OS PRINCÍPIOS ACIMA DAS PERSONALIDADES – DISTRITO FEDERAL

DISTRITO FEDERAL
OS PRINCÍPIOS ACIMA DAS PERSONALIDADES

Chegar um pouco mais cedo ao local de funcionamento do Gripo e ajudar a arrumar as cadeiras, colocar os quadros em seus locais, estender a toalha, enfim, preparar o local para chegado dos companheiros, companheiras, Al-anons, alateens ou visitantes, deve ser considerada tarefa tão importante quanto as atividades dos servidores que cuidam das finanças, da coordenação das reuniões, da secretaria, da divulgação da Revista Vivência, do Comitê Trabalhando com os Outros ou, ainda, dos responsáveis pelos Serviços Gerais do Grupo ou até mesmo pelos Serviços Mundiais de Alcoólicos Anônimos, seja em qualquer esfera, em nível de Grupo, Distrito ou Área. Essas funções, exercidas nos Grupos, são tão importantes quanto às desenvolvidas pelo Coordenador de um Distrito ou do Comitê Trabalhando com os Outros de sua região. É tarefa tão nobre quanto a tarefa do encargo de Custódio, Tesoureiro e órgãos de serviços ou coordenador de Área ou Delegado de Área. Nessa linha de ação, há tão somente (ou pelo menos deverá haver) a decisão de manutenção da sobriedade, além da manifestação de um sentimento peculiar na maioria dos que são beneficiados através do dar pelo dar: o da gratidão.
Depois do desalinho em que nossas vidas se encontravam quando decidimos admitir que éramos impotentes perante o álcool e que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas, caminhar no Programa de Recuperação de A. A. e servir a Irmandade (ou a si mesmo?) compartilhando experiências, forças e esperanças, sob os olhares de uma consciência coletiva, é um verdadeiro privilégio, oportunizado pelo Poder Superior, como cada um concebe em Alcoólicos Anônimos. Na sequência dessa percepção espiritual e, sobretudo quando aprendemos a amar a Irmandade, notamos o quanto é gratificante o “alçar voos” e atingir, dentro das sugestões de reabilitação individual, outros degraus de “além Grupos”.
A prestação de serviços ao A. A. significa, antes de tudo: Responsabilidade, Gratidão, Doação e Amor. Fato que se identifica com facilidade quando se observa o caminho percorrido pelo membro atuante entre o passado nem sempre tão distante, cheio de desacertos, dores e desamores, e o momento virtual das 24 horas e pelo qual, após reaprendermos regras de convivência, começamos, no mínimo, a preparar condições propícias para colher vitórias onde havíamos semeado campos e mais campos de derrotas.
Convém, no entanto que se avalie muito bem o peso e o significado da palavra “privilégio”. Leve-se, então, em consideração às mudanças que podem ocorrer em nossa personalidade quando nos propomos a assumir tais encargos. Ela se modificaria? Sofreria alterações? Seriam elas benéficas ou maléficas? No primeiro caso seria possível corrigi-las? Muitas perguntas se ofereceriam para uma salutar discussão.
A personalidade e as falhas de caráter que possuíamos antes de nossa chegada em A. A. foram bastante acentuadas pelas consequências do alcoolismo. Na amplitude do tema, três perguntas, entre tantas outras, poderiam nos interessar sobremaneira:
– Qual a personalidade do servidor?
– Qual a personalidade do membro do convívio do Grupo?
– Quais os princípios a serem fielmente cumpridos ou seguidos em A. A.?
Deixando de lado toda a influência que possa levar o assunto para um perigoso pré-julgamento, torna-se mais fácil analisar o aspecto em torno dos “princípios acima das personalidades”, ou como queiram, “princípios x personalidades”, dentro das Tradições de A. A.
Implicitamente, um dos princípios básicos para a nossa programação de vida reside na premissa de não julgarmos a quem quer que seja. Ou seja, “Viva e Deixe Viver”. O melhor dos caminhos a se seguir, dentro de A. A. chama-se “Submissão aos Princípios Espirituais” e a maior nobreza de caráter chama-se “Humildade”.
No nosso caso, essas duas dádivas preparam o alcoólico – homem ou mulher – para o seu renascimento em vida, dando-lhe condições propícias e seguras de tentar recuperar tudo o que havia perdido por culta do alcoolismo: bens materiais, família, saúde, equilíbrio emocional e financeiro, o amor, a disposição para o perdão e a fé na crença que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade chegando, então, à decisão profundamente salutar de entregarmos nossas vontades e nossas vidas aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.
Nesse caminhar descobre-se que as distorções causadas pelo alcoolismo podem e devem ser corrigidas. Porém é necessária a compreensão de que toda a correção de rumo implica em mudanças de hábitos, em renúncia e em aceitação.
O nivelamento e a igualdade de propósitos entre todos os membros, o “É Proibido Proibir”, a não obrigatoriedade, a não exclusão e a ausência de regras, tabus ou dogmas fazem da Irmandade, ao longo dos anos, uma das iniciativas humanas mais respeitadas, admiradas e compreendidas pela sociedade e, principalmente, entre seus membros que, elevados na contemplação de todas essas dádivas, esquecem-se por completo do seu ceticismo inicial ou da sua ignorância bem como de sua desconfiança, egoísmo e prepotência, comportamentos comuns à maioria dos membros nos seus primeiros dias em A. A.
A reformulação de vida oferecida pelo “Pano das 24 Horas”, um dos principais mecanismos de ajuda que nos proporcionam uma crescente (ainda que gradual em alguns casos) recuperação, nos encaminha também rumo a um processo de abertura valiosíssimo da mente: a redescoberta do seu próprio valor, de sua autoestima, do seu amor próprio. E com eles a consciência da qualidade dos valores humanos.
Os princípios de A. A. e em A. A. sempre estarão acima de nossas personalidades, se assim quisermos sobreviver e convivermos com qualidade. Devemos ter sempre bem vivo em nossa memória que somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança, não têm poderes para governar.
Por essa perspectiva, a experiência de A. A. evidencia que normalmente o afastamento de um membro do Grupo é causado por ele mesmo que quis impor, em um dado momento, sua personalidade aos demais, mesmo conhecendo a extensão dos princípios da Irmandade. Algumas outras lideranças com o tempo se desencantam com a Irmandade. Quando procuramos observar a razão, percebemos que foram vítimas de mesmas. O fato se deve à maneira como ele procurou repassar os princípios aos seus companheiros. Muitas vezes, mesmo sabendo a forma de interpretá-los ou vivenciá-los, o fez de maneira inadequada ou tendenciosa. Tratam-se daqueles que impedem o Grupo de A. A. de “sair da escuridão” impondo-lhe, sempre, a palavra final; daqueles que chegam ao cúmulo de atitudes ameaçadoras; daquele, enfim, que causa a sua própria exclusão.
Outro aspecto em que a personalidade aflora prende-se a uma “oculta negação da doença” onde o membro ou servidor insiste em querer que prevaleça dentro do Grupo a sua opinião, sua condição socioeconômica, sua cultura ou escolaridade, usando essas condições como fatores de intimidação, mesmo que de forma velada. Trata-se de uma forma de desobediência aos princípios de A. A. e de instiga mento à discórdia. Normalmente são procedimentos oriundos dos “Passageiros da Agonia”. Aqueles que vieram passar pelo A. A. que não se comprometem e que pouco ligam para os que ali estavam e desejavam ficar.
Entre muitos outros aspectos, a “personalidade forte” também contribui, e muito, para a subserviência de um determinado Grupo. Por dias, meses e anos, em nome da Unidade, sacrificam-se servidores em potencial e desestimulam-se velhos prestadores de serviços de Grupos, Distritos ou Áreas. Tudo por causa da “forçada aceitação”. Seria o correto?
A simples e incondicional aceitação desses fatos levam os descontentes a se subdividirem mais e mais, enfraquecendo de forma contínua os alicerces da Irmandade que não tem dono e, ao mesmo tempo, pertence a todos nós. Exaltar a personalidade não combina com a linha de recuperação sugerida por Alcoólicos Anônimos. A recuperação em A. A., persistente, gradativa, sutil e humilde nos sugere um constante desinflar do ego e o uso sistemático dos princípios em todas as nossas atividades, todas as vezes que assim tivermos que nos pronunciar sobre nossa Irmandade.
Por mais que façamos pela Irmandade, que prevaleça sempre a humildade e o anonimato pessoal dentro de cada um de nós. Mesmo sóbrios nunca seremos felizes e úteis se deixarmos os princípios de lado: eles nos antecedem, nos acompanham e nos guiam.
Sabemos que a prática constante de se repetir sempre em depoimentos em cabeceira de mesa é inócua para muitos de nossos companheiros. Cada um deles tem seu próprio tempo, seu próprio “feeling”. Os princípios “acontecem” quando os aceitamos e quando os vivenciamos através da prática correta do Programa de Recuperação, falando de nosso alcoolismo e de suas consequências, quando participamos das reuniões de estudos.
Hoje formamos um movimento de alcoólicos recuperados que tendo experimentado um despertar espiritual procuram transmitir uma mensagem aos alcoólicos e praticar esses princípios em todas as suas atividades. É muito gratificante experimentar, em nome desses princípios, o que muitos alcoólicos e seus cônjuges experimentam quando chegam em A. A. pela primeira vez: carinho, amparo e a sensação inesquecível e reconfortante de “finalmente sair do frio”.
Portanto, são de vital importância para nós:
. A rendição completa;
. A humildade;
. A procura de orientação divina;
. A sobriedade dia após dia;. O anonimato, pelo qual os “faroleiros”, os “messias” e os “famosos” são impelidos de desenvolverem as suas respectivas aptidões;
. A rotatividade, que impede que membros de A. A. se perpetuem nos encargos;
. As tarefas de Grupo, de forma compartilhada;
. Manter a nossa Irmandade unida;
. Nosso bem-estar comum em primeiro lugar;
. A honestidade em relação a si mesmo e a seus defeitos;
. Fazer as reparações devidas;
. Doar sem exigir nada em troca;
. Exercitar a prece e a meditação com um apelo dirigido ao Poder Superior para alcançar a liberação do desejo de beber;
. A simplicidade e a verdade no contar da história de cada um de nós, membros de A. A.;
. A não evangelização;
. O inventário destemido;
. Levar a mensagem àqueles que sofrem;
. Esquecer as barreiras sociais, de classe, econômicas, culturais e raciais;
. A cooperação sem afiliação e
. O não endosso.
Os Doze Passos, as Doze Tradições e os Doze Conceitos de A. A. sintetizam os princípios aos quais temos que nos submeter para alcançar a recuperação e assim poder levá-la a outros. Princípios acima das personalidades significam que, embora não exista um “governo central”, o conteúdo espiritual dos princípios prevalece ante as nossas investidas.
A admissão da impotência ao primeiro gole, o nosso bem-estar comum, um Deus amantíssimo, que se manifesta em nossa consciência coletiva como única autoridade sobre nós, a aceitação de um Poder Superior na forma em que O concebemos e o anonimato são premissas espirituais das quais jamais deveremos nos desligar, seja qual for a situação ou o local em que nos encontremos.
Aceitar e receber o doente alcoólico da forma como vier e nas condições em que encontrar. Irmanados, na procura de uma reformulação de vida, além da integração e do respeito mútuo. Trabalhar os propósitos da Irmandade, criando mecanismos de sustentação e fixação. Debater os problemas de forma ética e saudável, respeitando as limitações de cada companheiro. Zelar pelo bem que nos foi deixado. Repassar esses cuidados aos demais que necessitam ou aos que venham a nos suceder, refletem princípios de convivência pacífica que a humanidade tanto precisa e que, pelas bênçãos do nosso Poder Superior, temos tudo para continuar exercitando-os naturalmente, sem a evidência de nossas personalidade.
Basta estender às mãos e lembrar:
“Quando, qualquer um,
Seja onde for,
Estender a mão pedindo ajuda,
Quero que a mão de A. A.
Esteja sempre ali.
E por isso,
EU SOU RESPONSÁVEL!”

FONTE:
JUNAAB – Relatório Anual de Alcoólicos Anônimos do Brasil
XXXI Conferência de Serviços Gerais – São Paulo/SP – 2007
Página 125 – 126 – 127 – 128

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