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REVISTA VIVÊNCIA Nº 44 – NOV/DEZ-1996 QUE TAL ESSE PLANO DAS VINTE E QUATRO HORAS

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 44 – NOV/DEZ 1996

QUE TAL ESSE
PLANO DAS VINTE
E QUATRO HORAS?
B.P.

Antes de mais nada, o que diz o plano das vinte e quatro horas? Ele diz: “Viva a vida um dia de cada vez, Tanto para ficar longe da bebida, como para conduzir todas as outras atividades de sua vida; não deixe o ontem ou o amanhã desviá-lo do que você pode fazer hoje”.

“Esse plano das vinte e quatro horas é o mais engenhoso artifício de falsidade intelectual e auto decepção que eu já vi! Vocês me dizem que tudo o que tenho de fazer é permanecer sóbrio apenas por hoje – quando eu sei muito bem que vocês esperam que eu abandone a bebida para sempre. Quem está brincando com quem? E, assim que eu aplicar o plano das vinte e quatro horas em “todas as minhas atividades”, como poderei realizar algum trabalho, se não planejar antes?”

Estas eram as palavras que eu gostaria de ter gritado a cada um, e a todos, quando cheguei em A.A. Não o fiz somente porque não tive coragem para tanto. Mas, intimamente, bem lá no fundo, frequentemente o fazia para mim mesmo.
Nos anos subsequentes, vim a acreditar que o plano das vinte e quatro horas é a mais extraordinária receita para a produtividade, serenidade, e, sobretudo, felicidade que o homem jamais imaginou. Então, por alguns minutos, vamos examinar os quês e os porquês, os quandos e os para quês.
Nos meus dias de ativa, eu tinha que viver no passado, ou no futuro. Eu oscilava, alternadamente, entre o esplendor das glórias do ontem (na maioria, frutos da minha imaginação), o remorso e o ressentimento das derrotas do passado. Ou entregava-me a sonhos sobre o que poderia fazer amanhã, ou torturava a mim mesmo com os medos de onde eu poderia falhar. Decididamente eu não conseguia viver o hoje. Isso demandaria mais ação e mais responsabilidade do que eu seria capaz.
O plano das vinte e quatro horas tem sido a minha chave para a libertação dessa prisão. Ele é a arte de se viver onde temos condição de agir, de concentrar nossos esforços apenas no momento certo para aquilo que nos seja possível realizar – neste exato momento. Este é o único instante em que eu posso fazer algo a respeito de beber ou deixar de fazê-lo, o único instante em que eu posso fazer algo a respeito de levar a mensagem, e, nesse sentido, fazer algo a respeito de todas as atividades em minha vida.
Isso quer dizer que eu não posso fazer planos para o futuro? Positivamente, não. Significa que posso planejar as minhas ações, mas não projetar o resultado. Significa que, se a coisa mais importante que eu devo fazer neste instante (primeiro as coisas primeiras), é planejar algo para amanhã, para o mês que vem, ou para o próximo ano, preciso dedicar-me neste momento para isso.
Por que o plano das vinte e quatro horas funciona? Ele tem funcionado para mim porque divide a vida em segmentos que tornam possível manejá-la – uma coisa de cada vez. Faz lembrar aqueles velhos filmes de cavalaria, onde o mocinho, perseguido pelos índios, sempre se esconde em um estreito desfiladeiro, de onde ele pode eliminá-los, um de cada vez. Lembro-me que nos meus tempos de escola, o instrutor de remo costumava nos dizer, quando chegávamos aos últimos quatrocentos metros da regata, que devíamos esquecer os quatrocentos metros restantes, e simplesmente ir em frente, concentrados apenas em movimentar aquele remo para frente e para trás, uma vez mais.
Os quatrocentos metros, a tribo de índios, toda uma vida, não são controláveis mas, uma remada, um índio, um dia, nós podemos manejar neste exato momento.
Outra razão pela qual o plano das vinte e quatro horas funcionou para mim, é que ele oferece recompensas emocionais pelos êxitos obtidos. Se eu disser que nunca mais tomarei um gole enquanto viver, esteri em meu leito de morte antes de saber se o fiz. E, se for atropelado por um caminhão, nunca ficarei sabendo. Assim, a vida torna-se uma eterna busca por um objetivo que, provavelmente, eu nunca tenha a satisfação de alcançar. Mas se eu decido que não tomarei um gole hoje, no fim do dia eu saberei que consegui. Isso é uma conquista e, como todas as conquistas, traz satisfação. Faço o mesmo, dia após dia, e estou empilhando conquistas, adquirindo, assim, um equilíbrio que me é muito precioso – e, por essa razão, uma conquista que não estou propenso a abandonar – a cada que passa.
Além do mais, a conquista pode se tornar uma rotina, tanto quanto o álcool. Um pequeno triunfo nos faz bem; assim, ansiamos por mais um pouquinho. Quanto mais a gente consegue, mais a gente quer e, de repente, estamos fisgados – fisgados por um hábito que é construtivo, e não destrutivo.
Eu tinha que fazer, do plano das vinte e quatro horas, um hábito. Quando aderi a ele, displicentemente, e não funcionou e nem fazia sentido. Eu desconhecia o velho chavão de que, para o alcoólico em recuperação, a ação tem que vir antes do entendimento e da fé. Eu não havia compreendido que temos que dirigir o nosso modo de pensar para a forma correta, em vez de fazer o contrário.
Nos últimos dias das minhas bebedeiras, eu não tinha fé – nenhuma fé: nem mesmo da existência de um Poder Superior bondoso. Afinal, se houvesse algum Poder Superior, ele teria que ser maldoso, do contrário, por que teria ele escolhido a mim para ficar sem a coisa mais relaxante da vida – beber?
Assim, quando meu padrinho disse-me para agradecer a Deus, todas as manhãs, pelo dia que passou e pedir-lhe ajuda para o dia que tenho pela frente, eu disse a ele que não acreditava em Deus. Ele respondeu: “Faça assim mesmo”.
Então, finalmente, decidi colocar o plano das vinte e quatro horas de uma forma habitual. Eu o associaria a alguma coisa que faço todos os dias – tomar banho, por exemplo. Todas as manhãs, no chuveiro, eu estabeleceria as bases para as vinte e quatro horas daquele dia. Gradualmente, isso foi evoluindo, para se tornar, na acepção da palavra, um programa. Provavelmente, isso vai gastar um bocado de água, mas, pelo menos, água é bem mais barata do que vodca.

O Programa Funciona mais ou menos assim:

1. Primeiramente, agradeço a Deus pela minha sobriedade durante o dia anterior.
2. Depois, procuro em minha mente por algo que eu tenha feito melhor do que eu teria feito antes. Algum pequeno triunfo sobre um defeito de caráter – alguma pequena aplicação de coisas que eu tenha aprendido em A.A. E agradeço a Deus por isso. Isto é a parte do negócio de se adquirir o equilíbrio e de se ter sucesso por acréscimo. Porém, mais do que isso, é um remédio específico para o meu mais mutilante defeito – a falta de amor-próprio. O fato de estar ciente do que fiz corretamente, a cada dia, tem imperceptivelmente feito por fertilizar todas as raízes do meu debilitado amor-próprio..
3. Digo amim mesmo que sou um alcoólico. Eu sei que a mente humana, reflexivamente, apaga as lembranças desagradáveis, e estou decidido a contra-atacar esse reflexo, a fim de que eu jamais venha a achar que estou seguro e posso beber normalmente. Por isso, imagino uma bebida em minha mente (usualmente, um martini gelado) e então, conscientemente, relembro algum horrendo incidente alcoólico. Assim, eu tenho bem atadas, em minha mente, a bebida e a inevitável consequência. Tenho feito isto por inúmeras milhares de manhãs e creio que não me seria possível procurar por um trago sem, ao mesmo tempo, vislumbrar um quadro detalhado do resultado. Construí o meu próprio anti-reflexo.
4. Devido não tomar um gole no dia que está começando, e peço a Deus que me ajude a levar avante esta decisão. Nos primeiros meses e anos eu podia prever, com certeza, situações, no dia que nascia, onde eu sabia que estaria exposto à bebida – um almoço de negócios com um grupo de bebedores da pesada, ou fazendo hora no aeroporto de Cleveland. Podia visualizar a situação iminente em detalhes e dizer a mim mesmo, “estou decidindo agora (no chuveiro), que eu não vou tomar um gole quando a situação ocorrer”.
5. Por último, eu decido por um “Dia Especial”. Vim para o A.A. com tantas falhas e defeitos de caráter, que nem ao menos podia contá-los. Ainda tenho uma boa parte deles. Se, por um lado, intelectualmente, eu anseio por livrar-me deles, por outro, emocionalmente, ainda os acho meio engraçados. Com esse conflito em minha cabeça, o problema de trabalhar em cima deles se assemelha com tentar trocar um aperto de mão com um povo. Desse modo, eu pego um defeito de caráter e concentro-me nele durante aquele dia, e peço a Deus que me ajude a ser bem sucedido.

A Prática

Naturalmente esse programa diário não chega pré-fabricado em frente à minha porta. Ele se desenvolve com a prática.
Em poucos meses, ele me provou a existência de um Deus benevolente.
No dia em questão, eu sabia que teria de trabalhar até tarde da noite e teria um tempo ocioso na Grand Station, esperando pelo último trem. Antevendo a situação, tomei a decisão de não me atirar para a minha costumeira série de “duplos” no bar, e pedi ajuda para manter-me firme na decisão. Na manhã seguinte, surpreendi-me ao compreender que eu passara uma hora na estação, lendo um jornal, sem que tivesse passado pela minha cabeça a ideia de beber.
Eu poderia ter sido capaz de evitar que uma mudança de ideia se tornasse uma compulsão, ou que uma compulsão me levasse à ação, mas houve um Poder, muito maior que eu mesmo, para barrar até mesmo o pensamento vindo de minha própria consciência.
Desse dia em diante, eu vim a acreditar.
Os cinco passos da “ducha matinal” podem parecer meio complexos. Todos eles se resumem em se estar agradecido a Deus pela sobriedade e pelo crescimento, em admitir-se como alcoólico, e pedir ajuda para a manutenção da sobriedade e do crescimento – só por hoje.
É fácil: ao examinar o processo, você notará que eles se incorporam a cada um dos Doze Passos, exceto o de “levar a mensagem”, que é parte do Décimo Segundo – só por hoje.
Talvez, esta seja uma maneira um pouco lenta de se adquirir sobriedade e crescimento. Mas, antes de mais nada, a sobriedade é uma muda, plantada recentemente. Se eu agir afoitamente e puxá-la com força pelo caule, com a intenção de fazê-la crescer mais rapidamente, corro o risco de arrancá-la inteira da terra. Mas, se eu adubar as raízes, dia após dia, estarei, certamente, garantindo uma colheita segura e saudável.
Em outras palavras, resistir à compulsão do primeiro gole é como colocar uma nave espacial em órbita. É imprescindível que haja uma forte impulsão para que seja vencida a primeira etapa da atração da gravidade para tirar a nave do chão. Mas, uma vez em órbita, basta uma pequena correção, de vez em quando. É assim que funciona o plano das vinte quatro horas – um simples check-up diário e uma pequena correção, para nos manter longe da tentação daquele primeiro gole.

Um Plano Espiritual

Em meus próprios esforços na aplicação do plano das vinte e quatro horas, tomei a liberdade de interferir em nossa Oração da Serenidade. Acrescentei sete palavras – e todas elas são a mesma palavra – “hoje”.

Concedei-nos Senhor, a Serenidade necessária “hoje” para aceitar “hoje” as coisas que não podemos modificar “hoje”,
Coragem “hoje” para modificar “hoje” aquelas que podemos “hoje”
E Sabedoria “hoje” para distinguir umas das outras.

Então, esta é a receita para a produtividade, a serenidade e, acima de tudo, a felicidade que A.A. tem me proporcionado. E é por essa razão que eu posso dizer do fundo do meu coração: “Obrigado Senhor por eu ser um alcoólico”.

As religiões, as seitas e outros movimentos e irmandades, têm seus códigos de conduta. Seus membros podem respeitá-los, ou deixá-los de lado. A aplicação não é uma questão de vida ou morte. Mas, nós em A.A., temos o nosso plano das vinte e quatro horas, e a nossa razão para aplicá-lo é a própria vida.

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VIVÊNCIA – NOVEMBRO/DEZEMBRO 96

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APADRINHAMENTO: UMA VIA DE MÃO DUPLA

6.4. Apadrinhamento: Uma via de mão dupla

Box 4-5-9, Abr. Mai. 1998 (pág. 1-2)=> http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_april-may98.pdf
Título original: “El apadrinamiento es uma calle de doble dirección”

O programa de recuperação de A.A. é espiritual, mas a ação dos bêbados – um sóbrio e outro enfermo apoiando-se um no outro é o que o fundamenta, conforme o que logo descobriram nossos cofundadores. Alguns anos mais tarde, ao considerar sua relação com o Dr. Bob, Bill W. comentou: “O Dr. Bob não precisava de mim para sua instrução espiritual… O que precisava quando nos encontramos pela primeira vez era a profunda deflação do ego e a compreensão que somente um bêbado pode oferecer a outro. O que eu precisava era da humildade para esquecer de mim mesmo e do sentimento de parentesco com outro ser humano da minha própria índole”.
Nos primeiros dias, em Akron, Ohio, o apadrinhamento costumava começar com a hospitalização e a admissão da derrota do alcoólico, esta última, induzida algumas vezes pela Irmã Inácia, que animava seus pacientes a dobrar os joelhos ao invés de dobrar os cotovelos. Outras vezes começava na cozinha do Dr. Bob com sua receita caseira: tomates, chucrute e xarope de milho (Karo), tudo misturado e colocado a ferver no fogo lento. “Os homens quase tinham náuseas ao tomar aquela coisa” lembrava mais tarde o pioneiro Ernie G.“Finalmente o Dr. Bob retirou o chucrute, mas continuo durante muitos anos com tomates e xarope de milho”.
Atualmente aquela beberagem foi substituída por batidos de leite, mel e consomê (uma espécie de sopa com textura bem aquosa), e aquele punhado de “possíveis candidatos”converteu-se em mais de dois milhões de membros no mundo todo. Mas a verdade simples de que para manter nossa sobriedade é entrega-la a outro alcoólico que ainda sofre, essa não mudou. No seu discurso inaugural sobre o tema “Apadrinhamento: Gratidão em ação”, na Conferência de Serviços Gerais de 1991, o falecido Custódio alcoólico Webb J., do Oeste do Canadá disse a esse respeito: “Você deve dá-lo para mantê-lo, mas não pode dar o que não tem”. Ele percebeu isso quando recém-saído de uma instituição de tratamento, tentou apadrinhar alguém e acabou “de volta à garrafa”.
Quinze meses depois, disse Webb, “voltei para A.A. e fiquei. Entrei em serviço na segunda reunião, quando o pessoal me escolheu para receber as pessoas na porta de entrada. Fazia todas as tarefas domesticas do Grupo, tais como arrumar as cadeiras, fazer café, limpar os cinzeiros – tudo menos limpar o piso. Tínhamos um companheiro que antes havia sido gangster e se alguém ousava tocar na bassoura ele o olhava de tal jeito que fazia pensar em sapatos de concreto… Depois de um tempo, encontrei alguém que aceitou ser meu padrinho, com a condição de que ficasse um ano na cidade enquanto consertava os problemas que tinha criado, que me juntara a um Grupo, que praticasse os Passos e as Tradições e que participasse das atividades do Grupo. Fiz tudo isso e, como consequência, disfrutei de uma carreira de serviço muito variada, emocionante e interessante e, provavelmente, salvadora. Como é dito no nosso Terceiro Legado: ‘A.A. é algo mais que um conjunto de princípios; é uma sociedade de alcoólicos em ação. Temos que levar a mensagem, pois se não o fizermos, nós mesmos podemos murchar e aqueles a quem não lhes foi levada a verdade podem perecer’”.
Na mesma Conferência, a então Delegada do Sul de Indiana Dorothy M., disse,“Quando um principiante estende sua mão pedindo ajuda, quero que a mão de um membro disposto a ser padrinho esteja ali mesmo”. Ela ressaltou que “nossos vínculos não vem de ter um desastre em comum, mas de ter uma solução em comum”.
A experiência demonstra que desde a ajuda própria até o serviço, os membros de A.A. dos EUA e Canadá voltaram a se comprometer com o apadrinhamento. Nas cartas recebidas no Escritório de Serviços Gerais – ESG, formulam-se variadas perguntas (muitas têm sua resposta no folheto “Perguntas e Respostas sobre Apadrinhamento”, Junaab, cód. 211, R$ 4,70).
A seguir aparecem algumas dessas perguntas resumidas e as respostas que ofereceram os membros do pessoal do ESG:
Pergunta: Bill W. teve um padrinho?
Resposta: Sim. De fato Bill escreveu em várias ocasiões a respeito da profunda influência que teve em sua vida seu amigo de infância e companheiro de bebedeiras Ebby T.“E ali estava sentado meu padrinho Ebby, o qual foi o primeiro a me trazer as palavras que me tiraram do poço do alcoolismo”, escreveu Bill em “A.A. Atinge a Maioridade”. Bill sempre se referiu a Ebby como seu padrinho, embora houvesse tido muitas recaídas. Ao longo dos anos, Bill tratou de transmitir a mensagem ao seu amigo, da mesma maneira que Ebby a tinha passado a ele.
Pergunta: Enquanto estava hospitalizado depois de três meses de sobriedade, sofri uma infecção muito grave na garganta e o médico me receitou um medicamento para a dor. Meu padrinho disse-me que deveria mudar a data da minha sobriedade para o dia em que deixei de tomar o medicamento. Vocês concordam?
Resposta: Alguns membros dizem que não confiam em seus próprios procedimentos para chegar a tomar decisões e dependem totalmente de seus padrinhos. É possível que ainda me reste algum vestígio do bebedor típico de bar, mas posso compartilhar com você que não dependo do meu padrinho para obter conselhos a respeito de assuntos legais ou de médicos. Como é dito no folheto “O membro de A.A. os medicamentos e outras drogas” ( Junaab, código 214, R$ 4,20), a experiência demonstra que é melhor que “nenhum membro de A.A. faça o papel de médico”; nem tampouco meu padrinho iria gostar que eu o coloca-se nessa situação. Meu padrinho não me deu a data da minha sobriedade e, pelo que eu sei, tampouco pode tirá-la.
Pergunta: Há uma maneira “correta” para que o padrinho possa conduzir alguém no programa?
Resposta: A experiência de A.A. demonstra que o apadrinhamento é algo muito pessoal. Tanto o padrinho como o afilhado tem bastante margem ao escolher a pessoa que vai ser seu padrinho e como irão utilizar essa relação… Eu pessoalmente não acredito numa relação de apadrinhamento parecida com cuidar de um bebê. Acredito que a minha tarefa é introduzir a pessoa no programa de recuperação de A.A., ajuda-la a trabalhar os Passos até o ponto em que esteja disposta a fazê-lo, e tratar de introduzi-la a um poder superior tal como ela o conceba. Depois, acredito que seja importante que eu vá “saindo do trabalho”, por assim dizer, e estimular o afilhado a depender de seu poder superior mais que de mim. Há outros que têm uma opinião totalmente diferente; mas para mim, isso não representa nenhum problema.
Pergunta: Meu padrinho e eu tivemos um desentendimento, e agora tenho o sentimento de não poder participar do mesmo Grupo. O que devo fazer?
Resposta: Os problemas que envolvem personalidades costumam ser os mais difíceis de resolver, mas ao praticar os princípios de A.A. em todas as nossa atividades e antepor esses princípios às personalidade, podemos chegar a superá-los até certo ponto. Esperamos que considere a possibilidade de ir a outras reuniões e conseguir outro padrinho. Em A.A. costuma-se dizer que ter um padrinho no começo não quer dizer que nos tenhamos casado com essa pessoa. Às vezes a relação não funciona e procuramos outra pessoa. O que é importante é ter um padrinho com mais tempo de sobriedade que o seu, alguém com quem você se sinta bem para compartilhar com sinceridade e honestidade e que possa ajuda-lo a praticar os Passos e as Tradições.
Pergunta: Dei o Primeiro Passo e admiti que sou impotente perante o álcool. O que devo fazer agora? O que devo procurar num padrinho?
Resposta: Bom, sempre pode dar o Segundo Passo. A respeito de segunda pergunta, quando cheguei em A.A. me foi sugerido que procura-se alguém que, (a) tivesse mais de dois anos de sobriedade, (b) fosse mulher, como eu, e (c) desse a impressão de disfrutar a sobriedade . Dessa maneira encontrei uma madrinha, e sempre serei muito agradecida a essa mulher maravilhosa que foi minha primeira verdadeira amiga em A.A. e ao longo dos anos continuou sendo uma amiga muito querida.
Pergunta: Estou sóbrio há dois anos e pela primeira vez comecei a apadrinhar alguém. Poderiam me dar algumas sugestões?

Resposta: Talvez o mais importante do apadrinhamento é o poder dar sem esperar nada em troca. Como disse Bill W. num artigo da revista Grapevine em janeiro de 1958:“Observe qualquer AA com seis meses de sobriedade enquanto trabalha com um caso novo de Décimo Segundo Passo. Se o candidato lhe diz, ‘vá para o diabo’, apenas sorri e vai trabalhar com outro. Não se frustra nem se sente rejeitado. E se o próximo caso responde com amor e atenção para com outros alcoólicos sem dar atenção a ele, o padrinho, entretanto, dá-se por satisfeito e se alegra porque seu antigo candidato está sóbrio e feliz… Mas, também percebe claramente que sua felicidade é um subproduto – um dividendo resultante de dar sem esperar nada em troca”.

Postado por CAHist

APADRINHAMENTO EM A.A.: SUAS OBRIGAÇÕES E SUAS RESPONSABILIDADES

6.3. Apadrinhamento em A.A.: Suas obrigações e suas responsabilidades

Importante: O material a seguir é uma tradução feita pelo Dr. Lais Marques da Silva, ex- Presidente da Junta de Custódios, do panfleto que foi o primeiro trabalho escrito sobre apadrinhamento e o seu título original era “Apadrinhamento em A.A. suas Obrigações e Responsabilidades”. Foi escrito por Clarence H. Snyder (*), em 1944 e impresso pelo Comitê Central de Cleveland. Este transcritor apenas adaptou o formato ao conjunto.
(*) Clarence H. Snyder, (1902-1984), ficou sóbrio em Cleveland-Ohio, no dia 11 de fevereiro de 1938 com a ajuda do seu padrinho, cofundador, o Dr. Bob. Em 18 de maio de1939, fundou o grupo nº. 3 de A.A. em Cleveland-Ohio e este foi o primeiro grupo a usar o nome “Alcoólicos Anônimos”.
Faleceu na Flórida, em 22 de março de 1984, com 46 anos de sobriedade.
Sua história, “A Casa do Mestre Cervejeiro” está publicada nas 1ª, 2ª. e 3ª. edições do Big Book, nas páginas 297/303
Fonte: http://silkworth.net

Prefácio
Cada membro de A.A. é um padrinho em potencial de um novo membro e deveria reconhecer claramente as obrigações e deveres de tal responsabilidade.
A aceitação da oportunidade de levar o plano de A.A. para aquele que sofre no alcoolismo compreende responsabilidades muito reais e criticamente importantes. Cada membro, ao praticar o apadrinhamento de um alcoólico, deve lembrar que está oferecendo o que é, frequentemente, a última chance de reabilitação, de sanidade, ou mesmo, de vida.
Felicidade, saúde, segurança, sanidade e vida de seres humanos são as coisas que temos que manter em equilíbrio quando apadrinhamos um alcoólico.
Nenhum membro é suficientemente sábio para desenvolver um programa de apadrinhamento que possa ser aplicado, com sucesso, a todos os casos. Nas páginas seguintes, no entanto, delineamos um procedimento que é sugerido e que, suplementado pela própria experiência do membro, tem-se mostrado bem sucedido.

Ganhos pessoais de ser um padrinho
Ninguém colhe todos os benefícios de qualquer irmandade a que esteja ligado a menos que, de coração, se engaje nas suas importantes atividades. A expansão de Alcoólicos Anônimos para campos mais largos e o benefício maior para um número crescente de pessoas resulta diretamente do acréscimo de uma nova pessoa, de membros ou associados que são de valor.
Qualquer membro de A.A. que não tenha experimentado as alegrias e satisfações de ajudar outro alcoólico a retomar o seu lugar na vida, ainda não terá percebido completamente os benefícios que pode auferir desta irmandade. Por outro lado, deve ficar claramente guardado na mente que a única razão possível para levar um alcoólico para o A.A. é o benefício daquela pessoa. O apadrinhamento nunca deve ser feito para:
1) aumentar o tamanho do grupo;
2) satisfação ou glória pessoal ou, ainda,
3) porque o padrinho sente, como sendo do seu dever, refazer o mundo.
Até que um membro de A.A. tenha assumido a responsabilidade de colocar um trêmulo e impotente ser humano de volta no caminho para se tornar um membro saudável, útil e feliz da sociedade, ele não terá desfrutado a completa sensação de ser um membro de A.A.

Fonte de nomes – indicações para apadrinhamento
A maior parte das pessoas tem, entre os seus próprios amigos e relações, alguém que se beneficiaria dos nossos ensinamentos. Outros têm seus nomes dados por igrejas, por doutores, empregadores ou por algum outro membro que não pode fazer um contato direto.
Por causa da ampla gama de atividades do A.A., os nomes frequentemente chegam de lugares não usuais e inesperados. Esses casos deveriam ser contatados assim que todos os dados como: estado civil, relações domésticas, estado financeiro, hábitos de beber, emprego, e outras informações facilmente acessíveis, estivessem em mãos.
É o cliente potencial um candidato?
Muito tempo e esforço poderiam ser poupados ao se conhecer, tão cedo quanto possível, se:
1) A pessoa realmente tem um problema com a bebida?
2) Sabe que tem um problema?
3) Deseja fazer alguma coisa acerca do seu beber?
4) Deseja ajuda?
Às vezes, as respostas a essas questões não podem ser obtidas até que o candidato potencial tenha tido alguma informação sobre o A.A. e de ter uma oportunidade de pensar. Frequentemente são dados nomes, que depois de uma verificação, mostram que o candidato potencial não é, de forma nenhuma, um alcoólico ou ainda que está satisfeito com o atual modo de viver. Não deveríamos hesitar em descartar esses nomes das nossas listas. Devemos estar certos, no entanto, de fazer com que o potencial candidato saiba onde pode nos alcançar em qualquer data futura.

Quem deveria se tornar membro?
O A.A. é uma irmandade de homens e mulheres ligados pela sua inabilidade de usar o álcool em qualquer forma razoável com proveito ou prazer. Obviamente, qualquer novo membro introduzido poderia ser do mesmo tipo de pessoa, sofrendo da mesma doença.
A maior parte das pessoas pode beber razoavelmente, mas estamos somente interessados naquelas que não podem. Bebedores de festas, bebedores sociais, festeiros e outros que continuam a ter mais prazer do que dor no seu beber, não são de interesse para nós.
Em alguns casos, um indivíduo pode acreditar que é um bebedor social quando ele definitivamente é um alcoólico. Em muitos desses casos, mais tempo deve passar antes que a pessoa esteja pronta para aceitar o nosso programa. Pressionar tal pessoa antes que esteja pronta pode arruinar as suas chances de, em algum momento, se tornar um membro de A.A., com sucesso. Não se deve excluir a possibilidade de uma ajuda futura ao se pressionar demais no início.
Algumas pessoas, embora definitivamente alcoólicas, não têm desejo ou ambicionam melhorar o seu modo de viver e, até que elas o façam, A.A. não tem nada a oferecer.
A experiência tem mostrado que idade, inteligência, educação, situação ou a quantidade de bebida alcoólica ingerida tem pouco, se tem, a ver com o fato de uma pessoa ser ou não um alcoólico.

Apresentando o projeto
Em muitos casos, a condição física de uma pessoa é tal que deveria ser hospitalizada, se possível. Muitos membros de A.A. acreditam que a hospitalização, com tempo suficiente para planejar o futuro, livre das preocupações domésticas e das preocupações com negócios oferece uma vantagem significativa. Em muitos casos, o período de hospitalização marca o início de uma nova vida. Outros membros são igualmente confiantes no fato de que qualquer pessoa que deseje aprender sobre o projeto de vida de A.A. pode fazer isso em seu próprio lar ou enquanto engajado nas ocupações normais. Milhares de casos são tratados de cada modo, que tem-se mostrado satisfatórios.

Passos sugeridos
Os seguintes parágrafos delineiam um procedimento sugerido para apresentar o projeto de A.A. ao possível candidato, em casa ou no hospital.
1) Qualificar-se como um alcoólico
Ao atender a um novo possível candidato, tem-se mostrado melhor que o padrinho se qualifique como sendo uma pessoa normal que tem encontrado felicidade, contentamento e paz por meio do A.A.. Deve tornar claro, imediatamente, que você é uma pessoa engajada nas coisas da vida, em ganhar a vida. Fale que a única razão para acreditar que é capaz de ajudá-lo é que você mesmo é um alcoólico que tem tido experiências e problemas que podem ser semelhantes ao dele.
2) Relate a sua história
Muitos membros têm achado desejável iniciar imediatamente com a sua história pessoal com a bebida como um meio de obter a confiança e cordial cooperação do possível candidato.
É importante relatar a história da sua própria vida de bebedor e fazê-lo de um modo que irá descrever um alcoólico, mais do que falar de uma série de situações humorísticas de bêbados em festas. Isso capacitará a pessoa a ter uma visão clara de um alcoólico e deveria ajudá-lo a decidir definitivamente se é um alcoólico.
3) Inspire confiança no A.A.
Em muitos casos, o possível candidato irá tentar vários meios de controlar o seu beber, incluindo atividades de recreio, igreja, mudança de residência, mudança de associações e várias outras atitudes visando o controle. Esses meios irão, naturalmente, se mostrar sem sucesso. Focalize a sua série de esforços malsucedidos para controlar o beber… Os resultados infrutíferos e ainda o fato de que você se tornou capaz de parar de beber com a prática dos princípios de A.A.. Isso encorajará o futuro candidato para olhar com confiança a sobriedade em A.A., a despeito dos muitos fracassos anteriores que tenha tido com outros planejamentos.
4) Fale de vantagens adicionais
Fale francamente ao possível candidato que ele não poderá entender rapidamente todos os benefícios que estarão chegando por meio do A.A.. Relate a felicidade, a paz de espírito, saúde e, em muitos casos, os benefícios materiais que são possíveis através do entendimento e da aplicação do modo de viver de A.A..
5) Fale da importância de ler o livro
Explique a necessidade de ler e de reler o livro de A.A.. Destaque que esse livro dá uma descrição detalhada das ferramentas do A.A. e dos métodos de aplicação dessas ferramentas para construir um fundamento de reabilitação para viver. Esse é um bom momento para enfatizar a importância dos doze passos e dos quatro absolutos.
6) Qualidades necessárias para o sucesso em A.A.
Faça saber ao possível candidato que os objetivos de A.A. são prover os meios e modos para um alcoólico voltar ao seu lugar normal na vida. Desejo, paciência, fé, estudo e aplicação são o mais importante em determinar cada planejamento individual de ação para ganhar inteiramente os benefícios de A.A..
7) Reintroduza a fé
Desde que a crença em um Poder Superior a nós mesmos é o coração do projeto de A.A. e de que o fato de que essa ideia é frequentemente difícil para uma nova pessoa, o padrinho deveria tentar introduzir o início de um entendimento acerca dessa importante característica.
Frequentemente, isso pode ser feito por um padrinho ao relatar a sua própria dificuldade de captar um entendimento espiritual e falar sobre os métodos que usou para superar suas dificuldades.
8) Ouça a sua história
Enquanto falando ao recém chegado, ganhe o tempo para ouvir e estudar as suas reações a fim de que você possa apresentar a sua informação de um modo mais efetivo. Deixe-o falar também. Lembre … vá com calma.
9) Leve a diversas reuniões
9-Para dar ao novo membro um quadro amplo e completo do A.A., o padrinho deveria levá-lo a várias reuniões a conveniente distância da sua casa. Assistir diversas reuniões dá ao novato a oportunidade de selecionar um grupo em que se sinta mais feliz e confortável e é extremamente importante para deixar que o possível candidato tome a sua própria decisão em relação a que grupo irá se juntar. Acentue que ele será sempre bem-vindo a qualquer reunião e que pode mudar de grupo se assim desejar.
10) Explique o A.A. à família do possível candidato
Um padrinho bem sucedido aceita o esforço e faz qualquer empenho necessário para ficar certo de que as pessoas próximas e com interesse maior no seu doente (mãe, pai, esposa, etc.,) sejam inteiramente informadas acerca do A.A., seus princípios e seus objetivos. O padrinho cuida para que essas pessoas sejam convidadas para reuniões e as mantém informadas, a todo o momento, da situação corrente do possível candidato.
11) Ajude o possível candidato a se antecipar às experiências a serem vividas em um hospital.
Um possível candidato irá ter mais benefício de um período de internação se o padrinho descrever a experiência e ajudá-lo a se antecipar a elas, preparando o caminho daqueles membros que irão chamá-lo.
12) Consulte os membros antigos de A.A.
Essas sugestões para o apadrinhamento de uma nova pessoa nos ensinamentos de A.A. não são completas. Elas pretendem somente dar uma moldura e um guia geral. Cada caso individual é diferente e deveria ser tratado como tal. Informação adicional para o apadrinhamento de uma nova pessoa pode ser obtida a partir da experiência de um companheiro mais experiente nesse tipo de serviço. Um co-padrinho, com experiência, trabalhando com um novo companheiro no apadrinhamento de um possível futuro membro tem-se mostrado satisfatório. Antes de assumir a responsabilidade de apadrinhamento, um membro deveria estar certo de que é capaz de realizar a tarefa e de estar disposto a dar seu tempo, esforço e meditação que uma tal obrigação implica. Pode acontecer que ele queira selecionar um co-padrinho para compartilhar a responsabilidade ou pode sentir necessário solicitar a outro companheiro que assuma a responsabilidade pela pessoa que ele tenha localizado.

13) Se você vai ser um padrinho, seja um bom padrinho.

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APADRINHAMENTO: COMO ÉRAMOS

6.2. Apadrinhamento: Como éramos

Box 4-5-9, Abr. Mai. 2003 (pág. 3 a 5)=> http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_april-may03.pdf
Título original: “El apadrinamiento – como éramos

“Assista às reuniões e consiga um padrinho”. Duas enérgicas sugestões que são dadas a quase todos AAs em sua primeira reunião. Tanto para o recém chegado com a clássica tremedeira quanto para o veterano bem experiente, o apadrinhamento tem sido um fator crucial da sobriedade sólida, e este ano (2003), o lema da Conferência de Serviços Gerais “Vivendo os princípios de A.A. através do apadrinhamento”, oferece à Irmandade em sua totalidade uma oportunidade de examinar a eficácia do apadrinhamento nos dias de hoje. Os membros da Conferência irão considerar detidamente o quão aplicados temos sido em cumprir nossa responsabilidade de apadrinhamento, e se perguntarão se talvez está desaparecendo; também irão falar de possíveis formas de fornecer informação aos médicos e a outros profissionais.
Nossa experiência nos revela a evolução do apadrinhamento que passou de um sistema por vezes rígido de doutrinamento para este arranjo pouco formal e individual que hoje conhecemos. As raízes do apadrinhamento são mais antigas que a própria Irmandade de A.A. Em novembro de 1934, Ebby T., velho companheiro de Bill W., veio visitá-lo. Ebby estava sóbrio pela primeira vez em muito tempo, que Bill pudesse lembrar; e estava muito desejoso de falar a respeito de sua nova maneira de viver. Em um artigo comemorativo publicado na edição de junho de 1966 da revista Grapevine, Bill escreveu: “Como é do conhecimento da maioria de vocês, Ebby, me falou da libertação do desespero que havia conseguido no Grupo de Oxford como resultado do autoexame, a reparação, a doação aos outros e a oração. Em poucas palavras, estava-me propondo as atitudes e princípios que mais tarde seriam usados para formular os Doze Passos para a recuperação em A.A.” Bill demorou algum tempo para alcançar a sobriedade, e a Ebby lhe resultou difícil manter a sobriedade por períodos de tempo mais longos, porém, para Bill essa foi a primeira experiência do poder do intercâmbio entre um alcoólico e outro e ao longo de toda sua vida Bill continuou a chamar Ebby de “meu amigo e padrinho”.
O surpreendente poder do compartilhamento pessoal sempre tem sido a força motriz, o coração mesmo, da vida e do desenvolvimento de A.A. No fim da primavera de 1939, Bill W., longe do seu lar e sua família, sentindo-se desesperadamente desejoso de manter sua recém encontrada sobriedade, se dispôs a procurar outro bêbado e acabou por levar a mensagem ao cofundador, o Dr. Bob S. Seu encontro marcou o começo real da Irmandade de A.A. e juntos, estes dois homens encontraram-se com outros bêbados e lhes levaram a mensagem de esperança. Nossos membros fundadores de Akron e Nova York se puseram imediatamente em ação fazendo o trabalho do Décimo Segundo Passo, levando a mensagem a alcoólicos nos hospitais e onde queira que estivessem, assegurando que eles também praticassem os passos que a incipiente Irmandade estava formulando como programa de recuperação.
Este pequeno grupo de ex-bêbados de Akron, e depois de Nova York, se manteve unido por absoluta necessidade e enviaram membros sóbrios para fazer visitas a possíveis membros e acompanhar seu progresso. Nos primeiros dias, os bêbados com frequência se hospedavam nas casas dos membros sóbrios até alcançar um mínimo de estabilidade. Porém, passados alguns anos, e depois de várias experiências desagradáveis, perceberam que muito poucos “hospedes” alcançavam a sobriedade, e da possibilidade de que não lhes estiveram fazendo favor algum.
No livro O Dr. Bob e os bons Veteranos é descrito o crescimento lento de A.A. em Akron justamente no período que se seguiu ao retorno de Bill a Nova York. “Em fevereiro de 1937 voltamos a calcular o número de membros e tinham ingressado mais sete subindo o total para 12. Também havia algumas dezenas que tinha que tinham algum conhecimento do programa. Durante esse período, o Dr. Bob e os membros pioneiros elaboraram juntamente com os mais novos um procedimento que foi muito rígido no começo, porém com o passar dos meses e dos anos foi-se tornando mais flexível e aberto”.
Primeiro, iam falar com a esposa, e lhe perguntavam se o seu marido realmente queria parar de beber. Então, o Dr. Bob ia pessoalmente falar com o homem e lhe assegurava que, se realmente levava o assunto a sério, eles poderiam lhe ajudar. Clarence S., um dos pioneiros, disse que, “em Akron e Cleveland você não podia simplesmente chegar e se apresentar numa reunião tal como hoje é feito. Você precisava ser apresentado por um companheiro. A esposa chamava primeiro e eu ia falar com ela. Contava-lhe minha história. Eu precisava saber alguma coisa a respeito do possível novo membro. Então eu saberia como abordá-lo. Talvez lhe cria-se uma armadilha. Assim teria no que me apoiar”.
Warren C. disse que, “não sabíamos nada de atração. Começávamos falando sua esposa, ou talvez procurávamos seu chefe, e quando íamos falar com homem já tínhamos um bom conhecimento dele”. Depois dessa entrevista preliminar, o possível membro era internado em um hospital para se desintoxicar. Quando o iniciante estava suficientemente restabelecido, todos os membros que moravam na cidade iam visitá-lo diariamente, três ou quatro no começo e 20 ou mais alguns anos mais tarde. Se o iniciante concordava em se juntar a eles, tinha que admitir que era impotente perante o álcool e entregar sua vontade a Deus na presença de um ou mais membros.
O apadrinhamento pessoal e individual, tal como o conhecemos hoje, parece ter-se originado no Grupo de Cleveland. Em outubro de 1939, foi publicada no Cleveland Plain Dealer uma série de artigos a respeito de A.A. que marcou o começo de uma nova época para Alcoólicos Anônimos, a época da fabricação em série da sobriedade. Bill W., escreveu em A.A. atinge a maioridade, “a central de atendimento do jornal foi inundada por chamadas que eram remetidas ao pequeno Grupo de Cleveland. Semana após semana, os companheiros saiam correndo apreensivos a fazer visitas do Décimo Segundo Passo aos cada vez mais numerosos candidatos. Logo ficou claro que seria necessário elaborar um sistema de apadrinhamento pessoal para os novos. Um membro mais antigo era designado para visitar o mais novo na sua casa ou no hospital, explicar-lhe os princípios de A.A. e acompanhá-lo à sua primeira reunião. Porém, ao ver-se rodeados de tantos pedidos de ajuda, percebiam que não havia suficientes veteranos para satisfazer a demanda. Recém chegados que tinham um mês ou apenas uma semana sóbrios tinham que apadrinhar alcoólicos que ainda estavam se desintoxicando nos hospitais”.
Quando o primeiro Grupo chegou a ter bastantes membros, iniciou-se outro Grupo e logo se estabeleceu o terceiro Grupo. Felizmente o Big Book tinha saído da gráfica já havia seis meses e também havia disponíveis alguns folhetos, com o qual foi evitado que aquela situação frenética levasse à confusão e a anarquia.
Os pioneiros de Akron e Nova York tinham graves dúvidas. Como seguir em frente?Ninguém sabia. Porém, um ano depois ficaram sabendo; tendo chegado a 30 Grupos e várias centenas de membros, os pioneiros de Cleveland tinham demonstrado três coisas essenciais: a importância do apadrinhamento pessoal, a importância do Big Book para informar os iniciantes e o maravilhoso feito de que, uma vez que as boas-novas se difundissem suficientemente, A.A. seguramente poderia crescer até chegar a ser muito grande.
Na medida em que A.A. ia se desenvolvendo, muitos Grupos começaram a elaborar programas para ensinar os recém-chegados e a meados da década de 1940, os editores da nova revista nacional de A.A., a Grapevine, pediram aos seus leitores que compartilhassem a experiência de seus Grupos em seus projetos para apadrinhar os iniciantes. No número de junho de 1945 foram descritas quatro reuniões educativas, às quintas-feiras à noite, realizadas pelo Wilson Club, um dos Grupos de St. Louis. A primeira reunião foi dedicada à história de Bill, bêbado e sóbrio, e o desenvolvimento de A.A. até chegar a St. Louis. Durante um intervalo de 15 minutos era pedido a cada participante para escrever algumas palavras explicando o que ele considerava ser alcoólico. Depois disso, um médico explicava os aspectos clínicos do problema.
Na segunda reunião era tratado o aspecto espiritual e os Doze Passos, e para concluir, era lido um discurso do jesuíta padre Dowling, que foi quem iniciou os Grupos em St. Louis. Na reunião da terceira semana se falava do restante dos capítulos do Big Book e havia uma palestra proferida por um pastor protestante. Na última reunião era feito um breve repasse da literatura de A.A. e se explicava o funcionamento do Wilson Club.
Para ser considerado um membro ativo e com pleno direito do Wilson Club, era necessário assistir essas quatro reuniões educativas. Depois de feito, o candidato recebia um cartão de ingresso na cor branca que o identificava como membro. Ao completar um ano de sobriedade, o membro recebia um cartão dourado.
Na edição de setembro desse mesmo ano, a Grapevine publicou correspondência do Grupo Genesee de Rochester onde comunicava que também havia desenvolvido um programa educativo que, à semelhança do Wilson Club, também constava de quatro partes, porém, antes de assistir à primeira reunião no Grupo, os principiantes, ou novatos como eram chamados, deveriam passar por uma entrevista em forma de sabatina ou teste conduzido pelos padrinhos. Conforme a experiência relatada por aquele Grupo, a integração de pessoas indiscriminadamente no Grupo, sem a suficiente informação e um treinamento preliminar poderia provocar grandes dificuldades e causar dano na moral do Grupo. Em sua opinião, o novato tinha que aceitar o programa sem reservas antes de se tornar membro: “Cada iniciante progride até este ponto no seu próprio ritmo, conforme sua capacidade mental, seu desejo de aprender e a honestidade de seu autoexame. O Grupo aceita como palavra final o veredicto do seu padrinho a respeito de quando o novato está pronto para ingressar, e o próprio padrinho o conduz à primeira reunião”.
Na edição de julho de 1945, a Grapevine publicou uma lista com 19 características do bom apadrinhamento elaborada pelo Grupo de Minneapolis. Feito um resumo de algumas sugestões – que poderiam muito bem ter sido retiradas do atual folheto “Perguntas e respostas sobre apadrinhamento”, as relacionadas nos números de 15 a 18 oferecem uma lição a respeito do caráter do alcoólico:
“15-. Quando um bêbado recorre a outro padrinho para lhe contar histórias de perseguição, se este padrinho não consulta o primeiro, o assunto se converte numa questão de personalidades, e o segundo padrinho acabará por perceber que foi enganado pelo reincidente.
16-. Não dê atenção às fofocas dos reincidentes.
17-. O segundo padrinho deverá conversar com o primeiro para se informar do acontecido e evitar que aquilo volte a se repetir com ele.
18-. Se um membro novo começa a apresentar desculpar pela sua ausência nas aulas e nas reuniões, depois de um breve período de tempo, o padrinho devera lhe reforçar a importância do comparecimento. Se a situação permanecer, o novato criou uma condição na qual o padrinho não pode fazer nada. Melhor deixá-lo. A semente foi plantada; o padrinho deverá procurar outra atividade. Mais cedo ou mais tarde chegará o dia em que o novato volte porque ‘deseja’ A.A.”
Em números posteriores da Grapevine, foram mostradas as experiências dos Grupos de St. Paul e Chicago, onde era reforçada a necessidade de reuniões educativas para os novos membros. Os Grupos de St. Paul tinham um programa de três reuniões começando com os três primeiros Passos, depois falavam do inventário e reparações e finalizavam com os aspectos espirituais do programa.
Em Chicago foi criado um sistema de Grupos de bairro iniciado por dois veteranos que tiveram a ideia de conversar informalmente com seus afilhados e convidá-los a visitar suas casas para falar a respeito de qualquer problema que pudessem ter. A experiência teve sucesso e a cidade foi dividida em dez áreas; em cada uma delas formou-se um grupo de discussão que se reunia regularmente às quintas feiras à noite.
Num desses artigos da Grapevine descreve a experiência das reuniões de terça feira à noite no Chicago Loop: “Conforme o tempo passava, o crescente número de participantes parecia justificar a criação de uma reunião especial de instrução. A primeira foi realizada num canto do grande salão de reuniões: um veterano voluntário reuniu os novatos para lhes falar e responder suas perguntas. Este modelo improvisado foi tão bem sucedido que, a partir de então, foi criada uma reunião nesse formato que precedia à reunião principal”.
O artigo que mais atenção atraiu nessa série publicada pela Grapevine apareceu em setembro de 1947 com o título “O modelo de Little Rock está dirigido aos possíveis membros” e descreve um sistema muito rigoroso e formal.
Acredita-se que o “Modelo Little Rock” foi o primeiro (*) desse tipo no país. Simplesmente seguindo conscienciosamente esse modelo foram atraídas centenas de pessoas para A.A. Não era fácil ser membro daquele Grupo. Quando alguém manifestava o desejo de alcançar a sobriedade e se lhe designava um padrinho, tinha que deixar seu posto de trabalho por um período mínimo de duas semanas. Normalmente, o candidato era obrigado a passar esse tempo nas salas de reunião, estudando, preparando a história de suas experiências e cumprindo as tarefas impostas pelo padrinho.
Se, depois de duas semanas o padrinho estivesse satisfeito com o aproveitamento de seu afilhado, o apresentava ao comitê executivo do Grupo e fazia a solicitação de ingresso como novo membro. Se aceito, o padrinho o acompanhava à próxima reunião onde lhe eram dadas as boas vindas e recebia uma copia do “Programa de acolhimento” e dos Doze Passos.
Porém, isso não bastava. Não era dito simplesmente “Agora siga seu caminho e que Deus o abençoe”. Recebia um pequeno diário onde, durante 28 dias, deveria escrever suas impressões diárias sempre finalizando com “Hoje não bebi” e sua assinatura.
No final desse período entregava o diário ao Comitê, recebia de novo as boas vindas e somente então era considerado efetivamente como membro. Depois, sob a orientação de um veterano, lhe eram destinadas tarefas concretas e recebia incentivo para trabalhar com novos candidatos.
Dois meses depois da publicação deste artigo, a redação da Grapevine começou a receber cartas indignadas: “Isto parece um plano da polícia e do departamento de liberdade condicional. Há apenas um único modelo em A.A., e ele se encontra no libro (Livro Azul). Sem organização. Sem regras”, escreveu A. M. desde Los Angeles. Desde Detroit, H. E. T. disse iradamente, “Por Deus! O que tem em Little Rock? Um campo de concentração? De onde lhes vem a autoridade para deixar alguém fora do Grupo? Imaginem! Alardear obstáculos para se juntar a A.A.!” e, E. B. T. de Boston, protestou: “Dá a impressão de que Little Rock se orgulha de ser rígido e, obviamente, no artigo publicado, parecem ter mais orgulho das poucas recaídas do que ajudar àqueles que peçam a ajuda de A.A. Isto pode ser algum tipo de grupo; mas não parece um Grupo de A.A.”
O modelo de Little Rock pode parecer excessivamente extremado para a grande maioria dos membros de A.A., porém, sempre houve tantos tipos de apadrinhamento quantos padrinhos e iniciantes tem havido. Alguns membros puderam superar os dias difíceis do começo da sobriedade somente porque seus padrinhos lhes impunham uma disciplina estrita – “meu padrinho nunca me fez sugestões”, ouve-se de alguns atualmente. Outros somente conseguiram prosperar com um grau de tutela mais suave de padrinhos sempre disponíveis, porém, que deixavam que seus afilhados se conduzissem à sua maneira. Na sua essência, como tantas outras coisas em A.A., o apadrinhamento, frequentemente, é eficaz apesar dos participantes. Como escreveu um colaborador anônimo na página de discussão de grupo da Grapevine, em maio de 1948: “A.A. oferece a possibilidade de dar a Deus a oportunidade”.

(*) N.T.: Alguns historiadores registram que o primeiro trabalho escrito sobre apadrinhamento foi o panfleto “Apadrinhamento em A.A. suas Obrigações e Responsabilidades”. Foi escrito por Clarence H. Snyder em 1944 e impresso pelo Comitê Central de Cleveland. Veja-o a seguir.

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APADRINHAMENTO: OUTRA FORMA DE DIZER A.A.

6.1. Apadrinhamento: Outra forma de dizer A.A.

Box 4-5-9, Fev. Mar./ 2002 (pág. 8-9)=> http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_feb-mar02.pdf
Título original: “El apadrinamiento es outra forma de decir A.A.”

O apadrinhamento tem muitos aspectos, muitas formas, cada uma delas única em suas nuances de identificação, esperança e ajuda. Porém, ao se olhar de perto pode se ver que cada uma é parte integrante da recuperação em A.A.; e para cada alcoólico que se mantém sóbrio, a essência do apadrinhamento costuma ser a união inseparável de “meu programa/eu”.
Desde seu começo, o apadrinhamento tem sido descrito de diversas maneiras, como um indulto espiritual, uma colaboração do Quinto Passo, um trabalho do Décimo Segundo Passo e uma benção dos céus. É tão antigo quanto a relação que tinham os cofundadores Bill W. e o Dr. Bob para se manter sóbrios quando se conheceram em Akron, Ohio, em 1935; é tão novo quanto a relação que está sendo forjada, neste mesmo momento, entre um veterano, ou um Grupo inteiro, e um recém chegado doente e desconcertado.
Descrevendo sua relação com o Dr. Bob nos primeiros dias, Bill disse certa vez: “O Dr. Bob não me necessitava para sua instrução espiritual… o que sim necessitava quando nos vimos pela primeira vez era a deflação profunda e a compreensão que somente um bêbado pode dar a outro. O que eu necessitava era da humildade do esquecimento de mim mesmo e o sentimento de parentesco com outro ser humano da minha própria índole”.
Nos primeiros dias em Akron, o apadrinhamento costumava começar com a hospitalização do doente alcoólico e sua rendição, esta última, muitas vezes conduzida pela amiga de A.A. não alcoólica, Irmã Inácia, a qual em tom áspero instava seus pacientes a dobrar os joelhos em vez dos cotovelos. Em outras ocasiões, começou na cozinha do Dr. Bob com sua receita caseira de tomates, chucrute e xarope de milho (Karo) que se misturava numa panela grande e se deixava cozinhar a fogo lento. “Ao tomá-lo, os homens quase vomitavam” disse Ernie G., um membro pioneiro. “Finalmente, o Dr. Bob retirou o chucrute e durante muitos anos continuou com os tomates e o xarope de milho”.
Hoje em dia, essa desagradável beberagem agridoce foi substituída por batidas de leite, mel e caldo concentrado, e o punhado de “candidatos” se converteu em mais de dois milhões no mundo todo. Porém, não mudou em nada o fato simples de que a melhor forma de manter nossa sobriedade é ajudar o alcoólico que ainda sofre a alcançá-la. O falecido Custódio Webb J., do Oeste do Canadá, levou este conceito ainda mais longe. Falando na Conferência de Serviços Gerais de 1991, disse: “Você tem que presenteá-la para mantê-la, mas, não pode dar o que não tem”. Percebeu isso quando, recém-saído de uma instituição de tratamento, tentou apadrinhar alguém e acabou de volta à garrafa.
Sem dúvida, o apadrinhamento, o estar ali sem julgar durante todos os Doze Passos do caminho para ajudar outro alcoólico sem buscar em troca a gratificação do ego, nem sempre é fácil. Além do mais, “os membros de A.A. diferem em seu entusiasmo pelo apadrinhamento, na sua capacidade de fazê-lo e no tanto de tempo que podem lhe dedicar. Os membros que desejem e possam apadrinhar a vários iniciantes ao mesmo tempo não devem ser dissuadidos. O apadrinhamento é, em certo sentido, um privilégio que deve ser compartilhado por tantos membros quanto seja possível e é uma atividade que ajuda todos os membros a fortalecer sua sobriedade”.
Guy F., antigo Delegado de Maine, nos oferece outra perspectiva sobre o apadrinhamento. Falando diante da Conferência de Serviços Gerais a respeito do lema da mesma, “O apadrinhamento, a gratidão em ação”, disse: “A forma de corresponder a essa gente que me deu a ajuda e a esperança de que eu precisava é seguir passando adiante, continuar participando no serviço e expressar minha gratidão. Para mim, isto é apadrinhamento”. Depois contou uma história que havia muitos anos tinha sido relatada a ele por uma mulher nativa norte-americana, que explicava alegoricamente, ele acreditava, os conceitos do apadrinhamento: “Antigamente diziam que uma águia – uma ave muito especial que representa a liberdade e a coragem, que remontava ao céu até onde não podia ser vista, levava suas orações ao Criador. Quando novamente podia ser vista, trazia consigo a resposta. Se você ferir a Águia, cairá no chão e ficará com a boca para cima. Faz isso para se proteger. Mesmo se você trata de ajudá-la, irá resistir. Não percebe que você quer ajudá-la, e tem medo”.
Guy explicou: “Essa história me faz pensar no bêbado tombado na rua com a boca virada para baixo. Se você trata de levantá-lo, ele resistirá, não porque seja ruim, mas porque tem medo e não percebe que você somente quer ajudar. No caso da águia, você pode embrulhá-la com a sua camisa e dar-lhe algum medicamento para a ferida, o Criador irá curá-la e novamente poderá voar livre como o vento. Porem, para ajudar o homem caído na rua, pode se valer da sua própria experiência. Se está trilhando o caminho dos Doze Passos na sua vida, você pode conduzir este homem a uma nova vida. O homem chegará a ser livre como uma águia, livre para amar e para ser quem o Criador tenha disposto que seja”.

Na mesma Conferência, aos 91 Delegados dos EUA e Canadá, lhes foi feita esta pergunta: “Quantos de vocês chegaram ao serviço de A.A. com a ajuda de um padrinho?”.Todos os Delegados levantaram a mão. Como é explicado no folheto “Perguntas e respostas sobre o apadrinhamento”, seja um alcoólico ajudando outro alcoólico na sua recuperação pessoal ou chegar a prestar serviço no Grupo, “o apadrinhamento em A.A. é basicamente o mesmo. Os dois tipos de serviço brotam dos aspectos espirituais do programa”. Um padrinho de serviço, diz o folheto, poderá familiarizá-lo com as Doze Tradições, os Três Legados – Unidade, Recuperação e Serviço, e os Conceitos; pode esclarecer o princípio da rotatividade e ajudar os membros novos a perceber que o serviço é o nosso produto mais importante depois da sobriedade. De posse deste conhecimento, podemos compartilhar esta visão com outros e assegurar o futuro de Alcoólicos Anônimos.

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REFLEXÕES SOBRE O ANONIMATO

5.10. Reflexões sobre o anonimato

Box 4-5-9, Ago. Set./1988 (pág. 1 a 3) => http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_aug-sept88.pdf
Título original: “¿Ha pensado recientemente en el anonimato?”

Uma recente onda de rupturas de anonimato levou à formação de um subcomitê especial do Comitê de Informação Pública dos Custódio. A este comitê foi-lhe designada uma tarefa interessante e um tanto curiosa.
Como disse um membro do novo grupo na sua primeira reunião: “estaremos procurando um meio para lembrar aos alcoólicos de todos os lugares, algo que a maioria de nós já sabe – mas do qual raramente falamos, ou seja, que, para os alcoólicos sóbrios, a prática do anonimato deveria ser tão agradável e emocionante quanto a própria sobriedade”
Tendo iniciado os trabalhos em abril do presente ano (1988), os dez homens e mulheres do subcomitê estão estudando as diversas maneiras em que se quebra o anonimato, assim como os possíveis meios através dos quais essas quebras, tanto as intencionais – se as houver, como as não intencionais – como parece ser a maioria delas, podem ser evitadas.
Além do mais, diferentemente da maior parte dos esforços acordados que no passado focavam o anonimato, esta campanha não está dirigida aos meios de comunicação nem a nenhum indivíduo ou grupo fora da Irmandade, mas, unicamente aos membros de A.A. Desta vez, a proposta a de considerar com carinho o presente brilhante do anonimato, e de solicitar a ajuda dos AAs de todos os lugares, para que perdure a proteção de sua promessa, seu prazer e seu poder.
Ao abordar o problema, alguns membros do comitê se lembraram de ocasiões em que seu próprio anonimato poderia ter sido quebrado, ou quase. Conseguiram mantê-lo porque perceberam de repente o que estavam fazendo, ou o que estavam a ponto de fazer.
Um membro, por exemplo, falou da sua associação com uma universidade onde, como alcoólico e membro de A.A., servia como membro de uma junta consultiva que tinha planejado um novo curso que iria fazer parte do programa de estudos da instituição – o estudo e o tratamento do alcoolismo.
“Depois de aprovado o curso”, disse este membro do comitê, “seria publicado um panfleto a respeito do mesmo onde iria constar meu nome como membro da junta consultiva. Uma funcionária da universidade me telefonou querendo saber quais eram minhas credenciais – por suposto, minha credencial profissional.
Infelizmente, nessa mesma semana perdi meu posto; entretanto, para atender à funcionária, assim como à universidade, dei como subsidio minhas ‘credenciais’ em A.A. – coordenador de tal comitê ou tal junta, etc., o qual nos pareceu satisfatório tanto à universidade como a mim próprio.
Passados alguns minutos após desligar o telefone, tive a estranha sensação de que havia alguma coisa inadequada naquilo que tinha feito. De repente, ‘a ficha caiu’… Telefonei à funcionaria e lhe disse que não poderia utilizar as credenciais que lhe tinha dado, uma vez que ao fazê-lo estaria quebrando meu anonimato diante do público. Não havia inconveniente algum em que ela soubesse minha afiliação a Alcoólicos Anônimos; mas, esta afiliação não deveria aparecer num panfleto disponível ao público. Sua resposta foi: ‘sabia que me ligaria prontamente. Essas credenciais de A.A. tampouco me pareceram indicadas’”.
Uma lição que pode ser extraída desta anedota é que se não temos sempre presente a ideia, o propósito e o valor do anonimato, qualquer um de nós pode, inadvertidamente, quebrar seu anonimato.
Entre outras experiências compartilhadas na sala, foi contada uma bastante curiosa que tinha a ver com um artigo a respeito das mulheres e o alcoolismo publicado na revistaFamily Circle. O Escritório de Serviços Gerais – ESG tinha pedido ao membro em questão para participar de uma entrevista e documentar o artigo, e ela consentiu com prazer. “De fato”, disse, “estava pessoalmente encantada por ter sido escolhida para essa importante tarefa”.
De acordo com a companheira, o escritor, por respeito ao seu anonimato pessoal, lhe deu outro nome e idade e mudou todas as informações pessoais, de tal maneira que, quando apareceu o artigo “tinha outro nome – Ruth, uma idade diferente – 53 anos, e um tempo de sobriedade um pouco mais curto que o verdadeiro. Na realidade, todo o que se referia a mim tinha mudado, com exceção da minha história de desespero e libertação que foi apresentada com todo detalhe e fidelidade”.
Agora vem o curioso desta experiência: “Pouco tempo depois da publicação do artigo, uma mulher que já me tinha ouvido falar várias vezes, me chamou e, a pesar de todas as mudanças dos dados específicos, perguntou-me ‘é sua a história que aparece na revistaFamily Circle? ’. Ela soube quem tinha sido entrevistada.
Passado um mês, chegou uma carta ao ESG encaminhada à minha atenção. Vinha de uma mulher canadense e na carta dizia que seu nome também era Ruth e que também tinha 53 anos e queria agradecer à tal Ruth da história publicada na Family Circle porque tinha recebido tanta inspiração que agora tinha o que descreveu como ‘três belíssimas semanas de sobriedade’”.
Depois surgiu o poderoso significado deste breve relato: “Obviamente, o verdadeiramente importante da minha história manifestou-se sem envolver meu ego nem meu nome pessoal. Ajudei outra pessoa e mantive meu anonimato. Entretanto, foi uma felicidade que quase estraguei porque estive planejando responder pessoalmente à mulher; recomendaram-me que não o fizesse. Recomendação acertada!”.
“Entretanto”, o membro do comitê disse concluindo “ainda sinto uma grande satisfação toda vez que lembro que um artigo a respeito de mim própria – mas que não expunha minha identidade, atraiu atenção e teve efeitos positivos. E cada a cada vez que me lembro volto a sentir a alegria misteriosa, mas poderosa, do anonimato”
Alguns outros membros do subcomitê tinham histórias interessantes para contar, todas relacionadas com o fato de ter revelado a outra pessoa o fato de serem alcoólicos ou membros de A.A. Um deles, seguindo a recomendação de um companheiro de A.A., advertiu seu dentista que, por ser alcoólico, não poderia tomar determinado medicamento sem correr perigo. A única resposta do dentista foi a de insistir no pagamento integral antes de continuar com o tratamento. (Fica claro que, embora tenha comunicado o aviso apropriado, este acabou sendo distorcido por quem o recebeu).
Outro membro do subcomitê relatou uma situação parecida onde houve uma resposta diferente. Seu chefe imediato na empresa em que trabalhava sabia desde o início que ele era membro de A.A. e que era tão atuante no serviço de A.A. que em determinados dias não podia fazer horas extras. Mais tarde, quando surgiu um problema alcoólico com um alto executivo da companhia, esse chefe pediu, e prontamente recebeu permissão, para dizer ao presidente que a ajuda de A.A. encontrava-se à disposição na empresa mesmo.
Depois de se entrevistar com o presidente, o chefe voltou para informar a resposta daquele alto executivo à noticia de que havia entre os funcionários um membro de A.A. Era (e o citou diretamente) “Eu sabia que esse tipo tinha algo de especial”.
Certamente, alguns de nós revelamos a outras pessoas que tínhamos feito algo a respeito do nosso alcoolismo sem precisar dizer palavra alguma. Simplesmente se percebe. Assim foi com um membro do subcomitê que relatou uma comovente história que tinha começado com uma chamada feita pelo porteiro do deu edifício através do interfone do seu apartamento. O membro em questão morava no prédio desde cinco anos antes de ingressar em A.A. e agora contava cinco anos de sobriedade.
Falando pelo interfone, o porteiro disse com alguma hesitação: “Não sei precisamente como lhe dizer, mas, parece que faz alguns anos o senhor tinha um problema que agora não tem. Espero que não se sinta ofendido se lhe perguntasse se tenho razão, e se a tenho, me permitiria que lhe perguntasse o que fez a respeito daquele problema? Temos um funcionário no prédio que tem um problema e talvez o senhor possa ajuda-lo”.
O seguinte e feliz episódio desta história diz que, é claro, que tinha o problema obteve ajuda; e o feliz resultado, pelo menos até a data, conta como agora aquele funcionário, depois de uns quantos anos ainda está sóbrio e é um membro dedicado de A.A.
Tão significativo quanto este, é outro aspecto da história. O anonimato deste membro de A.A. não foi quebrado, nem sequer a nível pessoal, pelas suas palavras, mas, simplesmente por estar sóbrio. Foi a mudança de comportamento e da sua aparência que o“denunciaram”. Este é o caso de um membro que leva a mensagem sendo a mensagem, sem dizer uma palavra a respeito dele. Não fez nada até que lhe foi pedida ajuda.
Na medida em que continuava a discussão, outro membro do subcomitê explicou como, em algumas situações de trabalho, a quebra do anonimato pode causar problemas graves. Este alcoólico, um produtor de televisão, ofereceu-se para documentar um programa proposto a respeito do alcoolismo e a adição às drogas.
Ao apresentar quase sem demora material suficiente parta uma dúzia de episódios, o chefe da produção perguntou-lhe como se havia tornado erudito com tanta rapidez, e ele respondeu um pouco relutante, que era membro de A.A.
“Formidável!”, respondeu o chefe. “Assim, podemos focar o assunto desde dentro”.
Embora a proposta preocupasse o membro, podia racionalizá-lo – e ao que parece, com bastante razão, pensando que as precauções que se referem à quebra do anonimato ao nível da imprensa, da rádio, da televisão e do cinema, apenas têm a ver com, por exemplo, aparecer na televisão, não trabalhar na mesma. E o seu trabalho era simplesmente redigir o roteiro, indicar os participantes convidados, etc.; ele não iria aparecer na tela.
Entretanto, conforme ia realizando sua tarefa percebeu que não podia ser objetivo enquanto à matéria. Por exemplo, não podia tolerar opiniões a respeito de A.A. e o alcoolismo que diferiam das suas e da experiência de outros membros do programa. Isto levou a argumentações acaloradas, por vezes desagradáveis, e, sem duvida improdutivos com o chefe da produção.
Para resolver o problema, foi necessário encomendar o projeto a outro produtor, uma pessoa que nunca tinha trabalhado em um programa a respeito do alcoolismo e que sabia muito pouco a respeito da doença. Entretanto, conforme lembra o membro de A.A., o novo produtor era um profissional muito competente, que aprendeu rapidamente, e o programa acabou tendo muito sucesso. “Um exemplo de reportagem televisiva de primeira categoria que ajudou muitas pessoas”. Ao que acrescentou, “Eu não poderia tê-lo feito melhor”.
Atualmente, este membro ainda é produtor, mas já não se mete na corrente principal da preparação e produção de programas a respeito do alcoolismo. Cada vez mais colegas de trabalho sabem que é membro de A.A., porém oferece suas opiniões ou sugestões apena se lhe forem pedidas. “Já não trato de fazer reportagens objetivas a respeito de Alcoólicos Anônimos. Consegui perceber com clareza que não há maneira de ser objetivo quando se trata de algo que salvou a minha vida”.
É possível que os membros do subcomitê, pelo fato de haverem tido experiências no anonimato muito diferentes umas das outras, tenham uma ampla variedade de opiniões sobre como se dirigir à Irmandade com referencia a esse assunto. Entretanto, um ponto que o subcomitê esta de acordo por unanimidade é que a nível de Grupo – o nível mais importante dentro de A.A., parece que se dedica pouco tempo e pouca discussão ao anonimato e à sua importância tanto para o programa como para os membros individuais. Assim, o plano inicial do subcomitê será o de procurar e colocar em pratica algumas formas de provocar “um pequeno renascimento do entusiasmo” a respeito do anonimato, e baseados nisso ampliar os esforços.
Para começar, o subcomitê espera poder recolher uma pequena “biblioteca” de histórias, contadas por membros, que tratem das suas experiências de anonimato: as quebras que por pouco não aconteceram; as não intencionais tanto a nível pessoal como ao nível público, e as consequências destas revelações. Espera-se também obter histórias daqueles que descobriram os benefícios do anonimato, a verdadeira alegria que vem de passar a mensagem de uma maneira serena e discreta, e a grande satisfação que sempre segue ao ato de dar sem esperar nada em troca, nem sequer o reconhecimento.

Tem alguma história para contar a respeito do anonimato? Uma experiência pessoal a esse respeito que queira compartilhar? Escreva a: Subcommittee on Anonymity, Box 459, Grand Central Station, New York, NY 10163. Os membros do comitê aguardam suas noticias. Precisamos da sua ajuda. E parece que o anonimato também.

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QUANDO ABRIR SEU ANONIMATO NÃO É QUEBRA DE ANONIMATO

5.9. Quando abrir seu anonimato não é quebra de anonimato.

Box 4-5-9, Outono (Set.) 2012 (pág. 1-2) => http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_fall12.pdf
Título original: “Cuando romper tu anonimato no es ruptura de anonimato”.

Embora se tenha escrito muito a respeito do anonimato na literatura de A.A. – ver, por exemplo, o folheto aprovado pela Conferência de Serviços Gerais “Entendendo o Anonimato” (JUNAAB, código 216), a julgar pelos comunicados que chegam ao Escritório de Serviços Gerais por parte dos membros da Irmandade, parece que ainda há muitas dúvidas e confusão relacionadas com a “base espiritual de todas as nossas Tradições”. A seguir aparece um apanhado das perguntas que recebemos por telefone e por correio postal e eletrônico, e algumas respostas extraídas da literatura de A.A.
Pergunta. – Temos um membro que recentemente veio de outra cidade e que usa seu sobrenome nas reuniões. Devemos dizer a esta pessoa que está violando a Tradição do Anonimato?
Resposta. – Em “A linguagem do coração”, p. 16, Bill W. escreve: “Deve ser o privilégio de cada membro de A.A. se abrigar com tanto anonimato pessoal quanto deseje. Seus companheiros de A.A. devem respeitar seus desejos e ajuda-lo a guardar seu anonimato no grau que lhe pareça apropriado”. Portanto, cabe a cada indivíduo decidir até que ponto quer ser anônimo abaixo do nível
público. Usar seu sobrenome numa reunião de A.A. não é “violar” a Tradição de A.A. De fato, o autor de um artigo publicado no número de fevereiro de 1969 da revista Grapevine, atribuiu ao Dr. Bob as seguintes palavras referentes à Decima Primeira Tradição. “Já que nossa Tradição sobre o anonimato designa com precisão o nível em que se deve manter o anonimato, deve ser evidente a todos que conseguem ler e entender nosso idioma que manter o anonimato em qualquer outro nível é definitivamente uma violação dessa Tradição”. “O AA que esconde sua identidade perante os companheiros Aas com o emprego de um nomesuposto, viola a Tradição tanto quanto o AA que permite que seu nome apareça na imprensa em conexão com assuntos pertencentes a A.A.”. “O primeiro esta mantendo seu anonimatoacima do nível da imprensa, do radio e de filmes, o último está mantendo seu anonimatoabaixo do nível da imprensa, do radio e de filmes – enquanto a Tradição estabelece que devemos manter nosso anonimato no nível da imprensa, do radio e de filmes”. (O Dr. Bob e os Bons Veteranos, p. 271/7/1-272).
Pergunta. – O que devo fazer se vejo uma personalidade de renome em uma reunião, como por exemplo, um ator, uma atriz ou o Delegado da Polícia local.
Resposta. – Como todos os demais, as personalidades públicas devem desfrutar da proteção do anonimato no grau que desejarem.
Pergunta. – Vi num jornal um anúncio publicado por um Grupo de A.A. que dava o endereço de onde o Grupo se reunia e outras coisas. Vocês não deveriam entrar em contato com esse Grupo
por ter quebrado o anonimato a nível público?
Resposta. – Suponhamos que um alcoólico enfermo nunca tenha tido a boa sorte de conhecer um membro de A.A. Como essa pessoa nos poderia encontrar? Seria uma busca muito dura se o Grupo local acredita que também deve ser anônimo. Há que lembrar que a Decima Primeira Tradição trata do anonimato pessoal. Os alcoólicos não irão se sentir atraídos a A.A. se não sabem que existe… (As Doze Tradições Ilustradas).
Pergunta. – Não me sinto envergonhado pelo meu alcoolismo e não me parece necessário guardar segredo do fato de ser membro de A.A. Ao contrário, acredito que minha história pode ajudar outras pessoas. Acredito que deva poder usar meu nome completo no meu livro (entrevista televisada, blog, sítio na Web, etc.), ao compartilhar minha experiência em A.A. Por que isso causaria problemas a outra pessoa?
Resposta. – Revelar publicamente ser membro de A.A. em qualquer médio acessível pelo público é considerado uma violação da Tradição de Anonimato de A.A. Em um ar5tigo publicado em “O melhor da Grapevine”, Bill W. diz: “Os velhos arquivos da Sede de A.A. contém dúzias de experiências de rupturas de anonimato parecidas. A maior parte delas nos ensinam as mesmas lições. Nos ensinam que nós, os alcoólicos, somos os maiores racionalizadores do mundo; que, fortalecidos pelo pretexto de fazer boas ações para A.A., quebrando nosso anonimato, podemos recomeçar nossa velha busca desastrosa pelo poder e prestígio pessoais, das honrarias e do dinheiro: os mesmos impulsos implicáveis que anteriormente, ao serem frustrados, nos fizeram beber…”
Pergunta. – Por que dizemos que “o anonimato é a base espiritual de todas as nossas Tradições?”.

Resposta. – “… Essas experiências nos ensinaram que o anonimato é a verdadeira humildade em ação. Trata-se de uma qualidade espiritual na vida de A.A. envolvendo tudo, em todo lugar, hoje em dia. Movidos pelo espirito do anonimato, tentamos deixar de lado os nossos desejos naturais de ganhar distinções pessoais como membros de A.A., tanto entre os nossos companheiros como entre o público em geral. Ao colocarmos de lado essas aspirações muito humanas, acreditamos que cada um de nós toma parte da confecção de um manto protetor que cobre toda a nossa Irmandade e sob o qual nos é dado crescer e trabalhar em conjunto”. (Os Doze Passos e as Doze Tradições, p. 170/3/1)

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