Monthly Archives: Julho 2017

TRECHOS OS DOZE PASSOS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

Os Doze Passos de Alcoólicos Anônimos

1. ADMITIMOS QUE ÉRAMOS IMPOTENTES PERANTE O ÁLCOOL – QUE TÍNHAMOS PERDIDO O DOMÍNIO SOBRE NOSSAS VIDAS.

Quem se dispõe a admitir a derrota completa? Quase ninguém, é claro.
Todos os instintos naturais gritam contra a ideia da impotência pessoal. É verdadeiramente terrível admitir que, com o copo na mão, temos convertido nossas mentes numa tal obsessão pelo beber destrutivo, que somente um ato da Providência pode removê-la.
Nenhuma outra forma de falência é igual a esta. O álcool, transformado em voraz credor, nos esvazia de toda autossuficiência e toda vontade de resistir às suas exigências. Uma vez que aceitamos este fato, nu e cru, nossa falência como seres humanos está completa.
Porém, ao ingressar em A.A., logo encaramos essa humilhação absoluta de uma maneira bem diferente. Percebemos que somente através da derrota total é que somos capazes de dar os primeiros passos em direção à libertação e ao poder. Nossa admissão de impotência pessoal acaba por tornar-se o leito de rocha firme sobre o qual poderão ser construídas vidas felizes e significativas.
Sabemos que pouca coisa de bom advirá a qualquer alcoólico que se torne membro de A.A. sem aceitar sua devastadora debilidade e todas as suas consequências. Até que se humilhe desta forma, sua sobriedade – se a tiver – será precária.
Da felicidade verdadeira, nada conhecerá. Comprovado sem sombra de dúvida por uma longa experiência, este é um dos fatos de vida de A.A. O princípio de que não encontraremos qualquer força duradoura sem que antes admitamos a derrota completa, é a raiz principal da qual germinou e floresceu nossa Irmandade toda.
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições
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2. VIEMOS A ACREDITAR QUE UM PODER SUPERIOR A NÓS MESMOS PODERIA DEVOLVER-NOS À SANIDADE.

A partir do momento em que lê o Segundo Passo, a maioria dos novos em A.A. enfrenta um dilema, às vezes bastante sério.
Quantas vezes os temos ouvido reclamar: “olhem o que vocês fizeram conosco. Convenceram-nos de que somos alcoólicos e que nossas vidas são ingovernáveis. Havendo nos reduzido a um estado de desespero absoluto, agora nos informam que somente um Poder Superior poderá resolver nossa obsessão. Alguns de nós se recusam a acreditar em Deus, outros não conseguem acreditar e ainda outros acreditam na existência de Deus, mas de forma alguma confiam que Ele levará a cabo este milagre. Pois é, nos meteram num buraco sem saída, tudo bem, mas e agora, para onde vamos?”
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições
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3. DECIDIMOS ENTREGAR NOSSA VONTADE E NOSSA VIDA AOS CUIDADOS DE UM PODER SUPERIOR, NA FORMA EM QUE O CONCEBÍAMOS.
A prática do Terceiro Passo é como abrir uma porta que até então parecia estar fechada à chave. Tudo o que precisamos é a chave e a decisão de abrir a porta. Existe apenas uma só chave, e se chama boa vontade. Uma vez usada a chave da boa vontade, a porta se abre quase que sozinha. Olhando-se através dela, ver-se-á um caminho ao lado do qual há uma inscrição que diz: “Eis o caminho em direção àquela fé que realmente funciona.”
Nos primeiros dois passos estivemos refletindo. Vimos que éramos impotentes perante o álcool, mas também percebemos que alguma espécie de fé, mesmo que fosse somente em A.A., estava ao alcance de qualquer um.
Essas conclusões não requereram ação; requereram apenas aceitação.
Como todos os outros, o Terceiro Passo pede uma ação positiva, pois é somente através de ação que conseguimos interromper a vontade própria que sempre impediu a entrada de Deus – ou, se preferir, de um Poder Superior – em nossas vidas. A fé é necessária certamente, porém a fé isolada pode resultar em nada. Podemos ter fé, mas manter Deus fora de nossas vidas.
Portanto, o nosso problema agora é descobrir como e por que meios específicos, poderemos deixá-lo entrar. O Terceiro Passo representa nossa primeira tentativa de alcançar isso. Aliás, a eficácia de todo programa de A.A. dependerá de quão bem e sinceramente tenhamos tentado chegar à decisão de “entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos” .
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições
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4. FIZEMOS MINUCIOSO E DESTEMIDO INVENTÁRIO MORAL DE NÓS MESMOS.
A Criação nos deu os instintos por alguma razão. Sem eles não seríamos seres humanos completos. Se os homens as mulheres não se esforçassem a fim de se sentir seguros, a fim de conseguir alimento ou construir abrigo, não sobreviveriam; se não se reproduzissem, a Terra não seria povoada; se não existisse o instinto social, se os homem não se interessassem pelo convívio com seus semelhantes, não haveria sociedade. Portanto, estes desejos – pela relação sexual, pela segurança material e emocional, e pelo companheirismo – são perfeitamente necessários e naturais, e certamente dados a nós por Deus.
Contudo, estes instintos, tão necessários para nossa existência, frequentemente excedem bastante suas funções específicas. Fortemente, cegamente e muitas vezes simultaneamente, eles nos impulsionam, dominam e insistem em dirigir nossas vidas.
Nossos anseios pelo sexo, pela segurança material e emocional, e por posição importante na sociedade, nos tiranizam com frequência.
Quase deturpados desta forma, os desejos naturais do homem causam-lhe grandes problemas, aliás quase todos o problemas que existem. Nenhum ser humano, por melhor que seja, fica livre destas dificuldades. Quase todo problema emocional grave pode ser considerado como um caso de instintos deturpados. Quando isso acontece, nossas grandes qualidades naturais, os instintos, tornam-se empecilhos físicos e mentais.
O Quarto Passo representa nosso esforço enérgico e meticuloso para descobrir quais foram, e são, esses obstáculos em cada um de nós. Queremos descobrir exatamente como, quando e onde nossos desejos naturais nos deformaram. Queremos olhar de frente a infelicidade que isto causou aos outros e a nós mesmos.
Descobrindo quais são nossas deformidades emocionais, podemos nos encaminhar em direção à correção delas.
Sem um esforço voluntário e persistente para lograr isso, haverá pouca sobriedade e felicidade para nós. Sem um minucioso e destemido inventário moral, a maioria de nós verificou que a fé que realmente funciona na vida diária permanece fora de alcance.
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições
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5. ADMITIMOS PERANTE O PODER SUPERIOR, PERANTE NÓS MESMOS E PERANTE OUTRO SER HUMANO, A NATUREZA EXATA DE NOSSAS FALHAS.
Todos os Doze Passos de A.A. nos pedem para atuar em sentido contrário aos nossos desejos naturais, todos desinflam nosso ego. Quando se trata de desinflar o ego, poucos passos são mais duros de aceitar que o Quinto.
Mas, dificilmente, algum deles é mais necessário à obtenção da sobriedade prolongada e à paz de espírito do que este.
A experiência de A.A. nos indicou que não podemos viver sozinhos com insistentes problemas e os defeitos de caráter que os causam e agravam. Caso tenhamos passado o holofote do Quarto Passo sobre nossas vidas, e se ele tiver realçado aquelas experiências que preferimos não lembrar, se chegamos a aprender como os pensamentos e as ações erradas feriram a nós e a outrem, então se toma mais imperativo do que nunca desistir de viver sozinhos com esses fantasmas torturantes de ontem. É preciso falar com alguém a esse respeito. Tão intensos, porém, são nosso medo e a relutância de fazê-lo que, ao início, muitos AAs tentam contornar o Quinto Passo. Procuramos uma maneira mais fácil que geralmente consiste na admissão ampla e quase indolorosa de que, quando
bebíamos, éramos, às vezes, maus elementos. Então, para completar, acrescentamos descrições dramáticas desse lado de nosso comportamento quando bêbados que, em todo caso, nossos amigos provavelmente já conhecem.
Mas, das coisas que realmente nos aborrecem e marcam, nada dizemos. Certas lembranças penosas e aflitivas, dizemos para nós mesmos, não devem ser compartilhadas com ninguém. Essas serão nosso segredo. Ninguém deve saber. Esperamos levá-las conosco para a sepultura.
Contudo, se a experiência de A.A. serve para algo, ela nos diz que a esse procedimento, não só falta critério, como também, é uma resolução perigosa. Poucas atitudes atrapalhadas causaram mais problemas do que recusar-se à pratica do Quinto Passo. Algumas pessoas são incapazes de permanecer sóbrias, outras recairão periodicamente enquanto não fizerem uma verdadeira “limpeza de casa”.
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições
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6. PRONTIFICAMO-NOS INTEIRAMENTE A DEIXAR QUE DEUS REMOVESSE TODOS ESSES DEFEITOS DE CARÁTER.
“Este é o passo que separa os adultos dos adolescentes …”
Eis o que declara um clérigo muito querido que, por sinal, é um dos melhores amigos de A.A. Ele prossegue para explicar que qualquer pessoa cheia de disposição e honestidade suficientes para, repetidamente, experimentar o Sexto Passo com respeito a todos seus defeitos – em absoluto sem qualquer reserva – tem realmente andado um bom pedaço no campo espiritual e, portanto, merece ser chamado de um homem que está sinceramente empenhado em crescer à imagem e semelhança do Criador.
Evidentemente, a tão discutida pergunta sobre se Deus pode – e quer, sob certas condições – remover os defeitos de caráter, será respondida afirmativamente pela quase totalidade dos membros de A.A. Para eles, esta proposição não será apenas teoria; será simplesmente uma das maiores realidades de suas vidas. Geralmente oferecerão suas provas em exposição semelhante a esta: “É claro, estava vencido, completamente derrotado. Minha própria força de vontade simplesmente não funcionava no caso do álcool. Mudanças de ambiente, os melhores esforços de parentes, amigos, médicos e clérigos nada adiantaram no caso do meu alcoolismo. Simplesmente não conseguia parar de beber, e nenhum ser humano parecia ter a capacidade de me ajudar. Porém, quando me dispus a “limpar a casa” e, roguei a um Poder Superior, Deus, como eu o compreendia, que me libertasse, então minha obsessão para o beber sumiu. Simplesmente foi arrancada de mim.”
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições
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7. HUMILDEMENTE ROGAMOS A ELE QUE NOS LIVRASSE DE NOSSAS IMPERFEIÇÕES.
Já que este passo trata tão especificamente da humildade, deveríamos fazer uma pausa aqui para pensar sobre o que é a humildade e o que a sua prática poderá significar para nós.
Realmente, conseguir maior humildade é o princípio fundamental de cada um dos Doze Passos de A.A., pois sem um certo grau de humildade, nenhum alcoólico poderá permanecer sóbrio.
Além disso, quase todos os AAs descobriram que sem desenvolver esta preciosa virtude além do estritamente necessário à sobriedade, não terão muita probabilidade de serem felizes.
Sem ela, não podem viver uma vida de muita utilidade ou, com os contratempos, convocar a fé que enfrenta qualquer emergência.
A humildade, como palavra e ideal, tem passado bem mal em nosso mundo, não somente é mal entendida a ideia, mas, frequentemente a palavra em si desagrada profundamente. Muitas pessoas não praticam, mesmo ligeiramente, a humildade como um modo de vida. Uma boa parte da conversa cotidiana que ouvimos, e muito do que lemos, salienta o orgulho que o homem tem de suas próprias realizações.
Com grande inteligência, os homens de ciência vêm forçando a natureza a revelar seus segredos. Os imensos recursos que atualmente podem ser utilizados, prometem tamanha quantidade de bens e confortos materiais que muitos chegaram a acreditar que como obra do homem em breve chegaremos a desfrutar o milênio.
A pobreza desaparecerá, e haverá tanta abundância que todos, amplamente garantidos, terão realizados todos os seus desejos.
Em teoria parece ser assim: uma vez satisfeitos os instintos primários de todos, pouca coisa restará que possa levá-los à discórdia. Então, o mundo se tornará feliz e livre para concentrar-se no desenvolvimento da cultura e do caráter. Apenas com sua própria inteligência e esforço, os homens terão construído seu próprio destino.
Certamente nenhum alcoólico e, sem dúvida, nenhum membro de A.A. quer condenar os avanços materiais. Nem entramos em debate com muita gente que ainda se agarra com tanta paixão à crença de que satisfazer os nossos desejos básicos é o objetivo principal da vida. Porém, estamos convencidos de que nenhuma classe de pessoas no mundo jamais se atrapalhou tanto tentando viver segundo tal pensamento, como os alcoólicos.
Há milhares de anos vimos querendo mais do que a nossa parcela de segurança, prestígio e romance. Quando parecíamos estar obtendo êxito, bebíamos para viver sonhos ainda maiores e quando estávamos frustrados, mesmo um pouco, bebíamos até o esquecimento.
Nunca havia o suficiente daquilo que julgávamos querer. Em todos esses empenhos, muitos dos quais bem intencionados, ficamos paralisados pela nossa falta de humildade. Havia nos faltado a perspectiva para enxergar que o aperfeiçoamento do caráter e os valores espirituais deveriam vir primeiro e que as satisfações materiais não constituíam o propósito da vida. De forma bem caracterizada, havíamos confundido os fins com os meios. Ao invés de considerar a satisfação de nossos desejos materiais como meios pelos quais podíamos viver e funcionar como humanos, entendemos que estas satisfações constituíam a única finalidade e objetivo da vida.
É verdade que a maioria de nós considerava desejável um bom caráter, porém mais como algo de que se iria necessitar para estar satisfeito consigo mesmo.
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições
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8. FIZEMOS UMA RELAÇÃO DE TODAS AS PESSOAS A QUEM TÍNHAMOS PREJUDICADO E NOS DISPUSEMOS A REPARAR OS DANOS A ELAS CAUSADOS.
Os Oitavo e Nono Passos se preocupam com as relações pessoais.
Primeiro, olhamos para o passado e tentamos descobrir onde erramos; então, fazemos uma enérgica tentativa de reparar os danos que tenhamos causado; e, em terceiro lugar, havendo desta forma limpado o entulho do passado, consideramos de que modo, com o novo conhecimento de nós mesmos, poderemos desenvolver as melhores relações possíveis com todas as pessoas que conhecemos.
Eis uma incumbência difícil. É uma tarefa que poderemos realizar com crescente habilidade, sem contudo jamais concluí-la. Aprender a viver em paz, companheirismo e fraternidade com qualquer homem e mulher, é uma aventura comovente e fascinante. Todo AA acabou descobrindo que pouco pode progredir nesta nova aventura de viver sem antes voltar atrás e fazer, realmente, um exame acurado e impiedoso dos destroços humanos que porventura tenha deixado em seu passado. Até certo ponto, tal exame já foi feito quando fez o inventário moral, mas agora chegou a hora em que deveria redobrar seus esforços para ver quantas pessoas feriu e de que forma. Esta reabertura das feridas emocionais, algumas velhas, outras talvez esquecidas e ainda outras, sangrentas e dolorosas, dará a impressão, à primeira vista, de ser uma operação desnecessária e sem propósito. Mas se for reiniciada com boa vontade, então as grandes vantagens de assim proceder vão se revelando tão rapidamente que a dor irá diminuindo à medida que os obstáculos, um a um, forem desaparecendo.
Tais obstáculos, contudo, são muito reais. O primeiro e um dos mais difíceis, diz respeito ao perdão.
Desde o momento em que examinamos um desentendimento com outra pessoa, nossas emoções se colocam na defensiva. Evitando encarar as ofensas que temos dirigido a outro, costumamos salientar, com ressentimento, as afrontas que ele nos tem feito. Isto acontece especialmente quando ele, de fato, tenha se comportado mal.
Triunfalmente nos agarramos à sua má conduta como a desculpa perfeita para minimizar ou esquecer a nossa.
Devemos, a essa altura, nos deter imediatamente. Não faz sentido um autêntico beberrão roto, rir-se do esfarrapado.
Lembremo-nos de que os alcoólicos não são os únicos afligidos por emoções doentias. Além do mais, geralmente é um fato que, quando bebíamos, nosso comportamento agravava os defeitos dos outros. Repetidamente abusamos da paciência de nossos melhores amigos a ponto de esgotá-los, e despertamos as piores reações naqueles que, desde o início, não gostaram de nós. Em muitos casos estamos, na realidade, em frente a co-sofredores, pessoas que tiveram suas desditas aumentadas pela nossa contribuição.
Se estamos a ponto de pedir perdão para nós mesmos, por que não começar por perdoar a todos eles?
Ao fazer a relação das pessoas às quais prejudicamos, a maioria de nós depara com outro resistente obstáculo. Sofremos um choque bastante grave quando nos damos conta que estávamos preparando a admissão de nossa conduta desastrosa cara a cara perante aqueles que havíamos tratado mal. Já foi bastante embaraçoso, quando em confiança, havíamos admitido estas coisas perante Deus, nós mesmos e outro ser humano. Mas a perspectiva de chegar a visitar ou mesmo escrever às pessoas envolvidas, agora nos parecia difícil, sobretudo quando lembrávamos a desaprovação com que a maioria delas nos encarava. Também havia casos em que havíamos prejudicado certas pessoas que, felizmente, ainda desconheciam que haviam sido prejudicadas.
Por que, lamentávamos, não esquecer o que se passou? Por que devemos considerar até essas pessoas? Estas eram algumas das maneiras em que o medo conspirava com o orgulho para impedir que fizéssemos uma relação de todas as pessoas às quais tínhamos prejudicado. Alguns de nós, contudo, tropeçaram em um obstáculo bem diferente. Apegamo-nos à tese de que, quando bebíamos, nunca ferimos alguém, exceto nós mesmos. Nossas famílias não sofreram porque sempre pagamos as contas e raramente bebemos em casa. Nossos colegas de trabalho não foram prejudicados, porque geralmente comparecíamos ao trabalho.
Nossa reputação não havia sofrido, porque estávamos certos de que poucos sabiam de nossas bebedeiras e aqueles que sabiam nos asseguravam, às vezes, que uma boa farra, afinal de contas, não passava de uma falha de um bom sujeito. Que mal, portanto, havíamos cometido realmente. Certamente nada que não pudéssemos consertar com algumas desculpas banais.
É claro que esta atitude é o resultado final do esquecimento forçado. É uma atitude que só pode ser mudada por uma busca profunda e honesta de nossas motivações e ações.
Embora em alguns casos não possamos fazer reparação alguma, e em outros o adiamento da ação seja preferível, deveríamos, contudo, fazer um exame acurado, real e exaustivo da maneira pela qual nossa vida passada afetou as outras pessoas. Em muitas instâncias descobriremos que, mesmo que o dano causado aos outros não tenha sido grande, o dano emocional que causamos a nós mesmos foi enorme. Embora, às vezes, totalmente esquecidos, os conflitos emocionais que nos prejudicaram se ocultam e permanecem,em lugar profundo, abaixo do nível da consciência.
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições
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9. FIZEMOS REPARAÇÕES DIRETAS DOS DANOS CAUSADOS A TAIS PESSOAS, SEMPRE QUE POSSÍVEL, SALVO QUANDO FAZÊ-LAS SIGNIFICASSE PREJUDICÁ-LAS OU A OUTREM.
Bom-senso, um cuidadoso sentido de escolha do momento, coragem e prudência – eis as qualidades que precisamos ter quando damos o Nono Passo.
Após haver elaborado a relação das pessoas as quais prejudicamos, refletido bem sobre cada caso específico e procurado nos imbuir do propósito correto para agir, veremos que o reparo dos danos causados divide em várias classes aqueles aos quais nos devemos dirigir. Haverá os que deverão ter preferências, tão logo estejamos razoavelmente confiantes em poder manter nossa sobriedade. Haverá aqueles aos quais poderemos fazer uma reparação apenas parcial, para que revelações completas não façam a eles e a outros mais danos do que reparos. Haverá outros casos em que a ação deverá ser adiada, e ainda outros em que, pela própria natureza da situação, jamais poderemos fazer um contato pessoal direto.
A maioria de nós começa a fazer certos tipos de reparos a partir do dia em que nos tornamos membros de Alcoólico Anônimos.
Desde o momento em que dizemos às nossas famílias que verdadeiramente pretendemos tentar adotar o programa, o processo se inicia. Nesta área, raramente existirá o problema de escolher o momento ou ter cautela. Queremos entrar pela porta gritando as boas novas. Após voltar de nossa primeira reunião ou, talvez, após haver terminado de ler o livro Alcoólicos Anônimos, geralmente queremos nos sentar com algum membro da família e admitir, de uma vez, os prejuízos que temos causado com nosso beber. Quase sempre queremos ir mais longe e admitir outros defeitos que fizeram com que fosse difícil viver conosco. Esse será um momento bem diferente e em grande contraste com aquelas manhãs de ressaca em que oscilamos entre insultar a nós mesmos e culpar a família (e todos os outros) pelos nossos infortúnios. Nesta primeira sessão, basta fazer uma admissão geral de nossos defeitos. Poderá ser pouco prudente, a esta altura, reviver episódios angustiantes. O bom-senso sugerirá que devemos ir com calma.
Embora possamos estar inteiramente dispostos a revelar o pior, precisamos nos lembrar que não podemos comprar nossa paz de espírito à custa dos outros. O mesmo procedimento se aplicará no escritório ou na fábrica.
Logo pensaremos em algumas pessoas que conhecem bem nossa maneira de beber e que foram as mais afetadas pela mesma.
Porém, mesmo nestes casos, precisaremos usar de um pouco mais de discrição do que com nossa família. Talvez nada queiramos dizer por algumas semanas ou até mais. Primeiro, desejaremos estar razoavelmente seguros de que estamos firmes no programa de A.A. Então, estaremos prontos para procurar estas pessoas, dizer-lhes o que é A.A. e o que estamos tentando fazer. Isso explicado, podemos admitir livremente os danos que causamos e pedir desculpas. Podemos pagar ou prometer pagar, as obrigações financeiras ou outras, que tivermos. A recepção generosa da maioria das pessoas perante tal sinceridade frequentemente nos assombrará. Até nossos mais severos e justificados críticos, com frequência nos acolherão bem na primeira tentativa.
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições
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10. CONTINUAMOS FAZENDO O INVENTÁRIO PESSOAL E QUANDO ESTÁVAMOS ERRADOS, NÓS O ADMITÍAMOS PRONTAMENTE.
Quando vamos praticando os nove primeiros passos, estamos nos preparando para a aventura de uma nova vida.
Mas, ao nos aproximarmos do Décimo Passo, começamos a nos submeter à maneira de viver de A.A., dia após dia, em tempo bom ou mau.
Então, vem a prova decisiva: podemos permanecer sóbrios, manter nosso equilíbrio emocional e viver utilmente sob quaisquer condições?
Uma olhada contínua sobre nossas qualidades e defeitos e o firme propósito de aprender e crescer por esta forma, são necessidades para nós. Nós alcoólicos aprendemos isso de maneira difícil. Em todos os tempos e lugares, é claro, pessoas mais experientes adotaram a prática do autoexame e da crítica impiedosa. Os sábios sempre souberam que alguém só consegue fazer alguma coisa de sua vida depois que o exame de si mesmo venha a se tornar um hábito regular, admita e aceite o que encontre e, então, tente corrigir o que lhe pareça errado, com paciência e perseverança.
Um ébrio não pode viver bem hoje se está com uma terrível ressaca, resultante do excesso de bebidas ontem ingerido. Porém, existe outro tipo de ressaca que todos experimentamos, bebendo ou não. É a ressaca emocional, fruto direto do acúmulo de emoções negativas sofridas ontem e, às vezes, hoje – o rancor, o medo, o ciúme e outras semelhantes. Se queremos viver serenamente hoje e amanhã, sem dúvida temos que eliminar estas ressacas. Isto não quer dizer que devamos perambular morbidamente pelo passado. Requer, isto sim, a admissão e correção dos erros agora. No inventário podemos pôr em ordem o nosso passado. Feito isso, nos tornamos de fato capazes de deixá-lo para trás. Se nosso balanço é feito com cuidado e se tivermos obtido paz conosco mesmo, segue-se a convicção de que os desafios do amanhã poderão ser encarados à medida em que se apresentem.
Embora todos os inventários, em princípio, sejam iguais, a ocasião os faz diferentes. Há o “relâmpago”, feito a qualquer hora, toda vez em que nos encontremos enredados. Existe o do fim de cada jornada, quando revisamos os acontecimentos das últimas vinte e quatro horas. É neste verdadeiro balancete diário que creditamos a nosso favor ou debitamos contra nós as coisas que julgamos bem ou mal feitas. De tempo em tempo, surgem as ocasiões em que, sozinhos ou assessorados pelos nossos padrinhos ou conselheiros espirituais, fazemos a revisão atenta de nosso progresso durante a última etapa. Muitos AAs costumam fazer uma “limpeza geral” em cada ano ou período de seis meses. Outros de nós também preferem a experiência de um retiro, onde isolados do mundo exterior, calma e tranquilamente, podem proceder à auto revisão e à meditação sobre os resultados.
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições
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11. PROCURAMOS, ATRAVÉS DA PRECE E DA MEDITAÇÃO, MELHORAR NOSSO CONTATO CONSCIENTE COM DEUS, NA FORMA EM QUE O CONCEBÍAMOS, ROGANDO APENAS O CONHECIMENTO DE SUA VONTADE EM RELAÇÃO A NÓS, E FORÇAS PARA REALIZAR ESSA VONTADE.
A oração e a meditação são nossos meios principais de contato consciente com Deus.
Nós AAs somos pessoas ativas, desfrutando a satisfação de lidar com as realidades da vida, geralmente pela primeira vez em nossas vidas, tentando denodadamente ajudar o primeiro alcoólico que aparecer. Portanto, não é de se estranhar que, com frequência, façamos pouco caso da meditação e da oração séria como não sendo coisas de real necessidade. Sem dúvida, chegamos a considerá-las como algo que possa nos ajudar a enfrentar uma emergência, mas, a princípio, muitos dentre nós são capazes de entendê-las como expressão de um Dom misterioso dos religiosos, do qual poderemos esperar qualquer benefício de Segunda mão. É possível que não acreditemos em nada destas coisas.
Para certos ingressantes e para aqueles antigos agnósticos que ainda se apegam ao grupo de A.A. como sua “força superior”, as afirmações sobre o poder da oração, apesar de toda a lógica e a experiência que a comprovam, podem não convencer e até desagradar bastante. Aqueles entre nós que uma vez já se sentiram assim, certamente podem Ter por eles simpatia e compreensão. Recordamo-nos muito bem da revolta que se levantava em nosso íntimo contra a ideia de genuflexão perante qualquer Deus. Outros, usando lógica convincente, “provavam” a não existência de Deus. E os acidentes, a doença, a crueldade e a injustiça do mundo? E todas essas criaturas infelizes, resultados diretos da pobreza e de um conjunto de circunstâncias incontroláveis? À vista desses fatos, não poderia haver justiça e, consequentemente, qualquer Deus.
Às vezes, argumentávamos de outra maneira. Está certo, nos dizíamos, a galinha provavelmente veio antes do ovo. Sem dúvida o universo teve algum tipo de “origem primeira”; o Deus do átomo, quem sabe, se transformando sucessivamente em frio e calor. Mas certamente não havia indicação alguma da existência de um Deus que conhecia e se interessava pelos homens. Gostávamos de A.A. e não hesitávamos em dizer que operava milagres. Todavia, ante a meditação e a oração, sentíamos o mesmo retraimento do cientista que se recusava a realizar certa experiência por temor de Ter que derrubar sua teoria predileta. É claro que no fim resolvemos experimentar e, quando surgiram resultados inesperados, nós vimos as coisas diferentes; de fato, sentimos de forma diferente e acabamos capitulando totalmente diante da meditação e da oração. E isso, descobrimos, pode acontecer com qualquer pessoa que experimente. Acertou quem disse que “os chacoteadores da oração são, quase sempre, aqueles que não a experimentaram devidamente.”
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições
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12. TENDO EXPERIMENTADO UM DESPERTAR ESPIRITUAL, GRAÇAS A ESTES PASSOS, PROCURAMOS TRANSMITIR ESTA MENSAGEM AOS ALCOÓLICOS E PRATICAR ESTES PRINCÍPIOS EM TODAS AS NOSSAS ATIVIDADES.
No Décimo Segundo Passo de A.A., o prazer de viver é o tema e a ação sua palavra chave. Chegou a oportunidade de nos voltarmos para fora em direção de nossos companheiros alcoólicos ainda aflitos. Nessa altura, estamos experimentando o dar pelo dar, isto é, nada pedindo em troca. Agora começamos a praticar todos os Doze Passos em nossa vida diária para que possamos todos, nós e as pessoas que nos cercam, encontrar a sobriedade emocional. Quando conseguimos ver em que o Décimo Segundo Passo implica, vemos que se trata do amor que não tem preço.
Este passo também nos diz que, como resultado da prática de todos os passos, cada um de nós foi descobrindo algo que se pode chamar de “despertar espiritual”. Para os AAs novos, este estado de coisas pode parecer dúbio ou improvável. Eles perguntam: Que querem dizer quando falam em “despertar espiritual”?
É possível que haja uma definição de despertar espiritual para cada pessoa que o tenha experimentado. Contudo, os casos autênticos, na verdade, têm algo comum entre si. Estas coisas comuns entre eles são de fácil compreensão. Quando um homem ou uma mulher experimenta um despertar espiritual, o significado mais importante disso é que se torna capaz de fazer, sentir e acreditar em coisas como antes não podia, quando dispunha apenas de seus próprios recursos desassistidos. A dádiva recebida consiste em um novo estado de consciência e uma nova maneira de ser. Um novo caminho lhe foi indicado, conduzindo-o a um lugar determinado, onde a vida não é um beco sem saída, nem algo a ser suportado ou dominado. Foi transformado em um sentido bem real, pois lançou mão de uma fonte de força que, de um modo ou de outro, havia negado a si próprio até aqui. Encontrou-se possuindo um grau de honestidade, tolerância, dedicação, paz de espírito e amor, dos quais se supunha totalmente incapaz. O que recebeu foi um presente de graça, contudo, geralmente, pelo menos em uma pequena medida, tornou-se pronto para recebê-lo.

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CERVEJA SEM ÁLCOOL = SAÚDE EM RISCO

CERVEJA SEM ÁLCOOL = SAÚDE EM RISCO
Consumidor de cerveja sem álcool pode colocar sua saúde em risco
Caro leitor, imagine a cena: você está com água na boca para tomar aquela cervejinha gelada com os amigos. O grande problema é que você toma algum medicamento de uso contínuo. Qual a solução? Tomar uma cerveja sem álcool, certo? Errado! O que poucas pessoas sabem, é que as cervejas “sem álcool”, na verdade, possuem, em sua composição, até 0,37% de álcool a cada 100 gramas.
No rótulo, porém, é ostensiva a informação de que o produto é sem teor alcoólico. Por isso, a maioria das pessoas que consomem a bebida, por não poderem ingerir álcool, estão correndo um sério risco de saúde. Isso acontece com as marcas “Kronenbier” da Ambev e “Schincariol sem álcool” da Schincariol.
De acordo com o Decreto 2.314/97 do Ministério da Agricultura em seu artigo 10º, parágrafo 1º, a bebida considerada não alcoólica é aquela com teor de álcool até meio por cento em volume, a vinte graus Celsius.
Na prática, isso quer dizer que as empresas que vendem esses produtos estão de acordo com as normas impostas pelo governo. Além disso, não existe uma determinação que especifique o tamanho da letra nas embalagens, nesse caso.
Assim, informações de extrema importância são grafadas em letras minúsculas, impossibilitando que o consumidor entenda as características do produto no ato da compra.
A discussão já gerou muita polêmica: o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, em meados de 2002, chegou a suspender a comercialização da cerveja Kronenbier no estado gaúcho e estabelecer uma multa diária de R$ 200 mil no caso de descumprimento.
A sentença do juiz Giovanni Conti, da 15ª Vara Cível de Porto Alegre, julgou procedente a ação civil contra a Cia. Antarctica Paulista, hoje Ambev. A autora da ação foi a Associação Brasileira de Defesa da Saúde do Consumidor (ABDSC) que denunciou que a expressão “sem álcool”, usada pela Antarctica, para comercializar a Kronenbier; segundo aquela entidade o rótulo “induz os consumidores em erro”.
Apesar de toda discussão jurídica, a Companhia Antarctica foi beneficiada na justiça e voltou a comercializar a bebida em poucas semanas, em todo território gaúcho.

A posição médica:
Para o diretor do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas de São Paulo, Antony Wong, “as cervejas ditas sem álcool podem trazer danos a três grupos de risco quanto à ingestão de bebidas alcoólicas”. O primeiro grupo, segundo Wong, são as pessoas sensíveis ao álcool e vinagres, tidos como alérgicos, que não podem consumir nenhuma gota de bebida alcoólica ou vinagre, porque podem se intoxicar e ter as mais diversas reações alérgicas: “brotoejas na pele, dores de cabeça entre outros sintomas”, alertou o especialista.
O segundo grupo são das pessoas que fazem uso de remédios controlados para o coração, Epilepsia, Mal de Parkinson, Depressão além de outras doenças. Essas pessoas, que precisam de acompanhamento de remédios, podem, se ingerirem álcool, ter reações adversas aos componentes do remédio.
O terceiro grupo é composto pelos alcoólatras em recuperação que, também, não podem ingerir o mínimo de álcool, pois podem ter uma recaída, “que dependendo do organismo pode levar a óbito”, sentenciou Wong.
O médico Antony Wong considera o fato como “um atentado ao consumidor, já que a informação no rótulo do produto é tão minúscula”.
Durante a entrevista, o médico lembrou de um paciente, que fazia uso de medicamentos tarja-preta (de uso controlado e receita retida na farmácia) e tomou a cerveja. “Quando veio pedir meu auxílio, se sentido lesado, só pude responder que o produto era regulamentado”. Wong reafirmou que a regulamentação da cerveja “sem álcool” pelo Ministério da Agricultura “é uma hipocrisia do governo para com a sociedade”.

Advogado fica surpreso:
O advogado especializado em Direito do Consumidor, Gustavo Lorenzi de Castro do escritório Viseu, Castro, Cunha e Oricchio advogados, em São Paulo, ficou surpreso com o fato, quando procurado pela reportagem da e-Writing sobre essa polêmica.
“Eu pensava que era realmente sem álcool”, disse indignado o advogado que completou: “Mas com essa afirmação podemos dizer que se enquadra como propaganda enganosa sim”, afirmou Gustavo.
Embasado no Código de Defesa do Consumidor, Gustavo cita mais de quatro artigos, além do Código Penal para confirmar sua alegação: art.6º, art. 7º, art. 8º e art. 9º.
“Só no artigo 6º, do Código de Defesa do Consumidor as cervejarias, já feriram os três primeiros incisos”, diz Gustavo. “Sem contar, que as informações sobre o produto, principalmente aquelas que possam lesar o cliente, segundo o Código, devem se destacadas”, afirmou o advogado.
“Mesmo que a informação esteja grafada, em letras minúsculas no canto do rótulo, o consumidor só consegue enxergar o anúncio que está na frente do rótulo ‘sem álcool’ o que constata que as empresas estão enganando o consumidor”, diz Gustavo.
O advogado ressalta que “ainda que exista a informação no rótulo da cerveja, ela não é clara, pois na verdade, segundo o Código do Consumidor, para que a informação seja considerada clara ela teria de ser ostensiva”.
Com relação ao Código Penal o Capítulo 4, “é crime a falsa indicação de conteúdo”, destaca o advogado. Gustavo comenta que, neste caso, “cabe uma ação popular contra os fabricantes, que qualquer pessoa ou o Procon podem pedir”:

Procon-SP e Idec:
Segundo a técnica da área de alimentos do Procon de São Paulo, Renata Molina, apesar das cervejas estarem de acordo com a regulamentação especificada pelo Ministério da Agricultura, a forma com que isso está colocado na embalagem fere o direito do consumidor.
Para ela, existe uma regulamentação clara, específica e correta de que os consumidores têm de entender, no ato da compra, as características do produto que estão levando para casa.
No caso das cervejas sem álcool, isso não acontece: no rótulo, é ostensiva a informação de que a cerveja não contém álcool, enquanto a informação de que o produto possui 0,5 de teor alcoólico não aparece de forma clara, “as letras são minúsculas”, disse Renata.
A técnica de alimentos do Procon de São Paulo afirma ainda que é preciso haver uma revisão desse entendimento. A discussão é antiga, e para que o Procon possa tomar as devidas providências sobre o assunto, é preciso que algum consumidor se sinta lesado por esses produtos e além disso é necessário um parecer técnico de um médico configurando que seu paciente realmente passou mal ao ingerir a bebida.
Já o Instituto de Defesa do Consumidor – Idec – afirma que o fato da imprensa repercutir a informação de que as cervejas contêm álcool, basta para que o Ministério Público entre em ação e peça esclarecimentos às fabricantes. O advogado do Idec, Marcos Diegues, explica que do ponto de vista do consumidor “há propaganda enganosa”.

A consumidora não informada:
A aposentada Maria José de Moraes Rego Rocha, moradora no bairro do Jaçanã, em São Paulo, diz que ficou indignada ao saber que as cervejas sem álcool na verdade possuem na sua formulação o produto químico. Ela está muito preocupada, pois é usuária do medicamento Miraplex, de uso contínuo, que serve para o tratamento do Mal de Parkinson.
“Tenho a impressão de que nem mesmo meu médico sabe dessa informação. Pois, no final do ano eu perguntei a ele se podia, ao menos, tomar um copo de cerveja. Ele me respondeu afirmando que liberava qualquer cerveja sem álcool e eu tomei”, disse a aposentada.

Schincariol:
Procurada pela reportagem da e-Writing, a assessoria de imprensa da Schincariol disse que a postura adotada pela empresa está de acordo com a legislação imposta pelo Ministério da Agricultura. Porém a Schincariol afirmou que: “A fim de aprimorar seus serviços e pelo compromisso com o consumidor, a Schincariol está elaborando um novo rótulo que chegará em breve ao mercado, onde a informação de que a cerveja possui certo teor alcoólico vai estar mais ostensiva, podendo ser identificada no ato da compra”.

Ambev:
A assessoria da Ambev, fabricante da Kronenbier, foi procurada por nossa reportagem e informou apenas que “a única posição da empresa perante o acontecimento, era de que a legalização da cerveja Kronenbier está enquadrada nos parâmetros legais da legislação do Ministério da Agricultura”.

ALCOOLISMO A DOENÇA QUE TODOS ESCONDEM E A DEMOCRACIA QUE DEU CERTO

” ALCOOLISMO A DOENÇA QUE TODOS ESCONDEM E A DEMOCRACIA QUE DEU CERTO ”

Embora visto por muitos como vício, o alcoolismo é uma doença, uma terrível e fatal doença, colocada pela O.M.S. (Organização Mundial de Saúde) como o flagelo da humanidade, responsável mais atuante em óbitos por todo o globo terrestre, incurável, progressiva, irreversível e de terminação fatal; a doença do alcoolismo caracteriza-se pelo obsessão gradativa pela bebida que se instala lentamente na vítima até, nos últimos estágios tornar-se uma dependência física dominando inteiramente o portador. Apesar da imensa gravidade da doença, pouco ou nada se sabe com certeza sobre suas causas.

Os critérios para ser portador são totalmente lotéricos. Atacando cerca de um em cada dez pessoas que bebem, o alcoolismo atinge indiscriminadamente homens e mulheres, jovens e velhos, brancos e negros, ateus e religiosos, intelectuais e analfabetos, pobres e ricos. Além de causar ao alcoólatra, propriamente dito, atitudes comportamentais imprevisíveis, desajustes, angústia, privações e sofrimento em todos que o cercam. Responsável pela ocupação de cerca de 80% dos leitos hospitalares, 54% dos acidentes de trabalho e absenteísmo, 65% dos acidentes de trânsito e por um percentual igualmente alto dos crimes em geral.

A doença do alcoolismo trás aos cofres dos países industrializados despesas previdenciárias que superam em até três vezes o total de arrecadação pelo governo com impostos sobre a bebida. Isto sem contar com os inumeráveis milhões de homem/hora perdidos no processo produtivo em função do desempenho defeituoso do alcoólico ativo, nem a baixa qualidade da produção e o imenso desperdício decorrente dessa situação.

No Brasil, estima-se a existência de pelo menos 10 milhões de alcoólatras confessos. Os prejuízos que causam à nação são incalculáveis. No entanto a recuperação desses doentes ainda é um excelente negócio para as empresas, pois, o tratamento dos casos considerados graves, carentes de internação hospitalar, ainda assim o custo é cinco vezes menor do que substituição por um novo funcionário. Isto sem considerar o aspecto humano da questão, nem o fato de que o novo funcionário pode também ser um alcoólatra, já que a doença não está escrito na testa de seus portadores nem pode ser detectada (diagnosticada) em seu estágio inicial (primário) por exames clínicos gerais.

NEGAÇÃO

Um alcoólico com a idade entre 30 e 55 anos, geralmente é inteligente, hábil, e muitas vezes bem sucedido no trabalho, mas sua meta pode estar muito acima de sua capacidade; percebemos que ele é sensível, solitário e tenso. É também de tal forma imaturo, que isto produz uma verdadeira dependência. No entanto, ele pode atuar de maneira independente, a fim de negar este fato. Ele também nega, ser o responsável pelos resultados do seu comportamento.
A palavra-chave do alcoolismo é “negação”, pois repetidas vezes as pessoas fazem o que dizem que não vão fazer ou negam o que fizeram. No início o alcoólico precisa de um gole, por isso ele bebe. Bebe bastante e rápido, não devagar e com calma. Pode beber abertamente mas é provável que esconda a quantidade que toma, bebendo fora do palco e não na presença dos outros. Esta é a primeira parte da negação: esconder a quantidade que bebe. Mas isto nos prova que ele sabe que está bebendo demais. Ele bebe mais do que os outros, mais vezes do que os outros e, principalmente, a bebida significa muito mais para ele do que para os outros.
Beber muito, com frequência, não é uma questão de escolha. É o primeiro sinal de alcoolismo. A negação repetida, escondendo a garrafa e bebendo sozinho, revela como o álcool se tornou importante, ajudando o alcoólico a se sentir melhor. Depois de um ou dois tragos ele não pode parar.
Se a bebida continua por muito tempo, o alcoólico cria uma crise, se mete em apuros, termina numa confusão. Isso pode acontecer de várias maneiras, mas o modelo é sempre o mesmo: ele é um dependente que se comporta como se fosse independente, e beber faz com que ele se convença facilmente de que isto é verdade. Porém, os resultados de sua maneira de beber o tornam cada vez mais dependente dos outros. Quando a crise criada por ele mesmo o derruba, ele espera que algo aconteça, a ignora, foge dela ou implora para alguém tira-lo da mesma. O álcool, que no começo lhe proporcionou uma sensação de sucesso e independência, agora lhe retirou a sua máscara e o revela como uma criança indefesa e dependente.
A necessidade de negar sua dependência agora é maior e precisa ser expressada quase imediatamente, e com maior ênfase. O alcoólico nega ter problema com a bebida, nega ser alcoólico, nega que o álcool lhe esteja causando problemas. Nega que perderá o emprego e insiste que é o melhor ou mais o hábil no seu cargo. Acima de tudo, nega estar causando transtorno a família.

A FALSA IMAGEM

A desinformação generalizada que persiste, em todas as camadas sociais, sobre o alcoolismo como doença gera problemas tão diversos e ideias tão descabidas que seria difícil enumerar. Quase que por opinião unânime das pessoas, alcoólatra é apenas o mendigo esfarrapado e sujo que perambula pelas ruas, trôpego e amedrontador, vítima de males morais como falta de vergonha, fraqueza, nenhuma força de vontade, preguiça, etc. Nada mais falso – e mais pernicioso.

Primeiramente, alcoólatra não é apenas o mendigo que chegou ao fundo do poço da degradação humana. O alcoolismo, como doença, caracteriza-se por sua progressividade. O mendigo está na última etapa de evolução do processo destrutivo do alcoolismo. Acima dele, um número infelizmente muito grande de desavisados alcoólatras segue o mesmo processo de degeneração, julgando-se a salvo atrás do conforto de seus empregos, de suas famílias, de suas posses.

Em segundo lugar, partindo-se da certeza já estabelecida pela ciência médica, de que alcoolismo é uma doença, e doença progressiva, o mendigo não chegou ao seu triste estado por falta de vergonha, fraqueza ou preguiça de enfrentar um trabalho: ele é doente, é vítima de condições psicológicas e orgânicas que ele não consegue dominar sem auxílio sistemático e apropriado

É preciso desvincular-se a imagem do alcoólatra da imagem do mendigo. É preciso aceitar-se o alcoolismo como uma doença que deve ser tratada e não como um vergonhoso estigma que o doente nega, a família esconde e a sociedade repudia.

Embora incurável e progressiva, o alcoolismo pode ser detido em sua marcha. Para isto, é necessário que o alcoólatra se abstenha totalmente do álcool. Simples paradas não bastam. Uma vez alcoólatra, sempre alcoólatra. Um portador da doença, mesmo abstêmio por anos, se tomar um único drink, tem grande chance de logo, estar bebendo tanto quanto ou mais que antes de sua parada. Essa abstinência constante contudo não é fácil. Depois de uma vida inteira em função do álcool, ele tem que aprender a viver sem o álcool. Sozinho, suas chances são mínimas. Com Alcoólicos Anônimos aumentam consideravelmente.

A DEMOCRACIA QUE DEU CERTO

Imagine uma irmandade da qual, para fazer parte, basta você querer. Uma irmandade onde os que ocupam cargos não exercem nenhuma autoridade oficial sobre os demais e cujos princípios básicos são apresentados como simples sugestões, podendo ser ou não seguidos por seus integrantes, que fazem livremente suas opções. Imagine enfim, uma irmandade sem nenhum tipo de controle ou fichário de seus membros, da qual ninguém pode ser expulso ¾ não importa o que faça e, que para completar, não cobra absolutamente nada dos que dela participam, não aceita doação vinda de fora e subsiste exclusivamente da contribuição espontânea de seus membros.

Por incrível que pareça, esta irmandade existe, já tem mais de meio século e especializou-se em salvar vítimas da terceira doença que mais mata no mundo: o alcoolismo. Estamos falando de Alcoólicos Anônimos.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, O QUE É?

Alcoólicos Anônimos é uma irmandade mundial de homens e mulheres portadores da doença do alcoolismo, que se ajudam mutuamente a manter a sobriedade através do compartilhamento de suas experiências e do seu Programa de Recuperação com qualquer pessoa que tenha problemas com a bebida.
A irmandade procura ser tão democrática quanto a doença cujas vidas ajuda. Por isso, não está ligada a nenhuma seita ou religião, a nenhuma ideologia política e não apoia nem combate quaisquer causas. Seu objetivo primordial é levar uma mensagem de esclarecimento, fé, amor e esperança ao alcoólico envolto nas malhas da doença do alcoolismo.

A irmandade não oferece nenhum tipo de tratamento clínico ou psiquiátrico, o que deixa a cargo dos profissionais pertencentes a estas áreas, nem presta qualquer serviço de assistência social ou beneficente.
A irmandade funciona basicamente pelo intercâmbio de experiências entre seus membros, que em reuniões, em diálogos, relatam uns aos outros o que foi seu alcoolismo ativo e o processo de recuperação. Esta troca contínua de informações permite ao alcóolico manter acesa em sua memória a condição de doente, fortalecendo o propósito de permanecer abstinente. Evitando o primeiro gole apenas por 24 horas, renovando este objetivo a cada dia. Os membros de Alcoólicos Anônimos controlam sua doença preocupando-se exclusivamente com o hoje, o que tira deles o peso enorme que seria, principalmente no início da recuperação, assumir a responsabilidade do não beber nunca mais.
Assim, através da conquista de cada dia, a irmandade vai mantendo sóbrios e úteis à sociedade milhões de alcoólicos em todo o mundo.

COMO FUNCIONA

Já no decorrer dos primeiros anos de existência da irmandade, os fatos mostraram a relação entre o beber excessivo e algumas características da personalidade presente na maioria dos membros da irmandade.
Evidenciou-se também que, para levar uma vida de relativa paz e serenidade sem amortecer seus conflitos através do álcool, o alcoólico precisava promover uma profunda mudança nestas características, melhorando interiormente suas atitudes comportamentais.
Para que o membro da irmandade, já abstêmio, pudesse mudar gradativamente sua cabeça e visão do mundo, foi elaborado um Programa de Recuperação intitulado Os Doze Passos, nos quais estão contidas sugestões a serem aplicadas pelo alcoólico em seu dia a dia.
Embora de cunho nitidamente espiritual, este programa não se prende a nenhuma seita, religião ou sistema filosófico, tanto que é seguido com enorme êxito, por alcoólicos adeptos das mais diversas doutrinas. Aliás, por representarem um programa de vida altamente útil a todos os que vivem neste mundo conturbado, os Doze Passos foram adotados por diversas irmandades paralelas e até mesmo por indivíduos sem nenhum problema específico, como diretriz para sua existência.
Paralelamente a este aspecto concernente à recuperação individual de cada alcoólico, outras questões surgiram durante o desenvolvimento da irmandade no que diz respeito ao relacionamento entre os grupos que a integram e às atitudes de A.A. como um todo, diante da sociedade e de seus diversos segmentos.
Através de ensaios e erros, chegou-se a um conjunto de princípios denominado As Doze Tradições, que seguido por todos os grupos de Alcoólicos Anônimos do mundo, impede que as imperfeições humanas desviem a irmandade de seu objetivo básico, que é ajudar o alcoólico que ainda sofre e, que disputas internas por fama, poder ou prestígio, minem sua maior força: A UNIDADE.
Para interpretação da Estrutura dos Serviços Mundiais de A.A., Os Doze Conceitos mostram a evolução pela qual eles chegaram à forma atual e detalham as experiências e razões sobre as quais os nossos Serviços e operações se apoiam hoje.
Estes CONCEITOS, portanto, pretendem registrar o `porquê’ da nossa Estrutura de Serviços de tal maneira que as valiosas experiências do passado e as lições que tiramos dessas experiências nunca devam ser esquecidas ou perdidas. Acreditamos que estes princípios, sejam uma companhia agradável para todos e que eles possam ser um guia seguro de trabalho durante todo o tempo em Ele precisar de nós.
São este princípios que garantem o caráter totalmente democrático da irmandade, citado no início. E mais um ponto fundamental para o sucesso do desempenho dos trabalhos: O Anonimato ¾ além da proteção que representa para os membros no início de sua recuperação, contra o estigma de uma doença confundida por muitos com falta de vergonha. A colocação dos princípios acima das personalidades num grupo que se caracterizou durante o alcoolismo ativo pela megalomania e prepotência, é no mínimo uma medida salutar contra o fantasma da celebridade, tão comum aos bêbados e permite a convivência entre elementos cultural e socialmente díspares como: milionários e operários, advogados, médicos, religiosos, professores, agricultores e mais homens e mulheres de todas as profissões, raças, credos e ideologias.

COMO FAZER PARTE

Para ingressar em Alcoólicos Anônimos, basta o desejo de abandonar a bebida, pois não é preciso pagar absolutamente nada, A.A. não mantém qualquer controle sobre seus membros ou fichário dos mesmos.
Alcoólicos Anônimos mantém ainda uma equipe de voluntários para reuniões informativas em empresas, indústrias, hospitais, escolas, sindicatos, instituições beneficentes e carcerárias, cooperando sem afiliação com profissionais e entidades que lidam com o alcoolismo. Para entrar em contato com esta equipe ou mesmo com grupos mais próximos de sua residência ligue para o Escritório de Serviços Locais em sua localidade, cujos telefones encontram-se nos catálogos telefônicos.

UM BREVE HISTÓRICO – O A.A. NO MUNDO E NO BRASIL

Alcoólicos Anônimos iniciou-se em 1935 na cidade de Akron no Estado de Ohio nos Estados Unidos, por um corretor da Bolsa de Valores de New York e um médico cirurgião, que eram casos “desesperados” de alcoolismo.
Ao se juntarem, num esforço por manterem-se sóbrios, descobriram que conseguiam isto, à medida que trocavam suas experiências de ativa e recuperação.
Estima-se que atualmente existam cerca de 100.000 (cem mil) grupos espalhados em mais de 150 (cento e cinquenta) países em todo o mundo, com aproximadamente 2.000.000 (dois milhões) de membros em recuperação.

No Brasil o início da irmandade data de 05 de setembro de 1947, com a chegada aqui por esta época do publicitário americano Herbert D., que entregou ao economista inglês Harold W., residente em Niterói, um pequeno folheto para que ele o traduzisse ¾ após a tradução denominaram-no de “O Livro Branco”.
No dia 28 de abril de 1948, aconteceu a primeira reunião de A.A. no Brasil, no prédio da ABI, de lá para cá, nossa irmandade conta hoje em todo território nacional, com cerca de 5.000 (cinco mil) grupos, 72 (setenta e dois) escritórios, sendo 27 (vinte e sete) nas capitais e os demais nas grandes cidades do país. Na cidade de São Paulo encontra-se a JUNAAB¾ Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos no Brasil, esta junta conta com um escritório o ESG ¾ Escritório de Serviços Gerais, que mantém contato com o A.A. no Brasil e no mundo.

No ESG podem ser obtidas informações a respeito de toda a literatura traduzida para o nosso idioma, cerca de 50 títulos e da Revista Brasileira de Alcoólicos Anônimos, a Revista Vivência, de circulação nacional. Na internet estamos no endereço: http://www.alcoolicosanonimos.org.br

Bibliografia:

– Os Guias de A.A.
– Manual do CTO – Comitê Trabalhando Com os Outros
– Enciclopédia Britânica do Brasil
– Revista Vivência
– Alcoolismo um Carrossel Chamado Negação (Folheto editado por Al-Anon)
– A Falsa Imagem (Folheto editado pelo I seminário de A.A. da Região Sudeste)

Isaias-Rj

AS FASES DO ALCOOLISMO

AS FASES DO ALCOOLISMO

(Publicado na Revista “EL MENSAJE” (México) de novembro de 1973)

Faz alguns anos que a Organização Mundial da Saúde publicou uma série de trabalhos científicos dedicados ao alcoolismo.

Um desses trabalhos, de autoria do professor Jellinek, dos Estados Unidos, estudando mais de duas mil histórias clínicas de alcoólicos, estabeleceu as seguintes fases do alcoolismo.

Primeira fase.

Primeiros sinais.

1. O bebedor habitual em perigo tem bebedeiras de quando em vez, das quais só desperta com recordação parcial do que ocorreu nesse tempo.

2. Bebe as escondidas. Sinal de má consciência. Esconde a garrafa no armário do banheiro ou no de roupa. Em uma reunião ou festa, bebe alguns copos sem que os outros vejam, para que não pensem mal dele.

3. Pensa ininterruptamente no álcool.

Sair do trabalho é uma ocasião para beber. Entrar no trabalho, também. Antes de comer, o aperitivo; depois de comer, uma taça. Pela tarde, um barzinho. Pela manhã, tem que beber para ajustar-se ao tom. Há sempre uma razão. Sempre pensa no álcool.

4. Bebe ansiosamente e bebe de uma só vez os primeiros copos.

5. Tem constantemente consciência de culpabilidade. Tem a sensação de estar fazendo algo mal, porém não pode deixar de fazê-lo.

6. Evita falar sobre o álcool. Crê que as pessoas se referem sempre ás suas bebedeiras. Não se lhe pode falar nada. Se mostra suscetível e preocupado com o que pensem a seu respeito.

7. Desperta de seus excessos com lacunas de memória, cada vez mais freqüentes e extensas. Não sabe onde e quanto tempo esteve na pândega na noite anterior.

Segunda fase.

Período crítico.

O costume se converte cada vez mais em tendência irresistível.

8. Perde o controle sobre si mesmo quando bebeu uma certa quantidade. Não pode parar. Basta, às vezes, uma quantidade mínima para desencadear uma bebedeira que dura vários dias.

9. O enfermo começa a inventar dezenas de explicações que objetivam se autojustificar e aos demais porque bebe. “Muito trabalho — desgostos”. “Para se dar força” “Tem que beber em seus negócios com os amigos”.

10. Recusa conselhos bem intencionados. “Eu mesmo sei melhor do que ninguém quando tenho que parar de beber’.

11. Dá uma de macho, através de muitas e fortes palavras. Para dissimular sua real insegurança. Fanfarreia.

12. Inicia-se o comportamento agressivo e colérico contra aqueles que o rodeiam, começando, em geral, pela família, pela mulher. Assim, pouco a pouco, se afasta e se isola da sociedade. Face sua agressividade, procura calar sua consciência.

13. De vez em quando, mostra um comportamento totalmente oposto. Chora, perde perdão por suas grosserias com grandes e teatrais gestos. A estas cenas, seguem períodos mais ou menos longos de total abstinência, obedecendo à pressão social da família e amigos.

14. Faz sempre desesperados esforços para viver durante semanas ou meses sem botar uma gota de álcool na boca. Ao cabo deste tempo, fracassa. Neste sentido rechaça, todavia, toda ajuda externa.

15. Para tentar controlar a bebida, muda o sistema de beber. Promete a si mesmo beber somente às tardes ou aos sábados. Raramente consegue ater-se às suas próprias regras.

16. Aparta de seus amigos. Não quer que controlem o seu comportamento.

17. Perde seu emprego porque o abandona ou porque o despedem.

18. Planeja toda sua conduta em torno do álcool. Busca, por exemplo, trabalhos breves, que lhe dêem dinheiro suficiente para poder beber.

19. Perde o interesse e cuidado com suas roupas, higiene, etc.

20. O alcoólico interpreta todas as relações interpessoais a seu modo e em proveito próprio. Abusa das amizades, da família, etc. para que o ajudem a conseguir bebida, sem que ele esteja disposto a corresponder com fidelidade ou ajuda.

21. Tem a si mesmo como digno de compaixão. Sua bebida, pensa, é conseqüência de intrigas ou maquinações das pessoas.

22. Viaja ou vaga a pé sem rumo. Embriaga-se e aparece em qualquer lugar. Não sabe onde está e tem que ser levado para casa pela polícia ou amigos.

23. Começa a desintegração familiar. Já não faz caso de sua família.

24. Põe-se de mal humor sem motivo. Quer atribuir aos outros as suas faltas.

25. Toma precauções para dispor sempre de bebida.

26. Come pouco e mal. Sobretudo, abandona as coisas que mais contêm vitaminas, como, por exemplo, verduras e frutas.

27. Como consequência desta falta de vitaminas e falsa nutrição enferma facilmente. A causa da enfermidade é atribuída a desgostos, aos “gases” no local de trabalho, etc. Sua verdadeira enfermidade pode, durante muito tempo, não ser reconhecida pelos médicos.

28. Sua potência sexual é reduzida ou desaparece totalmente.

29. Reage à sua impotência com o chamado delírio alcoólico de ciúmes, responsabilizando e atormentando a sua mulher por infidelidade.

30. Bebe regularmente pela manhã. Com freqüência, seu único desjejum são suas bebidas. Não tem apetite.

Terceira fase.

Período crônico.

31. O doente passa dias inteiros bêbado.

32. Seu sentido moral desaparece. Perde o sentido da vergonha e do ridículo. Não distingue o bem do mal. Podem aparecer desvios criminosos ou delitos comuns.

33. A inteligência e o pensamento se tornam mais lentos e com numerosas deficiências.

34. Aparecem os primeiros sintomas, no princípio por certo tempo, de enfermidade mental. Ouve vozes, tem alucinações, pesadelos e medos infundados pela noite.

35. Bebe com qualquer um que dele se aproxime, começando o descenso de categoria social.

36. No caso de não dispor de outra coisa, bebe álcool de queimar, colônia ou loção de barba.

37. Digestões difíceis. Tudo lhe senta mal. Vômitos de bílis pela manhã. O fígado começa a falhar.

38. O alcoólico padece de crise de angústia ao longo de toda à noite.

39. Seus movimentos, sobretudo das mãos, são inseguros e trêmulos.

40. Determinados movimentos não podem ser realizados por aparecer paralisia em determinados nervos.

41. O alcoólico está possuído por sua ânsia de beber. E só uma sombra de sua personalidade anterior.

42. Já não tem, nem intenta, nos explicar seus atos. Já não pode opor-se àqueles que tentam ajudá-lo.

Ultima fase.

A derrota.

Dr. Agustín Jimeno Valdes

Chefe do Serviço de Reabilitação do Hospital Psiquiátrico de Navarra

Tradução: Edson H.

ALCOOLISMO E OS ALCOÓLICOS

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ALCOOLISMO E OS ALCOÓLICOS

Até há bem pouco tempo o alcoolismo era considerado como um problema moral. Hoje, muitos consideram-no principalmente como um problema de saúde. Para cada bebedor-problema, será sempre um assunto muito pessoal. Os alcoólicos que procuram AA fazem frequentemente perguntas relacionadas com a sua própria experiência, os seus próprios medos e a sua própria esperança de encontrar uma vida melhor.

O QUE É O ALCOOLISMO?
Há muitas ideias diferentes acerca do que o alcoolismo é na realidade. A explicação que parece fazer sentido para a maioria dos membros de AA é que o alcoolismo é uma doença, uma doença progressiva que nunca pode ser curada mas que, tal como outras doenças, pode ser detida. Indo um pouco mais longe, muitos membros de AA acham que a doença é a combinação de uma alergia ao álcool com uma obsessão mental pela bebida que, apesar das consequências, não pode ser vencida somente pela força de vontade.
Antes de entrarem em contacto com AA, muitos alcoólicos que não conseguem parar de beber consideram-se moralmente fracos ou até mentalmente desequilibrados. Para AA os alcoólicos são pessoas doentes que podem recuperar se seguirem um programa que é simples e que tem tido sucesso com mais de um milhão e meio de homens e mulheres.
Depois de o alcoolismo se ter instalado, não existe nada de moralmente errado com o facto de se estar doente. Nesta altura a força de vontade não resulta porque o doente perdeu o poder de escolha sobre o álcool. O importante é que ele encare de frente que é um doente e que aproveite a ajuda ao seu dispor. Também tem de ter o desejo de ficar bem. A experiência mostra que o programa de AA funcionará para todos os alcoólicos que forem sinceros no seu esforço para parar de beber, mas geralmente não resultará para aqueles que não estão absolutamente seguros de querer parar.

COMO POSSO SABER SE SOU REALMENTE UM ALCOÓLICO?
Só você poderá tomar essa decisão. Muitas pessoas que estão agora em AA tinham ouvido dizer que não eram alcoólicos que só precisavam de ter mais força de vontade, mudança de ambiente, mais descanso ou mais distracções para resolverem o seu problema. Estas mesmas pessoas acabaram por procurar AA porque sentiram, no seu íntimo, que o álcool as tinha derrotado e estavam dispostas a tentar qualquer coisa que as libertasse da compulsão pela bebida.
Alguns destes homens e mulheres passaram por experiências terríveis com o álcool até conseguirem admitir que o álcool não era para eles. Tornaram-se marginais, roubaram, mentiram, enganaram e até mataram durante o tempo em que bebiam. Aproveitaram-se dos patrões e maltrataram a família. Mostraram-se completamente irresponsáveis nas relações com os outros. Dissiparam os seus bens materiais, mentais e espirituais.
Muitos outros, com histórias muito menos trágicas, também procuraram AA. Nunca tinham sido presos nem hospitalizados. A sua maneira de beber excessiva talvez não tivesse sido notado pelos familiares e amigos mais próximos. Sabiam, porém, o suficiente sobre alcoolismo como doença progressiva para se assustarem. Entraram para AA antes de terem pago um preço muito elevado.
Em AA é costume dizer-se que não se pode ser um pouco alcoólico. Ou se é, ou não se é. Só a própria pessoa pode dizer se o álcool se tornou para ela um problema incontrolável. Consulte “Será que AA é para Si?”

UM ALCOÓLICO PODERÁ VOLTAR A BEBER “NORMALMENTE”?
Tanto quanto se sabe, quem se tenha tornado um alcoólico jamais deixará de o ser. O simples facto de se abster do álcool durante meses ou mesmo anos nunca deu a um alcoólico capacidade para voltar a beber normalmente ou em sociedade. Uma vez ultrapassada a fronteira que separa o bebedor excessivo do bebedor alcoólico irresponsável, parece não haver retrocesso. São poucos os alcoólicos que bebem deliberadamente para se meterem em dificuldades, mas estas parecem inevitáveis quando um alcoólico bebe. Depois de parar por algum tempo, o alcoólico pode pensar que não lhe fará mal experimentar umas cervejas ou uns copos de vinho. Isto pode levá-lo à ilusão de que pode evitar os problemas se beber só às refeições, mas não demorará muito até que o alcoólico volte ao velho padrão de bebedor excessivo, apesar de todos os seus esforços para se manter nos limites de uma maneira de beber moderada e social.
A resposta a esta pergunta, baseada na experiência de AA, é que quem é alcoólico jamais poderá controlar a sua maneira de beber. Assim só restam duas hipóteses: permitir que a maneira de beber se agrave progressivamente com todas as consequências prejudiciais que daí resultam, ou parar completamente e desenvolver um novo padrão de vida sóbrio e construtivo.

SERÁ QUE UM MEMBRO DE AA NÃO PODE BEBER NEM UMA CERVEJA?
É óbvio que em AA não há obrigações e ninguém controla os membros para saber se estão ou não a beber. A resposta a esta questão é que se uma pessoa é alcoólica, não pode arriscar-se a beber qualquer espécie de álcool. Álcool é sempre álcool, seja num martini, num whisky com soda, numa taça de champanhe – ou numa cervejinha. Para o alcoólico, um copo de álcool será sempre demais e vinte copos não chegam.
Para assegurarem a sua sobriedade, os alcoólicos têm simplesmente de se manter afastados do álcool, independentemente da quantidade, mistura ou concentração que pensam poder controlar.
É óbvio que poucas pessoas se embebedam com duas ou três garrafas de cerveja. O alcoólico sabe-o tão bem como qualquer outra pessoa. Mas os alcoólicos podem convencer-se de que vão simplesmente beber duas ou três cervejas e ficar por aí. Por vezes podem até seguir este plano durante alguns dias ou semanas. Podem acabar por decidir que já que estão a beber, o melhor será beber “a valer”. Assim, aumentam o seu consumo de cerveja ou de vinho, ou passam para bebidas fortes. Uma vez mais, voltam ao ponto de partida.

CONSIGO MANTER-ME SÓBRIO DURANTE BASTANTE TEMPO ENTRE BEBEDEIRAS; COMO POSSO SABER SE PRECISO DE AA?
A maioria dos membros de AA diria que é a maneira como se bebe, e não a frequência com que se bebe que determina se é ou não um alcoólico. No meio dos seus períodos de bebida muitos bebedores-problema podem estar semanas, meses e, às vezes, anos sem beber. Durante estes períodos de sobriedade poderão nem sequer pensar no álcool. Sem esforço mental nem emocional são capazes de escolher entre beber e não beber, e preferem não beber.
A dada altura, por razões inexplicáveis ou mesmo sem qualquer razão, apanham uma grande bebedeira. Esquecem o emprego, a família e outras responsabilidades cívicas e sociais. A bebedeira poderá durar uma só noite ou prolongar-se por dias ou semanas. Quando acaba, o bebedor fica geralmente fraco e cheio de remorsos, resolvido a não permitir que o mesmo volte a acontecer. Mas acontece.
Esta maneira “periódica” de beber é desconcertante, não só para aqueles que rodeiam o bebedor, como também para a própria pessoa que bebe. Ele ou ela não consegue perceber como é possível interessar-se tão pouco pelo álcool durante o período entre as bebedeiras e ter tão pouco controle sobre ele quando começa a beber.
O bebedor periódico pode ou não ser um alcoólico. Mas, se a sua maneira de beber se tornou incontrolável e se o período entre as bebedeiras é cada vez mais curto, é provável que tenha chegado o momento de enfrentar o problema. Se a pessoa está pronta a admitir que é alcoólica, então foi dado o primeiro passo em direcção à sobriedade continuada que milhares e milhares de A.A.s desfrutam.

OS OUTROS DIZEM QUE NÃO SOU ALCOÓLICO, MAS A MINHA MANEIRA DE BEBER PARECE ESTAR A PIORAR. SERÁ QUE DEVO ENTRAR PARA AA?
Enquanto bebiam, a família, amigos e médicos de muitos membros de AA asseguravam-lhes que não eram alcoólicos. O próprio alcoólico geralmente complica o problema por não estar disposto a enfrentar a situação de forma realista. Por não ser completamente honesto, o bebedor-problema dificilmente pode ser ajudado por um médico. De facto, é até de admirar que tantos médicos tenham conseguido penetrar nas mentiras do bebedor-problema e fazer um diagnóstico correcto.
Nunca é demais sublinhar que a decisão importante – será que sou um alcoólico? – tem que ser tomada pelo bebedor. Só ele ou ela – e não o médico, a família ou os amigos – pode tomar essa decisão. Mas uma vez tomada, metade da batalha pela sobriedade está ganha. Se deixar que outros decidam por si, o alcoólico poderá estar a arrastar desnecessariamente os perigos e a desgraça provocados pela sua maneira descontrolada de beber.

SERÁ QUE SE PODE ALCANÇAR A SOBRIEDADE SÓ ATRAVÉS DA LITERATURA DE AA?
Algumas pessoas pararam de beber depois de lerem Alcoólicos Anônimos, o “Livro Azul” de AA que define os princípios básicos do programa de recuperação. No entanto, e sempre que possível, quase todos procuram imediatamente outros alcoólicos para com eles partilharem a sua experiência e sobriedade.
O programa de AA funciona melhor a nível individual para a pessoa que o reconhece e aceita como um programa que envolve outras pessoas. Ao trabalharem com outros alcoólicos no Grupo de AA, parece que os bebedores-problema aprendem mais acerca da sua doença e de como lidar com ela. Encontram-se rodeados por outros que compartilham a sua experiência passada, os seus problemas actuais e a sua esperança. Deixam de ter o sentimento de solidão que poderá ter sido um factor importante na sua compulsão para beber.

SE EU ENTRAR PARA AA, NÃO FICARÁ TODA A GENTE A SABER QUE SOU ALCOÓLICO?
O anonimato sempre foi, e é, a base do programa de AA. Depois de terem estado em AA durante algum tempo, a maior parte dos membros não se importa que se fique a saber que fazem parte de uma comunidade que os ajuda a manterem-se sóbrios. Tradicionalmente, os A.A.s nunca revelam a sua ligação com o movimento na imprensa, rádio ou em qualquer outro meio de comunicação social. E nenhum membro de AA tem o direito de quebrar o anonimato de outro.
Isto significa que o recém-chegado pode entrar para AA com a certeza de que nenhum dos seus novos amigos violará confidências relacionadas com o seu problema de bebida. Os membros mais antigos do Grupo compreendem o sentimento do recém-chegado. Lembram-se dos seus próprios medos quanto a serem publicamente identificados com o que parecia ser uma palavra terrível – “alcoólico”.
Uma vez em AA, os recém-chegados podem achar graça ao facto de, no passado, se terem preocupado com o facto de se vir a saber que tinham parado de beber. Quando os alcoólicos bebem, a notícia das suas escapadelas espalha-se com uma velocidade notável. A maior parte dos alcoólicos já tem fama de bêbedo de primeira quando procura AA. Com raras excepções, a sua maneira de beber não é, provavelmente, segredo para ninguém. Nestas circunstâncias, seria de facto invulgar se as boas notícias da sobriedade continuada do alcoólico não provocassem também comentários.
Sejam quais forem as circunstâncias, ninguém, a não ser o próprio recém-chegado, pode divulgar a sua ligação com AA e, mesmo assim, só de modo a não prejudicar a Comunidade.

SE EU NÃO BEBER, COMO PODEREI SAIR-ME BEM NOS NEGÓCIOS, ONDE TENHO QUE FAZER MUITOS CONTACTOS SOCIAIS?
Nos dias de hoje, beber socialmente tornou-se uma parte integrante dos negócios em muitas áreas. Muitos dos contactos com clientes e possíveis clientes são combinados de modo a fazê-los coincidir com ocasiões em que os “cocktails”, bebidas ou aperitivos parecem fazer parte integrante do dia ou noite. Muitos dos que são hoje membros de AA seriam os primeiros a admitir que frequentemente fizeram negócios importantes em bares, quartos de hotel e mesmo durante festas em casas particulares.
No entanto, é surpreendente a quantidade de trabalho que é feito no mundo inteiro sem a ajuda do álcool. Assim como é também surpreendente para muitos alcoólicos descobrir como conhecidos homens de negócios, da indústria, das artes e outros profissionais tiveram êxito sem dependerem do álcool. Na realidade, muitos dos que estão hoje sóbrios em AA admitem que usaram os “contactos de negócios” como uma das várias desculpas para beber. Agora que já não bebem, descobrem que, na realidade, conseguem fazer mais do que faziam antes. A sobriedade tem provado não ser um impedimento à sua capacidade para fazer amigos e influenciar pessoas que poderiam contribuir para o seu êxito económico.
Isto não quer dizer que todos os membros de AA tenham passado subitamente a evitar os seus amigos ou companheiros de negócios que bebem. Se um amigo quer tomar um “cocktail” ou dois antes de almoço, o membro de AA toma geralmente um refrigerante, um café ou um sumo. Se for convidado para um “cocktail” por motivo de negócios, geralmente ele não hesita em ir. O alcoólico sabe, por experiência própria, que os outros convidados estão mais interessados nas suas próprias bebidas do que nas dos outros.
À medida que começa a sentir-se orgulhoso da qualidade e quantidade do seu trabalho, o recém-chegado a AA descobrirá provavelmente que o êxito nos negócios ainda se baseia na eficiência. Esta verdade simples não era tão óbvia na época em que bebia. Naquela época estava certamente convencido de que a simpatia, a genialidade e a sociabilidade eram as chaves do êxito nos negócios. Na verdade, embora estas qualidades sejam úteis para a pessoa que bebe controladamente, elas não chegam para o alcoólico pois este, quando bebe, tem tendência a dar-lhes muito mais importância do que elas merecem.

SERÁ QUE AA FUNCIONA PARA A PESSOA QUE TENHA REALMENTE CHEGADO AO “FUNDO DO POÇO”?
A experiência mostra que AA funciona para quase todos os que querem verdadeiramente parar de beber, seja qual for a sua situação económica ou social. AA tem hoje muitos membros que estiveram na valeta, em cadeias ou outras instituições públicas. Uma pessoa fracassada não pode sentir-se inferiorizada ao entrar para AA. O seu problema fundamental, o que tornou a sua vida ingovernável, é idêntico ao problema central de todos os outros membros de AA. Não se julga o valor de um membro de AA pela roupa que usa, pela sua maneira de falar ou pela sua conta bancária. A única coisa que conta em AA é se o recém-chegado quer parar de beber. Se quer, será bem-vindo. É muito possível que ele fique espantado ao descobrir como tantos outros membros conseguem contar histórias muito piores quando se trata de revelar passados e experiências semelhantes aos seus.

HAVERÁ ALCOÓLICOS QUE ENTRAM EM AA JÁ SÓBRIOS?
A maioria dos homens e mulheres procuram AA quando atingem o ponto mais baixo nos seus percursos de bebedores. Contudo, nem sempre é este o caso. Muitas pessoas entraram na Comunidade muito depois de terem tomado o que esperavam ser o seu último copo. Uma delas, ao reconhecer que não conseguia controlar o álcool, tinha estado sem beber durante seis ou sete anos, antes de se tornar membro de AA. Porém, a sua sobriedade forçada não tinha sido uma experiência feliz. A crescente tensão e os vários transtornos causados pelos pequenos problemas do dia-a-dia estavam a ponto de levá-la a novas experiências com o álcool, quando um amigo lhe sugeriu que procurasse AA. Desde então e já há alguns anos é membro de AA, e afirma que não há comparação possível entre a sobriedade feliz que tem hoje e a abstinência desconsolada que tinha antigamente.
Outros contam experiências semelhantes. Embora saibam que é possível permanecer-se tristemente abstinente por períodos de tempo consideráveis, dizem que, para eles, é muito mais fácil apreciar e fortalecer a sua sobriedade quando se reúnem e trabalham com outros alcoólicos em AA. Como a maioria da raça humana, não vêem vantagem nenhuma em fazer as coisas da maneira mais difícil. Sendo-lhes possível escolher a sobriedade com ou sem AA, escolhem deliberadamente AA.

PORQUE É QUE AA SE INTERESSA POR BEBEDORES-PROBLEMA?
Os membros de AA têm um interesse pessoal em oferecer ajuda a outros alcoólicos que ainda não alcançaram a sobriedade. Em primeiro lugar sabem por experiência própria que este tipo de actividade, à qual costumam chamar de trabalho do “Décimo Segundo Passo”, os ajuda a manterem-se sóbrios. As suas vidas têm agora um grande e premente objectivo. É provável que as lembranças das suas próprias experiências anteriores com o álcool os ajudem a evitar o excesso de confiança que poderia levá-los a uma recaída. Seja qual for a explicação, os membros de AA que se dispõem a ajudar outros alcoólicos raramente têm dificuldade em manter a sua própria sobriedade.
A segunda razão pela qual os membros de AA sentem uma grande necessidade de ajudar os bebedores-problema é que, desta forma, têm a oportunidade de retribuir aos que os ajudaram em AA. É a única maneira prática que o indivíduo tem de poder pagar a sua dívida para com AA. O membro de AA sabe que a sobriedade não se compra e que não se pode partir do princípio de que ela se irá manter por muitos anos. Contudo, ele sabe que pode ter uma nova maneira de viver sem o álcool, se honestamente o desejar e se estiver disposto a partilhá-la com os que vierem a seguir. Tradicionalmente, AA nunca “recruta” membros, não tenta convencer ninguém a tornar-se membro e nunca solicita nem aceita fundos.

A COMUNIDADE DE AA
Se o recém-chegado estiver convencido que é alcoólico e que AA poderá ajudá-lo, faz geralmente uma série de perguntas específicas sobre a natureza, a estrutura e a história do movimento em si. Eis algumas das mais comuns.

O QUE SÃO OS ALCOÓLICOS ANÓNIMOS?
Há duas maneiras práticas de descrever AA. A primeira é a descrição comum dos seus propósitos e objectivos que aparece no início deste folheto:
Alcoólicos Anónimos é uma comunidade de homens e mulheres que partilham entre si a sua experiência, força e esperança para resolverem o seu problema comum e ajudarem outros a se recuperarem do alcoolismo. O único requisito para ser membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de AA não é necessário pagar taxas de admissão nem quotas. Somos auto-suficientes pelas nossas próprias contribuições. AA não está ligado a nenhuma seita, religião, instituição política ou organização, não se envolve em qualquer controvérsia, não subscreve nem combate quaisquer causas. O nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançar a sobriedade.
O “problema comum” é o alcoolismo. Os homens e mulheres que se consideram membros de AA são e serão sempre alcoólicos, embora possam ter outras adicções. Reconheceram finalmente que já não são capazes de controlar qualquer tipo de bebida alcoólica. Hoje mantêm-se completamente afastados da bebida. O mais importante é que não tentam enfrentar o problema sozinhos. Discutem-no abertamente com outros alcoólicos. Esta partilha de “experiência, força e esperança” parece ser o elemento chave que torna possível viverem sem álcool e até, na maioria dos casos, sem vontade de beber.
A segunda maneira de descrever Alcoólicos Anónimos é delinear a estrutura da Comunidade. Numericamente, AA compõe-se de mais de 2.000.000 de homens e mulheres em 150 países. Estes homens e mulheres reúnem-se em Grupos que variam em tamanho, desde uma meia dúzia de ex-bebedores em algumas localidades, até várias centenas em comunidades maiores.
Nas áreas metropolitanas populosas podem existir numerosos Grupos, cada um com as suas próprias reuniões regulares. Muitas reuniões de AA são abertas ao público. A maior parte dos Grupos têm “reuniões fechadas”, nas quais os membros se sentem encorajados a discutir problemas que poderiam não ser inteiramente compreendidos por não-alcoólicos.
O Grupo é considerado o núcleo da Comunidade AA. As suas reuniões abertas recebem alcoólicos e os seus familiares num ambiente de amizade e ajuda mútua. Hoje existem mais de 93.000 Grupos pelo mundo inteiro, incluindo algumas centenas em hospitais, prisões e outras instituições.
Alcoólicos Anónimos nasceu em Akron, em 1935, quando um homem de negócios de Nova Iorque, sóbrio pela primeira vez em anos, visitou um outro alcoólico. Durante os seus poucos meses de sobriedade, este homem de Nova Iorque tinha notado que o seu desejo de beber diminuía quando tentava ajudar outros “bêbedos” a alcançar a sobriedade. Em Akron foi conduzido a um médico local que tinha problemas com a bebida. Trabalhando juntos, o homem de negócios e o médico descobriram que a sua capacidade de permanecerem sóbrios parecia estar muito relacionada com o grau de ajuda e encorajamento que conseguiam dar a outros alcoólicos.
Durante quatro anos o novo movimento, sem nome, sem qualquer organização ou literatura descritiva, cresceu lentamente. Formaram-se Grupos em Akron, Nova Iorque, Cleveland e nalguns outros locais.
Em 1939, com a publicação do livro Alcoólicos Anónimos do qual a Comunidade tirou o seu nome, e como resultado da ajuda de vários amigos não-alcoólicos, a Comunidade começou a atrair a atenção nacional e internacional. Abriu-se então um escritório de serviços na cidade de Nova Iorque, para responder aos milhares de perguntas e pedidos de literatura que são recebidos todos os anos.

SERÁ QUE EXISTEM REGRAS EM AA?
A ausência de regras, regulamentos ou obrigações é um dos aspectos únicos de AA, como Grupo local e como comunidade mundial. Não existem regulamentos que digam que um membro precisa de assistir a um certo número de reuniões num determinado período de tempo.
É compreensível que a maioria dos Grupos tenha uma tradição não escrita de que aquele que ainda bebe e perturba as reuniões com o seu comportamento barulhento poderá ser convidado a sair da sala. Esta mesma pessoa será bem vinda noutro dia qualquer, desde que não prejudique a reunião. Entretanto, os membros do Grupo farão o possível para ajudá-lo a alcançar a sobriedade, desde que ele ou ela tenha o desejo sincero de parar de beber.

QUANTO É QUE SE PAGA PARA SER MEMBRO DE AA?
Não existem quaisquer obrigações financeiras para se ser membro de AA. O programa de recuperação do alcoolismo de AA está disponível para qualquer um que deseje parar de beber, quer esteja arruinado ou seja milionário.
A maioria dos Grupos faz uma colecta nas reuniões, para custear o aluguer da sala de reuniões e pagar outras despesas tais como o café, sanduíches, bolos ou qualquer outra coisa. Na maior parte dos Grupos, parte do dinheiro da colecta destina-se à contribuição voluntária para os serviços nacionais e internacionais de AA. Estes fundos são utilizados exclusivamente para ajudar Grupos novos e antigos e para levar a mensagem do programa de recuperação de AA aos “muitos alcoólicos que ainda o não conhecem”.
A ideia fundamental é que para ser membro de AA não é preciso apoiar financeiramente a Comunidade. De facto, muitos Grupos de AA estabeleceram limitações rigorosas aos montantes de contribuições dos seus membros. AA é inteiramente auto-suficiente e não aceita contribuições de fora.

QUEM É QUE DIRIGE O AA?
AA não tem empregados ou executivos com poderes ou autoridade sobre a Comunidade. Não existe “governo” em AA. Contudo, é evidente que, mesmo numa organização informal, certas actividades têm de ser desempenhadas. No Grupo local, por exemplo, alguém tem de arranjar uma sala adequada para reuniões, e as reuniões precisam de ser programadas e preparadas. É necessário providenciar o abastecimento de café e bolachas que tanto contribuem para o ambiente de camaradagem nas reuniões de AA. Em muitos Grupos acham também conveniente que alguém se responsabilize pela correspondência de AA, a nível nacional e internacional.
Quando se abre um Grupo, alguns voluntários podem assumir essas responsabilidades, agindo informalmente como servidores do Grupo. Contudo, assim que possível, estas responsabilidades são transferidas rotativamente por meio de eleições para outros membros do Grupo, que servem por períodos de tempo limitados. Um Grupo típico de AA tem geralmente um coordenador, um secretário, uma comissão de programação de reuniões, um responsável pelo serviço de café, um tesoureiro e um Representante de Serviços Gerais, o qual representa o Grupo em reuniões regionais ou locais. Os recém-chegados que tenham já um certo tempo de sobriedade são encorajados a prestar serviço no Grupo. A nível nacional e internacional existem também tarefas específicas a serem desempenhadas. É necessário escrever, imprimir e distribuir literatura aos Grupos ou pessoas que a pedem. É também necessário responder às perguntas feitas por Grupos novos ou Grupos já formados e responder aos pedidos de informação sobre AA e o seu programa de recuperação do alcoolismo.
Há que procurar informar e dar esclarecimentos a médicos, membros do clero, homens de negócios e directores de instituições, assim como criar e manter boas relações públicas com a imprensa, rádio, televisão, cinema e outros meios de comunicação. Para garantir o crescimento seguro e saudável de AA, os primeiros membros da comunidade, juntamente com amigos não alcoólicos, constituíram um Conselho de Custódios, hoje conhecido como Conselho de Serviços Gerais de Alcoólicos Anónimos. O Conselho serve de guardião das tradições de AA e de tudo o que diga respeito a AA e responsabiliza-se pela qualidade de serviços prestados pelo Escritório de Serviços Gerais de AA em Nova Iorque.
O elo de ligação entre o Conselho e os Grupos de AA dos Estados Unidos (da América) e do Canadá é a Conferência de Serviços Gerais de AA. A Conferência, composta por cerca de 91 delegados de zona de AA, de 21 Custódios no Conselho, membros pertencentes ao Escritório de Serviços Gerais e outros, reúne todos os anos durante alguns dias. A Conferência é um órgão exclusivamente consultivo. Não tem qualquer autoridade para regular ou governar a Comunidade. Assim, a resposta à pergunta “Quem dirige AA?” é que a Comunidade é um movimento invulgarmente democrático, sem autoridade central e só com um mínimo de organização formal.

SERÁ QUE AA É UMA COMUNIDADE RELIGIOSA?
Não, AA não é uma comunidade religiosa, na medida em que não é preciso ter nenhum credo religioso definido para se ser membro. Muito embora tenha sido apoiada e aprovada por muitos chefes religiosos, não está ligada a nenhuma organização ou seita. Entre os seus membros há católicos, protestantes, judeus, membros de outras grandes comunidades religiosas, agnósticos e ateus.
O programa de AA para a recuperação do alcoolismo está inegavelmente baseado na aceitação de certos princípios espirituais. Cada membro tem a liberdade de os interpretar conforme ele ou ela entender ou, pura e simplesmente, nem sequer se preocupar com eles.
A maior parte dos membros, antes de recorrer a AA, já tinha admitido que não conseguia controlar a sua maneira de beber. O álcool tinha-se transformado num poder superior a eles próprios e aceite como tal. AA sugere que para alcançar e manter a sobriedade, os alcoólicos precisam de aceitar e depender de um outro Poder que reconheçam como sendo superior a eles próprios. Alguns alcoólicos preferem considerar o seu Grupo como esse poder superior. Para muitos outros, este poder é Deus – como cada um O concebe. Outros ainda, acreditam em conceitos completamente diferentes de um Poder Superior.
Quando recorrem a AA, alguns alcoólicos mostram inicialmente muitas reservas quanto a aceitar qualquer concepção de um Poder superior a eles próprios. A experiência mostra que, se mantiverem a mente aberta a esse respeito e continuarem a assistir a reuniões de AA, provavelmente acabará por não lhes ser muito difícil descobrir por si mesmos uma solução aceitável para este problema, que é puramente pessoal.

SERÁ QUE AA É UM MOVIMENTO A FAVOR DA TEMPERANÇA?
Não, o AA não está relacionado com qualquer movimento a favor da temperança. A frase “AA não subscreve nem combate quaisquer causas” copiada das linhas gerais amplamente aceites do Preâmbulo da Comunidade também se aplica à questão dos assim chamados movimentos a favor da temperança. O alcoólico que atingiu a sobriedade e que tenta seguir o programa de recuperação de AA tem uma atitude para com o álcool que pode ser semelhante à do doente alérgico para com a causa da sua alergia.
Embora muitos A.A.s reconheçam que o álcool não faz mal nenhum a muita gente, também sabem que para eles próprios é um veneno. Normalmente um membro de AA não deseja privar ninguém de uma coisa que, usada com cuidado, pode ser uma fonte de prazer. O membro de AA apenas reconhece que ele/ela é que não é capaz de lidar com o álcool.

SÉTIMA TRADIÇÃO – REVISTA VIVÊNCIA

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 129 – Jan/Fev 2011

Sétima Tradição
Minha contribuição para a autos sustentação financeira do grupo

Como membro de A.A., convém que eu tenha consciência do que é o Grupo-Base, descrito no livreto “O Grupo de A.A.”; dentre outros, encontramos ali, o seguinte apadrinhamento: “Esse grupo é aquele onde o membro assume a responsabilidade e tenta manter amizades”, diz também que o conceito de Grupo Base continua sendo o vínculo mais forte entre o membro de A. A. e a Irmandade, embora todos os membros de A.A. sejam bem-vindos em todos os grupos, sentindo-se “em casa” em qualquer reunião.

O mesmo livreto apadrinha sobre a autos sustentação financeira do Grupo, da seguinte forma:

Autossuficiência: A Sétima Tradição

Não existem taxas nem mensalidades para a filiação a A.A., mas temos nossas despesas. Respeitante à Sétima Tradição, os Grupos podem “passar a sacola” para cobrir despesas como aluguéis, águas e cafés, literatura aprovada pela Conferência de A.A., folhetos e relações de Grupos e as contribuições para os serviços prestados pelos ESL’s, Comitês de Distrito e de Área e ao ESG. Os membros de A.A. podem contribuir com a quantia que desejarem, até o máximo equivalente três mil dólares por ano. (o “máximo” anual está atualizado pelas informações do A.A. World Services).

Outra literatura da Irmandade que me apadrinhou na conscientização de minha responsabilidade de fazer, habitualmente, contribuições financeiras para a autos sustentação da Irmandade, a começar pelo meu Grupo Base, foi o folheto “Autossuficiência pelas nossas próprias contribuições”, que aborda o porquê e o como fazer isso.

No porquê encontramos: “De acordo com a Sétima Tradição, todos os grupos de A. A. deverão ser totalmente autossuficientes, rejeitando quaisquer doações de fora…” e “em A. A, cada grupo é realmente parte de uma estrutura mais ampla, que procura levar sua mensagem aos que ainda sofrem de alcoolismo e não sabem haver uma saída”.

Todas essas partes, em cada nível da Estrutura de Serviços, são formadas e expressam a consciência coletiva de seus membros, individualmente. Para serem “totalmente autossuficientes”, requerem compromisso da parte de cada membro para sustentar através de seu grupo de origem os serviços fornecidos pelo ESL, pela Área ou pelo ESG, para que esses órgãos de serviços possam continuar levando a mensagem de A.A. para além dos grupos.

No como, diz que: “Para manter os serviços essenciais de Alcoólicos Anônimos”, o Manual de Serviço de A.A. orienta que os grupos adotem um plano específico de contribuições, o plano 60-25-15. Convêm dizer que pela falta das contribuições suficientes dos grupos, para manter os serviços essenciais de A.A., esse plano tem sofrido interpretações as mais diversas, que não condizem com o seu real sentido, ou seja, primeiramente, o grupo tem de atender às suas despesas básicas: aluguel, água, luz, café, literatura, etc., e manter uma reserva prudente para garantir esses compromissos. Participa também das despesas do Distrito. Feito isso, o saldo das conscientes contribuições financeiras de todos os membros do grupo é repassado para o ESL que retém 60% das contribuições de todos os grupos que compõem o seu Conselho de Representantes e repassa 25% para o Comitê de Área a fim de custear suas despesas operacionais e 15% para o ESG como suporte para as operações do serviço a nível Nacional.

Nos meus primeiros tempos de programação eu não contribuía pois pensava que outros o faziam de forma satisfatória e também porque estava “quebrado” e atolado em dívidas. Porém, a medida que minha sobriedade foi consolidando e minha vida voltando à normalidade, consegui retomar ao mercado de trabalho, e assim, passei a me sustentar e a minha família. Comecei, então, a contribuir regularmente para o A.A. Mas essa contribuição que eu fazia não tinha o sentido de compromisso, nem era a minha parte consciente na autos sustentação financeira mensal do meu Grupo-Base, era algo próximo a uma esmola que eu destinava ao grupo. Não me fazia falta e com certeza pouco representava em ajuda ao grupo para cumprir com suas responsabilidades como parte que é de uma estrutura maior, algo que tem por objetivo transmitir a mensagem de A.A. e ajudar outros alcoólicos a se recuperarem do alcoolismo: a Estrutura Mundial de Serviços de A.A.
A medida que fui participando das ações do Terceiro Legado fui percebendo a importância desse mecanismo espiritual da autos sustentação financeira da Irmandade, pelas nossas próprias contribuições e o porque não devemos aceitar doações de fora.

Houve um momento em que pensei que esta de não aceitar doações de fora era apenas a vaidade de quem quer ser melhor que o outro ou motivado por orgulho que insiste em não aceitar a ajuda financeira de quem possa e queira ajudar.
Foi no meio dessa confusão de pensamentos, que o meu Poder Superior me concedeu a Graça de chegar ao Décimo Primeiro Passo e melhorar a qualidade de minha sobriedade. Foi no Passo Onze que questionando a Oração de São Francisco, inclusive quanto a forma como ali é apresentada, que encontrei não só a explicação para meus questionamentos sobre aquela Oração, como despertei para a verdadeira proposta do Programa de Recuperação de A.A., para a minha realidade enquanto necessitado e em primeira mão deste Programa. Passei a entender mais claramente, essa tão profunda mensagem de esvaziamento do ego, contida na Oração de São Francisco e nos Doze Passos.
Foi no apadrinhamento do livro Doze Passos e Doze Tradições que o Poder Superior me concedeu o despertar espiritual para uma melhor compreensão de mim mesmo, como integrante e integrado à Irmandade de A.A. O texto é o seguinte: “Quem sabe o verdadeiro problema fosse o de nossa quase total incapacidade para dirigir a imaginação no rumo dos objetivos certos. Não há mal na imaginação construtiva, todo o empreendimento bem fundado depende dela. Afinal de contas ninguém pode construir uma casa sem antes arquitetar um plano. Bem, a meditação também é assim, ela nos ajuda a ter uma noção de nosso objetivo espiritual antes que tentemos nos encaminhar em sua direção. Isto posto, voltemos àquela praia ensolarada, ou talvez, à planície ou às montanhas”.
Quando por métodos simples como esse, tivermos entrado num estado de espírito que nos permita a concentração na imaginação construtiva, sem interrupção, poderemos proceder assim: relemos a nossa oração, tentamos novamente compreendê-la na profundidade de sua essência e pensamos no homem que foi o primeiro a proferi-la. Primeiro, ele quis tomar-se um “instrumento de paz”. Então ele pediu a graça de levar amor, perdão, harmonia, verdade, fé, esperança, luz e alegria a todos quantos pudesse. Depois veio a expressão de uma aspiração e de uma esperança para ele próprio. Ele esperava que se Deus quisesse, lhe fosse permitido ser capaz de encontrar alguns desses tesouros também. Isso ele tentaria realizar através do
que chamou dar de si mesmo. “O que ele quis dizer com “ é dando que se recebe” e como se propôs a consegui-lo”?
Depois do que assimilei dessa mensagem, firmei um compromisso, dentre outros, de assumir a minha parte na autossustentação financeira de minha Irmandade através de meu Grupo-Base.
Estou sempre procurando encontrar juntamente com os demais membros do grupo, uma orientação melhor para consciência de nosso Grupo-Base.
De que maneira?
Através de reuniões de estudo da literatura e de temáticas. E assim que procuro repassar, da forma mais natural possível, o despertar e spiritual que me mostrou, claramente, a relação estreita do Décimo Primeiro Passo com a Sétima Tradição ou, melhor, a necessidade de um compromisso individual com a autossustentação financeira de Alcoólicos Anônimos como um todo, através da autos-sustentação financeira do meu Grupo-Base.

Como faço isso?

A partir da informação do tesoureiro do grupo no quadro sobre a despesa mensal.

O meu Grupo-Base tem uma frequência média de dez membros, faço a divisão do valor total da despesa do Grupo, exposta no quadro, por dez, e assumo o compromisso de contribuir financeiramente com uma dessas partes. Até o mês passado o meu compromisso de contribuição financeira para o meu Grupo-Base era de no mínimo de R$ 50,00, feita sempre através da Sacola da Sétima Tradição nas reuniões que compareço. Em cada reunião, um pouco. O grupo tem três reuniões de recuperação por semana. Doze ao mês, ao menos uma de serviço, uma temática e uma californiana às quais compareço ao menos em 40% delas.

Como sou um profissional liberal, às vezes, ganho um pouco mais e também contribuo um pouco mais com o grupo, sempre anonimamente, na sacola.
Talvez isso não seja o melhor apadrinhamento, pois pode servir de incentivo àqueles que destinam esmolas ao grupo em vez de contribuições, como eu inicialmente e dessa forma, fazê-los continuar sem o compromisso individual para a autossustentação do grupo, retardando seu despertar espiritual e sua participação no salutar e verdadeiro sentido do princípio do “é dando que se recebe.”

Serenas vinte e quatro horas!

Benjamim

Vivência nº 129 – Janeiro/Fevereiro 2011

A.A. ORIENTAÇÕES – COMITÊ DE FINANÇAS

A.A.®Orientações
Comitê de Finanças
De G.S.O., Box 459, Grand Central Station, New York, NY 10163
Os Guias são compilados a partir da experiência compartilhada dos membros de A.A. em várias áreas de serviço. Eles também refletem a orientação dada pelas Doze Tradições e pela Conferência de Serviços Gerais (Estados Unidos e Canadá). Mantendo nossa Tradição de Autonomia, exceto em assuntos que afetem outros grupos ou A.A. como um todo, a maior parte das decisões é tomada pela consciência coletiva do grupo envolvido. O propósito deste Guia é auxiliar para que se atinja de uma consciência de grupo informada.
“As atividades de A.A. baseadas no Décimo Segundo Passo, que levam a mensagem para aquele que ainda sofre, são a verdadeira essência da aventura de A.A. Sem essas atividades vitais, logo nos tornaríamos anêmicos, secaríamos e morreríamos.
Onde os serviços de A.A. – mundiais, de áreas, locais – se encaixam em nosso esquema? Por que deveríamos destinar dinheiro para essas funções? A resposta é simples. Cada serviço de A.A. destina-se a tornar possível, mais e melhor, o trabalho dos Doze Passos, seja por meio de um lugar para reunião de grupo, um escritório de serviços locais ou intergrupos, para conseguir hospitalização e apadrinhamento ou o Escritório Mundial de Serviços, para manter unidade e eficácia no mundo todo.
Apesar de não serem caras, essas unidades de serviço são absolutamente essenciais para nossa expansão contínua e para nossa sobrevivência como Irmandade. Seu custo é uma obrigação coletiva que recai sobre todos nós.
Nosso apoio aos serviços significa realmente nosso reconhecimento de que A.A. deve funcionar em todos os lugares com força total e que, de acordo com nossa Tradição de autossuficiência, vamos pagar a conta”.
Bill W., Grapevine, outubro 1967
Uma das responsabilidades do G.S.O. é compartilhar a experiência de A.A. com grupos e membros que a solicitam. Neste Guia, temos o prazer de compartilhar experiências de fontes variadas, apesar de estarmos conscientes de que as práticas reais de A.A. variam frequentemente.
Assim, se seu grupo tiver encontrado soluções além daquelas citadas neste guia, por favor nos informem, para que possamos compartilhar suas experiências com outros.
Perguntas frequentes sobre finanças dirigidas ao Escritório de Serviços Gerais incluem tópicos como aluguel do grupo, contas bancárias e seguro; reembolso de despesas dos servidores; deduções do Imposto de Renda e número do cadastro fiscal e o papel da Junta de Serviços Gerais.
ONDE DINHEIRO E ESPIRITUALIDADE SE MISTURAM
Membros comemoram a sobriedade destinando tempo, energia e dinheiro em apoio de nosso Décimo Segundo Passo – levar a mensagem, o serviço básico que a Irmandade de A.A. oferece. Membros asseguram que as contas do grupo sejam pagas colocando dinheiro na sacola passada em cada reunião. É responsabilidade de cada membro sustentar os serviços que tenham sido
solicitados pela Irmandade de A.A. para ajudar a facilitar o vital Décimo Segundo Passo. As contribuições são feitas com um espírito de sacrifício e honram o código de A.A. de ‘amor e serviço’. Elas também acentuam a natureza espiritual de nossa Irmandade e nosso amor e confiança mútuos. Aprendemos que essas contribuições são tão importantes para cada membro quanto para os órgãos de serviço custeados.
CUSTEANDO A ESTRUTURA DE A.A.
Pergunta: Por que os grupos de A.A. custeiam os serviços essenciais de A.A.?
Resposta: Porque os serviços beneficiam todos os grupos de A.A. Nossa Sétima Tradição diz que “todos os grupos de A.A. devem ser totalmente autossuficientes, dispensando contribuições externas”.
AAs querem que nossa Irmandade sobreviva e esteja facilmente acessível para o alcoólico que ainda sofre. Um grupo de A.A. torna isso possível cuidando de suas despesas: aluguel, café, água, literatura de A.A., etc. Depois de atender esse grupo básico de despesas e oferecer um local para reunião, muitos grupos participam custeando o escritório de serviços locais ou intergrupais, os comitês de serviços gerais da área ou distrito e a Junta de Serviços Gerais.
Pergunta: Como os grupos podem participar?
Resposta: Para ajudar a custear os serviços essenciais de A.A., a Conferência de Serviços Gerais sugere que cada grupo, por meio de uma consciência coletiva informada, adote um plano de contribuição para atender a situação financeira do grupo. Uma vez que as despesas básicas do grupo estejam atendidas (aluguel, café, água, literatura de A.A., relação de reuniões locais) e uma ‘reserva prudente’ tenha sido providenciada para cobrir despesas inesperadas, o grupo pode decidir levar a mensagem adiante, enviando recursos para os seguintes órgãos de serviço de A.A.:
-O Distrito local que se comunica diretamente com os grupos, formando a consciência coletiva do distrito para as assembleias de áreas e servindo como elo entre os delegados de área e os RSGs.
-O Comitê de Área, que coordena as atividades vitais de A.A. em uma ampla área geográfica, envia um delegado para a Conferência de Serviços Gerais, anual, realiza assembleias de área para determinar as necessidades da Irmandade e fornece informações no âmbito de serviços.
-O Escritório de Serviços Locais, que pode fornecer: plantão telefônico para chamadas referentes ao Décimo Segundo Passo e outras solicitações; coordenação das atividades de grupo; venda de literatura de A.A.; trabalho institucional; informação pública e cooperação com a comunidade profissional.
-O Escritório de Serviços Gerais, que funciona como uma central das informações de A.A., comunicando-se com membros e grupos nos Estados Unidos, Canadá e, às vezes, no mundo; publica a literatura de A.A. e fornece informações e experiência a profissionais e outros interessados em A.A.
Pergunta: O dinheiro de A.A. não vai todo para uma sacola? Em outras palavras, quando um grupo contribui para o escritório de serviços locais (intergrupos), nosso dinheiro não é distribuído para a área, distrito e Junta de Serviços Gerais, para as operações do ESG?
Resposta: Cada entidade de A.A. – grupo, distrito, área, escritório de serviços locais ou intergrupos e o ESG – oferece um serviço específico e é autônoma. Contribuições separadas precisam ser enviadas para cada entidade. (Nota: alguns órgãos locais de A.A. repassam para o ESG. uma parte das contribuições que recebem).
Pergunta: Então, como os grupos dividem seus fundos excedentes?
Resposta: As linhas gerais para planos de contribuição estão descritas no folheto “Autossuficiência: Onde Dinheiro e Espiritualidade se Misturam”. Cada grupo decide com base em sua consciência coletiva. Para sugestão de planos de contribuição, ver final deste texto.
Pergunta: Depois de cobrir as despesas de nosso grupo ficamos com pouco dinheiro. Não é constrangedor enviar apenas trocados?
Resposta: A Conferência de Serviços Gerais já enfatizou que não está preocupada com o valor que cada grupo contribui, mas, sim, que o grupo contribua com alguma coisa. Em uma assembleia de serviço um RSG disse: “É uma obrigação espiritual participar com uma contribuição”.
Pergunta: Como ficamos sabendo que o ESG recebeu nossa contribuição e creditou nosso grupo?
Resposta: Todas as contribuições de grupo são confirmadas por um recibo computadorizado enviado à pessoa indicada em seu envelope de contribuição ou para o RSG, se um nome e endereço não tiverem sido indicados. Demonstrativos trimestrais são enviados para o RSGs de cada grupo. Esses demonstrativos mostram informações acumuladas para o ano, tenha ou não o grupo contribuído.
Pergunta: Nosso grupo gostaria de contribuir para esses vários órgãos de serviço, mas não sabemos para onde enviar nosso cheque. Onde encontro endereço para correspondência?
Resposta: Se houver um escritório de serviços locais ou intergrupos em sua comunidade, ele estará na lista de endereços. (Se seu grupo ainda não tem um representante e serviços Gerais (RSG), considere eleger um). O RSG de seu grupo provavelmente tem o endereço dos comitês de área e de distrito.
Caso contrário, ligue para o ESG para informação – (11) 3229-3611.
Pergunta: É possível fazer contribuição online?
Resposta: Membros de A.A. podem fazer contribuições online no site oficial de A.A. http://www.alcoolicosanonimos.org.br.Essas contribuições podem ser feitas através de boleto e pagas na rede bancária.
Embora o site de contribuições online seja protegido por criptografia avançada, o ESG sugere que membros usem o sistema a partir de um computador pessoal, de sua propriedade ou sobre o qual tenha completo controle, pois fornece informações pessoais ou financeiras em computador compartilhado ou público pode oferecer risco. Sugerimos, portanto, que membros que usem computador em bibliotecas, centros de negócios de hotéis, cybercafés e mesmo no local de trabalho ou computadores de amigos ou conhecidos continuem a fazer suas contribuições pelos métodos tradicionais – telefone ou correio.
PERGUNTAS FREQUENTES
Pergunta: Nosso tesoureiro simplesmente fugiu com nosso dinheiro. O que devemos fazer?
Resposta: Esse tipo de coisa, embora raro, infelizmente acontece. Apesar de uma ação legal ser uma opção, a maioria dos grupos a evita. Em alguns casos, a pessoa que roubou o dinheiro vai reaparecer e devolvê-lo. Quer isso aconteça ou não, alguns grupos acharam útil ter uma reunião da consciência coletiva para rever a forma como as finanças do grupo estão sendo administradas. Alguns exemplos de questões para essa reunião: O grupo fez uma boa seleção do membro tesoureiro? O tesoureiro é ajudado a entender sua responsabilidade conforme sugerido nos folhetos “O Grupo de A.A.”, “Autossuficiência: Onde Dinheiro e Espiritualidade se Misturam” e o guia de serviço “Tesoureiro do Grupo de A.A.”? O tesoureiro está sendo responsabilizado pelo envio de relatórios financeiros regulares e os registros do tesoureiro estão disponíveis para análise nas reuniões de serviço? O grupo está acumulando recursos excedentes?
Pergunta: Nosso grupo está planejando uma festa para comemorar seu aniversário. Podemos usar os recursos da Sétima Tradição para pagar a decoração e comida?
Resposta: A maioria dos membros entende que as contribuições para a Sétima Tradição serão usadas para pagar as despesas do grupo e o trabalho relacionado ao Décimo Segundo Passo. Festas de aniversário do grupo, apesar de serem consideradas tradicionais e úteis por muitos AAs, em geral não são vistas como trabalho relacionado ao Décimo Segundo Passo. Alguns grupos pedem que seus membros contribuam separadamente para cobrir a comemoração. Outros escolhem passar uma segunda sacola. É uma questão para o grupo decidir e nenhum desses caminhos pareceria conflitar com a tradição de autossuficiência.
Pergunta: Nosso grupo pode aceitar doações de negócios locais ou outras pessoas ou organizações que não sejam membros? Nosso grupo pode fazer uma doação para um abrigo para pessoas sem moradia, unidade de tratamento, etc.?
Resposta: Alcoólicos Anônimos não aceita contribuições externas. De acordo com a Sexta Tradição, A.A. não faz contribuições para organizações ou causas externas, independentemente de seu mérito.
Pergunta: Se o local onde o grupo de A.A. se reúne não pode aceitar aluguel (ex. dependência estadual ou federal), o que pode ser feito de acordo com nossa tradição de autossuficiência?
Resposta: O grupo pode contribuir de outra maneira. Por exemplo, poderia fornecer equipamento ou mobília para a dependência ou ajudar na manutenção.
Pergunta: É responsabilidade do nosso grupo reembolsar servidores por suas despesas?
Resposta: Cada grupo, distrito, área ou comitê de serviço é autônomo e tem diferentes necessidades e recursos. Embora dependa da consciência coletiva, muitos membros de A.A. parecem concordar que ninguém deve ser excluído do serviço por questões financeiras. Algumas despesas dos servidores saem de seus próprios bolsos, enquanto outras são reembolsadas. Em áreas que realizem assembleias de dois ou três dias as despesas dos participantes
(RSG, MCD, etc.) são, às vezes, cobertas por contribuição dos grupos. As despesas dos coordenadores de área normalmente são cobertas pela tesouraria da área. O Manual de Serviço de A.A. contém informações sobre este assunto.
CONTAS BANCÁRIAS E CNPJ
(Aplicável apenas à estrutura dos Estados Unidos)
Pergunta: Nosso grupo precisa abrir uma conta bancária e nos pediram um número de identidade fiscal (equivalente ao CNPJ brasileiro). Podemos usar o número do ESG?
Resposta: Não. Cada vez com maior frequência, os grupos de A.A. nos Estados Unidos têm recebido pedido de apresentação de uma identificação fiscal quando abre uma conta corrente ou poupança, que receba ou não juros. Nenhuma organização local de A.A. pode usar a condição de isento do General Service Board of Alcoholic Anonymous, Inc., uma vez que cada entidade é autônoma em questões financeiras, assim como em outras questões. Órgão de Serviço locais devem obter sua própria condição de isentas e uma identidade fiscal.
Pergunta: Como podemos obter uma identidade fiscal para a conta corrente de nosso grupo? E sobre impostos locais/Estaduais?
Resposta: O ESG não está, de modo algum, tentando dar aconselhamento fiscal para grupos ou outros órgãos de A.A. Estamos apenas tentando informá- los sobre várias alterações na lei fiscal que vocês podem discutir com contadores ou especialistas tributários locais. As informações seguintes se aplicam aos Estados Unidos.
Estas são algumas das perguntas que temos recebido recentemente:
– Ouvi dizer que as leis mudaram e nosso grupo está automaticamente isento de imposto;
– Ouvi que nosso grupo deveria estar apresentando uma carta postal em vez de declaração de renda;
– Ouvi que, como não temos apresentado a carta postal e se passaram três anos, não somos automaticamente isentos de imposto;
– Ouvi dizer que as contribuições para meu grupo são (ou não são) dedutíveis porque apresentamos (ou não) as cartas postais;
– Meu grupo não quer gastar tempo e dinheiro para cumprir as novas regras;
– Meu grupo não recebe dinheiro suficiente para nos preocuparmos com as regras.
Pergunta: Posso deduzir as contribuições para meu grupo?
Resposta: A menos que seu grupo seja formalmente isento – o que significa ter cumprido todo o processo de isenção, apresentando documentos e pagando as taxas devidas -, as contribuições para seu grupo não são dedutíveis em sua declaração de renda pessoal. Se o pedido de isenção não foi apresentado, os doadores não podem deduzir contribuições para uma organização que deveria se candidatar a isenção, mas não o fez (página 20, capítulo 3, seção 501(c)3
Organizações). Se os recebimentos anuais de seu grupo estiverem abaixo de US$ 5.000, não é necessário pleitear a isenção. Porém, se a Receita Federal (IRS) não tiver registro do grupo (isto é, se o grupo não se cadastrou voluntariamente para o programa 990-N), então não parece lógico que as contribuições possam ser deduzidas.
Pergunta: As deduções para o ESG – Nova Iorque são dedutíveis?
Resposta: Sim. O General Service Board New York está listado como uma organização isenta, capaz de receber contribuições, com base no capítulo
501(c)3 do Regulamento do Imposto de Renda. Todos os requerimentos foram apresentados e o G.S.B. foi aprovado pela Receita Federal como organização isenta, capaz de receber contribuições. A organização emprega contadores, é auditada anualmente por contadores públicos e apresenta declarações de renda à Receita Federal, as quais estão disponíveis para consulta pública.
Pergunta: As contribuições para meu escritório intergrupos ou área são dedutíveis?
Resposta: Não se pode generalizar sobre órgãos locais. Você deve consultar se elas receberam confirmação da Receita Federal de que são isentas.
Pergunta: O que os grupos usam como contrato social ou estatuto? Nosso grupo não é formalmente organizado e parece que a Receita Federal ou os bancos exigem essa informação. O que devemos fazer?
Resposta: A Receita Federal exige documentos de organização. Entendemos que, em algumas vezes, alguns grupos ou outros órgãos de A.A. usaram a forma reduzida das Tradições como documentos reguladores.
Pergunta: O que devo fazer se meu grupo recebe acima de US$ 5.000, mas não acha importante apresentar a documentação adequada?
Resposta: Em uma reunião de serv9ços, tente ter uma discussão que explique que, como bons membros da sociedade, o grupo deveria ser suficientemente maduro para cumprir a legislação adequada.
Pergunta: Por que essas regras mudaram e por que devemos atender?
Resposta: As regras fiscais estão sempre evoluindo e provavelmente continuarão assim. Organizações não lucrativas (principalmente assistenciais) têm recebido muita atenção nos últimos anos, em parte porque algumas organizações abusaram das regras e estavam operando para beneficiar certas pessoas que as controlavam. Além disso, o benefício de deduzir doações significa que o governo federal tem muito interesse em que as organizações assistenciais sejam formadas, operadas e dissolvidas de maneira adequada e legal.
(Extraído da publicação 557 do IRS, pág. 22 (outubro 2010) – aplica-se aos Estados Unidos.)
SEGURO
Pergunta: Nosso locador pediu que fizéssemos nosso próprio seguro. O ESG pode ajudar?
Resposta: Não. O seguro de responsabilidade do ESG não pode ser estendido para cobrir grupos locais. Os grupos de A.A. são autônomos e não subsidiárias do ESG. Alguns grupos cooperam com o local onde se reúnem adquirindo uma extensão para a apólice do local. O grupo deve consultar um corretor de seguro ou advogado sobre estas questões.
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AS FINANÇAS DO ESG
Pergunta: Quem administra as contribuições feitas para a JUNAAB?
Resposta: A Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos é a custo diante de todas as contribuições. O Comitê de Finanças e Orçamento da JUNAAB se reúne trimestralmente para analisar e aprovar o orçamento e demonstrativos financeiros do ESG. O processo orçamentário do ESG é de responsabilidade do Comitê de Finanças e Orçamento, que supervisiona o orçamento anual, o qual é revisto pelo gerente geral antes de ser apresentado para o Comitê de Finanças e Orçamento da JUNAAB.
Pergunta: O que é o Fundo Geral?
Resposta: As contribuições dos grupos membros de A.A. para o ESG compõem o Fundo Geral, administrado pelo ESG e que não aceita contribuições para projetos ou serviços específicos.
Pergunta: O que é o Fundo de Reserva?
Resposta: É uma reserva que tem como principal objetivo prover os recursos financeiros para a continuidade dos serviços essenciais do ESG e do A.A. Grapevine por até um ano em caso de redução inesperada e substancial das receitas normais da organização.
Pergunta: Como os serviços do ESG são custeados?
Resposta: Aproximadamente 70% do custeio dos serviços do ESG provêm de contribuições dos grupos, do Plano de Aniversário, contribuição de escritórios locais, distritos/áreas e saldos de eventos ou conferências de A.A. O restante resulta do lucro na venda de literatura de A.A. (informação relativa à estrutura dos Estados Unidos. Informações sobre a estrutura brasileira verificar demonstrativos financeiros na Área restrita do site oficial de A.A.)
Pergunta: Há um limite de contribuição de um membro para o ESG?
Resposta: Sim. O limite é de US$ 3.000/ano.
Pergunta: As pessoas podem deixar dinheiro para o ESG em seus testamentos?
Resposta: Doações em testamentos são aceitáveis somente de membros de A.A., no valor máximo de US$ 5.000, uma única vez – não perpetuamente. (aplicável à estrutura dos Estados Unidos)
Pergunta: Pode um não membro de A.A. fazer uma contribuição para o ESG em memória de um membro que tenha falecido?
Resposta: Embora o ESG valorize profundamente essas ofertas, devolvemos cheques – sejam em memória ou não – de qualquer não membro. A.A. não aceita contribuição de não membros. Quando recebemos uma contribuição em memória, devolvemos o cheque informando a pessoa de nossa tradição de autossuficiência. O ESG explica para não membros aquela que pode ser uma das mais surpreendentes tradições de nossa Irmandade.
Pergunta: Há limite para o valor que um grupo ou evento de A.A. pode contribuir para o ESG?
Resposta: Não.
Pergunta: O ESG aceita contribuição via cartão de crédito?
Resposta: Sim. (Aplicável á estrutura dos Estados Unidos)
Pergunta: Sempre ouço sobre o Plano de Aniversário. O que é?
Resposta: A Conferência de Serviços Gerias de 1955 aprovou o Plano de Aniversário, pelo qual alguns membros da Irmandade mandam um dólar para cada ano de sobriedade que têm em A.A. Outros usam US$3.65, um centavo por dia, para cada ano. Alguns dão mais, mas o valor não pode exceder US$
3.000 em cada ano.
Pergunta: O que é Mês da Gratidão?
Resposta: Muitos grupos escolherem novembro como um momento especial para agradecer pelo programa de A.A. Em 1970, como extensão do Plano de Aniversário, a Conferência Geral de Serviço recomendou que comitês de área e estaduais suplementem as contribuições regulares dos grupos patrocinando o Mês da Gratidão”.
Para maiores informações sobre finanças podem ser consultados:
“O Tesoureiro do Grupo de A.A.”
“Autossuficiência: Onde Dinheiro e Espiritualidade se Misturam” “O Grupo A.A.”
“Doze Tradições Ilustradas”
“A Tradição de A.A. – Como se Desenvolveu”
Relatório Final da Conferência (Demonstrativos Financeiros) Manual de Serviço de A.A./Doze Conceitos para Serviço Mundial
Exemplos de Contribuições de Grupos para os Órgãos de Serviço de A.A.
Plano de Distribuição do Grupo ____________________
Número de Registro do Grupo _____________________
(Aplica-se à estrutura Estados Unidos somente)
Para ser determinado pelo Grupo:
% para o comitê de área
% para o ESG – Escritório de Serviços Gerais
% para o escritório serviços locais ou intergrupais
% para outros órgãos de serviço de A.A.
% para outros órgãos de serviço de A.A.
OU
10% para o distrito
10% para o comitê de área
30% para o ESG – Escritório de Serviços Gerais
50% para escritório serviços locais ou intergrupais
OU
Se você não tiver escritório de serviços locais ou intergrupais
40% para o distrito
30% para a área
30% para ESG – Escritório de Serviços Gerais
Extraído do livreto: “Autossuficiência – onde o dinheiro e a espiritualidade se misturam”