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ALCOÓLICOS ANÔNIMOS – QUEM SOMOS? COMO FUNCIONA?

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 99 – JAN/FEV 2006

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS​

​QUEM SOMOS? ​
COMO FUNCIONA?

Alcoólicos Anônimos é uma Irmandade de homens e mulheres que compartilham, entre si, suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se
recuperarem do alcoolismo.
O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de A.A. não há taxas e mensalidades; somos auto- suficientes, graças às nossas próprias contribuições. A.A. não está ligada a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apoia nem combate quaisquer causas.
Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade. (Direitos autorais de The A.A Grapevine)

Essas são as primeiras informações que recebem sobre Alcoólicos Anônimos todos aqueles que chegam a um de nossos milhares grupos, aproximadamente 97 mil espalhados pelo mundo todo, sejam alcoólicos que buscam ajuda para o seu problema, sejam profissionais ou familiares de alcoólicos.
O assim chamado Preâmbulo é, portanto, fonte de preciosas informações a respeito de nossa Irmandade, e é por esse motivo mesmo que iremos tentar esclarecer item a item, esses Princípios que regem nossas vidas.

Alcoólicos Anônimos…

De todas as nossas Tradições, talvez as de anonimato: 11ª e 12ª sejam as primeiras a terem sido estabelecidas em função realmente de seu caráter de urgência. Ainda nos anos de 1935, os primeiros integrantes de nossa Irmandade que ainda não tinha nome foram capazes de perceber a grave necessidade de se preservar o anonimato de seus membros, sobretudo por causa do estigma a que todo bebedor problema estava sujeito. Hoje, porém, graças ao crescimento de A.A., ao incremento das pesquisas no campo do alcoolismo e à conscientização de nossos amigos da Medicina, nossa grande preocupação quanto ao anonimato pessoal relaciona-se, sobretudo, à preservação de nossa Irmandade. Sabemos que os maiores perigos aos quais estamos sujeitos não vêm de fora, mas de dentro da nossa própria Irmandade. Por mais bem intencionado que esteja um membro ilustre que faça parte de Alcoólicos Anônimos, sugerimos-lhe que não informe sua filiação em nível público, estabelendo-se assim o princípio da atração em vez da promoção. Mas, então, por que Alcoólicos Anônimos? Por que a Irmandade se chama assim? O nome de nossa Irmandade é justamente o título de nossa primeira publicação. Quando do processo de elaboração de um livro que descrevesse todos os passos que deveriam ser seguidos por todos aqueles que desejassem a recuperação do alcoolismo, pensou-se em diversos nomes: “O Caminho de Saída”, favorecido pela maioria dos membros de Akron, e “Alcoólicos Anônimos”, preferido pela maioria daqueles de Nova York. Quando foi realizada uma votação nos dois grupos, “O Caminho de Saída” venceu por pequena maioria. Embora preferisse “Alcoólicos Anônimos”, Bill sabia que não podia resolver arbitrariamente sua própria preferência e pediu a Fitz, que morava perto de Washington D.C., que verificasse os títulos existentes no catálogo da Biblioteca do Congresso. Havia 25 livros intitulados “O Caminho de Saída”, 12 intitulados “O Caminho” e nenhum chamado “Alcoólicos Anônimos”. Essa informação decidiu a questão e o título do livro se transformou rapidamente no nome da Irmandade.

…é uma Irmandade de homens e mulheres que
compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo…

No prefácio da primeira edição americana de nosso livro Alcoólicos Anônimos (1939), Bill W. diz o seguinte: “Nós, de Alcoólicos Anônimos, somos mais de cem homens e mulheres que nos
recuperamos de uma aparentemente irremediável condição mental e física. Demonstrar a outros alcoólicos exatamente como nos recuperamos é o principal objetivo deste livro.” Com esta frase, nosso co-fundador reitera o caráter democrático da doença do alcoolismo, que não escolhe suas vítimas; e nossa Irmandade reflete essa diversidade: é composta de homens e mulheres de todas as raças, ricos e pobres, analfabetos e letrados, religiosos e ateus, jovens e velhos, todos nós nos identificamos por sermos alcoólicos que buscamos nossas recuperações pessoais, relatando nossas experiências de sofrimento e recuperação, compartilhando nossas forças para que possamos suplantar os obstáculos do dia-a-dia e levando esperanças a todos aqueles que, através dos 12 Passos, desejam aquilo que temos: uma vida digna, útil e feliz.

O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber…

Ao contrário do que ocorreu com o princípio do anonimato, a 3ª Tradição talvez tenha sido de todas as Tradições a mais penosa para que aqueles primeiros membros de A.A. de Akron e Nova York chegassem a um acordo, antes mesmo da publicação de nosso Livro Azul. Naquela época, os poucos grupos existentes criavam diversas regras de ingresso, pois temiam que algum bêbado fosse capaz de destruir a nossa Irmandade, que apenas dava seus primeiros passos. Por isso, Bill W. resolveu pedir aos grupos, através do escritório da Fundação do Alcoólico, que enviassem suas regras de ingresso. E os grupos assim o fizeram. A lista total era quilométrica. Se todas as regras vigorassem realmente em toda parte, ninguém teria conseguido ingressar em Alcoólicos Anônimos. Hoje, Alcoólicos Anônimos talvez seja, de todas as sociedades existentes no mundo, a mais democrática, posto que recebe em seus grupos todo e qualquer tipo de pessoa. “Dois ou três alcoólicos quaisquer reunidos em busca de sobriedade podem se autodenominar um grupo de A.A., desde que, como grupo, não possua outra afiliação.”

Para ser membro de A.A. não há taxas ou mensalidade; somos autossuficientes, graças às nossas próprias contribuições.

Por que A.A. deve ser pobre? Por que não aceitar doações de fora, mas tão-somente de seus membros e, mesmo assim, anonimamente? Por que os nossos grupos, escritórios e demais organismos não devem ser detentores de grandes fortunas, mas devem ter o indispensável para o sustento de nossos serviços essenciais que têm por objetivo único propiciar a realização do 12º Passo? Por que dizemos que o material se une ao espiritual? Essas foram questões cruciais para o desenvolvimento de nossa 7ª Tradição, onde consta, em sua forma longa, que “os grupos de A.A. devem ser inteiramente auto financiados pelas contribuições voluntárias de seus próprios membros.” A experiência tem nos mostrado, frequentemente, que nada pode destruir nosso patrimônio espiritual com tanta certeza, como as discussões fúteis sobre propriedade, dinheiro e em seu conjunto. Sabemos também que nisto residem dois aspectos: a 7ª Tradição é para todos nós a oportunidade de colocar em prática a humildade que reside no anonimato da sacola e a responsabilidade da manutenção de nossos grupos e organismos de serviço e, consequentemente, a sobrevivência de nossa Irmandade para as futuras gerações.

A.A. não está ligada a nenhuma seita ou religião…

Apesar de a maioria dos primeiros membros de A.A. terem sido educados em religiões fundamentalmente cristãs, optaram sabiamente por tornar nossa Irmandade acessível a todos os alcoólicos, inclusive àqueles de religiões não ocidentais ou ainda aos que não têm nem religião, nem fé alguma. A respeito disso, Bill W. escreveu, em carta de 1940: Descobrimos que os princípios de tolerância e amor tinham que ser enfatizados na prática. Não podemos nunca dizer (ou insinuar) a ninguém que ele deva concordar com nossa fórmula ou ser excomungado. O ateu pode se levantar numa reunião de A.A., ainda negando a Divindade, mas relatando o quanto mudou em atitude e ponto de vista.
Sabemos por experiência que ele em pouco tempo mudará de ideia a respeito de Deus, mas ninguém lhe diz que ele deve fazer isso. Todas as pessoas com problema alcoólico que queiram se livrar dele e se ajustar bem às circunstâncias da vida tornam-se membros de A.A., simplesmente se ligando a nós.

… nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição…

“Sapateiro, não vás além da tua chinela… melhor é fazer alguma coisa extremamente bem do que fazer mal muitas coisas.” Esta é uma citação da 5ª Tradição, mas que pode ser aplicada magnificamente bem à 6ª Tradição, já que esta é uma consequência lógica daquela e nos diz aquilo que um grupo ou um organismo de serviço ou até mesmo um membro não deve fazer, em nome de A.A., ou seja, endossar qualquer atividade que fuja ao nosso propósito primordial.
Apesar de ser grato, tanto à medicina como à religião, não podemos nos tornar especialistas em nenhuma delas. Sabemos que a teologia é para os clérigos e que a prática da medicina e psiquiatria é para os médicos. Certamente que podemos fazer unidos o que não podemos separadamente; devemos sempre cooperar mas nunca competir.

…não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apoia nem combate quaisquer causas.

Na 10ª Tradição do Livro Azul, Bill W. confirma a posição de A.A. quanto a questões alheias à nossa Irmandade acrescentando um elemento a que muitas sociedades estão sujeitas: a controvérsia pública. Seja-nos permitido reiterar que essa relutância em lutar uns com os outros ou com quem quer que seja, não é considerada como uma virtude especial em razão da qual nos sentimos superiores as outras pessoas. Nem quer ela dizer que os membros de Alcoólicos Anônimos, agora reintegrados no mundo, irão esquivar-se ás suas responsabilidades individuais para agir como bem entenderem com relação aos problemas dos nossos dias. Mas, em se tratando de A.A. como um todo, a coisa é bem outra. Não entramos em polêmicas públicas porque se o fizéssemos nossa Irmandade sucumbiria. Consideramos a sobrevivência e a expansão de Alcoólicos Anônimos muito mais importantes do que o impacto que coletivamente poderíamos causar em determinadas circunstâncias. Um vez que para nós a recuperação do alcoolismo representa a própria vida, torna-se imperativo que preservemos na íntegra nossos meios de sobrevivência.

Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade.

Ao final da leitura de nosso Preâmbulo, nosso visitante descobre a razão de estarmos ali: por nós mesmos , individualmente, e pelos outros, sejam eles já nossos companheiros, sejam outros alcoólicos que vêm pela primeira vez a um grupo de A.A. Esta é nossa única tarefa, e não temos outra: a 5ª Tradição. Graças a tudo aquilo que os primeiros AAs nos transmitiram e a tudo o que aprendemos com todos aqueles que nos antecederam, temos esta tarefa: levar a mensagem de A.A. a todos aqueles que precisam e desejam aquilo que temos: famílias inteiras se reintegrando, o alcoólico marginalizado sendo recebido alegremente em sua comunidade como cidadão respeitável e, acima de tudo, ver estas pessoas despertadas para a presença de um Deus amantíssimo em suas vidas, são fatos que constituem a essência do bem que nos invade, quando levamos a mensagem de A.A. ao irmão sofredor.
E o nosso termo de responsabilidade revela exatamente aquilo que sentimos: “Quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, quero que a mão de A.A. esteja sempre ali. E por isso: Eu sou responsável.”

Anôn

COMO FUNCIONA
Raramente vimos alguém fracassar tendo seguido cuidadosamente nosso caminho.
Os que não se recuperam são pessoas que não conseguem ou não querem se entregar por completo a este programa simples,
em geral homens e mulheres que, por natureza, são incapazes de ser honestos consigo mesmos. Existem pessoas assim. Não é sua culpa, parecem ter nascido assim.

São naturalmente incapazes de aceitar e desenvolver um modo de vida que requeira total honestidade. Suas chances são inferiores à média. Existem, também, as que sofrem de graves distúrbios mentais e emocionais, mas muitas delas se recuperam se tiverem a capacidade de ser honestas.

Nossa histórias revelam, de uma forma geral, como costumávamos ser, o que aconteceu e como somos agora. Se você chegou à conclusão de que quer o que nós temos e deseja fazer todo o possível para obtê-lo, então está pronto para dar alguns passos.
Diante de alguns nós recuamos. Achamos que poderíamos encontrar um modo mais fácil e mais cômodo. Mas não conseguimos. Com toda a veemência de que somos capazes, pedimos que você seja corajoso e cuidadoso, desde o início. Alguns de nós tentamos nos agarrar a nossas velhas ideias e o resultado foi nulo, até que nos rendemos incondicionalmente. Lembre-se de que estamos lidando com o álcool – traiçoeiro, desconcertante, poderoso! Sem ajuda, é demais para nós. Mas há Alguém que tem todo o poder – este Alguém é Deus. Que você possa encontrá-Lo agora!

Fonte: Alcoólicos Anônimos

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