Monthly Archives: Maio 2015

REFLEXÕES DIÁRIAS – MÊS DE JUNHO

REFLEXÕES DIÁRIAS – MÊS DE JUNHO

1 DE JUNHO
UM NOVO PONTO DE VISTA

Todos os nossos pontos de vista e atitudes perante a vida irão se modificar.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 103 ou p. 112
Quando bebia, minha atitude era totalmente egoísta, totalmente autocentrada; meu prazer e meu conforto vinham em primeiro lugar. Agora que estou sóbrio, o egoísmo começou a ir embora. Toda minha atitude em relação à vida e às outras pessoas está mudando. Para mim, o primeiro “A” em nosso nome significa “atitude”. Minha atitude é mudada pelo segundo “A” em nosso nome que significa “ação”. Praticando os Passos, assistindo às reuniões e transmitindo a mensagem, posso recuperar minha sanidade. Ação é a palavra mágica! Com uma atitude positiva de ajuda e uma ação regular em A.A., posso manter-me sóbrio e ajudar os outros a alcançar a sobriedade. Minha atitude agora é a de estar disposto a caminhar qualquer distância para manter-me sóbrio.

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2 DE JUNHO

O CAMINHO ASCENDENTE

Eis os Passos que demos…

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 80 ou p. 88

Estas são as palavras introdutórias aos Doze Passos. Na sua simplicidade direta elas deixam de lado todas as considerações psicológicas e filosóficas sobre a virtude dos Passos. Eles descrevem o que fiz: pratiquei os Passos e o resultado foi a sobriedade. Estas palavras não implicam em que eu deva caminhar pela estrada trilhada pelos que vieram antes. Ao invés disso mostram que existe uma maneira de ficar sóbrio, e que é um caminho que eu preciso encontrar. É um caminho novo que leva para a luz infinita no topo da montanha. Os Passos me aconselham sobre os apoios que são seguros e os abismos a evitar. Eles me fornecem as ferramentas de que preciso durante grande parte da jornada solitária de minha alma. Quando falo desta jornada, compartilho minha experiência, força e esperança com os outros.

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3 DE JUNHO
NUMA ASA E NUMA ORAÇÃO

… olhamos então para o Sexto Passo. Frisamos que a boa vontade é indispensável.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 96 ou 104

O Quarto e Quinto Passos são difíceis, mas de grande valor. Agora estava parado no Sexto Passo e, em desespero, peguei o Livro Grande e li esta passagem. Estava fora, rezando por vontade própria, quando levantei meus olhos e vi um grande pássaro subindo para o céu. Eu o observei subitamente entregar-se às poderosas correntes de ar das montanhas.Levado pelo vento, mergulhando e elevando-se, o pássaro fez coisas aparentemente impossíveis. Foi um exemplo inspirador de uma criatura “soltando-se” para um poder maior que ela própria. Percebi que se o pássaro “retomasse seus controles” e tentasse voar com menos confiança, apenas com sua força, poderia estragar o seu aparente voo livre. Esta percepção me deu disposição para rezar a Oração do Sétimo Passo. Nem sempre é fácil conhecer a vontade de Deus. Devo procurar e estar pronto para aproveitar as correntes de ar, pois é aí que a oração e a meditação ajudam. Porque por mim mesmo eu não sou nada, peço a Deus que me conceda o conhecimento de Sua vontade e força e coragem para transmiti-la – hoje.

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4 DE JUNHO

LIBERTANDO-NOS DE NOSSOS VELHOS EGOS

Lendo cuidadosamente as primeiras cinco proposições, perguntamo-nos se omitimos alguma coisa, pois estamos construindo um arco pelo qual passaremos finalmente como homens livres…
Estamos agora prontos para que Deus retire de nós todas as coisas que já admitimos serem censuráveis?

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 96 ou p. 104 e 105

O Sexto Passo é o último de “preparação”. Embora já tenha usado a oração extensivamente, ainda não fiz nenhum pedido formal ao meu Poder Superior nos primeiros Seis Passos. Identifiquei meu problema, vim a acreditar que havia uma solução, tomei a decisão de procurar esta solução, e “limpei a casa”. Agora me pergunto: estou disposto a viver uma vida de sobriedade, de mudança, de me libertar do meu velho ego? Preciso determinar se estou realmente pronto para mudar. Revejo o que tenho feito e estou disposto a que Deus remova todos os meus defeitos de caráter; para que, no próximo Passo, eu diga ao meu Criador que estou disposto e peça ajuda. “Se ainda nos apegarmos a algo que não queremos soltar, peçamos a Deus que nos dê a vontade de fazê-lo.” (Alcoólicos Anônimos, p. 96 ou p. 105)

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5 DE JUNHO

INTEIRAMENTE PRONTO?

“Este é o Passo que separa os adultos dos adolescentes…” … a diferença entre “os adultos e os adolescentes” é igual à que existe entre a luta por um objetivo qualquer de nossa escolha e a meta perfeita que é Deus… Sugere-se que devemos estar inteiramente dispostos a procurar a perfeição… No momento em que dizemos: “não, nunca”, nossa mente se fecha para a graça de Deus… Este é o ponto exato em que teremos de abandonar nossos objetivos limitados e avançar em direção à vontade de Deus para conosco.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 55, 60 e 61

Estou inteiramente pronto a deixar que Deus remova estes defeitos de caráter? Reconheço que não tenho condições de salvar a mim mesmo? Vim a crer que não posso. Se sou incapaz, se minhas melhores intenções dão errado, se meus desejos têm uma motivação egoísta e se meu conhecimento e minha vontade são limitados – então estou pronto a admitir a vontade de Deus em minha vida.

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6 DE JUNHO

TUDO QUE FAZEMOS É TENTAR

Será que Ele pode levá-las embora, todas elas?

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 96 ou p. 105

Ao fazer o Sexto Passo, lembrei que estou lutando por alcançar um “progresso espiritual”. Alguns de meus defeitos de caráter ficarão comigo pelo resto de minha vida, mas muitos foram suavizados ou eliminados. Tudo que o Sexto Passo pede de mim é que me torne disposto a nomear meus defeitos, reconhecer que são meus e estar disposto a me livrar daqueles que puder, só por hoje. Quando cresço no programa, muitos dos meus defeitos tornam-se mais censuráveis para mim que anteriormente, portanto, preciso repetir o Sexto Passo para que possa ser mais feliz comigo mesmo e manter minha sobriedade.

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7 DE JUNHO

ESPERANÇA A LONGO PRAZO

Visto que a maioria de nós nasceu com abundância de desejos naturais, não é de se admirar que, frequentemente deixemos que excedam de seu propósito. Quando nos impelem cegamente, ou quando, obstinadamente, exigimos que nos deem mais satisfações e prazeres do que é possível ou do que merecemos, estamos no ponto em que nos afastamos do grau de perfeição que Deus deseja para nós aqui na terra. Esta é a medida de nossos defeitos de caráter ou, se preferirmos, de nossos pecados.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 57

Aqui é onde nasce a esperança a longo prazo e se ganha a perspectiva da natureza de minha doença e do caminho de minha recuperação. A beleza de A.A. repousa em saber que minha vida, com a ajuda de Deus, vai melhorar. A caminhada em A.A. torna-se mais rica, o entendimento se transforma em verdade, os sonhos tornam-se realidades – e o hoje é para sempre.

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8 DE JUNHO

ABRINDO-SE PARA MUDAR

A autoanálise é o meio pelo qual trazemos um nova visão, ação e graça para influir no lado escuro e negativo do nosso ser. Com ela vem o desenvolvimento daquele tipo de humildade, que nos permite receber a ajuda de Deus… descobrimos que pouco a pouco vamos nos despojando da vida antiga – a vida que não funcionou – por uma nova vida que pode e funciona sob quaisquer condições.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 10, 8

Foi me dado um indulto diário, que depende de minha condição espiritual, desde que procure o progresso e não a perfeição. Para me tornar pronto para mudar, eu pratico a boa vontade, abrindo-me às possibilidades de mudança.
Se percebo que existem defeitos que atrapalham minha utilidade em A.A. e para os outros, me preparo, meditando e recebendo orientação. “Alguns de nós tentamos nos apegar às nossas velhas ideias e o resultado foi nulo, até que nos rendemos completamente.” (Alcoólicos Anônimos, p. 79 ou 87)
Para soltar-me e deixar Deus agir, preciso somente entregar meus velhos costumes para Ele; não mais lutar nem tentar controlar, mas simplesmente acreditar que com a ajuda de Deus estou mudando, e assim afirmando me torno pronto. Esvazio-me para me encher de percebimento, luz e amor, e estou preparado para encarar cada dia com esperança.

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9 DE JUNHO

VIVER NO PRESENTE

Primeiro, tentamos viver no presente só para não beber, – e vemos que funciona. E depois que essa ideia se torna parte de nosso modo de pensar, verificamos que viver a vida em segmentos de 24 horas é uma forma eficaz e agradável de lidar com outros assuntos também.

VIVER SÓBRIO, p. 18

“Um dia de cada vez.” Para o ingressante este e outros lemas de A.A. podem parecer ridículos. As senhas da Irmandade de A.A. podem se tornar linhas de vida, nos momentos de tensão. Cada dia pode ser como uma rosa desabrochando de acordo com o plano de um Poder Superior a mim mesmo. Meu programa deve ser plantado no local certo, onde ele precisará ser preparado, alimentado e protegido da doença. Meu plantio exige paciência e minha percepção de que algumas flores serão mais perfeitas que outras. Cada estágio das pétalas se abrindo pode trazer maravilhas e deleite, se eu não interferir ou deixar minhas expectativas anularem minha aceitação – e estas coisas trazem serenidade.

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10 DE JUNHO
IMPACIENTE? TENTE LEVITAR

Reagimos mais fortemente às frustrações do que as pessoas normais.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 111

Impaciência com as outras pessoas é um dos meus maiores defeitos. Seguir um carro que anda devagar numa avenida que não dá ultrapassagem, ou esperar pela conta num restaurante, me levam à loucura. Antes de dar uma chance a Deus para me acalmar, explodo, e isso é o que chamo ser mais rápido que Deus. Esta experiência repetida várias vezes me deu uma ideia. Pensei que se eu pudesse olhar para estes acontecimentos sob o ponto de vista de Deus, poderia controlar melhor meu comportamento e meus sentimentos. Tentei e quando encontrei outro motorista lento, olhei o outro carro e a mim mesmo. Vi um casal de velhos dirigindo e conversando alegremente sobre os seus netos. Eles eram seguidos por mim, carrancudo e o rosto vermelho – que não tinha hora marcada para encontrar ninguém. Eu parecia tão bobo que caí na realidade e diminui a marcha. Ver as coisas do ponto de vista de Deus pode ser muito relaxante.

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11 DE JUNHO

OBRIGAÇÕES FAMILIARES

…Uma vida espiritual que não inclua… obrigações familiares, poderá não ser tão perfeita.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 145 ou p. 158

Posso estar fazendo grandes progressos no programa – praticando-o nas reuniões, no trabalho, nas atividades de serviço – e descobrir que as coisas estão se dilapidando em casa. Contava com as pessoas que amo para me entender, mas elas não podem. Contava com elas para ver e avaliar meu progresso mas, elas não podem – a não ser que eu lhes mostre.
Ignoro suas necessidades e desejos de ter minha atenção e meu interesse? Quando estou com elas fico irritado ou aborrecido? As minhas reparações são um “desculpem-me” resmungado, ou tomam a forma de paciência e tolerância? Fico pregando tentando reformá-las ou castigá-las? “A vida espiritual não é uma teoria. Nós temos que vivê-la.” (Alcoólicos Anônimos, p. 102 ou p. 111)

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12 DE JUNHO

FORMANDO UMA VERDADEIRA PARCERIA

Mas, o maior sofrimento que temos padecido se originam de nossas relações deturpadas com parentes, amigos e a sociedade em geral.
Temos sido por demais obtusos e teimosos nestas relações. O fato principal que deixamos de reconhecer é a nossa incapacidade total de manter uma verdadeira intimidade com outro ser humano.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 46

Estas palavras podem ser aplicadas a mim? Eu ainda sou incapaz de formar uma verdadeira parceria com outro ser humano? Que terrível desvantagem seria para mim levar esta minha vida sóbria! Na minha sobriedade meditarei e rezarei, para descobrir como posso me tornar um amigo e companheiro de confiança.

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13 DE JULHO

VIVENDO NOSSAS REPARAÇÕES

“Viver durante anos com um alcoólico, pode tornar qualquer esposa ou filho neuróticos. Até certo ponto, a família inteira está doente.”

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 139 ou p. 151

É muito importante para mim perceber que, como um alcoólico, eu não somente machuquei a mim mesmo, como também todos à minha volta. Fazer reparações à minha família e para as famílias de alcoólicos que ainda sofrem, sempre será importante. Entender a devastação que causei e tentar reparar a destruição, será um esforço para toda a vida. O exemplo de minha sobriedade pode dar aos outros esperança e fé para que se ajudem a si mesmos.

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14 DE JUNHO

QUANDO AS COISAS FICAM DIFÍCEIS

É um programa de vida que fuciona nos momentos difíceis.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 38 ou p. 45

Quando vim para A.A., percebi que A.A. funcionava maravilhosamente para me ajudar a ficar sóbrio. Mas poderia funcionar com os problemas reais da vida, não apenas com a bebida? Eu tinha minhas dúvidas. Após estar sóbrio por mais de dois anos, consegui minha resposta. Perdi meu emprego, desenvolvi problemas físicos, meu pai diabético perdeu uma perna e alguém que eu amava me deixou por outro – e tudo isto aconteceu num período de duas semanas. A realidade me golpeou; mas A.A. estava lá para apoiar, confortar e me fortificar. Os princípios que aprendi nos primeiros dias de sobriedade, tornaram-se o esteio de minha vida, pois não somente superei o que aconteceu, como nunca deixei de ser capaz de ajudar os ingressantes. A.A. me ensinou a não ficar dominado, mas, ao invés disto, aceitar e entender a minha vida como queira que se desdobre.

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15 DE JUNHO

FAZENDO DE A.A. O TEU PODER SUPERIOR

“… você poderá, se quiser … considerar A.A. em si como sua “força superior”. Nele se encontra um grande número de pessoas que resolveram seus problemas com o álcool… muitos membros… atravessaram a barreira inicial… sua fé se ampliou e se aprofundou… transformados, chegaram a acreditar num Poder Superior.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 23

Ninguém era maior que eu, ao menos aos meus olhos, quando eu bebia. Todavia, não podia sorrir para mim no espelho, assim é que cheguei em A.A. onde, com outros, ouvi falar de um Poder Superior. Não podia aceitar o conceito de um Poder Superior, porque acreditava que Deus era cruel e sem amor. Em desespero escolhi uma mesa, uma árvore, depois meu Grupo de A.A. como meu Poder Superior. O tempo passou, minha vida melhorou e comecei a pensar sobre este Poder Superior. Pouco a pouco, com paciência, humildade e muitas perguntas, comecei a acreditar em Deus.
Agora meu relacionamento com meu Poder Superior me dá força para viver uma vida sóbria e feliz.

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16 DE JUNHO

MENTE ABERTA

Descobrimos que Deus não impõe condições árduas aos que O buscam. Para nós, o Reino do Espírito é amplo e espaçoso; não é privativo nem vedado aos que o buscam sinceramente. Acreditamos que ele esteja aberto para todos.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 7

A mente aberta para conceitos de um Poder Superior pode abrir portas para o espírito. Muitas vezes encontro o espírito humano em vários dogmas e fé. Posso ser espiritual quando compartilho de mim mesmo. O compartilhar de mim mesmo me une à raça humana e me traz mais próximo de Deus, como eu O entendo.

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17 DE JUNHO

“BEM DENTRO DE NÓS”

Encontramos a Grande Realidade dentro de nós. Em última análise, somente ali Ele pode ser achado… procurem diligentemente dentro de vocês… Com esta atitude não poderão fracassar. O conhecimento consciente de sua própria crença chegará com segurança.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 77 ou 84

Eu estava em profunda solidão, depressão e desespero quando procurei a ajuda de A.A. Quando fui me recuperando e comecei a ver como minha vida estava vazia e em ruínas, comecei a me abrir para a possibilidade curadora que a recuperação oferece através do programa de A.A. Indo às reuniões, permanecendo sóbrio e praticando os Passos, tive a oportunidade de ouvir com atenção crescente as profundezas de minha alma. Todo dia eu esperava, com esperança e gratidão, por esta crença segura e este amor constante pelos quais esperei por muito tempo em minha vida. Neste processo eu encontrei meu Deus, como eu O entendo.

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18 DE JUNHO

UMA IRMANDADE DE LIBERDADE

… se os homens tivessem garantida liberdade absoluta e não fossem obrigados a obedecer a ninguém, eles então voluntariamente se associariam a um interesse comum…

NA OPINIÃO DO BILL, p. 50

Quando eu não vivo mais sob o comando do outro ou do álcool, vivo uma nova liberdade. Quando me liberto do passado e de todo excesso de bagagem que tenho carregado por tanto tempo, eu venho a conhecer a liberdade. Fui introduzido numa vida e numa Irmandade de liberdade. Os Passos são uma maneira “sugerida” de encontrar uma nova vida, não existem ordem nem comandos em A.A. Sou livre para servir pelo desejo e não por decreto. Há o entendimento de que serei beneficiado com o crescimento dos outros membros, e o que aprendo compartilho com o Grupo. O “bem-estar comum” encontra espaço para crescer na sociedade da liberdade pessoal.

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19 DE JUNHO

REGENERAÇÃO EM A.A.

Tal é o paradoxo da regeneração em A.A.: a força nascendo da fraqueza e da derrota completa; a perda de uma vida antiga como condição para encontrar uma nova.

A.A. ATINGE A MAIORIDADE, p. 41 ou p. 39

Milhares de reveses por causa do álcool não me deram coragem de admitir minha derrota. Acreditava que era minha obrigação moral conquistar meu “inimigo-amigo”. Na minha primeira reunião de A.A., fui abençoado com um sentimento de que estava tudo bem admitir a derrota para uma doença que não tinha nada a ver com a minha “fibra moral”. Instintivamente soube que estava na presença de um grande amor, quando entrei pelas portas de A.A. Sem nenhum esforço de minha parte, fiquei consciente de que amar a mim mesmo era bom e correto, como Deus pretendia. Meus sentimentos me libertaram, enquanto meus pensamentos tinham me mantido na escravidão. Eu sou grato.

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20 DE JUNHO

LIBERTAÇÃO DO MEDO

O problema de acabar com o medo apresenta dois aspectos.
Vamos ter que tentar nos libertar de todo o medo que for possível. Depois, vamos precisar encontrar tanto a coragem como a graça para lidar construtivamente com qualquer espécie de medo que ainda reste.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 61
A maioria de minhas decisões eram baseadas no medo. O álcool tornou a vida mais fácil de encarar, mas chegou a hora em que o álcool não era mais uma alternativa para o medo. Uma das maiores dádivas em A.A. para mim foi a coragem para agir, o que posso fazer com a ajuda de Deus. Após cinco anos de sobriedade, precisei tratar com uma pesada dose de medo. Deus colocou pessoas na minha vida para me ajudar a fazer isso e, praticando os Doze Passos, estou me tornando a pessoa completa que desejo ser e, por isto, sou profundamente grato.

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21 DE JUNHO

MEDO E FÉ
A conquista da libertação do medo é uma tarefa para toda a vida, é algo que nunca pode ficar completamente concluído.
Ao sermos duramente atacados, estarmos gravemente enfermos ou em qualquer situação de séria insegurança, todos nós vamos reagir a essa emoção de alguma maneira – bem ou mal – conforme o caso se apresente. Somente os que enganam a si mesmos alegam que estão totalmente livres do medo.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 263

O medo causou-me muito sofrimento, quando poderia ter tido mais fé. Há horas em que o medo subitamente me arrasa. Justamente quando estou experimentando sentimentos de alegria, felicidade e leveza no coração. A fé – e um sentimento de valor próprio em relação a um Poder Superior – me ajudam a suportar a tragédia e o êxtase. Quando optar por entregar ao meu Poder Superior todos os meus medos, então eu serei livre.

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22 DE JUNHO

HOJE, ESTOU LIVRE

Isso me levou à boa e saudável conclusão de que havia muitas situações no mundo sobre as quais eu não tinha nenhum poder pessoal – que se estava tão pronto a admitir isso a respeito do álcool, devia admitir também em relação a muitas outras coisas. Tinha que ficar quieto e entender que Ele era Deus, não eu.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 114

Estou aprendendo a praticar aceitação em todas as circunstâncias de minha vida, para poder desfrutar de paz de espírito. Houve um tempo em que a vida era uma batalha constante, porque eu sentia que tinha que passar cada dia lutando comigo mesmo e com todo mundo. Finalmente isso tornou-se uma batalha perdida. Terminava embriagado e chorando sobre minha miséria. Quando comecei a me soltar e a deixar Deus tomar conta de minha vida, comecei a ter paz de espírito. Hoje sou livre. Não preciso lutar contra mais nada nem contra ninguém.

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23 DE JUNHO

CONFIANDO NOS OUTROS

Mas acaso a confiança exige que sejamos cegos em relação aos motivos dos outros ou até aos nossos? Absolutamente; isto seria uma loucura. Certamente deveríamos avaliar tanto a capacidade de fazer o mal como a capacidade de fazer o bem nas pessoas em quem vamos confiar. Esse inventário particular pode revelar o grau de confiança que podemos depositar em qualquer situação que se apresente.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 144

Eu não sou vítima dos outros, mas sim uma vítima de minhas expectativas, escolhas e desonestidade. Quando espero que os outros sejam o que eu quero que sejam e não o que eles são, quando eles deixam de alcançar minhas expectativas, então me magoo. Quando minhas escolhas são baseadas em meu egocentrismo, me encontro sozinho e desconfiado. Adquiro confiança em mim mesmo, contudo, quando pratico a honestidade em todos os meus assuntos. Quando examino meus motivos e sou honesto e confiante, sou consciente dos possíveis danos que surgem em algumas situações, podendo assim evitá-las.

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24 DE JUNHO

UM JARDIM DE INFÂNCIA ESPIRITUAL

Estamos apenas pondo em funcionamento um jardim de infância espiritual, no qual as pessoas ficam capacitadas a parar de beber e a encontrar a graça para viver de melhor maneira.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 95

Quando vim para A.A. estava correndo para a garrafa e desejava perder a obsessão pela bebida, mas realmente não sabia como fazê-lo. Decidi ficar o tempo suficiente para descobrir com aqueles que vieram antes de mim. De repente estava pensando sobre Deus! Me falaram para conseguir um Poder Superior e eu não tinha ideia de como seria Este. Descobri então que havia muitos Poderes Superiores. Falaram-me para achar Deus, como eu O concebo, pois não havia doutrina de divindade em A.A. Encontrei o Poder Superior que funcionava para mim e então pedi a Ele que me devolvesse à sanidade. A obsessão pela bebida foi removida e – um dia de cada vez – minha vida continuou e aprendi como viver sóbrio.

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25 DE JUNHO

UMA RUA DE MÃO DUPLA

Se pedirmos, Deus certamente perdoará nossas negligências.
Porém sem a nossa cooperação, em nenhum caso nos torna brancos como a neve e nos mantém assim.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 57

Quando rezava, costumava omitir muitas coisas que eu precisava que fossem perdoadas. Pensava que se não falasse dessas coisas para Deus, Ele nunca ficaria sabendo sobre elas.
Não sabia que se eu tivesse me perdoado por algumas das minhas ações passadas, Deus me perdoaria também. Sempre fui instruído a me preparar para a jornada da vida, nunca percebendo até chegar em A.A. que a própria vida é a jornada – quando então honestamente tornei-me disposto a aprender a perdoar e a ser perdoado. A jornada da vida é algo muito feliz, desde que eu esteja disposto a aceitar uma mudança de vida e responsabilidade.

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26 DE JUNHO

UMA DÁDIVA QUE CRESCE COM O TEMPO

Para a maioria das pessoas normais, a bebida significa o convívio, o companheirismo e uma imaginação colorida. Significa a liberação momentânea da ansiedade, do desgosto e da angústia. É a intimidade alegre com os amigos e o sentido de que a vida é boa.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 165 ou p. 179

Quanto mais perseguia estes sentimentos ilusórios com o álcool, mais fora de alcance eles ficavam. Contudo, aplicando esta passagem para minha sobriedade, descobri que ela descreve a magnífica vida nova disponível para mim pelo programa de A.A. As coisas realmente melhoram, um dia de cada vez. O calor, o amor e a alegria tão simplesmente expressos nestas palavras, crescem em alcance e profundidade cada vez que as leio. Sobriedade é uma dádiva que cresce com o tempo.

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27 DE JUNHO

ACEITANDO A MANEIRA DE A.A.

Seguimos os Passos e as Tradições de A.A. porque realmente os desejamos para nós. Não é mais uma questão de ser uma coisa boa ou ruim; aceitamos porque sinceramente desejamos aceitar. Esse é o processo de crescimento em unidade e serviço. Essa é a prova da graça e do amor de Deus entre nós.

A.A. ATINGE A MAIORIDADE, p. 96 ou p. 93

É divertido observar o meu crescimento em A.A. Eu lutei contra aceitar os princípios de A.A. desde o momento em que ingressei, mas aprendi pela dor de minha beligerância que, escolhendo viver pela maneira de vida de A.A., me abria para a graça e o amor de Deus. Então comecei a conhecer o significado completo de ser um membro de Alcoólicos Anônimos.

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28 DE JUNHO

A DETERMINAÇÃO DE NOSSOS FUNDADORES

Um ano e seis meses depois, estas três pessoas haviam alcançado êxito junto com mais sete.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 172 ou p. 187

Se não fosse a férrea determinação de nossos fundadores, A.A. teria desaparecido rapidamente, como tantas outras chamadas boas causas. Vejo as centenas de reuniões na cidade onde vivo e sei que A.A. está à disposição 24 horas por dia. Se eu tivesse de continuar com nada além da esperança e do desejo de não beber, experimentando rejeição por onde quer que fosse, teria procurado o caminho mais fácil e suave, e retornado ao meu antigo modo de viver.

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29 DE JUNHO

UM EFEITO DE ONDULAÇÃO

Tendo aprendido a viver de forma tão feliz, mostraríamos ao resto do mundo como fazê-lo… Sim, nós de A.A. idealizamos tais sonhos. Nada mais natural, pois a maioria dos alcoólicos não passa de idealistas falidos… Por que então não compartilhar o nosso modo de vida com o resto do mundo?

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 140

A grande descoberta da sobriedade levou-me a sentir a necessidade de espalhar as “boas novas” para o mundo à minha volta. Os pensamentos grandiosos dos meus dias de bebida retornaram. Mais tarde, aprendi que a concentração em minha própria recuperação era um processo de plena dedicação. Quando tornei-me um cidadão sóbrio neste mundo, observei um efeito de ondulação que, sem qualquer esforço consciente de minha parte, alcançou outras “entidades relacionadas ou empresas alheias”, sem me desviar do propósito primordial de manter-me sóbrio e ajudar outros alcoólicos a atingir a sobriedade.

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30 DE JUNHO

SACRIFÍCIO = UNIDADE = SOBREVIVÊNCIA

A unidade, a eficiência e mesmo a sobrevivência de A.A. sempre dependerão de nossa contínua boa-vontade para renunciar a nossos desejos e ambições pessoais, pela segurança e o bem-estar comum. Do mesmo modo que o sacrifício significa sobrevivência para o indivíduo, também significa unidade e sobrevivência para o Grupo e para a irmandade de A.A. como um todo.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 220

Aprendi que devo sacrificar algumas de minhas características pessoais para o bem de A.A. e, como resultado, tenho sido recompensado com muitas dádivas. O falso orgulho pode ser inflado pelo prestígio, mas vivendo a Sexta Tradição, recebo a dádiva da humildade. Cooperação sem afiliação muitas vezes é enganadora. Se não me envolvo com outros interesses, estou livre para manter A.A. autônomo. Então a Irmandade estará aqui, saudável e forte para as gerações que virão.

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TOLERÂNCIA – NA OPINIÃO DO BILL

TOLERÂNCIA
“NA OPINIÃO DO BILL”

Os perturbadores podem ser nossos professores

Hoje em dia poucos de nós tememos que algum recém-chegado possa prejudicar nossa reputação ou eficácia. O s que recaem, que achacam, que escandalizam, que sofrem de distúrbios mentais, que se rebelam contra o programa, que fazem comércio com a reputação de A. A., raramente conseguem prejudicar um grupo de A. A. por muito tempo. Algumas dessas pessoas acabam por tornar-se nossos mais respeitados e queridos companheiros. Outros permanecem para testar nossa paciência, apesar de sóbrios. Outros ainda vão embora. Começamos a considerar os perturbadores não como ameaças, mas como nossos professores. Eles nos obrigam a cultivar a paciência, a tolerância e a humildade. Finalmente compreendemos que eles são apenas pessoas mais doentes do que as demais, e que nós que os condenamos somos os fariseus cuja falsa virtude causa ao grupo um prejuízo espiritual mais profundo.
(Na Opinião do Bill – página: 28)

Regras para ser membro?

Por volta de 1943 ou 1944, o Escritório Central pediu aos grupos para que fizéssemos uma lista das regras para ser membro e a enviássemos ao escritório. Quando as listas chegaram, anotamos as regras. Um pouco da reflexão sobre essas muitas regras nos levou a uma conclusão surpreendente.
Se todas essas regras entrassem em vigor, em todos os lugares, imediatamente, teria sido praticamente impossível qualquer alcoólico ter se juntado a A. A. Cerca de noventa por cento de nossos mais antigos e melhores membros nunca poderiam ter ingressado!
Finalmente a experiência nos ensinou que privar o alcoólico de tão grande chance, às vezes era o mesmo que declarar sua sentença de morte e, muitas vezes, condená-lo a uma miséria sem fim. Quem ousaria ser juiz, júri e carrasco de seu próprio irmão doente?
(Na Opinião do Bill – página 41)

Uma porta giratória diferente

Quando um bêbado se aproxima de nós e diz que não gosta dos princípios de A. A., das pessoas ou da direção do serviço, quando ele declara que estará melhor em qualquer outro lugar – não nos incomodamos. Dizemos simplesmente: “Talvez seu caso seja diferente. Por que você não tenta outra coisa?”
Quando um membro de A. A. diz que não gosta de seu próprio grupo, não ficamos perturbados. Dizemos simplesmente: “Por que você não tenta mudar para outro grupo? Ou comece um novo grupo por sua conta.”
Para todos os que desejam se separar de A. A., fazemos um convite animador paara que assim o façam. Se eles conseguirem fazer melhor por outros meios, estaremos contentes. Se, depois de fazer a tentativa, não conseguirem melhores resultados, sabemos que eles têm uma escolha a fazer: ficar loucos, morrer ou voltar para Alcoólicos Anônimos. A decisão é toda deles (na verdade, quase todos eles têm voltado).
(Na Opinião do Bill – página: 62)
Ser justo

Acho que, com freqüência demasiada, desaprovamos e até ridicularizamos os projetos de nossos amigos no campo do alcoolismo, só porque nem sempre estamos inteiramente de acordo com eles.
Deveríamos seriamente nos perguntar quantos alcoólicos estão continuando a beber só porque não temos cooperado de bom grado com essas inúmeras organizações – sejam elas boas, más ou indiferentes. Nenhum alcoólico deveria ficar louco ou morrer só porque não foi diretamente para A. A. no começo.
Nosso primeiro objetivo será o desenvolvimento da autodisciplina. Este ponto é da mais alta importância. Quando falamos ou agimos precipitada ou imprudentemente, a capacidade de ser justos e tolerantes se evapora imediatamente.
(Na Opinião do Bill – página: 113)

De viva voz

“Em minha opinião não pode haver a menor objeção aos grupos que querem permanecer estritamente anônimos ou a pessoas que não gostariam que todos soubessem de sua filiação no A. A. Esse é um problema deles, e essa é uma reação muito natural.
“Entretanto, muitas pessoas acham que o anonimato a esse ponto não é necessário, nem mesmo desejável. Desde que a pessoa esteja sóbria, e segura disto, não parece haver razão para não falar a respeito da afiliação a A. A. nos lugares certos. Isso tende a trazer novas pessoas. Falar de viva voz é um de nossos mais importantes meios de comunicação.
“Assim sendo, não deveríamos criticar as pessoas que querem permanecer no silêncio, e nem aquelas que querem falar demais sobre pertencer a A. A., desde que não o façam em nível público, comprometendo assim toda nossa Sociedade.”
(Na Opinião do Bill – página: 120)

Os direitos individuais

Acreditamos que não haja outra irmandade no mundo que dispense mais atenção a seu membro, individualmente; e certamente não existe nenhuma que ofenda tanto o direito individual de pensar, falar e agir livremente. Nenhum AA pode obrigar outro a fazer o que quer que seja; ninguém pode ser punido ou expulso.
Nossos Doze Passos para a recuperação são sugestões; as Doze Tradições, que asseguram a unidade de A. A., não contêm um só “Não Faça”. Elas repetidamente dizem: “Deveríamos”, mas nunca “Você tem que!”
“Embora seja uma tradição o fato de que nossa Irmandade não pode forçar ninguém, não suponhamos nem por um instante que não estamos sob coerção. Na verdade, estamos sob uma enorme coerção – do tipo que vem engarrafado. Nosso antigo tirano, o Rei álcool está sempre pronto a nos agarrar.
“Portanto, a libertação do álcool é o grande “temos que” que precisa ser alcançado, caso contrário, chegaremos à loucura ou à morte”.
(Na Opinião do Bill – página: 134)

Assumir a responsabilidade

Aprender a viver na maior paz, companheirismo e fraternidade com todos os homens e mulheres, sem distinções, é uma aventura comovente e fascinante.
Porém, todo AA acabou descobrindo que pouco pode progredir nessa nova aventura de viver, sem antes voltar atrás e realmente fazer um exame preciso e profundo dos destroços humanos que porventura tenha deixado em seu passado.
A disposição de arcar com todas as conseqüências de nossos atos passados e, ao mesmo tempo, assumir a responsabilidade pelo bem-estar dos outros constitui o próprio espírito do Nono Passo.
(Na Opinião do Bill – página: 145)

A.A. – a estrela-guia

Podemos ser gratos a toda organização ou método que tende solucionar o problema do alcoolismo – seja a medicina, religião, educação ou pesquisa. Podemos ter a mente aberta a respeito desses esforços e podemos ser compreensivos quando os imprudentes falham. Não podemos esquecer que mesmo A. A. funcionou durante anos na base do “ensaio e erro”.
Enquanto indivíduos podemos e deveríamos trabalhar com quem promete sucesso – ainda que seja um pequeno sucesso.
Todos os pioneiros no campo do alcoolismo dirão, generosamente, que se não fosse pela prova viva da recuperação em A. A., eles não poderiam ter prosseguido. A. A. foi a estrela-guia da esperança e da ajuda que os fez persistir.
(Na Opinião do Bill – pagina: 147)

Começar perdoando

No momento em que examinamos algum relacionamento deteriorado ou destruído, nossas emoções se colocam na defensiva. Para não ter de encarar as ofensas que fizemos a outra pessoa, fixamos ressentidamente nossa atenção nas ofensas que ele nos fez. Triunfalmente nos valemos de seus menores erros como desculpa perfeita para minimizar ou esquecer os nossos.
A essa altura precisamos imediatamente parar. Não esqueçamos que os alcoólicos não são os únicos a ser atormentados por emoções doentias. Em muitos casos estamos na realidade lidando com companheiros sofredores, pessoas que tiveram suas desgraças aumentadas por nós.
Se agora estamos a ponto de pedir perdão para nós, por que não poderíamos começar perdoando-os todos?
(Na Opinião do Bill – página: 151)

Aspectos da tolerância

Todo tipo de pessoas tem encontrado seu caminho em A. A. Não faz muito tempo, estive conversando em meu escritório com uma companheira que é Condessa. Nessa mesma noite fui a uma reunião de A. A. Era inverno e na porta de entrada estava um cavalheiro de baixa estatura que gentilmente guardava nossos casacos. Perguntei: “Quem é aquele?” E alguém respondeu: “Ah! Ele esta aqui há muito tempo. Todo mundo gosta dele. Ele pertence ao bando ao Al Capone”. Isso mostra o quanto a. A., hoje, é universal.
Não temos o desejo de convencer ninguém de que só existe um meio pelo qual a fé pode ser adquirida. Todos nós, sem distinção de raça, credo ou cor, somos filhos de um Criador vivo, com que podemos estabelecer um relacionamento em termos simples e compreensíveis, tão logo estejamos dispostos e sejamos honestos o suficiente para tentar.
(Na Opinião do Bill – página: 175)

Ó único requisito”

Na Terceira Tradição, A. A. está na verdade dizendo a todo bebedor-problema: “Você será um membro de A. A. se assim o disser. Você mesmo pode declarar que faz parte da Irmandade, ninguém pode deixá-lo de fora. Seja você quem for, seja qual for o ponto a que você tenha chegado, sejam quais forem suas complicações emocionais – mesmo seus crimes – não queremos deixá-lo de fora. Queremos apenas ter a certeza de que você terá a mesma oportunidade de alcançar a sobriedade que nós tivemos.”
Não queremos negar a ninguém a oportunidade de se recuperar do alcoolismo. Queremos incluir o maior número possível de pessoas, jamais excluir.
(Na Opinião do Bill – página: 186)

A verdadeira tolerância

Aos poucos começamos a ser capazes de aceitar os erros dos outros, assim como suas virtudes. Inventamos a poderosa e significativa frase: “Vamos amar sempre o que há de melhor nos outros – e nunca temer o que tenham de pior.”
Finalmente começamos a perceber que todas as pessoas, inclusive nós, estão de alguma forma emocionalmente doentes e muitas vezes erradas. Quando isso acontece, nos aproximamos da verdadeira Tolerância e percebemos o que significa de fato o verdadeiro amor ao próximo.
(Na Opinião do Bill – página: 203)

Testes construtivos

Existem aqueles em A. A., a quem gostamos de chamar de nossos críticos “destrutivos”. Conduzem pela força, são “politiqueiros”, fazem acusações para atingir seus alvos. Tudo pelo bem de A. A., naturalmente! Mas aprendemos que esses sujeitos não são tão destrutivos assim.
Deveríamos ouvir cuidadosamente o que eles dizem. Às vezes eles estão dizendo toda a verdade; outras vezes apenas parte da verdade. Se estivermos ao seu alcance, toda a verdade, parte da verdade ou a falta da verdade podem ser igualmente desagradáveis para nós. Se eles estiverem dizendo toda a verdade ou ainda apenas parte da verdade, então será melhor agradecer-lhes e fazer nosso próprio inventário, admitindo que estávamos errados. Se estiverem dizendo coisas absurdas, podemos ignorá-las ou então tentar persuadi-los. Caso isto falhe, poderemos lamentar que estejam doentes demais para ouvir e poderemos tentar esquecer o assunto.
Há poucos meios melhores de auto-análise e desenvolvimento da paciência do que o teste a que nos submetem esses membros bem intencionados, porém equivocados.
(Na Opinião do Bill – página: 215)

Amar todo mundo?

Poucas pessoas podem afirmar que amam com sinceridade todo mundo. A maioria de nós tem que admitir ter amado apenas alguns semelhantes; ter sido indiferente a muitos, e ter nutrido antipatia e até mesmo ódios a muitos outros.
Nós, Aas, descobrimos que precisamos de algo muito melhor a fim de manter nosso equilíbrio. A idéia de que podemos amar possivelmente algumas pessoas, ignorar muitas, e continuar a temer ou odiar quem quer que seja tem que ser abandonada, mesmo que seja aos poucos.
Podemos procurar não fazer exigências descabidas àqueles que amamos. Podemos demonstrar bondade onde não havíamos demonstrado. E, com aqueles com quem não simpatizamos, podemos pelo menos começar a prática da justiça e cortesia, talvez nos esforçando para compreendê-los e ajudá-los.
(Na Opinião do Bill – página: 230)

Prisioneiros libertados

Carta a um grupo numa prisão:
“Todo AA foi, num certo sentido, um prisioneiro. Cada um de nós se fechou à margem da sociedade; cada um de nós conheceu o estigma social. Para vocês, tudo tem sido ainda mais difícil: no seu caso, também a sociedade construiu uma muralha a seu redor. Mas não existe realmente uma diferença essencial; esse é um fato que praticamente todos os Aas, agora sabem.
“Portanto, quando vocês, membros, ingressarem no mundo de A. A. fora da prisão, podem ter a certeza de que ninguém vai se preocupar com o fato de que vocês cumpriram pena. O que vocês estão tentando ser, e não o que foram, é tudo o que nos importa.”
“Às vezes, as dificuldades mentais e emocionais são muito difíceis de suportar quando estamos tentando manter a sobriedade. Contudo, com o passar do tempo, percebemos que superar esses problemas constitui o verdadeiro teste do modo de vida de A. A. A adversidade nos dá mais oportunidade de crescer do que a comodidade ou o sucesso.”
(Na Opinião do Bill – página: 234)

Os outros

“Assim como você, muitas vezes eu me considerei vítima do que outras pessoas disseram ou fizeram. Mas todas as vezes que eu acusei os pecados dessas pessoas, principalmente daquelas cujos pecados eram diferentes dos meus, descobri que só ajudei a piorar as coisas. Meu próprio ressentimento e minha auto piedade muitas vezes me tornaram praticamente inútil para qualquer um.
“Assim sendo, agora, se alguém fala mal de mim, primeiro pergunto a mim mesmo se há alguma verdade no que foi dito. Se não há nenhuma, procuro me lembrar de que também tive períodos em que falava amargamente dos outros; que o falatório maligno é apenas um sintoma da permanência de nossa doença emocional, e conseqüentemente, que nunca devo ficar com raiva devido às injustiças de uma pessoa doente.
“Sob condições muito difíceis, muitas e muitas vezes tive que perdoar outras pessoas e a mim mesmo. Você recentemente tentou fazer isso?”
(Na Opinião do Bill – página: 268)

Superando ressentimentos

Começamos a ver que o mundo e as pessoas realmente tinham nos dominado. Sob essa infeliz condição, as más ações dos outros, imaginários ou reais, tinham força até para destruir, porque pelo ressentimento poderíamos ser levados de volta à bebida. Vimos que esses ressentimentos devem ser superados, mas como? Não bastava só desejá-lo.
Esse foi nosso procedimento: percebemos que as pessoas que nos maltrataram talvez estivessem espiritualmente doentes. Então, pedimos a Deus que nos ajudasse a lhes mostrar a mesma tolerância, piedade e paciência que, com satisfação, teríamos para com um amigo doente.
Hoje, evitamos a vingança e a discussão. Não podemos tratar as pessoas doentes dessa maneira. Se o fizermos, destruiremos nossa chance de ser úteis. Não podemos ser úteis a todas as pessoas, mas pelo menos Deus nos mostrará como ser bons e tolerantes para com todos.
(Na Opinião do Bill – página: 286)

A tolerância nos mantém sóbrios

“A honestidade para com nós mesmos e para com os outros nos leva à sobriedade, mas é a tolerância que nos mantém sóbrios.
“A experiência nos mostra que poucos alcoólicos vão se afastar por muito tempo de um grupo só porque não gostam do modo como ele funciona. A maioria volta a se adaptar às condições existentes. Alguns vão para outro grupo ou formam um grupo novo.
“Em outras palavras, uma vez que o alcoólico chega à conclusão de que não pode ficar bem sozinho, ele de alguma forma vai descobrir uma maneira de ficar bem e continuar bem na companhia dos outros. Tem sido assim desde o início de A. A. e provavelmente sempre o será.”
(Na Opinião do Bill – página 312)

Crítica bem-vinda

“Muito obrigado por sua carta de crítica. Estou certo de que, se não fosse por suas críticas violentas, A. A. teria progredido mais lentamente.
“Quanto a mim, cheguei ao ponto de dar grande valor às pessoas que me criticam, fossem críticas justas ou injustas. Tanto uma como outra, muitas vezes me impediram de fazer coisas piores do que realmente tenho feito. Espero que as críticas injustas tenham me ensinado a ter um pouco de paciência. Mas as justas têm sempre prestado um grande serviço a todos os membros de A. A. – e têm me ensinado muitas llições valiosas.”.

III ENCONTRO DE CTO DA ZONA DA MATA – JUIZ DE FORA – 10/06/2004

III Encontro de C.T.O. Da Zona DA MATA DE
MINAS .
DATA: 10- junho- 2004 – JUIZ DE FORA -MG
TEMÁTICA n.°1 : O Comitê Trabalhando com os Outros( CTO)
Apresentador: Companheiro Nilo P.

HISTÓRIA

No Inicio do séc. passado, na Europa FREUD e a Psicanálise dominaram o tratamento dos problemas emocionais , incluindo o ALCOOLISMO .
Esta tradição migrou para América Latina mas não para os Estados Unidos .
Na década de 30 , Carl Jung , que havia se separado de seu mestre Freud em alguns conceitos , utilizou-se de uma abordagem espiritual , não religiosa ,em um seu paciente americano , ROLLAND HAZARD , que caíra num vazio pois a Lei SECA , uma abordagem jurídica para coibir o abuso do álcool , acabara e o Alcoolismo recomeçara em grande escala.
Neste clima , um raio de luz penetrara no mundo escuro dos alcoólatras .
Fora criada a Irmandade de ALCOÒLICOS ANÔNIMOS e, pela primeira vez , começou- se a espalhar a Maravilhosa notícia de que os alcoólatras poderiam se recuperar , em grande escala . Desde então , tem havido uma comunicação salvadora de vidas entre os que encontraram a saída e aqueles que ainda sofrem e buscam uma solução .
Nos seus primeiros dias , os membros da pequenina Irmandade de AA. , procurando fortalecer a própria Sobriedade recém-adquirida , trabalhavam com outros que ainda sofriam e que estavam internados em instituições e tratamento . Ali contavam suas “experiências” de bebedores e de sua recuperação , aos pacientes hospitalizados por causa da bebida . Ali também, muitos médicos foram, pela primeira vez , expostos á abordagem de A.A., que desde inicio, parecia eficiente .
Quando em 1937, perceberam que umas quarenta pessoas tinham se recuperado do alcoolismo , eles perguntavam : “Como pode a mensagem ser Difundida ?”
Bill tinha se recuperado havia três anos e o Dr. Bob dois anos e meio . Calculava-se que havia no mundo milhões de alcoólicos que queriam parar de beber .
Como poderia ser levada a eles a grande chance que tinhamos tido ?
A passos lentos , como estávamos indo , claro que a maioria deles nunca poderia ser alcançada .
Por isso , não poderíamos ser a Sociedade Secreta da qual raramente se houve falar. A informação verbal com os poucos alcoólicos que podem entrar em contato com os outros , através dos métodos comuns , é não só muito lenta mas também perigosa porque a mensagem pode ser truncada e distorcida .
Nos anos que antecederam á publicação do livro “ ALCOÒLICOS ANÔNIMOS”( abril de 1939) , não tínhamos nome. Sem nome , sem forma , nossos Princípios ESSENCIAIS de Recuperação ainda estavam sob discussão e provas .´Éramos apenas um grupo de bêbados procurando o caminho que esperávamos ser o da liberdade . . .
Logo que nos certificamos de estar no caminho certo , decidimos publicar um livro em que poderíamos transmitir aos outros alcoólicos as boas notícias . Á proporção em que o livro tomava forma , escrevíamos nele a essência de nosso Programa . ERA o produto de muitas horas de discussões que abriram caminho , durante os quatro primeiros anos de A.A. .
Então Bill, o Dr. Bob e os companheiros de AA. sentiram a necessidade de se organizar para transmitir a mensagem a tantos que sofriam nas garras do alcoolismo e criaram a FUNDAÇÂO DO ALCOÒLICO . Provavelmente pressentiram que um dia nossa Irmandade alcançaria todo o mundo e que aquele embrião de ESTRUTURA seria o ponto de partida em que , unidos, os membros de A.A. trabalhassem entusiasticamente para continuar a nobre tarefa hoje inspirada na Quinta Tradição : “ Cada grupo é animado de um único propósito primordial : transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre”.

Desde aquela época, A.A. vem cooperando com vários segmentos da sociedade, como Centros de Tratamento, Hospitais psiquiátricos, instituições carcerárias, poder judiciário e todos os profissionais que direta ou indiretamente têm contato com os alcoólicos, através da sua profissão.
Somos gratos a todos estes segmentos, por termos sido convidados a transmitir a mensagem para qualquer pessoa, em qualquer lugar, porque isso nos ajuda.
Tudo o que temos que fazer é sermos canais para a mensagem de A.A. Só tentar ajudar o outro alcoólico parece fazer milagres para nós.
A 6ª tradição de A.A. declara: ‘Nenhum Grupo de A.A. deverá jamais sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à Irmandade, afim de que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos afastem de nosso objetivo primordial. ’
No espírito desta tradição de ‘Cooperação sem afiliação’, muitas vezes os membros de A.A. realizam reuniões nas dependências de estabelecimentos de tratamento de alcoolismo. Não existem ‘Centros de Tratamento do A.A. ’, porém muitos hospitais e centros de reabilitação usam DOZE PASSOS de A.A. como base de seu plano de tratamento e acolhem com prazer membros da irmandade que levam o programa de recuperação para os pacientes.
Hoje, a cada dia que passa, estão sendo abertos, cada vez mais clínicas, centros de recuperação e muitas outras entidades profissionais que tratam de alcoólicos e outros dependentes químicos. Algumas instituições operam em ambulatórios, outras em hospitais para desintoxicações. Estabelecimentos desse tipo nunca estão sem alcoólicos que precisam de ajuda.
Médicos particulares, assistentes sociais, psicólogos e outros psicoterapeutas atendem bebedores-problemas em número sempre crescente.
Muitas instituições de tratamento combinam a recuperação de alcoólicos com outros dependentes químicos, alcoólicos e não-alcoólicos são encorajados a participar das reuniões ‘lá fora’, quando deixam os centros de tratamento. Na área da justiça, A.A. tem ajudado os magistrados e outros membros da Justiça (tanto nas varas criminais como nas varas de família), levando a mensagem às salas do tribunal. Como resultado, muitos alcoólicos, apresentados ao A.A. contra a sua vontade, estão agora sóbrios e felizes.
Os tribunais são livres para endossar A.A. e nós somos gratos pelo fato de tantos fazerem isso. Os tribunais não estão vinculados às tradições de A.A. Todos nós de A.A., agora sóbrios, sabemos que para nos recuperarmos, realmente tivemos que querer isso por nós mesmo, às vezes não no início. Não poderíamos ficar sóbrios exatamente porque éramos ‘intimados a parar de beber’ ou por qualquer outra pessoa.
Entretanto, num sentido muito real, cada membro de A.A. é, em princípio, sentenciado para A.A.. Se não for por um tribunal, então é pelo patrão, pela família, amigo, médico, consultor ou pelo próprio sofrimento. Não viemos para A.A. até que tivemos que fazê-lo de alguma forma. Só depois de feito nosso primeiro contato é que muitos de nós decidimos que queríamos A.A. por nós mesmos.
Assim, em A.A., não nos interessa saber quem envia ou como é enviado o alcoólico até nós. Nossa responsabilidade é mostrar A.A. como um atraente modo de vida, para que todos os recém-chegados, que deles precisem, logo o queiram.
Da mesma maneira que muitos de nós, agora que estamos sóbrios e felizes em A.A., chegamos, alguns desses recém-chegados se aproximam de A.A. muito ressentidos por ter que estar ali. Se nos lembrarmos de nossas atitudes no princípio, isto fica muito fácil de entender.

III Encontro de C.T.O. da Zona da Mata de Minas

Temática n.º 2: O Comitê de Informação ao Público (C.I.P.)

Apresentador: Comp. Fábio C.

Desde os primórdios de A.A. houve grande preocupação com a divulgação de nossos princípios.
À medida que o movimento ia crescendo foi necessário ir aumentando os contatos com os amigos da imprensa, para que tornassem conhecidos os princípios que se mostravam capazes de recuperar portadores da doença do alcoolismo. Os amigos de A.A. tinham contado com a fidelidade nossas histórias e divulgado nossos eventos, quando de suas realizações.
Dessa forma, foram atraídos milhares de alcoólicos ao A.A., e outros tantos continuam chegando.

Entretanto, há muitos anos descobrimos que uma publicidade correta e segura não se efetiva por si só. Nossas relações públicas não poderiam resumir-se unicamente em encontros casuais com repórteres com membros de A.A., que nem sempre estavam suficientemente informados sobre a Irmandade. A insistência da simplicidade preconizada pelo Dr. Bob S., geralmente pouco entendida pela maioria, induziu a uma desorganização que por muitas vezes deturpou a verdadeira história de A.A. e impediu que as pessoas se aproximassem de nós.
A publicação do livro Alcoólicos Anônimos, o folder elaborado para a venda do livro e até mesmo a venda antecipada de ações para financiar a edição já eram fragmentos de informação ao público.
Quando o periódico Saturday Evening Post, em 1941, escalou o jornalista Jack Alexander para “observar os AAs” já havíamos aprendido bastante com erros anteriores.

“O tipo de ajuda que proporcionamos a Jack Alexander – nosso serviço organizado de informação ao público – é o ingrediente vital em nossas relações públicas que a maioria dos AAs nunca tinha visto. Demos a lê nossos arquivos , abrimos nossos livros, o apresentamos aos Custódios não – alcoólicos , marcamos entrevistas com os AAs de todos os tipos( grifo nosso) e finalmente lhe mostramos todos os aspectos de A.A., desde New York, Philadelphia até Chicago, passando por Akron e Cleveland. Apear de não ser um alcoólico, Jack converteu-se num verdadeiro em espírito.”

“Depois de muito estudo, em 1956 foi formado o Comitê de Informação ao Público – C.I.P. da Junta de Serviços Gerais, cuja aprovação pela Conferência de Serviços Gerais veio com a seguinte declaração:

“Em todas as relações com o público, o objetivo primordial de A.A. é o de ajudar o alcoólico que ainda sofre.
Sempre tendo em mente a importância do anonimato pessoal, acreditamos que esta ajuda possa ser dada, propiciando a ele e àqueles que possam estar interessados em seu problema, nossa própria experiência como indivíduos e como irmandade, aprendendo a viver sem o álcool.
Acreditamos que nossa experiência deva estar disponível e ser gratuita para todos que expressarem sincero interesse.
Acreditamos, também, que nossos esforços neste campo devam sempre refletir nossa gratidão pela dádiva da sobriedade e percebemos que muitos, fora de A.A., estão preocupados com o sério problema do alcoolismo.
Uma declaração mais ampliada, com a mesma intenção, mais tarde definiu a ‘Norma de Procedimento do Comitê de Informação ao Público da Junta de Serviços Gerais, e a Conferência de 1973 pediu que esta frase fosse enfatizada: ‘Devemos reconhecer que nossa competência para falar de alcoolismo é limitada aos assuntos de Alcoólicos Anônimos e a seu programa de recuperação.’

Em 1962, Bill W. publicou , no livro Doze Conceitos para o Terceiro Legado em nível mundial, as características de uma C.I.P.
No Brasil foi formado em 1985, na reunião nacional da Junta de Serviços Gerais, em Baependi –MG, juntamente com o C.C.C.P. e o C.I.
Em Minas Gerais , por sugestão do Delegado de Área( 1987 ), foi criado o C.I.P. da Área – MG, aprovado por assembléia e durante seu primeiro ano de funcionamento as atividades foram direcionadas para orientação e treinamento de seus participantes.

Esses eventos (da Junaab e da Área-MG) foram amplamente divulgados através de relatórios enviados a todas as Áreas e discutidos nas Conferências de Serviços Gerais.

‘Em 1992, na XVI Conferência de Serviços Gerais, em Brasília-DF, foi aprovada a recomendação oficializando o C.T.O. – Comitê Trabalhando com Outros, composto por Comissões e não mais por Comitês, uma prova inconteste da desinteligência e do desconhecimento dos delegados, custódios e dos demais servidores’.
Um Comitê de Informação ao Público – C.I.P. deveria ter o mesmo objetivo de todo o Grupo de A.A.: ‘levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre só que de forma organizada. Um C.I.P. tenta alcançar o alcoólico informando ao público em geral acerca do programa de recuperação de A.A., alertando a “terceira pessoa” sobre o que pode ou deve ser feito com o alcoólico ativo e, principalmente, mantendo a irmandade bem informada sobre princípios para que a mensagem tenha um formato homogêneo e haja um profundo respeito às Tradições, especialmente com relação àquelas que cuidam do anonimato.
Um C.I.P., embora com a responsabilidade da informação a público generalizado, muitas vezes procura atingir a partes específicas do público, como a área da saúde, da indústria, da educação, da justiça, da religião, as organizações não governamentais, os programas voluntários, os clubes de serviços e os meios de comunicação de todos os níveis.
Informação ao Público vai desde uma simples placa -um aviso de “reunião de A.A.esta noite”, “A.A.:reuniões diárias”etc., etc., passando por listas telefônicas, outdoors, palestras, reuniões públicas, encontros, seminários,placas de sinalização em rodovias, aeroportos, heliportos até o mais recente universo cibernético: a internet, a intranet e outras denominações que, com certeza, irão surgir.
Nas comunidades onde haja um C.T.O. organizado é possível que as funções do C.I.P. e do C.C.C.P. sejam confundidas, devendo o segundo atender ao chamado de um determinado segmento da sociedade. Se isto ocorrer, com toda certeza, um trabalho do C.I.P., em algum lugar, por um dos meios supracitados, já foi feito.
Como Bill nos fala de “Aas de todos os tipos”, todos os membros de A.A. poderiam compor uma C.I.P., desde que observadas as características essenciais e a capacidade individual de se amoldar a normas e a potencialidade singular de habilitação, segundo o talento pessoal.
À pergunta se os membros do C.I.P. precisam ter qualificações especiais podemos responder que, pela oportunidade de estarem sempre em contato com não – Aas deveriam ter uma sobriedade sólida, algum conhecimento do trabalho com a mídia e relações públicas (ou vontade de aprender), um profundo conhecimento das Tradições e o discernimento de que mesmo não falando oficialmente em nome de A.A. o público o verá sempre como autêntico representante do movimento. Se o membro do C.I.P. falar ou escrever com segurança, clareza e objetividade, sem se colocar com ares professorais, sem exibicionismo e com uma postura sóbria, a imagem de A.A. será sempre positiva. Caso contrário, “um simples descuido de repercussão pública pode custar muitas vidas e muito sofrimento, porque muitos membros em potencial se afastariam.
Vale lembrar, entretanto, que “as técnicas usadas para promover uma grande personalidade” ou para usar um novo produto no mercado não servem para A.A.. É preciso buscar o equilíbrio entre a experiência profissional e as necessidades de A.A.. O que Bill W. chamou de “senso de A.A.” é uma visão muito ampla de todos os aspectos da irmandade.OBS: Esta Temática ainda tem o Adendo , para terminá-la, que devo transcrever amanhã,se for da Vontade D’ELE.

‘III Encontro do C.T.O. da Zona da Mata de Minas’

Temática N.º 3:
‘O Comitê de Cooperação com a Comunidade Profissional.
(C.C.C.P.)
Apresentador: COMP. Frederico

INTRODUÇÃO

O Comitê de Cooperação com a Comunidade Profissional (C.C.C.P.), que por questões outras foi publicado como “Comissão”, não entrando no mérito da questão, vamos colocar a praticidade do mesmo que é responsável pelo A.A. e a imensa gama de profissionais que, dado as suas atribuições profissionais, acabam tendo contato com portadores da doença do alcoolismo e/ou com seus familiares, devendo realizar a ligação entre eles e a nossa Irmandade.

Estes profissionais são, na realidade, verdadeiros amigos de A.A. que em muito contribuem para o crescimento e consolidação de nossos grupos, nas comunidades em que atuam. E tornaram-se amigos exatamente porque alguém da Irmandade lhes mostrou a forma clara e precisa daquilo que somos, o que podemos fazer e o que não fazemos, para salvar vidas e famílias das ruínas que o alcoolismo certamente proporciona se não for, em tempo, detido.
O conquistar novos amigos entre as classes profissionais, o estabelecer com eles um trabalho conjunto de informação da doença, o manter as portas de A.A. sempre abertas para cooperar com suas ações no campo do alcoolismo, respeitando e acatando os limites de nossas Tradições, é, sem dúvida, a missão do C.C.C.P., uma base de relacionamento extremamente importante, frutífero e que deve ser duradouro.

Para o trabalho do C.C.C.P., cuidados especiais são necessários. É uma exigência que, se não for considerada, poderá vir a atrapalhar, em muito seu funcionamento eficaz. Isto porque os profissionais, em sua grande maioria, têm sua própria visão do que é competência e eficiência e, se não perceberem firmeza e conhecimento de causa nos membros de A.A. que os visitam, dificilmente poderão compreender nosso informalismo e aparente falta de organização.
Em conseqüência, vão nos achar ineficientes, irresponsáveis, que não merecem confiança em questões tão sérias e difíceis como conscientizar um doente alcoólico. Por isto, os membros do C.C.C.P. deverão ser A.A.s com razoável capacidade de comunicação e um apurado conhecimento do Programa de A.A. no que se refere aos Três Legados; Recuperação, Unidade e Serviço; sabendo o que significam e como funcionam os Doze Passos, as Doze Tradições e os Doze Conceitos para os Serviços Mundiais.

Como Proceder?

1-) Levantamento das indústrias, empresas de serviço, tribunais, presídios, hospitais, escolas, delegacias de polícia, igrejas e templos, grupos comunitários de assistência social (com ou sem cunho religioso), clubes de serviço, secretarias e autarquias municipais, estaduais e federais existentes na região, profissionais liberais na área da saúde etc.;
2-) Escolha de um número razoável de profissionais ou organizações a serem abordadas. Ex: Um para cada Membro do Comitê.

3-) Contato com a organização escolhida para obtenção do nome do responsável por ela ou por setores que lidem com o alcoolismo.
Ex: No caso de Empresas: assistente social, médico do trabalho, chefe de segurança, gerente de recursos humanos etc.;

4-) Envio , para a organização contatada, de carta com uma breve descrição do que é o A.A., solicitando em caso de interesse, retorno marcando um contato pessoal, onde poderá ser informado como A.A. pode cooperar com a organização e os profissionais em questão. Junto com a carta, enviar alguns exemplares da literatura de A.A. adequada ao caso;
5-) Retomar, cerca de cinco dias após o envio da carta, contato confirmando se o destinatário recebeu a correspondência e colocando-se à disposição para uma entrevista.
6-) No caso de confirmação da entrevista, procurar saber antes, as características da organização e elaborar um plano de ação do que A.A. pode oferecer. Ex: No caso de uma empresa, dizer que A.A. pode realizar palestras de sensibilização para todos os funcionários, via CIPA ou qualquer outro projeto que esteja sendo desenvolvido e cooperar para a implantação de Grupos de Apoio, tornando claras as diferenças entre esse tipo de trabalho e um Grupo Convencional.
No caso de um Hospital, dizer que A.A. pode fazer palestras de sensibilização para os funcionários em geral, palestras de explicação aos médicos e paramédicos sobre como age em relação aos pacientes internados por causa do alcoolismo.
Em casos imprevistos, pedir um tempo para reflexão, discutir com os companheiros do C.T.O. e apresentar, por escrito, uma sugestão viável de cooperação.

‘CONCLUSÃO’

Evidentemente que o trabalho do C.C.C.P. está interligado aos trabalhos desenvolvidos pelos CIP e CI, já que serão estes comitês que darão continuidade ao relacionamento inicial, realizando palestras de sensibilização, tornando viáveis Grupos de Apoio em empresas, hospitais e presídios.
Por isso, as atividades de um e de outro Comitê devem estar bem afinadas, evitando as sobreposições, sobrecargas ou, o que seria pior as promessas de Cooperação que não possam ser cumpridas.

O PROPÓSITO DA SEGUNDA TRADIÇÃO

REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
REVISTA VIVÊNCIA Nº 124 – MAR/ABR 2010

O PROPÓSITO DA SEGUNDA TRADIÇÃO

“Para o propósito do nosso grupo existe apenas uma autoridade fundamental: um Deus de amor, tal como Ele se expressa na nossa consciência de grupo. Os nossos líderes são apenas servidores de confiança: eles não governam”.

Nos tempos da Idade das Trevas, vulgarmente conhecidos por “os primeiros tempos de sobriedade”, eu tinha alguma dificuldade (Ok! Eu tinha bastante dificuldade) em aceitar as palavras “submissão” e “trabalhar alegremente” ao discutir as perguntas sobre a Segunda Tradição. O que se perguntava era: “consigo submeter-me com boa vontade à consciência de grupo e trabalhar alegremente em consonância com ela?”

Paralelamente às profundas alterações nos meus comportamentos e atitudes, resultado de um estudo intensivo dos Doze Passos e a aplicação das Doze Tradições, abriram-me ainda mais os olhos e a mente para a grandiosidade das mudanças espirituais da recuperação e da unidade. O meu padrinho e outros veteranos demonstraram-me, tanto pelo exemplo como pela literatura de A.A., que estes vinte e quatro princípios espirituais eram essenciais para o meu contínuo crescimento e amadurecimento, para o “equilíbrio emocional” a que eu tanto aspirava e que era tão difícil de adquirir.

Fui dando pequenos passinhos no crescimento espiritual, na rendição à vontade de Deus, na submissão à “consciência de grupo informada”, mesmo quando não tinha o “meu” ponto de vista. Foi por esta altura que comecei a ouvir e a aprender acerca dos Doze Conceitos e das Garantias e a ver a sua relação com os Passos e com as Tradições. A “consciência de grupo informada” da Segunda Tradição estava agora condimentada com novas frases: o direito de decisão, prudência, não haver ações de punição, a voz da minoria, substancial unanimidade.

Quando olho para trás, vejo que a Segunda Tradição foi e continua a ser intensamente pessoal. O Deus do meu entendimento trabalhou consistentemente através da consciência coletiva de meus companheiros mais veteranos e de meia dúzia de AA’s de confiança, que me orientaram em situações de escolhas difíceis, na rotação em serviço de A.A. e, muito mais. Com o amor e o apoio desta “consciência de grupo” tão especial, posso finalmente dizer que sei o que quero ser quando for “grande”.

Posso aprender a ver o mundo através de uma perspectiva diferente… A perspectiva daquela consciência que vê uma unidade intrínseca e subjacente entre todas as coisas, entre todas as formas e entre todos os aspectos da vida. Ver as “diferenças” como manifestações enriquecedoras desta unidade, ao invés de fragmentações dela.

Nessa consciência, toda a humanidade, toda a vida já existe como um todo, porque para ela todos são uma família cujo comportamento deve refletir a realidade deste relacionamento familiar.

À exceção ou diferença é que na consciência do grupo antigo eu estava perdido no grupo. Porém, a consciência de grupo agora entendida é construída da mistura qualitativa de seus membros, cada um com uma forte sensação de realização individual e identidade própria. Em vez do indivíduo se anular no todo, ele se revela através de sua capacidade de se fundir com outros numa identidade mais intensa, realizando-se desta forma, mais do que seria possível para ele como uma unidade separada ou isolada.
Por exemplo: Quando duas ou mais pessoas juntam seus corpos de maneira a criar uma pirâmide humana, um ato de trapézio ou uma demonstração de ginástica. Então, eles têm que sentir não só seu próprio centro de equilíbrio, seu próprio ritmo de movimento, seu próprio centro de gravidade, mas devem estar conscientes dessas mesmas qualidades naqueles com os quais estão trabalhando e tem que estar conscientes do que constitui o equilíbrio do grupo. Este exemplo é uma analogia muito boa da consciência de integridade dessa nova perspectiva. Não pode ter uma demonstração acrobática em que só uma pessoa está sustentando as outras.

Uma pessoa pode ser um ponto de apoio, mas todas as outras devem igualmente estar conscientes de seu próprio equilíbrio e de sua parte na unidade para que O TODO seja bem sucedido e não haja desmoronamento.

Cada pessoa deve se sentir integrada no todo e dar-se com esta integração e força de consciência ampliada para criar o todo. Em outras palavras, há um processo contínuo de criatividade e intercâmbio. Nesse estilo descaracteriza-se a predominância de “mão única” que alguns líderes têm com seus seguidores, do mestre para as chefias, do guru para os discípulos. Mas, nova consciência de grupo, uma verdadeira integração com circulação em ambas as direções.

Cada companheiro está criando o grupo a cada momento. Cada membro é importante e todos têm alguma coisa para contribuir. Todos podem estar apoiados sobre os ombros do outro, porém todos deverão sentir esse equilíbrio e constantemente contribuir com o seu equilíbrio para manter o todo.

A maneira de criar uma consciência de grupo é começar individualmente a se conscientizar de sua identidade mais profunda, seu nível mais interno. Eu sou a consciência do grupo. A consciência do grupo não é feita de pessoas, é feita de uma maneira de ser.

Cada um de nós é parte de um grupo em permanente expansão. Uma das maiores alegrias de abertura é começar a reconhecer isto e começar a identificar as pessoas com as quais eu reparto estes laços.

Desta consciência, sem dúvida, crescerá um grupo que funciona agora como um organismo inteiramente diferente, não mais simplesmente um grupo de pessoas juntas por uma necessidade emocional ou mental, mas um grupo de pessoas que começa a funcionar com ritmo harmônico. Ainda que elas possam ser muito diferentes e talvez bastante incompatíveis em nível de personalidade, elas compartilham um fluir unificador que vem do nível mais profundo de cada um.

ROTATIVIDADE – COMO CONSERVAMOS A EXPERIÊNCIA DE QUEM SERVIU ANTES DE NÓS

Rotatividade
Como conservamos a experiência de quem serviu antes de nós

Bolívar Hernán Zaruna-Equador

Dizia Bill sobre o terceiro legado de A.A., o serviço: “Nosso 12º Passo -levar a mensagem-é o serviço básico que presta a comunidade de A.A.; é nosso principal objetivo e a razão primordial de nossa existência. Portanto AA é mais que um conjunto de princípios, é uma sociedade alcoólicos em ação. Devemos levar a mensagem, pois se não o fizermos, nós mesmos podemos recair e aqueles a quem não foi comunicado a verdade, podem morrer.
De modo que um serviço de A.A. é tudo aquilo que nos ajuda a alcançar o alcoólico que ainda sofre, abrange desde o passo doze em si, uma chamada telefônica e uma xícara de café, até o Escritório de Serviços Gerais de A.A. para as atividades nacionais ou internacionais. A soma total desses serviços é o nosso terceiro legado.
No início de nosso livro Levar Adiante, encontramos o seguinte:
“Nunca esquecerei a primeira vez que me encontrei com Bill Wilson. Eu estava sem beber por pouco tempo e estava tão emocionado, tão entusiasmado de conhecer pessoalmente ao cofundador que joguei sobre ele uma enxurrada de palavras, expressando o que minha sobriedade significava para mim, assim como minha imortal gratidão para com ele por ter iniciado AA. Quando terminei de falar, ele tomou minha mão na sua e simplesmente disse: Passe Adiante”
Com essa ligeira introdução, quero compartilhar que cheguei ao serviço de Custódio substituindo um servidor que saiu, logo apresentei meu currículo com o desejo de cumprir um período completo de serviço e graças a Deus aqui estou. Porém, nesse processo não recebi a experiência dos servidores anteriores, porém isso não diminuiu minha responsabilidade em servir nem tampouco parou meu fervoroso desejo de aprender a cada dia, em cada instante, um pouquinho mais dessa bendita Irmandade. Por isso não falto aos diversos eventos de A.A. que se realizam em meu país e, quando as circunstâncias permitem, fora dele. Não descuido de minha comunicação com meu padrinho e não tenho deixado de abrir as páginas de nosso revigorante e espiritualizada literatura.
Considero que não ganharia muito, ou serviria muito pouco, se a experiência de serviço e as vivências recebidas em cada espaço de serviço que o criador tem me colocado ficassem unicamente comigo e gravado somente em minha mente e em meu coração como privilegiadas recordações de meu constante caminhar pelo caminho maravilhoso de AA.
Penso que a melhor e mais eficaz maneira de guardar a experiência de haver servido é depositando-a nesse entesourado cofre que sempre deverá estar aberto aos demais, quer dizer, nesse novo servidor, essa nova estrutura, esse novo grupo. Não posso permitir-me o luxo de guardar a experiência vivida unicamente comigo: devo completar esse círculo de amor e serviço, transmitindo-a outros, apadrinhando ao futuro candidato a servir. Não quero por nenhum motivo ser parte de algo ou de alguém que me conduza a algo que não se sabe.
Estamos conscientes que algum momento teremos que abandonar o serviço que nos tenha sido designado, quer seja no grupo, no distrito, na área ou na Junta e permitir que outro companheiro continue o serviço, porém acredito que seria irresponsabilidade de minha parte deixar de transmitir para ele minhas experiências vividas, naturalmente sem me transformar em seu mestre instrutivo, e sim em seu depositário de consulta permanente.
Que jamais o ego ou a autossuficiência interfira no propósito e a edificante intenção de sempre transmitir as experiências do serviço a outro companheiro, a outro grupo, a área onde pertença ou a estrutura de cada país, até que finalmente em meu encontro com o criador possa dizer: “Graças, Pai, por haver me dado lucidez para transmitir a outros irmãos o que aprendi. Claro que me faltou muito, meu bom Deus, porém o que me permitiu fazer, eu fiz. Assim deixei na mente e nos corações de meus queridos irmãos o que pude viver. Agora cabe a eles seguir transmitindo suas próprias experiências em mentes e corações novos. E assim permitir, pai celestial, que a luz que nos foi dada jamais se extinga. E que este depositário de consultas de amor e serviço nunca se feche, porque és o teu poder o que o manterá aberto sempre”.
Em nós está o saber, como, quando e onde guardamos a experiência do serviço vivido e qual é o propósito final desta interminável cadeia de transmitir a outras nossas experiências, sabendo que lá fora ainda há seres humanos, quem sabe muito próximo a nós, que estão vivendo o inferno do alcoolismo ativo.
Companheiras e companheiros, mil agradecimentos a todos por escutar-me, que Deus os abençoe. Pela graça e bondade de meu PS, hoje não bebi.

– A importância da rotatividade

Yasuo Nimura-Japão

Meu nome é Yasuo, sou alcoólico.
Se fala que o coração de A.A. começou a bater quando o primeiro encontro de Bill e Bob. Podemos também dizer que o espírito de rotatividade foi estabelecido no exato momento em que nossos cofundadores entregaram nossos serviços mundiais à Irmandade, 20 anos depois, na convenção de St.Lois. Bem,27 anos, em junho de 1985, assisti a minha primeira reunião de AA. Em Osaka tinha somente 10 anos da chegada de AA. em Tóquio, cinco anos depois de Tóquio, alguns membros foram até Osaka para transmitir a mensagem e formaram as primeiras reuniões. Quando comecei a assistir as reuniões, a única literatura traduzida para o japonês era o livro grande,12×12 e uns poucos folhetos. Foi através desses panfletos, especificamente “O Grupo de A.A.”, que soube pela primeira vez da expressão “Espírito da Rotatividade” e de sua importância. Está escrito lá que o ponto principal da rotatividade está na tradição 2 quando diz que os princípios antecedem as personalidades.
Está escrito que, para prevenir que um membro se agarre a uma posição particular, praticamos tradicionalmente o princípio da rotatividade. Conforme vamos nos recuperando do alcoolismo nas reuniões, ao envolver-nos com o serviço em nossos grupos, nos comitês e no serviço geral estrutura, os benefícios da recuperação são concedidos a cada membro por igual, por meio da unidade da Irmandade e do princípio da rotatividade.
Compartilhando algumas de minhas experiências, o grupo me permitiu fazer o café e a limpeza geral. Depois de 3 meses, foi me dada a oportunidade de coordenar as reuniões e logo fui o tesoureiro. Ao realizar esses serviços, recebi a benção da recuperação do alcoolismo e um contínuo crescimento em sobriedade.
Naquele tempo nossa região estava dividida em áreas e quando tinha apenas um ano de sobriedade outro membro me pediu que servisse como membro do comitê de área, um serviço que requeria minha presença as reuniões mensais com outros 4 ou 5 companheiros.
Foi seguindo esta progressão que compreendi a importância da quinta tradição e da transmissão da mensagem.
Por um lado, para alguém como eu que buscava fama nos títulos, quando o mandato terminava eu estava disposto a permanecer no posto se não havia outros candidatos para ocupá-los, porém havia outras ocasiões em que meu inflado egoísmo e meus desejos egocêntricos eram conduzidos à humildade pelo princípio da rotatividade.
A rotatividade permite a todos os membros, se eles desejarem, igualdade de condições para servir. Não deve ser uma pressão para os membros nem um requisito, os encargos de serviço, pelo contrário, terão que ser aceitados voluntariamente e ser vistos como um meio para o fortalecimento da própria sobriedade, em segundo lugar, a rotatividade está estreitamente relacionada com o princípio do anonimato de A.A. e seu profundo princípio espiritual da humildade. Graças ao espírito da rotatividade, podemos ser servidores anônimos e a todos os membros se lhes é dado o mesmo direito de servir. Não é pelo falso delírio de grandeza que chegamos a ser RSG, MCD ou Delegado de Área, nem servimos impulsionados pela arrogância ou autopiedade ou poder ou a autoridade senão por ser um servidor de confiança como descreve a segunda tradição. Aceitamos esses encargos e recebemos o amor e a paz de Deus. Não é um verdadeiro presente da sobriedade por parte de Deus? Não é nossa escolha de permanecer anônimos uma forma essencial de impulsionar nossa espiritualidade e de cultivar o sacrifício e a humildade? E o terceiro, quero compartilhar o estado atual no Japão. Há bastante problemas com a rotatividade nesse momento. Existem 560 registrados e nossos membros somam aproximadamente 6.000.Nossa conferência está composta de vinte delegados de área,6 custódios classe B e 2 classe A,4 membros do escritório de serviços gerais e dois delegados a RSM. Entretanto, a cada ano, são muito poucas as pessoas que estão dispostas a servir e frequentemente não contamos com membros suficientes para preencher os encargos. É uma luta que acontece todo ano o preenchimento desses encargos. Não temos suficientes alcoólicos recuperados que têm disponibilidade de tempo para tal. Os que estão dispostos a aceitar trabalham em empresas, o que torna difícil aceitar serviços fora do grupo. Em nossa área um de nossos dedicados servidores disse o seguinte acerca da dificuldade com a rotatividade: “já que não tem gente nova disponível para servir, seguirei servindo. Entretanto, se ao término deste próximo período ninguém se propor me afastarei de qualquer forma”. Qualquer dos cenários significa um problema.
No Japão, frequentemente vejo membros que se interessam pelo serviço na estrutura de AA. e em encontrar um padrinho de serviço. A rotatividade não deve seguir sendo uma preocupação. Vou propor na próxima conferência, como parte do meu reporte da RSM, que enfatizemos o apadrinhamento no serviço.
Ao escrever essa apresentação, me foi dada uma maravilhosa oportunidade para refletir profundamente, uma vez mais, no espírito da rotatividade, o anonimato, a humildade e o papel e relação de nossos servidores de confiança, conforme a 2ª Tradição. É por isso que agradeço a todos vocês.

Fundo Internacional de Literatura
Phyllis Halliday, Gerente do GSO, EUA/Canadá

Ao se realizar esta 23ª Reunião de Serviço Mundial já se passaram 24 anos desde que a 11ª RSM recomendou à secretaria “… envie uma carta a todos os países participantes com o objetivo de solicitar cooperação na tarefa de recolher fundos como resposta ao problema atual de fornecer a literatura inicial aos países que não podem pagar suas próprias traduções e aquisições”.
Desde aquele momento, a reação dos países de todas as partes do mundo de A.A. segue sendo positiva, alentadora e muito gratificante.
Em 1992 o Comitê de Literatura e Publicações da RSM informou que chegaram ao entendimento de que o Fundo internacional de Literatura está dentro do âmbito do Comitê de Literatura e Publicações da RSM. O Comitê informou que AAWS utilizará estes fundos para suprir os gastos com a produção de literatura em outros idiomas, bem como para reembolsar a outros organismos de A.A. por gastos similares” e disse que AAWS deve ter “… a liberdade de priorizar o uso destes fundos segundo a necessidade expressada por cada Escritório de Serviços Gerais ou delegado”. O comitê solicitou que AAWS fornecesse a cada RSM “um informe sobre as contribuições recebidas e desembolsos feitos nesta conta”.
Como vocês podem ver, em nosso último informe de 2010, as contribuições baixaram consideravelmente. Nos últimos cinco anos, os gastos se mantiveram inferiores a 125.000 dólares americanos a média é de 94.000 dólares ao ano. É possível que estas duas cifras representem uma tendência, mas é muito cedo para se determinar se isto procede. A informação que temos recebido de muitos de vocês indica que o momento ruim da economia global afetou de forma negativa as contribuições. Um ex custódio de uma outra estrutura de serviço disse a um servidor do GSO em Nova York que seu país teve que escolher entre contribuir com mais dinheiro ao FIL ou demitir um funcionário de seu Escritório de Serviços Gerais. Alguns de vocês deparam diariamente com situações parecidas, e nossa Irmandade nos Estados Unidos e Canadá não está isenta da insegurança econômica dos dias atuais.
Dito isto, tenho que acrescentar que o FIL é uma das múltiplas responsabilidades que o AAWS, Inc. tem para com a irmandade mundial de A.A., o cumprimento das quais nos enche de alegria, já que nestes trabalhos podemos ver claramente o amor de A.A. em ação. Cada contribuição ao FIL ajuda a pagar os gastos com tradução e outra ajuda com literatura.
Os pedidos de ajuda nos chegam de diversas formas, e às vezes quando menos se espera. No ano de 2011, na REDELA, a reunião zonal das Américas, nossos delegados (EUA/CAN) receberam uma solicitação conjunta, por parte dos delegados do Equador, Peru e Bolívia, para traduzir o livro Alcoólicos Anônimos em Quéchua, o velho idioma dos Incas, que hoje é falado por mais de oito milhões de pessoas, principalmente nos Andes. A solicitação foi enviada ao nosso GSO, à diretora de publicações de AAWS, que por sua vez solicitou aos delegados do Equador, Peru e Bolívia para que formem um comitê supervisor do projeto, que contará com o apoio do Fundo Internacional de Literatura. E dessa maneira se inicia outra tradução, e por ter a literatura de A.A. disponível em tantos idiomas quanto seja possível, seguimos salvando incontáveis vidas.
Desde 1991 os gastos de AAWS de ajuda para a Literatura Internacional nos países emergentes da Europa, África, Ásia, Oriente Médio, Oceania e as Américas superaram 2,6 milhões de dólares. Nos dois últimos anos fornecemos exemplares do livro Alcoólicos Anônimos e outra literatura grátis a Bulgária, China, Haiti, Indonésia, Lituânia, Mongólia e Vietnã. Temos quinze traduções do livro Alcoólicos Anônimos em andamento e este ano se publicou traduções para o idioma Sessoto, para os habitantes de Lesoto, África, e em maori para os das ilhas Cook. A tradução em maori foi para mim um trabalho especialmente alentador, porque representa uma demonstração clara da responsabilidade que assumimos de ajudarmos uns aos outros. Um membro de A.A. da Irlanda, que estava de visita às Ilhas Cook ajudou os habitantes da ilha a encontrar uma editora na Nova Zelândia, para imprimir a tradução em maori e agora vai voltar às Ilhas Cook para ajudar seus companheiros de lá a distribuir o livro. É assim que funciona!
Desde que nos reunimos em 2010, foram publicados livros e folhetos de A.A. em vários idiomas, incluído dez dialetos da Índia, tcheco, chinês, Khmer (Camboja), mongol e twi (Gana). Nós nos sentimos profundamente agradecidos pela presença de A.A. agora em mais de 180 países, e por ter traduções da literatura de A.A . em 87 idiomas. Não seria possível conseguir tudo isso sem o seu constante apoio-econômico e espiritual.
Como nosso cofundador Bill W. disse em 1968, a respeito da importância de se publicar uma literatura padrão, começando pelo livro Alcoólicos Anônimos, “Este volume e todos os demais livros e folhetos escritos desde aquela época, colocaram A.A. à disposição do mundo todo. Por conseguinte, não foi possível modificar a mensagem de A.A. Dessa forma, começamos nossa primeira tentativa de assegurar a unidade de A.A. e sua eficácia “Com os corações agradecidos, os diretores da Junta de Serviço Mundial de A.A.W.S. e os Custódios da junta de Serviços Gerais dos Estados Unidos e Canadá reconhecem com gratidão coletiva os muitos “sacrifícios na sacola” que vocês vêm fazendo para ajudar a levar a mensagem de esperança de A.A. a todas as partes do mundo. Estou profundamente agradecida a vocês.

1º ENCONTRO SOBRE AS MULHERES EM ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

Àrea

1° ENCONTRO SOBRE AS MULHERES EM ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
Companheiros,
Uma pessoa, um Grupo, uma coletividade, todos temos uma história para contar. Se plena de atividades positivas, de fraternidade, de solidariedade e amor, particularmente, nos vários seguimentos (social, racial ou religioso) da Irmandade de Alcoólicos Anônimos, não deve deixar de ser contada. E, principalmente, quando se trata de nossas irmãs = mulheres em A.A.. Se através de fatos negativos, que eles sejam omitidos. Que eles entrem para o mundo dos esquecidos, para jamais serem comentados!
Então, viveremos um mundo de indulgência e de amor!!!
Nossa missão, hoje neste evento, é trazer para vocês retalhos da história de Alcoólicos Anônimos, quando as mulheres, alcoólicas e não-alcoólicas, são as personalidades principais:
INICIEMOS pelas clássicas não alcoólicas, com algumas pinceladas dos fatos ocorridos e relacionados à nossa Irmandade e em suas vidas:
HENRIETTA SEIBERLING, membro dos Grupos Oxford, em Akron, pequena cidade do Estado de Ohio, Estados Unidos – nora do Sr. Seiberling, fundador e presidente da multinacional “Goodyear”. Bill W., nos conta que sem ela nós não teríamos Alcoólicos Anônimos. E justifica: “Desesperado, quando tudo tinha sido errado na parte funcional em Akron; encontrando-se sozinho no hall do hotel e entrando em compulsão, apelou para a lista de membros dos Grupos Oxford (lembremos que nesta época Bill, também, era membro dos Grupos Oxford de Nova York). Era um sábado, véspera do dia das Mães, falou então com o Pastor Walter Tunks e este indicou a Sra, Henrietta. Ela ao atender comentou: “Eu não sou alcoólica, mas tenho tido meus problemas e venho encontrando respostas nos Grupos Oxford”. Então Bill declara: “Aqui quero registrar a gratidão eterna que os AAs sempre terão à Henrietta, que foi quem uniu o Dr. Bob a mim! Das dez pessoas que me foram indicadas pelo clérigo Walter Tunks, Henrieta foi a única que compreendeu e se interessou o suficiente. Este primeiro contato foi só o início da extraordinária atividade e ações na missão de Henrietta. Durante muitos anos ela, a Anne e Irmã Ignácia trouxeram muitas pessoas para se recuperar no primeiro Grupo de Akron.”
LOIS GRIFFITH WILSON – Esteve presente na vida de Bill desde quando ele voltou da “primeira grande guerra mundial” e no início de seu alcoolismo e toda tragédia de sua vida até sua última e terceira internação, quando se tornou instrumento de DEUS, com o seu despertar espiritual, em dezembro de 1934. Nunca mais bebeu e se tornou o principal co-fundador de Alcoólicos Anônimos! Có-fundadora dos Grupos Familiares Al-Anon” em 1950, Lois viveu intensamente as duas Irmandades: Alcoólicos Anônimos e os Grupos Familiares Al-Anons. Nas atividades iniciais de Bill, em dezembro de 1934 até sua morte, em 24 de janeiro de 1971, Lois esteve permanentemente presente – em dias alegres ou em dias tristes! Esposa dedicada e amorosa – viveu para o Bill e para os Grupos Familiares Al-Anon.
ANNE HOLBROK SMITY – Viveu intensamente todo sofrimento do Dr. Bob, no mundo do alcoolismo, até a sua recuperação em 10 de junho de 1935. A Anne, na véspera do dia das mães – quando recebeu o telefonema de Henrietta, a atendeu com a seguinte frase: Henrietta, lamento mas como sabe hoje é véspera do dia das mães e “Pai Smith” encontra-se muito cansado. Que tal falarmos disto amanhã!” Tratava-se do convite para se encontrar com o Bill – só que, na verdade, naquele exato momento, Dr. Bob encontrava-se embriagado, deitado sob a mesa, na qual, em um jarro havia um bouquê de flores. A Anne, durante os três primeiros meses na recuperação do Dr. Bob, tendo como hóspede o Bill W., toda tarde lia para eles a Bíblia Sagrada, complementada por orações como o Pai Nosso e a de São Francisco de Assis, entre outras.
IRMÃ IGNÁCIA, da Comunidade das Irmãs de Caridade Santo Agustinho, mais conhecida como uma dama, uma freira e uma santa – a Irmã Ignácia iniciou seu relacionamento com Dr. Bob para internações, tratamento e recuperação de alcoólatras, a partir do terceiro membro de A.A. – Bill D., em Akron, no Hospital St. Thomas. Em seguida, ela continuou seu trabalho de solidariedade e amor no Hospital de Caridade St. Vincent, em Cleveland. Esta extraordinária mulher santa, junta com Dr.Bob, trataram de aproximadamente dez mil alcoólatras.
RUTH HOCK, foi à primeira Secretária da Fundação do Alcoólico, a partir de 1938 até 1942, quando saiu para casar. Pequenas conotações sobre Ruth citadas por Bill W.: “…Ruth Hock foi a primeira secretária de nosso Escritório – dedicada jovem não-alcoólica, que anotou montes de ditados e que por meses os tinha datilografado e re-datilografado, quando o Livro Alcoólicos Anônimos estava em preparação. Ela muitas vezes se privava de receber salário, aceitando em lugar deste as ações, aparentemente sem valor, da “Works Publishing”. Lembro-me, com profunda gratidão, de como muitas vezes seu conselho sábio, bom humor e paciência ajudaram a resolver as discussões intermináveis a respeito do conteúdo do livro. Muitos veteranos lembram-se, com gratidão, daquelas cartas afetuosas que Ruth havia respondido, quando, após o ARTIGO DE JACK ALEXANDER, chegavam aos montes. Todos buscavam Alcoólicos Anônimos. Cerca de oito mil cartas e todas foram atendidas!
AS MULHES BRASILEIRAS E PIONEIRAS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
Nossas brasileiras, também foram expoentes diante do desenvolvimento de nossa Irmandade, em solo brasileiro. Entre tantas, citaremos algumas mulheres não-alcoólicas do Brasil, porque elas fizeram diferença:
Iniciemos com uma que é clássica: aquela que se confessava – “brasileira de coração” – Instrumento Divino, trouxe junto com seu marido, Alcoólicos Anônimos para o Brasil = ELIZABETH LEROY DAUGUERTY, esposa de Herberth, americanos, chegaram ao Brasil (Rio de Janeiro) em 19 de junho de l946. Através dela, uma série de correspondência foi dado inicio com os Escritórios de A.A., em Nova York, que veio solidificar Alcoólicos Anônimos no Rio de Janeiro, a partir de 5 de setembro de 1947. Herbert, altamente responsável junto à empresa que havia assinado contrato por três anos no Brasil e profundamente dependente do programa de A.A. – por ser muito atarefado, deixou a tarefa, embora algumas vezes ditando, relendo ou revisando os textos, à noite, de toda a correspondência, relacionada ao A.A., para sua dedicada esposa. Acreditava ser impossível esse contato com Nova York, não fosse o esforço de sua extremada mulher. Por isso, tratava-a carinhosamente, chamando-a de minha “Lib” ou “Libita”. Elizabeth tornou-se a principal correspondente do A.A. brasileiro e responsável por toda a correspondência junto à Fundação até início de 1949, quando retornou para os Estados Unidos. Nossos agradecimentos não têm limites para este casal, “instrumentos de DEUS”.
Dra. HELENA DAHER eminente médica psiquiatra do Hospital Dr. Eiras, situado no bairro Botafogo, Rio de Janeiro, a partir de 1949, quando conheceu Alcoólicos Anônimos, através de seus amigos, membros de A.A. (Frank e Helen – esta, esposa de um almirante norte-americano) voluntariamente, tornou-se nossa tradutora oficial. Tomando conhecimento de alguns folhetos e livros de Alcoólicos Anônimos, na língua inglesa (nesta época tínhamos traduzido apenas o livreto, conhecido como “Livro Branco”, que fora traduzido pelo segundo membro A.A. brasileiro – companheiro Harold).
Os primeiros folhetos que a Dra, Helena ajudou a traduzir foram: “Na Opinião de Um Médico”; “Como Cooperar para uma Obra Meritória”; “Abordagem”, extraídos do Livro Alcoólicos Anônimos – Capítulo Seis = “Entrando em Ação” e Capítulo Sete = “Trabalhando com os Outros”. Nos anos de l953 e l956, Dra. Helena traduziu: “Doze Passos, Doze Tradições, Quando A.A. Atinge a Maioridade” e outros folhetos, como “Eis o A.A.”, “44 Perguntas e Respostas”; “Carta a uma Mulher Alcoólica” e etc.
CLÁUDIA DINIZ BRITO = De 1992 à 1997, serviu a JUNTA como Secretária, mais especificamente no CAC (Comitê de Assuntos da Conferência). Abnegada, não só em todos os assuntos da Conferência, mas e precisamente na sua forma carinhosa e dedicada junto a todos os Delegados de Área do Território Nacional. Quem conheceu e conviveu com a Claudinha terá sempre uma eterna gratidão pelo grande amor que ela dedicava a Alcoólicos Anônimos.
Foi neste século, a partir do ano 2.000, que as mulheres de nível universitária, não-alcoólicas, preparadas por suas respectivas Área, se deram conta de seus valores e começaram a servir a nossa JUNTA DE SERVIÇOS GERAIS. Elas são:
Dra. ANA MARIA FERREIRA DE ARAÚJO, da Área do Rio de Janeiro, serviu à JUNTA, como Vice-presidenta e Presidenta, do ano de 2000 à 2003.
Dra. VERA LOUREIRO DE ALMEIDA, da Área de Mato Grosso, serviu à JUNTA, como Vice-presidenta e Presidenta, do ano de 2003 à 2006.
Dra. REGINA LÚCIA MELO BATISTA DANTAS, da Área do Pará, serviu à JUNTA, como Vice-presidenta e Presidenta, do ano de 2007 até a Conferência de Serviços Gerais deste ano de 2009.
Dra. SANDRA LÚCIA DE OLIVEIRA RODRIGUES DA SILVA, da Área de Minas Gerais, eleita pela JUNTA DE CUSTÓDIOS e homologada Presidenta da JUNAAB, a partir deste ano de 2009.
NOSSAS MULHERES ALCOÓLICAS, eminentes e pioneiras servidoras de Alcoólicos Anônimos, seus registros datam de 1949, com a primeira mulher alcoólica e membro do Grupo A.A. Rio de Janeiro ou “Rio Núcleo”, conhecida como companheira Chapéu e Véu: COMPANHEIRA MISSE HELEN = americana, muito trabalhou nas traduções de diversos folhetos e os principais livros de A.A., juntamente com a Dra. Helena Daher, bem como, no Comitê de Abordagem, praticando o 12º Passo, com muito sacrifício em face do domínio de nosso idioma e, também, devido sua posição social.
COMPANHEIRA MARIA FELÍCIA, que havia ingressado no Grupo A.A. Central do Brasil, no Rio de Janeiro, torna-se a primeira Coordenadora de Reunião do Grupo. Em 1954, diante de problemas e necessidades de ordem familiar, muda-se para Baurú e encontrando-se com o companheiro André, já residente na mesma cidade, fundam o primeiro Grupo de Alcoólicos Anônimos do Estado de São Paulo.
Poderíamos enumerar centenas de mulheres que se tornaram, no Rio de Janeiro, coordenadoras de Grupo: Companheiras Dolores, Aurora, Camila, Isis Nascimento, Ivone, Tereza, Dorothy, Rhute, Flora e outras tantas, a partir da década de 60.
Companheira Dolores, participou do Conclave, em São Paulo, no ano de 1976, como Delegada do Estado do Rio de Janeiro. Na Conferência, participou da aprovação do projeto para criação da JUNAAB. Neste Conclave, Companheira Isis do Nascimento,do Rio de Janeiro, foi eleita Segunda Presidenta da JUNAAB, já coordenando as Conferências de 1976, em São Paulo e a de 1977, no Recife, Estado de Pernambuco.
COMPANHEIRA JANE, de São Paulo, foi a primeira e única companheira A.A., a servir a recém formada Junta de Serviços Gerias, como assessora, das Reuniões de Baypendí, Estado de Minas Gerais, por quatro anos, para formação dos Comitês, hoje existentes.
No último dia (15 de setembro de 1986), a companheira Jane foi convidada para apresentar a palestra, cujo tema: “Discriminação da Mulher no Grupo”. Companheira Jane, diante do tema, focou principalmente fatos e controvérsias; dificuldades das mulheres quando na busca de sua recuperação, nos serviços de Grupos e de Organismos. Tentou demonstrar a resistência da maioria de companheiros, em encargos para mulheres no Terceiro Legado. E finalizou apelando aos companheiros tratarem as mulheres alcoólatras apenas como companheiras que necessitam da convivência grupal afim de que possam atingir sua plena recuperação.
Como as mulheres não-alcoólicas, servidoras da JUNTA, enumeramos também, a partir do ano 2000, as mulheres alcoólicas em recuperação, também servidoras da JUNTA:
1976 à 1977 = ISIS DO NASCIMENTO, da Área do Rio de Janeiro = Segunda Presidenta da JUNTA.
2000 à 2003 = ANA MARY DA COSTA LINO, da Área do Rio de Janeiro = Custódia Nacional para Reunião de Serviços Mundiais.
2008 à 2011 – CELI MARIA DE SOUZA, da Área de Mato Grosso = Custódia Nacional para Reunião de Serviços Mundiais.
2005 à 2007 = MARIA EMÍLIA VENTURELLI, de Cuiabá, Mato Grosso = Custódia da Região Centro-Oeste.
2005 até a data atual – MARIA OLÍVIA DE CASTRO IÓRIO, da Área de São Paulo = Coordenadora do CPP = Comitê de Publicações Periódicas.
Considerando nossas seis Regiões e vinte e sete Áreas, tentaremos registrar nossas mulheres servidoras de Alcoólicos Anônimos, como Delegadas de Área, em ordem alfabética, por Estado:
ÀREA DO ACRE:
1997/98 = Maria de Fátima Dantas Maia.
2000/2002 = Maria Madalena Ferreira.
2007/2008 = Tânia da Silva Lima.
ÁREA DE ALAGOAS:
1992/1993 = Maria Violeta Dantas.
ÁREA DO AMAPÁ:
2007/2008 = Rejane Socorro Freire
AMAZONAS:
1992/1993 = Jacira Ferreira
2001/2002 = Reina Maria Marinho
2006/2007 = Maria Horácio da Silva
ÁREA DA BAHIA:
2002/2003 = Clara Amélia Campos
ÁREA DO CEARÁ:
2000/2001 = Marcélia Xavier Pineiro
ÁREA DO DISTRITO FEDERAL:
1991/1992 = Eucy Pereira Silva
1996/1997 = Wilma Rodrigues de Oliveira
2005/2006 = Helena da Mota Fernandes
2008/2009 = Sirlene Alves da Costa
ÁREA DO ESPÍRITO SANTO:
2001/2002 = Zilma Maria Peixoto
ÁREA DE GOIÁS:
1993/1994 = Regina Célia Carvalho
1998/1999 = Maria Inez Siqueira
ÁREA DO MARANHÃO:
1990/1991 = Maria Salete
2000/2001 = Joyna Célia Viana
ÁREA DO MATO GROSSO:
2000/2001 = Celi Maria de Souza
2008/2009 = Ana Elisa Limeira
ÁREA DO MATO GROSSO DO SUL:
1993/1994 = Maria Emília Venturelli
1999/2000 = Sônia Maria de Medeiros
ÁREA DE MINAS GERAIS:
1992/1993 = Jane Maria
ÁREA DO PARÁ:
1989/1990 = Maria Célia de Albuquerque
2001/2002 = Judith da Silva Souza
ÁREA DO PARANÁ:
1991/1992 = Maria Tereza
2009/2010 = Cristina Mara Frecceiro
ÁREA DO PIAUÍ:
1998/1999 = Luciane da Costa Carvalho
2001/2002 = Maria Francisca da Silva Pinheiro
ÁREA DO RIO DE JANEIRO:
1976/1977 = Dolores Lima Gusmão
1995/1996 = Ana Mary da Costa Lino
2000/2001 = Maria Luíza Lopes
ÁREA DE RORAIMA:
2000/2001 = Maria de Fátima Nunes
ÁREA DO RIO GRANDE DO SUL:
1998/1999 = Deldides Inez Paz
2001/2002 = Sônia Maria Marques
ÁREA DE SANTA CATARINA:
2007/2008 = Rute Maria Medeiros
ÁREA DE SÃO PAULO:
2002/2003 = Nair Ferraz Alonso
ÁREA DE SERGIPE:
2002/2003 = Solange Maria Gomes.
Permitam-me, companheiras e companheiros, neste momento solene prestar uma homenagem as nossas irmãs AAs paraibanas, particularmente nossas companheiras dos Grupos vinculados ao Comitê de Distrito Novo Horizonte, contando as realizações de duas principais mulheres de Alcoólicos Anônimos: Marty Mann, dos Estados Unidos; e, Dorothy Newmann, inglesa, naturalizada brasileira. Esta última tive o prazer de conhecê-la pessoalmente e com ela conviver no programa de nossa Irmandade. Logo que cheguei no Rio de Janeiro, Drault Vilar, cuidou de me apresentar a companheira Dorothy. Nesta época, não tínhamos estrutura e aqueles companheiros com “posses” eram quem financiavam as nossas literaturas que eram editadas clandestinamente e graciosamente distribuídas. Dorothy fazia parte desse grupo que financiavam. Então, por nosso intermédio e a boa vontade da Dorothy = passos, tradições, livro branco e outros folhetos eram enviados para o meu padrinho Estevam Vilar, de Campina Grande, para serem distribuídos juntos aos nossos irmãos AAs paraibanos. Essas ações me davam muito prazer.
Marty Mann, foi uma das primeiras mulheres a se recuperar do alcoolismo através do programa de A.A. Foi ela que escreveu o folheto “ALCOOLISMO A DOENÇA QUE TODOS ESCONDEM” e doou à humanidade o “direito autoral”.
O Dr. Harry Tiebout – um dos primeiros amigos de A.A. – tratava de uma paciente, internada em sua clínica, que era de maior importância, já que se tratava de uma médica psiquiatra, sua colega e grande amiga, que tornara-se alcoólatra inveterada e dependente, desenganada por seus próprios colegas, à exceção do Dr. Harry Tiebout. Dr. Harry, depois de ler o rascunho de nosso Livro Grande, que fora entregue por Bill W. (nossa Irmandade ainda não tinha nome), entregou-o a Marty Mann, para que lesse e desse a sua “impressão” sobre o mesmo, na esperança, lógico, de que ela compreendesse e aceitasse o seu “problema”, consequentemente viesse a fazer parte daquela “novel” Irmandade, mas que estava conseguindo o milagre de recuperar alcoólatras como ela, desenganados pela própria medicina. No dia seguinte, Marty devolveu-lhe o livro e acintosamente disse-lhe: “aquilo” em nada lhe interessava, visto tratar-se de “um livro escrito por homem para homens e que além do mais fala muito em DEUS, em quem não acredito.” Dr. Tiebout, diante de tal atitude, inesperada e até certo ponto arrogante e grosseira, replicou-lhe com muita serenidade, mas com dureza: “Qual é a diferença que pode existir entre um livro ter sido escrito por homem sobre uma doença que tanto ataca indistintamente ao homem ou à mulher? E além do mais, qual a importância que possa ter o nome desse médico, se DEUS ou outro qualquer nome = SE É ELE O ÚNICO QUE PODE RESOLVER O PROBLEMA DESSA DOENÇA? “ E acrescentou: “Volte para sua cama, leia o livro com atenção e depois, aí sim, dê-me a sua real ‘ impressão’?” No dia 9 de abril de 1939, poucos dias antes da distribuição oficial da primeira edição daquele fabuloso livro, que viera a chamar-se “ALCOÓLICOS ANÔNIMOS”, Marty Mann passou a fazer parte de nossa Irmandade e jamais voltou a beber ou ter outras internações.”
Dorothy Newmann, ingressou no Grupo A.A. Central do Brasil, em 26 de março de 1961. Inglesa, naturalizada brasileira, em Alcoólicos Anônimos realizou-se material e espiritualmente. Começou a se interessar pelo serviço institucional em hospitais brasileiros, a exemplo do que acontecia nos Estados Unidos e Canadá, uma vez que por exigência das atividades de sua empresa viajava muito para Nova York. E em todas as oportunidades visitava a GSO e na maioria das vezes conversava com Bill W., a respeito do A.A., e da estrutura da Irmandade em nosso País.
Todas as Quintas-feiras, em São Paulo, antes de ir à sua empresa procurava a Santa Casa da Misericórdia, onde tinha um médico amigo, que sempre a levava para abordar algum alcoólatra, Numa dessas visitas conheceu um seu conterrâneo, também inglês, naturalizado brasileiro, que se encontrava internado devido ao seu alcoolismo. Trata-se de nosso companheiro Donald L. Aceitou a abordagem, reconheceu-se alcoólatra e ingressou em Alcoólicos Anônimos.
Este companheiro, mais tarde, a partir de 1969, tornou-se o fundador do primeiro Organismo Nacional de Alcoólicos Anônimos, resultando a estrutura que hoje temos. Este Organismo chamava-se de CLAAB=Centro de Literatura A.A. para o Brasil.
Dorothy, em 3 de julho de 1965, a convite de Bill W., participou da 30ª Reunião Mundial de Toronto – Canadá, representando o Brasil, oportunidade em que assiste Bill W. lançar o Tema da Convenção = “A DECLARAÇÃO DE RESPONSABILIDADE” = “Eu sou responsável! Quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, quero que a mão de A.A. esteja sempre ali. E por isto: EU SOU RESPONSÁVEL!

UNIDADE – ANONIMATO

TEMAS:

“UNIDADE”

“ANONIMATO”

PRIMEIRA TRADIÇÃO

“NOSSO BEM ESTAR COMUM DEVE ESTAR EM PRIMEIRO LUGAR, A REABILITAÇÃO INDIVIDUAL DEPENDE DA UNIDADE A.A”

Esta questão da unidade em A.A. é mesmo muito importante, senão vital para todos os membros desta irmandade, muitos não se dão conta disto, até que num determinado momento de sua vida, para e faz uma reflexão sobre o que foi mais importante para mantê-lo sóbrio. Ora, a grande maioria de nós, chegou em A.A. com a vida toda descontrolada e o que é pior, com todos os defeitos de caráter à flor da pele, nos sentindo abandonados, maltratados e acima de tudo injustiçados, portanto extremamente revoltados, desconfiados, inseguros e em posição de defesa, armados emocionalmente e prontos para atacar qualquer um que tente interferir em nossa “maravilhosa” vida. Ai, encontramos um Grupo de pessoas que dizem ter os mesmos problemas que nós, que nos aceitam sem nenhuma exigência, que nos surpreendem dizendo que somos importantes e que precisam de nós. Levamos algum tempo para entender tudo isto e acreditar que estão sendo sinceros e que querem o nosso bem. Todavia, em nosso estado de desequilíbrio e prevalecendo o egoísmo, ainda queremos mais e começamos a exigir do Grupo a atenção em assuntos de nosso próprio interesse e ainda não pensamos em retribuir o que o Grupo está fazendo por nós. Mas, há um dia em que por algum motivo, sentimos que precisamos de um companheiro (a), seja para apenas nos ouvir, ou para nos ajudar em alguma dificuldade, aí então começamos a perceber o valor da unidade no Grupo e observamos como os companheiros (as), em que pese todas as diferenças, se dão bem e procuram estar sempre disponíveis uns para os outros e então temos a certeza que precisamos uns dos outros mais do que pensávamos e que só estamos sóbrios hoje, pela existência desta unidade. Enfim, entendemos o que é “BEM ESTAR COMUM”.
Algumas coisas que penso ser importante para que o “BEM ESTAR COMUM” seja vivenciado no Grupo, portanto:

DEVEMOS

a) AMOR: Sempre que possível, colocar as necessidades dos companheiros (as) antes das nossas. Assim fazendo, estará contribuindo para manter o Grupo unido.
b) TOLERÂNCIA: Aceitar os Companheiros (as) como são.
c) SABER OUVIR: Nunca esquecer que se falar fosse mais importante, teríamos duas bocas e não o contrário, dois ouvidos.
d) MODERAÇÃO : Sempre que possível, ser o último a opinar sobre qualquer assunto.
e) EDUCAÇÃO: Sempre que possível, ser Cortez com todos, fale baixo e calmamente.
f) BOM SENSO: Não fazer julgamentos, nem críticas a Grupos, Companheiros (as).
g) HUMILDADE: Evitar fazer alarde de conhecimentos, pelo exemplo todos reconhecerão sua erudição e sabedoria. Aceite e apóie as ideais melhores que as suas, venha de quem vier. Não faça nada em A.A. esperando reconhecimento e elogios.
Sei que outras coisas são importantes, estas citadas são básicas e necessárias, temos visto muitos conflitos em Grupos pela não observância destas posturas por parte de seus membros, o que coloca a reabilitação dos membros em risco, assim como, a própria existência do Grupo, pela falta de unidade neste.

(07/09/11 – Antonio Eustáquio)

SUGESTÕES PARA LEITURA E REFLEXÃO

“NOSSAS TRADIÇÕES, SEGUNDO BILL W. são um Guia para se encontrar formas melhores de trabalhar e viver em Grupo”.

1. Nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar; a reabilitação individual depende da unidade de A. A..

Sem unidade A. A. morrerá. Liberdade individual e, não obstante, uma grande unidade. A chave do paradoxo: a vida de cada A. A. depende da obediência a princípios espirituais. O grupo precisa sobreviver; caso contrário, não sobreviverá o indivíduo. O bem-estar comum vem em primeiro lugar. A melhor forma de viver e trabalhar juntos como grupos.

AS TRADIÇÕES DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
“Elas são para a sobrevivência do Grupo, aquilo que os Doze Passos de A. A. são para a sobriedade e paz de espírito de cada companheiro…”

Hoje, nós de A. A. estamos juntos e sabemos que vamos permanecer juntos.
Estamos em paz uns com os outros e com o mundo que nos rodeia. Por isso, muitos de nossos conflitos são resolvidos e nosso destino parece assegurado. Os problemas de ontem têm produzido as bênçãos de hoje.
Nossa história não é uma história comum; ao contrário, é a história de como, pela Graça de Deus, uma força desconhecida tem-se levantado da grande fraqueza; de como sob ameaças de desunião e colapso, a unidade mundial e a Irmandade têm sido forjadas.
No curso desta experiência, temos desenvolvido uma série de princípios tradicionais pelos quais vivemos e trabalhamos unidos, bem como nos relacionamos como uma Irmandade para o mundo que nos rodeia.
Estes princípios são chamados de Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos.
Elas representam a experiência extraída do nosso passado e nos apoiamos nelas para nos manter em unidade, através dos obstáculos e perigos que o futuro nos possa trazer.
Não foi sempre assim. Nos primeiros dias vimos que era uma coisa para algum alcoólicos se recuperarem, mas o problema de viver e trabalhar juntos era algo mais.
Por conseguinte, foi para um futuro desconhecido que olhamos pela janela da sala de estar da casa do Dr. Bob, em 1937, quando pela primeira vez percebemos que os alcoólicos poderiam ser capazes de se recuperar em grande escala.
O mundo ao redor de nós, o mundo de pessoas mais normais, estava sendo destruído. Poderíamos nós, os alcoólicos em recuperação permanecermos juntos? Poderíamos nós levar a mensagem de A. A.? Poderíamos nós funcionar como grupos e como um todo? Ninguém poderia dizer.
Nossos amigos psiquiatras, com alguma razão começavam a nos prevenir: “Esta Irmandade de alcoólicos é dinamite emocional. Seu conteúdo neurótico pode explodi-la em pedacinhos.”
Quando estávamos bebendo, na verdade, éramos muito explosivos. Agora que estamos sóbrios, bebedeiras secas nos farão explodir?
E foi assim, que através das tentativas e dos erros que adquirimos rica experiência. Adotamos pouco a pouco, as lições dessa experiência, primeiro como política e depois como Tradição.
Este processo ainda continua e esperamos que nunca termine.
Caso algum dia nos tornemos muito rigorosos, a letra da lei poderá esmagar o espírito da lei. Poderíamos vitimar a nós mesmos, através de regras e proibições mesquinhas; poderíamos vitimar a nós mesmos, através de regras e proibições mesquinhas; poderíamos imaginar que houvéssemos dito a ultima palavra. Poderíamos até mesmo exigir dos alcoólicos que aceitassem nossas ideais rígidas ou se mantivessem afastados. Não podemos nunca engessar o progresso desta forma, mas as lições proporcionadas pela nossa experiência são muito importantes, estamos todos convictos disso.
Grande parte do trabalho de Bill no escritório de A. A. era cuidar da correspondência. As cartas vinham em um fluxo constante desde a publicação do artigo no Saturday Evening Post. Muitas destas cartas solicitavam auxilio a formação de novos Grupos ou pediam orientações sobre os diversos problemas e circunstâncias dos Grupos existentes. A idéia de se desenvolver diretrizes clara para os Grupos evoluiu do continuo surgimento de perguntas semelhantes. Esta necessidade vinha sendo discutida desde 1943, quando o escritório central começara a coletar informações e solicitara aos Grupos que enviassem uma relação das regras e requisitos referentes à filiação.
A relação consolidada recordava Bill, tinha muitas páginas e uma reflexão sobre aquelas muitas regras, levou-nos a uma assombrosa conclusão: – se todas aquelas exigências fossem imediatamente impostas por toda parte teria sido praticamente impossível para qualquer alcoólico filiar-se a A. A.
As idéias básicas para as Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos vieram diretamente desta vasta correspondência. Em fins de 1945, um grande amigo de A. A. sugeriu que toda aquela massa de experiências poderia ser codificada em um conjunto de princípios capaz de oferecer soluções comprovadas para todos os nossos problemas de convivência e trabalho conjunto e de relacionamento da nossa Irmandade com o mundo externo. A denominação “Tradições” dada a estes princípios atesta a genialidade de Bill. Se tivessem sido chamados de “leis”, “regras”, “estatutos” ou “regulamentos”, estes princípios talvez nunca fossem aceitos pelos membros. Bill conhecia muito bem seus companheiros alcoólicos: ele sabia que nenhum bêbado que se auto-respeitasse, sóbrio ou não, se submeteria docilmente a um conjunto de “leis” – isso seria autoritário demais!
Não obstante, a denominação “Tradições” só foi adotada um pouco mais tarde. Inicialmente, Bill as chamou de “Doze Pontos para Garantir Nosso Futuro”, porque as entendia como diretrizes necessárias à sobrevivência, à unidade e à eficiência da Irmandade. Foram divulgadas pela primeira vez sob esse título em 1946 na The Grapevine.
Assim como os Passos, as Tradições não foram imaginadas antecipadamente como meios de ação contra problemas futuros. A ação veio primeiro. Não dispondo de nada em que pudessem se basear, exceto o método de tentativa, erro e nova tentativa, os Grupos pioneiros de A. A. logo descobriram: – bem, daquela maneira não funcionou, porém de outra deu certo; e essa maneira funciona ainda melhor!
Nossas Tradições são um Guia para se encontrar formas melhores de trabalhar e viver em Grupo, afirmou nosso co-fundador Bill W.: – elas são para a sobrevivência do Grupo, aquilo que os Doze Passos de A. A. são para a sobriedade e paz de espírito de cada companheiro…
A maioria das pessoas só consegue se recuperar se existir um Grupo. O Grupo precisa sobreviver ou o indivíduo não sobreviverá.
(Esta matéria foi extraída de trechos dos livros: A. A. Atinge a Maioridade, A Linguagem do Coração, Levar Adiante e as Doze Tradições Ilustradas como introdução do tema desta e das próximas edições, esclarecendo assim os Profissionais e Amigos de A. A.)

NOSSO BEM-ESTAR COMUM DEVE ESTAR EM PRIMEIRO LUGAR; A REABILITAÇÃO INDIVIDUAL DEPENDE DA UNIDADE DE A. A.
(1ª. Tradição)
“ O bem-estar comum é a base de sustentação.”

Muito se fala em A. A. sobre crescimento espiritual, mas pouco se fala de como conseguir este crescimento.
Para mim, não há crescimento espiritual sozinho, o crescimento se adquire através do outro, da maneira como vejo e aceito o outro.
A prática dos Passos me ajuda a aceitar a mim mesmo do jeito que sou e a partir daí começo a aceitar que o outro também tem o direito de ser o outro, de ser diferente, de ser ele.
Uma coisa que sempre me acompanhou desde minha chegada em A. A. foi a fé inabalável em seu programa; sem conhecer os princípios eu já tinha convicção que eles poderiam resolver qualquer problema.
A história de Bill reforçou essa convicção. À medida que fui tendo algum entendimento sobre os Passos, mais maravilhado eu ficava. Passei bom tempo falando só em Passos.
Quando ouvia algo sobre as Tradições ou lia, ficava decepcionado: – que coisa mais sem graça e essa desmotivação era forçada pelo chavão: “Tradição é para funcionamento de Grupos”, nada haver comigo, portanto.
Nota-se, de um modo geral, a grande dificuldade que tem o membro de A. A. com a prática das Tradições, chega a ser até um preconceito.
Talvez por nunca recebermos a informação correta sobre o significado dos princípios de A. A. quando chegamos ao Grupo pela primeira vez.
Eu, por exemplo, quando cheguei recebi a informação de que aqueles membros dos órgãos de serviço que falavam de Tradições estavam acabando com o A. A. e como eu poderia aceitar aqueles companheiros e o que eles falavam se eles estavam querendo acabar com aquilo que estava salvando a minha vida? Coisa mais absurda!
Mas com o passar do tempo, enquanto refletia sobre minha vida, despertei para uma palavrinha que mudou todo o rumo de minha história: a palavra GRUPO.
De repente percebi que minha vida era formada por grupos: o grupo de minha casa (minha família); o grupo do meu local de trabalho; o grupo dos colegas de futebol, e tantos outros grupos.
Veio então o seguinte raciocínio: se as Tradições são para o funcionamento de Grupos de A. A. vão servir também para os outros grupos nos quais estou inserido e comecei a buscar um entendimento melhor das nossas Tradições.
Logo na primeira tradição aparecia uma coisa nova para mim: bem-estar comum. Eu nunca havia pensado nisso, aliás, eu nunca havia pensado no outro. O egocentrismo, a vida centrada em mim mesmo, era meu modelo de vida.
Então, logo no seu início , as Tradições começam a falar que sem levar em consideração o outro o grupo não irá em frente e para que isso aconteça é necessário que o bem-estar comum venha em primeiro lugar. Mas o que vem a ser esse bem-estar comum?
Toda coletividade, seja ela sociedade ou comunidade tem uma missão peculiar para o desempenho da qual existe, missão que lhe confere sua marca, sua característica e princípio formal e que, por assim dizer, é a sua alma.
Tal missão deve consistir evidentemente num bem (ou conjunto de bens) que deve ser conseguido mediante a atividade do ente coletivo (grupo) e de maneira que não só redunde em benefício deste ente enquanto tal (o grupo), como também beneficie, em última instância, a todos os seus membros.
Este bem (ou conjunto de bens) recebe o nome de “bonum commune”, “bem comum”. Nele se verifica uma relação recíproca: toda perfeição do conjunto significa um proveito para os membros e vice-versa, aumentando e consolidando-se o aperfeiçoamento destes, aumenta a capacidade operativa do conjunto…
Interessante esse conceito e muito diferente de minha percepção até então.
Quer dizer que o grupo é o somatório de suas partes e se essas crescem o grupo no seu todo cresce. E se a missão dos grupos em A. A. e de A. A. em seu todo é assegurar a sobriedade de seus membros e transmitir a mensagem àqueles que dela necessitam, logo a garantia de manutenção desse bem comum passa necessariamente pelo bem-estar comum de seus membros.
A manutenção, a busca constante desse bem-estar comum, bem estar do grupo, passa a ser o grande desafio a ser enfrentado por todos os grupos. Comecei então a entender o verdadeiro significado de “o bem-estar comum deve estar em primeiro lugar; tenho que abrir mão dos meus anseios e minhas vontades sempre que elas ameaçam o bem-estar do todo”.
Fácil? Não. Muito difícil. Como resolver o problema da autoridade? Quem pode ser membro? Até onde o grupo pode ir? E quanto à propriedade e sustentação? Essa e várias outras questões ameaçam constantemente o bem comum do grupo (a espiritualidade) e quando o bem comum do grupo está sob ameaça o indivíduo corre sérios riscos.
Aí sim, comecei a perceber que de nada adiantaria eu tentar colocar a minha personalidade acima dos princípios do grupo, pois o primeiro grande ameaçado seria eu. Logo, eu teria que me contentar em calar os meus anseios tão acalentados pela minha personalidade distorcida em benefício do bem-estar do grupo.
E quando consigo fazer assim começo a perceber que mudanças incríveis acontecem em mim e que o grande beneficiado por colocar o bem-estar do grupo em primeiro lugar sou eu mesmo.
A minha vida é feita de relações com outras pessoas e quando começo a aprender a conviver com as diferenças de cada um dentro de um grupo de A. A. passo a entender que a prática desses princípios em outros grupos de minha vida (família, empresa, etc.) pode me levar ao crescimento espiritual tão falado em A. A.
Se a prática dos Passos me ensina a viver comigo mesmo e meus monstros interiores, a prática das Tradições me ensina a conviver com as pessoas e aceitar as suas diferenças e através disso colocar o coletivo em primeiro lugar e me deixando com meus anseios num segundo plano e sabendo que esse estar em segundo plano não é nenhum demérito, mas acima de tudo desenvolver um tipo de humildade que me faz entender que o todo é mais importante que suas partes e que para eu crescer eu preciso do todo, sozinho nada sou.
Eu não sou o outro, o outro não sou eu, mas somos um grupo, enquanto somos capazes de diferencialmente, eu ser eu vivendo com você; você ser você, vivendo comigo… isso é espiritualidade!
Que maravilhas podem fazer os princípios de A. A.!
(Fonte: Revista Vivência Nº 123 – Jan/Fev-2.010 /Antônio)

NÃO PERMITAM QUE O ENCANTO SE QUEBRE
“Se o problema não for logo contornado em pouco tempo estaremos de volta ao copo e certamente, ao inferno, não sem antes, “balançar” a Unidade do Grupo.”

Ao chegarmos em A. A. encontramos um “mundo” bem diferente daquele que imaginávamos e estávamos.
No início até parecia um mundo de sonhos, daqueles que víamos em nossas fantasias.
Um mundo pequeno nas aparências, porém gigante por natureza, tão simples e ao mesmo tempo tão enigmático. Tudo é tão novo, tão surpreendente e promissor; jamais imaginávamos encontrar algo assim. No início da caminhada quando tudo é novo somos bastante receptivos como aqueles que estão a se afogar em águas profundas e barrentas, sem alguém por perto; por perto ajudar, mesmo que seja para atrair uma pequena bóia. Demonstramos humildade e submissão, certamente retiradas de um último suspiro de desespero e dor.
Criamos um verdadeiro encanto por tudo que estamos aprendendo, pelos outros membros de A. A., pelo reflexo e o sucesso das mudanças em nossa vida social e familiar. Passamos a viver com alegria! Começa a despontar um tênue fio de felicidade, algo que sempre esperávamos encontrar no funesto e diabólico fundo de um cálice!
Já é possível traçar algumas metas em nossa vida como o retorno à família, um novo emprego e muito mais, porém, com a mente alcoólica, doentia e traiçoeira a maioria de nós logo esquece o que realmente nos trouxe a A. A. e o que encontramos.
Esquecemos de como chegamos, que fomos recebidos com amor e carinho (valores que já desconhecíamos) por aqueles que lá estavam à nossa espera; que em apenas poucos dias seguindo a Programação de A. A. nossa vida começou melhorar. Ignoramos tudo isso. Esquecemos da dedicação de todos à nossa volta que sonharam em ver-nos novamente reintegrados na sociedade, sem revolta ou ressentimentos.
Assim como a referência do Capítulo Cinco do Livro Alcoólicos Anônimos… aqueles que sentem dores nos pés durante a caminhada… cheios de orgulho, com a mente doentia comum a todo alcoólico, e os defeitos de caráter bastante acentuados ainda, se não afastam do Grupo, passam a encontrar defeitos nos companheiros e na programação, e assim, como um vaso de vidro de péssima qualidade, o encanto se quebra e voltam à prática dos velhos hábitos dando vazão aos defeitos de caráter que estavam refreados e voltam às velhas atitudes.
A famosa bebedeira seca citada começa seu efeito devastador. Se o problema não for logo contornado em pouco tempo estaremos de volta ao copo e certamente ao inferno em que vivíamos antes, não sem antes “balançar” a Unidade do Grupo. Apesar de alguns membros entenderem isso como “dores do crescimento”, penso de outra forma. Ora, se aceitarmos este desrespeito às Tradições com naturalidade e o Grupo viver absorvendo sempre estas “dores” a recuperação de seus membros, assim como o próprio Grupo estarão comprometidos; não haverá condição de recuperação espiritual.
Se não conseguirmos tal recuperação, o Grupo irá mal, não poderemos ajudar nem mesmo a nós, quanto mais àqueles que chegam à busca de ajuda!
O Grupo necessita primar pelo único propósito de A. A.. Se observarmos bem nossas Tradições descobriremos que podemos passar muito bem sem esses males e aproveitar melhor os ensinamentos sugeridos na programação caminhando em busca da verdadeira harmonia com o Poder Superior, conosco e com o nosso próximo.
Somente assim poderemos levar adiante a mensagem de A. A., dividindo essa riqueza inigualável encontrada na alma desta tão abençoada Irmandade.
(Fonte: Revista Vivência Nº 123 – Jan/Fev.2010 – Nonato/Pirassununga-SP)

UNIDADE
“Bill, nós adoramos recebê-lo e ouvi-lo falar. Conte-nos onde você costumava esconder as suas garrafas e fale-nos daquela experiência espiritual. Mas não venha nos falar mais a respeito destas malditas Tradições.” (Levar Adiante)

Era mais ou menos coisas deste tipo que Bill ouvia quando, antevendo o perigo que corria A. A., colocou o pé na estrada e passou a divulgar o que ele chamava de Doze Pontos Para Garantir o Nosso Futuro.
O nome Tradições só veio mais tarde e atesta toda a genialidade de Bill, pois já pensaram se ele tivesse dado o nome de “12 regras”, “12 leis”, “estatuto”, ou qualquer outra coisa que significasse regulamento?
Talvez nenhum membro de A. A. aceitaria estes princípios, Bill conhecia muito bem seus companheiros alcoólicos; ele sabia que nenhum bêbado que se auto-respeitasse, sóbrio ou não, se submeteria docilmente a um conjunto de “leis” isso seria autoritário demais!
Mas por que Bill sentiu a necessidade das Tradições como garantia do futuro de A. A.?
Bill tinha uma mente obcecada e uma visão de futuro excepcional. Ele sabia o que era bom para A. A. e não desistia de seus propósitos facilmente quando em benefício de A. A.
Bill estudou e pesquisou profundamente sobre o Movimento Washingtoniano, movimento que surgiu de maneira espetacular nos Estados Unidos um século antes de A. A. com o objetivo de salvar bêbados e da mesma maneira espetacular que surgiu naufragou por dois motivos básicos: a) Eles não consideravam o alcoolismo como doença e sim como um desvio de caráter, uma fraqueza, que podia ser corrigido apenas com a força de vontade e b) Não oferecia um padrão de conduta, uma orientação que salvaguardassem o movimento.
Por exemplo, táticas carnavalescas de promoção e a carência de qualquer princípio de anonimato era o modo que eles divulgavam o movimento; participavam ativamente de controvérsias públicas, política, religião, etc.
A. A. já havia corrigido o primeiro motivo quando afirmou que o alcoolismo é uma doença incurável e que a força de vontade é inteiramente nula no seu combate, mas e a segunda causa do naufrágio dos Washingtonianos como fazer?
Pois bem, as respostas a estas perguntas vieram nos anos seguintes e tiveram a sua origem nos próprios Grupos.
Desde 1937, já contávamos com o auxilio de um Escritório e grande parte do trabalho de Bill W. neste escritório era de cuidar da correspondência.
A maioria das correspondências pedia orientação para a abertura de novos Grupos ou pediam sugestões para a solução de problemas de funcionamentos dos grupos.
A idéia da criação de diretrizes para funcionamento de grupos surgiu justamente da crescente correspondência com pedidos de ajuda.
As Tradições em A. A. representam a experiência extraída de nosso passado e nos apoiamos nelas para nos manter em unidade, através dos obstáculos e perigos que nos possa trazer.
Tradição significa um método específico de determinada ação, atitude ou ensinamento que são passados de geração para geração. Uma coisa que se torna tradicional, se torna normal, e, portanto, é seguida muitas vezes sem nenhuma indagação.
Nota-se, de um modo geral, a grande dificuldade que tem o membro de A. A. com a prática das Tradições, chega a ser até um preconceito. Talvez por nunca recebermos a informação correta para o significado dos princípios de A. A. quando chegamos ao Grupo pela primeira vez.
Tive muita dificuldade em quebrar esta barreira. Como diz uma citação de Hebert Spencer em nosso livro azul: “Há um princípio que é um barreira a toda informação, que é uma refutação de qualquer argumento e que não pode deixar de manter um homem na ignorância perpétua: o princípio consiste em depreciar antes de investigar”. Normalmente depreciamos antes.
Devido a este “depreciar antes de investigar” é que aceitamos passivamente a afirmação que as Tradições de A. A. são só para os Grupos.
“Mas as Doze Tradições também apontam diretamente para muitos de nossos defeitos individuais. Por dedução, elas pedem a cada um de nós para deixar de lado o orgulho e o ressentimento. Elas pedem pelo benefício do Grupo, bem como pelo benefício pessoal. Elas nos pedem para nunca usar o nome de A. A. em busca de poder pessoal, fama ou dinheiro. As Tradições garantem a igualdade de todos os membros e a independência de todos os Grupos.” (A. A. Atinge a Maioridade pg.87).
Se formos cuidadosos em sua prática veremos que são as Tradições que têm a capacidade de revelar aqueles defeitos que mais nos prejudicam e que insistem em dirigir a nossa vida.
São os conflitos em nossas relações interpessoais um valioso terreno de observação de nossa personalidade. Esses conflitos são reveladores de nós mesmos. Afinal, todos temos uma agenda oculta e nesta agenda estão escondidos aqueles nossos já conhecidos instintos de busca de prestígio, poder e prazer. A nossa incrível capacidade de conduzir as coisas para que beneficiem a nós mesmos. O querer sempre estar com a razão, independente de tê-la ou não? Energia perdida. Em vão.
Tal como Os Passos surgiram com a finalidade de evitar que voltássemos a beber ao longo de sua prática percebeu-se que poderíamos conseguir muito mais com eles, o mesmo ocorre com as Tradições de A. A.
Se em seu princípio a finalidade era orientar os Grupos para problemas que fossem surgindo, com a sua prática percebeu-se rapidamente que elas são um poderoso instrumento em minha recuperação.
Afinal, se os Passos são sugeridos para um melhor conhecimento de mim mesmo, para melhorar a minha auto-aceitação, as Tradições têm o poder de me mostrar a melhor maneira de viver em grupos.
Se aprendermos a conviver com os companheiros do Grupo de A. A. já teremos um ótimo indicador de como conviver com as demais pessoas de nossos diversos grupos.
Se os Passos nos ensinam a viver, as tradições têm o poder de nos ensinar a conviver, talvez a nossa maior dificuldade. Só se cresce espiritualmente na convivência com os outros. Aqui temos outra máxima muito usada por nós que é: “quer saber côo está meu relacionamento com Deus, pergunte às pessoas que convivem comigo”.
Quanto mais praticarmos as Tradições em nossos relacionamentos, mais cresceremos em direção a um Poder Superior, mais cresceremos espiritualmente.
Uma filosofia afirmou determinada época que se reprimimos uma tradição, ela escapa pelo ladrão e retorna… Assim se dá em A. A., se reprimimos uma das Tradições mais à frente seremos obrigados a observá-la novamente. Para o nosso próprio bem.
As Tradições de A. A. existem justamente para isso, para evitar a repetição de erros. Erros velhos não nos levam a nenhum crescimento, que cometamos erros novos, pois através deles é que continuaremos a aperfeiçoar a melhor maneira de viver em grupos de nos relacionarmos com a sociedade lá fora e, principalmente, melhorar a nossa qualidade de recuperação.
O crescimento espiritual inicia quando nos juntamos a um Grupo e passamos a viver em Unidade com os companheiros deste Grupo e com A. A. em seu todo.
(Fonte: Revista Vivência Nº 123 – Jan/Fev – 2010 – Anônimo)

NOSSO BEM-ESTAR COMUM DEVE ESTAR EM PRIMEIRO LUGAR
A unidade de Alcoólicos Anônimos é a qualidade mais preciosa que nossa Irmandade possui… ou nos mantemos unificados ou A. A. morre.

Nossas Tradições são elementos-chave no processo de deflação do ego, necessário para alcançar e manter a sobriedade em Alcoólicos Anônimos. A Primeira Tradição me relembra de não atribuir a mim o mérito ou autoridade por minha recuperação. Colocando o bem-estar comum em primeiro lugar me faz lembrar de não tornar-me um curandeiro neste programa; ainda sou um dos pacientes. Modestos pioneiros construíram a enfermaria. Sem eles, duvido que eu estaria vivo. Sem o Grupo, poucos alcoólicos se recuperariam.
O papel ativo na renovação da rendição da vontade me da condições de ficar de lado da necessidade de dominar, do desejo de reconhecimento, duas coisas que representaram um grande papel no meu alcoolismo ativo. Adiando meus desejos pessoais pelo bem maior do crescimento do Grupo, contribuo para a unidade de A. A. que é central para toda recuperação. Ajuda-me a lembrar que o inteiro é maior que a soma de todas as suas partes.
(Fonte: Reflexões Diárias – pag. 39 / 31 de Janeiro)

PELA FÉ E PELAS OBRAS

A estrutura da nossa Irmandade foi forjada à custa dos ensinamentos da experiência… Assim se deu com A. A. Pela fé e através das obras fizemos valer as lições de uma incrível experiência. Essa fé e essas obras estão hoje presentes nas Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos que – se Deus quiser – manterão nossa unidade durante todo o tempo que Ele precisar de nós.
Deus me permitiu o direito de estar errado para que nossa Irmandade exista com ela é hoje. Se coloco a vontade de Deus em primeiro lugar na minha vida, é muito provável que A. A., como eu o conheço, permanecerá como está hoje.
Fonte: Reflexões Diárias – pag. 306 / 24 de Outubro)

PRIMEIRA TRADIÇÃO
Dezembro de 1947

Todo o nosso programa de A. A. está firmemente baseado no princípio de humildade – quer dizer, de perspectiva. Isso supõe, entre outras coisas, que logramos relacionar-nos de forma devida com Deus e com nosso semelhante; que nos vejamos a nós mesmos como realmente somos – “uma pequena parte de um grande todo”. Ao vermos assim ao nosso semelhante desfrutaremos da harmonia de nossos Grupos. Por está razão, a tradição de A. A. pode dizer com confiança: “Nosso bem estar comum deve estar em primeiro lugar”.
Alguns perguntarão: “Isto quer dizer que em A. A., o indivíduo não tem muita importância? Será dominado pelo seu Grupo e absorvido por ele?”
Não, não parece que seja assim. Talvez não haja na terra sociedade que se preocupe mais com o bem estar pessoal de seus membros, que esteja mais disposta a conceder ao individuo a maior liberdade possível para crer e atuar. Em Alcoólicos Anônimos, nunca se ouvem as palavras “tem que”. Poucos são os Grupos que nos impõem castigos pelo não cumprimento de normas. Nós sugerimos, mas nunca castigamos. O cumprimento ou não de qualquer princípio de A. A. é um assunto que fica a cargo da consciência de cada individuo; ele é o juiz de sua própria conduta. Seguimos ao pé da letra as antigas palavras “não julgarás”.
“Mas,” alguns protestam. “se A. A. não tem autoridade para governar seus membros ou seus Grupos, como pode estar seguro de que o bem estar comum deve estar em primeiro lugar? Como é possível ser governado sem um governo? Se cada um faz o que lhe agrada? Como é que isso não é uma pura anarquia?”
A resposta parece ser que na realidade nós Aas não podemos fazer o que queremos, mesmo que não haja nenhuma autoridade humana constituída que nos impeça. Efetivamente, nosso bem estar comum está protegido fortemente. Assim que, qualquer ação põe em perigo o bem estar comum, a opinião do Grupo se mobiliza para nos lembrar, nossa consciência começa a reclamar. Se alguém persiste, pode ser que fique transtornado o suficiente para embebedar-se e o álcool lhe dá uma surra. A opinião do Grupo lhe indica que se desviou, sua própria consciência lhe diz que está equivocado; e se vai longe demais, o álcool acaba o convencendo de seu erro.
Assim chegamos a nos dar conta de que, em assuntos que afetam profundamente o Grupo no seu todo, “nosso bem estar comum deve estar em primeiro lugar. Acaba a rebeldia e começa a cooperação, porque tem que ser assim; nos disciplinamos a nós mesmos.
Assim sendo, acabamos cooperando porque desejamos fazê-lo; vemos que sem uma unidade substancial, o A. A. não pode existir e que, sem o A. A., nenhuma recuperação duradoura pode ser possível para ninguém. Colocamos as ambições pessoais de lado quando estas podem prejudicar ao A. A. Humildemente, confessamos que não somos senão “uma pequena parte de um grande todo”.
(Fonte: A Linguagem do Coração – pags. 91 e 92)

ANONIMATO

“11ª Tradição – Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção. Cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, no rádio e em filmes.”

De outro lado, temos a clássica história envolvendo Bill, Dr. Bob e alguns de seus amigos. Conta-nos Bill que, “quando se soube com toda a segurança que o Dr. Bob estava para morrer, alguns de seus amigos sugeriram que se erguesse um monumento ou mausoléu em sua homenagem e à sua esposa Ane – algo digno de um fundador e de sua esposa”. Naturalmente, esse era um tributo muito espontâneo e natural. O comitê chegou inclusive a mostrar-lhe um esboço do monumento proposto. Contando-me a esse respeito, o Dr. Bob sorriu e disse:
“Deus os abençoe”. “Eles têm boa intenção, mas pelo amor de Deus, Bill, que sejamos enterrados, tanto você como eu, da mesma maneira como são todas as pessoas.”
O que nos deixa perplexo, é o fato do nosso co-fundador haver escrito há 35 anos atrás a realidade do mundo moderno.

A Tradição em A.A.: Como surgiu?

Bill e os demais pioneiros de A.A. perceberam já nos primeiros dias, que aquele movimento que estava se iniciando funcionaria para alguns alcoólicos se recuperarem, mas o problema de viver e trabalhar juntos era algo mais. E foi pensando dessa forma, que olhando da janela da sala de estar da casa do Dr. Bob, em 1937, antes mesmo de A.A. ter este nome, eles perceberam pela primeira vez que os alcoólicos poderiam se recuperar em grande escala, mas ao olhar para o futuro, perguntas inquietantes vieram às suas mentes: “Poderíamos nós, alcoólicos recuperados, permanecer juntos?”, Poderíamos levar a mensagem de A.A.?”, Poderíamos funcionar como grupos ou como um todo?”. Ninguém podia responder a estas perguntas. A grande pergunta era: “Explodíramos nós ou poderíamos viver juntos?”. “E sem o Grupo, o que seria de nós?” Perguntas realmente inquietantes já àquela época, com o movimento apenas se iniciando.
Pois bem, as respostas a estas perguntas vieram nos anos seguintes e tiveram a sua origem nos próprios Grupos. Desde 1937, já contávamos com o auxílio de um Escritório e grande parte do trabalho de Bill W. neste escritório era cuidar da correspondência. A maioria da correspondência pedia orientação para a abertura de novos Grupos ou pediam sugestões para a solução de problemas de funcionamentos dos grupos. A idéia da criação de diretrizes para funcionamento de grupos surgiu justamente da crescente correspondência com pedidos de ajuda.
Bill descreveu o problema assim, tal como ele existia em meados da década de 40:
“As soluções dos problemas dos Grupos, através da correspondência, havia imposto um grande volume de trabalho ao Escritório Central. As cartas enviadas enchiam os nossos arquivos. Ao que pareciam todos os briguentos de todas as rixas existentes em cada Grupo nos escreveram durante aquele período confuso.”
E mais adiante ele continua:
“As idéias básicas para as Doze Tradições vieram diretamente dessa vasta correspondência. Em fins de 1945, um grande amigo de A.A. sugeriu que toda aquela massa de experiência poderia ser codificada em um conjunto de princípios capaz de oferecer um conjunto de soluções comprovadas para todos os nossos problemas de convivência e trabalho conjunto e de relacionamento da nossa Irmandade com o mundo externo”.
A denominação “Tradições” dada a esses princípios, atesta a genialidade de Bill. Se tivessem sido chamados de “leis”, “regras”, “estatutos” ou “regulamentos”, esses princípios talvez nunca fossem aceitos pelos membros. Bill conhecia muito bem seus companheiros alcoólicos; ele sabia que nenhum bêbado que se auto-respeitasse, sóbrio ou não, se submeteria docilmente a um conjunto de “leis” – isso seria autoritário demais!
Entretanto, a denominação “Tradições” só foi adotada em abril de 1946. Inicialmente Bill as chamou de “Doze Pontos para Garantir o Nosso Futuro” porque as entendia como diretrizes necessárias à sobrevivência, à unidade e à eficiência da Irmandade.
As Tradições em A.A. representam a experiência extraída de nosso passado e nos apoiamos nelas para nos manter em unidade, através dos obstáculos e perigos que nos possa trazer.

“Em nossas Doze Tradições, temos nos colocado contra quase todas as tendências do mundo “lá fora”. Temos negado a nós mesmos o governo pessoal, o profissionalismo e o direito de dizer quais deverão ser nossos membros. Abandonamos a beatice, a reforma e o paternalismo. Recusamos o generoso dinheiro de fora e decidimos viver à nossa custa. Queremos cooperar com praticamente todos, mas não permitimos que nossa sociedade seja unida a nenhuma. Não entramos em controvérsia pública e não discutimos, entre nós, coisas que dividem a sociedade: religião, política e reforma. Temos um único propósito, que é o de levar a mensagem de A.A. para o doente alcoólico que a deseja. Tomamos essas atitudes, não porque pretendemos virtudes especiais ou sabedoria; fazemos essas coisas porque a dura experiência nos tem ensinado que A.A. tem que sobreviver num mundo conturbado como é o de hoje. Nós também abandonamos nossos direitos e nos sacrificamos, porque precisamos e, melhor ainda, por que quisemos. A.A. é uma força maior do que qualquer um de nós; ele precisa continuar existindo ou milhares de alcoólicos como nós certamente morrerão”.

Escrevendo sobre o Anonimato, Bill W. diz em certo trecho:
“Começamos a perceber que a palavra anônimo tem para nós uma grande significação espiritual. De maneira sutil, mas vigorosamente, lembramo-nos de que devemos colocar os princípios antes das personalidades; que renunciamos à glorificação pessoal em público; que. nosso movimento não apenas prega, porém pratica uma verdadeira humildade”.
Foi dentro desse princípio, de ajudar anonimamente, que Bill W. recusou o título de Doutor Honoris Causa que lhe fora oferecido por uma Universidade Norte americana; nesse mesmo passo, Bill W. renunciou a grande soma de dinheiro a ele oferecida por companhias cinematográficas norte-americanas, para filmar a sua vida; foi esse mesmo Bill que, recusando o prestígio pessoal, não permitiu que o seu retrato fosse estampado na capa da revista “Times”, quando de uma reportagem que ele solicitara sobre Alcoólicos Anônimos.

Em seu artigo: “Por que o A.A. é Anônimo” ele diz entre outras coisas:
“Como nunca, a luta pelo poder, prestígio e riqueza, está arrasando a civilização – homem contra homem, família contra família, grupo contra grupo, nação contra nação”. Quase todos aqueles envolvidos nessa violenta competição declaram que seus objetivos são: a paz e a justiça para eles mesmos, para seus semelhantes e para suas nações. “Dê a nós o poder”, eles dizem, e faremos justiça: dê a nós a fama, e daremos nosso grande exemplo; dê a nós o dinheiro, e ficaremos satisfeitos e felizes. As pessoas do mundo inteiro acreditam profundamente nisso e atuam de acordo com isso. Nessa espantosa bebedeira seca, a sociedade parece estar entrando num beco sem saída. O sinal “pare” está claramente marcado. Ele anuncia “desastre”.

Toda a Irmandade tem conhecimento de que o Anonimato foi o tema que mais preocupou os nossos co-fundadores, haja vista a maneira errônea como tem sido interpretado pela maioria. A prova disso está no fato ocorrido quando de sua última mensagem enviada aos companheiros que lhe prestavam solidariedade, por ocasião dos seus 36 anos de sobriedade. Já sem forças, Bill pediu a Lois – sua esposa – que o representasse, lendo aos companheiros solidários a seguinte mensagem:
“… meus pensamentos hoje são cheios de gratidão para com a nossa Associação, pelo sem número de bendições que nos tem dado a graça de Deus. Se me perguntassem qual dessas bendições era responsável por nosso crescimento como associação e mais vital para nossa continuidade, eu diria: “O Conceito do Anonimato””.
Feitas estas considerações, resta-nos à luz da literatura e experiências pessoais, vivenciadas no dia-a-dia de nossa recuperação, entrar no ponto axial do tema proposto, cuja essência está inserida nas 11ª e 12ª Tradições:

“Ao fim, se nenhum de nós desperdiçarmos publicamente nosso valor, ninguém possivelmente irá explorar A.A. para benefício pessoal. O Anonimato não é apenas algo para nos salvar da vergonha e do estigma alcoólico; seu propósito mais profundo é, na verdade, manter nossos egos tolos, sob controle, evitando que corramos atrás do dinheiro e da fama pública à custa de Alcoólicos Anônimos”.

Com efeito, ainda em seu artigo “Por que Alcoólicos Anônimos é Anônimo”, Bill afirma:
“… o temporário ou aparentemente bom pode muitas vezes não ser aquilo que é sempre o melhor. Quando se trata da sobrevivência de A.A., nem o nosso melhor será bom o suficiente.”
E conclui:
“Agora nos damos conta de que cem por cento do anonimato diante do grande público é tão vital para a vida de A.A., como cem por cento de sobriedade o é para a vida de cada membro em particular”.

SUGESTÕES PARA LEITURA
5. Anonimato
5.1. A respeito de colocar a tradição do anonimato em primeiro lugar
Box 4-5-9, Natal / 1988 (pág 10-11) =>http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_holiday88.pdf
Titulo original: “Respecto a colocar en primer lugar la tradicion de anonimato”.
Recentemente, em uma reunião de Grupo celebrada em Nova Jersey, um dos participantes propôs uma modificação de grande monta na literatura de A.A. Provocou alguma comoção. A proposta era que a Décima Segunda Tradição, também conhecida como a tradição do anonimato, fosse “elevada” da última da lista para ser dali em diante a Primeira Tradição. Um dos temas tratados nessa reunião, foi como reativar a consciência interna da Irmandade a respeito da importância do anonimato para o futuro desenvolvimento e sucesso de A.A. O membro em questão usou o seguinte argumento: Se o anonimato é de primeira importância para o bem estar de A.A. – e certamente é, então a tradição do anonimato deve ser a primeira e não a última e por conseguinte deve encabeçar a lista. Considerando o mal compreendido que devem estar o significado e o propósito por parte dos membros em geral, esta sugestão parecia ter seu mérito. Efetivamente, esta nova lógica quase nos estava gritando que o “álcool” e o “anonimato” eram as palavras-raízes do nome da Irmandade. Portanto, já que o “álcool”e o tema e o impulso principal do primeiro dos Doze Passos, não seria justo e apropriado que “anonimato”, com a mesma importância no que diz respeito à Irmandade, fosse o tema e o impulso principal da primeira das Doze Tradições? Parece fazer sentido. Mas, realmente o tem? Alguns dias depois dessa reunião em Nova Jersey, o subcomitê de Informação Pública dos Custódios foi informado desta proposta – e seguiu-se uma discussão muito instrutiva da qual surgiu, aliás, com grande rapidez, evidência incontrovertível de que a Decima Segunda Tradição, a tradição do anonimato, é a décima segunda e última porque assim deve ser. De acordo com a exposição do membro do comitê, na mente da maioria dos principiantes – inclusive na de grande parte de membros com vários anos de sobriedade, e com certeza para a maioria das pessoas de fora da Irmandade, “anonimato”equivale a “vergonha”ou “medo”,e praticar o anonimato é esconder-se. Esta é, de fato, a impressão provocada pela palavra “anonimato” quando não é devidamente explicada, principalmente no que se refere aos membros de A.A. Se o mero ou simples anonimato, não explicado, fosse o tema da Primeira Tradição, não iria ser convidativo para o leitor explorar as outras onze, nas que se baseia a tradição do anonimato. Pelo contrário, poderia causar repulsão e, portanto privá-lo, talvez para sempre, de um dos verdadeiros tesouros de A.A. Portanto, os motivos do anonimato estão explicados cuidadosa e individualmente nas onze tradições que lhe precedem, com a finalidade de que o membro de A.A. ao chegar à Décima Segunda tenha plena consciência das lições que aprendeu, assim como o consolo, a tranquilidade e outros benefícios derivados da prática do anonimato. De acordo com o comitê, ninguém propôs que o Décimo Segundo Passo, que começa dizendo “Tendo experimentado um despertar espiritual, por meio destes Passos…” – quer dizer, os onze anteriores, deveria mudar de lugar na série, passado último para o primeiro. De forma semelhante, as lições, os objetivos e os benefícios descritos nas primeiras onze tradições estão resumidos e consumados na Decima Segunda Tradição que diz “O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades”. Teria algo de ruim (ou “anti-programa”) pôr em dúvida a colocação da tradição do anonimato e depois dedicar uma séria discussão ao assunto? Definitivamente, não. Desde tempos remotos, quando a literatura básica de A.A. começou a ser publicada, sempre houve membros que encontraram palavras ou locuções que, no seu modo de ver, deveriam ser mudadas. Talvez algumas frases inteiras deveriam ser riscadas ou alguns parágrafos suprimidos, ou reorganizados – ou removê-los para outro lugar. Por muito acertada que possa parecer alguma correção ao primeiro olhar, uma consideração mais aprimorada demonstra, a maioria das vezes, que, com relação ao que precede e segue, o conteúdo é precisamente o que deve ser e está onde deve estar sem possibilidade de “melhorá-lo”.Aos que propuseram a mudança, assim como aos demais, a discussão lhes ensinou o raciocínio original que colocou a tradição do anonimato como a décima segunda e última, e ainda deu a este raciocínio uma nova e viva força.

5.2. Fotografias nos eventos de A.A.: Pensar antes de clicar
Box 4-5-9, Fev. Mar. / 2007 (pág. 3-4) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_febmar07.pdf
Título original: “Fotos en los eventos de A.A. Pensar antes de pulsar”.
Atualmente, quando se podem bater fotos dos nossos amigos de A.A. com um rápido movimento de “focalizar e clicar”a partir de qualquer telefone celular, está mais fácil que nunca esquecer a Decima Primeira Tradição de A.A. que diz: “Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção; cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, no radio e em filmes”. E de fato, esta Tradição resistiu às provas do tempo.
Na Conferência de Serviços Gerais de 1974, Ruth H., então Delegada do Sudeste de Nova York, disse: “Recentemente um membro local tirou fotos de todos os assistentes a um aniversário pessoal, sem perguntar a ninguém se queria ou não ser fotografado. O participante de honra (que está sóbrio há muitos anos em A.A.) foi fotografado junto com os oradores e cortando o bolo, como se fosse um casamento. Quando perguntou ao fotógrafo se havia pedido permissão aos assistentes para tirar fotos, ele disse: ‘É o meu Grupo e a câmera é minha’”. Em outro caso, relatou Ruth, um membro que tinha sido fotografado na reunião de seu aniversario, “ingenuamente colocou a fotografia na mesa da sala de estar da sua casa. Um vizinho entrou, olhou e indicou com o dedo
outra pessoa na foto dizendo ‘não sabia que ele era membro de A.A.’”. Esse assunto, disse Ruth, “foi apresentado na assembleia de Área. Alguns disseram: ‘todo mundo me via bêbado, porque haveria de me esconder em A.A.?’”. Outros opinavam que se poderia afugentar os principiantes, ou, pelo contrário, os principiantes podem pensar que ficaria bem chegar na próxima reunião de aniversário munido de uma câmera. Depois de discutir o assunto, Ruth disse,
“a assembleia aprovou a moção de que nosso comitê de Área‘sugere energicamente’ que não sejam feitas fotografias em nenhuma reunião de A.A. – para proteger o anonimato de todos os presentes e não afugentar os participantes, uma vez que fazer fotos viola ‘o espirito da Primeira, Décima Primeira e Décima Segunda Tradições’”. Atualmente, a decisão de fazer ou não fazer fotos de membros de A.A. nos eventos de A.A. é um assunto de consciência de Grupo. Por exemplo, antes ou depois do último café da manhã/almoço da Conferência de Serviços Gerais, são feitas muitas fotografias – mas não durante nenhuma das sessões plenárias. De acordo com um membro do pessoal do Escritório de Serviços Gerais – ESG, a experiência coletiva de A.A. indica que deve ser consultada a consciência de Grupo antes de tomar uma decisão desse tipo. Se a consciência de Grupo não aprova que se façam fotos, seria prudente anunciar essa decisão de forma reiterada a todo o Grupo. E em todos os casos, antes de fazer uma fotografia de um ou mais membros, é sugerido pedir permissão tanto a eles como ao servidor indicado pelo Grupo para lidar com esse assunto. Repetidamente, a experiência demonstrou aos AAs que estar no foco do público é perigoso para a nossa sobriedade pessoal – e para nossa sobrevivência coletiva se quebramos o anonimato
diante do público e depois nos embriagamos. Mas, como disse Bill W., nosso cofundador, “era preciso dar a conhecer A.A. de alguma maneira. Assim, recorremos à ideia de que seria muito melhor deixar que nossos amigos o fizessem por nós” – entre eles, nossos sete Custódios não alcoólicos (no Brasil são quatro). Podem ficar na frente das câmeras ou utilizar seus nomes completos sem risco para si próprios ou para a Irmandade. Assim, fazem chegar a mensagem de A.A. a muitos alcoólicos doentes e aos profissionais que os assessoram e cuidam deles. Numa seção do Livro de Trabalho de Informação Pública são oferecidas sugestões “Para levar a mensagem através dos meios de comunicação”. Sugere que quando um membro de A.A. aparece na TV, o rádio ou internet, e se identifica como tal, “será prudente fazer alguns acertos anteriores com o entrevistador para que seja utilizado apenas o primeiro nome, e para que sua imagem apareça em forma de silhueta, sem possibilidade de ser identificada. Na Conferência de Serviços Gerais de 1968, foi manifestada a opinião de que‘aparecer na TV de uma maneira que se possa ver todo o rosto é uma quebra de anonimato ainda que não seja revelado o nome completo’”.Entretanto, se um membro de A.A. aparece publicamente como um alcoólico em recuperação, mas não revela que é membro de A.A., “não há nenhum problema com respeito ao anonimato. O membro aparece como qualquer outro convidado pode utilizar seu nome completo e sua imagem pode ser reproduzida normalmente”. É importante ter em conta que “um membro de A.A. que apareça como tal, com o anonimato protegido, em um programa de entrevistas deve explicar com antecedência ao entrevistador que os AAs tradicionalmente limitam seus comentários ao programa de A.A. O membro não se apresenta como um especialista nem fala a respeito da doença do alcoolismo, as drogas, o índice de suicídios, etc.”. Tradicionalmente, “os AAs falam por si próprios, não pela Irmandade em seu conjunto”. Geralmente costumam ressaltar que “o único interesse de A.A. é a recuperação e a sobriedade continuada” dos alcoólicos que procuram a Irmandade em busca de ajuda. E que, “quando falamos como membros de A.A. nos asseguramos de dizer que A.A. não opina sobre assuntos alheios à Irmandade”.
Ao refletir sobre as nossas Tradições de anonimato no número de outubro de 1948 da Grapevine, Bill W. expressou com franqueza e um toque de humor, uma ideia que ainda tem ressonância na atualidade: “Temos bons amigos à direita e à esquerda, tanto entre os proibicionistas como entre os anti proibicionistas. Como a maioria das sociedades, às vezes somos escandalosos – mas nunca em público… Nossos amigos da imprensa e do rádio superaram-se a si próprios. Qualquer um pode ver que parecemos estar mimados. Nossa reputação já é muito melhor que o nosso caráter real”.

5.3. Mais perguntas sobre o anonimato
Box 4-5-9, Primavera (Mar.) 2013 (pág 1-2) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_spring13.pdf
Título original: “Más preguntas sobre el anonimato”
No número de outono (Set.) de 2012 do Box 4-5-9 apareceram várias perguntas e respostas relacionadas com o anonimato a nível pessoal – por exemplo, durante as reuniões de A.A. e diante do público, baseadas na Décima Primeira Tradição de A.A. (N.T.:1). Como indicado no primeiro parágrafo desse artigo, aquelas perguntas e respostas era apenas uma pequena parte das indagações que chegam ao Escritório de Serviços Gerais – ESG, em Nova York. Neste artigo trataremos de algumas mais.
Pergunta. –
Faz pouco tempo, num artigo da imprensa (ou Internet ou vídeo) apareceu a fotografia de um membro de A.A. acompanhada do seu nome completo. O ESG irá encaminhar a esse membro algum comunicado para indicar-lhe que isso é uma violação da Tradição do anonimato?
Resposta. –
A resposta do membro do pessoal do ESG lotado na seção de Informação Pública é muito provável que seja algo parecido com o seguinte: “Permita-me que lhe explique como tratamos as quebras de anonimato aqui no ESG. Quando chega ao ESG uma noticia de quebra de anonimato documentada e pode ser identificada a Área onde mora o membro em questão, enviamos uma cara ao Delegado dessa Área, com cópias do artigo ou transcrição e umas cartas-modelo de resposta adaptáveis à situação. O Delegado normalmente escreve ao membro. Este procedimento está baseado numa Ação Recomendável da Conferência.
De maneira geral, não contatamos os profissionais da mídia com referência a quebras de anonimato quando suas reportagens foram baseadas em informações facilitadas por um membro de A.A. Pedimos a colaboração da imprensa naquilo relacionado com manter nossa Tradição de anonimato, mas esses profissionais não são obrigados a seguir nossas Tradições a esse respeito. A responsabilidade de respeitar a Tradição do anonimato não cabe aos profissionais da mídia, mas ao membro individual de A.A. Tratamos sempre de nos comunicar de uma maneira não punitiva e que não possa ser
interpretada como tal de maneira a não provocar ainda mais controvérsia escrevendo alguma coisa que possa ser publicada mais tarde num jornal, revista, etc. como sendo ‘A opinião de A.A.’” Pergunta. – O membro do pessoal do ESG envia a mesma carta de “Quebras de Anonimato”ao Delegado quando num obituário está indicado que o falecido era membro de A.A. e também são publicados os nomes completos de outros membros de A.A.?
Resposta. –
De maneira geral, aos membros de A.A., parece-lhes pouco sensato quebrar o anonimato de um membro inclusive depois de morto, mas em todo caso, a decisão final sobre essa questão cabe à família do membro. Entretanto, os membros de A.A. concordam com que deva ser respeitado o anonimato dos membros vivos citados nos obituários ou em qualquer folheto comemorativo ou nota necrológica.
Pergunta. –
Tem A.A. em seu conjunto uma política geral que se refira ao anonimato póstumo dos cofundadores, Bill W. e o Dr. Bob?
Resposta. – Não. Mas no ano de 2001a Junta de Serviços Gerais aprovou a seguintes normas para servir como guia aos AAs em toda atividade de informação publica relacionada com os cofundadores de A.A.: “As normas de informação pública do ESG devem servir para guardar ao máximo possível o
anonimato dos membros de A.A. vivos ou mortos, incluindo os cofundadores. A seção de Informação Pública existe no que se refere ao público em geral, como uma fonte de informação relacionada com o programa de recuperação da Irmandade de Alcoólicos Anônimos, não como fonte de informação sobre membros individuais de Alcoólicos Anônimos, vivos ou mortos. Na medida em que já se encontra na nossa literatura de A.A. informação não anônima sobre
os nossos cofundadores, a qual está disponível ao público em geral, podem ser dirigidas as solicitações de informação a estes textos. A seção de Informação Pública pode facilitar copias dessa informação aos meios de comunicação. Não deve ser oferecida voluntariamente nem facilitar
informação adicional, por respeito aos princípios tradicionais de anonimato de A.A., ou pela alta estima que os cofundadores, como membros da Irmandade de Alcoólicos Anônimos. Tinham por estes princípios. Não deve ser facilitada informação sobre outros membros de A.A., antigos ou atuais, sob
nenhuma circunstância”.
Pergunta. –
Os cofundadores fizeram, eles mesmos, algum comentário a respeito do anonimato póstumo?
Resposta. – No livro “A.A. Atinge a Maioridade”, Bill escreve: “O Dr. Bob era essencialmente uma pessoa mais humilde que eu. De alguma forma era uma pessoa espiritual ‘natural’ e o anonimato lhe resultava fácil. Não podia entender porque algumas pessoas precisavam de tanta publicidade. Nos anos que precederam à sua morte, seu exemplo pessoal de respeito ao anonimato ajudou-me muito a guardar o meu próprio. Lembro particularmente, uma comovente ocasião que acredito que todos Aas deveriam conhecer. Quando foi comunicado que tinha uma afecção mortal, alguns de seus amigos sugeriram que se erguesse um monumento ou mausoléu na sua honra e na da sua mulher Anne, alguma coisa digna de um fundador e sua esposa. Certamente, este foi um tributo muito natural e espontâneo. O comitê criado para esse fim chegou inclusive a lhe mostrar a maquete do monumento proposto. Comentando isto comigo, o Dr. Bob sorriu e disse: ‘Deus os abençoe. Têm boas intenções. Mas pelo amor de Deus, Bill, Porque não nos enterram a você e a mim como aos demais? Um ano depois da sua morte visitei o cemitério de Akron onde repousam os restos mortais do Dr. Bob e Anne. A simples lápide mortuária não diz uma única palavra a respeito de Alcoólicos Anônimos. Algumas pessoas podem pensar que este casal maravilhoso levou longe demais o anonimato pessoal ao recusar, com firmeza, usar as palavras ‘Alcoólicos Anônimos’até na lápide. Da minha parte não acredito que seja assim. A mim parece-me que este último e comovente exemplo de humildade tem um valor mais duradouro para A.A. que qualquer publicidade espetacular ou mausoléu majestoso”.
Pergunta. –
Já sei que na literatura de A.A. Bill escreveu muito a respeito do anonimato, mas estou seguro que ele não poderia ter previsto a explosão tecnológica moderna. Como protegemos o anonimato on-line?
Resposta. –
A comunicação em A.A. nos dias atuais flui de um alcoólico para outro através da tecnologia de ponta, de uma maneira relativamente aberta que vai evoluindo com muita rapidez. A proteção do anonimato é a preocupação principal dos membros, cada vez mais numerosos, que acessam a Internet.Um recurso orientador da experiência compartilhada de A.A. referente aos sítios da Web é o artigo de serviço do ESG “Perguntas frequentes a respeito dos sítios Web de A.A.”(N.T.:2). A pregunta de número 7 diz: “E, enquanto ao anonimato?”. Sua resposta: “Observamos todos os princípios e Tradições de A.A. em nossos sítios Web. Uma vez que o anonimato é ‘o alicerce espiritual das nossas Tradições’, praticamos o anonimato em todo Este folheto foi atualizado pela 61ª Conferência de Serviços Gerais em maio de 2011. No passado outono (Set. 2012), o Comitê deInformação Pública dos Custódios pediu que fosse atualizada a capa para comunicar melhor os membros a respeito do conteúdo de uma ampla variedade de informação a respeito do anonimato nos meios eletrônicos e nas redes sociais, sobre o anonimato póstumo e como falar do anonimato aos membros da sua família. Momento em todos os sítios Web de A.A. Um sítio Webde A.A. é um meio de comunicação público que tem a capacidade de alcançar a audiência mais diversificada e numerosa possível e, portanto, é necessário valermos-nos da mesma proteção que utilizamos diante da imprensa, do rádio e o cinema. Ao utilizar os meios digitais, os membros de A.A. são responsáveis pela proteção do seu próprio anonimato e o dos demais. Quando enviamos mensagens de texto ou escrevemos num blog devemos assumir que estamos fazendo uma divulgação pública. Quando quebramos nosso anonimato nestes fóruns, é possível que, inadvertidamente, quebremos o anonimato de outros”.(Ver “Guia de Orientação na Internet”, Junaab, código 245).
Para mais informação sobre o anonimato “on-line”, ver o folheto “Compreendendo o Anonimato”, (ao lado) (N.T.:3) recém-reimpresso com nova capa contendo arte e símbolos para representar a grande variedade de recursos para que os membros de A.A. protejam seu anonimato e o dos seus companheiros.

5.4. O anonimato – a humildade em ação
Box 4-5-9, Ago. Set. / 1996 (pág. 1-2) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_aug-sept96.pdf
Título original: “El anonimato: la humildad en acción”.
Nesta década de 1990, na que se considera Alcoólicos Anônimos como uma força do bem, parece que cada vez mais membros bem-intencionados,incluindo uma multidão de celebridades bem conhecidas, revelam seus nomes como membros de A.A.nos meios de comunicação e fazem alarde da sobriedade alcançada na Irmandade – sempre com a intenção de ajudar o alcoólico que ainda sofre. Talvez não conheçam a Tradição do Anonimato, ou a considerem como algo fora de moda ou, ainda, que acreditem que o mais importante é procurar que a mensagem seja difundida. Isto não é novidade. Como escreveu Bill W., cofundador de A.A., faz mais de 40 anos, no número de janeiro de 1955 na revista Grapevine: “Os velhos arquivos da Sede de A.A. contém dúzias de experiências de rupturas de anonimato parecidas. A maioria delas ensinam-nos as mesmas lições. Nos ensinam que nós, os alcoólicos, somos os maiores racionalizadores do mundo; que fortalecidos com o pretexto de fazer coisa boas porA.A., quebrando nosso anonimato, poderemos
estar reiniciando nossa velha busca desastrada pelo poder e prestígio pessoal, as honras públicas e o dinheiro – os mesmos impulsos implacáveis que antes, ao serem frustrados, fizeram-nos beber; as mesmas forças que atualmente desgarram o mundo. Além do mais, deixam muito claro o fato de que uma quantidade suficientemente grande de pessoas que quebraram seu anonimato de forma sensacionalista, poderia arrastar consigo a nossa Irmandade inteira para uma rua sem saída”. Como nos indica a literatura de A.A., as Doze Tradições pedem-nos repetidamente que renunciemos a nossos desejos pessoais em favor do bem comum, e assim levem-nos a compreender que o espirito de sacrifício, simbolizado pelo anonimato, é a base de todas as nossas Tradições. Tudo isto é muito bom, mas, como indivíduos e como membros de um Grupo, qual é a melhor maneira de colocar em prática este princípio? Quais os critérios que utilizamos para abrir o anonimato? E, o que podemos fazer para evitar as quebras do anonimato? Em 1988 uma onda de quebras de anonimato conduziu à formação de um subcomitê especial do Comitê de Informação Pública da Junta de Serviços Gerais. Sua tarefa, que não tinha nada a ver com culpar os meios de comunicação e tinha muito a ver com o fato de que a Irmandade deveria fazer seu próprio inventario, tinha duas facetas: elevar a consciência dos membros “a respeito do propósito do anonimato e porque é vital nossa sobrevivência como Irmandade; e pedir aos AAs de todos os lugares que ajudem a proteger esta salvaguarda”. Faz alguns meses, enquanto o subcomitê estava-se preparando para se dissolver depois de seis anos de esforços intensos, seus membros chegaram à conclusão de que quantos mais Distritos, Áreas e Grupos de A.A. compartilhem sua experiência a respeito da Tradição do Anonimato, mais saudável ela se tornará e mais saudáveis ficaremos nós. Com essa finalidade, o comitê sugeriu uma série de temas de discussão. A seguir, aparecem alguns deles, acompanhados de algumas das muitas respostas encontradas na literatura de A.A.
Pergunta:
Qual é a relação entre o anonimato e “o egoísmo – o egocentrismo… a raiz de todos nossos problemas”como Bill W. descreve no Livro Grande?
Resposta:
Bill W. com frequência advertia que se nos esquecermos do princípio do anonimato, iria se abrir a caixa de Pandora (*) do egoísmo, liberando os espíritos da ambição mundana tão perniciosos para nossa sobrevivência. Portanto, explicava, “a essência espiritual do anonimato é o sacrifício dos nossos desejos pessoais em prol do bem comum”.
Pergunta:
Como tratamos o assunto do anonimato dentro do Grupo?
Resposta:
De maneira geral, não escondemos de ninguém a nossa identidade nos nossos Grupos e reuniões. Entretanto, cada individuo e cada Grupo têm o direito de utilizar seus próprios métodos. Porém, de acordo com o espirito das Tradições, é necessário que percebamos que o principio do anonimato é bom para todos nós; devemos sempre ter presente que a segurança e a eficácia futuras de A.A. dependem da sua conservação. Ao mesmo tempo, todos os membros de A.A. devem ter o privilégio de vestir-se de tanto anonimato pessoal quanto desejem.
Pergunta:
E o anonimato pessoal a nível público?
Resposta:
A nível pessoal, o anonimato assegura que os membros não sejam identificados como alcoólicos; a nível da imprensa, a radio, a televisão e o cinema, ressalta a igualdade de todos os membros ao colocar um freio naqueles que poderiam se aproveitar de sua afiliação a A.A. para conseguir reconhecimento, poder e ganância pessoal.De acordo com a Décima Primeira Tradição – forma longa, “Nossa relações com o público em geral devem caracterizar-se por um anonimato pessoal. Acreditamos que A.A. deve evitar a publicidade sensacional. Nossos nomes e fotografias, na qualidade de membros de A.A., não devem ser divulgados pelo radio, cinema ou imprensa. Nossas relações com o público devem orientar-se pelo princípio da atração e não da promoção. Nunca há necessidade de elogiarmos a nós mesmos. Achamos melhor deixar que nossos amigos nos recomendem”.
Pergunta:
Colocamos e um pedestal alguns AAs?
Resposta:
Em um artigo publicado no número de outubro de 1947 da revista Grapevine, Bill W. falou da síndrome do pedestal: “Por alguma razão, parece que qualificativo ‘fundador’chegou a se aplicar exclusivamente ao Dr. Bob e a mim… Este sentimento nos é muito comovedor…
entretanto, começamos a nos perguntar se, no longo prazo, tal ênfase exagerado será bom para A.A.” Sua resposta a este situação esta na declaração explicita de que “como membros particulares de A.A. devemos ser anônimos perante o público em geral… o Dr. Bob e eu acreditamos que esta
saudável doutrina também deve aplicar-se a nós. Não pode haver nenhuma boa razão para abrir uma exceção com ‘os fundadores’. “Quanto mais tempo os pioneiros de A.A. ficarmos no centro do cenário, mais possível será que sentemos perigosos precedentes para estabelecer uma liderança personalizada e permanente. Para assegurar o bem futuro da Irmandade, não é precisamente isto que devemos evitar?… Embora sempre gostaríamos de ter a satisfação de ser lembrados entre os originadores, esperamos que vocês comecem a considerar-nos apenas como pioneiros e não como ‘fundadores’. Assim,
poderemos também nos juntar a A.A.?” O Dr. Bob morreu em novembro de 1950; Bill W., em janeiro de 1971 – e seu nome, fotografia e história apareceram pela primeira vez nos meios de comunicação do mundo todo. Na primavera daquele ano, a Conferência de Serviços Gerais determinou que “não é prudente quebrar o anonimato de um membro inclusive depois da sua morte, mas, em cada situação cabe à família tomar a decisão final”. A Conferência de 1992 reafirmou esta opinião acrescentando que “os Arquivos Históricos continuarão protegendo o anonimato dos AAs falecidos assim como o dos demais membros”. Considerando o atual (1996) numero de membros de A.A. – aproximadamente dois milhões no mundo todo, as quebras de anonimato ante o público, embora preocupantes quando acontecem porque podem representar perigo, de fato são relativamente poucas e incomuns. De acordo com um relatório com o título “As Origens do Anonimato”,apresentado pelo Comitê de Arquivos Históricos da Junta de Serviços Gerais à Conferencia de Serviços Gerais de 1989, “é possível que isto se deva ao fato de que, na medida em que a Irmandade vai amadurecendo, os membros alcançam uma compreensão cada vez mais clara do valor que tem o anonimato a nível publico para eles mesmos”.(*) N.T.: Caixa de Pandora é um artefato da mitologia grega, extraído do mito da criação de Pandora, que foi a primeira mulher criada por Zeus. A “caixa” era na verdade um grande jarro dado a Pandora, que continha todos os males do Mundo. Então Pandora, com sua curiosidade, abriu o frasco e todo o seu conteúdo, exceto um item, foi liberado para o mundo. O item remanescente foi a esperança. Hoje em dia, abrir uma “caixa de Pandora”significa criar um mal que não pode ser desfeito.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Caixa_de_Pandora

5.5. O anonimato diante do público
Box 4-5-9, Fev. Mar. / 2004 (pág. 8-9) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_feb-mar04.pdf
Título original: “El anonimato ante el público”.
Uma figura de muita visibilidade do cinema se interna em um centro de tratamento; sai e aparece em um programa de televisão falando em termos elogiosos de “minha nova vida em A.A.” Poucos meses mais tarde sai publicada a noticia de que “novamente foi encontrado embriagado”. Um político apanhado em maus lençóis protesta, “o álcool me fez atuar desse jeito, porém agora assisto reuniões de A.A.” Ou, um escritor, bem intencionado, mas excessivamente entusiasmado, fala de sua “cura em A.A.” e promete publicar a sua história para “ajudar outros iguais a mim”. Passados seis meses aparece a noticia da sua “recaída”. O que faz a Irmandade frente a quebras de anonimato como estas e outras que acontecem a cada ano às centenas? O que fazem individualmente os membros de A.A. para ajudar? E, a quem cabe a responsabilidade? Como se percebe claramente nas cartas enviadas ao Escritório de Serviços, ESG, muitos membros de A.A. estão realmente preocupados, e de fato, alguns ficam com raiva devido a essas rupturas da Tradição do anonimato, à qual Bill W., chamava “a chave de nossa sobrevivência espiritual”. Entretanto, muitos desses companheiros desconhecem o que faz o ESG a
respeito, nem como eles próprios podem ajudar e contribuir para um efeito decisivo. A cada ano o Comitê de Informação ao Público da Junta de Custódios envia uma carta aos representantes dos meios de comunicação para lhes explicar a Tradição do anonimato de A.A. perante o público. Muito apropriadamente em nossa época de computadores, e diferentemente da primeira missiva um tanto verbal enviada em 1949, o texto, que aparece que aparece no sítio de A.A. – http://www.aa.org, é breve e conciso. No entanto, apesar das ligeiras revisões cosméticas feitas ao longo dos anos, a mensagem não mudou. Primeiro, há uma expressão de gratidão “pela ajuda que nos deram nossos amigos dos meios de comunicação que nos ajudaram a salvar inumeráveis vidas”.Logo pedimos às agências de mídia que continuem nos ajudando, apresentando os membros de A.A. unicamente por seu nome no registro civil sem divulgar fotos em que o membro possa ser reconhecido. “O anonimato tem uma importância fundamental para nossa Irmandade e oferece aos nossos membros a segurança de que sua recuperação será um assunto confidencial. Com frequência, o alcoólico ativo evita qualquer fonte de ajuda que possa revelar sua identidade”. A carta de anonimato mais recentemente redigida, em fevereiro de 2004, como de costume será publicada em três idiomas – inglês español e francês, e enviada a aproximadamente 10.000 jornais periódicos e emissoras de rádio e televisão nos EUA e Canadá, com a esperança de que os editores gerentes, repórteres, apresentadores de rádio e TV e muitos outros que trabalham nesse campo, especialmente os entrevistadores e que fazem reportagens sobre celebridades que são membros de A.A., a vejam, a leiam e a levem em conta. À carta e juntado um cartão de resposta com porte pago e outro cartão com informações básicas de A.A. Em muitas Áreas o Comitê de Informação ao Público local fazem copias do texto em papeis com seu timbre e as enviam aos representantes dos meios de comunicação locais. Embora façamos todo o possível para informar os meios de comunicação sobre nossa Décima Primeira Tradição, normalmente não mantemos contato direto com os profissionais que fazem suas reportagens baseados em informações fornecidas por membros de A.A. No folheto de A.A., “Compreendendo o anonimato”, nos é lembrado que não é da responsabilidade dos meios de comunicação manter nossas Tradições; é nossa responsabilidade pessoal. Portanto, quando o ESG toma conhecimento de uma quebra de anonimato diante do público, a Conferência de Serviços Gerais recomendou que o membro do pessoal locado do escritório de informação pública comunique o fato ao Delegado da área onde o incidente aconteceu. Dessa maneira, um membro local pode entrar em contato com o companheiro cujo anonimato foi violado para falar-lhe amigavelmente sobre a importância da Décima Primeira Tradição. O modelo de carta que se ajunta à nota dirigida ao Delegado diz o seguinte: “Talvez esta quebra de anonimato tenha ocorrido sem o seu consentimento ou sem você saber; entretanto, se for entrevistado no futuro, ficaremos muito gratos se tiver a gentileza de mencionar nossas Tradições de anonimato aos profissionais de mídia. Às vezes não as compreendem, mas, quase sempre as respeitam”. Ao final das contas, a experiência de A.A. indica que os que têm maior probabilidade de proteger nossas Tradições são os Grupos e os membros individuais. Cada vez que um Grupo realiza uma reunião focada nas Tradições, o cimento que mantém unida nossa Irmandade, ou lembra aos participantes ao abrir a reunião “o que aqui é dito, não sai daqui”,o conceito que vamos formando do anonimato diante do público vai ficando mais forte. A cada vez que um padrinho reforça ao iniciante a importância do anonimato diante do público, explicando-lhe, com palavras da Décima Primeira Tradição, que “a ambição pessoal não tem lugar em A.A.”, se torna mais forte o nosso anonimato coletivo. Talvez seja este o nosso meio principal para antepor a tudo nosso bem-estar comum.

5.6. O anonimato e as redes sociais
Box 4-5-9, Inverno (Dez.) 2009 (pág. 8-9) =>http:// http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_holiday09.pdf
Título original: “El anonimato y el Internet” (Também traduzido e adaptado pelo CATI-JUNAAB para o Brasil)
No mundo atual com o ritmo acelerado da alta tecnologia, os membros de A.A. estão acessando a Internet em número cada vez maior e de forma que não poderia ter sido imaginado até dez anos atrás. O bate-papo online de membros em todo o mundo se tornou comum, e uma quantidade enorme de informações sobre o alcoolismo e AA é obtida apenas com um clique do mouse. Portanto, com a amplitude do alcance da Internet vieram desafios, preservar as Tradições de A.A. no universo online é um assunto importante para todos na Irmandade. Tal como acontece com vários temas que são abordados pelo AA, o Escritório de Serviços Gerais – ESG compilou um conjunto de Orientações sobre a Internet (MG-18) (no Brasil os Guias de orientação de A.A. na Internet aprovadas pela XXXIV CSG) com base na experiência compartilhada dos membros de A.A., através de seus comitês
e comissões, que cobrem muitas das questões que esta nova tecnologia nos trás. Uma dessas áreas de preocupação é a questão do anonimato
online, particularmente no que se refere aos sites de redes sociais, o que levou-nos a ter um olhar mais atento para a literatura de A.A. e como as Tradições de A.A. podem ser mais bem aplicadas neste meio popular de comunicação. “Qual é o propósito do anonimato em Alcoólicos Anônimos?” e,”Por que é frequentemente referido simplesmente como a melhor proteção que a Irmandade tem para garantir a sua existência e crescimento?”. Para estas perguntas a Conferência de Serviços Gerais de A.A. aprovou o panfleto, “Entendendo o anonimato”(EUA/Canadá), que esclarece sobre anonimato e as Tradições de A.A., trata da publicação em artigo de jornal/revistas ou sites na Internet, sobre o nome completo ou fotos de membros de A.A.. “Se olharmos para a história da AA, desde o seu início em 1935 até agora,”, diz o folheto,“é claro que o anonimato serve para duas funções diferentes, mas igualmente vitais:
Ao nível pessoal, o anonimato fornece proteção para todos os membros identificados como alcoólatras, um salvaguarda de segurança, muitas vezes de importância crucial para recém chegados. Ao nível da imprensa, rádio, TV, filmes e novas tecnologias de mídia como a Internet, o anonimato sublinha a igualdade na Irmandade de todos os membros, colocando um freio sobre aqueles que poderiam explorar sua filiação em AA para conseguir o reconhecimento, poder, ou ganho pessoal”. Quanto à pergunta específica, “Sobre o anonimato online?”,os Guias de Orientações de A.A.
na Internet dizem: “Um Web Site é um meio público, que tem o potencial de atingir o público mais amplo possível e, por conseguinte, exige as mesmas garantias que usamos ao nível da imprensa, rádio e cinema”.No entanto, o ESG recebe numerosas comunicações de membros preocupados com quebras
de anonimato online, uso inadequado do nome e direitos autorais e marcas registradas de A.A., matérias sendo indevidamente usados em sítios de redes sociais como Facebook, MySpace, Twitter, Orkute outros. Estes sítios oferecem aos indivíduos a oportunidade de postar uma grande quantidade
de informações pessoais (e outras), e também permitem que os usuários criem redes sociais de “grupos”ou “eventos” para pessoas com interesses afins. Alguns membros não publicam em seus perfis nada que seja relacionado ao A.A., enquanto outros entendem que é correta a publicação, desde que não seja especificamente mencionado A.A., já outros colocam abertamente a condição de membros de A.A. Um membro nos escreveu o seguinte: “Digitei ‘Alcoólicos Anônimos’num desses sítios de redes sociais e surgiu uma comunidade com mais de 6.600 membros. Entendi que parecia ser um lugar seguro para frequentar por isso achei que estava tudo bem. Então entrei para ver quem eram os membros e quando a página abriu vi o nome e o sobrenome dos membros dessa comunidade, muitos com fotos. A partir daí, dependendo das configurações de privacidade das pessoas, pude ver facilmente informações pessoais sobre essas pessoas, suas famílias e amigos”. “Eu fui apadrinhado sobre a importância de nossas tradições”, continua dizendo o membro de A.A. “e de manter nossa Irmandade da mesma maneira que a encontramos… Em minha opinião esta página não reflete o que é de A.A.”. Na sua resposta a outro membro de A.A. que escreveu ao ESG expressando inquietações semelhantes, o membro do pessoal do ESG responsável pela seção de Informação Pública diz: “Alguns membros de A.A. acham que sítios de redes sociais são um espaço privado; outros membros discordam fortemente e os entendem como um ambiente público. Os guias de Orientação de A.A. na Internet definem que os sítios de redes sociais são de ‘natureza pública’”. Quando é alertado sobre eventual quebra de anonimato a nível público – em revistas, jornais, televisão, etc., e depois de comprovar que realmente se tratava de uma quebra de anonimato, o ESG normalmente encaminha o caso para o Delegado da Área onde reside o membro para que se
encarregue de resolver esse assunto da maneira que lhe pareça oportuno (o Delegado da Área geralmente envia um lembrete amigável para esse membro falando a respeito da importância da Décima Primeira Tradição). Em relação à Internet, o método atual de abordar a quebra de anonimato de um membro em nível público “não se aplica bem aos sítios das redes sociais”. Dada a popularidade alcançada pela Internet e o grande número de pessoas envolvidas. A questão do anonimato passou a ser preocupante, e procuramos na experiência compartilhada acumulada dentro da Irmandade a respeito deste meiode comunicação em rápida evolução, observar as palavras de Bill W. quando descreve o anonimato como “o alicerce espiritual das nossas Tradições”. Como a maioria dos assuntos em A.A., independentemente de como a Internet e novas tecnologias possibilitem um e outro membro compartilharem, há grande benefício ha ser alcançado se tivermos um cuidado e uma avaliação prudente sobre esse assunto que causa preocupação para muitos membros. Falar com os padrinhos em A.A. e outros companheiros a respeito de como aplicar as Tradições “on line”, possivelmente oferecerá aos membros que utilizam esta tecnologia uma melhor compreensão de como nos apresentar como membros de A.A. diante de qualquer pessoa –
seja ou não membro de A.A., que possa “entrar” sem avisar nas salas dos muitos sítios das redes sociais Conforme apresentado no panfleto “Entendendo o Anonimato”(EUA/Canadá), a respeito do anonimato online, a consciência coletiva de AA expresso através de Conferência (EUA/Canadá) aprovou, na sua literatura sugestão que “os lugares de acesso público da Internet, como sites da Web com texto, gráficos, áudio e vídeo deve ser considerados como uma forma de ‘meios de comunicação pública’. Assim, eles precisam ser tratados da mesma maneira como a imprensa, rádio, TV e filmes. Isto significa que os nomes completos e os rostos não devem ser usados, nem dados de identificação. No entanto, o nível de anonimato, nos correios eletrônicos, reuniões on-line e salas de chat serão uma decisão pessoal”.

5.7. O anonimato e os meios de comunicação
Box 4-5-9, Primavera (março) 2010 (pág. 9) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_spring10.pdf
Título original: “Carta de Anonimato a los medios de comunicación”.
A cada ano, desde 1949, o Comitê de Informação ao Público da Junta de Custódios envia uma “Carta de Anonimato”anual aos meios de comunicação.
A singela carta agradece aos membros desses meios – repórteres de notícias, diretores de fotografia e apresentadores de rádio e de televisão, o apoio que sempre prestaram a Alcoólicos Anônimos no sentido de respeitar e proteger o anonimato dos membros de A.A. e pede que esta
colaboração mantenha sua continuidade. Além disso, a carta solicita que ao apresentar os membros de A.A. utilizem apenas o nome, sem o sobrenome, e que não sejam feitas fotografias nas que possam ser reconhecidos seus rostos. Também explica que: “O anonimato tem uma importância central para a nossa Irmandade e oferece aos nossos membros a segurança de que sua recuperação será um assunto confidencial. Com frequência, o alcoólico ativo evita qualquer fonte de ajuda que possa revelar sua identidade”.Neste mês de fevereiro (2010), foram enviadas aproximadamente 9.000 cartas aos meios de comunicação dos EUA e Canadá (incluindo os meios em español dos EUA e em francês de Québec). A carta também está na Web, no sitio do GSO. Apesar do alcance da Carta de Anonimato e do cuidado dos membros e grupos de A.A. de todas as partes e lugares, ocorrem quebras de anonimato, algumas ocasionadas por celebridades bem intencionadas ansiosas por “ajudar outros alcoólicos como eu”.O que é feito para responder a essas quebras de anonimato e às dezenas que ocorrem a cada ano? Como indicam as cartas que se recebem no Escritório de Serviços Gerais, os membros têm expressado uma constante preocupação por estas violações à Décima Primeira Tradição, ”Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção; cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, no rádio e em filmes”a qual Bill W., chamou de “a chave da sobrevivência espiritual de A.A. ”Quando ocorre uma quebra de anonimato, os membros de A.A. pedem com frequência ao ESG que envie uma carta aos responsáveis pelos meios que veicularam a notícia. Porém, desde faz bastante tempo, o consenso da Conferência de Serviços Gerais tem sido que a responsabilidade de proteger a Tradição do Anonimato a nível público e de responder às quebras de anonimato nos meios de comunicação, cabe aos indivíduos, grupos e órgãos de serviço da Irmandade. Assim, quando ocorre uma quebra de anonimato a nível público o gabinete de Informação ao Público do ESG, envia uma carta ao delegado da Área pertinente informando sobre os detalhes e sugerindo que o delegado ou outro servidor de confiança se ponha em contato com o membro. O ESG apenas escreverá a carta se o delegado assim o solicitar.

5.8. O anonimato nas reuniões “on line”
Box 4-5-9, Fev. Mar. / 2004 (pág. 7-8) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_feb-mar04.pdf
Título original: “El anonimato em las reuniones em línea”
A internet é um lugar sedutor para os AAs. Consideramos as reuniões on-line como entidades de extensão global por estar na Web; mas, e o anonimato on-line? É bastante natural que os AAs, sentados na frente de seus computadores, tenham a impressão de estar compartilhando individual e pessoalmente em um ambiente íntimo, especialmente por não se encontrar entre uma multidão de companheiros numa grande sala de reunião. Entretanto, há que se fazer uma advertência, a experiência de A.A. sugere que: a internet é um meio de comunicação internacional e nem todos que “escutam” têm a mesma amplitude de conhecimento a respeito do que A.A. é e não é e por isso precisamos nos lembrar, e a nossos companheiros, que o que fazemos é levar a mensagem de A.A. e não a nossa mensagem pessoal. A maioria dos AAs informados pelas lições da nossa história compartilha a crença de que, entre outras coisas, o anonimato tem dois importantes objetivos: a segurança e a espiritualidade. A certeza de que será respeitada sua privacidade é o que torna possível a participação franca nas reuniões de A.A.; e nos lembra, conforme a Décima Segunda Tradição, de “colocar os princípios acima das personalidades”. Adaptar o princípio do anonimato para ser utilizado em nossas incursões na internet ainda é um trabalho em curso e muitos AAs. Recorrem ao Escritório de Serviços Gerais – ESG, para pedir orientação. Um membro escreveu: “É adequado que os membros utilizem seus nomes completos nos intercâmbios de mensagens?” A resposta do ESG: “Nossa experiência indica que a maioria dos membros utiliza seu nome completo e, de fato, quando escrevem para este Escritório – onde o anonimato é protegido, pedimos não apenas que utilizem seu nome completo, mas também a Área ou região de onde escrevem. É possível interceptar qualquer correio, eletrônico ou de tartaruga, e os que estão preocupados com esta possibilidade podem optar por não revelar sua identidade. É uma decisão pessoal”. No artigo de serviço muito popular chamado “Perguntas frequentes sobre a Web site de A.A.”,o ESG diz que em seu próprio Web site (www.aa.org), que tem quase 5.000 visitantes por dia, o escritório “observa todos os princípios e Tradições de A.A.” Enquanto ao anonimato, a experiência da Irmandade indica que “um web site de A.A. é um médio de comunicação público que tem capacidade para alcançar a audiência mais diversa e numerosa possível e portanto, é necessário nos valer da mesma proteção que utilizamos diante da imprensa, a rádio e o cinema”.O Grupo on-line dos Lamplighters (www.aa-lamplighters.org), estabelecido em 1991, e que agora tem quase 700 membros em mais de 30 países, adota a seguinte postura referente ao anonimato: “O Grupo Lamplighters (acendedores), aluga um ‘servidor de lista’, o equivalente eletrônico a um porão de igreja. Através disso controlamos a entrada às nossas reuniões e pedimos aos iniciantes apenas que nos façam uma declaração de intenção baseada na Terceira Tradição – ‘Para ser membro de A.A., o único requisito é o desejo de parar de beber’. As pessoas que ficam navegando à toa não podem casualmente numa reunião nossa. Precisam ser ‘membros’ dos Lamplighters e ter feito a inscrição anteriormente. A inscrição, por suposto, é gratuita”. Os Lamplighters explicam também que,“devido à configuração eletrônica do nosso servidor de lista, o anonimato costuma estar mais bem protegido na internet do que nas reuniões regulares de A.A. A muitos de nós nos parece que o fato de ignorar a raça, a idade, as características físicas, o sotaque, a vestimenta, ou até o sexo dos companheiros torna mais fácil antepor os princípios às personalidades. É claro que continuamos pedindo aos nossos membros que respeitem o anonimato de todos seus companheiros. E os alcoólicos que por qualquer razão que seja, queiram mais segurança, podem entrar com pseudônimos para proteção adicional do seu anonimato”.

5.9. Quando abrir seu anonimato não é quebra de anonimato.
Box 4-5-9, Outono (Set.) 2012 (pág. 1-2) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_fall12.pdf
Título original: “Cuando romper tu anonimato no es ruptura de anonimato”.
Embora se tenha escrito muito a respeito do anonimato na literatura de A.A. – ver, por exemplo, o folheto aprovado pela Conferência de Serviços Gerais “Entendendo o Anonimato” (JUNAAB, código 216), a julgar pelos comunicados que chegam ao Escritório de Serviços Gerais por parte dos membros da Irmandade, parece que ainda há muitas dúvidas e confusão relacionadas com a “base espiritual de todas as nossas Tradições”. A seguir aparece um apanhado das perguntas que recebemos por telefone e por correio postal e eletrônico, e algumas respostas extraídas da literatura de A.A.
Pergunta. –
Temos um membro que recentemente veio de outra cidade e que usa seu sobrenome nas reuniões. Devemos dizer a esta pessoaque está violando a Tradição do Anonimato?
Resposta. –
Em “A linguagem do coração”, p. 16, Bill W. escreve: “Deve ser o privilégio de cada membro de A.A. se abrigar com tanto anonimato pessoal quanto deseje. Seus companheiros de A.A. devem respeitar seus desejos e ajuda-lo a guardar seu anonimato no grau que lhe pareça apropriado”. Portanto, cabe a cada indivíduo decidir até que ponto quer ser anônimo abaixo do nível público. Usar seu sobrenome numa reunião de A.A. não é “violar” a Tradição de A.A. De fato, o autor de um artigo publicado no número de fevereiro de 1969da revista Grapevine, atribuiu ao Dr. Bob as seguintes palavras referentes à Decima Primeira Tradição. “Já que nossa Tradição sobre o anonimato designa com precisão o nível em que se deve manter o anonimato, deve ser evidente a todos que conseguem ler e entender nosso idioma que manter o anonimato em qualquer outro nível é definitivamente uma violação dessa Tradição”. “O A.A. que esconde sua identidade perante os companheiros Aas com o emprego de um nome suposto, viola a Tradição tanto quanto o AA que permite que seu nome apareça na imprensa em conexão com assuntos pertencentes a A.A.”. “O primeiro esta mantendo seu anonimato acima do nível da imprensa, do radio e de filmes, o último está mantendo seu anonimato abaixo do nível da imprensa, do radio e de filmes – enquanto a Tradição estabelece que devemos manter nosso anonimato no nível da imprensa, do radio e de filmes”. (O Dr. Bob e os Bons Veteranos, p. 271/7/1-272).
Pergunta. –
O que devo fazer se vejo uma personalidade de renome em uma reunião, como por exemplo, um ator, uma atriz ou o Delegado da Polícia local.
Resposta. –
Como todos os demais, as personalidades públicas devem desfrutar da proteção do anonimato no grau que desejarem.
Pergunta. –
Vi num jornal um anúncio publicado por um Grupo de A.A. que dava o endereço de onde o Grupo se reunia e outras coisas. Vocês não deveriam entrar em contato com esse Grupo por ter quebrado o anonimato a nível público?
Resposta. –
Suponhamos que um alcoólico enfermo nunca tenha tido a boa sorte de conhecer um membro de A.A. Como essa pessoa nos poderia encontrar? Seria uma busca muito dura se o Grupo local acredita que também deve ser anônimo. Há que lembrar que a Decima Primeira Tradição trata do anonimato pessoal. Os alcoólicos não irão se sentir atraídos a A.A. se não sabem que existe… (As Doze Tradições Ilustradas).
Pergunta. –
Não me sinto envergonhado pelo meu alcoolismo e não me parece necessário guardar segredo do fato de ser membro de A.A. Ao contrário, acredito que minha história pode ajudar outras pessoas. Acredito que deva poder usar meu nome completo no meu livro (entrevista televisada, blog, sítio na Web, etc.), ao compartilhar minha experiência em A.A. Por que isso causaria problemas a outra pessoa?
Resposta. –
Revelar publicamente ser membro de A.A. em qualquer médio acessível pelo público é considerado uma violação da Tradição de Anonimato de A.A. Em um artigo publicado em “O melhor da Grapevine”, Bill W. diz: “Os velhos arquivos da Sede de A.A. contém dúzias de experiências de rupturas de anonimato parecidas. A maior parte delas nos ensinam as mesmas lições. Nos ensinam que nós, os alcoólicos, somo os maiores racionalizadores do mundo; que, fortalecidos pelo pretexto de fazer boas ações para A.A., quebrando nosso anonimato, podemos recomeçar nossa velha busca desastrosa pelo poder e prestígio pessoais, das honrarias e do dinheiro: os mesmos impulsos implicáveis que anteriormente, ao serem frustrados,
nos fizeram beber…”
Pergunta. –
Por que dizemos que “o anonimato é a base espiritual de todas as nossas Tradições?”.
Resposta. –
“… Essas experiências nos ensinaram que o anonimato é a verdadeira humildade em ação. Trata-se de uma qualidade espiritual na vida de A.A. envolvendo tudo, em todo lugar, hoje em dia. Movidos pelo espirito do anonimato, tentamos deixar de lado os nossos desejos naturais de ganhar distinções pessoais como membros de A.A., tanto entre os nossos companheiros como entre o público em geral. Ao colocarmos de lado essas aspirações muito humanas, acreditamos que cada um de nós toma parte da confecção de um manto protetor que cobre toda a nossa Irmandade e sob o qual nos é dado crescer e trabalhar em conjunto”. (Os Doze Passos e as Doze Tradições, p. 170/3/1)

5.10. Reflexões sobre o anonimato
Box 4-5-9, Ago. Set./1988 (pág. 1 a 3) =>http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_aug-sept88.pdf
Título original: “¿Ha pensado recientemente en el anonimato?”
Uma recente onda de rupturas de anonimato levou à formação de um subcomitê especial do Comitê de Informação Pública dos Custódio. A este comitê foi-lhe designada uma tarefa interessante e um tanto curiosa. Como disse um membro do novo grupo na sua primeira reunião: “estaremos procurando um
meio para lembrar aos alcoólicos de todos os lugares, algo que a maioria de nós já sabe – mas do qual raramente falamos, ou seja, que, para os alcoólicos sóbrios, a prática do anonimato deveria ser tão agradável e emocionante quanto a própria sobriedade”Tendo iniciado os trabalhos em abril do presente ano (1988), os dez homens e mulheres do subcomitê estão estudando as diversas maneiras em que se quebra o anonimato, assim como os possíveis meios através dos quais essas quebras, tanto as intencionais – se as houver, como as não intencionais – como parece ser a maioria delas, podem ser evitadas. Além do mais, diferentemente da maior parte dos esforços acordados que no passado focavam o anonimato, esta campanha não está dirigida aos meios de comunicação nem a nenhum indivíduo ou grupo fora da Irmandade, mas, unicamente aos membros de A.A. Desta vez, a proposta a de considerar com carinho o presente brilhante do anonimato, e de solicitar a ajuda dos AAs de todos os lugares, para que perdure a proteção de sua promessa, seu prazer e seu poder. Ao abordar o problema, alguns membros do comitê se lembraram de ocasiões em que seu próprio anonimato poderia ter sido quebrado, ou quase. Conseguiram mantê-lo porque perceberam de repente o que estavam fazendo, ou o que estavam a ponto de fazer.
Um membro, por exemplo, falou da sua associação com uma universidade onde, como alcoólico e membro de A.A., servia como membro de uma junta consultiva que tinha planejado um novo curso que iria fazer parte do programa de estudos da instituição – o estudo e o tratamento do alcoolismo.
“Depois de aprovado o curso”,disse este membro do comitê, “seria publicado um panfleto a respeito do mesmo onde iria constar meu nome como membro da junta consultiva. Uma funcionária da universidade me telefonou querendo saber quais eram minhas credenciais – por suposto, minha credencial profissional.
Infelizmente, nessa mesma semana perdi meu posto; entretanto, para atender à funcionária, assim como à universidade, dei como subsidio minhas ‘credenciais’ em A.A. – coordenador de tal comitê ou tal junta, etc., o qual nos pareceu satisfatório tanto à universidade como a mim próprio. Passados alguns minutos após desligar o telefone, tive a estranha sensação de que havia alguma coisa inadequada naquilo que tinha feito. De repente, ‘a ficha caiu’… Telefonei à funcionaria e lhe disse que não poderia utilizar as credenciais que lhe tinha dado, uma vez que ao fazê-lo estaria quebrando meu anonimato diante do público. Não havia inconveniente algum em que ela soubesse minha afiliação a Alcoólicos Anônimos;mas, esta afiliação não deveria aparecer num panfleto disponível ao público. Sua resposta foi: ‘sabia que me ligaria prontamente. Essas credenciais de A.A. tampouco me pareceram indicadas’”. Uma lição que pode ser extraída desta anedota é que se não temos sempre presente a ideia, o propósito e o valor do anonimato, qualquer um de nós pode, inadvertidamente, quebrar seu anonimato. Entre outras experiências compartilhadas na sala, foi contada uma bastante curiosa que tinha
a ver com um artigo a respeito das mulheres e o alcoolismo publicado na revista Family Circle. O Escritório de Serviços Gerais – ESG tinha pedido ao membro em questão para participar de uma entrevista e documentar o artigo, e ela consentiu com prazer. “De fato”,disse, “estava pessoalmente
encantada por ter sido escolhida para essa importante tarefa”. De acordo com a companheira, o escritor, por respeito ao seu anonimato pessoal, lhe deu outro nome e idade e mudou todas as informações pessoais, de tal maneira que, quando apareceu o artigo “tinha outro nome – Ruth, uma idade diferente – 53 anos, e um tempo de sobriedade um pouco mais curto que o verdadeiro. Na realidade, todo o que se referia a mim tinha mudado, com
exceção da minha história de desespero e libertação que foi apresentada com todo detalhe e fidelidade”. Agora vem o curioso desta experiência: “Pouco tempo depois da publicação do artigo, uma mulher que já me tinha ouvido falar várias vezes, me chamou e, a pesar de todas as mudanças dos
dados específicos, perguntou-me ‘é sua a história que aparece na revistaFamily Circle? ’. Ela soube quem tinha sido entrevistada. Passado um mês, chegou uma carta ao ESG encaminhada à minha atenção. Vinha de uma mulher canadense e na carta dizia que seu nome também era Ruth e que também tinha 53 anos e queria agradecer à tal Ruth da história publicada na Family Circle porque tinha recebido tanta inspiração que agora tinha o que descreveu como‘três belíssimas semanas de sobriedade’”. Depois surgiu o poderoso significado deste breve relato: “Obviamente, o verdadeiramente importante da minha história manifestou-se sem envolver meu ego nem meu nome pessoal. Ajudei outra pessoa e mantive meu anonimato. Entretanto, foi uma felicidade que quase estraguei porque estive planejando responder pessoalmente à mulher; recomendaram-me que não o fizesse. Recomendação acertada!”. “Entretanto”, o membro do comitê disse concluindo “ainda sinto uma grande satisfação toda vez que lembro que um artigo a respeito de mim própria – mas que não expunha minha identidade, atraiu atenção e teve efeitos positivos. E cada a cada vez que me lembro volto a sentir a
alegria misteriosa, mas poderosa, do anonimato” Alguns outros membros do subcomitê tinham histórias interessantes para contar, todas relacionadas com o fato de ter revelado a outra pessoa o fato de serem alcoólicos ou membros de A.A. Um deles, seguindo a recomendação de um companheiro de A.A., advertiu seu dentista que, por ser alcoólico, não poderia tomar determinado medicamento sem correr perigo. A única resposta do dentista foi a de insistir no pagamento integral antes de continuar com o tratamento. (Fica claro que, embora tenha comunicado o aviso apropriado, este acabou sendo distorcido por quem o recebeu). Outro membro do subcomitê relatou uma situação parecida onde houve uma resposta diferente. Seu chefe imediato na empresa em que trabalhava sabia desde o início que ele era membro de A.A. e que era tão atuante no serviço de A.A. que em determinados dias não podia fazer horas extras. Mais tarde, quando surgiu um problema alcoólico com um alto executivo da companhia, esse chefe pediu, e prontamente recebeu permissão, para dizer ao presidente que a ajuda de A.A. encontrava-se à disposição na empresa mesmo. Depois de se entrevistar com o presidente, o chefe voltou para informar a resposta daquele alto executivo à noticia de que havia entre os funcionários um membro de A.A. Era (e o citou diretamente) “Eu sabia que esse tipo tinha algo de especial”. Certamente, alguns de nós revelamos a outras pessoas que tínhamos feito algo a respeito do nosso alcoolismo sem precisar dizer palavra alguma.Simplesmente se percebe. Assim foi com um membro do subcomitê que relatou uma comovente história que tinha começado com uma chamada feita pelo porteiro do deu edifício através do interfone do seu apartamento. O membro em questão morava no prédio desde cinco anos antes de ingressar em A.A. e agora contava cinco anos de sobriedade. Falando pelo interfone, o porteiro disse com alguma hesitação: “Não sei precisamente como lhe dizer, mas, parece ue faz alguns anos o senhor tinha um problema que agora não tem. Espero que não se sinta ofendido se lhe perguntasse se tenho razão, e se a tenho, me permitiria que lhe perguntasse o que fez a respeito daquele problema? Temos um funcionário no prédio que tem um problema e talvez o senhor possa ajuda-lo”. O seguinte e feliz episódio desta história diz que, é claro, que tinha o problema obteve ajuda; e o feliz resultado, pelo menos até a data, conta como agora aquele funcionário, depois de uns quantos anos ainda está sóbrio e é um membro dedicado de A.A. Tão significativo quanto este, é outro aspecto da história. O anonimato deste membro de A.A. não foi quebrado nem sequer a nível pessoal, pelas suas palavras, mas, simplesmente por estar sóbrio. Foi a mudança de comportamento e da sua aparência que o “denunciaram”. Este é o caso de um membro que leva a mensagem sendo a mensagem, sem dizer uma palavra a respeito dele. Não fez nada até que lhe foi pedida ajuda. Na medida em que continuava a discussão, outro membro do subcomitê explicou como, em algumas situações de trabalho, a quebra do anonimato pode causar problemas graves. Este alcoólico, um produtor de televisão, ofereceu-se para documentar um programa proposto a respeito do alcoolismo e a adição às drogas. Ao apresentar quase sem demora material suficiente parta uma dúzia de episódios, o chefe da produção perguntou-lhe como se havia tornado erudito com tanta rapidez, e ele respondeu um pouco relutante, que era membro de A.A. “Formidável!”,respondeu o chefe. “Assim, podemos focar o assunto desde dentro”. Embora a proposta preocupasse o membro, podia racionalizá-lo – e ao que parece, com bastante razão, pensando que as
precauções que se referem à quebra do anonimato ao nível da imprensa, da rádio, da televisão e do cinema, apenas têm a ver com, por
exemplo, aparecer na televisão, não trabalhar na mesma. E o seu trabalho era simplesmente redigir o roteiro, indicar os participantes convidados, etc.; ele não iria aparecer na tela. Entretanto, conforme ia realizando sua tarefa percebeu que não podia ser objetivo enquanto à matéria. Por exemplo, não podia tolerar opiniões a respeito de A.A. e o alcoolismo que diferiam das suas e da experiência de outros membros do programa. Isto levou a argumentações acaloradas, por vezes desagradáveis, e, sem duvida improdutivos como chefe da produção. Para resolver o problema, foi necessário encomendar o projeto a outro produtor, uma pessoa que nunca tinha trabalhado em um programa a respeito do alcoolismo e que sabia muito pouco a respeito da doença.
Entretanto, conforme lembra o membro de A.A., o novo produtor era um profissional muito competente, que aprendeu rapidamente, e o programa acabou tendo muito sucesso. “Um exemplo de reportagem televisiva de primeira categoria que ajudou muitas pessoas”.
Ao que acrescentou, “Eu não poderia tê-lo feito melhor”. Atualmente, este membro ainda é produtor, mas já não se mete na corrente principal da
preparação e produção de programas a respeito do alcoolismo. Cada vez mais colegas de trabalho sabem que é membro de A.A., porém oferece suas opiniões ou sugestões apena se lhe forem pedidas. “Já não trato de fazer reportagens objetivas a respeito de Alcoólicos Anônimos. Consegui perceber com clareza que não há maneira de ser objetivo quando se trata de algo que salvou a minha vida”. É possível que os membros do subcomitê, pelo fato de haverem tido experiências no anonimato muito diferentes umas das outras, tenham uma ampla variedade de opiniões sobre como se dirigir à Irmandade com referencia a esse assunto. Entretanto, um ponto que o subcomitê esta de acordo por unanimidade é que a nível de Grupo – o nível mais importante dentro de A.A., parece que se dedica pouco tempo e pouca discussão ao anonimato e à sua importância tanto para o programa como para os membros individuais. Assim, o plano inicial do subcomitê será o de procurar e colocar em pratica algumas formas de provocar “um pequeno renascimento do entusiasmo”a respeito do anonimato, e baseados nisso ampliar os esforços. Para começar, o subcomitê espera poder recolher uma pequena “biblioteca” de histórias,
contadas por membros, que tratem das suas experiências de anonimato: as quebras que por pouco não aconteceram; as não intencionais tanto a nível pessoal como ao nível público, e as consequências destas revelações. Espera-se também obter histórias daqueles que descobriram os benefícios do anonimato, a verdadeira alegria que vem de passar a mensagem de uma maneira serena e discreta, e a grande satisfação que sempre segue ao ato de dar sem esperar nada em troca, nem sequer o reconhecimento. Tem alguma história para contar a respeito do anonimato? Uma experiência pessoal a esse respeito que queira compartilhar? Escreva a: Subcommittee on Anonymity, Box 459, Grand Central Station, New York, NY 10163. Os membros do comitê aguardam suas noticias. Precisamos da sua ajuda. E parece que o anonimato também.