Monthly Archives: Junho 2017

A FAMÍLIA DISFUNCIONAL DO ALCOÓLICO

A FAMÍLIA DISFUNCIONAL DO ALCOÓLICO
Anotações e extratos do Dr. Lais Marques da Silva
Ex-custódio e Presidente da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos

Pretendo transmitir a visão que tenho da máxima importância de Al-Anon e de Al-Ateen. De início, ressalto uma dificuldade que me parece muito grande diante do nível cultural do nosso país.
Não é difícil argumentar em favor do fato de que o alcoolismo é uma doença. Todos sabem que, quando um membro da família se torna um alcoólico, a família resulta tão ou mais doente que o próprio alcoólico, mas é difícil transmitir a idéia de uma família doente, de uma família disfuncional. A pessoa doente é objeto de fácil observação. É fácil conceber o que seja um indivíduo doente, mas como identificar uma família doente, como “ver” a sua doença? Por outro lado, a sociedade em que vivemos já está conscientizada para o problema do uso do álcool e para a gravidade do alcoolismo, mas ainda não pensou o suficiente na família e, em particular, nas crianças que vivem num lar alcoólico.
É fato que a família disfuncional não é apenas a que resulta da existência de um cônjuge alcoólico. Ela pode ser a conseqüência do uso de outras drogas que não o álcool ou ainda de outras compulsões como para a comida ou para o jogo e até mesmo resultar da presença de um cônjuge portador de doenças crônicas ou, ainda, do fato de um dos membros da família ser um fanático religioso. Isso pode complicar ainda mais as coisas, mas, pelo menos, tira a exclusividade do álcool.
É sabido que o alcoólico, além de ser vítima da própria doença, afeta as pessoas que o cercam, especialmente as que estão mais próximas, como é o caso dos membros da família. Isso é evidente a partir da observação do comportamento familiar do alcoólico. Mas não menos importantes são as conseqüências resultantes do afastamento dos amigos ou da perda do emprego. Quase sempre, a família não reage adequadamente, não se adapta e não se estrutura diante da situação, ficando incapaz de ajudar a si mesma e ao doente alcoólico. Em conseqüência, torna-se também doente.
A família é um sistema em que cada membro desempenha um papel em relação a todos os outros e, quando o álcool causa mudanças no comportamento de um dos membros, isso afeta também cada um membro da família. O equilíbrio é rompido porque o foco das atenções se desloca para o dependente e todos os familiares passam a compartilhar de comportamentos doentios porque todos eles fazem parte do mesmo sistema.
Em realidade, as pessoas que convivem com o dependente se tornam codependentes. A codependência, um termo relativamente novo, é tanto um conceito válido do ponto de vista psicológico como se refere a um importante distúrbio do comportamento humano. Ser codependente significa participar da dependência. É uma condição emocional, psicológica e comportamental que resulta da exposição prolongada e da prática de um conjunto de regras opressivas que inibem não só a expressão livre dos sentimentos como também a discussão de problemas pessoais e interpessoais. Uma pessoa codependente é a que permite que o comportamento de uma outra pessoa a afete e também tem o seu comportamento afetado pela tentativa de controlar o comportamento do dependente.
O que se observa é um quadro em que se identificam vítimas de vítimas. A família é vítima do seu membro alcoólico e ele, vítima da sua doença. Mas as coisas não ficam por aí, pois sabemos que o alcoolismo, freqüentemente, segue a linha da família, se instala na árvore genealógica porque, além de os filhos poderem gerar, no futuro, outras famílias disfuncionais, como conseqüência das suas personalidades mal estruturadas, também é fato de observação que os filhos de alcoólicos têm um risco três vezes maior de desenvolverem o alcoolismo. Parece haver uma tendência para que os filhos de pais alcoólicos se casem com alcoólicos, sem que disso tenham consciência.
Essas considerações colocam em destaque o trabalho de Al-Anon e de Alateen no sentido de interromper um ciclo continuado de dor, de infelicidade e de sofrimento que tende a se estender por gerações evitando, desse modo, a ampliação do número de vítimas.
Vamos agora analisar uma foto colorida de uma família disfuncional, de um alcoólico na ativa para melhor observar e poder apreciar uma maior riqueza de detalhes. Vamos ver como aparecem cada um dos seus integrantes.

O ALCOÓLICO
01. É egocêntrico,
02. Nega o alcoolismo e as suas manifestações,
03. Racionaliza, numa tentativa de tudo explicar e justificar,
04. É grandioso nos seus projetos e idéias,
05. É emocionalmente imaturo,
06. Apresenta baixa auto-estima,
07. Tem sentimento de isolamento,
08. Tem sentimento de culpa e de vergonha,
09. É dependente,
10. É perfeccionista,
11. É inábil em expressar as suas emoções.

O NÃO ALCOÓLICO
01. Usa a negação,
02. Vive em aborrecimento contínuo,
03. Mente,
04. Tem medo,
05. Tem raiva,
06. Sente-se culpado,
07. Sofre de desapontamento,
08. Está mergulhado em confusão mental,
09. Tem pena e protege o bebedor,
10. Sofre desesperança,
11. Tem autopiedade,
12. Sente desânimo,
13. Sente desespero,
14. Apresenta mudanças no relacionamento: a. tende à dominação,
b. tende a assumir o controle da família,
c. tende a adotar atividades isoladas e absorventes
(atividades solitárias que prendem a sua atenção).
15. Tem problemas sexuais,
16. Sofre de ansiedade.

OS FILHOS
Vamos estudar esse ambiente de tensão e ansiedade e identificar algumas das suas manifestações em relação aos filhos e ao seu comportamento na vida futura.
Embora isso seja traumatizante, é muito importante ter conhecimento do ocorre numa família disfuncional porque a verdade liberta e, a partir dela, podem-se desenvolver comportamentos para mudar as coisas e não permanecer apenas como vítimas. A partir desse entendimento, será possível controlar os pensamentos, sentimentos e desejos, fazer uma opção mais sensata e escolher o caminho certo ao longo da vida e não apenas ficar sendo empurrados e arrastados por seus sentimentos e impulsos ou pela vontade dos outros. O controle da situação trará a serenidade e a sensação de conforto.
Voltemos a apreciar a foto da família e olhar para os filhos procurando, como normalmente se faz, ver neles os traços dos pais. Não é difícil encontrar esses traços comportamentais uma vez que os pais são sempre modelos de desenvolvimento para os filhos que os capacitam para lidar com os seus problemas íntimos e para desenvolver a auto-estima e o sentimento de segurança.
Mas, na foto, vemos que são crianças diferentes: têm olhos tristes e o semblante preocupado e, se tivéssemos um filme em vez de uma foto, veríamos que não possuem a espontaneidade das outras crianças. Compreende-se por que se apresentam assim, pois as suas vidas são cheias de problemas e eles estão sempre dentro deles. Em realidade, não se sentem como crianças e nem mesmo sabem o que é ser criança.

A VIDA DOS FILHOS DE PAI OU MÃE ALCOÓLICO, NO LAR.
1. As famílias e as pessoas são diferentes, mas o que acontece nos lares dos alcoólicos não é muito diferente uns dos outros.
2. Cada criança reage a seu modo, mas as experiências que têm são mais ou menos as mesmas.
3. O ambiente é sempre de tensão e de ansiedade.
4. Ao abrir a porta de casa, nunca sabem o que vão encontrar ou o que está por acontecer. Ou seja, nunca estão preparadas para enfrentar os problemas.
5. O pai, quando não alcoolizado, é bom e amável, interessado e atencioso e as promessas que fazem são verdadeiras. Quando alcoolizado, as promessas são esquecidas, há conflito, ansiedade e confusão e as crianças ficam no meio da briga. Sentem que talvez, se não existissem, os pais não brigariam e aí vem o sentimento de culpa.
6. A mãe é irritadiça e cansada, como se o mundo pesasse nas suas costas. A criança, às vezes, até prefere o pai, mesmo sendo ele um alcoólico.
7. Se a mãe é a alcoólica, o pai já pode ter abandonado a família. Se não, vem na hora do almoço para fazer o trabalho que não era seu. Os papeis de cada um dos membros da família ficavam confusos.
8. A filha faz o que era para a mãe fazer, realiza as tarefas da casa, toma conta dos irmãos, etc, ou seja, é a mãe da mãe. Resulta que tudo fica muito confuso. Qual o verdadeiro papel de cada membro da família? Quando a mãe fica sóbria, a filha sente remorso. Sente pena da mãe pelo esforço que faz para ficar sóbria. Qual o seu verdadeiro papel?
9. Quando ambos os pais são alcoólicos, a vida se torna totalmente imprevisível. O lar é um inferno. Ninguém diz uma palavra. O ambiente é tenso. O nervosismo e a raiva estão no ar.
10. Sonham. Vivem num mundo de fantasia. Pensam em ir embora. Perguntam-se quando acabaria isso? Mas nenhuma das duas coisas acontece. Se a criança sai, fica preocupada com o que possa estar acontecendo e procurava voltar logo para casa.
11. Aprendem a guardar os seus sentimentos. As outras pessoas não podem saber o que se passa dentro das suas casas.
12. São crianças quietas. Fazem as coisas certas. São elogiadas. Mas são também amarradas emocionalmente. Não têm espontaneidade.

A VIDA DO FILHO/A DE PAI OU MÃE ALCOÓLICO NA ESCOLA
1. A vida miserável dos filhos se reflete na escola.
2. São quietos, responsáveis e podem ter notas altas e serem elogiados. Mas não são notados, eram como que invisíveis. Preferiam até ser o palhaço da turma, ser alegres e espontâneos, sem se levar tanto a sério.
3. Às vezes, tinham um mau desempenho. Iam bem num semestre e mal no outro. Se inteligentes, aprendiam, e pior, aprendiam inclusive a manipular os outros.
4. Um filho de pai alcoólico, em recuperação no AA, ia ser reprovado na escola porque faltava às aulas. Considerou, diante do fato, três diferentes possibilidades: 1. Reagiria como o pai, nos velhos tempos, e diria ao professor que ele não podia fazer isso, que não tinha esse direito; quem pensava ele que era? E faria queixa ao diretor da escola. 2. Iria à casa do professor, se atiraria aos seus pés e beijaria o seu anel (manipulação). 3. Já tendo trabalhado a si mesmo, pensou que o melhor seria marcar uma entrevista e ver o que se podia fazer para realizar o trabalho. Já tinha aprendido a ser responsável. Na primeira hipótese, se continuasse agressivo, seria reprovado e ainda se sentiria vítima, resultando que ficaria ainda mais ressentido. Poderia adotar comportamentos anti-sociais que, por seu turno, poderiam levá-lo a uma instituição penal. A segunda hipótese traria um sucesso temporário sendo bom artista, enganador e manipulador; mas isso não funcionara para sempre e leva a uma percepção distorcida da realidade. Não saberia o que o havia derrotado quando a farsa terminasse. A terceira hipótese foi considerada a mais adequada porque daria uma sensação de orgulho, qualquer que fosse o resultado e traria o respeito por si mesmo.
5. Apresenta falta de concentração. Vive em fantasias. Tem preocupação com a casa. Está sempre sonhando e não prestando atenção à aula. Não dorme bem à noite por causa dos conflitos. Se tudo é tão ruim, que diferença faz estudar ou não? Afinal, ninguém se importa se vai mal ou bem. Não adianta pedir ajuda. Os pais prometem e não cumprem. Não têm tempo para as crianças.
6. Se pede ajuda ao professor, poderia ocorrer que ele perguntasse se tudo vai bem e aí tinha que negar e dizer que tudo ia bem, e não ia. Tem que guardar para si os seus sentimentos.
7. A escola é um problema, um lugar que apenas tem que ir.

RELACIONAMENTOS COM OS AMIGOS
1. Brincam, mas não são iguais às outras crianças.
2. Têm dificuldade em fazer amigos. Quem gostaria deles, afinal? Não se sentem amados. Pensam que são pessoas sem valor. Têm medo de que as outras crianças saibam de alguma coisa acerca da vida delas. Se vão brincar na casa de amigos, ficam na obrigação de convidá-los um dia para também ir à sua e os amigos poderiam encontrar o pai deitado no chão. A mãe daria uma explicação, mas o fato é que os amigos não voltariam mais. Falta espontaneidade. É melhor ficar longe das outras crianças. Às vezes, aceitam um tratamento inadequado e desagradável, pois precisam manter os poucos amigos. São incapazes de aprender a fazer amigos.
3. Seria bom ficar na escola e brincar, mas precisam voltar para casa porque estão preocupados com o que pode estar acontecendo. Os sentimentos são contraditórios, querem fugir de casa, mas precisam sempre voltar.

O PROBLEMA DA AUTO-ESTIMA DOS FILHOS
1. Ter auto-estima é sentir-se como tendo valor. Todas as pessoas dependem do que os outros dizem, pois internalizam as mensagens. No lar, as mensagens têm duplo sentido. Afinal, o que é verdade? Dizem: você não faz as coisas direito e, depois afirmam que precisam deles. “Tudo vai bem, não se preocupe”, e depois dizem, “como posso agüentar isso?”. “Fale sempre a verdade” e depois dizem: “eu não quero saber”. O perfeccionismo do alcoólico o faz achar defeito em tudo. Há promessas não cumpridas, mentiras e problemas. A promessa do passeio de fim de semana, do vestido novo de presente e do jantar juntos acaba em nada. Pensam que mais tarde vai dar certo e o mais tarde nunca chegava. Recebiam como resposta o simples “esquece”. O que era real?
2. Começam a mentir automaticamente.
3. A dupla mensagem faz perder a visão de si mesmas.
4. No fundo, sentem que os pais as amam. O álcool não destrói o amor, que parece distorcido, mas é real.

REFLEXOS NA VIDA FUTURA
1. Precisam saber o que é normal. Usualmente, são preocupados e não sabem o que é apropriado numa determinada situação. Não têm certeza das coisas. Não têm liberdade para perguntar. Não querem parecer bobos. A vida era uma loucura. Os dias são caóticos. Os dias normais são atípicos. Vivem num mundo de fantasia, no mundo do “se”, mas que, por outro lado, ajuda a sobreviver. Não têm um padrão de referência do que seria um lar normal. Vivem pisando em ovos, reprimidos. Mais tarde, quando têm filhos, apresentam dificuldade em avaliá-los. Não sabem o que é ser adolescente, por exemplo, porque nunca viveram as suas idades. O que lhes pode parecer anormal, eventualmente, não é. Não se encaixam inteiramente no papel de pais. O que é normal?
2. Têm dificuldade para levar até o final as suas tarefas, os seus projetos. Em casa, as promessas não eram cumpridas, a casa da boneca prometida nunca se transformava em realidade; prometiam fazer isso e aquilo e não saia nada. O alcoólico quer crédito por ter tido uma idéia ou uma intenção, embora fique só nisso. A comentada pintura da sala não acontecia. As idéias eram maravilhosas, mas não se transformavam em realidade. Às vezes, tanto tempo se passava que a idéia inicial era esquecida. Ninguém ajudava a fazer as coisas e a família não era uma equipe.
3. Mentem quando seria mais fácil dizer a verdade. Na família do alcoólico é comum mentir para negar as realidades desagradáveis, para acobertar. É comum fazer promessas que não serão cumpridas. Há inconsistências. Não são mentiras, propriamente, mas são coisas que se afastam da verdade. Aprendem a mentir e, depois, a usar a mentira. Dizia que o trabalho da escola estava pronto e ia brincar, e não estava. Diga a verdade, a verdade é uma virtude, mas as coisas não eram assim e a verdade era sem significação e a mentira era um hábito.
4. Julgam a si mesmas com muita severidade. As crianças eram sempre criticadas. Nunca faziam as coisas certas. Não havia padrões de perfeição. A criança se sentia deficiente. Tinha uma auto-estima negativa. Diante da crítica, a solução era se empenhar mais, cada vez mais, fazer sempre melhor. Se algo saia errado era porque tinham falhado em algo. Se dava certo, era mérito dos outros e se era mesmo delas o mérito, diziam, “isso não tem maior importância”. Isso não é humildade e sim distorção da realidade. Era preciso manter a auto-imagem negativa porque estavam acostumadas a ela.
5. Têm dificuldade em se divertir. Levam muito a sério a si mesmas. Os filhos dos alcoólicos não se divertem porque a sua vida é um “trauma contínuo”. A vida é séria e amarga. Os pais não riem, não brincam, não se divertem. Não aprendem a brincar com os outros. No lar, não há lugar para brincadeiras distraídas. As crianças não são espontâneas e descontraídas.
6. Têm dificuldades em fazer relações íntimas. Não possuem padrões de referência para o que seja um relacionamento íntimo saudável. Tornam-se próximos e depois se afastam. Há inconsistência no relacionamento pai/mãe/filhos. Amados num dia e rejeitados no outro. A rejeição e o medo de serem abandonadas levava à falta de confiança e à sensação de não serem dignas de receber amor. Não se sentem boas pessoas. Há em casa um sentimento de urgência. Os momentos de felicidade são fugazes. Se há uma promessa e ela não é cumprida logo, aí as coisas nunca mais acontecem. As coisas não fluem normalmente. Os membros da família não se conhecem bem, não descobrem os seus sentimentos e as suas atitudes.
7. Reagem intensamente em relação a mudanças sobre as quais não têm controle. Para sobreviverem, sentem que têm que ter controle sobre o ambiente. Não podem confiar no julgamento das outras pessoas do seu lar. Se não ficarem atentas, as coisas podem mudar de repente e isso é igual a perder o controle das suas vidas. São rígidas e sem espontaneidade.
8. Sentem-se diferentes dos outros, e realmente são. Sentem-se desconfortáveis, mesmo nos ambientes confortáveis. Sentem-se diferentes desde a infância. Estão sempre preocupadas. Não estão à vontade quando brincam. A socialização é difícil. São diferentes e isoladas.
9. São usualmente super-responsáveis ou superirresponsáveis. Empenham-se em ser sempre melhor e melhor e isso, às vezes, não adianta. Por vezes, em face das críticas, não se empenham mais. É tudo ou nada. Na família um não coopera com o outro, não se sentem fazendo parte de um projeto, colaborando para um fim, do que resultava em fazer tudo sozinha ou não fazer nada.
10. São muito leais, ainda quando a lealdade não é merecida. O lar de um alcoólico parece ser um lugar de lealdade, mas que resulta mais do medo e da insegurança.
11. São impulsivos. Não identificam alternativas e não avaliam as conseqüências dos seus atos. O resultado é uma perda do controle do meio ambiente que leva a uma confusão que depois dá muito trabalho para arrumar. Tudo isso é muito alcoólico. As idéias são do tipo aqui e agora. Não têm tempo para qualquer consideração. As crianças já são impulsivas e, no lar do alcoólico, ficam mais ainda. Agir deste ou daquele modo dá no mesmo porque o lar é inconsistente. Não importa o que faz e tudo ainda fica mais complicado pela sensação de urgência. Comprar um cavalo e depois não saber o que fazer com ele. Abandonar o emprego sem maior razão. Casar sem conhecer bem a pessoa, como é o príncipe encantado que apareceu subitamente. Não são pacientes nem consigo mesmas e nem com os outros. Falta paciência, o que está associado à impulsividade.

Para tornar o quadro menos traumatizante, devemos ressaltar que ele é, pelo menos em grande parte, reversível. É possível mudar as coisas assumindo atitudes novas e mais saudáveis e gerar experiências que concorram para restabelecer nos filhos o equilíbrio e a auto-estima.
Considerando que os filhos aprendem, sobretudo, pelo exemplo, procure ser a pessoa que deseja que seus filhos imitem. Do mesmo modo pelo qual o parceiro alcoólico criou um clima negativo, o parceiro não-alcoólico pode gerar um clima positivo evitando tornar-se irritável, confusa, sentir-se culpada ou decepcionada. É preciso, com a valiosa ajuda de Al-Anon e Alateen, trabalhar aqueles traços identificados na foto do não-alcoólico. Sorria e relaxe e o ambiente na sua casa será relaxante e calmo.
Informe aos seus filhos acerca dos fatos ligados à doença do alcoolismo e procure encorajá-los a freqüentar o Alateen. Fale sempre a verdade e abandone a negação. Dizer a verdade concorre para um novo senso da realidade, cria um novo referencial. Não procure acobertar o cônjuge alcoólico mentindo, pois a criança perceberá isso muito bem e ficará confusa. Quanto à negação, todos sabem que ela é a grande aliada do alcoolismo e, por isso mesmo, deve ser evitada.
Tenha tempo para os seus filhos, converse com eles, restabeleça o diálogo. Mostre que quer ouvi-los. Estabeleça um canal de comunicação.
Eduque-os mostrando sempre as conseqüências dos seus atos e isso fará diminuir a impulsividade, natural nas crianças, mas que deve ser trabalhada. Tenha tempo para isso.
Procure criar um clima de amor e de ordem na sua casa. Procure ter atitudes afetuosas com os seus filhos. O que pode ser odiado é o alcoolismo, mas não as pessoas que dele são vítimas. Estabeleça horários e também uma amena disciplina na sua casa, pois isso dará aos seus filhos padrões para que, com eles, possam organizar as suas próprias vidas. Não se pode nunca exagerar ao ressaltar o poder do amor, especialmente dos pais.
Procure fazer uma avaliação contínua do seu progresso em Al-Anon, compare sempre quem você era e quem você é hoje e isso irá colocando o presente e o futuro nas suas mãos.

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O ESPÍRITO DA UNIDADE DE A.A.

U N I D A D E
O Espírito da Unidade de A. A.
Nosso bem estar comum deve estar em primeiro lugar…
Ao analisar “O Espírito da Unidade de A. A., chegamos a conclusão que ele é a essência do comportamento dos membros de A .A.. Este comportamento tem o objetivo de preservar a Unidade de A. A.. É a união de pessoas que se identificam com um problema comum e todos com um único propósito, de buscar a melhor maneira de solucioná-lo, procurando agir com um só pensamento, uma só maneira de trabalhar e sempre juntos em igualdade, garantindo assim o bem-estar comum que existe entre os membros, esforçando sempre para que ele seja da melhor qualidade. Nos relacionando em grupo num sentido de ajuda mútua e dedicando ao programa de recuperação, a nossa libertação do alcoolismo virá de uma forma gradativa, trazendo a esperança de uma vida de paz e felicidade sempre conquistando vitórias através de um desenvolvimento espiritual”.
É bom lembrar como os membros pioneiros de Alcoólicos Anônimos começaram a encontrar uma linha de conduta com o propósito de assegurar o futuro da nossa Irmandade. Logo chegaram a conclusão que sem unidade, poucas chances teriam para sobreviver em grupo e muito pouco teriam para oferecer, no sentido de aliviar os milhares de alcoólatras que ainda poderiam chegar a procura da liberdade. Pouco a pouco adotando as lições aprendidas através das experiências vividas, primeiro como norma de procedimento e depois como tradição, concluíram que:
Cada membro de Alcoólicos Anônimos é apenas uma pequena parte de um todo. Que nenhum membro pode ser punido ou expulso da irmandade. Que o Grupo precisa sobreviver, caso contrário, não sobreviverá o indivíduo, portanto nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar;
Nossos líderes são apenas servidores de confiança, não tem poderes para governar, eles devem liderar pelo exemplo e jamais por imposição. A única autoridade em Alcoólicos Anônimos é um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa consciência coletiva;
Nossa irmandade deve incluir todos aqueles que sofrem do alcoolismo, por isso não devemos recusar nenhuma pessoa que queira se recuperar, nem seu ingresso em A .A. poderá jamais depender de dinheiro ou formalidades.
Dois ou mais alcoólicos reunidos com o propósito de procurar pela sobriedade, podem se considerar um Grupo de A. A., desde que como Grupo, não tenham nenhuma outra afiliação. Com respeito aos seus próprios assuntos, cada Grupo deve ser livre de qualquer autoridade, a não ser de sua própria consciência. Mas, quando seus planos afetam outros grupos, estes, deverão ser consultados. Nenhum grupo, comitê regional ou indivíduo jamais deverá tomar qualquer atitude que possa afetar grandemente A. A. como um todo, sem antes trocar idéias com os nossos comitês de serviços. Pois esse procedimento nos manterá em unidade, buscando cumprir o único propósito primordial.
Cada Grupo deve ser uma entidade espiritual, tendo somente um propósito primordial, o de transmitir a sua mensagem, e ajudar outros alcoólicos a se recuperarem através dos “Doze Passos” de A. A..
Problemas de dinheiro, propriedade, prestígio e autoridade podem facilmente nos afastar do nosso objetivo primordial, portanto, qualquer propriedade de considerável valor e utilidade para Alcoólicos Anônimos, deverá ser organizada e administrada separadamente, fazendo assim uma divisão entre o material e o espiritual.
Os Grupos de A. A. devem ser mantidos totalmente pelas contribuições voluntárias de seus próprios membros. O Grupo deve atingir este ideal em um tempo mais curto possível. Qualquer levantamento de fundos a nível público, usando o nome de Alcoólicos Anônimos é altamente perigoso. Que a aceitação de doação ou contribuição de qualquer fonte de fora é desaconselhável. Da mesma forma, causa muita preocupação, as tesourarias de A. A. que, ultrapassando as reservas consideradas prudentes, continuam a acumular fundos sem qualquer propósito determinado de A .A.. A experiência tem freqüentemente mostrado que nada pode, na verdade, destruir tanto nossa herança espiritual como fúteis disputas de propriedade, dinheiro e autoridade. Não podemos esquecer, que todo dinheiro que entra na sacola da Sétima Tradição pertence a Alcoólicos Anônimos como um todo – ele precisa circular para fazer com que a mensagem possa chegar a todos os alcoólicos que ainda sofrem.
Alcoólicos Anônimos deve sempre se manter não profissional. Definimos profissionalismo como a prática remunerada de orientação a alcoólicos. Mas podemos empregar alcoólicos em serviços para os quais possam ser contratados também não alcoólicos. Tais serviços podem ser remunerados, mas nosso costumeiro trabalho do Décimo Segundo Passo nunca deve ser pago.
Como irmandade, Alcoólicos Anônimos não deve ter nenhum tipo de organização. Nossos líderes devem ser sempre revezados. Todos os representantes devem ser guiados pelo espírito de servir, pois os verdadeiros líderes de Alcoólicos Anônimos nada mais são que servidores de confiança e com experiência em relação ao A. A. em seu todo. Seus títulos não lhes conferem nenhuma autoridade. Eles não governam, agem com respeito mútuo.
Nenhum membro ou Grupo de A. A. jamais deverá opinar sobre questões alheias a irmandade, sujeitas a controvérsia, especialmente com relação a política, combate ao álcool ou sectarismo religioso, de forma a envolver a Alcoólicos Anônimos. Os Grupos de A. A. não se opõem a nada. Com respeito a estas questões, eles não devem dar qualquer opinião. Por isso, precisamos ter cuidado com o nosso relacionamento com o público para não confundirmos e envolvermo-nos em assuntos alheios ao nosso propósito primordial.
Nossas relações com o público em geral devem ser caracterizadas pelo anonimato pessoal. Nossos nomes e fotografias como membros de A. A. não devem ser divulgados pelo Rádio, Filmes ou Imprensa. Nossas relações com o público devem ser orientadas pelo princípio da atração, não da promoção. E, finalmente, acreditamos que o princípio do anonimato tem um enorme significado espiritual. Ele nos lembra que devemos colocar os princípios acima das personalidades e que devemos realmente praticar a verdadeira humildade. Sendo o anonimato a garantia de proteção que a Irmandade oferece a todos aqueles alcoólicos que queiram se juntar a nós, cresce a responsabilidade de cada membro em respeitar o direito de seu companheiro em manter seu anonimato. O grupo precisa evitar situações que possa expor o anonimato de seus membros.
Uma vez que esta linha de comportamento seja respeitada com disposição, dedicação e, acima de tudo com fidelidade, vamos conquistar a “harmonia”, que no nosso entendimento é o verdadeiro “espírito” da “Unidade” de A. A.. Harmonia é a disposição bem ordenada entre as partes de um todo, é a paz coletiva entre as pessoas; e paz é a ausência de violências, perturbações e conflitos entre as pessoas, paz é sossego, é serenidade. Tudo isto está contido na “harmonia”. Entretanto, considerando que a nossa irmandade é composta de membros que buscam o aperfeiçoamento espiritual, ainda tem comportamentos defeituosos, vamos ver que existem algumas falhas e determinados defeitos que nos ameaçam continuamente.
As Tradições nos orientam para melhorar nossa maneira de trabalhar e viver juntos, elas são também um antídoto para nossos diversos males. As Tradições são para a sobrevivência e harmonia do Grupo como os Doze Passos são para a sobriedade e paz de espírito de cada membro. Elas apontam para muitos de nossos defeitos individuais. Por dedução elas pedem para nunca usar o nome de A. A. na busca de poder pessoal, fama, dinheiro e prestígio. Pedem a cada um de nós para deixar de lado, o orgulho e o ressentimento. Pedem o sacrifício para o benefício do Grupo como também o benefício pessoal.
Considerando que cada membro é uma pequena parte de um todo (nossa irmandade), concluímos que a qualidade da “unidade” depende do quanto cada um de nós estejamos dispostos e empenhados a respeitar todos os princípios de Alcoólicos Anônimos. Um membro que contribui para a boa qualidade da “unidade”, ele procura com satisfação freqüentar as reuniões sempre com o propósito de compartilhar suas experiências e forças com os companheiros, dando a eles a máxima atenção quando eles também estiverem nos transmitindo algo, procurando respeitar as condições de cada um, bem como as convicções, ele procura também, prestar serviços com responsabilidade e dedicação, seu primeiro impulso é o de ser um servidor, buscando o interesse pelo bem-estar comum em vez de pensar em si mesmo. Não condena aqueles que não aceitam suas opiniões, bem como, não impõem seus conhecimentos aos companheiros. Procura em seu programa não ter ódio, rancor, ressentimentos, nem desejos de vingança. Perdoa e esquece as ofensas, e só se lembra dos benefícios recebidos, porque sabe que também quer ser perdoado. Não procura descobrir e por em evidência os defeitos alheios, se a necessidade a tanto o obriga, procura sempre se posicionar do lado bom, na tentativa de atenuar o mal. Estuda suas próprias imperfeições e sem cessar esforça para combatê-las. Jamais procura valorizar seu talento á custa dos outros, ao contrário, busca todas as ocasiões para ressaltar aquilo que é mais interessante nos demais. Está sempre pronto a ajudar aquele que ainda sofre pelo alcoolismo. Procura descobrir quais as atividades que melhor funcionam como Padrinho para oferecer a melhor ajuda ao recém-chegado, procurando ajudá-lo a se recuperar através do programa de recuperação, “Os Doze Passos”, principalmente com seus exemplos. Procura se posicionar na sua verdadeira disponibilidade para participar da “auto-suficiência” de A .A., contribuindo sempre com lealdade. Respeita a promessa de sigilo pelo anonimato dos companheiros, inclusive de suas histórias.
Enfim, se cada membro procurar sempre pelo aperfeiçoamento na recuperação individual e dedicar o melhor dos esforços e atenção ao aprimoramento do Grupo, dando força para que ele seja cada vez mais um Grupo consciente, estaremos cuidando de melhorar sempre a qualidade da nossa “Unidade” e de cabeça erguida poderemos caminhar em direção à perfeita harmonia que é o verdadeiro “Espírito da Unidade de A. A.”.

Um companheiro

PARA REFLETIR

Prezados membros deste grupo.
Bill nos deixou várias colocações bem claras, eu não devo para salvar, ou pensando salvar alguém ou alguns, transgredir as Tradições, pois a obediência a estas garante a sobrevivência de A.A., e consequentemente a vida de milhões pelos séculos afora, mesmo que pela minha atitude de obedecer às Tradições, em algum momento alguns morram, e que certamente iriam morrer pela bebida de qualquer maneira, vejam o que Bill escreveu:
GARANTINDO O FUTURO – Bill desenvolve as Tradições de AA.
Quando a revista Time quis publicar uma capa com Bill – isto é, estampar o lado de trás da cabeça dele na capa da revista – Bill recusou a oferta e recusou igualmente a publicação de uma história de capa. Ele explicou: “Tanto quanto saibamos, uma coisa desse tipo poderia ter trazido mil membros para A.A. – Talvez mais.”
“ Consequentemente, quando descartei a publicação desse artigo, impedi a recuperação de um montão de alcoólicos – alguns deles podem até estar mortos. E praticamente todos que sobraram, é lícito supor, ainda estão doentes e sofrendo. Consequentemente minha decisão representou em certo sentido uma sentença de morte para alguns bêbados e condenou outros a um período muito mais prolongado da doença.”
“ Mas fui muito além sob o aspecto conservador, porque as exigências do artigo tenderiam a criar uma imagem pública nítida e colorida de mim como pessoa. Isto teria criado para o futuro, tenho certeza, uma tentação de nosso pessoal para conseguir artigos semelhantes – na realidade com nomes completos e fotos. Por essa razão, avaliei que seria melhor que alguns morressem e outros sofressem, do que estabelecer um precedente tão perigoso. Declinei, portanto da publicidade e devo confessar que essa decisão não foi fácil.”
Levar Adiante. Pág. 342.

Este trecho do livro citado me deu resposta a uma dúvida que já com vinte e seis anos em AA, (Foi quando foi publicado aqui o livro Levar Adiante) eu ainda tinha, até que ponto poderia transgredir algum item das tradições para salvar um ou alguns doentes; ou pensar que salvaria, hoje sei que eu estava equivocado com minhas dúvidas. Bill mostrou bem claro, que o desrespeito às tradições, aqui, ali e acolá, por vários membros e grupos de AA no decorrer do tempo, poderia por em perigo a vida de nossa Irmandade, e como tal de todos os doentes alcoolistas do futuro. Ficou claro para mim então, que para que AA perdure enquanto Deus quiser, devo obedecer à risca suas tradições. Hoje cumpro as tradições, observando o anonimato, não recebendo auxílios de fora, não vinculando A.A. a nada, respeitando os companheiros(as), não me utilizando de A.A. para tirar vantagens, usando em nossas reuniões somente os três legados e as literaturas de A.A., mantendo a sua unicidade de propósito, não definindo a doença o que é para autoridades médicas, não tratando de questões teológicas, não dando conselhos e somente falando de minhas experiências, mesmo que isto desagrade alguns, pois a experiência tem demonstrado que é o melhor caminho, e sei aonde minha bela e sábia cabeça me levou no passado, as interpretações coletivas dos membros de AA das Tradições, tem sido meu norte na Irmandade. Neste campo já não me dou o direito de interpretar sozinho, ou usar minhas próprias conclusões.

chilon magno/RS

PRINCÍPIOS DE A.A. X PERSONALIDADES

Princípios de A.A. X Personalidades.

Princípio = Preceito, base, regra, diretrizes, ou lei adotada por uma organização.
Personalidade = Qualidade pessoal que determina a individualidade de uma pessoa – O elemento estável da conduta de uma pessoa. A maneira habitual de ser de alguém. Conduta de quem refere tudo a si próprio. O personalista tem a característica de pretender afirmar-se como panaceia de todas as causas.

Vou falar-vos do que aprendi sobre algo que é muito importante, não com o intuito de convencer, ensinar ou criticar quem pense diferente, mas só transmitir o que aprendi, com tantos outros de vocês em muitos anos e lugares.
Toda organização ou instituição tem seus próprios princípios e procura segui-los, não há razão para tê-los, conhecê-los e utilizar-se de outros princípios de outros organizações e atividades, mesmo que com os seus se assemelhem, isto me parece algo perfeitamente compreensível.
Trato aqui amigos e amigas, dos princípios de A.A. (seus três legados) que são os mesmos em qualquer lugar, e aos quais muitos de nós acrescentamos um “quarto legado”: os usos, os costumes, as preferências, os hábitos ou gostos pessoais utilizados e que tem origem no personalismo e são utilizados por membros de A.A. nos grupos, na Internet, e até em órgãos de serviço. Os princípios de AA salvam vidas e geram paz, o que me faz acreditar que somente o uso deles em A.A., fará A.A. permanecer vivo para sempre, conforme disse Bill. Já os costumes e hábitos do personalismo só geram divisão e controvérsia, mal-estar e fecham grupos. Quantos grupos já fecharam tendo por origem o desprezo aos princípios e o domínio do personalismo de alguns poucos, e a ignorância de muitos.
Como já dito toda organização tem sua orientação, A.A. também tem seus princípios básicos e sólidos, e somente utiliza estes em suas atividades, porque sabe por experimentação que funcionam para o alcoolista. Quais são?
1°- Os Doze Passos.
O que são os Doze Passos? Normas para recuperação. Para que os Doze Passos? Para que o indivíduo que quiser deixar de utilizar bebidas alcoólicas quando isto lhe estiver trazendo problemas, o consiga, se transforme, se insira na sociedade, tenha uma vida útil, tenha paz e viva feliz. O Personalista inventa a roda, quer impor métodos próprios para a recuperação e pode até morrer sem beber, mas viverá irrequieto e infeliz.
2° – As Doze Tradições.
O que são as Doze Tradições? Normas, diretrizes princípios, limites que precisamos utilizar e obedecer em nosso relacionamento entre nós mesmos, nossos grupos, nossos órgãos de serviço e para com o público em geral e que tem origem na experiência; ali consta o que deu certo ou não. A.A. nada nos obriga, mas Bill nos disse: Obedecemos de boa vontade a esses princípios, porque precisamos e gostamos dos resultados que essa obediência nos trás.
Para que tradições? Para que agindo dentro desses limites pela experiência demonstrados desejáveis e necessários, A.A. possa permanecer vivo e a disposição de todos os doentes alcoolistas até quando o PS quiser. O personalista interpreta as Tradições conforme seu interesse, mostra o trecho que defende seu ponto de vista, esquecendo-se que em A.A. sempre tem o contraditório que leva ao equilíbrio. (3ª, 1ª e 2ª Tradições)
3° – Os Doze Conceitos – São princípios administrativos, hoje em dia ainda altamente modernos, apesar da época em que foram enunciados.
Quando o Dr. Bob falou: mantenha isto simples Bill, ele referia-se especialmente a não nos envolvermos com complexos de Freud e princípios teológicos, ou melhor, com quaisquer outros princípios de fora, ou coisas polêmicas, pois nossos princípios e tudo que precisamos como irmandade para que seus membros permaneçam sem beber, estavam e estão em nossos livros. Os que não gostam de princípios que me perdoem, mas entendo que eles são fundamentais para nossa recuperação, nossa boa convivência em geral, nossa administração e a permanência de A.A. vivo para sempre.
Como vemos, A.A. tem tudo que precisamos para tratar e estancarmos nosso alcoolismo, e nos pede que não utilizemos qualquer coisa de fora, o que forçosamente nos dividirá. O Personalista quer utilizar-se de coisa melhor que as de A.A.: Livros, poesias, pensamentos, frases, etc. do seu jeito, sempre é melhor para o personalista.
Podemos e devemos particularmente, utilizarmo-nos de qualquer princípio, filosofia, livro escrito por qualquer pessoa, membro ou não de A.A. sobre qualquer assunto que nos ajude em nossa sobriedade, MAS SEMPRE COMO INDIVÍDUOS, E NUNCA EM NOSSAS REUNIÕES, POIS ISTO JÁ ESTÁ COMPROVADO QUE NOS DIVIDE, E AS SUGESTÕES DE A.A. SÃO BEM CLARAS NESTES ASSUNTOS, fiquemos com o que é nosso, e que foi extraído de todos os conhecimentos universais de todos os tempos, sob a forma de experimentação erro e acerto, e nossas tradições falam bem claro sobre isso.
A.A. extraiu sua sabedoria dos princípios religiosos comuns a todas as religiões, mas não se utiliza, nem se vincula, não planeja nem trabalha junto com nenhuma religião, mas o personalista quer isto, faz isto, criando o “quarto legado….” O mesmo ocorreu e ocorre com a medicina, com a psiquiatria, com a psicologia, com a filosofia, com a sociologia, com as ciências administrativas ou com qualquer outra área que trate da vida e comportamento do ser humano. A.A. retirou dessas fontes tudo o que precisávamos e precisamos para nossa recuperação do alcoolismo, convivência e serviços, mas não se utiliza, não planeja, nem age junto com nenhuma dessas organizações, mas o personalista quer planejar, trabalhar junto com estas e aparecer. A.A. coopera com todas as instituições e organizações, o que é diferente, sem interferência de nenhuma delas ou seus princípios em nosso planejamento e modo de agir, mesmo que seja de modo direto ou indireto, explícito ou implícito, o que precisamos já está em nossos Três Legados, o “quarto legado” nos prejudica.
No trabalho do TCO, o anonimato tem como substância espiritual, o sacrifício, o abandono do estrelismo, do aparecer, do estar na crista da onda, como quer o personalista. Minha experiência diz, que criticar o outro, seja por personalismo ou outro defeito de caráter não leva a nada, pois o único indivíduo sobre o qual tenho algum domínio sou eu mesmo, e mesmo assim às vezes consigo pouco. Se o amor e a persuasão não resolvem, o indivíduo se consome nas suas próprias mazelas, e além disso A.A. tem processo para que possamos democraticamente substituí-los; a crítica mordaz, principalmente para quem não tem condições de conhecer-se, é negativa; essas pessoas não vão mudar, pois o personalista não se acha assim.
É fácil aquilatar o que ocorreria se o X, o Y, o M, o N ou qualquer outro membro de A.A. trouxesse para nossas reuniões, suas preferências pessoais personalistas sobre livros escritos por companheiros, por religiosos ou religiões, por médicos, por psiquiatras, por psicanalistas, por psicólogos, por literatos, por poetas, por pensadores, por reformistas, por agentes de movimentos de temperança, etc. Como ficaria a Unidade e o bem coletivo em A.A., diante dessa enorme diversidade de preferências pessoais divergentes, em nossos grupos? Penso que a resposta é evidente, e que sabiamente A.A. nos pede que evitemos isso, apesar de eu ser livre para tentar impor ao grupo a minha ainda obstinada sabedoria personalista, contra tudo que A.A. ensina. Felizmente para A.A. os que procedem dessa forma estão à margem de A.A., e a nossa Conferência já aprovou recomendação aos órgãos de serviço, para que não se utilize literatura não aprovada por A.A. em nossos grupos, pois este uso, trata de anseios pessoais, e que ninguém se torne ao levar a mensagem, faroleiro de A.A., que são os aas personalistas que preferem estar nas luzes da Ribalta.

chilon magno/RS

OPINIÃO DO BILL – CRESCIMENTO

CRESCIMENTO

CRESCIMENTO INDIVIDUAL
NA OPINIÃO DO BILL 1
Mudança de personalidade
“Com frequência se tem dito a respeito de A.A., que somente estamos interessados no alcoolismo. Isso não é verdade. Temos que vencer a bebida para continuarmos vivos. Mas quem quer que conheça a personalidade do alcoólico, através do contato mais direto, sabe que nenhum alcoólico verdadeiro para completamente de beber sem sofrer uma profunda mudança de personalidade”.
* * *
Achávamos que as “circunstâncias” nos levaram a beber, e quando tentamos corrigir essas circunstâncias descobrimos que não poderíamos fazer isso, à nossa própria maneira; nosso beber se descontrolou e nos tornamos alcoólicos. Nunca nos ocorreu que precisávamos nos modificar para nos ajustar às circunstâncias, fossem elas quais fossem.
1 – Carta de 1940
2 – Os Doze Passos, págs. 37 e 38
NA OPINIÃO DO BILL 8
Uma nova vida
A sobriedade é tudo o que devemos esperar de um despertar espiritual? Não, a sobriedade é apenas o começo; é somente a primeira dádiva do primeiro despertar. Se temos que receber outras dádivas, nosso despertar tem que continuar. E com o tempo, descobrimos que pouco a pouco vamos nos despojando da vida velha – a vida que não funcionou– por uma nova vida que pode e funciona sob quaisquer condições.
Não obstante o êxito ou o fracasso do mundo, não obstante a dor ou alegria, não obstante a doença ou a saúde ou ainda a morte, uma nova vida de possibilidades intermináveis pode ser vivida se estamos dispostos a continuar nosso despertar, através da prática dos Doze Passos de A.A.
Grapevine de dezembro de 1957

NA OPINIÃO DO BILL 10
Livre da escuridão
A autoanálise é o meio pelo qual trazemos uma nova visão, ação e graça para influir no lado escuro e negativo de nosso ser. Com ela vem o desenvolvimento daquele tipo de humildade, que nos permite receber a ajuda de Deus. No entanto, ela é apenas um passo. Vamos querer ir mais longe. Vamos querer que o bem que está dentro de todos nós, mesmo dentro dos piores, cresça e floresça. Mas, antes de mais nada, vamos querer a luz do sol; pouco se pode crescer na escuridão. A meditação é nosso passo em direção ao sol.
* * *
“Uma luz clara parece descer sobre nós – quando abrimos os olhos. Uma vez que nossa cegueira é causada por nossos próprios defeitos, precisamos primeiro conhecê-los a fundo. A meditação construtiva é o primeiro requisito para cada novo passo em nosso crescimento espiritual”.
1 – Os Doze Passos, pág. 89
2 – Carta de 1946
NA OPINIÃO DO BILL 12
Buscando o ouro do insensato
O orgulho é o grande causador da maioria das dificuldades humanas, o principal obstáculo ao verdadeiro progresso. O orgulho nos induz a exigir de nós e dos outros; e as exigências não podem ser cumpridas sem perverter ou fazer mau uso dos instintos que Deus nos deu. Quando a satisfação de nossos instintos em relação ao sexo, segurança e posição social se torna o único objetivo de nossa vida, então o orgulho entra em cena para justificar nossos excessos.
* * *
Posso alcançar a “humildade por hoje” apenas na medida em que sou capaz de evitar, por um lado, o lamaçal de sentimento de culpa e revolta, e por outro, essa bela mas enganadora terra semeada de moedas de ouro do orgulho do insensato. É assim que posso encontrar e permanecer no verdadeiro caminho da humildade, que está situado entre esses dois extremos. Logo, é necessário um inventário constante que possa mostrar quando me afasto do caminho.
1 –Os Doze Passos, pág. 39
2 –Grapevine de junho de 1961
NA OPINIÃO DO BILL 25
Não podemos ficar parados
Nos primeiros dias de A.A., eu não me preocupava muito com os aspectos da vida nos quais eu estava inativo. Havia sempre o álibi: “Afinal de contas”, dizia a mim mesmo, “estou muito ocupado com assuntos muito mais importantes.” Essa era minha receita quase perfeita para obter bem-estar e complacência.
* * *
Quantos de nós ousariam declarar: “Bem, estou sóbrio e feliz. O que mais posso querer ou fazer? Estou muito bem assim.” Sabemos que o preço dessa auto satisfação é um inevitável retrocesso, marcado em algum momento por um brusco despertar. Temos que crescer ou nos deteriorar mais. Para nós a situação só pode ser para hoje, nunca para amanhã. Devemos mudar; não podemos ficar parados.
1 – Grapevine de junho de 1961
2 – Grapevine de fevereiro de 1961
NA OPINIÃO DO BILL 44
Aceitação diária
“Grande parte de minha vida foi passada, repisando as faltas dos outros. Essa é uma das muitas formas sutis e maldosas da auto satisfação, que nos permite ficar confortavelmente despreocupados a respeito de nossos próprios defeitos. Inúmeras vezes dissemos: ‘Se não fosse por causa dele (ou dela), como eu seria feliz!'”
* * *
Nosso primeiro problema é aceitar nossas circunstâncias atuais como são, a nós mesmos como somos, e as pessoas que nos cercam como também são. Isso é adotar uma humildade realista sem a qual nenhum verdadeiro progresso pode sequer começar. Repetidamente precisaremos voltar a esse pouco lisonjeiro ponto de partida. Esse é um exercício de aceitação que podemos praticar com proveito todos os dias de nossas vidas.
Desde que evitemos arduamente transformar esses reconhecimentos realistas dos fatos da vida em álibis irreais para a prática da apatia ou do derrotismo, eles podem ser a base segura sobre a qual pode ser construída a crescente saúde emocional e, portanto, o progresso espiritual.
1 – Carta de 1966
2 – Grapevine de março de 1962
NA OPINIÃO DO BILL 65
Crescimento pelo Décimo Passo
Naturalmente, no decorrer dos próximos anos, cometeremos erros. A experiência nos tem ensinado que não precisamos ter medo de cometê-los, sempre e quando mantenhamos a disposição para confessar nossas faltas e corrigi-las prontamente. Nosso crescimento, como indivíduos, tem dependido desse saudável processo de ensaio e erro. Assim crescerá nossa irmandade.
Devemos sempre nos lembrar de que qualquer sociedade de homens e mulheres, que não podem corrigir livremente suas próprias faltas, deve inevitavelmente chegar à decadência ou até mesmo ao colapso. Esse é o castigo universal por não continuar crescendo. Assim, cada A.A. deve continuar fazendo seu inventário moral e atuar de acordo com ele, do mesmo modo nossa sociedade como um todo deve fazer, se quisermos sobreviver e prestar serviço de maneira proveitosa e satisfatória.
A.A. Atinge a Maioridade, pág. 206
NA OPINIÃO DO BILL 76
Só Deus é imutável
“A mudança é a característica de todo crescimento. Da bebida à sobriedade, da desonestidade à honestidade, do conflito à serenidade, do ódio ao amor, da dependência infantil à responsabilidade adulta – tudo isso e muito mais representam mudança para melhor.
“Essas mudanças são realizadas por meio da crença e da prática de princípios saudáveis. Para isso, precisamos nos desfazer de princípios maus ou ineficientes em favor dos bons princípios, que produzem resultados. Até bons princípios podem às vezes ser substituídos pela descoberta de outros ainda melhores.
“Só Deus é imutável; somente Ele tem todas as verdades que existem”.
Carta de 1966
NA OPINIÃO DO BILL 85
A vida não é um beco sem saída
Quando um homem ou uma mulher tem um despertar espiritual, o mais importante significado disso é que ele se tornou agora capaz de fazer, sentir e acreditar naquilo que ele não poderia antes fazer sozinho, sem ajuda, com seus próprios recursos e força. A ele foi concedida uma dádiva, que leva a um novo estado de consciência e a uma nova vida.
A ele foi indicado um caminho, que lhe mostra que está indo em direção a uma meta, que a vida não é um beco sem saída, nem algo a ser suportado ou dominado. Na verdade ele se transformou, porque se agarrou a uma fonte de energia, da qual até agora havia se privado.
Os Doze Passos, págs. 94 e 95
NA OPINIÃO DO BILL 101
“O lado espiritual”
Com muita frequência, quando estamos em reuniões de A.A., ouvimos o orador declarar: “Eu ainda não tenho o lado espiritual.” Antes de fazer essa declaração, ele descreveu um milagre de transformação que lhe ocorreu – não só sua libertação do álcool, mas uma mudança completa em todas as suas atitudes em referencia a vida e a forma de vivê-la.
É evidente para todos os que estão presentes que ele recebeu uma dádiva especial, e que essa dádiva está além daquilo que possa ser esperado da simples participação de A.A. Assim, nós da audiência sorrimos e dizemos a nós mesmos: “Bem, esse companheiro está transbordando espiritualmente– só que ele ainda não sabe disso.”
Grapevine de julho de 1962
NA OPINIÃO DO BILL 104
Nosso novo empregador
Tínhamos um novo Empregador. Sendo todo-poderoso, Ele proporcionou o que precisávamos, se ficássemos perto d’Ele e executássemos bem Seu trabalho.
Desse modo nos tornamos cada vez menos interessados em nós mesmos, em nossos pequenos planos e projetos. Cada vez mais nos interessamos em ver de que forma poderíamos contribuir para a vida.
Ao sentir uma nova força apoderar-se de nós, ao desfrutar da paz de espírito, ao descobrir que poderíamos enfrentar a vida com êxito, ao ficar conscientes de Sua presença, começamos a perder nosso medo do hoje, do amanhã e do futuro. Nascemos de novo.
Alcoólicos Anônimos, pág.81
NA OPINIÃO DO BILL 115
Essência do crescimento
Que nunca tenhamos medo de mudanças necessárias. Certamente temos que fazer a diferença entre mudanças para pior e mudanças para melhor. Mas desde que uma necessidade se torne bem aparente num individuo, num grupo ou em A.A. como um todo, há muito já se verificou que não podemos ficar estacionários.
A essência de todo crescimento é uma disposição de mudar para melhor e uma disposição incansável de aceitar qualquer responsabilidade que essa mudança implique.
Grapevine de julho 1965
NA OPINIÃO DO BILL 124
Liberdade de escolha
Olhando para trás, vemos que nossa liberdade de escolha não era, afinal de contas, uma liberdade muito verdadeira.
Quando escolhíamos porque “éramos obrigados a escolher”, essa também não era escolha livre. Mas isso nos iniciava na direção certa.
Quando escolhíamos porque “devíamos escolher”, estávamos realmente fazendo o melhor. Dessa vez estávamos obtendo uma certa liberdade, preparando-nos para obter ainda mais.
Mas quando, uma vez ou outra, pudemos com satisfação fazer escolhas certas sem revolta, espalhafato ou conflito, então tivemos a visão do que poderia ser a perfeita liberdade sob a vontade de Deus.
Grapevine de maio de 1960
NA OPINIÃO DO BILL 136
Renunciando aos defeitos
Examinando novamente aqueles defeitos que ainda não estamos dispostos a renunciar, deveríamos ser menos teimosos. Talvez ainda sejamos obrigados, em alguns casos, a dizer: “Ainda não posso renunciar a esses defeitos…”, mas não deveríamos dizer: “A esse nunca renunciarei!”
No momento em que dizemos: “Não, nunca!” Nossa mente se fecha para a graça de Deus. Essa revolta pode ser fatal. Ao invés disso, deveríamos abandonar os objetivos limitados e começar a caminhar em direção à vontade de Deus, para conosco.
Os Doze Passos, págs. 58 e 59
NA OPINIÃO DO BILL 156
Percepção de humildade
Uma melhor percepção de humildade inicia uma mudança revolucionária em nossa maneira de ver. Nossos olhos começam a se abrir aos excelentes valores que vieram diretamente do doloroso esvaziamento do ego. Até agora, nossas vidas foram em grande parte dedicadas à fuga do sofrimento e dos problemas. A fuga através da garrafa foi sempre nossa solução.
Então, em A.A., observamos e escutamos. Por todo lado vimos o fracasso e a miséria transformados, pela humildade, em valores inestimáveis.
* * *
Para aqueles que têm progredido em A.A., a humildade leva a um claro reconhecimento do que e de quem realmente somos, seguido de uma tentativa sincera de nos tornar aquilo que poderíamos ser.
1 – Os Doze Passos, pág. 64
2 – Os Doze Passos, pág. 48

NA OPINIÃO DO BILL 157
A imaginação pode ser construtiva
Lembramos, com uma certa tristeza, o valor que dávamos à imaginação, à medida que ela tentava buscar a realidade através da garrafa. Sim, não é verdade que nós nos divertíamos com esse tipo de pensamento? E hoje, embora sóbrios, não tentamos muitas vezes fazer a mesma coisa?
Talvez nosso problema não estivesse no fato de usarmos a imaginação. Talvez o verdadeiro problema fosse nossa quase total incapacidade de dirigir a imaginação em direção aos objetivos certos. Não há nada de errado com a imaginação construtiva; todo empreendimento sólido depende dela. Afinal de contas, ninguém pode construir uma casa sem antes imaginar um plano.
Os Doze Passos, pág. 87
NA OPINIÃO DO BILL 171
Benefícios e mistérios
“A preocupação de A.A. com a sobriedade é às vezes mal interpretada. Para alguns, essa simples virtude parece ser o único benefício de nossa Irmandade. Pensam que somos bêbados recuperados e que em outros aspectos mudamos para melhor, pouco ou nada. Essa suposição está muito longe da verdade. Sabemos que uma sobriedade permanente pode ser alcançada apenas por uma revolucionária mudança na vida e perspectiva do indivíduo – por um despertar espiritual que pode eliminar o desejo de beber”.
* * *
“Você está se perguntando, como muitos de nós devem estar: ‘Quem sou eu?’ ‘Onde estou?’ ‘Para onde vou?’ O processo de esclarecimento é geralmente lento.
Mas, no fim, nossa busca sempre traz uma descoberta. Esses grandes mistérios são, afinal de contas, mantidos em completa simplicidade. A disposição de desenvolver-se é a essência de todo crescimento espiritual.”
1 – Carta de 1966
2 – Carta de 1955
NA OPINIÃO DO BILL 204
A formação do caráter
Uma vez que a maioria de nós nasce com uma infinidade de desejos naturais, não é de admirar que frequentemente deixamos que eles excedam seu propósito.
Quando nos guiam cegamente, ou quando obstinadamente exigimos que nos proporcionem mais satisfações ou prazeres do que nos são possíveis ou devidos, é nesse ponto que nos afastamos do grau de perfeição que Deus deseja para nós aqui na terra. Essa é a medida de nossos defeitos de caráter ou, se você preferir, de nossos pecados.
Se pedirmos, Deus certamente perdoará nossas negligências. Mas em nenhum caso, Ele nos torna brancos como a neve e nos mantém assim sem nossa cooperação. Isso é alguma coisa que supomos estar dispostos a fazer. Ele quer apenas que tentemos, da melhor maneira possível, progredir na formação do caráter.
Os Doze Passos, pág. 55
NA OPINIÃO DO BILL 244
Em direção à maturidade
Muitos membros mais antigos, que têm submetido a “cura das bebedeiras” de A.A. a severos, mas bem-sucedidos testes, descobrem que ainda lhes falta sobriedade emocional. Para obter isso, devemos desenvolver uma maturidade e equilíbrio verdadeiros (quer dizer, humildade) em nossas relações com nós mesmos, com nossos semelhantes e com Deus.
***
Não permitamos nunca que A.A. seja uma entidade fechada; nunca devemos negar nossa experiência, quando ela for útil e valiosa para o mundo que nos rodeia. Devemos permitir que nossos membros, individualmente, atendam o chamado de cada um dos campos da atividade humana. Devemos permitir a eles que levem a experiência e o espírito de A.A. em todos esses assuntos, sempre que exista algo de bom que possa ser realizado, porque não somente Deus nos salvou do alcoolismo; o mundo nos recebeu de volta em sua cidadania.
1 – Grapevine de janeiro de 1958
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 208
NA OPINIÃO DO BILL 264
O passo que nos mantém crescendo
Algumas vezes, quando os amigos nos dizem o bem que estamos fazendo, sabemos melhor o que se passa dentro de nós. Sabemos que não estamos fazendo o bem, o suficiente. Não podemos ainda lidar com a vida como ela é. Em alguma parte deve haver uma falha séria, em nossa prática e desenvolvimento espirituais.
Qual é ela, então?
O mais provável mesmo é que localizemos nossa dificuldade em nossa falta de compreensão ou negligência, em relação ao Décimo Primeiro Passo de A.A. – prece, meditação e a orientação de Deus.
Os outros Passos podem manter muitos de nós sóbrios e de certa forma atuando. Mas o Décimo Primeiro Passo pode nos manter crescendo, se tentarmos arduamente e trabalharmos sempre nele.
Grapevine de junho de 1958
NA OPINIÃO DO BILL 271
A.A. em duas palavras
“Todo o progresso de A.A. pode ser expressado em apenas duas palavras: humildade e responsabilidade. Todo nosso desenvolvimento espiritual pode ser medido, com precisão, conforme nosso grau de adesão a esses magníficos padrões.
“Uma humildade aprofundando-se sempre, acompanhada de uma crescente boa vontade para aceitar e cumprir as responsabilidades bem definidas – estas são realmente nossas pedras de toque para todo o crescimento na vida do espírito. Elas nos proporcionam a essência do bem, tanto no ser como no atuar. É por meio delas que conseguimos encontrar e fazer a vontade de Deus.”
Palestra de 1965 (publicada na Grapevine de janeiro de 1966)
NA OPINIÃO DO BILL 294
Amor + racionalidade = crescimento
“Parece para mim que o objetivo primordial de qualquer ser humano é o de crescer, como Deus pretendeu, sendo essa a natureza de todas as coisas em crescimento.
“Nossa busca deve ser em direção à realidade que podemos encontrar, incluindo a melhor definição e sentimento de amor que podemos adquirir. Se a capacidade de amar existe no ser humano, então ela certamente existe em seu Criador.
“A teologia me ajuda, porque a maioria de seus conceitos me faz acreditar que vivo num universo racional, sob o poder de um Deus amoroso e que minha própria irracionalidade pode aos poucos desaparecer. Esse é, suponho, o processo de crescimento para o qual somos destinados.”
Carta de 1958
NA OPINIÃO DO BILL 306
A felicidade é a meta?
“Não acho que a felicidade ou a infelicidade seja o ponto principal. Como enfrentamos os problemas que chegam a nós? Como aprendemos através deles e transmitimos o que aprendemos aos outros, se é que querem aprender?
“Do meu ponto de vista, nós deste mundo somos alunos numa grande escola da vida. Isso é proposto para que tentemos crescer e ajudar nossos companheiros viajantes a crescerem no tipo de amor que não faz exigências. Em suma, procuramos progredir à imagem e semelhança de Deus, como nós O concebemos.
“Quando chega a dor, se espera que aprendamos a lição, com boa vontade, e que aprendamos a ajudar os outros a aprenderem. Quando a felicidade chega, a aceitamos como uma dádiva, e agradecemos a Deus por obtê-la”.
Carta de 1950
NA OPINIÃO DO BILL 327
Três escolhas
O objeto imediato de nossa busca é a sobriedade – a libertação do álcool e de todas as suas desastrosas consequências. Sem essa libertação não temos nada.
Embora pareça um absurdo, não podemos nos libertar da obsessão alcoólica, até que fiquemos dispostos a lutar com aqueles defeitos de caráter que nos levaram a essa irremediável situação. Nessa busca de libertação, sempre nos foram dadas três escolhas.
Uma recusa rebelde de lutar contra nossos evidentes defeitos pode ser um bilhete quase certo para a destruição. Ou, talvez por algum tempo, possamos permanecer sóbrios com um mínimo de autoaperfeiçoamento, e nos fixar numa confortável, mas muitas vezes perigosa mediocridade. Ou, finalmente, podemos continuar lutando com afinco, para obter aquelas qualidades puras que podem significar clareza de espírito e ação – verdadeira e duradoura libertação sob a graça de Deus.
Grapevine de novembro de 1960
NA OPINIÃO DO BILL 330
Para crescer
Aqueles anseios da adolescência que tantos de nós tivemos, para obter completa aprovação, absoluta segurança e perfeito romance – anseios perfeitamente próprios da idade de dezessete anos – são impossíveis de ser aceitos como um modo de vida aos quarenta e sete ou cinquenta e sete anos.
Desde o começo de A.A., levei tremendas surras em todas essas áreas, pelo fato de ter deixado de crescer emocional e espiritualmente.
***
À medida que crescemos espiritualmente, descobrimos que nossas antigas atitudes, com relação a nossos impulsos instintivos, precisam passar por rigorosa revisão. Nossas necessidades de segurança emocional e material, prestígio pessoal e poder, todas estas têm que ser moderadas e reorientadas. Aprendemos que a plena satisfação dessas necessidades não pode ser a única finalidade de nossa vida. Não podemos colocar a carroça diante dos bois; seremos arrastados para a desilusão. Mas quando estamos dispostos a colocar o crescimento espiritual em primeiro lugar – então e somente então teremos uma verdadeira chance de crescer no conhecimento saudável e no amor pleno.
1 – Grapevine de janeiro de 1958
2 – Os Doze Passos, pág. 102
GRADUAL E CONTÍNUO
NA OPINIÃO DO BILL 6
Tudo ou nada?
A aceitação e a fé são capazes de produzir cem por cento de sobriedade. De fato, elas geralmente conseguem; e assim deve ser, caso contrário, não poderíamos viver. Mas a partir do momento em que transferimos essas atitudes para nossos problemas emocionais, descobrimos que só é possível obter resultados relativos.
Ninguém pode por exemplo, se livrar completamente do medo, da raiva e do orgulho.
Consequentemente, nesta vida não atingiremos uma total humildade nem amor. Assim, vamos ter que nos conformar, com referência à maioria de nossos problemas, pois um progresso muito gradual, às vezes é interrompido por grandes retrocessos. Nossa antiga atitude de “tudo ou nada” terá que ser abandonada.
Grapevine de março de 1962
NA OPINIÃO DO BILL 15
Valores eternos
Muitas pessoas não querem saber de valores espirituais absolutos. Perfeccionistas, dizem elas, ou estão cheias de presunção porque imaginam que alcançaram algum objetivo impossível, ou ainda estão mergulhadas na autocondenação porque não alcançaram.
Contudo, acho que não deveríamos nos apegar a esse ponto de vista. Não é culpa dos elevados ideais serem às vezes usados indevidamente, tornando-se assim desculpas levianas para sentimentos de culpa, revolta e orgulho. Pelo contrário, não podemos progredir muito, se não tentarmos constantemente vislumbrar o que são os valores espirituais eternos.
* * *
“Dia a dia tentamos nos aproximar um pouco da perfeição de Deus. Assim sendo não precisamos ser consumidos por um tolo sentimento de culpa, por falhar em alcançar. Sua semelhança e imagem sem demora. Nosso alvo é o progresso, e Sua perfeição é o farol, distante anos-luz, que nos leva para adiante”.
1 – Grapevine de junho de 1961
2 – Carta de 1966
NA OPINIÃO DO BILL 59
Convicção e compromisso
Um qualificativo para uma vida útil é o dar e receber, a habilidade de transigir sem rancor. Fazer concessões é muito penoso para nós, beberrões de “tudo ou nada”. Entretanto, não podemos nos esquecer de que o progresso é quase sempre caracterizado por uma série de concessões vantajosas.
Claro que não podemos fazer concessões sempre. Uma vez ou outra é realmente necessário fincar os pés numa convicção sobre o assunto, até que ele se esclareça. Fazer ou não concessões requer sempre cuidadoso discernimento.
Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 43
NA OPINIÃO DO BILL 159
Entre os extremos
“A pergunta de fato é se podemos aprender tudo de nossas experiências, pelas quais podemos crescer e ajudar outros a crescerem à semelhança e imagem de Deus.
“Sabemos que se nos negarmos a fazer aquilo que é razoavelmente possível para nós, seremos castigados. E seremos igualmente castigados se presumirmos ter uma perfeição, que simplesmente não existe.
“Aparentemente, o caminho da relativa humildade e do progresso teria que estar entre esses extremos. Em nosso lento progresso, fugindo da revolta, a verdadeira perfeição está sem dúvida muito distante”.
Carta de 1959
NA OPINIÃO DO BILL 167
Progresso em vez de perfeição
Ao estudar os Doze Passos, muitos de nós reclamam: “Que tarefa! Não posso fazê-la toda”. Não desanime. Nenhum de nós conseguiu aderir completamente a estes princípios. Não somos santos.
O que importa é que estejamos dispostos a crescer espiritualmente. Os princípios apresentados são orientações para o progresso. Pretendemos o progresso espiritual, em vez da perfeição espiritual.
* * *
“Nós, alcoólicos recuperados, não somos tão irmãos nas virtudes como somos em nossos defeitos e em nossas lutas comuns para vencê-los”.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág.75
NA OPINIÃO DO BILL 181
Perfeição imaginária
Quando nós, os primeiros AAs, tivemos o primeiro vislumbre de como poderíamos ser espiritualmente orgulhosos, inventamos esta expressão: “Não tente ser Santo tão depressa!”
A velha advertência pode parecer mais um daqueles fáceis álibis que podem nos desculpar de não tentar o melhor que podemos. No entanto, uma visão mais profunda revela exatamente o contrário. Essa é a maneira de A.A. prevenir a cegueira do orgulho e as perfeições imaginarias que não possuímos.
***
Somente o Primeiro Passo, onde fizemos a admissão total de que éramos impotentes perante o álcool, pode ser praticado com absoluta perfeição. Os outros onze Passos enunciam ideais perfeitos. São metas para as quais nos dirigimos e a medida pela qual avaliamos nosso progresso.
1 – Grapevine de junho de 1961
2 – Os Doze Passos, pág. 58
NA OPINIÃO DO BILL 191
O começo da humildade
“Há poucos absolutos inerentes nos Doze Passos. Quase todos os Passos estão abertos à interpretação, baseada na experiência e visão do indivíduo.
“Conseqüentemente, o indivíduo é livre para começar os Passos no ponto em que ele puder ou quiser. Deus, como nós O concebemos, pode ser definido como um ‘Poder maior…’ ou o Poder Superior. Para milhares de membros, o próprio grupo de A.A. tem sido, no início, um ‘Poder Superior’. Esse conhecimento é fácil de aceitar, se o recém-chegado sabe que os membros, em sua maioria, estão sóbrios e ele não.
“Sua admissão é o começo da humildade – pelo menos o recém-chegado está disposto a renunciar à idéia de que ele mesmo é Deus. Esse é o começo de que ele precisa. Se seguir esse procedimento, ele vai relaxar e praticar todos os Passos que puder, e certamente crescerá espiritualmente”.
Carta de 1966
NA OPINIÃO DO BILL 219
Dispostos a acreditar
Não permita que qualquer preconceito contra termos espirituais possa impedi-lo de se perguntar, o que eles poderiam significar para você. No começo, era disso que precisávamos para dar início a um crescimento espiritual, para estabelecer nossa primeira relação consciente com Deus, como nós O concebíamos. Mais adiante passamos a aceitar muitas coisas que nos pareciam inteiramente fora de alcance. Isso era crescimento, mas para crescer tínhamos que começar de algum modo. Assim, no princípio, usamos nossas próprias concepções de Deus, ainda que limitadas.
“Precisávamos nos fazer apenas uma simples pergunta: ‘Acredito, ou estou mesmo disposto a acreditar que exista um Poder Superior a mim?’ Assim que o indivíduo possa dizer que acredita, ainda que seja em pequeno grau, ou esteja disposto a acreditar, nós lhe asseguramos enfaticamente, que ele está no caminho.”
Alcoólicos Anônimos, págs. 63 e 64

NA OPINIÃO DO BILL 236
Perfeição – apenas o objetivo
Nós, seres humanos, não podemos ter humildade absoluta. No máximo, podemos apenas vislumbrar o significado e o esplendor desse perfeito ideal. Só Deus pode Se manifestar no absoluto; nós, seres humanos, precisamos viver e crescer no domínio do relativo.
Assim sendo, buscamos o progresso, na humildade, para o dia de hoje.
***
Poucos de nós podem estar prontos, rápida ou facilmente, mesmo para olhar em direção à perfeição moral e espiritual; queremos obter somente o tanto de perfeição que possamos alcançar na vida, de acordo, é claro, com as mais variadas ideias que tenhamos sobre o que nos é necessário. Lutamos erradamente por um objetivo autodeterminado, em vez de lutar pelo objetivo perfeito que é aquele que pertence a Deus.
1 – Grapevine de junho de 1961
2 – Os Doze Passos, págs. 57 e 58
ATRAVÉS DE ADVERSIDADE
NA OPINIÃO DO BILL 3
Dor e progresso
“Alguns anos atrás eu costumava ter pena de todas as pessoas que sofriam. Agora somente tenho pena daquelas que sofrem por ignorância, que não entendem o propósito e a utilidade definitiva da dor”.
* * *
Certa vez alguém disse que a dor é a pedra de toque do progresso espiritual. Nós, AAs, podemos concordar com isso, pois sabemos que as dores decorrentes do alcoolismo tiveram que vir antes da sobriedade, assim como o desequilíbrio emocional vem antes da serenidade.
* * *
“Acredite mais profundamente: Levante a cabeça para a Luz, ainda que no momento você não possa ver”.
1 – Carta de 1950
2 – Os Doze Passos e as Doze Tradições, pág. 84
3 – Carta de 1950
NA OPINIÃO DO BILL 22
O medo como ponto de partida
O que mais estimulava nossos defeitos era o medo egocêntrico – especialmente o medo de perder algo que já possuíamos ou de não ganhar algo que buscávamos. Vivendo numa base de exigências não atendidas, ficávamos num constante estado de perturbação e frustração. Portanto, não conseguíamos a paz, a não ser que pudéssemos encontrar um meio de reduzir essas exigências.
* * *
Apesar de sua costumeira força destrutiva, descobrimos que o medo pode ser o ponto de partida para coisas melhores. Pode ser o caminho para a prudência e para um conveniente respeito em relação aos outros. Ele pode indicar o caminho tanto da justiça como do ódio. E quanto mais respeito e justiça tivermos, mais depressa começamos a encontrar o amor que pode ser muito sofrido e no entanto ser dado livremente. Assim sendo, o medo não precisa ser sempre destrutivo, porque as lições de suas consequências podem nos levar a valores positivos.
1 – Os Doze Passos, pág. 66
2 – Grapevine de janeiro de 1962
NA OPINIÃO DO BILL 31
O sistema econômico de Deus
“No sistema econômico de Deus nada é desperdiçado. Através do fracasso, aprendemos uma lição de humildade que é provavelmente necessária, por mais dolorosa que seja”.
* * *
Nem sempre chegamos mais perto da sabedoria por causa de nossas virtudes; nossa melhor compreensão frequentemente tem fundamento nos sofrimentos de nossos antigos desatinos. Pelo fato disso ter sido a essência de nossa experiência individual, é também a essência de nossa experiência como irmandade.
1 – Carta de 1942
2 – Grapevine de novembro de 1961
NA OPINIÃO DO BILL 35
Sofrimento transformado
“A.A. não é nenhum sucesso no sentido comum da palavra. É a história do sofrimento transformado, pela graça de Deus, em progresso espiritual.”
* * *
Para o Dr. Bob, a necessidade insaciável do álcool era evidentemente um fenômeno físico que o atormentou durante alguns de seus primeiros anos de A.A., uma época em que levar a mensagem a outros alcoólicos, dia e noite, era a única coisa que fazia com que se esquecesse da bebida. Apesar de sua necessidade ser difícil de resistir, sem dúvida ela gerou grande motivação para o grupo Número Um de Akron ser formado.
O despertar espiritual do Bob não veio tão facilmente; foi penosamente lento. Sempre se agarrou ao tipo de trabalho mais duro e a uma apurada vigilância.
1 – Carta de 1959
2 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 62 e 63
NA OPINIÃO DO BILL 49
A força nascendo da fraqueza
Se estamos dispostos a parar de beber, não podemos abrigar, de forma alguma, a esperança de que um dia seremos imunes ao álcool.
* * *
Tal é o paradoxo da regeneração em A.A.: a força nascendo da fraqueza e da derrota completa, a perda de uma vida antiga como condição para encontrar uma nova.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 55
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 41
NA OPINIÃO DO BILL 75
Perda de medos financeiros
Quando um trabalho era apenas um meio de obter dinheiro, ao invés de uma oportunidade para servir, quando a aquisição de dinheiro para a garantia de nossa independência financeira era mais importante do que uma total dependência de Deus, éramos vítimas de medos descabidos. E esses eram medos que tornariam impossível uma existência serena e útil, em qualquer nível financeiro.
Mas com o passar do tempo, descobrimos que com a ajuda dos Doze Passos de A.A. poderíamos perder esses medos, não importando quais fossem nossas possibilidades materiais. Poderíamos com alegria executar tarefas humildes, sem nos preocupar com o amanhã. Se as coisas iam bem, já não receávamos uma mudança para pior, pois havíamos aprendido que nossos problemas poderiam ser transformados em valores positivos, tanto para nós como para os outros.
Os Doze Passos, págs. 107 e 108
NA OPINIÃO DO BILL 185
Bumerangue
Quando estava com dez anos, eu era um rapaz alto e desajeitado e me sentia muito mal com isso, porque os moleques menores que eu sempre levavam vantagens nas brigas. Eu me lembro de que estive muito deprimido durante um ano ou mais, daí comecei a desenvolver uma grande vontade de vencer.
Um dia, meu avô chegou com um livro sobre a Austrália e me disse: “Este livro diz que ninguém, a não ser um camponês australiano, sabe fabricar e atirar um bumerangue”.
Pensei: “Aqui está minha oportunidade.” “Serei o primeiro homem na América a fabricar e atirar um bumerangue.” Bem, qualquer moleque poderia ter uma idéia como essa. Isso poderia ter durado dois ou três dias como duas ou três semanas. Mas tive uma força motivadora que se manteve durante seis meses, fiz um bumerangue que pôde dar a volta no pátio da igreja, em frente da casa, quase atingindo meu avô na cabeça quando o bumerangue estava voltando.
Com emoção, lancei a moda de um outro tipo de bumerangue, um que quase me matou posteriormente.
A.A. Atinge a Maioridade, págs. 48 e 49
NA OPINIÃO DO BILL 236
Perfeição – apenas o objetivo
Nós, seres humanos, não podemos ter humildade absoluta. No máximo, podemos apenas vislumbrar o significado e o esplendor desse perfeito ideal. Só Deus pode Se manifestar no absoluto; nós, seres humanos, precisamos viver e crescer no domínio do relativo.
Assim sendo, buscamos o progresso, na humildade, para o dia de hoje.
***
Poucos de nós podem estar prontos, rápida ou facilmente, mesmo para olhar em direção à perfeição moral e espiritual; queremos obter somente o tanto de perfeição que possamos alcançar na vida, de acordo, é claro, com as mais variadas ideias que tenhamos sobre o que nos é necessário. Lutamos erradamente por um objetivo autodeterminado, em vez de lutar pelo objetivo perfeito que é aquele que pertence a Deus.
1 – Grapevine de junho de 1961
2 – Os Doze Passos, págs. 57 e 58
NA OPINIÃO DO BILL 266
Dar graças
Embora eu ainda encontre dificuldade para aceitar a dor e a ansiedade de hoje com um certo grau de serenidade – como aqueles que estão mais avançados na vida espiritual parecem poder aceitá-las – entretanto, posso agradecer a dor atual.
Encontro disposição para fazer isso, ao recordar as lições aprendidas através do sofrimento passado – lições que têm me levado às bênçãos que agora desfruto. Posso recordar como as agonias do alcoolismo, a dor da revolta e o orgulho frustrado com frequência me levaram à graça de Deus, e em consequência a uma nova liberdade.
Grapevine de março de 1962
NA OPINIÃO DO BILL 326
Crítica bem recebida
“Muito obrigado por sua carta de crítica. Estou certo de que, se não fosse por suas críticas violentas, A.A. teria progredido mais lentamente.
“Quanto a mim, cheguei ao ponto de dar grande valor às pessoas que me criticaram, fossem críticas justas ou injustas. Tanto uma como outra, muitas vezes me impediram de fazer coisas piores do que realmente tenho feito. Espero que as críticas injustas tenham me ensinado a ter um pouco de paciência. Mas as justas têm sempre prestado um grande serviço a todos os membros de A.A. – e têm me ensinado muitas lições valiosas.”
Carta de 1955

OPINIÃO DO BILL – SERVIÇO

SERVIÇO
NA OPINIÃO DO BILL 13
Dádiva compartilhada
A.A. é mais do que um conjunto de princípios; é uma sociedade de alcoólicos em ação. Precisamos levar a mensagem, caso contrário, nós mesmos poderemos recair e aqueles, a quem não foi dada a verdade, podem perecer.
* * *
A fé é mais do que nossa maior dádiva; seu compartilhar com os outros é nossa maior responsabilidade. Que nós de A.A. possamos buscar continuamente a sabedoria e a boa vontade pelas quais possamos desempenhar bem a grande tarefa que o Doador de todas as dádivas perfeitas colocou em nossas mãos.
1 –O Manual de Serviços de A.A., pág 5 (E.U.A)
2 –Grapevine de abril de 1961
NA OPINIÃO DO BILL 18
Companheiro e sócio
“O Dr. Bob foi meu constante companheiro e sócio na grande aventura de A.A. Como médico e grande criatura humana que era, ele escolheu trabalhar com os outros em sua sublime dedicação ao A.A. e alcançou um recorde que, em quantidade e qualidade, ninguém conseguirá ultrapassar. Assistido pela incomparável Irmã Ignatia, no St. Thomas Hospital, em Akron, ele – sem receber pagamento – tratou clinicamente e auxiliou espiritualmente cinco mil sofredores.
“Com todo o esforço e dificuldades do pioneirismo de A.A., nunca houve uma palavra dura entre nós dois. Por isso, posso dizer com toda gratidão que o crédito foi todo dele”.
* * *
Eu me despedi do Dr. Bob, sabendo que ele ia se submeter a uma delicada cirurgia. O maravilhoso e antigo sorriso estava em seu rosto, quando me disse quase brincando: “Lembre-se, Bill, não deixe que isso se acabe. Mantenha-o simples!” Saí sem poder dizer uma palavra. Essa foi a última vez que o vi.
1 – Carta de 1966
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 191
NA OPINIÃO DO BILL 53
“Solitários” – Mas não sozinhos
O que se pode dizer de muitos membros de A.A. que, por várias razões, não podem constituir família? No início muitos deles se sentem sozinhos, magoados e abandonados, quando testemunham tanta felicidade conjugal ao seu redor. Se não podem ter esse tipo de felicidade, A.A. pode lhes oferecer satisfações igualmente válidas e duradouras?
Sim, todas as vezes que eles tentam arduamente procurá-las. Cercados de tantos amigos AAs, os assim chamados “solitários” nos dizem que já não se sentem sós. Em companhia de outros homens e mulheres, podem se dedicar a inúmeros ideais, pessoas e projetos construtivos. Podem participar de empreendimentos que por sua natureza seriam negados aos casados. Todos os dias vemos esses membros prestarem relevantes serviços e receberem, de volta, grandes alegrias.
Os Doze Passos, pág. 106
NA OPINIÃO DO BILL 138
Dois caminhos para os membros mais antigos
Os fundadores de muitos grupos finalmente se dividirem em duas classes, conhecidas na linguagem de A.A. como “velhos mentores” e “velhos resmungões”.
O velho mentor vê sabedoria na decisão do grupo para dirigir a si mesmo e não guarda ressentimento ao ver reduzido seu “status”. Seu julgamento fortificado por considerável experiência, é justo, ele está disposto a ficar de lado, aguardando com paciência os acontecimento.
O velho resmungão está certamente convencido de que o grupo não pode caminhar sem ele. Ele constantemente “mexe os pauzinhos” para reeleição ao cargo e continua sendo consumido pela autopiedade. Quase todos os membros mais antigos de nossa sociedade passaram por isso, em maior ou menor grau. Felizmente, a maior parte deles sobreviveu para se transformar no velho mentor. Estes vêm a ser a verdadeira e duradoura liderança de A.A.
As Doze Tradições, pág. 18
NA OPINIÃO DO BILL 147
A.A. – A estrela-guia
Podemos ser gratos a toda organização ou método que tente solucionar o problema do alcoolismo – seja a medicina, religião, educação ou pesquisa. Podemos ter a mente aberta a respeito desses esforços e podemos ser compreensivos quando os imprudentes falham. Não podemos esquecer que mesmo A.A. funcionou durante anos na base do “ensaio e erro”.
Como indivíduos, podemos e deveríamos trabalhar com aqueles que prometem sucesso – ainda que seja um pouco de sucesso.
* * *
Todos os pioneiros no campo do alcoolismo vão dizer, generosamente, que se não fosse pela prova viva da recuperação em A.A., eles não poderiam ter prosseguido. A.A. foi a estrela-guia da esperança e da ajuda que os manteve na Irmandade.
Grapevine de março de 1958
NA OPINIÃO DO BILL 155
Construído por um e por muitos
Damos graças a nosso Pai Celestial que, através de tantos amigos e através de tantos meios e canais tem nos permitido construir esse maravilhoso edifício do espírito, no qual estamos agora residindo – essa catedral, cujos fundamentos já repousam nos quatro cantos do mundo.
Em sua enorme edificação inscrevemos nossos Doze Passos de recuperação. Nas paredes laterais, os esteios das Tradições de A.A. foram colocados para nos manter em unidade até quando Deus quiser. Ansiosos corações e mãos levantaram o espiral de nossa catedral em seu devido lugar. Esse espiral leva o nome de Serviço. Que ele possa sempre estar apontado em direção a Deus.
* * *
“Não é somente a alguns que devemos o notável desenvolvimento de nossa unidade e de nossa capacidade de levar a mensagem de A.A. a todos os lugares. Devemos a muitos; na verdade, é ao trabalho de todos nós que devemos essas maravilhosas bênçãos”.
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 209
2 – Palestra de 1959
NA OPINIÃO DO BILL 162
“Mantenha-o simples”
“Precisamos distinguir bem entre a simplicidade espiritual e a simplicidade funcional. Quando dizemos que A.A. não prega proposição teológica, a não ser Deus, como nós O concebemos, simplificamos muito a vida de A.A., evitando conflito e rejeição.
“Mas quando entramos nas questões de ação, pelos grupos, áreas e por A.A. como um todo, achamos que devemos nos organizar um pouco para levar a mensagem – ou então enfrentar o caos. E o caos não é simplicidade”.
* * *
Aprendi que o temporário ou aparentemente bom pode muitas vezes não ser aquilo que é sempre o melhor. Quando se trata da sobrevivência de A.A., nem o nosso melhor será bom o suficiente.
1 – Carta de 1966
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 263
NA OPINIÃO DO BILL 180
Problema da comunidade
A resposta ao problema do alcoolismo parece estar na educação – nas salas de aula, nas faculdades de medicina, entre os clérigos e empregadores, nas famílias e no público em geral. Do berço à sepultura, o bêbado e o alcoólico em potencial terão de ser completamente cercados de uma verdadeira e profunda compreensão e de uma constante sucessão de informações.
Isso significa uma verdadeira educação, apresentada adequadamente. Até aqui, grande parte dessa educação tinha atacado mais a imoralidade das bebedeiras do que a doença do alcoolismo.
Agora, quem se encarrega dessa educação? Obviamente, ela é um trabalho da comunidade e de especialistas. Individualmente, nós AAs podemos ajudar, mas A.A. como tal não pode, e não deveria entrar diretamente nesse campo. Portanto, devemos confiar em outras organizações, em amigos de fora e em sua boa vontade para fornecer grande quantidade de dinheiro e esforço.
Grapevine de março de 1958
NA OPINIÃO DO BILL 183
Um observador alarmado
“Durante vários infrutíferos anos, estive num estado que poderia ser chamado de observando com alarme pelo bem do movimento. Achava que era meu dever sempre ‘corrigir situações’. Raramente alguém era capaz de me dizer o que eu deveria fazer, e ninguém jamais foi bem-sucedido em me dizer o que fazer. Tinha que aprender, através de grande esforço, com minha própria experiência.
“Quando me punha a vigiar os outros, descobri que com frequência eu estava motivado pelo medo do que eles estavam fazendo, farisaísmo e mesmo absoluta intolerância. Em consequência, poucas vezes consegui corrigir alguma coisa. Eu só levantava barreiras de ressentimentos que cortavam qualquer sugestão, exemplo, compreensão ou amor”.
***
“Os AAs frequentemente dizem: Nossos líderes não dirigem por mandato; lideram pelo exemplo. Se tivéssemos que afetar os outros, favoravelmente, precisaríamos praticar o que pregamos – e esquecer também o pregar. O bom exemplo fala por si mesmo.”
1 – Carta de 1945
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 188
Vencer as provas
Em nosso modo de pensar, qualquer esquema para combater o alcoolismo, que se proponha a proteger totalmente o doente da tentação, está destinado ao fracasso. Se o alcoólico tenta se proteger, ele pode ser bem-sucedido por algum tempo, mas geralmente acaba tendo a maior das explosões. Já tentamos esses métodos. Essas tentativas de fazer o impossível sempre fracassaram. Nossa resposta é libertar-se do álcool, e não fugir dele.
***
“A fé sem obras é morta”. Essa é uma aterradora verdade para o alcoólico! Porque se um alcoólico deixa de aperfeiçoar e engrandecer sua vida espiritual, por meio do trabalho e do sacrifício próprio em benefício dos demais, ele não pode vencer as provas e os momentos de fraqueza que esperam por ele. Se não trabalhar, com certeza voltará a beber, e se beber, certamente morrerá. Então, a fé será realmente morta.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 109
2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 34
NA OPINIÃO DO BILL 220
Em sociedade
À medida que progredíamos espiritualmente, ficava claro que, se esperávamos algum dia nos sentir emocionalmente seguros, teríamos que colocar nossa vida na base do dar e receber; teríamos que desenvolver o hábito de viver em sociedade ou fraternidade com todos que nos cercam. Vimos que precisaríamos sempre dar de nós mesmos, sem esperar nada em troca. Quando persistimos nisso, descobrimos que aos poucos as pessoas eram atraídas para nós, como nunca foram antes. E mesmo que elas nos desapontassem, poderíamos ser compreensivos e não seriamos tão seriamente afetados.
***
A unidade, a eficiência e mesmo a sobrevivência de A.A. sempre dependerão de nossa contínua boa vontade de renunciar a nossos desejos e ambições pessoais, para a segurança e bem-estar comum. Do mesmo modo que o sacrifício significa sobrevivência para o indivíduo, também significa unidade e sobrevivência para o grupo e para a Irmandade de A.A. como um todo.
1 – Os Doze Passos, pág. 102
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 257
NA OPINIÃO DO BILL 224
Liderança em A.A.
Nenhuma sociedade pode funcionar bem sem uma liderança capaz em todos os seus níveis, e A.A. não pode ser exceção. Precisa ser dito, entretanto, que nós de A.A. acalentamos, algumas vezes, a ideia de que podemos passar com quase nenhuma liderança pessoal. Somos capazes de distorcer a ideia tradicional dos “princípios acima das personalidades”, a tal ponto que não haveria “personalidade” alguma na liderança. Isso redundaria, de qualquer maneira, em autômatos impessoais, tentando agradar todos.
Um líder no serviço de A.A. é portanto um homem (ou uma mulher) que pode pessoalmente colocar princípios, planos e normas em ação de maneira tão delicada e efetiva que leva o resto de nós a querer apoiá-lo e ajudá-lo em sua tarefa. Quando um líder nos guia pela força excessiva, nós nos revoltamos; mas quando ele se torna um submisso cumpridor de ordens e não usa nenhum critério próprio – então, ele realmente não é um líder.
Doze Conceitos para Serviços Mundiais, págs. 41 e 42
NA OPINIÃO DO BILL 244
Em direção à maturidade
Muitos membros mais antigos, que têm submetido a “cura das bebedeiras” de A.A. a severos, mas bem-sucedidos testes, descobrem que ainda lhes falta sobriedade emocional. Para obter isso, devemos desenvolver uma maturidade e equilíbrio verdadeiros (quer dizer, humildade) em nossas relações com nós mesmos, com nossos semelhantes e com Deus.
***
Não permitamos nunca que A.A. seja uma entidade fechada; nunca devemos negar nossa experiência, quando ela for útil e valiosa para o mundo que nos rodeia. Devemos permitir que nossos membros, individualmente, atendam o chamado de cada um dos campos da atividade humana. Devemos permitir a eles que levem a experiência e o espírito de A.A. em todos esses assuntos, sempre que exista algo de bom que possa ser realizado, porque não somente Deus nos salvou do alcoolismo; o mundo nos recebeu de volta em sua cidadania.
1 – Grapevine de janeiro de 1958
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 208
NA OPINIÃO DO BILL 254
Satisfações de uma vida correta
Como é maravilhoso sentir que não temos que ser especialmente diferenciados de nossos companheiros, a fim de ser úteis e profundamente felizes. Poucos de nós podem ser líderes proeminentes, nem queremos ser.
O serviço prestado com prazer, as obrigações honestamente cumpridas, os problemas bem aceitos ou resolvidos, com a ajuda de Deus, o conhecimento de que, tanto no lar como no mundo lá fora, somos companheiros num esforço comum, o fato de que, perante Deus, todos os seres humanos são importantes, a prova de que o amor, livremente oferecido, na certa traz um total retorno, a certeza de que não mais estamos isolados e sozinhos em prisões autoconstruídas, a segurança de que podemos nos adaptar e fazer parte do esquema de coisas criadas por Deus – essas são as satisfações de uma vida correta, que não poderiam ser substituídas por nenhuma pompa ou grande quantidade de riquezas materiais.
Os Doze Passos, pág. 110
NA OPINIÃO DO BILL 259
Servidor, não amo
Em A.A., descobrimos que não importava tanto qual era nossa condição econômica, mas importava muito qual era nossa condição espiritual. Conforme melhoramos nossa perspectiva espiritual, aos poucos o dinheiro se transformou em nosso servidor e não em nosso amo. Ele veio a ser um meio de troca de amor e serviço, com aqueles que nos cercam.
***
Um dos Membros Solitários de A.A. é um pastor de ovelhas australiano, que vive a 3.200 quilômetros da cidade mais próxima, onde anualmente ele vende sua lã. A fim de conseguir melhores preços, ele tinha que ir à cidade num determinado mês do ano Mas quando soube que ia ser realizado um grande encontro regional de A.A., em data posterior, quando os preços de lã teriam baixado, ele assumiu feliz um prejuízo financeiro para então fazer sua viagem.
Eis o quanto significava uma reunião de A.A. para esse homem.
1 – Os Doze Passos, pág. 108
2 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 27 e 28
NA OPINIÃO DO BILL 269
Quando a infância termina
“Você deve recordar que todo grupo de A.A. começa, como deveria, através dos esforços de uma só pessoa e de seus amigos – um fundador e sua hierarquia. Não existe outro modo.
“Mas quando a infância termina, os primeiros líderes têm que abrir caminho para essa democracia que surge das raízes e eventualmente se coloca de lado a liderança autoeleita do passado.”
***
Carta ao Dr. Bob:
“Em todos os lugares, os grupos de A.A. colocaram as atividades de serviço em suas próprias mãos. Os fundadores locais e seus amigos estão agora de lado. Por que tanta gente esquece isso, quando pensa no futuro de nossos serviços mundiais, nunca vou entender.
“Eventualmente os grupos pegam a direção e talvez esbanjem sua herança quando a recebem. Não obstante, é possível que não o façam. De qualquer modo, já são adultos; A.A. lhes pertence; vamos entregá-lo para eles.”
1 – Carta de 1950
2 – Carta de 1949
NA OPINIÃO DO BILL 273
Amor constrangedor
A vida de cada A.A. e de cada grupo é construída ao redor de nossos Doze Passos e Doze Tradições. Sabemos muito bem que a punição para a desobediência sistemática desses princípios é a morte do indivíduo e a dissolução do grupo. Uma força ainda maior para a unidade de A.A. é o amor-dedicação que temos por nossos companheiros e por nossos princípios.
***
Você poderia pensar que as pessoas na sede de A.A., em Nova York, certamente teriam que ter alguma autoridade pessoal. Mas há muito tempo, tanto os custódios como os secretários descobriram que não poderiam fazer nada mais do que dar leves sugestões aos grupos de A.A.
Tiveram até que inventar duas frases que ainda aparecem em algumas cartas que escrevem: “Claro que vocês têm toda a liberdade de resolver esse assunto como achar melhor. Mas a experiência da maioria, em A.A., parece sugerir…”
A sede mundial de A.A. não dá ordens. Ao contrário, é nossa maior transmissora das lições aprendidas com a experiência.
1 – Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 11
2 – As Doze Tradições, pág. 51
NA OPINIÃO DO BILL 284
Fé – um plano – e trabalho
“A ideia de viver um “plano de vinte e quatro horas” aplica-se primeiramente à vida emocional do indivíduo. Emocionalmente falando, não devemos viver no ontem, nem no amanhã.
“Mas nunca fui capaz de ver que isso significa que o indivíduo, o grupo ou A.A. como um todo não deveria pensar como vai funcionar amanhã ou mesmo num futuro mais distante. A fé sozinha nunca construiu a casa em que você mora. Tinha que haver um plano e um bocado de trabalho para que essa casa se tornasse realidade.
“Nada é mais verdadeiro para nós, de A.A., do que o dizer público: ‘A fé sem obras é morta’. Os serviços de A.A., todos destinados a fazer mais, e o melhor possível, o trabalho do Décimo Segundo Passo, são as ‘obras’ que garantem nossa vida e crescimento, impedindo a anarquia ou a estagnação.”
Carta de 1954
NA OPINIÃO DO BILL 287
Aspectos da espiritualidade
“Entre os membros de A.A. existe ainda uma grande confusão a respeito do que é material e do que é espiritual. Prefiro acreditar que tudo é uma questão de motivo. Se usarmos nossos bens materiais de forma egoísta, então somos materialistas. Mas se os usarmos para ajudar os outros, então o material ajuda o espiritual.”
***
“Persiste a ideia de que os instintos são primariamente maus e são os obstáculos, frente aos quais toda a espiritualidade vacila. Acredito que a diferença entre o bem e o mal não é a diferença entre o espiritual e os instintos do indivíduo; penso que é a diferença entre o uso adequado e o uso inadequado dos instintos. O reconhecimento e a correta canalização dos instintos constituem a essência da verdadeira integridade.”
1 – Carta de 1958
2 – Carta de 1954
NA OPINIÃO DO BILL 290
Tempo versus dinheiro
Nossa atitude, no sentido de conceder tempo, comparada com nossa atitude em dar dinheiro, apresenta um contraste interessante. Claro que damos muito de nosso tempo para as atividades de A.A., visando a nossa proteção e crescimento, mas também em consideração aos nossos grupos, nossas áreas, A.A. como um todo e, acima de tudo, nos dedicando ao recém-chegado. Considerados em termos de dinheiro, esses sacrifícios coletivos equivalem a uma grande soma.
Mas quando se trata de realmente gastar dinheiro, particularmente para despesas gerais de serviço de A.A. muitos de nós tentam relutar. Pensamos na perda de todo aquele poder aquisitivo em nossos anos de bebedeiras, nas economias que poderíamos ter feito para emergências ou para a educação das crianças.
Nos últimos anos, essas atitudes estão diminuindo em toda parte; elas desaparecem rapidamente quando uma necessidade verdadeira para um certo serviço de A.A. se torna clara. Os doadores raramente podem ver quais foram os verdadeiros resultados. Eles sabem bem, entretanto, que incontáveis milhares de outros alcoólicos e seus familiares serão certamente beneficiados.
Doze Conceitos para Serviços Mundiais, págs. 67 e 68
NA OPINIÃO DO BILL 297
Uma visão do todo
“Embora muitos de nós tenham tido que se esforçar violentamente para obter a sobriedade, contudo, essa irmandade nunca teve que lutar pela unidade perdida. Consequentemente, nós algumas vezes achamos que essa grande dádiva é merecida. Esquecemos que, se perdêssemos nossa unidade, os milhões de alcoólicos que ainda ‘não conhecem’ nunca poderiam ter sua chance”.
***
“Costumávamos ser céticos a respeito das reuniões grandes de A.A., como convenções, achando que elas poderiam parecer exibicionismo, mas em compensação seu benefício é enorme. Enquanto o interesse de cada A.A. deva se centralizar principalmente naqueles em torno dele e em seu próprio grupo, é necessário e desejável que todos nós tenhamos uma visão mais ampla do todo.
“A Conferência de Serviços Gerais, em New York, também produz esse efeito naqueles que participam. É um processo que amplia a visão.”
1 – Carta de 1949
2 – Carta de 1956
NA OPINIÃO DO BILL 307
O círculo e o triângulo
Acima de nós, a Convenção Internacional, em St. Louis, em 1955, flutuava uma bandeira com a inscrição do novo símbolo de A.A., um círculo contendo um triângulo. O círculo simboliza A.A. no mundo inteiro, e o triângulo simboliza os Três Legados de A.A.: Recuperação, Unidade e Serviço.
Talvez não seja por acaso que os sacerdotes e os profetas da antiguidade consideravam esse símbolo como uma forma de afastar os espíritos maus.
***
Quando em 1955, nós, os membros mais antigos, entregamos nossos Três Legados a todo o movimento, senti saudades dos velhos dias e ao mesmo tempo me senti grato pelo grande dia que estava vivendo agora. Eu não mais atuaria, nem decidiria, nem protegeria A.A.
Por um momento, tive medo, da mudança que se realizava. Mas essa sensação logo passou. Podíamos depender da consciência de A.A., movida pela orientação de Deus, para assegurar o futuro de A.A. Meu trabalho daqui para frente ia ser “soltar-me e entregar-me a Deus”.
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 125
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 43
NA OPINIÃO DO BILL 310
Aprendendo a confiar
Todo o programa de A.A. se baseia no princípio da confiança mútua. Confiamos em Deus, confiamos em A.A. e confiamos uns nos outros.
Portanto, não podemos deixar de confiar em nossos líderes em serviço. O “Direito de Decisão” que lhes oferecemos não é somente um meio prático de permitir que eles atuem e dirijam efetivamente, mas também um símbolo de nossa confiança implícita.
***
Se você chega ao A.A. sem convicção religiosa, pode, se quiser, fazer do próprio A.A. ou de seu grupo seu “Poder Superior”. Aí se encontra um grande número de pessoas que resolveu seu problema com o álcool. Nesse sentido, essas pessoas certamente representam um poder superior a você. Mesmo esse mínimo de fé será suficiente.
Muitos membros que só dessa maneira atravessaram o limiar, lhe dirão que, uma vez do outro lado, sua fé se ampliou e se aprofundou. Libertados da obsessão pelo álcool, com suas vidas inexplicavelmente transformadas, vieram a acreditar num Poder Superior, e a maioria deles começou a falar em Deus.
1 – Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 18
2 – Os Doze Passos, pág. 19
NA OPINIÃO DO BILL 324
Espiritualidade e dinheiro
Alguns de nós ainda perguntam: “O que é exatamente o Terceiro Legado? E até onde vai a ação de Serviço?”
Vamos começar com meu próprio padrinho, Ebby. Quando Ebby soube o quanto era sério meu problema com a bebida, resolveu me visitar. Ele estava em New York, e eu no Brooklin. Não bastava tomar a decisão; ele teve que entrar em ação e gastar dinheiro.
Ele me chamou ao telefone e em seguida tomou o metrô; o custo total foi de dez centavos. No momento em que telefonou e tomou o metrô, a espiritualidade e o dinheiro começaram a se misturar. Um sem o outro não teria chegado a nada.
Naquele exato momento e lugar, Ebby estabeleceu o princípio de A.A. em ação, que exige sacrifício de muito tempo e dinheiro.
A.A. Atinge a Maioridade , págs. 125 e 126
NA OPINIÃO DO BILL 332
Eu sou responsável…
Quando qualquer um, seja onde for,
estender a mão pedindo ajuda,
quero que a mão de A.A.
esteja sempre ali.
E por isto: Eu sou responsável.
– Declaração do 30° aniversário
Convenção Internacional de 1965
***
Prezados amigos:
Desde 1938, a maior parte de minha vida, em A.A., foi dedicada à ajuda da criação, planejamento, direção e segurança da solvência e eficiência dos serviços mundiais de A.A. – o escritório que tem capacitado nossa Irmandade a funcionar, no mundo inteiro, como um todo unificado.
Não é exagero dizer que, sob a orientação de seus custódios, todos esses importantes serviços foram, em parte, responsáveis por nossa atual extensão e total eficiência.
O Escritório de Serviços Gerais de A.A. é muito mais do que o principal portador da mensagem de A.A. Ele tem apresentado A.A. ao mundo conturbado em que vivemos. Tem encorajado a propagação de nossa Irmandade em todos os lugares. A.A. World Services, Inc. está pronto para atender às necessidades especiais de qualquer grupo ou indivíduo isolado, seja qual for a distância ou o idioma. Seus muitos anos de acumulada experiência estão disponíveis para todos nós.
Os membros de nossa curadoria – a Junta de Serviços Gerais de A.A. – serão, no futuro, nossos principais líderes em todas as nossas atividades mundiais. Essa alta responsabilidade já lhes foi delegada há muito tempo; eles são meus sucessores, bem como do Dr. Bob, nos serviços mundiais e são diretamente responsáveis por A.A. como um todo.
Esse é o legado de responsabilidade dos serviços mundiais que nós, os membros mais antigos que vão desaparecendo, estamos deixando a vocês, os AAs de hoje e de amanhã. Sabemos que vocês vão guardar, sustentar e estimar esse legado mundial, como a maior responsabilidade coletiva que A.A. já teve. Com confiança e afeição

OPINIÃO DO BILL – VONTADE

VONTADE

NA OPINIÃO DO BILL 4
Podemos escolher?
Não devemos nunca nos deixar cegar pela filosofia fútil de que somos vítimas de nossa hereditariedade, de nossa experiência de vida e de nosso meio ambiente – de que essas são as únicas forças que tomam as decisões por nós. Esse não é o caminho para a liberdade. Temos que acreditar que podemos realmente escolher.
* * *
“Como alcoólicos ativos, perdemos a capacidade de escolher se beberíamos ou não. Éramos vítimas de uma compulsão que parecia determinar que deveríamos prosseguir em nossa própria destruição”.
“No entanto, finalmente, fizemos escolhas que nos levaram à recuperação. Viemos a acreditar que sozinhos éramos impotentes perante o álcool. Isso foi certamente uma escolha, aliás, muito difícil. Viemos a acreditar que um Poder Superior poderia nos devolver a sanidade, quando nos dispusemos a praticar os Doze Passos de A.A.”. “Em resumo, preferimos ‘estar dispostos’, e essa foi a melhor escolha que poderíamos ter feito”.
1 – Grapevine de novembro de 1960
2 – Carta de 1966
NA OPINIÃO DO BILL 16
Nunca mais!
“Muitas pessoas se sentem mais seguras com o plano das vinte e quatro horas do que com a resolução de que nunca mais beberão. Muitas delas já quebraram muitas resoluções. Essa é realmente uma questão de escolha pessoal; cada A.A. tem o privilégio de interpretar o programa como quiser.
“Eu,pessoalmente, pretendo nunca mais beber. Isso é um pouco diferente de dizer: ‘Nunca mais beberei’. Essa última atitude às vezes põe as pessoas em dificuldade, porque significa comprometer-se, a nível pessoal, a fazer o que nós, alcoólicos, nunca poderíamos fazer. Esse é um ato de vontade e deixa muito pouco lugar para a ideia de que Deus nos libertará da obsessão de beber, contanto que sigamos o programa de A.A”.
Carta de 1949
NA OPINIÃO DO BILL 33
Alicerce Para A Vida
Descobrimos que recebemos orientação para nossas vidas, à medida que paramos de fazer exigências a Deus, a fim de que Ele nos dê aquilo que queremos.
* * *
Ao orar, simplesmente pedimos que durante o dia todo Deus nos dê o conhecimento de Sua vontade e nos conceda a graça, com a qual possamos realizá-la.
* * *
Há uma relação direta entre o autoexame e a meditação e a oração. Usadas separadamente, essas práticas podem trazer muito alívio e benefício. Mas quando são relacionadas e entrelaçadas com lógica, resultam numa base sólida para a vida toda.
1 – Os Doze Passos, pág. 95
2 – Os Doze Passos, pág. 93
3 – Os Doze Passos, pág. 85
NA OPINIÃO DO BILL 42
Autoconfiança e força de vontade
Quando, pela primeira vez desafiados a admitir a derrota, a maioria de nós se revoltou. Havíamos nos aproximado de A.A., esperando ser ensinados a ter autoconfiança. Então nos disseram que, no tocante ao álcool, de nada nos serviria a autoconfiança: aliás, ela era um empecilho total. Não era possível o alcoólico vencer a compulsão com a ajuda da vontade desamparada.
* * *
É quando tentamos fazer com que nossa vontade se harmonize com a vontade de Deus, que começamos a usá-la corretamente. Para todos nós, essa foi uma das revelações mais maravilhosas. Todo o nosso problema tinha sido o mau uso da força de vontade. Tínhamos tentado atacar nossos problemas com ela, ao invés de tentar levá-la a ficar de acordo com o plano de Deus para conosco. O propósito dos Doze Passos de A.A. é o de tornar isso cada vez mais possível.
1 –Os Doze Passos, pág. 14
2 –Os Doze Passos, pág. 30
NA OPINIÃO DO BILL 47
Ver é crer
A fé quase infantil dos irmãos Wright, de que poderiam construir uma máquina que voasse, foi a mola mestra de seu sucesso. Sem ela nada poderia ter acontecido.
Nós, os agnósticos e ateus, estávamos agarrados à ideia de que a autossuficiência resolveria nossos problemas. Quando os outros nos mostravam que a “suficiência de Deus” funcionava para eles, começamos a nos sentir como aqueles que tinham insistido em que os irmãos Wright nunca voariam. Estávamos vendo um outro tipo de voo, uma libertação espiritual deste mundo, pessoas que se elevavam acima de seus problemas.
Alcoólicos Anônimos, págs. 72 e 74
NA OPINIÃO DO BILL 55
Em busca de orientação
“Supõe-se que o homem pensa e age. Ele não foi criado à imagem de Deus para ser um autômato.
“Minha própria fórmula a esse respeito é a seguinte: primeiro, penso nos prós e nos contras de cada situação, orando nesse meio-tempo para não ser influenciado pelas considerações do ego. Afirmo que gostaria de fazer a vontade de Deus.
“Então, tendo resolvido o problema dessa maneira e não tendo obtido resposta conclusiva ou compulsiva, espero uma orientação maior que possa ir direto à minha mente ou vir de outras pessoas ou circunstâncias.
“Se sinto que não posso esperar e ainda não tenho nenhuma indicação definida, repito a primeira medida várias vezes e tento escolher da melhor forma, antes de agir. Sei que se estou errado, o céu não cairá. Uma lição terá que ser aprendida, de qualquer maneira”.
Carta de 1950
NA OPINIÃO DO BILL 66
Somente em caso de emergência
Quer tivéssemos sido crentes ou não, começamos a superar a ideia de que o Poder Superior era para ser invocado somente numa emergência.
A noção de que viveríamos nossa própria vida, com uma ajudazinha de Deus de vez em quando, começou a desaparecer. Muitos de nós, que se consideravam religiosos, despertaram para as limitações dessa atitude. Recusando colocar Deus em primeiro lugar, tínhamos nos privado de Sua ajuda. Mas agora as palavras “Sozinho nada sou, o Pai é que faz” começaram a trazer uma promessa e significação.
Os Doze Passos, pág. 65
NA OPINIÃO DO BILL 87
A pedra fundamental do arco do triunfo
Tendo enfrentado a destruição alcoólica, chegamos a ter a mente aberta, em relação às coisas espirituais. A esse respeito, o álcool era muito persuasivo. Ele finalmente nos derrota obrigando-nos a raciocinar.
* * *
Tivemos que deixar de fazer o papel de Deus. Isso não funcionou. Decidimos que dali por diante, nesse drama da vida, Deus ia ser nosso Diretor. Ele seria o Principal: nós, Seus agentes.
As ideias, em sua maioria, são simples, e esse conceito constituiu a pedra fundamental do novo arco do triunfo, através do qual passamos à liberdade.
Alcoólicos Anônimos
1 – pág. 68
2 – pág. 81

NA OPINIÃO DO BILL 88
Força de vontade e escolha
“Nós, AAs, sabemos que é inútil tentar destruir a obsessão de beber só pela força de vontade. Entretanto, sabemos que é preciso uma grande vontade para adotar os Doze Passos de A.A. como um modo de vida que pode nos devolver a sanidade.”
“Qualquer que seja a gravidade da obsessão pelo álcool, felizmente descobrimos que ainda podem ser feitas outras escolhas vitais. Por exemplo, podemos admitir que somos impotentes pessoalmente perante o álcool; que a dependência de um “Poder Superior” é uma necessidade, mesmo que esta seja simplesmente uma dependência de um grupo de A.A. Então podemos preferir tentar uma vida de honestidade e humildade, fazendo um serviço desinteressado para nossos companheiros e para ‘Deus como nós O concebemos’.
“Conforme continuamos fazendo essas escolhas e assim indo em busca dessas altas aspirações, nossa sanidade volta e desaparece a compulsão para beber.”
Carta de 1966
NA OPINIÃO DO BILL 109
Liberdade através da aceitação
Admitimos que não poderíamos vencer o álcool, com os recursos que ainda nos restavam, e assim aceitamos o fato de que a dependência de um Poder Superior (mesmo que fosse só nosso grupo de A.A.) poderia resolver o caso até aqui insolúvel. No momento em que fomos capazes de aceitar inteiramente estes fatos, foi iniciada nossa libertação da compulsão alcoólica.
Para a maioria de nós foi preciso grande esforço para aceitar esses dois fatos. Tivemos que abandonar nossa querida filosofia de autossuficiência. Não conseguimos isso apenas com a força de vontade; isto aconteceu como resultado do desenvolvimento da boa vontade para aceitar esses novos fatos da vida.
Não fugimos nem lutamos, mas aceitamos. E então começamos a ser livres.
1 – Grapevine de março de 1962
NA OPINIÃO DO BILL 122
A boa vontade é a chave
Não importa o quanto alguém queira tentar, exatamente de que modo ele pode entregar sua própria vontade e sua própria vida aos cuidados de qualquer Deus que ele acha que existe?
Um começo, por pequeno que seja, é tudo do que se precisa. Uma vez que tenhamos colocado a chave da boa vontade na fechadura e tenhamos a porta entreaberta, descobrimos que podemos sempre abri-la um pouco mais.
Embora a obstinação possa fechá-la de novo, como frequentemente acontece, sempre voltará a abrir no momento em que utilizamos a chave da boa vontade.
Os Doze Passos, pág. 26
NA OPINIÃO DO BILL 124
Liberdade de escolha
Olhando para trás, vemos que nossa liberdade de escolha não era, afinal de contas, uma liberdade muito verdadeira.
Quando escolhíamos porque “éramos obrigados a escolher”, essa também não era escolha livre. Mas isso nos iniciava na direção certa.
Quando escolhíamos porque “devíamos escolher”, estávamos realmente fazendo o melhor. Dessa vez estávamos obtendo uma certa liberdade, preparando-nos para obter ainda mais.
Mas quando, uma vez ou outra, pudemos com satisfação fazer escolhas certas sem revolta, espalhafato ou conflito, então tivemos a visão do que poderia ser a perfeita liberdade sob a vontade de Deus.
Grapevine de maio de 1960
NA OPINIÃO DO BILL 139
A base de toda a humildade
Uma vez que estávamos convencidos de que poderíamos viver exclusivamente pela nossa força e inteligência, tornava-se impossível a fé num Poder Superior.
Isto era assim, mesmo quando acreditávamos que Deus existia. Podíamos na verdade ter as mais fervorosas crenças religiosas, que continuavam estéreis, porque nós mesmos ainda tentávamos fazer o papel de Deus. Já que púnhamos a autoconfiança em primeiro lugar não era possível uma verdadeira confiança num Poder Superior. Faltava aquele ingrediente básico da humildade, o desejo de buscar e fazer a vontade de Deus.
Os Doze Passos, pág. 62
NA OPINIÃO DO BILL 170
A vontade de quem?
Temos visto AAs pedirem, com muita sinceridade e fé, orientação explícita de Deus sobre assuntos que variam, desde desastrosas crises domésticas ou financeiras, até a correção de pequenas falhas pessoais, como a impontualidade. Um homem que tenta dirigir rigorosamente sua vida por esse tipo de oração, com essa necessidade egoísta de respostas divinas, é uma pessoa especialmente confusa. A qualquer pergunta ou crítica a suas ações, ele logo fala de sua confiança na oração como um guia para todos os assuntos, sejam eles importantes ou não.
Ele pode ter esquecido a possibilidade de que seus desejos e a tendência humana de racionalizar tenham distorcido sua assim chamada orientação. Com a melhor das intenções, ele tende a impor sua própria vontade em qualquer situação ou problema, com a confortável segurança de que está agindo sob a direção específica de Deus.
Os Doze Passos, pág. 94
NA OPINIÃO DO BILL 210
Livre da escravidão
No Terceiro Passo, muitos de nós nos dirigimos a nosso Criador, como nós O concebíamos: “Deus, a Ti ofereço minha vida para que a construas e faças dela que for de Tua vontade. Liberta-me da escravidão do ego, a fim de fazer melhor Tua vontade. Remove minhas dificuldades, para que minha vitória sobre elas sirva de testemunho àqueles a quem eu ajudaria, com Teu poder, Teu amor e Teu modo de vida. Que eu possa sempre fazer Tua vontade!”
Pensamos bem antes de tomar essas medidas, para termos a certeza de que estávamos prontos. Então, começamos a nos entregar inteiramente a Ele.
Alcoólicos Anônimos, pág. 77
NA OPINIÃO DO BILL 225
A resposta no espelho
Enquanto bebíamos tínhamos certeza de que nossa inteligência, apoiada pela força de vontade, poderia muito bem controlar nossa vida interior e nos garantir sucesso no mundo em que vivemos. Essa corajosa filosofia, na qual cada individuo fazia o papel de Deus, soava bem, mas ainda tinha que passar pela prova de fogo: será que ela realmente funcionava? Uma boa olhada no espelho foi uma suficiente resposta.
***
Meu despertar espiritual foi muito rápido e absolutamente convincente. De repente me tornei uma parte – embora pequenina –de um cosmo que era dirigido pela justiça e pelo amor, na pessoa de Deus. Apesar das consequências de minha própria obstinação e ignorância, ou de meus companheiros de viagem na terra, a verdade ainda era essa. Essa era minha nova e positiva certeza – e ela nunca me abandonou.
1 – Os Doze Passos, págs. 27 e 28
2 – Grapevine de janeiro de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 232
O valor da vontade humana
Muitos recém-chegados, tendo experimentado pouca, mas constante deflação, sentiam uma crescente convicção de que a vontade humana não tem nenhum valor. Ficamos convencidos, e com razão, de que além do álcool muitos outros problemas não vão ser resolvidos apenas pela vontade do indivíduo.
Contudo, há certas coisas que o indivíduo sozinho pode fazer. Sozinho e à luz de suas próprias condições, ele precisa desenvolver a boa vontade. Quando adquire boa vontade, ele é então a única pessoa que pode tomar a decisão de se esforçar no caminho espiritual. Tentar fazer isso é na verdade um ato de sua própria vontade. É usar corretamente essa faculdade.
Na verdade, todos os Doze Passos de A.A. requerem um constante esforço pessoal para se ficar de acordo com seus princípios e, assim esperamos, com a vontade de Deus.
Os Doze Passos, pág. 30
NA OPINIÃO DO BILL 245
Combate sem ajuda
Na verdade, poucos são aqueles que, assaltados pelo tirano álcool, venceram o combate sem ajuda. É um fato estatístico que os alcoólicos quase nunca se recuperam, só por meio de seus próprios recursos.
***
A caminho de Point Barrow, no Alaska, dois prováveis membros saíram juntos e levaram com eles uma barraca e uma caixa de uísque. O tempo ficou ruim, e a temperatura baixou para 20 graus negativos; eles estavam tão bêbados que deixaram o fogo apagar. Escapando da morte, por congelamento, um deles acordou a tempo de reacender o fogo. Saiu para procurar combustível e logo avistou um tambor vazio de óleo, cheio de água congelada. Embaixo do gelo, ele avistou um objeto amarelo-avermelhado. Eles descongelaram o tal objeto, e era um livro de A.A. Um deles leu o livro e parou de beber. A lenda diz que ele se tornou o fundador de um de nossos grupos mais longínquos do norte.
1 – Os Doze Passos, pág. 14
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 75
NA OPINIÃO DO BILL 272
Dificuldades provocadas por nós mesmos
Egoísmo – egocentrismo! Achamos que essa é a causa de nossas dificuldades. Impulsionados por uma centena de formas de medo, autoilusão, interesse próprio e autopiedade, pisamos em nossos semelhantes, e eles revidam. Algumas vezes nos ferem, aparentemente sem provocação, mas sempre acabamos descobrindo que em algum momento, no passado, tomamos decisões baseadas no egocentrismo, que mais adiante nos colocaram em situação de ser feridos.
Assim, achamos que nossas dificuldades são basicamente provocadas por nós mesmos. Surgem de nós mesmos, e o alcoólico é um exemplo da prepotência desenfreada, embora ele geralmente não ache isso. Sobretudo, nós, alcoólicos, devemos nos desfazer desse egoísmo. Devemos, senão ele nos mata!
Alcoólicos Anônimos, pág. 76
NA OPINIÃO DO BILL 282
Instintos descontrolados
Toda vez que uma pessoa impõe seus instintos irracionalmente aos outros, vem a infelicidade. Se a busca da riqueza pisa naqueles que venham a estar no caminho, então a raiva, a inveja e a vingança serão igualmente despertadas. Se o sexo se desenfreia, há um tumulto semelhante.
Exigir de outras pessoas excessiva atenção, proteção e amor só pode despertar o domínio ou a revolta nos próprios protetores – duas emoções tão doentias quanto às exigências que as provocam. Quando o desejo de prestígio de um indivíduo se descontrola, seja num grupo de mulheres costurando ou numa conferência internacional, outras pessoas sofrem e muitas vezes se revoltam. Esse choque de instintos pode produzir, tanto uma leve descortesia quanto uma grande revolta.
Os Doze Passos, pág. 35
NA OPINIÃO DO BILL 283
“Impotentes perante o álcool”
Eu tinha caminhado continuamente ladeira abaixo, e naquele dia, em 1934, eu estava acamado no andar superior do hospital, sabendo pela primeira vez que estava completamente sem esperança.
Lois estava no andar térreo, e o Dr. Silkworth estava tentando, com suas maneiras gentis, transmitir a ela o que estava acontecendo comigo e que meu caso era sem esperança. “Mas Bill tem uma grande força de vontade”, ela disse. “Ele tem tentado desesperadamente ficar bom. Doutor, por que ele não pode parar?”
Ele explicou que minha maneira de beber, uma vez que se tornou um hábito, ficou sendo uma obsessão, uma verdadeira loucura que me condenava a beber contra meu desejo.
***
“Nos últimos estágios de nosso alcoolismo ativo, a vontade de resistir já não existe. Portanto, quando admitimos a derrota total e quando nos tornamos inteiramente dispostos a tentar os princípios de A.A., nossa obsessão desaparece e entramos numa nova dimensão – a liberdade sob a vontade de Deus, como nós O concebemos.”
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 48
2 – Carta de 1966
NA OPINIÃO DO BILL 295
Orando de maneira certa
Achávamos que levávamos a sério as práticas religiosas quando, após uma apreciação honesta, descobrimos que tínhamos sido apenas superficiais. Ou, indo ao extremo, tínhamos mergulhado no emocional ismo e tínhamos também confundido isso com o verdadeiro sentimento religioso. Em ambos os casos, pedíamos algo sem dar nada.
Nem sequer tínhamos orado de maneira certa. Sempre dizíamos: “Concedei-me as coisas que quero”, em vez de “Seja feita Tua vontade”. Não entendíamos absolutamente o amor a Deus e ao próximo. Assim, continuávamos nos enganando e portanto incapazes de receber a graça suficiente para nos devolver sanidade.
Os Doze Passos, págs. 23 e 24
NA OPINIÃO DO BILL 315
Superior a nós mesmos
Se fosse suficiente um código moral ou uma melhor filosofia de vida para vencer o alcoolismo, muitos de nós teriam se recuperado há mais tempo. Mas descobrimos que esses códigos e filosofias não nos salvaram, por mais que tentássemos. Poderíamos querer ter moral, ter o conforto da filosofia, de fato poderíamos querer essas coisas com toda nossa força, mas o poder necessário para mudar não existia. Nossos recursos humanos, guiados pela vontade, não eram suficientes; fracassaram por completo.
A falta de poder, esse era nosso dilema. Tínhamos que encontrar um poder, pelo qual pudéssemos viver – e ele tinha que ser um Poder Superior a nós mesmos.
Alcoólicos Anônimos, págs. 65 e 66
NA OPINIÃO DO BILL 320
Dirigindo todo o espetáculo
A maioria das pessoas tenta viver de acordo com seus impulsos. Cada pessoa é como um ator querendo dirigir todo o espetáculo e que está sempre procurando arranjar as luzes, o cenário e os outros atores, a seu modo. Se só seus arranjos prevalecerem, se as pessoas só fizerem o que ele quer, o espetáculo será ótimo.
Geralmente o que acontece? O espetáculo não sai muito bem. Admitindo que ele possa ter falhado de alguma forma, está certo de que os outros são mais culpados. Ele fica com raiva, indignado e cheio de autopiedade.
Ele não é na realidade um egoísta, mesmo quando está tentando ser útil? Não é vítima da ilusão de que só ele poderá obter satisfação e felicidade deste mundo, unicamente se ele manejá-lo bem?
Alcoólicos Anônimos, págs. 75 e 76
NA OPINIÃO DO BILL 328
Uma recém – encontrada providência
Ao lidar com um provável membro, com inclinações agnósticas ou ateístas, é preferível você usar a linguagem popular para descrever os princípios espirituais. Não adianta despertar qualquer preconceito que ele possa ter contra certos conceitos e termos teológicos, acerca dos quais já possa estar confuso. Não levante essas questões, sejam quais forem as convicções que você tenha.
***
Todos os homens e mulheres que ingressaram e pretendem permanecer em A.A., sem perceber, começaram a praticar o Terceiro Passo. Não é verdade que em todos os assuntos relacionados com o álcool, cada um decidiu entregar sua vida aos cuidados, proteção e orientação de A.A.?
Já foi alcançada a disposição de substituir a vontade e as ideias próprias, acerca do problema do álcool, por aquelas sugeridas por A.A. Ora, se isso não é entregar a vontade e a vida a uma recém encontrada “Providência”, o que é então?
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 106
2 – Os Doze Passos, pág. 26

NA OPINIÃO DO BILL 329
Faça-o à nossa maneira?
Ao orar, nossa tentação imediata será a de pedir soluções específicas para problemas específicos e a capacidade de ajudar outras pessoas, da forma como achamos que deveriam ser ajudadas. Nesse caso, estamos pedindo a Deus que o faça à nossa maneira. Portanto, deveríamos considerar cuidadosamente cada pedido, para levar em conta seu verdadeiro mérito.
Além disso, ao fazer pedidos específicos será bom acrescentarmos a cada um deles uma ressalva: “… se for da Tua vontade.”
Os Doze Passos, pág. 89