Monthly Archives: Março 2016

AO REPRESENTANTE DA REVISTA VIVÊNCIA

AO REPRESENTANTE DA REVISTA VIVÊNCIA

– Sugere-se que todo RV leia a Revista Vivência para obter subsídios e desenvolver seu trabalho.
– Faça sua própria assinatura, pois ninguém pode divulgar um produto que não conhece.
– A tarefa do RV é divulgar a Revista Vivência junto aos membros do grupo e familiarizá-los com a oportunidade de aprimoramento da sobriedade que ela oferece, através de artigos baseados em experiências pessoais de recuperação escritos por companheiros de A. A., além dos artigos escritos por não Aas sobre suas experiências profissionais. Chamada às vezes de “reunião impressa”, a Vivência também publica um calendário mensal dos eventos especiais de A. A.
– Ao RV eleito pelo grupo, sugere-se enviar seu nome e endereço para Vivência, Caixa Postal 580, CEP 01060-970, São Paulo – SP. Os mesmos dados devem ser enviados para o Coordenador de Publicação e Literatura da Área. Com estas informações ele será devidamente cadastrado e receberá regularmente a correspondência com os formulários de assinatura da Vivência.

Outras atribuições do RV

– Informar ao grupo a chegada de cada nova edição e comentar sobre as matérias nela publicadas;
– Fazer com que a Vivência sempre esteja exposta em lugar visível no grupo e, se possível, manter um pequeno mural com frases da última edição, cupom de assinatura, lista das assinaturas vencidas e a vencer, etc.
– Sugerir ao grupo que ofereça, assinaturas de cortesia da Vivência a médicos, juízes, advogados, delegados, assistentes sociais, jornalistas, repórteres, etc.
– Sugerir ao grupo que use artigos da Revista nas reuniões com temas e nos trabalhos do CTO – Motivar os membros do grupo a mandarem colaborações para a Vivência: artigos, desenhos, etc.
– Solicitar aos profissionais, principalmente àqueles que conhecem o nosso programa, o envio de artigos à Revista.
– Orientar e motivar os companheiros a fazerem ou renovarem suas assinaturas, e encaminhar à Vivência as assinaturas, renovações e sugestões dos assinantes.
– Seria bom que o RVD participasse das Reuniões Mensais do Distrito apresentando sugestões para o RSG, incentivando a eleição do RV e, caso o grupo ainda não possua, o RSG faria a divulgação da Revista.
– Ao RVD que tiver condições de visitar os Grupos de seu Distrito sugere-se apadrinhar ou acompanhar o RV do Grupo falando sempre sobre a Revista Vivência e principalmente sobre o tema específico de cada edição.
– A participação do RVD na Reunião Mensal da Área, na medida do possível, também é importante.
– Tudo que fizermos para A. A. através de um trabalho como Servidor de confiança estaremos fazendo para nós mesmos.

Meio século de experiência universal:

A tradição de auto-suficiência em A.A. justificaria plenamente o atraso com que nossa Revista, já agora no limiar de 87, chega às mãos de toda clientela paciente e esperançosa que hoje ocupa, no cenário nacional, espaços que se projetam do Oiapoque ao Chuí. A única subvenção com que contamos é nossa tenacidade, nosso interesse de servir, alimentados, uma e outro, pela certeza de que, com humildade e idealismo, ultrapassamos, sempre, a barreira do possível.
Às dificuldades naturais de ordem material – com o que, aliás, nossa Irmandade sempre conviveu sem perplexidade -, somou-se, no ano eleitoral de 1986, a corrida milionária ao parque gráfico de todo o País, estrangulando nossa programação editorial ao inviabilizar esta VIVÊNCIA mais estreita com o crescimento gratificante das comunidades de Alcoólicos Anônimos.
Nada, porém, nos arrefeceu o ânimo do primeiro momento. Ao contrário, fortalecemo-nos no silêncio que nos foi imposto, retemperamos a confiança na força do Poder Superior e podemos constatar, agora até com certo júbilo, que a semente de A.A. tem caído em solo fértil, germina com prodigalidade e, com o surgimento de novos e numerosos grupos em todo o território nacional, a doença do alcoolismo encontra resistência para a propagação maior dos males sociais pelos quais é responsável.
Meio século de experiência universal empresta a Alcoólicos Anônimos singular e invejável personalidade. Nossos Passos e Tradições, enriquecidos através da experiência de Encontros, Convenções e intercâmbio entre grupos, servem hoje de bússola para tanta vida arrancada já do fundo do poço, representam o elo de reintegração de inúmeras famílias que se desagregavam, vítimas indefesas desse flagelo que teima em corroer as estruturas da sociedade.
Depoimentos, estudos científicos, ensaios jurídicos, toda uma gama de observações, ao longo do tempo, convergem para o mesmo ponto – o alcoolismo é uma doença insidiosa, reflexiva e fatal, para cuja recuperação em grupo, como se pratica em A.A. vem sendo uma resposta irrecusavelmente positiva. São muitos milhares de testemunhos a ratificar esta assertiva.
VIVÊNCIA, por isso mesmo, é uma proposta sedimentada no universo vitorioso de A.A. É uma forma de atração e não de persuasão. Condensamos material de inquestionável interesse não só para quantos foram ou ainda são vítimas do alcoolismo, mas, igualmente, para aqueles estudiosos que se preocupam em conhecer, no âmago, a complexidade de um problema que tantos males tem causado à humanidade.
Pretendemos que o presente número de nossa Revista preencha a expectativa dos leitores. Nosso ideal é o de aprimorar o seu conteúdo, para o que esperamos contar com a colaboração dos que possam fazê-lo, de maneira a que ela represente, realmente, a VIVÊNCIA nacional de Alcoólicos Anônimos. E isso, como tudo em A.A., vai mostrar que É POSSIVEL.

Fernando de Campos – Redator-Responsável
Edição n 02 – pág. 02 – Editorial

Uma explicação aos Leitores:

A criação da nossa Revista Vivência obedeceu a uma Recomendação da Conferência de Serviços Gerais que, recolhendo as aspirações da comunidade, desejou vê-la realizada e integrada como um dos organismos da Junta de Serviços Gerais de A.A. no Brasil – JUNAAB.
A demora no atendimento àquela Recomendação deveu-se a dificuldades financeiras e a outras de natureza diversa, até que atual Junta, em uma das suas reuniões de Baependi, resolveu, a qualquer custo, atender ao já determinado pela Conferência; em última análise, ao reiterado anseio da comunidade.
Assim, encarregou o companheiro M. Aragão de providenciar uma edição experimental, o que foi feito nos princípios do ano passado. Posteriormente, a mesma Junta nos transferiu essa incumbência, recomendando que, para apreciação da comunidade, a revista fosse editada no formato adotado por outras revistas congêneres. Escolhido o formato atual, tratou-se de registrar a revista como órgão autônomo, a exemplo da “Grapevine” americana.

Enquanto isto se tratou também, do seu planejamento, nele incluindo-se, naturalmente, a forma de distribuição e os recursos financeiros. Quanto à distribuição foi fixado um sistema de vendas por meio de assinaturas individuais e de venda avulsas por intermédio das Centrais de Serviços, levando-se em conta que as assinaturas atenderiam ao público não A.A., clientela da vital importância dentro dos objetivos da revista.
Quanto aos recursos financeiros, por haver sido planejada na vigência do chamado Plano Cruzado, optou-se pela fixação de um preço mínimo de venda que permitisse ao mesmo tempo a manutenção da revista e a sua divulgação, dentro e fora da Irmandade. Sobrevindo o colapso do Plano Cruzado com a prática da cobrança de ágio e, posteriormente, uma violenta alta no preço do papel, a Junta, como Conselho Diretor da Revista, não teve alternativa senão aumentar o preço do exemplar de 40 cruzados e suspender, temporariamente, até que o mercado se normalize, o sistema de distribuição por meio de assinaturas individuais.
Todavia, como já havíamos distribuído os cupons de assinaturas, o que implica num princípio de compromisso com os prováveis assinantes, a direção da revista resolveu manter as assinaturas já contratadas aos preços constantes nos cupons enviados ou publicados no BOB, honrando, assim, as tradições de lisura da nossa comunidade. O que esperamos, agora, é a compreensão, e sobretudo o apoio dessa mesma comunidade fazendo de cada companheiro um leitor da nossa revista Vivência que pode ser adquirida, a exemplo de qualquer literatura de A.A., nas Centrais de Serviços, nossos únicos distribuidores no momento.

J.W.Chaves
Diretor-Geral
Edição nº 03 – pág. 2 – Editorial

Prezado Leitor,

A nossa revista deixou de circular o seu número relativo a abril-junho para que a Junta de Custódios tomasse algumas providências visando regularizar uma situação criada pelo alto custo das suas edições sucessivas, isto em conseqüências da inflação que nos persegue a todos.
Como você sabe, a nossa revista, por imperativo das nossas Tradições, não pode, ao contrário de outros veículos, agenciar anúncios, tendo, por isto, como única fonte de receita a venda de assinaturas e de números avulsos por intermédio das nossas Centrais e Intergrupais de Serviços.
A principal providência tomada pela Junta de Custódios foi a de transferir para Brasília o controle total da revista, vale dizer, a sua feitura, impressão, expedição e contabilidade. Por especial deferência dos grupos do Distrito /federal a revista ficará, provisoriamente, com endereço da CENSAA-DF que é: SCS – Ed. Márcia, sala 1.006 – fone: 61-2260091 – devendo toda e qualquer correspondência ser enviada, a partir de agora, para: Vivência – CX.P. 04.185 – CEP 70312 – Brasília/DF.
Desde a sua criação a revista adotou o preço da assinatura anual – 4 exemplares, como o correspondente a 80% do valor da OTN referente ao último mês de cada trimestre. Tal procedimento, entretanto, resultou em grave prejuízo, pois o preço do papel e da produção era duplicado, e, em alguns casos, até mesmo triplicado, em razão de ser aumentado sempre acima da inflação verificada no período considerado por nós. Por este motivo fomos obrigados a fixar o preço da assinatura no valor da OTN do mês em que a revista for editada. Em outro local desta edição exemplificaremos como deve proceder ao leitor ao fazer ou renovar a sua assinatura.
A peculiar situação econômica do nosso país nos coloca nesta desconfortável situação, aliás, bem mais adversa que a de outras comunidades AAs de outros países que editam revistas congêneres. Temos certeza, porém, de que os nossos leitores saberão compreender os nossos esforços, principalmente a comunidade AA no Brasil que, hoje, conta com cerca de 2.500 grupos e mais de 100.000 membros perseverando na sobriedade a cada 24 horas…

Editorial
Edição nº 7 – pág. 3

A.A. CHEGA À IDADE DO COMPUTADOR

Quando Bill W. escreveu “Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade” não podia supor, sequer sonhar, o impacto que os computadores teriam na história de A.A., impacto este pouco imaginado até mesmo por muitos companheiros nos dias de hoje. Pois não é que o Box 459, de setembro último, nos informa que já existem reuniões de A.A. programadas em computadores.
Um dos grandes Centros de Armazenamento de Informações tem programado uma reunião de A.A. em sua seção CB. Através do teclado de terminais qualquer número de membros de A.A. que disponham de equipamento conveniente pode compartilhar da reunião.
Primeiro ele ou ela, “logs-on”, ou seja, inicia a conexão pelo teclado eletrônico e se identifica por seu apelido. Logo pode ler os depoimentos, fazer suas próprias perguntas e responder, querendo, às que aparecem no vídeo. É similar a uma reunião pelo correio, mas com a vantagem de ser muito mais rápida e de que um número ilimitado de pessoas pode participar.
Num desses programas é exigido que o interessado confirme que é membro de A.A. respondendo a um “questionário” antes de ter acesso à parte do programa que corresponde a uma reunião fechada. Alguns dos terminais estão ligados eletronicamente a uma rede de comunicação para que, aqueles que se utilizam do sistema a nível local, possam aproveitar das experiências de AAs de regiões remotas, sem que para isto tenham de pagar tarifas de longas distâncias.
Considerando que os computadores são, por excelência, aparatos de comunicação, alguns programas já cumprem a função muito específica de informação ao público, oferecendo ao televidente informações sobre o que faz e o que não faz A.A. Isto nos leva a acreditar que novas aplicações da informática, até agora não imaginadas, poderão sugerir à proporção que o A.A. for adentrando a idade do computador.
No Brasil, por enquanto, estamos no cadastramento dos grupos e na etiquetagem de endereços dos assinantes do BOB e da Vivência. Se a canoa não virar, o ESG chega lá …

Fonte: Box 459
Edição nº 7 – pág. 39 – 1988

PENSE NISSO:

Ser grato a quem salvou sua vida não é sentar numa cadeira e dizer palavras bonitas. O tempo da conversa mole acabou quando abandonamos os bares e botequins de esquina. A verdadeira gratidão é a que se mede pela qualidade da própria recuperação, e esta cresce na exata proporção em que conhecemos e aplicamos melhor o programa de A.A.
O informativo BOB e a Revista Vivência são os meios pelos quais Alcoólicos Anônimos expressa, consolida e aprimora sua unidade, sem o que sua força maior, a solidariedade, não teria condições de existir. Você pode não gostar da maneira com que são escritos, e até não concordar com algumas matérias publicadas. O que você não pode é ignorá-los ou abandoná-los. Peça uma assinatura. Estimule outros companheiros a fazerem o mesmo. Dê sugestões para melhorá-los.
Lembre-se: somente sua ação prática vai manter nossa voz viva. Palavras vazias de agradecimentos, nesta época de crise, são o mesmo que amordaçar a irmandade e lhe impor o silêncio.

Área Central de Serviços de A.A. de São Paulo
Edição nº 7 – pág. 40 – 1988

Os objetivos de nossa revista e suas dificuldades

Neste mês de novembro de 1989 a nossa revista completa o seu terceiro ano de existência. Ela foi criada com finalidade de veicular o pensamento da comunidade sobre o programa e os princípios da Irmandade, pensamento este externado na forma de depoimentos ou comentários sobre como cada um pratica o programa sugerido de A.A., e como os princípios têm sido assimilados e praticados em proveito próprio e em proveito da instituição como um todo.
Por outro lado, em se tratando de uma publicação acessível ao público em geral, a revista desempenha, também, o seu papel institucional na medida em que transmite a esse público o que é, o que faz, e o que deixar de fazer Alcoólicos Anônimos enquanto Irmandade. Neste particular é com indisfarçável satisfação que registramos sua plena aceitação, principalmente por parte da comunidade profissional que conosco comunga do mesmo propósito primordial, dentro de uma mesma visão e com a mesma abordagem acerca do problema do alcoolismo. Prova isto a constatação de que um quinto dos nossos assinantes é de membros dessa comunidade profissional, cuja colaboração nos tem chegado, também, na forma de artigos e de breves ensaios os quais, certamente, muito têm contribuído para um mais largo conhecimento da doença e da problemática do alcoolismo por parte dos próprios membros da Irmandade.
Assim, quanto à sua finalidade, não restam dúvidas de que a Vivência tem preenchido este duplo papel, em que pese o fato dos seus primeiros números haverem sido editados em caráter experimental. A nossa dificuldade não está, pois, na revista em si como publicação, mas na quase impossibilidade de mantê-la como órgão financeiramente autônomo dentro da estrutura de serviços considerados essenciais.
Sabem os que lidam no campo empresarial das comunicações, e nele no particular de jornais e revistas, que as publicações desse gênero vão buscar seus recursos financeiros na venda de espaço para a publicação de anúncios e de matéria de cunha institucional por parte de empresas e instituições. A nossa revista, muito embora tenha o público externo como destinatário, não pode, por força de um nosso princípio tradicional, buscar nessa fonte os recursos financeiros de que necessita. Neste caso é a própria Irmandade que terá de arcar com o sustento financeiro de sua revista, seja por meio de assinaturas seja por meio de venda avulsas por parte das Centrais e Intergrupais de Serviços.
No tocante a assinatura o nosso esforço tem sido desenvolvido através de mala-direta com a publicação de cupons no próprio corpo da revista, em folhetos e em formulários avulsos. Este sistema, no entanto, sofreu e sofre sérias dificuldades causadas pela inflação, cujo galope atropela e invalida o cartão-resposta, antes mesmo de ele atingir o provável assinante. A solução encontrada foi a de se fixar o preço da assinatura no valor correspondente a 1 (uma) OTN em vigor na data em que ela fosse feita. Vem agora o chamado Plano Verão e nos surpreende no exato momento em que anunciamos este procedimento e íamos providenciar a feitura dos cupons com este referencial de preços para a assinatura e para a venda de exemplares avulsos.
Assim, até que posteriores modificações venham a alterar as condições de mercado, resolvemos fixar o preço para assinatura anual em NCz$ 7,00 (sete cruzados novos) e o do exemplar avulso em NCz$ 1,40 (hum cruzado novo e quarenta centavos). Apesar desta e de outras dificuldades, o número de assinantes vem aumentando e aumentará muito mais ainda quando cada um fizer do seu companheiro, amigo, parente ou colega de trabalho mais um assinante da nossa revista…

Vivência edição n° 9 – pág. 3

Representante da Revista Vivência: A sua criação

A Comissão da Conferência que trata dos assuntos da Revista vivência teve aprovada pelo Plenário uma Recomendação no sentido de que cada Grupo, a exemplo da “AA Grapevine”, tenha um representante da Vivência. Estamos estudando a melhor maneira de pôr em prática esta Recomendação, tudo indicando que a maneira mais prática seja por intermédio dos Distritos, vale dizer, das áreas.

Edição nº 10 – pág. 40

VIVENDO A VIVÊNCIA

A Conferência recomendou, e nós adoramos a idéia, que cada Grupo tenha o seu Representante da Vivência que ficará conhecido de vocês como o RV, a exemplo do que acontece com a revista “Grapevine” do A.A. dos Estados Unidos. Por este motivo estamos perguntando quem vai ser o RV desse Grupo. A coisa é simples:
• O RV que pode ser um companheiro ou companheira é escolhido pelo Grupo. Não há pré-requisito de tempo de sobriedade e pode ser até mesmo o RI ou RSG. O importante é que o RV viva a Vivência e venda a idéia da Vivência.
• O RV é o vendedor da revista no seu Grupo e fora dele, cuidando de fazer assinaturas; de receber e encaminhar colaborações e eventuais reclamações de não recebimento de exemplares por parte dos assinantes. Tratar, enfim, de todo e qualquer assunto do interesse do leitor junto à revista, e desta junto ao leitor.
• Sugerir formas e maneiras de melhorar procedimentos. Por exemplo: a idéia de fechar o exemplar remetido ao assinante não foi nossa, mas de um leitor assinante. Idéias como esta podem melhorar os nossos serviços.
• Cuidar para que os membros do Grupo tenham sempre disponíveis os cupons para assinaturas. Como para a revista é difícil suprir todos os grupos com este material, o RV deve ser criativo: xerocar ou datilografar cupons. Não sendo isto possível, mandar os pedidos em letra de forma, indicando se a assinatura é nova ou renovação.
• Neste folheto há um cupom-resposta para que vocês indiquem o RV escolhido. Sugerimos que ele não seja trocado num espaço de tempo muito curto. Ele vai ser cadastrado em computador, e enquanto mais tempo permanecer neste cadastro melhor…

Agora que o RV foi escolhido, vamos dar a eles algumas informações que podem ajudá-lo no seu desempenho:

1. A finalidade da revista – A revista Vivência é um órgão de divulgação de A.A. não apenas entre seus membros, mas entre a sociedade de um modo geral. Atualmente cerca de 1/5 dos seus assinantes é de pessoas não-alcoólicas, predominando aquelas consideradas por nó como pertencentes à comunidade profissional. São médicos, psicólogos, assistentes sociais, administradores, técnicos na área de recursos humanos e até mesmo simples admiradores da nossa Irmandade.
2. Administração da Revista – Dentro de nossa estrutura de serviços gerais a revista é ÓRGÃO DA JUNAAB que para efeitos legais, é a sua proprietária. Atualmente ela é dirigida por quatro diretores, sendo um Diretor-Geral, um Secretário, um Tesoureiro e um Redator responsável escolhidos pela Junta de Custódios na qualidade de representantes da proprietária. Administrativamente a revista se subordina a um Regulamento Administrativo que faz parte dos estatutos da JUNAAB e nele constam as atribuições e a competência de cada diretor. (Em 1989)
3. Distribuição – A revista é distribuída por meio de assinaturas e de venda exemplares avulsos através das Centrais e Intergrupais de A.A. Todos os seus assinantes estão cadastrados eletronicamente, serviço este contratado com uma firma especializada. Assim, também, serão cadastrados os RVs.
4. Dados Técnicos – A revista Vivência tem sua medida estabelecida no formato de 21×15 cms. Miolo com 40 páginas impressas a uma cor e quatro capas impressas em duas cores. O papel utilizado é o off-set 75 grs. Para o miolo, e 170 grs. Para a capa que é plastificada. Para remessa aos assinantes a revista tem sobrecapa em papel Kraft, o que evita ser envelopada, caso em que o porte postal custaria o dobro.
5. Periodicidade – A revista é trimestral com edições saindo nos meses de março, junho, setembro e dezembro de cada ano. Sendo trimestral, a assinatura anual da revista cobre quatro exemplares e começa com envio do exemplar do número em circulação no período. Para quem desejar fazer coleção podem ser fornecidos números atrasados, assim considerados aqueles anteriores ao número em circulação. Preste atenção: Quando a revista era feita em Brasília e remetida a São Paulo para distribuição a empresa transportadora extraviou 300 exemplares do número 2 que, por este motivo, está, infelizmente, esgotado.
6. Revistas de A.A. em outros países – A nossa revista procura ter o mesmo padrão editorial de suas congêneres conhecidas e que são: “Grapevine” no Estados Unidos, “Plenitud” do México, “El Mensage” da Colômbia, “Compartimiento” da Guatemala, “La Respuesta” de Honduras, “Hálmstrád” da Islândia, “Regmaker” da África do Sul, “Roundabout” da Escócia, “Irgendwo AA” da Suíça (para a comunidade de língua alemã), “Insieme in AA” da Itália, e a “Ratkaisu” da Finlândia. Entre elas a Vivência é uma das melhores no seu aspecto gráfico, graças a sua diagramação e uniformidade da paginação.

Agora é Entrar em Ação! …

Como é aconselhado em A.A. que primeiro as primeiras coisas, você, como o RV do Grupo, deve ser – se ainda não é – o primeiro a assinar a Vivência. Isto vai lhe permitir um total de conhecimento de cada edição. Por dentro e por fora. Além disso, você terá sempre informações atualizadas através da página “Vivendo a Vivência”, que sairá em cada edição. Muitas dessas informações dizem respeito diretamente ao seu desempenho como RV.
Feita a sua assinatura, você deve partir para a assinatura do Grupo. Qualquer grupo de A.A. grande, pequeno ou esquisito, tem condições de fazer uma assinatura, nem que para isso seja preciso corre uma, duas ou três sacolas.Converso isto com o Coordenador e com os seus companheiros. Temos certeza que eles vão concordar. Lembre-se, também, de que qualquer pessoa pode ser assinante da Vivência. Quanto mais, melhor…
Falando nisso, mais uma informação para você: quanto maior a quantidade de exemplares de uma edição, menor será o custo unitário do exemplar. Por que isto? Porque a despesa com diagramação, composição, paginação e impressão é a mesma, tanto para produzir um exemplar como produzir 1.000, 10.000 ou 20.000 quando o custo será aumentado apenas em função da quantidade de papel, máquina-operária e da tinta gastos em cada caso.

Estamos esperando por você.

Edição n° 11 – pág. 38

Um Treze sem azar

Chegamos com a presente edição ao número 13 da nossa revista. Há quem atribua a este número certo desfavorecimento, quando não um completo azar. No caso, haver chegado ao número 13 apesar de tantas dificuldades, a maior delas uma inflação que teve o seu ponto culminante nos meses de dezembro de 89 a março de 1990, pode ser considerado um completo sucesso e não azar. E o sucesso está no fato de que, com este número 13, chegamos a uma tiragem de 5.000 exemplares.
Com uma tiragem de 2.000, em 1986, entramos 87 com 3.000, passamos para os 4.000 em 1988 e, agora, para os 5.000 exemplares, neste primeiro semestre de 1990. Até 1987, o grosso da nossa distribuição era feito pelas Centrais e Intergrupais de serviços, já que a revista, por ser nova, era desconhecida por praticamente toda a comunidade A.A. A primeira listagem feita por computador acusava em 1988 um total de 895 assinantes. Agora, a última listagem levantada para fins de controle da remessa deste número 13 acusa um total de cerca de 3.000 assinantes ativos.
O aumento da tiragem e do número de assinantes tanto pode ser creditado ao padrão editorial da revista quanto à política adotada de manter-se neste período inicial um baixo preço para a assinatura anual que corresponde a 4 exemplares. Esta política, entretanto, se por um lado favoreceu a difusão da revista, por outro desfavoreceu suas finanças já que a cada edição teve aumentado os custos de impressão, de postagem e de serviços de computação. Por este motivo, estamos agora reajustando gradualmente os nossos preços, com o fim de compatibilizá-los com os nossos custos reais cobrindo, assim, a defasagem verificada, notadamente durante o pico inflacionário no período citado.
Vale lembrar, mais uma vez, que nenhum jornal ou revista tem o seu custo coberto apenas com a venda de assinatura e de exemplares avulsos, mas pela venda de espaço para propaganda comercial, o que, no nosso caso, não nos é permitido, em razão dos nossos princípios tradicionais. Assim, é do apoio da comunidade A.A. que temos obtido os recursos necessários ao prosseguimento das nossas tiragens, e com este apoio chegamos a este número 13 que nada tem de azar, mas de boa sorte como demonstrado. Vamos em frente!…

Edição nº 13 – pág. 3

Nossa Caminhada

Não espere perfeição. Este aforismo aflorou da sabedoria de A.A.
A experiência mostrou-nos a desnecessidade de perfeccionismo. Basta crescer. Também não é preciso correr. Cada um tem sua cadência. Uns andam depressa. Outros vão devagar. O importante é não parar. Cair não tira o mérito de andar.
A recuperação vem naturalmente. Basta fazer a programação, dentro de nossas possibilidades, corretamente. A aceitação é a receita. É necessário aceitarmos a nós mesmos e aos outros. Entregamos nossa vida e nossa vontade aos cuidados de Deus na forma que O concebemos. Então, deixaremos de lutar contra qualquer coisa, inclusive o álcool. A sanidade estará restaurada. E aí, descortina-se maravilhoso itinerário diante de nós. Sem luta, sem ódios, sem rancores, sem retaliações.
É esta a filosofia de VIVÊNCIA. VIVÊNCIA existe para servir. Não tem opinião sobre assuntos alheios a Irmandade de Alcoólicos Anônimos e nem pretende entrar em qualquer controvérsia, dentro ou fora da Irmandade. Nosso objetivo primordial é o de levar a mensagem salvadora de A.A. ao alcoólico sofredor.
A sobriedade só tem sentido se for partilhada com outros. Aliás, este é o método mais eficiente para nos conservarmos sóbrios. Quando tudo falha, esta opção funciona. Não podemos desperdiçar energias inutilmente. Outros alcoólicos morreriam, se o fizéssemos. E quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, queremos que a mão de A.A. esteja sempre ali. Por isso, nós somos responsáveis.
Assumamos a nossa responsabilidade. Caminhemos juntos. Aceitemos aquilo que não podemos modificar. Vamos ajudar o órgão de divulgação de nossa mensagem. VIVÊNCIA precisa de todos. Toda ajuda é bem-vinda. Queremos somar. Jamais dividir.
Qualquer tolo pode quebrar um valioso jarro de porcelana chinesa do Século V. Muitos de nós, quando bêbados, quebrávamos tudo o que encontrávamos pela frente. Não nos apercebíamos que aqueles quebra-quebras simbolizavam a nossa própria destruição.
Unamo-nos. Sem UNIDADE, o A.A. morrerá. E nós, também. De nossa UNIDADE dependem as nossas vidas e as vidas dos que estão por chegar.

Editorial
Edição nº 15 – pág. 3

SEIS ANOS DE LUTA

Em 1985, a Junta de Custódios reunia-se, quase sempre, em Baependi, Minas Gerais. A Junta criara, de acordo com o Manual de Serviços então em uso (tradução do Manual de Serviços americano/canadense), diversos comitês para assessorá-la.
Há muito se sentia a carência de órgão de divulgação da mensagem ao nível de público. O A.A.brasileiro crescia, estruturava-se. Trabalhava-se arduamente num Manual de Serviços adaptado à nossa realidade. Mas faltava uma revista capaz de levar a mensagem de A.A. aos profissionais, aos possíveis alcoólicos e seus familiares e para ajudar na manutenção de nossa UNIDADE.
O Comitê de Literatura, numa dessas reuniões, sugeriu à Junta autorizar o companheiro Aragão a tirar uma edição experimental: seria o número Zero, marco inicial desta jornada.
A revista foi lançada em novembro de 1985, durante o Seminário de A.A. do Centro-Oeste, em Campo Grande – MS, com o nome de Revista Brasileira de A.A.. Sucesso total. Os cinco mil exemplares foram quase todos vendidos em tempo recorde. A revista era viável.
Na primeira reunião de 1986, a Junta de Custódios nomeava uma diretoria para a revista, à frente o Companheiro Chaves. A revista passou a chamar-se VIVÊNCIA. Era editorada e impressa em Brasília e distribuída pelo ESG, em São Paulo. Posteriormente, a distribuição também passou a ser feita pelos companheiros brasilienses. Tateava-se. Experimentava-se. Procurava-se resolver os problemas emergentes. VIVÊNCIA crescia, tomava corpo, entrava na adolescência, expandia-se.
VIVÊNCIA é órgão executivo da JUNAAB. Sua sede é a da JUNAAB. Como a JUNAAB é organismo nacional, a Junta de Custódios pode autorizar o funcionamento de seus órgãos executivos em qualquer parte do país. Assim, a revista nascida em Campo Grande passou por Brasília e, a partir de outubro de 1990, instalou-se em Fortaleza.
Hoje, aos seis anos de idade, VIVÊNCIA é auto-suficiente e, inclusive, contribui, mesmo modestamente, para ajudar nas despesas do ESG. Ultrapassou os três mil assinantes. As vendas avulsas transpuseram o patamar dos mil e quinhentos exemplares e já se aproximam dos dois mil. Vem sendo publicada religiosamente ao fim de cada trimestre.
O sucesso de VIVÊNCIA reflete o crescimento, a pujança do A.A. brasileiro. O êxito de VIVÊNCIA é o de milhares de colaboradores anônimos ausentes do expediente da revista. A direção da revista faz a menor parte. O mérito é de quem compra, assina, lê, divulga, dá suporte para que VIVÊNCIA permaneça viva e atuante no cenário de A.A. brasileiro, com destaque especial para os RVs.
Ao comemorar o sexto aniversário, VIVÊNCIA parabeniza todos os companheiros deste imenso Brasil na certeza de que não lhe faltará apoio para prosseguir sua jornada. Muito Obrigado.

Revista Vivência nº 18, pág. 8

Sugestões Editoriais sobre a Vivência:

VIVÊNCIA publica matéria dirigida aos membros de Alcoólicos Anônimos, à comunidade profissional e ao público em geral. Trata, preferencialmente, de assuntos ligados ao alcoolismo e aos Três Legados de A.A.: Recuperação, Unidade e Serviço.
VIVÊNCIA é publicada com autorização da Conferência de Serviços Gerais, mas seu conteúdo não se confunde com a literatura aprovada pela Conferência.
VIVÊNCIA tem, no momento, apenas 40 páginas. Não pode abrigar artigos muito longos. Uma página corresponde a 42 linhas datilografadas. O tamanho – ideal de um artigo é de 84 linhas. Para assuntos técnicos, da lavra de profissionais, aceitam-se até 168 linhas. Naturalmente, isso não é milimetrado. Algumas linhas a mais não criam problema.
As virtudes cardeais de qualquer escrito são: clareza, concisão e correção. Sugere-se redigir o texto em linguagem simples, sem interpolações, frase curta e direta, evitando-se palavreados ininteligíveis, redundantes e de duplo sentido. Matéria clara, qualquer pessoa entende. Texto obscuro precisa ser analisado, decomposto para ser entendido. O leitor não deve ser obrigado a decifrar charadas.
Consegue-se a concisão evitando-se os “mas”, “poréns”, “todavias”, “portantos”, “porquês”, “hajas vistas” e outras expressões quase sempre dispensáveis sem prejuízo da clareza. O uso abusivo de “quês” empobrece o texto. Sempre se pode substituir um “quê” por uma oração reduzida.
Toda matéria é submetida à revisão ortográfica e gramatical por revisor profissional.

“O exemplo não é a melhor maneira de convencer, é a única”.

É melhor você dizer como fez do que ensinar a fazer. Conte como você fez um dos Passos, como aplicou as Tradições, como foi sua recuperação, sua experiência de serviço, quais os resultados alcançados em suas abordagens, na formação de um grupo ou de um órgão de serviço, diga como está seu crescimento espiritual e emocional. Todo mundo sabe como é um bêbado. O de que precisamos é mostrar e demonstrar como se consegue a recuperação em A.A. Este é o objetivo de VIVÊNCIA e de Alcoólicos Anônimos: levar a mensagem ao alcoólico sofredor. Abrir-lhe as portas da esperança, a perspectiva de uma vida digna, útil, alegre, feliz, descontraída, livre das algemas do alcoolismo. Cultivar a atração, jamais a promoção. Os louvores, elogios e encômios à nossa programação devem ser deixados para nossos amigos não-alcoólicos. A nós, membros de A.A., cabem-nos contar nossa história, o que é muito mais convincente do que todas as apologias.

Edição nº 19 – pág. 40

SOMOS TODOS VENDEDORES:

Venda é troca de bens, geralmente mercadorias ou serviços, por dinheiro. Dinheiro é bem fungível utilizado para avaliar todos os demais produtos disponíveis no mercado.
A disputa pela clientela cria sofisticadas técnicas de vendas. Mas uma coisa é certa: toda venda visa a satisfazer uma necessidade do comprador.
Servirão estas técnicas de vendas para levar a mensagem de Alcoólicos Anônimos aos que dela necessitam? A sobriedade não é bem avaliável em dinheiro. Portanto, não pode ser vendida. Isto é conclusivo. Acrescente-se o fato de o programa de A.A. ser processo espiritual caracterizado pela rendição incondicional do doente alcoólico diante de sua impotência perante o álcool. Está decidido: técnicas de vendas não servem para “vender” a mensagem de A.A.
Nada custa, todavia, usar algumas dessas técnicas na aproximação daqueles a quem vamos abordar. Se não ajudar, pelo menos não prejudica.
Eis algumas delas:

ESTUDAR PROFUNDAMENTE O PRODUTO:
Não podemos vender o desconhecido. Esta é a primeira e fundamental regra da venda. Nosso produto é o programa de recuperação de A.A. Quanto mais o conhecermos, melhores serão as oportunidades de transmiti-lo, quase diria vendê-lo, para satisfazer a necessidade vital de quem nos procura tentando recuperar-se do alcoolismo. Este conhecimento é essencial. Adquirimo-lo freqüentando as reuniões de grupo, participando, vivenciando o programa, estudando a literatura. Quanto melhor for nossa recuperação, maiores as possibilidades de compartilhá-la.

SER BREVE, CLARO E HONESTO:
Quem já não teve a desagradável experiência de receber um vendedor daquele que decoram o texto demonstrativo do produto e o vomitam, sem piedade, de uma vez, em cima do freguês, sem lhe dar tempo para respirar? Palavreado balofo a nada leva. O melhor é ir diretamente ao assunto. Contar, em poucas palavras, como éramos quando estávamos bebendo, e como somos agora, depois de alcançar a sobriedade em A.A. Explicar, brevemente, aquilo que Alcoólicos Anônimos pode fazer pelo alcoólico, qual sua possibilidade de recuperação e como se pode viver alegremente sem bebida.

SER SIMPÁTICO – SORRIR
A simpatia abre todas as portas. Nada pior que o ar professoral de quem tudo sabe ou pensa saber. Não existe alcoólico tolo e qualquer pessoa, máxime o bebedor, tem idéias próprias e não está disposto a mudá-las somente porque pensamos ter mais conhecimento do que ele a respeito do alcoolismo. Lembremo-nos de que ele é, também, alguém vivido e sofrido.

NÃO DISCUTIR:
Isto é primordial. Vendedor discutindo com o cliente pode até “vencer” a discussão, mas perde a venda. Os profissionais de vendas experientes fogem da polêmica como o diabo foge da cruz. Por que provar ao abordando estar ele completamente errado, que somos sabichões, mas inteligentes, doutores em alcoolismo? Um pouco de humildade nunca é demais. Procuramos, na nossa abordagem, encontrar os pontos convergentes, descobrir nossas semelhanças, respeitando sempre a opinião do interlocutor. Estamos tratando com pessoa gravemente doente e, muitas vezes, apegada ao fenômeno da negação: “Bebo quando quero e paro quando quero”. “Não sou alcoólatra”. “Só bebo nos fins de semana”. “Não tenho nenhum problema com bebida”. “A culpa é da mulher, do marido, do patrão, da crise, da situação mundial”. São desculpas, todos o sabemos, pois já as usamos. Mas, no mundo fantasioso do alcoólico, estas evasivas adquirem foros de verdades indiscutíveis.

SER BOM OUVINTE:
A crise maior do mundo moderno é a da solidão. Estamos todos muitos ocupados com nossos próprios afazeres, sem disponibilidade para nos interessar pelos problemas do próximo. Nada mais simpático do que ouvir. Tenhamos paciência para ouvir com atenção e respeito ao nosso entrevistado, mesmo na concordando com ele. Temos dois bons ouvidos e somente uma boca. Deveríamos ouvir duas vezes mais do que falamos. Todo mundo se sente importante quando merece atenção. E ouvir é, provavelmente, a maior das homenagens prestadas a quem conosco conversa.

INFORMA-SE SOBRE OS INTERESSES DA PESSOA:
Para entabular boa conversa, nada melhor que se inteirar dos interesses da pessoa. Falar de futebol com quem gosta de futebol; de música com que gosta de música; de culinária com gosta de cozinhar. Se possível, informar-se dos interesses do possível candidato à recuperação antes de falar com ele. Tratá-lo pelo nome e incentivá-lo a falar de si mesmo. Isto gera empatia, ajuda a ganhar confiança, abre as portas do coração.

FINALMENTE – Estas são regras de ouro:

Não julgar – O julgamento pertence a Deus.
Não culpar – Quando ocorre um acidente, primeiro socorre-se a vítima e somente depois se procuram os culpados.
Só dar opinião se for perguntado – Manter a conversa a nível impessoal evitando juízos de valores capazes de gerar controvérsias. Às vezes, o abordando procura estribar-se nos nossos conceitos (e como o alcoólico é mestre nisso) para justificar projetos pessoais nem sempre recomendáveis.
Pedir assistência do Poder Superior – Na verdade, não vendemos nem damos sobriedade a ninguém. Somos apenas instrumentos do Poder Superior, para levar a mensagem de A.A., e isto já é um grande privilégio. Façamos a nossa parte e deixemos o resultado aos cuidados do Poder Superior.

E boas abordagens.

Luiz Derval
Edição 21 – pág. 30

VIVÊNCIA MUDA DE ENDEREÇO:

A próxima edição já será impressa e distribuída em São Paulo, sede da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos – JUNAAB – e, portanto, sede de Vivência.
Esteve em Fortaleza de 14 de outubro de 1990 até agora. Em Fortaleza, editados e distribuídos os números 14 a 24, todos, graças ao Poder Superior, religiosamente dentro de cada trimestre.
Vivência saltou, nesse período, de 1.500 para 5 mil assinaturas. Depois, houve retração. Estamos com cerca de 4 mil assinantes.
Não foi difícil fazer Vivência em Fortaleza. Recebemos apoio incondicional da Junta de Custódios, da Conferência e de todos os órgãos de serviço, salvo raríssimas exceções. Não podemos esquecer a inestimável colaboração dos nossos dedicados RVs (Representante da Vivência) e de inúmeros amigos da revista que, nos mais remotos rincões deste imenso Brasil, se desdobraram para colaborar conosco. A todos, o nosso mais profundo agradecimento.
Vivência está entregue a uma equipe competente, experiente, dedicada, responsável. Mesmos assim, continua precisando da ajuda de todos. É o nosso pedido, na hora da despedida. Para sobreviver, Vivência necessita continuar recebendo este entusiástico suporte de toda a Irmandade. Não é fácil manter uma revista sem anúncios e sem outros aportes financeiros (7ª Tradição). Vivência precisa continuar levando a mensagem de A.A. ao alcoólico que ainda sofre; fortalecendo a sobriedade daqueles que estão em recuperação; divulgando o A.A. junto ao grande público, principalmente junto às classes profissionais; registrando, para as gerações futuras, a atualidade do A.A. brasileiro; levando nossas experiências, forças e esperanças a quantos delas necessitem. Sem apoio integral da comunidade de A.A., isso não seria possível.
Vamos ajudar Vivência.
Vamos crescer.
Com uma média de dois assinantes por grupo, Vivência teria o dobro de assinaturas. Seria isto meta inatingível? Não! É coisa perfeitamente viável. Basta entusiasmo, trabalho, otimismo.
Vivência está definitivamente integrada no cenário do A.A. brasileiro. O trabalho de Vivência na divulgação da mensagem de A.A. é incalculável. Poucos podem avaliar os resultados desse labor. São 6 mil exemplares circulando por todo este imenso Brasil, às vezes em regiões de difícil acesso, quase inteiramente desassistidas. Mas Vivência chega lá, levando orientação, consolo, esperança, esclarecendo pontos duvidosos, difundindo o programa de recuperação, unidade e serviço. Atingiu o exterior. É nosso cartão de visitas e motivo de justo orgulho para todos nós.
Vivência precisa subsistir. E isto depende exclusivamente de você. Faça sua parte. A nova equipe de Vivência, com ajuda do Poder Superior fará o resto.
Muito obrigado. E o adeus saudoso e agradecido da equipe que se despede.

Edição nº 24 – pág. 40

DOZE MANEIRAS DE USAR VIVÊNCIA

Sente-se ressentido, confuso ou simplesmente aborrecido? Gaste alguns minutos com Vivência. Sua leitura lhe dará nova perspectiva do seu problema de bebida, do A.A. e de você.
Para milhares de leitores, em milhares de grupos, no Brasil e no exterior, VIVÊNCIA é mais que uma revista. É parte vital deste programa que ajuda homens e mulheres a levar uma vida feliz e produtiva sem o álcool.
VIVÊNCIA é um informativo inspirador, mensageiro simpático e prestativo como um membro ou pessoa amiga – ou mesmo um grupo de AA de qualquer tamanho. É particularmente útil no apadrinhamento.
Que ter acesso aos Passos e Tradições? VIVÊNCIA não pode lhe dizer o que fazer, mas certamente pode lhe mostrar a experiência de outros.
Eis algumas formas práticas que demonstram como VIVÊNCIA é útil para muitos companheiros e grupos.

AJUDANDO AOS COMPANHEIROS INDIVIDUALMENTE

1. É uma reunião escrita.
VIVÊNCIA é a solução ideal para quem não pode assistir às reuniões regularmente. Compacta, de fácil leitura, a cada bimestre, publica a essência do que de “melhor” você poderia esperar de uma reunião.

2. É o presente ideal.
Para um companheiro ou amigo poucos presentes podem ser mais apropriados do que uma assinatura de VIVÊNCIA. É uma lembrança continuada de sua atenção e fonte de prazer e de inspiração para o presenteado.

3. Preparando palestras.
Procurando idéias para fazer uma palestra interessante?
Você encontrará na leitura de VIVÊNCIA: histórias pessoais, artigos interpretativo, anedotas, noticiário de A.A. do Brasil e do mundo, opiniões de médicos sobre o alcoolismo e o programa de recuperação oferecido pelo A.A. e muitas outras matérias.

4. Informações.
Como A.A. está chegando aos hospitais e prisões? O que é a Conferência de Serviços Gerais e o que ela significa para os membros de A.A. individualmente? E quanto ao A.A. no resto do mundo? VIVÊNCIA traz o mundo para sua casa e o mantém sempre atualizado.

5. É um Fórum.
Quer transmitir uma idéia? VIVÊNCIA lhe dá uma visão tão ampla quanto possível de A.A. como um todo, onde você e seus companheiros podem permutar histórias, pontos de vista e interpretações do programa de recuperação.

6. Companheira nas abordagens.
Permita que VIVÊNCIA mostre ao recém-chegado o que A.A. realmente é – uma maravilhosa comunidade humana de mais um milhão de homens e mulheres em todo o mundo, unidos no propósito comum de permanecerem sóbrios e ajudar outros a alcançarem a sobriedade.

AJUDANDO AOS GRUPOS

7. Reuniões temáticas mais produtivas.
Grupos de todo o Brasil estão usando artigos de VIVÊNCIA para discussão em reuniões temáticas. Com VIVÊNCIA, os membros ficam mais bem preparados para tais reuniões, capazes de contribuir mais construtivamente.

8. Experiência acumulada.
Você pensa que seu grupo tem problemas? Não se preocupe. Procure inteirar-se das inúmeras experiências de grupos publicadas freqüentemente em VIVÊNCIA. É uma forma construtiva de manter seu grupo sintonizado com as Tradições.

9. Uma aliada no AA Institucional.
Existe alguém no seu grupo apadrinhando (ou pretendendo apadrinhar) um grupo em hospital ou numa prisão? Uma assinatura de presente será profundamente apreciada por homens e mulheres com limitados contatos com o mundo exterior.

10. Ofertada ao recém-chegado.
Muitos grupos usam VIVÊNCIA como importante ajuda para os programas de apadrinhamento. Encorajam os recém-chegados a ler a revista, a discutir e fazer perguntas sobre os assuntos lidos. Alguns grupos oferecem gratuitamente uma revista a cada visitante.

11. Ligação com a Irmandade.
A.A. vem crescendo muito em todo o mundo. Seu Grupo, seu Distrito ou Área está experimentando as dores do crescimento? Muitas soluções podem ser encontradas através das experiências compartilhadas em VIVÊNCIA.

12. Arquivo da História de AA.
VIVÊNCIA espelha os acontecimentos da irmandade de Alcoólicos Anônimos no momento atual. É uma preciosa coleção da experiência acumulada ao longo dos anos.

Procure o RVD, RV do seu Grupo ou ligue para o ESL.
Extraída da Revista Vivência nº 25 julho/agosto/setembro 1993

A SATISFAÇÃO ESPIRITUAL DO SERVIÇO
Quando nós tocamos no tema da espiritualidade, devemos dirigir os nossos pensamentos para alguma coisa superior a nós mesmos. Devemos pensar acerca da primeira vez em que entramos num Grupo de A.A. A partir daquele momento, um Poder Superior começou a se manifestar em nossas vidas. Para nós, a espiritualidade, ou o espiritual, nunca deverá faltar e o programa de A.A. de hoje, como os nossos co-fundadores esperavam, continua trazendo os frutos. Quando nos voltamos, no entanto, ao tema do nosso Terceiro Legado – SERVIÇO – não podemos esquecer aquela primeira experiência. A fim de que o serviço apareça no foco próprio, ele deve ser visto em relação aos nossos outros Legados. Todos sabem que a base do triângulo representa o nosso primeiro Legado – a RECUPERAÇÃO, e que os Doze Passos, que correspondem a esse aspecto do programa, nos mostram o que nós podemos ser em nossas vidas.
O Sexto Passo, que corresponde a esse aspecto do nosso programa, nos mostra o que podemos ser em nossas vidas. O Sexto Passo é indispensável para o nosso crescimento espiritual, o começo de uma tarefa que irá ocupar a nossa vida toda. E quando chegamos ao Décimo Segundo Passo, nós tentamos levar a mensagem aos alcoólicos e praticar esses princípios em todos os nossos afazeres. A alegria de viver, que para nós está em volta do nosso Décimo Segundo Passo, é a ação de trabalhar para outros alcoólicos. Mas a fim de realizar isso, nós devemos apelar para o nosso Segundo Legado – a UNIDADE. Há um parágrafo na literatura de A.A. que nos diz que, depois de ter praticado os Passos, mesmo em parte, a nossa desintegração cessa e a unificação se inicia. Isto é, nós temos que esquecer o egocentrismo que, às vezes, opera ainda nas tarefas de serviço e lembrar as palavras de Bill, no seu comentário sobre a Primeira Tradição. “Sem a Unidade, o coração de A.A. cessaria de bater, as nossas artérias mundiais não iriam mais carregar a graça salvadora de Deus, a Sua dádiva para nós seria gasta sem objetivo. De volta às suas cavernas, os alcoólicos iriam nos reprovar e dizer: que grande coisa o A.A. deve ter sido”.
O que seria o programa de A.A. sem esses Legados?
O Terceiro Legado nos fala diretamente do serviço e, para falar de serviço, devemos nos referir à RECUPERAÇÃO e à UNIDADE, desde que todos os três são relacionados. Como Bill observa no Legado de Serviço de A.A.: “O nosso Décimo Segundo Passo, levando a mensagem, é o serviço básico que a irmandade de A.A. presta: este é o nosso principal objetivo e a principal razão para a nossa existência”.
Por essa razão, A.A. é mais do que um conjunto de princípios: é uma sociedade de alcoólicos em ação. “Devemos levar a mensagem ao outro e nós mesmos podemos murchar e aquele a quem não tem sido dada a verdade, pode morrer”. Ele continua: Desde que um serviço de A.A. é alguma coisa que de algum modo nos ajuda a alcançar um irmão que sofre – passando por todo o caminho, desde o Décimo Segundo Passo em si, pela ficha telefônica, pela xícara de café e dos Escritórios de Serviços Gerais para a ação nacional e internacional. A soma total de todos esses serviços é o nosso Terceiro Legado – SERVIÇO.
Quando nós falávamos de Tradições, que são relativas a serviços deveríamos recordar a Segunda Tradição, que lembra os membros para procurar ter controle dos serviços de A.A. O bom servidor de confiança irá exercitando o seu papel, experimentar a espiritualidade do programa e será naturalmente levado pelo exemplo e não conduzido pelo mandato.
A Oitava Tradição nos fala que o dinheiro não se mistura com o trabalho do Décimo Segundo Passo. Aqui está a linha divisória entre o Décimo Segundo Passo, voluntário, e os serviços pagos. A.A. não poderia operar sem trabalhadores de tempo integral assalariados. Os trabalhadores profissionais, entretanto, não são membros profissionais de A.A. O trabalho do Décimo Segundo Passo é sempre gratuito, mas os nossos empregados assalariados, que facilitam os serviços de A.A., ganham e merecem seus pagamentos. Isso nos ensina que o aspecto espiritual do serviço é retornar à Irmandade uma parte de que nos foi dado quando primeiro chegamos a A.A., sem olhar para tirar o benefício egoísta do programa de A.A.
A Nona Tradição nos explica que a nossa Junta Especial de Serviços, os Comitês, a nossa Conferência de Serviços Gerais, a nossa Junta de Custódios e os Comitês de Grupo não podem emitir ordens aos membros e aos grupos. Individualmente e coletivamente, os membros de A.A. não os consideram como governantes. É possível, para o trabalho do programa, a ausência de coerção porque os membros de A.A., se eles falham em seguir os Passos sugeridos para a recuperação, de fato assinam as suas garantias de morte. O mesmo pode ser dito dos grupos de A.A. Nisso consiste a diferença entre o espírito de autoridade e o espírito de serviço: o objetivo dos nossos serviços é por a sobriedade dentro do alcance de todos os que a desejam.
Isso nos sugere que, a fim de prover serviços efetivos, um A.A. deve ter uma sólida sobriedade e um bom conhecimento das Tradições, do Manual de Serviços, dos Conceitos para o Serviço Mundial. Desde que os membros da Junta são eleitos nos grupos de A.A., o trabalhador em serviço deveria ter em mente que ele pode estar fazendo o Primeiro Passo numa carreira de serviço que possa finalmente levá-lo à Junta de Serviços Gerias.
Mas, a despeito do nível de serviço que realiza, quando a tarefa é feita com boa-vontade e dedicação, o que fica é a satisfação, e o que importa é o trabalho na mão. Na medida em que nos avançarmos vários níveis de serviço, deveríamos estar alerta, para o fato de que os olhos da Irmandade a que servimos estão sempre fixados no servidor de confiança, porque a Irmandade pôs a sua confiança em nós para realizarmos aquelas tarefas que alguns não podem e outros não desejam realizar. Seria apropriado, também, citar as palavras do Primeiro Conceito: “A responsabilidade final e autoridade suprema pelos serviços mundiais de A.A. deveriam sempre recair na consciência coletiva de toda a nossa Irmandade” e observar que as sugestões oferecidas pelo Nono Conceito podem ser úteis para todos os que ativamente participam na nossa Irmandade. Em nenhum lugar é isso mais verdade do que no trabalho do Décimo Segundo Passo, em que quase todos nós somos entusiasticamente engajados. Cada padrinho é, necessariamente, um líder e no seu papel enfrenta riscos. Imensa significância pode estar ligada a tudo que um padrinho diga ou faça: para a habilidade de prever as reações do membro em potencial para reconhecer e aproveitar as oportunidades do presente para A.A., para contornar o criticismo e para guiar aqueles que ele apadrinha pelo espírito do seu exemplo individual. Essas qualidades de liderança podem mostrar todas as diferenças e freqüentemente fazer a diferença entre a vida e a morte.
Agradecemos a Deus que Alcoólicos Anônimos tenha sido abençoado com tanta liderança, em todas as suas atividades. Por essa razão, a satisfação pessoal reside em realizar efetivamente aqueles serviços que a nós foram confiados pela Irmandade de A.A.
Deveríamos lembrar que a satisfação espiritual do serviço está enraizada no despertar espiritual do Décimo Segundo Passo e que, embora possa haver em A.A. uma multidão de satisfações espirituais, nenhuma é maior do que a satisfação de prestar o serviço necessário. Da mesma forma, há somente um privilégio que não está disponível para todos os membros – o privilégio do Serviço – porque alguns membros são incapazes de participar e outros não o desejam realizar. O Manuel de Serviço enfatiza que o serviço em Alcoólicos Anônimos é um privilégio conferido por Deus e que nem todos os membros o obtém. Essa é satisfação espiritual do serviço.

G. Escobar – América Central
Edição nº 26 – pág. 9

Segundo Legado – Unidade
Estabilidade Perene de Alcoólicos Anônimos

A Unidade é o Segundo Legado de A.A. Quando os co-fundadores de A.A. sentiram a necessidade de delinear um sistema que permitisse aos grupos de A.A. viverem e trabalharem unidos, não ignorava a grande perspectiva que hoje consideramos. Estruturar e fazer trabalhar com eficácia uma multidão de pessoas com um único vínculo era tarefa aparentemente desanimadora. Tendo em conta, sobretudo, as características individuais de cada alcoólico e de seu vínculo comum, de certa forma parecia impossível conseguir algum êxito. Por outro lado, o alcoolismo é uma doença complexa e difícil de diagnosticar seus efeitos negativos; todavia somente com ajudar de um Ser Superior, acima da inteligência humana, é que alguém seria capaz de obter esse resultado e, afortunadamente, o resultado aconteceu e chama-se Alcoólicos Anônimos.
Para nós que sofremos na própria carne a angústia da doença do alcoolismo, A.A. é a melhor forma de aproximação que possa existir à nossa causa e o lugar onde seguimos todas as respostas que buscávamos através dos tempos. Sendo assim, A.A. ao completar 58 anos, recuperando alcoólicos, tenho provas suficientes para demonstrar que os princípios básicos de A.A. formam um marco de referência adequado à nossa causa. Esses princípios podem não ser toda a verdade, porém constitui a verdadeira ação entre nós; são úteis e eficazes para nosso programa e nos dão a solução para nosso problema, mais premente: a própria sobrevivência.
As Tradições simbolizam a característica de sacrifício de nossas vidas em comum e constitui a maior força de Unidade que conhecemos. As Tradições garantem a igualdade entre os membros e independência de todos os grupos. Elas existem para a harmonia e sobrevivência do grupo assim como os Passos são para a sobriedade e paz de espírito de cada membro e é por isso que A.A. é considerada uma democracia que está dando certo. Existem obstáculos para que o alcoólico inicie e continue com êxito no programa de recuperação, encontrando barreiras de difícil remoção advindas de sua anomalia alcoólica; entretanto, a consciência grupal não levanta qualquer barreira ao membro, qualquer que seja a complicação que o mesmo possa ter e, para essas complicações, os princípios coletivos da Irmandade, como as Doze Tradições, propõe fórmulas para o equilíbrio dos ditos males. Contra o orgulho, opõe o anonimato; contra o primeiro gole, a sobriedade; contra a luxúria, a espiritualidade; contra a inveja, a autonomia e independência; e contra a ira, o Amor e a Unidade.
As Tradições pedem ainda para que nunca usemos o nome de A.A. na busca do poder pessoal, fama, prestígio ou dinheiro. Visando ao bem-estar de toda a Irmandade e de cada membro, grupo e órgão de prestação de serviços, esperaram que pusesse de lado todos os seus desejos, interesses pessoais, ambições e atitudes inconvenientes, que possam ocasionar sérias divisões entre nós ou a perda de confiança que nos deposita o mundo lá fora. Negamos a nós mesmos o governo pessoal, o profissionalismo e até o direito de dizer quais deverão ser os nossos membros. Recusamos o generoso dinheiro de fora para viver às nossas próprias custas. Colaboramos, praticamente, com todos, mas não permitimos que a nossa Irmandade seja vinculada a nenhuma outra. Não entramos em controvérsias públicas e não discutimos, entre nós, assuntos que dividem a sociedade moderna; pois temos um único propósito: levar a mensagem ao alcoólico que sofre, pela atração e pelo exemplo e não pela pregação ou propaganda. Estas são as partes de um esquema, delineado para controlar e permitir a estabilidade perene de nossa Irmandade, a “UNIDADE”.

Ovídio S –AM – Edição n° 26 – pág. 15

O QUE É EVITAR O PRIMEIRO GOLE

Evitar o Primeiro Gole não é somente evitar o ato físico de beber, é também, e principalmente, evitar as circunstâncias que possam nos levar a ingerir o Primeiro Gole.
É necessário permanecermos atentos aos motivos que podemos usar como “justificativas” para beber, atento aos sentimentos para aprender a lidar com eles sem usarmos a “bengala” tão conhecida.
Evitar o Primeiro Gole é, também:
 Mudar a nossa rotina – principalmente nas horas em que bebíamos;
 Evitar os velhos caminhos – ponha no lugar algo que lhe dê prazer;
 Evitar os companheiros de copo;
 Mudar, reciclar, virar a página.

Quando bebíamos, tudo era justificativa para beber: alegria, ressentimento, raiva, depressão ou o sentimento de ser a última pessoa na face da Terra.
Esses velhos hábitos estão dentro de nós e voltam facilmente quando nossas emoções nos dominam.
Precisamos ficar atentos 24 horas por dia e aprender a lidar com as nossas emoções para que o velho hábito de beber não nos pegue de surpresa, pois corremos o risco de ingerir este Primeiro Gole por puro impulso, mesmo antes de pensar.
Precisamos aprender a colocar hábitos novos no lugar dos velhos (um velho hábito gente não tira, substitui).

Penélope – SP
Edição nº 27 –pág. 56

REVISTA VIVÊNCIA – META: 20.000 ASSINATURAS

Vamos empunhar essa bandeira

Tomei conhecimento, recentemente de que a revista Vivência, a nossa Revista, possui somente 4.800 assinantes. Fiquei abismado com tal notícia, pois isso significa menos de uma assinatura por grupo, levando-se em conta todo o território nacional e um universo de 130.000 alcoólicos em recuperação, leitores em potencial da revista.
Levei anos a fio para conscientizar-me da importância de nosso veículo maior de divulgação, que é a Vivência. Quão ineficaz e insensatos temos sido em não valorizar, prestigiar e incentivar um informativo de tal monta, valioso para os membros de A.A., bem como para a sociedade como um todo. Leiam e releiam a revista e notarão que ela constitui um veículo precioso de informações úteis. Por meio de seus artigos, em forma de depoimentos de AAs. e Al-Anon, como também através do testemunho de profissionais da área de saúde, ela informa sobre o grave problema do alcoolismo em nosso país, que já atinge cerca de 10% da população.
Fico feliz quando recebo em casa o número bimestral; tomo-o como um sinal de alerta, para que não me descuide do meu programa de recuperação. É como se fosse o grupo reforçando-me a domicílio, através do correio.
Visto por outro lado, sei que milhares de pessoas fora da Irmandade ainda não tiveram a oportunidade de desfrutar do privilégio da leitura de uma publicação de bom nível literário. Assim procedendo, estamos fechando as janelas da Associação de AAs. como se fosse uma a entidade anônima ou secreta, nada tendo de benefício para a sociedade que nos cerca. Mesmo entre nós, o número de assinantes é pequeno, decepcionante mesmo.
Manter uma assinatura da Vivência é questão de bom gosto e inteligência.
Em relação ao aumento de assinaturas, trata-se de uma questão de honra, de amor próprio e de responsabilidade para todos nós, membros de A.A.
Façamos uma cruzada cívica e de amor, visando atingir a meta de 20.000 assinaturas até 1997, ano do Jubileu da Irmandade, quando ela completa 50 anos de bons serviços no Brasil.
Esta será a nossa bandeira, e vamos empunhá-la com obstinação!
Considero, por outro lado, que estamos conduzindo a Vivência com certa doze de amadorismo. Com a elevação acelerada das vendas de assinaturas (cujo objetivo principal é conseguir 50 mil assinantes, no limiar do século), teríamos recursos financeiros suficientes para a contratação de profissional do ramo. Com a colaboração desses especialistas, poderíamos dar uma nova dimensão às matérias da revista, tanto no plano gráfico, quanto no redacional. Minha preocupação com o aprimoramento da revista não constitui agravo ou uma injustiça aos abnegados companheiros responsáveis pela editoração da mesma. São eles que, após um dia de trabalho e de afazeres pessoais, dedicam suas horas de lazer à confecção da revista. Sei que muitas vezes eles sacrificam a si mesmos e suas famílias, reservando os finais de semana para trabalharem na elaboração do informativo.
No entanto, a exaustão biológica desses companheiros tem provocado falhas técnicas, inclusive no atraso da distribuição de algumas edições. (Quero deixar bem claro: a contratação de “experts” em artes gráficas não significa abrir mão do atual sistema de gerenciamento, em mãos de AAs.). Conclamo, assim, todos os companheiros para um grande mutirão, com vistas ao incremento das assinaturas. Não há tempo a perder, comecem agora! Iniciem o trabalho, renovando suas assinaturas.
O grupo, além da própria assinatura, poderia doar uma ao sacerdote que lhe cede espaço na igreja; ao diretor da escola que lhe franqueia a sala, ao diretor da casa de saúde e ao diretor da penitenciária, que permitem que façamos palestras em suas instituições; ao ingressante que apadrinhamos; e onde mais houver interação de bons propósitos.
Seria uma boa vendermos assinatura ao nosso dentista, ao nosso médico, cabeleireiro, ao gerente do banco, às empresas que solicitam nossas palestras, bem como a todos os profissionais de saúde com os quais colaboramos.
Vamos dar asas à imaginação. Introduzindo esse mensageiro de fé e esperança, em toda a extensão da Irmandade e, também, fora dela.
Mãos à obra! Comecemos por nós mesmos!

Vivência n° 32 – novembro/dezembro1994, com a perspectiva nova anos após sua criação.
Também publicada na edição 98 – pág. 44

VIVÊNCIA – DEZ ANOS

Com o advento da escrita, o homem começa a relatar seu cotidiano, suas experiências, sua interpretação das coisas e sua vida. A partir daí, toda a sua história está escrita em livros e enciclopédias. São bilhões de páginas e um sem número de palavras que nos ajudam a entender como chegamos aos dias atuais.
A história, enquanto ciência estuda o passado para compreender o presente. Em outras palavras, se olharmos para trás, veremos o caminho que conduziu-nos até o ponto onde estamos. Veremos todos os fatos responsáveis por chegarmos aqui, nos anos noventa. Veremos, também, que a história é feita no dia-a-dia, através de fatos que modelam o curso dos acontecimentos.
É papel da história investigar, inventariar ou simplesmente contar como surgiu um acontecimento, fato ou objeto. Temos a história da civilização, a história da medicina, a história das guerras mundiais, a história do automóvel e, entre outras tantas, a história da Irmandade de Alcoólicos Anônimos. Aqui, é essa que nos interessa.
O capítulo de número um do nosso primeiro livro tem o título “A História de Bill”. O próprio livro traz como subtítulo a frase “A história de como milhares de homens e mulheres se recuperam do alcoolismo”. Em “As Doze Tradições”, o comentário feito a cada tradição nada mais é do que a história do desenvolvimento daquele princípio tradicional.
Quando nossa Irmandade tinha pouco mais de vinte anos, em 1957, foi publicado o livro Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade, que tem como subtítulo na tradução para o português o comentário: “Uma breve história de A.A”.
Citamos estes exemplos para lembrarmo-nos de nossa história e que toda ela está contida na nossa literatura.
Bem, companheiros. Falamos nas Doze Tradições e todos nós sabemos que elas são frutos da experiência dos primeiros grupos, publicados pela primeira vez numa revista chamada Grapevine. Esta revista surgiu em 1944, através do trabalho de alguns membros com tendências jornalísticas e logo se tornou nossa revista internacional. Nos anos seguintes à sua publicação, a Grapevine refletia mensalmente as atividades da Irmandade. Mostrava a cada edição um pouco de evolução e história de Alcoólicos Anônimos.
Agora, voltemos nossas atenções aqui para o Brasil. Alcoólicos Anônimos chegou por aqui em 1947. Com o passar do tempo e o surgimento dos primeiros grupos, a literatura já publicada na época foi traduzida para nossa língua e a Irmandade começa a crescer. Vários anos depois, em 1985, o número de membros era substancialmente maior. Neste ano foi editada a Revista Brasileira de Alcoólicos Anônimos, de número zero. Era o marco inicial da publicação que conta, até hoje, a cada número, um pouco da história de A.A. no Brasil.
Atualmente a revista está no número 38 de sua edição e é conhecida simplesmente como VIVÊNCIA. Agora podemos compartilhar algumas idéias sobre ela, pois há muito tempo vem fazendo jus à nossa atenção.
A VIVÊNCIA é uma publicação da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil, através de seu Comitê de Publicações Periódicas. Da mesma maneira que um jornal diário retrata a vida de uma determinada região e sua história dia a dia, a revista VIVÊNCIA registra a evolução de nossa Irmandade no Brasil a cada dois meses, através de material e matérias que nós encaminhamos. A cada número, ela traz comentários sobre Encontros Estaduais e Regionais, Convenções, Conferências, Seminários e outros eventos que refletem o nível de consciência compartilhada acerca de nossos princípios.
A VIVÊNCIA é um excelente meio de divulgação de Alcoólicos Anônimos para a comunidade em geral, bem como um canal interno de divulgação sempre aberto.
Quando falamos em divulgação da nossa Irmandade, pensamos na revista VIVÊNCIA como um cartão de vista impresso à população e comunidade profissional contendo nossos princípios e experiências, além da opinião de amigos sobre o modo de vida de A.A. e sobre assuntos ligados ao nosso problema comum.
A revista, a cada número, mostra com transparência um retrato atual de nós mesmos. Se observarmos desde as primeiras edições até as atuais, constataremos a evolução da irmandade. Através da VIVÊNCIA vemos nosso caminhar, cada vez mais firme e tranqüilo, em direção ao melhor entendimento dos Legados.
Quanto ao canal interno de divulgação, referimo-nos à partilha de pontos de vista. A revista veicula textos contendo as diversas formas de abordagens e interpretação de assuntos contidos na literatura e em nosso convívio. Neste aspecto, VIVÊNCIA promove a fundamental troca de experiências, unindo-nos mais a cada número e transmitindo-nos uma visão atual de nós mesmos.
Por falar em unidade, a revista VIVÊNCIA facilita a unidade das diversas regiões do Brasil. Num mesmo número podemos ler a opinião de companheiros de vários lugares. Lemos também, em menor escala, a tradução de textos publicados nas revistas de outros países. Mesmo em pequena quantidade, os artigos de fora lembram que Alcoólicos Anônimos está em todo o mundo, tal qual o círculo em nosso símbolo demonstra.
Temos ainda um painel com várias notícias; a seção de evento, um momento de descontração para que não nos levemos muito a sério, e várias reflexões sobre nossa caminhada.
A revista VIVÊNCIA “é nosso principal e melhor meio de comunicação do pensamento atual e experiência de A.A. para nos manter sóbrios, unidos e em serviço”. Estas palavras são de Bill W., à Grapevine, e fizemo-las nossas, à VIVÊNCIA.
Com tudo isso, podemos constatar que VIVÊNCIA relata, reflete nosso cotidiano, através do qual, lentamente, vamos compondo a história dessa luta gratificante aqui no Brasil.
Bem companheiros, se deixarmos a imaginação livre para a criatividade se apoderar de nós, teremos a revista VIVÊNCIA como nossa companheira; como um grupo que podemos adentrar estando onde estivermos ou ainda, como uma reunião a qualquer momento. Para isto basta mente e revistas abertas.
Boas vinte e quatro horas a todos nós.

VIVÊNCIA NO GRUPO, NA REUNIÃO. EM QUALQUER LUGAR, A QUALQUER HORA.

Edição nº 38 – pág. 24

A VIVÊNCIA E A MÃO ESTENDIDA

Vamos tirar nosso A.A. do Anonimato!

A Irmandade não é anônima. Falando de nossos princípios e experiências, vamos divulgá-la através da VIVÊNCIA. A revista tem se revelado um poderoso e duradouro instrumento de prática do Décimo Segundo Passo e da Quinta Tradição.
Sugerimos a todos: companheiros, grupos, escritórios, distritos, áreas e comitês de CTO que estendam a mão. Ofereçam assinatura a médicos, assistentes sociais, clínicas, religiosos, professores, delegados, advogados, jornalistas, prefeitos e autoridades em geral, entidades, órgãos públicos, parentes, amigos, vizinhos, etc.
Para tanto, apresentamos o cupom “Assinatura cortesia”. É para facilitar a sua vida e também para que conheçamos todos os que estão realizando esse trabalho tão significativo.
Pegue o seu cupom, companheiro! Ofereça a revista

VIVÊNCIA E VOCÊ, JUNTOS, LEVANDO A MENSAGEM!

Edição nº 40 – pág. 49

Abordado pelo Grupo, Reabordado pela Vivência

Ao final da sua primeira reunião, o coordenador lhe disse: “Pois então, leve a reunião
para a sua casa”.

Ao atingir o pico do meu alcoolismo (fundo de poço), deparei-me com a cruz e a espada… A quebra do orgulho a tanto tempo procrastinada, não pôde mais ser evitada. Desesperado – como dizia o poeta, não tinha medo da morte, mas saudade da vida -, como se a vida estivesse me deixando, ligou para o local de trabalho de minha esposa, que mais uma vez havia saído de casa devido a minhas loucuras alcoólicas diárias, e sendo ela uma praticante dos Grupos Familiares Al-anon, não encontrou dificuldades para aquele para naquele mesmo dia achar um Grupo de A.A., em uma cidade vizinha à nossa.
Chegamos cedo ao local e me lembro do momento de recepção, dos poucos que se encontravam, os que chegaram, os depoentes, meu ingresso. E todos os que vejo chegar hoje – trazendo-me vida, força e esperança através de sugestões e da partilha de experiência -, me fazem render graças a meu Poder Superior pelo privilégio de adentrar uma porta de A.A. onde sou abordado e orientado a evitar o primeiro gole buscando o progresso espiritual em minha recuperação. Desde esse momento, e a cada 24 horas em minha vida, me sinto no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas. Descobri que o Grupo de A.A. e seu programa de recuperação são a chave que me abre a porta da fé para me entregar e servir a um Poder maior.
Os companheiros desse Grupo não me conheciam, como já disse moro em outra cidade, e o companheiro coordenador da reunião daquela noite havia recebido o último número da revista Vivência; no final da reunião, após ler alguns artigos da mesma, abordou-me perguntando como me sentia em relação ao que havia visto e ouvido. Fiquei sem palavras para responder-lhe, tal meu encanto pela transformadora experiência, um prenúncio de liberdade. Colocou o exemplar da Vivência em minhas mãos e prosseguiu: “Pois leve então a reunião para sua casa”. Segurei aquela revista nas mãos como se carregasse o tesouro mais valioso.
No retorno para casa, já senti muitas modificações após participar daquela esclarecedora reunião. Tive consciência de ser problemático devido à manifestação de uma doença progressiva, porém estacionária, e que se desejasse bastaria somente admitir minha impotência perante o álcool e uma vida descontrolada (fácil demais, pois essa era a única certeza que tinha sobre mim). Fui folheando a revista, pois estava sem conseguir dormir (dessa vez não pela falta de álcool, mas pela certeza de ter encontrado o caminho da volta). Uma paz manifestava-se dentro de mim ao constatar que tudo aquilo que os companheiros falaram na reunião e o que estava escrito nos quadros da parede estava contido naquela revista.
A partir desse momento senti-me protegido, senti nascer em mim um amor por esses desconhecidos que, apesar de sua dor e sofrimento, proporcionado pela sua doença, sorriem e falam humilde e honestamente, reduzindo meu ego com palavras simples, orientando-me para a bondade, tolerância e sabedoria necessárias para mim, um alcoólico anônimo em recuperação.
A cada 24 horas sou abordado por companheiros do Grupo e sou reabordado pela revista Vivência, que não só me instrui a melhor conhecer a literatura para melhor levar a mensagem, mas para que aplique em minhas atividades, melhor me conheça e aprenda a viver a doação praticando a espiritualidade de A.A.
Agradeço ao meu Poder Superior por me indicar uma porta de A.A., ser aceito pelos companheiros que abriram essa caixa de ferramentas espirituais para juntos partilhamos a Vivência. Mais 24 horas de fé num Poder Superior e de amor em ação.

Kayo – SC
Edição nº 56 – pág. 10

O RV VIVENCIANDO

Somente pela Graça de um Poder Superior posso hoje dizer que sou alcoólico em recuperação, buscando o equilíbrio necessário para vier uma vida sadia e feliz. Mesmo com as adversidades estou consciente que essa busca tem que ser constante e é infinita porque sou um alcoólico.
Após longo tempo de ativa na minha bebedeira, cheguei à falência moral e ao desequilíbrio total, sem esperança nenhuma de poder ter uma mudança de vida. Fui levado a um Grupo de A.A., cheguei desconfiado, não entendi muita coisa na primeira reunião, só sei que senti uma vontade muito forte de voltar, e voltei. E essa volta constante tem me mostrado a importância da minha sobriedade.
Com poucos meses freqüentando o Grupo e participando de todas as reuniões possíveis, entrei para o Comitê de Serviços, na suplência de coordenação de reuniões, então comecei a entender a importância dos Três Legados de A.A. – Unidade, Recuperação e Serviço. Percebi que minha mente se abria e me sentia mais confiante na caminhada, buscando minha recuperação.
Mais adiante percebi também que esse crescimento poderia ser melhor ainda com a força da literatura de A.A. Para mim, toda literatura de A.A. nos transmite a sabedoria do Programa de Recuperação.
E por falar em literatura, gostaria de falar da minha experiência com essa maravilha que é a revista Vivência. Como representante da Vivência, eu e alguns companheiros começamos a entender a importância da nossa Revista. Passei a ler todas, de cabo a rabo, desde o editorial até a última matéria. Criamos um Mural para que o RV pudesse divulgar notícias da Vivência e incentivávamos os companheiros e companheiras a fazer ou renovar suas assinaturas da Revista. Isso despertou a curiosidade de companheiros de outros Grupos da região.
Na região do ABCDMR do estado de São Paulo, com seis cidades interligadas que contam com 14 Grupos, em maio de 96, alguns RVs e membros interessados no trabalho com a Vivência nos reunimos pela primeira vez, e nesse dia foi criada a Comissão de RVs da região. Essa Comissão uniu-se com o propósito de primeiro estruturar o trabalho do RV dentro do Grupo, depois conscientizar os Grupos de que a revista é um importante instrumento no trabalho à comunidade. Com apoio dos Grupos locais e do Distrito, percebo que aos poucos o RV foi ganhando respeito e o seu verdadeiro espaço como servidor de confiança. Hoje essa Comissão se reúne uma vez por mês e tem seu Comitê atuante.
Usamos o dinheiro da Sétima Tradição para atender às nossas necessidades, sendo 50% para o Grupo que cede a sala para as reuniões e 50% para despesas com cópias das Atas, material para o Mural, envelopes, correspondências, etc. A maioria dos Grupos locais estão entendendo o propósito desta Comissão e estão dando todo apoio ao seu RV, e ao mesmo tempo colocando em prática as sugestões por eles colocadas. Na estrutura desses trabalhos dentro do Grupo temos alcançado coisas positivas como: apadrinhar o recém-chegado com um número da revista doado por companheiros que têm sua assinatura e já leram suas revistas; incentivar companheiros e companheiras escreverem suas experiências na ativa do alcoolismo e na caminhada da recuperação, enviando para a Vivência; diversificar determinada reunião no Grupo, tirando temas contidos na Revista e, em círculo, trocando experiências a respeito deles.
O nosso livreto “O Grupo de A.A.” nos sugere as tarefas do RV. Além dessas tarefas, o RV atuante tem o seu espaço nas reuniões de serviço do Grupo para que possa prestar contas, porque é um servidor de confiança.
Usar dois ou três minutinhos do meu depoimento para falar da Vivência é gratificante na minha recuperação e ajuda na divulgação da Revista.
Alguns Grupos têm usado o sistema de consórcio e tem funcionado. Nos trabalhos externos, o RV procura se estruturar no propósito de ser útil e colaborar com o Representante Intergrupal do Grupo e participar das reuniões de CTO e de eventos como: Ciclos de Estudos do CTO, de Tradições e Passos.
Levar à comunidade a mensagem de A.A. é uma dádiva concedida pelo Poder Superior e como RV me esforço para ser útil nessa missão. O contato constante com o companheiro RI é muito importante para um bom entrosamento.
Também fazemos contato com profissionais, religiosos e educadores, ofertando-lhes uma assinatura ou número avulso da Revista, e é claro que tudo isso só é feito dentro das condições de cada Grupo. A revista Vivência é sempre atual porque retrata a nossa experiência em busca dessa almejada mudança de vida para melhor, daí a importância de estar passando para outros, através da revista, o propósito de nossa Irmandade. Há algum tempo venho tentando escrever, falando da experiência do Representante da Vivência que, infelizmente, para alguns é um encargo sem muita importância, do que sinceramente discordo. Gostaria que daqui para frente a revista publicasse experiências contadas por RVs de todo o Brasil, pois isso com certeza ajudaria a fortalecer o propósito do servidor e da recuperação individual.
Agradeço ao meu Poder Superior por ter me dado a coragem para escrever e a sabedoria para distinguir algumas coisas das outras, bem como aceitação para coisas que eu não posso modificar. Com certeza todo servidor em A.A. tem uma função importante no propósito do programa de A.A. como um todo, e nós, os RVs, estamos procurando nos esforçar e nos dedicar no intuito de sermos úteis.
Infinitas 24 horas de serena sobriedade. Em gente, RVs

J.T. – São Caetano do Sul
Edição nº 56 – pág. 22

Nossa Vivência, um ótimo instrumento de divulgação.

Certamente nós de A.A. acreditaram ter havido algo grandioso e fantástico naquelas quase seis horas em que Bill W. falou com o Dr. Bob pela primeira vez. Mais fantástico ainda é o fato de que momentos antes como aquele tenho ocorrido ao longo de sessenta e três anos, no mundo todo. A transmissão da mensagem do modo de vida de A.A., a Linguagem do Coração, é nossa única certeza de continuidade.

Utilizamo-nos basicamente de nossos atos como atrativo, porém só isso não basta à busca dos que ainda sofrem, precisamos de uma disseminação muito maior que a verbal. Com isso encontramos na escrita da Literatura de A.A., sobretudo em nossos livros, folhetos, livretes e folhetos destinados à divulgação da Irmandade, uma forma de intensa propagação da Luz que encontramos.

Além disso, aqui no Brasil, contamos com outro instrumento. Um veículo que une a Linguagem do Coração à palavra escrita, narrando nossas experiências obtidas numa nova maneira de viver. É isso. Compartilhando experiências pessoais através da escrita efetivamos o registro e a divulgação de nossa vivência. Assim, temos a REVISTA VIVÊNCIA que bimestralmente aborda temas ligados às nossas vidas e à nossa Comunidade.

Alguns de nós “esquecemos” exemplares da VIVÊNCIA em coletivos, consultórios médicos, escritórios, repartições públicas, igrejas, doando nossa vivência à sorte. Pessoas, grupos e órgãos de serviços oferecem assinatura e exemplares avulsos a profissionais e amigos de suas comunidades, para que possam sugerir com mais propriedade o nosso programa de vida àqueles que sofrem com o alcoolismo.

Os responsáveis pelo Comitê Trabalhando com os Outros estimulam a discussão de artigos expostos nas revistas em clínicas, hospitais e instituições correcionais onde existam reuniões periódicas. Outros se utilizam da VIVÊNCIA, como cartão de apresentação da Irmandade, juntamente com outros folhetos, no primeiro contato com pessoas e entidades que lidam com alcoólicos e desejam conhecer melhor nossos princípios. Outros, ainda, fazem da VIVÊNCIA uma importante ferramenta do vital apadrinhamento aos recém-chegados, sugerindo-lhes a leitura de matérias específicas. Muitos também contribuem escrevendo experiências próprias e solicitando à comunidade profissional que escreva para veiculação na Revista.

Utilizando-nos de nossa VIVÊNCIA como instrumento em nosso trabalho com os Outros estaremos sempre apresentando um retrato fiel de como Alcoólicos Anônimos tem mudado nossas Vidas.

Com amor de A.A.

Comitê de Publicações Periódicas

A VIVÊNCIA NÃO É SÓ MINHA
Um breve depoimento sobre a nossa Revista

A revista Vivência chegou à minha vida como uma boa surpresa, num momento em que eu estava ávido de informações sobre o alcoolismo. Sou jornalista, tenho algumas outras qualificações que não vêm ao caso, mas exatamente por tudo isso eu deveria ter, ao longo da minha vida, encontrado alguma informação sobre o assunto. Sempre tive em casa todas as revistas de atualidades, reportagens, além de uma biblioteca considerável. Entretanto, nunca tinha lido nada sobre alcoolismo nem Alcoólicos Anônimos. Até tinha “lido” o Livro Azul, que um amigo fez chegar à minha casa, discretamente. Tinha “lido” entre aspas mesmo, porque nada havia entendido ou não quisera entender.
Mas com a Vivência foi diferente. Eu estava ávido de informações sobre alcoolismo e nem percebia que a revista não tratava de alcoolismo, mas sim de Alcoólicos Anônimos. Fazia pouco tempo que ingressara em A.A. e freqüentava a Central de Serviços em busca de literatura. Foi ali que encontrei alguns exemplares da revista. A vontade era adquirir toda a coleção e ler tudo a respeito. Aquela pressa confusa de quem está procurando uma ocupação que mantenha o afastamento do álcool ou traga a conscientização necessária para saber que sou impotente perante a bebida. Foi uma boa surpresa.
Naquele momento, de chegada, de primeiros contatos, de desconhecimento, porém de arrogância e suposta superioridade por não ter ainda exercitado os Doze Passos, ainda que de forma singela, eu era meio atrevido. Achava que tinha muita coisa errada na revista. Exatamente porque eu a lia com os olhos de quem não conhecia ainda os princípios da nossa Irmandade. Então achava que muita coisa deveria ser diferente. Em algumas coisas, entretanto, eu estava completamente correto. Estava interessado em ajudar e propagar nos quatro cantos da Irmandade a necessidade de prestigiar aquele que eu entendia como o nosso veículo de comunicação.Ao mesmo tempo em que entendia que existiam muitos recursos gráficos novos que poderiam tornar Vivência uma leitura mais agradável.
Passaram-se muitas 24 horas, até que começamos a sentir as mudanças que o próprio tempo se encarregou de fazer na revista. De repente, demos alguns saltos de qualidade que provocavam grande satisfação a cada edição que recebíamos. E hoje vemos uma revista com uma linha editorial clara e uma feição gráfica moderna, que nos faz ficar orgulhosos de ver nossa revista nas mãos de qualquer pessoa, tanto pelo seu conteúdo como pela sua apresentação. Tudo graças à abnegação de alguns companheiros.
Sabemos que tudo foi feito com muito sacrifício e amor, e que esse sacrifício continua hoje, embora em outro nível. Daí a necessidade de conclamar a todos os companheiros da Irmandade, para que dêem atenção a esta revista, contribuindo das mais variadas formas, tanto através das campanhas de assinaturas como nas vendas e também colaborando com artigos e informações. Aquela historinha que temos e podemos contar, pode ser a salvação para algum alcoólico que procura nos seus iguais a resposta para se encorajar e manter-se sóbrio.
Para tanto, precisamos também exercitar plenamente a Evocação à Serenidade.
A revista não está sendo feita para atender à minha vontade, mas às necessidades da Irmandade. Não podemos ser impacientes com ela. Eu mesmo escrevi uma vez um artigo, que nem esperava mais que publicassem. Fazia mais de uma no que enviara. Certo dia, ao receber a revista, estava lá a minha história. Uma grande e gostosa surpresa. Não pela vaidade de ver publicada algumas linhas que eu escrevi. Mas pela certeza de que aquilo que eu escrevi pode ter ajudado a alguém.

Walter M – Natal/RN
Edição nº 58 – pág. 50

Bill, Lois, a Prece e a Meditação.

Durante o período em que os alcoólicos participavam do Grupo Oxford, os Wilson haviam iniciado a prática do “tempo de silêncio”, a cada manhã. Lois descreveu estes momentos de silêncio: “Duravam mais ou menos 15 minutos. Despertávamos e eu fazia o café para tomarmos na cama; então dizíamos juntos uma oração e depois ficávamos em silêncio durante algum tempo. Esta prática do Grupo Oxford é algo muito útil; inclusive, embora não pareça algo muito importante de imediato, é muito útil o silêncio e o pensamento sobre o dia que começa e sobre a finalidade de ser agradece por todo o que acontecer. Esta é a oração feito por Bill e que os Wilson recitavam nestas ocasiões:

“Oh Senhor, Te agradecemos pelo que Tu és, porque nós somos passageiros. Bendito seja Teu santo nome e todo os Teus benefícios de luz, de amor e de serviço a todos nós. Que encontremos e façamos hoje a Tua vontade com fortaleza e bom humor. Que Tua graça sempre presente seja descoberta por nossa família e por nossos amigos – os próximos e os distantes – por nossas sociedades em todo o mundo, pelos homens e mulheres onde quer que estejam e entre aqueles que nos guiam nestes tempos difíceis. Oh Senhor sabemos que Tu és toda maravilha, toda beleza, toda glória, todo poder, todo amor. Na verdade, Tu és o amor eterno, pelo amor, Tu tens dado forma a um destino para todos nós, passando através de Tuas muitas moradas, sempre descobrindo-Te mais e sem que haja separação entre nós”.

(Extraído do livro Transmítelo, em tradução))

Vivência edição nº 60 – pág. 32

A distribuição da Revista

A responsável pelas assinaturas e postagem da Vivência conta como trabalham
os quatros funcionários a essa tarefa.

Quando o assinante recebe a revista Vivência, ele tem em suas mãos o resultado final de um trabalho que envolve várias etapas e processos. O processo da distribuição é realizado por uma equipe composta de quatro funcionários (não-AAs, remunerados), onde cada um deles tem um papel importante a exercer para o bom andamento do trabalho e emprega seu melhor desempenho.
O processo começa quando recebemos o cupom de assinatura através do correio, fax, e-mail e às vezes pessoalmente no ESG. As assinaturas recebidas são registradas pela Rita. Ela cadastra todas as informações importantes, como nome e localidade do assinante, forma de pagamento e tipo de assinatura. Cada cupom recebe um número, que chamamos de registro e que serve para controle interno.
Após essa etapa, os cupons são passados para a Alessandra, que os seleciona e os distribui ao Alexandre e à Vanessa para conferência dos dados (verificar endereço, CEP e se já consta ou não em nosso cadastro de assinantes). Eles também separam as assinaturas novas de renovações e devolvem todos os cupons à Alessandra, que emite os recibos de pagamento e cadastra a assinatura no sistema. Depois, os recibos são conferidos, impressos, e são assinadas as cartas de agradecimento ao assinante.
Por fim são impressas duas etiquetas do assinante, sendo que a primeira é para o envio da revista, junto com a carta e o recibo do assinante, e a segunda é anexada na ficha do assinante, para nosso controle de assinaturas. Ali temos o histórico de cada assinante. Essas fichas são renovadas e arquivadas pela Vanessa.
Os cupons recebidos são arquivados pelo Alexandre e, caso haja alguma reclamação por parte do assinante, é possível verificar-se os dados recebidos. Todo esse processo é realizado semanalmente e após sua conclusão é feito um relatório de controle de assinaturas por Área. No final de cada mês é feito um levantamento onde obtemos a quantidade de assinantes ativos e inativos por Área.
As reclamações que recebemos são prontamente atendidas pela Alessandra. Em caso de devolução das revistas pelo correio, é feito um minucioso levantamento e caso o problema seja de endereçamento, a revista é remetida ao respectivo grupo ou CEV, para o encaminhamento ao assinante.
A cada início de mês impar é feita a expedição de uma nova revista aos assinantes. A etapa da expedição exige a contribuição de toda equipe do ESG: desde o gerente até nosso Office boy: dona Sueli, a Elis, o Sr. Dárcio, Alessandra, Alexandre, Cristiane, Vanessa, Rita, Elisabete, Rodrigo, Francisco e Luis.
E podemos dizer a realização de todo este trabalho é fruto do profissionalismo e grande espírito de equipe de todos os funcionários que trabalham diretamente ligados à revista Vivência.

Alessandra – Edição Especial nº 63 – pág. 20

VIVÊNCIA – HISTÓRIAS E CURIOSIDADES

O Início

Corria o ano de 1985. A Junta de Custódios havia inaugurado seus comitês de assessoramento. Reuniam-se, Junta e Comitês na cidade de Baependi, Estado de Minas Gerais, próximo a Caxambu. O Presidente da Junta era o nosso sempre lembrado e querido Dr. Viotti. Os membros dos comitês vinham, quase todos, do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Do Nordeste, vinha Carvalho, de Fortaleza; do Centro-Oeste, Aragão, de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul; do Rio Grande do Sul, Gentil, de Porto Alegre. Os membros dos comitês pagavam suas próprias despesas de transporte, hospedagem e alimentação e ainda contribuíam para as despesas da reunião: normalmente dez cruzeiros por pessoa. O prestígio do Dr. Viotti na cidade era muito grande. Conseguia sempre hospedagem num hotel razoavelmente bom, tipo duas estrelas, a preço bastante acessível.
Havia um anseio generalizado de se editar uma revista para o A.A. brasileiro. O assunto foi trazido à baila numa dessas reuniões. Aragão prontificou-se imediatamente a editá-la em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Mas, persistia uma série de dúvidas no espírito daqueles companheiros reunidos em Baependi, todos sumamente preocupados com o sucesso e o bom nome de A.A.
Estaria a Irmandade suficientemente madura para sustentar uma revista de nível nacional? Teríamos material suficiente para publicar uma revista? Publicaríamos depoimentos ou somente matéria doutrinária? Como seria o nome da revista? Qual a sua periodicidade? Qual o tamanho? Quem seria o encarregado da revista? Para cada uma dessas indagações, Aragão tinha uma resposta pronta e satisfatória. A revista chamar-se-ia Revista Brasileira de A.A. Ele se encarregaria de editar o número zero em Campo Grande para circular naquele mesmo ano, em novembro, por ocasião do Seminário do Centro-Oeste. O pagamento da gráfica e dos profissionais seria feito com o resultado da venda da Revista. Depois de muita discussão, Aragão foi autorizado a editar o número Zero da revista como ele tinha planejado: em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
A revista foi sucesso absoluto. A venda excedeu todas as expectativas. Dos cinco mil exemplares editados, mais da metade foi vendida imediatamente. Dissiparam-se as dúvidas: a revista era viável. Dever-se-ia iniciar a tiragem periódica. Tudo ficou para ser resolvido na primeira reunião de 1986, da Junta de Custódios com seus comitês em Baependi.
Com o sucesso, como sempre acontece, vieram também, as críticas.
A revista divulgou erradamente a data da Convenção Nacional a realizar-se em João Pessoa, naquele ano de 1986; publicou a foto de uma igreja dizendo ser da Paraíba, mas que, de fato, não era; publicou também uma matéria de Al-Anon sem autorização daquela Irmandade; publicou uma fotografia de alguém que nada tinha a ver com a Irmandade. Aragão, em sua defesa, justificou e desculpou-se de todos os erros.
A Junta reuniu-se em sessão fechada para escolher o direto da revista. Todos esperavam a nomeação de Aragão, até ali o único a assumir todos os riscos e responsabilidades pela revista. Só os membros da Junta sabem o que aconteceu naquela reunião. Voltando a plenário, a Junta anunciou: o diretor da revista seria o companheiro Chaves, Custódio Classe B (Alcoólico), residente em Brasília.
Vivência em Brasília – pág, 7 – edição de 1 a 13

Mudou-se o nome de Revista Brasileira de A.A. para Vivência e diminui-lhe o tamanho. A orientação editorial da Vivência era levar a mensagem de A.A. para os profissionais e para o público em geral. Inicialmente, a Revista era editada em Brasília e distribuída pelo ESG. Logo com o número dois aconteceu um acidente. Uma das caixas que levava a revista de Brasília para São Paulo extraviou-se no caminho. O seguro pagou o prejuízo em dinheiro, mas o número dois da revista ou o que dele sobrou esgotou-se rapidamente transformando aquela edição em verdadeira raridade bibliográfica. Posteriormente, a revista passou a ser produzida e distribuída em Brasília.
Vivência ficou em Brasília até 1990. Ali foram editados treze números, todos da melhor qualidade dentro daquele enfoque editorial: a Revista era feita não para os membros de A.A., mas para as pessoas de fora da Irmandade. Em outubro de 1990, a Junta resolveu passar a direção da Revista ao companheiro Carvalho, de Fortaleza.

Vivência em Fortaleza – pág. 8 – edição de 14 a 24

Os companheiros de Fortaleza, inicialmente Carvalho, Alexandre e Gil editaram a edição de nº 14. Nessa época havia cerca de três mil assinantes. Era o número aproximado da revistas distribuídas a assinantes. O ESG colocou quinhentos cruzeiros à disposição da Revista. Foi utilizada apenas a metade. A despesa com a produção da Vivência nº 14 foi de quatrocentos e oitenta cruzeiros. O restante saiu de novas assinaturas e de contribuições pessoais de companheiros. Posteriormente, a Revista pagou a dívida ao ESG e ainda contribuiu, mesmo modestamente, para ajudar nas despesas do escritório.
Mudou-se o enfoque editorial da Revista. A publicação passou a ser feita pelos companheiros de A.A., para os companheiros de A.A. Cada edição trazia um artigo de um profissional da medicina. Esse trabalho não era difícil porque a tiragem da revista era trimestral. Assim, tinha-se de conseguir um artigo de médico a cada três meses.
Na Conferência de 1993, a Junta de Custódios nomeou nova direção para a Vivência. À frente, o companheiro Antonio. Havia circulado o número 23. A Junta pediu aos antigos dirigentes para editarem mais uma revista: o número 24. Isso foi feito e aquela edição circulou em junho. Foi a última feita em Fortaleza. Vivência transferia-se para sua morada definitiva em São Paulo.
Publicado o número 24, o acervo da Revista foi encaminhado para São Paulo. Foram dezesseis caixas de papéis; matérias para publicação, blocos de recibos de assinantes, revistas antigas, talões antigos de assinaturas, pastas de correspondências recebidas e expedidas. Uma papelada incrível. O telefone adquirido para a Revista durante sua estada em Fortaleza foi vendido, assim como os móveis e o dinheiro transferido para o ESG. E assim terminou essa aventura de Vivência no Ceará, deixando-nos muito honrados e saudosos.
Correríamos o risco de ser omisso se tentássemos agradecer a todas as pessoas que nos ajudaram durante nosso período à frente de Vivência. O apoio, o acatamento, o incentivo vieram do Brasil inteiro, de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Chegamos às seis mil assinaturas. As vendas avulsas se multiplicaram. Jamais conseguimos publicar todas as matérias que nos foram enviadas. Lançamos os RVs, uma idéia que julgamos boa.
Mas mesmo correndo o risco da omissão, gostaríamos de agradecer especialmente à Junta de Custódios que funcionou durante o período em que Vivência esteve em Fortaleza, da qual nunca recebemos uma censura, embora reconheçamos que às vezes, merecíamo-la, e que nos apoiou, sem reservas, o tempo todo. Nossa imorredoura gratidão. A segunda menção de agradecimento vai à Área de Rondônia, campeã absoluta de assinaturas por grupo naquele período. (Carvalho, Ceará)

Vivência chega a São Paulo – pág. 9 – Edição nº 25 a 35

O último período em que a Vivência ainda contava com diretoria própria.

A Vivência, vinda de Fortaleza, foi recebida em São Paulo por uma nova diretoria composta pelos companheiros Antonio F.; A. Barão; Mario S. e Sebastião A. O primeiro número editado no ESG foi o 25. Nessa edição podemos ler no editorial: O presente número traz algumas alterações diante das edições anteriores; no formato (aprovado na ultima reunião da JUNAAB), na escolha de texto (ao invés de adotar um único texto abrangente em cada número da revista, escolhemos um variado número de depoimentos de diversos companheiros, embora sinalizamos pela linha mestra de nossa revista – dar ênfase, também, às realizações de nossos organismos de serviços, na divulgação dos eventos nacionais). Diz-se que todo desconhecido causa temor. Nós, principiantes nesse trabalho dentro da Irmandade, reconhecemos que muito temos a aprender, também em termos de editar uma revista, mas dispomos de muita humildade para aceitar as críticas, sugestões e ajuda de todos os nossos companheiros para termos o mesmo êxito que tiveram aqueles que nos antecederam.”
Já na edição de número 27, lançada em janeiro de 1994, a Revista passou a ser bimestral, atendendo a pedidos de leitores e preocupando-se com o “esquecimento” que as edições trimestrais causavam aos assinantes.
Nesse período, até a edição de número 29, a revista Vivência deu muita ênfase aos eventos de A.A., inclusive dedicando suas capas a cada grande acontecimento da Irmandade. Além disso, a diagramação era composta basicamente por textos, sem muito recursos gráficos.
A edição de número 32 contou com inovações sutis, haja vista a mudança na diagramação, agora sob a responsabilidade dos diagramadores que até hoje trabalham para a Vivência. Esse projeto gráfico destacava mais as matérias, visando facilitar a leitura.
Essa diretoria compôs onze números da Revista, dos quais o último (de maio/junho de 1995) já estava, esteticamente, bem próximo da Vivência dos dias de hoje. Seguindo sua história, a edição de número 36 já passou a ser editada pelo Comitê de Publicações Periódicas, baseando-se numa ação da Conferência de Serviços Gerais de 1995 (CPP).

Edição Especial nº 63 – págs. 6,7,8 e 9

Alguns Procedimentos Editoriais

Como é editada a revista Vivência?

Critérios para a publicação de artigos

O CPP publica artigos considerados significativos do ponto de vista dos nossos Passos, Tradições e Conceitos, à luz dos Legados de Recuperação, Unidade e Serviço, desde que relatem experiências pessoais de membros da Irmandade e sejam escritas de membros da Irmandade e sejam escritas na linguagem do coração (na primeira pessoal do singular).
Também selecionamos artigos de profissionais amigos de A.A. que expressem pontos de vista de seus autores sobre o nosso Programa de Recuperação, ou compartilhem experiências de cooperação em suas respectivas áreas.
Eventualmente, quando necessário ou conforme os temas da edição, veiculamos artigos assinados pelo ESG ou por algum de seus Comitês Auxiliares.
A cada edição selecionamos três ou quatro artigos de Grapevine, La Viña, Share, El Triângulo e revistas de A.A. de outros países, providenciando a tradução. Cuidamos para que cada Revista traga a maior variedade possível quanto à procedência geográfica das contribuições financeiras.
Quando resta qualquer dúvida sobre um artigo ser publicável ou não, por mais remota ou leve que possa nos parecer uma eventual conseqüência negativa da sua publicação, optamos pela não publicação.
Aqui vale um comentário. Recebemos cerca de 60 artigos por mês. Vários são cartas pessoais, poesias, orações. Atualmente, não publicamos esse material. Outros são artigos que nos parecem “professorais”, ou seja, o autor fala muito sobre algum assunto e pouco ou nada sobre a sua vivência nesse assunto. Também chegam artigos que a princípio são publicáveis, mas identificam pessoas ou parecem dirigidos, como se fossem “recados”, e por isso não os publicamos. Além disso, há muitas matérias que podem causar controvérsia pública ou problemas de Unidade, entre grupos ou na Irmandade como um todo. Procuramos ser cuidadoso na aplicação dos critérios de publicação, também porque a Vivência é lida por muitos não-AAs.
O editorial redigido pelo CPP tem girado em torno do seguinte conteúdo: uma breve reflexão sobre o tema da edição, o destaque para um ou dois artigos, informações sobre as principais seções e, eventualmente, sobre o CPP, os assinantes ou a circulação da Revista. Também comentamos alguma novidade de Vivência (novas seções, avisos importantes, etc).

Quanto ao formato e projeto editorial

Vivência é uma revista bimestral em formato meio-ofício e um mini-pôster encartado. Tem seguido para os assinantes envoltos em papel pardo, para o resguardo do anonimato pessoal. Suas seções fixas têm sido as seguintes:
 Miniseção (2 ou 3 artigos sobre um outro tema; eventualmente, um trecho de nossa literatura
 Nossos Grupos (5 fotos de grupos enviadas ao CPP e selecionadas por ordem de chegada, resguardada a Tradição do Anonimato)
 Resumindo… (3 a 5 pequenos depoimentos, que sozinhos não ocupariam nem meia página, são aproveitados nesta seção)
 Você já leu? Resenha de 2 itens da nossa literatura, com a reprodução das capas)
 Re-Vivência (republicação de 1 artigo considerado muito significativo)
 Precisa-se (pedido de artigos e informações sobre como/quando o que escrever)
 COC ( O Comitê Organizador da Convenção – atualmente da Bahia – nos envia essa página já pronta)
 A.A. On Line (artigo sobre A.A. na Internet)
 Não se leve muito a Sério (o nome já diz tudo: é para o leitor relaxa)
 Cartas (3 a 5 cartas dos leitores para a Revista)
 Painel (notícias curtas sobre o cotidiano da Irmandade, aqui e no mundo)
 Eventos (uma agenda dos acontecimentos da Irmandade)
 Nossos Grupos (endereços das CENSAAs e ISAAs do Brasil)
 Tema para Discussão no Grupo (sugestão de reflexão para ser aproveitada em nossas reuniões)
 Vitor E. (charge da Grapevine, cujo personagem sempre escapa do primeiro gole)

Como se dá a edição?

Com servidores que nem sempre têm experiência nessa área, editar uma revista bimestralmente torna-se um desafio. Por isso, é certo que um Poder Superior tem nos ajudado a cumprir os prazos de expedição, ora com folga, ora com atropelos. O que chamamos de processo de edição da Vivência inicia-se com o recebimento de artigos, respondidos um a um, e depois lidos e triados. Fazemos a primeira revisão dos artigos publicáveis no próprio CPP. Quando vamos fechar uma edição, já temos os artigos separados. Aí já fica mais fácil. Lemos novamente cada matéria (de preferência em duas pessoas), atentamos para o português, fazemos o lead, selecionamos uma frase do próprio artigo para a janela e uma foto ou desenho para cada artigo e adequamos o título. Com certo número de artigos assim preparados e postos em seqüência, compomos a revista através de um diagrama de páginas. Está tudo pronto para a editoração eletrônica, atualmente feita pelo Mirandinha e pela Kátia, que são profissionais terceirizados.
A bola, ou melhor, o material fica com eles por cerca de dez dias e quando retorna já tem a cara da revista Vivência. Nosso trabalho agora é reler todo o material (também em duas pessoas) à procura de falhas. Nesta fase, por alguma necessidade, eventualmente ainda incluímos e excluímos matérias (o que não é muito bom para o diagramador e nem para nós, pois significa mais trabalho).
A prova retorna então aos diagramadores para que sejam feitas as correções necessárias e para incluir o que faltou na primeira revisão (as seções preparadas na última hora da edição: Painel, Eventos, Endereços, Sumário, Editorial). E eles então nos devolvem essa prova completa, para a segunda revisão.
Agora fica mais fácil. Conferimos se todas as correções e mudanças foram feitas e devolvemos a bola, com os eventuais ajustes finais.
Quando voltamos a pôr os olhos na Revista, ela já passou pela revisão técnica da Kátia e as páginas já estão impressas em filmes, que são enviados para impressão em gráfica comercial.
Depois de alguns dias, revisamos uma prova heliográfica (um modelo da Revista já impressa) que a gráfica nos manda. Se aprovarmos, a Revista estará impressa em poucos dias.
Quando a edição chega ao ESG, em pacotes, separamos 50 exemplares aleatoriamente e verificamos se não há páginas em branco ou outros problemas de impressão. Tudo ok, falta só a expedição aos assinantes – um trabalho feito pelos funcionários do ESG.

Edição Especial 63 – pág. 16

Alguns Procedimentos Editoriais

Como é editada a revista Vivência?

Critérios para a publicação de artigos

O CPP publica artigos considerados significativos do ponto de vista dos nossos Passos, Tradições e Conceitos, à luz dos Legados de Recuperação, Unidade e Serviço, desde que relatem experiências pessoais de membros da Irmandade e sejam escritas de membros da Irmandade e sejam escritas na linguagem do coração (na primeira pessoal do singular).
Também selecionamos artigos de profissionais amigos de A.A. que expressem pontos de vista de seus autores sobre o nosso Programa de Recuperação, ou compartilhem experiências de cooperação em suas respectivas áreas.
Eventualmente, quando necessário ou conforme os temas da edição, veiculamos artigos assinados pelo ESG ou por algum de seus Comitês Auxiliares.
A cada edição selecionamos três ou quatro artigos de Grapevine, La Viña, Share, El Triângulo e revistas de A.A. de outros países, providenciando a tradução. Cuidamos para que cada Revista traga a maior variedade possível quanto à procedência geográfica das contribuições financeiras.
Quando resta qualquer dúvida sobre um artigo ser publicável ou não, por mais remota ou leve que possa nos parecer uma eventual conseqüência negativa da sua publicação, optamos pela não publicação.
Aqui vale um comentário. Recebemos cerca de 60 artigos por mês. Vários são cartas pessoais, poesias, orações. Atualmente, não publicamos esse material. Outros são artigos que nos parecem “professorais”, ou seja, o autor fala muito sobre algum assunto e pouco ou nada sobre a sua vivência nesse assunto. Também chegam artigos que a princípio são publicáveis, mas identificam pessoas ou parecem dirigidos, como se fossem “recados”, e por isso não os publicamos. Além disso, há muitas matérias que podem causar controvérsia pública ou problemas de Unidade, entre grupos ou na Irmandade como um todo. Procuramos ser cuidadoso na aplicação dos critérios de publicação, também porque a Vivência é lida por muitos não-AAs.
O editorial redigido pelo CPP tem girado em torno do seguinte conteúdo: uma breve reflexão sobre o tema da edição, o destaque para um ou dois artigos, informações sobre as principais seções e, eventualmente, sobre o CPP, os assinantes ou a circulação da Revista. Também comentamos alguma novidade de Vivência (novas seções, avisos importantes, etc).

Quanto ao formato e projeto editorial

Vivência é uma revista bimestral em formato meio-ofício e um mini-pôster encartado. Tem seguido para os assinantes envoltos em papel pardo, para o resguardo do anonimato pessoal. Suas seções fixas têm sido as seguintes:
 Miniseção (2 ou 3 artigos sobre um outro tema; eventualmente, um trecho de nossa literatura
 Nossos Grupos (5 fotos de grupos enviadas ao CPP e selecionadas por ordem de chegada, resguardada a Tradição do Anonimato)
 Resumindo… (3 a 5 pequenos depoimentos, que sozinhos não ocupariam nem meia página, são aproveitados nesta seção)
 Você já leu? Resenha de 2 itens da nossa literatura, com a reprodução das capas)
 Re-Vivência (republicação de 1 artigo considerado muito significativo)
 Precisa-se (pedido de artigos e informações sobre como/quando o que escrever)
 COC ( O Comitê Organizador da Convenção – atualmente da Bahia – nos envia essa página já pronta)
 A.A. On Line (artigo sobre A.A. na Internet)
 Não se leve muito a Sério (o nome já diz tudo: é para o leitor relaxa)
 Cartas (3 a 5 cartas dos leitores para a Revista)
 Painel (notícias curtas sobre o cotidiano da Irmandade, aqui e no mundo)
 Eventos (uma agenda dos acontecimentos da Irmandade)
 Nossos Grupos (endereços das CENSAAs e ISAAs do Brasil)
 Tema para Discussão no Grupo (sugestão de reflexão para ser aproveitada em nossas reuniões)
 Vitor E. (charge da Grapevine, cujo personagem sempre escapa do primeiro gole)

Como se dá a edição?

Com servidores que nem sempre têm experiência nessa área, editar uma revista bimestralmente torna-se um desafio. Por isso, é certo que um Poder Superior tem nos ajudado a cumprir os prazos de expedição, ora com folga, ora com atropelos. O que chamamos de processo de edição da Vivência inicia-se com o recebimento de artigos, respondidos um a um, e depois lidos e triados. Fazemos a primeira revisão dos artigos publicáveis no próprio CPP. Quando vamos fechar uma edição, já temos os artigos separados. Aí já fica mais fácil. Lemos novamente cada matéria (de preferência em duas pessoas), atentamos para o português, fazemos o lead, selecionamos uma frase do próprio artigo para a janela e uma foto ou desenho para cada artigo e adequamos o título. Com certo número de artigos assim preparados e postos em seqüência, compomos a revista através de um diagrama de páginas. Está tudo pronto para a editoração eletrônica, atualmente feita pelo Mirandinha e pela Kátia, que são profissionais terceirizados.
A bola, ou melhor, o material fica com eles por cerca de dez dias e quando retorna já tem a cara da revista Vivência. Nosso trabalho agora é reler todo o material (também em duas pessoas) à procura de falhas. Nesta fase, por alguma necessidade, eventualmente ainda incluímos e excluímos matérias (o que não é muito bom para o diagramador e nem para nós, pois significa mais trabalho).
A prova retorna então aos diagramadores para que sejam feitas as correções necessárias e para incluir o que faltou na primeira revisão (as seções preparadas na última hora da edição: Painel, Eventos, Endereços, Sumário, Editorial). E eles então nos devolvem essa prova completa, para a segunda revisão.
Agora fica mais fácil. Conferimos se todas as correções e mudanças foram feitas e devolvemos a bola, com os eventuais ajustes finais.
Quando voltamos a pôr os olhos na Revista, ela já passou pela revisão técnica da Kátia e as páginas já estão impressas em filmes, que são enviados para impressão em gráfica comercial.
Depois de alguns dias, revisamos uma prova heliográfica (um modelo da Revista já impressa) que a gráfica nos manda. Se aprovarmos, a Revista estará impressa em poucos dias.
Quando a edição chega ao ESG, em pacotes, separamos 50 exemplares aleatoriamente e verificamos se não há páginas em branco ou outros problemas de impressão. Tudo ok, falta só a expedição aos assinantes – um trabalho feito pelos funcionários do ESG.

Edição Especial 63 – pág. 16

Aprendendo com a Vivência

Como trabalhamos hoje, para que a Vivência seja editada.

Em abril de 1996, o Comitê de Publicações Periódicas passou a ser coordenado pelo Companheiro Vagner, já bem apadrinhado pela José Roberto, além do companheiro Sebastião A. Ao longo desses quase três anos, o CPP recebeu a companheira Eliane G., que já conhecia a área editorial, e nos dias de hoje conta com o serviço do Marcelo e da Marlene, ambos nossos companheiros. Além desse pessoal, contamos com a Graça, que traduz textos com prontidão e competência, e com o França, que é fotógrafo.
No início do CPP, em 1995, após a última revisão do Manual de Serviços, o Comitê tratava apenas da edição da Revista, além de contato com leitores, CEVs e RVs. A distribuição da Vivência e os contatos com os assinantes ficavam por conta do Escritório de Serviços Gerais. É fato que naquela época havia problemas com a distribuição da Revista. Assim, o Comitê, além da edição, começou a controlar sistematicamente a distribuição aos assinantes, bem como todos os dados relativos a Vivência: quantidade de assinantes ativos, inativos, RVs, estoques, reclamações. Com o tempo, as falhas de distribuição reduziram-se a níveis aceitáveis.
A qualidade editorial da Revista, retrato da qualidade dos artigos encaminhados à redação, foi melhorando. Continuamos a publicação de artigos que retratavam experiências pessoais, além de matérias de profissionais conhecedores e amigos do nosso programa. Isso causou uma mudança em sua linha editorial, que paulatinamente passou a mostrar experiências vividas, ao invés de discussões e opiniões acerca de nosso Programa. Porém, perdemos de vista a finalidade maior da publicação: apresentar o Programa de A.A. Acreditamos que esse foi um dos dois motivos do aumento substancial no número de assinantes ativos da Vivência.
Outra possível explicação para que a Vivência fosse assinada por mias e mais pessoas, é a entusiasmada atuação dos Coordenadores Estaduais e Representantes da Vivência dos grupos. Com a manutenção diária do ingresso de assinantes, logo constatamos o crescimento da quantidade de assinaturas nas Áreas, sobretudo naquelas cujos CEVs atuam com maior dinamismo.
Hoje, o número de assinantes ativos gira em torno dos oito mil. Não foi fácil atingir essa marca, nem é fácil mantê-la. O sistema de renovação de assinaturas baseia-se no envio de correspondências a todos os leitores cujas assinaturas serão vencidas nos próximos dois meses. Quando não acusamos renovação, destinamos outra correspondência juntamente com o último exemplar a que o assinante tem direito. Se ainda assim a renovação não é efetuada, o assinante recebe uma carta cerca de dois meses após o vencimento. Finalmente, no término de cada ano temos lembrado a todos os assinantes que se tornaram inativos nesse período, que ainda podem renovar a sua assinatura.
Mensalmente recebemos em média quinhentas assinaturas novas. Nossos assinantes estão espalhados por todo o Brasil e também por outros países, como Argentina, Estados Unidos, Japão, Itália, Portugal e Angola.
Também temos nos ocupado com a divulgação da Vivência. Sabemos que a maior parte desse serviço é feita pelos RVs e CEVs. Atualmente estamos com 24 Coordenadores Estaduais da Vivência e aproximadamente novecentos RVs cadastrados. No entanto, sabemos que esse número não está correto e por isso estamos providenciando um recadastramento urgente.
Além disso, temos buscado outros meios de divulgá-la. Um exemplo recente é o dos marcadores de páginas, com motivos da Vivência, que estão à disposição da Irmandade.
Com relação à edição, no início a idéia era apenas continuar o atraente trabalho desenvolvido até ali. Portanto, os temas de capa foram mantidos e todas as seções fixas também. Mas, como às vezes “o bom é inimigo do melhor•, vieram algumas modificações”.
Com o tempo, notamos que a quantidade de artigos recebidos tendia a diminuir. Então adotamos a sugestão de veicular pedido de artigos em todas as edições. Além disso, passamos a informar os temas para o ano todo, sempre no mês de setembro do ano anterior. As medidas mostraram-se acertadas. Vimos que mais artigos passaram a chegar a cada mês. Vale dizer, também, que os critérios para a escolha de temas (sugeridos pro assinantes e servidores de A.A.) são eventuais necessidades da Irmandade e a facilidade para os leitores escreverem sobre eles.
As capas da Vivência têm sido definidas no início de cada ano, depois de termos escolhidos os temas de cada edição. Temos buscado mesclar imagens gráficas, desenhos e fotografias. Para o próximo ano, estamos pensando em criar pequeno texto, no sumário da revista, comentando as imagens de cada capa.

Vagner

Edição Especial nº 63 – pág, 14 – (edições 47 a 63)

Nossa Grande Reunião Brasileira

 “Não um manual. Jamais uma aula. Apenas o de sempre: nossas experiências pessoais, depoimentos a respeito do tema. Vocês fazendo a revista, na nossa tão conhecida e eficaz Linguagem do Coração.” (Trecho do Editorial da revista nº 38)

Cheguei cedo ao ESG naquele dia, antes das oito. Passei na copa, pedi uma garrafa
térmica com café e água gelada, fui atrás do Sebastião, entrei numa sala e sentei-me. Olhei em volta. Eu estava na sala de Vivência. Sentado na cadeira do coordenador da Vivência. Com os cotovelos na mesa do coordenador da Vivência.
Cara, eu era o coordenador da Vivência! De alto a baixo, correu-me um frio pela espinha. Tinha chegado a hora. A reunião da Junta havia acabado no domingo. No sábado, entrei na sala meio atrasado, com a reunião da JUNAAB já em andamento. Mal fechando a porta, foram logo anunciando: “Acabou de chegar o novo coordenador da Vivência”. A minha vontade naquela hora foi voltar para casa e me enfiar debaixo da cama. Será que eu tinha entendido mal? Na semana anterior, havia sido sondado para ser apenas um membro do Comitê que editava a revista. Consegui sentar-me e esboçar um sorriso meio assustado. Passei a reunião todo apreensivo, mas já fazendo alguns planos. Lembrei-me de uma das grandes lições que o Dr. Bob nos legou. Ele sempre dizia: “Sou apenas um instrumento de Deus”. Nessa época, ainda não era tão ligado com Deus como sou hoje, mas a lembrança me consolou muito, tirou parte do peso que sentia nos ombros e evitou que o encargo me subisse à cabeça. “Preciso ser apenas um instrumento”, pensei.
Passei aqueles primeiros dias mergulhado num mar de papéis. Lembro-me de que o maior trabalho, no começo, foi separar, com segurança, todo o material que já havia sido publicado. Fechamos tudo num arquivo com prazos para expurgo. Só então comecei a ler tudo o que ali havia. À medida que ia lendo, fui separando, numa pilha, o que poderia ser publicado. Eu tinha uma razoável experiência com textos, mas o que pesou mesmo nesse “o que poderia ser publicado” foi a minha experiência de alguns anos de A.A. Em nenhum momento tive dúvidas sobre qual deveria ser a linha editorial da revista Vivência. Nunca poderia ser uma publicação técnica. Porque nos só temos uma linguagem em A.A., um só jeito de nos expressarmos. É a Linguagem do Coração. O que eu falo de mim numa reunião sai do meu coração e entra direto no coração dos outros. O que os outros falam de si mesmos entra direto no meu. Os nossos livros, livretes, folhetos, fitas, vídeos são assim. Lembra-se daquela fita cassete com temáticas sobre os Doze Passos? Por que fez tanto sucesso? Porque ali ninguém dá aula, cada um fala só de si, direto, direto, de coração para coração. É assim que nós compartilharmos, que nós nos recuperamos da grave doença do alcoolismo, é assim desde que A.A. só tinha dois membros, Bill e Bob.
A revista não poderia ser diferente. A linha editorial dela tinha que ser a Linguagem do Coração. Ela ia ser uma “reunião impressa”. Lembram-se do editorial da revista nº 37, na parte final? Dizia: … A Vivência de outubro. A Vivência da primavera. A Vivência de sempre. A sua revista. “A nossa grande reunião brasileira”.
Começamos em dois o Comitê naquele período. O Sebastião, gráfico de profissão, e eu. Íamos editar a revista a partir da edição de número 36. Era muito pouca gente para trabalhar, mas nos dois anos que se seguiram o número aumentou somente para três. A verdade é que, para trabalhar com a edição da revista, não bastava boa vontade, tinha que ser do ramo.
Dois mês antes dessa época chegou ao ESG à noite num dia de semana e havia um movimento fora do normal. Fui logo informado de que a TV Bandeirantes iria entrevistar um companheiro sobre alcoolismo entre os jovens. Era um companheiro experiente, mas novo de idade, vinte e poucos anos. Eu não o conhecia, mas veio o Ércio, me puxou pelo braço, dizendo: “Vamos lá dentro, dar uma força para o garoto, para ele não ficar nervoso”. A entrevista aconteceu, foi ótima, no estilo de A.A., claro, o companheiro com o rosto nas sombras. Lembro-me de ter pensado naquela noite: “Se esse rapaz escreve tão bem quanto fala, seria um ótimo servidor para a Vivência”.
Ao final daquele primeiro dia de trabalho, liguei para ele e pedi um artigo. Dois dias depois, almoçamos juntos. Numa passada de olhos pelo artigo, deu para ver que ele era do ramo. Falei: “Vagner, você que prestar serviços na revista? Salário zero, muita dor de cabeça, uma trabalheira, mas muita sobriedade, também” Ele respondeu: “Quero”, e está lá até hoje.
A revista precisava de uma marca, uma identificação, de forma a que cada número se diferenciasse do outro e ficasse na lembrança do leitor. O que poderia ser?
Tema, claro. Os periódicos de grande circulação têm um assunto principal, as boas revistas de A.A. de outros países tinham temas. Consultamos alguns mentores, em especial o Carvalho, que já tinha tido alguma experiência com temas no seu período da Revista no Ceará. Todos foram unânimes a respeito. Hoje em dia, fica até difícil imaginar a Vivência sem um tema.
Outra coisa que também pegou para valer foi a foto da página central. Foi criada para dar um descanso ao leitor no meio da revista. Idéia do Gaspar, na época diretor administrativo, mas que em sua vida particular fazia filmagens e era muito criativo. Não resisti e comecei a colocar também pequenas frases ao lado das fotos para, além do descanso, proporcionar um momento de reflexão. “Daquele tempo, a página central que mais repercutiu foi da Vivência nº 38, com uma foto meio maluca e a frase: A recaída não começa no primeiro gole, ela termina no primeiro gole”.
Queríamos muitas fotos e ilustrações. Logo, porém, uma dura descoberta. Nada podia ser reproduzido ou copiado, tudo tinha direito autoral, desenhos ou fotos, tudo era pago ou alugado. Tivemos que ir atrás de desenhistas e organizar arquivo próprio de fotos.
As capas eram uma fonte permanente de preocupação. Elas precisavam transmitir, quase sem palavras, só com imagens, como seria aquela edição. Após muita conversa, optamos por fotos. Não me esqueço de uma noite no ESG, o Gaspar meio misterioso, com um pacotinho debaixo do braço, me chamou para uma salinha e distribuiu quase vinte fotos sobre a mesa. “Pode escolher a capa”. Era a nossa estréia, a edição nº 36, o tema Apadrinhamento. As fotos haviam sido tiradas numa Praça em Santos e levara uma tarde inteira. Acabamos ficando com aquela com a flor vermelha em relevo, lembra-se?
A capa que mais gostei foi da edição com o tema “A Mulher”. A foto original foi tirada no Parque do Ibirapuera e o quadro que o modelo aparece pintando está até hoje na sala da Vivência, no ESG.
Lembro-me também de uma reunião decisiva com o Mirandinha, responsável pela diagramação e arte final. O nome dele é Jorge Custódio, todo mundo o chama de Mirandinha, inclusive a mulher, até hoje não sei por quê. É um profissional pago, não AA. Trabalham ele e a esposa, Kátia, ela ótima em português. Tinha ouvido falar muito bem deles. Ficamos algumas horas trocando idéias sobre como deveria ser a revista. Folheamos junta a revista “Saúde”, as “Seleções”, revistas de A.A. de outros países. Combinamos de introduzir recursos como “lead” e janela, ou olho, usados para atrair o leitor ao texto. O “lead” é aquele texto curto, geralmente em itálico, logo abaixo do título. A janela é aquele quadradinho com uma frase no meio do texto. Observe jornais e outras revistas.
O fato é que essa parceria deu muito certo. As mudanças, introduzidas a partir da revista nº 36, foram muito bem recebidas pela Irmandade.
Assistimos também, nesse período, ao aparecimento dos primeiros CEVs, os Coordenadores Estaduais da Vivência, um encargo que tem tudo para se tornar o grande elo entre os assinantes, os RVs e o Comitê da Revista.
Foram dois anos nesse Comitê. Fechamos nosso ciclo com a edição da Vivência nº 46, aquela colorida, especial para o cinqüentenário de A.A. no Brasil, em 1977. Ficamos num estande muito bem montado na Convenção do Rio de Janeiro e a atração principal, sem dúvida, foi a edição colorida. Foi emocionante ver as filas de companheiros, mesmo assinantes, para levar a Revista. Se você não se lembra, ela contém a história completa de A.A. em nosso País. Trata-se de um trabalho fantástico feito por um companheiro, que levou muitos dias (e noites) pesquisando papéis, cartas, documentos e caixas e mais caixas no ESG.
Dois anos se passaram. O fato é que, num determinado dia de 1996, lá estava eu novamente. Sentado na cadeira do coordenador da Vivência, com os cotovelos na mesa do coordenador da Vivência. Só que eu não era mais o coordenador da Vivência.
Levantei-me, dei um forte abraço em todo mundo, devolvi a garrafa térmica e a água gelada e fui embora, para minha cidade do interior, para meu pequeno grupo de A.A.
O que eu ia fazer agora? Pensei em me tornar um velho resmungão, a reunião toda pigarreando no fundo da sala. Mas não, pensei, nem sou assim tão velho. Eu ia era me candidatar a alguma coisa, desde que não fosse o tesoureiro, claro, isso era uma velha promessa.
Hoje sou tesoureiro do pequeno grupo no qual freqüento.

José Roberto
Edição Especial nº 63 – pág. 10
( período da edição nº 36 a 46)

Atenção, assinantes da Vivência

Gostaríamos de lembrá-lo (a) de alguns detalhes essenciais para que continue recebendo os exemplares correspondentes à sua assinatura:

1. Se você mudar de endereço, não deixe de nos avisar, por telefone, fax, carta ou e-mail;
2. Ao fazer ou renovar sua assinatura, verifique se o endereço está completo, pois temos recebido cupons sem o “número” da rua ou avenida;
3. Quando for o caso e nos enviar o depósito bancário que você fez, como comprovante da assinatura, nunca envie o original: tire uma cópia para nós e guarde o original.

Esses cuidados permitem que você possa receber fresquinha, cada
Edição fresquinha! Por eles, nós do CPP lhe agradecemos.

Partilhando um privilégio

 Nos idos de 1979, um AA brasileiro escreveu uma carta para Lois, a esposa de Bill W. e co-fundadora da Irmandade Al-Anon. A resposta de Lois veio um mês depois. Publicamos ambas as cartas, que o companheiro nos enviou como colaboração.

Rio de Janeiro, 26 de dezembro de 1979.

Querida Lois:

Você não pode imaginar a minha satisfação por estar-lhe escrevendo. Definitivamente, trata-se de um privilégio contatar a figura histórica que é a esposa do inesquecível Bill, um dos dois homens usados por Deus como Suas ferramentas na criação e construção de Alcoólicos Anônimos.
Não tenho como não registrar a minha gratidão por tudo o que você fez por Bill durante o longo tempo de seu alcoolismo ativo, como também pelo muito que você deu de si após a fundação de nossa Irmandade. Você é uma mulher fantástica e sou grato a Deus porque você nasceu. Poucos sabem, não fosse você e talvez A.A. nem existisse.
Sou também muito agradecido a Deus pela vida de Bill, Bob e Anne. O Deus vivo conhece bem àqueles a quem Ele escolhe para realizar suas tarefas.
Quando cheguei a Alcoólicos Anônimos, Bill já havia falecido. O Senhor já o havia levado para a morada celestial. Tenho a esperança de que um dia seremos vizinhos na Casa do Senhor.
Quero aproveitar a oportunidade para perguntar se Bill recebia ficha quando celebravam seus aniversários de sobriedade. Ele ficava eufórico? Como era o comportamento dele?
E quanto a você, amava-o muito?
Creia, ficarei imensamente feliz se puder responder a esta carta.
Peço desculpas por estar incomodando; não pude resistir à tentação de escrever.
Com votos de felicidade e antecipadamente agradecido.

Edison H.

São Paulo, 29 de janeiro de 1980.

Querido Edison:

Grata por sua carta de 26 de dezembro, a qual li com grande prazer.
Eu fiquei com Bill por meu bem-estar e também porque o amava. Sem ele iria sentir-me muito infeliz.
Em muitas partes dos Estados Unidos, as fichas não são entregues em aniversários, os quais celebram-se com bolos e uma festa depois das reuniões.
No caso de Bill, os primeiros grupos realizavam anualmente uma grande festa, vindo gente de todas as partes e isso acontecia em outubro ou novembro. Bilhetes eram vendidos. Às vezes Bill não lembrava quando tomara seu último gole. Pessoalmente, ele nunca deu muita atenção à passagem de seu aniversário. Para ele o mais importante era manter-se sóbrio hoje. Isso lhe era suficiente. Bill lutava muito para obter a humildade verdadeira.
Você já leu os livros que ele escreveu? Através desses livros você poderá formar um retrato de Bill, o homem. Além do livro “Alcoólicos Anônimos”, ele escreveu “Os Doze Passos”, “As Doze Tradições” e “A.A. Atinge a Maioridade”. Existe uma compilação dos escritos de Bill no livro intitulado “Na Opinião do Bill”. Este último é esplendido e o leio sempre que posso.
Você escreve em inglês muito bem. Você é um americano vivendo no Brasil? Ou um brasileiro que aprendeu um inglês perfeito?
Eu também escrevi um livro chamado “Memórias de Lois”, que fala muito sobre Bill e o início de A.A.
Tudo de bom para você e escreva outra vez.
Com gratidão,

Lois

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AMBIÇÃO NA OPINIÃO DO BILL

AMBIÇÃO
“NA OPINIÃO DO BILL”

NA OPINIÃO DO BILL 19
O vinho do sucesso
Não são somente os problemas inesperados e desagradáveis que requerem o auto-controle. Devemos ser igualmente cuidadosos, quando começamos a ter uma certa importância e sucesso material. Jamais alguém amou tanto os triunfos pessoais como nós; bebíamos o sucesso como se fosse um vinho que nunca pudesse falhar em nos fazer sentir eufóricos. Cegos pelo orgulho da autoconfiança, éramos capazes de bancar os importantes.
Agora que estamos em A.A. e sóbrios, conquistando de novo a estima de nossos amigos e companheiros de trabalho, descobrimos que ainda precisamos exercitar especial vigilância. Como segurança contra os perigos da mania de grandeza, podemos com freqüência nos checar, não esquecendo que estamos sóbrios hoje, somente pela graça de Deus, e que qualquer sucesso que possamos ter, o sucesso é mais d’Ele do que nosso.
Os Doze Passos, pág. 79

NA OPINIÃO DO BILL 40
Conquista material
Nenhum membro de A.A. quer condenar os avanços materiais. Nem entramos em discussão com muita gente que se agarra à crença de que satisfazer nossos desejos básicos é o objetivo principal da vida. Mas estamos convencidos de que nenhum tipo de pessoa no mundo jamais se atrapalhou tanto, tentando viver segundo esse pensamento, como os alcoólicos.
Estávamos à procura de mais segurança, prestígio e romance. Quando parecíamos estar sendo bem-sucedidos, bebíamos para viver sonhos ainda maiores. Quando estávamos frustrados, mesmo um pouco, bebíamos para esquecer.
Em todas essas lutas, muitas delas bem-intencionadas, nosso maior obstáculo era nossa falta de humildade. Faltava-nos ver que a formação do caráter e os valores espirituais tinham que vir em primeiro lugar e que as satisfações materiais eram simplesmente subprodutos e não o principal objetivo da vida.
Os Doze Passos, pág. 61

NA OPINIÃO DO BILL 46
A verdadeira ambição e a falsa
Concentrávamos muito em nós mesmos e naqueles que nos cercavam. Sabíamos que éramos cutucados, por medos ou ansiedades descabidos, a uma vida que levava à fama, dinheiro e ao que supúnhamos que fosse liderança. Assim, o falso orgulho tornou-se o outro lado da terrível moeda com a marca do “medo”. Simplesmente tínhamos que ser a pessoa mais importante, a fim de encobrir nossas inferioridades mais profundas.
* * *
A verdadeira ambição não é aquilo que achávamos que era. Ela é o profundo desejo de viver de maneira útil e caminhar humildemente, sob a graça de Deus.
1 – Os Doze Passos, pág. 109
2 – Os Doze Passos, pág. 110

NA OPINIÃO DO BILL 131
Obstáculos em nosso caminho
Vivemos num mundo cheio de inveja. Em grau maior ou menor, todos são contaminados por ela. Desse defeito, certamente devemos obter uma satisfação deturpada, porém definida. Se assim não fosse, por que perderíamos tanto tempo desejando o que não temos, em vez de trabalhar para obtê-lo, ou furiosamente procurando qualidades que nunca teremos, em vez de nos ajustar ao fato aceitando-o?
* * *
Cada um de nós gostaria de viver em paz consigo mesmo e com seus semelhantes. Gostaríamos de nos assegurar de que a graça de Deus pode fazer por nós aquilo que não podemos.
Temos visto que os defeitos de caráter, baseados em desejos imprevidentes e indignos, são obstáculos que bloqueiam nosso caminho em direção a esses objetivos. Agora vemos, com clareza, que estivemos fazendo exigências irracionais a nós mesmos, aos outros e a Deus.
1 – Os Doze Passos, pág. 57
2 – Os Doze Passos, pág. 65

NA OPINIÃO DO BILL 135
Vitória na derrota
Convencido de que nunca poderia fazer parte e jurando nunca me conformar com o segundo lugar, eu sentia que simplesmente tinha que vencer em tudo que quisesse fazer: trabalho ou divertimento. Como essa atraente fórmula de boa-vida começou a dar resultado, de acordo com minha idéia de sucesso, tornei-me delirantemente feliz. Mas quando acontecia de um empreendimento falhar, me enchia de ressentimento e depressão que só podia ser curado com o próximo triunfo. Portanto, muito cedo comecei a avaliar tudo em termos de vitória ou derrota – “tudo ou nada”. A única satisfação que eu conhecia era vencer.
* * *
Somente através da derrota total é que somos capazes de dar os primeiros passos em direção à libertação e à força. Nossa admissão da impotência pessoal finalmente vem a ser o leito de rocha firme, sobre o qual podem ser construídas vidas felizes e significativas.
1 – Grapevine de janeiro de 1962
2 – Os Doze Passos, pág. 13

NA OPINIÃO DO BILL 138
Dois caminhos para os membros mais antigos
Os fundadores de muitos grupos finalmente se dividirem em duas classes, conhecidas na linguagem de A.A. como “velhos mentores” e “velhos resmungões”.
O velho mentor vê sabedoria na decisão do grupo para dirigir a si mesmo e não guarda ressentimento ao ver reduzido seu “status”. Seu julgamento fortificado por considerável experiência, é justo, ele está disposto a ficar de lado, aguardando com paciência os acontecimento.
O velho resmungão está certamente convencido de que o grupo não pode caminhar sem ele. Ele constantemente “mexe os pauzinhos” para reeleição ao cargo e continua sendo consumido pela autopiedade. Quase todos os membros mais antigos de nossa sociedade passaram por isso, em maior ou menor grau. Felizmente, a maior parte deles sobreviveu para se transformar no velho mentor. Estes vêm a ser a verdadeira e duradoura liderança de A.A.
As Doze Tradições, pág. 18

NA OPINIÃO DO BILL 160
Os racionalizadores e os modestos
Nós, os alcoólicos, somos os maiores racionalizadores do mundo. Fortalecidos com a desculpa de que estamos fazendo grandes coisas para o bem de A.A., podemos, através da quebra do anonimato, continuar com nossa antiga e desastrosa busca do poder e prestígio pessoal, honras públicas e dinheiro – as mesmas ambições implacáveis que quando frustradas uma vez nos conduziram à bebida.
* * *
O Dr. Bob foi na realidade uma pessoa muito mais humilde do que eu, e o anonimato ele compreendeu muito facilmente. Quando se soube com toda a segurança que ele estava para morrer, alguns de seus amigos sugeriram que se erguesse um monumento ou mausoléu em sua homenagem e de sua esposa Anne – digno de um fundador e sua esposa. Contando-me a esse respeito, o Dr. Bob sorriu e disse: “Deus os abençoe. Eles têm boa intenção, mas que sejamos enterrados, tanto você como eu, da mesma maneira como são todas as pessoas”.
No cemitério de Akron, onde jazem o Dr. Bob e Anne, a lápide simples não diz sequer uma palavra a respeito de A.A. Esse exemplo comovedor e definitivo de modéstia provará ser de maior valor para A.A., a longo prazo, do que qualquer promoção pública ou qualquer monumento grandioso.
1 – A.A. Atinge e Maioridade, pág. 262
2 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 122 e 123

NA OPINIÃO DO BILL 185
Bumerangue
Quando estava com dez anos, eu era um rapaz alto e desajeitado e me sentia muito mal com isso, porque os moleques menores que eu sempre levavam vantagens nas brigas. Eu me lembro de que estive muito deprimido durante um ano ou mais, daí comecei a desenvolver uma grande vontade de vencer.
Um dia, meu avô chegou com um livro sobre a Austrália e me disse: “Este livro diz que ninguém, a não ser um camponês australiano, sabe fabricar e atirar um bumerangue”.
Pensei: “Aqui está minha oportunidade.” “Serei o primeiro homem na América a fabricar e atirar um bumerangue.” Bem, qualquer moleque poderia ter uma idéia como essa. Isso poderia ter durado dois ou três dias como duas ou três semanas. Mas tive uma força motivadora que se manteve durante seis meses, fiz um bumerangue que pôde dar a volta no pátio da igreja, em frente da casa, quase atingindo meu avô na cabeça quando o bumerangue estava voltando.
Com emoção, lancei a moda de um outro tipo de bumerangue, um que quase me matou posteriormente.
A.A. Atinge a Maioridade, págs. 48 e 49

NA OPINIÃO DO BILL 198
Contar ao público?
“Alguns AAs de notoriedade mundial às vezes dizem: Se eu contar ao público que estou em Alcoólicos Anônimos, isso vai então trazer muitos outros. Expressa assim a crença de que nossa Tradição do anonimato não está certa – Pelo menos para eles”.
“Esquecem que, durante seus dias de bebedeiras, suas principais metas eram prestígio e a ambição de se elevar socialmente. Não percebem que quebrando o anonimato, estão inconscientemente perseguindo outra vez aquelas antigas ilusões perigosas. Esquecem que preservar o anonimato significa muitas vezes o sacrifício do desejo pessoal de poder, prestígio e dinheiro. Não vêem que, se essas lutas ser tornarem gerais em A.A., o curso de nossa história seria mudado; que estariam lançando a semente de nossa própria destruição como sociedade.”
“No entanto, posso felizmente dizer que, embora muitos de nós sejam tentados – e eu fui um deles –, poucos de nós aqui na América realmente quebram nosso anonimato, a nível público.”
Carta de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 214
Apenas tentar
Em minha adolescência eu tinha que ser um atleta, porque eu não era atleta. Tinha que ser músico, porque não podia entoar a melodia mais simples. Tinha que ser líder de minha classe no internato. Tinha que ser o primeiro em tudo, porque em meu coração perverso eu me sentia em mim mesmo a última das criaturas de Deus. Não podia aceitar minha profunda sensação de inferioridade, e assim me tornei capitão do time de beisebol, e assim aprendi a tocar violino. Tinha que ser sempre o líder. Foi essa espécie de exigência “tudo ou nada” que mais tarde me destruiu.
***
“Estou contente porque você vai tentar esse novo trabalho. Mas esteja certo de que vai apenas ‘tentar’. Se você tiver a atitude de que ‘devo ser bem-sucedido, não devo falhar, não posso falhar’, então você praticamente vai garantir o fracasso, que por sua vez vai garantir sua recaída na bebida. Mas se você considerar o empreendimento como apenas uma experiência construtiva, então tudo sairá bem.”
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 49
2 – Carta de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 235
Em busca da fé perdida
Muitos AAs podem dizer a uma pessoa sem fé: “Fomos desviados da fé que tínhamos quando crianças. Com a chegada do sucesso material, achamos que estávamos ganhando no jogo da vida. Isso era animador e nos fazia felizes.”
“Por que deveríamos nos preocupar com abstrações teológicas e deveres religiosos ou com o estado de nossas almas, aqui ou no além? A vontade de ganhar nos levaria para frente.”
“Então o álcool começou a nos dominar. Finalmente, quando todos os nossos cartões de contagem de pontos marcavam ‘zero’ e vimos que mais um golpe nos poria fora do jogo para sempre, tivemos que buscar nossa fé perdida. Foi em A.A. que reencontramos.”
Os Doze Passos, pág. 20

NA OPINIÃO DO BILL 282
Instintos descontrolados
Toda vez que uma pessoa impõe seus instintos irracionalmente aos outros, vem a infelicidade. Se a busca da riqueza pisa naqueles que venham a estar no caminho, então a raiva, a inveja e a vingança serão igualmente despertadas. Se o sexo se desenfreia, há um tumulto semelhante.
Exigir de outras pessoas excessiva atenção, proteção e amor só pode despertar o domínio ou a revolta nos próprios protetores – duas emoções tão doentias quanto às exigências que as provocam. Quando o desejo de prestígio de um indivíduo se descontrola, seja num grupo de mulheres costurando ou numa conferência internacional, outras pessoas sofrem e muitas vezes se revoltam. Esse choque de instintos pode produzir, tanto uma leve descortesia quanto uma grande revolta.
Os Doze Passos, pág. 35

AL-ANON

AL-ANON
OS GRUPOS FAMILIARES AL-ANON SÃO UMA ASSOCIAÇÃO DE PARENTES E AMIGOS DE ALCOÓLICOS QUE COMPARTILHAM SUA EXPERIÊNCIA, FORÇA E ESPERANÇA, A FIM DE SOLUCIONAR OS PROBLEMAS EM COMUM. O ALCOOLISMO É UMA DOENÇA QUE ATINGE TODA A FAMÍLIA. O AL-ANON NÃO ESTÁ LIGADO A NENHUMA SEITA, RELIGIÃO OU MOVIMENTO POLÍTICO. NÃO EXISTEM TAXAS PARA SER MEMBRO. PROPÓSITO AL-ANON: PRESTAR AJUDA A FAMILIARES E AMIGOS DE ALCOÓLICOS.
O QUE O AL-ANON SIGNIFICA PARA OS PARENTES E AMIGOS DE ALCOÓLICOS

Embora muitos de nós saibamos que o alcoolismo é uma doença, poucos o reconhecem como umadoença da família que pode afetar emocional, espiritual e, muitas vezes, fisicamente, três ou quatro pessoas em cada lar.

O Al-Anon nos dá a segurança de que nenhuma situação é tão difícil e nenhuma infelicidade é tão grande que não possa ser amenizada. Com a compreensão de que o alcoolismo é uma doença, e com o reconhecimento de que somos impotentes perante ela, bem como perante outras pessoas, estaremos prontos para fazer alguma coisa útil e construtiva com nossas próprias vidas. Somente então poderemos ser úteis aos outros.

Sem a ajuda espiritual, conviver com um alcoólico é demais para a maioria de nós. Nos tornaremos nervosos, irritados e ressentidos. Nossos pensamentos se tornam confusos e as nossas perspectivas distorcidas. Uma mudança na nossa atitude pode ser uma enorme ajuda e, muitas vezes, é a força para o bem que finalmente inspira um alcoólico a procurar ajuda.

O programa Al-Anon é uma maneira espiritual de vida, baseada nos Doze Passos de Alcoólicos Anônimos. O estudo desse programa e dos seus Doze Passos nos fortalece e nos orienta para resolver muitos problemas difíceis.

O PROPÓSITO DO AL-ANON

Ajudar familiares e amigos de alcoólicos, oferecendo esperança e amizade, proporcionando a oportunidade de aprender a crescer espiritualmente pela prática dos Doze Passos adotados de Alcoólicos Anônimos, e compartilhando experiências sobre a convivência com a doença do alcoolismo e como aprender a compreender e encorajar o alcoólico.
Extraído do panfleto de divulgação Al-Anon: Alcoolismo, a Doença da Família – Recuperação. Páginas: 3 e 4. Tradução autorizada de P-4Alcoholism, the Family Desease.

ENTÃO VOCÊ AMA UM ALCOÓLICO…

Tenha coragem, existe esperança!

O ALCOOLISMO É UMA DOENÇA

A primeira coisa que você deve saber, acreditar e aceitar é que os alcoólicos sofrem de uma doença verdadeira – uma doença que afeta todos que os rodeiam.

A Associação Médica Americana e muitas outras autoridades no mundo inteiro declaram que os alcoólicos sofrem de uma doença sobre a qual não tem controle. O alcoolismo não é causado por fraqueza de vontade, imoralidade ou desejo de fazer sofrer os outros.

Progressos científicos na compreensão desta doença redefiniram idéias antigas, baseadas na superstição, ignorância e preconceito. O sucesso deste enfoque está provado pela poderosa evidência de milhares de recuperações em Alcoólicos Anônimos, Al-Anon e Alateen.

Ao aceitar a idéia de que o alcoolismo é uma doença para a qual as pessoas que bebem de forma problemática, aqueles que se preocupam com elas podem encontrar alívio, não terá motivo para se envergonhar do alcoolismo – ou temê-lo.

APRENDA OS FATOS
Tire da cabeça tudo o que você pensa que sabe sobre o alcoolismo. Depois dedique-se a aprender sobre a doença.

Leia tudo o que for possível sobre a doença do alcoolismo. Grande quantidade de informação pode ser encontrada em bibliotecas públicas na internet.

Ir às reuniões abertas de Alcoólicos Anônimos pode proporcionar, em primeira mão, conhecimentos sobre o alcoolismo dos próprios alcoólicos em recuperação. As reuniões abertas podem ser assistidas por qualquer pessoas interessada no problema do alcoolismo. O AA geralmente é encontrado na lista telefônica.

AGORA AJUDE-SE
Não espere para procurar ajuda. Qualquer pessoa que tenha sofrido com os efeitos da maneira de beber de outra pessoa enfrenta tensões e pressões emocionais constantes e precisa de ajuda para aliviá-las. Você encontrará alívio, compreensão, apoio e calorosa ajuda num Grupo Familiar Al-Anon. Como disse um membro, ali você “aprenderá a viver de novo”.

Os Grupos Familiares Al-Anon (Al-Anon e Alateen) são formados por esposas, maridos, pais, companheiros, filhos e outros parentes e amigos de alcoólicos. Com quase 28.000 grupos no mundo inteiro, pode ser que exista um nas proximidades. Os membros são compassivos, bem informados e conhecem por experiência, problemas exatamente como os seus porque eles também os têm!

O Al-Anon pode estar na lista telefônica. Se não estiver ligue para o AA ou para o serviço local de informação sobre alcoolismo.

Não hesite em assistir por se sentir um estranho; qualquer pessoa que sinta que sua vida possa ter sido afetada pela maneira de beber de outra pessoa é bem vinda.

Fale com os membros antes e depois da reunião; discuta suas dificuldades com eles. Conversas com membros do Al-Anon que compartilham problemas similares o ajudarão a aceitar que o alcoolismo é uma doença, e não um pecado. Compartilhar este conhecimento pode ajudá-lo a iniciar a sua recuperação.

ALGUNS IMPORTANTES “FAÇA” E “NÃO FAÇA”

Se o alcoólico de sua vida ainda está bebendo, aprender o que não fazer é uma parte importante do programa. Substituir essas atitudes por outras mais positivas é igualmente importante.

– Não trate o alcoólico como criança; considere esta pessoa como se estivesse sofrendo de alguma outra doença.

– Participe regularmente de reuniões de Al-Anon e encontre um grupo onde você possa se sentir à vontade.

– Não fique controlando para ver quanto o alcoólico está bebendo, procurando bebidas escondidas, ou jogando bebida fora.

– Procure ajuda entre as reuniões ligando para os companheiros e lendo a Literatura Aprovada pela Conferência (LAC) do Al-Anon diariamente.

– Não aborreça o alcoólico sobre a bebida. Jamais discuta quando ele estiver sob os efeitos do álcool.

– Lembre-se de que não podemos controlar, causar ou curar o alcoolismo.

– Não faça sermões, repreenda ou entre em discussões com o alcoólico.

– Participe, pelo menos de seis reuniões antes de decidir se o Al-Anon é para você.

Essas sugestões podem levar a uma disposição mental mais satisfatória. Todos esses Faça e Não Faça têm boas e sólidas razões que surgiram da experiência de muitos membros.

Os alcoólicos sofrem de sentimentos de culpa muito além do que o não-alcoólico pode imaginar. Fazê-los lembrar dos fracassos, negligência com a família e amigos, ou erros sociais, é perda de esforço. Isso apenas torna a situação pior.

A tática do “se você me amasse” é igualmente inútil. Lembre-se de que o alcoolismo é compulsivo por natureza e não pode ser controlado pela força de vontade. Igualmente inúteis são as promessas, adulações, argumentações e ameaças. Não ameace, a menos que esteja preparado para cumprir a ameaça.

Fique em guarda contra a atitude de julgar mais perfeito. Hostilidade e desprezo não podem curar uma doença e são atitudes inconvenientes.

Às vezes uma crise – a perda do emprego, um acidente ou uma prisão – podem convencer o alcoólico da necessidade de ajuda. Em ocasiões como essas, mimos e superproteção não são úteis. A crise pode ser necessária para a recuperação.

Não faça nada para evitar que essas crises aconteçam – não cubra cheques sem fundo, não pague contas atrasadas, não dê desculpas ao patrão em nome dele. O sofrimento que você está tentando aliviar por meio dessas atitudes pode ser exatamente aquilo que o alcoólico precisa para perceber a seriedade da situação.

SE O ALCOÓLICO PEDIR AJUDA
Muitas vezes, o primeiro sinal do desejo de parar de beber, por parte do alcoólico, ocorre ao final de um período de desespero e falta de esperança. Pode acontecer durante o remorso de uma ressaca, ou pode ser precipitado por uma crise.

É aí que o o seu conhecimento sobre alcoolismo e suas atitudes mais sensatas em relação ao alcoólico serão de grande ajuda. À desesperada pergunta: “O que devo fazer?” simplesmente diga que existe muita ajuda disponível. Se ele pedir sugestões, você pode ser específico, mencionando o AA e outros recursos de ajuda que você possa ter encontrado.

Entretanto, lembre-se de que este resultado não pode ser forçado e pode não ocorrer nunca. O alcoólico precisa estar pronto para receber ajuda antes de poder ser ajudado. Nem mesmo insista para que o alcoólico utilize a palavra “alcoólico”. Até mesmo uma frase como: “Talvez eu tenha um problema com a bebida”, pode significar o reconhecimento da necessidade de ajuda.

Quando ficar claro que o alcoólico quer ajuda, uma conversa com um membro de AA pode ser o próximo passo – não solicitado por você, mas pelo alcoólico.

Seja qual for a medida a ser tomada, a decisão precisa ser do alcoólico. Deve ficar bem claro que ele está dando este passo livremente.

Nessa hora, você pode ajudar a si mesmo mantendo-se em estreito contato com os companheiros e seu Grupo Al-Anon. O Al-Anon pode continuar a ajudar, que o alcoólico ainda esteja bebendo, ou não.

O CAMINHO DE VOLTA
Para os alcoólicos que não adotam o programa de AA, a época da recuperação pode ser difícil. Lembre-se constantemente do Lema “Vá com calma”. Não espere recuperação imediata e completa para o alcoólico ou para a família. Assim como a doença do alcoolismo levou um longo tempo para se desenvolver, a convalescença também é um processo lento. Podem ocorrer o que conhecemos como “bebedeiras secas”, isto é, tensões emocionais do alcoólico que não tem nada a ver com a bebida. Seja paciente. Nessas ocasiões, você pode achar que as coisas estão piores do que quando ele bebia, mas não estão. Paciência e tolerância vão ajudar a passar essas horas difíceis.

Durante um ano ou mais, depois de parar de beber, a fadiga extrema pode ser um dos sintomas do alcoólico pela falta do álcool. Não tente forçar as coisas. Planeje suas próprias atividades e continue a ir às reuniões do Al-Anon.

Não seja superprotetor. Os alcoólicos em recuperação precisam aprender a viver num mundo onde se consome álcool e responder por si mesmos.

Previna-se contra ciúmes e ressentimentos com relação ao método de recuperação escolhido. Muitos alcoólicos precisam de reuniões diárias de AA. Apenas lembre-se que é um tratamento para uma doença. Seja grato ao fato do alcoólico procurar recuperação mesmo que isso signifique que ele se ausente de casa para receber ajuda.

À medida que o alcoólico se livrar dos velhos amigos, hábitos e fantasmas das bebedeiras, haverá tempo para outros entusiasmos, inclusive o AA. Incentive a mudança. Quando você começar a encontrar atividades interessantes para si mesmo no Al-Anon, isso tira o foco do alcoólico e você se torna responsável por sua própria felicidade. Ambos estarão no caminho de uma nova vida juntos, cada um a seu próprio modo.

Todos podem ter recaídas e retrocessos. Não os leve a sério. Acredite que foi formada uma base firme para a recuperação. Se você achar que um dos dois cometeu erros, aprenda com esses erros e esqueça-os. Desligue-se das decepções e retrocessos e siga em frente!

O caminho a trilhar não é sempre fácil, mas pode ser cheio de maravilhosas recompensas. A recuperação dos efeitos do alcoolismo é possível. O Al-Anon pode ajudar.

Os Grupos Familiares Al-Anon são uma associação de parentes e amigos de alcoólicos que compartilham sua experiência, força e esperança, a fim de solucionar os problemas que têm em comum. Nós acreditamos que o alcoolismo é uma doença que atinge a família e que uma mudança em nossas atitudes pode ajudar na recuperação.

O Al-Anon não está ligado a nenhuma seita, religião, movimento político, organização ou instituição, não se envolve em qualquer controvérsia, nem endossa ou se opõe a qualquer causa. Não existem taxas para ser membro. O Al-Anon é auto-suficiente através das contribuições voluntárias de seus próprios membros.

O Al-Anon tem apenas um propósito: prestar ajuda a familiares e amigos de alcoólicos. Fazemos isso, praticando os Doze Passos, encorajando e compreendendo nossos parentes alcoólicos, bem como acolhendo e proporcionando alívio a familiares de alcoólicos.

Veja também esta bela mensagem. Quase um hino para nós, Al-Anon:
http://grupovisao-es.blogspot.com.br/2012/04/so-por-hoje.html

Tradução autorizada de: So you Love na alcoholic.

O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O PROGRAMA:

Os Grupos Familiares Al-Anon são uma associação de parentes e amigos de alcoólicos que compartilham sua experiência, força e esperança, a fim de solucionar os problemas que têm em comum.

Nós acreditamos que o alcoolismo é uma doença que atinge a família e que uma mudança em nossas atitudes pode ajudar na recuperação.

ANONIMATO

Como Associação de homens e mulheres familiares e amigos de alcoólicos, o Al-Anon não é anônimo, mas seus membros o são individualmente: preservamos o anonimato uns dos outros. Por isso, nas reuniões de Al-Anon do mundo inteiro encontramos exposto um cartão que diz:

Quem você vê aqui,
O que você ouve aqui,
Quando sair daqui,
Deixe que fique aqui.

LIGAÇÕES SOCIAIS OU POLÍTICAS

O Al-Anon não está ligado a nenhuma seita, religião, movimento político, organização ou instituição. Não se envolve em qualquer controvérsia, nem endossa ou se opõe a qualquer causa.

ALATEEN

Os Grupos Alateen são destinados a adolescentes e jovens dos 12 aos 20 anos. As reuniões seguem o mesmo programa e os mesmos princípios do Al-Anon, cabendo aos membros experientes do Al-Anon, garantir, através de um apadrinhamento, a realização das mesmas, de forma que os seus participantes tirem o melhor proveito.

QUANTO SE PAGA PARA PARTICIPAR

Não existem taxas para ser membro. O Al-Anon é auto-suficiente, através das contribuições voluntárias de seus próprios membros.

OBJETIVO:

O Al-Anon tem apenas um propósito: prestar ajuda a familiares e amigos de alcoólicos.
Fazemos isso, praticando os Doze Passos, encorajando e compreendendo nossos parentes alcoólicos, bem como acolhendo e proporcionando alívio a familiares de alcoólicos.
COMO FUNCIONAM NOSSAS REUNIÕES
Para cada reunião é escolhido um tema. A palavra é aberta e qualquer membro pode pedir a palavra. Cada depoimento tem um tempo limite, que não deverá ser ultrapassado, em respeito aos outros. Você não é obrigado a dizer nada, se não quiser. O depoimento é ouvido em silêncio. Em nossos reuniões, não existem conselhos. Nosso aprendizado acontece por meio dessa troca de experiências, pelo aprendizado da programação ( 12 passos, 12 tradições, 12 conceitos, os 3 legados, lemas, etc ) e pela literatura.
PRATICANDO OS PRINCÍPIOS

Os instrumentos do programa Al-Anon nos permitem tomar parte ativa no processo de aceitação, que às vezes é lento e sutil. Por exemplo, os lemas de Al-Anon, como “Viva e deixe viver”, “Vá com calma”, “Até que ponto isso é importante?” e“Que comece por mim” muitas vezes, podem convergir nossas atitudes para uma direção positiva. Atividades construtivas, como o envolvimento em serviço no Al-Anon, ajudam a muitos de nós a permanecer intimamente ligados aos princípios básicos do Al-Anon. Eles nos proporcionam um contato íntimo com outros membros da associação quando, de outra forma, poderíamos nos sentir isolados.

O Passo Quatro ( 1), um minucioso e destemido inventário moral, que examina nossa condição, pode ajudar a por em ordem nossos sentimentos, escolhas e responsabilidades. Vagas projeções de desastres podem ser identificadas e desafiadas. Podemos descobrir comportamentos ou atitudes que nos beneficiavam no passado, mas que não nos servem mais. Honramos a nós mesmos quando tomamos tempo para examinar profundamente nossa realidade. Quando fazemos o Passo cinco (2) e compartilhamos o que aprendemos com outra pessoa assim como com o nosso Poder Superior, demonstramos disposição para mudar.

Mesmo depois de identificar e admitir defeitos de caráter específicos, muitos de nós achamos que eles ainda persistem. Às vezes temos que aceitar a nós mesmo, nossos defeitos e tudo o mais, antes de que estes defeitos sejam removidos. À medida que continuamos a perceber os efeitos dessas atitudes e padrões de comportamento que não nos servem mais, fazemos o Passo Seis (2) ficando inteiramente prontos para que Deus os remova.

Pode exigir humildade descobrir que, apesar de fazer a nossa parte, somos impotentes para eliminar sozinhos nossos defeitos. Precisamos fazer o Passo Sete (2) e pedir a ajuda de nosso Poder Superior. Muitos de nós achamos que esse pedido é um dos mais eficazes instrumentos de recuperação do Al-Anon. Mesmo que tenhamos lutado com a ideia de um Poder Superior, aprendemos que pedir ajuda funciona, não importa o quanto tenhamos duvidado.

( 1 ) Os Doze Passos Comentados – 1ª Parte:
http://alanon-es.blogspot.com.br/2012/05/os-12-passos-comentados-1a-parte.html

( 2 ) Os Doze Passos Comentados – 2ª Parte:
http://alanon-es.blogspot.com.br/2012/05/os-12-passos-comentados-2a-parte.html

Os Doze Passos Comentados – 3ª Parte:
http://alanon-es.blogspot.com.br/2012/05/os-12-passos-comentados-3a-parte.html

Como funcionam os 12 passos:
http://alanon-es.blogspot.com.br/2012/05/os-12-passos.html

Você pode compartilhar essa postagem com alguém. Basta clicar no envelope logo abaixo de cada postagem, no rodapé do Blog.

OS 12 PASSOS COMENTADOS: 1a. PARTE

PASSO UM

Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o controle de nossas vidas.

Admitir que não podemos controlar a vida ou as ações de alguém que amamos pode ser difícil, mas o Passo Um é essencial se pretendemos solucionar o nosso problema. Uma vez que podemos admitir a nossa impotência, paramos de tentar compelir o alcoólico a parar de beber; sabemos que não podemos fazer isso. Paramos de amolar, implorar e reclamar. Sabemos que é inútil. Voltamos a nossa atenção para a tarefa de governar as nossas próprias vidas, sobre as quais havíamos perdido o controle por causa dos nossos esforços inúteis e frustrados de trabalhar sobre outra pessoa.

Admitir que não podemos controlar outra pessoa nos dá um tal alívio das tensões, que a nossa atitude melhorada pode permitir que o alcoólico perceba que precisa de ajuda.

PASSO DOIS

Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia nos devolver a sanidade.

Note o tremendo significado deste Passo. Admitimos que a situação que estivemos tentando controlar e dirigir distorceu o nosso ponto de vista. Neste ponto, em nosso desespero, viemos a acreditar que podemos e precisamos encontrar a ajuda espiritual de um Poder maior do que o nosso. Para muitos, este Poder é conhecido como Deus, mas cada um de nós tem a liberdade de usar o seu próprio conceito.

É esse Poder que vai nos devolver um estado de espírito racional, de maneira que possamos lidar com a destruição provocada em nossas vidas pelo alcoolismo.

PASSO TRÊS

Tomamos a decisão de entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, como nós O concebíamos.

Observe com que lógica um passo leva ao seguinte. Admitimos que éramos impotentes perante o álcool e que, por nós mesmos, não éramos capazes de enfrentar nossos problemas. Acreditávamos que a ajuda estava à nossa disposição. E agora, neste Passo Três, entregamos nossos problemas aos cuidados de Deus, como nós O concebemos. Entregamos aos Seus cuidados, não somente os nossos problemas, mas toda a nossa vida. Ao tomarmos esta decisão, tomamos uma atitude de humildade, pois, sem ela, não estaremos prontos para seguir a Sua orientação. É difícil reconhecermos que não podemos controlar nossas vidas sem orientação, mas esta é a essência do crescimento espiritual.

PASSO QUATRO

Fizemos um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.

Agora que tentamos aprender a submissão a um Poder Superior, há atitudes a serem tomadas e trabalho a ser feito – por nós. Temos que procurar dentro de nós mesmo pela verdade daquilo que realmente somos – as nossas boas qualidades, assim como os nossos defeitos.

Encarar os defeitos não é fácil. Todos nós somos dados a nos justificar, encontrando boas razões para as nossas atitudes e ações. Mas este deve ser um inventário honesto. Jogamos a culpa de todas as crises e de todos os problemas no alcoólico? Sentimos pena de nós mesmos, ressentidos com o que a vida fez conosco, certos de que nada disso foi culpa nossa? Somos intolerantes, amargurados, desesperados, desconfiados? Qualquer defeito que desenterremos neste destemido inventário moral tentaremos erradicar.

Devemos ser justos e honestos ao avaliar as nossas boas qualidades. Este é o alicerce sobre o qual vamos construir!
OS 12 PASSOS COMENTADOS: 2a. PARTE

PASSO CINCO

Admitimos para Deus, para nós mesmo e para um outro ser humano, a natureza exata de nossos defeitos.

Uma vez que tenhamos admitido os nossos defeitos para nós mesmos à medida que os descobrimos, encontraremos grande conforto reconhecendo-os perante Deus e pedindo a Sua ajuda para removê-los. Também há maior alívio em falar sobre eles com um amigo compreensivo, um médico, um clérigo ou com membros do nosso Grupo Al-Anon.

À medida que compartilhamos nossos problemas, o peso que estivemos carregando parece que vai ficando mais leve e aprendemos a nos ver como realmente somos. Neste ponto, nossos pensamentos começam a clarear. Encontramos a compreensão de pessoas que têm problemas semelhantes. Confiamos nelas porque sabemos que elas respeitarão nossas confidências. Temos a sensação de pertencer. Não estamos mais sozinhos.

PASSO SEIS

Ficamos inteiramente prontos para que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.

Este processo é, com efeito, uma continuação do Passo Cinco. Precisamos de apoio espiritual do nosso programa para remover os defeitos que nos estão causando tantos aborrecimentos, e o modo de consegui-lo é nos voltar para Deus em busca de ajuda.

A tônica do Passo Seis é a frase: Ficamos inteiramente prontos.

Note também que este Passo especifica “todos” os defeitos de caráter. Podem existir alguns que estejam tão profundamente enraizados, que talvez nem os reconhecemos como defeitos, ou outros, como a autopiedade, aos quais estamos tão ligados, que dificilmente podemos encarar a possibilidade de nos soltar deles.

PASSO SETE

Humildemente, pedimos a Ele para remover nossas imperfeições.

Outra vez nos voltamos para nosso Poder Superior, entregando a Ele o problema dos defeitos, que agora estamos tão ansiosos por nos livrar. Pedimos orientação, não apenas uma vez, mas muitas vezes, do começo ao fim do dia, nos lembrando da tremenda tarefa que temos diante de nós. A palavra-chave é humildemente. O reconhecimento de que precisamos de um Poder Superior a nós mesmos. A humildade nos ajudará a nos vermos em uma perspectiva real e a mantermos nossas mentes abertas à verdade.

PASSO OITO

Fizemos uma lista de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a fazer reparações a todas elas.

Podemos causar prejuízos graves a outras pessoas, quando nos deixamos absorver totalmente pelo problema do alcoólico em nossas vidas. Ele não só distorce a nossa atitude e comportamento em relação ao alcoólico, mas também em relação a outros membros da família e amigos. Podemos prejudicá-los pela ação direta, por negligência ou por não dar atenção às suas necessidades.

Se, consciente ou inconscientemente, carregamos este fardo de culpa, isso deve ser apagado, fazendo reparações. Somente então encontraremos paz de espírito e um padrão mais racional de pensamento e comportamento.

Pode ser um sincero pedido de desculpas por um erro ou uma descortesia. Pode ser um ato generoso e amigável para compensar uma injustiça ou uma negligência. A boa vontade em fazer reparações, muitas vezes cria a oportunidade de fazê-las de forma natural e não tão embaraçosa, e isso leva ao crescimento espiritual.

OS 12 PASSOS COMENTADOS: 3a. PARTE

PASSO NOVE

Fizemos reparações diretas a essas pessoas, sempre que possível, exceto quando fazê-lo viesse prejudicá-las ou a outras pessoas.

É necessário um estudo cuidadoso das circunstâncias para decidir se as reparações podem ser feitas sem provocar mais prejuízos. Depende das pessoas envolvidas, da natureza da situação, e talvez até mesmo das mudanças que ocorrerão, caso tenha transcorrido um longo período de tempo. Será útil consultar um amigo de confiança.

A importância do Passo Nove é fazer reparações, se isso for possível e correto, quando todos os fatores tiverem sido considerados. Contudo, a honestidade proíbe usar esta opção como um álibi para não fazer reparações quando elas podem e devem ser feitas.

PASSO DEZ

Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.

À medida que cumprimos as sugestões dos nove Passos anteriores, percebemos que estamos fazendo progresso, mas auto-avaliação e o inventário pessoal devem ser um processo diário e contínuo. Talvez agora tenhamos nos desenvolvido até o ponto de podermos reconhecer, imediatamente, qualquer comportamento indelicado ou imprudente da nossa parte e corrigi-lo de pronto.

Como a nossa preocupação é com o alcoólico e as nossas reações aos problemas causados pela bebida, temos que ter cuidado especial em não voltarmos aos nossos velhos hábitos de importunar, reclamar, mandar, e nossa pretensão de grande virtude, ou seja lá qual for o nosso padrão de costume. Tudo o que fazemos e dizemos em relação ao alcoólico pode ser uma influência para o melhor ou o pior.

PASSO ONZE

Procuramos, através da prece e meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, como nós O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e a força para realizar essa vontade.

Estamos nos esforçando para obter um despertar espiritual, no qual nos tornamos prontamente conscientes do nosso Poder Superior. À medida que meditamos sobre esse novo modo de vida, percebemos que somos guiadosa cada vinte e quatro horas, sucessivamente, e nos tornamos mais consciente de Deus quando sentimos o Seu poder orientador.

Toda manhã, pedimos a Deus como nós O concebemos, para nos guiar e nos dar força e coragem para realizar Sua vontade. No fim de cada dia agradecemos a Ele pela Sua ajuda.

PASSO DOZE

Tendo tido um despertar espiritual, por meio destes Passos, procuramos levar esta mensagem a outras pessoas e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.

Esta é a culminação triunfante – o resumo dos Doze Passos. É o reconhecimento de que alcançamos uma profunda consciência de Deus e de nossa relação com Ele, e que estamos prontos para continuar o trabalho, levando aos outros a luz que encontramos.

Estes Passos funcionam para os que precisam deles e os querem. Podem nos ajudar a encontrar respostas para todos os nossos problemas. Quanto mais nos dedicamos ao programa, mais recebemos dele. Somente quando praticamos estes princípios em todas as nossas atividades e damos desinteressadamente aquilo que recebemos, é que encontramos a paz de espírito que procuramos.

SÉTIMA TRADIÇÃO DE A.A.

” A SÉTIMA TRADIÇÃO E O AMOR ”

POR: EDSON H.

Quando um doente alcoólico aplica em sua vida pessoal o nosso Programa de Recuperação – os Doze Passos – sua desintegração é detida e sua unificação é iniciada. O Poder que agora mantêm-no integrados numa unidade sobrepõe-se àquelas forças que o tornaram marginalizado.”.
Bill nos diz que o mesmo princípio se aplica a cada grupo de A.A. e a Alcoólicos Anônimos de forma global.
“Se como membro de A.A. cada um de nós recusar o prestígio público e renunciar a qualquer desejo de poder pessoal; se, como Associação, insistirmos em permanecer pobre, evitando, assim, as querelas por propriedades e sua administração; se, resolutamente, declinarmos as alianças de tipo político, sectário ou de qualquer classe, evitaremos a divisão interna e a notoriedade pública; se, como uma Associação, mantivermo-nos uma entidade espiritual, preocupada apenas em levar a nossa mensagem aos alcoólatras que sofrem, sem esperar recompensa ou honorários, poderemos levar a cabo, de forma mais efetiva, a nossa missão”.
`A unidade de A.A. não pode preservar-se automaticamente. Da mesma forma como o fazemos com a recuperação pessoal, devemos dar tudo de nós para preservar a unidade. Como tudo mais em A.A., aqui também necessita de honestidade, humildade, mente aberta, generosidade e, sobretudo, vigilância.”
`Nossa Declaração de Unidade diz que devemos colocar em primeiro lugar o bem-estar comum para manter nossa Associação coesa.”E complementa afirmando que da unidade em A.A. dependem nossas vidas e as vidas daqueles que venham”.
As Doze Tradições têm a intenção de estabelecer princípios sólidos de conduta do e suas relações públicas. Elas são suficientemente consistentes para converterem-se num guia básico de proteção ao A.A. como um todo e penso que devemos aplicá-las tão seriamente à nossa vida de grupo quanto o fazemos conosco, de forma individual, com os Doze Passos de Recuperação, onde o Décimo Segundo – na parte de levar a mensagem – “é o serviço básico prestado pela comunidade A.A.” “E nosso principal objetivo e a razão primordial de nossa existência”. Portanto, diz-nos Bill, “A.A. é algo mais que um conjunto de princípios. E uma Sociedade de alcoólatras em ação. Devemos levar a mensagem, pois se não o fizermos podemos recair e, além disso, aqueles a quem não se a transmite, podem perecer. E prossegue Bill”:
“Portanto, um serviço em A.A. é tudo aquilo que, seja o que for, ajuda-nos a alcançar uma pessoa que sofre, passando por todos os degraus, desde o Décimo Segundo Passo propriamente dito, até urna chamada telefônica; desde uma xícara de café, até o Escritório de Serviços Gerais. A soma destes serviços é o nosso Terceiro Legado”.
“Os serviços incluem lugares para reuniões, cooperação com hospitais e com escritórios intergrupais; supõem a utilização de folhetos, livros e uma boa publicidade. Requerem comitês, delegados, custódias e conferências. E, não podemos esquecer, tudo isto requer contribuições voluntárias de dinheiro por parte dos membros da Comunidade”.
Conquanto saibamos que as nossas contribuições não são, de forma alguma, uma condição para pertencermos à Sociedade de Alcoólicos Anônimos, devemos nos sentir muito felizes ao colaborar financeiramente para que determinadas prestações de serviço tornem-se exeqüíveis.
Deve haver prazer em contribuir, não apenas para que obedientes à Sétima Tradição sejamos realmente auto-suficientes. Como vejo, é muito mais que isso. Nossa participação pecuniária em verdade deve representar um gesto de generosidade e de desprendimento que não pode ser substantivado como despesa e, sim, como investimento, ratificando o texto da Oração de São Francisco que diz que “é dando que se recebe”, Trata-se de uma ação espiritual. O ideal é que nunca venhamos a participar nas sacolas porque alguém usou de termos coercitivos conosco. Se coação houver, que seja de nossa própria consciência, o que ainda não é bom, já que a linguagem do coração é a que o surdo ouve, a que o cego vê e a que o mudo fala – o idioma universal de Alcoólicos Anônimos. Aqui cabe a reflexão que diz que não devemos, apenas, dar a quem pede, mas oferecera quem não ousa pedir, porque acima da generosidade que dá, está a generosidade que oferece.
É belíssima a Sétima Tradição, inclusive no que diz respeito à democratização do dinheiro. Muito além do dever, temos, todos, o direito assegurado dela participar. É nesse momento que nos é oferecida uma oportunidade de contribuir na redistribuição das bênçãos que recebemos desde que chegamos ao A.A. E quem redistribui as bênçãos recebidas, fica com todas elas. Espiritualmente, o que nos torna ricos não é o que guardamos. E o que damos. A sacola tem o aroma do amor. Amor que se afirma quando não nos esquecemos de tantos alcoólatras que se encontram nas penitenciárias, nos hospitais psiquiátricos, nos xadrezes dos distritos policiais ou em baixo de viadutos, passando fome e enfrentando as duras noites do inverno quando os cobertores que os aquecem são jornais velhos e amarelados. E o que dizer do colchão dessas pessoas? Quando colocamos o nosso dinheiro na sacola, generosamente, sabendo que uma parte dele se destinará aos nossos organismos de serviço – que realizarão o trabalho do 12° Passo, através do C.T.O., também com outros alcoólatras além daqueles que acabo de mencionar – por certo estaremos alegrando o coração de Deus. Não nos esqueçamos que a oração do Pai Nosso, usada por milhares de grupos no mundo inteiro, não nos foi ensinada no singular. Em sendo “Pai Nosso”
o seu Autor nos diz claramente que somos todos irmãos. Se, ao colocarmos o dinheiro na sacola, fazemo-lo com sovinice e frieza, não estamos observando que Aquele que tirou nossa obsessão pelo álcool, e que nos mantém sóbrios, sabe o que estamos fazendo. Nossos companheiros não sabem, porque a contribuição é anônima. Mas, Deus sabe. Ele irá aferir se estamos ou não olhando para os bêbados irmãos assumindo a condição de irmãos dos bêbados.
Frases rotineiras apresentadas aos recém-chegados, tais como “Obrigado, companheiro. Você veio nos ajudar” ou “Fique conosco porque eu preciso de você”, são importantes e legítimos subsídios para nos convencermos de que a nossa espontânea e eficiente participação financeira representa não menos que uma maneira de agilizar a chegada de novos membros visto que, por exemplo, o dinheiro destinado à criação e manutenção de CENSAAS, ISAAS, Comitês de Área, ESG. Etc. possibilita a execução de determinados serviços que os grupos isoladamente estão incapacitados de realizar. E se não estamos faltando com a verdade quando dizemos aos “ingressantes” aquelas frases, chegamos à conclusão óbvia de que a nossa participação com o dinheiro traz a contrapartida de nosso próprio benefício. Ou estaremos mentindo para os recém-chegados quando dizemos que deles necessitamos?
Quando afirmamos aos companheiros, nas reuniões, que lhes devemos as nossas vidas, abaixo de Deus, e que meios não há como resgatar a divida contraída pela nossa salvação, muitos de nós, até possivelmente por inadvertência, desatenta para a extensão dessa declaração. Estamos todos conscientizados de que todo “ingresso” representa um fator multiplicador de nossa segurança, tanto que agradecemos aos “ingressantes” o fato de virem nos ajudar. Por conseguinte, quando a nossa participação na sacola é rateada entre o dinheiro e o descaso, não estamos senão minimizando o nosso grau de reconhecimento por aquela dívida, pois se temos, muitos de nós, condições de contribuir mais generosamente para robustecer fundos que irão dinamizar tarefas que possibilitem a agilização da chegada de novos membros e não o fazemos, implicitamente estamos prejudicando àqueles a quem confessamos o nosso débito, visto que os novos “ingressantes” são tão importantes para nós quanto o são para os que nos ajudaram em nossa salvação. Não estaremos sendo contraditórios os confrontos das palavras com a ação?
A Sétima Tradição é urna célula num corpo constituído de doze e, tal como as demais, não devemos permitir que cancerize. Diferentemente do resto do mundo que, por motivos econômicos, permanentemente conflita, nessa Tradição se aloja um poderoso fator de fortalecimento de nossa Sociedade pois na medida em que obtemos recursos materiais que viabilizem a consecução da sublime tarefa de levar mais mensagens a mais alcoólatras, maior é o número de “ingressantes” e, por conseguinte, doses mais robustas de soro espiritual recebemos.
Quando não faço nada em favor dos alcoólatras ainda no cativeiro, já estou fazendo. Estou sendo parceiro do álcool nas devastações que causa, e alegar que minha omissão tem sido inconsciente não muda nada moralmente porque o homem é responsável por todos os seus atos, até mesmo os inconscientes. Não há espelho que melhor reflita a imagem do homem que as suas ações.
Deus ama àquele que dá sorrindo e, talvez, seja mais sensível ao sorriso do que ao próprio dom. Participar em A.A. não é um dever. É um privilégio.
Quando chegamos ao A.A. pela primeira vez, carregávamos toda sorte de distorções, com o egoísmo sendo mestre-sala na escola de samba de nossa miséria. Aprendemos, ao vivenciar os Doze Passos, que aquele excessivo amor ao bem próprio, sem atender ao dos outros, tinha que ser um dos alvos prioritários no bombardeio a que nos dispusemos realizar, municiados pelos projéteis que Alcoólicos Anônimos nos oferece. Mas, o egoísmo pode apresentar-se com mil e urna roupagens, não sendo inviável que, incontáveis vezes, passe imperceptível aos nossos olhos.
Não obstante o programa não recomendar que nos grupos fiquemos o resto de nossas vidas a remexer no lodaçal do nosso passado alcoólico, salvo quando nossa palavra tem por destino um `ingressante “, é de capital importância não consentirmos que os acontecimentos `daqueles tempos” evadam para o vale do esquecimento. Não devemos fazer deles – os acontecimentos – uma câmara de torturas. Entretanto, convém-nos impedir que se apaguem de nossas mentes não só para que nos ajudem a detectar os nossos instintos distorcidos – genitores de todos os males que produzíamos – como também para que possamos, pela nossa própria experiência, jamais não dar valor à angústia e ao sofrimento daqueles que na loteria da vida ainda não foram premiados com o ingresso” em Alcoólicos Anônimos, portanto, fortes candidatos à loucura, à prisão ou à morte prematura.
Nós, que no passado fomos personagens de uma peça em que o álcool era o astro, que desculpas encontraremos para dar a Deus se um dia Ele nos perguntar se nunca nos esquecemos das mulheres e dos filhos de doentes alcoólicos aos quais Alcoólicos Anônimos não conseguiu transmitir a mensagem porque fria e egoisticamente ficamos indiferentes aos apelos de reforço na sacola que muitas vezes companheiros nos trouxeram? Quando nos lembrarmos do que fazíamos às nossas crianças quando bebíamos, não podemos nos permitir esquecer das crianças daqueles que ainda não se uniram a nós. Não há como ignorar a verdade de que a criança que não é amada tem muitos nomes. Na hidrografia de A.A. o egoísmo é nascente do rio cujas águas são constituídas pela indiferença, pelo desinteresse e pela insensibilidade. No ecossistema de A.A., o desprezo pela sacola é poluente rio programa de recuperação. E não é degradável.
Somos veementes na afirmação de que o alcoolismo é uma doença de determinação fatal e que por isso reserva aos seus portador três destinos: hospitalização, presídio ou morte prematura. A sociedade, por seu turno – leiga no assunto – vê no alcoólatra um patife, um imoral, um desprezível ser desprovido de um mínimo de força de vontade, conceito em que se fundamenta para assumir sua posição de desdém e de insensibilidade. Para a sociedade, em regra, o alcoólatra é um ser asqueroso, hediondo, sórdido, imundo, repugnante e descarado, Cabe aqui perguntar:
Quando ficamos privados de Centrais de Serviços porque os recursos provenientes dos grupos que as criariam e sustentariam inexistem – e inexistem porque não damos ao cumprimento da Sétima Tradição o devido respeito e a merecida atenção – não estaremos tratando àqueles que ainda se encontram reativando a doença através da ingestão do 1° gole com o mesmo desprezo com que o faz a sociedade não esclarecida? Ela não é esclarecida, mas nós somos. Somos?
Alcoólicos Anônimos não pede e não quer o sacrifício de ninguém. Assim, se um dos nossos membros ao colocar certa quantia na sacola souber, de antemão, que com o seu gesto o litro de leite não poderá ser comprado na manhã seguinte, por favor, não coloque aquilo que em verdade significa a subtração de sua saúde e de seus familiares. Alcoólicos Anônimos não deseja comprometer a saúde de quem quer que seja. Por outro lado, envolve incoerência que eu vá à cabeceira de mesa fazer uma declaração de amor ao A.A., justificando-a com o muito com que tenho sido favorecido desde o meu `ingresso”, mas não traduzindo em ação tão decantado amor. Provamos a nos mesmos o nosso amor por alguém ou por uma causa quando os nossos atos, voluntários, naturais e até inconscientes são atos de amor, Procuremos manter bem viva em nossa mente que o bem que se faz num dia, é semente de felicidade para o dia seguinte. Por que não semear todos os dias se a colheita é nossa?
O autor conhece alguns companheiros que recordam com profundo pesar o período de suas vidas a que denominam de “fase de infidelidade” a seus grupos. Dispunham de recursos para oferecer maior contribuição na sacola, mas comportavam-se com avareza, obrigando com isso outros a participar com importâncias significativas, compensatórias do seu gesto de sovinice. Mais ainda: ficavam sem ir ao grupo por vários dias e quando reapareciam deixavam de contribuir também pelos dias de ausência, “esquecendo” que o aluguel da sala, a conta da luz e outros gastos não se interrompiam com o seu afastamento. Esses confessos admitem que se constituía numa fraude suas declarações de gratidão a Alcoólicos Anônimos posto que conquanto Deus lhes oferecesse ai mais uma oportunidade de tornar efetivas tais declarações, eles não as materializavam. Envergonhados, graças a Deus, ainda têm diante de si a visão de companheiros desempregados ou beneficiários da Previdência Social contribuindo avidamente, apesar de todas as suas dificuldades. Ao que parece – é o que dizem aqueles que se autodenominam de “infiéis” – os desempregados e os aposentados, bem compreendiam os dois seguintes trechos escritos por Bill no livro “Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade”:
1. “Recusamos o generoso dinheiro de fora e decidimos viver à nossa custa”. –
Pág. 257
2. “Em outra reunião, tratou-se do tema dinheiro em A.A. e houve uma discussão salutar. O principio de A.A. de que “não há taxas nem mensalidades obrigatórias” pode ser’ interpretado e racionalizado corno: “Não existem responsabilidades individuais ou deveres de grupo de forma alguma” e esta idéia errada foi totalmente eliminada nessa reunião. Por `unanimidade, chegou-se a conclusão que, através de contribuições voluntárias, as contas legitimas dos grupos, áreas e A.A., como um todo, precisam ser pagas – Pág. 27.
Logo no primeiro parágrafo da pág. 39 da 5ª edição em português do livro “As Doze Tradições” está escrito: “Alcoólatras auto-suficientes? Onde já se viu isso? No entanto descobrimos que é isso o que devemos ser (inexiste destaque no original)”. E prossegue: “O principio é um indicio revelador das profundas modificações ocorridas em todos nós (não há destaque no original)”.. E finaliza o parágrafo dizendo: “Uma sociedade composta apenas de alcoólatras dizer que vai pagar todas (o destaque não consta do original) as suas contas constitui, realmente, uma novidade”.Ante o transcrito, formulo duas indagações: Ocorreram ou não em todos nós as modificações a que Bill alude? Estamos de fato pagando todas as nossas contas? Lembremo-nos incessantemente que a ingratidão é a amnésia do coração. Se de fato reconhecemos que se Deus não houvesse colocado A.A, em nossas vidas talvez nem vivos estivéssemos, o mínimo que nos cabe é não consentir que jamais se apague em nós o sentimento de gratidão, já que a gratidão é a memória do coração. A maioria de nós crê firmemente que Alcoólicos Anônimos é uma criação de Deus. Não estaremos, muitos de nós, com relação à Sétima Tradição, com freqüência, assumindo uma posição ateísta? Lembremo-nos de que Deus se basta a si mesmo, mas Ele conta conosco para realizar suas tarefas.
Na página 32 do livrete “OS CO-FUNDADORES DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS” encontramos a seguinte mensagem de Bill: “A automanutenção é o conceito essencial da responsabilidade madura. Esperávamos crescer, em A.A., e nos mantermos independentes. Havíamos assumido esta responsabilidade, estamos dando conta do recado, e recusamos com firmeza quaisquer contribuições externas” (os destaques não aparecem no original). Em face desse pronunciamento de Bill, não seria ocioso aqui fazer-se um inventário:
1. A automanutenção tem sido o nosso conceito essencial da responsabilidade madura?
2. Ternos nos empenhado em nos manter independentes?
3. Estamos dando conta do recado?
4. Temos recusado com firmeza quaisquer contribuições externas?
Atentemos para a expressão `independentes” utilizada por Bill. Como todos sabemos, “independente” significa “que não depende de ninguém ou de nada, que não está sujeito a ninguém ou a nada”. Poderíamos, HONESTAMENTE, afirmar que a maioria dos nossos grupos não depende de ninguém e que não está sujeito a ninguém?
Há um registro de Bill nas páginas 39 e 40 no livro “As Doze Tradições” (5ª edição em Português) muito interessante: “Desde logo se patenteou que ao passo que os alcoólatras abriam generosamente as suas bolsas nos casos do Décimo Segundo Passo, sentiam tremenda aversão em pingar seu dinheirinho num chapéu passado numa reunião com a finalidade de atender a algum interesse do grupo”.
Uma análise corajosa desse texto nos conduzirá à conclusão do óbvio: O valor que se coloca na sacola não é do conhecimento de ninguém. Entretanto, quando se chega na sala trazendo um provável membro, todos vêem. E aí não importa que se tenha gastado R$ 50,00 de táxi para ir buscar o candidato. O importante é que todos estão vendo. E se não é isto, o que é então? Às vezes é extremamente simples entender o espírito com que Bill diz que “não existe o mais remoto perigo de A.A. ficar rico com as contribuições voluntárias de seus próprios membros!” (“A.A. Atinge a Maioridade P. 101)”.
A Sétima Tradição recomenda que não ultrapassemos a fronteira que separa a Reserva Prudente da Imprudente, acumulando fundos sem nenhum propósito determinado em beneficio de A.A., fato que não ocorre em nossos dias, no A.A. do Brasil, cuja realidade exibe inumeráveis carências ditadas, em particular, pela insuficiência de recursos financeiros. Em nosso país, a maioria dos grupos fere frontalmente à Sétima Tradição, não sendo auto-suficientes, posto que aceitam doações de fora sob a forma de salas emprestadas. E o que é pior, procuramos mascarar essa situação de fato – tantas vezes produtora de humilhação – sob o embuste de que pagamos aluguel às igrejas através da contribuição que mensalmente destinamo-lhes. Quanto? R$ 40,00 ou R$ 50,00.
Há um artigo escrito por Bill W. para a Revista Grapevine de novembro de 1947, sob o título “A CONSTITUIÇAO DE SOCIEDADES: USO E ABUSO”, onde consta em determinado trecho que a automanutenção econômica total deve ser alcançada tão logo seja possível. Depreende-se daí, pois, que o nosso co-fundador até admitia que um grupo pudesse não ser auto-suficiente durante algum tempo. Podemos entender por quê. Quando se inicia um grupo, em regra, os seus “fundadores” são de reduzido número de companheiros, circunstância que dificulta o enfrentamento de todas as despesas decorrentes de sua criação. Teremos, então, aí, a única concessão feita por Bill. Entretanto, na medida em que o tempo avança, o grupo vai tendo o número de seus componentes multiplicado, condição abortífera da justificativa da violação do princípio da automanutenção. Quando este momento é chegado, não é sensato esforçarmo-nos para “esquecer” que as limitações reais do grupo não são representadas pelas coisas que deseja fazer e não pode, mas pelas coisas que deve fazer e não faz. A Sétima Tradição não nos impõe um dever legal. mas nos impõe o dever moral.
Não constituir-se-á em inutilidade de tempo observar que Bill, em seu artigo, fez uso da expressão “econômica” e não “financeira”. Esta, tem seu significado limitado a dinheiro. Aquela engloba, além de dinheiro, bens tais como cadeiras, mesa, armários, quadro negro, giz, etc., etc. Enfim, tudo o que se fizer necessário para que um grupo funcione sem necessitar de ajuda de “fora”.
Durante não saudosos anos fomos dependentes de bebidas alcoólicas e de pessoas. Hoje, pela graça de Deus, ganhamos nossa independência do álcool. Por que, sem o mais tênue sinal de ingratidão, não nos tornamos, também, independentes em outras áreas, cada um traduzindo em.ação sua afirmativa de que agora é responsável? Que resposta daremos à nossa consciência quando ela nos questionar se estamos transmitindo, aos que conosco vêm se associar, um efetivo exemplo de pessoas responsáveis? Não há modo de ensinar mais forte do que o exemplo:
Persuade sem retórica; reduz sem porfia; convence sem debate; desata todas as dúvidas e cortam caladamente todas as desculpas. Não estaremos nós comportando-nos com um modelo antiprograma? Afinal, acomodação é prima irmã da inconseqüência e não tem qualquer grau de parentesco com a responsabilidade. Responsabilidade em A.A. é fator de unidade. Acomodação é fator de desagregação.
Quando Bill nos diz que “se, como Associação, mantivermo-nos uma entidade espiritual preocupada apenas em levar a nossa mensagem aos alcoólatras que sofrem, sem esperar recompensa ou honorários, poderemos levar a cabo de forma, a mais efetiva, a nossa missão”, ele nos concita a não termos outro tipo de preocupação que não seja a de levar a mensagem. Por que, então, sermos ingratos à Irmandade criando a preocupação paralela produzida pela nossa negligência ao participar da sacola – a geradora de recursos para a auto-suficiência dos grupos, para a criação e manutenção de lntergrupais, de Comitês de Área e de Centrais de Serviços? Em termos de auto-suficiência, estaríamos ou não causando alegria a Bill e Bob se ambos ainda estivessem vivos?
Somos uma entidade espiritual e como tal devemos ver o dinheiro como uma dádiva de Deus como meio de suprir as nossas necessidades. Não ficaremos nós, muitas vezes, antagonizando-nos a Deus impedindo-O que nos use como instrumentos para a Sua dádiva?
Há um pensamento que diz que “os grandes corações nunca são felizes. Para sê-lo, falta lhes a felicidade dos outros. De que tamanho será o coração de cada um de nós? Sabemos, todos, que podemos confiar em Deus, mas será que temos assumido um comportamento tal que Deus possa confiar em nós?”.

“SACOLA”, ALGO MAIS QUE AUTO-SUFICIÊNCIA

“Todos os Grupos de A. A. deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora”

Na verdade a 7ª Tradição de A. A. contém muito mais significados do que aqueles que se pode apreender de uma simples e sumária leitura de seu texto.
Quase todos os membros de um grupo de A. A., depois de algum tempo de freqüência, começam perceber que seu grupo em particular e a Irmandade, de um modo mais geral, tornaram-se para ele a coisa mais importante de suas vidas. Assim entendem, porque sabem que tudo, família, trabalho, cultura, lazer, dinheiro e o mais que possa existir, para ser usufruído, depende de sua sobriedade. Esta, a sobriedade, por sua vez, depende do grupo de A. A. e da prática do programa sugerido. Uma vez perdida a sobriedade, através da ingestão do primeiro gole, tudo o mais estará também perdido. É dura, porém inexorável, verdade do alcoólatra.
Partindo dessa premissa o alcoólatra em recuperação sente a necessidade de preservar a vida de seu grupo, como uma célula primaria de um organismo maior que é a Irmandade em seu todo. Em seguida, descobre o que lhe informa a 5ª Tradição, ou seja, que “cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólatra que ainda sofre”. Para isso é necessário que a Irmandade tenha grupos com as portas abertas para recebê-los. Mas não apenas isso. Há que oferecer-lhe subsídios para a sua recuperação. Informações para a reformulação de suas vidas, através de ampla e livre troca de experiências nos grupos. Literatura de A. A. para ele se esclarecer a respeito do programa. Processos e meios para ele praticar o 12° Passo, isto é, “transmitir a mensagem de A. A. aos alcoólatras”. E para que isso tudo possa acontecer são necessários meios materiais. Há que se pagar o aluguel da sala
de reuniões, a luz, a água, o cafezinho. Há que se ter
literatura disponível para os companheiros e para os que ainda estão fora das salas de reuniões. Há ainda que se contribuir para a estrutura de serviços de A. A., ou seja, para as intergrupais, para as áreas distritais, para o Escritório de Serviços Gerais, para a Junta Nacional de Serviços, para a Conferência, Junta de Custódios, etc.
Depois de algum tempo o novo companheiro toma conhecimento de tudo isso e ler na 7ª Tradição que o A. A. rejeita qualquer doação de fora. A conclusão torna-se óbvia: tudo depende da contribuição dele e dos companheiros. Tudo depende da arrecadação da sacola dos grupos. Tudo depende das contribuições dos grupos aos escritórios de serviços e destes para os órgãos nacionais de serviços de A. A.
Fica-lhe nítida na mente a idéia de auto-suficiência da Irmandade. Mas o que haverá mais além…? Qual a natureza ética da contribuição nas sacolas? Será ele um óbolo, uma esmola, uma caridade, um ato de filantropia, um pagamento ou uma obrigação? Na verdade, a contribuição de cada membro de A. A. é muito mais do que tudo isso. É, em última análise, a conseqüência natural da maturidade do grupo.
Com efeito, um grupo amadurecido é caracterizado por uma atitude de conscientização; por uma situação grupal de cooperação entre os membros e por um sentido de amorização.
Assim vejamos. A conscientização nada mais é que o percebimento encarado de modo genérico. É cada um tornar-se cônscio de si mesmo, abrindo cada vez mais brechas na auto-ilusão que caracteriza muito os alcoólicos. É conhecer e gostar de si mesmo. É sentir sua própria importância no grupo. É aprender a ser responsável perante os companheiros. É reconhecer as conseqüências pessoais de suas ações e de suas palavras integrar-se à consciência coletiva do grupo. É vivenciar intensamente a importância do grupo para a própria sobrevivência e para o crescimento psicológico de cada um de seus membros.
Por sua vez, a cooperação ampla entre os membros de um grupo e dos grupos entre si, constitui-se na fase mais adiantada do processo de maturação grupal. Cooperar é produto de uma aprendizagem que se inicia logo que o ingressante chega. É o melhor remédio para o egocentrismo, pois a prática cooperativa vai gerando mais amor e inteligência objetiva, o que conduz a uma atitude sociocêntrica. A primeira cooperação do alcoólatra é fazer-se presente às reuniões. É ouvir os companheiros. É servir de “fundo” para que o companheiro seja “figura”. É cooperar prestando serviço ao grupo; limpar e preparar a sala para as reuniões é ato de cooperação; providenciar o café é cooperação; coordenar a reunião é cooperação; atender aos novos que chegam é cooperação; por dinheiro na sacola é cooperação. Enfim, tudo que se faz em prol do coletivo e de cada um em particular é cooperação.
Finalmente, a amorização é a aprendizagem do verdadeiro amor. Daquele amor que não é apego, que não é posse do objeto amado, que não é exclusivismo, que não pe apenas atividade sexual, que, enfim, não é condicional, porque de nada depende. Esse amor é o supremo ato de liberdade, através do qual conseguimos ver o mundo com os olhos do outro, de sentir o que se passa nele como ele o sente, de entender a realidade como ele a entende, de ser capaz de dar sem esperar recompensa.
Assim, no grupo psicológico e espiritualmente amadurecido, onde seus membros estão bem conscientizados, onde a cooperação e a amorização são uma constante, a contribuição da sacola não pode ser uma esmola, nem, por outro lado, constitui-se em uma obrigação. Ninguém precisa dar nada para freqüentar uma reunião ou ser membro de A. A.. A contribuição na sacola enquadra-se bem no conceito ético de um “direito-dever” . “Direito” porque é um privilégio que se só se estende aos membros de A. A. e “dever” porque é um puro ato individual de consciência, de participação e doação de si mesmo. Sejamos maduros, e, conseqüentemente, generosos na sacola de A. A.

Vivência n° 3

SÉTIMA TRADIÇÃO .
Há uma interdependência total entre a Recuperação, a Unidade e o Serviço. A CONSCIENTIZAÇÃO, inclui o exercício da sensação, da compreensão e do raciocínio, onde usamos a imaginação, a aspiração e a inspiração, que são revelações internas, divinas. A imaginação é função da mente, ocorre em revelação interior. Imaginando ideais, aspirando de acordo com o grau de nossa imaginação, uma ação de gratidão e com inspiração do Poder Superior, teremos sensações inusitadas e felizes de compreensão e raciocínio, que nos levam a ver bem definido o que éramos, o que seríamos se companheiros do passado não tivessem tido a clareza que agora temos, de obter meios (recursos) para agirmos como agiram (levar a mensagem) que chegou até nós e que agora pretendemos levar àqueles que ainda sofrem.
Ter consciência é ter conhecimento, ideia, noção clara de um fato ou de uma situação. Este conhecimento, será tão mais perfeito e sábio, quanto estiver vinculado ao Poder Superior, com desprendimento, amor, gratidão, sem critica só por contestar, sem colocações só para discordar, ou sem falar só para ser diferente. Quando temos consciência, do nosso verdadeiro estado de doentes, e de que nosso senso crítico está muito falho, e que nossos condicionamentos nos levam a situações inconscientes de descomportamento, às vezes por longo tempo, começamos a nos auto vigiar e a procedermos as mudanças necessárias para este objetivo maravilhoso, de vigiar-nos e ater-nos ao todo e ao fundamental e não ao acidental e a uma possível particularidade de interesse pessoal. Se nos conhecermos melhor e fiscalizarmos as motivações de nossas atitudes, estaremos tendo consciência de nosso estado e de nossos objetivos maiores: Os serviços que levam a mensagem, consolidam nossa sobriedade e felicidade. Desta conscientização depende o futuro de AA, e portanto as vidas dos doentes que virão.
CONTRI,BUIÇÃO – O MATERIAL E O ESPIRITUAL – HOMEM SER DUAL. Contribuição: Cota, quinhão, ato de contribuir. Nós os mais antigos, somos responsáveis, pelo grande equívoco, de afirmarmos e repetirmos, que o AA é de graça, que não se precisa pagar nada. Não somos obrigados a fazer nada por solicitação de AA como instituição, mas companheiros, se tivermos consciência de nossa realidade passada, presente e expectativa do futuro, contribuiremos espontaneamente e tão prodigamente quanto pudermos. Se entretanto continuarmos a exercitar nossa doença inconscientemente, acharemos sempre uma justificativa para não contribuir para com a Irmandade e acharemos até que a Irmandade deve ser grata com o pouco que fazemos, como se a Irmandade não fosse nós mesmos, uma coisa só, a partir dos Grupos, seguindo pelo Distrito, Áreas até a Conferência de Serviços Gerais. Irmãos, o AA somos nós, a responsabilidade pelas nossas vidas e de nossos irmãos doentes futuros é nossa, e sem contribuirmos generosamente, certamente teremos perdido o sentido de nossas vidas, morreremos e nossos futuros irmãos doentes não receberão por falta de contribuição nossa o que recebemos por contribuição dos que nos antecederam. Certamente companheiros, alguns de nós teremos mil razões racionalizadas, para justificar nossa não contribuição para com a Irmandade. As despesas com passagens são demais, os cartazes são muito caros, os encontros deveriam ser em alojamentos comuns, gastou-se muito com telefone , o computador foi muito caro, gasta-se muito com empregados e encargos sociais, estão nos impondo contribuições e “n” situações são enunciadas. Companheiros, quando não queremos contribuir, encontramos mil desculpas para não fazê-lo, mas quando estamos conscientes de nossas responsabilidades e necessidades, fazemos o inverso, contribuímos sim, e exigimos estudos, controle dos gastos, registros confiáveis, trabalho responsável, e aplicação dos recursos fundamentalmente no levar a mensagem certa, pelos veículos disponíveis e menos caros, à sociedade em geral, para que nossos irmãos doentes sejam atingidos e beneficiados como o fomos. Cumpramos a nossa parte, e exijamos que nossos órgão de serviço cumpram a sua. Não é deixando de contribuir e fugindo comodamente de nosso dever, que resolveremos nossos problemas. Vejam, ninguém nos obriga, mas nos obrigamos fazê-lo pela compreensão, pela gratidão e pela necessidade, não pelo perigo de bebermos, mas pela vontade de termos paz e sermos felizes, levando esse benefício a quantos pudermos. Não procedendo nós assim irmãos, poderemos morrer ou no mínimo levarmos uma vida infeliz, rancorosa, cheia de medos e sem paz; sem a habilidade de lidarmos com os problemas sem sofrermos, e ainda sem darmos a outros o que recebemos de graça por que alguém pagou, portanto paguemos para que outros recebam de graça, e sigamos nessa corrente permanente de vida e amor.
Material e espiritual: O ser humano é dual não existe homem sem ahna, nem homem sem corpo, o ser humano é corpo e alma. Sem pão e sem o alimento da alma (a oração, a meditação, a não prática do mal e a prática do bem) o homem é incompleto, desarmonioso, infeliz, sente um vazio sem lhe faltar nada objetiva e aparentemente. Portanto o material e o espiritual devem andar sempre juntos, é a maravilha da fusão do material e do espiritual para completar o ser humano.

A moeda, ou dinheiro, é apenas um instrumento de troca. Não há mal no dinheiro, pode haver mal no seu uso. O dinheiro não é um bem por si só, é para adquirir bens. Ele exerce uma função fundamental para levarmos a mensagem de AA junto com o amor, sem ele o AA morre, e isso acho que não queremos. AA não é só para nós, tornemos ele perpétuo com nossas contribuições generosas, para os irmãos do futuro e para aqueles que ainda no presente não conhecem nossa Irmandade. Rokfeler foi sábio, quando disse que deveríamos preservar nossa autonomia, com nossa auto-suficiência, o que só será conseguido com nossas contribuições responsáveis, permanentes e estáveis.

AÇÃO: Ajo quando contribuo, quando planejo, quando escolho o material e os veículos de distribuição e levo assim a mensagem. Esta açáo em caráter permanente é necessária para a perpetuação de AA. Entretanto, se não estou impregnado do espírito de gratidão pela compreensão do benefício que recebi e do amor pêlos meus irmãos doentes em AA e fora dele, talvez me seja difícil, contribuir e agir.
LEVAR A MENSAGEM CERTA: Para isso há uma função importantíssima. Conhecer AA e seus princípios, basicamente os três legados: Recuperação, Unidade e Serviço. Não posso falar nem informar sobre o que não conheço bem, sob pena de informar o que penso e o que quero e que certamente não representará os princípios de AA. Para conhecer é preciso estudar, frequentar reuniões de recuperação, temáticas, de estudos, de debates, seminários, o máximo que pudermos, e nunca saberemos demais. A humildade é fundamental. Precisamos sempre identificar o que a entidade ou a instituição quer. Se desejarem esclarecimentos científicos ou técnicos não é conosco, é para médicos e especialista, os aa(s) não devem fazer isto como aa(s). É importante termos consciência, de que informar não é dar um depoimento tradicional, é dizer o que é AA, quais seus princípios e objetivos, como funciona e onde está, citando breves experiências sobre tópicos importantes. Teremos que ser suficientemente humildes para não respondermos sobre assunto científico, médico, que não conheçamos ou sobre o qual tenhamos dúvidas. Poderemos dar indícios, do que indicará ser alguém alcoolista, mas jamais diagnosticar, deixemos isto para os médicos. Não devemos fechar questão, sempre dizer segundo entendemos ou é nossa interpretação sobre o assunto, até para não gerar controvérsia pública, a não ser coisa absolutamente clara, como não receber auxílio de fora sob qualquer forma. Sempre que possível, para palestras, a idade, o conhecimento, a profissão e a classe social do palestrante devem ser próximos da plateia respectiva. Isto é importante para que aja boa comunicação e compreensão da informação. Temos que humildemente entender que nós somos iguais entre nós, mas que lá fora a sociedade continua sendo como sempre foi, há os melhores e os piores, os comuns e os especiais, e a Irmandade deve ser bem representada para o público em geral. Nossa apresentação é importante, não por nós, mas pela Irmandade que representamos. Não é alguém que fala, é AA que está sendo apresentado. Cabelo cortado, barba feita, roupa limpa e não amarrotada, calça comprida, camisa abotoada, calcados limpos, postura simples, discreta e alegre, além do todo antes exposto, seriam atributos desejáveis para um palestrante de AA, não por ele mas pela Irmandade.

Com as considerações acima feitas, penso ter colocado o que parece necessário, útil e amoroso, para levar a mensagem aos irmãos que ainda sofrem e preservar AA para o futuro.

“Que o Poder Superior, nos encha de sabedoria, tolerância e compreensão, para acreditarmos em AA, contribuirmos conforme as possibilidades de cada um e agirmos levando a mensagem salvadora”.

PARA REFLETIR

” A GRATIDÃO MUDA SUAS ATITUDES ”

Drª Maria Tude

Nossas atitudes derivam do modo como pensamos. Quando nos relacionamos com o mundo, as pessoas e Deus com expectativas idealizadas, fantasiadas, esperando que tudo aconteça conforme nossos desejos, muitas vezes nos frustramos, ficamos com raiva, magoados, ressentidos. Tomamos então atitudes agressivas, nos fechamos, cobramos… Ficamos obssessivamente contabilizando tudo que nos falta, vivendo em eterna escassez. Não somos felizes…
Mas se escolhermos olhar a vida com abundância, valorizando tudo que temos, o que conseguimos, o que recebemos, desfrutando as qualidades que certamente têm as pessoas de nossa vida, então nos sentiremos agraciados, fortalecidos e a gratidão mudará nossas atitudes. Nossa alegria transborda e sentimos vontade de compartilhar, de cooperar. Estamos então flizes.

* Drª Maria Tude ( Psicologa )

Vá com calma

Parecemos estar correndo sempre, querendo soluções rápidas para
os desacertos de nossa vida, querendo fugir da dor… Quando queremos
mudanças, então entendemos precisar fazê-lo rapidamente. Mas as mudanças têm
seu próprio ritmo: para cada um de nós, para cada aspecto de nós. Precisamos
de um tempo que é só nosso.

Quando nos apressamos, corremos o risco de nos atropelarmos,
tropeçarmos cairmos, recairmos e ficarmos frustrados, desacreditados
intimamente, brigados conosco mesmos ou arranjarmos desculpas que nos mantêm
encalhados: `’é a minha doença…”

Somos pessoas em recuperação de nossa energia, força, da
alegria, do gosto para nossa caminhada. A recuperação de tudo isto está a
disposição de cada um de nós. Requer apenas a certeza que podemos, por
sermos portadores da centelha desse Poder Maior; que merecemos quando, com
perseverança e gentileza, caminhamos. Apenas precisamos de calma em todo
processo.

*Vá com calma *é um lembrete para que sejamos pacientes, gentis,
respeitosos com nosso tempo, o tempo necessário para entender e ir superando
cada uma de nossas dificuldades. Esse tempo de calma, não de calmaria,
favorece a reflexão, a conscientização de nós mesmos, do que queremos e não
queremos, do que podemos e não podemos, de nós e do outro, do Poder
Superior… Passamos cada vez mais a agir e não reagir. Aprendemos a dar
passos com mais segurança, entendendo melhor e saboreando cada vez mais a
caminhada.

Vá com calma, veja e viva esse dia como uma oportunidade única
de ir construindo seu destino, escolhendo como lidar com tudo que o dia
trouxer, remodelando a si mesmo como um artista, buscando a luz dessa obra
incrível que somos nós.

Saboreie a vida com vagar, vale a pena!

Vá com calma, mas vá.**

HUMILDADE
Praticado nos Passos
A palavra humildade, de acordo com nossa concepção, tem relação com nossos sentimentos perante o Poder Superior. Essa humildade vem ligada ao sentimento de espiritualidade e não a bens materiais. Temos necessidade de praticá-la em todos os sentidos se quisermos crescer como seres humanos pertencentes à irmandade do mundo, como o quer este nosso Poder Superior. Dentre as muitas formas de defini-la, humildade significa: a virtude que nos dá o sentido de como realmente somos. Muitas vezes ela é interpretada como sendo fraqueza, rebaixamento, mas, a realidade, a humildade é força, é aceitação, é a capacidade de pedir perdão e se perdoar.
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Humildade é o ponto de partida para nosso crescimento espiritual, porque sem a humildade não haveria a aceitação dos Passos, lemas e Tradições que são a base de nossa reformulação de vida.
Encontramo-la logo no 1º Passo, quando admitimos que somos impotentes perante o álcool, e que nossas vidas haviam-se desmoronado completamente à mercê dessa doença.
No 2º Passo vamos encontrá-la na submissão ao Poder Superior e na admissão de no passado nosso modo de pensar, agir e viver não era razoável e equilibrado. Contudo, a experiência da vida não nos deixa duvidar que o ser humano não é todo sábio, nem todo poderoso, nem capaz de um amor perfeito. Essas qualidades pertencem a um ser Superior, segundo entendimento que cada um tenha Dele. Podemos entregar-lhe nossas tristezas, dissabores e pedir que nos ajude com sua bondade infinita.
No 3º Passo vamos encontrá-la na rendição incondicional ao Poder Superior quando formos capazes de dizer: – Senhor, não sou capaz de resolver este problema sozinho, preciso de Sua orientação e cuidados; ensina-me Sua vontade em relação a mim e a farei.
Já no 4º Passo vamos precisar de humildade para podermos nos olhar honestamente e fazer uma auto análise sincera do que realmente somos.
Talvez seja difícil e desagradável levar a cabo um inventário moral próprio e com toda sinceridade, mas é um passo vital, se desejamos progredir.
No 5º Passo vamos encontrar a humildade na admissão de nossas falhas perante Deus, perante nós mesmos e confidenciando-as a um outro ser humano de confiança. Tal reconhecimento requer tanto humildade, como honestidade. É muito mais fácil sermos honestos com outra pessoa do que conosco mesmos. Até certo ponto todos nós somos tolhidos pela nossa necessidade de justificar as nossas ações e palavras. Se admitirmos os nossos erros a nós mesmos, a Deus e a outro ser humano, teremos uma vaga idéia da pessoa maravilhosa que poderemos ser.
No 6º Passo vamos encontrá-la na disposição em remover os nossos defeitos de caráter, entregando-os ao Poder Superior para que nos ajude a eliminá-los. Não podemos confiar somente nos nossos duvidosos poderes humanos.
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Tornamo-nos capazes de ver também nossas qualidades como dádivas de Deus. Não deveria eu compreender que Deus não remove um defeito para produzir um vácuo, um vazio, mas sim, para dar lugar ao seu conceito de amor, bondade e tolerância?
No 7º Passo, encontramos a humildade na promessa de utilizarmos honestidade e inteligência que são dádivas divinas para solucionarmos nossos problemas. Essa rendição ante a vontade de Deus põe em movimento todo seu amoroso poder para devolver às nossas vidas a ordem e serenidade. Pedir a Deus humildemente que elimine nossas culpas é uma das mais nobres ações e uma das melhores maneiras de orar que existe. A palavra chave é humildade, o nosso reconhecimento de que necessitamos que um Poder Superior a nós mesmos nos ajude a ver uma perspectiva real e a manter nossas mentes abertas à verdade. A humildade não requer submissão ou padecimentos, tudo isto encerra qualidades negativas contra as quais não podemos nos rebelar. A verdadeira humildade é da livre aceitação.
No 8º Passo vamos encontrar a humildade na disposição em admitir nossos erros de modo que possamos limpar a nossa consciência de culpa.
O que fazer para livrar-nos de tal condição? Fazendo uma relação de todas as pessoas com quem temos atuado mal, nos dispondo a reparar o dano causado. A quem magoei? Seguramente as pessoas mais próximas a mim: minha família – se consciente ou inconscientemente carregamos este fardo de culpa, isto deve ser apagado fazendo correções. Somente então encontraremos paz de espírito e um padrão mais racional de pensamentos e comportamento. A humildade é a boa vontade em fazer correções; muitas vezes cria a oportunidade de fazê-las de maneira natural, espontânea e sem embaraços. E isso leva ao crescimento espiritual.

Vamos encontrar a humildade no 9º Passo, na coragem de reparar os danos causados, os desacordos e a falta de compreensão entre mim e meus parentes ou ex-amigos. Um auto-exame honesto e prudente será necessário. Um casual pedido de desculpas, por exemplo, raramente é suficiente para livrar-nos da culpa de críticas prejudiciais. A melhor maneira de reparar os estragos é mudando nossas atitudes, adotando um trato marcado pela constante bondade e compreensão.
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No 10º Passo vamos encontrá-la na atenção suficiente de revisão e preparação para o meu dia-a-dia, renovando meus esforços para progredir no desenvolvimento pessoal. Olhar para dentro de si mesmo: ai que encontraremos todas as respostas.
No 11º Passo vamos encontrar a humildade na disposição de estar em comunhão com nosso Poder Superior, pedindo-lhe apenas a capacidade de reconhecer Sua vontade, pondo de lado todas as orações em que imponho minha vontade, instruindo a Deus sobre o que queremos que faça por nós. O objetivo das preces e das meditações é manter nossas mentes abertas a receptivas à orientação. Este processo de “escuta interior” orientará nossos pensamentos e ações e trará paz à nossa existência.,”É Deus que nos dá forças e torna perfeito o nosso caminho”. “Deus está presente em todas as criaturas, mas nem todas estão igualmente cientes de sua presença”.
No 12º Passo vamos encontrar a humildade estando sempre dispostos a levar a mensagem aos outros. Essa necessidade está sempre ao meu redor se eu me mantiver suficientemente alerta para reconhecê-la. Ajudando os outros, também me ajudo.
Essa é a culminação triunfante – o resumo – dos Passos, é o reconhecimento de que alcançamos uma profunda consciência de Deus e a nossa relação para com Ele, e que estamos prontos para continuar o trabalho, levando aos outros a luz e a dignidade que encontramos. Então, quando obtenho uma idéia clara e sensata de onde estou, qual o caminho em que estou, passo a perceber que meu crescimento espiritual apenas começou.
E quanto mais eu me conscientizar da minha capacidade, da minha pequenez e dividir em porções o que eu posso fazer, as minhas desculpas e a minha importância ficam ridículas e cômicas. Assim, conscientizado de mim, tomo também consciência e fé de que Deus é bom e que preciso Dele para abafar meu orgulho e saber então o significado da palavra Humildade.
No livro “O melhor de Bill”, Bill citou o seguinte trecho:”Esta é a razão pela qual vejo humildade para o dia de hoje como aquele meio-termo seguro e garantido entre esses extremos emocionais violentos. Trata-se de um lugar tranqüilo onde posso manter perspectiva e equilíbrio suficientes para iniciar o meu próximo passo em direção à estrada claramente indicada que leva a valores eternos”.

( Revista Vivência Nº 91 – Set/Out-2004)

ARTIGO DO BOB (Boletim de AA do Brasil- Informativo de circulação Interna do Escritório de Serviços Gerais) de No 29 Marco / Abril de 84.

• Seria conveniente não fazer de qualquer veterano seu ídolo privativo, pois ele poderia decepcioná-lo e talvez até, prejudicar sua sobriedade.

• Seria de bom alvitre, sim, descobrir nos mais antigos a semente de fé que os manteve sóbrios até hoje.

•Não seria proveitoso entrar em A.A. querendo modificar tudo da noite para o dia, pois a experiência de mais de 50 anos de sucesso pesa bastante.

• Não seria plausível pensar que um companheiro por ser veterano sempre seja o “dono da verdade”. Muito antigo confunde costume do grupo com Tradição. Costume é modo de ser do grupo, conforme o local onde atua.
Tradição é o princípio, fundamentado na maneira da Obra e do alcoólico Os costumes são efêmeros; as 12 Tradições eternas, pois pertencem à ordem natural das coisas e dos seres.

• Face ao exposto, não seria sensato tentar abolir ou reformar as
Tradições, no todo ou em parte. O mesmo é aplicável aos 12 Passos. Ambos constituem a mola-mestra do Programa de Recuperação e são como colunas do templo de nossa sobriedade grupal e pessoal.
• Seria conveniente não imaginar que um companheiro por ser veterano, já esteja ultrapassado em seus conceitos. Existem antigos “progressistas” e novos “conservadores” ou reacionários e vice-versa. Alguns conservadores vão mais longe • serão sempre contra toda e qualquer evolução na Obra . Mas, quando um veterano não for um “velho resmungão” ou um ” diácono sangrento” ( na pitoresca linguagem de BILL W.) seria proveitoso encaixá-lo nos serviços do grupe, pois isso o ajudaria a manter-se sóbrio, bem como, poderíamos aproveitar a sua experiência de muitas vinte e quatro horas.

• Não seria louvável desprezar o trabalho dos que os precederam.
Lembre-se que A.A no Brasil surgiu em 1947, e sempre teve alguém que
trabalhasse por ele.

• Seria sensato pensar que em A.A. não se conta tempo, no caso de nosso programa de 24 h. Mas o tempo é contado quando o examinamos pelo seguinte angulo, o somatório de 24 horas vai desintoxicando a mente e o corpo do alcoólico, criando-lhe um terreno propício para melhores decisões quanto à sua vida e seu destino. Além do mais, a experiência esta inserida nos Três Legados, em participar no da Recuperação. Acresce o fato que a “jurisprudência” divulgada pelos Serviços Mundiais de Alcoólicos Anônimos recomenda que um RSG deve ter de 2 a 3 anos de sobriedade contínua e um delegado de 5 a 6 anos. Sugestões semelhantes aparecem nos estatutos da JUNAAB, e nos estatutos de diversas intergrupais ou Escritórios Centrais.

• Conviria fazer sempre uma severa e honesta autocrítica antes de pregar qualquer ideia de reformulação para os outros companheiros. Muitas vezes, nem sempre preconizamos. Muito pelo contrário… É evidente que isso também se aplica aos veteranos.

• Conviria não confundir o termo religioso com o espiritual. O Programa de Recuperação é espiritual, mas não é religioso. Os Doze Passos são princípios, não são dogmas de fé.

Copiado do Boletim de A.A. do Brasil (BOB) No 29 Mar/Abr/84.

1.. Seria conveniente não endeusar um companheiro recém chegado, por ser ele figura exponencial da sociedade local, ou mesmo, um médico ou um sacerdote.
2.. Seria de suma importância, aproximar-se dele, não somente para deixá-lo à vontade, como também para reforçá-lo em sua sobriedade de 24 horas, ainda muito tenra.
3.. Não conviria pensar que, por ser um veterano, você conhece de tudo e de todos em A.A. O programa de Alcoólicos Anônimos é muito amplo e complexo, exigindo de todos nós, uma constante e apurada investigação pelo resto da vida.
4.. Procurar compreender o companheiro mais novo em seu interesse pelas coisas da Irmandade, sem se impacientar ou responder bruscamente, quando ele opinar.
5.. Procure entender o interesse do recém-chegado pelas terapêuticas médicas ou religiosas, paralelas ao programa de A.A.. Não adianta dizer que os médicos não entendem os alcoólicos, nem os padres ou pastores que nunca beberam. O A.A. é para nós o melhor caminho, mas não é, no conceito emitido por Bill W., a única saída…
6.. Não tentar colocar de imediato, prematuramente, seu afilhado ou um
ingressante muito simpático e inteligente em funções de responsabilidade e de serviços. Ele poderá se embaralhar e recair.
7.. Não ficar dizendo aos mais novos que o AA. nada nos dá e que as coisas, depois de nosso ingresso, tendem a ficar mais “duras” . E que você com cinco ou mais anos de sobriedade, ainda é cheio de problemas e sem serenidade razoável.
8.. Não pense que o que deu certo para você, fatalmente dará certo para o recém-chegado. Cada programa é individual e específico a cada um de nós.
9.. Não fique augurando ou adivinhando uma possível “queda” do mais novo. Nenhum de nós é profeta em sua própria casa, quanto mais em A.A..
10.. Não leve muito a sério os rituais ou costumes de um grupo qualquer.
Trocas de fichas são bonitas, mas não são o cerne do programa.
11.. Não pense que o programa de A.A. sendo simples, direto ou caritativo, menospreze o estudo dos Doze Passos ou das Doze Tradições.
12.. Lembre-se que tudo evolui na vida, no mundo e no universo. Por
consequência, também em A.A. A única coisa que Bill nos recomendou é que mantivéssemos intacto o Princípio das Tradições e das Garantias, com ou sem dinheiro.
13.. Não fique lamentando que o A.A. está mudado, que o grupo já não é o mesmo, que as coisas e os companheiros estão transformados. É isto mesmo: o mundo evolui, o grupo cresceu, passando a ter relacionamento secundário, com um número crescente de interações entre os novos companheiros.

A IRMANDADE DE A.A.

A importância do anonimato
Tradicionalmente, os membros de A.A. sempre cuidaram de manter seu anonimato em nível público: na imprensa, no rádio, na televisão, no cinema e, mais recentemente, na Internet.

Nos primeiros dias de A.A., quando a palavra “alcoólico” levava um estigma maior do que hoje, era fácil entender este receio de identificar-se publicamente.

À medida que Alcoólicos Anônimos foi crescendo, logo se tornaram evidentes os valores do anonimato.

Primeiro, sabemos, por experiência, que muitos bebedores-problema vacilariam em recorrer a Alcoólicos Anônimos se acreditassem que seu problema seria assunto de discussão pública, ainda que por descuido. Os novatos devem ter a possibilidade de buscar ajuda com total segurança de que sua identidade não será revelada a ninguém fora da Irmandade.

Ademais, acreditamos que o conceito de anonimato pessoal tem também um significado próprio para nós – que contribui para refrear os impulsos de reconhecimento pessoal e de poder, prestígio e riqueza que provocaram tantas dificuldades em outras sociedades. Nossa eficácia relativa ao trabalho com os alcoólicos poderia ver-se prejudicada em alto grau se buscássemos ou aceitássemos o reconhecimento público.

Ainda que todo membro de A.A. tenha perfeita liberdade de interpretar as Tradições de A.A. como melhor lhe aprouver, não se reconhece a nenhum indivíduo a legitimidade como porta-voz da Irmandade em nível local, nacional ou internacional. Cada membro fala unicamente por si mesmo.

Alcoólicos Anônimos tem uma dívida de gratidão com todos os meios de comunicação pelo que eles têm contribuído, ao longo dos anos, em reforçar a Tradição de Anonimato. O CTO/JUNAAB envia correspondência regularmente aos meios de comunicação para explicar-lhes essa Tradição e pedir-lhes que cooperem para que ela seja ***prida.

Por diversas razões, um membro de A.A. pode “romper” seu anonimato deliberadamente perante o público. Já que isso é um assunto de escolha e consciência pessoais, obviamente a Irmandade como um todo não tem nenhum controle sobre tais desvios da Tradição. Não obstante, fica bem claro que os membros que o fazem, não têm a aprovação da maioria esmagadora de seus companheiros de Alcoólicos Anônimos.
A.A. e a Religião

A exemplo do que acontece com médicos amigos, também alguns religiosos participam, e participam ativamente, dos serviços organizados de A.A., em diversos países.

Embora não adotando nenhuma religião em particular, a Irmandade de Alcoólicos Anônimos assimilou e incorporou aos seus princípios básicos, alguns dos ensinamentos espirituais e morais, comuns a todas as denominações religiosas. Profunda, gratificante, e sobretudo inspiradora, foi a assistência recebida pelos co-fundadores de A.A. de parte do Padre Ed. Dowling, da Ordem Jesuíta de St. Lous, e do Clérigo Episcopal Sam Shoemaker, tido como o principal inspirador dos Doze Passos de A.A.
Em todos os países onde se instalaram grupos de A.A.,a Irmandade tem encontrado estímulo e apoio por parte dos líderes religiosos local, independentemente da religião predominante em qualquer desses países. A essa regra geral não foge o Brasil, onde até mesmo a grande maioria dos grupos está instalada em salões paroquiais, predominando, como é natural, os pertencentes às igrejas católicas.
A exemplo do que acontece com médicos amigos, também alguns religiosos participam, e participam ativamente, dos serviços organizados de A.A., em diversos países.
(extraído do livreto Alcoólicos Anônimos Primeiras Noções para o Público em geral, com aut.da JUNAAB)
As promessas de A.A.
1. Se formos cuidadosos nesta fase de nosso desenvolvimento, ficaremos surpresos antes de chegar à metade do caminho.
2. Estamos a ponto de conhecer uma nova liberdade e uma nova felicidade.
3. Não lamentaremos o passado, nem nos recusaremos a enxergá-lo.
4. Compreenderemos o significado da palavra serenidade e conheceremos a paz.
5. Não importa até que ponto descemos, veremos como a nossa experiência pode ajudar outras pessoas.
6. Aquele sentimento de inutilidade e auto-piedade irá desaparecer.
7. Perderemos o interesse em coisas egoístas e passaremos a nos interessar pelos nossos semelhantes.
8. O egoísmo deixará de existir.
9. Todos os nossos pontos de vista e atitudes perante a vida irão se modificar.
10. O medo das pessoas e da insegurança econômica nos abandonará.
11. Saberemos, intuitivamente, como lidar com situações que costumavam nos desconcertar.
12. Perceberemos, de repente, que Deus está fazendo por nós o que não conseguíamos fazer sozinho
Serão estas promessas extravagantes?
Achamos que não. Estão sendo cumpridas entre nós – às vezes depressa, outras devagar.
Sempre se tornarão realidade se trabalharmos para isto.
Alcoólicos Anônimos, Capítulo 6, Entrando em Ação, página 103 da edição brasileira do cinqüentenário de AA, página 65 da edição portuguesa) publicado com autorização.
Direitos autorais de Alcoholics Anonymous World Services, Inc.; publicado com permissão
As relações públicas
Em 1956 formou-se a primeira Comissão de Informação ao Público da Junta de Serviços Gerais (EUA/Canadá), e sua correspondente na Conferência de Serviços Gerais (EUA/Canadá) foi estabelecida em 1961. A Conferência de Serviços Gerais (EUA/Canadá) estabeleceu esta norma de procedimento para a Informação Pública de A.A.:
“Em todas as relações públicas, o único objetivo de A.A. é ajudar ao alcoólico que ainda sofre. Tendo sempre em conta a importância do anonimato pessoal, cremos que se pode alcançar esse objetivo informando ao alcoólico que ainda sofre, e a todos que possam estar interessados em seu problema, a nossa experiência como indivíduos e como Irmandade, de aprender a viver sem álcool.
Cremos que nossa experiência deva ser posta livremente à disposição de todos os que mostram um interesse sincero. Cremos também que todos os nossos esforços neste campo devam refletir tanto nosso agradecimento pelo dom da sobriedade, como nossa consciência de que muita gente fora de A.A. se preocupa igualmente pelo grave problema do alcoolismo.”
Em 1973, a Conferência de Serviços Gerais (EUA/Canadá) confirmou que: “Temos de reconhecer que nossa competência para falar de alcoolismo se limita ao tema de Alcoólicos Anônimos e seu programa de recuperação.”
Essas declarações refletem a Tradição de A.A. já estabelecidas há muitos anos, que aconselha não buscar divulgação com fins publicitários, mas sim estar sempre disposta a cooperar com representantes de todos os meios que solicitem informações sobre o programa de recuperação ou sobre a estrutura da Irmandade. O Escritório de Serviços Gerais responde a milhares de solicitações de informações desse tipo, a cada ano.
Aos repórteres e jornalistas são sempre dadas boas-vindas nas reuniões abertas, nos encontros regionais e outros eventos similares de Alcoólicos Anônimos. A única limitação é que pedimos que não revelem o nome de nenhum membro de A.A. Por razões óbvias, também não se podem tirar fotos que possam identificar os membros, nas reuniões ou eventos de A.A.
NOTA: Em muitas Áreas, os membros de A.A. estabeleceram, dentro dos CTOs, Comissões de Cooperação com a Comunidade Profissional e Comissões de Informação ao Público, para auxiliar os representantes dos meios de comunicação locais a obter informações exatas sobre a Irmandade. Outros materiais informativos e históricos podem ser obtidos junto a essas Comissões.
As reuniões de Alcoólicos Anônimos

Os dois tipos de reunião mais comuns em A.A. são:
Reuniões Abertas: Como indicam as palavras, as reuniões desse tipo são abertas aos alcoólicos e suas famílias, bem como a qualquer pessoa que se interesse em solucionar seu problema com bebida alcoólica ou em ajudar outra pessoa a solucionar um problema de alcoolismo.
A maioria das reuniões abertas segue um roteiro mais ou menos fixo, ainda que em alguns lugares se tenha verificado diversas variações. A Conferência recomenda a leitura do Preâmbulo de A.A. em todas as reuniões. O Coordenador descreve o programa de A.A. em forma resumida para os novatos que estão na sala e em seguida apresenta um ou mais oradores, que contam suas próprias histórias de bebedores e como estão se recuperando em A.A. e podem, às vezes, dar suas interpretações pessoais de A.A.
Na metade da reunião, normalmente há um período para dar os avisos locais de A.A. e o Tesoureiro recolhe as contribuições espontâneas para pagar o aluguel da sala de reuniões, os gastos com literatura e outros custos. Geralmente, depois da reunião, os presentes se reúnem informalmente para tomar cafezinho ou refrescos e “papear”.
Nas reuniões abertas, sempre se lembra aos convidados de que as opiniões e interpretações que escutarem ali são unicamente as do orador que as apresenta. Todos os membros têm total liberdade de interpretar o programa de recuperação segundo seu próprio parecer, mas ninguém pode falar pelo Grupo local ou por A.A. em sua totalidade.
Reuniões Fechadas: Essas reuniões são somente para os alcoólicos. Nelas os membros encontram uma oportunidade de compartilhar, uns com os outros, tudo o que se refere aos problemas relacionados com formas e costumes de beber, assim como seus esforços para alcançar uma sobriedade estável. Também é possível discutir diversos elementos do programa de recuperação e estudar a literatura de A.A. Da mesma forma que as abertas, há espaço para ler a correspondência e os avisos e recolher as contribuições voluntárias para cobrir as despesas do Grupo. O cafezinho ou os refrescos são componentes indispensáveis durante os bate-papos informais, no meio ou no final das reuniões.
Como Funciona

Raramente vimos alguém fracassar tendo seguido cuidadosamente nosso caminho.

Os que não se recuperam são pessoas que não conseguem ou não querem se entregar por completo a este programa simples, em geral homens e mulheres que, por natureza, são incapazes de ser honestos consigo mesmos.
Existem pessoas assim. Não é culpa sua, parecem ter nascido assim. São naturalmente incapazes de aceitar e desenvolver um modo de vida que requeira total honestidade. Suas chances são inferiores à média. Existem, também, as que sofrem de graves distúrbios mentais e emocionais, mas muitas delas se recuperam, se tiverem a capacidade de serem honestas.
Nossas histórias revelam, de uma forma geral, como costumávamos ser, o que aconteceu e como somos agora. Se você chegou à conclusão de que quer o que nós temos e deseja fazer todo o possível para obtê-lo, então está pronto para dar alguns passos.
Diante de alguns, nós recuamos. Achamos que poderíamos encontrar um modo mais fácil e mais cômodo. Mas não conseguimos. Com toda a veemência a que somos capazes, pedimos que você seja corajoso e cuidadoso, desde o início. Alguns de nós tentamos nos agarrar a nossas velhas idéias e o resultado foi nulo, até que nos rendemos incondicionalmente. Lembre-se de que estamos lidando com o álcool – traiçoeiro, desconcertante, poderoso! Sem ajuda, é demais para nós. Mas há Alguém que tem todo o poder – este Alguém é Deus. Que você possa encontrá-lo agora!
Extraído do Livro Alcoólicos Anônimos, Capítulo 5, publicado em português pela JUNAAB e com autorização de A.A. World Services, Inc.
Informações sobre Alcoólicos Anônimos

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo.

O único requisito para tornar-se membro é o desejo de parar de beber.
Para ser membro de A.A. não há taxas ou mensalidades; somos auto-suficientes, graças às nossas próprias contribuições.
A.A. não está ligada a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apóia nem combate quaisquer causas.

Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançar a sobriedade.
A.A. é para você?
1. Já tentou parar de beber por uma semana (ou mais), sem conseguir atingir seu objetivo?
Muitos de nós “largamos a bebida” muitas vezes antes de procurar A.A. Fizemos sérias promessas aos nossos familiares e empregadores. Fizemos juramentos solenes. Nada funcionou até que ingressamos em A.A. Agora não lutamos mais. Não prometemos nada a ninguém, nem a nós mesmos. Simplesmente esforçamo-nos para não tomar o primeiro gole hoje. Mantemo-nos sóbrios um dia de cada vez.
2. Ressente-se com os conselhos dos outros que tentam fazê-lo parar de beber?
Muitas pessoas tentam ajudar bebedores-problema. Porém, a maioria dos alcoólicos ressente-se com os “bons conselhos” que lhes dão. (A.A. não impõe esse tipo de conselho a ninguém. Mas, se solicitados, contaríamos nossa experiência e daríamos algumas sugestões práticas sobre como viver sem o álcool.)
3. Já tentou controlar sua tendência de beber demais, trocando uma bebida alcoólica por outra?
Sempre procurávamos uma fórmula “salvadora” de beber. Passamos das bebidas destiladas para o vinho e a cerveja. Ou confiamos na água para “diluir” a bebida. Ou, então, tomamos nossos goles sem misturá-los. Tentamos ainda beber somente em determinadas horas. Porém, seja qual for a fórmula adotada, invariavelmente acabamos embriagados.
4. Tomou algum trago pela manhã nos últimos doze meses?
A maioria de nós está convencida (por experiência própria) de que a resposta a esta pergunta fornece uma chave quase infalível sobre se uma pessoa está ou não a caminho do alcoolismo, ou já se encontra no limite da “normalidade” no beber.
5. Inveja as pessoas que podem beber sem criar problemas?
É óbvio que milhões de pessoas podem beber (às vezes muito) em seus contatos sociais sem causar danos sérios a si mesmos, ou a outros. Você parou alguma vez para perguntar-se por que, no seu caso, o álcool é, tão freqüentemente, um convite ao desastre?
6. Seu problema de bebida vem se tornando cada vez mais sério nos últimos doze meses?
Todos os fatos médicos conhecidos indicam que o alcoolismo é uma doença progressiva. Uma vez que a pessoa perde o controle da bebida, o problema torna-se pior, nunca desaparece. O alcoólico só tem, no fim, duas alternativas: (1) beber até morrer ou ser internado num manicômio, ou (2) afastar-se do álcool em todas as suas formas. A escolha é simples.
7. A bebida já criou problemas no seu lar?
Muitos de nós dizíamos que bebíamos por causa das situações desagradáveis no lar. Raramente nos ocorria que problemas deste tipo são agravados, em vez de resolvidos, pelo nosso descontrole no beber.
8. Nas reuniões sociais onde as bebidas são limitadas, você tenta conseguir doses extras?
Quando tínhamos de participar de reuniões deste tipo, ou nos “fortificávamos” antes de chegar, ou conseguíamos geralmente ir além da parte que nos cabia. E, freqüentemente, continuávamos a beber depois.
9. Apesar de prova em contrário, você continua afirmando que bebe quando quer e pára quando quer?
Iludir a si mesmo parece ser próprio do bebedor problema. A maioria de nós que hoje nos encontramos em A.A., tentou parar de beber repetidas vezes sem ajuda de fora. Mas não conseguimos.
10. Faltou ao serviço, durante os últimos doze meses, por causa da bebida?
Quando bebíamos e perdíamos dias de trabalho na fábrica ou no escritório, freqüentemente procurávamos justificar nossa “doença”. Apelamos para vários males para desculpar nossas ausências. Na verdade, enganávamos somente a nós mesmos.
11. Já experimentou alguma vez ‘apagamento’ durante uma bebedeira?
Os chamados “apagamentos” (em que continuamos funcionando sem contudo poder lembrar mais tarde do que aconteceu) parecem ser um denominador comum nos casos de muitos de nós que hoje admitimos ser alcoólicos. Agora sabemos muito bem quais os problemas que tivemos nesse estado “apagado” e irresponsável.
12. Já pensou alguma vez que poderia aproveitar muito mais a vida, se não bebesse?
A.A., em si, não pode resolver todos os seus problemas. No que se refere, porém, ao alcoolismo, podemos mostrar-lhe como viver sem os “apagamentos”, as ressacas, o remorso ou o desconsolo que acompanham as bebedeiras desenfreadas. Uma vez alcoólico, sempre alcoólico. Portanto, nós em A.A. evitamos o “primeiro gole”. Quando se faz isto, a vida se torna mais simples, mais promissora e muitíssimo mais feliz.

Qual foi a contagem?
Respondeu SIM quatro vezes ou mais?
Em caso positivo, é provável que você tenha um problema sério de bebida, ou poderá tê-lo no futuro. Por que dizemos isto? Somente porque a experiência de milhares de alcoólicos recuperados nos ensinou algumas verdades básicas a respeito dos sintomas do alcoolismo – e de nós mesmos. Você é a única pessoa que poderá dizer, com certeza, se deve ou não procurar o A.A. Se a resposta for SIM, teremos satisfação em mostrar-lhe como conseguimos parar de beber. Se ainda não puder admitir que você tem um problema de bebida, não faz mal. Apenas sugerimos que você encare sempre a questão com mentalidade aberta. Se algum dia precisar de ajuda, teremos satisfação em recebê-lo em nossa Irmandade.

Os Jovens em A.A.

Todos nós sentimos o mesmo quando chegamos em A.A. – que éramos jovens demais para sermos alcoólicos.
Jovens demais?

Todos nós sentimos o mesmo quando chegamos em A.A. – que éramos jovens demais para sermos alcoólicos. Alguns de nós não havíamos bebido por muito tempo. Alguns de nós não havíamos tomado bebida forte. Alguns de nós não chegamos a cair ou ter perda de memória.

“É só sentar-se e prestar atenção”, foi o que nos disseram. “Você pode voltar a beber a hora que quiser. Mas, primeiro, tente assistir a algumas reuniões de A.A. porque, se não tivesse problema algum com a bebida, não estaria aqui.”

Logo ouvimos dizer que tanto faz quanto bebemos, onde bebemos, o que bebemos ou a idade que temos – o que importa é o que o álcool faz dentro de nós. Ninguém melhor do que você mesmo para avaliar se tem ou não problema. E você sabe disso intimamente – se você se sente culpado, isolado, envergonhado; se o álcool está interferindo em sua vida, este livrete talvez possa ajudá-lo a se decidir.

Todos nós nos sentimos estranhos indo para A. A. Mas acabamos percebendo que A.A. salvou nossas vidas e deu-nos um novo começo – foi o melhor que podia ter-nos acontecido.
Para o recém ingressado em A.A.
Para quem encaminha pessoas para A.A.
Estas informações são tanto para pessoas que acreditam que tem problemas com a bebida como para aqueles que convivem com quem tem, ou acreditam que tenham problema. Muitas destas informações estão disponíveis em maiores detalhes na literatura publicada de A.A. Este resumo conta o que se espera de Alcoólicos Anônimos. Ele descreve o que A.A. é, O que A.A. faz, e o que A.A. não faz.
O que é A.A.?
Alcoólicos Anônimos é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo.

O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber.
Para ser membro de A.A. não há taxas ou mensalidades; somos auto-suficientes, graças às nossas próprias contribuições.

A.A. não está ligada a nenhuma seita ou religião, nenhum partido político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apóia nem combate quaisquer causas.

Nosso propósito primordial é manter-nos sóbrio e ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade.
Simplicidade de propósito e outros problemas além do alcoolismo.
Alcoolismo e droga adicção são freqüentemente abordados como “Abuso de Substancias” ou “Dependência Química”. Alcoólicos e não-alcoólicos, são então, encorajados e freqüentar as reuniões de A.A. Qualquer um pode estar presente numa reunião aberta de A.A. Mas somente aqueles que realmente tem problemas com a bebida pode participar de reuniões fechadas ou ingressar em A.A. como membro. Pessoas com problemas outros que o alcoolismo são aceitos como membros de A.A. se tiverem problemas com a bebida.
O que A.A. faz?
1. Membros de A.A. dividem suas experiências com qualquer um que procure ajuda com problemas de alcoolismo; eles dão depoimento cara a cara em reuniões ou apadrinhando o alcoólico recém chegado em A.A.
2. O programa de A.A. é proposto em Doze Passos, que proporciona ao alcoólico uma maneira de desenvolver satisfatoriamente a vida sem o álcool.
3. Este programa é apresentado nas reuniões de grupo de A.A.

a. reuniões abertas
b. temáticas abertas
c. reuniões fechadas
d. reuniões de passos
e. reuniões em instituições e clínicas
f. reuniões de C.T.O.
O que A.A. não faz.
Recrutar membros, ou tentar aliciar alguém para juntar-se ao A.A.
Manter registro de seus membros ou de suas histórias.
Acompanhar ou tentar controlar seus membros.
Fazer diagnósticos ou prognósticos clínicos ou psicológicos.
Providenciar hospitalização, medicamentos ou tratamento psiquiátrico.
Fornecer alojamento, alimentação, roupas, emprego, dinheiro ou outros serviços semelhantes.
Fornecer aconselhamento familiar ou profissional.
Participar de pesquisas ou patrociná-las.
Filiar-se a entidades sociais (embora muitos membros e servidores cooperem com elas).
Oferecer serviços religiosos.
Participar de qualquer controvérsia sobre álcool ou outros assuntos.
Aceitar dinheiro pelos seus serviços ou contribuições de fontes não A.A..
Fornecer cartas de recomendação a juntas de livramento condicional, advogados, oficiais de justiça, escolas, empresas, entidades sociais ou quaisquer outras organizações ou instituições.
Conclusão
O propósito primordial de A.A. é de levar a mensagem ao alcoólico que sofre pela bebida.

A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA DE A. A. NA RECUPERAÇÃO

A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA DE A. A. NA RECUPERAÇÃO

Sabemos da importância da oralidade – transmissão e troca de experiências através da fala – para a identificação com o outro alcoólico que vem buscar ajuda em nossos grupos. Aliás, desde o início de nossa Irmandade, o processo de compartilhar experiências tem como base fundamental e imprescindível o contato direto com o outro: o Dr. Bob só aceitou continuar conversando com Bill W., porque a história deste homem coincidia com a sua. Porém, esses dois companheiros e os primeiros membros de A.A. muito cedo perceberam que a criação, o desenvolvimento e, sobretudo, a manutenção de nossa Irmandade para as futuras gerações de alcoólicos não poderiam estar baseados em alicerce tão frágil e tão vulnerável às nossas personalidades. Era necessário, portanto, que todas as experiências adquiridas fossem registradas, para que não incorrêssemos repetidamente nos mesmos erros e, principalmente, que a Mensagem fosse única.

“Em 1937, alguns de nós nos demos conta de que o A.A. tinha necessidade de literatura uniforme. Seria necessário publicar um livro. Nosso programa verbal poderia ser desvirtuado, as oposições sobre os princípios básicos poderiam nos destruir e, então, nossas Relações Públicas se perderiam. Não cumpriríamos com nossa obrigação ante o alcoólico que ainda não nos conhecia se não colocássemos por escrito nossos conhecimentos. “1

A partir dessa necessidade incontestável, foi publicado nosso texto-base Alcoólicos Anônimos, em 1939. Nossa Irmandade passou a ser chamada Alcoólicos Anônimos precisamente em função dessa publicação. Nela encontramos a experiência vivida por nossos primeiros companheiros e as primeiras sugestões para a prática dos Doze Passos para a Recuperação. Além do mais, foi justamente através desse livro que nossa Irmandade superou os limites dos Estados Unidos e Canadá, tornando-se uma irmandade mundial.

“Nós, de Alcoólicos Anônimos, somos mais de cem homens e mulheres que nos recuperamos de uma aparentemente irremediável condição mental e física. Demonstrar a outros alcoólicos exatamente como nos recuperamos é o principal objetivo deste livro.”2

Para além de nossa recuperação individual e juntamente com o surgimento de novos grupos e o crescimento progressivo de nossa Irmandade, adveio a necessidade de princípios que estabelecessem procedimentos quanto ao relacionamento entre membros e grupos de A.A. e entre nossa Irmandade e a sociedade. Resultado fundamentalmente de nossas próprias experiências e de outras semelhantes às nossas, as Doze Tradições – publicadas pela primeira vez em 19463 juntamente com a forma integral dos Doze Passos – constituem, sem sombra de dúvida, o alicerce de nossa Irmandade.

“As Doze Tradições de A.A. dizem respeito à vida da própria Irmandade. Delineiam os meios pelos quais A.A. mantém sua unidade e se relaciona com o mundo exterior, sua forma de viver e desenvolver- se.”4

Em função da necessidade de que os grupos espalhados pelo mundo todo se responsabilizassem tanto pela unidade quanto pela manutenção de A.A., Bill W. escreve os Doze Conceitos para Serviços Mundiais, que – segundo ele mesmo – “pretendem registrar o `porquê’ da nossa estrutura de serviço, de tal maneira que a valiosa experiência do passado e as lições que tiramos dessa experiência nunca devam ser esquecidas ou perdidas”5

Essas são as quatro publicações básicas de nossa Irmandade, aquelas que delineiam os nossos Três Legados: Recuperação, Unidade e Serviço. Mas além delas, temos ainda:

• Manual de Serviço6 – que adapta a estrutura de serviço à realidade brasileira, seja em relação aos Serviços Gerais, seja em relação à estrutura do CTO;
• Viver Sóbrio – publicação que apresenta sugestões para ajudar a não beber;
• As obras biográficas e históricas: Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade, Dr. Bob e os Bons Veteranos e Levar adiante.
• As compilações: O Melhor de Bill, Na Opinião do Bill e A Linguagem do Coração.
• Os livretos e folhetos: O Grupo de A.A., A Tradição de A.A. como se desenvolveu, por Bill W., Três Palestras às Sociedades Médicas, por Bill W., Perguntas e Respostas sobre apadrinhamento, Entendendo o anonimato, etc.

Obviamente que não se poderia esquecer de nossa Revista Vivência, que já está quase em sua centésima edição. Seguindo o exemplo de outras publicações, como Grapevine, La Vigna, Partage, etc., a nossa Vivência publica matérias enviadas por nossos companheiros brasileiros, refletindo assim a nossa realidade e o esforço do A.A. brasileiro em busca de Recuperação, Unidade e Serviço.

A nossa Literatura constitui, portanto, nossa ferramenta essencial tanto para a continuidade de nossa recuperação individual, quanto para levar a Mensagem correta a todos aqueles que queiram aquilo que temos. Se hoje estamos sóbrios e buscando viver uma vida com dignidade, útil e feliz, não podemos nunca nos esquecer de que também é nossa a responsabilidade de deixar para as futuras gerações de alcoólicos essa Mensagem. Esse é nosso dom e nossa tarefa, que nos foram dados pelo Criador de todas as coisas.

Infinitas 24 horas de sobriedade e serenidade.

1 A linguagem do coração – artigos escritos por Bill W. à Grapevine. São Paulo, CPP/JUNAAB, 2005, p. 155. (Os negritos não fazem parte do texto original.)
2 Alcoólicos Anônimos. São Paulo, CPP/JUNAAB, 2004, p.11 – Prefácio à primeira edição.
3 Informação obtida em: Alcoólicos Anônimos atinge a maioridade – uma breve história de A.A. São Paulo, CPP/JUNAAB, 1994.
4 Os Doze Passos e as Doze Tradições. 2a ed. em língua portuguesa, São Paulo, JUNAAB, 1997 – Prefácio, p. 11.
5 Os Doze Conceitos para Serviços Mundiais, por Bill W. 5a ed. São Paulo, JUNAAB, 1999, p. 7.
6 Estamos em processo de reedição de nosso novo Manual de Serviço, após a XXIX Conferência de Serviços Gerais, que passará a ter a parte de estrutura do CTO.

Que o PS conceda-nos infinitas 24 Hs. SÓ POR HOJE!
Luizsereno