Monthly Archives: Abril 2016

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS – ANONIMATO

ANONIMATO

12ª Tradição de A.A.

DÉCIMA SEGUNDA TRADIÇÃO

“O ANONIMATO É O ALICERCE ESPIRITUAL DE TODAS AS NOSSAS TRADIÇÕES, LEMBRANDO-NOS SEMPRE DE COLOCAR OS PRINCÍPIOS ACIMA DAS PERSONALIDADES”.

A essência espiritual do anonimato é o sacrifício.
Uma vez que as dozes tradições de AA nos pedem repetidamente que coloquemos o bem comum acima dos nossos desejos pessoais verificamos que o espírito de sacrifício -bem simbolizado pelo anonimato – é o alicerce de todas elas. É a boa vontade comprovada de AA em fazer estes sacrifícios que dá ás pessoas grande confiança no nosso futuro.
Contudo, no princípio o anonimato não nasceu da confiança; foi o resultado dos nossos medos inicias. Os nosso primeiros grupos de alcoólicos era sociedades secretas. Só através de uns poucos amigos de confiança é que os potenciais membros nos conseguiam encontrar . Mesmo em relação ao nosso trabalho chocava-nos a mais pequena insinuação de publicidade. Apesar de ex-bebedores ainda pensávamos que tínhamos de nos esconder da desconfiança e do desprezo públicos.
Quando em 1939 apareceu o livro GRANDE chamamos-lhe “alcoólicos anônimos “. O seu prefácio fazia esta declaração reveladora : “é importante permaneceremos anônimos porque atualmente somos muitos poucos para atendermos ao grande número de pedidos pessoais que possam resultar desta publicação . Como somos na maior parte pessoas de negócios ou com profissões liberais não poderíamos nestas circunstâncias, prosseguir coniventemente com os nossos empregos; nas entrelinhas, é fácil perceber o nosso medo de que um grande número de recém-chegado pudesse quebrar completamente o nosso anonimato.
Á medida que os grupos de AA se multiplicavam também aumentava os problemas com o anonimato. Entusiasmados com a recuperação de espetacular de algum irmão alcoólico por vezes comentávamos aqueles aspecto íntimos e tocantes do seu caso que apenas o seu padrinho deveria ouvir. vítima ofendida declarava então com razão que a sua confiança fora traída. Quando tais histórias começaram a circular fora de AA foi grave a perda de confiança na promessa do nosso anonimato. Muitas vezes afastou pessoas. Claramente o nome de cada membro de AA assim como a sua história, tinham de ser confidenciais, se fosse a sua vontade . Esta foi a nossa primeira lição na aplicação prática do anonimato.
No entanto, com a imoderação que lhes era característica, alguns dos nossos recém-chegados não se preocupavam nada com o sigilo . Queriam proclamar aos quatro ventos o nome se AA, E era o que faziam . Alcoólicos que tinham parado de beber assediavam de olhos brilhantes, qualquer pessoa que bissexuais as suas historias. Outros precipitavam-se para os microfones e as câmaras. Por vezes embebedavam-se de uma forma lastimosa e desiludiam os seus grupos com um rude golpe. De membros de AA passaram a ser exibicionistas de AA. Esta fenômeno de contrastes deu-nos muito que pensar. Deparávamo-nos com questões “ a que ponto deve um membro de AA ser anônimo ?” O nosso crescimento mostrava que não podíamos ser uma sociedade secreta embora fosse igualmente evidente que também não poderíamos ser um espetáculo de variedades.
Encontrar uma via segura entre estes extremos levou muito tempo.
Regra geral o recém-chegado queria que a sua família soubesse imediatamente o que ele estava a tentar fazer. Também queria contar tudo aos outros que tinham tentado ajudar – ao seu médico , conselheiro espiritual e amigos íntimos. Á medida que ia adquirindo confiança, achava que era bom explicar o seu novo modo de vida ao patrão e colegas de trabalho. Quando surgiam oportunidades de ser útil, descobria que podia falar facilmente sobre AA com quase toda a gente.
Estas revelações tranquilas ajudavam-no a perder o medo do estigma do alcoolismo e espalhavam a notícia da existência de AA na sua localidade.
Muitos homens e mulheres vieram para AA devido a tas conversas. Embora não seguindo á letra o princípio do anonimato, estas comunicações estavam bem dentro desse espírito.
Contudo , tornou-se óbvio que o método da comunicação oral era demasiado limitado. O nosso trabalho, em si, precisava de ser divulgado. Os grupos de AA tinham de chegar rapidamente ao maior número possível de alcoólicos em desespero. Como consequência muitos grupos começaram a ter reuniões que eram abertas a amigos interessados e ao publico, para que o cidadão comum pudesse ver, por si próprio o que era AA a reação a estas reuniões foi muito calorosa . Em pouco tempo os grupos começaram a receber pedidos para que oradores de AA aparecessem em organizações cívicas , grupos religiosos e associações médicas . Desde que o anonimato fosse mantido nestas ocasiões, e os repórteres presentes avisados para não usarem nomes ou fotografias , o resultado era excelente.
Depois, vieram as nossas primeiras incursões que foram empolgantes no domínio da grande publicidade . Os artigos que o PLAIN DEALER DE CLEVELAND publicou sobre nós fizeram com que cresceu o número de membros de uns poucos para largas centenas da noite para dia.
As notícias do jantar oferecido a alcoólicos anônimos pelo Sr. ROCKEFLLER ajudaram a duplicar o número total dos nossos membros no espaço de um ano. O famoso artigo de JACK ALEXANDER no SATURDAY EVENING POST fez de AA uma instituição nacional.
Outros contributos com estes deram origem a um reconhecimento ainda maior. Outros jornais e revistas queriam artigos de AA companhias cinematográficas queriam filmar -nos . A rádio e finalmente, a televisão, assediaram-nos com pedidos para participarmos em programas.
Que devíamos fazer?
Á medida que crescia estas maré aprovação pública a apercebíamos -nos de que uma oportunidade deste gênero tanto nos poderia causar um bem incalculável como um grande mal.
Tudo dependia da forma como fosse canalizar.
Não podíamos simplesmente dar-nos ao luxo de permitir que membros auto – nomeados se apresentassem como Messias, representado AA perante o público .O nosso instinto de autopromoção podia ser a nossa própria destruição .Bastava que um único se embebedasse em publico ou caísse na tentação de usar o nome de AA em proveito próprio para que o dano pudesse ser irreparável . A este nível (imprensa, rádio, filmes e televisão) o anonimato – anonimato a 100 por cento – era a única resposta possível.
Aqui, os princípios teriam de estar acima das personalidades, sem exceção.
Estas experiências ensinaram -nos que o anonimato é a verdadeira humildade em ação.
É uma qualidade espiritual envolvente que é atualmente atônica dominante do modo de vida de AA em todo o lado .Movidos pelo espírito do anonimato, tentamos por de lado os nossos desejos naturais de distinção pessoal como membros de AA, quer entre companheiros alcoólicos, quer perante o público em geral . Ao colocarmos de lado estas aspirações muito humanas, acreditamos que cada um de nós participa na tecelagem de um manto protetor que reveste toda a nossa sociedade e sob o qual podemos crescer e trabalhar
Em unidade.
Estamos convencidos de que a humildade expressa pelo anonimato, é a maior proteção que alcoólicos anônimos jamais poderá ter.
Quando o Grande “Eu” se torna “Ninguém”
Dr. Harry Tiebout, Psiquiatra
Grande amigo da irmandade desde 1939 foi o primeiro psiquiatra a reconhecer o trabalho de A.A. e a usar os seus princípios em sua prática profissional. Junto com outros médicos, o Dr. Tiebout acelerou e aprofundou a aceitação mundial de A.A. entre os homens da medicina.
O programa de ajuda de A.A. foi bafejado por elementos de verdadeira inspiração, e, em nenhum aspecto é mais evidente do que na escolha de seu nome, Alcoólicos Anônimos.
O anonimato constitui-se, naturalmente, em uma proteção de grande valor, especialmente para o recém chegado; porém, minha intenção presente é de enfocar um valor ainda maior do anonimato, na contribuição para o estado de humildade necessário para a manutenção da sobriedade do alcoólico recuperado.
Minha tese é de que o anonimato, cuidadosamente preservado, fornece dois ingredientes essenciais para essa manutenção. Esses dois ingredientes, na verdade, são duas faces de uma mesma moeda: primeiro, a preservação de um ego reduzido; segundo, a presença contínua de humildade ou simplicidade.
Conforme o que constatamos nas Doze Tradições de A.A., “o anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições”. Cada membro é lembrado a colocar “os princípios acima das personalidades”.
Muitos de vocês talvez queiram saber o que essa palavra “ego” significa. Há tantas definições, que primeiramente é preciso esclarecer a natureza da necessidade da redução do ego.
Esse ego não é um conceito intelectual, mas sim um estado de sentimento – uma sensação de importância – de ser “especial”. Poucas são as pessoas capazes de admitir em si mesmas a necessidade de serem especiais.
Muitos de nós, entretanto, podem reconhecer ramificações desse procedimento e colocar uma denominação própria para elas.
Deixem-me ilustrar:
Nos primeiros dias de A.A., fui consultado a respeito de um problema sério que estava preocupando um grupo local.
O costume de se comemorar um ano de sobriedade com um bolo de aniversário teve como consequência o fato de que alguns vieram a se embriagar, pouco tempo depois da comemoração. Parecia que alguns não podiam aguentar a prosperidade. Pediram a minha posição a respeito; a favor do bolo, ou contra o bolo de aniversário.
Caracteristicamente, escusei-me por não pode ajudá-los, não por modéstia, mas por ignorância. Cerca de três ou quatro anos depois, o próprio A.A. forneceu-me a resposta. O grupo não teve mais esse problema, segundo o que disse um membro:
“Nós ainda comemoramos, mas agora um ano de sobriedade tornou-se lugar comum. Nenhum de nós precisa ter mais a menor preocupação com isso”.
Uma olhada ao que aconteceu, nos mostra o egoísmo, como eu o vejo, em ação. Em primeiro lugar, a pessoa que esteve sóbria por um ano inteiro, tornou-se um exemplo, algo para se admirar. Seu ego naturalmente se expandiu, seu orgulho floresceu e qualquer diminuição de egoísmo, obtida anteriormente, desapareceu. Tendo sua confiança renovada, acabou por tomar um drinque.
Tinha sido considerada especial e reagiu de acordo. Depois, essa parte especial se esvaiu. Nenhum ego é alimentado, estando na condição de lugar comum, e desse modo, o problema de ego elevado desaparece.
Hoje A.A., na prática, está bem consciente do perigo de se bajular alguém com honrarias e louvores. Os riscos da realimentação do ego são reconhecidos.
A frase “servidor de confiança” constitui-se num esforço para manter baixo o nível do egoísmo, embora alguns servidores tenham problemas nesse particular.
Agora, vamos dar uma olhada mais acurada nesse egoísmo que causa transtornos. Os sentimentos, associados a esse estado da mente, são de fundamental importância na compreensão do valor que tem o anonimato para o indivíduo – o valor de colocá-lo na condição de um mero participante do contingente da humanidade.
Certas particularidades demonstram esse ego, que vê a si próprio como algo especial e, por isso mesmo, diferente. É elevado em si mesmo, e propenso a manter, igualmente, suas metas e suas fantasias em alto nível. Menospreza àqueles que define como sendo vermes que rastejam penosamente, sem o ardor e a inspiração daqueles iluminados pelos ideais de tirar pessoa do lugar comum, prometendo a elas melhor sorte para o futuro.
Frequentemente, esse mesmo ego funciona ao contrário. Ele tira a esperança do homem, com suas falhas e fraquezas, e desenvolve um cinismo que amarga o espírito e faz de seu possuidor um realista excêntrico que nada acha de bom nesse vale de lágrimas.
A vida nunca obtém dele resultados plenamente satisfatórios, e ele vive uma existência amargurada, agarrando-se ao que puder no momento, mas nunca realmente participando do que acontece ao seu redor. Ele anseia por amor e compreensão e discursa incessantemente sobre o seu senso de alienação em relação àqueles que o cercam.
Basicamente, ele é um idealista frustrado, sempre voando alto e aterrissando baixo. Esses dois tipos de egoísmo confundem humildade com humilhação.
A seu modo as crianças atuam como bons terapeutas ou “redutores de cabeças”. São hábeis alfineta dores de egos inflados, ainda que seus propósitos não sejam, propriamente, terapêuticos.
A.A. teve seu começo justamente em uma tal alfinetada. Bill W. sempre se refere à sua experiência no Hospital Towns como uma “deflação em grande profundidade”, e naquela ocasião ouviram-no dizer que seu ego havia levado uma “surra dos diabos”.
A.A. nasceu daquela deflação e daquela surra.
Está muito claro que a sensação de ser especial, de ser “algo” tem seus perigos e suas desvantagens para o alcoólico. Já o oposto, ou seja, aquele que está fadado a ser um “nada”, tem pouca motivação. O indivíduo vê-se diante da possibilidade de ser algo e beber, ou de ser nada e também beber, por frustração.
O dilema, muito compreensível, reside na falsa impressão sobre o chamado oposto, o que está prestes a ser um “nada” e não vê alguma compensação. A característica de ser um “nada” não é facilmente desenvolvida.
Vai contra todos nossos anseios por uma identidade, por uma existência significativa, plena de esperanças e perspectivas. Tornar-se um “nada” parece ser uma forma de suicídio psicológico. Agarramo-nos ao nosso “pouco” com todas as forças de que somos capazes. A ideia de ser um “nada” é simplesmente inaceitável. Mas, o fato é que, se o indivíduo não aprender a agir como um nada, não conseguirá compreender que ele é apenas um mero cidadão do dia a dia, misturado na raça humana e, assim, estará sendo humilde perdido na multidão e essencialmente anônimo. Quando isso puder acontecer, o individuo terá conseguido muito a seu favor.
As pessoas com o “nada” em vista, podem relaxar e resolver seus negócios calmamente, com o mínimo de transtorno e de preocupação. Podem, até, curtir a vida da forma que ela vier.
Em A.A., isso é conhecido como programa das vinte e quatro horas, que significa, efetivamente, não ter o indivíduo o amanhã em mente. Ele consegue viver o presente encontrando a satisfação aqui e agora; não fica mais se acotovelando por aí. Sem preocupações, a pessoa se torna receptiva e mantém a mente aberta.
As mais importantes religiões estão cônscias da necessidade do nada, para aquele que pretende alcançar a graça. No Novo Testamento, Mateus (18-3) cita estas apalavras de Cristo:
“Em verdade vos digo; se não vos transformardes, e não vos fizerdes como meninos, não entrarão no Reino dos Céus. Por isso, todo aquele que se tornar pequeno como este menino, esse há de ser o maior no Reino dos Céus”.
Zen ensina a libertação pelo nada. Uma série de cenas com o intento de mostrar a evolução da natureza do homem termina por um círculo no interior de um quadrado. O círculo representa o homem em um estado de “nada”. O quadrado representa a conformação das limitações com as quais o homem precisa aprender a conviver.
Nessa concisa afirmação: “Nada é fácil, nada é difícil”, e outras mais, Zen também acrescentou a modéstia, a humildade e a graça.
Anonimato é um estado de espírito de grande valor para o indivíduo, na manutenção da sobriedade. Não obstante eu reconheça sua função protetora, sinto que qualquer discussão a respeito seria unilateral, se falhar na ênfase do fato de que a manutenção de um sentimento de anonimato, um sentimento de “eu não sou nada de especial”, é a garantia fundamental de humildade, e, consequentemente, a verdadeira salvaguarda contra futuros problemas com relação ao álcool. Esse tipo de anonimato é verdadeiramente um bem precioso.
Fonte: Revista Vivência n° 43 – Setembro/Outubro 1996
O Anonimato – Vivendo as Nossas Tradições
“Em nossas Doze Tradições, temos nos colocado contra quase todas as tendências do mundo “lá fora”. Temos negado a nós mesmos o governo pessoal, o profissionalismo e o direito de dizer quais deverão ser nossos membros. Abandonamos a beatice, a reforma e o paternalismo. Recusamos o generoso dinheiro de fora e decidimos viver à nossa custa. Queremos cooperar com praticamente todos, mas não permitimos que nossa sociedade seja unida a nenhuma. Não entramos em controvérsia pública e não discutimos, entre nós, coisas que dividem a sociedade: religião, política e reforma. Temos um único propósito, que é o de levar a mensagem de A.A. para o doente alcoólico que a deseja. Tomamos essas atitudes, não porque pretendemos virtudes especiais ou sabedoria; fazemos essas coisas porque a dura experiência nos tem ensinado que A.A. tem que sobreviver num mundo conturbado como é o de hoje. Nós também abandonamos nossos direitos e nos sacrificamos, porque precisamos e, melhor ainda, por que quisemos. A.A. é uma força maior do que qualquer um de nós; ele precisa continuar existindo ou milhares de alcoólicos como nós certamente morrerão”.
Bill W.
Eis porque, plenamente solidário com os elevados propósitos e princípios que regem a nossa Irmandade, sentimo-nos verdadeiramente feliz em poder, mais uma vez, earrow2 com vocês, desta feita, para dialogarmos sobre o controverso tema O Anonimato – Vivendo as Nossas Tradições, por sinal, assunto central da 39ª Conferência de Serviços Gerais de A.A., realizada na cidade de New York, no período de 23 a 29 de abril de 1989, reunindo servidores dos E.E.U.U./Canadá.
É oportuno ressaltar que todo cuidado foi tomado para que o nosso trabalho não se confunda com outras interpretações, de modo que, ao inserirmos breves e concisas noções sobre o tema enfocado, o fizemos na certeza de que, aqueles que as aceitarem, terão uma verdadeira compreensão do que fazem e porque o fazem.
Assim, faz-se necessário dizer que, pela simplicidade do trabalho, é bom de se ver que a sua finalidade outra não é senão a de subsidiar e orientar e, por isso mesmo, não dispensa a complementação eficiente de companheiros mais experientes, que vivenciam, com dedicação e zelo, o programa de recuperação oferecido por nossa instituição.
Por isso, imbuído, somente, da intenção de poder ser útil, alimentamos a esperança de que os conceitos aqui expostos sejam resposta para as dúvidas que se nos apresentam no dia-a-dia de nossa recuperação.
Desse modo, para que o tema enunciado seja desenvolvido, faz-se mister a conceituação do que venha a ser Anonimato, razão que nos leva a tentar esclarecer, sem a pretensão descabida da elucidação do termo. Será, assim, este trabalho, um lembrete aos companheiros, para que o tema levantado seja, posteriormente, aprofundado e enriquecido com experiências outras e saberes os mais diversos, sempre visando a ajudar ao alcoólico que sofre.
De uma forma geral, Anonimato é o artifício usado por aquelas pessoas que não querem ser identificadas. Para nós AAs, esse termo tem uma conotação mais abrangente, haja visto que representa o maior símbolo de sacrifício pessoal, a maior proteção que a Irmandade pode ter, a chave espiritual para todas as nossas Tradições e para todo o nosso modo de vida.
Escrevendo sobre o Anonimato, Bill W. diz em certo trecho:
“Começamos a perceber que a palavra anônimo tem para nós uma grande significação espiritual. De maneira sutil, mas vigorosamente, lembramo-nos de que devemos colocar os princípios antes das personalidades; que renunciamos à glorificação pessoal em público; que. nosso movimento não apenas prega, porém pratica uma verdadeira humildade”.
Foi dentro desse princípio, de ajudar anonimamente, que Bill W. recusou o título de Doutor Honoris Causa que lhe fora oferecido por uma Universidade Norte americana; nesse mesmo passo, Bill W. renunciou a grande soma de dinheiro a ele oferecida por companhias cinematográficas norte-americanas, para filmar a sua vida; foi esse mesmo Bill que, recusando o prestígio pessoal, não permitiu que o seu retrato fosse estampado na capa da revista “Times”, quando de uma reportagem que ele solicitara sobre Alcoólicos Anônimos.
De outro lado, temos a clássica história envolvendo Bill, Dr. Bob e alguns de seus amigos. Conta-nos Bill que, “quando se soube com toda a segurança que o Dr. Bob estava para morrer, alguns de seus amigos sugeriram que se erguesse um monumento ou mausoléu em sua homenagem e à sua esposa Ane – algo digno de um fundador e de sua esposa. Naturalmente, esse era um tributo muito espontâneo e natural. O comitê chegou inclusive a mostrar-lhe um esboço do monumento proposto. Contando-me a esse respeito, o Dr. Bob sorriu e disse:
“Deus os abençoe”. “Eles têm boa intenção, mas pelo amor de Deus, Bill, que sejamos enterrados, tanto você como eu, da mesma maneira como são todas as pessoas.”
O que nos deixa perplexo, é o fato do nosso co-fundador haver escrito há 35 anos atrás a realidade do mundo moderno. Em seu artigo: “Por que o A.A. é Anônimo” ele diz entre outras coisas:
“Como nunca, a luta pelo poder, prestígio e riqueza, está arrasando a civilização – homem contra homem, família contra família, grupo contra grupo, nação contra nação. Quase todos aqueles envolvidos nessa violenta competição declaram que seus objetivos são: a paz e a justiça para eles mesmos, para seus semelhantes e para suas nações. “Dê a nós o poder”, eles dizem, e faremos justiça: dê a nós a fama, e daremos nosso grande exemplo; dê a nós o dinheiro, e ficaremos satisfeitos e felizes. As pessoas do mundo inteiro acreditam profundamente nisso e atuam de acordo com isso. Nessa espantosa bebedeira seca, a sociedade parece earrow2 entrando num beco sem saída. O sinal “pare” está claramente marcado. Ele anuncia “desastre”.
Por isso, no mesmo artigo, ele acrescenta:
“Quando o primeiro grupo de A.A. tomou forma, logo começamos a aprender muita coisa sobre o sacrifício e suas resultantes. Descobrimos que cada um de nós tinha que fazer sacrifícios pelo bem earrow2 comum. O Grupo, por sua vez, descobriu que deveria renunciar a muitos de seus próprios direitos para garantir a proteção e bem-earrow2 de cada membro, bem como de A.A. como um todo. Esses sacrifícios tinham que ser feitos ou A.A. não poderia continuar a existir.”
Toda a Irmandade tem conhecimento de que o Anonimato foi o tema que mais preocupou os nossos co-fundadores, haja vista a maneira errônea como tem sido interpretado pela maioria. A prova disso está no fato ocorrido quando de sua última mensagem enviada aos companheiros que lhe prestavam solidariedade, por ocasião dos seus 36 anos de sobriedade. Já sem forças, Bill pediu a Lois – sua esposa – que o representasse, lendo aos companheiros solidários a seguinte mensagem:
“… meus pensamentos hoje são cheios de gratidão para com a nossa Associação, pelo sem número de bendições que nos tem dado a graça de Deus. Se me perguntassem qual dessas bendições era responsável por nosso crescimento como associação e mais vital para nossa continuidade, eu diria: “O Conceito do Anonimato””.
Feitas estas considerações, resta-nos à luz da literatura e experiências pessoais, vivenciadas no dia-a-dia de nossa recuperação, entrar no ponto axial do tema proposto, cuja essência está inserida nas 11ª e 12ª Tradições, in verbis:
“11ª Tradição – Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção. Cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, no rádio e em filmes.”
12ª Tradição – O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades”.
Embora, as 11ª e 12ª Tradições sejam completamente distintas, jamais poderão ser analisadas separadamente, haja vista que, ambas se completam para mostrar ao grande público, que Anônimos somos nós – membros de A.A. – e não a irmandade de Alcoólicos Anônimos. Portanto, a irmandade pode e deve ser divulgada, nós não. Enquanto a 11ª Tradição diz respeito ao Anonimato Pessoal, a 12ª encerra, pura e simplesmente, a Tradição do Anonima¬to.
Dissecando, então, o conteúdo dessas Tradições (11ª e 12ª), verifica-se com facilidade que a 11ª Tradição faz referência a preservação do Anonimato Pessoal, única e exclusivamente em termos de mídia, o que significa dizer, que não existe Anonimato em nossas relações interpessoais.
De outro lado, ao nos lembrar da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades, a 12ª Tradição visa demonstrar, de forma explícita, que a “substância do Anonimato é o sacrifício”, e que, é através desse sacrifício que devemos procurar vencer as paixões e submeter a nossa vontade individual em prol de toda uma coletividade.
Ante as razões apresentadas, é fácil concluir que:
o 1. Quando um membro se identifica, como A.A., nas suas relações interpessoais, está, apenas, dando abertura ao seu Anonimato, o que, aliás, deve ser feito, sempre que possível, visando a ajudar ao alcoólatra que sofre. Se essa identificação ocorre em termos de mídia, aí está havendo a quebra da Tradição do Anonimato, o que, por sua vez, deve ser evitada sob pena de colocar as personalidades acima dos princípios.
o 2. De outro lado, quando o membro identifica outra pessoa como seu companheiro de A.A. está, não só ferindo os princípios da irmandade, como também, quebrando a Tradição do Anonimato.
Portanto, ao assumirmos a responsabilidade de levar a mensagem salvadora ao alcoólatra que sofre, devemos sempre ter em mente o seguinte:
o a) A informação pública é orientada pela Tradição; entretanto, a informação pessoal, muito mais eficiente, depende da vontade de cada membro.
o b) Nos nosso trabalho será bem mais eficiente se deixarmos que os outros nos recomendem.
o c) Não há Anonimato nas nossas relações interpessoais.
o d) Por princípio, não há quebra de Anonimato, mas, simplesmente, abertura do Anonimato. Quando existe a quebra, não é do Anonimato, mas da Tradição do Anonimato, o que são duas coisas bem distintas.
Assim, procurando deixar o leitor bem familiarizado com o tema, nas suas mais diversas formas e aspectos, condensamos, dentro do possível, o que segue abaixo:
Anonimato Pessoal: Deve ser mantido na Imprensa, no Rádio, na Televisão e no cinema, da seguinte forma:
 a) Na Imprensa – evitar fotografias e dá apenas o primeiro nome e a inicial do sobrenome.
 b) No Rádio – dá o nosso primeiro no¬me e a inicial do sobrenome.
 c) Na Televisão e no Cinema – aparecemos de costas ou de perfil, usando um jogo de luz e sombras que nos permita apenas transmitir nossas silhuetas. Aqui também só usaremos o primeiro nome e a inicial do sobrenome.
 d) Nas Correspondências – nos casos pessoais, devemos evitar a sigla “A.A.” nos envelopes; em outras ocasiões tomamos as seguintes precauções:
– De companheiro para companheiro é uma correspondência normal, desde que tomemos os cuidados acima.
– De grupo para grupo – é também uma correspondência normal, podendo inclusive ser usadas as iniciais “A.A.”.
– De companheiro para grupo – evitamos o nosso nome e endereço no envelope, tendo em vista que o grupo está identificado como sendo de A.A.
– De grupo para companheiro – usamos apenas o primeiro nome com a inicial do sobrenome do companheiro.
 e) Nas Reuniões – dependendo de sua natureza – aberta ou fechada -, tomamos os cuidados seguintes:
– De caráter fechado – não há anonimato, tendo em vista que a ela têm acesso somente membros de A.A.
– De caráter aberto – usamos apenas o primeiro nome, se o orador é membro de A.A.; se for não -A.A., usamos o nome completo, inclusive com sua profissão e posição social.
– De pessoas falecidas – seguimos orientação dos familiares que, por certo, saberão do desejo do falecido quando vivo.
– De pessoas celebres – a identificação de pessoas como membros de A.A., cabe a elas próprias, sejam célebres ou não.
o Anonimato das Listas Confidenciais – as listas é que não deveriam existir, pois nenhum benefício traz ao alcoólatra ou ao grupo.
o Anonimato da Doença – alcoolismo, como doença, é assunto da medicina.
o Anonimato de Grupos – não deverá existir, pois seu único objetivo é ajudar ao alcoólatra que sofre.
o Anonimato da Irmandade – não existe, haja visto que anônimos são seus membros.
Ao fim, se nenhum de nós desperdiçarmos publicamente nosso valor, ninguém possivelmente irá explorar A.A. para benefício pessoal. O Anonimato não é apenas algo para nos salvar da vergonha e do estigma alcoólico; seu propósito mais profundo é, na verdade, manter nossos egos tolos, sob controle, evitando que corramos atrás do dinheiro e da fama pública à custa de Alcoólicos Anônimos.
Com efeito, ainda em seu artigo “Por que Alcoólicos Anônimos é Anônimo”, Bill afirma:
“… o temporário ou aparentemente bom pode muitas vezes não ser aquilo que é sempre o melhor. Quando se trata da sobrevivência de A.A., nem o nosso melhor será bom o suficiente.”
E conclui:
“Agora nos damos conta de que cem por cento do anonimato diante do grande público é tão vital para a vida de A.A., como cem por cento de sobriedade o é para a vida de cada membro em particular”.
J. Costa
(Vivência – Out/Dez 89)

A Importância do Anonimato

Tradicionalmente, os membros de A.A. sempre cuidaram de manter seu anonimato em nível público: na imprensa, no rádio, na televisão, no cinema e, mais recentemente, na Internet.
Nos primeiros dias de A.A., quando a palavra “alcoólico” levava um estigma maior do que hoje, era fácil entender este receio de identificar-se publicamente.
À medida que Alcoólicos Anônimos foi crescendo, logo se tornaram evidentes os valores do anonimato.
Primeiro, sabemos, por experiência, que muitos bebedores problema vacilariam em recorrer a Alcoólicos Anônimos se acreditassem que seu problema seria assunto de discussão pública, ainda que por descuido. Os novatos devem ter a possibilidade de buscar ajuda com total segurança de que sua identidade não será revelada a ninguém fora da Irmandade.
Ademais, acreditamos que o conceito de anonimato pessoal tem também um significado próprio para nós – que contribui para refrear os impulsos de reconhecimento pessoal e de poder, prestígio e riqueza que provocaram tantas dificuldades em outras sociedades. Nossa eficácia relativa ao trabalho com os alcoólicos poderia ver-se prejudicada em alto grau se buscássemos ou aceitássemos o reconhecimento público.
Ainda que todo membro de A.A. tenha perfeita liberdade de interpretar as Tradições de A.A. como melhor lhe aprouver, não se reconhece a nenhum indivíduo a legitimidade como porta-voz da Irmandade em nível local, nacional ou internacional. Cada membro fala unicamente por si mesmo.
Alcoólicos Anônimos tem uma dívida de gratidão com todos os meios de comunicação pelo que eles têm contribuído, ao longo dos anos, em reforçar a Tradição de Anonimato. O CTO/JUNAAB envia correspondência regularmente aos meios de comunicação para explicar-lhes essa Tradição e pedir-lhes que cooperem para que ela seja cumprida.
Por diversas razões, um membro de A.A. pode “romper” seu anonimato deliberadamente perante o público. Já que isso é um assunto de escolha e consciência pessoais, obviamente a Irmandade como um todo não tem nenhum controle sobre tais desvios da Tradição. Não obstante, fica bem claro que os membros que o fazem, não têm a aprovação da maioria esmagadora de seus companheiros de Alcoólicos Anônimos.
O Anonimato e as Redes Sociais
No mundo atual com o ritmo acelerado da alta tecnologia, os membros de A.A. estão acessando a Internet em número cada vez maior e de forma que não poderia ter sido imaginado até dez anos atrás. O bate-papo online de membros em todo o mundo se tornou comum, e uma quantidade enorme de informações sobre o alcoolismo e AA é obtida apenas com um clique do mouse. Portanto, com a amplitude do alcance da Internet vieram desafios, preservar as Tradições de A.A. no universo online é um assunto importante para todos na Irmandade.
Tal como acontece com vários temas que são abordados pelo AA, o GSO compilou um conjunto de Orientações sobre a Internet (MG-18) (no Brasil as Guias de orientação de A.A. na Internet aprovadas pela XXXIV CSG) com base na experiência compartilhada dos membros de A.A., através de seus comitês e comissões, que cobrem muitas das questões que esta nova tecnologia nos trás Uma dessas áreas de preocupação é a questão do anonimato online, particularmente no que se refere aos sites de redes sociais, o que levou-nos a ter um olhar mais atento para a literatura de AA e como as Tradições de AA podem melhor ser aplicadas neste meio popular de comunicação.
“Qual é o propósito do anonimato em Alcoólicos Anônimos?” e “Por que é frequentemente referido simplesmente como a melhor proteção que a Irmandade tem para garantir a sua existência e crescimento?”.
Para estas perguntas a Conferência de Serviços Gerais de A.A. aprovou o panfleto, “Entendendo o anonimato” (EUA/Canadá), que esclarece sobre anonimato e as Tradições de A.A., trata da publicação em artigo de jornal/revistas ou sites na Internet, sobre o nome completo ou fotos de membros de A.A..
“Se olharmos para a história da AA, desde o seu início em 1935 até agora,”, é claro que o anonimato serve para duas funções diferentes, mas igualmente vitais:
“No nível pessoal, o anonimato fornece proteção para todos os membros identificados como alcoólatras, um salvaguarda de segurança, muitas vezes de importância crucial para recém-chegados”.
“Com relação a imprensa, rádio, TV, filmes e novas tecnologias de mídia como a Internet, o anonimato sublinha a igualdade na Irmandade de todos os membros, colocando um freio sobre aqueles que poderiam explorar sua filiação em AA para conseguir o reconhecimento, poder, ou ganho pessoal”.
Quanto à pergunta específica, “Sobre o anonimato online?” Nas Guias de Orientações de A.A. na Internet diz: “Um Web Site é um meio público, que tem o potencial de atingir o público mais amplo possível e, por conseguinte, exige as mesmas garantias que usamos ao nível da imprensa, rádio e cinema.”.
No entanto o G.S.O. recebe numerosas comunicações de membros preocupados com quebras de anonimato online, uso inadequado do nome e direitos autorais e marcas registradas de A.A., matérias sendo indevidamente usados em sites de redes sociais como Facebook, MySpace, Twitter, Orkut, Paltalk e outros. Estes sites oferecem aos indivíduos a oportunidade de postar uma grande quantidade de informações pessoais (e outras), e também permitem que os usuários criem redes sociais “comunidades ou grupos” para aglutinar aqueles com ideais semelhantes além de “eventos”.
Alguns membros não publicam em seus perfis nada que seja relacionado ao A.A., enquanto outros entendem que é correta a publicação, desde que não seja especificamente mencionado A.A., já outro colocam abertamente a condição de membro de A.A.
Um membro nos escreveu o seguinte: “eu digitei” Alcoólicos Anônimos “num desses sites de redes sociais e surgiu uma comunidade com mais de 6.600 membros. Entendi que parecia ser um lugar seguro para frequentar por isso achei que estava tudo bem. Então entrei para ver quem eram os membros e quando a página abriu vi o primeiro e segundo nome dos membros dessa comunidade, muitos com fotos”.
A partir daí, dependendo das configurações de privacidade das pessoas, pude ver facilmente informações pessoais sobre essas pessoas, suas famílias e amigos.
“Eu fui apadrinhado sobre a importância de nossas tradições”, e na minha opinião esta página não é de A.A. apesar de carregar o seu nome.
Alguns membros de A.A. acham que sites de redes sociais é um espaço privado; outros membros discordam fortemente e os entende como um ambiente público. As guias de Orientação de A.A. na Internet definem que os sites de redes sociais “são de natureza pública.”.
Quando é alertado sobre eventual quebra de anonimato, o GSO normalmente encaminha o caso para o delegado da área onde reside o membro (O delegado da área geralmente envia um lembrete amoroso para esse membro sobre a importância da Décima Primeira Tradição).
Em relação à Internet, este atitude amorosa de abordar a quebra de anonimato de um membro em nível público é inviável, dada a popularidade alcançada pela Internet e o grande número de pessoas envolvidas. A questão do anonimato passou a ser preocupante, e procuramos na experiência compartilhada acumulada dentro da Irmandade a respeito deste meio de comunicação em rápida evolução, observar as palavras de Bill W. quando descreve o anonimato como “o alicerce espiritual das nossas Tradições”.
Como a maioria dos assuntos em AA, independentemente de como a Internet e novas tecnologias possibilitem um e outro membro compartilharem, há grande benefício ha ser alcançado se tivermos um cuidado e uma avaliação prudente sobre esse assunto que causa preocupação para tantos.
Conversando com companheiros e amigos de A.A. a respeito de como aplicar as tradições de AA no online, acreditamos que iremos fornecer a eles uma maior compreensão sobre como nos apresentarmos diante de qualquer pessoa na rede, seja ela membro ou não membro de A.A. e que agindo com essa cautela poderemos “navegar” sem preocupação pelas páginas das várias redes sociais e sites de relacionamento na Internet.
Conforme apresentado no panfleto “Entendendo o Anonimato” (EUA/Canadá), a respeito do anonimato online, a consciência coletiva de AA expressa através de Conferência (EUA/Canadá) aprovou, na sua literatura sugestão que “os aspectos de acesso público da Internet, como sites da Web com texto, gráficos, áudio e vídeo deve ser considerados como uma forma de” mídia pública. “Assim, eles precisam ser tratados da mesma maneira como a imprensa, rádio, TV e filmes. Isto significa que os nomes completos e os rostos não devem ser usados, nem dados de identificação. No entanto, o nível de anonimato, em e-mail, reuniões on-line e salas de chat serão uma decisão pessoal.”. Mesmo assim existem sugestões a respeito do assunto nas “Guias de Orientação de A.A. na Internet” (EUA/Canadá e Brasil).
Em dez de junho de 2010, A.A. fez 75 anos; ficam faltando 925 anos para chegarmos aos mil anos que Bill preconizou. Entretanto, apesar dos percalços que ainda virão, “Se nos mantivermos próximos às nossas Tradições e Garantias e se mantivermos a mente aberta e um coração aberto, podemos lidar com esses e outros problemas”.
“Nada é mais importante para o futuro bem-estar de A.A. do que a maneira pela qual utilizamos o colosso dos modernos meios de comunicação. Usados bem e com altruísmo, podem produzir resultados que ultrapassem nossa imaginação. Se usarmos mal esse grande instrumento, seremos destruído pelas manifestações egoístas de nossa própria gente”.
Matéria publicada no BOX 459 Vol. 55, No. 5 / Winter 2009
Traduzido e adaptado pelo CATI-JUNAAB para o Brasil.
A.A. na Internet
AS TRADIÇÕES DE AA
Observamos todos os princípios e Tradições nos Web sites de AA.
Anonimato — Uma vez que o anonimato é a base espiritual de todas as nossas Tradições, pomos sempre em prática o anonimato em todos os Web sites de AA públicos.
A não ser que esteja protegido por senha, um Web site de AA é um meio público e, por isso, exigem-se as mesmas medidas de segurança que utilizamos ao nível da imprensa, rádio, TV e cinema. Na sua forma mais simples, isto supõe que os membros de AA não se identificam a si mesmos como membros de AA usando os nomes completos e/ou fotografia de cara inteira. Para mais informação sobre o anonimato online, pode ver a sessão destas Linhas com o título: “Proteção do anonimato online”
Atração e não promoção — Nas palavras do nosso co-fundador Bill W. “A Informação Pública toma muitas formas: o simples letreiro à porta do local de reunião que diz “Reunião de AA, esta tarde”; o número de AA nas listas telefônicas; distribuição de Literatura AA; programas de rádio e TV com técnicas sofisticadas dos meios de comunicação. Seja qual for a forma, tudo se reduz a um alcoólico que fala com outro, por contacto pessoal, por meio de um terceiro ou através dos meios de comunicação”.
Autossuficiência — De acordo com a nossa Sétima Tradição, AA cobre os seus próprios gastos e também é assim no ciberespaço. Para evitar confusões e não criar nenhuma impressão de filiação, apoio ou promoção, deve-se ter cuidado ao selecionar um serviço de hospedagem para páginas Web. Os Comitês de Web site têm evitado todos os serviços de hospedagem que exigem espaço para anúncios publicitários ou links com Web sites comerciais.
Não filiação, não apoio
Links para outros Web sites de AA podem ter o efeito positivo de ampliar o alcance do Web site de maneira importante. Não obstante, ao vincular-se com outro Web site de AA há que ter cuidado, uma vez que cada entidade AA é autônoma, tem a sua própria consciência de grupo e pode colocar no seu Web site materiais que possam ser impróprios para outros grupos Não há forma de prever quando se pode apresentar tal situação.
A experiência indica que o vincular-se com outro Web site que não é de AA pode criar ainda mais problemas. Não somente é mais provável que estes Web sites ponham materiais não AA e/ou adulterados, como também o vínculo pode causar uma impressão de apoio, no mínimo, ou até de filiação. De qualquer modo, a experiência sugere energicamente que ao considerar-se o vínculo com outro Web site, há que ter sempre cuidado.
Há que ter cuidado também ao selecionar um serviço de hospedagem de páginas Web. Muitos serviços de hospedagem “grátis” exigem que se incluam no Web site anúncios publicitários ou vínculos. A maioria dos Comitês de Web site de AA consideram este requisito como uma filiação real ou implícita ou uma recomendação dos produtos ou serviços em questão. Parece-lhes prudente criar o Web site através de um serviço que não exija espaço para anúncios publicitários ou vínculos.
A GSO (ESG) tem tentado evitar alguns problemas deste tipo, vinculando-se somente com entidades de serviço de AA e incorporando um enunciado de saída obrigatória do Web site, se um utilizador quiser ativar vínculos com Web sites alheios. (Nisto inclui-se acesso a software tal como Adobe Reader que serve para ajudar os visitantes a ler arquivos PDF).
SEÇÕES “RESTRITAS”
O GSO (ESG) teve conhecimento que algumas Áreas têm partes dos seus Web sites designadas como “RESTRITAS” às quais se podem acessar com usuário e senha. Em alguns casos, o único requisito para obter um usuário e senha é dizer ao administrador do Web site ou a outro servidor de confiança que se é membro de AA. Noutros casos, somente aqueles que têm determinados postos de serviço podem acessar a essas sessões.
Os Comitês de Web site que consideram criar no seu Web site sessões protegidas por senha devem perguntar-se: que conteúdo é privado e que conteúdo é público; a quem se permitirá que aceda à informação privada e como; como se comunicam, armazenam e manterão os usuários e senhas?
Alguns Web sites utilizam estas sessões restritas para mudar ou atualizar informação sobre as reuniões e dados de contato dos servidores de confiança. Ao tornar possível que um servidor possa mudar o conteúdo de um Web site ou uma base de dados, os Comitês devem ter cuidado. É possível que seja necessário capacitar no uso de software os membros que podem alterar o conteúdo e seria bom designar alguém para comprovar a exatidão dos conteúdos.
Até a data, o GSO (ESG) não teve conhecimento de problemas graves relacionados com a recuperação não autorizada de informação confidencial de AA destas seções restritas, por parte de indivíduos que não são membros de AA. Não obstante, para os Comitês de Web site pode valer à pena falar sobre como vão proteger a informação confidencial de AA e como evitar uma falha de segurança.
A experiência partilhada de AA até a data indica que alguns membros não têm nenhum inconveniente em utilizar os seus nomes completos nem em facilitar informação de contactos pessoais nos Web sites de AA protegidos por senha. Porém outros membros sentem-se inquietos ao fornecer dados para facilitar a comunicação, inclusive nos Web sites protegidos por senha. Os Comitês costumam ter cuidado e ajudam a que os membros se familiarizem com os novos meios de comunicação e continuam a oferecer-lhes a possibilidade de receber correspondência de AA por correio normal, se assim o preferirem.
O GSO (ESG) tem alguma experiência com Web sites de AA privados e protegidos por senha. Os diretores de AAWS e logo o CSG concordaram receber informação por meio de suporte magnético eletrônico — um instrumento de comunicação protegido por senha e que requer um usuário. E, pela primeira vez, em 2008 os membros da Conferência de Serviços Gerais também receberam informação através de suporte magnético privado (todos os membros da Conferência tiveram a opção de receber a informação em formato CD ou em papel).
PROTEÇÃO DO ANONIMATO ONLINE
A comunicação em AA hoje em dia flui de um alcoólico para outro por meio da tecnologia de ponta de uma forma relativamente aberta e vem evoluindo rapidamente. A proteção do anonimato é uma das principais preocupações dos membros que acedem à Internet em número cada vez maior.
Um recurso orientador da experiência partilhada de AA referente aos Web sites de AA é o artigo de serviço do GSO (ESG) “Perguntas que se fazem frequentemente acerca dos Web sites de AA”. O número 7 diz:
P. — E quanto ao anonimato?
Observamos todos os princípios e Tradições de AA nos nossos Web sites. Uma vez que o anonimato é a “base espiritual de todas as nossas Tradições” pomos em prática o anonimato a todo o momento em todos os Web sites de AA. Um Web site de AA é um meio de comunicação público e tem capacidade de alcançar a audiência mais diversa e numerosa possível; por conseguinte, é necessário usarmos da mesma proteção que usamos perante a imprensa, rádio, TV e cinema.
WEB SITES DE REDE SOCIAL
MySpace, Facebook e outros Web sites de rede social são de natureza pública. Ainda que os utilizadores criem as suas contas, utilizem usuário e senha, uma vez que se entre no Web site, está-se num meio público onde se misturam os membros de AA com pessoas que o não são.
Se as pessoas não se identificam como membros de AA, não haverá conflito de interesses. Porém ao utilizar o seu nome completo e/ou uma imagem tal como uma fotografia de rosto inteiro e se diz ser membro de AA, não estará conforme o espírito da Décima Primeira Tradição que, na sua forma longa diz em parte: “Não se devem publicar, filmar ou difundir os nossos nomes ou fotografias, identificando-nos como membros de AA”
A experiência sugere que, de acordo com a Décima Primeira Tradição, não se revele que se é membro de AA num Web site de rede social nem em nenhum outro Web site, blog, quadro de anúncios eletrônico, etc.. ou que seja acessível ao público, salvo quando esteja exclusivamente composto de membros de AA e protegido por senha.
PUBLICAÇÕES DE ATAS E CIRCULARES DE SERVIÇO
Há que considerar cuidadosamente que materiais se vão colocar nos Web sites públicos. Ainda que seja uma grande ajuda colocar à disposição de muita gente as atas das reuniões, circulares e outros materiais informativos são de suma importância ter presente a possibilidade de que estes documentos apareçam num meio público. É conveniente repassar e rever todos os documentos para se estar seguro de que não apareçam os nomes completos dos membros.
Alguns Comitês têm duas versões das atas: uma apenas para os membros de AA, na qual aparecem nomes completos, números de telefone e endereços de e-mail; e outra que se pode colocar no Web site público do Comitê na qual se omitem os nomes e dados pessoais de contacto.
Tenham presente que, além dos membros de AA locais, os seguintes indivíduos são igualmente membros de AA e as suas fotografias e nomes completos não devem aparecer em circulares ou folhetos colocados em Web sites públicos: custódios Classe B (alcoólicos) membros do CSG; diretores de AAWS e da Grapevine; membros de AA que trabalhem no GSO (ESG) e/ou na Grapevine e na La Viña. Se houver alguma dúvida em publicar numa circular o nome completo de uma pessoa, será bom que se peça a sua autorização antes de fazê-lo.
A alguns Comitês, parece-lhes perfeitamente correto por nomes completos e informação pessoal de contacto num Web site protegido por senha e dirigido unicamente a membros de AA. Esta decisão deve corresponder à decisão da consciência de grupo informada.
PARTILHAS DE ORADORES ONLINE
Os membros têm-nos informado que há cada vez mais arquivos na Internet com partilhas de membros de AA. Se um membro não quiser que se mostre publicamente a sua história pessoal, deve pôr-se em contacto com o administrador do Web site para lhe pedir que a suprima.
Muitos membros têm seguido com bons resultados a seguinte sugestão para os oradores de AA em eventos de AA, que aparece no material de serviço da GSO (ESG) com o título “Linhas de Orientação de AA para Conferências, Convenções e Encontros”:
A experiência indica que o melhor, é dissuadir os oradores de utilizarem nomes completos e de identificar terceiros pelos seus nomes completos nas suas partilhas. O poder das nossas Tradições de anonimato é reforçado pelos oradores que não utilizam os apelidos e pelas pessoas ou companhias gravadoras que nas suas etiquetas ou catálogos não identificam os oradores pelos apelidos, títulos, postos de serviço ou descrições.
Além disso, alguns membros de AA ao terem as suas partilhas gravadas para uso futuro num Web site público, podem optar por omitir outros detalhes das suas vidas que podem servir para identificar mais facilmente os próprios ou ás suas famílias.
NÚMEROS DE TELEFONE PESSOAIS EM FOLHETOS DE EVENTOS DE AA
Até uma data relativamente recente, os membros de AA raramente tinham que se preocupar ao pôr os seus nomes com a inicial do apelido e número de telefone pessoais em folhetos que anunciavam eventos de AA de realização próxima, uma vez que esses folhetos se destinavam a ser distribuídos unicamente nas reuniões de AA e exclusivamente aos membros de AA. Hoje em dia os folhetos, por ser fácil a sua colocação nos Web sites, ficam acessíveis ao público em geral.
Por meio dos serviços de busca da Internet, agora é possível identificar uma pessoa, descobrir o seu nome completos e possivelmente, vários dados pessoais. Se os membros de AA se sentem cada vez mais inquietos ao ver os seus números de telefone pessoais publicados nos folhetos, os Comitês organizadores dos eventos deverão criar outras formas de facilitar informação de contacto como, por exemplo, criando uma direção de correio eletrônico para o evento.
O ANONIMATO E O CORREIO ELETRÔNICO
O correio eletrônico é um meio de comunicação amplamente utilizado e geralmente aceite. Agora utiliza- se regularmente como instrumento de serviço de AA; não obstante, tal como os demais serviços, temos que nos assegurar de que se cumprem as Tradições de AA e, ao mesmo tempo, tirar o máximo proveito deste meio de comunicação.
Ao utilizar o e-mail, é necessário considerar o anonimato dos destinatários das mensagens. Enviar mensagens a múltiplos destinatários onde se revelem os endereços eletrônicos de todos os que aparecem na lista de destinatários pode constituir uma potencial violação do anonimato de outra pessoa. Por conseguinte é uma boa ideia obter a autorização expressa de uma pessoa antes de incluir o seu endereço de email na correspondência de AA, especialmente se é um endereço do seu local de trabalho. Ao enviar email a múltiplos destinatários que desejam ser anônimos, pode-se fazer uso da opção Bcc, disponível na maioria dos computadores.
USO DE NOMES COMPLETOS EM E-MAIL DIRIGIDOS A PROFISSIONAIS
Pode considerar-se a comunicação por correio eletrônico com profissionais como algo muito parecido a um projeto de correspondência por correio normal, porém com advertências especiais: 1) os e-mails podem ser remetidos facilmente a outros; 2) podem ser cortados, copiados, alterados; 3) podem ser colocadas partes do conteúdo de e-mail em Web sites.
Os profissionais “amigos de AA”, têm-nos dito que quando se trata de assuntos de serviço de Cooperação com a Comunidade Profissional ou de Informação Pública, o uso do nome completo nas cartas ou nos e-mail, assim como o tom e aparência profissionais, dá maior credibilidade à comunicação.
A Coordenadora de Informação Pública do GSO (ESG) responde aos pedidos que nos cheguem dos meios de comunicação por correio normal ou por e-mail da seguinte forma:
Atenciosamente,
Fulana de Tal (É favor não publicar o nome)
Coordenadora de Informação Pública
ANONIMATO E OS COMPUTADORES PESSOAIS
Alguns AA dizem a si mesmos: “Tenho um computador pessoal, assim não tenho que me preocupar com o anonimato dos membros de AA na minha lista de contatos.” Porém, é possível que um indivíduo, suficientemente motivado para fazê-lo, possa obter o usuário e a senha necessário para acessar ao correio eletrônico de outra pessoa. É de esperar que não suceda tal incursão, porém, pode ser prudente criar uma senha sumamente definitiva e mantê-la privada.
Mesmo a conta de correio mais bem protegida pode ser invadida por um especialista (hacker); mesmo assim e até a data, muitos membros e Comitês não têm dúvidas em aceitar estes riscos ao mesmo tempo em que atuam com prudência e senso comum.
Devemos considerar também o fato de que as listas de endereço de e-mail utilizadas na correspondência AA num computador pessoal podem ser acedidas por amigos ou membros da família, se mais que uma pessoa faz uso do equipamento.
OS E-MAILS EM AA: ACESSO, DIREÇÕES E ROTATIVIDADE
Não é necessário ter um computador pessoal para fazer uso do correio eletrônico. Muitos membros de AA no seu trabalho em serviço de AA utilizam os serviços gratuitos de e-mail para abrir contas de correio e designam-na como a sua conta de serviço de e-mail de AA. Os AA podem acessar às suas contas nas bibliotecas públicas, nos ciber cafés e noutros lugares onde esteja disponível um serviço de Internet.
No que se refere aos postos de serviço de AA, os endereços de e-mail genéricos podem passar de um servidor de confiança para outro na altura da rotatividade. Por exemplo, o endereço de e-mail e a conta de area999@aaservico.com pode passar de um servidor para outro quando haja rotatividade, mantendo unicamente a identidade do posto (Podem ser mudados somente o usuário e a senha).
OS PERIGOS DO SPAM
Diz respeito à consciência de grupo informada do Comitê decidir qual será a melhor forma de implementar projetos de serviço através da Internet, especialmente projetos de Cooperação com a Comunidade Profissional (CCCP) e de (Informação Pública (CIP). Sugere-se energicamente que os membros de AA não enviem correio em massa não solicitado para o serviço de AA. Se o fazem, podem expor assim o nome de AA a uma controvérsia pública prejudicando a reputação de AA na sua totalidade. Eventualmente também pode ser ilegal, e deve informar-se sobre as leis locais referentes à comunicação por correio eletrônico e SPAM. Como alternativa o Comitê pode considerar a possibilidade de enviar correspondência a alguns (poucos), destinatários ou de enviar e-mails individuais e personalizados. É possível que a conta do destinatário tenha um filtro contra SPAM que bloqueie a mensagem e por isso deve-se ter um plano de continuidade caso não chegue resposta à correspondência inicial. Aparte dos contactos pessoais que se fazem entre membros de AA, uma forma eficaz de interagir com os profissionais e o público em geral tem sido a de pôr à sua disposição um link com o Web site do GSO (ESG).
REUNIÕES DE AA ONLINE
Tal como as reuniões normais de AA, as reuniões de AA online são autônomas. Por não ter uma localização geográfica, as reuniões de AA online não fazem parte da estrutura de serviço (EUA/Canadá e Brasil).

Incentivam-se os membros de AA a participarem no serviço nos lugares onde residem e a participar nas decisões da consciência de grupo local. Algumas reuniões de AA online levam a cabo reuniões sobre o serviço e recolhem contribuições da Sétima Tradição.
O prefácio da quarta edição do livro Alcoólicos Anônimos comenta a respeito dessas reuniões feitas por membros que dispõe de computador. (Reunião com propósito especial).
Enquanto nossa literatura preserva a integridade da mensagem de A.A., amplas mudanças na sociedade como um todo se refletem em novos hábitos e procedimentos dentro da Irmandade. Por exemplo, aproveitando-se dos avanços tecnológicos, os membros de A.A. que dispõem de computador podem participar de reuniões por Internet, compartilhando com companheiros alcoólicos de todo o país e do mundo inteiro. Em qualquer reunião, em qualquer lugar, os AAs compartilham entre si experiências, forças e esperanças com o propósito de manterem-se sóbrios e ajudarem outros alcoólicos. Modem a modem ou cara a cara, os AAs falam a linguagem do coração em todo o seu poder e simplicidade.

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TOLERÂNCIA – NA OPINIÃO DO BILL

TOLERÂNCIA
“NA OPINIÃO DO BILL”

Os perturbadores podem ser nossos professores

Hoje em dia poucos de nós tememos que algum recém-chegado possa prejudicar nossa reputação ou eficácia. O s que recaem, que achacam, que escandalizam, que sofrem de distúrbios mentais, que se rebelam contra o programa, que fazem comércio com a reputação de A. A., raramente conseguem prejudicar um grupo de A. A. por muito tempo. Algumas dessas pessoas acabam por tornar-se nossos mais respeitados e queridos companheiros. Outros permanecem para testar nossa paciência, apesar de sóbrios. Outros ainda vão embora. Começamos a considerar os perturbadores não como ameaças, mas como nossos professores. Eles nos obrigam a cultivar a paciência, a tolerância e a humildade. Finalmente compreendemos que eles são apenas pessoas mais doentes do que as demais, e que nós que os condenamos somos os fariseus cuja falsa virtude causa ao grupo um prejuízo espiritual mais profundo.
(Na Opinião do Bill – página: 28)

Regras para ser membro?

Por volta de 1943 ou 1944, o Escritório Central pediu aos grupos para que fizéssemos uma lista das regras para ser membro e a enviássemos ao escritório. Quando as listas chegaram, anotamos as regras. Um pouco da reflexão sobre essas muitas regras nos levou a uma conclusão surpreendente.
Se todas essas regras entrassem em vigor, em todos os lugares, imediatamente, teria sido praticamente impossível qualquer alcoólico ter se juntado a A. A. Cerca de noventa por cento de nossos mais antigos e melhores membros nunca poderiam ter ingressado!
Finalmente a experiência nos ensinou que privar o alcoólico de tão grande chance, às vezes era o mesmo que declarar sua sentença de morte e, muitas vezes, condená-lo a uma miséria sem fim. Quem ousaria ser juiz, júri e carrasco de seu próprio irmão doente?
(Na Opinião do Bill – página 41)

Uma porta giratória diferente

Quando um bêbado se aproxima de nós e diz que não gosta dos princípios de A. A., das pessoas ou da direção do serviço, quando ele declara que estará melhor em qualquer outro lugar – não nos incomodamos. Dizemos simplesmente: “Talvez seu caso seja diferente. Por que você não tenta outra coisa?”
Quando um membro de A. A. diz que não gosta de seu próprio grupo, não ficamos perturbados. Dizemos simplesmente: “Por que você não tenta mudar para outro grupo? Ou comece um novo grupo por sua conta.”
Para todos os que desejam se separar de A. A., fazemos um convite animador para que assim o façam. Se eles conseguirem fazer melhor por outros meios, estaremos contentes. Se, depois de fazer a tentativa, não conseguirem melhores resultados, sabemos que eles têm uma escolha a fazer: ficar loucos, morrer ou voltar para Alcoólicos Anônimos. A decisão é toda deles (na verdade, quase todos eles têm voltado).
(Na Opinião do Bill – página: 62)

Ser justo

Acho que, com freqüência demasiada, desaprovamos e até ridicularizamos os projetos de nossos amigos no campo do alcoolismo, só porque nem sempre estamos inteiramente de acordo com eles.
Deveríamos seriamente nos perguntar quantos alcoólicos estão continuando a beber só porque não temos cooperado de bom grado com essas inúmeras organizações – sejam elas boas, más ou indiferentes. Nenhum alcoólico deveria ficar louco ou morrer só porque não foi diretamente para A. A. no começo.
Nosso primeiro objetivo será o desenvolvimento da autodisciplina. Este ponto é da mais alta importância. Quando falamos ou agimos precipitada ou imprudentemente, a capacidade de ser justos e tolerantes se evapora imediatamente.
(Na Opinião do Bill – página: 113)

De viva voz

“Em minha opinião não pode haver a menor objeção aos grupos que querem permanecer estritamente anônimos ou a pessoas que não gostariam que todos soubessem de sua filiação no A. A. Esse é um problema deles, e essa é uma reação muito natural.
“Entretanto, muitas pessoas acham que o anonimato a esse ponto não é necessário, nem mesmo desejável. Desde que a pessoa esteja sóbria, e segura disto, não parece haver razão para não falar a respeito da afiliação a A. A. nos lugares certos. Isso tende a trazer novas pessoas. Falar de viva voz é um de nossos mais importantes meios de comunicação.
“Assim sendo, não deveríamos criticar as pessoas que querem permanecer no silêncio, e nem aquelas que querem falar demais sobre pertencer a A. A., desde que não o façam em nível público, comprometendo assim toda nossa Sociedade.”
(Na Opinião do Bill – página: 120)

Os direitos individuais

Acreditamos que não haja outra irmandade no mundo que dispense mais atenção a seu membro, individualmente; e certamente não existe nenhuma que ofenda tanto o direito individual de pensar, falar e agir livremente. Nenhum AA pode obrigar outro a fazer o que quer que seja; ninguém pode ser punido ou expulso.
Nossos Doze Passos para a recuperação são sugestões; as Doze Tradições, que asseguram a unidade de A. A., não contêm um só “Não Faça”. Elas repetidamente dizem: “Deveríamos”, mas nunca “Você tem que!”
“Embora seja uma tradição o fato de que nossa Irmandade não pode forçar ninguém, não suponhamos nem por um instante que não estamos sob coerção. Na verdade, estamos sob uma enorme coerção – do tipo que vem engarrafado. Nosso antigo tirano, o Rei álcool está sempre pronto a nos agarrar.
“Portanto, a libertação do álcool é o grande “temos que” que precisa ser alcançado, caso contrário, chegaremos à loucura ou à morte”.
(Na Opinião do Bill – página: 134)

Assumir a responsabilidade

Aprender a viver na maior paz, companheirismo e fraternidade com todos os homens e mulheres, sem distinções, é uma aventura comovente e fascinante.
Porém, todo AA acabou descobrindo que pouco pode progredir nessa nova aventura de viver, sem antes voltar atrás e realmente fazer um exame preciso e profundo dos destroços humanos que porventura tenha deixado em seu passado.
A disposição de arcar com todas as conseqüências de nossos atos passados e, ao mesmo tempo, assumir a responsabilidade pelo bem-estar dos outros constitui o próprio espírito do Nono Passo.
(Na Opinião do Bill – página: 145)

A.A. – a estrela-guia

Podemos ser gratos a toda organização ou método que tende solucionar o problema do alcoolismo – seja a medicina, religião, educação ou pesquisa. Podemos ter a mente aberta a respeito desses esforços e podemos ser compreensivos quando os imprudentes falham. Não podemos esquecer que mesmo A. A. funcionou durante anos na base do “ensaio e erro”.
Enquanto indivíduos podemos e deveríamos trabalhar com quem promete sucesso – ainda que seja um pequeno sucesso.
Todos os pioneiros no campo do alcoolismo dirão, generosamente, que se não fosse pela prova viva da recuperação em A. A., eles não poderiam ter prosseguido. A. A. foi a estrela-guia da esperança e da ajuda que os fez persistir.
(Na Opinião do Bill – pagina: 147)

Começar perdoando

No momento em que examinamos algum relacionamento deteriorado ou destruído, nossas emoções se colocam na defensiva. Para não ter de encarar as ofensas que fizemos a outra pessoa, fixamos ressentidamente nossa atenção nas ofensas que ele nos fez. Triunfalmente nos valemos de seus menores erros como desculpa perfeita para minimizar ou esquecer os nossos.
A essa altura precisamos imediatamente parar. Não esqueçamos que os alcoólicos não são os únicos a ser atormentados por emoções doentias. Em muitos casos estamos na realidade lidando com companheiros sofredores, pessoas que tiveram suas desgraças aumentadas por nós.
Se agora estamos a ponto de pedir perdão para nós, por que não poderíamos começar perdoando-os todos?
(Na Opinião do Bill – página: 151)

Aspectos da tolerância

Todo tipo de pessoas tem encontrado seu caminho em A. A. Não faz muito tempo, estive conversando em meu escritório com uma companheira que é Condessa. Nessa mesma noite fui a uma reunião de A. A. Era inverno e na porta de entrada estava um cavalheiro de baixa estatura que gentilmente guardava nossos casacos. Perguntei: “Quem é aquele?” E alguém respondeu: “Ah! Ele esta aqui há muito tempo. Todo mundo gosta dele. Ele pertence ao bando ao Al Capone”. Isso mostra o quanto a. A., hoje, é universal.
Não temos o desejo de convencer ninguém de que só existe um meio pelo qual a fé pode ser adquirida. Todos nós, sem distinção de raça, credo ou cor, somos filhos de um Criador vivo, com que podemos estabelecer um relacionamento em termos simples e compreensíveis, tão logo estejamos dispostos e sejamos honestos o suficiente para tentar.
(Na Opinião do Bill – página: 175)

Ó único requisito”

Na Terceira Tradição, A. A. está na verdade dizendo a todo bebedor-problema: “Você será um membro de A. A. se assim o disser. Você mesmo pode declarar que faz parte da Irmandade, ninguém pode deixá-lo de fora. Seja você quem for, seja qual for o ponto a que você tenha chegado, sejam quais forem suas complicações emocionais – mesmo seus crimes – não queremos deixá-lo de fora. Queremos apenas ter a certeza de que você terá a mesma oportunidade de alcançar a sobriedade que nós tivemos.”
Não queremos negar a ninguém a oportunidade de se recuperar do alcoolismo. Queremos incluir o maior número possível de pessoas, jamais excluir.
(Na Opinião do Bill – página: 186)

A verdadeira tolerância

Aos poucos começamos a ser capazes de aceitar os erros dos outros, assim como suas virtudes. Inventamos a poderosa e significativa frase: “Vamos amar sempre o que há de melhor nos outros – e nunca temer o que tenham de pior.”
Finalmente começamos a perceber que todas as pessoas, inclusive nós, estão de alguma forma emocionalmente doentes e muitas vezes erradas. Quando isso acontece, nos aproximamos da verdadeira Tolerância e percebemos o que significa de fato o verdadeiro amor ao próximo.
(Na Opinião do Bill – página: 203)

Testes construtivos

Existem aqueles em A. A., a quem gostamos de chamar de nossos críticos “destrutivos”. Conduzem pela força, são “politiqueiros”, fazem acusações para atingir seus alvos. Tudo pelo bem de A. A., naturalmente! Mas aprendemos que esses sujeitos não são tão destrutivos assim.
Deveríamos ouvir cuidadosamente o que eles dizem. Às vezes eles estão dizendo toda a verdade; outras vezes apenas parte da verdade. Se estivermos ao seu alcance, toda a verdade, parte da verdade ou a falta da verdade podem ser igualmente desagradáveis para nós. Se eles estiverem dizendo toda a verdade ou ainda apenas parte da verdade, então será melhor agradecer-lhes e fazer nosso próprio inventário, admitindo que estávamos errados. Se estiverem dizendo coisas absurdas, podemos ignorá-las ou então tentar persuadi-los. Caso isto falhe, poderemos lamentar que estejam doentes demais para ouvir e poderemos tentar esquecer o assunto.
Há poucos meios melhores de auto-análise e desenvolvimento da paciência do que o teste a que nos submetem esses membros bem intencionados, porém equivocados.
(Na Opinião do Bill – página: 215)

Amar todo mundo?

Poucas pessoas podem afirmar que amam com sinceridade todo mundo. A maioria de nós tem que admitir ter amado apenas alguns semelhantes; ter sido indiferente a muitos, e ter nutrido antipatia e até mesmo ódios a muitos outros.
Nós, Aas, descobrimos que precisamos de algo muito melhor a fim de manter nosso equilíbrio. A idéia de que podemos amar possivelmente algumas pessoas, ignorar muitas, e continuar a temer ou odiar quem quer que seja tem que ser abandonada, mesmo que seja aos poucos.
Podemos procurar não fazer exigências descabidas àqueles que amamos. Podemos demonstrar bondade onde não havíamos demonstrado. E, com aqueles com quem não simpatizamos, podemos pelo menos começar a prática da justiça e cortesia, talvez nos esforçando para compreendê-los e ajudá-los.
(Na Opinião do Bill – página: 230)

Prisioneiros libertados

Carta a um grupo numa prisão:
“Todo AA foi, num certo sentido, um prisioneiro. Cada um de nós se fechou à margem da sociedade; cada um de nós conheceu o estigma social. Para vocês, tudo tem sido ainda mais difícil: no seu caso, também a sociedade construiu uma muralha a seu redor. Mas não existe realmente uma diferença essencial; esse é um fato que praticamente todos os Aas, agora sabem.
“Portanto, quando vocês, membros, ingressarem no mundo de A. A. fora da prisão, podem ter a certeza de que ninguém vai se preocupar com o fato de que vocês cumpriram pena. O que vocês estão tentando ser, e não o que foram, é tudo o que nos importa.”
“Às vezes, as dificuldades mentais e emocionais são muito difíceis de suportar quando estamos tentando manter a sobriedade. Contudo, com o passar do tempo, percebemos que superar esses problemas constitui o verdadeiro teste do modo de vida de A. A. A adversidade nos dá mais oportunidade de crescer do que a comodidade ou o sucesso.”
(Na Opinião do Bill – página: 234)

Os outros

“Assim como você, muitas vezes eu me considerei vítima do que outras pessoas disseram ou fizeram. Mas todas as vezes que eu acusei os pecados dessas pessoas, principalmente daquelas cujos pecados eram diferentes dos meus, descobri que só ajudei a piorar as coisas. Meu próprio ressentimento e minha auto piedade muitas vezes me tornaram praticamente inútil para qualquer um.
“Assim sendo, agora, se alguém fala mal de mim, primeiro pergunto a mim mesmo se há alguma verdade no que foi dito. Se não há nenhuma, procuro me lembrar de que também tive períodos em que falava amargamente dos outros; que o falatório maligno é apenas um sintoma da permanência de nossa doença emocional, e conseqüentemente, que nunca devo ficar com raiva devido às injustiças de uma pessoa doente.
“Sob condições muito difíceis, muitas e muitas vezes tive que perdoar outras pessoas e a mim mesmo. Você recentemente tentou fazer isso?”
(Na Opinião do Bill – página: 268)

Superando ressentimentos

Começamos a ver que o mundo e as pessoas realmente tinham nos dominado. Sob essa infeliz condição, as más ações dos outros, imaginários ou reais, tinham força até para destruir, porque pelo ressentimento poderíamos ser levados de volta à bebida. Vimos que esses ressentimentos devem ser superados, mas como? Não bastava só desejá-lo.
Esse foi nosso procedimento: percebemos que as pessoas que nos maltrataram talvez estivessem espiritualmente doentes. Então, pedimos a Deus que nos ajudasse a lhes mostrar a mesma tolerância, piedade e paciência que, com satisfação, teríamos para com um amigo doente.
Hoje, evitamos a vingança e a discussão. Não podemos tratar as pessoas doentes dessa maneira. Se o fizermos, destruiremos nossa chance de ser úteis. Não podemos ser úteis a todas as pessoas, mas pelo menos Deus nos mostrará como ser bons e tolerantes para com todos.
(Na Opinião do Bill – página: 286)

A tolerância nos mantém sóbrios

“A honestidade para com nós mesmos e para com os outros nos leva à sobriedade, mas é a tolerância que nos mantém sóbrios.
“A experiência nos mostra que poucos alcoólicos vão se afastar por muito tempo de um grupo só porque não gostam do modo como ele funciona. A maioria volta a se adaptar às condições existentes. Alguns vão para outro grupo ou formam um grupo novo.
“Em outras palavras, uma vez que o alcoólico chega à conclusão de que não pode ficar bem sozinho, ele de alguma forma vai descobrir uma maneira de ficar bem e continuar bem na companhia dos outros. Tem sido assim desde o início de A. A. e provavelmente sempre o será.”
(Na Opinião do Bill – página 312)

Crítica bem-vida

“Muito obrigado por sua carta de crítica. Estou certo de que, se não fosse por suas críticas violentas, A. A. teria progredido mais lentamente.
“Quanto a mim, cheguei ao ponto de dar grande valor às pessoas que me criticam, fossem críticas justas ou injustas. Tanto uma como outra, muitas vezes me impediram de fazer coisas piores do que realmente tenho feito. Espero que as críticas injustas tenham me ensinado a ter um pouco de paciência. Mas as justas têm sempre prestado um grande serviço a todos os membros de A. A. – e têm me ensinado muitas lições valiosas.”.

AS FASES DO ALCOOLISMO

AS FASES DO ALCOOLISMO

(Publicado na Revista “EL MENSAJE” (México) de novembro de 1973)

Faz alguns anos que a Organização Mundial da Saúde publicou uma série de trabalhos científicos dedicados ao alcoolismo.

Um desses trabalhos, de autoria do professor Jellinek, dos Estados Unidos, estudando mais de duas mil histórias clínicas de alcoólicos, estabeleceu as seguintes fases do alcoolismo.

Primeira fase.

Primeiros sinais.

1. O bebedor habitual em perigo tem bebedeiras de quando em vez, das quais só desperta com recordação parcial do que ocorreu nesse tempo.

2. Bebe as escondidas. Sinal de má consciência. Esconde a garrafa no armário do banheiro ou no de roupa. Em uma reunião ou festa, bebe alguns copos sem que os outros vejam, para que não pensem mal dele.

3. Pensa ininterruptamente no álcool.

Sair do trabalho é uma ocasião para beber. Entrar no trabalho, também. Antes de comer, o aperitivo; depois de comer, uma taça. Pela tarde, um barzinho. Pela manhã, tem que beber para ajustar-se ao tom. Há sempre uma razão. Sempre pensa no álcool.

4. Bebe ansiosamente e bebe de uma só vez os primeiros copos.

5. Tem constantemente consciência de culpabilidade. Tem a sensação de estar fazendo algo mal, porém não pode deixar de fazê-lo.

6. Evita falar sobre o álcool. Crê que as pessoas se referem sempre ás suas bebedeiras. Não se lhe pode falar nada. Se mostra suscetível e preocupado com o que pensem a seu respeito.

7. Desperta de seus excessos com lacunas de memória, cada vez mais frequentes e extensas. Não sabe onde e quanto tempo esteve na pândega na noite anterior.

Segunda fase.

Período crítico.

O costume se converte cada vez mais em tendência irresistível.

8. Perde o controle sobre si mesmo quando bebeu uma certa quantidade. Não pode parar. Basta, às vezes, uma quantidade mínima para desencadear uma bebedeira que dura vários dias.

9. O enfermo começa a inventar dezenas de explicações que objetivam se autojustificar e aos demais porque bebe. “Muito trabalho — desgostos”. “Para se dar força” “Tem que beber em seus negócios com os amigos”.

10. Recusa conselhos bem intencionados. “Eu mesmo sei melhor do que ninguém quando tenho que parar de beber’.

11. Dá uma de macho, através de muitas e fortes palavras. Para dissimular sua real insegurança. Fanfarreia.

12. Inicia-se o comportamento agressivo e colérico contra aqueles que o rodeiam, começando, em geral, pela família, pela mulher. Assim, pouco a pouco, se afasta e se isola da sociedade. Face sua agressividade, procura calar sua consciência.

13. De vez em quando, mostra um comportamento totalmente oposto. Chora, perde perdão por suas grosserias com grandes e teatrais gestos. A estas cenas, seguem períodos mais ou menos longos de total abstinência, obedecendo à pressão social da família e amigos.

14. Faz sempre desesperados esforços para viver durante semanas ou meses sem botar uma gota de álcool na boca. Ao cabo deste tempo, fracassa. Neste sentido rechaça, todavia, toda ajuda externa.

15. Para tentar controlar a bebida, muda o sistema de beber. Promete a si mesmo beber somente às tardes ou aos sábados. Raramente consegue ater-se às suas próprias regras.

16. Aparta de seus amigos. Não quer que controlem o seu comportamento.

17. Perde seu emprego porque o abandona ou porque o despedem.

18. Planeja toda sua conduta em torno do álcool. Busca, por exemplo, trabalhos breves, que lhe dêem dinheiro suficiente para poder beber.

19. Perde o interesse e cuidado com suas roupas, higiene, etc.

20. O alcoólico interpreta todas as relações interpessoais a seu modo e em proveito próprio. Abusa das amizades, da família, etc. para que o ajudem a conseguir bebida, sem que ele esteja disposto a corresponder com fidelidade ou ajuda.

21. Tem a si mesmo como digno de compaixão. Sua bebida, pensa, é consequência de intrigas ou maquinações das pessoas.

22. Viaja ou vaga a pé sem rumo. Embriaga-se e aparece em qualquer lugar. Não sabe onde está e tem que ser levado para casa pela polícia ou amigos.

23. Começa a desintegração familiar. Já não faz caso de sua família.

24. Põe-se de mal humor sem motivo. Quer atribuir aos outros as suas faltas.

25. Toma precauções para dispor sempre de bebida.

26. Come pouco e mal. Sobretudo, abandona as coisas que mais contêm vitaminas, como, por exemplo, verduras e frutas.

27. Como consequência desta falta de vitaminas e falsa nutrição enferma facilmente. A causa da enfermidade é atribuída a desgostos, aos “gases” no local de trabalho, etc. Sua verdadeira enfermidade pode, durante muito tempo, não ser reconhecida pelos médicos.

28. Sua potência sexual é reduzida ou desaparece totalmente.

29. Reage à sua impotência com o chamado delírio alcoólico de ciúmes, responsabilizando e atormentando a sua mulher por infidelidade.

30. Bebe regularmente pela manhã. Com freqüência, seu único desjejum são suas bebidas. Não tem apetite.

Terceira fase.

Período crônico.

31. O doente passa dias inteiros bêbado.

32. Seu sentido moral desaparece. Perde o sentido da vergonha e do ridículo. Não distingue o bem do mal. Podem aparecer desvios criminosos ou delitos comuns.

33. A inteligência e o pensamento se tornam mais lentos e com numerosas deficiências.

34. Aparecem os primeiros sintomas, no princípio por certo tempo, de enfermidade mental. Ouve vozes, tem alucinações, pesadelos e medos infundados pela noite.

35. Bebe com qualquer um que dele se aproxime, começando o descenso de categoria social.

36. No caso de não dispor de outra coisa, bebe álcool de queimar, colônia ou loção de barba.

37. Digestões difíceis. Tudo lhe senta mal. Vômitos de bílis pela manhã. O fígado começa a falhar.

38. O alcoólico padece de crise de angústia ao longo de toda à noite.

39. Seus movimentos, sobretudo das mãos, são inseguros e trêmulos.

40. Determinados movimentos não podem ser realizados por aparecer paralisia em determinados nervos.

41. O alcoólico está possuído por sua ânsia de beber. E só uma sombra de sua personalidade anterior.

42. Já não tem, nem intenta, nos explicar seus atos. Já não pode opor-se àqueles que tentam ajudá-lo.

Ultima fase.

A derrota.

Dr. Agustín Jimeno Valdes

Chefe do Serviço de Reabilitação do Hospital Psiquiátrico de Navarra

Tradução: Edson H.

PRA VOCÊ “RV”- REPRESENTANTE DA REVISTA VIVÊNCIA

Por mais longa que seja a caminhada o mais importante é dar o primeiro passo.

O QUE É A REVISTA VIVÊNCIA?

A revista “Vivência” é a nossa “reunião impressa” para os membros de A.A do Brasil. Redigida, revisada e lida por membros de A.A. e outras pessoas interessadas no programa de A.A. de recuperação do alcoolismo, “Vivência” é uma corda salva-vidas que une um alcoólico com outro.
“Vivência” comunica a experiência, força e esperança de seus colaboradores e reflete um amplo espectro geográfico da experiência atual de Alcoólicos Anônimos com a recuperação, a unidade e o serviço. Publica também artigos de pessoas não alcoólicas, que colaboram espontaneamente com a Revista.
As páginas da “Vivência” são a visão de como cada membro de A.A., de maneira individual, aplica em sua vida o programa de recuperação, e é um fórum para as mais variadas e divergentes opiniões de A.A. do Brasil.
Os artigos não pretendem ser comunicados oficiais de Alcoólicos Anônimos enquanto irmandade, e a publicação de qualquer artigo não implica que Alcoólicos Anônimos e a revista “Vivência” estejam de acordo com as opiniões expressas.
A Revista é editada bimestralmente e todas as colaborações são bem-vindas.

PORQUE SER UM ASSINANTE DA VIVÊNCIA?

A revista VIVÊNCIA, criada sob a inspiração da GRAPEVINE, tem desempenhado satisfatoriamente a sua função, não apenas na troca de experiências, mas também na divulgação da literatura, de eventos e na transmissão da mensagem de AA para os possíveis alcoólicos, seus familiares, para os profissionais da área de saúde, e para a comunidade em geral. A VIVÊNCIA registra a evolução da nossa Irmandade no Brasil a cada dois meses, através de fatos gerados na JUNAAB e das informações recebidas de todas as Áreas. A cada número ela traz notícias sobre Encontro Estaduais, Regionais, Convenções, Conferências, Seminários e outros eventos que refletem o nível de consciência compartilhada a cerca de nossos princípios. A VIVÊNCIA é um excelente meio de divulgação de alcoólicos Anônimos junto à comunidade em geral, um eficaz instrumento do CTO, constituindo-se também extraordinário canal interno de comunicação permanentemente aberto. Externamente é o nosso cartão de visitas para a sociedade. Além disso traz indispensável contribuição para o fortalecimento da nossa preciosa UNIDADE. Os relatos de experiências por companheiros e companheiras de todo o País são recursos adicionais para o melhor entendimento e prática dos TRÊS LEGADOS.

OBJETIVOS PRINCIPAIS DA REVISTA VIVÊNCIA:

a) Informar o público em geral como funciona a Irmandade de A. A.
b) Destacar o Programa de Recuperação de A. A. através dos depoimentos de companheiros que chegam à redação.
c) Informar aos membros e aos Grupos de A. A. o que a Comunidade Profissional pensa a respeito da nossa Irmandade e sobre os problemas do alcoolismo.

Qual a importância da Revista Vivência para a divulgação da mensagem de A.A.

VIVÊNCIA, É uma forma de atração e não de persuasão. Condensamos material de inquestionável interesse não só para quantos foram ou ainda são vitimas do alcoolismo, mas, igualmente, para aqueles que se preocupam em conhecer, no âmago, a complexidade de um problema que tantos males tem causado à humanidade.
Ela foi criada com a finalidade de veicular o pensamento da comunidade sobre o programa e os princípios da irmandade, pensamento este externado na forma de depoimentos ou comentário sobre como cada um pratica o programa sugerido de A.A., e como os princípios têm sido assimilados e praticados em proveito próprio da instituição como um todo.
Por outro lado, em se tratando de uma publicação acessível ao público em geral, a revista desempenha, também, o seu papel institucional na medida em que transmite a esse público o que é, o que faz, como faz, e o que deixa de fazer Alcoólicos Anônimos enquanto Irmandade. Neste particular é com indisfarçável satisfação que registramos sua plena aceitação, principalmente por parte da comunidade profissional que conosco comunga do mesmo propósito primordial, dentro de uma mesma visão e com a mesma abordagem acerca do problema do alcoolismo.
Assim, quanto à sua finalidade, não restam dúvidas de que a VIVÊNCIA tem preenchido este seu duplo papel, em que pese o fato dos seus primeiros números haverem sido editados em caráter experimental. A nossa dificuldade não está, pois, na revista em si como publicação, mas na quase impossibilidade de mantê-la como órgão financeiramente autônomo dentro da estrutura dos nossos serviços considerados essenciais.
Sabem os que lidam no campo empresarial das comunicações, e nele no particular de jornais e revistas, que as publicações desse gênero vão buscar seus recursos financeiros na venda de espaços para a publicação de anúncios e de matéria de cunho institucional por parte de empresas e instituições. A nossa revista, muito embora tenha também o público externo como destinatário, não pode, por força de um nosso princípio tradicional, buscar nessa fonte os recursos financeiros de que necessita. Neste caso é a própria Irmandade que terá de arcar com o sustento financeiro da sua revista, seja por meio de assinaturas seja por meio de venda avulsa por parte das Centrais e Intergrupais de Serviços.
Apesar das dificuldades o número de assinantes vem aumentando e aumentará muito mais quando cada um fizer do seu companheiro, amigo, parente ou colega de serviço mais um assinante da nossa revista.
Ao longo de toda a sua história, a Revista Vivência vem contribuindo, de forma decisiva, para firmar e para difundir a cultura de A.A., importante e fundamental fator de coesão e de unidade. Tem sido também, o veículo de expressão das experiências pessoais de numerosos membros da Irmandade, assim como o meio disponível que lhes tem possibilitado expressar as suas visões, emoções, experiências e esperanças, ou, simplesmente, servido para contar as suas histórias. Ela tem sido a expressão da alma de A.A. e, por isso, traz toda a riqueza da criação humana.

Como melhor divulgar a revista Vivência aos Profissionais

A VIVÊNCIA – EXISTIR PARA SERVIR. Não tem opinião sobre assuntos alheios à Irmandade de Alcoólicos Anônimos e nem pretende entrar em qualquer controvérsia, dentro ou fora da Irmandade. Nosso objetivo é o de levar a mensagem salvadora de A.A. ao alcoólico sofredor. Não estamos trabalhando com uma mercadoria qualquer. Estamos lidando com vidas humanas, o mais precioso dos bens.

A sobriedade só tem sentido se for partilhada com outros. Aliás, este é o método mais eficiente para nos conservarmos sóbrios. Quando tudo falha, esta opção funciona. Não podemos desperdiçar energias inutilmente. Outros alcoólicos morreriam, se o fizéssemos. E quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, queremos que a mão de A.A. esteja sempre ali. E por isso, nós somos responsáveis.

VIVÊNCIA, por isso mesmo, é uma proposta sedimentada no universo vitorioso de A.A. É uma forma de atração e não de persuasão. Condensamos material de inquestionável interesse não só para quantos foram ou ainda são vitimas do alcoolismo, mas, igualmente, para aqueles que se preocupam em conhecer, no âmago, a complexidade de um problema que tantos males tem causado à humanidade.

REVISTA VIVÊNCIA E CTO – COMPARTILHANDO A MENSAGEM

O propósito primordial de Alcoólicos Anônimos é transmitir a sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre. A finalidade básica do CTO – Comitê Trabalhando com os Outros é organizar, estruturar, padronizar e facilitar a divulgação da mensagem de A.A..
No desempenho dessas atribuições o CTO conta com uma poderosa aliada que é a REVISTA VIVÊNCIA, cujo conteúdo contribui efetivamente de duas maneiras: na formação e na informação. Na formação dos servidores do comitê ela apresenta artigos sobre a atuação do CTO nas outras áreas, constituindo-se numa valiosa troca de experiências que nos proporciona oportunidades para o aprimoramento do nosso trabalho.
Mas, é no campo da informação, ou seja, na transmissão da mensagem de A.A. que a Vivência apresenta uma performance excepcional. Uma pessoa que não conheça Alcoólicos Anônimos ao ter em mãos um exemplar da nossa Revista percebe claramente, pela apresentação gráfica, que ela é elaborada com capricho e carinho. Ao manuseá-la o leitor encontra já nas primeiras páginas o Preâmbulo que é uma síntese da finalidade de A.A., além dos enunciados dos Doze Passos e das Doze Tradições. Mais adiante, encontra uma variedade enorme de artigos que vão, desde depoimentos de membros, trechos da literatura de A.A. até artigos de profissionais da saúde, educação e outros. Aliás, os artigos de profissionais constituem uma recomendação do nosso trabalho junto à comunidade, abrindo portas para que conquistemos mais amigos.
“A história de A.A. esta repleta de nomes de não alcoólicos, profissionais e leigos, que se interessaram pelo programa de recuperação de A.A.. Milhões de nós devemos nossas vidas a essas pessoas e nossa dívida de gratidão não tem limites.” (Do folheto: A.A. em sua Comunidade).
Portanto, ao oferecermos um exemplar da revista ou uma assinatura para alguém não- alcoólico estamos também contribuindo para levar a mensagem e fazendo um trabalho de CTO, que é o agente da Quinta Tradição e do Décimo Segundo Passo. Muitas pessoas que tomam conhecimento da nossa Revista acabam ficando interessadas pelos assuntos ali tratados e tornam-se assinantes.
Mas é no trabalho do Décimo Segundo Passo e na Quinta Tradição que a Vivência vem ampliando a sua participação junto aos Comitês Trabalhando com os Outros dos Grupos , no trabalho de estudos e treinamentos para melhoria e padronização da mensagem de nossa Irmandade. A sua dinâmica com experiência atuais e passadas de membros de A.A., e de nossos profissionais amigos, são matérias facilitadoras para compreensão e aplicação dos Princípios de Alcoólicos Anônimos.
Queremos ressaltar que a Vivência não foi criada objetivando substituir nossas literaturas oficiais de Alcoólicos Anônimos. “ A Revista tem como objetivo principal, o de informar ao público em geral como funciona a Irmandade de A.A., destacando o Programa de Recuperação, tendo também a finalidade de informar aos membros e aos Grupos de A.A. o que a comunidade profissional pensa a respeito de nossa Irmandade e sobre o problema do alcoolismo”. (Manual de Serviço de AA, pág. 125).
Assim podemos destacar dentro do seu conteúdo:
.Apadrinhamento, principalmente, aos recém-chegados na compreensão do Programa de Recuperação através dos depoimentos pessoais;
.Complementação ao trabalho do Comitê Trabalhando Com Os Outros através dos depoimentos pessoais e artigos de profissionais amigos;
.Apadrinhamento aos profissionais de diversas áreas no conhecimento de como funciona o Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos;
.Artigos dos Profissionais amigos que nos ajuda a compreender a doença do alcoolismo, e a visão dos mesmos nas práticas diárias com os bebedores-problemas;
.Enfim, o apadrinhamento nos Princípios de AA: Recuperação, Unidade e Serviço.

CTO E A VIVENCIA

Todos nós sabemos que CTO significa Comitê Trabalhando com os Outros, gostaríamos de interpretar essas letras para “Companheiros em ação com os outros”, ora Bill não dizia que o Alcoólicos Anônimos é uma sociedade de alcoólicos em ação, assim resumidamente toda a nossa ação seja ela para a manutenção da nossa estrutura, a edição de livros, periódicos, informativos e livretes têm como finalidade exclusiva a transmissão da mensagem ao alcoólico que ainda sofre. Devemos utilizar todos esses meios sempre que possível como ferramenta eficaz na transmissão da mensagem àqueles que precisam. Nos Estados Unidos a Revista Grapevine é tida por alguns como a principal ferramenta de Décimo Segundo Passo, e nos trabalhos de Informação ao
Publico.
Sabemos o quanto a nossa Vivencia tem ajudado muitos alcoólicos (as) na manutenção da sua sobriedade porque não podem frequentar as reuniões em nossos grupos, pelos mais variados motivos, ou seja, companheiros (as) que se encontram em locais longínquos e de difícil acesso, os que cumprem pena em regime fechado, os que se encontram internados em clinicas de recuperação ou hospitalizados, os que cumprem jornada de trabalho a noite então eles (as) “frequentam a nossa reunião impressa”, a forma como a Vivência é conhecida, pois como nas nossas reuniões presenciais o conteúdo da revista também é o compartilhar e experiências forças e esperanças.
Temos assim o conhecimento da eficácia da Vivencia na manutenção da recuperação do alcoólico, porque então não a utilizamos como meio de abordagem ao alcoólico que ainda sofre, porque não a utilizamos como de meio de informação e aproximação com toda a comunidade profissional das mais variadas especialidades, talvez estejamos sendo redundante, pois uma grande parcela de companheiros(as) da nossa irmandade tem conhecimento desta ferramenta de comprovada eficácia, o que nos falta de fato é ação. Precisamos é deixar de ver a Revista como um periódico gerador de receitas, mas sim como ferramenta auxiliar da mensagem de A.A.
Ressaltamos que nos Estados Unidos a Revista Grapevine, a nossa Revista pioneira, em muitos anos apresentou resultado financeiro negativo, mas não deixou de cumprir o seu papel na transmissão da mensagem, pois lá não se poupa esforços sejam eles financeiros ou não para que a mensagem chegue ao seu destino. Pó outro lado acreditamos que os exemplares já lidos devem continuar com o seu propósito de oferecer ajuda aos que precisam após a leitura pelo assinante, dentre as forma de utilização desses exemplares, para que a mensagem siga adiante, destacamos por experiência as seguintes:
o Deixe no consultório do seu médico ou dentistas, quando não oferecer
assinatura de cortesia.
o Encaminhe para as clinicas de recuperação e instituições de tratamento
o Encaminhe para as instituições prisionais depois de contato prévio
o Deixe no salão do seu cabeleireiro
o Ofereça ao familiar que pediu ajuda
o Faça chegar ao companheiro (a) que se afastou
o Presenteie o ingressante
o Traga para o grupo para ser utilizada como tema de estudos
Essas são algumas maneiras simples de utilização da Revista, que podem ser
facilmente adotadas. Precisamos ampliar a nossa base de dados dos nossos amigos profissionais da medicina, psicologia , psiquiatria e outros da áreas sociais, através de assinaturas de cortesia que vem caindo ano a ano, e isso exige um trabalho de responsabilidade e amor dos nossos representantes da Vivencia em todos os níveis da nossa estrutura. Sabemos que quando falamos com o coração a mensagem chega e atinge, não temos duvida que os depoimentos contidos na nossa Revista são a mais a pura linguagem do coração, reflitamos sobre isso.

CTO e Vivência: Caminhando juntos

Qual o objetivo do CTO?

É fazer cumprir a nossa Quinta Tradição:
“Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre”.

O Comitê Trabalhando Com os Outros organiza, estrutura e padroniza a divulgação da mensagem de A.A., pois nenhum alcoólico poderá ser ajudado se não souber o que é A.A. e onde poderá ser encontrado.

A Revista Vivência pode ajudar o CTO atingir seus objetivos? De que modo?

Na página 01 da Revista, no Preâmbulo, há uma síntese do que é Alcoólicos Anônimos. Nossos Passos, Tradições, Conceitos, 12 Perguntas e endereços dos ELS também estão inseridos.

As Comissões do Comitê Trabalhando com os Outros:

Muitas vezes utilizamos “terceiras pessoas” para fazer a mensagem de A.A. chegar ao Alcoólico.
Bill utilizou um profissional da Medicina: Doutor Silkwort: um ministro religioso: Reverendo Walter Tunks, a Irmã Ignatia e Sra. Henrietta Seiberling.

O CCCP – Comissão de Cooperação com a Comunidade Profissional – é a Comissão responsável pelo bom relacionamento entre Alcoólicos Anônimos e a imensa gama de profissionais. Esta Comissão entra em contato com os Profissionais da Organização que pretende “dar assistência” aos alcoólicos.

. No 1º contato com o profissional, o companheiro da CCCP leva uma Revista Vivência e oferece ao profissional. No dia da Reunião com os funcionários, oferece alguns exemplares para os mesmos.

A CIP – Comissão de Informação ao Público – é a Comissão do CTO que informa o público em geral sobre o Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos. Ela mantém viva a imagem da Irmandade junto à Comunidade informando principalmente os profissionais sobre o trabalho que pode ser feito com o alcoólico ativo.

Como a CIP pode utilizar a Vivência para atingir seus objetivos?
. A Imprensa: A TV quer fazer um programa sobre o alcoolismo e convida A.A. No 1° contato com o repórter, levar um exemplar da Revista Vivência.
. A Medicina: o médico psiquiatra chama A.A. para colaborar com o hospital psiquiátrico: presenteá-lo com um exemplar da Revista Vivência.
. A Justiça: juízes, promotores, delegados, como funciona o A.A.? Há revistas com depoimentos de detentos, levar um exemplar.
. A Educação: Universidades, Estagiárias: presentear o Reitor e depois os estagiários que chegam aos grupos.
. A Religião: vamos formar um grupo; precisamos do salão da Igreja. Informar o religioso o que é Alcoólicos Anônimos – levar uma revista.
. As Organizações Não-Governamentais, por exemplo, Casas de Recuperação; temos grupo de apoio; levar a cada 15 dias um exemplar e sortear entre os internos.
. Assinatura-Cortesia: na comunidade onde se localiza o Grupo: ao Profissional, ao Religioso, à Assistente Social, ao Médico, etc.
. Nas Reuniões de Informação ao Público: montar um stand com literatura de A.A. e exemplares da Vivência. Um RV presente para a divulgação da Revista:
a) Falar sobre a revista, folheando-a;
b) Deixar a(s) folhear (em) também;
c) Abrir na página: Como saber se alguém é alcoólico?
d) Além de oferecer a assinatura, se notar que a pessoa está interessada, oferecer um exemplar da Vivência.

A CIT – Comissão de Instituições de Tratamento – é a Comissão que leva a mensagem de A.A. aos internos dos hospitais, Clinicas de Repouso. Levando a mensagem de A.A., esta Comissão reforça a possibilidade do paciente alcoólico continuar sóbrio após a alta através da frequência aos grupos de A.A.

Como a Revista Vivência pode ajudar a CIT?
A Revista Vivência traz depoimentos de companheiros que estiveram internados, saíram da internação e foram direto a um Grupo de A.A. Presentear o Diretor da Instituição com um exemplar. No dia da Reunião do Grupo de Apoio, sortear um exemplar entre os pacientes. Eles irão aguardar este momento. A Oração da Serenidade: falar durante o depoimento e mostrar a 4ª capa da Revista.

A CIC – Comissão de Instituições Correcionais – é A Comissão que leva a mensagem de A.A. aos presídios, penitenciárias e Instituições Correcionais. O que faz a Comissão de Instituições Correcionais?
Primeiro: palestras aos funcionários do presídio; é importantíssimo que eles tenham a noção exata de como a Irmandade vê o alcoolismo, sua proposta de recuperação e que tipo de atividade A.A. pretende desenvolver junto aos presos;
Segundo: reunião com os reeducandos alcoólicos.
Como utilizar a Revista Vivência para a CIC atingir seus objetivos?
No 1º contato com o Diretor do Presídio: levar uma Revista Vivência. Presentear os funcionários e os reeducando.

Como poderemos adquirir para o Comitê Trabalhando com Os Outros as revistas para este trabalho maravilhoso da Quinta Tradição?
. solicitando aos companheiros que queiram colaborar com os trabalhos do Décimo Segundo Passo e Quinta Tradição, que façam doações das Revistas Vivência já lidas.
. aquisição pelo Grupo, Distrito ou mesmo pelo CTO junto aos ELS das revistas com os temas conforme o trabalho a ser realizado. E o mais importante: apadrinhar o ESL que dê desconto para esta aquisição.

Revista Vivência: uma excelente ferramenta na prática dos Três Legados de A.A.

Na Recuperação:

É uma reunião impressa. Identificamo-nos com os depoimentos publicados nas edições da Revista Vivência, pois eles são um veículo de recuperação à nossa disposição a qualquer tempo e lugar possibilitando assim, o conhecimento de relatos “que talvez nunca ouvíssemos”, pois são depoimentos de companheiros e companheiras que estão em outros estados, como por exemplo: nós que moramos em Goiás, como ouvir experiências de companheiros do Acre, Amazonas ou até mesmo no Sul sem nos deslocarmos para lá ou eles para cá?
A Vivência é a manifestação da vontade de Deus através dos membros; fonte geradora de força, experiência e esperança, resultando em maior qualidade de recuperação de seus leitores.

Na Unidade:

Na unidade orgânica dos Representantes de Serviços do Grupo a Vivência é um elo de ligação com o Universo de Alcoólicos Anônimos através de todos os eventos e acontecimentos publicados. É a manifestação do Amor de Deus através dos artigos dos companheiros onde muitas vezes ou quase sempre são inspirados por Deus em bloco. Explico: são muitas experiências sobre um mesmo assunto com prismas diferentes e amplos que transmitem sentimentos, pensamentos e ações que ajudam a transformar o velho homem renovando assim, o sentimento de unidade do novo homem, único e verdadeiro caminho da sobriedade.

No Serviço:

“Quem quiser ser o primeiro, terá que ser servo de todos”.
Ter o privilégio de ser um servidor em A.A. e digo mais: um servidor da Revista Vivência, assim como no Comitê Trabalhando com os Outros e outro qualquer encargo é sem dúvida um tanto complicado e ardil aos olhos do velho homem.
Ser RV, RVD e CRV vem suprindo minhas carências e deficiências gerando crescimento como pessoa, como profissional e na vida familiar. O mais importante tem sido o crescimento espiritual quando imbuído de coragem, sabedoria, amor, boa vontade e anonimato venho servindo o próximo sem nenhum reconhecimento material ou troca de favores pessoais, apenas o mais importante: paz e graça da parte de Deus nosso Pai.

ESCREVER O QUE?

A revista VIVÊNCIA tem se preocupado em compartilhar as maneiras individuais de se praticar nossos princípios. Acreditamos que em A.A. a única forma de ensinar é falando da gente, sobre a nossa experiência, falando a linguagem do coração. Portanto, como já ficou claro em nossas edições, damos preferência aos artigos que falam sobre experiências vividas, sejam elas baseadas em fatos acontecidos dentro da Recuperação do autor, dentro da Unidade do Grupo ou em Serviço de A.A. Talvez você tenha ouvido uma frase numa reunião de A.A. que gostaria de compartilhar, ou talvez somente queira narrar um acontecimento curto de poucas linhas. Não importa o tamanho, mande para nós. Precisamos também de artigos que caracterizem a função informativa de VIVÊNCIA para a comunidade em geral, inclusive de profissionais amigos.

DOZE MANEIRAS DE USAR A VIVÊNCIA

Sente-se ressentido, confuso ou simplesmente aborrecido? Gaste alguns minutos com VIVÊNCIA. Sua leitura lhe trará nova perspectiva do seu problema de bebida, do A.A. e de você.
Para milhares de leitores, em milhares de grupos, no Brasil e no exterior, VIVÊNCIA é muito mais que uma revista. É parte vital deste programa que ajuda homens e mulheres a levar uma vida feliz e produtiva sem álcool.
VIVÊNCIA é um informativo inspirador, mensageiro simpático e prestativo como um membro ou pessoa amiga – ou mesmo um grupo de A.A. de qualquer tamanho. É particularmente útil no apadrinhamento.
Quer ter acesso aos Passos e Tradições? VIVÊNCIA não pode lhe dizer o que fazer, mas certamente pode lhe mostrar a experiência de outros.
Eis algumas formas práticas como VIVÊNCIA é útil para muitos companheiros e grupos:

1. É uma reunião escrita
VIVÊNCIA é a solução ideal para quem não pode assistir às reuniões regularmente ou para quem deseja mais reuniões. Compacta de fácil leitura, a cada bimestre, publica a essência do que de “melhor” você poderia esperar de uma reunião.
2. É o presente ideal
Para um companheiro ou amigo, poucos presentes podem ser mais apropriados do que uma assinatura de VIVÊNCIA. É uma lembrança continuada de sua atenção e fonte de prazer e de inspiração para o presenteado.

3. Preparando palestras
Procurando ideias para fazer uma palestra mais interessante? Você encontrará na leitura de VIVÊNCIA: histórias pessoais, artigos interpretativos, anedotas, noticiário de A.A. do Brasil e do mundo, opiniões de médicos sobre o alcoolismo e o programa de recuperação oferecido pelo A.A. e muitas outras matérias.

4. Informações
Como A.A está chegando aos hospitais e prisões? O que é a Conferência de Serviços Gerais e o que ela significa para os membros de A.A. individualmente? E quanto ao A.A. no resto do mundo? VIVÊNCIA traz o mundo para sua casa e o mantém sempre atualizado.

5. É um fórum
Quer transmitir uma ideia? VIVÊNCIA lhe dá uma visão tão ampla quanto possível de A.A. como um todo, onde você e seus companheiros podem permutar histórias, pontos de vista e interpretações do programa de recuperação.

6. Companheira nas abordagens
Permita que VIVÊNCIA mostre ao recém-chegado o que A.A. realmente é – uma maravilhosa comunidade humana de mais de dois milhões de homens e mulheres em todo o mundo, unidos no propósito comum de permanecerem sóbrios e ajudar outros a alcançarem a sobriedade.

7. Reuniões temáticas mais produtivas
Grupos de todo Brasil estão usando artigos de VIVÊNCIA para discussão em reuniões temáticas. Com VIVÊNCIA, os membros ficam melhor preparados para tais reuniões, capazes de contribuir mais construtivamente.

8. A experiência acumulada
Você pensa que seu grupo tem problemas? Não se preocupe. Procure inteirar-se das inúmeras experiências de grupos publicadas frequentemente em VIVÊNCIA. É uma forma construtiva de manter seu grupo sintonizado com as Tradições.

9. Uma aliada no A.A. Institucional
Existe alguém no seu grupo apadrinhando (ou pretendendo apadrinhar) um grupo em hospital ou numa prisão? Uma assinatura de presente será profundamente apreciada por homens e mulheres com limitados contatos com o mundo exterior.

10. Ofertada ao recém-chegado
Muitos grupos usam VIVÊNCIA como importante ajuda para os programas de apadrinhamento. Encorajam os recém-chegados a ler a revista, a discutir e fazer perguntas sobre os assuntos lidos. Alguns grupos oferecem gratuitamente uma revista a cada visitante.

11. Ligação com a Irmandade
A.A. vem crescendo muito em todo o mundo. Seu grupo, seu distrito ou Área estão experimentando as dores do crescimento? Muitas soluções podem ser encontradas através das experiências compartilhadas em VIVÊNCIA.

12. Arquivo da história de A.A.
VIVÊNCIA espelha os acontecimentos da Irmandade de Alcoólicos Anônimos no momento atual. É uma preciosa coleção da experiência acumulada ao longo dos

Porque a Revista Vivência é importante para os Aas, amigos de A. A. e Profissionais?

A Revista Vivência é …
– Um “Décimo Segundo Passo moderno”. Quantas vezes ficamos inibidos em abandonar o assunto alcoolismo; basta começarmos mostrando Nossa Revista seguida da abordagem;
– Uma “Reunião Ambulante”; podemos levá-la a qualquer lugar e para casa. Quando chegamos cansados do serviço, sem ânimo de irmos à reunião do grupo, ou há alguém doente na família, que nos prende em casa, a Vivência nos servirá de alento para o momento apenas;
– A melhor ajuda para os companheiros que estão em iminente recaída. É só ler qualquer matéria que a compulsão desaparece;
– Como sugestão, poderá ser livro de cabeceira de todo AA, pois lendo toda manhã um trecho de qualquer matéria, ficaremos fortalecidos nas próximas vinte e quatro horas;
– Útil no Apadrinhamento! Basta oferecer uma Revista Vivência ao seu afilhado;
– Importante para esclarecer os Profissionais e a Comunidade, pois divulga Alcoólicos Anônimos e seu programa de recuperação. Poderá chegar aos profissionais e à comunidade através de assinaturas/cortesia;
– Eficaz nas abordagens e aos familiares: basta oferecermos um exemplar da mesma ao alcoólico problemático ou a um familiar do mesmo.

AO REPRESENTANTE DA REVISTA VIVÊNCIA

– Sugere-se que todo RV leia a Revista Vivência para obter subsídios e desenvolver seu trabalho.
– Faça sua própria assinatura, pois ninguém pode divulgar um produto que não conhece.
– A tarefa do RV é divulgar a Revista Vivência junto aos membros do grupo e familiarizá-los com a oportunidade de aprimoramento da sobriedade que ela oferece, através de artigos baseados em experiências pessoais de recuperação escritos por companheiros de A. A., além dos artigos escritos por não Aas sobre suas experiências profissionais. Chamada às vezes de “reunião impressa”, a Vivência também publica um calendário mensal dos eventos especiais de A. A.
– Ao RV eleito pelo grupo, sugere-se enviar seu nome e endereço para Vivência, Caixa Postal 580, CEP 01060-970, São Paulo – SP. Os mesmos dados devem ser enviados para o Coordenador de Publicação e Literatura da Área. Com estas informações ele será devidamente cadastrado e receberá regularmente a correspondência com os formulários de assinatura da Vivência.

Outras atribuições do RV

– Informar ao grupo a chegada de cada nova edição e comentar sobre as matérias nela publicadas;
– Fazer com que a Vivência sempre esteja exposta em lugar visível no grupo e, se possível, manter um pequeno mural com frases da última edição, cupom de assinatura, lista das assinaturas vencidas e a vencer, etc.
– Sugerir ao grupo que ofereça, assinaturas de cortesia da Vivência a médicos, juízes, advogados, delegados, assistentes sociais, jornalistas, repórteres, etc.
– Sugerir ao grupo que use artigos da Revista nas reuniões com temas e nos trabalhos do CTO – Motivar os membros do grupo a mandarem colaborações para a Vivência: artigos, desenhos, etc.
– Solicitar aos profissionais, principalmente àqueles que conhecem o nosso programa, o envio de artigos à Revista.
– Orientar e motivar os companheiros a fazerem ou renovarem suas assinaturas, e encaminhar à Vivência as assinaturas, renovações e sugestões dos assinantes.
– Seria bom que o RVD participasse das Reuniões Mensais do Distrito apresentando sugestões para o RSG, incentivando a eleição do RV e, caso o grupo ainda não possua, o RSG faria a divulgação da Revista.
– Ao RVD que tiver condições de visitar os Grupos de seu Distrito sugere-se apadrinhar ou acompanhar o RV do Grupo falando sempre sobre a Revista Vivência e principalmente sobre o tema específico de cada edição.
– A participação do RVD na Reunião Mensal da Área, na medida do possível, também é importante.
– Tudo que fizermos para A. A. através de um trabalho como Servidor de confiança estaremos fazendo para nós mesmos.

COMO CONQUISTAR E MANTER OS ASSINANTES DA REVISTA
VIVÊNCIA?
1) Da importância dos Detalhes
• As melhores técnicas de conquistar assinantes não custam absolutamente nada.
• Os assinantes adoram cortesia, simpatia, entusiasmo, alegria e companheirismo.
• Um aperto de mão, um abraço com alegria e a satisfação em atender, valem mais que todas as promoções que são feitas por outros meios.
2) Acompanhamento
• a chave da fidelidade do assinante é o acompanhamento.
• Jamais esquecer o assinante. Jamais deixar que ele esqueça.
• Será bem sucedido quando se faz o acompanhamento dos membros assinantes
3) Contato Pessoal
• A propaganda é apenas 1% do processo de divulgação; o contato no dia a dia é o que realmente funciona.
• Nada substitui um contato pessoal e caloroso.
• Todos querem se sentir únicos, esperados e importantes.
4) Sorrir
• A cada dia olho no espelho e analiso como anda a minha expressão facial.
• Evito expressão de indiferença
• Elimino a expressão de tristeza.
• Reforço toda expressão de alegria.
• Sorrio com franqueza quando falo algo.
5) Demonstração do Produto
• Valorizo cada demonstração, pois represento pessoas que se envolveram no processo das edições.
• Procuro sempre mostrar da melhor forma a Revista Vivência e os Serviços.
• Os apelos feitos para os olhos são 70% mais eficazes do que apenas o uso das palavras.
6) Facilidade e Agilidade
• Quanto mais facilito e agilizo a operação, mais os assinantes são atraídos.
• Manter as coisas simples, eliminando burocracia excessiva.
7) Laços de Companheiros
• Faço amigos. Todos gostam de comprar amigos.
• Procuro encantar os assinantes.
• Lealdade e transparência nas informações.
8) Comodidade
• Faço tudo para que o assinante ache cômodo fazer assinatura ou renovar comigo.
• Jamais dificulto as coisas.
• Procuro ser solução e não problema para o assinante.
9) Credibilidade
• Os pequenos atos desonestos prejudicam tanto ou mais que os grandes.
• Não prometo o que não posso cumprir.
• Evito criar altas expectativas.
• Procuro fazer mais que prometi.
• Os companheiros precisam confiar em mim para fazer ou renovar assinaturas.
• Eu sou a imagem da estrutura de serviços da Irmandade.
10) Motivação
• Pensamento positivo me transforma naquilo que penso.
• Ajo entusiasticamente.
• Entusiasmado, contagio meus companheiros RV’s, RVD’s e eles, os assinantes.
• “Não” é a palavra mais desmotivante.
11) Assinantes satisfeitos
• Assinantes satisfeitos são meus mais poderosos aliados.
• Minha principal tarefa é fazer o assinante feliz.
• Eles voluntariamente farão divulgação da Revista Vivência e da Irmandade.
12) Ação
• Haja o que houver, ajo.
• Perdendo tempo, destruo muitas oportunidades.
• Procuro a perfeição: sempre algo para melhorar.
• Ideias não são suficientes, somente a ação importa.
13) Reclamações
• Para cada reclamação, outros 20 assinantes com o mesmo problema não o fizeram.
• A reclamação é de grande valia para sanar os erros e melhorar sempre mais.
• Transformo o assinante queixoso em assinante ativo.
14) Persistência
• Em geral, não é no primeiro contato que a pessoa assina a Revista Vivência.
• A maioria desiste apenas a um passo do sucesso. Thomas A. Edison, um dos maiores gênios da nossa História, persistiu mil vezes até inventar a lâmpada elétrica.
15) Criatividade
• Uso a imaginação.
• Observo e anoto tudo o que pode ser mudado e melhorado.
• Não imito, crio.
• As boas ideias possuem uma elegante simplicidade.
• Toda ideia nova é absurda, até que se torne um sucesso.
16) Acreditar em si mesmo
“Eu posso” é uma sentença poderosa. Há situações em que meu “faro” é fundamental.
• Ouço a minha intuição.
• Acredito em mim, mesmo que ninguém mais acredite.
Se eu não acreditar em mim, quem o fará?
• Todos gostam de compartilhar com o otimista.

QUE TAL ESSE PLANO VINTE E QUATRO HORAS?

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 44 – NOV/DEZ 1996

QUE TAL ESSE PLANO DAS VINTE E QUATRO HORAS?
B.P.

Antes de mais nada, o que diz o plano das vinte e quatro horas? Ele diz: “Viva a vida um dia de cada vez, Tanto para ficar longe da bebida, como para conduzir todas as outras atividades de sua vida; não deixe o ontem ou o amanhã desviá-lo do que você pode fazer hoje”.

“Esse plano das vinte e quatro horas é o mais engenhoso artifício de falsidade intelectual e autodecepção que eu já vi! Vocês me dizem que tudo o que tenho de fazer é permanecer sóbrio apenas por hoje – quando eu sei muito bem que vocês esperam que eu abandone a bebida para sempre. Quem está brincando com quem? E, assim que eu aplicar o plano das vinte e quatro horas em “todas as minhas atividades”, como poderei realizar algum trabalho, se não planejar antes?”

Estas eram as palavras que eu gostaria de ter gritado a cada um, e a todos, quando cheguei em A.A. Não o fiz somente porque não tive coragem para tanto. Mas, intimamente, bem lá no fundo, frequentemente o fazia para mim mesmo.
Nos anos subsequentes, vim a acreditar que o plano das vinte e quatro horas é a mais extraordinária receita para a produtividade, serenidade, e, sobretudo, felicidade que o homem jamais imaginou. Então, por alguns minutos, vamos examinar os quês e os porquês, os quandos e os para quês.
Nos meus dias de ativa, eu tinha que viver no passado, ou no futuro. Eu oscilava, alternadamente, entre o esplendor das glórias do ontem (na maioria, frutos da minha imaginação), o remorso e o ressentimento das derrotas do passado. Ou entregava-me a sonhos sobre o que poderia fazer amanhã, ou torturava a mim mesmo com os medos de onde eu poderia falhar. Decididamente eu não conseguia viver o hoje. Isso demandaria mais ação e mais responsabilidade do que eu seria capaz.
O plano das vinte e quatro horas tem sido a minha chave para a libertação dessa prisão. Ele é a arte de se viver onde temos condição de agir, de concentrar nossos esforços apenas no momento certo para aquilo que nos seja possível realizar – neste exato momento. Este é o único instante em que eu posso fazer algo a respeito de beber ou deixar de fazê-lo, o único instante em que eu posso fazer algo a respeito de levar a mensagem, e, nesse sentido, fazer algo a respeito de todas as atividades em minha vida.
Isso quer dizer que eu não posso fazer planos para o futuro? Positivamente, não. Significa que posso planejar as minhas ações, mas não projetar o resultado. Significa que, se a coisa mais importante que eu devo fazer neste instante (primeiro as coisas primeiras), é planejar algo para amanhã, para o mês que vem, ou para o próximo ano, preciso dedicar-me neste momento para isso.
Por que o plano das vinte e quatro horas funciona? Ele tem funcionado para mim porque divide a vida em segmentos que tornam possível manejá-la – uma coisa de cada vez. Faz lembrar aqueles velhos filmes de cavalaria, onde o mocinho, perseguido pelos índios, sempre se esconde em um estreito desfiladeiro, de onde ele pode eliminá-los, um de cada vez. Lembro-me que nos meus tempos de escola, o instrutor de remo costumava nos dizer, quando chegávamos aos últimos quatrocentos metros da regata, que devíamos esquecer os quatrocentos metros restantes, e simplesmente ir em frente, concentrados apenas em movimentar aquele remo para frente e para trás, uma vez mais.
Os quatrocentos metros, a tribo de índios, toda uma vida, não são controláveis mas, uma remada, um índio, um dia, nós podemos manejar neste exato momento.
Outra razão pela qual o plano das vinte e quatro horas funcionou para mim, é que ele oferece recompensas emocionais pelos êxitos obtidos. Se eu disser que nunca mais tomarei um gole enquanto viver, esteri em meu leito de morte antes de saber se o fiz. E, se for atropelado por um caminhão, nunca ficarei sabendo. Assim, a vida torna-se uma eterna busca por um objetivo que, provavelmente, eu nunca tenha a satisfação de alcançar. Mas se eu decido que não tomarei um gole hoje, no fim do dia eu saberei que consegui. Isso é uma conquista e, como todas as conquistas, traz satisfação. Faço o mesmo, dia após dia, e estou empilhando conquistas, adquirindo, assim, um equilíbrio que me é muito precioso – e, por essa razão, uma conquista que não estou propenso a abandonar – a cada que passa.
Além do mais, a conquista pode se tornar uma rotina, tanto quanto o álcool. Um pequeno triunfo nos faz bem; assim, ansiamos por mais um pouquinho. Quanto mais a gente consegue, mais a gente quer e, de repente, estamos fisgados – fisgados por um hábito que é construtivo, e não destrutivo.
Eu tinha que fazer, do plano das vinte e quatro horas, um hábito. Quando aderi a ele, displicentemente, e não funcionou e nem fazia sentido. Eu desconhecia o velho chavão de que, para o alcoólico em recuperação, a ação tem que vir antes do entendimento e da fé. Eu não havia compreendido que temos que dirigir o nosso modo de pensar para a forma correta, em vez de fazer o contrário.
Nos últimos dias das minhas bebedeiras, eu não tinha fé – nenhuma fé: nem mesmo da existência de um Poder Superior bondoso. Afinal, se houvesse algum Poder Superior, ele teria que ser maldoso, do contrário, por que teria ele escolhido a mim para ficar sem a coisa mais relaxante da vida – beber?
Assim, quando meu padrinho disse-me para agradecer a Deus, todas as manhãs, pelo dia que passou e pedir-lhe ajuda para o dia que tenho pela frente, eu disse a ele que não acreditava em Deus. Ele respondeu: “Faça assim mesmo”.
Então, finalmente, decidi colocar o plano das vinte e quatro horas de uma forma habitual. Eu o associaria a alguma coisa que faço todos os dias – tomar banho, por exemplo. Todas as manhãs, no chuveiro, eu estabeleceria as bases para as vinte e quatro horas daquele dia. Gradualmente, isso foi evoluindo, para se tornar, na acepção da palavra, um programa. Provavelmente, isso vai gastar um bocado de água, mas, pelo menos, água é bem mais barata do que vodca.

O Programa Funciona mais ou menos assim:

1. Primeiramente, agradeço a Deus pela minha sobriedade durante o dia anterior.
2. Depois, procuro em minha mente por algo que eu tenha feito melhor do que eu teria feito antes. Algum pequeno triunfo sobre um defeito de caráter – alguma pequena aplicação de coisas que eu tenha aprendido em A.A. E agradeço a Deus por isso. Isto é a parte do negócio de se adquirir o equilíbrio e de se ter sucesso por acréscimo. Porém, mais do que isso, é um remédio específico para o meu mais mutilante defeito – a falta de amor-próprio. O fato de estar ciente do que fiz corretamente, a cada dia, tem imperceptivelmentefeito por fertilizar todas as raízes do meu debilitado amor-próprio..
3. Digo amim mesmo que sou um alcoólico. Eu sei que a mente humana, reflexivamente, apaga as lembranças desagradáveis, e estou decidido a contra-atacar esse reflexo, a fim de que eu jamais venha a achar que estou seguro e posso beber normalmente. Por isso, imagino uma bebida em minha mente (usualmente, um martini gelado) e então, conscientemente, relembro algum horrendo incidente aloólico. Assim, eu tenho bem atadas, em minha mente, a bebida e a inevitável consequência. Tenho feito isto por inúmeras milhares de manhãs e creio que não me seria possível procurar por um trago sem, ao mesmo tempo, vislumbrar um quadro detalhado do resultado. Construí o meu próprio anti-reflexo.
4. Devido não tomar um gole no dia que está começando, e peço a Deus que me ajude a levar avante esta decisão. Nos primeiros meses e anos eu podia prever, com certeza, situações, no dia que nascia, onde eu sabia que estaria exposto à bebida – um almoço de negócios com um grupo de bebedores da pesada, ou fazendo hora no aeroporto de Cleveland. Podia visualizar a situação iminente em detalhes e dizer a mim mmesmo, “estou decidindo agora (no chuveiro), que eu não vou tomar um gole quando a situação ocorrer”.
5. Por último, eu decido por um “Dia Especial”. Vim para o A.A. com tantas falhas e defeitos de caráter, que nem ao menos podia contá-los. Ainda tenho uma boa parte deles. Se, por um lado, inteletualmente, eu anseio por livrar-me deles, por outro, emocionalmente, ainda os acho mjeio engraçados. Com esse conflito em minha cabeça, o problema de trabalhar em cima deles se assemelha com tentar trocar um aperto de mão com um plovo. Desse modo, eu pego um defeito de caráter e concentro-me nele durante aquele dia, e peço a Deus que me ajude a ser bem sucedido.

A Prática

Naturalmente esse programa diário não chega pré-fabricado em frente àminha porta. Ele se desenvolve com a prática.
Em poucos meses, ele me provou a existência de um Deus benevolente.
No dia em questão, eu sabia que teria de trabalhar até tarde da noite e teria um tempo ocioso na Grand Station, esperando pelo último trem. Antevendo a situação, tomei a decisão de não me atirar para a minha costumeira série de “duplos” no bar, e pedi ajuda para manter-me firme na decisão. Na manhã seguinte, surpreendi-me ao compreender que eu passara uma hora na estação, lendo um jornal, sem que tivesse passado pela minha cabeça a idéia de beber.
Eu poderia ter sido capaz de evitar que uma mudança de idéia se tornasse uma compulsão, ou que uma compulsão me levasse à ação, mas houve um Poder, muito maior que eu mesmo, para barrar até mesmo o pensamento vindo de minha própria consciência.
Desse dia em diante, eu vim a acreditar.
Os cinco passos da “ducha matinal” podem parecer meio complexos. Todos eles se resumem em se estar agradecido a Deus pela sobriedade e pelo crescimento, em admitir-se como alcoólico, e pedir ajuda para a manutenção da sobriedade e do crescimento – só por hoje.
É facil: ao examinar o processo, você notará que els se incorporam a cada um dos Doze Passos, exceto o de “levar a mensagem”, que é parte do Décimo Segundo – só por hoje.
Talvez, esta seja uma maneira um pouco lenta de se adquirir sobriedade e crescimento. Mas, antes de mais nada, a sobriedade é uma muda, plantada recentemente. Se eu agir afoitamente e puxá-la com força pelo caule, com a intenção de fazê-la crescer mais rapidamente, corro o risco de arrancá-la inteira da terra. Mas, se eu adubar as raízes, dia após dia, estarei, certamente, garantindo uma colheita segura e saudável.
Em outras palavras, resistir à compulsão do primeiro gole é como colocar uma nave espacial em órbita. É imprescindível que haja uma forte impulsão para que seja vencida a primeira etapa da atração da gravidade para tirar a nave do chão. Mas, uma vez em órbita, basta uma pequena correção, de vez em quando. É assim que funciona o plano das vinte quatro horas – um simples check-up diário e uma pequena correção, para nos manter longe da tentação daquele primeiro gole.

Um Plano Espiritual

Em meus próprios esforços na aplicação do plano das vinte e quatro horas, tomei a liberdade de interferir em nossa Oração da Serenidade. Acrescentei sete palavras – e todas elas são a mesma palavra – “hoje”.

Concedei-nos Senhor, a Serenidade necessária “hoje” para aceitar “hoje” as coisas que não podemos modificar “hoje”,
Coragem “hoje” para modificar “hoje” aquelas que podemos “hoje”
E Sabedoria “hoje” para distinguir umas das outras.

Então, esta é a receita para a produtividade, a serenidade e, acima de tudo, a felicidade que A.A. tem me proporcionado. E é por essa razão que eu posso dizer do fundo do meu coração: “Obrigado Senhor por eu ser um alcoólico”.

As religiões, as seitas e outros movimentos e irmandades, têm seus códigos de conduta. Seus membros podem respeitá-los, ou deixá-los de lado. A aplicação não é uma questão de vida ou morte. Mas, nós em A.A., temos o nosso plano das vinte e quatro horas, e a nossa razão para aplicá-lo é a própria vida.

Best of the Grapivine

VIVÊNCIA – NOVEMBRO/DEZEMBRO 96

A SÍNDROME DO PORRE SECO

A SÍNDROME DO PORRE SECO

A revista Mexicana “Lo Mejor de Plenitud”, tem um tema intitulado: “A Síndrome do Porre Seco” e me parece muito apropriado para analisarmos depois de termos tratado dos passos e tradições 4 e 5 . No que me toca, lhes digo que sinto calafrios depois de telo copiado. Em continuidade comparto-o para aqueles que desejem lê-lo. O tema nos diz que esta síndrome pode ser reconhecida pela presença de oito sintomas característicos, que são os seguintes.

1.. Tendência em exagerar
2.. Conduta infantil
3.. Insatisfação Persistente
4.. Negação de sua realidade não alcoólica
5.. Racionalização de seus problemas neuróticos
6.. Persistência dos problemas familiares
7.. Conduta inadequada em seu grupo de AA
8.. Angústia e depressão recorrentes

O processo de reabilitação do alcoólico que tem a determinação em deixar de beber é, certamente, um processo que implica autodisciplina, tolerância, paciência e persistência para alcançar a meta, tudo isso marcado pela humildade, boa vontade e mente receptiva (aberta) para cumprir com o programa de Alcoólicos Anônimos e deixar-se ajudar por outros que podem faze-lo. A abstinência é somente o primeiro passo de quem decidiu reabilitar-se, mas a verdadeira meta é a Sobriedade.
Talvez muitos ainda confundem qual é a diferença entre Abstinência e Sobriedade. Abstinência é simplesmente deixar de beber, mas sem lograr uma verdadeira mudança em todos aqueles defeitos de caráter e velhos hábitos que haviam determinado uma vida ingovernável, enquanto que Sobriedade implica não só deixar de beber, se não experimentar gradualmente um profundo cambio de todos aqueles aspectos negativos de nossa personalidade.
Muitos membros de AA que não levam a sério seu programa, sofrem frequentemente de recaídas emocionais que obstaculizam sua Sobriedade. Estas recaídas emocionais constituem um conjunto de sintomas que provocam um estado de mal-estar e infelicidade no alcoólico na ativa, isto que se conhece como a “síndrome da bebedeira seca” ou simplesmente “síndrome do porre seco”. “La Borrachera seca”.

Chama-se “porre seco”, porque quem dela padece, exibe todos os transtornos típicos de uma vida ingovernável, apesar de que se abstém de beber. Esta síndrome pode se reconhecer pela presença de oito sintomas característicos, que são:

1 – Tendência ao exagero:
Aquele que sofre de um porre seco tende a passar de um extremo a outro. Mostra incapacidade em manter-se no intermédio (pratos da balança equilibrados), se antes se sentia culpado e cheio de autoestima; pelo alcoolismo, agora tende a “inflar” suas próprias capacidades, inteligência e critério. Sente-se dono da verdade e pensa que tem o direito de dizer a todo mundo o que devem fazer e o que esta certo e errado. (Tem o rei na barriga)
Torna-se muito rígido e severo em julgar os demais, caindo frequentemente no defeito de “ver a palha no olho alheio mas não vê a trave que esta no seu”. Tende também a viver acima de suas posses e continua sendo fanfarrão e presunçoso, como quando se embebedava. Torna-se impaciente e não tolera a frustração; isto torna-o uma pessoa irritadiça e impaciente.

2 – Conduta infantil
Ainda que não bebam muitos alcoólicos continuam sendo uns garotos em muitos aspectos. Com facilidade se aborrecem se distraem ou se desorganizam, são inconstantes, nunca terminam o que começaram. Permanecem amarrados às suas dependências emocionais de toda a sua vida passada e continuam na expectativa de que outros lhes resolvam seus problemas. Seguem superficiais e têm muita dificuldade para ter relações mais profundas, sólidas e de respeito mútuo com outras pessoas. Não são capazes em apreciar as belezas da vida e daquilo de que desfrutam as pessoas maduras. São sentimentalóides hipersensíveis e frequentemente reagem em forma de caprichos infantis.

3 – Insatisfação persistente
O alcoólico na ativa com porre seco se sente permanentemente incômodo consigo mesmo, mas não sabe por que. Não tem capacidade em analisar os seus próprios conflitos, significa dizer, carece de uma percepção interior pessoal. Há uma atmosfera constante de amargura em tudo o que o rodeia e todos os demônios de sua vida passada executam uma dança macabra ao seu redor de modo reiterado e constante; seja acordado ou dormindo. Os demônios do passado sempre estão de tridente na mão, prontos para joga-lo no quinto dos infernos. As portas infernais estão sempre escancaradas à sua frente e satanás é quem povoa a sua cabeça com suas eternas tentações e culpas. Isto dá lugar a que, por um lado com frequência esteja ancorado, no passado e por outro, esteja se futurizando sistematicamente, por isso, experimenta medo e pessimismo em ralação ao futuro.
Tem um persistente sentimento de culpabilidade e nunca chega a reconciliar-se consigo mesmo. O passado dá lugar a que seja um indivíduo negativo e com grande inclinação a criticar tudo. É lhe penoso adaptar-se aos demais e frequentemente tem conflitos com seus companheiros de grupo, amigos ou familiares, a quem sói hostilizar, e inclusive, chega a feri-los com suas atitudes. É o típico AA que tem saudades ou se agarra tenazmente aos tempos de alcoólico ativo e que não se sente feliz apesar de ter deixado de beber.

4 – Negação de sua realidade não alcoólica
Apesar de que este tipo de alcoólicos já aceitaram o seu alcoolismo e sua admissão em deixar de beber, não se “tem rendido” ante seus outros defeitos de caráter. Continuam soberbos, egoístas, dependentes e imaturos. Mas não o aceitam. Se auto enganam constantemente, e todo mal que lhes tenha acontecido, botam a culpa no álcool, mas jamais nas suas tendências neuróticas de sua personalidade. Para eles a única coisa importante. é “deixar de beber”, e pensam que graças à abstinência já têm chegado à perfeição. Geralmente nunca tem trabalhado seriamente no quarto e quinto passos do programa.
Existe uma grande diferença entre o que seus companheiros de grupo opinam sobre eles e o que eles dizem de si mesmos. Não toleram a crítica dos demais, e geralmente tendem a mudar frequentemente de grupo “para não serem descobertos”. Muitos deles se refugiam no serviço ou na literatura e falam mais de outros ou sobre a teoria do programa que sobre si mesmos. Para este tipo de alcoólicos, tanto os familiares ou os amigos mais chegados a eles, concordam que a abstinência não tem sido suficiente para produzir uma verdadeira mudança neles.

5 – Racionalização de seus problemas neuróticos
Assim como antes tratava de justificar a sua forma ingovernável de beber mediante vários pretextos, agora trata de justificar suas tendências neuróticas mediante outros pretextos igualmente infantis e absurdos. Uma forma muito frequente de racionalizar consiste em criticar os outros. Ainda que não negue as suas próprias faltas, procura escondê-las do conhecimento dos demais, usando como álibi a lista de erros de sua família, amigos, patrão, médico, companheiro de grupo ou de qualquer pessoa, sobretudo aquela investida de autoridade, realmente não esta nada interessado em mudar, se não muito bem trata de dizer a si mesmo: “Realmente não sou tão diferente dos demais.” Procura culpar a todos que o rodeiam, pelos seus próprios fracassos e erros. Sempre encontra um argumento muito convincente para não ir às reuniões de AA. Este tipo de indivíduo é alérgico a ter uma consulta espiritual com um sacerdote; pastor. ou um tratamento psicoterápico com um psiquiatra e especulam muito sobre a ignorância destes profissionais acerca dos problemas do alcoolismo, mas o que ocorre realmente é que ele tem muito medo de alguém que o coloque cara a cara com os seus problemas e erros ou ;frente a frente consigo mesmo. Como consequência desta cegueira emocional sobre os seus próprios defeitos de caráter, se comportam de modo muito submisso, quer dizer, aceitam a crítica e falam muito detalhadamente de seus defeitos pessoais, mas são incapazes de traduzir suas palavras em atos, ou seja, que seus feitos não são nunca iguais às suas promessas. Também são muito escorregadios (bagres) no que diz respeito a mudanças drásticas que impliquem sacrifícios e renúncias, o que se traduz em uma grande resistência ao cambio.

6 – Persistência dos problemas familiares.
Esse é o típico alcoólico “seco”, que apesar de não ter bebido, tem os mesmos problemas com a família, como quando era bebedor problema, continua, a maior parte do tempo, ausente de sua casa, sua esposa e seus filhos seguem sem ter o seu respaldo moral, não há o restabelecimento da comunicação na família, continuam os ressentimentos mútuos e as discussões e as disputas prosseguem exatamente iguais como quando bebia. Frequentemente persistem os problemas de ciúmes ou de infidelidade apesar de vários anos de abstinência. Péssima relação com seus filhos, pais e irmãos sói ser característica nestes casos. Em muitos alcoólicos persiste também a dependência frente à sua mãe, à esposa ou algum membro da família com as mesmas características ou tendências de antes de deixar de beber, de serem atendidos ou esperar que os demais resolvam lhes os problemas. Em muitos casos de separação ou divórcio depois de ter-se incorporado aos grupos de AA se deve a que sua esposa não notou em seu cônjuge nenhum cambio positivo em relação à família apesar da abstinência.

7 – Conduta imprópria nos grupos de AA
Este é um sintoma típico da bebedeira seca. O alcoólico “seco” começa a fazer mau uso dos grupos de AA e se esquece dos objetivos do programa ao aplicar na prática as tradições. As manifestações de conduta inadequada são:
a) Crítica excessiva aos companheiros que usam a cabeceira de mesa, aos servidores e a todos em geral.
b) Chega atrasado ao grupo e se interessa mais com as politicagens do grupo, os mexericos ou as relações sociais.
c) Utiliza os grupos para conseguir emprego, fazer negócios pessoais ou seduzir aos membros do sexo oposto.
d) Ser indiscreto fora do grupo, comentar e criticar o que foi dito à cabeceira de mesa (tribuna) por algum companheiro ou até não respeitar o anonimato.
e) Ter a doença da “Tribunitis” (se lê tribúnitis) ou utiliza a tribuna para criar polemicas ou criticar os companheiros.
f) Se afasta progressivamente dos grupos de AA e se converte no melhor expositor de “histórias nuas e cruas”, e confunde os princípios com as personalidades.
8) Angústia e depressão recorrentes
O alcoólico “seco” longe de experimentar um bem-estar progressivo ao deixar de beber, continua em crise de angústia e depressão. Se sente inquieto, irritável, não esta satisfeito em nenhum lugar, sofre de insônia, medos inespecíficos, moléstias orgânicas como suor nas mãos, dor de cabeça, sensação de opressão no peito, sensação de “vazio” no estômago, dores nas costas, má digestão. As vezes tornam-se muitos violentos e arrebatados. Não conseguem concentrar-se bem. Se sentem tristes, cheios de auto piedade, sem esperança, culpados de algo, ressentidos sem ganas de trabalhar, pessimistas e, em muitas ocasiões pensam até em suicídio. Este tipo de alcoólico cai facilmente na automedicação de tranquilizantes para poder dormir, ou em outras situações, caem em outras fármacodependências como a marijuana, as anfetaminas, ou os barbitúricos. Quando procuram a ajuda de um Psiquiatra, esperam uma solução rápida de seus problemas mediante medicamentos, e eles, não se submetem a uma psicoterapia de longo prazo. Costumam visitar muitos médicos, mas com nenhum deles fazem um tratamento sério. Tomam muitos medicamentos, mas nenhum chega a ser um alívio perfeito para eles.
Finalmente, diremos que o alcoólico que padece de uma bebedeira seca vive uma existência miserável. Experimenta limitações enormes para crescer, para madurar e para beneficiar-se das oportunidades com as quais a vida o brinda. Sua vida é um sistema fechado e suas atitudes e condutas são estereotipadas, repetitivas e previsíveis, suas opções são poucas e estéreis. A possibilidade de uma recaída em um alcoólico “seco” é dez vezes maior do que em um alcoólico sóbrio. Na maioria das vezes a síndrome do porre seco é somente o reflexo de uma neurose ou um grave transtorno de personalidade, que necessita da ajuda psiquiátrica, além da do programa de Alcoólicos Anônimos.
Entre nós ela é muito conhecida como “porre seco”; “bebedeira seca”; “borrachera Seca”, “embriaguez seca”….e outros…..

SINDROME DO PORRE SECO – AS RECAIDAS #3

Alcoolismo porque as recaídas
Calcula-se que entre 80 a 90% das pessoas tratadas de alcoolismo, recaem, mesmo depois de anos de abstinência.
Quais seriam os motivos?
Stress Mental e Emocional
O álcool tem o poder de inibir a dor emocional e frequentemente se apresenta como um amigo fiel quando as relações humanas fracassam.
Também esta associado com a liberdade e a perda da inibição. Quando a pessoa deseja deixar de beber, o corpo busca, automaticamente restabelecer, o que acha como sendo necessário ao seu equilíbrio próprio.
Os piores inimigos da abstinência são a depressão (equivalentes emocionais à dor física), as quais continuam atraindo o alcoólico para a bebida por um longo tempo depois que os sintomas físicos já desapareceram por causa da supressão do álcool.
Qualquer situação pode causar aflição e ansiedade passageira, inclusive os câmbios positivos que requerem adaptação, podem gerar o stress. Com o passar do tempo, com a substituição progressiva dos efeitos do álcool por outras sensações agradáveis e saudáveis, a necessidade de beber diminui e pode ser superada definitivamente.
Relações Sociais
Um dos problemas mais difíceis que enfrentam as pessoas que sofrem de alcoolismo e estão em processo de recuperação é: como fazer ou o que fazer para compartir o tempo com outras pessoas que bebem socialmente, sem serem tentadas pelo primeiro gole. Isto pode ocasionar uma forte sensação de isolamento e perda de prazeres (motivos de relaxar). O ex-bebedor pode julgar-se um desastre – e não o respeito – que dirige a sua ação ou o seu relacionamento com um amigo. Este último pode gerar, além disso, uma baixa na autoestima e consequentemente, um forte desejo de voltar a beber novamente.
Por outro lado, os amigos mais chegados e inclusive as esposas (filhos/parentes/vizinhos), podem Ter dificuldades em cambiar a sua resposta a esta nova relação “sóbria”, e, pior ainda, serem a causa da volta à bebida. Os cônjuges podem Ter construído as suas próprias imagens ou modos de sobrevivência ou o manejo do difícil comportamento de suas companheiras e encontram o significado da vida, ameaçado pela abstinência. Os amigos, talvez, não aceitem facilmente ao “sóbrio”, convertido agora em um companheiro “aborrecedor”. Em tais casos, se as esposas ou amigos não podem cambiar, então pode ser que a separação seja necessária para alcançar a recuperação. Não é nada estranho quando se enfrenta tais perdas, a pessoa volte a beber. O melhor plano de ação nestes casos é recomendar aos amigos e aos membros mais chegados da família que também busquem ajuda. Os grupos, como Alcoólicos Anônimos oferecem pistas para saber conter-se emocionalmente para enfrentar com mais força e determinação a situação de separação do casal.
Pressões Socioculturais
Os meios de comunicação social são um constante convite a beber, através de mensagens muito bem elaboradas, onde a bebida esta associada aos prazeres e ao bom humor. Por outro lado, existem cada vez mais publicações a respeito dos benefícios médicos sobre o beber moderadamente (¿!?!), dando aos bebedores problema a falsa desculpa de voltar a beber por sua saúde, ou como dizem: à Saúde!

Transmitir a mensagem sem ser inconveniente

No início de minha recuperação muitas vezes confundia a mensagem de A.A. devido minha própria ignorância do programa.

Hoje sei que exibicionismo e o egocentrismo são comuns entre os alcoólicos. Eu achava que transmitir a mensagem era não ter que preservar o anonimato – para “ajudar” A.A. – como se o mesmo precisasse de mim. Era muita presunção minha. Eu era um indivíduo parvo. Sem beber eu ainda estava bêbado.

O anonimato nada mais é que o exercício da humildade. Sem anonimato não há sobriedade. Veja o que diz o programa: “O anonimato é a humildade em ação e a humildade é a chave da sobriedade”. Claro que não estou dizendo que todo mundo que preserva o anonimato é humilde, mas com certeza está tentando. Ninguém nasce humilde, aprende-se um dia de cada vez.

Vejam o que eu dizia por aí: – “Você vai morrer de tanto beber se não for para o A.A. Pare de beber e vá para o A.A. que sua vida muda 100%”.

Esta é a mensagem de A.A.? Claro que não! Quando falo este tipo de coisa estou sendo uma pessoa má educada, agressiva, inconveniente, chato, deselegante com aqueles que estão bebendo. Lembre-se; “Viva e deixe viver”. “Salve sua vida”. O programa de A.A. não é um programa só para parar de beber; é um programa de reformulação de vida, de mudança. Mudar 100% vai ao encontro deste Programa, pois ele nos orienta a melhorar todos os dias. Vejam o que o programa diz: “Parar de beber é apenas uma condição para se sair de uma situação altamente tensa”. “É um programa para que eu me torne íntegro, feliz e útil”.

Quando lemos os passos percebemos que eles são escritos no passado. São exemplos a serem seguidos. Começa-se o programa de A.A. depois que se para de beber. E mesmo assim muitos membros nunca entram no programa, isto é, não ficam em recuperação. Ficam agredindo como se o sugerido fosse a seu modo. Fazem coleção de “afilhados”, os quais devem lhes render “homenagens” e subserviência como se fossem servos ou escravos, esquecendo que o mais importante é se tiver a consciência do apadrinhamento através da literatura e do grupo.

Claro que não podemos esquecer o que reza o Décimo Segundo Passo: “… a maioria dos alcoólicos é infantil, emocionalmente sensível e cheio de mania de grandeza”. Não é apenas se dizer que é alcoólico e que está em recuperação. Estou em recuperação quando compartilho, quando cuido da minha vida em vez de cuidar da vida dos outros, quando sou capaz de dar amor sem cobrar retorno, quando faço sem aparecer, quando sinto que alguém que veio comigo para A.A. não me deve favores, eu é que devo, quando preservo o anonimato, quando uso o programa na vida diária fora do grupo.
A nossa Quinta Tradição fala do alcoólico que ainda sofre. Quem é ele?

Ele pode estar no grupo todo dia precisando de amor, carinho, atenção, compreensão, orientação, uma palavra companheira. O Décimo Segundo Passo é a mensagem através do exemplo. Uma pessoa pode vir para o grupo comigo sem ser necessário que eu revele ser membro de A.A., pois muitas vezes a simples menção de que se é membro pode interromper de imediato um diálogo que poderia salvar uma vida. “… faça um resumo da sua vida alcoólica até o momento em que você parou de beber. Mas não diga nada, por enquanto sobre como conseguiu.” Esta frase está no capítulo “Trabalhando Com os Outros do livro Alcoólicos Anônimos.

Serenas 24 horas!

J.S. Neto/Natal/RN

Vivência nº110 – Novembro/Dezembro/2007

O USO DESTE LIVRO

1. O USO DESTE LIVRO

Este livro não oferece um plano de recuperação do alcoolismo. Os Passos de Alcoólicos Anônimos que resumem seu programa de recuperação estão descritos minuciosamente nos livros “Alcoólicos Anônimos” e “Os Doze Passos”. Esses Passos não são interpretados aqui, nem os processos que eles tratam são discutidos nesta obra.

Aqui, nós narramos apenas alguns métodos que usamos para viver sem beber. Você é bem-vindo a todos eles, esteja ou não interessado em Alcoólicos Anônimos.

Nosso beber estava ligado a muitos hábitos – grandes e pequenos. Alguns eram modos de pensar ou coisas que sentíamos dentro de nós. Outros eram hábitos de ação – coisas que fazíamos, ações que realizávamos.

Para habituarmo-nos a não beber, achávamos necessário substituir os antigos hábitos.

(Por exemplo, em vez de tomar o próximo gole – que já está na sua mão ou que você vem planejando; pode adiá-lo… até ler o início do capítulo 3? Tome um refrigerante ou suco de fruta em lugar de bebida alcoólica enquanto lê. Logo depois nós lhe explicaremos o que há por trás desta mudança de hábitos).

Depois de termos praticado por alguns meses novos hábitos de sobriedade ou novas maneiras de pensar e agir; elas se tornam quase uma segunda natureza para nós; tal como era o álcool. Não beber tornou-se natural e fácil, não um combate longo e sombrio.

Estes métodos fáceis, hora a hora, podem ser facilmente usados em casa, no trabalho ou nas reuniões sociais. Acham-se aqui incluídas também diversas coisas que aprendemos a não fazer ou a evitar. Eram coisas que, hoje vemos, nos tentavam a beber ou colocavam em perigo a nossa recuperação.

Julgamos que você achará, muitas ou mesmo todas as sugestões aqui discutidas, valiosas para viver sóbrio, com bem-estar e tranquilidade. Não há nada de significativo quanto à ordem em que o livro as apresenta. Podem ser redispostas da maneira que você julgar melhor. Não se trata de uma lista completa. Na prática, cada membro de A.A. que você encontrar pode dar-lhe pelo mais uma boa ideia que não se acha neste livro. E você, provavelmente, encontrará algumas ideias que funcionam para você. Esperamos que as passe a outras pessoas que poderão beneficiar-se delas.

O A.A., como irmandade, não endossa formalmente nem recomenda para todos os alcoólicos todas as linhas de ação aqui incluídas. No entanto, cada prática citada já provou ser útil para alguns membros, podendo ser proveitosa para você.

Este livro está planejado como um manual de fácil manuseio para ser consultado de vez em quando, não como algo que deva ser lido do começo ao fim de uma só vez e, depois, abandonado.

Eis duas precauções que se mostram necessárias:

A. MANTENHA A MENTE ABERTA. É possível que algumas sugestões aqui oferecidas não o atraiam. Se for esse o caso, achamos que, em vez de rejeitá-las, é melhor pô-las de lado por enquanto. Se não fecharmos a mente de vez a elas, sempre podemos voltar mais tarde e experimentar ideias que antes desprezávamos. É só querer.

Por exemplo, alguns de nós acham que, em nossos dias iniciais de abstenção as sugestões e a camaradagem oferecidas por um padrinho A.A. ajudaram bastante a nos manter sóbrios. Outros esperaram até ter visitado muitos grupos e conhecido muitos membros de A.A. antes de, finalmente, solicitar a ajuda de um padrinho.

Alguns acharam a oração formal uma forte ajuda para não beber, enquanto outros fugiam de qualquer coisa que sugerisse Religião. Mas todos nós somos livres para mudar a ideia, mais tarde, se assim o desejarmos.

Muitos de nós acharam que, quanto mais cedo começássemos a trabalhar nos Doze Passos sugeridos como um programa de recuperação no livro “Alcoólicos Anônimos”, melhor. Outros já preferiram adiar essa iniciação até terem permanecido sóbrios por algum tempo.

O fato é que não há nada prescrito por A.A. como “certo” ou “errado”. Cada um de nós emprega o que julga melhor para si próprio – sem fechar a porta a outros tipos de ajuda que possa vir a achar valiosa. E cada um, igualmente, tenta respeitar os direitos que os outros têm de fazer as coisas diferentemente.

Algumas vezes um membro de A.A. falará sobre a escolha de várias partes do programa no estilo dos restaurantes de auto serviço – vai pegando as coisas que gosta e deixando o que não quer. Pode ser que surjam outros e apanhem as partes deixadas. Pode ser também que o próprio membro volte mais tarde e tome algumas das ideias que antes havia rejeitado.

Contudo, é bom lembrar a tentação de nada escolher além de uma porção de sobremesa, alimentos nutritivos, saladas ou outros de que gostamos de modo especial. Serve como um importante lembrete para que mantenhamos o equilíbrio em nossas vidas.

Na recuperação do alcoolismo, achamos que é preciso uma dieta equilibrada de ideias, mesmo que algumas delas não pareçam, a princípio, tão saborosas. Tal como o bom alimento, as boas ideias nenhum bem nos trariam a menos que fizéssemos um uso inteligente delas. E isso nos leva à segunda precaução.

B. USE SEU BOM SENSO. Dia a dia, temos de usar tão somente a inteligência ao aplicar as sugestões que seguem.

Como quase todas as ideias, as sugestões deste livro podem ser mal adotadas. Tomemos, por exemplo, a de comer doce. Obviamente, os alcoólicos com diabete, problemas de açúcar no sangue ou obesidade tiveram de encontrar substitutos para não prejudicar sua saúde. Enquanto, muitos outros puderam beneficiar-se da ideia de comer doce na recuperação do alcoolismo. (Muitos nutricionistas preferem porções ricas em proteínas a doces, como prática geral). Mas não é bom exagerar neste remédio. Devemos tomar refeições balanceadas, além de doces.

Outro exemplo é o uso do slogan “Vá com Calma”. Alguns chegaram a pensar que poderiam abusar desta noção sensata, transformando-a numa desculpa para a morosidade, a preguiça e a rudeza. Não é a isso, naturalmente, que se destina o lema. Aplicado apropriadamente, pode ser saudável; mal aplicado, retarda nossa recuperação. Por isso, alguns acrescentam: “Vá com calma – mas vá!”.

É claro que devemos usar a inteligência ao seguir qualquer sugestão. Cada método aqui descrito precisa ser usado com bom senso.

Uma coisa mais: o A.A. não tem a pretensão de oferecer uma técnica científica para permanecer sóbrio. Podemos partilhar com você somente nossa experiência pessoal e não teorias e explicações científicas.

Assim, estas páginas não oferecem quaisquer medidas médicas para parar de beber, se você ainda está bebendo, nem quaisquer segredos mágicos para abreviar ou evitar uma ressaca.

Às vezes, ficar sóbrio pode ser conseguido em sua própria casa; mas, frequentemente, a bebedeira prolongada tem causado problemas de saúde tão sérios que se torna mais aconselhável procurar assistência médica ou hospitalar para uma desintoxicação. Se você está de tal modo doente, poderá necessitar de cuidados profissionais antes de se interessar pelo que oferecemos aqui.

Muitos de nós, que não estávamos tão doentes, contudo “suamos” a desintoxicação em companhia de outros membros de A.A. Como nós mesmos passamos por isso, podemos oferecer ajuda, como leigos, para aliviar um pouco a angústia e o sofrimento. Pelo menos, compreendemos. Já estivemos nessa situação.

Desse modo, este livro não é sobre não beber; (mais do que parar de beber) é sobre como viver sóbrio.

Achamos que, para nós, a recuperação começou com o não beber, com o ficar sóbrio, permanecer completamente livre do álcool em qualquer quantidade e sob qualquer forma. Achamos também que precisamos nos manter longe de qualquer outra droga que afete a mente. Só podemos voltar a uma vida plena e feliz se permanecermos sóbrios. A sobriedade é a plataforma de lançamento para nossa recuperação.

Em certo sentido, este livro trata da maneira de administrar a abstenção (anteriormente não podíamos administrá-la; e por isso bebíamos).

RETIRADO DO LIVRO “VIVER SOBRIO”