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AS RAIZES DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS – REVISTA VIVÊNCIA Nº 1 – MARÇO 1986

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 1 – MARÇO 1986

As raízes de
Alcoólicos Anônimos

A correspondência entre Bill W.
e o Prof. Dr. Carl C. Jung

23 de janeiro de 1961

Ilustre Prof. Dr.
Carl C. Jung
Zurique – Suíça

Esta carta, portadora de meu profundo agradecimento, estava pendente de ser escrita e remetida, faz bastante tempo.

Permita-me, preliminarmente, apresentar-me como Bill W., co-fundador da Sociedade de Alcoólicos Anônimos. Embora seguramente tenha o senhor ouvido falar sobre nós, duvido ser do seu conhecimento que determinada conversa que manteve com um de seus pacientes – o Roland H. – , nos inícios dos anos 30, representou um papel decisivo na fundação de nossa comunidade.

Embora Roland H tenha falecido já faz algum tempo, a recomposição de sua extraordinária experiência, durante o período em que esteve sob seu tratamento, faz parte definitiva da história de A. A. Nossa lembrança do que era relatado por ele, sobre a experiência que obteve com o senhor, é a seguinte:
Havendo esgotado outros meios para sua recuperação de alcoolismo, mais ou menos em 1931 se tornou seu paciente. Acredito que permaneceu sob seu tratamento pelo período de um ano. Sua admiração pelo senhor era infinita e o deixou com um sentimento de muita confiança.
Para sua enorme tristeza, pouco tempo depois voltou a beber. Convencido de que era seu “último recurso”, regressou aos seus cuidados. Imediatamente houve a mencionada conversa entre os dois e que viria a ser o primeiro elo da corrente de felizes acontecimentos que conduziriam à fundação de Alcoólicos Anônimos.
Seu relato dessa conversa era o seguinte: primeiro, o senhor lhe falou francamente de sua desesperança com relação ao êxito de qualquer tratamento médico ou psiquiátrico. Essa sua declaração, tão sincera e humilde, foi, sem dúvida alguma, a pedra angular sobre a qual construímos nossa sociedade.

Vinda do senhor, em quem tanto confiava e admirava, o impacto sobre ele foi terrível. Foi aí, que ele lhe perguntou se havia alguma outra esperança, e o senhor respondeu que podia haver, desde que ele chegasse a ter algum tipo de experiência espiritual ou religiosa; em resumo, uma genuína conversão. O senhor lhe explicou como uma experiência como essa, acontecendo, poderia dar-lhe ânimo, quando nada mais poderia fazê-lo. Fez, ainda, a observação de que, embora ditas experiências tenham trazido, algumas vezes, recuperação a alcoólicos, eram elas, sem dúvida, raras. Recomendou-lhe que buscasse um ambiente religioso e esperasse o melhor. Esta, creio eu, foi a essência de sua mensagem.

Pouco tempo depois, o Roland H. reuniu-se aos Grupos de Okford, um Movimento Evangélico, na época com muito sucesso na Europa e, pelo que acredito, do seu conhecimento. Por isso, certamente se recordará de sua especial ênfase aos princípios do autoexame, confissão, restituição e o entregar-se ao serviço de seus semelhantes. Eles recomendavam muito a meditação e a oração. Nesse ambiente, o Roland H. encontrou a experiência da conversão que o libertou da compulsão pelas bebidas alcoólicas.

Ao regressar à Nova Iorque, começou a trabalhar ativamente nos Grupos de Oxford aqui existentes, então dirigidos pelo Ministro Episcopal, Dr. Sam Shoemaker, que havia sido um dos fundadores desse movimento aqui e era portador de uma forte personalidade, com imensa sinceridade e convicção. No período entre 1932 e 1934, os Grupos de Oxford já havia recuperado um bom número de alcoólicos, e Roland H. , sabendo que podia identificar-se com eles, se dedicou a ajudá-los.

Um deles havia sido meu companheiro de colégio e se chamava Edwin T. Ebby. Ele já havia sido ameaçado de prisão, porém Roland e um outro ex alcoólico conseguiram a anulação do processo criminal e o ajudaram a conseguir a sobriedade.

No entretempo, eu havia percorrido os caminhos do alcoolismo e havia sido, também, ameaçado com o presídio. Para sorte minha, estava sob tratamento médico com o Dr. William Silkwort, que tinha uma extraordinária capacidade para entender os alcoólicos. Mas, assim com o senhor havia reconhecido que fracassara diante do caso do Roland H., ele, também, reconhecera o mesmo em relação a mim.

Sua teoria era a de que o alcoolismo teria dois componentes: uma obsessão que conduz o paciente a beber contra sua vontade e interesses, além de determinado tipo de deficiência metabólica, que ele denominava alergia. A compulsão, ou obsessão do alcoólico, fará com que seu consumo imoderado de bebidas continue e a alergia o destruirá, enlouquecendo-o ou matando-o prematuramente. Embora eu fosse um dos poucos com que ele se empenhava em ajudar, finalmente viu-se obrigado a falar-me francamente da nulidade de qualquer esperança; eu, também, precisava ser motivado por algum outro fator, disse-me. Para mim, essa declaração foi um golpe fatal. Assim como Roland H. havia sido escolhido pelo senhor para sua experiência de conversão, meu maravilhoso amigo Dr. Silkworth fez comigo.

Conhecendo o que se estava passando comigo, meu amigo Edwin T. (Ebby) veio visitar-me em minha casa, me encontrando embriagado. Estávamos em novembro de 1934. Fazia já alguns anos, eu considerava Ebby um caso sem esperança. Agora, ali estava ele em evidente estado de “libertação”, o que se devia, sem qualquer dúvida, ao seu ingresso nos Grupos de Oxford, fazia pouco tempo. Porém, o evidente estado de tranquilidade, o oposto da usual depressão, era tremendamente convincente. Como ele padecia do mesmo mal, podia comunicar-se comigo com facilidade. Reconheci, imediatamente, que eu tinha que encontrar uma experiência igual a dele, ou morreria.

Novamente recorri a ajuda do Dr. Silkworth e, mais uma vez, consegui a sobriedade, obtendo, assim, uma visão mais clara da experiência de libertação de meu amigo Ebby e da aproximação de Roland H até ele.

Livre do álcool novamente, me senti muito deprimido. Isto, parece, tinha por causa minha inabilidade em ter algum tipo de fé. Ebby me visitou novamente e repetiu a fórmula simples dos Grupos de Oxford. Depois que ele foi embora me senti mais deprimido ainda. Possuído pelo mais drástico desespero, gritei: “Se existe um Deus, então que se manifeste!”.

Imediatamente me vi envolvido em enorme quantidade de luz, de fantástico impacto e dimensão, alguma coisa de tamanha importância que fiz questão de registrar nos livros “Alcoólicos Anônimos” e “A. A. chega a sua Maioridade”, dois livros básicos que lhe estou enviando. Minha libertação do álcool foi imediata. Em seguida verifiquei que era um homem livre.

Pouco tempo depois dessa experiência, meu amigo Ebby veio me visitar no hospital e me presenteou com um livro intitulado “Variedade de Experiências Religiosas”, de William James. Este livro me fez ver que a maioria das experiências de conversão, de qualquer classe que seja, tem como denominador comum uma total destruição do ego. O indivíduo se enfrenta em um dilema impossível. No meu caso, o dilema havia sido criado pela minha maneira compulsiva de beber e pelo profundo sentimento de desesperança, havia sido penetrado por meu médico e, muito mais ainda, pelo meu amigo alcoólico, quando me informou do veredito do senhor em relação ao Roland H.

No despertar de minha experiência espiritual, foi surgindo a ideia de uma sociedade de alcoólicos, identificados entre si, transmitindo suas experiências para outros, semelhantes a uma corrente. Se cada doente alcoólico levasse a outro alcoólico a informação de que não havia esperança de recuperação por parte da ciência, seria lógico esperar-se dele uma disposição pata tentar uma experiência espiritual transformadora. Este pensamento provou ser a pedra fundamental do êxito de Alcoólicos Anônimos. Ele faz com que as experiências de conversão de todas as variedades, descritas por William James, estejam disponíveis em quantidades sempre crescentes em benefício de outros. As recuperações estáveis, durante o último quarto de século, chegam a aproximadamente 300.000. Nos Estados Unidos e no mundo, atualmente, existem 8.000 grupos de A. A. (Nota: em 1974 se estimava o número de membros em 725.000, e o número de grupos, em todo o mundo, em 22.500).

Assim é que ao senhor, ao Dr. Shoemacker dos Grupos de Oxford, a William James e ao meu próprio médico, Dr. Silkworth, nós de A.A. devemos tantos benefícios. Como o senhor pode ver agora, claramente, esta surpreendente sucessão de acontecimentos felizes começou, na realidade, faz muito tempo, em seu consultório e se baseou fundamentalmente em sua percepção humilde e profunda.

Muitos estudiosos de A. A. são seus atentos leitores. Por sua convicção de que a criatura é muito mais do que inteligência, emoção, um pouco de matéria orgânica e química, o senhor é muito admirado por nós. O crescimento de nossa sociedade, o nascimento de suas Tradições, a Estrutura de seu funcionamento, poderão ser do seu conhecimento através dos livros e folhetos que remeto em anexo.

Também estou certo que lhe interessará saber que, além da “experiência espiritual”, muitos membros de A. A. possuem uma variada gama de fenômenos psíquicos, cuja força em conjunto é considerável. Permita-me assegurar-lhe que seu lugar de afeto na história de A. A. é inigualável.

Com meus profundos agradecimentos,

William G. Wilson (Bill W.)

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RESPOSTA

30 de janeiro de 1961,

Mr. William G. Wilson
P.O. Box 459, G.C.S.
N.Y. 17, N.Y.

Estimado Senhor W.:
Agradeço sua simpática carta.
Não voltei a receber notícias de Roland H. e, constantemente, me pergunto o que teria acontecido com ele. Na nossa conversa, que ele relatou fielmente a vocês, houve um aspecto que não lhe levei ao conhecimento. O motivo que tive para não dizer-lhe tudo é que, naquele tempo, eu devia ser extremamente cuidadoso no que dizia, por haver-me dado conta de que minhas declarações eram interpretadas erradamente. Por isso, decidi ser muito cauteloso com o Roland. Porem, o que eu realmente pensava era o resultado de várias experiências com casos semelhantes ao dele.

Sua fantástica necessidade do álcool era equivalente, no nível mais baixo, a sede espiritual de nosso Ser pela integridade, expressada em linguagem medieval: – a união com Deus. (Nota: “Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira minha alma por tí, ó Deus!” – Salmos 42.1) Como pode alguém formular tal percepção em uma linguagem que não seja mal interpretada em nossos dias?

A única forma correta e legítima para dita experiência é que ela ocorra realmente com você, e somente acontece quando estiver transitando pela estrada que conduza a uma compreensão mais elevada. Pode ser conduzido a essa meta por um ato de pura graça, por meio de um contato pessoal e honesto com semelhantes, ou através de uma educação aprimorada da mente, mais além dos confins do mero racionalismo. Observo, por sua carta, que Roland escolheu a segunda hipótese, que foi, em face das circunstâncias, logicamente a melhor.

Estou firmemente convencido de que o princípio do mal, que prevalece neste mundo, deriva da necessidade espiritual não identificada diante da perdição. Quando nada é contraposto por meio da verdadeira percepção, ou pela muralha protetora da comunidade humana, uma criatura comum não protegida por uma ação do Alto e isolada pela sociedade, não pode resistir ao poder do mal, o qual, de forma muito inteligente, denominamos demônio. Porém, ouso desses termos perpetrar tamanhos horrores, que o melhor é manter-me longe deles o mais possível.

São essas as razões pelas quais eu não me considerava em condições para dar explicações suficientes e completas ao Roland H., porém me arrisco com o senhor, já que deduzo, de sua honesta e sincera carta, que adquiriu um ponto de vista que supera as equivocadas trivialidades que geralmente se escutam a respeito do alcoolismo.

Como sabe, álcool em latim é spiritus; e se usa a mesma palavra para descrever as experiências religiosas mais elevadas, como para o veneno mais depravador.

Uma fórmula lógica é, pois, Spiritus contra Spiritum.

De V. Sa, atentamente,

Carl C. Jung
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Traduzido da Revista
El Mensage – Luiz M.

Vivência nº 1 – Março 1986

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NA DIREÇÃO DE DEUS – REVISTA VIVÊNCIA Nº 38

Na direção de Deus

“Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos estes defeitos de caráter (Sexto Passo).
“Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições” (Sétimo Passo).

1º Passo: Aceitação – eu não posso.
2º Passo: Esperança – alguém pode.
3º Passo: Confiança – se eu deixar.
4º Passo: Autoconhecimento.
5º Passo: Humildade.

Meta: Maturidade emocional ! – Através do Primeiro Passo, nos rendemos ante a doença do alcoolismo. Também percebemos nossa impotência diante, não só do álcool, como também diante de pessoas, sentimentos, situações e que devemos
aprender a lidar com isto, se quisermos construir uma sobriedade rica e construtiva. O Primeiro Passo nos dá a nossa limitação humana.

Com o Segundo e Terceiro Passos, percebemos que, nesta busca, precisamos de ajuda. Necessitaremos não só pedir, como aceitar e isto significa que começamos a confiar, porque só peço e aceito ajuda quando confio que posso
ser ajudado. Poderemos ver também que insanidade é tomarmos a mesma atitude esperando resultados diferentes. O Segundo Passo nos dá confiança, fé e esperança e o Terceiro Passo nos convida à entrega, que nos alivia de pesos desnecessários. Os três primeiros passos são de aceitação.

Com o Quarto e Quinto Passos, adquirimos os instrumentos para autoconhecimento e auto aceitação. Podemos aprender a nos perdoar e, quando compartilhamos, também começamos a ver aspectos em nós que sozinhos seria difícil perceber. Assim, quando saímos do Quinto Passo, a sensação é de
alívio. Agora precisaremos mais do que nunca de humildade, porque o Quarto e Quinto Passos nos ajudaram a identificar nossos defeitos de caráter, mas não nos libertaram deles.

À medida que vamos atuando com os Sexto e Sétimo Passos, vamos percebendo que podemos ir adquirindo:

Responsabilidades com nossos sentimentos e atitudes: Porque nos propõe avaliarmos honestamente nossas atitudes e identificarmos nossos sentimentos, para que possamos lidar adequadamente com situações e mudarmos quando necessário:

– quem não gosta de se sentir um pouco superior ou mesmo bastante superior?

– quem não gosta de deixar que a avareza se faça passar por um acúmulo necessário de bens?

– quem não exacerba seu auto- respeito, transformando-o em orgulho?

Boa vontade para atuar em cima de nossas mudanças: Se quisermos obter algum resultado concreto na prática dos Sexto e Sétimo Passos para a solução de
problemas fora do álcool, precisaremos fazer uma tentativa: sermos menos teimosos e em vez de dizermos que “a isto jamais renunciarei”, digamos: “a isto ainda não posso renunciar”. Não digamos “nunca”; isto pode ser uma
abertura perigosa e pode nos fechar a porta para a mudança, para a graça de Deus e para ajuda dos grupos.

Os Sexto e Sétimo Passos são um convite à mudança e representam a chave que nos abre a porta para o nosso amadurecimento emocional. Também nos ensina que cabe a nós a tarefa inicial desta mudança e nos propõe também a conviver com equilíbrio com as coisas que não podemos modificar. Mostra-nos que a diferença entre o adolescente e o adulto é igual ao que existe entre a luta por um objetivo qualquer de nossa escolha e a meta perfeita que é Deus. Os
Sexto e Sétimo Passos usam diretamente a palavra Deus, e é na direção Dele que apontam estes passos. Isto significa que ao relembrarem estes passos são um convite à superação dessa mania de tudo saber ou de tudo poder, ou seja,
ao relembrarem Deus, tornam-se um convite à superação desta mania de querer ser Deus, quebrar a onipotência – tirar carteirinha de ser humano.

“Ajudai-me, Senhor, a mudar aquelas coisas que posso modificar, mas ajudai-me ainda mais, Senhor, quando sei exatamente o que devo mudar, mas não tenho a coragem de fazê-lo”.

“A LIMITAÇÃO DO HOMEM É A OPORTUNIDADE DE DEUS”.

(Vivência nº 38)

JULHO DE 1950 – A DESPEDIDA DO DR. BOB

Julho de 1950 – A despedida do Dr. Bob

Entre os dias 28 e 30 de julho de 1950, foi celebrada em Cleveland, Ohio, a Primeira Convenção Internacional de Alcoólicos Anônimos. As principais motivações para a realização deste evento foram duas: a primeira, a aprovação das Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos – o que foi feito por aclamação de mais de três mil membros da Irmandade presentes e, a segunda, a despedida do Dr. Bob que, já muito doente e se preparando para morrer, citou como um dos seus últimos desejos comparecer a esse evento onde fez uma breve palestra.
Dos presentes àquele momento histórico, alguns se lembravam de como as ondas de amor de A.A. pareciam levantar o Dr. Bob; outros se lembram de como se sustentava encostado, enquanto falava. A maioria das pessoas recorda seu conselho sobre a simplicidade. Entre as coisas que o Dr. Bob disse nenhuma delas precisa de interpretação:
“Meus bons amigos em A.A. e de A.A., acho que eu seria muito negligente se não aproveitasse esta oportunidade para dar a vocês as boas vindas a Cleveland, não apenas a esta reunião, mas àquelas que já ocorreram. Espero que a presença de tantas pessoas e as palavras que aqui ouviram possam ser uma inspiração para vocês – e não somente para vocês, mas que vocês possam partilhar essa inspiração com os garotos e garotas que não tiveram a sorte suficiente de estarem aqui. Em outras palavras, esperamos que a visita de vocês aqui tenha sido agradável e proveitosa.
Sinto uma grande vibração ao olhar este vasto mar de rostos, com a sensação de que, possivelmente, uma pequena coisa que fiz há alguns anos teve papel infinitamente pequeno para fazer com que fosse possível esta reunião. Também me bem um grande estremecimento quando penso que todos tivemos o mesmo problema. Todos fizemos as mesmas coisas. Todos conseguimos os mesmos resultados em proporção ao nosso zelo, entusiasmo e capacidade de aderir. Se vocês me perdoam a inclusão de uma nota pessoal neste momento, permitam-me dizer que tenho estado acamado por cinco dos últimos sete meses, e minhas forças não retornaram como eu gostaria, assim, por necessidade, minhas observações serão muito breves.
Há duas ou três coisas que irromperam em minha mente sobre as quais seria apropriado colocar um pouco de ênfase. Uma é a simplicidade de nosso programa. Não vamos estragar tudo com complexos freudianos e coisas que são de interesse da mente científica, mas tem muito pouco a ver com nosso verdadeiro trabalho de A.A. Nossos Doze Passos, quando resumidos ao máximo, podem ser condensados nas palavras ‘amor’ e ‘serviço’. Entendemos o que é o amor e entendemos o que é o serviço. Então, vamos manter essas duas coisas em mente.
Vamos, também, lembrar de vigiar esse membro errante que é a língua, e se temos de usá-la, vamos usá-la com bondade, consideração e tolerância.
E mais uma coisa: Nenhum de nós estaria aqui hoje se alguém não tivesse usado seu tempo para explicar as coisas a nós, para nos dar uma palmadinha nas costas, para nos levar a uma reunião ou duas, para fazer em nosso benefício numerosas pequenas ações generosas e atenciosas. Por isso não permitam nunca que cheguemos a um grau de complacência tal que nos impeça de estarmos dispostos a estender, ou tentar estender a nossos irmãos menos afortunados, essa ajuda que tem sido tão benéfica para nós.
Muito obrigado”.
Para saber mais: leia a partir da página 345 do livro “O Dr. Bob e os bons veteranos” – Junaab, código 116.

EXPERIÊNCIA IGUALDADE E TEMPO

EXPERIÊNCIA IGUALDADE E TEMPO.

Prezados irmãos e irmãs de doença.

Em A.A. há antigos e novos, não há melhores, não há piores, há aas diferentes e simplesmente preocupados com o todo e tendo por base sempre os Três Legados, e as decisões da Consciência Coletiva. O que diferencia uns dos outros é os que vêm o A.A. como um todo como mais importante, e os que vêm um grupo de pessoas quer sejam antigas ou novas, quer sejam jovens ou velhas, como melhores ou piores, querendo dividir ou derrubar uns e outros; isto em A.A. chama-se personalismo, divisionismo, falta de recuperação. Quem se recupera preza a todos, discute ideias, não entra em disputas pessoais, para dividir acusar e julgar companheiros (as), com palavras desrespeitosas ou acres. Personalista é aquele que quer do seu jeito, desprezando os Três Legados na interpretação da Consciência Coletiva do Grupo. Quem diz que no meu tempo era melhor, que nós fizemos melhor ou ainda o que eu penso é mais correto, que esse negócio de Legados é complicar o A.A., que mantenhamos o A.A. simples sem um mínimo de organização, ou que seja como eu acho melhor, não está pensando no bem coletivo, não é um verdadeiro aa, pois coloca a sua verdade relativa acima da verdade relativa do todo. Em toda a instituição consciente, o bem comum é o limite do bem individual, e isto é a defesa do próprio indivíduo, pois isso permite ao indivíduo proceder com segurança tudo que deve e limitar-se a não fazer o que prejudica diretamente o coletivo e indiretamente a si mesmo.
Vejam amigos, há pessoas que querem o bem de A.A., mas há pessoas que só pensam em si, em seu grupo de amigos, em suas realizações pessoais, em excluir outros porque pensam diferente ou porque entendem que eles querem mudar o A.A., quando estes desejam apenas que prevaleçam os princípios ao invés dos gostos e preferências pessoais de alguns. Todos são aas, e todos devem merecer nosso respeito e nada de críticas acerbas porque alguém pensa ou entende diferente. A.A. é o mais importante, nenhum grupo de membros por qualquer razão deve prevalecer sobre os outros, e para isso há a Consciência Coletiva que é sempre quem deve decidir, tratar estas questões de preferências pessoais para pô-las em prática, não é bom para ninguém muito menos para servidores em A.A.
Entendo que o A.A. e seus princípios é a única salvação para nós, nenhuma tentativa de nos dividir devemos apoiar. Seguir as decisões do grupo por mais de 2/3, é a única maneira de não poder surgir críticas e se surgirem podem ser imediatamente contestadas com clareza e leveza, o importante também não é o que dizemos, mas as palavras com que dizemos algo e a maneira com que o fazemos, eu posso dizer isto é seu engano ou isso é sua mentira, digo a mesma coisa de maneira diferente, isto é a linguagem do coração, diferente é a linguagem da falta de recuperação, mas se não me conheço nem noto essas importantes diferenças.
Não parece-me bom entretanto entrar em discussões pessoais, é melhor simplesmente não apoiar nem rejeitar provocações divisionistas, não respondendo nem pró nem contra, com a finalidade de não dividir, e fazer com que em A.A. prevaleça seu todo. Discuta-se a interpretação e aplicação dos princípios de A.A. somente, e a eventuais procedimentos equivocados, e sem críticas pessoais. Devemos aprender a separar as pessoas de seus atos e a não julgar, pois em A.A. não se procura culpados e sim acertos, isto não significa que um servidor que não cumpre as decisões do grupo, o grupo não possa consultar suas intenções sobre cumprir as suas decisões e se necessário por proposta, apreciar seu comportamento, e se necessário tirá-lo do serviço em questão. É fascinante aprender a viver com os diferentes e com as diferenças harmonicamente. Diferente não é inimigo, discordar não é guerrear, podemos sim viver em paz com essas situações divergentes, isto é sábio.
Formar grupinhos com fins especiais dentro de um grupo de A.A. é dividir, é não ter entendido o que é A.A., somos todos viajantes de um mesmo barco que merecemos viver e não temos o direito de começarmos a criticar antigos ou novos, bons ou maus, e sim atos contrários aos princípios e às Tradições.
Todos que aproveitarem bem o tempo para encarnarem e praticarem os Três Legados de modo permanente em suas vidas, terão com certeza melhor sobriedade emocional e paz em suas vidas, mesmo que ao seu redor, girem borrascas.
São considerações que faço, de meu entendimento sobre vários aspectos em A.A. no decorrer de minha vida em A.A. não o faço para discussão e somente para comunicar fruto de minha experiência em AA.
A.A. e seus Três Legados deve ser o nosso lema, e ai inclui a Consciência Coletiva dos Grupos, desrespeitar esses princípios é destruir a Unidade.
Abraços fraternos, paz, luz e mais 24 h sóbrias.

arco/RS.

8º PASSO DE A.A.

Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.

Oitavo Passo – Como Preparar

Para entender o Oitavo Passo:

– Mamãe! Sara me bateu! Roberto berrou como um louco.
– Mas ele me chutou primeiro Sara se defendeu.
– Sim, mas ela pegou meu jogo.
– Ele não devia ser tão melindroso.

E por aí vai…

Isso parece familiar, não parece? Pois é, as crianças adoram culpar os outros por seus problemas e detestam aceitar responsabilidades.
De vez em quando, nós adultos as obrigamos a aceitar responsabilidade e as constrangemos a um pedido de desculpas forçado. Mas elas nunca dizem espontaneamente: “Sinto muito. Comportei-me mal. Errei”.
No Oitavo Passo começamos a crescer; a fazer o que as pessoas amadurecidas espiritualmente fazem: aceitar a responsabilidade de nossos atos, sem levar em conta o mal que os outros nos fizeram.
Por isso que no Sexto Passo é feita a advertência de que aquele Passo é o que separa os adultos dos adolescentes.
Se quero crescer tenho que ir em frente, a diferença de comportamento do adulto e do adolescente é a maturidade, é a capacidade de assumir a responsabilidade pelos atos praticados.
Por isso é que o Sétimo Passo nos fala de humildade, pois sem essa virtude primordial não conseguiremos ir em frente.
Até aqui em nossa caminhada só estivemos lidando com material nosso: o inventário do Quarto Passo era só nosso e de mais ninguém.
Nossas admissões no Quinto Passo foram de falhas nossas e de mais ninguém.
Os defeitos de caráter do Sexto Passo e as imperfeições do Sétimo Passo também são nossos, de mais ninguém.
No Oitavo Passo, continuamos a nos examinar, porém levando em conta os que foram prejudicados por nós. Com a ajuda de um Poder Superior, recordamos os nomes e as fisionomias das pessoas que prejudicamos.
Nossa tarefa neste Passo é tão somente fazer uma relação de nomes, apreciando cuidadosamente cada um desses nomes com atenção e procurando perceber os diferentes tipos de reação que teremos com cada nome individualmente.
A alguns estremecemos, outros teimamos em achar que não deve fazer parte dessa lista e há ainda aqueles que achamos que somente nos prejudicaram.
A esta reação devemos ser cautelosas, pois podemos estar incorrendo no grave defeito da racionalização.
Esta reabertura das feridas emocionais, algumas velhas, outras talvez esquecidas e ainda outras, sangrentas e dolorosas, pode nos dar a impressão de ser uma operação desnecessária e sem propósito. Porém, se formos firmes e precisamos ser, as vantagens de se continuar fazendo a lista vão se revelando e a dor irá diminuindo à medida que os obstáculos forem desaparecendo.
Segundo citação em nosso livro os Doze Passos e as Doze Tradições: “Tais obstáculos, contudo, são muito reais”.
O primeiro e um dos mais difíceis, diz respeito ao perdão.
Desde o momento em que examinamos um desentendimento com outra pessoa, nossas emoções se colocam na defensiva.
“Evitando encarar as ofensas que temos dirigido a outro, costumamos salientar, com ressentimento, as afrontas que ele nos tem feito”.
Ao fazer a relação das pessoas às quais prejudicamos, a maioria de nós depara com outro resistente obstáculo.
Sofremos um choque bastante grave quando nos damos conta que estávamos preparando a admissão de nossas condutas desastrosas cara a cara perante àqueles que havíamos tratado mal.
Por que, lamentávamos simplesmente não esquecer o que passou? Será que não podemos deixar algumas pessoas de fora? Por que considerar todas?

Estas são algumas das prerrogativas que o medo conspira com o orgulho para impedir que façamos a lista completa. Isto sem contar que, não raro, nos passa pela cabeça que os únicos prejudicados fomos nós mesmos.
As armadilhas preparadas pelo nosso ego são muitas e devemos ter o cuidado de detectá-las e desarmá-las para que as mesmas não impeçam o nosso crescimento.
À medida que vamos vencendo o medo e o orgulho e nos damos conta de que a relação é necessária e nos vai fazer bem; pode nos ocorrer uma pergunta: “Que tipos de danos podemos fazer às outras pessoas?
“Podemos definir os danos como o choque entre instintos; os desejos que cada ser humano tem individualmente, principalmente nas áreas de segurança física e material, convívio social e sexual, que podem causar prejuízos materiais, emocionais e espirituais.”
Podemos dividir os danos em três grandes categorias:
Danos Materiais: Ações que afetaram um indivíduo de forma tangível, como por exemplo, tomar dinheiro emprestado e não pagar conforme combinado, gastar exorbitantemente, pão durismo, gastar na tentativa de comprar amizade ou amor, fazer contratos e recusar-se a agir de acordo com o prescrito no mesmo, etc.
Danos Morais: Comportamento impróprio em ações e conduta morais ou éticas, envolvendo os outros em nossas más ações, dando maus exemplos para crianças, amigos ou quem quer que nos tome por modelo, estando preocupados com atividades egoístas e completamente alheios às necessidades dos outros. Infidelidade conjugal, promessas quebradas, insultos verbais, mentiras, falta de confiança, etc.
Danos Espirituais: Atos de omissão por negligenciar nossas obrigações com nós mesmos, com a família, com a comunidade.
Por exemplo, não demonstrar gratidão para com aqueles que nos ajudaram, evitar progredir em áreas como as da saúde e educação, não dar atenção aos que fazem parte de nossas vidas, deixando de incentivá-los, etc.
As ideias fundamentais do Oitavo Passo:
Reparação: No contexto dos Doze Passos, a ideia de reparação é definida como reparar os danos do passado. A reparação pode ser tão simples quanto um pedido de perdão ou tão complexa quanto a reparação por prejuízos físicos ou financeiros.
Perdão: O perdão é parte essencial do Oitavo Passo.
Quando colocamos este Passo em ação e começamos a fazer uma lista das pessoas que prejudicamos, imediatamente pensamos nos danos que os outros nos causaram.
Talvez esta reação seja um mecanismo de defesa, um meio de evitar a admissão de culpa. Talvez não. Não importa porque nos sentimos assim. O importante é cuidarmos do problema.
Precisamos perdoar os que nos magoaram.

O perdão não é emoção. É decisão. Só pode ser real com a ajuda de Deus. Só Ele nos pode dar a graça, o desejo e a capacidade para eximir os que nos magoaram.
Sozinhos, deixamos o rancor, a amargura e o ressentimento se inflamarem e tomar conta.
O Oitavo Passo é o começo do fim do nosso isolamento de nos-sos semelhantes e de Deus.
Obrigado companheiros e companheiras pelo crescimento que vêm me proporcionando e obrigado Revista Vivência pela oportunidade.

Rogéria/MG
Fontes: · Os Doze Passos e as Doze Tradições de A.A.
· Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade.
· Os Doze Passos para os Cristãos.
Matéria do Mês – Edição 118 – Março / Abril 2009

A VIDA – HENFIL

A vida

Henfil

“Por muito tempo eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade.
Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado antes de começar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga.

Aí sim, a vida de verdade começaria.

Por fim, cheguei a conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade.
Essa perspectiva tem me ajudado a ver que…
…não existe um caminho para a felicidade.

A felicidade é o caminho!

Assim, aproveite todos os momentos que você tem.

E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar, especial o suficiente para passar seu tempo…
…e lembre-se que o tempo não espera ninguém.
Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade;
Ou…
Até que você volte para a faculdade;
…até que você perca 5 quilos…
…até que você ganhe 5 quilos;
até que você tenha tido filhos;
até que seus filhos tenham saído de casa;
…até que você se case;
Ou…
até que você se divorcie;
…até sexta à noite;
…até segunda de manhã;
até que você tenha comprado um carro
ou uma casa nova;
…até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos;
…até o próximo verão…
…outono…
…inverno…
…até que você morra;
E decida que não há hora melhor para ser feliz do que…
AGORA MESMO!!!

Lembre-se:
“Felicidade é uma viagem, não um destino”.

“Quem tem um porquê viver, encontrará, quase sempre o como.”

TENHA UMA
SEMANA
ABENÇOADA!!!

PANFLETO SOBRE APADRINHAMENTO EM A. A. – TRADUÇÃO DR. LAÍS MARQUES DA SILVA

PANFLETO SOBRE APADRINHAMENTO EM A. A. – Tradução Dr. Laís Marques da Silva

Escrito por Clarence H. Snyder, em 1944. Ele ficou sóbrio em Cleveland-Ohio, no dia 11 de fevereiro de 1938 com a ajuda do seu padrinho, cofundador, o Dr. Bob. Em 18 de maio de 1939, fundou o grupo nº. 3 de A.A. em Cleveland-Ohio e este foi o primeiro grupo a usar o nome “Alcoólicos Anônimos”. Faleceu na Florida, em 22 de março de 1984, com 46 anos de sobriedade.
Fonte: http://silkworth.net
Sua história está publicada nas 1ª, 2ª. E 3ª. Edições do Big Book, nas páginas 297/303
Dados históricos oferecidos pelo companheiro Laerte A., de Niterói-RJ

Tradução feita pelo Dr. Lais Marques da Silva, ex- Presidente da Junta de Custódios.

Este foi o primeiro trabalho escrito sobre apadrinhamento e o seu título original era “Apadrinhamento em A.A… suas Obrigações e Responsabilidades”e foi Impresso pelo Comitê Central de Cleveland.

Prefácio
Cada membro de A.A. é um padrinho em potencial de um novo membro e deveria reconhecer claramente as obrigações e deveres de uma tal responsabilidade.
A aceitação da oportunidade de levar o plano de A.A. para aquele que sofre no alcoolismo compreende responsabilidades muito reais e criticamente importantes. Cada membro, ao praticar o apadrinhamento de um alcoólico, deve lembrar que está oferecendo o que é, frequentemente, a última chance de reabilitação, de sanidade, ou mesmo, de vida.
Felicidade, saúde, segurança, sanidade e vida de seres humanos são as coisas que temos que manter em equilíbrio quando apadrinhamos um alcoólico.
Nenhum membro é suficientemente sábio para desenvolver um programa de apadrinhamento que possa ser aplicado, com sucesso, a todos os casos. Nas páginas seguintes, no entanto, delineamos um procedimento que é sugerido e que, suplementado pela própria experiência do membro, tem-se mostrado bem sucedido.

Ganhos pessoais de ser um padrinho
Ninguém colhe todos os benefícios de qualquer irmandade a que esteja ligado a menos que, de coração, se engaje nas suas importantes atividades. A expansão de Alcoólicos Anônimos para campos mais largos e o benefício maior para um número crescente de pessoas resulta diretamente do acréscimo de uma nova pessoa, de membros ou associados que são de valor.
Qualquer membro de A.A. que não tenha experimentado as alegrias e satisfações de ajudar outro alcoólico a retomar o seu lugar na vida, ainda não terá percebido completamente os benefícios que pode auferir desta irmandade. Por outro lado, deve ficar claramente guardado na mente que a única razão possível para levar um alcoólico para o A.A. é o benefício daquela pessoa. O apadrinhamento nunca deve ser feito para:
1 – aumentar o tamanho do grupo;
2 – satisfação ou glória pessoal ou, ainda,
3 – porque o padrinho sente, como sendo do seu dever, refazer o mundo.
Até que um membro de A.A. tenha assumido a responsabilidade de colocar um trêmulo e impotente ser humano de volta no caminho para se tornar um membro saudável, útil e feliz da sociedade, ele não terá desfrutado a completa sensação de ser um membro de A.A..

Fonte de nomes – indicações para apadrinhamento
A maior parte das pessoas tem, entre os seus próprios amigos e relações, alguém que se beneficiaria dos nossos ensinamentos. Outros têm seus nomes dados por igrejas, por doutores, empregadores ou por algum outro membro que não pode fazer um contacto direto.
Por causa da ampla gama de atividades do A.A., os nomes frequentemente chegam de lugares não usuais e inesperados. Esses casos deveriam ser contatados assim que todos os dados como: estado civil, relações domésticas, estado financeiro, hábitos de beber, emprego, e outras informações facilmente acessíveis, estivessem em mãos.

É o cliente potencial um candidato?
Muito tempo e esforço poderiam ser poupados ao se conhecer, tão cedo quanto possível, se:
1 – A pessoa realmente tem um problema com a bebida?
2 – Sabe que tem um problema?
3 – Deseja fazer alguma coisa acerca do seu beber?
4 – Deseja ajuda?
Às vezes, as respostas a essas questões não podem ser obtidas até que o candidato potencial tenha tido alguma informação sobre o A.A. e de ter uma oportunidade de pensar. Frequentemente são dados nomes, que depois de uma verificação, mostram que o candidato potencial não é, de forma nenhuma, um alcoólico ou ainda que está satisfeito com o atual modo de viver. Não deveríamos hesitar em descartar esses nomes das nossas listas. Devemos estar certos, no entanto, de fazer com que o potencial candidato saiba onde pode nos alcançar em qualquer data futura.

Quem deveria se tornar membro?
O A.A. é uma irmandade de homens e mulheres ligados pela sua inabilidade de usar o álcool em qualquer forma razoável com proveito ou prazer. Obviamente, qualquer novo membro introduzido poderia ser do mesmo tipo de pessoa, sofrendo da mesma doença.
A maior parte das pessoas pode beber razoavelmente, mas estamos somente interessados naquelas que não podem. Bebedores de festas, bebedores sociais, festeiros e outros que continuam a ter mais prazer do que dor no seu beber, não são de interesse para nós.
Em alguns casos, um indivíduo pode acreditar que é um bebedor social quando ele definitivamente é um alcoólico. Em muitos desses casos, mais tempo deve passar antes que a pessoa esteja pronta para aceitar o nosso programa. Pressionar tal pessoa antes que esteja pronta pode arruinar as suas chances de, em algum momento, se tornar um membro de A.A., com sucesso. Não se deve excluir a possibilidade de uma ajuda futura ao se pressionar demais no início.
Algumas pessoas, embora definitivamente alcoólicas, não têm desejo ou ambicionam melhorar o seu modo de viver e, até que elas o façam… o A.A. não tem nada a oferecer.
A experiência tem mostrado que idade, inteligência, educação, situação ou a quantidade de bebida alcoólica ingerida tem pouco, se tem, a ver com o fato de uma pessoa ser ou não um alcoólico.

Apresentando o projeto
Em muitos casos, a condição física de uma pessoa é tal que deveria ser hospitalizada, se possível. Muitos membros de A.A. acreditam que a hospitalização, com tempo suficiente para planejar o futuro, livre das preocupações domésticas e das preocupações com negócios oferece uma vantagem significativa. Em muitos casos, o período de hospitalização marca o início de uma nova vida. Outros membros são igualmente confiantes no fato de que qualquer pessoa que deseje aprender sobre o projeto de vida de A.A. pode fazer isso em seu próprio lar ou enquanto engajado nas ocupações normais. Milhares de casos são tratados de cada modo, que tem-se mostrado satisfatórios.

Passos sugeridos
Os seguintes parágrafos delineiam um procedimento sugerido para apresentar o projeto de A.A. ao possível candidato, em casa ou no hospital.

Qualificar-se como um alcoólico
1 – Ao atender a um novo possível candidato, tem-se mostrado melhor que o padrinho se qualifique como sendo uma pessoa normal que tem encontrado felicidade, contentamento e paz por meio do A.A.. Deve tornar claro, imediatamente, que você é uma pessoa engajada nas coisas da vida, em ganhar a vida. Fale que a única razão para acreditar que é capaz de ajudá-lo é que você mesmo é um alcoólico que tem tido experiências e problemas que podem ser semelhantes ao dele.

Relate a sua história
2 – Muitos membros têm achado desejável iniciar imediatamente com a sua história pessoal com a bebida como um meio de obter a confiança e cordial cooperação do possível candidato.
É importante relatar a história da sua própria vida de bebedor e fazê-lo de um modo que irá descrever um alcoólico, mais do que falar de uma série de situações humorísticas de bêbados em festas. Isso capacitará a pessoa a ter uma visão clara de um alcoólico e deveria ajudá-lo a decidir definitivamente se é um alcoólico.

Inspire confiança no A.A.
3 – Em muitos casos, o possível candidato irá tentar vários meios de controlar o seu beber, incluindo atividades de recreio, igreja, mudança de residência, mudança de associações e várias outras atitudes visando o controle. Esses meios irão, naturalmente, se mostrar sem sucesso. Focalize a sua série de esforços malsucedidos para controlar o beber … os resultados infrutíferos e ainda o fato de que você se tornou capaz de parar de beber com a prática dos princípios de A.A.. Isso encorajará o futuro candidato para olhar com confiança a sobriedade em A.A., a despeito dos muitos fracassos anteriores que tenha tido com outros planejamentos.

Fale de vantagens adicionais
4 – Fale francamente ao possível candidato que ele não poderá entender rapidamente todos os benefícios que estarão chegando por meio do A.A.. Relate a felicidade, a paz de espírito, saúde e, em muitos casos, os benefícios materiais que são possíveis através do entendimento e da aplicação do modo de viver de A.A..

Fale da importância de ler o livro
5 – Explique a necessidade de ler e de reler o livro de A.A.. Destaque que esse livro dá uma descrição detalhada das ferramentas do A.A. e dos métodos de aplicação dessas ferramentas para construir um fundamento de reabilitação para viver. Esse é um bom momento para enfatizar a importância dos doze passos e dos quatro absolutos.

Qualidades necessárias para o sucesso em A.A.
6 – Faça saber ao possível candidato que os objetivos de A.A. são prover os meios e modos para um alcoólico voltar ao seu lugar normal na vida. Desejo, paciência, fé, estudo e aplicação são o mais importante em determinar cada planejamento individual de ação para ganhar inteiramente os benefícios de A.A..

Reintroduza a fé
7 – Desde que a crença em um Poder Superior a nós mesmos é o coração do projeto de A.A. e de que o fato de que essa idéia é frequentemente difícil para uma nova pessoa, o padrinho deveria tentar introduzir o inicio de um entendimento acerca dessa importante característica.
Frequentemente, isso pode ser feito por um padrinho ao relatar a sua própria dificuldade de captar um entendimento espiritual e falar sobre os métodos que usou para superar suas dificuldades.

Ouça a sua história
8 – Enquanto falando ao recém chegado, ganhe o tempo para ouvir e estudar as suas reações a fim de que você possa apresentar a sua informação de um modo mais efetivo. Deixe-o falar também. Lembre… vá com calma.

Leve a diversas reuniões
9 – Para dar ao novo membro um quadro amplo e completo do A.A., o padrinho deveria levá-lo a várias reuniões a conveniente distância da sua casa. Assistir diversas reuniões dá ao novato a oportunidade de selecionar um grupo em que se sinta mais feliz e confortável e é extremamente importante para deixar que o possível candidato tome a sua própria decisão em relação a que grupo irá se juntar. Acentue que ele será sempre bem-vindo a qualquer reunião e que pode mudar de grupo se assim desejar.

Explique o A.A. à família do possível candidato
10 – Um padrinho bem sucedido aceita o esforço e faz qualquer empenho necessário para ficar certo de que as pessoas próximas e com interesse maior no seu doente (mãe, pai, esposa, etc,) sejam inteiramente informadas acerca do A.A., seus princípios e seus objetivos. O padrinho cuida para que essas pessoas sejam convidadas para reuniões e as mantém informadas, a todo momento, da situação corrente do possível candidato.

Ajude o possível candidato a se antecipar às experiências a serem vividas em um hospital.
11 – Um possível candidato irá ter mais benefício de um período de internação se o padrinho descrever a experiência e ajudá-lo a se antecipar a elas, preparando o caminho daqueles membros que irão chamá-lo.

Consulte os membros antigos de A.A.
Essas sugestões para o apadrinhamento de uma nova pessoa nos ensinamentos de A.A. não são completas. Elas pretendem somente dar uma moldura e um guia geral. Cada caso individual é diferente e deveria ser tratado como tal. Informação adicional para o apadrinhamento de uma nova pessoa pode ser obtida a partir da experiência de um companheiro mais experiente nesse tipo de serviço. Um co-padrinho, com experiência, trabalhando com um novo companheiro no apadrinhamento de um possível futuro membro tem-se mostrado satisfatório. Antes de assumir a responsabilidade de apadrinhamento, um membro deveria estar certo de que é capaz de realizar a tarefa e de estar disposto a dar seu tempo, esforço e meditação que uma tal obrigação implica. Pode acontecer que ele queira selecionar um co-padrinho para compartilhar a responsabilidade ou pode sentir necessário solicitar a outro companheiro que assuma a responsabilidade pela pessoa que ele tenha localizado.

Se você vai ser um padrinho, seja um bom padrinho.