Monthly Archives: Outubro 2016

OS PRINCÍPIOS ACIMA DAS PERSONALIDADES – MATO GROSSO

MATO GROSSO
OS PRINCÍPIOS ACIMA DAS PERSONALIDADES

Quando falamos sobre este tema “Os princípios acima das personalidades”, imediatamente lembramos de nossa Décima Tradição, que descreve: “O anonimato é o alicerce espiritual de nossas Tradições, lembrando-nos sempre de colocar os princípios acima das personalidades”.
Posteriormente recordamos que em todas as Tradições anteriores nos é apresentada a oportunidade de abrirmos mão dos nossos anseios pessoais em favor do bem-estar coletivo, bem como deixar que a vontade de um Poder Superior a nós mesmos realmente exista.
Em cada Tradição recordamos os perigos que já trilhamos, sendo o maior de todos o orgulho, juntamente com a arrogância espiritual, achar que somos o suprassumo da sabedoria.
Então, a partir daí devemos, através destes Legados, mais do que nunca não fazer loucuras na forma de levarmos a mensagem ao alcoólico que ainda sofre, deveríamos sempre – não só nos momentos bons de despertares espirituais – deixar-nos ser movidos por uma insaciável sede de conhecimento pelos outros, seja o indivíduo, seja o Grupo, nossos órgãos de serviços, inclusive o CTO.
Ainda que os nossos 36 princípios sejam um programa de atração, temos que levar em conta também que não podemos atrair as pessoas e a comunidade se eles não nos conhecem, e desconhecem sobre o que estamos falando. Nesse caso não estaremos ajudando o alcoólico sofredor a buscar uma nova maneira de vida em nossa Irmandade – “o membro é anônimo e não nossa Irmandade”, nem ter os mesmos temores que nossos Grupos no início de A. A. tiveram.
É comum vermos em certos locais usar-se o termo panfletagem, isso nos recorda de outros movimentos políticos – religiosos que usam esse tipo de divulgações em suas Instituições.
Outras vezes, vemos a tentativa de membros imporem uma autoridade pessoal em vez de atender a unida e fundamental autoridade, que é um Deus amantíssimo!
Guiados aconteceu com Bill, “pela voz do metro” nossos paladinos acreditam que sua forma de fazer A. A. é a mais correta, pois com o Manual de Serviço e Os Doze Conceitos fanaticamente tentam impor suas personalidades aos servidores de confiança, até mesmo pelo terrorismo psicológico, sussurros na calada da noite, correspondências duvidosas, dossiês etc. Para desaguar todo vício da violência verbal em nossos diversos fóruns de serviços, desviando-nos do nosso propósito primordial. Tudo pelo bem de A. A., dizem esses “guardiões”…
À volta ao fundamental, que são os princípios salvadores de nossas vidas, através do Doze Passos, que nos devolve a humildade de aprender a respeitar o próximo realizando nosso Terceiro Legado com amor e dedicação, é o posto do orgulho e arrogância, disseminados através do verbo, que pode matar o espírito.
Sabemos também que em anos futuros o princípio do anonimato se tornará indubitavelmente uma parte de nossa tradição vital. Mesmo hoje, há sentimos seu valor prático e o mais importante ainda é que a palavra “anonimato” tem para nós um imenso significado espiritual.
Descobrimos então que o “anonimato é a verdadeira humildade em ação”, sendo humilde não coloco em prática meus defeitos que levam para as vontades pessoais e por fim deixo que minha personalidade fique abaixo dos princípios de A. A. – está ai a relação que podemos fazer entre anonimato versus personalidade e princípios.
Acontece que este tema está vinculado nesta Tradição também porque é nela que está contida nossa garantia de que se aplicarmos o exercício de esvaziamento do ego em todas as nossas atividades dentro de A. A. poderemos deixar que os princípios nos conduzam melhor para a busca final do propósito primordial de A. A. e não mais de nossa vontade.
Sendo assim, quando lemos a descrição introdutória para a Décima Segunda Tradição, em si, ali está apenas o resumo da nossa garantia como membros de A. A. de que se em algum momento nossos pensamentos ou ações tentarem desviar-nos da essência desses princípios espirituais construídos ao longo do tempo através das experiências em A. A., automaticamente a mesma irá nos advertir.
É o momento de reagruparmos nossas forças, deixando de lado ressentimentos, retaliações etc., para mostrar que A. A. está à disposição de todo aquele, onde quer que esteja buscando ajuda, encontre a mão salvadora de nossa Irmandade, assim seremos gratos e realmente vamos colocar “os princípios acima das personalidades”!

FONTE:
JUNAAB – Relatório Anual de Alcoólicos Anônimos do Brasil
XXXI Conferência de Serviços Gerais – São Paulo/SP – 2007
Página 131 – 132

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OS PRINCÍPIOS ACIMA DAS PERSONALIDADES – MARANHÃO

MARANHÃO
OS PRINCÍPIOS ACIMA DAS PERSONALIDADES

Em algum lugar de nossa literatura sinaliza claramente que muito mais importante que o mensageiro, é a mensagem de Alcoólicos Anônimos.
Evidenciando assim, que somos pequenas partes de um grande todo, e este todo é maior… muito maior que as partes. Quando a Segunda Tradição nos orienta que somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum “um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa consciência coletiva, e que nossos líderes são apenas servidores de confiança;não tendo poderes para governar”, concretiza sobremaneira, que os princípios estão acima das personalidades.
A história nos relembra dos recém-chegados em A. A. que queiram proclamar aos quatro ventos o nome da Irmandade. Alcoólicos ainda mal enxutos, os olhos brilhando, e sem conhecimento do programa saiam por toda parte fazendo com que alguns dessem ouvidos aos seus depoimentos. Outros corriam a colocar-se de câmeras e microfones. Muitas vezes tomavam verdadeiros “porres” e desapontavam completamente o seu Grupo. De membro de Alcoólicos Anônimos eles haviam transformado em “faroleiros” de A. A.
As Doze Tradições de A. A. reiteradamente nos pedem que esqueçamos os nossos anseios pessoais em favor do bem comum. Que façamos sacrifício, pois este sendo a substância espiritual do anonimato, é o fundamento de todas elas, e que dá aos membros uma grande confiança em nosso futuro. Bem sabemos que, outrora, o anonimato foi fruto de nossos primeiros temores, e acreditavam alguns, que poderiam prejudicar até algumas de nossas atividades profissionais.
Hoje com o crescimento de Alcoólicos Anônimos, deixa patente, que não podemos ser uma Irmandade secreta. Além de nossas Reuniões de Informação ao Público (RIPs), cooperamos, sem nos afiliarmos com profissionais diversos, tais como: clérigos, assistentes sociais, psiquiatras, psicólogos etc. e levamos a nossa mensagem na área da educação, nas comissões de prevenção de acidentes de trabalho (CIPAS) de diversas empresas, e outras entidade solicitantes. Todavia, como sintetiza nossa Décima Segunda Tradição, “traçar uma rota segura entre os extremos de levar a mensagem, e ser anônimos”, foi tarefa que requereu muito tempo.
Encerro este pequeno comentário, como está escrito na íntegra, na Décima Segunda Tradição forma integral.
“Finalmente, nós de Alcoólicos Anônimos acreditamos que o princípio do anonimato tem uma enorme significação espiritual. Lembra-nos que devemos colocar os princípios acima das personalidades; que devemos realmente conduzir-nos com genuína humildade. Isto para que nossas grandes bênçãos jamais nos corrompam, a fim de que vivamos para sempre em grata contemplação d’Aquele que reina sobre todos nós.”

FONTE:
JUNAAB – Relatório Anual de Alcoólicos Anônimos do Brasil
XXXI Conferência de Serviços Gerais – São Paulo/SP – 2007
Página 130 – 131

OS PRINCÍPIOS ACIMA DAS PERSONALIDADES – GOIÁS

GOIÁS
OS PRINCÍPIOS ACIMA DAS PERSONALIDADES

Alcoólicos Anônimos é vida. Vida resultante do amor. Do amor de Deus, traduzido em princípios norteadores dos novos caminhos que devemos caminhar na construção diária da sobriedade e na vivência de contínua serenidade.
Tais princípios, todos sugeridos, convidam-nos ao desprendimento de nossas ambições pessoais, de nossas personalidades, e a adotar postura revolucionária em nossas vidas para, transformando-nos espiritualmente, fazer do bem a realidade de cada dia, de cada momento de forma a transformar amor em amor, serviço em serviço, experiência em experiência; e, amor, serviço e experiência em Vida Nova, em Vida Sóbria, em Vida Serena, que não se satisfaz em viver bem, mas que transforma-se em esteira para que todos vivam bem, que só alcança sua própria dignidade servindo à dignidade do todo, do conjunto, da vida.
Em algum lugar de nossa literatura sinaliza claramente que muito mais importante que o mensageiro, é a mensagem de Alcoólicos Anônimos.
Evidenciando assim, que somos pequenas partes de um grande todo, e este todo é maior… muito maior que as partes. Quando a Segunda Tradição nos orienta que somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum, um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa consciência coletiva, e que nossos líderes são apenas servidores de confiança; não tendo poderes para governar, concretiza sobremaneira que os princípios estão acima das personalidades.
A história nos relembra dos recém-chegados em A. A. que queriam proclamar aos quatro ventos o nome da Irmandade. Alcoólicos ainda mal enxutos, os olhos brilhando e sem conhecimento do programa, saíam por toda parte fazendo com que alguns dessem ouvido aos seus depoimentos. Outros corriam a colocar-se diante de câmeras e microfones. Muitas vezes tomavam verdadeiros “porres” e desapontavam completamente o seu Grupo. De membro de Alcoólicos Anônimos eles haviam se transformado em “faroleiros” de A. A.
As Doze Tradições de A. A. reiteradamente nos pedem que esqueçamos os nossos anseios pessoais em favor do bem comum. Que façamos sacrifício, pois este sendo a substância espiritual do anonimato, é o fundamento de todas elas, e que dá aos membros uma grande confiança em nosso futuro. Bem sabemos que, outrora, o anonimato foi fruto de nossos primeiros temores, e acreditavam alguns, que poderia prejudicar até algumas de nossas atividades profissionais.
Hoje, com o crescimento de Alcoólicos Anônimos, deixa patente que não podemos ser uma Irmandade secreta. Além de nossas Reuniões de Informação ao Público, cooperamos, sem nos afiliarmos, com profissionais diversos, tais como: clérigos, assistentes sociais, psiquiatras, psicólogos etc., e levarmos a nossa mensagem na área da educação, nas comissões de prevenção de acidentes de trabalho (Cipas) de diversas empresas, e outras entidades solicitantes. Todavia, como sintetiza nossa Décima Segunda Tradição, “traçar uma rota segura entre os extremos de levar a mensagem e se anônimos”, foi tarefa que requereu muito tempo.
Encerro este pequeno comentário, como está escrito na íntegra, na Décima Segunda Tradição – forma integral:
“Finalmente, nós de Alcoólicos Anônimos acreditamos que o princípio do anonimato tem uma enorme significação espiritual. Lembra-nos que devemos colocar os princípios acima das personalidades; que devemos realmente conduzir-nos com genuína humildade. Isto para que as nossas grandes bênçãos jamais nos corrompam, a fim de que vivamos para sempre em grata contemplação d’Aquele que reina sobre todos nós.”

FONTE:
JUNAAB – Relatório Anual de Alcoólicos Anônimos do Brasil
XXXI Conferência de Serviços Gerais – São Paulo/SP – 2007
Página 129 – 130

OS PRINCÍPIOS ACIMA DAS PERSONALIDADES – ESPÍRITO SANTO

ESPÍRITO SANTO
OS PRINCÍPIOS ACIMA DAS PERSONALIDADES

O anonimato é o alicerce espiritual das Doze Tradições. Toda a experiência de A. A. encontra-se condensada na literatura que, sem dúvida, constitui a ferramenta básica para a recuperação ou reabilitação do enfermo alcoólico que de fato deseja a reinserção à vida com qualidade.
A questão do anonimato é algo simples e por sua vez bastante complexo de vivenciar. É simples quando de fato nos permitimos a praticar o Terceiro Passo. “Seja feita a vontade do Poder Superior”. É complexo quando colocamos em prática nossa vontade (personalidade) ao invés de observar os princípios de A. A. contidos nos Três Legados através dos Doze Passos, Doze Tradições e Doze Conceitos para Serviços Mundiais.
Uma das coisas de convívio difícil para o ser humano é não poder mostrar suas realizações. A sociedade valoriza as pessoas junto às suas atividades. Há uma luta cotidiana para conseguir espaços nos meios de comunicação visando mostrar o autor e a obra. Já no caso dos membros de Alcoólicos anônimos, a experiência tem-nos mostrado a necessidade de aceitar e vivenciar o fato de que a publicidade seja dada à IRMANDADE e não para seus membros. Enfim, o anonimato na Irmandade significa que abrimos mão de qualquer prestígio pessoal para exercermos a unidade em A. A., que nos permite sermos úteis, nos recuperarmos e contribuir através de nossa mudança – “EXEMPLO” – para que os recém-chegados sintam o privilégio de buscar a recuperação.
A busca constante da prática da Sétima Tradição nos mostra como devemos posicionar se de fato almejamos a serenidade. Na SACOLA, os membros de A. A. fazem contribuições voluntárias, ninguém sabe quanto os outros contribuíram, apenas a GARANTIA de que, com o privilégio de não necessitar usar bebidas alcoólicas ficam felizes por poderem contribuir para a manutenção de Alcoólicos Anônimos. Agindo no espírito da SACOLA que é o símbolo real da UNIDADE veremos o quanto é fácil e saboroso permitir à luz do Sétimo Passo que os princípios de A. A. sejam colocados em primeiro lugar.
O folheto “Entendendo o Anonimato” oferece a todos nós importantes sugestões que nos permitem uma posição de respeito aos princípios de A. A. no âmbito externo. Mas, após muitos encontros na Área, através dos relatos de companheiros e companheiras de todos os Distritos, percebemos que nas atividades internas como nos Grupos, ESLs, Comitê de Área etc. há muita dificuldade em permitir as personalidades afastarem-se para a prática dos PRINCÍPIOS. É verdade que a matriz – GRUPO – enfrenta muitas dificuldades em virtude dos servidores de confiança não observarem o Nono Conceito.
“Uma boa liderança também levará em conta que um bom plano ou ideia pode vir de qualquer pessoa, a qualquer hora. Consequentemente, uma boa liderança muitas vezes substituirá os seus acalentados planos por outros, que são melhores e dará crédito a fonte”.
Isso pode ser praticado no Grupo com auxílio do livreto O Grupo de A. A. e nos demais órgãos de Serviços observando e praticando o Manual de Serviço. Falando no livreto O Grupo de A. A., os comitês de serviço dos Grupos muitas vezes visualizam situações como baixa frequência e falta de servidores. Porém, às vezes, o Grupo tem três ou mais reuniões semanais e são feitas sempre do mesmo jeito, praticamente com depoimento (desabafo). Mas, no livreto O Grupo de A. A., os membros mais experientes à luz do Conceito Nobre nos legaram sugestões como:
“QUE ESPÉCIES DE REUNIÕES UM GRUPO PODE FAZER?”
“O RODÍZIO É IMPORTANTE?”
“E A HORA DO CAFÉ?”
Para o sucesso da recuperação do indivíduo, é importante que o Grupo no exercício da Quinta Tradição busque vivenciar a atração em vez de promoção. Assim, possibilitando A. A. ter um bom relacionamento com os membros, em especial, para assim, relacionar com o público de tamanha importância que muitos amigos de Alcoólicos Anônimos têm o prazer de recomendar A. A.
Assim, colocando em prática o que disse um de nossos cofundadores: “é melhor deixar que nossos amigos nos recomendem”.
O anonimato é de verdade a porta de entrada visando a aceitação da verdade de A. A., que sugere a todos que almejam uma vida feliz, íntegra e prazerosa, a necessidade de colocar em primeiro lugar os princípios de A. A.
Foi baseado nesses princípios que Bill rejeitou o título de Doutor “Honóris Causa”, oferecido por uma famosa Universidade Americana, e Dr. Bob, que sequer permitiu fosse erguido um monumento em sua homenagem após a sua morte. Quando soube da vontade de alguns amigos, sorrindo disse: “Deus os abençoe. Eles têm boa intenção, mas pelo amor de Deus, Bill, que sejamos enterrados, tanto você como eu, da mesma maneira como são todas as pessoa”.
É importante que aceitemos o programa de A. A., em especial fazermos uso da Garantia Quatro do Décimo Segundo Conceito que diz: “Todas as decisões importantes sejam tomadas através de discussão, votação e, sempre que possível, por substancial unanimidade.” Uma vez assim agindo, estamos com certeza colocando os PRINCÍPIOS ACIMA DAS PERSONALIDADES”.
Serviço é um presente do nosso Poder Superior. Esperamos que os servidores de A. A. busquem constantemente colocar o PROGRAMA DE A. A. EM PRIMEIRO LUGAR, A todos, infinitas vinte e quatro horas de sobriedade emocional.

FONTE:
JUNAAB – Relatório Anual de Alcoólicos Anônimos do Brasil
XXXI Conferência de Serviços Gerais – São Paulo/SP – 2007
Página 128 – 129

OS PRINCÍPIOS ACIMA DAS PERSONALIDADES – DISTRITO FEDERAL

DISTRITO FEDERAL
OS PRINCÍPIOS ACIMA DAS PERSONALIDADES

Chegar um pouco mais cedo ao local de funcionamento do Gripo e ajudar a arrumar as cadeiras, colocar os quadros em seus locais, estender a toalha, enfim, preparar o local para chegado dos companheiros, companheiras, Al-anons, alateens ou visitantes, deve ser considerada tarefa tão importante quanto as atividades dos servidores que cuidam das finanças, da coordenação das reuniões, da secretaria, da divulgação da Revista Vivência, do Comitê Trabalhando com os Outros ou, ainda, dos responsáveis pelos Serviços Gerais do Grupo ou até mesmo pelos Serviços Mundiais de Alcoólicos Anônimos, seja em qualquer esfera, em nível de Grupo, Distrito ou Área. Essas funções, exercidas nos Grupos, são tão importantes quanto às desenvolvidas pelo Coordenador de um Distrito ou do Comitê Trabalhando com os Outros de sua região. É tarefa tão nobre quanto a tarefa do encargo de Custódio, Tesoureiro e órgãos de serviços ou coordenador de Área ou Delegado de Área. Nessa linha de ação, há tão somente (ou pelo menos deverá haver) a decisão de manutenção da sobriedade, além da manifestação de um sentimento peculiar na maioria dos que são beneficiados através do dar pelo dar: o da gratidão.
Depois do desalinho em que nossas vidas se encontravam quando decidimos admitir que éramos impotentes perante o álcool e que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas, caminhar no Programa de Recuperação de A. A. e servir a Irmandade (ou a si mesmo?) compartilhando experiências, forças e esperanças, sob os olhares de uma consciência coletiva, é um verdadeiro privilégio, oportunizado pelo Poder Superior, como cada um concebe em Alcoólicos Anônimos. Na sequência dessa percepção espiritual e, sobretudo quando aprendemos a amar a Irmandade, notamos o quanto é gratificante o “alçar voos” e atingir, dentro das sugestões de reabilitação individual, outros degraus de “além Grupos”.
A prestação de serviços ao A. A. significa, antes de tudo: Responsabilidade, Gratidão, Doação e Amor. Fato que se identifica com facilidade quando se observa o caminho percorrido pelo membro atuante entre o passado nem sempre tão distante, cheio de desacertos, dores e desamores, e o momento virtual das 24 horas e pelo qual, após reaprendermos regras de convivência, começamos, no mínimo, a preparar condições propícias para colher vitórias onde havíamos semeado campos e mais campos de derrotas.
Convém, no entanto que se avalie muito bem o peso e o significado da palavra “privilégio”. Leve-se, então, em consideração às mudanças que podem ocorrer em nossa personalidade quando nos propomos a assumir tais encargos. Ela se modificaria? Sofreria alterações? Seriam elas benéficas ou maléficas? No primeiro caso seria possível corrigi-las? Muitas perguntas se ofereceriam para uma salutar discussão.
A personalidade e as falhas de caráter que possuíamos antes de nossa chegada em A. A. foram bastante acentuadas pelas consequências do alcoolismo. Na amplitude do tema, três perguntas, entre tantas outras, poderiam nos interessar sobremaneira:
– Qual a personalidade do servidor?
– Qual a personalidade do membro do convívio do Grupo?
– Quais os princípios a serem fielmente cumpridos ou seguidos em A. A.?
Deixando de lado toda a influência que possa levar o assunto para um perigoso pré-julgamento, torna-se mais fácil analisar o aspecto em torno dos “princípios acima das personalidades”, ou como queiram, “princípios x personalidades”, dentro das Tradições de A. A.
Implicitamente, um dos princípios básicos para a nossa programação de vida reside na premissa de não julgarmos a quem quer que seja. Ou seja, “Viva e Deixe Viver”. O melhor dos caminhos a se seguir, dentro de A. A. chama-se “Submissão aos Princípios Espirituais” e a maior nobreza de caráter chama-se “Humildade”.
No nosso caso, essas duas dádivas preparam o alcoólico – homem ou mulher – para o seu renascimento em vida, dando-lhe condições propícias e seguras de tentar recuperar tudo o que havia perdido por culta do alcoolismo: bens materiais, família, saúde, equilíbrio emocional e financeiro, o amor, a disposição para o perdão e a fé na crença que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade chegando, então, à decisão profundamente salutar de entregarmos nossas vontades e nossas vidas aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.
Nesse caminhar descobre-se que as distorções causadas pelo alcoolismo podem e devem ser corrigidas. Porém é necessária a compreensão de que toda a correção de rumo implica em mudanças de hábitos, em renúncia e em aceitação.
O nivelamento e a igualdade de propósitos entre todos os membros, o “É Proibido Proibir”, a não obrigatoriedade, a não exclusão e a ausência de regras, tabus ou dogmas fazem da Irmandade, ao longo dos anos, uma das iniciativas humanas mais respeitadas, admiradas e compreendidas pela sociedade e, principalmente, entre seus membros que, elevados na contemplação de todas essas dádivas, esquecem-se por completo do seu ceticismo inicial ou da sua ignorância bem como de sua desconfiança, egoísmo e prepotência, comportamentos comuns à maioria dos membros nos seus primeiros dias em A. A.
A reformulação de vida oferecida pelo “Pano das 24 Horas”, um dos principais mecanismos de ajuda que nos proporcionam uma crescente (ainda que gradual em alguns casos) recuperação, nos encaminha também rumo a um processo de abertura valiosíssimo da mente: a redescoberta do seu próprio valor, de sua autoestima, do seu amor próprio. E com eles a consciência da qualidade dos valores humanos.
Os princípios de A. A. e em A. A. sempre estarão acima de nossas personalidades, se assim quisermos sobreviver e convivermos com qualidade. Devemos ter sempre bem vivo em nossa memória que somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança, não têm poderes para governar.
Por essa perspectiva, a experiência de A. A. evidencia que normalmente o afastamento de um membro do Grupo é causado por ele mesmo que quis impor, em um dado momento, sua personalidade aos demais, mesmo conhecendo a extensão dos princípios da Irmandade. Algumas outras lideranças com o tempo se desencantam com a Irmandade. Quando procuramos observar a razão, percebemos que foram vítimas de mesmas. O fato se deve à maneira como ele procurou repassar os princípios aos seus companheiros. Muitas vezes, mesmo sabendo a forma de interpretá-los ou vivenciá-los, o fez de maneira inadequada ou tendenciosa. Tratam-se daqueles que impedem o Grupo de A. A. de “sair da escuridão” impondo-lhe, sempre, a palavra final; daqueles que chegam ao cúmulo de atitudes ameaçadoras; daquele, enfim, que causa a sua própria exclusão.
Outro aspecto em que a personalidade aflora prende-se a uma “oculta negação da doença” onde o membro ou servidor insiste em querer que prevaleça dentro do Grupo a sua opinião, sua condição socioeconômica, sua cultura ou escolaridade, usando essas condições como fatores de intimidação, mesmo que de forma velada. Trata-se de uma forma de desobediência aos princípios de A. A. e de instiga mento à discórdia. Normalmente são procedimentos oriundos dos “Passageiros da Agonia”. Aqueles que vieram passar pelo A. A. que não se comprometem e que pouco ligam para os que ali estavam e desejavam ficar.
Entre muitos outros aspectos, a “personalidade forte” também contribui, e muito, para a subserviência de um determinado Grupo. Por dias, meses e anos, em nome da Unidade, sacrificam-se servidores em potencial e desestimulam-se velhos prestadores de serviços de Grupos, Distritos ou Áreas. Tudo por causa da “forçada aceitação”. Seria o correto?
A simples e incondicional aceitação desses fatos levam os descontentes a se subdividirem mais e mais, enfraquecendo de forma contínua os alicerces da Irmandade que não tem dono e, ao mesmo tempo, pertence a todos nós. Exaltar a personalidade não combina com a linha de recuperação sugerida por Alcoólicos Anônimos. A recuperação em A. A., persistente, gradativa, sutil e humilde nos sugere um constante desinflar do ego e o uso sistemático dos princípios em todas as nossas atividades, todas as vezes que assim tivermos que nos pronunciar sobre nossa Irmandade.
Por mais que façamos pela Irmandade, que prevaleça sempre a humildade e o anonimato pessoal dentro de cada um de nós. Mesmo sóbrios nunca seremos felizes e úteis se deixarmos os princípios de lado: eles nos antecedem, nos acompanham e nos guiam.
Sabemos que a prática constante de se repetir sempre em depoimentos em cabeceira de mesa é inócua para muitos de nossos companheiros. Cada um deles tem seu próprio tempo, seu próprio “feeling”. Os princípios “acontecem” quando os aceitamos e quando os vivenciamos através da prática correta do Programa de Recuperação, falando de nosso alcoolismo e de suas consequências, quando participamos das reuniões de estudos.
Hoje formamos um movimento de alcoólicos recuperados que tendo experimentado um despertar espiritual procuram transmitir uma mensagem aos alcoólicos e praticar esses princípios em todas as suas atividades. É muito gratificante experimentar, em nome desses princípios, o que muitos alcoólicos e seus cônjuges experimentam quando chegam em A. A. pela primeira vez: carinho, amparo e a sensação inesquecível e reconfortante de “finalmente sair do frio”.
Portanto, são de vital importância para nós:
. A rendição completa;
. A humildade;
. A procura de orientação divina;
. A sobriedade dia após dia;. O anonimato, pelo qual os “faroleiros”, os “messias” e os “famosos” são impelidos de desenvolverem as suas respectivas aptidões;
. A rotatividade, que impede que membros de A. A. se perpetuem nos encargos;
. As tarefas de Grupo, de forma compartilhada;
. Manter a nossa Irmandade unida;
. Nosso bem-estar comum em primeiro lugar;
. A honestidade em relação a si mesmo e a seus defeitos;
. Fazer as reparações devidas;
. Doar sem exigir nada em troca;
. Exercitar a prece e a meditação com um apelo dirigido ao Poder Superior para alcançar a liberação do desejo de beber;
. A simplicidade e a verdade no contar da história de cada um de nós, membros de A. A.;
. A não evangelização;
. O inventário destemido;
. Levar a mensagem àqueles que sofrem;
. Esquecer as barreiras sociais, de classe, econômicas, culturais e raciais;
. A cooperação sem afiliação e
. O não endosso.
Os Doze Passos, as Doze Tradições e os Doze Conceitos de A. A. sintetizam os princípios aos quais temos que nos submeter para alcançar a recuperação e assim poder levá-la a outros. Princípios acima das personalidades significam que, embora não exista um “governo central”, o conteúdo espiritual dos princípios prevalece ante as nossas investidas.
A admissão da impotência ao primeiro gole, o nosso bem-estar comum, um Deus amantíssimo, que se manifesta em nossa consciência coletiva como única autoridade sobre nós, a aceitação de um Poder Superior na forma em que O concebemos e o anonimato são premissas espirituais das quais jamais deveremos nos desligar, seja qual for a situação ou o local em que nos encontremos.
Aceitar e receber o doente alcoólico da forma como vier e nas condições em que encontrar. Irmanados, na procura de uma reformulação de vida, além da integração e do respeito mútuo. Trabalhar os propósitos da Irmandade, criando mecanismos de sustentação e fixação. Debater os problemas de forma ética e saudável, respeitando as limitações de cada companheiro. Zelar pelo bem que nos foi deixado. Repassar esses cuidados aos demais que necessitam ou aos que venham a nos suceder, refletem princípios de convivência pacífica que a humanidade tanto precisa e que, pelas bênçãos do nosso Poder Superior, temos tudo para continuar exercitando-os naturalmente, sem a evidência de nossas personalidade.
Basta estender às mãos e lembrar:
“Quando, qualquer um,
Seja onde for,
Estender a mão pedindo ajuda,
Quero que a mão de A. A.
Esteja sempre ali.
E por isso,
EU SOU RESPONSÁVEL!”

FONTE:
JUNAAB – Relatório Anual de Alcoólicos Anônimos do Brasil
XXXI Conferência de Serviços Gerais – São Paulo/SP – 2007
Página 125 – 126 – 127 – 128

Dr. ALBERTO DURINGER

ALCOOLISMO
ARTIGOS
Dr. Alberto Duringer – Médico
Alcoolismo, onde está a doença primária?

Vamos imaginar que um médico foi chamado para atender um caso de pneumonia. As queixas são de febre, tosse, dor nas costas, mas o que o médico receita são antibióticos – única coisa capaz de atuar na doença primária, no caso uma bactéria que penetrou nos pulmões. Fácil, não é? Mas se o médico desconhecesse a doença primária na pneumonia e se confundisse com os sintomas, talvez receitasse um xarope para a tosse ou um analgésico para a dor.
Por isso, tratamentos que funcionam são aqueles que atuam na doença primária e essa sempre foi a grande dificuldade da medicina em relação ao alcoolismo, doença crônica, progressiva e de evolução lenta. Ao ver o doente pela primeira vez, frequentemente já em estado mais avançado, o médico ouve do alcoólico e de seus familiares uma série de queixas ligadas a um adoecimento físico importante, a um distúrbio de comportamento que pode beirar a loucura e uma mais ou menos acentuada perda de valores ético-morais, sem que se saiba direito o que começou primeiro e muito menos onde está a doença básica, aquela que deve ser o alvo do tratamento.
Até o final do século passado, quase todos admitiam que a origem do alcoolismo estava na esfera ético-moral: o alcoólico bebia porque era fraco de caráter, porque não dispunha de reservas morais para resistir ao “vício” ou simplesmente porque não tinha vergonha na cara. Estando a doença primária colocada nesta área, o tratamento limitava-se a umas lições de moral, alguns bons conselhos ou exortações de cunho religioso, sendo os resultados obtidos, bastante precários.
Depois da publicação das obras de Freud, muitos profissionais passaram a ver as coisas de modo diferente e começaram a situar a doença primária do alcoolismo na esfera psíquica. A origem do problema estaria em algum conflito na personalidade ou um trauma profundamente escondido no subconsciente e este distúrbio fazia o doente buscar anestesia no álcool. Visto desta forma, o tratamento mudava bastante: o paciente era levado a se analisar deitado num divã, na busca das razões que o levavam a beber descontroladamente e com a esperança de que se o descobrisse, voltaria a ter um consumo moderado do álcool. Variantes deste tratamento foram também os mais variados medicamentos de uso psiquiátrico, tudo sem que se obtivesse resultados melhores do que os anteriores.
Hoje em dia, há muita gente colocando a doença primária na esfera social. O doente é pobre, as vezes miserável, mora na favela, ganha salário-mínimo, tem família numerosa e diante de tantas desgraças juntas, só pode mesmo tornar-se um alcoólico. Ele bebe para esquecer, para enganar a fome. Neste caso, a doença primária seria pobreza e o tratamento mais difícil, mas não impossível: vamos imaginar que ele ganhasse sozinho na Sena e ficasse milionário, da noite para o dia. Estaria curado da falta de dinheiro e se isto fosse a origem do seu alcoolismo, passaria a beber pouco, provavelmente só champanhe francês, no seu novo apartamento à beira-mar. Alguns exemplos conhecidos mostram, que na prática, as coisas não são bem assim.
Neste ponto, vale a pena citar estatística do governo suíço, publicada recentemente, em Genebra: 90% dos suíços bebem dez por cento das bebidas alcoólicas vendidas no país, mas apenas 10% da população bebe os restantes noventa por cento. Em outras palavras, em uma nação rica, sem os problemas sociais que enfrentamos no Brasil, existem os mesmos 10% de alcoólicos que nos demais países ocidentais, dos mais opulentos aos mais miseráveis.
Na realidade, a origem do alcoolismo, a doença primária, dificilmente pode ser achada na área psíquica, social ou ético-moral. A esmagadora maioria dos pacientes adoecem primariamente pelo lado físico: começam a beber sem problemas, como a maioria das pessoas, mas por uma série de fenômenos particulares do seu organismo, como a maior ou menor tolerância à bebida e tendência para uma adaptação de seus neurônios ao álcool, acabam por se tornarem alcoólatras.
A tolerância ao álcool acontece através do fígado. Este órgão dispõe de enzimas capazes de decompor e eliminar o álcool ingerido, transformando-o numa primeira etapa em um composto bastante tóxico, o acetaldeído, responsável pelas famosas ressacas. Existem pessoas que tem um fígado rico nestas enzimas e por isso rápido na decomposição do álcool, que fica pouco tempo na circulação, logo não tendo tempo de fazer muito efeito. Essas pessoas bebem bastante e se embriagam pouco, um processo que chamamos de tolerância ao álcool. Esses, citados na sociedade como pessoas que “sabem beber”, são os candidatos a futuros alcoólicos, exatamente porque conseguem beber muito. Como também eliminam rapidamente os derivados tóxicos, no início da doença têm muito poucas ressacas, o que os estimula a voltar a beber. Já aqueles que se embriagam com um copo de cerveja e passam o dia seguinte com dor de cabeça e vômitos, não sendo tolerantes ao álcool, dificilmente vão conseguir beber a quantidade necessária para detonar a doença.
Ainda mais importante, é o que acontece no cérebro. Em pessoas alcoólicas, o acetaldeído formado no fígado do bebedor, ao passar nas células nervosas, é capaz de se combinar com neurotransmissores, como a dopamina e a serotonina, por exemplo, dando origem a um grupo de outras substâncias altamente excitantes, genericamente conhecidas como tetrahidroisoquinolinas (THIQs)
Em experiências feitas na Universidade da Carolina do Norte, colocaram-se vasilhas com álcool na jaula de macacos. Como era de se esperar, os animais experimentaram, não gostaram e não voltaram a beber. Em seguida, injetaram-se nestes bichos líquidos ricos em THIQs, retirados do cérebro de alcoólicos humanos. O resultado é que os macacos desenvolveram enorme avidez por álcool, ficando embriagados. No dia seguinte, passado o efeito da injeção, voltaram ao padrão de não beber. Injetados novamente com THIQs, o fenômeno se repetiu. Existem ratos que, por sua natureza, rejeitam qualquer líquido que contenha álcool, mesmo em pequenas quantidades. Se colocarmos algumas gotas de álcool na sua água de beber, eles não mais a ingerem, preferindo passar sede e até morrerem desidratados. No entanto, se injetarmos estes ratos com liquido retirado do cérebro de alcoólicos, os ratos transformam-se em grandes bebedores, até morrerem de cirrose. Há muitas outras experiências com animais de laboratório, apresentando resultados semelhantes. Daí para a frente, torna-se muito difícil tentar explicar que estes animais passaram a beber por quaisquer razões psíquicas, éticas ou sociais, já que o adoecimento primário nestes casos fica claramente relacionado com a injeção de uma substância química, proveniente de alcoólicos humanos.
Hoje sabe-se que a neuroquímica do cérebro alcoólico é bastante complexa. Ocorrem mudanças na membrana celular dos neurônios, nas trocas de sódio e potássio e muitas outras, de modo que se pode dizer que os neurônios de algumas pessoas que consomem álcool em quantidade, acabam por se adaptar a ele, tornando-se mais excitáveis. De início um pequeno número de neurônios muda desta forma, depois outros e mais outros – até que progressivamente predominam os neurônios “alcoólicos”, a doença se instalando aos poucos, ao longo do tempo. Por isso também, nos alcoólicos, a perda de controle sobre o álcool é progressiva, sua intensidade depende do número de neurônios atingidos.
Em outras palavras, a doença primária do alcoolismo situa-se no cérebro dos alcoólicos, não na sua mente. Neste sentido, alcoolismo é doença incurável, porque a capacidade adquirida de reagir ao álcool de forma diferente à dos não alcoólicos fica marcada no organismo. Não há força de vontade ou reserva moral capaz de impedir que estes neurônios modificados reajam com excitação, na presença de álcool.
Isto explica também o que ocorre na abstinência, mesmo nas de curta duração, por exemplo uma noite de sono. Ao acordar, com os neurônios excitados, o alcoólico está nervoso, trêmulo, inquieto, ansioso, com pulso acelerado, tudo muito desagradável. Para que tudo passe, ele já sabe que basta beber: enquanto houver álcool no sangue, as coisas voltam ao normal, até que o ciclo recomeça.
Note-se que o alcoólico que busca desesperadamente um bar ou padaria que abra às cinco horas da manhã, não está mais movido pelo prazer de beber ou pela companhia dos amigos e não está também querendo embriagar-se; ele busca apenas alívio para uma situação perturbadora, que o impede ocasionalmente até de trabalhar, através do único remédio que ele conhece, muitas vezes já agora cheio de culpas e vergonhas. Usa manhas a artifícios para esconder dos outros a quantidade de álcool que bebe; começa a ter medo de estar em lugares e situações onde talvez não haja bebida. O álcool passa a ter um papel cada vez mais preponderante em sua vida, já que, para sentir-se normal, depende quimicamente dele. Com as negações, explicações e fantasias típicas da doença, surge um processo de comprometimento psíquico ou comportamental que se sobrepõe ao físico, já existente – é a dependência emocional. Na maioria das vezes, é só aí que ele passa a chamar a atenção como doente, apesar do processo ter começado muitos anos atrás.
À medida que mais neurônios ficam comprometidos, a alcoolismo evolui para uma terceira esfera de comprometimento, a dos valores ético-morais ou espirituais, substituídos que são por um único interesse na vida: continuar bebendo.
Assim, desde a doença primária, a dependência química, passando pelo emocional e a perda de valores, passam-se muitos anos de progressivo adoecimento, o que obriga qualquer recuperação, para ser bem sucedida, a seguir a mesma ordem natural das coisas: primeiro o doente tem de começar pelo lado físico e parar completamente de beber. Depois, é preciso que reformule seu comportamento e atitudes, para no final readquirir seus valores.
Alcoólicos Anônimos é um poderoso agente de recuperação, exatamente porque segue a história natural do adoecimento. Primeiro, vem a abstinência – e se fosse dito ao alcoólico que ela é para o resto da vida, ele levaria um grande susto, talvez não permanecesse. Assim, A.A. teve a sabedoria de dividir essa “eternidade” em períodos de 24 horas, ficando mais fácil – é só por hoje.
Ainda muito confuso e fragilizado, o alcoólico encontra ajuda nas milhares de reuniões existentes no Brasil inteiro, identifi-cando-se com os depoimentos e percebendo que não está mais sozinho.
Segundo, depois de estar com seu raciocínio mais lúcido e aceitando melhor sua doença, A.A. oferece-lhe um programa individual de recuperação emocional e de relacionamento com o mundo exterior, através de uma escalada de Doze Passos, em sequência. Finalmente, abstinente de álcool e reconciliado consigo mesmo e com o mundo, o alcoólico encontra antigos ou novos valores espirituais, como os que se alicerçam nas Doze Tradições, especialmente aqueles relacionados com o bem-estar comum e o anonimato.
Tratando-se de doença crônica, o alcoolismo exige permanente ação de recuperação: trata-se de um programa para toda a vida. Frequentemente, encontram-se recuperações apenas parciais, em que alcoólicos apenas param de beber e recusam-se a fazer quaisquer mudanças em seu comportamento, atitudes e valores; embora abstinentes, ainda estão muito adoecidos emocional e espiritualmente. São pessoas que a comunidade de A.A. diz estarem em “porre seco” ou que “só tamparam a garrafa”. Como a recuperação também é progressiva, estão também mais sujeitos a uma recaída.
A vigilância sobre o perigo da recaída deve ser permanente, pois é engano pensar-se que ela começa no primeiro gole. Na realidade, a recaída termina nele, uma vez que aí o processo é inverso: primeiro o doente perde valores espirituais, depois fica emocionalmente perturbado por distúrbios de comportamento, até que finalmente volta a beber. Há uma série de sintomas precedentes desta volta e muitos podem ser percebidos pelo próprio ou por pessoas que o cercam, desde que estejam vigilantes. A recaída emocional pode ser revertida antes do doente estar com seu raciocínio crítico tão afetado, a ponto de achar que o álcool possa ser novamente solução para seus problemas.
Recuperação e recaída são como duas faces da mesma moeda: quem não está se recuperando, está recaindo e vice-versa. Esta gangorra das emoções é normal e não deve assustar além da justa medida, acontecendo também com outros doentes crônicos, o diabético com sua dieta ou o reumático com seus exercícios. No alcoolismo, importante é não deixar qualquer recaída evoluir a ponto de se voltar a beber, porque aí entram em ação as poderosas forças da doença primária – a dependência química – e aí a situação fica novamente fora do controle do alcóolico.

ALCOOLISMO
ARTIGOS
Dr. Alberto Duringer – Médico
A recuperação em alcoolismo

Parar de beber é acontecimento marcante na vida de qualquer alcoólico em recuperação. Quando associado ao dia em que ingressou em um grupo de Alcoólicos Anônimos, é muitas vezes data citada com regularidade nos seus depoimentos. Aniversários deste dia são motivos para comemoração, com troca de fichas e festividades variadas, mas o fato em si pertence ao passado.
Já a recuperação do alcoolismo, ou de qualquer outra doença crônica, não é apenas um episódio limitado no tempo, mas sim um processo, mais ou menos lento, em constante evolução no dia a dia, que exige reformulação interior, sem data marcada para terminar e que pode ser modificado ou interrompido a qualquer momento.
Há quem compare um alcoólico em recuperação a uma pessoa que sobe uma escada rolante que está descendo: se ele parar de subir, inevitavelmente descerá junto com a escada. Assim sendo, é engano imaginar que uma recaída comece no primeiro gole: ela é, na realidade um processo de perda de recuperação que pode terminar nele, a menos que seja detido a tempo.
Em qualquer doença crônica acontece a mesma coisa: diabéticos que interrompem a dieta, hipertensos que voltam a abusar de sal, reumáticos que deixam de fazer fisioterapia, são exemplos de doentes crônicos que interrompem o processo de recuperação e iniciam assim um processo de recaída, o que vai levá-los de volta à situação anterior.
Entendemos alcoolismo como enfermidade que se inicia primariamente como dependência química, consequência de muitos fatores que possam ter levado o indivíduo a beber intensa e/ou abusivamente. Atingida a área física, continua o gradual processo de adoecimento, agora alcançando também seu comportamento e atitudes, até que em um último estágio, o alcoólico perde seus valores ético-morais. Nesta última fase, a doença é então física, psíquica e espiritual.
Em qualquer doença crônica, não existe uma cura propriamente dita, isto é, não é possível reverter um dependente químico de álcool etílico em consumidor moderado ou “social” desta substância, já que seu organismo sofreu modificações que impedem o seu uso controlado. No entanto, é possível ao doente um retorno a uma vida plenamente normal, desde que se disponha a agir dentro de um processo de recuperação, o qual deve seguir as três fases do rumo natural de adoecimento:
1a fase (recuperação física) — abstenção completa de uso de álcool.
2a fase (recuperação emocional) — modificação de comportamentos e atitudes, visando encontrar um equilíbrio psíquico que o liberte da tentação de achar que o álcool possa ser solução para seus problemas.
3ª fase (recuperação espiritual) — recuperar ou criar novos valores éticos, morais e espirituais, com o objetivo de se reconciliar consigo mesmo e com o mundo que o cerca, passando a ter um modo de vida sóbrio.
O sucesso que Alcoólicos Anônimos vem tendo desde 1935 na recuperação de alcoolismo deve-se a um programa de 12 Passos que segue esta sequência natural de ações, com a consciência de que elas só podem ser executadas pelo próprio doente, já que são todas processos interiores.

Isto não significa, porém, não precisar ele de ajuda externa. já que existem alguns obstáculos importantes a serem vencidos, a começar pela negação da doença e/ou manipulações variadas, além da própria crise aguda de abstinência. Passada essa fase inicial, que dura em média 10 – 20 dias, surge outra menos conhecida, mas nem por isso mais fácil, a que se convencionou chamar de síndrome de abstinência pós-aguda, de duração mais longa, caracterizada por pensamento confuso, as vezes caótico, enfraquecimento de memória, dificuldade de concentração e instabilidade emocional, que pode perdurar ainda por muitos meses após o início da abstinência.
Em salas de AA encontram-se sempre novatos nesta situação, sofrendo ainda consequências do efeito tóxico do álcool etílico sobre o cérebro e sistema nervoso. Estas pessoas, bastante confusas, costumam apresentar um padrão rígido e repetitivo, muito centrado em apenas certos aspectos de suas vidas, geralmente ligados ao seu passado recente, cheio de culpas, vergonhas, auto piedade, raivas e ressentimentos. Elas têm grande dificuldade para se concentrar na leitura ou para memorizar alguma coisa do que leem; suas emoções parecem adormecidas, ou pelo contrário, estão à flor da pele; seus afetos costumam ser pequenos, estão ainda muito voltadas ao seu próprio egocentrismo. Alguns parecem estar com suas emoções anestesiadas, não prestam atenção a quase nada em sua volta; outros estão inquietos, ansiosos, irritados, reagem com raiva a qualquer contrariedade menor ou comentário ligeiro sobre elas.
Felizmente, na maioria das vezes esta situação não costuma durar mais do que dois ou três meses, tempo necessário para uma recuperação física do sistema nervoso, mas neste período inicial estas pessoas precisam de muita ajuda externa para conseguir evoluir na sua recuperação. Entendendo isto, surgiram dentro de AA as reuniões para novos, nas quais é possível ajudá-los de forma mais eficiente e ao mesmo tempo explicar o que é a irmandade e como funciona. Também nesta fase, podem os profissionais de saúde ser muito úteis, ela acaba sendo de forma ideal, um amplo espaço aberto para que surja uma íntima colaboração entre AA e os profissionais da área.
Passada esta fase crítica, surge outra barreira no caminho do alcoólico em busca de sobriedade: tendo aceito os três primeiros passos, ele agora deve entrar em ação, para fazer seu inventário moral. Isto significa mexer nos fantasmas arquivados em algum velho baú da sua mente, confrontar-se com a realidade do seu Eu verdadeiro, descobrir virtudes e defeitos não suspeitados, enfim iniciar uma mudança no seu comportamento, atitudes e valores. Tudo isto desencadeia sempre uma reação muito humana e natural: medo e insegurança.
Não há quem não se sinta temeroso antes de fazer mudanças importantes: o organismo reage de forma típica, apresentando um conjunto de sinais e sintomas que os médicos chamam de stress, ao qual o alcoólico, em fase de abstinência pós-aguda, ainda é particularmente sensível. Por isso, nem sempre é útil um quarto passo precoce, é necessário que exista uma estrutura emocional minimamente já equilibrada, para que ele atenda seus objetivos.
Por outro lado, este medo não deve impedir indefinidamente o início do inventário. A melhor forma de enfrentá-lo é reconhecer sua existência e que sua presença é natural e até saudável; em seguida avaliar se ele tem fundamentos reais ou se está ancorado apenas nas fantasias da mente; finalmente, enfrentá-lo e iniciar uma ação efetiva.
Em alcoolismo existe sempre o perigo de ressurgimento da velha negação, sendo que desta vez trata-se da negação do medo. Pensamentos do tipo “está tudo ótimo”, “parei de beber e isto é o principal” ou “eu já me conheço e não preciso fazer nenhum inventário” são perigosos porque induzem o alcoólico a não fazer o 4º passo ou a ficar adiando-o indefinidamente, procedimentos aliás muito parecidos com os que ele tinha em relação ao álcool, no tempo em que bebia.
Por vezes, ele regride na programação, percebe estar com vontade de beber, volta a se agarrar aos primeiros passos, aumenta a frequência de reunião, volta a se recuperar, até chegar novamente à barreira do inventário moral com as suas duas opções: enfrentar o medo e entrar em ação ou ver tudo se repetir mais uma vez. Muitos alcoólicos ficam, até sem saber direito o que está acontecendo, bastante tempo nesta gangorra emocional.
Vencido este grande obstáculo, a recuperação fica mais fácil e entra em fase de estabilidade. Agora existe um norte, um rumo a seguir, o alcoólico consegue ver a sua vida e o mundo que o cerca de modo mais equilibrado. Aos poucos, o álcool deixa de ser visto como possível solução para enfrentar problemas e passa a não ter mais muita importância – é um estado a que muitos chamam de sobriedade.
Ancorado na programação de AA o alcoólico encontra valores éticos e morais que lhe permitem levar existência emocionalmente muito mais tranquila, da qual a bebida está excluída. Só que isto não é um fato isolado de sua vida, como foi dito no início deste artigo, mas sim um processo, que se materializa de 24 em 24 horas, portanto, só por hoje. Não existe diploma de aprovação e um fim de curso em 12 Passos. O equilíbrio emocional depende de atividade e vigilância, pois como em qualquer outra doença crônica, recuperação é programa para toda vida.
* Conselheiro no Conselho Estadual de Entorpecentes – Ex-Diretor do Hospital Central da Polícia Militar (RJ)

ALCOOLISMO
ARTIGOS
Dr. Alberto Duringer – Médico *
A tática do avestruz
Nas arquibancadas do estádio do Maracanã existem balcões onde se vende cerveja durante os jogos de futebol. Reparem como ali ficam algumas pessoas bebendo o tempo todo, curiosamente, de costas para o campo. Para assistirem o jogo, bastaria virar o corpo – mas não o fazem. Será que não gostam de futebol? Mas então, o que teria motivado essas pessoas a saírem de casa, comprarem ingresso, sujeitar-se a vários incômodos e riscos? Se perguntarmos, no entanto, vão afirmar categoricamente que são ardorosos torcedores de um dos times em campo e não perderiam uma partida por nada deste mundo.
Vejamos outra cena, um dia de verão, na praia: muita gente passa o dia todo bebendo, debaixo de barracas quentíssimas, sem pegar sol ou cair na água. Apesar disso, dizem adorar uma praia e a de frequentam todo fim de semana.
Estas situações refletem o mais constante sintoma da doença alcoolismo – a negação – e podem até ter algo de engraçado, mas constituem verdadeira tragédia para o alcoólico, que frequentemente morre negando sua enfermidade. Ao negar sua perda de controle, o alcoólico não é mentiroso, pelo menos conscientemente, mesmo porque esta perda de controle acontece de forma lenta e progressiva. No início ainda há algum controle, com ele bebendo só nos fins de semana ou após certas horas do dia. Aos poucos, porém o doente vai criando um manto de fantasia, que o faz ser o primeiro a acreditar não ter problemas com o álcool. Trata-se de um mecanismo psíquico de proteção, para não enfrentar a dura realidade de estar tendo comportamentos irresponsáveis. Paradoxalmente, não consegue viver sem bebida, reconhecendo até ser o consumo exagerado em certas ocasiões. A explicação, para ele, está nos sérios problemas que vem enfrentando no momento; se os problemas desaparecessem, voltaria a beber controladamente. Assim, enquanto aguarda o milagre, vai bebendo cada vez mais.
Este mecanismo de negação, que se desenvolve dentro da personalidade do indivíduo, não se limita apenas à afirmativa, para si e para os outros, que não é alcoólico. É necessário também inventar uma série de desculpas, para manter uma aparente lógica nas coisas que se anda fazendo – é o que se chama de manipulação. Este manto de fantasia, fabricado por ele mesmo, fica cada vez mais espesso, mais duro, mais resistente, até isolar o doente do mundo real, como se fosse uma larva de bicho-da-seda envolvida no casulo.
É claro que as coisas continuam existindo como elas são, o emprego, a família, os amigos, mas tudo isso se torna a cada dia menos importante. Os mais íntimos questionam: “Por que ele faz isto conosco?” “ Será que não gosta mais da gente?” Ou afirmam: “Se você me amasse, parava de beber!”. São questões que incomodam, despertam sentimentos de remorso, culpa e autoridade, mas que ele não sabe resolver, porque julga impossível separar-se do companheiro álcool. Então ele nega os fatos, inventa justificativas, manipula, faz promessas que não consegue cumprir, tudo o que for possível para se fechar cada vez mais dentro de um outro mundo, só existente no seu delírio – mas que é só seu, seu mundo de negação.
Para conviver melhor com sua fantasia, muitos alcoólicos passam a só frequentar lugares onde haja bastante bebida e selecionar suas amizades entre gente que também bebe bastante. Se for convidado para um aniversário de criança, sabendo que só vai encontrar bolo de chocolate e coca cola, recusa, dizendo não ter paciência para este tipo de festa. Mas é capaz de pegar três ônibus para ir ao churrasco na casa de um desconhecido. Pensa em álcool todas as horas do dia: quando será que vou poder tomar a primeira? A que hora fecha o bar do hotel? Não esquecer que muitos supermercados fecham aos domingos! Lá no sítio da minha sogra vai ter bebida? É melhor garantir, levando uma garrafa na mala!
Para melhor entender o processo, vamos substituir a palavra “álcool” por “azeitonas”: Quando será que vou comer a primeira azeitona hoje? Será que lá naquele sítio há azeitonas? É melhor levar umas latas na mala! Fica bastante estranho, qualquer pessoa que só pensasse em azeitonas o tempo todo, seria chamado de maluco. Mas o dependente químico da álcool continua afirmando que seu comportamento é normal.
Na árdua tarefa de continuar negando seu alcoolismo, o alcoólico tem também de aprender a ser esperto, desenvolvendo a habilidade de esconder o quanto anda bebendo. Muitas vezes para de beber dentro de casa, mas a toda hora tem de sair para “comprar cigarros”. Na rua frequenta diversos botequins, evitando tomar mais de duas ou três doses no mesmo lugar, para não ser chamado de beberrão. Às vezes começa a beber em um bairro, termina em outro. Bebe antes de ir para uma festa, para quando estiver lá, fingir que bebe pouco. Escolhe vodca, porque ouviu dizer que não deixa cheiro. Anda sempre com balas e pastilhas de hortelã, para disfarçar o hálito. Enfim, esconder seu alcoolismo dos outros passa a ser procedimento de rotina, que ocupa boa parte da sua atenção.
Já para provar a si mesmo que não é alcoólatra, os mecanismos de negação são outros:
1.– Tenta beber menos quantidade, embora com a mesma frequência.
2.– Tenta beber com menos frequência, embora a mesma quantidade.
3.– Tenta não beber durante a semana de trabalho, mas fica contando os dias e horas que faltam para a sexta-feira chegar.
4.– Tenta usar outras drogas para diminuir a quantidade de bebida, tomando tranquilizantes de manhã, para parar de tremer, ou anfetaminas de noite, para poder dirigir o carro.
5.– Muda a marca ou tipo de bebida, assumindo que a anterior é que lhe fazia mal. Ilude-se trocando um litro diário de cachaça por 5 litros de cerveja, achando que assim bebe menos álcool. Tendo condições financeiras, substitui uísque nacional, por outro importado.
6.– Fica temporariamente em abstinência, por exemplo, quando internado para desintoxicar, quando obrigado a tomar antibióticos ou apenas para “dar um tempo”, depois de uma consulta médica preocupante. Note-se que estes períodos de abstinência tem data marcada para acabar e seu fim é ansiosamente esperado. Quando terminam, o alcoólico acha que depois de tanto sacrifício, agora ele merece “tomar uma só” e tudo começa de novo, detonado pelas poderosas forças da dependência química.
Os períodos de abstinência servem para afirmar e reforçar cada vez mais a negação, embora só sejam conseguidos à custa de maior ou menor sofrimento emocional. O objetivo é provar a si mesmo e aos outros que ele não é alcoólico, que domina perfeitamente a situação e que para de beber quando quer. As frases clássicas são: “Na verdade, eu não preciso beber, acontece que eu realmente gosto de álcool”. Ou então: “Se você tivesse em sua vida os problemas que eu tenho, iria beber ainda mais do que eu”.
À medida que a doença progride, mais e mais este manto de fantasia impede o doente de ver sua realidade. Ele muda de comportamento e atitudes, perde seus valores, cada vez mais enredado na teia da dependência. Basta ler o Livro Azul de Alcoólicos Anônimos, para ver como duas emoções básicas, orgulho e medo, tão saudáveis quando são equilibradas e baseadas em fatos reais, podem tornar-se exasperadas e delirantes, originando as mais variadas turbulências de raiva, inveja, ciúme e ódio.
O alcoólico passa a agir ao sabor da primeira emoção descontrolada que lhe vem à cabeça e, quando as coisas não dão certo, bota a culpa nos outros ou nas situações de vida. Expectativas fantasiosas tornam-se regra e como não se realizam, trazem frustrações, auto piedade e necessidade ainda maior de bebida.
Neste ponto, o manto de fantasia confunde-se com a carapaça da negação, dura, resistente, impenetrável pelo lado de fora, como o casulo do bicho-da-seda. Porém lá dentro, o bichinho pode encontrar forças para rompê-lo e, ao se livrar dele, sair da escuridão para a luz.
Como o alcoólatra que, vencendo a negação ao reconhecer sua impotência frente ao álcool, encontra o caminho da recuperação e da vida.
E de repente descobre que não gosta tanto assim de praia, nem de frequentar o estádio do Maracanã…

* Conselheiro no Conselho Estadual de Entorpecentes – Ex-Diretor do Hospital Central da Polícia Militar (RJ)

ALCOOLISMO
ARTIGOS
Dr. Alberto Duringer – Médico *
Desarmando os gatilhos
Um candidato a emprego que bebe antes de sua entrevista, mesmo sabendo que isto vai prejudicá-lo, certamente vai beber de novo ao não ser escolhido, desta vez para anestesiar sua frustração. Neste exemplo de um comportamento alcoólico, houve medo, insegurança, depois orgulho ferido, funcionando como gatilhos emocionais que despertaram uma compulsão para beber – alicerces emocionais da dependência psíquica ao álcool etílico.
Ela costuma surgir quando já está instalado um certo grau de dependência química, uma doença primária na qual os neurônios do indivíduo aprenderam a reagir de modo diferente ao álcool a cada vez que bebe, seja por uma adaptação da célula nervosa ao etanol, seja por novas combinações surgidas entre o álcool e diversos neurotrans-missores. Uma química muito complexa, que começa a ser desvendada, mas que em termos práticos, é responsável pelos sintomas desagradáveis da abstinência, que só se aplaca bebendo de novo. Este adoecimento físico já havia sido intuído em 1934 pelo psiquiatra americano Dr. Silkworth, que o comparava a uma espécie de alergia e como tal colocado por Bill W. no Livro Azul de Alcoólicos Anônimos.
Depois da dependência química e da psicológica, vem ainda a perda de valores ético-morais, terminando o alcoólico que continua bebendo sendo portador de uma doença física, emocional e espiritual, de evolução quase sempre lenta, mas progressiva e fatal.
Portanto, somente parar de beber não basta: interrompe apenas a evolução da parte física da enfermidade. Para continuar se recuperando, o alcoólico deverá modificar a maneira como reage às suas emoções, pensamentos e valores, fazendo uma reformulação interior, que no programa de AA significa fazer os Passos Quarto, Quinto, Sexto e Sétimo.
Para se mudar qualquer coisa, primeiro é preciso identificar o que é que necessita ser mudado. Portanto tudo começa com um inventário moral minucioso e honesto, isto é, sem manipulações, do qual fazem parte:
1.- Detecção de comportamentos e atitudes autodestrutivas, ou prejudiciais em qualquer aspecto de sua vida pessoal, afetiva, social e laborativa, com identificação dos instintos exacerbados que os motivaram.
2.- Detecção também de qualidades e potencialidades que todo ser humano tem, mas que o alcoólico por vezes não enxerga, mergulhado num mar de auto piedade e baixa estima.
3.- Aceitação de seu passado como sendo coisa que pode ser lembrada, sem se sentir esmagado por culpas e vergonhas.
4.- Detecção dos gatilhos emocionais que o levavam a beber, tentando se lembrar do que estava sentindo ANTES de seus porres. Ajudam nesta honesta pesquisa de conhecimento interior, fazer-se perguntas do tipo com quem estava ou tinha estado, o que havia acontecido, quando, aonde, como, porquê, tentando identificar seus sentimentos antes de começar a beber e aí anotá-los para melhor reflexão.
Em nossa opinião, o Quarto passo é antes de tudo um inventário alcoólico, não cabendo de início uma investigação psico analítica da personalidade, que aliás está profundamente distorcida por todo o tipo de manipulações próprias à doença.
O Quarto Passo não é panacéia, nem remédio milagroso, já que pode trazer sofrimento na medida em que o alcoólico se confronta com suas culpas e vergonhas. Com frequência o alívio pode surgir muito mais adiante, após o Sétimo Passo e, por isso, nem sempre um Quarto Passo muito precoce é útil. Muitos alcoólicos lucram mais, de início, ganhando experiências e assistindo intensivamente reuniões de recuperação, aprendendo assim a melhor lidar com este possível sofrimento:
 ouvindo a história dos outros, onde pode se ver retratado, inclusive lembrando-se de coisas que estavam esquecidas no seu subconsciente.
 contando a própria história e assim lembrando de sentimentos ligados e experiências penosas: é o que se chama catarse emocional, em que a culpa é substituída por uma noção de responsabilidade.
 sendo apadrinhado por outro membro de AA. Um bom padrinho pode ajudar o alcoólico a lembrar seu passado como ele realmente foi e não como, na sua fantasia, julga ter sido.
Note-se que culpa e vergonha não são exatamente a mesma coisa. A culpa pode ser medida e comparada com experiências vividas por outras pessoas. Por exemplo, quando um alcoólico diz em seu depoimento, que se sente culpado por não ter dado a devida atenção à sua família na época em que bebia, outro que está sentado ouvindo, pode medir e comparar, pensando “ é verdade, eu também sinto a mesma culpa”.
Já a vergonha é absolutamente individual e se refere a situações penosas que o alcoólico detesta relembrar e que procura tirar da memória, fazendo de conta não tivessem acontecido. Quando ele pensa que esqueceu o assunto, uma palavra, um gesto, uma situação traz todo o fato de volta ao consciente, com maior ou menor sofrimento. Para as vergonhas de cada um, o programa de AA sugere o Quinto Passo. Elas são como se fossem um abscesso da alma, que só vai curar depois de aberto, drenado com a saída de todo o pus. O Quinto Passo é um canal de entendimento direto entre o alcoólico e um Poder Superior, no qual outro ser humano entra com testemunha, para evitar manipulações e no qual o alcoólico admite, verbaliza e introjeta suas vergonhas, para em seguida se auto perdoar.
Passando ao Sexto Passo, o alcoólico deve dispor-se a mudar aquilo que detectou nos passos anteriores, a nível de pensamentos aditivos, emoções prejudiciais e comportamentos autodestrutivos.
Entende-se por pensamentos aditivos, aqueles que se desenvolveram nos anos de bebedeira, época em que ele agia sob influência da primeira emoção descontrolada que lhe viesse à cabeça e quando as coisas não davam certo, atribuía a culpa sempre aos outros. Em outras palavras, emoção sempre acima da razão.
Por isso em centros de recuperação, exercita-se uma estratégia de pensamento não-aditivo, recolocando a razão acima da emoção e que, em reuniões de grupo, consiste em:
 Identificar e entender objetivamente algum problema, colocado pelo terapeuta.
 Examinar alternativas, em um mínimo de três. Alcoólicos vítimas de pensamentos aditivos julgam que para cada problema só pode existir uma solução e ficam surpresos ao constatar que na realidade, sempre existem várias.
 Escolher a melhor alternativa e agir.
 Avaliar o resultado. Se deu certo, ótimo. Se não deu, também muito bom, pelo menos aprendeu-se que a solução escolhida não foi a melhor para aquele tipo de problema e na próxima vez, deve-se escolher outra.

Para completar este processo de reformulação interna é preciso finalmente a ação de mudar, o que ocorre no Sétimo Passo. No processo de mudança, deve-se ficar atento para o fato de que elas sempre desencadeiam uma reação de medo/insegurança, absolutamente normal em qualquer ser humano.
O perigo agora reside na negação do medo. Antigamente o alcoólico negava seu alcoolismo, agora tende a negar suas inseguranças, fazendo inclusive depoimentos cor-de-rosa, afirmando tudo estar bem na vida dele, só porque parou de beber. Em seguida, manipula e racionaliza, dizendo que já que tudo está tão bem, realmente não é preciso mudar coisa alguma de seu comportamento. Finalmente, volta o sentimento de onipotência, em que ele acha que pode resolver qualquer coisa, sem ajuda de ninguém.
Esta conduta leva o alcoólico a ficar adiando indefinidamente suas modificações interiores, o que pode trazer sofrimento, mesmo que ele não volte a beber.
* Conselheiro no Conselho Estadual de Entorpecentes – Ex-Diretor do Hospital Central da Polícia Militar (RJ)

ALCOOLISMO
ARTIGOS
Dr. Alberto Duringer – Médico *
Alcoolismo e desempenho sexual

Na sociedade em que vivemos, o sexo não é completamente livre. Ele está limitado por uma série de censuras éticas, morais e sociais, que fazem com frequência o desejo não se concretizar como ato sexual, ficando tudo apenas na vontade. Ocorre que estas censuras são anestesiadas pelo álcool etílico e é por isso que muita gente associa o exercício de sua sexualidade com a ingestão de bebidas alcoólicas.
Se isto é válido para quase todo o mundo, é muito mais ainda para o alcoólatra, que tem todo um passado ligado a um frequente e intensivo consumo de bebida, sem falar no fato de que o álcool desencadeia nele uma fantasia de grandiosidade, na qual ele se julga atraente, quase irresistível e certamente o melhor amante do mundo. Frequentemente um alcoólatra não consegue nem se lembrar de ter tido sexo, sem antes ter bebido álcool. Esta associação, válida por muitos anos, acaba profundamente marcada em seu subconsciente.
Por outro lado, a ingestão crônica de grandes quantidades de álcool por períodos prolongados de tempo, agride diretamente as glândulas sexuais, provocando sua atrofia. O álcool pode até aumentar o desejo, mas termina prejudicando o desempenho. Homens alcoólicos, em fase avançada da doença, diminuem progressivamente sua potência, perdem pelos, às vezes apresentam até crescimento mais ou menos acentuado das mamas. Mulheres alcoólicas podem perder suas características sexuais secundárias femininas, atrofiam suas mamas, veem suas menstruações diminuídas ou ausentes, tornam-se estéreis. No fim da doença alcoólica, fica frequentemente difícil distinguir, ao primeiro olhar, quem é homem, quem é mulher.
Por felicidade, este comprometimento das glândulas sexuais (testículo e ovário), não costuma ser definitivo, podendo o alcoólatra voltar à sua normalidade apenas parando de beber. Só que isto não acontece da noite para o dia, a agressão geralmente foi muito prolongada e durou muitos anos. A observação clínica mostra que o prazo de recuperação é variável, mas costuma oscilar entre 3 e 6 meses de abstinência. Reconheço que o problema é de difícil aceitação, para o doente: ao parar de beber, o alcoólatra pela primeira vez lúcido, depois de muito tempo, descobre estar impotente e se desespera. Três a seis meses é muito tempo, para quem deseja soluções rápidas. Todo o seu subconsciente associa sexo com álcool, faz parte de toda a sua vida sexual. Existe uma vozinha compulsiva dentro dele, dizendo que ele vai conseguir, se antes tomar uns goles. Tudo isto, mais a insegurança, os medos, o orgulho ferido, a revolta existentes neste período inicial de abstinência, levam com frequência a uma recaída. É claro que voltar a beber não soluciona coisa alguma, só agrava o problema cada vez mais, mas não falta quem venda na rua todo o tipo de garrafadas, vinhos e tônicos (sempre contendo álcool), que falsamente prometem uma recuperação da potência. É importante que o alcoólatra seja alertado contra este canto de sereia, senão certamente irá recair.
A única possibilidade de recuperação física exige um período de abstinência um pouco mais prolongado e há que se ter a necessária paciência para esperar por ela. É claro que pode haver mais algum outro fator influindo, diabete ou lesão vascular, por exemplo, cujo tratamento depende de uma ida ao médico e de tratamento apropriado. O alcoólatra que esteja nesta situação não deve deixar de fazer um bom exame geral, para ver se não há outras doenças associadas.
Sexo porém não é só uma atividade física. Há todo um clima amoroso envolvido, uma sedução preliminar, que é da maior importância. Existem alcoólicos que nunca tiveram relações em toda a sua vida, sem antes beber, desde sua adolescência. Agora, homens maduros, veem-se diante da perspectiva de fazê-lo sem álcool, como se fosse a primeira vez, como se tivessem de aprender como é que se faz para namorar.
Mesmo quando o alcoólico ainda conseguiu manter uma relação estável, os laços afetivos costumam estar severamente atingidos. Por exemplo, uma mulher não alcoólica, que vê seu companheiro chegar à noite bêbedo, sujo, cheirando mal em casa, vomitando e depois desmaiando numa cama, tem todos os motivos para não gostar de fazer sexo com ele e sentir até repugnância física. De repente, este alcoólico diz para ela não estar mais bebendo mais, que está se recuperando, digamos dentro de uma sala de Alcoólicos Anônimos. Provavelmente ela já ouviu muitas juras e promessas não cumpridas, tendo todo o direito de estar descrente de que desta vez é para valer, podendo ainda estar adoecida de raiva e ressentimentos, criando-se um clima absolutamente impróprio para qualquer relação amorosa. Também aí, só o tempo pode ajudar, à medida que a recuperação se torne mais consistente.
Em resumo: a sexualidade está prejudicada no alcoolismo por comprometimentos físicos, psíquicos e espirituais e só uma recuperação nestas três áreas, aliada ao fator tempo, pode levar novamente à normalidade.
* Conselheiro no Conselho Estadual de Entorpecentes – Ex-Diretor do Hospital Central da Polícia Militar (RJ)

ALCOOLISMO
ARTIGOS
Dr. Alberto Duringer – Médico *
Sintomas de recaída
A recaída em alcoolismo acontece no rumo inverso do adoecimento, de forma que primeiro o alcoólico perde espiritualidade, depois equilíbrio emocional e por fim vai ao primeiro gole. T.T.Gorski e M.Miller, no seu livro Conselling for Relapse Prevention, listam uma série de sintomas, relatados por alguns milhares de alcoólatras, observados antes do primeiro gole e que vão dos mais leves aos mais perturbadores. É provável que nenhuma recaída apresente todos os sintomas, mas a presença de muitos, numa sucessão de gravidade, é frequente:
1. Medo do sentir-se bem – O alcoólico simplesmente não está acostumado a ver as coisas correndo bem. Pensamentos do tipo “Minha vida está tão boa, o que será que vem por aí?” ou então “Eu não mereço”.
2. Negação do stress e da ansiedade – Sentir-se ansioso diante de mudanças é normal. Só que o alcoólico, campeão em negação, agora nega o medo que está sentindo, dizendo que sua vida está cor-de-rosa, não tem mais problema algum (o único era a bebida) e que por isso não é preciso mudar mais nada.
3. Compromisso inflexível com a abstinência – “Só eu sei a desgraça que o álcool foi na minha vida, por isso eu tenho absoluta certeza que nunca mais vou beber!”.
4. Compulsão em impor sobriedade aos outros – Ele simplesmente não consegue entender que outros bêbedos possam não quer parar de beber e ingressar no AA.
5. Atitude defensiva em falar sobre si mesmo ou sobre sua recuperação – Os depoimentos são no plural “nós alcoólatras somos assim” ou sobre os outros “eu sabia que Fulano ia se dar mal”. Ele só não consegue falar dele mesmo.
6. Comportamento rígido e repetitivo – Depoimentos sempre iguais, nada se modifica.
7. Comportamento impulsivo – Emoção supera a razão.
8. Tendência ao isolamento.
9. Visão em túnel (segmentar) de aspectos de sua vida – Só enxerga alguns aspectos de sua vida, como um motorista que entra em um túnel escuro e só vê o ponto de claridade da saída. Depoimentos enfatizando sempre a mesma coisa.
10. Depressão leve – Falta de atenção, afetos pequenos, excesso de sono.
11. Perda de planejamento construtivo – Metas fantasiosas, excesso de atenção a detalhes sem importância.
12. Planos começam a não dar certo.
13. Pensamento sonhador – Síndrome do “se”: “Ah, se eu não tivesse feito aquilo”, “Ah, se eu ganhar na loteria”.
14. Sensação de que nada dá certo na vida – Nem pode, se todos os planos são fantasias.
15. Desejo imaturo de ser feliz – Sem saber dizer o que é felicidade para ele, sem definir o que é que o faria feliz e também sem fazer o seu lado para atingir a “felicidade”.
16. Períodos de confusão mental.
17. Irritação com as pessoas e atitude de confronto com o AA – Baixa tolerância com companheiros que fazem depoimentos que não lhe agradam, com coordenadores que não o chamam e com pessoas que não agem de acordo com sua vontade.
18. Irritabilidade fácil – Inclusive passa a ter medo de suas reações de raiva.
19. Hábitos alimentares irregulares.
20. Indiferença frente à vida – Dificuldade de entrar em ação.
21. Irregularidade de sono – insônia uma noite, exaustão e muito sono no dia seguinte.
22. Perda de estrutura de 24 horas – Um dia sobrecarregado, outro sem ter o que fazer.
23. Períodos de depressão profunda – isolamento, irritabilidade, raivas, medos, pensamentos de “ninguém se importa comigo”.
24. Ida irregular ao AA – Começa a questionar o AA (manipulação). Primeiros pensamentos de “será que eu sou mesmo alcoólatra?”
25. Atitude de “estou pouco ligando para o que acontece”, acompanhada de auto piedade.
26. Rejeição de ajuda – Com atitude muda, silenciosa, ou então com raiva.
27. Insatisfação com a vida, sensação de vida ingerenciável – Pensamentos de “se eu estivesse bebendo, as coisas não poderiam estar pior.”
28. Intensa sensação de desamparo e impotência.
29. Intensa auto piedade – síndrome do “coitadinho de mim”.
30. Vontade de voltar a beber socialmente (na busca de alívio).
31. Mentiras conscientes – Julga só ter como opções a loucura, o suicídio ou voltar a beber.
32. Perda completa da autoconfiança – Sente-se incapaz de sair da armadilha que ele mesmo criou.
33. Raivas irracionais (do mundo, da vida, de algumas pessoas, de si mesmo).
34. Abandono de tratamento e recuperação – Desaparece também do AA.
35. Sente esmagadora solidão, frustração, raiva e ansiedade.
36. Volta a beber (com intenção de manter a bebida sob controle).
37. Perda do controle sobre a bebida.
* Conselheiro no Conselho Estadual de Entorpecentes – Ex-Diretor do Hospital Central da Polícia Militar (RJ)

GRUPOS OXFORD

Grupos Oxford
Tem somente o caráter de informar historicamente a sequência dos acontecimentos.
Este um esforço para montar uma seqüência dos vários acontecimentos que se sucederam nos anos de 1908 a 1935 que fizeram possível a reunião em Akron, Ohio entre os fundadores de AA, o Dr. Bob Smith e Bill Wilson, e que resultou no subseqüente nascimento de Alcoólicos Anônimos. É uma coletânea de fatos recolhidos das seguintes publicações:
a.. Alcoholics Anonymous
b.. AA Comes of Age
c.. Pass It On
d.. Dr. Bob and the Good Old Timers
e.. Not God (by Ernest Kurtz)
f.. For Sinners Only (by A.J. Russell)
g.. On the Tail of a Comet (by Garth Lean)
h.. Akron Genesis of Alcoholics Anonymous (by Dick B.)
i.. The Oxford Group & Alcoholics Anonymous (by Dick B.)
Você conhece algum desses nomes?
Frank Buchman–Sam Shoemaker–Rowland Hazard–Jim Newton–Eleanor Forde–Ebby Thatcher–Shepard Cornell–Henrietta Seiberling–Rev. Walter Tunks–Norman Shepherd–Russell Firestone–T. Henry & Clarace Williams?
Todas estas pessoas foram importantes num cenário que contribuiu para que fosse possível essa reunião histórica na Gate House of the Seiberling em Akron que foi o lugar de nascimento de Alcoólicos Anônimos. Se não fosse por estas pessoas, essa reunião nunca podia ter acontecido, e o companheirismo que vive hoje entre todos nós nunca existiria.
Onde os passos se originaram?
Em “AA Comes of Age” , (p.39), Bill escreveu:
“AA no seu início recebeu é idéias de autoconhecimento, reconhecimento de defeitos de caráter, reparação para dano causado, e trabalhando com outros diretamente dos Grupos de Oxford e diretamente de Sam Shoemaker, o primeiro líder desse grupo na América, e em nenhum outro lugar.
” Começaremos esta história com o relato de Frank Buchman, o fundador do Grupo de Oxford. Verá como foram traçados os caminhos de Dr. Bob e Bill Wilson anos antes de eles se encontrarem, como o Grupo Oxford e o supracitado molde de caráter atuou nessa fase e como foi que Bill Wilson chegou a Akron.
FRANK BUCHMAN E O OXFORD
O que era o Grupo Oxford?
Em 1908, um secretário da YMCA chamado Frank Buchman teve uma transformação espiritual que mudou sua vida. Ao graduar-se em junho desse ano, ele fundou uma igreja na Philadelphia (Church of the Good Shepherd) com uma doação de dezessete dólares. A igreja prosperou, e começou um asilo para jovens que se espalhou para outras cidades, e então ele começou um novo projeto. Frank teve nessa ocasião uma discussão violenta com o comitê gestor porque cortaram o orçamento e a cota de alimento.
Renunciou e foi para a Europa, acabando por parar numa grande Convenção Religiosa em Keswick, Inglaterra. A transformação espiritual ocorreu quando ouviu uma conversa da mulher do orador sobre a cruz de Cristo. Sentiu o abismo que o separava de Cristo, e um sentimento que não pode suportar. Voltou a sua casa e escreveu estas palavras a cada um dos seis procuradores na Philadelphia:
“Meu caro amigo. Guardei rancor de você. Sinto muito. Você me perdoará? Sinceramente, Frank.”
Sobreveio um sentimento forte um desejo compartilhar esta experiência. Quando foi à Universidade de Oxford formou um grupo evangélico entre os líderes de estudante e atletas.
Com o tempo esse movimento se alastrou, e nos próximos vinte anos outros grupos formaram-se na Inglaterra, Escócia, Holanda, Índia, África do Sul, China, Egito, Suíça, América do Norte e a do Sul. Praticaram rendição absoluta, direção de suas vidas por um Espírito Santo, compartilhar experiências, companheirismo, mudança de vida, fé e oração. Apontaram para padrões absolutos de Amor, Pureza, Honestidade, e eliminação do total do egoísmo, que foram introduzidos nos primeiro grupos de AA em Akron e Cleveland e Nova Iorque. Acima de tudo no grupo existia um companheirismo: “O Companheirismo Cristão do Primeiro Século.” Levavam sua mensagem agressivamente aos outros. Reuniam-se em igrejas, universidades, e lares.
O Grupo de Oxford e seus princípios foram levados aos Estados Unidos de modo que existiam em ambas as cidades de Nova Iorque e Akron, quando Bill Wilson e Dr. Bob Smith encontraram-se usavam seus respectivos bottons. Estes dois grupos amparariam e ensinariam seus princípios aos nossos co-fundadores, que ingressam nos grupos de fledgling como Dry Drunk (bêbado seco) e Anonimous Drunk (bêbado anônimo), e ingressaram praticamente na mesma época.
Como o Grupo de Oxford chegou aos Estados Unidos?
Um já membro dos Oxford, Ken Twitchell, freqüentou a Universidade de Princeton e tinha um irmão na Cidade de Nova Iorque que era um precursor na Igreja de Episcopal do Calvário. Essa é uma das muitas coincidências. Em 1918 durante suas viagens, Frank Buchman encontrou um trabalhador jovem da YMCA, Sam Shoemaker , na China e o converteu aos princípios do Grupo de Oxford. Anos mais tarde, Sam tornou-se o ministro dessa Igreja do Calvário em Nova Iorque, e essa mesma igreja tornou-se o quartel general titular para o Grupo de Oxford nos Estados Unidos. (O nome foi mudado em 1928 de “Companheirismo Cristão do Primeiro Século” para “Grupo de Oxford.”)
A popularidade dos grupos chegou ao ponto máximo durante este período. Havia 10.000 pessoas em uma reunião em Stockbridge nas Montanhas de Berkshire. As equipes de abordagem começaram a ter seus “representantes em várias cidades”.
Em 1931 em Inglaterra, um redator de jornal de Londres, A. J. O Russell, ajudou um Grupo de Oxford com a intenção de pulgar o grupo. Depois escreveu, “Vim como um observador e tornei-me um convertido!” (Russell mais tarde editou “Deus Chamando”, que pode ser visto no meio do material usado pelos primeiros AAs.) Uns 9 anos mais tarde, em 1940, Richmond Walker of the Quincy, grupo de Massachusetts escreveu o livro 24 horas ainda hoje usado por nós. Isto foi feito depois que Russell escreveu “Deus Chamando ” mas foi modelado longe do tema espiritual. O livro do Russell,” For Sinners Only”, descreveu sua viagem de filho pródigo ao Grupo de Oxford e tornou-se um best seller em 1930 na Inglaterra e nos Estados Unidos, e foi impresso em oito idiomas.
Um capítulo do livro foi dedicado à Igreja Episcopal de Calvário da Cidade de Nova Iorque aonde é reitor, Sam Shoemaker . A Igreja de Calvário tornou-se o quartel general Americano para o Grupo de Oxford durante os anos 30. E estava lá, (na missão da igreja), aquele amigo de Bill Wilson, Ebby Thatcher, que presenciou os últimos momentos de bebedeira de Bill.
COMO A MENSAGEM CHEGOU A BILL W.
Em 1932 e 1933, um homem chamado Rowland Hazard, filho de um Senador e proprietário bem sucedido de um engenho da Ilha de Rhode, tinha tornado-se um Alcoólico sem esperança, e foi procurar ajuda com um psiquiatra de fama mundial, Carl Jung. Jung falou que não havia nenhuma esperança para ele ali, que voltasse para casa e que talvez encontraria essa ajuda em algum grupo religioso. Foi o que fez ingressou no Grupo de Oxford nos Estados Unidos e tornou-se sóbrio. Ensinaram -lhe certos princípios que ele aplicou a sua vida. Este relato está documentado por Ed no Livro Azul.
Em 1934, Ebby Thatcher, amigo de infância de Bill Wilson, estava para ser preso como um bêbado crônico em Bennington , Vermont. Foi visitado por três homens de um Grupo de Oxford; Shep Cornell, Rowland Hazard, e Cebra Graves. (Num trabalho precursor do nosso 12 Passo!) Eles posteriormente enviaram sozinho Rowland Hazard para ver Ebby. Agiu como um tipo de padrinho e contou seu relato. Ensinou os preceitos que ele tinha aprendido para Ebby no Grupo de Oxford. Mais tarde, como sabemos, em dezembro desse ano, Ebby teve sua oportunidade de transmitir estes preceitos para Bill Wilson. Aqui estão esses preceitos, transcrito de uma fita de uma das conversas de Bill sobre A.A.:
a.. Admitimos somos impotentes.
b.. Seremos honestos conosco mesmos.
c.. Falaremos sobre isso com outra pessoa.
d.. Faremos reparação a quem prejudicamos.
e.. Levaremos essa mensagem a outros de graça.
f.. Oramos a um Deus que nós o entendemos.
Agora começaremos a ver os acontecimentos em Akron e na área de Nova Iorque no período de dez ano anterior ao início de AA. Veremos como, pelo mecanismo do Grupo de Oxford e seus principais líderes, Frank Buchman e Sam Shoemaker, as sucessões dos acontecimentos possibilitaram tornar possível a reunião entre Bob e Bill em Akron em 1935. Shep Cornell, Rowland Hazard, e Cebra Graves eram três membros de Grupo de Oxford. Faziam parte da equipe de abordagem que trabalhavam ao redor do país em várias cidades. Em novembro de 1934, Ebby entregou sua vida a Deus na Igreja de Episcopal de Calvário por intermédio de Sam Shoemaker . (Sam tinha encontrado Frank Buchman na China em 1918, e por volta de 1934 era considerado como um líder importante do movimento Grupo de Oxford nos Estados Unidos e mantinha seu quartel general.) O Ebby ingressou nessa missão. Bill W. vai até lá bêbado procurando por Ebby, não o achou, e vai ao Towns Hospital.
Bill Duval recorda em uma carta, “Bill W. contou-nos que ele tinha ouvido que Ebby, no domingo anterior na Igreja de Calvário, tinha testemunhado que com a ajuda de Deus ele tinha ficado sóbrio alguns de meses”. Bill disse que se Ebby pode receber ajuda aqui, então ele (Bill) também pode. Bill pareceu-nos próspero comparado com os freqüentadores normais daquela missão, (realmente, usava um terno da Brooks Brother’s comprado numa revista por $5.00!), então concordamos que ele fosse ao Towns Hospital onde Ebby e outros do grupo estavam a fim de poder conversar com ele.
Depois de sua experiência espiritual em Towns Hospital, Bill imediatamente tomou uma decisão tornar-se muito ativo no trabalho do Grupo de Oxford, e assim traria outros Alcoólicos do Towns Hospital ao grupo. Frequentou as reuniões da missão Grupo de Oxford e o hospital diariamente por quatro ou cinco meses, direto até chegar a viagem de Akron. Ninguém por ele abordado permaneceu sóbrio.
BILL W. E O TRABALHO DE GRUPO OXFORD
(Jim Newton entra a cena)
Rowland Hazard, que abordou Ebby em agosto de 1934, teve uma doutrinação completa nos ensinos do Grupo Oxford e passou muito destes ensinamentos aprendidos a Ebby e a Bill W. Então depois desse acontecimento de Towns Hospital no final de 1934, Bill e o resto do contingente Alcoólico do Grupo de Oxford iniciaram uma reunião na Cafeteria do Stewart em Nova Iorque transformando-a numa reunião regular. Shep Cornell, então um membro da equipe de abordagem do Grupo de Oxford que incluíam Rowland, Sam Shoemaker , e Hanford Twitchell, era também recuperados. Lois Wilson falou de presença regular nas reuniões do Grupo de Oxford de Bill, Shep, e Ebby. James Houck, e membros não alcoólicos do Grupo de Oxford como Frederick , Maryland, declarando que Bill W. foi a muitas reuniões do Grupo de Oxford no Francis Scott Key Hotel em Frederick e que sempre o tema central era alcoolismo. Ele estava obcecado com a idéia de transmitir a mensagem. A conclusão é que Bill teve um largo conhecimento nos círculos do Grupo de Oxford, não apenas confinado a Sam e a Casa do Calvário. Bill contou a Houck que trabalhou com 50 bêbedos nos primeiros 6 meses sem nenhum êxito. A Casa de Calvário era a residência do Sam e continha uma livraria de Grupo de Oxford. A Missão de Calvário estava em outra localização, no distrito de “gas house”. Milhares das pessoas compareciam à missão onde conseguiam alojamento, refeições, e reuniões de Grupo de Oxford todas as noites. Tex Francisco era seu superintendente em 1934 quando Bill apareceu por lá.
Agora entra em cena o homem que muito provavelmente foi o responsável pela reunião fatídica de Akron entre Bill e o Dr. Bob. Jim Newton.
Essas situações circunstanciais surpreendentes serão mostradas a seguir:
Jim com 20 anos de idade era um vendedor de malas em Nova Iorque e tempos atrás encontrou um Grupo de Oxford acidentalmente (realmente, procurava pertimento e jogos naquela noite!) Quando estava em Massachusetts em 1923 quando tinha 18 anos de idade. Foi convertido numa festa, e a partir daquele instante deixou que Deus controlasse sua vida. Encontrou uma senhora chamada Eleanor Forde que o influenciou fortemente dentro do movimento. (Ele e Eleanor casaram-se 20 anos mais tarde em 1943.)
Vários entrelaçamentos e voltas de destino colocaram Jim Newton em Akron, Ohio que instalou lá o modelo de reforma de caráter. que era tanto um Grupo de Oxford como uma missão do Grupo de Oxford. Conversaremos sobre as relações entrelaçadas de Henrietta Seiberling, o Dr. Walter Tunks , Harvey e Russell Firestone, Sam Shoemaker, Frank Buchman, T T. Henry and Clarace Williams, e Anne e o Dr. Bob Smith.
Jim Newton foi a Ft. Myers, Florida em 1926, estava com 21 anos, visitar seu pai, e eles compraram uma área de 35 acre de terras em frente à propriedade Thomas Edison. Jim Newton tornou-se como um filho adotivo do Sr. e Sra. Edison, e freqüentador assíduo das grandes festas e aniversario dos Edison que recebiam pessoas famosas como Henry Ford, Harvey Firestone, e muitos líderes mundiais famosos, pessoas de negócio e personalidades.
Aqui se inicia uma circunstância que preparou o caminho para Akron, Ohio. Sr. Harvey Firestone, oferece a Jim um trabalho como secretário na Firestone Tire and Rubber Company em 1926, e leva para Akron, Ohio colocando-o numa residência no Portage Country Club ao lado à Propriedade da Firestone. O Jim trabalhou para Firestone onze anos e estava sendo preparado para ser o presidente da companhia quando renunciou e foi dedicar-se exclusivamente aos Grupos Oxford. O clérigo da Firestone era Rev. Walter Tunks. O Jim uniu-se Tunks na igreja e tornou-se ativo no comitê de comitê de aniversário e festas.
O Jim tinha estado em Nova Iorque para ver a luta entre Jack Dempsey e Gene Tunney. Foi quando confessou a Frank Buchman que sua vida estava em tumulto e ele estava pensando em desistir de tudo e sumir. Buchman enviou-o para se encontrar Sam Shoemaker na Igreja de Calvário quando ele fez uma confissão a Sam nos moldes do Grupo de Oxford (Quinto Passo de A.A.) e então depois disso foi convidado a unir-se um das equipes de abordagens do Grupo de Oxford.
Essas equipes de abordagem eram grupos de homens que faziam tentativas para converter outros ao método de espiritualidade do Grupo de Oxford. Jim freqüentemente encontrou com o Shep Cornell e Rowland Hazard. Encontrou T. Henry e Clarace Williams, marido e mulher membros do Grupo de Oxford de Akron e membros da Walter Tunks. A equipe de abordagem distribui-se em festas, nos hotéis e clubes em várias cidade. Em janeiro de 1933, Frank Buchman , liderando uma equipe de trinta homens e mulheres, foram a Akron para numa primeira etapa para darem testemunhos no Mayflower Hotel e nas igrejas de Akron, e iniciar as pessoas nas experiências do Grupo de Oxford. Aqui nós claramente podemos ver claramente o trabalho de Jim Newton no comitê de festas e aniversário com Firestone e a Igreja Episcopal de Tunks influenciar na escolha de Akron como o local deste esforço, antes que alguma outra cidade. Tivesse Jim não sido membro de equipa de abordagem em Akron, muito provavelmente que Buchman jamais teria escolhido esta cidade, bastante desconhecida, pequena, como um lugar para colocar seus esforços de evangelização. O Jim era o porta-voz que introduziu Buchman definitivamente nos meios sociais nessa semana em Akron.
Faltam aparecer em cena, entretanto, Henrietta Seiberling, Anne e Bob Smith, T. Henry e Clarace Williams.
Quando Jim chegou a primeira vez em Akron foi recepcionado pela família Firestone , e tornou-se rapidamente amigo de um dos filhos, Russell (Bud) Firestone. O Bud tinha um problema sério com bebidas e já tem sido enviado a vários hospitais a nada resolvia. Jim foi com Bud tentar novamente numa clínica, Hudson River em Nova Iorque, e permaneceu lá num programa de 30 dias. Então levou Bud a uma Conferência Episcopal em Denver a que as pessoas do Grupo de Oxford tinha sido convidadas. No trem depois do Encontro, ele teve a chance apresentar Bud a seu velho ministro do Grupo de Oxford, Sam Shoemaker . Ficando só com Sam, Bud rendeu sua vida a Deus, num vagão privativo do trem. Sua vida mudou, e suas situações na família e no casamento foram restabelecidas.
“Agora Akron estava no lugar onde AA seria fundado. Jim Newton tinha ajudado a trazer à cidade a mensagem de Grupo de Oxford através de seu amigo de Alcoólico, Bud Firestone. A mensagem levou a uma recuperação “milagrosa” Bud. A mensagem e a recuperação foram transmitidas a uma comunidade interessada por um pai agradecido, Sr. Harvey, Firestone e por notas na imprensa.”
Clarace Williams estava lá, e uniu-se o Grupo de Oxford junto com T. Henry Williams, e começaram assistindo as reuniões regularmente. Ao mesmo tempo, uma senhora chamada Henrietta Seiberling, a esposa de John Seiberling da Seiberling Tire and Rubber Company, achou se com problemas conjugais pessoais, e separou de seu marido. Veio ao Grupo de Oxford e assistiu as primeiras reuniões no Hotel de Mayflower. Foi acompanhada de uma mulher chamada Anne Smith, a esposa de um conhecido cirurgião de Akron que estava em problemas com a bebida.
Os personagens agora assumem seus papéis. Uma família missionária bondosa, os Willians, ficaram impressionados com a mensagem de Grupo de Oxford, ofereceram seu lar para um ponto de encontro. Uma senhora compassiva chamada Henrietta Seiberling, que tinha dominado alguns princípios de grupo de Oxford, teve a visão de que com os princípios bíblicos ajudaria seu bom amigo, o Dr. Bob Smith, no seu problema com a bebida. Adicione a esta mistura os esforços de Anne a esposa, arrumaram livros e leituras espirituais, princípios da Bíblia, o Grupo de Oxford, e vários outros escritos cristãos, e orando para uma solução para seu marido aparentemente sem esperança com a bebedeira. Com seu talento como cirurgião o Alcoólico tornou-se o foco de todos estes esforços. Fez muita leitura espiritual, assistiu muitas reuniões, mas permanecia bêbado.
Agora como tudo se converge, e este relato se funde aos fatos que todos sabemos através de nossa literatura de AA.
Dentro dessa cena chegando de uma “rum hound” de Nova Iorque, na qual Bill Wilson e Henrietta Seiberling sentiram-se guiados por Deus. Bill tinha recuperado da sua doença, e ficou determinado permanecer sóbrio ajudando outro bêbado. O “rum hound from New York”, (na própria descrição de Bill quando fez a ligada fatídica a Henrietta), “somente aconteceu” para trazer para Akron algumas soluções até agora nunca aplicadas em nenhum lugar e especialmente para uma única pessoa.
1.. Algum conhecimento importante sobre a doença de alcoolismo acumulado pelo trabalho de o Dr. Silkworth em Towns Hospital em Nova Iorque.
2.. Uma solução espiritual importante para o problema foi passada por Dr. Carl Jung a Rowland Hazard e então para Bill por Ebby Thatcher.
3.. Uma validação desta solução espiritual pelos estudos eruditos do Professor de William James.
4.. Uma ligação entre o problema de alcoolismo, e esta solução esse Deus podia e resolveria o problema se um relacionamento for mantido com Ele, por usar o programa prático do Grupo de Oxford de ação, que era já provado pelos resultados experimentado por Rowland e Ebby quando seguiram o programa de Grupo de Oxford.
Em Akron, T. Henry e Clarace Williams e Henrietta Seiberling assistiam reuniões de Grupo de Oxford no Hotel de Mayflower e em toda parte. O Dr. Bob Smith também assistiu com sua esposa, Anne. Ele negava assumir publicamente seu problema, e continuava bebendo. Henrietta sugeriu a T. Henry se seria possível fazer uma reunião menor mais privada para que Dr. Bob pudesse sentir-se mais a vontade e com mais tranqüilidade e fosse capaz de fazer uma confissão no estilo de Grupo de Oxford (Nosso Quinto Passo), e um compromisso a sobriedade. O lar do Henry foi escolhido para esta reunião especial e estas reuniões começaram numa quarta-feira em abril de 1935 – um mês antes de Bill Wilson chegar a Akron. Estas reuniões normalmente foram dirigidas por Henry T. , Henrietta, ou Florence Main, e em uma destas o Dr. Bob seria capaz de confessar que ele era um beberrão e que precisava de ajuda e que não conseguia parar. Isto era o mesmo lugar que tornou-se o lar ao ” about to begin” Alcoholic Contingent of the Oxford Group.
Nós agora podemos ver como todos estes acontecimentos contribuíram para colocar o Dr. Bob e Bill numa reunião no lar de Henrietta Seiberling na propriedade da Gate House of the Firestone, e tornou possível se fundar Alcoólicos Anônimos.
AKRON – 11 de maio, 1935
Nós não conseguimos achar nenhuma referências em qualquer lugar que indicasse que Bill Wilson considerou ou fez qualquer esforço ciente para localizar um membro de Grupo de Oxford quando fez sua ligada de desespero no Hotel de Mayflower em Akron. Henrietta Seiberling escreveu como segue:
“Bill olhou para a sala de cocktail. Bem, eu apenas entrarei e ficarei bêbado e será o fim para tudo isso!”
Em vez disso , tendo estando cinco meses sóbrios no Grupo de Oxford, ele fez uma oração. Virou seu olhar uma placa de guia dos ministros e uma coisa estranha aconteceu. Pôs o seu dedo em um nome — O Rev. Tunks. que era ministro da Harvey Firestone, e Firestone era quem tinha trazido Buchman e trinta membros de Grupo de Oxford a Akron para os dez dias em gratidão pela ajuda dada a seu filho, Russell, um bêbado.
Pelo ato de gratidão desse pai, esta corrente inteira começou.
Pesquizado e Traduzido pelo CAI – SPhttp://www.aabahia.org.br/ historia-grupo-oxford.php
História do A.A. – aabahia.org.br
http://www.aabahia.org.br
Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançar a sobriedade. A Irmandade de Alcoólicos Anônimos