Monthly Archives: Março 2018

SAIBA MAIS UM POUQUINHO SOBRE NOSSA TERCEIRA TRADIÇÃO

SAIBA MAIS UM POUQUINHO SOBRE NOSSA TERCEIRA TRADIÇÃO.
A primeira Mulher que foi expulsa do AA

E tornou-se a razão da nossa Tradição #3
A pioneira de AA Sybil Corwin fala de história…

Isto me foi passado por um amigo. Penso que vocês gostem deste pedacinho de nossa história sobre um dos “porquês” de termos Tradições.
Esta é a história de Irma Livoni. Todos os anos por volta desta época, eu tento contar esta verdadeira história sobre o que aconteceu em 7 de Dezembro de 1941 (Dia da Invasão de Pearl Harbour pelos Japoneses) mas não só por isso e sim para contar o que aconteceu a uma das poucas mulheres que estava em AA naqueles tempos e sobre uma carta que ela recebeu pelo correio na segunda-feira, dia 8 de Dezembro, que literalmente, a expulsou de AA.
Em Dezembro de 1984, eu estava sóbrio há já 2 anos e meio, e trabalhando com meus padrinhos B ob e Sybil Corwin desde Janeiro. Sybil parou de beber em Março de 1941 e a esta altura estava, portanto, sóbria a 43 anos. Estávamos voltando para casa de carro de uma reunião e ela me perguntou a data (ela só sabia que era domingo). Eu a informei que era 8 de Dezembro e que no dia anterior (7 de Dezembro) fora o aniversário do Dia da Invasão de Pearl Harbour.
Ela disse: “Matt, eu já te contei sobre Irma Livoni?” “Não,” respondi. “Quem é ela? ”Ela disse: “Bem, quando chegarmos em casa, entre para um café e eu te conto uma estória sobre a história de AA e algumas das razões pelas quais temos a nossa Tradição 3. Aliás, Matt, você sabia que nossa literatura fala especificamente de “pederastas, doidos varridos e mulheres decaídas” ? e já que eu e você somos pelo menos duas de tais pessoas, deveríamos estar especialmente agradecidos à Tradição 3. Eu lhe mostro quando chegarmos em casa.”
Eu ri alto e bom som uma vez que a Sybil possuía um grande senso de humor e ela já fora uma dançarina de boite antes de ficar sóbria, sabe, daquelas que cobravam 10 centavos por cada dança, e desde então já se divorciara duas vezes e era uma mãe solteira além de alcoólica naquele tempo, portanto descrevê-la como “uma mulher decaída” não estava longe da verdade de então.
Ela me disse que era muito diferente nas décadas dos anos 30 e 40 para uma mulher que fosse alcoólatra. Sybil disse que era um tempo quando as mulheres usavam chapéus e luvas e “mulheres de respeito” dificilmente seriam vistas em bares ou em festas de arromba. Nossos estudos dos Passos às quintas-feiras haviam resolvido para não abordar as Tradições antes de chegarmos ao Passo 12, portanto, imaginei que estas não seriam muito importantes e pensava que provavelmente eu morreria de tédio com esta conversa, mas ela prendeu minha curiosidade falando que nossa literatura se referia a “pederastas, doidso varridos e mulheres decaídas”, então concordei em entrar para um café. Além disso, Sybil já estava sóbria há mais tempo que eu tinha de vida. Eu não discutia muito com ela…
Em casa, Sybil pegou seu exemplar do Grande Livro. E disse, tome, quero que você me encontre as tradições aqui e leia para mim a Tradição 3. Aquele exemplar era a primeira edição do Livro Grande. Muito maior que o meu. Eu perguntei falando do tamanho do livro: “É por isso que chamam de Livro Grande ou Grande Livro?” Ela disse, “exatamente. Bill mandou imprimi-lo em folhas grandes, com amplas margens em volta do texto para que as pessoas achassem que estavam recebendo algo “volumoso” pelo seu dinheiro.”
Eu olhei no final do livro onde pensei que estariam as Tradições, mas não as encontrei. Disse: “Eu não consigo encontrá-las Sybil.” Ela respondeu: “É claro. Isto é porque ainda não tinhamos quaisquer tradições pelos idos de 1941 quando eu ingressei, e Matt, AA estava em risco mortal de se destruir, e é por isso que agora temos as Tradições.” Então ela me mandou procurá-las no meu exemplar da 3ª edição e no meu livro dos 12 mais 12.
Eu não a li por inteiro. Só o enunciado sob o título, e ela então começou a me contar a história de IRMA LIVONI.
Irma era uma de suas afilhadas. Também ingressou em 1941, logo após ela mesma. Sybil a acolheu em sua casa. (Ela me contou que naquele tempo, o fundo de poço de muitos era bem fundo, sem casa, sem trabalho, sem relógio, sem carro, nada). Sybil disse que era muito diferente naquele tempo para uma mulher ser uma alcoólatra. Que a maioria delas havia queimado todas as pontes atrás de si de acesso às suas famílias, e eram olhadas por cima e depreciadas, muito mais que os alcoólatras masculinos. Sybil contou que ela ficou observando o AA ajudar Irma a ficar sóbria, limpa e construir uma nova vida e conseguir sua primeira moradia através da sobriedade.
Aí ela contou que no dia 5 de Dezembro de 1941, um grupo auto-proclamado de membros assinou uma carta dirigida a Irma e a postou no correio dois dias antes do Dia de Pearl Harbour, naquela mesma sexta-feira, 5 de Dezembro.

Eis uma cópia dessa carta.

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ALCOÓLICOS ANONIMOS

Caixa Postal 607

Hollywood, California

5 de Dezembro de 1941

Irma Livoni

939 S. Gramercy Place

Los Angeles, California

Prezada Sra. Livone:

Em uma reunião do Comitê Executivo do Grupo de Alcoólicos Anônimos de Los Angeles, tida em 4 de Dezembro de 1941, foi decidido que sua freqüência às reuniões do grupo não era mais desejada até que viessem a ser dadas certas explicações e planos para o futuro que satisfaçam o comitê. Esta decisão foi tomada por razões que deverão ser claramente evidentes para a senhora. Foi decidido que, se assim desejar, poderá comparecer diante dos membros deste comitê e declarar sua atitude.
Esta oportunidade lhe será concedida entre a data atual e 15 de Dezembro de 1941. V.Sa., pode comunicar-se conosco no endereço acima até aquela data.

Caso não deseje comparecer, considerarmos o assunto encerrado e sua participação encerrada.

Alcoólicos Anônimos, Grupo Los Angeles

Mortimer, Frank, Edmund, Fay D., Pete, Al

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Eu estava atônito. “Como eles puderam fazer isto Sybil?” É porque nós não tinhamos quaisquer guias de orientação, quaisquer tradições para nos proteger dos bem intencionados. AA era ainda muito nova, e as pessoas faziam muitas coisas pensando que estavam protegendo a Irmandade.”
Sybil então me disse para fechar os olhos e imaginar que eu estava naquele tempo e cenário. Ela explicou novamente que o dia 7 de Dezembro era o dia da invasão de Pearl Harbour, um domingo. Ela disse que naquele domingo, todo mundo em Los Angeles estava com medo de que a cidade também seria atacada e bombardeada. A energia foi desligada e a cidade estava às escuras, tanto que se temia tal ataque. Ela contou que no dia 8, segunda-feira, o Presidente Roosevelt discursou dizendo que aquela data viveria na infâmia e que daquele fato em diante estávamos em guerra com o Japão e com a Alemanha.
E foi naquele dia que Irma recebeu a carta. Naquele tempo só existia uma única reunião em todo o estado da California, quando a própria Sybil havia ingressado em 1941. Em Dezembro pode ser que já havia outros 2 ou 3 grupos, mas Irma não tinha para onde ir, ninguém a quem recorrer, e não havia nenhum outro grupo na California a que ela pudesse pedir ajuda.
“Imagine,” disse Sybil. “Somente 1 ou 2 reuniões em todo o seu estado, e você sendo rejeitado pela própria família e pela sociedade e pelo único grupo de pessoas que estavam do seu lado, seu grupo de AA todo. Imagine eles fechando a porta na sua cara e lhe mandando tal carta.”
Eu estremeci ao pensar nisso. Era época natalina, as lojas estavam decoradas e a pobre Irma ficou sozinha. Eu viajei mentalmente para pensar como era em 1984, quando já havia cerca de 2000 reuniões por semana só na California do Sul, e então imaginei como seria não haver nenhuma ajuda para um alcoólatra desesperado.
Sybil me contou que a Irma nunca mais voltou a uma reunião, deixou o AA e morreu de alcoolismo. Ela chegou a escrever ao Bill sobre o incidente, e eu não posso lhe dizer que esta foi a razão, mas parece que o trecho seguinte da Tradição 3 se aplica exatamente sobre tal situação.

Trecho da Tradição 3, do livro 12+12, página 141:

“… de que jamais puniríamos ou privaríamos quem quer que fosse de fazer parte de AA; de que jamais devemos compelir qualquer um de pagar seja o que for; acreditar ou conformar-se com o que quer que fosse. A resposta a isto agora contida na Tradição 3 é simples por excelência. Finalmente, a experiência tinha nos ensinado de que, privar a qualquer alcoólico da oportunidade integral, era freqüentemente ditar-lhe a sentença de morte, e não raro condená-lo à miséria (desgraça) infindável. Quem ousaria ser juiz, júri e carrasco de seu irmão doente?”
JUIZ, JÚRI E CARRASCO. Me lembro de olhar para estas palavras repetidamente. A cada vez pareciam-me crescer cada vez mais.

JUIZ, JÚRI E CARRASCO
JUIZ, JÚRI E CARRASCO
JUIZ, JÚRI E CARRASCO

Na realidade, eu não havia notado “carrasco” quando li este trecho a primeira vez no meu grupo de estudos. Mas agora, senti-me mal novamente por esta pobre senhora. Puxa. Estas palavras passaram a ter um significado muito mais profundo agora do que da leitura anterior. Então eis que, 23 anos mais tarde, e em cada 7 e 8 de Dezembro, sempre me lembro da Irma Livoni, e imagino o quanto sou afortunado de agora termos tradições. Penso também o quanto eu foi feliz de conhecer a Sybil e afortunado por ela ter-se se proposto a ser minha madrinha.
Anos mais tarde, entendi que tudo que ela me havia ensinado era tesouro, mas em 1984 eu ainda não fazia ideia de quem a Sybil era realmente nem quanto eu era feliz por tê-la como madrinha. Ela era uma peça ambulante da história viva mas eu só entendi o quanto era importante isso para compreender porque nós fazemos algumas coisas tais como a história que ela me contou de que antes eles nunca diziam “Olá Sybil” ou ninguém dizia “Olá, meu nome é Matt e eu sou um alcoólico” naqueles tempos idos.
Além de ser uma das primeiras mulheres em AA, Sybil foi a primeira mulher a oeste do Mississippi. Ela também se tornou e coordenou o escritório central de Los Angeles por 12 anos, e tornou-se uma amiga intima de Bill e Lois. Ela e seu Bob até costumavam passar férias com eles. Ela costumava me contar todo tipo de histórias sobre Bill Wilson e as coisas que ele dizia a ela.
Ele sempre se interessou muito em saber como o AA funcionava para as mulheres, já que naquele tempo havia muito poucas no AA mundial. Marty Mann chegou antes de Sybil; mas poucas das que vinham ficavam sóbrias.
Naquela noite aprendi que ninguém pode ser expulso de AA. Podemos convidar um bebado que nos perturbe a ficar quieto, ou podemos convidá-lo para fora da sala naquele dia, mas não votamos para expulsar quem quer que seja de vez.
Nem desprezamos qualquer pessoa por causa de nossas linhas guia, e nossas tradições nos dizem que ninguém tem que acreditar em nada (ninguém sequer precisa gostar de mim) nem tem que aceitar conformadamente qualquer coisa; não têm que se vestir de alguma maneira definida, ou fazer a barba, ou pagar qualquer coisa. Mesmo que eu volte novamente a ficar bêbado, ainda continuarei a ser bem vindo a uma reunião de A.
Esta é, portanto, a história de Irma Livoni. Passe isto adiante a vontade, para qualquer um que voce ache que possa se interessar em saber um pouco mais do como e porque as tradições surgiram. Para mim, esta história da rosto e forma à Tradição 3, o rosto de uma mulher que nunca conheci, e que foi expulsa de AA. Que voltou a beber e morreu.
Notas:

(Este relato foi escrito originalmente em 1984)

Sybil foi a primeira mulher a ficar sóbria em AA a oeste do Rio Mississippi. Ao se recuperar de uma ressaca em uma sauna pública de Los Angeles, ela se deparou com um exemplar da revista Saturday Evening Post datado de 1 de Março de 1941, e leu o artigo de Jack Alexander sobre Alcoólicos Anônimos. Ela escreveu ao AA de New York, e Ruth Hock, secretária de Bill W., respondeu-lhe uma semana depois, levando-a a ingressar no “Grupo Mãe” de AA em Los Angeles. Sybil permaneceu sóbria por toda sua vida, administrou o Escritório Central de Los Angeles por muitos anos e antes de sua morte, tornou-se o membro sóbrio mais antigo de AA..
O companheiro John M, dos Steppers da OIAA, ele próprio acabando de completar 43 anos, teceu os seguintes comentários adicionais a esse respeito:
Grato por postar isso Ewart. Eu participei de reuniões com a Sybil C nos anos 70 em Los Angeles e ouvi suas partilhas muitas vezes. Penso que a nossa “cotovia” Toni (também membro dos Steppers atuais) também a conheceu. Sybil faleceu em 1998. Ela era muito eloquente e ela mesma uma parte importante da história de AA. Permaneceu sóbria por quase 60 anos de sua longa vida. Ela com certeza tornou-se a mulher sóbria mais antiga de AA ao falecer.
… … …. Naquele tempo, eu mesmo vi uma cópia carbono da tal carta datilografada do Comité Executivo e o texto que você passou é exatamente esse, exceto que ela foi assinada pelos membros com seus nomes completos. Essa cópia está arquivada no Escritório Central de LA…
Mas, informações posteriores afirmam que Irma Livoni parece não ter morrido de voltar a beber como se acreditou e temeu. Ela teria vivido outros 35 na vizinha cidade de Long Beach e morreu em 1974… Esta última informação vem do grupo no Yahoo Amantes da História de AA (AA History Lovers-yahoogroups), que vem pesquisando o assunto há algum tempo.
Mas é indubitável que este caso teve um forte impacto sobre Bill W e tornou-se o alicerce por trás da Terceira Tradição de AA.

Li gostei copiei e colei.
E. Ávila.

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CAPÍTULO 4 DO LIVRO ALCOÓLICOS ANÔNIMOS – NÓS OS AGNÓSTICOS

CAPÍTULO 4 DO LIVRO ALCOÓLICOS ANÔNIMOS. NÓS OS AGNÓSTICOS.

A minha experiência em A.A. me diz que, ao analisar um tema de nossa Irmandade, tenho que ver bem seus princípios em conjunto e considerar o espírito de A.A. como um todo, pois se eu usar somente uma parte desse todo, isoladamente, e/ou analisar sob a influência de minhas crenças ou do meu meio, sabendo que o A.A. é um programa essencialmente espiritual, universal e neutro ems todos os aspectos externos, certamente incorrerei em engano.
A concepção de um Deus é uma sugestão de A.A. que não é muito bem entendida por seus membros, apesar de que muitos de nós chegamos na Irmandade brigados com Deus, descrentes nele ou mesmo não acreditando em sua existência, poucos procuram saber o que quer dizer conceber um Deus. Inicialmente eu pensava que Deus era aquele que eu havia aprendido da religião, tinha quase uma ideia de um ser antropomorfo, formado como eu mesmo, era uma ideia vaga a qual nunca havia analisado ou discutido com outros sobre ela, inicialmente na minha vida aquela informação satisfez, com a sugestão de A.A.., não no começo, mas mais adiante, comecei a me perguntar o que era Deus pra mim, e analisando e trocando ideias sobre o assunto, sem ter uma concepção bem clara e última pois isto não é do alcance humano,, mas passei a entender que se tudo nesse nosso universo é energia, os corpos humanos, os objetos, as casas, os astros, os espaços vazios do universo e entre os seres, Deus só pode ser Energia, pois ele permeia tudo, é tudo. Esta é a minha concepção de Deus hoje.

É sob essa ótica que comento alguns trechos do Livro Azul aqui.

1 – Capítulo 1. História de Bill W.

Faço alguns comentários sobre o capítulo 1.
Ali se vê claramente, que Bill naquele momento, não fazia distinção definida entre religiosidade que, sempre deverá estar ligada a alguma religião, e espiritualidade que pode não estar ligada a nenhuma religião e/ou filosofia. Mais tarde A.A. nos legou de modo inequívoco que é um programa espiritual, e não religioso, e como tal devemos tratá-lo. Demonstrou ali Bill também, a sua resistência a termos religiosos, como para nominar a Divindade ou a citações religiosas. Essa rejeição ou reserva, a expressões e/ou citações religiosas bem definidas, (que indicam uma religião, explícita ou implicitamente, com origem da grande influência religiosa da época) é comum a muitos alcoólicos, e quase sempre geram elas divergências entre nós, afetando sempre a Unidade.

“Meu amigo sugeriu o que me pareceu uma ideia original. Ele me disse: Porque você não escolhe a própria concepção de Deus? ” Pág. 35..

2 – Capítulo 2. Há uma solução.

“Assim, ao sermos abordados por aqueles em quem o problema havia sido solucionado, nada nos restava além de apanhar a simples caixa de ferramentas espirituais colocadas a nossos pés. Encontramos o paraíso e fomos lançados numa quarta dimensão da existência, com a qual jamais havíamos sonhado”. Pág. 48.
“Não há exceções? Há respondeu o médico. Exceções a casos como o seu têm acontecido sempre. Aqui ou ali, uma vez ou outra, alcoólicos têm passado por experiências espirituais vitais”. Pág. 50.
“Ao ouvir isto, nosso amigo sentiu-se um pouco aliviado, pois refletiu que, afinal de contas, era um bom membro da igreja. Esta esperança, entretanto, foi destruída pelo médico quando lhe disse que, embora suas convicções religiosas fossem muito boas, não significavam, no seu caso, a experiência vital necessária”. Pág. 50.

(Segundo entendo a experiência espiritual vital necessária, quando não ocorre de modo repentino e de certa forma extraordinária e não explicável, só consigo atingir quando consigo praticar de modo bastante adequado e persistente, e isto é pessoal, Os passos onde o 11º é vital entre os outros que continuamos percorrendo sempre, o que se constitui um programa essencialmente espiritual, para toda a vida, e para aqueles que buscam a sobriedade emocional e a paz).

3 – Capítulo 3. Mais sobre o alcoolismo.
“Declaração de um médico de um hospital mundialmente famoso: “Mesmo não sendo religioso, tenho um profundo respeito pelo enfoque espiritual em casos como os seus”. “Sua defesa precisa vir de um Poder Superior. ” “ Pág. 64 e 65.

4 – Capítulo 4. Nós os Agnósticos.

“Se for este o caso, você pode estar sofrendo uma doença que somente uma experiência espiritual poderá controlar.” Pág. 67.
“Precisávamos encontrar um poder através do qual pudéssemos viver”. E precisava ser um Poder superior a nós mesmos. Mas onde encontrar esse poder?
“Bem, é exatamente disto que trata este livro. Seu principal objetivo e ajuda-lo a encontrar um Poder superior a você, que resolverá seu problema. Isto significa que escrevemos um livro que acreditamos ser tanto espiritual quanto moral, e significa, é claro, que falaremos de Deus. Aqui começa a dificuldade para o agnóstico. ” ……..sua expressão se anuvia quando tocamos em assuntos espirituais e, sobre tudo quando mencionamos Deus, pois reabrimos um tema do qual aquela pessoa havia simplesmente se afastado ou ignorado por completo. ” “Sabemos como ele se sente. Compartilhamos de suas honestas dúvidas e preconceitos. Alguns de nós fomos violentamente antirreligiosos. Para outros a palavra “Deus” trazia a recordação específica de algo que havia sido usado para impressioná-los na infância. Pág. 68.
“Tão logo admitimos a possível existência de uma Inteligência Criativa, de um Espírito do Universo como base de tudo o que existe, começamos a nos deixar dominar por um novo sentido de poder e direção, desde que tomássemos outras providências simples. ” Pág. 69.
“Quando, portanto, falamos de Deus com você o concebe, queremos falar de seu próprio conceito de Deus”. Isto se aplica, também, a outros termos espirituais encontrados neste livro. “Não deixe que preconceito algum, de sua parte, contra termos espirituais possa impedi-lo de perguntar, honestamente, a si mesmo o que significam para você”. “No princípio, isto foi tudo o que precisamos para dar início a um crescimento espiritual, para criar nossa primeira relação consciente com Deus, assim como cada um de nós O concebia”. Pág. 69.
“Tratava-se de crescimento, mas, se quiséssemos crescer era preciso começar de algum lugar. ” “….Então usamos nosso próprio conceito por mais limitado que fosse. ” “Acredito agora ou pelo menos desejo acreditar que existe um Poder Superior mim? ” Tão logo alguém possa dizer que acredita, ou quer acreditar, podemos garantir, enfaticamente, que está no caminho certo. Pág. 70.

(Entendo que a verdadeira fé de que A.A. me fala, é a fé não decorrente do que me ensinaram, mas a fé que tem origem na minha experiência, ou seja, ao praticar os passos vim a sentir em mim a presença Divina através de Sua proteção e inspiração, vivenciando assim a Sua existência, na sobriedade e na paz de espírito e na sua providência em tudo que preciso, apesar dos conflitos externos).

(Entendo ainda que quanto ao ateu, ao agnóstico e ao crente de qualquer matiz, A.A. me sugere que use a tolerância e a não agressão com exposição de minhas crenças pessoais de modo como se fosse a única verdadeira. Penso que aí o melhor caminho é eu não criticar ninguém pelo seu crer, nem qualquer religião, filosofia ou crença, nem a ausência de uma ou de todas estas, quer seja crítica de modo implícito ou explícito. O ateu e o agnóstico acabarão crendo em algo superior a eles, e no modo da concepção de cada um e no tempo certo).

(Penso que o que aprendi de todos os setores da vivência humana, que poderia dar como origem a cultura geral, foram no sentido da busca da materialidade, do prazer, do prestígio e do poder. Tudo isto me levou ao puxão de orelha Divino, que foi o meu alcoolismo ativo, mas que me trouxe ao AA. com seu programa essencialmente espiritual que me ensinou a viver sem beber, em paz e já um pouco sóbrio também emocionalmente, apesar das vicissitudes inerentes à vida. Por tudo isto, agradeço ao Deus da minha concepção).

“Ao vermos outras pessoas resolverem seus problemas por meio de uma simples confiança no Espírito do Universo, fomos obrigados a parar de duvidar do poder de Deus”. “Nossas ideias não funcionavam. Mas a ideia de Deus dava certo”. Pág. 74.
Como sempre os comentários e meu modo de ver esse tema, é meu caminho, nada contra o caminho de quem quer que seja.

Abraços fraternos, paz, luz e mais 24 h sóbrias.
magno/RS.

A IGREJA DA MEIA-NOITE

A Igreja da Meia-Noite
Philip Yancey

Recentemente fui a uma igreja singular que consegue atrair milhões de membros devotos todas as semanas sem ter sede denominacional e nem funcionários contratados. O nome é Alcoólicos Anônimos. Fui a convite de um amigo que me confessara, pouco tempo antes, seu problema com a bebida. Ele me disse:
– Venha comigo, e verá uma amostra de como deve ter sido a Igreja primitiva.
À meia-noite de uma segunda-feira, entrei em uma casa caindo aos pedaços, que já abrigara seis sessões naquele dia. Nuvens de fumaça de cigarro pairavam no ar como gás lacrimogêneo. Não passou muito tempo antes que eu percebesse o que meu amigo queria dizer com sua alusão à Igreja primitiva. Um político muito conhecido e vários milionários proeminentes se misturavam com desempregados desanimados e garotos que colocavam band-aids nos braços para esconder as marcas das agulhas. O “momento de compartilhar” foi semelhante às descrições de terapia ideais que encontramos nos livros de cursos de psicologia. As pessoas ouviam em compaixão, respondiam com ardor e abraçavam-se ao final. As apresentações eram mais ou menos assim:
– Oi, sou Tom, e sou dependente de álcool e drogas.
Imediatamente todos gritavam em uníssono, como um coral do teatro grego:
– Oi Tom!
Cada participante da reunião deu o relatório de seu progresso pessoal na batalha contra a dependência. Cartazes com frases simpáticas – “Um dia de cada vez”, “Você consegue”- enfeitavam as paredes desbotadas da sala. Meu amigo acredita que esses arcaísmos revelam outra semelhança com a Igreja primitiva. A maior parte da sabedoria de A.A. é passada de uma pessoa para a outra pela tradição oral, que vem desde a fundação da entidade, há mais de sessenta anos. Ninguém usa muito as publicações atualizadas de A.A. e nem seus artigos de relações públicas. Em vez disso, confiam principalmente em um velho livro embolorado com o título prosaico: Alcoólicos Anônimos, conhecido como O Livro Grande, que conta a historia dos primeiros membros, em um estilo pomposo, parecido com o da Bíblia.
A.A. não possui qualquer propriedade, não tem uma sede com luxos como mala direta e centro de mídia, não há uma equipe de consultores bem pagos e nem conselheiros de investimentos a cruzar o país de avião. Os fundadores do movimento estabeleceram garantias que acabariam com qualquer iniciativa para implantar a burocracia. Acreditavam em que o programa só teria sucesso se permanecesse no nível mais básico e intimo: um alcoólico dedicando sua vida a ajudar outro. Mesmo assim A.A. mostrou-se tão eficaz que mais de 250 organizações, de Chocólatras Anônimos a grupos de pacientes com câncer, surgiram como uma imitação consciente de sua técnica.
Os muitos paralelos com a Igreja primitiva não são meras coincidências históricas. Os fundadores cristãos insistiram em que a dependência de Deus deveria ser uma parte obrigatória do programa. Na noite em que participei da reunião, todos na sala repetiram em voz alta os doze princípios, que reconhecem total dependência de Deus para perdão e força (os membros mais agnósticos podem substituir pelo eufemismo “Poder Superior”, mas depois de algum tempo isso começa a soar tão vazio que eles geralmente acabam passando para Deus). Durante os momentos de compartilhar, algumas pessoas usaram o nome de Deus em uma série de profanidades, e na sentença seguinte agradeciam a Ele por ajudá-las a atravessar mais uma semana.
Meu amigo admite abertamente que A.A. tomou o lugar da igreja na vida dele, e isso às vezes o perturba. Ele denomina a situação de “a questão Cristológica” de A.A. E diz:
– A.A. não adota uma teologia da qual possa falar. Raramente se menciona Cristo. Os grupos tomaram emprestada a sociologia da igreja, bem como algumas das palavras e dos conceitos, mas não há doutrina subjacente. Sinto falta das doutrinas, mas em primeiro lugar estou tentando sobreviver e A.A. me ajuda muito mais nesta luta do que qualquer igreja local.
A igreja – e é possível avistar muitas torres através das janelas do prédio onde o grupo de A.A. se reúne – parece irrelevante, enfadonha e sem substancia para meu amigo. Outros no grupo explicam sua resistência à igreja relatando historias de rejeição, julgamento e sentimento de culpa. Uma igreja local é o ultimo lugar em que se levantariam para declarar que são alcoólicos e dependentes de drogas. Ninguém os saudaria com alegria, como nas reuniões de A.A.
Meu amigo acredita que um dia acabará voltando para a igreja, já que não abandonou sua fé. Ele afirma que, na verdade, o envolvimento em A.A. o ajudou a solucionar alguns dos paradoxos mais difíceis do cristianismo. Tomemos como exemplo o debate livre-arbítrio/determinismo: como alguém pode aceitar toda a responsabilidade por suas ações, quando sabe que os antecedentes familiares, desequilíbrios hormonais e as forcas sobrenaturais do mal contribuíram para seu comportamento? Uma das personagens de William Faulkner expressou-se assim:
– Não vou fazer. Mas não consigo evitar.
A.A. é bem menos ambíguo: todo participante tem que reconhecer a responsabilidade total e completa por todo seu comportamento, até mesmo pelo que acontece durante um estupor alcoólico ou um blackout (apagamento – uma espécie de limbo, no qual o alcoólico continua a agir, mas com amnésia, sem percepção consciente). É proibido racionalizar.
Meu amigo prossegue:
– A.A. me ajudou também a aceitar a noção do pecado original. Na verdade, embora muitos cristãos desprezam esta doutrina, o pecado original combina perfeitamente com as pessoas que freqüentam A.A. Expressamos esta verdade cada vez que nos apresentamos, dizendo que somos alcoólicos. Ninguém se esquiva dizendo que era alcoólico.
Para este meu amigo, a imersão em Alcoólicos Anônimos significou encontrar a salvação em seu sentido mais literal. Sabe que uma escorregadela poderia causar, ou melhor, causaria com certeza sua morte prematura. Mais de uma vez o companheiro dele dentro de A.A. atendeu seus chamados às quatro horas da madrugada, indo encontrá-lo encurvado em um restaurante escuro, escrevendo vezes sem conta em um caderno, como um garoto sendo castigado na escola: “Deus, ajuda-me atravessar os próximos cinco minutos”. Hoje ele aproxima-se de seu quinto aniversario de sobriedade, um marco importante segundo a avaliação de A.A. E mesmo assim sabe que 50% das pessoas que vencem esta etapa acabam caindo de novo.
Sai impressionado da “igreja da meia-noite”, mas ainda me perguntando por que A.A. atende determinadas necessidades que a igreja local não consegue atender, ou pelo menos não conseguiu, no caso de meu amigo. Pedi-lhe que apontasse a qualidade mais importante ausente na igreja e presente em A.A. Ele olhou para sua xícara de café por um longo tempo, parecia estar assistindo ao liquido resfriar. Esperei ouvir uma palavra como amor, aceitação ou, por conhecê-lo bem, talvez a ausência de institucionalismo. Em lugar disso, ele disse, bem baixo, uma única palavra: dependência. E explicou:
– Nenhum de nós é capaz de prosseguir sozinho, e não foi para isso que o Jesus veio? Ainda assim, a maioria das pessoas na igreja apresenta um ar de satisfação consigo mesmas, com piedade ou superioridade. Não sinto que, conscientemente, elas se apóiam em Deus ou umas nas outras. Parece que a vida delas está em ordem. Um alcoólico se sente inferior e incompleto na igreja.
Ficou em silêncio um pouco, até que um sorriso apareceu em seu rosto. E concluiu dizendo:
– É engraçado. O que mais odeio em mim, meu alcoolismo, é exatamente o que Deus usou para me trazer de volta até Ele. Por ser alcoólico sei que não consigo sobreviver sem Deus. Talvez seja este o valor redentor dos alcoólicos. Talvez Deus nos esteja chamando a ensinar aos santos o que significa depender d’Ele e de Sua comunidade na Terra.

O autor: Philip Yancey nasceu em Atlanta, EUA em 1949. Jornalista, escritor e pensador cristão, é editor associado da revista Christianity Today (Cristianismo Hoje). A trabalho ou a passeio, Yancey, esteve por várias vezes no Brasil, onde seus escritos são uma referência para diversos setores cristãos. Este artigo foi subtraído de seu livro mais conhecido, “Perguntas que Precisam de Respostas” e, junto com outros livros de sua autoria, Alma sobrevivente; Decepcionado com Deus; Desventuras da vida cristã (com Tim Stafford) e A dádiva da dor (com o Dr. Paul Brand) são publicados no Brasil pela Editora Mundo Cristão http://www.mundocristao.com.br
Este artigo foi postado na internet por michaeljacobs@uol.com.br que se corresponde com o autor e está sendo repassado com sua permissão.

O PROCESSO DE RECAÍDA E SUA PREVENÇÃO

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 142 – MAR/ABR 2013

O PROCESSO DE RECAÍDA
E SUA PREVENÇÃO

O artigo a seguir dá “nome aos bois” da recaída.

O que é Recaída? É voltar ao uso do álcool após um período de abstinência.

Por que me preocupar com a recaída? A recaída é uma realidade que faz parte da doença (alcoolismo) e possui particularidades. Conhecendo tais particularidades, é possível evitá-la, ou melhor, preveni-la.

Você pode estar em uma recaída antes mesmo de usar o álcool. Isto pode durar dias, semanas, meses ou anos.Existem sinais de alerta, são os Sintomas de Recaída Emocional (antes do primeiro gole). Aqui está a lista de alguns deles, mais significativos e frequentes:

1. MUDANÇAS DE COMPORTAMENTO

– Discussões sem motivo aparente;
– Abandono ou menor participação em A.A.;
– Parar num bar ou outro local de “ativa” socialmente para beber refrigerante;
– Compulsão para cigarro, sexo, jogo, comida, consumismo etc.

2. MUDANÇAS DE ATITUDES

– Não se preocupar com o passado ou com a manutenção de
abstinência;
– Pensamentos negativos e auto destrutivos;
– Não valorizar as conquistas adquiridas sem o álcool.

3. MUDANÇAS DE SENTIMENTOS OU HUMOR

– Depressão;
– Raiva e ressentimento de si próprio ou de outros;
– Irritabilidade;
– Oscilações bruscas de humor (angústia e súbita euforia);

4. MUDANÇAS DE PENSAMENTOS

– Achar que merece beber por passar algum tempo de abstinência;
– Pensar em substituir o tipo de bebida ou droga, concluindo que não faria mal;
– Pensar estar curado após um determinado período sem uso;
– Achar que pode controlar a quantidade de químicos;
– Achar que pode se automedicar ou usar outras drogas;

Estes são alguns dos sinais. Podem indicar que o seu processo de
recaída esteja em andamento. Neste caso, é importante que você tenha um plano estratégico para lidar com situações que podem colocar a recuperação em risco.

Você pode estar em uma recaída antes mesmo de usar o álcool.
Isto pode durar dias, semanas, meses ou anos.

Observando a lista a seguir é possível identificar possíveis situações de alto risco (inclusive aquelas que eventualmente já lhe proporcionaram uma recaída):

– Dificuldade de externar raiva (não expressa adequadamente, age passiva ou agressivamente)
– Ansiedade ou nervosismo
– Monotonia ou falta de interesse em lazeres construtivos
– Negação — “eu não sou alcoólatra…”
– Depressão
– Outras compulsividades (desafios, sexo, jogo, comida, cigarro, roubo etc)
– Cansaço
– Medos que parecem sem fundamento
– Baixa autoestima
– Culpa
– Auto piedade
– Impaciência com o plano de recuperação (imediatismo)
– Solidão, isolamento
– Autossuficiência e prepotência
– Ressentimento, Irritabilidade/Intolerância
– Vergonha
– Voltar aos ambientes da “ativa”
– Fantasiar o prazer dos químicos sem lembrar as consequências
– Dificuldade de dizer não, de recusar álcool e outras drogas oferecidos por amigos
– Descrédito no programa de AA
– Achar que o seu alcoolismo é diferente dos outros
– Não aceitar o envolvimento da família em atividades de Recuperação (Al-anon e Nar-anon, por exemplo)
– Problemas de relacionamento — conjugal, familiar e social
– Dificuldade de fazer novos relacionamentos e amizades
– Auto desconfiança e de terceiros
– Companheiro(a) ou cônjuge com problemas de dependência química na ativa
– Problemas sexuais — associar sempre o sexo aos químicos, medo do sexo na sobriedade, impotência temporária, compulsão sexual, baixo autovalor
– Expectativas desmedidas em terceiros e em si
– Perfeccionismo
– Grandiosidade
– Orgulho
– Ter químicos ao alcance (em casa, no trabalho, etc)
– Desafiar o químico
– Associar ambientes e odores ao químico, lembrança constante de sucesso no trabalho
– Inadequação ao ficar limpo
– Dificuldades de lidar com estresse e frustrações
– Responsabilizar terceiros por suas perdas e problemas
– Procurar causas para sua doença
– (outros)

José Cássio
Psicólogo e Conselheiro em Adicções

Vivência nº 142 – Março/Abril/2013

PORQUE NÃO REFLETIR

Prezados membros deste grupo.
Não concordo com os descompromissos para com os Legados de A.A., mas nada tenho contra quem assim o proceda, ajo apenas no plano das ideias, sem jamais ficar com ressentimentos ou reserva contra quem quer que seja. Ouvi algumas vezes de membros de A.A. com boa recuperação e larga experiência, que os membros de A.A. que passarem a conhecer a importância das Tradições e da preservação de seus ditames, bem como todos os servidores de qualquer nível em exercício de suas funções, tem o dever de zelar para que estes princípios salvadores sejam preservados.
Muitos de nós, não entendemos bem isso e trazemos para nossos grupos temas, palestras e comentários sobre psiquiatria e medicina, teologia e religião, entre outros belos temas como poesias, histórias edificantes etc. A..A. tem literatura riquíssima e linda, aprovada pelo GSO e JUNAAB, que qualquer um de nós passando o resto de nossa vida transcrevendo ou falando em nossos grupos, com certeza não as transcreveríamos ou líamos todas, no entanto, alguns de nós trazemos outras mensagens que nada tem a ver com A.A., e nem tem a sua aprovação, a não ser o que até possa ter uma parte de tudo o que ele já nos oferece.
Muitos também não entendem que a SIMPLICIDADE REFERE-SE A RECUPERAÇÃO, QUANTO AOS SERVIÇOS PRECISAMOS NOS ORGANIZAR.
SIMPLICIDADE EM A.A.
NA OPINIÃO DE BILL 162
Mantenha-o simples
“Precisamos distinguir bem entre A SIMPLICIDADE ESPIRITUAL E A
SIMPLICIDADE FUNCIONAL. “QUANDO DIZEMOS QUE A.A. NÃO PREGA NENHUMA DOUTRINA TEOLÓGICA, A NÃO SER “DEUS COMO NÓS O CONCEBEMOS”, SIMPLIFICAMOS MUITO A VIDA DE A.A., EVITANDO CONFLITO E REJEIÇÃO.
(Será que dá para entender esse texto ai? Não é para deixar a religião de lado em nossa Recuperação)
Mas, quando entramos nas questões de ação, pelos grupos, áreas
e por A.A. como um todo, achamos que devemos nos organizar um pouco para levar a mensagem – ou então enfrentar o caos. E o caos não é simplicidade. ”
Bill W
****************
” Existem duas ou três coisas que lampejaram em minha mente, nas quais me amparo para emprestar um pouco de ênfase. Uma delas é a simplicidade do nosso programa. NÃO VAMOS ESTRAGAR TUDO COM COMPLEXOS FREUDIANOS E COISAS QUE SÃO INTERESSANTES PARA MENTE CIENTÍFICA, MAS QUE MUITO POUCO TEM A VER COM O NOSSO VERDADEIRO TRABALHO DE A. A. Nossos Doze passos, quando apurados até o fim, se resumem nas palavras “amor” e “serviço”. Entendemos o que é o amor e compreendemos o que é serviço. Assim conservemos essas duas coisas em mente”.
Dr Bob
(Não dá para entender isso ai? Que não devemos incluir a medicina nem a psiquiatria na nossa Recuperação?
Conforme se vê acima, Bill fala que A.A. não prega nenhuma doutrina teológica, e Bob diz: Não vamos estragar tudo com complexos freudianos e coisas que são interessantes para a mente cientifica mas que muito pouco tem a ver com nosso verdadeiro trabalho em A.A.
Tudo que A.A. precisava da Medicina, das Religiões, da Filosofia, do Misticismo e da sabedoria milenar, A.A. incluiu nos seus Três Legados e nos seus Livros, nada mais precisamos acrescentar.
Segundo o Terceiro Legado de A.A., A.A. não apoia nem combate quais quer causas. Alguns dizem, mas só coloco aqui coisas boas e belas, e aí pergunto, cada indivíduo não tem uma ideia diferente do que é uma coisa boa, bela e especial, e outras, eu poderia colocar aqui entendendo como boas coisas uma Bula Papal, um texto budista, o Sermão da Montanha, livros sagrados de Shiva da índia, trechos do alcorão, etc. A dificuldade é que quem daria o limite e quais seriam estes? Se não ficarmos com o que é nosso, a liberdade absoluta e a confusão se estabeleceria e deixaríamos de ser A..A., pois para ser um grupo de A.A., não deve estar vinculado a qualquer ideia de fora por mais simples e boa que ela possa parecer, além do mais A.A. tem tudo do melhor sobre religião, medicina, espiritualidade, misticismo e filosofia milenar dos povos.
A.A. meus amigos, é algo absolutamente diferente de qualquer outra
organização, e o desrespeito a seus princípios já fez fechar nos últimos
anos mais de um milhar de grupos cara a cara no Brasil.
No livro “Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade” na pág. 87 está contida uma severa advertência quando diz: “As Doze Tradições são para sobrevivência e harmonia do grupo o que os Doze Passos de A.A. são para a sobriedade e paz de espírito de cada membro.” Entre outros textos de nossa literatura este demonstra o quanto devemos aos princípios que nos foram deixados em três preciosos Legados: Recuperação – Unidade – Serviço.
Temos que ter em mente os perigos a que nos expomos ao endossarmos outras causas. A Sexta Tradição alerta para que “NÃO NOS AFASTEMOS DE NOSSO PROPÓSITO PRIMORDIAL” enfaticamente descrito na Quinta Tradição.
Além do mais, nos igualaríamos a outras formas de sociedade onde as pessoas digladiam-se para impor os seus pontos de vista, ou pior ainda, das correntes de opiniões religiosas, psicológicas, políticas, filosóficas, etc… da qual fazem parte.
Temos um ponto de união – OS PRINCÍPIOS – porque não só usá-los?
Temos alguns pontos de divergência – OS GOSTOS PREFERÊNCIAS E COSTUMES PESSOAIS E DE GRUPOS E ALGUNS ÓRGÕS DE SERVIÇO.
Porque utilizá-los?
Isso é uma aspiração, que entendo estar dentro do que diz nossa amada
Irmandade.
Abraços fraternos, paz, luz e mais 24 h sóbrias.
magno/RGS

SEQUELAS DO ALCOOLISMO

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 53 – MAI/JUN 1998

SEQUELAS DO ALCOOLISMO

Todas as pessoas que convivem com um alcoólico sofrem. E, tal como os alcoólicos, todas ficam com sequelas – precisamos saber disso em nossa recuperação.

Sou filha de um alcoólico, portanto, sofri com a doença e ainda sofro com as sequelas que ela me deixou. Tenho vinte anos, sou estudante de Direito e hoje meu pai não bebe mais. Não sei ao certo quando ele começou, tenho vagas lembranças de que, quando eu era criança, meu pai não bebia. Íamos a festas e sua companhia era sempre um copo de refrigerante. Mas ele começou a beber cada vez mais, e depois de um certo tempo não precisava de muito para sofrer com os efeitos da bebida.

Vivemos crises muito grandes: meu pai, minha mãe, minha irmã e eu. Cada um refugiou-se de um modo. É engraçado como os seres humanos sofrem de diferentes maneiras. Meu pai afastou-se de nós, não podíamos contar com o salário dele e muito menos com sua amizade. Ele vivia no bar. Na escola, meus amigos contavam-me que o viram no bar “tal”, várias vezes. Cada vez mais uma profunda dor invadia minha alma.

Minha mãe chorava, e como chorava! Às vezes eu pedia a Deus para levar-me embora do mundo material, não suportava ver minha mãe sofrendo. Minha irmã fugia, ela tinha um jeito estranho (ainda hoje) de enfrentar os problemas: não gostava de falar do pai, nem das bebedeiras, da mãe chorando, nem nada. Evitava ao máximo cada um de nós. À noite ia para a faculdade e aos finais de semana saía com o namorado. Talvez ela sofresse muito e não quisesse falar no assunto… não sei, não quero saber… não sou ninguém para julgar.

Todas as noites minha casa virava um verdadeiro inferno, era a hora em que meu pai chegava. Brigas, ofensas, lágrimas, e Deus é testemunha de como chorei sozinha e clamei por Sua ajuda.

Meu pai chegou num estágio em que já bebia de manhã cedinho, antes de ir para o trabalho, e eu tomava café sentindo o bafo de bebida. Sofri tanto que cheguei, numa época, a acreditar que odiava meu pai. Por que ele era assim? Por que nos fazia sofrer? Tinha nojo dele porque ele fedia a bebida, vivia de bebida, amava mais a bebida do que a nós.

Quando eu tinha dezesseis anos de idade, minha família enfrentou a maior de todas as crises. Meu pai estava no fundo do poço e agora o único caminho que tinha era subir, ou ficar sozinho. Estava perdendo o emprego e principalmente a nós, era hora de encarar isso. Minha mãe pediu a separação, já havia sofrido demais. E meu pai enfrentou a doença.. Internou-se numa clínica em Curitiba e hoje encontrou A.A.

Em nenhum momento fui visita-lo e hoje isso me dói muito. Tanto minha mãe como minha irmã foram vê-lo, mas eu não.

Quando ele voltou para casa, não acreditei no que via. Era outro, assistiu tevê conosco, conversou. Naquele mesmo instante descobri que eu não o odiava, apenas tinha medo de amá-lo. Hoje sei que posso contar com ele vinte e quatro horas por dia e tenho confiança em que não vai beber. Consigo realizar meu sonho a cada dia: estudar Direito. Meu pai tem sido o grande amigo para apoiar-me e é ele que tem-me dado forças, com sua demonstração de fé, para continuar.

Apesar disso enfrento as sequelas que o alcoolismo deixou. Hoje sofro com minha insegurança, o pesadelo de errar atormenta-me a alma. Ajudo outras pessoas a resolver seus problemas, mas não consigo resolver os meus. O alcoolismo deixou cicatrizes muito fortes e tenho medo de beber. Na faculdade sofro muito porque não admito perder e todos os dias acredito que não conseguirei. Certa vez, uma psicóloga disse-me que tudo isso que ainda invade minha vida é fruto do alcoolismo. Amo tanto minha família que não gosto de voltar à cidade onde estudo para continuar meu curso. Hoje minha família está tão bem que eu tenho vontade de viver todo o tempo do mundo com eles, para recompensar os anos em que vivemos separados.

Mas tenho fé que, assim como meu pai enfrentou o alcoolismo e continua enfrentando até hoje, eu enfrentarei meu desequilíbrio emocional. Somos fortes e em nós descobrimos forças incalculáveis. Hoje sei que “segurei” minha família, tornei-me adulta cedo demais, nunca gostei de brincar, mas sim de ajudá-los a resolver seus problemas. Espero um dia resolver os meus próprios, e Deus sabe o quanto desejo isso.

Sei que o alcoolismo é uma doença e que me afetou. Não existem remédios para isso, somente aquela força que existe em nós, fruto do amor de Deus e que é capaz de vencer essas feridas. Para o sofrimento de tantas famílias como a minha, a única solução é A.A. Assim como meu pai lida com essas sequelas, espero também faze-lo. Mas isso se dá passo a passo, assim como se diz na Irmandade de A..A. Afinal de contas, “a pressa é inimiga da perfeição”. E existe perfeição?

(Daiana L.S.)

Nota da Redação: Com programa semelhante ao de A.A. os Grupos Familiares AL-Anon têm ajudado centenas de milhares de pessoas a obter uma vida serena, compreendendo seus parentes ou amigos alcoólicos, acolhendo-as e proporcionando alívio e encorajamento..

Vivência nº 53 Maio/Junho 1998

AS MULHERES E O ALCOOLISMO

As mulheres e o Alcoolismo
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A questão do alcoolismo é ampla e atinge os diversos segmentos da esfera social do indivíduo; grupos de trabalho, grupos de relação e a família, possibilitando assim várias abordagens, o que vem sendo feito com freqüência nas últimas duas décadas, quando o alcoolismo passou a ser visto como doença pela Organização Mundial de Saúde, e como tal merecendo “tratamento”.
Na verdade, a existência de prejuízos associados ao uso indevido de álcool pelas mulheres é muito maior do que se costuma admitir. O alcoolismo feminino é um fenômeno mais silencioso e discreto que o masculino, devido à carga negativa de estigma. Existe uma diferença de tolerância cultural quanto aos problemas do álcool quando atinge cada um dos sexos. Assim os pileques do garoto são muitas vezes vistos de forma hilariante e, até, estimulados como sinal de masculinidade em algumas sociedades, ou em meios sociais específicos. Para a mulher é diferente, não “fica bem” exagerar, comportamento classificado como não feminino. Cria-se a expectativa d a mulher como exemplo, sempre em controle dos seus atos. Na verdade essa distinção de papéis não se aplica apenas para o caso das bebidas alcoólicas, mas estende-se aos valores básicos determinados culturalmente para os dois sexos.
As discussões sobre a relação entre as mulheres e as bebidas alcoólicas são recentes dentro dos estudos das dependências. As pesquisas desenvolvidas apontam dois aspectos da questão: de um lado, a existência de algumas características específicas do alcoolismo feminino (versus o masculino), de outro, a inveracidade de algumas crenças negativas relacionadas, principalmente, ao tratamento de mulheres.
O padrão de ingestão, as situações e a quantidade do beber das mulheres diferem freqüentemente daqueles do homem, principalmente quando se trata de mulheres não inseridas no mercado de trabalho. Por exemplo, a dona-de-casa alcoolista bebe muito mais em casa do que no bar. Desempenha as primeiras tarefas domésticas do dia e, quando está sozinha, bebe. Geralmente acaba negligenciando algumas tarefas domésticas. No caso da mulher profissionalmente inserida no mercado de trabalho se acrescenta aos problemas mencionados acima os percebidos no alcoolismo masculino, que podem ser: a queda de produtividade no trabalho, dificuldades de relacionamento com os colegas, gastos excessivos com bebida. A mulher alcoolista tende a negar o uso excessivo de álcool; por isso, o diagnóstico médico do alcoolismo entre elas é feito mais tardiamente. Já a evolução do quadro de dependência se dá mais rapidamente do que entre os homens.
A evolução mais devastadora do alcoolismo entre mulheres se dá, principalmente, por dois fatores. Primeiro, porque parecem existir diferenças biológicas que predispõem a mulher a ter mais problemas médicos, mesmo quando bebem menos que o homem, resultando em intoxicação mais imediata. O segundo fator refere-se a reações que variam de vergonha a perplexidade e medo, que geralmente envolvem tanto a mulher alcoolista como sua família quando se deparam com o problema, retardando assim o seu processo de ajuda e tratamento mais que no caso do homem dependente do álcool. Além disso, os serviços, não se dando conta da importância de tratamentos especificamente femininos, não facilitavam a adesão de mulheres ao tratamento, já bastante dificultada pela gama de preconceitos sociais. É importante que o diagnóstico e a procura de ajuda sejam feitos o mais rápido possível. Mas é essencial tratar-se a dependência como uma doença, associada a fatores psicológicos, biológicos e sociais e não como uma falta de caráter do homem e da mulher.
A mulher alcoolista, além da rotulação de “bêbada e irresponsável”, é estigmatizada como a “vergonha da família”, mesmo quando, na maioria das vezes, o marido também bebe. Sentindo-se só em casa, enquanto o marido bebe no botequim, ela freqüentemente bebe por não suportar a sua realidade de preterida Os filhos por sua vez sentem vergonha da vizinhança, que percebe o alcoolismo da mãe, mas não têm a mesma atitude em relação ao pai que também bebe.
O rótulo de alcoolista carrega uma gama de preconceitos tanto em relação ao homem como em relação à mulher, embora a mulher alcoolista sofra maior discriminação. Ao participar da A.A. ( Alcoólicos anônimos), que é uma irmandade que trabalha como grupo de apoio, no sentido de restabelecer o sujeito à sociedade, o preconceito se ameniza; a mulher passa então a ser vista como uma “ex-alcoolista”. O sentido de estigma se torna mais brando.
A mulher alcoolista chega a A.A. com baixa auto-estima por não cumprir o papel que lhe é exigido socialmente. Ante a possibilidade de uma melhora progressiva, pelos testemunhos e de provas de força e esperança dos membros do grupo, tornando-se uma “ex-alcoolista”, diminuída a carga de estigma, ela recupera perante os outros a confiança por ter superado o vício. O estigma agora se liga ao passado, não mais a um presente sofredor.
Existe uma presença maior de homens nas reuniões de grupo da A.A., talvez porque os homens aceitam mais facilmente a forma de tratamento adotada, demonstrando que não têm vergonha de assumir perante a sociedade a sua condição de doentes. Com a mulher alcoolista é diferente; ela sente dificuldade de assumir o alcoolismo por causa da carga de estigma que suporta.
Apoio coletivo, este é o interesse da A.A. Cada membro encontra no outro uma força para falar de seus problemas com a bebida. Ali o alcoolista pode encontrar pessoas que passaram por problemas parecidos e, se estão todos “no mesmo barco”, consegue através da troca de experiências não mais se sentir sozinho para enfrentar a sua doença. Apresentado como doente, o sujeito tem sua conduta desviante “explicada” de uma forma que o exime parcialmente da responsabilidade pela sua condição; resta-lhe somente a obrigação de se esforçar para se manter sóbrio. Mas essa nova identidade de “doente incurável”, porém “tratável”, também carrega seu próprio estigma de instabilidade e de provável recaída.
Apesar de proporcionar grande alívio a muitas alcoolistas, não se pode dizer que a A.A. neutralize completamente a estigmatização sofrida por essas mulheres, mesmo após deixarem de beber por longos períodos. Mas, mesmo quando A.A. não consegue erradicar definitivamente o estigma sofrido, não há dúvida que, ao abrandá-lo e ao dar um apoio social que permita a recuperação da auto-estima, seu efeito é muito positivo, tanto para seus membros quanto para suas famílias, suas relações de amizade e de trabalho, e também para a sociedade.