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A ORAÇÃO DA SERENIDADE E A RECUPERAÇÃO EM ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

A ORAÇÃO DA SERENIDADE E A RECUPERAÇÃO EM ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

CICLO DE LITERATURA
Área 1 – Setor 5 – Distrito 29
OS DOZE PASSOS
Dias 3 a 5 de outubro de 2014
Na cidade do Rio de Janeiro

Dr. Lais Marques da Silva, ex-Custódio e Presidente da JUNAAB

Depoimentos, feitos por membros de A.A. em reuniões de grupos, frequentemente mostram que os alcoólicos na ativa procuravam ter controle absoluto sobre os seus sentimentos e sobre o seu ambiente. Na chamada “fase ativa”, bebiam para relaxar, para ficar “altos”, para ficar espirituosos, para abrandar a dor – para controlar. Mas, no mundo real, as coisas não são assim e a verdade é que o nosso ânimo depende, em boa medida, de situações e até de pessoas, e elas estão fora do nosso controle. Bebiam também para negar esta dependência.

Ao usar o álcool, procuravam negar a limitação da vontade e também a sua dependência e, aí, ela se tornava absoluta. Procuravam o controle ilimitado e a negação da dependência. Mas, existir como ser humano significa ser limitado e não há absolutos nem ilimitados no nosso humano poder.
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O A.A. mostra que somos tanto parcialmente dependentes como também capazes de ter algum grau de controle, que é, desse modo, apenas parcial. Mostra, também, que a verdade é que o ser humano está sempre ajoelhado, a meio caminho entre estar de pé e de estar deitado. Nem sobre pedestal, nem rastejando.

A Irmandade de A.A. sugere: “Levante-se com as suas pernas, pois você pode fazer algumas coisas, mas não todas as coisas”. O A.A., por outro lado, modera a tendência para a grandiosidade dizendo: “Ajoelhe-se, você pode fazer algumas coisas, mas não todas as coisas”.

Há um jogo de “pode” e “não pode” que é sintetizado, magistralmente, na Oração da Serenidade: ”Concedei-nos Senhor a Serenidade para aceitar as coisas que não podemos modificar (não pode), coragem para modificar aquelas que podemos (pode) e sabedoria para distinguir umas das outras”. ElA retrata a condição humana em relação ao “pode” e “não pode” e mostra o caminho para esse reconhecimento a partir do qual a paz e a serenidade de espírito podem ser alcançadas.

O alcoólico “na ativa” é uma pessoa que “tem” que beber, mas “não pode” beber. Mais tarde, ao longo da prática do programa de recuperação, o alcoólico percebe que não abre, propriamente, mão da “liberdade de beber” mas que ganha a “liberdade de não beber” e compreende que o alcoólico não é uma pessoa que “não pode beber” mas sim uma pessoa que “pode não beber”, que dispõe de um novo poder, o de não beber. É preciso aceitar o paradoxo para poder entender melhor a natureza humana e esse jogo do “pode” e “não pode”, que é de importância fundamental para se dar conta do nosso humano modo de ser e alcançar a serenidade. Assim, o alcoólico percebe e compreende toda a dimensão de grandeza contida na Oração da Serenidade.

A Oração da Serenidade é comumente atribuída ao teólogo protestante Reinhold Niebuhr que a apresentou nos anos 1940 e, segundo consta, o A.A., em suas reuniões, teria começado a usá-la no ano de 1942. O segredo do poder dessa oração está na sua linguagem humilde, nas suas lições simples e na sua história não particularmente romântica. É uma mensagem tanto pessoal quanto universal, tão fácil de entender quanto difícil de aplicar na prática. É uma oração simples, mas poderosa e útil, um guia para a integração espiritual, para o equilíbrio emocional, para nos relacionarmos com a nossa vida e ainda para alcançarmos algum grau de serenidade.
Até aqui, nos detivemos no primeiro tesouro da oração, que poderíamos chamar de “conhece a ti mesmo”, célebre dito de Sócrates. O filósofo não estava voltado para o fundamento da teoria das coisas (arké), mas sim para a nossa relação conosco mesmo, com os outros e com o mundo. Sócrates tomou as palavras do dito de uma inscrição, existente num templo na cidade de Delfos, na Grécia, para construir a sua filosofia. Ele não estava preocupado com as coisas: riqueza, fama e poder, mas com o caminho de acesso à verdade e aqui, não uma verdade qualquer, mas com a verdade que transforma o nosso próprio ser, ou seja, que promove a nossa auto transcendência. Vamos refletindo acerca do que é preciso mudar quanto a nossas ações e atitudes e de como podemos fazer para modificá-las. Isso é algo que podemos fazer sempre e, assim, vamos nos construindo gradativamente; como um artista constrói a sua obra de arte, vamos nos moldando e aperfeiçoando ao longo do caminho de recuperação. Nesse ponto, é oportuno lembrar outro pensamento muito importante na história da humanidade, esse de Píndaro, pensador e poeta grego: “Homem, torna-te o que tu és”.

O outro tesouro da oração está na busca da sabedoria necessária para distinguir as coisas porque, sem a sabedoria para distinguir a diferença entre as coisas que podemos modificar e as que não podemos, a oração não teria resultados práticos. O modo pelo qual aprendemos a ter sabedoria é aprendendo a praticar o discernimento. Ao discernir o suficiente para aceitar as coisas que não podemos mudar, tornamo-nos também capazes de mudar alguma coisa que está na nossa capacidade, ou seja, mudar a nossa atitude diante das coisas. Ao aprendermos a desistir de qualquer atitude de força, estamos identificando o que está nos levando a não aceitar a realidade, e chegamos a um nível de serenidade na vida que, às vezes, nos assusta, mas também assusta observar que a maioria das pessoas no mundo ainda não tem uma chave, um modo, para tornar as suas vidas mais fáceis e felizes, e essa inabilidade leva a conflitos de toda ordem. Fazer a Oração da Serenidade é um modo de criar paz no mundo, e ao nos dedicarmos à nossa recuperação individual, podemos curar também o mundo.

Nesse ponto, é indispensável que nos detenhamos no estudo do conceito da palavra discernir, assim, ela significa: 1-perceber, reconhecer 2-discriminar mentalmente, reconhecer coisas como separadas e diferentes 3- distinguir, discriminar 4-perceber características distintas ou peculiares, como entre centenas de cores 5- discriminar o certo do errado. O discernimento trata do aprender a separar a verdade, da mentira; a ilusão, da realidade; a fantasia, dos fatos; o impulso emocional, da orientação intuitiva; de ser vitimado, do sentir-se vítima. Trata de reconhecer a diferença entre uma pessoa que pode ser tida como de confiança daquela que nos trai.

O estudo do significado da palavra discernir é indispensável porque é a partir da prática do discernimento, exercido em relação aos fatos da vida, que fazemos a escolha entre o bem e o mau e essa escolha ocorre exatamente no momento que antecede as nossas ações sendo que é a partir desse discernimento e dessa escolha, que agimos, segundo critérios que entendemos necessários para a vida moral, a boa vida, a vida moralmente adequada. A liberdade de escolha é fundamental para o que entendemos como moral, que é um conjunto de costumes adotados a partir das escolhas que fazemos entre o bem e o mal, isto é, a partir de uma posição ética. A moral é um conjunto de regras de conduta consideradas válidas e a ética é o estudo da conduta do ponto de vista do bem e do mal, do que é bom e do que é ruim. Ao longo do processo de recuperação, os companheiros adotam um comportamento orientado a partir de uma posição ética e assim desenvolvem um comportamento moral, uma vida moralmente adequada. A partir de uma posição ética e da boa moral, o membro de A.A. passa a ter caráter, a ser uma pessoa de caráter, entendido este como o conjunto de qualidades de um indivíduo que lhe determinam a conduta e a concepção moral; ademais, os princípios, muito claros e bem definidos, dessa ética estão nos 36 Princípios de A.A.; e tudo isso é um verdadeiro milagre.

A prática do discernimento é necessária para aprendermos a confiar em nós mesmos e a nos amar. É necessária para sermos capazes de viver de modo maduro e adulto e também para que possamos ter a oportunidade de desenvolver relações sadias.

Quando dedicamos atenção excessiva às coisas que não podemos modificar, estamos gastando uma energia física, emocional e mental que poderíamos direcionar para outra direção. Aceitar que há coisas que não podemos modificar não nos torna acomodados, pois o fato de aceitar se constitui num ato de fé, pois que confiamos que Ele fará as coisas certas, se nos submetemos à Sua vontade. Fazemos então a escolha de deixar fluir e ter fé nos resultados.

Um dos maiores desafios está em imaginar como as nossas vidas poderiam ser diferentes do que são agora. Frequentemente os nossos hábitos, profundamente enraizados, são os nossos maiores inimigos, e identificá-los já representa ter percorrido a metade do caminho. Partindo do fato de que os hábitos ganham poder por meio da repetição, o foco real e a perspectiva de olhar para nós mesmos e para os nossos hábitos está em perguntar: “É dessa maneira que eu realmente desejo viver?”. Como estabelece a Oração da Serenidade, este ato de auto investigação não é nada menos do que um ato de coragem. E fica uma pergunta já feita por um grande escritor: “Se você deseja colocar as coisas nos lugares certos, você deveria começar por você ou pelos outros?”

Como estabelece a oração, devemos aceitar as adversidades, provações e sofrimentos como sendo o caminho para a paz. Cada pessoa se defronta com obstáculos no curso da sua vida e isso é natural. Não devemos olhar para esses obstáculos como representando um potencial de frustração ou falha, mas como oportunidades de crescimento e aprendizado, e então poderemos ir além, transcender as nossas circunstâncias.

A palavra rendição tem uma conotação negativa; nós a associamos com resignação, falha ou fraqueza. Mas a Oração da Serenidade rearruma a noção de rendição como sendo um ato de fé e de confiança. A sabedoria da oração reside em mudar uma vida de “e se eu?” sem fim por uma vida de confiança em poderes que estão além de nós mesmos.

Há algo de universal na calma celebração, no entender o nosso próprio potencial, no reconhecer os nossos limites e a nossa capacidade de transcender.

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COMO SE LIBERTAR DO ALCOOLISMO?

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 11 – JUL/AGO/SET 1989

COMO SE LIBERTAR DO ALCOOLISMO ?
Eduardo Mascarenhas

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Nos meados de 1984, o psicanalista Eduardo Mascarenhas publicava no jornal “Última Hora”, uma série de artigos sobre Alcoólicos Anônimos. Primeiro sobre a irmandade como instituição, depois sobre o programa oferecido por ela para aqueles que, reconhecendo ter o problema, poderiam aproveitar para resolvê-los. É o primeiro desses artigos sobre o programa de A.A. sugerido nos 12 Passos que transcrevemos agora, pois, decorridos mais de 5 anos, os nossos leitores, alguns pela primeira vez, terão oportunidade de ler como um profissional da saúde vê esta parte do programa de recuperação sugerido por
A.A.
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A experiência em todo o mundo, acumulada nos seus 49 anos de existência, durante os quais recuperou milhões de alcoólatras, trouxe ao A.A. a convicção de que só se liberta real e solidamente do álcool aquele que fizer uma profunda reformulação de sua personalidade. Pra alcançar esta reformulação cumpre percorrer aquilo que na tradição dos AAs ficou conhecido como os Doze Passos.
Claro, os 12 Passos são um guia, uma meta. Nenhum AA conseguiu atravessá-los completamente. Não se trata, pois, de virar santo ou se tornar perfeito. Trata-se, isso sim, de esforçar-se permanentemente para um aperfeiçoamento pessoal. OS 12 PASSOS SÃO UMA MANEIRA DIDÁTICA DE SE ALCANÇAR ESSE APERFEIÇOAMENTO. NÃO SÃO SAGRADAS ESCRITURAS, NEM PRETENDEM SER A PALAVRA DE DEUS.
Com todo respeito pelas tradições do A.A., vou me permitir descrevê-los com as MINHAS palavras, tal como eu os entendi. Tentarei descobrir neles uma coerência semelhante à coerência psicanalítica. Na realidade, bem que se poderia descrever Os 12 Passos do processo psicanalítico. Não seriam muito diferentes dos do A.A.
1º Passo – Superar o orgulho, a vaidade, o narcisismo e reconhecer que já não bebe só quando quer e o quanto quer.. Ao invés de dominar o álcool, é o álcool que já está dominando. Ano após ano, o equilíbrio de forças está pendendo mais para o copo do que para a mão. Não é mais a mão que procura o copo. É o copo que atrai a mão.
Outra coisa: chega de empulhação. Chega de desculpas do tipo, paro quando quero. Realmente até que se para quando se quer. Por um dia, uma semana, um mês, até por um ano. Só que depois se volta, e com força redobrada. Parodiando a frase de Oscar Wilde sobre o parar de fumar: “Parar de fumar é tão fácil, que já parei 10 vezes”.
Reconhecer que já está perdendo o domínio sobre o álcool (ou que já o perdeu há muito tempo) é, evidentemente, o primeiro passo para deixar de ser um biriteiro.
Por incrível que pareça, esse passo é dificílimo e o ego luta com todas as suas forças contra ele. Primeiro porque é angustiante, mesmo, se sentir perdendo o controle numa área de tão sérias consequências sobre a vida como um todo. Segundo, porque as pessoas insistem em considerar o alcoolismo não uma doença como outra qualquer, mas sim, uma fraqueza de caráter, uma falta de força de vontade, de autodomínio. Se muita gente já se humilha de ter uma doença indiscutivelmente física como o diabetes, por exemplo, imagina admitir uma doença que nem doença é considerada pela maioria, mas sim, falta de vergonha na cara. Realmente é difícil se admitir perdendo domínio sobre o álcool, pois o alcoolismo, infelizmente, ainda é um pesado estigma. Pau-d’água, degenerado, cachaceiro, desenfreado, bêbado, pessoa que vive no pileque, porrista, viciado, alcoólatra, pé-de-cana, vocês hão de convir, são expressões que adquiriram
cores claramente insultuosas.

2º Passo – Acreditar que exista um tratamento para o alcoolismo.
Não um tratamento, apenas químico, técnico, impessoal. ´mais fácil tomar uma B12 na veia, entregar o coração para uma cirurgia de ponte safena, a cabeça para um Vallium da vida, do que confiar numa pessoa, ou grupo de pessoas, para realizar um tratamento em que participe algum grau de ENTREGA PESSOAL.
É que a mentalidade contemporânea ou é crédula e cheia de crendices, a ponto de se entregar ao primeiro santo milagreiro que passar na sua frente e dele esperar milagres, ou é profundamente cientificista. No primeiro caso, a confiança é depositada num guru com forças extraterrestres, um ET da alma. No segundo, a confiança é depositada, na “Ciência”, com seus sacerdotes vestidos de branco, dando entrevistas ao Hélio Costa para o Fantástico. Por isso, os médicos, os cirurgiões, os neurologistas, inspiram alguma confiança. Não eles, enquanto pessoas, mas sim enquanto SACERDOTES DA TÉCNICA. Em ambos os casos – quer na fé infantil a um Deus todo poderoso e milagreiro, quer na fé, igualmente infantil nas parafernálias e engenhocas dos laboratórios americanos, cheios de tubos de ensaio, fios, ratos e computadores. Os seres humanos, com seus poderes pessoais, estão excluídos. Conclui-se daí que o difícil, mesmo, é gente
confiar em gente. Não em gurus divinizados, mas em gente mesmo.
As resistências ao A.A. passam por aí. Só que, imagino, devem ser maiores ainda. É que, aos trancos e barrancos, a psicanálise infiltrou-se na cultura e o psicanalista acabou sendo reconhecido como um “seme sacerdote da Ciência”. Hoje é até chique fazer psicanálise. Os AAs porque são gratuitos e porque suas sessões não são dirigidas por “doutores”, têm mais cheiro de povo e menos perfume de elites iluminadas. Não exalam, assim o discreto charme da pequena burguesia artística e intelectual.
Além disso, o anonimato de seus líderes não possibilita que se tornem celebridades a serem adoradas, entrevistadas pela televisão e pela imprensa. O fato de sua origem norte-americana – e não europeia – colabora, ainda, para uma certa perda de prestígio, do tipo aristocrático. Enquanto a psicanálise possui Freud, de Viena; Jung, de Zurich; Lacan, de Paris; os AAs possuem como fundadores, Bill e Bob, de Ohio…
Como nossa sociedade é profundamente elitista, tudo isso conta. Também o fato de, nas sessões de A.A. se reunirem pessoas de diversas camadas sociais. O elitismo não gosta disso. As pessoas de classe social mais alta, dominadas pelo elitismo, tendem a desprezar esse tipo de reunião. O pior é que sem nem saber do que se trata. Imaginam, logo, mendigos cachaceiros, de pés inchados, entoando músicas evangélicas. As pessoas de classe social mais baixa, também dominadas pelo elitismo, tendem a se intimidar com esse tipo de encontro por motivos simetricamente opostos. Imaginam que estarão na Academia de Letras, tendo de fazer discursos. “Eu, abrir meu coração pra cachaceiro?”, diz o doutor, dominado pelo “Scotch”; “Eu, ter que falar diante de doutor?”, diz o cidadão proveniente das camadas populares, dominado pela cachaça. E tome resistência. E tome mais pileques ainda…
Em suma, o segundo passo para se livrar do alcoolismo é recuperar a crença e a esperança de que existe algo que possa ser feito. Uma força superior à vontade, capaz de enfrentar a essa outra força superior à vontade, que é o alcoolismo.

Vivência nº 11, de JUL/ SET de 1989,

copiado do jornal “Última Hora” de 30/05/84.

PRECISO CONHECER OS CONCEITOS?

PRECISO CONHECER OS CONCEITOS?

” TRADUZEM os “DOZE CONCEITOS PARA SERVIÇOS MUNDIAIS”,UM número de Princípios que se tornaram tradicionais nos nossos serviços .São uma Interpretação da estrutura de serviços mundiais de A.A.,que mostram a evolução
pela qual eles chegaram á sua forma atual .EM Síntese ,pretendem os Conceitos registrar o ” porquê” da nossa estrutura de tal maneira que a valiosa Experiência
do Passado e as lições tiradas dessa Experiência Nunca devam ser esquecidas ou perdidas”

” Os Conceitos tentam apresentar uma Estrutura na qual todos possam trabalhar em prol de bons resultados com o mínimo de atritos .”
” CADA Conceito é um grupo de Princípios relacionados ,que se inicia dando aos Grupos De A.A. a Responsabilidade Final e a Autoridade Suprema pelos nossos Serviços Mundiais ,consubstanciadas pelas Razões centralizadas na SEGUNDA TRADIÇÂO .”

” Para conseguir a ação eficiente , os Grupos precisam delegar uma Autoridade operacional ,escolhendo que tenham plenos poderes para falar por e atuar por eles , onde a CONSCIÊNCIA de Grupo possa ser ouvida .È onde identificamos o Princípio da ampla Autoridade e Responsabilidade delegadas aos “servidores de Confiança”, respeitando-se a clara Tradição Dois DE A.A. transferindo-se para a Conferência de Serviços Gerais De A.A. .,a Verdadeira voz ativa e a Consciência efetiva de toda a nossa Irmandade “.
“Para que em todos os níveis possa haver um Equilíbrio contínuo no relacionamento perfeito entre a Autoridade Suprema e a Responsabilidade delegada , atitudes teriam que ser definidas . O ” Direito de DECISÂO “dá aos nossos Líderes de Serviço uma discrição adequada e Liberdade de Ação , competindo-lhes dentro do Sistema dos seus Deveres e Responsabilidades , a ação de como eles podem interpretar e aplicar a sua própria autoridade e responsabilidade para cada problema ou situação em particular , conforme elas aparecem .Essa espécie de Liderança moderada deveria ser a essência do ” DIREITO de DECISÃO”.
” Todos nós desejamos profundamente tomar parte . “Queremos um relacionamento de A.A. em SOCIEDADE IRMANADA ..” È o nosso ideal mais importante , que a união espiritual de A.A.nunca inclua membros Considerados de Segunda Classe”
” O Direito de Participação é um corretivo a autoridade Suprema , porque atenua as suas asperezas ou o seu mau emprego .” O Direito de Participação dá a cada servidor o direito de Voto de acordo com a sua Responsabilidade .e a Participação garante além do mais que cada junta de serviço ou Comitê tenha sempre a posse de diversos elementos e pessoas com talento e que assegurarão um funcionamento eficiente”.
” Os Direitos de Apelação ” e de “PETIÇÂO “, certamente , têm em
vista o problema total da proteção e melhor aplicação possível dos sentimentos e da Opinião das minorias “.Protege e encoraja a Opinião da Minoria e dá certeza
que as queixas podem ser ouvidas e tratadas adequadamente .Acreditamos que
jamais estaremos sujeitos à Tirania ,seja das MAIORIAS ou DAS MINORIAS ,
desde que cuidadosamente definamos o Relacionamento entre elas.”

” O maior perigo da Democracia sempre será a ” Tirania “de uma Maioria apática ,egoísta ,não Informada ou mal Humorada .Acreditamos que o espírito da Democracia sempre sobreviverá na nossa Irmandade e na Estrutura de nossos
Serviços , a despeito dos contra-ataques que serão desfechados . Felizmente, não estamos obrigados a manter uma administração que obrigue obediências e imponha Punições .Precisamos apenas manter no Alto nossas Tradições , que constitua e exerça as nossas diretrizes nelas contidas, de maneira a levar continuamente a nossa Mensagem àqueles que sofrem.”
” São os custódios que garantem a boa administração da Junta de
Serviços Gerais,tendo Liberdade e de Ação na ausência da Conferência . Deles é esperada uma Liderança da formulação política de A.A.e sua adequada execução .Eles são os guardiões ativos das nossas DOZE TRADIÇÔES .Eles devem funcionar quase exatamente como os Diretores de qualquer organização de Negócios .”
” Eles precisam ter ampla autoridade para realmente administrar e
conduzir os negócios de A.A.simultaneamente compreendendo que a
CONFERÊNCIA é o verdadeiro Reduto da Suprema Autoridade Sobre Serviço ,
por que dessa maneira como Regra geral ,sejam os assuntos sérios sempre resolvidos dentro de uma cooperação harmoniosa e feliz
” A unificação da Estrutura de Serviços no Brasil deveria ser reavaliada á Luz do Conceito VIII e esperamos que neste ciclo o assunto possa ser abordado com precisão ,esclarecimento e impessoalidade , onde as experiências contidas neste Conceito possam se com as experiências já vivenciadas neste curto espaço de Unificação Dos órgãos de Serviço no BRASIL.” POR outro lado também esperamos que a liderança em A.A. seja um tema apresentado sem distorções e com exemplos de como se tornar ou alcançar esta necessidade Vital Dentro de A.A.”.

“O entendimento mais aprofundado sobre a SEGUNDA TRADIÇÂO poderá nos trazer uma melhor compreensão quando tratarmos das responsabilidades de serviço em A.A. com a sua correspondente autoridade de serviço equivalente , quando tratarmos do DÈCIMO CONCEITO” . PORTANTO ,que em todos os Níveis possamos identificar esta correspondência e assim nossos Grupos sejam melhor informados.”
” Necessitamos repassar minuciosamente aos grupos a essência e a praticidade do CONCEITO XI,Principalmente sobre que consiste nossa estrutura subordinada de Serviço e sua composição e atribuições á nível de JUNTA”.
” Questionamento SOBRE o que é a ATA de Constituição da CONFERÊNCIA ,SOBRE o conteúdo do ART.12 da ata da Constituição ou sobre as Garantias GERAIS DA CONFERÊNCIA acontecerão no decorrer deste grandioso evento.”
” Precisamos ,prezados companheiros[as]estar de mentes e corações abertos e espíritos desarmados para assim alcançarmos mais um pouco além ,daquilo que conhecíamos quando aqui chegamos”
” a aplicabilidade no dia a dia em nossos grupos ,dos Princípios
contidos nos ” DOZE CONCEITOS para SERVIÇOS MUNDIAIS” , dignificará
mais e mais o membro , o GRUPO e a nossa gloriosa IRMANDADE .

Visconde do rio branco 01/04/07 3º legado-serviço – 12 conceitos
Cumprimenta –apresentação -identificação-agradecimento

-bom, penso que falar de tradições e passos seja fácil , fazê-los já e mais difícil já com o serviço ocorre o contrario e muito mais fácil executar do que explicá-lo e é nessa linha de raciocínio que penso que surgiu nosso terceiro legado e conseqüentemente a maioridade de A. A. e sua expansão pois Bill não falava muito sobre os serviços era quase um segredo dele Dr. bob e poucos AAS(l.c. pag. 147)

Falar dos três legados de forma separada também e outra dificuldade uma vez que um esta dentro do outro pois para respeitar as tradições requer a humildade conseguida através dos passos esse e o problema atual de A. A. com relação a unidade pois pra se fazer unidade e preciso ter recuperação e pra se recuperar precisa de ter unidade (a maioria compreende q não consegue se recuperar a menos que exista um grupo) e o serviço esta dentro dos Passos (12º) e nas tradições (5ª) e também em conseqüência precisamos ter recuperação e unidade para harmonicamente realizar o serviço

Mas o que é o 3º legado?
O 12º passo é o serviço básico de A. A., é o nosso principal objetivo e a razão primordial de nossa existência e pode se dizer do nosso futuro por isso dizemos ação é a palavra mágica a ação para levar a mensagem é o coração de AA (O QUE FAZEMOS PARA A MAO DE AA ESTAR ALI NAQUELE MOMENTO onde quer um seja onde for. . .)

-existe muita confusão sobre o que é o serviço ou esta ação, é muito simples serviço é tudo aquilo que fazemos pra alcançar aquele que ainda sofre o maior de todos é o chamado do 12º passo mais eles vão desde a xícara de café que tomamos acompanhando outros, ate a junta em São Paulo e o GSO em Ney York a soma de todos esses serviços ou ações e nosso terceiro legado . por isso o espaço aqui será pouco pra abrangermos tudo precisa de um evento só pra falar do terceiro legado mas isso depois de entendermos os passos e as tradições primeiro?

Muitos acham que os serviços devem ser simplificados porem se fizermos isso muitas vezes ocorrera o contrario estaremos complicando e tornando AA uma anarquia disforme confusa e irresponsável .esses serviços requerem sacrifício(trabalho santo) tempo e dinheiro (muitos não querem nem ir as reuniões)

No inicio de A. A. as reuniões eram na casa do Dr. bob que custeava o café como foi aumentando mudaram pra a casa dos Williams que compraram cadeiras e não cobravam nada por estarmos ali desgastando sua casa, ainda hoje temos companheiros que pensam em voltar para as casas uns dos outros . com o aumento das reuniões passaram a ser nos hotéis o que requereu o inicio das coletas das contribuições voluntárias que precisou que o grupo elegesse ou escolhesse um tesoureiro um secretario um coordenador enfim um comitê de serviço para executar esse 3º legado (e tem uns que acham que só executamos 3º legado fora do grupo)e a medida que fomos expandido ignorando os gritos de mantenha o simples criamos um escritório e uma secretaria não A. A. para executar o serviço

Nascendo a estrutura para atuar pelos grupos foi criada em 38 a fundação do alcoólico e a junta de custódios com 5 membros 3 não alcoólicos Rick Richardson – Frank amos e Leonard Strong os dois alcoólicos eram Dr. bob e outro de Ney York que voltou a beber e foi substituído . com o livro de A. A. nascendo foi criada a nossa editora. depois a junta de custódios e Bill escreveram as doze tradições enquanto isso a irmandade atingia terras estrangeiras e começaram as traduções da literatura . em 1944 membros de N.Y. criaram a Grapevine depois a entregaram a fundação do alcoólico e começamos a ter empregados remunerados e membros voluntários trabalhando integralmente.
A sede e a fundação diagnosticaram os problemas dos grupos o que de novo debaixo dos gritos mantenha o simples resultou na confirmação das tradições . graças a criação da junta de custódios foi possível lidar com os problemas de doações de fora de quebra de anonimato .
Com a doença do Dr. Bob em 47 começou a se pensar num conselho consultivo para a junta de custódios uma vez que essa era desconhecida pelos membros de A. A. exceto Bill e bob e uns poucos, com eles sumindo de cena como os grupos de A. A. poderiam contribuir com uma junta desconhecida por eles . sobre muitos protestos e marcando a ultima decisão que Bill e bob tomariam juntos foi aceito a criação da conferencia de serviços gerais e surgiu após muitos discursos a escolha dos delegados pelo método do 3º legado e foi publicado um folheto chamado “ o 3º legado” ainda não tínhamos os 12 conceitos ; em abril de 51 reuniu-se a 1ª conferencia em 53 foi escrito o livro 12 x 12 explicando os 24 Princípios de A. A. revisado por Jack Alexander sem os conceitos o guia para os serviços era a ata de constituição da conferencia o folheto ( e a pag. 197 do A. A. atinge a m e pag. 124)

Como A. A. crescia já tinha muitos grupos tínhamos a junta de serviço a conferencia a editora o escritório a revista por isso surgiu confusão entre eles afinal qual era a relação entre eles? Quem mandaria em quem? Quais as responsabilidades e os direitos de cada um? Assim Bill viu a necessidade de colocar no papel seus conceitos do porque da estrutura toda por isso o único livro que tem a nota pessoal “ por Bill W, “. os conceitos 3-5- e 12 tratam de princípios espirituais os outros tem nuances espirituais mas são voltados a descrever as relações entre os órgãos de serviço e como funcionam um com os outros vou ver se tem tempo pra explicar resumidamente cada um:

O 1º conceito é o seguinte: vejam vocês como os grupos iam a Bill e Bob buscar conselhos e os custódios da mesma forma pois eram desconhecidos pelos grupos a quem prestavam serviço (ou seja o patrão) através deste conceito Bill vendo que o Dr. Bob já estava a beira da morte debaixo de muitos protestos de mantenha o simples criou a conferencia e foi criada a estrutura de ponta cabeça cuja raiz é nossa 2ª tradição .
Em nossa literatura tem vários trechos que dizem o que e nossa irmandade e servem para vermos como estamos longe as vezes de alcançar isso nesse conceito diz que AA É UMA SOCIEDADE espiritualizada com suficiente amor pelos homens e por deus.

O conceito 2 = fala da delegação dada a conferencia para ser a voz e a consciência efetiva de AA. Os grupos não podem controlar os múltiplos serviços de A. A. e uma vez que os fundos necessários para os serviços estão com a junta então os grupos delegam a autoridade operacional e permiti assim a junta a falar por eles e a atuar por eles e o processo ocorre em cadeia pois o grupo Delega o seu RSG a falar por ele no distrito que delega o mcd a representá-lo no setor e assim sucessivamente ate chegarmos a assembléia . é como uma empresa alias os conceitos tem sua origem nos rotares clubes americanos e no programa de qualidade total nascido nos estados unidos na década de 50 recusado pelos americanos adotados pelos japoneses que tornaram uma potencia mundial pós guerra e que chegou ao Brasil na década de 90 e em 94 na nossa região . então numa empresa o patrão ( no caso os grupos de A. A.) delega ao gerente que delega os encarregados dos setores e assim por diante . o proprietário ou o patrão não pode querer fazer tudo ele precisa delegar autoridade e responsabilidade . um exemplo foi o Dr. Bob que delegou ao Bill a responsabilidade de criar os serviços uma vez que Bill estava em Ney York lá estava também aqueles que mais tarde doariam os fundos que A. A. necessitava nos primeiros dez anos . no programa de qualidade total a delegação é o sétimo dos dez princípios da qualidade o importante é saber o que e para quem delegar . a palavra delegar significa dar a alguém a faculdade de agir em seu nome – transmitir – encarregar – incumbir

O CONCEITO III assegura a nossa liderança de que cada um dos elementos dos serviços um tradicional “Direito de Decisão”.agora cabe a eles decidirem quais os problemas que eles mesmos resolverão e saber quais assuntos eles deverão informar, consultar ou pedir instruções específicas. Sabemos que um servidor “instruído” que não pode agir por sua própria consciência num voto final da Conferência ou de uma assembléia qualquer não é de maneira alguma um servidor de confiança, ele é somente um mensageiro. Eles podem ignorar tais instruções, sempre que acreditarem ser desejável. Como os Custódios podem empregar e despedir, pois a sua autoridade é final. Os grupos também podem destituir os servidores que abusarem desse direito de decisão
Lembramos que eles são “servidores de confiança”. devemos confiar a decisão aos nossos líderes responsáveis, dentro do sistema dos seus deveres e responsabilidades,
Haverá sempre autoridade suprema suficiente para corrigir qualquer ineficiência, deficiência ou abuso. Se a Conferência não estiver funcionando bem, os Grupos podem mandar Delegados melhores. Se os Custódios saírem muito da linha, a Conferência pode censurá-los ou mesmo reorganizá-los. Se os serviços da Sede estiverem desorganizados, os Custódios podem eleger novos diretores e empregar melhores ajudantes. Esses remédios são amplos e diretos. Mas enquanto os nossos serviços mundiais estiverem funcionando bem – e deve haver sempre desculpas para erros ocasionais –, “Confiança” deve ser a nossa palavra do dia, senão acabaremos sem liderança.
Esse “Direito de Decisão” nunca poderia ser usado como desculpa por não apresentar relatórios . voltando a citar uma empresa como exemplo um responsável por almoxarifado não pode toda vez que chegar uma entrega consultar o dono da empresa onde ira colocar tal produto ele e quem decide porem se não manter esse almoxarifado arrumado poderá ser demitido pela autoridade suprema que e o patrão.

O CONCEITO IV DIZ QUE , deveríamos manter em todos os níveis de responsabilidade um tradicional “Direito de Participação”, tomando cuidado para que a cada setor ou grupo de nossos servidores gerais seja concedido um voto representativo em proporção correspondente à responsabilidade que cada um deve ter
Muitos membro equivocados já proclamaram esse conceito querendo defender seu direito de participar de AA isso e um equivoco porque o principio que garante que podemos participar de AA é a terceira tradição E A NONA TRADICAO
Esse principio quer dizer que os Custódios e os diretores da nossa corporação de serviço (A.A. World Services, Inc. e The A.A. Grapevine, Inc.), juntamente com os seus respectivos quadros de funcionários executivos, serão sempre membros votantes da própria Conferência de Serviços Gerais.ele cuida para que Nenhuma classe é colocada com absoluta autoridade sobre a outra. Em muitas organizações institucionais, militares e governamentais, pessoas ou grupos de pessoas são colocadas com absoluta autoridade, umas sobre as outras.em A. A. não E O FAMOSO EU MANDO E VOCE OBEDECE
Fala do direito de participar aqueles trabalhadores de quem relatórios ou conselhos possam ser solicitados, para que assistam a cada uma das reuniões trimestrais da Junta de Serviços Gerais.. Apesar de não votarem NESSAS REUNIÕES , esses trabalhadores podem e devem livremente participar dos debates.
. É o nosso ideal mais importante, que a união espiritual de A.A. nunca inclua membros considerados de “segunda classe”. Numa empresa quando se fizer uma reunião para decidir a colocação de uma maquina ou qualquer alteração em algum setor deve incluir nos debates pra tomar decisão os operários que serão afetados pela mudança a opinião deles será de extrema importância é isso que quer dizer nosso direito de participação.

Agora falaremos do conceito V que fala do “Direito de Apelação”, assim nos assegurando de que a opinião da minoria seja ouvida e de que as petições para a reparação de queixas pessoais sejam cuidadosamente consideradas.
Em AA, todas as minorias –deveriam ser encorajadas a apresentar relatórios da minoria, sempre que acharem que a maioria esteja incorrendo em algum erro considerável. E quando uma minoria considerar que um assunto é tão importante que uma decisão errada possa seriamente afetar A.A. como um todo, deveria encarregar a si mesma do verdadeiro dever de apresentar um relatório das minorias para a Conferência. , reconhecemos que as minorias podem às vezes estar certas; mesmo total ou parcialmente erradas, elas ainda prestam um valioso serviço quando requerem o “Direito de Apelação”, porque forçam um debate completo dos assuntos de importância. A bem ouvida minoria, é, portanto, a nossa principal proteção contra uma maioria desinformada, mal-informada, impetuosa ou irada.
O “Direito de Apelação permiti que qualquer pessoa apresente uma queixa pessoal, levando em mãos o seu protesto, caso assim o deseje, sem se sentir prejudicado ou temer represália.
. É também verdade que a Consciência de Grupo, durante um período de muito distúrbio, não é sempre o guia mais seguro, porque temporariamente tais distúrbios podem impedir o seu funcionamento de forma inteligente e eficiente. Portanto, quando a Consciência de Grupo não pode ou não deve atuar diretamente, quem deverá atuar no seu lugar? Os “servidores de confiança”.
Um ponto em AA que nos mostra o respeito a minoria e o método do terceiro legado praticado nas eleições onde se não tiver dois terços vai a sorteio após 5 votações. Dessa maneira, por sorteio, os candidatos da minoria têm a mesma chance que os da maioria.
Há um trecho nesse conceito que vale a pena colocar pra vocês onde diz um estudioso de política insiste em que o maior perigo da democracia sempre seria a “tirania” de uma maioria apática, egoísta, não informada ou mal-humorada. Outro ponto a favor da minoria e quando a ata da conferencia diz que toda decisão deve ter ampla discussão ate que todos sabem do que se tratam e sempre que possível as decisões sejam por ampla maioria substancial unanimidade

CONCEITO VI: Em benefício de A.A. como um todo, a nossa Conferência tem a responsabilidade de manter os nossos serviços e,, tem a decisão final . Mas a Conferência reconhece que a principal iniciativa e a responsabilidade ativa, na maioria desses assuntos, deveria ser exercida principalmente pelos Custódios, membros da Conferência, quando eles atuam entre si como Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos.

Exatamente como os Grupos de A.A. se acham incapazes de atuar decisivamente nos assuntos dos serviços mundiais, a não ser que deleguem considerável autoridade e responsabilidade ativas à sua Conferência, da mesma maneira a Conferência precisa delegar uma autoridade administrativa liberal para a Junta de Serviços Gerais, permitindo aos seus Custódios liberdade e eficiência de ação, na ausência da Conferência. ( a junta que executara o que for decidido na conferencia que ocorre uma vez por ano geralmente na semana santa)
Trata também da liberdade de ação para os Custódios, Precisaremos definir claramente os diversos tipos de habilidades profissionais e financeiras, sempre requisitados para um quadro equilibrado de Custódios. Somente procedendo dessa maneira, poderemos assegurar permanentemente a capacidade da Junta na liderança futura. E fala das ações desses custódios entre elas esta A RESPONSABILIDADE pelas relações públicas de A.A. no mundo inteiro. Deles é esperada uma liderança na formulação da política de A.A. e devem verificar a sua adequada execução. Eles são os guardiães ativos das nossas Doze Tradições. Os Custódios são os banqueiros de A.A. Eles são inteiramente responsáveis pela aplicação e uso dos nossos substanciais fundos de reserva.

CONCEITO VII

Diz que a A Conferência reconhece que a Ata de Constituição são instrumentos legais; que os Custódios têm plenos poderes para administrar e conduzir todos os assuntos dos serviços de Alcoólicos Anônimos.
Esse e mais complicado porque ele trata da relação da conferencia ou seja a irmandade sem organização da tradição 9 com a junta que e órgão legal portanto obrigado a cumprir a lei jurídica e fiscal
De um lado, vemos uma Junta de Custódios que é coberta de plenos poderes legais sobre os fundos e serviços de A.A., e de outro lado, vemos a Conferência com tão ampla influência tradicional e força financeira que pode, se necessário, passar por cima dos direitos legais da Junta de Custódios. Praticamente falando, pode dar aos Custódios, portanto, instruções e submissão a ela. quer dizer que o poder da Conferência será superior ao poder legal dos Custódios. Alguns grupos no Brasil principalmente no sul do rio começaram A SE REGISTRAREM E A CRIAREM ATE OS CHAMADOS REGIMENTOS INTERNOS QUE FICAM PRESOS A ELES MAIS DO QUE AS TRADIÇÕES E MUITOS DELES VAO ATE MESMO DE ENCONTRO AS MESMAS
O poder da Conferência . Deriva-se da grande maioria de Delegados escolhidos pelos Grupos para a Conferencia. apóia-se no indiscutível direito dos Delegados de negar o dinheiro para as operações da Junta de Serviços Gerais, isto é, as contribuições voluntárias dos próprios Grupos de A.A. Teoricamente, a Conferência é somente um corpo consultivo, mas na prática, dispõe de todos os direitos e poderes de que possa precisar.
ELE FALA TAMBEM QUE os nossos Custódios não têm interesses financeiros assalariados A., os Delegados se encontrariam com autoridade suprema sobre a nossa Junta de Serviços Gerais e sobre todas as suas unidades incorporadas de serviços mundiais ativos.
. Quem teria a última palavra? A Conferência ou os Custódios?
PRA CHEGAR EM UM ACORDO . Pensamos em incorporar a própria Conferência, colocando-a em direta autoridade legal sobre a Junta. todos os membros da Conferência teriam que ter posições legais. Teria sido então uma organização embaraçosa, , uma idéia que a própria Conferência repudiou mais tarde.
Tomou-se óbvio, então, que a escolha dos novos Custódios ainda deveria continuar sendo dos próprios Custódios, sujeita à aprovação da Conferência. , foi dado à Conferência o direito de rejeitar, mas não de eleger os novos candidatos a Custódios. {(1) As eleições de Custódios são agora realizadas durante a semana da Conferência, tanto para Custódios Regionais como para Custódios de Serviços Gerais, para que, à medida que a Conferência escolha os Custódios, o faça de acordo com o procedimento descrito no “Manual de Serviços”.}
FINALIZANDO ELE DA à Conferência uma suprema e final autoridade, E, preserva aos Custódios o direito de funcionar livre e adequadamente,
Até a presente data, nossa experiência mostra que esse balanço de poderes entre os Custódios e a Conferência dá bons resultados. Tomamos muito cuidado para reservar a autoridade final à Conferência por meios práticos e tradicionais. Por meios legais conferimos ampla autoridade funcional e discriminada para os Custódios. Acreditamos que esse balanço possa ser mantido para sempre, porque um é protegido por tradição e o outro pela lei.
os Custódios teriam o dever de vetar a ação da Conferência: se a Conferência instituir medidas reconhecidamente más ou mesmo violentas a ponto de ferir, na opinião dos Custódios, as relações públicas de A.A. ou A.A. como um todo, será então dever dos Custódios pedir uma reconsideração à Conferência. Na eventualidade da Conferência se recusar a reconsiderar, os Custódios poderão então utilizar o seu direito legal de veto. E se preferirem, os Custódios poderão submeter o assunto diretamente aos próprios Grupos de A.A.

vamos falar pouco sobre o oito porque o nove e um dos mais importantes deixemos tempo pra ele o CONCEITO VIII diz que Os Custódios atuam em duas atividades principais: (a) com relação aos assuntos de normas de procedimento e finanças em geral, eles são os planejadores e administradores. (b) com relação aos nossos serviços, ativos, os Custódios atuam apenas na supervisão e elegem todos os diretores das entidade separadas

a nossa Junta, , precisa dedicar-se aos maiores e mais sérios assuntos de normas de procedimento, finanças, relacionamentos dos Grupos, relações públicas e liderança. Os nossos Custódios, , não podem ficar sobrecarregados com uma quantidade enorme de assuntos de menor importância: na condução rotineira do ESG e das nossas empresas de publicações. Eles precisam delegar as suas funções executivas., a atuação deles nessas áreas não pode ser executiva. Eles desempenham as suas obrigações de custódia pela eleição dos diretores desses serviços, uma parte dos quais é necessariamente de Custódios.
, o presidente da nossa Junta nunca pode ser um executivo. Ele é, geralmente, um não-alcoólico e não disporia do tempo necessário. Nem poderia, como um Custódio, receber um salário pelo serviço requerido dele como executivo principal de todos os nossos serviços.
O conceito também diz que deveria ., cada entidade tendo o seu executivo separado. (Hoje em dia, cada corporação tem o seu capital de trabalho separado). Pois . Em qualquer lugar em que concentremos dinheiro, criaremos, inevitavelmente, uma tentação para os exercícios da autoridade executiva excessiva, uma condição indesejável para nós. Por isso, deveríamos evitar a todo custo a colocação de muito dinheiro ou de muita autoridade em qualquer entidade de serviço. (na temos conhecimento dos conceitos e nem de como funciona claramente a junta mas creio que no Brasil e tudo junto em São Paulo na senador Queiroz foi juntada o CPP e o ESG e a JUNAAB)

CONCEITO IX: Bons líderes de serviço, métodos sólidos e adequados para a sua escolha, são indispensáveis para o nosso funcionamento e segurança no futuro
Não importa o cuidado com a estrutura de serviço de nada adianta a divisão da autoridade e responsabilidade como vimos antes ,se não houver o desempenho pessoal daqueles que a fazem funcionar. Boa liderança não pode funcionar bem numa estrutura mal planejada. Má liderança não funciona nem na melhor das estruturas. Precisamos, , encontrar as pessoas certas para as nossas inúmeras tarefas.e elegere-nas independente de questões pessoais Uma vez que a nossa futura eficiência depende de renovadas gerações de líderes e ai pecamos não cumprimos a rotatividade, tem grupo com tesoureiro a 15 anos
mas, o que seria um bom líder, quais as habilidades especiais que serão sempre necessárias não podemos considerar condição financeira de prestigio e ate mesmo se ele tem carro pra levar mais alguém no serviço que ira prestar como ocorre as vezes nem abandonar os requisitos do manual de serviço como grupos já fizeram capacitemos nossos lideres com a ajuda de deus . esse conceito fala da importância dos (RSGs), que elegem os Delegados. (quando vão lá mesmo) na escolha desses servidores Ambições pessoais precisam ser postas de lado, e controvérsias esquecidas. “Quais são as pessoas melhor qualificadas que podemos nomear?” Esse deveria ser o pensamento de todos. Bill colocou um artigo aqui que foi publicada na Grapevine de abril de 59 intitulado LIDERANÇA EM A.A.: SEMPRE UMA NECESSIDADE VITAL entre outras coisas ele diz que Nenhuma sociedade pode funcionar bem sem uma liderança capaz em todos os seus níveis, e que não podemos ver os “princípios antes das personalidades” a tal ponto que não haveria “personalidade” alguma na liderança. Isso redundaria, de qualquer maneira, em autômatos impessoais tentando agradar a todos. Muitas vezes impomos a personalidade pra valer um principio. Ele também disse que o pessoal do serviço já esta em nosso meio temos que procurar esse pessoal e confiar nele para que nos sirva. Em lugar nenhum encontro que os nossos lideres estão por chegar isso e argumento de quem não sai da frente, também diz que : “Os nossos líderes não dirigem por mandato, lideram pelo exemplo”.: “Atuem por nós, mas não mandem em nós.”e que Quando um líder nos guia pela força excessiva, nos revoltamos; mas quando ele se toma um submisso cumpridor de ordens e não usa critério próprio, então ele realmente não é um líder. (qualquer semelhança com alguma estrutura e mera coincidência). Boa liderança também é saber que um excelente plano ou idéia pode vir de qualquer um, de qualquer lugar. Temos servidores se julgando deuses só a idéia deles e que valem um em um grupo chegou a dizer que abaixo de deus a autoridade no grupo e ele agora temos um trecho nesse artigo que compensa passá-lo na integra .
Um político é um indivíduo que está sempre tentando “arranjar para as pessoas aquilo que elas querem”. Um estadista é um indivíduo que sabe cuidadosamente discernir quando fazê-lo e quando não. Ele reconhece que mesmo as grandes maiorias, quando muito perturbadas ou não informadas, podem, às vezes, estar completamente enganadas. Quando tal situação aparece, ocasionalmente, e algo de importância vital está em jogo, é sempre dever da liderança, mesmo que em pequena minoria, tomar posição contra a tormenta, usando toda a sua habilidade de autoridade e persuasão para efetuar uma mudança.
Em A. A. não podemos terá oposição, apenas com o intuito de ser oposição. . Isso não serve.
Então, também um líder precisa reconhecer que mesmo as pessoas mais orgulhosas ou raivosas podem algumas vezes estar totalmente certas, enquanto as mais calmas e humildes podem estar enganadas. Outra colocação de importância e sobre os críticos “destrutivos”. Que Conduzem pela força, são politiqueiros, fazem acusações. Talvez sejam violentos, maliciosos. Eles soltam boatos, fazem fofocas para atingir seus alvos – tudo pelo bem de A.A., naturalmente! Mas em A.A., já aprendemos, afinal, que esses sujeitos, que devem ser um pouco mais doentes do que nós, não são tão destrutivos assim, dependendo muito de como nos relacionamos com eles. Houve um caso inclusive de membros que ouviram duas temáticas em Divinesia e chegaram a ubá dizendo ter ouvido dos dois o que eles não disseram
Outra qualidade de líder e o fato de ele ter . Visão alem do dia de hoje que parece contradizer o “Um dia de cada vez.” Mas esse princípio valioso realmente refere-se à nossa vida mental e emocional e quer dizer que não somos tolos para lamentar o passado nem sonhar com o futuro de olhos abertos. Mas , iremos certamente sofrer se deixarmos toda a tarefa do planejamento para o amanhã nas mãos da Providência. Ela nos deu a capacidade de antevisão e espera que a usemos. Por isso, precisamos distinguir entre desejos fantasiosos e a antevisão
Encerrando o conceito nove diz que os nossos talentos variam muito. Um regente de orquestra não é necessariamente bom em finanças e previsões. E é muito pouco provável que um bom banqueiro seja um bom musicista. Portanto, quando falamos de liderança em A.A., somente declaramos que deveríamos selecionar essa liderança na base de obter o melhor talento que pudermos encontrar. E que os padrinhos são necessariamente líderes. Como esta no convite desse evento .

Vamos falar rapidamente sobre os últimos conceitos pois os companheiros estão esgotados né mesmo:

Vamos dar uma resumidas nesses últimos aqui o dez diz que Toda a responsabilidade de serviço deveria corresponder a uma autoridade de serviço ou seja e cada responsabilidade operacional deve ser acompanhada de uma autoridade correspondente cuida para que autoridade seja igual à responsabilidade. Afim de alcançarmos um funcionamento harmonioso (fui apadrinhado q reuniões de serviços e pra brigar) a responsabilidade e autoridades finais residem nos próprios Grupos de A.A. E eles, por sua vez, têm dividido parte dessa sua autoridade final com a Conferência e com os Custódios. os Delegados , estão em posição de suprema autoridade sobre os Custódios. Vimos também como os Custódios estão em suprema autoridade sobre as corporações de serviço. A autoridade suprema também é necessária para que cada trabalhador ou classe de servidores saiba de quem é e onde está a decisão final. se os Grupos estiverem descontentes com a Conferência, eles podem eleger Delegados melhores ou cortar os meios financeiros. Se precisarem, os Delegados podem censurar ou reorganizar os Custódios. Os Custódios podem fazer o mesmo com as corporações de serviço. Se uma corporação desaprovar as operações dos seus executivos ou do quadro de funcionários, qualquer um ou todos eles poderão ser despedidos. Esse conceito também diz que a Ata de Constituição da Conferência. é um contrato entre os Grupos de A.A. e a sua Conferência.e esclarece, que os Grupos de A.A. delegaram parte da sua autoridade suprema e toda autoridade operacional para a Conferência que inclui os Custódios e os serviços ativos. Basicamente já vimos isso né sobre a autoridade delegada. Afim de se evitar a dupla administração A autoridade nunca pode ser dividida em duas metades iguais.

Já o conceito onze CONCEITO XI explica a composição da junta toda que É composta dos seguintes elementos:: Cooperação com a Comunidade Profissional, Conferência de Serviços Gerais, Arquivo, Convenção Internacional Reuniões Públicas Regionais, Instituições Correcionais, Instituições de Tratamento e Internacional.} comitês permanentes da Junta de Serviços Gerais, mais as nossas duas corporações de serviço ativo, A.A. World Services, Inc. (incluindo a sua divisão de publicações de A.A.) e The A.A. Grapevine, Inc. e explica cada uma cada uma dessas operações. E eu destaco os seguinte: que O Comitê de Finanças e Orçamentos: tem a responsabilidade de providenciar para que não fiquemos sem dinheiro ou irmos à falência. O Comitê de Informação ao Público: fala que Precisamos ainda nos relacionar melhor com a medicina, religião, empregadores, governos, tribunais, prisões, hospitais psiquiátricos e todas as entidades ligadas ao campo do alcoolismo. Precisamos da boa vontade, cada vez maior, por parte dos editores, escritores, televisão e rádio.. É através de todos esses recursos que devemos levar a mensagem de A.A.
O Comitê de Literatura: este é encarregado da revisão dos livros e folhetos existentes, como também da criação de panfletos novos e diz que uma literatura de aparência pobre, barata e malfeita não é interessante para A.A. acho que o nosso comitê lá não conhece essa passagem aqui dos conceitos não a mente, no sentido de uma execução contínua. Essa função a nós mesmos. Esse conceito também fala sobre a contratação e a relação com os nossos trabalhadores assalariados que muitos acham que devem trabalhar barato, tal como os trabalhadores de instituições de caridade, fala que em AA adotamos o princípio de revezamento num quadro de Servidores, um secretário de Grupo pode ser trocado a cada seis meses e um membro de comitê intergrupal trocado a cada ano. Mas para que possa prestar bons serviço, um Delegado precisa servir por dois anos, e um Custódio precisa servir durante quatro.
No ES G achamos impraticável Devemos despedir um colaborador justamente quando está ficando bem treinado? Se ela percebesse que seria empregada somente por prazo determinado, conseguiríamos que ela aceitasse o emprego? Dentro do razoável, a maioria pode e precisa fazer revezamento de cargo para cargo, também fala da relação empregador-empregado. E das relações homem-mulher na convivência do serviço. qualquer relacionamento de trabalho entre homens e mulheres adultos, tem que ser num caráter de companheirismo, sem competição, onde cada companheiro complementa o outro.

CONCEITO XII FALA DAS Garantias Gerais da Conferência: observar o espírito das Tradições de A.A., CUIDAO COM RIQUEZA E PODER que nenhum dos membros seja colocado em posição de autoridade sobre outro que as decisões importantes sejam tomadas através de discussão, votação e, sempre que possível, por substancial unanimidade
O Conceito aqui considerado tem o mesmo conteúdo do Artigo 12 da Ata de Constituição da Conferência. a Ata é a substância de um acordo feito entre os Grupos de A.A. e os seus Custódios essas Garantias têm uma importância de alto valor para o bem-estar geral de A.A. As Garantias AFIRMAM que a própria Conferência se submeta às Doze Tradições de A.A.; E um conceito grande que explica cada uma das 6 garantias e reafirma as tradições de A. A. e todos os outros conceitos mas alem de citar sobre o afastamento de muitos de A. A. ele cita no final que Quando nós de A.A. falhamos nos nossos princípios espirituais, é o álcool que nos joga ao chão. que não deveríamos trocar nunca pelo recurso dos métodos de ataque pessoal e punição. De todas as sociedades, a nossa é a que menos pode correr o risco de ressentimentos e conflitos que resultariam em permitir que caíssemos na tentação de punir . e afirma que nós AAs tenhamos mais e maiores liberdades do que qualquer irmandade no mundo de hoje. Como já vimos, proclamamos isso como não sendo uma virtude. Sabemos que nós pessoalmente temos que escolher: ou os Doze Passos e Doze Tradições de A.A. ou encarar a dissolução e a morte, tanto como indivíduos quanto como Grupos.
Liberdade abaixo de Deus para crescermos à Sua imagem será sempre a meta de Alcoólicos Anônimos.

HUMILDADE

HUMILDADE
A palavra humildade, de acordo com nossa concepção, tem relação com nossos sentimentos perante o Poder Superior. Essa humildade vem ligada ao sentimento de espiritualidade e não a bens materiais.
Temos necessidade de praticá-la em todos os sentidos se quisermos crescer como seres humanos pertencentes à irmandade do mundo, como o quer este nosso Poder Superior.
Dentre as muitas formas de defini-la, humildade significa: a virtude que nos dá o sentido de como realmente somos.
Muitas vezes ela é interpretada como sendo fraqueza, rebaixamento, mas, a realidade, a humildade é força, é aceitação, é a capacidade de pedir perdão e se perdoar.
Humildade é o ponto de partida para nosso crescimento espiritual, porque sem a humildade não haveria a aceitação dos Passos, lemas e Tradições que são a base de nossa reformulação de vida.
Encontramo-la logo no 1º Passo, quando admitimos que somos impotentes perante o álcool, e que nossas vidas haviam-se desmoronado completamente à mercê dessa doença.
No 2º Passo vamos encontrá-la na submissão ao Poder Superior e na admissão de no passado nosso modo de pensar, agir e viver não era razoável e equilibrado. Contudo, a experiência da vida não nos deixa duvidar que o ser humano não é todo sábio, nem todo poderoso, nem capaz de um amor perfeito.
Essas qualidades pertencem a um ser Superior, segundo entendimento que cada um tenha Dele.
Podemos entregar-lhe nossas tristezas, dissabores e pedir que nos ajude com sua bondade infinita.
No 3º Passo vamos encontrá-la na rendição incondicional ao Poder Superior quando formos capazes de dizer: – Senhor, não sou capaz de resolver este problema sozinho, preciso de Sua orientação e cuidados; ensina-me Sua vontade em relação a mim e a farei.
Já no 4º Passo vamos precisar de humildade para podermos nos olhar honestamente e fazer uma auto análise sincera do que realmente somos.
Talvez seja difícil e desagradável levar a cabo um inventário moral próprio e com toda sinceridade, mas é um passo vital, se desejamos progredir.
No 5º Passo vamos encontrar a humildade na admissão de nossas falhas perante Deus, perante nós mesmos e confidenciando-as a um outro ser humano de confiança. Tal reconhecimento requer tanto humildade, como honestidade.
É muito mais fácil sermos honestos com outra pessoa do que conosco mesmos.
Até certo ponto todos nós somos tolhidos pela nossa necessidade de justificar as nossas ações e palavras. Se admitirmos os nossos erros a nós mesmos, a Deus e a outro ser humano, teremos uma vaga idéia da pessoa maravilhosa que poderemos ser.
No 6º Passo vamos encontrá-la na disposição em remover os nossos defeitos de caráter, entregando-os ao Poder Superior para que nos ajude a eliminá-los.
Não podemos confiar somente nos nossos duvidosos poderes humanos. Tornamo-nos capazes de ver também nossas qualidades como dádivas de Deus.
Não deveria eu compreender que Deus não remove um defeito para produzir um vácuo, um vazio, mas sim, para dar lugar ao seu conceito de amor, bondade e tolerância?
No 7º Passo, encontramos a humildade na promessa de utilizarmos honestidade e inteligência que são dádivas divinas para solucionarmos nossos problemas.
Essa rendição ante a vontade de Deus põe em movimento todo seu amoroso poder para devolver às nossas vidas a ordem e serenidade.
Pedir a Deus humildemente que elimine nossas culpas é uma das mais nobres ações e uma das melhores maneiras de orar que existe.
A palavra chave é humildade, o nosso reconhecimento de que necessitamos que um Poder Superior a nós mesmos nos ajude a ver uma perspectiva real e a manter nossas mentes abertas à verdade.
A humildade não requer submissão ou padecimentos, tudo isto encerra qualidades negativas contra as quais não podemos nos rebelar.
A verdadeira humildade é da livre aceitação.
No 8º Passo vamos encontrar a humildade na disposição em admitir nossos erros de modo que possamos limpar a nossa consciência de culpa.
O que fazer para livrar-nos de tal condição?
Fazendo uma relação de todas as pessoas com quem temos atuado mal, nos dispondo a reparar o dano causado. A quem magoei?
Seguramente as pessoas mais próximas a mim: minha família – se consciente ou inconscientemente carregamos este fardo de culpa, isto deve ser apagado fazendo correções.
Somente então encontraremos paz de espírito e um padrão mais racional de pensamentos e comportamento.
A humildade é a boa vontade em fazer correções; muitas vezes cria a oportunidade de fazê-las de maneira natural, espontânea e sem embaraços. E isso leva ao crescimento espiritual.
Vamos encontrar a humildade no 9º Passo, na coragem de reparar os danos causados, os desacordos e a falta de compreensão entre mim e meus parentes ou ex-amigos.
Um auto-exame honesto e prudente será necessário. Um casual pedido de desculpas, por exemplo, raramente é suficiente para livrar-nos da culpa de críticas prejudiciais.
A melhor maneira de reparar os estragos é mudando nossas atitudes, adotando um trato marcado pela constante bondade e compreensão.
No 10º Passo vamos encontrá-la na atenção suficiente de revisão e preparação para o meu dia-a-dia, renovando meus esforços para progredir no desenvolvimento pessoal.
Olhar para dentro de si mesmo: ai que encontraremos todas as respostas.
No 11º Passo vamos encontrar a humildade na disposição de estar em comunhão com nosso Poder Superior, pedindo-lhe apenas a capacidade de reconhecer Sua vontade, pondo de lado todas as orações em que imponho minha vontade, instruindo a Deus sobre o que queremos que faça por nós.
O objetivo das preces e das meditações é manter nossas mentes abertas a receptivas à orientação.
Este processo de “escuta interior” orientará nossos pensamentos e ações e trará paz à nossa existência.
“É Deus que nos dá forças e torna perfeito o nosso caminho”.
“Deus está presente em todas as criaturas, mas nem todas estão igualmente cientes de sua presença”.
No 12º Passo vamos encontrar a humildade estando sempre dispostos a levar a mensagem aos outros.
Essa necessidade está sempre ao meu redor se eu me mantiver suficientemente alerta para reconhecê-la.
Ajudando os outros, também me ajudo.
Essa é a culminação triunfante – o resumo – dos Passos, é o reconhecimento de que alcançamos uma profunda consciência de Deus e a nossa relação para com Ele, e que estamos prontos para continuar o trabalho, levando aos outros a luz e a dignidade que encontramos. Então, quando obtenho uma idéia clara e sensata de onde estou, qual o caminho em que estou, passo a perceber que meu crescimento espiritual apenas começou.
E quanto mais eu me conscientizar da minha capacidade, da minha pequenez e dividir em porções o que eu posso fazer, as minhas desculpas e a minha importância ficam ridículas e cômicas.
Assim, conscientizado de mim, tomo também consciência e fé de que Deus é bom e que preciso Dele para abafar meu orgulho e saber então o significado da palavra Humildade.
No livro “O melhor de Bill”, Bill citou o seguinte trecho:
“Esta é a razão pela qual vejo humildade para o dia de hoje como aquele meio-termo seguro e garantido entre esses extremos emocionais violentos. Trata-se de um lugar tranqüilo onde posso manter perspectiva e equilíbrio suficientes para iniciar o meu próximo passo em direção à estrada claramente indicada que leva a valores eternos”.
(Fonte: Revista Vivência Nº 91 – Set/Out-2004 – Rubens A.. /Paulina/SP)

HUMILDADE – REFLEXÕES DIÁRIAS
Servindo meu irmão
O membro de A. A. fala ao recém-chegado, não com espírito de grandeza, mas com o espírito de humildade e fraqueza.
Enquanto passam os dias em A. A. peço a Deus para guiar meus pensamentos e minhas palavras ao falar. Neste labor de contínua participação na Irmandade, tenho muitas oportunidades de falar. Assim, frequentemente peço a Deus para me ajudar a observar meus pensamentos e palavras, que elas possam ser verdadeiras e próprias reflexões de nosso programa; focalizar minhas aspirações mais uma vez para procurar Sua direção; para me ajudar a ser realmente agradável e amável, prestativo e curativo, mas sempre cheio de humildade e livre de qualquer traço de arrogância.
Talvez eu tenha que enfrentar atitudes ou palavras desagradáveis; recursos típicos do alcoólico que ainda sofre. Se isto vier a acontecer, tomarei um momento para concentrar-me em Deus; e então ser capaz de responder de uma perspectiva de compostura, força e sensibilidade.

Um caminho para a fé
A verdadeira humildade e a mente aberta poderão nos conduzir a fé. Toda reunião de A. A. é uma segurança de que Deus nos levará de volta à sanidade, se soubermos nos relacionar corretamente com Ele.
Minha última bebedeira deixou-me num hospital totalmente quebrado. Foi então que fui capaz de ver passado flutuar na minha frente. Percebi que por causa da bebida, tinha vivido todos os pesadelos que pudera haver imaginado. Minha própria teimosia e obsessão para beber levaram-me para um abismo escuro de alucinações, apagamentos e desespero. Finalmente vencido, pedi ajuda a Deus. Sua presença convenceu-me para que acreditasse. Minha obsessão pelo álcool foi tirada e minha paranóia foi suspensa. Não estou mais com medo. Sei que minha vida é saudável e sã.

Dois “magníficos padrões”
Todo o progresso de A. A. pode ser expressado em apenas duas palavras: humildade e responsabilidade. Todo o nosso desenvolvimento espiritual pode ser medido, com precisão, conforme nosso grau de adesão a estes magníficos padrões.
Conhecer e respeitar as opiniões, talentos e prerrogativas dos outros, e aceitar estar errado, mostra-me o caminho da humildade.
Praticar os princípios de A. A. em todos os meus assuntos me leva a ser responsável. Respeitar estes preceitos dá crédito à Quarta Tradição – e a todas as outras Tradições da Irmandade.
Alcoólicos Anônimos tem desenvolvido uma filosofia de vida cheia de motivações válidas, rica dos mais altos e relevantes princípios e valores éticos, uma maneira de vida que pode ser estendida além dos limites da população alcoólica. Para honrar estes preceitos, preciso somente rezar e cuidar de cada companheiro como se cada um fosse meu irmão.

Afinal, livre
Outra grande dádiva que podemos esperar por confiar nossos defeitos a outro ser humano é a humildade – uma palavra frequentemente mal compreendida… representa um claro reconhecimento do que e quem somos realmente, seguido de um esforço sincero de ser aquilo que poderíamos ser.
Sabia no fundo do meu ser que se quisesse ser alegre, feliz e livre para sempre, tinha de compartilhar minha vida passada com outra pessoa. A alegria e o alívio que senti após fazer isto estão além de qualquer descrição. Quase que imediatamente após fazer o Quinto Passo, me senti livre da escravidão do ego e da escravidão do álcool. Esta liberdade permanece após 36 anos, um dia de cada vez.
Descobri que Deus podia fazer por mim o que eu não podia fazer sozinho.

É bom ser eu mesmo
Inúmeras vezes os novatos procuram guardar para si certos fatos de suas vidas… Desviaram-se para métodos mais fáceis… mas, não aprenderam o suficiente sobre a humildade.
Humildade soa muito como humilhação mas, na realidade, ela é a capacidade de olhar para mim mesmo – e honestamente aceitar o que vejo. Não preciso ser o “mais esperto” nem o “mais estúpido” ou qualquer outro “mais”. Finalmente é muito bom ser “eu” mesmo. É mais fácil para mim aceitar-me se compartilhar toda a minha vida. Se não posso compartilhar nas reuniões, então é melhor ter um padrinho – alguém com que eu possa compartilhar “certos fatos” que podem me levar de volta à bebida e para a morte. Preciso praticar todos os Passos. Preciso do Quinto Passo para aprender a verdadeira humildade. Métodos mais fáceis não funcionam.

Uma liberdade sempre crescente
É no Sétimo Passo que efetuamos a mudança em nossa atitude que nos permite, com a humildade servindo de guia, sair de dentro de nós mesmos em direção aos outros e a Deus.
Quando finalmente pedi a Deus para remover estas coisas que me separavam Dele e da luz do Espírito, embarquei numa viagem mais gloriosa do que podia imaginar. Experimentei libertação destas características que me mantinham escondido em mim mesmo. Devido à humildade desta Passo, hoje me sinto limpo.
Sou especialmente consciente deste Passo porque agora sou útil a Deus e a meus companheiros. Sei que Ele me concedeu forças para cumprir Sua vontade e me preparou para qualquer pessoa ou coisa que possa surgir no meu caminho hoje. Estou realmente em Suas mãos e agradeço pela alegria de poder ser útil hoje.

Sou um instrumento
“Humildemente rogamos a Ele que nos livre de nossas imperfeições.”
O assunto de humildade é um dos mais difíceis. Humildade não é pensar menos do que deveria de mim mesmo: humildade é reconhecer que eu faço bem certas coisas, é aceitar cortesmente um elogio.
Deus pode somente fazer para mim o que Ele pode fazer através de mim. Humildade é o resultado de saber que Deus é quem faz, não eu. Na luz desta percepção, como posso ter orgulho de minhas realizações? Sou um instrumento, e qualquer trabalho que pareça estar fazendo, está sendo feito por Deus através de mim. Peço a Deus diariamente que remova minhas imperfeições, para que possa mais livremente continuar meus assuntos de A. A. de “amor e serviço.”

Um momento decisivo
Um momento decisivo em nossas vidas chegou quando procuramos a humildade como algo que realmente desejávamos, em vez de algo que precisávamos ter.
Ou a maneira de viver de A. A. torna-se uma alegria ou eu volto para a escuridão e desespero do alcoolismo. A alegria acontece em minha vida quando minha atitude em relação a Deus e à humildade se tornam um desejo ao invés de uma carga. A escuridão de minha vida transforma-se em uma luz radiante, quando eu compreendo que ser verdadeiro e honesto ao fazer o meu inventário, resulta em minha vida ficar plena de serenidade, liberdade e alegria.
A confiança em meu Poder Superior se aprofunda e o fluxo de gratidão se espalha através de mim. Estou convencido de que ser humilde é ser verdadeiro e honesto ao tratar comigo e com Deus. Então, humildade é algo que “realmente desejo”, ao invés de ser “uma coisa que devo ter”.

Abandonando o centro do palco
Pois, sem certas doses de humildade, nenhum alcoólico poderá permanecer sóbrio… Sem ela não podem viver uma vida de muita utilidade ou, com os contra-tempos, convocar a fé que se necessita para enfrentar qualquer emergência.
Por que tanta resistência à palavra “humildade”? Eu não sou humilde ante outras pessoas, mas para Deus, como eu O entendo. Humildade significa “mostrar um respeito submisso” e ao ser humilde eu percebo que não sou o centro do universo. Quando bebia eu era consumido pelo orgulho e o egocentrismo. Sentia o mundo todo girar em torno de mim, que eu era o mestre do meu destino. A humildade me dá condições de depender mais de Deus para me ajudar a vencer os obstáculos e minhas próprias imperfeições, para que possa crescer espiritualmente. Preciso resolver mais problemas difíceis para aumentar minha competência e, quando encontro os obstáculos da vida, preciso aprender a superá-los com a ajuda de Deus.
Comunhão diária com Deus demonstra minha humildade, e me abastece com a compreensão de que ser mais poderoso do que eu está disposto a me ajudar, se eu parar de tentar representar o papel de Deus.

Humildade é uma dádiva
Já que colocávamos a confiança própria em primeiro lugar, permanecia fora de cogitação uma autêntica fé num Poder Superior. Faltava esse ingrediente básico de toda a humildade, o desejo de solicitar e fazer a vontade de Deus.
Quando vim pela primeira vez para A. A., desejava encontrar um pouco da ilusória qualidade chamada humildade. Não percebi que procurava por humildade porque pensava que poderia me ajudar a conseguir o que eu queria, e que eu faria qualquer coisa pelo outros se eu pensasse que Deus, de alguma forma, me recompensaria por isto. Agora tento me lembrar que as pessoas que encontro durante o meu dia estão tão próximas de Deus quanto eu poderia estar, enquanto estiver nesta terra. Preciso rezar para saber a vontade de Deus hoje e ver como minha experiência com a esperança e a dor pode ajudar outras pessoas; se posso fazer isto não preciso procurar humildade, ele me encontrou.

Um ingrediente nutritivo
Apesar de que a humildade houvesse anteriormente representado uma alimentação forçada, agora começa a significar o ingrediente nutritivo que pode nos trazer a serenidade.
Quantas vezes me concentro em meus problemas e frustrações?
Quando estou tendo um “bom dia”, estes mesmos problemas diminuem em importância e minha preocupação com eles se reduz. Não seria melhor se encontrasse a chave para abrir “a mágica” de meus “dias bons” para usar no infortúnio dos meus “dias maus”?
Já tenho a solução! Ao invés de tentar fugir de minhas dores e desejar que meus problemas desapareçam, posso rezar pedindo a humildade! A humildade curará a dor. A humildade será tirada de mim mesmo. A humildade, esta força que me é concedida por esse “Poder Superior a mim mesmo”, é minha, basta pedir! A humildade devolverá o equilíbrio a minha vida. A humildade permitirá o equilíbrio a minha vida. A humildade permitirá me aceitar alegremente como ser humano.

Orgulho
Há milhares de anos vimos querendo aumentar nossa parcela de segurança, prestígio e romance. Quando parecia que estávamos tendo êxito, bebíamos para viver sonhos ainda maiores. Quando estávamos frustrados, mesmo que pouco, bebíamos para esquecer. Nunca havia o suficiente daquilo que julgávamos querer.
Em todos esses esforços, muitos dos quais bem intencionados, ficamos paralisados pela nossa falta de humildade.
Havia-nos faltado a visão de que o aperfeiçoamento do caráter e os valores espirituais deveriam vir primeiro, e que as satisfações materiais não constituíam o propósito da vida.
Repetidamente me aproximei do Sétimo Passo, somente para retroceder e me reorganizar. Faltava alguma coisa e me escapava o impacto do Passo. O que eu não havia visto direito? Uma palavra simples: lida mas ignorada, a base de todos os Passos, na verdade de todo o programa de Alcoólicos Anônimos – essa palavra é “humildemente”.
Entendi meus defeitos: constantemente adiava meu trabalho; ficava com raiva facilmente; sentia muita auto-piedade; e pensava: por que eu? Então me lembrei: “o orgulho sempre vem antes da queda” e eliminei o orgulho e minha vida.

“Uma medida de humildade”
Em todos os casos, o sofrimento havia sido o preço de ingresso para uma nova vida. Porém, este valor de ingresso havia comprado mais do que esperávamos, trouxe uma medida de humildade que logo descobrimos ser um remédio para a dor.
Foi doloroso deixar de tentar controlar minha vida, embora o sucesso me havia iludido e, quando a vida ficava muito difícil, eu bebia para escapar. Aceitar a vida em seus termos, é o que aprenderei através da humildade que experimento quando coloco minha vontade e minha vida aos cuidados de Deus, como eu O entendo.
Com minha vida aos cuidados de Deus, o medo, a incerteza e a raiva não são mais minhas respostas para aquelas situações da vida que eu preferiria não acontecessem para mim. A dor de viver esses momentos será curada pelo conhecimento de que recebi da força espiritual para sobreviver.

Rendição e autocrítica
Minha estabilidade proveio de tentar dar, não de exigir que me dessem.
É assim que penso que pode funcionar com a sobriedade emocional. Se olharmos cada distúrbio que temos, grande ou pequeno, encontraremos em sua raiz uma dependência doentia, e, em consequência, exigências doentias. Que possamos, com a ajuda de Deus, entregar continuamente essas exigências alei jantes. Então nos poderá ser dada a liberdade para viver e amar: poderemos então fazer um Décimo Segundo Passo para nós mesmos e para os outros, em direção à sobriedade emocional.
Anos de dependência do álcool, como um alterador químico de meu humor, tiraram-me a capacidade de interagir emocionalmente com meus companheiros. Pensava que tinha de ser auto-suficiente, autoconfiante, e auto motivado num mundo de pessoas não confiáveis. No final perdi minha dignidade e fiquei dependente, sem qualquer capacidade para confiar em mim mesmo ou acreditar em qualquer outra coisa. Rendição e auto-exame, enquanto compartilho com os que chegam, ajudam-me a pedir humildemente por socorro.

Gratidão pelo que tenho
Durante este processo de aprendizagem, a respeito de humildade, o resultado mais profundo de todos foi a mudança de nossa atitude sobre Deus.
Hoje minhas preces consistem principalmente em dizer “obrigado” ao meu Poder Superior por minha sobriedade e pela maravilhosa generosidade de Deus, mas preciso também pedir ajuda e força para colocar em prática a Sua vontade na minha vida. Não preciso pedir a Deus a cada minuto para me socorrer de situações em que me coloco por não fazer a Sua vontade. Agora minha gratidão parece estar ligada diretamente à humildade. Enquanto tenho humildade para ser grato pelo que tenho, Deus continua me abastecendo.

Defeitos removidos
Porém, agora as palavras: “Sozinho nada sou, o Pai é quem faz”, começaram a adquirir um significado brilhante e animador.
Quando coloco o Sétimo Passo em ação, devo lembrar que não há espaço para preencher. Eu não digo, “humildemente peço a Ele para (preencher o espaço) remover meus defeitos”.
Por anos eu preenchi o espaço imaginário com: “Ajuda-me!”, “Dá-me a coragem para!” E com “Dá-me a força!”, etc. O Passo diz simplesmente que Deus removerá meus defeitos. O único trabalho que devo fazer é “humildemente pedir”, o que, para mim significa pedir o conhecimento de que por mim mesmo não sou nada, o Pai é que “Faz o trabalho”.

Peço para Deus decidir
“Peço que removas de mim todo e qualquer defeito de caráter que me impeça de ser útil, a Ti aos meus semelhantes.”
Tenho admitido minha impotência e tomado a decisão de colocar minha vida e minha vontade sob os cuidados de Deus, como eu O concebo, não sou eu quem decide quais os defeitos serão removidos, nem a ordem em que os defeitos serão removidos. Peço a Deus que decida quais os defeitos que me impedem de ser útil a Ele e aos outros e então, humildemente, peço que os remova.

Impelidos
Impelidos por centenas de formas de medos, auto-ilusão, egoísmo e auto piedade, pisamos nos pés dos outros e eles revidam.
Meu egoísmo era a força que me impelia para a bebida. Bebia para celebrar o sucesso e bebia para afogar as minhas desgraças. Humildade é a resposta. Aprendo a entregar a minha vontade e aminha vida aos cuidados de Deus. Meu padrinho me diz que o serviço me mantém sóbrio. Hoje me pergunto: Procurei saber a vontade de Deus para comigo? Prestei serviço a meu Grupo de A. A.?

Eu escolho o anonimato
Temos a certeza de que a humildade, expressa pelo anonimato, é a maior salva-guarda que Alcoólicos Anônimos sempre poderá ter.
Uma vez que não existem regras em A. A., coloco-me onde quero estar e, portanto, escolho o anonimato. Desejo que meu Deus me use, humildemente, como uma de suas ferramentas neste programa. Sacrifício é a arte de dar de mim mesmo generosamente, permitindo que a humildade substitua meu ego. Com a sobriedade, suprimo aquela ânsia de gritar para o mundo:
“Eu sou um membro de A. A.” e experimento alegria e paz interior. Deixo as pessoas verem as mudanças em mim e espero que elas perguntem o que me aconteceu. Coloco os princípios de espiritualidade à frente de julgamentos precipitados, de fofocas e de críticas. Desejo amor e carinho em meu Grupo, para poder crescer.

Uma mente aberta
A verdadeira humildade e a mente aberta poderão nos conduzir à fé…
Meu pensamento alcoólico me levou a acreditar que eu podia controlar a bebida, mas não conseguia. Quando vim para A. A., percebi que Deus estava falando para mim através do meu Grupo. Minha mente se abriu o suficiente para perceber que eu precisava de Sua ajuda. Uma real e honesta aceitação de A. A. levou mais tempo, mas com ela veio a humildade. Sei como eu era insano, e hoje sou extremamente grato por ter minha sanidade restaurada e ser um alcoólico sóbrio.
A nova e sóbria pessoa que sou, é muito melhor do que jamais eu poderia ter sido sem A. A.

Guardiões ativos
Para nós, contudo, trata-se muito mais do que uma política salutar de relações públicas. É mais do que uma negação do egoísmo. Esta Tradição é um lembrete permanente e prático de que a ambição pessoal não tem lugar em A. A.
Nela cada membro se transforma num diligente guardião da nossa Irmandade.
O conceito básico de humildade é expresso na Décima Primeira Tradição. Ela me permite participar completamente do programa numa maneira simples e profunda; ela preenche minha necessidade de ser parte integral de um todo significativo. Humildade me traz mais perto do espírito atual de companheirismo e unicidade, sem o qual eu não poderia permanecer sóbrio.
Lembrando que todo membro é um exemplo de sobriedade, cada um vivendo a Décima Primeira Tradição, posso experimentar liberdade porque cada um de nós é anônimo.

Uma genuína humildade
… que devemos conduzir-nos com a genuína humildade. Isto para que nossas grandes bênçãos jamais nos estraguem: para que vivamos eternamente em grata contemplação d’Aquele que reina sobre todos nós.
A experiência me ensinou que minha personalidade alcoólica tem tendência para o grandioso. Mesmo que tiver, aparentemente, boas intenções, posso sair pela tangente atrás de minhas “causas”. Meu ego toma conta e perco de vista o meu propósito primeiro. Posso até tomar o crédito pela obra de Deus em minha vida. Esse sentimento exagerado de minha própria importância é perigoso para a minha sobriedade e pode causar grande dano a A. A. como um todo.
Minha salvaguarda, a Décima Segunda Tradição, serve para manter-me humilde. Percebo, tanto como um indivíduo, como um membro da Irmandade, que não posso me gabar de minhas façanhas, e que “Deus faz por nós o que não podemos fazer por nós mesmos”.

Anonimato
O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.
A Décima Segunda Tradição tornou-se importante nos primeiros dias de minha sobriedade e, junto com os Doze Passos, continua a ser indispensável em minha recuperação. Tornei-me consciente, após ingressar na Irmandade, de que tinha problemas de personalidade. Assim, quando ouvi pela primeira vez a mensagem da Tradição, estava muito claro: existe uma maneira imediata para, com os outros, encarar meu alcoolismo e seus acompanhantes, a raiva e as atitudes defensivas e ofensivas. Vi a Décima Segunda Tradição como sendo uma grande desinfladora do ego; ela aliviou a minha raiva e me deu uma chance de utilizar os princípios do programa. Todos os Passos, e esta Tradição em particular, têm-me guiado por décadas de sobriedade contínua. Sou grato àqueles que estavam aqui quando precisei deles.
(Fonte: Reflexões Diárias – paginas: 29-46-127-139-143-198-199-201-202-203-204-205-206-207-208-210-213-227-250-300-342-354-373)

HUMILDADE – Necessidade de:
NA OPINIÃO DO BILL

Livres da escuridão
A auto-análise é o meio pelo qual trazemos uma nova visão, ação e graça para influir no lado escuro e negativo de nosso ser. Com ela vem o desenvolvimento daquele tipo de humildade, que nos permite receber a ajuda de Deus. No entanto, ela é apenas um passo. Vamos querer ir mais longe. Vamos querer que o bem que está dentro de todos nós, mesmo dentro dos piores, cresça e floresça. Mas, antes de tudo, vamos querer a luz do sol; pouco se pode crescer na escuridão. A meditação é nosso passo em direção ao sol.
“Uma luz clara parece descer sobre nós – quando abrimos os olhos. Uma vez que nossa cegueira é causada por nossos próprios defeitos, precisamos primeiro conhecê-los a fundo. A meditação construtiva é o primeiro requisito para cada novo passo em nosso crescimento espiritual.”

A humildade em primeiro lugar
Encontramos muito em A. A. que antes pensavam, como nós, que humildade era sinônimo de fraqueza. Eles nos ajudaram a nos reduzir ao nosso verdadeiro tamanho. Com seu exemplo nos mostraram que a humildade e o intelecto poderiam ser compatíveis, contanto que colocássemos a humildade em primeiro lugar. Quando começamos a fazer isso, recebemos a dádiva da fé que funciona. Essa fé também é para você.
Apesar da humildade primeiro ter significado uma humilhação, agora ela começa a representar o ingrediente que pode nos trazer serenidade.

Caminho direto para Deus
“Acredito firmemente tanto na orientação como na oração. Mas estou bem consciente e espero que humilde o suficiente para ver que não há nada de infalível em minha orientação.
No momento em que acreditar que encontrei um perfeito caminho para Deus, eu me tornarei egoísta o suficiente para entrar em verdadeira dificuldade. Ninguém pode causar mais sofrimento desnecessário do que aquele que possui força e acha que a obteve diretamente de Deus.”

Conquista material
Nenhum membro de A. A. quer condenar os avanços materiais. Nem entramos em discussão com muita gente que se agarra à crença de que satisfazer nossos desejos básicos é o objetivo principal da vida. Mas estamos convencidos de que nenhum tipo de pessoa no mundo jamais se atrapalhou tanto, tentando viver segundo esse pensamento, como os alcoólicos.
Estávamos à procura de mais segurança, prestígio e romance. Quando parecíamos estar sendo bem-sucedidos, bebíamos para viver sonhos ainda maiores. Quando estávamos frustrados, mesmo um pouco, bebíamos para esquecer.
Em todas essas lutas, muitas delas bem-intencionadas, nosso maior obstáculo era nossa falta de humildade. Faltava-nos ver que a formação do caráter e os valores espirituais tinham que vir em primeiro lugar e que as satisfações materiais eram simplesmente sub-produtos e não o principal objetivo da vida.

A verdadeira ambição e a falsa
Concentrávamos muito em nós mesmos e naqueles que nos cercavam. Sabíamos que éramos cutucados, por medo ou ansiedade descabidos, a uma vida que levava à fama, dinheiro e ao que supúnhamos que fosse liderança. Assim, o falso orgulho tornou-se o outro lado da terrível moeda com a marca do “medo”. Simplesmente tínhamos que ser a pessoa mais importante, a fim de encobrir nossas inferioridades mais profundas.
A verdadeira ambição não é aquilo que achávamos que era. Ela é o profundo desejo de viver de maneira útil e caminhar humildemente, sob a Graça de Deus.

Rompa as paredes do ego
As pessoas que são impelidas pelo orgulho, inconscientemente não enxergam seus defeitos. Os recém-chegados desse tipo certamente não precisam de consolo. O problema é ajudá-los a descobrir uma trinca nas paredes construídas pelo seu ego, através da qual a luz da razão possa brilhar.
Adquirir uma humildade maior é o princípio fundamental de cada um dos Doze Passos de A. A., pois sem um certo grau de humildade, nenhum alcoólico pode ser permanente sóbrio.
Quase todos os Aas descobriram também que, a não ser que desenvolvam essa preciosa qualidade, muito mais do que a necessária para se obter a sobriedade, ainda não têm muita probabilidade de virem a ser verdadeiramente felizes. Sem ela não podem viver com propósito útil ou, nas horas difíceis, apelar para a fé que pode enfrentar qualquer emergência.

Respeito próprio através do sacrifício
No princípio sacrificamos o álcool. Tivemos que fazê-lo, ou ele nos teria matado. Mas não poderíamos nos libertar do álcool a menos que fizéssemos outros sacrifícios. Tivemos que jogar fora a auto justificação, a auto piedade e a raiva. Tivemos que nos livrar da competição louca em busca do prestígio pessoal e grandes saldos bancários. Tivemos que assumir a responsabilidade pelo nosso estado lamentável e deixar de culpar os outros por isto.
Foram realmente sacrifícios? Sim, foram. Para obter suficiente humildade e respeito próprio a fim de permanecermos vivos, tivemos que abandonar o que tinha realmente sido nosso bem mais querido – nossa ambição e nosso orgulho ilegítimos.

A humildade “perfeita”
Eu, por minha parte, tento encontrar a definição mais verdadeira de humildade que puder. Ela não será a definição perfeita por que eu serei sempre imperfeito.
Nesse artigo, escolheria a definição seguinte: “A humildade absoluta consistiria num estado de completa libertação de mim mesmo, na libertação de todas as exigências que meus defeitos de caráter lançam tão pesadamente sobre mim agora. A humildade perfeita seria a total boa vontade de, em todos os momentos e lugares, reconhecer e fazer a vontade de Deus”.
Quando penso nessa visão, não preciso ficar desanimado porque nunca a atingirei, nem preciso me encher da presunção de que algum dia alcançarei todas essas virtudes.
Preciso apenas contemplar essa visão, deixando-a crescer e encher meu coração. Isto feito, posso compará-la ao meu último inventário pessoal. Tenho então uma saudável idéia de onde me encontro no caminho para a humildade. Vejo que minha caminhada em direção a Deus apenas começou.
Ao reduzir-me ao meu verdadeiro tamanho, minhas preocupações comigo mesmo e o sentimento de minha própria importância fazem-me rir.

A base de toda a humildade
Uma vez que estávamos convencidos de que poderíamos viver exclusivamente pela nossa força e inteligência, tornava-se impossível a fé num Poder Superior.
Isto era assim, mesmo quando acreditávamos que Deus existia. Podíamos na verdade ter as mais fervorosas crenças religiosas, que continuavam estéreis, porque nós mesmos ainda tentávamos fazer o papel de Deus. Já que púnhamos a autoconfiança em primeiro lugar não era possível uma verdadeira confiança num Poder Superior. Faltava aquele ingrediente básico da humildade, o desejo de buscar e fazer a vontade de Deus.

Os racionalizadores e os modestos
Nós, alcoólicos, somos os maiores racionaliza dores do mundo. Animados pela desculpa de que estamos fazendo grandes coisas para o bem de A. A., podemos, ao quebrar o anonimato, continuar com nossa antiga e desastrosa busca de poder e prestígio pessoal, honras públicas e dinheiro – as mesmas ambições implacáveis que, quando frustradas, certa vez nos conduziram à bebida.
O Dr. Bob era essencialmente uma pessoa muito mais humilde do que eu, e ele compreendeu o anonimato muito facilmente. Quando ficou evidente que ele estava mortalmente doente, alguns de seus amigos sugeriram que se erguesse um monumento ou mausoléu em sua homenagem e de sua esposa Anne – algo digno de um fundador e sua esposa. Falando-me a esse respeito, o Dr. Bob sorriu e disse: “Deus os abençoe. Eles têm boa intenção. Mas vamos deixar que tanto você quanto eu sejamos enterrados igual a qualquer outra pessoa”.
No cemitério de Akron, onde jazem o Dr. Bob e Anne, a lápide simples não diz sequer uma palavra a respeito de A. A. Esse comovente e definitivo exemplo de modéstia tem um valor mais permanente para A. A. do que qualquer promoção pública ou monumento grandioso.

Aceitando as dádivas de Deus
“Embora muito teólogos afirmem que as experiências espirituais súbitas representem alguma distinção especial ou algum tipo de preferência divina, eu questiono esse ponto de vista. Todo ser humano, qualquer que sejam seus atributos para o bem ou para o mal, é uma parte da economia espiritual divina. Portanto, cada um de nós têm seu lugar, e não posso aceitar que Deus pretenda elevar alguns mais do que outros.
“Dessa forma, é preciso que todos nós aceitemos qualquer dádiva positiva que recebamos com profunda humildade, tendo sempre em mente que primeiro foram necessárias nossas atitudes negativas, como um meio de nos reduzir a um estado tal que nos deixasse prontos para receber uma dádiva positiva através da experiência da conversão. Nosso próprio alcoolismo e a imensa deflação, que finalmente daí resultou, constituem na verdade a base sobre a qual repousa nossa experiência espiritual.”

A arrogância e seu oposto
Um possível membro muito teimoso foi levado pela primeira vez a uma reunião de A. A., na qual dois oradores (ou talvez palestrantes), falavam sobre o tema “Deus, como eu O concebo”. Suas atitudes manifestavam arrogância. De fato, o último orador se excedeu em suas convicções teológicas.
Ambos estavam repetindo, o que eu fazia anos atrás. Em tudo o que diziam estava implícita a mesma idéia: “Gente, ouçam o que estamos dizendo. Nós é que sabemos o que é o verdadeiro A. A. – e é melhor que vocês o aceitem”.
O novo possível membro disse que tinha entendido e foi embora. Seu padrinho protestou dizendo que isso não era o verdadeiro A. A., mas era tarde demais. Ninguém mais conseguiu abordá-lo depois disso.
Considero a “humildade só por hoje” como uma postura sadia e segura, um meio do caminho entre os violentos extremos emocionais. É um lugar tranqüilo, onde posso manter a perspectiva necessária e o suficiente equilíbrio para dar mais um pequeno passo no caminho claramente demarcado que conduz aos valores eternos.

Fé e ação
A educação e o treinamento religiosos de seu provável membro podem ser bem superiores aos que você tenha. Nesse caso, ele vai duvidar que você possa acrescentar alguma coisa, ao que ele já conhece. Mas desejará saber por que as próprias convicções não funcionaram, enquanto as suas parecem funcionar bem. Talvez ele seja um exemplo de que a fé sozinha não basta.
Para ser vital, a fé deve ser acompanhada de auto-sacrifício, altruísmo e ação construtiva.
Admita a possibilidade de ele saber mais a respeito de religião do que você, mas chame a atenção dele para o fato de que, por mais profundas que sejam sua fé e educação religiosa, essas qualidades não devem ter lhe servido muito, caso contrário ele não estaria solicitando ajuda.
O Dr. Bob não precisava de mim para sua orientação espiritual. Ele tinha mais do que eu. Na verdade o que ele mais precisava, quando nos encontramos pela primeira vez, era de uma profunda deflação e da compreensão, que somente um bêbado pode dar a outro. O que eu precisava era de humildade, de esquecimento de mim mesmo e de estabelecer um verdadeiro parentesco com outro ser humano de meu próprio tipo.

Uma Irmandade – muitas crenças
Como sociedade, nunca deveremos nos tornar vaidosos a ponto de supor que somos autores e inventores de uma nova religião. Humildemente refletimos que cada um dos princípios de A. A. foi retirado de fontes antigas.
Um ministro na Tailândia nos escreveu: “Levamos os Doze Passos de A. A. ao maior mosteiro budista desta província, e o sacerdote responsável pela organização disse: ‘Esses passos são excelentes! Para nós, budistas, eles seriam ainda mais aceitáveis se vocês tivessem inserido a palavra ‘bem’ em seus Passos, em vez de ‘Deus’. Entretanto, vocês dizem nesses Passos que é um Deus como cada qual O concebe, e isso certamente inclui o bem. Sim, os Doze Passos de A. A. certamente serão aceitos pelos budistas aqui.’”
Os membros mais antigos de St. Louis recordam como o Padre Edward Dowling ajudou-os a começarem seu grupo. Aconteceu de o grupo ser composto por uma grande maioria de protestantes, mas isso não o perturbava em absoluto.

Humildade para a Irmandade, também
Nós, Aas, às vezes exageramos as virtudes de nossa Irmandade. Não nos esqueçamos de que, na verdade, poucas dessas virtudes foram de fato conquistadas por nós. Para começar, fomos forçados a elas pelo cruel chicote do alcoolismo. Finalmente as adotamos, não porque o quiséssemos, mas sim porque fomos forçados a fazê-lo.
A seguir, à medida que o tempo ia confirmando a aparente correção de nossos princípios básicos, começamos a nos conformar porque essa era a coisa certa a fazer. Alguns de nós, e eu em especial, ajustamo-nos então, ainda que com alguma relutância.
Mas finalmente chegamos a um ponto onde passamos a desejar nos conformar com alegria com esses princípios que a experiência, sob a graça de Deus, nos ensinou.

Em direção à maturidade
Muitos membros mais antigos, que têm submetido a “cura das bebedeiras” de A. A. a severos mas bem-sucedidos testes, descobrem que frequentemente ainda lhes falta sobriedade emocional. Para obter isto, precisamos desenvolver real maturidade e equilíbrio (ou seja, humildade) em nossas relações com nós mesmos, com nossos semelhantes e com Deus.
Não permitamos nunca que A. A. seja uma entidade fechada; não recusemos nunca nossa experiência ao mundo que nos cerca, se ela puder ser útil e valiosa. Deixemos que nossos membros, individualmente, atendam o chamado de cada um dos campos da atividade humana. Deixemos que eles levem a experiência e o espírito de A. A. em todos esses assuntos, seja qual for o bem que posam realizar. Pois Deus nos salvou apenas do alcoolismo; o mundo nos recebeu de volta para a cidadania.

A. A. em duas palavras
“Todo o progresso de A. A. pode ser expresso em apenas duas palavras: humildade e responsabilidade. Todo nosso desenvolvimento espiritual pode ser medido, com precisão, conforme nosso grau de adesão a esses magníficos padrões.
“Uma humildade sempre mais profunda, acompanhada por uma crescente boa vontade para aceitar e cumprir com nossas responsabilidades – estas são realmente as pedras de toque para todo o crescimento na vida do espírito. Elas nos proporcionam a essência do bem, tanto no ser como no atuar. É por meio delas que conseguimos encontrar e fazer a vontade de Deus.”

O único propósito
Há quem profetize que A. A. pode muito bem tornar-se uma nova ponta de lança para um despertar espiritual no mundo todo. Quando nossos amigos dizem essas coisas, estão sendo não só generosos como também sinceros. Mas nós, de A. A. devemos refletir que tal homenagem e tal profecia podem acabar se transformando numa bebida tóxica para a maioria de nós, se realmente viermos a acreditar que esse é o verdadeiro propósito de A. A., e se começarmos a nos comportar dessa maneira.
Portanto, nossa sociedade deverá ajustar-se prudentemente a seu único propósito: o de levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre. Tratemos de resistir à orgulhosa idéia de que, se Deus nos permitiu o êxito numa área, estamos destinados a ser um meio de graça salvadora para todos.

A humildade traz a esperança
Já que agora não mais patrocinamos bares e bordéis, já que levamos o salário para casa, já que estamos tão ativos em A. A. e agora que as pessoas nos felicitam por esses sinais de progresso – bem, naturalmente ficamos nos felicitando. Certamente ainda não estamos muito perto de atingir humildade.
Deveríamos estar dispostos a tentar a humildade, procurando remover nossas imperfeições, da mesma forma que fizemos quando admitimos que éramos impotentes perante o álcool e viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia nos devolver à sanidade.
Se a humildade pôde nos permitir encontrar a graça, através da qual pôde ser banida a obsessão mortal do álcool, então deve haver esperança de se obter o mesmo resultado, em relação a qualquer outro problema que possamos ter.
(Fonte: Na Opinião do Bill – páginas: 10-36-38-40-46-74-97-106-139-160-168-199-212-223-226-244-271-304-325)

HUMILDADE – para hoje
por Bill
Não pode haver nenhuma humildade absoluta para nós, seres humanos. Na melhor das hipóteses, podemos apenas vislumbrar o significado e o esplendor desse ideal perfeito. Como diz o livro Alcoólicos Anônimos, “Não somos santos… reivindicamos o progresso espiritual, ao invés da perfeição espiritual”. Apenas Deus em Si mesmo pode se manifestar no absoluto; nós, seres humanos, temos que viver e crescer no domínio do relativo. Buscamos a humildade para hoje.
Consequentemente, na prática, nos perguntamos: “Exatamente o que significa ‘humildade para hoje’ e como a reconheceremos quando a encontrarmos?”
Dificilmente precisamos ser lembrados de que a culpa ou a revolta excessiva conduz à pobreza espiritual. Mas passou-se muito tempo antes que percebêssemos que podíamos ser ainda mais arruinados pelo orgulho espiritual. Quando nós, os primeiros Aas, tivemos nosso primeiro vislumbre do quão espiritualmente orgulhosos podíamos ser, criamos a expressão: “Não tente ficar maravilhosamente bem até Quinta feira!” Essa admoestação dos velhos tempos pode parecer outro desses jeitosos álibis que podem nos desculpar por não tentarmos fazer o melhor possível. Não obstante, uma análise mais apurada revela exatamente o contrário. Esta é a nossa forma em A. A. de nos precavermos contra a cegueira do orgulho e as perfeições imaginárias que não possuímos.
Agora que não freqüentamos mais bares e bordéis, agora que levamos o salário para casa, agora que somos tão ativos em A. A. e que as pessoas nos parabenizam por esses sinais de progresso – bem, naturalmente passamos a nos congratular com nós mesmos. E todavia podemos não estar ao alcance da humildade. Pretendendo agir corretamente e não obstante agindo mal, quantas vezes dissemos ou pensamos, “Meu plano é correto e o seu é falho”, “Graças a Deus os seus pecados não são os meus”, “Você está prejudicando A. A. e eu vou detê-lo”, “Eu tenho a orientação de Deus e portanto Ele está do meu lado”, e assim por diante, infinitamente.
A coisa alarmante acerca dessa cegueira do orgulho é a facilidade com que ela é justificada. Mas não precisamos ir muito longe para perceber que esse tipo de auto justificação ilusória é um destruidor universal da harmonia e do amor. Ela coloca homens contra homens e nações contra nações. Por meio dela, pode-se fazer com que toda as formas de loucura e violência pareçam certas e até mesmo respeitáveis. É claro que não cabe a nós condenar. Precisamos apenas investigar a nós mesmos.
Como podemos então trabalhar cada vez mais para reduzir nossa culpa, revolta e orgulho?
Quando inventário esses defeitos, gosto de pintar um quadro e contar uma história a mim mesmo. Meu quadro é aquele de uma Rodovia para a Humildade e minha história é uma alegoria. Em um dos lados da minha Rodovia, vejo um grande pântano. Os acostamentos da Rodovia acompanham um charco raso que finalmente se funde naquele lamaçal da culpa e da revolta no qual me afundei tão frequentemente. A auto-destruição está lá à espreita e eu sei disso. Mas o terrenos do outro lado da minha Rodovia parece excelente. Vejo clareiras convidativas e, além delas, grandes montanhas. As incontáveis trilhas que levam a essa terra agradável parecem seguras. Será fácil, penso eu, encontrar o caminho de volta.
Juntamente com alguns amigos, decido tomar um rápido atalho. Escolhemos nosso caminho e alegremente o seguimos. Sonhadoramente, alguém logo diz: “Talvez encontremos ouro no topo daquelas montanhas”. E então, para nossa surpresa, achamos ouro – não pepitas dos regatos, mas sim moedas plenamente cunhadas. Uma das faces dessas moedas apresenta a inscrição: “Isto é ouro puro – vinte e quatro quilates”. Com toda certeza, pensamos, esta é a recompensa pelo nosso paciente e penoso caminhar de volta para a eterna luminosidade da Rodovia.
Logo no entanto, começamos a notar as palavras na outra face das nossas moedas e temos estranhos pressentimentos. Algumas delas ostentam inscrições muito atraentes: “Eu sou o Poder”, “Eu sou a aclamação”, “Eu sou a riqueza”, “Eu sou a Retidão”, dizem elas. Mas outras inscrições parecem muito estranhas. Por exemplo: “Eu sou a Raça Suprema”, “Eu sou o Benfeitor”, “Eu sou as Boas Causas” e “Eu sou Deus”. Isso é muito intrigante. Não obstante, embolsamos as moedas. Mas em seguida vêm aquelas realmente chocantes e dizem: “Eu sou o Orgulho”, “Eu sou a Raiva”, “Eu sou a Agressão”, “Eu sou a Vingança”, “Eu sou a Discórdia”, “Eu sou o Caos”. Reviramos então uma única moeda – apenas uma – na qual se lê: “Eu sou o próprio Demônio”. E alguém entre nós fica horrorizado e grita: “Isto é ouro de tolo e este é o paraíso dos tolos – vamos cair fora daqui!”
Mas muito não querem voltar conosco. “Vamos ficar aqui e separar estas moedas malditas”, dizem eles. “Escolheremos apenas aquelas que trazem as inscrições felizes. Aquelas que dizem, por exemplo, ‘Poder’, ‘Glória’ e ‘Retidão’. Vocês vão se arrepender de não terem ficado aqui” . Não é de se estranhar que tenham se passado muitos anos antes que parte do nosso grupo original voltasse à Rodovia.
Essa é a história daqueles que juraram nunca voltar. Eles haviam dito: “Este dinheiro é ouro de verdade e não venham nos dizer o contrário. Vamos acumular tudo que pudermos. É claro que não gostamos dessas frases loucas. Mas há muita lenha aqui. Vamos fundir tudo isso em bons e sólidos tijolos de ouro”. Então os recém-chegados adicionaram: “Foi assim que o ouro do Orgulho levou nossos irmãos. Eles já estavam discutindo acerca dos seus tijolos quando partimos. Alguns estavam feridos e outros estavam morrendo. Eles haviam começado a se destruir uns aos outros”.
Esse quadro simbólico ilustra para mim graficamente como poderei conseguir a “humildade para hoje”, apenas na medida em que for capaz de evitar o pântano da culpa e da revolta, bem como aquela terra bela mas ilusória semeada com a moeda do Orgulho. É assim que poderei encontrar e permanecer na Estada para a Humildade que fica entre o pântano e a terra do outro lado. É portanto permanentemente necessário um inventário constante que possa revelar quando estou saindo do caminho.
É claro que nossas primeiras tentativas desse inventário estão prontas a ser muito irreais. Eu costumava ser um campeão da auto-avaliação irreal. Queria contemplar apenas a parte da minha vida que parecia boa. Exagerava em quaisquer virtudes que supunha haver conquistado. Em seguida eu me congratulava pelo grande trabalho que estava realizando. Assim, minha auto-ilusão inconsciente nunca falhava em converter o meu pequeno ativo bom em um sério passivo. Esse processo surpreendente era sempre agradável, Isso naturalmente gerava uma terrível ansiedade por mais “realizações” e ainda mais aprovação. Eu estava recaindo diretamente no padrão dos meus dias de bebedeira. Lá estavam os mesmos velhos objetivos – poder, fama e aplauso. Além disso, eu dispunha do melhor álibi conhecido – o álibi espiritual. O fato de eu ter realmente um objetivo espiritual sempre fez essa insensatez absoluta parecer perfeitamente justa. Eu não conseguia diferenciar uma moeda boa de outra ruim; era uma fundição de ouro em tijolos da pior espécie. Lamentarei para sempre os prejuízos que causei às pessoas ao meu redor. Na realidade, estremeço ainda quando percebo o que poderia ter feito para A. A. e seu futuro.
Naquela época, eu não estava muito preocupado acerca das áreas vitais nas quais estava imobilizado. Sempre havia um álibi. “Afinal de contas”, dizia a mim mesmo, “estou ocupado demais com questões muito mais importantes”. Essa era a minha prescrição quase perfeita para o conforto e a complacência.
Mas ocasionalmente eu tinha simplesmente que enfrentar determinadas situações onde, frente a frente, estava me saindo muito mal. De imediato, estabelecia-se uma assombrosa revolta. Em seguida, a procura de desculpas tornava-se frenética. “Essas são na realidade as falhas de um homem bom”, exclamava eu. Quando esse truque preferido finalmente se desmantelava, eu pensava: “Bem, se essa gente ao menos me tratasse direito, eu não teria que me comportar desse jeito”. A desculpa seguinte era: “Deus sabe muito bem que eu tenho medonhas compulsões. Não consigo simplesmente superar essa. Assim, Ele terá que me libertar”. Finalmente vinha o instante em que eu gritava: “Isso eu positivamente não farei; nem mesmo tentarei”. É claro que meus conflitos continuavam se acumulando, porque eu simplesmente estava cheio de desculpas e recusas.
Quando esses problemas haviam finalmente me esgotado o suficiente, havia ainda uma outra fuga. Eu começava a vadear no pântano da culpa. Lá, o orgulho e a revolta cediam espaço à depressão. Embora as variações fossem muitas, meu tema principal sempre era: “Eu sou horrível”. Assim como havia exagerado minhas modestas conquistas através do orgulho, assim eu exagerava agora meus defeitos através da culpa. Eu corria por aí confessando tudo (e muito mais!) a quem quer que me ouvisse. Acreditem ou não, eu tomava isso como uma grande humildade da minha parte e contava com isso como meu único ativo e consolação remanescentes!
Durante esse ataques de culpa, nunca havia um arrependimento decente pelos males que eu havia causado, nem propósito algum de fazer reparações conforme pudesse. Nunca me ocorreu a idéia de pedir perdão a Deus, muito menos de perdoar a mim mesmo. É claro que minha deficiência realmente grande – orgulho e arrogância espirituais – nunca era examinada. Eu havia desligado a luz por meio da qual poderia tê-la enxergado.
Acredito hoje que posso estabelecer uma clara conexão entre minha culpa e meu orgulho. As duas atitudes recebiam, com certeza, atenção. Quando orgulhoso eu podia dizer: “Olhem para mim, eu sou maravilhoso”. Na culpa eu resmungava: “Sou horrível”. Consequentemente, a culpa é na realidade o verso da moeda do orgulho. A culpa objetiva, a auto-destruição e o orgulho vida a destruição dos outros.
É por essa razão que veja a “humildade para hoje” como a posição segura entre esses dois extremos emocionais exagerados. Ela é um lugar calmo onde posso manter uma perspectiva e um equilíbrio suficientes para dar meu pequeno passo seguinte no caminho nitidamente demarcado que leva aos valores eternos.
Muitos de nós experimentaram oscilações emocionais muito maiores que as minhas. Outros experimentaram menos. Mas todos nós as experimentamos às vezes. Acredito no entanto que não precisamos lastimar esses conflitos. Eles parecem ser uma parte necessária do crescimento emocional e espiritual. Eles são a matéria-prima a partir da qual tem que ser realizado grande parte do nosso progresso.
Alguém duvida que A. A. não passe de um poço transbordante de dor e conflito? A resposta é: “Claro que não”. Em grande parte, nós Aas realmente encontramos a paz. Embora intermitentemente, conseguimos atingir uma crescente humildade cujos dividendos foram a serenidade e a alegria legítima. Não nos desviamos mais tanto quanto fazíamos.
No início dessa meditação, acreditava-se que os ideais absolutos estivessem muito além do nosso alcance ou mesmo da nossa compreensão; que careceríamos tristemente de humildade se realmente achássemos que podíamos atingir algo como a perfeição absoluta neste breve intervalo de existência terrena. Essa presunção seria certamente o ápice do orgulho espiritual.
Raciocinando dessa forma, muitas pessoas não fazem nenhuma concessão relativa aos valores espirituais absolutos. Os perfeccionistas, afirmam elas, ou estão cheios de presunção porque imaginam que atingiram algum objetivo impossível, ou então estão atolados na auto-condenação porque não fizeram na disso.
Penso que não devemos sustentar essa visão. Não é culpa dos grandes ideais que eles sejam ocasionalmente mal-utilizados, tornando-se assim desculpas esfarrapadas para a culpa, a revolta e o orgulho. Por outro lado, não poderemos crescer muito a menos que tentemos constantemente vislumbrar quais são os eternos valores espirituais. Como diz o Décimo Primeiro Passo do programa de recuperação de A. A.: “Procuramos melhorar, através da prece e da meditação, nosso contato com Deus na forma que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento da Sua vontade em relação a nós e forças para realizar esta vontade”. Isso certamente significa que devemos nos voltar Para Perfeição de Deus como nosso guia, ao invés de como o objetivo a ser atingido em algum período de tempo previsível.
Tenho certeza de que, por exemplo, devo procurar a melhor definição de humildade que me seja possível conceber. Essa definição não terá que ser absolutamente perfeita – sou apenas solicitado a tentar. Suponhamos que eu escolha uma definição como essa: “A humildade perfeita seria um estado de completa libertação de mim mesmo, libertação de todas a s exigências que meus defeitos de caráter me impõe agora tão pesadamente. A humildade perfeita seria uma disposição total, permanente e une presente para descobrir e cumprir a vontade de Deus”.
Quando medito sobre essa concepção, não preciso desanimar porque nunca a atingirei, nem preciso ficar cheio de mim por presumir que qualquer dia desse possuirei todas essas virtudes.
Preciso apenas apoiar-me na própria concepção, deixando-a crescer e preencher cada vez mais o meu coração. Feito isso, posso compará-la ao meu último inventário pessoal. Terei então uma idéia lúcida e sadia de onde realmente me encontro na Rodovia para Humildade. Percebo que minha jornada em direção a Deus apenas começou. A medida que sou reduzido ao meu tamanho e estatura corretos, minha auto-centralização e minha importância tornam-se divertidas. Cresce então a certeza de que tenho um lugar nessa Rodovia, de que posso avançar ao longo dela com uma paz e uma confiança cada vez mais profundas. Percebo mais uma vez que Deus é bom, que não preciso temer o mal. Esta é uma enorme dádiva, essa percepção de que a um destino para mim.
A medida em que continuo a contemplar a perfeição de Deus, descubro ainda mais uma alegria. Em criança, ouvindo a minha primeira sinfonia, senti-me arrebatado por uma indescritível harmonia embora pouco entendesse de onde ou como ela surgirá. Assim, quando ouço a Música das Esferas de Deus, posso ouvir novamente aqueles couros divinos através dos quais sou informado de que o grande compositor me ama – e de que eu O amo.
(Fonte: O melhor de Bill – paginas: 36 a 47)

HUMILDADE – Caminhos para:
NA OPINIÃO DO BILL

Nas mãos de Deus
Quando olhamos para o passado, reconhecemos que as coisas que nos chegaram quando nos entregamos nas mãos de Deus foram melhores do que qualquer coisa que pudéssemos ter planejado.
Minha depressão aumentou de forma insuportável até que finalmente me pareceu estar no fundo do poço, pois naquele momento o último vestígio de minha orgulhosas obstinação foi esmagado. Imediatamente me encontrei exclamando: “Se existe Deus, que Ele se manifeste! Estou pronto para fazer qualquer coisa, qualquer coisa!”
De repente, o quarto se encheu de uma forte luz. Pareceu-me com os olhos de minha mente, que eu estava numa montanha e que soprava um vento, não de ar, mas de espírito. E então tive a sensação de que era um homem livre. Lentamente o êxtase passou. Eu estava deitado na cama, mas agora por instantes me encontrava em outro mundo, um mundo novo de conscientização. Ao meu redor e dentro de mim, havia uma maravilhosa sensação de presença e pensei comigo mesmo: “Então, esse é o Deus dos pregadores!”

Buscando o ouro do insensato
O orgulho é o grande causador da maioria das dificuldades humanas, o principal obstáculo ao verdadeiro progresso. O orgulho nos induz a exigir de nós e dos outros; e as exigências não podem ser cumpridas sem perverter ou fazer mau uso dos instintos que Deus nos deu. Quando a satisfação de nossos instintos em relação ao sexo, segurança e posição social se torna o único objetivo de nossa vida, então o orgulho entre em cena para justificar nossos excessos.
Posso alcançar a “humildade por hoje” apenas na medida em que sou capaz de evitar, por um lado, o lamaçal de sentimentos de culpa e revolta, e por outro, essa bela mas esmagadora terra semeada de moedas de ouro do orgulho do insensato. É assim que posso encontrar e permanecer no verdadeiro caminho da humildade, que está situado entre esses dois extremos. Logo, é necessário um inventário constante que possa mostrar quando me afasto do caminho.

O sistema econômico de Deus
“No sistema econômico de Deus, nada é desperdiçado. Através do fracasso, aprendemos uma lição de humildade que é provavelmente necessária, por mais dolorosa que seja.”
Nem sempre chegamos mais perto da sabedoria por causa de nossas virtudes; nossa melhor compreensão frequentemente tem fundamento nos sofrimentos de nossos antigos desatinos. Pelo fato disso ter sido a essência de nossa experiência individual, é também a essência de nossa experiência como irmandade.

Aceitação diária
“Grande parte de minha vida foi passada repisando as faltas dos outros. Essa é uma das muitas formas sutis e maldosas de auto-satisfação, que nos permite ficar confortavelmente despreocupados a respeito de nossos próprios defeitos. Inúmeras vezes dissemos: ‘Se não fosse por causa dele (dela), como eu seria feliz!’”
Nosso primeiro problema é aceitar nossas circunstâncias atuais como são, a nós mesmos como somos, e as pessoas que nos cercam como também são. Isso é adotar uma humildade realista sem a qual nenhum verdadeiro progresso pode sequer começar. Repetidamente precisaremos voltar a esse pouco lisonjeiro ponto de partida. Esse é um exercício de aceitação que podemos praticar com proveito todos os dias de nossas vidas.
Desde que evitemos arduamente transformar esses reconhecimentos realistas dos fatos da vida em álibis irreais para a prática da apatia ou do derrotismo, eles podem ser a base segura sobre a qual pode ser construída a crescente saúde emocional e, portanto, o progresso espiritual.

Não podemos viver sozinhos
Todos os Doze Passos de A. A. nos pedem para irmos contra nossas desejos naturais; todos eles reduzem nosso ego. Quando se trata da redução do ego, poucos Passos são mais duros de aceitar do que o Quinto Passo. Dificilmente qualquer um deles é mais necessário à sobriedade prolongada e à paz de espírito.
A experiências de A. A. nos ensinou que não podemos viver sozinhos e com os problemas que nos pressionam e com os defeitos de caráter que os causam ou agravam. Se passarmos o holofote do Quarto Passo sobre nossas vidas, e se ele mostrar, para nosso alívio, aquelas experiências que preferimos não lembrar, então se torna mais urgente do que nunca desistirmos de viver sozinhos com aqueles atormentadores fantasmas do passado. Temos que falar deles para alguém.
Não podemos depender totalmente dos amigos para resolver todas as nossas dificuldades. Um bom conselheiro nunca pensará em tudo, por nós. Ele sabe que a escolha final deve ser nossa. Entretanto, ele pode ajudar a eliminar o medo, oportunismo e a ilusão, tornando-nos capazes de fazer escolhas afetuosas, prudentes e honestas.

Coragem e prudência
Quando o medo persistiu, nós já o conhecíamos e fomos capazes de lidar com ele. Começamos a ver cada adversidade como uma oportunidade enviada por Deus para desenvolver a espécie de coragem que nasce há humildade não do desafio.
A prudência é um terreno trabalhável, um canal de navegação seguro entre os obstáculos do medo de um lado e descuido do outro. A prudência na prática cria um clima definido, o único clima em que a harmonia, eficiência e progresso espiritual firmes podem ser conseguidos.
“A prudência é o interesse racional sem preocupação.”

A humildade perfeita
Eu, por minha parte, tento encontrar a definição mais verdadeira de humildade que puder. Ela não será a definição perfeita porque eu serei sempre imperfeito.
Nesse artigo, escolheria a definição seguinte: “A humildade absoluta consistiria num estado de completa libertação de mim mesmo, na libertação de todas as exigências que meus defeitos de caráter lançam tão pesadamente sobre mim agora. A humildade perfeita seria a total boa vontade de, em todos os momentos e lugares, reconhecer e fazer a vontade de Deus”.
Quando penso nessa visão, não preciso ficar desanimado porque nunca a atingirei, nem preciso me encher da presunção de que algum dia alcançarei todas essas virtudes.
Preciso apenas contemplar essa visão, deixando-a crescer e encher meu coração. Isto feito, posso compará-la ao meu último inventário pessoal. Tenho então uma saudável idéia de onde me encontro no caminho para a humildade. Vejo que minha caminhada em direção a Deus apenas começou.
Ao reduzir-me ao meu verdadeiro tamanho, minhas preocupações comigo mesmo e o sentimento de minha própria importância fazem-me rir.

“Admitimos perante Deus…”
Desde que você não esconda nada, ao fazer o Quinto Passo, sua sensação de alívio aumentará de minuto a minuto. As emoções reprimidas durante anos saem de seu confinamento e, milagrosamente, desaparecem à medida que são reveladas. Com a diminuição da dor, uma tranqüilidade restauradora toma seu lugar. E quando a humildade e a serenidade estiverem assim combinadas, pode acontecer algo de grande significação para nós.
Muitos Aas, anteriormente agnósticos ou ateus, nos dizem que foi nessa fase do Quinto Passo que de fato sentiram, pela primeira vez, a presença de Deus. E mesmo aqueles que já tinham fé, muitas vezes tomaram consciência de Deus como nunca antes.

Guia para um caminho melhor
Quase nenhum de nós gostou da idéia do auto-exame, da redução do orgulho e da confissão das imperfeições que os Passos requerem. Mas vimos que o programa realmente funcionava para os outros e viemos a acreditar na desesperança da vida tal como estávamos vivendo.
Portanto, quando fomos abordados por aquelas pessoas que tinham resolvido o problema, só nos restou apanhar o simples conjunto de instrumentos espirituais que puseram ao nosso alcance.
Nas Tradições de A. A. está implícita a confissão de que nossa Irmandade tem suas falhas. Confessamos que temos defeitos de caráter, como sociedade, e que esses defeitos nos ameaçam continuamente. Nossas Tradições são um guia para melhores formas de trabalhar e de viver, e representam para a sobrevivência e harmonia do grupo o que os Doze Passos de A. A. representam para a sobriedade e paz de espírito de cada membro.

Percepção da humildade
Uma melhor percepção da humildade inicia uma mudança revolucionária em nossa maneira de ver. Nossos olhos começam a se abrir aos imensos valores resultantes do doloroso esvaziamento do ego. Até agora, dedicamos grande parte de nossas vidas a fugir do sofrimento e dos problemas. A fuga através da garrafa foi sempre nossa solução.
Então, em A. A., observamos e escutamos. Por todo lado vimos o fracasso e a miséria transformados pela humildade em valores inestimáveis.
Para quem tem progredido em A. A., a humildade significa uma claro reconhecimento do que e de quem realmente somos, seguido de uma tentativa sincera de nos tornar aquilo que poderíamos ser.

Entre os extremos
“ verdadeira questão é se podemos aprender de nossas experiências algo que sirva de base para podermos crescer e para ajudar outros a crescerem à imagem e semelhança de Deus.
“Sabemos que se nos negarmos a fazer aquilo que é razoavelmente possível para nós, seremos castigados. E também seremos castigados se pretendermos ter uma perfeição que simplesmente temos.
“Aparentemente o caminho da relativa humildade e progresso deve estar entre esses extremos. Em nosso lento progresso em abandonar a rebeldia, a verdadeira perfeição está sem dúvida muito distante.”

O começo da humildade
“Há poucos pontos absolutos inerentes aos Doze Passos. Quase todos os Passos estão abertos à interpretação baseada na experiência e na visão do indivíduo.
“Consequentemente, o indivíduo é livre para começar os Passos no ponto em que puder ou quiser. Deus, como nós O concebemos, pode ser definido como um ‘Poder maior…’ ou, como o Poder Superior. Para milhares de membros, o próprio grupo de A. A. tem sido, no início, um ‘Poder Superior’. Esse reconhecimento é fácil de aceitar, se o recém-chegado sabe que os membros, em sua maioria, estão sóbrios e ele não.
“Sua admissão é o começo da humildade – pelo menos o recém-chegado está disposto a renunciar à idéia de que ele mesmo é Deus. Isso é tudo o que ele precisa para começar. Se, continuando esta admissão, ele relaxar e praticar todos os Passos que puder,certamente crescerá espiritualmente.”
Alcançando a humildade
Percebemos que não precisávamos sempre apanhar e levar cacetadas para ter humildade. Ela poderia ser alcançada seja se a procurássemos voluntariamente, seja pelo constante sofrimento.
Em primeiro lugar, procuramos obter um pouco de humildade, sabendo que morreremos de alcoolismo se não o fizermos. Depois de algum tempo, embora ainda possamos nos revoltar, até certo ponto, começamos a praticar a humildade, porque essa é a coisa certa a se fazer.
“Chega então o dia em que, finalmente livres da revolta, praticamos a humildade, porque no fundo a queremos como um modo de vida.”

Complete a limpeza da casa
Muitas vezes, os recém-chegados procuram guardar para si mesmos os fatos desagradáveis referentes às suas vidas. Tentando evitar a experiência humilhante do Quinto Passo, eles tentaram métodos mais fáceis. Quase sem exceção se embriagaram… Tendo preservado no resto do programa, perguntavam-se porque tinham recaído.
Acho que a razão é que eles nunca completaram a limpeza de sua casa. Fizeram seu inventário, mas continuaram agarrados a alguns de seus piores defeitos. Eles somente pensaram que tinham perdido seu egoísmo e medo. Somente pensaram que tinham se humilhado. Mas não tinham aprendido o suficiente sobre humildade, coragem e honestidade. Até que contaram a outra pessoa toda a sua vida.

Perfeição – apenas um objetivo
Nós, seres humanos, não podemos ter humildade absoluta. No máximo podemos apenas vislumbrar o significado e o esplendor desse perfeito ideal. Só Deus pode Se manifestar no absoluto; nós seres humanos, precisamos viver e crescer no domínio do relativo.
Assim sendo, buscamos progredir na humildade para hoje.
Poucos de nós estão prontos para sequer sonhar com a perfeição moral e espiritual; queremos apenas nos desenvolver tanto quanto esteja ao nosso alcance nessa vida, de acordo, é claro, com as mais variadas idéias que cada um tenha sobre o que esteja ao seu alcance. Lutamos equivocadamente para alcançar objetivos determinados por nós mesmos, em vez de lutar pelo objetivo perfeito, que é o objetivo de Deus.

O instinto de viver
Quando homens e mulheres ingerem tanto álcool a ponto de destruir suas vidas, cometem um ato totalmente antinatural. Contrariando seu desejo instintivo de auto preservação, parecem estar inclinados à auto destruição. Lutam contra seu mais profundo instinto.
Á medida que vão progressivamente se humilhando pela terrível surra administrada pelo álcool, a graça de Deus pode penetrar neles e expulsar sua obsessão. Aqui, seu poderoso instinto de viver pode cooperar plenamente com o desejo de seu Criador de lhes dar uma nova vida.
“A característica central da experiência espiritual consiste em dar a quem a experimenta uma nova e melhor motivação, fora de qualquer proporção com qualquer processo de disciplina, crença ou fé.
“Essas experiências não podem nos tornar íntegros de uma vez; constituem um renascimento a uma nova e verdadeira oportunidade.”

Precisamos a ajuda de fora
Era evidente que uma auto-avaliação, feita a sós, e admissão de nossos defeitos, baseada só nessa avaliação, nem de longe seriam suficientes. Tínhamos que ter ajuda de fora, se quiséssemos saber e admitir a verdade a nosso respeito – a ajuda de Deus e de um outro ser humano.
Somente através de uma discussão sobre nós mesmos, sem esconder nada, somente com a disposição de seguir conselho em direção ao pensamento correto, à honestidade sólida e à verdadeira humildade.
Se estivermos nos enganando, um conselheiro competente pode rapidamente percebê-lo. E, à medida que ele habilmente nos afasta de nossas fantasias, ficamos surpresos ao descobrir que vamos tendo poucos dos costumeiros ímpetos de nos defender das verdades desagradáveis. De nenhuma outra forma podem desaparecer tão prontamente o medo, o orgulho e a ignorância. Depois de certo tempo, percebemos que estamos numa nova base firme para a integridade, e agradecidos damos crédito a nossos padrinhos, cujos conselhos nos indicaram o caminho.

Para matar ou curar o sofrimento
“Acredito que quando éramos alcoólicos ativos, bebíamos principalmente para acabar com o sofrimento de um tipo ou de outro – físico, emocional ou psíquico. É claro que cada pessoa tem um ponto fraco, e suponho que você tenha encontrado o seu – por essa razão é que recorremos à garrafa outra vez.
“Se eu fosse você, não me culparia tanto por isso; por outro lado, a experiência deveria redobrar sua convicção de que o álcool não tem um poder permanente para acabar com o sofrimento”.
Em cada história de A. A., o sofrimento tinha sido o preço da admissão para uma nova vida. Mas esse preço tinha comprado mais do que esperávamos. Ele trouxe humildade, que logo descobrimos que era um remédio para o sofrimento. Começamos a ter menos medo do sofrimento e a desejar a humildade mais do que nunca.

Desde a raiz principal
O princípio de que não encontraremos qualquer força duradoura, sem que antes admitamos a derrota total é a raiz principal da qual germinou e floresceu nossa sociedade toda.
É dito a todo recém-chegado, e logo ele percebe por si mesmo, que sua humildade admissão de impotência perante o álcool constitui o primeiro passo em direção à libertação de seu jugo embriagador.
Assim, pela primeira vez, vemos a humildade como uma necessidade. Mas isso é apenas o começo. Afastar completamente nossa aversão à idéia de ser humildes, obter uma visão da humildade como o caminho que leva à verdadeira liberdade do espírito humano, trabalhar para a conquista da humildade como algo desejável por si mesmo, são as coisas que demoram muito, muito tempo para a maioria de nós. Uma vida inteira dedicada ao egocentrismo não pode ser mudada de repente.

Contado o pior
Embora fossem muitas as variações, meu principal tema era sempre: “Como sou terrível!” Do mesmo modo como muitas vezes, por orgulho, exagerava minhas mais modestas qualidades, também exagerava meu defeitos através do sentimento de culpa. Em todos os lugares, eu vivia confessando tudo (e mais um pouco) a quem quisesse me ouvir. Acreditem ou não, eu achava que essa ampla exposição de meus erros era uma grande humildade de minha parte e considerava isso um consolo e um grande bem espiritual.
Porém, mais tarde, percebi profundamente que na verdade não tinha me arrependido dos danos que causei aos outros. Esses episódio eram apenas a base para contar histórias e fazer exibicionismo. Junto com essa compreensão, veio o começo de um certo grau de humildade.

Nosso manto maior
Quase todo jornalista que vai fazer uma reportagem sobre A. A. se queixa, a princípio, da dificuldade de escrever sua matéria sem citar nomes. Mas esquece rapidamente esta dificuldade quando compreende que este é um grupo de pessoas que não se preocupa de forma alguma com o aplauso.
Provavelmente é a primeira vez em sua vida que ele faz uma reportagem sobre uma organização onde ninguém quer publicidade pessoal. Por mais cético que ele seja, essa sinceridade evidente o transformará num amigo de A. A.
Movidos pelo espírito do anonimato, enquanto membros de A. A. tentamos deixar de lado nossos desejos naturais de distinção pessoal, tanto entre nossos companheiros alcoólicos como ante o público em geral. À medida que deixamos de lado estas aspirações muito humanas, acreditamos que cada um de nós contribui para tecer um manto protetor que cobre toda nossa sociedade e sob o qual podemos crescer e trabalhar em unidade.
(Fonte: Na Opinião do Bill – paginas: 2-12-31-44-83-91-106-126-149-156-159-191-211-213-236-246-248-291-305-311-316)

A HUMILDADE É O TRAJE DO ANONIMATO E O ANONIMATO É A EXPRESSÃO DA HUMILDADE
Uma criação em lar religioso me incutiu uma noção de humildade sempre ligada a ficar de joelhos. Na minha vida adulta engrossei o caudal daqueles que vêem humildade intimamente relacionada à pobreza. Foi difícil entender o sentido de humildade. Em A. A. me foi mostrado que nossos Doze Passos refletem um conteúdo de humildade, quase sempre ao lado da fé.
Foi relativamente fácil relacionar um conteúdo de humildade com a heterogênica composição de nossa Unidade. Entendia humildade como a minha coexistência no Grupo em pé de igualdade com companheiros menos providos de recursos ou de escolaridade. Aceitei essa condição de bom grado. Acresce que a não-religiosidade de A. A. me liberava de ver a humildade em atitude de genuflexão.
Foi cômodo formar uma convicção de que o A. A. teria uma concepção diferente de humildade. Levou tempo para que percebesse que não existem distintas acepções de humildade.
Talvez a descrição que alguém possa fazer da humildade contenha uma visão particular que de forma alguma destoa do significado único.
Em dicionários encontrei definições secundárias de humildade, que contemplavam uma noção de modéstia, pobreza e ainda respeito, reverência e submissão. Contudo, em destaque, a definição: Humildade: virtude que nos dá o sentimento de nossa fragilidade. A aceitação de nossa condição humana.
A aceitação de nossa condição humana nos tira a veleidade de sermos Deus. Essa mesma aceitação de nossa humildade nos põe, de imediato, em nível de igualdade com as criaturas e nos induz mais facilmente ao reconhecimento de um Criador. Daí a total desnecessidade de darmos relevo à nossa personalidade. Daí a importância de nos despirmos dos atos que nos destacam. Daí a convicção plena de que nosso maior tesouro está em nossas intenções.
E que a pura alegria de nosso sentimento íntimo, vale mais, é mais gratificante do que os momentos de pequena glória que podemos ter ao declarar nossa autoria.
(Fonte: Revista Vivência – 91 – Set./Out. 2004 – Guaracy)

“HUMILDEMENTE ROGAMOS A ELE QUE NOS LIVRASSE DE NOSSAS IMPERFEIÇÕES”
Ao pedir:
“Humildade”: refiro-me sinceramente às minhas limitações reconhecendo que sou falível, sujeito a cometer erros.
“Rogamos”: peço e suplico a Ele.
“Ele”: um Ser Superior a mim, potencializa dor e iluminador da minha auto-imagem.
“Que nos livrasse”: que me possibilite ficar resguardado, a salvo.
“De nossas imperfeições”: incorreções ou falhas apuradas nos Passos anteriores.
Notemos que a palavra “Ele” na frase está unindo o nosso reconhecimento da superioridade de Deus ao nosso desejo de evoluir e crescer seguindo Sua orientação e preceitos.
No 7º Passo o que se faz é reconhecer que apesar do esforço que fizemos nos 4º, 5º e 6º Passos para fazer um inventário o mais completo e honesto possível de nossa vida passada relacionando por escrito tudo de que nos lembramos e reexaminando cautelosamente com lisura e isenção de ânimo, de tudo o que foi listado pode haver ocorrido omissões involuntárias.
Além disso, existe ainda a possibilidade de não termos feito uma avaliação plenamente a certada no nosso inventário, já que nossa capacidade de discernir e apreciar com imparcialidade as coisas é muito inferior à de Deus.
Justo por isso nós Lhe pedimos com humildade que potencialize nosso espírito e nossa mente suprindo suas deficiências de modo que possamos conhecer a verdade sobre nós e nosso comportamento, incorporando à nossa imagem mental fatos exatos com base nos quais possamos corrigir os erros que cometemos livrando-nos assim, dos danos que causamos a nós mesmos, criando condições de reparar nos Passos seguintes os danos causados a terceiros.
Em outras palavras, eu peço a Deus que me auxilie ampliando minha capacidade de entendimentos e compreensão além do normal.
Chegou a hora de percorrer o caminho rumo à liberdade do espírito com a ajuda de um Poder Superior a mim mesmo. Com a ajuda deste Poder Superior que eu chamo de Deus, eu, alcoólico, compreenderei que me julguei espezinhado, fiz péssimos conceitos de mim mesmo, acumulei críticas a respeito de meus pensamentos e ações e adquiri sentimentos de inferioridade, de não prestar, baseado somente em provas que qualquer pessoa imparcial rejeitaria e quase sempre motivado por um perfeccionismo injustificável.
Através do 7º Passo descobrirei que é hora de encontrar um conceito verdadeiro a respeito da minha pessoa passando a agir como amigo e não como inimigo de mim mesmo.
Saberei que não sou herói nem vilão, mas apenas um ser humano com defeitos e qualidades como qualquer outro e que está neste mundo para evoluir fazendo o bem a mim mesmo e a meus semelhantes. Por pior que alguém seja sempre tem algo de bom para oferecer.
Percebi ainda com clareza o essencial: tenho que me perdoar e gostar de mim mesmo para poder perdoar e gostar dos outros.
Descobri que mudar meus hábitos colocando coisas novas e boas em minha mente vão ajudar-me a construir uma imagem adequada e realista baseada no meu sucesso e não no meu fracasso.
Para mim foi e é tremendamente importante para a prática deste Passo o convívio e a frequência às reuniões de A. A., onde consegui vividamente me aceitar como sou e aos outros como são através dos exemplos, da compreensão, da solidariedade e do sentimento de integração em um grupo social em vez do isolamento.
A troca de idéias e experiências, o encontro de novos e verdadeiros amigos, a visão de novos horizontes e caminhos, além de uma série enorme de outras coisas que só existem em A. A. facilitaram muito minha integração no mundo e na vida como um ser digno, decente e capaz.
No Grupo tenho desfrutado de momentos em que sinto algo parecido à verdadeira paz de espírito; meus olhos começaram a se abrir aos imensos valores que resultaram diretamente do doloroso esvaziamento do ego.
Sozinho nada sou, o Pai é que faz!
Tenho procurado cultivar a virtude da humildade, este dom que Deus me deu para que, através dele eu reconheça meu exato tamanho.
Praticando este Passo procuro me tornar livre de minhas imperfeições no tanto que for possível, mas não me tornando perfeccionista, porque só Deus é perfeito.
É bom ter sempre na mente estas verdades:
“Não sou melhor porque me louvam, nem sou pior porque me censuram. Sou, na verdade, o que sou aos Teus olhos Senhor e, à luz da minha consciência”.
“O que vem de fora não me faz mal porque não me torna mal. Só que vem de dentro pode me fazer mal, porque pode me tornar mal”.
Concluo que todos nós podemos e devemos ser felizes.
A alegria e a risada espontânea contagiam assim como tudo mais que sai naturalmente de dentro.
É um fato psicológico que os sentimentos que temos para com as outras pessoas são os sentimentos que temos em relação a nós mesmos.
Nós damos o que possuímos.
Quando começamos a nos sentir mais caridosos com os outros estamos fazendo a mesma coisa conosco.
É dessa maneira que nos tornamos melhores e nos livramos de nossos defeitos e imperfeições rumo à liberdade do espírito. Passando a gostar de nós mesmos, limpamos a nossa casa (mente) e ficamos em condições de ir recolher o lixo que jogamos na casa dos outros (8º Passo).
Aprender a “viver com os outros” é uma aventura fascinante!
(Fonte: Revista Vivência Nº 117 – Antônio)

HUMILDADE
“Um sentimento que leva a pessoa a reconhecer suas próprias limitações”
Humildade é uma palavra que vem do latim “húmus” que significa terra boa para se cultivar, que recebe bem e germina a semente. Refere-se à qualidade daqueles que sabem ouvir e não tentam se projetar sobre as outras pessoas, nem mostrar serem superiores a elas.
A humildade é a virtude que mostra o sentimento exato da nossa fraqueza, modéstia, respeito, pobreza, reverência e submissão.
É nessa posição que talvez se situe a humildade confissão de Albert Einstein quando reconhece que “por detrás da matéria há algo de inexplicável”..
A humildade é preciosa aos olhos de Deus e revela que quem possuir será mais e mais abençoado e agraciado com os Seus cuidados; ela conserva a alma na tranqüilidade e contentamento, mesmo em meio às dificuldades diárias e gera a paciência e resignação nos momentos mais difíceis.
Pode-se defini-la como “um sentimento que leva a pessoa a reconhecer suas próprias limitações; modéstia; ausência de orgulho.
É conveniente que utilizemos a humildade para eliminarmos nossos defeitos, tal como o fizemos ao admitir que éramos impotentes perante o álcool e chegamos à crença de que um Poder Superior a nós mesmos nos poderia devolver a sanidade. Se a humildade pode capacitar-nos a encontrar a graça por meio da qual a obsessão conseguiu desvanecer-se, então deve existir a esperança de que conseguiremos os mesmos resultados com respeito a qualquer outro problema que possamos ter.
A humildade é tão importante para mantermo-nos sóbrios como comer e beber é importante para nossa sobrevivência.
Conseguir ser humilde é o princípio essencial de cada um dos Doze Passos; é o caminho da tolerância que nos mantém sóbrios. Sem desenvolver esta preciosa virtude perderemos a probabilidade de encontrar a felicidade.
Procurando ser humilde tenho tentado ser honesto comigo e com meus semelhantes para aprender a admitir e corrigir minhas falhas. Se cultivo o orgulho não enxergo a realidade, torno-me incapaz de amar, de perdoar, de aceitar, de tolerar e de conviver.
A prática da humildade consiste em desenvolver sentimentos há muito perdidos principalmente por causa do alcoolismo: a compaixão pela dor do outro, a misericórdia pelos sentimentos alheios, a empatia de me perceber igual nas perdas e nas conquistas.
Registro aqui minha gratidão por estar hoje sóbrio, conquistando dia a dia minha vida envolto pelo amor de um Poder Superior a mim que, se eu deixar me livrará de minhas imperfeições.
(Fonte: Revista Vivência – 117 – Jan./Fev. 2009 – Jorge)

7º PASSO
“Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições”
Este Passo inicia-se com uma palavra chave para o nosso processo de recuperação: HUMILDADE. Uma das palavras de nossa língua com a qual perdemos um grande tempo tentando explicá-la e nunca conseguimos devido à grande dificuldade em praticá-la.
Desde criança recebemos direcionamentos para sermos o melhor, o mais bonito, o mais capaz e quando o fazemos nos colocam num pedestal e nos inflam o ego.
Geralmente encontramos grande dificuldade para analisar nossas imperfeições, pois é muito cômodo culpar os outros e essas imperfeições são a causa do nosso deficiente relacionamento.
Quando por necessidade somos obrigados a nos retratar chamamos a isto de renúncia e nos orgulhamos de nossa atitude.
Este Passo nos traz uma novidade: – o não exigir e sim pedir.
Nossos defeitos são sempre alimentados pelo medo de perder ou não conseguir algo que consideramos essencial para nossa felicidade.
Sabemos que alguns de nossos defeitos dependem só de nossa própria vontade para serem corrigidos: – mentimos porque queremos ou gostamos; fofocamos, agredimos com palavras e atitudes, somos donos da verdade, somos impacientes, procrastinamos, somos falsos, etc. porque nos acostumamos a isso e disso tudo podemos nos livrar adotando novas atitudes.
Existem, porém problemas que são mais graves, pois são inerentes à nossa personalidade.
Quando perdemos o controle erramos instintivamente e o posterior arrependimento nada resolve ou ainda piora a situação. Deste descontrole somente Ele nos pode oferecer condições de nos livrarmos.
Analisando friamente o assunto em minha vida constatei que tenho que fazer alguma coisa, pois todo o descontrole parte de uma situação perfeitamente controlável.
Sem me dar conta, inicio um processo que pouco a pouco alimenta neurose que me domina e só termina quando explodo e, normalmente esta explosão tem que atingir alguém que culpo por aquele meu estado, pois adoro ser vítima.
Através da prática deste Passo venho conseguindo paz interior, tranqüilidade e sobriedade, que dependem muito da minha capacidade de ser equilibrado e responder aos problemas com atitudes dentro de uma faixa de reações emocionais normais.
Venho conseguindo este novo modo de viver trilhando a proposta dos Doze Passos de A. A. e freqüentando as reuniões do Grupo, onde encontro cumplicidade e calor humano.
Do próximo Passo em diante vou me preparar para um mundo que será sempre o mesmo: – eu é que deverei ser diferente.
Fui excluído por ser diferente de uma forma negativa e agora, a inclusão vai depender de mim, que eu seja mais uma vez diferente, porém de maneira positiva.
(Fonte: Revista Vivência – 117 – Jan./Fev.2009 – Érico/SP)

A ORAÇÃO DO SÉTIMO PASSO
“Libertação do egoísmo em busca da humildade.”
Em uma reunião de serviços de A. A. onde os nervos de certos companheiros, inclusive os meus, já estavam à flor da pele para serem manifestados, um companheiro sereno fez a seguinte pergunta: vocês já fizeram a oração do 7º Passo?
Todos ficaram perplexos. Eu mesmo tentei lembrar que oração era esta, mas não consegui. Espera aí! Tem oração no Sétimo Passo?
Que oração é essa? Eu conhecia muito bem as orações da Serenidade e de São Francisco, as duas mais usadas em A. A., mas a oração do Sétimo Passo passou-me despercebida.
Então o companheiro pegou o “Livro Azul” (Alcoólicos Anônimos) e no capítulo 6 “Entrando em Ação” onde Bill W. escreve sobre os Doze Passos e justamente no Sétimo Passo havia essa oração que dizia assim:
“Meu criador, agora desejo que me aceites como sou, por inteiro, bom e mau. Peço que removas de mim tudo e qualquer defeito de caráter que me impeça de ser útil a Ti e aos meus companheiros. Conceda-me forças para que ao sair daqui, eu cumpra as tuas ordens. Amém!”
Chegando em casa refleti melhor sobre esta oração e sobre a mensagem deste passo que me fez olhar alguns de meus defeitos de frente e humildemente pedir que o Poder Superior arrancasse de dento de mim todo o mal.
Quando surgem situações que querem destruir minha serenidade, a dor muitas vezes me leva a pedir a Deus a clareza para identificar meu papel na situação.
Admitindo minha impotência perante meus defeitos peço por aceitação. Tento ver como meus defeitos de caráter contribuíram para a situação. Poderia ter sido mais paciente? Fui tolerante, insisti em fazer da minha maneira? Estava assustado?
Á medida que meus defeitos são revelados, coloco a autoconfiança de lado e humildemente peço a Deus que remova minhas imperfeições.
A situação pode não mudar, mas com a prática de exercitar a humildade, desfruto de paz e serenidade, que são os benefícios naturais por colocar minha confiança em um Poder Superior a mim mesmo.
Descobri neste Passo a solução! Ao invés de tentar fugir de minhas dores e desejar que meus problemas desapareçam, posso rezar pedindo humildade!
A humildade curará a dor. A humildade permitirá que eu me aceite alegremente como ser humano, sujeito a erros! Repetidamente trabalhei no Sétimo Passo. Ás vezes retrocedia e me reorganizava. Faltava alguma coisa e me escapava o trabalho do Passo: – o que eu não havia visto direito? Uma palavra simples, lida, mas ignorada, a base de todos os Passos, na verdade de todo o programa de Alcoólicos Anônimos; essa palavra é humildemente.
Entendi muito de meus defeitos. Constantemente adiava meu trabalho, ficava com raiva facilmente, sentia muita auto-piedade, e pensava: – por que eu? Então me lembrei: “o orgulho sempre vem antes da queda” e eliminei o orgulho da minha vida…
Descobri que a verdadeira alegria da vida está em dar algo ao próximo.
Ficar livre das minhas imperfeições faz com que eu possa mais livremente fazer meu serviço e permite que cresça em mim a humildade. Minhas imperfeições podem ser colocadas humildemente, aos cuidados amorosos de Deus para que possam ser removidas.
A essência do 7º Passo é a humildade e a melhor maneira de buscá-la é poder dar tudo de mim para Deus: o bom e o mau para que “Ele” possa remover o mau e devolver-me o bom.
Tendo admitido minha impotência perante alguns defeitos, e tomando a decisão de colocar minha vida e minha vontade aos cuidados de Deus, não sou eu quem decide quais defeitos serão removidos, nem a ordem que serão removidos, ou ainda a hora que serão removidos.
Peço a Deus que decida quais os defeitos que me impedem de ser útil a ”Ele” e aos outros e então, humildemente peço que os remova.
Não estou mais disposto a viver com a multidão de defeitos de caráter que caracterizaram minha vida quando eu bebia. O Sétimo Passo é o meu veículo para libertação destes defeitos. Rezo para ser ajudado a identificar o medo escondido nos defeitos e então peço a Deus para me libertar do medo. Esse método tem funcionando para mim sem falhas e é um dos grandes milagres de minha vida em Alcoólicos Anônimos.
Quando finalmente pedi a Deus para remover estas coisas que me separavam “Dele” e da luz do espírito, embarqueis na viagem mais gloriosa que podia imaginar. Experimentei a libertação destas características que me mantinham escondido em mim mesmo.
Devido a humildade deste Passo, hoje me sinto limpo. Sou especialmente consciente deste Passo porque agora sou útil a Deus e a meus companheiros. Sei que Ele me concede forças para cumprir sua vontade e me prepara para qualquer obstáculo ou coisa que possa surgir no meu caminho hoje. Sei que estou realmente seguro nas mãos de Deus e agradeço pela alegria de poder ser útil hoje.
(Fonte: Revista Vivência – 117 – Jan/.Fev.2009 – Garcia/Ribeirão Preto/SP)

QUANDO SOU HUMILDE?
“Quando vou ao Grupo e peço a Deus humildade para poder entender os depoimentos dos companheiros; quando vou depor e peço também humildade para poder falar sem orgulho, acanhamento ou vergonha e muitas outras imperfeições que tenho”
Sou um alcoólico em recuperação; hoje, com uma liberdade maior do que a de ontem, pois estou liberto de uma escravidão na qual eu não percebia que estava.
Hoje graças aos Doze Passos de A. A. tenho responsabilidade sobre minha pessoa e minhas escolhas traçaram o meu amanhã.
Primeiramente gostaria de agradecer a todos os companheiros mais antigos da Irmandade por estarem dando continuidade aos trabalhos de Bill e Bob.
Quando vou ao Grupo peço a Deus humildade para poder entender os depoimentos dos companheiros; peço também mente aberta para poder saber ouvir e entender a cada um e, quando vou depor peço também humildade para poder falar retirando minha vergonha, orgulho e muitas outras imperfeições que tenho.
Não adianta ir ao Grupo e não participar da programação; ir ao Grupo e não ter a humildade para mudar; não adianta, pois viçarei o mesmo bêbado de antes, porém sem beber se eu não me cobrar com humildade para estar me reformulando de nada adiantaria minha parada na militância alcoólica.
Hoje compreendo a humildade como uma fonte de sabedoria para minha recuperação.
Só por hoje tenho responsabilidade reconhecendo o meu real lugar que é freqüentando o Grupo.
Quando estava na ativa não tinha escolha, pois a doença me levava a ser irresponsável, mentiroso, manipulador, fazendo tudo de errado e com muita insanidade.
Hoje, com a sanidade devolvida tenho que ter humildade e mudar, pois só assim minha mente votará a dar frutos bons uma vez que o círculo vicioso da ativa levou vários anos e, só essa

FALANDO DE ESPIRITUALIDADE

FALANDO DE ESPIRITUALIDADE

Da mesma forma que ao redor de nosso corpo há um universo físico do qual um poder revigorante entra em nós, ao redor de nossa alma há uma Presença espiritual, em cuja comunhão nossa vida pode ser sustentada e nosso caráter transformado.
A manutenção de um sentimento de anonimato, da sensação de que eu não sou especial, é uma garantia essencial de humildade e, portanto, um ponto de segurança contra problemas futuros com o álcool.
A experiência nos ensinou, que a simplicidade é fundamental. O ego do alcoólatra tem uma morte sofrida, na transformação da sobriedade é possível encontrar um pouco de humildade.
Presença Espiritual, transformação, anonimato, humildade, simplicidade, sacrifício. Existe base melhor para a edificação de novas vidas?
O anonimato é um estado de espírito de grande valor para o indivíduo manter a sobriedade. Enquanto eu reconheço a sua função protetora, eu sinto que qualquer discussão seria unilateral se não enfatizasse a manutenção do sentimento de anonimato – de “eu não sou alguém especial” – é uma garantia fundamental de humildade e, portanto, uma segurança básica contra problemas futuros com o álcool. Esse tipo de anonimato é verdadeiramente um bem precioso.

CRESCIMENTO ESPIRITUAL
Dr. Laís Marques da Silva, ex-Custódio e Presidente da JUNAAB.
Palestra proferida por ocasião da XVI Convenção Nacional de Alcoólicos Anônimos – São Paulo, abril de 2003.
VIDA ESPIRITUAL
“Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual,… somos seres espirituais passando por uma experiência humana”.
Teilhard de Chardin

É freqüente que as pessoas tenham a idéia errada de que a vida espiritual é alguma coisa diferente e que deva ser vivida em separado, num cantinho lá do céu, num ambiente etéreo e místico. Pensam também que o nosso dia a dia está ligado a uma outra realidade que não é lá estas coisas, se comparada com o que concebem como sendo a vida espiritual, além de muito mundana. É também comum pensar que, para ser uma pessoa espiritual, é preciso não dar importância à nossa vida do dia a dia e ir para uma outra dimensão inteiramente diferente, um reino especial. Separamos e dividimos o que é uno e isso acontece com freqüência. Ademais, a dimensão do que se entende por vida espiritual vai muito além da repetição inconsciente de um ritual ou de uma oração. Por vezes, nos damos conta do potencial que temos de crescimento, mas é preciso ter em mente que ele não acontece por si mesmo. Há caminhos a serem percorridos, programas e passos a nos orientar a fim de termos esse potencial realizado. É preciso estar conscientes do modo como agimos, de como nos relacionamos conosco, com o nosso corpo, com as pessoas que nos rodeiam porque tudo isso cria uma espécie de mundo, interior e exterior, dentro do qual vivemos. Ao evoluir nesses aspectos das nossas vidas, iremos criar condições para viver melhor e para crescer espiritualmente e, nesse ponto, estaremos optando pela liberdade ou pelo sofrimento. Desenvolver a dimensão espiritual é próprio da vida dos seres humanos.
Pode ser difícil andar nas nuvens ou caminhar sobre as águas, mas fazer exatamente isso sobre a terra tem-se mostrado um enorme desafio, uma tarefa que apresenta novas dificuldades a cada momento. Tornar-se um ser com um individualismo ameno e afável é, provavelmente, o milagre maior que podemos realizar, o objetivo maior que temos na vida. O grande milagre é tornar-se um ser espiritualizado, pois a vida a todos nós tem ensinado que uma pessoa que tenha uma mente poderosa, se não tiver um bom coração, este poder não será de qualquer valia e pode ainda ser desvantajoso. Para caminhar sobre a terra, cada indivíduo tem que partir do fato de que possui uma consciência e de que é um ser único no mundo. Nada e ninguém é igual e isso implica em que o ser humano é só, sente a sua solidão. Possui uma identidade única, é singular. Além de diferenciado no momento da concepção, vive em ambientes diferentes e se desenvolve de um modo que lhe é próprio. Tem que ser ele mesmo dentro do seu espaço de liberdade. O senso de autonomia e autodeterminação lhe traz a idéia de ser responsável por si mesmo, uma vez que é o capitão do seu barco e mestre do seu destino. Percebe que só pode afirmar as suas potencialidades concretizando a própria individualidade. Mas aí entra a idéia de limite, pois que se vai longe demais nesta linha de desenvolvimento, acaba se tornando um ser orgulhoso, degenerado e autodestrutivo. Há também o fato não menos real de que, como ser social, necessita das outras pessoas não só para sustento e companhia, mas também para encontrar significado e sentido para a sua própria vida. Assim, há duas realidades distintas e em oposição e ambas são reais. Chamamos a isso de paradoxo e é a partir dele que temos que crescer espiritualmente.
O indivíduo é impulsionado para o desenvolvimento total das suas possibilidades, mas tem que reconhecer que é incompleto e, como tal, tem a sua fraqueza. Trabalha com a individuação de um lado e com a sua dependência, de outro. O desenvolvimento que se faz mais calcado em uma das vertentes do paradoxo desequilibra a equação. As oposições geram ou são a origem de conflitos, mas se os opostos forem unificados, não haverá tensão, conflito ou medo. O eu torna-se mestre de si mesmo e a vida pode vir a ser o que o indivíduo deseja. Surge a liberdade, o domínio e a unificação. O desenvolvimento espiritual permite encontrar um ponto de equilíbrio entre essas duas tendências. É esse desenvolvimento harmonioso que evita possíveis desvios. Se caminha pelo lado do individualismo, acentua a independência e a auto-suficiência e aí, como não consegue ser auto-suficiente nem independente completamente, é levado a falsificar, ocultando fraquezas e falhas. Tenta ser super-homem e controlar totalmente a sua vida. O individualismo, no entanto, leva ao isolamento social, à solidão que condena a viver um inferno existencial e, numa dimensão maior, à fragmentação da sociedade. Mais adiante, o indivíduo aprende que é natural e humano sentir ansiedade, depressão e abandono e percebe que é no convívio com os outros que pode compartilhar estes sentimentos sem medo ou culpa e ainda sem julgamento, se encontra o nível necessário de entendimento.
A partir deste quadro simplificado e, sendo membro de A.A., o companheiro cresce espiritualmente e passa a desenvolver a ética de um individualismo suave. Por outro lado, a vida mostra que, para cultivar um bom coração, não é suficiente dizer a nós mesmo que devemos ser bons, pois dizer o que devemos ser, sentir ou fazer não nos faz viver deste modo, mas nos abarrota de “deverias”, que muitas vezes nos fazem sentir culpados porque nunca somos como pensamos que deveríamos ser.
O que realmente é necessário, é transformar as nossas mentes e comportamentos aceitando um fato bem caracterizado pelo mito do dragão. Os mitos são uma maravilhosa fonte que nos ajudam a compreender os complexos e multidimensionais aspectos da natureza humana porque representam uma determinada realidade. O dragão é uma criatura mitológica que vem sendo usada por diferentes culturas há muitos séculos. Ele simboliza os seres humanos, já que são cobras com asas, vermes que podem voar e é isso que nós somos. Rastejamos como répteis, atolados na lama de pecaminosas tendências e preconceitos culturais resultantes da mente fechada. Mas, como pássaros ou anjos, podemos voar e transcender a realidade de réptil porque somos espírito e capazes de alcançar os céus. Esta é uma visão clara da nossa realidade.
No mundo ocidental costumamos separar o físico do espiritual. A tecnologia tem desenvolvido conhecimentos que melhoram a nossa qualidade de vida e a nossa condição física pessoal e, particularmente, a nossa saúde. Mas vale dizer que a ênfase maior caberia ao lado espiritual, já que o espírito é entendido por nós como sendo eterno, imortal. Aqui fica uma importante pergunta: seria possível, com a tecnologia de guerra existente nos nossos dias, sobreviver dentro desta posição de manter separado o físico do espiritual? Tudo indica que, para salvarmos a nossa pele, teremos que salvar primeiro as nossas almas. Logo, desenvolvimento espiritual não é retórica abstrata e sem sentido prático. Não parece ser possível melhorar a confusão em que colocamos o mundo de hoje sem pensarmos em alguma espécie de cura espiritual.

UM PROCESSO
Feitas as colocações iniciais, passamos a observar e a apreciar o que acontece num grupo de A.A. e também a identificar o modo pelo qual ocorre o despertar e o crescimento espirituais, em alguns de seus aspectos. Dentre as muitas realidades com que se defronta um recém-chegado a um grupo de A.A., destaca-se a de que, embora fique claro que o objetivo principal seja evitar o primeiro gole e assumir que é só por hoje, ele se dá conta de que há uma mensagem não escrita, que está no ar, e que aponta para o fato de que não basta que apenas viva como um alcoólico sóbrio, em abstinência. Percebe que não é suficiente apenas estar sóbrio, mas que precisa ganhar condições de permanecer sóbrio. Ou seja, ele observa que os companheiros ali presentes não estão apenas sóbrios. Muitos permaneceram sóbrios por longo tempo e estão bem, compostos e felizes. Além do mais, são educados, afáveis, atenciosos e ainda exibem uma atitude de boa vontade e de abertura em relação aos demais companheiros. Tudo isso a indicar que houve um progresso na recuperação. Assim, descobre que há um caminho a ser percorrido, que há uma proposta para esse caminho e, mais adiante, vai ver que progredir ao longo deste caminho é bem mais complexo do que se manter sóbrio. É preciso construir novas referências, estabelecer prioridades, deixar brotar novas esperanças, livrar-se de antigos comportamentos. A porta aberta do grupo dá acesso a uma nova realidade, a um caminho iluminado por luz libertadora.

COMUNICAÇÃO EM PROFUNDIDADE
A seguir, observa que as reuniões do grupo são marcadas pela fala, são reuniões em que se fala, e que o silêncio por parte dos que ouvem, usualmente, é completo. Assim, aquele que fala encontra no silêncio dos outros uma atitude de respeito em relação ao companheiro que faz o seu depoimento, e que isso estabelece uma abertura, traduz uma disponibilidade da parte dos companheiros do grupo.
O homem se realiza como pessoa através da comunicação; na comunicação o indivíduo sai de si em direção ao outro, passa a existir espiritualmente, ao mesmo tempo em que oferece a sua interioridade. Ganha a noção de si mesmo, da sua singularidade espiritual, e não só passa a ser gente, mas se realiza como gente quando se projeta sobre o outro. O isolamento faz crescer o sentimento de insegurança, o medo, mas o grupo responde à necessidade de superar a separação, de realizar a união, de transcender a vida individual, de entrar em sintonia com os outros. No grupo de A.A. todos se relacionam entre si, numa complexa interação. Estar fora dos relacionamentos é como estar fora da vida, e o homem sofre intensamente quando se sente isolado, fora do sistema de relações. Por outro lado, necessita recompor a sua auto-estima, ser aceito e que alguém diga: “Seja bem-vindo ao nosso grupo, você é a pessoa mais importante para nós”. A rejeição que sente, da parte dos que compõem o seu ambiente social, o faz sentir uma experiência de morte e, muitas vezes, o alcoólico nem é chamado pelo nome, apenas tem apelido.
Mas o silêncio de quem escuta um depoimento transmite a quem o faz a seguinte mensagem: eu sei que você tem valor, que é apenas um doente, que é um ser humano como eu, que sofre de uma enfermidade devastadora e, por isso, você merece o meu silêncio, a minha atenção e o meu respeito. Você tem valor e merece a minha compreensão e eu sou capaz de compreender porque tenho a “qualidade” de ser um alcoólico e de ter sido batido pelo mesmo demônio, o alcoolismo. O silêncio permite uma interação, um relacionamento direto e profundo, de olho no olho. Possibilita que se estabeleça uma empatia, significando que se sente precisamente o sentimento e o significado do que está sendo relatado.
Aquele que faz o depoimento encontra um lugar para os outros dentro do seu mundo pessoal, o que é indispensável para a sua própria realização existencial. Por outro lado, o silêncio permite que ele seja ouvido e compreendido e não apenas escutado. Neste ambiente, o companheiro pode abri-se inteiramente, baixar a guarda, pode estar presente de corpo e alma. O outro ganha existência real e a comunicação inter-humana, com todo o seu potencial, é restabelecida e, não menos importante, fica aberta a porta para o ganho da auto-estima. Compartilha porque tem a mesma necessidade e porque sabe que os companheiros da A.A. podem cicatrizar uns aos outros.
A comunicação profunda, assim estabelecida, quebra o isolamento do alcoólico e integra os membros do grupo dentro de um todo. É estabelecida uma relação intensa e profunda entre os membros do grupo, ao contrário dos contactos sociais superficiais e usualmente ligados a interesses. O relacionamento estabelecido é gratuito porque aquele que faz o seu depoimento oferece a sua experiência pessoal e os demais companheiros, no seu silêncio respeitoso, a sua compreensão e o seu amor de irmão.
O silêncio permite a manifestação da palavra, com todo o seu poder, e induz uma relação de reciprocidade, entendida como um mecanismo totalizador que envolve a todos os que estão no grupo. Estão imersos numa só atmosfera. Essa relação interpessoal profunda é o fundamento da existência de A.A.. É nela que se ganha dimensão humana e espiritualidade, e isso, numa época em que as pessoas se permitem esquecer do que é mais característico do homem, que é a sua humanidade.
Estabelece-se um ambiente sagrado, vivem-se momentos mágicos e todos sentem essa realidade, sendo usual que os companheiros que fazem os seus depoimentos os encerrem dizendo: “Obrigado pelo silêncio de vocês”.

VALORES ESPIRITUAIS
Identificada a existência de um caminho a ser percorrido, de um programa, e restabelecida a comunicação social numa dimensão muito especial, em algum momento deverá acontecer que um companheiro se aperceba de que uma lágrima rola em seu rosto no decurso de um depoimento. É que terá emergido nele um dos sentimentos mais poderosos que um ser humano pode sentir, que é a compaixão, e isso representa um importante marco no crescimento espiritual.
A compaixão, entendida como a consciência profunda do sofrimento de uma outra pessoa associada ao desejo de aliviá-la, é a resposta espontânea de um coração que está aberto para os outros companheiros. Não há sentimento mais enriquecedor e mais denso do que a compaixão. Nem a nossa própria dor pesa tanto quanto a dor que sentimos com alguém e por alguém. Esta dor é amplificada pela nossa imaginação quando, mais tarde, dialogamos conosco e começamos a imaginar como deve ter sido grande o sofrimento do companheiro diante dos fatos que nos foram relatados no seu depoimento. Ocorre também que esta dor é prolongada por muitos ecos, que são as lembranças que conservamos e que voltam posteriormente à nossa consciência repetidas vezes. Ter compaixão não é ter pena. A pena coloca as pessoas em situação de superioridade. Compaixão é sofrer junto com quem sofre, caminhar com quem caminha, é atender as necessidades do outro, é não abandoná-lo na sua necessidade.
Esse sentimento compõe a espiritualidade e aumenta a nossa dimensão humana. Abre um espaço para o outro dentro de nós e cria as condições para o surgimento do amor ao próximo. Embora não haja a recomendação para que amassem uns aos outros, este sentimento começa a fluir a partir desta experiência de grande intensidade emocional. O egocentrismo é amenizado, o egoísmo arrefece, o individualismo áspero se abranda sem que as pessoas tenham repetido oralmente qualquer intenção ou que tenham fixado um plano especial para isso.
Essa expansão do sentir, do ser, ocorre dentro da atmosfera do grupo, que é marcada por uma comunicação feita em profundidade e no silêncio respeitoso dos que empaticamente escutam. Isso ocorre num ambiente de compreensão, de respeito e de não julgamento, marcado pela preservação do anonimato que garante, numa palavra, a existência de um ambiente seguro. As pessoas que não conhecem a Irmandade, mas sabem dos sofrimentos intensos da destruição, em todas as dimensões do ser, que ocorrem como decorrência do alcoolismo a um paciente, imaginam que o ambiente dos grupos seja marcado pela dor e pela tristeza. Mas lá estão pessoas vencedoras que, em vez de serem tristes, mostram grande riqueza espiritual e até alegria. É que a atmosfera está sempre impregnada pelo sentimento de compaixão e talvez, por isso, seja tão agradável estar no grupo e desfrutar de toda essa riqueza. Os depoimentos fazem surgir a compaixão e não a tristeza que viria com o sentimento de pena, que torna o outro menor.

HONESTIDADE
Estando na ativa, um dos passatempos preferidos pelos alcoólicos é abusar da boa-fé dos que estão à sua volta e, com o tempo, desenvolvem uma grande habilidade para manipular e acabam se tornam manipuladores deles mesmos. Este comportamento desonesto acabaria, com o tempo, por desintegrar as suas próprias vidas. A desonestidade torna-se um hábito, uma adição tão falaciosa e poderosa quanto o alcoolismo em si. No tempo do alcoolismo ativo, a desonestidade se tornara uma maneira de vida, do que decorre que permanece nas mentes e nas emoções por longo tempo. Acontece, no entanto, que ela dói; é como estar ferido por saber que não se é a pessoa que pensava ser e, ainda mais, por precisar beber.
O alcoólico vive num mundo de ilusões difícil, para ele, de ser identificado como sendo diferente do mundo real, porque não se apercebe como um ser separado da realidade. Continua mentindo quando dizer a verdade seria mais fácil e conveniente. A verdade é que a vida na bebida exigia que fosse desonesto e para mudar isso leva tempo, além de exigir esforço e também o convívio com pessoas honestas.
Estando sóbrio, o alcoólico começa a desfrutar a vida com os sentidos limpos, claros, e se torna capaz de apreciar as realidades do mundo tal como elas são, sem a cortina da substância química, da droga. Ao freqüentar um grupo, mais cedo ou mais tarde, vai acontecer que o alcoólico irá fazer o seu primeiro depoimento, no qual irá oferece a sua experiência pessoal, sempre única. Nessa oportunidade, irá se defrontar com uma situação inteiramente nova na sua vida. Valorizado pelo silêncio respeitoso, pela atenção dos companheiros, ciente do anonimato, da compreensão confortadora oferecida pelos companheiros e de não ser julgado, ele começa a abrir o seu coração, só que dentro de uma circunstância muito particular: é que todos ali são alcoólicos e passaram por tudo o que ele passou e, os que não tiveram essas experiências, as conheceram a partir dos relatos de outros companheiros, por terem ouvido os seus depoimentos ao longo de anos. Nesta ocasião, surge um obstáculo intransponível que, num primeiro momento, pode não ser perfeitamente identificado, mas é percebido e que estará sempre lá. É que surge uma situação inteiramente nova: como manipular os companheiros que ouvem com atenção e respeito? Como abusar da sua boa-fé? Todos têm a “qualidade” de serem alcoólicos, todos já progrediram no caminho da verdade, no caminho das atitudes conscientes. Eles sabem tudo. Todos já tiveram, em algum grau, a alegria de viver uma realidade muito especial, a de que a verdade liberta. Tornaram-se, com o tempo, capazes de penetrar nas suas racionalizações e reações de defesa.
Mas há muita culpa, muita vergonha, muito remorso e muita dor moral e todos estão atentos e em silêncio. Aí, cada um que faz o seu depoimento encontra o seu caminho diante desta condição irremovível, não contornável, de que a honestidade dos que ouvem ajuda o depoente a encontrar a sua própria honestidade. A honestidade de cada um induz a honestidade de todos. Também, neste aspecto particular, há uma reciprocidade porque aquele que faz o depoimento sente que, no convívio, na interação com os companheiros do grupo, ele não pode ser desonesto, nem com eles nem consigo mesmo. Os que estão presentes necessitam da sua honestidade e o depoente, da mesma forma, precisa da honestidade dos que ouvem o seu depoimento. A honestidade, estabelecida desta maneira, cresce e se expande para áreas cada vez maiores das suas vidas, resultando que, na sobriedade, a honestidade ultrapassa, de muito, a da primeira admissão e isso porque é tão impossível, como diz Platão na República, implantar a verdade na alma de um homem quanto dar a visão a um cego de nascença. A verdade dos que ouvem ajuda aquele que faz o depoimento a encontrar a sua verdade, progressivamente, por si mesmo, ao longo do tempo.
Não há outro caminho possível e, se optar por continuar manipulando, encontrará, depois, algum companheiro que lhe dirá de maneira gentil e com palavras de amor doídas: “você esteve por inteiro dentro de um “show”, poderia o você real se levantar? Para ser honesto, qual é o seu eu verdadeiro?” A aquiescência e o aceno de cabeça dos companheiros que estão à volta o fará encontrar o caminho para a resposta. É que os alcoólicos em recuperação conhecem bem as falácias da negação e do ocultamento. Esse momento é muito difícil, mas há muita energia e muito apoio na atmosfera do grupo, e isso faz a diferença. Como esses momentos usualmente são de grande sofrimento, recomenda-se ao alcoólico recém-chegado que freqüente, se possível, diariamente um grupo de A.A. pelo período de um mês. É preciso receber suporte, compreensão e solidariedade por parte dos companheiros de forma continuada.
A honestidade marca o início da recuperação, quebra a negação e abre para a admissão da impotência diante do álcool e para o fato de que a vida do alcoólico se tornou inadministrável. Quem não for capaz de ser honesto consigo mesmo terá dificuldade de entrar no Programa de Recuperação de A.A.. A honestidade é indispensável para o crescimento espiritual e também para usufruir tudo que a sobriedade e a vida têm para dar.
Para uma pessoa honesta, fica fácil continuar sendo honesta, enquanto que uma mentira sempre leva a uma outra mentira e o hábito da mentira faz do mentiroso um trapaceiro que sempre tem que proteger e preservar a mentira. Pelo contrário, a dedicação à verdade leva a uma vida de honestidade e as pessoas honestas vivem como que ao ar livre e, pela coragem de assim viver, se tornam livres também do medo.
A verdade, como fundamento da libertação, tem que ser total, inteira. O mito de Orestes desvenda aspectos complexos da natureza humana em relação ao poder libertador da honestidade. O mito diz que Agamenon, guerreiro grego e pai de Orestes, que participara da Guerra de Tróia, ao retornar à pátria, vitorioso, foi assassinado pela sua mulher Clitemnestra e pelo seu amante, Egisto. Este fato colocou Orestes num beco sem saída. A maior obrigação de um grego era vingar seu pai em caso de assassinato mas, por outro lado, a coisa mais abominável que um jovem poderia fazer era assassinar a sua mãe. Orestes decidiu matar a mãe, foi condenado e os deuses decidiram que as Fúrias, que eram deidades vingadoras na mitologia grega, e em número de três, iriam rodear Orestes tagarelando culpas nos seus ouvidos e causando alucinações que o levariam à loucura. Por anos, as Fúrias o perseguiram até que Orestes resolveu pedir aos deuses que o aliviassem da pena. Houve um novo julgamento em que o deus Apolo foi seu defensor, e nele mostrou que Orestes não tivera nenhuma possibilidade de uma outra escolha que não as que lhe haviam sido impostas e, por isso, não podia ser considerado culpado. Os deuses do Olimpo resolveram então absolver Orestes que, neste exato momento, e para espanto de todos, se opôs a Apolo dizendo que se achava culpado, pois que não tinham sido os deuses e sim ele mesmo que matara a sua mãe, com as suas próprias mãos. Nunca antes outro ser humano havia colocado a verdade dos fatos de tal forma que lhe fosse tão adversa, especialmente depois de haver sido absolvido. Diante disso, os deuses decidiram manter a suspensão da pena e as Fúrias foram substituídas pelas Eumênides, também outras três deidades da mitologia grega, que eram as “portadoras da graça”. Eram, pelo contrário, vozes de sabedoria, dos espíritos ligados à Terra e associados à fertilidade, tendo também funções sociais e morais. O mito mostra que a verdade, levada ao extremo, foi capaz de transformar a doença mental em saúde e o preço foi a verdade a qualquer custo.
O programa de recuperação de A.A. nos mostra que o caminho da verdade tem que ser percorrido continuamente. É uma busca, um trabalho para toda a vida porque meia verdade ainda é uma mentira. Por outro lado, embora a verdade tenha que ser total e completa, conforta a lembrança de uns pensamentos de A.A. que dizem que se deve preferir o “progresso e não a perfeição” e que se deve “ir de vagar, mas ir”. É preciso ver clara e diretamente a verdade da nossa experiência a cada momento vivido, estar atento, estar consciente. De outra forma, a maior parte da nossa vida é conduzida por um piloto automático que funciona na base da ganância, do medo, da agressão, da busca de segurança, de afeição, de poder, de sexo, de riqueza, de prazer e de fama. Se vivermos agindo de modo a causar sofrimentos para nós e para os que nos cercam, é impossível que a mente se torne serena e centrada como é também impossível abrir o coração. A concentração e a sabedoria se desenvolvem rapidamente na mente baseada na generosidade e na verdade.
Por outro lado, não podemos cair numa historinha que ouvi contar, chamada de “A Caverna da Verdade”. Sabendo da existência dessa caverna, algumas pessoas decidiram conhecê-la. Fizeram uma longa viagem e, finalmente, ao chegarem à entrada, encontraram um guarda e perguntaram se aquela era a Caverna da Verdade, ao que o ele respondeu que sim. Perguntaram se podiam entrar e ele respondeu questionando o quão profundamente eles queriam ir caverna adentro. Conversaram entre si e retornaram dizendo que gostariam de entrar na caverna, mas só o suficiente para dizer que tinham estado lá. Essa história vem à lembrança quando resolvemos desenvolver uma maneira de vida que requer uma honestidade total. É preciso que não se queira ser honesto apenas na medida necessária para dizer que apenas visitamos a verdade e a honestidade. Temos que ir até o fundo, na caverna, para crescermos na honestidade.
Uma outra dificuldade encontrada nessa busca é o medo das conseqüências e da dor que a honestidade pode trazer. Mas, ao compartilhar as suas experiências pessoais no grupo, o alcoólico vai chegar à conclusão de que a desonestidade é ainda mais dolorosa e perigosa. As conseqüências, a curto prazo, de ser honesto são melhores do que as de continuar na desonestidade e é importante destacar que os benefícios que resultam da honestidade serão colhidos logo em seguida.
Até aqui o foco foi colocado sobre o presente e o passado. Mais adiante, na recuperação, a honestidade vai deixar claro que a vida do companheiro tem propósito e sentido, que pode ser útil aos outros, que passa a fazer a diferença e que, se não significa nada para muita gente, torna-se muito importante para os companheiros do seu grupo e para ele próprio.
E como ser honesto? É não ter a intenção de enganar, nem a si nem os outros e nem o Poder Superior. É como parar de beber, é parar. Não há alternativas para essas situações. Cabe aqui uma lembrança: é preciso ir com cuidado e ter paciência neste caminho porque ser brutalmente honesto pode ser mais brutal do que honesto. Finalizando, vimos que o outro, agora, não só existe e ocupa um espaço no interior de cada um companheiro, mas que também é percebido como de fundamental importância para progredir na recuperação, para encontrar a verdade da vida vivida em comunidade e, por isso, enriquecida. Para alcançar um novo equilíbrio, um grau de harmonia indispensável à paz interior e os outros também são indispensáveis para encontrar a honestidade.

A TRANSFORMAÇÃO COPERNICANA DO EU
O ideal superior, livremente escolhido e assumido, de manter as portas do grupo abertas para poder estender a mão àquele que ainda sofre nas garras do alcoolismo e de levar a mensagem de A.A. faz com que os membros do grupo cooperem entre si e, com essa atitude, favoreçam o aparecimento de um clima de entendimento e de harmonia, do qual resulta que o comportamento dos membros do grupo, como um todo, se torna mais social. Vale, neste ponto, enfatizar que a harmonia e a sociabilidade eram tudo o que não ocorria com o alcoólico no tempo da ativa. No grupo, desenvolvem a capacidade de acolher, de serem solidários e cooperativos, de conviver com o diferente, com o outro.
Ao cooperar, o companheiro aprende a amar e ama porque coopera com os membros do grupo para alcançar este importante objetivo. Caminha para a solidariedade deixando para trás de si, muitas vezes, a indiferença de um orgulhoso individualismo. O amor é a conseqüência natural da cooperação com os demais membros do grupo e uma decorrência dessa cooperação. Amar o próximo é algo próprio do ser humano, é manifestação do seu poder de se relacionar com o mundo. Dentro desse clima, o grupo passa a desempenhar o papel de um equipamento coletivo no qual o alcoólico se desloca do egocentrismo e do individualismo para o sociocentrismo. Vivendo nesse ambiente e participando dessa dinâmica, o membro do grupo caminha para uma ampla e completa cooperação e é na socialização que ele se torna mais homem e mais humano. O homem só pode se realizar e ser feliz em ligação e solidariedade com os seus semelhantes.
Em Alcoólicos Anônimos, o alcoólico deixa de ser o centro dos seus próprios interesses e um outro companheiro passa a se constituir num novo pólo mobilizador dos seus esforços, fora de si mesmo, e que vai mudar a sua maneira de se sentir e de ver o mundo que o cerca. O Décimo-Segundo Passo é mais do que uma invocação a se amarem uns aos outros. A sua prática se torna a própria instrumentalização do amor ao próximo. Representa um forte estímulo para que se desenvolva o sentimento de amor ao próximo de modo objetivo, real e eficaz. É como um exercício que desenvolve e fortalece o amor ao próximo, do mesmo modo que o exercício físico desenvolve e fortalece o corpo. O companheiro, participando da vida do seu grupo, evolui na arte de viver e nela ele é, ao mesmo tempo, o artista e o objeto da sua arte, o escultor e o mármore, o médico e o paciente.
Em tempos passados, existiu um astrônomo chamado Ptolomeu que dizia que a Terra estava no centro do universo e que os astros giravam à sua volta. Isso era muito claro e bastava observar o céu. Muito tempo depois, um outro cientista e astrônomo, Copérnico, descobriu que a verdade era bem diferente, pois que os astros realmente não giravam em torno da Terra e sim do Sol. A Terra deixou de ser o centro e o verdadeiro centro dos movimentos passou a ser o Sol. Por estranho que possa parecer, algo semelhante acontece com o alcoólico no convívio com os membros do seu grupo. Ao praticar o 12º Passo, o alcoólico deixa de ser o centro e o irmão que ainda sofre passa a ser o novo pólo em torno do qual giram a sua motivação e os seus esforços, o que leva a uma profunda modificação nos seus interesses e na sua conduta. Essa mudança traz consigo o deslocamento do egoísmo para uma nova condição, ditada pelo amor ao próximo, que ocorre graças à riqueza do 12º Passo. O Terceiro Legado é uma dádiva no caminho de recuperação do alcoólico.

RESPONSABILIDADE AUTO-ATRIBUÍDA
O fato de assumir o ideal maior de manter as portas abertas e de levar a mensagem de A.A. aos que ainda sofrem coloca a Irmandade em ação, leva aos serviços. Cria a necessidade imperiosa de responder a um ideal assumido, ou seja, conduz à responsabilidade porque torna o membro do grupo capaz de dar uma resposta racional a uma atitude racional, feita tanto a si mesmo quanto aos outros companheiros, e é isso que o torna responsável, um indivíduo moral.
Sabiamente, este entendimento faz com que os companheiros sintam-se responsáveis e assumam individualmente, de per si, a execução dos serviços. Aí está a qualidade de ser ela auto-atribuída. Se fosse imposta por alguém ou por alguma norma, poderia ser rejeitada ou não cumprida, mas como é auto-atribuída e como existe até uma importante e fundamental declaração de responsabilidade que costumeiramente é feita pelos presentes a uma reunião de grupo, esta responsabilidade se torna real e tanto é assim que os milhares de grupos existentes em todo mundo são sustentados pelas suas próprias contribuições.
Como decorrência, cada membro de A.A. irá, com o tempo e na medida do seu progresso ao longo do programa de recuperação, se sentindo crescentemente responsável. Declarar-se e sentir-se responsável representa um notável ganho espiritual. No entanto, há algo mais neste caminho, que é a contribuição que se faz na sacola. Aí não é só dizer ou assumir, mas fazer. O ato da doação torna-se um exercício, um ato real que é feito com as próprias mãos e, mais importante, um ato de vontade. Atua da mesma maneira que a ginástica age sobre o corpo; é uma ginástica da responsabilidade, que fortalece a vontade e muda o comportamento ao longo do tempo.
Um outro aspecto de grande importância que é oportuno destacar no que respeita a contribuição na sacola é que não há o estabelecimento de normas ou critérios quanto ao valor da contribuição. Qualquer forma de imposição de valores, ou até mesmo uma simples sugestão, tiraria o grande benefício que recebe aquele que faz a contribuição. É que, se a ordem ou sugestão viesse de fora, o ato deixaria de ser a decorrência de uma decisão pessoal, que parte da vontade livre de quem faz a contribuição. Como tal, deixaria de ter conteúdo próprio, de ser ato de responsabilidade tomado livremente a partir da própria consciência, de entender que precisa sentir gratidão pelo que recebeu, que é ato de amor pelo irmão que ainda sofre e, também, de ter a característica de ser um ato de poder pessoal, que contribui para desenvolver a auto-estima. Fica a sensação de que não pode tudo nem que não pode nada, mas que tem poder em relação a algumas coisas. Só dessa forma, o ato de contribuição se torna o exercício vivo e prático de responsabilidade, da capacidade de responder e se transforma em ginástica da responsabilidade, de exercício que a fortalece.
Vale lembrar que um dos problemas de vida no tempo do alcoolismo ativo era a irresponsabilidade e não se pode avaliar o número de vezes que um alcoólico, na ativa, foi chamado de irresponsável. O contraste de comportamento acentua o enorme ganho espiritual e a forma de auto-atribuição da responsabilidade não poderia ser melhor porque, desta maneira, funciona.
Há ainda um outro desdobramento não menos importante. Tudo isso poderia ser comprometido se o grupo aceitasse contribuições de fora, de outras pessoas que não fossem membros do grupo. Todo esse ganho espiritual estaria comprometido, todo este mecanismo maravilhoso de construção de uma personalidade sadia seria anulado. Mas não se aceitam contribuições financeiras ou aquelas que possam resultar em ganho financeiro e fica assim assegurada a evolução espiritual.
Pode-se identificar, dentro deste ganho espiritual, um importante deslocamento em direção à revolução copernicana do eu, à atenuação de egos inflados e do individualismo áspero.

OPÇÃO POR SER E NÃO POR TER
O recolhimento de recursos financeiros poderia levar a sérios problemas, a conflitos insuperáveis. Alguém, muito importante no mundo dos negócios e que conhecia muito de dinheiro, advertiu, no início da vida da Irmandade, para o fato de que o dinheiro poderia estragar aquele movimento. Mas o perigo foi superado na opção feita pela pobreza, por querer ser e não por ter.
Despreocupados com os problemas do ter, os membros de A.A. têm o espaço aberto para desenvolver o ser. Estão conscientes de que a nossa importância, como seres humanos, não se origina a partir das coisas que apenas possuímos de modo tão passageiro. Querer ter mais, possuir mais não significa ser mais.
Como não há limite para a vontade de possuir mais, o desejo de ter mais leva ao egoísmo e ao individualismo que, por sua vez, não conduz à harmonia nem à paz. Sabemos que a cobiça e a paz se excluem mutuamente. O desejo de querer ter sempre mais leva ao antagonismo entre as pessoas. Uma sociedade, baseada predominantemente no ter, é uma sociedade doente, constituída por pessoas doentes. Não obstante, no mundo que nos cerca, o objetivo maior das pessoas é ter, de tal forma que se pensa que se uma pessoa nada tem, nada é. Mas o sentido da vida é ser muito e não ter muito. É necessário, isto sim, ter o suficiente para poder ser.
Quando uma associação humana como o A.A. se volta para o modo ser de existência, ela faz com que as pessoas dos alcoólicos sejam o centro das atenções, dos esforços e das atitudes, em oposição ao modo ter em que tudo se volta para as coisas. No A.A., o importante é a pessoa do doente alcoólico e esse objetivo não se desloca para o desejo tão generalizado de ter porque a Irmandade optou por ser pobre e se programou para ter apenas o que é essencial ao seu funcionamento e, com isso, evita que o foco das suas atenções se desloque das pessoas para as coisas.
O desejo de ter é tão generalizado que as pessoas chegam a se orgulhar de ter um horrível reumatismo, de ter um grande problema e vemos até que alguns dos nossos desejam ter a maior história de desgraças para relatar. O desejo de ter é de tal forma generalizado, tão enraizado na mente das pessoas, que elas querem ter até coisas que são abstratas e, assim, dizem que têm uma idéia e não que pensam ou que concebem, que têm amor e não que amam, que têm ódio e não que odeiam, que têm desejo e não que desejam, que têm saudade e não que sentem falta, que têm vontade e não que querem; isto é, preferem usar mais o substantivo, que define a coisa, do que o verbo. É difícil que as pessoas entendam que há um outro modo de vida, um modo voltado para ser, que é o modo de Alcoólicos Anônimos. Em A.A., os seus membros procuram ser: dignos, honestos, fraternos, bons companheiros, compreensivos e amáveis, bons pais, bons amigos, bons filhos, bons cônjuges, etc., representando tudo isso um ganho espiritual e um novo potencial de desenvolvimento.
Os modos de ter e de ser caracterizam dois tipos diferentes de comportamento, de pessoas que têm maneiras diversas de sentir, de pensar e de agir. No modo ter, as pessoas querem possuir tudo e todos enquanto que o modo ser traduz vitalidade e força espiritual que leva a um relacionamento amoroso e pacífico.
Com vitalidade e força, o modo ser traduz-se em atividade, processo, movimento. Ser é vida, nascimento, renovação, fluidez, criatividade. Ser quer dizer mudança e transformação para melhor porque mudança e crescimento são qualidades do processo, daquilo que tem vida, e o Programa de Recuperação é todo de crescimento espiritual, é todo um processo de mudança interior, de reformulação de vida, que encontra no modo ser do grupo o ambiente ideal para o pleno desenvolvimento dos membros de A.A..

CONHECE-TE A TI MESMO
O Programa de Recuperação de A.A. é constituído por Doze Passos, quase todos voltados para o autoconhecimento. Ao praticar esses passos, o membro de A.A. inicia uma jornada para dentro de si mesmo que lhe dará valor e grandeza espiritual, além de melhorar a única parte do mundo que depende só de nós, que somos nós mesmos. Praticar os passos representa um esforço que os membros de A.A. realizam para ter um melhor conhecimento de si mesmos. É comum observarmos que as pessoas dediquem seus esforços para conhecer as coisas do mundo e pouco ou nenhum para conhecer a si mesmos. Mas sempre e, em primeiro lugar, o homem precisa saber sobre si mesmo e responder à pergunta: quem sou eu?
Em Alcoólicos Anônimos, a jornada rumo ao interior começa logo no Primeiro Passo, quando o companheiro reconhece e admite a sua impotência perante o álcool e identifica a perda do domínio em relação à sua vida. No Segundo Passo, ele encontra o Poder Superior dentro de si mesmo, encontra o sopro divino, a força criadora que deu origem à sua própria existência. Identifica no Terceiro Passo o enorme poder desta Força que o criou e que, ao mesmo tempo, está no seu interior. Tudo acontece como está escrito: “Ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro. Tirou-me de um poço de perdição, de um tremendal de lama, colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos”.
No Quarto Passo esmiúçam as suas entranhas cuidadosamente e identificam as origens das suas culpas e vergonhas. O Quinto Passo leva ao conhecimento, a ter consciência de toda a sua trajetória de vida e com ele conhece a natureza exata das suas falhas. Nos Sexto e Sétimo Passos, o membro de Alcoólicos Anônimos entra em comunhão com aquela força que lhe foi dada como herança, a herança de si mesmo, dada pelo Criador. Ao praticar o Oitavo Passo, o companheiro dá início à solução de um grande número de problemas, começa a se harmonizar com o mundo exterior e consigo mesmo e a desfrutar de uma grande paz. Num plano mais elevado e dispondo de maior lucidez e de discernimento, aprofunda o conhecimento de si mesmo e, por último, estreita o seu contacto com o Poder Superior nos Décimo e Décimo Primeiro Passos.
Enquanto os membros de Alcoólicos Anônimos estiverem praticando o programa de recuperação, eles serão sempre seres humanos voltados para o conhecimento e para a conquista de si mesmos. Caminham em direção aos seus interiores e, no fim das suas jornadas, encontrarão a subjetividade, encontrar-se-ão como sendo seres únicos na Criação, com valor e conteúdo interior que darão sentido às suas vidas. Por último, perceberão que são um fim em si mesmo e que têm espírito próprio.
O programa de recuperação está voltado para a descoberta do mundo interior, para o encontro da espiritualidade, para a solução dos problemas mais íntimos, para a percepção do próprio valor e para o encontro da subjetividade.
Uma das maneiras de se evitar a dor é apagar a consciência e aí uma boa solução é tomar uma anestesia ou usar drogas psicoativas. Mas embora a consciência seja a causa da dor, ela também é a nossa salvação porque a saída do problema da dor se faz pelo processo de nos tornarmos crescentemente conscientes, e isso é o que ocorre ao longo do caminho sugerido pelo Programa de Recuperação.

HUMILDADE
Por último, vamos enfocar um atributo que é absolutamente indispensável à recuperação, a humildade. Ela está presente em cada Passo do Programa de Recuperação, está no fundamento de todo o progresso alcançado ao longo do caminho percorrido em direção à recuperação. Para entender melhor o significado da palavra, consultamos o dicionário e vimos que humildade é a qualidade de ser modesto ou respeitoso e modesto é não ter ou expressar uma opinião muito elevada acerca das suas próprias realizações ou habilidades; não ser exibido, arrogante ou pretensioso.
Neste aspecto da evolução espiritual, vamos nos deparar com uma realidade que nos levará, para o seu estudo, a um modo diferente de abordagem. Só é possível enxergar a partir de um determinado ângulo. É preciso abordar o assunto a partir de uma ótica própria, a da humildade. Pela sua importância, este é um tema freqüentemente abordado em reuniões de estudo porque sabemos que representa uma pré-condição para o crescimento indispensável, não só para manter sóbrio o alcoólico mas também para que possa progredir na sua recuperação. Por outro lado, é um tema que se tem mostrado difícil de abordar.
É que há uma realidade que precisamos considerar. Neste momento, optei por escrever algo do que venho aprendendo durante anos e posso escrever agora porque tenho todas as condições para isso. Mas não posso querer que alguém vá ler o que escrevo. De um lado, eu posso optar por usar os meios necessários para escrever, mas de outro, posso apenas e tão somente procurar uma orientação, uma direção, um contexto que, espero, possa levar as pessoas a lerem o que escrevo, mas não mais do que isso. Posso escrever, mas não posso querer que alguém leia o que escrevo, posso continuar escrevendo agora, mas não posso querer que alguém continue lendo.
Humildade é outra coisa que o alcoólico não pode querer, como quero escrever porque tenho os meios. Ele pode não ingerir o primeiro gole, ir a uma reunião de grupo ou trabalhar os Passos do Programa. De outro modo, como sem esforço pego a caneta, ele pode fazer a coisa fácil de pegar o telefone para falar com o padrinho ou pegar o carro para ir ao grupo, mas o que ocorre quase sempre é que acaba indo comprar bebida. Os dois modos de agir são profundamente diferentes.
Da mesma forma, posso desejar conhecimento, mas não sabedoria, submissão, mas não humildade; auto-afirmação, mas não coragem; proximidade física, mas não intimidade emocional. O fato é que podemos querer e ter algumas coisas, mas outras ficam fora da nossa vontade e podem acontecer ou não. Sobriedade, sabedoria, humildade, coragem e amor não são objetos e o que podemos fazer é optar por nos movermos em direção a elas. Como vemos, a humildade está nesta categoria. Ela não pode ser comprada e também não se pode decidir ter. É conseguida indiretamente ao trabalhar os Passos.
Somos limitados porque somos humanos e por não haver absolutos e nem ilimitados no nosso poder humano é que o A.A. aconselha que devemos procurar “progresso e não perfeição”. Assim, os companheiros irão progredindo e se tornando crescentemente humildes.
O alcoólico é como a criança a quem chamamos de reizinho. Quer porque quer e quando quer; o mundo tem que suprir as suas necessidades. Daí o comportamento grandioso. Costumam pagar a conta de quem não conhecem e dão presentes estapafúrdios. A recuperação depende basicamente de assumir atitude humilde e de aceitar a sua impotência diante do álcool e também de admitir que perdeu a capacidade de governar a sua vida.
Embora geralmente seja menos visível, costuma também existir uma baixa auto-estima, que se identifica no comportamento que oscila entre posso tudo e não posso nada, mas sempre achando que é diferente. No trabalho com os 12 Passos, o alcoólico desenvolve um senso mais profundo e seguro de auto-estima.
Embora os alcoólicos relutem em admitir que necessita de ajuda, em aceitar que o Poder Superior possa devolver a sanidade às suas vidas, essa é uma atitude de humildade indispensável para o progresso espiritual e os fazem reconhecer que tanto são únicos como comuns porque compartilham de todas as coisas que são importantes com o resto da humanidade. Também a 12ª Tradição os relembra para colocar os princípios acima das personalidades, e essa é mais uma lição de humildade. Adiante, estando dispostos a aprender, os alcoólicos vão admitir que necessitam da ajuda dos outros para iniciar a sua recuperação e aprender com esses outros a crescerem na sobriedade. Não podem crescer sozinhos e, por outro lado, ninguém pode fazer isso por eles.
A aceitação das conseqüências das suas ações ajuda a perceber a relação de causa e efeito que rege a vida. Aqui, já estão uns primeiros passos e a humildade trabalha entre os dois extremos de comportamento do alcoólico. Os outros, em algum momento, passarão a existir no seu interior e, depois, o companheiro verá que eles continuarão sendo necessários ao longo da recuperação.
Freqüentar reuniões, ler a literatura e compartilhar os seus problemas com o padrinho são de grande valia para se manter sóbrio e também para crescer na humildade. Por outro lado, humildade e humor estão relacionados. O A.A. lembra: “não se leve tanto a sério”. Os companheiros do grupo, às vezes, furam os balões da grandiosidade de um companheiro e, em outras ocasiões, os tiram das profundezas da autopiedade. Isso os faz progredir no caminho da humildade. Rir do passado não significa ter uma atitude irresponsável, mas apenas ver em perspectiva e perceber que as suas ações, pensamentos e sentimentos não estão no centro do universo. Além do mais, tudo isso ajuda a tirar o foco de cima do álcool. Afinal, ninguém, estando bem, resolve ir para o A.A.. É preciso reconhecer que essa atitude é tomada a partir de uma vida de dor, medo, frustração e raiva.
Com o tempo, os alcoólicos em recuperação se dão conta de que estão menos autocentrados, de que as suas vidas estão enriquecidas e a sobriedade é percebida como sendo compensadora. A vida passa a ser organizada também em torno do que podem fazer pelos outros e passam a compartilhar com eles o que têm recebido. Isso já significa o despertar da humildade.
A humildade é também buscada quando resolvem ter a gratidão como um modo de vida e isso porque os ajuda a ver a vida a partir de uma perspectiva diferente. Uma boa maneira de desenvolver este sentimento é anotar todas as coisas em relação às quais devem ser gratos no decurso de um dia. Passam a reconhecer o que lhes foi dado e se importam menos com o que realizam. Um outro modo é desenvolver o hábito da admiração. Admirar o por do sol, o mar, a chuva, etc, porque os tira de dentro de si mesmos de uma maneira sadia. Os serviços realizados no grupo também ajudam a desenvolver a humildade. Ouvir e compartilhar leva a uma saudável e feliz sobriedade. Com a humildade surge o agradecimento, que é a resposta natural à generosidade com que os alcoólicos são recebidos no grupo. É um sentimento profundo e, estando agradecidos, se doam aos outros, de tudo resultando a amizade, o amor e, numa palavra, a solidariedade.
Os que conquistaram um estágio mais avançado de crescimento espiritual, uma maior consciência, são possuídos por uma feliz humildade. Conscientes da sua ligação com um Poder Superior, têm o grande desejo de que “seja feita a Vossa vontade – fazei de mim o Vosso instrumento”.

SER SANTO
Muitas vezes ouvi companheiros dizerem que se fossem seguir os princípios de A.A. se tornariam santos e, por causa disto, não se empenham tanto no Programa de Recuperação. Mas, ao admitirem que “um Deus amantíssimo Se manifesta na nossa consciência coletiva” e, portanto, que está entre eles, no convívio enriquecedor de verdadeiros irmãos, é inevitável assumir que estão crescendo em direção à divindade. Esta é uma idéia muito simples, mas também muito exigente. Se podem alcançar a divindade, então terão que cuidar do crescimento espiritual, buscar níveis progressivamente mais altos de consciência e de atividade amorosa. Assim, o trabalho nunca estará feito, acabado. O crescimento espiritual é um anseio para toda a vida, além do que, é também um caminho trabalhoso, que exige esforço. Talvez esta seja uma desculpa para explicar as dificuldades que encontram ao praticar os Passos porque elas ocorrem naturalmente, uma vez que é preciso coragem, determinação, empenho, constância e coração forte e não é sempre que encontramos pessoas com estes atributos. Entendo também que nascemos para ser santos e o problema é que não conseguimos realizar todo o potencial que temos dentro de nós nem, usualmente, ir tão longe no caminho que nos é sugerido pelo A.A.. No entanto, no meu julgamento, encontrei, ao longo dos mais 30 anos de convívio com membros de A.A., alguns companheiros que penso que são santos. São pessoas maravilhosas, que irradiam uma paz muito grande e possuem uma riqueza interior deslumbrante. Muitos se constituem em figuras exemplares. São excelentes em virtudes e em santidade. São luzes que guiam mais pelo exemplo que pelas palavras. Com os seus depoimentos, estimulam a sermos mais fraternos, termos mais compaixão, sermos mais humanos e espirituais. Tenho desfrutado de grande felicidade na companhia deles. Para mim, são santos e as suas atitudes têm a pureza, a retidão e a reverência como fundamento.

AS INCERTEZAS E OS QUESTIONAMENTOS
Até aqui, as minhas certezas. O que vi e ouvi. O meu entendimento. Não a partir de uma visão idealizada, mas sim a partir da constatação da existência de um ideal perfeitamente realizável e, muitas vezes, realizado. Um caminho que, realmente, está aberto e posto como opção: de percorrer ou não ou até o ponto que se consiga ou deseje alcançar. Fica a idéia de busca a ser empreendida ao longo de um caminho delineado.
A lenda do Graal possui uma vitalidade mágica e por isso é uma lenda viva, que existe há mais de 900 anos e desperta a imaginação e o espírito. Ela também traz a idéia de busca, a busca do Santo Graal. Falar do Santo Graal desperta a imaginação e mobiliza para alguma coisa que está no inconsciente coletivo. A lenda tem origem numa história que resultou de uma mistura e de uma fusão de crenças e lendas populares, chegando a uma imagem sonhada e arquetípica de uma busca final e definitiva para todos e para todas as coisas.
Na época em que a lenda apareceu, a Europa vivia tempos particularmente difíceis, com o poder político fragmentado, onde grupos armados errantes saqueavam as colheitas. Havia fome, epidemias, guerras, tudo isso levando a um profundo empobrecimento da população e gerando insegurança e ansiedade. Nesse ambiente, e como ocorreu em outras épocas, surgiu um grande fervor religioso não só entre cristãos, mas entre os outros povos da região.
Inicialmente, a lenda do Santo Graal era celta e, portanto, pagã, e estava muito ligada aos feitos da cavalaria. Mais tarde, foi cristianizada pelos monges da Ordem de Císter que não tanto a mudaram, mas sim, lhe deram conteúdo cristão. Resultou que o Santo Graal ficou sendo entendido como sendo o cálice usado por Cristo na Santa Ceia e que, mais tarde, foi usado por José de Arimatéia para recolher o sangue que escorreu das feridas do Cristo, quando da crucificação. Ao retornar à Bretanha, o cálice passou de geração em geração, dentro da família de José. O Graal tinha propriedades milagrosas e podia fornecer alimento aos sem pecado, mas cegar os impuros e fazer ficar mudos os irreverentes.
Na lenda, estava implícita a busca de um objetivo geralmente tido como sendo um cálice que só poderia ser alcançado por um ser humano puro. Essa lenda teve evolução diferente em diversas regiões. Na que hoje é a França, a lenda deu origem aos ideais de cavalaria, aos cavaleiros e aos trovadores que cantaram e difundiram os fatos e lendas daquele tempo. Eram cavaleiros galantes que cantavam os grandes ideais e a beleza de nobres senhoras. Na região em que hoje está a Alemanha, a lenda evoluiu para o aparecimento de seres perfeitos e puros que tinham condições de alcançar o Graal. Sobressai aí a figura de um grande personagem, Parsifal. Na Irlanda e na Gran Bretanha houve forte influência de poderes mágicos e de fatos extraordinários ocorridos na corte do rei Artur e do mago Merlin; havia o sentido do fantástico, dos poderes misteriosos, do sobrenatural. Nesta corte, nasceu Galahad, herói e cavaleiro perfeito, sem qualquer defeito de caráter, que se lançou na busca do Santo Graal, sendo essa a parte central da literatura arturiana e do romance medieval de Parsifal.
A grande aventura era chegar ao Santo Graal, sem defeitos, e o contacto com ele, tendo no seu interior o sangue de Cristo, seria o contacto direto com o Cristo e, por meio dele, com o Criador, o Poder Superior. Mas isso só os puros podiam fazer. Comecei a me perguntar se não seria o crescimento espiritual em A.A. um caminho de purificação de modo a tornar alguns companheiros santos. Não teriam eles tido, uma vez que sem defeitos de caráter, algum contacto simbólico com o Santo Graal que os teria tornado santos? Não seria o caminho do crescimento espiritual uma busca, uma trajetória, da mesma forma que o caminho percorrido pelos cavaleiros puros na busca do Santo Graal? Aqueles que alcançassem um nível espiritual elevado, como Galahad e Parsifal, teriam a ventura, rara, de alcançar o Santo Graal. Alguns dos santos que conheci em A.A. foram chamados e moram em algum reino situado além das galáxias, mas outros ainda andam por aqui e vim à Convenção para ter a ventura de conviver um pouco mais com eles e para conhecer mais alguns.
Espiritualidade em A.A.

O que é espiritualidade?

Certa vez fizeram esta pergunta ao Dalai-Lama e ele deu uma resposta extremamente simples “Espiritualidade é aquilo que produz no ser humano uma mudança interior”. Não entendendo direito, alguém perguntou novamente: mas se eu praticar a religião e observar as tradições, isso não é espiritualidade? O Dalai-Lama respondeu. Pode ser espiritualidade, mas, se não produzir em você uma transformação, não é espiritualidade.

Parece-me que o principal a ser retido desse pequeno diálogo com o Dalai-Lama, é que espiritualidade é aquilo que produz dentro de nós uma mudança. O ser humano é um ser de mudanças, pois nunca está pronto, está sempre se fazendo, física psíquica, social e culturalmente. Mas há mudanças e mudanças. Há mudanças que não transformam nossa estrutura de base. São superficiais e exteriores, ou meramente quantitativas.

Já a Espiritualidade em A.A., é algo muito sublime, o prazer de viver é o tema e a ação sua palavra chave, o meio de que A.A. dispõe em nosso preparo para a recepção dessa dádiva, está na prática dos Doze Passos de nosso programa. Portanto, procedamos a um rápido levantamento do que temos tentado fazer até aqui.

O Primeiro Passo nos revelou um fato surpreendentemente paradoxal: descobrimos que éramos totalmente incapazes de nos livrar da obsessão pelo álcool até que admitíssemos nossa impotência diante dele. No Segundo Passo vimos que já não éramos capazes de, pôr nossos próprios meios, retornar à sanidade, e que algum Poder Superior teria que fazê-lo pôr nós, para que pudéssemos sobreviver. Em conseqüência, no Terceiro Passo, entregamos nossa vontade e nosso destino aos cuidados de Deus, na forma em que o concebemos, a título provisório, aqueles de nós que eram ateus ou agnósticos descobriram que o nosso Grupo ou AA no todo, poderia atuar como Poder Superior. A partir do Quarto Passo começamos a procurar dentro de nós as coisas que nos haviam levado à bancarrota física, moral e espiritual e fizemos um corajoso e profundo inventário moral. Em face do Quinto Passo decidimos que apenas fazer um inventário não seria suficiente, sabíamos que era necessário abandonar nosso funesto isolamento com nossos conflitos e, honestamente, confiá-los a Deus e a outro ser humano. No Sexto Passo, muitos dentre nós recuaram pela simples razão de que não desejavam a pronta remoção de alguns defeitos de caráter dos quais ainda gostavam muito, sabíamos, porém, todos, da necessidade de nos ajustar ao princípio fundamental deste passo, portanto decidimos que embora tivéssemos alguns defeitos de caráter que ainda não podíamos expulsar, devíamos de todos os modos abandonar nossa obstinada e revoltante dependência deles. Dissemos, “Talvez não possa fazer isso hoje mas, pelo menos, posso parar de protestar. Então no Sétimo Passo, rogamos humildemente a Deus que, de acordo com as condições reinantes no dia do pedido e se esta fosse a Sua vontade, nos libertasse de nossas imperfeições. No Oitavo Passo, continuamos a limpeza de nosso interior, pois sabíamos que não só estávamos em conflito conosco, como também com pessoas e fatos do mundo em que vivíamos , precisávamos começar a restabelecer relações amistosas e, para esse fim, relacionando as pessoas que havíamos ofendido, nos propusemos, com disposição, a remediar os males que praticamos. Prosseguimos nesse desígnio no Nono Passo, reparando diretamente junto às pessoas atingidas, os danos que causamos, salvo quando disso resultassem prejuízos para elas ou outros. No Décimo Passo, havíamos iniciado o estabelecimento de uma base para a vida cotidiana, conhecendo claramente que seria necessário fazer de maneira contínua o inventário pessoal, admitindo prontamente os erros que fôssemos encontrando. No Décimo Primeiro Passo, vimos que se um Poder Superior nos havia devolvido à sanidade e permitido que vivêssemos com relativa paz de espírito num mundo conturbado, valia a pena conhecê-lo melhor, através do contato mais direto possível, ficamos sabendo que o uso persistente da oração e da meditação abria, de fato, o canal para que, no lugar onde havia existido um fio de água, corresse um caudaloso rio que levava em direção ao indiscutível poder e a orientação segura de Deus, tal como estávamos podendo conhecê-lo, cada vez melhor.

Assim praticando esses passos, experimentamos um despertar espiritual e a espiritualidade em AA sobre o qual não nos restava a menor dúvida, e agora, o que diremos do Décimo Segundo Passo? A energia maravilhosa que ele desencadeia e a ação pronta pela qual leva nossa mensagem ao próximo alcoólico sofredor, e que finalmente convertem os Doze Passos em ação sobre todas as nossas atividades é a recompensa, a magnífica realidade de Alcoólicos Anônimos, é comum em quase todos os membros de AA, a afirmação de que nenhuma satisfação é mais profunda e nenhuma alegria é mais intensa e duradoura do que um décimo segundo passo bem executado, contemplar os olhos de homens e mulheres se abrirem maravilhados à medida em que passa das trevas à luz, suas vidas se tornando rapidamente cheias de propósito e sentido, famílias inteiras se reintegrando, o alcoólico sendo recebido alegremente em sua comunidade como cidadão respeitável, e acima de tudo, ver estas pessoas despertadas para a presença de um Deus amantíssimo em suas vidas, são fatos que constituem a essência do bem que nos invade, quando levamos a mensagem de AA ao irmão sofredor, isto é espiritualidade em AA.

Agora, a maior pergunta que já fizemos: o que dizer da prática destes princípios em todas as nossa atividades? Temos condições para amar a vida em todos os seus aspectos com tanto entusiasmo quanto amamos aquela pequena parcela que descobrimos, quando tentamos ajudar outros alcoólicos a alcançar a sobriedade? Somos capazes de levar às nossas vidas em família, pôr vezes bastante complicadas, o mesmo espírito de amor e tolerância com que tratamos nossos companheiros do grupo de AA? As pessoas de nossa família que foram envolvidas e até marcadas pela nossa doença, merecem de nós o mesmo grau de confiança e fé que temos em nossos padrinhos? Estamos prontos para arcar com as novas e reconhecidas responsabilidades que nos cercam? Além do mais, como podemos nos ajustar à derrota ou ao êxito aparentes? Podemos aceitar e nos adaptar a ambos sem desespero ou orgulho? Podemos aceitar a pobreza, a doença, a solidão e o luto com coragem e serenidade? A resposta de AA, a tais perguntas é:, sim tudo isso é possível, se vivenciarmos os Doze Passos de AA, isso é espiritualidade em AA, é mais maravilhoso ainda, sentir que não é necessário sermos especialmente distinguidos dentre nossos companheiros para podermos ser úteis e profundamente felizes, muitos de nós podemos ser líderes proeminentes e nem querem ser, o serviço prestado com prazer, as obrigações cabalmente cumpridas, os reveses calmamente aceitos ou resolvidos com a ajuda de Deus, o reconhecimento de que, tanto no lar como fora dele, somos confrades num esforço comum, o bem compreendido fato de que, perante Deus, todos os seres humanos são importantes, a prova de que o amor, livremente oferecido, na certa traz um retorno total, a certeza de que não mais estamos isolados e sozinhos em prisões criadas pela nossa mente, a segurança de que não somos mais desadaptados, senão que nos integramos e fazemos parte do esquema de coisas criadas pôr Deus, estas são as satisfações permanentes e legítimas de que fruímos, de uma vida correta, que nenhuma pompa ou ostentação de riquezas materiais poderá suplantar, isto é espiritualidade em AA, é dar sem esperar nada em troca, é viver e deixar viver, isto é espiritualidade em AA.

Descobrindo Princípios da Espiritualidade de AA

“Até o início dos anos 1950 a história de Alcoólicos Anônimos permanecia oculta para a maioria de seus membros. Sabendo que a correspondência do Escritório era mantida em caixas, de uma forma um tanto desorganizada, na sede do Escritório Central, Bill W. (Co-fundador de AA), começou a organizar nossos arquivos históricos. Ele pessoalmente gravou as recordações dos veteranos da Área de Akron/Cleveland, mandou cartas e enviou para outras pessoas envelopes em branco, estimulando-os a gravar suas próprias lembranças”.
“A visão de grande alcance que Bill teve, definiu um propósito de mensagem permanente referente aos cuidados com os arquivos históricos, cuja importância chegam até os nossos dias”.
“Tal como disse nosso co-fundador: ‘Cada um dos acontecimentos novos e inesperados (em AA) contém, atrás de si, uma enorme quantidade de incidentes e experiências dramáticas – muitíssimas histórias…’ ‘- Não é possível preparar uma crônica sobre os fatos que ocorreram’ – Resta-nos simplesmente, dizer sobre os feitos realizados e mostrar como iniciaram os Grupos, Órgãos de Serviços, etc. O mais difícil, dizia Bill W. É conservar o ambiente de como tudo ocorreu e guardar o material utilizado. Isto é o que dará vida às experiências futuras”
“Os documentos históricos nos ajudam a examinar nossa experiência de recuperação dia-à-dia e a reencontrar a experiência compartilhada no passado. À medida em que separamos os mitos dos feitos realizados, nos asseguramos de que nossa mensagem original de Recuperação, Unidade e Serviço estejam sendo a mesma em uma Comunidade de troca de experiências que cresce e se expande, permitindo renovar-se constantemente”
A vida de Sobriedade de Bill W. foi de dedicação em servir a outros alcoólicos. Parece até que através de Bill W. e do Dr. Bob (o outro co-fundador de AA), “DEUS utilizando-os tenha dito para cada um de nós: Há muitas tarefas em muitos campos e escolho meus trabalhadores de acordo com seus talentos…”.
Talvez, estivesse no Plano de Deus escolher dois homens de diferentes talentos (um Advogado e Corretor da Bolsa de Valores de Nova York e o outro Médico-Cirurgião), para mostrar-nos e a todos que cada um de nós deve procurar seu próprio campo de Serviço em AA e dar de tudo de si naquele campo. “Há membros que são talentosos em trabalho de instituições, outros que podem escrever para solitários AAs, outros cujos talentos repousam no trabalho do Décimo Segundo Passo. Já outros nos trabalhos dos Comitês”. Todos são essenciais à vida de AA.
Alcançar aos jovens alcoólicos é uma prioridade nos dias atuais. É nossa responsabilidade, explicar nosso propósito aos jovens já sóbrios em AA e fazê-los compreender a importância que têm em levar a mensagem para outros jovens onde quer que se encontrem, seja nas escolas, universidades, igrejas ou até mesmo nos tribunais de justiça.
As vias de comunicações, periodicamente trazem à tona a problemática do alcoolismo, sempre trazendo a credibilidade e a importância de AA, além de sua mensagem de esperança e amor ao alcoólico que ainda sofre. Mas, o mais rápido e responsável pela mensagem de Sobriedade ao Alcance de Todos, indistintamente, alcoólico ou não, está sendo a Internet. Através dela, muitos poderão se deliciar da prática saudável do programa de Alcoólicos Anônimos. Portanto, a Sobriedade, o estado de Graça, o exercício constante da Humildade, será apenas uma conseqüência natural para todos que a queiram.
“Não basta apenas aprender sobre o alcoolismo e investir passionalmente contra ele (Abstinência). É preciso amadurecer a forma e ampliar as possibilidades de ajuda (Sobriedade). Isso só será possível, quando se conseguir avaliar com precisão os próprios limites e aceitá-los ser influenciados em sua forma de ser e agir, para conseguir a Serenidade (Dr. Carazzai – Médico Psiquiatra e Ex-Custódio Não Alcoólico no Brasil).
Atrair um novo membro para um Grupo de AA, é um momento mágico que significa – se for da vontade de um Poder Superior – salvar uma vida que se encontra em desatino, salvar um lar tumultuado, um emprego perdido, amores desfeitos em mentes doentias e que precisam, acima de tudo, de amor e respeito e não do descaso de uns ou do preconceito de outros.
Eis porque o AA funciona para aquele que quer realmente parar de beber:
“A cada reunião, reaprendia palavras esquecidas no meu vocabulário: honestidade, serenidade, humildade, tolerância. Aprendi a ir ao espelho e ver a minha imagem refletida. Tão diferente daquela distorcida do passado. Passei a simplificar as coisas, dando valor a pequenos gestos e acontecimentos que anteriormente passavam despercebidos. Hoje, vejo quem eu fui e o que eu sou”.
“Em AA depois de algumas 24 horas, aprendi a não deixar minha Serenidade nas mãos de ninguém. Sou eu que tenho que cuidar dela”.
“Observe o que acontece diariamente no trânsito, no trabalho, etc. Tem gente que anda querendo se matar, mas não deseja ir só. É assim também com a bebida! Estamos rodeado de pessoas que não dão o mínimo para a vida”.
“A família é fundamental para o sucesso do “tratamento” do alcoólico. Pensar que tudo se resolverá a partir de uma internação ou após consulta médica é puro engano. Todos podem ajudar: os amigos, os vizinhos, o patrão, mas o suporte maior deve vir da família. As chances de insucessos como recaídas, acontecem muito, quando a família não está por perto. A família presente, mostra que o diálogo ainda existe”.
“A minha relação com AA começou há onze anos, primeiro por curiosidade, depois com fascínio, depois com admiração, depois com proximidade, depois com envolvimento e chegou ao amor e à gratidão. Estou imensamente grata por estes oito anos que partilhei convosco, em que AA fez parte integrante da minha vida, e eu da vida de AA”.
“Nestes oito anos passei pelos momentos mais importantes da minha vida – casei e tive os meus filhos. A minha proximidade de AA fez-me ser melhor companheira para o meu marido e melhor mãe para os meus filhos”.
“Quando entrei na Sala vi que eu não estava só. Vi que existiam mais pessoas como eu e que todos vivenciavam os seus problemas e trocavam experiências sem receios ou medos”. “Quando bebia era para esquecer. Acho que fui bom demais nisso. Esqueci-me o que era ser um homem, um filho, um amigo. Agora é como se estivesse voltando à escola, para reaprender tudo isso. Vivo um dia de cada vez. E em cada dia aprendo um pouco. Sempre estou recomeçando…”.
“Quero salientar que a recuperação é possível se sentirmos o amor que se vive em Alcoólicos Anônimos; tirarmos o algodão dos ouvidos e o colocarmos na boca, para assim escutarmos as sugestões de companheiros com mais tempo, que nos ensinam, sóbria e pacientemente, uma nova forma de vida tão gratificante”
“Em AA, o amor que recebo e aquele que já aprendi a dar, que tem a marca indelével da humildade, nasceu do embate das contrariedades, do rasgar do comodismo e do egoísmo, do abdicar do conforto dos bolsos recheados”.
“E não sou tão importante assim como imagino, para desmerecer um programa de uma Irmandade que funciona há 74 anos salvando vida!”
“O grande valor de AA e seu programa resumido nos Doze Passos é que refletem o contexto cultural em que vivemos. Uma cultura cristã. Os Doze Passos de AA é um convite para tentar, mas tentar dentro de sua realidade, sua capacidade emocional e intelectual e dentro do seu momento histórico e cultural. É um convite para explorar-se”.
“Na vida, por diversas ocasiões, nós passamos por momentos difíceis. A fé é um argumento fundamental para enfrentarmos com esperança cada situação”.
“AA tem me ensinado a realçar a aceitação das coisas inevitáveis”
“O apadrinhamento é considerado como um dos preciosos instrumentos mais importantes para a recuperação, juntamente com a freqüência às reuniões e a prática dos Doze Passos”.
“Rapidamente me dei conta de que precisava de alguns companheiros alcoólicos ao meu redor, para permanecer sóbrio”. (Jimmy B., Membro Pioneiro de A. A. – Década de 1940).
CAMPOS S.
A Espiritualidade das Tradições no Programa de A.A.

“Mesmo estando sóbrios há alguns anos, continuamos tendo boa disposição para colaborar nos Serviços de A.A.?”
Depois de conhecer a mensagem de AA, torna-se responsabilidade de cada um dos membros, entender que o grupo tem de sobreviver para que o doente em recuperação que lá se encontra não venha a perecer. E que assim possa proporcionar aos que ainda chegarão um dia, uma mensagem viva, fortalecedora, renovadora, cheia de amor e de gratidão!
AA é um programa espiritual e de vida! De uma nova vida! Não basta “botar a rolha na garrafa”. Requer dos seus membros o estudo e a prática dos princípios espirituais, para que continue havendo um verdadeiro compartilhar e Unidade!

Na Reflexão Diária do dia 20 de março – AMOR E TOLERÂNCIA – diz: “Nosso código é o amor e a tolerância pelos outros” – “Alcoólicos Anônimos, pág. 104”. Em seguida, comenta a leitura: “Descobri que preciso perdoar aos outros em todas as situações, a fim de manter um verdadeiro progresso espiritual. A importância vital do perdão pode não ter sido óbvia para mim à primeira vista, mas meus estudos me diziam que todo grande professor espiritual tinha insistido fortemente nisso. Devo perdoar as injúrias, não apenas por palavras, ou como formalidade, mas dentro do meu coração. Não faço isto por amor às outras pessoas, mas para o meu próprio bem. Ressentimento, raiva ou desejo de ver alguém punido, são coisas que apodrecem minha alma. Tais coisas me prendem a mais dificuldades. Elas me amarram a outros problemas que não têm nada a ver com meu problema original”.
A maioria de nós tem aprendido que a recuperação do alcoolismo não é uma dádiva para ser agarrada egoisticamente para si. Significa também responsabilidade por servir a outros, tanto dentro como fora de AA.
Através de nossas Doze Tradições, temos nos colocado contra quase todas as tendências do mundo lá fora. Temos negado a nós mesmos o governo pessoal, o profissionalismo e o direito de dizer quais deverão ser nossos membros. Abandonamos o fanatismo, a reforma e o paternalismo. Recusamos o dinheiro de caridade e decidimos viver à nossa própria custa. Procuramos cooperar com praticamente todos, mas não permitimos por filiação, que nossa Irmandade seja unida a nenhuma. Não entramos em controvérsia pública e não discutimos mesmo entre nós, assuntos que dividem a sociedade: religião e política. Temos um único propósito, que é o de levar a mensagem de AA para o doente alcoólico que deseja. E assim, para o nosso bem como Irmandade, deve continuar.
“Tomamos essas atitudes, não porque pretendemos ter virtudes especiais ou sabedoria; fazemos essas coisas porque a dura experiência tem ensinado que precisamos, se o AA quiser sobreviver num mundo conturbado como é o de hoje!”
Graças ao Poder Superior, cada vez mais, os grupos de AA estão compreendendo que eles são entidades espirituais, e não pontos de organizações de negócios ou criados para outras finalidades, senão única, a de levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
O passar dos anos nos tem trazido belíssimos princípios desta Sabedoria. Um dos mais preciosos reside exatamente na auto-sustentação que a Irmandade deve ter por seus próprios membros. Outro é a Prudência. Auto suficiência e prudência juntas, mostram-nos que tudo podemos.
Ao longo de nossa vivência dentro de AA, verificamos que são inúmeras as dádivas que recebemos depois de sóbrios: um verdadeiro lar, o resgate de um nome, uma família, o recomeço de uma vida saudável e feliz! E, acima de tudo os bens espirituais que se traduzem no reencontro consigo mesmo! no amor por si, para consigo e para com os outros. Diante disto, que maneira mais original para uma retribuição? Muitos ainda desconhecem, mas é através do verdadeiro entendimento da auto-suficiência que tanto necessita a Irmandade, somada a Prestação de Serviços.
É muita vaidade e mesmo egoísmo, chegarmos no nosso grupo base, apenas para ouvir os depoimentos, dar alguns “desabafos”, ir embora muitas vezes antes do término da reunião ou então não participarmos dos problemas e das necessidades do Grupo!
É muito estranho, o grupo não ter literaturas para o ingressante. Não estar com a sua sala bem organizada e limpa. Não ter o seu Comitê de Serviços ou o Comitê Orientador. Não ter a sua autonomia bem alicerçada, por falta de Servidores de Confiança!
É difícil de se entender, a existência de um Órgão de Serviço, criado pelos Grupos para lhes servir e para fazer pelos grupos aquilo que os mesmos não podem, visto a sua primordial destinação e, logo em seguida, este Escritório de Serviços não poder executar suas ações pela falta de contribuições destes grupos que o criou e que está naquele local lhes servindo direta ou indiretamente, quase todos os dias.
Muitas vezes, quando são feitas referências ao AA e aos Serviços de AA numa Comunidade, tanto por membros AAs como por pessoas não AAs, o fato deveria contagiar a todos de orgulho e felicidade. Porém, também invariavelmente, se percebe que muitos poucos membros se interessam como aquilo foi feito ou o que se gastou para se fazer ou porque foi feito!
“Deus se interessa por nós, seres humano, quando realmente O buscamos”.
O ser humano tende a buscar felicidade de acordo com suas próprias fórmulas, transformando a vida em busca desenfreada de sucesso, prazeres e fugindo dos seus medos.
Ao longo desse processo, sofre e faz sofrer. Libertar-se desse ciclo escravizante significa tornar-se mais livre e mais feliz.
Deus nos faz mais fortes com cada vitória. É mais ou menos como uma vacina: Ele nos dá pequenas doses para não pegarmos a doença e de uma forma constante e gradual, aumentar nossa resistência. Às vezes somos postos à prova, quando desafiamos os nossos Princípios…
Ocasiões para refletir se tornam necessárias. É aí onde nós encontramos as luzes dos princípios que norteiam nossas vidas dentro e fora de AA. Isto deveria ser entendido como fatores de grande importância, principalmente se levarmos à sério e com bastante fé!
Fé é a firme convicção de que algo seja verdade, sem nenhuma prova de que este algo seja verdade, pela absoluta confiança que depositamos neste algo ou alguém.
A fé se relaciona com os verbos acreditar, confiar ou apostar. Ter fé é nutrir um sentimento de afeição, ou até mesmo amor, pelo que acredita, confia e aposta. A fé não é baseada em evidências físicas, reconhecidas pela comunidade científica. É um sentimento nutrido em relação a uma pessoa, um objeto inanimado, uma ideologia, um pensamento filosófico, um sistema qualquer, uma base de propostas ou dogmas de uma determinada religião, uma crença popular e até um conjunto de regras, princípios ou tradições.
A fé se manifesta de várias maneiras e pode estar vinculada a questões emocionais e a motivos nobres ou estritamente pessoais. Pode estar direcionada a alguma razão específica ou mesmo existir sem razão definida.
A fé emotiva é aquela que vem de imediato. Acontece ali, na hora, levada pela emoção. Já a fé racional age com a razão, levando o indivíduo a ter esperança. E com esperança se adquire Amor e com amor você demonstra gratidão e com gratidão se pratica a doação!
Para se exercitar a espiritualidade das Tradições é preciso ter estas noções que abordaram sobre a fé. Se não for assim, você não aceita e até poderá criticá-la ou mesmo desprezá-la!
É oportuno mencionar o que disse Santa Terezinha de Jesus: “Onde tem Amor, pondes amor e encontrarás mais Amor”, para agradecermos ao Poder Superior, Deus como O concebemos, pelas dádivas que todos nós temos recebido. E se isto foi e é possível é graças ao nosso respeito a espiritualidade de nossos princípios.
A espiritualidade das Tradições é real e precisa. É igual a espiritualidade dos Doze Passos. É igual a espiritualidade dos Doze Conceitos para os Serviços Mundiais. Resta-nos descobri-la a cada dia, exercitá-la e respeitá-la incondicionalmente, tanto por nós quanto pelo nosso próximo, mesmo que não esteja tão próximo!
Que o Poder Superior nos Abençoe!!!
CAMPOS S./Brasília-DF

” OBRIGADO PELO SILÊNCIO DE VOCÊS ”

Dr. Lais Marques da Silva
Ex-custódio e presidente da JUNAAB.

O silêncio que se observa nas reuniões dos grupos de A.A. cria uma atmosfera de confiança e respeito recíprocos entre o alcoólico que faz o seu depoimento e os demais companheiros. O olhar daquele que faz o seu depoimento encontra calor humano e resposta por parte daqueles que o escutam em silêncio, tudo isso
levando a uma comunhão de interioridades. O silêncio permite o estabelecimento
de uma abertura, de uma disponibilidade pessoal em relação àquele que oferece a sua experiência além de facilitar o aparecimento de uma relação marcada pelo
sentimento de confiança, fundamental para a comunicação, para que se possa abrir para o outro, para que haja o relacionamento que possibilita o desenvolvimento de liames profundos e para o surgimento de amizades verdadeiras. Confiar é indispensável para se livrar de doenças e é manifestação de fé em si mesmo, nos outros e no Poder Superior. O silêncio é o caminho que leva ao encontro consigo mesmo e com o outro.

O silêncio de quem escuta um depoimento transmite a seguinte mensagem a quem o faz: eu sei que você tem valor, sei que você é apenas um doente, sei que você é um ser humano e que, como eu, sofre de uma devastadora enfermidade. Por tudo isso, você merece o meu silêncio, a minha atenção e o meu respeito, a minha compreensão e a minha compaixão, esta, entendida como a consciência profunda do sofrimento de outra pessoa associada ao desejo de ajudá-la.

Dar atenção ao próximo é ato de amor, e a maneira mais comum e importante do
exercício da atenção é escutar. Mas aprendemos na escola a ler e a falar, mas
não a escutar, a despeito de que as pessoas, na sua vida diária, passam muito
mais tempo escutando do que falando ou escrevendo. Mas é difícil escutar bem e, na maioria dos casos, as pessoas simplesmente não escutam ou praticam uma escuta seletiva em que ficam atentos apenas ao que lhes interessa ou para encontrar o momento certo em que uma conversa possa ser encerrada.

Para escutar, é necessário calar, silenciar, abrir os ouvidos e se por
atentamente a escutar quem fala. Ouvir profundamente significa auscultar,
prestar atenção, dar ouvidos, compreender, acolher, entender, examinar,
discernir.

É preciso estar disposto a se esforçar para conseguir escutar verdadeiramente. O
esforço para escutar o depoimento de um companheiro vem do fato de entender que ele necessita da nossa atenção e que é digno dela. Por outro lado, a atenção
dedicada pelo companheiro que ouve um depoimento também lhe beneficia, pois
resulta no seu próprio crescimento que, por outro lado, ocorre a partir do
conteúdo daquilo que está recebendo. No momento de silêncio, em que ouvimos
atentamente o depoimento de um companheiro, suspendemos todos os nossos juízos, pensamentos e preocupações. Desapegamo-nos do nosso próprio ser. Esse silêncio nos convida a superar os obstáculos do preconceito, da exclusão, da falta de diálogo e da falta de solidariedade.

Podemos avaliar, a partir das considerações que vimos fazendo, a importância de
se estar em um ambiente em que se desfrute de um profundo e acolhedor silêncio quando nos lembramos de situações que, muitas vezes, marcaram muito as nossas vidas. Recordamos de várias situações das quais saímos nos sentindo muito mal por não termos conseguido dizer o que desejávamos. Não é que tenhamos sido muito exigentes, mas, apenas, que tivemos dificuldade em articular calmamente o que desejaríamos ter dito e o resultado é que ficamos frustrados, raivosos e nos sentindo culpados. Quando podemos, descarregamos essa raiva em alguém e o que resulta é que as pessoas que estão à nossa volta fecham seus ouvidos para as nossas colocações, resultando que fica, por mais essa razão, ainda mais afastada a esperança de se entrar em harmonia com os outros. Podemos também, por decoro, jogar a raiva para dentro e, nesse caso, vamo-nos tornando progressivamente mais descontentes e tendemos a abandonar o convívio daquelas pessoas ou até mesmo a abandonar uma instituição a que pertencêramos.

No entanto, ao contrário, desfrutando do silêncio respeitoso reinante nas
reuniões dos grupos, os alcoólicos têm oportunidades repetidas de, calmamente,
ir se desenvolvendo e se tornando progressivamente mais capazes de realizar uma comunicação plena sem que ocorra o fechamento dos ouvidos por parte dos que ouvem o depoimento. Desfrutando do silêncio do grupo, pelo contrário, muitos companheiros vêm curtindo a sensação positiva de liberdade, de alívio e de relaxamento que vem depois de terem podido passar as suas mensagens, de terem participado e colaborado. À medida que os depoimentos se sucedem, o raciocínio vai ficando cada vez mais claro, as idéias vão sendo arrumadas, a qualidade do relacionamento com os companheiros do grupo vai melhorando.

Na verdade, a língua presa e o sentir-se culpado são manifestações longínquas
de falta de afirmação pessoal, de incapacidade de ser assertivo e aí vale notar
que a falta de auto-estima está na raiz do problema. Sem acreditar que temos
valor, não seremos capazes de fazer as nossas colocações, de expressar as nossas necessidades de modo convincente e, nessa condição, os nossos argumentos irão falhar e recuaremos ou concordaremos quando o que desejávamos era dizer não.

A essa altura, é importante destacar que o amor ao próximo é uma via de mão
dupla porque, estando dirigido para aquele que faz o depoimento, o faz perceber
a concentração, a atenção e o amor que lhe chegam da parte de quem o escuta, e o faz se sentir gratificado. Quem faz o depoimento doa a sua experiência, valiosa e única, e quem o escuta, o receptor, se torna, desse modo, também doador, na medida em que oferece ao depoente a sua atenção e o seu amor. Escutar com atenção total e completa, avaliando cada palavra e entendendo cada frase, é a verdadeira forma de escutar, que exige um grande e indispensável esforço de concentração ao dedicar o seu tempo apenas a quem faz o seu depoimento, colocando de lado as suas preocupações, os seus pensamentos. É um esforço amoroso. Fazê-lo é prova de estima e consideração e, quem escuta, ao valorizar o depoimento, faz o depoente se sentir valorizado. Sentindo-se assim, o depoente ficará estimulado a fazer relatos de maior conteúdo. Fica disposto a oferecer a sua estima e, com isso, estabelece-se um ciclo, ascendente e criativo, de evolução e de crescimento. Mas esse ciclo virtuoso exige atenção, concentração e, portanto, esforço, e não poderá ocorrer senão em ambiente de silêncio completo. O barulho, as conversas e os movimentos de pessoas dentro do grupo tiram a atenção, quebram a concentração e todo o riquíssimo processo fica comprometido.
A escuta atenta implica em contenção e em afastamento da própria personalidade e isso leva à aceitação do outro. Por outro lado, percebendo-se aceito, o companheiro que faz o seu depoimento sente-se menos exposto, menos vulnerável e isso cria um caminho para que o companheiro possa abrir-se mais completamente.
Importa ainda considerar que, freqüentemente, o depoente recebe atenção amorosa depois de muitos anos de um grande vazio e, às vezes, até pela primeira vez na vida.

O fato importante e fundamental para a recuperação do alcoólico, e que só é
possível no ambiente silencioso dos grupos de A.A., é que o companheiro só ganha consciência da importância da sua individualidade na medida em que é reconhecido como tal pelos outros companheiros, pelas outras consciências. Isso ocorre na família, posteriormente na vida social e, especialmente, nos grupos de A.A.. A identidade da consciência individual, subjetiva, depende desse reconhecimento uma vez que a identidade do eu só ocorre através da identidade do outro que me reconhece como tal e que, por outro lado, depende também de que eu o reconheça.
Este é um mecanismo extremamente importante na construção do indivíduo, pois que indispensável para o crescimento da sua própria humanidade. E isso acontece no ambiente respeitoso e silencioso dos grupos de A.A..

A compaixão que é despertada nos companheiros dos grupos, numa atmosfera marcada pelo silêncio, significa que eles sentem no coração um impulso forte para ajudar aquele que faz o seu depoimento a se livrar do seu sofrimento. É uma saudável atitude da mente e do corpo que procura aliviar a dor e o sofrimento de outros seres humanos. A compaixão é a resposta espontânea de um coração que está aberto para os companheiros do grupo. Resulta, então, que as pessoas se sentem mais próximas e mais confortáveis no convívio mútuo. Pensam nas outras pessoas, chegam a uma compreensão madura de si mesmas e das suas relações com os outros.

Não há sentimento mais denso e mais enriquecedor que a compaixão. Nem mesmo a nossa própria dor pesa tanto quanto a que sentimos com alguém e por alguém. Esta dor é amplificada pela nossa imaginação quando, mais tarde, dialogando conosco, começamos a imaginar como deve ter sido grande o sofrimento do companheiro diante dos fatos que nos foram relatados no seu depoimento, dor que é prolongada por muitos ecos, ou seja, pelas lembranças que conservamos e que voltam à nossa consciência repetidas vezes. Esses sentimentos compõem a espiritualidade e aumentam a nossa dimensão humana; despertam o amor ao próximo, o sentimento de fraternidade.

O sofrimento é uma experiência universal e, por isso, deveria existir mais
compaixão no mundo. O problema está em que, freqüentemente, não nos encontramos abertos para sentir dor. Se fugimos dela e nos defendemos, isto significa que também nos fechamos para o aparecimento da compaixão. Mas não é preciso ser santo para sentir compaixão, ela é a resposta natural de um coração aberto em relação a outro ser humano.
Usualmente estamos com os corações fechados para sentir dor. Afastamo-nos da
dor, nos fechamos, nos defendemos. Neste caso, a fonte da compaixão permanece fechada e saímos do que é verdadeiro e próprio do ser humano para o que é fabricado, decepcionante e fonte de confusão, isso quando nos voltamos para as coisas do mundo que nos cercam.

Compaixão não é o mesmo que tristeza. As pessoas usualmente têm uma aversão ao sofrimento, à tristeza, mais do que uma abertura em relação a ela. Assim, dizemos que uma pessoa é “baixo astral” e nos afastamos dela porque nos faz sofrer. Afastamo-nos ou fazemos alguma coisa para aliviar a nossa tristeza.
Fazemos isso por nós. Mas se prestarmos atenção à diferença entre tristeza e
compaixão, veremos que, na compaixão, não há fixação nem aversão e que a
condição de abertura em relação ao sofrimento do outro é realmente a grande
motivação para uma resposta hábil e efetiva. A tristeza incomoda, a compaixão
abre o coração para o sentimento de amor ao próximo, para o fato de sermos
irmãos.

Nos grupos, não há uma atmosfera de tristeza, como se poderia imaginar e as
pessoas que não conhecem o A.A. pensam que lá existe muita tristeza. Ao
contrário, o ambiente é alegre, composto por pessoas vitoriosas e que têm os
seus corações abertos ao sofrimento, que sentem compaixão; e a alegria se traduz em saúde e é uma forma de terapia. Agora é possível imaginar o quanto de silêncio e respeito é necessário existir numa reunião de grupo para que se vá
absorvendo essas realidades, sentindo essas tênues diferenças, mesmo não estando consciente delas.

O silêncio respeitoso propicia o surgimento da empatia, que é a tendência para
sentir o que se sentiria caso estivesse na situação e nas circunstâncias
experimentadas por outra pessoa. Os companheiros abrem, então, os seus corações porque aprendem como é o verdadeiro amor, como é grande o valor da oração e que é pelo amor e pela dor que os homens se elevam do seu chão cotidiano. Isso acontece justamente em momentos difíceis, em que o amor se tornou aparentemente impossível e o coração parece ter se transformado em pedra. Só o silêncio cria as condições para que tão importante aprendizado ocorra.

O silêncio permite que se desenvolva uma interação entre os companheiros dos
grupos e que essa mesma interação se desenvolva dentro de um padrão de relação entre as pessoas que poderia ser entendido pelo binômio eu-tu, relacionamento direto e profundo, do olho no olho. O olho é a porta da alma e isso é conhecido desde os egípcios que pintavam as faces de perfil e sempre com um grande olho.
Também nos mosaicos bizantinos os artistas retrataram as figuras humanas com
olhos grandes, desproporcionais.

Graças ao desenvolvimento da solidariedade, da compaixão, do amor ao próximo e, em especial, à sinergia que o silêncio propicia, um fraco mais um fraco não mais são dois fracos e sim um forte. Do mesmo modo, uma asa mais uma asa significam uma ave completa, que pode voar, e que, por ser inteira, recupera a sua liberdade e ganha altura. Em A.A. ouvimos, com freqüência, os seus membros dizerem que são pássaros de uma asa só e que, por isso, têm que estar sempre juntos. Mas é importante enfatizar que, num grupo, só estarão realmente juntos quando em sintonia, que só é possível dentro de um ambiente marcado por um silêncio respeitoso.

Há também uma forma de relacionamento que se faz com as coisas e aí o binômio é outro, é o eu-isso. Muitas vezes, os seres humanos entram numa relação com os outros seres humanos no modo de eu-isso e aí a qualidade do relacionamento inter-humano se deteriora, pois que deixa de ser eu-tu. O pior é que esta relação, que reduz a dimensão humana da outra pessoa, ocorre freqüentemente. O relacionamento eu-isso é marcado pela idéia de posse, que não existe na relação eu-tu. No decurso das nossas vidas, nos relacionamos com pessoas e coisas e muita gente se relaciona com as outras pessoas como se elas fossem coisas, procurando tirar vantagem de uma relação que, neste caso, não tem a qualidade de ser verdadeiramente humana.

O relacionamento nos grupos de A.A. tem a qualidade do eu-tu, relacionamento
precioso, mas que necessita de uma abertura do coração e de uma atmosfera de
silêncio respeitoso, indispensáveis ao estabelecimento de troca de interiores. A
qualquer quebra de atenção durante um depoimento, a relação eu-tu se desfaz e
deixa de haver as trocas enriquecedoras de interiores. Vale lembrar que as
reuniões de A.A. são eventos em que se fala e que dão espaço e suporte para uma profunda mudança existencial.

A compreensão empática, que só ocorre quando há silêncio, significa que
sentimos, precisamente, os sentimentos e os significados pessoais daquilo que
está sendo relatado pelo companheiro. É como se os que ouvem em silêncio
estivessem dentro do mundo privado daquele que faz o seu depoimento, de modo que é possível entender não só o significado do que é conscientemente relatado, mas também o que está abaixo do nível de consciência. Ouvimos até o inaudível pois que, no silêncio, nos tornamos mais sensíveis e capazes de entender até o que não é relatado num depoimento. É ir além das suas dimensões. Há uma expansão da interioridade do ser humano em direção ao outro.

O silêncio cria condições para que aquele que faz o depoimento abra um lugar
para os outros dentro do seu mundo pessoal e isso é indispensável para a sua
própria realização existencial. Por outro lado, o companheiro que faz o
depoimento precisa ser ouvido e compreendido e não apenas escutado, como se
fosse simplesmente um isso, uma coisa falante, um dispositivo eletrônico ou uma
pessoa a pregar no deserto. O grupo de A.A. propicia o espaço de visibilidade
necessário em que a grandeza fugaz da frágil existência humana possa aparecer
além do fato de que a nossa existência só pode se desenvolver no estar-junto dos
homens nesse mundo que nos é comum. Ademais, o silêncio também cria condições para uma comunicação ilimitada, o que é da máxima importância porque a própria verdade é comunicativa e desaparece quando não existe comunicação.

Desfrutando de um silêncio respeitoso, o companheiro pode abrir-se
inteiramente, pode estar realmente presente, de corpo e alma, diante dos demais
companheiros, aceitando-os e sendo aceito por eles. Esta presença, inteira e
completa, de si mesmo, faz com que o companheiro fique presente também para os outros; os outros sentem a sua presença. Este aspecto é de extrema importância, pois muitas vezes estamos falando com uma pessoa que, como se diz, não está nem aí e encontra-se dispersa em seus pensamentos e interesses pessoais enquanto falamos. Freqüentemente ficamos falando sozinhos, o outro está presente, mas, em realidade, não está. Deste modo, entendemos a necessária ênfase quando falamos de presença inteira e completa. Conhecemos pessoas que estão sempre presentes e disponíveis e que significam muito para nós. Não há o eu sozinho, há sempre o eu-tu, na sua totalidade. Quando existe o silêncio empático, sente-se a presença inteira e completa das pessoas.

Aquele que faz o depoimento também se identifica, também ganha dimensão no
processo de comunicação. O relacionamento do eu com o tu quebra o isolamento, integra as pessoas. É preciso estar presente para se tornar presente para os outros. Como acentuei, às vezes, conversamos com pessoas que parecem estar muito distantes, pensando em outras coisas ou, como se diz, estão no mundo da lua e isso destrói o relacionamento entre seres humanos e, especificamente, o tu da relação eu-tu.

É importante lembrar ainda que a fala é poderosa e que, ao fazer o seu
depoimento, o companheiro está consciente do que está relatando e que a sua fala vem do coração. Estar consciente é indispensável para entrar no reino dos
humanos e para o estabelecimento de uma base indispensável para a vida
espiritual. Em realidade, é preciso estar consciente tanto da fala quanto das
ações. Sendo verdadeiro e oferecendo a sua enriquecedora experiência de vida, o companheiro se torna um pólo de atração, e mais, ao ser consciente e honesto, a sua mente se torna mais serena e mais aberta e o seu coração mais feliz e mais pacífico. O estabelecimento de uma relação de harmonia virtuosa com o grupo traz luz ao coração e claridade à mente.

Numa atmosfera marcada pelo silêncio, estabelece-se uma vibração recíproca a
partir do face-a-face, do olho-no-olho, da comunicação profunda que permite que
se veja, no fundo do olho das pessoas, o que vai no seu interior; o silêncio
respeitoso é indispensável para que se estabeleça essa relação profunda. Por
outro lado, a comunicação superficial, feita por monossilábicos, frases gravadas
e esperadas, torna as pessoas ansiosas, resultando que voltam às suas
exposições, aos seus temas ou explicações porque não se sentem percebidas. O
companheiro que faz o seu depoimento fala dos seus sentimentos, de emoções
escondidas, reprimidas e que geram doenças. Desabafar, confidenciar, partilhar a
intimidade, segredos e pecados, neste ambiente muito especial, é de grande poder curativo, é excelente terapia. Por outro lado, somente quem vive a experiência de ouvir o outro é capaz de amá-lo na sua totalidade, de todo o coração, e isso significa dar-se por gratuidade, sem reservas, de coração a coração e sentir a experiência da alegria, do medo, da coragem, do descontentamento, do sofrimento, do desejo e da tristeza.

O relacionamento que se estabelece no grupo é gratuito. Um companheiro oferece o seu depoimento, a sua experiência, e os outros membros do grupo oferecem o seu silêncio respeitoso, a sua compreensão, o seu amor de irmão. Não há nenhum interesse interposto na relação entre o membro que faz o depoimento e os demais que o escutam. Um doa a sua riqueza interior, a sua experiência, e os outros a aceitam respondendo com um sentimento de compaixão e de compreensão.

Essa é uma relação muito rica e enriquecedora que pode acontecer entre seres
humanos quando assentada na reciprocidade, na capacidade de entender e de amar o próximo. Um ser só cresce com os outros dentro deste tipo de relacionamento. O silêncio possibilita o estabelecimento da via de mão dupla. Permite a manifestação da palavra com todo o seu poder e que, por sua vez, conduz à reciprocidade, entendida como um poderoso mecanismo totalizador capaz de fazer com que todos fiquem envoltos em uma só atmosfera, que cria as condições para que aquele que faz o depoimento encontre o seu interior, a sua subjetividade e que se identifique como sendo uma pessoa, um ser humano, porque também não há o tu sem o eu. A elevada compreensão cria condições para que haja paz entre os seres humanos.

Não estamos acostumados ao silêncio, à sua dimensão profunda, tão profunda que assusta, amedronta e angustia porque nos coloca diante de nós mesmos e o medo ocorre porque não nos conhecemos.

Tudo isso ocorre dentro da liberdade de tomar a decisão de prestar o seu
depoimento que, no silêncio respeitoso e na relação empática, conduz a uma
relação inter-humana profunda, que é o fundamento da existência em A.A..
Meditando acerca do conteúdo dos depoimentos e se abrindo para a dor e o
sentimento de compaixão, os membros do grupo estarão ganhando dimensão humana e espiritualidade e isso numa época em que as pessoas se permitem esquecer cada vez mais daquilo que é mais característico do homem, que é a sua humanidade.

O silêncio atinge e penetra o coração humano e é aí que está a nossa
interioridade, o lugar onde somos o que somos.

Estas considerações foram feitas a partir de uma prática que sempre me encantou em A.A.. Muitos companheiros, após o seu depoimento, agradecem dizendo:
“Obrigado pelo silêncio de vocês”. Isso sempre me tocou muito e passei a meditar
e a procurar o porquê, e penso que encontrei a sua essência.

” OS DOZE PASSOS E A ESPIRITUALIDADE ”

Os Doze Passos têm em si a força necessária para transformar nossa maneira de
viver, devido ao grande conteúdo espiritual que contêm.

No PRIMEIRO PASSO ao admitirmos que éramos impotentes perante o álcool, que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas, reconhecemos a nossa fraqueza, não só com a bebida alcoólica, mas também nas pequenas atitudes do dia-a-dia.
Uma vez que estamos nos propondo a mudar radicalmente de comportamento, é
necessário quebrar nosso orgulho pessoal, aceitando conscientemente nossos
defeitos de caráter, ter vontade sincera de mudar e a partir daí vamos iniciar
uma nova qualidade de vida.

No SEGUNDO PASSO pedimos apoio a alguém que acreditamos que podia nos ajudar.

No TERCEIRO PASSO entregamos nossa vida nas mãos de Deus, da forma como o concebíamos, para que nos desse força e coragem para mudarmos nossa forma de viver.

Estes três primeiros Passos são direcionados ao Poder Superior. A partir do
Quarto Passo já sentimos uma força interior que nos permite separar o joio do
trigo.

O QUARTO PASSO pede-nos um inventário da nossa vida: como está a nossa casa?
Vamos verificar que está cheio de sujeira, muito entulho para remover para fora,
acumulado no passado durante nossa vida.

O QUINTO PASSO nos convida a vomitar toda a sujeira que está dentro das nossas emoções, dando início à limpeza em nossa casa.

O SEXTO PASSO mostra a nossa fragilidade, e pedimos ao Poder Superior forças e coragem para completar a limpeza em nossa alma.

No SÉTIMO PASSO pedimos a Deus para manter nossa casa limpa.

O OITAVO e NONO PASSOS nos convidam a devolver às outras pessoas o prejuízo que lhes causamos, tanto material como emocional, quando isso era possível.

Por fim chegamos ao DÉCIMO PASSO que é uma continuação do Oitavo e Nono Passos, só que agora, com a mente aberta, podemos compreender melhor o seu significado; com o esvaziamento do Ego, adquirimos diversas virtudes a que chamamos de Dádivas de Deus. Entre elas podemos enunciar serenidade, humildade, honestidade, tolerância e fé, porém uma nova fé que funciona, não aquela fé religiosa que pensávamos que tínhamos e que não funcionou quando apelamos para ela, quando do nosso alcoolismo. Recebemos também, acima de tudo, uma nova consciência de Deus, através de nossas concepções puras, simples, sem preconceito ou medo.

Não devemos nos preocupar com o passado assim como não devemos nos preocupar com o futuro, porque ainda não chegou, devemos concentrar nossa vida no presente.
E é no presente que vamos reciclar as coisas do passado, sem dúvida preparar um futuro melhor.

O Décimo Passo oferece-nos a compreensão de uma qualidade de vida melhor. Já sabemos separar o certo do errado.
Temos condição de pedir perdão quando erramos e podemos aceitar o perdão e
perdoar também; para podermos ter a mente aberta, foi preciso termos o despertar espiritual. Podemos manter a serenidade e o equilíbrio emocional, no nosso dia-a-dia.
Somos conscientes que todas as coisas que a vida nos oferece não nos pertencem, pois tudo que existe, não só na Terra mas no Universo, pertencem a Deus. Nós somos administradores depositários desses bens para manifestar a Sua vontade, em nosso benefício e de nossos irmãos.
Depois de moldarmos e adaptarmos este Passo à nossa vida, como um modo de
aprendizagem, estamos sim atrás do aperfeiçoamento e não da perfeição.

No DÉCIMO PRIMEIRO PASSO vamos entrar em contato direto com Deus,através da prece e da meditação. A partir deste momento desperta em nosso coração uma grande vontade de viver, servindo de uma forma consciente às inspirações que nos chegam pela prece e meditação.
A nossa vida mudou completamente. ..Sentimos a presença de Deus se manifestando no nosso dia-a-dia, em nossas atitudes.. Uma consciência despertada nos permite um melhor relacionamento com esse Poder Superior, a todo o momento e onde estivermos.

Podemos aplicar duas formas de oração: a primeira é aquela que ao sair do
coração espontaneamente, vai a Deus; não tem fórmulas específicas, mas é mais
sincera, temos um dialogo franco.
A segunda, que não deixa de ter o mesmo valor, é a prece que aprendemos para
rezar em conjunto com outras pessoas. EMBORA SEJA DECORADA DE MODELO PARA TODOS E QUANDO EM COMUNIDADE, NOSSA VOZ SE JUNTA A TODAS AS OUTRAS, NOSSO PENSAMENTO DEVE ESTAR EM SINTONIA COM O PODER SUPERIOR e desta forma receberemos suas
bênçãos.
A meditação é algo ainda mais sublime, pois através dela nos colocamos em plena sintonia com Deus.
Dever ser feita num lugar onde o silêncio seja a nossa companhia, libertando da
nossa mente os pensamentos ali existentes, assim como nossas emoções, permitindo dessa forma criar uma harmonia total, física, emocional e mental, para sentirmos a presença de Deus dentro de nós.

Após uma longa viagem de aprendizado e mudanças em nossas atitudes,chegamos por fim ao DÉCIMO SEGUNDO PASSO, que nos coloca em plena harmonia com Deus. Levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre é a função principal da Irmandade de Alcoólicos Anônimos. Envolvidos espiritualmente nos Passos, adquirimos o conhecimento necessário para que a mensagem alcance o recém-chegado de maneira correta.

Aqueles que vivem espiritualmente OS DOZE PASSOS sabem da felicidade e da
alegria que é a presença de um recém-chegado à sua primeira vez. Aceitando-o
plenamente, não notar nele suas vestes amarrotadas, sua barba por fazer, a
higiene comprometida, o seu comportamento alcoólico e o cheiro do seu último
trago. Sentiremos uma grande felicidade ao estender a mão, colocando-nos à
disposição para transmitir nossas experiências recebidas do Poder Superior
através dos Doze Passos.

OS DOZE PASSOS são uma fonte inesgotável de espiritualidade onde se apóia nossa Irmandade, sugeridos a seus membros para uma renovação total de suas vidas, libertando-os não só do álcool, mas também da angústia e sofrimento,
permitindo-lhe o reencontro com Deus.

COLOCADOS EM PRÁTICA, A RIQUEZA ESPIRITUAL CONTIDA NOS DOZE PASSOS É TÃO GRANDE, QUE TEMOS DIVERSOS AMIGOS NÃO ALCOÓLICOS QUE SE TÊM BENEFICIADO NO CRESCIMENTO
ESPIRITUAL DE SUAS VIDAS, PRATICANDO OS DOZE PASSOS.

* Fernando Luiz Ribeiro Souza – Custódio não – alcoólico

” HISTÓRICO E PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO DE A.A. ”

Dr. Laís Marques da Silva
Ex-Custódio e Presidente da JUNAAB

Num primeiro momento, vou enfocar dois fatos históricos de especial importância
para a Irmandade de A.A..

O primeiro está ligado à espiritualidade.
Carl Gustaf Jung, que foi quem mais procurou casar psicologia com
espiritualidade, teve um importante papel na fundação do A.A. e também para o
fato de termos um programa espiritual.
No início dos anos 30 do século passado, um americano chamado Rowland,
banqueiro e ex-senador, viajou para Zurique, na Suíça, para tratar do seu
problema de alcoolismo com o famoso psiquiatra Jung. Rowland recaiu algumas
vezes e, após um ano de terapia, não apresentou nenhum progresso. Jung comunicou ao paciente que ele estava gastando dinheiro à toa e que não poderia ajudá-lo.
Rowland perguntou se havia alguma esperança, se não havia nada que ele pudesse sugerir. A resposta foi que a única coisa que poderia fazer seria procurar uma conversão, uma profunda mudança interior. Disse que ouvira relatos de pessoas que, após uma conversão religiosa, tinham parado de beber e que isso fazia sentido para ele.
Rowland passou a freqüentar um movimento religioso, muito conhecido naquela
época, os Grupos Oxford. Conseguiu a desejada conversão e parou de beber. Já
sóbrio, procurou um velho companheiro de bebida, chamado Ebby, que o convidou para beber e a resposta foi: eu não bebo mais. Ebby ficou estupefato e
perguntou: o que você quer dizer com isso? Você é um alcoólico sem esperança
como eu. Rowland relatou o que lhe havia acontecido e Ebby, seguindo o mesmo
caminho, conseguiu parar de beber por um longo período de tempo.
Estando sóbrio, Ebby foi visitar um velho amigo, Bill W. e recebeu dele o mesmo
convite para beber e a resposta foi: não bebo mais. Aí foi a vez de Bill ficar
espantado. Ebby relatou o que havia acontecido e Bill pensou que trilhar este
caminho seria uma boa idéia. Procurou tratamento e, no decurso dele,
experimentou um despertar espiritual. Cerca de seis meses mais tarde iniciou a
primeira reunião de A.A. em Akron, Ohio.

O segundo fato histórico está ligado à solidariedade humana, à compreensão, à
troca interpessoal de riquezas interiores que ocorre no compartilhar de
experiências, tão ao estilo de A.A. e, ao mesmo tempo, fundamento para a
formação de uma comunidade.
Em novembro de 1934, Bill alcançou a sobriedade e, durante seis meses, falhou ao tentar ajudar outros alcoólicos. Nenhum deles desejou aquilo que Bill pensou que tinha para dar. Mas, no dia das mães de 1935, estando em Akron, Ohio, sentiu-se desesperado e teve medo de voltar a beber. Procurou então um alcoólico que pudesse entender o que sentia e foi ter com o Dr. Bob pelo que Bob, como alcoólico, podia dar a ele. Bill não procurou para dar, mas para receber e foi aí, ao receber, que conseguiu, finalmente, dar. Estava aberta a poderosa via de mão dupla.
O Dr. Bob se sensibilizou com o fato de Bill não só admitir que necessitava
dele, mas também por ter agradecido pela ajuda que havia recebido, o que
possibilitou se manter sóbrio. Aquele muito obrigado de Bill tocou e acalmou os
sentimentos do Dr. Bob. Alguma coisa havia mudado no seu íntimo, agora ele era
diferente.
Por ser um alcoólico, o Dr. Bob podia não apenas ouvir, mas também compreender e compartilhar. Experimentaram a via de mão dupla vivida em A.A., no dia a dia dos seus membros. Essa via de mão dupla é um dos elementos mais importantes na formação de uma verdadeira comunidade.
Esses foram os dois fatos históricos que considero de relevante importância para
o desenvolvimento da espiritualidade e para o nascimento da comunidade de
Alcoólicos Anônimos.

Num segundo momento, volto-me para o Programa de Recuperação.
Vinte anos depois de ter-se recuperado, Bill W. escreveu para Jung e relatou o
papel que, involuntariamente, ele havia desempenhado na criação do A.A..
Jung, em carta datada de 30 de janeiro, de 1961, dirigida a Bill W., enfatizou a
importância da experiência religiosa e das barreiras protetoras formadas pela
comunidade humana e ressaltou ainda que a palavra álcool significava espírito e
que era usada tanto para designar a mais alta experiência religiosa quanto o
mais depravador dos venenos e colocava, finalmente, que a receita é “spiritus”
contra “spiritum”, ou seja, a espiritualidade contra as bebidas chamadas
espirituosas e que talvez o alcoolismo fosse uma condição espiritual. Seria a
espiritualidade contra a droga álcool, “Spirit against spirits”. Esse pensamento
conduz à visão que tenho do Programa de Recuperação de A.A..
Vejo-o como um programa de conversão espiritual, de modificação profunda do
ser, um programa psicológico em que se destaca a força de mensagens curtas e
breves, de aforismos e provérbios. Para progredir no Programa, o alcoólico é
apoiado pela existência de um sistema de apadrinhamento, uma das formas de
proteção da comunidade humana. O padrinho é uma espécie de psicoterapeuta não profissional e não pago. É também um fato considerado normal, além de ser bem aceito, que o afilhado possa superar o seu padrinho e até procurar um outro num determinado momento da sua trajetória de recuperação e nisso, o apadrinhamento é superior à terapia tradicional. Finalmente, vejo o Programa de Recuperação como um programa importante para o estabelecimento de uma verdadeira comunidade.
Quase todos os Passos do Programa de Recuperação são voltados para o
autoconhecimento, para o conhecimento de si mesmo. Nos Diálogos de Platão,
Sócrates diz: “Eu preciso primeiro conhecer-me, conforme a inscrição de Delfos –
Conhece-te a ti mesmo”.
Praticar o Programa de Recuperação é estar na busca de si mesmo pela vida
inteira e o homem só começa a ter valor quando procura conhecer a si mesmo. A
jornada em A.A. é a caminhada rumo ao interior, que começa já no Primeiro Passo.
Na busca da sua individualidade, da sua singularidade espiritual, o membro de
A.A. encontra a resposta à grande indagação: Quem sou eu?
Enquanto fazendo o Programa de Recuperação, os alcoólicos são seres humanos voltados para a descoberta do seu mundo interior, onde vão encontrar a
espiritualidade e a solução dos seus problemas íntimos e também o seu valor e a
sua dignidade.

Concluindo, há cerca de 2.500 anos, havia uma integração perfeita entre ciência
e religião na filosofia daquele tempo. Em 1633, Galileu, ante a Inquisição, teve
que repudiar a Teoria Copernicana. A partir daí, passou a vigorar um contrato,
não escrito, em que a religião seguia o seu caminho e a ciência se restringia
aos fenômenos naturais. Muitas coisas boas aconteceram nos dois lados, mas o
problema era que esse contrato era fragmentador. Dividia o homem e, no entanto,
ele precisa ser integral, ter integridade, e hoje esse contrato não funciona
mais. Atualmente, os homens procuram soluções que falem ao espírito, que os
ajudem na busca da vida interior. 30 anos depois da sua morte, Jung se tornou
mais atraente por oferecer um casamento perfeito entre psicologia e
espiritualidade, entre religião e ciência.
Para finalizar, recorro às palavras de Scott Peck, autor do Livro Further Along
The Road Less Travelled. Scott Peck é psiquiatra, com formação na Universidade
de Harvard e Diretor do Milford Hospital, Mental Health Clinic, em Connecticut.
Traduzi o trecho que vou citar e são essas as suas palavras: “… acredito que o
evento positivo maior deste século vinte ocorreu em Akron, Ohio, em 10 de junho
de 1935, quando Bill W. e o Dr. Bob juntaram-se para fazer a primeira reunião de
A.A.. Não foi só o início do movimento de auto-ajuda e da integração da ciência
com a espiritualidade, a nível de raízes, mas também o início do movimento de
comunidade”. Mais adiante, diz: “quando meus amigos do A.A. e eu nos juntamos, freqüentemente chegamos à conclusão de que, muito provavelmente, Deus deliberadamente criou a doença do alcoolismo a fim de criar alcoólicos para que eles pudessem criar o A.A. e assim alcançar o movimento de comunidade que caminha para ser a salvação não somente de alcoólicos e aditos, mas de todos nós”.

ESPIRITUALIDADE E DINEHIRO EM A.A.

Falar de espiritualidade para quem ainda não a experimentou, é o mesmo que falar de saudades para um recém nascido. Isto é o registro de um fato, não é uma
referência aos membros de AA aqui presentes. Sabemos que temos graus deferentes de espiritualidade.
Como para o desenvolvimento do corpo, o espírito precisa também malhação para se desenvolver. Interpreto a espiritualidade como o relacionamento de cada
indivíduo com o Deus de sua própria compreensão. Não tenho portanto, dentro dos princípios de AA nada a ver com religiosidade, podendo cada um entretanto, ter sua religião sem pregá-la em A.A. São os atos da alma, da mente, do espírito,
que se expressam na observância da vontade Divina pela nossa confiança em nosso Deus e em sua proteção, trazendo como resultado o bem estar que sentimos, tendo reflexos decisivos no domínio de nossas emoções, na nossa visão do todo e da própria vida material. A espiritualidade é intangível, pessoal, subjetiva e quase indescritível.
A materialidade é representada pelas coisas físicas, pelo nosso corpo e pelos
bens. Temos conhecimento objetivo das coisas materiais; elas são tangíveis.
Estes dois elementos, espiritualidade e materialidade, têm uma mesma origem e
essência: Energia com vibrações diferentes, manifestações do Deus da nossa
compreensão.

A espiritualidade na Recuperação.

Milenarmente tendo como as religiões, filosofias de vida e a cultura, (não
todas) o ser humano tem ouvido e aprendido que os bens sempre representado pelo dinheiro seriam um empecilho para a espiritualidade. Filosofias e mesmo
religiões, têm pregado a pobreza como virtude, como um meio de conquistar o
paraíso. Não pretendemos com isso entrar em questões que não digam respeito ao modo que AA trata o assunto, mas para demonstrar que mesmo AA não
tratando disso, sofremos nós seus membros a influência religiosa, filosófica e
da cultura de nossa origem. Portanto muitos de nós ainda temos a idéia de que
dinheiro é um mal necessário, quando na realidade o dinheiro é um bem muito
útil. Nesta nossa nave terra tudo é bom, tudo é perfeito, o que ocorre, é o mau uso das coisas e princípios pelo homem. As próprias drogas lícitas, a medicina em muitos casos as usa com benefícios para determinadas enfermidades. O Deus da nossa compreensão criou o homem, já não era mais uma
alma e um corpo separados, era um ser humano, um conjunto integral dessas duas substâncias harmonicamente unidas; passando a existir esse homem para um fim dado por Ele, Deus. Tiremos do homem a alma e já não teremos mais um homem, e sim uma lama e um cadáver separados.

O ser humano, por ser composto pela união dessas duas substâncias distintas,
precisa de bens materiais pêra alimentar sua matéria e de bens espirituais para
alimentar seu espírito; se isso não for feito por nós, viveremos em desarmonia
com Ele, infelizes, sofredores, vazios, depressivos, descontentes,
insatisfeitos, mesmo que não nos falte nada de origem material. Precisamos,
portanto do pão para nosso corpo e de oração e meditação para nossa lama, ou
melhor, pão e oração para como seres humanos estarmos de bem com a vida e com Deus.

A espiritualidade e a prática da 5ª Tradição Levar a mensagem. É um princípio de
vida, que o homem não conserva nem amplia o que tem se não o repetir; seja, o
espiritual representado basicamente pela paz interior, ou seja, o material
representado pelo pão. AA adotou esse princípio na 5ª Tradição, levar a mensagem recebida. AA tem um princípio de não repartir pão, nem receber pão de origem externa; mas é também um principio de AA a espiritualidade, representada pela sobriedade, pela alegria de viver e pela paz, e para que essa sobriedade, alegria de vier e a paz cheguem a outros doentes irmãos e irmãs alcoolistas, precisamos do dinheiro, do material. Sem ele, não teremos o necessário para manter viva nossa organização como um todo, que nos permite de maneira eficaz levar essa mensagem; sem ele não teremos escritórios, equipamentos, funcionários necessários, livros, folhetos e cartazes, nem como pagar as passagens de nossos servidores que irão mostrar aos irmãos doentes e a seus familiares que há esperança, que um Deus amoroso põem a nossa disposição e deles também, e onde está essa esperança. Se não tivermos gratidão, e não colocarmos AA na prioridade de nossos gastos, certamente a mensagem não chegará a nossos irmãos e irmãs doentes e vidas se perderão, por não lembrarmos que outros pagaram para que AA chegasse até nós, salvando nossas vidas. Precisamos libertar-nos da idéia, de que tem que haver primeiro controle de prestação de contas, para que ai estejamos dispostos a sermos justos e gratos, contribuindo somente então. Se quisermos, e muitas vezes queremos, sempre encontraremos pretextos para não contribuirmos para com nossa Irmandade. Queridos e irmãos e irmãs, nós os mais antigos temos que bater no peito e pedirmos perdão a AA, por termos transmitido a mensagem falsa por tanto tempo, e ainda às vezes até hoje, de que em AA tudo e de graça e que em AA não se paga nada, e falarmos tão pouco ou nada de nossa auto-suficiência (que é pagarmos todas as contas de AA) e de não falarmos da
necessidade de sermos gratos, contribuindo não como a última coisa a pagar, mas como a primeira e mais importante, pois significa nossa própria vida.
Pergunto-me e a todos os membros de AA hoje, quanto vale nossa vida, o bem estar material e espiritual nosso e de nosso familiares? Alguns me respondem, mas não posso, está tudo difícil, as despesas todas da casa são muito grandes, tenho dívidas.
Lembro então que se não fora AA, não teríamos oportunidade nem de ter
dificuldades, despesas, muito menos dívidas, pois estaríamos mortos ou no fundo
de um quintal dependendo de alguma alma generosa, ou debaixo de uma ponte, ou quem sabe ainda presos, ou loucos. Porque não contribuímos então? O que nos faz não ver tudo isso? Deixo-vos como reflexão de gratidão queridos irmão e irmãs de doença: Quanto vale minha vida, meu bem estar e de meus familiares, e qual o significado de AA e de meu Deus na minha vida.
Que o Deus da nossa compreensão nos motive e inspire a sermos justos para com nossa Irmandade, e a lhe darmos, não o que nos sobra, mas o que AA precisa, pois é AA que nos permite ter emprego para ganhamos o necessário a nosso sustento e nos devolveu a vida e o bem estar nosso e de nossas famílias.

Muito obrigado,
mais 24 hrs.iu
Santa Cruz do Sul, 23 de fevereiro de 2002
Cmca.

ESPIRITUALIDADE E DINHEIRO EM A.A.

ESPIRITUALIDADE E DINHEIRO EM A.A.

Falar de espiritualidade para quem ainda não a experimentou por procura crescente e espontânea, é o mesmo que falar de saudades para um recém nascido. Isto é registro de um fato, não é uma referência aos membros de A.A., pois não há medidores objetivos do grau da espiritualidade subjetiva a que cada ser humano tenha individualmente atingido, há apenas indícios perceptíveis desse crescimento, tanto mais sentidos quanto mais for desenvolvido o observador. Sabemos que temos graus diferentes de espiritualidade, como disse o Dr. Bob: São proporcionais a nosso esforço na prática das Leis Divinas, muitas delas sintetizadas na filosofia dos Doze Passos de A.A., que nos fornece as ferramentas para nos desenvolvermos espiritualmente. Todos nós estamos num processo de evolução contínuo e nos movemos em velocidades diferentes em nossas caminhadas espirituais em direção ao Uno: o amor, a alegria, a paz – Ele. Como para o desenvolvimento do corpo, o espírito precisa também da malhação na prática das chamadas virtudes para se desenvolver. É necessário isto para que a Vida que está em nós possa desabrochar e manifestar-se em nossos atos, e não somente em nossas palavras, pensamentos e intenções. Amor compaixão e justiça fazem parte da espiritualidade, ou da religiosidade genuína, quando em ação.
Uso aqui vários termos para identificar genericamente a Essência Divina: Poder Superior, Vida, Universo, Natureza, Grande Espírito como dizem nossos bugres, como poderia usar: Pontapé Inicial, Arquiteto do Universo, Cosmos, Big-Bang, Causa Primeira, com o fim de reforçar a ideia da neutralidade de A.A. quanto a qualquer crença religiosa. (Deus, se citado fosse aqui, entraria como nominação individual, dado pelo mundo religioso cristão, não é portanto sinônimo genérico da Divindade, bem como da mesma forma os maometanos O denominam de Alá).
Interpreto a espiritualidade ou a genuína religiosidade, que é diferente do ritualismo formal de uma estrutura temporal sem o domínio espiritual, como o relacionamento de cada indivíduo diretamente com o Grande Espírito, permitindo assim guiar-se pelos impulsos interiores de reta conduta, e manifestando-se no amor, na compaixão, na tolerância, na humildade e em todos os modos conhecidos de manifestação das Leis Divinas, em nós mesmos. Não tendo, portanto, dentro dos princípios de A.A. nada a ver com a religiosidade da estrutura temporal, pois A.A. pretende estar à disposição de todos os seres humanos, podendo cada um, portanto, ter sua religião sem apregoá-la ou discutí-la em A.A., ou mesmo não ter nenhuma
A Espiritualidade se manifesta nas ações que vêm da alma, da mente ou do espírito, e que se expressam na observância da vontade Divina pela nossa confiança em nosso Grande Espírito, P.S. ou Universo conforme a cultura de cada um, e em Sua proteção, trazendo como resultado o bem estar que sentimos, tendo reflexos decisivos no domínio de nossas emoções, na nossa visão do todo, da própria vida material e de que sempre há mais e mais lições elevadas para serem aprendidas. A espiritualidade é intangível, pessoal, subjetiva e quase indescritível. O potencial para a espiritualidade existe latente em cada um de nós, mas precisa ser mobilizado para a ocorrência de um contínuo e crescente desenvolvimento espiritual. Qualquer ser humano poderá ser espiritualizado, isto será um fato quando se manifestar nele a bondade, a justiça, a amorosidade e ele estiver cheio de compaixão; até os que se dizem ateus, se essas atitudes e sentimentos neles se manifestarem, o serão. Mesmo que eu vá regularmente a cultos, rituais religiosos e faça preces regulares, se eu mantiver em meu coração reservas a pessoas, sentimentos de inveja, de superioridade, de vingança e de críticas acerbas a outros seres humanos, ou qualquer outro sentimento destrutivo, estou vazio de espiritualidade e longe do Poder Superior de todos.
A materialidade é representada pelas coisas físicas, pelo nosso corpo e pelos bens materiais. Temos conhecimento objetivo das coisas materiais; elas são tangíveis.
Estes dois elementos, o espiritual e o material, têm uma mesma origem e essência: Energia com vibrações em níveis diferentes, que são manifestações do Deus da compreensão de cada um.
A espiritualidade na Recuperação.
Milenarmente, tendo como fonte as religiões, filosofias de vida e a cultura (não todas), o ser humano tem ouvido e aprendido que os bens, sempre representados pelo dinheiro (instrumento de troca), seriam um empecilho para a espiritualidade. Filosofias e mesmo religiões, têm pregado a pobreza como virtude, como um meio de conquistar o paraíso. Não pretendo com isso entrar em questões que não digam respeito ao modo com que o A.A. trata do assunto, mas para demonstrar que mesmo A.A. não tratando disso, o próprio A.A. na sua formação, e nós seus membros, sofremos as influências fortes, religiosas, filosóficas e da cultura de nossa origem e no nosso tempo, em muitos casos influências religiosas com origem em rituais formais, e podemos equivocadamente defendê-las aqui, mesmo implicitamente. Partindo dessa influência, vemos que muitos de nós ainda temos a ideia de que dinheiro é um mal necessário, quando na realidade o dinheiro é um bem necessário e muito útil. Nesta nossa nave terra tudo é bom, tudo é perfeito, o que ocorre, é o mau uso das coisas e princípios pelo próprio homem. As próprias drogas, lícitas ou ilícitas, a medicina, em muitos casos, as usa com benefícios para determinadas enfermidades; e o que dizer do dinheiro doado bondosa e anonimamente com compaixão, e que alimenta famintos, por um ateu? Não é um ato genuíno de espiritualidade?
O Deus da nossa compreensão ou a Natureza, como queiramos, criou ou gerou o homem, já não era mais uma alma e um corpo separados, era um ser humano, um conjunto integral dessas duas substâncias harmoniosamente unidas; passando a existir esse homem para um fim dado por Ele, Deus da compreensão de cada um ou da Natureza. Tiremos do homem a alma e já não teremos mais um homem, e sim uma alma, mente ou psiquismo e um corpo inanimado.
O ser humano, por ser composto pela união dessas duas substâncias distintas e Divinas ou do Universo, precisa de bens materiais para alimentar sua matéria e de bens espirituais para alimentar seu espírito, ou de ambos para alimentar a si mesmo. Se isto não for feito por nós, viveremos em desarmonia com Ele ou com a Natureza, infelizes, sofredores, vazios, depressivos, descontentes, insatisfeitos, mesmo que não nos falte nada de origem material. Precisamos, portanto, do pão para nosso corpo e de prece e meditação para nossa alma, ou melhor, pão, prece e meditação, para como seres humanos estarmos em harmonia e de bem com a Vida e com o Deus da compreensão de cada um ou com a Natureza, conforme maravilhosamente nos expõe nossa Irmandade de A.A.
A espiritualidade, o material e a prática da 5a Tradição.
Estar em harmonia como o Grande Espírito ou a Natureza e levar a mensagem, é um princípio de vida, de que o homem não conserva nem amplia o que tem se não o repartir; seja na área espiritual, representada basicamente pelo amor e pela paz interior, ou seja na área material, representada pelo pão ou pelo dinheiro.
A.A. adotou esse princípio na 5a tradição, levar amorosamente adiante
a mensagem recebida, de modo extremamente bem feito.
A.A. tem um princípio de não repartir pão, nem receber pão de origem externa; mas é também um princípio de A.A., repartir a espiritualidade, representada pela sobriedade, pelo amor, pela alegria de viver e pela paz, e para que essa sobriedade, alegria de viver e a paz cheguem a outros doentes, irmãos e irmãs alcoolistas, precisamos do dinheiro, do material. Sem ele, não teremos o necessário para manter viva nossa organização como um todo, o que nos permite de maneira eficaz levar essa mensagem; sem ele não teremos escritórios, equipamentos, funcionários necessários, livros, folhetos e cartazes, nem como pagar as passagens de nossos servidores que irão mostrar aos irmãos doentes e a seus familiares que há esperança, que um Deus amoroso põe a nossa disposição e a deles também, e onde está essa esperança. Precisamos portanto de dinheiro e amor humano (como uma coisa só, porque Divinos são ambos) para que a mensagem de A.A. chegue a outros seres humanos. Se não tivermos gratidão, e não colocarmos A.A. na prioridade de nossos gastos, certamente a mensagem não chegará a nossos irmãos e irmãs doentes e vidas se perderão, por não lembrarmos que outros contribuíram para que A.A. chegasse até nós, salvando nossas vidas, seja através dos grupos locais, dos grupos na Internet ou outros meios diretos, procedidos pelo 12º Passo.
Como podemos ver, parece-me que tanto o material que inclui o dinheiro, quanto o espiritualidade, são duas partes integrantes de um mesmo ser, o homem; sem uma delas, seja a do espírito ou a da matéria (no caso o dinheiro é integrante desta), não trata-se de um homem, mas de uma alma e um cadáver como já dito.
Contribuição espontânea mas responsável e efetiva.
Precisamos libertar-nos da ideia, de que tem que haver primeiro controle e prestação de contas, para que aí estejamos dispostos a sermos justos e gratos, contribuindo somente então, se nos sobrar dinheiro. Se quisermos, e muitas vezes queremos, sempre encontraremos pretextos para não contribuirmos para com nossa Irmandade. Contribuamos e aí sim, peçamos prestação de contas, clareza nos gastos e respectivos documentos e registros.
Queridos irmãos e irmãs, nós os mais antigos temos que bater no peito e pedirmos perdão a A.A., por termos transmitido a mensagem falsa por tanto tempo, e ainda às vezes até hoje, de que em A.A. tudo é de graça e que em A.A. não se paga nada, e falarmos tão pouco ou nada de nossa auto-suficiência (que é pagarmos todas as contas de A.A.) e de não falarmos da necessidade de sermos gratos, contribuindo não como a última coisa a pagar e só com as sobras, mas como a primeira e mais importante, pois significa nossa própria vida. A.A. não me obriga a contribuir, mas eu me obrigo a isso por compreensão e por gratidão.
Pergunto-me, e a todos os membros de A.A. hoje, quanto vale nossa vida, o bem estar material e espiritual nosso, e de nossos familiares?
Alguns me respondem: Mas não posso, está tudo muito difícil, as despesas todas da casa são muitas e elevadas, tenho dívidas.
Lembro-lhes então, que se não fora o A.A. não teríamos nem oportunidade de ter dificuldades, despesas, muito menos dívidas, pois estaríamos mortos ou no fundo de um quintal dependendo de alguma alma generosa, ou debaixo de uma ponte, ou quem sabe ainda, presos ou loucos. Porque não contribuímos então? O que nos faz não ver tudo isso?
Deixo-vos essas palavras como reflexão, queridos irmãos e irmãs de
doença: “Quanto vale minha vida, meu bem estar e de meus familiares, e qual o significado de A.A. e do Deus da minha compreensão na minha vida?”
Que o Poder Superior nos motive e inspire a sermos justos para com a nossa Irmandade, e a lhe darmos, não o que nos sobra, mas o que A.A. precisa, pois é A.A. que nos permite ter emprego ou atividades para ganharmos o necessário a nosso sustento e nos devolveu a vida e o bem estar nosso e de nossas famílias.
Portanto irmãos e irmãs de doença, não existe no homem o espiritual e o material, existe o homem, que é gerado quando ocorre a integração dessas duas essências Divinas.
Como sempre vos digo, não é assunto para discutir, é para uso da mente aberta e divagarmos e terminarmos, na prece, na contemplação e na meditação do 11º Passo, conforme cada um o deseje, com a contemplação que se fixa num ponto específico, ou com a meditação que aquieta e tenta esvaziar a nossa mente, contatando assim com o Deus de cada um, única fonte da verdadeira inspiração e sabedoria, onde encontramos todas as respostas para os nossos questionamentos e dúvidas, conforme vamos nos aperfeiçoando.
Abraços fraternos, muita paz, luz, vida, amor e mais 24 h sóbrias.
arco.

BOA VONTADE

BOA VONTADE

“Reflexões”
HONESTIDADE RIGOROSA
Quem se dispõe a ser rigorosamente honesto e tolerante?
Quem se dispõe a confessar suas falhas a outra pessoa e a fazer reparações pelos danos causados? Quem se interessa, ao mínimo, por um Poder Superior, e ainda pela meditação e a oração? Quem se dispõe a sacrificar seu tempo e sua energia tentando levar a mensagem de A. A. ao próximo? Não, o alcoólico típico, egoísta ao estremo, pouco se interessa por estas medidas, a não ser que tenha de tomá-las para sobreviver.
Eu sou um alcoólico. Se eu beber eu morrerei. Me Deus, que poder, energia e emoção esta simples declaração gera em mim! Mas, verdadeiramente, é tudo que preciso saber por hoje. Estou disposto a ficar vivo hoje? Estou disposto a ficar sóbrio hoje? Estou disposto a pedir ajuda e estou disposto a ajudar outro alcoólico que ainda sofre hoje? Descobri a natureza fatal de minha situação? O que devo fazer, hoje, para permanecer sóbrio?

SALVO POR RENDER-SE
É uma característica do chamado alcoólico típico ser egocêntrico e narcisista, ser dominado por sentimentos de onipotência e ter intenção de manter a todo custo sua integridade interior… Interiormente o alcoólico não aceita ser controlado pelo homem ou por Deus. Ele, o alcoólico, é e precisa ser – o dono de seu destino. Lutará até o fim para preservar essa posição.
O grande mistério é: Por que alguns de nós morrem de alcoolismo, lutando para preservar a independência de nosso ego, enquanto outros conseguem ficar sóbrios em A. A. aparentemente sem esforços? A ajuda de um Poder Superior, a dádiva da sobriedade, aconteceu para mim quando um inexplicável desejo de parar de beber coincidiu com minha disposição de aceitar as sugestões dos homens e mulheres de A. A. Precisei render-me, pois somente alcançando Deus e meus companheiros eu poderia ser salvo.

LIMPANDO O JARDIM
A essência de todo crescimento é uma disposição de mudar para melhor e uma disposição incansável de aceitar qualquer responsabilidade que implique essa mudança.
Quando alcancei o Terceiro Passo, eu já estava livre de minha dependência do álcool, mas amargas experiências me mostraram que a sobriedade contínua requer um esforço contínuo.
De vez em quando dou uma pausa para dar uma olhada no meu progresso. Mais e mais o meu jardim fica limpo cada vez que olho, porém, toda vez também encontro novas erva daninhas crescendo rapidamente, onde eu pensava já ter finalmente cortado com lâmina. Quando volto para tirar as ervas novas que cresceram (é mais fácil quando elas ainda são jovens), para um momento para admirar como é vigoroso o crescimento dos vegetais e das flores, e meu trabalho é recompensado. Minhas sobriedade cresce e produz frutos.

A CHAVE E A BOA VONTADE
Uma vez que introduzimos a chave da boa vontade na fechadura e entreabrimos a porta descobrimos que sempre se pode abrir um pouco mais.
A boa vontade para entregar o meu orgulho e minha obstinação a um Poder Superior a mim mesmo, provou ser o único ingrediente necessário para resolver meus problemas hoje. Até mesmo pequenas doses de boa vontade, se sincera, é suficiente para permitir que Deus entre e tome o controle sobre qualquer problema, dor ou obsessão. Meu nível de bem-estar está em relação direta com o grau de boa vontade que tenho num determinado momento para abandonar minha vontade própria e permitir que a vontade de Deus se manifeste em minha vida. Com a chave da boa vontade, minhas preocupações e medos são poderosamente transformados em serenidade.

A VERDADEIRA INDEPENDÊNCIA
Quanto mais nos dispomos a depender de um Poder Superior, mais independentes nos tornamos.
Começo a confiar em Deus com uma vontade pequena e Ele faz com que essa vontade cresça. Quanto mais boa vontade tenho, mais confiança ganho, e quanto mais crença ganho, mais boa vontade tenho. Minha dependência de Deus cresce na proporção em que cresce a minha crença Nele. Antes de tornar-me disposto, dependia de mim mesmo para todas as minhas necessidades e estava restrito pela minha imperfeição. Pela minha boa vontade de depender do meu Poder Superior, a quem chamo de Deus, todas as minhas necessidades são satisfeitas por Aquele que me conhece melhor que eu mesmo; até mesmo aquelas necessidades que posso não perceber, bem como as que ainda não vieram. Somente Aquele que me conhece tão bem, pode levar-me a ser eu mesmo e me ajudar a preencher a necessidade de alguém que somente eu posso preencher. Nunca haverá alguém exatamente como eu. E isto é a verdadeira independência.

LIBERDADE DO “REI ÁLCOOL”
… não vamos supor nem mesmo por um instante, que não estamos sob coação. Na verdade, estamos sob uma enorme sujeição… Nosso antigo tirano, o “Rei Álcool”, está sempre pronto para nos agarrar. Portanto, a libertação do álcool é o grande “dever” que tem que ser alcançado: caso contrário, chegaremos à loucura ou à morte.
Quando bebia eu vivia preso espiritualmente, emocionalmente e às vezes fisicamente. Tinha construído minha prisão com barras de teimosia e indulgência, das quais não podia escapar. Ocasionalmente passava por períodos secos que pareciam prometer liberdade, mas que se tornavam apenas esperanças de um indulto. A verdadeira fuga requer uma disposição para seguir as ações corretas para abrir a fechadura. Com disposição e ação tanto as barras como a fechadura abrem-se por si mesmas para mim. Boa vontade e ação contínua me mantêm livre – numa espécie de liberdade condicional diária – que nunca termina.

CRESCENDO
A essência de todo crescimento é uma disposição de mudar para melhor e uma disposição incansável de aceitar qualquer responsabilidade que essa mudança implique.
Algumas vezes quando me torno disposto a fazer o que deveria fazer o tempo todo, desejo louvor e reconhecimento. Não percebo que quanto mais estiver disposto a agir de uma maneira diferente, mais excitante é a minha vida. Quando mais estou disposto a ajudar os outros, mais recompensa recebo. Isto é o que a prática dos princípios significa para mim. Alegria e benefícios para mim estão na disposição de fazer as ações, não em obter resultados imediatos. Sendo um pouco mais amável, um pouco menos agressivo e um pouco mais amoroso, faz com que minha vida seja melhor – dia a dia.

CAMINHANDO PELO MEDO
Se ainda nos apegamos a algo que não queremos soltar, pedimos a Deus que nos ajude a ter a vontade.
Quando fiz o meu quinto Passo, tornei-me consciente de que todos os meus defeitos de caráter se originavam da minha necessidade de me sentir seguro e amado. Usar somente a minha vontade para trabalhar com meus defeitos e resolver o meu problema eu já havia tentado obsessivamente. No Sexto Passo aumentei a ação que tomei nos três primeiros Passos – meditando no Passo, dizendo-o várias vezes, indo às reuniões, seguindo às sugestões de meu padrinho, lendo e procurando dentro de mim mesmo. Durante os três primeiros anos de sobriedade tinha medo de entrar num elevador sozinho. Um dia decidi que tinha de enfrentar este medo. Pedi ajuda a Deus, entrei no elevador e ali no canto estava uma senhora chorando. Ela disse que desde que seu marido havia morrido ela tinha um medo mortal de elevadores. Esqueci meu medo e a confortei. Esta experiência espiritual ajudou-me a ver como a boa vontade era a chave para trabalhar o resto dos Doze Passos para a recuperação. Deus ajuda aqueles que se ajudam.

NUMA ASA E NUMA ORAÇÃO
… olhamos então para o sexto Passo. Frisamos que a boa vontade é indispensável.
O Quarto e Quinto Passos são difíceis, mas de grande valor. Agora estava parado no Sexto Passo e, em desespero, peguei o Livro Grande e li esta passagem. Estava fora, rezando por vontade própria, quando levantei meus olhos e vi um grande pássaro subindo para o céu. Eu o observei subitamente entregar-se às poderosas correntes de ar das montanhas. Levado pelo vento, mergulhando e elevando-se, o pássaro fez coisas aparentemente impossíveis. Foi um exemplo inspirador de uma criatura “soltando-se” para um poder maior que ela própria. Percebi que se o pássaro “retomasse seus controles” e tentasse voar com menos confiança, apenas com sua força, poderia estragar o seu aparente vôo livre. Esta preparação me deu disposição para rezar a Oração do Sétimo Passo.
Nem sempre é fácil conhecer a vontade de Deus. Devo procurar e estar pronto para aproveitar as correntes de ar, pois é ai que a oração e a meditação ajudam. Porque por mim mesmo eu não sou nada, peço a Deus que me conceda o conhecimento de Sua vontade, força e coragem para transmiti-la hoje.

LIBERTANDO-NOS DE NOSSOS VELHOS EGOS
Lendo cuidadosamente as primeiras cinco proposições, perguntamo-nos se omitimos alguma coisa, pois estamos construindo um arco pelo qual passaremos finalmente como homens livres…
Estamos agora prontos para que Deus retire de nós todas as coisas que já admitimos serem censuráveis?
O Sexta Passo é o último de “preparação”. Embora já tenha usado a oração extensivamente, ainda não fiz nenhum pedido formal ao meu Poder Superior nos primeiros Seis Passos. Identifiquei meu problema, vim a acreditar que havia uma solução, tomei a decisão de procurar esta solução, e “limpei a casa”. Agora me pergunto: estou disposto a viver uma vida de sobriedade, de mudanças, de me libertar do meu velho ego? Preciso determinar se estou realmente pronto para mudar. Revejo o que tenho feito e estou disposto a que Deus remova todos os meus defeitos de caráter: para que, no próximo Passo, eu diga ao meu Criador que estou disposto e peça ajuda. “Se ainda nos apegarmos a algo que não queremos soltar, peçamos a Deus que nos dê a vontade de fazê-lo.

INTEIRAMENTE PRONTO?
“Este é o Passo que separa os adultos dos adolescentes…” … a diferença entre “os adultos e os adolescentes” é igual à que existe entre a luta por um objetivo qualquer de nossa escolha e a meta perfeita que é Deus… Sugere-se que devemos estar inteiramente dispostos a procurar a perfeição… No momento em que dizemos: “não, nunca”, nossa mente se fecha para a graça de Deus. … Este é o ponto exato em que teremos de abandonar nossos objetivos limitados e avançar em direção à vontade de Deus para conosco.
Estou inteiramente pronto a deixar que Deus remova estes defeitos de caráter? Reconheço que não tenho condições de salvar a mim mesmo? Vim a crer que não posso. Se sou incapaz, se minhas melhores intenções dão errado, se meus desejos têm uma motivação egoísta e se meu conhecimento e minha vontade são limitados – então estou pronto a admitir a vontade de Deus em minha vida.

TUDO QUE FAZEMOS É TENTAR
Será que Ele pode levá-las embora, todas elas?
Ao fazer o Sexto Passo, lembrei que estou lutando por alcançar um “progresso espiritual”. Alguns de meus defeitos de caráter ficarão comigo pelo resto de minha vida, mas muitos foram suavizados ou eliminados. Tudo que o Sexto Passo pede de mim é que me torne disposto a nomear meus defeitos, reconhecer que são meus e estar disposto a me livrar daqueles que puder, só por hoje. Quando cresço no programa, muitos dos meus defeitos tornam-se mais censuráveis para mim que anteriormente, portanto, preciso repetir o Sexto Passo para que possa ser mais feliz comigo mesmo e manter minha sobriedade.

UMA VASSOURA LIMPA
… e, em terceiro lugar, havendo desta forma limpado o entulho do passado, consideramos de que modo, com o novo conhecimento de nós mesmos, poderemos desenvolver as melhores relações possíveis, com todas as pessoas que conhecemos.
Quando olhei para o Oitavo Passo, tudo o que foi pedido para completar com sucesso os sete passos anteriores veio junto: coragem, honestidade, sinceridade, disposição e meticulosidade. Não poderia reunir a força requerida para esta tarefa no começo, e é por isso que está escrito neste Passo: “nos dispusemos…”
Precisava desenvolver a coragem para começar, a honestidade para ver onde eu estava errado, um desejo sincero de colocar as coisas em ordem, precisava ser meticuloso ao fazer a relação e precisava ter disposição para assumir os riscos exigidos para a verdadeira humildade. Com a ajuda de meu Poder superior, para desenvolver estas virtudes, completei este Passo e continuei movendo me para adiante na minha busca de um crescimento espiritual.

EM DIREÇÃO À LIBERDADE EMOCIONAL
Em vista de que as relações deficientes com outras pessoas quase sempre foram a causa imediata de nossas mágoas, inclusive de nosso alcoolismo, nenhum campo de investigação poderia render resultados mais satisfatórios e valioso do que este.
A boa disposição é uma coisa peculiar para mim porque com o tempo, parece vir primeiro com consciência e, depois com uma sensação de desconforto, fazendo-me querer tomar alguma decisão. Quando reflito em praticar o Oitavo Passo, minha disposição de fazer reparações aos outros vem como um desejo de perdão, a outros e a mim mesmo. Senti o perdão para os outros após tornar-me cônscio de minha parte nas dificuldades dos relacionamentos. Desejava sentir a paz e a serenidade descritas nas promessas. Praticando os primeiros Sete Passos, fiquei sabendo quem tinha prejudicado e que eu tinha sido meu pior inimigo. A fim de restaurar meus relacionamentos com meus semelhantes, sabia que precisava mudar. Desejava viver em harmonia comigo mesmo e com os outros, para que pudesse também ter uma vida de liberdade emocional. O começo do fim de meu isolamento – de meus companheiros e de Deus – veio quando escrevi minha relação do Oitavo Passo.

DISPOSIÇÃO PARA CRESCER
Se temos que receber outras dádivas, nosso despertar tem que continuar:
A sobriedade preenche o doloroso “buraco na alma” que meu alcoolismo criou. Muitas vezes me sinto fisicamente tão bem, que acredito que meu trabalho já foi feito. Contudo, a alegria não é apenas a ausência de dor: ela é a dádiva de um contínuo despertar espiritual. A alegria vem de um estudo ativo e progressivo, bem como da aplicação dos princípios de recuperação em minha vida diária, e de compartilhar esta experiência com os outros. Meu Poder Superior apresenta muitas oportunidades para um mais profundo despertar espiritual. Preciso somente trazer para minha recuperação a disposição de crescer. Hoje estou pronto para crescer.

ENCONTRANDO “UMA RAZÃO PARA ACREDITAR”
A disposição para crescer é a essência de todo crescimento espiritual.
Um verso de uma canção diz: “… E procuro uma razão para acreditar…”. Isto me faz lembrar que numa certa época eu não era capaz de encontrar uma razão para acreditar que minha vida estava bem. Embora minha vida tivesse sido salva por minha vinda ao A. A., três meses mais tarde fui e bebi novamente.
Alguém me disse: “Você não precisa acreditar. Será que você não está disposto a acreditar que há uma razão para sua vida, embora você possa não saber qual é ou que algumas vezes não saber a maneira correta de se comportar?” Quando estava disposto a acreditar que havia uma razão para a minha vida, então pude começar a trabalhar nos Passos. Agora, quando começo com: “eu estou disposto…”, estou usando a chave que leva à ação, à honestidade e uma abertura para um Poder Superior que se manifesta em minha vida.

ACEITAR A SI MESMO
Sabemos que o amor de Deus vela sobre nós. Enfim, sabemos que quando nos voltarmos para Ele, tudo estará bem conosco, agora e para sempre.
Rezo para estar sempre disposto a recordar que sou filho de Deus, uma alma divina numa forma humana, e que a tarefa mais urgente e básica na minha vida é aceitar, conhecer, amar e cuidar de mim mesmo. Quando me aceito, estou aceitando a vontade de Deus. Quando me conheço e me amo, estou conhecendo e amando a Deus. Quando cuido de mim, estou agindo sob a orientação de Deus. Rezo para ter disposição de abandonar minha arrogante autocrítica, e louvar a Deus humildemente aceitando-me e cuidando de mim mesmo.
(Fonte: Reflexões Diárias – paginas: 34-41-72-75-86-108-109-138-163-164-165-166-234-241-253-254-324)

BOA VONTADE
Um artigo sobre a Oração da Serenidade.
Quando ingressei em Alcoólicos Anônimos, procurei, atentamente, seguir as orientações de meu padrinho, bem como todas as sugestões dos companheiros nos Grupos. Tumultuado pelo domínio do álcool, achava que a Oração da Serenidade era mais um ritual sagrado de uma seita ou religião na qual eu acabara de entrar. Totalmente longe da realidade, fui conhecendo a Irmandade de A. A. e vi que meu pensamento era completamente diferente da realidade: a Oração da Serenidade não é um ritual e A. A. não é seita ou religião, isso ficou bem claro para mim.
Passados três anos dessa experiência, sei que o recitar da prece é a chave que abre as portas da nova vida, longe do primeiro gole, a cada momento do dia, diante de dificuldades e no início ou no fim das reuniões. É de grande valia para meu programa de recuperação, como também é o mais nobre canal de comunicação que encontrei para contatar com meu Poder Superior, que na minha concepção é Deus, reforçando em mim a força espiritual que o programa de A. A. me traz.
É com muita fé e esperança que eu peço ao Senhor do Universo a serenidade, a saúde, a sanidade e a aceitação, as quais são pilares fundamentais para manter-me sóbrio. Isso eu venho conseguindo a cada vinte e quatro horas.
Ainda não consegui a “coragem” para efetuar todas as mudanças que gostaria de fazer no meu programa de vida, mas todo dia eu renovo o pedido ao Poder Superior para me conceder esse dom. Sei que as mudanças não podem ser do dia para a noite, mas só em poder dizer que tive a coragem de ficar longe do primeiro gole, já tenho motivo suficiente para agradecer a Deus.
A sabedoria aliada ao conhecimento faz de mim um ser capaz. Graças a Deus venho conseguindo essa capacidade de distinguir aquilo que eu posso e o que eu não posso modificar, aquilo que eu devo e o que não devo fazer. Isso é o que aumenta minha boa vontade de continuar sóbrio.
(Fonte: Revista Vivência – 50 – Nov./Dez. 2007 – José P. – Teresina/PI)

A CHAVE DA BOA VONTADE
“A fechadura deve ser mergulhada no mais puro amor e colocada no lado esquerdo do peito.”
Chaves!
Elas existem há vários séculos, de diversos formatos e de vários tamanhos.
Elas têm duas funções básicas que são: – aprisionar ou libertar.
O interruptor é uma chave que me liberta da escuridão, que me alivia o calor…
Já o cartão telefônico é uma chave que me possibilita conversar com outra pessoa a longa distância.
Esta conversa pode ser libertadora ou aprisionadora; medíocre, fofoqueira, injuriosa, que além de mesquinha e infrutífera me aprisionará, me trará sérios problemas impossibilitando-me de enxergar as coisas como elas realmente são.
Na verdade, chave é tudo aquilo que facilita, que viabiliza, que torna fácil o acesso tanto para o bem quanto para o mal.
O álcool é uma chave para a descontração; facilita a aproximação de homens e mulheres, desinibe, mas também é a chave da grande maioria dos acidentes.
É ele quem impulsiona muitas pessoas para a criminalidade e formula atrocidades nas mentes onde habita.
Em suma, o álcool é uma chave que tranca mais que liberta e muitas vezes usando de sagacidade ele liberta hoje para encarcerar amanhã.
Quantos avolumaram seu molho com essa chave, líquida e estão literalmente aprisionados nas penitenciárias e nos manicômios?
Só resolvi abandonar a bebida depois que já estava de posse da chave abstrata da vontade e percebi a necessidade de adquirir a chave do bom senso, pois seria muita tolice, muita ingenuidade de minha parte achar que me livraria do meu algoz sem passar por momentos tempestuosos.
Destrancar os bares onde eu havia aprisionado meu espírito e minha mente, não seria tarefa fácil!
Depois, as chaves da força, da determinação e a dos sonhos tornaram-se minhas aliadas.
Os sonhos, que antes não passavam de ilusões, de fraco desejo, hoje, graças a essas chaves imateriais, a Deus e ao A. A., tenho me mantido sóbrio e conseguido realizar alguns sonhos que foram trancados na masmorra do álcool.
Essas chaves poderosas trouxeram-me até aqui, mas há uma outra que pode facilitar minha caminhada daqui para frente. Essa última possui elementos poderosíssimos em sua liga: é a chave da boa vontade.
Assim como a cobra coral, a boa vontade também possui uma sósia tão parecida que não é fácil distinguir a falsa da verdadeira.
A autêntica coral possui veneno poderosíssimo, capaz de matar em poucos instantes. A genuína boa vontade também, quando penetra na corrente sanguínea, quando passa a fazer parte do DNA da alma proporciona fé, resignação, comprometimento, paciência e compreensão.
A falsa boa vontade, que nada mais é que “obrigação”, tem ajudado as pessoas a seguirem em frente, mas de forma pesada, arrastada, lamuriosa.
Obrigatoriedade é um remédio excessivamente apimentado, ajuda, mas queima muito.
Já a boa vontade é açucarada, leve e prazerosa.
Hoje tenho certeza que as soluções para os meus problemas já existem! Só tenho que saber procurá-las e quanto à chave da boa vontade… estou tentando, mas já entendi que ela é real e que para conquistá-la é necessário que eu construa a fechadura perfeita, fechadura esta que depois de pronta deve ser mergulhada no mais puro amor e colocada no lado esquerdo do peito.
Quando a fechadura estiver pronta, a chave da boa vontade aparecerá.
(Fonte: Revista Vivência – 113 – Mai./Jun. 2008 – Marco Antônio – Niterói/RJ)

BOA VONTADE
“Na Opinião do Bill”
PODEMOS ESCOLHER?
Não devemos nunca nos deixar cegar pela filosofia fútil de que somos vítimas de nossa hereditariedade, de nossa experiência de vida e de nosso meio ambiente – de que essas são as únicas forças que tomam as decisões por nós. Esse não é o caminho para a liberdade. Temos que acreditar que podemos realmente escolher.
“Como alcoólicos ativos, perdemos a capacidade de escolher se beberíamos ou não. Éramos vítimas de uma compulsão que parecia determinar que deveríamos prosseguir em nossa própria destruição.”
“No entanto, finalmente, fizemos escolhas que nos levaram à recuperação. Viemos a acreditar que sós éramos impotentes perante o álcool. Isso foi certamente uma escolha, aliás, muito difícil. Viemos a acreditar que um Poder Superior poderia nos devolver a sanidade, quando nos dispusemos a praticar os Doze Passos de A. A.”. Em resumo, preferimos ‘estar dispostos’, e essa foi a melhor escolha que poderíamos ter feito.”

FORÇA DE VONTADE E ESCOLHA
“Nós, AAs, sabemos que é inútil tentar destruir a obsessão de beber só pela força de vontade. Entretanto, sabemos que é preciso uma grande vontade para adotar os Doze Passos de A. A. como um modo de vida que pode nos devolver a sanidade.
Qualquer que seja a gravidade da obsessão pelo álcool, felizmente descobrimos que ainda podem ser feitas outras escolhas vitais. Por exemplo, podemos admitir que somos impotentes pessoalmente perante o álcool; que a dependência de um ‘Poder Superior’ é uma necessidade, mesmo que esta seja simplesmente uma dependência de um grupo de A. A. Então podemos preferir tentar uma vida de honestidade e humildade, fazendo um serviço desinteressado para nossos companheiros e para ‘Deus como nós O concebemos’.
Conforme continuamos fazendo essas escolhas e assim indo em busca dessas altas aspirações, nossa sanidade volta e desaparece a compulsão para beber.”

A HUMILDADE “PERFEITA”
Eu, por minha parte, tento encontrar a definição mais verdadeira de humildade que puder. Ela não será a definição perfeita porque eu serei sempre imperfeito.
Nesse artigo, escolheria a definição seguinte: “A humildade absoluta consistiria num estado de completa libertação de mim mesmo, na libertação de todas as exigências que meus defeitos de caráter lançam tão pesadamente sobre mim agora. A humildade perfeita seria a total boa vontade de, em todos os momentos e lugares, reconhecer e fazer a vontade de Deus”.
Quando penso nessa visão, não preciso ficar desanimado porque nunca atingirei, nem preciso me encher da presunção de que algum dia alcançarei todas essas virtudes.
Preciso apenas contemplar essa visão, deixando-a crescer e encher meu coração. Isto feito, posso compará-la ao meu último inventário pessoal. Tenho então uma saudável idéia de onde me encontro no caminho para a humildade. Vejo que minha caminhada em direção a Deus apenas começou.
Ao reduzir-me ao meu verdadeiro tamanho, minhas preocupações comigo mesmo e o sentimento de minha própria importância fazem-me rir.

LIBERDADE ATRAVÉS DA ACEITAÇÃO
Admitimos que não podíamos vencer o álcool com os recursos que ainda nos restavam, e assim aceitamos o fato de que só a dependência de um Poder Superior (mesmo que fosse apenas nosso Grupo de A. A.) poderia resolver esse problema até aqui insolúvel. No momento em que fomos capazes de aceitar inteiramente esses fatos, iniciou-se nossa libertação da compulsão alcoólica.
Para a maioria de nós foi preciso grande esforço para aceitar esses dois fatos. Tivemos que abandonar nossa querida filosofia de auto suficiência. Não o conseguíamos apenas com a força de vontade.; isso aconteceu como resultado do desenvolvimento da boa vontade para aceitar esses novos fatos da vida.
Não fugimos nem lutamos, mas aceitamos. E então começamos a ser livres.

ESSÊNCIA DO CRESCIMENTO
Que nunca tenhamos medo das mudanças necessárias. Certamente temos que distinguir entre mudanças para pior e mudanças para melhor. Mas já descobrimos há muito tempo que, logo que uma necessidade se torna clara para o indivíduo, para o grupo ou para A. A. como um todo, não podemos ficar parados.
A essência de todo crescimento é a disposição de mudar para melhor e uma incansável disposição para aceitar qualquer responsabilidade que essa mudança implique.

A BOA VONTADDE É A CHAVE
Independente do quanto se queira tentar, a pergunta é: como, exatamente, pode alguém entregar sua própria vontade e sua própria vida aos cuidados de qualquer Deus que acredite existir?
Basta começar, mesmo que seja um tímido começo. Uma vez que tenhamos colocado a chave da boa vontade na fechadura e tenhamos entreaberto a porta, descobrimos que podemos sempre abri-la um pouco mais.
Embora a obstinação possa fechá-la de novo, como frequentemente acontece, ela sempre voltará a se abrir quando utilizarmos a chave da boa vontade.

ALÉM DO AGNOSTICISMO
Nós, de temperamento agnóstico, descobrimos que tão logo fomos capazes de deixar de lado o preconceito e expressar pelo menos uma disposição para acreditar num Poder Superior a nós mesmos, começamos a ver os resultados, mesmo quando ainda era impossível para qualquer um de nós definir ou compreender totalmente esse Poder, que é Deus.
“Muitas pessoas me asseguram, com toda a seriedade, que o homem não tem lugar melhor no universo do que qualquer outro organismo competindo por sua sobrevivência apenas para morrer no fim. Ouvindo isso, sinto que ainda prefiro me apegar à chamada ilusão da religião, que em minha própria experiência, e de um modo muito significativo, revelou-me algo muito diferente!”

BENEFÍCIOS E MISTÉRIOS
“A preocupação de A. A. com a sobriedade é às vezes mal interpretada. Para alguns, essa simples virtude parece ser o único benefício da nossa Irmandade. Pensam que somos bêbados recuperados e que, em outros aspectos, pouco ou nada melhoramos. Essa suposição esta muito longe da verdade. Sabemos que uma sobriedade permanente pode ser alcançada apenas por uma revolucionária mudança na vida e perspectiva do indivíduo – por um despertar espiritual que pode eliminar o desejo de beber.”
“Você está se preocupando, como muitos de nós devem estar: ‘Quem sou eu?’ ‘Onde estou?’ ‘Para onde vou?’ O processo de esclarecimento é geralmente lento. Mas, no fim, nossa busca sempre traz uma descoberta. Esses grandes mistérios, afinal, estão envoltos em total simplicidade. A disposição de desenvolver-se é a essência de todo o crescimento espiritual.”

ALCANÇANDO A HUMILDADE
Percebemos que não precisávamos sempre apanhar e levar cacetadas para ter humildade. Ela poderia ser alcançada seja se a procurássemos voluntariamente, seja pelo constante sofrimento.
Em primeiro lugar, procuramos obter um pouco de humildade, sabendo que morreremos de alcoolismo se não o fizermos. Depois de algum tempo, embora ainda possamos nos revoltar, até certo ponto, começamos a praticar a humildade, porque essa é a coisa certa a se fazer.
“Chega então o dia em que, finalmente livres da revolta, praticamos a humildade, porque no fundo a queremos como um modo de vida.”

DISPOSTOS A ACREDITAR
“Não permita que qualquer preconceito contra termos espirituais possa impedi-lo de se perguntar, o que eles poderiam significar para você. No começo, era disso que precisávamos, para dar início a um crescimento espiritual, ‘para estabelecer nossa primeira relação consciente com Deus como nós O concebíamos’. Mais adiante passamos a aceitar muitas coisas que nos pareciam inteiramente fora de alcance. Isso era crescimento, mas para crescer tínhamos que começar de algum modo. Assim, no princípio, usamos nossas próprias concepções de Deus, ainda que limitadas.
“Precisávamos nos fazer apenas uma simples pergunta: ‘Acredito, ou estou mesmo disposto a acreditar que existe um Poder Superior a mim?’ Assim que o indivíduo possa dizer que acredita, ainda que seja em pequeno grau, ou que esteja disposto a acreditar, nós lhe asseguramos enfaticamente que ele está no caminho.”

HUMILDADE PARA A IRMANDADE, TAMBÉM
Nós, Aas às vezes exageramos as virtudes de nossa Irmandade. Não nos esqueçamos de que, na verdade, poucas dessas virtudes foram de fato conquistadas por nós. Para começar, fomos forçados a elas pelo cruel chicote do alcoolismo. Finalmente as adotamos, não porque o quiséssemos, mas sim porque fomos forçados a fazê-lo.
A seguir, à medida que o tempo ia confirmando a aparente correção de nossos princípios básicos, começamos a nos conformar porque essa era a coisa certa a fazer. Alguns de nós, e eu em especial, ajustamo-nos então, ainda que com alguma relutância.
Mas finalmente chegamos a um ponto onde passamos a desejar nos conformar com alegria com esses princípios que a experiência, sob a graça de Deus, nos ensinou.

O VALOR DA VONTADE HUMANA
Muitos recém-chegados, tendo experimentado uma pequena mas constante deflação, sentem uma crescente convicção de que a vontade humana não tem nenhum valor. Ficaram convencidos, às vezes com razão, de que, além do álcool, muitos outros problemas não vão se resolver apenas pela vontade do indivíduo.
Contudo, há certas coisas que o indivíduo pode fazer. Sozinho e à luz de suas próprias circunstâncias, ele precisa desenvolver a boa vontade. Ao adquirir boa vontade, ele passa a ser a única pessoa que pode tomar a decisão de se esforçar no caminho espiritual. Tentar fazer isso é, na verdade, um ato de sua própria vontade. É usar corretamente essa faculdade.
Na verdade, todos os Doze Passos de A. A. requerem um constante esforço pessoal para ficarmos de acordo com seus princípios e, assim acreditamos, com a vontade de Deus.

OS RESULTADOS DA ORAÇÃO
Quando o cético experimenta o processo da oração, deve começar a acumular resultados. Se persistir, é quase certo que encontrará mais serenidade, mais tolerância, menos medo e menos raiva. Vai adquirir uma coragem calma, sem nenhuma tensão. Poderá ver o “fracasso” e o “sucesso” como realmente são. Os problemas e calamidades começarão a representar aprendizado em vez de destruição. Vai sentir-se mais livre e mais sadio.
A ideais de que tenha se hipnotizado por auto-sugestão parecerá ridícula. Seu senso de utilidade e de propósito aumentará. Suas ansiedades começarão a diminuir. Sua saúde física talvez melhore. Coisas imprevistas e maravilhosas começarão a acontecer. Relações distorcidas com a família e com outras pessoas melhorarão surpreendentemente.

TRÊS ALTERNATIVAS
O objetivo imediato de nossa busca é a sobriedade – a libertação do álcool e de todas as suas desastrosas conseqüências. Sem esta libertação não temos nada.
Paradoxalmente, não conseguimos libertar-nos da obsessão do álcool enquanto não estejamos dispostos a lidar com os defeitos de caráter que nos levaram a esta irremediável situação. Nesta busca de libertação sempre nos foram dadas três escolhas:
Uma recusa rebelde de trabalhar em nossos defeitos mais evidentes, que pode ser um passaporte quase certo para a destruição. Ou então permanecer sóbrios, talvez por algum tempo, com um mínimo de auto-aperfeiçoamento, e nos instalarmos numa confortável mas perigosa mediocridade. Ou, finalmente, emprenharmo-nos constantemente em adquirir aquelas genuínas qualidades que podem contribuir para a clareza de espírito e para a ação – uma liberdade verdadeira e duradoura sob a graça de Deus.

UMA RECÉM-ENCONTRADA PROVIDÊNCIA
Ao lidar com um possível membro que tenha inclinações agnósticas ou ateístas, é preferível usar a linguagem coloquial para descrever os princípios espirituais. Não adianta despertar qualquer preconceito que ele possa ter contra certos conceitos e termos teológicos, sobre os quais já possa estar confuso. Não levante estes assuntos, sejam quais forem as convicções que você tenha.
Todos os homens e mulheres que ingressaram e pretendem permanecer em A. A., sem perceber, já começaram a praticar o Terceiro Passo. Não é verdade que em todos os assuntos relacionados com o álcool, cada um deles decidiu entregar sua vida aos cuidados, proteção e orientação de A. A.?
Já se operou um ato de boa vontade quando eles se dispuseram a substituir a vontade e as ideais próprias sobre o problema do álcool, pelas sugeridas por A. A. Ora, se isso não é entregar a vontade e a vida a uma recém-encontrada “Providência”, o que é então?
(Fonte: Na Opinião do Bill – paginas: 4-88-106-109-115-122-137-171-211-219-226-232-321-327-328)

BOA VONTADE: – A CHAVE DO SUCESSO
Mesmo estando em recuperação há algumas 24 horas sentia que a programação de A. A. ainda não estava presente em minha vida, pois eu acordava pela manhã mesmo sem ressaca há vários anos, reclamando: – Nossa já é hora de levantar, passou tão rápido esta noite! Tenho que ir trabalhar mesmo? Era assim que começava o meu dia e no decorrer deste, batia uma monotonia, uma tristeza sem explicação. Assim eu ia levando, reclamando, me tornando sem perceber, um verdadeiro ranzinza.
Esta fase aconteceu após 3 anos em A. A., até que um “A Amigo”, certo dia me disse: – Faça o 3º Passo; entregue sua vida aos cuidados do seu Poder Superior; mude seu foco; comece a agradecer ajudando sem esperar retorno; seja grato por acordar cedo e sem ressaca, pois que precisa acordar cedo é porque esta trabalhando e se tem um trabalho terá pão em sua mesa; agradeça por estar em recuperação e que a programação está funcionando para você.
Aquelas palavras mudaram meu caminho!
Recordo-me quando eu estava no sanatório e que meu maior patrimônio eram minhas sandálias havaianas.
Bastou um pouco de boa vontade para eu encontrar a chave do sucesso!
Hoje acordo pela manhã e agradeço meu Poder Superior por estar em A. A., por estar sóbrio e com minha família.
Tenho um bom trabalho, voltei a estudar e sou saudável.
Agradeço a A. A. e ao Poder Superior pela minha vida, pela minha felicidade.
Hoje sim, tenho prazer no trabalho, nos meus momentos de lazer com minha família, pois amo minha esposa e retribuo a força que ela me dá em minha programação. Amo meus filhos e isso companheiros é porque entreguei minha vontade e minha vida aos cuidados de um Poder Superior como O concebo.
Só Por Hoje! Funciona. Felizes 24 Horas de Sobriedade e Serenidade.
(Fonte: Revista Vivência – 113 – Mai./Jun. 2008 – Euler/Goiânia/GO)