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QUEM É MEMBRO DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

QUEM É MEMBRO DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS?

(A Terceira Tradição originou-se deste artigo de Bill W., publicado
na revista The A.A. Grapevine)

A primeira edição do livro “Alcoólicos Anônimos” faz esta breve declaração, a respeito de afiliação: “O único requisito para ser membro é o sincero desejo de parar de beber. Não pertencemos a nenhuma seita ou denominação religiosa, em particular, nem nos opomos a nenhuma delas. Simplesmente almejamos ajudar os afligidos por esse mal”. Isso expressa nossos sentimentos na época em que nosso livro foi publicado, isto é, em 1939.

Desde esse dia todos os tipos de experiência com membros foram tentados. O número de regras estabelecidas para ingressos de membros (e infringidas em sua maioria) era enorme. Há dois ou três anos atrás, o Escritório Geral pediu aos grupos que enviassem as listas de suas regras para afiliação. Quando elas chegaram, registramos uma por
uma. Foram necessárias muitas folhas de papel. Um breve estudo dessa infinidade de regras nos levou a uma conclusão surpreendente. Se todas essas regras realmente tivessem sido seguidas, por toda parte, teria sido praticamente impossível qualquer alcoólico ter ingressado em Alcoólicos Anônimos. Cerca de nove entre dez de nossos
mais antigos e melhores membros jamais poderiam ter sido aceitos!

Em alguns casos, teríamos também sido desencorajados pelas exigências a nós impostas. Os primeiros membros de A.A., em sua maioria, teriam sido rejeitados porque recaíam muito, porque sua moral era péssima, porque tinham tanto problemas psíquicos como com o álcool. Ou ainda, acredite ou não, porque não tinham vindo das melhores classes da sociedade. Nós, os mais antigos, poderíamos ter sido excluídos por não ler o livro “Alcoólicos Anônimos” ou por nosso padrinho ter se recusado a confiar em nós, como candidatos, e assim por diante. O modo como nossos “alcoólicos dignos” têm as vezes tentado julgar os “menos dignos” é, como vemos agora, engraçado. Imaginem, se vocês puderem, um alcoólico julgando outro!

Uma vez ou outra grupos de A.A. resolvem ir criando regras. Do mesmo modo,quando um grupo começa a crescer rapidamente, ele enfrenta muitos problemas sérios. Mendigos começam a mendigar. Membros ficam bêbados e às vezes levam outros a ficarem bêbados como eles. Os que têm problemas psíquicos caem em depressão ou agridem os companheiros. Fofoqueiros se justificam, denunciando os Lobos e os Chapeuzinhos Vermelhos do lugar. Recém chegados argumentam que não são alcoólicos absolutamente, mas de qualquer modo continuam vindo. “Recaídos”
tiram partido do bom nome de A.A. para conseguir empregos para si mesmos. Outros recusam aceitar todos os Doze Passos do programa de recuperação. Alguns vão mais longe, dizendo que esse “negócio de Deus” é besteira e completamente desnecessário. Nessas condições, nossos membros mais conservadores do programa ficam assustados. Essas condições assustadoras devem ser controladas, eles chamam, de outro modo A.A. certamente irá à ruína total. Eles vêem com alarme para o bem do movimento!

A essa altura o grupo entra na fase dos regulamentos e regras. Atas de Constituição, estatutos e regras para ser membros são emitidos, e a autoridade é garantida aos comitês para que filtrem os nomes dos indesejáveis e disciplinem os violadores. Então os mais antigos do grupo, agora revestidos de autoridade,começam a se ocupar. Os
desobedientes são jogados para fora, na desgraça. Os respeitáveis intrometidos atiram pedras nos pecadores. Com relação aos pecadores, estes ou insistem em ficar, ou então formam um novo grupo para si mesmos. Ou talvez se juntem a uma turma
mais afim e menos intolerante da vizinhança. Os mais antigos logo descobrem que as regras e os regulamentos, não funcionam muito bem. As tentativas, em sua maioria, causam ondas de dissensão e intolerância no grupo, e essa condição é agora reconhecida como sendo a pior para a vida do grupo.

Depois de um período, o medo e a intolerância diminuem e o grupo sai são e salvo. Todos aprenderam muito. Assim é que poucos de nós estão com medo daquilo que qualquer recém-chegado possa fazer para a reputação ou para a eficiência de A.A. Aqueles que recaem, aqueles que mendigam, aqueles que escandalizam, aqueles com problemas psíquicos, aqueles que se rebelam quanto ao programa, aqueles que
tiram partido de reputação de A.A. – todos esses raramente prejudicam, por muito tempo, um grupo de A.A. Alguns deles vêm a ser nossos mais respeitados e queridos amigos. Alguns têm ficado para pôr à prova nossa paciência, apesar de estar sóbrios. Outros se afastam. Nós começamos a vê-los não como ameaças, mas como nossos professores. Eles nos obrigam a cultivar a paciência, a tolerância e a humildade.
Nós finalmente percebemos que eles são somente pessoas mais doentes do que nós, que nós que os condenamos somos os fariseus, cuja falsa justiça leva nosso grupo ao mais profundo prejuízo espiritual.

Todo A.A. mais antigo treme quando se lembra dos nomes das pessoas que uma vez condenou, pessoas que ele confidencialmente havia dito que nunca ficariam sóbrios, pessoas que ele tinha certeza que deveriam ser colocadas para fora de A.A., para o bem do movimento. Agora que algumas dessas pessoas estão sóbrias, há anos, e podem ser encontradas entre seus melhores amigos, o membro mais antigo pergunta
para si mesmo: “E se todos tivessem julgado essas pessoas, como eu uma vez fiz? E se A.A. tivesse batido a porta na cara delas? Onde elas estariam hoje?”

Por isso é que julgamos o recém-chegado cada vez menos. Se o álcool é um problema incontrolável para ele e ele deseja fazer algo a respeito, isso é suficiente para nós. Não nos preocupamos se seu caso é grave ou brando, se sua moral é boa ou má, se ele tem outras complicações ou não. A porta de nosso A.A. permanece aberta e, se ele passa por ela e começa a fazer finalmente algo a respeito de seu problema, ele é considerado membro de Alcoólicos Anônimos. Ele não assina nada, não faz nenhum acordo, não promete nada. Nós não exigimos nada. Ele se junta a nós por sua própria vontade. Hoje em dia, na maioria dos grupos,ele nem mesmo tem que admitir que é um alcoólico. Ele pode ingressar em A.A. pela mera suspeita de que possa se um alcoólico, de que já possa apresentar os sintomas fatais de nossa doença.

Naturalmente esse não é o caso de todos aqueles que estão em A.A. As regras para ser membro ainda existem. Se um membro insiste em vir embriagado, nas reuniões,
ele pode ser levado para fora; podemos pedir para alguém tirá-lo dali. Mas, na maioria dos grupos, ele pode voltar no dia seguinte, se estiver sóbrio. Embora ele possa ser colocado para fora de um clube, ninguém pensa em colocá-lo para fora de A.A. Ele é um membro, contanto que diga que é. Conquanto esse amplo conceito de afiliação
ao A.A. ainda não seja unânime, ele representa hoje a principal corrente do pensamento de A.A. Não queremos negar a ninguém a oportunidade de recuperar-se do alcoolismo. Queremos ser justos, tanto quanto possível, sempre ficando ao alcance de todos.

Talvez essa tendência signifique algo muito mais profundo do que uma mera mudança de atitude sobre a questão de afiliação. Talvez isso signifique que estamos perdendo totalmente o medo daquelas violentas tempestades emocionais que às vezes cruzam nosso mundo alcoólico; talvez isso mostre nossa confiança de que depois da tempestade vem a bonança; uma calma que é mais compreensão, mais compaixão, mais tolerância do que qualquer outra que jamais conhecemos.

PARTICIPAÇÃO COM RESPONSABILIDADE

” PARTICIPAÇÃO COM RESPONSABILIDADE ”

A RESPONSABILIDADE DOS GRUPOS COM OS SERVIÇOS MUNDIAIS
Os grupos de A. A. têm hoje em dia a responsabilidade final e autoridade suprema pelos nossos serviços mundiais. (Conceito I)

A RESPONSABILIDADE DELEGADA (CONFERÊNCIA/ JUNTA DE CUSTÓDIOS)
Em benefício de A. A. como um todo, a nossa Conferência de Serviços Gerais tem a principal responsabilidade de manter os nossos serviços mundiais. Mas a Conferência também reconhece que a principal iniciativa e responsabilidade ativa, na maioria desses assuntos, deveria ser exercida principalmente pelos Custódios, membros da Conferência quando eles atuam entre si como Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos. (Conceito VI)

A RESPONSABILIDADE NO SERVIÇO
Quase todas as sociedades e governos, hoje, apresentam sérios desvios do princípio muito sadio de que cada responsabilidade operacional deve ser acompanhada de uma autoridade correspondente para acompanhá-la. É por isso que temos tido tanto trabalho em discussões precedentes ao definir as autoridades e responsabilidades dos Grupos de A. A., da Conferência, dos Custódios e das nossas corporações de serviço ativo. Tentamos fazer, certamente, com que a autoridade em cada um desses níveis seja igual à nossa responsabilidade. Então tentamos relacionar esses níveis entre si de tal maneira que esse princípio seja mantido completamente. (Conceito X)

A RESPONSABILIDADE COM A AUTO-SUFICIÊNCIA
Para que A. A. possa manter-se livre de quaisquer influências externas, precisamos assumir a responsabilidade com a manutenção dos nossos grupos e organismos de serviços em todos os níveis.
“Os serviços abrangem, desde a xícara de café até a Sede de Serviços Gerais para a ação nacional e internacional. A soma de todos esses serviços é o Terceiro Legado de A. A. Tais serviços são absolutamente necessários para a existência e crescimento de A. A. Aspirando simplicidade, muitas vezes nos perguntamos se poderíamos eliminar alguns dos serviços atuais de A. A. seria maravilhoso não se ter preocupações, nem políticas, nem despesas e nem responsabilidades! Mas isso é apenas um sonho acerca de simplicidade; isso, na verdade, não seria simplicidade. Sem seus serviços essenciais, A. A. se converteria rapidamente numa anarquia disforme, confusa e irresponsável. ” (A. A. Atinge a Maioridade, pg. . 122; 5ª Ed, 2001)

A RESPONSABILIDADE NO SERVIÇO DO GRUPO
“A. A. jamais deverá organizar-se como tal; podemos porém criar juntas ou comitês de serviço diretamente responsáveis perante aqueles a quem prestam serviços” (Nona Tradição)

A RESPONSABILIDADE DOS SERVIDORES DE CONFIANÇA
Não obstante, os grupos de A. A. reconheceram que para os propósitos dos serviços mundiais, a “Consciência de Grupo de A. A.”, como uma totalidade, tem certas limitações. Não pode atuar diretamente em muitos assuntos de serviço porque não está suficientemente informada sobre os problemas em questão. É também verdade que a Consciência de Grupo, durante de muito distúrbio, não é sempre o guia mais seguro, porque temporariamente podem impedir o seu funcionamento de forma inteligente e eficiente. Portanto, quando a Consciência de Grupo não pode ou não deve atuar diretamente, quem deveria atuar no seu lugar? A segunda parte da Segunda Tradição nos dá a resposta quando descreve os líderes de A. A. como “servidores de confiança”. Esses servidores devem estar sempre prontos para fazer pelos Grupos o que os grupos não podem ou não devem fazer por si mesmos.
Conseqüentemente, os servidores tendem a usar as suas próprias informações e julgamento, às vezes a ponto de discordar de uma opinião mal informada ou preconcebida do Grupo.
Portanto, será observado que nos serviços de mundiais de A. A. confiamos numa pequena porém idônea minoria — nos cento e tanto membros da C. S.G. — para atuar como Consciência de Grupo de A. A., em muito dos nossos assuntos dos nossos serviços. Como em outras sociedades livres, confiamos nos nossos servidores (cf. Conceito III), embora sabendo que na eventualidade de falharem nas suas responsabilidades ainda teremos ampla oportunidade para adverti-los ou substituí-los. (Conceito V)

A RESPONSABILIDADE NA RECUPERAÇÃO
“Algumas pessoas se opõem firmemente à posição de A. A. de que o alcoolismo é uma doença. Sentem que esse conceito tira dos alcoólicos a responsabilidade moral. Como qualquer A. A. sabe, isso está longe de ser verdade. Não utilizamos o conceito de doença para eximir nossos membros da responsabilidade. Pelo contrário, usamos o fato de que se trata de uma doença fatal para impor a mais severa obrigação moral ao sofredor, a obrigação de usar os Doze Passos de A. A. para se recuperar”. (Na Opinião do Bill – pág. 32)

A RESPONSABILIDADE NO APADRINHAMENTO
“Todos os padrinhos são necessariamente líderes. Os valores são tão grandes quanto podem ser. Uma vida humana e geralmente a felicidade de toda uma família está em jogo. O que o padrinho diz ou faz, como prevê as reações dos seus afilhados, como controla e se apresenta bem, como faz as suas críticas e como controla bem o seu afilhado, através de exemplos espirituais pessoais – essas qualidades de liderança podem constituir toda a diferença entre a vida e a morte”. (Conceito IX)

A RESPONSABILIDADE COM A TRANSMISSÃO DA MENSAGEM
Quando qualquer um, seja onde for,
estender a mão pedindo ajuda,
quero que a mão de A. A.
esteja sempre ali.
E por isto: Eu sou responsável”.

— Declaração do 30º aniversário
Convenção Internacional de 1965

“(…) O Escritório de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos é muito mais do que o principal portador da mensagem de A. A. ele tem apresentado A. A. ao mundo conturbado em que vivemos. Tem encorajado a propagação de nossa Irmandade em todos os lugares. A. A. World Services, Inc. está pronto para atender às necessidades especiais de qualquer grupo ou indivíduo isolado, seja qual for a distância ou o idioma. Seus muitos anos de acumulada experiência estão disponíveis para todos nós. (…)

Esse é o legado de responsabilidade dos serviços mundiais que nós, os membros mais antigos que vão desaparecendo, estamos deixando a vocês, os A.As de hoje e de amanhã. Sabemos que vocês vão guardar, sustentar e estimar esse legado mundial como a maior responsabilidade coletiva que A. A. já teve. (Bill W. – Na Opinião do Bill, pág. 332)

Isaias

Bibliografia:

– Doze Conceitos para Serviços Mundiais
– Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade
– Doze Passos e Doze Tradições
– Na Opinião do Bill

OS TRÊS LEGADOS

TRÊS LEGADOS

NA OPINIÃO DO BILL 307
O círculo e o triângulo.
Acima de nós, a Convenção Internacional, em St. Louis, em 1955, flutuava uma bandeira com a inscrição do novo símbolo de A.A., um círculo contendo um triângulo. O círculo simboliza A.A. no mundo inteiro, e o triângulo simboliza os Três Legados de A.A.: Recuperação, Unidade e Serviço.
Talvez não seja por acaso que os sacerdotes e os profetas da antiguidade consideravam esse símbolo como uma forma de afastar os espíritos maus. ***
Quando em 1955, nós, os membros mais antigos, entregamos nossos Três Legados a todo o movimento, senti saudades dos velhos dias e ao mesmo tempo me senti grato pelo grande dia que estava vivendo agora. Eu não mais atuaria, nem decidiria, nem protegeria A.A.
Por um momento, tive medo, da mudança que se realizava. Mas essa sensação logo passou. Podíamos depender da consciência de A.A., movida pela orientação de Deus, para assegurar o futuro de A.A. Meu trabalho daqui para frente ia ser “soltar-me e entregar-me a Deus”.
1 – A.A. Atinge a Maioridade
2 – A.A. Atinge a Maioridade
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Circular JUNAAB fevereiro/2004
Estaremos por meio desta, procurando esclarecer sobre dúvidas que nos têm chegado a respeito do Símbolo do A.A.:
Um círculo com um triângulo eqüilátero ao centro. Também usado com as letras AA dentro do círculo. Em outra versão aparecem pelo lado de fora dos lados do triângulo, as palavras RECUPERAÇÃO, UNIDADE E SERVIÇO, evidenciando os Três Legados de A.A. Recuperação está na base do triângulo, Unidade no lado esquerdo em sentido ascendente e Serviço na face direita, sentido descendente.
Em 1988 o GSO dos Estados Unidos e Canadá fez uma ampla pesquisa constatando que o símbolo estava sendo usado por centenas de empresas, como logomarca, chegando à conclusão de que deveria propor um número muito grande de ações judiciais, cerca de 1.000, para defender os seus direitos de marca.
A praticidade indicava, como caminho lógico, abandonar o símbolo para que o mesmo passasse ao domínio público. E foi o que fizeram. Quando o prazo do registro venceu, deixaram de renová-lo, comunicando esse fato a todos os Escritórios de Serviços Gerais existentes no mundo.
Toda a literatura oficial editada nos Estados Unidos trazia o circulo e o triângulo como logomarca. Dessa época em diante não aparece mais o logo.
Não há, entretanto, qualquer proibição de uso. Quem quer, usa.
Estaremos verificando a vigência do nosso registro e voltaremos a informá-los em breve, para que os nossos organismos de serviços tomem conhecimento do assunto e possam, assim, prestarem informações quando solicitadas sobre o Símbolo do A.A.

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Abaixo nosso 11° passo e nossa 11ª tradição:
11°. Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade.
11ª. Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção; cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, no rádio e em filmes.
Um de meus padrinhos sempre fazia um link com nossos três legados, vou tentar como ele segundo meu entendimento atual.
Nosso 11° passo é pedido e conhecimento de vontade de Deus na minha vida, e com esse conhecimento adquirido através da prece e da meditação vivo em verdadeira harmonia sendo agora uma nova atração, mantendo minha humildade dentro dos seus verdadeiros limites, procurando anonimamente realizar minhas tarefas em prol dos que necessitam como prevê nossa 11ª tradição e no conceito 11 aprendo a praticar, delegar, deixar os encargos nos sistema de rotatividade com visão de uma grande cooperação entre todos os envolvidos nas atividades revigoradoras que AA me proporciona.
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O conceito primitivo de grupo de A.A. descrito na Terceira Tradição, na sua “Forma Integral” pressupõe um grupo ainda não incluído na Estrutura de Serviços. Entretanto, à medida que ele se estrutura, tende integrar-se à Estrutura de Serviços. Em linhas gerais, precisa o conhecimento do conjunto de princípios que formam os “Três Legados de A.A.” – RECUPERAÇÃO, UNIDADE E SERVIÇO. Com isso, o funcionamento do grupo deveria estar sempre pautado no conhecimento e na aplicação de todos os princípios da Irmandade.
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III CONCEITO
Gosto de lembrar-me, que os 36 princípios dos Três Legados de Alcoólicos Anônimos são harmônicos entre si, e sempre visam atingir o equilíbrio; ao interpretar um desses itens isoladamente posso desavisadamente esquecer que sempre outro ou outros princípios se contrapõem àquele que estou vendo, e se completam entre si para levar à ordem e ao equilíbrio o resultado de minhas ações, portanto não devo ter medo de que nossos Líderes e Servidores de Confiança se utilizem da delegação recebida ao serem eleitos, pois os próprios Legados tem o corretivo para possíveis desvios na conduta desses servidores.
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O Pai Celestial nos fala através de Bill.
Vamos trabalhar Gente!… mas as palavras dele não foram essas… são as que estão abaixo.
Acima de nós, a Convenção Internacional, em St. Louis, em 1955, flutuava uma bandeira com a inscrição do novo símbolo de A.A., um círculo contendo um triângulo. O círculo simbolizava A.A. no mundo inteiro, e o triângulo simbolizava os Três Legados de A.A.: Recuperação, Unidade e Serviço. Talvez não seja por acaso que os sacerdotes e os profetas da Antigüidade consideravam esse símbolo como uma forma de afastar os espíritos maus.
* * *
Quando em 1955, nós, os membros mais antigos, entregamos nossos Três Legados a todo o movimento, senti saudades dos velhos dias e ao mesmo tempo me senti grato pelo grande dia que estava vivendo agora. Eu não mais atuaria, nem decidiria, nem protegeria A.A. Por um momento, tive medo, da mudança que se realizava. Mas essa sensação logo passou. Podíamos depender da consciência de A.A., movida pela orientação de Deus, para assegurar o futuro de A.A. Meu trabalho daqui para frente ia ser “soltar-me e entregar-me a Deus”.

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A vivência da espiritualidade, dos 36 princípios de A.A., nos levará a uma participação harmônica de cooperação.
Quando analisei a espiritualidade nas Tradições, eu cheguei à conclusão de que elas me forjam como um soldado, onde devo visar a camaradagem, a bondade, a honra, a doação de mim em prol do outro, a aceitação, e todas as demais virtudes necessárias à formação do meu caráter. O meu serviço em A.A., deve ser em prol da minha sobrevivência e a sobrevivência daqueles que estão por vir. Acho que, para levar a mensagem de A.A., ao alcoólico que sofre, eu devo conhecer o que esta mensagem me oferece. Eu não posso dar aquilo que não tenho. Só tomei gosto pela Irmandade, após conhecer o que realmente são os Três Legados. Um completa o outro: Recuperação através dos Passos, (me ensinam como devo levar a minha vida pessoal), Unidade através das Tradições, (me informa de como conviver com tantas pessoas “estranhas” e de diferentes ideologias, instrução e níveis sociais), o Serviço, através dos Conceitos, (me dão a idéia de como exercer os meus deveres e direitos diante da Irmandade como um todo).

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CONCEITO VII – Este é o Conceito que, embora aparentemente, seja apenas uma afirmação prática, na verdade tem profunda conotação espiritual, eis que, para o exercício de consciência coletiva de AA, precisaremos confiar; sem confiança e delegação de autoridade e responsabilidades não terá nenhum efeito prático.
Dessa forma, o sistema de delegação ou representação tinha continuidade, pois a Conferência transferia parte de sua responsabilidade aos membros da Fundação Alcoólica, que passaram a ser denominados “custódios”, contudo, seus atos continuariam a ser apreciados pelo órgão máximo deliberativo, quando reunido.
Naturalmente, para que seus atos fossem apreciados, precisava-se assegurar aos custódios direitos iguais aos dos delegados: de participação, de decisão, de apelação e de petição, a fim de que a desejada harmonia entre os responsáveis fosse mantida.
Adicionava-se a esses direitos, o de veto, pois os custódios a qualquer momento poderiam perceber que o órgão administrativo corria riscos de prejuízos se cumprissem determinadas recomendações da Conferência, cujo resultado recairia sobre suas próprias responsabilidades de bem gerir as atividades de A.A.
Esta dicotomia é explicada no próprio texto final do Conceito, ao mesmo tempo em que deve prevalecer ao documento legal (Ata de Constituição) a força da tradição de A.A., responsabilidade da Conferência, como guardiã das Tradições e princípios da Irmandade; também o poder da bolsa A.A., atribuído à Junta de Custódios, pode prevalecer em casos como o acima exemplificado.
Disso se conclui que, em A.A., nenhum documento legal poderá se sobrepor ao que temos de mais precioso: nossa experiência, nossa tradição, nossos servidores e seus encargos; em suma: à consciência coletiva da Irmandade. Podem-se escrever estatutos, regulamentos, regimentos ou similares, porém nenhum deles terá valor se não estiverem em sintonia com nossos maiores princípios espirituais.
Então, levantamos nova questão: nosso modelo de estrutura precisa ser idêntico ao de nossos co-irmãos norte-americanos? O estatuto da Junta dos Estados Unidos e Canadá têm de ser o padrão para todas as demais juntas nacionais?
Eles mesmos nos informam que não; cada país pode ter sua estrutura, seus manuais, seus estatutos e, se for o caso, sua carta constitutiva da Conferência de Serviços Gerais. O que pedem é a preservação de nossos princípios básicos, expressos nos Doze Passos, Doze Tradições e nas Garantias Gerais da Conferência.
Ora, o que são as Garantias Gerais? No meu entendimento o coroamento de tudo o que nos ensinam os Conceitos. Elas surgiram antes, quando a Conferência de Serviços Gerais assumiu a responsabilidade como expressão da consciência coletiva de AA. Bill, a partir delas, redigiu o texto básico dos Conceitos para melhor exercitarmos tais garantias.
Assim, podemos concluir que os princípios básicos de A.A. são os Três Legados: Os Doze Passos, as Doze Tradições e os Doze Conceitos, considerando-se estes últimos como conseqüência e disciplina das Garantias Gerais da Conferência.
Voltemos, então, à questão da estrutura para melhor entendermos a aplicação do Conceito Vll à nossa realidade:
A estrutura de serviços gerais dos Estados Unidos e Canadá está definida na denominada “Ata de Constituição da Conferência”.
Trata-se do documento legal oriundo da experiência histórica norte-americana e canadense, redigido de acordo com as leis daqueles dois países.
Para que se interprete e coloque em prática o Conceito VII, é necessário que cada país elabore sua própria “Carta constitutiva”, ou seu Manual de Serviços, que pode assimilar modelos dos Unidos e Canadá, mas não necessariamente copiar todos os que lá foram adotados.
Historicamente, no Brasil, nossa estrutura foi iniciada com uma Conferência de Serviços Gerais composta apenas por Delegados Estaduais, que transformaram o antigo Conselho Diretor do CLAAB na nossa primeira Junta de Serviços Gerais.
Até nossos primeiros representantes junto à Reunião de Serviços Mundiais, então denominados Delegados Nacionais, antecederam aos Custódios.
Não obstante nossas imperfeições, e relativa imaturidade, conseguimos estruturar nosso A.A. e, em poucos anos, os reflexos desse trabalho alcançou todos os recônditos de nosso imenso país.
Anos depois é que criamos nossa Junta de Custódios e elegemos nossos primeiros administradores não-alcoólicos, diretamente na Conferência. Nessa ocasião, por uma tendência a copiar tudo, ou mesmo interpretação equivocada dos Conceitos, transferimos o processo eletivo dos custódios a eles mesmos, segundo o modelo norte-americano.
Como sabemos, nos Estados Unidos a história foi bem diferente, primeiro vieram os custódios, homens de confiança de nossos co-fundadores, que administravam a Fundação Alcoólica. Na verdade Bill (confessava em depoimentos pessoais a amigos) não confiava nos alcoólatras para gerir nossos negócios e sempre relutou, como ele mesmo afirma, na idéia da eleição direta, sob os mais variados argumentos.
Tanto é verdade que, durante anos, a maioria dos Custódios eram não alcoólicos. Somente em 1966, aconselhados por estes últimos, é que a Conferência dos Estados Unidos e Canadá aprovam a maioria de dois terços de custódios alcoólicos, consolidando a figura do Custódio Regional (oito membros) que, até 1963, eram eleitos como Custódios de Áreas, pelas próprias áreas!
O exemplo da eleição indireta dos custódios é aqui inserido apenas para ilustrar a melhor interpretação deste Conceito, pois, no direito legal de nossos administradores, ora definidos, não está contemplado o sistema de auto-eleição.
Por outro lado, a Carta constitutiva (“Ata”) para atingir suas finalidades depende da força da tradição de A.A., não sendo, por si só, um documento legal.
Isto significa que ela pode mudar, e tem mudado no decorrer do tempo, adaptando-se às mudanças na estrutura, às leis dos países e à experiência vivificada e consagrada (tradição). A própria Carta da Conferência norte-americana foi atualizada uma dezena de vezes, desde 1955, ano de sua promulgação.
Assim, para que possamos exercitar o Sétimo Conceito, precisaríamos redefinir nossos documentos legais, levando em conta e força da tradição e da bolsa do A.A. brasileiro, valendo-nos de nossas próprias experiências em estrutura, de modo a alcançar o propósito primordial de A.A.: levar a mensagem.

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Conceito IX
“Bons líderes de serviço, bem como métodos sólidos e adequados para a sua escolha, são em todos os níveis indispensáveis para o nosso funcionamento e segurança no futuro. A liderança principal dos serviços mundiais, antes exercida pelos fundadores de A.A., deve necessariamente ser assumida pelos custódios da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos.”
A necessidade de bons líderes em nossa estrutura de serviços se torna evidente, já que em A.A. não existe autoridade humana ou autoridade absoluta. A nossa 2ª Tradição diz claramente que somente uma autoridade preside entre nós, que é a de um Deus amantíssimo. Portanto, precisamos de membros que se destacam sem imposição, mas através de sua conduta. Na prática são chamados por nós, de velhos mentores. São companheiros que além do entusiasmo e da dedicação aos demais, eles parecem ter um dom para entenderem e desenvolverem tarefas em A.A. com mais facilidade. São membros que se dirigem aos companheiros com um vocabulário alicerçado em valores espirituais, tais como: humildade, tolerância, compreensão, etc.
A história de A.A., nos mostra que Bill W., Dr. Bob, outros membros mais antigos e colaboradores, são exemplos de liderança.
Em 1951, Bill e os mais antigos, transferiram para os grupos de A.A., toda a autoridade e a responsabilidade pelos nossos Três Legados. Portanto, a nossa estrutura de serviços começa nos grupos com os RSGs (Representantes de Serviços Gerais), passando pelos Distritos com os MCDs (Membros Coordenadores de Distrito) chegando aos comitês de Área e aos Delegados. Esta é a base de nossa estrutura de serviços; estes servidores são os agentes diretos dos grupos de A.A. Indispensáveis para aligação da Irmandade a nível mundial. Os grupos deveriam pensar bem na nossa segurança e futuro, ao elegerem seus RSGs (Representantes de Serviços Gerais), pois eles podem chegar ao final de nossa estrutura formativa. Ou seja, são os eleitores dos MCDs (Membros Coordenadores de Distrito), Coordenador e Delegados de Área.
Entre 1938 e 1951, a responsabilidade dos nosso primeiros líderes custódios foi muito grande e sua autoridade aparentemente absoluta, o que não deve existir em A.A.
Essa autoridade deixou de caminhar para o absoluto a partir da criação da Conferência de Serviços Gerais em 1951, quando os Delegados, nela atuando, tem poderes pa dissolver até a Junta de Custódios. Nós não podemos distorcer a idéia tradicional dos “princípios acima das personalidades” a tal ponto de não haver personalidade alguma na liderança. Isso levaria a liderança a ser autômato impessoal, tentando agradar a todos. Por outro lado não podemos exigir de nossos líderes um requintado julgamento, grandes realizações e atuação infalível. A verdadeira liderança tem que funcionar no entremeio desses pólos imaginários de superioridade esperada. Nenhum líder é perfeito! “Um líder em A.A., é um homem ou mulher que pode pessoalmente colocar princípios, planos e normas em ação de maneira tão delicada e efetiva que leva o resto de nós a querer apoiá-lo e ajudá-lo na sua tarefa. Quando um líder nos guia pela força excessiva, nós nos revoltamos, mas quando ele se torna um submisso cumpridor de ordens e não usa critério próprio, então ele realmente não é um líder…boa liderança consultará amplamente, antes de tomar decisões e atitudes. Boa liderança também é saber que um exelente plano ou idéia pode vir de qualquer um, de qualquer lugar. Consequentemente, uma boa liderança muitas vezes substituirá os seus planos por outros que são melhores e dará crédito aos seus autores. A boa liderança nunca se esquiva. Desde que tem ou pode obster apoio suficiente, ela toma decisões e as colocaem ação naturalmente, dentro do esquema de sua autoridade e responsabilidade definidas. Nossos líderes devem ter cautela com oposição e, ao mesmo tempo, saber escutá-la, porque, às vezes as pessoas mais orgulhosas ou raivosas podem estar totalmente certas, enquanto as mais calmas e humildes podem estar enganadas.”
Nossas 12 Tradições de A.A. foram inicialmente questões de estimativa e visão de futuro. Portanto, de nossos líderes precisamos constantemente de tolerância, responsabilidade, flexibilidade e visão. Ao mesmo tempo precisamos alertá-los sempre para que ‘ATUEM POR NÓS, MAS NÃO MANDEM EM NÓS”.

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A.A. EM INSTITUIÇÕES DE TRATAMENTO

7. Amplo conhecimento de A.A.
Os membros que não freqüentam assiduamente as reuniões ou visitam os vários Grupos da comunidade, nem se interessam em conhecer a programação de A.A. contida em nossa literatura dificilmente possuirão um conhecimento amplo da Irmandade.
Para ser o melhor mensageiro possível convém conhecer todos os Grupos locais e membros diferentes, de diversos tipos. A familiaridade com as diversas formas de abordagem do programa de A.A. aumenta nossa utilidade para com os recém-chegados.
Além disso, um perfeito conhecimento da literatura de A.A. é muito proveitoso. É bom saber qual material de A.A. será mais útil para um membro em potencial que poderá ser muito diferente de você mesmo.
Uma visão limitada e estreita de A.A. é uma séria desvantagem. Quanto mais profunda e ampla for a compreensão de todos os aspectos da Irmandade (inclusive os Três Legados: Recuperação, Unidade e Serviço), tanto mais teremos a oferecer ao principiante conturbado.

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O GRUPO DE A.A. … Onde tudo começa
Inventário do grupo
Muitos grupos realizam periodicamente uma “reunião de inventário do grupo” para avaliar como estão cumprindo com o propósito primordial: ajudar alcoólicos a se recuperarem através dos Doze Passos sugeridos por A.A. Alguns grupos fazem o inventário examinando as Doze Tradições, uma de cada vez, para determinar o quanto estão vivendo de acordo com esses princípios.
Os grupos interessados em realizar inventários regulares acharão útil uma revisão do Décimo Passo. As perguntas a seguir, recolhidas a partir da experiência compartilhada de A.A., poderão ser úteis para se chegar a uma consciência de grupo esclarecida. Os grupos provavelmente vão querer acrescentar suas próprias perguntas a esta lista:
1. Qual o propósito básico do grupo?
2. Que mais o grupo pode fazer para transmitir a mensagem?
3. O grupo está atraindo alcoólicos de diferentes origens? Estamos vendo no grupo uma amostra representativa da nossa comunidade?
4. Os novos membros permanecem conosco, ou está havendo uma excessiva rotatividade? Se assim for, qual a razão? O que podemos fazer a respeito como grupo?
5. Estamos enfatizando a importância do apadrinhamento? Com que eficiência? Como podemos melhorar?
6. Temos o cuidado de preservar o anonimato dos membros de nosso grupo e de outros AAs fora das salas de reunião? Deixamos na sala as confidências compartilhadas nas reuniões?
7. Dedicamos algum tempo a explicar a todos os membros do grupo a importância de realizar as tarefas de cozinha, arrumação e outros serviços essenciais que são parte integrante do nosso trabalho de Décimo Segundo Passo?
8. Todos os membros estão tendo oportunidade de falar nas reuniões e de participar das demais atividades do grupo?
9. Tendo em mente que o preenchimento dos cargos é uma grande responsabilidade, e que não deve ser encarado como o resultado de um concurso de popularidade, estamos escolhendo cuidadosamente quem ocupa esses cargos?
10. Estamos fazendo todo o possível para proporcionar um local de reunião agradável?
11. O grupo cumpre com sua justa parcela na realização dos propósitos de A.A., como descritos nos nossos Três Legados – Recuperação, Unidade e Serviço?
12. O que o grupo tem feito ultimamente para divulgar a mensagem de A.A. junto a profissionais da comunidade – médicos, sacerdotes, autoridades legais, educadores e outros, que freqüentemente são os primeiros a entrar em contato com alcoólicos que precisam de ajuda?
13. Como o grupo está cumprindo sua responsabilidade em relação à Sétima Tradição?

O que são os Três Legados de A.A.?
Os Três Legados originam-se da experiência acumulada pelos primeiros membros de A.A., transmitida e compartilhada conosco, e consiste em:
(1) sugestões para a recuperação – Os Doze Passos;
(2) sugestões para atingir a Unidade – As Doze Tradições; e
(3) o Serviço de A.A. – descrito no Manual de Serviços de A.A., nos Doze
Conceitos para o Serviço Mundial, no Manual do CTO e no livro A.A. Atinge a Maioridade.

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P&R SOBRE APADRINHAMENTO
O que faz um padrinho?
Um padrinho faz o possível, dentro dos limites de seu conhecimento e experiência pessoal, para ajudar o novato a alcançar e manter a sobriedade através do programa de A.A.:
*Mostra, através do exemplo atual e da sua história de alcoolismo, o que A.A. significou na sua vida.
* Estimula e ajuda o novato a freqüentar diversas reuniões de A.A. para conhecer vários pontos de vista e interpretações do programa de A.A.
* Sugere manter a mente aberta em relação a A.A., caso o novato não esteja seguro, no começo, quanto a ser ou não um alcoólico.
* Nunca faz o inventário moral do novato, a não ser quando este lhe pede.
* Apresenta o novato a outros membros, especialmente àqueles que podem partilhar os interesses profissionais ou sociais dele. –
* Providencia para que o novato tome conhecimento da literatura de A.A., em particular o “Livro Azul”, “Os Doze Passos e As Doze Tradições”, “Na Opinião do Bill”, “Viver Sóbrio”, “Revista Vivência” e outras publicações indicadas no final deste livreto.
* Coloca-se à disposição do novato, quando este enfrenta problemas específicos.
* Explica o significado dos Doze Passos e enfatiza a sua importância.
* Nunca tenta impor opiniões pessoais ao novato. Um bom padrinho, se for ateu, não tenta persuadir o novato religioso a abandonar sua fé, nem um padrinho religioso discute assuntos de teologia com um novato agnóstico.
* Insiste para que o novato participe o quanto antes possível das atividades do Grupo.
* Incute no novato a importância de todas as nossas Tradições.
* Não finge saber todas as respostas nem tem a pretensão de estar certo o tempo todo.
* Tenta dar ao novato uma idéia da esfera de ação de A.A., além do Grupo, e chama a atenção para a literatura de A.A. sobre a história da Irmandade, os Três Legados, a estrutura de serviços e a disponibilidade de A.A. em todas as partes do mundo, onde quer que o novato possa ir
* Explica o programa aos parentes do alcoólico, se isso lhe parecer útil, e fala sobre o programa nos Grupos Familiares Al-Anon e Alateen.
* Não hesita em ajudar o novato a conseguir ajuda profissional (médica, legal, vocacional), caso seja necessária uma assistência fora do âmbito de A.A.
* Admite rapidamente, “não sei”, quando for o caso, e ajuda o novato a encontrar uma boa fonte de informação.
* Finalmente, o padrinho estimula o novato a trabalhar com outros alcoólicos, assim que isso for possível, começando algumas vezes por levá-lo consigo nas visitas de abordagem do Décimo Segundo Passo.
Em todo o trabalho com o novato, o padrinho sublinha o fato de que o importante é o programa de recuperação de A.A. e não a personalidade ou a posição do padrinho. Assim o novato aprende a se apoiar no programa e não no padrinho. Um padrinho que verdadeiramente coloca o programa em primeiro lugar, não tomará como ofensa o fato de o recém-chegado decidir trocar de padrinho ou se dirigir a outros AAs para conseguir orientação adicional.

Apadrinhamento de Serviços

O apadrinhamento em A.A. é basicamente o mesmo, seja ao ajudar a recuperação de uma pessoa ou prestar serviço ao Grupo. Pode-se defini-lo como um alcoólico que fez um determinado avanço na recuperação e/ou desempenho a um serviço e partilha essas experiências com outro alcoólico iniciando a jornada. Ambos os tipos de serviço surgem dos aspectos espirituais do programa.
Os indivíduos talvez sintam ter mais a oferecer em uma área que em outra. É da responsabilidade do padrinho apresentar os vários aspectos dos serviços: providenciar uma reunião, trabalho em comunidades, participação em Conferências, etc. Nesse assunto, é importante que o padrinho de serviços ajude os indivíduos a compreender a diferença entre servir às necessidades da Irmandade e atender às necessidades pessoais de outro membro do Grupo.
O padrinho de serviços começa estimulando o membro a se tornar ativo em seu Grupo: café, literatura, limpeza, presença nas reuniões de serviços ou intergrupais, etc. O padrinho de serviços deve ter em mente que nem todos os membros têm o desejo ou as qualificações para ir além de certos níveis e, assim, ele pode ajudar a encontrar tarefas adequadas às habilidades e interesses de cada um. Todos os serviços têm a mesma finalidade – compartilhar as responsabilidades gerais de Alcoólicos Anônimos.
Eventualmente, o padrinho de serviços estimula os companheiros interessados nessas atividades a freqüentar reuniões de Distrito e ler a respeito da história e estrutura de Alcoólicos Anônimos. A essa altura, o indivíduo que se inicia nesse trabalho começa a compreender as responsabilidades dos serviços, bem como a sentir a satisfação proporcionada por outra forma de trabalho do Décimo Segundo Passo. Essas pessoas são estimuladas a participar ativamente das atividades distritais e a considerar a sua eleição para cargos alternativos no Distrito, de maneira que possam aprender sobre as responsabilidades das diversas atividades na estrutura de serviços.
Durante esse processo, é importante para a pessoa continuar a aprender sobre os Três Legados – Recuperação, Unidade e Serviço – e compreender que o princípio de rotatividade não só permite mudar a atividade de serviço, como também concede aos membros mais novos o privilégio de servir. A rotatividade também permite entender que ninguém deve se apegar durante muito tempo a um cargo de confiança, a ponto de sentir um interesse possessivo e, portanto, desencorajar os novatos quanto a prestar serviços.
Agora, através do conhecimento e da experiência, o membro mais novo estará ciente de que os serviços são o nosso produto mais importante, depois da sobriedade. Munido desse conhecimento, o indivíduo é capaz de compartilhar a sua visão com os outros e garantir o futuro de Alcoólicos Anônimos.

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NOSSO DÉCIMO SEGUNDO PASSO – Tema para discussão em grupo
“Transmitir a mensagem é o serviço básico que a Irmandade de A.A. faz; este é o nosso principal objetivo e a principal razão de nossa existência. Agradeço a Deus por aqueles que vieram antes de mim, aqueles que me falaram para não esquecer os Três Legados: Recuperação, Unidade, Serviço.” Tome um banco de três pernas, tente equilibrá-lo somente em uma perna ou em duas. Nossos Três Legados devem manter-se intactos. Na Recuperação nós conseguimos ficar sóbrios juntos; na Unidade trabalhamos juntos para o bem de nossos Passos e Tradições; e através do Serviço nós damos aos outros, de graça, o que nos foi dado”. Uma das principais dádivas em minha vida tem sido saber que eu não terei mensagem para dar a menos que me recupere em Unidade com os princípios de AA.” *N.T: A Linguagem do Coração (ainda não traduzido).

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No Quarto Passo comecei a identificação das emoções e sentimentos indesejáveis e da deturpação dos meus instintos naturais ocasionada pela vida de Insanidade do alcoolismo ativo.
Segundo diziam alguns companheiros de AA, o grande problema do Quarto Passo é o Quinto Passo. E, digo eu, o grande problema dos Quarto e Quinto Passos, são os passos seis e sete, vale dizer, atravessar o Grande Arco que “separa os AA adolescentes dos AA adultos (Pe. Ed.)”.
No Quinto Passo admiti e confessei para Deus e para outro semelhante a natureza exata dessas coisas indesejáveis que havia em mim. O roubo perdeu seu apelido de malandragem e chamei-o mesmo pelo seu nome próprio, a sua natureza exata: a desonestidade. Identifiquei o mal agudo, a corrupção e lhe dei seu nome correto, a insegurança e o temor de não conseguir sobreviver: meu inventário de temores revelou meu despreparo diante da vida. O grande mal causado pelos meus desvios sexuais que culminaram por derrubar de vez o meu lar, foi indigitado: a luxúria e a lascívia da amoralidade; meu inventário de desvios sexuais foi um espanto para meu companheiro de Quinto Passo e também para mim: como pude fazer aquelas coisas? Minha fúria cega e exaltada dos terríveis momentos de insanidade foi denominada Ira e minhas revoltas e raivas repetidamente sentidas agora na sobriedade de chamei bebedeiras secas: meu inventário de ressentimentos foi longo e dolorido. Restava ainda algo que eu não quisesse soltar?
Deus não pode me ajudar, se eu não estiver pronto. O Livre Arbítrio me foi dado por Deus para que sempre eu possa escolher entre um e outro modo de vida. Essa é a chave do Passo Seis.
Refleti demoradamente sobre os acontecimentos daquele dia. Havia solicitado a um companheiro de AA para ajudar-me no Quinto Passo. Enquanto transcorria a reunião de AA, em outra sala eu e o companheiro escolhido debruçamo-nos sobre os papeis onde eu escrevera meus ressentimentos, meus temores, meu comportamento sexual anormal, minha desonestidade, minha falta de fé e de amor, ao mesmo tempo em que eu falava sobre minha vida até aquele momento. Nossa conversa durou todo o tempo em que transcorreu a reunião e quando terminamos o companheiro abençoou-me e disse que meus pecados estavam perdoados. Pôde fazer isto por eu ser Católico e ele um Padre. Eu contava então com oito anos de AA e a preparação para o Sexto Passo fora mesmo muito demorada.
No quarto do hotel em Curitiba, relembrei as palavras de um outro Velho Companheiro de AA do RJ, que me ajudou a elaborar meu Quarto Passo e a identificar com segurança meus defeitos de caráter, meus Instintos Deturpados como dizia em seus depoimentos no Grupo V. Prudente.
Li a Oração do Sétimo Passo buscando identificar qual seria afinal o último defeito de caráter remanescente após todos aqueles anos de Sobriedade e de busca.
Refleti cuidadosamente sobre a Lista dos Pecados Capitais, ou defeitos de caráter, que gravara na memória graças a um acróstico: S.A.L.I.G.I.A. (Superbia, Avaritia, Luxuria, Invidia, Gula, Ira e Acidia) e que usara para fazer meus inventários de Ressentimentos, de Desvios Sexuais, de Temores e outros danos, conforme sugestão do Livro Os Doze Passos. Gostaria de ter um modo de vida norteado por esses sentimentos negativos ou gostaria de troca-los por sentimentos nobres? Viveria com a Soberbia, que é o excesso de orgulho, ou gostaria de apenas sentir satisfação pessoal pelas minhas realizações em AA ou em minha vida profissional, que é o orgulho sadio? Manteria qualquer tipo de Avareza, especialmente guardando para meu uso pessoal minha experiência, força e esperança adquiridas em AA, ou, ao contrário, gostaria de viver um modo de vida com desprendimento e amor ao meu semelhante como antídoto da avareza, compartilhando alegremente o que possuo, seja dinheiro, sentimentos ou experiências? Preferiria eu manter meus desvios sexuais deturpados da Luxuria, utilizando-me do sexo como um fator alimentador de minha insanidade, ou gostaria de ter um modo de vida sexual saudável, com amor e verdadeiro sentimento de respeito pela parceira? Viveria com a Inveja permanente da realização financeira e pessoal de outrem, ou dedicar-me-ia à busca de minhas próprias realizações, especialmente ao meu progresso espiritual em AA, aceitando com alegria a vida que o PS me destinasse? Gostaria de Ter a Gula me mantendo constantemente insatisfeito com a quantidade de meus bens, alimentos e vestimentas, Poder e Prestigio, ou preferia de viver agradecido ao PS pelo que me fosse concedido em troca de meu trabalho honesto? Gostaria de adotar o modo de vida alegre e feliz da prática dos Passos, com Serenidade e Equilíbrio, ou ao contrário, encontraria prazer em viver na Ira, cheio de ódio e rancores, mesmo sabendo que os ressentimentos matam inexoravelmente os alcoólicos e a raiva é um luxo das pessoas ditas normais, que eu não posso ter? O que seria melhor, viver acabrunhado, sem disposição para agir, revoltado com minhas emoções doentias ou alegremente buscar a Deus, viver e praticar os princípios espirituais dos Passos, no Amor e no Serviço de AA?
Então finalmente compreendi que o ultimo de meus defeitos era mesmo o ultimo dos Pecados Capitais: a Acedia, que não significa preguiça, mas sim frouxidão, ou abatimento do corpo e do espírito, o pior dos pecados capitais pois paralisa minhas ações em direção ao modo de viver em AA consubstanciado pelos Três Legados, impede minha busca da espiritualidade do programa dos Passos inibindo fortemente quaisquer ações direcionadas à prática dos passos restantes e assim poder finalmente trilhar a Grande Estrada de mãos dadas com o Espírito do Universo.
Conclui dai estar pronto para transpor o Grande Arco, que separa os AA adolescentes dos AA adultos, como dizia o Pe. Ed, um dos melhores amigos de AA e padrinho espiritual de Bill W. Vale dizer, com disposição e honestidade suficientes para, repetidamente, estar disposto a permitir que Deus me liberte sempre de qualquer defeito de caráter que apareça em mim ao longo do tempo, em absoluto e sem qualquer reserva, ciente que a Perfeição a ser perseguida é uma meta tão somente. Mas que uma meta foi feita para ser alcançada, através de minhas ações corretas em direção ao crescimento espiritual e à fé em que Deus pode realmente me liberar de meus defeitos, sempre e quando eu estiver disposto a deixar que sua presença esteja em mim e não somente em redor de mim.
Não por acaso, ação é a palavra mágica. E a fé sem obras é morta.
Este depoimento não é meu, é de um companheiro de AA. Abraços

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10 Tradição – GARANTINDO O FUTURO.
GARANTINDO O FUTURO
Bill nos deixou várias colocações bem claras, por isto eu não devo para salvar, ou estar pensando salvar alguém ou alguns, transgredir as Tradições, pois a obediência a estas garante a sobrevivência de A.A., e conseqüentemente a vida de milhões pelos séculos afora, mesmo que pela minha atitude de obedecer às Tradições, em algum momento alguns morram, e que certamente iriam morrer pela bebida de qualquer maneira, vejam o que Bill escreveu: “GARANTINDO O FUTURO – Bill desenvolve as Tradições de AA.
Quando a revista Time quis publicar uma capa com Bill – isto é, estampar o lado de trás da cabeça dele na capa da revista – Bill recusou a oferta e recusou igualmente a publicação de uma história de capa. Ele explicou: “Tanto quanto saibamos, uma coisa desse tipo poderia ter trazido mil membros para A.A. – Talvez mais.” ” Conseqüentemente, quando descartei a publicação desse artigo, impedi a recuperação de um montão de alcoólicos – alguns deles podem até estar mortos. E praticamente todos que sobraram, é lícito supor, ainda estão doentes e sofrendo. Conseqüentemente minha decisão representou em certo sentido uma sentença de morte para alguns bêbados e condenou outros a um período muito mais prolongado da doença.”
” Mas fui muito além sob o aspecto conservador, porque as exigências do artigo tenderiam a criar uma imagem pública nítida e colorida de mim como pessoa. Isto teria criado para o futuro, tenho certeza, uma tentação de nosso pessoal para conseguir artigos semelhantes – na realidade com nomes completos e fotos. Por essa razão, avaliei que seria melhor que alguns morressem e outros sofressem, do que estabelecer um precedente tão perigoso. Declinei, portanto da publicidade e devo confessar que essa decisão não foi fácil.” Levar Adiante. Pág. 342.
Este trecho do livro citado me deu resposta a uma dúvida que já com quase vinte e sete anos em AA, eu ainda tinha, até que ponto poderia transgredir algum item das tradições para salvar um ou alguns doentes; ou pensar que salvaria, hoje sei que eu estava equivocado com minhas dúvidas. Bill mostrou bem claro, que o desrespeito às tradições, aqui, ali e acolá, por vários membros e grupos de AA, poderia por em perigo a vida de nossa Irmandade, e como tal de todos os doentes alcoolistas do futuro. Ficou claro para mim então, que para que AA perdure enquanto Deus quiser, devo obedecer à risca suas tradições. Hoje cumpro as tradições, observando o anonimato, não recebendo auxílios de fora, não vinculando A.A. a nada, respeitando os companheiros(as), não me utilizando de A.A. para tirar vantagens, usando em nossas reuniões somente os três legados e as literaturas de A.A., mantendo a sua unicidade de propósito, não definindo a doença o que é para autoridades médicas, não tratando de questões teológicas, não dando conselhos e somente falando de minhas experiências, mesmo que isto desagrade alguns, pois a experiência tem demonstrado que é o melhor caminho, e sei aonde minha bela e sábia cabeça me levou no passado, as interpretações coletivos dos membros de AA das Tradições, tem sido meu norte na Irmandade. Neste campo já não me dou o direito de interpretar sozinho ou com poucos, ou usar minhas próprias conclusões.
No desenvolver das Doze Tradições ocorreram equívocos procedidos pelo próprio Bill W., erros esses que ele corrigiu, ao consolidar as Tradições como estão.
A.A. foi forjado pela experimentação, erros e acertos e isto está registrado nas Tradições de nossa Irmandade. Abraços fraternos, paz, luz e mais 24 h sóbrias.

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Assunto: TS 12ª Tradição
12ª Tradição – Devemos colocar os princípios acima das personalidades. O que são princípios? (São os três legados) O que é personalismo (É aquela convicção de que sei mais, sou melhor e estou sempre certo e por isso questiono tudo e não me conformo, com a decisão da consciência coletiva, estou sempre fazendo um conchavo ou um conluio para ferir ou destituir alguém de um cargo ou de sua liderança, eu tenho que estar em evidência, quase sempre é um processo inconsciente, o indivíduo não se da conta disso.
O desprezo à Tradição do anonimato, é expressão de personalismo. O personalista, quanto maior e mais qualificado for o público, ele estará sempre lá para falar, se ele prepara-se para isso, bem, isto não importa, o que importa para ele é que ele está lá, falando para um público grande e importante, falando bem, e entendendo de tudo em A.A.). Nunca deveremos aceitar ou prestar homenagens de qualquer grau, ou dar troféus, quer seja entre nós, ou para indivíduos de fora de A.A., respectivamente.
Nunca devo dar meu nome completo, aparecer na mídia, nem dizer que outro indivíduo é membro de A.A., nem a meus amigos e parentes. O meu próprio anonimato devo resguardar, se isso não ajudar a alguém ou não servir para divulgar A.A. em setor particular e discreto.

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2ª TRADIÇÃO.
“Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos lideres são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar. ”
Essa manifestação Divina só ocorrerá se houver uma consciência coletiva esclarecida, e não haverá como ser esclarecida essa consciência sem uma boa recuperação de seus membros, porque uma fraca recuperação obscurece a capacidade de discernimento e análise, pela ausência da clareza e independência nos julgamentos. Tendo por base uma boa recuperação, o que permite e exige um estudo acurado dos Três Legados de A. A. , e com a participação de muitos companheiros e companheiras, certamente teremos nas decisões desse grupamento humano uma manifestação da vontade Divina.
Líder é aquele que brota da vontade coletiva pelo seu exemplo, conhecimento, maneira bondosa, clara e firme com que coloca os princípios, e por isso é seguido pela maioria; ele não surge da vontade própria, nem de conchavos.
O importante, é que a boa liderança não manda, não determina, mas é seguida e obedecida em suas solicitações com boa vontade.
Em A. A. sempre há um sábio paradoxo, os lideres não mandam, não se impõem, eles servem e são obedecidos, eles não exercem autoridade, mas ela lhes é delegada, e muitas vezes precisam dela se utilizar, sem se caracterizar atitude autoritária, e isto é aceito. Na maioria das vezes os líderes não ocupam os encargos, sendo que servidor não é sinônimo de liderança. Abraços fraternos, paz, luz e mais 24 h sóbrias.

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Quinta Tradição:
Levar a mensagem salvadora de AA. É melhor fazer uma coisa bem feita do que muitas mal feitas. Precisamos ser humildes e não pretendemos fazer algo para o qual não estejamos preparados ou não tenhamos habilidade para fazê-lo. Para isso é fundamental conhecer bem os Três Legados de AA, os livros: Alcoólicos Anônimos, AA Atingiu a Maioridade, Falando em reunião não AA, Como se Desenvolveu as Tradições, 44 Perguntas e Respostas, e participar das atividades de AA em âmbito mais amplo, etc. Sempre verificar primeiro o que desejam de nós, se for sobre alcoolismo doença, não é conosco, é com a classe médica, isso devemos informar aos interessados e até sugerir um médico se isso for solicitado. Só devemos falar de AA como um todo (aqui vem a definição de doença segundo AA, não a definição cientifica), seus princípios, seu funcionamento, nossa experiência e onde ele está. A experiência nos mostra, que as palestras simuladas para nós mesmos, dá bom resultado. Depoimentos nós já sabemos fazer e bem demais, já para falar de AA precisamos estudar seus princípios e treinar para fazê-lo bem, pois o importante não é o AA que esta ali, mas a IRMANDADE de AA que está sendo apresentada. Levar a mensagem para nós não é uma virtude, é uma necessidade para nossa própria sobriedade.
Este texto que acabei de digitar foi retirado de um trabalho sobre as Tradições realizado aqui no Rio Grande do Sul. Em algum Encontro do qual me fiz presente.
Seu autor se não me engano e nosso companheiro do Grupo AABR Chilon. Chilon se for seu por favor desculpe utilizá-lo mais sei que vc não se importa e tb sei que tenho esta liberdade junto a sua pessoa velho cuadilho. Obrigado.
E vamos que vamos? E dele que dele!! Mas que tal? E não podemos nos entregar para os homens mais de jeito nem um amigo(a) e companheiro(a)…

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Assunto: TS Nona Tradição.
Nona Tradição – Sempre deve prevalecer nossos três legados para nossos fóruns internos. Nossos estatutos são para os órgãos públicos onde deveremos estar inscritos por lei e serviços bancários por questões de responsabilidade legal perante àqueles estabelecimentos. Em conseqüência os serviços contábeis devem ser legais e fiscalizados por um conselho fiscal, que apenas fiscaliza e expõem o resultado de seu trabalho às assembléias, mas não administra nem decide. Em nossas reuniões de recuperação não devem existir atas onde se registrem nomes, casos e endereços de companheiros ou assinaturas dos presentes. Se existir atas, registrem-se somente quantos estiveram presentes, quantos falaram e qual a receita do dia, com a rubrica do coordenador e secretário. Teremos atas dos nossos trabalhos do Comitê de Serviços e das reuniões administrativas ou de serviço, somente para o consumo Interno. As nossas receitas e despesas devem ser escrituradas e apresentadas em balancetes financeiros mensalmente em nossos grupos.O programa de recuperação deve ser simples, nossas atividades como entidade precisam de alguma organização, para poder funcionar satisfatoriamente e atingir seus objetivos.

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Eu sou doente do alcoolismo hoje eu posso beber mais não bebo porque sou doente.
Eu pergunto na minha meditação da manhã que posso fazer por uma pessoa que esteja sofrendo dessa doença terrível. Tenho em meu poder um cartão do grupo, um livreto das 12 pergunta e reposta que o jornal o globo publicou ontem no jornal da família e o AA na comunidade. Deixei de beber já estão resolvido todos os meus problemas ? Faço os três legados para fechar o triangulo. Recuperação,Unidade e Serviço. E como vai meu grupo ele caminha para Autonomia e Auto-suficiente ou estou recebendo doação de fora fazendo reuniões de favor na Igreja ou na Escola.Estou preocupado se meu grupo esta mandando contribuição para ESL. Para que nosso escritorio não passe a ser um camelodromo vendendo camisa. botam etc e passando a ignorância para os membros novos e atrapalhando sua recuperação. Não estou acusando ninguém mais se você entrou nessa sai e tenta fazer uma programação para que possa ser Útil, Feliz e Integro. Deus não esta nos pedindo êxito Ele quer que Tentemos.
Só por hoje.

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VIVENCIANDO A VIVÊNCIA (Grupo Unidos do Parque/PE)

O Grupo tem uma reunião semanal
dedicada à VIVÊNCIA. Já foram
abordados trinta e oito temas com base
na Revista.
Em 1985 foi fundada a Revista Brasileira de A.A. de número zero e, posteriormente, a revista número um chamada VIVÊNCIA, que retrata em seu significado literário, o “fato de viver”.
Esta revista é para nós um retrato bimestral do modo de viver dos AAs brasileiros e, porque não dizer também, de muitos amigos de A.A.
É o fruto de muito sacrifício, noites mal-dormidas, dificuldades financeiras, muitos atropelos. São sugestões não só de membros, como também de muitos não-AAs: médicos, religiosos… os profissionais, enriquecendo nossos conhecimentos.
Hoje temos uma coletânea progressiva, propiciando-nos meios práticos de compreendermos a filosofia de A.A.
Temos mais é que vivenciá-los, transmiti-los, não só para os que buscam A.A., como para aqueles que não sabem ou não gostam de ler. Quando vivenciamos essa literatura, ficamos mais informados e, consequentemente, poderemos transmitir melhor a filosofia de A.A.
Por isso, convidamos todos os Grupos e membros, para que explorem o máximo seu conteúdo, não deixando as revistas apenas como enfeites de nossas estantes.
Um dos meios mais viáveis de vivenciá-las é através de temáticas, estudos. Quanto mais informado estiver um grupo, mais feliz e completo é o seu desempenho. Só se aprende a ler, lendo!
Foi pensando nisso que o Grupo Unidos do Parque de A.A. resolveu fazer uso adequado desta Revista. Em reunião de serviço realizada no final de 1994, por unanimidade, decidiu-se transformar a “Reunião de Novos”, que ocorre aos domingos (com exceção do último, pois, este é dedicado à reunião de serviço), para estudar e debater alguns artigos da VIVÊNCIA, para o exercício de 1995. O título aprovado para este maravilhoso trabalho foi o título deste artigo: “Vivenciando a Vivência”.
Começamos em primeiro de janeiro, com a revista de número 24 e o tema foi “Anonimato”. Por sinal, tema abordado nessa edição. Foi de suma importância, pois havia em nosso Grupo contraditória interpretação. “De priori”, foi salutar.
Cada vez que adentrávamos em suas páginas, mais conhecimento adquiríamos .
No período de 95, abordamos através da revista os “Três Legados de A.A.:
Primeiro Legado (Recuperação) – analisamos, discutímos e apreciamos vinte e dois diferentes tópicos e diversos pontos dos nossos Doze Passos.
Segundo Legado (Unidade) – foram oito tópicos, os mais promissores possíveis, para mantermos a Unidade dentro do Grupo, com os Grupos vizinhos, com o público em geral – sem afiliação, é claro! – e com A.A. no seu todo.
Terceiro Legado (Serviço) – assim como o Segundo Legado, também foram oito os temas abordados, despertando o interesse dos membros para o serviço, colocando os princípios acima das personalidades.
Ao todo foram trinta e oito temas abordados. Muito pouco para a quantidade de exemplares trabalhados, doze ao todo. Porém, foi o pontapé inicial para que possamos dar continuidade, não só em 96, como por todo o tempo, pois cada vez surgirão mais exemplares, mais artigos e, conseqüentemente, aumentará em nós o desejo do saber.
Esperamos, com esse exemplo, despertar o interesse de Grupos e membros, para que seja feito um minucioso exame desta maravilhosa Revista.
Em nossa comunidade está havendo um verdadeiro despertar, o número de assinantes está crescendo e as divergências estão se atenuando.
Obrigado, VIVÊNCIA!
(Vivência nº 41 maio/junho 96)

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AA ATINGE A MAIORIDADE
. Esta é a resolução: PÁGINA 201?

Nós, os membros da Convenção do Vigésimo Aniversário de Alcoólicos Anônimos, aqui reunidos em S1. Louis, em julho do ano de 1955, consideramos que nossa Irmandade atingiu a maioridade e está capacitada para tomar posse completa e permanente dos Três Legados de nossa herança de A.A. – os Legados de Recuperação, Unidade e Serviço.
Nós acreditamos que a Conferência de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos, criada em 1951 pelos nossos co-fundadores, Dr. Bob S. e Bill W., e autorizada pelos Custódios da Fundação do Alcoólico, tornou-se agora inteiramente capaz de assumir a proteção das Doze Tradições de A.A., tomando para si a completa orientação e controle dos serviços mundiais da nossa Sociedade, conforme estipulado no “Third Legacy Manual of World Service” (agora chamado “O Manual de Serviços de A.A.”), recentemente revisado pelo nosso co-fundador vivo, Bill W., e pela Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos.
Nós também temos ouvido, com aprovação da proposta de Bill W., que a Conferência de Serviços Gerais deveria tornar-se a sucessora permanente dos fundadores de Alcoólicos Anônimos, herdando deles todos os seus deveres anteriores e responsabilidades especiais, evitando assim, no futuro, toda a possibilidade de empenho em prestígio individual ou poder pessoal e, também, proporcionando à nossa Sociedade os meios para funcionar numa base permanente.
FICA ASSIM RESOL VIDa: que a Conferência de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos deveria tornar-se, a partir da data de 3 de julho de 1955, a protetora das Tradições de Alcoólicos Anônimos, a perpetuadora dos serviços mundiais de nossa Irmandade, a voz da consciência de grupo de nossa Irmandade inteira e a única sucessora de seus co-fundadores, Dr. Bob e Bill.
FICA ENTENDIDO: que nem as Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos e nem as garantias do Artigo xn da Ata de Constituição da Conferência serão modificadas ou emendadas pela Conferência de Serviços Gerais, senão mediante o prévio consentimento de todos os grupos de A.A. registrados do mundo. Esses grupos serão devidamente notificados sobre qualquer proposta de mudança e terão um prazo mínimo de seis meses para examinar a proposta de mesma. E antes que a Conferência tome qualquer decisão, ela deverá ter recebido, por escrito, dentro do prazo estipulado, o consentimento de pelo menos três-quartos de todos os grupos registrados, que responderam à tal proposição.
FICA ENTENDIDO AINDA MAIS: que, como previsto no Artigo XII da Ata de Constituição da Conferência, está se compromete com a sociedade de Alcoólicos Anônimos, pelos seguintes meios:
Que em todos os seus procedimentos, a Conferência de Serviços Gerais observará o espírito das Tradições de A.A., tomando grande cuidado para que a Conferência nunca se torne sede de riqueza ou poder perigosos; que suficientes fundos para as operações mais uma ampla reserva sejam seu prudente princípio financeiro; que nenhum dos membros da Conferência nunca seja colocado em posição de autoridade absoluta sobre qualquer um dos outros; que todas as decisões importantes sejam tomadas através de discussão, votação e, sempre que possível, por substancial unanimidade; que nenhuma ação da Conferência seja jamais pessoalmente punitiva ou uma incitação à controvérsia pública; que, embora a Conferência preste serviço a Alcoólicos Anônimos e, tradicionalmente, possa dirigir seus serviços mundiais, nunca promulgará leis ou regulamentos que comprometam A.A como um todo, ou a qualquer grupo de AA. ou a um de seus membros, nem desempenhará qualquer ato de governo e que, da mesma forma que a Sociedade de Alcoólicos Anônimos a que serve, a Conferência permaneça sempre democrática em pensamento e ação.

Conteúdo

ACONTECIMENTOS SIFNIFICATVOS NA HISTÓRIA DE A.A.

PREFÁCIO
I. Quando A.A. atingiu a maioridade, por Bill W., co-fundador de Alcoólicos Anônimos
II. Os Três Legados de Alcoólicos Anônimos: Recuperação (pág. 47), Unidade (pág. 72), Serviço (pág. 125)
III. Domingo às dezesseis horas
IV. Como a medicina vê Alcoólicos Anônimos, pelo Dr. W. W. Bauer e Dr. Harry M. Tiebout
V. Como a religião vê Alcoólicos Anônimos, por Edward Dowling, S.J. e o Ver. Samuel Shoemaker
VI. Como um amigo vê Alcoólicos Anônimos, por Bernard B. Smith

APÊNDICES
Apêndice A: Como entrar em contato com Alcoólicos Anônimos e com os Grupos Familiares Al-Anon
Apêndice B: Por que Alcoólicos Anônimos é anônimo, por Bill
Apêndice C: A Ata de Constituição da Conferência
Apêndice D: Texto do Prêmio Lasker
Apêndice E: Pareceres sobre A.A.
a. Um novo método de psicoterapia em alcoolismo crônico, pelo Dr William D. Silkworth
b. Mecanismo terapêutico de Alcoólicos Anônimos, pelo Dr Harry M. Tiebout
c. Discussão perante a Sociedade Médica do Estado de New York, pelo Dr. Foster Kennedy
d. Critica do livro Alcoólicos Anônimos, de 1939, pelo Dr. Harry Emerson Fosdick; também uma citação de sua autobiografia
Apêndice F: Lista das publicações de A.A. no Brasil

ÍNDICE
As ilustrações serão encontradas a partir da página

A conferência de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos estava disposta a assumir a custódia das Doze Tradições de A.A. e a proteção de seus serviços mundiais. Ela estava para ser nomeada como sucessora permanente dos fundadores de A.A. Falando em nome do co-fundador Dr. Bob e de membros mais antigos de A.A., de todas as partes, fiz a entrega dos Três Legados de Alcoólicos Anônimos para nossa sociedade toda e sua Conferência representativa. Desde aquele momento A.A. caminhou com seus próprios recursos, para servir aos propósitos de Deus por tanto tempo quanto fosse destinado, sob sua providência.

Estamos aqui reunidos para as últimas horas da comemoração do vigésimo aniversário de A.A.
Acima de nós está hasteada uma bandeira com a inscrição do novo símbolo de A.A., um círculo contendo um triângulo. O círculo simboliza A.A. no mundo inteiro, e o triângulo simboliza os Três Legados de A.A.: Recuperação, Unidade e Serviço. Dentro do nosso novo mundo maravilhoso, encontramos a libertação de nossa obsessão fatal. Talvez não seja por acaso que escolhemos esse símbolo. Os sacerdotes e os profetas da antiguidade viam o círculo contendo o triângulo como uma forma de afastar os espíritos maus; o círculo de A.A. e o triângulo de Recuperação, Unidade e Serviço, na verdade, têm significado tudo isso para nós e muito mais.
Ao nos reunir, em nossa primeira noite aqui em St. Louis, olhamos para a base de nosso triângulo, o Primeiro Legado de A.A. – Recuperação, onde tudo se baseia e da qual tudo depende. Durante nossa segunda noite refletimos sobre a Unidade, o Segundo Legado de A.A., e todo o seu enorme significado para nosso futuro. Agora queremos pensar acerca do terceiro lado de nosso triângulo, o Terceiro Legado de Serviço de A.A., o qual nesta hora de encerramento será passado às suas mãos para sempre. Então nosso símbolo estará completo, e possam a Recuperação, Unidade e Serviço, razão pela qual foi criada nossa irmandade com a proteção de Deus, estar sempre sob Seu comando por tanto tempo quanto Ele queira usar essa sociedade.

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NOVO MANUAL DE SERVIÇO DE A.A.
CTO DO DISTRITO

É o órgão encarregado da execução das atividades do CTO no Distrito. Contará com o serviço da secretaria e tesouraria do Distrito.
É formado pelo Coordenador do CTO do Distrito (eleito com mandato de dois anos), pelas Comissões (CCCP, CIP, CIT e CIC) e os RCTO’s dos Grupos.
Procedimentos: o coordenador do CTO do Distrito reúne-se com os coordenadores das comissões e RCTO’s dos Grupos e presta relatório na reunião do Distrito; relaciona membros interessados em participar, contendo nome e endereço; faz um planejamento com cronograma de trabalho a ser realizado.
Nas reuniões mensais, o CTO do Distrito poderá também padronizar a mensagem a ser divulgada no seu âmbito, evitando assim choque de informações e realizar reuniões de treinamento. Os Coordenadores dos CTO’s dos Distritos integrarão o Comitê de Distrito e o CTO sediado no ESL.
A manutenção financeira será de responsabilidade da tesouraria do Distrito.
Para participar de uma comissão, é desejável que o servidor tenha uma sobriedade continua e que esteja vivenciando os três legados de A.A.;
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REFLEXÃO DIÁRIA
REFLEXÃO DIÁRIA – 30 DE MARÇO
NOSSA CONSCIÊNCIA DE GRUPO
“… o bom é, às vezes, inimigo do melhor”.
A.A. ATINGE A MAIORIDADE, p. 92
Penso que estas palavras se aplicam à todos os aspectos dos Três Legados de A.A.: Recuperação, Unidade e Serviço! Quero-os gravados em minha mente e em minha vida quando passar “pelo caminho do Destino Feliz”.
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, P. 177
Estas palavras, freqüentemente pronunciadas pelo co-fundador Bill W., foram apropriadamente ditas a ele como resultado da consciência de Grupo. Elas trouxeram para Bill W. a essência de nossa Segunda Tradição: “Nossos líderes são apenas servidores de confiança, eles não governam”.
Como Bill W. uma vez foi levado a se lembrar, penso que em nossas discussões no Grupo nunca deveríamos ficar no “bom”, mas esforçar-nos para alcançar “o melhor”. Esses esforços mútuos são outro exemplo de um Deus amoroso, como nós O entendemos, expressando-Se através da consciência de Grupo.
Experiências como estas me mantêm na estrada certa para a recuperação. Aprendo a combinar iniciativa com humildade, responsabilidade com agradecimento e, assim, a saborear as alegrias de viver meu programa de vinte-e-quatro horas.

REFLEXÃO DIÁRIA – 30 DE SETEMBRO
O CÍRCULO E O TRIÂNGULO
O círculo simboliza A.A. no mundo inteiro e o triângulo simboliza os Três Legados de A.A.: Recuperação, Unidade e Serviço. Dentro do nosso novo mundo maravilhoso, encontramos a libertação de nossa obsessão fatal.
A.A. ATINGE A MAIORIDADE, p. 125
No inicio de minha vida em A.A., me empenhei em participar dos seus serviços e achei que a explanação sobre o logotipo de nossa sociedade era muito apropriado. Primeiro, um círculo de amor e serviço com um bem equilibrado triângulo em seu interior, cuja base representa nossa Recuperação através dos Doze Passos; os outros dois lados, que representam Unidade e Serviço, respectivamente. Os três lados do triângulo são iguais. Quando fui crescendo em A.A., logo me identifiquei com este símbolo. Eu sou o círculo e os lados do triângulo representam três aspectos de minha personalidade: física, sanidade emocional e espiritualidade, esta última a base do símbolo. Juntos, os três aspectos de minha personalidade se traduzem em uma vida sóbria e feliz.

REFLEXÃO DIÁRIA – 23 DE DEZEMBRO
RECUPERAÇÃO, UNIDADE, SERVIÇO
Nosso Décimo Segundo Passo – transmitir a mensagem – é o serviço básico que a irmandade de A.A. faz; este é o nosso principal objetivo e a principal razão de nossa existência.
*A LINGUAGEM DO CORAÇÃO, p. 160
Agradeço a Deus por aqueles que vieram antes de mim, aqueles que me falaram para não esquecer os Três Legados: Recuperação, Unidade, Serviço. No meu grupo base, os Três Legados estão descritos num letreiro que diz: “Tome um banco de três pernas, tente equilibrá-lo somente em uma perna ou em duas. Nossos Três Legados devem manter-se intactos. Na Recuperação nós conseguimos ficar sóbrios juntos; na Unidade trabalhamos juntos para o bem de nossos Passos e Tradições; e através do Serviço nós damos aos outros, de graça, o que nos foi dado”.
Uma das principais dádivas em minha vida tem sido saber que eu não terei mensagem para dar a menos que me recupere em Unidade com os princípios de A.A.
* N.T.: Ainda não traduzido

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VIVER SÓBRIO
REUNIÕES DE PASSOS. Muitos Grupos de A.A. mantêm reuniões semanais nas quais um dos Os Doze Passos do programa do A.A. é escolhido, em rodízio, para base da discussão.
As Doze Tradições do A.A., os Três Legados do A.A., os lemas do A.A. e os tópicos para discussão sugeridos pela Revista Vivência, revista bimestral do A.A., quase nunca são excluídos, principalmente se alguma pessoa presente sente urgente necessidade de ajuda para um problema pessoal imediato e inadiável.
Juntamente com os livros “Alcoólicos Anônimos”, “Os Doze Passos” e “As Doze Tradições”, as reuniões de Passos proporcionam, os discernimentos mais acessíveis e a compreensão dos princípios fundamentais da recuperação no A.A. As sessões fornecem ainda uma riqueza de interpretações originais e aplicações no programa básico do A.A. mostrando como podemos usá-lo não só para permanecermos sóbrios, mas também para enriquecer nossas vidas.

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3º LEGADO
Legado serviço.
Partilha. Visão individual com alguns trechos do livro; MAIOR IDADE. Domingo às 16 horas. Pagina 121.
Convenção realizada em 1955.
Neste encontro nosso compº. Bill W. passou p/ nós a responsabilidades de cuidarmos de nossos três legados. Recuperação, unidade e serviço.
Recuperação; onde qual tudo se baseia e tudo depende.
Unidade; enorme significado p/ nosso futuro.
SERVIÇO; nosso compº Bill W. deixou como exemplo o décimo segundo-passo. É o serviço básico que nossa irmandade oferece, o principal objetivo e a razão primordial de nossa existência. A.A. é mais que um conjunto de princípios; é uma sociedade de alcoólicos em “ação”, essa palavra é uma palavra mágica. Muitos de nós ficamos um pouco confusos a respeito do 3º legado. Às vezes nos perguntamos: o que é exatamente? Até onde vai a ação de serviço? A resposta é simples. Um serviço de A.A. é qualquer coisa que realmente nos ajuda a levar a mensagem aos companheiros que ainda sofrem. 12º passo é maior que todos os serviços. O que nos mantém em unidade são as tradições, se nós temos as mesmas, precisamos nos organizar (trabalhar) para que unidos possamos melhor representar nosso programa que tem salvado e continua salvando vidas. Quem coordena essa unidade? (Era Bill W.)
Certamente precisamos de alguém, este se prontificando e sendo aprovado por uma consciência coletiva “esclarecida”, será nosso líder, um servidor de confiança, sem poderes p/ governar. Em ação com a humildade de servir. (antes eu não servia para nada, hoje tenho nome de “servidor”, obrigado aos meus iguais).
Logo no começo fazia –se uso das casas de companheiros p/ as reuniões, conforme foi crescendo, foi preciso alugar algum lugar que pudesse acomodar os que estavam chegando. Quem iria pagar este aluguel? Certamente o grupo devera pagar. Lembramos que quando a mensagem chegou ao compº. Bill, por Ebby, (qual entrou em ação), este precisou gastar algum “dinheiro”, tel. passagem e mais, seu tempo. Começamos a perceber que espiritualidade e “dinheiro” podiam se misturar. Portanto c/ o tempo foi preciso formar nossos órgãos de serviços, este que hoje pela graça de Deus, muitos de nossos iguais estão fazendo parte.
Alguns de nossos servidores não chegaram nem a se candidatar, por força da necessidade, foram convocados, alguns pensaram em se recuar, logo sentiram (gratidão) que podiam fazer alguma coisa em prol de seu grupo, hoje com muitas lutas, chegam a pensar em até mesmo renunciar. Derrepentemente se encontra c/ suas forças renovadas através dos novos que chegam para ajudar a manter nosso terceiro legado em ação.
Ainda hoje c/ um grande nº de membros, somos carentes de humanos, acredito que se nós melhorarmos nossos conhecimentos e nos abastecermos de serenidade e humildade, essa carência poderá diminuir. Sabemos que nossos lideres não tem poder p/ governar, porém desde que o grupo o elegeu, ou, convocou, deverá ouvi-lo com carinho, respeita-lo e ajuda-lo através de cooperação, no encargo de servidor. Este se for um bom líder, certamente colocará sugestões para melhorar o trabalho do 12º passo do grupo. Muitas das vezes lideres se perguntam: como podemos fazer para que o grupo cresça? Existe uma resposta, com toda a certeza; os grupos só crescem na mesma proporção que seus membros, se os membros não se interessam em crescer, “deverá” então o líder se interessar. Ele deve ser atuante participativo de todas as convocações p/ melhor andamento de seu grupo de origem e A.A. num todo.
Já ouvi este lema: dar exemplo não é a melhor maneira. É a única. É sugerido que os membros, principalmente os que fazem parte dos comitês, procurem conhecer um pouquinho mais de nossas literaturas, sabemos que não iremos tirar diploma, nem seremos professores, conselheiros, missionários e menos ainda, chefes.
Porém com melhores informações, teremos menores chances de errar.
RECUPERAR é muito bom.
Com AÇÂO estou ajudando mais um na recuperação.

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Polêmicas
Polêmicas, Divergências, Controvérsias, Polêmicas, Divergências, Controvérsias.
Sem direcionamento, nem pretendendo criticar quem quer que seja, mas sim falar de minha experiência sobre esse tema na recuperação, é que escrevo.
1 – Na Recuperação, sobre os assuntos que nossas Tradições dizem que não só A.A. não trata deles, mas nem sequer devemos tratar deles entre nós, e tão bem expressos no Preâmbulo de A.A., seu uso em nossas reuniões de Recuperação, bem como o uso nela dos assuntos de serviço. é sempre negativo para a nossa Unidade e portanto indesejáveis entre nós.
2 – Não há divergência, polêmica, discussões praticadas por um só membro de nossa Irmandade, para que isso ocorra será sempre necessário no mínimo dois interlocutores.
3 – Como vemos, a polêmica e feita por nós que participamos dela, e nunca só por um que lançou na lista algo não compatível com os Três Legados de A.A. e portanto prejudicial a nós todos. Não havendo resposta, ou retruque, morre ai.
4 – No grupo presencial do qual participo adotamos a mais de 22 anos o aviso sempre no princípio da reunião, pedindo aos depoentes que não critiquem outros grupos, membros de A.A. ou seus depoimentos.
5 – Em conseqüência desse aviso hoje só ocorre alguma crítica com algum que vem de outro grupo e como ninguém responde nem se refere ao assunto, ele morre ali; o que confirma que ninguém faz polêmica sozinho, e na recuperação precisamos nos utilizarmos do amor, do respeito, da tolerância, da paciência, e da prudência, afinal som somos um grupo fraterno de alcoolistas doentes que tem o mesmo objetivo, recuperar-nos, e não competir, vencer, ser melhor ou o primeiro.
6 – Sem analogia a nada, muito menos a alguém pelo amor de nosso Deus, li uma vez que quando eu passo num estábulo e um burro me dá um coice, e eu viro para ele e o chuto, eu se ainda não sou um, estou me torno um igual a ele.
7 – A.A. tendo me ensinado a não ofender ninguém em nenhuma hipótese, se alguém me ofende o que devo fazer? Nada. Este membro ainda não entendeu a vida em A.A., e ele precisa do meu silêncio para com o tempo aprender. O tempo e o silêncio não sendo o suficiente, a dor virá dar o último retoque e ele saberá então porque. Não precisamos portanto dizer nem fazer nada, a não ser em casos que são raríssimos e em que o grupo todo é perturbado por dizeres disparatados, ofensivos e em torrentes, já temos experiência disso também.
8 – Crendo ou não em um Ser Superior, que cada um escolha seu caminho e respeite o caminho do outro, somos irmãos e irmãs de doença que precisamos uns dos outros. Vivamos em paz e levemos a mensagem a quem ainda sofre.
Abraços fraternos, paz, luz e mais 24 h sóbrias.

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MANUAL DO CTO
CCCP – COMISSÃO DE COOPERAÇÃO
COM A COMUNIDADE PROFISSIONAL

A CCCP é responsável pelo bom relacionamento entre Alcoólicos Anônimos e aquela imensa gama de profissionais – muitos com responsabilidade hierárquica de gerência – que, em razão das funções que exercem, acabam tendo contato com portadores da doença do alcoolismo e/ou com seus familiares, podendo funcionar como ligação entre aqueles e nossa Irmandade.
São, na realidade, verdadeiros amigos de A.A., muitos com contribuições inestimáveis para o crescimento e consolidação de nossos Grupos nas comunidades em que atuam. E tornaram-se nossos amigos justamente porque alguém da Irmandade lhes mostrou de forma clara e precisa aquilo que somos, o que não fazemos e o que podemos fazer, juntos, para salvar vidas e famílias da ruína que o alcoolismo certamente provoca se não for detido.
Conquistar novos amigos entre as classes profissionais, estabelecer com eles trabalho conjunto de informação da doença, manter as portas de A.A. sempre abertas para cooperar com suas ações no campo do alcoolismo dentro dos limites de nossas Tradições – essa é a missão da CCCP, base de um relacionamento que pode ser extremamente frutífero e duradouro.
O trabalho de CCCP exige alguns cuidados especiais que, se não forem considerados, poderão atrapalhar, e muito, seu funcionamento eficaz.
Isto porque os profissionais, em geral, têm sua própria visão do que é competência e eficiência, e se não sentirem nos membros que os visitam firmeza e conhecimento de causa, dificilmente poderão compreender nosso informalismo e aparente falta de organização.
Em conseqüência, vão nos achar ineficientes e pouco responsáveis, indignos de confiança em questões tão sérias e difíceis como conscientizar um doente alcoólico. Por isso, os integrantes da CCCP deverão ser AAs com uma razoável capacidade de comunicação e um sólido contato com o nosso programa no que se refere aos Três Legados de A.A.: Recuperação, Unidade e Serviço. É necessário que estejam preparados e sabendo o que significam e como funcionam os Doze Passos, as Doze Tradições e os Doze Conceitos.

MEMBROS DAS COMISSÕES
Para ser membro das Comissões, uma sólida sobriedade é desejável aqui, como em qualquer outro serviço de A.A., uma vez que estarão freqüentemente em contato com não-AAs. É necessário que estejam preparados e sabendo o que significam e como funcionam os Três Legados de Alcoólicos Anônimos: Recuperação, Unidade e Serviço. Um profundo conhecimento das Tradições é de vital importância.

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APADRINHANDO O RECÉM-CHEGADO PARA O SERVIÇO – (AKIKO M. – JAPÃO)
Recebi um amável convite de John Grant, Coordenador da Décima-Terceira Reunião Mundial de Serviços, no qual me pedia para fazer uma palestra sobre “Apadrinhando o recém-chegado para o serviço”. Lendo-o, imediatamente lembrei-me de minha experiência pessoal quando fui amadrinhada para o serviço.
Minha madrinha no serviço encorajou-me a permanecer disponível para ajudar os alcoólicos que ainda sofrem e guiá-los para o serviço. As palavras que eu ouvia dela freqüentemente eram: “por aqueles que estão sofrendo agora”. Pelo seu exemplo, em suas atividades diárias, ela mostrou-me, tanto quanto possível, a atitude responsável de “serviço”. Gostaria, todavia, de começar minha palestra, a qual baseia-se em minha experiência de apadrinhamento de recém-chegados, falando sobre minha idéia de serviço.
Foi há oito anos, eu acredito, que o conceito de nosso Terceiro Legado de Serviço tornou-se conhecido pela primeira vez pelos membros de A.A. do meu país. Naquela época, o Japão já tinha mandado delegados à Reunião Mundial de Serviços. Desde os primeiros dias, datando do estabelecimento de A.A. no Japão, há 19 anos, nossos membros, mesmo desconhecendo a definição de “serviço”, adotaram uma atitude de serviço.
O programa de A.A. foi introduzido no Japão por um membro de A.A. americano. O primeiro grupo foi um grupo de língua inglesa, na base americana de Tóquio, para residentes de língua inglesa da cidade. Durante os primeiros anos, alguns membros que tinham facilidade de fazer traduções, em bases voluntárias, traduziram o “Livro Grande” e “Doze Passos e Doze Tradições” para o japonês; outros membros, com talento e equipamento para impressão e encardenação, transformaram os manuscritos em livros. Alguns membros de A.A. de língua inglesa visitaram nosso grupo e nos ajudaram a compreender alguns termos pouco familiares usados naqueles textos. Não posso, nesta oportunidade, deixar de mencionar que somos profundamente agradecidos pela assistência que o G.S.O, de Nova York, nos deu na publicação do “Livro Grande”, “Doze Passos e Doze Tradições” em japonês. Nossos membros pioneiros eram muito ativos em levar a mensagem aos alcoólicos sofredores confinados em hospitais de tratamento. Minha madrinha me disse que no primeiro dia em que assistiu uma reunião, ela foi mandada para levar a mensagem a um hospital (hoje recomendamos que os membros encarregados de levar mensagem aos centros de tratamento e hospitais tenham pelo menos três meses de sobriedade). Os antigos membros eram, também, ativos em contribuir para a então pequena Irmandade (os membros de hoje parecem ser mais cautelosos em fazer contribuições para o A.A.). De qualquer forma, os primeiros membros eram muita ativos no serviço. Minha madrinha me levou a mensagem enquanto eu estava num hospital. Quando assisti à minha primeira reunião de A.A., fui recebida calorosamente. Os membros chamavam-me pelo nome, o que me fez muito feliz. Senti estar sendo tratada como um ser humano, não como uma bêbada irresponsável. E, felizmente, dois meses depois de minha chegada ao A.A., um grupo de N.A. foi fundado em Tóquio. Minha madrinha sugeriu-me assistir, também, às reuniões de N.A. para me libertar do meu problema de drogas. Poderia, então, saborear uma vida sóbria em A.A. e uma vida limpa em N.A Em ambos os grupos, participei ativamente no serviço, o que me mantém ocupada, mas também feliz.
Naquela época passei por duas experiências dolorosas. Uma foi a morte de minha mãe e outra foi o divórcio e conseqüente separação de minha família. Duvido que poderia ter sobrevivido a estas dificuldades sem a ajuda de minha madrinha. Ainda que me comportasse alegremente nas reuniões, à noite, quando estava só, ficava profundamente deprimida e chorava ao telefonar para minha madrinha. Ela era sempre paciente, ouvindo-me por longas horas, altas horas da noite, até que me acalmasse. Ela me deu um tremendo apoio.
Um dia ela pediu-me para visitar e levar a mensagem aos alcoólicos em um hospital onde eu estive internada para tratamento durante vários meses. Enquanto compartilhava minha experiência com eles, comecei a me sentir muito orgulhosa de mim, superior a eles, impressionando-me com minhas próprias palavras. Minha madrinha disse-me para não me embriagar com palavras. Naquela noite tivemos uma reunião de passos e lembrei-me da palavra HUMILDADE.
Minha primeira tarefa foi coordenar uma reunião. Quando minha madrinha pediu-me para ser coordenadora, imediatamente respondi: “Não! Eu não posso fazê-lo”. Ela respondeu: “Se você não quiser, não é obrigada a aceitar. Procurarei outro”. Então respondi: “Sim. Eu quero. Gostaria de tentar”. Naquela época, eu simplesmente não podia expressar meus sentimentos de alegria por ser capaz de ajudar outras pessoas.
A estrutura de serviço de nosso país começou a organizar-se naquela época. Em Tóquio, os grupos foram divididos em Distritos e cada Distrito formou seu próprio comitê. Minha madrinha era ativa nos comitês. Eu a segui e envolvi-me em vários tipos de serviço. Primeiro fui eleita RSG e depois tornei-me membro do Comitê de Hospitais e Instituições, então Coordenadora do Comitê de Informação ao Público e, posteriormente, Delegada à nossa Reunião de Serviços Gerais. Agora sirvo como Delegada à Reunião de Serviços Mundiais. O Tema da XII RSM – “Serviço – Privilégio de cada um” – lembrou-me um importante princípio.
Minha madrinha mostrou-me como ser uma boa coordenadora. Aprendi a respeitar cada membro e suas opiniões. Como coordenadora, poderia apenas sintetizar suas opiniões e expressá-las em nome deles. Mas não tinha poderes para governá-los. Isto, implicitamente, requeria a prática da Segunda Tradição e do Décimo Conceito. Foi uma lição extremamente significativa para mim, um ensinamento que fui capaz de aplicar em todas as minhas posteriores tarefas no serviço.
Naquele tempo, nosso Comitê de Informação ao Público publicou um boletim do A.A. japonês, patrocinando reuniões públicas, levando a mensagem de recuperação para áreas locais e engajando-se em muitas outras atividades. Felizmente, nosso comitê pode contar com a assistência de muitos membros individualmente, com habilidades em campos específicos e relacionadas com aquela publicação. No princípio acreditei que aquele serviço era algo especial, tarefa a ser realizada por um seleto grupo de pessoas. Desde então, mudei de idéia. O mais importante é trabalhar juntos, ajudar uns aos outros, unir-se para alcançar o objetivo único. Isto, eu acredito, é o objetivo básico do programa.
Este é nosso trabalho e nenhum outro – nossa preocupação que devemos partilhar calorosa e apaixonadamente com nossos companheiros sofredores. Não é difícil. Não requer técnicas especiais. Simplesmente compartilhamos nossa própria experiência, trabalhando juntos na esperança e no amor.
Agora quando amadrinho um recém-chegado para o serviço, sempre relembro das preciosas dádivas que me foram presenteadas por minha madrinha e por muitas outras pessoas. Quero compartilhá-las com outrem. É um grande prazer para mim, ser capaz de prestar serviço ao A.A., com base no verdadeiro amor, e percebo dever isto à minha sobriedade de hoje.
Por causa dos Três Legados de A.A., cada um de nós torna-se uma pessoa útil e leva uma vida significativa. Muitos outros recém-chegados aparecerão às portas do A.A. e eu gostaria de continuar assistindo-os, compartilhando minhas experiências e a alegria de ser uma boa madrinha. Quero ser humilde e grata, aceitando e abençoando a oportunidade de servir ao alcoólico que ainda sofre.
Assim como o A.A. salvou minha vida, quero compartilhar estas experiências com a próxima pessoa que estender a mão à recuperação, respeitando e enriquecendo novas vidas de meus companheiros, ajudando-os a se prepararem para um futuro brilhante.
(Vivência – Julho/Agosto 95)

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VIVENCIANDO A VIVÊNCIA – 41 (Grupo Unidos do Parque/PE)
O Grupo tem uma reunião semanal dedicada à VIVÊNCIA. Já foram abordados trinta e oito temas com base na Revista.
Em 1985 foi fundada a Revista Brasileira de A.A. de número zero e, posteriormente, a revista número um chamada VIVÊNCIA, que retrata em seu significado literário, o “fato de viver”.
Esta revista é para nós um retrato bimestral do modo de viver dos AAs brasileiros e, porque não dizer também, de muitos amigos de A.A.
É o fruto de muito sacrifício, noites mal-dormidas, dificuldades financeiras, muitos atropelos. São sugestões não só de membros, como também de muitos não-AAs: médicos, religiosos… os profissionais, enriquecendo nossos conhecimentos.
Hoje temos uma coletânea progressiva, propiciando-nos meios práticos de compreendermos a filosofia de A.A.
Temos mais é que vivenciá-los, transmiti-los, não só para os que buscam A.A., como para aqueles que não sabem ou não gostam de ler. Quando vivenciamos essa literatura, ficamos mais informados e, conseqüentemente, poderemos transmitir melhor a filosofia de A.A.
Por isso, convidamos todos os Grupos e membros, para que explorem o máximo seu conteúdo, não deixando as revistas apenas como enfeites de nossas estantes.
Um dos meios mais viáveis de vivenciá-las é através de temáticas, estudos. Quanto mais informado estiver um grupo, mais feliz e completo é o seu desempenho. Só se aprende a ler, lendo!
Foi pensando nisso que o Grupo Unidos do Parque de A.A. resolveu fazer uso adequado desta Revista. Em reunião de serviço realizada no final de 1994, por unanimidade, decidiu-se transformar a “Reunião de Novos”, que ocorre aos domingos (com exceção do último, pois, este é dedicado à reunião de serviço), para estudar e debater alguns artigos da VIVÊNCIA, para o exercício de 1995. O título aprovado para este maravilhoso trabalho foi o título deste artigo: “Vivenciando a Vivência”.
Começamos em primeiro de janeiro, com a revista de número 24 e o tema foi “Anonimato”. Por sinal, tema abordado nessa edição. Foi de suma importância, pois havia em nosso Grupo contraditória interpretação. “De priori”, foi salutar.
Cada vez que adentrávamos em suas páginas, mais conhecimento adquiríamos .
No período de 95, abordamos através da revista os “Três Legados de A.A.:
Primeiro Legado (Recuperação) – analisamos, discutimos e apreciamos vinte e dois diferentes tópicos e diversos pontos dos nossos Doze Passos.
Segundo Legado (Unidade) – foram oito tópicos, os mais promissores possíveis, para mantermos a Unidade dentro do Grupo, com os Grupos vizinhos, com o público em geral – sem afiliação, é claro! – e com A.A. no seu todo.
Terceiro Legado (Serviço) – assim como o Segundo Legado, também foram oito os temas abordados, despertando o interesse dos membros para o serviço, colocando os princípios acima das personalidades.
Ao todo foram trinta e oito temas abordados. Muito pouco para a quantidade de exemplares trabalhados, doze ao todo. Porém, foi o pontapé inicial para que possamos dar continuidade, não só em 96, como por todo o tempo, pois cada vez surgirão mais exemplares, mais artigos e, conseqüentemente, aumentará em nós o desejo do saber.
Esperamos, com esse exemplo, despertar o interesse de Grupos e membros, para que seja feito um minucioso exame desta maravilhosa Revista.
Em nossa comunidade está havendo um verdadeiro despertar, o número de assinantes está crescendo e as divergências estão se atenuando.
Obrigado, VIVÊNCIA!
Vivência nº 41 – maio/junho 1996

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HOMOSSEXUAL E ALCOÓLICA (AS MINORIAS EM A.A.) – 70
Foi preciso aceitar ambas as condições para entrar em recuperação.
Sou uma alcoólica em recuperação só por hoje, e sou homossexual. O motivo que me leva a escrever sobre minhas experiências é acreditar que estou ajudando a mim mesma e poderei estar ajudando mais pessoas como eu.
Em 1978, vim para São Paulo com um pensamento na cabeça: queria mudar a minha vida. Eu já bebia, mas ainda pouco. Minha mãe tinha falecido e isso foi muito para eu suportar, a dor era muito grande e eu queria ter morrido junto com ela. Havia também uma moça pela qual eu estava apaixonada. Vindo para cá, eu acreditava que esqueceria tudo isso e seria outra pessoa.
Não foi o que aconteceu, minha vida tomou outro rumo. Joguei-me na bebida a pretexto de fugir da solidão e de mim mesma. Eu não tinha coragem de assumir que era homossexual. Já tinha percebido que o modo como eu bebia era diferente e que só parava quando estava bêbada. Eu era muito tímida e a bebida “me dava coragem”.
Com o passar dos anos, bebendo sempre mais e misturando os meus sentimentos, comecei a gostar de uma patroa que tive. Ela era muito boa comigo e isso me fazia sofrer, pois ela me tratava como uma filha. Eu saía de casa e ia beber nos bares. Saí com o primeiro homem, já que não conseguia me aproximar de uma mulher. Eu me violentei muito e tinha muita bronca de mim mesma, pois tudo que eu tentara fazer não dera certo. Mentir passou a ser a minha verdade e chegou um tempo em que eu mesma já não sabia o que era verdade e o que não era. Sentia-me infeliz e a autopiedade tomou conta de mim. Assim foi durante vinte anos.
Quando cheguei em A.A., não tinha convicções, só acreditava no álcool! Queria “ver” Deus para acreditar na Sua existência e por isso as coisas não deram certo para mim – faltou fé. Eu só tinha um pensamento, a morte, sempre achava que iria morrer a qualquer momento e que era só uma questão de horas. Hoje, vejo que mudei. Acredito em mim e principalmente, em Deus, como O entendo.
Ao ingressar em A.A., eu não tinha em mente falar sobre a minha vida íntima, pois já tinha sofrido muita discriminação e achei suficiente admitir meu problema com a bebida. Com o passar dos dias, percebi que me enganei, que estava mentindo e dando voltas para comentar um relacionamento homossexual. Apesar de ser alcoólica como todos no grupo, eu me sentia diferente por causa da minha condição sexual. Como conseqüência, sofri uma recaída.
Então vi que não poderia continuar mentindo. Eu precisava dizer a verdade, para o meu próprio bem. Comecei a freqüentar reuniões de propósito especial feminino, com a intenção de falar sobre a minha situação, mas a dificuldaee continuou grande, pois não se falava muito em sexualidade e eu sentia preconceito nas outras pessoas quando se falava de homossexualismo.
Um dia, participando de um Ciclo de Tradições, ouvi comentários preconceituosos de alguns companheiros sobre a homosseualidade e surgiu em mim a vontade de estar numa reunião de companheiros(as) homossexuais…
E, há pouco tempo, essa idéia se tornou realidade. Conversando, um grupo de homens e mulheres que têm em comum ambas as condições e, portanto, passam pelas mesmas dificuldades, resolveu iniciar uma Reunião de Propósitos Especiais para Homossexuais e simpatizantes, que têm acontecido aos sábados à tarde, no ESL/SP. Agora não estou mais fazendo a minha recuperação pela metade, mas sim por inteiro, e ajudando outros(as) que gostariam de participar conosco. Seria muito bom contarmos com mais companheiros(as) para fortalecermos essa iniciativa, a fim de que ela tenha continuidade.Falo da importância dessa reunião porque ela está sendo muito boa para mim.
Hoje, sem beber há algumas 24 horas, estou tentando trabalhar meus defeitos e viver bem. Sinto-me bem resolvida em relação à minha homossexualidade e ao meu alcoolismo. Eu me encontrei e sou feliz, só por hoje, graças a um Poder Superior. Estou no Serviço da Irmandade e gosto muito de participar dos Três Legados de A.A., pois assim minha recuperação é completa. (Anônima, São Paulo/SP)
Vivência 70 – Mar/Abr 2001

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MINHA PRIMEIRA REUNIÃO – 71
A.A. oferece diferentes tipos de reunião, com diferentes finalidades – logo, são muitas as “primeira reuniões de cada membro.
Na primeira abordagem que um membro da Irmandade me fez, ele disse: “Vamos lá, você vai apenas assistir à reunião. Se gostar, você fica, se não, vai embora.” E um dia após sete anos, lembrei daquelas palavras, telefonei para ele desesperado e pedi que me levasse a uma reunião de A.A.
Em 12 de março de 1993, às 19:30 horas, cheguei na Igreja São Francisco de Paula, onde funcionava o grupo da Tijuca de A.A. Fomos muito bem recebidos logo na entrada e alguém nos indicou a primeira fila de cadeiras. Sentamos e, no decorrer da reunião, fiquei admirado com as pessoas que vi – pareciam, na maioria, normais, saudáveis e felizes – não pareciam bêbados! Contaram em seus depoimentos quase toda a minha vida. Eu fiquei certo de que compreenderiam a fundo como eu me sentia naquele momento. E essa foi a reunião de A.A. em que ingressei. O dia mais feliz de minha vida.
Meu primeiro contato com as palavras freqüências às reuniões veio logo na segunda reunião da qual participei. Alguns companheiros me disseram que, para evitar o primeiro gole, eu deveria ir assiduamente às diversas espécies de reuniões de A.A.
Ainda me lembro muito bem como as reuniões de novos foram importantes nos primeiros meses para mim – eram sessões de perguntas e respostas que esclareceram dúvidas que eu ainda tinha.
No grupo, em alguns dias da semana, as reuniões eram abertas, ou seja, qualquer pessoa podia participar, sendo alcoólica ou não. Essas reuniões eram geralmente de depoimentos em que os membros falavam ao grupo sobre seu alcoolismo, sobre o que lhes aconteceu e como se encontravam na recuperação. Eu podia sentir sinceridade e honestidade no que se ouvia. Cada membro falava somente de si mesmo, ninguém falava por A.A. como um todo. Geralmente alguns depoimentos faziam com que eu lembrasse de minha própria vida.
Em um dia específico da semana, acontecia a reunião fechada, isto é, somente para alcoólicos ou para pessoas que tentam descobrir se são alcoólicos. Nessas reuniões havia mais liberdade para compartilhar as coisas que me incomodavam e que só a nós alcoólicos poderiam interessar – coisas confidenciais, até.
Depois de algumas 24 horas, comecei a me interessar pelas reuniões temáticas: os Passos, as Tradições, os Três Legados de A.A. e os lemas de A.A. Essas reuniões foram fundamentais pra que eu viesse a ter um crescimento espiritual e entendesse como funciona a Irmandade.
No ano do cinqüencentenário de A.A. no Brasil, tive a satisfação de participar da reunião comemorativa e foi muito gratificante.
Eu falo do passado, mas o grupo Barra da Tijuca ainda existe, cresceu muito e dele nasceu o Grupo Recreio, do qual hoje faço parte. Desejo a mim e aos companheiros(as), mais vinte e quatro horas, se possível com “freqüência à reunião”. (Rogério, Jacarepaguá/RJ)
Vivência 71 – Maio/Jun 2001

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REUNIÕES MIL (MINHA PRIMEIRA REUNIÃO) – 71
A.A. oferece diferentes tipos de reunião, com diferentes finalidades – logo, são muitas as “primeiras” reuniões de cada membro.
Na primeira abordagem que um membro da Irmandade me fez, ele disse: “Vamos lá, você vai apenas assistir à reunião. Se gostar, você fica, se não, vai embora.” E um dia após sete anos, lembrei daquelas palavras, telefonei para ele desesperado e pedi que me levasse a uma reunião de A.A.
Em 12 de março de 1993, às 19:30 horas, cheguei na Igreja São Francisco de Paula, onde funcionava o grupo da Tijuca de A.A. Fomos muito bem recebidos logo na entrada e alguém nos indicou a primeira fila de cadeiras. Sentamos e, no decorrer da reunião, fiquei admirado com as pessoas que vi – pareciam, na maioria, normais, saudáveis e felizes – não pareciam bêbados! Contaram em seus depoimentos quase toda a minha vida. Eu fiquei certo de que compreenderiam a fundo como eu me sentia naquele momento. E essa foi a reunião de A.A. em que ingressei. O dia mais feliz de minha vida.
Meu primeiro contato com as palavras freqüências às reuniões veio logo na segunda reunião da qual participei. Alguns companheiros me disseram que, para evitar o primeiro gole, eu deveria ir assiduamente às diversas espécies de reuniões de A.A.
Ainda me lembro muito bem como as reuniões de novos foram importantes nos primeiros meses para mim – eram sessões de perguntas e respostas que esclareceram dúvidas que eu ainda tinha.
No grupo, em alguns dias da semana, as reuniões eram abertas, ou seja, qualquer pessoa podia participar, sendo alcoólica ou não. Essas reuniões eram geralmente de depoimentos em que os membros falavam ao grupo sobre seu alcoolismo, sobre o que lhes aconteceu e como se encontravam na recuperação. Eu podia sentir sinceridade e honestidade no que se ouvia. Cada membro falava somente de si mesmo, ninguém falava por A.A. como um todo. Geralmente alguns depoimentos faziam com que eu lembrasse de minha própria vida.
Em um dia específico da semana, acontecia a reunião fechada, isto é, somente para alcoólicos ou para pessoas que tentam descobrir se são alcoólicos. Nessas reuniões havia mais liberdade para compartilhar as coisas que me incomodavam e que só a nós alcoólicos poderiam interessar – coisas confidenciais, até.
Depois de algumas 24 horas, comecei a me interessar pelas reuniões temáticas: os Passos, as Tradições, os Três Legados de A.A. e os lemas de A.A. Essas reuniões foram fundamentais pra que eu viesse a ter um crescimento espiritual e entendesse como funciona a Irmandade.
No ano do cinqüencentenário de A.A. no Brasil, tive a satisfação de participar da reunião comemorativa e foi muito gratificante.
Eu falo do passado, mas o grupo Barra da Tijuca ainda existe, cresceu muito e dele nasceu o Grupo Recreio, do qual hoje faço parte. Desejo a mim e aos companheiros(as), mais vinte e quatro horas, se possível com “freqüência à reunião”. (Rogério, Jacarepaguá/RJ) Vivência 71 – Maio/Jun 2001

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UMA PESSOA RESPEITÁVEL – 72
Foi esse o “saldo” de mais uma recuperação em A.A.
Sou mãe de duas filhas. Na época do meu alcoolismo ativo elas eram muito novas, adolescentes. Amo muito essa criaturas, que eram e são a razão de meu viver. Só que, em minha doença, esse amor quase foi destruído, afinal, eu não tinha amor nem por mim mesma.
Logo no início já começaram as internações em hospitais psiquiátricos. Muitas vezes, meu marido precisava me internar para que minhas filhas pudessem estudar e trabalhar sem a preocupação de saber como estaria sua mãe. Ele trabalhava à noite para não dar espaço ao meu beber, mas eu dava um jeito. Minha vizinha passava bebida para mim pelo vitrô da sala, isso porque as portas ficavam fechadas. Eu escondia bebidas em todos os lugares.
Num dia especialmente triste, bebi antes de minha mãe chegar em casa e, quando ela chegou, peguei meu cachorrão, pus nele a coleira e, ignorando os pedidos de minha mãe para que eu não saísse com ele, fui, passei na casa de uma amiga e peguei um litro vazio para poder comprar mais pinga, Meu cão, que era bravo, foi me puxando até me derrubar e, com a garrafa, eu me cortei toda. Cheguei ensanguentada em casa, minha mãe passou mal, chorou muito e pediu para que eu deixasse de beber. Em outra ocasião, joguei-me em frente de um carro, tentando o suicídio, mas não morri.
Assim, uma de minhas filhas, já cursando o último ano de faculdade, certa vez me trouxe um endereço de Alcoólicos Anônimos. No dia 20 de agosto de 1984, fui conhecer a Irmandade, pensando que encontraria um garrafão de pinga na sala, e que cada pessoa se serviria quando sentisse compulsão…
Qual não foi a minha surpresa! Encontrei uma sala linda e pessoas se recuperando. Senti-me um farrapo humano, pois cheguei toda arrebentada, com os cabelos compridos, rosto inchado, olho roxo (alcoolizada, eu era muito agressiva com meu marido, mas só apanhava, porque já estava muito fraca.)
Todos me deram uma palavra de carinho. Puxa, que maravilha! Disseram-me para voltar mais vezes: “Estaremos aqui todo dia, pra te ajudar”. Deram-me um cartão com os horários de reuniões e, o mais importante, a Oração da Serenidade. Eu fazia a Oração de duas em duas horas, até fazer as 24 horas.
Desde aquele primeiro dia não coloquei mais uma gota de álcool na boca, só por hoje. Não havia companheiras quando cheguei, só homens, cerca de 60 companheiros. Não me importei e ia todos os dias. Na hora do café, conversava com todos e todos me respeitavam, como me respeitam até hoje, tratando-me como se fossem meus irmão de sangue.
Entrei para os nossos três legados e continuo com eles até hoje, não abro mão. Sou agora avó de dois netos e uma neta, amo-os muito e sei que me amam também. Minhas filhas, meu genro e marido são muito felizes com a minha sobriedade. Tornei-me uma mulher respeitada em todos os lugares aonde vou. Voltei a estudar e hoje tenho a profissão de enfermeira. Já levei a mensagem várias vezes ao hospital onde ficava internada, e os profissionais de lá me olham e dizem: “Que maravilha!”
Consegui dar uma alegria à minha mãe: quando ela faleceu, estava feliz porque eu não bebia há 4 anos, sempre em A.A. E eu estou feliz por ter descoberto a tempo que sou portadora dessa enfermidade, que poderia ser detida se eu quisesse. Puxa, eu não perdi a oportunidade, e só por hoje a minha doença está detida. (Celene, Campinas/SP)
Vivência 72 – Julho/Ago 2001

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DÉCIMO SEGUNDO PASSO – 87
“Transmitir a mensagem é o serviço básico que a Irmandade de A.A. faz; este é o nosso principal objetivo e a principal razão de nossa existência.
Agradeço a Deus por aqueles que vieram antes de mim, aqueles que me falaram para não esquecer os Três Legados: Recuperação, Unidade, Serviço.” Tome um banco de três pernas, tente equilibrá-lo somente em uma perna ou em duas.
Nossos Três Legados devem manter-se intactos. Na Recuperação nós conseguimos ficar sóbrios juntos; na Unidade trabalhamos juntos para o bem de nossos Passos e Tradições; e através do Serviço nós damos aos outros, de graça, o que nos foi dado”. Uma das principais dádivas em minha vida tem sido saber que eu não terei mensagem para dar a menos que me recupere em Unidade com os princípios de A.A.” *N.T: A Linguagem do Coração (ainda não traduzido).
Para refletir: 1) Os termos: dar e doar: Ainda há os que entendem que doar é dar. Poderíamos até admitir que há similaridade entre os dois termos se não soubéssemos prioritariamente que dar é prerrogativa de qualquer ser, enquanto doar é privilégio só de alguns.
Se tivéssemos como meta, distinguir doar de dar, faríamos facilmente dizendo:
– Dá aquele que tem para dar.
– Doa somente aquele que se inclui na doação.
2) O personalismo: No mundo atual, as pessoas procuram das mais variadas formas, construir o seu próprio mundo, edificar os seus próprios castelos, levantar o mais possível seus “EGOS”, satisfazer da melhor forma suas vaidades, fortalecer o mais possível suas imagens e a despeito de tudo tirar o máximo de proveito de suas vidas.
Logicamente, durante toda a atividade descrita acima, restam muitas sobras, e os seres humanos comuns utilizam-se dessas sobras para fortalecer suas imagens de belas figuras humanas.
Como isto para nós alcoólicos, não tem qualquer significado!
Como nós sabemos o quão pouco importante é dar sobras!
3) Como sentimos a verdadeira doação?
Foi no momento em que alguém nos estendeu a mão e disse: “Venha comigo, sigamos o mesmo caminho. Vamos juntos encontrar a essência do bom viver.”
Quando este alguém, naquele exato momento nos disse isso, rompeu-se a nossa barreira com o mundo normal; sentimos que não éramos seres abjetos, despidos de qualquer pudor, incapazes de vencer os nossos próprios baixos sentimentos.
A mensagem nos foi passada, nos foi doada a experiência e a autenticidade de se confessar igual.
Tudo acontece na hora exata, mas não é necessário que aconteça uma só vez.
Será que temos assumido a doação em seu sentido absoluto, professando-a em todos os nossos momentos?
“O importante não é dar, é dar-se.
Vivência 87 – Jan/Fev 2004

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ONDE ESTÁ A DIFERENÇA? – 14 (Fonte: Grapevine)
Muito tempo e esforço já foram gastos para descobrir onde está a diferença entre a nossa Irmandade e outras organizações ligadas ao problema do alcoolismo.
Gostaria de sugerir que a diferença entre a nossa Irmandade e outras instituições, repousa na obediência às nossas Tradições mesmo porque não vemos nada de tão inusitado conosco.
Demonstramos ser possível recuperar grande quantidade de bêbados através de um programa espiritual. Mas os Washingtonianos e os Grupos de Oxford também o fizeram. As igrejas estão fazendo a mesma coisa aqui e agora, a cada dia.
O mais notável nas nossas Tradições é que nos submetemos a elas por livre escolha. As Tradições jamais são impostas de cima para baixo, “por eles”, como quem diz: “Toma. É isto que vocês devem fazer”. As Tradições são o resultado de erros que quase acabaram nossa Irmandade. Nós as aceitamos voluntariamente. Não posso viver sem A.A. Você também não pode. Você e eu somos A.A. Temos de ser responsáveis. Eu tenho de ser responsável. Ser responsável é observar as Tradições.
Por que as Tradições? Elas simplesmente nos indicam o caminho da sobrevivência da Irmandade. Se o A.A. sobreviver, nós viveremos. E vivendo aprendemos a amar uns aos outros. Quando amamos uns aos outros, somos capazes de servir. E quando servimos, asseguramos a permanência de A.A., no futuro, para levar a mensagem àqueles que estão por chegar.
Nossos Três Legados são: Recuperação que nos traz a luz através dos Doze Passos; Unidade que nos ensina a responsabilidade através das Doze Tradições e Serviços que nos permite a prática do amor através dos Doze Conceitos.
Vivência n°14 – 1990

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PRAZER EM DAR E RECEBER (Vivência – Edição Especial)
No início dos anos 90 recebi uma assinatura da revista VIVÊNCIA. Provavelmente esse presente foi proporcionado por um dos servidores de confiança de Alcoólicos Anônimos que levaram a mensagem de A.A. ao sistema penitenciário do Rio de Janeiro.
Fiquei maravilhada com a VIVÊNCIA e imediatamente lembrei-me de dois estágios ao término do curso de serviço social, em meados dos anos 70, em clínicas psiquiátricas, com um significativo número de alcoólicos internados, quando a rotina era a internação do paciente para desintoxicação e alta hospitalar. Na maioria das vezes, os pacientes acumulavam sérias perdas pelo quadro evolutivo da doença e várias internações hospitalares.
Naquela época eu tinha algumas informações de que A.A. era uma esperança para o alcoólico, mas sabia que era preciso o alcoólico ou a sua família ter a rara sorte de localizar um Grupo de A.A. O acesso do profissional ao programa de A.A. era quase impossível, eu não conhecia nada com referência à literatura da Irmandade.
Já no final dos anos 80 conhecia a CENSAA do Rio de Janeiro e pude olhar para a irmandade de A.A. com profunda admiração, compreendendo que o crescimento de A.A. está ligado ao número de alcoólicos em recuperação e que a sua auto-suficiência não só diz respeito ao fator financeiro, mas à expansão dos serviços de A.A., observando sempre os Três Legados de seus co-fundadores: Recuperação, Unidade e Serviço.
Em 1993, no número 25 da revista VIVÊNCIA, Dom Helder Câmara, Arcebispo Emérito de Olinda e Recife, escreve uma mensagem para Alcoólicos Anônimos: “Pudesse o espírito de move os Alcoólicos Anônimos ser internalizado por outros grupos e pessoas, em escala planetária, seguramente não teríamos a guerra, a fome, a miséria”. Este último parágrafo da mensagem de Dom Helder sugere uma reflexão para que a divulgação da mensagem de A.A. esteja disponível para aqueles que estão interessados em conhecê-la.
No final desta década, vejo a revista VIVÊNCIA como sendo um eficiente veículo de comunicação para o público em geral. VIVÊNCIA traduz de forma fidedigna e bem-humorada o que é Alcoólicos Anônimos, o que faz e o que não faz. Na minha experiência entre amigos, a VIVÊNCIA tem sido a maneira mais simples de apresentar-lhes a Irmandade de A.A.
A revista VIVÊNCIA, com seus quatorze anos de existência e de constante aperfeiçoamento técnico, tornando-se cada vez mais agradável, tem ajudado imensamente na comunicação dentro de A.A. e daqueles que desejam conhecer a filosofia da Irmandade. Próximos do terceiro milênio, certamente poderemos ver a nossa revista VIVÊNCIA chegar ao público que hoje não a alcança.
Ana Maria Ferreira de Araújo
Custódia não-alcoólica
(Vivência – Edição Especial)

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SERVIÇOS X TOLERÂNCIA
Caros companheiros e companheiras do Serviço.
Agradeço em primeiro lugar ao Deus do meu entendimento, por me ter feito permanecer em A.A. e em conseqüência ter aprendido com seus membros a participar dos Serviços, com um pouco de renúncia a meus desejos e gostos, a minhas vaidades pessoais, aos meus interesses e a minha intolerância, muitas vezes até inconsciente.
Comento:
A. A. Tem Três Legados, sem que eu tivesse passado pelo 1° L. com um pouco de seriedade e esforço (os Passos com a minha reformulação), e a seguir pelo 2° L. da mesma forma (as Tradições da convivência harmônica com as diferenças e com os diferentes), certamente não estaria preparado para entrar e muito menos para suportar o exercício do 3° L., que apesar de não ter nada demais, eu doente alcoólico e ainda sem a capacidade da auto analise crítica, ainda dono da verdade e intolerante, eu meteria os pés pelas mãos e explodiria tudo ou teria que me retirar por não suportar os embates normais e firmes (exclui-se evidentemente e de preferência, as ironias e ofensas pessoais o que nem sempre conseguimos) e poderia até beber, como já conheço situações nessas circunstâncias; é evidente que isso não é regra absoluta, mas seria comigo, pois sei como eu era, alias já escrevi aqui a mais tempo, de que até os meus seis anos em A.A. só parei de beber e fazia confusão e exercia a todo o vapor meus defeitos de caráter, na minha família, no A.A., no trabalho, em fim na sociedade; graças a meus Deus fiquei, comecei a praticar as sugestões espirituais de A.A. e hoje graças a essa mesma bondade divina, sei compreender bastante a todos porque parto da analise e da compreensão de minhas próprias falhas no passado, e que de certa forma e em certo grau, atinge a todos nós doentes.
Não sei se o que escrevo é útil para outros, mas para mim é, pois quero continuar compreendendo, tolerando, amando a todos os meus iguais doentes dentro de minhas limitações, mas com todo o meu esforço.
Para os Serviço, é bom que eu tenha um senso crítico tranqüilo, que eu discuta para chegar a um consenso do melhor para A.A., e não para vencer alguém, ou ainda rejeitar uma proposta porque partiu de alguém, ou aprová-la porque partiu de alguém, ai é de suma importância que os princípios prevaleçam sobre o que penso e eu me livre de minhas idéias pré concebidas e vista ou aceite a idéia do bom senso coletivo, sempre à luz dos princípios de A.A.: A nossa às vezes tão judiada “Consciência Coletiva, a voz de nosso Deus amantíssimo”.
Abraços, paz e mais 24 h sóbrias.

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LEMAS DIÁRIOS DE AA, TAMBÉM CHAMADOS DE: “OS PRINCÍPIOS DE OURO DE AA”.
Prezados companheiros e companheiras.
Trouxe este assunto para a Lista de Serviço, por desejar expressar meu pensamento discordante mas respeitoso sobre o uso indiscriminado desses Lemas em nossos grupos, e ao mesmo tempo dizer que não tenho a pretensão de julgar ou menosprezar os pensamentos diferentes, sei que o prezado companheiro Henrique, mesmo discordando, entenderá meu modo de ver.
Não tive a oportunidade de te abraçar na Convenção Henrique, mas quem sabe a vida nos oportunizará isso.
Bem vamos ao assunto: A.A. não apóia nem combate quais quer causas. Poderá ser dito, que Lemas não são causas, mas todo o Lema expressa ou simboliza uma causa, pensamento ou significado filosófico. Segundo entendo, A.A. em sua Literatura tem tudo do que precisamos para nossa boa recuperação, convivência e serviço. A nossa Conferência recomenda até que não usemos em nossas reuniões outras literaturas quaisquer, frases e princípios que não sejam os de A.A., mesmo que sejam bons e bonitos.
Vejam meus irmãos e irmãs de doença, todos nós pela nossa origem e experiências, temos preferências, gostos, interesses, etc. que necessariamente não tem o mesmo significado para o outro, e se cada um de nós colocar na parede de nossos grupos, ou escrevermos aqui, Lemas e frases de nosso gosto particular, ou mesmo pensamentos poesias etc., nossas reuniões passarão a ser uma mistura de idéias que podem acabar até sendo discordantes uma da outra e dos próprios princípios de A.A., pois tudo tem significado diferente para cada um de nós.
Bem, mais isto é meu modo de ver, e faço como diz um membro deste grupo-lista que prezo muito sem sequer ter falado pessoalmente com ele: Entre os usos e costumes sobre Lemas e ditos, prefiro ficar com os ditos e Lemas que constam nos livros de A.A., me parecem suficiente e seguros para minha recuperação e levar a mensagem. Abraços, muita paz, luz e mais 24 h sóbrias.arco.

Oi AABr-serviços!! Aqui é o Henrique.
Oi Magno!! Oi Todos!!
Somos homens e mulheres livres, e podemos fazer tudo que os homens livres fazem. Somos livres para discordar.
O Magno pode discordar e eu Henrique posso discordar do Magno no maior respeito.
O uso que faço dos lemas é criterioso, de boa procedência e tem que ver com a consciência coletiva e esclarecida de AA. Eu cito a fonte: são os grupos de AA, a autoridade suprema e a responsabilidade final pela mensagem de AA, e funciona, os Grupos de AA funcionam e grupo forte a recuperação é forte. O AABr é forte. Um grupo de AA fortalece o outro pela via da mão dupla.
Na Convenção nós conversamos e eu lembro de você, vejo que você não lembra de mim. Novas oportunidades surgirão eu confio nisso. Os lemas estão em sintonia com a colocação da sobriedade acima das opiniões e circunstâncias da vida, para manter e partilhar a sobriedade que é o propósito de AA.
A recomendação da conferência obriga os membros da Junaab e quanto aos membros de AA só sugere e não tira a liberdade de ninguém. Sugestão é para pegar ou largar, pegar o que eu decido que me faz bem e evitar o que decido que me faz mal, isso é autodeterminação, bem informado e bem humorado, como convém que seja toda decisão tomada em AA. Aquilo que for de AA e for largado por mim, convém que seja largado onde eu possa retomar, pois se serviu para alguém poderá ser útil para mim em outra circunstância da minha vida. Os companheiros mais antigos diziam que a sugestão para fazer uso dos 12 Passos era sugestão do tipo que é feita pelo mestre de paraquedismo, que antes do salto de paraquedas, apenas sugere que após pular do avião e após a contagem até 10: puxe a cordinha, é só uma sugestão de mestre para aprendiz.
O que vocês acham?

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Retornando ao tema: Grupos, Legados, liberdade e Tradições versus hábitos, usos e costumes.
Para melhor compreensão do que escrevo, vou esclarecer como faço algumas definições, para que analisemos sob o mesmo prisma mesmo que tenhamos uma visão diferente, e vou seguir uma ordenação numerada e tão breve quanto for possível, conforme aprendi aqui com nosso caro companheiro AL, para escritos na Internet.
1 – O que é um grupo de A.A? Dois ou três alcoólicos quaisquer, reunidos com a finalidade de manterem-se sóbrios, tem o direito de considerar-se um grupo de A.A., desde que como grupo não estejam filiados a qualquer outro organização. (Sob qualquer forma, filosofia, lemas etc., 4ª Tradição.).
2 – O Grupo de A.A. é a palavra final da Irmandade? A responsabilidade final e autoridade suprema pelos serviços mundiais de A.A. deveriam sempre recair na consciência coletiva de toda a nossa Irmandade. (I Conceito). A.A. é formada pela voz coletiva de seus grupos locais e de seus representantes na Conferência de Serviços Gerais, os quais trabalham visando à unanimidade nas questões vitais para a Irmandade. A Conferência de Serviços Gerais é, portanto a Consciência Coletiva de todos os grupos de cada pais. Cada grupo funciona de modo independente exceto em questões que afetem outros grupos ou A.A. como um todo. (Tudo que contrarie qualquer item do 2º e 3º legados, já não é assunto da autonomia de grupo, 4ª Tradição, sendo que referente ao primeiro legado, seu entendimento e uso é individual, e mesmo assim o que tem dado mais certo é exatamente o que está ali escrito ).
3 – A.A. não apóia nem combate quaisquer causas, (6ª Tradição) incluindo ai filosofias, seus símbolos e lemas representativos. Somente as nossas literaturas aprovadas representam o pensamento de A.A., não os usos dos grupos.
4 – Os Três Legados formam a experiência escrita e básica de A.A., digamos que são as leis de A.A., as quais não estamos obrigados a seguir, mas que preciso seguir para não sofrer ou beber e morrer. As experiências dos companheiros e companheiras nos grupos de A.A. são de como cada um de nós vem procedendo a sua recuperação particular no uso desses Três Legados, ESSAS NOSSAS EXPERIÊNCIAS NÃO GERAM ACRÉSCIMOS AOS TRÊS LEGADOS, nem passam a fazer parte do que chamei anteriormente das leis de A.A. cujas Tradições e as Garantias da Conferência, só podem ser alteradas por ¾ da Consciência Coletiva Mundial de A.A., sendo mesmo assim importantes na nossa troca de experiências para obtermos uma vida sem álcool e feliz.
5 – Em alguns de nossos grupos temos muitos Lemas, frases, hábitos e costumes arraigados e que nada tem a ver com A.A., aqui no grupo em que comecei, tivemos medalhas de honra ao mérito por tempo em A.A., hoje nem ficha usamos mais, tínhamos ingressos formalizados e hoje não o fazemos mais, escrevíamos passagens bíblicas lindas no quadro, hoje não fazemos mais, líamos reportagens sobre alcoolismo e tratamentos médicos do alcoolismo, hoje isso é do passado, tínhamos entregas de fichas em reuniões públicas que eram verdadeiras homenagens, culto religioso nos aniversário do grupo, também excluídos hoje de nossos hábitos, afinal A.A. não é religião nem adotou alguma, não assinamos mais atas nem batemos mais palmas após os depoimentos (“Dr. Bob disse: Nunca aplaudam um alcoólico”) e assim por diante, a lista seria enorme se fosse registrar tudo que fazíamos fora do espírito de humildade de A.A., de seus Doze Passos, de suas Doze Tradições e de seus Doze Conceitos.
De qualquer forma, é apenas o entendimento sobre o assunto de um membro de A.A., que considera para esse entendimento o que pensam muitos companheiros com os quais analisou no decurso de anos esses assuntos.
Abraços fraternos, muita paz, luz e mais 24 h sóbrias.

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UNIDADE TRECHOS DO LIVRO: “NA OPINIÃO DO BILL”
Surge a compreensão de que cada membro é apenas uma pequena parte de um grande todo; de que nenhum sacrifício pessoal é grande demais para a preservação da Irmandade. Ele aprende que o clamor dos desejos e ambições interiores deve ser silenciado, sempre que possa prejudicar o grupo, Pág 9
A Unidade e Alcoólicos Anônimos é a qualidade mais preciosa que nossa sociedade tem. Nossas vidas e as vidas dos que estão pôr chegar dependem diretamente dela. Sem unidade, o coração de Alcoólicos Anônimos deixaria de bater; nossas artérias mundiais não mais levariam a inspiradora graça de Deus. Pág. 125
A Unidade, a eficiência e mesmo a sobrevivência de AA sempre dependerão de nossa continua boa vontade de renunciar a nossos desejos e ambições pessoais, para a segurança e bem-estar comum. Do mesmo modo que sacrifício significa sobrevivência para o indivíduo, também significa unidade e sobrevivência para o grupo e para a Irmandade de AA como um todo. Pág. 220
A vida de cada aa e de cada grupo é construída ao redor de nossos Doze Passos e Doze Tradições. Sabemos muito bem que a punição para a desobediência sistemática desses princípios é a morte do indivíduo e a dissolução do grupo. Uma força ainda maior para a Unidade de AA é o amor-dedicaçào que temos pôr nossos companheiros e pôr nossos princípios. Pág. 273
TRECHO DE AA ATINGIU A MAIORIDADE
(As tradições) Elas nos indicam como podemos funcionar melhor em harmonia como am todo. Em consideração ao bem-estar de toda a nossa irmandade, as Tradições pedem a cada indivíduo, cada grupo e cada setor de AA que ponham de lado todos os seus desejos, ambições e ações inconvenientes que possam ocasionar sérias divisões entre nós ou a perda de confiança que nos deposita o mundo todo. As Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos simbolizam a característica de sacrifício de nossas vidas em comum e elas constituem a maior força de Unidade que conhecemos. Pág. 87
TRECHO DE A TRADIÇÃO DE AA COMO ELA SE DESENVOLVEU POR BILL W.
Mas a Unidade de AA não pode se preservar automaticamente. Como a recuperação pessoal, teremos sempre que trabalhar para mantê-la. Também aqui precisamos de honestidade, humildade, mente aberta, altruísmo e, acima de tudo vigilância. Assim nós que somos mais antigos em AA pedimos a vocês, que são mais novos, para ponderarem cuidadosamente a experiência que temos tido de tentar trabalhar e viver juntos. Gostaríamos que cada aa tomasse tanta consciência dessas tendências perturbadoras que nos põem em perigo como um todo, como tem ele mesmo consciência daqueles defeitos pessoais que ameaçam sua própria sobriedade e paz de espírito. Pág. 4 e 5
TRECHO DO LIVRO OS DOZE PASSOS
Acabaram chegando a uma conclusão que horrorizou aos membros de AA daquele tempo. Esses distintos homens de ciência tiveram a “coragem” de dizer que a maioria dos alcoólicos investigados ainda eram infantis, emocionalmente sensíveis e cheios de mania de grandeza.
Quanto machucou a nós alcoólicos esse veredicto! Pág. 108

UNIDADE
A recuperação é básica para a Unidade, sabemos por experiência, que não se vivenciará bem as tradições nem os conceitos sem uma boa recuperação e permanência nesse programa para toda a vida. A recuperação não consiste numa intelectualização de conhecimento dos princípios de nossa Irmandade, mas na prática tranqüila, persistente e organizada desses princípios, sem sofrimento pelo possível pequeno e vagaroso progresso alcançado, em todos os momentos de nossas vidas. A compreensão, e aceitação dos princípios de AA que até podem nos fazer parar de beber é uma coisa, mas o exercício de fato desses princípios é que trazem como conseqüência a felicidade, a paz e a capacidade de exercer a tolerância no exercício dos processos que consolidam a Unidade. Como é difícil a mudança dum comportamento, por largo período de tempo condicionado a pensar, entender, sentir e agir doentia e inconscientemente. Éramos autômatos inconscientes do erro. Com a vivência da filosofia de nossa Irmandade, passamos tanto quanto possível, desse estado inconseqüente e lamentável de vida, para o estado do exercício consciente do acerto, e aos poucos, sempre um pouco mais, para o estado de autômatos inconscientes desse acerto; isto é maravilhoso, mas o progresso é lento e exige muita disciplina e permanente vigilância no exercício da mudança, por longo tempo; daí decorre a paz e a possibilidade da Unidade permanente. Erro e acerto aqui tem a conotação, de estarmos mais distantes ou mais próximos dos princípios de AA, respectivamente.
O segredo da força das tradições, são que elas tem origem na experiência de vida e estão arraigadas no amor. Elas confessam nossas falhas como sociedade, defeitos esses que nos ameaçam; elas nos dão as normas para a harmonia e para mantermos a Unidade enquanto Deus quiser.
O indivíduo não se recupera sozinho e aí surge a compreensão do sentimento holístico, ou de que ele faz parte do grande todo. Nenhum sacrifício é grande demais para preservar a Irmandade. O indivíduo entende que o clamor dos desejos e ambições deve ser silenciado, sempre que prejudiquem o grupo. Este precisa sobreviver para que o indivíduo não pereça.
O homem livre se associa voluntariamente ao interesse comum. AA é assim. A sede mundial de nossa Irmandade não dá ordens, ao contrário, é nossa maior transmissora das lições aprendidas com as experiências, mas nós obedecemos suas sábias sugestões, bem como de nossa Conferência, por tratar-se da expressão da consciência coletiva de cada instância.
Os que quebram o anonimato, não percebem que estão inconscientemente perseguindo o estrelato ou as antigas e perigosas ambições, e que estão lançando a semente de nossa própria destruição como sociedade; assim ocorre também com aqueles que ferem outros princípios de nossas tradições e do terceiro legado, não tendo a visão do todo e de proteger nossa Irmandade, para que ela chegue também aos nossos futuros irmãos de doença, como chegou até nós.
Nosso primeiro dever, quanto ao futuro de AA , é o de manter em plena força o que agora temos. Só o mais vigilante cuidado pode assegurar isto. Estejamos unidos para enfrentar e vencer nossas falhas e crises. As experiências são melhor compreendidas, pela troca permanente das mesmas e assim estaremos garantindo o futuro dos novos que sempre chegam e da nossa própria Irmandade. Pensemos profundamente naqueles que ainda virão a AA, queiramos que encontrem o que encontramos, e ainda mais se for possível. Nenhum esforço, cuidado e vigilância, será grande demais para preservar a constante eficiência e força espiritual de AA.
As tradições nos levam à Unidade, elas são um código de ética para a convivência harmônica. A Unidade é uma das qualidades mais preciosas que AA tem, dela dependem nossas vidas. Assim como a sobriedade, que é muito mais que a abstemia, é para o indivíduo vida longa e feliz; a Unidade, que é diferente e muito mais profunda que a união, é a mesma coisa para a nossa Irmandade como um todo. Só viveremos se permanecermos em Unidade. Uma grande força para ela é o amor, a dedicação que temos por nossos companheiros e por nossos princípios. Embora muitos se esforcem violentamente para obter a sobriedade, nossa Irmandade nunca teve de lutar pela Unidade perdida. Deus a protege e nos envia as soluções.
As diferenças identificam cada indivíduo e fortalecem a Unidade. Não devemos ter medo do atrito dos pontos de vista opostos, isto é democrático. Devemos, isto sim, evitar a destruidora raiva e o perigoso ressentimento, pois com eles a Unidade sofre e pode até morrer, levando junto nossa Irmandade. Por isso não há castigo para os erros, nem mesmo para os mais graves.
Temos sempre um sério desafio. Conviver com pessoas doentes e diferentes! Os pensamentos e sentimentos desagregadores inconscientes e inconseqüentes, persistem de maneira excludente e criam sérios problemas à Unidade, em nossa Irmandade. Conviver com as diferenças, significa praticar a tolerância. Isto não significa aceitar a intolerância dos prepotentes, pois tolerância não significa ausência de princípios, significa acreditar na prática dos três legados: Recuperação, Unidade e Serviço, nas soluções negociadas, justas e dignas, que os legados nos sugerem, de maneira respeitosa, mas firme.
A troca de experiências em torno dos campos de atividade de nossa Irmandade, deve ser exercida com plenitude e sabedoria, trazendo a diferença de cada um ao enriquecimento global da boa vontade, tolerância e compreensão na nossa convivência e em nossas diretivas. No entanto é necessário que cada um faça a sua parte, num grande esforço coletivo. Se quisermos Unidade, e conseqüentemente a continuidade de nossa Irmandade, temos que investir e muito nos princípios básicos de AA, sem radicalismo e competência exclusiva. O futuro de nossa Irmandade, será feito pelos que acreditam nos seus princípios, e isto será com o beneplácito do Poder Superior, garantindo a Unidade no futuro. Que Deus nos proteja de nossos erros, e nos conduza nessa árdua e bela tarefa!

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ESPAÇO DO RV – 93
JOVEM, AA E RV
Ser membro de Alcoólicos Anônimos já é gratificante. Jovem e Representante da Revista Vivência, com certeza são graças que o Poder Superior me concedeu.
Por que chequei em A.A, me pergunto, sendo eu ainda jovem com meus 18 anos de idade?
No começo me preocupava, pois as pessoas diziam: – você é novo para ser alcoólico, mas entendi conforme li no livrete “Os jovens e AA”: você poderá voltar a beber a hora que quiser mas se você não tivesse problema com a bebida, talvez você não estaria em A.A
Pude constatar que o sentido da recuperação não está na diversificação dos depoimentos, mas sim nos sentimentos que nos identificam.
Havia dentro de mim um vazio; me sentia só e achava que ninguém me entendia quando tive um despertar espiritual compreendendo que a Irmandade deseja o melhor para mim. Tudo depende de mim.
Atuo em prol de minha recuperação e na oportunidade de hoje também como RV, Representante da Vivência do Grupo.
Estou feliz por pertencer a Alcoólicos Anônimos e não me preocupo com palavras negativas pelo fato de ser jovem; fico em paz e sei que nada é contra mim.
Obrigado: 24 horas de Sobriedade e Serenidade
Rogério S./ São Paulo/SP

A Revista Vivência planta uma semente.
Cheguei nesta maravilhosa Irmandade em junho de 1976 no Distrito Federal, na cidade satélite Taguatinga. Existiam três Grupos na época e não tínhamos nenhuma literatura na mesa do Grupo. A experiência transmitida era de companheiros ingressados no Rio de Janeiro e de outros já nos próprios Grupos locais. Experiência escrita dos nossos três legados não tínhamos.
Hoje tenho a felicidade de falar para meus companheiros que no grupo onde faço a minha recuperação há exposta na mesa toda a literatura de AA, inclusive a Revista Vivência, que sempre tenho em mãos para trabalhar com os recém-chegados e amigos profissionais da saúde.
Por motivo de trabalho moro em Goiânia e é com a ajuda do meu Poder Superior, Deus, como eu o concebo, meus companheiros do Grupo e da Revista Vivência, que estou conseguindo meu equilíbrio físico, mental e espiritual.
Acredito neste programa de recuperação e que sou mais uma semente que germinou, dando frutos a cada abordagem que faço com a Revista Vivência, sabendo que sou mais um dentre esses milhões de alcoólicos espalhados pelo mundo inteiro.
Quero continuar sempre somando: sei que Deus estará sempre comigo e se manifesta através de mim para fazer sua obra. Hoje vejo a vida de uma outra forma graças aos Passos, Tradições e toda nossa literatura de A.A., especialmente a Revista Vivência, cujo conteúdo completa minha recuperação.
Que Deus abençoe a todos.
Gonzaga-/Goiânia/GO

VIVÊNCIA: “O MEU GRUPO”
Certo dia parei para refletir sobre a importância e o real significado desta extraordinária Revista e cheguei às seguintes conclusões: VIVÊNCIA é o Grupo de conveniência mais bem estruturado que já vi. Um meio de comunicação que abrange todos os Legados de nossa Irmandade e, acima de tudo, nele está implícito todo o tipo de reuniões.
À Revista Vivência posso dizer, sem risco e sem medo de errar: ‘meu grupo de A.A’. Porque abro à hora que quero, escuto o orador que quiser, o tempo que quiser, se todo ou em parte. Faço minhas críticas, elogios e até me contrario. Tenho unia gama diversificada de profissionais e amigos de A.A. ao meu inteiro dispor.
A Revista Vivência é uma Reunião de Informação ao Público, uma reunião de serviço com assuntos dos mais variados, mostrando-me o melhor caminho para que eu possa seguir corretamente e manter o grupo sempre funcionando. Alerta-me quando chega o término da assinatura pedindo-me para renová-lo. Solicita, carinhosamente, minha participação através de sugestões, críticas, piadas, artigos, etc, para enriquecê-la. Também me conscientiza que, se por ventura, eu enviar alguma matéria, assinada é claro, a responsabilidade é exclusivamente minha, representando, apenas, meu pensamento pessoal, que embora coincidente, não será considerado de Alcoólicos Anônimos.
Está sempre me mantendo informado dos eventos que ocorrem em nosso país e no mundo.
Se fosse delinear todos seus predicados gastaria muita tinta, papel e passaria bastante tempo escrevendo. Por isso, vou deixar espaço para você mesma, Vivência, minha conselheira, minha amiga, que muitas vezes contra minha vontade largo em qualquer lugar para que outros alcoólicos ou não, possam fazer usufruto das suas bem traçadas linhas.
Guedes
Vivência n° 93 – Janeiro/Fevereiro 2005

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LITERATURA – 95
OS PRINCÍPIOS DE ALCOOLICOS ANÔNIMOS E A LITERATURA NÃO APROVADA POR A.A.
Prezados companheiros e companheiras. Vou falar-vos do que aprendi sobre algo que para mim é muito importante, não com o intuito de convencer, ensinar ou criticar quem pense diferente, mas só transmitir o que aprendi, assim como recebo informações de tantos outros de vocês.
Toda organização ou instituição tem seus próprios princípios e procura segui-los. Não há razão para tê-los, conhecê-los e utilizar-se de princípios de outras organizações e atividades, mesmo que com os seus se assemelhem; isto me parece algo perfeitamente compreensível. Não trato aqui amigos e amigas, de usos, costumes, preferências, hábitos ou gostos pessoais, Grupos locais, Grupos On-line e até de Órgãos de Serviço, mas de princípios de A.A., que são os mesmos em qualquer lugar que se os utilize, pois foi e está sendo o uso deles que me salvou a vida e que me vem dando paz e me permite acreditar que o uso somente deles em A.A. fará A.A. permanecer vivo para sempre, conforme disse Bill.
Como toda organização e instituição, A.A. também tem seus princípios, básicos e sólidos, e somente utiliza estes em suas atividades. Quais são? Primeiro os Doze Passos. O que são os Doze Passos? – Normas para recuperação. Para que servem os Doze Passos? Para que o indivíduo que quiser deixar de utilizar bebidas alcoólicas quando isto lhe estiver trazendo problemas, o consiga, se transforme, se insira na sociedade, tenha uma vida útil, tenha paz e viva feliz.
Segundo: As Doze Tradições. O que são as Doze Tradições? – Normas, diretrizes, princípios, limites que precisamos utilizar e obedecer em nosso relacionamento entre nós mesmos, nossos Grupos, nossos Órgãos de serviço e o público em geral, e que tem origem na experiência. Ali consta o que deu certo ou não. A.A. nada nos obriga, mas Bill nos disse: – “Obedecemos de boa vontade esses princípios, porque precisamos e gostamos dos resultados que essa obediência nos trás, não precisamos de mais nada, a dor e o amor são nossos maiores disciplinadores.” Para que servem as Doze Tradições? – Para que agindo dentro desses limites, pela experiência demonstrados desejáveis e necessários, A.A. possa permanecer vivo e à disposição de todos os doentes alcoólicos até quando o Poder Superior quiser. Bill criou-as como proteção, para que A.A. não fosse destruído por nós, e para que não ocorresse com A.A., o que ocorreu com outras organizações anteriores que se extinguiram por se envolverem com outros meios e fins, além de tentarem atingir a recuperação dos alcoolistas.
Terceiro: Os Doze Conceitos para o Serviço Mundial. O que são os Doze Conceitos? – São princípios administrativos, hoje em dia ainda altamente modernos, apesar da época em que foram enunciados. Quando o Dr. Bob falou: “mantenha isto simples, Bill”, ele referia-se especialmente a não nos envolvermos com complexos de Freud e princípios teológicos, ou melhor, com quaisquer outros princípios de fora, ou coisas polêmicas, pois nossos princípios e tudo que precisamos como irmandade para que seus membros permaneçam sem beber, estavam e estão em nossos livros.
Temos necessidade de uma certa organização funcional e administrativa com disciplina para nossos Órgãos de Serviço funcionarem bem. Os que não gostam de nossos princípios básicos que me perdoem, mas entendo que eles são fundamentais para nossa recuperação, nossa boa convivência em geral, nossa administração e a permanência de A.A. vivo para sempre.
Como vemos, A.A tem tudo que precisamos para tratar e estancarmos nosso alcoolismo e nos pede que não utilizemos qualquer coisa de fora, o que forçosamente nos dividirá.
Podemos e devemos, particularmente, utilizarmo-nos de qualquer princípio, filosofia, livro escrito por qualquer pessoa, membro ou não de A.A. sobre qualquer assunto que nos ajude em nossa sobriedade, mas sempre como indivíduos, e nunca em nossas reuniões, pois isto já está comprovado que nos divide e as sugestões de A.A são bem claras nestes assuntos: fiquemos com o que é nosso e que foi extraído de todos os conhecimentos universais de todos os tempos, sob a forma de experimentação, erro e acerto, e nossas tradições falam bem claro sobre isso.
A.A. extraiu sua sabedoria dos princípios religiosos comuns a todas as religiões, mas não se utiliza, nem se vincula, não planeja nem trabalha junto com nenhuma religião.
O mesmo ocorreu e ocorre com a medicina, com a psiquiatria, com a psicologia, com a filosofia, com a sociologia, com as ciências administrativas ou com qualquer outra área que trate da vida, comportamento e bem-estar do ser humano.
A.A. retirou dessas fontes tudo o que precisávamos e precisamos para nossa recuperação do alcoolismo, convivência e serviços, mas não se utiliza, não planeja, nem age junto com nenhuma dessas organizações. Coopera com todas, o que é diferente, sem interferência de nenhuma delas ou seus princípios em nosso planejamento e modo de agir, mesmo que seja de modo direto ou indireto, explícito ou implícito; o que precisamos já está em nossos Três Legados.
É fácil aquilatar o que ocorreria se o X, o Y, o M, o N ou qualquer outro membro de A.A. trouxesse para nossas reuniões suas preferências pessoais sobre livros escritos por companheiros, por religiosos ou religiões, por médicos, por psiquiatras, por psicanalistas, por psicólogos, por literatos, por poetas, por pensadores, por reformistas, por agentes de movimentos de temperança, etc.
Como ficaria a Unidade e o bem coletivo em A.A., diante dessa enorme diversidade de preferências pessoais divergentes em nossos Grupos?
Penso que a resposta é evidente, e que sabiamente A.A. nos pede que evitemos isso, porém, sou livre para impor ao Grupo a minha ainda obstinada sabedoria, contra tudo que A.A. ensina.
Nossa Conferência de Serviços Gerais já aprovou recomendação para que NÃO SE UTILIZE LITERATURA NÃO APROVADA POR A.A. em nossos Grupos.
Felizmente para A.A., poucos fazem isto.
Magno/RS
Vivência n° 95 – Maio/Junho 2005

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A IMPORTÂNCIA DOS SERVIÇOS NA RECUPERAÇÃO – 96
“Um veterano sugeriu que me envolvesse nos trabalhos; fosse por outro caminho; que procurasse fazer tudo ao contrário daquilo que fiz na primeira vez; deu certo.”
Sabemos que os nossos três legados: Recuperação, Unidade e Serviço são a base da nossa recuperação. Sem eles, acredito que não iríamos muito longe em nossa caminhada na busca de um destino feliz.
Existe um lema em nossa literatura que diz o seguinte: “Primeiro as primeiras coisas” e, no meu entender, isso se estende também aos serviços. Não adianta querer me envolver no trabalho, seja ele no meu Grupo ou fora dele, se eu não estiver familiarizado neste tripé: Recuperação, Unidade e Serviço.
Para que eu possa desenvolver um bom trabalho no meu Grupo, tenho que estar unido com os meus companheiros e, conseqüentemente a minha recuperação terá êxito. Quando ingressei pela primeira vez em A.A., fiquei 5 anos sem beber e não era feliz, pois nada fiz além de evitar o primeiro gole. Conseqüentemente, o caminho foi a porta do bar novamente.
No meu retomo, um veterano sugeriu que me envolvesse nos trabalhos, fosse por outro caminho, que procurasse fazer tudo ao contrário daquilo que fiz na primeira vez. Deu certo! Segui as sugestões e hoje tenho 9 anos de feliz sobriedade.
Passei pelo cafezinho, fui secretário de reuniões, coordenador, secretário do grupo, coordenador do grupo, RV (3 vezes) e hoje sou RCTO. Se o Poder Superior me der mais oportunidades, quando o tempo do meu encargo terminar, concorrerei ao encargo de RVD. Hoje tenho a certeza que não posso me afastar dos serviços de A.A. Neles exercito minha responsabilidade: dar de graça o que tenho recebido de graça e ainda de troco tenho obtido uma recuperação mais feliz e completa.
Seria muito bom que os membros despertassem para a importância dos serviços em A.A., pois, com certeza, é o caminho mais curto para uma recuperação, sem contar com os benefícios que traríamos para o grupo e para a Irmandade como um todo. Mas… Quem sou eu para querer consertar algo que vem desde os nossos primórdios?
Consertar não conseguirei, mas melhorar um pouco, isso eu posso, é só fazer a minha parte.
Ozimar/RJ40
Vivência n° 96 – Julho/Agosto 2005

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ESPAÇO DO RV – 96
Cheguei em Alcoólicos Anônimos em agosto de 2002, após passar por uma instituição de recuperação que para mim foi uma escola, onde estudei até o Quinto Passo. Estava com a mente totalmente travada e uma necessidade muito grande de conhecer meu problema com o álcool.
Consciente do grau da minha impotência perante o álcool, venho tentando praticar os Princípios de A.A. em todas as minhas atividades. Graças ao Poder Superior, hoje faço parte dos três legados. Sou grato a Alcoólicos Anônimos por ter me dado a oportunidade de estar sempre no serviço. Já fui tesoureiro, coordenador de divulgação de eventos dos grupos e atualmente sou RVD do Distrito IX, da Área da Bahia.
Para nos aproximarmos mais da Mídia, Religiões, Medicina e o Judiciário, nós, dos Grupos Rio Cachoeira e Renascer/Itabuna/BA, aceitando sugestões do Delegado do Rio de Janeiro, criamos consórcios de assinaturas/cortesia da Revista Vivência. Além de divulgar, informar profissionais e leigos o que diz respeito à nossa Irmandade, também aumentará o número de assinaturas da Vivência. O consórcio é constituído de 35 companheiros que contribuem mensalmente com um real; sendo assim, todo mês uma dessas categorias será contemplada. O consórcio é por tempo indeterminado, ou seja, enquanto durar o programa de recuperação de cada um, podendo o membro ser substituído, se impossibilitado de colaborar. Critérios: O grupo sugere alguns nomes de Profissionais ou Instituições e a consciência coletiva deste grupo de 35 colaboradores decide quem receberá a cortesia. Obs: A classe profissional é pré-escolhida pela seqüência: Imprensa, Medicina e Religião; agora incluiremos o Judiciário, que não estava na nossa primeira proposta.
Fazendo assim, fortificamos a Unidade desses dois grupos de A.A., que graça ao Poder Superior, convivem em perfeita harmonia, respeitando a Quarta Tradição. Sugestão: esse modelo de consórcio poderá ser multiplicado, resolvendo uma série de pendências: estreitamento das relações de A.A. com as classes já citadas, envolvendo maior número de membros com o lema: “Eu sou responsável”, pois cada um fazendo um pouco, o fardo ficará menor e mais leve, e ao mesmo tempo vamos aumentando a tiragem da Revista Vivência.
Agradeço ao companheiro A., do R.J., pelo alerta, e toda a equipe que faz essa Revista acontecer ajudando tanta gente em recuperação ou não, de A.A. ou não, doentes alcoólicos ou não, ajudando inclusive a mim!
Desejo-lhes 24 horas de Serenidade, Coragem e Sabedoria.
Abel – Itabuna/BA
Vivência n° 96 – Julho/Agosto 2005

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TEMA PARA DISCUSSÃO EM GRUPO – 97
Inventário do grupo
Muitos grupos realizam periodicamente uma “reunião de inventário do grupo” para avaliar como estão cumprindo com o propósito primordial de A.A.
Nem sempre o resultado do inventário do Grupo está escrito com tinta vermelha. Mesmo que tenhamos tentado firmemente e falhado, podemos considerar o fato como dos mais positivos.
De acordo com uma tagarelice de beberrão, podemos iniciar o inventário fazendo a nós mesmos estas perguntas:
– Por que dissemos essas coisas?
– Estávamos apenas tentando ser úteis e procurando informar?
– Ou estávamos tentando nos sentir superiores, confessando os erros do outro companheiro?
– Ou estávamos realmente procurando prejudicá-lo, por temor ou antipatia?
Esta seria uma tentativa honesta de examinarmos primeiro a nós mesmos e depois partirmos para o inventário do grupo como um todo, fazendo uma revisão do Décimo Passo.
No livrete “O Grupo de A.A.” são sugeridas perguntas, tema de hoje de nossa:
REFLEXÃO

1 – Qual é o propósito básico do grupo?

2 – O que mais o grupo pode fazer para transmitir a mensagem?

3 – O grupo está atraindo alcoólicos de diferentes origens?

4 – Estamos vendo no grupo uma amostra representativa da nossa comunidade?

5 – Os novos membros permanecem conosco, ou está havendo uma excessiva rotatividade? Se assim for, qual a razão?

6 – Estamos enfatizando a importância do apadrinhamento? Com que eficiência? Como podemos melhorar?

7 – Temos o cuidado de preservar o anonimato dos membros de nosso grupo e de outros AAs fora das salas de reunião?

8 – Deixamos na sala as confidências compartilhadas nas reuniões?

9 – Dedicamos algum tempo a explicar a todos os membros do grupo a importância de realizar as tarefas de cozinha, arrumação e outros serviços essenciais que são parte integrante do nosso trabalho de Décimo Segundo Passo?

10 – Todos os membros estão tendo oportunidade de falar nas reuniões e de participar das demais atividades do grupo?

11 – Tendo em mente que o preenchimento dos encargos é uma grande responsabilidade e que não deve ser encarado como o resultado de um concurso de popularidade, estamos escolhendo cuidadosamente quem ocupa esses encargos?

12 – Estamos fazendo todo o possível para proporcionar um local de reunião agradável?

13 – O grupo cumpre com sua justa parcela na realização dos propósitos de A.A., como descritos nos nossos Três Legados – Recuperação, Unidade e Serviço?

14 – O que o grupo tem feito ultimamente para divulgar a mensagem de A.A. junto a profissionais da comunidade – médicos, sacerdotes, autoridades legais, educadores e outros, que freqüentemente são os primeiros a entrar em contato com alcoólicos que precisam de ajuda?

15 – Como o grupo está cumprindo sua responsabilidade com relação à Sétima Tradição?

Praticamente todo problema de grupo tem uma solução que habitualmente se consegue através do método da consciência de grupo esclarecida.
É importante mencionar que o emprego do senso de humor, a prática de dar um tempo para esfriar os ânimos, o uso da paciência, da cortesia, da boa vontade para ouvir e para esperar – além do senso de justiça e da confiança num “Poder Superior a nós mesmos” provaram ser muito mais eficientes do que argumentos ‘legalísticos’ ou acusações pessoais.
Livrete: o Grupo de A.A.
Vivência n° 97 – Setembro/Outubro 2005

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LITERATURA – 98
A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
Sabemos da importância da oralidade, da transmissão e troca de experiências através da fala para a identificação com o outro alcoólico que vem buscar ajuda em nossos grupos. Aliás, desde o início de nossa Irmandade, o processo de compartilhar experiências tem como base fundamental e imprescindível o contato direto com o outro. O Dr. Bob só aceitou continuar conversando com Bill W. porque a história deste homem coincidia com a sua. Porém, esses dois companheiros e os primeiros membros de A.A. muito cedo perceberam que a criação, o desenvolvimento e, sobretudo, a manutenção de nossa Irmandade para as futuras gerações de alcoólicos não poderiam estar baseados em alicerce tão frágil e tão vulnerável às nossas personalidades. Era necessário, portanto, que todas as experiências adquiridas fossem registradas para que não incorrêssemos repetidamente nos mesmos erros e, principalmente, que a Mensagem fosse única.
“Em 1937, alguns de nós nos demos conta de que A.A. tinha necessidade de literatura uniforme. Seria necessário. publicar um livro. Nosso programa verbal poderia ser desvirtuado, as oposições sobre os princípios básicos poderiam nos destruir e, então, nossas Relações Públicas se perderiam. Não cumpriríamos com nossa obrigação ante o alcoólico que ainda não nos conhecia se não colocássemos por escrito nossos conhecimentos.”
A partir dessa necessidade incontestável, foi publicado em 1939 nosso texto base: Alcoólicos Anônimos. Nossa Irmandade passou a ser chamada Alcoólicos Anônimos precisamente em função dessa publicação. Nela encontramos a experiência vivida por nossos primeiros companheiros e as primeiras sugestões para a prática dos Doze Passos para a Recuperação. Além do mais, foi justamente através desse livro que nossa Irmandade superou os limites dos Estados Unidos e Canadá, tornando-se uma irmandade mundial.
“Nós, de Alcoólicos Anônimos, somos mais de cem homens e mulheres que nos recuperamos de uma aparentemente irremediável condição mental e física. Demonstrar a outros alcoólicos exatamente como nos recuperamos é o principal objetivo deste livro.”
Para além de nossa recuperação individual e juntamente com o surgimento de novos grupos e o crescimento progressivo de nossa Irmandade, adveio a necessidade de princípios que estabelecessem relacionamento entre membros e grupos de A.A. e entre nossa Irmandade e a sociedade. Resultado fundamentalmente de nossas próprias experiências e de outras semelhantes às nossas, as Doze Tradições, publicadas pela primeira vez em 1946, juntamente com a forma integral dos Doze Passos, constituem, sem sombra de dúvida, o alicerce de nossa Irmandade.
“As Doze Tradições de A.A. dizem respeito à vida da própria Irmandade. Delineiam os meios pelos quais A.A. mantém sua unidade e se relaciona com o mundo exterior, sua forma de viver e desenvolver-se.”
Em função da necessidade de que os grupos espalhados pelo mundo todo se responsabilizassem tanto pela unidade quanto pela manutenção de A.A., Bill W. escreve os Doze Conceitos para Serviços Mundiais, que segundo ele mesmo “pretendem registrar o ‘porquê’ da nossa estrutura de serviço, de tal maneira que a valiosa experiência do passado e as lições que tiramos dessa experiência nunca devam ser esquecidas ou perdidas”
Essas são as quatro publicações básicas de nossa Irmandade, aquelas que delineiam os nossos Três Legados: Recuperação, Unidade e Serviço. Mas além delas, temos ainda:
Manual de Serviço, que adapta a estrutura de serviço à realidade brasileira, seja em relação aos Serviços Gerais, seja em relação à estrutura do CTO. Viver Sóbrio, publicação que apresenta sugestões para ajudar a não beber;
As obras biográficas e históricas: Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade, Dr. Bob e os Bons Veteranos e Levar Adiante.
As compilações: O Melhor de Bill, Reflexões Diárias. Na Opinião do Bill e A Linguagem do Coração, este último tendo sido lançado no Brasil, com o objetivo de custear nossa próxima Convenção Nacional, a realizar-se em 2007, em Manaus.
Os livretes e folhetos: O Grupo de A.A., A Tradição de A.A. como se desenvolveu; Três Palestras às Sociedades Médicas; Perguntas e Respostas sobre apadrinhamento, etc.
Obviamente que não poderíamos esquecer nossa Revista Vivência, que já está quase em sua centésima edição. Seguindo o exemplo de outras publicações, como Grapevine, La Viña, Partage, etc., a nossa Vivência publica matérias enviadas por nossos companheiros brasileiros, refletindo assim a nossa realidade e o esforço do A.A. brasileiro em busca de Recuperação, Unidade e Serviço.
A nossa Literatura constitui, portanto, nossa ferramenta essencial tanto para a continuidade de nossa recuperação individual, quanto para levar a Mensagem correta. Se hoje estamos sóbrios e buscando viver uma vida com dignidade, útil e feliz, não podemos nunca nos esquecer de que também é nossa a responsabilidade de deixar para as futuras gerações de alcoólicos essa Mensagem. Esse é nosso dom e nossa tarefa, que nos foram dados pelo Criador de todas as coisas.
Infinitas 24 horas, meus companheiros de caminhada.
Anônimo
Vivência n° 98 – Novembro/Dezembro 2005

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CARINHO, AMOR E GRATIDÃO AO TRABALHAR COM OS OUTROS – 100
Sabemos que a melhor maneira de demonstrarmos nossa gratidão à Irmandade é colocarmos em prática os nossos 36 princípios contidos nos três Legados: Recuperação, Unidade e Serviço.
Não só expressar: Eu sou grato a Alcoólicos Anônimos, pois gratidão é ação. Praticar com honestidade, transparência, lisura e humanidade os esclarecimentos à sociedade e a outros alcoólicos que estejam sofrendo nas garras do alcoolismo, para que possamos proporcionar a mesma oportunidade que tivemos e chegar à nossa Irmandade, onde iniciamos a nossa recuperação com a ajuda de um Poder Superior e de companheiros que através desses conhecimentos colocaram em prática um trabalho de responsabilidade baseado na Quinta Tradição, que diz e esclarece ser propósito primordial dos membros da Irmandade, transmitir a mensagem ao alcoólico que ainda sofre e do Décimo Segundo Passo que nos orienta na transmissão do despertar espiritual e das experiências com a prática dos demais Passos. Esse trabalho serve como reforço para nossa sobriedade e se transforma em dádiva de gratidão pelos benefícios que a Irmandade nos proporcionou, os quais hoje desfrutam. Trabalhar com os outros é o exemplo de dádiva de gratidão praticado pelos nossos co-fundadores Bill e Bob, que proporcionou o desenvolvimento e crescimento da Irmandade, e através da continuidade dos membros atuais, continua salvando vidas e obtendo uma grande credibilidade dos membros atuais.
Por esse motivo precisamos agilizar a prática do Terceiro Legado (Serviço), o qual é essencial à transmissão da mensagem, crescimento e desenvolvimento nosso e reconhecimento do propósito da Irmandade.
Trabalhar com os outros é expressar nossa gratidão dando de graça, da melhor maneira possível, aquilo que recebemos de graça. Levar a mensagem para o alcoólico que ainda sofre tornou-se a pedra angular de nossa vida.
Gratidão em ação significa servir a Irmandade, esclarecendo também pessoas não alcoólicas, essas tão necessárias à sobrevivência e sucesso de Alcoólicos Anônimos.
Esses são os canais pelos quais tentamos trabalhar com os outros, expressando carinho, amor, agradecimento e gratidão à Irmandade, que nos proporcionou um novo renascer.
Anônimo/Pará/PA
Vivência nº 100 – Março/Abril 2006

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OBRIGADO, VIVÊNCIA – 100
Olá amigos da VIVÊNCIA!
Na oportunidade aproveito para homenagear esta maravilhosa revista, principalmente por estar publicando o n° 100.
Tive a oportunidade de conhecer melhor a revista, quando esteve em Brasília em 1992, pois naquela época estava com um ano de sobriedade e escrevi o meu primeiro artigo.
Pela graça do Poder Superior, hoje estou sóbrio e feliz por não sentir as conseqüências que o álcool trazia ao meu organismo, às pessoas que me consideravam e aos meus familiares.
Cheguei à Irmandade em 1989 enganado por um vizinho. Ele me convidou para uma festa onde iria rolar muita cachaça e mulher. Ao chegar no local estava dentro de um grupo de A.A. Ao sair da reunião muito aborrecido, fui a uma festa com uma vizinha e tomei todas e até hoje não consigo me lembrar como fui parar na cama dela com a roupa suja no final da tarde do dia seguinte.
Muitas lágrimas derramei pelos meus erros, pelas portas fechadas que encontrei, pela falta de discernimento da forma em que mendigava por uma meia dose, pelo desconforto de ter a família longe de mim, sem pai e mãe nem parente ou amigo. Retomei em 1991 com muito custo e fui entender melhor o que A.A. tinha para me oferecer e cheguei à conclusão que bastava eu praticar os 12 Passos para que pudesse realmente viver sóbrio, viver alegre, feliz, com coragem para superar meus problemas da vida cotidiana.
Logo cedo me envolvi nos trabalhos do grupo em que retornei, aonde vim para somar e assim o grupo que tinha sete meses de formação aceitou um jovem de quase 25 anos, cheio de problemas, dúvidas e dividido, pois eu não sabia o que era bom pra mim. Me apeguei com Deus e decidi buscar esta sobriedade, a paz, o equilíbrio emocional e a tranqüilidade que ouvia os outros falarem nas reuniões.
Fui orientado pelo padrinho a ler e buscar fundo na literatura a orientação divina para me encontrar, acreditar na existência Dele, buscar o exercício da auto-análise, do perdão, da humildade, da tolerância e do autocontrole.
Desta forma fui lendo as Revistas Vivência que encontrava e, junto com os Doze Passos, fui aprendendo a praticar os princípios em minha vida. Passei mais de três anos sem emprego fixo, mas acreditei que mesmo sem dinheiro algum para melhorar minhas condições, viriam dias melhores.
Minha fé foi maior do que a vontade de beber e valeu a pena, pois passei por muitos problemas sentimentais, profissionais e emocionais, mas nunca duvidei que Deus poderia me oferecer dias melhores, caso eu continuasse obediente aos princípios da recuperação.
A Revista Vivência foi, é e será meu despertador para que não devo me afastar do programa, sob a pena de voltar tudo aquilo de novo. Não basta voltar a beber para bagunçar a minha vida, é tão somente se comportar como um bêbado que pega e não paga, que agride os entes queridos e outros absurdos mais, que volta tudo de novo. A recaída alcoólica, o uso da bebida é apenas conseqüência do que acontece com muitos de nós que ao passarem um certo tempo de abstinência voltam para o que eram antes.
A Revista Vivência ajuda a nos colocarmos em foco, na direção certa, buscando um verdadeiro crescimento espiritual e emocional. O resto é recompensa e a recompensa ao vir, devemos retribuir como forma de gratidão na sacola. Aliás, é na sacola que depositamos a nossa Recuperação como forma de gratidão.
Estou satisfeito com o que tenho. Não desejo ser rico com muitas propriedades, mas a riqueza que busco nesta vida está na espiritualidade que os Doze Passos me oferecem. A opção é minha. A ferramenta está em minhas mãos. O desejo de ficar sóbrio não é suficiente, é necessário que além deste desejo, eu tenha um outro, o de ajudar um outro a encontrar a sobriedade de alguma forma.
Por isso tudo, REVISTA VIVÊNCIA, eu agradeço por ter-me ajudado a entender a programação, os três legados da Irmandade e todos os artigos que você publicou meu e de tantos outros companheiros e companheiras deste Brasil; de amigos profissionais nas mais diversas áreas, de traduções de textos para o nosso simples feijão com arroz.
Obrigado, pois de alguma forma, você VIVENCIA está me recuperando para uma vida cada vez melhor.
Ray /DF
Vivência nº 100 – Março/Abril 2006

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XXX CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS – 100
“CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS
30 ANOS DE RECUPERAÇÃO, UNIDADE E SERVIÇO.”
CONFERÊNCIA é a manifestação da consciência coletiva dos grupos, através de toda uma cadeia de representatividade iniciada pela ação dos Grupos, elegendo seus RSGs., passando pelos MCDs, Comitês de Área e Delegados, terminando na Junta de Serviços Gerais. Assim, Conferência de Serviços Gerais é o último elo de uma cadeia de autoridade administrativa e operacional, emanada dos Grupos que representam a consciência em sua maior e mais abrangente forma.
Em 05 de setembro de 1947 surgiu no Rio de Janeiro o primeiro Grupo de A.A. Isto foi apenas o começo e, até 1969, A.A. passou por um período de expansão pelo País, porém sem nenhuma estrutura formal estabelecida. Em 1969 criou-se, em São Paulo o CLAAB (Centro de Distribuição da Literatura de A.A. para o Brasil) considerado como órgão precursor da Conferência no Brasil.
De 1969 a 1976 continuou a expansão. No decorrer deste período, em 1974, foi programado o Primeiro Encontro de A.A., denominado CONCLAVE (na realidade, consideramos este a Primeira CONVENÇÃO NACIONAL).
A Conferência surgiu após a criação da Junta Nacional de Alcoólicos Anônimos do Brasil (atualmente Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil JUNAAB), em 29 de fevereiro de 1976, época em que ocorreu o terceiro conclave nacional realizado em São Paulo, com a presença de 29 delegados de 15 estados brasileiros. As reuniões da Conferência poderiam ser realizadas em qualquer cidade previamente escolhida e, nos anos pares, na cidade onde fosse realizada a Convenção Nacional de A.A., num sistema de rodízio por todo o território nacional.
A primeira Conferência de Serviços Gerais aconteceu em 1977, na cidade de Recife, Estado de Pernambuco. Em 1978, a Conferência foi realizada em Belo Horizonte, Minas Gerais, quando o Conclave passou a denominar-se Convenção Nacional.
Em 1979, a Conferência realizou-se em São Paulo, SP. Em 1980, em Porto Alegre, RS. Em 1981, em São Paulo/SP. Em 1982, em Fortaleza, Ceará, quando foram aprovados os estatutos da JUNAAB, que separa e subordina o CLAAB à Junta de Custódios que, por sua vez, é a diretoria da JUNAAB e o Conselho Diretor do CLAAB e da Revista Vivência.
Em 1983 na cidade de São Paulo/SP, quando foram eleitos os primeiros custódios, em número de 09, seis alcoólicos e três não Alcoólicos. Em 1984, em Blumenau, SC, quando a Junta de Custódios tomou posse. Em 1985, em São Paulo/SP. Em 1986, em João Pessoa/PB, foi autorizada a criação da Revista Vivência. Em 1987, São Paulo/SP. Em 1988, em Curitiba/PR. Em 1989, Santos/ SP. Em 1990, em Belém/PA. Em 1991, Santos/SP. Em 1992, Brasília, Distrito Federal. Em 1993, Santos/SP. Em 1994, Teresina/PI. Em 1995, Santos/SP. Em 1996, Santos/SP. Em 1997 Santos/SP. Em 1998, Santos/SP. Em 1999, São Paulo/SP. Em 2000, SãoPaulo/SP. Em2001, São Paulo/SP. Em 2002, São Paulo/ SP. Em 2003, São Paulo/SP. Em 2004, São Paulo/SP. Em 2005, São Paulo/SP e 2006, São Paulo, SP.
Conferência de Serviços Gerais: Conferência – consciência coletiva da Irmandade e Serviços Gerais designam toda atividade executada pelos Comitês de Área, Delegados, pelos Custódios e pelo pessoal do ESG. Muito embora sejam os órgãos de serviços os menos compreendidos pelos companheiros em A.A.; são eles, os Serviços, que permitem os Alcoólicos Anônimos funcionarem como um todo. Os Serviços Gerais são vitais para o crescimento da Irmandade, uma vez que vem suprir as necessidades que transcendem ao indivíduo, ao Grupo.
Nestes trinta anos de Conferência de Serviços Gerais muitos serviços foram realizados. Muitas vidas foram salvas.
É inegável que muitas dificuldades e problemas surgiram, porém, a maioria deles foram vencidos e superados.
A estrutura de A.A. brasileiro está se consolidando. Nada ainda está acabado, existe muita coisa a ser feita e compreendida. O A.A. brasileiro cresceu e está se espiritualizando.
Em 1955, os co-fundadores entregaram a responsabilidade final e a autoridade suprema para a Irmandade, para os Grupos e estes delegaram à Conferência de Serviços Gerais completa autoridade para a manutenção ativa dos serviços.
A responsabilidade é muito grande. A Conferência representa a consciência coletiva do A.A. brasileiro. Depois de trinta anos, é hora de se pensar num inventário. O que foi feito e como foi feito? A conferência alicerçada nos três legados tem cumprido o seu papel? É obvio que cometeu erros, pois é formada de seres humanos, alcoólicos. Muitos desacertos poderiam ser evitados, se, os companheiros que a compõem dispensassem maior importância ao primeiro legado e às Tradições, pois sabemos que somente existe uma autoridade em A.A. “um Deus amantíssimo que se manifesta através da consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar”.
As Conferências vêm acontecendo anualmente, sempre voltadas para satisfazer as necessidades da dinâmica da sociedade sem, no entanto, fugir dos princípios dos Três Legados: Recuperação, Unidade e Serviço.
A grande responsabilidade da Conferência sempre foi a preocupação constante com a chegada dos novos membros em tempos novos. Vivemos no século XXI com vocação materialista dos povos e Alcoólicos Anônimos tem por base a espiritualidade. Por isso, nossa Irmandade será chamada a participar intensamente e mostrar que há uma esperança para aqueles que ainda sofrem e nossa Irmandade tem que estar preparada para esta ação grandiosa. Esta é a responsabilidade atual para hoje e para o futuro.
A Conferência, sendo depositária da consciência coletiva dos Grupos de A.A. e órgão máximo de Deliberação da Irmandade no Brasil, deveria dispensar uma maior atenção para a base de sustentação do programa de A.A. a recuperação. É preciso difundir a idéia, dentro da Irmandade, que os Doze Passos, independente da abstinência do álcool, oferecem uma qualidade de vida no mínimo interessante, tendo como instrumento os valores espirituais para o enfrentamento das vicissitudes do quotidiano.
Se concordamos que Alcoólicos Anônimos é obra de Deus, creio que um amplo debate deve ser iniciado, a fim de que a Irmandade conheça de fato a obra.
Concluindo, gostaria de transcrever a última mensagem do Dr. Bob. “Meus queridos amigos em A.A.. Fico bastante emocionado ao ver diante de mim um vasto mar de faces, com o sentimento de que, possivelmente alguma pequena coisa eu fiz há alguns anos, para tornar este encontro possível. Fico muito emocionado também, quando penso que todos nós tivemos os mesmos problemas. Que todos nós fizemos as mesmas coisas. Que todos nós conseguimos os mesmos resultados proporcionalmente ao nosso zelo, entusiasmo e persistência na detenção da marcha da nossa doença. Se vocês me permitirem a inclusão de uma pequena nota pessoal neste momento, quero dizer que estive acamado cinco dos sete últimos meses e minhas forças não retomaram como eu gostaria; assim meus comentários sobre o necessário serão muito breves. Duas ou três coisas vieram à minha mente, às quais eu gostaria de dar um pouco de ênfase. Uma é a simplicidade do nosso programa. Os nossos Doze Passos quando experimentados até o último, resumem-se todos eles às palavras AMOR E SERVIÇO. Nós entendemos o que amor é. Nós entendemos o que serviço é. Assim vamos manter estas duas coisas no pensamento. Lembremos também de guardar a nossa língua para não errar e que se tivermos que usá-la, usemo-la com bondade, consideração e tolerância. E mais uma coisa: nenhum de nós estaria hoje aqui, se alguém não tivesse tido tempo para explicar-nos alguma coisa, para nos dar uns tapinhas nas costas, para levar-nos a uma ou duas reuniões, para fazer numerosos atos de bondade e consciência em nosso favor. Assim, não deixemos nunca chegar a um grau de tal de complacência presunçosa, que não nos permita dar ajuda ou tentar dá-Ia, a nossos irmãos menos felizes, já que ela tem sido tão benéfica para todos nós. Muitas felicidades,
Dr. Bob”
A conferência existe para descobrir a melhor maneira de levar a mensagem ao doente que ainda sofre e não conhece a nossa Irmandade.
Paulo F./Custódio da Região Sul.
Vivência nº 100 – Março/Abril 2006

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COMISSÃO ESPECIAL DA CONVENÇÃO DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS – 101
A realizar-se em 6, 7 e 8 de setembro de 2007 no Studio 5 – Centro de Convenções Manaus – Amazonas – Brasil.

UMA BREVE HISTÓRIA:

A última mensagem de Bill W. “O A.A. não pode parar no tempo nem no espaço” , em outras palavras, o que ele quis dizer é isso mesmo, a mudança não, mas acompanhar os meios mais avançados da comunicação, da unidade e do serviço. A Estrutura da CEC Nacional: que em todos os Estados tenha um servidor Coordenador da CEC Local, que tem como atribuição maior o incentivo e a participação de todos os membros de A.A. na Convenção, seja através das inscrições e a presença física etc., é sabido que a nossa última Convenção em São Paulo foi de R$ 30,00 (trinta reais) – a próxima seria de no mínimo R$ 40,00 (quarenta reais) concorda? Por que apenas R$ 20,00 (vinte reais)? Porque hoje entendemos, Convenção “o maior evento de Alcoólicos Anônimos”, assim podemos dizer o que é Convenção hoje, entre outras definições é o exercício dos Três Legados em uma confraternização espiritual. Tornar-se auto-suficiente uma Convenção Nacional com apenas R$ 20,00 (vinte reais) a inscrição? Como? Cada membro de A.A. do Brasil em nome de sua Gratidão por esta Irmandade que lhe salvou a vida, sabendo que a mídia divulgando este magnífico evento transformar-se-á uma mensagem de A.A. na sociedade, nós da CEC Nacional aqui em Manaus, acreditamos, confiamos e recomendamos a todos que façam suas inscrições e incentivem os demais companheiros do seu Grupo. Você sabia que o Amazonas já tem mais de 1.100 inscrições e o projeto é fazer 2.007 inscrições, assim facilitando e divulgando 1 (uma) inscrição para cada membro de A.A. Brasil, vamos acordar! Já estamos chegando, é para o Ano. A CEC funciona com a seguinte estrutura: – Coordenador da CEC; – Coordenador Adjunto da CEC; Secretário; Secretário Adjunto; Tesoureiro; Tesoureiro Adjunto; Divulgação; Divulgação Adjunta; Coordenador de Agenda e Sede; Coordenador Adjunto de Agenda e Sede; Outras Comissões: criaremos no decorrer ano de 2006. Fazem parte da CEC Nacional servidores da área local da Convenção: Coordenador do Comitê de Área; Diretor do ESL; Delegados Titulares com direito a voz e voto. Lembramos ao Brasil que a contabilidade da CEC Nacional registra o aumento das inscrições por região e Estado, mediante a via azul anexa ao comprovante bancário e esta demonstração já está saindo na Revista Vivência (vamos fazer uma assinatura) atualizada, balanço e quantidade das inscrições – cada inscrição tem direito a uma pasta com crachá, programação, papel, etc. Já temos atendido a várias Áreas quanto ao preço do hotel e outras informações pertinentes.

UMA DIVULGAÇÃO PARA O BRASIL: XVII Convenção Nacional é alusiva aos 60 anos de Alcoólicos Anônimos do Brasil, verificamos que 05 de setembro de 2007 é no começo da semana, por esse motivo sugerimos o dia 7 de setembro de 2007, só que pensávamos que o último dia da Convenção seria num sábado e não no domingo como ficou, nossa intenção é que os trabalhos da Convenção terminem no sábado, deixando livre o Domingo. Foi aí que descobrimos que ajudaria e muito aos convencionais se usássemos o sábado à noite no lugar do domingo para o encerramento. Submetida à votação foi aprovado o sábado à noite, visando facilitar aos convencionais de todo o Brasil retomarem às suas plagas, famílias e assumirem seus trabalhos. Assim, consultamos várias Áreas do Brasil fazendo esta exposição de motivos e todas não só aprovaram, como parabenizaram a idéia, e assim já está no contrato do local 6, 7 e 8 de setembro de 2007. Vale ressaltar que recebemos informações de que algumas Áreas do Brasil estão fazendo pacotes para virem a Manaus, mas não temos nenhum conhecimento de algum pacote oficial e registrado em cartório com alguma companhia de aviação. Todas as terças-feiras, das 12:00h às 14:00h, o Coordenador da CEC Nacional está de Plantão no ESL/ AM para qualquer dúvida sobre as inscrições.
Coordenação da CEC Nacional
Vivência nº 101 – Maio/Junho 2006

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MULHER! A FORÇA QUE FALTAVA! – 101
Para qualquer Alcoólico, “independente do sexo” ultrapassar a barreira do orgulho que o cega, e entrar em um grupo de A.A., e ainda admitir que está derrotado pelo Álcool, que perdeu o rumo e que precisa de ajuda para se reencontrar, é uma missão que requer todo esforço do mundo.
Para a mulher parece mais difícil ainda, porque o peso da discriminação é mil vezes maior. A mulher nasce para ser santa; esperam que ela seja uma menina comportada, uma moça prendada e mais tarde uma mãe e esposa exemplar. A típica rainha do lar.
No fundo é isso que a mulher gostaria de ser, mas quando têm a infelicidade de desenvolver a doença do alcoolismo torna-se impossível realizar esta tarefa, mas ela não enxerga esta realidade, tenta esconder o problema de todas as maneiras, algumas pondo a culpa no outro, outras, bebendo escondida e muitas vezes pondo fim à própria vida. As poucas mulheres que chegam em A.A. ainda relutam, afinal admitir que é alcoólica é dar razão aos inimigos. Pessoas que viviam fazendo acusações injustas, a maioria querendo tirar a única alegria que ela possuía que era beber, já que ninguém gostava dela e não reconheciam suas qualidades.
Felizmente a magia do programa de recuperação sugerido por Alcoólicos Anônimos consegue na maioria das vezes acabar com todas essas defesas e ela se entrega a essa nova maneira de viver; passa por cima até das dificuldades normais que uma dona de casa enfrenta, às vezes jornada dupla de trabalho, filhos pequenos exigindo seus cuidados, ciúme por parte do marido que muito depressa esquece o inferno que vivia.
Às vezes ignoram o fato do alcoolismo ser uma doença incurável e acreditam que não é necessário a freqüência às reuniões.
Muitas vezes por falta de apadrinhamento ela acaba piorando a situação, pois no início a maioria de nós age como se tivéssemos feito um grande favor à nossa família pelo fato de ter parado de beber.
Só com o passar do tempo vamos entender que fizemos um grande favor sim, mas a nós mesmas, já que somos as maiores beneficiadas.
Quando a mulher ou “o homem” chega ao grupo, é tal qual um recém-nascido, os companheiros que já estão ali há algum tempo, se transformam em irmãos mais velhos, pai ou mãe.
Com todo o amor cuidado e paciência do mundo tentam nos ensinar os primeiros passos. Com o passar do tempo a compulsão pela bebida vai desaparecendo e ficamos livres para viver e deixar viver, vamos dando conta da gravidade do nosso problema e da grandeza deste programa de recuperação sugerido por Alcoólicos Anônimos, e a felicidade toma conta de nós.
Com a freqüência às reuniões a companheira vai achando resposta para seus porquês, mas vai também descobrindo que a irmandade é composta de Recuperação, Unidade e Serviço e que o grupo precisa de servidor; aí ela começa a sentir medo, pois certamente já percebeu que aqueles companheiros que trabalham pelo grupo são os mais criticados.
Ela decide então não se envolver com questões desgastantes, e vai continuar fazendo do jeito que tem dado certo para ela, já que o programa é individual; às vezes ela até usa os filhos como desculpa; diz que precisa se dedicar mais a eles para compensar o tempo em que ela bebia, quando tendo filhos, não era mãe, tinha marido, mas não era digna de ser chamada de esposa.
Os companheiros mais antigos continuam a insistir, eles sabem que correm o risco de levá-la até a se afastar do grupo e recair, mas por outro lado pode ser que ela só precise de um empurrãozinho para entender a importância do serviço em A.A. e que o serviço é o espelho da recuperação.
É servindo que temos a oportunidade de revelar nossas falhas e tentar corrigi-las. É servindo que vamos descobrir se realmente estamos reformulando ou se só tampamos a garrafa. É servindo que vamos ter a oportunidade de levar a mensagem que salva vidas a tantas vitimas que como nós, não sabíamos haver uma saída, e isso trás uma sensação indescritível só vivendo!
Deus não escolhe os preparados, ele prepara os escolhidos.
Vamos confiar Nele e nos apresentar para os trabalhos.
Em A.A. há lugar para todos, aliás, nos serviços estão sobrando lugares.
Não é verdade que exista discriminação para com mulher nos serviços; as divergências que surgem são normais e acontecem também entre os companheiros homens, nada mais é que zelo pela irmandade.
Os companheiros torcem para chegar o dia em que as mulheres passem por cima de todas as dificuldades e liderem lado a lado com eles.
Não vamos deixar que acontecimentos corriqueiros, como envolvimentos emocionais, ou as famosas cantadas sejam empecilhos para que possamos colocar em prática nossos três legados, Recuperação, Unidade e Serviço.
Com os conhecimentos que adquirimos em A.A., podemos usar as dificuldades como experiência para o nosso próprio crescimento.
Despertar o interesse do outro deveria era levantar nossa auto-estima pois isso mostra que temos valor, se queremos corresponder ou não, somos nós que vamos decidir, pois agora nós temos direitos.
Se a situação fugir ao nosso controle poderemos contar com o apadrinhamento e até com a proteção de companheiros nos quais confiamos.
Não devemos jamais usar isso como desculpa para desistir do programa de vida que o A.A. nos oferece.
Somos capazes, de lidar com as dificuldades sem quebrar a unidade do grupo. Lembrando que aquele companheiro que nos parece desrespeitoso ou coisa pior, é um doente, alguém que precisa continuar na irmandade tanto quanto nós.
Devemos ser capazes de distinguir uma coisa da outra.
Não fazer tempestade em copo d’água, pois só assim seremos capazes de servir com responsabilidade e com amor.
Helena/DF
“Ela se entrega a essa nova maneira de viver; passa por cima até das dificuldades normais que uma dona de casa enfrenta; às vezes jornada dupla de trabalho, filhos pequenos exigindo seus cuidados, ciúme por parte do marido que muito depressa esquece o inferno que vivia.”
“Deus não escolhe os preparados, ele prepara os escolhidos. Vamos confiar Nele e nos apresentar para os trabalhos.
Em A.A. há lugar para todos!”
Vivência nº 101 – Maio/Junho 2006

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NOSSOS LEITORES ESCREVEM – 99
PARAR OU ABANDONAR A BEBIDA?
Há 25 anos, quando descobri o A.A. comecei a conhecer seu programa, o que era o alcoolismo e o alcoólatra; aprendi que o único requisito para ser membro de A.A. é o desejo de abandonar a bebida, porque isso era o que estava escrito no Livro Azul, no livro As Doze Tradições, que então era separado do livro dos Doze Passos e nas demais publicações de A.A. que existiam na época.
Constato hoje, com tristeza, que atualmente nas publicações de A.A, inclusive na Revista Vivência, consta que esse requisito seja o de parar de beber, tristeza essa decorrente de ser gigantesca a diferença do significado dessas duas palavras: abandonar é largar, desprezar, desistir, renunciar, acabar, deixar definitivamente, esquecer, enquanto parar significa apenas não continuar com uma ação, suspender, interromper o uso conservando pendente a ação.
Uma alegoria explicará melhor o que quero dizer. Digamos que eu tivesse uma camisa ou uma roupa qualquer e que eu a usasse com exagerada freqüência e, envergonhado desse abuso no uso, resolvesse parar de usá-la. Eu a lavaria, passaria e guardaria porque lá no fundo, lá no inconsciente, eu teria a intenção de voltar a usá-la um dia. Mas, se em dado momento eu tivesse percebido que aquela roupa me deixava com um aspecto ridículo ou repugnante, eu não resolveria apenas parar de usá-la, eu decidiria abandoná-la, e, então, eu a dada para alguém ou a jogaria no lixo porque estaria decidido a nunca mais usá-la.
Sendo, pois, significativamente diferentes os efeitos psicológicos de uma coisa e da outra, se eu desejar apenas parar de beber eu só procurarei descobrir maneiras que me ajudem a me manter em abstinência de álcool pelo mais longo tempo possível, ou seja, cuidarei apenas de admitir minha impotência perante o álcool e mais nada, porque esse será meu único objetivo, só falarei sobre isso e considerarei apenas como literatura inócua a segunda metade do primeiro passo, os outros onze, as Tradições, os lemas e os três legados.
Mas, se eu desejar abandonar a bebida, minhas motivações inconscientes serão no sentido de procurar não só permanecer na condição indispensável de abstinência de álcool, como também de compreender e praticar tudo do programa de A.A. para promover as necessárias mudanças na personalidade, substituindo os defeitos de caráter por virtudes, de modo a atingir a verdadeira sobriedade (como Bill disse) e chegar ao despertar espiritual que consiste na percepção da realização em si das qualidades divinas de amor, verdade e justiça e tudo que os represente: sinceridade, honestidade, bondade, compaixão, solidariedade, humildade, generosidade, caridade, paciência, temperança, disciplina, fé, esperança, etc.
Não sei como surgiu essa modificação na Terceira Tradição e só estou escrevendo a vocês porque a Vivência tem mais condições do que eu para fazer alguma coisa no sentido de corrigir esse erro, que considero de grande nocividade por atrapalhar significativamente ou mesmo impedir, o que julgo ser a razão de ser de nossa existência neste mundo, a única coisa que é necessária, como disse Cristo, que é a realização daquelas qualidades de amor, inatas em todos nós, mas apenas potencialmente, sendo todas as demais facultativas e supérfluas porque se perderão quando deixarmos o corpo físico.
Luiz D./ltu/SP
Redação: Caro Luiz,
Ficam aqui registradas suas reflexões e obrigado por haver escrito.
Vivência nº 99 – Janeiro/Fevereiro 2006

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GARANTINDO O FUTURO
Bill nos deixou várias colocações bem claras, eu não devo para salvar, ou pensando salvar alguém ou alguns, transgredir as Tradições, pois a obediência a estas garante a sobrevivência de A.A., e conseqüentemente a vida de milhões pelos séculos afora, mesmo que pela minha atitude de obedecer às Tradições, em algum momento alguns morram, e que certamente iriam morrer pela bebida de qualquer maneira, vejam o que Bill escreveu:
GARANTINDO O FUTURO – Bill desenvolve as Tradições de AA.
Quando a revista Time quis publicar uma capa com Bill – isto é, estampar o lado de trás da cabeça dele na capa da revista – Bill recusou a oferta e recusou igualmente a publicação de uma história de capa. Ele explicou: “Tanto quanto saibamos, uma coisa desse tipo poderia ter trazido mil membros para A.A. – Talvez mais.”
“Conseqüentemente, quando descartei a publicação desse artigo, impedi a recuperação de um montão de alcoólicos – alguns deles podem até estar mortos. E praticamente todos que sobraram, é lícito supor, ainda estão doentes e sofrendo. Conseqüentemente minha decisão representou em certo sentido uma sentença de morte para alguns bêbados e condenou outros a um período muito mais prolongado da doença.”
“Mas fui muito além sob o aspecto conservador, porque as exigências do artigo tenderiam a criar uma imagem pública nítida e colorida de mim como pessoa. Isto teria criado para o futuro, tenho certeza, uma tentação de nosso pessoal para conseguir artigos semelhantes – na realidade com nomes completos e fotos. Por essa razão, avaliei que seria melhor que alguns morressem e outros sofressem, do que estabelecer um precedente tão perigoso. Declinei, portanto da publicidade e devo confessar que essa decisão não foi fácil.”
Levar Adiante. Pág. 342.

Este trecho do livro citado me deu resposta a uma dúvida que já com vinte e seis anos em AA, eu ainda tinha, até que ponto poderia transgredir algum item das tradições para salvar um ou alguns doentes; ou pensar que salvaria, hoje sei que eu estava equivocado com minhas dúvidas. Bill mostrou bem claro, que o desrespeito às tradições, aqui, ali e acolá, por vários membros e grupos de AA, poderia por em perigo a vida de nossa Irmandade, e como tal de todos os doentes alcoolistas do futuro. Ficou claro para mim então, que para que AA perdure enquanto Deus quiser, devo obedecer à risca suas tradições. Hoje cumpro as tradições, observando o anonimato, não recebendo auxílios de fora, não vinculando A.A. a nada, respeitando os companheiros(as), não me utilizando de A.A. para tirar vantagens, usando em nossas reuniões somente os três legados e as literaturas de A.A., mantendo a sua unicidade de propósito, não definindo a doença o que é para autoridades médicas, não tratando de questões teológicas, não dando conselhos e somente falando de minhas experiências, mesmo que isto desagrade alguns, pois a experiência tem demonstrado que é o melhor caminho, e sei aonde minha bela e sábia cabeça me levou no passado, as interpretações coletivos dos membros de AA das Tradições, tem sido meu norte na Irmandade. Neste campo já não me dou o direito de interpretar sozinho, ou usar minhas próprias conclusões.

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LIDERANÇA em A.A. – Vininha

Considero a liderança uma das funções mais importantes mais difíceis se serem exercidas em qualquer atividade humana, sendo de fundamental importância para a direção de trabalhos, realização de projetos, dinamismo e união.
Vejo a liderança como a capacidade de fazer com que todos remem na mesma direção, estimulados por um objetivo comum a todos, com ética, confiança, sensatez, energia, humildade, interesse em aprender e se destaca por saber “tratar” com as pessoas e as “coisas”.
Estudando as Tradições e Conceitos, vejo sempre enfatizada, em algum ponto, a importância da liderança. Na Tradição Dois, “Nossos líderes são apenas servidores de confiança: não têm poderes para governar”. Nela, vejo a importância de cada um no grupo, que é a mesma, dentro do programa, pois há uma única autoridade, um Deus amantíssimo se manifestando na consciência de grupo, de onde, em nome da unidade, os líderes servem. Na Tradição Nove, apresenta as atividades de serviço encontradas para atuação direta “perante àqueles a quem prestam serviço.
No Conceito Três, nossos líderes estão munidos do “Direito de Decisão” e, nos Conceitos Quatro ao Nove, aprendemos as diferentes atribuições dos líderes. O que, a princípio, o apadrinhamento de serviço é um grande aliado.
Praticando os Doze Passos e levando a mensagem de recuperação aos alcoólicos que ainda sofrem, é necessário que se desenvolva boa liderança pessoal, o que os Passos nos conduz.
Graças á estrutura de serviço e a maneira como é alternado os cargos de serviço, todos têm oportunidades de desenvolver suas qualidades de liderança e habilidades, com a prática dos Doze Passos nos ajudando a levar vidas satisfatórias e também ajudando a irmandade a crescer.
Como líder, é de minha responsabilidade ser responsável, desenvolvendo, a partir daí, confiança mútua. Fé no PS e confiança em nossos líderes para agirem em nosso melhor interesse, cumprindo suas responsabilidades com tolerância, equilíbrio, flexibilidade e bom julgamento. A flexibilidade nos torna fortes para exercer a autonomia, mas a responsabilidade nos mantém unidos.
Orientados pelos princípios encontrados nos Três Legados, nossos líderes devem ser eleitos com base na condição de serem membros, qualificação, habilidades especiais e na disposição de prestar serviço. É dedicado, eficaz, encontrando nos outros membros, ajuda e apoio.
A liderança começa com a participação regular nas reuniões e o limite, é a consciência de grupo, também uma manifestação do PS.
Todos nós somos líderes uma vez ou outra e podemos praticar essas qualidades e tornar um excelente líder em todos os níveis de serviço de A.A., como em todas as minhas atividades, tendo na experiência de grupo um ponto de referência.
“O líder pode dar idéias, oferecer opções, até enfatizar aspectos, mas deixa que a Irmandade tome as decisões.”

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INVENTÁRIO MORAL DO GRUPO
Questionário
1 – Qual o propósito primordial do nosso grupo?
2 – O que o nosso grupo faz para transmitir a mensagem?
3 – O que mais o grupo pode fazer para transmitir a mensagem?
4 – Considerado o número de bebedores-problema em nossa comunidade, estamos alcançando o número suficiente de pessoas?
5 – Temos alcançado as autoridades e os profissionais da saúde, os religiosos e outras pessoas que podem alcançar outros alcoólatras que precisam de AA?
6 – Estamos em condições de receber qualquer tipo de pessoa com problema de alcoolismo — de qualquer idade, sexo, nível de escolaridade ou nível social?
7 – Daqueles que tem vindo, trazidos por um de nós ou por outros meios ou indicações, tem ficado a maioria, a minoria, nenhum?
8 – O que temos feito a respeito de companheiros que se afastaram do grupo, seja qual for o motivo?
9 – Como temos reagido quando um companheiro volta a beber porque sua doença ainda é mais forte que ele? Temos procurado ele? Temos pensado o que fizemos para que ele não ficasse sóbrio ou o que não fizemos para que ele ficasse?
10 – Como o nosso grupo recebe um companheiro que volta, mesmo que ainda esteja bebendo?
11 – Ainda alimentamos controvérsias sobre o modo como procedem as reuniões do nosso grupo?
12 – Como podemos melhorar o funcionamento das nossas reuniões?
13 – Temos bastante reuniões de serviço para resolver e aprender a funcionar melhor, a prestar melhores serviços ao grupo, e a ter mais responsabilidade perante recém-chegados, recaídos, visitantes de outros grupos, pessoas estranhas ao AA, e à nossa comunidade?
14 – Temos um número suficiente de reuniões?
15 – Nosso apadrinhamento é eficiente? Ou precisamos aprender mais a respeito?
16 – Nossa sala é agradável, limpa e organizada – tanto para quem nos visita quanto para nós mesmos?
17 – O que precisamos melhorar para tornar a nossa sala mais agradável?
18 – Nas reuniões, todos tem a mesma oportunidade de falar?
19 – No grupo, todos tem oportunidade de participar nas atividades e serviços?
20 – Os servidores do grupo são escolhidos levando-se em conta a responsabilidade resultante da experiência de recuperação e conhecimento e prática dos princípios básicos de AA?
21 – O grupo cumpre sua parte em participar e colaborar com os organismos da estrutura de AA, tais como o seu Distrito, Intergrupal, Área, ESG, Junta Nacional etc.?

O GRUPO DE A.A. EM AÇÃO

” O GRUPO DE A. A. EM AÇÃO ”

* INTRODUÇÃO

Através de observações e experiências adquiridas nestas poucas 24 horas vivenciando nossa Irmandade, venho observando um “mal crônico” que persiste em inquietar o A. A. no Brasil. Estou referindo-me aos baixos índices de Recuperação em nossos Grupos.

De tempos em tempos atribuiu-se esse problema a diversos motivos. Hoje os motivos são:
– A falta de literatura para orientar nossos antepassados quando da chegada do A. A. no Brasil.

– A inexistência de uma Estrutura de Serviços eficiente com Comitês e Comissões atuantes.

Tais motivos parcialmente solucionados desde 1969 com a fundação do hoje extinto CLAAB – Centro de Distribuição de Literatura de A. A. para o Brasil e, em 1974 quando foram convocados os primeiros Delegados de Área e realizado o 1º Conclave de A. A. no Brasil. Dois anos após com a Eleição dos Custódios em Assembléia realizada em 29 de fevereiro de 1976 – criou-se a JUNAAB – Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil – quando foi estabelecido o ESG – Escritório de Serviços Gerais. Estes foram realmente os primeiros Organismos de Serviços de A. A. registrados juridicamente no Brasil, fato ocorrido em 29 de junho de 1976.

O problema permanece irremovível, hoje com os seguintes discursos:

– Que os hábitos adquiridos nos tempos pioneiros, com a inexistência da Literatura, estão demais arraigados e somente serão diluídos com o tempo.

– Que a Estrutura de Serviços existente, não está sendo eficientemente usada no objetivo de recuperar os alcoólicos que ainda sofrem.

Se pesquisarmos profundamente com uma análise consciente, fatalmente iremos constatar que falta uma “Determinação obtida por uma ampla conscientização” empreendida pelos diversos segmentos de Serviços (Servidores) responsáveis, para uma tomada de posição no sentido de minimizarmos o problema.
Um posicionamento que objetive ascender os níveis de recuperação da Irmandade no Brasil, através do desenvolvimento de ações dinâmicas sensibilizadoras da profundidade dos Princípios Espirituais de nossa Irmandade.
Os doentes alcoólicos buscam A. A. porquê de alguma forma se sentiram atraídos pela imagem da Irmandade que lhe foi passada por alguma forma de divulgação ou pela abordagem de um membro, despertando- lhe um fio de esperança para cessar o sofrimento vivido.
A partir de nossas próprias experiências do primeiro dia, é fácil imaginar o que se passa pelas mentes doentes ante o desapontamento com a realidade mostrada nos Grupos de A. A., que na maioria das vezes desmente a concepção que tínhamos a respeito. A inverdade nunca poderá ser a base de um objetivo que envolve vidas humanas.
Se estabelecermos um confronto entre o que deveria ser uma real Programação de Recuperação de A. A., e o que é divulgado ou passado pelo abordante e a realidade que o ingressante irá constatar no Grupo, onde estará assistindo à sua primeira reunião, iremos detectar de uma forma generalizada as seguintes falhas e distorções:

– Desinformação sobre o que é realmente o Programa de Recuperação de A. A.:

Grande parte de responsabilidade pela má Recuperação, reside na qualidade do apadrinhamento realizado, quando o recém-chegado, após o primeiro dia, é lançado à sua própria sorte, sendo-lhe negadas as informações vitais de como proceder de agora em diante. É voz corrente em nossos Grupos: “Evite o Primeiro Gole… Freqüente as reuniões na medida do possível… e traga mais um, quando puder…” Esta é a orientação comum, precursora da inércia e estagnação, que presta o maior desserviço ao doente e à Irmandade.

– A Rotina e a Repetitividade:
A ignorância e o desconhecimento do que deve ser feito, levam os Grupos de A. A. a realizarem uma programação pobre e deficiente, onde a rotina e a repetitividade provocam o desânimo e a desmotivação, com o cansativo desfile pela “Cabeceira de Mesa” dos mesmos companheiros que contam sempre a mesma “estória”.

– Despreparo dos Servidores Responsáveis:
As lideranças de Grupos se afirmam mais pela assiduidade e pela capacidade de falar mais alto, que pelo grau de conhecimento dos Princípios de A. A. Assim o nível da programação oferecida é paralela ao preparo do Servidor dirigente. É lamentável o estrangulamento de Grupos de A. A. por mãos incapazes impulsionadas pela força do anseio individual.

– Inexistência de Clima Espiritual que Possibilite a Recuperação:
Os Grupos de A. A., com raríssimas exceções, não se preocupam com o estabelecimento deste clima espiritual, só obtido com a fiel obediência dos Princípios que orientam a nossa Irmandade. Enquanto houver meia observância deles, haverá sempre meia Recuperação. Onde estes Princípios não são observados, inexiste a Recuperação. E os exemplos estão aí mesmo, às centenas.
Diante deste quadro que se nos apresenta:

* O QUE FAZER?:

Para melhor entendimento do que tratamos até agora, vamos desmembrar este Tema em quatro pontos de suma importância, a saber:

1) O Grupo de A.A. – Como Entidade Espiritual.
2) O Grupo de A.A. – E o Espaço Físico.
3) O Grupo de A.A. – Cumprindo o Seu Propósito.
4) O Grupo de A.A. – E Nossas Falhas

– O Grupo de A.A. – Como Entidade Espiritual:

Para caracterizarmos o Grupo de A.A. como uma Entidade Espiritual, necessário se faz retornarmos no tempo e buscarmos nas primeiras preocupações com o trato do problema do alcoolismo as experiências obtidas. Senão vejamos:
A história de A.A. nos leva ao encontro do alcoólatra Holland H. com o eminente psiquiatra Dr. Carl Gustav Jung, em meados de 1930. Deste encontro tiramos a conclusão do que foi dito pelo Dr. Jung à Holland: “Que sua recuperação seria impossível pela ciência”. Disse-lhe também que a esperança de tal acontecer, residia na possibilidade de que ele, Holland H. chegasse a ter algum tipo de experiência espiritual ou religiosa, que buscasse um ambiente religioso e esperasse o melhor.
Em carta resposta que enviou a Bill W. o Dr. Jung diz: “A única forma correta e legítima para a dita experiência espiritual ou religiosa, é que ela ocorra realmente com você, e somente acontece quando estiver transitando pela estrada que conduz a uma compreensão mais elevada. Pode ser conduzida a esta meta por um ato de pura graça, por meio de um contato pessoal e honesto com semelhantes, ou ainda através de uma educação aprimorada da mente, mais além dos confins do mero relacionamento” .
Analisando as palavras do Dr. Jung, sentimos que Holland H. escolheu a segunda opção face às circunstâncias. E aí tudo começou, Holland H. conversando com Ebb T.; Ebb T. conversando com Bill W.; Bill W. conversando com Dr. Bob; Bill W. e Dr. Bob conversando com Bill D., ou seja um alcoólico conversando com outro alcoólico, sem desejar nada em troca, e nenhuma recompensa a não ser a esperança de continuar sóbrio.
Ainda com o objetivo de situar o Grupo de A.A. como Entidade Espiritual, lembremos os Grupos Oxford do clérigo Sam Snoemaker, ou da Igreja do Calvário onde os membros dos Grupos Oxford mais necessitados eram assistidos e alimentados. Lembremos de quando Bill W. em companhia de Alec, apesar de Ebby tentar impedi-los, se atiraram de joelhos diante do púlpito na Igreja do Calvário entregando suas vidas a Deus. E foi destes Grupos, que Bill W. selecionou os princípios que mais tarde transformaram- se em nossos Doze Passos. Foi vivenciando os Grupos Oxford que Bill W. pode aprender o que fazer e o que não fazer em relação aos alcoólicos. Como exemplo eis algumas lições aprendidas:
– Que não deveríamos ser um movimento de temperança, mas um movimento que deve se limitar a levar o alcoólico à sobriedade, isto é, em vez de se preocupar em salvar o mundo das diversas chagas sociais, A.A. deve se preocupar apenas em libertar os alcoólatras dos grilhões do alcoolismo.
– Que outras idéias e atitudes, como os famosos “Conceitos dos Absolutos”, é muitas vezes demais para os bêbados. Que as idéias de Pureza, da Honestidade, do Desinteresse e do Amor, devem ser alimentadas com colheres de chá homeopaticamente e não em doses cavalares.
– Que o anonimato é essencial, não só para proteger a Irmandade, mas também como instrumento para o desenvolvimento da espiritualidade. Que o membro de A.A. respeitando este princípio do anonimato, poderá agir e trabalhar, sempre com o espírito de ajuda ao próximo, de compreensão, sabendo que aquela sua ação ou trabalho jamais será trampolim para alcançar a fama, prestígio ou poder.
– Que A.A. deverá sempre dar a liberdade de falar, pensar e agir livremente, uma vez que o alcoólatra jamais se submeterá a quaisquer tipo de pressão, a não ser aquela exercida pelo álcool.
– Que A.A. jamais deverá intrometer-se na vida particular e privada de seus membros e, portanto, não fornece uma “orientação coletiva” para seu comportamento e aplicação na sua própria vida.
– Que A.A. apenas pode sugerir os Princípios de Recuperação, deixando sob a responsabilidade do próprio doente alcoólico a opção de exercitá-los ou não. Mas fica a advertência que, se seus membros desejam uma vida útil e feliz, não existe outro caminho, que não seja a submissão a estes Princípios.
Como podemos perceber, estes são princípios espirituais, que foram aproveitados dos Grupos Oxford e legados a nós membros ativos da Irmandade de A.A. para pô-los em prática.

” O GRUPO DE A. A. EM AÇÃO ” ( FINAL )

– O Grupo de A.A. – E o Espaço Físico:

A imagem física do Grupo de A.A. deve ser perfeitamente sintonizada com a imagem espiritual. A simplicidade deve revestir o espaço físico ocupado, de forma a permitir que ali se instale – pelo propósito único de seus membros na prática dos princípios espirituais da Irmandade – o ambiente espiritual a que se referiu o Dr. Jung, propiciador da recuperação através de um “Despertar Espiritual”.
Em síntese, o espaço físico, só será condizente com o que se propõe um Grupo de A.A., quando o seu visual no plano material, mantido pela relação espírito/matéria, estiver perfeitamente sintonizado com os Princípios da Irmandade: Recuperação, Unidade e Serviços.
O relacionamento matéria/espírito iniciou-se segundo Bill W., quando Ebb T. gastou de seu dinheiro para telefonar e pagar a passagem do metrô para ir ao seu encontro e transmitir a mensagem.

– Responsabilidade de Prover Espaço Físico:

Já sabedores de que nosso espaço físico é simples na sua aparência (física), podemos respirar aliviados e certificarmo-nos de nossa condição de participação.
Nossa Sétima Tradição nos diz: “Todos os Grupos de A.A. deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora”. Desde nossa primeira participação numa sala de A.A. constatamos este fato, (através de uma sacola), evidentemente sentiremos ainda que seja tênue, a responsabilidade de também contribuirmos com a sacola. Este é o único lugar em A.A. onde o material funde-se com o espiritual. Por esta razão, devemos ter sempre em mente que: “O metal só brilha se houver luz”. Pode-se entender que o dinheiro (metal), só atingirá seu objetivo se for iluminado pela intenção da luz (espiritual) .
Diante do exposto concluímos que: a responsabilidade de prover o espaço físico do Grupo de A.A., cabe aos membros que compõem a Irmandade, a partir do seu auto-ingresso na mesma.

– Diferença entre Grupo de A.A. e Reunião de A.A.:

Talvez não seja bem aplicada a expressão “diferença”, desde que acreditamos que o Grupo de A.A. depende das Reuniões, e as Reuniões de A.A.dependem dos Grupos de A.A. Assim entendemos que: os Grupos de A.A. continuam a existir além dos horários das Reuniões, ajudando quando solicitado, com o 12º Passo, trabalhando em instituições e atividades de I.P. (Informação ao Público), integrado em Comissões de Colaboração com a Comunidade Profissional (CCCP) e Comissões Institucionais (C.I.), por intermédio do Organismo de Serviços Locais.
Assim a Consciência Coletiva de A.A. a nível mundial, parece concordar em seis pontos que definem um Grupo de A.A.:

1) Todos os membros de um Grupo de A.A. são alcoólicos, e todos os alcoólicos são qualificados para serem membros.

2) Como Grupo ele é totalmente auto-suficiente.

3) O propósito primordial de um Grupo é o de ajudar alcoólicos a se recuperarem através dos Doze Passos.

4) Como Grupo ele não emite opinião sobre quaisquer assuntos alheios à Irmandade.

5) Como Grupo sua norma de procedimento para com o público, se baseia na atração ao invés da promoção, e seus membros mantêm o anonimato em nível da imprensa, rádio, televisão e cinema.

6) Como Grupo ele não possui nenhuma outra filiação.

A realização de Reuniões programadas regularmente é a principal atividade de qualquer Grupo de A.A. Algum grau de organização é necessário para conservar a funcionalidade e a eficácia de tais reuniões. Nossa Quarta Tradição diz que: “Cada Grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros Grupos ou ao A.A. em seu conjunto”. Previsivelmente, portanto, as reuniões realizadas por nossos milhares de Grupos têm cada uma suas próprias características.

– O Grupo de A.A. – Cumprindo o seu Propósito:

Conforme está explícito em nossa Quinta Tradição, o único objetivo primordial de um Grupo de A.A. é o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
Nesta máxima duas perguntas se nos apresenta: A primeira é – Qual a mensagem deverá que deverá ser transmitida? A segunda é – Quem é o alcoólatra que ainda sofre?
Claro está que a resposta á primeira pergunta é: A Mensagem a ser transmitida é a Mensagem de A.A.; é a mensagem de esperança de futuro promissor; é a mensagem que irá mostrar ao doente alcoólico, a luz no fim do túnel em que ele entrou quando da sua militância alcoólica. É a mensagem legada a nós membros de A.A., através dos Doze Passos, aliás, nesta máxima ainda podemos notar que muito sabiamente está registrado “Transmitir a Mensagem” e não “Levar a Mensagem”. Será que já sabemos fazer a diferença entre a transmitir a mensagem e levar a mensagem?. Pesquisando no Dicionário, verificamos que: TRANSMITIR é “fazer passar de um possuidor ou detentor para outro” e LEVAR é fazer passar de um lugar para outro. Transportar” . Donde verificamos que – para se transmitir uma mensagem, principalmente de otimismo e esperança, é necessário antes de mais nada, ter tido uma experiência anterior ou vivido algo semelhante e com relativo ou mesmo grande sucesso.

Para a pergunta número dois, poderemos deduzir que o alcoólatra que ainda sofre, pode estar dentro do Grupo, assistindo mas não participando da reunião. Em conseqüência desta observação, formulamos uma terceira pergunta. Será que os Grupos de A.A. estão preparados para cumprirem seu propósito primordial de transmitir a mensagem de A.A. ao alcoólatra que ainda sofre? Particularmente não sei responder e acredito que não saberemos respondê-la, mas o que nós sabemos e procuramos despertar em nossos irmãos em A.A. é que, para atingir este propósito primordial, tão decantado e enfatizado na Quinta Tradição, torna-se absolutamente necessário, que algumas condições e circunstâncias sejam satisfeitas. E Alcoólicos Anônimos, na sua sabedoria, já nos oferece de mão beijada estas condições, basta apenas que nós, integrantes de um Grupo de A.A., as satisfaçamos. E a condição básica e essencial é que reine no Grupo de A.A., um ambiente de paz, de harmonia, de fraternidade, de confiança mútua e a somatória das qualidades que poderemos denominar de BEM-ESTAR COMUM.
Se um Grupo de A.A. dedicar todo o seu entusiasmo em criar tal ambiente, – o do BEM-ESTAR COMUM – meio caminho foi andado e vencido, para favorecer ao doente que ainda sofre. E o grande instrumento para se encontrar ou criar este ambiente, é a chave da Boa Vontade. Boa Vontade para aceitar que todas as decisões a serem tomados pelo Grupo de A.A., sejam tomadas através da Consciência Coletiva e não “na opinião do Grupo de A.A…. ” Também é necessário que o Grupo de A.A., esteja sempre com as portas abertas para receber o possível doente alcoólico que foi procurá-lo. E, em sendo procurado, evitar a todo e qualquer custo ou sacrifício, criar-lhe quaisquer tipo de obstáculo ou entrave, e até pelo contrário, deverá proporcionar- lhe as melhores condições de facilidade, oferecendo-lhe companheirismo, confiança e camaradagem, . É necessário também que, no Grupo de A.A. que deseje cumprir o seu propósito primordial, seus membros saibam respeitar não só os seus próprios limites e o de outros Grupos, mas também e principalmente os limites dos outros segmentos da sociedade. É necessário também para um Grupo de A.A. que deseje cumprir o seu propósito primordial, que se abstenha de coligar-se com qualquer outro Grupo de Ajuda Mútua ou movimento similar, evitando assim sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. Com estes procedimentos, muitos problemas poderão ser evitados e, dentre estes podemos citar, o problema da busca da fama, prestígio e poder, o que certamente os afastariam do seu propósito primordial – o de Transmitir a Mensagem ao Alcoólatra que ainda sofre.

– O Grupo de A.A. – E NOSSAS FALHAS:

A Tradição Cinco e o Passo Doze, que trazem em seu bojo a essência da nossa Irmandade, não sendo compreendidos e aplicados, tornam-se um empecilho à recuperação daqueles que já pertencem à Irmandade e àqueles que estão para chegar. A coragem para mudar aquelas coisas que posso, se aplica perfeitamente dentro de nossas falhas.
A justificativa de que deu certo para alguns, tem que ser descartada, porque o Programa de Recuperação sugerido por Alcoólicos Anônimos, é para todos e não para alguns.
Como a primeira tradução para o português do Livro Azul, livro básico de A.A. somente ocorreu nos idos de 1973 (?), podemos com absoluta certeza afirmar que de 1947 a 1973 (?), toda mensagem recebida e transmitida, baseava-se no folheto que o publicitário americano Herbert L. Daugherty entregou ao economista inglês Harold W. para traduzi-lo – “Folheto (Livro) Branco”, não tivemos a oportunidade de iniciarmos o A.A. no Brasil, com o livro básico de Alcoólicos Anônimos. Sabemos das dificuldades encontradas pelos nossos pioneiros, dificuldades estas vencidas através de suas boa vontade quase sempre alicerçadas no EU ACHO. Mas hoje os tempos são outros, e já contamos com um elevado número de títulos da Literatura de A.A., traduzidos e distribuídos pela JUNAAB.
Pergunta-se então: Porque continuamos persistindo em transmitirmos a mensagem de A.A., contrariando nossos escritos? Talvez esta seja a nossa principal falha.
Temos consciência que estamos errados e não temos coragem para mudar. Podemos observar que mesmo nossos Órgãos de Serviços cooperam para que a mensagem de A.A. seja distorcida. Numa rápida análise, uma verdadeira avalanche de coisas materiais, são oferecidas como integrantes do Programa de Recuperação, visando apenas o lucro material, contrariando frontalmente o enunciado na Tradição Cinco. No apêndice do LIVRO AZUL – cada grupo de A.A. deve ser uma entidade espiritual.. .
Que entidade espiritual é esta que oferece objetos materiais? A Mensagem de A.A. é uma proposta de crescimento espiritual, uma nova maneira de viver, através dos Doze Passos – princípios espirituais – que se aplicados em nossas vidas, podem expulsar a obsessão pela bebida alcoólica.
Existe uma idéia generalizada, que o Brasil é um país com grande número de analfabetos. Devemos lembra que o analfabeto não é surdo. O analfabeto ouvindo é tão capaz de transmitir a mensagem ouvida, como um erudito…
Nossos Doze Conceitos para Serviços Mundiais, lembram-nos que não existe A.A. de segunda classe. Todos nós membros de um Grupo de A.A., temos que ouvir a mesma mensagem. Se um Grupo de A.A. não ouve e não transmite a verdadeira mensagem de A.A., como pode ser um Grupo de A.A. em Ação? Um Grupo de A.A. em Ação, subtende-se que é um Grupo de pessoas imbuídas de um mesmo ideal, mesma confiança mútua, mesmo propósito, etc…
Para que isto aconteça, acreditamos que a liderança do Grupo de A.A., tem que acreditar nas mudanças necessárias e pagar o preço que estas mudanças acarretam. Devemos lembrar que estamos lidando com vidas humanas.
Em casos de vidas humanas, não existe meia recuperação. O Programa de A.A. é para recuperação integral do doente alcoólico que queira se recuperar e o Grupo de A.A. deve estar à disposição de qualquer um queira fazer parte deste Grupo de A.A., sem lhe ser apresentado nenhum obstáculo à sua chegada. Nossa falha é a de não abrirmos a caixa de ferramentas espirituais e colocá-la à disposição de quem os procura e também explicar-lhes como estas ferramentas têm nos ajudado. Nossa falha está em continuarmos desrespeitando nossas Tradições, da Primeira à Décima Segunda, que é a única maneira de nos mantermos unidos. A Tradição Nove é rica em ensinamentos quando diz: “a mesma sentença se aplica aos Grupos…”
Teríamos uma grande relação de nossas falhas, mas acredito que o plenário, também pode e deve acrescentar algumas falhas observadas no seu Grupo de A.A., no seu Escritório de Serviços, no seu Distrito, na sua Área… que as apresente, enriquecendo nosso trabalho.

Uma indagação: FALTA DE CORAGEM PARA MUDAR AQUILO QUE PODE SER MUDADO?

Isaias

BIBLIOGRAFIA:

– A.A. Atinge a Maioridade

– Alcoólicos Anônimos

– Doze Passos e Doze Tradições

– Doze Conceitos para Serviços Mundiais

– O Grupo de A.A.

LIBERDADE INDIVIDUAL X BEM COLETIVO

LIBERDADE INDIVIDUAL X BEM COLETIVO

SEGUNDA TRADIÇÃO, EQUILÍBRIO ENTRE “A PRIMEIRA” E A TERCEIRA TRADIÇÕES.

AA tem resposta para tudo em relação a si mesmo, qualquer coisa pode e deve ser resolvida com tranqüilidade e em paz. Sempre temos que ver todos os princípios envolvidos em cada situação e não só o que salva ou defende o que está de acordo com o que eu quero, prefiro, ou é o melhor para mim.
– Vejamos, a Terceira Tradição fala da minha liberdade individual, não é verdade?
Mas até onde vai essa minha liberdade? Ela não tem limites? Ela vai até o momento que:
– Vejamos a 1 Tradição: Nosso bem estar comum deve estar em primeiro lugar, a reabilitação individual depende da Unidade de AA.
Ao impor minha vontade (Terceira tradição, sem limites responsáveis) estou ferindo a UNIDADE o bem estar coletivo (Primeira Tradição).
Qual o espírito de AA? Qual o bom senso? Sempre devo usar eu a liberdade responsável.
Meu bem estar, minha vontade, meus desejos, minha interpretação, não devem estar acima da interpretação ou do bem estar coletivo.
Quando chegar a esse ponto crítico, onde direitos coletivos e individuais se chocam, eu indivíduo, devo ceder para que o bem estar geral permaneça vivo, para que AA. permaneça vivo.
Na dúvida, como chegar à conclusão, do limite desses dois direitos:
– Vejamos a Segunda Tradição: Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos lideres são apenas servidores de confiança, não tem poderes para governar. Alguns dirão entre outros entendimentos que essa consciência pode falhar, e isso é verdade, mas pergunto, qual o outro processo melhor? Desde que exercitada essa consciência coletiva, dentro de discussão à luz dos princípios de AA, até a exaustão e se possível chegar próximo à unanimidade.
A experiência tem demonstrado, que mesmo quando ocorra equívocos na expressão da Consciência Coletiva, o Poder Superior cuida para que no tempo devido, tudo volte ao ponto ideal e à normalidade, e como já dito não há outro meio melhor de decisão. Sendo certo que em AA não existe exclusão, nem punição ou assemelhado, não é menos certo que eu pago minha desobediência a esses princípios, se não com o voltar a beber e a morte, mas no mínimo com meu mal estar, minha depressão, minha
insatisfação, minha inquietude, meu vazio, minha irritação, minha falta de paz.
Bill nos deixa bem claro: Obedecemos a esses princípios porque queremos, precisamos e gostamos do resultado que essa obediência nos traz. Ao obedecer espontaneamente eu a esses princípios, certamente estarei beneficiando a todos, mas fundamentalmente e antes de tudo a mim mesmo.
Posso eu desrespeitar, uma decisão do grupo, advinda da decisão manifestada pela Consciência Coletiva desse mesmo Grupo, mas eu não devo e não faço, pois segundo meu entendimento, meu ponto de vista não deve prevalecer sobre a decisão coletiva, eu não tenho esse direito mas tenho o dever de respeitar àqueles que ainda não entenderam isso, que essa submissão de minha vontade individual às decisões coletivas são fundamentais para a sobrevivência de AA no futuro.
Esses irmãos e irmãs precisam mais de tolerância do que de críticas, mas não esqueçamos, tolerância não implica em permissividade, que elimina o mínimo de paz necessária para a recuperação e tranqüilo funcionamento de um grupo; o bem comum está na Primeira Tradição, e AA nos chama atenção para a importância da Unidade para a sobrevivência de AA. Quem analisa profundamente os Três Legados, verifica que qualquer pensamento filosofia ou sentimento amoroso, que alguém possa encontrar em qualquer literatura não oficial, AA já integrou nesses legados: os da recuperação, os da convivência e os da administração.
Estou ferindo a Primeira Tradição (a Unidade): Quando sobreponho minha vontade ao da Consciência Coletiva. Quando uso palavras ofensivas, desrespeitosas e intolerantes. Quando respondo quem procedeu como acima dito, com termos do mesmo nível. Quando levo o questionamento para o nível pessoal e não para o dos princípios e das idéias.
Para todos os questionamentos AA tem um caminho: Direitos de Participação, Decisão, Apelação e as Garantias (Doze Conceito).
Não há porque eu partir para o xingamento ou ofensas, AA me dá direitos e meios para buscar o que entendo justo, e a Consciência Coletiva é a instância final da Irmandade, mesmo que eu não goste disso, mesmo que eu não concorde com isso, porque AA assim o diz.Se entendo, que um servidor errou ou fez algo que não aceito, que me
sinto prejudicado, posso e devo pedir sua substituição, e a consciência coletiva deverá ser respeitada, mesmo que eu não concorde ou não goste de sua decisão. Os servidores de confiança, devem mais de que ninguém obedecer às decisões da Consciência Coletiva, pois se não o fizerem deixarão de ser de confiança.
Tudo isto visa que pensemos mais no coletivo do que em cada um de nós individualmente, pois sem o bem coletivo e sem a Unidade, daremos pouca oportunidade de recuperação aos membros do grupo, e esses membros são mais importantes do que eu.
As decisões importantes e que afetem a todos, sempre deverão ser feitas no fórum respectivo: Reuniões de Serviço no Grupo, Reuniões de RSGs no Distrito, Reuniões de Assembléias no CR ou na Área e na Conferência.
Essas decisões não são determinações, e muito menos autoritárias, mas são a expressão da consciência coletiva respectiva de cada setor, e a experiência nos diz, que a obediência às mesmas é o melhor caminho.

CONSCIÊNCIA COLETIVA – DR. LAIS MARQUES

CONSCIÊNCIA COLETIVA

Dr. Lais Marques da Silva
Ex-Custódio e Presidente da JUNAAB

” …um Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva”.
“…que todas as decisões importantes sejam tomadas através de discussão, votação e, sempre que possível, por substancial unanimidade”.

Introdução
Tive a excepcional oportunidade de estar presente a nove Conferências de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil. Nelas, buscaram-se caminhos para a Irmandade como um todo e procuraram-se os melhores encaminhamentos para a solução de situações que ocorreram na vida da Irmandade, encaminhamentos esses que se constituíram em fundamento para a tomada de importantes decisões. No decurso dessas grandes reuniões, os eventos se mostraram ainda mais valiosos do que o já tão significativo processo de autogestão, em si.
Todo o trabalho realizado no decurso de uma conferência é de grande valor para a vida da Irmandade não só para o momento que passa, mas é também determinante em relação aos dias futuros. É assentado num processo de caráter fundamental, que é o da busca da Consciência Coletiva. Além de sábio em si mesmo, é, sobretudo, inspirado pelo Poder Superior, poderosa fonte de iluminação, valiosa e norteadora dos destinos de centenas de milhares de seres humanos vitimados pelo mesmo demônio, o alcoolismo, e que hoje estão presentes nos grupos de Alcoólicos Anônimos, no Brasil. Mas é também igualmente importante para a existência da Irmandade de Alcoólicos Anônimos em todo o mundo no que ela representa de caminho de salvação para milhões de seres humanos, hoje sofrendo nas garras do alcoolismo.
Coloquei neste trabalho o que vi e aprendi no convívio com os companheiros de Alcoólicos Anônimos, além do resultado da minha experiência pessoal no período em que fui presidente da Junta de Custódios e da JUNAAB, ocasião em que procurei aplicar os conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, inspirado que fui pela poder da Segunda Tradição. Consciente da sua importância fundamental para os dias de hoje e para o futuro da Irmandade, coloco nas páginas desse trabalho a minha esperança de um horizonte radioso não só para os que sofrem nas garras do alcoolismo, mas para toda a humanidade.

Uma pequena história dentro de uma grande história
Há uma pequena história, muito antiga, que nos ajuda a entender a fragilidade dos seres humanos, a sua necessidade de cooperar e, sobretudo, a entender o quanto dependemos uns dos outros.
Na mitologia grega, os deuses resolveram habitar o mundo e criar a humanidade. Criaram os mortais, os seres vivos, e também as condições para a existência de todas as espécies que iriam coabitar na Terra. Encarregaram Epimeteu, cujo nome significa reflexão posterior, ou seja, aquele que só se da conta da coisa errada depois que a fez, de prover os futuros seres vivos com as qualidades necessárias à sua sobrevivência. Assim, foram dados a cada espécie os equipamentos necessários para que se alimentassem e resistissem às intempéries, como: peles, lã, carapaça, etc. e ainda para se defender uns dos outros: as garras, chifres e velocidade na corrida.
Todas as espécies foram equipadas mas, no momento de criar o homem, nada havia sobrado. Epimeteu tinha esquecido dele e, assim, continuava nu e desarmado. Para que essa espécie não desaparecesse, Prometeu, cujo nome significa previdente, foi chamado pelo imprevidente irmão, Epimeteu, e encarregou-se de roubar dos deuses o fogo e as artes para dá-las aos homens. Distribuiu as artes de que dispunha mas que não eram suficientes em número para dar um conjunto completo a todos os homens e assim deu talentos diferentes a cada um de modo que, para sobreviverem, deveriam intercambiar as suas dádivas e, portanto, cooperar e o que resultou é que todos se tornaram dependentes uns dos outros. Prometeu também moldou os homens de forma mais nobre e os capacitou a caminhar de forma ereta. Desse modo, puderam se alimentar e resistir ao frio, mas continuaram não podendo se defender contra outras espécies por não possuíram armas. Mas o presente do fogo que Prometeu deu à humanidade foi mais valioso do que quaisquer um dos que haviam sido dados aos animais.
Os homens procuraram então estar reunidos para se defender dos animais e se agruparam em cidades, mas não conseguiram viver juntos porque disputavam entre si e frequentemente guerreavam uns contra os outros. Como conseqüência, dispersaram-se pela floresta e foram novamente ameaçados de extinção pelas outras espécies de animais. Dessa vez, foi o próprio Zeus, o Deus mitológico maior, que salvou os homens dotando-os de qualidades morais, de senso de justiça e de respeito de si mesmos, o que permitiu que cada um pudesse viver em coletividade com os outros. O gênero humano foi salvo e por isso, hoje, os homens vivem em comunidades e não isolados, como a maioria dos outros animais. Mas os homens continuaram frágeis e desamparados e é isso que nós somos e a nossa sobrevivência continua dependendo de que troquemos as nossas dádivas, as nossas riquezas interiores.

A vida é difícil. Encontrar o caminho que se vai trilhar na vida é difícil. O caminho tem que ser feito em solo árido e pedregoso, e machuca. Não há indicações nem avisos. Nenhuma orientação. Em realidade, cada um de nós faz o seu próprio caminho ao longo da vida e o caminho é feito tão somente ao caminhar. Mas a boa notícia é que não temos que fazer o caminho sozinhos e podemos recorrer a um poder maior que nos dá força e do qual a maioria das pessoas tem consciência. Ainda mais, na medida em que vamos fazendo o nosso caminho, podemos nos ajudar uns aos outros, intercambiar os talentos que recebemos.
Podemos trocar nossas riquezas interiores. Podemos trocar experiências, forças e esperanças. Podemos cooperar uns com os outros. Podemos nos solidarizar. Podemos ser tolerantes. Podermos ser solidários e desenvolver o amor ao próximo. Podemos nos compadecer. Podemos entender que somos irmãos. Assim, Ele não estará apenas no meio de nós, como que espalhado num grupo de seres humanos, mas entre nós. Presente a partir do nosso relacionamento fraterno. Então, teremos condições de vislumbrar o caminho e encontrar a coragem para trilhá-lo.
Como não é possível simplificar as coisas e obter respostas fáceis, é preciso pensar de modo abrangente, aceitar os mistérios e os paradoxos da vida e não desanimar ante a multidão de causas e conseqüências que são inerentes a cada experiência humana. Enfim, aceitar e valorizar o fato de que a vida é complexa.
Agora, vamos ao homem e às suas instituições. No caso do A.A., à Irmandade, como um todo. Aos serviços que definem a ação. O A.A. é uma irmandade em ação.
No mundo em que vivemos, existem as autoridades, os líderes, os governantes, os chefes, o Papa, etc. e, desde pequenos, nos acostumamos a recorrer à autoridade dos nossos pais e a essas outras autoridades. Resumindo, nos acostumamos a procurar uma orientação que vem de fora. Essas autoridades se apóiam em dogmas, em normas estabelecidas ao longo do tempo, na força da imposição, ou seja, numa estrutura de poder, que pode ser definida como a capacidade de mudar o comportamento do outro. Mas tudo isso é muito estranho ao A.A.. Ele é fruto de uma concepção muito melhor, muito mais perfeita do que isso que acabamos de ver.
Historicamente, os co-fundadores eram solicitados para dar orientações, idéias, sugestões ou até para buscar soluções para as novas realidades que iam surgindo em decorrência do fato de o A.A. ser uma Irmandade viva, em ação. Mas eles se deram conta de que as suas vidas eram finitas e que a irmandade, tal como era, tinha que encontrar, em si mesma, os melhores caminhos para continuar viva e em ação.
Seria algo como desenvolver um processo de auto-gestão, gestão que vem de dentro, e esse modelo se assenta no processo de busca da consciência coletiva que se constitui no alicerce desse modelo. É a chave para o seu funcionamento, baseado no fato de que o Poder Superior se manifesta em um determinado momento da troca de riquezas interiores e de cooperação e feita ao longo dessa busca da consciência coletiva.
Procurei estudar, conhecer esse processo e o que me foi possível entender, apreender, está colocado no trabalho sobre consciência coletiva. É a minha visão atual e, por certo, ainda incompleta.
Outro aspecto que gostaria de enfocar é o que revela um paradoxo. Mais presentes do que pensamos nas nossas vidas, apesar do desconforto que causam à nossa formação racionalista. Diz-se até que alguma coisa só é verdadeira quando contém o paradoxo.
É que o A.A. não muda, pois tem princípios sólidos, cuja vitalidade tem-se mostrado extraordinária ao longo de 72 anos da sua existência. Não muda mas muda. Aí está um paradoxo.
Os animais pré-históricos que não mudaram também não mais existem e o A.A. não tem vocação para se tornar um dinossauro. O fato é que não muda na sua essência, mas se renova, se adapta, se atualiza a cada ano, porque a cada ano se repensa, se mantém com vitalidade renovada, mais especificamente, após cada Conferência.
Essa é a idéia-força que está subjacente a todo o processo da Conferência e que precisa ser identificada. Alias, é essencial que seja identificada para que os membros que dela participam tenham plena consciência da importância do trabalho que realizam.
A Conferência tem uma exterioridade, ela é bonita, mas tem, sobretudo, uma essência, um conteúdo interior maior e mais importante. Tem uma roupagem e um corpo igualmente muito bonito e, por certo, mais importante.
Um outro aspecto que é preciso destacar é que a realidade com que, a todo o momento, nos defrontamos não tem nada de simples. O mundo não é feito apenas em preto e branco, mas também de muitos tons de cinza e de todas as cores e suas nuances. A realidade se apresenta sempre sob múltiplos aspectos. Frequentemente, não somos capazes de identificar, sozinhos, toda a complexidade de uma determinada situação. Mas, se ela for analisada também por outros companheiros, aí teremos a possibilidade de, participando da busca conjunta da consciência coletiva, alargar o nosso campo de visão e conhecer melhor para melhor decidir e melhor agir.
Finalmente, vale ressaltar que, se a Conferência é colocada frente às realidades do A.A. do Brasil, isso não levará à conclusão de que resultariam irmandades muito diferentes nos diversos países do mundo. E isso porque são realizadas reuniões mundiais, a cada dois anos, em que numerosos países participam e nas quais também se busca a consciência coletiva, a integração em um só corpo, sendo que as diferenças locais apenas enriquecem o todo e o A.A. será eterno, enquanto assim funcionar.

O que é consciência coletiva?
É uma condição a que se chega por meio da participação de todos os membros que compõem um grupo, usualmente em reuniões de serviço, por meio de um processo no qual se busca o conhecimento mais completo de algum assunto ou a solução para um determinado problema que tenha sido colocado em estudo, podendo resultar em se optar por ações que, eventualmente, irão ser empreendidas.

Como se desenvolve o processo?
Dando a oportunidade e até mesmo solicitando que todos os membros presentes e participantes de uma reunião para que ofereçam as suas contribuições, tanto para o estudo de um problema quanto para a sua solução. Isto significa que ninguém deve ser excluído, que ninguém deve ficar de fora. É indispensável que o coordenador seja suficientemente hábil para conter os que procuram impor as suas vontades e pontos de vista e, para isso, deve limitar o tempo de que cada membro irá dispor para apresentar a sua contribuição e, ao mesmo tempo, será necessário oferecer aos mais retraídos a mesma oportunidade e o mesmo espaço de tempo para participar no processo de busca da consciência coletiva. Não só oferecer, mas, muitas vezes, será necessário até solicitar que os mais tímidos apresentem os seus pontos de vista. O poder coletivo, desse modo, contém o poder individual, a grandiosidade do alcoólico.
Numa primeira rodada, em que cada um dos participantes da reunião, de forma seqüencial e ordenada, expõe a sua opinião acerca do assunto em estudo, pode ocorrer que as colocações fiquem muito distantes umas das outras, mas, quando se faz uma nova rodada de opiniões na qual se busca um melhor entendimento acerca do assunto, observa-se que, após pensar e meditar por algum tempo acerca do que havia sido colocado por cada um dos companheiros, anteriormente, as opiniões então emitidas vão tendendo para uma área mais central, vão ficando menos distantes entre si, vão convergindo em torno de uma idéia ou decisão que, num certo momento, surgirá como sendo apoiada por uma substancial unanimidade. As opiniões vão gradativamente tendendo para um ponto central. Não há limitação quanto ao número necessário de rodadas nem quanto ao tempo que cada uma irá consumir. O processo deverá demorar o tempo que for necessário. O que se verifica é que, numa primeira rodada, os companheiros usam a palavra para expressar apenas opiniões, na maioria dos casos, e as opiniões formam, no seu conjunto, uma plataforma instável. Já, numa segunda ou terceira rodadas, o que se observa, frequentemente, é que as colocações são mais elaboradas, mais estudadas, já se apresentam como convicções e ainda que, pela multiplicação das vias de abordagem, faz-se um esforço para pensar de modo mais claro e profundo sobre o assunto em tela.
Todos devem ser ouvidos, é necessário que haja ampla participação, os assuntos precisam ser estudados por completo e detalhadamente diante do fato de que as decisões a serem tomadas são sempre importantes. Esse processo pode exigir um longo tempo de participação e de maturação, um esforço prolongado por parte dos participantes, e, às vezes, é conveniente que se decida por uma parada, por um momento de relaxamento para tomar um cafezinho. O importante é que não haja pressa.
Como decorrência do fato de que todos têm igual direito de participar e de opinar, resulta que o poder coletivo atua de modo a limitar o poder individual. A linguagem, o diálogo e a discussão de um determinado tema atenuam as posições conflitantes. Como todos podem interrogar, questionar e contra-argumentar, resulta que a razão supera a força e controla o exercício do poder. A linguagem tende a ser racional e as discussões pressupõem a apresentação de justificativas, de argumentos e todos devem estar abertos ao questionamento. Como nenhum companheiro detém a verdade em um sentido completo e absoluto, o processo decisório passa pela superação de diferenças e implica na convergência em torno do interesse comum e dos objetivos orientados pelos princípios de A.A., para se chegar ao consenso. As diferenças e divergências existentes podem ser superadas por meio do entendimento mútuo e diante do interesse comum.
O consenso, como forma de tomar decisões, implica em que deve haver um espaço para justificar, explicar, persuadir e convencer e que deve ser concedido a cada um dos participantes da reunião a mesma oportunidade, não cabendo dispor de força, privilégio ou autoridade especial. Portanto, não deverá existir condições para a imposição, para a violência ou para o privilégio, que são formas de exercício do poder. A razão se sobrepõe à força e é uma das formas de controle do exercício do poder. O uso de linguagem adequada torna o ambiente racional, e nele, as discussões têm o seu fundamento na apresentação de justificativas e de argumentos num ambiente que deve ser aberto à interpelação e ao questionamento.
Ocorre, na busca da consciência coletiva, que os companheiros entrem num processo de reflexão, de flexão sobre si mesmos, que olhem para dentro, quando então, frequentemente, descobrem que não sabem tanto quanto pensavam sobre o assunto que está sendo tratado resultando que se tornem mais humildes e tolerantes e assumam atitude mais sóbria. Cada um dos companheiros presentes numa reunião de serviço exercita a sua capacidade de apreciar uma determinada questão, de desenvolver a imaginação e de cultivar a mente aberta. Assim é que funcionam as coisas no âmbito do que é humano, com a pluralidade e a relatividade essenciais que lhe são próprias. Fatos e opiniões, embora distintas, não estão necessariamente em oposição uma vez que fazem parte de uma mesma realidade.
Talvez a reunião se prolongue bastante e é possível que poucos itens de uma agenda sejam abordados ou ainda que poucas decisões sejam tomadas, mas o que é preciso ter em mente é que o processo em si é o fato mais importante e isso porque tem valor terapêutico. Ele vale, em primeiro lugar, pela evolução e pelo crescimento espiritual que propicia. A Irmandade de Alcoólicos Anônimos não é uma empresa em que a eficiência e o uso do tempo ficam em função dos resultados esperados e dos objetivos fixados por um processo administrativo. Em Alcoólicos Anônimos, tempo não é dinheiro; é saúde, é recuperação, é crescimento espiritual, sobretudo. A Irmandade de Alcoólicos Anônimos é uma Irmandade em que todos procuram deter a sua doença e entrar num processo de cura, não física, mas psicológica e espiritual e a participação no serviço, especialmente no processo que leva à consciência coletiva, tem grande importância para a recuperação e para que se possa alcançar a serenidade. O próprio processo da busca da consciência coletiva é, pela sua natureza, uma maneira de diminuir a velocidade que impomos às nossas vidas, de evitar o estresse. Nele tudo se desenvolve sem obcessividade e cada membro participante vive um agora mais longo, mais demorado.

Por que é importante chegar à consciência coletiva?
Porque é um processo sábio, do qual não sairão vencedores nem vencidos. Porque, pela ampla participação, todos aceitam, ao final e ao cabo, e sem resistências psicológicas, as decisões que foram acordadas e ainda porque, em face da ampla participação, todos se sentem igualmente responsáveis pelas ações que serão tomadas e também pelas suas conseqüências. Numa visão maior, até mesmo pelos destinos da Irmandade de Alcoólicos Anônimos.
O usual é que procuremos ser mais espertos e controlar uns aos outros em função de objetivos individuais ou dos interesses de pequenos grupos e isso costuma ocorrer ao nos comportarmos seguindo o modelo que recebemos no decurso das nossas vidas.
A atitude mental que se assume ao participar do processo em que se busca a consciência coletiva é a da procura da verdade em relação a uma determinada situação ou problema que está em apreciação. Ao se colocar nesta posição e abandonar a busca de provas de que está certo, o companheiro entra em contacto com uma verdade maior, transcendente, unificada e unificadora, que se manifesta no decurso do processo e, por outro lado, o desejo de buscar a verdade para uma determinada situação desperta a inspiração, cria um certo tipo de receptividade. A partir desta posição madura o companheiro se questiona se realmente o que vê é tudo que diz respeito ao problema em estudo e, usualmente, chega à conclusão de que a sua visão não é tão abrangente quanto imaginava. Passa a admitir que existem aspectos enriquecedores na visão de cada um dos outros companheiros que participam da reunião e o que há de inadequado na sua, o que traz alívio das tensões e facilita o desenvolvimento do processo.
O companheiro se dá conta de que não estava tão certo quanto pensava. Ganha conhecimento acerca de aspectos do problema que não havia identificado anteriormente. Passa a ver não somente o seu lado, a sua pequena verdade, mas uma verdade maior, mais abrangente. Colocar-se neste ato de busca da consciência coletiva, de querer a verdade ou o que é mais conveniente para a solução de determinado problema, leva a renunciar ao que antes se apegava, àquilo que via como sendo a sua verdade. É estar disposto a ver além da sua perspectiva, do seu ângulo de visão. Nas relações humanas, aquele que só conhece o seu lado, em relação a um determinado assunto em estudo, sabe realmente pouco em relação a ele. Acresce ainda que, no caso de um grupo de companheiros, quando em cooperação, o todo humano que se forma é maior do que a soma das suas partes, de modo que cada membro poderá realizar, em conjunto com os outros, mais do que conseguiria se estivesse sozinho ou em grupos sem esse entendimento.
Participar do processo que leva à consciência coletiva traz ganhos espirituais importantes para o membro de A.A., ameniza o ego e muda o seu comportamento quando, em decorrência, deixa de cultivar a separação. Acontece um importante ganho, um crescimento espiritual de grande valor para a recuperação do alcoólico.
O companheiro desiste da necessidade de vencer as pessoas com quem convive e da qual resulta, freqüentemente, em estar separado, isolado. Desiste de ser especial, diferenciado dos outros e de estar sempre com a razão, de querer que as coisas sejam do seu modo. A integração aperfeiçoa a sua individualidade, enriquece-o como indivíduo, o inclui na comunidade dos humanos e jamais diminui a sua dimensão pessoal.
Por meio da consciência coletiva, os conflitos podem ser resolvidos sem derramamento de sangue físico ou emocional e, mais ainda, com sabedoria. Sempre que se busca adequadamente chegar à consciência coletiva, os gladiadores baixam as armas e os escudos e se tornam hábeis em ouvir e entender e, sobretudo, em respeitar e aceitar os dons dos outros, bem como as suas limitações. Ao longo da busca da consciência coletiva, aceitamos que somos diferentes, mas que, por outro lado, estamos ligados aos demais membros pelas nossas feridas e pelo fato de estarmos aprendendo a lutar juntos, mais do que uns contra os outros. Os conflitos são resolvidos. Os membros aprendem a desistir de facções e de compor pequenos subgrupos. Aprendem a ouvir mutuamente e a não rejeitar.
O silêncio de quem escuta representa uma abertura, uma disponibilidade em relação ao outro. É como criar uma zona de silêncio que significa confiança no outro. Dar um lugar aos outros é indispensável para que possamos desenvolver a nossa relação existencial. A amabilidade do acolhimento, da abertura, não exclui a personalidade de quem escuta, daquele que procura o verdadeiro em meio a múltiplas verdades. Só assim se chega à plenitude do diálogo. É como viver as tarefas do mundo tais como elas se apresentam. A vida é então realizada e confirmada na concretude de cada instante, de cada dia.
A busca da consciência coletiva é uma experiência importante para por fim aos conflitos, pois, durante o processo de busca, não procuramos tirar a energia dos outros companheiros. Sempre que alguém sai vencedor, o perdedor fica deprimido, em baixa. Mas se procuramos a consciência coletiva, estaremos recebendo energia de uma outra fonte, do Poder Superior.
Na consciência coletiva está contida a filosofia do diálogo, da relação entre os membros de AA. O que importa é uma relação desenvolvida no diálogo, na atitude existencial do face-a-face, na vibração recíproca. O diálogo assim desenvolvido abre novas perspectivas em relação ao sentido da existência humana de cada um dos membros participantes porque está voltado para um novo projeto de existência e não para um passado nostálgico. O processo da busca da consciência coletiva estabelece uma nova relação entre os membros de A.A. e, numa visão maior, entre os seres humanos.
Só seria possível pensar na libertação do alcoolismo a partir da libertação do próprio alcoólico das múltiplas prisões do seu egoísmo congênito, uma vez que a liberdade se encontra no compartilhar de experiências, forças e esperanças e no despertar do outro que ainda se encontra nas garras do alcoolismo. Os membros de A.A. não cessam de se enriquecer pela convivência com outros companheiros, cujas possibilidades são multiplicadas ao infinito pela magia dos seus poderes, sempre renovados, enquanto praticando o programa de recuperação. O amor ao próximo lhe dará a chave de todas as prisões, da própria libertação, da saída para uma nova vida.

O conjunto das relações sociais tende, naturalmente, ao conflito e às contradições.
Finalmente é preciso estar sempre alerta para o fato de que a fronteira entre o bem-estar, a felicidade e a alegria de vivermos numa autêntica comunidade e o conflito, o desgaste emocional e o perigo de uma recaída está em nós mesmos. Nós somos o teatro de uma luta contínua entre as forças da vida e da morte. Tudo depende do que fazemos a cada dia, a cada instante entre o bem e o mal, pois que estão estreitamente relacionados – “o inferno não é separado do paraíso senão pela espessura de um fio de cabelo”. Neste ponto, nesta escolha, está a possibilidade do surgimento de uma nova realidade, de um novo impulso que pode levar à realização plena das mais radiosas perspectivas que podemos ter a partir da infinita riqueza contida nos Legados de A.A. e, ainda, a possibilidade de que esse novo impulso abra as portas do sonho, tão necessário à própria sobrevivência, ao mesmo tempo em que abra as portas do caminho de salvação para outros alcoólicos.
A prática da Segunda Tradição é indispensável para que o conjunto de companheiros que compõem as reuniões de serviço possam chegar à solução de problemas e encontrar caminhos para a Irmandade como um todo. Essa prática determina a qualidade do trabalho realizado e os resultados das grandes reuniões, como as que ocorrem nas conferências de serviços gerais, nas inter-áreas, nas áreas, nas reuniões de distrito, etc. e até mesmo nas reuniões que contam com um menor número de companheiros, como usualmente ocorre nas reuniões de serviço dos grupos. É a aplicação prática de um conhecimento que harmoniza o conjunto das relações sociais, que naturalmente tendem ao conflito e às contradições, e evita o domínio do homem sobre o homem, além criar condições para que ocorra a emancipação humana.

Se consultada a consciência coletiva, as decisões são realistas.
A ampla participação assegura que a realidade seja conhecida nos seus mais diferentes aspectos, que nenhuma particularidade seja omitida, que nenhuma conseqüência das decisões a serem tomadas deixe de ser considerada e avaliada. O estudo resulta sempre completo porque é o resultado da soma de todas as experiências, de todas as visões. Significa que se estuda e se decide com segurança.
Freqüentemente, o nosso narcisismo nos faz sentir que somos os guardiões de uma estrutura frágil e ameaçada e que, se não fosse por nós, tudo já estaria perdido. Isso é a manifestação de que algo está errado com a nossa saúde mental e espiritual e que é preciso colocar, lado a lado, a nossa realidade com a que é percebida pelos irmãos em quem confiamos. O fato é que a verdade compartilhada é poderosa, eleva o espírito e é por isso que interagimos quando participamos das atividades do grupo ou das que são mais ligadas ao serviço. Freqüentemente a verdade é um processo, o resultado de uma relação entre nós mesmos e os outros, que dá à verdade maior clareza e brilho. Precisamos de coragem para ver a verdade, mas ela nos fortalece, e estar dentro da realidade significa não estar alienado. Ocorre uma confiança no diálogo, na busca comum da verdade.
No conjunto, o grupo sempre aprecia melhor porque inclui membros com muitos e diferentes pontos de vista e com a liberdade assegurada de expressá-los por meio do processo que busca a consciência coletiva. Incorpora-se o claro e o escuro, o sagrado e o profano, a tristeza e a alegria, a glória e a lama e é por essa razão que as decisões são bem elaboradas. Não é provável que se deixe de apreciar algum aspecto importante. Como cada membro representa um padrão de referência e, se eles são muitos, o grupo de trabalho se aproxima mais e mais da realidade. As decisões são realistas e usualmente seguras.

Não ao totalitarismo
É comum pensar que as diferenças possam sempre ser resolvidas por uma autoridade maior. No passado de cada um de nós, era costumeiro apelar para a intervenção do pai ou da mãe para o entendimento de situações e para a solução de problemas. Procura-se freqüentemente até apelar para um ditador benevolente. Mas Alcoólicos Anônimos, em favor da maturidade dos seus membros, nunca pode ser totalitário.
Nós nos acostumamos, ao longo da nossa vida, a aceitar certas formas de autoridade que sempre serviram como orientação para definir a realidade em que vivemos e, sem ela, nos sentíamos confusos e perdidos. Mas a busca da consciência coletiva passa a ser o exercício através do qual sempre, e em grupo, encontramos a orientação, sempre conhecemos de uma maneira mais completa a realidade e, é bom acentuar, sem a necessidade de qualquer autoridade que não a do Poder Superior. No decurso do processo de busca da consciência coletiva, acontece o retorno da sensação de segurança, agora sob uma forma mais espiritualizada, a segurança espiritual.
A maneira menos primitiva de se resolverem as diferenças individuais é a de apelar para o que chamamos de democracia. Pelo voto, determina-se o lado que prevalece. A maioria governa. Mas este processo exclui as aspirações da minoria. Diferentemente, o processo de tomada da consciência coletiva inclui as aspirações da minoria. É como transcender as diferenças pessoais de modo a incluir, na mesma medida, a minoria. Entrar no processo que leva à consciência coletiva é ir além da democracia. Recorrer ao voto não é a solução. Apenas o consenso integra as minorias e, em realidade, até evita a sua formação. O processo pelo qual se chega ao consenso é uma aventura porque não se pode antecipar o que vai resultar, é algo quase místico e mágico, mas que funciona.
Durante o processo de busca da consciência coletiva, a autoridade fica descentralizada. Não há líderes e, ao mesmo tempo, todos são igualmente líderes. Há um verdadeiro “fluxo de liderança”. Os membros se sentem livres para se expressar e para oferecer as suas contribuições e o fazem no exato momento e na devida dimensão. Há lideranças. É o espírito de comunidade que lidera e não o individualismo.

O desenvolvimento da humildade
O processo de busca da consciência coletiva atenua o individualismo áspero que leva à arrogância e isso se faz por meio da limitação da participação e ao evitar preponderância e excessos – a velha prepotência e a conhecida manipulação. O poder individual só é contido, só é limitado, pelo poder coletivo. Este é um princípio fundamental. É exatamente o que acontece no processo de busca da consciência coletiva.
Desenvolve-se, nos membros do grupo de trabalho, um individualismo ameno que leva à humildade. Durante o processo, as dádivas de todos são apreciadas e também reconhecidas as próprias limitações e isso está na base da aceitação das nossas imperfeições. “Conhece-te a ti mesmo” é uma regra segura para chegar à humildade.
Nesse momento, fica muito claro que o problema não é a dependência e sim a real interdependência. Não só os membros se tornam mais humildes, mas também o grupo como um todo.

O grupo como um lugar seguro
As pessoas se tornam mais amenas quando participam do processo de busca da consciência coletiva porque se olham através das lentes do respeito. O grupo se torna um lugar seguro porque há aceitação e compreensão, e as pessoas sentem com uma intensidade nova o amor e a confiança. Desarmam-se. Passa a haver a paz e, sobretudo, os membros aprendem a fazer a paz.
É também um lugar seguro porque no grupo ninguém está tentando curar, converter ou mudar o outro e, paradoxalmente, é exatamente por isso que a evolução espiritual e comportamental e, ainda, a conversão acontecem. No grupo, as pessoas são livres para serem elas mesmas, livres para procurar a própria saúde psicológica e espiritual. Tudo isso faz do grupo um lugar seguro em que as pessoas podem abrir mão das suas defesas, das suas máscaras, dos seus disfarces. Aceitamos ser vulneráveis, expor as nossas feridas e fraquezas, e assim fazendo, aprendemos também a ser afetados pelas feridas dos outros. O amor surge nesse compartilhar e isso é possível porque abrimos mão da norma social de pretender sermos invulneráveis.
Num lugar seguro, as pessoas se desarmam e aprendem a fazer a paz, que nasce do processo de busca da consciência coletiva.

Um estado de espírito muito especial
Quando nos preparamos psicologicamente para participar de uma reunião de serviço em que se vai à busca da consciência coletiva e nos sujeitamos ao processo que leva a ela, resulta o surgimento de uma atmosfera tal que, paradoxalmente, nela as pessoas falam mais baixo e, no entanto, são mais ouvidas. Nada é agitado e não se forma o caos.
Pode haver discussão e luta, mas ela é construtiva e move-se em direção ao consenso. Em realidade, entra-se no processo de formação de uma verdadeira comunidade.
Esse estado de espírito é indispensável para que se possa estar aberto para a manifestação do Poder Superior. Para a inspiração e para a voz do Espírito Santo.
Quando nos dirigimos para uma reunião de serviço, não podemos imaginar qual será o resultado dos trabalhos nem devemos interferir nele. O processo de formação da consciência coletiva é verdadeiramente um mistério.

O estado de espírito de quem vai para uma reunião de serviço
Quando se vai para uma reunião de serviço, é preciso ter em mente que a intenção, a idéia, é levar tão somente uma contribuição, uma experiência pessoal. É preciso lembrar sempre que o todo é formado pelas partes e que cada um de nós não é senão uma parte, mas uma parte realmente importante. Cabe ainda lembrar que as nossas experiências são tanto o fruto das nossas vivências, e por isso são muito ricas, quanto limitadas à esfera pessoal. Ao mesmo tempo, precisamos ter a consciência do valor da contribuição que podemos dar, mas também a de que ela será parte de um todo, de um conjunto maior, que se formará a partir das contribuições de cada um dos que estarão presentes à reunião.
O que fica dessas considerações é que a atitude de humildade é indispensável se se deseja chegar à consciência coletiva. É aceitar que, pelo menos diante do fato de se estar frente a uma manifestação do Poder Superior, a prepotência, a arrogância, o narcisismo e a agressividade possam dar lugar à humildade e à aceitação daquilo que irá resultar da soma de todos os conhecimentos e contribuições, mas, sobretudo aceitar que ao final se chegará ao melhor caminho, à melhor solução, à melhor decisão.

O que acontece quando não se busca a consciência coletiva
Muitas coisas podem acontecer. A realidade pode ser distorcida e as conclusões ou decisões podem não ser as mais sábias ou convenientes. Parte dos que compõem o grupo pode ficar excluída dos trabalhos, por ser constituída de membros mais tímidos ou por estarem dominados pelos mais prepotentes, pelos que melhor fazem uso da palavra.
Pode ocorrer que, antes de uma reunião, os componentes do grupo procurem contactar outros membros para lhes convencer acerca das suas pretensões ou postulações ou, simplesmente, conseguir adesões ou fazer acordos. Obviamente, a consciência coletiva estará sendo manipulada e aí poderiam os mais doentes chegar ao seu “dia de glória”, pois teriam manipulado até mesmo o Poder Superior. No entanto, nessas condições, a consciência coletiva não se estabelece e Ele não fala. Talvez falem outras vozes menos divinas.
Quando não se busca a consciência coletiva, o que usualmente acontece é correr o sangue emocional e até mesmo o físico. Usualmente a luta se estabelece, mas ela não leva a nada porque é caótica, é barulhenta e não construtiva.
As agressões tornam as reuniões cansativas e os resultados são nulos ou diminutos. As reuniões se tornam tanto desagradáveis quanto improdutivas. É um conflito sem frutos e que vai para lugar nenhum. As pessoas tornam-se prisioneiras das suas raivas, dos seus ressentimentos e das suas ambições pessoais desmesuradas. Outros procuram concertar as cabeças, convencer ou curar os seus companheiros e isso, muitas vezes, pode até parece ser coisa de amor, mas o fato é que fazem isso para o seu próprio conforto, em seu favor.
É fundamental que busquemos a complementação sempre que opiniões diferentes ou contrárias às nossas forem apresentadas. Devemos buscar, nessas situações, o sentido de existir, de ser. Devemos identificar, na existência dos opostos, o sentido da complementaridade. Sempre que nos incompatibilizamos uns com os outros é porque estamos medindo forças e assumindo posições antagônicas. Se buscarmos o sentido do complementar, poderemos reverter o antagonismo e somar as nossas potencialidades em torno de um propósito comum. Desse modo, não perdendo o nosso ponto de vista, identificamos um sentido maior que é a grande manifestação da Consciência Coletiva.

A insensatez
Quando não se busca a consciência coletiva, a insensatez se estabelece no grupo. Isto é, passa-se a agir de forma contrária aos próprios interesses, de forma contrária à apontada pela razão. Exatamente ao contrário da sabedoria que está no exercício do julgamento atuando com base na experiência e no uso das informações disponíveis.
No caos e na manipulação, buscam-se as atitudes contrárias aos interesses da Irmandade de Alcoólicos Anônimos, não obstante as advertências desesperadas de alguns e da existência de alternativas melhores e viáveis. A busca da insensatez torna-se trágica e, dolorosamente, um comportamento dominante. Dominados pelas paixões, os membros do grupo abandonam o comportamento racional, tornam-se passionais. A mitologia grega tinha uma figura para representar a cegueira da razão, o desvario involuntário, de cujas conseqüências os companheiros depois se arrependem, chamada Ate, filha de Eris, deusa da discórdia e da disputa. Tomados de cega insensatez, as vítimas da deusa se tornam incapazes de realizar uma escolha racional, de distinguir entre atos morais e imorais.

Onde e como o Céu e a Terra se tocam
O homem, desde tempos imemoriais, vem procurando fazer contato com as forças criadoras, com o sagrado. Procurou lugares e objetos em que o céu e a terra se encontrassem. Concebeu a montanha e a cidade sagradas, a residência real, a árvore da vida e da imortalidade, a fonte da juventude, etc.
De acordo com crenças indianas, o monte Meru seria uma montanha sagrada e sobre ela brilharia a estrela polar. Na crença iraniana, a montanha Elburz seria o ponto em que a terra estava ligada ao céu. A população budista do Laos considera sagrado o monte Zinnalo. No Edda, o Himinbjorg, que quer dizer “montanha celestial”, é considerado o ponto em que o arco-íris alcançaria a parábola do céu.
Para os povos mesopotâmicos, o Zigurate era a montanha cósmica. Na Palestina era o Monte Tabor. Para os cristãos, a montanha cósmica era o Gólgota, o lugar onde Adão tinha sido criado e sepultado e o sangue do Salvador teria sido derramado sobre o crânio de Adão, servindo para a sua redenção e esta crença ainda permanece entre os cristãos orientais. A cidade da Babilônia, como indica o próprio nome, era tida como a “porta dos deuses” pois era por meio dela que os deuses desciam para a terra.
A idéia de que o santuário reproduz o Universo, na sua essência, passou para a arquitetura religiosa da Europa cristã e para as basílicas dos primeiros séculos, do mesmo modo que as catedrais medievais reproduziam simbolicamente a “Jerusalém celestial”.
O lugar sagrado, o “Centro”, seria a zona da realidade absoluta e lá estariam os seus símbolos: a árvore da vida e da imortalidade, a fonte da juventude, etc. daí a idéia de que a estrada que leva ao “Centro” é um “caminho difícil”. Difícil também a peregrinação aos lugares sagrados como Meca, Hardwar e Jerusalém, feita em viagens cheias de perigos e realizadas por expedições heróicas. A mesma dificuldade encontra aquele que procura caminhar em direção ao seu ego, ao “Centro” do seu ser. A estrada é árdua e cheia de perigos porque representa um ritual de passagem do âmbito profano para o sagrado, do efêmero e ilusório para a realidade e para a eternidade, da morte para a vida, do homem para a divindade. Chegar ao “Centro” equivale a uma consagração; a existência profana e ilusória dá lugar a uma nova existência, a uma vida real, duradoura. Na busca da consciência coletiva o grupo de trabalho procura chegar ao “Centro”, ao ponto mais elevado.
Eu, pessoalmente, considero que é através do processo de formação da consciência coletiva, após percorrer um caminho muitas vezes trabalhoso e difícil, que estabelecemos um contato entre o céu e a terra. É por meio do processo de busca da consciência coletiva que o céu e a terra se tocam. A consciência coletiva é a voz do Poder Superior.
O conceito de substancial unanimidade e a idéia da formação de uma verdadeira comunidade centrada na busca da manifestação do Poder Superior estão na base de uma nova dimensão de divindade e permitirão que a Irmandade de Alcoólicos Anônimos se aperfeiçoe de maneira progressiva e que, por meio da busca da consciência coletiva, os seus membros conquistem a mais absoluta liberdade espiritual, ficando então livres de preconceitos e de sentimentos negativos em relação aos demais companheiros.

Finalmente
Finalmente, é necessário dar passos concretos e assumir atitudes que concorram para que sejam bem sucedidas as reuniões de serviço. Assim, ficam as seguintes sugestões:
É conveniente que os assentos sejam distribuídos em círculo ou que a mesa que se vai usar seja redonda. É uma forma de equilibração e nela não há destaques.
Evite usar as palavras “eu” e “você”. Use o “nós”, de modo a se incluir no grupo.
Dirija-se ao grupo como um todo, mesmo quando falando para apenas um dos seus componentes.
Evite ficar próximo dos mais íntimos. Isso impede a formação de grupinhos separados.
Evite a discussão paralela. Não fique falando baixo com o companheiro ao lado. Alguém pode entender como crítica.
Olhe para quem estiver usando a palavra. É uma atitude de respeito. Não fique alheio à discussão de determinado assunto enquanto se prepara para uma intervenção.
Ao se manifestar, não se afaste do que vem sendo discutido pelo grupo. De outra forma, haverá o risco de se perder o encadeamento, o raciocínio que vinha sendo desenvolvido.
Ao opinar, procure fundamentar a sua contribuição, apresentar algo de valor e não dar apenas um palpite. Diante de um palpite, os demais companheiros devem fazer perguntas como: Por quê? Quando? Onde? Etc., para forçar uma operação mental que resulte em manifestação mais elaborada.
Tenha boa vontade com os tímidos pois que, com essa atitude, irá encorajá-los a participar do grupo.
Não eleve a voz. Não se emocione. Não crie barreiras à comunicação. Não diga não concordo. Discorde sem dizer não concordo.
Às vezes, é bom lançar dúvidas para forçar a reflexão e evitar o dogmatismo.
O coordenador deve evitar o papel de chefe. Quem tem chefe é bando.
Se o grupo não evoluir, em determinado momento será bom fazer uma pausa para examinar o que está dificultando o progresso da reunião. É melhor tomar essa atitude enquanto o grupo está reunido do que deixar que as críticas ocorram depois, o que seria uma atitude desleal para com o grupo.
Os que não entendem do assunto em discussão, por vezes, se mostram lógicos e criativos e apresentam boas contribuições.
Tenha coragem de expor as suas opiniões, de oferecer sua experiência. Corra o risco de ser contestado, é natural. Não fique só na colocação das dúvidas.
Evite a palavra acho, até porque às vezes o companheiro que assim se manifesta, está mais do que convicto. Se tiver dúvidas, abra o jogo.
Seja generoso. Elogie. Estimule os companheiros do grupo.
Se estiver muito acima do grupo em determinado assunto, não dê aula. Procure fazer perguntas inteligentes que despertem idéias.
Passe a bola para poder recebê-la de volta. O processo se tornará mais dinâmico e produtivo.
Nunca procure derrotar um companheiro presente a uma reunião. Você não veio para isso. O que se espera é que contribua com a sua experiência pessoal. Lembre-se de que o companheiro derrotado em público jamais o perdoará. Isso fere muito.
Se for tímido, procure acompanhar a evolução do assunto em estudo e isso já é uma forma de participar e de evoluir.
Evite as expressões: “é claro” e “você não entendeu”. Não culpe o grupo quando não for entendido. A reunião evolui melhor dizendo: “talvez eu não tenha sido muito claro”.
Estimule todos os companheiros presentes a prestar o seu esclarecimento, a dar a sua contribuição. Por outro lado, não seja paternal. Lembre-se de que todos têm igual responsabilidade pelo êxito da reunião.
O dominador costuma usar a expressão: “ninguém quer trabalhar” e o tímido se queixa de que “não o deixam participar”. Mas a verdade é que ambos demonstram a sua imaturidade.
O objetivo de cada um é cooperar. Não cabe obedecer, uma vez que todos têm o mesmo direito de participação.
É preciso que todos ofereçam as suas contribuições, a sua experiência. Participe e não fique na posição confortável de omisso. Participe, mesmo que tenha que enfrentar dificuldade em ser ouvido.
Não se alongue em excesso. Prolixidade é manifestação de falta de clareza. Ser objetivo e sintético demonstra inteligência. Falar em demasia é, às vezes, um recurso usado por quem tem o desejo de emperrar os trabalhos do grupo.
Participar implica em assumir responsabilidade de modo que se ocorrer que um companheiro não se sentir responsável, é porque não participou, não fez parte do grupo.
Evite usar frases feitas. Não empobreça o grupo. Seja criativo.
Não se impressione com a pretensa superioridade que algum participante do grupo possa ter em relação aos outros. É indispensável que haja reciprocidade para que ocorra a participação de todos.
Não se sinta desconfortável quando demonstrar o seu entusiasmo. Participe de corpo e mente. Somos seres humanos. Estamos vivos.
Evite ser duro com os companheiros ao assumir atitudes racionais e lógicas. Ser lógico, sim, mas com amor. Igualmente, amor sem lógica é sentimentalismo, e não ajuda.
Aceite as pessoas, derrube as barreiras psicológicas. Deixe-se evoluir e contribua para a evolução dos outros. É preciso não ser impermeável e avaliar com boa vontade os pontos de vista dos companheiros. Só assim se estabelecerá um diálogo enriquecedor.
Não seja deslumbrado. As pessoas são perspicazes e críticas.
As dificuldades não devem desencorajar o grupo. É possível ir comendo o mingau quente pela beirada.
Se for inevitável a votação, que pelo menos ocorra uma longa discussão acerca do assunto de modo a alcançar substancial unanimidade.

COMUNICAÇÃO: BASE FUNDAMENTAL PARA UM BOM SERVIÇO NO TERCEIRO LEGADO

COMUNICAÇÃO: BASE FUNDAMENTAL PARA UM BOM SERVIÇO NO TERCEIRO LEGADO

Prezados Companheiros: – Hoje, nos reencontramos!

A todo momento conversamos com nós mesmos, seja para definir e avaliar sentimentos, emoções, comportamentos e atuações ou seja para emitir opiniões, formular idéias ou ainda, aprofundar pensamentos e buscar compreender o sentido daquilo que ouvimos e vivemos no dia-à-dia.
Todo ser humano procura se comunicar, mas é muito comum encontrar pessoas que não conseguem interagir umas com as outras.
Dentro de uma comunicação, a clareza e a forma como a mensagem é transmitida, “pedem” de nós um comprometimento pessoal.
Por definição,“Comunicação é um processo pelo qual as pessoas tentam expressar o que pensam e o que sentem para os outros, como também destes, vir a tê-la em reciprocidade. Nesse sentido, é importante sabermos ouvir e escutar para sermos ouvidos e escutados por alguém”. Não é diferente para nós, quando estamos realizando um Serviço de Alcoólicos Anônimos!
“A comunicação é uma troca de idéias e informações. Não é o que se diz, mas o que o outro entende sobre o que estamos dizendo! Ela é mais do que apenas dizer palavras. Ela entra em todas as facetas de nossas atividades cotidianas e relações pessoais. Ela melhora o nosso relacionamento interpessoal e nos faz aceitar mais e melhor os outros, principalmente depois de conhecer as suas virtudes ou limitações. Quando existe clareza, o que anima uma comunicação e o que a torna mais cativante são o tema, as pessoas e os relacionamentos que passam a existir entre elas”.
“As comunicações são como uma via de duas mãos, e a tarefa de comunicar-se não está concluída até que haja compreensão, aceitação e uma ação resultante. A finalidade da comunicação é afetar comportamentos. É trazer esclarecimentos dentro de uma informação. Um erro comum é o de se emitir orientações por escrito e se acreditar que sua interpretação será desta forma mais precisa do que a verbal, sem a possibilidade de problemas na sua receptividade. Há a necessidade da interação, levando-se melhores esclarecimentos e despertando-se o interesse pelo assunto. Por isso, a razão dos valores que devemos dar as interações e aos processos de trocas e aos relacionamentos, senão tudo cai de água abaixo e continuaremos fazendo descaso em cima de descaso, mais preocupados com o que vamos dizer”.
Comunicação é para os nossos trabalhos do Terceiro Legado mais do que um requisito fundamental. Ela é essencial para o conhecimento do Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos, tanto pelo membro quanto pela Sociedade. Ela é o elo de ligação para o bem estar e para uma continuidade saudável das atividades desenvolvidas pelo 3º Legado – Serviço em AA.
Os membros de AA que se interessam pelos Serviços da Irmandade, normalmente se apegam as atividades como um gesto de sobrevivência. Isto porque, a ausência de atividades leva também ao doente alcoólico o aparecimento de doenças físicas e mentais, que não têm nada a ver com o alcoolismo (embora ele atribua ao alcoolismo). Como exemplo, a auto-desvalorização, o declínio da auto-estima, a desmotivação ou o isolamento social, para não falar do tenebroso afastamento do Grupo, que ocorre na medida em que o tempo passa e também, quando “as coisas melhoram…”
Vejo portanto, que praticar o Terceiro Legado, significa também ingerir “um comprimido de milagrosa medicação” para a nossa saúde, que com o passar dos anos normalmente dá os seus sinais com o avançar da idade e na medida que completamos mais anos de Sobriedade! E entendo que é fundamental fazer esta comunicação e alerta à nossa Comunidade, que ainda tem dúvidas sobre os Serviços em AA.
Eis uma comunicação importante e faço-a agora: Em outubro de 2008, a Irmandade de Alcoólicos Anônimos já existia em 180 países, com 113.168 Grupos, com mais de Dois milhões de membros, tendo o Livro “Alcoólicos Anônimos” em 58 idiomas e mundialmente contando com a existência de 61 Escritórios de Serviços Gerais. Mas, continua necessitando dos nossos Serviços!
Outra comunicação que nos faz muito bem lembrar, como Servidores, diz respeito a nossa política de Relações Públicas, quando em 1973 a Conferência de Serviços Gerais (EUA/Canadá) confirmava que: “temos de reconhecer que nossa competência para falar de alcoolismo se limita ao tema de Alcoólicos Anônimos e seu Programa de Recuperação”. Sapateiro, não vá além de suas chinelas, foi o que nos foi dado a entender! É uma comunicação básica, clara e fundamental.
Na verdade, já em junho de 1960, o nosso co-fundador Bill W. previa alguns desafios, tendo em vista o crescimento tão vertiginoso de nossa Irmandade: – dizia ele em um artigo, “Para onde vamos a partir de agora? Quais são nossas responsabilidades para hoje e para o amanhã?
As respostas a estas perguntas vem sendo respondidas na medida que nossos Servidores se dispõem a praticar o Terceiro Legado. Será que estamos fazendo tão bem como deveria ser, o “Alcoólicos Anônimos Amanhã”, imaginado pelo nosso co-fundador? Será que estamos retribuindo a dádiva recebida? Será que não estamos nos acomodando? Pergunto: Como será Alcoólicos Anônimos, depois de Amanhã…? Onde erramos? Onde acertamos? Onde podemos corrigir? Onde está o Amor? Onde está o Perdão? Onde está a Espiritualidade? Onde está a Gratidão?
Para que a mensagem de AA possa ser divulgada corretamente, sem banalização, há a necessidade de conhecermos o Programa de Recuperação, seus Princípios e como funcionam os segmentos organizados dentro da Irmandade, seus Representantes, seus Encargos, seus níveis de responsabilidades e autoridades delegadas. De outra forma, sempre haverá retrocesso…
Uma ação bem coordenada e de forma organizada, proporciona o alcance da Sobriedade e da mensagem de AA a um número maior de empresas públicas e privadas, clínicas e hospitais, escolas e universidades: Nossos grandes multiplicadores da mensagem. Para isto, o entendimento do 3º Legado, precisa ser claro, aberto, preciso, transparente e responsável. Estes atributos só acontecem se houver uma comunicação clara e objetiva, sem distorções, de forma com que o receptor possa receber a mensagem sem ruídos e possa repassá-la para a Comunidade AA.
A imprensa e o rádio no Brasil, desde os anos da década de 1950 vem abordando temas sobre Alcoólicos Anônimos. Nos últimos anos temos presenciado, principalmente a Televisão mostrar, como funcionam os grupos de AA. Isto ocorre desde o ano de 1975 (com a novela “Meu rico português”). Nestas ocasiões, além de enaltecer a credibilidade e a importância de AA e da mensagem de esperança e amor ao alcoólico que ainda sofre, prestam um valioso serviço de comunicação e informação correta à Sociedade. Somos imensamente gratos. Quantos novos companheiros e quantas novas companheiras chegaram aos Grupos e hoje reconhecem o valor daquelas comunicações! Foram muitos, muitos…e muitas!
Por outro lado, outro meio de comunicação que está sendo bastante pesquisado está sendo a Internet. Ai, convém checar as informações! Elas são variadas! Elas devem ser filtradas, pois devido a liberdade de expressão não há um comprometimento e se identifica a existência de assuntos controvertidos e alguns outros que banalizam o conteúdo da mensagem de AA. Eis porque uma comunicação necessita ser eficaz.. Sua eficácia traduzirá a mensagem correta e esta será de grande valia aos interessados no Programa de AA e a todos aqueles que atuam no 3º Legado.
Todo o empenho que se faz buscando atrair o alcoólico para um grupo de AA denominamos como Serviço. Atrair um novo membro a um grupo é um momento muito mágico e acompanhar a Recuperação do alcoólico é uma dádiva de Deus, porque ali também estamos todos nós, em Unidade recebendo-o, e juntos, repassando adiante a dádiva da Sobriedade! É a comunicação afetiva. É o resultado do nosso único propósito primordial – Transmitir, comunicar, levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre!
Ferramentas para o trabalho do Terceiro Legado e espaço para todos que o queira não faltam! Quem deseja honestamente trabalhar em AA, sempre encontrará um lugar compatível com as suas habilidades. Antes de nós, muitas experiências foram vivenciadas, discutidas exaustivamente, eliminadas e muitas outras foram colocadas em prática porque deram certo. A presença de um bom veterano, repassando suas experiências serve de estímulo bastante significativo ao desenvolvimento de um Grupo. Normalmente ele é o responsável pelo despertar dos demais membros para a prática do Terceiro Legado, repassando sua vasta experiência, não a restringindo somente para si próprio.
Para que um membro assuma um Encargo é necessário que conheça um mínimo sobre o 3º Legado – Serviço em AA. Só a vontade de querer “trabalhar” pelo seu grupo e conseqüentemente pelo AA já é importante, porém insuficiente. Pois como já é dito, “o que deve ser feito, deve ser bem feito” e para o bom Serviço, a nossa Irmandade não foge desta regra!
Todo membro que desperta para o trabalho dentro de AA, deve ao mesmo tempo se “alimentar” com as boas novas das literaturas específicas que possam melhor lhe conduzir e torná-lo eficiente no desempenho do 3º Legado. Ler tudo que possa lhe orientar para melhor divulgar a Irmandade: “O Grupo”, “Os Doze Passos e as Doze Tradições”, “O Manual de Serviços”, “Os Doze Conceitos para os Serviços Mundiais”, as “Recomendações da Conferência”, “Revista Vivência”, folhetos, como por exemplo, “Como falar em reunião de não AA” e tudo que é notícia em AA.
Um dos principais requisitos prende-se a sua nova Responsabilidade: Servidor de Confiança. Um bom Servidor, representa o seu Grupo, o seu Distrito, a sua Área, a sua Região, o seu País. Esta representação significa se fazer presente nos fóruns de Serviços, tais como Reuniões de Serviços, Reuniões nos Distritos, Reuniões de Comissões ou Comitês, Assembléias de Área, Conselhos de Representantes, Conferências e Eventos. Para isto, convém ficar sempre atento às Comunicações…
Existindo ou não as convocações, os Servidores de Confiança foram escolhidos para estar presentes. É assim que funciona a ação do 3º Legado durante o tempo de mandato assumido. Foi um compromisso para exercer o 3º Legado, que normalmente ocorre quando o 1º Legado – Recuperação e o 2º Legado – Unidade, já estão bastante assimilados e compreendidos. Normalmente, quando entendemos que é chegado o momento do exercício da Gratidão. Do passar adiante! Da doação. Do dar de graça o que de graça recebeu! Porém, isto não é uma regra. É possível que existam os sacrifícios de tempo, de outros compromissos, etc., etc. Mas, e no tempo das bebedeiras….? Porque a acomodação? Por que esperar que somente os outros façam por você e para você? Todos nós podemos! É até uma verdadeira e salutar mudança de hábito!
O nivelamento e a igualdade de propósito entre todos os membros, o é “proibido proibir”, a não obrigatoriedade, a não exclusão e a ausência de regras, direcionam a Irmandade ao longo dos anos para um segmento, cada vez mais admirado e compreendido dentro da sociedade.
Nosso entendimento é de que toda espécie de trabalho tem que ser realizado para se manter um grupo de AA em funcionamento. É através do trabalho dos membros do grupo que os doentes alcoólicos de uma comunidade ficam sabendo que AA existem e de que forma pode ser encontrado. É através do Serviço em AA que são atendidos os pedidos de ajuda e são mantidos os órgãos de serviços e os contatos necessários com o restante do AA a nível local, nacional e internacional e assim, o grupo fica informado e sai do isolamento.
Nos grupos, os membros encarregados destes serviços são também chamados de Servidores, que escolhidos pelos demais membros executam suas atividades por períodos limitados, proporcionando a rotatividade. Portanto, aprender a aceitar a responsabilidade dentro do grupo é um privilégio. Este privilégio e esta responsabilidade devidamente manejadas, podem ser bastante útil à recuperação. Muitos membros de AA descobriram e constataram que o Terceiro Legado representa uma excelente maneira de fortalecer a própria sobriedade e por isto procuram não se afastar de atividades que possam fortalecer o seu Programa de Recuperação.
O AA é um corpo amante, crescente e vivo. Ama através do Serviço. Cresce através do Serviço e torna-se vivo através do Serviço. Sua reprodução não é biológica e as novas gerações de membros e Servidores somente poderão acontecer através do Serviço, tendo a obediência aos princípios, entre eles o da escolha democrática e o da rotatividade nos encargos.
O 3º Legado compreende os órgãos de serviços, diretores e encargos dentro de nossa Irmandade a partir do grupo, indo até a estrutura nacional e internacional. Compreende os Procedimentos do 3º Legado para o sistema de escolha e votação de representantes de AA. Compreende a Junta Nacional de Serviços Gerais e a Conferência de Serviços Gerais. Compreende a Reunião de Serviços Mundiais. Compreende as Garantias Gerais e a Ata de Constituição da Conferência.
Simples tarefas de Serviço ajudam a desenvolver a confiança, ou um início de crédito em seus próprios valores e opiniões e até mesmo o retorno do respeito próprio e da auto-estima. Serviço é tão fundamental para AA, assim como a abstinência do álcool está para a Sobriedade. É o verdadeiro núcleo em torno do qual a Irmandade é construída.
A comunicação é um instrumento de integração e também de instrução. São os relacionamentos dentro de nossa Irmandade entre os Órgãos de Serviços e os Grupos e seus membros. A comunicação é responsável pela circulação das informações que são emanadas e, quanto mais bem informados, mais envolvidos estaremos com os nossos propósitos, pois a comunicação amplia a visão do membro de AA interessado na prática do 3º Legado, proporcionando-lhe ser um dos melhores porta-vozes do Grupo ou do segmento de Serviço onde desempenha suas atividades.
No campo afetivo, a comunicação permeia toda a ação do ser humano, possibilitando as interações, o compartilhamento com as idéias e os anseios para minimizar o sofrimento e a necessidade de ajuda. O ser humano necessita comunicar-se. A falta de comunicação leva à solidão. Leva a uma carência afetiva e emocional.
Que o Poder Superior nos ilumine!
CAMPOS S.