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APADRINHAMENTO / DÉCIMO SEGUNDO PASSO / MENSAGEM

Apadrinhamento: Outra forma de dizer A.A.

Box 4-5-9, Fev. Mar./ 2002 (pág. 8-9)=> http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_feb-mar02.pdf
Título original: “El apadrinamiento es outra forma de decir A.A.”

O apadrinhamento tem muitos aspectos, muitas formas, cada uma delas única em suas nuances de identificação, esperança e ajuda. Porém, ao se olhar de perto pode se ver que cada uma é parte integrante da recuperação em A.A.; e para cada alcoólico que se mantém sóbrio, a essência do apadrinhamento costuma ser a união inseparável de “meu programa/eu”.

Desde seu começo, o apadrinhamento tem sido descrito de diversas maneiras, como um indulto espiritual, uma colaboração do Quinto Passo, um trabalho do Décimo Segundo Passo e uma benção dos céus. É tão antigo quanto a relação que tinham os cofundadores Bill W. e o Dr. Bob para se manter sóbrios quando se conheceram em Akron, Ohio, em 1935; é tão novo quanto a relação que está sendo forjada, neste mesmo momento, entre um veterano, ou um Grupo inteiro, e um recém chegado doente e desconcertado.

Descrevendo sua relação com o Dr. Bob nos primeiros dias, Bill disse certa vez: “O Dr. Bob não me necessitava para sua instrução espiritual… o que sim necessitava quando nos vimos pela primeira vez era a deflação profunda e a compreensão que somente um bêbado pode dar a outro. O que eu necessitava era da humildade do esquecimento de mim mesmo e o sentimento de parentesco com outro ser humano da minha própria índole”.

Nos primeiros dias em Akron, o apadrinhamento costumava começar com a hospitalização do doente alcoólico e sua rendição, esta última, muitas vezes conduzida pela amiga de A.A. não alcoólica, Irmã Inácia, a qual em tom áspero instava seus pacientes a dobrar os joelhos em vez dos cotovelos. Em outras ocasiões, começou na cozinha do Dr. Bob com sua receita caseira de tomates, chucrute e xarope de milho (Karo) que se misturava numa panela grande e se deixava cozinhar a fogo lento. “Ao tomá-lo, os homens quase vomitavam” disse Ernie G., um membro pioneiro. “Finalmente, o Dr. Bob retirou o chucrute e durante muitos anos continuou com os tomates e o xarope de milho”.

Hoje em dia, essa desagradável beberagem agridoce foi substituída por batidas de leite, mel e caldo concentrado, e o punhado de “candidatos” se converteu em mais de dois milhões no mundo todo. Porém, não mudou em nada o fato simples de que a melhor forma de manter nossa sobriedade é ajudar o alcoólico que ainda sofre a alcançá-la. O falecido Custódio Webb J., do Oeste do Canadá, levou este conceito ainda mais longe. Falando na Conferência de Serviços Gerais de 1991, disse: “Você tem que presenteá-la para mantê-la, mas, não pode dar o que não tem”. Percebeu isso quando, recém-saído de uma instituição de tratamento, tentou apadrinhar alguém e acabou de volta à garrafa.

Sem dúvida, o apadrinhamento, o estar ali sem julgar durante todos os Doze Passos do caminho para ajudar outro alcoólico sem buscar em troca a gratificação do ego, nem sempre é fácil. Além do mais, “os membros de A.A. diferem em seu entusiasmo pelo apadrinhamento, na sua capacidade de fazê-lo e no tanto de tempo que podem lhe dedicar. Os membros que desejem e possam apadrinhar a vários iniciantes ao mesmo tempo não devem ser dissuadidos. O apadrinhamento é, em certo sentido, um privilégio que deve ser compartilhado por tantos membros quanto seja possível e é uma atividade que ajuda todos os membros a fortalecer sua sobriedade”.

Guy F., antigo Delegado de Maine, nos oferece outra perspectiva sobre o apadrinhamento. Falando diante da Conferência de Serviços Gerais a respeito do lema da mesma, “O apadrinhamento, a gratidão em ação”, disse: “A forma de corresponder a essa gente que me deu a ajuda e a esperança de que eu precisava é seguir passando adiante, continuar participando no serviço e expressar minha gratidão. Para mim, isto é apadrinhamento”. Depois contou uma história que havia muitos anos tinha sido relatada a ele por uma mulher nativa norte-americana, que explicava alegoricamente, ele acreditava, os conceitos do apadrinhamento: “Antigamente diziam que uma águia – uma ave muito especial que representa a liberdade e a coragem, que remontava ao céu até onde não podia ser vista, levava suas orações ao Criador. Quando novamente podia ser vista, trazia consigo a resposta. Se você ferir a Águia, cairá no chão e ficará com a boca para cima. Faz isso para se proteger. Mesmo se você trata de ajudá-la, irá resistir. Não percebe que você quer ajudá-la, e tem medo”.

Guy explicou: “Essa história me faz pensar no bêbado tombado na rua com a boca virada para baixo. Se você trata de levantá-lo, ele resistirá, não porque seja ruim, mas porque tem medo e não percebe que você somente quer ajudar. No caso da águia, você pode embrulhá-la com a sua camisa e dar-lhe algum medicamento para a ferida, o Criador irá curá-la e novamente poderá voar livre como o vento. Porem, para ajudar o homem caído na rua, pode se valer da sua própria experiência. Se está trilhando o caminho dos Doze Passos na sua vida, você pode conduzir este homem a uma nova vida. O homem chegará a ser livre como uma águia, livre para amar e para ser quem o Criador tenha disposto que seja”.

Na mesma Conferência, aos 91 Delegados dos EUA e Canadá, lhes foi feita esta pergunta: “Quantos de vocês chegaram ao serviço de A.A. com a ajuda de um padrinho?”.Todos os Delegados levantaram a mão. Como é explicado no folheto “Perguntas e respostas sobre o apadrinhamento”, seja um alcoólico ajudando outro alcoólico na sua recuperação pessoal ou chegar a prestar serviço no Grupo, “o apadrinhamento em A.A. é basicamente o mesmo. Os dois tipos de serviço brotam dos aspectos espirituais do programa”. Um padrinho de serviço, diz o folheto, poderá familiarizá-lo com as Doze Tradições, os Três Legados – Unidade, Recuperação e Serviço, e os Conceitos; pode esclarecer o princípio da rotatividade e ajudar os membros novos a perceber que o serviço é o nosso produto mais importante depois da sobriedade. De posse deste conhecimento, podemos compartilhar esta visão com outros e assegurar o futuro de Alcoólicos Anônimos. ]

Apadrinhamento: Como éramos

Box 4-5-9, Abr. Mai. 2003 (pág. 3 a 5)=> http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_april-may03.pdf
Título original: “El apadrinamiento – como éramos”

“Assista às reuniões e consiga um padrinho”. Duas enérgicas sugestões que são dadas a quase todos AAs em sua primeira reunião. Tanto para o recém chegado com a clássica tremedeira quanto para o veterano bem experiente, o apadrinhamento tem sido um fator crucial da sobriedade sólida, e este ano (2003), o lema da Conferência de Serviços Gerais “Vivendo os princípios de A.A. através do apadrinhamento”, oferece à Irmandade em sua totalidade uma oportunidade de examinar a eficácia do apadrinhamento nos dias de hoje. Os membros da Conferência irão considerar detidamente o quão aplicados temos sido em cumprir nossa responsabilidade de apadrinhamento, e se perguntarão se talvez está desaparecendo; também irão falar de possíveis formas de fornecer informação aos médicos e a outros profissionais.

Nossa experiência nos revela a evolução do apadrinhamento que passou de um sistema por vezes rígido de doutrinamento para este arranjo pouco formal e individual que hoje conhecemos. As raízes do apadrinhamento são mais antigas que a própria Irmandade de A.A. Em novembro de 1934, Ebby T., velho companheiro de Bill W., veio visitá-lo. Ebby estava sóbrio pela primeira vez em muito tempo, que Bill pudesse lembrar; e estava muito desejoso de falar a respeito de sua nova maneira de viver. Em um artigo comemorativo publicado na edição de junho de 1966 da revista Grapevine, Bill escreveu: “Como é do conhecimento da maioria de vocês, Ebby, me falou da libertação do desespero que havia conseguido no Grupo de Oxford como resultado do autoexame, a reparação, a doação aos outros e a oração. Em poucas palavras, estava-me propondo as atitudes e princípios que mais tarde seriam usados para formular os Doze Passos para a recuperação em A.A.” Bill demorou algum tempo para alcançar a sobriedade, e a Ebby lhe resultou difícil manter a sobriedade por períodos de tempo mais longos, porém, para Bill essa foi a primeira experiência do poder do intercâmbio entre um alcoólico e outro e ao longo de toda sua vida Bill continuou a chamar Ebby de “meu amigo e padrinho”.

O surpreendente poder do compartilhamento pessoal sempre tem sido a força motriz, o coração mesmo, da vida e do desenvolvimento de A.A. No fim da primavera de 1939, Bill W., longe do seu lar e sua família, sentindo-se desesperadamente desejoso de manter sua recém encontrada sobriedade, se dispôs a procurar outro bêbado e acabou por levar a mensagem ao cofundador, o Dr. Bob S. Seu encontro marcou o começo real da Irmandade de A.A. e juntos, estes dois homens encontraram-se com outros bêbados e lhes levaram a mensagem de esperança. Nossos membros fundadores de Akron e Nova York se puseram imediatamente em ação fazendo o trabalho do Décimo Segundo Passo, levando a mensagem a alcoólicos nos hospitais e onde queira que estivessem, assegurando que eles também praticassem os passos que a incipiente Irmandade estava formulando como programa de recuperação.

Este pequeno grupo de ex-bêbados de Akron, e depois de Nova York, se manteve unido por absoluta necessidade e enviaram membros sóbrios para fazer visitas a possíveis membros e acompanhar seu progresso. Nos primeiros dias, os bêbados com frequência se hospedavam nas casas dos membros sóbrios até alcançar um mínimo de estabilidade. Porém, passados alguns anos, e depois de várias experiências desagradáveis, perceberam que muito poucos “hospedes” alcançavam a sobriedade, e da possibilidade de que não lhes estiveram fazendo favor algum.

No livro O Dr. Bob e os bons Veteranos é descrito o crescimento lento de A.A. em Akron justamente no período que se seguiu ao retorno de Bill a Nova York. “Em fevereiro de 1937 voltamos a calcular o número de membros e tinham ingressado mais sete subindo o total para 12. Também havia algumas dezenas que tinha que tinham algum conhecimento do programa. Durante esse período, o Dr. Bob e os membros pioneiros elaboraram juntamente com os mais novos um procedimento que foi muito rígido no começo, porém com o passar dos meses e dos anos foi-se tornando mais flexível e aberto”.

Primeiro, iam falar com a esposa, e lhe perguntavam se o seu marido realmente queria parar de beber. Então, o Dr. Bob ia pessoalmente falar com o homem e lhe assegurava que, se realmente levava o assunto a sério, eles poderiam lhe ajudar. Clarence S., um dos pioneiros, disse que, “em Akron e Cleveland você não podia simplesmente chegar e se apresentar numa reunião tal como hoje é feito. Você precisava ser apresentado por um companheiro. A esposa chamava primeiro e eu ia falar com ela. Contava-lhe minha história. Eu precisava saber alguma coisa a respeito do possível novo membro. Então eu saberia como abordá-lo. Talvez lhe cria-se uma armadilha. Assim teria no que me apoiar”.

Warren C. disse que, “não sabíamos nada de atração. Começávamos falando sua esposa, ou talvez procurávamos seu chefe, e quando íamos falar com homem já tínhamos um bom conhecimento dele”. Depois dessa entrevista preliminar, o possível membro era internado em um hospital para se desintoxicar. Quando o iniciante estava suficientemente restabelecido, todos os membros que moravam na cidade iam visitá-lo diariamente, três ou quatro no começo e 20 ou mais alguns anos mais tarde. Se o iniciante concordava em se juntar a eles, tinha que admitir que era impotente perante o álcool e entregar sua vontade a Deus na presença de um ou mais membros.

O apadrinhamento pessoal e individual, tal como o conhecemos hoje, parece ter-se originado no Grupo de Cleveland. Em outubro de 1939, foi publicada no Cleveland Plain Dealer uma série de artigos a respeito de A.A. que marcou o começo de uma nova época para Alcoólicos Anônimos, a época da fabricação em série da sobriedade. Bill W., escreveu em A.A. atinge a maioridade, “a central de atendimento do jornal foi inundada por chamadas que eram remetidas ao pequeno Grupo de Cleveland. Semana após semana, os companheiros saiam correndo apreensivos a fazer visitas do Décimo Segundo Passo aos cada vez mais numerosos candidatos.

Logo ficou claro que seria necessário elaborar um sistema de apadrinhamento pessoal para os novos. Um membro mais antigo era designado para visitar o mais novo na sua casa ou no hospital, explicar-lhe os princípios de A.A. e acompanhá-lo à sua primeira reunião. Porém, ao ver-se rodeados de tantos pedidos de ajuda, percebiam que não havia suficientes veteranos para satisfazer a demanda. Recém chegados que tinham um mês ou apenas uma semana sóbrios tinham que apadrinhar alcoólicos que ainda estavam se desintoxicando nos hospitais”.

Quando o primeiro Grupo chegou a ter bastantes membros, iniciou-se outro Grupo e logo se estabeleceu o terceiro Grupo. Felizmente o Big Book tinha saído da gráfica já havia seis meses e também havia disponíveis alguns folhetos, com o qual foi evitado que aquela situação frenética levasse à confusão e a anarquia.

Os pioneiros de Akron e Nova York tinham graves dúvidas. Como seguir em frente?Ninguém sabia. Porém, um ano depois ficaram sabendo; tendo chegado a 30 Grupos e várias centenas de membros, os pioneiros de Cleveland tinham demonstrado três coisas essenciais: a importância do apadrinhamento pessoal, a importância do Big Book para informar os iniciantes e o maravilhoso feito de que, uma vez que as boas-novas se difundissem suficientemente, A.A. seguramente poderia crescer até chegar a ser muito grande.

Na medida em que A.A. ia se desenvolvendo, muitos Grupos começaram a elaborar programas para ensinar os recém-chegados e a meados da década de 1940, os editores da nova revista nacional de A.A., a Grapevine, pediram aos seus leitores que compartilhassem a experiência de seus Grupos em seus projetos para apadrinhar os iniciantes. No número de junho de 1945 foram descritas quatro reuniões educativas, às quintas-feiras à noite, realizadas pelo Wilson Club, um dos Grupos de St. Louis. A primeira reunião foi dedicada à história de Bill, bêbado e sóbrio, e o desenvolvimento de A.A. até chegar a St. Louis. Durante um intervalo de 15 minutos era pedido a cada participante para escrever algumas palavras explicando o que ele considerava ser alcoólico. Depois disso, um médico explicava os aspectos clínicos do problema.

Na segunda reunião era tratado o aspecto espiritual e os Doze Passos, e para concluir, era lido um discurso do jesuíta padre Dowling, que foi quem iniciou os Grupos em St. Louis. Na reunião da terceira semana se falava do restante dos capítulos do Big Book e havia uma palestra proferida por um pastor protestante. Na última reunião era feito um breve repasse da literatura de A.A. e se explicava o funcionamento do Wilson Club.

Para ser considerado um membro ativo e com pleno direito do Wilson Club, era necessário assistir essas quatro reuniões educativas. Depois de feito, o candidato recebia um cartão de ingresso na cor branca que o identificava como membro. Ao completar um ano de sobriedade, o membro recebia um cartão dourado.

Na edição de setembro desse mesmo ano, a Grapevine publicou correspondência do Grupo Genesee de Rochester onde comunicava que também havia desenvolvido um programa educativo que, à semelhança do Wilson Club, também constava de quatro partes, porém, antes de assistir à primeira reunião no Grupo, os principiantes, ou novatos como eram chamados, deveriam passar por uma entrevista em forma de sabatina ou teste conduzido pelos padrinhos. Conforme a experiência relatada por aquele Grupo, a integração de pessoas indiscriminadamente no Grupo, sem a suficiente informação e um treinamento preliminar poderia provocar grandes dificuldades e causar dano na moral do Grupo. Em sua opinião, o novato tinha que aceitar o programa sem reservas antes de se tornar membro: “Cada iniciante progride até este ponto no seu próprio ritmo, conforme sua capacidade mental, seu desejo de aprender e a honestidade de seu autoexame. O Grupo aceita como palavra final o veredicto do seu padrinho a respeito de quando o novato está pronto para ingressar, e o próprio padrinho o conduz à primeira reunião”.

Na edição de julho de 1945, a Grapevine publicou uma lista com 19 características do bom apadrinhamento elaborada pelo Grupo de Minneapolis. Feito um resumo de algumas sugestões – que poderiam muito bem ter sido retiradas do atual folheto “Perguntas e respostas sobre apadrinhamento”, as relacionadas nos números de 15 a 18 oferecem uma lição a respeito do caráter do alcoólico:

“15-. Quando um bêbado recorre a outro padrinho para lhe contar histórias de perseguição, se este padrinho não consulta o primeiro, o assunto se converte numa questão de personalidades, e o segundo padrinho acabará por perceber que foi enganado pelo reincidente.

16-. Não dê atenção às fofocas dos reincidentes.

17-. O segundo padrinho deverá conversar com o primeiro para se informar do acontecido e evitar que aquilo volte a se repetir com ele.

18-. Se um membro novo começa a apresentar desculpar pela sua ausência nas aulas e nas reuniões, depois de um breve período de tempo, o padrinho devera lhe reforçar a importância do comparecimento. Se a situação permanecer, o novato criou uma condição na qual o padrinho não pode fazer nada. Melhor deixá-lo. A semente foi plantada; o padrinho deverá procurar outra atividade. Mais cedo ou mais tarde chegará o dia em que o novato volte porque ‘deseja’ A.A.”

Em números posteriores da Grapevine, foram mostradas as experiências dos Grupos de St. Paul e Chicago, onde era reforçada a necessidade de reuniões educativas para os novos membros. Os Grupos de St. Paul tinham um programa de três reuniões começando com os três primeiros Passos, depois falavam do inventário e reparações e finalizavam com os aspectos espirituais do programa.

Em Chicago foi criado um sistema de Grupos de bairro iniciado por dois veteranos que tiveram a ideia de conversar informalmente com seus afilhados e convidá-los a visitar suas casas para falar a respeito de qualquer problema que pudessem ter. A experiência teve sucesso e a cidade foi dividida em dez áreas; em cada uma delas formou-se um grupo de discussão que se reunia regularmente às quintas feiras à noite.

Num desses artigos da Grapevine descreve a experiência das reuniões de terça feira à noite no Chicago Loop: “Conforme o tempo passava, o crescente número de participantes parecia justificar a criação de uma reunião especial de instrução. A primeira foi realizada num canto do grande salão de reuniões: um veterano voluntário reuniu os novatos para lhes falar e responder suas perguntas. Este modelo improvisado foi tão bem sucedido que, a partir de então, foi criada uma reunião nesse formato que precedia à reunião principal”.

O artigo que mais atenção atraiu nessa série publicada pela Grapevine apareceu em setembro de 1947 com o título “O modelo de Little Rock está dirigido aos possíveis membros” e descreve um sistema muito rigoroso e formal.

Acredita-se que o “Modelo Little Rock” foi o primeiro (*) desse tipo no país. Simplesmente seguindo conscienciosamente esse modelo foram atraídas centenas de pessoas para A.A. Não era fácil ser membro daquele Grupo. Quando alguém manifestava o desejo de alcançar a sobriedade e se lhe designava um padrinho, tinha que deixar seu posto de trabalho por um período mínimo de duas semanas. Normalmente, o candidato era obrigado a passar esse tempo nas salas de reunião, estudando, preparando a história de suas experiências e cumprindo as tarefas impostas pelo padrinho.

Se, depois de duas semanas o padrinho estivesse satisfeito com o aproveitamento de seu afilhado, o apresentava ao comitê executivo do Grupo e fazia a solicitação de ingresso como novo membro. Se aceito, o padrinho o acompanhava à próxima reunião onde lhe eram dadas as boas vindas e recebia uma copia do “Programa de acolhimento” e dos Doze Passos.

Porém, isso não bastava. Não era dito simplesmente “Agora siga seu caminho e que Deus o abençoe”. Recebia um pequeno diário onde, durante 28 dias, deveria escrever suas impressões diárias sempre finalizando com “Hoje não bebi” e sua assinatura.

No final desse período entregava o diário ao Comitê, recebia de novo as boas vindas e somente então era considerado efetivamente como membro. Depois, sob a orientação de um veterano, lhe eram destinadas tarefas concretas e recebia incentivo para trabalhar com novos candidatos.

Dois meses depois da publicação deste artigo, a redação da Grapevine começou a receber cartas indignadas: “Isto parece um plano da polícia e do departamento de liberdade condicional. Há apenas um único modelo em A.A., e ele se encontra no libro (Livro Azul). Sem organização. Sem regras”, escreveu A. M. desde Los Angeles.

Desde Detroit, H. E. T. disse iradamente, “Por Deus! O que tem em Little Rock? Um campo de concentração? De onde lhes vem a autoridade para deixar alguém fora do Grupo? Imaginem! Alardear obstáculos para se juntar a A.A.!” e, E. B. T. de Boston, protestou: “Dá a impressão de que Little Rock se orgulha de ser rígido e, obviamente, no artigo publicado, parecem ter mais orgulho das poucas recaídas do que ajudar àqueles que peçam a ajuda de A.A. Isto pode ser algum tipo de grupo; mas não parece um Grupo de A.A.”

O modelo de Little Rock pode parecer excessivamente extremado para a grande maioria dos membros de A.A., porém, sempre houve tantos tipos de apadrinhamento quantos padrinhos e iniciantes tem havido. Alguns membros puderam superar os dias difíceis do começo da sobriedade somente porque seus padrinhos lhes impunham uma disciplina estrita – “meu padrinho nunca me fez sugestões”, ouve-se de alguns atualmente. Outros somente conseguiram prosperar com um grau de tutela mais suave de padrinhos sempre disponíveis, porém, que deixavam que seus afilhados se conduzissem à sua maneira. Na sua essência, como tantas outras coisas em A.A., o apadrinhamento, frequentemente, é eficaz apesar dos participantes. Como escreveu um colaborador anônimo na página de discussão de grupo da Grapevine, em maio de 1948: “A.A. oferece a possibilidade de dar a Deus a oportunidade”.

(*) N.T.: Alguns historiadores registram que o primeiro trabalho escrito sobre apadrinhamento foi o panfleto “Apadrinhamento em A.A. suas Obrigações e Responsabilidades”. Foi escrito por Clarence H. Snyder em 1944 e impresso pelo Comitê Central de Cleveland.

Apadrinhamento em A.A.: Suas obrigações e suas responsabilidades

Importante: O material a seguir é uma tradução feita pelo Dr. Lais Marques da Silva, ex- Presidente da Junta de Custódios, do panfleto que foi o primeiro trabalho escrito sobre apadrinhamento e o seu título original era “Apadrinhamento em A.A. suas Obrigações e Responsabilidades”. Foi escrito por Clarence H. Snyder (*), em 1944 e impresso pelo Comitê Central de Cleveland. Este transcritor apenas adaptou o formato ao conjunto.

(*) Clarence H. Snyder, (1902-1984), ficou sóbrio em Cleveland-Ohio, no dia 11 de fevereiro de 1938 com a ajuda do seu padrinho, cofundador, o Dr. Bob. Em 18 de maio de1939, fundou o grupo nº. 3 de A.A. em Cleveland-Ohio e este foi o primeiro grupo a usar o nome “Alcoólicos Anônimos”.

Faleceu na Flórida, em 22 de março de 1984, com 46 anos de sobriedade.

Sua história, “A Casa do Mestre Cervejeiro” está publicada nas 1ª, 2ª. e 3ª. edições do Big Book, nas páginas 297/303
Fonte: http://silkworth.net

Prefácio

Cada membro de A.A. é um padrinho em potencial de um novo membro e deveria reconhecer claramente as obrigações e deveres de tal responsabilidade.
A aceitação da oportunidade de levar o plano de A.A. para aquele que sofre no alcoolismo compreende responsabilidades muito reais e criticamente importantes. Cada membro, ao praticar o apadrinhamento de um alcoólico, deve lembrar que está oferecendo o que é, frequentemente, a última chance de reabilitação, de sanidade, ou mesmo, de vida.

Felicidade, saúde, segurança, sanidade e vida de seres humanos são as coisas que temos que manter em equilíbrio quando apadrinhamos um alcoólico.

Nenhum membro é suficientemente sábio para desenvolver um programa de apadrinhamento que possa ser aplicado, com sucesso, a todos os casos. Nas páginas seguintes, no entanto, delineamos um procedimento que é sugerido e que, suplementado pela própria experiência do membro, tem-se mostrado bem sucedido.

Ganhos pessoais de ser um padrinho

Ninguém colhe todos os benefícios de qualquer irmandade a que esteja ligado a menos que, de coração, se engaje nas suas importantes atividades. A expansão de Alcoólicos Anônimos para campos mais largos e o benefício maior para um número crescente de pessoas resulta diretamente do acréscimo de uma nova pessoa, de membros ou associados que são de valor.

Qualquer membro de A.A. que não tenha experimentado as alegrias e satisfações de ajudar outro alcoólico a retomar o seu lugar na vida, ainda não terá percebido completamente os benefícios que pode auferir desta irmandade. Por outro lado, deve ficar claramente guardado na mente que a única razão possível para levar um alcoólico para o A.A. é o benefício daquela pessoa. O apadrinhamento nunca deve ser feito para:

1) aumentar o tamanho do grupo;
2) satisfação ou glória pessoal ou, ainda,
3) porque o padrinho sente, como sendo do seu dever, refazer o mundo.

Até que um membro de A.A. tenha assumido a responsabilidade de colocar um trêmulo e impotente ser humano de volta no caminho para se tornar um membro saudável, útil e feliz da sociedade, ele não terá desfrutado a completa sensação de ser um membro de A.A.

Fonte de nomes – indicações para apadrinhamento

A maior parte das pessoas tem, entre os seus próprios amigos e relações, alguém que se beneficiaria dos nossos ensinamentos. Outros têm seus nomes dados por igrejas, por doutores, empregadores ou por algum outro membro que não pode fazer um contato direto.

Por causa da ampla gama de atividades do A.A., os nomes frequentemente chegam de lugares não usuais e inesperados. Esses casos deveriam ser contatados assim que todos os dados como: estado civil, relações domésticas, estado financeiro, hábitos de beber, emprego, e outras informações facilmente acessíveis, estivessem em mãos.

É o cliente potencial um candidato?

Muito tempo e esforço poderiam ser poupados ao se conhecer, tão cedo quanto possível, se:

1) A pessoa realmente tem um problema com a bebida?
2) Sabe que tem um problema?
3) Deseja fazer alguma coisa acerca do seu beber?
4) Deseja ajuda?

Às vezes, as respostas a essas questões não podem ser obtidas até que o candidato potencial tenha tido alguma informação sobre o A.A. e de ter uma oportunidade de pensar. Frequentemente são dados nomes, que depois de uma verificação, mostram que o candidato potencial não é, de forma nenhuma, um alcoólico ou ainda que está satisfeito com o atual modo de viver. Não deveríamos hesitar em descartar esses nomes das nossas listas. Devemos estar certos, no entanto, de fazer com que o potencial candidato saiba onde pode nos alcançar em qualquer data futura.

Quem deveria se tornar membro?
O A.A. é uma irmandade de homens e mulheres ligados pela sua inabilidade de usar o álcool em qualquer forma razoável com proveito ou prazer. Obviamente, qualquer novo membro introduzido poderia ser do mesmo tipo de pessoa, sofrendo da mesma doença.

A maior parte das pessoas pode beber razoavelmente, mas estamos somente interessados naquelas que não podem. Bebedores de festas, bebedores sociais, festeiros e outros que continuam a ter mais prazer do que dor no seu beber, não são de interesse para nós.

Em alguns casos, um indivíduo pode acreditar que é um bebedor social quando ele definitivamente é um alcoólico. Em muitos desses casos, mais tempo deve passar antes que a pessoa esteja pronta para aceitar o nosso programa. Pressionar tal pessoa antes que esteja pronta pode arruinar as suas chances de, em algum momento, se tornar um membro de A.A., com sucesso. Não se deve excluir a possibilidade de uma ajuda futura ao se pressionar demais no início.

Algumas pessoas, embora definitivamente alcoólicas, não têm desejo ou ambicionam melhorar o seu modo de viver e, até que elas o façam, A.A. não tem nada a oferecer.

A experiência tem mostrado que idade, inteligência, educação, situação ou a quantidade de bebida alcoólica ingerida tem pouco, se tem, a ver com o fato de uma pessoa ser ou não um alcoólico.

Apresentando o projeto
Em muitos casos, a condição física de uma pessoa é tal que deveria ser hospitalizada, se possível. Muitos membros de A.A. acreditam que a hospitalização, com tempo suficiente para planejar o futuro, livre das preocupações domésticas e das preocupações com negócios oferece uma vantagem significativa. Em muitos casos, o período de hospitalização marca o início de uma nova vida. Outros membros são igualmente confiantes no fato de que qualquer pessoa que deseje aprender sobre o projeto de vida de A.A. pode fazer isso em seu próprio lar ou enquanto engajado nas ocupações normais. Milhares de casos são tratados de cada modo, que tem-se mostrado satisfatórios.

Passos sugeridos

Os seguintes parágrafos delineiam um procedimento sugerido para apresentar o projeto de A.A. ao possível candidato, em casa ou no hospital.

1) Qualificar-se como um alcoólico
Ao atender a um novo possível candidato, tem-se mostrado melhor que o padrinho se qualifique como sendo uma pessoa normal que tem encontrado felicidade, contentamento e paz por meio do A.A.. Deve tornar claro, imediatamente, que você é uma pessoa engajada nas coisas da vida, em ganhar a vida. Fale que a única razão para acreditar que é capaz de ajudá-lo é que você mesmo é um alcoólico que tem tido experiências e problemas que podem ser semelhantes ao dele.

2) Relate a sua história
Muitos membros têm achado desejável iniciar imediatamente com a sua história pessoal com a bebida como um meio de obter a confiança e cordial cooperação do possível candidato.

É importante relatar a história da sua própria vida de bebedor e fazê-lo de um modo que irá descrever um alcoólico, mais do que falar de uma série de situações humorísticas de bêbados em festas. Isso capacitará a pessoa a ter uma visão clara de um alcoólico e deveria ajudá-lo a decidir definitivamente se é um alcoólico.

3) Inspire confiança no A.A.
Em muitos casos, o possível candidato irá tentar vários meios de controlar o seu beber, incluindo atividades de recreio, igreja, mudança de residência, mudança de associações e várias outras atitudes visando o controle. Esses meios irão, naturalmente, se mostrar sem sucesso. Focalize a sua série de esforços malsucedidos para controlar o beber… Os resultados infrutíferos e ainda o fato de que você se tornou capaz de parar de beber com a prática dos princípios de A.A.. Isso encorajará o futuro candidato para olhar com confiança a sobriedade em A.A., a despeito dos muitos fracassos anteriores que tenha tido com outros planejamentos.

4) Fale de vantagens adicionais
Fale francamente ao possível candidato que ele não poderá entender rapidamente todos os benefícios que estarão chegando por meio do A.A.. Relate a felicidade, a paz de espírito, saúde e, em muitos casos, os benefícios materiais que são possíveis através do entendimento e da aplicação do modo de viver de A.A..

5) Fale da importância de ler o livro
Explique a necessidade de ler e de reler o livro de A.A.. Destaque que esse livro dá uma descrição detalhada das ferramentas do A.A. e dos métodos de aplicação dessas ferramentas para construir um fundamento de reabilitação para viver. Esse é um bom momento para enfatizar a importância dos doze passos e dos quatro absolutos.

6) Qualidades necessárias para o sucesso em A.A.
Faça saber ao possível candidato que os objetivos de A.A. são prover os meios e modos para um alcoólico voltar ao seu lugar normal na vida. Desejo, paciência, fé, estudo e aplicação são o mais importante em determinar cada planejamento individual de ação para ganhar inteiramente os benefícios de A.A..

7) Reintroduza a fé
Desde que a crença em um Poder Superior a nós mesmos é o coração do projeto de A.A. e de que o fato de que essa ideia é frequentemente difícil para uma nova pessoa, o padrinho deveria tentar introduzir o início de um entendimento acerca dessa importante característica.
Frequentemente, isso pode ser feito por um padrinho ao relatar a sua própria dificuldade de captar um entendimento espiritual e falar sobre os métodos que usou para superar suas dificuldades.

8) Ouça a sua história
Enquanto falando ao recém chegado, ganhe o tempo para ouvir e estudar as suas reações a fim de que você possa apresentar a sua informação de um modo mais efetivo. Deixe-o falar também. Lembre … vá com calma.

9) Leve a diversas reuniões
9-Para dar ao novo membro um quadro amplo e completo do A.A., o padrinho deveria levá-lo a várias reuniões a conveniente distância da sua casa. Assistir diversas reuniões dá ao novato a oportunidade de selecionar um grupo em que se sinta mais feliz e confortável e é extremamente importante para deixar que o possível candidato tome a sua própria decisão em relação a que grupo irá se juntar. Acentue que ele será sempre bem-vindo a qualquer reunião e que pode mudar de grupo se assim desejar.

10) Explique o A.A. à família do possível candidato
Um padrinho bem sucedido aceita o esforço e faz qualquer empenho necessário para ficar certo de que as pessoas próximas e com interesse maior no seu doente (mãe, pai, esposa, etc.,) sejam inteiramente informadas acerca do A.A., seus princípios e seus objetivos. O padrinho cuida para que essas pessoas sejam convidadas para reuniões e as mantém informadas, a todo o momento, da situação corrente do possível candidato.

11) Ajude o possível candidato a se antecipar às experiências a serem vividas em um hospital.
Um possível candidato irá ter mais benefício de um período de internação se o padrinho descrever a experiência e ajudá-lo a se antecipar a elas, preparando o caminho daqueles membros que irão chamá-lo.

12) Consulte os membros antigos de A.A.
Essas sugestões para o apadrinhamento de uma nova pessoa nos ensinamentos de A.A. não são completas. Elas pretendem somente dar uma moldura e um guia geral. Cada caso individual é diferente e deveria ser tratado como tal. Informação adicional para o apadrinhamento de uma nova pessoa pode ser obtida a partir da experiência de um companheiro mais experiente nesse tipo de serviço. Um co-padrinho, com experiência, trabalhando com um novo companheiro no apadrinhamento de um possível futuro membro tem-se mostrado satisfatório. Antes de assumir a responsabilidade de apadrinhamento, um membro deveria estar certo de que é capaz de realizar a tarefa e de estar disposto a dar seu tempo, esforço e meditação que uma tal obrigação implica. Pode acontecer que ele queira selecionar um co-padrinho para compartilhar a responsabilidade ou pode sentir necessário solicitar a outro companheiro que assuma a responsabilidade pela pessoa que ele tenha localizado.

13) Se você vai ser um padrinho, seja um bom padrinho.

Apadrinhamento: Uma via de mão dupla

Box 4-5-9, Abr. Mai. 1998 (pág. 1-2)=> http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_april-may98.pdf
Título original: “El apadrinamiento es uma calle de doble dirección”

O programa de recuperação de A.A. é espiritual, mas a ação dos bêbados – um sóbrio e outro enfermo apoiando-se um no outro é o que o fundamenta, conforme o que logo descobriram nossos cofundadores. Alguns anos mais tarde, ao considerar sua relação com o Dr. Bob, Bill W. comentou: “O Dr. Bob não precisava de mim para sua instrução espiritual… O que precisava quando nos encontramos pela primeira vez era a profunda deflação do ego e a compreensão que somente um bêbado pode oferecer a outro. O que eu precisava era da humildade para esquecer de mim mesmo e do sentimento de parentesco com outro ser humano da minha própria índole”.

Nos primeiros dias, em Akron, Ohio, o apadrinhamento costumava começar com a hospitalização e a admissão da derrota do alcoólico, esta última, induzida algumas vezes pela Irmã Inácia, que animava seus pacientes a dobrar os joelhos ao invés de dobrar os cotovelos. Outras vezes começava na cozinha do Dr. Bob com sua receita caseira: tomates, chucrute e xarope de milho (Karo), tudo misturado e colocado a ferver no fogo lento. “Os homens quase tinham náuseas ao tomar aquela coisa” lembrava mais tarde o pioneiro Ernie G.“Finalmente o Dr. Bob retirou o chucrute, mas continuo durante muitos anos com tomates e xarope de milho”.

Atualmente aquela beberagem foi substituída por batidos de leite, mel e consomê (uma espécie de sopa com textura bem aquosa), e aquele punhado de “possíveis candidatos”converteu-se em mais de dois milhões de membros no mundo todo. Mas a verdade simples de que para manter nossa sobriedade é entrega-la a outro alcoólico que ainda sofre, essa não mudou. No seu discurso inaugural sobre o tema “Apadrinhamento: Gratidão em ação”, na Conferência de Serviços Gerais de 1991, o falecido Custódio alcoólico Webb J., do Oeste do Canadá disse a esse respeito: “Você deve dá-lo para mantê-lo, mas não pode dar o que não tem”. Ele percebeu isso quando recém-saído de uma instituição de tratamento, tentou apadrinhar alguém e acabou “de volta à garrafa”.

Quinze meses depois, disse Webb, “voltei para A.A. e fiquei. Entrei em serviço na segunda reunião, quando o pessoal me escolheu para receber as pessoas na porta de entrada. Fazia todas as tarefas domesticas do Grupo, tais como arrumar as cadeiras, fazer café, limpar os cinzeiros – tudo menos limpar o piso. Tínhamos um companheiro que antes havia sido gangster e se alguém ousava tocar na bassoura ele o olhava de tal jeito que fazia pensar em sapatos de concreto… Depois de um tempo, encontrei alguém que aceitou ser meu padrinho, com a condição de que ficasse um ano na cidade enquanto consertava os problemas que tinha criado, que me juntara a um Grupo, que praticasse os Passos e as Tradições e que participasse das atividades do Grupo. Fiz tudo isso e, como consequência, disfrutei de uma carreira de serviço muito variada, emocionante e interessante e, provavelmente, salvadora. Como é dito no nosso Terceiro Legado: ‘A.A. é algo mais que um conjunto de princípios; é uma sociedade de alcoólicos em ação. Temos que levar a mensagem, pois se não o fizermos, nós mesmos podemos murchar e aqueles a quem não lhes foi levada a verdade podem perecer’”.

Na mesma Conferência, a então Delegada do Sul de Indiana Dorothy M., disse,“Quando um principiante estende sua mão pedindo ajuda, quero que a mão de um membro disposto a ser padrinho esteja ali mesmo”. Ela ressaltou que “nossos vínculos não vem de ter um desastre em comum, mas de ter uma solução em comum”.
A experiência demonstra que desde a ajuda própria até o serviço, os membros de A.A. dos EUA e Canadá voltaram a se comprometer com o apadrinhamento. Nas cartas recebidas no Escritório de Serviços Gerais – ESG, formulam-se variadas perguntas (muitas têm sua resposta no folheto “Perguntas e Respostas sobre Apadrinhamento”, Junaab, cód. 211, R$ 4,70).

A seguir aparecem algumas dessas perguntas resumidas e as respostas que ofereceram os membros do pessoal do ESG:

Pergunta: Bill W. teve um padrinho?
Resposta: Sim. De fato Bill escreveu em várias ocasiões a respeito da profunda influência que teve em sua vida seu amigo de infância e companheiro de bebedeiras Ebby T.“E ali estava sentado meu padrinho Ebby, o qual foi o primeiro a me trazer as palavras que me tiraram do poço do alcoolismo”, escreveu Bill em “A.A. Atinge a Maioridade”. Bill sempre se referiu a Ebby como seu padrinho, embora houvesse tido muitas recaídas. Ao longo dos anos, Bill tratou de transmitir a mensagem ao seu amigo, da mesma maneira que Ebby a tinha passado a ele.

Pergunta: Enquanto estava hospitalizado depois de três meses de sobriedade, sofri uma infecção muito grave na garganta e o médico me receitou um medicamento para a dor. Meu padrinho disse-me que deveria mudar a data da minha sobriedade para o dia em que deixei de tomar o medicamento. Vocês concordam?
Resposta: Alguns membros dizem que não confiam em seus próprios procedimentos para chegar a tomar decisões e dependem totalmente de seus padrinhos. É possível que ainda me reste algum vestígio do bebedor típico de bar, mas posso compartilhar com você que não dependo do meu padrinho para obter conselhos a respeito de assuntos legais ou de médicos. Como é dito no folheto “O membro de A.A. os medicamentos e outras drogas” ( Junaab, código 214, R$ 4,20), a experiência demonstra que é melhor que “nenhum membro de A.A. faça o papel de médico”; nem tampouco meu padrinho iria gostar que eu o coloca-se nessa situação. Meu padrinho não me deu a data da minha sobriedade e, pelo que eu sei, tampouco pode tirá-la.

Pergunta: Há uma maneira “correta” para que o padrinho possa conduzir alguém no programa?
Resposta: A experiência de A.A. demonstra que o apadrinhamento é algo muito pessoal. Tanto o padrinho como o afilhado tem bastante margem ao escolher a pessoa que vai ser seu padrinho e como irão utilizar essa relação… Eu pessoalmente não acredito numa relação de apadrinhamento parecida com cuidar de um bebê. Acredito que a minha tarefa é introduzir a pessoa no programa de recuperação de A.A., ajuda-la a trabalhar os Passos até o ponto em que esteja disposta a fazê-lo, e tratar de introduzi-la a um poder superior tal como ela o conceba. Depois, acredito que seja importante que eu vá “saindo do trabalho”, por assim dizer, e estimular o afilhado a depender de seu poder superior mais que de mim. Há outros que têm uma opinião totalmente diferente; mas para mim, isso não representa nenhum problema.

Pergunta: Meu padrinho e eu tivemos um desentendimento, e agora tenho o sentimento de não poder participar do mesmo Grupo. O que devo fazer?
Resposta: Os problemas que envolvem personalidades costumam ser os mais difíceis de resolver, mas ao praticar os princípios de A.A. em todas as nossa atividades e antepor esses princípios às personalidade, podemos chegar a superá-los até certo ponto. Esperamos que considere a possibilidade de ir a outras reuniões e conseguir outro padrinho. Em A.A. costuma-se dizer que ter um padrinho no começo não quer dizer que nos tenhamos casado com essa pessoa. Às vezes a relação não funciona e procuramos outra pessoa. O que é importante é ter um padrinho com mais tempo de sobriedade que o seu, alguém com quem você se sinta bem para compartilhar com sinceridade e honestidade e que possa ajuda-lo a praticar os Passos e as Tradições.

Pergunta: Dei o Primeiro Passo e admiti que sou impotente perante o álcool. O que devo fazer agora? O que devo procurar num padrinho?
Resposta: Bom, sempre pode dar o Segundo Passo. A respeito de segunda pergunta, quando cheguei em A.A. me foi sugerido que procura-se alguém que, (a) tivesse mais de dois anos de sobriedade, (b) fosse mulher, como eu, e (c) desse a impressão de disfrutar a sobriedade. Dessa maneira encontrei uma madrinha, e sempre serei muito agradecida a essa mulher maravilhosa que foi minha primeira verdadeira amiga em A.A. e ao longo dos anos continuou sendo uma amiga muito querida.

Pergunta: Estou sóbrio há dois anos e pela primeira vez comecei a apadrinhar alguém. Poderiam me dar algumas sugestões?
Resposta: Talvez o mais importante do apadrinhamento é o poder dar sem esperar nada em troca. Como disse Bill W. num artigo da revista Grapevine em janeiro de 1958:“Observe qualquer AA com seis meses de sobriedade enquanto trabalha com um caso novo de Décimo Segundo Passo. Se o candidato lhe diz, ‘vá para o diabo’, apenas sorri e vai trabalhar com outro. Não se frustra nem se sente rejeitado. E se o próximo caso responde com amor e atenção para com outros alcoólicos sem dar atenção a ele, o padrinho, entretanto, dá-se por satisfeito e se alegra porque seu antigo candidato está sóbrio e feliz… Mas, também percebe claramente que sua felicidade é um subproduto – um dividendo resultante de dar sem esperar nada em troca”.

Buscamos os principiantes onde eles estão?

Box 4-5-9, Fev. Mar 1983 (pág. 1-2) =>http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_feb-mar83.pdf
Título original: “¿Encontramos a Los Principiantes ‘Dónde Ellos Están’?”.

As necessidades que tem o alcoólico recém recuperado que vem de um presidio, de um hospital ou de uma instituição de tratamento, são as mesmas que tem um principiante“comum” ? Se é assim, de que maneira?

No Fórum Regional do Oeste do Canadá, em Winnipeg, Manitoba, Phil C., Delegado de Manitoba, falando desta questão fundamental, disse: “Acredito que necessitam a mesma paciência, amor, compreensão, exemplo e informação que qualquer outro participante”.Entretanto, fez notar: “É possível que alguns tenham passado tanto tempo numa instituição que agora não possam pensar por si mesmos e devemos ajuda-los a ‘dar os primeiros passos’ da mesma maneira que faríamos com uma criança.

Na maioria dos casos, o alcoólico recém-saído de uma instituição toma remédios – Antabuse (*) ou outro medicamento, e possivelmente esteja em um programa de terapia para doentes não internos. É possível que a paciência e a compreensão do padrinho sejam postas a prova até o limite. Ouvi alguns veteranos teimosos dizer ‘não falarei com você enquanto estiver tomando Antabuse’. Ou tratam de agir como psiquiatra, psicólogo ou feiticeiro; ou os três”.

Em consequência disso, disse Phil, os principiantes continuam duvidando entre seguir os conselheiros, com quem estabeleceram uma linha de comunicação e que lhes haviam recomendado A.A., e os AAs que lhes dizem: “Esqueça tudo que lhe disseram; nós temos a resposta correta”.

A sugestão de Phil: “Devemos mostrar tolerância, cooperar com os conselheiros e não trabalhar em sentido contrário. Mais tarde, quando os principiantes tenham começado a assimilar o programa de A.A., haverá tempo de sobra para sugerir discretamente que A.A. pode oferecer-lhes soluções para outros problemas, não apenas os do seu alcoolismo, mas também os problemas normais da vida cotidiana e para sugerir que é possível que aqueles problemas desapareçam na medida em que progride a sobriedade e eles aplicam os princípios de A.A.”.

Webb J., Delegado da Columbia Britânica, Yukon, destacou também a necessidade de tolerância e de apadrinhamento sensível. “Fiz parte do Comitê da Conferencia de Centros de Tratamento durante os dois últimos anos, e percebi quantos alcoólicos que não bebem são enviados a nós com um programa abreviado. É imperioso que nossos Grupos recebam estas pessoas com um pouco de tolerância, enquanto lhes mostramos, através do nosso exemplo, que cinco Passos em 28 dias não é tudo”. Recomendou que fossem fornecidas às instituições e centros listas de padrinhos dispostos a servir para ajudar os principiantes a encontrar Grupos-base; e que os Comitês locais organizem reuniões de A.A. nas instituições quando seja possível.

Ken T., Delegado de Alberta, falou de levar a mensagem aos alcoólicos presos; observou que há mais de 1.100 Grupos de A.A. nos EUA/Canadá (em 1983).

Disse ao auditório que a maioria das vezes, os AAs são bem vindos nas instituições correcionais. Mas advertiu que “estas instituições tem que zelar pela segurança, e temos que respeitar isto se formos trabalhar numa instituição – e não ir pode implicar em que alguém não receba a mensagem. Então, fiquei sabendo que sempre irá haver coisas que a direção faz com as quais não concordo; isso não é assunto meu. Estou ali unicamente para levar a mensagem ao alcoólico sob custódia”.

Enquanto aos problemas particulares dos presídios para mulheres, Ken observou que alguns membros “tratam de identificar-se usando palavras pitorescas ou o jargão da rua. Não temos que nos transformar em outros. As mulheres querem conhecer nossa experiência – como fizemos a viagem de volta e como elas podem fazê-lo também. Iram-nos amar por quem somos, não pelo que fizemos ne porque já cumprimos uma pena na prisão”.

Um aspecto fundamental do trabalho nos presídios, disse Ken, é entrar em contato com os presos a primeira noite que saem da prisão e leva-los a uma reunião. Indicou outros meios pelos quais membros de A.A. podem ajudar os apenados: podem recolher exemplares da Grapevine (Vivência, no Brasil), para distribuição nos Grupos institucionais; formar parte dos comitês institucionais; escrever aos presos, através do Serviço de Correspondência com Instituições do ESG; escrever artigos para a Vivência ou boletins locais a respeito do trabalho de A.A. em centros de custódia.

(*) N.T.: Antabuse => (anti-abuso em inglês). Nome comercial de uma droga a base de enxofre (em latim súlfur) cujo princípio ativo é o dissulfiran e é usada como inibidora do uso de bebidas alcoólicas (no Brasil também é conhecida como “Tira-álcool”). A droga, em forma de pó, pode ser adicionada à comida ou a líquidos não alcoólicos e provoca o acúmulo de acetaldeído, um produto extremamente tóxico.

Seus efeitos, se ingerido álcool, são extrema vasodilatação e consequente queda de pressão arterial, taquicardia e cefaleia, além de um gosto horrível de enxofre (sulfiran-like). O paciente rejeita o álcool por associação aos efeitos relatados.

Como fazer uma visita de Décimo Segundo Passo à moda antiga

Box 4-5-9, Oct. Nov. / 1998 (Pág. 6) => http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_oct-nov98.pdf
Título original: “Cómo hacer una visita de Paso Doce a la antigua usanza”.

Uma vez que na atualidade (1998), muitos centros de tratamento estão fechando as portas, cada vez mais membros de A.A. estão à procura de guias sobre como fazer uma visita de Décimo Segundo Passo à moda antiga.

O Comitê de Literatura da Conferência de 1998 considerou a possibilidade de publicar um folheto sobre as visitas do Décimo Segundo Passo que a Área 23 de Kansas tinha preparado e estava utilizando. Embora os membros deste Comitê fossem da opinião de que seria bom utilizar este material a nível local reforçaram a importância do Quinto Capítulo do Livro Grande e de buscar orientação através do apadrinhamento, a experiência dos veteranos e as mesas de trabalho.

Uma mesa de trabalho deste tipo foi organizada na primavera passada pelo Plantão Telefônico do Intergrupo da área de Elmira, Nova York. O Segundo Seminário do Décimo Segundo Passo da Área tinha um programa baseado no material do ESG, titulado “Formato sugerido para uma Mesa de Trabalho”. Da experiência do Seminário saíram algumas sugestões para os Guias. Uma vez que foram de grande utilidade, o Comitê deseja compartilhá-las com o ESG na expectativa de que possam ser úteis para outros:

1) Devolver as chamadas tão logo seja possível. Chame unicamente para ouvir, compartilhar e fixar hora e lugar para se encontrar – não em um bar. Se o chamam de um bar, vá até lá apenas para recolher a pessoa e, no melhor dos casos, leva-la a uma reunião.

2) Se possível, faça as visitas de Decimo Segundo Passo acompanhado de um membro do mesmo sexo. As visitas do Decimo Segundo Passo podem ser pesadas e é mais seguro quando se tem companhia. Além do mais, quatro olhos vêm mais que dois Seja pontual e mantenha a boa aparência.

3) Façam a visita de Decimo Segundo Passo quando a pessoa estiver sóbria ou quase. As visitas a alcoólicos embriagados raramente são bem sucedidas, devido às lacunas mentais. Aguarde até a bebedeira passar ou que tenha um intervalo de lucidez, mas que ainda esteja tremendo.

4) Se possível, ao fazer uma visita na residência separar o alcoólico da família (sugerir Al-Anon para os membros da família). Ter muitas pessoas se intrometendo pode influenciar com sua opinião a respeito do “tipo mau” e pode criar confusões. Aprender com membros mais experientes a melhor maneira de se relacionar com a família ou as pessoas próximas que estejam presentes e aprender quando é mais prudente ir embora do que ficar.

5) Se achar necessário sugerir desintoxicação/reabilitação. Se lhes parecer mais adequado, entendam-se com a família ou seus próximos, com a permissão do interessado se possível, para negociar uma internação. Se parece que a situação vai criar um clima de violência, é melhor ir embora.

6) Contem-lhe como eram (sua própria história). Não moralizem nem façam sermões; não qualifiquem a pessoa em questão como alcoólico. Esta decisão cabe unicamente à pessoa, assim como a de retirar as bebidas da casa. Contem detalhadamente seus próprios sintomas, costumes de beber e outras experiências pessoais com o álcool.

7) Digam-lhe o que conhecem da doença do alcoolismo. Digam à pessoa que esta é uma doença progressiva que pode levar à loucura ou à morte prematura. Descrevam as condições do corpo, da mente e do espírito que acompanham o alcoolismo.

8) Contem-lhe exatamente o que lhes aconteceu. A pessoa provavelmente irá querer saber quanto tempo tem em A.A., como conseguiram e continuam mantendo a sobriedade.

9) Falem de sua experiência em A.A. Expliquem-lhe como A.A. tem dado bons resultados para vocês, e lhes ajudou a recuperar a cordura e manter a sobriedade; como foram conduzidos a se dispor a aceitar um poder superior a si próprio. Utilizem linguagem simples e evitem a indução a preconceitos respeito a termos e conceitos religiosos.

10) Contem-lhe como é agora – seu programa de recuperação e sua espiritualidade. Façam um resumo do programa de ação de A.A. e ressaltem que isto não o final triste (não beber preferentemente), mas o começo de uma nova vida gratificante baseada em princípios espirituais.

11) Deixem uma lista de horários de reuniões, folhetos de A.A. e seu número de telefone; voltem a fazer outra visita e voltem a chamar por telefone. Ofereçam-se para voltar e responder outras perguntas e para facilitar o transporte às reuniões. Mencionem as reuniões de Al-Anon aos familiares e outros achegados.

12) Tenha presente que o sucesso está em que todos nós nos mantemos sóbrios. A experiência prática demonstra que não há nada que assegure a imunidade à bebida como o trabalho do Decimo Segundo Passo intensivo com outros alcoólicos.

Levar a mensagem, ou, a arte do Décimo Segundo Passo.

Box 4-5-9, Inverno (dezembro) 2009 (pág. 6-7)=>http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_holiday09.pdf
Título original: “Llevar el mensaje: el arte del trabajo de Paso Doce”.

O trabalho do Décimo Segundo Passo é uma arte que nunca sai da moda. Alguns métodos mudaram ao longo dos anos – telefones celulares, correio eletrônico, sítios na Web no lugar de cabines telefônicas, máquinas de escrever, anúncios nos jornais, etc., mas, levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre continua a ser o serviço básico de Alcoólicos Anônimos.

Tal como descrito no Livro Azul, no capítulo “Trabalhando com os outros”, “A experiência prática demonstra que nada garantirá tanta imunidade contra o álcool quanto o trabalho intensivo com outros alcoólicos. Quando outras atividades não resolvem, isso funciona. …Observar as pessoas se recuperarem, vê-las ajudando outras, observar a solidão desaparecer, ver crescer ao se redor uma Irmandade, ter inúmeros amigos – esta é uma experiência que você não pode perder. …O contato frequente com os recém-chegados e com nossos companheiros è a parte luminosa de nossas vidas”.

O ponto básico de Alcoólicos Anônimos sempre foi a comunicação salvadora entre um alcoólico e outro. Como Bill W. descreveu: “Já desde o começo, a comunicação em A.A. não foi uma mera transmissão de ideias e atitudes úteis. Foi uma comunicação extraordinária e por vezes singular. Dada a afinidade proporcionada por nosso sofrimento comum, e devido a que os meios, também comuns, de nossa liberação somente proporcionam resultados quando os compartilhamos constantemente com outros, nossas vias de comunicação sempre se orientam pela linguagem do coração”.

Partindo de uma perspectiva histórica, esta transmissão de esperança de um alcoólico a outro, a miúdo descrita nos primeiros escritos de A.A. como “uma reação em cadeia”, teve seu começo quando Bill W. havia estado tratando seu alcoolismo com o Dr. Silkworth e recebeu a visita de Ebby T., um velho amigo e companheiro de copo. Ebby tinha encontrado uma maneira de alcançar a sobriedade com a ajuda do Grupo de Oxford, e um dia chegou na porta da casa de Bill para lhe transmitir sua mensagem de esperança. Sofrendo com a ressaca e mergulhado na angústia da sua própria doença, por alguma razão Bill se dispôs a ouvir o que Ebby tinha a lhe dizer.

“Em novembro de 1934, recebi a visita de Ebby, um velho amigo meu, alcoólico e futuro padrinho. Por que lhe era possível se comunicar comigo numa área que nem sequer o Dr. Silkworth ousava tocar? Em primeiro lugar, eu já sabia que sua condição, assim como a minha, era a de um bêbado irrecuperável. Numa data anterior, nesse mesmo ano, eu fui informado que ele também tinha sido candidato a uma internação num manicômio. Entretanto, ele estava ali, na minha frente, livre e sóbrio. A sua faculdade de comunicação era tão impressionante que, em poucos minutos pôde-me convencer de sua sinceridade ao dizer que se tinha libertado da obsessão pela bebida. Sinalizava uma coisa muito diferente de um mero percurso suando frio na caravana da abstinência. Foi assim que me apresentou uma espécie de comunicação e de evidência que nem sequer o Dr. Silkworth me pôde oferecer. A questão era que um alcoólico estava falando com outro. Nisso estava a verdadeira esperança”.

Ebby contou detalhadamente a Bill a sua história e suas experiências como bebedor nos últimos anos estabelecendo, assim, um poderoso vínculo de identificação. Depois explicou os passos que tinha dado para alcançar a sobriedade que naquele momento desfrutava.

“Nenhuma das ideias de Ebby era realmente nova. Eu já tinha ouvido falar de todas elas. Porém, da maneira como me foram repassadas através daquela poderosa linha de transmissão, deixavam de ser o que, em outras circunstâncias, eu iria considerar como simples máximas tradicionais para se comportar como um bom freguês. Eu as estava vendo como verdades vivas que poderiam me libertar, tal como fizeram com ele. Ebby pôde-me tocar no mais profundo”.

Entretanto, e apesar de seu grande impacto, a visita de Ebby não proporcionou a Bill o ímpeto ou a capacidade para parar de beber e recorreu de novo aos cuidados do Dr. Silkworth. Durante esta última internação Bill teve a experiência espiritual que tornou possível alcançar a sobriedade.

Nas palavras de Bill, “com esta revelação veio a visão de uma possível reação em cadeia, de um alcoólico que falara com outro e este com outro e assim nua série sem fim. Estava convencido de que podia dar aos meus companheiros alcoólicos o que Ebby tinha dado a mim”.

Durante os meses seguintes Bill tratou de passar a mensagem. Porém, ninguém tinha conseguido a sobriedade e esta experiência lhe deixou uma maravilhosa lição: “Por muito verdadeiras que fossem as palavras da minha mensagem, não podia existir nenhuma comunicação mais profunda se o que eu dizia ou fazia ia tingido de soberba, arrogância, intolerância, ressentimento, imprudência e o desejo de reconhecimento pessoal, mesmo tendo pouca consciência dessas atitudes. Sem me dar conta, tinha caído muito pesadamente nesses erros. Minha experiência espiritual havia sido tão súbita, tão resplandecente e tão poderosa que eu me achava destinado a curar quase todos os bêbados do mundo. Isto era soberba. Continuava a martelar sobre o tema de o meu despertar místico e os meus candidatos sentiam-se repelidos sem exceção. Isto era imprudência. Comecei a insistir que todo bêbado deveria experimentar uma “euforia luminosa” parecida com a minha. Fiz pouco caso do fato de que Deus se manifesta aos homens de muitas e variadas maneiras. De fato, tinha começado a dizer aos meus candidatos ‘você tem que ser como eu, acreditar como eu acredito e fazer como eu faço’. Isto era o tipo de arrogância inconsciente que nenhum bêbado consegue suportar”.

Finalmente, aconselhado pelo Dr. Silkworth, Bill mudou o foco e começou a incluir os dados médicos que caracterizam a doença como a obsessão, a alergia e a compulsão que leva o alcoólico a continuar bebendo.

Algum tempo depois, ao se encontrar na cabine telefônica do Hotel Mayflower, em Akron, Ohio, Bill disse: “Pela primeira vez desde a minha experiência no hospital, me senti tentado a tomar um trago. Nesse momento, de início, dei-me conta da necessidade que tinha de estar com outros alcoólicos para me preservar e ajudar a manter a dádiva original da sobriedade. Já não se tratava somente de ajudar outros alcoólicos. Se esperava manter minha própria sobriedade, tinha que encontrar outro alcoólico com quem trabalhar. Assim, quando o Dr. Bob e eu nos encontramos sentados cara a cara, nem sequer pensei em fazer o que costumava a fazer no passado. Eu disse, ‘Bob, estou-lhe falando porque você me faz tanta falta quanto eu possa fazer a você. Estou-me vendo no perigo de cair num grande abismo’”.

Daquela reunião, a reação em cadeia que passou de Ebby e Bill ao Dr. Bob, em Akron, alcançou inúmeros bêbados no mundo todo. Bill disse a respeito da comunicação vital: “Uma das primeiras ideias que compartilhamos o Dr. Bob e eu, foi que a verdadeira comunicação deverá estar baseada na necessidade mútua. Nunca deveríamos falar a ninguém com tom condescendente, muito menos a um companheiro alcoólico. Nos demos conta de que o padrinho deveria reconhecer humildemente suas próprias necessidades com tanta clareza quanto as do seu afilhado. Nisso estava a base do Décimo Segundo Passo para a recuperação, o Passo em que levamos a mensagem”.

Não faz muito tempo, o boletim da Intergrupal de St. Paul, Minnesota, publicou um artigo com o título “Sugestões para fazer as visitas do Décimo Segundo Passo”, no qual se dizia que “Ao receber uma chamada de Décimo Segundo Passo, partimos da ideia de que, literalmente, a vida de outro ser humano está em jogo. Isso significa que é preciso responder de imediato a essa chamada”. Outras sugestões eram oferecidas: Ao fazer uma visita de Décimo Segundo Passo, ir acompanhados de outro membro. Manter o anonimato. Felicitar o possível membro por pretender fazer algo a respeito de seu problema com a bebida. Oferecer alguma literatura de A.A. Contar como você era, o que aconteceu e como você é agora.

Ao fazer a comunicação com um possível membro seja pessoalmente, por telefone ou através da Internet, a arte de fazer o trabalho do Décimo Segundo Passo segue sendo a mesma. Como é dito na Quinta tradição: “A habilidade única de cada membro de A.A. para se identificar com o iniciante e conduzi-lo à recuperação, não depende de forma alguma de seu grau de instrução, eloquência ou qualquer outra capacitação específica. A única coisa que importa é o fato de ser um alcoólico que encontrou a chave da sobriedade”.

O apadrinhamento no ingresso em A.A. evita que os principiantes saiam pelas rachaduras

Box 4-5-9, Out. Nov. 1989 (pág. 7-8) => http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_oct-nov89.pdf
Título original: “Apadrinamiento temprano evita que los principiantes se pierdan ‘entre las rendijas’”.

Muitos reingressantes nas instituições de tratamento contam porque não conseguiram manter a sobriedade em A.A. a primeira vez que tentaram. Suas experiências indicam que um dos fatores decisivos nas primeiras etapas da recuperação é o de estabelecer uma conexão sólida com os padrinhos na sua primeira reunião de A.A.ou, ainda melhor, antes. De fato, os conselheiros experientes disseram que as maiores desistências ocorrem durante as primeiras 72 horas depois de sair da instituição.

È isso que nos informa Bert J., um membro que está há 30 anos em A.A. e trabalha como conselheiro no Brunswick House, de Amityville, Nova York. Num artigo titulado“Through the Cracks” – Através das Rachaduras, estuda varias razões pelas que alguns egressos não chegam em A.A. ou, mesmo chegando não conseguem manter-se sóbrios.“Está claro que muitíssimos nunca voltam. Continuam bebendo e morrem como alcoólicos ativos. Acredito que algumas destas tragédias poderiam ser evitadas se os AAs e os conselheiros alcançassem uma melhor compreensão a respeito do que podem fazer para ajudar”.

Nas suas conversas com os reingressantes nas instituições de tratamento, Bert descobriu uma coisa que todas as histórias tinham em comum: a falta de apadrinhamento no início. Um indivíduo disse: “Encontrei a sala de reunião e entrei, mas ninguém falou comigo. Fiquei até o encerramento e fui embora. Tudo que tinha ouvido de como os AAs ajudavam os principiantes pareceu-me fumaça de lenha verde. Voltei para a minha casa muito irritado, mas voltei outra vez à reunião e obtive o mesmo resultado. Passadas duas semanas estava bêbado”. Outra pessoa comentou: “Encontrei a igreja, subi até a entrada principal, mas a igreja estava escura e a porta estava fechada com chave. Rendi-me e comprei uma garrafa”.

Em contraposição, os AAs que se mantiveram sóbrios depois do tratamento, contam histórias muito diferentes. Alguns tinham sido bem orientados a respeito de A.a. antes da sua primeira reunião pelos conselheiros das instituições de tratamento ou pelos AAs que visitavam a instituição. Na sua primeira reunião, padrinhos temporários se propuseram a acompanha-los nos primeiros tempos. Outros chegaram a Grupos que tinham membros encarregados de identificar e dar as boas-vindas aos recém-chegados. Foram apresentados aos veteranos iniciando-os assim no programa de A.A., além de lhes indicar contatos temporários.

Bert comenta que desde faz já muito tempo, a Junta de Serviços Gerais de A.A. percebeu a importância do apadrinhamento para facilitar a transição das instituições de tratamento e correcionais, e fez recomendações detalhadas aos Escritórios Centrais do mundo todo a respeito da criação de um Programa de Contatos Temporários. Entretanto, ainda há um grande vazio para preencher.

“As atitudes dos AAs e dos conselheiros bem intencionados representam o fator principal no processo de recuperação e, às vezes suas atitudes podem contribuir mais para o problema que para a sua solução. Por exemplo: ‘Ele não estava pronto’… ‘Se querem a minha ajuda, apenas têm que me pedir’… ‘Pode levar a mensagem, mas não pode levar o alcoólico’. É possível que estas avaliações, em alguns casos, sejam acertadas; mas o que importa aqui é que o primeiro contato seja bom. Neste ponto, colocar a culpa no alcoólico seria contraproducente”, concluiu Bert.

As visitas que fazia aos Grupos onde aas pessoas não o conheciam, permitiram a Bert“penetrar ainda mais no problema. Diferente das partes pouco povoadas do país, onde assisti reuniões pequenas de A.A., as áreas metropolitanas e suas periferias, com frequência tem reuniões grandes. Assim, é difícil identificar os recém-chegados, principalmente se passaram por um período de internação numa instituição de tratamento sem beber”.

Oito das dez reuniões que Bert assistiu “não tinham nenhum sistema para identificar os recém-chegados. Apenas um Grupo tinha servidores encarregados de dar as boas-vindas. Quando perguntei como identificavam os principiantes, de modo geral respondiam: ‘Uma pessoa que tem tantos anos em A.A. como eu, sempre pode identificar alguém recém-saído de uma bebedeira’. E quando fiz a pergunta: ‘E as pessoas que vem de uma instituição de reabilitação ou desintoxicação?’ A resposta mais comum foi, mais ou menos: ‘Bom, eles já percebem que devem fazer sua própria apresentação’”.

Depois de discutir este assunto tanto com AAs experientes como com os profissionais empregados em instituições de tratamento que também são membros de A.A., Bert conseguiu formular algumas sugestões práticas sobre o Decimo Segundo Passo que os Grupos poderão aproveitar ao levar a mensagem:

1- Afixar um cartaz de A.A. na entrada do local ou da sala de reunião.

2- Adotar um Programa de Apadrinhamento por Contatos Temporários recomendado pela Junta de Serviços Gerais. As diretrizes estão disponíveis no Escritório de Serviços Gerais – ESG.

3- Disponibilizar servidores do Grupo próximos à entrada da sala de reunião para das as boas-vindas a todos que não reconheçam.

4- Realizar regularmente “reuniões de apadrinhamento” com a finalidade de ressaltar a importância do apadrinhamento e de incentivar os membros a se oferecerem como padrinhos voluntários.

5- Indicar padrinhos temporários a todos os principiantes até que possam escolher seus padrinhos permanentes.

6- Destacar a mensagem: ¨Quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, quero que a mão de A.A. esteja sempre ali. E por isto: Eu sou responsável”.

Bert conclui dizendo: “Preencher o vazio entre o tratamento e uma sólida conexão com A.A., irá evitar que uma multidão de alcoólicos se percam nas rachaduras. A construção desta ponte é uma responsabilidade conjunta dos profissionais, os AAs e os alcoólicos que começaram recentemente sua recuperação”.

Onde levamos a mensagem e onde não fazê-lo

Box 4-5-9, Out. Nov. / 1998 (pág. 7-8) =>http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_oct-nov98.pdf
Título original: “¿Dónde empezamos a llevar el mensaje y dónde dejamos de hacerlo?”.

“Sapateiro, não vás além da tua chinela”, aconselha-nos a Quinta Tradição cujo enunciado expressa a razão de ser de A.A.: “Cada Grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir a mensagem ao alcoólico que ainda sofre”. Entretanto, como já perceberam milhares de AAs que se comprometeram com este conceito, a simples prática não é tudo.

“De vez em quando”, Diz Bill E., do Comitê de Informação Pública de Nova Jersey,“chega a nós um pedido para enviar um orador para falar numa escola primária ou diante de um grupo de escoteiros a respeito dos perigos do Álcool – com a esperança de contribuir para que esses jovens parem e pensem antes de experimentar a bebida. Mas, A.A. têm algo a ver com esse assunto?”.

Num artigo publicado no n´mero de verão (1998) do boletim do Intergrupo / Serviços Gerais de Nova Jersey da Área 44, This Day, Bill diz, “seria converter meu maior desejo em realidade se ninguém tivesse que passar pelo inferno do alcoolismo ativo como eu passei. Mas temos que lembrar que não somos uma sociedade antialcoólica, nem advogamos pela abstinência do álcool. Os movimentos e a legislação antialcoólica do passado fracassaram.

Todos conhecemos muitas pessoas que podem tomar bebida alcoólica sem problema algum. Nós, os AAs, não podemos fazê-lo. Temos uma capacidade especial para levar a mensagem de recuperação do alcoolismo. Mas essa experiência não nos habilita para falar dos perigos do álcool em geral. Para a maioria das pessoas, o álcool não é um perigo”.

Ademais, comenta Bill, existe o princípio de não opinar sobre assuntos alheios à Irmandade e a advertência enunciada na Décima Tradição, que diz “… o nome de A.A. jamais deverá aparecer em controvérsias públicas”. Ao falar perante um grupo não A.A., somos membros de A.A. embora se recomende que ao fazer qualquer apresentação deste tipo, expliquemos com clareza que não falamos em nome de A.A. Alcoólicos Anônimos não opina sobre a fabricação, distribuição, venda ou consumo de álcool. Não temos opinião a respeito de qual deve ser a idade estabelecida por lei para tomar bebidas alcoólicas nem a respeito da proporção álcool/sangue que constitui a embriaguez desde o ponto de vista legal. Pode parecer duro dizer que não nos importam essas questões; muitos de nós temos opinião já formada a esse respeito. Entretanto, como membros de A.A. não temos opinião a respeito de assuntos alheios. E estes, são assuntos alheios.

Então, mais precisamente, onde levamos a mensagem? “Levamos a mensagem a qualquer pessoa ou grupo que queira saber o que A.A. é e o que faz. Não somos especialistas em alcoolismo. Não levamos a mensagem genérica, ‘não beba’. Mas, se uma pessoa tem problemas com o álcool, dizemos-lhe ‘não beba e venha as reuniões’”

Na Área da Costa Norte da Califórnia, Tim P., coordenador cos Comitês de Informação Pública e de Cooperação com a Comunidade Profissional do condado de Sonoma, faz uma advertência a respeito de falar perante grupos não A.A. No número de julho do boletim do Intergrupo da Comunidade de Sonoma, diz que “é fácil se desviar – afastar se do único tema que temos que compartilhar ali: nosso alcoolismo e a recuperação em A.A.”.

Por exemplo, ele explica, “é possível que suponha um grande desafio responder com toda sinceridade à questão das drogas, de uma maneira que justifique a confiança que a comunidade depositou em nós, e que, ao mesmo tempo, sejamos capazes de encerrar essa questão (das drogas) e voltar ao tema principal que é o alcoolismo e Alcoólicos Anônimos”.

Apadrinhamento em A.A.: Suas obrigações e suas responsabilidades

Importante: O material a seguir é uma tradução feita pelo Dr. Lais Marques da Silva, ex- Presidente da Junta de Custódios, do panfleto que foi o primeiro trabalho escrito sobre apadrinhamento e o seu título original era “Apadrinhamento em A.A. suas Obrigações e Responsabilidades”. Foi escrito por Clarence H. Snyder (*), em 1944 e impresso pelo Comitê Central de Cleveland. Este transcritor apenas adaptou o formato ao conjunto.

(*) Clarence H. Snyder, (1902-1984), ficou sóbrio em Cleveland-Ohio, no dia 11 de fevereiro de 1938 com a ajuda do seu padrinho, cofundador, o Dr. Bob. Em 18 de maio de1939, fundou o grupo nº. 3 de A.A. em Cleveland-Ohio e este foi o primeiro grupo a usar o nome “Alcoólicos Anônimos”.

Faleceu na Flórida, em 22 de março de 1984, com 46 anos de sobriedade.

Sua história, “A Casa do Mestre Cervejeiro” está publicada nas 1ª, 2ª. e 3ª. edições do Big Book, nas páginas 297/303
Fonte: http://silkworth.net

Prefácio

Cada membro de A.A. é um padrinho em potencial de um novo membro e deveria reconhecer claramente as obrigações e deveres de tal responsabilidade.
A aceitação da oportunidade de levar o plano de A.A. para aquele que sofre no alcoolismo compreende responsabilidades muito reais e criticamente importantes. Cada membro, ao praticar o apadrinhamento de um alcoólico, deve lembrar que está oferecendo o que é, frequentemente, a última chance de reabilitação, de sanidade, ou mesmo, de vida.

Felicidade, saúde, segurança, sanidade e vida de seres humanos são as coisas que temos que manter em equilíbrio quando apadrinhamos um alcoólico.

Nenhum membro é suficientemente sábio para desenvolver um programa de apadrinhamento que possa ser aplicado, com sucesso, a todos os casos. Nas páginas seguintes, no entanto, delineamos um procedimento que é sugerido e que, suplementado pela própria experiência do membro, tem-se mostrado bem sucedido.

Ganhos pessoais de ser um padrinho

Ninguém colhe todos os benefícios de qualquer irmandade a que esteja ligado a menos que, de coração, se engaje nas suas importantes atividades. A expansão de Alcoólicos Anônimos para campos mais largos e o benefício maior para um número crescente de pessoas resulta diretamente do acréscimo de uma nova pessoa, de membros ou associados que são de valor.

Qualquer membro de A.A. que não tenha experimentado as alegrias e satisfações de ajudar outro alcoólico a retomar o seu lugar na vida, ainda não terá percebido completamente os benefícios que pode auferir desta irmandade. Por outro lado, deve ficar claramente guardado na mente que a única razão possível para levar um alcoólico para o A.A. é o benefício daquela pessoa. O apadrinhamento nunca deve ser feito para:

1) aumentar o tamanho do grupo;
2) satisfação ou glória pessoal ou, ainda,
3) porque o padrinho sente, como sendo do seu dever, refazer o mundo.

Até que um membro de A.A. tenha assumido a responsabilidade de colocar um trêmulo e impotente ser humano de volta no caminho para se tornar um membro saudável, útil e feliz da sociedade, ele não terá desfrutado a completa sensação de ser um membro de A.A.

Fonte de nomes – indicações para apadrinhamento

A maior parte das pessoas tem, entre os seus próprios amigos e relações, alguém que se beneficiaria dos nossos ensinamentos. Outros têm seus nomes dados por igrejas, por doutores, empregadores ou por algum outro membro que não pode fazer um contato direto.

Por causa da ampla gama de atividades do A.A., os nomes frequentemente chegam de lugares não usuais e inesperados. Esses casos deveriam ser contatados assim que todos os dados como: estado civil, relações domésticas, estado financeiro, hábitos de beber, emprego, e outras informações facilmente acessíveis, estivessem em mãos.

É o cliente potencial um candidato?

Muito tempo e esforço poderiam ser poupados ao se conhecer, tão cedo quanto possível, se:

1) A pessoa realmente tem um problema com a bebida?
2) Sabe que tem um problema?
3) Deseja fazer alguma coisa acerca do seu beber?
4) Deseja ajuda?

Às vezes, as respostas a essas questões não podem ser obtidas até que o candidato potencial tenha tido alguma informação sobre o A.A. e de ter uma oportunidade de pensar. Frequentemente são dados nomes, que depois de uma verificação, mostram que o candidato potencial não é, de forma nenhuma, um alcoólico ou ainda que está satisfeito com o atual modo de viver. Não deveríamos hesitar em descartar esses nomes das nossas listas. Devemos estar certos, no entanto, de fazer com que o potencial candidato saiba onde pode nos alcançar em qualquer data futura.

Quem deveria se tornar membro?
O A.A. é uma irmandade de homens e mulheres ligados pela sua inabilidade de usar o álcool em qualquer forma razoável com proveito ou prazer. Obviamente, qualquer novo membro introduzido poderia ser do mesmo tipo de pessoa, sofrendo da mesma doença.

A maior parte das pessoas pode beber razoavelmente, mas estamos somente interessados naquelas que não podem. Bebedores de festas, bebedores sociais, festeiros e outros que continuam a ter mais prazer do que dor no seu beber, não são de interesse para nós.

Em alguns casos, um indivíduo pode acreditar que é um bebedor social quando ele definitivamente é um alcoólico. Em muitos desses casos, mais tempo deve passar antes que a pessoa esteja pronta para aceitar o nosso programa. Pressionar tal pessoa antes que esteja pronta pode arruinar as suas chances de, em algum momento, se tornar um membro de A.A., com sucesso. Não se deve excluir a possibilidade de uma ajuda futura ao se pressionar demais no início.

Algumas pessoas, embora definitivamente alcoólicas, não têm desejo ou ambicionam melhorar o seu modo de viver e, até que elas o façam, A.A. não tem nada a oferecer.

A experiência tem mostrado que idade, inteligência, educação, situação ou a quantidade de bebida alcoólica ingerida tem pouco, se tem, a ver com o fato de uma pessoa ser ou não um alcoólico.

Apresentando o projeto
Em muitos casos, a condição física de uma pessoa é tal que deveria ser hospitalizada, se possível. Muitos membros de A.A. acreditam que a hospitalização, com tempo suficiente para planejar o futuro, livre das preocupações domésticas e das preocupações com negócios oferece uma vantagem significativa. Em muitos casos, o período de hospitalização marca o início de uma nova vida. Outros membros são igualmente confiantes no fato de que qualquer pessoa que deseje aprender sobre o projeto de vida de A.A. pode fazer isso em seu próprio lar ou enquanto engajado nas ocupações normais. Milhares de casos são tratados de cada modo, que tem-se mostrado satisfatórios.

Passos sugeridos

Os seguintes parágrafos delineiam um procedimento sugerido para apresentar o projeto de A.A. ao possível candidato, em casa ou no hospital.

1) Qualificar-se como um alcoólico
Ao atender a um novo possível candidato, tem-se mostrado melhor que o padrinho se qualifique como sendo uma pessoa normal que tem encontrado felicidade, contentamento e paz por meio do A.A.. Deve tornar claro, imediatamente, que você é uma pessoa engajada nas coisas da vida, em ganhar a vida. Fale que a única razão para acreditar que é capaz de ajudá-lo é que você mesmo é um alcoólico que tem tido experiências e problemas que podem ser semelhantes ao dele.

2) Relate a sua história
Muitos membros têm achado desejável iniciar imediatamente com a sua história pessoal com a bebida como um meio de obter a confiança e cordial cooperação do possível candidato.

É importante relatar a história da sua própria vida de bebedor e fazê-lo de um modo que irá descrever um alcoólico, mais do que falar de uma série de situações humorísticas de bêbados em festas. Isso capacitará a pessoa a ter uma visão clara de um alcoólico e deveria ajudá-lo a decidir definitivamente se é um alcoólico.

3) Inspire confiança no A.A.
Em muitos casos, o possível candidato irá tentar vários meios de controlar o seu beber, incluindo atividades de recreio, igreja, mudança de residência, mudança de associações e várias outras atitudes visando o controle. Esses meios irão, naturalmente, se mostrar sem sucesso. Focalize a sua série de esforços malsucedidos para controlar o beber… Os resultados infrutíferos e ainda o fato de que você se tornou capaz de parar de beber com a prática dos princípios de A.A.. Isso encorajará o futuro candidato para olhar com confiança a sobriedade em A.A., a despeito dos muitos fracassos anteriores que tenha tido com outros planejamentos.

4) Fale de vantagens adicionais
Fale francamente ao possível candidato que ele não poderá entender rapidamente todos os benefícios que estarão chegando por meio do A.A.. Relate a felicidade, a paz de espírito, saúde e, em muitos casos, os benefícios materiais que são possíveis através do entendimento e da aplicação do modo de viver de A.A..

5) Fale da importância de ler o livro
Explique a necessidade de ler e de reler o livro de A.A.. Destaque que esse livro dá uma descrição detalhada das ferramentas do A.A. e dos métodos de aplicação dessas ferramentas para construir um fundamento de reabilitação para viver. Esse é um bom momento para enfatizar a importância dos doze passos e dos quatro absolutos.

6) Qualidades necessárias para o sucesso em A.A.
Faça saber ao possível candidato que os objetivos de A.A. são prover os meios e modos para um alcoólico voltar ao seu lugar normal na vida. Desejo, paciência, fé, estudo e aplicação são o mais importante em determinar cada planejamento individual de ação para ganhar inteiramente os benefícios de A.A..

7) Reintroduza a fé
Desde que a crença em um Poder Superior a nós mesmos é o coração do projeto de A.A. e de que o fato de que essa ideia é frequentemente difícil para uma nova pessoa, o padrinho deveria tentar introduzir o início de um entendimento acerca dessa importante característica.
Frequentemente, isso pode ser feito por um padrinho ao relatar a sua própria dificuldade de captar um entendimento espiritual e falar sobre os métodos que usou para superar suas dificuldades.

8) Ouça a sua história
Enquanto falando ao recém chegado, ganhe o tempo para ouvir e estudar as suas reações a fim de que você possa apresentar a sua informação de um modo mais efetivo. Deixe-o falar também. Lembre … vá com calma.

9) Leve a diversas reuniões
9-Para dar ao novo membro um quadro amplo e completo do A.A., o padrinho deveria levá-lo a várias reuniões a conveniente distância da sua casa. Assistir diversas reuniões dá ao novato a oportunidade de selecionar um grupo em que se sinta mais feliz e confortável e é extremamente importante para deixar que o possível candidato tome a sua própria decisão em relação a que grupo irá se juntar. Acentue que ele será sempre bem-vindo a qualquer reunião e que pode mudar de grupo se assim desejar.

10) Explique o A.A. à família do possível candidato
Um padrinho bem sucedido aceita o esforço e faz qualquer empenho necessário para ficar certo de que as pessoas próximas e com interesse maior no seu doente (mãe, pai, esposa, etc.,) sejam inteiramente informadas acerca do A.A., seus princípios e seus objetivos. O padrinho cuida para que essas pessoas sejam convidadas para reuniões e as mantém informadas, a todo o momento, da situação corrente do possível candidato.

11) Ajude o possível candidato a se antecipar às experiências a serem vividas em um hospital.
Um possível candidato irá ter mais benefício de um período de internação se o padrinho descrever a experiência e ajudá-lo a se antecipar a elas, preparando o caminho daqueles membros que irão chamá-lo.

12) Consulte os membros antigos de A.A.
Essas sugestões para o apadrinhamento de uma nova pessoa nos ensinamentos de A.A. não são completas. Elas pretendem somente dar uma moldura e um guia geral. Cada caso individual é diferente e deveria ser tratado como tal. Informação adicional para o apadrinhamento de uma nova pessoa pode ser obtida a partir da experiência de um companheiro mais experiente nesse tipo de serviço. Um co-padrinho, com experiência, trabalhando com um novo companheiro no apadrinhamento de um possível futuro membro tem-se mostrado satisfatório. Antes de assumir a responsabilidade de apadrinhamento, um membro deveria estar certo de que é capaz de realizar a tarefa e de estar disposto a dar seu tempo, esforço e meditação que uma tal obrigação implica. Pode acontecer que ele queira selecionar um co-padrinho para compartilhar a responsabilidade ou pode sentir necessário solicitar a outro companheiro que assuma a responsabilidade pela pessoa que ele tenha localizado.

13) Se você vai ser um padrinho, seja um bom padrinho.

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O PESADELO DO DR. BOB

O PESADELO DO DR. BOB (a)
Co-fundador de Alcoólicos Anônimos.
O nascimento da nossa Sociedade data do primeiro dia
da sua sobriedade permanente:
10 de Junho de 1935.
Até 1950, ano da sua morte,
levou a mensagem de A.A. a mais de 5.000 alcoólicos, homens e mulheres,
e prestou a todos gratuitamente os seus serviços médicos.
Foi apoiado neste prodigioso serviço pela Irmã Inácia
do Hospital de S. Tomás em Akron, Ohio,
uma das melhores amigas que a nossa Comunidade jamais conheceu.
Nasci numa pequena aldeia de Nova Inglaterra, de umas sete mil almas. O padrão moral, segundo me lembro, era muito acima do comum. Na vizinhança não se vendia cerveja nem bebidas fortes, a não ser na agência de bebidas do Estado, onde se poderia arranjar meio litro, desde que se conseguisse convencer o agente de que era realmente necessário. Sem esta prova, o comprador esperançoso teria de se ir embora de mãos vazias, sem aquilo que eu viria mais tarde a considerar o grande remédio para todos os males humanos. Aqueles que mandavam vir álcool por barco de Boston ou de Nova Iorque eram vistos com grande desconfiança e desaprovação pela maioria das pessoas da aldeia. Na aldeia havia muitas igrejas e escolas onde eu fiz os meus primeiros estudos.
O meu pai era um profissional de reconhecida competência, e tanto o meu pai como a minha mãe participavam muito ativamente nos assuntos da igreja. Ambos tinham uma inteligência bem acima da média.
Infelizmente eu era filho único, o que talvez tenha contribuído para o egoísmo que veio a ter um papel tão importante no aparecimento do meu alcoolismo.
Desde a infância até ao fim dos meus estudos secundários fui mais ou menos obrigado a ir à igreja, a assistir à aula de catequese de domingo e aos serviços religiosos da tarde, a participar nas atividades cristãs das segundas feiras à noite e, por vezes, nas reuniões de oração das quartas feiras à tarde. Por isso decidi que nunca mais poria os pés na igreja, mal ficasse livre do domínio dos meus pais. Com firmeza cumpri esta resolução durante quarenta anos, exceto quando não podia deixar de ser.
Depois da escola secundária frequentei durante quatro anos uma das melhores universidades do país, onde beber parecia ser uma das principais atividades extracurriculares. Parecia que quase todos o faziam. Eu bebia cada vez mais e divertia-me imenso sem problemas de saúde nem de dinheiro. Parecia ser capaz de me recompor no dia seguinte melhor do que a maioria dos outros estudantes, que tinham a pouca sorte (ou talvez a felicidade) de acordarem com ressacas. Nunca tive em toda a minha vida uma dor de cabeça, o que me leva a crer que fui alcoólico desde o início. Toda a minha vida parecia girar à volta daquilo que eu queria fazer sem ter em consideração os direitos, desejos ou privilégios dos outros; uma atitude que se acentuou cada vez mais à medida que os anos passavam. Formei-me com “distinção e louvor” aos olhos dos meus companheiros de bebida, mas não aos do reitor.
Passei os três anos seguintes em Boston, Chicago e Montreal a trabalhar numa grande empresa industrial, vendendo material ferroviário, máquinas de gás de todos os gêneros e muitos outros artigos de maquinaria pesada. Durante esses anos, bebi tudo quanto a minha bolsa permitia, ainda sem grandes efeitos nocivos, embora já manifestasse por vezes indícios de tremores pela manhã. Durante estes três anos só perdi meio dia de trabalho.
A seguir, decidi estudar Medicina e entrei para uma das maiores universidades do país. Aí entreguei-me à bebida ainda com muito mais empenho do que até aí. Devido à minha enorme capacidade para beber cerveja, fui eleito membro de uma das sociedades de bebedores e em breve tornei-me uma das principais figuras. Muitas vezes de manhã ia para as aulas e, apesar de estar bem preparado, voltava para trás porque não me atrevia a entrar na sala com medo de que notassem os meus tremores e de fazer má figura se me chamassem para fazer uma exposição oral.
Isto foi de mal a pior até à primavera do meu segundo ano em que, depois de um longo período a beber, decidi que não podia terminar o curso, de modo que fiz as malas e parti para o sul para passar um mês na quinta de um amigo. Quando comecei a ficar com o espírito desanuviado, percebi que a minha decisão de abandonar o curso tinha sido precipitada e que seria melhor voltar e continuar os meus estudos. De volta à universidade, apercebi-me de que os professores da faculdade tinham outras ideias a meu respeito sobre o assunto. Depois de muitas discussões deixaram-me voltar e fazer os meus exames e passei com boas notas. Eles estavam porém muito fartos e disseram-me que podiam muito bem passar sem mim. Depois de muitas discussões desagradáveis, deram-me por fim os certificados e fui para uma outra das principais universidades do país, onde entrei nesse outono para o penúltimo ano.
Aí, o meu consumo de álcool agravou-se de tal modo, que os rapazes da casa onde vivíamos sentiram-se obrigados a chamar o meu pai, que fez uma longa viagem numa tentativa inútil para me corrigir. O efeito contudo foi mínimo, porque continuei a beber e a consumir bebidas ainda mais fortes e em maiores quantidades do que nos anos anteriores.
Ao aproximarem-se os exames finais apanhei uma tremenda bebedeira. Quando fui fazer a prova escrita, a minha mão tremia tanto que nem conseguia segurar a caneta. Entreguei pelo menos três provas em branco. É claro que fui repreendido e, portanto fui obrigado a repetir dois trimestres sem tocar numa gota de álcool, para me poder formar. Foi o que fiz e dei provas da minha competência perante os professores da faculdade, tanto no comportamento como nos estudos.
Tive uma conduta que inspirou tanta confiança que consegui um lugar muito cobiçado como estagiário numa cidade do oeste, onde passei dois anos. Durante estes dois anos estive sempre tão ocupado que mal saía do hospital e portanto não era possível meter-me em apuros.
Passados estes dois anos, abri um consultório no centro da cidade. Tinha algum dinheiro, tempo disponível e muitas perturbações de estômago. Em breve percebi que uns quantos copos me aliviavam as dores gástricas, pelo menos por umas horas e, portanto, não me foi difícil ceder aos meus antigos excessos.
Por esta altura já o meu estado físico se começava a ressentir e, na esperança de conseguir alívio, internei-me voluntariamente pelo menos uma dúzia de vezes num dos sanatórios locais. Estava agora “entre Cila e Caribdis” * porque, se não bebia, o meu estômago torturava-me e, se bebia, torturavam-me os meus nervos. Depois de três anos deste tormento, acabei num hospital onde me tentaram ajudar, mas eu arranjava maneira que os meus amigos me levassem álcool às escondidas, ou então roubava-o no edifício, de modo que o meu estado piorou rapidamente.
Por fim, o meu pai teve de me mandar um médico da minha cidade natal que conseguiu levar-me para casa. Estive de cama dois meses antes de poder saír de casa e fiquei lá ainda uns meses antes de retomar a minha clínica. Creio que me devo ter assustado muito com o que se passou ou com o que ouvi do médico, ou provavelmente com ambos, de modo que não voltei a beber até ser decretada a Lei Seca no país.

Com a promulgação desta lei senti-me bastante seguro. Sabia que todos iriam comprar umas quantas garrafas ou caixas de álcool segundo as possibilidades de cada um, mas que em breve se esgotariam. Portanto não fazia uma grande diferença se eu bebesse um pouco. Nessa altura eu não sabia que o governo concedia aos médicos um abastecimento quase ilimitado, nem fazia a menor ideia de que o contrabando iria em breve surgir. De princípio bebi com moderação mas levei relativamente pouco tempo a voltar aos velhos hábitos que já tinham provocado resultados tão desastrosos.
Durante os anos que se seguiram arranjei duas fobias: uma era o medo de não dormir e a outra o medo de ficar sem álcool. Como não tinha grandes meios, sabia que se não estivesse suficientemente sóbrio para ganhar dinheiro, acabasse-me a bebida. Por isso não bebia o copo da manhã, por que tanto ansiava, mas substituía-o por grandes doses de sedativos para acalmar os tremores que tanto me angustiavam. Por vezes sucumbia ao desejo de beber logo de manhã, mas quando isso acontecia, ficava em poucas horas incapaz de ir trabalhar. Isto diminuía a possibilidade de trazer álcool para casa à noite às escondidas, o que representava uma noite em branco às voltas na cama e uma manhã de tremores insuportáveis. Durante os quinze anos que se seguiram tive o necessário bom senso de nunca ir trabalhar para o hospital se tivesse bebido e raramente aceitava pacientes. Escondia-me por vezes num dos clubes de onde era sócio e tinha o hábito de vez em quando de me inscrever em hotéis com um nome falso, mas os meus amigos normalmente encontravam-me e eu ia para casa, se prometessem não me ralhar.
Se a minha mulher decidisse sair de tarde, eu arranjava uma grande reserva de álcool que levava às escondidas para casa e escondia no depósito de carvão, na roupa suja, por cima dos umbrais das portas, sobre as vigas da cave e sob as telhas do sótão. Também utilizava velhos baús, cômodas e até velhos contentores de latas e de cinzas. Nunca utilizei o depósito de água da casa de banho porque parecia muito óbvio. Mais tarde vim a descobrir que a minha mulher o inspecionava regularmente. Costumava pôr ampolas de álcool de oito a doze onças numa luva que deixava na varanda de trás, quando os dias de inverno eram bastante escuros. O meu fornecedor escondia álcool nas escadas traseiras onde eu o ia buscar quando precisava. Às vezes levava-o para casa nos bolsos, mas como era revistado, isso tornou-se perigoso demais. Também costumava pôr garrafas pequenas nas meias. Isto resultou até o dia em que a minha mulher e eu fomos ver Wallace Beery na peça “Tugboat Annie” em que o ator fazia a mesma coisa e o truque deixou de fazer efeito!
Não vou gastar tempo a contar todas as minhas experiências nos hospitais e sanatórios.
Durante todos este tempo os nossos amigos afastavam-se cada vez mais. Não nos podiam convidar porque eu me embebedava de certeza e a minha mulher não se atrevia a convidar ninguém pela mesma razão. A minha fobia das insônias fazia com que eu me embebedasse todas as noites, mas para conseguir arranjar álcool para a noite seguinte tinha que estar sóbrio durante o dia, pelo menos até às 4 da tarde. Continuei com esta rotina durante dezessete anos com poucas interrupções. Na realidade era um pesadelo horrível: ganhar dinheiro, arranjar álcool, levá-lo às escondidas para casa, embebedar-me, tremer logo de manhã, tomar grandes doses de sedativos para poder ganhar mais dinheiro e assim por diante “ad nauseam”. Costumava prometer à minha mulher, aos meus amigos e aos meus filhos que não voltaria a beber – promessas que raramente me mantinham sóbrio nem sequer por um dia, apesar de ser muito sincero quando as fazia.
Para benefício dos que têm tendência para fazer experiências, quero aqui mencionar a chamada experiência da cerveja. Quando acabou a proibição de se vender cerveja, pensei que estava salvo. Podia beber toda a que quisesse. Era inofensiva e não havia memória de alguém se embebedar com cerveja, de modo que enchi o sótão até acima com a autorização da minha mulher. Em pouco tempo estava a beber uma caixa e meia por dia. Aumentei quinze quilos em cerca de dois meses, parecia um porco e sentia-me mal com falta de ar. Ocorreu-me então que o cheiro a cerveja impedia que se notasse qualquer cheiro de outra bebida, de modo que comecei a reforçar a cerveja com álcool puro. O resultado foi naturalmente muito mau e isto pôs fim à experiência da cerveja.
Mais ou menos por esta altura, comecei a dar-me com um grupo de pessoas que me atraíam por me parecerem calmas, saudáveis e felizes. Falavam com grande naturalidade e sem constrangimento, o que eu não era capaz. Pareciam estar sempre muito à vontade e tinham um ar saudável. Para além do mais, pareciam felizes. Eu era tímido e tinha quase sempre pouco à vontade, a minha saúde era precária e sentia-me completamente infeliz. Senti que elas tinham qualquer coisa que eu não tinha e que me seria de grande benefício. Compreendi que era qualquer coisa de natureza espiritual, o que não me agradava muito, mas que também não me podia fazer mal. Durante dois anos e meio dediquei muito tempo a estudar o assunto, mas apesar disso embebedava-me todas as noites. Li tudo o que encontrei e falei com todas as pessoas que eu achava saberem alguma coisa a esse respeito.
A minha mulher interessou-se profundamente e foi o seu interesse que manteve o meu, apesar de eu nem de longe pressentir que isto poderia vir a ser a resposta para o meu problema de álcool. Nunca hei de compreender como a minha mulher manteve a sua fé e coragem durante todos aqueles anos, mas o fato é que manteve. Se não tivesse sido assim, sei que estaria morto há muito tempo. Por alguma razão, parece que nós, os alcoólicos, temos o dom de escolher as melhores mulheres do mundo. Não consigo explicar por que têm de se sujeitar às torturas que lhes infligimos.
Por esta altura, uma senhora telefonou à minha mulher num sábado à tarde para lhe dizer que gostava que eu fosse essa noite a casa dela conhecer um amigo seu que me poderia ajudar. Era véspera do Dia da Mãe e eu tinha chegado a casa muito bêbedo com uma enorme planta que pus em cima da mesa, depois fui para o meu quarto e desmaiei. No dia seguinte ela voltou a telefonar. Por delicadeza concordei em ir, embora me sentisse muito mal, mas fiz a minha mulher prometer que não iríamos ficar mais do que um quarto de hora.
Chegamos a casa dela às cinco horas em ponto e eram onze e um quarto quando saímos. Voltei a ter algumas conversas breves com esse homem e parei repentinamente de beber. Este curto período de abstinência durou três semanas. Fui então a Atlantic City para assistir durante uns dias a um congresso de uma sociedade nacional de que eu era membro. Bebi o whisky todo que havia no comboio e comprei várias garrafas no caminho para o hotel. Isto passou-se num domingo. Embebedei-me nessa noite, fiquei sem beber segunda-feira até depois do jantar e depois embebedei-me de novo.. No bar bebi tudo o que me atrevi a beber em público e depois fui para o meu quarto para acabar o que tinha começado. Na terça-feira comecei logo de manhã e à tarde já estava bem aviado. Não quis ficar mal visto, paguei e fui-me embora. No caminho para a estação comprei mais álcool. Tive de esperar algum tempo pelo comboio. A partir daí não me lembro de mais nada, até acordar em casa de um amigo numa cidade perto da minha. Estes bons amigos avisaram a minha mulher que mandou o meu novo amigo ir-me lá buscar. Ele foi, levou-me para casa, meteu-me na cama, deu-me uns copos nessa noite e uma cerveja no dia seguinte.
Isto passou-se no dia 10 de Junho de 1935 e foi a última vez que bebi. Já se passaram quase quatro anos ao escrever estas linhas.
A pergunta que lhe pode ocorrer é: “O que disse ou fez este homem de tão diferente do que os outros tinham dito ou feito até aí?”. É preciso relembrar que tinha lido muito e falado com todas as pessoas que sabiam ou pensavam saber alguma coisa sobre alcoolismo. Mas aqui estava um homem que tinha passado muitos anos da sua vida a beber de uma maneira horrível, que tinha tido a experiência de praticamente todo o tipo de bebedeiras que se possam imaginar, e que se tinha recuperado pelos mesmos meios que eu tinha tentado empregar, ou seja, por meios espirituais. Deu-me informações sobre alcoolismo que foram sem dúvida de uma grande ajuda. Mas o mais importante foi o fato de ter sido o primeiro ser humano com quem eu jamais falei que sabia o que estava a dizer a respeito de alcoolismo porque tinha passado por essa experiência. Por outras palavras, ele falava a minha linguagem. Ele conhecia todas as respostas e seguramente não era por as ter encontrado nos livros.
É uma bênção extraordinária estar liberto da terrível maldição que me afligia. A minha saúde é boa e recuperei o respeito por mim próprio e o respeito dos meus colegas. A minha vida de família é ideal e o meu trabalho é tão bom quanto se pode esperar nestes tempos incertos.
Dedico uma grande parte do meu tempo a levar o que aprendi a outros que querem e precisam muito. Faço-o por quatro motivos:
1. Por sentido de dever.
2. Porque é um prazer.
3. Porque ao fazê-lo, estou a pagar a minha dívida ao homem que gastou o seu tempo a passar-me a mensagem.
4. Porque de cada vez que o faço, protejo-me contra uma possível recaída.
Ao contrário da maior parte de nós, a minha apetência pelo álcool não diminuiu durante os primeiros dois anos e meio de abstinência. Esteve quase sempre presente, mas nunca estive sequer próximo de ceder. Sentia-me terrivelmente inquieto quando via os meus amigos beber, sabendo que eu não podia, mas disciplinei-me a pensar que embora tivesse tido esse mesmo privilégio, eu tinha de tal modo abusado dele, que me tinha sido retirado. De modo que não me vale de nada lamentar-me, porque afinal de contas nunca ninguém me enfiou à força bebida pela boca abaixo.
Se você se considera ateu, agnóstico ou céptico ou se tem qualquer outra forma de orgulho intelectual que o impede de aceitar o que está neste livro, sinto pena de si. Se ainda pensa que é suficientemente forte para ganhar a partida sozinho, o problema é seu. Mas se quer verdadeiramente deixar de beber de uma vez para sempre e sente sinceramente que precisa de ajuda, nós sabemos que temos uma resposta para si. Nunca falha, se puser nisso metade do esforço que costumava empregar para arranjar a bebida seguinte.
O seu Pai do Céu nunca o abandonará!

EGUEU

CAPÍTULO 4 DO LIVRO ALCOÓLICOS ANÔNIMOS – NÓS OS AGNÓSTICOS

CAPÍTULO 4 DO LIVRO ALCOÓLICOS ANÔNIMOS. NÓS OS AGNÓSTICOS.

A minha experiência em A.A. me diz que, ao analisar um tema de nossa Irmandade, tenho que ver bem seus princípios em conjunto e considerar o espírito de A.A. como um todo, pois se eu usar somente uma parte desse todo, isoladamente, e/ou analisar sob a influência de minhas crenças ou do meu meio, sabendo que o A.A. é um programa essencialmente espiritual, universal e neutro ems todos os aspectos externos, certamente incorrerei em engano.
A concepção de um Deus é uma sugestão de A.A. que não é muito bem entendida por seus membros, apesar de que muitos de nós chegamos na Irmandade brigados com Deus, descrentes nele ou mesmo não acreditando em sua existência, poucos procuram saber o que quer dizer conceber um Deus. Inicialmente eu pensava que Deus era aquele que eu havia aprendido da religião, tinha quase uma ideia de um ser antropomorfo, formado como eu mesmo, era uma ideia vaga a qual nunca havia analisado ou discutido com outros sobre ela, inicialmente na minha vida aquela informação satisfez, com a sugestão de A.A.., não no começo, mas mais adiante, comecei a me perguntar o que era Deus pra mim, e analisando e trocando ideias sobre o assunto, sem ter uma concepção bem clara e última pois isto não é do alcance humano,, mas passei a entender que se tudo nesse nosso universo é energia, os corpos humanos, os objetos, as casas, os astros, os espaços vazios do universo e entre os seres, Deus só pode ser Energia, pois ele permeia tudo, é tudo. Esta é a minha concepção de Deus hoje.

É sob essa ótica que comento alguns trechos do Livro Azul aqui.

1 – Capítulo 1. História de Bill W.

Faço alguns comentários sobre o capítulo 1.
Ali se vê claramente, que Bill naquele momento, não fazia distinção definida entre religiosidade que, sempre deverá estar ligada a alguma religião, e espiritualidade que pode não estar ligada a nenhuma religião e/ou filosofia. Mais tarde A.A. nos legou de modo inequívoco que é um programa espiritual, e não religioso, e como tal devemos tratá-lo. Demonstrou ali Bill também, a sua resistência a termos religiosos, como para nominar a Divindade ou a citações religiosas. Essa rejeição ou reserva, a expressões e/ou citações religiosas bem definidas, (que indicam uma religião, explícita ou implicitamente, com origem da grande influência religiosa da época) é comum a muitos alcoólicos, e quase sempre geram elas divergências entre nós, afetando sempre a Unidade.

“Meu amigo sugeriu o que me pareceu uma ideia original. Ele me disse: Porque você não escolhe a própria concepção de Deus? ” Pág. 35..

2 – Capítulo 2. Há uma solução.

“Assim, ao sermos abordados por aqueles em quem o problema havia sido solucionado, nada nos restava além de apanhar a simples caixa de ferramentas espirituais colocadas a nossos pés. Encontramos o paraíso e fomos lançados numa quarta dimensão da existência, com a qual jamais havíamos sonhado”. Pág. 48.
“Não há exceções? Há respondeu o médico. Exceções a casos como o seu têm acontecido sempre. Aqui ou ali, uma vez ou outra, alcoólicos têm passado por experiências espirituais vitais”. Pág. 50.
“Ao ouvir isto, nosso amigo sentiu-se um pouco aliviado, pois refletiu que, afinal de contas, era um bom membro da igreja. Esta esperança, entretanto, foi destruída pelo médico quando lhe disse que, embora suas convicções religiosas fossem muito boas, não significavam, no seu caso, a experiência vital necessária”. Pág. 50.

(Segundo entendo a experiência espiritual vital necessária, quando não ocorre de modo repentino e de certa forma extraordinária e não explicável, só consigo atingir quando consigo praticar de modo bastante adequado e persistente, e isto é pessoal, Os passos onde o 11º é vital entre os outros que continuamos percorrendo sempre, o que se constitui um programa essencialmente espiritual, para toda a vida, e para aqueles que buscam a sobriedade emocional e a paz).

3 – Capítulo 3. Mais sobre o alcoolismo.
“Declaração de um médico de um hospital mundialmente famoso: “Mesmo não sendo religioso, tenho um profundo respeito pelo enfoque espiritual em casos como os seus”. “Sua defesa precisa vir de um Poder Superior. ” “ Pág. 64 e 65.

4 – Capítulo 4. Nós os Agnósticos.

“Se for este o caso, você pode estar sofrendo uma doença que somente uma experiência espiritual poderá controlar.” Pág. 67.
“Precisávamos encontrar um poder através do qual pudéssemos viver”. E precisava ser um Poder superior a nós mesmos. Mas onde encontrar esse poder?
“Bem, é exatamente disto que trata este livro. Seu principal objetivo e ajuda-lo a encontrar um Poder superior a você, que resolverá seu problema. Isto significa que escrevemos um livro que acreditamos ser tanto espiritual quanto moral, e significa, é claro, que falaremos de Deus. Aqui começa a dificuldade para o agnóstico. ” ……..sua expressão se anuvia quando tocamos em assuntos espirituais e, sobre tudo quando mencionamos Deus, pois reabrimos um tema do qual aquela pessoa havia simplesmente se afastado ou ignorado por completo. ” “Sabemos como ele se sente. Compartilhamos de suas honestas dúvidas e preconceitos. Alguns de nós fomos violentamente antirreligiosos. Para outros a palavra “Deus” trazia a recordação específica de algo que havia sido usado para impressioná-los na infância. Pág. 68.
“Tão logo admitimos a possível existência de uma Inteligência Criativa, de um Espírito do Universo como base de tudo o que existe, começamos a nos deixar dominar por um novo sentido de poder e direção, desde que tomássemos outras providências simples. ” Pág. 69.
“Quando, portanto, falamos de Deus com você o concebe, queremos falar de seu próprio conceito de Deus”. Isto se aplica, também, a outros termos espirituais encontrados neste livro. “Não deixe que preconceito algum, de sua parte, contra termos espirituais possa impedi-lo de perguntar, honestamente, a si mesmo o que significam para você”. “No princípio, isto foi tudo o que precisamos para dar início a um crescimento espiritual, para criar nossa primeira relação consciente com Deus, assim como cada um de nós O concebia”. Pág. 69.
“Tratava-se de crescimento, mas, se quiséssemos crescer era preciso começar de algum lugar. ” “….Então usamos nosso próprio conceito por mais limitado que fosse. ” “Acredito agora ou pelo menos desejo acreditar que existe um Poder Superior mim? ” Tão logo alguém possa dizer que acredita, ou quer acreditar, podemos garantir, enfaticamente, que está no caminho certo. Pág. 70.

(Entendo que a verdadeira fé de que A.A. me fala, é a fé não decorrente do que me ensinaram, mas a fé que tem origem na minha experiência, ou seja, ao praticar os passos vim a sentir em mim a presença Divina através de Sua proteção e inspiração, vivenciando assim a Sua existência, na sobriedade e na paz de espírito e na sua providência em tudo que preciso, apesar dos conflitos externos).

(Entendo ainda que quanto ao ateu, ao agnóstico e ao crente de qualquer matiz, A.A. me sugere que use a tolerância e a não agressão com exposição de minhas crenças pessoais de modo como se fosse a única verdadeira. Penso que aí o melhor caminho é eu não criticar ninguém pelo seu crer, nem qualquer religião, filosofia ou crença, nem a ausência de uma ou de todas estas, quer seja crítica de modo implícito ou explícito. O ateu e o agnóstico acabarão crendo em algo superior a eles, e no modo da concepção de cada um e no tempo certo).

(Penso que o que aprendi de todos os setores da vivência humana, que poderia dar como origem a cultura geral, foram no sentido da busca da materialidade, do prazer, do prestígio e do poder. Tudo isto me levou ao puxão de orelha Divino, que foi o meu alcoolismo ativo, mas que me trouxe ao AA. com seu programa essencialmente espiritual que me ensinou a viver sem beber, em paz e já um pouco sóbrio também emocionalmente, apesar das vicissitudes inerentes à vida. Por tudo isto, agradeço ao Deus da minha concepção).

“Ao vermos outras pessoas resolverem seus problemas por meio de uma simples confiança no Espírito do Universo, fomos obrigados a parar de duvidar do poder de Deus”. “Nossas ideias não funcionavam. Mas a ideia de Deus dava certo”. Pág. 74.
Como sempre os comentários e meu modo de ver esse tema, é meu caminho, nada contra o caminho de quem quer que seja.

Abraços fraternos, paz, luz e mais 24 h sóbrias.
magno/RS.

DOZE SUGESTÕES PARA PASSAR UM FINAL DE ANO SÓBRIO E FELIZ

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 98 – NOV/DEZ 2005

DOZE SUGESTÕES PARA PASSAR
UM FINAL DE ANO SÓBRIO E FELIZ

Para a grande maioria das pessoas passar um Natal sem bebida pode parecer uma ideia meio louca, sem sentido e altamente frustrante. Mas nós de A.A. temos passado sóbrios as festas mais felizes de nossas vidas, o que nunca sequer havíamos imaginado quando bebíamos.

Para os recém-ingressados, aqui vão algumas sugestões de como se divertir sem uma gota de álcool, durante as festas de final de ano.

1 – Participe de atividades de A.A. nestes dias de festas. Disponha-se a levar alguns companheiros a uma reunião. Vá até seu Grupo, sua Central ou Intergrupal; atenda o telefone, converse com outros companheiros.

2 – Receba em sua casa alguns amigos de A.A. especialmente recém ingressados como você. A sua família não fará nenhuma objeção que esses novos familiares participem da ceia.

3 – Tenha sempre consigo uma lista de telefones de AAs. Caso sinta um daqueles desejos, ao embalo do clima e do ambiente próprios dessas festas, a ponto de sentir-se em pânico, telefone a um amigo de A.A., mas lembre-se: telefone antes de, não depois de…

4 – Informe-se sobre possíveis festas, reuniões ou outras atividades natalinas programadas por grupos da sua comunidade. Se você se considera um tímido, lembre-se que antes de qualquer coisa, você é um AA que será bem recebido em qualquer outro grupo que não o seu. Em grupo de A.A. não há penetra, há um irmão que será sempre bem-vindo, principalmente num dia como este.

5 – Evite aquele convite que lhe possa deixar a ponto de ir ao primeiro gole.

6 – Se tem que ir a uma festa onde há bebida alcoólica e não pode levar um amigo de A.A., coma bastante doce, bombons e caramelos. Normalmente, estas coisas não rimam muito bem com aperitivos e abrideiras. Depois, tem mais: para nós AAs a pior dor de barriga é muito melhor, mas muito melhor mesmo, que a mais leve ressaca…

7 – Não se disponha a ficar até mais tarde. Arranje, de antemão, um motivo muito importante para retirar-se. A certa altura dos comes e bebes as outras pessoas nem vão notar a sua ausência.

8 – Se você é religioso, vá à sua igreja ou ao templo da sua congregação.

9 – Não fique em casa triste e melancólico. Este é o caminho mais curto para se chegar à depressão ou à auto piedade. Leia aquele livro que você sempre desejou. Uma boa pedida é o “Vivendo Sóbrio”. Vá à praia, dê um passeio, escreva cartas, bilhetes, sonetos. ..

10 – Não se deixe levar pelas tentações das festas. Lembre-se: Um dia de cada vez.

11 – Desfrute da verdadeira alegria das festas de final de ano dentro das suas posses. Se não puder oferecer presentes, demonstre de outras formas o seu amor ao próximo. Afinal, o espírito de confraternização sugere várias formas de se amar ao próximo, só não se confundem, para nós AAs, com o espírito da garrafa.

12 – “Tendo experimentado um despertar espiritual…” neste ano que está por terminar, sabemos, vale a pena ficar sóbrio por mais 24 horas e ajudar aqueles que estão sofrendo.
(Box459-1986)

Damos graças ao nosso Pai e à
Irmandade de Alcoólicos Anônimos.

Vencemos mais um dia de 2005 (*2017)

Unidos no Amor!

Feliz Ano Novo!

Vivência nº 98 – Novembro/Dezembro 2005

OUTRAS PERGUNTAS (ALÉM DAS 44), FREQUENTES SOBRE ASSUNTOS DE A.A.

Outras perguntas (além das 44), freqüentes
sobre assuntos de A.A. e algumas respostas encontradas
Introdução
Esta apostila é uma coletânea de perguntas e respostas recolhidas, com permissão, no boletim oficial do GSO, Box 4-5-9, e no sítiohttp://anonpress.org/faq(AA FAQ). As transcrições foram feitas por um AA unicamente para membros de A.A. As notas complementares aos textos principais, mesmo que rigorosamente baseadas na literatura de A.A., são uma liberalidade do transcritor. O critério de seleção das perguntas foi intuitivo visando primeiro sua própria informação e a hipótese dessa informação poder ser útil aos membros do seu Grupo base e/ou a quaisquer outros membros ou Grupos que a desejarem e dela quiserem fazer uso. Não se pretende absolutamente dizer a quem quer que seja o quê e como fazer nem obriga a concordar com todo ou parte dos textos, nem contestar, questionar ou desqualificar opinião já formada, mas auxiliar na formação de opinião daqueles que ainda não a têm, através da procura da informação correta, livre de distorções, interpretações personalistas terceirizadas ou conveniências momentâneas e contribuir para a afirmação dos membros na Irmandade e sua inclusão nos órgãos de serviço – grupo e estrutura. Tudo de graça veio, de grata-graça está indo. Se o conteúdo lhe for proveitoso, passe adiante nesse espírito. Obrigado.
Notificação de Direitos autorais:
1-. © Alcoholics Anonymous World Services, Inc., 2011. Os artigos que aparecem no
Box 4-5-9 podem ser reimpressos em publicações locais de A.A. (incluindo sítios de A.A na Web), sempre que se reimprimam em sua totalidade e se inclua a seguinte declaração: “Reimpresso do Box 4-5-9 (data do número, página) com permissão de A.A. World Services,Inc.”
2-. O conteúdo deste FAQ está disponibilizado para a reprodução nos termos da
Creative Commons: http://creativecommons.org/Reproduced with permission fromThe Anonymous Press: http://anonpress.org/faq

Índice
1-. A exclusão de pessoas por Grupos de A.A.
2-. A menção de drogas em reuniões de A.A.
3-. Anúncios de A.A. na televisão
4-. Comportamento perturbador em uma reunião de A.A. – 1
5-. Comportamento perturbador em uma reunião de A.A. – 2
6-. Comprovantes de comparecimento às reuniões de A.A.
7-. Defesa contra a primeira bebida
8-. Despertar espiritual, ou, experiência espiritual
9-. Durante uma reunião de A.A., seu espaço é público ou privado?
10-. Grupos combinados de A.A., e NA
11-. Grupos de propósitos especiais
12-. O Grupo de A.A. e outros problemas além do álcool
13-. O que é sobriedade
14-. O uso de literatura não aprovada pela Conferência em reuniões de A.A.
15-. Pode um não alcoólico ser membro de um Grupo de A.A.
16-. Quando um membro de A.A. poderá se considerar recuperado.
17-. Reuniões de A.A. abertas e reuniões fechadas
18-. Substâncias que alteram a mente

1-. A exclusão de pessoas por Grupos de A.A.
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Pergunta: Ouvi uma pessoa perguntar em determinado Grupo se poderia também ser
membro de outros Grupos. A resposta que lhe deram foi: “Você poderá ser membro de tantos Grupos quantos quiser, desde que os Grupos o aceitem como membro”.Um Grupo pode não aceitar alguém como membro? Um Grupo pode decidir que alguém não pode pertencer a outros Grupos se pertence àquele?
Resposta: Sim, um Grupo pode excluir pessoas.
A Tradição de A.A. determina que o Grupo individual de A.A. é a maior autoridade da
Irmandade. Este não é um conceito distorcido, slogan ou frase feita, mas a essência e a própria base em que a Irmandade está estruturada. A Quarta Tradição, na sua forma longa, começa dizendo: “Com respeito a seus próprios assuntos, nenhum Grupo de A.A., está sujeito a autoridade alguma além de sua própria consciência…” As exceções são quando suas ações ou decisões possam afetar outros Grupos ou à Irmandade em seu conjunto. Portanto, se o Grupo decide que deverá excluir alguém por algum motivo, está dentro de seu direito de fazê-lo. Esta decisão não afeta os Grupos vizinhos nem na Irmandade em seu todo. Por exemplo, considere-se um Grupo que decide realizar uma reunião semanal, fechada, unicamente para alcoólicos membros e aqueles que tenham o desejo de parar de beber. Então aparece alguém enviado por um tribunal ou apenas para dar satisfação ao empregador ou à sua mulher, mas manifestamente, não pretende parar de beber. O Grupo, então, pode decidir pela exclusão desse indivíduo de suas reuniões fechadas. Alguém que não tenha o desejo de parar de beber não pode ser membro de A.A., e o Grupo pode excluí-lo de suas reuniões fechadas. Embora nunca tenhamos ouvido falar de algum Grupo que excluiu alguém por afiliação a outros Grupos, poderá haver circunstâncias que possam justificar essa decisão. Não se está dizendo que a exclusão seja uma coisa boa, sábia ou habitual, mas apenas lembrando que um Grupo pode fazê-lo e ninguém tem autoridade suficiente para impedi-lo. Outro exemplo, um Grupo começa a perceber a participação de alguém que se declara membro de A.A. mas não quer aceitar as Tradições. Ou pertence a um Grupo que usa indevidamente o nome de A.A. autodenominado “Alcoólicos Anônimos, Reabilitação Ltda.”, e vai pelos Grupos
recrutando pacientes para aquela clínica. Outra situação possível seria a de um membro do próprio Grupo que, eleito para um encargo como servidor de confiança, incentiva o beber controlado, a exclusão racial ou a renúncia ao anonimato em público. Ainda, dentro do próprio Grupo, membros defendendo pontos de vista de outros Grupos que não estão em consonância com as Tradições de A.A. O Grupo poderá optar por excluí-los para o bem-estar do Grupo como um todo. Novamente, não estamos dizendo que a exclusão de pessoas é uma coisa boa; apenas afirmamos que um Grupo tem esse direito e poderá usá-lo sempre e quando lhe parecer oportuno.
Veja também, “Comportamento perturbador em reuniões de A.A. – 1 e 2”

2-.A menção de drogas em reuniões de A.A.
http://anonpress.org/faq
Pergunta: Participei de reuniões em Grupos de A.A. onde alguns membros mencionaram haver tido problemas com drogas e foram aceitos. Em outros Grupos que também estive, pregam para não mencionar ou limitar referências ao uso de drogas. O que é correto?
Resposta: Não há uma resposta “correta” a esta pergunta. Cada Grupo de A.A. tem a prerrogativa conferida pela Quarta Tradição para lidar por si mesmo com essa questão. Entretanto, mesmo não dizendo se é correto ou não, nem o que os Grupos devem fazer, podemos explicar algumas coisas a respeito desse tema polêmico tantas vezes tratado. A.A. é uma Irmandade aberta a qualquer pessoa que tenha o desejo de parar de beber. Isto torna possível o ingresso de pessoas com todo tipo de problemas. Desde muito cedo já foi percebido
que A.A. não poderia resolver todos os problemas que as pessoas que ingressam têm, e desde seus primórdios estabeleceu como sua única finalidade ajudar as pessoas a se recuperarem do alcoolismo. O abuso do álcool é a única coisa que todos os membros de A.A. temos em comum, e muitos acham que a Irmandade perderia a identidade se pretendesse resolver outros problemas além do alcoolismo. Algumas pessoas em A.A. e também outras Irmandades, tais como Narcóticos Anônimos, vêm o alcoolismo e a tóxico dependência como sendo a mesma coisa. Ao mesmo tempo, A.A. em seu conjunto, tenta manter tradicionalmente o foco apenas no alcoolismo. Isto, às vezes, cria atritos especialmente porque muitos em A.A. não acham que o alcoolismo e a tóxico dependência sejam a mesma coisa. Alguns vêem isso como uma visão antiquada, mas é a maneira como A.A. foi concebida desde o início, com seu foco exclusivo sobre o álcool, não na adicção a outras sustâncias ou na ajuda à solução de outros problemas. Entre os membros de A.A. há muitos que foram usuários de drogas, mas acham que o álcool é o único problema que devem tratar. Em A.A., no Primeiro Passo reconhecemos que somos impotentes perante o álcool, que é uma substância. Em Narcóticos Anônimos, NA, o Primeiro Passo substitui o álcool por adicção, que é um conceito comportamental. Isto incorpora uma diferença significativa na abordagem. Enquanto A.A. está focada na impotência perante uma determinada substância, NA está focada em uma situação mais abrangente e não em uma única substância. A.A., tenta limitar seu foco para o alcoolismo, mas todos os tipos de problema podem influenciar na recuperação de uma pessoa. Alguns em A.A., falam de como o dinheiro, a saúde, sua dependência de drogas e outros problemas influenciam na sua recuperação. O problema surge quando alguns acham que o foco principal de um grupo ou reunião está-se distanciando do alcoolismo. Se os depoimentos individuais em determinada reunião começam a ser desviados para temas como relações no trabalho ou parar de fumar, muitos presentes acharão que a reunião está-se desviando da finalidade principal de A.A., e poderão sugerir que o foco seja mudado para os problemas relacionados com a bebida. Quando o foco se inclina para dependência de drogas, alguns não irão ver problema algum, enquanto outros dirão que isso também é ficar longe do foco do alcoolismo. Muitas vezes, simplesmente, depende de quem se encontra naquela sala, naquela reunião e naquele momento. Tudo depende do Grupo, da reunião e da situação. Se uma pessoa fala sem parar sobre pescaria em uma reunião, pode ser solicitado pela coordenação a deixar sua vez para outro falar ou a mudar de assunto. Se alguém fala sobre drogas de uma forma que pouco tem a ver com a recuperação do alcoolismo também pode ser solicitado a redirecionar sua partilha ou que deixe a vez para outro membro falar. Enquanto uma pessoa pode ver a sua dependência de pesca e alcoolismo como seu problema, a coordenação poderá lhe pedir que limite seus comentários ao álcool para manter o foco em uma coisa que todos os presentes têm em comum – o alcoolismo. Da mesma forma, muitos consideram a sua cocaína e o álcool como o mesmo problema, mas em uma reunião de A.A., podem ser convidados a limitar a sua discussão sobre sua dependência da cocaína a umas poucas palavras e manter o foco no objetivo principal A.A., que é falar de sua experiência com o alcoolismo que, novamente, é a única coisa todos na Irmandade têm em comum. Em muitos Grupos, apresentar-se como algo diferente de “alcoólico” em uma reunião de A.A., geralmente ocasiona controvérsia e muita tensão. Apresentar-se como “adicto”, ou “alcoólico e adicto” ou “dependente químico” ou “cruzado” ou “dependente de outras substâncias”, é considerado um desvio do propósito de A.A., que leva o foco de uma reunião de A.A. para muito longe de seu propósito principal. O sentimento por trás disso é que, se nos concentramos em nossas diferenças, e não no que temos em comum, vamos perder o fio condutor que nos mantém juntos na mesma Irmandade. Independentemente de quaisquer outros problemas que cada membro individualmente possa ter, apresentando-se simplesmente como “alcoólico” é, na maior parte das vezes, a maneira mais fácil e prática para se evitar tensões ou conflitos por identificação (em muitos Grupos, a única). Uma vez que o objetivo principal de A.A. é o de ajudar alcoólicos, apresentar-se como algo diferente de um alcoólico é muitas vezes visto como colocar o foco sobre problemas que A.A., não se propõe a tratar. Uma pessoa pode ser um jogador compulsivo e alcoólico, um fraudador e alcoólico, um pedófilo e alcoólico, um diabético e alcoólico, uma mulher e alcoólica, um asiático e alcoólico, um ateu e alcoólico, um padre e alcoólico, um obeso mórbido e alcoólico, um acadêmico e alcoólico, um morador de rua e alcoólico, um homo/hétero/a-sexual e alcoólico um tabagista e alcoólico ou um adicto e alcoólico como é bastante comum. Em todos esses casos, a única coisa que todas estas pessoas têm em comum é o “alcoólico”. Indo para uma reunião de A.A. e apresentar-se como “um adicto” é visto por muitos como ir a um baile de quadrilha e dançar valsa contrariando o objetivo da reunião. Mesmo se o seu hobby principal é a valsa, há um tempo e um lugar para tudo e se você estiver em uma dança de quadrilha, mesmo que seja apenas por educação, é mais adequado dançar a quadrilha. Se muitos tipos de danças acontecem no mesmo salão de dança, deixaria de ser especificamente uma dança de quadrilha. Da mesma forma muitos temem que A.A., não seria mais A.A., se o foco comum sobre o alcoolismo fosse perdido em meio a uma multidão de adicções e outros comportamentos. Da mesma maneira, um membro de A.A. com outras adicções, ao participar de uma reunião de Narcóticos Anônimos, NA, deverá respeitar as Tradições e a finalidade dessa Irmandade e se apresentar como é de praxe em NA, ou seja, como “adicto” e não como “alcoólico”, uma vez que o uso desta palavra enfatiza uma diferença individual e não um problema comum, além, é claro, de evitar olhares de censura, com toda a razão.
Para esclarecer melhor:
A Irmandade de Narcóticos Anônimos tem afirmado este conceito em uma recomendação no Boletim #13 do © NA World Service (1985, revisada em 1996), onde traz o seguinte texto: “O foco de A.A. está no alcoolismo, e devemos respeitar o direito de A.A. de proteger suas Tradições, entre elas a de admitir unicamente “alcoólicos” e assim se identificarem, independentemente de outros problemas que possam ter. Se não pudermos utilizar uma linguagem coerente com as Tradições de A.A., não devemos ir a suas reuniões com o intuito de deteriorar seu ambiente. Da mesma forma, nós membros de NA, deveremos respeitar o nosso propósito primordial e nos identificar nas reuniões de NA simplesmente como “adictos” e fazer nossa partilha de uma forma que mantenha nossa mensagem clara”. Para saber mais leia os textos a respeito das Tradições Terceira e Quinta no livro Doze Passos e as Doze Tradições e o folheto “Outros problemas além do álcool”
3-.Anúncios de A.A. na televisão
Box 4-5-9, Fev./ Mar. 2008
Pergunta: A.A. pode divulgar anúncios na televisão?
Resposta: Os anúncios de serviço público de A.A. para a televisão (ASP), foram aprovados pela Conferência. A.A. vem produzindo estes ASP´s há mais de trinta anos. A intenção destes pequenos anúncios não é a de promover A.A. nem dizer que A.A. tem o melhor método para tratar o alcoolismo, nem que oferecemos a única solução. O propósito é o de compartilhar com os outros que pode ser encontrada a sobriedade em A.A. Esperamos que um alcoólico, um familiar ou um amigo preocupado possa se inteirar da existência de A.A. e saiba que oferecemos uma solução para o alcoolismo.
4-.Comportamento perturbador em reuniões de A.A. – 1
Box 4-5-9, Outono (setembro) 2010 =>http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_fall10.pdf
Título original: “Los miembros perturbadores en las reuniones de A.A.”
No capítulo do Livro Azul “Trabalhando com os outros”, aparece uma lista de coisas que podem acontecer quando um AA toma a atitude de “Ajudar a outros é a pedra fundamental da sua própria recuperação”. Ajudar um bêbado pode supor inúmeras visitas a “delegacias, sanatórios, hospitais, presídios e manicômios. Em outras ocasiões pode acontecer de ter que chamar a polícia ou uma ambulância. Ocasionalmente, estas situações terão que ser enfrentadas”. Em resumo, ao assentar a pedra fundamental da recuperação e ajudar a outros, um membro de A.A. poderá se ver defrontado com alguma pessoa problemática seja membro também ou não. Nas reuniões onde AAs encontram bêbados com os quais poderão trabalhar também se apresentam as possibilidades descritas anteriormente quando se trate de ajudar essas pessoas e, algumas vezes, os membros mais ponderados terão que interferir para que a reunião possa prosseguir com sucesso. Embora os membros de A.A. se esforcem para adotar certas atitudes e condutas como a de “Amor e tolerância é o nosso lema”, às vezes o comportamento de um indivíduo perturbador é tão agressivo e ameaçador que resulte difícil ou impossível ao Grupo alcançar seu objetivo primordial que é o de levar a mensagem. Além disso, a Primeira Tradição lembra ao grupo que, “Cada membro de A.A. não é mais do que uma pequena parte da totalidade. É preciso que A.A. sobreviva, caso contrário a maioria de nós irá morrer. Por isso, nosso bem-estar comum deverá vir em primeiro lugar” A maneira como o Grupo resolve encarar esses membros perturbadores e ameaçadores pode causar conflitos e controvérsia e devido a isso muitos membros e Grupos recorrem à experiência compartilhada de outros que conseguiram superar situações semelhantes. Com freqüência, um Grupo, ou um membro, se põe em contato com o Escritório de Serviços Gerais referindo a conduta perturbadora de alguém em alguma reunião de A.A. O ESG, além de fazer com que se realizem as ações recomendadas pela Conferência e pela Junta, também serve como depositário da experiência acumulada dos Grupos de A.A. Alguns Grupos têm enviado sugestões a respeito de formas para enfrentar o comportamento perturbador. Um Grupo recomenda que algum membro mais experiente se dirija ao indivíduo de maneira informal e pessoalmente fale com ele no sentido de lhe comunicar o problema e procurar sua solução. Os membros do Grupo lembram uns aos outros que as Doze Tradições devem conduzir toda linha de comunicação e todos deverão se esforçar sempre para antepor os princípios às personalidades e tratar todos com paciência, tolerância, compaixão e amabilidade. Outro Grupo contou como enfrentou essa questão com esse tipo de membro que, porém, não aceitou responder às solicitações amáveis nem aceitou conversar pessoalmente com nenhum membro designado pelo Grupo. O Grupo organizou uma reunião de serviço onde a consciência coletiva foi consultada e os membros decidiram seguir este formato:
1) Cada membro poderia falar unicamente duas vezes a respeito de um determinado tema.
2) Cada membro somente poderia falar dois minutos a cada vez.
Resultou muito útil ao Grupo definir o membro perturbador como:
1.1 Uma pessoa que interrompe o bom andamento de uma reunião de maneira a não poder transmitir a mensagem de A.A.
2.1 Uma pessoa cuja conduta intimida ou assusta os participantes da reunião ao ponto de não poder escutar a mensagem de A.A.
Quando tal situação seja produzida, esse membro será convidado a assistir uma reunião de serviço convocada para esse fim. Com a presença do membro ou não, o Grupo considera o problema. Se ele está assistindo se lhe explicam os procedimentos a serem adotados. É possível que lhe seja pedido para não assistir às reuniões durante um tempo determinado.
Nesse caso, o Grupo não está expulsando o membro de Alcoólicos Anônimos, mas apenas lhe
pede para que não assista às reuniões daquele Grupo. A Primeira Tradição de A.A. assegura aos seus membros que, “Nenhum membro pode obrigar outro a fazer alguma coisa; ninguém poderá ser punido nem expulso”. Entretanto, é de se esperar que o membro em questão veja a dificuldade como uma oportunidade de desenvolvimento e continue a assistir suas reuniões em outros Grupos na região para manter a sobriedade. De maneira geral, esta ação representa o último recurso depois de esgotadas todas as tentativas de pedir ao indivíduo que mude sua conduta e seu comportamento.
Bill W., que sempre recalcou a importância de que os membros se tratem uns aos outros de maneira tolerante, carinhosa e prestativa, escreveu numa carta em 1969:“Este comportamento não presupõe que não possamos excluir aqueles que perturbam as reuniões ou interferem seriamente no bom funcionamento do Grupo. Temos que lhes dizer que se calem ou que vão a outro lugar para voltar quando estejam em melhor condição para participar”. E, de fato, a Bill não lhe eram estranhos os alvoroços, as controvérsias e as perturbações nas reuniões de A.A. Porém, confiava em que as dificuldades poderiam resultar em desenvolvimento e progresso. No livro “A.A. atinge a maioridade”, diz, “Imagino que, dentro de A.A., sempre vamos ter desacordos e discussões. A maior parte das vezes, estas discussões irão tratar de qual a melhor maneira de fazer o maior bem para o maior número de alcoólicos. Superar este tipo de problemas na escola da dura experiência de A.A. é um exercício salutar”.
5-.Comportamento perturbador em reuniões de A.A. – 2
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Pergunta: Um dos nossos membros é perturbador e, por vezes, ameaça de violência para
com outros membros. Como podemos lidar com isso?
Resposta: Normalmente os membros do Grupo deverão se reunir e discutir o que fazer.
Tradicionalmente, cada grupo de A.A. é a maior autoridade em A.A. e deve decidir por si mesmo como lidar com situações como esta. Geralmente a decisão é tomada depois de considerar as outras Tradições que podem se aplicar. A Primeira Tradição na sua forma longa diz: “Cada membro de Alcoólicos Anônimos é apenas uma pequena parte de um grande todo. A.A., deve continuar vivendo, do contrário a maioria de nós certamente morrerá. Portanto, nosso bem-estar comum vem em primeiro lugar. Seguido de perto, porém, pelo bem-estar individual”. Qualquer um que queira parar de beber poderá ser membro de A.A. se assim o desejar. Entretanto, dentro de um Grupo, seu bem-estar pessoal está abaixo do bem-estar comum, ou seja, do conjunto do Grupo. Se o Grupo percebe que o comportamento desta pessoa está interferindo negativamente nas atividades do Grupo e no bem-estar geral, o Grupo indica alguém mais articulado para conversar pacificamente com essa pessoa a respeito de mudar seu comportamento. Se esta solicitação não for atendida, o Grupo pode decidir por excluí-lo até que mude seu comportamento. Se necessário, alguém do Grupo informará ao companheiro que ele não é bem vindo naquele Grupo (não em A.A.), até que cesse seu comportamento perturbador. Se ele partir para a violência física , pode ser contido na mão e chamar a polícia. Se a polícia se envolver, o assunto será tratado como invasão de privacidade, embora disto não se tenha noticia. Alguns Grupos localizados em áreas carentes têm seguranças informais para remover os perturbadores; para alguns membros, este é o seu primeiro serviço em A.A.
6-.Comprovantes de comparecimento às reuniões de A.A.
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Pergunta: Como faço para obter um comprovante de comparecimento às reuniões para apresentá-lo ao oficial de condicional e ao juiz? Porque alguns Grupos se negam a dá-lo, ou mesmo assiná-lo?
Resposta: A maioria dos Grupos de A.A. não mantém registros de freqüência, uma vez que
podem considerar que isso estaria em desacordo com o principio do anonimato. Os Comprovantes de Comparecimento não se originam em A.A., não são fornecidos por A.A. e não têm nada a ver com A.A. O envio de pessoas para A.A. com algum comprovante para ser
assinado não é feito por A.A., mas por alguma agencia que de forma alguma é afiliada à Irmandade. A Tradição de A.A. estabelece que não deveremos nos afiliar a nenhuma entidade alheia à Irmandade. Portanto, A.A. não está afiliado a qualquer sistema judicial. Muitos Grupos irão assinar esses comprovantes prontamente e sem questionamentos. Entretanto, alguns Grupos poderão achar que não devem registrar a freqüência de quem quer que seja, mesmo para os tribunais, por entenderem que isso implicaria afiliação ao sistema judicial e iria contra a natureza anônima da Irmandade. A autonomia dos Grupos garante a eles o direito de decidir se irão assinar os comprovantes de comparecimento ou não. O aborrecimento de muitas pessoas decorre do fato de que, ao serem enviadas por alguma agencia a uma reunião de A.A., com um comprovante para ser assinado, não foram devidamente informadas de que um Grupo de A.A. não é obrigado, de modo algum, a assinar qualquer coisa para quem quer que seja.
O GSO (Escritório de Serviços Gerais, em Nova York), se posicionou desta forma:“A prova de participação em reuniões não faz parte do processo de A.A. Cada Grupo é autônomo e tem o direito de escolher se quer ou não assinar comprovantes para um tribunal…” Mesmo que alguns Grupos escolhem não assinar esses comprovantes, a experiência indica que, de forma geral, a maioria dos Grupos se dispõe a colaborar com os tribunais. Em algumas Áreas, os tribunais fornecem aos Grupos de A.A. envelopes timbrados e já com selo para serem devolvidos. Assim, o secretário do Grupo anuncia que as pessoas que precisem de comprovante poderão retirá-lo ao final da reunião. O encaminhado recebe o envelope, coloca seu nome e endereço e o envia pelo correio. Em outras Áreas os Grupos que colaboram dispõem de planilhas fornecidas pelos tribunais; o secretário anuncia sua disponibilidade e os enviados pela justiça poderão assinar sua presença ao término da reunião. Estas planilhas serão devolvidas pelo secretário aos respectivos tribunais. Desta maneira, em ambos os casos, não é o Grupo, mas os próprios interessados que atestam ter ou não participado da reunião.
A versão integral da Sexta Tradição termina assim: “… Conquanto um Grupo de A.A. possa cooperar com quem quer que seja tal cooperação não deve chegar ao ponto de filiação ou abono, direto ou implícito. Um Grupo de A.A. não pode vincular-se a ninguém”. Cada Grupo deve decidir por si próprio se a assinatura de um comprovante para a Justiça é uma “filiação” ou apenas “cooperação”. Muitos Grupos não têm posição claramente definida relacionada com esse assunto.
Quando um Grupo se recusa a assinar um comprovante de comparecimento, ele não o faz para afugentar os recém-chegados, mas, com o intuito de proteger os Grupos de A.A. em sua totalidade, para que possamos continuar a existir como organização livre e independente. O Grupo poderá concluir que ao assinar a presença de alguém, as pessoas poderão ser levadas a pensar que A.A. não garante a privacidade das pessoas tal como seu anonimato apregoa. E que, mesmo que, se forçado, alguém possa ficar sóbrio, a Primeira Tradição diz que o bem estar individual vem depois da integridade da Irmandade. Se algum servidor de um tribunal fosse pessoalmente perguntar em um Grupo sobre a presença de um indivíduo, provavelmente não seria atendido, pois o Grupo iria decidir por preservar do anonimato de seus freqüentadores. Não temos conhecimento de nenhum Grupo que tenha sido intimado pela Justiça para fornecer tal informação.
Ainda, alguns Grupos costumam assinar os comprovantes antes do início da reunião demonstrando que não temos nenhum desejo de forçar alguém a comparecer. Com o comprovante assinado, o recém-chegado fica livre para escolher se, voluntariamente, quer ou não participar da reunião.

No Brasil:
O texto a seguir foi retirado de uma orientação do CTO do Setor ‘A’ da Área de São
Paulo a respeito dos “Encaminhados pela Justiça e Comprovante de Comparecimento”
Atualmente, inúmeras pessoas são encaminhadas aos grupos de A.A. pelos Tribunais de Justiça e instituições de tratamento. Alguns chegam de livre e espontânea vontade, outros não. A.A. não faz discriminação contra qualquer possível membro. Quem fez o encaminhamento a A.A. não é o que nos interessa: é o bebedor problema que desperta nosso interesse.
O Tribunal de Justiça pede o comprovante de comparecimento do encaminhado às reuniões
de A.A. em alguns Estados da Federação. Os Grupos são orientados a atender as ordens judiciais que determinam a comprovação de comparecimento de pessoas encaminhadas pela Justiça. Entretanto, desejamos esclarecer às autoridades judiciárias que o programa de recuperação de A.A. enfatiza o caráter voluntário de aceitação do mesmo.
Compete à autoridade judiciária o envio do formulário – através do próprio encaminhado – para atestar o seu comparecimento, cabendo ao Grupo, apenas comprovar sua presença. Cabe ao encaminhado prestar contas a quem o enviou acerca do seu comparecimento às reuniões.
7-.Defesa contra a primeira bebida
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Pergunta: Posso ou não posso voltar a beber? Há alguma defesa contra a primeira bebida?
Resposta: Esta seção lida apenas com questões referentes a A.A. Dependendo a quem você dirija a pergunta poderá obter respostas muito diferentes. Aqui, no entanto, vamos tentar responder a questão a partir da perspectiva de A.A. baseados na forma como o assunto é tratado na literatura de A.A., mais especificamente no Livro Azul, seu texto básico. Sob a perspectiva de A.A., você pode ter uma defesa contra a primeira bebida se puder se identificar com o texto do Livro Azul, 4ª edição, página 50-51/6/1 “Bebedores moderados não têm grandes problemas para abandonar por completo o álcool caso tenham bons motivos para tanto. Eles conseguem beber ou não beber.
Temos então um determinado tipo de bebedor pesado. Pode ter desenvolvido o hábito de
beber a ponto de, gradualmente, prejudicar seu estado físico e mental. Isto pode levá-lo à morte prematura. Caso surja uma razão suficientemente forte – saúde deficiente, amor, mudança de ambiente ou conselho médico, este homem também consegue parar ou moderar-se, embora possa vir a ter problemas ou dificuldades e venha até a necessitar de cuidados médicos”.
Por outro lado, os verdadeiros alcoólicos, como descritos nos parágrafos seguintes, não têm defesa contra a primeira bebida. Na página 55/5/1, “A trágica verdade é que, se esse homem for um verdadeiro alcoólico, tal dia feliz pode não chegar. Ele perdeu o controle. Num determinado ponto da vida de bebedeiras de um alcoólico, ele passa para um estágio no qual o mais profundo desejo de parar de beber é absolutamente inútil. Em praticamente todos os casos, esta terrível situação já existe muito antes do que se pensa.
O fato é que a maioria dos alcoólicos, por razões ainda obscuras, perderam o poder de decisão diante da bebida. Nossa assim chamada força de vontade torna-se praticamente inexistente. Somos incapazes, em determinados momentos, de trazer à tona em nossas mentes, com força suficiente, a lembrança do sofrimento e da humilhação vivida há apenas um mês ou uma semana atrás. Não temos qualquer proteção contra o primeiro gole”.
O Dr. William D. Silkworth, disse que a única defesa para um alcoólico crônico é adotar medidas que produzam “uma completa mudança psíquica”. Em sua opinião,“… quando ocorre uma mudança psíquica, aquela mesma pessoa que parecia condenada, que tinha tantos problemas a ponto de perder as esperanças de resolvê-los algum dia, de repente se vê capaz de, com facilidade, controlar seu desejo de beber, precisando para isso apenas do esforço necessário para seguir algumas regras simples”, página 27/2/2.
Discípulo de Sigmund Freud, Karl Jung, fundador da psicologia analítica, disse que a recuperação do alcoolismo acontece “… uma vez ou outra, alcoólicos têm passado pelas experiências espirituais vitais. Para mim tais fatos são fenômenos. Parecem estar ligados a profundos reajustes e alterações emocionais. Idéias, emoções e atitudes, que haviam sido, até então, as forças condutoras das vidas de tais homens, são subitamente postas de lado, e um conjunto de conceitos e motivações passa a dominá-los”, página 57/3/2.
Na visão de alcoólicos que se recuperaram através do programa de A.A., a meta proposta foi a libertação da obsessão pela bebida, e ela foi alcançada após terem passado por uma experiência espiritual ou um despertar espiritual. A prática do programa dos Doze Passos, particularmente aqueles que levam à ação, do Quarto ao Nono, têm produzido os resultados desejados para milhões de alcoólicos.
Na página 117/1/1 há um bom conselho para aqueles que procuram defesas contra a primeira bebida : “A experiência prática demonstra que nada garantirá tanta imunidade contra o álcool quanto o trabalho intensivo junto a outros alcoólicos”.
8-.Despertar espiritual, ou, experiência espiritual
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Pergunta: Qual é a diferença entre o “despertar espiritual” citado no Décimo Segundo Passo, e uma “experiência espiritual”? Existe alguma diferença entre os dois conceitos?
Resposta: Na Irmandade de A.A., os termos “despertar espiritual” e “experiência espiritual” tornaram-se sinônimos. Na primeira edição do Livro Azul, em 1939, usou experiência espiritual” no Décimo Segundo Passo; edições posteriores alteraram o termo para “despertar espiritual”. Na história de Bill W., sua experiência espiritual é descrita na página 14 do capítulo 1 do Livro Azul. Uma explicação mais detalhada pode ser encontrada onde o Dr. Jung cuidadosamente descreveu o conceito de Rowland H. na página 27 no capítulo 2 – Há uma solução. Por causa da confusão a respeito do significado dos termos, na segunda edição do Livro Azul, em 1955, foi acrescentado o Apêndice II que começa assim (página 210, 4ª edição): “Os termos ‘Experiência Espiritual’ e ‘Despertar Espiritual’ são usados muitas vezes neste livro, demonstrando, através de uma leitura cuidadosa, que a mudança de personalidade suficiente para efetuar a recuperação de alcoolismo manifesta-se de muitas formas diferentes”. E explica que uma“experiência espiritual” é uma transformação relativamente repentina, que pode durar apenas alguns minutos ou talvez algumas horas, enquanto um “despertar espiritual” é uma transformação gradual que pode levar dias, semanas, meses ou até mais; aquilo que William James descreveu como uma experiência da“variedade educacional”. Em seus escritos, Bill W., explicou a diferença, observando que mesmo entre os membros de A.A. que realizam todos os exercícios espirituais como descrito nos Doze Passos, “experiências espirituais” como a sua são muito menos comuns do que o descrito como “despertar espiritual”.
Para entender melhor:
No Livro Azul, 4ª Edição, na página 44/3/3 descreve o que Bill W., chamou de“experiência espiritual”, ao relatar o ocorrido na sua quarta e última internação no Hospital Towns: “… Houve uma sensação de vitória, seguida de uma paz e serenidade que eu nunca conhecera. Havia uma confiança ilimitada. Eu me sentia revigorado, como se uma lufada de ar puro soprasse do alto da montanha. Deus se aproxima pouco a pouco da maioria dos homens, mas Seu impacto em mim havia sido repentino e profundo”. A partir daquela situação, Bill W., afirma ter-se libertado da obsessão pela bebida.
Já, para o Dr. Bob parece não ter sido tão fácil assim; com ele teria acontecido o que neste texto é identificado como “despertar espiritual” quando relata na página 202/2/1: “Ao contrário da maioria das pessoas em nosso Grupo, não superei minha compulsão pela bebida durante os primeiros dois anos e meio de abstinência… Eu costumava ficar terrivelmente perturbado quando via meus amigos bebendo e eu sabia que não podia, mas me acostumei a acreditar que, embora tivesse tido o mesmo privilégio, abusei dele a tal ponto que o perdi…”
9-.Durante uma reunião de A.A., seu espaço é público ou privado?
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Pergunta: Mais especificamente, pode um Grupo limitar seu espaço para que pessoas não façam coisas que podem ser legalmente feitas em espaços públicos, como por exemplo amamentação?
Resposta: Você, aparentemente, está-se referindo a uma questão de direito e a pergunta poderia ser melhor dirigida a advogados, uma vez que as “leis” que se aplicam nas reuniões de A.A. raramente são motivo de preocupação para um Grupo de A.A. Mas, o que podemos dizer é que os Grupos de A.A. são entidades privadas. Como A.A. nunca recorreu a qualquer financiamento ou assistência do poder público, nos consideramos responsáveis pelo que acontece em nossas reuniões e nos esforçamos para ser o mais independentes possível dos serviços dos governos. Parece uma aposta segura dizer que uma reunião de AA não é uma reunião pública – pelo menos nos EUA (*).
Às vezes, os Grupos reúnem-se em instalações de propriedade pública – como hospitais, igrejas ou bibliotecas e, nesses casos, talvez, poderia se argumentar que as reuniões devem seguir as leis aplicáveis a reuniões públicas.
Nossa Quinta Tradição diz, “Cada grupo é animado de um propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre”. Uma vez que a principal razão para ter qualquer reunião de AA é ajudar os alcoólicos que ainda não tenham se recuperado, não parece que a reunião seja “pública” ; o encontro é para ajudar as pessoas doentes, não para todos. Por outro lado, os visitantes raramente são excluídos das reuniões abertas, talvez eles possam aprender algo que lhes sirva para levar a mensagem de recuperação de A.A. a um alcoólico sofredor.
Nota do transcritor: (*) E no Brasil também não: o Estatuto da JUNAAB inicia-se
assim:
“…DA DENOMINAÇÃO, NATUREZA, DURAÇÃO, SEDE E FINS
Art. 1º – A Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil – JUNAAB é uma
associação civil de direito privado com objetivos não econômicos e sem fins lucrativos, constituída por tempo indeterminado, com sede e foro na cidade de São Paulo, à Avenida Senador Queirós, 101, 2º. andar, conjunto 205, CEP 01026-001 e jurisdição em todo o território nacional, e se regerá pelo presente Estatuto e demais disposições legais que lhe forem aplicáveis.
§ 1º – A JUNAAB, criada através de assembléia geral de 29 de fevereiro de 1976, conforme registro levado a efeito no 1º. Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas de São Paulo, Capital, sob nº 2.519, Livro A, e publicado no Diário Oficial do Estado em 29/06/1976, página 78, é órgão subordinado à Conferência de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil, com finalidades definidas neste Estatuto e tem como fundamento de suas ações os princípios contidos nos Doze Passos,Doze Tradições e os Doze Conceitos para Serviços Mundiais de Alcoólicos Anônimos”.
10-. Grupos combinados de A.A. e NA
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Pergunta: Alguma vez houve ou há grupos combinados de A.A.-NA? No meu Grupo, os antigos indicam a porta da saída quando alguém se identifica como adicto. Sou alcoólico, mas, pessoalmente minha opinião é a de que as reuniões poderiam ser abertas a adictos e alcoólicos já que o programa se aplica ás duas dependências. Obrigado.
Resposta: As Tradições das duas Irmandades estão feitas de tal maneira que seria impossível
combinar um Grupo com os dois nomes. A Terceira Tradição de A.A. – forma integral, termina assim: “Um Grupo qualquer, formado por dois ou três alcoólicos reunidos para manterem-se sóbrios, pode chamar-se Alcoólicos Anônimos, contanto que, em conjunto (como Grupo), não estejam filiados a outra entidade”.
A terceira Tradição de NA é semelhante trocando apenas a palavra alcoólicos poradictos, mas que é a essência e a diferença que as qualifica como entidades únicas e distintas. Se um Grupo de A.A., se afiliar a outro grupo com propósitos diferente das Tradições de A.A., deixa de ser um Grupo de A.A. Estamos plenamente conscientes de que a distinção entre A.A., e NA muitas vezes fica turva, particularmente no contexto institucional como as clinicas de recuperação, presídios, etc., onde muitas vezes não se tem a compreensão – ou interesse, de se manterem as Tradições de ambas as Irmandades. Enquanto isso acontece, uma leitura clara das Tradições torna factualmente claro que esses híbridos não poderão acontecer.
Afiliações combinadas não se tornam legitimas simplesmente porque são comuns em determinados lugares.
Mesmo que muitas pessoas em A.A. vêm o problema do alcoolismo e da toxicodependência como sendo a mesma coisa, o foco de A.A., sempre será sobre o alcoolismo. Se uma pessoa quer participar de uma Irmandade que considera o alcoolismo e a adicção como a mesma coisa, NA poderá ser uma opção, se ela desejar e a Irmandade o aceitar.
Veja também, “A menção de drogas em reuniões de A.A.”, acima.
Informação adicional:
Um misto de associação de A.A. e NA (Narcóticos Anônimos), chegou a existir, mesmo que de forma unilateral, em 1953, em Los Ángeles, EUA, naquilo que precedeu a NA tal como hoje é
conhecida, como descrito no texto a seguir e que foi também a pretexto dessa circunstância que A.A., evidenciou, ao que parece pela primeira vez, e consolidou na prática seu princípio de não afiliação:
“A partir 17 de agosto de 1953, Jimmy K., junto com Frank Carnahan, Doris Carnahan, Guilda Krause, Paul Rosenbluth e Steve Ryan, membros do Grupo de A.A., começaram a realizar suas próprias reuniões, um misto de associação de A.A. com NA que eles chamaram de AANA ou NAAA. Jimmy K., consultou o Escritório de Serviços Gerais de A.A. em nova York – GSO, a respeito da conveniência dessa associação de nomes. Em 14 de setembro de 1953 receberam um comunicado da Irmandade de A.A. dizendo que poderiam usar o programa dos Passos e das Tradições de A.A., mas não seu nome.
Mesmo já existindo Al-anon como Irmandade independente, desde 1951, utilizando o programa de A.A., esta foi a primeira manifestação oficial e documentada de A.A. em relação ao uso de seu nome baseada nas recém homologadas Doze Tradições – em julho de 1950, na Convenção de Cleveland, especificamente a Sexta Tradição. Substituiriam, então, as palavras alcoólico por adicto, alcoolismo por adicção e beber por usar. A partir daí o Grupo passou a denominar-se Grupo Vale de San Fernando de Narcóticos Anônimos e sua primeira reunião documentada ocorreu no dia 5 de outubro de 1953, com a presença de 17 pessoas”.
11-. Grupos de propósitos especiais
Box 4-5-9, Fev./ Mar. 2008
Pergunta: Fazem parte de A.A. os Grupos especiais para homens, mulheres, jovens, homossexuais, médicos, advogados, etc.?
Resposta: Os Grupos especiais, com tanto que não tenham outra afiliação ou propósito, fazem parte de A.A. e têm uma longa história na Irmandade. Existem reuniões especiais para membros com determinadas profissões, tais como médicos, agentes da ordem pública ou profissionais da indústria aeronáutica que não aparecem nas listas publicadas pelos órgãos de serviço, uma vez que não se destinam aos membros de forma geral nem para o público. Com tanto que não tenham outra afiliação ou propósito, são consideradas reuniões de A.A. De acordo com nossa experiência, estas reuniões especiais podem ser úteis aos iniciantes que no começo podem sentir-se incomodados nas reuniões normais de A.A. O GSO (Escritório de Serviços Gerais, em Nova York), inclui estes Grupos especiais nas suas listas deixando claro que não será negada a entrada a qualquer alcoólico que chegue a um Grupo desse tipo por não ter o recurso imediato de participar de uma reunião normal de A.A. Por exemplo, um Grupo de mulheres pode abrir sua reunião para acolher um homem numa reunião se não há disponível outra reunião de A.A. num lugar próximo.
12-. O Grupo de A.A. e outros problemas além do álcool
http://anonpress.org/faq
Pergunta: Nosso Grupo faz reuniões em uma clínica de saúde mental e nessas reuniões é permitido falar sobre o álcool, drogas e problemas mentais e emocionais. Achamos que, como
Grupo fazemos tudo o que A.A., faz. Ultimamente, nos têm sido dito que não somos um Grupo de A.A. Estamos fazendo algo errado?
Resposta: Sim, o Grupo está fazendo algo errado ao considerar-se um Grupo de A.A. Os Grupos de A.A. existem unicamente para ajudar os alcoólicos – aqueles que são impotentes perante o álcool, cujas vidas se tornaram incontroláveis. Um Grupo de A.A., não está interessado em convencer ninguém a parar de beber e, muito menos, interessado em lidar com outros problemas. Assim, quando a reunião do Grupo é propositalmente focada em outros problemas além do álcool e o alcoolismo, deixou de ser uma reunião de A.A. A Irmandade é guiada pelas Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos, e elas dirigem o foco de A.A., unicamente para o alcoolismo. De acordo com a Quinta Tradição de A.A. – forma integral: “Cada grupo de Alcoólicos Anônimos deve ser uma entidade espiritual, com um único propósito básico: a de levar sua mensagem aos alcoólicos que ainda sofrem”.Apenas os Grupos que aderem a esta singeleza de propósito poderão denominar-se Grupos de A.A.
Quando uma ampla gama de doenças e problemas entra em discussão em uma reunião de
A.A., o foco é perdido; recém-chegados a A.A., poderão assistir a várias reuniões sem conseguir ter a percepção da proposta concreta de A.A., e que tipo de solução é oferecido para seu problema.
Adictos a narcóticos podem ir para Narcóticos Anônimos, pessoas com desequilíbrios emocionais podem ir para Neuróticos Anônimos. Outros podem encontrar a solução para seu problema de dependência ou comportamento emFumantes Anônimos, Dependentes de Amor e Sexo Anônimos, Comedores Compulsivos Anônimos, e uma série de mais de meia centena de Grupos Anônimos de ajuda mútua que baseiam seu programa de recuperação nos Doze Passos de Alcoólicos Anônimos, mas que abordam problemas específicos. Assim, não deverá surpreender a ninguém que A.A., aborde unicamente o alcoolismo.
Grande parte do benefício das reuniões nessas Irmandades, decorre do fato de que os assuntos nelas tratados são comuns a todos os membros ou participantes. Todos nós temos problemas. Nas reuniões de A.A. o problema comum é o alcoolismo. Nas reuniões de Fumantes Anônimos, o problema comum é o tabagismo. Aqueles que não têm problemas com o jogo não irão encontrar qualquer afinidade em uma reunião de Jogadores Anônimos, a menos que eles vão por curiosidade, não digam nada e fiquem apenas ouvindo para aprender. Se não respeitamos a finalidade das respectivas Irmandades, todas elas vão perder a sua identidade e as pessoas não poderão encontrar outras pessoas com quem se identificar e que realmente entendem o seu problema particular. A Irmandade de Alcoólicos Anônimos foi criada e desenvolvida para ajudar unicamente os alcoólicos, e nunca foi destinada a ser o tipo de solução versátil para qualquer outro problema.
Não há nada de errado em fazer uma reunião onde os participantes decidam a maneira de conduzir as propostas, mas por respeito a A.A., seria atencioso não usar seu nome se a reunião não tem o propósito de ser conduzida dentro das Tradições de A.A.
Para saber mais:
Baseado na experiência da criação de grupos e instituições que usavam o programa de A.A. para fins distintos do alcoolismo, sendo vários entre 1947 e 1953, como Narcóticos Anônimos, dedicada a adictos, Al-Anon em 1951 e Alateen em 1957, em fevereiro de 1958 Bill W., escreveu um artigo na Grapevine definindo como deveria ser a relação da Irmandade com as pessoas que a procuravam com outros problemas além do álcool. Deste artigo resultou o panfleto com o título “Outros Problemas Além do Álcool”, que foi um orientador naquela época e continua atual em 2012. Para ajudar a formar sua opinião leia-o na íntegra; está disponível, para Grupos e interessados, nos ESLs com o código 220 ao preço de R$ 2,00.
13-. O que é sobriedade
http://anonpress.org/faq
Pergunta: Um membro de A.A. poderá dizer que está sóbrio se toma pílulas a base de efedrina para manter o peso? Se não, qual a diferença entre controlar o peso e perseverar no tabagismo?
Resposta: A.A. lida unicamente com a abstinência ao álcool e qualquer membro de A.A. que não tenha ingerido bebida alcoólica poderá dizer que está sóbrio. Chegar a uma definição de sobriedade com a qual todos os membros de A.A. concordem seria impossível; por isso, em A.A., quando se fala em sobriedade é feito no contexto do álcool porque essa é a única coisa que todos temos em comum. Além de não beber, fica tão complicado definir o que seria “sobriedade”, que, em termos práticos, normalmente é o indivíduo quem a de define para si próprio.
Para alguns, sobriedade é simplesmente não ingerir álcool. Outros pensam não estar sóbrios se usarem algum tipo de droga. Ainda outros dirão que a falta de sobriedade refere-se unicamente ao uso de drogas ilícitas ou medicamentos não prescritos. Mais alguns dirão que a sobriedade está na abstinência de qualquer substância que altere o comportamento.
Um membro de A.A. que tome narcóticos prescritos para aliviar uma dor severa pode considerar-se “sóbrio”; mas alguém poderá achar que tomando essa mesma droga para o mesmo fim, por conta própria, terá quebrado a sobriedade.
Algumas pessoas acham que qualquer comportamento viciante destrói sua sobriedade, como poderia ser o caso de um alcoólico que também é jogador compulsivo. O jogador poderá considerar sua sobriedade perdida se comprar um bilhete de loteria, enquanto que para a maioria das pessoas em A.A., a compra de um bilhete de loteria não representa absolutamente qualquer perigo à sua sobriedade.
Uma pessoa pode pensar que está mantendo a sobriedade enquanto fuma um cigarro de maconha prescrito legalmente por um médico, mas não sóbria se não houver uma razão médica legítima para fumar.
Muitas pessoas geralmente tomam drogas como nicotina e cafeína em reuniões de A.A. Mesmo sabendo que o tabagismo, além de levar à morte prematura (vale dizer que o tabagismo, hoje [2012] mata mais que a soma das mortes por AIDS, cocaína, heroína, álcool, suicídios e acidentes de trânsito), também é extremamente prejudicial à saúde das pessoas que estão ao redor do fumante, e que a cafeína é um estimulante, os usuários de nicotina e cafeína não consideram que sua sobriedade está sendo afetada pelo uso dessas drogas. Muito pelo contrário: até pouquíssimo tempo atrás, salas de reunião de A.A. altamente poluídas pela fumaça de tabaco e servidores destacados para arrumar e limpar os cinzeiros eram quase um pré-requisito para o funcionamento de um Grupo de A.A. Em boa parte dos Grupos esta prática teve que ser abandonada e, curiosamente, não por consenso ou manifestação da consciência coletiva, mas por imposição legal (no Estado de São Paulo, a Lei nº 13.541/09 que entrou em vigor no dia 7 de agosto de 2009). Quanto à cafeína (altas doses de cafeína excitam demasiadamente o sistema nervoso central, inclusive os reflexos medulares, podendo ser letal), continua a ser a substância de congraçamento mais utilizada durante as reuniões de A.A. no mundo todo.
“Sobriedade emocional” é um termo muito ouvido em reuniões de A.A. Algumas pessoas incluem o controle sobre seus comportamentos compulsivos por compras ou sexo como algo necessário à sua sobriedade. Para outras, isso não faz a menor diferença.
Assuntos como pílulas dietéticas – com ou sem efedrina, complicam mais o assunto. Por isso a definição do que é sobriedade além da abstinência do álcool, deve ficar por conta de cada um. Para os recém chegados, o padrinho/madrinha, inventário pessoal, meditação e oração poderão ser úteis para chegar a sua própria definição de sobriedade.
O Capítulo V, Como Funciona, do Livro Azul, tem uma discussão a respeito de como lidar com outros problemas além do álcool, como o sexo, por exemplo. Parte do conselho é: “Em outras palavras, tratamos o sexo como trataríamos qualquer outro problema. Ao meditar, perguntamos a Deus o que deveríamos fazer a respeito de cada questão específica. A resposta certa virá, se a desejarmos”.
Sendo esta uma seção que parte da perspectiva de A.A., deixamos a resposta por isto mesmo: nós não sabemos o que sobriedade pode significar em outras associações ou irmandades nem para pessoas que tenham outros problemas além do álcool.
14-. O uso de literatura não aprovada pela Conferência em reuniões de A.A.
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Pergunta: Meu Grupo, por vezes lê o manuscrito original do Livro Azul porque muitos de nós somos favoráveis à linguagem mais forte que ele usa. Alguns se opõem a isso alegando que somente livros aprovados pela Conferência deverão ser usados nas reuniões. È correto o uso de livros não aprovados pela Conferência em reuniões de A.A.?
Resposta: Sim, é correto o uso de qualquer literatura escolhida pela consciência do Grupo, mesmo não sendo aprovada pela Conferência.
Cada Grupo é a maior autoridade em A.A., portanto, livre para usar a literatura que escolher. AA World Service – A.A.W.S., em Nova York, a Conferência e o ESG existem para servir os Grupos, não para governá-los.
Em 1978, o Escritório de Serviços Gerais de AA descreveu o significado de”Literatura Aprovada pela Conferência de Serviços Gerais de A.A.” em seu boletimBox 4-5-9 (Volume 23, n º 4), da seguinte maneira: “O termo ‘aprovado…’, não significa que a Conferência desaprova quaisquer outras publicações. Muitos escritórios locais e centrais de A.A. têm suas próprias publicações. A.A., em seu conjunto não se opõe a isto, assim como também à Bíblia ou quaisquer outras publicações de fontes não A.A. que os Grupos e escritórios de serviço achar úteis.
Naturalmente, o que qualquer membro de A.A. lê, não é assunto do ESG ou da Conferência”. A Conferência de Serviços Gerais também tratou deste assunto em um folheto divulgado pelo ESG, (SM F-29), chamado: “Aprovado pela Conferência” O que isso significa. Seu texto diz: “O termo ‘Aprovado pela Conferência’ descreve o material escrito ou audiovisual aprovado pela Conferência para publicação pelo ESG. Este processo assegura que tudo, naquele material, está de acordo com os princípios de AA. O material aprovado pela Conferência sempre lida com o programa de recuperação de Alcoólicos Anônimos ou com informações sobre a Irmandade de A.A. O termo não tem relação com material não publicado pela GSO. Não implica na desaprovação da Conferência de outro material sobre A.A. Uma grande parte da literatura útil alcoólicos é publicada por outros, e A.A. não tenta dizer a qualquer membro individual o que ele ou ela pode ou não ler.
O termo ‘Aprovado pela Conferência’ assegura-nos que uma peça de literatura está baseada na sólida experiência de A.A.
Qualquer material, livro, folheto, panfleto, etc. aprovado pela Conferência, passa por um processo longo e meticuloso, durante o qual uma variedade de AAs dos EUA e Canadá serão consultados em todas as fases de produção”.
Veja o folheto completo em http://www.aa.org/en_pdfs/smf-29_en.pdf
Livros como o Manuscrito Original e a primeira edição do Livro Azul não são aprovados pela Conferência, uma vez que ela ainda não existia quando foram publicados.
Desde 1954, a Hazelden publica “Twenty Four Hours a Day” (ISBN 9780894860126) – no Brasil, “Vinte e Quatro Horas por Dia”, publicado pela editora Vila Serena, é muito utilizado em reuniões de A.A. sem nunca ter sido submetido à aprovação da Conferência.
O primeiro Grupo de A.A. em Akron, Ohio (ainda existe), continua a exibir a Bíblia que os fundadores de A.A. liam nas primeiras reuniões. O que Bill W., ou o Dr. Bob consideravam como boa literatura para ler em uma reunião, certamente hoje causaria controvérsia ou não seria aceita em muitos Grupos.
15-. Pode um não alcoólico ser membro de um Grupo de A.A.?
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Pergunta: Nossa filha, de 13 anos, quer saber se pode ser membro do nosso Grupo. Ela nunca teve problemas com a bebida mas ajuda o Grupo servindo refrescos e na limpeza da sala. Ela é responsável por grande parte da nossa sobriedade.
Resposta: Segundo as Tradições de Alcoólicos Anônimos, o membro individual ou candidato em potencial determina se ele ou ela está qualificado para ser membro, e não o Grupo.
Considere a Terceira Tradição:
Forma curta: “O único requisito para ser membro de AA é o desejo de parar de beber”.
Forma integral: “Devem fazer parte de nosso quadro de membros todos que sofrerem de alcoolismo. Não podemos, portanto, recusar pessoa alguma que deseje recuperar-se. Tampouco o ingresso em A.A., deve jamais depender de dinheiro ou formalidade. Um Grupo qualquer, formado por dois ou três alcoólicos reunidos para manterem-se sóbrios, pode chamar-se Alcoólicos Anônimos, contanto que, em conjunto (como Grupo), não estejam filiados a outra entidade”.
Isto parece deixar claro que para ser membro de A.A., uma pessoa precisa beber e depois querer parar de beber Entretanto, ainda há algum espaço para discussão sobre a questão de alguém não alcoólico poder aderir a um Grupo mesmo não podendo ingressar na Irmandade.
Na página 187/2/2 do Livro Azul se descreve o objetivo e a natureza das reuniões desta maneira: “… Encontrando-se assiduamente, raras eram as noites que, na casa de alguém, não se abrigasse um pequeno grupo de homens e mulheres, felizes e aliviados, e constantemente pensando como eles podiam apresentar a sua descoberta para algum recém-chegado. Além desses encontros casuais, criaram o hábito de destinar uma noite por semana para uma reunião que podia ser assistida por qualquer pessoa interessada numa forma de vida espiritual. Além do companheirismo e da sociabilidade, o principal objetivo era oferecer um local e algum tempo para que novas pessoas pudessem expor seus problemas”.
Isto reflete a prática comum no início de A.A. quando se procurava incluir a família nas reuniões e na vida de A.A.. Neste contexto, uma filha de 13 anos, embora não possa ser considerada “membro”, certamente não precisará ser excluída de qualquer atividade do Grupo, desde que isso esteja em consonância com a consciência do seu Grupo. Cada grupo de A.A., é inteiramente livre para decidir por si mesmo quem pode assistir às reuniões do Grupo e quais as atividades que cada um pode participar.
16-. Quando um membro de A.A., poderá se considerar recuperado
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Pergunta: De acordo com o Livro Azul, quando alguém poderá considerar que está recuperado?
Resposta: Na Irmandade parece haver duas correntes de pensamento em relação a este assunto e elas remontam até mesmo ao tempo em que o livro foi escrito; tornam-se evidentes e aparentemente contraditórias no texto ao afirmar que há, sim, recuperação mas não cura. Alguns são da opinião de que nunca haverá recuperação se for considerado o texto do Livro Azul (4ª Edição), na página 113/3/3, …“Não estamos curados do alcoolismo. O que temos, na verdade, é um alívio diário, que depende da manutenção de nosso estado espiritual…”
Enquanto isso, a palavra “recuperado/s” aparece no subtítulo do Livro Azul, cujo título completo é, “Alcoólicos Anônimos – A história de mais de cem homens e mulheres que se recuperaram do alcoolismo”, e repetida, em seu significado literal, pouco mais de 50 vezes ao longo dos onze primeiros capítulos e apêndices (ver abaixo, “Para entender melhor”). Provenientes do pressuposto de que a recuperação é possível, seguem alguns tópicos que poderão sinalizar sua efetivação:
a) O obvio, a partir do contexto, é quando se obtém a “libertação da obsessão por beber”, e/ou,
b) Quando se experimenta uma “radical mudança psíquica” segundo o Dr. Silkworth em “A opinião do médico”, página 27/1/15, do Livro Azul, e/ou,
c) Quando se experimenta uma “experiência espiritual vital” como descrito por Karl Jung na página 57/3/3, capítulo 2 – Há uma solução, e/ou,
d) Quando alguém experimenta o fenômeno psíquico conhecido como “as promessas do Passo Nove”, na página 112/2/1, capitulo 6 – Entrando em ação,e/ou,
e) Quando se experimenta uma “mudança de personalidade necessária para efetuar a recuperação de alcoolismo…”, como descrito na página 210/1/3, Apêndice II – A experiência espiritual. Aqui, o Dr. Jung explica que uma“experiência espiritual” é uma transformação súbita, que pode durar apenas alguns minutos ou talvez algumas horas, enquanto um “despertar espiritual” é uma transformação gradual que pode levar dias, semanas, meses ou até mais.
Para entender melhor:
Citações sobre recuperação/recuperados, recolhidas na 4ª reimpressão da 4ª edição do Livro Azul publicado pela JUNAAB (página/parágrafo/linha).
Prefácio à primeira edição
1) 11/1/1 – Nós, de Alcoólicos Anônimos, somos mais cem homens e mulheres que nos recuperamos de uma aparentemente irremediável condição mental e física. Demonstrar a outros alcoólicos exatamente como nos recuperamos é o principal objetivo deste livro…
Prefácio à segunda edição
2) 13/2/3 – …Alcoólicos Anônimos desabrochou em quase 6.000 Grupos cujos membros somam bem mais que 150.000 alcoólicos recuperados…
3) 13/3/4 – …Seis meses antes, o corretor havia sido libertado de sua obsessão pela bebida…
4) 14/3/9 – …Demonstrou também que um trabalho persistente, de um alcoólico com outro, era vital para a recuperação permanente.
5) 14/4/3 – …Seu primeiro caso, desesperador, recuperou-se imediatamente e tornou-se o terceiro membro de A.A.
6) 15/4/12 – …Em fins de 1939, calculava-se que 800 alcoólicos estavam a caminho da recuperação.
Prefácio à terceira edição
7) 19/3/1 – Os princípios básicos do programa de A.A., ao que parece, são válidos para pessoas com os mais variados estilos de vida, assim como o programa tem recuperado indivíduos das mais diversas nacionalidades. Os Doze Passos…, mas traçam exatamente o mesmo caminho para a recuperação que foi desbravado pelos primeiros membros de A.A.
8) 19/4/3 – …Todos os dias, em algum lugar do mundo, uma recuperação tem início quando um alcoólico fala com outro alcoólico…
A opinião do médico
9) 23/4/7 – …Este homem, e mais de cem outros, parece terem-se recuperado…
10) 27/1/14 – …Isto se repete inúmeras vezes e, a menos que essa pessoa possa sofrer uma radical mudança psíquica, há muito pouca esperança de recuperação.
Capítulo 2 – Há uma solução
11) 47/1/1 – Nós, de Alcoólicos Anônimos, conhecemos milhares de homens e mulheres que estiveram, um dia, tão desesperados quanto Bill. Praticamente todos estão recuperados. Resolveram seu problema com a bebida.
12) 50/2/3 – …apesar da opinião em contrario dos especialistas, recuperamo-nos de um estado mental e físico sem esperanças…
13) 58/4/1 – Mais adiante, damos informações precisas sobre como nos recuperamos.
Capítulo 3 – Mais sobre o alcoolismo
14) 59/2/1 – Aprendemos que precisávamos admitir, do fundo de nossos corações, que éramos alcoólicos. Este é o primeiro passo para a recuperação…
Capítulo 4 – Nós, os agnósticos
15) 74/1/1 – Se um simples código moral ou uma melhor filosofia de vida fossem suficientes para dominar o alcoolismo, muitos de nós estaríamos recuperados…
Capítulo 5 – Como funciona
16) 87/1/1 – Raramente vimos alguém fracassar tendo seguido cuidadosamente nosso caminho. Os que não se recuperam são pessoas que não conseguem ou não querem…Existem também as que sofrem de graves distúrbios mentais e emocionais, mas muitas delas se recuperam, se tiverem a capacidade de serem honestas.
17) 88/3/1 – Eis os passos que demos, e que são sugeridos como um programa de recuperação.
Capítulo 7 – Trabalhando com os outros
18) 117/2/1 – …Observar as pessoas se recuperarem, vê-las ajudando outras, observar a solidão desaparecer,…
19) 117/3/1 – Talvez você conheça bebedores que desejem se recuperar…
20) 118/4/9 – …Se ele disser que sim, então você deve ser mencionado como alguém que pertence a uma irmandade cujos membros, dentro de seu programa de recuperação, tentam ajudar outros…
21) 124/1/10 – …Ele diz sempre que, se tivesse insistido em trabalhar com aquelas pessoas, poderia ter privado muitas outras, que se recuperaram, de suas oportunidades.
22) 124/2/2 – …Ele leu este livro e diz que está preparado para praticar os Doze Passos do programa de recuperação…
23) 124/4/2 – …Ajudar os outros é a pedra fundamental de nossa recuperação…
24) 125/3/4 – …Caso eles aceitem e pratiquem os princípios espirituais, há muito mais chances de que o chefe de família se recupere…
25) 126/2/1 – Convença todas as pessoas de que podem se recuperar independentemente de qualquer um…
26) 127/2/1 – Se houver um divórcio ou separação, não deve haver presa em reunir o casal. O homem deve estar seguro quanto à sua recuperação. A mulher deve compreender inteiramente seu novo modo de vida…
27) 127/3/1 – Não permita que um alcoólico diga que não consegue se recuperar se não tiver a família de volta. Não é verdade… Vimos outros recaírem quando a família voltou cedo demais.
Capítulo 8 – Às esposas
28) 133/1/5 – …Tem sido evidente que as mulheres, quando seguem nossas sugestões, recuperam a saúde com tanta facilidade quanto os homens.
29) 139/2/8 – …Muitos, entre nossos maridos, haviam chegado a este ponto. Entretanto, estão recuperados.
30) 141-142/5/5 – … Ele sabe que milhares de homens, bem perecidos com ele, já se recuperaram… Espere até que vários passos em falso o convençam de que ele precisa agir, pois quanto mais você o apressar, mais pode estar adiando sua recuperação.
31) 142/3/1 – Você pode imaginar que os homens do tipo número quatro sejam praticamente irrecuperáveis, mas não é assim… Entretanto, tais homens tiveram, com freqüência, recuperações espetaculares e impressionantes.
Capítulo 9 – A família depois
32) 151/1/1 – As esposas sugeriram algumas atitudes a serem tomadas em relação aos maridos em recuperação…
33) 161/2/4 – … Mas porque não deveríamos rir? Estamo-nos recuperando e nos foi dado o poder de ajudar outras pessoas.
34) 161/4/1 – Agora, falemos de saúde. Um corpo seriamente consumido pelo álcool não se recupera, muitas vezes, da noite para o dia… Nós, que nos recuperamos da embriaguez, somos milagres da saúde mental…
35) 163/4/1 – Viva ou não sua família segundo bases espirituais, o alcoólico precisa fazer isto, se quiser se recuperar…
Capítulo 10 – Aos empregadores
36) 168/2/5 – … Para mim, isto ilustra a falta de compreensão quanto ao que realmente aflige o alcoólico e a falta de conhecimento a respeito do papel que os empregadores poderiam desempenhar na recuperação de seus funcionários doentes.
37) 171/3/5 – … É preciso que ele entenda bem isto. Ou você está lidando com um homem que pode e quer se recuperar, ou não está…
38) 171/4/1 – Depois de se certificar de que seu empregado quer se recuperar e que fará o que for preciso para conseguir, …
39) 172/2/7 – … Todos nós precisamos colocar a recuperação acima de tudo o mais, pois sem a recuperação teríamos perdido tanto o lar quanto o emprego.
40) 172/3/1 – Você pode confiar totalmente em sua capacidade de se recuperar? Por falar em confiança…
41) 175/2/5 – … Um alcoólico em recuperação, ocupando um cargo relativamente importante, pode conversar com alguém hierarquicamente superior…
42) 175/3/4 – … Se estiver, ou ainda estiver tentando se recuperar, ele lhe dirá a verdade, mesmo que isto signifique a perda do emprego… Se estiver seguindo conscientemente o programa de recuperação, poderá ir a qualquer lugar que seu trabalho exigir.
43) 176/2/2 – … Não deve receber privilégios. O homem correto, do tipo que se recupera, não deseja isto. Não os aceitará…
Capítulo 11 – Uma visão para você
44) 181/2/7 – … A era dos milagres ainda existe. Nossa própria recuperação é uma prova. 45) 182/4/1 – Mas, e quanto a suas responsabilidades – sua família e os homens que morreriam porque não sabiam como se recuperar?…
46) 189/3/2 – …Compreendendo o nosso trabalho, ele consegue identificar aqueles que estão dispostos e são capazes de se recuperar em bases espirituais…
Apêndice I – As Doze Tradições
47) 207/4/2 – (Terceira Tradição, forma integral) … Não podemos, portanto, recusar pessoa alguma que deseje recuperar-se…
Apêndice II – A experiência espiritual
48) 211/2/ – … muitos alcoólicos chegaram à conclusão de que para se recuperarem teriam de adquirir uma imediata e profunda “consciência de Deus”,seguida logo por uma grande mudança de sentimentos e atitudes.
49) 211/6/1 – Queremos frisar que – à luz da nossa experiência – qualquer alcoólico capaz de encarar seus problemas com honestidade pode se recuperar, sempre que não fechar sua mente a todos os conceitos espirituais…
50) 212/2/2 – … A boa vontade, a honestidade e uma mente aberta são os elementos necessários à recuperação. E são indispensáveis.
Informação adicional:
James Houck Lane (1906-2006), foi um personagem de excepcional importância, para A.A. e para o Grupo de Oxford. Ele ingressou no Grupo de Oxford em Frederick, Maryland, no dia 12 de dezembro de 1934, um dia depois da 4ª e última internação de Bill W., no Towns Hospital; nunca se desligou desse movimento acompanhando ele em todas as denominações que seguiram à de Grupo de Oxford, que foi excluída em 1938 (Movimento de Rearmamento Moral, Iniciativas de Mudança (IdeM), e, atualmente [2012], Iniciativas de Mudança Internacional (IdeM Internacional), e ao mesmo tempo acompanhou todo o processo de criação e evolução de A.A. servindo de conselheiro para muitos AAs, e consultor para os órgãos de serviço, incluindo os arquivos históricos do GSO. Ingressou oficialmente em A.A. em 1986, aos 80 anos de idade, para ajudar um neto que estava com problemas por causa da bebida. Dada a sua longevidade, ele morreu com cem anos de idade, sendo 71 de sobriedade, é considerado pelas duas instituições como “O Ancião das duas Tribos”.
Em 22 de agosto de 2005, James H., gravou um DVD onde descreve sua carreira alcoólica, o inicio de sua recuperação em 12/12/1934, seu relacionamento com Bill W., seu conhecimento do programa de recuperação nos primórdios de A.A. e como ele transmitia a mensagem naquele tempo. Nesta gravação James H., diz que é um“alcoólico recuperado”, segundo ele, o mesmo termo utilizado por Bill W., o Dr. Bob, os pioneiros de A.A., e a proposta do texto do Livro Azul.Considera o termo “em recuperação” depreciativo porque se refere a alguém que ainda se debate com o problema ao invés de viver a solução. Diz que esta expressão ritual –“alcoólico em recuperação” , seguido pelo coro “Oi, olá, falou,_____”, evoluiu a partir dos centros de tratamento em 1970 e não faz parte do programa original de A.A. “Para mim, ‘em recuperação’, significa que você ainda não fez a lição de casa. Você não tem certeza de sua posição. Estou absolutamente seguro de minha posição. Deus tirou o álcool da minha vida, e para sempre, em 12/12/1934”.
(Para saber mais procure em: James H. – Back to Basics)
17-. Reuniões de A.A. abertas e reuniões fechadas
Box 4-5-9, Fev. Mar. 1998
Pergunta: Qual a diferença entre reuniões abertas e fechadas? Do que se fala em cada uma delas? Há exceções que ampliam os limites? Um dependente de drogas pode assistir às reuniões fechadas de A.A.? Quem determina as regras? E mais: o recém chegado sabe a diferença que há entre uma e outra?
Resposta: Como diz a Quarta Tradição- forma integral,“Com respeito a seus próprios assuntos, nenhum Grupo de A.A., está sujeito a autoridade alguma além de sua própria consciência”. Dessa forma, como podemos supor, as reuniões que nossos milhares de Grupos realizam têm, cada uma, seu caráter particular. No geral, porém, a maioria das reuniões – desde as reuniões de novos até as de Passos e Temáticas – se classificam em duas categorias: abertas e fechadas, como define o folheto “O Grupo de A.A.”
Qualquer pessoa interessada no programa de A.A. para a recuperação do alcoolismo pode assistir às reuniões abertas. As reuniões fechadas são unicamente para os membros de A.A., ou para aqueles que tenham um problema com a bebida e tenham “o desejo de parar de beber”. Sejam abertas ou fechadas, as reuniões dos Grupos de A.A. são realizadas e coordenadas por membros de A.A. Nas reuniões abertas, pode-se convidar aos não AAs para falar, conforme determinar a consciência de Grupo.
Ao longo dos anos, têm surgido vários mal-entendidos sobre ser ou não apropriado falar de certos temas nas reuniões abertas. A importância dada a esse assunto era tamanha que os membros da Conferência de Serviços Gerais de 1987 continuaram discutindo sobre o tema até altas horas da noite e em seguida emitiram uma declaração disponível para os Grupos que se interessassem: “Esta é uma reunião aberta de Alcoólicos Anônimos. Estamos encantados com a presença de vocês aqui, especialmente os principiantes. Em conformidade com nossa unicidade de propósitos e nossa Terceira Tradição, que diz que, ‘para ser membro de A.A., o único requisito é o desejo de parar de beber’, pedimos a todos os participantes que limitem seus comentários a seus problemas com o álcool.”
Tradicionalmente as reuniões abertas são para qualquer pessoa que deseje assisti-la. Não obstante, a experiência nos indica que não se deve deixar ao sabor do acaso a escolha dos temas de discussão; muito pelo contrário, a sugestão é de que as reuniões se realizem segundo um formato e procedimento cuidadosamente preparados com a finalidade de que a discussão fique centrada nos problemas relacionados com o álcool. Ironicamente, parece ser mais importante reafirmar o propósito primordial de A.A. nas reuniões abertas do que nas fechadas. É preciso recordar a alguns participantes que estão em uma reunião aberta de Alcoólicos Anônimos, e não em uma reunião genérica de um “Grupo de Doze Passos”.
Membros de A.A. de todas as partes do mundo têm enviado cartas ao GSO (Escritório de Serviços Gerais em Nova York), pedindo informações sobre diversos aspectos das reuniões abertas e fechadas e compartilhando suas próprias experiências e opiniões. Apresentamos a seguir alguns exemplos em forma de perguntas e respostas:
O que acontece se um profissional ou outra pessoa que não seja membro de A.A. resolve identificar-se como tal a si mesmo numa reunião fechada de A.A.?
Existem duas soluções que têm dado resultado:
1) Alguns Grupos imediatamente consultam a consciência coletiva e declaram que a reunião é “aberta” para que o visitante possa ficar e observar como é uma reunião de A.A. (um membro comentou que é provável que o alcoólico de primeira vez não tenha a mínima idéia do que é uma reunião aberta ou fechada e, a menos que haja disputa, não se sentirá prejudicado com a troca de formato)
2) Outros Grupos, no intuito de proteger o anonimato dos AAs presentes, levam o visitante para um canto e recomendam outras reuniões abertas de A.A. nas vizinhanças, ou pedem a um voluntário que o leve para tomar um café a fim de explicar-lhe pessoalmente como funciona o programa.
Deve-se permitir que pessoas com outros problemas além do alcoolismo – em particular o abuso das drogas -, assistam às reuniões fechadas de A.A.?
A Conferência de 1997 aprovou uma definição revisada da declaração da Unicidade de Propósito de A.A. que oferece uma possível solução: “O alcoolismo e a drogadicção podem ser classificados como ‘abuso de substâncias químicas’ ou como’dependência de substâncias químicas’. Por conseguinte, às vezes se permite, em A.A., tanto a introdução dos não-alcoólicos como a dos alcoólicos e lhes é feita a recomendação de que assistam às reuniões. Qualquer pessoa pode assistir às reuniões abertas de A.A. Mas unicamente os que têm um problema com a bebida podem assistir às reuniões fechadas ou tornarem-se membros de A.A. As pessoas que têm outros problemas diferentes do alcoolismo podem se tornar membros de A.A. somente se têm um problema com a bebida.”
O que vocês acham dos AAs que falam nas reuniões sobre sua experiência com as drogas,
assim como a relacionada com o álcool?
Cada vez mais gente que chega em A.A. hoje em dia é adicta ao álcool e outras drogas. Dessa forma, não é de se estranhar que falem nas reuniões sobre sua drogadicção. As pessoas podem falar com franqueza nas reuniões fechadas de A.A. e mencionar seu problema com drogas, mas o importante é não perder de vista o fato de que é uma reunião de A.A. Nas nossas reuniões, da mesma forma que em nossa literatura, colocamos como foco principal o vínculo que temos em comum – nosso alcoolismo – e não nossas diferenças.
É preciso identificar-se como alcoólico nas reuniões para poder participar?
Quando cheguei em A.A., há muitos anos, não existiam normas rígidas a respeito da forma como cada um de nós devia se apresentar. A mim me parece que hoje em dia, se você não diz quem você é, alguém logo pode perguntar, aos gritos: “Quem é você?” E, para dizer a verdade, acredito que o fato de que uma pessoa esteja ali, na reunião, indica claramente que tem o desejo de parar de beber.
Por que não deixar que os principiantes sejam eles mesmos, por que temos que forçar as pessoas a dizer a mesma coisa? Sempre tive a impressão de que simplesmente estar ali já era o suficiente.
Nunca ouvi alguém falar sobre a existência de uma norma que diga que você tem que se identificar como alcoólico para poder participar. Não obstante, é à consciência coletiva do Grupo que corresponde uma tomada de posição.
Deve-se permitir que as crianças assistam as reuniões fechadas?
Muitas pessoas trazem criancinhas às reuniões porque, de outra forma, não poderiam assistir – ou porque não têm dinheiro para pagar uma pessoa que tome conta ou porque não encontram quem possa fazer isso. A decisão corresponde ao Grupo. Costuma-se decidir cada caso conforme se apresente; às vezes, no entanto, o Grupo cria certas diretrizes a serem seguidas. Ensinaram-me em A.A. que todas as reuniões de Passos e Tradições devem ser fechadas. Isso está correto?
A experiência compartilhada de A.A. demonstra que a maioria dos Grupos decide ter suas reuniões de Passos e Tradições fechadas. No entanto, cada Grupo tem autonomia para decidir sobre o assunto.
É permitido o comparecimento às reuniões de pessoas que não sejam membros de A.A.? Sim. Desde os primórdios de A.A., os Grupos têm contado com a presença de não AAs como participantes e oradores em suas reuniões abertas. De fato, Bill W., pedia constantemente a médicos, clérigos e outros não AAs para que comparecessem às reuniões. Naturalmente, a decisão de fazê-lo fica por conta da consciência do Grupo. O bonito da autonomia é que não há regras que possam limitar o Grupo em sua capacidade de levar a mensagem. Inclusive, se não estamos de acordo com o que fazem outros Grupos, estes têm o direito de guiar-se por sua consciência de Grupo. Ao ler a literatura de A.A. encontramos muitas coisas que parecem ser contraditórias e pouco conseqüentes; mas acredito que essa é a verdadeira natureza de A.A., uma vez que se trata de uma comunidade espiritual que não pode ser definida específica e rigidamente. A idéia de autonomia é também espiritual e deixa que as questões sejam resolvidas por um Poder Superior a nós mesmos.
Como começaram as reuniões fechadas?
As raízes de A.A. remontam ao Grupo Oxford, um movimento evangélico cristão que surgiu nos anos 20. Além das reuniões regulares, havia “esquadrilhas de bêbados” que se reuniam separadamente. Nos primeiros dias de A.A., quando todos os membros eram homens, suas esposas costumavam assistir às reuniões, segundo diz Lois W. (esposa de Bill W., o co-fundador de A.A., e fundadora de Al-Anon). Conta ela que começaram a realizar-se reuniões fechadas porque os maridos se cansaram de suas esposas os acompanharem a todas as reuniões.
18-. Substâncias que alteram a mente
http://anonpress.org/faq
Pergunta: Em que parte do Livro Azul consta a abstinência de “Substâncias que alteram a mente” ?
Resposta: Esta seção lida unicamente com fatos de A.A., e, embora possa parecer uma coisa impopular se dizer, a única resposta factual que podemos dar é que o Livro Azul não faz nenhuma menção à abstinência de qualquer substância além do álcool. Estamos falando especificamente do texto principal contido nos capítulos de 1 a 11. O livro fala unicamente da abstinência do álcool sem citar no uso de outras drogas mesmo que isso possa parecer estranho ao leitor moderno.
Membros de A.A. que usam ou usaram outras substâncias, como o próprio Bill W., que foi usuário de LSD – e mesmo do tabaco que provocou o enfisema pulmonar que o levaria à morte, mas mantiveram-se abstinentes ao álcool, nunca tiveram sua sobriedade questionada. Além da abstinência

SÉTIMA TRADIÇÃO – MINHA CONTRIBUIÇÃO PARA A AUTOSSUSTENTAÇÃO FINANCEIRA DO GRUPO

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 129 – Jan/Fev 2011

Sétima Tradição
Minha contribuição para a autossustentação financeira do grupo

Como membro de A.A., convém que eu tenha consciência do que é o Grupo-Base, descrito no livreto “O Grupo de A.A.”; dentre outros, encontramos ali, o seguinte apadrinhamento: “Esse grupo é aquele onde o membro assume a responsabilidade e tenta manter amizades”, diz também que o conceito de Grupo Base continua sendo o vínculo mais forte entre o membro de A. A. e a Irmandade, embora todos os membros de A.A. sejam bem-vindos em todos os grupos, sentindo-se “em casa” em qualquer reunião.

O mesmo livreto apadrinha sobre a autossustentação financeira do Grupo, da seguinte forma:

Autossuficiência: A Sétima Tradição

Não existem taxas nem mensalidades para a filiação a A.A., mas temos nossas despesas. Respeitante à Sétima Tradição, os Grupos podem “passar a sacola” para cobrir despesas como aluguéis, águas e cafés, literatura aprovada pela Conferência de A.A., folhetos e relações de Grupos e as contribuições para os serviços prestados pelos ESL’s, Comitês de Distrito e de Área e ao ESG. Os membros de A.A. podem contribuir com a quantia que desejarem, até o máximo equivalente três mil dólares por ano. (o “máximo” anual está atualizado pelas informações do A.A. World Services).

Outra literatura da Irmandade que me apadrinhou na conscientização de minha responsabilidade de fazer, habitualmente, contribuições financeiras para a autossustentação da Irmandade, a começar pelo meu Grupo Base, foi o folheto “Autossuficiência pelas nossas próprias contribuições”, que aborda o porquê e o como fazer isso.

No porquê encontramos: “De acordo com a Sétima Tradição, todos os grupos de A. A. deverão ser totalmente autossuficientes, rejeitando quaisquer doações de fora…” e “em A. A, cada grupo é realmente parte de uma estrutura mais ampla, que procura levar sua mensagem aos que ainda sofrem de alcoolismo e não sabem haver uma saída”.

Todas essas partes, em cada nível da Estrutura de Serviços, são formadas e expressam a consciência coletiva de seus membros, individualmente. Para serem “totalmente autossuficientes”, requerem compromisso da parte de cada membro para sustentar através de seu grupo de origem os serviços fornecidos pelo ESL, pela Área ou pelo ESG, para que esses órgãos de serviços possam continuar levando a mensagem de A.A. para além dos grupos.

No como, diz que: “Para manter os serviços essenciais de Alcoólicos Anônimos”, o Manual de Serviço de A.A. orienta que os grupos adotem um plano específico de contribuições, o plano 60-25-15. Convêm dizer que pela falta das contribuições suficientes dos grupos, para manter os serviços essenciais de A.A., esse plano tem sofrido interpretações as mais diversas, que não condizem com o seu real sentido, ou seja, primeiramente, o grupo tem de atender às suas despesas básicas: aluguel, água, luz, café, literatura, etc., e manter uma reserva prudente para garantir esses compromissos. Participa também das despesas do Distrito. Feito isso, o saldo das conscientes contribuições financeiras de todos os membros do grupo é repassado para o ESL que retém 60% das contribuições de todos os grupos que compõem o seu Conselho de Representantes e repassa 25% para o Comitê de Área a fim de custear suas despesas operacionais e 15% para o ESG como suporte para as operações do serviço a nível Nacional.

Nos meus primeiros tempos de programação eu não contribuía pois pensava que outros o faziam de forma satisfatória e também porque estava “quebrado” e atolado em dívidas. Porém, a medida que minha sobriedade foi consolidando e minha vida voltando à normalidade, consegui retomar ao mercado de trabalho, e assim, passei a me sustentar e a minha família. Comecei, então, a contribuir regularmente para o A.A. Mas essa contribuição que eu fazia não tinha o sentido de compromisso, nem era a minha parte consciente na autossustentação financeira mensal do meu Grupo-Base, era algo próximo a uma esmola que eu destinava ao grupo. Não me fazia falta e com certeza pouco representava em ajuda ao grupo para cumprir com suas responsabilidades como parte que é de uma estrutura maior, algo que tem por objetivo transmitir a mensagem de A.A. e ajudar outros alcoólicos a se recuperarem do alcoolismo: a Estrutura Mundial de Serviços de A.A.
A medida que fui participando das ações do Terceiro Legado fui percebendo a importância desse mecanismo espiritual da autossustentação financeira da Irmandade, pelas nossas próprias contribuições e o porque não devemos aceitar doações de fora.

Houve um momento em que pensei que esta de não aceitar doações de fora era apenas a vaidade de quem quer ser melhor que o outro ou motivado por orgulho que insiste em não aceitar a ajuda financeira de quem possa e queira ajudar.
Foi no meio dessa confusão de pensamentos, que o meu Poder Superior me concedeu a Graça de chegar ao Décimo Primeiro Passo e melhorar a qualidade de minha sobriedade. Foi no Passo Onze que questionando a Oração de São Francisco, inclusive quanto a forma como ali é apresentada, que encontrei não só a explicação para meus questionamentos sobre aquela Oração, como despertei para a verdadeira proposta do Programa de Recuperação de A.A., para a minha realidade enquanto necessitado e em primeira mão deste Programa. Passei a entender mais claramente, essa tão profunda mensagem de esvaziamento do ego, contida na Oração de São Francisco e nos Doze Passos.
Foi no apadrinhamento do livro Doze Passos e Doze Tradições que o Poder Superior me concedeu o despertar espiritual para uma melhor compreensão de mim mesmo, como integrante e integrado à Irmandade de A.A. O texto é o seguinte: “Quem sabe o verdadeiro problema fosse o de nossa quase total incapacidade para dirigir a imaginação no rumo dos objetivos certos. Não há mal na imaginação construtiva, todo o empreendimento bem fundado depende dela. Afinal de contas ninguém pode construir uma casa sem antes arquitetar um plano. Bem, a meditação também é assim, ela nos ajuda a ter uma noção de nosso objetivo espiritual antes que tentemos nos encaminhar em sua direção. Isto posto, voltemos àquela praia ensolarada, ou talvez, à planície ou às montanhas”.
Quando por métodos simples como esse, tivermos entrado num estado de espírito que nos permita a concentração na imaginação construtiva, sem interrupção, poderemos proceder assim: relemos a nossa oração, tentamos novamente compreendê-la na profundidade de sua essência e pensamos no homem que foi o primeiro a proferi-la. Primeiro, ele quis tomar-se um “instrumento de paz”. Então ele pediu a graça de levar amor, perdão, harmonia, verdade, fé, esperança, luz e alegria a todos quantos pudesse. Depois veio a expressão de uma aspiração e de uma esperança para ele próprio. Ele esperava que se Deus quisesse, lhe fosse permitido ser capaz de encontrar alguns desses tesouros também. Isso ele tentaria realizar através do
que chamou dar de si mesmo. “O que ele quis dizer com “ é dando que se recebe” e como se propôs a consegui-lo”?
Depois do que assimilei dessa mensagem, firmei um compromisso, dentre outros, de assumir a minha parte na autossustentação financeira de minha Irmandade através de meu Grupo-Base.
Estou sempre procurando encontrar juntamente com os demais membros do grupo, uma orientação melhor para consciência de nosso Grupo-Base.
De que maneira?
Através de reuniões de estudo da literatura e de temáticas. E assim que procuro repassar, da forma mais natural possível, o despertar e spiritual que me mostrou, claramente, a relação estreita do Décimo Primeiro Passo com a Sétima Tradição ou, melhor, a necessidade de um compromisso individual com a autossustentação financeira de Alcoólicos Anônimos como um todo, através da autos-sustentação financeira do meu Grupo-Base.

Como faço isso?

A partir da informação do tesoureiro do grupo no quadro sobre a despesa mensal.

O meu Grupo-Base tem uma frequência média de dez membros, faço a divisão do valor total da despesa do Grupo, exposta no quadro, por dez, e assumo o compromisso de contribuir financeiramente com uma dessas partes. Até o mês passado o meu compromisso de contribuição financeira para o meu Grupo-Base era de no mínimo de R$ 50,00, feita sempre através da Sacola da Sétima Tradição nas reuniões que compareço. Em cada reunião, um pouco. O grupo tem três reuniões de recuperação por semana. Doze ao mês, ao menos uma de serviço, uma temática e uma californiana às quais compareço ao menos em 40% delas.

Como sou um profissional liberal, às vezes, ganho um pouco mais e também contribuo um pouco mais com o grupo, sempre anonimamente, na sacola.
Talvez isso não seja o melhor apadrinhamento, pois pode servir de incentivo àqueles que destinam esmolas ao grupo em vez de contribuições, como eu inicialmente e dessa forma, fazê-los continuar sem o compromisso individual para a autossustentação do grupo, retardando seu despertar espiritual e sua participação no salutar e verdadeiro sentido do princípio do “é dando que se recebe.”

Serenas vinte e quatro horas!

Benjamim

Vivência nº 129 – Janeiro/Fevereiro 2011

PAZ POR ESTAR ENTRE IGUAIS – REVISTA VIVÊNCIA Nº 170 – NOV/DEZ 2017

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 170 – NOV/DEZ 2017

Paz por estar
entre iguais

Encontrar um AA nas ruas
da cidade e transmitir a
mensagem são facetas
da vida simples que o
companheiro encontrou na Irmandade.

Corria o ano de 1987. Minha situação física estava cada vez pior pelo fato do consumo exagerado de bebida alcoólica. Eu sabia disso e tenta- va parar, mas não conseguia. Muitas, mas muitas vezes mesmo, parei para pensar sobre o assunto, conversava com parentes e amigos e fazia propósitos firmes, mas nada adiantava.

Em minha vida fui vereador e prefeito em nossa cidade. Também fui deputado estadual por várias legislaturas e assumi funções na Assembleia Legislativa. Acho que, por isso, eu tinha vergonha de comprar bebida. Quando ia ao supermercado comprar uísque e, no inverno, conhaque, mandava embalar para presente, pois tinha muitos amigos aniversariantes a quem enviar. Em casa, dava risada, pois tinha enganado a moça dos pacotes. Abria as garrafas e começava tudo de novo. Isso ocorria seguidamente.

Certo dia, resolvi chamar João, pois precisava falar com ele a respeito do meu modo exagerado de beber. Eu o conhecia, sabia que ele bebera muito e tinha conseguido parar de beber frequentando Alcoólicos Anônimos. Meu cunhado estava presente naquele momento. Ambos falaram-me sobre a doença alcoolismo e, também, sugeriram-me uma clínica de recuperação na capital. Optei por fazer um tratamento nessa clínica. Meu cunhado prontificou-se a levar-me até lá. Isso aconteceu no dia 23 de outubro de 1987. Nessa clínica eu ia às reuniões do grupo de A.A. local, mas não acreditei muito no seu programa.

Voltando à cidade, conversava quase diariamente com João, mas não quis participar do Grupo em nossa cidade. Fiquei sóbrio por aproximadamente quatro meses, até que, numa ocasião, indo para minha fazenda onde criava peixes, parei num bar do trajeto e deu-me vontade de experimentar uma cerveja. Só uma mesmo, para ver como ficava. Senti-me muito bem, gostei. Daí em diante, eu saía aos sábados para tomar umas cervejas. Em cada bar que entrava, tomava uma ou duas e ia a outro bar, para ninguém pensar que eu fosse exagerado no meu modo de beber. A progressividade da doença alcoólica foi crescendo e voltei a beber mais em casa. Só ia a bares quando me achava bom e seguro para isso. Meus familiares faziam-me recomendações, mas isso de nada adiantava. Minha necessidade era tão grande que eu não os ouvia.

No começo do ano de 1992, resolvi telefonar, pedindo ajuda. Eles chegaram minutos depois. Falei que tinha bebido uns uísques para criar coragem e, para provar, mostrei-lhes o litro ainda com um pouco de bebidana hora que não mais queria me internar. Queria uma solução na cidade mesmo. João sugeriu-me tomar refrigerante, comer uns chocolates, repousar bastante e procurar dormir. Minha irmã providenciou logo um monte de garrafas de refrigerante e uns pacotes de chocolate. Com isso, passei uns dias e achei-me melhor. Falava com João e outra pessoa todos os dias, e eles enfatizavam que, sem ir ao grupo de A.A., minha recuperação seria difícil. Era preciso admitir minha impotência perante o álcool. Agora estava mais consciente e já aceitava isso. Na reunião seguinte, não compareci porque um tio meu falecera e fui ao seu enterro. Não reclamaram. Na reunião seguinte, ocorrida no dia 15 de março do mesmo ano, compareci e recebi minha pequena ficha amarela que guardo até hoje.

A partir dessa data, não mais bebi e só me preocupei em praticar o um dia de cada vez, evitando o primeiro gole. Comecei a praticar os princípios do programa de Alcoólicos Anônimos, lendo bastante e procurando conversar, sempre que possível, com meu padrinho e com os demais companheiros. Assim, pareceu-me mais fácil viver em paz. Como era bonito e bom encontrar algum companheiro na rua, nas lojas ou mesmo em um supermercado! Isso me dava uma tranquilidade e transmitia uma paz para a qual não há explicação. Pelo simples fato de falar de mim nas reuniões ou mesmo na casa de um membro de A. A., fui descobrindo meios de superar meus remorsos do passado e perder o medo do amanhã. De fato, a vida simples que Alcoólicos Anônimos me proporciona é o que sempre quis. Queria viver sóbrio e feliz, estou conseguindo.

Procuro levar a mensagem a alguns amigos, e a outros quando solicitado. Pude encaminhar um amigo à mesma clínica onde João e eu estivemos. De lá, voltou e não mais bebeu. Outro a quem fomos levar a mensagem de A.A. f oi um companheiro que, por muito tempo, deu-nos a felicidade de sua presença em nosso meio. No dia de seu sepultamento, sua esposa pediu-me para colocar nas mãos do companheiro a ficha amarela de ingresso e eu, seu padrinho, o fiz.

Haveria muita coisa a escrever ainda, mas ando esquecido, talvez pelo consumo exagerado de bebida. Todavia, de evitar o primeiro gole, disso nunca mais esqueci.

Gosto de todos os companheiros de A.A. Não tenho vergonha de abrir meu anonimato às pessoas que falam comigo em relação ao alcoolismo. Faço questão de dizer a elas o que é nossa Irmandade, mostrando os benefícios que trouxe para mim e para muitas pessoas dessa nossa terra.

Anônimo
Vivência nº 170 – Novembro/Dezembro 2017