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DOZE CONCEITOS PARA SERVIÇOS MUNDIAIS – BILL W.

DOZE CONCEITOS PARA SERVIÇOS MUNDIAIS
Por Bill W.

Como foram adotados pela Décima Segunda Conferência Anual de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos de 26 de abril de 1962.

ÍNDICE
Prefácio. 5
Introdução. 7
I. A responsabilidade e autoridade finais pelos serviços mundiais de A.A. cabem aos Grupos de A.A. 11
II. Os Grupos de A.A. delegam completa autoridade administrativa e operacional à sua Conferência e às unidades de serviço. 17
III. O “Direito de Decisão” propicia liderança efetiva. 22
IV. “Participação” é a chave da harmonia. 28
V. Os Direitos de “Apelação” e “Petição” protegem as minorias e garantem que elas sejam ouvidas. 36
VI. A Conferência reconhece a responsabilidade administrativa primordial dos Custódios. 42
VII. Como os direitos legais dos Custódios estão relacionados com os direitos tradicionais da Conferência. 46
VIII. Os Custódios funcionam como administradores diretos das finanças e das normas de procedimento em geral; também como guardiões, mas não como administradores imediatos das corporações de serviço ativo. 52
IX. Boa liderança pessoal em todos os níveis da Conferência é uma necessidade primordial. No campo dos serviços mundiais, a Junta de Serviços Gerais e os seus líderes precisam necessariamente substituir os fundadores de A.A. Este é o mais crítico problema de estrutura que ainda estamos enfrentando. 57
X. A autoridade de serviço deveria ser igual à responsabilidade de serviço. A autoridade executiva deveria ser sempre exercida por uma só pessoa; dupla administração deveria ser cuidadosamente evitada. 69
XI. Uma descrição dos comitês principais e das corporações de serviço da Junta de Serviços Gerais; o posicionamento pessoal dos diretores, executivos e membros do quadro de funcionários incorporados. 77
XII. A base espiritual dos serviços mundiais de A.A. — Artigo 12 da Ata de Constituição da Conferência. 101
Os Doze Conceitos (forma integral). 125

PREFÁCIO
Contingências especialíssimas vividas por A.A. do Brasil nos levaram a adotar uma estrutura diferente daquela registrada nos “Doze Conceitos para Serviços Mundiais”, aprovada pela XIX Conferência de Serviços Gerais de A.A. do Brasil, realizada no ano de 1995, na cidade de Santos, Estado de São Paulo.
Vige já há quatro anos a experiência com as modificações abaixo e, salvo manifestação oral de unia inexpressiva minoria à Junta de Serviços Gerais, tem-se percebido uma melhoria na administração do ESG. Não houve quaisquer modificações na forma de realizarmos a Conferência.
As Mudanças Estruturais:
O Conceito VIII reza: “… Eles e os seus principais comitês dirigem diretamente esses assuntos; (b) mas com relação aos nossos serviços, constantemente ativos e incorporados separadamente, a relação dos Custódios…”.
Na estrutura da Junta de Serviços Gerais de A.A. do Brasil — JUNAAB, extinguiu-se o CLAAB e a Revista Brasileira de A.A., que eram incorporados à JUNAAB separadamente, passando suas atribuições a serem exercidas pelos Comitês de Literatura e de Publicações Periódicas, respectivamente. A execução dos serviços é decidida pelo Comitê Executivo da JUNAAB, que se reúnem mensalmente e é integrado por dois Custódios de Serviços Gerais — o Diretor Geral e o Tesoureiro Geral, por dois Diretores — o Administrativo e o Financeiro, pelo Gerente Administrativo e pelos Coordenadores dos Comitês de Literatura, Publicações Periódicas, Trabalhando com os Outros, Finanças e de Imagem, Som e Memória.
Com referência ao Conceito X, convém registrar-se neste prefácio que decisões rotineiras dos afazeres do ESG são decididas pelo conjunto dos componentes do Comitê Executivo, que trimestralmente participam da Reunião da JUNAAB, com os demais Custódios da Junta, com os membros do Conselho Fiscal e com o Coordenador do COC, onde são decididas as questões de maior importância. Portanto, está resguardada a correspondência “de uma autoridade de serviço equivalente”
Ao ser lido o Conceito XI, os interessados na estrutura de A.A. do Brasil, devem levar em consideração que a Conferência de Serviços Gerais de A.A. do Brasil conta com as Comissões descritas no Manual de Serviços em vigor, e que os Comitês de Assessoramento da Junta de Custódios acham-se descritos no mesmo Manual de Serviços.
Todos os demais Direitos, normas que disciplinam o relacionamento entre Junta de Custódios e Conferência, bem como as seis (6) Garantias, foram preservadas.
Este prefácio passa a ser, para A.A. do Brasil, norma de procedimento, tradicional e legal, cujas mudanças foram aprovadas pela CSG/95 e incorporadas nos Estatutos da JUNAAB, registrados no l° Cartório de Notas e Ofícios de São Paulo / SP e, nesta oportunidade, publicados com a nova edição do livro “Doze Conceitos Para Serviços Mundiais”, revisado e editado pela JUNAAB.

São Paulo, 2 de abril de 1999.
Pela Junta de Custódios
Seu Presidente: Dr Luís Renato Carazzai

INTRODUÇÃO
Os “Doze Conceitos para Serviços Mundiais”, descritos neste Manual, são uma interpretação da estrutura de serviços mundiais de A.A. Eles mostram a evolução pela qual passaram, chegando à sua forma atual, e detalham as experiências e razões sobre as quais as nossas operações se apóiam hoje. Estes Conceitos, portanto, pretendem registrar o “porquê” da nossa estrutura de serviço, de tal maneira que a valiosa experiência do passado e as lições que tiramos dessa experiência nunca devam ser esquecidas ou perdidas.
Cada nova geração de servidores mundiais de A.A., com toda razão, estará ansiosa para introduzir melhoramentos operacionais. Falhas imprevistas na estrutura atual aparecerão, sem dúvida, mais tarde. Novas necessidades de serviço e problemas surgirão, fazendo necessariamente mudanças na estrutura. Tais alterações deverão certamente ser feitas, e essas contingências encaradas de frente.
Deveríamos, entretanto, compreender que uma mudança não quer, necessariamente, assegurar progresso. Temos certeza de que cada novo grupo de trabalhadores nos serviços mundiais será tentado a experimentar toda a sorte de inovações que geralmente resultam em pouco mais do que uma dolorosa repetição de erros anteriores. Portanto, será um objetivo importante destes Conceitos impedir tais repetições, colocando as experiências do passado claramente à nossa frente. Ainda que tentativas erradas sejam feitas, estes Conceitos podem prover então uma maneira segura de retornarmos sãos e salvos para uma operação equilibrada, que de outra forma poderia levar anos de tropeços para ser percebida.
Também serão vistos nestes Conceitos um número de princípios que já se tornaram tradicionais nos nossos serviços, mas que não foram ainda claramente definidos e explicados por escrito. Por exemplo, o “Direito de Decisão” dá aos nossos lideres de serviço uma discrição adequada à liberdade de ação; o Direito de Participação” dá a cada servidor mundial o direito de voto de acordo com a sua responsabilidade, e a “Participação” garante, além do mais, que cada comissão de serviço ou comitê terá sempre a posse de diversos ele mentos e pessoas com talento, que assegurarão um funcionamento eficiente.
Nota do Tradutor: Através deste Manual, o que é agora conhecido como Escritório de Serviços Gerais de A.A. — GSO — é mencionado em diversas partes com denominações, tais como: Sede Mundial, Sede, Escritório de Serviços Mundiais, Escritório Mundial e Sede de Serviços.

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O “Direito de Petição” dá a certeza de que as queixas podem ser ouvidas e tratadas adequadamente. Estes princípios gerais podem, certamente, ser aplicados com bons resultados em toda a nossa estrutura.
Em outras seções, os Conceitos delineiam cuidadosamente aquelas importantes tradições, costumes, relacionamentos e arranjos legais que unem firmemente a Junta de Serviços Gerais numa harmonia de trabalho com seus principais comitês e com a sua unidade incorporada de serviço ativo — A.A. World Services, Jnc. e A.A. Grapevine, Inc. Essa é a essência estrutura que controla a situação dos trabalhos internos na Sede de A.A.
Certas precauções foram tomadas, temendo-se que a descrição detalhada da nossa estrutura interna não viesse mais tarde a se firmar numa tradição rígida ou num evangelho, onde alterações necessárias seriam impossíveis de ser feitas. Nada poderia se afastar mais das intenções destes Conceitos. Os futuros advogados das alterações da estrutura terão somente que apresentar motivos fortes para as suas recomendações — uma motivação que convença tanto os Custódios, quanto a Conferência. Isso não nada além do normalmente necessário para o estudo e aprovação de qualquer outra parte importante dos assuntos de A.A. Com exceção de um ponto ou dois, é conveniente notar que a própria Ata de Constituição da Conferência pode facilmente ser alterada.
Talvez uma maior precaução deva ser tomada quando uma proposta d alteração estrutural seja especialmente profunda. Nesse caso, a alteração em questão deveria ser denominada como “experimental”, por um período de tempo apropriado. Na aprovação final, tal alteração poderia ser incluída numa seção especial deste Manual, que poderia ser chamada de “EMENDAS”. Isto deixaria intacto o texto original dos Doze Conceitos, como um registro evidencial das nossas experiências anteriores. Poderia ser sempre visto claramente por nossos futuros servidores, exatamente o que aconteceu e por quê.
Em outros capítulos, deu-se grande ênfase à necessidade de alta capa cidade de liderança, à conveniência de métodos cuidadosos na introdução de novos membros e à necessidade do melhor relacionamento possível entre as pessoas que trabalham nos nossos serviços. Os Conceitos tentam apresentar uma estrutura na qual todos possam trabalhar em prol de bons resultados com um mínimo de atritos. Isso é conseguido pelo relaciona mento dos nossos servidores com o seu próprio trabalho, bem como uns com os outros, de maneira a reduzir as possibilidades de conflitos.
Nos serviços de A.A., temos tido sempre que escolher entre o procedimento autoritário, em que um grupo ou pessoa pode ser colocado de maneira a ter autoridade irrestrita sobre outro, e o conceito democrático que requer

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verificações e prestações de contas de maneira a impedir que a autoridade irrestrita possa ocorrer livremente, O primeiro procedimento é do tipo “institucional” ou autoritário. O segundo é o método dos governos “constitucionais”, que é usado pelas organizações comerciais nas suas altas esferas.
Tendo conhecimento das nossas tendências autoritárias ao dirigir, é natural e até imperativo que os nossos conceitos de serviço sejam baseados num sistema de “verificações e prestação de contas”. Temos que encarar o fato de que usualmente tentamos aumentar a nossa própria autoridade e prestígio, quando estamos “segurando as rédeas”. Mas quando outros têm as rédeas nas mãos, arduamente resistimos a uma administração de linha dura. Tenho plena certeza disso, porque eu mesmo tenho essa característica.
Conseqüentemente, idéias como as que se seguem são encontradas freqüentemente nos Conceitos: “Nenhum Grupo ou indivíduo deveria ser colocado em posição de autoridade irrestrita sobre outro”; “Operações grandes, ativas e diferentes deveriam ser incorporadas e dirigidas separadamente, cada uma como seu próprio quadro de funcionários, equipamento e capital de trabalho”; “Deveríamos evitar uma desnecessária concentração de dinheiro ou de influência pessoal em qualquer grupo ou entidade de serviço”; “Em cada nível de serviço a autoridade deveria ser igual à responsabilidade”; “Dupla administração deveria ser evitada”. Essas e outras medidas semelhantes definem um relacionamento no trabalho que pode ser cordial e ainda eficiente. Elas, especialmente, restringem a nossa tendência de acumular dinheiro e poder, sendo isso quase sempre a motivação básica (embora nem sempre consciente) da nossa paixão sempre renovada para a “consolidação” das entidades de serviços mundiais.
Devido ao grande número de assuntos que tinham de ser incluídos, estes Conceitos foram difíceis de ser organizados e escritos. Como cada Conceito é um grupo de princípios relacionados, declarações resumidas do tipo das usadas nos Doze Passos e Doze Tradições de A.A. não foram possíveis. Entretanto, estes Conceitos representam a melhor condensação que pude fazer, depois de mais de 20 anos de experiência na criação da nossa estrutura de serviço e na direção dos assuntos mundiais de A.A. Como os Doze Passos, as Doze Tradições e a Ata da Constituição da Conferência, escritos anteriormente, estes princípios de serviço também são o resultado de longas reflexões e extensivas consultas.
Com muita esperança, achamos que estes Doze Conceitos serão uma companhia agradável para o nosso “Manual de Serviços de A.A.” e que eles podem ser um guia seguro de trabalho por muitos anos.

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CONCEITO I
“A responsabilidade final e a autoridade suprema pelos serviços mundiais de A.A. deveriam sempre residir na consciência coletiva de toda a nossa Irmandade.”

Os Grupos de A.A. têm hoje em dia a responsabilidade final e a autoridade suprema pelos nossos serviços mundiais. Esses ele mentos especiais das atividades de serviços gerais possibilitam à nossa Irmandade funcionar como um todo. Os Grupos assumiram essa responsabilidade na Convenção Internacional de St. Louis, de 1955. Nessa convenção, em nome do Dr. Bob, dos Custódios e dos líderes de A.A. mais antigos, eu transferi a responsabilidade dos serviços mundiais para toda a nossa Irmandade.
Por que e com que autoridade isso foi feito? Havia razões de necessidade absoluta para que assim fosse, além de outros motivos relacionados com a estrutura e tradição fundamentais de A.A.
Pelo ano de 1948, as nossas necessidades ficaram bem claras. Dez anos, antes — em 1938 —, com a ajuda de amigos dedicados, o Dr. Bob e eu começamos a trabalhar na formação de uma estrutura de serviços mundiais. O nosso primeiro passo foi à criação de um quadro de Custódios para A.A. como um todo. Denominamos este quadro como Fundação do Alcoólico e, em 1954, seu nome foi mudado para Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos.
Esse quadro de Custódios foi idealizado para iniciar e manter unidos todos os serviços especiais de A.A. como um todo e que não poderiam ser bem executados por Grupos ou áreas iso ladas. Pensamos na compilação de uma literatura uniforme para A.A., no desenvolvimento de uma política saudável de relações públicas e nos meios de atender aos inúmeros pedidos de ajuda que deveriam aparecer, depois de uma publicidade nacional e internacional. Pensamos nas maneiras de ajudar a formar novos Grupos e dar-lhes orientações baseadas na experiência de Grupos mais antigos e já bem sucedidos. Achamos que teríamos necessidade da publicação de uma revista mensal; e também da tradução da nossa literatura para outras línguas.
Em 1950, quase todos esses sonhos já se haviam transforma do em realidade. Nos doze anos seguintes à criação da Fundação, o número de membros de A.A. subiu de 50 para 100.000. As Tradições de A.A. foram escritas e adotadas. Diríamos que a confiança havia tomado o lugar do medo, da dúvida e da discórdia. Indiscutivelmente, os nossos serviços haviam desempenhado amplo e difícil papel nesse desenrolar. Os serviços mundiais, por tanto, haviam adquirido uma significação decisiva para o futuro de A.A. Caso essas atividades vitais entrassem em colapso ou falhassem, a nossa unidade interior e a transmissão da mensagem aos inúmeros alcoólicos sem ajuda sofreriam sérios danos, talvez irreparáveis. Sob quaisquer condições e à custa de qualquer sacrifício, tínhamos que manter esses serviços e a corrente sangüínea que eles estavam bombeando nas artérias mundiais da nossa Irmandade. Entre os Grupos de A.A., ficou provado que poderíamos suportar uma grande pressão e tensão. Mas poderíamos suportar uma falha no coração do nosso centro mundial?
Então perguntamos a nós mesmos: quais as precauções adicionais que deveríamos tomar para impedir definitivamente uma debilitação ou um colapso? Contudo, o período de 1945 a 1950 foi de um sucesso tão exuberante que muitos membros de A.A. achavam que o nosso futuro estava completamente garantido. Eles acreditavam que nada poderia acontecer à nossa Irmandade como um todo, porque Deus estava protegendo A.A. Essa atitude estava em estranho contraste com a severa vigilância que os nossos membros e Grupos mantinham sobre si mesmos. Eles haviam, prudentemente, evitado deixar a cargo da Providência toda a responsabilidade da sua própria eficiência, felicidade e sobriedade.
Quando, na Sede de Serviços de A.A., alguns de nós começamos a aplicar este princípio, já provado, de “Pare, Olhe e Escute” nos assuntos mundiais de A.A., pensamos estar nos preocupando muito e inutilmente e que nos faltava fé. Muitos perguntaram: “Por que mudar? As coisas estão indo bem.” “Por que chamar Delegados de todos os pontos do país? Isso representa despesas e política, e não queremos nenhuma das duas.” A voz corrente sempre era: “Vamos manter isto simples.”
Tais reações eram perfeitamente normais. O membro comum de A.A., preocupado mais com a vida do seu Grupo e com os Doze Passos, não sabia quase nada sobre os serviços mundiais de A.A. Nem mesmo um membro em mil poderia dizer quem eram os nossos Custódios. Nem mesmo um em cem poderia fazer a menor idéia do que havia sido feito pelo bem-estar geral de A.A. Dezenas de milhares já deviam a sua sobriedade às menores atividades dos nossos Custódios e dos serviços gerais. Mas poucos sabiam que isso era verdade.
Entre os próprios Custódios foi-se desenvolvendo uma acentuada divisão de opiniões. Por muito tempo, muitos deles se opuseram fortemente à convocação de uma conferência representativa de Delegados de A.A. pela qual eles se tomariam responsáveis. Eles achavam que os riscos eram muitos grandes e que a política, confusão, despesas e discórdia sem proveito algum seriam o resultado. E verdade que as mágoas de outros acontecimentos de menor importância haviam sido grandes, bem como os serviços locais e clubes de A.A. Assim, espalhou-se a convicção geral de que seria o começo de uma calamidade, caso se formasse uma conferência de representantes de A.A. Esses argumentos não eram sem razão; eles eram difíceis de ser contestados.
Entretanto, em 1948, algo aconteceu que nos estremeceu a todos. Ficou confirmado que o Dr. Bob estava sofrendo de uma doença fatal. Isso trouxe à tona o fato de que ele e eu éramos os únicos laços de união entre os Custódios desconhecidos e o trabalho que eles executavam. Os Custódios sempre depende ram muito do Dr. Bob e de mim para conselhos. Eles já tinham um completo domínio das despesas, mas, necessariamente, re corriam a nós toda vez que problemas de normas de procedimento de A.A. apareciam. Além do mais, até então, os Grupos não dependiam muito dos Custódios para o andamento dos seus serviços; eles ainda recorriam ao Dr. Bob e a mim. Portanto, aqui estava uma irmandade cujo funcionamento total estava largamente dependente do crédito e da confiança dos seus funda dores que, na época, tinham satisfação em dar.
Era preciso encarar o fato de que os fundadores de A.A. eram mortais. Quando Dr. Bob e eu deixássemos este mundo, quem poderia aconselhar os Custódios? Quem poderia unir a nossa pouco conhecida Junta com os nossos milhares de Grupos? Pela primeira vez ficou claro que somente uma conferência representativa poderia tomar o lugar do Dr. Bob e o meu. Essa brecha simplesmente tinha que ser fechada sem demora. Tamanha porta aberta em nossos interesses não poderia ser tolerada. A despeito de toda despesa ou trabalho, tivemos que convocar uma Conferência de Serviços Gerais de A.A. e entregar os nossos serviços mundiais aos seus responsáveis permanentes. Não precisou mui ta imaginação para ver que um colapso seria a conseqüência certa, caso não agíssemos com presteza e decisão. Assim, premidos pelos acontecimentos, agimos como era necessário. Agora que a Conferência está na sua segunda década’, verificamos que os nos sos temores anteriores da possibilidade de complicações que a Conferência poderia trazer eram em grande parte sem fundamento. Os resultados da Conferência excederam as nossas maiores expectativas. Ficou agora provado que os Grupos de A.A. podem e terão a responsabilidade final pelos seus serviços mundiais.
Havia outras razões para essa transferência básica da responsabilidade e autoridade finais para A.A. como um todo. Essas razões se centralizam na Segunda Tradição, que declara: “Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum — um Deus amantíssimo, que se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar.”
A Segunda Tradição, como todas as Tradições de A.A, é a voz da experiência, baseada nas tentativas de milhares de grupos no nosso tempo pioneiro. Os princípios básicos da Segunda Tradição são claros como o cristal: os Grupos de A.A. são a autoridade final; os seus líderes deverão ser empossados somente com responsabilidades delegadas.
A Segunda Tradição foi escrita em 1945, e os nossos Custódios autorizaram a sua publicação. Mas somente em 1951 a primeira e experimental Conferência de Serviços Gerais foi convocada para verificar se a Segunda Tradição poderia ser aplicada a A.A. como um todo, incluindo os seus Custódios e fundadores. Teria que ser verificado se os Grupos de A.A., devido a essa Conferência, pode riam assumir a responsabilidade final pela operação dos seus serviços mundiais. Levou mais de cinco anos para todos nós ficarmos convencidos de que a Segunda Tradição era para todos. Mas em St. Louis, em 1955, já sabíamos que a nossa Conferência de Serviços Gerais — representando, verdadeiramente, a consciência de A.A. do mundo inteiro — iria funcionar e funcionar permanentemente.
E provável que muitos de nós ainda divaguemos sobre a “Consciência de Grupo” de Alcoólicos Anônimos, sobre o que isso realmente significa.
Pelo mundo todo, hoje, tem testemunhado o colapso da “Consciência de Grupo”. Tem sido sempre a esperança das nações democráticas, que os seus cidadãos sejam bastante esclarecidos, moralizados e responsáveis suficientemente para resolver os seus próprios assuntos através de representantes eleitos. Mas em muitos países de governo auto-suficiente, estamos agora vendo os caminhos da ignorância, apatia e busca do poder sobre os sistemas democráticos. Os seus recursos espirituais de propósito correto e inteligência coletiva estão se enfraquecendo. Conseqüentemente, muitos países ficaram tão impotentes que a única resposta foi à ditadura.
Felizmente para nós, parecem pequenas as possibilidades de tal calamidade em A.A. A vida de cada indivíduo e de cada Grupo é construída ao redor dos nossos Doze Passos e Doze Tradições. Sabemos muito bem que a punição para a desobediência sistemática desses princípios é a morte do indivíduo e a dissolução do Grupo. Uma força ainda maior para a unidade de A.A. é o amor-dedicação que temos pelos nossos companheiros e pelos princípios sobre os quais as nossas vidas estão hoje ancoradas.
Por isso, acreditamos que temos na nossa Irmandade uma sociedade espiritualizada, caracterizada por suficiente esclarecimento, responsabilidade, amor ao ser humano e a Deus para assegurar que a democracia dos nossos serviços mundiais funcionará sob quaisquer condições. Estamos seguros de poder contar com a Segunda Tradição, nossa Consciência de Grupo e os seus servidores de confiança. Portanto, é com grande segurança que nós, os pioneiros, estamos agora conferindo à Conferência de Serviços Gerais de A.A. a autoridade de delinear — através dos esforços dos seus Delegados eleitos, Custódios e encarregados do serviço — o destino que Deus, na Sua sabedoria, reservou para todos nós.
(1) 1993 – Iniciou sua quarta década.

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CONCEITO II
“Quando, em 1955, os Grupos de A.A. confirmaram a permanente Ata de Constituição da sua Conferência de Serviços Gerais, eles automaticamente delegaram à Conferência completa autoridade para a manutenção ativa dos nossos serviços mundiais e assim tornaram a Conferência — com exceção de qualquer mu dança nas Doze Tradições ou no Artigo 12 da Ata de Constituição da Conferência — a verdadeira voz e a consciência efetiva de toda a nossa Irmandade.”

É evidente, por si mesmo, que os milhares de Grupos e de membros de A.A. espalhados pelo mundo inteiro como estão, não podem por si mesmos controlar e dirigir nossos múltiplos serviços mundiais. A Consciência de Grupo está lá entre eles, assim como os fundos necessários. O poder dos Grupos e dos seus membros para alterar a estrutura dos seus serviços mundiais e criticar a sua operação é virtualmente suprema. Eles têm toda a responsabilidade e autoridade finais que existem. A operação é realmente deles; é deles próprios. Isso tem sido assim desde que os Grupos tomaram para si o controle que era dos fundadores e dos mais antigos, em St. Louis, em 1955.
Mas uma autoridade e responsabilidade finais nos Grupos de A.A. para os serviços mundiais — como se isso fosse todo o necessário — não representam muita coisa. Nada poderia ser conseguido somente nessa base. Para ser conseguida ação eficiente, os Grupos precisam delegar a verdadeira autoridade operacional para escolher representantes que tenham plenos poderes para falar e atuar por eles. A Consciência de Grupo de A.A. não poderia ser ouvida, a não ser que fosse confiada totalmente a uma Conferência bem escolhida a tarefa de falar por ela, em relação à maioria dos assuntos de servidores mundiais. Por conseguinte, o princípio de ampla autoridade e responsabilidade delegadas aos “servidores de confiança” deve estar implícito do topo à base da nossa estrutura de serviço ativo. Essa é a clara determinação da Segunda Tradição de A.A.
Desde o começo, grande parte da delegação de autoridade de serviço tinha que ser uma regra. Convém recordar como, em 1937, os Grupos de Akron e Nova York foram autorizados pelo Dr. Bob e por mim mesmo a criar serviços gerais que permitissem espalhar a mensagem de A.A. por todo o mundo. Esses dois primeiros Grupos nos deram autoridade para criar e dirigir os ser viços mundiais. Seguindo as suas ações, ficamos com a responsabilidade final e a autorização imediata para dar início a esse projeto e levá-lo adiante. Portanto, com os nossos próprios recursos, sabíamos que pouco poderíamos fazer e então tivemos que arranjar servidores de confiança que pudessem nos ajudar. Conforme o tempo foi passando, achamos que tínhamos que delegar a esses amigos uma grande parte da nossa própria autoridade e responsabilidade. Esse processo de delegação foi feito como segue:
Em primeiro lugar, o Dr. Bob transferiu para mim quase toda a sua responsabilidade direta de criar os serviços mundiais. Em Nova York, tínhamos muito mais facilidade de arranjar amigos e fundos e, conseqüentemente, vimos que o centro dos nossos serviços mundiais deveria ser localizado naquela cidade Comecei a procurar por amigos não-alcoólicos que pudessem ajudar e, em 1938, a Fundação do Alcoólico foi formada como um pequeno quadro de Custódios de A A e nossos amigos não alcoólicos
A princípio, os Custódios da nossa nova Fundação somente tomaram conta dos assuntos financeiros. Pouco a pouco, entre tanto, eles foram obrigados a assumir muitas outras responsabilidades, porque eu sozinho não podia dar vazão a esses encargos numa base permanente. Portanto, entreguei aos Custódios responsabilidades adicionais e autoridade correspondente, tão rápido quanto possível.
Por exemplo, em 1940, um ano depois que o livro “Alcoólicos Anônimos” foi publicado, verificamos que esse novo componente do ativo deveria ser confiado a toda nossa Irmandade. Portanto, a posse das ações da Works Publishing, Inc. (uma firma de publicações que eu havia ajudado a organizar separadamente) foi confiada à Junta de Custódios’.
Quase que toda a renda do livro de A.A. foi necessária para financiar o escritório de serviços gerais que havíamos montado para A.A. Os Custódios, portanto, assumiram a administração principal da operação do escritório, porque eles eram agora responsáveis pelos fundos dos quais dependia o seu sustento. Conseqüentemente, no que se referia às decisões financeiras, fiquei apenas como consultor. Portanto, outro grande volume da minha autoridade inicial foi então delegado. Quando, em 1941, os Grupos de A.A. começaram a mandar contribuições para a Fundação do Alcoólico a fim de pagar as despesas do nosso escritório de serviços gerais, o controle dos Custódios sobre as finanças dos serviços mundiais ficou completo.
Algum tempo mais tarde, ficou claro que as relações públicas de A.A., um assunto de vital importância, não poderiam continuar a ser confiadas somente a mim. Portanto, os Grupos de A.A. foram solicitados para dar aos Custódios da Fundação o controle completo dessa área crítica. Mais tarde, os Custódios tomaram o controle da nossa revista nacional, a “A.A. Grapevine”, que havia sido organizada separadamente por outro grupo de voluntários.
Assim foi sendo feito com cada um dos nossos serviços mundiais. Eu ainda funcionava como consultor na atividade da nossa Sede, mas a Junta de Custódios estava com o completo encargo legal de todos os nossos assuntos. À medida que o Dr. Bob e eu olhávamos para o futuro, ficava claro que a ampla delegação para a Junta era o único caminho possível.
Não obstante essas delegações, o Dr. Bob e eu sentíamos que ainda tínhamos uma responsabilidade suprema para com A.A. e para com o futuro, na organização adequada e na estrutura dos nossos serviços mundiais. Caso alguma coisa saísse errada nessa parte, seríamos considerados responsáveis, porque os Grupos ainda recorriam a nós dois para a liderança dos assuntos mundiais de A.A., e não aos seus pouco conhecidos Custódios.
No decorrer desses desenvolvimentos, a grande diferença entre a autoridade suprema e imediata de serviço ficou clara.
Já em 1945, ficou evidente que a suprema responsabilidade e autoridade pelos serviços dos co-fundadores não deveriam ser totalmente confiadas a uma Junta de Custódios. Certamente, os nossos Custódios devem ter uma grande parte da responsabilidade ativa e imediata. Mas a responsabilidade suprema e final que o Dr. Bob e eu ainda tínhamos, simplesmente não poderia ser transferida para uma Junta que se auto-nomear-se, praticamente desconhecida dentro de A.A. como um todo. Mas onde, então, estaria finalmente colocada a nossa responsabilidade suprema pelos serviços mundiais? E em que se transformaria a minha própria liderança nos assuntos de serviços mundiais? A história de A.A. mostra agora onde foi parar finalmente a suprema autoridade. Em St. Louis, ela foi do Dr. Bob e minha para os próprios Grupos de A.A.
Mas a aceitação da autoridade e responsabilidade supremas de serviço, pelos Grupos, não foi suficiente. Não importando quanta autoridade os Grupos tivessem, eles não podiam assumir as suas novas responsabilidades até que tivessem delegado a maior parte das atividades. Foi precisamente para satisfazer essa n que a Conferência de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos ficou responsável pela manutenção dos serviços mundiais de A.A., e assim, tornou-se a consciência de serviço para A.A. como um todo.
Exatamente como o Dr. Bob e eu tínhamos achado necessário delegar grande parte da nossa autoridade ativa para os Custódios, os Grupos de A.A. também acharam necessário delegar esses mesmos poderes para a sua Conferência de Serviços Gerais. Em última palavra — a sanção suprema nos assuntos de grande importância não foi dada somente aos Custódios. Pela Ata de Constituição da Conferência, confirmada em St. Louis, essa autoridade é agora delegada aos Grupos de A.A. e portanto à sua Conferência, um corpo que é uma seção representativa de toda a nossa Irmandade.
Portanto, a Conferência de Serviços Gerais de A.A. — e também quaisquer outras seções formadas mais tarde — tornou-se a voz ativa e a consciência efetiva de toda a nossa Irmandade, para quase todo propósito nos seus assuntos mundiais.
Ao fazer essa importante transferência, nós os mais velhos, sinceramente esperamos ter evitado aquelas armadilhas em que muitas sociedades caem com freqüência, porque os seus inicia dores, durante as suas vidas, deixaram de delegar e de distribuir adequadamente as suas principais autoridades, responsabilidades e lideranças.
(1) A firma Works Publishing, Inc. mudou de nome para A.A. Publishing, Inc. e finalmente para A.A. World Services, Inc.

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CONCEITO III
“Como um meio tradicional de criar e manter uma relação de trabalho claramente definida entre os Grupos, a Conferência, a Junta de Serviços Gerais de A.A. e as suas diversas corporações de serviço, quadros de funcionários, comitês e executivos, assim assegurando as suas lideranças efetivas, é aqui sugerido que dotemos cada um desses elementos dos serviços mundiais com um tradicional “Direito de Decisão”.”

Dentro dos limites das suas responsabilidades gerais, sejam estas definidas por Ata de Constituição, resolução ou costume, deveria ser um direito tradicional de todas as juntas de serviços mundiais, comitês e executivos, decidir quais os problemas que eles mesmos resolverão e saber quais assuntos eles deverão informar, consultar ou pedir instruções específicas. Precisamos confiar nos nossos servidores mundiais a esse respeito, porque de outra maneira não será possível uma liderança eficiente. Por tanto, consideremos minuciosamente o porquê da necessidade de um “Direito de Decisão” ser imperativo na nossa liderança e vamos examinar como este princípio pode ser aplicado praticamente em todos os níveis da nossa estrutura dos serviços mundiais.
Já vimos como os Grupos de A.A., dentro do conceito da “Consciência de Grupo”, possuem hoje a autoridade suprema e a responsabilidade final pelos serviços mundiais. Já notamos também, devido à Ata de Constituição da Conferência e ao “servidor de confiança” previstos na Segunda Tradição, como os Grupos delegaram à sua Conferência de Serviços Gerais total autoridade para conduzir os assuntos mundiais de A.A.
Tanto a Ata de Constituição da Conferência como da Junta de Serviços Gerais definem, em termos amplos, a responsabilidade da Conferência para atuar em nome de A. A — como um todo. Nesses dois documentos, a delegação de uma necessariamente grande área de autoridade e responsabilidade de serviço foi acumulada. Esses instrumentos, de uma maneira geral, descrevem as relações entre os Grupos, a Conferência, os Custódios e as unidades de serviço ativo. Essas amplas definições e descrições são uma forma de referência indispensável, e não poderíamos funcionar sem elas.
Não obstante, logo ficou evidente que essas previsões de alta importância da Ata de Constituição não poderiam por si mesmas assegurar um funcionamento calmo e liderança eficiente nos diferentes níveis de serviço. Isso ficou claro como o cristal, e não foi preciso procurar muito pelas razões.
Por exemplo: sabendo que a autoridade final é sua, os Grupos são algumas vezes tentados a instruir os seus Delegados sobre como votar exatamente em certos assuntos na Conferência. Porque eles têm a autoridade suprema não há dúvida de que os Grupos de A.A. têm o direito de fazer isso. Se eles insistirem, podem dar diretrizes aos seus Delegados em qualquer ou em todos os assuntos de A.A.
Mas uma boa direção raramente quer dizer aplicação plena de certos direitos supremos. Por exemplo: quando os Grupos pressionam ao extremo aos Delegados com suas instruções, estaríamos então prosseguindo na falsa teoria de que a opinião do Grupo na maioria dos assuntos de serviços mundiais é superior à opinião da Conferência. Francamente falando, isso nunca poderia acontecer. Haveria com certeza muito poucas questões que os Delegados “instruídos” pudessem resolver melhor do que a Conferência, atuando no ponto certo, conhecendo todos os fatos e debatendo-os para guiá-la. Naturalmente, compreende-se que os relatórios completos das atividades da Conferência são sempre convenientes. Assim, trata-se de uma consulta plena, com os membros do comitê e representantes dos Grupos. Entretanto, um Delegado “instruído” que não pode agir por sua própria consciência num voto final da Conferência não é de maneira alguma um servidor de confiança, ele é somente um mensageiro.
Hoje em dia, a Ata de Constituição da Conferência não re solve problemas típicos como esse. E um documento de grande amplitude que pode ser interpretado de várias maneiras. Dentro de uma das interpretações, os Grupos podem instruir seus Delegados o quanto quiserem. Dentro de outra, os Delegados e os Custódios podem ignorar tais instruções, sempre que acreditarem ser desejável. Como, então, poderemos compreender e reconhecer de maneira prática essas condições?
Vamos ver mais duas ilustrações. A Conferência, como será demonstrado mais tarde, possui total autoridade sobre os Custódios, apesar dos direitos legais da Junta. Supondo que os Delegados da Conferência começassem a usar o seu poder supremo, imprudentemente. Supondo que eles começassem a dar diretrizes plenas e firmes aos Custódios em assuntos em que os Custódios tivessem muito mais conhecimento do que os Delegados. Então, o que aconteceria?
Esse mesmo tipo de problema confuso costumava perturbar o relacionamento entre os Custódios e as suas corporações de serviço ativo, inteiramente independente, entidades que são hoje em dia até certo ponto dirigidas por voluntários não-Custódios e trabalhadores assalariados. Mas a Junta de Custódios, certamente, faz parte dessas organizações. Portanto, os Custódios podem empregar e despedir, a sua autoridade é final.
Mas se os Custódios exercerem constantemente a sua total e absoluta autoridade, se eles tentarem dirigir essas entidades de operações, minuciosamente, daí os voluntários e membros do quadro de funcionários ficarão desmoralizados; eles se tornarão pesos mortos e ficarão entre a rebeldia e a resignação, ou entre a submissão e a corrupção.
Por isso, alguns princípios práticos e tradicionais precisam ser planejados para que em todos os níveis possa haver um equilíbrio contínuo no relacionamento perfeito entre a autoridade suprema e a responsabilidade delegada. Como, então, podemos conseguir isso?
Há três possíveis atitudes que podemos tomar frente a esse estado de coisas. Poderíamos, por exemplo, jogar fora todas as normas incorporadas, estudos, definições de serviços, etc. Isso deixaria completamente a cada grupo de servidores de confiança, a descoberta do que autoridade e responsabilidade realmente são. Mas tal ausência de qualquer estrutura formalizada seria um absurdo; poderia resultar em anarquia.
Então, poderíamos naturalmente tomar o caminho oposto. Recusando dar à nossa liderança qualquer discreta vantagem, poderíamos adicionar às nossas Atas de Constituição vigentes, toda a sorte de regras, regulamentos e estatutos que pudessem cobrir qualquer ação ou contingência concebível. Teríamos, então, burocracia demais mais do que nós de A.A. poderíamos suportar.
A correta solução de A.A. para esse problema pode entretanto ser encontrada na parte final da Segunda Tradição, que trata dos “servidores de confiança”. Isso quer dizer realmente que devemos confiar a decisão aos nossos líderes responsáveis, dentro do sistema dos seus deveres e responsabilidades, como eles podem interpretar e aplicar a sua própria autoridade e responsabilidade para cada problema ou solução em particular conforme eles apareçam. Essa espécie de liderança modera da deveria ser a essência do “Direito de Decisão”, e eu tenho certeza de que não precisamos ter o menor medo de conferir esse indispensável privilégio a quase todos os níveis de serviços mundiais.
Haverá sempre autoridade suprema suficiente para corrigir qualquer ineficiência, deficiência ou abuso. Se a Conferência não estiver funcionando bem, os Grupos podem mandar Delegados melhores. Se os Custódios saírem muito da linha, a Conferência pode censurá-los ou mesmo reorganizá-los. Se os serviços da Sede estiverem desorganizados, os Custódios podem eleger novos diretores e empregar melhores ajudantes. Esses remédios são amplos e diretos. Mas enquanto os nossos serviços mundiais estiverem funcionando bem — e deve haver sempre desculpas para erros ocasionais —, “Confiança” deve ser a nossa palavra do dia, senão acabaremos sem liderança.
Essas são as razões, do meu ponto de vista, pelas quais de veríamos, daqui para diante, investir todos os nossos corpos de serviço e todo o nosso pessoal com um tradicional “Direito de Decisão”. Na nossa estrutura de serviços mundiais, esse “Direito de Decisão” poderia, praticamente, ser aplicado como segue:
A. Com exceção das Normas que prevêem o contrário, a Conferência deveria sempre poder decidir quais os assuntos de que tratará completamente dentro da sua própria responsabilidade e quais as questões que se referem aos Grupos de A.A. (ou mais usualmente, aos seus membros de comitês ou RSGs) para obter a sua opinião ou orientação definitiva. Portanto, precisa ser claramente compreendido e concordado que os nossos Delega dos da Conferência são principalmente os servidores mundiais de A.A. como um todo, que somente num segundo sentido eles representam as suas respectivas Áreas. Conseqüentemente, eles deveriam, em decisões finais, ter o direito de votar na Conferência de Serviços Gerais, conforme lhes ditar melhor o seu próprio julgamento e a sua própria consciência naquele momento.
B. Da mesma maneira, os Custódios da Junta de Serviços Gerais (operando, naturalmente, dentro do previsto na sua própria Ata de Constituição e Estatutos) deveriam poder sempre decidir quando poderão atuar dentro da sua própria responsabilidade e quando deverão pedir à Conferência orientação, aprovação de uma recomendação, ou a sua verdadeira decisão e instrução.
C. Dentro do raio de ação das suas bem definidas ou normal mente implícitas responsabilidades, todas as corporações de serviço da Sede, comitês, quadro de funcionários ou executivos deveriam sempre possuir o direito de decidir, quando atuarem por conta própria e quando apresentarem os seus problemas à autoridade imediatamente superior.
Esse “Direito de Decisão” nunca poderia ser usado como desculpa por não apresentar relatórios adequados de todas as ações significativas tomadas; não poderia nunca ser usado como desculpa para um constante abuso de autoridade claramente definido, nem como desculpa por persistentemente deixar de consultar quem de direito, antes que uma importante decisão ou ação seja tomada.
Todo o nosso programa de A.A. se baseia no princípio da confiança mútua. Confiamos em Deus, confiamos em A.A. e confiamos uns nos outros. Portanto, não podemos deixar de confiar nos nossos líderes em serviço, O “Direito de Decisão” que lhes oferecemos não é somente um meio prático de permitir que eles atuem e dirijam eficientemente, mas também como um símbolo da nossa confiança implícita.

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CONCEITO IV
“Através da estrutura da nossa Conferência, de veríamos manter em todos os níveis de responsabilidade um tradicional “Direito de Participação”, tomando cuidado para que a cada setor ou grupo de nossos servidores gerais seja concedido um voto representativo em proporção correspondente à responsabilidade que cada um deve ter.”

O princípio de “Participação” foi cuidadosamente introduzido na estrutura da nossa Conferência. A Ata de Constituição da Conferência prevê, especificamente, que os Custódios e os diretores da nossa corporação de serviço (A.A. World Services, Inc. e The A.A. Grapevine, Inc.), juntamente com os seus respectivos quadros de funcionários executivos, serão sempre membros votantes da própria Conferência de Serviços Gerais.
Exatamente o mesmo pensamento vem à mente, quando a nossa Junta de Serviços Gerais elege os diretores das suas corporações de serviço ativo, completamente independente do A.A. World Services, Inc. e do A.A. Grapevine, Inc. Se desejasse, a Junta de Serviços Gerais poderia eleger somente os seus próprios Custódios para essas diretorias. Mas uma poderosa tradição cresceu na certeza de que isso nunca deve ser feito.
Por exemplo, o A.A. World Services, Inc. (que também inclui a divisão de publicações de A.A.) tem, normalmente, sete diretores, dos quais somente dois são Custódios Os outros cinco diretores não-Custódios contam entre eles com três que são voluntários, especialistas em direção de escritório e em publicidade, e dois que são membros do quadro de funcionários assalariados: o gerente geral e seu assistente. O gerente geral é tradicionalmente o presidente do A.A. World Services, Inc. e seu assistente é o vice-presidente. Para o entrosamento das comunicações, o editor ou um membro do quadro da Grapevine ou pessoa por ele indicada é convidada a freqüentar as reuniões do A.A. World Services, Inc.
Portanto, a direção ativa do A.A. World Services, Inc. e sua divisão de publicidade são compostas de Custódios, cuja missão é a de zelar para que esses projetos sejam adequadamente dirigidos, de especialistas voluntários que contribuem com conselhos e experiência profissional, e de dois executivos assalariados que se encarregam de fazer quase todo o trabalho. Será visto que cada membro de todo setor é um diretor, portanto com direito legal a voto; que cada funcionário incorporado tem na prática e legalmente um tftulo que determina qual o seu atual posicionamento e qual a sua responsabilidade.
Tal direção de negócios tão típicos permite, facilmente, uma adequada escala de “participação” no voto. Todo elemento especializado para executar o trabalho distribuído está presente. Nenhuma classe é colocada com absoluta autoridade sobre a outra. Esse é o método incorporado ou com “participação” para conduzir os negócios, que se distingue das estruturas mais comuns a muitas organizações institucionais, militares e governamentais, onde pessoas ou grupos de pessoas são colocadas com absoluta autoridade, umas sobre as outras.
Deveríamos também notar que sete diretores da A.A. Grapevine são eleitos pelos mesmos princípios usados pelo A.A. World Services, Inc. Aqui também vemos Custódios especialistas, voluntários e membros do quadro de funcionários assalariados trabalhando em harmonia como ativos diretores dessa operação. E um membro do quadro de funcionários do GSO deveria estar presente a todas as reuniões da Diretoria da Grapevine, tanto incorporada como editorial.
A Junta de Serviços Gerais, além disso, permanece rigorosa mente dentro do princípio de “Participação”, sempre que o seu presidente fizer nomeações para os principais comitês permanentes da Junta. Diversos não-Custódios e empregados do quadro de funcionários assalariados são escolhidos para esses importantes cargos. Quanto às corporações de serviço ativo, os mesmos elemento estão quase sempre presentes nesses comitês, isto é, representantes da Junta de Serviços Gerais, não-Custódios especialistas, e um ou mais membros do quadro de funcionários que precisam fazer quase todo o trabalho pesado. Todos podem votar, portanto, todos podem “participar” realmente. Quando chega a hora da votação, não há superiores, nem inferiores, nem conselheiros.
Para esse princípio altamente eficaz e unificado da “Participação” em todos os níveis de responsabilidade, há uma desagradável mas necessária exceção. Os membros do quadro de funcionários assalariados não podem chegar a Custódios. Isso não pode ser permitido porque interferiria na rotatividade de Custódios de A.A. a cada quatro anos. E, se alguma vez, a Junta de Serviços Gerais precisar ser reorganizada pela Conferência, os Custódios de A.A. assalariados poderiam provar ser um direito adquirido muito difícil de ser retirado.
Não obstante, os nossos atuais Custódios, tradicionalmente, convidam executivos assalariados, membros do quadro de funcionários, contadores ou quaisquer outros, de quem relatórios ou conselhos possam ser solicitados, para que assistam a cada uma das reuniões trimestrais da Junta de Serviços Gerais. Assim, os Custódios são colocados em comunicação direta com esses trabalhadores, de maneira que eles possam se sentir desejados e necessários. Apesar de não votarem, esses trabalhadores podem livremente participar dos debates.
A preservação do princípio de “Participação” na nossa estrutura de serviço é para aqueles que já compreendem a sua aplicação e os seus benefícios, um assunto de maior importância para o nosso futuro. A experiência mostra, entretanto, que alguns de cada nova geração de Delegados e Custódios tentarão inevitavelmente enfraquecer, modificar ou deixar de lado o princípio de “Participação incorporada”. Todos os anos, alguns Delegados duvidarão do “direito” dos diretores, dos quadros de funcionários incorporados e até dos Custódios de votar na Conferência. Os novos diretores voluntários perguntarão por que qualquer membro do quadro de funcionários assalariados pode também chegar a ser um diretor e ter então um voto com tanto valor quanto o seu. De vez em quando, surge um movimento para a abolição de A.A. World Services, Inc. e The A.A. Grapevine, Inc. Pressionam para que essas corporações se tomem departamentos ou comitês da Junta de Serviços Gerais, dirigidos principalmente por Custódios. Do meu ponto de vista, é tão vital que preservemos esse tradicional “Direito de Participação” ante toda a tendência de apagá-lo, que deveríamos aqui mostrar algumas das nossas experiências pioneiras com esse problema.
No seu início, a Sede de A.A., em Nova York, era dirigida dentro de linhas autoritárias e institucionais. Naquele tempo, os Custódios não viam razão nenhuma para delegar os seus poderes de direção ou de trabalhar com participação de voto com qualquer outro de fora senão com os do seu próprio quadro. O resultado, freqüentemente, era um sério problema e mal-entendido, e foi desse andamento tumultuado que o princípio de “Participação” finalmente surgiu. Essa lição foi aprendida a duras penas, mas foi aprendida.
Já vimos como o Dr. Bob e eu colocamos todos os bens legais dos nossos serviços nas mãos de nossa Junta de Custódios. Isso inclui a nossa literatura, os nossos fundos, as nossas relações públicas e o nosso Escritório de Serviços Gerais. Assim foi como os nossos primeiros Custódios vieram a ter toda a autoridade possível. Mas a maior parte da presente responsabilidade para dirigir a Sede de A.A., entretanto, recaía em mim, na minha assistente e no seu quadro de funcionários. De um lado, tínhamos os Custódios que possuíam completa autoridade, e do outro, havia os fundadores e diretores de escritórios que tinham grande responsabilidade, mas praticamente nenhuma autoridade. Isso era uma espécie de esquizofrenia e causou verdadeiros problemas.
Era natural para os Custódios, que tinham toda a autoridade e todo o dinheiro, achar que era deles o dever de dirigir diretamente o escritório e de superintender ativamente quase tudo o que era feito. Para executar isso, foram formados dois comitês de Custódios: um comitê de normas de procedimento e um comitê de administração. Nós do escritório não tínhamos membros nesses comitês e, portanto, nenhuma real “participação”. E claro que eu podia ir às reuniões de Custódios para persuadir ou aconselhar, c mesmo acontecendo nas reuniões de comitês. Mas a minha assistente, que realmente carregava grande parte da carga do escritório, não poderia ir a uma reunião de Custódios e ela somente era chamada nas reuniões de comitês para dar sugestões, apresentai relatórios, responder perguntas e receber ordens. Algumas vezes esses comitês nos deram diretrizes muito confusas.
A situação ficava complicada ainda mais por uma outra engrenagem na máquina da direção. A nossa firma de publicações (então Works Publishing, Inc.), sem dúvida, pertencia inteira mente à Junta de Custódios. Com exceção de um importante detalhe, a Works Publishing, Inc., todavia, tornou-se um perfeito “joguete”. Nada tinha a ver com a administração ativa, senão emitir os cheques para as despesas do escritório e das publicações. Um AA veterano, meu amigo, Custódio-tesoureiro, assinava aqueles cheques. Certa vez, quando ele estava um pouco deprimido, rasgou todos os nossos cheques de pagamentos porque a minha assistente já os havia emitido dois dias antes para que as moças do escritório pudessem comprar bonés para a Páscoa. Nessa mesma hora e lugar, começamos a pensar como qualquer um de nós “beberrões” poderia ter autoridade absoluta sobre dinheiro e pessoas; também o quanto desse tipo de coerção poderíamos nós alcoólicos agüentar sentados, “do outro lado da gangorra”. De qualquer maneira, ficou absolutamente claro que a nossa Sede não poderia ser dirigida por dois comitês executivos e por uma corporação fictícia, cada um deles capaz de emitir diretrizes categóricas sem participação.
O ponto essencial pode ser que atualmente nós, bêbados, podemos “distribuir” ou “agüentar” melhor do que estávamos acostumados. Mesmo assim, detestaria com certeza nos ver voltar para uma organização sem participação. Agora que temos mais pessoal em serviço e mais dinheiro para manejar, tenho medo de que os resultados sejam os mesmos ou ainda piores. Realmente não houve nada excepcional sobre o incidente dos cheques rasgados. Toda vez que se permite uma autoridade absoluta, sempre é propiciada essa tendência de domínio excessivo com respeito a todas as coisas, grandes ou pequenas.
Levamos anos para descobrir que nunca poderíamos colocar toda autoridade num grupo e virtualmente toda responsabilidade em outro, e então esperar uma operação eficiente, sem interferir numa harmonia verdadeira. Certamente, ninguém é contra a idéia da autoridade final. Somos apenas contra a sua má aplicação ou uso inadequado. A “Participação” pode muitas vezes acabar com esse tipo de tolice desmoralizante, antes que comece.
Vamos ver outro aspecto desse problema de participação. A autoridade final para os serviços deve ficar com os Grupos de A.A.; vamos supor que os Grupos, sentindo a sua grande força, tentas sem se exceder, enviando Delegados com instruções irrevogáveis sobre como votar na maioria das questões. Esses Delegados acha riam que estão participando e que são servidores de confiança? Não, eles se sentiriam como agentes e seguidores de ordens.
Os próprios Delegados poderiam, naturalmente, exercer a mesma influência sobre os Custódios. A força dos Delegados é tão grande que eles logo poderiam fazer com que os Custódios se sentissem meros “carimbos”, do mesmo jeito que os Custódios involuntariamente fariam com os servidores da Sede. Por tanto, caso a Conferência comece a recusar os votos dos Custódios, e caso os Custódios comecem a recusar os votos dos membros do quadro de funcionários e voluntários de serviço, teremos lançado ao vento toda a experiência passada. O princípio de permitir uma adequada participação de voto teria que ser; dolorosamente reaprendido.
Um dos argumentos para a retirada dos votos dos Custódios e pessoal de serviço na Conferência é o seguinte: haver o perigo, se permitirmos, de eles votarem na aprovação do seu próprio desempenho passado como, por exemplo, aprovar o seu relatório anual. Até certo ponto, esse argumento é verdadeiro. Por tradição, não há dúvidas de que os Custódios e pessoal de serviço devem se abster de votar nos relatórios acerca das suas próprias atividades passadas.
Mas aqueles que desejam a completa retirada dos votos dos Custódios e do pessoal de serviço na Conferência se esquecem ou não reparam que tais relatórios de atividades passadas constituem somente uma fração dos assuntos totais. A Conferência está muito mais interessada em diretrizes, planos e atividades a serem efetuadas no futuro. Retirar os votos dos Custódios e; pessoal de serviço nessas questões seria desaconselhável. Por que deveria a nossa Conferência privar dos votos de pessoas tão experientes como eles?*
Talvez alguns objetarão para que os votos fechados da Conferência, a combinação dos Custódios e do pessoal de serviço, possam decidir uma questão em particular. E por que não? Certamente, os nossos Custódios e pessoal de serviço não são menos conscienciosos, experientes e sensatos do que os Delegados.
(*) Há uma outra razão muito prática para não dar aos Delegados da Conferência uma autoridade absoluta de votos sobre os Custódios, diretores de serviços e membros do quadro de funcionários. Dever-se-ia ter sempre em mente que os nossos Delegados não podem nunca ser como um Congresso em sessão contínua, tendo os seus próprios comitês de serviço, líderes eleitos, etc. Os nossos Delegados nunca podem funcionai assim, pela simples razão de que eles somente se reúnem por alguns dias, uma vez por ano. Portanto, eles não podem ter uma extensa visão e familiaridade de primeira mão sobre muitos dos problemas em que eles esperam votar. Essa a razão mais importante para permitir que a geralmente melhor informada minoria dos Custódios e pessoal da sede possam ter o privilégio de voto em todos os casos em que não haja interesses pessoais envolvidos.
Há alguma razão para que seus votos sejam indesejáveis? Não há nenhuma. Portanto, devemos ser cautelosos com qualquer tendência futura de negação de voto para os Custódios ou nosso pessoal de serviço, salvo em situações especiais que envolvam atividades passadas, qualificações de serviço, compensações financeiras ou no caso de uma total reorganização da Junta de Serviços Gerais, ocasionadas pelo mau funcionamento da própria Junta. Entretanto, isso nunca deverá ser uma barreira contra os votos dos Custódios nas alterações estruturais. Também é bom notar que na prática, nunca os nossos Custódios e o pessoal da Sede votaram como um “bloco”. As diferenças de opiniões entre eles mesmos são quase sempre t acuradas e consideráveis quanto as diferenças encontradas entre os próprios Delegados.
Há outra boa razão para a “participação”, que está relaciona da com as nossas necessidades espirituais. Todos nós desejamos profundamente tomar parte. Queremos um relacionamento de A.A. em sociedade irmanada. E o nosso ideal mais importante, que a união espiritual de A.A. nunca inclua membros considerados de “segunda classe”. No fundo, creio que é isso que temos tentado conseguir na nossa estrutura de serviços mundiais. Aqui está talvez a mais importante razão, para continuarmos a assegurar a “participação” em cada nível. Assim como não existem AAs de segunda classe, não deveria existir pessoal de serviços mundiais de segunda classe.
O “Direito de Participação” é, portanto, um corretivo à autoridade suprema, porque atenua as suas asperezas ou seu mau emprego. Também nos encoraja a que sirvamos A.A. para aceitar a disciplina necessária que as nossas diversas tarefas requerem. Podemos fazer isso, ao termos certeza de que fazemos parte, quando o fato da nossa “participação” nos assegurar que somos verdadeiramente os “servidores de confiança” descritos na Segunda Tradição de A.A.
(1) Atualmente A.A.W.S. tem nove diretores, dos quais quatro são Custódios.
(2) Atualmente nove.

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CONCEITO V
“Através da nossa estrutura de serviços mundiais, deveria prevalecer um tradicional “Direito de Apelação”, assim nos assegurando de que a opinião da minoria seja ouvida e de que as petições para a reparação de queixas pessoais sejam cuidadosamente consideradas.”

À luz dos princípios do “Direito de Apelação”, todas as minorias — sejam do nosso quadro de funcionários, comitês, jun tas incorporadas, ou entre os Custódios — deveriam ser encorajadas a apresentar relatórios da minoria, sempre que acharem que a maioria esteja incorrendo em algum erro considerável. E quando uma minoria considerar que um assunto é tão importante que uma decisão errada possa seriamente afetar A.A. como um todo, deveria encarregar a si mesma do verdadeiro dever de apresentar um relatório das minorias para a Conferência.
Ao conferir esse tradicional “Direito de Apelação”, reconhecemos que as minorias podem às vezes estar certas; mesmo total ou parcialmente erradas, elas ainda prestam um valioso serviço quando requerem o “Direito de Apelação”, porque forçam um debate completo dos assuntos de importância. A bem ouvida minoria é, portanto, a nossa principal proteção contra uma maioria desinformada, mal-informada, impetuosa ou irada.
O tradicional “Direito de Apelação” também deveria permitir que qualquer pessoa da nossa estrutura de serviço, assalariada ou não, pudesse apresentar uma queixa pessoal, levando em mãos-o seu protesto, caso assim o deseje, diretamente para a Junta de Serviços Gerais. Ele, ou ela, poderia assim proceder sem se sentir prejudicado ou temer represália. Embora na prática esse direito seja raramente exercido, a sua própria existência tenderá a restringir sempre aqueles que possuem autoridade do uso indevido do seu poder. Certamente os nossos trabalha dores aceitariam, cordialmente, as instruções e disciplinas necessárias aos seus serviços, mas todos deveriam, não obstante, sentir que não precisam agüentar, em silêncio, um domínio pessoal desnecessário ou injusto.
A respeito de ambos, “Apelação e Petição”, posso dizer com satisfação que nos serviços mundiais de A.A. esses direitos e práticas valiosas já foram bem aplicados. Por isso, eu os estou escrevendo somente para ajudar a confirmar e a melhorar as suas futuras aplicações.
Os Direitos de “Apelação” e “Petição”, certamente, têm em vista o problema total da proteção e melhor aplicação possível dos sentimentos e da opinião das minorias. Esse sempre foi, e ainda é, um problema central de todos os governos livres e sociedades democráticas. Em Alcoólicos Anônimos, a liberdade individual é de enorme importância. Por exemplo, qualquer alcoólico é um membro de A.A. a partir do momento em que ele assim o diz; não podemos privá-lo do direito de tomar parte. Também não podemos forçar os nossos membros a acreditar em nada nem a pagar nada. Entretanto, é nossa uma grande lista de privilégios e liberdades das minorias.
Quando olhamos para os nossos serviços mundiais, achamos que já confiamos em grande extensão nos nossos fiéis grupos minoritários.
De acordo com a Segunda Tradição, a Consciência de Grupo é a autoridade final pelos serviços mundiais de A.A. e assim será também com referência a todos os assuntos de importância com os quais nos confrontamos. Não obstante, os Grupos de A.A. reconheceram que para os propósitos dos serviços mundiais, a “Consciência de Grupo de A.A.” como uma totalidade, tem certas limitações. Não pode atuar direta mente em muitos assuntos de serviço, porque não está suficientemente informada sobre os problemas em questão. E também verdade que a Consciência de Grupo, durante um período de muito distúrbio, não é sempre o guia mais seguro, porque temporariamente tais distúrbios podem impedir o seu funcionamento de forma inteligente e eficiente. Portanto, quando a Consciência de Grupo não pode ou não deve atuar diretamente, quem deverá atuar no seu lugar?
A segunda parte da Segunda Tradição nos dá a resposta, quando descreve os líderes de A.A. como “servidores de confiança”. Esses servidores devem estar sempre prontos para fazer pelos Grupos o que os Grupos não podem ou não devem fazer por si mesmos. Conseqüentemente, os servidores tendem a usar as suas próprias informações e julgamento, às vezes a ponto de discordar de uma opinião mal-informada ou preconcebida do Grupo.
Portanto, será observado que nos serviços mundiais de A.A. muitas vezes confiamos numa pequena, porém idônea, minoria — nos cento e tantos membros da sua Conferência de Serviços Gerais — para atuar como a Consciência de Grupo de A.A., em muitos dos assuntos dos nossos serviços. Como em outras sociedades livres, confiamos nos nossos servidores, embora sabendo que na eventualidade de falharem nas suas responsabilidades ainda teremos ampla oportunidade para adverti-los ou substituí-los.
As observações anteriores retratam, de maneira geral, a preocupação de A.A. com a liberdade e proteção de cada membro e com a boa vontade de todos os membros em confiar em servi dores capazes e conscienciosos para trabalharem em suas diversas capacitações por todos nós. Como velhos receptores desse tipo de confiança, tenho certeza de que muitos dos antigos AAs gostariam que eu mencionasse a sua gratidão junto com a minha.
Em 1951, quando a Conferência de Serviços Gerais foi pos ta em funcionamento experimental, essas atitudes de confiança já eram parte essencial da vida de A.A. Ao estabelecer a Ata de Constituição da nossa Conferência, portanto, nós naturalmente incluímos naquele documento disposições que garantissem a proteção e o respeito pelas minorias. Isso é exemplificado no nosso Terceiro Legado, método de escolha de Delegados. A não ser que o candidato da maioria possa receber dois terços dos votos da Assembléia do seu Estado ou província (agora, somente da sua Assembléia de Area), ele terá que colocar o seu nome numa sacola junto com um ou mais nomes de candidatos da minoria da Assembléia. Dessa maneira, por sorteio, os candidatos da minoria têm a mesma chance que os da maioria.
Rigorosamente falando, uma democracia funciona sob o desejo da maioria, por menor que seja essa maioria. Portanto, ao fazer concessões pelos sentimentos e repetidamente demonstrada sabedoria das minorias, nós, ocasionalmente, podemos negar esse tão querido princípio de decisão final da democracia por um simples voto da maioria. Todavia, verificamos que o nosso método do Terceiro Legado na eleição de Delegados em muito fortaleceu o espírito democrático entre nós. A unidade foi cimentada, a cooperação aumentada, e quando um Delega do é finalmente escolhido, a minoria não tem razão alguma para descontentamento. Aumentar o verdadeiro espírito democrático, por especial deferência à opinião das minorias pensamos, é melhor do que seguir cegamente a regra que sempre insiste numa incompetente dominância do voto da maioria, por pequena margem.
Consideremos outro exemplo: o nosso respeito pela opinião das minorias, somado ao desejo de unidade e certeza, faz freqüentemente com que a Conferência de Serviços Gerais de A.A. debata longamente sobre questões importantes de diretrizes, desde que não haja necessidade de uma imediata ou antecipada decisão. Em muitas ocasiões, a Conferência tem insisti do numa discussão contínua, mesmo em certos casos, quando dois terços da maioria poderiam ter sido facilmente obtidos. Tal prática, tradicionalmente voluntária, é a evidência de uma verdadeira prudência e deferência cortês às opiniões das minorias. A não ser que seja absolutamente dispensável, a Conferência normalmente tem-se recusado a tomar decisões importantes em qualquer assunto com menos de dois terços da votação.
Esse mesmo tipo de consideração pela opinião da minoria op pode ser encontrado na Ata de Constituição que prevê que nenhum voto da Conferência possa ser considerado obrigatório de para os Custódios da Junta de Serviços Gerais, a não ser que represente dois terços do “quorum” da Conferência. Isso dá aos Custódios o direito do veto, quando a maioria não é muito grande. Pela razão dessa disposição, os Custódios, se desejarem, poderão insistir na continuação dos debates e portanto esclarecer qualquer tendência de pressa ou de emotividade. Na prática, essa opção é raramente exercida pelos Custódios. Na maior d parte dos casos, eles acompanham uma simples maioria dos r Delegados, especialmente quando uma ação imediata é claramente necessária em assuntos de menor importância. Mas a escolha é sempre deles, quer para vetar uma simples maioiria ou para atuar com ela. Aqui se evidencia mais uma vez o reconhecimento do valor construtivo de uma minoria de confiança.
Se a esse generoso reconhecimento de privilégios das minorias adicionarmos, agora, os Direitos de “Apelação” e de “Petição”, acredito havermos assegurado a todas as minorias, quer de Grupos ou de indivíduos, os meios para bem desempenhar suas tarefas nos serviços mundiais, confiante e harmoniosamente.
Há mais de um século, um jovem nobre francês chamado De Tocqueville, veio para a América a fim de dar uma olhada na nova república. Apesar de muitos dos seus amigos terem perdido as suas vidas e fortunas na Revolução Francesa, De Tocqueville era um profundo admirador da democracia. Os seus escritos sobre um governo pelo povo e para o povo são clássicos, nunca tão cuidadosamente estudados como hoje em dia.
Através da sua especulação política, De Tocqueville insiste em que o maior perigo da democracia sempre seria a “tirania” de uma maioria apática, egoísta, não informada ou mal humorada. Somente uma cidadania verdadeiramente dedicada, com uma disposição para proteger e conservar os direitos e opiniões da minoria pode, pensava ele, garantir a existência de uma sociedade livre e democrática. Ao redor de nós, no mundo de hoje, estamos testemunhando a tirania das maiorias, e ainda pior, a tirania das pequenas minorias investidas de poder absoluto. De Tocqueville não podia concordar com isso, nem nós AAs, do fundo do coração.
Acreditamos que o espírito de democracia sempre sobreviverá na nossa Irmandade e na estrutura dos nossos serviços mundiais, a despeito dos contra-ataques que serão com certeza desfechados contra nós. Felizmente, não somos obrigados a manter uma administração que imponha obediências e punições. Precisamos apenas manter uma estrutura de serviço que conserve no alto as nossas Tradições, que constitua e exerça as nossas diretrizes nelas contidas, de maneira a levar continua mente a nossa mensagem àqueles que sofrem.
Por isso, acreditamos que jamais estaremos sujeitos à tirania, seja das maiorias ou das minorias, desde que cuidadosa mente definamos o relacionamento entre elas para, daí por diante, tentar trilhar o caminho dos serviços mundiais dentro do espírito dos nossos Doze Passos, das Doze Tradições e da Ata de Constituição da Conferência — na qual espero que um dia ainda possamos incluir esses tradicionais Direitos de “Apelação” e de “Petição”

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CONCEITO VI
“Em benefício de A.A. como um todo, a nossa Conferência de Serviços Gerais tem a principal responsabilidade de manter os nossos serviços mundiais e, tradicionalmente, tem a decisão final nos grandes assuntos de finanças e de normas de procedimento em geral. Mas a Conferência também reconhece que a principal iniciativa e a responsabilidade ativa, na maioria desses assuntos, deveriam ser exercidas principalmente pelos Custódios, membros da Conferência, quando eles atuam entre si como Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos.”

Exatamente como os Grupos de A.A. se acham incapazes de atuar decisivamente nos assuntos dos serviços mundiais, a não ser que deleguem considerável autoridade e responsabilidade ativa à sua Conferência, da mesma maneira a Conferência precisa delegar uma autoridade administrativa liberal para a Junta de Serviços Gerais, permitindo aos seus Custódios liberdade e eficiência de ação, na ausência da Conferência.
Essa necessidade crítica de liberdade de ação para os Custódios levanta diversas questões de importância.* Logo depois da Conferência, a Junta de Custódios de A.A. deveria ser o grupo de servidores mundiais de maior influência que temos e, portanto, devemos considerar cuidadosamente o tipo e o grau de autoridade, responsabilidade, liderança e posição legal que os Custódios devem ter para que possam desempenhar com a máxima eficiência as suas funções nos anos vindouros. Precisaremos rever e talvez corrigir os nossos métodos atuais de escolha dos Custódios. Precisaremos definir claramente os diversos tipos de habilidades profissionais e financeiras, sempre requisitados para um quadro equilibrado de Custódios. Somente procedendo dessa maneira, poderemos assegurar permanentemente a capacidade da Junta na liderança futura.
(*) Veja o Conceito VIII para uma definição dos poderes e atividades dos Custódios.
Para evitar confusão contínua, necessitaremos também mostrar precisamente como os Custódios deveriam estar relaciona dos com a Conferência e como ela, em continuidade, deveria relacionar-se com as suas corporações de serviço ativo, com A.A. World Services, Inc. (incluindo a sua divisão de publicações de A.A.), e com A.A. Grapevine, Inc., a nossa revista mensal. De uma maneira geral, esses relacionamentos já estão indicados na nossa Ata de Constituição da Conferência e, até certo ponto, eles já foram discutidos nas páginas anteriores. Não obstante, ainda resta uma necessidade real da sua interpretação e formulação detalhada. Naturalmente, não há a intenção de congelar esses relacionamentos a um padrão rígido. Entretanto, mesmo que os nossos sistemas presentes pareçam satisfatórios e corretos, o futuro poderá nos mostrar falhas que ainda não podemos perceber. Novas condições poderão requerer refina mentos ou alterações consideráveis. Por essa razão, a nossa Ata de Constituição de serviço pode, em muitos aspectos, ser rapidamente corrigida pela própria Conferência.
Deveria ser recordado, contudo, que toda a nossa organização atual, incluindo a posição dos Custódios de A.A., está baseada numa enorme experiência, sendo a sua descrição e esclarecimentos o propósito destes escritos. Completado isso, não ficaremos embaraçados mais tarde ao saber que por falta de compreensão fomos tentados a fazer emendas apressadas ou imprudentes. Mesmo que algum dia façamos mudanças que mostrem resultados pobres, então a experiência do passado não terá sido perdida. Podemos, então, confiar nestes artigos, como um ponto de retomo seguro.
Vamos, portanto, fazer um exame mais específico da necessidade de uma larga margem de liberdade administrativa dos Custódios da Junta de Serviços Gerais.
Como já vimos, a Ata de Constituição da Conferência (e também a Ata de Constituição da Junta de Serviços Gerais e os seus Estatutos) já concederam aos nossos Custódios uma ampla liberdade de ação. E nós reforçamos essas disposições da Ata de Constituição, concedendo a todos os quadros dos serviços mundiais, incluindo naturalmente os nossos Custódios, os direitos tradicionais de “Decisão”, “Participação” e “Apelação”. Uma revisão cuidadosa nesses tradicionais e legais direitos, pode deixar uma pequena dúvida quanto ao que são realmente as responsabilidades administrativas dos nossos Custódios; nem pode haver dúvida de que a autoridade deles nessa área é realmente grande.
Por que seria concedido aos nossos Custódios tão grande margem de julgamento e de ação? A resposta é que nós, AAs, estamos considerando-os principais responsáveis por todas as atividades de serviço: A.A. World Services, Inc. (incluindo as publicações de A.A.) e The A.A. Grapevine, Inc. Essas entidades (desde 1960) têm juntas uma receita bruta aproximada de meio milhão de dólares anuais’. Os nossos Custódios são também responsáveis pelas relações públicas de A.A. no mundo inteiro. Deles é esperada uma liderança na formulação da política de A.A. e devem verificar a sua adequada execução. Eles são os guardiões ativos das nossas Doze Tradições. Os Custódios são os banqueiros de A.A. Eles são inteiramente responsáveis pela aplicação e uso dos nossos substanciais fundos de reserva. A mais ampla faixa das suas atividades será ainda melhor vista dentro do “Conceito XI”, onde o trabalho dos seus cinco comitês permanentes é descrito.
Enquanto os Custódios devem operar sempre dentro de cerrada observação, orientação e às vezes até instruções da Conferência, é verdade, não obstante, que ninguém senão os Custódios e as suas próprias corporações de serviço podem julgar e manejar o grande número de transações que envolvem a nossa total operação de serviços mundiais. Devido a essa grande responsabilidade, eles devem ter uma grande autoridade e liderança correspondente para poder desempenhar isso. Deveríamos entender que é imprescindível, também, que a condução dos nossos serviços mundiais seja, em primeiro lugar, uma questão de política e negócios. E claro que o nosso objetivo é sempre espiritual, mas a meta desse serviço somente poderá ser alcançada através de uma operação de negócios eficiente, Os nossos Custódios devem funcionar quase exatamente como os diretores de qualquer grande organização de negócios. Eles precisam ter ampla autoridade para realmente administrar e conduzir os negócios de A.A.
Este é o conceito básico incorporado no qual se baseia a nossa estrutura de serviços mundiais. Escolhemos deliberadamente a forma corporativa em lugar da institucional ou governamental, porque se sabe que o sistema corporativo é um veículo bem superior quando se trata de administração política de negócios.
De cima para baixo, toda a nossa estrutura de serviço real mente lembra a de uma grande corporação. Os Grupos de A.A. são os acionistas, os Delegados são os seus representantes ou procuradores nas “reuniões anuais”; os nossos Custódios da Junta são, atualmente, os diretores de uma “companhia de ações”. E essa companhia, A Junta de Serviços Gerais, atual mente possui e controla as “subsidiárias” que desempenham as atividades dos nossos serviços mundiais ativos.
Essa bem real analogia toma mais claro que como qualquer outra junta de diretores, os nossos Custódios precisam de toda a força, se quisermos que eles venham a dirigir eficientemente os principais assuntos gerais de Alcoólicos Anônimos.
(1) Em 1996, a receita de A.A. World Service e Grapevine foram demais de onze milhões de dólares.
(2) Agora eles são onze comitês permanentes.

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CONCEITO VII
“A Conferência reconhece que a Ata de Constituição e os Estatutos da Junta de Serviços Gerais são instrumentos legais; que os Custódios têm plenos poderes para administrar e conduzir todos os assuntos dos serviços mundiais de Alcoólicos Anônimos. Além do mais é entendido que a Ata de Constituição da Conferência não é por si só um documento legal, mas pelo contrário, ela depende da força da tradição e do poder da bolsa de A.A. para efetivar a sua finalidade.”

Este conceito pode parecer contraditório; pode parecer a colisão de uma força irresistível com um objeto irremovível. De um lado, vemos uma Junta de Custódios que é coberta de plenos poderes legais sobre os fundos e serviços de A.A., e de outro lado, vemos a Conferência de Serviços Gerais com tão ampla influência tradicional e força financeira que pode, se necessário, passar por cima dos direitos legais da Junta de Custódios. Praticamente falando, pode dar aos Custódios, por tanto, instruções e submissão a ela.
Isso quer dizer que o verdadeiro poder da Conferência será quase sempre superior ao poder legal dos Custódios. Esse poder superior da Conferência deriva-se da poderosa influência tradicional da própria Ata de Constituição. Deriva-se da grande maioria de Delegados escolhidos pelos Grupos para a Conferência. E finalmente, levada a extremos, apóia-se no indiscutível direito dos Delegados de negar o dinheiro para as operações da Junta de Serviços Gerais, isto é, as contribuições voluntárias dos próprios Grupos de A.A. Teoricamente, a Conferência é somente um corpo consultivo, mas na prática, dispõe de todos os direitos e poderes de que possa precisar.
Quando refletimos que os nossos Custódios não têm interesses financeiros assalariados nos seus postos, podemos ter plena certeza de que tal Junta nunca irá contestar legalmente a vontade clara e abalizada dos Delegados da Conferência e das Áreas de A.A. que eles representam. Se algum dia as cartas forem postas na mesa, realmente, haverá pouca possibilidade de um impasse. A Conferência teria completo controle da situação. Como a consciência de A.A., os Delegados se encontrariam com autoridade suprema sobre a nossa Junta de Serviços Gerais e sobre todas as suas unidades incorporadas de serviços mundiais ativos.
A história desse desenvolvimento é interessante e importante. Quando, em 1950, foi compilada a Ata de Constituição da Conferência, essa questão de onde ficaria a autoridade final foi motivo de muita agitação. Quem teria a última palavra? A Conferência ou os Custódios? Já sabíamos, na época, que a completa e final autoridade sobre os nossos fundos e serviços não deveria nunca continuar com uma isolada Junta de Custódios, que tinha o direito absoluto de nomear os seus próprios sucessores. Isso seria deixar os serviços mundiais de A.A. nas mãos de um grupo paternalista, algo completamente em contradição com o conceito da “Consciência de Grupo” da Segunda Tradição. Caso os Custódios tivessem que ser os nossos administra dores permanentes e guardiões das Doze Tradições de A.A., era evidente que de alguma maneira eles deveriam ser colocados numa posição em que tivessem obrigatoriamente que se enquadrar nas nossas Tradições e nos desejos da nossa Irmandade.
Para conseguir esse objetivo, consideramos todos os tipos de meios. Pensamos em incorporar a própria Conferência, colocando-a em direta autoridade legal sobre a Junta. Isso significaria que todos os membros da Conferência teriam que ter posições legais. Teria sido então uma organização embaraçosa, envolvendo, realmente, a incorporação de toda a nossa Irmandade, uma idéia que a própria Conferência repudiou mais tarde.
Consideramos também a idéia da eleição dos Custódios em âmbito nacional. Mas esse procedimento resultaria numa política cambaleante, em lugar da talentosa e superior direção que a Junta teria que ter. Portanto essa idéia foi abandonada.
Perguntamos, em seguida, se a própria Conferência não poderia nomear e eleger diretamente os nossos Custódios. Mas como isso poderia ser feito por diferentes grupos de Delega dos? Eles viriam de todas as partes do país. Eles nunca poderiam estar bem familiarizados uns com os outros. As suas conversações seriam curtas e as suas reuniões curtas. Como, então, poderiam tais grupos nomear e eleger Custódios alcoólicos e não-alcoólicos de alto calibre administrativo? E claro que não haveria método seguro para fazer isso. Com muita relutância, abandonamos essa idéia.
Tornou-se óbvio, então, que a escolha dos novos Custódios ainda deveria continuar sendo dos próprios Custódios, sujeita à aprovação da Conferência. Somente eles mesmos poderiam compreender as necessidades da Junta. Esse método de seleção deveria continuar com certeza para a maioria dos membros da Junta, exceto nos tempos de reorganização. De outra maneira, a Junta não poderia ser responsabilizada pelos resultados da administração. Poderíamos acabar ficando com uma administração sem eficiência nenhuma. Por essas razões, foi dado à Conferência o direito de rejeitar, mas não de eleger os novos candidatos a Custódios.’
Partindo dessas considerações é que foi elaborada a nossa Ata de Constituição da Conferência, uma estrutura que dá claramente à Conferência uma suprema e final autoridade, mas que, não obstante, preserva aos Custódios o direito de funcionar livre e adequadamente, tal como qualquer junta de diretores de negócios precisa. Essa organização está estritamente em conformidade com a estipulação dos “servidores de confiança” da Segunda Tradição, que confere aos nossos servidores, dentro da esfera dos seus deveres, a capacidade de usar a sua própria experiência e opinião. Dos servidores de confiança em todos os níveis de A.A., esperamos o uso da liderança, a qual não é uma simples questão de organização doméstica. Naturalmente, ela não pode funcionar se estiver constantemente sujeita a uma barragem de diretrizes inoportunas.
Até a presente data, nossa experiência mostra que esse ba lanço de poderes entre os Custódios e a Conferência dá bons resultados. Tomamos muito cuidados para reservar a autoridade final à Conferência por meios práticos e tradicionais. Por meios legais conferimos ampla autoridade funcional e discriminada para os Custódios. Acreditamos que esse balanço possa ser mantido para sempre, porque um é protegido por tradição e o outro pela lei.
Chegamos agora a outra questão interessante, muitas vezes levantada por novos Custódios da Junta de Serviços Gerais. Perguntam eles: “Nós, Custódios, temos certos direitos e deveres que estão legalmente estabelecidos na nossa Ata de Constituição. Não estaremos violando essas normas quando aceitamos opiniões e diretrizes da Conferência? Deveríamos ter um direito perfeitamente legal de dizer ‘não’ para qualquer coisa e tudo que a Conferência quiser.”
Os nossos Custódios têm certamente essa autoridade legal absoluta, mas não há nada na Ata de Constituição que os obrigue a usar toda a sua autoridade todo o tempo. Eles têm toda a liberdade de aceitar conselhos ou mesmo instruções de qualquer um. Eles podem simplesmente restringir o uso do seu direito legal absoluto de dizer “não” quando seria mais sensato dizer “sim”, depois de tudo considerado. Assim como a Conferência deveria evitar o abuso da sua autoridade tradicional, os Custódios deve riam evitar o abuso dos seus direitos legais. O presidente dos Estados Unidos, por exemplo, tem direito legal absoluto de vetara legislação do Congresso. Mesmo assim, 99 por cento das vezes ele não o faz, porque: (a) ele aprova uma parte da legislação ou (b) ele não aprova a legislação, mas sabe que o veto poderia ser, não obstante, insensato ou de sucesso impossível. A aplicação ou não do seu veto é determinada pelas circunstâncias, O mesmo se dá com a Junta de Custódios de A.A.
E evidente, então, que a nossa Junta de Custódios se reserva o direito de vetar qualquer ação da Conferência; isso é legalmente necessário e correto em princípio, embora o veto seja raramente utilizado. Em determinadas ocasiões, entretanto, o veto dos Custódios poderia ser de uso importante e construtivo.
1. Se, num momento de urgência ou grande tensão, a Conferência vier a atuar ou a emitir diretrizes aos Custódios em clara violação da sua própria Ata de Constituição ou a da Junta de Serviços Gerais; ou se a Conferência instituir medidas reconhecidamente más ou mesmo violentas a ponto de ferir, na opinião dos Custódios, as relações públicas de A.A. ou A.A. como um todo, será então dever dos Custódios pedir uma reconsideração à Conferência. Na eventualidade da Conferência se recusar a reconsiderar, os Custódios poderão então utilizar o seu direito legal de veto. E se preferirem, os Custódios poderão submeter o assunto diretamente aos próprios Grupos de A.A.
2. Embora, tradicionalmente, os Custódios jamais devessem ultrapassar substancialmente o orçamento aprovado pela Conferência, sem prévia consulta, ainda assim deveriam sentir inteira liberdade para reduzir o valor do orçamento da Conferência durante qualquer ano fiscal, mesmo que assim procedendo possam limitar ou cancelar certos planos ou projetos iniciados e dirigidos pela própria Conferência.
Aqui, por exemplo, estão três casos típicos em que os Custódios teriam o dever de vetar a ação da Conferência:
3. Se, devido a condições imprevistas, um determinado plano, projeto ou diretriz da Conferência se tornar impraticável durante um ano fiscal, os Custódios deverão, sem idéias preconcebidas, usar o seu direito de veto e cancelamento.
Se, por conseguinte, nos próximos anos, a Conferência vier a se conscientizar dos verdadeiros direitos, deveres, responsabilidades e condição legal da Junta de Serviços Gerais e se os Custódios compreenderem, constantemente, que a Conferência é o verdadeiro reduto da suprema autoridade sobre serviço, poderemos ter a certeza de que nenhum deles tentará fazer do outro um mero “carimbo”. Podemos esperar que dessa maneira os assuntos sérios serão sempre resolvidos, e a cooperação harmoniosa será uma regra geral.
(1) As eleições de Custódios são agora realizadas durante a semana da Conferência, tanto para Custódios Regionais como para Custódios de Serviços Gerais, para que, à medida que a Conferência escolha os Custódios, o faça de acordo com o procedimento descrito no “Manual de Serviços”
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CONCEITO VIII
“Os Custódios da Junta de Serviços Gerais atuam em duas atividades principais: (a) com relação aos amplos assuntos de normas de procedimento e finanças em geral, eles são os principais planejadores e administradores. Eles e os seus principais comitês dirigem diretamente esses assuntos; (b), mas com relação aos nossos serviços, constantemente ativos e incorporados separadamente, a relação dos Custódios é principalmente aquela de direito de propriedade total e de supervisão de custódia que exercem através da sua capacidade de eleger todos os diretores dessas entidades.”

Desde que os nossos Custódios carreguem a responsabilidade principal pelo bom andamento de todos os nossos serviços mundiais, essa discussão relaciona-se com os conceitos básicos e com os métodos com que eles possam melhor desempenhar as suas pesadas obrigações. A longa experiência tem provado agora que a nossa Junta, como um todo, precisa dedicar-se quase que exclusivamente aos maiores e mais sérios assuntos de normas de procedimento, finanças, relacionamentos dos Grupos, relações públicas e liderança que constantemente se confrontam. Nesses assuntos mais críticos, a Junta precisa, naturalmente, funcionar com grande cuidado e deliberação. Aqui, é esperado que a Junta planeje, administre e execute com habilidade.
Conclui-se, portanto, que a atenção especial da Junta para tão grandes problemas não deve estar sujeita a constantes confusões e interferências. Os nossos Custódios, como um conselho, não podem ficar sobrecarregados com uma quantidade enorme de assuntos de menor importância: eles não devem se preocupar com problemas e dificuldades infindáveis que apare cem diária, semanal e mensalmente na condução rotineira do Escritório de Serviços Gerais e das nossas empresas de publicações. Nessas áreas, a Junta não pode administrar e conduzir com detalhes, ela precisa delegar as suas funções executivas.
Aqui, a atuação da Junta deve ser a de supervisão de custódia; ela não pode ser executiva. Portanto, são os Custódios que garantem a boa administração do A.A. World Services, Inc. e da A.A. Grapevine, Inc. Eles desempenham as suas obrigações de custódia pela eleição dos diretores desses serviços, uma parte dos quais é necessariamente de Custódios. Dessa maneira, a direção executiva dessas funções está seguramente nas próprias corporações de serviço ativo, e não na Junta de Serviços Gerais. Cada entidade de serviço incorpora do deveria ter a sua própria Ata de Constituição, o seu próprio capital de trabalho, o seus próprios executivos, os seus próprios empregados, os seus próprios escritórios e equipamentos. A não ser para servir de intermediário nas situações difíceis e verificar se as corporações de serviço estão operando dentro dos seus orçamentos e dentro do esquema geral de trabalho de A.A. e da orientação da Sede, a Junta raramente precisará fazer mais quanto às operações dos serviços de rotina.
Essa organização está de acordo com o praticado pelas modernas corporações de negócios. A Junta de Serviços Gerais é, com efeito, uma companhia acionista encarregada da supervisão de custódia das suas subsidiárias independentes e incorporadas separadamente, que tem, para efeito de funcionamento, administrações separadas. Já demonstramos, para nossa satisfação, que essa base de operação incorporada é superior a qualquer outra.
Essa lição, como observamos antes, tem sido aprendida penosa mente. Quando discutimos a “Participação” no Conceito IV, verificamos que as nossas primeiras tentativas de dirigir o Escritório de Serviços Gerais de A.A. e a Companhia de Publicações de A.A. através de múltiplos comitês de Custódios não deram bons resultados. Essas foram realmente tentativas de transformar os nossos serviços em departamentos da velha Fundação do Alcoólico (hoje Junta de Serviços Gerais). Achamos difícil definir os poderes destes diversos comitês de serviço dos Custódios, respeitando-se mutuamente e respeitando o trabalho a ser executado. Responsabilidade e autoridade raramente podiam ser mantidas em equilíbrio. Diretrizes categóricas, em vez de decisões com participação, eram então a regra. Nesses comitês, ninguém tinha títulos que indicassem totalmente quais eram as responsabilidades individuais; e naturalmente aqueles que controlavam o dinheiro e assinavam os cheques é que tinham maior autoridade, O controle financeiro, portanto, muitas vezes determinava a norma de procedimento de A.A. sem considerar os pontos de vista dos funcionários e voluntários do escritório que muitas vezes compreendiam melhor esses assuntos.
Mas no momento em que consolidamos a função do nosso escritório de serviços numa simples e permanente estrutura corporativa, onde administradores e diretores tinham deveres e responsabilidades legalmente definidos, no momento em que tal corporação foi provida pelo seu próprio capital de trabalho, empregados e meios, no momento em que os seus diretores puderam votar legalmente em proporção às suas responsabilidade reais, no momento em que pudemos dessa maneira definir claramente a autoridade executiva, a partir desse momento co meçamos a ver grande melhoria. Uma condução mais harmoniosa e eficiente dos negócios tem sido notada desde então.
Havíamos aprendido, finalmente, o que o mundo dos negócios já sabe muito bem: que não poderíamos, em nível de alta administração, conduzir uma entidade de negócios grande, ativa e bem organizada, com comitês e departamentos desarticulados. Por exemplo, como poderiam funcionar hoje os nossos Custódios, se eles se tomassem um mero “comitê” ou “departamento” da Conferência de Serviços Gerais, em vez do quadro legalmente privilegiado e cuidadosamente definido que eles necessariamente são?
Também não pode a nossa Junta de Serviços Gerais ser trans formada numa corporação operacional. Qualquer corporação dirigindo um negócio grande e ativo sempre requer um único executivo que esteja familiarizado com cada departamento, que esteja disponível quase todo o tempo e que possa, portanto, coordenar diretamente os diversos departamentos e mediar as suas diferenças. Isso representaria (se o tentássemos) que as “divisões” da Junta de Serviços Gerais teriam que fazer relatórios ao seu presidente, como seu chefe executivo. Mas, a não ser que ele seja de fato um executivo, e constantemente à disposição deles, como poderia isso ser feito? Na própria natureza da nossa organização especial, o presidente da nossa Junta nunca pode ser um executivo. Ele é, geralmente, um não-alcoólico e não disporia do tempo necessário. Nem poderia, como um Custódio, receber um salário pelo serviço requerido dele como executivo principal de todos os nossos serviços.
Suponhamos, entretanto, que os Custódios empregassem um diretor de tempo integral que pudesse dirigir adequadamente todas as três empresas dos nossos serviços, como se fossem departamentos da Junta. A dificuldade imediata seria que tal pessoa nunca poderia ser um Custódio e portanto nunca poderia atuar como presidente da Junta de Serviços Gerais. Conseqüentemente, ele não teria um posicionamento verdadeiro. Ele se tomaria um homem para todos os serviços, sob a direção inexistente do presidente da Junta. Consideremos, também, que a maioria da nossa Junta de Custódios mora normalmente fora da cidade e ainda mais que não podemos exigir dos nossos Custódios não-alcoólicos que dêem aos serviços ativos uma supervisão atenta e contínua. Em resumo, essas são as razões de peso porque nunca deveríamos transformar a Junta de Serviços Gerais numa corporação operacional.
Nem mesmo estaríamos melhor servidos se formássemos uma grande corporação de serviços subsidiária, pertencente à Junta de Serviços Gerais e esquematizada para enquadrar sob um único executivo todos os nossos serviços, incluindo A.A. Grapevine. Esse plano também criaria dificuldades de execução, porque concentraria em excesso a autoridade executiva. E finalmente, um executivo individual com tantos talentos diferentes seria muito difícil de ser encontrado e difícil de ser substituído.
Uma consideração a mais é que quase sempre tentamos evitar rigorosamente qualquer grande concentração de dinheiro ou de execução, colocando o nosso fundo de reserva com os Custódios e dividindo o total do nosso capital de trabalho entre A.A. World Services, Inc. e The A.A. Grapevine, Inc., cada entidade tendo o seu executivo separado. (Hoje em dia, cada corporação tem o seu capital de trabalho separado.) Há sempre uma poderosa conexão entre dinheiro e autoridade. Em qualquer lugar em que concentremos dinheiro, criaremos, inevitavelmente, uma tentação para os exercícios da autoridade executiva excessiva, uma condição indesejável para nós. Por isso, deveríamos evitar a todo custo a colocação de muito dinheiro ou de muita autoridade em qualquer entidade de serviço. Essas são razões poderosas para manter in corporações separadas para cada um dos nossos serviços ativos.
Entretanto, a experiência adquirida nos nossos primeiros dias sugere que os nossos futuros Custódios e pessoal & serviço, no suposto interesse de simplificar a contabilidade, economia de impostos e eficiência desejadas, sejam periodicamente tentados a entrar em concentrações e consolidações de um tipo ou de outro. Caso isso seja tentado novamente, sabemos que o risco de levar a uma confusão administrativa de toda a operação será realmente grande.
Essas considerações não têm a intenção de barrar qualquer modificação futura necessária. Está sendo exortada somente para evitar repetições desnecessárias daquelas experiências dolorosas e enganos do passado que muitas vezes foram resultado de excessiva concentração de dinheiro e autoridade. Somente podemos deixar registrado que não vemos meios práticos de trans formar a nossa Junta de Custódios numa corporação de serviço ativo para todos os propósitos.
(1) Em 1997, cerca de noventa e cinco por cento dos Custódios moravam “fora da cidade”.

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CONCEITO IX
“Bons líderes de serviço, bem como métodos sólidos e adequados para a sua escolha, são em todos os níveis indispensáveis para o nosso funcionamento e segurança no futuro. A liderança principal dos serviços mundiais, antes exercida pelos fundadores de A.A., deve necessariamente ser assumida pelos Custódios da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos.”

Não importa com que cuidado projetemos a nossa estrutura de serviço de princípios e relacionamentos, não importa com que equilíbrio dividamos a autoridade e responsabilidade, os resultados operacionais da nossa estrutura não podem ser melhores do que o desempenho pessoal daqueles que compõem essa estrutura e a fazem funcionar. Boa liderança não pode funcionar bem numa estrutura mal planejada. Má liderança não funciona nem na melhor das estruturas. Mas desde que tenha mos criado uma estrutura basicamente sólida, aquela tarefa fica terminada, com exceção de pequenos refinamentos.
Com liderança teremos um constante problema. Boa lide rança pode estar aqui, hoje, e desaparecer amanhã. Equipar a nossa estrutura de serviços com trabalhadores capazes e com boa vontade, tem que ser uma atividade constante. Por conseguinte, esse é um problema que por sua própria natureza não pode ser sempre resolvido. Precisamos, continuamente, encontrar as pessoas certas para as nossas inúmeras tarefas. Uma vez que a nossa futura eficiência depende de renovadas gerações de líderes, parece-nos aconselhável que definamos, agora, o que seria um bom líder de serviço; que indiquemos cuidadosamente para cada nível de serviço, especialmente para a nossa Junta de Custódios, quais as habilidades especiais que serão sempre necessárias e que revisemos os nossos métodos atuais de procura e escolha de líderes.
Primeiramente, vamos nos lembrar que a base da nossa estrutura de serviço repousa na dedicação e habilidade de milhares de representantes de serviços gerais (RSGs), centenas de membros de comitês e perto de uma centena de Delegados. Esses são os agentes diretos dos Grupos de A.A., essas são as ligações indispensáveis entre a nossa Irmandade e os seus ser viços mundiais; esses são os representantes principais da Cons ciência de Grupo de A.A. Sem o seu apoio e atividade, não poderíamos funcionar, permanentemente, de forma alguma.
Ao escolher os RSGs, os Grupos de A.A. deveriam, portanto, ter esses fatos sempre em mente. Deveria ser lembrado que somente os RSGs podem nomear membros de comitê nas reuniões de assembléia de Grupos (ou em reuniões prévias) e, finalmente, nomear os Delegados. Por isso, muito cuidado deve ser tomado pelos Grupos ao escolher esses representantes. Os métodos ao acaso deveriam ser evitados. Os Grupos sem RSGs deveriam ser incentivados a elegê-los. Nesse campo, um certo grau de fraqueza tende a persistir. O melhoramento necessário parece ser uma questão de muito cuidado, responsabilidade e educação.
Quando os RSGs se reúnem em suas assembléias para nomear os Delegados, um grau ainda maior de cuidado e dedicação será necessário. Ambições pessoais precisam ser postas de lado, antagonismos e controvérsias esquecidas. “Quais são as pessoas melhor qualificadas que podemos nomear?” Esse deveria ser o pensamento de todos.
Até aqui, o nosso método do Terceiro Legado de nomear Delegados por votação de dois terços ou por sorteio tem prova do ser altamente satisfatório. Esse sistema de escolha tem reduzido muito o atrito político; faz com que cada Delegado, ele ou ela, sinta-se verdadeiramente um servidor mundial em vez de um vencedor de concurso. Com membros de comitê e Delegados, da mesma forma, os nossos métodos do Terceiro Legado têm geralmente produzido pessoas de alto nível de dedicação e competência. Nesse campo de serviço estamos em boa forma. As nossas Assembléias de Área precisam somente continuar atuando com cuidado e com espírito de abnegação.
Deveria ser relatado que alguns membros ainda duvidam que a escolha por sorteio seja uma boa idéia. Dizem eles que nem sempre vence o melhor homem. Como resposta, é preciso ressaltar que, cada vez que desprezamos o método de “dois terços dos votos ou sorteio” na nomeação de Delegados, tem havido uma sensação de derrota e distúrbio na minoria que aqui é quase compensada pela vantagem de nomear o suposto melhor homem. Na verdade, o segundo melhor homem pode ser tão bom Delegado como o da primeira escolha da Assembléia; ele poderá até ser um Delegado melhor.
Chegamos agora ao tema principal deste conceito particular:
Como podemos fortalecer a composição e a liderança da futura Junta de Custódios, a Junta que nos anos vindouros terá que exercer a liderança suprema de A.A. na administração dos ser viços mundiais, o quadro de Custódios que irá, de fato, assumir a maior parte dos meus deveres e responsabilidades anteriores em conexão com os serviços mundiais de A.A.?
Como foi notada anteriormente, a efetiva transferência da minha autoridade e responsabilidade para os Custódios já está sendo feita há muito tempo. Eu ainda estou aqui, continuo ser vindo como consultor e também estou terminando alguns itens remanescentes (por exemplo, a compilação destes Conceitos) que sobraram da Convenção de St. Louis, em 1955. Mas aproxima-se a época em que terei de me retirar de quase todas as atividades dos serviços mundiais. Por esse motivo, sinto grande interesse agora em fazer todo o possível para fortalecer a com posição administrativa e a liderança da nossa Junta de Serviços Gerais, para que os futuros Custódios possam melhor fazer frente aos problemas e perigos que aparecerão, sem dúvida, com o tempo. (Bill faleceu em 24 de janeiro de 1971.)
A minha admiração pelo que os Custódios alcoólicos e não- alcoólicos de A.A. têm feito por todos nós não tem limites. Durante a nossa infância e adolescência, nada poderia ter sido estruturalmente melhor do que a administração que tivemos. Olhando esse registro, muitos de nós AAs achamos natural mente que o que foi bom no passado seria certamente bom para o futuro; que qualquer mudança nos métodos indutivos, na pro porção entre Custódios alcoólicos e não-alcoólicos, ou na com posição atual da nossa Junta, provará ser mais perigosa do que benéfica.
Mas mudanças têm-nos pressionado desde então e ainda continuam. Por exemplo, a nossa Junta funcionou todos os anos, entre 1938 e 1951 sem o apoio de uma Conferência. Mas foi finalmente reconhecido e com relutância que essa relativamente desconhecida Junta não poderia continuar sem uma ligação permanente com A.A., algo que o Dr. Bob e eu não poderíamos dar para sempre. Não gostaríamos de encarar essa mudança, mas tivemos de fazê-lo. O quadro de Custódios tinha que ser seguramente amarrado ao A.A. ou, eventualmente, teríamos um colapso. A Conferência simplesmente tinha que ser criada.
Essa mudança alterou profundamente a posição dos Custódios. A sua autoridade anterior foi modificada; eles foram seguramente ligados ao A.A e, conseqüentemente, tomados diretamente responsáveis pela nossa Irmandade. Ninguém, hoje em dia, duvida da sensatez dessa momentânea mudança, porque todos podem ver agora que proporcionou uma proteção essencial para a eficiência do serviço e para a segurança do futuro de A.A. A experiência refutou a idéia de que mudanças para fazer frente a condições alteradas sejam necessariamente insensatas.
Estamos agora diante de outra grande mudança. Apesar de já termos resolvido o problema da autoridade dos Custódios, a sua responsabilidade e a sua ligação com A.A., não temos de maneira alguma resolvido, assim acredito, a questão do futuro papel da Junta na liderança dos serviços. Por isso, estou pro fundamente convicto de que a força da administração e a lide rança de A.A., através da Junta, deve ser aumentada consideravelmente; que esses e outros melhoramentos possam colocá-la em posição muito melhor, prática e psicologicamente; que tais mudanças sejam realmente necessárias para fazer frente às condições que certamente se seguirão, quando a minha própria liderança dos serviços mundiais houver terminado.
Os estudantes de história reconhecem que a transferência de liderança de uma sociedade para os seus sucessores é sempre um ponto crítico decisivo Essa difícil questão de liderança, esse problema de transferência precisa, agora, ser encarado.
* * * * *
Vamos finalmente considerar quais as qualidades especiais pessoais que um líder dos serviços mundiais precisaria ter. Seja qual for o uso que se possa ter para as futuras gerações dos nossos servidores de confiança, eu aqui ofereço uma discussão desse assunto publicado na edição de abril de 1959 do A.A. Grapevine.
LIDERANÇA EM A.A.: SEMPRE UMA NECESSIDADE VITAL
Nenhuma sociedade pode funcionar bem sem uma liderança capaz em todos os seus níveis, e A.A. não pode ser exceção. Precisa ser dito, entretanto, que nós de A.A. acariciamos algumas vezes a idéia de que podemos passar com quase nenhuma liderança pessoal. Somos capazes de distorcermos a idéia tradicional dos “princípios antes das personalidades” a tal ponto que não haveria “personalidade” alguma na liderança. Isso redundaria, de qualquer maneira, em autômatos impessoais tentando agradar a todos.
Outras vezes somos inclinados a exigir que os líderes de A.A., necessariamente, tenham que ser pessoas com o mais requinta do julgamento moral e inspiração; grandes realizadores, modelos exemplares para todos e praticamente infalíveis.
A verdadeira liderança, naturalmente, tem que funcionar no entremeio desses pólos imaginários de superioridade tão esperada. Em A.A., certamente, nenhum líder é impessoal, assim como nenhum líder é perfeito. Felizmente, a nossa Irmandade é abençoada com toda a sorte de liderança verdadeira — o pessoal ativo de hoje e os líderes em potencial de amanhã, de acordo com cada nova geração de membros capazes que vão aparecendo. Temos uma abundância de homens e mulheres cuja dedicação, estabilidade, visão e habilidades especiais os tornam capazes de lidar com qualquer serviço que lhes possa ser designado. Somente temos que procurar esse pessoal e confiar nele para que nos sirva.
Em algum lugar da nossa literatura há uma declaração que diz o seguinte: “Os nossos líderes não dirigem por mandato, lideram pelo exemplo”. Com efeito, dizemos para eles: “Atuem por nós, mas não mandem em nós.”
Um líder no serviço de A.A. é, portanto, um homem (ou uma mulher) que pode pessoalmente colocar princípios, planos e normas em ação de maneira tão delicada e efetiva que leva o resto de nós a querer apoiá-lo e ajudá-lo na sua tarefa. Quando um líder nos guia pela força excessiva, nos revoltamos; mas quando ele se toma um submisso cumpridor de ordens e não usa critério próprio, então ele realmente não é um líder.
Uma boa liderança elabora planos, normas e idéias para melhoramento da nossa Irmandade e seus serviços. Mas nos assuntos novos e importantes, todavia, consultará amplamente antes de tomar decisões e atitudes. Boa liderança também é saber que um excelente plano ou idéia pode vir de qualquer um, de qualquer lugar. Conseqüentemente, uma boa liderança muitas vezes substituirá os seus acalentados planos por outros que são melhores e dará crédito aos seus autores.
A boa liderança nunca se esquiva. Uma vez segura de que tem ou pode obter apoio geral suficiente, ela toma decisões livremente e as coloca em ação, desde que, naturalmente, essas ações estejam dentro do esquema da sua autoridade e responsabilidade definidas.
Um político é um indivíduo que está sempre tentando “arranjar para as pessoas aquilo que elas querem”. Um estadista é um indivíduo que sabe cuidadosamente discernir quando fazê-lo e quando não. Ele reconhece que mesmo as grandes maiorias, quando muito perturbadas ou não informadas, podem, às vezes, estar completamente enganadas. Quando tal situação aparece, ocasionalmente, e algo de importância vital está em jogo, é sempre dever da liderança, mesmo que em pequena minoria, tomar posição contra a tormenta, usando toda a sua habilidade de autoridade e persuasão para efetuar uma mudança.
Nada, no entanto, pode ser mais prejudicial à liderança do que a oposição, apenas com o intuito de ser oposição. Nunca pode ser: “Vai ser da nossa maneira ou nada”. Esse tipo de oposição é geralmente causado por um orgulho cego ou um desejo de domínio que nos leva a bloquear algo ou alguém. Há então a oposição que dá seu voto dizendo: “Não estamos satisfeitos.” Nenhuma razão verdadeira nem mesmo é dada. Isso não serve. Quando requisitada, a liderança tem sempre que apresentar as suas razões, e que sejam boas.
Então, também um líder precisa reconhecer que mesmo as pessoas mais orgulhosas ou raivosas podem algumas vezes estar totalmente certas, enquanto as mais calmas e humildes podem estar enganadas.
Esses pontos são ilustrações práticas das diversas discriminações cuidadosas e das pesquisas profundas que a liderança verdadeira tem sempre que tentar exercer.
Outro qualificativo para a liderança é o dar-e-receber, a habilidade de transigir sem rancor sempre que possa fazer progredir uma situação que aparenta ser a direção certa. Fazer concessões é muito penoso para nós, beberrôes de “tudo ou nada”. Entretanto, não podemos nos esquecer de que o progresso é quase sempre caracterizado por uma série de concessões vantajosas. Não podemos, entretanto, fazer concessões sempre. Uma vez ou outra é realmente necessário fincar os pés numa convicção sobre um assunto, até que ele se esclareça. Essas são situações que precisam de tempo e cuidadoso discernimento quanto ao caminho a tomar.
Liderança, muitas vezes, tem pela frente críticas pesadas e às vezes de longa duração. Isso é um teste ácido. Há sempre os críticos construtivos, os nossos amigos de verdade. Nunca podemos deixar de ouvi-los atenciosamente. Devemos estar dispostos a deixar que eles modifiquem as nossas opiniões ou que as mudem completamente. Muitas vezes, também, teremos que discordar e fazer pé firme sem perder a sua amizade.
Há então aqueles que gostamos de chamar de nossos críticos “destrutivos”. Conduzem pela força, são politiqueiros, fazem acusações. Talvez sejam violentos, maliciosos. Eles soltam boatos, fazem fofocas para atingir seus alvos — tudo pelo bem de A.A., naturalmente! Mas em A.A., já aprendemos, afinal, que esses sujeitos, que devem ser um pouco mais doentes do que nós, não são tão destrutivos assim, dependendo muito de como nos relacionamos com eles.
Para começar, deveríamos ouvir cuidadosamente o que eles dizem. Algumas vezes estão dizendo toda a verdade; outras vezes somente parte da verdade, embora freqüentemente eles estejam racionalizando até o ridículo. Se estivermos por dentro de toda a verdade, parte da verdade ou sem verdade alguma, pode ser igualmente desagradável para nós. Essa é a razão pela qual temos que ouvir tão cuidadosamente. Se eles estiverem completamente certos, ou mesmo com um pouco de verdade, será melhor então agradecer-lhes e fazer nosso próprio inventário, admitindo que estávamos errados. Caso seja tolice, pode remos ignorar isso ou colocar todas as cartas na mesa e tentar convencê-los. Caso isso falhe, poderemos sentir pena deles por estarem doentes demais para entender e podemos tentar esquecer todo o assunto. Há poucos meios melhores de autopesquisa e de desenvolvimento de genuína paciência do que a prova a que nos submetem esses membros bem-intencionados, mas erráticos. Isso é pedir muito e, às vezes, não conseguiremos, mas precisamos continuar tentando.
Agora chegamos ao atributo da mais alta importância: o da visão. Visão é, penso, a habilidade de fazer boas estimativas, tanto para o futuro imediato como para um futuro mais distante. Alguns podem achar esse tipo de esforço como se fosse uma espécie de heresia, porque nós de A.A. estamos constantemente dizendo a nós mesmos: “Um dia de cada vez.” Mas esse princípio valioso realmente refere-se à nossa vida mental e emocional e quer dizer principalmente que não somos tolos para lamentar o passado nem sonhar com o futuro de olhos abertos.
Como indivíduos e como uma irmandade, iremos certamente sofrer se deixarmos toda a tarefa do planejamento para o amanhã nas mãos da Providência. A verdadeira Providência Divina foi dar a nós, seres humanos, uma considerável capacidade de antevisão e Ela evidentemente espera que a usemos. Por isso, precisamos distinguir entre desejos fantasiosos sobre um amanhã feliz e o presente uso das nossas forças de estimativas bem pensadas. Isso pode determinar a diferença entre progresso futuro e infortúnio imprevisto.
Visão é por isso a própria essência da prudência, uma virtude essencial, se é que existe uma. Naturalmente, podemos mui tas vezes cometer erros de cálculo quanto ao futuro, como um todo, ou em parte, mas o pior é recusar-se a pensar nele.
O fazer estimativas tem diversos aspectos. Olhamos para a experiência passada e presente para ver o que pensamos que elas representam. Disso deduzimos uma idéia ou uma norma provisória. Primeiro perguntamos como é que essa idéia ou norma poderá funcionar num futuro próximo. Perguntamos, então, como é que essa idéia ou norma se aplicaria nas mais diversas condições num futuro mais distante. Se uma idéia for boa, nós a tentaremos experimentalmente, quando isso for possível. Mais tarde, reavaliaremos a situação e perguntaremos se a nossa estimativa está funcionando bem.
Nesse estágio, é provável que tenhamos de tomar uma decisão crítica. Talvez tenhamos a norma ou plano que ainda pareça ser bom e esteja funcionando bem. Não obstante, devemos considerar cuidadosamente os seus efeitos a longo prazo. Poderão as vantagens de hoje se reverter em obrigações amanhã? A tentação poderá ser a de aproveitar os benefícios imediatos, esquecendo-nos dos precedentes nocivos ou das conseqüências que possam resultar.
Essas não são teorias fantásticas. Descobrimos que precisa mos usar esses princípios para constantemente fazer previsões, principalmente em nível de serviços mundiais, onde os riscos são altos. Nas relações públicas, por exemplo, precisamos avaliar ambas as reações, dos Grupos de A.A. e do público em geral, ambos a curto e em longo prazo. O mesmo vale para a nossa literatura. As nossas finanças devem ser avaliadas e distribuídas nos orçamentos. Precisamos pensar nas nossas necessidades de serviço em relação às condições econômicas gerais, às capacidades dos Grupos e boa vontade para contribuir. Freqüentemente, precisamos pensar com meses e até anos de antecedência.
De fato, todas as Doze Tradições de A.A. foram inicialmente questões de estimativa e visão para o futuro. Anos atrás, por exemplo, desenvolvemos lentamente a idéia de que A.A. seria sustentado por si mesmo. Tivemos problemas aqui e ali com contribuições de fora. Então, mais problemas apareceram. Conseqüentemente, começamos a planejar a política de “não aceitar contribuições de fora”. Começamos a suspeitar de que grandes somas dessa proveniência poderiam tender a nos tornar ir responsáveis e poderiam nos desviar do nosso objetivo principal. Finalmente verificamos que numa estirada longa, dinheiro de fora poderia realmente nos arruinar. A essa altura, o que era somente uma idéia ou norma geral cristalizou-se firmemente numa das Tradições de A.A. Vimos que precisávamos sacrificar as vantagens rápidas e próximas por uma segurança duradoura.
Atravessamos esse mesmo processo quanto ao anonimato. Algumas aberturas públicas nos pareciam boas, mas, finalmente, a visão nos veio de que muitas dessas aberturas, eventualmente, causariam uma devastação entre nós. Portanto, foi assim: primeiro uma idéia, depois uma norma de procedimento experimental, depois uma firme norma de procedimento e, finalmente, uma profunda convicção — uma visão para o futuro.
Assim é o nosso processo de estimativa para o futuro, e líderes responsáveis pelos serviços mundiais precisariam ser capa zes nessa atividade vital. E uma habilidade essencial, principal mente dos nossos Custódios. Muitos deles, no meu ponto de vista, deveriam ser escolhidos com base em que já houvessem demonstrado habilidade de previsão nos seus próprios negócios ou carreiras profissionais.
Precisaremos constantemente desses mesmos atributos — tolerância, responsabilidade, flexibilidade e visão — entre os líderes de serviços de A.A. em todos os níveis. Os princípios de liderança serão os mesmos, seja qual for o tamanho da atividade.
Talvez isso pareça uma tentativa de projetar um tipo de membro de A.A., inicialmente privilegiado e superior. Mas realmente não é. Estamos simplesmente reconhecendo que os nossos talentos variam muito. Um regente de orquestra não é necessariamente bom em finanças e previsões. E é muito pouco provável que um bom banqueiro seja um bom musicista. Por tanto, quando falamos de liderança em A.A., somente declaramos que deveríamos selecionar essa liderança na base de obter o melhor talento que pudermos encontrar.
Embora este artigo tenha sido primeiramente idealizado com relação à liderança nos nossos serviços mundiais, é possível que algumas das suas sugestões possam ser úteis para qualquer um que tome parte ativa na nossa Irmandade.
Isso se aplica particularmente ao campo de trabalho dos Doze Passos, no qual quase todos nós tomamos parte ativamente. Todos os padrinhos são necessariamente líderes. Os valores são tão grandes quanto podem ser. Uma vida humana e geralmente a felicidade de toda uma família está em jogo. O que o padrinho diz ou faz, como prevê as reações dos seus afilhados, como controla e se apresenta bem, como faz as suas críticas e como lidera bem o seu afilhado, através de exemplos espirituais pessoais — essas qualidades de liderança podem constituir toda a diferença, muitas vezes a diferença entre a vida e a morte.
Agradecemos a Deus pelo fato de Alcoólicos Anônimos ter sido abençoado com tanta liderança em todos os seus setores.

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CONCEITO X
“Toda a responsabilidade de serviço deveria corresponder a uma autoridade de serviço equivalente — a extensão de tal autoridade ser sempre bem definida, seja por tradição, por resolução, por descrição especifica de função, ou por atas de constituição e estatutos adequados.”

Quase todas as sociedades e governos, hoje, apresentam sé rios desvios do princípio muito sadio de que cada responsabilidade operacional deve ser acompanhada de uma autoridade correspondente para desempenhá-la.
E por isso que temos tido tanto trabalho em discussões precedentes ao definir as autoridades e responsabilidades dos Grupos de A.A., da Conferência, dos Custódios e das nossas corporações de serviço ativo. Tentamos fazer, certamente, com que a autoridade em cada um desses níveis seja igual à responsabilidade. Então tentamos relacionar esses níveis entre si de tal maneira que esse princípio seja mantido completamente.
Uma característica que se sobressai, em toda boa estrutura operacional, é aquela que é garantida pelo funcionamento harmonioso e eficiente em relação direta com as suas partes e pessoas, de tal maneira que ninguém possa questionar a natureza das suas respectivas responsabilidades e áreas de autoridades correspondentes. A não ser que esses relacionamentos sejam bem definidos, a não ser que aqueles detentores da autoridade final sejam capazes e queiram adequadamente delegar e manter uma autoridade operacional satisfatória, a não ser que os que tenham essa autoridade delegada sintam-se capazes e queiram usar livremente a sua autoridade delegada como servidores de confiança e a não ser que existam meios definidos para interpretar e decidir situações duvidosas — então as desavenças pessoais, confusão e ineficiência serão inevitáveis.
O assunto da responsabilidade e da sua necessária autoridade correspondente é de tal importância que vale a pena recapitularmos o que já foi dito, ao mesmo tempo dando uma olhada panorâmica na nossa estrutura toda para melhor visualizar como este princípio se aplica e sempre precisa se aplicar, em todas as nossas atividades e atitudes.
A primeira característica que qualquer estrutura de trabalho precisa ter é um ponto, ou uma sucessão de pontos, onde haja responsabilidade suprema e, portanto, uma autoridade supre ma. Já vimos como, para os serviços mundiais de A.A., esse tipo de responsabilidade e autoridades finais residem nos próprios Grupos de A.A. E eles, por sua vez, têm dividido parte dessa sua autoridade final com a Conferência e com os Custódios.
Temos observado como os Delegados da Conferência, representando diretamente os Grupos, estão verdadeiramente imposição de suprema autoridade sobre os Custódios. Vimos também como os Custódios estão em suprema autoridade sobre as corporações exclusivas de serviço da Junta de Serviços Gerais.
— A.A. World Services, Inc. e The A.A. Grapevine, Inc. Também sabemos que os diretores dessas corporações têm suprema autoridade sobre os seus administradores que, por sua vez, têm autoridade semelhante sobre os seus quadros de funcionários.
O princípio de autoridade suprema corre claramente através da nossa estrutura. Isso é necessário porque todos os nossos assuntos e atividades de serviço têm que alcançar uma responsabilidade final em algum lugar. A autoridade suprema também é necessária para que cada trabalhador ou classe de servidores saiba de quem é e onde está a decisão final.
Se, entretanto, a autoridade suprema não for cuidadosamente qualificada pela autoridade delegada, teremos então um resultado oposto. Se não houvesse autoridade delegada, os Grupos estariam dirigindo os seus Delegados em cada votação de importância; de maneira similar, os Delegados transformariam os Custódios num comitê tímido que receberia instruções específicas em quase todos os assuntos; os Custódios, então, se intitulariam os únicos diretores das entidades de serviço e começariam a dirigi-las por diretrizes.
Os executivos incorpora dos se tornariam pequenos czares, pressionando o trabalho do quadro de funcionários. Em suma, tal abuso de suprema autoridade levaria a uma ditadura na qual quase toda a classe dos servidores de A.A. teria amplas responsabilidades, mas nenhuma autoridade verdadeira ou segura, conseqüentemente, nenhuma capacidade de decisão e liderança que lhe permitisse funcionar. Grandes ou pequenas tiranias e deixar a responsabilidade para outros seriam as penalidades inevitáveis.
Por isso, está claro que a autoridade suprema não é algo que se possa usar indiscriminadamente. Na verdade, a autoridade suprema praticamente nunca deveria ser usada no todo, a não ser numa emergência. Essa emergência geralmente aparece quando a autoridade delegada fracassa, quando precisa ser re organizada devido à sua deficiência, ou porque constantemente ultrapassa o seu intuito e o propósito definidos. Por exemplo, se os Grupos estiverem descontentes com a Conferência, eles podem eleger Delegados melhores ou cortar os meios financeiros. Se precisarem, os Delegados podem censurar ou reorganizar os Custódios. Os Custódios podem fazer o mesmo com as corporações de serviço. Se uma corporação desaprovar as operações dos seus executivos ou do quadro de funcionários, qual quer um ou todos eles poderão ser despedidos.
Estes são os usos adequados da autoridade suprema, porque eles desempenham corretamente uma verdadeira responsabilidade suprema. A influência da autoridade suprema deve ser sempre sentida, mas está perfeitamente claro que quando a autoridade delegada está funcionando bem, não deveria haver uma interferência. De outra maneira, aqueles investidos da responsabilidade operacional ficarão desmoralizados porque a sua autoridade para executar o seu trabalho estará sujeita à invasão arbitrária e porque a sua responsabilidade presente se tornará maior do que a sua verdadeira autoridade.
Como tentamos estruturalmente restringir a tendência humana daqueles com autoridade suprema para usurpar e tomar para si a autoridade operacional ou delegada necessária? Bem, essa foi uma grande tarefa, e diversos dispositivos estruturais foram necessários. Vamos revê-los e anotar como foram aplicados.
Na nossa estrutura, tentamos criar em cada nível uma definição precisa de autoridade e responsabilidade. Fizemos isso (a) por meios legais, (b) por meios tradicionais e (c) por princípios sobre os quais as situações duvidosas e as aparentes ou realmente conflitantes pudessem ser interpretadas e rapidamente resolvidas.
Vamos tomar a Ata de Constituição da Conferência. Ela não é um instrumento legal, mas na prática é substancialmente um contrato entre os Grupos de A.A. e a sua Conferência. A Ata de Constituição esclarece, de um modo geral, que os Grupos de A.A. delegaram parte da sua autoridade suprema e toda autoridade operacional necessárias para a Conferência que inclui os Custódios e os serviços ativos. E ainda sugerido nesses artigos vigentes que cada membro da Conferência, num voto final, tenha direito de votar de acordo com a sua própria consciência; que a própria Conferência esteja também garantida pelo tradicional “Direito de Decisão”, com o privilégio de escolher quais assuntos serão decididos por si mesmos e quais devem ser encaminhados de volta aos Grupos para discussão, orientação ou direção. Essas são as definições tradicionais que podem verificar a tendência natural dos Grupos a instruir em excesso os Delegados. Isso dá à Conferência uma autoridade igual à sua real responsabilidade.
Consideremos em seguida a posição dos Custódios. Em artigos anteriores, tomamos claro que, embora a Conferência tenha autoridade suprema, os Custódios devem sempre insistir nos seus direitos legais para administrar ativamente os assuntos de serviço. Os seus direitos legais foram fortalecidos e o seu uso encorajado pelo tradicional “Direito de Decisão”. Nestes artigos, reconhecemos que os Custódios têm o direito legal de “veto” sobre a Conferência, quando em raras ocasiões acharem necessário o seu uso. Por esses meios, garantimos aos Custódios uma autoridade administrativa igual à sua verdadeira responsabilidade. Isso foi feito, naturalmente, sem negar de maneira alguma a autoridade suprema da Conferência ou dos Delegados, quando for necessário censurar os Custódios ou dar- lhes diretrizes, ou para reorganizar a Junta. Deveria ser notado que a posição dos Custódios é ainda mais fortalecida pela sua “participação no voto” da Conferência e pelo reconhecimento de que eles são os administradores principais dos serviços mundiais de A.A.
Muito cuidado tem sido tomado também para assegurar aos diretores do A.A. World Services, Inc. e da A.A. Grapevine, Inc. uma ampla autoridade operacional que venha perfeitamente ao encontro de sua responsabilidade, pela conduta rotineira dos nossos serviços ativos. As disposições da Ata de Constituição das suas corporações protegem legalmente os seus direitos; a tradição de que os Custódios precisam eleger não-Custódios experientes para essas Juntas os fortalece ainda mais. Além disso, o tradicional “Direito de Decisão” adiciona ainda mais substância à sua posição. Nestes Conceitos, os perigos de tomar a Jun ta de Serviços Gerais novamente uma corporação operacional “departamentada” foram também enfatizados.
Essas são as precauções extraordinárias que temos tomado para manter a autoridade e a integridade dos próprios serviços ativos. Essas margens de segurança são necessárias porque es sas corporações pertencem à Junta de Serviços Gerais. Por isso, a autoridade dos Custódios sobre elas é não somente suprema como absoluta, no momento em que os Custódios assim o quiserem. Eles podem eleger novas juntas de diretores em qual quer ocasião; eles controlam os orçamentos incorporados; eles podem reter os fundos operacionais. Todos esses poderes são corretos e necessários. Contudo, enquanto as coisas correm bem, é de alta importância que os Custódios não interfiram desnecessariamente ou que não usurpem a autoridade operacional dessas entidades. Daí o cuidado que tomamos ao elaborar essas definições de autoridade delegada.
Num grau considerável, os comitês permanentes da Junta de Serviços Gerais — Normas de Procedimento, Finanças, Informação ao Público e os demais, possuem liberdade de ação similar. De acordo com o princípio do “Direito de Decisão”, cada comitê principal pode escolher quais as questões que resolverá por conta própria e quais encaminhará à Junta. A posição desses comitês é também fortalecida pela indicação de uma boa proporção de membros-não-Custódios. Aqui também tentamos fazer a autoridade desses comitês igual à sua responsabilidade.
Chegamos agora ao assunto de autoridade conflitante e como esses conflitos devem ser resolvidos. A maior pane dos conflitos rotineiros nos serviços ativos pode ser resolvida com facilidade, porque providenciamos comunicação fácil entre todas as corporações de serviço e os comitês da Junta de Serviços Gerais. Por exemplo, em toda reunião das Juntas da A.A. Grapevine, um representante do A.A. World Services, Inc. está presente e vice-versa, O Comitê de Normas de Procedimento sempre tem um ou mais membros do Comitê de Finanças e Orçamentos e vice-versa. Essa interligação permite fácil comunicação. Cada entidade sabe o que a outra está fazendo. Essa organização prática elimina muitos dos conflitos de autoridade — mas não todos.
Vamos supor, por exemplo, que o enquadramento e a execução de uma importante norma de procedimento de A.A. esteja envolvida. Nesse caso, o Comitê de Normas de procedimento, naturalmente, assume a jurisdição principal tomando para si a tarefa de planejar e fazer recomendações à Junta de Custódios.
Vamos supor, entretanto, que uma grande soma de dinheiro seja necessária. Nesse caso, o plano também terá que ser sub metido ao Comitê de Finanças e Orçamentos. Se esse comitê concordar que essa despesa é justificada e que está dentro do orçamento das despesas gerais, avisa o Comitê de Normas de Procedimento para que vá adiante e faça a recomendação aos Custódios. Mas se o Comitê de Finanças e Orçamentos se opuser, terá que submeter então a sua objeção aos Custódios, que resolverão o caso. Se acharem necessário, os Custódios passarão o assunto à Conferência.
O princípio de uma jurisdição primária e uma secundária também trabalham em sentido inverso. Se o Comitê de Finanças, por exemplo, propuser uma despesa muito grande que possa afetar profundamente a sensibilidade e as normas de procedimentos de A.A., devem ter certeza e consultar o Comitê de Normas de Procedimento, mesmo que a jurisdição principal ainda seja do pessoal das Finanças e dos Orçamentos.
Em toda matéria conjunta ou de autoridade conflitante, por tanto, a jurisdição maior deve ser estabelecida. A jurisdição menor deve ser ouvida, e seja qual for a questão envolvida, deverá haver um ponto ou corpo de concordância onde um acordo final possa ser feito. Compreende-se que conflito de menor monta não devem ser descarregados sobre os Custódios para decisão final, mas deveria estar sempre claro onde o ponto da decisão final está localizado.
Uma condição a ser evitada a todo custo é a dupla administração em assuntos de negócios ou de normas de procedimento. A autoridade nunca pode ser dividida em duas metades iguais. Em lugar nenhum, tal autoridade dividida ou administração dupla confunde tanto uma estrutura como nos seus departamentos executivos. A necessidade vital de evitar-se dupla administração executiva será amplamente discutida no Conceito XI.
Além dos métodos que usamos para igualar autoridade à responsabilidade delegada, temos mais duas garantias — o “Direito de Apelação” e o “Direito de Petição”.
Como sabemos, uma mera maioria está apta a constituir-se como uma pseudo-autoridade suprema em muitas ocasiões, quando não deveria assim fazer. Da mesma forma, os executivos têm propensão a super chefiar os seus assistentes. Por isso, usamos os conceitos de apelação e petição para assegurar que toda a minoria e todo colaborador, ao executar um trabalho, tenha uma autoridade e um posicionamento correspondentes à responsabilidade envolvida.
Para resumir, tenhamos sempre a certeza de que existe uma abundancia de autoridade suprema ou final para corrigir ou para reorganizar; mas tenhamos também certeza de que todos os servidores de confiança possuem uma autoridade adequada e claramente definida para executar o seu trabalho diário e para desincumbir-se das suas claras responsabilidades.
Tudo isso está bem implícito na Segunda Tradição de A.A. Aqui vemos a “Consciência de Grupo” como a autoridade final e os “servidores de confiança” como autoridade delegada. Uma não pode funcionar sem a outra. E, com respeito mútuo, pode remos manter, constantemente, um equilíbrio de trabalho harmônico e correto.
(1) Nos anos que se seguiram, após Ri!! ter preparado e descrito as funções do Comitê de Normas de Procedimento (ver pág. 84), estas foram drasticamente alteradas, Agora conhecida como Sessão de Participação Geral, reunindo-se três vezes ao ano, por cerca de duas horas, no domingo anterior às reuniões da Junta de Serviços Gerais, ela considera os planos de longo alcance da Junta e outros tópicos de interesse especial.
Seus membros incluem todos os Custódios, os diretores e pessoal de serviço do A.A.W.S., da Grapevine e os membros designados dos comitês da Junta.

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CONCEITO XI
“Enquanto os Custódios tiverem a responsabilidade final pela administração dos serviços mundiais de A.A., eles deverão ter sempre a melhor assistência possível dos comitês permanentes, diretores de serviços incorporados, executivos, quadros de funcionários e consultores. Portanto, a composição desses comitês subordinados e juntas de serviço, as qualificações pessoais dos seus membros, o modo como foram introduzidas dentro do serviço, os seus sistemas de revezamento, as maneiras como eles são relacionados uns com os outros, os direitos e deveres especiais dos nossos executivos, quadros de funcionários e consultores, bem como uma base própria para a remuneração desses trabalhadores especiais, serão sempre assuntos para muita atenção e cuidado.”

O já conhecido sucesso da Junta de Serviços Gerais não de pende somente da capacidade dos próprios Custódios; dependerá inteiramente da liderança competente e do relacionamento harmonioso dos membros não-Custódios de comitês, diretores de serviços incorporados, executivos e membros do quadro de funcionários que devem ativamente executar os serviços mundiais de A.A. As suas qualidades e dedicação, ou a ausência dessas características, poderão construir ou desabar a nossa estrutura de serviço. A nossa dependência final deles sempre será realmente grande.
Muito mais do que a maioria dos Custódios, esses servidores estão em contato direto com A.A. pelo mundo inteiro, e o seu desempenho está constantemente à vista. Eles executam quase todo o trabalho rotineiro. Eles executam a maioria dos nossos serviços. Eles viajam por toda à parte e recebem muitos visitantes na Sede. Eles freqüentemente dão início a novos planos e normas de procedimento. Alguns deles eventualmente se tomarão Custódios. Pelo fato deste grupo formar a imagem visível do serviço mundial, a maioria dos AAs avaliará o valor dos nossos serviços pelo que vê e sente neles. Esses membros não somente sustentam a liderança mundial dos Custódios, mas de pendendo da natureza do caso, eles serão compelidos a com partilhar a liderança mundial com os Custódios.
Felizmente, já temos uma sólida estrutura interna de serviço na qual um grupo muito competente de servidores não-Custódios está agora trabalhando. Somente alguns aperfeiçoamentos e alterações ainda serão necessários no A.A. World Services, Inc. e no The A.A. Grapevine, Inc., este último sendo, comparativamente, um recente integrante do cenário dos nossos serviços. Os principais delineamentos dessa estrutura subordinada já estão agora definidos, e a eficiência dessa organização já foi bem provada. Do que então consiste a nossa estrutura subordinada de serviço?
E composta dos seguintes elementos: os cinco’ comitês permanentes da Junta de Serviços Gerais, mais as nossas duas corporações de serviço ativo, A.A. World Services, Inc. (incluindo a sua divisão de publicações de A.A.) e The A.A. Grapevine, Inc. Vamos dar uma olhada em cada uma dessas operações.
Os comitês permanentes da Junta de Serviços Gerais são:
Nomeações, Finanças e Orçamentos, Informação Pública, Literatura e Normas de Procedimento (o nome do último foi muda do — veja página 84; outros comitês foram criados — Cooperação com a Comunidade Profissional, Conferência de Serviços Gerais, Arquivos, Convenção Internacional/Fóruns Regionais de A.A., Instituições Correcionais, Instituições de Tratamento, Internacional). Os títulos designam claramente as responsabilidades administrativas diretas da Junta de Serviços Gerais. Esses comitês são indicados anualmente pelo presidente da Junta de Serviços Gerais e cada comitê, como já vimos, inclui uma adequada proporção de Custódios, não-Custódios experientes para o trabalho a ser feito, um executivo da Sede e um quadro de funcionários.
– O Comitê de Nomeações: Este comitê auxilia os Custódios a desincumbirem-se da sua principal obrigação, a de providenciar para que todas as vagas — quer entre os seus próprios quadros, quer entre os diretores-chave de serviço ou executivos — sejam devidamente preenchidas com membros e trabalhadores da maior competência, estabilidade e atividade possíveis.
As recomendações deste comitê, em grande parte, determinarão o contínuo sucesso dos nossos serviços. Os seus membros terão a voz principal na escolha dos nossos futuros Custódios e dos trabalhadores não-Custódias. Deliberação cuida dosa, investigação e entrevistas minuciosas, recusa para aceitar recomendações casuais, preparação bem antecipada das listas dos candidatos adequados — essas deverão ser as principais atitudes e atividades deste comitê. Toda tentação de precipitação ou julgamento apressado deverá ser fervorosa e constantemente repelida.
Outro problema que os comitês poderão enfrentar é o da tendência sutil para a corrupção a nível pessoal, devido à natural e usualmente inconsciente tendência daqueles que sugerem as nomeações para selecionar indivíduos com habilidades pouco menores do que as suas próprias. Instintivamente, procuramos nos juntar com os que se pareçam conosco, apenas um pouco menos experientes e capazes. Por exemplo, qual o executivo que provavelmente recomendaria um assistente que fosse muito mais competente do que ele mesmo? Qual o grupo de membros do quadro de funcionários que recomendaria um novo colaborador com capacidade de muito maior do que a média da sua própria? O inverso é o mais provável. Repartições do Governo, instituições e mui tas empresas comerciais sofrem dessa traiçoeira corrupção. Ainda não experimentamos isso em nenhum ponto, e temos certeza de que nunca o faremos. Todos nós precisamos estar de guarda contra essa má tendência, especialmente o Comitê de Nomeações, cujo primeiro e último dever é escolher o que há de melhor para cada vaga.
– O Comitê de Finanças e Orçamentos: a principal responsabilidade deste comitê é a de providenciar para que não fiquemos sem dinheiro ou irmos à falência. Este é o lugar em que dinheiro e espiritualidade têm que se misturar, e exatamente na proporção certa. Aqui precisamos de membros firmes, práticos, com muita experiência financeira. Todos deveriam ser realistas, mas um ou dois pessimistas podem ser necessários. O temperamento do mundo todo, hoje em dia, é gastar mais do que tem, ou jamais terá. Muitos de nós, conseqüentemente, estaremos infestados por essa filosofia cor-de-rosa. Quando um novo e promissor projeto de serviço de A.A. surge, estamos prontos para gritar: “Não importa o dinheiro. Vamos em frente.” Aí é quando se espera que os nossos experientes orçamentistas digam: “Parem, olhem e escutem.” E nesse ponto que os “pão-duro” colidem construtiva e sadia- mente com os “perdulários”. A função principal deste comitê, portanto, é a de providenciar para que a operação da nos sa Sede tenha sempre dinheiro suficiente e que permaneça dessa maneira, em tempos bons ou ruins-
Este comitê precisa calcular, cuidadosamente, a renda de cada anos Precisa desenvolver planos para aumentar as nos sas rendas. Examina criteriosamente os custos desnecessários, desperdício e repetição. Examinará cuidadosamente os orçamentos anuais de previsão de renda e despesas submeti das ao A.A. World Services, Inc. e The A-A. Grapevine, Inc. Recomendará alterações das estimativas, quando necessário.
No meio do ano, pedirá revisão dos orçamentos, caso as estimativas anteriores estejam muito diferentes. Examinará cada nova e considerável despesa, perguntando: “Isto é necessário ou desejável agora? Considerando tudo, podemos arcar com isso?”
Este comitê, nos bons tempos, insistirá para que continue mos a separar somas substanciais para o nosso Fundo de Re serva. Continuará um plano de investimento naquele fundo que garantirá a disponibilidade imediata de pelo menos dois terços a qualquer hora, sem prejuízos, conseqüentemente, capacitando-nos a enfrentar os momentos difíceis ou mesmo uma calamidade.
Isso não quer dizer que o nosso Comitê de Finanças e Orçamentos diga “não” constantemente e que medrosamente esconda o nosso dinheiro. Lembro-me da época em que tínhamos intenção de formar o nosso Fundo de Reserva com a arrecadação do livro de donativos, pois tínhamos deixado os serviços do escritório decair lamentavelmente pela simples falta de ajuda para enfrentar o nosso rápido crescimento. Os Grupos perderam a confiança, e as contribuições diminuíram severamente em dezenas de milhares por ano. Até que o escritório fosse reorganizado e a confiança restaurada, já tínhamos consumido todo o disponível, além de uma boa parte do Fundo de Reserva. Esse tipo de economia falsa e pouco criativa pode revelar-se muito prejudicial em espírito, em serviço e em dinheiro.
Os futuros comitês, portanto, pesarão a diferença entre a verdadeira prudência (que não é nem ter medo, nem acumular e que pode, na verdade, algumas vezes, levar-nos a déficits temporários) e aquele tipo de prodigalidade persistente que poderia algum dia resultar numa severa restrição ou colapso dos nossos serviços vitais.
O caminho certo geralmente fica no meio, entre os cortes drásticos e os gastos imprudentes.
– O Comitê de Informação ao Público: Este também é de alta importância. Naturalmente, muitos dos seus membros deveriam ser experientes no campo de relações públicas. Mas ênfase também deveria ser dada sobre o fato de que somente experiência comercial não será o suficiente. Devido ao conservadorismo tradicional de A.A., refletido na máxima “atração antes que promoção”, é evidente que os membros profissionais deste comitê deveriam ser capazes de adaptar suas experiências profissionais às necessidades de A.A. Por exemplo, as técnicas usadas para promover grande personalidade ou para vender uma nova loção para cabelos não serviriam para A.A. Este comitê deveria sempre incluir um certo número de AAs que, por sua longa experiência, tenha realmente o “senso de A.A.”, isto é, uma larga visão do nosso quadro total, o que é necessário às relações públicas.
Ao mesmo tempo, não vamos deixar de lado a necessidade de uma habilidade profissional. Lidar com o enorme com plexo de relações públicas, como existe hoje, não é uma tarefa para amadores. A habilidade nesse campo implica em muita experiência técnica, diplomacia, um sexto sentido para o que é perigoso ou não, a coragem de correr riscos calculados e a disposição para assumir compromissos sensatos, mas aceitáveis pelas nossas Tradições. Estes são os talentos especializados de que sempre precisaremos.
Estamos tentando alcançar o maior número possível dos vinte e cinco milhões de alcoólicos que hoje* habitam este mundo. Temos que alcançá-los direta ou indiretamente.
(*) Escritos em 1960.
Para conseguir isso, será necessário que a compreensão de A.A. e a boa vontade pública em relação a A.A. comecem a crescer em toda a parte. Precisamos ainda nos relacionar melhor com a medicina, religião, empregadores, governos, tribunais, prisões, hospitais psiquiátricos e todas as entidades ligadas ao campo do alcoolismo. Precisamos da boa vontade, cada vez maior, por parte dos editores, escritores, televisão e rádio. Esses meios de publicidade — local, nacional e internacional — deveriam tomar-se cada vez mais acessíveis, sempre evitando, entretanto, táticas evasivas de promoção. E através de todos esses recursos que devemos levar a mensagem de A.A. para aqueles que sofrem do alcoolismo e suas conseqüências.
Isso justifica a importância na qual temos o trabalho e as recomendações do nosso Comitê de Informação ao Público. E uma tarefa difícil; um simples descuido de repercussão pública pode custar muitas vidas e muito sofrimento, porque muitos membros em potencial se afastariam. Ao contrário, toda relação pública com sucesso traz os alcoólicos em nos sa direção.
– O Comitê de Literatura: este é encarregado da revisão dos livros e folhetos existentes, como também da criação de panfletos novos para fazer frente a novas necessidades ou alterações necessárias. Falando de maneira clara, a sua missão é a de ter uma visão adequada e compreensiva de A.A. em cada um dos seus aspectos, mostrada por escrito aos nossos membros, amigos e ao mundo em geral. A nossa literatura é um dos principais meios pelo qual a recuperação, a unidade e o serviço de A.A. são facilitados. Toneladas de livros e panfletos são despachados todos os anos. A influência desse material é in calculável. Conservar a nossa literatura refletindo o nosso progresso é, portanto, uma tarefa urgente e vital.
O Comitê de Literatura terá que constantemente resolver problemas de estética, formato e conteúdo. Aqui o nosso propósito é o de alcançar o que há de melhor; acreditamos firmemente que uma literatura de aparência pobre, barata e malfeita não é interessante para A.A. sob qualquer ponto de vista, seja eficiência, economia ou qualquer outro.
Como outros comitês da Junta de Serviços Gerais, este precisa ser especializado no trabalho a ser feito. Uma figura-chave no seu funcionamento é necessariamente um escritor e consultor assalariado. O trabalho criativo, isto é, a forma inicial, o esboço e o acabamento final, será tarefa desse especialista. O papel dos outros membros do comitê será o de crítica construtiva e correção do trabalho do consultor. Aqui, também devemos lembrar que este comitê certamente precisa de pessoas com larga experiência de A.A. E vital que o “sentido de A.A.” esteja integrado em todos os nossos escritos. O que dizemos tão bem pela palavra oral precisa também comunicar por escrito.
O Comitê de Literatura, conseqüentemente, achará aconselhável testar cuidadosamente cada nova criação, perguntando para um certo número de AAs sensíveis ao sentido de A.A. sobre a sua impressão, solicitando sua crítica e sugestões. Se o novo material afetar o mundo não-alcoólico, especialmente no campo da medicina e da religião, deveria ser feita uma consulta aos Custódios não-alcoólicos ou outros amigos qualificados que tenham conhecimentos nesse campo.
– O Comitê de Normas de Procedimento: Talvez este seja o mais importante de todos os comitês da Junta de Serviços Gerais e é considerado como o mais antigo. Ele pode ter jurisdição sobre praticamente todos os problemas envolvendo normas de procedimento, informação pública ou as Tradições de A.A. que possam surgir nos outros comitês corporações de serviço.
Passados alguns anos tornou-se evidente que o volume de recomendações vindas anteriormente das reuniões trimestrais da Junta de Custódios tomou-se muito grande para solucioná-los. Portanto tivemos que criar um comitê que pudesse filtrar todos esses assuntos, resolvendo os menos importantes e examinando detalhadamente os de maior importância. O objetivo foi o abrandamento do acúmulo de assuntos nas reuniões dos Custódios para a presente Junta e cuidadosamente discutir as recomendações, incluindo relatórios das minorias, sobre assuntos mais sérios. Conseqüentemente a atenção da Junta de Serviços Gerais poderá se concentrar naquilo que ela realmente tem que fazer. Esse Comitê, com bastante tempo à sua disposição, poderá também fortalecer nosso processo de planejamento de normas de procedimentos. Poderá prevenir erros crassos, grandes ou pequenos, graças à sua diligência.
Todos os outros Custódios, os membros do comitê e diretores do quadro de funcionários, são convidados a participar das reuniões — os Custódios porque eles podem conseqüentemente tomar conhecimento prévio das questões que enfrentarão na sua própria reunião a seguir — os membros do comitê de diretores porque à sua maneira eles obterão um quadro completo do que outros departamentos ligados à Sede vêm fazendo.
Este é um grande comitê e funciona “na forma de reuniões”, requerendo quatro a seis horas de cada domingo à tarde, precedendo a reunião trimestral da Junta de Serviços Gerais da segunda-feira. Uma agenda cuidadosamente trabalhada é sempre preparada. O comitê divulga aos Custódios um completo relatório de suas recomendações, junto com quaisquer opiniões da minoria. Esses relatórios também contêm uma verdadeira distribuição de assuntos menores.
O Comitê de Normas de Procedimento fortaleceu muito a unidade da nossa Sede. Todos os participantes têm a sensação de que “fazem parte do time” O tamanho dessa reunião não é obstáculo. Muitas cabeças com bastante tempo e verdadeira sensibilidade a A.A. asseguram uma eficiência notável de normas de procedimento e planejamento.
É enfatizado aqui que nenhum dos comitês da Junta de Serviços Gerais é de caráter executivo. Eles não administram nem conduzem as atribuições ativas das corporações de serviço. Eles podem, entretanto, fazer quaisquer recomendações que quiserem — às próprias corporações de serviço ou aos Custódios.
A Junta de Serviços Gerais possui as ações dessas entidades Os Custódios elegem anualmente todos os diretores, sete (no presente) em cada corporação. Isso quer dizer que, no que diz respeito à direção rotineira dos nossos serviços estabelecidos, os Custódios delegaram, na íntegra, a sua função executiva nessas áreas de serviço constantemente ativo.
A diretoria do A.A.W.S., Inc. (incluindo a Divisão de Publicações), é tradicionalmente composta de dois Custódios para supervisionar seu funcionamento, três não-Custódios conhecedores das funções a serem executadas e dois executivos, o gerente geral da Sede e um de seus assistentes, que são o presidente e o vice-presidente respectivamente. Os dois diretores Custódios geralmente examinam o serviço feito na Junta na qualidade de peritos, e um deles é costumeiramente nomeado Tesoureiro. Os diretores em A.A. conseqüentemente são aqueles cuidadosamente experimentados nessas operações
Observe-se que este o Comitê Geral de Normas de Procedimento sempre examina os relatórios trimestrais das corporações de serviço e quaisquer relatórios de outros comitês da Junta de Serviços Gerais, sempre disponíveis quando das reuniões. O comitê discute cuidadosamente sobre esses relatórios e prepara recomendações a respeito deles.
Os seguintes a serem considerados serão as nossas corporações de serviço ativo, A.A. World Services, Inc. e The A.A. Grapevine, Inc. Suas atividades representam provavelmente nove décimos dos esforços diretos da nossa Sede.
A situação da Grapevine é estruturada similarmente, com duas exceções. Os dois Custódios diretores da Grapevine são (1) um ex-editor da Grapevine, e (2) um homem de finanças que serviu previamente na Junta da Grapevine. O Custódio mais recente, tradicionalmente nomeado seu gerente, preside às reuniões da incorporada. Isso é porque o editor que é tradicionalmente o presidente da Grapevine, e não seu diretor membro do quadro de funcionários, o vice-presidente, ordinariamente necessitará de.experiências em negócios para presidir a diretoria da Grapevine incorporada. Essas providências também colocam o gerente numa posição favorável para intermediar diferenças que podem surgir entre o departamento editorial e os negócios da empresa. A Grapevine também tem uma diretoria editorial que nomeia seus próprios sucessores, sujeitos à aprovação da Junta.
A Junta Editorial assiste ao editor e seu corpo de funcionários em definir a norma de procedimento editorial, pontos de vista e conteúdo da revista. Isso alivia o editor (atualmente um voluntário) em sua carga de trabalho. Ele estuda e faz recomendações a respeito do material promocional e endereçado aos Grupos. Fornece os funcionários responsáveis pelas composições artísticas e editoriais. Qualidade e coe são, ambos em esforço conjunto. Isso proporciona um treinamento para futuros editores. Por conseguinte, nossa Junta Editorial é a principal garantidora da qualidade da revista em sua contínua edição.
Toda nova geração de trabalhadores faz certas perguntas sobre essas duas juntas incorporadas: “Por que não podem ser fundidas à Junta de Serviços Gerais?” ou “Por que a Grapevine não pode ser absorvida pelo A.A. World Services, Inc., colocando assim todas as operações ativas da Sede sob uma única direção?” Essas perguntas já foram discutidas nos Conceitos anteriores. Concluímos que a Junta de Serviços Gerais é um veículo inadequado para uma corporação operativa; que, devido ao fato de a Grapevine ser urna operação diferente e porque não devemos acumular muito dinheiro nem autoridade executiva numa única entidade, não deveria haver uma fusão do S.M.A.A. com a Grapevine. Sobre esse ponto parece que concordamos bem — pelo menos até agora.
Mas essa questão tem algumas outras variações. Freqüentemente será perguntado: “Se deseja incorporar separadamente empreendimentos diferentes, por que, então a divisão de publicações dos Serviços Mundiais de AA. não deveria ser incorporada separadamente e dirigida por um quadro de diretores especializados na publicação de livros e livretes?” De imediato, isso parece lógico.
Hoje, entretanto, as publicações de A.A. são uma mera operação de negócios. Diferente de uma editora comercial, não precisamos selecionar, escrever e publicar unia porção de livros novos todos os anos. A maior parte dos livros de A.A. já está escrita e é provável que poucos a mais serão publicados. Naturalmente, publicaremos novos panfletos aqui e ali, e uma revisão do material mais antigo é aconselhável ocasionalmente. Mas essa pequena quantidade de trabalho criativo para publicação pode ser executada com facilidade pelo Comitê de Literatura. Portanto a operação da divisão de publicações de A.A. World Services, Inc. é agora principal mente uma questão de impressão, distribuição, contabilidade e finanças. Para propósitos administrativos, não há portanto uma necessidade imediata de uma corporação separada; é somente necessário que os livros contábeis de A.A. World Services, Inc. mostrem uma conta separada para a sua divisão de publicações de A.A. Somente se houvesse urna entrada grande e prolongada no negócio de novos livros, necessitaríamos, então, de uma direção incorporada separada.
Outra pergunta será: “Por que não fundimos a publicadora de A.A. (de livros e panfletos) com a Grapevine, portanto colocando toda a nossa literatura sob unia única direção?” Á resposta aqui é baseada na completa falta de semelhança das duas entidades. A Grapevine deve produzir mensalmente um produto de qualidade inteiramente novo, na hora certa. Ao contrário, o sucesso das publicações de kA. World Services, Inc. depende muito do que já foi escrito.
Na Grapevine, a atividade principal é portanto criativa. A Grapevine requer diversos membros do quadro de funcionários assalariados e a ajuda constante de grande número de voluntários especializados sem os quais não poderia funcionar. Por que, então, deveríamos sobrecarregar esse pessoal com uma atividade muito mais de negócios? Obviamente não deveríamos.
Outra pergunta freqüentemente feita é: “Por que não de veria a World Services, Inc. assumir toda a contabilidade, finanças, promoção e distribuição da Grapevine? Não seria essa consolidação de finanças, empregados e negócios rotineiros mais eficiente e econômica? Isso não aliviaria a Grapevine de todas as dores de cabeça dos negócios?”
A primeira vista, esse plano também parece razoável. Mas as probabilidades são que o funcionamento seria medíocre. Tem sérios problemas estruturais. Isso violaria o princípio básico do bom funcionamento que diz que onde estiver a responsabilidade de uma tarefa, precisará também haver autoridade, fundos, pessoal e equipamentos necessários para completá-la. The A.A. Grapevine, Inc., indubitavelmente, tem total responsabilidade pela sua própria solvência, promoção, normas de procedimento e administração da sua circulação. A Conferência e a Junta de Serviços Gerais sempre a manterão responsável. Portanto, o que aconteceria se uma grande parte dos negócios da Grapevine fosse transferida para uma administração incorporada completamente diferente, sobre a qual a Grapevine não tem autoridade? Isso teria certamente uma dupla administração e uma fonte de conflitos contínuos. O Quadro da Grapevine ficaria virtualmente impotente.
Tal situação tenderia também a desmoralizar o quadro editorial de funcionários e a Junta Editorial de Voluntários especializados. Este grupo tem uma representação de três diretores no quadro da Grapevine. Em tal corporação é possível agora conciliar o desejo editorial na excelência da revista com a realidade da situação financeira da Grapevine. Caso os negócios da Grapevine fossem transferidos para A.A. World Services, o posicionamento e a influência do pessoal editorial da Grapevine seria reduzido a quase nada, Os diretores dos Serviços Mundiais estariam primordialmente interessados na solvência e eficiência dos negócios, enquanto os representantes editoriais da Grapevine estariam ainda pro curando por qualidade e melhoramentos da revista. Não haveria maneira prática de conciliar essas diferenças. Os diretores comerciais do A.A. World Services, Inc. controla riam os trabalhadores editoriais e portanto a política editorial. O grupo editorial acharia que se havia transformado num simples comitê, recebendo instruções dos Serviços Mundiais de A.A. “Quem toca a flauta escolhe a música” se tornaria o atual sistema de trabalho. Tendo assim dividido a direção da Grapevine em metades e abandonado o princípio de “Participação”, é duvidoso que pudéssemos fazer esse esquema funcionar especialmente com todos esses voluntários. Eventualmente, poderíamos economizar algum dinheiro, mas provavelmente não poderíamos salvar a revista.
Organizações conjuntas entre Grapevine e Serviços Mundiais de A.A. para operações de rotina, tais como cobranças, despacho de correspondência, etc. não são necessariamente evitadas, ainda que em menor grau os mesmos tipos de atritos descritos acima são de se esperar que apareçam, a não ser que haja um maior entendimento, o mais claro possível, de “quem controla o que e quando”
Nós que agora trabalhamos na Sede de A.A., estamos de pleno acordo com as operações anteriores. Elas são relatadas com certos detalhes para qualquer benefício que possam trazer no futuro. Precisamos compreender que devemos estar sempre de guarda contra remendos estruturais somente com propósitos de fazer economia. Essas tentativas podem freqüentemente resultar em tal desarmonia e conseqüentemente ineficiência que nada é realmente economizado, podendo realmente trazer perdas reais.
Uma descrição detalhada do lado operacional ativo dos nossos comitês da Junta de Serviços Gerais e corporações de serviço ativo é muito extensa para ser toda colocada aqui. Devemos anotar, entretanto, muitos outros princípios e problemas que são comuns ao A.A. World Services, Inc. e A.A. Grapevine.
1. A posição dos executivos — distinção entre direção executiva e formação de normas de procedimento: nenhum serviço ativo pode funcionar bem sem uma direção executiva competente e permanente. Isso precisa sempre recair numa única pessoa, auxiliada por tantos assistentes quantos forem necessários. Uma junta ou comitê não pode nunca dirigir nada ativamente, no sentido de uma execução contínua. Essa função tem que ser delegada a uma única pessoa. Essa pessoa tem que ter ampla liberdade e autoridade para executar o seu trabalho, e não deve haver interferência enquanto o seu trabalho estiver sendo bem executado.
A habilidade executiva verdadeira não pode ser colhida em qualquer arbusto; é rara e difícil de ser encontrada. É necessária uma especial combinação de qualidades. O executivo deve inspirar pelo exemplo e energia, conseqüente mente assegurando cooperação com boa vontade. Se essa cooperação não for franca, ele deve saber quando precisa ser mais firme.
Ele deve agir sem favoritismo ou parcialidade. Ele deve compreender e executar os trabalhos grandes sem negligenciar os pequenos. Ele deve freqüentemente tomar a iniciativa ao fazer planos.
O uso dessas habilidades executivas implica num certo entendimento por parte do executivo e daqueles que trabalham com ele; caso contrário, poderá haver desentendimento. Por causa da sua aspiração e energia naturais, os executivos falham muitas vezes em distinguir entre a execução rotineira de planos e normas de procedimento já estabelecidos e a criação de outros novos. Nessa área, eles tendem a fazer novos planos e colocá-los em execução sem consultar suficientemente àqueles cujo trabalho pode ser afetado, ou àqueles cuja experiência e sabedoria são real ou oficialmente necessárias.
Um bom executivo é, via de regra, um bom vendedor. Mas ele, muitas vezes, deseja venda rápida e resultados imediatos, quando em muitas ocasiões, conversar com muitas pessoas, calmamente, é necessário. Entretanto, isso é muito melhor do que tímidos atrasos e as constantes petições para que alguém lhes diga o que fazer, O executivo que se excede pode ser moderadamente controlado por meio da posição e definição estruturais dentro das quais tem que trabalhar. Mas um executivo fraco e indeciso é de pouca utilidade.
E, portanto, dever do bom executivo, aprender a discernir quando deveria atuar por sua conta, ou quando é adequado fazer consultas limitadas ou amplas, ou quando ele deveria pedir definições e instruções específicas. Esse discernimento depende realmente dele. Seu privilégio de escolher é garantido estruturalmente pelo “Direito de Decisão”. Ele pode ser sempre censurado depois dos seus atos, mas raramente antes.
Nos nossos serviços mundiais, estamos resolvendo mais dois problemas importantes. Um era a falta de dinheiro para empregar executivos de tempo integral para A.A. World Services, Inc. e para A.A. Grapevine, Inc. Contudo, em nosso Escritório de Serviços Gerais, agora já podemos pagar um diretor-geral que trabalha meio expediente.
Na Grapevine, necessitamos contar com um voluntário.
Claro que cada um desses executivos tem um quadro de assistentes assalariados. Mas o fato de que um de nossos principais executivos pode somente dedicar metade de seu tempo e o outro consideravelmente menos, de nenhum modo é uma situação ideal.
Um executivo chefe de fato, deveria estar constantemente no trabalho, e os nossos não podem estar. Algum dia seremos capazes de corrigir essa falha. Mesmo assim, entretanto, não deveríamos cometer o erro de contratar executivos de tempo integral que, desprovidos da necessária experiência e capacidade, estejam dispostos a trabalhar por um baixo salário. Nada mais dispendioso que esse erro crasso poderia nos trazer. Importante habilidade num voluntário ou num executivo de meio expediente é definitivamente preferível.
A segunda dificuldade executiva é inerente à nossa situação em A.A. O nosso pessoal-chave da Sede são membros de A.A.; e precisam ser. Portanto, os executivos e seus quadros de funcionários são amigos em A.A.; são membros do mesmo clube. Isso, algumas vezes, torna difícil para um executivo dar ordem firme e é igualmente difícil para os seus amigos de A.A. aceitá-la. Nossos executivos de A.A. acham que não só precisam tocar o negócio para a frente, mas também conservar os seus amigos. Em troca, aqueles que trabalham sob as suas ordens precisam compreender que realmente temos um negócio pela frente, além de uma organização espiritual incorporada para alimentar. Portanto, uma razoável dose de disciplina e direção é uma necessidade. Aqueles que não vêem ou que não querem ver isso, não são convenientes para o trabalho na Sede. Ainda que se rejeite um isolamento excessivo ou autoridade rigorosa num executivo, ninguém deveria se queixar se ele é firme e amistoso ao mesmo tempo. Esses problemas não são insolúveis; podemos resolvê-los com o tempo, principalmente com a aplicação dos princípios de A.A.
Problemas como esses ocasionalmente aparecem, mas o Escritório de Serviços Gerais não está constantemente assediado por eles. Por causa da dedicação excepcional do nosso pessoal, um grau de harmonia e eficiência prevalece, o que não é comum em organizações de fora.
2. Como remunerar os trabalhadores assalariados:
acreditamos que cada executivo assalariado, membro do quadro de funcionários ou consultor, deveria ser remunerado em relação ao valor dos seus serviços ou habilidades no mundo comercial.
Essa norma de procedimento é, muitas vezes, mal compreendida. Muitos AAs, consideram os serviços mundiais de A.A. como uma espécie de caridade que precisa ser paga. E esquecido que a nossa caridade particular é tão benéfica para nós como é para o recém-chegado; que muitos desses serviços são destinados ao bem-estar geral e proteção de todos nós. Não somos como os ricos benfeitores que ajudam os doentes e pobres. Estamos ajudando os outros para que possamos ajudar a nós mesmos.
Outra idéia errada é a de que os nossos trabalhadores assalariados devem trabalhar barato, tal como os trabalhadores de instituições de caridade, muitas vezes, fazem. Se aceito, este conceito condenaria os nossos trabalhadores a sacrifícios financeiros fora do comum, sacrifícios que não pedi ríamos para nenhum outro AA fazer. Nós AAs, estaríamos dizendo a cada trabalhador: “Nós mandamos para a Sede três dólares por pessoa a cada ano. Seria maravilhoso se você um trabalhasse para A.A. por 2.000 dólares por ano a menos do que o seu valor real noutro lugar”. Olhando por esse prisma, a teoria do salário baixo parece tão absurda como realmente é, especialmente quando lembramos que as despesas gerais dos serviços mundiais de A.A. são das menores “per capita” em relação a qualquer sociedade grande do mundo. A diferença entre um pagamento justo e um baixo, na Sede Mundial, é uma questão de somente alguns poucos centavos a mais, por ano, para cada um de nós.
Devemos também considerar o fato bem conhecido de que o trabalho barato tende a ser ineficiente. E acaba sendo muito dispendioso; isso não é nem bom espiritualmente, nem bom negócio. Admitindo que haja dinheiro disponível para o serviço, deveríamos remunerar bem os nossos trabalhadores.
3. Revezamento dos trabalhadores do quadro de funcionários assalariados:
no Escritório Mundial de A.A., a maioria dos membros do quadro de funcionários é substituída anualmente. Quando contratado, é esperado que cada membro do quadro de funcionários tenha a habilidade de fazer ou de aprender a fazer qualquer serviço do escritório — exceto os diretores, que devido às habilidades especiais que os envolvem, o seu revezamento precisa ser limitado muitas vezes, a uma parte do quadro de funcionários de A.A. A base da remuneração salarial de todos os membros do quadro de funcionários é a mesma. Os aumentos de salário são baseados no tempo de serviço unicamente.
No mundo dos negócios, tal organização não funcionaria. Praticamente conduziria à indiferença e mediocridade, por que os incentivos usuais de dinheiro e prestígio estariam faltando. Em toda a nossa condição de trabalho, essa é a única diferença importante da estrutura de corporações de negócios. Portanto deveria haver razões fortes e provadas para tal heresia, e há.
A nossa principal razão para a adoção da rotatividade e igual pagamento do quadro de funcionários foi a da segurança e continuidade do escritório. Inicialmente já tínhamos tido o sistema convencional de uma pessoa bem paga no quadro de funcionários e assistentes com salários muito mais baixos. Essa pessoa tinha a voz principal na contratação do pessoal. Bem inconscientemente, tenho certeza, ela contra tava pessoal que não fosse competitivo para ela. Ao mesmo tempo, mantinha uma rédea segura em todos os negócios importantes do escritório. Um prodígio de trabalho maravilhoso estava sendo feito. De repente, ela fracassou, e logo depois um dos seus assistentes fez o mesmo. Ficamos reduzidos somente a um assistente com pouco treino, que nada sabia da operação no seu todo.
Felizmente, um velho amigo meu de A.A., um bom organizador, entrou em cena e ajudou a pôr o escritório em ordem. Achei que tínhamos que ter um quadro de funcionários assalariados que garantisse que o fracasso não se repetiria. Da próxima vez, talvez não houvesse ninguém disponível para dedicar o tempo necessário à sua reorganização. Além do mais, esse fracasso nos custou a perda da confiança nesse campo tanto que devemos ter perdido uns 50 mil dólares, em três anos de contribuições de Grupos.
Daí para frente, adotamos o princípio de revezamento num quadro de funcionários bem maior. Desde então já tive mos demissões e colapsos inesperados de membros do quadro de funcionários de A.A., sendo que cada um deles teria desmoralizado o escritório dentro do sistema convencional anterior. Como todos os membros do quadro de funcionários remanescentes sabiam de todas as tarefas em andamento, não houve nenhum problema. Sob essas condições, as substituições podem ser cuidadosamente escolhidas e treinadas à vontade. E essa tendência para escolher associados de menor capacidade já está superada.
Entretanto, mesmo colocando todos os membros do quadro de funcionários em igualdade de posição e eliminando os incentivos normais de dinheiro e prestígio, não temos tido nenhum prejuízo. Nós, AAs, temos o que muitas vezes falta a um empreendimento comercial: um desejo dedicado de servir que substitui os impulsos usuais do ego. Ao mesmo tempo, muitas tentações de competição destrutivas e politicagem no escritório também desapareceram. O espírito da Sede melhorou consideravelmente e achou o seu caminho para dentro da Irmandade.
No futuro — todas as vezes que o sistema de revezamento não funcionar bem — haverá uma tendência natural de jogar a culpa no suposto interesse da eficiência. Certamente, os nossos sucessores terão a liberdade de tentar, mas a experiência do passado realmente sugere que eles poderão passar de um mal para outro pior.
Mais um aspecto da rotatividade: a questão do tempo. Já sabemos que quanto maior for a responsabilidade do trabalho, maior será o tempo de serviço necessário, se quisermos ter eficiência. Por exemplo, um secretário de Grupo pode ser trocado a cada seis meses e um membro de comitê intergrupal trocado a cada ano. Mas para que possa prestar bons serviço, um Delegado precisa servir por dois anos, e um Custódio precisa servir durante quatro.
No Escritório de Serviços Gerais achamos impraticável e injusto fixar qualquer tempo de serviço. Uma pessoa do quadro de funcionários tem que ter anos de treinamento. Devemos então despedi-la justamente quando está ficando bem treinada? Se ela percebesse que seria empregada somente por prazo determinado, conseguiríamos que ela aceitasse o emprego? Provavelmente não. Esses cargos são difíceis de serem preenchidos porque requerem justamente certa dose de personalidade, habilidade, estabilidade, competência no trabalho e experiência de A.A. Caso insistamos em fixar prazos para o serviço, seremos muitas vezes forçados a admitir AAs realmente sem as qualificações desejadas. Isso seria tanto contraproducente quanto injusto.
Não precisamos nos preocupar com membros do quadro de funcionários ficando “veteranos” no serviço. O ritmo emocional de “24 horas por dia de A.A.” é muito cansativo para ser suportado por período muito longo, embora eles vão e vêm por esse e por outros motivos pessoais. Dentro do razoável, a maioria pode e precisa fazer revezamento de cargo para cargo, mas não devemos forçar mais rotatividade do que o necessário.
Devido a certas habilidades incomuns necessárias, o revezamento dos membros do quadro de funcionários da Grapevine é mais difícil. Se a revista sempre consegue um editor que trabalha meio expediente, que pode insistir em ajudar no treinamento desses funcionários, poderemos algum dia realizar isso. Mas na Grapevine nunca haveria número suficiente de pessoas, como no Escritório de Serviços Gerais. O presente quadro de dois funcionários assalariados da Grapevine poderia bastar para a circulação por muito tempo, mantendo o tamanho de hoje.
4. “Participação” total dos empregados assalariados é da mais alta importância:
já discutimos a necessidade de dar ao pessoal-chave assalariado um voto de representação nos nossos comitês e juntas incorporadas Já vimos que eles devem gozar de uma posição compatível com a sua responsabilidade, justamente como os nossos voluntários têm. Mas a participação total dos trabalhadores assalariados não pode ser estabelecida somente pelos direitos de voto. Outros fatores especiais geralmente afetam a extensão da sua participação. Vamos ver que fatores são esses e o que podemos fazer a respeito deles.
O primeiro é o fato da contratação por dinheiro — a relação empregador-empregado. Nos assuntos humanos, autoridade e dinheiro estão profundamente ligados. A posse ou controle de dinheiro quer dizer controle de pessoas. Imprudentemente usado, como geralmente é, esse controle pode resultar num tipo de divisão muito infeliz. Isso vai desde o “eu tenho”, de um lado, até o “eu não tenho”, de outro. Não pode haver harmonia ou reconciliação enquanto uma parte dessa barreira não for posta abaixo. Só então pode a autoridade adequada juntar as mãos com uma boa vontade responsável para tocar o serviço.
Na estrutura de serviço de A.A. precisamos então fazer mais do que dar um lugar à mesa no conselho de A-A. para os nossos trabalhadores assalariados. Temos que tratá-los, em todos os aspectos, como tratamos os voluntários, que são os nossos amigos e colaboradores. Enquanto eles estiverem trabalhando bem, o fato de dependerem do dinheiro que recebem, nunca deveria, consciente ou inconscientemente, ser usado como uma arma contra eles. Eles precisam se sentir como fazendo parte do time. Se, entretanto, eles não podem ou não fazem o seu trabalho, aí então é outra coisa. Podemos e devemos despedi-los.
Trabalhadoras representam, ainda, outro problema. A nossa Sede é visivelmente um mundo masculino. Alguns homens têm tendência, inconscientemente, a se acharem superiores às mulheres, produzindo então uma reação reflexa nas moças. Então, também alguns de nós — de ambos os sexos — temos sido emocionalmente envolvidos na área das relações homem-mulher. As nossas bebedeiras nos tomaram forte mente dependentes dos nossos cônjuges. Nós os transformamos em nossas “mamães” e “papais” e depois nos ressenti mos muito dessa situação. Talvez os nossos desajustamentos tenham ainda dado outras voltas que nos deixaram com uma ressaca de hostilidade que somos inclinados a descarregar em qualquer relacionamento homem-mulher que viermos a ter.
É possível que essas causas possam denotar a boa associação de trabalho que gostaríamos de ter. Mas se estivermos completamente cientes dessas tendências, elas podem ser ultrapassadas e esquecidas com muito mais facilidade. Precisamos não nos esquecer também de que qualquer relaciona mento de trabalho entre homens e mulheres adultos, tem que ser num caráter de companheirismo, sem competição, onde cada companheiro complementa o outro. Não é absolutamente uma questão de superioridade ou de inferioridade. Homens, por serem homens, geralmente são melhores nos negócios. Supondo que nós substituíssemos as nossas seis mulheres que temos no quadro de funcionários por seis homens, nas posições que elas ocupam, poderiam os homens ter um relacionamento tão excepcional e eficiente entre eles para com a nossa Irmandade como as mulheres têm? Claro que não.
As mulheres podem executar essa tarefa muito melhor, justamente por serem mulheres.
Essas são as realizações que todos nós podemos praticar em cada dia de trabalho. Acrescente a isso a idéia de que nenhuma estrutura de organização pode garantir o nosso escritório contra as conseqüências das personalidades explosivas, e que somente uma disposição vigorosa na prática de virtudes espirituais, em todos os nossos afazeres, pode atingir isso e nunca precisaremos ter medo do futuro, quanto à nossa harmonia.
(1) Desde que foram criados os comitês, estes foram acrescidos demais sete: Cooperação com a Comunidade Profissional, Conferência de Serviços Gerais, Arquivo, Convenção Internacional/Reuniões Públicas Regionais, Instituições Correcionais, Instituições de Tratamento e internacional.
(2) 0 Comitê de Normas de Procedimento é agora conhecido como Sessão de Participação Geral e o seu aspecto e função também mudaram, como explanado na página 76.
(3) Ambos, A.A.W.S. e TheAA. Grapevine, Inc. são agora membros incorporados; seus membros são os Custódios.
(4) A diretoria do A.A. World Services, Inc. é agora composta de: diretor-geral do GSO, que é o presidente do A.AWS., um membro do quadro de funcionários do GSO, que é o vice-presidente; dois Custódios regionais; dois Custódios de Serviços Gerais; três diretores não-Custódios. Seu gerente rotativo é um Custódio.
(5) Hoje, A.A. Grapevine, inc. possui dez diretores. A Junta incorporada é a editora da revista; o oficial chefe de operações é o presidente. Dois membros da Junta são Custódios de Serviços Gerais; dois são Custódios Regionais: um é Custódio não-alcoólico; cinco são diretores não-Custódios. A produção e o gerenciamento da Grapevine são de competência do corpo de funcionários assalariados em tempo integral. Dois membros do corpo de funcionários são também membros da Junta incorporada.
(6) Hoje existe um quadro editorial em tempo integral de duas pessoas e um diretor de arte a meio expediente.
(7) De acordo com as mudanças das condições desde que foi escrita esta seção, A.A.W.S., Inc.. com aprovação da Junta de Serviços Gerais são realizadas atualmente indicações de rotatividade, a cada dois anos, para a maior parte dos membros.
(8) Como um diretor do Escritório de Serviços Mundiais, serve como coordenador e membro do quadro de funcionários e participa com um voto.
(9) Essas restrições não são mais usadas. Em 1997, sete mulheres e três homens servem como membros do quadro de funcionários do GSO.

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CONCEITO XII
“As Garantias Gerais da Conferência: em todos os seus procedimentos, a Conferência de Serviços Gerais observará o espírito das Tradições de A.A., tomando muito cuidado para que a Conferência nunca se torne sede de riqueza ou poder perigosos; que suficientes fundos para as operações, mais uma ampla reserva, sejam o seu prudente princípio financeiro; que nenhum dos membros da Conferência nunca seja colocado em posição de autoridade absoluta sobre qualquer um dos outros; que todas as decisões importantes sejam tomadas através de discussão, votação e, sempre que possível, por substancial unanimidade; que nenhuma ação da Conferência seja jamais pessoalmente punitiva ou uma incitação à controvérsia pública; que, embora a Conferência preste serviço a Alcoólicos Anônimos, ela nunca desempenhe qualquer ato de governo e que, da mesma forma que a Irmandade de Alcoólicos Anônimos a que serve, a Conferência permaneça sempre democrática em pensamento e ação.”

O Conceito aqui considerado tem o mesmo conteúdo Artigo 12 da Ata de Constituição da Conferência. Há boas razões para incluí-lo nesse contexto.
Vista como um todo, a Ata de Constituição da nossa Conferência é a substância de um acordo informal, feito entre os Grupos de A.A. e os seus Custódios em 1955. Esse acordo é a base sobre a qual a Conferência de Serviços Gerais opera. Em parte, a Ata de Constituição é um documento elástico; os seus onze primeiros Artigos podem ser prontamente modificados pela própria Conferência a qualquer tempo.
Mas o Artigo 12 da Ata de Constituição se sobressai numa categoria toda própria. Uma emenda ou um cancelamento de qualquer uma das suas Garantias vitais requer a aprovação, por escrito, de três quartos de toda a lista de Grupos de AA. registrados que votam realmente em propostas dessa natureza e um tempo aproximado de seis meses para uma deliberação cuidadosa. Ainda que as modificações nas Garantias do Artigo 12 tenham-se tornado difíceis, não são de todo impossíveis.
É claro que todas essas Garantias têm uma importância permanente e de alto valor para o bem-estar geral de A.A. Por tal motivo, acreditamos que só podemos admitir uma modificação, sob a evidência positiva da sua deficiência e, assim mesmo, só com o consentimento dos Grupos de A.A. Nós classificamos as Garantias, então, junto com as Doze Tradições de A.A., sentindo que elas são tão importantes para os serviços mundiais de A.A. como as Tradições são para A.A. como um todo.
As Garantias do Artigo 12 são uma série de promessas solenes, garantindo que a própria Conferência se submeta às Doze Tradições de AA; que a Conferência nunca possa se tornar sede de grande riqueza ou governo; que a sua norma de procedimento seja sempre prudente; que nunca crie nenhuma autoridade absoluta; que o princípio de unanimidade substancial seja respeitado; que nunca tome nenhuma atitude punitiva; que nunca provoque controvérsias públicas; que possa servir unicamente a A.A. e que sempre se conserve no espírito democrático. Es sas Garantias indicam as qualidades de prudência e espiritualidade que a nossa Conferência de Serviços Gerais deve ter sempre. Sem considerar qualquer falha imprevista, esses são os laços permanentes que unem a Conferência firmemente ao movimento ao qual serve.
Há aspectos significativos nessas Garantias que devem ser considerados. Note, por exemplo, que todos eles são conselhos de prudência — prudência no relacionamento pessoal, prudência em matéria de dinheiro e prudência nas nossas relações com o mundo ao nosso redor. Prudência, para nós, é um terreno trabalhável, um canal de segura navegação entre os obstáculos do medo de um lado e descuido do outro. A prudência na prática cria um clima definido, o único clima em que harmonia, eficiência e progresso espiritual firme podem ser conseguidos. As Garantias do Artigo 12 expressam a sabedoria de pensar no futuro baseada nas lições do passado. Elas são a soma da nossa proteção contra erros desnecessários e contra a nossa muito natural e humana tentação para a riqueza, prestígio, poder e outros.
O Artigo 12 começa com esta declaração geral: “Em todos os seus procedimentos, a Conferência de Serviços Gerais observará o espírito das Tradições de A.A.” De todos os corpos e Grupos de Alcoólicos Anônimos, a Conferência deveria, acima de tudo, estar ligada às Tradições de A.A. De fato, a Conferência é denominada “a guardiã das Tradições de Alcoólicos Anônimos”. As próprias Tradições delineiam as bases gerais com que podemos melhor conduzir os nossos serviços. As Tradições expressam os princípios e atitudes de prudência que levam à harmonia. Portanto, as Doze Tradições de A.A. determinam o modelo de unidade e de função que a nossa Conferência de Serviços Gerais precisa exemplificar no mais alto grau.
As Garantias do Artigo 12 são as seguintes, assegurando:
Garantia Um:
“Que a Conferência nunca se tome sede de riqueza ou poder perigosos”. O que quer dizer riqueza e poder perigosos? Isso quer dizer que a Conferência deveria não ter dinheiro algum e nenhuma autoridade? Obviamente não. Tal condição seria absurda e perigosa. Nada mais que anarquia ineficaz poderia resultar disso. Precisamos de algum dinheiro e é preciso alguma autoridade para poder servir. Mas quanto? Como e onde podemos traçar uma linha divisória?
A principal proteção para evitar o acúmulo de muito dinheiro e autoridade excessiva nas mãos da Conferência é encontra da nas próprias Tradições de A.A. Enquanto a Junta de Serviços Gerais recusar contribuições de fora e mantiver cada contribuição individual para os serviços mundiais de A.A., de for ma modesta, podemos ter certeza de que nunca nos tornaremos ricos a um ponto perigoso. Dificilmente, teremos oportunidade de ver as contribuições dos Grupos muito acima das reais despesas de operação. Felizmente, os Grupos de A.A. relutam em criar serviços desnecessários que poderiam acarretar uma burocracia dispendiosa nos nossos meios. Na verdade, parece que a maior dificuldade continuará a ser a informação correta aos Grupos de A.A., sobre quais são realmente as verdadeiras necessidades financeiras dos seus serviços mundiais. Assim sendo, é certo portanto que nunca nos tornaremos ricos com as contribuições dos Grupos, precisamos somente fugir da tentação de aceitar dinheiro de fora.
Quanto a dar suficiente autoridade aos Delegados, Custódios e quadros de funcionários, também não pode haver muito risco. Uma longa experiência, agora codificada nesses Doze Conceitos, sugere que é muito pouco provável que tenhamos muitos problemas com excesso de autoridade de serviço. Pelo contrário, parece que a nossa dificuldade será conseguir manter a autoridade suficiente. Devemos nos lembrar de que estamos protegidos das calamidades do excesso de autoridade pelo revezamento, pela participação no voto e pelo estabelecimento de normas de procedimento cuidadosas. Assim mesmo, ainda ouvimos avisos sobre o futuro aparecimento de um ditador na Conferência ou na Sede. No meu modo de pensar, essa é uma preocupação desnecessária. Sendo a nossa organização o que é, tal aspirante a ditador não duraria um ano. Mesmo no curto tempo que estivesse conosco, como ele usaria o dinheiro? Os nossos Delegados, representando diretamente os Grupos, controlam o fornecimento de fundos para os nossos serviços. Portanto, eles constituem um obstáculo para o crescimento de autoridade pessoal excessiva. Considerando-se todos juntos, esses fatores parecem uma proteção segura contra excesso de dinheiro e de autoridade.
Vimos porque a Conferência não pode ter nunca excesso de poder humano num grau perigoso, mas não podemos nos esquecer de que há outra forma de autoridade e poder sem as quais não podemos passar: a força espiritual que flui das atividades e atitudes de humildade verdadeira, sem egoísmo e dedicados servidores de A.A. Essa é a força verdadeira que faz funcionar a nossa Conferência. Tem sido constantemente dito sobre os nossos servidores: “Eles não nos dirigem por mandato, nos lideram pelo exemplo.” Enquanto tivermos bastante certeza de que eles não nos dirigirão sob pressão, tenho certeza de que eles nos permitirão uma sempre crescente inspiração enquanto continuarem a nos liderar pelo exemplo.
Garantia Dois:
“Que suficientes fundos para as operações, mais uma ampla reserva, sejam o seu prudente princípio financeiro.”
Em relação a esse assunto, deveríamos fazer uma pausa para rever as nossas atitudes concernentes ao dinheiro e às suas relações com o resultado do serviço.
A nossa atitude, no sentido de conceder tempo, comparada com a nossa atitude em dar dinheiro, apresenta um contraste interessante. Claro que damos muito do nosso tempo para as atividades de A.A., visando a nossa proteção e crescimento. Mas nos comprometemos num verdadeiro sacrifício dando para a sacola dos nossos Grupos, das nossas Áreas e para A.A. como um todo.
Acima de tudo, nos devotamos ao recém-chegado, e esse é o nosso principal trabalho do Décimo Segundo Passo. Nessa atividade, muitas vezes sacrificamos muitas horas do horário de trabalho regular. Considerados em termos de dinheiro, esses sacrifícios coletivos equivalem a uma grande soma. Mas nós não achamos isso nada de mais. Lembramo-nos de que antes, outros gastaram o seu tempo conosco quando estávamos lutando para conseguir a sobriedade. Sabemos também que quase todo o total da renda arrecadada dos membros de A.A., agora mais de um bilhão de dólares a cada ano, tem sido o resultado direto da atividade de A.A. Se não tivéssemos nos recuperado, não teríamos tido renda nenhuma para nós.
Mas quando se trata de realmente gastar dinheiro, particularmente para despesas gerais de serviço de A.A., muitos de nós tentamos relutar. Pensemos na perda de toda aquela energia nos nossos anos de bebedeiras, nas economias que poderíamos ter feito para emergências ou para a educação das crianças. Verificamos também que, quando pomos a nossa contribuição na sa cola, não há o mesmo entusiasmo de quando falamos durante horas comum recém-chegado. Não é muito agradável pagar o senhorio. As vezes recuamos, quando somos convidados a dar uma cota para as despesas de serviço da área ou de intergrupos. Quanto aos serviços mundiais, podemos comentar: “Bem, es sas atividades estão bem fora daqui, e o nosso Grupo realmente não precisa delas.” Essas são reações muito naturais e compreensíveis, fáceis de ser justificadas. Podemos dizer: “Não estraguemos A.A. com dinheiro e serviços organizados. Separemos o material do espiritual. Isso realmente manterá as coisas simples.”
Mas nos últimos anos, essas atitudes estão diminuindo em toda a parte; elas desaparecem rapidamente quando uma necessidade verdadeira para um certo serviço de A.A. se torna clara. Tornar essa necessidade clara é uma simples questão de educação e de informação correta. Vemos esse trabalho contínuo sendo feito agora com bons resultados para os serviços mundiais, dos Delegados, membros de comitê e representantes de serviços gerais. Eles estão verificando que pedidos de dinheiro por exortação opressiva não é desejada nem necessária em A.A. Eles simplesmente retratam o que o serviço de doação realmente proporciona em termos de atrair alcoólicos para A.A. e em termos de unidade e eficiência do todo. Feito isso, as contribuições esperadas não tardam em aparecer. Os doadores raramente vêem quais foram os resultados exatos. Eles sabem bem, entre tanto, que incontáveis milhares de outros alcoólicos e os seus familiares serão certamente beneficiados.
Quando olhamos essas contribuições verdadeiramente anônimas, sob esse prisma, e conforme compreendemos melhor a sua necessidade imediata, temos certeza de que as contribuições voluntárias dos nossos Grupos de A.A., suplementadas por modestos donativos individuais de AAs, poderão pagar as contas dos nossos serviços mundiais, nos próximos anos.
Podemos nos confortar, também, com o fato de que não precisamos manter um corpo dispendioso de trabalhadores assalariados na Sede Mundial. Em relação ao tamanho sempre crescente de A.A., o número de trabalhadores tem diminuído. No começo, o nosso Escritório de Serviços Mundiais empregava um trabalhador remunerado para cada mil membros de A.A. Dez anos depois, empregamos um trabalhador assalariado para cada três mil AAs. Hoje precisamos somente de um ajudante assalariado para cada sete mil alcoólicos recuperados’. O custo atual dos nossos serviços mundiais (200.000 dólares anualmente em 1960) tem sido hoje uma soma pequena comparada à extensão presente da nossa Irmandade. Provavelmente nenhuma outra sociedade do nosso tamanho e atividade tenha despe sas gerais tão baixas.
Essas considerações, naturalmente, não podem servir de base para o abandono da norma de procedimento de prudência financeira.
A prova e o símbolo do bom senso comum de A.A., em assunto fiscal pode ser visto no Fundo de Reserva da nossa Junta de Serviços Gerais. No momento, esse montante está muito pouco acima de 200.000 dólares — equivalente ao custo operacional de um ano do nosso Escritório Mundial Isso é o que economizamos nos últimos 20 anos, em grande parte proveniente da venda dos nossos livros. Esse é o fundo que tem repetidamente evitado os enfraquecimentos graves e às vezes quase um colapso dos nossos serviços mundiais.
Em cerca da metade dos últimos 20 anos, as contribuições dos Grupos de A.A. não foram suficientes para as nossas necessidades em nível mundial, mas o Fundo de Reserva sempre renovado com a venda de livros, foi capaz de cobrir esse déficit.
— ainda por cima economizar dinheiro. O que isso representa em número de vidas de incontáveis alcoólicos que poderiam nunca nos ter encontrado, caso os nossos serviços fossem fracos ou inexistentes, ninguém pode imaginar. A prudência financeira tem pago em termos de vidas salvas.
Esses fatos sobre o nosso Fundo de Reserva precisam ser melhor compreendidos. Por pura falta de compreensão, ainda é muito comentado: 1) que o Fundo de Reserva não é mais necessário; 2) que caso o Fundo de Reserva continue a aumentar, há o perigo de excesso de riqueza; 3) que a existência de tal Fundo de Reserva desencoraja as contribuições dos Grupos; 4) que o fato de não terminarmos com o Fundo de Reserva demonstra não termos fé; 5) que os nossos livros deveriam ser vendidos a preço de custo para que fossem mais baratos para o comprador de pequenas posses; 6) que ter lucro com a nossa literatura básica é contra a espiritualidade verdadeira. Apesar desses pontos de vista não serem gerais, eles são típicos. Talvez, então, ainda haja a necessidade de analisá-los e responder às questões que eles levantam.
Vamos então tentar respondê-las. Será que esses pontos de vista representam verdadeira prudência? Não temos fé quando insistimos prudentemente na solvência?
Por meio dos livros de A.A. baratos, devemos nós, como uma irmandade, nos comprometer com essa espécie de finança caritativa? Não seria esse tipo de doação, uma obrigação dos indivíduos? Será a renda da Sede proveniente dos livros de A.A., um lucro no sentido da palavra?
Como está escrito, em 1960, nossas operações na Sede quase entraram em colapso. As contribuições dos Grupos excedem as necessidades dos serviços dos Grupos em cerca de 5%. A.A. Grapevine continua no vermelho Comparado com os primeiros dias, isso é maravilhoso. Entretanto essa é nossa situação num período de grande prosperidade que a América jamais conheceu. Se essa é a nossa situação em bons tempos, que poderia acontecer nos maus tempos? Suponhamos que as rendas da Sede decrescessem 25% com a depressão, ou que nossas despesas cresçam 25% pelo andamento da inflação. Que significaria isso em termos de dinheiro em moeda?
O Escritório de Serviços Mundiais apresentaria um déficit de 50.000 dólares por ano e a Grapevine acrescentaria um déficit de 20.000 dólares nessa conta. Estaríamos encarando um déficit total de 70.000 dólares a cada doze meses. Se surgisse uma emergência, não teríamos reserva e nem renda da venda de livros, logo teríamos que despedir um terço de nossos trinta trabalhadores assalariados e o quadro de membros de A.A. Muita correspondência deixaria de ser respondida, solicitações de informações e pedidos de socorro seriam ignorados. A Grapevine fecharia ou seria reduzida a um boletim de classe inferior, O número de Delegados convocados anualmente à nossa Conferência de Ser viços Gerais teria que ser drasticamente reduzido. Espiritual e praticamente essas seriam as penalidades se dissipássemos nosso Fundo de Reserva e as rendas pelas vendas dos livros.
Felizmente, entretanto, não teremos que enfrentar nenhum golpe como esse. Nossa reserva atual e as rendas com as vendas de livros podem nos agüentar por muitos anos de tempos difíceis, sem a menor diminuição na força e qualidade de nossos esforços mundiais.
Está em moda acreditar hoje em dia que a América (Estados Unidos) nunca terá outra crise séria. Podemos certamente esperar e orar para que isso não aconteça, mas seria sensato, para nós de A.A., fazermos a maior aposta — de que dissipando os nossos próprios bens — isso poderia nunca mais acontecer? Pelo contrário, não seria muito melhor para nós aumentar as nossas economias neste período em que todo o mundo ao nosso redor provavelmente já pediu emprestado mais dinheiro do que poderá pagar?
Vamos agora examinar a alegação de que o nosso Fundo de Reserva desencoraja as contribuições dos Grupos. Dizem que há a impressão de que a Sede já está muito bem financeiramente e que não há necessidade de mais dinheiro. Essa não é uma atitude geral, e mesmo assim a sua influência nas contribuições é provavelmente pequena.
Em seguida vem a questão: se A.A. como um todo deveria promover essa caridade para os recém-chegados e seus padrinhos — vendendo nossos livros pelo custo ou por menos. Até agora, nós AAs temos acreditado com firmeza que caridade em dinheiro para indivíduos não deveria ser uma função dos Grupos de A.A. ou de A.A. como um todo. Para ilustrar: quando um padrinho toma conta de um novo membro, ele nem de longe espera que o seu Grupo vá pagar as despesas que ele tenha ao executar o Décimo Segundo Passo. O padrinho pode dar ao seu afilhado um terno, pode lhe arranjar um emprego ou presenteá-lo com um livro de A.A. Esse tipo de coisa acontece com freqüência, e é ótimo que aconteça, mas tais caridades são por conta do padrinho e não do Grupo de A.A. Caso o padrinho não possa dar ou emprestar um livro de A.A., eles podem ser encontrados na biblioteca. Muitos Grupos vendem os livros a prestações. Não há falta de livros de A.A., mais de meio milhão deles estão agora em circulação. Portanto, não há aparentemente nenhuma boa razão para que os serviços de A.A. forneçam livros baratos para todos, incluindo a grande maioria que pode pagar o preço atual deles. Parece bem claro que os nossos ser viços mundiais precisam do dinheiro desses livros muito mais do que os compradores.
Alguns de nós temos outra preocupação em relação ao chamado lucro dos livros. O fato de que os Escritórios Centrais de A.A. e a maioria dos Grupos vendem livros por mais do que eles custam, é considerado espiritualmente ruim, mas será essa espécie de renda com livros não-comerciais, um lucro na extensão da palavra? No meu modo de ver, não. Essa renda certa para os Grupos e para os serviços gerais de A.A. é na verdade a soma das grandes e muitas contribuições que os compradores de livros fazem para o bem-estar geral de Alcoólicos Anônimos. A solvência certa e contínua dos nossos serviços mundiais depende diretamente dessas contribuições. Olhando por esse ângulo, o nosso Fundo de Reserva é visto como a reunião de muitos pequenos sacrifícios financeiros feitos pelos compradores de livros. Esse fundo não é propriedade de investidores particulares; é totalmente pertencente ao próprio A.A.
Ainda em assunto de livros, talvez uma palavra deva ser dita com respeito aos meus direitos autorais sobre eles. Essa renda dos meus direitos, vinda dos compradores de livros, é que tem possibilitado todo o meu trabalho em A.A. na base de um voluntário tempo integral. Esses direitos também me deram a convicção, tal qual qualquer outro AA, de que eu ganhei separada e completamente o meu próprio sustento. Essa renda independente também me permitiu pensar e atuar independente de quaisquer influências financeiras — uma condição que tem sido às vezes muito vantajosa para A.A., como para mim pessoal- mente. Portanto, espero e acredito que a minha posição em relação a essa renda continue a ser considerada uma justa e sábia organização.
Garantia Três:
“Que nenhum dos membros da Conferência nunca seja colocado em posição de autoridade absoluta sobre qualquer um dos outros.”
Aprendemos que esse princípio é de um valor incalculável para o andamento harmonioso dos assuntos na nossa Conferência. A sua aplicação na nossa estrutura já foi ostensivamente discutida no Conceito intitulado “O Direito de Participação”, que enfatiza que os nossos servidores mundiais, tanto como indivíduos ou como Grupos, tenham direito a voto em proporção razoável às suas diversas responsabilidades.
Por ser esse direito de participação de tanta importância, fizemos com que fosse o assunto desta Garantia, prevenindo por tanto que uma ação da Conferência, por si só, nunca mude ou derrube esse direito. Para tal propósito, o consentimento geral dos Grupos seria necessário, o que se mostraria difícil, apesar de não necessariamente impossível, para que a Conferência possa conseguir. Acreditamos que toda a nossa experiência de serviço justifica plenamente essa forte posição tomada contra a criação de autoridade absoluta em qualquer lugar da estrutura da nossa Conferência.
Também deve ser notado que esta Garantia contra a autoridade absoluta é muito mais geral e mais extensa em sua natureza do que uma garantia de participação no voto. Na verdade, quer dizer que nós de A.A. não aceitaremos de forma alguma uma autoridade humana absoluta. Os direitos de voto incluídos no nosso conceito de “Participação” são simples meios de prevenir qualquer tendência futura para autoridade absoluta de qualquer tipo. Esse estado salutar das coisas é ainda mais reforçado pelos nossos conceitos de “Apelação e Petição”.
Muitos AAs já começaram a chamar o Artigo 12 da Ata de Constituição da Conferência de “Os Direitos de Bill dos Serviços de A.A.” Isso é porque eles vêem nessas Garantias, especialmente nesta aqui, uma expressão de profundo respeito, com amor, pelas liberdades espirituais dos seus semelhantes. Que Deus nunca permita sermos insensatos a ponto de aceitar alguma coisa a menos.
Garantia Quatro:
“Que todas as decisões importantes sejam tomadas através de discussão, votação e, sempre que possível, por substancial unanimidade.”
Aqui, de um lado, construímos uma muralha de defesa contra qualquer autoridade avassaladora ou opressora de uma simples maioria; e do outro lado, tomamos conhecimento dos direitos e da freqüente sabedoria das minorias, mesmo quando pequenas. Este princípio assegura além do mais, que todos os assuntos de importância, desde que o tempo permita, sejam extensivamente debatidos, e que esses debates continuem até que uma comprovada e pesada maioria possa sustentar qual quer decisão crítica, quando formos solicitados para tais decisões na Conferência.
Ao tomarmos decisões dessa maneira, a voz da Conferência fala com uma autoridade e confiança que uma simples maioria nunca he poderia dar. Caso alguns ainda sejam da oposição, ficarão bem mais satisfeitos, porque o seu caso foi completa e justamente ouvido.
E quando uma decisão tomada com substancial maioria sair errada, não haverá recriminações acaloradas. Todos poderão dizer: “Bem, tivemos um debate cuidadoso, tomamos a decisão que acabou sendo ruim. Melhor sorte na próxima vez!”
Como tantos grandes ideais, o princípio da unanimidade substancial, entretanto, tem certas limitações na prática. Ocasional mente, uma decisão da Conferência pode ser de tão extrema urgência, que alguma coisa precise ser feita imediatamente. Em tal caso, não podemos permitir que uma minoria, mesmo bem-intencionada, venha bloquear uma ação vital que evidentemente é do maior interesse de A.A. Nesse caso, precisaremos confiar na maioria, às vezes uma maioria por pequena margem, para decidir que os debates da Conferência sejam terminados e que uma ação final seja tomada. Em outros casos, a maioria terá que usar também desse direito inquestionável. Vamos supor, por exemplo, que uma minoria tente obstinadamente usar o princípio de unanimidade substancial para impedir uma ação claramente necessária. Em tais circunstâncias, é pleno direito da maioria passar por cima desse abuso do princípio de unanimidade substancial.
A nossa experiência tem mostrado, entretanto, que poucas vezes a maioria teve necessidade de tomar uma posição radical como essa. Estando geralmente animados pelo espírito de unanimidade substancial, verificamos que a Conferência pode quase sempre ser guiada por esse valioso princípio.
De passagem, deveria ser notado que algumas vezes a Conferência terá que decidir com referência a determinada questão, quais serão os requisitos para unia unanimidade substancial — se dois terços, três quartos ou uma maioria ainda superior serão necessárias para resolver uma determinada questão. Tal acordo antecipa do pode, naturalmente, ser feito com um voto da maioria simples.
Concluindo a discussão desta Garantia, pode ser dito, sem dúvida, que ambos os resultados, práticos e espirituais da prática da maioria substancial já provaram ser muito bons mesmo.
Garantia Cinco:
“Que nenhuma ação da Conferência seja jamais pessoalmente punitiva ou uma incitação à controvérsia pública.”
Praticamente todas as sociedades e governos acham necessário punir membros individuais, por violação às suas crenças, princípios ou leis. Pela sua situação especial, Alcoólicos Anônimos acha essa prática desnecessária. Quando nós de A.A. falhamos nos nossos princípios espirituais, é o álcool que nos joga ao chão. Portanto, não há necessidade de administrar castigos humanos. Essa condição única é de enorme vantagem para to dos nós, uma condição com a qual podemos contar completa mente e que não deveríamos trocar nunca pelo recurso dos métodos de ataque pessoal e punição. De todas as sociedades, a nossa é a que menos pode correr o risco de ressentimentos e conflitos que resultariam em permitir que caíssemos na tentação de punir com cólera.
Pela mesma razão, não podemos e não devemos entrar em controvérsias públicas, mesmo em defesa própria. A nossa experiência nos mostrou que, providencialmente, parece que A.A. foi excluído da necessidade de brigar com alguém, não importando qual tenha sido a provocação. Nada poderia ser mais prejudicial para a nossa unidade e pata a boa vontade mundial de que A.A. desfruta, do que uma disputa pública, por mais promissores que os resultados imediatos possam parecer.
Portanto, é evidente que a harmonia, segurança e eficiência futuras de A.A. dependerão muitíssimo da manutenção de uma atitude passiva e não agressiva em todas as nossas relações públicas. Essa é uma tarefa difícil, porque nos nossos dias de bebedeira estávamos inclinados para a zanga, hostilidade, rebelião e agressão. Mesmo apesar de estarmos agora sóbrios, os velhos padrões de comportamento ainda estão dentro de nós até certo ponto, prontos para explodir com qualquer boa desculpa. Mas nós sabemos disso e, portanto, sentimos confiança que na conduta dos nossos afazeres públicos sempre encontraremos a graça de manifestar um real controle.
Desfrutamos de certas vantagens inerentes que deveriam tornar a nossa tarefa de autocontrole bem mais fácil. Não há real mente nenhuma boa razão para que qualquer pessoa se oponha a que muitos bêbados se tornem sóbrios. Quase todos concordam que essa é uma coisa boa. Se no processo somos forçados a desenvolver uma certa dose de honestidade, humildade e tolerância, quem é que vai nos chutar por causa disso? Se reconhecermos que a religião é o privilégio do clérigo e a prática da medicina é dos médicos, podemos bem cooperar com ambos. Certamente, há pouca base para controvérsias nessas áreas. E um fato que A.A. não tem a menor tendência ou natureza política. Tentamos viver às nossas custas e nos preocupamos com o nosso único propósito.
Estas são as razões pelas quais A.A. pode viver em paz com o resto do mundo. Estas são as vantagens naturais que nunca deveremos jogar fora, tolamente, entrando na arena da controvérsia pública ou ação punitiva contra quem quer que seja.
Pelo fato da Conferência de Serviços Gerais representar a todos nós, este corpo é especialmente encarregado do dever de fixar os mais altos padrões com relação a essas atitudes de não punição e controvérsia pública. A Conferência terá que fazer mais do que somente representar esses princípios; ela terá que freqüentemente aplicá-los em situações específicas. Às vezes, a Conferência terá que tomar certas atitudes de proteção, especialmente na área da violação das Tradições. Essa ação, entre tanto, nunca precisa ser punitiva ou agressivamente controversa em nível público.
Vamos agora considerar algumas situações típicas que com freqüência requerem a consideração da Conferência e, algumas vezes, ação definida.
Suponhamos que A.A. esteja sob ataque do público ou que caia em grande ridículo; vamos tomar o caso particular de que tais acontecimentos não tenham nenhuma ou pouca justificativa de fato.
Quase sem exceção, pode ser aceito com confiança, que a nossa melhor defesa é não se defender absolutamente — explicitamente, completo silêncio em nível público. Pessoas sem com preensão são ainda estimuladas pela oposição. Se, com bom humor, os deixarmos completamente sozinhos, mais depressa eles calarão. Caso os seus ataques continuem e fique claro que eles estão desinformados, pode ser conveniente comunicar-se com eles, de um modo temperado e informativo, de maneira que o nosso contato não possa ser usado como um trampolim para um novo assalto. Essas comunicações raramente deveriam ser feitas pela própria Conferência, oficialmente. Muitas vezes podemos usar os bons ofícios de amigos. Tais mensagens nunca deveriam questionar os motivos dos atacantes; elas deveriam ser estritamente informativas. Essas comunicações deveriam também ser privada. Caso tornadas públicas, podem com freqüência ser usada como desculpa para controvérsias.
No entanto, caso uma certa crítica a A.A. for parcial ou total mente justificável, será por bem dar conhecimento privativamente aos críticos, acompanhado com os nossos agradecimentos — ainda se conservando afastado, entretanto, do nível público.
Mas em circunstância alguma deveríamos mostrar desagrado ou qualquer tentativa de punição ou agressão. Com certeza, essa deveria ser a nossa inflexível norma de procedimento. Dentro desse esquema, a Conferência e a Sede sempre precisarão fazer uma estimativa cuidadosa do que deveria ou não ser feito nesses casos.
Podemos nos defrontar com violações públicas das Tradições de A.A. Indivíduos, organizações de fora ou mesmo os nossos próprios membros poderão tentar usar o nome de A.A. para os seus propósitos pessoais. Conforme A.A. cresce em tamanho e no reconhecimento público, a tentação de abusar do nosso nome pode aumentar. Por isso demos à nossa Conferência uma tarefa de proteção em tais condições. A Conferência, como sabemos, é a “guardiã” das Tradições de A.A. Tem havido sempre alguma confusão sobre esse termo, “guardião”, e quem sabe deveríamos tentar esclarecê-lo.
No pensamento de muitos AAs, “guardião” das Tradições de A.A. implica no direito e dever da Conferência em punir publicamente ou mover ação judicial contra qualquer violador voluntarioso. Mas não poderíamos adotar uma norma de procedimento pior, pois certamente tal ato público agressivo colocaria a Conferência numa posição de violadora de uma Tradição de A.A. em defesa de outra. Portanto, ação punitiva ou agressiva nessa área, precisa ser omitida.
Confidencialmente, entretanto, podemos informar os violadores das nossas Tradições de que eles não estão por dentro. Caso eles persistam, podemos então usar de outros meios de persuasão de que dispomos, e esses são geralmente muitos. Manifestada dessa maneira, uma firmeza persistente geralmente trará o resultado desejado.
Apesar disso, em longo prazo, precisaremos confiar na pres são das opiniões de A.A. e da opinião pública. Até esse ponto, precisaremos manter uma contínua educação dos canais de comunicação pública de todos os tipos, com referência à natureza e propósito das nossas Tradições.
Quando e onde pudermos, precisaremos também informar ao público em geral, especialmente sobre os abusos do nome de Alcoólicos Anônimos. Essa combinação de forças contrárias pode ser bem desencorajadora para os violadores ou prováveis violadores. Nessas condições, eles logo verão que as suas transgressões são sem proveito e insensatas. A nossa experiência mostrou que a educação contínua e geral com respeito às nossas Tradições serão um preventivo e uma proteção segura nos próximos anos.
Sentindo o peso de todas essas forças, certos membros que foram contra as Tradições de A.A. dizem muitas vezes que foram censurados ou punidos e que estão, portanto, sendo governados. Parece, entretanto, que o direito de A.A. de opor-se cal ma e privativamente contra violações específicas é pelo menos igual aos direitos dos violadores de transgredir. Essa não pode precisamente ser denominada uma ação governamental. Certos transgressores sofreram severas críticas pessoais de membros de A.A. e isso é deplorável. Entretanto, não é motivo para deixarmos de lembrar a todos os interessados da inconveniência de quebrar as Tradições de A.A. perante o público todo. Pode ser dito com toda a justiça que as dificuldades que quebram as Tradições são conseqüência das suas próprias ações.
Outro tipo de problema que merece consideração é o ocasional desentendimento interno forte que chega ao conhecimento do público indesejavelmente. Aparecemos, por exemplo, uma vez nos cabeçalhos, com uma mordaz questão judicial entre duas facções de AAs, lutando pela posse do nome de A.A. para uso de intergrupo, quando o nome havia sido incorporado por um deles. Outra vez, numa área do estrangeiro, tivemos péssima publicidade quando uma considerável seção dos Grupos se convenceu de que deveria receber subsídios monetários do governo do seu país para promover o trabalho de A.A. não levando em conta a Tradição de A.A. Essa dificuldade interna não deveria ter vindo à superfície em público, porque certamente nada impedia que a compreensão mútua e a boa disposição resolvessem a questão prontamente.
Felizmente, esse tipo de episódio tem sido raro e relativa mente inofensivo, mas tais dificuldades poderão apresentar certos problemas no futuro, O que deveria a nossa Conferência de Serviços Gerais fazer a respeito de casos desse tipo?
Sempre lembrando da autonomia dos Grupos e o fato de que a Sede de A.A. não é uma operação policial, o melhor que pode ser feito na maioria dos casos é oferecer mediação. O significa do da Tradição a esse respeito e a experiência que já temos tido em casos semelhantes podem ser oferecidos a título de informação. Podemos sempre reforçar a necessidade de evitar qualquer vazamento desses desacordos em nível público. Todas as partes podem lembrar que o ridículo ou crítica desfavorável que pode provir de tais conflitos podem se refletir em A.A. a ponto de afastar prováveis interessados em se juntarem a nós.
Assim também, uma grande parte dessas dificuldades com as Tradições são estritamente locais, não tendo implicações sérias de âmbito nacional ou internacional. Muitas delas representam honestas diferenças de opinião quanto à interpretação das Tradições: uma observação cuidadosa ou tolerante seria a melhor coisa. Especialmente quando operando fora do nível público, a nossa experiência com as Tradições mostra áreas cinzentas, onde nem interpretações brancas nem pretas parecem possíveis. Nessas áreas, as violações são tão discutíveis e inconseqüentes que nem vale a pena nos incomodar com elas. Aqui usualmente nos restringimos em oferecer sugestões, a não ser que insistam. Achamos que esses problemas precisam ser resolvidos principalmente pelo pessoal do lugar.
Ainda há um problema grave com o qual nunca tivemos que nos defrontar. Seria uma fenda separando definitivamente A.A. — uma diferença de opinião tão séria que poderia causar a retirada de uma parte da nossa Irmandade, numa nova sociedade própria, ou que envolvesse uma aliança deles com agência de fora, em contravenção com a Tradição de A.A. Essa seria a repetição de um velho caso de afastamento e separação de que a História está tão cheia. Pode ter sido ocasionada por religião, política, nacionalidade ou forças raciais. Pode representar um esforço honesto para o bem de A.A., mas certamente colocaria sobre a Conferência uma pergunta, o que fazer ou o que não fazer
Tal evolução é difícil de ser imaginada. Nós, AAs, geralmente, presumimos que temos muito para aventurar e muito mais em comum para sucumbir a essa aflição muito habitual do mundo que nos cerca. Mas essa segurança confortante não é razão para não dar a essa contingência uma eventual calma. Caso isso venha a acontecer, repentinamente, poderá ser uma surpresa e um choque terrível. Paixões despertadas, repentinamente, poderão inflamar-se, tomando qualquer solução realmente construtiva, imensamente difícil, talvez impossível.
Porque, hoje em dia, a sociedade está em toda a parte se dividindo, muitos de nós não demos a esse assunto uma atenção muito grande. A nossa opinião ponderada é a seguinte: que a melhor atitude da Conferência, em tais circunstâncias, seria a de completa não-resistência — certamente sem ressentimentos e sem ataques. Não temos uma doutrina que possa ser sustentada. Não temos uma irmandade que precise ser ampliada. Não temos autoridade que deva ser mantida. Não temos prestígio, poder ou orgulho que precisem ser satisfeitos. Não temos propriedade nem dinheiro que valham a pena brigar por eles. Essas são as vantagens que deveríamos usar, da melhor forma possível, no caso de ameaça de uma divisão; ela deveria manter uma atitude considerada calma e não-resistência perfeitamente possível e alta mente prática.
De fato, temos sempre praticado esse princípio numa escala menor. Quando um bêbado se aproxima de nós e diz que não gosta dos princípios de A.A., pessoalmente, ou da administração de serviço; quando ele declara que estará melhor em qual quer outro lugar — não nos incomodamos. Dizemos simples mente: “Talvez o seu caso seja diferente. Por que você não tenta alguma outra coisa?”
Quando um membro de A.A. diz que não gosta do seu próprio Grupo, não ficamos perturbados. Dizemos simplesmente: “Por que você não tenta mudar para outro Grupo? Ou comece um novo por sua conta”. Quando os nossos artistas, policiais e clérigos querem ter os seus grupos privativos, dizemos: “Otimo! Por que vocês não tentam pôr essa idéia em prática?” Quando um Grupo de A.A. como tal, insiste em manter uma sede de clube, dizemos:
“Bem, isso geralmente sai errado, mas talvez vocês consigam sucesso, afinal das contas.” Se os AAs individualmente querem se reunir para retiro, desjejum em comunhão ou qualquer outro empreendimento, ainda dizemos: “Muito bem. Somente espera mos que vocês não destinem os seus esforços como se fossem um Grupo de A.A.” Esses exemplos ilustram bem até onde já chega mos para estimular liberdade de assembléias, ações e até dissidências de opiniões. Para todos os que desejam se separar de A.A. fazemos um convite animador para que assim o façam. Se eles conseguirem fazer melhor por outros meios, estaremos contentes. Se depois de fazer a tentativa não conseguirem melhores resultados, sabemos que eles têm uma escolha a fazer: ficar loucos, morrer ou voltar para Alcoólicos Anônimos. A decisão é toda deles. (Na verdade, quase todos eles têm voltado.)
A luz de toda essa experiência, toma-se evidente que, na eventualidade de uma grande divisão, não deveríamos gastar o nosso tempo persuadindo os dissidentes para ficarem conosco. Com boa confiança e alegria, poderíamos, na verdade, convidá-los a se separarem e lhes dar os nossos melhores votos, caso seja isso que eles desejam. Caso eles obtenham sucesso sob os seus no vos auspícios e condições diferentes, perguntaríamos a nós mesmos se não poderíamos aprender algo da sua nova experiência. Mas se eles levarem a pior sob outras circunstâncias e os seus desgostos e índices de mortalidade aumentarem, são grandes as probabilidades de muitos deles voltarem para A.A.
Sem raiva ou coação, precisaríamos apenas olhar e esperar a vontade de Deus.
A não ser que criemos um problema onde realmente ele não existe, não é preciso que haja nenhuma dificuldade. Devemos continuar ainda com o nosso trabalho com alegria. O número de bêbados atualmente é inesgotável, e podemos continuar contentes de pelo menos termos desenvolvido uma fórmula pela quais muitos alcançarão a sobriedade e uma nova vida.
Temos um ditado que diz: “Estamos prontos a dar tudo o que sabemos e toda a experiência que temos — exceto o nome de A.A.” Com isso queremos dizer que os nossos princípios podem ser usados para qualquer aplicação. Não queremos fazer deles um monopólio só para nós. Somente pedimos que o uso público do nome de A.A. seja evitado por outras agências que queiram valer-se das técnicas de A.A. e das suas idéias. Caso o nome de A.A. seja mal usado em tal conexão, será naturalmente o dever da Conferência de Serviços Gerais a fazer pressão para o fim de tal prática — sempre distante, naturalmente, de discussão pública sobre o assunto.
A proteção do nome de A.A. é de tal importância para nós, que pensamos no seu registro em todo o mundo, assim nos assegurando meios legais de parar com qualquer abuso. Chegamos a pensar em pedir ao Congresso Americano que nos concedesse o favor fora do comum de uma incorporação congressional. Achamos que a existência desses recursos legais poderia ser um forte meio de intimidação
Mas depois de muitos anos de deliberação, a nossa Conferência de Serviços Gerais decidiu contra tal medida. A dramática história desse debate e a sua conclusão podem ser encontradas no livro da história de A.A. “Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade.” As primeiras Conferências acreditavam que o poder de processar seria uma arma perigosa para nós. Reconhecemos que um processo público é uma controvérsia pública, algo a que, segundo a nossa Tradição, não podemos aderir. Para tornar a nossa posição legal segura, seria preciso incorporar toda a nossa Irmandade, e ninguém quis ver o nosso modo de vida espiritual incorporado. Parecia-nos certo que poderíamos ter confiança plena na opinião de A.A., na opinião pública e que o próprio Deus tomaria conta de Alcoólicos Anônimos a esse respeito.
Garantia Seis:
“Que, embora a Conferência preste serviço a Alcoólicos Anônimos, ela nunca desempenhe qualquer ato de governo e que, da mesma forma que a Irmandade de Alcoólicos Anônimos a que serve, a Conferência permaneça sempre democrática em ação e em espírito.”
Nos Conceitos precedentes, muita atenção foi dada para a extraordinária liberdade que as Tradições de A.A. permitem ao membro individual e ao seu Grupo: não serão aplicadas penalidades aos que não estiverem de acordo com os princípios de A.A.; não haverá taxas nem mensalidades — somente contribuições voluntárias; nenhum membro de A.A. será expulso — ser membro será sempre da escolha do indivíduo; cada Grupo de A.A. deve conduzir os seus assuntos internos como bem lhe aprouver — sendo somente pedido que se abstenha de praticar atos que possam prejudicar A.A. como um todo e, finalmente, que qualquer grupo de alcoólicos que se reúna para conseguir a sobriedade possa se chamar de um Grupo de A.A., desde que, corno Grupo, não tenha um outro propósito ou filiação.
E provável que nós AAs tenhamos mais e maiores liberdades do que qualquer irmandade no mundo de hoje. Como já vimos, proclamamos isso como não sendo uma virtude. Sabemos que nós pessoalmente temos que escolher: ou os Doze Passos e Doze Tradições de A.A. ou encarar a dissolução e a morte, tanto como indivíduos quanto como Grupos.
Porque damos tanto valor às nossas grandes liberdades e não podemos conceber um tempo, quando elas precisam ser limitadas, nós aqui nos juntamos especialmente à nossa Conferência de Ser viços Gerais para nos abster de qualquer ato de autoridade governamental que possa de alguma maneira diminuir a liberdade de A.A. abaixo de Deus. A manutenção dessas liberdades na nossa Conferência é uma garantia grande e prática de que a Conferência por si mesma permaneça sempre democrática em ação e espírito.
Portanto, esperamos que as nossas Conferências sempre tentem atuar com o espírito de amor e respeito mútuos — de um membro para outro. Em troca, isso representa que a confiança mútua deveria prevalecer; que nenhuma ação deveria ser feita com raiva, pressa ou inquietação; que cuidados serão tomados para respeitar e proteger todas as minorias; que uma ação nunca deveria ser pessoalmente punitiva; que sempre que possível às ações de importância sejam tomadas com unanimidade substancial; e que a nossa Conferência esteja sempre alerta na guarda contra as tiranias, pequenas ou grandes, tanto as encontradas na maioria ou na minoria.
A soma dessas diversas atitudes e práticas é, no nosso modo de ver, a própria essência da democracia em ação e espírito.
Liberdade abaixo de Deus para crescermos à Sua imagem será sempre a meta de Alcoólicos Anônimos. Que possa a nossa Conferência de Serviços Gerais sempre ser vista como um símbolo principal dessa tão almejada liberdade.
Nós de A.A. acreditamos que a nossa liberdade para servir é verdadeiramente a liberdade pela qual vivemos — a liberdade que é a nossa própria existência.
(1) Em 1996, em tomo de um (1) para cada quinze mil.
(2) Em 1996,0 Fundo de Reserva de 7.421.000 dólares somente cobriria as despesas de operação de aproximadamente nove meses.
(3) Em comparação, a informação corrente é que em 1990 as contribuições dos Grupos ao serviço caíram abaixo de 524.000 dólares. A manutenção dos serviços da Sede tinha uma despesa líquida de 11.000 dólares, enquanto outras necessidades da Junta de Serviços Gerais tinham uma despesa líquida de 512.700 dólares (exceto as despesas em decimais); posteriormente reduzindo essas despesas líquidas, aproximando-as da renda líquida de 181.000 dólares, vindas da Convenção de 55° Aniversário, a diferença foi coberta pelas rendas das publicações. A Grapevine tinha urna renda líquida de 193.000 dólares, incluindo o dinheiro ganho com as assinaturas.
(4) Entretanto, o nome de Alcoólicos Anônimos, a abreviação A.A. e o símbolo do triângulo no círculo foram legalmente registrados em 1973.
(5) Bill, aqui, aparentemente inadvertido usa a frase “em ação e espírito” em vez de “em pensamento e ação” que aparece em diversas citações na Carta de Constituição da Conferência e nas declarações do Conceito 12.

OS DOZE CONCEITOS

1. A responsabilidade final e a autoridade suprema pelos ser viços mundiais de A.A. deveriam sempre recair na cons ciência coletiva de toda a nossa Irmandade.
2. Quando, em 1955, os Grupos de A.A. confirmaram a permanente Ata de Constituição da sua Conferência de Serviços Gerais, eles automaticamente delegaram à Conferência completa autoridade para a manutenção ativa dos nossos serviços mundiais e assim tomaram a Conferência — com exceção de qualquer mudança nas Doze Tradições ou no Artigo 12 da Ata de Constituição da Conferência — a verdadeira voz e a consciência efetiva de toda a nossa Irmandade.
3. Como um meio tradicional de criar e manter uma relação de trabalho claramente definida entre os Grupos, a Conferência, a Junta de Serviços Gerais de A.A. e as suas diversas corporações de serviço, quadros de funcionários, comitês e executivos, assim assegurando as suas lideranças efetivas, é aqui sugerido que dotemos cada uni desses elementos dos serviços mundiais com uru tradicional “Direito de Decisão”.
4. Através da estrutura da nossa Conferência, deveríamos manter em todos os níveis de responsabilidade um tradicional “Direito de Participação”, tomando cuidado para que a cada setor ou grupo de nossos servidores mundiais seja concedi do um voto representativo em proporção correspondente à responsabilidade que cada um deve ter.
5. Através da nossa estrutura de serviços mundiais, deveria prevalecer um tradicional “Direito de Apelação”, assim nos assegurando de que a opinião da minoria seja ouvida e de que as petições para a reparação de queixas pessoais sejam cuidadosamente consideradas.
6. Em benefício de A.A. como um todo, a nossa Conferência de Serviços Gerais tem a principal responsabilidade de manter os nossos serviços mundiais e, tradicionalmente, tem a decisão final nos grandes assuntos de finanças e de normas de procedimento em geral. Mas a Conferência também reconhece que a principal iniciativa e a responsabilidade ativa, na maioria desses assuntos, deveria ser exercida principalmente pelos Custódios, membros da Conferência, quando eles atuam entre si como Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos.
7. A Conferência reconhece que a Ata de Constituição e os Estatutos da Junta de Serviços Gerais são instrumentos legais: Que os Custódios têm plenos poderes para administrar e conduzir todos os assuntos dos serviços mundiais de Alcoólicos Anônimos. Além do mais é entendido que a Ata de Constituição da Conferência não é por si só um documento legal, mas pelo contrário, ela depende da força da tradição e do poder da bolsa de A.A. para efetivar a sua finalidade.
8. Os Custódios da Junta de Serviços Gerais atuam em duas atividades principais: (a) Com relação aos amplos assuntos de normas de procedimento e finanças em geral, eles são os principais planejadores e administradores. Eles e os seus principais comitês dirigem diretamente esses assuntos: (b) Mas com relação aos nossos serviços, constante mente ativos e incorporados separadamente, a relação dos Custódios é principalmente aquela de direito de propriedade total e de supervisão de custódia que exercem através da sua capacidade de eleger todos os diretores dessas entidades.
9. Bons líderes de serviço, bem como métodos sólidos e adequados para a sua escolha, são em todos os níveis indispensáveis para o nosso funcionamento e segurança no futuro. A liderança principal dos serviços mundiais, antes exercida pelos fundadores de A.A., deve necessariamente ser assumida pelos Custódios da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos.
10. Toda a responsabilidade de serviço deveria corresponder a uma autoridade de serviço equivalente — a extensão de tal autoridade ser sempre bem definida, seja por tradição, por resolução, por descrição específica de função, ou por atas de constituição e estatutos adequados.
11. Enquanto os Custódios tiverem a responsabilidade final pela administração dos serviços mundiais de A.A., eles deverão ter sempre a melhor assistência possível dos comitês permanentes, diretores de serviços incorporados, executivos, quadros de funcionários e consultores. Portanto, a composição desses comitês subordinados e juntas de serviço, as qualificações pessoais dos seus membros, o modo como são introduzidos dentro do serviço, os seus sistemas de revezamento, a maneira como eles são relacionados uns com os outros, os direitos e deveres especiais dos nossos executivos, quadros de funcionários e consultores, bem como urna base própria para a remuneração desses trabalhadores especiais, serão sempre assuntos para muita atenção e cuidado.
12. As Garantias Gerais da Conferência: em todos os seus procedimentos, a Conferência de Serviços Gerais observará o espírito das Tradições de A.A., tomando muito cuidado para que a Conferência nunca se torne sede de riqueza ou poder perigosos; que suficientes fundos para as operações, mais uma ampla reserva, sejam o seu prudente princípio financeiro; que nenhum dos membros da Conferência nunca seja colocado em posição de autoridade absoluta sobre qualquer um dos outros; que todas as decisões importantes sejam tomadas através de discussão, votação e, sempre que possível, por substancial unanimidade; que nenhuma ação da Conferência seja jamais pessoalmente punitiva ou uma incitação à controvérsia pública; que, embora a Conferência preste serviço a Alcoólicos Anônimos, ela nunca desempenhe qual quer ato de governo e que, da mesma forma que a Irmandade de Alcoólicos Anônimos a que serve, a Conferência permaneça sempre democrática em pensamento e ação.
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NÃO ME DIGA QUE NÃO SOU ALCOÓLATRA – ALCOÓLATRA – O MAIS DOENTE DOS HOMENS

NÃO ME DIGA QUE NÃO SOU ALCOÓLATRA
ALCOÓLATRA – O MAIS DOENTE DOS HOMENS

Por favor, não me diga que eu não sou um alcoólatra. Você põe em perigo a minha vida se o fizer. Se você me convencer a tomar um gole, “apenas unzinho”, eu poderia morrer por causa dele.

Estou escrevendo este artigo porque eu sou um alcoólatra, um dos cinco milhões neste país e amigos bem-intencionados continuam a me dizer que eu não sou. “Um alcoólatra? Não seja bobo! Você, não!”, eles dizem. “Oh, talvez você tenha bebido um pouco demais, mas você estava sob um bocado de tensão naquela hora. Isso já acabou agora. Vamos lá, cara – diga até onde eu viro”.

Já conheci alcoólatras, esforçando-se para eliminar o álcool de suas vidas, que vacilaram e que disseram “até onde virar”. Já vi a triste armadilha deste vicio se fechar sobre eles novamente. Já os vi morrer disto. A maioria dos alcoólatras morre disto.

Os equilibristas da corda bamba

Isto, porque o alcoolismo é uma doença fatal, caso se permita seguir o seu curso. Ela pode ser retida caso a vítima pare de beber, mas não pode ser curada! Uma longa abstemia não faz diferença alguma. Um alcoólatra que não tocou em bebida durante vinte anos é tão alcoólatra quanto sempre havia sido. Dizer a tal pessoa que ela não tem uma doença incurável e fatal é absolutamente uma loucura – e quase sempre é exatamente o que a vítima quer ouvir.

Ninguém fica contente em ser alcoólatra. A maioria de nós que está fazendo um programa de recuperação – e nós representamos apenas uns patéticos 6% ou 7% dos cinco milhões vitimados – temo-nos esforçado para aceitar dolorosamente um fato nu e cru: nós somos FISICAMENTE DIFERENTES em nossa reação ao álcool. NÓS NÃO PODEMOS BEBER. Do reconhecimento constante desta realidade depende nossa felicidade, nossa sanidade e nossas vidas. Mas nós somos tais como equilibristas na corda bamba: um pequeno empurrão pode nos mandar voando lá para as profundezas.

Porque, então, são as pessoas bem-intencionadas culpadas, algumas vezes, de nos darem este empurrão?

Em primeiro lugar, amigos que gostam da gente não querem que sejamos alcoólatras por causa da má repercussão que tal palavra ainda causa. A ciência médica finalmente rotulou o alcoolismo justamente como ele é: uma doença. Portanto, quando um amigo tenta lhe dizer que você não é um alcoólatra, ele pensa que está sendo gentil com você.

Em segundo lugar, muita gente ainda concebe uma visão fixa e estereotipada do que é um alcoólatra – um lixo humano caído na sarjeta ou um imprestável milionário convalescendo, numa boa, em Campos do Jordão. Se você não se enquadra em nenhuma destas duas categorias, eles acham impossível acreditar que você perdeu a sua tolerância ao álcool.

Em terceiro lugar, a admissão que é um alcoólatra perturba alguns de seus amigos porque é uma ameaça aos hábitos de beber de alguns deles mesmos. ” Se esse cara é um alcoólatra”, eles dizem a si mesmos com um certo desconforto, “eu, o que sou?”

Existe pouca lógica em tal reação. Somente um em quinze ou dezesseis bebedores se torna um alcoólatra. Mas eu tenho tido uma nítida impressão, em muitas ocasiões, de que a pessoa que me está assegurando, em voz alta, que eu não poderia ser um alcoólatra, estava verdadeiramente tentando assegurar-se a si próprio.

E, finalmente, os alcoólatras, muitas vezes, têm de encarar forte oposição por parte de parentes próximos, os quais pensam que admitir tal fato trará desgraça ou desaprovação para a família. Há pouco tempo, uma boa amiga minha morreu de alcoolismo. Com a idade de 43 anos, os médicos chegaram à conclusão de que suas deficiências físicas indicavam que ela era uma alcoólatra desde muitos anos. Ainda assim, seis meses antes dela morrer, o pai dela me disse impacientemente que ela não era uma alcoólatra e mencionou o nome de uma dúzia de mulheres que bebiam mais e se comportavam pior do que ela.

Todos os amigos e conhecidos dela também tinham lhe assegurado que ela não era uma alcoólatra. A maioria ainda pensa que ela morreu de um ataque do coração, uma mentira que os jornais fielmente reproduziram.

A única maneira pela qual o alcoólatra pode começar um programa de recuperação é através do reconhecimento da sua doença. Isto nunca é fácil, porque esta admissão, invariavelmente, carrega consigo uma tendência mortal de justificar, racionalizar e negar qualquer coisa que possa acarretar o fim da bebida. Acreditem-me, eu sei, eu mesmo passei por isto.

Uma compreensão cruel

Há alguns anos, três bons amigos meus aparentavam ter problemas com a bebida; então eu obtive e li o livro “ABC sobre o alcoolismo” de Marty Mann, com a ideia de ajudá-los. Muitos anos depois, o meu próprio comportamento em relação ao álcool estava suficientemente anormal e deprimente para me fazer buscar novamente este livro. Eu o li de novo e li também “Apenas mais um” de James Lamb Free. Foi uma experiência trágica. Eu tentei freneticamente me esquivar. Busquei todas as maneiras de provar que eu não era um alcoólatra, mas a evidência era forte demais.

Que evidência? Bem, em um de seus estudos clássicos, o Dr E. M. Jellineck fez uma lista das características mostradas pela vítima do alcoolismo em três estágios sucessivos da doença. Eu descobri que muitas descrições eram aplicáveis ao meu próprio comportamento… Apagamentos, por exemplo. Estes são episódios que envolvem falta de memória, mas não devem ser confundidos com “desmaios”. Houve muitas ocasiões quando eu pude jogar cartas competentemente a noite inteira e não me lembrar ou lembrar muito pouco disto no dia seguinte. Uma vez eu guiei 120 milhas de San Francisco até minha casa, em Pebble Beach e acordei no dia seguinte não me lembrando de ter feito tal viagem.

O remorso do dia seguinte

Muitos outros sintomas assinalados pelo Dr. Jellineck apareciam na minha atitude de bebedor, apesar de que, assim como muitos alcoólatras, eu normalmente conseguia escondê-los de meus amigos. Bebidas escondidas, evasivas sobre os hábitos de beber, remorso excessivo no dia seguinte – os sinais estavam muito claros. Eu ainda estava anos de distância da sarjeta, mas já estava à caminho. Não aparentava ser um alcoólatra.

Obviamente não agia como tal. Mas quando finalmente descrevi os meus sintomas a um médico, ele confirmou meu receio – eu era um deles!

Lembro-me muito bem da reação de meus amigos íntimos. Foi quase violenta: escárnio, negativas, zanga, provas infinitas de que eu não poderia ser um alcoólatra. Calmas e maravilhosas palavras para um homem que implora por uma bebida!

Bem-vinda justificativa para começar tudo de novo!

Eu sei que essas reações eram baseadas na ignorância – concepções falsas do que é um alcoólatra e como a doença se manifesta. Ninguém sabe tudo sobre o alcoolismo; até para os especialistas, alguns aspectos dele continuam a ser um mistério. Permitam tentar corrigir algumas concepções das mais erradas.

Para começar, por favor, não considere o alcoólatra uma criatura moralmente fraca. Na verdade, ele pode ter mais força de vontade do que você. Mas ele é um doente – o mais enfermo dos homens.

Em seguida, não limite a imagem na sua mente do alcoólatra ser um lixo nos últimos estágios da doença. Aí está lixo na sarjeta, perto da insanidade e da morte. Foi recentemente que ele se tornou um alcoólatra? Não teria sido há cinco anos, quando se tornou lavador de pratos?

Não teria sido há dez anos, quando a mulher dele pediu o divórcio? Não teria sido há quinze anos quando ele perdeu o emprego no banco? Não foi há vinte anos, quando ele começou a beber escondido para se certificar de que obtinha “a conta certa”? Não foi há vinte e cinco anos, quando ele sofreu os primeiros apagamentos? A ciência moderna sabe que ele se havia tornado um alcoólatra vinte e cinco anos atrás e que era tão alcoólatra então, quanto é agora.

Tente se lembrar que o alcoolismo é uma doença como um iceberg – os sintomas estão, na sua maior parte escondidos, logo no começo. Na realidade, durante os primeiros cinco ou dez anos, os alcoólatras geralmente tomam muito cuidado em parecer bebedores sociais normais. É o bêbado da pesada ou um porrista eventual o que se comporta mal.

O alcoólatra aparentemente fica sóbrio, mas é ele que cai fora primeiro de uma festa de coquetéis, muitas vezes com o pretexto de “ter trabalho para fazer”, mas vai para casa ou para um bar longe do caminho e satisfaz a sua cruel necessidade compulsória.

Não se deixe levar pelas aparências. A minha mulher Virgínia, que se recuperou do alcoolismo quando tinha 29 anos, é uma mulher jovem e enérgica. As pessoas quando a conhecem e sabem da sua doença, invariavelmente protestam: “Você não pode ser uma alcoólatra; parece tão saudável quanto uma criança!” Ela é uma alcoólatra – e parece tão jovem quanto qualquer vítima da doença que muito cedo tenha sido abençoada por uma recuperação.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS deixa as estatísticas a cargo das autoridades médicas e dos grupos de pesquisa. Mas é geralmente um fato aceito, que no começo, a média de idade dos membros A.A. era 50 anos ou mais, porque somente os fins-de-linha eram considerados alcoólatras. Hoje, graças principalmente ao notável trabalho educacional do Conselho Nacional do Alcoolismo, pessoas mais jovens estão se juntando a vários programas de recuperação. A maioria dos recém-chegados ao A.A. hoje em dia, varia desde adolescentes a pessoas de 20, 30 ou 40 anos. Eles estão reconhecendo a doença mais cedo.

A linha invisível

Isto me leva a uma última recomendação. Algumas vezes, ao jovem alcoólatra recuperado é dito que ele deve ter tido um caso ligeiro, uma vez que o caso não progrediu muito e que ele certamente deve ser capaz de tomar uma cervejinha ou um vinhozinho. Em primeiro lugar, não existe um “caso ligeiro”. O alcoólatra que atravessa a linha invisível é – e sempre será – um alcoólatra toda a sua vida. E não existe ” o alcoólatra parcial”.

Ou você é ou não é. Em segundo lugar, não importa se a bebida fatal é vinho, cerveja ou uísque Bourbon 100 Proof – ou até mesmo um xarope à base de álcool. É o álcool que causa dano, sob qualquer forma.

Portanto, tente nos ajudar. Recomende àquele que pode ser bebedor-problema que procure em qualquer catálogo telefônico da cidade onde mora o telefone de ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, e pergunte onde encontrar uma sala de um Grupo de A.A. em sua cidade ou mais próximo, mas não lhe diga que ele não é alcoólatra. Se você estiver errado e ele acreditar, ele pode morrer prematuramente…

Transcrito do Folheto impresso em Edição Comemorativa dos 40 Anos de A.A. no Brasil
Setembro 1987

CTO – RESPONSABILIDADE DE TODOS NA RECUPERAÇÃO, UNIDADE E SERVIÇO – ÁREA 31 – SÃO PAULO / PIRASSUNUNGA

C T O – “RESPONSABILIDADE DE TODOS NA RECUPERAÇÃO, UNIDADE E SERVIÇO”

ÁREA 31
SÃO PAULO / PIRASSUNUNGA

A palavra responsabilidade na filosofia vem do grego “respon” que significa independência, e do latim “sabili”, que significa sábio. É a obrigação a responder pelas próprias ações, e pressupõe que tais atos se apoiam em razões ou motivos. Ser responsável é obrigação de qualquer cidadão para uma vida saudável em sociedade. No dicionário da língua Portuguesa a palavra responsabilidade, significa: Obrigação de responder pelas ações próprias ou dos outros. Caráter ou estado do que é responsável. Ter responsabilidade é ter a consciência de que é preciso fazer “algo”, e que vai ser cobrado por isto. Ou melhor dizendo, temos o compromisso de trabalhar em prol de um objetivo comum, buscando fazer sempre o melhor possível. Para isso precisamos adquirir a consciência da nossa responsabilidade de ajudar outros alcoólicos de alcançarem a sobriedade (5ª. Tradição). Todos têm essa “natureza” de vital importância para nossa sobrevivência. Existe uma pequena história que diz:
Um mestre do Oriente viu quando um escorpião estava se afogando e decidiu tirá-lo da água, mas quando o fez, o escorpião o picou. Pela reação de dor, o mestre o soltou e o animal caiu de novo na água e estava se afogando de novo. O mestre tentou tirá-lo novamente e novamente o animal o picou.
Alguém estava observando aproximou-se do mestre e lhe disse:
– Desculpe-me, mas você é teimoso! Não entende que todas as vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo?
O mestre respondeu:
– A natureza do escorpião é picar, e isto não vai mudar a minha, que é ajudar.
Então, com a ajuda de uma folha o mestre tirou o escorpião da água e salvou sua vida. Não mude sua natureza se alguém te faz algum mal; apenas tome precauções. Alguns perseguem a felicidade, outros a criam.
Porque sua consciência é o que você é, e sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, não é problema nosso.
Todos nós temos a responsabilidade de buscar nossa recuperação, pois quando o alcoólico vem para sua primeira reunião tem que encontrar companheiros que conhecem os 12 Passos e procuram experiênciá-los no seu dia a dia. Oferecer um ambiente dentro da sla para que o alcoólico encontre segurança e atração, é nossa responsabilidade. Para isso precisamos refletir sobre a utilização de reuniões “abertas e fechadas”, pois se quisermos pensar em um ambiente seguro para quem está chegando na irmandade, como pensar em uma reunião com novatos e público em geral. Fica difícil uma pessoa que esta começando sua recuperação compartilhar suas experiências em um ambiente assim.
É nossa responsabilidade pensar naqueles que estão chegando e não só nos mais experientes que já tem um discurso pronto sobre sua “história” para ser falada em público. Fazer com que a sala de A. A. seja um ambiente próprio para a recuperação de todos os membros, fazendo valer nossa Primeira Tradição, a reabilitação individual depende da unidade de A. A. Isso não tem nada haver com ditar normas a grupos, mas colocar alguns pontos de vista para reflexão de todos. Quando refletimos sobre o nosso presente, mudamos nosso futuro.
Para que possamos cumprir nosso Terceiro Legado (Serviço), necessitamos de organização mínima, que conseguimos instituindo o Comitê Trabalhando com os Outros (CTO). Para alcançarmos o nosso propósito primordial, que é o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre, precisamos do CTO. Este organiza, estrutura, padroniza e facilita a divulgação da mensagem de A. A. tudo isso para que quem procurar ou indicar um grupo de A. A. conheça e saiba como funciona nosso programa. É uma necessidade para que profissionais e membros da comunidade conheçam Alcoólicos Anônimos e a nossa disposição de auxiliar alcoólicos que estejam procurando ajuda.
“O CTO deverá trabalhar no sentido da mensagem fluir com a responsabilidade trazida pelo cumprimento das Tradições de A. A.” (Guia do CTO; pag. 9). São as Tradições que oferecem a garantia para os alcoólicos que estão chegando e para a comunidade, que os Grupos de A. A. têm princípios para um bom funcionamento e para garantir um ambiente de recuperação a todos que queiram.
Desde os princípios da nossa irmandade a força de A. A. vem do compartilhar nossa experiência com outros alcoólicos e da colaboração dos não-alcoólicos. Tudo começou com Bill e Dr. Bob, que compartilhando suas experiências com outros foram levar a mensagem. Que acabou atraindo outros alcoólicos que queriam parar de beber e não sabiam como. Assim criaram a natureza de A. A., que é de oferecer ajuda aos alcoólicos que ainda sofrem, como na “história do escorpião”. Todos os A. As. Tem a responsabilidade de praticar s 36 princípios que dão o alicerce a nossa irmandade. Com um único propósito, que é levar mensagem ao alcoólico que ainda sofre.

(Fonte: Relatório da XXXVII Conferência de Serviços Gerais – páginas: 182 – 183 – Ano: 2.013)

CTO – RESPONSABILIDADE DE TODOS NA RECUPERAÇÃO, UNIDADE E SERVIÇO – ÁREA 30 – SÃO PAULO / TAUBATÉ

C T O – “RESPONSABILIDADE DE TODOS NA RECUPERAÇÃO, UNIDADE E SERVIÇO”

ÁREA 30
SÃO PAULO / TAUBATÉ

Alcoólicos Anônimos é uma Irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo. Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade. Como podemos observar no preâmbulo de Alcoólicos Anônimos, um dos propósitos fundamentais da nossa Irmandade é o de ajudar a outro alcoólico a alcançar a sobriedade. Portanto, esse é um objetivo de todos os membros de A. A., não apenas de um seleto grupo. Com finalidade meramente organizacional, foi instituído um comitê para executar esta tarefa, mas isso não exime todos os membros de A. A. da responsabilidade de praticar atividades relacionadas à prática do nosso Décimo Segundo Passo.
O exercício da Quinta Tradição e do décimo Segundo Passo está presente em inúmeras atividades que podem ser praticadas por todo e qualquer membro de A. A.. Receber bem os membros antigos e os novatos em uma sala de A. A., dando o exemplo com comportamento amigável e afetuoso é uma maneira de praticar esses princípios. Manter a sala limpa e acolhedora, fazer o cafezinho, dar um depoimento sereno, escutar com atenção quando outros companheiros estiverem falando, entregar um folheto, fazer uma abordagem, participar de uma reunião de informação ao público, enfim, são inúmeras atividades para as quais qualquer membro de A. A. está capacitado a exercer.
Portanto, vamos lá, é hora de escolher a atividade que vamos praticar nestas atuais vinte e quatro horas de sobriedade que A. A. está nos garantindo e tendo consciência de que tudo o que fizermos com o intuito de transmitir a mensagem de A. A. estará reforçando a nossa própria recuperação e unidade. Companheiro vamos alicerçar o nosso tripé de sustentação: recuperação, unidade e serviço e assim garantir infinitas vinte e quatro horas de sobriedade para nós mesmos e para toda a Irmandade de Alcoólicos Anônimos.

(Fonte: Relatório da XXXVII Conferência de Serviços Gerais – páginas: 181 – Ano: 2.013)

CTO – RESPONSABILIDADE DE TODOS NA RECUPERAÇÃO, UNIDADE E SERVIÇO – ÁREA 29 – SÃO PAULO / CAMPINAS

C T O – “RESPONSABILIDADE DE TODOS NA RECUPERAÇÃO, UNIDADE E SERVIÇO”

ÁREA 29
SÃO PAULO / CAMPINAS

Poucos termos têm sido tão difundidos em A. A. na última década como o termo de Responsabilidade.
Cobrindo um vasto leque de atividades a Responsabilidade em Alcoólicos Anônimos vai desde a recuperação individual à recuperação daquele que está sentado ao nosso lado, muitas vezes sofrendo.
A responsabilidade vai desde o bem estar do Grupo à Unidade de A. A. como um todo e seu enorme significado para nosso futuro.
A responsabilidade no Serviço vai desde o cafezinho feito com amor no Grupo até irmão, que na rua nos estende a mão pedindo ajuda, estabelecendo assim, o princípio de A. A. em ação.
Não há dúvidas entre nós, membros de Alcoólicos Anônimos que somos renascidos vivendo a cada dia a graça de acordarmos sóbrios e, sabedores de que não basta agradecermos com palavras ou pensamentos; materializamos nossos sentimentos nos responsabilizando em trabalhar com os Outros assim como fizeram conosco.
Esta é a melhor forma de solidificarmos nossa sobriedade.
A experiência prática demonstra que nada nos garantirá tanta imunidade contra o álcool quanto o trabalho intensivo junto a outros alcoólicos, porém para trabalhar com os outros antes de qualquer coisa sejamos responsáveis pela nossa recuperação.
Será que em A. A. basta parar de beber?
Diz a experiência que é preciso passar por profundas mudanças pessoais, o que se obtém através da prática do programa de crescimento e desenvolvimento espiritual.
Mudar para melhor é uma disposição incansável de aceitar qualquer responsabilidade que esta mudança implique, pois só damos aos Outros, aquilo que possuímos.
De tropeços em tropeços, vitórias e quedas, foi construída nossa experiência que gerou uma série de princípios nos quais nos apoiamos e nos responsabilizamos para manter a Unidade de A. A.: somos guardiões das nossas Tradições sabedores de que, cada um de nós é apenas uma pequena parte de um grande todo.
O clamor dos desejos e ambições interiores tem sido silenciado em benefício do Grupo expressado em apenas duas palavras: humildade e responsabilidade e, todo nosso desenvolvimento espiritual pode ser medido com precisão conforme a adesão a estes magníficos padrões.
Para cumprirmos eficazmente o nosso Terceiro Legado, o Serviço, nos responsabilizamos também por um mínimo de organização constituindo o Comitê Trabalhando com os Outros tanto no Grupo como nos Órgãos de Serviços de A. A.
Baseados na Quinta Tradição: “Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.” E no Décimo Segundo Passo: “Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividade” temos tentado de maneira simples, eficiente e com muita responsabilidade atingir estes objetivos.
Dia após dia, nós, membros de A. A., mantemos contato com profissionais das mais variadas áreas da atividade humana. Muitos de nós visitamos hospitais, clínicas de recuperação para alcoólicos, presídios ou cadeiras públicas, com o objetivo gratificante da divulgação de A. A. sempre amparada nas três pilastras: Recuperação, Unidade e Serviço.
O Comitê Trabalhando com os Outros nos oferece conteúdo e operacionalidade a estas três dimensões que nos têm levado ao sonhado “mundo melhor” dos filósofos.
Para que nosso “mundo melhor” continue cada vez melhor e mais disposto a auxiliar aqueles que precisam de ajuda temos caminhado com responsabilidade, amor e gratidão, melhorando dia a dia linguagem do coração para alcançarmos os Outros.
E por fim, somos responsáveis pela vida de Alcoólicos Anônimos!
Somos responsáveis pelo amor a Alcoólicos Anônimos.
Amar A. A. é comprometer-se com A. A.
É fazer parte!
É ser A. A.!
Amar A. A. é protege-la e preservá-la para que ela esteja aqui quando nossos filhos e netos aqui chegarem.

(Fonte: Relatório da XXXVII Conferência de Serviços Gerais – páginas: 1179 – 180 – Ano: 2.013)

CTO – RESPONSABILIDADE DE TODOS NA RECUPERAÇÃO, UNIDADE E SERVIÇO – ÁREA 28 – PARÁ / SANTARÉM

C T O – “RESPONSABILIDADE DE TODOS NA RECUPERAÇÃO, UNIDADE E SERVIÇO”

ÁREA 28
PARÁ / SANTARÉM

Esse tema revela que estamos mostrando para o nosso País que não estamos tentando fazer o que nossos cofundadores fizeram. Ao tomarmos conhecimento de como começou nossa Irmandade, vamos nos surpreender ao fazer uma auto análise em relação ao serviço; às vezes deixamos a desejar, pois sabemos perfeitamente que nosso irmão só estará conosco se fizermos um serviço de divulgação preciso e, para que isso aconteça, precisamos cumprir eficazmente o nosso Terceiro Legado (Serviço); necessitamos de um mínimo de organização, que poderemos obter constituindo um Comitê Trabalhando com os Outros (C.T.O), tanto no grupo como nos demais Órgãos de Serviço de A. A.
Com base na Quinta Tradição: “Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.” E no Décimo Segundo Passo: “Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades”, é necessário elaborar uma maneira simples e eficiente de atingir tais objetivos. Para que isso venha acontecer, basta que servidores ou membros que queiram buscar mais conhecimento, se disponham a formar as Comissões do C.T.O: C.C.C.P. – Comissão de Cooperação com a Comunidade Profissional; C.I.P. – Comissão de Informação ao Público; C.I.T – Comissão de Instituições de Tratamento; e C.I.C. – Comissão de Instituições Correcionais. Os trabalhos dessas comissões só poderão ter resultados positivos se os fizermos de forma ordenada e integrada, pois sabemos que a finalidade básica do C.T.O é organizar, estruturar, padronizar e facilitar a divulgação da mensagem de A. A.
Nenhum alcoólico poderá ser ajudado por Alcoólicos Anônimos se não souber da existência e onde poderá encontra-lo, portanto, para a manutenção de nossa sobriedade e preservação de nosso propósito primordial, é necessário a formação de C.T.O’s; será através dos trabalhos do C.T.O nos grupos e órgãos de serviço que teremos a “via de acesso” para a sociedade como um todo ou para uma comunidade específica onde se localize um grupo de A. A. Muitas pessoas ficarão felizes em saber da possibilidade de recuperação do alcoolismo, se a eles forem dadas informações adequadas do nosso programa de recuperação.
Ao formarmos essas comissões, chegaremos aos membros chaves de nossa comunidade: médicos, juízes, advogados, psicólogos, delegados, clérigos e muitos outros; eles conhecerão a Irmandade de Alcoólicos Anônimos e nossa disposição em auxiliar qualquer alcoólico que esteja disposto a aceitar ajuda. Ao fazermos isso, voltaremos ao passado e veremos que nossos companheiros fizeram mais do que isso para que pudéssemos encontrar o grupo de portas abertas para nos receber e nos orientar para uma nova vida através do programa de recuperação de nossa Irmandade. Entrando na Unidade e finalmente no Serviço, lembramos que fizeram tudo por nós, e nós, o que estamos fazendo para os que chegaram depois? É necessário que façamos através do C.T.O, reuniões de estudo e temáticas, proporcionando dessa forma, mais condições de Recuperação aos nossos membros e para que aprendam a viver e conviver em Unidade, para mais tarde adentrar no Serviço, buscando qualificação através de Reuniões de Treinamentos, Oficinas do C.T.O ou em outras atividades, com objetivo de ser mais útil na sua área de ação ou ao A. A. como um todo. Sabemos que para ser servidor de confiança teremos que renunciar a muitas coisas, principalmente aos nossos anseios pessoais, tudo em prol de nossa Irmandade e, principalmente daqueles que estão por chegar.

(Fonte: Relatório da XXXVII Conferência de Serviços Gerais – páginas: 178 – Ano: 2.013)

CTO – RESPONSABILIDADE DE TODOS NA RECUPERAÇÃO, UNIDADE E SERVIÇO – ÁREA 27 – CEARÁ

C T O – “RESPONSABILIDADE DE TODOS NA RECUPERAÇÃO, UNIDADE E SERVIÇO”

ÁREA 27
CEARÁ

Muito antes da denominação de Alcoólicos Anônimos, os alcoólicos que se encontravam para permanecerem sóbrios já atuavam no trabalho com os outros na transmissão da mensagem. Um dos grandes exemplos foi a parceria entre o Dr. Bob e Irmã Ignatia no incansável trabalho cora os alcoólicos do Hospital Saint Thomas. Portanto, os outros são pessoas não alcoólicas que trabalham em cooperação, interessadas em ajudar na divulgação de Alcoólicos Anônimos, para que a mensagem chegue até aqueles que são portadores da doença do alcoolismo. Bill W., disse: Até 1950, todos esses serviços eram semente função de uns poucos membros, de vários amigos não alcoólicos, do Dr. Bob e da minha esposa. Durante todos os anos da infância de A. A., nós, os amigos, fomos auto designados como Custódios de Alcoólicos Anônimos. Com o desenvolvimento da Irmandade surgiu o Comitê Trabalhando com os Outros, com a finalidade de organizar, estruturar, padronizar e facilitar a divulgação da mensagem. Este Comitê é coordenado por um membro servidor de Alcoólicos Anônimos, que por sua vez precisa estar na prática do programa de RECUPERAÇÃO.
Esta primeira etapa é imprescindível para uma mudança de atitude e reformulação de caráter do indivíduo, para alcançar um nível de entendimento que a recuperação do alcoólico esta proporcionalmente relacionada ao grau de amor e dedicação ao trabalho de divulgação da mensagem. Sem uma plena recuperação não se atinge a condição de transmitir uma mensagem que cause efeito positivo. Sabemos que a recuperação é lenta, mas, é o que permite aos seus membros se libertarem do alcoolismo e viverem uma vida significativa, feita e útil. Dr. Bob disse: “Sem uma boa reformulação pessoal conforme indicam os doze passos, poucos ou nenhum resultado positivo poderemos esperar do nosso trabalho de divulgação.”
Um bom relações públicas de A. A. (CTO) deve ser incansável no trabalho de divulgação e cooperação com a sociedade, mas jamais se descuidar em nenhum momento na observância do princípio que garante a vitalidade da irmandade no mundo, que é a UNIDADE, a representação de valores, como: a preservação de um único objetivo: a não afiliação; entender ainda que, poder: é a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer a sua vontade, por causa de sua posição ou torça, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer. E autoridade: é a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal. (Liderança); cooperação e não apoio; não personalismo; não ajuda externa; não profissionalismo; não organização hierarquizada. “… muita atenção foi dada a extraordinária liberdade que as Tradições de a. A. permitem ao membro individual e ao seu Grupo; não serão aplicadas penalidades aos que não estiverem de acordo com os princípios de A. A.; não haverá taxas nem mensalidades – somente contribuições voluntárias; nenhum membro de A. A. – será expulso – ser membro será sempre de escolha do indivíduo; cada Grupo deve conduzir os seus assuntos internos como bem lhe aprouver – sendo somente pedido que se abstenha de praticar atos que possam prejudicar A. A., como um todo e, finalmente, que qualquer Grupo de alcoólicos que se reúna para conseguir sobriedade possa se chamar um Grupo de A. A., desde que como Grupo não tenha outro propósito ou filiação (Garantia VI do Conceito 12).
XXVI ENCONTRO DE MCDs – CANINDÉ/CE
Para a sociedade parece não funcionar um movimento com tais princípios mas o CTO precisa estar bem informado, para repassar a sociedade o modo pela qual funciona Alcoólicos Anônimos. SERVIÇO, o Terceiro legado de Alcoólicos Anônimos, responsabilidades que estão bem definidas nos Doze Conceitos. E define o grupo como responsável; mas lhe entrega autoridade final do movimento para que todas as decisões emanem da consciência coletiva.
O Comitê Trabalhando com os Outros – CTO precisa entender que o importante é a mensagem e não o mensageiro e que todos os servidores de A. A. com exceção do custódio não alcoólico nascem no grupo e, portanto são alcoólicos em recuperação. O trabalho de divulgação é absolutamente vital para nossa existência e crescimento. Não podemos abrir mão dos nossos bons amigos, que nos ajudam a dizer ao mando inteira que Alcoólicos Anônimos funciona. E essa é a nobre e brilhante missão do CTO.
Em pesquisa recente a sociedade moderna concluiu que; “agir pensando no benefício dos outros de forma coletiva pode ser definitivo para o sucesso das pessoas, das empresas e até dos países.” Talvez seja por isso que ao longo da História de A. A., tanta gente tenha prestado serviços tão relevantes a Irmandade, o que até hoje tem sido muito difícil externar nossa gratidão simplesmente com palavras a estes nobres seres humanos.
Com respeito ao serviço do Comitê Trabalhando com os Outros, determinado, fazemos, portanto, uma única pergunta: é realmente necessário esse serviço? Se a resposta for positiva, precisamos mantê-lo ou então fracassaremos na nossa missão junto aqueles que necessitam e procuram A. A. Embora o Grupo seja o início e o fim, ninguém chega ao Grupo sem saber onde e como funciona e para isso é necessário que exista sempre alguém disposto a se relacionar com a sociedade, levando adiante a mensagem de Alcoólicos anônimos com responsabilidade, segurança e conhecimento de causa, para fornecer informações verdadeiras. Este servidor deve sempre portar consigo literaturas, folhetos e um telefone do Escritório de Serviço de Alcoólicos Anônimos.
Assim continuamos em nossa jornada na busca de mais um bom amigo de A. A. para que, também, nos momentos mais difíceis e controversos envolvendo o nome da Irmandade, voluntariamente, eles coloquem o peso do seu valor social na defesa de Alcoólicos Anônimos, já que a seus membros o princípio orienta a não entrar em discórdia com a sociedade, por mais meritória que seja a causa.
Muitos destes grandes “companheiros não alcoólicos” se tornam custódios da nossa grande Irmandade, isto é CTO – RESPONSABILIDADE DE TODOS NA RECUPERAÇÃO, UNIDADE E SERVIÇO. Todos aqueles que alcançarem a dádiva da sobriedade devem sentir-se revestidos de responsabilidade para levar adiante, passar para o próximo, dar de graça o que recebeu de graça. Cada homem, cada mulher de Alcoólicos anônimos, deve ser uma porta aberta para aqueles que desejam encontrar a sobriedade.

(Fonte: Relatório da XXXVII Conferência de Serviços Gerais – páginas: 176 – 177 – Ano: 2.013)