser aplicadas a mim? Eu ainda sou incapaz de formar uma verdadeira parceria com outro ser humano? Que terrível desvantagem seria para mim levar esta minha vida sóbria! Na minha sobriedade meditarei e rezarei, para descobrir como posso me tornar um amigo e companheiro de confiança.

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13 de JULHO

VIVENDO NOSSAS REPARAÇÕES

“Viver durante anos com um alcoólico, pode tornar qualquer esposa ou filho neuróticos. Até certo ponto, a família inteira está doente.”

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 139 ou p. 151

É muito importante para mim perceber que, como um alcoólico, eu não somente machuquei a mim mesmo, como também todos à minha volta. Fazer reparações à minha família e para as famílias de alcoólicos que ainda sofrem, sempre será importante. Entender a devastação que causei e tentar reparar a destruição, será um esforço para toda a vida. O exemplo de minha sobriedade pode dar aos outros esperança e fé para que se ajudem a si mesmos.

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14 de JUNHO

QUANDO AS COISAS FICAM DIFÍCEIS

É um programa de vida que fuciona nos momentos difíceis.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 38 ou p. 45

Quando vim para A.A., percebi que A.A. funcionava maravilhosamente para me ajudar a ficar sóbrio. Mas poderia funcionar com os problemas reais da vida, não apenas com a bebida? Eu tinha minhas dúvidas. Após estar sóbrio por mais de dois anos, consegui minha resposta. Perdi meu emprego, desenvolvi problemas físicos, meu pai diabético perdeu uma perna e alguém que eu amava me deixou por outro – e tudo isto aconteceu num período de duas semanas. A realidade me golpeou; mas A.A. estava lá para apoiar, confortar e me fortificar. Os princípios que aprendi nos primeiros dias de sobriedade, tornaram-se o esteio de minha vida, pois não somente superei o que aconteceu, como nunca deixei de ser capaz de ajudar os ingressantes. A.A. me ensinou a não ficar dominado, mas, ao invés disto, aceitar e entender a minha vida como queira que se desdobre.

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15 de JUNHO

FAZENDO DE A.A. O TEU PODER SUPERIOR

“… você poderá, se quiser … considerar A.A. em si como sua “força superior”. Nele se encontra um grande número de pessoas que resolveram seus problemas com o álcool… muitos membros… atravessaram a barreira inicial… sua fé se ampliou e se aprofundou… transformados, chegaram a acreditar num Poder Superior.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 23

Ninguém era maior que eu, ao menos aos meus olhos, quando eu bebia. Todavia, não podia sorrir para mim no espelho, assim é que cheguei em A.A. onde, com outros, ouvi falar de um Poder Superior. Não podia aceitar o conceito de um Poder Superior, porque acreditava que Deus era cruel e sem amor. Em desespero escolhi uma mesa, uma árvore, depois meu Grupo de A.A. como meu Poder Superior. O tempo passou, minha vida melhorou e comecei a pensar sobre este Poder Superior. Pouco a pouco, com paciência, humildade e muitas perguntas, comecei a acreditar em Deus.
Agora meu relacionamento com meu Poder Superior me dá força para viver uma vida sóbria e feliz.

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16 de JUNHO

MENTE ABERTA

Descobrimos que Deus não impõe condições árduas aos que O buscam. Para nós, o Reino do Espírito é amplo e espaçoso; não é privativo nem vedado aos que o buscam sinceramente. Acreditamos que ele esteja aberto para todos.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 7

A mente aberta para conceitos de um Poder Superior pode abrir portas para o espírito. Muitas vezes encontro o espírito humano em vários dogmas e fé. Posso ser espiritual quando compartilho de mim mesmo. O compartilhar de mim mesmo me une à raça humana e me traz mais próximo de Deus, como eu O entendo.

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17 de JUNHO

“BEM DENTRO DE NÓS”

Encontramos a Grande Realidade dentro de nós. Em última análise, somente ali Ele pode ser achado… procurem diligentemente dentro de vocês… Com esta atitude não poderão fracassar. O conhecimento consciente de sua própria crença chegará com segurança.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 77 ou 84

Eu estava em profunda solidão, depressão e desespero quando procurei a ajuda de A.A. Quando fui me recuperando e comecei a ver como minha vida estava vazia e em ruínas, comecei a me abrir para a possibilidade curadora que a recuperação oferece através do programa de A.A. Indo às reuniões, permanecendo sóbrio e praticando os Passos, tive a oportunidade de ouvir com atenção crescente as profundezas de minha alma. Todo dia eu esperava, com esperança e gratidão, por esta crença segura e este amor constante pelos quais esperei por muito tempo em minha vida. Neste processo eu encontrei meu Deus, como eu O entendo.

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18 de JUNHO

UMA IRMANDADE DE LIBERDADE

… se os homens tivessem garantida liberdade absoluta e não fossem obrigados a obedecer a ninguém, eles então voluntariamente se associariam a um interesse comum…

NA OPINIÃO DO BILL, p. 50

Quando eu não vivo mais sob o comando do outro ou do álcool, vivo uma nova liberdade. Quando me liberto do passado e de todo excesso de bagagem que tenho carregado por tanto tempo, eu venho a conhecer a liberdade. Fui introduzido numa vida e numa Irmandade de liberdade. Os Passos são uma maneira “sugerida” de encontrar uma nova vida, não existem ordem nem comandos em A.A. Sou livre para servir pelo desejo e não por decreto. Há o entendimento de que serei beneficiado com o crescimento dos outros membros, e o que aprendo compartilho com o Grupo. O “bem-estar comum” encontra espaço para crescer na sociedade da liberdade pessoal.

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19 de JUNHO

REGENERAÇÃO EM A.A.

Tal é o paradoxo da regeneração em A.A.: a força nascendo da fraqueza e da derrota completa; a perda de uma vida antiga como condição para encontrar uma nova.

A.A. ATINGE A MAIORIDADE, p. 41 ou p. 39

Milhares de reveses por causa do álcool não me deram coragem de admitir minha derrota. Acreditava que era minha obrigação moral conquistar meu “inimigo-amigo”. Na minha primeira reunião de A.A., fui abençoado com um sentimento de que estava tudo bem admitir a derrota para uma doença que não tinha nada a ver com a minha “fibra moral”. Instintivamente soube que estava na presença de um grande amor, quando entrei pelas portas de A.A. Sem nenhum esforço de minha parte, fiquei consciente de que amar a mim mesmo era bom e correto, como Deus pretendia. Meus sentimentos me libertaram, enquanto meus pensamentos tinham me mantido na escravidão. Eu sou grato.

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20 de JUNHO

LIBERTAÇÃO DO MEDO

O problema de acabar com o medo apresenta dois aspectos.
Vamos ter que tentar nos libertar de todo o medo que for possível. Depois, vamos precisar encontrar tanto a coragem como a graça para lidar construtivamente com qualquer espécie de medo que ainda reste.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 61
A maioria de minhas decisões eram baseadas no medo. O álcool tornou a vida mais fácil de encarar, mas chegou a hora em que o álcool não era mais uma alternativa para o medo. Uma das maiores dádivas em A.A. para mim foi a coragem para agir, o que posso fazer com a ajuda de Deus. Após cinco anos de sobriedade, precisei tratar com uma pesada dose de medo. Deus colocou pessoas na minha vida para me ajudar a fazer isso e, praticando os Doze Passos, estou me tornando a pessoa completa que desejo ser e, por isto, sou profundamente grato.

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21 de JUNHO

MEDO E FÉ

A conquista da libertação do medo é uma tarefa para toda a vida, é algo que nunca pode ficar completamente concluído.
Ao sermos duramente atacados, estarmos gravemente enfermos ou em qualquer situação de séria insegurança, todos nós vamos reagir a essa emoção de alguma maneira – bem ou mal – conforme o caso se apresente. Somente os que enganam a si mesmos alegam que estão totalmente livres do medo.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 263

O medo causou-me muito sofrimento, quando poderia ter tido mais fé. Há horas em que o medo subitamente me arrasa. Justamente quando estou experimentando sentimentos de alegria, felicidade e leveza no coração. A fé – e um sentimento de valor próprio em relação a um Poder Superior – me ajudam a suportar a tragédia e o êxtase. Quando optar por entregar ao meu Poder Superior todos os meus medos, então eu serei livre.

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22 de JUNHO

HOJE, ESTOU LIVRE

Isso me levou à boa e saudável conclusão de que havia muitas situações no mundo sobre as quais eu não tinha nenhum poder pessoal – que se estava tão pronto a admitir isso a respeito do álcool, devia admitir também em relação a muitas outras coisas. Tinha que ficar quieto e entender que Ele era Deus, não eu.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 114

Estou aprendendo a praticar aceitação em todas as circunstâncias de minha vida, para poder desfrutar de paz de espírito. Houve um tempo em que a vida era uma batalha constante, porque eu sentia que tinha que passar cada dia lutando comigo mesmo e com todo mundo. Finalmente isso tornou-se uma batalha perdida. Terminava embriagado e chorando sobre minha miséria. Quando comecei a me soltar e a deixar Deus tomar conta de minha vida, comecei a ter paz de espírito. Hoje sou livre. Não preciso lutar contra mais nada nem contra ninguém.

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23 de JUNHO

CONFIANDO NOS OUTROS

Mas acaso a confiança exige que sejamos cegos em relação aos motivos dos outros ou até aos nossos? Absolutamente; isto seria uma loucura. Certamente deveríamos avaliar tanto a capacidade de fazer o mal como a capacidade de fazer o bem nas pessoas em quem vamos confiar. Esse inventário particular pode revelar o grau de confiança que podemos depositar em qualquer situação que se apresente.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 144

Eu não sou vítima dos outros, mas sim uma vítima de minhas expectativas, escolhas e desonestidade. Quando espero que os outros sejam o que eu quero que sejam e não o que eles são, quando eles deixam de alcançar minhas expectativas, então me magoo. Quando minhas escolhas são baseadas em meu egocentrismo, me encontro sozinho e desconfiado. Adquiro confiança em mim mesmo, contudo, quando pratico a honestidade em todos os meus assuntos. Quando examino meus motivos e sou honesto e confiante, sou consciente dos possíveis danos que surgem em algumas situações, podendo assim evitá-las.

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24 de JUNHO

UM JARDIM DE INFÂNCIA ESPIRITUAL

Estamos apenas pondo em funcionamento um jardim de infância espiritual, no qual as pessoas ficam capacitadas a parar de beber e a encontrar a graça para viver de melhor maneira.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 95

Quando vim para A.A. estava correndo para a garrafa e desejava perder a obsessão pela bebida, mas realmente não sabia como fazê-lo. Decidi ficar o tempo suficiente para descobrir com aqueles que vieram antes de mim. De repente estava pensando sobre Deus! Me falaram para conseguir um Poder Superior e eu não tinha ideia de como seria Este. Descobri então que havia muitos Poderes Superiores. Falaram-me para achar Deus, como eu O concebo, pois não havia doutrina de divindade em A.A. Encontrei o Poder Superior que funcionava para mim e então pedi a Ele que me devolvesse à sanidade. A obsessão pela bebida foi removida e – um dia de cada vez – minha vida continuou e aprendi como viver sóbrio.

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25 de JUNHO

UMA RUA DE MÃO DUPLA

Se pedirmos, Deus certamente perdoará nossas negligências.
Porém sem a nossa cooperação, em nenhum caso nos torna brancos como a neve e nos mantém assim.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 57

Quando rezava, costumava omitir muitas coisas que eu precisava que fossem perdoadas. Pensava que se não falasse dessas coisas para Deus, Ele nunca ficaria sabendo sobre elas.
Não sabia que se eu tivesse me perdoado por algumas das minhas ações passadas, Deus me perdoaria também. Sempre fui instruído a me preparar para a jornada da vida, nunca percebendo até chegar em A.A. que a própria vida é a jornada – quando então honestamente tornei-me disposto a aprender a perdoar e a ser perdoado. A jornada da vida é algo muito feliz, desde que eu esteja disposto a aceitar uma mudança de vida e responsabilidade.

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26 de JUNHO

UMA DÁDIVA QUE CRESCE COM O TEMPO

Para a maioria das pessoas normais, a bebida significa o convívio, o companheirismo e uma imaginação colorida. Significa a liberação momentânea da ansiedade, do desgosto e da angústia. É a intimidade alegre com os amigos e o sentido de que a vida é boa.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 165 ou p. 179

Quanto mais perseguia estes sentimentos ilusórios com o álcool, mais fora de alcance eles ficavam. Contudo, aplicando esta passagem para minha sobriedade, descobri que ela descreve a magnífica vida nova disponível para mim pelo programa de A.A. As coisas realmente melhoram, um dia de cada vez. O calor, o amor e a alegria tão simplesmente expressos nestas palavras, crescem em alcance e profundidade cada vez que as leio. Sobriedade é uma dádiva que cresce com o tempo.

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27 de JUNHO

ACEITANDO A MANEIRA DE A.A.

Seguimos os Passos e as Tradições de A.A. porque realmente os desejamos para nós. Não é mais uma questão de ser uma coisa boa ou ruim; aceitamos porque sinceramente desejamos aceitar. Esse é o processo de crescimento em unidade e serviço. Essa é a prova da graça e do amor de Deus entre nós.

A.A. ATINGE A MAIORIDADE, p. 96 ou p. 93

É divertido observar o meu crescimento em A.A. Eu lutei contra aceitar os princípios de A.A. desde o momento em que ingressei, mas aprendi pela dor de minha beligerância que, escolhendo viver pela maneira de vida de A.A., me abria para a graça e o amor de Deus. Então comecei a conhecer o significado completo de ser um membro de Alcoólicos Anônimos.

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28 de JUNHO

A DETERMINAÇÃO DE NOSSOS FUNDADORES

Um ano e seis meses depois, estas três pessoas haviam alcançado êxito junto com mais sete.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 172 ou p. 187

Se não fosse a férrea determinação de nossos fundadores, A.A. teria desaparecido rapidamente, como tantas outras chamadas boas causas. Vejo as centenas de reuniões na cidade onde vivo e sei que A.A. está à disposição 24 horas por dia. Se eu tivesse de continuar com nada além da esperança e do desejo de não beber, experimentando rejeição por onde quer que fosse, teria procurado o caminho mais fácil e suave, e retornado ao meu antigo modo de viver.

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29 de JUNHO

UM EFEITO DE ONDULAÇÃO

Tendo aprendido a viver de forma tão feliz, mostraríamos ao resto do mundo como fazê-lo… Sim, nós de A.A. idealizamos tais sonhos. Nada mais natural, pois a maioria dos alcoólicos não passa de idealistas falidos… Por que então não compartilhar o nosso modo de vida com o resto do mundo?

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 140

A grande descoberta da sobriedade levou-me a sentir a necessidade de espalhar as “boas novas” para o mundo à minha volta. Os pensamentos grandiosos dos meus dias de bebida retornaram. Mais tarde, aprendi que a concentração em minha própria recuperação era um processo de plena dedicação. Quando tornei-me um cidadão sóbrio neste mundo, observei um efeito de ondulação que, sem qualquer esforço consciente de minha parte, alcançou outras “entidades relacionadas ou empresas alheias”, sem me desviar do propósito primordial de manter-me sóbrio e ajudar outros alcoólicos a atingir a sobriedade.
30 de JUNHO

SACRIFÍCIO = UNIDADE = SOBREVIVÊNCIA

A unidade, a eficiência e mesmo a sobrevivência de A.A. sempre dependerão de nossa contínua boa-vontade para renunciar a nossos desejos e ambições pessoais, pela segurança e o bem-estar comum. Do mesmo modo que o sacrifício significa sobrevivência para o indivíduo, também significa unidade e sobrevivência para o Grupo e para a irmandade de A.A. como um todo.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 220

Aprendi que devo sacrificar algumas de minhas características pessoais para o bem de A.A. e, como resultado, tenho sido recompensado com muitas dádivas. O falso orgulho pode ser inflado pelo prestígio, mas vivendo a Sexta Tradição, recebo a dádiva da humildade. Cooperação sem afiliação muitas vezes é enganadora. Se não me envolvo com outros interesses, estou livre para manter A.A. autônomo. Então a Irmandade estará aqui, saudável e forte para as gerações que virão.

PARA LER DEPOIS – NEUSA SHORTI

Para ler depois

* Neusa Shorti

A mulher, desencantada com o marido, achou melhor ir para o quarto. Fez um bilhete, mas também achou melhor não entregar. Bem humorada e para sobreviver, pensou:
– Quando ele morrer, ponho no bolso do paletó dele para ler depois.
Colocou o bilhete na caixa de seus guardanapos, pegou a caixa de costura, o bordado e foi para o alpendre.
Passados alguns meses, não é que a mulher morreu? Morreu. Foi o marido tirar tudo que era da mulher, como é de costume fazer, após alguns dias de falecimento. Colocou os vestidos numa caixa; os sapatos deu à vizinha, que o ajudava. Separou carinhosamente livros, fez pacotes colocando os nomes dos destinatários, pessoas queridas da falecida. Pegou a caixa de guardanapos, olhou fotos, releu cartas amareladas pelo tempo, que lhe enviara durante o noivado; chorou, secou as lágrimas.

Até que chegou ao tal bilhete e leu lá:

Para você ler depois
– Hoje sai de perto para você parar.
– Você é que me mandou parar.
– Mas eu saí porque sabia que ia começar.
– Agora que estou longe, pense:
– Será que você gosta mais do álcool do que:
dos seu irmãos,
dos seus sobrinhos,
de mim,
de nossos familiares,
de nossos amigos?

Por que você não diz que vai se controlar? Bastava você me dizer isso, e eu saberia que você iria cumprir, porque você sempre cumpre o que promete, e isso você nunca promete. Se você me dissesse que eu poderia ficar tranqüila, que você não iria passar das medidas… é só isso que lhe peço, mas você nunca diz o que eu espero ouvir.
– Por que você exagera?
Minha única certeza é que tenho muito medo do álcool e sei que não podemos com ele; ele está sempre no meio de nós.
– Por isso deixo tudo o que mais gosto nessa a vida:
a dança, os bailes, os amigos, os parentes, as piscinas, entre outras coisas.
– Só esse medo me faz afastar dessas coisas e dessas pessoas.
– Você pode fazer alguma coisa?
– A propósito, hoje, depois que eu sair, o que você vai fazer na minha ausência?

Beijos. Júlia

O homem nunca soubera da intenção bem humorada da mulher. E ela não estava lá para ver o desfecho daquele dia. Pois naquele dia vieram os seus irmãos cumprimentá-lo, que não chegaram a tempo do exterior. Ele os abraçou e chorou muito. Conversaram longamente naquele e muitos outros dias que se seguiram sem necessidade ou mesmo vontade de colocar copos na mesa e bebida na boca.
Assim foi até o resto de seus dias: uma aversão natural pelo álcool, um gosto pelo abraço demorado, pelas conversas sem pressa até o anoitecer, com os irmãos, atravessadas de saudades:
“ A minha Júlia gostava disso… a Júlia fazia assim… quando a gente se casou…”.

* A autora é escritora amadora de Araçatuba (SP)

AS MÃOS DA MINHA AVÓ

As Mãos da Minha Avó
autor desconhecido

A minha avó que tinha mais de 90 anos, estava sentada num banco na varanda, e tinha um aspecto fraco. Ela não se mexia, estava apenas sentada a fixar seu olhar nas mãos. Quando me sentei ao pé dela, nem sequer se mexeu, não teve nenhuma reação.Eu não a queria perturbar, mas ao fim de um certo tempo perguntei-lhe se estava bem.
Ela levantou a cabeça e sorriu para mim.
– Sim, eu estou bem, não te preocupes, respondeu ela com uma voz forte e clara.
– Eu não a queria incomodar, mas você estava aí com o olhar fixado nas suas mãos, e eu apenas pretendi saber se estava tudo bem consigo.
– Já alguma vez viste bem as tuas mãos? Perguntou-me ela.Quer dizer, vê-las como deve de ser?
Então eu olhei para as minhas mãos e fixei-as. Sem compreender bem o que ela queria dizer, respondi que não, nunca tinha olhado bem para as minhas mãos.

A minha avó sorriu para mim e contou-me o seguinte:

-Pára um bocadinho e pensa bem como as tuas mãos te têm servido desde a tua nascença. As minhas mãos cheias de rugas, secas e fracas, foram as ferramentas que eu utilizei para abraçar a vida.
Elas permitiram agarrar-me a qualquer coisa para evitar que eu caísse, antes que eu aprendesse a andar.
Elas levaram a comida à minha boca e vestiram-me. Quando era criança a minha mãe mostrou-me como uni-las para rezar.
Elas ataram as minhas botas e meus sapatos. Elas tocaram no meu marido e enxugaram as minhas lágrimas quando ele foi para a guerra.
Elas já estiveram sujas, cortadas, enrugadas e inchadas.
Elas não tiveram jeito nenhum quando tentei segurar o meu primeiro filho.
Decoradas com a aliança de casamento, elas mostraram ao mundo que eu amava alguém único e especial.
Elas escreveram cartas ao teu avô, e tremeram quando ele foi enterrado.
Elas seguraram os meus filhos, depois os meus netos.
Consolaram os vizinhos e também tremeram de raiva quando havia alguma coisa que eu não compreendia.
Elas cobriram o meu rosto, pentearam os meus cabelos e lavaram o meu corpo.
Elas já estiveram pegajosas, húmidas, secas e com rugas.
Hoje, como nada funciona como dantes para mim, elas continuam a amparar-me e, eu ainda as uno para orar.
Estas mãos contêm a história da minha vida.
Mas, as mais importantes, é que serão estas mesmas mãos que um dia, Deus segurará para me levar com Ele para o seu Paraíso.
Com elas, Ele me colocará a Seu lado. E lá, eu poderei utilizá-las para tocar na face de Cristo.

Pensativo olhava para as minhas mãos.
Nunca mais as verei da mesma maneira.

Mais tarde Deus estendeu as Suas mãos e levou a minha avó para Ele.
Quando eu me machuco nas mãos, quando elas são sensíveis,
quando acarinho os meus filhos, ou a minha esposa, penso sempre na minha avó. Apesar da sua idade avançada, ainda teve inteligência suficiente para me fazer compreender o valor das minhas mãos!..

FRUTOS DO SUCESSO – SILVIA SCHMIDT

FRUTOS DO SUCESSO

Autora : Silvia Schmidt
No livro “Sorte é Pra Quem Quer“

“O que estás fazendo?”, perguntou um Mestre ao discípulo visivelmente cansado.
– Estou terminando o engarrafamento do fertilizante que criei para fazer crescerem fortes e viçosas as Árvores do Sucesso. Quem comer os seus frutos será, com certeza, alguém bem sucedido.

“Bom saber que estiveste empenhado em serviço para o bem do próximo” , disse o Mestre.
Sorrindo com satisfação, saiu o discípulo em direção a verdes campos para cumprir a tarefa que se havia atribuído.

Passado um bom tempo, novamente ambos se encontraram e, desta vez, estava o discípulo com sinais de grande desapontamento.
” Por que estás tão cabisbaixo, filho? ”

– Ora, Mestre … foram tantos os que comeram os frutos das Árvores do Sucesso e até hoje não tive notícia de que alguém o alcançou.
” Como fizeste todo o serviço? ” , perguntou o Mestre.

– Bem … juntei Sementes de Desejo de Vencer a Sementes de Disposição para o Trabalho, de Amor à Prosperidade, de Fé em Deus e de Tempo Suficiente para Orar. Em seguida coloquei todas num forte chá, feito com verdes Folhas de Esperança e saí regando as terras das Árvores do Sucesso. Todas cresceram fortes e com belos frutos, mas aqueles que os comeram não tiveram o resultado que era de se esperar: o sucesso não aconteceu .

O Mestre ouviu atentamente a narrativa e finalmente disse:
” Não te desanimes, filho. Começa tudo de novo já que agora está mais fácil: é só regar as terras novamente.
Mas lembra-te de juntar ao fertilizante a ÚNICA semente que faltou
” Qual foi ela, Mestre? ” , perguntou o discípulo, muito intrigado.

Respondeu o Mestre :
” Filho, tu esqueceste a Semente da Confiança dos Homens em Si Mesmos ”

AS FLORES QUE EU NÃO PLANTEI – SILVIA SCHMIDT

As Flores Que Eu Não Plantei

Autora : Silvia Schmidt

Venho, Senhor, ao Teu Jardim para reaprender a plantar.
Um dia me ensinaste que todas as boas sementes germinam
e me deste a terra do meu coração para bom plantio,
recomendando-me atenção para o livre arbítrio.

Senhor, não tive generosidade suficiente para com
meu semelhante e hoje, quando necessito da
generosidade de outrem, dificilmente eu a encontro.
Não tenho colhido a flor da generosidade porque não a plantei.

Senhor, não dei à Natureza todo o respeito que ela, como
obra Tua, merecia ter recebido de mim. Fui negligente, Senhor.
Agora, o ar que eu respiro não é tão puro quanto deveria
ser para que minha saúde não fosse tão ameaçada.
Não tenho colhido a flor da perfeita saúde porque não a plantei.

Senhor, disseste-me que a felicidade sempre estaria em minha
Vida se eu me lembrasse de levar felicidade àqueles
que choravam e que não tinham um ombro onde se debruçar.
Não tenho colhido a flor da Felicidade Plena porque não a plantei.

Senhor, não levei a sério quando me revelaste que o preconceito
era uma erva daninha que, pouco a pouco, mataria o meu jardim.
Não olhei sem julgamento para os diferentes de mim,
não observei todos os seres e tudo o mais que criaste
sem sentir-me maior e melhor do que eles.
Não tenho colhido a flor do Amor Incondicional porque não a plantei.

Senhor, agora venho ao Teu Jardim, buscando ter uma
e, talvez, a última chance de reencontrar as sementes
que desejaste ver germinadas em meu coração.

Não sei se vês em minha visita algum sinal de humildade.
Já muito agi com orgulho e não tenho colhido
a flor da humildade porque não a plantei.

Aceita, Senhor, esta minha vinda, e dá-me o perdão,
o mesmo perdão que a tantos e tantos eu neguei.
Achas que ainda mereço a Tua bênção, Senhor?
Se não me deres o que peço, eu compreenderei.
Não tenho colhido a flor do merecimento porque não a plantei.

Acolherei a Tua decisão, Senhor, seja ela qual for,
e se não for aquela que espero eu entenderei.
Não tenho colhido a flor do perdão porque não a plantei.

http://www.humancats.com/Frutos/sucesso.htm

DIVAGANDO – MARCO LEITE

DIVAGANDO
por Marco leite

Alteridade
Uma das coisas que aprendi em minha vida de recuperação comportamental foi praticar a alteridade, que nada mais é do que me colocar no lugar da pessoa a qual estou julgando. Eu, particularmente, tenho a mania de julgador e essa prática é muito difícil. Mas, me esforço, e quando cometo esse erro procuro corrigi-lo através de um pedido de desculpas ou procurando não cometer mais os pré-julgamentos tão característicos de quando se está em adicção ativa.
Aprendi muito cedo, na Fazenda onde fiz minha recuperação, que compreender o outro é fundamental para uma forma de viver melhor. É preciso cativar, ouvir, cruzar experiências e descobrir no que erramos para chegar ao ponto em que chegamos, enfim, é um ajudando o outro.

Mudança de atitude
Saí da Fazenda e continuei ajudando quem me ajudou, e é isso que tem me mantido em pé. Como sempre falo, estou salvando a minha própria pele. Uma das coisas fundamentais que carrego comigo é que não tenho inimigos, eu sou o meu maior inimigo. Li, em algum lugar, um provérbio chinês que dizia: “A pessoa que ama os outros também será amada”, e compreendi que é só assim que posso mudar. É amando que eu derroto o veneno da raiva, do ressentimento e do rancor, e só posso fazer isso me dedicando a dar carinho às pessoas que me rodeiam. Pois, como pode alguém querer meu mal se mal não lhe faço.

Inimigo íntimo
Não posso e não devo querer mudar o mundo ou as pessoas, a única pessoa que posso mudar é a mim mesmo. E cabe a mim escolher se quero ser mau ou bom. Deus me deu o livre arbítrio para escolher isso. Para ser uma pessoa melhor tenho que saber que meu maior inimigo está dentro de mim mesmo. São minhas atitudes erradas que podem vir a alimentar a parte ruim de minha personalidade. Só por hoje, não alimento isso, procuro agir com serenidade e aceitação de saber que meu inimigo não é a pessoa que me odeia e sim a que eu odeio, portando, tenho me dedicado a dar amor e amizade por onde passo e tem me feito muito bem isso.

Luta diária
Todos os dias em que acordo, Deus me dá um presente e ele vale por 24 horas, pois vivo o “só por hoje”. Esse presente requer um certo esforço, pois durante minha caminhada de recuperação compreendi que sou cheio de defeitos de caráter. E para terminar meu dia bem tenho que lutar para controlar esses defeitos, sempre com a ajuda de Deus. Porém, ele não me dá as soluções e sim ferramentas para não fraquejar no primeiro obstáculo que aparecer, pois a fuga é muito mais fácil.
Por isso procuro sempre pensar antes de reagir a uma situação e refletir sobre coisas que passei em minha caminhada de recuperação. Preciso entender que as pessoas que mais nos dão dor de cabeça hoje, poderão vir a ser as que mais nos darão alegrias no futuro.
Artigo para Jornal O Timoneiro
Canoas – RS