Monthly Archives: Junho 2015

PARA LER DEPOIS – NEUSA SHORTI

Para ler depois

* Neusa Shorti

A mulher, desencantada com o marido, achou melhor ir para o quarto. Fez um bilhete, mas também achou melhor não entregar. Bem humorada e para sobreviver, pensou:
– Quando ele morrer, ponho no bolso do paletó dele para ler depois.
Colocou o bilhete na caixa de seus guardanapos, pegou a caixa de costura, o bordado e foi para o alpendre.
Passados alguns meses, não é que a mulher morreu? Morreu. Foi o marido tirar tudo que era da mulher, como é de costume fazer, após alguns dias de falecimento. Colocou os vestidos numa caixa; os sapatos deu à vizinha, que o ajudava. Separou carinhosamente livros, fez pacotes colocando os nomes dos destinatários, pessoas queridas da falecida. Pegou a caixa de guardanapos, olhou fotos, releu cartas amareladas pelo tempo, que lhe enviara durante o noivado; chorou, secou as lágrimas.

Até que chegou ao tal bilhete e leu lá:

Para você ler depois
– Hoje sai de perto para você parar.
– Você é que me mandou parar.
– Mas eu saí porque sabia que ia começar.
– Agora que estou longe, pense:
– Será que você gosta mais do álcool do que:
dos seu irmãos,
dos seus sobrinhos,
de mim,
de nossos familiares,
de nossos amigos?

Por que você não diz que vai se controlar? Bastava você me dizer isso, e eu saberia que você iria cumprir, porque você sempre cumpre o que promete, e isso você nunca promete. Se você me dissesse que eu poderia ficar tranqüila, que você não iria passar das medidas… é só isso que lhe peço, mas você nunca diz o que eu espero ouvir.
– Por que você exagera?
Minha única certeza é que tenho muito medo do álcool e sei que não podemos com ele; ele está sempre no meio de nós.
– Por isso deixo tudo o que mais gosto nessa a vida:
a dança, os bailes, os amigos, os parentes, as piscinas, entre outras coisas.
– Só esse medo me faz afastar dessas coisas e dessas pessoas.
– Você pode fazer alguma coisa?
– A propósito, hoje, depois que eu sair, o que você vai fazer na minha ausência?

Beijos. Júlia

O homem nunca soubera da intenção bem humorada da mulher. E ela não estava lá para ver o desfecho daquele dia. Pois naquele dia vieram os seus irmãos cumprimentá-lo, que não chegaram a tempo do exterior. Ele os abraçou e chorou muito. Conversaram longamente naquele e muitos outros dias que se seguiram sem necessidade ou mesmo vontade de colocar copos na mesa e bebida na boca.
Assim foi até o resto de seus dias: uma aversão natural pelo álcool, um gosto pelo abraço demorado, pelas conversas sem pressa até o anoitecer, com os irmãos, atravessadas de saudades:
“ A minha Júlia gostava disso… a Júlia fazia assim… quando a gente se casou…”.

* A autora é escritora amadora de Araçatuba (SP)

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AS MÃOS DA MINHA AVÓ

As Mãos da Minha Avó
autor desconhecido

A minha avó que tinha mais de 90 anos, estava sentada num banco na varanda, e tinha um aspecto fraco. Ela não se mexia, estava apenas sentada a fixar seu olhar nas mãos. Quando me sentei ao pé dela, nem sequer se mexeu, não teve nenhuma reação.Eu não a queria perturbar, mas ao fim de um certo tempo perguntei-lhe se estava bem.
Ela levantou a cabeça e sorriu para mim.
– Sim, eu estou bem, não te preocupes, respondeu ela com uma voz forte e clara.
– Eu não a queria incomodar, mas você estava aí com o olhar fixado nas suas mãos, e eu apenas pretendi saber se estava tudo bem consigo.
– Já alguma vez viste bem as tuas mãos? Perguntou-me ela.Quer dizer, vê-las como deve de ser?
Então eu olhei para as minhas mãos e fixei-as. Sem compreender bem o que ela queria dizer, respondi que não, nunca tinha olhado bem para as minhas mãos.

A minha avó sorriu para mim e contou-me o seguinte:

-Pára um bocadinho e pensa bem como as tuas mãos te têm servido desde a tua nascença. As minhas mãos cheias de rugas, secas e fracas, foram as ferramentas que eu utilizei para abraçar a vida.
Elas permitiram agarrar-me a qualquer coisa para evitar que eu caísse, antes que eu aprendesse a andar.
Elas levaram a comida à minha boca e vestiram-me. Quando era criança a minha mãe mostrou-me como uni-las para rezar.
Elas ataram as minhas botas e meus sapatos. Elas tocaram no meu marido e enxugaram as minhas lágrimas quando ele foi para a guerra.
Elas já estiveram sujas, cortadas, enrugadas e inchadas.
Elas não tiveram jeito nenhum quando tentei segurar o meu primeiro filho.
Decoradas com a aliança de casamento, elas mostraram ao mundo que eu amava alguém único e especial.
Elas escreveram cartas ao teu avô, e tremeram quando ele foi enterrado.
Elas seguraram os meus filhos, depois os meus netos.
Consolaram os vizinhos e também tremeram de raiva quando havia alguma coisa que eu não compreendia.
Elas cobriram o meu rosto, pentearam os meus cabelos e lavaram o meu corpo.
Elas já estiveram pegajosas, húmidas, secas e com rugas.
Hoje, como nada funciona como dantes para mim, elas continuam a amparar-me e, eu ainda as uno para orar.
Estas mãos contêm a história da minha vida.
Mas, as mais importantes, é que serão estas mesmas mãos que um dia, Deus segurará para me levar com Ele para o seu Paraíso.
Com elas, Ele me colocará a Seu lado. E lá, eu poderei utilizá-las para tocar na face de Cristo.

Pensativo olhava para as minhas mãos.
Nunca mais as verei da mesma maneira.

Mais tarde Deus estendeu as Suas mãos e levou a minha avó para Ele.
Quando eu me machuco nas mãos, quando elas são sensíveis,
quando acarinho os meus filhos, ou a minha esposa, penso sempre na minha avó. Apesar da sua idade avançada, ainda teve inteligência suficiente para me fazer compreender o valor das minhas mãos!..

FRUTOS DO SUCESSO – SILVIA SCHMIDT

FRUTOS DO SUCESSO

Autora : Silvia Schmidt
No livro “Sorte é Pra Quem Quer“

“O que estás fazendo?”, perguntou um Mestre ao discípulo visivelmente cansado.
– Estou terminando o engarrafamento do fertilizante que criei para fazer crescerem fortes e viçosas as Árvores do Sucesso. Quem comer os seus frutos será, com certeza, alguém bem sucedido.

“Bom saber que estiveste empenhado em serviço para o bem do próximo” , disse o Mestre.
Sorrindo com satisfação, saiu o discípulo em direção a verdes campos para cumprir a tarefa que se havia atribuído.

Passado um bom tempo, novamente ambos se encontraram e, desta vez, estava o discípulo com sinais de grande desapontamento.
” Por que estás tão cabisbaixo, filho? ”

– Ora, Mestre … foram tantos os que comeram os frutos das Árvores do Sucesso e até hoje não tive notícia de que alguém o alcançou.
” Como fizeste todo o serviço? ” , perguntou o Mestre.

– Bem … juntei Sementes de Desejo de Vencer a Sementes de Disposição para o Trabalho, de Amor à Prosperidade, de Fé em Deus e de Tempo Suficiente para Orar. Em seguida coloquei todas num forte chá, feito com verdes Folhas de Esperança e saí regando as terras das Árvores do Sucesso. Todas cresceram fortes e com belos frutos, mas aqueles que os comeram não tiveram o resultado que era de se esperar: o sucesso não aconteceu .

O Mestre ouviu atentamente a narrativa e finalmente disse:
” Não te desanimes, filho. Começa tudo de novo já que agora está mais fácil: é só regar as terras novamente.
Mas lembra-te de juntar ao fertilizante a ÚNICA semente que faltou
” Qual foi ela, Mestre? ” , perguntou o discípulo, muito intrigado.

Respondeu o Mestre :
” Filho, tu esqueceste a Semente da Confiança dos Homens em Si Mesmos ”

AS FLORES QUE EU NÃO PLANTEI – SILVIA SCHMIDT

As Flores Que Eu Não Plantei

Autora : Silvia Schmidt

Venho, Senhor, ao Teu Jardim para reaprender a plantar.
Um dia me ensinaste que todas as boas sementes germinam
e me deste a terra do meu coração para bom plantio,
recomendando-me atenção para o livre arbítrio.

Senhor, não tive generosidade suficiente para com
meu semelhante e hoje, quando necessito da
generosidade de outrem, dificilmente eu a encontro.
Não tenho colhido a flor da generosidade porque não a plantei.

Senhor, não dei à Natureza todo o respeito que ela, como
obra Tua, merecia ter recebido de mim. Fui negligente, Senhor.
Agora, o ar que eu respiro não é tão puro quanto deveria
ser para que minha saúde não fosse tão ameaçada.
Não tenho colhido a flor da perfeita saúde porque não a plantei.

Senhor, disseste-me que a felicidade sempre estaria em minha
Vida se eu me lembrasse de levar felicidade àqueles
que choravam e que não tinham um ombro onde se debruçar.
Não tenho colhido a flor da Felicidade Plena porque não a plantei.

Senhor, não levei a sério quando me revelaste que o preconceito
era uma erva daninha que, pouco a pouco, mataria o meu jardim.
Não olhei sem julgamento para os diferentes de mim,
não observei todos os seres e tudo o mais que criaste
sem sentir-me maior e melhor do que eles.
Não tenho colhido a flor do Amor Incondicional porque não a plantei.

Senhor, agora venho ao Teu Jardim, buscando ter uma
e, talvez, a última chance de reencontrar as sementes
que desejaste ver germinadas em meu coração.

Não sei se vês em minha visita algum sinal de humildade.
Já muito agi com orgulho e não tenho colhido
a flor da humildade porque não a plantei.

Aceita, Senhor, esta minha vinda, e dá-me o perdão,
o mesmo perdão que a tantos e tantos eu neguei.
Achas que ainda mereço a Tua bênção, Senhor?
Se não me deres o que peço, eu compreenderei.
Não tenho colhido a flor do merecimento porque não a plantei.

Acolherei a Tua decisão, Senhor, seja ela qual for,
e se não for aquela que espero eu entenderei.
Não tenho colhido a flor do perdão porque não a plantei.

http://www.humancats.com/Frutos/sucesso.htm

DIVAGANDO – MARCO LEITE

DIVAGANDO
por Marco leite

Alteridade
Uma das coisas que aprendi em minha vida de recuperação comportamental foi praticar a alteridade, que nada mais é do que me colocar no lugar da pessoa a qual estou julgando. Eu, particularmente, tenho a mania de julgador e essa prática é muito difícil. Mas, me esforço, e quando cometo esse erro procuro corrigi-lo através de um pedido de desculpas ou procurando não cometer mais os pré-julgamentos tão característicos de quando se está em adicção ativa.
Aprendi muito cedo, na Fazenda onde fiz minha recuperação, que compreender o outro é fundamental para uma forma de viver melhor. É preciso cativar, ouvir, cruzar experiências e descobrir no que erramos para chegar ao ponto em que chegamos, enfim, é um ajudando o outro.

Mudança de atitude
Saí da Fazenda e continuei ajudando quem me ajudou, e é isso que tem me mantido em pé. Como sempre falo, estou salvando a minha própria pele. Uma das coisas fundamentais que carrego comigo é que não tenho inimigos, eu sou o meu maior inimigo. Li, em algum lugar, um provérbio chinês que dizia: “A pessoa que ama os outros também será amada”, e compreendi que é só assim que posso mudar. É amando que eu derroto o veneno da raiva, do ressentimento e do rancor, e só posso fazer isso me dedicando a dar carinho às pessoas que me rodeiam. Pois, como pode alguém querer meu mal se mal não lhe faço.

Inimigo íntimo
Não posso e não devo querer mudar o mundo ou as pessoas, a única pessoa que posso mudar é a mim mesmo. E cabe a mim escolher se quero ser mau ou bom. Deus me deu o livre arbítrio para escolher isso. Para ser uma pessoa melhor tenho que saber que meu maior inimigo está dentro de mim mesmo. São minhas atitudes erradas que podem vir a alimentar a parte ruim de minha personalidade. Só por hoje, não alimento isso, procuro agir com serenidade e aceitação de saber que meu inimigo não é a pessoa que me odeia e sim a que eu odeio, portando, tenho me dedicado a dar amor e amizade por onde passo e tem me feito muito bem isso.

Luta diária
Todos os dias em que acordo, Deus me dá um presente e ele vale por 24 horas, pois vivo o “só por hoje”. Esse presente requer um certo esforço, pois durante minha caminhada de recuperação compreendi que sou cheio de defeitos de caráter. E para terminar meu dia bem tenho que lutar para controlar esses defeitos, sempre com a ajuda de Deus. Porém, ele não me dá as soluções e sim ferramentas para não fraquejar no primeiro obstáculo que aparecer, pois a fuga é muito mais fácil.
Por isso procuro sempre pensar antes de reagir a uma situação e refletir sobre coisas que passei em minha caminhada de recuperação. Preciso entender que as pessoas que mais nos dão dor de cabeça hoje, poderão vir a ser as que mais nos darão alegrias no futuro.
Artigo para Jornal O Timoneiro
Canoas – RS

PARA VOCÊ LER – NA OPINIÃO DO BILL

NA OPINIÃO DO BILL 1
Mudança de personalidade
“Com freqüência se tem dito a respeito de A.A., que somente estamos interessados no alcoolismo. Isso não é verdade. Temos que vencer a bebida para continuarmos vivos. Mas quem quer que conheça a personalidade do alcoólico, através do contato mais direto, sabe que nenhum alcoólico verdadeiro pára completamente de beber sem sofrer uma profunda mudança de personalidade”.

Achávamos que as “circunstâncias” nos levaram a beber, e quando tentamos corrigir essas circunstâncias descobrimos que não poderíamos fazer isso, à nossa própria maneira; nosso beber se descontrolou e nos tornamos alcoólicos. Nunca nos ocorreu que precisávamos nos modificar para nos ajustar às circunstâncias, fossem elas quais fossem.
1 – Carta de 1940
2 – Os Doze Passos, págs. 37 e 38

NA OPINIÃO DO BILL 2
Nas mãos de Deus
Quando olhamos para o passado, reconhecemos que as coisas que nos chegaram quando nos entregamos nas mãos de Deus foram melhores do que qualquer coisa que pudéssemos ter planejado.
* * *
Minha depressão aumentou de forma insuportável, até que finalmente me pareceu estar no fundo do poço, pois aquele momento o último vestígio de minha orgulhosa obstinação foi esmagado. Imediatamente me encontrei exclamando: “Se existe um Deus, que Ele se manifeste! Estou pronto para fazer qualquer coisa, qualquer coisa!”
De repente, o quarto se encheu de uma forte luz. Pareceu-me com os olhos de minha mente, que eu estava numa montanha e que soprava um vento, não de ar, mas de espírito. E então tive a sensação de que era um homem livre. Lentamente o êxtase passou. Eu estava deitado na cama, mas agora por instantes me encontrava em outro mundo, um mundo novo de conscientização. Ao meu redor e dentro de mim, havia uma maravilhosa sensação de presença e pensei comigo mesmo: “Então, esse é o Deus dos pregadores!”
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 108
2 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 57 e 58

NA OPINIÃO DO BILL 3
Dor e progresso
“Alguns anos atrás eu costumava ter pena de todas as pessoas que sofriam. Agora somente tenho pena daquelas que sofrem por ignorância, que não entendem o propósito e a utilidade definitiva da dor”.
* * *
Certa vez alguém disse que a dor é a pedra de toque do progresso espiritual. Nós, AAs, podemos concordar com isso, pois sabemos que as dores decorrentes do alcoolismo tiveram que vir antes da sobriedade, assim como o desequilíbrio emocional vem antes da serenidade.
* * *
“Acredite mais profundamente: Levante a cabeça para a Luz, ainda que no momento você não possa ver”.
1 – Carta de 1950
2 – Os Doze Passos e as Doze Tradições, pág. 84
3 – Carta de 1950

NA OPINIÃO DO BILL 4
Podemos escolher?
Não devemos nunca nos deixar cegar pela filosofia fútil de que somos vítimas de nossa hereditariedade, de nossa experiência de vida e de nosso meio ambiente – de que essas são as únicas forças que tomam as decisões por nós. Esse não é o caminho para a liberdade. Temos que acreditar que podemos realmente escolher.
* * *
“Como alcoólicos ativos, perdemos a capacidade de escolher se beberíamos ou não. Éramos vítimas de uma compulsão que parecia determinar que deveríamos prosseguir em nossa própria destruição”.
“No entanto, finalmente, fizemos escolhas que nos levaram à recuperação. Viemos a acreditar que sozinhos éramos impotentes perante o álcool. Isso foi certamente uma escolha, aliás, muito difícil. Viemos a acreditar que um Poder Superior poderia nos devolver a sanidade, quando nos dispusemos a praticar os Doze Passos de A.A.”. “Em resumo, preferimos ‘estar dispostos’, e essa foi a melhor escolha que poderíamos ter feito”.
1 – Grapevine de novembro de 1960
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 5
A manutenção e o crescimento
É evidente que uma vida onde se inclui profundos ressentimentos só leva à futilidade e infelicidade. Enquanto permitirmos esses ressentimentos, estamos perdendo horas que por outro lado poderiam ser úteis. Mas com o alcoólico, cuja esperança é a manutenção e o crescimento de uma experiência espiritual, esse negócio de guardar ressentimento é grave mesmo, pois daí nos afastamos da luz do Espírito. A loucura do álcool volta, e bebemos novamente. E conosco, beber é morrer.
Se quiséssemos viver, seria preciso nos livrar da raiva. O mau humor e a fúria repentina não eram para nós. A raiva é o luxo incerto dos homens normais, mas para nós, alcoólicos, ela é veneno.
Alcoólicos Anônimos, pág. 80

NA OPINIÃO DO BILL 6
Tudo ou nada?
A aceitação e a fé são capazes de produzir cem por cento de sobriedade. De fato, elas geralmente conseguem; e assim deve ser, caso contrário, não poderíamos viver. Mas a partir do momento em que transferimos essas atitudes para nossos problemas emocionais, descobrimos que só é possível obter resultados relativos.
Ninguém pode por exemplo, se livrar completamente do medo, da raiva e do orgulho.
Conseqüentemente, nesta vida não atingiremos uma total humildade nem amor. Assim, vamos ter que nos conformar, com referência à maioria de nossos problemas, pois um progresso muito gradual, às vezes é interrompido por grandes retrocessos. Nossa antiga atitude de “tudo ou nada” terá que ser abandonada.
Grapevine de março de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 7
O reino do espírito
Antigamente, o progresso material marchava a passos lentos. O espírito da moderna investigação científica, a pesquisa e a invenção eram praticamente desconhecidos.
No reino material, as mentes dos homens estavam obstruídas pela superstição, tradição e por todos os tipos de idéias fixas. Alguns contemporâneos de Colombo acreditavam no absurdo de uma Terra redonda. Outros quase mataram Galileu por suas heresias astronômicas.
Não é certo que alguns de nós são tão obstinados no que se refere ao reino espiritual, como eram os antigos a respeito do reino material?
***
Descobrimos que Deus não impõe condições árduas aos que O buscam. Para nós, o Reino do Espírito é amplo e espaçoso; não é privativo nem vedado aos que o busquem sinceramente. Acreditamos que ele esteja aberto a todos.
Alcoólicos Anônimos
1 – pág. 67
2 – pág. 63

NA OPINIÃO DO BILL 8
Uma nova vida
A sobriedade é tudo o que devemos esperar de um despertar espiritual? Não, a sobriedade é apenas o começo; é somente a primeira dádiva do primeiro despertar. Se temos que receber outras dádivas, nosso despertar tem que continuar. E com o tempo, descobrimos que pouco a pouco vamos nos despojando da vida velha – a vida que não funcionou – por uma nova vida que pode e funciona sob quaisquer condições.
Não obstante o êxito ou o fracasso do mundo, não obstante a dor ou alegria, não obstante a doença ou a saúde ou ainda a morte, uma nova vida de possibilidades intermináveis pode ser vivida se estamos dispostos a continuar nosso despertar, através da prática dos Doze Passos de A.A.
Grapevine de dezembro de 1957

NA OPINIÃO DO BILL 9
O grupo e a ampla comunidade mundial
No momento em que o trabalho do Décimo Segundo Passo forma um grupo, uma descoberta é feita – que a maioria dos indivíduos não consegue se recuperar, se não houver um grupo. Surge a compreensão de que cada membro é apenas uma pequena parte de um grande todo; de que nenhum sacrifício pessoal é grande demais para a preservação da Irmandade. Ele aprende que o clamor dos desejos e ambições interiores deve ser silenciado, sempre que possa prejudicar o grupo.
Torna-se claro que o grupo precisa sobreviver para que o indivíduo não pereça.
* * *
“O membro sozinho no mar, o A.A. em guerra numa terra distante – todos esses membros sabem que pertencem à Comunidade Mundial de A.A., que sua separação é apenas física, que seus companheiros podem estar tão perto como está o próximo porto. E a mais importante, que eles estão certos de que a graça de Deus está realmente com eles, em alto mar ou na solitária terra distante, como está com aqueles que estão em sua própria terra”.
1 – As Doze Tradições, pág. 14
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 10
Livre da escuridão
A auto-análise é o meio pelo qual trazemos uma nova visão, ação e graça para influir no lado escuro e negativo de nosso ser. Com ela vem o desenvolvimento daquele tipo de humildade, que nos permite receber a ajuda de Deus. No entanto, ela é apenas um passo. Vamos querer ir mais longe. Vamos querer que o bem que está dentro de todos nós, mesmo dentro dos piores, cresça e floresça. Mas, antes de mais nada, vamos querer a luz do sol; pouco se pode crescer na escuridão. A meditação é nosso passo em direção ao sol.
* * *
“Uma luz clara parece descer sobre nós – quando abrimos os olhos. Uma vez que nossa cegueira é causada por nossos próprios defeitos, precisamos primeiro conhecê-los a fundo. A meditação construtiva é o primeiro requisito para cada novo passo em nosso crescimento espiritual”.
1 – Os Doze Passos, pág. 89
2 – Carta de 1946

NA OPINIÃO DO BILL 11
Quantidade ou qualidade
“Com respeito ao assunto das recaídas, eu não me sentiria muito desencorajado. Acho que você está sofrendo muito por causa de um sentimento de culpa desnecessário. Por qualquer razão, o Senhor traçou caminhos mais difíceis para alguns de nós, e suponho que você está palmilhando um deles. Deus não está nos pedindo que tenhamos êxito; Ele está pedindo apenas que tentemos. Isso você está certamente fazendo. Por isso, eu não me afastaria de A.A. por nenhum sentimento de desencorajamento ou vergonha. Esse é justamente o lugar onde você deveria estar. Por que você não tenta apenas como membro? Você sabe que não tem que carregar todo o A.A. nas costas!
“Não é sempre a quantidade de coisas boas que você faz, é também a qualidade que conta.
“Acima de tudo, faça – o um dia de cada vez”.
Carta de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 12
Buscando o ouro do insensato
O orgulho é o grande causador da maioria das dificuldades humanas, o principal obstáculo ao verdadeiro progresso. O orgulho nos induz a exigir de nós e dos outros; e as exigências não podem ser cumpridas sem perverter ou fazer mau uso dos instintos que Deus nos deu. Quando a satisfação de nossos instintos em relação ao sexo, segurança e posição social se torna o único objetivo de nossa vida, então o orgulho entra em cena para justificar nossos excessos.
* * *
Posso alcançar a “humildade por hoje” apenas na medida em que sou capaz de evitar, por um lado, o lamaçal de sentimento de culpa e revolta, e por outro, essa bela mas enganadora terra semeada de moedas de ouro do orgulho do insensato. É assim que posso encontrar e permanecer no verdadeiro caminho da humildade, que está situado entre esses dois extremos. Logo, é necessário um inventário constante que possa mostrar quando me afasto do caminho.
1 – Os Doze Passos, pág. 39
2 – Grapevine de junho de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 13
Dádiva compartilhada
A.A. é mais do que um conjunto de princípios; é uma sociedade de alcoólicos em ação. Precisamos levar a mensagem, caso contrário, nós mesmos poderemos recair e aqueles, a quem não foi dada a verdade, podem perecer.
* * *
A fé é mais do que nossa maior dádiva; seu compartilhar com os outros é nossa maior responsabilidade. Que nós de A.A. possamos buscar continuamente a sabedoria e a boa vontade pelas quais possamos desempenhar bem a grande tarefa que o Doador de todas as dádivas perfeitas colocou em nossas mãos.
1 – O Manual de Serviços de A.A., pág 5 (E.U.A)
2 – Grapevine de abril de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 14
Problemas dos recém-chegados
A tentação é a de nos tornarmos “donos” dos recém-chegados. Talvez tentemos lhes dar conselhos, acerca de seus assuntos, que realmente não estamos preparados para dar ou que não deveríamos dar. Daí, ficamos ofendidos e confusos quando o conselho é rejeitado, ou quando ele é aceito e traz ainda maior confusão.
* * *
“Você não pode fazer um cavalo beber água, se ele ainda prefere cerveja ou é demasiado instável para saber o que quer. Coloque um balde d’água a seu lado, diga-lhe como e por que ela é boa e deixe-o sozinho.
“Se as pessoas querem mesmo se embriagar, não há, que eu saiba, meios de impedir isso – logo, deixe-as sozinhas e que elas se embriaguem. Mas também não as afaste do balde d’água”.
1 – Os Doze Passos, pág. 102
2 – Carta de 1942

NA OPINIÃO DO BILL 15
Valores eternos
Muitas pessoas não querem saber de valores espirituais absolutos. Perfeccionistas, dizem elas, ou estão cheias de presunção porque imaginam que alcançaram algum objetivo impossível, ou ainda estão mergulhadas na autocondenação porque não alcançaram.
Contudo, acho que não deveríamos nos apegar a esse ponto de vista. Não é culpa dos elevados ideais serem às vezes usados indevidamente, tornando-se assim desculpas levianas para sentimentos de culpa, revolta e orgulho. Pelo contrário, não podemos progredir muito, se não tentarmos constantemente vislumbrar o que são os valores espirituais eternos.
* * *
“Dia a dia tentamos nos aproximar um pouco da perfeição de Deus. Assim sendo não precisamos ser consumidos por um tolo sentimento de culpa, por falhar em alcançar. Sua semelhança e imagem sem demora. Nosso alvo é o progresso, e Sua perfeição é o farol, distante anos-luz, que nos leva para adiante”.
1 – Grapevine de junho de 1961
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 16
Nunca mais!
“Muitas pessoas se sentem mais seguras com o plano das vinte e quatro horas do que com a resolução de que nunca mais beberão. Muitas delas já quebraram muitas resoluções. Essa é realmente uma questão de escolha pessoal; cada A.A. tem o privilégio de interpretar o programa como quiser.
“Eu,pessoalmente, pretendo nunca mais beber. Isso é um pouco diferente de dizer: ‘Nunca mais beberei’. Essa última atitude às vezes põe as pessoas em dificuldade, porque significa comprometer-se, a nível pessoal, a fazer o que nós, alcoólicos, nunca poderíamos fazer. Esse é um ato de vontade e deixa muito pouco lugar para a idéia de que Deus nos libertará da obsessão de beber, contanto que sigamos o programa de A.A”.
Carta de 1949

NA OPINIÃO DO BILL 17
Acerca da honestidade
O perverso desejo de ocultar um mau motivo, atrás do bom, se infiltra nos atos humanos de alto a baixo. Esse tipo sutil e evasivo, de farisaísmo, pode se esconder sob o ato ou o pensamento mais insignificante. Aprender a identificar, admitir e corrigir essas falhas, todos os dias, constitui a essência da formação do caráter e de uma vida satisfatória.
* * *
A decepção dos outros está quase sempre enraizada na decepção de nós mesmos.
* * *
De algum modo, estar sozinho com Deus não parece ser tão embaraçoso quanto enfrentar uma outra pessoa. Até que resolvamos sentar e falar em voz alta a respeito daquilo que, há tanto tempo, temos escondido, nossa disposição de “limpar a casa” é ainda muito teórica. Quando somos honestos com uma outra pessoa, isso confirma que temos sido honestos conosco e com Deus.
1 – Os Doze Passos, pág. 85
2 – Grapevine de agosto de 1961
3 – Os Doze Passos, pág. 49

NA OPINIÃO DO BILL 18
Companheiro e sócio
“O Dr. Bob foi meu constante companheiro e sócio na grande aventura de A.A. Como médico e grande criatura humana que era, ele escolheu trabalhar com os outros em sua sublime dedicação ao A.A. e alcançou um recorde que, em quantidade e qualidade, ninguém conseguirá ultrapassar. Assistido pela incomparável Irmã Ignatia, no St. Thomas Hospital, em Akron, ele – sem receber pagamento – tratou clinicamente e auxiliou espiritualmente cinco mil sofredores.
“Com todo o esforço e dificuldades do pioneirismo de A.A., nunca houve uma palavra dura entre nós dois. Por isso, posso dizer com toda gratidão que o crédito foi todo dele”.
* * *
Eu me despedi do Dr. Bob, sabendo que ele ia se submeter a uma delicada cirurgia. O maravilhoso e antigo sorriso estava em seu rosto, quando me disse quase brincando: “Lembre-se, Bill, não deixe que isso se acabe. Mantenha-o simples!” Saí sem poder dizer uma palavra. Essa foi a última vez que o vi.
1 – Carta de 1966
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 191

NA OPINIÃO DO BILL 19
O vinho do sucesso
Não são somente os problemas inesperados e desagradáveis que requerem o auto-controle. Devemos ser igualmente cuidadosos, quando começamos a ter uma certa importância e sucesso material. Jamais alguém amou tanto os triunfos pessoais como nós; bebíamos o sucesso como se fosse um vinho que nunca pudesse falhar em nos fazer sentir eufóricos. Cegos pelo orgulho da autoconfiança, éramos capazes de bancar os importantes.
Agora que estamos em A.A. e sóbrios, conquistando de novo a estima de nossos amigos e companheiros de trabalho, descobrimos que ainda precisamos exercitar especial vigilância. Como segurança contra os perigos da mania de grandeza, podemos com freqüência nos checar, não esquecendo que estamos sóbrios hoje, somente pela graça de Deus, e que qualquer sucesso que possamos ter, o sucesso é mais d’Ele do que nosso.
Os Doze Passos, pág. 79

NA OPINIÃO DO BILL 20
Luz proveniente de uma oração
Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras.
* * *
Guardamos como um tesouro nossa “Oração da Serenidade”, porque ela nos traz uma nova luz que pode dissipar nosso velho e quase fatal hábito de enganar a nós mesmos.
No esplendor dessa oração vemos que a derrota, quando bem aceita, não significa desastre. Sabemos agora que não temos que fugir, nem deveríamos outra vez tentar vencer a adversidade, por meio de um outro poderoso impulso arrasador, que só pode nos trazer problemas difíceis de serem resolvidos.
Grapevine de março de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 21
Cidadãos outra vez
“Cada um de nós, por sua vez, isto é, o membro que tira mais proveito do programa, gasta um tempo enorme no trabalho do Décimo Segundo Passo, nos primeiros anos. Esse foi meu caso, e talvez eu não tivesse permanecido sóbrio com menos trabalho.
“Contudo, mais cedo ou mais tarde a maioria de nós tem outras obrigações – para com a família, amigos e pátria. Como você pode se lembrar, o Décimo Segundo Passo também fala de ‘praticar estes princípios em todas as nossas atividades’. Portanto, acho que sua escolha em relação a um trabalho, em particular, do Décimo Segundo Passo deve ser feita por sua própria consciência. Ninguém pode lhe dizer com certeza o que você deveria fazer num determinado momento.
“Só sei que se espera de você, em certo ponto, que faça mais do que levar a mensagem de A.A. a outros alcoólicos. Em A.A. buscamos não apenas a sobriedade – tentamos voltar a ser cidadãos do mundo que rejeitamos e que também nos rejeitou. Essa é a demonstração máxima de que o trabalho do Décimo Segundo Passo é o primeiro e não o último”.
Carta de 1959

NA OPINIÃO DO BILL 22
O medo como ponto de partida
O que mais estimulava nossos defeitos era o medo egocêntrico – especialmente o medo de perder algo que já possuíamos ou de não ganhar algo que buscávamos. Vivendo numa base de exigências não atendidas, ficávamos num constante estado de perturbação e frustração. Portanto, não conseguíamos a paz, a não ser que pudéssemos encontrar um meio de reduzir essas exigências.
* * *
Apesar de sua costumeira força destrutiva, descobrimos que o medo pode ser o ponto de partida para coisas melhores. Pode ser o caminho para a prudência e para um conveniente respeito em relação aos outros. Ele pode indicar o caminho tanto da justiça como do ódio. E quanto mais respeito e justiça tivermos, mais depressa começamos a encontrar o amor que pode ser muito sofrido e no entanto ser dado livremente. Assim sendo, o medo não precisa ser sempre destrutivo, porque as lições de suas conseqüências podem nos levar a valores positivos.
1 – Os Doze Passos, pág. 662
Grapevine de janeiro de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 23
Somos todos adoradores
Também descobrimos que tínhamos sido adoradores. Que calafrio nos dava pensar nisso! Não tínhamos, em várias ocasiões, adorado pessoas, sentimentos, coisas, dinheiro e a nós mesmos?
E também, com melhor motivo, não tínhamos contemplado com adoração o pôr do sol, o mar ou uma flor? Quem de nós não tinha amado alguma coisa ou alguém? Não foi com isso que foram construídas nossas vidas? Não foram esses sentimentos que, afinal de contas, determinaram o curso de nossa existência?
Era impossível dizer que não éramos capazes de ter fé, amor ou adoração. De uma forma ou de outra, estivemos vivendo pela fé e nada mais.
Alcoólicos Anônimos, págs. 73 e 74

NA OPINIÃO DO BILL 24
Somos iguais, quando as coisas vão mal
No princípio, passaram-se quatro anos antes que A.A. conseguisse levar à sobriedade permanente, ainda que uma única mulher alcoólica. Do mesmo modo daqueles “que atingiram o fundo do poço”, as mulheres diziam que eram diferentes; elas não precisavam de A.A. Mas, com o aperfeiçoamento da comunicação, principalmente pelas próprias mulheres, a situação mudou.
Esse processo de identificação e transmissão tem continuado. Aquele que caía na sarjeta dizia que era diferente. Ainda com mais ênfase, o membro da alta sociedade (ou o fracassado da Park Avenue) dizia a mesma coisa, como também os artistas e os profissionais, os ricos e os pobres, os religiosos, os agnósticos, os índios e os esquimós, os veteranos e os prisioneiros. Mas hoje todos esses e muitos outros conversam sobriamente a respeito do quanto todos nós, alcoólicos, somos iguais, quando finalmente admitimos que as coisas vão mal.
Grapevine de outubro de 1959

NA OPINIÃO DO BILL 25
Não podemos ficar parados
Nos primeiros dias de A.A., eu não me preocupava muito com os aspectos da vida nos quais eu estava inativo. Havia sempre o álibi: “Afinal de contas”, dizia a mim mesmo, “estou muito ocupado com assuntos muito mais importantes.” Essa era minha receita quase perfeita para obter bem-estar e complacência.
* * *
Quantos de nós ousariam declarar: “Bem, estou sóbrio e feliz. O que mais posso querer ou fazer? Estou muito bem assim.” Sabemos que o preço dessa auto-satisfação é um inevitável retrocesso, marcado em algum momento por um brusco despertar. Temos que crescer ou nos deteriorar mais. Para nós a situação só pode ser para hoje, nunca para amanhã. Devemos mudar; não podemos ficar parados.
1 – Grapevine de junho de 1961
2 – Grapevine de fevereiro de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 26
A verdadeira independência do espírito
Quanto mais nos dispomos a depender de um Poder Superior, mais independentes na verdade somos. Portanto, a dependência, como se pratica em A.A., é realmente um meio de se obter a verdadeira independência de espírito.
Na vida diária, fica-se surpreso ao descobrir o quanto somos realmente dependentes e quão inconscientes somos dessa dependência. Toda casa moderna tem fios elétricos que levam força e luz a seu interior. Aceitando nossa dependência dessa maravilha da ciência, descobrimos que somos pessoalmente mais independentes, que nos sentimos mais à vontade e seguros. A força corre justamente onde ela é necessária. Silenciosa e certamente a eletricidade, essa estranha energia que tão poucas pessoas entendem, vem de encontro às nossas necessidades diárias mais simples.
Embora aceitemos prontamente esse princípio de saudável dependência em muitos de nossos assuntos temporais, muitas vezes resistimos fortemente a esse mesmo princípio, quando nos pedem que o apliquemos como um meio de crescer espiritualmente. É claro que nunca conheceremos a liberdade sob a dependência de Deus, até que tentemos buscar Sua vontade em relação a nós. A escolha é nossa.
Os Doze Passos, pág. 27

NA OPINIÃO DO BILL 27
Detenção diária
Não estamos curados do alcoolismo. O que fazemos, na realidade, é deter a doença do alcoolismo, diariamente, o que depende da manutenção de nossa condição espiritual.
* * *
Nós, de A.A., obedecemos a princípios espirituais, primeiro porque precisamos e depois porque gostamos do tipo de vida que essa obediência acarreta. O grande sofrimento e o grande amor são os disciplinadores de A.A.; não precisamos de nenhum outro.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 100
2 – As Doze Tradições, pág. 55

NA OPINIÃO DO BILL 28
Os criadores de problemas podem ser professores
Atualmente, poucos de nós têm receio daquilo que qualquer recém-chegado possa fazer contra a reputação ou eficiência de A.A. Aqueles que recaem, que pedem esmolas, que escandalizam, que têm distúrbios mentais, que se rebelam contra o programa, que fazem comércio com a reputação de A.A. – todos estes raramente prejudicam um grupo de A.A. por muito tempo. Alguns deles se tornaram nossos mais respeitados e queridos companheiros. Alguns ficaram para experimentar nossa paciência, apesar de sóbrios. Outros foram embora. Começamos a considerar os criadores de problema, não como ameaças, mas como nossos professores. Eles nos obrigam a cultivar a paciência, a tolerância e a humildade. Finalmente compreendemos que são apenas pessoas mais doentes do que as demais, que nós que os condenamos somos os Fariseus, cuja falsa virtude causa a nosso grupo o mais profundo prejuízo espiritual.
Grapevine de agosto de 1946

NA OPINIÃO DO BILL 29
A gratidão deveria ir à frente
“A gratidão deveria ir para frente, nunca para trás.
“Em outras palavras, se você levar a mensagem a outros, estará pagando da melhor maneira possível a ajuda que lhe foi prestada”.
* * *
Nenhuma satisfação tem sido mais profunda e nenhuma alegria maior do que um trabalho do Décimo Segundo Passo bem feito. Contemplar os olhos de homens e mulheres se abrirem maravilhados, à medida que passam da escuridão para a luz, ver suas vidas se encherem rapidamente de um novo propósito e significado, e acima de tudo vê-los despertados para a presença de um Deus amoroso em suas vidas – essas coisas constituem a essência do que recebemos, quando levamos a mensagem de A.A.
1 – Carta de 1959
2 – Os Doze Passos, págs. 96 e 97

NA OPINIÃO DO BILL 30
Livrando-se de uma “bebedeira seca”
“Às vezes nós ficamos deprimidos. Disso sei muito bem; eu mesmo fui um campeão das bebedeiras secas. Enquanto as causas superficiais constituíam uma parte do quadro – acontecimentos que precipitavam a depressão – estou consciente de que as causas fundamentais eram muito mais profundas.
“Intelectualmente, eu poderia aceitar minha situação, mas emocionalmente não.
“Para esses problemas, certamente não há respostas adequadas, mas parte da resposta certamente se encontra no esforço constante para praticar todos os Doze Passos de A.A”.
1 – Carta de 1954

NA OPINIÃO DO BILL 31
O sistema econômico de Deus
“No sistema econômico de Deus nada é desperdiçado. Através do fracasso, aprendemos uma lição de humildade que é provavelmente necessária, por mais dolorosa que seja”.
* * *
Nem sempre chegamos mais perto da sabedoria por causa de nossas virtudes; nossa melhor compreensão freqüentemente tem fundamento nos sofrimentos de nossos antigos desatinos. Pelo fato disso ter sido a essência de nossa experiência individual, é também a essência de nossa experiência como irmandade.
1 – Carta de 1942
2 – Grapevine de novembro de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 32
Responsabilidade Moral
“Algumas pessoas se opõem firmemente à posição de A.A. de que o alcoolismo é uma doença. Sentem que esse conceito tira dos alcoólicos a responsabilidade moral. Como qualquer A.A. sabe, isso está longe de ser verdade. Não utilizamos o conceito de doença para eximir nossos membros da responsabilidade. Pelo contrário, usamos o fato de que se trata de uma doença fatal para impor a mais severa obrigação moral ao sofredor, a obrigação de usar os Doze Passos de A.A. para se recuperar.
“Nos primórdios de suas bebedeiras, o alcoólico freqüentemente é culpado de irresponsabilidade. Mas no momento em que tem a compulsão para beber, ele não pode ser responsável por sua conduta. Ele então tem uma obsessão que o condena a beber e uma sensibilidade física ao álcool que garante sua loucura final e morte.
“Mas quando ele toma consciência dessa condição, fica sob pressão para aceitar o programa de recuperação moral de A.A.”
Palestra de 1960

NA OPINIÃO DO BILL 33
Alicerce Para A Vida
Descobrimos que recebemos orientação para nossas vidas, à medida que paramos de fazer exigências a Deus, a fim de que Ele nos dê aquilo que queremos.
* * *
Ao orar, simplesmente pedimos que durante o dia todo Deus nos dê o conhecimento de Sua vontade e nos conceda a graça, com a qual possamos realizá-la.
* * *
Há uma relação direta entre o auto-exame e a meditação e a oração. Usadas separadamente, essas práticas podem trazer muito alívio e benefício. Mas quando são relacionadas e entrelaçadas com lógica, resultam numa base sólida para a vida toda.
1 – Os Doze Passos, pág. 95
2 – Os Doze Passos, pág. 93
3 – Os Doze Passos, pág. 85

NA OPINIÃO DO BILL 34
“Não estamos ligados a nenhuma seita…”
“Enquanto A.A. tem reintegrado milhares de pobres cristãos, a suas igrejas, e convertido em crentes, ateus e agnósticos, ele também tem feito bons A.As, daqueles que professam o budismo, islamismo e judaísmo. Por exemplo, duvidamos muito que nossos membros budistas do Japão tivessem se juntado à nossa sociedade, no caso de A.A. apresentar-se oficialmente como um movimento estritamente cristão.
“Você pode facilmente se convencer disso, imaginando que A.A. tivesse começado entre os budistas e que então lhe dissessem que você não poderia se ligar a eles, a não ser que também se tornasse budista. Se você fosse um alcoólico cristão nessas circunstâncias, poderia bem se afastar e morrer”.
Carta de 1954

NA OPINIÃO DO BILL 35
“Não estamos ligados a nenhuma seita…”
“Enquanto A.A. tem reintegrado milhares de pobres cristãos, a suas igrejas, e convertido em crentes, ateus e agnósticos, ele também tem feito bons A.As, daqueles que professam o budismo, islamismo e judaísmo. Por exemplo, duvidamos muito que nossos membros budistas do Japão tivessem se juntado à nossa sociedade, no caso de A.A. apresentar-se oficialmente como um movimento estritamente cristão.
“Você pode facilmente se convencer disso, imaginando que A.A. tivesse começado entre os budistas e que então lhe dissessem que você não poderia se ligar a eles, a não ser que também se tornasse budista. Se você fosse um alcoólico cristão nessas circunstâncias, poderia bem se afastar e morrer”.
Carta de 1954

NA OPINIÃO DO BILL 36
Sofrimento transformado
“A.A. não é nenhum sucesso no sentido comum da palavra. É a história do sofrimento transformado, pela graça de Deus, em progresso espiritual.”
* * *
Para o Dr. Bob, a necessidade insaciável do álcool era evidentemente um fenômeno físico que o atormentou durante alguns de seus primeiros anos de A.A., uma época em que levar a mensagem a outros alcoólicos, dia e noite, era a única coisa que fazia com que se esquecesse da bebida. Apesar de sua necessidade ser difícil de resistir, sem dúvida ela gerou grande motivação para o grupo Número Um de Akron ser formado.
O despertar espiritual do Bob não veio tão facilmente; foi penosamente lento. Sempre se agarrou ao tipo de trabalho mais duro e a uma apurada vigilância.
1 – Carta de 1959
2 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 62 e 63

NA OPINIÃO DO BILL 37
Um coração cheio e agradecido
Um exercício que pratico é o de tentar fazer um inventário completo de minhas bênçãos e então aceitar as muitas dádivas que tenho, tanto temporais como espirituais. Aí então tento alcançar um estado de alegre gratidão. Quando essa espécie de gratidão é repetidamente afirmada e ponderada, ela consegue finalmente afastar a tendência natural de me felicitar por qualquer progresso que eu possa ter sido capaz de alcançar em alguns setores da vida.
Tento me convencer de que um coração cheio e agradecido não pode abrigar nenhum orgulho. Quando cheio de gratidão, o coração por certo só pode dar amor, a mais bela emoção que jamais podemos sentir.
Grapevine de março de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 38
Caminho direto para Deus
“Acredito firmemente tanto na orientação como na oração. Mas estou bem consciente e espero que humilde o suficiente para ver que não há nada de infalível em minha orientação.
“No momento em que acreditar que encontrei um perfeito caminho para Deus, eu me tornarei egoísta o suficiente para entrar em verdadeira dificuldade. Ninguém pode causar mais sofrimento desnecessário do que aquele que possui força e acha que a obteve diretamente de Deus”.
Carta de 1950

NA OPINIÃO DO BILL 39
Lidando com os ressentimentos
O ressentimento é o principal culpado. Destrói mais alcoólicos do que qualquer outra coisa. Dele nascem todas as formas de doença espiritual, pois tínhamos estado doentes não só física e mental, como também espiritualmente. Quando nossa doença espiritual é superada, nós nos fortalecemos mental e fisicamente.
Ao lidar com nossos ressentimentos, íamos anotando-os num papel. Fazíamos uma relação das pessoas, instituições ou princípios que nos davam raiva. Depois nos perguntávamos por que nos davam raiva. Na maioria dos casos, achávamos que nossa auto-estima, nossos bolsos, nossas ambições e nossos relacionamentos
pessoais (incluindo o sexo) estavam prejudicados ou ameaçados.
* * *
“O mais exaltado trecho de uma carta pode ser uma maravilhosa válvula de segurança – contanto que a cesta de lixo esteja por perto”.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 82
2 – Carta de 1949

NA OPINIÃO DO BILL 40
Conquista material
Nenhum membro de A.A. quer condenar os avanços materiais. Nem entramos em discussão com muita gente que se agarra à crença de que satisfazer nossos desejos básicos é o objetivo principal da vida. Mas estamos convencidos de que nenhum tipo de pessoa no mundo jamais se atrapalhou tanto, tentando viver segundo esse pensamento, como os alcoólicos.
Estávamos à procura de mais segurança, prestígio e romance. Quando parecíamos estar sendo bem-sucedidos, bebíamos para viver sonhos ainda maiores. Quando estávamos frustrados, mesmo um pouco, bebíamos para esquecer.
Em todas essas lutas, muitas delas bem-intencionadas, nosso maior obstáculo era nossa falta de humildade. Faltava-nos ver que a formação do caráter e os valores espirituais tinham que vir em primeiro lugar e que as satisfações materiais eram simplesmente subprodutos e não o principal objetivo da vida.
Os Doze Passos, pág. 61

NA OPINIÃO DO BILL 41
Regras para ser membro?
Por volta de 1943 ou 1944, o Escritório Central pediu aos grupos para que fizessem uma lista das regras para ser membro e a enviassem ao escritório. Quando as listas chegaram, anotamos as regras. Um pouco de reflexão sobre essas muitas regras nos levou a uma conclusão surpreendente.
Se todas essas regras entrassem em vigor, em todos os lugares, imediatamente, teria sido praticamente impossível qualquer alcoólico ter se juntado ao A.A. Cerca de noventa por cento de nossos mais antigos e melhores membros nunca poderiam ter ingressado!
* * *
Finalmente a experiência nos ensinou que privar o alcoólico de tão grande chance, às vezes era o mesmo que declarar sua sentença de morte e, muitas vezes, condená-lo a uma miséria sem fim. Quem ousaria ser juiz, júri e carrasco de seu próprio irmão doente?
1 – Grapevine de agosto de 1946
2 – As Doze Tradições, pág. 22

NA OPINIÃO DO BILL 42
Autoconfiança e força de vontade
Quando, pela primeira vez desafiados a admitir a derrota, a maioria de nós se revoltou. Havíamos nos aproximado de A.A., esperando ser ensinados a ter autoconfiança. Então nos disseram que, no tocante ao álcool, de nada nos serviria a autoconfiança: aliás, ela era um empecilho total. Não era possível o alcoólico vencer a compulsão com a ajuda da vontade desamparada.
* * *
É quando tentamos fazer com que nossa vontade se harmonize com a vontade de Deus, que começamos a usá-la corretamente. Para todos nós, essa foi uma das revelações mais maravilhosas. Todo o nosso problema tinha sido o mau uso da força de vontade. Tínhamos tentado atacar nossos problemas com ela, ao invés de tentar levá-la a ficar de acordo com o plano de Deus para conosco. O propósito dos Doze Passos de A.A. é o de tornar isso cada vez mais possível.
1 – Os Doze Passos, pág. 14
2 – Os Doze Passos, pág. 30

NA OPINIÃO DO BILL 43
Até que ponto o anonimato?
Via de regra, o recém-chegado queria que sua família ficasse logo inteirada daquilo que ele estava tentando fazer. Ele também queria contar aos outros que tinham tentado ajudá-lo: seu médico, seu ministro religioso e amigos íntimos. Assim que obtinha confiança, ele se sentia no direito de explicar seu novo modo de vida para seu patrão e colegas de trabalho. Quando surgia oportunidade de ser útil, ele achava que poderia falar com muita facilidade acerca de A.A., a quem quer que fosse.
Essas discretas revelações ajudavam-no a perder o receio que tinha do estigma alcoólico e a propagar a notícia da existência de A.A., em sua comunidade. Muitos homens e mulheres vieram para A.A. por causa disso. Como é esperado que esse anonimato seja apenas, a nível público, essas comunicações estavam bem dentro de seu espírito.
As Doze Tradições, págs. 60 e 61

NA OPINIÃO DO BILL 44
Aceitação diária
“Grande parte de minha vida foi passada, repisando as faltas dos outros. Essa é uma das muitas formas sutis e maldosas da auto-satisfação, que nos permite ficar confortavelmente despreocupados a respeito de nossos próprios defeitos. Inúmeras vezes dissemos: ‘Se não fosse por causa dele (ou dela), como eu seria feliz!'”
* * *
Nosso primeiro problema é aceitar nossas circunstâncias atuais como são, a nós mesmos como somos, e as pessoas que nos cercam como também são. Isso é adotar uma humildade realista sem a qual nenhum verdadeiro progresso pode sequer começar. Repetidamente precisaremos voltar a esse pouco lisonjeiro ponto de partida. Esse é um exercício de aceitação que podemos praticar com proveito todos os dias de nossas vidas.
Desde que evitemos arduamente transformar esses reconhecimentos realistas dos fatos da vida em álibis irreais para a prática da apatia ou do derrotismo, eles podem ser a base segura sobre a qual pode ser construída a crescente saúde emocional e, portanto, o progresso espiritual.
1 – Carta de 1966
2 – Grapevine de março de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 45
Nossos companheiros
Hoje em dia a grande maioria dos alcoólicos acolhe bem qualquer nova luz que possa ser lançada sobre a misteriosa e complexa doença do alcoolismo. Acolhemos bem novos e valiosos conhecimentos, quer provenham de um tubo de ensaio, do divã do psiquiatra ou de estudos sociais. Apreciamos com satisfação toda espécie de educação que informe o público acuradamente e modifique sua opinião a respeito do bêbado.
Cada vez mais consideramos todos aqueles que trabalham no campo do alcoolismo, como nossos companheiros na marcha da escuridão para a luz. Vemos que juntos podemos obter o que nunca poderíamos alcançar em separado ou com rivalidade.
Grapevine de março de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 46
A verdadeira ambição e a falsa
Concentrávamos muito em nós mesmos e naqueles que nos cercavam. Sabíamos que éramos cutucados, por medos ou ansiedades descabidos, a uma vida que levava à fama, dinheiro e ao que supúnhamos que fosse liderança. Assim, o falso orgulho tornou-se o outro lado da terrível moeda com a marca do “medo”. Simplesmente tínhamos que ser a pessoa mais importante, a fim de encobrir nossas inferioridades mais profundas.
* * *
A verdadeira ambição não é aquilo que achávamos que era. Ela é o profundo desejo de viver de maneira útil e caminhar humildemente, sob a graça de Deus.
1 – Os Doze Passos, pág. 109
2 – Os Doze Passos, pág. 110

NA OPINIÃO DO BILL 47
Ver é crer
A fé quase infantil dos irmãos Wright, de que poderiam construir uma máquina que voasse, foi a mola mestra de seu sucesso. Sem ela nada poderia ter acontecido.
Nós, os agnósticos e ateus, estávamos agarrados à idéia de que a auto-suficiência resolveria nossos problemas. Quando os outros nos mostravam que a “suficiência de Deus” funcionava para eles, começamos a nos sentir como aqueles que tinham insistido em que os irmãos Wright nunca voariam. Estávamos vendo um outro tipo de vôo, uma libertação espiritual deste mundo, pessoas que se elevavam acima de seus problemas.
Alcoólicos Anônimos, págs. 72 e 74

NA OPINIÃO DO BILL 48
Viva serenamente
Quando um bêbado está com uma terrível ressaca, porque bebeu em excesso ontem, ele não pode viver bem hoje. Mas existe um outro tipo de ressaca que todos experimentamos, bebendo ou não. Essa é emocional, resultado direto do acúmulo de emoções negativas de ontem e, às vezes, de hoje – raiva, medo, ciúme e outras semelhantes.
Se queremos viver serenamente hoje e amanhã, sem dúvida precisamos eliminar essas ressacas. Isso não quer dizer que precisamos perambular morbidamente pelo passado. Requer, isso sim, uma admissão e correção dos erros cometidos – agora.
Os Doze Passos, pág. 79 e 80

NA OPINIÃO DO BILL 49
A força nascendo da fraqueza
Se estamos dispostos a parar de beber, não podemos abrigar, de forma alguma, a esperança de que um dia seremos imunes ao álcool.
* * *
Tal é o paradoxo da regeneração em A.A.: a força nascendo da fraqueza e da derrota completa, a perda de uma vida antiga como condição para encontrar uma nova.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 55
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 41

NA OPINIÃO DO BILL 50
A.A.: Anarquia benigna e democracia
Quando chegamos em A.A., encontramos uma liberdade pessoal maior do que qualquer outra sociedade conhece. Não somos obrigados a fazer nada. Nesse sentido, essa sociedade é uma anarquia benigna. A palavra “anarquia” tem um mau significado para a maioria de nós. Mas acho que o idealista, que primeiro advogou a idéia, sentia que se os homens tivessem garantido liberdade absoluta e não fossem obrigados a obedecer ninguém, eles então voluntariamente se associariam a um interesse comum. A.A. é uma associação do tipo benigno que ele imaginou.
Mas quando tivemos que entrar em ação – para funcionar como grupos – descobrimos que tínhamos que vir a ser uma democracia. À medida que os primeiros membros iam-se retirando, começamos a eleger nossos servidores pela maioria de votos. Cada grupo nesse sentido veio a ser uma reunião democrática com os membros da comunidade. Todos os planos para a ação do grupo tinham de ser aprovados pela maioria. Isso significa que nenhum indivíduo poderia designar a si mesmo para atuar por seu grupo ou por A.A. como um todo. Para nós não servia nem ditadura nem paternalismo.
A.A. Atinge a Maioridade, págs. 200 e 201

NA OPINIÃO DO BILL 51
A chegada da fé
Em meu caso, a pedra fundamental da libertação do medo é a fé: uma fé que, a despeito de todas as aparências mundanas em contrário, faz-me crer que vivo num universo que faz sentido.
Para mim, isso significa a crença num Criador que é todo poder, justiça e amor; um Deus que quer para mim um propósito, um significado e um destino para crescer, ainda que aos poucos e com hesitação, em direção à Sua imagem e semelhança. Antes de chegar à fé eu tinha vivido como um estranho num cosmo, que muitas vezes parecia ser hostil e cruel. Nele não poderia haver, para mim, nenhuma segurança interior.
* * *
“Quando caí de joelhos por causa do álcool, me achei pronto para pedir a dádiva da fé. E tudo mudou. Nunca mais, apesar de meus sofrimentos e problemas, experimentaria minha antiga desolação. Vi o universo iluminado pelo amor de Deus; eu não estava mais sozinho.”
1 – Grapevine de janeiro de 1942
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 52
Para prevenir uma recaída
Suponhamos que em algum momento deixamos de atingir nossos ideais. Isso significa que vamos beber? Algumas pessoas nos dizem que sim, mas é apenas a metade da verdade.
Depende de nós e de nossos motivos. Se estamos arrependidos do que fizemos e temos o sincero desejo de deixar que Deus nos leve a coisas melhores, acreditamos que seremos perdoados e teremos aprendido uma lição. Se não estamos arrependidos, e nossa conduta continua a prejudicar os outros, estamos bem certos de que voltaremos a beber. Esses são fatos baseados em nossa experiência.
Alcoólicos Anônimos, pág. 87

NA OPINIÃO DO BILL 53
“Solitários” – Mas não sozinhos
O que se pode dizer de muitos membros de A.A. que, por várias razões, não podem constituir família? No início muitos deles se sentem sozinhos, magoados e abandonados, quando testemunham tanta felicidade conjugal ao seu redor. Se não podem ter esse tipo de felicidade, A.A. pode lhes oferecer satisfações igualmente válidas e duradouras?
Sim, todas as vezes que eles tentam arduamente procurá-las. Cercados de tantos amigos AAs, os assim chamados “solitários” nos dizem que já não se sentem sós. Em companhia de outros homens e mulheres, podem se dedicar a inúmeros ideais, pessoas e projetos construtivos. Podem participar de empreendimentos que por sua natureza seriam negados aos casados. Todos os dias vemos esses membros prestarem relevantes serviços e receberem, de volta, grandes alegrias.
Os Doze Passos, pág. 106

NA OPINIÃO DO BILL 54
Para aprofundar nosso conhecimento interior
É necessário que esclareçamos, por meio de um exame de nossas relações pessoais, toda informação possível sobre nós e sobre nossas principais dificuldades. Uma vez que nossos relacionamentos difíceis com outros seres humanos quase sempre foram a causa imediata de nosso sofrimento, incluindo nosso alcoolismo, nenhum campo de investigação poderia trazer recompensas mais satisfatórias e valiosas do que esse.
Reflexão calma e ponderada sobre relações pessoais pode aprofundar nosso conhecimento interior. Podemos ir muito além daquelas coisas que estavam superficialmente erradas em nós, para ver aquelas falhas que eram básicas, falhas que às vezes eram responsáveis pelo padrão de nossa vida toda. Descobrimos que a minuciosidade vale a pena – vale a pena mesmo.
Os Doze Passos, pág. 72

NA OPINIÃO DO BILL 55
Em busca de orientação
“Supõe-se que o homem pensa e age. Ele não foi criado à imagem de Deus para ser um autômato.
“Minha própria fórmula a esse respeito é a seguinte: primeiro, penso nos prós e nos contras de cada situação, orando nesse meio-tempo para não ser influenciado pelas considerações do ego. Afirmo que gostaria de fazer a vontade de Deus.
“Então, tendo resolvido o problema dessa maneira e não tendo obtido resposta conclusiva ou compulsiva, espero uma orientação maior que possa ir direto à minha mente ou vir de outras pessoas ou circunstâncias.
“Se sinto que não posso esperar e ainda não tenho nenhuma indicação definida, repito a primeira medida várias vezes e tento escolher da melhor forma, antes de agir. Sei que se estou errado, o céu não cairá. Uma lição terá que ser aprendida, de qualquer maneira”.
Carta de 1950

NA OPINIÃO DO BILL 56
Enfrentando a crítica
Às vezes ficamos surpresos, chocados e com raiva quando alguém vê alguma falha em A.A. Somos capazes de ficar perturbados de tal forma, que não podemos obter benefícios com a crítica construtiva.
Esse tipo de ressentimento não cria amizades e não alcança nenhum propósito construtivo. Na verdade essa é uma área, na qual podemos nos melhorar.
* * *
É evidente que a harmonia, segurança e eficiência futuras de A.A. dependerão muitíssimo da manutenção de uma atitude passiva e não agressiva em todas as nossas relações públicas. Essa é uma tarefa difícil, porque em nossos dias de bebedeira, éramos inclinados à zanga, hostilidade, revolta e agressão. Mesmo apesar de estarmos agora sóbrios, os velhos padrões de comportamento ainda estão dentro de nós até certo ponto, prontos para explodir com qualquer boa desculpa.
Mas nós sabemos disso e, portanto, sentimos confiança que na conduta de nossos afazeres públicos, sempre encontraremos a graça de manifestar um real controle.
1 – Grapevine de julho de 1965
2 – Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág.73

NA OPINIÃO DO BILL 57
Melhor que o ouro
Como recém-chegados, muitos de nós têm se entregado à intoxicação espiritual. Como um explorador faminto ao esgotar a última migalha de alimento, encontramos o ouro. A alegria que sentimos, ao ser libertados de uma vida toda de frustração, foi enorme.
O recém-chegado sente que encontrou algo melhor que o ouro. Ele pode não ver, de imediato, que apenas tocou a superfície de uma mina infinita, que só pagará dividendos se a explorar para o resto da vida e insistir em doar toda a produção.
Alcoólicos Anônimos, pág. 135

NA OPINIÃO DO BILL 58
Indignação justificada
“O valor positivo da indignação justificada é teórico – especialmente para os alcoólicos. Isso deixa cada um de nós exposto à racionalização de que podemos ficar com raiva quando quisermos, desde que possamos achar justa nossa raiva”.
* * *
Quando guardávamos rancor e planejávamos vingar essas derrotas, estávamos na verdade nos batendo com o porrete da fúria que pretendíamos usar nos outros. Aprendemos que se estávamos seriamente perturbados, nossa primeira necessidade era diminuir essa perturbação, não importando quem ou qual achávamos ser a causa.
1 – Carta de 1954
2 – Os Doze Passos, pág. 38

NA OPINIÃO DO BILL 59
Convicção e compromisso
Um qualificativo para uma vida útil é o dar e receber, a habilidade de transigir sem rancor. Fazer concessões é muito penoso para nós, beberrões de “tudo ou nada”. Entretanto, não podemos nos esquecer de que o progresso é quase sempre caracterizado por uma série de concessões vantajosas.
Claro que não podemos fazer concessões sempre. Uma vez ou outra é realmente necessário fincar os pés numa convicção sobre o assunto, até que ele se esclareça. Fazer ou não concessões requer sempre cuidadoso discernimento.
Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 43

A COMUNICAÇÃO DE A.A. PODE SUPERAR TODAS AS BARREIRA – BILL W.

A COMUNICAÇÃO DE A.A. PODE SUPERAR TODAS AS BARREIRAS.-BILL W.

Ninguém pode ter dúvidas que nós, AAs, somos muito afortunados; afortunados por ter sofrido tanto; afortunados por poder conhecer-nos, compreender-nos e amar-nos uns aos outros tão supremamente bem – mas não podemos atribuir-nos o mérito de ter estas qualidades e virtudes. Para dizer a verdade, a maioria de nós é bem consciente de que são dádivas extraordinárias que têm sua verdadeira raiz em nossa afinidade nascida do sofrimento em comum e da liberação por graça de Deus. Portanto temos o privilégio de comunicar-nos uns com os outros de uma maneira e com uma intensidade que raras vezes vemos evoluir entre nossos amigos não alcoólicos no mundo ao nosso redor. Desde os primórdios de A.A., o êxito que tivemos com cada novo candidato dependeu diretamente de nossa capacidade para identificar-nos com ele ou ela, pela experiência, pela linguagem e especialmente pelos sentimentos – esses sentimentos profundos que temos uns com os outros e que não se pode expressar com palavras. Isto é o que verdadeiramente queremos dizer com “um alcoólico que fala com outro”. Faz anos, não obstante, nos demos conta de que a afinidade que temos por haver sofrido do alcoolismo grave, com frequência não era por si suficiente. Para superar todas as barreiras, era necessário ampliar e aprofundar todos os nossos canais de comunicação. Por exemplo, quase todos os membros de A.A. eram o que hoje chamamos de “últimos goles” ( ou seja, do fundo do poço). A maioria dos primeiros membros chegaram a beira do abismo. Quando começaram a apresentar-se os casos menos aflitos (os leves), costumávamos dizer-nos, “Mas nunca nos colocaram na cadeia,. Nunca nos confiram em manicômios. Nunca fizemos essas coisas horríveis de que falam os senhores. Sem dúvida, A.A. não serve para pessoas como nós”. Durante anos, os veteranos simplesmente não podiam se comunicar com essas pessoas. De alguma forma, teríamos que aumentar o número e a capacidade de nossas linhas de comunicação com eles. Se não, nunca poderíamos alcança-los. Após muita experiência, por fim chegamos a elaborar um meio e um método para fazê-lo. A cada novo candidato leve, reforçava-se insistentemente o veredicto de eminentes médicos de que o “alcoolismo é uma doença mortal e PROGRESSIVA” Logo, contávamos sobre as primeiras etapas de nossas carreira de bebedores, nas quais nossos próprios casos tampouco pareciam ser tão graves. Recordávamos o quão convencidos que estávamos de poder controlar na “próxima vez” que tomássemos um gole; ou talvez o admirável que nos parecia a ideia de que, em certas ocasiões, o desenfreado consumo de álcool não era senão o “pecadinho” de um bom homem muito “macho”. Ou, na próxima etapa, a tendência que tínhamos em colocar a culpa de haver nos entregue ao álcool ás nossas circunstâncias desgraçadas ou á conduta desconcertante de outra pessoa. Depois de haver estabelecido este grau de identificação, nos colocamos a presenteá-los com histórias que serviam para demonstrar quão insidiosa e irresistível havia progredido nossa enfermidade, que serviam para ensinar que, anos antes de nos conscientizarmos, já havíamos ultrapassado o ponto do qual podíamos voltar atrás pelo esforço de nossa própria vontade ou contando unicamente com nossos próprios recursos.. Seguíamos insistindo em como estavam certos, os médicos. Lenta, mas segura esta estratégia, começou a dar os resultados esperados. Graças ao apoio de autoridades da medicina e uma apresentação mais inteligente do problema, os casos graves começaram a comunicar-se com os casos leves. Mas não tínhamos que continuar para sempre com esse processo lento e pesado, e seus escassos resultados. Para nosso grande regozijo, descobrimos que enquanto os AAs de qualquer localidade recebiam em seus Grupos, os bêbados leves, o progresso com estes companheiros, ainda que fossem muito poucos, recuperavam-se mais fácil e rapidamente. Hoje em dia, sabemos por que – um bêbado leve pode falar com o outro leve como nenhuma outra pessoa pode fazê-lo.Assim este setor de nossa Irmandade seguiu crescendo constantemente. É bem provável que quase a metade dos atuais membros de A.A. tenham se liberado dos últimos cinco, dez, inclusive, quinze anos de puro inferno que nós do fundo do poço conhecemos tão bem. Desde que foram resolvidos estes primeiros problemas elementares de comunicação, A.A logrou entrar e comunicar-se com êxito em todas as áreas da vida onde se encontram os alcoólicos. Por exemplo, a princípio se passaram anos antes que o A.A. levasse á sobriedade permanente apenas a uma mulher alcoólica. Como os leves, as mulheres também diziam que eram diferentes. Nãoobstante, ao ir se aperfeiçoando a comunicação, devido principalmente ao esforço das próprias mulheres, a situação foi mudando. Hoje em dia, deve haver umas trinta mil irmãs nossas de A.A. por todas as partes do mundo. E assim continuamos desenvolvendo este processo de identificação e transmissão. O bêbado das favelas dizia que era diferente. Ouvia-se dizer o mesmo, embora com mais fervor da elite (pessoas da alta sociedade). O mesmo diziam os artistas, os profissionais, os ricos, os pobres, os religiosos, os agnósticos, os índios, os esquimós, os soldados veteranos e os presos. Mas hoje em dia, todos eles falam muito que nós alcoólicos nos parecemos, quando reconhecemos que chegamos á hora da verdade; quando nos damos conta de que nossa Irmandade de “sofrimento e libertação”, realmente é uma questão de vida ou de morte. Esta é a nossa edição anual da GRAPEVINE de A.A. nela aparecem notícias e comentários de nossos apreciados Grupos de alem mar, Grupos que hoje em dia nos devolvem em dobro, a inspiração que nós um dia tentamos dar a eles.Naquele tempo, havia um verdadeiro problema de comunicação. Não seria possível estabelecer identificação com nossos companheiros em países estrangeiros por meio de cartas, ou por meio de nossa literatura, da qual tínhamos poucos títulos traduzidos, e mediante os contatos fortuitos que tivéssemos com os AAs viajantes. Em 1950, não sabíamos a resposta com certeza. Dessa forma Lois e eu, nos dirigimos naquele ano á Europa e á Grã Bretanha para verificar nós mesmo,perguntávamos: “ Poderia o A.A. superar verdadeiramente as formidáveis barreiras de raças, de idiomas, de religião e de culturas; as cicatrizes das guerras recentes e as mais antigas; a soberba e os prejuízos que nós os Norte Americanos já sabíamos que tínhamos? Poderíamos comunicar-nos com noruegueses, os dinamarqueses e os finlandeses? E com os holandeses, os alemães, os franceses, os escoceses e os israelitas? E com os africanos. Com os bôeres, os australianos, os latinos, os japoneses, os indianos e os mulçumanos. E – não devemos esquecer- os esquimós? Poderia o A.A. superar essas barreiras que , com o maior veemência que nunca, tinham dividido e desgarrado o nosso mundo? Assim que desembarcamos na Noruega, soubemos que o A.A. poderia chegar e chegaria a todas as partes. Não entendíamos nem uma palavra de norueguês e havia poucos tradutores. Para nós, tanto as paisagens como os costumes eram novos e estranhos. No entanto, desde o primeiro instante houve uma comunicação maravilhosa. Havia uma incrível sensação de unidade, de estar completamente em casa. Os noruegueses eram nossos. A Noruega, também era nosso país. Eles tinham os mesmos sentimentos parta conosco. Isso se podia ver em seus rostos, nos chegaram ao coração. A medida que íamos viajando de país em país, ia se repetindo uma e outra vez esta magnífica experiência. Na Grã Bretanha, nos aceitaram como britânicos. Na Irlanda, estávamos em perfeita harmonia com os irlandeses. Por toda parte, era a mesma coisa. Era algo muito mais importante que um cordial encontro e acordo entre pessoas. Não era um mero intercâmbio de interessantes experiências e esperanças comuns. Era muito mais: era a comunicação de coração para coração com admiração, com alegria e com eterna gratidão. Lois e eu soubemos então que o A.A. poderia dar a volta ao Globo – e assim o fez. Nunca teremos necessidade de outra evidência. Se há algum membro que ainda duvide, que escute a comovedora história que alguém me contou na semana passada. A história refere-se a um pequeno Grupo que fala inglês no Japão. Para se mais preciso, é a história de dois membros do Grupo – uma dupla de japoneses que não entendem nem uma palavra do inglês. Vale mencionar que os demais membros – os que falam inglês – não entendem nem uma palavra de japonês. A barreira linguística é total. É bem provável que os japoneses tão somente leram uma tradução dos Doze Passos e nada mais. Já fazem alguns meses que os companheiros japoneses vêm assistindo á reuniões, sem perder nenhuma. Sentam-se ali, no local da reunião, com semblantes muito risonhos. Concentram-se com toda intensidade na colocação de cada orador, como se compreendessem ou soubessem cada palavra. Estas palavras inglesas, ainda não têm sentido. Não obstante, para os que falam a reunião têm para eles um imenso significado e todos sabemos por que. Os que falam não estão se expressando meramente em inglês, mas na linguagem universal de profunda e duradoura irmandade – a linguagem do coração. Os japoneses uma vez isolados e solitários, já não se sentem sozinhos, podem ver, sentir e compreender. E, graças a Deus, nós também vemos, sentimos e compreendemos. –BILL W. – Outubro de 1959.