CAPÍTULO 4 DO LIVRO ALCOÓLICOS ANÔNIMOS – NÓS OS AGNÓSTICOS

CAPÍTULO 4 DO LIVRO ALCOÓLICOS ANÔNIMOS. NÓS OS AGNÓSTICOS.

A minha experiência em A.A. me diz que, ao analisar um tema de nossa Irmandade, tenho que ver bem seus princípios em conjunto e considerar o espírito de A.A. como um todo, pois se eu usar somente uma parte desse todo, isoladamente, e/ou analisar sob a influência de minhas crenças ou do meu meio, sabendo que o A.A. é um programa essencialmente espiritual, universal e neutro ems todos os aspectos externos, certamente incorrerei em engano.
A concepção de um Deus é uma sugestão de A.A. que não é muito bem entendida por seus membros, apesar de que muitos de nós chegamos na Irmandade brigados com Deus, descrentes nele ou mesmo não acreditando em sua existência, poucos procuram saber o que quer dizer conceber um Deus. Inicialmente eu pensava que Deus era aquele que eu havia aprendido da religião, tinha quase uma ideia de um ser antropomorfo, formado como eu mesmo, era uma ideia vaga a qual nunca havia analisado ou discutido com outros sobre ela, inicialmente na minha vida aquela informação satisfez, com a sugestão de A.A.., não no começo, mas mais adiante, comecei a me perguntar o que era Deus pra mim, e analisando e trocando ideias sobre o assunto, sem ter uma concepção bem clara e última pois isto não é do alcance humano,, mas passei a entender que se tudo nesse nosso universo é energia, os corpos humanos, os objetos, as casas, os astros, os espaços vazios do universo e entre os seres, Deus só pode ser Energia, pois ele permeia tudo, é tudo. Esta é a minha concepção de Deus hoje.

É sob essa ótica que comento alguns trechos do Livro Azul aqui.

1 – Capítulo 1. História de Bill W.

Faço alguns comentários sobre o capítulo 1.
Ali se vê claramente, que Bill naquele momento, não fazia distinção definida entre religiosidade que, sempre deverá estar ligada a alguma religião, e espiritualidade que pode não estar ligada a nenhuma religião e/ou filosofia. Mais tarde A.A. nos legou de modo inequívoco que é um programa espiritual, e não religioso, e como tal devemos tratá-lo. Demonstrou ali Bill também, a sua resistência a termos religiosos, como para nominar a Divindade ou a citações religiosas. Essa rejeição ou reserva, a expressões e/ou citações religiosas bem definidas, (que indicam uma religião, explícita ou implicitamente, com origem da grande influência religiosa da época) é comum a muitos alcoólicos, e quase sempre geram elas divergências entre nós, afetando sempre a Unidade.

“Meu amigo sugeriu o que me pareceu uma ideia original. Ele me disse: Porque você não escolhe a própria concepção de Deus? ” Pág. 35..

2 – Capítulo 2. Há uma solução.

“Assim, ao sermos abordados por aqueles em quem o problema havia sido solucionado, nada nos restava além de apanhar a simples caixa de ferramentas espirituais colocadas a nossos pés. Encontramos o paraíso e fomos lançados numa quarta dimensão da existência, com a qual jamais havíamos sonhado”. Pág. 48.
“Não há exceções? Há respondeu o médico. Exceções a casos como o seu têm acontecido sempre. Aqui ou ali, uma vez ou outra, alcoólicos têm passado por experiências espirituais vitais”. Pág. 50.
“Ao ouvir isto, nosso amigo sentiu-se um pouco aliviado, pois refletiu que, afinal de contas, era um bom membro da igreja. Esta esperança, entretanto, foi destruída pelo médico quando lhe disse que, embora suas convicções religiosas fossem muito boas, não significavam, no seu caso, a experiência vital necessária”. Pág. 50.

(Segundo entendo a experiência espiritual vital necessária, quando não ocorre de modo repentino e de certa forma extraordinária e não explicável, só consigo atingir quando consigo praticar de modo bastante adequado e persistente, e isto é pessoal, Os passos onde o 11º é vital entre os outros que continuamos percorrendo sempre, o que se constitui um programa essencialmente espiritual, para toda a vida, e para aqueles que buscam a sobriedade emocional e a paz).

3 – Capítulo 3. Mais sobre o alcoolismo.
“Declaração de um médico de um hospital mundialmente famoso: “Mesmo não sendo religioso, tenho um profundo respeito pelo enfoque espiritual em casos como os seus”. “Sua defesa precisa vir de um Poder Superior. ” “ Pág. 64 e 65.

4 – Capítulo 4. Nós os Agnósticos.

“Se for este o caso, você pode estar sofrendo uma doença que somente uma experiência espiritual poderá controlar.” Pág. 67.
“Precisávamos encontrar um poder através do qual pudéssemos viver”. E precisava ser um Poder superior a nós mesmos. Mas onde encontrar esse poder?
“Bem, é exatamente disto que trata este livro. Seu principal objetivo e ajuda-lo a encontrar um Poder superior a você, que resolverá seu problema. Isto significa que escrevemos um livro que acreditamos ser tanto espiritual quanto moral, e significa, é claro, que falaremos de Deus. Aqui começa a dificuldade para o agnóstico. ” ……..sua expressão se anuvia quando tocamos em assuntos espirituais e, sobre tudo quando mencionamos Deus, pois reabrimos um tema do qual aquela pessoa havia simplesmente se afastado ou ignorado por completo. ” “Sabemos como ele se sente. Compartilhamos de suas honestas dúvidas e preconceitos. Alguns de nós fomos violentamente antirreligiosos. Para outros a palavra “Deus” trazia a recordação específica de algo que havia sido usado para impressioná-los na infância. Pág. 68.
“Tão logo admitimos a possível existência de uma Inteligência Criativa, de um Espírito do Universo como base de tudo o que existe, começamos a nos deixar dominar por um novo sentido de poder e direção, desde que tomássemos outras providências simples. ” Pág. 69.
“Quando, portanto, falamos de Deus com você o concebe, queremos falar de seu próprio conceito de Deus”. Isto se aplica, também, a outros termos espirituais encontrados neste livro. “Não deixe que preconceito algum, de sua parte, contra termos espirituais possa impedi-lo de perguntar, honestamente, a si mesmo o que significam para você”. “No princípio, isto foi tudo o que precisamos para dar início a um crescimento espiritual, para criar nossa primeira relação consciente com Deus, assim como cada um de nós O concebia”. Pág. 69.
“Tratava-se de crescimento, mas, se quiséssemos crescer era preciso começar de algum lugar. ” “….Então usamos nosso próprio conceito por mais limitado que fosse. ” “Acredito agora ou pelo menos desejo acreditar que existe um Poder Superior mim? ” Tão logo alguém possa dizer que acredita, ou quer acreditar, podemos garantir, enfaticamente, que está no caminho certo. Pág. 70.

(Entendo que a verdadeira fé de que A.A. me fala, é a fé não decorrente do que me ensinaram, mas a fé que tem origem na minha experiência, ou seja, ao praticar os passos vim a sentir em mim a presença Divina através de Sua proteção e inspiração, vivenciando assim a Sua existência, na sobriedade e na paz de espírito e na sua providência em tudo que preciso, apesar dos conflitos externos).

(Entendo ainda que quanto ao ateu, ao agnóstico e ao crente de qualquer matiz, A.A. me sugere que use a tolerância e a não agressão com exposição de minhas crenças pessoais de modo como se fosse a única verdadeira. Penso que aí o melhor caminho é eu não criticar ninguém pelo seu crer, nem qualquer religião, filosofia ou crença, nem a ausência de uma ou de todas estas, quer seja crítica de modo implícito ou explícito. O ateu e o agnóstico acabarão crendo em algo superior a eles, e no modo da concepção de cada um e no tempo certo).

(Penso que o que aprendi de todos os setores da vivência humana, que poderia dar como origem a cultura geral, foram no sentido da busca da materialidade, do prazer, do prestígio e do poder. Tudo isto me levou ao puxão de orelha Divino, que foi o meu alcoolismo ativo, mas que me trouxe ao AA. com seu programa essencialmente espiritual que me ensinou a viver sem beber, em paz e já um pouco sóbrio também emocionalmente, apesar das vicissitudes inerentes à vida. Por tudo isto, agradeço ao Deus da minha concepção).

“Ao vermos outras pessoas resolverem seus problemas por meio de uma simples confiança no Espírito do Universo, fomos obrigados a parar de duvidar do poder de Deus”. “Nossas ideias não funcionavam. Mas a ideia de Deus dava certo”. Pág. 74.
Como sempre os comentários e meu modo de ver esse tema, é meu caminho, nada contra o caminho de quem quer que seja.

Abraços fraternos, paz, luz e mais 24 h sóbrias.
magno/RS.

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