OUTRAS PERGUNTAS (ALÉM DAS 44), FRQUENTES SOBRE ASSUNTOS DE A.A.

Outras perguntas (além das 44), frequentes
sobre assuntos de A.A. e algumas respostas encontradas
Introdução
Esta apostila é uma coletânea de perguntas e respostas recolhidas, com permissão, no boletim oficial do GSO,Box 4-5-9, e no sítio http://anonpress.org/faq(AA FAQ). As transcrições foram feitas por um AA unicamente para membros de A.A. As notas complementares aos textos principais, mesmo que rigorosamente baseadas na literatura de A.A., são uma liberalidade do transcritor. O critério de seleção das perguntas foi intuitivo visando primeiro sua própria informação e a hipótese dessa informação poder ser útil aos membros do seu Grupo base e/ou a quaisquer outros membros ou Grupos que a desejarem e dela quiserem fazer uso. Não se pretende absolutamente dizer a quem quer que seja o quê e como fazer nem obriga a concordar com todo ou parte dos textos, nem contestar, questionar ou desqualificar opinião já formada, mas auxiliar na formação de opinião daqueles que ainda não a têm, através da procura da informação correta, livre de distorções, interpretações personalistas terceirizadas ou conveniências momentâneas e contribuir para a afirmação dos membros na Irmandade e sua inclusão nos órgãos de serviço – grupo e estrutura. Tudo de graça veio, de grata-graça está indo. Se o conteúdo lhe for proveitoso, passe adiante nesse espírito. Obrigado.
Notificação de Direitos autorais:
1-. © Alcoholics Anonymous World Services, Inc., 2011. Os artigos que aparecem no
Box 4-5-9 podem ser reimpressos em publicações locais de A.A. (incluindo sítios de A.A. na Web), sempre que se reimprimam em sua totalidade e se inclua a seguinte declaração: “Reimpresso do Box 4-5-9 (data do número, página) com permissão de A.A. World Services,Inc.”
2-. O conteúdo deste FAQ está disponibilizado para a reprodução nos termos da
Creative Commons: http://creativecommons.org/Reproduced with permission from The Anonymous Press: http://anonpress.org/faq

Índice
1-. A exclusão de pessoas por Grupos de A.A.
2-. A menção de drogas em reuniões de A.A.
3-. Anúncios de A.A. na televisão
4-. Comportamento perturbador em uma reunião de A.A. – 1
5-. Comportamento perturbador em uma reunião de A.A. – 2
6-. Comprovantes de comparecimento às reuniões de A.A.
7-. Defesa contra a primeira bebida
8-. Despertar espiritual, ou, experiência espiritual
9-. Durante uma reunião de A.A., seu espaço é público ou privado?
10-. Grupos combinados de A.A., e NA
11-. Grupos de propósitos especiais
12-. O Grupo de A.A. e outros problemas além do álcool
13-. O que é sobriedade
14-. O uso de literatura não aprovada pela Conferência em reuniões de A.A.
15-. Pode um não alcoólico ser membro de um Grupo de A.A.
16-. Quando um membro de A.A. poderá se considerar recuperado.
17-. Reuniões de A.A. abertas e reuniões fechadas
18-. Substâncias que alteram a mente

1-. A exclusão de pessoas por Grupos de A.A.
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Pergunta: Ouvi uma pessoa perguntar em determinado Grupo se poderia também ser membro de outros Grupos. A resposta que lhe deram foi: “Você poderá ser membro de tantos Grupos quantos quiser, desde que os Grupos o aceitem como membro”. Um Grupo pode não aceitar alguém como membro? Um Grupo pode decidir que alguém não pode pertencer a outros Grupos se pertence àquele?
Resposta: Sim, um Grupo pode excluir pessoas.
A Tradição de A.A. determina que o Grupo individual de A.A. é a maior autoridade da Irmandade. Este não é um conceito distorcido, slogan ou frase feita, mas a essência e a própria base em que a Irmandade está estruturada. A Quarta Tradição, na sua forma longa, começa dizendo: “Com respeito a seus próprios assuntos, nenhum Grupo de A.A., está sujeito a autoridade alguma além de sua própria consciência…” As exceções são quando suas ações ou decisões possam afetar outros Grupos ou à Irmandade em seu conjunto. Portanto, se o Grupo decide que deverá excluir alguém por algum motivo, está dentro de seu direito de fazê-lo. Esta decisão não afeta os Grupos vizinhos nem na Irmandade em seu todo. Por exemplo, considere-se um Grupo que decide realizar uma reunião semanal, fechada, unicamente para alcoólicos membros e aqueles que tenham o desejo de parar de beber. Então aparece alguém enviado por um tribunal ou apenas para dar satisfação ao empregador ou à sua mulher, mas manifestamente, não pretende parar de beber. O Grupo, então, pode decidir pela exclusão desse indivíduo de suas reuniões fechadas. Alguém que não tenha o desejo de parar de beber não pode ser membro de A.A., e o Grupo pode excluí-lo de suas reuniões fechadas. Embora nunca tenhamos ouvido falar de algum Grupo que excluiu alguém por afiliação a outros Grupos, poderá haver circunstâncias que possam justificar essa decisão. Não se está dizendo que a exclusão seja uma coisa boa, sábia ou habitual, mas apenas lembrando que um Grupo pode fazê-lo e ninguém tem autoridade suficiente para impedi-lo. Outro exemplo, um Grupo começa a perceber a participação de alguém que se declara membro de A.A. mas não quer aceitar as Tradições. Ou pertence a um Grupo que usa indevidamente o nome de A.A. autodenominado “Alcoólicos Anônimos, Reabilitação Ltda.”, e vai pelos Grupos recrutando pacientes para aquela clínica. Outra situação possível seria a de um membro do próprio Grupo que, eleito para um encargo como servidor de confiança, incentiva o beber controlado, a exclusão racial ou a renúncia ao anonimato em público. Ainda, dentro do próprio Grupo, membros defendendo pontos de vista de outros Grupos que não estão em consonância com as Tradições de A.A. O Grupo poderá optar por excluí-los para o bem-estar do Grupo como um todo. Novamente, não estamos dizendo que a exclusão de pessoas é uma coisa boa; apenas afirmamos que um Grupo tem esse direito e poderá usá-lo sempre e quando lhe parecer oportuno.
Veja também, “Comportamento perturbador em reuniões de A.A. – 1 e 2”

2-.A menção de drogas em reuniões de A.A.
http://anonpress.org/faq
Pergunta: Participei de reuniões em Grupos de A.A. onde alguns membros mencionaram haver tido problemas com drogas e foram aceitos. Em outros Grupos que também estive, pregam para não mencionar ou limitar referências ao uso de drogas. O que é correto?
Resposta: Não há uma resposta “correta” a esta pergunta. Cada Grupo de A.A. tem a prerrogativa conferida pela Quarta Tradição para lidar por si mesmo com essa questão. Entretanto, mesmo não dizendo se é correto ou não, nem o que os Grupos devem fazer, podemos explicar algumas coisas a respeito desse tema polêmico tantas vezes tratado. A.A. é uma Irmandade aberta a qualquer pessoa que tenha o desejo de parar de beber. Isto torna possível o ingresso de pessoas com todo tipo de problemas. Desde muito cedo já foi percebido
que A.A. não poderia resolver todos os problemas que as pessoas que ingressam têm, e desde seus primórdios estabeleceu como sua única finalidade ajudar as pessoas a se recuperarem do alcoolismo. O abuso do álcool é a única coisa que todos os membros de A.A. temos em comum, e muitos acham que a Irmandade perderia a identidade se pretendesse resolver outros problemas além do alcoolismo. Algumas pessoas em A.A. e também outras Irmandades, tais como Narcóticos Anônimos, vêm o alcoolismo e a tóxico dependência como sendo a mesma coisa. Ao mesmo tempo, A.A. em seu conjunto, tenta manter tradicionalmente o foco apenas no alcoolismo. Isto, às vezes, cria atritos especialmente porque muitos em A.A. não acham que o alcoolismo e a tóxico dependência sejam a mesma coisa. Alguns vêem isso como uma visão antiquada, mas é a maneira como A.A. foi concebida desde o início, com seu foco exclusivo sobre o álcool, não na adicção a outras sustâncias ou na ajuda à solução de outros problemas. Entre os membros de A.A. há muitos que foram usuários de drogas, mas acham que o álcool é o único problema que devem tratar. Em A.A., no Primeiro Passo reconhecemos que somos impotentes perante o álcool, que é uma substância. Em Narcóticos Anônimos, NA, o Primeiro Passo substitui o álcool por adicção, que é um conceito comportamental. Isto incorpora uma diferença significativa na abordagem. Enquanto A.A. está focada na impotência perante uma determinada substância, NA está focada em uma situação mais abrangente e não em uma única substância. A.A., tenta limitar seu foco para o alcoolismo, mas todos os tipos de problema podem influenciar na recuperação de uma pessoa. Alguns em A.A., falam de como o dinheiro, a saúde, sua dependência de drogas e outros problemas influenciam na sua recuperação. O problema surge quando alguns acham que o foco principal de um grupo ou reunião está-se distanciando do alcoolismo. Se os depoimentos individuais em determinada reunião começam a ser desviados para temas como relações no trabalho ou parar de fumar, muitos presentes acharão que a reunião está-se desviando da finalidade principal de A.A., e poderão sugerir que o foco seja mudado para os problemas relacionados com a bebida. Quando o foco se inclina para dependência de drogas, alguns não irão ver problema algum, enquanto outros dirão que isso também é ficar longe do foco do alcoolismo. Muitas vezes, simplesmente, depende de quem se encontra naquela sala, naquela reunião e naquele momento. Tudo depende do Grupo, da reunião e da situação. Se uma pessoa fala sem parar sobre pescaria em uma reunião, pode ser solicitado pela coordenação a deixar sua vez para outro falar ou a mudar de assunto. Se alguém fala sobre drogas de uma forma que pouco tem a ver com a recuperação do alcoolismo também pode ser solicitado a redirecionar sua partilha ou que deixe a vez para outro membro falar. Enquanto uma pessoa pode ver a sua dependência de pesca e alcoolismo como seu problema, a coordenação poderá lhe pedir que limite seus comentários ao álcool para manter o foco em uma coisa que todos os presentes têm em comum – o alcoolismo. Da mesma forma, muitos consideram a sua cocaína e o álcool como o mesmo problema, mas em uma reunião de A.A., podem ser convidados a limitar a sua discussão sobre sua dependência da cocaína a umas poucas palavras e manter o foco no objetivo principal A.A., que é falar de sua experiência com o alcoolismo que, novamente, é a única coisa todos na Irmandade têm em comum. Em muitos Grupos, apresentar-se como algo diferente de “alcoólico” em uma reunião de A.A., geralmente ocasiona controvérsia e muita tensão. Apresentar-se como “adicto”, ou “alcoólico e adicto” ou “dependente químico” ou “cruzado” ou “dependente de outras substâncias”, é considerado um desvio do propósito de A.A., que leva o foco de uma reunião de A.A. para muito longe de seu propósito principal. O sentimento por trás disso é que, se nos concentramos em nossas diferenças, e não no que temos em comum, vamos perder o fio condutor que nos mantém juntos na mesma Irmandade. Independentemente de quaisquer outros problemas que cada membro individualmente possa ter, apresentando-se simplesmente como “alcoólico” é, na maior parte das vezes, a maneira mais fácil e prática para se evitar tensões ou conflitos por identificação (em muitos Grupos, a única). Uma vez que o objetivo principal de A.A. é o de ajudar alcoólicos, apresentar-se como algo diferente de um alcoólico é muitas vezes visto como colocar o foco sobre problemas que A.A., não se propõe a tratar. Uma pessoa pode ser um jogador compulsivo e alcoólico, um fraudador e alcoólico, um pedófilo e alcoólico, um diabético e alcoólico, uma mulher e alcoólica, um asiático e alcoólico, um ateu e alcoólico, um padre e alcoólico, um obeso mórbido e alcoólico, um acadêmico e alcoólico, um morador de rua e alcoólico, um homo/hétero/a-sexual e alcoólico um tabagista e alcoólico ou um adicto e alcoólico como é bastante comum. Em todos esses casos, a única coisa que todas estas pessoas têm em comum é o “alcoólico”. Indo para uma reunião de A.A. e apresentar-se como “um adicto” é visto por muitos como ir a um baile de quadrilha e dançar valsa contrariando o objetivo da reunião. Mesmo se o seu hobby principal é a valsa, há um tempo e um lugar para tudo e se você estiver em uma dança de quadrilha, mesmo que seja apenas por educação, é mais adequado dançar a quadrilha. Se muitos tipos de danças acontecem no mesmo salão de dança, deixaria de ser especificamente uma dança de quadrilha. Da mesma forma muitos temem que A.A., não seria mais A.A., se o foco comum sobre o alcoolismo fosse perdido em meio a uma multidão de adicções e outros comportamentos. Da mesma maneira, um membro de A.A. com outras adicções, ao participar de uma reunião de Narcóticos Anônimos, NA, deverá respeitar as Tradições e a finalidade dessa Irmandade e se apresentar como é de praxe em NA, ou seja, como “adicto” e não como “alcoólico”, uma vez que o uso desta palavra enfatiza uma diferença individual e não um problema comum, além, é claro, de evitar olhares de censura, com toda a razão.
Para esclarecer melhor:
A Irmandade de Narcóticos Anônimos tem afirmado este conceito em uma recomendação no Boletim #13 do © NA World Service (1985, revisada em 1996), onde traz o seguinte texto: “O foco de A.A. está no alcoolismo, e devemos respeitar o direito de A.A. de proteger suas Tradições, entre elas a de admitir unicamente “alcoólicos” e assim se identificarem, independentemente de outros problemas que possam ter. Se não pudermos utilizar uma linguagem coerente com as Tradições de A.A., não devemos ir a suas reuniões com o intuito de deteriorar seu ambiente. Da mesma forma, nós membros de NA, deveremos respeitar o nosso propósito primordial e nos identificar nas reuniões de NA simplesmente como “adictos” e fazer nossa partilha de uma forma que mantenha nossa mensagem clara”. Para saber mais leia os textos a respeito das Tradições Terceira e Quinta no livro Doze Passos e as Doze Tradições e o folheto “Outros problemas além do álcool”
3-.Anúncios de A.A. na televisão
Box 4-5-9, Fev./ Mar. 2008
Pergunta: A.A. pode divulgar anúncios na televisão?
Resposta: Os anúncios de serviço público de A.A. para a televisão (ASP), foram aprovados pela Conferência. A.A. vem produzindo estes ASP´s há mais de trinta anos. A intenção destes pequenos anúncios não é a de promover A.A. nem dizer que A.A. tem o melhor método para tratar o alcoolismo, nem que oferecemos a única solução. O propósito é o de compartilhar com os outros que pode ser encontrada a sobriedade em A.A. Esperamos que um alcoólico, um familiar ou um amigo preocupado possa se inteirar da existência de A.A. e saiba que oferecemos uma solução para o alcoolismo.
4-.Comportamento perturbador em reuniões de A.A. – 1
Box 4-5-9, Outono (setembro) 2010 => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_fall10.pdf
Título original: “Los miembros perturbadores en las reuniones de A.A.”
No capítulo do Livro Azul “Trabalhando com os outros”, aparece uma lista de coisas que podem acontecer quando um AA toma a atitude de “Ajudar a outros é a pedra fundamental da sua própria recuperação”. Ajudar um bêbado pode supor inúmeras visitas a “delegacias, sanatórios, hospitais, presídios e manicômios. Em outras ocasiões pode acontecer de ter que chamar a polícia ou uma ambulância. Ocasionalmente, estas situações terão que ser enfrentadas”. Em resumo, ao assentar a pedra fundamental da recuperação e ajudar a outros, um membro de A.A. poderá se ver defrontado com alguma pessoa problemática seja membro também ou não. Nas reuniões onde AAs encontram bêbados com os quais poderão trabalhar também se apresentam as possibilidades descritas anteriormente quando se trate de ajudar essas pessoas e, algumas vezes, os membros mais ponderados terão que interferir para que a reunião possa prosseguir com sucesso. Embora os membros de A.A. se esforcem para adotar certas atitudes e condutas como a de “Amor e tolerância é o nosso lema”, às vezes o comportamento de um indivíduo perturbador é tão agressivo e ameaçador que resulte difícil ou impossível ao Grupo alcançar seu objetivo primordial que é o de levar a mensagem. Além disso, a Primeira Tradição lembra ao grupo que, “Cada membro de A.A. não é mais do que uma pequena parte da totalidade. É preciso que A.A. sobreviva, caso contrário a maioria de nós irá morrer. Por isso, nosso bem-estar comum deverá vir em primeiro lugar” A maneira como o Grupo resolve encarar esses membros perturbadores e ameaçadores pode causar conflitos e controvérsia e devido a isso muitos membros e Grupos recorrem à experiência compartilhada de outros que conseguiram superar situações semelhantes. Com freqüência, um Grupo, ou um membro, se põe em contato com o Escritório de Serviços Gerais referindo a conduta perturbadora de alguém em alguma reunião de A.A. O ESG, além de fazer com que se realizem as ações recomendadas pela Conferência e pela Junta, também serve como depositário da experiência acumulada dos Grupos de A.A. Alguns Grupos têm enviado sugestões a respeito de formas para enfrentar o comportamento perturbador. Um Grupo recomenda que algum membro mais experiente se dirija ao indivíduo de maneira informal e pessoalmente fale com ele no sentido de lhe comunicar o problema e procurar sua solução. Os membros do Grupo lembram uns aos outros que as Doze Tradições devem conduzir toda linha de comunicação e todos deverão se esforçar sempre para antepor os princípios às personalidades e tratar todos com paciência, tolerância, compaixão e amabilidade. Outro Grupo contou como enfrentou essa questão com esse tipo de membro que, porém, não aceitou responder às solicitações amáveis nem aceitou conversar pessoalmente com nenhum membro designado pelo Grupo. O Grupo organizou uma reunião de serviço onde a consciência coletiva foi consultada e os membros decidiram seguir este formato:
1) Cada membro poderia falar unicamente duas vezes a respeito de um determinado tema.
2) Cada membro somente poderia falar dois minutos a cada vez.
Resultou muito útil ao Grupo definir o membro perturbador como:
1.1 Uma pessoa que interrompe o bom andamento de uma reunião de maneira a não poder transmitir a mensagem de A.A.
2.1 Uma pessoa cuja conduta intimida ou assusta os participantes da reunião ao ponto de não poder escutar a mensagem de A.A.
Quando tal situação seja produzida, esse membro será convidado a assistir uma reunião de serviço convocada para esse fim. Com a presença do membro ou não, o Grupo considera o problema. Se ele está assistindo se lhe explicam os procedimentos a serem adotados. É possível que lhe seja pedido para não assistir às reuniões durante um tempo determinado.
Nesse caso, o Grupo não está expulsando o membro de Alcoólicos Anônimos, mas apenas lhe pede para que não assista às reuniões daquele Grupo. A Primeira Tradição de A.A. assegura aos seus membros que, “Nenhum membro pode obrigar outro a fazer alguma coisa; ninguém poderá ser punido nem expulso”. Entretanto, é de se esperar que o membro em questão veja a dificuldade como uma oportunidade de desenvolvimento e continue a assistir suas reuniões em outros Grupos na região para manter a sobriedade. De maneira geral, esta ação representa o último recurso depois de esgotadas todas as tentativas de pedir ao indivíduo que mude sua conduta e seu comportamento.
Bill W., que sempre recalcou a importância de que os membros se tratem uns aos outros de maneira tolerante, carinhosa e prestativa, escreveu numa carta em 1969: “Este comportamento não pressupõe que não possamos excluir aqueles que perturbam as reuniões ou interferem seriamente no bom funcionamento do Grupo. Temos que lhes dizer que se calem ou que vão a outro lugar para voltar quando estejam em melhor condição para participar”. E, de fato, a Bill não lhe eram estranhos os alvoroços, as controvérsias e as perturbações nas reuniões de A.A. Porém, confiava em que as dificuldades poderiam resultar em desenvolvimento e progresso. No livro “A.A. atinge a maioridade”, diz, “Imagino que, dentro de A.A., sempre vamos ter desacordos e discussões. A maior parte das vezes, estas discussões irão tratar de qual a melhor maneira de fazer o maior bem para o maior número de alcoólicos. Superar este tipo de problemas na escola da dura experiência de A.A. é um exercício salutar”.
5-.Comportamento perturbador em reuniões de A.A. – 2
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Pergunta: Um dos nossos membros é perturbador e, por vezes, ameaça de violência para com outros membros. Como podemos lidar com isso?
Resposta: Normalmente os membros do Grupo deverão se reunir e discutir o que fazer.
Tradicionalmente, cada grupo de A.A. é a maior autoridade em A.A. e deve decidir por si mesmo como lidar com situações como esta. Geralmente a decisão é tomada depois de considerar as outras Tradições que podem se aplicar. A Primeira Tradição na sua forma longa diz: “Cada membro de Alcoólicos Anônimos é apenas uma pequena parte de um grande todo. A.A., deve continuar vivendo, do contrário a maioria de nós certamente morrerá. Portanto, nosso bem-estar comum vem em primeiro lugar. Seguido de perto, porém, pelo bem-estar individual”. Qualquer um que queira parar de beber poderá ser membro de A.A. se assim o desejar. Entretanto, dentro de um Grupo, seu bem-estar pessoal está abaixo do bem-estar comum, ou seja, do conjunto do Grupo. Se o Grupo percebe que o comportamento desta pessoa está interferindo negativamente nas atividades do Grupo e no bem-estar geral, o Grupo indica alguém mais articulado para conversar pacificamente com essa pessoa a respeito de mudar seu comportamento. Se esta solicitação não for atendida, o Grupo pode decidir por excluí-lo até que mude seu comportamento. Se necessário, alguém do Grupo informará ao companheiro que ele não é bem vindo naquele Grupo (não em A.A.), até que cesse seu comportamento perturbador. Se ele partir para a violência física , pode ser contido na mão e chamar a polícia. Se a polícia se envolver, o assunto será tratado como invasão de privacidade, embora disto não se tenha noticia. Alguns Grupos localizados em áreas carentes têm seguranças informais para remover os perturbadores; para alguns membros, este é o seu primeiro serviço em A.A.
6-.Comprovantes de comparecimento às reuniões de A.A.
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Pergunta: Como faço para obter um comprovante de comparecimento às reuniões para apresentá-lo ao oficial de condicional e ao juiz? Porque alguns Grupos se negam a dá-lo, ou mesmo assiná-lo?
Resposta: A maioria dos Grupos de A.A. não mantém registros de frequência, uma vez que podem considerar que isso estaria em desacordo com o principio do anonimato. Os Comprovantes de Comparecimento não se originam em A.A., não são fornecidos por A.A. e não têm nada a ver com A.A. O envio de pessoas para A.A. com algum comprovante para ser assinado não é feito por A.A., mas por alguma agencia que de forma alguma é afiliada à Irmandade. A Tradição de A.A. estabelece que não deveremos nos afiliar a nenhuma entidade alheia à Irmandade. Portanto, A.A. não está afiliado a qualquer sistema judicial. Muitos Grupos irão assinar esses comprovantes prontamente e sem questionamentos. Entretanto, alguns Grupos poderão achar que não devem registrar a frequência de quem quer que seja, mesmo para os tribunais, por entenderem que isso implicaria afiliação ao sistema judicial e iria contra a natureza anônima da Irmandade. A autonomia dos Grupos garante a eles o direito de decidir se irão assinar os comprovantes de comparecimento ou não. O aborrecimento de muitas pessoas decorre do fato de que, ao serem enviadas por alguma agencia a uma reunião de A.A., com um comprovante para ser assinado, não foram devidamente informadas de que um Grupo de A.A. não é obrigado, de modo algum, a assinar qualquer coisa para quem quer que seja.
O GSO (Escritório de Serviços Gerais, em Nova York), se posicionou desta forma: “A prova de participação em reuniões não faz parte do processo de A.A. Cada Grupo é autônomo e tem o direito de escolher se quer ou não assinar comprovantes para um tribunal…” Mesmo que alguns Grupos escolhem não assinar esses comprovantes, a experiência indica que, de forma geral, a maioria dos Grupos se dispõe a colaborar com os tribunais. Em algumas Áreas, os tribunais fornecem aos Grupos de A.A. envelopes timbrados e já com selo para serem devolvidos. Assim, o secretário do Grupo anuncia que as pessoas que precisem de comprovante poderão retirá-lo ao final da reunião. O encaminhado recebe o envelope, coloca seu nome e endereço e o envia pelo correio. Em outras Áreas os Grupos que colaboram dispõem de planilhas fornecidas pelos tribunais; o secretário anuncia sua disponibilidade e os enviados pela justiça poderão assinar sua presença ao término da reunião. Estas planilhas serão devolvidas pelo secretário aos respectivos tribunais. Desta maneira, em ambos os casos, não é o Grupo, mas os próprios interessados que atestam ter ou não participado da reunião.
A versão integral da Sexta Tradição termina assim: “… Conquanto um Grupo de A.A. possa cooperar com quem quer que seja tal cooperação não deve chegar ao ponto de filiação ou abono, direto ou implícito. Um Grupo de A.A. não pode vincular-se a ninguém”. Cada Grupo deve decidir por si próprio se a assinatura de um comprovante para a Justiça é uma “filiação” ou apenas “cooperação”. Muitos Grupos não têm posição claramente definida relacionada com esse assunto.
Quando um Grupo se recusa a assinar um comprovante de comparecimento, ele não o faz para afugentar os recém-chegados, mas, com o intuito de proteger os Grupos de A.A. em sua totalidade, para que possamos continuar a existir como organização livre e independente. O Grupo poderá concluir que ao assinar a presença de alguém, as pessoas poderão ser levadas a pensar que A.A. não garante a privacidade das pessoas tal como seu anonimato apregoa. E que, mesmo que, se forçado, alguém possa ficar sóbrio, a Primeira Tradição diz que o bem estar individual vem depois da integridade da Irmandade. Se algum servidor de um tribunal fosse pessoalmente perguntar em um Grupo sobre a presença de um indivíduo, provavelmente não seria atendido, pois o Grupo iria decidir por preservar do anonimato de seus frequentadores. Não temos conhecimento de nenhum Grupo que tenha sido intimado pela Justiça para fornecer tal informação.
Ainda, alguns Grupos costumam assinar os comprovantes antes do início da reunião demonstrando que não temos nenhum desejo de forçar alguém a comparecer. Com o comprovante assinado, o recém-chegado fica livre para escolher se, voluntariamente, quer ou não participar da reunião.

No Brasil:
O texto a seguir foi retirado de uma orientação do CTO do Setor ‘A’ da Área de São Paulo a respeito dos“Encaminhados pela Justiça e Comprovante de Comparecimento”
Atualmente, inúmeras pessoas são encaminhadas aos grupos de A.A. pelos Tribunais de Justiça e instituições de tratamento. Alguns chegam de livre e espontânea vontade, outros não. A.A. não faz discriminação contra qualquer possível membro. Quem fez o encaminhamento a A.A. não é o que nos interessa: é o bebedor problema que desperta nosso interesse.
O Tribunal de Justiça pede o comprovante de comparecimento do encaminhado às reuniões de A.A. em alguns Estados da Federação. Os Grupos são orientados a atender as ordens judiciais que determinam a comprovação de comparecimento de pessoas encaminhadas pela Justiça. Entretanto, desejamos esclarecer às autoridades judiciárias que o programa de recuperação de A.A. enfatiza o caráter voluntário de aceitação do mesmo.
Compete à autoridade judiciária o envio do formulário – através do próprio encaminhado – para atestar o seu comparecimento, cabendo ao Grupo, apenas comprovar sua presença. Cabe ao encaminhado prestar contas a quem o enviou acerca do seu comparecimento às reuniões.
7-.Defesa contra a primeira bebida
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Pergunta: Posso ou não posso voltar a beber? Há alguma defesa contra a primeira bebida?
Resposta: Esta seção lida apenas com questões referentes a A.A. Dependendo a quem você dirija a pergunta poderá obter respostas muito diferentes. Aqui, no entanto, vamos tentar responder a questão a partir da perspectiva de A.A. baseados na forma como o assunto é tratado na literatura de A.A., mais especificamente no Livro Azul, seu texto básico. Sob a perspectiva de A.A., você pode ter uma defesa contra a primeira bebida se puder se identificar com o texto do Livro Azul, 4ª edição, página 50-51/6/1 “Bebedores moderados não têm grandes problemas para abandonar por completo o álcool caso tenham bons motivos para tanto. Eles conseguem beber ou não beber.
Temos então um determinado tipo de bebedor pesado. Pode ter desenvolvido o hábito de beber a ponto de, gradualmente, prejudicar seu estado físico e mental. Isto pode levá-lo à morte prematura. Caso surja uma razão suficientemente forte – saúde deficiente, amor, mudança de ambiente ou conselho médico, este homem também consegue parar ou moderar-se, embora possa vir a ter problemas ou dificuldades e venha até a necessitar de cuidados médicos”.
Por outro lado, os verdadeiros alcoólicos, como descritos nos parágrafos seguintes, não têm defesa contra a primeira bebida. Na página 55/5/1, “A trágica verdade é que, se esse homem for um verdadeiro alcoólico, tal dia feliz pode não chegar. Ele perdeu o controle. Num determinado ponto da vida de bebedeiras de um alcoólico, ele passa para um estágio no qual o mais profundo desejo de parar de beber é absolutamente inútil. Em praticamente todos os casos, esta terrível situação já existe muito antes do que se pensa.
O fato é que a maioria dos alcoólicos, por razões ainda obscuras, perderam o poder de decisão diante da bebida. Nossa assim chamada força de vontade torna-se praticamente inexistente. Somos incapazes, em determinados momentos, de trazer à tona em nossas mentes, com força suficiente, a lembrança do sofrimento e da humilhação vivida há apenas um mês ou uma semana atrás. Não temos qualquer proteção contra o primeiro gole”.
O Dr. William D. Silkworth, disse que a única defesa para um alcoólico crônico é adotar medidas que produzam”uma completa mudança psíquica”. Em sua opinião, “… quando ocorre uma mudança psíquica, aquela mesma pessoa que parecia condenada, que tinha tantos problemas a ponto de perder as esperanças de resolvê-los algum dia, de repente se vê capaz de, com facilidade, controlar seu desejo de beber, precisando para isso apenas do esforço necessário para seguir algumas regras simples”, página 27/2/2.
Discípulo de Sigmund Freud, Karl Jung, fundador da psicologia analítica, disse que a recuperação do alcoolismo acontece “… uma vez ou outra, alcoólicos têm passado pelas experiências espirituais vitais. Para mim tais fatos são fenômenos. Parecem estar ligados a profundos reajustes e alterações emocionais. Idéias, emoções e atitudes, que haviam sido, até então, as forças condutoras das vidas de tais homens, são subitamente postas de lado, e um conjunto de conceitos e motivações passa a dominá-los”, página 57/3/2.
Na visão de alcoólicos que se recuperaram através do programa de A.A., a meta proposta foi a libertação da obsessão pela bebida, e ela foi alcançada após terem passado por uma experiência espiritual ou um despertar espiritual. A prática do programa dos Doze Passos, particularmente aqueles que levam à ação, do Quarto ao Nono, têm produzido os resultados desejados para milhões de alcoólicos.
Na página 117/1/1 há um bom conselho para aqueles que procuram defesas contra a primeira bebida : “A experiência prática demonstra que nada garantirá tanta imunidade contra o álcool quanto o trabalho intensivo junto a outros alcoólicos”.
8-.Despertar espiritual, ou, experiência espiritual
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Pergunta: Qual é a diferença entre o “despertar espiritual” citado no Décimo Segundo Passo, e uma “experiência espiritual”? Existe alguma diferença entre os dois conceitos?
Resposta: Na Irmandade de A.A., os termos “despertar espiritual” e “experiência espiritual” tornaram-se sinônimos. Na primeira edição do Livro Azul, em 1939, usou experiência espiritual” no Décimo Segundo Passo; edições posteriores alteraram o termo para “despertar espiritual”. Na história de Bill W., sua experiência espiritual é descrita na página 14 do capítulo 1 do Livro Azul. Uma explicação mais detalhada pode ser encontrada onde o Dr. Jung cuidadosamente descreveu o conceito de Rowland H. na página 27 no capítulo 2 – Há uma solução. Por causa da confusão a respeito do significado dos termos, na segunda edição do Livro Azul, em 1955, foi acrescentado o Apêndice II que começa assim (página 210, 4ª edição): “Os termos ‘Experiência Espiritual’ e ‘Despertar Espiritual’ são usados muitas vezes neste livro, demonstrando, através de uma leitura cuidadosa, que a mudança de personalidade suficiente para efetuar a recuperação de alcoolismo manifesta-se de muitas formas diferentes”. E explica que uma “experiência espiritual” é uma transformação relativamente repentina, que pode durar apenas alguns minutos ou talvez algumas horas, enquanto um “despertar espiritual” é uma transformação gradual que pode levar dias, semanas, meses ou até mais; aquilo que William James descreveu como uma experiência da “variedade educacional”. Em seus escritos, Bill W., explicou a diferença, observando que mesmo entre os membros de A.A. que realizam todos os exercícios espirituais como descrito nos Doze Passos, “experiências espirituais” como a sua são muito menos comuns do que o descrito como “despertar espiritual”.
Para entender melhor:
No Livro Azul, 4ª Edição, na página 44/3/3 descreve o que Bill W., chamou de “experiência espiritual”, ao relatar o ocorrido na sua quarta e última internação no Hospital Towns: “… Houve uma sensação de vitória, seguida de uma paz e serenidade que eu nunca conhecera. Havia uma confiança ilimitada. Eu me sentia revigorado, como se uma lufada de ar puro soprasse do alto da montanha. Deus se aproxima pouco a pouco da maioria dos homens, mas Seu impacto em mim havia sido repentino e profundo”. A partir daquela situação, Bill W., afirma ter-se libertado da obsessão pela bebida.
Já, para o Dr. Bob parece não ter sido tão fácil assim; com ele teria acontecido o que neste texto é identificado como “despertar espiritual” quando relata na página 202/2/1: “Ao contrário da maioria das pessoas em nosso Grupo, não superei minha compulsão pela bebida durante os primeiros dois anos e meio de abstinência… Eu costumava ficar terrivelmente perturbado quando via meus amigos bebendo e eu sabia que não podia, mas me acostumei a acreditar que, embora tivesse tido o mesmo privilégio, abusei dele a tal ponto que o perdi…”
9-.Durante uma reunião de A.A., seu espaço é público ou privado?
http://anonpress.org/faq
Pergunta: Mais especificamente, pode um Grupo limitar seu espaço para que pessoas não façam coisas que podem ser legalmente feitas em espaços públicos, como por exemplo amamentação?
Resposta: Você, aparentemente, está-se referindo a uma questão de direito e a pergunta poderia ser melhor dirigida a advogados, uma vez que as “leis” que se aplicam nas reuniões de A.A. raramente são motivo de preocupação para um Grupo de A.A. Mas, o que podemos dizer é que os Grupos de A.A. são entidades privadas. Como A.A. nunca recorreu a qualquer financiamento ou assistência do poder público, nos consideramos responsáveis pelo que acontece em nossas reuniões e nos esforçamos para ser o mais independentes possível dos serviços dos governos. Parece uma aposta segura dizer que uma reunião de AA não é uma reunião pública – pelo menos nos EUA (*).
Às vezes, os Grupos reúnem-se em instalações de propriedade pública – como hospitais, igrejas ou bibliotecas e, nesses casos, talvez, poderia se argumentar que as reuniões devem seguir as leis aplicáveis a reuniões públicas.
Nossa Quinta Tradição diz, “Cada grupo é animado de um propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre”. Uma vez que a principal razão para ter qualquer reunião de AA é ajudar os alcoólicos que ainda não tenham se recuperado, não parece que a reunião seja “pública” ; o encontro é para ajudar as pessoas doentes, não para todos. Por outro lado, os visitantes raramente são excluídos das reuniões abertas, talvez eles possam aprender algo que lhes sirva para levar a mensagem de recuperação de A.A. a um alcoólico sofredor.
Nota do transcritor: (*) E no Brasil também não: o Estatuto da JUNAAB inicia-se
assim:
“…DA DENOMINAÇÃO, NATUREZA, DURAÇÃO, SEDE E FINS
Art. 1º – A Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil – JUNAAB é uma associação civil de direito privado com objetivos não econômicos e sem fins lucrativos, constituída por tempo indeterminado, com sede e foro na cidade de São Paulo, à Avenida Senador Queirós, 101, 2º. andar, conjunto 205, CEP 01026-001 e jurisdição em todo o território nacional, e se regerá pelo presente Estatuto e demais disposições legais que lhe forem aplicáveis.
§ 1º – A JUNAAB, criada através de assembleia geral de 29 de fevereiro de 1976, conforme registro levado a efeito no 1º. Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas de São Paulo, Capital, sob nº 2.519, Livro A, e publicado no Diário Oficial do Estado em 29/06/1976, página 78, é órgão subordinado à Conferência de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil, com finalidades definidas neste Estatuto e tem como fundamento de suas ações os princípios contidos nos Doze Passos, Doze Tradições e os Doze Conceitos para Serviços Mundiais de Alcoólicos Anônimos”.
10-. Grupos combinados de A.A. e NA
http://anonpress.org/faq
Pergunta: Alguma vez houve ou há grupos combinados de A.A.-NA? No meu Grupo, os antigos indicam a porta da saída quando alguém se identifica como adicto. Sou alcoólico, mas, pessoalmente minha opinião é a de que as reuniões poderiam ser abertas a adictos e alcoólicos já que o programa se aplica ás duas dependências. Obrigado.
Resposta: As Tradições das duas Irmandades estão feitas de tal maneira que seria impossível combinar um Grupo com os dois nomes. A Terceira Tradição de A.A. – forma integral, termina assim: “Um Grupo qualquer, formado por dois ou três alcoólicos reunidos para manterem-se sóbrios, pode chamar-se Alcoólicos Anônimos, contanto que, em conjunto (como Grupo), não estejam filiados a outra entidade”.
A terceira Tradição de NA é semelhante trocando apenas a palavra alcoólicos por adictos, mas que é a essência e a diferença que as qualifica como entidades únicas e distintas. Se um Grupo de A.A., se afiliar a outro grupo com propósitos diferente das Tradições de A.A., deixa de ser um Grupo de A.A. Estamos plenamente conscientes de que a distinção entre A.A., e NA muitas vezes fica turva, particularmente no contexto institucional como as clinicas de recuperação, presídios, etc., onde muitas vezes não se tem a compreensão – ou interesse, de se manterem as Tradições de ambas as Irmandades. Enquanto isso acontece, uma leitura clara das Tradições torna factualmente claro que esses híbridos não poderão acontecer.
Afiliações combinadas não se tornam legitimas simplesmente porque são comuns em determinados lugares.
Mesmo que muitas pessoas em A.A. vêm o problema do alcoolismo e da toxicodependência como sendo a mesma coisa, o foco de A.A., sempre será sobre o alcoolismo. Se uma pessoa quer participar de uma Irmandade que considera o alcoolismo e a adicção como a mesma coisa, NA poderá ser uma opção, se ela desejar e a Irmandade o aceitar.
Veja também, “A menção de drogas em reuniões de A.A.”, acima.
Informação adicional:
Um misto de associação de A.A. e NA (Narcóticos Anônimos), chegou a existir, mesmo que de forma unilateral, em 1953, em Los Ángeles, EUA, naquilo que precedeu a NA tal como hoje é conhecida, como descrito no texto a seguir e que foi também a pretexto dessa circunstância que A.A., evidenciou, ao que parece pela primeira vez, e consolidou na prática seu princípio de não afiliação:
“A partir 17 de agosto de 1953, Jimmy K., junto com Frank Carnahan, Doris Carnahan, Guilda Krause, Paul Rosenbluth e Steve Ryan, membros do Grupo de A.A., começaram a realizar suas próprias reuniões, um misto de associação de A.A. com NA que eles chamaram de AANA ou NAAA. Jimmy K., consultou o Escritório de Serviços Gerais de A.A. em nova York – GSO, a respeito da conveniência dessa associação de nomes. Em 14 de setembro de 1953 receberam um comunicado da Irmandade de A.A. dizendo que poderiam usar o programa dos Passos e das Tradições de A.A., mas não seu nome.
Mesmo já existindo Al-anon como Irmandade independente, desde 1951, utilizando o programa de A.A., esta foi a primeira manifestação oficial e documentada de A.A. em relação ao uso de seu nome baseada nas recém homologadas Doze Tradições – em julho de 1950, na Convenção de Cleveland, especificamente a Sexta Tradição. Substituiriam, então, as palavras alcoólico por adicto, alcoolismo por adicção e beber por usar. A partir daí o Grupo passou a denominar-se Grupo Vale de San Fernando de Narcóticos Anônimos e sua primeira reunião documentada ocorreu no dia 5 de outubro de 1953, com a presença de 17 pessoas”.
11-. Grupos de propósitos especiais
Box 4-5-9, Fev./ Mar. 2008
Pergunta: Fazem parte de A.A. os Grupos especiais para homens, mulheres, jovens, homossexuais, médicos, advogados, etc.?
Resposta: Os Grupos especiais, com tanto que não tenham outra afiliação ou propósito, fazem parte de A.A. e têm uma longa história na Irmandade. Existem reuniões especiais para membros com determinadas profissões, tais como médicos, agentes da ordem pública ou profissionais da indústria aeronáutica que não aparecem nas listas publicadas pelos órgãos de serviço, uma vez que não se destinam aos membros de forma geral nem para o público. Com tanto que não tenham outra afiliação ou propósito, são consideradas reuniões de A.A. De acordo com nossa experiência, estas reuniões especiais podem ser úteis aos iniciantes que no começo podem sentir-se incomodados nas reuniões normais de A.A. O GSO (Escritório de Serviços Gerais, em Nova York), inclui estes Grupos especiais nas suas listas deixando claro que não será negada a entrada a qualquer alcoólico que chegue a um Grupo desse tipo por não ter o recurso imediato de participar de uma reunião normal de A.A. Por exemplo, um Grupo de mulheres pode abrir sua reunião para acolher um homem numa reunião se não há disponível outra reunião de A.A. num lugar próximo.
12-. O Grupo de A.A. e outros problemas além do álcool
http://anonpress.org/faq
Pergunta: Nosso Grupo faz reuniões em uma clínica de saúde mental e nessas reuniões é permitido falar sobre o álcool, drogas e problemas mentais e emocionais. Achamos que, como Grupo fazemos tudo o que A.A., faz. Ultimamente, nos têm sido dito que não somos um Grupo de A.A. Estamos fazendo algo errado?
Resposta: Sim, o Grupo está fazendo algo errado ao considerar-se um Grupo de A.A. Os Grupos de A.A. existem unicamente para ajudar os alcoólicos – aqueles que são impotentes perante o álcool, cujas vidas se tornaram incontroláveis. Um Grupo de A.A., não está interessado em convencer ninguém a parar de beber e, muito menos, interessado em lidar com outros problemas. Assim, quando a reunião do Grupo é propositalmente focada em outros problemas além do álcool e o alcoolismo, deixou de ser uma reunião de A.A. A Irmandade é guiada pelas Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos, e elas dirigem o foco de A.A., unicamente para o alcoolismo. De acordo com a Quinta Tradição de A.A. – forma integral: “Cada grupo de Alcoólicos Anônimos deve ser uma entidade espiritual, com um único propósito básico: a de levar sua mensagem aos alcoólicos que ainda sofrem”. Apenas os Grupos que aderem a esta singeleza de propósito poderão denominar-se Grupos de A.A.
Quando uma ampla gama de doenças e problemas entra em discussão em uma reunião de A.A., o foco é perdido; recém-chegados a A.A., poderão assistir a várias reuniões sem conseguir ter a percepção da proposta concreta de A.A., e que tipo de solução é oferecido para seu problema.
Adictos a narcóticos podem ir para Narcóticos Anônimos, pessoas com desequilíbrios emocionais podem ir paraNeuróticos Anônimos. Outros podem encontrar a solução para seu problema de dependência ou comportamento em Fumantes Anônimos, Dependentes de Amor e Sexo Anônimos, Comedores Compulsivos Anônimos, e uma série de mais de meia centena de Grupos Anônimos de ajuda mútua que baseiam seu programa de recuperação nos Doze Passos de Alcoólicos Anônimos, mas que abordam problemas específicos. Assim, não deverá surpreender a ninguém que A.A., aborde unicamente o alcoolismo.
Grande parte do benefício das reuniões nessas Irmandades, decorre do fato de que os assuntos nelas tratados são comuns a todos os membros ou participantes. Todos nós temos problemas. Nas reuniões de A.A. o problema comum é o alcoolismo. Nas reuniões de Fumantes Anônimos, o problema comum é o tabagismo. Aqueles que não têm problemas com o jogo não irão encontrar qualquer afinidade em uma reunião de Jogadores Anônimos, a menos que eles vão por curiosidade, não digam nada e fiquem apenas ouvindo para aprender. Se não respeitamos a finalidade das respectivas Irmandades, todas elas vão perder a sua identidade e as pessoas não poderão encontrar outras pessoas com quem se identificar e que realmente entendem o seu problema particular. A Irmandade de Alcoólicos Anônimos foi criada e desenvolvida para ajudar unicamente os alcoólicos, e nunca foi destinada a ser o tipo de solução versátil para qualquer outro problema.
Não há nada de errado em fazer uma reunião onde os participantes decidam a maneira de conduzir as propostas, mas por respeito a A.A., seria atencioso não usar seu nome se a reunião não tem o propósito de ser conduzida dentro das Tradições de A.A.
Para saber mais:
Baseado na experiência da criação de grupos e instituições que usavam o programa de A.A. para fins distintos do alcoolismo, sendo vários entre 1947 e 1953, como Narcóticos Anônimos, dedicada a adictos, Al-Anon em 1951 e Alateen em 1957, em fevereiro de 1958 Bill W., escreveu um artigo na Grapevine definindo como deveria ser a relação da Irmandade com as pessoas que a procuravam com outros problemas além do álcool. Deste artigo resultou o panfleto com o título “Outros Problemas Além do Álcool”, que foi um orientador naquela época e continua atual em 2012. Para ajudar a formar sua opinião leia-o na íntegra; está disponível, para Grupos e interessados, nos ESLs com o código 220 ao preço de R$ 2,00.
13-. O que é sobriedade
http://anonpress.org/faq
Pergunta: Um membro de A.A. poderá dizer que está sóbrio se toma pílulas a base de efedrina para manter o peso? Se não, qual a diferença entre controlar o peso e perseverar no tabagismo?
Resposta: A.A. lida unicamente com a abstinência ao álcool e qualquer membro de A.A. que não tenha ingerido bebida alcoólica poderá dizer que está sóbrio. Chegar a uma definição de sobriedade com a qual todos os membros de A.A. concordem seria impossível; por isso, em A.A., quando se fala em sobriedade é feito no contexto do álcool porque essa é a única coisa que todos temos em comum. Além de não beber, fica tão complicado definir o que seria “sobriedade”, que, em termos práticos, normalmente é o indivíduo quem a de define para si próprio.
Para alguns, sobriedade é simplesmente não ingerir álcool. Outros pensam não estar sóbrios se usarem algum tipo de droga. Ainda outros dirão que a falta de sobriedade refere-se unicamente ao uso de drogas ilícitas ou medicamentos não prescritos. Mais alguns dirão que a sobriedade está na abstinência de qualquer substância que altere o comportamento.
Um membro de A.A. que tome narcóticos prescritos para aliviar uma dor severa pode considerar-se “sóbrio”; mas alguém poderá achar que tomando essa mesma droga para o mesmo fim, por conta própria, terá quebrado a sobriedade.
Algumas pessoas acham que qualquer comportamento viciante destrói sua sobriedade, como poderia ser o caso de um alcoólico que também é jogador compulsivo. O jogador poderá considerar sua sobriedade perdida se comprar um bilhete de loteria, enquanto que para a maioria das pessoas em A.A., a compra de um bilhete de loteria não representa absolutamente qualquer perigo à sua sobriedade.
Uma pessoa pode pensar que está mantendo a sobriedade enquanto fuma um cigarro de maconha prescrito legalmente por um médico, mas não sóbria se não houver uma razão médica legítima para fumar.
Muitas pessoas geralmente tomam drogas como nicotina e cafeína em reuniões de A.A. Mesmo sabendo que o tabagismo, além de levar à morte prematura (vale dizer que o tabagismo, hoje [2012] mata mais que a soma das mortes por AIDS, cocaína, heroína, álcool, suicídios e acidentes de trânsito), também é extremamente prejudicial à saúde das pessoas que estão ao redor do fumante, e que a cafeína é um estimulante, os usuários de nicotina e cafeína não consideram que sua sobriedade está sendo afetada pelo uso dessas drogas. Muito pelo contrário: até pouquíssimo tempo atrás, salas de reunião de A.A. altamente poluídas pela fumaça de tabaco e servidores destacados para arrumar e limpar os cinzeiros eram quase um pré-requisito para o funcionamento de um Grupo de A.A. Em boa parte dos Grupos esta prática teve que ser abandonada e, curiosamente, não por consenso ou manifestação da consciência coletiva, mas por imposição legal (no Estado de São Paulo, a Lei nº 13.541/09 que entrou em vigor no dia 7 de agosto de 2009). Quanto à cafeína (altas doses de cafeína excitam demasiadamente o sistema nervoso central, inclusive os reflexos medulares, podendo ser letal), continua a ser a substância de congraçamento mais utilizada durante as reuniões de A.A. no mundo todo.
“Sobriedade emocional” é um termo muito ouvido em reuniões de A.A. Algumas pessoas incluem o controle sobre seus comportamentos compulsivos por compras ou sexo como algo necessário à sua sobriedade. Para outras, isso não faz a menor diferença.
Assuntos como pílulas dietéticas – com ou sem efedrina, complicam mais o assunto. Por isso a definição do que é sobriedade além da abstinência do álcool, deve ficar por conta de cada um. Para os recém chegados, o padrinho/madrinha, inventário pessoal, meditação e oração poderão ser úteis para chegar a sua própria definição de sobriedade.
O Capítulo V, Como Funciona, do Livro Azul, tem uma discussão a respeito de como lidar com outros problemas além do álcool, como o sexo, por exemplo. Parte do conselho é: “Em outras palavras, tratamos o sexo como trataríamos qualquer outro problema. Ao meditar, perguntamos a Deus o que deveríamos fazer a respeito de cada questão específica. A resposta certa virá, se a desejarmos”.
Sendo esta uma seção que parte da perspectiva de A.A., deixamos a resposta por isto mesmo: nós não sabemos o que sobriedade pode significar em outras associações ou irmandades nem para pessoas que tenham outros problemas além do álcool.
14-. O uso de literatura não aprovada pela Conferência em reuniões de A.A.
http://anonpress.org/faq
Pergunta: Meu Grupo, por vezes lê o manuscrito original do Livro Azul porque muitos de nós somos favoráveis à linguagem mais forte que ele usa. Alguns se opõem a isso alegando que somente livros aprovados pela Conferência deverão ser usados nas reuniões. È correto o uso de livros não aprovados pela Conferência em reuniões de A.A.?
Resposta: Sim, é correto o uso de qualquer literatura escolhida pela consciência do Grupo, mesmo não sendo aprovada pela Conferência.
Cada Grupo é a maior autoridade em A.A., portanto, livre para usar a literatura que escolher. AA World Service – A.A.W.S., em Nova York, a Conferência e o ESG existem para servir os Grupos, não para governá-los.
Em 1978, o Escritório de Serviços Gerais de AA descreveu o significado de “Literatura Aprovada pela Conferência de Serviços Gerais de A.A.” em seu boletim Box 4-5-9 (Volume 23, n º 4), da seguinte maneira: “O termo ‘aprovado…’, não significa que a Conferência desaprova quaisquer outras publicações. Muitos escritórios locais e centrais de A.A. têm suas próprias publicações. A.A., em seu conjunto não se opõe a isto, assim como também à Bíblia ou quaisquer outras publicações de fontes não A.A. que os Grupos e escritórios de serviço achar úteis.
Naturalmente, o que qualquer membro de A.A. lê, não é assunto do ESG ou da Conferência”. A Conferência de Serviços Gerais também tratou deste assunto em um folheto divulgado pelo ESG, (SM F-29), chamado: “Aprovado pela Conferência” O que isso significa. Seu texto diz: “O termo ‘Aprovado pela Conferência’ descreve o material escrito ou audiovisual aprovado pela Conferência para publicação pelo ESG. Este processo assegura que tudo, naquele material, está de acordo com os princípios de AA. O material aprovado pela Conferência sempre lida com o programa de recuperação de Alcoólicos Anônimos ou com informações sobre a Irmandade de A.A. O termo não tem relação com material não publicado pela GSO. Não implica na desaprovação da Conferência de outro material sobre A.A. Uma grande parte da literatura útil alcoólicos é publicada por outros, e A.A. não tenta dizer a qualquer membro individual o que ele ou ela pode ou não ler.
O termo ‘Aprovado pela Conferência’ assegura-nos que uma peça de literatura está baseada na sólida experiência de A.A.
Qualquer material, livro, folheto, panfleto, etc. aprovado pela Conferência, passa por um processo longo e meticuloso, durante o qual uma variedade de AAs dos EUA e Canadá serão consultados em todas as fases de produção”.
Veja o folheto completo em http://www.aa.org/en_pdfs/smf-29_en.pdf
Livros como o Manuscrito Original e a primeira edição do Livro Azul não são aprovados pela Conferência, uma vez que ela ainda não existia quando foram publicados.
Desde 1954, a Hazelden publica “Twenty Four Hours a Day” (ISBN 9780894860126) – no Brasil, “Vinte e Quatro Horas por Dia”, publicado pela editora Vila Serena, é muito utilizado em reuniões de A.A. sem nunca ter sido submetido à aprovação da Conferência.
O primeiro Grupo de A.A. em Akron, Ohio (ainda existe), continua a exibir a Bíblia que os fundadores de A.A. liam nas primeiras reuniões. O que Bill W., ou o Dr. Bob consideravam como boa literatura para ler em uma reunião, certamente hoje causaria controvérsia ou não seria aceita em muitos Grupos.

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