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70 ANOS ATRÁS

70 anos atrás
Em 1946, chegou ao Rio de Janeiro o publicitário americano Herbert L. (Herb), com um contrato de três anos para trabalhar como diretor artístico de uma multinacional do ramo de publicidade. Alcoólico, tinha ingressado em um Grupo de A.A. em Chicago (EUA) em 1943. Em 1945casou-se com Elizabeth Lee Treadwell, não alcoólica que se tornaria grande amiga de A.A. Antes de viajar para o Brasil esteve na Fundação do Alcoólico, em Nova York, para se informar se poderia encontrar algum membro de A.A. por aqui. Deram-lhe o nome de Lynn Goodale, a quem Bob Valentine – um amigo de Bill W., teria abordado numa passagem pelo Rio em 1945 e alcançado a sobriedade. Não encontrando Lynn, comunicou-se com a Fundação, pediu outros nomes e colocou-se à disposição para servir como contato no País.
Em julho de 1947, recebeu o endereço de um AA, e alguns libretos e folhetos em español. Numa carta recebida em outubro, a Fundação, “… manifesta sua felicidade pelo início de um Grupo de A.A. no Brasil”.
Não havendo registro do acontecido entre os meses de julho e outubro de 1947, a JUNAAB considera como oficial, para efeito de datação, uma ata escrita no livro de registros do “Grupo de A.A. do Rio de Janeiro” onde consta:
“Data – aniversário.
Na reunião de hoje deliberamos comemorar o 3º (terceiro) aniversário da fundação do Gr. “A.A. do Rio de Janeiro” no dia 5 (cinco) próximo.
A referida data ficará, por tradição, como a data oficial da fundação do Grupo.
Rio de Janeiro, 29 de agosto de 1950
“Fernando, secretário”.
Em função disto, convencionou-se que o dia cinco de setembro de 1947, seria a data oficial da fundação do primeiro Grupo de A.A. no Brasil. A correspondência era recebida através da Caixa Postal nº 254, cedida pela Associação Cristã de Moços – ACM, e utilizada até o inicio dos anos 1950, quando foi alugada uma própria, de nº 5218, muito divulgada pelo Brasil todo.
Sabe-se que aquele Grupo também se chamou “A.A. Rio Nucleus” e que os primeiros membros reuniam-se nas casas de alguns deles. A partir de 1949, passaram a se reunir na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), à Rua Araújo Porto Alegre, 71, Castelo. Mais tarde se mudariam para a Rua Santa Luzia.
No início de 1948, Herb conseguiu publicar o primeiro de uma serie de artigos sobre o alcoolismo – primeiro no jornal “O Globo” e depois no “Brazil Herald” em língua inglesa. Como resultado dessa publicidade, um morador de Ingá, em Niterói, Kenneth W., pediu ajuda para seu irmão arruinado pela bebida, o contabilista e consultor de empresas Harold W., anglo-brasileiro, neto de ingleses, nascido em Santa Teresa no Rio de Janeiro. Na manhã do dia 13 de março de1948, Herb foi visitar Harold na casa de Kenneth onde morava de favor e lá o esperava com a mão direita estendida, muito tremula, enquanto a mão esquerda segurava com força um copo de cachaça.
Neste encontro foi feito um acordo segundo o qual Harold tentaria parar de beber substituindo os goles de cachaça que fosse tomando por água da bica até que o copo conteve-se apenas água; conseguindo isso, que traduzisse do inglês para o português um livrete de A.A. que Herb lhe estava deixando. Então, na próxima quarta feira, 17 de março, à tarde, Harold iria a um novo encontro com Herb no salão de café na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
Na data marcada Harold bebeu de manhã o que seria seu último gole, e à tarde cumpriu o prometido, embora não tivesse traduzido o folheto inteiro; este folheto, produzido por um Grupo dos EUA, seria conhecido no Brasil como “Folheto Branco”, ou “Livro Branco” pela cor da sua capa que continha a sigla “A.A.”, o título “Alcoólicos Anônimos” e o endereço “Caixa Postal 254 – Rio de Janeiro, Brasil”. Publicado em outubro de 1948, foi a primeira literatura de A.A. no Brasil.

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APADRINHAMENTO / DÉCIMO SEGUNDO PASSO / MENSAGEM

6. Apadrinhamento / Décimo Segundo Passo / Mensagem

6.1. Apadrinhamento: Outra forma de dizer A.A.
Box 4-5-9, Fev. Mar./ 2002 (pág. 8-9)=> http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_feb-mar02.pdf
Título original: “El apadrinamiento es outra forma de decir A.A.”
O apadrinhamento tem muitos aspectos, muitas formas, cada uma delas única em suas nuances de identificação, esperança e ajuda. Porém, ao se olhar de perto pode se ver que cada uma é parte integrante da recuperação em A.A.; e para cada alcoólico que se mantém sóbrio, a essência do apadrinhamento costuma ser a união inseparável de “meu programa/eu”. Desde seu começo, o apadrinhamento tem sido descrito de diversas maneiras, como um indulto espiritual, uma colaboração do Quinto Passo, um trabalho do Décimo Segundo Passo e uma benção dos céus. É tão antigo quanto a relação que tinham os cofundadores Bill W. e o Dr. Bob para se manter sóbrios quando se conheceram em Akron, Ohio, em 1935; é tão novo quanto a relação que está sendo forjada, neste mesmo momento, entre um veterano, ou um Grupo inteiro, e um recém chegado doente e desconcertado. Descrevendo sua relação com o Dr. Bob nos primeiros dias, Bill disse certa vez: “O Dr. Bob não me necessitava para sua instrução espiritual… o que sim necessitava quando nos vimos pela primeira vez era a deflação profunda e a compreensão que somente um bêbado pode dar a outro. O que eu necessitava era da humildade do esquecimento de mim mesmo e o sentimento de parentesco com outro ser humano da minha própria índole”. Nos primeiros dias em Akron, o apadrinhamento costumava começar com a hospitalização do doente alcoólico e sua rendição, esta última, muitas vezes conduzida pela amiga de A.A. não alcoólica, Irmã Inácia, a qual em tom áspero instava seus pacientes a dobrar os joelhos em vez dos cotovelos. Em outras ocasiões, começou na cozinha do Dr. Bob com sua receita caseira de tomates, chucrute e xarope de milho (Karo)que se misturava numa panela grande e se deixava cozinhar a fogo lento. “Ao tomá-lo, os homens quase vomitavam” disse Ernie G., um membro pioneiro. “Finalmente, o Dr. Bob retirou o chucrute e durante muitos anos continuou com os tomates e o xarope de milho”. Hoje em dia, essa desagradável beberagem agridoce foi substituída por batidas de leite, mel e caldo concentrado, e o punhado de “candidatos” se converteu em mais de dois milhões no mundo todo. Porém, não mudou em nada o fato simples de que a melhor forma de manter nossa sobriedade é ajudar o alcoólico que ainda sofre a alcançá-la. O falecido Custódio Webb J., do Oeste do Canadá, levou este conceito ainda mais longe. Falando na Conferência de Serviços Gerais de 1991, disse: “Você tem que presenteá-la para mantê-la, mas, não pode dar o que não tem”. Percebeu isso quando, recém-saído de uma instituição de tratamento, tentou apadrinhar alguém e acabou de volta à garrafa. Sem dúvida, o apadrinhamento, o estar ali sem julgar durante todos os Doze Passos do caminho para ajudar outro alcoólico sem buscar em troca a gratificação do ego, nem sempre é fácil. Além do mais, “os membros de A.A. diferem em seu entusiasmo pelo apadrinhamento, na sua capacidade de fazê-lo e no tanto de tempo que podem lhe dedicar. Os membros que desejem e possam apadrinhar a vários iniciantes ao mesmo tempo não devem ser dissuadidos. O apadrinhamento é, em certo sentido, um privilégio que deve ser compartilhado por tantos membros quanto seja possível e é uma atividade que ajuda todos os membros a fortalecer sua sobriedade”. Guy F., antigo Delegado de Maine, nos oferece outra perspectiva sobre o apadrinhamento. Falando diante da Conferência de Serviços Gerais a respeito do lema da mesma, “O apadrinhamento, a gratidão em ação”, disse: “A forma de corresponder a essa gente que me deu a ajuda e a esperança de que eu precisava é seguir passando adiante, continuar participando no serviço e expressar minha gratidão. Para mim, isto é apadrinhamento”. Depois contou uma história que havia muitos anos tinha sido relatada a ele por uma mulher nativa norte americana, que explicava alegoricamente, ele acreditava, os conceitos do apadrinhamento: “Antigamente diziam que uma águia – uma ave muito especial que representa a liberdade e a coragem, que remontava ao céu até onde não podia ser vista, levava suas orações ao Criador. Quando novamente podia ser vista, trazia consigo a resposta. Se você ferir a Águia, cairá no chão e ficará com a boca para cima. Faz isso para se proteger. Mesmo se você trata de ajudá-la, irá resistir. Não percebe que você quer ajudá-la, e tem medo”. Guy explicou: “Essa história me faz pensar no bêbado tombado na rua com a boca virada para baixo. Se você trata de levantá-lo, ele resistirá, não porque seja ruim, mas porque tem medo e não percebe que você somente quer ajudar. No caso da águia, você pode embrulhá-la com a sua camisa e dar-lhe algum medicamento para a ferida, o Criador irá curá-la e novamente poderá voar livre como o vento. Porem, para ajudar o homem caído na rua, pode se valer da sua própria experiência. Se está trilhando o caminho dos Doze Passos na sua vida, você pode conduzir este homem a uma nova vida. O homem chegará a ser livre como uma águia, livre para amar e para ser quem o Criador tenha disposto que seja”. Na mesma Conferência, aos 91 Delegados dos EUA e Canadá, lhes foi feita esta pergunta: “Quantos de vocês chegaram ao serviço de A.A. com a ajuda de um padrinho?”. Todos os Delegados levantaram a mão. Como é explicado no folheto “Perguntas e respostas sobre o apadrinhamento”, seja um alcoólico ajudando outro alcoólico na sua recuperação pessoal ou chegar a prestar serviço no Grupo, “o apadrinhamento em A.A. é basicamente o mesmo. Os dois tipos de serviço brotam dos aspectos espirituais do programa”. Um padrinho de serviço, diz o folheto, poderá familiarizá-lo com as Doze Tradições, os Três Legados – Unidade, Recuperação e Serviço, e os Conceitos; pode esclarecer o princípio da rotatividade e ajudar os membros novos a perceber que o serviço é o nosso produto mais importante depois da sobriedade. De posse deste conhecimento, podemos compartilhar esta visão com outros e assegurar o futuro de Alcoólicos Anônimos.

6.2. Apadrinhamento: Como éramos
Box 4-5-9, Abr. Mai. 2003 (pág. 3 a 5)=> http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_april-may03.pdf
Título original: “El apadrinamiento – como éramos”
“Assista às reuniões e consiga um padrinho”. Duas enérgicas sugestões que são dadas a quase todos AAs em sua primeira reunião. Tanto para o recém chegado com a clássica tremedeira quanto para o veterano bem experiente, o apadrinhamento tem sido um fator crucial da sobriedade sólida, e este ano (2003), o lema da Conferência de Serviços Gerais “Vivendo os princípios de A.A. através do apadrinhamento”, oferece à Irmandade em sua totalidade uma oportunidade de examinar a eficácia do apadrinhamento nos dias de hoje. Os membros da Conferência irão considerar detidamente o quão aplicados temos sido em cumprir nossa responsabilidade de apadrinhamento, e se perguntarão se talvez está desaparecendo; também irão falar de possíveis formas de fornecer informação aos médicos e a outros profissionais. Nossa experiência nos revela a evolução do apadrinhamento que passou de um sistema por vezes rígido de doutrinamento para este arranjo pouco formal e individual que hoje conhecemos. As raízes do apadrinhamento são mais antigas que a própria Irmandade de A.A. Em novembro de 1934, Ebby T., velho companheiro de Bill W., veio visitá-lo. Ebby estava sóbrio pela primeira vez em muito tempo, que Bill pudesse lembrar; e estava muito desejoso de falar a respeito de sua nova maneira de viver. Em um artigo comemorativo publicado na edição de junho de 1966 da revista Grapevine, Bill escreveu: “Como é do conhecimento da maioria de vocês, Ebby, me falou da libertação do desespero que havia conseguido no Grupo de Oxford como resultado do autoexame, a reparação, a doação aos outros e a oração. Em poucas palavras, estava-me propondo as atitudes e princípios que mais tarde seriam usados para formular os Doze Passos para a recuperação em A.A.” Bill demorou algum tempo para alcançar a sobriedade, e a Ebby lhe resultou difícil manter a sobriedade por períodos de tempo mais longos, porém, para Bill essa foi a primeira experiência do poder do intercâmbio entre um alcoólico e outro e ao longo de toda sua vida Bill continuou a chamar Ebby de “meu amigo e padrinho”. O surpreendente poder do compartilhamento pessoal sempre tem sido a força motriz, o coração mesmo, da vida e do desenvolvimento de A.A. No fim da primavera de 1939, Bill W., longe do seu lar e sua família, sentindo-se desesperadamente desejoso de manter sua recém encontrada sobriedade, se dispôs a procurar outro bêbado e acabou por levar a mensagem ao co fundador, o d
Dr. Bob S. Seu encontro marcou o começo real da Irmandade de A.A. e juntos, estes dois homens encontraram-se com outros bêbados e lhes levaram a mensagem de esperança. Nossos membros fundadores de Akron e Nova York se puseram imediatamente em ação fazendo o trabalho do Décimo Segundo Passo, levando a mensagem a alcoólicos nos hospitais e onde queira que estivessem, assegurando que eles também praticássemos passos que a incipiente Irmandade estava formulando como programa de recuperação. Este pequeno grupo de ex-bêbados de Akron, e depois de Nova York, se manteve unido por absoluta necessidade e enviaram membros sóbrios para fazer visitas a possíveis membros e acompanhar seu progresso. Nos primeiros dias, os bêbados com frequência se hospedavam nas casas dos membros sóbrios até alcançar um mínimo de estabilidade. Porém, passados alguns anos, e depois de várias experiências desagradáveis, perceberam que muito poucos “hospedes” alcançavam a sobriedade, e da possibilidade de que não lhes estiveram fazendo favor algum. No livro O Dr. Bob e os bons Veteranos é descrito o crescimento lento de A.A. em Akro justamente no período que se seguiu ao retorno de Bill a Nova York. “Em fevereiro de 1937 voltamos a calcular o número de membros e tinham ingressado mais sete subindo o total para 12. Também havia algumas dezenas que tinha que tinham algum conhecimento do programa. Durante esse período, o Dr. Bob e os membros pioneiros elaboraram juntamente com os mais novos um procedimento que foi muito rígido no começo, porém com o passar dos meses e dos anos foi-se tornando mais flexível e aberto”. Primeiro, iam falar com a esposa, e lhe perguntavam se o seu marido realmente queria parar de beber. Então, o Dr. Bob ia pessoalmente falar com o homem e lhe assegurava que, se realmente levava o assunto a sério, eles poderiam lhe ajudar. Clarence S., um dos pioneiros, disse que, “em Akron e Cleveland você não podia simplesmente chegar e se apresentar numa reunião tal como hoje é feito. Você precisava ser apresentado por um companheiro. A esposa chamava primeiro e eu ia falar com ela. Contava-lhe minha história. Eu precisava saber alguma coisa a respeito do possível novo membro. Então eu saberia como abordá-lo. Talvez lhe cria-se uma armadilha. Assim teria no que me apoiar”. Warren C. disse que, “não sabíamos nada de atração. Começávamos falando sua esposa, ou talvez procurávamos seu chefe, e quando íamos falar com homem já tínhamos um bom conhecimento dele”. Depois dessa entrevista preliminar, o possível membro era internado em um hospital para se desintoxicar. Quando o iniciante estava suficientemente restabelecido, todos os membros que moravam na cidade iam visitá-lo diariamente, três ou quatro no começo e 20 ou mais alguns anos mais tarde. Se o iniciante concordava em se juntar a eles, tinha que admitir que era impotente perante o álcool e entregar sua vontade a Deus na presença de um ou mais membros. O apadrinhamento pessoal e individual, tal como o conhecemos hoje, parece ter-se originado no Grupo de Cleveland. Em outubro de 1939, foi publicada no Cleveland Plain Dealer uma série de artigos a respeito de A.A. que marcou o começo de uma nova época para Alcoólicos Anônimos, a época da fabricação em série da sobriedade. Bill W., escreveu em A.A. atinge a maioridade, “a central de atendimento do jornal foi inundada por chamadas que eram remetidas ao pequeno Grupo de Cleveland. Semana após semana, os companheiros saiam correndo apreensivos a fazer visitas do Décimo Segundo Passo aos cada vez mais numerosos candidatos. Logo ficou claro que seria necessário elaborar um sistema de apadrinhamento pessoal para os novos. Um membro mais antigo era designado para visitar o mais novo na sua casa ou no hospital, explicar-lhe os princípios de A.A. e acompanhá-lo à sua primeira reunião. Porém, ao ver-se rodeados de tantos pedidos de ajuda, percebiam que não havia suficientes veteranos para satisfazer a demanda. Recém chegados que tinham um mês ou apenas uma semana sóbrios tinham que apadrinhar alcoólicos que ainda estavam se desintoxicando nos hospitais”. Quando o primeiro Grupo chegou a ter bastantes membros, iniciou-se outro Grupo e logo se estabeleceu o terceiro Grupo. Felizmente o Big Book tinha saído da gráfica já havia seis meses e também havia disponíveis alguns folhetos, com o qual foi evitado que aquela situação frenética levasse à confusão e a anarquia. Os pioneiros de Akron e Nova York tinham graves dúvidas. Como seguir em frente? Ninguém sabia. Porém, um ano depois ficaram sabendo; tendo chegado a 30 Grupos e várias centenas de membros, os pioneiros de Cleveland tinham demonstrado três coisas essenciais: a importância do apadrinhamento pessoal, a importância do Big Book para informar os iniciantes e o maravilhoso feito de que, uma vez que as boas-novas se difundissem suficientemente, A.A. seguramente poderia crescer até chegar a ser muito grande. Na medida em que A.A. ia se desenvolvendo, muitos Grupos começaram a elaborar programas para ensinar os recém-chegados e a meados da década de 1940, os editores da nova revista nacional de A.A., a Grapevine, pediram aos seus leitores que compartilhassem a experiência de seus Grupos em seus projetos para apadrinhar os iniciantes. No número de junho de 1945 foram descritas quatro reuniões educativas, às quintas-feiras à noite, realizadas pelo Wilson Club, um dos Grupos de St. Louis. A primeira reunião foi dedicada à história de Bill, bêbado e sóbrio, e o desenvolvimento de A.A. até chegar a St. Louis. Durante um intervalo de 15 minutos era pedido a cada participante para escrever algumas palavras explicando o que ele considerava ser alcoólico. Depois disso, um médico explicava os aspectos clínicos do problema. Na segunda reunião era tratado o aspecto espiritual e os Doze Passos, e para concluir, era lido um discurso do jesuíta padre Dowling, que foi quem iniciou os Grupos em St. Louis. Na reunião da terceira semana se falava do restante dos capítulos do Big Book e havia uma palestra proferida por um pastor protestante. Na última reunião era feito um breve repasse da literatura de A.A. e se explicava o funcionamento do Wilson Club. Para ser considerado um membro ativo e com pleno direito do Wilson Club, era necessário assistir essas quatro reuniões educativas. Depois de feito, o candidato recebia um cartão de ingresso na cor branca que o identificava como membro. Ao completar um ano de sobriedade, o membro recebia um cartão dourado. Na edição de setembro desse mesmo ano, a Grapevine publicou correspondência do Grupo Genese e de Rochester onde comunicava que também havia desenvolvido um programa educativo que, à semelhança do Wilson Club, também constava de quatro partes, porém, antes de assistir à primeira reunião no Grupo, os principiantes, ou novatos como eram chamados, deveriam passar por uma entrevista em forma de sabatina ou teste conduzido pelos padrinhos. Conforme a experiência relatada por aquele Grupo, a integração de pessoas indiscriminadamente no Grupo, sem a suficiente informação e um treinamento preliminar poderia provocar grandes dificuldades e causar dano na moral do Grupo. Em sua opinião, o novato tinha que aceitar o programa sem reservas antes de se tornar membro: “Cada iniciante progride até este ponto no seu próprio ritmo, conforme sua capacidade mental, seu desejo de aprender e a honestidade de seu autoexame. O Grupo aceita como palavra final o veredicto do seu padrinho a respeito de quando o novato está pronto para ingressar, e o próprio padrinho o conduz à primeira reunião”. Na edição de julho de 1945, a Grapevine publicou uma lista com 19 características do bom apadrinhamento elaborada pelo Grupo de Minneapolis. Feito um resumo de algumas sugestões – que poderiam muito bem ter sido retiradas do atual folheto “Perguntas e respostas sobre apadrinhamento”, as relacionadas nos números de 15 a 18 oferecem uma lição a respeito do caráter do alcoólico: “15-. Quando um bêbado recorre a outro padrinho para lhe contar histórias de perseguição, se este padrinho não consulta o primeiro, o assuntos e converte numa questão de personalidades, e o segundo padrinho acabará por perceber que foi enganado pelo reincidente.
16-. Não dê atenção às fofocas dos reincidentes.
17-. O segundo padrinho deverá conversar com o primeiro para se informar do acontecido e evitar que aquilo volte a se repetir com ele.
18-. Se um membro novo começa a apresentar desculpar pela sua ausência nas aulas e nas reuniões, depois de um breve período de tempo, o padrinho devera lhe reforçar a importância do comparecimento. Se a situação permanecer, o novato criou uma condição na qual o padrinho não pode fazer nada. Melhor deixá-lo. A semente foi plantada; o padrinho deverá procurar outra atividade. Mais cedo ou mais tarde chegará o dia em que o novato volte porque ‘deseja’ A.A.” Em números posteriores da Grapevine, foram mostradas as experiências dos Grupos de St. Paul e Chicago, onde era reforçada a necessidade de reuniões educativas para os novos membros. Os Grupos de St. Paul tinham um programa de três reuniões começando com os três primeiros Passos, depois falavam do inventário e reparações e finalizavam com os aspectos espirituais do programa. Em Chicago foi criado um sistema de Grupos de bairro iniciado por dois veteranos que tiveram a ideia de conversar informalmente com seus afilhados e convidá-los a visitar suas casas para falar a respeito de qualquer problema que pudessem ter. A experiência teve sucesso e a cidade foi dividida em dez áreas; em cada uma delas formou-se um grupo de discussão que se reunia regularmente às quintas feiras à noite. Num desses artigos da Grapevine descreve a experiência das reuniões de terça feira à noite no Chicago Loop: “Conforme o tempo passava, o crescente número de participantes parecia justificar a criação de uma reunião especial de instrução. A primeira foi realizada num canto do grande salão de reuniões: um veterano voluntário reuniu os novatos para lhes falar e responder suas perguntas. Este modelo improvisado foi tão bem sucedido que, a partir de então, foi criada uma reunião nesse formato que precedia à reunião principal”. O artigo que mais atenção atraiu nessa série publicada pela Grapevine apareceu em setembro de 1947 com o título “O modelo de Little Rock está dirigido aos possíveis membros” e descreve um sistema muito rigoroso e formal. Acredita-se que o “Modelo Little Rock” foi o primeiro (*) desse tipo no país. Simplesmente seguindo conscienciosamente esse modelo foram atraídas centenas de pessoas para A.A. Não era fácil ser membro daquele Grupo. Quando alguém manifestava o desejo de alcançar a sobriedade e se lhe designava um padrinho, tinha que deixar seu posto de trabalho por um período mínimo de duas semanas. Normalmente, o candidato era obrigado a passar esse tempo nas salas de reunião, estudando, preparando a história de suas experiências e cumprindo as tarefas impostas pelo padrinho. Se, depois de duas semanas o padrinho estivesse satisfeito com o aproveitamento de seu afilhado, o apresentava ao comitê executivo do Grupo e fazia a solicitação de ingresso como novo membro. Se aceito, o padrinho o acompanhava à próxima reunião onde lhe eram dadas as boas vindas e recebia uma copia do “Programa de acolhimento” e dos Doze Passos. Porém, isso não bastava. Não era dito simplesmente “Agora siga seu caminho e que Deus o abençoe”. Recebia um pequeno diário onde, durante 28 dias, deveria escrever suas impressões diárias sempre finalizando com “Hoje não bebi” e sua assinatura. No final desse período entregava o diário ao Comitê, recebia de novo as boas vindas e somente então era considerado efetivamente como membro. Depois, sob a orientação de um veterano, lhe eram destinadas tarefas concretas e recebia incentivo para trabalhar com novos candidatos. Dois meses depois da publicação deste artigo, a redação da Grapevine começou a receber cartas indignadas: “Isto parece um plano da polícia e do departamento de liberdade condicional. Há apenas um único modelo em A.A., e ele se encontra no libro (Livro Azul). Sem organização. Sem regras”, escreveu A. M. desde Los Angeles. Desde Detroit, H.E. T. disse iradamente, “Por Deus! O que tem em Little Rock? Um campo de concentração? De onde lhes vem a autoridade para deixar alguém fora do Grupo? Imaginem! Alardear obstáculos para se juntar a A.A.!” e, E. B. T. de Boston, protestou: “Dá a impressão de que Little Rock se orgulha de ser rígido e, obviamente, no artigo publicado, parecem ter mais orgulho das poucas recaídas do que ajudar àqueles que peçam a ajuda de A.A. Isto pode ser algum tipo de grupo; mas não parece um Grupo de A.A.” O modelo de Little Rock pode parecer excessivamente extremado para a grande maioria dos membros de A.A., porém, sempre houve tantos tipos de apadrinhamento quantos padrinhos e iniciantes tem havido. Alguns membros puderam superar os dias difíceis do começo da sobriedade somente porque seus padrinhos lhes impunham uma disciplina estrita – “meu padrinho nunca me fez sugestões”, ouve-se de alguns atualmente. Outros somente conseguiram prosperar com um grau de tutela mais suave de padrinhos sempre disponíveis, porém, que deixavam que seus afilhados se conduzissem à sua maneira. Na sua essência, como tantas outras coisas em A.A., o apadrinhamento, frequentemente, é eficaz apesar dos participantes. Como escreveu um colaborador anônimo na página de discussão de grupo da Grapevine, em maio de 1948: “A.A. oferece a possibilidade de dar a Deus a oportunidade”.
(*) N.T.: Alguns historiadores registram que o primeiro trabalho escrito sobre apadrinhamento foi o panfleto “Apadrinhamento em A.A. suas Obrigações e Responsabilidades”.
Foi escrito por Clarence H. Snyder em 1944 e impresso pelo Comitê Central de Cleveland. Veja-o a seguir.

6.3. Apadrinhamento em A.A.: Suas obrigações e suas responsabilidades
Importante: O material a seguir é uma tradução feita pelo Dr. Lais Marques da Silva, ex-
Presidente da Junta de Custódios, do panfleto que foi o primeiro trabalho escrito sobre apadrinhamento e o seu título original era “Apadrinhamento em A.A. suas Obrigações e Responsabilidades”. Foi escrito por Clarence H. Snyder (*), em 1944 e impresso pelo Comitê Central de Cleveland. Este transcritor apenas adaptou o formato ao conjunto.
(*) Clarence H. Snyder, (1902-1984), ficou sóbrio em Cleveland-Ohio, no dia 11 de fevereiro de
1938 com a ajuda do seu padrinho, co fundador, o Dr. Bob. Em 18 de maio de 1939, fundou o grupo nº. 3 de A.A. em Cleveland-Ohio e este foi o primeiro grupo a usar o nome “Alcoólicos Anônimos”. Faleceu na Flórida, em 22 de março de 1984, com 46 anos de sobriedade. Sua história, “A Casa do Mestre Cervejeiro” está publicada nas 1ª, 2ª. e 3ª. edições do Big Book, nas páginas 297/303
Fonte: http://silkworth.net
Prefácio
Cada membro de A.A. é um padrinho em potencial de um novo membro e deveria reconhecer claramente as obrigações e deveres de tal responsabilidade. A aceitação da oportunidade de levar o plano de A.A. para aquele que sofre no alcoolismo compreende responsabilidades muito reais e criticamente importantes. Cada membro, ao praticar o apadrinhamento de um alcoólico, deve lembrar que está oferecendo o que é, frequentemente, a última chance de reabilitação, de sanidade, ou mesmo, de vida. Felicidade, saúde, segurança, sanidade e vida de seres humanos são as coisas que temos que manter em equilíbrio quando apadrinhamos um alcoólico. Nenhum membro é suficientemente sábio para desenvolver um programa de apadrinhamento que possa ser aplicado, com sucesso, a todos os casos. Nas páginas seguintes, no entanto, delineamos um procedimento que é sugerido e que, suplementado pela própria experiência do membro, tem-se mostrado bem sucedido. Ganhos pessoais de ser um padrinho Ninguém colhe todos os benefícios de qualquer irmandade a que esteja ligado a menos que,
de coração, se engaje nas suas importantes atividades. A expansão de Alcoólicos Anônimos para campos mais largos e o benefício maior para um número crescente de pessoas resulta diretamente do acréscimo de uma nova pessoa, de membros ou associados que são de valor. Qualquer membro de A.A. que não tenha experimentado as alegrias e satisfações de ajudar outro alcoólico a retomar o seu lugar na vida, ainda não terá percebido completamente os benefícios que pode auferir desta irmandade. Por outro lado, deve ficar claramente guardado na mente que a única razão possível para levar um alcoólico para o A.A. é o benefício daquela pessoa. O apadrinhamento nunca deve ser feito para:
1) aumentar o tamanho do grupo;
2) satisfação ou glória pessoal ou, ainda,
3) porque o padrinho sente, como sendo do seu dever, refazer o mundo.
Até que um membro de A.A. tenha assumido a responsabilidade de colocar um trêmulo e impotente ser humano de volta no caminho para se tornar um membro saudável, útil e feliz da sociedade, ele não terá desfrutado a completa sensação de ser um membro de A.A. Fonte de nomes – indicações para apadrinhamento A maior parte das pessoas tem, entre os seus próprios amigos e relações, alguém que se beneficiaria dos nossos ensinamentos. Outros têm seus nomes dados por igrejas, por doutores, empregadores ou por algum outro membro que não pode fazer um contato direto. Por causa da ampla gama de atividades do A.A., os nomes frequentemente chegam de lugares não usuais e inesperados. Esses casos deveriam ser contatados assim que todos os dados como: estado civil, relações domésticas, estado financeiro, hábitos de beber, emprego, e outras informações facilmente acessíveis, estivessem em mãos.
É o cliente potencial um candidato?
Muito tempo e esforço poderiam ser poupados ao se conhecer, tão cedo quanto possível, se:
1) A pessoa realmente tem um problema com a bebida?
2) Sabe que tem um problema?
3) Deseja fazer alguma coisa acerca do seu beber?
4) Deseja ajuda?
Às vezes, as respostas a essas questões não podem ser obtidas até que o candidato potencial tenha tido alguma informação sobre o A.A. e de ter uma oportunidade de pensar. Frequentemente são dados nomes, que depois de uma verificação, mostram que o candidato potencial não é, de forma nenhuma, um alcoólico ou ainda que está satisfeito com o atual modo de viver. Não deveríamos hesitar em descartar esses nomes das nossas listas. Devemos estar certos, no entanto, de fazer com que o potencial candidato saiba onde pode nos alcançar em qualquer data futura. Quem deveria se tornar membro? O A.A. é uma irmandade de homens e mulheres ligados pela sua inabilidade de usar o álcool em qualquer forma razoável com proveito ou prazer. Obviamente, qualquer novo membro introduzido poderia ser do mesmo tipo de pessoa, sofrendo da mesma doença. A maior parte das pessoas pode beber razoavelmente, mas estamos somente interessados naquelas que não podem. Bebedores de festas, bebedores sociais, festeiros e outros que continuam a ter mais prazer do que dor no seu beber, não são de interesse para nós. Em alguns casos, um indivíduo pode acreditar que é um bebedor social quando ele definitivamente é um alcoólico. Em muitos desses casos, mais tempo deve passar antes que a pessoa esteja pronta para aceitar o nosso programa. Pressionar tal pessoa antes que esteja pronta pode arruinar as suas chances de, em algum momento, se tornar um membro de A.A., com sucesso. Não se deve excluir a possibilidade de uma ajuda futura ao se pressionar demais no início. Algumas pessoas, embora definitivamente alcoólicas, não têm desejo ou ambicionam melhorar o seu modo de viver e, até que elas o façam, A.A. não tem nada a oferecer. A experiência tem mostrado que idade, inteligência, educação, situação ou a quantidade de bebida alcoólica ingerida tem pouco, se tem, a ver com o fato de uma pessoa ser ou não um alcoólico. Apresentando o projeto Em muitos casos, a condição física de uma pessoa é tal que deveria ser hospitalizada, se possível. Muitos membros de A.A. acreditam que a hospitalização, com tempo suficiente para planejar o futuro, livre das preocupações domésticas e das preocupações com negócios oferece uma vantagem significativa. Em muitos casos, o período de hospitalização marca o início de uma nova vida. Outros membros são igualmente confiantes no fato de que qualquer pessoa que deseje aprender sobre o projeto de vida de A.A. pode fazer isso em seu próprio lar ou enquanto engajado nas ocupações normais. Milhares de casos são tratados de cada modo, que tem-se mostrado satisfatórios.
Passos sugeridos
Os seguintes parágrafos delineiam um procedimento sugerido para apresentar o projeto de A.A. ao possível candidato, em casa ou no hospital.
1) Qualificar-se como um alcoólico Ao atender a um novo possível candidato, tem-se mostrado melhor que o padrinho se qualifique como sendo uma pessoa normal que tem encontrado felicidade, contentamento e paz por meio do A.A.. Deve tornar claro, imediatamente, que você é uma pessoa engajada nas coisas da vida, em ganhar a vida. Fale que a única razão para acreditar que é capaz de ajuda-lo é que você mesmo é um alcoólico que tem tido experiências e problemas que podem ser semelhantes ao dele.
2) Relate a sua história
Muitos membros têm achado desejável iniciar imediatamente com a sua história pessoal com a bebida como um meio de obter a confiança e cordial cooperação do possível candidato. É importante relatar a história da sua própria vaidade bebedor e fazê-lo de um modo que irá descrever um alcoólico, mais do que falar de uma série de situações humorísticas de bêbados em festas. Isso capacitará a pessoa a ter uma visão clara de um alcoólico e deveria ajudá-lo a decidir definitivamente se é um alcoólico.
3) Inspire confiança no A.A.
Em muitos casos, o possível candidato irá tentar vários meios de controlar o seu beber, incluindo atividades de recreio, igreja, mudança de residência, mudança de associações e várias outras atitudes visando o controle. Esses meios irão, naturalmente, se mostrar sem sucesso. Focalize a sua série de esforços malsucedidos para controlar o beber… Os resultados infrutíferos e ainda o fato de que você se tornou capaz de parar de beber com a prática dos princípios de A.A.. Isso encorajará o futuro candidato para olhar com confiança a sobriedade em A.A., a despeito dos muitos fracassos anteriores que tenha tido com outros planejamentos.
4) Fale de vantagens adicionais Fale francamente ao possível candidato que ele não poderá entender rapidamente todos os benefícios que estarão chegando por meio do A.A.. Relate a felicidade, a paz de espírito, saúde e, em muitos casos, os benefícios materiais que são possíveis através do entendimento e da aplicação do modo de viver de A.A..
5) Fale da importância de ler o livro Explique a necessidade de ler e de reler o livro de A.A.. Destaque que esse livro dá uma descrição detalhada das ferramentas do A.A. e dos métodos de aplicação dessas ferramentas para construir um fundamento de reabilitação para viver. Esse é um bom momento para
enfatizar a importância dos doze passos e dos quatro absolutos.
6) Qualidades necessárias para o sucesso em A.A. Faça saber ao possível candidato que os objetivos de A.A. são prover os meios e modos para um alcoólico voltar ao seu lugar normal na vida. Desejo, paciência, fé, estudo e aplicação são o mais importante em determinar cada planejamento individual de ação para ganhar inteiramente os benefícios de A.A..
7) Reintroduza a fé
Desde que a crença em um Poder Superior a nós mesmos é o coração do projeto de A.A. e de que o fato de que essa ideia é frequentemente difícil para uma nova pessoa, o padrinho deveria tentar introduzir o início de um entendimento acerca dessa importante característica. Frequentemente, isso pode ser feito por um padrinho ao relatar a sua própria dificuldade de captar um entendimento espiritual e falar sobre os métodos que usou para superar suas dificuldades.
8) Ouça a sua história
Enquanto falando ao recém chegado, ganhe o tempo para ouvir e estudar as suas reações a fim de que você possa apresentar a sua informação de um modo mais efetivo. Deixe-o falar também. Lembre … vá com calma. Leve a diversas reuniões
9-Para dar ao novo membro um quadro amplo e completo do A.A., o padrinho deveria levá-lo a várias reuniões a conveniente distância da sua casa. Assistir diversas reuniões dá ao novato a oportunidade de selecionar um grupo em que se sinta mais feliz e confortável e é extremamente importante para deixar que o possível candidato tome a sua própria decisão em relação a que grupo irá se juntar. Acentue que ele será sempre bem-vindo a qualquer reunião e que pode mudar de grupo se assim desejar.
10) Explique o A.A. à família do possível candidato Um padrinho bem sucedido aceita o esforço e faz qualquer empenho necessário para ficar certo de que as pessoas próximas e com interesse maior no seu doente (mãe, pai, esposa, etc.,) sejam inteiramente informadas acerca do A.A., seus princípios e seus objetivos. O padrinho cuida para que essas pessoas sejam convidadas para reuniões e as mantém informadas, a todo o momento, da situação corrente do possível candidato.
11) Ajude o possível candidato a se antecipar às experiências a serem vividas em um hospital. Um possível candidato irá ter mais benefício de um período de internação se o padrinho descrever a experiência e ajudá-lo a se antecipar a elas, preparando o caminho daqueles membros que irão chamá-lo.
12) Consulte os membros antigos de A.A.
Essas sugestões para o apadrinhamento de uma nova pessoa nos ensinamentos de A.A. não são completas. Elas pretendem somente dar uma moldura e um guia geral. Cada caso individual é diferente e deveria ser tratado como tal. Informação adicional para o apadrinhamento de uma nova pessoa pode ser obtida a partir da experiência de um companheiro mais experiente nesse tipo de serviço. Um co-padrinho, com experiência, trabalhando com um novo companheiro no apadrinhamento de um possível futuro membro tem-se mostrado satisfatório. Antes de assumir a responsabilidade de apadrinhamento, um membro deveria estar certo de que é capaz de realizar a tarefa e de estar disposto a dar seu tempo, esforço e meditação que uma tal obrigação implica. Pode acontecer que ele queira selecionar um co-padrinho para compartilhar a responsabilidade ou pode sentir necessário solicitar a outro companheiro que assuma a responsabilidade pela pessoa que ele tenha localizado.
13) Se você vai ser um padrinho, seja um bom padrinho.

6.4. Apadrinhamento: Uma via de mão dupla
Box 4-5-9, Abr. Mai. 1998 (pág. 1-2)=> http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_april-may98.pdf
Título original: “El apadrinamiento es uma calle de doble dirección”
O programa de recuperação de A.A. é espiritual, massa ação dos bêbados – um sóbrio e outro enfermo apoiando-se um no outro é o que o fundamenta, conforme o que logo descobriram nossos cofundadores. Alguns anos mais tarde, ao considerar sua relação com o Dr. Bob, Bill W. comentou: “O Dr. Bob não precisava de mim para sua instrução espiritual… O que precisava quando nos encontramos pela primeira vez era a profunda deflação do ego e a compreensão que somente um bêbado pode oferecer a outro. O que eu precisava era da humildade para esquecer de mim mesmo e do sentimento de parentesco com outro ser humano da minha própria índole”. Nos primeiros dias, em Akron, Ohio, o apadrinhamento costumava começar com a hospitalização e a admissão da derrota do alcoólico, esta última, induzida algumas vezes pela Irmã Inácia, que animava seus pacientes a dobrar os joelhos ao invés de dobrar os cotovelos. Outras vezes começava na cozinha do Dr. Bob com sua receita caseira: tomates, chucrute e xarope de milho (Karo), tudo misturado e colocado a ferver no fogo lento. “Os homens quase tinham náuseas ao tomar aquela coisa” lembrava mais tarde o pioneiro Ernie G. “Finalmente o Dr. Bob retirou o chucrute, mas continuo durante muitos anos com tomates e xarope de milho”. Atualmente aquela beberagem foi substituída por batidos de leite, mel e consomê (uma espécie de sopa com textura bem aquosa), e aquele punhado de “possíveis candidatos” converteu-se em mais de dois milhões de membros no mundo todo. Mas a verdade simples de que para manter nossa sobriedade é entrega-la a outro alcoólico que ainda sofre, essa não mudou. No seu discurso inaugural sobre o tema “Apadrinhamento: Gratidão em ação”, na Conferência de Serviços Gerais de 1991, o falecido Custódio alcoólico Webb J., do Oeste do Canadá disse a esse respeito: “Você deve dá-lo para mantê-lo, mas não pode dar o que não tem”. Ele percebeu isso quando recém-saído de uma instituição de tratamento, tentou apadrinhar alguém e acabou “de volta à garrafa”. Quinze meses depois, disse Web, “voltei para A.A. e fiquei. Entrei em serviço na segunda reunião, quando o pessoal me escolheu para receber as pessoas na porta de entrada. Fazia todas as tarefas domesticas do Grupo, tais como arrumar as cadeiras, fazer café, limpar os cinzeiros – tudo menos limpar o piso. Tínhamos um companheiro que antes havia sido gangster e se alguém ousava tocar na bassoura ele o olhava de tal jeito que fazia pensar em sapatos de concreto… Depois de um tempo, encontrei alguém que aceitou ser meu padrinho, com a condição de que ficasse um ano na cidade enquanto consertava os problemas que tinha criado, que me juntara a um Grupo, que praticasse os Passos e as Tradições e que participasse das atividades do Grupo. Fiz tudo isso e, como consequência, desfrutei de uma carreira de serviço muito variada, emocionante e interessante e, provavelmente salvadora. Como é dito no nosso Terceiro Legado: ‘A.A. é algo mais que um conjunto de princípios; é uma sociedade de alcoólicos em ação. Temos que levar a mensagem, pois se não o fizermos, nós mesmos podemos murchar e aqueles a quem não lhes foi levada a verdade podem perecer’”. Na mesma Conferência, a então Delegada do Sul de Indiana Dorothy M., disse, “Quando um principiante estende sua mão pedindo ajuda, quero que a mão de um membro disposto a ser padrinho esteja ali mesmo”. Ela ressaltou que “nossos vínculos não vem de ter um desastre em comum, mas de ter uma solução em comum”. A experiência demonstra que desde a ajuda própria até o serviço, os membros de A.A. dos EUA e Canadá voltaram a se comprometer com o apadrinhamento. Nas cartas recebidas no Escritório de Serviços Gerais – ESG, formulam-se variadas perguntas (muitas têm sua resposta no folheto “Perguntas e Respostas sobre Apadrinhamento”, Junaab, cód. 211, R$ 4,70).
A seguir aparecem algumas dessas perguntas resumidas e as respostas que ofereceram os membros do pessoal do ESG:
Pergunta: Bill W. teve um padrinho?
Resposta: Sim. De fato Bill escreveu em várias ocasiões a respeito da profunda influência que teve em sua vida seu amigo de infância e companheiro de bebedeiras Ebby T. “E ali estava sentado meu padrinho Ebby, o qual foi o primeiro a me trazer as palavras que me tiraram do poço do alcoolismo”, escreveu Bill em “A.A. Atinge a Maioridade”. Bill sempre se referiu a Ebby como seu padrinho, embora houvesse tido muitas recaídas. Ao longo dos anos, Bill tratou de transmitir a mensagem ao seu amigo, da mesma maneira que Ebby a tinha passado a ele.
Pergunta: Enquanto estava hospitalizado depois de três meses de sobriedade, sofri uma infecção muito grave na garganta e o médico me receitou um medicamento para a dor. Meu padrinho disse-me que deveria mudar a data da minha sobriedade para o dia em que deixei de tomar o medicamento. Vocês concordam?
Resposta: Alguns membros dizem que não confiam em seus próprios procedimentos para chegar a tomar decisões e dependem totalmente de seus padrinhos. É possível que ainda me reste algum vestígio do bebedor típico de bar, mas posso compartilhar com você que não dependo do meu padrinho para obter conselhos a respeito de assuntos legais ou de médicos. Como é dito no folheto “O membro de A.A. os medicamentos e outras drogas” ( Junaab, código 214, R$ 4,20), a experiência demonstra que é melhor que “nenhum membro de A.A. faça o papel de médico”; nem tampouco meu padrinho iria gostar que eu o coloca se nessa situação. Meu padrinho não me deu a data da minha sobriedade e, pelo que eu sei, tampouco pode tirá-la.
Pergunta: Há uma maneira “correta” para que o padrinho possa conduzir alguém no programa?
Resposta: A experiência de A.A. demonstra que o apadrinhamento é algo muito pessoal. Tanto o padrinho como o afilhado tem bastante margem ao escolher a pessoa que vai ser seu padrinho e como irão utilizar essa relação… Eu pessoalmente não acredito numa relação de apadrinhamento parecida com cuidar de um bebê. Acredito que a minha tarefa é introduzir a pessoa no programa de recuperação de A.A., ajuda-la a trabalhar os Passos até o ponto em que esteja disposta a fazê-lo, e tratar de introduzi-la a um poder superior tal como ela o conceba. Depois, acredito que seja importante que eu vá “saindo do trabalho”, por assim dizer, e estimular o afilhado a depender de seu poder superior mais que de mim. Há outros que têm uma opinião totalmente diferente; mas para mim, isso não representa nenhum problema.
Pergunta: Meu padrinho e eu tivemos um desentendimento, e agora tenho o sentimento de não poder participar do mesmo Grupo. O que devo fazer?
Resposta: Os problemas que envolvem personalidades costumam ser os mais difíceis de resolver, mas ao praticar os princípios de A.A. em todas as nossa atividades e antepor esses princípios às personalidade, podemos chegar a superá-los até certo ponto. Esperamos que considere a possibilidade de ir a outras reuniões e conseguir outro padrinho. Em A.A. costuma-se dizer que ter um padrinho no começo não quer dizer que nos tenhamos casado com essa pessoa. Às vezes a relação não funciona e procuramos outra pessoa. O que é importante é ter um padrinho com mais tempo de sobriedade que o seu, alguém com quem você se sinta bem para compartilhar com sinceridade e honestidade e que possa ajuda-lo a praticar os Passos e as Tradições.
Pergunta: Dei o Primeiro Passo e admiti que sou impotente perante o álcool. O que devo fazer agora? O que devo procurar num padrinho?
Resposta: Bom, sempre pode dar o Segundo Passo. A respeito de segunda pergunta, quando cheguei em A.A. me foi sugerido que procura-se alguém que, (a) tivesse mais de dois anos de sobriedade, (b) fosse mulher, como eu, e (c) desse a impressão de desfrutar a sobriedade. Dessa maneira encontrei uma madrinha, e sempre serei muito agradecida a essa mulher maravilhosa que foi minha primeira verdadeira amiga em A.A. e ao longo dos anos continuou sendo uma amiga muito querida.
Pergunta: Estou sóbrio há dois anos e pela primeira vez comecei a apadrinhar alguém. Poderiam me dar algumas sugestões?
Resposta: Talvez o mais importante do apadrinhamento é o poder dar sem esperar nada em troca. Como disse Bill W. num artigo da revista Grapevine em janeiro de 1958: “Observe qualquer AA com seis meses de sobriedade enquanto trabalha com um caso novo de Décimo Segundo Passo. Se o candidato lhe diz, ‘vá para o diabo’, apenas sorri e vai trabalhar com outro. Não se frustra nem se sente rejeitado. E se o próximo caso responde com amor e atenção para com outros alcoólicos sem dar atenção a ele, o padrinho, entretanto, dá-se por satisfeito e se alegra porque seu antigo candidato está sóbrio e feliz… Mas, também percebe claramente que sua felicidade é um subproduto – um dividendo resultante de dar sem esperar nada em troca”.

6.5. Buscamos os principiantes onde eles estão?
Box 4-5-9, Fev. Mar 1983 (pág. 1-2) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_feb-mar83.pdf
Título original: “¿Encontramos a Los Principiantes ‘Dónde Ellos Están’?”.
As necessidades que tem o alcoólico recém recuperado que vem de um presidio, de um hospital ou de uma instituição de tratamento, são as mesmas que tem um principiante “comum”? Se é assim, de que maneira?
No Fórum Regional do Oeste do Canadá, em Winnipeg, Manitoba, Phil C., Delegado de Manitoba, falando desta questão fundamental, disse: “Acredito que necessitam a mesma paciência, amor, compreensão, exemplo e informação que qualquer outro participante”. Entretanto, fez notar: “É possível que alguns tenham passado tanto tempo numa instituição que agora não possam pensar por si mesmos e devemos ajuda-los a ‘dar os primeiros passos’ da mesma maneira que faríamos com uma criança. Na maioria dos casos, o alcoólico recém-saído de uma instituição toma remédios – Antabuse
(*) ou outro medicamento, e possivelmente esteja em um programa de terapia para doentes não internos. É possível que a paciência e a compreensão do padrinho sejam postas a prova até o limite. Ouvi alguns veteranos teimosos dizer ‘não falarei com você enquanto estiver tomando Antabuse’. Ou tratam de agir como psiquiatra, psicólogo ou feiticeiro; ou os três”. Em consequência disso, disse Phil, os principiantes continuam duvidando entre seguir os conselheiros, com quem estabeleceram uma linha de comunicação e que lhes haviam recomendado A.A., e os AAs que lhes dizem: “Esqueça tudo que lhe disseram; nós temos a resposta correta”. A sugestão de Phil: “Devemos mostrar tolerância, cooperar com os conselheiros e não trabalhar em sentido contrário. Mais tarde, quando os principiantes tenham começado a assimilar o programa de A.A., haverá tempo de sobra para sugerir discretamente que A.A. pode oferecer lhes soluções para outros problemas, não apenas os do seu alcoolismo, mas também os problemas normais da vida cotidiana e para sugerir que é possível que aqueles problemas desapareçam na medida em que progride a sobriedade e eles aplicam os princípios de A.A.”. Web J., Delegado da Columbia Britânica, Yukon, destacou também a necessidade de tolerância e de apadrinhamento sensível. “Fiz parte do Comitê da Conferencia de Centros de Tratamento durante os dois últimos anos, e percebi quantos alcoólicos que não bebem são enviados a nós com um programa abreviado. É imperioso que nossos Grupos recebam estas pessoas com um pouco de tolerância, enquanto lhes mostramos, através do nosso exemplo, que cinco Passos em 28 dias não é tudo”. Recomendou que fossem fornecidas às instituições e centros listas de padrinhos dispostos a servir para ajudar os principiantes a encontrar Grupos-base; e que os Comitês locais organizem reuniões de A.A. nas instituições quando seja possível. Ken T., Delegado de Alberta, falou de levar a mensagem aos alcoólicos presos; observou que há mais de 1.100 Grupos de A.A. nos EUA/Canadá (em 1983). Disse ao auditório que a maioria das vezes, os AAs são bem vindos nas instituições correcionais. Mas advertiu que “estas instituições tem que zelar pela segurança, e temos que respeitar isto se formos trabalhar numa instituição – e não ir pode implicar em que alguém não receba a mensagem. Então, fiquei sabendo que sempre irá haver coisas que a direção faz com as quais não concordo; isso não é assunto meu. Estou ali unicamente para levar a mensagem ao alcoólico sob custódia”. Enquanto aos problemas particulares dos presídios para mulheres, Ken observou que alguns membros “tratam de identificar-se usando palavras pitorescas ou o jargão da rua. Não temos que nos transformar em outros. As mulheres querem conhecer nossa experiência – como fizemos a viagem de volta e como elas podem fazê-lo também. Iram-nos amar por quem somos, não pelo que fizemos ne porque já cumprimos uma pena na prisão”. Um aspecto fundamental do trabalho nos presídios, disse Ken, é entrar em contato com os presos a primeira noite que saem da prisão e leva-los a uma reunião. Indicou outros meios pelos quais membros de A.A. podem ajudar os apenados: podem recolher exemplares da Grapevine (Vivência, no Brasil), para distribuição nos Grupos institucionais; formar parte dos comitês institucionais; escrever aos presos, através do Serviço de Correspondência com Instituições do ESG; escrever artigos para a Vivência ou boletins locais a respeito do trabalho de A.A. em centros de custódia.
(*) N.T.:Antabuse=> (anti-abusoem inglês). Nome comercial de uma droga a base de enxofre (em latim súlfur) cujo princípio ativo é o dissulfirane é usada como inibidora do uso de bebidas alcoólicas (no Brasil também é conhecida como “Tira-álcool”). A droga, em forma de pó, pode ser adicionada à comida ou a líquidos não alcoólicos e provoca o acúmulo de acetaldeído, um produto extremamente tóxico. Seus efeitos, se ingerido álcool, são extrema vasodilatação e consequente queda de pressão arterial, taquicardia e cefaleia, além de um gosto horrível de enxofre (sulfiran-like).O paciente rejeita o álcool por associação aos efeitos relatados.

6.6. Como fazer uma visita de Décimo Segundo Passo à moda antiga
Box 4-5-9, Oct. Nov. / 1998 (Pág. 6) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_oct-nov98.pdf
Título original: “Cómo hacer una visita de Paso Doce a la antigua usanza”.
Uma vez que na atualidade (1998), muitos centros de tratamento estão fechando as portas, cada vez mais membros de A.A. estão à procura de guias sobre como fazer uma visita de Décimo Segundo Passo à moda antiga. O Comitê de Literatura da Conferência de 1998 considerou a possibilidade de publicar um folheto sobre as visitas do Décimo Segundo Passo que a Área 23 de Kansas tinha preparado e estava utilizando. Embora os membros deste Comitê fossem da opinião e que seria bom utilizar este material a nível local reforçaram a importância do Quinto Capítulo do Livro Grande e de buscar orientação através do apadrinhamento, a experiência dos veteranos e as mesas de trabalho. Uma mesa de trabalho deste tipo foi organizada na primavera passada pelo Plantão Telefônico do Intergrupo da área de Elmira, Nova York. O Segundo Seminário do Décimo Segundo Passo da Área tinha um programa baseado no material do ESG, titulado “Formato sugerido para uma Mesa de Trabalho”. Da experiência do Seminário saíram algumas sugestões para os Guias. Uma vez que foram de grande utilidade, o Comitê deseja compartilhá-las com o ESG na expectativa de que possam ser úteis para outros:
1) Devolver as chamadas tão logo seja possível. Chame unicamente para ouvir, compartilhar e fixar hora e lugar para se encontrar – não em um bar. Se o chamam de um bar, vá até lá apenas para recolher a pessoa e, no melhor dos casos, leva-la a uma reunião.
2) Se possível, faça as visitas de Decimo Segundo Passo acompanhado de um membro do mesmo sexo. As visitas do Decimo Segundo Passo podem ser pesadas e é mais seguro quando se tem companhia. Além do mais, quatro olhos vêm mais que dois Seja pontual e mantenha a boa aparência.
3) Façam a visita de Decimo Segundo Passo quando a pessoa estiver sóbria ou quase. As visitas a alcoólicos embriagados raramente são bem sucedidas, devido às lacunas mentais. Aguarde até a bebedeira passar ou que tenha um intervalo de lucidez, mas que ainda esteja tremendo.
4) Se possível, ao fazer uma visita na residência separar o alcoólico da família (sugerir AlAnon para os membros da família). Ter muitas pessoas se intrometendo pode influenciar com sua opinião a respeito do “tipo mau” e pode criar confusões. Aprender com membros mais experientes a melhor maneira de se relacionar com a família ou as pessoas próximas que estejam presentes e aprender quando é mais prudente ir embora do que ficar.
5) Se achar necessário sugerir desintoxicação/reabilitação. Se lhes parecer mais adequado, entendam-se com a família ou seus próximos, com a permissão do interessado se possível, para negociar uma internação. Se parece que a situação vai criar um clima de violência, é melhor ir embora.
6) Contem-lhe como eram (sua própria história). Não moralizem nem façam sermões; não qualifiquem a pessoa em questão como alcoólico. Esta decisão cabe unicamente à pessoa, assim como a de retirar as bebidas da casa. Contem detalhadamente seus próprios sintomas, costumes de beber e outras experiências pessoais com o álcool.
7) Digam-lhe o que conhecem da doença do alcoolismo. Digam à pessoa que esta é uma doença progressiva que pode levar à loucura ou à morte prematura. Descrevam as condições do corpo, da mente e do espírito que acompanham o alcoolismo.
8) Contem-lhe exatamente o que lhes aconteceu. A pessoa provavelmente irá querer saber quanto tempo tem em A.A., como conseguiram e continuam mantendo a sobriedade.
9) Falem de sua experiência em A.A. Expliquem-lhe como A.A. tem dado bons resultados para vocês, e lhes ajudou a recuperar a cordura e mantera sobriedade; como foram conduzidos a se dispor a aceitar um poder superior a si próprio. Utilizem linguagem simples e evitem a indução a preconceitos respeito a termos e conceitos religiosos.
10) Contem-lhe como é agora – seu programa de recuperação e sua espiritualidade. Façam um resumo do programa de ação de A.A. e ressaltem que isto não o final triste (não beber preferentemente), mas o começo de uma nova vida gratificante baseada em princípios espirituais.
11) Deixem uma lista de horários de reuniões, folhetos de A.A. e seu número de telefone; voltem a fazer outra visita e voltem a chamar por telefone. Ofereçam-se para voltar e responder outras perguntas e para facilitar o transporte às reuniões. Mencionem as reuniões de Al-Anon aos familiares e outros achegados.
12) Tenha presente que o sucesso está em que todos nós nos mantemos sóbrios. A experiência prática demonstra que não há nada que assegure a imunidade à bebida como o trabalho do Decimo Segundo Passo intensivo com outros alcoólicos.

6.7. Levar a mensagem, ou, a arte do Décimo Segundo Passo.
Box 4-5-9, Inverno (dezembro) 2009 (pág. 6-7) =>http:// http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_holiday09.pdf
Título original: “‘Llevar el mensaje: el arte del trabajo de Paso Doce”.
O trabalho do Décimo Segundo Passo é uma arte que nunca sai da moda. Alguns métodos mudaram ao longo dos anos – telefones celulares, correio eletrônico, sítios na Web no lugar de cabines telefônicas, máquinas de escrever, anúncios nos jornais, etc., mas, levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre continua a ser o serviço básico de Alcoólicos Anônimos. Tal como descrito no Livro Azul, no capítulo “Trabalhando com os outros”, “A experiência prática demonstra que nada garantirá tanta imunidade contra o álcool quanto o trabalho intensivo com outros alcoólicos. Quando outras atividades não resolvem, isso funciona. …Observar as pessoas se recuperarem, vê-las ajudando outras, observar a solidão desaparecer, ver crescer ao se redor uma Irmandade, ter inúmeros amigos – esta é uma experiência que você não pode perder. …O contato frequente com os recém-chegados e com nossos companheiros è a parte luminosa de nossas vidas”. O ponto básico de Alcoólicos Anônimos sempre foi a comunicação salvadora entre um alcoólico e outro. Como Bill W. descreveu: “Já desde o começo, a comunicação em A.A. não foi uma mera transmissão de ideias e atitudes úteis. Foi uma comunicação extraordinária e por vezes singular. Dada a afinidade proporcionada por nosso sofrimento comum, e devido a que os meios, também comuns, de nossa liberação somente proporcionam resultados quando os compartilhamos constantemente com outros, nossas vias de comunicação sempre se orientam pela linguagem do coração”. Partindo de uma perspectiva histórica, esta transmissão de esperança de um alcoólico a outro, a miúdo descrita nos primeiros escritos de A.A. como “uma reação em cadeia”, teve seu começo quando Bill W. havia estado tratando seu alcoolismo com o Dr. Silkworth e recebeu a visita de Ebby T., m velho amigo e companheiro de copo. Ebby tinha encontrado uma maneira de alcançar a sobriedade com a ajuda do Grupo de Oxford, e um dia chegou na porta da casa de Bill para lhe transmitir sua mensagem de esperança. Sofrendo com a ressaca e mergulhado na angústia da sua própria doença, por alguma razão Bill se dispôs a ouvir o que Ebby tinha a lhe dizer. “Em novembro de 1934, recebi a visita de Ebby, um velho amigo meu, alcoólico e futuro padrinho. Por que lhe era possível se comunicar comigo numa área que nem sequer o Dr. Silkworth ousava tocar? Em primeiro lugar, eu já sabia que sua condição, assim como a minha, era a de um bêbado irrecuperável. Numa data anterior, nesse mesmo ano, eu fui informado que ele também tinha sido candidato a uma internação num manicômio. Entretanto, ele estava ali, na minha frente, livre e sóbrio. A sua faculdade de comunicação era tão impressionante que, em poucos minutos pôde-me convencer de sua sinceridade ao dizer que se tinha libertado da obsessão pela bebida. Sinalizava uma coisa muito diferente de um mero percurso suando frio na caravana da abstinência. Foi assim que me apresentou uma espécie de comunicação e de evidência que nem sequer o Dr. Silkworth me pôde oferecer. A questão era que um alcoólico estava falando com outro. Nisso estava a verdadeira esperança”. Ebby contou detalhadamente a Bill a sua história e suas experiências como bebedor nos últimos anos estabelecendo, assim, um poderoso vínculo de identificação. Depois explicou os passos que tinha dado para alcançar a sobriedade que naquele momento desfrutava. “Nenhuma das ideias de Ebby era realmente nova. Eu já tinha ouvido falar de todas elas. Porém, da maneira como me foram repassadas através daquela poderosa linha de transmissão, deixavam de ser o que, em outras circunstâncias, eu iria considerar como simples máximas tradicionais para se comportar como um bom freguês. Eu as estava vendo como verdades vivas que poderiam me libertar, tal como fizeram com ele. Ebby pôde-me tocar no mais profundo”. Entretanto, e apesar de seu grande impacto, a visita de Ebby não proporcionou a Bill o ímpeto ou a capacidade para parar de beber e recorreu de novo aos cuidados do Dr. Silkworth. Durante esta última internação Bill teve a experiência espiritual que tornou possível alcançar a sobriedade. Nas palavras de Bill, “com esta revelação veio a visão de uma possível reação em cadeia, de um alcoólico que falara com outro e este com outro e assim nua série sem fim. Estava convencido de que podia dar aos meus companheiros alcoólicos o que Ebby tinha dado a mim”. Durante os meses seguintes Bill tratou de passar a mensagem. Porém, ninguém tinha conseguido a sobriedade e esta experiência lhe deixou uma maravilhosa lição: “Por muito verdadeiras que fossem as palavras da minha mensagem, não podia existir nenhuma comunicação mais profunda se o que eu dizia ou fazia ia tingido de soberba, arrogância, intolerância, ressentimento, imprudência e o desejo de reconhecimento pessoal, mesmo tendo pouca consciência dessas atitudes. Sem me dar conta, tinha caído muito pesadamente nesses erros. Minha experiência espiritual havia sido tão súbita, tão resplandecente e tão poderosa que eu me achava destinado a curar quase todos os bêbados do mundo. Isto era soberba. Continuava a martelar sobre o tema de o meu despertar místico e os meus candidatos sentiam-se repelidos sem exceção. Isto era imprudência. Comecei a insistir que todo bêbado deveria experimentar uma “euforia luminosa” parecida com a minha. Fiz pouco caso do fato de que Deus se manifesta aos homens de muitas e variadas maneiras. De fato, tinha começado a dizer aos meus candidatos ‘você tem que ser como eu, acreditar como eu acredito e fazer como eu faço’. Isto era o tipo de arrogância inconsciente que nenhum bêbado consegue suportar”. Finalmente, aconselhado pelo Dr. Silkworth, Bill mudou o foco e começou a incluir os dados médicos que caracterizam a doença como a obsessão, a alergia e a compulsão que leva o alcoólico a continuar bebendo. Algum tempo depois, ao se encontrar na cabine telefônica do Hotel Mayflower, em Akron, Ohio, Bill disse: “Pela primeira vez desde a minha experiência no hospital, me senti tentado a tomar um trago. Nesse momento, de início, dei-me conta da necessidade que tinha de estar com outros alcoólicos para me preservar e ajudar a manter a dádiva original da sobriedade. Já não se tratava somente de ajudar outros alcoólicos. Se esperava manter minha própria sobriedade, tinha que encontrar outro alcoólico com quem trabalhar. Assim, quando o Dr. Bob e eu nos encontramos sentados cara a cara, nem sequer pensei em fazer o que costumava a fazer no passado. Eu disse, ‘Bob, estou-lhe falando porque você me faz tanta falta quanto eu possa fazer a você. Estou-me vendo no perigo de cair num grande abismo’”. Daquela reunião, a reação em cadeia que passou de Ebby e Bill ao Dr. Bob, em Akron, alcançou inúmeros bêbados no mundo todo. Bill disse a respeito da comunicação vital: “Uma das primeiras ideias que compartilhamos o Dr. Bob e eu, foi que a verdadeira comunicação deverá estar baseada na necessidade mútua. Nunca deveríamos falar a ninguém com tom condescendente, muito menos a um companheiro alcoólico. Nos demos conta de que o padrinho deveria reconhecer humildemente suas próprias necessidades com tanta clareza quanto as do seu afilhado. Nisso estava a base do Décimo Segundo Passo para a recuperação, o Passo em que levamos a mensagem”. Não faz muito tempo, o boletim da Intergrupal de St. Paul, Minnesota, publicou um artigo com o título “Sugestões para fazer as visitas do Décimo Segundo Passo”, no qual se dizia que “Ao receber uma chamada de Décimo Segundo Passo, partimos da ideia de que, literalmente, a vida de outro ser humano está em jogo. Isso significa que é preciso responder de imediato a essa chamada”. Outras sugestões eram oferecidas: Ao fazer uma visita de Décimo Segundo Passo, ir acompanhados de outro membro. Manter o anonimato. Felicitar o possível membro por pretender fazer algo a respeito de seu problema com a bebida. Oferecer alguma literatura de A.A. Contar como você era, o que aconteceu e como você é agora. Ao fazer a comunicação com um possível membro seja pessoalmente, por telefone ou através da Internet, a arte de fazer o trabalho do Décimo Segundo Passo segue sendo a mesma. Como é dito na Quinta tradição: “A habilidade única de cada membro de A.A. para se identificar com o iniciante e conduzi-lo à recuperação, não depende de forma alguma de seu grau de instrução, eloquência ou qualquer outra capacitação específica. A única coisa que importa é o fato de ser um alcoólico que encontrou a chave da sobriedade”.

6.8. O apadrinhamento no ingresso em A.A. evita que
os principiantes saiam pelas rachaduras
Box 4-5-9, Out. Nov. 1989 (pág. 7-8) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_oct-nov89.pdf
Título original: “Apadrinamiento temprano evita que los principiantes se pierdan ‘entre las rendijas’”.
Muitos reingressantes nas instituições de tratamento contam porque não conseguiram manter a sobriedade em A.A. a primeira vez que tentaram. Suas experiências indicam que um dos fatores decisivos nas primeiras etapas da recuperação é o de estabelecer uma conexão sólida com os padrinhos na sua primeira reunião de A.A. ou, ainda melhor, antes. De fato, os conselheiros experientes disseram que as maiores desistências ocorrem durante as primeiras 72 horas depois de sair da instituição. È isso que nos informa Bert J., um membro que estáhá 30 anos em A.A. e trabalha como conselheiro no Brunswick House, de Amityville, Nova York. Num artigo titulado “Through the Cracks” – Através das Rachaduras,estuda varias razões pelas que alguns egressos não chegam em A.A. ou, mesmo chegando não conseguem manter-se sóbrios. “Está claro que muitíssimos nunca voltam. Continuam bebendo e morrem como alcoólicos ativos. Acredito que algumas destas tragédias poderiam ser evitadas se os AAs e os conselheiros alcançassem uma melhor compreensão a respeito do que podem fazer para ajudar”. Nas suas conversas com os reingressantes nas instituições de tratamento, Bert descobriu uma coisa que todas as histórias tinham em comum: a falta de apadrinhamento no início. Um indivíduo disse: “Encontrei a sala de reunião e entrei, mas ninguém falou comigo. Fiquei até o encerramento e fui embora. Tudo que tinha ouvido de como os AAs ajudavam os principiantes pareceu-me fumaça de lenha verde. Voltei para a minha casa muito irritado, mas voltei outra vez à reunião e obtive o mesmo resultado. Passadas duas semanas estava bêbado”. Outra pessoa comentou: “Encontrei a igreja, subi até a entrada principal, mas a igreja estava escura e a porta estava fechada com chave. Rendi-me e comprei uma garrafa” Em contraposição, os AAs que se mantiveram sóbrios depois do tratamento, contam histórias muito diferentes. Alguns tinham sido bem orientados a respeito de A.a. antes da sua primeira reunião pelos conselheiros das instituições de tratamento ou pelos AAs que visitavam a instituição. Na sua primeira reunião, padrinhos temporários se propuseram a acompanha-los nos primeiros tempos. Outros chegaram a Grupos que tinham membros encarregados de identificar e dar as boas-vindas aos recém-chegados. Foram apresentados aos veteranos iniciando-os assim no programa de A.A., além de lhes indicar contatos temporários. Bert comenta que desde faz já muito tempo, a Junta de Serviços Gerais de A.A. percebeu a importância do apadrinhamento para facilitar a transição das instituições de tratamento e correcionais, e fez recomendações detalhadas aos Escritórios Centrais do mundo todo a respeito da criação de um Programa de Contatos Temporários. Entretanto, ainda há um grande vazio para preencher. “As atitudes dos AAs e dos conselheiros bem intencionados representam o fator principal no processo de recuperação e, às vezes suas atitudes podem contribuir mais para o problema que para a sua solução.
Por exemplo:
‘Ele não estava pronto’… ‘Se querem a minha ajuda, apenas têm que me pedir’… ‘Pode levar a mensagem, mas não pode levar o alcoólico’. É possível que estas avaliações, em alguns casos, sejam acertadas; mas oque importa aqui é que o primeiro contato seja bom. Neste ponto, colocar a culpa no alcoólico seria contra producente”, concluiu Bert. As visitas que fazia aos Grupos onde aas pessoas não o conheciam, permitiram a Bert “penetrar ainda mais no problema. Diferente das partes pouco povoadas do país, onde assisti reuniões pequenas de A.A., as áreas metropolitanas e suas periferias, com frequência tem reuniões grandes. Assim, é difícil identificar os recém-chegados, principalmente se passaram por um período de internação numa instituição de tratamento sem beber”. Oito das dez reuniões que Bert assistiu “não tinham nenhum sistema para identificar os recém-chegados. Apenas um Grupo tinha servidores encarregados de dar as boas-vindas. Quando perguntei como identificavam os principiantes, de modo geral respondiam: ‘Uma pessoa que tem tantos anos em A.A. como eu, sempre pode identificar alguém recém-saído de uma bebedeira’. E quando fiz a pergunta: ‘E as pessoas que vem de uma instituição de reabilitação ou desintoxicação?’
A resposta mais comum foi, mais ou menos: ‘Bom, eles já percebem que devem fazer sua própria apresentação’”. Depois de discutir este assunto tanto com AAs experientes como com os profissionais empregados em instituições de tratamento que também são membros de A.A., Bert conseguiu formular algumas sugestões práticas sobre o Decimo Segundo Passo que os Grupos poderão aproveitar ao levar a mensagem:
1. Afixar um cartaz de A.A. na entrada do local ou da sala de reunião.
2. Adotar um Programa de Apadrinhamento por Contatos Temporários recomendado pela Junta de Serviços Gerais. As diretrizes estão disponíveis no Escritório de Serviços Gerais – ESG.
3. Disponibilizar servidores do Grupo próximos à entrada da sala de reunião para das as boas vindas a todos que não reconheçam.
4. Realizar regularmente “reuniões de apadrinhamento” com a finalidade de ressaltar a importância do apadrinhamento e de incentivar os membros a se oferecerem como padrinhos voluntários.
5. Indicar padrinhos temporários a todos os principiantes até que possam escolher seus padrinhos permanentes.
6. Destacar a mensagem: ¨Quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, quero que a mão de A.A. esteja sempre ali. E por isto: Eu sou responsável”. Bert conclui dizendo: “Preencher o vazio entre o tratamento e uma sólida conexão com A.A., irá evitar que uma multidão de alcoólicos se percam nas rachaduras. A construção desta ponte é uma responsabilidade conjunta dos profissionais, os AAs e os alcoólicos que começaram recentemente sua recuperação”.

6.9. Onde levamos a mensagem e onde não fazê-lo
Box 4-5-9, Out. Nov. / 1998 (pág. 7-8) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_oct-nov98.pdf
Título original: “¿Dónde empezamos a llevar el mensaje y dónde dejamos de hacerlo?”.
“Sapateiro, não vás além da tua chinela”, aconselha-nos a Quinta Tradição cujo enunciado expressa a razão de ser de A.A.: “Cada Grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir a mensagem ao alcoólico que ainda sofre”. Entretanto, como já perceberam milhares de AAs que se comprometeram com este conceito, a simples prática não é tudo. “De vez em quando”, Diz Bill E., do Comitê de Informação Pública de Nova Jersey, “chega a nós um pedido para enviar um orador para falar numa escola primária ou diante de um grupo de escoteiros a respeito dos perigos do Álcool – com a esperança de contribuir para que esses jovens parem e pensem antes de experimentar a bebida. Mas, A.A. têm algo a ver com esse assunto?”. Num artigo publicado no n´mero de verão (1998) do boletim do Intergrupo / Serviços Gerais de Nova Jersey da Área 44, This Day, Bill diz, “seria converter meu maior desejo em realidade se ninguém tivesse que passar pelo inferno do alcoolismo ativo como eu passei. Mas temos que lembrar que não somos uma sociedade antialcoólica, nem advogamos pela abstinência do álcool. Os movimentos e a legislação antialcoólica do passado fracassaram. Todos conhecemos muitas pessoas que podem tomar bebida alcoólica sem problema algum. Nós, os AAs, não podemos fazê-lo. Temos uma capacidade especial para levar a mensagem de recuperação do alcoolismo. Mas essa experiência não nos habilita para falar dos perigos do álcool em geral. Para a maioria das pessoas, o álcool não é um perigo”. Ademais, comenta Bill, existe o princípio de não opinar sobre assuntos alheios à Irmandade e a advertência enunciada na Décima Tradição, que diz “… o nome de A.A. jamais deverá aparecer em controvérsias públicas”. Ao falar perante um grupo não A.A., somos membros de A.A. embora se recomende que ao fazer qualquer apresentação deste tipo, expliquemos com clareza que não falamos em nome de A.A. Alcoólicos Anônimos não opina sobre a fabricação, distribuição, venda ou consumo de álcool. Não temos opinião a respeito de qual deve ser a idade estabelecida por lei para tomar bebidas alcoólicas nem a respeito da proporção álcool/sangue que constitui a embriaguez desde o ponto de vista legal. Pode parecer duro dizer que não nos importam essas questões; muitos de nós temos opinião já formada a esse respeito. Entretanto, como membros de A.A. não temos opinião a respeito de assuntos alheios. E estes, são assuntos alheios. Então, mais precisamente, onde levamos a mensagem? “Levamos a mensagem a qualquer pessoa ou grupo que queira saber o que A.A. é e o que faz. Não somos especialistas em alcoolismo. Não levamos a mensagem genérica, ‘não beba’. Mas, se uma pessoa tem problemas com o álcool, dizemos-lhe ‘não beba e venha as reuniões’” Na Área da Costa Norte da Califórnia, Tim P., coordenador cos Comitês de Informação Pública e de Cooperação com a Comunidade Profissional do condado de Sonoma, faz uma advertência a respeito de falar perante grupos não A.A. No número de julho do boletim do Intergrupo da Comunidade de Sonoma, diz que “é fácil se desviar – afastar se do único tema que temos que compartilhar ali: nosso alcoolismo e a recuperação em A.A.”. Por exemplo, ele explica, “é possível que suponha um grande desafio responder com toda sinceridade à questão das drogas, de uma maneira que justifique a confiança que a comunidade depositou em nós, e que, ao mesmo tempo, sejamos capazes de encerrar essa questão (das drogas) e voltar ao tema principal que é o alcoolismo e Alcoólicos Anônimos”.

6.10. Para os Servidores do Décimo Segundo Passo: O que se deve e o que não se deve fazer
Box 4-5-9,Ago. Set. 1986 (pág. 9) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_aug-sept86.pdf
Titulo original: “Para los Trabajadores de Paso Doce: QuØ se Debe y No se Debe Hacer”
Algumas diretrizes, ditadas pelo bom senso, para os que fazem o trabalho de Décimo Segundo Passo nas Instituições Correcionais e de Tratamento, que apareceram recentemente no Sounding Board 1986, boletim do Comitê de Hospitais e Instituições de Los Angeles:
• Requerem-se um mínimo de seis meses de sobriedade continuada para levar a mensagem aos hospitais e um ano para quem o faz nas instituições correcionais.
• Não fazemos outra coisa que não seja levar a mensagem de A.A. Não somos bebadólogos, não adotamos atitudes condescendentes, não usamos palavrões nem linguagem vulgar, nem fazemos comentários depreciativos a respeito das autoridades. Se as drogas fazem parte integrante da sua história, fale das drogas. Mas lembre de que a sobriedade – a libertação do álcool é o único objetivo dos Grupos de A.A.
• Não prometa a ninguém emprego nem ajuda de espécie alguma.
• Assegure-se de que os oradores representem uma variedade de condições socioeconômicas e pontos de vista, e que os ex-presidiarios tenham habilitação da segurança do presidio.
• Assegure-se de que não exista nenhuma ordem de prisão contra você, nem nenhuma multa para pagar, antes de entrar numa instituição correcional – caso contrário, é possível que não saia.
• Não leve nada com você nem ao entrar numa instituição nem ao sair dela. Não troque números de telefone ou endereços com os reclusos.
• Se tiver um amigo ou parente encarcerado numa instituição, ou se mantém correspondência com algum presidiário, não poderá servir nessa instituição como orador nem como coordenador.
• Respeite a hierarquia do comando nas prisões. Se houver algum problema e um preso ou paciente lhe informa sobre isso, leve o assunto ao coordenador do Comitê das respectivas Instituições, que é o encarregado de resolver essas pendências.
• Consulte o coordenador do Comitê a respeito das normas de vestiário da instituição que vai falar. Não use calças “jeans”, bermudas minissaias, nem blusas justas, transparentes ou decotadas.

44 MANEIRAS DE APOIAR O PROJETO A.A. BRASIL 70 ANOS

44 maneiras de apoiar o
Projeto A. A. Brasil 70 anos

Como sabemos, o Projeto tem como objetivo aproveitar nosso 70º aniversário para ampliar a informação sobre Alcoólicos Anônimos em todo Brasil e é dividido em três ações concomitantes entre si:

Etapa 01 – Envolver mais profissionais através da realização, em meados de Setembro, do Simpósio Nacional para Profissionais, direcionado para atuais e potenciais Amigos de A. A. – em andamento.

Etapa 02 – Divulgar a Irmandade para a sociedade como um todo, se possível em mídias nacionais, regionais e no corpo a corpo, com a colaboração de Aas e Amigos de A. A. – em andamento.

Etapa 03 – Servir e apoiar nossos grupos para bem receber aqueles que chegarão, possivelmente em número maior que o habitual, em decorrência das ações em curso.

Dez sugestões para A. A. como um todo
1. Participar e envolver seu grupo nessa comemoração. O envolvimento pessoal de cada AA nesse projeto é fundamental. Afinal, temos 70 anos de motivos para comemorar.
2. Ficar atento às notícias do Projeto, divulgadas em nossos meios de comunicação (documentos oficiais, periódicos e sites).
3. Sempre que possível, nas ocasiões de relacionamento com o público e nas mídias locais, informar que em 2017 é o ano de comemoração dos 70 anos de A. A. no Brasil.
4. Retransmitir as informações do Projeto para todos os integrantes do grupo base, distrito e área.
5. Divulgar o site e a loja virtual de A. A. em todos os lugares, mídias e comunicações onde for possível.
6. Comprar um exemplar do livro Alcoólicos Anônimos e doá-lo ao grupo para ofertá-lo a profissionais.
7. Presentear alguém com títulos da literatura de A. A., um exemplar avulso ou assinatura da Revista Vivência, impressa ou online.
8. Como grupo, buscar contribuir regularmente para os órgãos de serviços, a fim de mantermos nossa estrutura local e nacional adequada e suficiente para atender àqueles que vão chegar.
9. Preparar-se e preparar o grupo base para um ano que, assim o esperamos, há de ser especial, melhorando ainda mais nossas abordagens e apadrinhamento aos recém-chegados.
10. Dedicar uma parte do nosso tempo para os Amigos de A. A. de nossa comunidade.

Doze sugestões para a Etapa 01
11. Motivar o grupo a fazer contatos com a comunidade profissional para captar e envolver novos profissionais, convidando-os para o Simpósio.
12. Buscar profissionais e estudantes da área da Saúde: medicina, psicologia, psiquiatria, enfermagem, administradores de unidades de saúde e instituições públicas e privadas de algum modo presentes no enfrentamento do alcoolismo, pastorais da saúde, secretários municipais e estaduais de saúde.
13. Buscar profissionais e estudantes da área da Justiça: juízes, promotores, delegados, agentes penitenciários, administradores de unidade carcerárias, policiais, advogados.
14. Buscar profissionais e estudantes da área de Educação: professores, diretores de instituições de ensino, agentes e dirigentes públicos responsáveis pela área e por instituições públicas e privadas.
15. Buscar profissionais e estudantes da are de Recursos Humanos e Assistência Social: proprietários, diretores e administradores de empresas de recursos humanos, gestores de órgãos e ações de assistência social, tais como serviços e políticas públicas, ongs, igrejas.
16. Buscar profissionais e estudantes da área de Comunicação e Mídia: diretores e administradores de veículos de comunicação, agências de publicidades, atores, diretores, repórteres, redatores, editores.
17. Cadastrar os profissionais de sua região, anotando: nome completo, e-mail, profissão, instituição, cidade e, se possível, telefone de contato.
18. Enviar esses cadastros ao CTO/JUNAAB através do e-mail cto@alcoolicosanonimos.org.br
19. Informar, convidar e, na medida do possível, manter os profissionais locais informados sobre o Simpósio Nacional.
20. Se tiver contato direto com algum profissional de expressão nacional que seja amigo de A. A., de qualquer um dos segmentos acima, favor informar o CTO/JUNAAB.
21. Convidar profissionais locais para, se assim o desejarem, gravarem um vídeo de até dois minutos, descrevendo e/ou avaliando o serviço cooperativo com A. A. Esse vídeo será publicado na página de inscrições do Simpósio e, posteriormente, em nosso site oficial. Ou, então, informar ao CTO/JUNAAB os dados de contato desses profissionais para que possamos convidá-lo.
22. Apadrinhar os companheiros no grupo para receber repórteres e profissionais da imprensa que poderão nos procurar ao longo do ano.

Oito sugestões para divulgação do Simpósio
Entre Julho e Setembro, ampliaremos esforços para ampla divulgação do Simpósio Nacional, cujas palestras serão gratuitas, transmitidas ao vivo para todo Brasil pela Internet e, portanto, poderão ser assistidas em telas de computadores, tablets, note-books e celulares com acesso à Internet, ou em telões com data show. Nossa meta é alcançar 100.000 profissionais conectados nos dias do evento. O envolvimento pessoal de cada AA nessa fase será crucial para alcançarmos essa meta.
23. Divulgar o link de inscrições que já estará disponível no site oficial de A. A.
24. Afixar no grupo o cartaz do Simpósio que, igualmente, já estará disponível.
25. Fazer mutirões de afixação de cartazes em locais de circulação de profissionais: escolas, universidades, delegacias de ensino, órgãos públicos e privados ligados à Educação; hospitais, farmácias, unidades básicas de saúde, laboratórios, secretarias e outras instituições públicas e privadas do campo da Saúde; delegacias, tribunais, fóruns, escritórios de advocacia, cartórios, secretarias e outras instituições públicas e privadas ligadas à Justiça; entidades de classe das áreas envolvidas (conselhos regionais, sindicatos e associações).
26. Contatar as mídias locais (jornais, rádios, tevês, revistas e outras), encaminhando o cartaz e o briefing (resumo em formato de notícia) que será disponibilizado pelo CTO/JUNAAB, solicitando sua divulgação como serviço de utilidade pública.
27. Pedir aos profissionais locais com quem já atuamos para que divulguem o Simpósio e o link para inscrições junto às suas redes de contatos.
28. Sempre preservando o anonimato pessoal e dos demais membros, divulgar nas redes sociais o link para inscrições do Simpósio.
29. Onde for possível, organizar o espaço físico do grupo para assistir às palestras do Simpósio em conjunto com os companheiros, convidando também a comunidade local.
30. Divulgar o Simpósio junto às universidades locais, sugerindo que permitam a seus alunos assistirem coletivamente às palestras nos horários de aulas.

Seis sugestões para atividades em nível de Grupo
31. Incluir o Selo Comemorativo, que já estará disponível, em toda comunicação possível: impressos locais, e-mails, listas de watzap etc.
32. Em Setembro, contatar rádios e jornais locais, distribuir novos briefings que serão disponibilizados pelo CTO/JUNAAB e solicitar sua divulgação como serviço de utilidade pública.
33. Envolver o grupo para que sejam feitas outras ações comemorativas, por exemplo: colocar uma faixa na sede do grupo, evocando nosso 70º aniversário.
34. Envolver os Amigos locais para que também busquem dar visibilidade aos nossos 70 anos em seus locais de trabalho, compartilhando em suas redes mensagens de congratulações.
35. Pedir a parentes e amigos pessoais para também fazerem, em Setembro, postagens em suas redes sociais, compartilhando mensagens de congratulações.
36. Se possível, organizar uma reunião comemorativa no grupo (exceto nas datas que forem definidas para o Simpósio), convidando a comunidade.

Oito sugestões para uma boa recepção aos recém-chegados
37. Se possível, melhorar as condições físicas do grupo, tais como: pintura, mobiliário, acessibilidade, iluminação, ventilação e/ou pequenos cuidados com higiene, limpeza, organização e adequação geral.
38. Especialmente no segundo semestre, buscar maior presença dos membros no grupo para recepção aos potenciais novos membros. Afinal, “Eu sou responsável”.
39. No semestre corrente, realizar reuniões temáticas sobre abordagem e apadrinhamento a recém-chegados.
40. Solicitar ao CTO/JUNAAB vídeos de apoio disponíveis com temáticas gravadas sobre esses temas, caso os considerem úteis.
41. Se ainda não houver, estudar a criação de uma reunião de novos no grupo base, tal como se encontra sugerida no livrete O Grupo de A. A…. onde tudo começa.
42. Solicitar ao CTO/JUNAAB material de apoio disponível para criação de reunião de novos, caso o grupo considere útil.
43. Renovar os títulos da literatura oficial de A. A. disponíveis no grupo, visto que a maior parte da nossa literatura oficial passou por revisões de português, novas traduções e diagramações nos últimos anos, ajustando cada item ao respectivo original da nossa estrutura sênior (Estados Unidos e Canadá).
44. Animar nossos veteranos e apadrinhar novatos para as ações do projeto ao longo dos próximos meses.

Essas são algumas possibilidades para renovarmos energias e prepararmos nossa Irmandade para os próximos 70 anos. Acreditamos ser este um momento privilegiado para transformarmos nossa gratidão em ação, preparando-nos para compartilhar forças e esperanças com muitos recém-chegados num contexto de celebração coletiva revestida de utilidade e responsabilidade. Que um Poder Superior, como cada um O concebe, ilumine-nos, fortaleça e conduza.

CTO/JUNAAB

Fonte de Informação:

Revista Vivência – Ano 32 – Número 3 / Maio – Junho/2017 / Edição nº 167 – Páginas: 12 – 13 – 14 – 15

2017: 82 anos de A. A. no Mundo e 70 anos no Brasil

REVISTA VIVÊCIA – QUINTO PASSO

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 75 – JAN/FEV 2002

O Quinto Passo

É a melhor via para nos aceitarmos com nossos defeitos e nossas limitações, pois todo ser humano precisa ser aceito como é, principalmente por si mesmo.

Dr Jorge César Gomes Figueiredo, Psiquiatra
Diretor da Clínica Vitória-Centro de Recuperação de
Farmacodedendências

No processo de recuperação, é necessário que deixemos para trás tudo o que há de ruim em nossas vidas, longe dos nossos olhos e longe da nossa mente. Para isso temos que acabar com tudo o que é secreto, e a melhor maneira é dividindo esse peso com nossos semelhantes.

Imagine passar um longo período da vida carregando um pesado fardo sobre as costas e, de repente, se ver livre dele, poder sentir o grande alívio de abandonar um peso morto que só incomodava.

O Quinto Passo é como uma confissão, já que nele admitimos a natureza exata de nossas falhas. É a melhor via para nos aceitarmos com nossos defeitos e nossas limitações, pois todo ser humano precisa ser aceito como é, principalmente por si mesmo.

A entrega da nossa vontade a Deus não é possível sem sabermos o que entregar. Só podemos providenciar essa entrega se soubermos o que vamos entregar. No momento em que decidimos parar de beber e procuramos ajuda, já acontece uma determinada entrega. Ou seja, estamos confiando nossas vidas a alguém ou ao grupo de apoio. Em princípio é uma entrega no escuro porque não sabemos o que vai acontecer, o que as pessoas vão nos falar.

É preciso definir que fazemos essa entrega por causa do nosso problema de alcoolismo, que vamos entregar a nossa situação de alcoólicos e que é dessa área da nossa vida que precisamos abrir mão.

É necessário tornar a entrega nas mãos de Deus um evento prático em nossas vidas, essa é a razão do nosso inventário moral. Depois, precisamos falar: Quais foram as situações de descontrole emocional? Quais situações criaram pressão emocional a ponto de só conseguirmos superá-la com o álcool? Como lidávamos com a nossa raiva e com nossos ressentimentos? Quando fomos injustos e desleais? Quando fomos desonestos ou mentirosos? Como fomos ciumentos e invejosos?

Para alguns, falar sobre tudo isso para outra pessoa significa ser honesto pela primeira vez, e passa a ser um marco importante no processo de recuperação.

Escrever o inventário moral no Quarto Passo, como já afirmei, é um processo terapêutico muito profundo que mobiliza demais os sentimentos das pessoas e aflora as suas emoções. Tenho acompanhado esse processo há vinte anos, milhares de vezes, mas sempre me sensibilizo com esse importante momento dos meus pacientes.

Falar aos nossos semelhantes tudo aquilo com que nos vimos de frente no Quarto Passo é outro processo terapêutico, dessa vez muito mais intenso, com uma profundidade que transcende qualquer processo de análise, porque nele tudo é exposto de uma só vez. É colocar tudo para fora, sem medo ou vergonha.

A escolha da pessoa ou das pessoas com quem compartilhamos o que somos, normalmente, é feita com cuidado. É necessário que saiba ouvir; que tenha maturidade, experiência e bom senso; que seja de confiança e sincero; que tenha capacidade de pensar sobre tudo o que soube ouvir para depois falar com clareza sobre as suas conclusões.

É importante também que tenha habilidade para ilustrar a “devolução” com exemplos ou compartilhando suas experiências pessoais, desde que já estejam superadas ou tenham sido bem sucedidas. Não adianta nos abrirmos e confidenciarmos coisas da maior relevância nas nossas vidas se quem vai ouvi-las ainda não conseguiu resolver ou superar nenhuma das questões equivalentes em sua própria vida. Ele não ajudará muito e poderá até mesmo atrapalhar-se, pois, por exemplo, ainda não conseguiu se perdoar dos próprios erros que cometeu, tornando-se um crítico sem medidas ou até mesmo um forte acusador.

Um outro fator de extrema importância no Quinto Passo é o sigilo absoluto. O nosso confidente tem que saber guardar para si tudo o que ouve. As revelações pessoais contidas no Quinto Passo são feitas dentro de um clima de extrema solidariedade e confiança, e o profundo contexto analítico do Passo impõe que ele seja encarado com a máxima seriedade e respeito.

Se essas revelações forem divulgadas para terceiros, de qualquer forma, fora do clima de confiança e solidariedade e fora do contexto analítico, serão reduzidas ao simples status de “fofoca”, já que essas pessoas não estão identificadas com o processo e, muitas vezes, não estão aptas para participar do mesmo.

Os melhores confidentes para o Quinto Passo têm sido os companheiros em avançado estágio de recuperação, alguns com muita experiência anterior no processo. Conheci alcoólicos que preferiram fazer seu Quinto Passo com membros de Al-Anon, de sua confiança, e que foram muito bem sucedidos. Porém, muitos preferiram procurar terapeutas especializados em dependência química e experientes na terapia de Doze Passos, porque consideraram que somente profissionais com conhecimento psicológico mais abrangente poderiam ajudá-los.

O Quinto Passo é um dos caminhos para a reorganização da nossa autoimagem que, como disse J. P. Sartre, não é uma coisa, é um ato de consciência. Assim, soma-se a todos os outros atos de consciência necessários a uma plena recuperação.

Vivência nº 75-Jan/Fev. 2002

PROCESSOS DE REFORMULAÇÃO

Processos de reformulação.

Estimados membros deste grupo.
As experiências que vou relatar tem a ver com as sugestões de A.A. para mudar meu modo de viver, de pensar, de sentir e de agir para um viver consciente, com um pensar positivo, um sentir alegre e livre, e um agir com tudo e todos como se fosse com as minhas coisas e comigo mesmo.
É claro de que estou escrevendo sobre uma etapa posterior aos sofrimentos iniciais da transformação, e ao começo dos esforços de crescimento e mudanças crescentes. Foi uma opção minha, por ter entendido que ou eu encetava uma transformação permanente e segura em A.A., ou eu faria paradas no caminho sofrendo e fazendo outros sofrerem com isto. Os treinamentos da recuperação, não podem parar, sob pena de retrocederem.
Entendi que como ser humano, corpo + alma, sou um ser dual, preciso alimentar ao meu corpo e dar-lhe o trato adequado, e ao meu espírito dando atenção às suas aspirações mais profundas, simbolizando aqui este trato, sintética e respectivamente, pelo pão, pela oração e a meditação. Neste caso devo dar 50% de atenção ao meu corpo e 50% de atenção ao meu espírito, para que haja harmonia e não se instale em mim, nem a doença física nem a doença mental. A permanência da desarmonia em mim por algum tempo, leva a uma enfermidade quer seja física quer seja psíquica.
Sinto que sou produto de meus ambientes externos e internos passados, e serei no futuro produto de meus ambientes presentes e posteriores. Quando o ambiente é desfavorável, quer seja deliberadamente ou por ignorância minha, a doença pode se instalar com consequente desconforto ou pior estado.
Tudo tem duas polaridades, seu par de opostos, mas são idênticos em natureza, só diferentes no grau de manifestação e todos os paradoxos podem ser conciliados.
O princípio que explica a dualidade me mostra como verdadeiro, que todas as coisas têm dois lados, dois aspectos, um par de opostos com inúmeras graduações entre seus extremos.
Algo que confundia a minha mente me é explicado por este princípio.
Todas as coisas têm dois lados. Sempre há um reverso para cada anverso.
Quando entendi isto, tudo se transformou em grau de polaridade e com possibilidade de entendimento e conciliação.
Posso subir ou baixar o marcador de minha graduação sobre qualquer coisa, sensação, sentimento ou emoção. Assim posso ir passando gradativamente de um estado de ódio para o estado de amor. Quanto mais longe do ódio eu estiver, estarei mais perto do amor, e assim pelo exercício compreendido vou lentamente fazendo minhas transformações. Não devo resistir a nada, ao que resisto persiste, e sim suavemente colocar no lugar de meus defeitos as virtudes correspondentes.
Entendendo então, que para todo meu defeito de caráter, há uma correspondente virtude de mesma natureza, posso pelos exercícios ir gradualmente passando de um lado para outro.
Além dessa mudança gradativa, posso também medir melhor, e de modo mais real, as intensidades dos fatos e das correspondentes emoções que me assomem.
A.A. vem me dando as dicas básicas, pelos seus Doze Passos, me apontando caminhos, e venho buscando outras ferramentas de mudança que estão dentro de seus princípios para meu crescimento.
Não tenho a intenção de discutir o assunto, nem ditar diretrizes e só colocar como minha experiência para viver melhor, e cada vez estar mais longe da bebida com teor alcoólico.
Venho repetindo muitas coisas, mas é repetindo para mim diante de vocês todos que lembro a cada momento o que não devo esquecer.
Nunca dou sugestões, falo de minhas experiências, A.A. é como um
bufe, você vai lendo e pegando o que parece lhe interessar somente.
Há algo no entanto que posso sugerir, não façam como fiz no início, só parar de beber sem tentar praticar os Doze Passos. Esse parar somente continuando a ser o dono da verdade, querendo tudo certinho e perfeito com a família em casa, sendo que quando eu bebia deixava tudo a vontade, gera um tremendo mal estar na família e no doente alcoólico que assim procede. Precisei entender que minha família estava com o sistema nervoso em frangalhos, que precisavam também de minha boa vontade e tolerância e ajuda para viver melhor.
Esses procedimentos de reformulação, mesmo que lentamente, me deixaram melhor e mais feliz, o só por hoje para a recuperação, não me bastou mais então.
Hoje fico por aqui, que o Deus do coração de cada um de nós, nos de muita paz, luz e mais 24 h sóbrias.
arco/RS

MISTÉRIOS DO LIVRO ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

Mistérios do Livro Alcoólicos Anônimos

Alguns membros de A.A. expressam sua opinião de que o livro Alcoólicos Anônimos pode ser suficientemente compreendido com a primeira leitura, e que contém pouco ou nada digno de ser repassado posteriormente, quer para referências ou mesmo para estudos. Isso pode valer para pessoas com o dom de compreensão instantânea e a capacidade de lembrar-se totalmente.

Contudo, existem advogados não alcoólicos muito capazes, que sempre voltam aos livros básicos da sua profissão. O mesmo acontece com engenheiros, navegadores, editores e cirurgiões. Será possível que o cérebro do alcoólico, até há pouco tempo confuso e deteriorado pela desnutrição, pelo ressentimento, pela ansiedade e por convicções desastrosas, possa reter permanentemente os pontos essenciais de um volume que tem tantas páginas, com uma só leitura.

Uma coisa é certa: Eu não tenho capacidade de aprendizagem tão poderosa. Frequentemente, preciso reler pontos do nosso Livro Alcoólicos Anônimos. E, tal como acontece com outros companheiros, geralmente tenho a impressão de que “foram feitas mudanças” no texto desde a minha última leitura e frases inteiras foram “acrescentadas”, significados foram “alterados” e partes do texto que me lembro com clareza, “desapareceram” sem deixar rastro.

Para isso, encontro duas possíveis explicações:

1) Quando estou dormindo, duendes entram em minha casa e mudam o livro, usando pequeníssimos computadores e impressoras, chegando ao ponto de duplicar as anotações à mão que eu mesmo fiz três meses antes, nas margens das páginas.

2) Ou então, minha memória é falível (se eu consegui adquirir a minha sanidade, como o Livro Alcoólicos Anônimos promete no Segundo Passo, e se o programa está dando a mim algum progresso espiritual) e, na realidade, o que acontece é que eu vou percebendo significados novos que me escaparam na leitura anterior.

A teoria dos duendes tem o seu atrativo, afinal, é mais “fácil” para o meu ego acreditar neles do que na possibilidade de que eu esteja errado. Nesse caso, além de brincalhões, esses duendes são também muito benevolentes, pois até agora todas as “mudanças” feita no livro foram úteis para mim. E “eles” parecem fazer mudanças idênticas nos livros dos demais companheiros, que também falam de novos significados que perceberam no texto dos seus livros…

Na verdade, além da necessidade de corrigir a minha própria memória errática, existe outra razão pela qual devo reler ocasionalmente o Livro Alcoólicos Anônimos: é que às vezes ouço afirmações de membros de A.A. que me confundem. Por exemplo, na nossa região, escutamos com freqüência que “não existem obrigações em A.A.”

Evidentemente, tais oradores têm uma cópia do Livro Alcoólicos Anônimos que não foi revisada pelos duendes, porque, através de todo o meu exemplar do livro, eu encontro obrigações, às vezes três ou quatro numa só página. Aqui estão algumas delas, e os grífos são meus:

– “Devemos buscar uma base espiritual da vida…”

– Se estamos planejando deixar de beber, não deve haver reservas de nenhuma classe, nem a menor noção de que algum dia seremos imunes ao álcool.”

– “Sobretudo, nós os alcoólicos devemos nos libertar desse egoísmo. Devemos fazê-lo ou o egoísmo nos matará.”

– “Devemos estar dispostos a fazer reparos…”

– “Esses sentimentos devem ser controlados…”

– “Pedimos que nos dê força e orientação para fazer o mais correto, sem nos importar com as consequências pessoais que se derivam disso… Não devemos nos atemorizar por nada…”

Essas são somente algumas amostras da grande quantidade de deveres contidos no Livro Azul. Além disso, existem nele centenas de frases que contém palavras como: “absolutamente”; “essencial”; “necessariamente”; “indispensável”; “completamente”; “conscientemente” e “sem falta”. São palavras que significam obrigações para qualquer mente que não esteja procurando uma brecha para escapar.

É verdade que essas obrigações não são forçadas para o recém-chegado e nem impostas pelos membros antigos de A.A., nem por nenhuma lei ou regulamento feitos pelo homem. Nesse sentido, não existe mesmo nenhuma obrigação; nós alcoólicos temos a liberdade de beber e a liberdade de descartar totalmente os Doze Passos. Se o fizermos, ninguém nos imporá multas e nem nos expulsará da Irmandade. O “máximo” que poderá nos acontecer, é chegar a enlouquecer ou morrer…

(El Mensaje, dez.1975)

(Vivência – Jul/Ago 2000)

REVISTA VIVÊNCIA – ERA ALCOOLISMO!

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 57 – JAN/FEV 1999

Era alcoolismo!

Uma história que nos leva a pensar na importância do nosso
Décimo Segundo Passo e da nossa Quinta Tradição.

Comecei a beber em casa, por volta dos cinco anos de idade. A primeira lembrança que tenho do álcool é no colo do meu pai. Ele me “ensinava” a beber uísque como gente grande.
Durante muito tempo achei que tinha aprendido, que bebia melhor que os outros. Afinal, tinha aprendido desde cedo. Cresci acreditando nisso. Bebia cada vez mais. Porém, ao contrário de imaginar que houvesse algum problema, estava convencida de que cada vez eu me tomava mais resistente ao álcool e cada vez bebia “melhor”.
Tive tudo do bom e do melhor. Estudei nos melhores colégios, fiz esportes, tive acesso às melhores informações. Morei nos Estados Unidos e na Europa, aprendi línguas, conheci pessoas e me formei numa faculdade. Descobri que adorava ler, me informar, e escolhi uma profissão nessa área. Só não percebia o rumo que minha vida ia tomando.
Comecei a me destacar profissionalmente na mesma proporção em que meu alcoolismo ia progredindo. Hoje entendo como essa guerra entre a progressão da minha doença – me levando para o buraco – e o potencial profissional que existia em mim, era dolorosa. Porque eu queria produzir no meu ritmo e a doença impunha o dela. Mesmo assim, consegui algumas coisas.
Mas ia mudando de turma. Cada vez a seleção dos meus amigos ia ficando mais rigorosa. Era o álcool quem os escolhia. Vi muitos colegas de profissão, profissionais destacados em suas áreas, reconhecidos publicamente, morrerem de cirrose. Mas aquilo estava tão longe de mim. Imagine, eu? Jamais. Eu sabia beber. Bebia bem, tinha aprendido em casa.
Alguns empregos e oportunidades sensacionais já tinham ficado pelo caminho, mas aquela falta de sorte entrava sempre na conta de algo muito bem justificado. Nunca me passou pela cabeça que o alcoolismo pudesse ser responsável por qualquer coisa que fosse.
Ao contrário, o álcool era o que de mais glamoroso acontecia na minha vida. Afinal, era o melhor companheiro de todas as horas. Era ele que me levava para as rodas inteligentes e era ele que me fazia sentir alguém.
Nunca, ninguém me disse que eu bebia diferente. Nunca, ninguém me explicou a razão daqueles porta-aviões que eu tinha que remar diariamente. Nunca alguém me sinalizou de onde vinha aquele baú de culpa que eu carregava apenas por abrir os olhos pela manhã. Me diziam que era uma fase. Diziam que ia passar.
Minha história não é diferente da de ninguém. Fui tão escravizada pelo álcool como qualquer companheiro. Passei pela cadeia, por dissabores, por tristezas incontáveis… Só não cheguei a uma clínica. Mas deveria ter ido para lá, dez anos antes do Poder Superior me pegar pela mão e me levar para uma sala de A. A.
Nunca, nenhum dos meus amigos intelectuais me disse que eu bebia muito. Nunca nenhum deles me falou que alcoolismo era uma doença. Nunca ninguém me avisou que o problema era o primeiro gole, que eu talvez devesse evitá-lo. Eu não sabia de nada.
Foi só quando entrei numa sala de A. A. pela primeira vez e os companheiros me disseram que eu não era sem-vergonha nem mau-caráter que alguma coisa começou a fazer sentido para mim. Eu estava certa de que A. A. era um lugar onde só havia bêbados e maltrapilhos e que aquilo não era para mim.
Eu, que tinha acesso a todo o tipo de informação, não sabia que Alcoólicos Anônimos ia salvar minha vida e explicar minha existência, dar sentido. Será que só eu não sabia? Será que outras pessoas têm acesso fácil ao A.A. e só eu não tive? Não digo que gostaria de ter conhecido Alcoólicos Anônimos antes, porque acredito que cheguei na hora em que tinha de chegar mas que seus maravilhosos princípios poderiam ser melhor divulgados, isso poderiam.

(Christiane, Rio de Janeiro)

Vivência nº 57 – Janeiro/Fevereiro 1999