Monthly Archives: Setembro 2015

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COMUNICAÇÃO: BASE FUNDAMENTAL PARA UM BOM SERVIÇO NO TERCEIRO LEGADO

Prezados Companheiros: – Hoje, nos reencontramos!

A todo momento conversamos com nós mesmos, seja para definir e avaliar sentimentos, emoções, comportamentos e atuações ou seja para emitir opiniões, formular idéias ou ainda, aprofundar pensamentos e buscar compreender o sentido daquilo que ouvimos e vivemos no dia-à-dia.
Todo ser humano procura se comunicar, mas é muito comum encontrar pessoas que não conseguem interagir umas com as outras.
Dentro de uma comunicação, a clareza e a forma como a mensagem é transmitida, “pedem” de nós um comprometimento pessoal.
Por definição,“Comunicação é um processo pelo qual as pessoas tentam expressar o que pensam e o que sentem para os outros, como também destes, vir a tê-la em reciprocidade. Nesse sentido, é importante sabermos ouvir e escutar para sermos ouvidos e escutados por alguém”. Não é diferente para nós, quando estamos realizando um Serviço de Alcoólicos Anônimos!
“A comunicação é uma troca de idéias e informações. Não é o que se diz, mas o que o outro entende sobre o que estamos dizendo! Ela é mais do que apenas dizer palavras. Ela entra em todas as facetas de nossas atividades cotidianas e relações pessoais. Ela melhora o nosso relacionamento interpessoal e nos faz aceitar mais e melhor os outros, principalmente depois de conhecer as suas virtudes ou limitações. Quando existe clareza, o que anima uma comunicação e o que a torna mais cativante são o tema, as pessoas e os relacionamentos que passam a existir entre elas”.
“As comunicações são como uma via de duas mãos, e a tarefa de comunicar-se não está concluída até que haja compreensão, aceitação e uma ação resultante. A finalidade da comunicação é afetar comportamentos. É trazer esclarecimentos dentro de uma informação. Um erro comum é o de se emitir orientações por escrito e se acreditar que sua interpretação será desta forma mais precisa do que a verbal, sem a possibilidade de problemas na sua receptividade. Há a necessidade da interação, levando-se melhores esclarecimentos e despertando-se o interesse pelo assunto. Por isso, a razão dos valores que devemos dar as interações e aos processos de trocas e aos relacionamentos, senão tudo cai de água abaixo e continuaremos fazendo descaso em cima de descaso, mais preocupados com o que vamos dizer”.
Comunicação é para os nossos trabalhos do Terceiro Legado mais do que um requisito fundamental. Ela é essencial para o conhecimento do Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos, tanto pelo membro quanto pela Sociedade. Ela é o elo de ligação para o bem estar e para uma continuidade saudável das atividades desenvolvidas pelo 3º Legado – Serviço em AA.
Os membros de AA que se interessam pelos Serviços da Irmandade, normalmente se apegam as atividades como um gesto de sobrevivência. Isto porque, a ausência de atividades leva também ao doente alcoólico o aparecimento de doenças físicas e mentais, que não têm nada a ver com o alcoolismo (embora ele atribua ao alcoolismo). Como exemplo, a auto-desvalorização, o declínio da auto-estima, a desmotivação ou o isolamento social, para não falar do tenebroso afastamento do Grupo, que ocorre na medida em que o tempo passa e também, quando “as coisas melhoram…”
Vejo portanto, que praticar o Terceiro Legado, significa também ingerir “um comprimido de milagrosa medicação” para a nossa saúde, que com o passar dos anos normalmente dá os seus sinais com o avançar da idade e na medida que completamos mais anos de Sobriedade! E entendo que é fundamental fazer esta comunicação e alerta à nossa Comunidade, que ainda tem dúvidas sobre os Serviços em AA.
Eis uma comunicação importante e faço-a agora: Em outubro de 2008, a Irmandade de Alcoólicos Anônimos já existia em 180 países, com 113.168 Grupos, com mais de Dois milhões de membros, tendo o Livro “Alcoólicos Anônimos” em 58 idiomas e mundialmente contando com a existência de 61 Escritórios de Serviços Gerais. Mas, continua necessitando dos nossos Serviços!
Outra comunicação que nos faz muito bem lembrar, como Servidores, diz respeito a nossa política de Relações Públicas, quando em 1973 a Conferência de Serviços Gerais (EUA/Canadá) confirmava que: “temos de reconhecer que nossa competência para falar de alcoolismo se limita ao tema de Alcoólicos Anônimos e seu Programa de Recuperação”. Sapateiro, não vá além de suas chinelas, foi o que nos foi dado a entender! É uma comunicação básica, clara e fundamental.
Na verdade, já em junho de 1960, o nosso co-fundador Bill W. previa alguns desafios, tendo em vista o crescimento tão vertiginoso de nossa Irmandade: – dizia ele em um artigo, “Para onde vamos a partir de agora? Quais são nossas responsabilidades para hoje e para o amanhã?
As respostas a estas perguntas vem sendo respondidas na medida que nossos Servidores se dispõem a praticar o Terceiro Legado. Será que estamos fazendo tão bem como deveria ser, o “Alcoólicos Anônimos Amanhã”, imaginado pelo nosso co-fundador? Será que estamos retribuindo a dádiva recebida? Será que não estamos nos acomodando? Pergunto: Como será Alcoólicos Anônimos, depois de Amanhã…? Onde erramos? Onde acertamos? Onde podemos corrigir? Onde está o Amor? Onde está o Perdão? Onde está a Espiritualidade? Onde está a Gratidão?
Para que a mensagem de AA possa ser divulgada corretamente, sem banalização, há a necessidade de conhecermos o Programa de Recuperação, seus Princípios e como funcionam os segmentos organizados dentro da Irmandade, seus Representantes, seus Encargos, seus níveis de responsabilidades e autoridades delegadas. De outra forma, sempre haverá retrocesso…
Uma ação bem coordenada e de forma organizada, proporciona o alcance da Sobriedade e da mensagem de AA a um número maior de empresas públicas e privadas, clínicas e hospitais, escolas e universidades: Nossos grandes multiplicadores da mensagem. Para isto, o entendimento do 3º Legado, precisa ser claro, aberto, preciso, transparente e responsável. Estes atributos só acontecem se houver uma comunicação clara e objetiva, sem distorções, de forma com que o receptor possa receber a mensagem sem ruídos e possa repassá-la para a Comunidade AA.
A imprensa e o rádio no Brasil, desde os anos da década de 1950 vem abordando temas sobre Alcoólicos Anônimos. Nos últimos anos temos presenciado, principalmente a Televisão mostrar, como funcionam os grupos de AA. Isto ocorre desde o ano de 1975 (com a novela “Meu rico português”). Nestas ocasiões, além de enaltecer a credibilidade e a importância de AA e da mensagem de esperança e amor ao alcoólico que ainda sofre, prestam um valioso serviço de comunicação e informação correta à Sociedade. Somos imensamente gratos. Quantos novos companheiros e quantas novas companheiras chegaram aos Grupos e hoje reconhecem o valor daquelas comunicações! Foram muitos, muitos…e muitas!
Por outro lado, outro meio de comunicação que está sendo bastante pesquisado está sendo a Internet. Ai, convém checar as informações! Elas são variadas! Elas devem ser filtradas, pois devido a liberdade de expressão não há um comprometimento e se identifica a existência de assuntos controvertidos e alguns outros que banalizam o conteúdo da mensagem de AA. Eis porque uma comunicação necessita ser eficaz.. Sua eficácia traduzirá a mensagem correta e esta será de grande valia aos interessados no Programa de AA e a todos aqueles que atuam no 3º Legado.
Todo o empenho que se faz buscando atrair o alcoólico para um grupo de AA denominamos como Serviço. Atrair um novo membro a um grupo é um momento muito mágico e acompanhar a Recuperação do alcoólico é uma dádiva de Deus, porque ali também estamos todos nós, em Unidade recebendo-o, e juntos, repassando adiante a dádiva da Sobriedade! É a comunicação afetiva. É o resultado do nosso único propósito primordial – Transmitir, comunicar, levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre!
Ferramentas para o trabalho do Terceiro Legado e espaço para todos que o queira não faltam! Quem deseja honestamente trabalhar em AA, sempre encontrará um lugar compatível com as suas habilidades. Antes de nós, muitas experiências foram vivenciadas, discutidas exaustivamente, eliminadas e muitas outras foram colocadas em prática porque deram certo. A presença de um bom veterano, repassando suas experiências serve de estímulo bastante significativo ao desenvolvimento de um Grupo. Normalmente ele é o responsável pelo despertar dos demais membros para a prática do Terceiro Legado, repassando sua vasta experiência, não a restringindo somente para si próprio.
Para que um membro assuma um Encargo é necessário que conheça um mínimo sobre o 3º Legado – Serviço em AA. Só a vontade de querer “trabalhar” pelo seu grupo e conseqüentemente pelo AA já é importante, porém insuficiente. Pois como já é dito, “o que deve ser feito, deve ser bem feito” e para o bom Serviço, a nossa Irmandade não foge desta regra!
Todo membro que desperta para o trabalho dentro de AA, deve ao mesmo tempo se “alimentar” com as boas novas das literaturas específicas que possam melhor lhe conduzir e torná-lo eficiente no desempenho do 3º Legado. Ler tudo que possa lhe orientar para melhor divulgar a Irmandade: “O Grupo”, “Os Doze Passos e as Doze Tradições”, “O Manual de Serviços”, “Os Doze Conceitos para os Serviços Mundiais”, as “Recomendações da Conferência”, “Revista Vivência”, folhetos, como por exemplo, “Como falar em reunião de não AA” e tudo que é notícia em AA.
Um dos principais requisitos prende-se a sua nova Responsabilidade: Servidor de Confiança. Um bom Servidor, representa o seu Grupo, o seu Distrito, a sua Área, a sua Região, o seu País. Esta representação significa se fazer presente nos fóruns de Serviços, tais como Reuniões de Serviços, Reuniões nos Distritos, Reuniões de Comissões ou Comitês, Assembléias de Área, Conselhos de Representantes, Conferências e Eventos. Para isto, convém ficar sempre atento às Comunicações…
Existindo ou não as convocações, os Servidores de Confiança foram escolhidos para estar presentes. É assim que funciona a ação do 3º Legado durante o tempo de mandato assumido. Foi um compromisso para exercer o 3º Legado, que normalmente ocorre quando o 1º Legado – Recuperação e o 2º Legado – Unidade, já estão bastante assimilados e compreendidos. Normalmente, quando entendemos que é chegado o momento do exercício da Gratidão. Do passar adiante! Da doação. Do dar de graça o que de graça recebeu! Porém, isto não é uma regra. É possível que existam os sacrifícios de tempo, de outros compromissos, etc., etc. Mas, e no tempo das bebedeiras….? Porque a acomodação? Por que esperar que somente os outros façam por você e para você? Todos nós podemos! É até uma verdadeira e salutar mudança de hábito!
O nivelamento e a igualdade de propósito entre todos os membros, o é “proibido proibir”, a não obrigatoriedade, a não exclusão e a ausência de regras, direcionam a Irmandade ao longo dos anos para um segmento, cada vez mais admirado e compreendido dentro da sociedade.
Nosso entendimento é de que toda espécie de trabalho tem que ser realizado para se manter um grupo de AA em funcionamento. É através do trabalho dos membros do grupo que os doentes alcoólicos de uma comunidade ficam sabendo que AA existem e de que forma pode ser encontrado. É através do Serviço em AA que são atendidos os pedidos de ajuda e são mantidos os órgãos de serviços e os contatos necessários com o restante do AA a nível local, nacional e internacional e assim, o grupo fica informado e sai do isolamento.
Nos grupos, os membros encarregados destes serviços são também chamados de Servidores, que escolhidos pelos demais membros executam suas atividades por períodos limitados, proporcionando a rotatividade. Portanto, aprender a aceitar a responsabilidade dentro do grupo é um privilégio. Este privilégio e esta responsabilidade devidamente manejadas, podem ser bastante útil à recuperação. Muitos membros de AA descobriram e constataram que o Terceiro Legado representa uma excelente maneira de fortalecer a própria sobriedade e por isto procuram não se afastar de atividades que possam fortalecer o seu Programa de Recuperação.
O AA é um corpo amante, crescente e vivo. Ama através do Serviço. Cresce através do Serviço e torna-se vivo através do Serviço. Sua reprodução não é biológica e as novas gerações de membros e Servidores somente poderão acontecer através do Serviço, tendo a obediência aos princípios, entre eles o da escolha democrática e o da rotatividade nos encargos.
O 3º Legado compreende os órgãos de serviços, diretores e encargos dentro de nossa Irmandade a partir do grupo, indo até a estrutura nacional e internacional. Compreende os Procedimentos do 3º Legado para o sistema de escolha e votação de representantes de AA. Compreende a Junta Nacional de Serviços Gerais e a Conferência de Serviços Gerais. Compreende a Reunião de Serviços Mundiais. Compreende as Garantias Gerais e a Ata de Constituição da Conferência.
Simples tarefas de Serviço ajudam a desenvolver a confiança, ou um início de crédito em seus próprios valores e opiniões e até mesmo o retorno do respeito próprio e da auto-estima. Serviço é tão fundamental para AA, assim como a abstinência do álcool está para a Sobriedade. É o verdadeiro núcleo em torno do qual a Irmandade é construída.
A comunicação é um instrumento de integração e também de instrução. São os relacionamentos dentro de nossa Irmandade entre os Órgãos de Serviços e os Grupos e seus membros. A comunicação é responsável pela circulação das informações que são emanadas e, quanto mais bem informados, mais envolvidos estaremos com os nossos propósitos, pois a comunicação amplia a visão do membro de AA interessado na prática do 3º Legado, proporcionando-lhe ser um dos melhores porta-vozes do Grupo ou do segmento de Serviço onde desempenha suas atividades.
No campo afetivo, a comunicação permeia toda a ação do ser humano, possibilitando as interações, o compartilhamento com as idéias e os anseios para minimizar o sofrimento e a necessidade de ajuda. O ser humano necessita comunicar-se. A falta de comunicação leva à solidão. Leva a uma carência afetiva e emocional.
Que o Poder Superior nos ilumine!
CAMPOS S.

CONSCIÊNCIA COLETIVA

Dr. Lais Marques da Silva
Ex-Custódio e Presidente da JUNAAB

” …um Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva”.
“…que todas as decisões importantes sejam tomadas através de discussão, votação e, sempre que possível, por substancial unanimidade”.

Introdução
Tive a excepcional oportunidade de estar presente a nove Conferências de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil. Nelas, buscaram-se caminhos para a Irmandade como um todo e procuraram-se os melhores encaminhamentos para a solução de situações que ocorreram na vida da Irmandade, encaminhamentos esses que se constituíram em fundamento para a tomada de importantes decisões. No decurso dessas grandes reuniões, os eventos se mostraram ainda mais valiosos do que o já tão significativo processo de autogestão, em si.
Todo o trabalho realizado no decurso de uma conferência é de grande valor para a vida da Irmandade não só para o momento que passa, mas é também determinante em relação aos dias futuros. É assentado num processo de caráter fundamental, que é o da busca da Consciência Coletiva. Além de sábio em si mesmo, é, sobretudo, inspirado pelo Poder Superior, poderosa fonte de iluminação, valiosa e norteadora dos destinos de centenas de milhares de seres humanos vitimados pelo mesmo demônio, o alcoolismo, e que hoje estão presentes nos grupos de Alcoólicos Anônimos, no Brasil. Mas é também igualmente importante para a existência da Irmandade de Alcoólicos Anônimos em todo o mundo no que ela representa de caminho de salvação para milhões de seres humanos, hoje sofrendo nas garras do alcoolismo.
Coloquei neste trabalho o que vi e aprendi no convívio com os companheiros de Alcoólicos Anônimos, além do resultado da minha experiência pessoal no período em que fui presidente da Junta de Custódios e da JUNAAB, ocasião em que procurei aplicar os conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, inspirado que fui pela poder da Segunda Tradição. Consciente da sua importância fundamental para os dias de hoje e para o futuro da Irmandade, coloco nas páginas desse trabalho a minha esperança de um horizonte radioso não só para os que sofrem nas garras do alcoolismo, mas para toda a humanidade.

Uma pequena história dentro de uma grande história
Há uma pequena história, muito antiga, que nos ajuda a entender a fragilidade dos seres humanos, a sua necessidade de cooperar e, sobretudo, a entender o quanto dependemos uns dos outros.
Na mitologia grega, os deuses resolveram habitar o mundo e criar a humanidade. Criaram os mortais, os seres vivos, e também as condições para a existência de todas as espécies que iriam coabitar na Terra. Encarregaram Epimeteu, cujo nome significa reflexão posterior, ou seja, aquele que só se da conta da coisa errada depois que a fez, de prover os futuros seres vivos com as qualidades necessárias à sua sobrevivência. Assim, foram dados a cada espécie os equipamentos necessários para que se alimentassem e resistissem às intempéries, como: peles, lã, carapaça, etc. e ainda para se defender uns dos outros: as garras, chifres e velocidade na corrida.
Todas as espécies foram equipadas mas, no momento de criar o homem, nada havia sobrado. Epimeteu tinha esquecido dele e, assim, continuava nu e desarmado. Para que essa espécie não desaparecesse, Prometeu, cujo nome significa previdente, foi chamado pelo imprevidente irmão, Epimeteu, e encarregou-se de roubar dos deuses o fogo e as artes para dá-las aos homens. Distribuiu as artes de que dispunha mas que não eram suficientes em número para dar um conjunto completo a todos os homens e assim deu talentos diferentes a cada um de modo que, para sobreviverem, deveriam intercambiar as suas dádivas e, portanto, cooperar e o que resultou é que todos se tornaram dependentes uns dos outros. Prometeu também moldou os homens de forma mais nobre e os capacitou a caminhar de forma ereta. Desse modo, puderam se alimentar e resistir ao frio, mas continuaram não podendo se defender contra outras espécies por não possuíram armas. Mas o presente do fogo que Prometeu deu à humanidade foi mais valioso do que quaisquer um dos que haviam sido dados aos animais.
Os homens procuraram então estar reunidos para se defender dos animais e se agruparam em cidades, mas não conseguiram viver juntos porque disputavam entre si e frequentemente guerreavam uns contra os outros. Como conseqüência, dispersaram-se pela floresta e foram novamente ameaçados de extinção pelas outras espécies de animais. Dessa vez, foi o próprio Zeus, o Deus mitológico maior, que salvou os homens dotando-os de qualidades morais, de senso de justiça e de respeito de si mesmos, o que permitiu que cada um pudesse viver em coletividade com os outros. O gênero humano foi salvo e por isso, hoje, os homens vivem em comunidades e não isolados, como a maioria dos outros animais. Mas os homens continuaram frágeis e desamparados e é isso que nós somos e a nossa sobrevivência continua dependendo de que troquemos as nossas dádivas, as nossas riquezas interiores.

A vida é difícil. Encontrar o caminho que se vai trilhar na vida é difícil. O caminho tem que ser feito em solo árido e pedregoso, e machuca. Não há indicações nem avisos. Nenhuma orientação. Em realidade, cada um de nós faz o seu próprio caminho ao longo da vida e o caminho é feito tão somente ao caminhar. Mas a boa notícia é que não temos que fazer o caminho sozinhos e podemos recorrer a um poder maior que nos dá força e do qual a maioria das pessoas tem consciência. Ainda mais, na medida em que vamos fazendo o nosso caminho, podemos nos ajudar uns aos outros, intercambiar os talentos que recebemos.
Podemos trocar nossas riquezas interiores. Podemos trocar experiências, forças e esperanças. Podemos cooperar uns com os outros. Podemos nos solidarizar. Podemos ser tolerantes. Podermos ser solidários e desenvolver o amor ao próximo. Podemos nos compadecer. Podemos entender que somos irmãos. Assim, Ele não estará apenas no meio de nós, como que espalhado num grupo de seres humanos, mas entre nós. Presente a partir do nosso relacionamento fraterno. Então, teremos condições de vislumbrar o caminho e encontrar a coragem para trilhá-lo.
Como não é possível simplificar as coisas e obter respostas fáceis, é preciso pensar de modo abrangente, aceitar os mistérios e os paradoxos da vida e não desanimar ante a multidão de causas e conseqüências que são inerentes a cada experiência humana. Enfim, aceitar e valorizar o fato de que a vida é complexa.
Agora, vamos ao homem e às suas instituições. No caso do A.A., à Irmandade, como um todo. Aos serviços que definem a ação. O A.A. é uma irmandade em ação.
No mundo em que vivemos, existem as autoridades, os líderes, os governantes, os chefes, o Papa, etc. e, desde pequenos, nos acostumamos a recorrer à autoridade dos nossos pais e a essas outras autoridades. Resumindo, nos acostumamos a procurar uma orientação que vem de fora. Essas autoridades se apóiam em dogmas, em normas estabelecidas ao longo do tempo, na força da imposição, ou seja, numa estrutura de poder, que pode ser definida como a capacidade de mudar o comportamento do outro. Mas tudo isso é muito estranho ao A.A.. Ele é fruto de uma concepção muito melhor, muito mais perfeita do que isso que acabamos de ver.
Historicamente, os co-fundadores eram solicitados para dar orientações, idéias, sugestões ou até para buscar soluções para as novas realidades que iam surgindo em decorrência do fato de o A.A. ser uma Irmandade viva, em ação. Mas eles se deram conta de que as suas vidas eram finitas e que a irmandade, tal como era, tinha que encontrar, em si mesma, os melhores caminhos para continuar viva e em ação.
Seria algo como desenvolver um processo de auto-gestão, gestão que vem de dentro, e esse modelo se assenta no processo de busca da consciência coletiva que se constitui no alicerce desse modelo. É a chave para o seu funcionamento, baseado no fato de que o Poder Superior se manifesta em um determinado momento da troca de riquezas interiores e de cooperação e feita ao longo dessa busca da consciência coletiva.
Procurei estudar, conhecer esse processo e o que me foi possível entender, apreender, está colocado no trabalho sobre consciência coletiva. É a minha visão atual e, por certo, ainda incompleta.
Outro aspecto que gostaria de enfocar é o que revela um paradoxo. Mais presentes do que pensamos nas nossas vidas, apesar do desconforto que causam à nossa formação racionalista. Diz-se até que alguma coisa só é verdadeira quando contém o paradoxo.
É que o A.A. não muda, pois tem princípios sólidos, cuja vitalidade tem-se mostrado extraordinária ao longo de 72 anos da sua existência. Não muda mas muda. Aí está um paradoxo.
Os animais pré-históricos que não mudaram também não mais existem e o A.A. não tem vocação para se tornar um dinossauro. O fato é que não muda na sua essência, mas se renova, se adapta, se atualiza a cada ano, porque a cada ano se repensa, se mantém com vitalidade renovada, mais especificamente, após cada Conferência.
Essa é a idéia-força que está subjacente a todo o processo da Conferência e que precisa ser identificada. Alias, é essencial que seja identificada para que os membros que dela participam tenham plena consciência da importância do trabalho que realizam.
A Conferência tem uma exterioridade, ela é bonita, mas tem, sobretudo, uma essência, um conteúdo interior maior e mais importante. Tem uma roupagem e um corpo igualmente muito bonito e, por certo, mais importante.
Um outro aspecto que é preciso destacar é que a realidade com que, a todo o momento, nos defrontamos não tem nada de simples. O mundo não é feito apenas em preto e branco, mas também de muitos tons de cinza e de todas as cores e suas nuances. A realidade se apresenta sempre sob múltiplos aspectos. Frequentemente, não somos capazes de identificar, sozinhos, toda a complexidade de uma determinada situação. Mas, se ela for analisada também por outros companheiros, aí teremos a possibilidade de, participando da busca conjunta da consciência coletiva, alargar o nosso campo de visão e conhecer melhor para melhor decidir e melhor agir.
Finalmente, vale ressaltar que, se a Conferência é colocada frente às realidades do A.A. do Brasil, isso não levará à conclusão de que resultariam irmandades muito diferentes nos diversos países do mundo. E isso porque são realizadas reuniões mundiais, a cada dois anos, em que numerosos países participam e nas quais também se busca a consciência coletiva, a integração em um só corpo, sendo que as diferenças locais apenas enriquecem o todo e o A.A. será eterno, enquanto assim funcionar.

O que é consciência coletiva?
É uma condição a que se chega por meio da participação de todos os membros que compõem um grupo, usualmente em reuniões de serviço, por meio de um processo no qual se busca o conhecimento mais completo de algum assunto ou a solução para um determinado problema que tenha sido colocado em estudo, podendo resultar em se optar por ações que, eventualmente, irão ser empreendidas.

Como se desenvolve o processo?
Dando a oportunidade e até mesmo solicitando que todos os membros presentes e participantes de uma reunião para que ofereçam as suas contribuições, tanto para o estudo de um problema quanto para a sua solução. Isto significa que ninguém deve ser excluído, que ninguém deve ficar de fora. É indispensável que o coordenador seja suficientemente hábil para conter os que procuram impor as suas vontades e pontos de vista e, para isso, deve limitar o tempo de que cada membro irá dispor para apresentar a sua contribuição e, ao mesmo tempo, será necessário oferecer aos mais retraídos a mesma oportunidade e o mesmo espaço de tempo para participar no processo de busca da consciência coletiva. Não só oferecer, mas, muitas vezes, será necessário até solicitar que os mais tímidos apresentem os seus pontos de vista. O poder coletivo, desse modo, contém o poder individual, a grandiosidade do alcoólico.
Numa primeira rodada, em que cada um dos participantes da reunião, de forma seqüencial e ordenada, expõe a sua opinião acerca do assunto em estudo, pode ocorrer que as colocações fiquem muito distantes umas das outras, mas, quando se faz uma nova rodada de opiniões na qual se busca um melhor entendimento acerca do assunto, observa-se que, após pensar e meditar por algum tempo acerca do que havia sido colocado por cada um dos companheiros, anteriormente, as opiniões então emitidas vão tendendo para uma área mais central, vão ficando menos distantes entre si, vão convergindo em torno de uma idéia ou decisão que, num certo momento, surgirá como sendo apoiada por uma substancial unanimidade. As opiniões vão gradativamente tendendo para um ponto central. Não há limitação quanto ao número necessário de rodadas nem quanto ao tempo que cada uma irá consumir. O processo deverá demorar o tempo que for necessário. O que se verifica é que, numa primeira rodada, os companheiros usam a palavra para expressar apenas opiniões, na maioria dos casos, e as opiniões formam, no seu conjunto, uma plataforma instável. Já, numa segunda ou terceira rodadas, o que se observa, frequentemente, é que as colocações são mais elaboradas, mais estudadas, já se apresentam como convicções e ainda que, pela multiplicação das vias de abordagem, faz-se um esforço para pensar de modo mais claro e profundo sobre o assunto em tela.
Todos devem ser ouvidos, é necessário que haja ampla participação, os assuntos precisam ser estudados por completo e detalhadamente diante do fato de que as decisões a serem tomadas são sempre importantes. Esse processo pode exigir um longo tempo de participação e de maturação, um esforço prolongado por parte dos participantes, e, às vezes, é conveniente que se decida por uma parada, por um momento de relaxamento para tomar um cafezinho. O importante é que não haja pressa.
Como decorrência do fato de que todos têm igual direito de participar e de opinar, resulta que o poder coletivo atua de modo a limitar o poder individual. A linguagem, o diálogo e a discussão de um determinado tema atenuam as posições conflitantes. Como todos podem interrogar, questionar e contra-argumentar, resulta que a razão supera a força e controla o exercício do poder. A linguagem tende a ser racional e as discussões pressupõem a apresentação de justificativas, de argumentos e todos devem estar abertos ao questionamento. Como nenhum companheiro detém a verdade em um sentido completo e absoluto, o processo decisório passa pela superação de diferenças e implica na convergência em torno do interesse comum e dos objetivos orientados pelos princípios de A.A., para se chegar ao consenso. As diferenças e divergências existentes podem ser superadas por meio do entendimento mútuo e diante do interesse comum.
O consenso, como forma de tomar decisões, implica em que deve haver um espaço para justificar, explicar, persuadir e convencer e que deve ser concedido a cada um dos participantes da reunião a mesma oportunidade, não cabendo dispor de força, privilégio ou autoridade especial. Portanto, não deverá existir condições para a imposição, para a violência ou para o privilégio, que são formas de exercício do poder. A razão se sobrepõe à força e é uma das formas de controle do exercício do poder. O uso de linguagem adequada torna o ambiente racional, e nele, as discussões têm o seu fundamento na apresentação de justificativas e de argumentos num ambiente que deve ser aberto à interpelação e ao questionamento.
Ocorre, na busca da consciência coletiva, que os companheiros entrem num processo de reflexão, de flexão sobre si mesmos, que olhem para dentro, quando então, frequentemente, descobrem que não sabem tanto quanto pensavam sobre o assunto que está sendo tratado resultando que se tornem mais humildes e tolerantes e assumam atitude mais sóbria. Cada um dos companheiros presentes numa reunião de serviço exercita a sua capacidade de apreciar uma determinada questão, de desenvolver a imaginação e de cultivar a mente aberta. Assim é que funcionam as coisas no âmbito do que é humano, com a pluralidade e a relatividade essenciais que lhe são próprias. Fatos e opiniões, embora distintas, não estão necessariamente em oposição uma vez que fazem parte de uma mesma realidade.
Talvez a reunião se prolongue bastante e é possível que poucos itens de uma agenda sejam abordados ou ainda que poucas decisões sejam tomadas, mas o que é preciso ter em mente é que o processo em si é o fato mais importante e isso porque tem valor terapêutico. Ele vale, em primeiro lugar, pela evolução e pelo crescimento espiritual que propicia. A Irmandade de Alcoólicos Anônimos não é uma empresa em que a eficiência e o uso do tempo ficam em função dos resultados esperados e dos objetivos fixados por um processo administrativo. Em Alcoólicos Anônimos, tempo não é dinheiro; é saúde, é recuperação, é crescimento espiritual, sobretudo. A Irmandade de Alcoólicos Anônimos é uma Irmandade em que todos procuram deter a sua doença e entrar num processo de cura, não física, mas psicológica e espiritual e a participação no serviço, especialmente no processo que leva à consciência coletiva, tem grande importância para a recuperação e para que se possa alcançar a serenidade. O próprio processo da busca da consciência coletiva é, pela sua natureza, uma maneira de diminuir a velocidade que impomos às nossas vidas, de evitar o estresse. Nele tudo se desenvolve sem obcessividade e cada membro participante vive um agora mais longo, mais demorado.

Por que é importante chegar à consciência coletiva?
Porque é um processo sábio, do qual não sairão vencedores nem vencidos. Porque, pela ampla participação, todos aceitam, ao final e ao cabo, e sem resistências psicológicas, as decisões que foram acordadas e ainda porque, em face da ampla participação, todos se sentem igualmente responsáveis pelas ações que serão tomadas e também pelas suas conseqüências. Numa visão maior, até mesmo pelos destinos da Irmandade de Alcoólicos Anônimos.
O usual é que procuremos ser mais espertos e controlar uns aos outros em função de objetivos individuais ou dos interesses de pequenos grupos e isso costuma ocorrer ao nos comportarmos seguindo o modelo que recebemos no decurso das nossas vidas.
A atitude mental que se assume ao participar do processo em que se busca a consciência coletiva é a da procura da verdade em relação a uma determinada situação ou problema que está em apreciação. Ao se colocar nesta posição e abandonar a busca de provas de que está certo, o companheiro entra em contacto com uma verdade maior, transcendente, unificada e unificadora, que se manifesta no decurso do processo e, por outro lado, o desejo de buscar a verdade para uma determinada situação desperta a inspiração, cria um certo tipo de receptividade. A partir desta posição madura o companheiro se questiona se realmente o que vê é tudo que diz respeito ao problema em estudo e, usualmente, chega à conclusão de que a sua visão não é tão abrangente quanto imaginava. Passa a admitir que existem aspectos enriquecedores na visão de cada um dos outros companheiros que participam da reunião e o que há de inadequado na sua, o que traz alívio das tensões e facilita o desenvolvimento do processo.
O companheiro se dá conta de que não estava tão certo quanto pensava. Ganha conhecimento acerca de aspectos do problema que não havia identificado anteriormente. Passa a ver não somente o seu lado, a sua pequena verdade, mas uma verdade maior, mais abrangente. Colocar-se neste ato de busca da consciência coletiva, de querer a verdade ou o que é mais conveniente para a solução de determinado problema, leva a renunciar ao que antes se apegava, àquilo que via como sendo a sua verdade. É estar disposto a ver além da sua perspectiva, do seu ângulo de visão. Nas relações humanas, aquele que só conhece o seu lado, em relação a um determinado assunto em estudo, sabe realmente pouco em relação a ele. Acresce ainda que, no caso de um grupo de companheiros, quando em cooperação, o todo humano que se forma é maior do que a soma das suas partes, de modo que cada membro poderá realizar, em conjunto com os outros, mais do que conseguiria se estivesse sozinho ou em grupos sem esse entendimento.
Participar do processo que leva à consciência coletiva traz ganhos espirituais importantes para o membro de A.A., ameniza o ego e muda o seu comportamento quando, em decorrência, deixa de cultivar a separação. Acontece um importante ganho, um crescimento espiritual de grande valor para a recuperação do alcoólico.
O companheiro desiste da necessidade de vencer as pessoas com quem convive e da qual resulta, freqüentemente, em estar separado, isolado. Desiste de ser especial, diferenciado dos outros e de estar sempre com a razão, de querer que as coisas sejam do seu modo. A integração aperfeiçoa a sua individualidade, enriquece-o como indivíduo, o inclui na comunidade dos humanos e jamais diminui a sua dimensão pessoal.
Por meio da consciência coletiva, os conflitos podem ser resolvidos sem derramamento de sangue físico ou emocional e, mais ainda, com sabedoria. Sempre que se busca adequadamente chegar à consciência coletiva, os gladiadores baixam as armas e os escudos e se tornam hábeis em ouvir e entender e, sobretudo, em respeitar e aceitar os dons dos outros, bem como as suas limitações. Ao longo da busca da consciência coletiva, aceitamos que somos diferentes, mas que, por outro lado, estamos ligados aos demais membros pelas nossas feridas e pelo fato de estarmos aprendendo a lutar juntos, mais do que uns contra os outros. Os conflitos são resolvidos. Os membros aprendem a desistir de facções e de compor pequenos subgrupos. Aprendem a ouvir mutuamente e a não rejeitar.
O silêncio de quem escuta representa uma abertura, uma disponibilidade em relação ao outro. É como criar uma zona de silêncio que significa confiança no outro. Dar um lugar aos outros é indispensável para que possamos desenvolver a nossa relação existencial. A amabilidade do acolhimento, da abertura, não exclui a personalidade de quem escuta, daquele que procura o verdadeiro em meio a múltiplas verdades. Só assim se chega à plenitude do diálogo. É como viver as tarefas do mundo tais como elas se apresentam. A vida é então realizada e confirmada na concretude de cada instante, de cada dia.
A busca da consciência coletiva é uma experiência importante para por fim aos conflitos, pois, durante o processo de busca, não procuramos tirar a energia dos outros companheiros. Sempre que alguém sai vencedor, o perdedor fica deprimido, em baixa. Mas se procuramos a consciência coletiva, estaremos recebendo energia de uma outra fonte, do Poder Superior.
Na consciência coletiva está contida a filosofia do diálogo, da relação entre os membros de AA. O que importa é uma relação desenvolvida no diálogo, na atitude existencial do face-a-face, na vibração recíproca. O diálogo assim desenvolvido abre novas perspectivas em relação ao sentido da existência humana de cada um dos membros participantes porque está voltado para um novo projeto de existência e não para um passado nostálgico. O processo da busca da consciência coletiva estabelece uma nova relação entre os membros de A.A. e, numa visão maior, entre os seres humanos.
Só seria possível pensar na libertação do alcoolismo a partir da libertação do próprio alcoólico das múltiplas prisões do seu egoísmo congênito, uma vez que a liberdade se encontra no compartilhar de experiências, forças e esperanças e no despertar do outro que ainda se encontra nas garras do alcoolismo. Os membros de A.A. não cessam de se enriquecer pela convivência com outros companheiros, cujas possibilidades são multiplicadas ao infinito pela magia dos seus poderes, sempre renovados, enquanto praticando o programa de recuperação. O amor ao próximo lhe dará a chave de todas as prisões, da própria libertação, da saída para uma nova vida.

O conjunto das relações sociais tende, naturalmente, ao conflito e às contradições.
Finalmente é preciso estar sempre alerta para o fato de que a fronteira entre o bem-estar, a felicidade e a alegria de vivermos numa autêntica comunidade e o conflito, o desgaste emocional e o perigo de uma recaída está em nós mesmos. Nós somos o teatro de uma luta contínua entre as forças da vida e da morte. Tudo depende do que fazemos a cada dia, a cada instante entre o bem e o mal, pois que estão estreitamente relacionados – “o inferno não é separado do paraíso senão pela espessura de um fio de cabelo”. Neste ponto, nesta escolha, está a possibilidade do surgimento de uma nova realidade, de um novo impulso que pode levar à realização plena das mais radiosas perspectivas que podemos ter a partir da infinita riqueza contida nos Legados de A.A. e, ainda, a possibilidade de que esse novo impulso abra as portas do sonho, tão necessário à própria sobrevivência, ao mesmo tempo em que abra as portas do caminho de salvação para outros alcoólicos.
A prática da Segunda Tradição é indispensável para que o conjunto de companheiros que compõem as reuniões de serviço possam chegar à solução de problemas e encontrar caminhos para a Irmandade como um todo. Essa prática determina a qualidade do trabalho realizado e os resultados das grandes reuniões, como as que ocorrem nas conferências de serviços gerais, nas inter-áreas, nas áreas, nas reuniões de distrito, etc. e até mesmo nas reuniões que contam com um menor número de companheiros, como usualmente ocorre nas reuniões de serviço dos grupos. É a aplicação prática de um conhecimento que harmoniza o conjunto das relações sociais, que naturalmente tendem ao conflito e às contradições, e evita o domínio do homem sobre o homem, além criar condições para que ocorra a emancipação humana.

Se consultada a consciência coletiva, as decisões são realistas.
A ampla participação assegura que a realidade seja conhecida nos seus mais diferentes aspectos, que nenhuma particularidade seja omitida, que nenhuma conseqüência das decisões a serem tomadas deixe de ser considerada e avaliada. O estudo resulta sempre completo porque é o resultado da soma de todas as experiências, de todas as visões. Significa que se estuda e se decide com segurança.
Freqüentemente, o nosso narcisismo nos faz sentir que somos os guardiões de uma estrutura frágil e ameaçada e que, se não fosse por nós, tudo já estaria perdido. Isso é a manifestação de que algo está errado com a nossa saúde mental e espiritual e que é preciso colocar, lado a lado, a nossa realidade com a que é percebida pelos irmãos em quem confiamos. O fato é que a verdade compartilhada é poderosa, eleva o espírito e é por isso que interagimos quando participamos das atividades do grupo ou das que são mais ligadas ao serviço. Freqüentemente a verdade é um processo, o resultado de uma relação entre nós mesmos e os outros, que dá à verdade maior clareza e brilho. Precisamos de coragem para ver a verdade, mas ela nos fortalece, e estar dentro da realidade significa não estar alienado. Ocorre uma confiança no diálogo, na busca comum da verdade.
No conjunto, o grupo sempre aprecia melhor porque inclui membros com muitos e diferentes pontos de vista e com a liberdade assegurada de expressá-los por meio do processo que busca a consciência coletiva. Incorpora-se o claro e o escuro, o sagrado e o profano, a tristeza e a alegria, a glória e a lama e é por essa razão que as decisões são bem elaboradas. Não é provável que se deixe de apreciar algum aspecto importante. Como cada membro representa um padrão de referência e, se eles são muitos, o grupo de trabalho se aproxima mais e mais da realidade. As decisões são realistas e usualmente seguras.

Não ao totalitarismo
É comum pensar que as diferenças possam sempre ser resolvidas por uma autoridade maior. No passado de cada um de nós, era costumeiro apelar para a intervenção do pai ou da mãe para o entendimento de situações e para a solução de problemas. Procura-se freqüentemente até apelar para um ditador benevolente. Mas Alcoólicos Anônimos, em favor da maturidade dos seus membros, nunca pode ser totalitário.
Nós nos acostumamos, ao longo da nossa vida, a aceitar certas formas de autoridade que sempre serviram como orientação para definir a realidade em que vivemos e, sem ela, nos sentíamos confusos e perdidos. Mas a busca da consciência coletiva passa a ser o exercício através do qual sempre, e em grupo, encontramos a orientação, sempre conhecemos de uma maneira mais completa a realidade e, é bom acentuar, sem a necessidade de qualquer autoridade que não a do Poder Superior. No decurso do processo de busca da consciência coletiva, acontece o retorno da sensação de segurança, agora sob uma forma mais espiritualizada, a segurança espiritual.
A maneira menos primitiva de se resolverem as diferenças individuais é a de apelar para o que chamamos de democracia. Pelo voto, determina-se o lado que prevalece. A maioria governa. Mas este processo exclui as aspirações da minoria. Diferentemente, o processo de tomada da consciência coletiva inclui as aspirações da minoria. É como transcender as diferenças pessoais de modo a incluir, na mesma medida, a minoria. Entrar no processo que leva à consciência coletiva é ir além da democracia. Recorrer ao voto não é a solução. Apenas o consenso integra as minorias e, em realidade, até evita a sua formação. O processo pelo qual se chega ao consenso é uma aventura porque não se pode antecipar o que vai resultar, é algo quase místico e mágico, mas que funciona.
Durante o processo de busca da consciência coletiva, a autoridade fica descentralizada. Não há líderes e, ao mesmo tempo, todos são igualmente líderes. Há um verdadeiro “fluxo de liderança”. Os membros se sentem livres para se expressar e para oferecer as suas contribuições e o fazem no exato momento e na devida dimensão. Há lideranças. É o espírito de comunidade que lidera e não o individualismo.

O desenvolvimento da humildade
O processo de busca da consciência coletiva atenua o individualismo áspero que leva à arrogância e isso se faz por meio da limitação da participação e ao evitar preponderância e excessos – a velha prepotência e a conhecida manipulação. O poder individual só é contido, só é limitado, pelo poder coletivo. Este é um princípio fundamental. É exatamente o que acontece no processo de busca da consciência coletiva.
Desenvolve-se, nos membros do grupo de trabalho, um individualismo ameno que leva à humildade. Durante o processo, as dádivas de todos são apreciadas e também reconhecidas as próprias limitações e isso está na base da aceitação das nossas imperfeições. “Conhece-te a ti mesmo” é uma regra segura para chegar à humildade.
Nesse momento, fica muito claro que o problema não é a dependência e sim a real interdependência. Não só os membros se tornam mais humildes, mas também o grupo como um todo.

O grupo como um lugar seguro
As pessoas se tornam mais amenas quando participam do processo de busca da consciência coletiva porque se olham através das lentes do respeito. O grupo se torna um lugar seguro porque há aceitação e compreensão, e as pessoas sentem com uma intensidade nova o amor e a confiança. Desarmam-se. Passa a haver a paz e, sobretudo, os membros aprendem a fazer a paz.
É também um lugar seguro porque no grupo ninguém está tentando curar, converter ou mudar o outro e, paradoxalmente, é exatamente por isso que a evolução espiritual e comportamental e, ainda, a conversão acontecem. No grupo, as pessoas são livres para serem elas mesmas, livres para procurar a própria saúde psicológica e espiritual. Tudo isso faz do grupo um lugar seguro em que as pessoas podem abrir mão das suas defesas, das suas máscaras, dos seus disfarces. Aceitamos ser vulneráveis, expor as nossas feridas e fraquezas, e assim fazendo, aprendemos também a ser afetados pelas feridas dos outros. O amor surge nesse compartilhar e isso é possível porque abrimos mão da norma social de pretender sermos invulneráveis.
Num lugar seguro, as pessoas se desarmam e aprendem a fazer a paz, que nasce do processo de busca da consciência coletiva.

Um estado de espírito muito especial
Quando nos preparamos psicologicamente para participar de uma reunião de serviço em que se vai à busca da consciência coletiva e nos sujeitamos ao processo que leva a ela, resulta o surgimento de uma atmosfera tal que, paradoxalmente, nela as pessoas falam mais baixo e, no entanto, são mais ouvidas. Nada é agitado e não se forma o caos.
Pode haver discussão e luta, mas ela é construtiva e move-se em direção ao consenso. Em realidade, entra-se no processo de formação de uma verdadeira comunidade.
Esse estado de espírito é indispensável para que se possa estar aberto para a manifestação do Poder Superior. Para a inspiração e para a voz do Espírito Santo.
Quando nos dirigimos para uma reunião de serviço, não podemos imaginar qual será o resultado dos trabalhos nem devemos interferir nele. O processo de formação da consciência coletiva é verdadeiramente um mistério.

O estado de espírito de quem vai para uma reunião de serviço
Quando se vai para uma reunião de serviço, é preciso ter em mente que a intenção, a idéia, é levar tão somente uma contribuição, uma experiência pessoal. É preciso lembrar sempre que o todo é formado pelas partes e que cada um de nós não é senão uma parte, mas uma parte realmente importante. Cabe ainda lembrar que as nossas experiências são tanto o fruto das nossas vivências, e por isso são muito ricas, quanto limitadas à esfera pessoal. Ao mesmo tempo, precisamos ter a consciência do valor da contribuição que podemos dar, mas também a de que ela será parte de um todo, de um conjunto maior, que se formará a partir das contribuições de cada um dos que estarão presentes à reunião.
O que fica dessas considerações é que a atitude de humildade é indispensável se se deseja chegar à consciência coletiva. É aceitar que, pelo menos diante do fato de se estar frente a uma manifestação do Poder Superior, a prepotência, a arrogância, o narcisismo e a agressividade possam dar lugar à humildade e à aceitação daquilo que irá resultar da soma de todos os conhecimentos e contribuições, mas, sobretudo aceitar que ao final se chegará ao melhor caminho, à melhor solução, à melhor decisão.

O que acontece quando não se busca a consciência coletiva
Muitas coisas podem acontecer. A realidade pode ser distorcida e as conclusões ou decisões podem não ser as mais sábias ou convenientes. Parte dos que compõem o grupo pode ficar excluída dos trabalhos, por ser constituída de membros mais tímidos ou por estarem dominados pelos mais prepotentes, pelos que melhor fazem uso da palavra.
Pode ocorrer que, antes de uma reunião, os componentes do grupo procurem contactar outros membros para lhes convencer acerca das suas pretensões ou postulações ou, simplesmente, conseguir adesões ou fazer acordos. Obviamente, a consciência coletiva estará sendo manipulada e aí poderiam os mais doentes chegar ao seu “dia de glória”, pois teriam manipulado até mesmo o Poder Superior. No entanto, nessas condições, a consciência coletiva não se estabelece e Ele não fala. Talvez falem outras vozes menos divinas.
Quando não se busca a consciência coletiva, o que usualmente acontece é correr o sangue emocional e até mesmo o físico. Usualmente a luta se estabelece, mas ela não leva a nada porque é caótica, é barulhenta e não construtiva.
As agressões tornam as reuniões cansativas e os resultados são nulos ou diminutos. As reuniões se tornam tanto desagradáveis quanto improdutivas. É um conflito sem frutos e que vai para lugar nenhum. As pessoas tornam-se prisioneiras das suas raivas, dos seus ressentimentos e das suas ambições pessoais desmesuradas. Outros procuram concertar as cabeças, convencer ou curar os seus companheiros e isso, muitas vezes, pode até parece ser coisa de amor, mas o fato é que fazem isso para o seu próprio conforto, em seu favor.
É fundamental que busquemos a complementação sempre que opiniões diferentes ou contrárias às nossas forem apresentadas. Devemos buscar, nessas situações, o sentido de existir, de ser. Devemos identificar, na existência dos opostos, o sentido da complementaridade. Sempre que nos incompatibilizamos uns com os outros é porque estamos medindo forças e assumindo posições antagônicas. Se buscarmos o sentido do complementar, poderemos reverter o antagonismo e somar as nossas potencialidades em torno de um propósito comum. Desse modo, não perdendo o nosso ponto de vista, identificamos um sentido maior que é a grande manifestação da Consciência Coletiva.

A insensatez
Quando não se busca a consciência coletiva, a insensatez se estabelece no grupo. Isto é, passa-se a agir de forma contrária aos próprios interesses, de forma contrária à apontada pela razão. Exatamente ao contrário da sabedoria que está no exercício do julgamento atuando com base na experiência e no uso das informações disponíveis.
No caos e na manipulação, buscam-se as atitudes contrárias aos interesses da Irmandade de Alcoólicos Anônimos, não obstante as advertências desesperadas de alguns e da existência de alternativas melhores e viáveis. A busca da insensatez torna-se trágica e, dolorosamente, um comportamento dominante. Dominados pelas paixões, os membros do grupo abandonam o comportamento racional, tornam-se passionais. A mitologia grega tinha uma figura para representar a cegueira da razão, o desvario involuntário, de cujas conseqüências os companheiros depois se arrependem, chamada Ate, filha de Eris, deusa da discórdia e da disputa. Tomados de cega insensatez, as vítimas da deusa se tornam incapazes de realizar uma escolha racional, de distinguir entre atos morais e imorais.

Onde e como o Céu e a Terra se tocam
O homem, desde tempos imemoriais, vem procurando fazer contato com as forças criadoras, com o sagrado. Procurou lugares e objetos em que o céu e a terra se encontrassem. Concebeu a montanha e a cidade sagradas, a residência real, a árvore da vida e da imortalidade, a fonte da juventude, etc.
De acordo com crenças indianas, o monte Meru seria uma montanha sagrada e sobre ela brilharia a estrela polar. Na crença iraniana, a montanha Elburz seria o ponto em que a terra estava ligada ao céu. A população budista do Laos considera sagrado o monte Zinnalo. No Edda, o Himinbjorg, que quer dizer “montanha celestial”, é considerado o ponto em que o arco-íris alcançaria a parábola do céu.
Para os povos mesopotâmicos, o Zigurate era a montanha cósmica. Na Palestina era o Monte Tabor. Para os cristãos, a montanha cósmica era o Gólgota, o lugar onde Adão tinha sido criado e sepultado e o sangue do Salvador teria sido derramado sobre o crânio de Adão, servindo para a sua redenção e esta crença ainda permanece entre os cristãos orientais. A cidade da Babilônia, como indica o próprio nome, era tida como a “porta dos deuses” pois era por meio dela que os deuses desciam para a terra.
A idéia de que o santuário reproduz o Universo, na sua essência, passou para a arquitetura religiosa da Europa cristã e para as basílicas dos primeiros séculos, do mesmo modo que as catedrais medievais reproduziam simbolicamente a “Jerusalém celestial”.
O lugar sagrado, o “Centro”, seria a zona da realidade absoluta e lá estariam os seus símbolos: a árvore da vida e da imortalidade, a fonte da juventude, etc. daí a idéia de que a estrada que leva ao “Centro” é um “caminho difícil”. Difícil também a peregrinação aos lugares sagrados como Meca, Hardwar e Jerusalém, feita em viagens cheias de perigos e realizadas por expedições heróicas. A mesma dificuldade encontra aquele que procura caminhar em direção ao seu ego, ao “Centro” do seu ser. A estrada é árdua e cheia de perigos porque representa um ritual de passagem do âmbito profano para o sagrado, do efêmero e ilusório para a realidade e para a eternidade, da morte para a vida, do homem para a divindade. Chegar ao “Centro” equivale a uma consagração; a existência profana e ilusória dá lugar a uma nova existência, a uma vida real, duradoura. Na busca da consciência coletiva o grupo de trabalho procura chegar ao “Centro”, ao ponto mais elevado.
Eu, pessoalmente, considero que é através do processo de formação da consciência coletiva, após percorrer um caminho muitas vezes trabalhoso e difícil, que estabelecemos um contato entre o céu e a terra. É por meio do processo de busca da consciência coletiva que o céu e a terra se tocam. A consciência coletiva é a voz do Poder Superior.
O conceito de substancial unanimidade e a idéia da formação de uma verdadeira comunidade centrada na busca da manifestação do Poder Superior estão na base de uma nova dimensão de divindade e permitirão que a Irmandade de Alcoólicos Anônimos se aperfeiçoe de maneira progressiva e que, por meio da busca da consciência coletiva, os seus membros conquistem a mais absoluta liberdade espiritual, ficando então livres de preconceitos e de sentimentos negativos em relação aos demais companheiros.

Finalmente
Finalmente, é necessário dar passos concretos e assumir atitudes que concorram para que sejam bem sucedidas as reuniões de serviço. Assim, ficam as seguintes sugestões:
É conveniente que os assentos sejam distribuídos em círculo ou que a mesa que se vai usar seja redonda. É uma forma de equilibração e nela não há destaques.
Evite usar as palavras “eu” e “você”. Use o “nós”, de modo a se incluir no grupo.
Dirija-se ao grupo como um todo, mesmo quando falando para apenas um dos seus componentes.
Evite ficar próximo dos mais íntimos. Isso impede a formação de grupinhos separados.
Evite a discussão paralela. Não fique falando baixo com o companheiro ao lado. Alguém pode entender como crítica.
Olhe para quem estiver usando a palavra. É uma atitude de respeito. Não fique alheio à discussão de determinado assunto enquanto se prepara para uma intervenção.
Ao se manifestar, não se afaste do que vem sendo discutido pelo grupo. De outra forma, haverá o risco de se perder o encadeamento, o raciocínio que vinha sendo desenvolvido.
Ao opinar, procure fundamentar a sua contribuição, apresentar algo de valor e não dar apenas um palpite. Diante de um palpite, os demais companheiros devem fazer perguntas como: Por quê? Quando? Onde? Etc., para forçar uma operação mental que resulte em manifestação mais elaborada.
Tenha boa vontade com os tímidos pois que, com essa atitude, irá encorajá-los a participar do grupo.
Não eleve a voz. Não se emocione. Não crie barreiras à comunicação. Não diga não concordo. Discorde sem dizer não concordo.
Às vezes, é bom lançar dúvidas para forçar a reflexão e evitar o dogmatismo.
O coordenador deve evitar o papel de chefe. Quem tem chefe é bando.
Se o grupo não evoluir, em determinado momento será bom fazer uma pausa para examinar o que está dificultando o progresso da reunião. É melhor tomar essa atitude enquanto o grupo está reunido do que deixar que as críticas ocorram depois, o que seria uma atitude desleal para com o grupo.
Os que não entendem do assunto em discussão, por vezes, se mostram lógicos e criativos e apresentam boas contribuições.
Tenha coragem de expor as suas opiniões, de oferecer sua experiência. Corra o risco de ser contestado, é natural. Não fique só na colocação das dúvidas.
Evite a palavra acho, até porque às vezes o companheiro que assim se manifesta, está mais do que convicto. Se tiver dúvidas, abra o jogo.
Seja generoso. Elogie. Estimule os companheiros do grupo.
Se estiver muito acima do grupo em determinado assunto, não dê aula. Procure fazer perguntas inteligentes que despertem idéias.
Passe a bola para poder recebê-la de volta. O processo se tornará mais dinâmico e produtivo.
Nunca procure derrotar um companheiro presente a uma reunião. Você não veio para isso. O que se espera é que contribua com a sua experiência pessoal. Lembre-se de que o companheiro derrotado em público jamais o perdoará. Isso fere muito.
Se for tímido, procure acompanhar a evolução do assunto em estudo e isso já é uma forma de participar e de evoluir.
Evite as expressões: “é claro” e “você não entendeu”. Não culpe o grupo quando não for entendido. A reunião evolui melhor dizendo: “talvez eu não tenha sido muito claro”.
Estimule todos os companheiros presentes a prestar o seu esclarecimento, a dar a sua contribuição. Por outro lado, não seja paternal. Lembre-se de que todos têm igual responsabilidade pelo êxito da reunião.
O dominador costuma usar a expressão: “ninguém quer trabalhar” e o tímido se queixa de que “não o deixam participar”. Mas a verdade é que ambos demonstram a sua imaturidade.
O objetivo de cada um é cooperar. Não cabe obedecer, uma vez que todos têm o mesmo direito de participação.
É preciso que todos ofereçam as suas contribuições, a sua experiência. Participe e não fique na posição confortável de omisso. Participe, mesmo que tenha que enfrentar dificuldade em ser ouvido.
Não se alongue em excesso. Prolixidade é manifestação de falta de clareza. Ser objetivo e sintético demonstra inteligência. Falar em demasia é, às vezes, um recurso usado por quem tem o desejo de emperrar os trabalhos do grupo.
Participar implica em assumir responsabilidade de modo que se ocorrer que um companheiro não se sentir responsável, é porque não participou, não fez parte do grupo.
Evite usar frases feitas. Não empobreça o grupo. Seja criativo.
Não se impressione com a pretensa superioridade que algum participante do grupo possa ter em relação aos outros. É indispensável que haja reciprocidade para que ocorra a participação de todos.
Não se sinta desconfortável quando demonstrar o seu entusiasmo. Participe de corpo e mente. Somos seres humanos. Estamos vivos.
Evite ser duro com os companheiros ao assumir atitudes racionais e lógicas. Ser lógico, sim, mas com amor. Igualmente, amor sem lógica é sentimentalismo, e não ajuda.
Aceite as pessoas, derrube as barreiras psicológicas. Deixe-se evoluir e contribua para a evolução dos outros. É preciso não ser impermeável e avaliar com boa vontade os pontos de vista dos companheiros. Só assim se estabelecerá um diálogo enriquecedor.
Não seja deslumbrado. As pessoas são perspicazes e críticas.
As dificuldades não devem desencorajar o grupo. É possível ir comendo o mingau quente pela beirada.
Se for inevitável a votação, que pelo menos ocorra uma longa discussão acerca do assunto de modo a alcançar substancial unanimidade.

LIBERDADE INDIVIDUAL X BEM COLETIVO

SEGUNDA TRADIÇÃO, EQUILÍBRIO ENTRE “A PRIMEIRA” E A TERCEIRA TRADIÇÕES.

AA tem resposta para tudo em relação a si mesmo, qualquer coisa pode e deve ser resolvida com tranqüilidade e em paz. Sempre temos que ver todos os princípios envolvidos em cada situação e não só o que salva ou defende o que está de acordo com o que eu quero, prefiro, ou é o melhor para mim.
– Vejamos, a Terceira Tradição fala da minha liberdade individual, não é verdade?
Mas até onde vai essa minha liberdade? Ela não tem limites? Ela vai até o momento que:
– Vejamos a 1 Tradição: Nosso bem estar comum deve estar em primeiro lugar, a reabilitação individual depende da Unidade de AA.
Ao impor minha vontade (Terceira tradição, sem limites responsáveis) estou ferindo a UNIDADE o bem estar coletivo (Primeira Tradição).
Qual o espírito de AA? Qual o bom senso? Sempre devo usar eu a liberdade responsável.
Meu bem estar, minha vontade, meus desejos, minha interpretação, não devem estar acima da interpretação ou do bem estar coletivo.
Quando chegar a esse ponto crítico, onde direitos coletivos e individuais se chocam, eu indivíduo, devo ceder para que o bem estar geral permaneça vivo, para que AA. permaneça vivo.
Na dúvida, como chegar à conclusão, do limite desses dois direitos:
– Vejamos a Segunda Tradição: Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos lideres são apenas servidores de confiança, não tem poderes para governar. Alguns dirão entre outros entendimentos que essa consciência pode falhar, e isso é verdade, mas pergunto, qual o outro processo melhor? Desde que exercitada essa consciência coletiva, dentro de discussão à luz dos princípios de AA, até a exaustão e se possível chegar próximo à unanimidade.
A experiência tem demonstrado, que mesmo quando ocorra equívocos na expressão da Consciência Coletiva, o Poder Superior cuida para que no tempo devido, tudo volte ao ponto ideal e à normalidade, e como já dito não há outro meio melhor de decisão. Sendo certo que em AA não existe exclusão, nem punição ou assemelhado, não é menos certo que eu pago minha desobediência a esses princípios, se não com o voltar a beber e a morte, mas no mínimo com meu mal estar, minha depressão, minha
insatisfação, minha inquietude, meu vazio, minha irritação, minha falta de paz.
Bill nos deixa bem claro: Obedecemos a esses princípios porque queremos, precisamos e gostamos do resultado que essa obediência nos traz. Ao obedecer espontaneamente eu a esses princípios, certamente estarei beneficiando a todos, mas fundamentalmente e antes de tudo a mim mesmo.
Posso eu desrespeitar, uma decisão do grupo, advinda da decisão manifestada pela Consciência Coletiva desse mesmo Grupo, mas eu não devo e não faço, pois segundo meu entendimento, meu ponto de vista não deve prevalecer sobre a decisão coletiva, eu não tenho esse direito mas tenho o dever de respeitar àqueles que ainda não entenderam isso, que essa submissão de minha vontade individual às decisões coletivas são fundamentais para a sobrevivência de AA no futuro.
Esses irmãos e irmãs precisam mais de tolerância do que de críticas, mas não esqueçamos, tolerância não implica em permissividade, que elimina o mínimo de paz necessária para a recuperação e tranqüilo funcionamento de um grupo; o bem comum está na Primeira Tradição, e AA nos chama atenção para a importância da Unidade para a sobrevivência de AA. Quem analisa profundamente os Três Legados, verifica que qualquer pensamento filosofia ou sentimento amoroso, que alguém possa encontrar em qualquer literatura não oficial, AA já integrou nesses legados: os da recuperação, os da convivência e os da administração.
Estou ferindo a Primeira Tradição (a Unidade): Quando sobreponho minha vontade ao da Consciência Coletiva. Quando uso palavras ofensivas, desrespeitosas e intolerantes. Quando respondo quem procedeu como acima dito, com termos do mesmo nível. Quando levo o questionamento para o nível pessoal e não para o dos princípios e das idéias.
Para todos os questionamentos AA tem um caminho: Direitos de Participação, Decisão, Apelação e as Garantias (Doze Conceito).
Não há porque eu partir para o xingamento ou ofensas, AA me dá direitos e meios para buscar o que entendo justo, e a Consciência Coletiva é a instância final da Irmandade, mesmo que eu não goste disso, mesmo que eu não concorde com isso, porque AA assim o diz.Se entendo, que um servidor errou ou fez algo que não aceito, que me
sinto prejudicado, posso e devo pedir sua substituição, e a consciência coletiva deverá ser respeitada, mesmo que eu não concorde ou não goste de sua decisão. Os servidores de confiança, devem mais de que ninguém obedecer às decisões da Consciência Coletiva, pois se não o fizerem deixarão de ser de confiança.
Tudo isto visa que pensemos mais no coletivo do que em cada um de nós individualmente, pois sem o bem coletivo e sem a Unidade, daremos pouca oportunidade de recuperação aos membros do grupo, e esses membros são mais importantes do que eu.
As decisões importantes e que afetem a todos, sempre deverão ser feitas no fórum respectivo: Reuniões de Serviço no Grupo, Reuniões de RSGs no Distrito, Reuniões de Assembléias no CR ou na Área e na Conferência.
Essas decisões não são determinações, e muito menos autoritárias, mas são a expressão da consciência coletiva respectiva de cada setor, e a experiência nos diz, que a obediência às mesmas é o melhor caminho.

” O GRUPO DE A. A. EM AÇÃO ”

* INTRODUÇÃO

Através de observações e experiências adquiridas nestas poucas 24 horas vivenciando nossa Irmandade, venho observando um “mal crônico” que persiste em inquietar o A. A. no Brasil. Estou referindo-me aos baixos índices de Recuperação em nossos Grupos.

De tempos em tempos atribuiu-se esse problema a diversos motivos. Hoje os motivos são:
– A falta de literatura para orientar nossos antepassados quando da chegada do A. A. no Brasil.

– A inexistência de uma Estrutura de Serviços eficiente com Comitês e Comissões atuantes.

Tais motivos parcialmente solucionados desde 1969 com a fundação do hoje extinto CLAAB – Centro de Distribuição de Literatura de A. A. para o Brasil e, em 1974 quando foram convocados os primeiros Delegados de Área e realizado o 1º Conclave de A. A. no Brasil. Dois anos após com a Eleição dos Custódios em Assembléia realizada em 29 de fevereiro de 1976 – criou-se a JUNAAB – Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil – quando foi estabelecido o ESG – Escritório de Serviços Gerais. Estes foram realmente os primeiros Organismos de Serviços de A. A. registrados juridicamente no Brasil, fato ocorrido em 29 de junho de 1976.

O problema permanece irremovível, hoje com os seguintes discursos:

– Que os hábitos adquiridos nos tempos pioneiros, com a inexistência da Literatura, estão demais arraigados e somente serão diluídos com o tempo.

– Que a Estrutura de Serviços existente, não está sendo eficientemente usada no objetivo de recuperar os alcoólicos que ainda sofrem.

Se pesquisarmos profundamente com uma análise consciente, fatalmente iremos constatar que falta uma “Determinação obtida por uma ampla conscientização” empreendida pelos diversos segmentos de Serviços (Servidores) responsáveis, para uma tomada de posição no sentido de minimizarmos o problema.
Um posicionamento que objetive ascender os níveis de recuperação da Irmandade no Brasil, através do desenvolvimento de ações dinâmicas sensibilizadoras da profundidade dos Princípios Espirituais de nossa Irmandade.
Os doentes alcoólicos buscam A. A. porquê de alguma forma se sentiram atraídos pela imagem da Irmandade que lhe foi passada por alguma forma de divulgação ou pela abordagem de um membro, despertando- lhe um fio de esperança para cessar o sofrimento vivido.
A partir de nossas próprias experiências do primeiro dia, é fácil imaginar o que se passa pelas mentes doentes ante o desapontamento com a realidade mostrada nos Grupos de A. A., que na maioria das vezes desmente a concepção que tínhamos a respeito. A inverdade nunca poderá ser a base de um objetivo que envolve vidas humanas.
Se estabelecermos um confronto entre o que deveria ser uma real Programação de Recuperação de A. A., e o que é divulgado ou passado pelo abordante e a realidade que o ingressante irá constatar no Grupo, onde estará assistindo à sua primeira reunião, iremos detectar de uma forma generalizada as seguintes falhas e distorções:

– Desinformação sobre o que é realmente o Programa de Recuperação de A. A.:

Grande parte de responsabilidade pela má Recuperação, reside na qualidade do apadrinhamento realizado, quando o recém-chegado, após o primeiro dia, é lançado à sua própria sorte, sendo-lhe negadas as informações vitais de como proceder de agora em diante. É voz corrente em nossos Grupos: “Evite o Primeiro Gole… Freqüente as reuniões na medida do possível… e traga mais um, quando puder…” Esta é a orientação comum, precursora da inércia e estagnação, que presta o maior desserviço ao doente e à Irmandade.

– A Rotina e a Repetitividade:
A ignorância e o desconhecimento do que deve ser feito, levam os Grupos de A. A. a realizarem uma programação pobre e deficiente, onde a rotina e a repetitividade provocam o desânimo e a desmotivação, com o cansativo desfile pela “Cabeceira de Mesa” dos mesmos companheiros que contam sempre a mesma “estória”.

– Despreparo dos Servidores Responsáveis:
As lideranças de Grupos se afirmam mais pela assiduidade e pela capacidade de falar mais alto, que pelo grau de conhecimento dos Princípios de A. A. Assim o nível da programação oferecida é paralela ao preparo do Servidor dirigente. É lamentável o estrangulamento de Grupos de A. A. por mãos incapazes impulsionadas pela força do anseio individual.

– Inexistência de Clima Espiritual que Possibilite a Recuperação:
Os Grupos de A. A., com raríssimas exceções, não se preocupam com o estabelecimento deste clima espiritual, só obtido com a fiel obediência dos Princípios que orientam a nossa Irmandade. Enquanto houver meia observância deles, haverá sempre meia Recuperação. Onde estes Princípios não são observados, inexiste a Recuperação. E os exemplos estão aí mesmo, às centenas.
Diante deste quadro que se nos apresenta:

* O QUE FAZER?:

Para melhor entendimento do que tratamos até agora, vamos desmembrar este Tema em quatro pontos de suma importância, a saber:

1) O Grupo de A.A. – Como Entidade Espiritual.
2) O Grupo de A.A. – E o Espaço Físico.
3) O Grupo de A.A. – Cumprindo o Seu Propósito.
4) O Grupo de A.A. – E Nossas Falhas

– O Grupo de A.A. – Como Entidade Espiritual:

Para caracterizarmos o Grupo de A.A. como uma Entidade Espiritual, necessário se faz retornarmos no tempo e buscarmos nas primeiras preocupações com o trato do problema do alcoolismo as experiências obtidas. Senão vejamos:
A história de A.A. nos leva ao encontro do alcoólatra Holland H. com o eminente psiquiatra Dr. Carl Gustav Jung, em meados de 1930. Deste encontro tiramos a conclusão do que foi dito pelo Dr. Jung à Holland: “Que sua recuperação seria impossível pela ciência”. Disse-lhe também que a esperança de tal acontecer, residia na possibilidade de que ele, Holland H. chegasse a ter algum tipo de experiência espiritual ou religiosa, que buscasse um ambiente religioso e esperasse o melhor.
Em carta resposta que enviou a Bill W. o Dr. Jung diz: “A única forma correta e legítima para a dita experiência espiritual ou religiosa, é que ela ocorra realmente com você, e somente acontece quando estiver transitando pela estrada que conduz a uma compreensão mais elevada. Pode ser conduzida a esta meta por um ato de pura graça, por meio de um contato pessoal e honesto com semelhantes, ou ainda através de uma educação aprimorada da mente, mais além dos confins do mero relacionamento” .
Analisando as palavras do Dr. Jung, sentimos que Holland H. escolheu a segunda opção face às circunstâncias. E aí tudo começou, Holland H. conversando com Ebb T.; Ebb T. conversando com Bill W.; Bill W. conversando com Dr. Bob; Bill W. e Dr. Bob conversando com Bill D., ou seja um alcoólico conversando com outro alcoólico, sem desejar nada em troca, e nenhuma recompensa a não ser a esperança de continuar sóbrio.
Ainda com o objetivo de situar o Grupo de A.A. como Entidade Espiritual, lembremos os Grupos Oxford do clérigo Sam Snoemaker, ou da Igreja do Calvário onde os membros dos Grupos Oxford mais necessitados eram assistidos e alimentados. Lembremos de quando Bill W. em companhia de Alec, apesar de Ebby tentar impedi-los, se atiraram de joelhos diante do púlpito na Igreja do Calvário entregando suas vidas a Deus. E foi destes Grupos, que Bill W. selecionou os princípios que mais tarde transformaram- se em nossos Doze Passos. Foi vivenciando os Grupos Oxford que Bill W. pode aprender o que fazer e o que não fazer em relação aos alcoólicos. Como exemplo eis algumas lições aprendidas:
– Que não deveríamos ser um movimento de temperança, mas um movimento que deve se limitar a levar o alcoólico à sobriedade, isto é, em vez de se preocupar em salvar o mundo das diversas chagas sociais, A.A. deve se preocupar apenas em libertar os alcoólatras dos grilhões do alcoolismo.
– Que outras idéias e atitudes, como os famosos “Conceitos dos Absolutos”, é muitas vezes demais para os bêbados. Que as idéias de Pureza, da Honestidade, do Desinteresse e do Amor, devem ser alimentadas com colheres de chá homeopaticamente e não em doses cavalares.
– Que o anonimato é essencial, não só para proteger a Irmandade, mas também como instrumento para o desenvolvimento da espiritualidade. Que o membro de A.A. respeitando este princípio do anonimato, poderá agir e trabalhar, sempre com o espírito de ajuda ao próximo, de compreensão, sabendo que aquela sua ação ou trabalho jamais será trampolim para alcançar a fama, prestígio ou poder.
– Que A.A. deverá sempre dar a liberdade de falar, pensar e agir livremente, uma vez que o alcoólatra jamais se submeterá a quaisquer tipo de pressão, a não ser aquela exercida pelo álcool.
– Que A.A. jamais deverá intrometer-se na vida particular e privada de seus membros e, portanto, não fornece uma “orientação coletiva” para seu comportamento e aplicação na sua própria vida.
– Que A.A. apenas pode sugerir os Princípios de Recuperação, deixando sob a responsabilidade do próprio doente alcoólico a opção de exercitá-los ou não. Mas fica a advertência que, se seus membros desejam uma vida útil e feliz, não existe outro caminho, que não seja a submissão a estes Princípios.
Como podemos perceber, estes são princípios espirituais, que foram aproveitados dos Grupos Oxford e legados a nós membros ativos da Irmandade de A.A. para pô-los em prática.

” O GRUPO DE A. A. EM AÇÃO ” ( FINAL )

– O Grupo de A.A. – E o Espaço Físico:

A imagem física do Grupo de A.A. deve ser perfeitamente sintonizada com a imagem espiritual. A simplicidade deve revestir o espaço físico ocupado, de forma a permitir que ali se instale – pelo propósito único de seus membros na prática dos princípios espirituais da Irmandade – o ambiente espiritual a que se referiu o Dr. Jung, propiciador da recuperação através de um “Despertar Espiritual”.
Em síntese, o espaço físico, só será condizente com o que se propõe um Grupo de A.A., quando o seu visual no plano material, mantido pela relação espírito/matéria, estiver perfeitamente sintonizado com os Princípios da Irmandade: Recuperação, Unidade e Serviços.
O relacionamento matéria/espírito iniciou-se segundo Bill W., quando Ebb T. gastou de seu dinheiro para telefonar e pagar a passagem do metrô para ir ao seu encontro e transmitir a mensagem.

– Responsabilidade de Prover Espaço Físico:

Já sabedores de que nosso espaço físico é simples na sua aparência (física), podemos respirar aliviados e certificarmo-nos de nossa condição de participação.
Nossa Sétima Tradição nos diz: “Todos os Grupos de A.A. deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora”. Desde nossa primeira participação numa sala de A.A. constatamos este fato, (através de uma sacola), evidentemente sentiremos ainda que seja tênue, a responsabilidade de também contribuirmos com a sacola. Este é o único lugar em A.A. onde o material funde-se com o espiritual. Por esta razão, devemos ter sempre em mente que: “O metal só brilha se houver luz”. Pode-se entender que o dinheiro (metal), só atingirá seu objetivo se for iluminado pela intenção da luz (espiritual) .
Diante do exposto concluímos que: a responsabilidade de prover o espaço físico do Grupo de A.A., cabe aos membros que compõem a Irmandade, a partir do seu auto-ingresso na mesma.

– Diferença entre Grupo de A.A. e Reunião de A.A.:

Talvez não seja bem aplicada a expressão “diferença”, desde que acreditamos que o Grupo de A.A. depende das Reuniões, e as Reuniões de A.A. dependem dos Grupos de A.A. Assim entendemos que: os Grupos de A.A. continuam a existir além dos horários das Reuniões, ajudando quando solicitado, com o 12º Passo, trabalhando em instituições e atividades de I.P. (Informação ao Público), integrado em Comissões de Colaboração com a Comunidade Profissional (CCCP) e Comissões Institucionais (C.I.), por intermédio do Organismo de Serviços Locais.
Assim a Consciência Coletiva de A.A. a nível mundial, parece concordar em seis pontos que definem um Grupo de A.A.:

1) Todos os membros de um Grupo de A.A. são alcoólicos, e todos os alcoólicos são qualificados para serem membros.

2) Como Grupo ele é totalmente auto-suficiente.

3) O propósito primordial de um Grupo é o de ajudar alcoólicos a se recuperarem através dos Doze Passos.

4) Como Grupo ele não emite opinião sobre quaisquer assuntos alheios à Irmandade.

5) Como Grupo sua norma de procedimento para com o público, se baseia na atração ao invés da promoção, e seus membros mantêm o anonimato em nível da imprensa, rádio, televisão e cinema.

6) Como Grupo ele não possui nenhuma outra filiação.

A realização de Reuniões programadas regularmente é a principal atividade de qualquer Grupo de A.A. Algum grau de organização é necessário para conservar a funcionalidade e a eficácia de tais reuniões. Nossa Quarta Tradição diz que: “Cada Grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros Grupos ou ao A.A. em seu conjunto”. Previsivelmente, portanto, as reuniões realizadas por nossos milhares de Grupos têm cada uma suas próprias características.

– O Grupo de A.A. – Cumprindo o seu Propósito:

Conforme está explícito em nossa Quinta Tradição, o único objetivo primordial de um Grupo de A.A. é o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
Nesta máxima duas perguntas se nos apresenta: A primeira é – Qual a mensagem deverá que deverá ser transmitida? A segunda é – Quem é o alcoólatra que ainda sofre?
Claro está que a resposta á primeira pergunta é: A Mensagem a ser transmitida é a Mensagem de A.A.; é a mensagem de esperança de futuro promissor; é a mensagem que irá mostrar ao doente alcoólico, a luz no fim do túnel em que ele entrou quando da sua militância alcoólica. É a mensagem legada a nós membros de A.A., através dos Doze Passos, aliás, nesta máxima ainda podemos notar que muito sabiamente está registrado “Transmitir a Mensagem” e não “Levar a Mensagem”. Será que já sabemos fazer a diferença entre a transmitir a mensagem e levar a mensagem?. Pesquisando no Dicionário, verificamos que: TRANSMITIR é “fazer passar de um possuidor ou detentor para outro” e LEVAR é fazer passar de um lugar para outro. Transportar” . Donde verificamos que – para se transmitir uma mensagem, principalmente de otimismo e esperança, é necessário antes de mais nada, ter tido uma experiência anterior ou vivido algo semelhante e com relativo ou mesmo grande sucesso.

Para a pergunta número dois, poderemos deduzir que o alcoólatra que ainda sofre, pode estar dentro do Grupo, assistindo mas não participando da reunião. Em conseqüência desta observação, formulamos uma terceira pergunta. Será que os Grupos de A.A. estão preparados para cumprirem seu propósito primordial de transmitir a mensagem de A.A. ao alcoólatra que ainda sofre? Particularmente não sei responder e acredito que não saberemos respondê-la, mas o que nós sabemos e procuramos despertar em nossos irmãos em A.A. é que, para atingir este propósito primordial, tão decantado e enfatizado na Quinta Tradição, torna-se absolutamente necessário, que algumas condições e circunstâncias sejam satisfeitas. E Alcoólicos Anônimos, na sua sabedoria, já nos oferece de mão beijada estas condições, basta apenas que nós, integrantes de um Grupo de A.A., as satisfaçamos. E a condição básica e essencial é que reine no Grupo de A.A., um ambiente de paz, de harmonia, de fraternidade, de confiança mútua e a somatória das qualidades que poderemos denominar de BEM-ESTAR COMUM.
Se um Grupo de A.A. dedicar todo o seu entusiasmo em criar tal ambiente, – o do BEM-ESTAR COMUM – meio caminho foi andado e vencido, para favorecer ao doente que ainda sofre. E o grande instrumento para se encontrar ou criar este ambiente, é a chave da Boa Vontade. Boa Vontade para aceitar que todas as decisões a serem tomados pelo Grupo de A.A., sejam tomadas através da Consciência Coletiva e não “na opinião do Grupo de A.A…. ” Também é necessário que o Grupo de A.A., esteja sempre com as portas abertas para receber o possível doente alcoólico que foi procurá-lo. E, em sendo procurado, evitar a todo e qualquer custo ou sacrifício, criar-lhe quaisquer tipo de obstáculo ou entrave, e até pelo contrário, deverá proporcionar- lhe as melhores condições de facilidade, oferecendo-lhe companheirismo, confiança e camaradagem, . É necessário também que, no Grupo de A.A. que deseje cumprir o seu propósito primordial, seus membros saibam respeitar não só os seus próprios limites e o de outros Grupos, mas também e principalmente os limites dos outros segmentos da sociedade. É necessário também para um Grupo de A.A. que deseje cumprir o seu propósito primordial, que se abstenha de coligar-se com qualquer outro Grupo de Ajuda Mútua ou movimento similar, evitando assim sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. Com estes procedimentos, muitos problemas poderão ser evitados e, dentre estes podemos citar, o problema da busca da fama, prestígio e poder, o que certamente os afastariam do seu propósito primordial – o de Transmitir a Mensagem ao Alcoólatra que ainda sofre.

– O Grupo de A. A. – E NOSSAS FALHAS:

A Tradição Cinco e o Passo Doze, que trazem em seu bojo a essência da nossa Irmandade, não sendo compreendidos e aplicados, tornam-se um empecilho à recuperação daqueles que já pertencem à Irmandade e àqueles que estão para chegar. A coragem para mudar aquelas coisas que posso, se aplica perfeitamente dentro de nossas falhas.
A justificativa de que deu certo para alguns, tem que ser descartada, porque o Programa de Recuperação sugerido por Alcoólicos Anônimos, é para todos e não para alguns.
Como a primeira tradução para o português do Livro Azul, livro básico de A. A. somente ocorreu nos idos de 1973 (?), podemos com absoluta certeza afirmar que de 1947 a 1973 (?), toda mensagem recebida e transmitida, baseava-se no folheto que o publicitário americano Herbert L. Daugherty entregou ao economista inglês Harold W. para traduzi-lo – “Folheto (Livro) Branco”, não tivemos a oportunidade de iniciarmos o A.A. no Brasil, com o livro básico de Alcoólicos Anônimos. Sabemos das dificuldades encontradas pelos nossos pioneiros, dificuldades estas vencidas através de suas boa vontade quase sempre alicerçadas no EU ACHO. Mas hoje os tempos são outros, e já contamos com um elevado número de títulos da Literatura de A.A., traduzidos e distribuídos pela JUNAAB.
Pergunta-se então: Porque continuamos persistindo em transmitirmos a mensagem de A.A., contrariando nossos escritos? Talvez esta seja a nossa principal falha.
Temos consciência que estamos errados e não temos coragem para mudar. Podemos observar que mesmo nossos Órgãos de Serviços cooperam para que a mensagem de A.A. seja distorcida. Numa rápida análise, uma verdadeira avalanche de coisas materiais, são oferecidas como integrantes do Programa de Recuperação, visando apenas o lucro material, contrariando frontalmente o enunciado na Tradição Cinco. No apêndice do LIVRO AZUL – cada grupo de A.A. deve ser uma entidade espiritual.. .
Que entidade espiritual é esta que oferece objetos materiais? A Mensagem de A.A. é uma proposta de crescimento espiritual, uma nova maneira de viver, através dos Doze Passos – princípios espirituais – que se aplicados em nossas vidas, podem expulsar a obsessão pela bebida alcoólica.
Existe uma idéia generalizada, que o Brasil é um país com grande número de analfabetos. Devemos lembra que o analfabeto não é surdo. O analfabeto ouvindo é tão capaz de transmitir a mensagem ouvida, como um erudito…
Nossos Doze Conceitos para Serviços Mundiais, lembram-nos que não existe A.A. de segunda classe. Todos nós membros de um Grupo de A.A., temos que ouvir a mesma mensagem. Se um Grupo de A.A. não ouve e não transmite a verdadeira mensagem de A.A., como pode ser um Grupo de A.A. em Ação? Um Grupo de A.A. em Ação, subtende-se que é um Grupo de pessoas imbuídas de um mesmo ideal, mesma confiança mútua, mesmo propósito, etc…
Para que isto aconteça, acreditamos que a liderança do Grupo de A.A., tem que acreditar nas mudanças necessárias e pagar o preço que estas mudanças acarretam. Devemos lembrar que estamos lidando com vidas humanas.
Em casos de vidas humanas, não existe meia recuperação. O Programa de A.A. é para recuperação integral do doente alcoólico que queira se recuperar e o Grupo de A.A. deve estar à disposição de qualquer um queira fazer parte deste Grupo de A.A., sem lhe ser apresentado nenhum obstáculo à sua chegada. Nossa falha é a de não abrirmos a caixa de ferramentas espirituais e colocá-la à disposição de quem os procura e também explicar-lhes como estas ferramentas têm nos ajudado. Nossa falha está em continuarmos desrespeitando nossas Tradições, da Primeira à Décima Segunda, que é a única maneira de nos mantermos unidos. A Tradição Nove é rica em ensinamentos quando diz: “a mesma sentença se aplica aos Grupos…”
Teríamos uma grande relação de nossas falhas, mas acredito que o plenário, também pode e deve acrescentar algumas falhas observadas no seu Grupo de A.A., no seu Escritório de Serviços, no seu Distrito, na sua Área… que as apresente, enriquecendo nosso trabalho.

Uma indagação: FALTA DE CORAGEM PARA MUDAR AQUILO QUE PODE SER MUDADO?

Isaias

BIBLIOGRAFIA:

– A.A. Atinge a Maioridade

– Alcoólicos Anônimos

– Doze Passos e Doze Tradições

– Doze Conceitos para Serviços Mundiais

– O Grupo de A.A.

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ALCOÓLICOS ANÔNIMOS – QUEM SOMOS? COMO FUNCIONA?

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 99 – JAN/FEV 2006

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

QUEM SOMOS?

COMO FUNCIONA?

Alcoólicos Anônimos é uma Irmandade de homens e mulheres que compartilham, entre si, suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo.
O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de A.A. não há taxas e mensalidades; somos autossuficientes, graças às nossas próprias contribuições. A.A. não está ligada a nenhuma seita ou
religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apoia nem combate quaisquer causas. Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros
alcoólicos a alcançarem a sobriedade. (Direitos autorais de The A.A
Grapevine)

Essas são as primeiras informações que recebem sobre Alcoólicos Anônimos todos aqueles que chegam a um de nossos milhares grupos, aproximadamente 97 mil espalhados pelo mundo todo, sejam alcoólicos que buscam ajuda para o seu problema, sejam profissionais ou familiares de alcoólicos.
O assim chamado Preâmbulo é, portanto, fonte de preciosas informações a respeito de nossa Irmandade, e é por esse motivo mesmo que iremos tentar esclarecer item a item, esses Princípios que regem nossas vidas.

Alcoólicos Anônimos…

De todas as nossas Tradições, talvez as de anonimato: 11ª e 12ª sejam as primeiras a terem sido estabelecidas em função realmente de seu caráter de urgência. Ainda nos anos de 1935, os primeiros integrantes de nossa Irmandade que ainda não tinha nome foram capazes de perceber a grave necessidade de se preservar o anonimato de seus membros, sobretudo por causa do estigma a que
todo bebedor problema estava sujeito. Hoje, porém, graças ao crescimento de A.A., ao incremento das pesquisas no campo do alcoolismo e à conscientização de nossos amigos da Medicina, nossa grande preocupação quanto ao anonimato pessoal relaciona-se, sobretudo, à preservação de nossa Irmandade. Sabemos que os maiores perigos aos quais estamos sujeitos não vêm de fora, mas de dentro da nossa própria Irmandade. Por mais bem intencionado que esteja um membro ilustre que faça parte de Alcoólicos Anônimos, sugerimos-lhe que
não informe sua filiação em nível público, estabelecendo-se assim o princípio da atração em vez da promoção. Mas, então, por que Alcoólicos Anônimos? Por que a Irmandade se chama assim? O nome de nossa Irmandade é justamente o título de nossa primeira publicação.
Quando do processo de elaboração de um livro que descrevesse todos os passos que deveriam ser seguidos por todos aqueles que desejassem recuperação do alcoolismo, pensou-se em diversos nomes: “O
Caminho de Saída”, favorecido pela maioria dos membros de Akron, e “Alcoólicos Anônimos”, preferido pela maioria daqueles de Nova York. Quando foi realizada uma votação nos dois grupos, “O Caminho de Saída” venceu por pequena maioria.
Embora preferisse “Alcoólicos Anônimos”, Bill sabia que não podia resolver arbitrariamente sua própria preferência e pediu a Fitz, que morava perto de Washington D.C., que verificasse os títulos existentes no catálogo da Biblioteca do Congresso. Havia 25 livros intitulados “O Caminho de Saída”, 12 intitulados “O Caminho” e nenhum chamado “Alcoólicos Anônimos”. Essa informação decidiu a questão e o título do livro se transformou rapidamente no nome da Irmandade.

…é uma Irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo…

No prefácio da primeira edição americana de nosso livro Alcoólicos Anônimos (1939), Bill W. diz o seguinte: “Nós, de Alcoólicos Anônimos, somos mais de cem homens e mulheres que nos recuperamos de uma aparentemente irremediável
condição mental e física. Demonstrar a outros alcoólicos exatamente como nos recuperamos é o principal objetivo deste livro.” Com esta frase, nosso co-fundador reitera o caráter democrático da doença do alcoolismo, que não escolhe suas vítimas; e nossa Irmandade reflete essa diversidade: é composta de
homens e mulheres de todas as raças, ricos e pobres, analfabetos e letrados, religiosos e ateus, jovens e velhos, todos nós nos identificamos por sermos alcoólicos que buscamos nossas recuperações pessoais, relatando nossas experiências de sofrimento e recuperação, compartilhando nossas forças para que possamos suplantar os obstáculos do dia-a-dia e levando esperanças a
todos aqueles que, através dos 12 Passos, desejam aquilo que temos: uma
vida digna, útil e feliz.

O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber…

Ao contrário do que ocorreu com o princípio do anonimato, a 3ª Tradição talvez tenha sido de todas as Tradições a mais penosa para que aqueles primeiros membros de A.A. de Akron e Nova York chegassem a um acordo, antes mesmo da publicação de nosso Livro Azul. Naquela época, os poucos grupos
existentes criavam diversas regras de ingresso, pois temiam que algum bêbado fosse capaz de destruir a nossa Irmandade, que apenas dava seus primeiros passos. Por isso, Bill W. resolveu pedir aos grupos, através do escritório da Fundação do Alcoólico, que enviassem suas regras de ingresso. E os grupos assim o fizeram. A lista total era quilométrica. Se todas as regras vigorassem
realmente em toda parte, ninguém teria conseguido ingressar em Alcoólicos Anônimos. Hoje, Alcoólicos Anônimos talvez seja, de todas as sociedades existentes no mundo, a mais democrática, posto que recebe em seus grupos todo e qualquer tipo de pessoa. “Dois ou três alcoólicos quaisquer reunidos em
busca de sobriedade podem se autodenominar um grupo de A.A., desde que, como grupo, não possua outra afiliação.”

Para ser membro de A.A. não há taxas ou mensalidade; somos autossuficientes, graças às nossas próprias contribuições.

Por que A.A. deve ser pobre? Por que não aceitar doações de fora, mas tão-somente de seus membros e, mesmo assim, anonimamente?
Por que os nossos grupos, escritórios e demais organismos não devem ser detentores de grandes fortunas, mas devem ter o indispensável para o sustento de nossos serviços essenciais que têm por objetivo único propiciar a realização do 12º Passo? Por que dizemos que o material se une ao espiritual? Essas foram questões cruciais para o desenvolvimento de nossa 7ª Tradição, onde consta, em sua forma longa, que “os grupos de A.A. devem ser inteiramente auto
financiados pelas contribuições voluntárias de seus próprios membros.” A experiência tem nos mostrado, frequentemente, que nada pode destruir nosso patrimônio espiritual com tanta certeza, como as discussões fúteis sobre propriedade, dinheiro e em seu conjunto. Sabemos também que nisto residem dois aspectos: a 7ª Tradição é para todos nós a oportunidade de colocar em
prática a humildade que reside no anonimato da sacola e a responsabilidade da manutenção de nossos grupos e organismos de serviço e, consequentemente, a sobrevivência de nossa Irmandade para as futuras gerações.

A.A. não está ligada a nenhuma seita ou religião…

Apesar de a maioria dos primeiros membros de
A.A. terem sido educados em religiões fundamentalmente cristãs, optaram sabiamente por tornar nossa Irmandade acessível a todos os alcoólicos, inclusive àqueles de religiões não ocidentais ou ainda aos que não têm nem religião, nem fé alguma. A respeito disso, Bill W. escreveu, em carta de 1940: Descobrimos que os princípios de tolerância e amor tinham que ser enfatizados na prática. Não podemos nunca dizer (ou insinuar) a ninguém que ele deva concordar com nossa fórmula ou ser excomungado. O ateu pode se levantar numa reunião de A.A., ainda negando a Divindade, mas relatando o quanto mudou em atitude e ponto de vista.
Sabemos por experiência que ele em pouco tempo mudará de ideia a respeito de Deus, mas ninguém lhe diz que ele deve fazer isso. Todas as pessoas com problema alcoólico que queiram se livrar dele e se ajustar bem às circunstâncias da vida tornam-se membros de A.A., simplesmente se ligando a nós.

… nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição…

“Sapateiro, não vás além da tua chinela… melhor é fazer alguma coisa extremamente bem do que fazer mal muitas coisas.”
Esta é uma citação da 5ª Tradição, mas que pode ser aplicada magnificamente bem à 6ª Tradição, já que esta é uma consequência lógica daquela e nos diz aquilo que um grupo ou um organismo de serviço ou até mesmo um membro não deve fazer, em nome de A.A., ou seja, endossar qualquer atividade que fuja ao nosso propósito primordial.
Apesar de ser grato, tanto à medicina como à religião, não podemos nos tornar especialistas em nenhuma delas.
Sabemos que a teologia é para os clérigos e que a prática da medicina e psiquiatria é para os médicos. Certamente que podemos fazer unidos o que não podemos separadamente; devemos sempre cooperar mas nunca competir.

…não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apoia nem combate
quaisquer causas.

Na 10ª Tradição do Livro Azul, Bill W. confirma a posição de A.A. quanto a questões alheias à nossa Irmandade acrescentando um elemento a que muitas sociedades estão sujeitas: a controvérsia pública. Seja-nos permitido reiterar que essa relutância em lutar uns com os outros ou com quem quer que seja,
não é considerada como uma virtude especial em razão da qual nos sentimos superiores as outras pessoas. Nem quer ela dizer que os membros de Alcoólicos Anônimos, agora reintegrados no mundo, irão esquivar-se ás suas responsabilidades individuais para agir como bem entenderem com relação aos problemas dos nossos dias. Mas, em se tratando de A.A. como um todo, a coisa é bem outra. Não entramos em polêmicas públicas porque se o fizéssemos nossa Irmandade sucumbiria.
Consideramos a sobrevivência e a expansão de Alcoólicos Anônimos muito mais importantes do que o impacto que coletivamente poderíamos causar em determinadas circunstâncias. Um vez que para nós a recuperação do alcoolismo representa a própria vida, torna-se imperativo que preservemos na íntegra nossos meios de sobrevivência.

Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade.

Ao final da leitura de nosso Preâmbulo, nosso visitante descobre a razão de estarmos ali: por nós mesmos , individualmente, e pelos outros, sejam eles já nossos companheiros, sejam outros alcoólicos que vêm pela primeira vez a
um grupo de A.A. Esta é nossa única tarefa, e não temos outra: a 5ª Tradição. Graças a tudo aquilo que os primeiros AAs nos transmitiram e a tudo o que aprendemos com todos aqueles que nos antecederam, temos esta tarefa: levar a mensagem de A.A. a todos aqueles que precisam e desejam aquilo que temos: famílias inteiras se reintegrando, o alcoólico marginalizado sendo recebido alegremente em sua comunidade como cidadão respeitável e, acima de tudo, ver estas pessoas despertadas para a presença de um Deus amantíssimo em
suas vidas, são fatos que constituem a essência do bem que nos invade,
quando levamos a mensagem de A.A. ao irmão sofredor.
E o nosso termo de responsabilidade revela exatamente aquilo que sentimos: “Quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, quero que a mão de A.A. esteja sempre ali. E por isso: Eu sou responsável.”

Anônimo

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COMO FUNCIONA

Raramente vimos alguém fracassar tendo seguido cuidadosamente nosso
caminho. Os que não se recuperam são pessoas que não conseguem ou não
querem se entregar por completo a este programa simples, em geral homens e mulheres que, por natureza, são incapazes de ser honestos consigo mesmos. Existem pessoas assim. Não é sua culpa, parecem ter nascido assim. São naturalmente incapazes de aceitar e desenvolver um modo de vida que requeira total honestidade. Suas chances são inferiores à média. Existem, também, as
que sofrem de graves distúrbios mentais e emocionais, mas muitas delas se recuperam se tiverem a capacidade de ser honestas.
Nossa histórias revelam, de uma forma geral, como costumávamos ser, o que aconteceu e como somos agora. Se você chegou à conclusão de que quer o que nós temos e deseja fazer todo o possível para obtê-lo, então está pronto para dar alguns passos.
Diante de alguns nós recuamos. Achamos que poderíamos encontrar um modo mais fácil e mais cômodo. Mas não conseguimos. Com toda a veemência de que somos capazes, pedimos que você seja corajoso e cuidadoso, desde o início. Alguns de nós tentamos nos agarrar a nossas velhas ideias e o resultado foi nulo, até que nos rendemos incondicionalmente. Lembre-se de que estamos lidando com o álcool – traiçoeiro, desconcertante, poderoso! Sem ajuda, é demais para nós. Mas há Alguém que tem todo o poder – este Alguém é Deus. Que você possa encontrá-Lo agora!

Fonte: Alcoólicos Anônimos
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Vivência nº 99 – Janeiro/Fevereiro 2006

A ORIGEM DA DECLARAÇÃO DE UNIDADE

A origem da Declaração de Unidade

http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_febmar09.pdf
Box 4-5-9, Fev. Mar. / 2009 (pág. 7-8)
Título original: “¿Por qué tenemos una Declaración de Unidad?”

Em julho de 1970, onze mil membros de Alcoólicos Anônimos reunidos em Miami Beach, Florida, EUA, fizeram a seguinte promessa em onze idiomas diferentes:
“Uma Declaração de Unidade:
O futuro de A.A. depende de ser colocado em primeiro lugar, o nosso bem-estar comum, a fim de manter a nossa Irmandade unida. Da unidade de A.A. dependem as nossas vidas e as vidas daqueles que virão”.
A aceitação desta declaração na Convenção de 1970 selou a aprovação final à campanha iniciada por Bill W. algumas décadas atrás, para estabelecer como prioridade a preservação da unidade para assegurar o futuro de A.A. Vinte anos antes, na primeira Convenção Internacional, em Cleveland, mais de três milhares de membros de A.A. votaram pela aceitação das Doze Tradições que Bill havia redigido e proposto com o propósito específico de assegurar a sobrevivência de A.A. como sociedade. A aceitação oficial da Declaração de Unidade serviu para reforçar isso.
Por que foi necessário fazer essa declaração? Quase desde os primórdios de A.A., Bill havia colocado como foco a importância de manter a unidade da Irmandade. Trabalhando juntos poderemos alcançar e manter a sobriedade que não pudemos encontrar quando estávamos sozinhos. Mesmo quando A.A. não tinha mais de cem membros, em sua maioria concentrados em Akron e Nova York, Bill e o Dr. Bob tinham a visão de uma irmandade unificada que poderia alcançar os alcoólicos em todas as partes da América do Norte e inclusive do mundo. Bill W., nas suas palestras e artigos, sempre destacou a necessidade de preservar a unidade para que nós mesmos pudéssemos manter a sobriedade e preservar A.A. para “os milhões que ainda não nos conhecem”.
Ao apresentar as Tradições, Bill escreveu: “Enquanto os vínculos que nos unem demonstrem ser mais fortes que as forças que pudessem nos dividir, tudo irá bem…estaremos seguros como movimento; nossa unidade essencial continuará a ser algo seguro”.
Quais eram as forças que poderiam nos dividir? Ele mencionava com frequência a luta pela propriedade, o poder e o dinheiro. Sentia ser absolutamente necessário que A.A. como sociedade teria que evitar as controvérsias sobre a política e a religião. Também acreditava que o anonimato era um fator decisivo para manter a unidade e que a ajuda de A.A. deveria estar disponível para todos sem favoritismos nem prejuízos.
Bill descreveu as Doze Tradições como sendo “Doze pontos para assegurar o nosso futuro”. Ele as considerava tão essenciais para a preservação da sociedade quanto os Doze Passos para a recuperação do membro individual. Escreveu que o mais urgente e estimulante interesse de A.A. era “preservar entre nós, os AAs, uma unidade tão sólida que nem as debilidades pessoais nem a pressão e discórdia desta época turbulenta possam prejudicar nossa causa comum. Sabemos que Alcoólicos Anônimos tem que sobreviver. Se assim não for, exceto contadas exceções, nós e nossos companheiros alcoólicos em todas as partes do mundo recomeçaríamos nossa desesperada viagem rumo ao esquecimento”.
Bill estava doente e lhe restava menos de um ano de vida quando foi adotada oficialmente a Declaração de Unidade. Mesmo assistindo à Convenção numa cadeira de rodas e fazendo uma breve aparição no palco, não pode fazer a longa palestra que costumava fazer nas Convenções anteriores. Porém, certamente deveu sentir um merecido orgulho ao ver aprovada esta declaração por parte da convenção, da mesma maneira que a Convenção Internacional de 1965, em Toronto, emitira a declaração do Termo de Responsabilidade.
De acordo com informação encontrada nos Arquivos Históricos de A.A., o autor do texto da declaração provavelmente foi Al S., o mesmo membro de A.A. e assessor que tinha redigido o Termo de Responsabilidade. Também reflete os esforços do Comitê que organizou e trabalhou na Convenção Internacional de 1970 – 35º aniversário de A.A. O lema da Convenção, apropriadamente, foi “A unidade dentro da nossa Irmandade”.
Na cerimônia de sábado à noite, o então gerente geral do ESG, Bob H., convidou para subir ao palco vários antigos delegados e membros de ultramar para participar da adoção da Declaração; dizendo que, “a unidade de A.A. é a qualidade especial que faz com que nossa Irmandade seja única. É o cimento que mantém unida nossa sociedade, a plataforma que faz possível o ‘Serviço’ de A.A. É mais que um acordo sobre os princípios básicos, mais que a liberação da discórdia destrutiva. É um vínculo criado pela experiência compartilhada, como a que compartimos aqui, nesta noite. A unidade é nossa mais prezada posse, nossa melhor garantia para o futuro de A.A. Que todos a valorizemos e a preservemos, hoje e todos os amanhãs que estão por vir”.
Bob H. pediu então a todos os participantes que se encontravam no palco que recitassem a Declaração de Unidade, que foi iniciada pelo Dr. John L. Norris, o diretor clínico da Eastman Kodak e amigo e Custódio não alcoólico durante muitos anos.
Conforme informação disponível, devido ao agravamento da saúde, Bill não pode assistir a essa cerimônia. Porém, conseguiu subir ao palco na manhã seguinte para proferir um brevíssimo discurso de quatro minutos, que foi acolhido com uma grande ovação com todos os presentes em pé. Isto, nos últimos meses de vida de Bill, foi uma comovedora lembrança do também breve discurso do Dr. Bob na primeira Convenção Internacional, em julho de 1950, em Cleveland, quando instou a todos a ter presente que os Doze Passos se reduzem a amor e serviço, sua última mensagem antes de morrer em novembro daquele ano.

A ORIGEM DA ORAÇÃO DA SERENIDADE

A origem da Oração da Serenidade
http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_holiday03.pdf
Box 4-5-9, Natal 2003 (pág. 3-4)
Título original: “La Oración de la Serenidad: Tanta substancia de A.A. en tan poca palabras”

Para os AAs de todos os lugares, a querida Oração da Serenidade é um mantra para toda ocasião imaginável; uma brisa refrescante em um rosto avermelhado pela ira, uma curta canção de gratidão por boas noticias, um guia consolador diante das más noticia, – a segurança reconfortante de que o mundo vai-se desenvolvendo como deve ser.
David R., de Oakland, Califórnia, diz: “Quando, num dia de calor escaldante, me encontro na rodovia 101 no meio de um congestionamento quilométrico, com centenas de caminhões parados devido a um acidente à frente, começo a recitar a Oração da Serenidade para me proteger contra a fúria da estrada, e obtenho o efeito desejado”. Karen M., de Richmond, Virgínia, diz que, “quando tenho que fazer alguma coisa que ameaça com um ataque de nervos, como por exemplo, pedir ao meu chefe um aumento no salário ou pedir desculpas por não ter feito bem alguma coisa, recito a Oração da Serenidade várias vezes e isso me tranquiliza como se fosse uma arte de mágica”. John D., de Chicago, diz que a oração “me ajuda tanto nos bons momentos quanto nos maus. Sempre aflora nos meus lábios de forma natural quando as coisas estão muito ruins, mas também trato de lembrá-la para agradecer a Deus quando as coisas estão indo bem, como no meu aniversário de A.A. ou nas raras ocasiões em que passo um fim de semana com a minha mulher”.

Este é o recorte do texto que apareceu em 1941 no New York Herald Tribune.

Bill W., cofundador de A.A., disse: “Nunca tínhamos visto tanta substância em tão poucas palavras”. No livro “Alcoólicos Anônimos atinge a maioridade”, Bill conta que no começo de 1942, Ruth Hock, a primeira secretária nacional de A.A., não alcoólica, mostrou a ele e a outros que se encontravam aglomerando o pequeno escritório de Nova York um pequeno obituário que tinha aparecido no Herald Tribune de Nova York que finalizava com estas palavras: “Deus, concede-nos a serenidade para aceitar as coisas que não podemos mudar, a coragem para mudar as coisas que podemos e a sabedoria para reconhecer a diferença”. (N.T.: a imagem que ilustra o parágrafo acima não faz parte da transcrição deste artigo).
Alguém sugeriu que essas linhas fossem impressas em pequenos cartões de visita e incluí-los na correspondência emitida pelo escritório e assim a Oração da Serenidade começou a fazer parte integrante da vida de A.A. Desde então, foi traduzida para os muitos idiomas falados pelos AAs no mundo todo e é proferida em voz alta nas reuniões e silenciosamente nos corações. Durante mais de meio século a oração veio se entretecendo tão intimamente na filosofia de A.A. que perece difícil aos membros lembrar que não teve origem na experiência de A.A.
Entretanto, a pesar de anos de investigação por parte de historiadores e inúmeras conjeturas por parte de amadores, a exata origem da Oração da Serenidade continua a ser um mistério. O que parece indiscutível é a reclamação de autoria feita pelo teólogo Reinhold Niebuhr, que numa entrevista disse haver escrito a oração como nota final de um sermão a respeito do cristianismo prático. Mesmo assim, Niebuhr admitiu alguma dúvida ao acrescentar

“supostamente, é possível que tenha estado muitos anos, inclusive séculos, aparecendo aqui e acolá, porém não acredito. Acredito sinceramente que eu próprio a escrevi”.
Com sua permissão, durante a Segunda Guerra Mundial a Oração da Serenidade foi impressa em cartões que foram distribuídos aos soldados americanos. Até então já tinha sido impressa pelo Conselho Nacional de Igrejas assim como também por Alcoólicos Anônimos.
Ao sugerir que a oração poderia ter aparecido aqui e acolá durante séculos, parece que Niebuhr estava certo. De acordo com Bill W.:“Ninguém pode dizer com segurança quem foi o primeiro a escrever a Oração da Serenidade. Alguns dizem que veio dos antigos gregos; outros que saiu da pena de algum poeta inglês anônimo e outros que foi escrita por um oficial da marinha americana”. Sua origem também foi atribuída a antigos textos sânscritos e aos distintos filósofos Aristóteles, Santo Agostinho, Tomás de Aquino e Espinosa. Um companheiro de A.A. encontrou entre “Os seis erros do ser humano” do escritor romano da antiguidade, Cícero, a seguinte frase:

“A tendência a se preocupar com coisas que não podem ser mudadas ou corrigidas”.
De fato, ninguém encontrou o texto da oração entre os escritos destas supostas fontes originais. O que certamente são muito antigos, como a citação de Cícero, são as questões da aceitação, a coragem para mudar o que pode ser mudado e a disposição para se desprender daquilo que está fora da nossa capacidade para ser mudado. Com certeza, a busca da origem dessa oração tem sido como descascar uma cebola e às vezes é preciso recomeçar de novo. Por exemplo, em julho de 1964, a Grapevine recebeu o recorte de um artigo publicado no Herald Tribune de Paris onde o correspondente informava ter visto em Koblenz, Alemanha, uma placa gravada com as seguintes palavras:

“Deus, concede-me o desprendimento para aceitar as coisas que não posso alterar; a coragem para alterar as coisas que posso alterar; e a sabedoria para distinguir uma coisa da outra”.
Finalmente parecia haver aqui uma prova concreta com citação, autor e data da Oração da Serenidade. Más não. Quinze anos mais tarde, em 1979, Peter T., de Berlim, disse a Beth K., membro do pessoal do ESG à época, que na sua primeira forma, a oração teve origem no filósofo romano Boécio (480-524), autor de “Os consolos da filosofia”.
Existem mais reclamações e, sem dúvida, irão continuar as descobertas nos anos vindouros. Entretanto, uma ideia compartilhada por muitos é a de que, a Oração da Serenidade, seja qual for sua origem, antiga ou moderna, parece ter surgido de uma percepção humana fundamental e de uma sabedoria nascida do sofrimento.
Fora o Pai-Nosso e a oração de São Francisco, não há outras palavras e conceitos, ao mesmo tempo práticos e espirituais, que tantos membros de A.A. levem gravados nas suas mentes e em seus corações na sua viagem de sobriedade em direção a uma nova maneira de viver.
Bill W. referiu-se a este fenômeno ao agradecer um amigo de A.A. que o presenteou com uma placa onde estava escrita a oração: “Na criação de A.A., a Oração da Serenidade foi um bloco de construção muito valioso, realmente uma pedra angular (*)”.
E falando em pedras angulares, mistérios e coincidências, um trecho da rua 120 de Manhattan, que ladeia o prédio onde se encontra o ESG, entre as ruas Riverside e Broadway, é conhecido pelo nome Reinhold Niebuhr Place.
(*) N.T.: Pedra angular (ou fundação de pedra) é a primeira pedra conjunto na construção de uma fundação de alvenaria, importante, pois todas as outras pedras serão definidas em referência a essa pedra, determinando assim a posição de toda a estrutura.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedra_Angular

Para saber mais:
Leia o artigo “A espiritualidade de A.A. tem espaço para todas as religiões, ou nenhuma”, no Box 4-5-9 Natal/2002 (pág. 6-7)

http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_holiday02.pdf

A ORIGEM DA RESERVA PRUDENTE

A origem da Reserva Prudente

Box 4-5-9, Natal / 2008 (pág. 7-8) =>http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_holiday08.pdf
Título original: “¿Qué es una reserva prudente?”

Não se costuma aplicar a palavra “prudente” aos alcoólicos na ativa. Porém, para um grupo de alcoólicos sóbrios reunido, a palavra ganha um novo significado. Conscientes das muitas dificuldades que se podem apresentar na vida, os membros de A.A. costumam ser a própria definição da prudência na hora de organizar, apoiar e manter um Grupo de A.A.
Ao perceber a importância do Grupo para a manutenção da sobriedade dos membros individuais, a maioria dos AAs se dispõe a deixar de lado as diferenças pessoais e se focar na sobrevivência do Grupo em longo prazo. Já desapareceram a temeridade autodestrutiva e a irresponsabilidade que costumam caracterizar o alcoolismo ativo e em seu lugar surgem o desejo de estabilidade e a boa disposição para colaborar com bem comum.
No que se refere ao bem comum e à sobrevivência do Grupo em longo prazo, entre as coisas mais prudentes que o Grupo pode fazer está a de estabelecer uma reserva econômica – a providencial poupança para épocas de vacas magras, para ajudar o Grupo a atravessar e superar tempos difíceis. Assim, se as contribuições declinam ou se apresentam gastos inesperados, o Grupo estará fortalecido e sempre na possibilidade de manter suas portas abertas.
Cada Grupo tem gastos fixos que deve cobrir regularmente para se manter na superfície – o aluguel, água, luz, impostos, literatura, produtos de higiene, limpeza e copa e as contribuições aos órgãos de serviço. Estes gastos são pagos com as contribuições regulares dos membros do Grupo. Porém, a maioria dos Grupos trata de guardar algum dinheiro para se proteger contra eventualidades, com a intenção de acumular uma reserva prudente equivalente aos gastos operacionais de um até três meses, em média. Estes fundos contribuem para assegurar a sobrevivência do Grupo e a realização do seu objetivo primordial que é o de levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
A contribuição com dinheiro nunca foi um requisito para se tornar membro de A.A.; entretanto, sempre foi um ingrediente essencial no trabalho do Décimo Segundo Passo. Como é dito no folheto “A autossuficiência – onde se misturam o dinheiro e a espiritualidade” : “O trabalho do Décimo Segundo Passo é o sangue vivificador de Alcoólicos Anônimos através do qual é transmitida a mensagem ao alcoólico que ainda sofre. Se não o tivermos, a Irmandade murcharia e morreria. E este contato vital entre um alcoólico e outro, inclusive nos seus aspectos mais simples, supõe um investimento de tempo e dinheiro”.
Isto se verifica em todos os níveis da estrutura de serviço de A.A.: Distritos, Áreas, Escritórios de Serviços Locais (ESL´s), e até no Escritório de Serviços Gerais de A.A. (ESG), não poderão funcionar sem dinheiro e dele precisam para poder cumprir suas responsabilidades com a Irmandade.
Conforme Gary Glynn, Custódio não alcoólico, emérito e antigo presidente e tesoureiro da Junta de Serviços Gerais, “Um fundo de reserva prudente e estável e uma boa capacidade para sua administração são tão espirituais quanto práticos”. Como Irmandade não almejamos acumular grandes quantias de dinheiro nem ter tão pouco que fiquemos impossibilitados de cumprir com nossas responsabilidades e pagar nossas contas. Não é nem espiritual nem prático acumular ou gastar mais do que o necessário, assim como também não o é ficar sem dinheiro. Bill W. chamava isso de bom senso econômico.
Do mesmo modo que muitos Grupos dos EUA e Canadá e ao redor do mundo, a Junta de Serviços Gerais de A.A. tem uma reserva prudente estabelecida para proporcionar à Irmandade, numa situação de emergência, os recursos econômicos necessários. O Fundo de Reserva da Junta de Serviços Gerais de A.A. foi criado em 1954 para garantir que os serviços básicos do Escritório de Serviços Gerais e da Revista Grapevine continuassem a ser prestados mesmo no caso de haver uma redução imprevista e substancial dos ingressos regulares da organização, seja esta redução motivada por grave recessão econômica, uma perturbação interna na Irmandade, uma mudança na forma de publicar e distribuir a literatura de A.A., ou por outra razão qualquer.
O assunto do dinheiro sempre foi um tema de interesse para a Irmandade. Nos primeiros dias de Alcoólicos Anônimos, já existiam alguns que sonhavam com acumular grandes quantias de dinheiro e ansiavam por consegui-lo de qualquer maneira para que o milagre de Alcoólicos Anônimos pudesse ser difundido o mais rápido possível. Estes pioneiros demoraram um pouco para perceber sabiamente que se a Irmandade não fosse totalmente autossuficiente corria o perigo de se perder para sempre. Na medida em que A.A. crescia e se desenvolvia, podia-se notar com clareza que uma das maneiras mais seguras para manter a existência da Irmandade era a de assegurar que continuarias a ser autossustentável negando-se a receber contribuições de fora, mesmo devido a necessidade urgente ou através de doações de simpatizantes.
No livro Doze Passos e Doze Tradições, no capítulo referente à Sétima Tradição, consta o relato de um debate ocorrido durante uma reunião da Fundação do Alcoólico, precursora da Junta de Serviços Gerais, em 1948, sobre a questão de um legado de dez mil dólares deixado em testamento por uma senhora que havia morrido. “Na ocasião, a Fundação estava em reais dificuldades financeiras; os Grupos não estavam contribuindo com o suficiente para o sustento do Escritório; todos os nossos rendimentos provenientes da venda do Livro Azul, vinham sendo utilizados e as reservas derretiam-se a olhos vistos. Precisávamos daqueles dez mil dólares.
Depois se manifestou a oposição. Argumentaram que a Fundação tinha conhecimento de um total de meio milhão de dólares que pessoas ainda vivas já haviam reservado para doar a Alcoólicos Anônimos. E só Deus sabia quanto mais haveria e que não era do nosso conhecimento. Se as doações externas não fossem recusadas, inteiramente cortadas, a Fundação tornar-se-ia rica um dia.
Então, nossos Custódios escreveram uma página brilhante da história de A.A. Declararam que, por princípio A.A. tinha que permanecer pobre. Tão apenas as despesas correntes mais uma reserva prudente resumiriam dali em diante a política financeira da Fundação. Embora não fosse fácil, declinaram os dez mil dólares e adotaram a decisão formal de que no futuro todas as doações desse tipo não deveriam ser aceitas. Acreditamos que naquele instante o princípio da pobreza coletiva enraizou-se de forma definitiva na tradição de A.A.”
Gary Glynn diz que pobreza coletiva reflete mais “um estado de ânimo do que propriamente o saldo da nossa conta bancária. Todos nós conhecemos indivíduos e organizações que gastam dinheiro que não têm, que vivem acima de suas possibilidades, seja por fazer caso omisso de suas circunstâncias econômicas reais ou por dar como assegurado um amanhã rosado. Por isso pode-se ser pobre sem colocar em prática a pobreza corporativa… O contrário também é possível, podemos ter uma reserva prudente sem cair na tentação de gastar desnecessariamente simplesmente porque temos recursos”.
Atualmente, o Fundo de Reserva da Junta de Serviços Gerais (*) tem imposto por recomendação da Conferência de Serviços Gerais um limite equivalente aos gastos operacionais de um ano da combinação de A.A. World Services, Inc. (Serviços Mundiais de A.A.), a Grapevine de A.A. (a revista similar da Vivência), e o Fundo Geral da Junta de Serviços Gerais de A.A., Inc. O Escritório de Serviços Gerais e o Comitê de Finanças da Junta de Custódios monitoram constantemente o saldo do Fundo de Reserva com o intuito de assegurar a administração ordenada dos recursos econômicos da Irmandade, sempre tendo em mente que o objetivo primordial é o de levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
Com autorização outorgada pela Junta de Custódios, pode-se utilizar o Fundo de Reserva para cobrir outros gastos; por exemplo, foi utilizado para sufragar os gastos relacionados com a mudança, e reforma do Escritório de Serviços Gerais e da Grapevine assim como para financiar importantes melhorias tecnológicas. Também foi autorizada sua utilização para financiar o desenvolvimento de “La Viña”, a revista em español da Grapevine, por um determinado período de tempo.
Refira-se a um Grupo, um Distrito, uma Área ou à Junta de Serviços Gerais, o estabelecimento de um Fundo de Reserva é um elemento chave do princípio da autossuficiência de A.A. e que pode ter consequências importantes, sendo a mais significativa, a de assegurar que os serviços de A.A. estarão disponíveis a todos aqueles que contam com a ajuda da Irmandade para alcançar e manter a sobriedade.

(*) Estas informações se referem à estrutura de Serviços Gerais dos EUA/Canadá. A Conferência de Serviços Gerais de cada país membro têm autonomia para determinar esses procedimentos, metas e limites.

A ORIGEM DAS ÁREA E DOS PAINÉIS

A origem das Áreas e dos Painéis

Box 4-5-9, Primavera/ 2010 (pág. 6-7) => http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_spring10.pdf
Título original: “¿Qué son ‘áreas’ y ‘paneles’?”

Em qualquer discussão sobre o tipo de bebida que se pode servir num evento de A.A., e muito provável que se mencione café, leite e açúcar. Da mesma maneira, em qualquer conversa a respeito da Conferência de Serviços Gerais, há três palavras que seguramente serão das mais citadas: delegados, áreas e painéis.
Para um membro de A.A. novo, recém-chegado aos serviços gerais, esse tipo de conversa poderá parecer tão estranho quanto uma reunião familiar em que primos irmãos, primos em segundo grau e primos distantes tratam de se colocar nos galhos da árvore genealógica da família. “Oi, você serviu com João, o delegado da Área 49? Painel 35? Você é da Área 48? Conhece Maria? Ela não é da Área 48, é da Área 44, mas foi delegada no Painel 35 também”. Outros membros recitam números de painéis, números de área e a história dos delegados regionais com a facilidade de um leiloeiro, e ao mesmo tempo asseguram ao novato que “se estão mantendo simples”, e que não deve se preocupar porque logo, logo, as palavras painel e área lhe irão sair facilmente. Aos recém integrados no serviço costuma-se dizer “a única coisa que precisa é continuar voltando”.
Porém, neste ponto, depois de navegar por uma sopa de siglas de RSG, MCD, CIC, CIT. CIP, CCCP, os recém-chegados aos serviços gerais continuam a duvidar que qualquer explicação a respeito de áreas e seus números sejam tão simples assim. E perguntam “porque se criaram primeiro as áreas? O que é uma área e como chegaram a ter números?”. Felizmente, na vasta literatura de A.A. pode-se encontrar resposta para quase todas as perguntas que um membro ainda confuso possa fazer, e, ao dar uma olhada no passado podemos jogar um facho de luz sobre o uso de “áreas” em A.A.
As áreas foram formadas para facilitar a representação dos grupos na Conferência de Serviços Gerais, a qual foi criada para colocar a Irmandade de Alcoólicos Anônimos nas mãos de seus membros e assegurar que “seja ouvida a voz de A.A. em sua plenitude”. Com a criação das áreas veio a criação do encargo de delegado para representá-las. “Uma área pode ser constituída por um estado ou província (*), ou parte de um estado ou província, ou por várias partes de mais de um estado ou província, conforme seja necessário para servir a população de A.A. e satisfazer suas necessidades”. As áreas são numeradas pela ordem alfabética de suas sedes (com algumas exceções), começando pelos estados de EUA; por exemplo, Área 1 é Alabama e o Noroeste da Flórida, Área 2 é Alaska; Área 3 é Arizona.
Em alguns estados ou províncias existe uma grande população de A.A. e por isso são divididos em várias áreas; por exemplo, é o caso de Ontário, que inclui as Áreas 83, 84, 85 e 86. Desde a primeira Conferência foram sendo criadas áreas adicionais nos estados e províncias, até um total de 93.
Assim, também para muitos, as conversas a respeito dos “painéis” é um tanto quanto desconcertante. Cada Conferência é composta por dois painéis, ou, grupos de delegados eleitos para servir por dois anos.
Os painéis têm numeração par e ímpar. Os números pares incluem o grupo de delegados que iniciam o serviço nos anos pares e os números ímpares aqueles eleitos que iniciam o exercício nos anos ímpares.
O Painel 1, composto por 37 delegados, foi o da primeira Conferência em 1951. O Painel 2, composto por 38 delegados, foi o da segunda Conferência. Assim, da segunda Conferência participaram 75 delegados no total. Bill W. explicou que este método “dá continuidade à Conferência, com a metade de seus membros saindo a cada ano e seus lugares ocupados pelos novos eleitos gerando, assim, a rotatividade”.
Dando continuidade a este modelo, a 60ª Conferência, em 2010, incluiu o Painel 59 (os delegados de segundo e último ano que iniciaram em 2009), e o Painel 60 – os delegados de primeiro ano que estavam iniciando em 2010.
Porém, se você ainda não pode falar com facilidade a respeito de painéis, áreas ou delegados, assista aos próximos eventos do Distrito, mesmo que apenas seja para tomar um café com leite e açúcar e falar com alguns companheiros. Como escreveu Bill W. “… um serviço em A.A. é tudo aquilo que nos ajuda a alcançar uma pessoa que sofre – o chamado Décimo Segundo Passo propriamente dito – pelo telefone ou por uma xícara de café, assim como o Escritório de Serviços Gerais de A.A. para ação nacional ou internacional. A soma total de todos esses serviços é o nosso Terceiro Legado de Serviço”.

(*) N.T.: O texto acima se refere à estrutura de A.A. nos EUA e Canadá, onde a divisão territorial e constituída por estados – EUA, e províncias – Canadá.

A ORIGEM DAS ILUSTRAÇÕES NOS MATERIAIS DE A.A.

A origem das ilustrações nos materiais de A.A.

Box 4-5-9, Abr. Mai. 2008 (pag. 4) => http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_april-may08.pdf
Título original: “Imágenes de la Conferencia anual”

Durante muitos anos, quando não eram permitidas câmaras fotográficas nas salas de Justiça da Cidade de Nova York, Al H., artista e membro de A.A., assistia aos processos e desenhava os notórios e notáveis para os programas de noticias de televisão. Essa época chegou ao fim já faz alguns anos quando foi levantada a proibição de fazer fotografias nos julgamentos.
Al, que tem 36 anos de sobriedade em A.A. e estudou Arte no Arts Students League de Nova York e no Colorado Springs Fine Arts Center, faz já muitos anos que trabalha para a A.A.W.S – Serviços Mundiais de A.A.

Seus desenhos podem ser vistos também em “Os Doze Passos Ilustrados” e “A.A. é para mim?”.
Faz trinta anos que tem o trabalho regular de fazer os desenhos na Conferência de Serviços Gerais de A.A. anual que são publicados no Relatório Final da Conferência.
Al começou a trabalhar como ilustrador através de um contato no seu Grupo base. Um membro do pessoal do Escritório de Serviços Gerais – ESG, que também era membro do mesmo Grupo, onde quase todos conheciam a profissão de Al. No ESG estava sendo considerada a possibilidade de incluir ilustrações no Relatório Final. Obviamente, não se podiam publicar fotografias. Quando foi sugerido o uso de desenhos, esse membro do pessoal do ESG disse, “Conheço alguém que ganha a vida desenhando”.
Ao lembrar essas primeiras Conferências, uma das diferenças que Al observa são as roupas de vestir. “As pessoas vestiam-se com roupa casual e alguns usavam grandes chapéus de cowboy. Agora os participantes vestem num estilo mais formal”.
Al trabalha a maior parte do ano pintando a óleo, que é muito diferente de fazer desenhos lineares que aparecem no Relatório da Conferência.
“Alguns meses antes de começar a Conferência assisto a algumas aulas de rascunho. Desenhar é parecido com tocar piano – é preciso praticar. Trabalho com pena e tinta porque é mas expressivo que lápis ou carvão. As aulas me ajudam a aperfeiçoar a técnica”.
Al faz alguns poucos desenhos durante o ano, mas não é a preparação ideal para os trabalhos da Conferência.
“Vou ao Parque Central e desenho algumas árvores que não se mexem. Captar uma pessoa num desenho é algo muito diferente. As pessoas na Conferência não estão posando para quadros”.
Al foi artista comercial antes de ser artista das salas de Justiça, trabalho que começou depois de alcançar a sobriedade. “A grande diferença entre trabalhar como artista sóbrio e artista bêbado é que quando consegui minha sobriedade me tornei responsável. Chamaram-me de uma emissora às seis da tarde e me disseram ‘queremos que se apresente amanhã de manhã na câmara do Senado’. E ficava completamente maravilhado de que confiassem em que eu estivesse lá; mas não me conheceram antes de conseguir a sobriedade. Neste ponto da minha carreira as pessoas podiam confiar em mim. Antes, quando bebia, não podia confiar sequer em me apresentar num encontro para salvar a minha vida”.
Durante os primeiros dias em A.A., Al encontrou-se com Bill em algumas reuniões em Manhattan. Mas Bill morreu antes que Al começa-se a trabalhar nas Conferências. Al fez alguns retratos de Lois que comparecia regularmente aos jantares da Conferência. “Ao folhear alguns dos Relatórios dessas Conferências, vi no Relatório de 1964 um desenho que fiz de Lois. E lembro que não foi do seu agrado”.

Que outras mudanças percebeu durante os anos que trabalhou para o ESG? “Espero ter chegado a ser um artista melhor” diz Al. “Os velhos desenhos parecem-me um pouco apertados e carregados. Hoje trato de mantê-los simples e abertos. Gosto de considerar os desenhos como um espaço para respirar entre todo o texto”.