Monthly Archives: Outubro 2014

AO REPRESENTANTE DA REVISTA VIVÊNCIA

AO REPRESENTANTE DA REVISTA VIVÊNCIA

– Sugere-se que todo RV leia a Revista Vivência para obter subsídios e desenvolver seu trabalho.
– Faça sua própria assinatura, pois ninguém pode divulgar um produto que não conhece.
– A tarefa do RV é divulgar a Revista Vivência junto aos membros do grupo e familiarizá-los com a oportunidade de aprimoramento da sobriedade que ela oferece, através de artigos baseados em experiências pessoais de recuperação escritos por companheiros de A. A., além dos artigos escritos por não Aas sobre suas experiências profissionais. Chamada às vezes de “reunião impressa”, a Vivência também publica um calendário mensal dos eventos especiais de A. A.
– Ao RV eleito pelo grupo, sugere-se enviar seu nome e endereço para Vivência, Caixa Postal 580, CEP 01060-970, São Paulo – SP. Os mesmos dados devem ser enviados para o Coordenador de Publicação e Literatura da Área. Com estas informações ele será devidamente cadastrado e receberá regularmente a correspondência com os formulários de assinatura da Vivência.

Outras atribuições do RV

– Informar ao grupo a chegada de cada nova edição e comentar sobre as matérias nela publicadas;
– Fazer com que a Vivência sempre esteja exposta em lugar visível no grupo e, se possível, manter um pequeno mural com frases da última edição, cupom de assinatura, lista das assinaturas vencidas e a vencer, etc.
– Sugerir ao grupo que ofereça, assinaturas de cortesia da Vivência a médicos, juízes, advogados, delegados, assistentes sociais, jornalistas, repórteres, etc.
– Sugerir ao grupo que use artigos da Revista nas reuniões com temas e nos trabalhos do CTO – Motivar os membros do grupo a mandarem colaborações para a Vivência: artigos, desenhos, etc.
– Solicitar aos profissionais, principalmente àqueles que conhecem o nosso programa, o envio de artigos à Revista.
– Orientar e motivar os companheiros a fazerem ou renovarem suas assinaturas, e encaminhar à Vivência as assinaturas, renovações e sugestões dos assinantes.
– Seria bom que o RVD participasse das Reuniões Mensais do Distrito apresentando sugestões para o RSG, incentivando a eleição do RV e, caso o grupo ainda não possua, o RSG faria a divulgação da Revista.
– Ao RVD que tiver condições de visitar os Grupos de seu Distrito sugere-se apadrinhar ou acompanhar o RV do Grupo falando sempre sobre a Revista Vivência e principalmente sobre o tema específico de cada edição.
– A participação do RVD na Reunião Mensal da Área, na medida do possível, também é importante.
– Tudo que fizermos para A. A. através de um trabalho como Servidor de confiança estaremos fazendo para nós mesmos.

Meio século de experiência universal:

A tradição de auto-suficiência em A.A. justificaria plenamente o atraso com que nossa Revista, já agora no limiar de 87, chega às mãos de toda clientela paciente e esperançosa que hoje ocupa, no cenário nacional, espaços que se projetam do Oiapoque ao Chuí. A única subvenção com que contamos é nossa tenacidade, nosso interesse de servir, alimentados, uma e outro, pela certeza de que, com humildade e idealismo, ultrapassamos, sempre, a barreira do possível.
Às dificuldades naturais de ordem material – com o que, aliás, nossa Irmandade sempre conviveu sem perplexidade -, somou-se, no ano eleitoral de 1986, a corrida milionária ao parque gráfico de todo o País, estrangulando nossa programação editorial ao inviabilizar esta VIVÊNCIA mais estreita com o crescimento gratificante das comunidades de Alcoólicos Anônimos.
Nada, porém, nos arrefeceu o ânimo do primeiro momento. Ao contrário, fortalecemo-nos no silêncio que nos foi imposto, retemperamos a confiança na força do Poder Superior e podemos constatar, agora até com certo júbilo, que a semente de A.A. tem caído em solo fértil, germina com prodigalidade e, com o surgimento de novos e numerosos grupos em todo o território nacional, a doença do alcoolismo encontra resistência para a propagação maior dos males sociais pelos quais é responsável.
Meio século de experiência universal empresta a Alcoólicos Anônimos singular e invejável personalidade. Nossos Passos e Tradições, enriquecidos através da experiência de Encontros, Convenções e intercâmbio entre grupos, servem hoje de bússola para tanta vida arrancada já do fundo do poço, representam o elo de reintegração de inúmeras famílias que se desagregavam, vítimas indefesas desse flagelo que teima em corroer as estruturas da sociedade.
Depoimentos, estudos científicos, ensaios jurídicos, toda uma gama de observações, ao longo do tempo, convergem para o mesmo ponto – o alcoolismo é uma doença insidiosa, reflexiva e fatal, para cuja recuperação em grupo, como se pratica em A.A. vem sendo uma resposta irrecusavelmente positiva. São muitos milhares de testemunhos a ratificar esta assertiva.
VIVÊNCIA, por isso mesmo, é uma proposta sedimentada no universo vitorioso de A.A. É uma forma de atração e não de persuasão. Condensamos material de inquestionável interesse não só para quantos foram ou ainda são vítimas do alcoolismo, mas, igualmente, para aqueles estudiosos que se preocupam em conhecer, no âmago, a complexidade de um problema que tantos males tem causado à humanidade.
Pretendemos que o presente número de nossa Revista preencha a expectativa dos leitores. Nosso ideal é o de aprimorar o seu conteúdo, para o que esperamos contar com a colaboração dos que possam fazê-lo, de maneira a que ela represente, realmente, a VIVÊNCIA nacional de Alcoólicos Anônimos. E isso, como tudo em A.A., vai mostrar que É POSSIVEL.

Fernando de Campos – Redator-Responsável
Edição n 02 – pág. 02 – Editorial

Uma explicação aos Leitores:

A criação da nossa Revista Vivência obedeceu a uma Recomendação da Conferência de Serviços Gerais que, recolhendo as aspirações da comunidade, desejou vê-la realizada e integrada como um dos organismos da Junta de Serviços Gerais de A.A. no Brasil – JUNAAB.
A demora no atendimento àquela Recomendação deveu-se a dificuldades financeiras e a outras de natureza diversa, até que atual Junta, em uma das suas reuniões de Baependi, resolveu, a qualquer custo, atender ao já determinado pela Conferência; em última análise, ao reiterado anseio da comunidade.
Assim, encarregou o companheiro M. Aragão de providenciar uma edição experimental, o que foi feito nos princípios do ano passado. Posteriormente, a mesma Junta nos transferiu essa incumbência, recomendando que, para apreciação da comunidade, a revista fosse editada no formato adotado por outras revistas congêneres. Escolhido o formato atual, tratou-se de registrar a revista como órgão autônomo, a exemplo da “Grapevine” americana.

Enquanto isto se tratou também, do seu planejamento, nele incluindo-se, naturalmente, a forma de distribuição e os recursos financeiros. Quanto à distribuição foi fixado um sistema de vendas por meio de assinaturas individuais e de venda avulsas por intermédio das Centrais de Serviços, levando-se em conta que as assinaturas atenderiam ao público não A.A., clientela da vital importância dentro dos objetivos da revista.
Quanto aos recursos financeiros, por haver sido planejada na vigência do chamado Plano Cruzado, optou-se pela fixação de um preço mínimo de venda que permitisse ao mesmo tempo a manutenção da revista e a sua divulgação, dentro e fora da Irmandade. Sobrevindo o colapso do Plano Cruzado com a prática da cobrança de ágio e, posteriormente, uma violenta alta no preço do papel, a Junta, como Conselho Diretor da Revista, não teve alternativa senão aumentar o preço do exemplar de 40 cruzados e suspender, temporariamente, até que o mercado se normalize, o sistema de distribuição por meio de assinaturas individuais.
Todavia, como já havíamos distribuído os cupons de assinaturas, o que implica num princípio de compromisso com os prováveis assinantes, a direção da revista resolveu manter as assinaturas já contratadas aos preços constantes nos cupons enviados ou publicados no BOB, honrando, assim, as tradições de lisura da nossa comunidade. O que esperamos, agora, é a compreensão, e sobretudo o apoio dessa mesma comunidade fazendo de cada companheiro um leitor da nossa revista Vivência que pode ser adquirida, a exemplo de qualquer literatura de A.A., nas Centrais de Serviços, nossos únicos distribuidores no momento.

J.W.Chaves
Diretor-Geral
Edição nº 03 – pág. 2 – Editorial

Prezado Leitor,

A nossa revista deixou de circular o seu número relativo a abril-junho para que a Junta de Custódios tomasse algumas providências visando regularizar uma situação criada pelo alto custo das suas edições sucessivas, isto em conseqüências da inflação que nos persegue a todos.
Como você sabe, a nossa revista, por imperativo das nossas Tradições, não pode, ao contrário de outros veículos, agenciar anúncios, tendo, por isto, como única fonte de receita a venda de assinaturas e de números avulsos por intermédio das nossas Centrais e Intergrupais de Serviços.
A principal providência tomada pela Junta de Custódios foi a de transferir para Brasília o controle total da revista, vale dizer, a sua feitura, impressão, expedição e contabilidade. Por especial deferência dos grupos do Distrito /federal a revista ficará, provisoriamente, com endereço da CENSAA-DF que é: SCS – Ed. Márcia, sala 1.006 – fone: 61-2260091 – devendo toda e qualquer correspondência ser enviada, a partir de agora, para: Vivência – CX.P. 04.185 – CEP 70312 – Brasília/DF.
Desde a sua criação a revista adotou o preço da assinatura anual – 4 exemplares, como o correspondente a 80% do valor da OTN referente ao último mês de cada trimestre. Tal procedimento, entretanto, resultou em grave prejuízo, pois o preço do papel e da produção era duplicado, e, em alguns casos, até mesmo triplicado, em razão de ser aumentado sempre acima da inflação verificada no período considerado por nós. Por este motivo fomos obrigados a fixar o preço da assinatura no valor da OTN do mês em que a revista for editada. Em outro local desta edição exemplificaremos como deve proceder ao leitor ao fazer ou renovar a sua assinatura.
A peculiar situação econômica do nosso país nos coloca nesta desconfortável situação, aliás, bem mais adversa que a de outras comunidades AAs de outros países que editam revistas congêneres. Temos certeza, porém, de que os nossos leitores saberão compreender os nossos esforços, principalmente a comunidade AA no Brasil que, hoje, conta com cerca de 2.500 grupos e mais de 100.000 membros perseverando na sobriedade a cada 24 horas…

Editorial
Edição nº 7 – pág. 3

A.A. CHEGA À IDADE DO COMPUTADOR

Quando Bill W. escreveu “Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade” não podia supor, sequer sonhar, o impacto que os computadores teriam na história de A.A., impacto este pouco imaginado até mesmo por muitos companheiros nos dias de hoje. Pois não é que o Box 459, de setembro último, nos informa que já existem reuniões de A.A. programadas em computadores.
Um dos grandes Centros de Armazenamento de Informações tem programado uma reunião de A.A. em sua seção CB. Através do teclado de terminais qualquer número de membros de A.A. que disponham de equipamento conveniente pode compartilhar da reunião.
Primeiro ele ou ela, “logs-on”, ou seja, inicia a conexão pelo teclado eletrônico e se identifica por seu apelido. Logo pode ler os depoimentos, fazer suas próprias perguntas e responder, querendo, às que aparecem no vídeo. É similar a uma reunião pelo correio, mas com a vantagem de ser muito mais rápida e de que um número ilimitado de pessoas pode participar.
Num desses programas é exigido que o interessado confirme que é membro de A.A. respondendo a um “questionário” antes de ter acesso à parte do programa que corresponde a uma reunião fechada. Alguns dos terminais estão ligados eletronicamente a uma rede de comunicação para que, aqueles que se utilizam do sistema a nível local, possam aproveitar das experiências de AAs de regiões remotas, sem que para isto tenham de pagar tarifas de longas distâncias.
Considerando que os computadores são, por excelência, aparatos de comunicação, alguns programas já cumprem a função muito específica de informação ao público, oferecendo ao televidente informações sobre o que faz e o que não faz A.A. Isto nos leva a acreditar que novas aplicações da informática, até agora não imaginadas, poderão sugerir à proporção que o A.A. for adentrando a idade do computador.
No Brasil, por enquanto, estamos no cadastramento dos grupos e na etiquetagem de endereços dos assinantes do BOB e da Vivência. Se a canoa não virar, o ESG chega lá …

Fonte: Box 459
Edição nº 7 – pág. 39 – 1988

PENSE NISSO:

Ser grato a quem salvou sua vida não é sentar numa cadeira e dizer palavras bonitas. O tempo da conversa mole acabou quando abandonamos os bares e botequins de esquina. A verdadeira gratidão é a que se mede pela qualidade da própria recuperação, e esta cresce na exata proporção em que conhecemos e aplicamos melhor o programa de A.A.
O informativo BOB e a Revista Vivência são os meios pelos quais Alcoólicos Anônimos expressa, consolida e aprimora sua unidade, sem o que sua força maior, a solidariedade, não teria condições de existir. Você pode não gostar da maneira com que são escritos, e até não concordar com algumas matérias publicadas. O que você não pode é ignorá-los ou abandoná-los. Peça uma assinatura. Estimule outros companheiros a fazerem o mesmo. Dê sugestões para melhorá-los.
Lembre-se: somente sua ação prática vai manter nossa voz viva. Palavras vazias de agradecimentos, nesta época de crise, são o mesmo que amordaçar a irmandade e lhe impor o silêncio.

Área Central de Serviços de A.A. de São Paulo
Edição nº 7 – pág. 40 – 1988

Os objetivos de nossa revista e suas dificuldades

Neste mês de novembro de 1989 a nossa revista completa o seu terceiro ano de existência. Ela foi criada com finalidade de veicular o pensamento da comunidade sobre o programa e os princípios da Irmandade, pensamento este externado na forma de depoimentos ou comentários sobre como cada um pratica o programa sugerido de A.A., e como os princípios têm sido assimilados e praticados em proveito próprio e em proveito da instituição como um todo.
Por outro lado, em se tratando de uma publicação acessível ao público em geral, a revista desempenha, também, o seu papel institucional na medida em que transmite a esse público o que é, o que faz, e o que deixar de fazer Alcoólicos Anônimos enquanto Irmandade. Neste particular é com indisfarçável satisfação que registramos sua plena aceitação, principalmente por parte da comunidade profissional que conosco comunga do mesmo propósito primordial, dentro de uma mesma visão e com a mesma abordagem acerca do problema do alcoolismo. Prova isto a constatação de que um quinto dos nossos assinantes é de membros dessa comunidade profissional, cuja colaboração nos tem chegado, também, na forma de artigos e de breves ensaios os quais, certamente, muito têm contribuído para um mais largo conhecimento da doença e da problemática do alcoolismo por parte dos próprios membros da Irmandade.
Assim, quanto à sua finalidade, não restam dúvidas de que a Vivência tem preenchido este duplo papel, em que pese o fato dos seus primeiros números haverem sido editados em caráter experimental. A nossa dificuldade não está, pois, na revista em si como publicação, mas na quase impossibilidade de mantê-la como órgão financeiramente autônomo dentro da estrutura de serviços considerados essenciais.
Sabem os que lidam no campo empresarial das comunicações, e nele no particular de jornais e revistas, que as publicações desse gênero vão buscar seus recursos financeiros na venda de espaço para a publicação de anúncios e de matéria de cunha institucional por parte de empresas e instituições. A nossa revista, muito embora tenha o público externo como destinatário, não pode, por força de um nosso princípio tradicional, buscar nessa fonte os recursos financeiros de que necessita. Neste caso é a própria Irmandade que terá de arcar com o sustento financeiro de sua revista, seja por meio de assinaturas seja por meio de venda avulsas por parte das Centrais e Intergrupais de Serviços.
No tocante a assinatura o nosso esforço tem sido desenvolvido através de mala-direta com a publicação de cupons no próprio corpo da revista, em folhetos e em formulários avulsos. Este sistema, no entanto, sofreu e sofre sérias dificuldades causadas pela inflação, cujo galope atropela e invalida o cartão-resposta, antes mesmo de ele atingir o provável assinante. A solução encontrada foi a de se fixar o preço da assinatura no valor correspondente a 1 (uma) OTN em vigor na data em que ela fosse feita. Vem agora o chamado Plano Verão e nos surpreende no exato momento em que anunciamos este procedimento e íamos providenciar a feitura dos cupons com este referencial de preços para a assinatura e para a venda de exemplares avulsos.
Assim, até que posteriores modificações venham a alterar as condições de mercado, resolvemos fixar o preço para assinatura anual em NCz$ 7,00 (sete cruzados novos) e o do exemplar avulso em NCz$ 1,40 (hum cruzado novo e quarenta centavos). Apesar desta e de outras dificuldades, o número de assinantes vem aumentando e aumentará muito mais ainda quando cada um fizer do seu companheiro, amigo, parente ou colega de trabalho mais um assinante da nossa revista…

Vivência edição n° 9 – pág. 3

Representante da Revista Vivência: A sua criação

A Comissão da Conferência que trata dos assuntos da Revista vivência teve aprovada pelo Plenário uma Recomendação no sentido de que cada Grupo, a exemplo da “AA Grapevine”, tenha um representante da Vivência. Estamos estudando a melhor maneira de pôr em prática esta Recomendação, tudo indicando que a maneira mais prática seja por intermédio dos Distritos, vale dizer, das áreas.

Edição nº 10 – pág. 40

VIVENDO A VIVÊNCIA

A Conferência recomendou, e nós adoramos a idéia, que cada Grupo tenha o seu Representante da Vivência que ficará conhecido de vocês como o RV, a exemplo do que acontece com a revista “Grapevine” do A.A. dos Estados Unidos. Por este motivo estamos perguntando quem vai ser o RV desse Grupo. A coisa é simples:
• O RV que pode ser um companheiro ou companheira é escolhido pelo Grupo. Não há pré-requisito de tempo de sobriedade e pode ser até mesmo o RI ou RSG. O importante é que o RV viva a Vivência e venda a idéia da Vivência.
• O RV é o vendedor da revista no seu Grupo e fora dele, cuidando de fazer assinaturas; de receber e encaminhar colaborações e eventuais reclamações de não recebimento de exemplares por parte dos assinantes. Tratar, enfim, de todo e qualquer assunto do interesse do leitor junto à revista, e desta junto ao leitor.
• Sugerir formas e maneiras de melhorar procedimentos. Por exemplo: a idéia de fechar o exemplar remetido ao assinante não foi nossa, mas de um leitor assinante. Idéias como esta podem melhorar os nossos serviços.
• Cuidar para que os membros do Grupo tenham sempre disponíveis os cupons para assinaturas. Como para a revista é difícil suprir todos os grupos com este material, o RV deve ser criativo: xerocar ou datilografar cupons. Não sendo isto possível, mandar os pedidos em letra de forma, indicando se a assinatura é nova ou renovação.
• Neste folheto há um cupom-resposta para que vocês indiquem o RV escolhido. Sugerimos que ele não seja trocado num espaço de tempo muito curto. Ele vai ser cadastrado em computador, e enquanto mais tempo permanecer neste cadastro melhor…

Agora que o RV foi escolhido, vamos dar a eles algumas informações que podem ajudá-lo no seu desempenho:

1. A finalidade da revista – A revista Vivência é um órgão de divulgação de A.A. não apenas entre seus membros, mas entre a sociedade de um modo geral. Atualmente cerca de 1/5 dos seus assinantes é de pessoas não-alcoólicas, predominando aquelas consideradas por nó como pertencentes à comunidade profissional. São médicos, psicólogos, assistentes sociais, administradores, técnicos na área de recursos humanos e até mesmo simples admiradores da nossa Irmandade.
2. Administração da Revista – Dentro de nossa estrutura de serviços gerais a revista é ÓRGÃO DA JUNAAB que para efeitos legais, é a sua proprietária. Atualmente ela é dirigida por quatro diretores, sendo um Diretor-Geral, um Secretário, um Tesoureiro e um Redator responsável escolhidos pela Junta de Custódios na qualidade de representantes da proprietária. Administrativamente a revista se subordina a um Regulamento Administrativo que faz parte dos estatutos da JUNAAB e nele constam as atribuições e a competência de cada diretor. (Em 1989)
3. Distribuição – A revista é distribuída por meio de assinaturas e de venda exemplares avulsos através das Centrais e Intergrupais de A.A. Todos os seus assinantes estão cadastrados eletronicamente, serviço este contratado com uma firma especializada. Assim, também, serão cadastrados os RVs.
4. Dados Técnicos – A revista Vivência tem sua medida estabelecida no formato de 21×15 cms. Miolo com 40 páginas impressas a uma cor e quatro capas impressas em duas cores. O papel utilizado é o off-set 75 grs. Para o miolo, e 170 grs. Para a capa que é plastificada. Para remessa aos assinantes a revista tem sobrecapa em papel Kraft, o que evita ser envelopada, caso em que o porte postal custaria o dobro.
5. Periodicidade – A revista é trimestral com edições saindo nos meses de março, junho, setembro e dezembro de cada ano. Sendo trimestral, a assinatura anual da revista cobre quatro exemplares e começa com envio do exemplar do número em circulação no período. Para quem desejar fazer coleção podem ser fornecidos números atrasados, assim considerados aqueles anteriores ao número em circulação. Preste atenção: Quando a revista era feita em Brasília e remetida a São Paulo para distribuição a empresa transportadora extraviou 300 exemplares do número 2 que, por este motivo, está, infelizmente, esgotado.
6. Revistas de A.A. em outros países – A nossa revista procura ter o mesmo padrão editorial de suas congêneres conhecidas e que são: “Grapevine” no Estados Unidos, “Plenitud” do México, “El Mensage” da Colômbia, “Compartimiento” da Guatemala, “La Respuesta” de Honduras, “Hálmstrád” da Islândia, “Regmaker” da África do Sul, “Roundabout” da Escócia, “Irgendwo AA” da Suíça (para a comunidade de língua alemã), “Insieme in AA” da Itália, e a “Ratkaisu” da Finlândia. Entre elas a Vivência é uma das melhores no seu aspecto gráfico, graças a sua diagramação e uniformidade da paginação.

Agora é Entrar em Ação! …

Como é aconselhado em A.A. que primeiro as primeiras coisas, você, como o RV do Grupo, deve ser – se ainda não é – o primeiro a assinar a Vivência. Isto vai lhe permitir um total de conhecimento de cada edição. Por dentro e por fora. Além disso, você terá sempre informações atualizadas através da página “Vivendo a Vivência”, que sairá em cada edição. Muitas dessas informações dizem respeito diretamente ao seu desempenho como RV.
Feita a sua assinatura, você deve partir para a assinatura do Grupo. Qualquer grupo de A.A. grande, pequeno ou esquisito, tem condições de fazer uma assinatura, nem que para isso seja preciso corre uma, duas ou três sacolas.Converso isto com o Coordenador e com os seus companheiros. Temos certeza que eles vão concordar. Lembre-se, também, de que qualquer pessoa pode ser assinante da Vivência. Quanto mais, melhor…
Falando nisso, mais uma informação para você: quanto maior a quantidade de exemplares de uma edição, menor será o custo unitário do exemplar. Por que isto? Porque a despesa com diagramação, composição, paginação e impressão é a mesma, tanto para produzir um exemplar como produzir 1.000, 10.000 ou 20.000 quando o custo será aumentado apenas em função da quantidade de papel, máquina-operária e da tinta gastos em cada caso.

Estamos esperando por você.

Edição n° 11 – pág. 38

Um Treze sem azar

Chegamos com a presente edição ao número 13 da nossa revista. Há quem atribua a este número certo desfavorecimento, quando não um completo azar. No caso, haver chegado ao número 13 apesar de tantas dificuldades, a maior delas uma inflação que teve o seu ponto culminante nos meses de dezembro de 89 a março de 1990, pode ser considerado um completo sucesso e não azar. E o sucesso está no fato de que, com este número 13, chegamos a uma tiragem de 5.000 exemplares.
Com uma tiragem de 2.000, em 1986, entramos 87 com 3.000, passamos para os 4.000 em 1988 e, agora, para os 5.000 exemplares, neste primeiro semestre de 1990. Até 1987, o grosso da nossa distribuição era feito pelas Centrais e Intergrupais de serviços, já que a revista, por ser nova, era desconhecida por praticamente toda a comunidade A.A. A primeira listagem feita por computador acusava em 1988 um total de 895 assinantes. Agora, a última listagem levantada para fins de controle da remessa deste número 13 acusa um total de cerca de 3.000 assinantes ativos.
O aumento da tiragem e do número de assinantes tanto pode ser creditado ao padrão editorial da revista quanto à política adotada de manter-se neste período inicial um baixo preço para a assinatura anual que corresponde a 4 exemplares. Esta política, entretanto, se por um lado favoreceu a difusão da revista, por outro desfavoreceu suas finanças já que a cada edição teve aumentado os custos de impressão, de postagem e de serviços de computação. Por este motivo, estamos agora reajustando gradualmente os nossos preços, com o fim de compatibilizá-los com os nossos custos reais cobrindo, assim, a defasagem verificada, notadamente durante o pico inflacionário no período citado.
Vale lembrar, mais uma vez, que nenhum jornal ou revista tem o seu custo coberto apenas com a venda de assinatura e de exemplares avulsos, mas pela venda de espaço para propaganda comercial, o que, no nosso caso, não nos é permitido, em razão dos nossos princípios tradicionais. Assim, é do apoio da comunidade A.A. que temos obtido os recursos necessários ao prosseguimento das nossas tiragens, e com este apoio chegamos a este número 13 que nada tem de azar, mas de boa sorte como demonstrado. Vamos em frente!…

Edição nº 13 – pág. 3

Nossa Caminhada

Não espere perfeição. Este aforismo aflorou da sabedoria de A.A.
A experiência mostrou-nos a desnecessidade de perfeccionismo. Basta crescer. Também não é preciso correr. Cada um tem sua cadência. Uns andam depressa. Outros vão devagar. O importante é não parar. Cair não tira o mérito de andar.
A recuperação vem naturalmente. Basta fazer a programação, dentro de nossas possibilidades, corretamente. A aceitação é a receita. É necessário aceitarmos a nós mesmos e aos outros. Entregamos nossa vida e nossa vontade aos cuidados de Deus na forma que O concebemos. Então, deixaremos de lutar contra qualquer coisa, inclusive o álcool. A sanidade estará restaurada. E aí, descortina-se maravilhoso itinerário diante de nós. Sem luta, sem ódios, sem rancores, sem retaliações.
É esta a filosofia de VIVÊNCIA. VIVÊNCIA existe para servir. Não tem opinião sobre assuntos alheios a Irmandade de Alcoólicos Anônimos e nem pretende entrar em qualquer controvérsia, dentro ou fora da Irmandade. Nosso objetivo primordial é o de levar a mensagem salvadora de A.A. ao alcoólico sofredor.
A sobriedade só tem sentido se for partilhada com outros. Aliás, este é o método mais eficiente para nos conservarmos sóbrios. Quando tudo falha, esta opção funciona. Não podemos desperdiçar energias inutilmente. Outros alcoólicos morreriam, se o fizéssemos. E quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, queremos que a mão de A.A. esteja sempre ali. Por isso, nós somos responsáveis.
Assumamos a nossa responsabilidade. Caminhemos juntos. Aceitemos aquilo que não podemos modificar. Vamos ajudar o órgão de divulgação de nossa mensagem. VIVÊNCIA precisa de todos. Toda ajuda é bem-vinda. Queremos somar. Jamais dividir.
Qualquer tolo pode quebrar um valioso jarro de porcelana chinesa do Século V. Muitos de nós, quando bêbados, quebrávamos tudo o que encontrávamos pela frente. Não nos apercebíamos que aqueles quebra-quebras simbolizavam a nossa própria destruição.
Unamo-nos. Sem UNIDADE, o A.A. morrerá. E nós, também. De nossa UNIDADE dependem as nossas vidas e as vidas dos que estão por chegar.

Editorial
Edição nº 15 – pág. 3

SEIS ANOS DE LUTA

Em 1985, a Junta de Custódios reunia-se, quase sempre, em Baependi, Minas Gerais. A Junta criara, de acordo com o Manual de Serviços então em uso (tradução do Manual de Serviços americano/canadense), diversos comitês para assessorá-la.
Há muito se sentia a carência de órgão de divulgação da mensagem ao nível de público. O A.A.brasileiro crescia, estruturava-se. Trabalhava-se arduamente num Manual de Serviços adaptado à nossa realidade. Mas faltava uma revista capaz de levar a mensagem de A.A. aos profissionais, aos possíveis alcoólicos e seus familiares e para ajudar na manutenção de nossa UNIDADE.
O Comitê de Literatura, numa dessas reuniões, sugeriu à Junta autorizar o companheiro Aragão a tirar uma edição experimental: seria o número Zero, marco inicial desta jornada.
A revista foi lançada em novembro de 1985, durante o Seminário de A.A. do Centro-Oeste, em Campo Grande – MS, com o nome de Revista Brasileira de A.A.. Sucesso total. Os cinco mil exemplares foram quase todos vendidos em tempo recorde. A revista era viável.
Na primeira reunião de 1986, a Junta de Custódios nomeava uma diretoria para a revista, à frente o Companheiro Chaves. A revista passou a chamar-se VIVÊNCIA. Era editorada e impressa em Brasília e distribuída pelo ESG, em São Paulo. Posteriormente, a distribuição também passou a ser feita pelos companheiros brasilienses. Tateava-se. Experimentava-se. Procurava-se resolver os problemas emergentes. VIVÊNCIA crescia, tomava corpo, entrava na adolescência, expandia-se.
VIVÊNCIA é órgão executivo da JUNAAB. Sua sede é a da JUNAAB. Como a JUNAAB é organismo nacional, a Junta de Custódios pode autorizar o funcionamento de seus órgãos executivos em qualquer parte do país. Assim, a revista nascida em Campo Grande passou por Brasília e, a partir de outubro de 1990, instalou-se em Fortaleza.
Hoje, aos seis anos de idade, VIVÊNCIA é auto-suficiente e, inclusive, contribui, mesmo modestamente, para ajudar nas despesas do ESG. Ultrapassou os três mil assinantes. As vendas avulsas transpuseram o patamar dos mil e quinhentos exemplares e já se aproximam dos dois mil. Vem sendo publicada religiosamente ao fim de cada trimestre.
O sucesso de VIVÊNCIA reflete o crescimento, a pujança do A.A. brasileiro. O êxito de VIVÊNCIA é o de milhares de colaboradores anônimos ausentes do expediente da revista. A direção da revista faz a menor parte. O mérito é de quem compra, assina, lê, divulga, dá suporte para que VIVÊNCIA permaneça viva e atuante no cenário de A.A. brasileiro, com destaque especial para os RVs.
Ao comemorar o sexto aniversário, VIVÊNCIA parabeniza todos os companheiros deste imenso Brasil na certeza de que não lhe faltará apoio para prosseguir sua jornada. Muito Obrigado.

Revista Vivência nº 18, pág. 8

Sugestões Editoriais sobre a Vivência:

VIVÊNCIA publica matéria dirigida aos membros de Alcoólicos Anônimos, à comunidade profissional e ao público em geral. Trata, preferencialmente, de assuntos ligados ao alcoolismo e aos Três Legados de A.A.: Recuperação, Unidade e Serviço.
VIVÊNCIA é publicada com autorização da Conferência de Serviços Gerais, mas seu conteúdo não se confunde com a literatura aprovada pela Conferência.
VIVÊNCIA tem, no momento, apenas 40 páginas. Não pode abrigar artigos muito longos. Uma página corresponde a 42 linhas datilografadas. O tamanho – ideal de um artigo é de 84 linhas. Para assuntos técnicos, da lavra de profissionais, aceitam-se até 168 linhas. Naturalmente, isso não é milimetrado. Algumas linhas a mais não criam problema.
As virtudes cardeais de qualquer escrito são: clareza, concisão e correção. Sugere-se redigir o texto em linguagem simples, sem interpolações, frase curta e direta, evitando-se palavreados ininteligíveis, redundantes e de duplo sentido. Matéria clara, qualquer pessoa entende. Texto obscuro precisa ser analisado, decomposto para ser entendido. O leitor não deve ser obrigado a decifrar charadas.
Consegue-se a concisão evitando-se os “mas”, “poréns”, “todavias”, “portantos”, “porquês”, “hajas vistas” e outras expressões quase sempre dispensáveis sem prejuízo da clareza. O uso abusivo de “quês” empobrece o texto. Sempre se pode substituir um “quê” por uma oração reduzida.
Toda matéria é submetida à revisão ortográfica e gramatical por revisor profissional.

“O exemplo não é a melhor maneira de convencer, é a única”.

É melhor você dizer como fez do que ensinar a fazer. Conte como você fez um dos Passos, como aplicou as Tradições, como foi sua recuperação, sua experiência de serviço, quais os resultados alcançados em suas abordagens, na formação de um grupo ou de um órgão de serviço, diga como está seu crescimento espiritual e emocional. Todo mundo sabe como é um bêbado. O de que precisamos é mostrar e demonstrar como se consegue a recuperação em A.A. Este é o objetivo de VIVÊNCIA e de Alcoólicos Anônimos: levar a mensagem ao alcoólico sofredor. Abrir-lhe as portas da esperança, a perspectiva de uma vida digna, útil, alegre, feliz, descontraída, livre das algemas do alcoolismo. Cultivar a atração, jamais a promoção. Os louvores, elogios e encômios à nossa programação devem ser deixados para nossos amigos não-alcoólicos. A nós, membros de A.A., cabem-nos contar nossa história, o que é muito mais convincente do que todas as apologias.

Edição nº 19 – pág. 40

SOMOS TODOS VENDEDORES:

Venda é troca de bens, geralmente mercadorias ou serviços, por dinheiro. Dinheiro é bem fungível utilizado para avaliar todos os demais produtos disponíveis no mercado.
A disputa pela clientela cria sofisticadas técnicas de vendas. Mas uma coisa é certa: toda venda visa a satisfazer uma necessidade do comprador.
Servirão estas técnicas de vendas para levar a mensagem de Alcoólicos Anônimos aos que dela necessitam? A sobriedade não é bem avaliável em dinheiro. Portanto, não pode ser vendida. Isto é conclusivo. Acrescente-se o fato de o programa de A.A. ser processo espiritual caracterizado pela rendição incondicional do doente alcoólico diante de sua impotência perante o álcool. Está decidido: técnicas de vendas não servem para “vender” a mensagem de A.A.
Nada custa, todavia, usar algumas dessas técnicas na aproximação daqueles a quem vamos abordar. Se não ajudar, pelo menos não prejudica.
Eis algumas delas:

ESTUDAR PROFUNDAMENTE O PRODUTO:
Não podemos vender o desconhecido. Esta é a primeira e fundamental regra da venda. Nosso produto é o programa de recuperação de A.A. Quanto mais o conhecermos, melhores serão as oportunidades de transmiti-lo, quase diria vendê-lo, para satisfazer a necessidade vital de quem nos procura tentando recuperar-se do alcoolismo. Este conhecimento é essencial. Adquirimo-lo freqüentando as reuniões de grupo, participando, vivenciando o programa, estudando a literatura. Quanto melhor for nossa recuperação, maiores as possibilidades de compartilhá-la.

SER BREVE, CLARO E HONESTO:
Quem já não teve a desagradável experiência de receber um vendedor daquele que decoram o texto demonstrativo do produto e o vomitam, sem piedade, de uma vez, em cima do freguês, sem lhe dar tempo para respirar? Palavreado balofo a nada leva. O melhor é ir diretamente ao assunto. Contar, em poucas palavras, como éramos quando estávamos bebendo, e como somos agora, depois de alcançar a sobriedade em A.A. Explicar, brevemente, aquilo que Alcoólicos Anônimos pode fazer pelo alcoólico, qual sua possibilidade de recuperação e como se pode viver alegremente sem bebida.

SER SIMPÁTICO – SORRIR
A simpatia abre todas as portas. Nada pior que o ar professoral de quem tudo sabe ou pensa saber. Não existe alcoólico tolo e qualquer pessoa, máxime o bebedor, tem idéias próprias e não está disposto a mudá-las somente porque pensamos ter mais conhecimento do que ele a respeito do alcoolismo. Lembremo-nos de que ele é, também, alguém vivido e sofrido.

NÃO DISCUTIR:
Isto é primordial. Vendedor discutindo com o cliente pode até “vencer” a discussão, mas perde a venda. Os profissionais de vendas experientes fogem da polêmica como o diabo foge da cruz. Por que provar ao abordando estar ele completamente errado, que somos sabichões, mas inteligentes, doutores em alcoolismo? Um pouco de humildade nunca é demais. Procuramos, na nossa abordagem, encontrar os pontos convergentes, descobrir nossas semelhanças, respeitando sempre a opinião do interlocutor. Estamos tratando com pessoa gravemente doente e, muitas vezes, apegada ao fenômeno da negação: “Bebo quando quero e paro quando quero”. “Não sou alcoólatra”. “Só bebo nos fins de semana”. “Não tenho nenhum problema com bebida”. “A culpa é da mulher, do marido, do patrão, da crise, da situação mundial”. São desculpas, todos o sabemos, pois já as usamos. Mas, no mundo fantasioso do alcoólico, estas evasivas adquirem foros de verdades indiscutíveis.

SER BOM OUVINTE:
A crise maior do mundo moderno é a da solidão. Estamos todos muitos ocupados com nossos próprios afazeres, sem disponibilidade para nos interessar pelos problemas do próximo. Nada mais simpático do que ouvir. Tenhamos paciência para ouvir com atenção e respeito ao nosso entrevistado, mesmo na concordando com ele. Temos dois bons ouvidos e somente uma boca. Deveríamos ouvir duas vezes mais do que falamos. Todo mundo se sente importante quando merece atenção. E ouvir é, provavelmente, a maior das homenagens prestadas a quem conosco conversa.

INFORMA-SE SOBRE OS INTERESSES DA PESSOA:
Para entabular boa conversa, nada melhor que se inteirar dos interesses da pessoa. Falar de futebol com quem gosta de futebol; de música com que gosta de música; de culinária com gosta de cozinhar. Se possível, informar-se dos interesses do possível candidato à recuperação antes de falar com ele. Tratá-lo pelo nome e incentivá-lo a falar de si mesmo. Isto gera empatia, ajuda a ganhar confiança, abre as portas do coração.

FINALMENTE – Estas são regras de ouro:

Não julgar – O julgamento pertence a Deus.
Não culpar – Quando ocorre um acidente, primeiro socorre-se a vítima e somente depois se procuram os culpados.
Só dar opinião se for perguntado – Manter a conversa a nível impessoal evitando juízos de valores capazes de gerar controvérsias. Às vezes, o abordando procura estribar-se nos nossos conceitos (e como o alcoólico é mestre nisso) para justificar projetos pessoais nem sempre recomendáveis.
Pedir assistência do Poder Superior – Na verdade, não vendemos nem damos sobriedade a ninguém. Somos apenas instrumentos do Poder Superior, para levar a mensagem de A.A., e isto já é um grande privilégio. Façamos a nossa parte e deixemos o resultado aos cuidados do Poder Superior.

E boas abordagens.

Luiz Derval
Edição 21 – pág. 30

VIVÊNCIA MUDA DE ENDEREÇO:

A próxima edição já será impressa e distribuída em São Paulo, sede da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos – JUNAAB – e, portanto, sede de Vivência.
Esteve em Fortaleza de 14 de outubro de 1990 até agora. Em Fortaleza, editados e distribuídos os números 14 a 24, todos, graças ao Poder Superior, religiosamente dentro de cada trimestre.
Vivência saltou, nesse período, de 1.500 para 5 mil assinaturas. Depois, houve retração. Estamos com cerca de 4 mil assinantes.
Não foi difícil fazer Vivência em Fortaleza. Recebemos apoio incondicional da Junta de Custódios, da Conferência e de todos os órgãos de serviço, salvo raríssimas exceções. Não podemos esquecer a inestimável colaboração dos nossos dedicados RVs (Representante da Vivência) e de inúmeros amigos da revista que, nos mais remotos rincões deste imenso Brasil, se desdobraram para colaborar conosco. A todos, o nosso mais profundo agradecimento.
Vivência está entregue a uma equipe competente, experiente, dedicada, responsável. Mesmos assim, continua precisando da ajuda de todos. É o nosso pedido, na hora da despedida. Para sobreviver, Vivência necessita continuar recebendo este entusiástico suporte de toda a Irmandade. Não é fácil manter uma revista sem anúncios e sem outros aportes financeiros (7ª Tradição). Vivência precisa continuar levando a mensagem de A.A. ao alcoólico que ainda sofre; fortalecendo a sobriedade daqueles que estão em recuperação; divulgando o A.A. junto ao grande público, principalmente junto às classes profissionais; registrando, para as gerações futuras, a atualidade do A.A. brasileiro; levando nossas experiências, forças e esperanças a quantos delas necessitem. Sem apoio integral da comunidade de A.A., isso não seria possível.
Vamos ajudar Vivência.
Vamos crescer.
Com uma média de dois assinantes por grupo, Vivência teria o dobro de assinaturas. Seria isto meta inatingível? Não! É coisa perfeitamente viável. Basta entusiasmo, trabalho, otimismo.
Vivência está definitivamente integrada no cenário do A.A. brasileiro. O trabalho de Vivência na divulgação da mensagem de A.A. é incalculável. Poucos podem avaliar os resultados desse labor. São 6 mil exemplares circulando por todo este imenso Brasil, às vezes em regiões de difícil acesso, quase inteiramente desassistidas. Mas Vivência chega lá, levando orientação, consolo, esperança, esclarecendo pontos duvidosos, difundindo o programa de recuperação, unidade e serviço. Atingiu o exterior. É nosso cartão de visitas e motivo de justo orgulho para todos nós.
Vivência precisa subsistir. E isto depende exclusivamente de você. Faça sua parte. A nova equipe de Vivência, com ajuda do Poder Superior fará o resto.
Muito obrigado. E o adeus saudoso e agradecido da equipe que se despede.

Edição nº 24 – pág. 40

DOZE MANEIRAS DE USAR VIVÊNCIA

Sente-se ressentido, confuso ou simplesmente aborrecido? Gaste alguns minutos com Vivência. Sua leitura lhe dará nova perspectiva do seu problema de bebida, do A.A. e de você.
Para milhares de leitores, em milhares de grupos, no Brasil e no exterior, VIVÊNCIA é mais que uma revista. É parte vital deste programa que ajuda homens e mulheres a levar uma vida feliz e produtiva sem o álcool.
VIVÊNCIA é um informativo inspirador, mensageiro simpático e prestativo como um membro ou pessoa amiga – ou mesmo um grupo de AA de qualquer tamanho. É particularmente útil no apadrinhamento.
Que ter acesso aos Passos e Tradições? VIVÊNCIA não pode lhe dizer o que fazer, mas certamente pode lhe mostrar a experiência de outros.
Eis algumas formas práticas que demonstram como VIVÊNCIA é útil para muitos companheiros e grupos.

AJUDANDO AOS COMPANHEIROS INDIVIDUALMENTE

1. É uma reunião escrita.
VIVÊNCIA é a solução ideal para quem não pode assistir às reuniões regularmente. Compacta, de fácil leitura, a cada bimestre, publica a essência do que de “melhor” você poderia esperar de uma reunião.

2. É o presente ideal.
Para um companheiro ou amigo poucos presentes podem ser mais apropriados do que uma assinatura de VIVÊNCIA. É uma lembrança continuada de sua atenção e fonte de prazer e de inspiração para o presenteado.

3. Preparando palestras.
Procurando idéias para fazer uma palestra interessante?
Você encontrará na leitura de VIVÊNCIA: histórias pessoais, artigos interpretativo, anedotas, noticiário de A.A. do Brasil e do mundo, opiniões de médicos sobre o alcoolismo e o programa de recuperação oferecido pelo A.A. e muitas outras matérias.

4. Informações.
Como A.A. está chegando aos hospitais e prisões? O que é a Conferência de Serviços Gerais e o que ela significa para os membros de A.A. individualmente? E quanto ao A.A. no resto do mundo? VIVÊNCIA traz o mundo para sua casa e o mantém sempre atualizado.

5. É um Fórum.
Quer transmitir uma idéia? VIVÊNCIA lhe dá uma visão tão ampla quanto possível de A.A. como um todo, onde você e seus companheiros podem permutar histórias, pontos de vista e interpretações do programa de recuperação.

6. Companheira nas abordagens.
Permita que VIVÊNCIA mostre ao recém-chegado o que A.A. realmente é – uma maravilhosa comunidade humana de mais um milhão de homens e mulheres em todo o mundo, unidos no propósito comum de permanecerem sóbrios e ajudar outros a alcançarem a sobriedade.

AJUDANDO AOS GRUPOS

7. Reuniões temáticas mais produtivas.
Grupos de todo o Brasil estão usando artigos de VIVÊNCIA para discussão em reuniões temáticas. Com VIVÊNCIA, os membros ficam mais bem preparados para tais reuniões, capazes de contribuir mais construtivamente.

8. Experiência acumulada.
Você pensa que seu grupo tem problemas? Não se preocupe. Procure inteirar-se das inúmeras experiências de grupos publicadas freqüentemente em VIVÊNCIA. É uma forma construtiva de manter seu grupo sintonizado com as Tradições.

9. Uma aliada no AA Institucional.
Existe alguém no seu grupo apadrinhando (ou pretendendo apadrinhar) um grupo em hospital ou numa prisão? Uma assinatura de presente será profundamente apreciada por homens e mulheres com limitados contatos com o mundo exterior.

10. Ofertada ao recém-chegado.
Muitos grupos usam VIVÊNCIA como importante ajuda para os programas de apadrinhamento. Encorajam os recém-chegados a ler a revista, a discutir e fazer perguntas sobre os assuntos lidos. Alguns grupos oferecem gratuitamente uma revista a cada visitante.

11. Ligação com a Irmandade.
A.A. vem crescendo muito em todo o mundo. Seu Grupo, seu Distrito ou Área está experimentando as dores do crescimento? Muitas soluções podem ser encontradas através das experiências compartilhadas em VIVÊNCIA.

12. Arquivo da História de AA.
VIVÊNCIA espelha os acontecimentos da irmandade de Alcoólicos Anônimos no momento atual. É uma preciosa coleção da experiência acumulada ao longo dos anos.

Procure o RVD, RV do seu Grupo ou ligue para o ESL.
Extraída da Revista Vivência nº 25 julho/agosto/setembro 1993

A SATISFAÇÃO ESPIRITUAL DO SERVIÇO
Quando nós tocamos no tema da espiritualidade, devemos dirigir os nossos pensamentos para alguma coisa superior a nós mesmos. Devemos pensar acerca da primeira vez em que entramos num Grupo de A.A. A partir daquele momento, um Poder Superior começou a se manifestar em nossas vidas. Para nós, a espiritualidade, ou o espiritual, nunca deverá faltar e o programa de A.A. de hoje, como os nossos co-fundadores esperavam, continua trazendo os frutos. Quando nos voltamos, no entanto, ao tema do nosso Terceiro Legado – SERVIÇO – não podemos esquecer aquela primeira experiência. A fim de que o serviço apareça no foco próprio, ele deve ser visto em relação aos nossos outros Legados. Todos sabem que a base do triângulo representa o nosso primeiro Legado – a RECUPERAÇÃO, e que os Doze Passos, que correspondem a esse aspecto do programa, nos mostram o que nós podemos ser em nossas vidas.
O Sexto Passo, que corresponde a esse aspecto do nosso programa, nos mostra o que podemos ser em nossas vidas. O Sexto Passo é indispensável para o nosso crescimento espiritual, o começo de uma tarefa que irá ocupar a nossa vida toda. E quando chegamos ao Décimo Segundo Passo, nós tentamos levar a mensagem aos alcoólicos e praticar esses princípios em todos os nossos afazeres. A alegria de viver, que para nós está em volta do nosso Décimo Segundo Passo, é a ação de trabalhar para outros alcoólicos. Mas a fim de realizar isso, nós devemos apelar para o nosso Segundo Legado – a UNIDADE. Há um parágrafo na literatura de A.A. que nos diz que, depois de ter praticado os Passos, mesmo em parte, a nossa desintegração cessa e a unificação se inicia. Isto é, nós temos que esquecer o egocentrismo que, às vezes, opera ainda nas tarefas de serviço e lembrar as palavras de Bill, no seu comentário sobre a Primeira Tradição. “Sem a Unidade, o coração de A.A. cessaria de bater, as nossas artérias mundiais não iriam mais carregar a graça salvadora de Deus, a Sua dádiva para nós seria gasta sem objetivo. De volta às suas cavernas, os alcoólicos iriam nos reprovar e dizer: que grande coisa o A.A. deve ter sido”.
O que seria o programa de A.A. sem esses Legados?
O Terceiro Legado nos fala diretamente do serviço e, para falar de serviço, devemos nos referir à RECUPERAÇÃO e à UNIDADE, desde que todos os três são relacionados. Como Bill observa no Legado de Serviço de A.A.: “O nosso Décimo Segundo Passo, levando a mensagem, é o serviço básico que a irmandade de A.A. presta: este é o nosso principal objetivo e a principal razão para a nossa existência”.
Por essa razão, A.A. é mais do que um conjunto de princípios: é uma sociedade de alcoólicos em ação. “Devemos levar a mensagem ao outro e nós mesmos podemos murchar e aquele a quem não tem sido dada a verdade, pode morrer”. Ele continua: Desde que um serviço de A.A. é alguma coisa que de algum modo nos ajuda a alcançar um irmão que sofre – passando por todo o caminho, desde o Décimo Segundo Passo em si, pela ficha telefônica, pela xícara de café e dos Escritórios de Serviços Gerais para a ação nacional e internacional. A soma total de todos esses serviços é o nosso Terceiro Legado – SERVIÇO.
Quando nós falávamos de Tradições, que são relativas a serviços deveríamos recordar a Segunda Tradição, que lembra os membros para procurar ter controle dos serviços de A.A. O bom servidor de confiança irá exercitando o seu papel, experimentar a espiritualidade do programa e será naturalmente levado pelo exemplo e não conduzido pelo mandato.
A Oitava Tradição nos fala que o dinheiro não se mistura com o trabalho do Décimo Segundo Passo. Aqui está a linha divisória entre o Décimo Segundo Passo, voluntário, e os serviços pagos. A.A. não poderia operar sem trabalhadores de tempo integral assalariados. Os trabalhadores profissionais, entretanto, não são membros profissionais de A.A. O trabalho do Décimo Segundo Passo é sempre gratuito, mas os nossos empregados assalariados, que facilitam os serviços de A.A., ganham e merecem seus pagamentos. Isso nos ensina que o aspecto espiritual do serviço é retornar à Irmandade uma parte de que nos foi dado quando primeiro chegamos a A.A., sem olhar para tirar o benefício egoísta do programa de A.A.
A Nona Tradição nos explica que a nossa Junta Especial de Serviços, os Comitês, a nossa Conferência de Serviços Gerais, a nossa Junta de Custódios e os Comitês de Grupo não podem emitir ordens aos membros e aos grupos. Individualmente e coletivamente, os membros de A.A. não os consideram como governantes. É possível, para o trabalho do programa, a ausência de coerção porque os membros de A.A., se eles falham em seguir os Passos sugeridos para a recuperação, de fato assinam as suas garantias de morte. O mesmo pode ser dito dos grupos de A.A. Nisso consiste a diferença entre o espírito de autoridade e o espírito de serviço: o objetivo dos nossos serviços é por a sobriedade dentro do alcance de todos os que a desejam.
Isso nos sugere que, a fim de prover serviços efetivos, um A.A. deve ter uma sólida sobriedade e um bom conhecimento das Tradições, do Manual de Serviços, dos Conceitos para o Serviço Mundial. Desde que os membros da Junta são eleitos nos grupos de A.A., o trabalhador em serviço deveria ter em mente que ele pode estar fazendo o Primeiro Passo numa carreira de serviço que possa finalmente levá-lo à Junta de Serviços Gerias.
Mas, a despeito do nível de serviço que realiza, quando a tarefa é feita com boa-vontade e dedicação, o que fica é a satisfação, e o que importa é o trabalho na mão. Na medida em que nos avançarmos vários níveis de serviço, deveríamos estar alerta, para o fato de que os olhos da Irmandade a que servimos estão sempre fixados no servidor de confiança, porque a Irmandade pôs a sua confiança em nós para realizarmos aquelas tarefas que alguns não podem e outros não desejam realizar. Seria apropriado, também, citar as palavras do Primeiro Conceito: “A responsabilidade final e autoridade suprema pelos serviços mundiais de A.A. deveriam sempre recair na consciência coletiva de toda a nossa Irmandade” e observar que as sugestões oferecidas pelo Nono Conceito podem ser úteis para todos os que ativamente participam na nossa Irmandade. Em nenhum lugar é isso mais verdade do que no trabalho do Décimo Segundo Passo, em que quase todos nós somos entusiasticamente engajados. Cada padrinho é, necessariamente, um líder e no seu papel enfrenta riscos. Imensa significância pode estar ligada a tudo que um padrinho diga ou faça: para a habilidade de prever as reações do membro em potencial para reconhecer e aproveitar as oportunidades do presente para A.A., para contornar o criticismo e para guiar aqueles que ele apadrinha pelo espírito do seu exemplo individual. Essas qualidades de liderança podem mostrar todas as diferenças e freqüentemente fazer a diferença entre a vida e a morte.
Agradecemos a Deus que Alcoólicos Anônimos tenha sido abençoado com tanta liderança, em todas as suas atividades. Por essa razão, a satisfação pessoal reside em realizar efetivamente aqueles serviços que a nós foram confiados pela Irmandade de A.A.
Deveríamos lembrar que a satisfação espiritual do serviço está enraizada no despertar espiritual do Décimo Segundo Passo e que, embora possa haver em A.A. uma multidão de satisfações espirituais, nenhuma é maior do que a satisfação de prestar o serviço necessário. Da mesma forma, há somente um privilégio que não está disponível para todos os membros – o privilégio do Serviço – porque alguns membros são incapazes de participar e outros não o desejam realizar. O Manuel de Serviço enfatiza que o serviço em Alcoólicos Anônimos é um privilégio conferido por Deus e que nem todos os membros o obtém. Essa é satisfação espiritual do serviço.

G. Escobar – América Central
Edição nº 26 – pág. 9

Segundo Legado – Unidade
Estabilidade Perene de Alcoólicos Anônimos

A Unidade é o Segundo Legado de A.A. Quando os co-fundadores de A.A. sentiram a necessidade de delinear um sistema que permitisse aos grupos de A.A. viverem e trabalharem unidos, não ignorava a grande perspectiva que hoje consideramos. Estruturar e fazer trabalhar com eficácia uma multidão de pessoas com um único vínculo era tarefa aparentemente desanimadora. Tendo em conta, sobretudo, as características individuais de cada alcoólico e de seu vínculo comum, de certa forma parecia impossível conseguir algum êxito. Por outro lado, o alcoolismo é uma doença complexa e difícil de diagnosticar seus efeitos negativos; todavia somente com ajudar de um Ser Superior, acima da inteligência humana, é que alguém seria capaz de obter esse resultado e, afortunadamente, o resultado aconteceu e chama-se Alcoólicos Anônimos.
Para nós que sofremos na própria carne a angústia da doença do alcoolismo, A.A. é a melhor forma de aproximação que possa existir à nossa causa e o lugar onde seguimos todas as respostas que buscávamos através dos tempos. Sendo assim, A.A. ao completar 58 anos, recuperando alcoólicos, tenho provas suficientes para demonstrar que os princípios básicos de A.A. formam um marco de referência adequado à nossa causa. Esses princípios podem não ser toda a verdade, porém constitui a verdadeira ação entre nós; são úteis e eficazes para nosso programa e nos dão a solução para nosso problema, mais premente: a própria sobrevivência.
As Tradições simbolizam a característica de sacrifício de nossas vidas em comum e constitui a maior força de Unidade que conhecemos. As Tradições garantem a igualdade entre os membros e independência de todos os grupos. Elas existem para a harmonia e sobrevivência do grupo assim como os Passos são para a sobriedade e paz de espírito de cada membro e é por isso que A.A. é considerada uma democracia que está dando certo. Existem obstáculos para que o alcoólico inicie e continue com êxito no programa de recuperação, encontrando barreiras de difícil remoção advindas de sua anomalia alcoólica; entretanto, a consciência grupal não levanta qualquer barreira ao membro, qualquer que seja a complicação que o mesmo possa ter e, para essas complicações, os princípios coletivos da Irmandade, como as Doze Tradições, propõe fórmulas para o equilíbrio dos ditos males. Contra o orgulho, opõe o anonimato; contra o primeiro gole, a sobriedade; contra a luxúria, a espiritualidade; contra a inveja, a autonomia e independência; e contra a ira, o Amor e a Unidade.
As Tradições pedem ainda para que nunca usemos o nome de A.A. na busca do poder pessoal, fama, prestígio ou dinheiro. Visando ao bem-estar de toda a Irmandade e de cada membro, grupo e órgão de prestação de serviços, esperaram que pusesse de lado todos os seus desejos, interesses pessoais, ambições e atitudes inconvenientes, que possam ocasionar sérias divisões entre nós ou a perda de confiança que nos deposita o mundo lá fora. Negamos a nós mesmos o governo pessoal, o profissionalismo e até o direito de dizer quais deverão ser os nossos membros. Recusamos o generoso dinheiro de fora para viver às nossas próprias custas. Colaboramos, praticamente, com todos, mas não permitimos que a nossa Irmandade seja vinculada a nenhuma outra. Não entramos em controvérsias públicas e não discutimos, entre nós, assuntos que dividem a sociedade moderna; pois temos um único propósito: levar a mensagem ao alcoólico que sofre, pela atração e pelo exemplo e não pela pregação ou propaganda. Estas são as partes de um esquema, delineado para controlar e permitir a estabilidade perene de nossa Irmandade, a “UNIDADE”.

Ovídio S –AM – Edição n° 26 – pág. 15

O QUE É EVITAR O PRIMEIRO GOLE

Evitar o Primeiro Gole não é somente evitar o ato físico de beber, é também, e principalmente, evitar as circunstâncias que possam nos levar a ingerir o Primeiro Gole.
É necessário permanecermos atentos aos motivos que podemos usar como “justificativas” para beber, atento aos sentimentos para aprender a lidar com eles sem usarmos a “bengala” tão conhecida.
Evitar o Primeiro Gole é, também:
 Mudar a nossa rotina – principalmente nas horas em que bebíamos;
 Evitar os velhos caminhos – ponha no lugar algo que lhe dê prazer;
 Evitar os companheiros de copo;
 Mudar, reciclar, virar a página.

Quando bebíamos, tudo era justificativa para beber: alegria, ressentimento, raiva, depressão ou o sentimento de ser a última pessoa na face da Terra.
Esses velhos hábitos estão dentro de nós e voltam facilmente quando nossas emoções nos dominam.
Precisamos ficar atentos 24 horas por dia e aprender a lidar com as nossas emoções para que o velho hábito de beber não nos pegue de surpresa, pois corremos o risco de ingerir este Primeiro Gole por puro impulso, mesmo antes de pensar.
Precisamos aprender a colocar hábitos novos no lugar dos velhos (um velho hábito gente não tira, substitui).

Penélope – SP
Edição nº 27 –pág. 56

REVISTA VIVÊNCIA – META: 20.000 ASSINATURAS

Vamos empunhar essa bandeira

Tomei conhecimento, recentemente de que a revista Vivência, a nossa Revista, possui somente 4.800 assinantes. Fiquei abismado com tal notícia, pois isso significa menos de uma assinatura por grupo, levando-se em conta todo o território nacional e um universo de 130.000 alcoólicos em recuperação, leitores em potencial da revista.
Levei anos a fio para conscientizar-me da importância de nosso veículo maior de divulgação, que é a Vivência. Quão ineficaz e insensatos temos sido em não valorizar, prestigiar e incentivar um informativo de tal monta, valioso para os membros de A.A., bem como para a sociedade como um todo. Leiam e releiam a revista e notarão que ela constitui um veículo precioso de informações úteis. Por meio de seus artigos, em forma de depoimentos de AAs. e Al-Anon, como também através do testemunho de profissionais da área de saúde, ela informa sobre o grave problema do alcoolismo em nosso país, que já atinge cerca de 10% da população.
Fico feliz quando recebo em casa o número bimestral; tomo-o como um sinal de alerta, para que não me descuide do meu programa de recuperação. É como se fosse o grupo reforçando-me a domicílio, através do correio.
Visto por outro lado, sei que milhares de pessoas fora da Irmandade ainda não tiveram a oportunidade de desfrutar do privilégio da leitura de uma publicação de bom nível literário. Assim procedendo, estamos fechando as janelas da Associação de AAs. como se fosse uma a entidade anônima ou secreta, nada tendo de benefício para a sociedade que nos cerca. Mesmo entre nós, o número de assinantes é pequeno, decepcionante mesmo.
Manter uma assinatura da Vivência é questão de bom gosto e inteligência.
Em relação ao aumento de assinaturas, trata-se de uma questão de honra, de amor próprio e de responsabilidade para todos nós, membros de A.A.
Façamos uma cruzada cívica e de amor, visando atingir a meta de 20.000 assinaturas até 1997, ano do Jubileu da Irmandade, quando ela completa 50 anos de bons serviços no Brasil.
Esta será a nossa bandeira, e vamos empunhá-la com obstinação!
Considero, por outro lado, que estamos conduzindo a Vivência com certa doze de amadorismo. Com a elevação acelerada das vendas de assinaturas (cujo objetivo principal é conseguir 50 mil assinantes, no limiar do século), teríamos recursos financeiros suficientes para a contratação de profissional do ramo. Com a colaboração desses especialistas, poderíamos dar uma nova dimensão às matérias da revista, tanto no plano gráfico, quanto no redacional. Minha preocupação com o aprimoramento da revista não constitui agravo ou uma injustiça aos abnegados companheiros responsáveis pela editoração da mesma. São eles que, após um dia de trabalho e de afazeres pessoais, dedicam suas horas de lazer à confecção da revista. Sei que muitas vezes eles sacrificam a si mesmos e suas famílias, reservando os finais de semana para trabalharem na elaboração do informativo.
No entanto, a exaustão biológica desses companheiros tem provocado falhas técnicas, inclusive no atraso da distribuição de algumas edições. (Quero deixar bem claro: a contratação de “experts” em artes gráficas não significa abrir mão do atual sistema de gerenciamento, em mãos de AAs.). Conclamo, assim, todos os companheiros para um grande mutirão, com vistas ao incremento das assinaturas. Não há tempo a perder, comecem agora! Iniciem o trabalho, renovando suas assinaturas.
O grupo, além da própria assinatura, poderia doar uma ao sacerdote que lhe cede espaço na igreja; ao diretor da escola que lhe franqueia a sala, ao diretor da casa de saúde e ao diretor da penitenciária, que permitem que façamos palestras em suas instituições; ao ingressante que apadrinhamos; e onde mais houver interação de bons propósitos.
Seria uma boa vendermos assinatura ao nosso dentista, ao nosso médico, cabeleireiro, ao gerente do banco, às empresas que solicitam nossas palestras, bem como a todos os profissionais de saúde com os quais colaboramos.
Vamos dar asas à imaginação. Introduzindo esse mensageiro de fé e esperança, em toda a extensão da Irmandade e, também, fora dela.
Mãos à obra! Comecemos por nós mesmos!

Vivência n° 32 – novembro/dezembro1994, com a perspectiva nova anos após sua criação.
Também publicada na edição 98 – pág. 44

VIVÊNCIA – DEZ ANOS

Com o advento da escrita, o homem começa a relatar seu cotidiano, suas experiências, sua interpretação das coisas e sua vida. A partir daí, toda a sua história está escrita em livros e enciclopédias. São bilhões de páginas e um sem número de palavras que nos ajudam a entender como chegamos aos dias atuais.
A história, enquanto ciência estuda o passado para compreender o presente. Em outras palavras, se olharmos para trás, veremos o caminho que conduziu-nos até o ponto onde estamos. Veremos todos os fatos responsáveis por chegarmos aqui, nos anos noventa. Veremos, também, que a história é feita no dia-a-dia, através de fatos que modelam o curso dos acontecimentos.
É papel da história investigar, inventariar ou simplesmente contar como surgiu um acontecimento, fato ou objeto. Temos a história da civilização, a história da medicina, a história das guerras mundiais, a história do automóvel e, entre outras tantas, a história da Irmandade de Alcoólicos Anônimos. Aqui, é essa que nos interessa.
O capítulo de número um do nosso primeiro livro tem o título “A História de Bill”. O próprio livro traz como subtítulo a frase “A história de como milhares de homens e mulheres se recuperam do alcoolismo”. Em “As Doze Tradições”, o comentário feito a cada tradição nada mais é do que a história do desenvolvimento daquele princípio tradicional.
Quando nossa Irmandade tinha pouco mais de vinte anos, em 1957, foi publicado o livro Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade, que tem como subtítulo na tradução para o português o comentário: “Uma breve história de A.A”.
Citamos estes exemplos para lembrarmo-nos de nossa história e que toda ela está contida na nossa literatura.
Bem, companheiros. Falamos nas Doze Tradições e todos nós sabemos que elas são frutos da experiência dos primeiros grupos, publicados pela primeira vez numa revista chamada Grapevine. Esta revista surgiu em 1944, através do trabalho de alguns membros com tendências jornalísticas e logo se tornou nossa revista internacional. Nos anos seguintes à sua publicação, a Grapevine refletia mensalmente as atividades da Irmandade. Mostrava a cada edição um pouco de evolução e história de Alcoólicos Anônimos.
Agora, voltemos nossas atenções aqui para o Brasil. Alcoólicos Anônimos chegou por aqui em 1947. Com o passar do tempo e o surgimento dos primeiros grupos, a literatura já publicada na época foi traduzida para nossa língua e a Irmandade começa a crescer. Vários anos depois, em 1985, o número de membros era substancialmente maior. Neste ano foi editada a Revista Brasileira de Alcoólicos Anônimos, de número zero. Era o marco inicial da publicação que conta, até hoje, a cada número, um pouco da história de A.A. no Brasil.
Atualmente a revista está no número 38 de sua edição e é conhecida simplesmente como VIVÊNCIA. Agora podemos compartilhar algumas idéias sobre ela, pois há muito tempo vem fazendo jus à nossa atenção.
A VIVÊNCIA é uma publicação da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil, através de seu Comitê de Publicações Periódicas. Da mesma maneira que um jornal diário retrata a vida de uma determinada região e sua história dia a dia, a revista VIVÊNCIA registra a evolução de nossa Irmandade no Brasil a cada dois meses, através de material e matérias que nós encaminhamos. A cada número, ela traz comentários sobre Encontros Estaduais e Regionais, Convenções, Conferências, Seminários e outros eventos que refletem o nível de consciência compartilhada acerca de nossos princípios.
A VIVÊNCIA é um excelente meio de divulgação de Alcoólicos Anônimos para a comunidade em geral, bem como um canal interno de divulgação sempre aberto.
Quando falamos em divulgação da nossa Irmandade, pensamos na revista VIVÊNCIA como um cartão de vista impresso à população e comunidade profissional contendo nossos princípios e experiências, além da opinião de amigos sobre o modo de vida de A.A. e sobre assuntos ligados ao nosso problema comum.
A revista, a cada número, mostra com transparência um retrato atual de nós mesmos. Se observarmos desde as primeiras edições até as atuais, constataremos a evolução da irmandade. Através da VIVÊNCIA vemos nosso caminhar, cada vez mais firme e tranqüilo, em direção ao melhor entendimento dos Legados.
Quanto ao canal interno de divulgação, referimo-nos à partilha de pontos de vista. A revista veicula textos contendo as diversas formas de abordagens e interpretação de assuntos contidos na literatura e em nosso convívio. Neste aspecto, VIVÊNCIA promove a fundamental troca de experiências, unindo-nos mais a cada número e transmitindo-nos uma visão atual de nós mesmos.
Por falar em unidade, a revista VIVÊNCIA facilita a unidade das diversas regiões do Brasil. Num mesmo número podemos ler a opinião de companheiros de vários lugares. Lemos também, em menor escala, a tradução de textos publicados nas revistas de outros países. Mesmo em pequena quantidade, os artigos de fora lembram que Alcoólicos Anônimos está em todo o mundo, tal qual o círculo em nosso símbolo demonstra.
Temos ainda um painel com várias notícias; a seção de evento, um momento de descontração para que não nos levemos muito a sério, e várias reflexões sobre nossa caminhada.
A revista VIVÊNCIA “é nosso principal e melhor meio de comunicação do pensamento atual e experiência de A.A. para nos manter sóbrios, unidos e em serviço”. Estas palavras são de Bill W., à Grapevine, e fizemo-las nossas, à VIVÊNCIA.
Com tudo isso, podemos constatar que VIVÊNCIA relata, reflete nosso cotidiano, através do qual, lentamente, vamos compondo a história dessa luta gratificante aqui no Brasil.
Bem companheiros, se deixarmos a imaginação livre para a criatividade se apoderar de nós, teremos a revista VIVÊNCIA como nossa companheira; como um grupo que podemos adentrar estando onde estivermos ou ainda, como uma reunião a qualquer momento. Para isto basta mente e revistas abertas.
Boas vinte e quatro horas a todos nós.

VIVÊNCIA NO GRUPO, NA REUNIÃO. EM QUALQUER LUGAR, A QUALQUER HORA.

Edição nº 38 – pág. 24

A VIVÊNCIA E A MÃO ESTENDIDA

Vamos tirar nosso A.A. do Anonimato!

A Irmandade não é anônima. Falando de nossos princípios e experiências, vamos divulgá-la através da VIVÊNCIA. A revista tem se revelado um poderoso e duradouro instrumento de prática do Décimo Segundo Passo e da Quinta Tradição.
Sugerimos a todos: companheiros, grupos, escritórios, distritos, áreas e comitês de CTO que estendam a mão. Ofereçam assinatura a médicos, assistentes sociais, clínicas, religiosos, professores, delegados, advogados, jornalistas, prefeitos e autoridades em geral, entidades, órgãos públicos, parentes, amigos, vizinhos, etc.
Para tanto, apresentamos o cupom “Assinatura cortesia”. É para facilitar a sua vida e também para que conheçamos todos os que estão realizando esse trabalho tão significativo.
Pegue o seu cupom, companheiro! Ofereça a revista

VIVÊNCIA E VOCÊ, JUNTOS, LEVANDO A MENSAGEM!

Edição nº 40 – pág. 49

Abordado pelo Grupo, Reabordado pela Vivência

Ao final da sua primeira reunião, o coordenador lhe disse: “Pois então, leve a reunião
para a sua casa”.

Ao atingir o pico do meu alcoolismo (fundo de poço), deparei-me com a cruz e a espada… A quebra do orgulho a tanto tempo procrastinada, não pôde mais ser evitada. Desesperado – como dizia o poeta, não tinha medo da morte, mas saudade da vida -, como se a vida estivesse me deixando, ligou para o local de trabalho de minha esposa, que mais uma vez havia saído de casa devido a minhas loucuras alcoólicas diárias, e sendo ela uma praticante dos Grupos Familiares Al-anon, não encontrou dificuldades para aquele para naquele mesmo dia achar um Grupo de A.A., em uma cidade vizinha à nossa.
Chegamos cedo ao local e me lembro do momento de recepção, dos poucos que se encontravam, os que chegaram, os depoentes, meu ingresso. E todos os que vejo chegar hoje – trazendo-me vida, força e esperança através de sugestões e da partilha de experiência -, me fazem render graças a meu Poder Superior pelo privilégio de adentrar uma porta de A.A. onde sou abordado e orientado a evitar o primeiro gole buscando o progresso espiritual em minha recuperação. Desde esse momento, e a cada 24 horas em minha vida, me sinto no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas. Descobri que o Grupo de A.A. e seu programa de recuperação são a chave que me abre a porta da fé para me entregar e servir a um Poder maior.
Os companheiros desse Grupo não me conheciam, como já disse moro em outra cidade, e o companheiro coordenador da reunião daquela noite havia recebido o último número da revista Vivência; no final da reunião, após ler alguns artigos da mesma, abordou-me perguntando como me sentia em relação ao que havia visto e ouvido. Fiquei sem palavras para responder-lhe, tal meu encanto pela transformadora experiência, um prenúncio de liberdade. Colocou o exemplar da Vivência em minhas mãos e prosseguiu: “Pois leve então a reunião para sua casa”. Segurei aquela revista nas mãos como se carregasse o tesouro mais valioso.
No retorno para casa, já senti muitas modificações após participar daquela esclarecedora reunião. Tive consciência de ser problemático devido à manifestação de uma doença progressiva, porém estacionária, e que se desejasse bastaria somente admitir minha impotência perante o álcool e uma vida descontrolada (fácil demais, pois essa era a única certeza que tinha sobre mim). Fui folheando a revista, pois estava sem conseguir dormir (dessa vez não pela falta de álcool, mas pela certeza de ter encontrado o caminho da volta). Uma paz manifestava-se dentro de mim ao constatar que tudo aquilo que os companheiros falaram na reunião e o que estava escrito nos quadros da parede estava contido naquela revista.
A partir desse momento senti-me protegido, senti nascer em mim um amor por esses desconhecidos que, apesar de sua dor e sofrimento, proporcionado pela sua doença, sorriem e falam humilde e honestamente, reduzindo meu ego com palavras simples, orientando-me para a bondade, tolerância e sabedoria necessárias para mim, um alcoólico anônimo em recuperação.
A cada 24 horas sou abordado por companheiros do Grupo e sou reabordado pela revista Vivência, que não só me instrui a melhor conhecer a literatura para melhor levar a mensagem, mas para que aplique em minhas atividades, melhor me conheça e aprenda a viver a doação praticando a espiritualidade de A.A.
Agradeço ao meu Poder Superior por me indicar uma porta de A.A., ser aceito pelos companheiros que abriram essa caixa de ferramentas espirituais para juntos partilhamos a Vivência. Mais 24 horas de fé num Poder Superior e de amor em ação.

Kayo – SC
Edição nº 56 – pág. 10

O RV VIVENCIANDO

Somente pela Graça de um Poder Superior posso hoje dizer que sou alcoólico em recuperação, buscando o equilíbrio necessário para vier uma vida sadia e feliz. Mesmo com as adversidades estou consciente que essa busca tem que ser constante e é infinita porque sou um alcoólico.
Após longo tempo de ativa na minha bebedeira, cheguei à falência moral e ao desequilíbrio total, sem esperança nenhuma de poder ter uma mudança de vida. Fui levado a um Grupo de A.A., cheguei desconfiado, não entendi muita coisa na primeira reunião, só sei que senti uma vontade muito forte de voltar, e voltei. E essa volta constante tem me mostrado a importância da minha sobriedade.
Com poucos meses freqüentando o Grupo e participando de todas as reuniões possíveis, entrei para o Comitê de Serviços, na suplência de coordenação de reuniões, então comecei a entender a importância dos Três Legados de A.A. – Unidade, Recuperação e Serviço. Percebi que minha mente se abria e me sentia mais confiante na caminhada, buscando minha recuperação.
Mais adiante percebi também que esse crescimento poderia ser melhor ainda com a força da literatura de A.A. Para mim, toda literatura de A.A. nos transmite a sabedoria do Programa de Recuperação.
E por falar em literatura, gostaria de falar da minha experiência com essa maravilha que é a revista Vivência. Como representante da Vivência, eu e alguns companheiros começamos a entender a importância da nossa Revista. Passei a ler todas, de cabo a rabo, desde o editorial até a última matéria. Criamos um Mural para que o RV pudesse divulgar notícias da Vivência e incentivávamos os companheiros e companheiras a fazer ou renovar suas assinaturas da Revista. Isso despertou a curiosidade de companheiros de outros Grupos da região.
Na região do ABCDMR do estado de São Paulo, com seis cidades interligadas que contam com 14 Grupos, em maio de 96, alguns RVs e membros interessados no trabalho com a Vivência nos reunimos pela primeira vez, e nesse dia foi criada a Comissão de RVs da região. Essa Comissão uniu-se com o propósito de primeiro estruturar o trabalho do RV dentro do Grupo, depois conscientizar os Grupos de que a revista é um importante instrumento no trabalho à comunidade. Com apoio dos Grupos locais e do Distrito, percebo que aos poucos o RV foi ganhando respeito e o seu verdadeiro espaço como servidor de confiança. Hoje essa Comissão se reúne uma vez por mês e tem seu Comitê atuante.
Usamos o dinheiro da Sétima Tradição para atender às nossas necessidades, sendo 50% para o Grupo que cede a sala para as reuniões e 50% para despesas com cópias das Atas, material para o Mural, envelopes, correspondências, etc. A maioria dos Grupos locais estão entendendo o propósito desta Comissão e estão dando todo apoio ao seu RV, e ao mesmo tempo colocando em prática as sugestões por eles colocadas. Na estrutura desses trabalhos dentro do Grupo temos alcançado coisas positivas como: apadrinhar o recém-chegado com um número da revista doado por companheiros que têm sua assinatura e já leram suas revistas; incentivar companheiros e companheiras escreverem suas experiências na ativa do alcoolismo e na caminhada da recuperação, enviando para a Vivência; diversificar determinada reunião no Grupo, tirando temas contidos na Revista e, em círculo, trocando experiências a respeito deles.
O nosso livreto “O Grupo de A.A.” nos sugere as tarefas do RV. Além dessas tarefas, o RV atuante tem o seu espaço nas reuniões de serviço do Grupo para que possa prestar contas, porque é um servidor de confiança.
Usar dois ou três minutinhos do meu depoimento para falar da Vivência é gratificante na minha recuperação e ajuda na divulgação da Revista.
Alguns Grupos têm usado o sistema de consórcio e tem funcionado. Nos trabalhos externos, o RV procura se estruturar no propósito de ser útil e colaborar com o Representante Intergrupal do Grupo e participar das reuniões de CTO e de eventos como: Ciclos de Estudos do CTO, de Tradições e Passos.
Levar à comunidade a mensagem de A.A. é uma dádiva concedida pelo Poder Superior e como RV me esforço para ser útil nessa missão. O contato constante com o companheiro RI é muito importante para um bom entrosamento.
Também fazemos contato com profissionais, religiosos e educadores, ofertando-lhes uma assinatura ou número avulso da Revista, e é claro que tudo isso só é feito dentro das condições de cada Grupo. A revista Vivência é sempre atual porque retrata a nossa experiência em busca dessa almejada mudança de vida para melhor, daí a importância de estar passando para outros, através da revista, o propósito de nossa Irmandade. Há algum tempo venho tentando escrever, falando da experiência do Representante da Vivência que, infelizmente, para alguns é um encargo sem muita importância, do que sinceramente discordo. Gostaria que daqui para frente a revista publicasse experiências contadas por RVs de todo o Brasil, pois isso com certeza ajudaria a fortalecer o propósito do servidor e da recuperação individual.
Agradeço ao meu Poder Superior por ter me dado a coragem para escrever e a sabedoria para distinguir algumas coisas das outras, bem como aceitação para coisas que eu não posso modificar. Com certeza todo servidor em A.A. tem uma função importante no propósito do programa de A.A. como um todo, e nós, os RVs, estamos procurando nos esforçar e nos dedicar no intuito de sermos úteis.
Infinitas 24 horas de serena sobriedade. Em gente, RVs

J.T. – São Caetano do Sul
Edição nº 56 – pág. 22

Nossa Vivência, um ótimo instrumento de divulgação.

Certamente nós de A.A. acreditaram ter havido algo grandioso e fantástico naquelas quase seis horas em que Bill W. falou com o Dr. Bob pela primeira vez. Mais fantástico ainda é o fato de que momentos antes como aquele tenho ocorrido ao longo de sessenta e três anos, no mundo todo. A transmissão da mensagem do modo de vida de A.A., a Linguagem do Coração, é nossa única certeza de continuidade.

Utilizamo-nos basicamente de nossos atos como atrativo, porém só isso não basta à busca dos que ainda sofrem, precisamos de uma disseminação muito maior que a verbal. Com isso encontramos na escrita da Literatura de A.A., sobretudo em nossos livros, folhetos, livretes e folhetos destinados à divulgação da Irmandade, uma forma de intensa propagação da Luz que encontramos.

Além disso, aqui no Brasil, contamos com outro instrumento. Um veículo que une a Linguagem do Coração à palavra escrita, narrando nossas experiências obtidas numa nova maneira de viver. É isso. Compartilhando experiências pessoais através da escrita efetivamos o registro e a divulgação de nossa vivência. Assim, temos a REVISTA VIVÊNCIA que bimestralmente aborda temas ligados às nossas vidas e à nossa Comunidade.

Alguns de nós “esquecemos” exemplares da VIVÊNCIA em coletivos, consultórios médicos, escritórios, repartições públicas, igrejas, doando nossa vivência à sorte. Pessoas, grupos e órgãos de serviços oferecem assinatura e exemplares avulsos a profissionais e amigos de suas comunidades, para que possam sugerir com mais propriedade o nosso programa de vida àqueles que sofrem com o alcoolismo.

Os responsáveis pelo Comitê Trabalhando com os Outros estimulam a discussão de artigos expostos nas revistas em clínicas, hospitais e instituições correcionais onde existam reuniões periódicas. Outros se utilizam da VIVÊNCIA, como cartão de apresentação da Irmandade, juntamente com outros folhetos, no primeiro contato com pessoas e entidades que lidam com alcoólicos e desejam conhecer melhor nossos princípios. Outros, ainda, fazem da VIVÊNCIA uma importante ferramenta do vital apadrinhamento aos recém-chegados, sugerindo-lhes a leitura de matérias específicas. Muitos também contribuem escrevendo experiências próprias e solicitando à comunidade profissional que escreva para veiculação na Revista.

Utilizando-nos de nossa VIVÊNCIA como instrumento em nosso trabalho com os Outros estaremos sempre apresentando um retrato fiel de como Alcoólicos Anônimos tem mudado nossas Vidas.

Com amor de A.A.

Comitê de Publicações Periódicas

A VIVÊNCIA NÃO É SÓ MINHA
Um breve depoimento sobre a nossa Revista

A revista Vivência chegou à minha vida como uma boa surpresa, num momento em que eu estava ávido de informações sobre o alcoolismo. Sou jornalista, tenho algumas outras qualificações que não vêm ao caso, mas exatamente por tudo isso eu deveria ter, ao longo da minha vida, encontrado alguma informação sobre o assunto. Sempre tive em casa todas as revistas de atualidades, reportagens, além de uma biblioteca considerável. Entretanto, nunca tinha lido nada sobre alcoolismo nem Alcoólicos Anônimos. Até tinha “lido” o Livro Azul, que um amigo fez chegar à minha casa, discretamente. Tinha “lido” entre aspas mesmo, porque nada havia entendido ou não quisera entender.
Mas com a Vivência foi diferente. Eu estava ávido de informações sobre alcoolismo e nem percebia que a revista não tratava de alcoolismo, mas sim de Alcoólicos Anônimos. Fazia pouco tempo que ingressara em A.A. e freqüentava a Central de Serviços em busca de literatura. Foi ali que encontrei alguns exemplares da revista. A vontade era adquirir toda a coleção e ler tudo a respeito. Aquela pressa confusa de quem está procurando uma ocupação que mantenha o afastamento do álcool ou traga a conscientização necessária para saber que sou impotente perante a bebida. Foi uma boa surpresa.
Naquele momento, de chegada, de primeiros contatos, de desconhecimento, porém de arrogância e suposta superioridade por não ter ainda exercitado os Doze Passos, ainda que de forma singela, eu era meio atrevido. Achava que tinha muita coisa errada na revista. Exatamente porque eu a lia com os olhos de quem não conhecia ainda os princípios da nossa Irmandade. Então achava que muita coisa deveria ser diferente. Em algumas coisas, entretanto, eu estava completamente correto. Estava interessado em ajudar e propagar nos quatro cantos da Irmandade a necessidade de prestigiar aquele que eu entendia como o nosso veículo de comunicação.Ao mesmo tempo em que entendia que existiam muitos recursos gráficos novos que poderiam tornar Vivência uma leitura mais agradável.
Passaram-se muitas 24 horas, até que começamos a sentir as mudanças que o próprio tempo se encarregou de fazer na revista. De repente, demos alguns saltos de qualidade que provocavam grande satisfação a cada edição que recebíamos. E hoje vemos uma revista com uma linha editorial clara e uma feição gráfica moderna, que nos faz ficar orgulhosos de ver nossa revista nas mãos de qualquer pessoa, tanto pelo seu conteúdo como pela sua apresentação. Tudo graças à abnegação de alguns companheiros.
Sabemos que tudo foi feito com muito sacrifício e amor, e que esse sacrifício continua hoje, embora em outro nível. Daí a necessidade de conclamar a todos os companheiros da Irmandade, para que dêem atenção a esta revista, contribuindo das mais variadas formas, tanto através das campanhas de assinaturas como nas vendas e também colaborando com artigos e informações. Aquela historinha que temos e podemos contar, pode ser a salvação para algum alcoólico que procura nos seus iguais a resposta para se encorajar e manter-se sóbrio.
Para tanto, precisamos também exercitar plenamente a Evocação à Serenidade.
A revista não está sendo feita para atender à minha vontade, mas às necessidades da Irmandade. Não podemos ser impacientes com ela. Eu mesmo escrevi uma vez um artigo, que nem esperava mais que publicassem. Fazia mais de uma no que enviara. Certo dia, ao receber a revista, estava lá a minha história. Uma grande e gostosa surpresa. Não pela vaidade de ver publicada algumas linhas que eu escrevi. Mas pela certeza de que aquilo que eu escrevi pode ter ajudado a alguém.

Walter M – Natal/RN
Edição nº 58 – pág. 50

Bill, Lois, a Prece e a Meditação.

Durante o período em que os alcoólicos participavam do Grupo Oxford, os Wilson haviam iniciado a prática do “tempo de silêncio”, a cada manhã. Lois descreveu estes momentos de silêncio: “Duravam mais ou menos 15 minutos. Despertávamos e eu fazia o café para tomarmos na cama; então dizíamos juntos uma oração e depois ficávamos em silêncio durante algum tempo. Esta prática do Grupo Oxford é algo muito útil; inclusive, embora não pareça algo muito importante de imediato, é muito útil o silêncio e o pensamento sobre o dia que começa e sobre a finalidade de ser agradece por todo o que acontecer. Esta é a oração feito por Bill e que os Wilson recitavam nestas ocasiões:

“Oh Senhor, Te agradecemos pelo que Tu és, porque nós somos passageiros. Bendito seja Teu santo nome e todo os Teus benefícios de luz, de amor e de serviço a todos nós. Que encontremos e façamos hoje a Tua vontade com fortaleza e bom humor. Que Tua graça sempre presente seja descoberta por nossa família e por nossos amigos – os próximos e os distantes – por nossas sociedades em todo o mundo, pelos homens e mulheres onde quer que estejam e entre aqueles que nos guiam nestes tempos difíceis. Oh Senhor sabemos que Tu és toda maravilha, toda beleza, toda glória, todo poder, todo amor. Na verdade, Tu és o amor eterno, pelo amor, Tu tens dado forma a um destino para todos nós, passando através de Tuas muitas moradas, sempre descobrindo-Te mais e sem que haja separação entre nós”.

(Extraído do livro Transmítelo, em tradução))

Vivência edição nº 60 – pág. 32

A distribuição da Revista

A responsável pelas assinaturas e postagem da Vivência conta como trabalham
os quatros funcionários a essa tarefa.

Quando o assinante recebe a revista Vivência, ele tem em suas mãos o resultado final de um trabalho que envolve várias etapas e processos. O processo da distribuição é realizado por uma equipe composta de quatro funcionários (não-AAs, remunerados), onde cada um deles tem um papel importante a exercer para o bom andamento do trabalho e emprega seu melhor desempenho.
O processo começa quando recebemos o cupom de assinatura através do correio, fax, e-mail e às vezes pessoalmente no ESG. As assinaturas recebidas são registradas pela Rita. Ela cadastra todas as informações importantes, como nome e localidade do assinante, forma de pagamento e tipo de assinatura. Cada cupom recebe um número, que chamamos de registro e que serve para controle interno.
Após essa etapa, os cupons são passados para a Alessandra, que os seleciona e os distribui ao Alexandre e à Vanessa para conferência dos dados (verificar endereço, CEP e se já consta ou não em nosso cadastro de assinantes). Eles também separam as assinaturas novas de renovações e devolvem todos os cupons à Alessandra, que emite os recibos de pagamento e cadastra a assinatura no sistema. Depois, os recibos são conferidos, impressos, e são assinadas as cartas de agradecimento ao assinante.
Por fim são impressas duas etiquetas do assinante, sendo que a primeira é para o envio da revista, junto com a carta e o recibo do assinante, e a segunda é anexada na ficha do assinante, para nosso controle de assinaturas. Ali temos o histórico de cada assinante. Essas fichas são renovadas e arquivadas pela Vanessa.
Os cupons recebidos são arquivados pelo Alexandre e, caso haja alguma reclamação por parte do assinante, é possível verificar-se os dados recebidos. Todo esse processo é realizado semanalmente e após sua conclusão é feito um relatório de controle de assinaturas por Área. No final de cada mês é feito um levantamento onde obtemos a quantidade de assinantes ativos e inativos por Área.
As reclamações que recebemos são prontamente atendidas pela Alessandra. Em caso de devolução das revistas pelo correio, é feito um minucioso levantamento e caso o problema seja de endereçamento, a revista é remetida ao respectivo grupo ou CEV, para o encaminhamento ao assinante.
A cada início de mês impar é feita a expedição de uma nova revista aos assinantes. A etapa da expedição exige a contribuição de toda equipe do ESG: desde o gerente até nosso Office boy: dona Sueli, a Elis, o Sr. Dárcio, Alessandra, Alexandre, Cristiane, Vanessa, Rita, Elisabete, Rodrigo, Francisco e Luis.
E podemos dizer a realização de todo este trabalho é fruto do profissionalismo e grande espírito de equipe de todos os funcionários que trabalham diretamente ligados à revista Vivência.

Alessandra – Edição Especial nº 63 – pág. 20

VIVÊNCIA – HISTÓRIAS E CURIOSIDADES

O Início

Corria o ano de 1985. A Junta de Custódios havia inaugurado seus comitês de assessoramento. Reuniam-se, Junta e Comitês na cidade de Baependi, Estado de Minas Gerais, próximo a Caxambu. O Presidente da Junta era o nosso sempre lembrado e querido Dr. Viotti. Os membros dos comitês vinham, quase todos, do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Do Nordeste, vinha Carvalho, de Fortaleza; do Centro-Oeste, Aragão, de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul; do Rio Grande do Sul, Gentil, de Porto Alegre. Os membros dos comitês pagavam suas próprias despesas de transporte, hospedagem e alimentação e ainda contribuíam para as despesas da reunião: normalmente dez cruzeiros por pessoa. O prestígio do Dr. Viotti na cidade era muito grande. Conseguia sempre hospedagem num hotel razoavelmente bom, tipo duas estrelas, a preço bastante acessível.
Havia um anseio generalizado de se editar uma revista para o A.A. brasileiro. O assunto foi trazido à baila numa dessas reuniões. Aragão prontificou-se imediatamente a editá-la em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Mas, persistia uma série de dúvidas no espírito daqueles companheiros reunidos em Baependi, todos sumamente preocupados com o sucesso e o bom nome de A.A.
Estaria a Irmandade suficientemente madura para sustentar uma revista de nível nacional? Teríamos material suficiente para publicar uma revista? Publicaríamos depoimentos ou somente matéria doutrinária? Como seria o nome da revista? Qual a sua periodicidade? Qual o tamanho? Quem seria o encarregado da revista? Para cada uma dessas indagações, Aragão tinha uma resposta pronta e satisfatória. A revista chamar-se-ia Revista Brasileira de A.A. Ele se encarregaria de editar o número zero em Campo Grande para circular naquele mesmo ano, em novembro, por ocasião do Seminário do Centro-Oeste. O pagamento da gráfica e dos profissionais seria feito com o resultado da venda da Revista. Depois de muita discussão, Aragão foi autorizado a editar o número Zero da revista como ele tinha planejado: em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
A revista foi sucesso absoluto. A venda excedeu todas as expectativas. Dos cinco mil exemplares editados, mais da metade foi vendida imediatamente. Dissiparam-se as dúvidas: a revista era viável. Dever-se-ia iniciar a tiragem periódica. Tudo ficou para ser resolvido na primeira reunião de 1986, da Junta de Custódios com seus comitês em Baependi.
Com o sucesso, como sempre acontece, vieram também, as críticas.
A revista divulgou erradamente a data da Convenção Nacional a realizar-se em João Pessoa, naquele ano de 1986; publicou a foto de uma igreja dizendo ser da Paraíba, mas que, de fato, não era; publicou também uma matéria de Al-Anon sem autorização daquela Irmandade; publicou uma fotografia de alguém que nada tinha a ver com a Irmandade. Aragão, em sua defesa, justificou e desculpou-se de todos os erros.
A Junta reuniu-se em sessão fechada para escolher o direto da revista. Todos esperavam a nomeação de Aragão, até ali o único a assumir todos os riscos e responsabilidades pela revista. Só os membros da Junta sabem o que aconteceu naquela reunião. Voltando a plenário, a Junta anunciou: o diretor da revista seria o companheiro Chaves, Custódio Classe B (Alcoólico), residente em Brasília.
Vivência em Brasília – pág, 7 – edição de 1 a 13

Mudou-se o nome de Revista Brasileira de A.A. para Vivência e diminui-lhe o tamanho. A orientação editorial da Vivência era levar a mensagem de A.A. para os profissionais e para o público em geral. Inicialmente, a Revista era editada em Brasília e distribuída pelo ESG. Logo com o número dois aconteceu um acidente. Uma das caixas que levava a revista de Brasília para São Paulo extraviou-se no caminho. O seguro pagou o prejuízo em dinheiro, mas o número dois da revista ou o que dele sobrou esgotou-se rapidamente transformando aquela edição em verdadeira raridade bibliográfica. Posteriormente, a revista passou a ser produzida e distribuída em Brasília.
Vivência ficou em Brasília até 1990. Ali foram editados treze números, todos da melhor qualidade dentro daquele enfoque editorial: a Revista era feita não para os membros de A.A., mas para as pessoas de fora da Irmandade. Em outubro de 1990, a Junta resolveu passar a direção da Revista ao companheiro Carvalho, de Fortaleza.

Vivência em Fortaleza – pág. 8 – edição de 14 a 24

Os companheiros de Fortaleza, inicialmente Carvalho, Alexandre e Gil editaram a edição de nº 14. Nessa época havia cerca de três mil assinantes. Era o número aproximado da revistas distribuídas a assinantes. O ESG colocou quinhentos cruzeiros à disposição da Revista. Foi utilizada apenas a metade. A despesa com a produção da Vivência nº 14 foi de quatrocentos e oitenta cruzeiros. O restante saiu de novas assinaturas e de contribuições pessoais de companheiros. Posteriormente, a Revista pagou a dívida ao ESG e ainda contribuiu, mesmo modestamente, para ajudar nas despesas do escritório.
Mudou-se o enfoque editorial da Revista. A publicação passou a ser feita pelos companheiros de A.A., para os companheiros de A.A. Cada edição trazia um artigo de um profissional da medicina. Esse trabalho não era difícil porque a tiragem da revista era trimestral. Assim, tinha-se de conseguir um artigo de médico a cada três meses.
Na Conferência de 1993, a Junta de Custódios nomeou nova direção para a Vivência. À frente, o companheiro Antonio. Havia circulado o número 23. A Junta pediu aos antigos dirigentes para editarem mais uma revista: o número 24. Isso foi feito e aquela edição circulou em junho. Foi a última feita em Fortaleza. Vivência transferia-se para sua morada definitiva em São Paulo.
Publicado o número 24, o acervo da Revista foi encaminhado para São Paulo. Foram dezesseis caixas de papéis; matérias para publicação, blocos de recibos de assinantes, revistas antigas, talões antigos de assinaturas, pastas de correspondências recebidas e expedidas. Uma papelada incrível. O telefone adquirido para a Revista durante sua estada em Fortaleza foi vendido, assim como os móveis e o dinheiro transferido para o ESG. E assim terminou essa aventura de Vivência no Ceará, deixando-nos muito honrados e saudosos.
Correríamos o risco de ser omisso se tentássemos agradecer a todas as pessoas que nos ajudaram durante nosso período à frente de Vivência. O apoio, o acatamento, o incentivo vieram do Brasil inteiro, de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Chegamos às seis mil assinaturas. As vendas avulsas se multiplicaram. Jamais conseguimos publicar todas as matérias que nos foram enviadas. Lançamos os RVs, uma idéia que julgamos boa.
Mas mesmo correndo o risco da omissão, gostaríamos de agradecer especialmente à Junta de Custódios que funcionou durante o período em que Vivência esteve em Fortaleza, da qual nunca recebemos uma censura, embora reconheçamos que às vezes, merecíamo-la, e que nos apoiou, sem reservas, o tempo todo. Nossa imorredoura gratidão. A segunda menção de agradecimento vai à Área de Rondônia, campeã absoluta de assinaturas por grupo naquele período. (Carvalho, Ceará)

Vivência chega a São Paulo – pág. 9 – Edição nº 25 a 35

O último período em que a Vivência ainda contava com diretoria própria.

A Vivência, vinda de Fortaleza, foi recebida em São Paulo por uma nova diretoria composta pelos companheiros Antonio F.; A. Barão; Mario S. e Sebastião A. O primeiro número editado no ESG foi o 25. Nessa edição podemos ler no editorial: O presente número traz algumas alterações diante das edições anteriores; no formato (aprovado na ultima reunião da JUNAAB), na escolha de texto (ao invés de adotar um único texto abrangente em cada número da revista, escolhemos um variado número de depoimentos de diversos companheiros, embora sinalizamos pela linha mestra de nossa revista – dar ênfase, também, às realizações de nossos organismos de serviços, na divulgação dos eventos nacionais). Diz-se que todo desconhecido causa temor. Nós, principiantes nesse trabalho dentro da Irmandade, reconhecemos que muito temos a aprender, também em termos de editar uma revista, mas dispomos de muita humildade para aceitar as críticas, sugestões e ajuda de todos os nossos companheiros para termos o mesmo êxito que tiveram aqueles que nos antecederam.”
Já na edição de número 27, lançada em janeiro de 1994, a Revista passou a ser bimestral, atendendo a pedidos de leitores e preocupando-se com o “esquecimento” que as edições trimestrais causavam aos assinantes.
Nesse período, até a edição de número 29, a revista Vivência deu muita ênfase aos eventos de A.A., inclusive dedicando suas capas a cada grande acontecimento da Irmandade. Além disso, a diagramação era composta basicamente por textos, sem muito recursos gráficos.
A edição de número 32 contou com inovações sutis, haja vista a mudança na diagramação, agora sob a responsabilidade dos diagramadores que até hoje trabalham para a Vivência. Esse projeto gráfico destacava mais as matérias, visando facilitar a leitura.
Essa diretoria compôs onze números da Revista, dos quais o último (de maio/junho de 1995) já estava, esteticamente, bem próximo da Vivência dos dias de hoje. Seguindo sua história, a edição de número 36 já passou a ser editada pelo Comitê de Publicações Periódicas, baseando-se numa ação da Conferência de Serviços Gerais de 1995 (CPP).

Edição Especial nº 63 – págs. 6,7,8 e 9

Alguns Procedimentos Editoriais

Como é editada a revista Vivência?

Critérios para a publicação de artigos

O CPP publica artigos considerados significativos do ponto de vista dos nossos Passos, Tradições e Conceitos, à luz dos Legados de Recuperação, Unidade e Serviço, desde que relatem experiências pessoais de membros da Irmandade e sejam escritas de membros da Irmandade e sejam escritas na linguagem do coração (na primeira pessoal do singular).
Também selecionamos artigos de profissionais amigos de A.A. que expressem pontos de vista de seus autores sobre o nosso Programa de Recuperação, ou compartilhem experiências de cooperação em suas respectivas áreas.
Eventualmente, quando necessário ou conforme os temas da edição, veiculamos artigos assinados pelo ESG ou por algum de seus Comitês Auxiliares.
A cada edição selecionamos três ou quatro artigos de Grapevine, La Viña, Share, El Triângulo e revistas de A.A. de outros países, providenciando a tradução. Cuidamos para que cada Revista traga a maior variedade possível quanto à procedência geográfica das contribuições financeiras.
Quando resta qualquer dúvida sobre um artigo ser publicável ou não, por mais remota ou leve que possa nos parecer uma eventual conseqüência negativa da sua publicação, optamos pela não publicação.
Aqui vale um comentário. Recebemos cerca de 60 artigos por mês. Vários são cartas pessoais, poesias, orações. Atualmente, não publicamos esse material. Outros são artigos que nos parecem “professorais”, ou seja, o autor fala muito sobre algum assunto e pouco ou nada sobre a sua vivência nesse assunto. Também chegam artigos que a princípio são publicáveis, mas identificam pessoas ou parecem dirigidos, como se fossem “recados”, e por isso não os publicamos. Além disso, há muitas matérias que podem causar controvérsia pública ou problemas de Unidade, entre grupos ou na Irmandade como um todo. Procuramos ser cuidadoso na aplicação dos critérios de publicação, também porque a Vivência é lida por muitos não-AAs.
O editorial redigido pelo CPP tem girado em torno do seguinte conteúdo: uma breve reflexão sobre o tema da edição, o destaque para um ou dois artigos, informações sobre as principais seções e, eventualmente, sobre o CPP, os assinantes ou a circulação da Revista. Também comentamos alguma novidade de Vivência (novas seções, avisos importantes, etc).

Quanto ao formato e projeto editorial

Vivência é uma revista bimestral em formato meio-ofício e um mini-pôster encartado. Tem seguido para os assinantes envoltos em papel pardo, para o resguardo do anonimato pessoal. Suas seções fixas têm sido as seguintes:
 Miniseção (2 ou 3 artigos sobre um outro tema; eventualmente, um trecho de nossa literatura
 Nossos Grupos (5 fotos de grupos enviadas ao CPP e selecionadas por ordem de chegada, resguardada a Tradição do Anonimato)
 Resumindo… (3 a 5 pequenos depoimentos, que sozinhos não ocupariam nem meia página, são aproveitados nesta seção)
 Você já leu? Resenha de 2 itens da nossa literatura, com a reprodução das capas)
 Re-Vivência (republicação de 1 artigo considerado muito significativo)
 Precisa-se (pedido de artigos e informações sobre como/quando o que escrever)
 COC ( O Comitê Organizador da Convenção – atualmente da Bahia – nos envia essa página já pronta)
 A.A. On Line (artigo sobre A.A. na Internet)
 Não se leve muito a Sério (o nome já diz tudo: é para o leitor relaxa)
 Cartas (3 a 5 cartas dos leitores para a Revista)
 Painel (notícias curtas sobre o cotidiano da Irmandade, aqui e no mundo)
 Eventos (uma agenda dos acontecimentos da Irmandade)
 Nossos Grupos (endereços das CENSAAs e ISAAs do Brasil)
 Tema para Discussão no Grupo (sugestão de reflexão para ser aproveitada em nossas reuniões)
 Vitor E. (charge da Grapevine, cujo personagem sempre escapa do primeiro gole)

Como se dá a edição?

Com servidores que nem sempre têm experiência nessa área, editar uma revista bimestralmente torna-se um desafio. Por isso, é certo que um Poder Superior tem nos ajudado a cumprir os prazos de expedição, ora com folga, ora com atropelos. O que chamamos de processo de edição da Vivência inicia-se com o recebimento de artigos, respondidos um a um, e depois lidos e triados. Fazemos a primeira revisão dos artigos publicáveis no próprio CPP. Quando vamos fechar uma edição, já temos os artigos separados. Aí já fica mais fácil. Lemos novamente cada matéria (de preferência em duas pessoas), atentamos para o português, fazemos o lead, selecionamos uma frase do próprio artigo para a janela e uma foto ou desenho para cada artigo e adequamos o título. Com certo número de artigos assim preparados e postos em seqüência, compomos a revista através de um diagrama de páginas. Está tudo pronto para a editoração eletrônica, atualmente feita pelo Mirandinha e pela Kátia, que são profissionais terceirizados.
A bola, ou melhor, o material fica com eles por cerca de dez dias e quando retorna já tem a cara da revista Vivência. Nosso trabalho agora é reler todo o material (também em duas pessoas) à procura de falhas. Nesta fase, por alguma necessidade, eventualmente ainda incluímos e excluímos matérias (o que não é muito bom para o diagramador e nem para nós, pois significa mais trabalho).
A prova retorna então aos diagramadores para que sejam feitas as correções necessárias e para incluir o que faltou na primeira revisão (as seções preparadas na última hora da edição: Painel, Eventos, Endereços, Sumário, Editorial). E eles então nos devolvem essa prova completa, para a segunda revisão.
Agora fica mais fácil. Conferimos se todas as correções e mudanças foram feitas e devolvemos a bola, com os eventuais ajustes finais.
Quando voltamos a pôr os olhos na Revista, ela já passou pela revisão técnica da Kátia e as páginas já estão impressas em filmes, que são enviados para impressão em gráfica comercial.
Depois de alguns dias, revisamos uma prova heliográfica (um modelo da Revista já impressa) que a gráfica nos manda. Se aprovarmos, a Revista estará impressa em poucos dias.
Quando a edição chega ao ESG, em pacotes, separamos 50 exemplares aleatoriamente e verificamos se não há páginas em branco ou outros problemas de impressão. Tudo ok, falta só a expedição aos assinantes – um trabalho feito pelos funcionários do ESG.

Edição Especial 63 – pág. 16

Alguns Procedimentos Editoriais

Como é editada a revista Vivência?

Critérios para a publicação de artigos

O CPP publica artigos considerados significativos do ponto de vista dos nossos Passos, Tradições e Conceitos, à luz dos Legados de Recuperação, Unidade e Serviço, desde que relatem experiências pessoais de membros da Irmandade e sejam escritas de membros da Irmandade e sejam escritas na linguagem do coração (na primeira pessoal do singular).
Também selecionamos artigos de profissionais amigos de A.A. que expressem pontos de vista de seus autores sobre o nosso Programa de Recuperação, ou compartilhem experiências de cooperação em suas respectivas áreas.
Eventualmente, quando necessário ou conforme os temas da edição, veiculamos artigos assinados pelo ESG ou por algum de seus Comitês Auxiliares.
A cada edição selecionamos três ou quatro artigos de Grapevine, La Viña, Share, El Triângulo e revistas de A.A. de outros países, providenciando a tradução. Cuidamos para que cada Revista traga a maior variedade possível quanto à procedência geográfica das contribuições financeiras.
Quando resta qualquer dúvida sobre um artigo ser publicável ou não, por mais remota ou leve que possa nos parecer uma eventual conseqüência negativa da sua publicação, optamos pela não publicação.
Aqui vale um comentário. Recebemos cerca de 60 artigos por mês. Vários são cartas pessoais, poesias, orações. Atualmente, não publicamos esse material. Outros são artigos que nos parecem “professorais”, ou seja, o autor fala muito sobre algum assunto e pouco ou nada sobre a sua vivência nesse assunto. Também chegam artigos que a princípio são publicáveis, mas identificam pessoas ou parecem dirigidos, como se fossem “recados”, e por isso não os publicamos. Além disso, há muitas matérias que podem causar controvérsia pública ou problemas de Unidade, entre grupos ou na Irmandade como um todo. Procuramos ser cuidadoso na aplicação dos critérios de publicação, também porque a Vivência é lida por muitos não-AAs.
O editorial redigido pelo CPP tem girado em torno do seguinte conteúdo: uma breve reflexão sobre o tema da edição, o destaque para um ou dois artigos, informações sobre as principais seções e, eventualmente, sobre o CPP, os assinantes ou a circulação da Revista. Também comentamos alguma novidade de Vivência (novas seções, avisos importantes, etc).

Quanto ao formato e projeto editorial

Vivência é uma revista bimestral em formato meio-ofício e um mini-pôster encartado. Tem seguido para os assinantes envoltos em papel pardo, para o resguardo do anonimato pessoal. Suas seções fixas têm sido as seguintes:
 Miniseção (2 ou 3 artigos sobre um outro tema; eventualmente, um trecho de nossa literatura
 Nossos Grupos (5 fotos de grupos enviadas ao CPP e selecionadas por ordem de chegada, resguardada a Tradição do Anonimato)
 Resumindo… (3 a 5 pequenos depoimentos, que sozinhos não ocupariam nem meia página, são aproveitados nesta seção)
 Você já leu? Resenha de 2 itens da nossa literatura, com a reprodução das capas)
 Re-Vivência (republicação de 1 artigo considerado muito significativo)
 Precisa-se (pedido de artigos e informações sobre como/quando o que escrever)
 COC ( O Comitê Organizador da Convenção – atualmente da Bahia – nos envia essa página já pronta)
 A.A. On Line (artigo sobre A.A. na Internet)
 Não se leve muito a Sério (o nome já diz tudo: é para o leitor relaxa)
 Cartas (3 a 5 cartas dos leitores para a Revista)
 Painel (notícias curtas sobre o cotidiano da Irmandade, aqui e no mundo)
 Eventos (uma agenda dos acontecimentos da Irmandade)
 Nossos Grupos (endereços das CENSAAs e ISAAs do Brasil)
 Tema para Discussão no Grupo (sugestão de reflexão para ser aproveitada em nossas reuniões)
 Vitor E. (charge da Grapevine, cujo personagem sempre escapa do primeiro gole)

Como se dá a edição?

Com servidores que nem sempre têm experiência nessa área, editar uma revista bimestralmente torna-se um desafio. Por isso, é certo que um Poder Superior tem nos ajudado a cumprir os prazos de expedição, ora com folga, ora com atropelos. O que chamamos de processo de edição da Vivência inicia-se com o recebimento de artigos, respondidos um a um, e depois lidos e triados. Fazemos a primeira revisão dos artigos publicáveis no próprio CPP. Quando vamos fechar uma edição, já temos os artigos separados. Aí já fica mais fácil. Lemos novamente cada matéria (de preferência em duas pessoas), atentamos para o português, fazemos o lead, selecionamos uma frase do próprio artigo para a janela e uma foto ou desenho para cada artigo e adequamos o título. Com certo número de artigos assim preparados e postos em seqüência, compomos a revista através de um diagrama de páginas. Está tudo pronto para a editoração eletrônica, atualmente feita pelo Mirandinha e pela Kátia, que são profissionais terceirizados.
A bola, ou melhor, o material fica com eles por cerca de dez dias e quando retorna já tem a cara da revista Vivência. Nosso trabalho agora é reler todo o material (também em duas pessoas) à procura de falhas. Nesta fase, por alguma necessidade, eventualmente ainda incluímos e excluímos matérias (o que não é muito bom para o diagramador e nem para nós, pois significa mais trabalho).
A prova retorna então aos diagramadores para que sejam feitas as correções necessárias e para incluir o que faltou na primeira revisão (as seções preparadas na última hora da edição: Painel, Eventos, Endereços, Sumário, Editorial). E eles então nos devolvem essa prova completa, para a segunda revisão.
Agora fica mais fácil. Conferimos se todas as correções e mudanças foram feitas e devolvemos a bola, com os eventuais ajustes finais.
Quando voltamos a pôr os olhos na Revista, ela já passou pela revisão técnica da Kátia e as páginas já estão impressas em filmes, que são enviados para impressão em gráfica comercial.
Depois de alguns dias, revisamos uma prova heliográfica (um modelo da Revista já impressa) que a gráfica nos manda. Se aprovarmos, a Revista estará impressa em poucos dias.
Quando a edição chega ao ESG, em pacotes, separamos 50 exemplares aleatoriamente e verificamos se não há páginas em branco ou outros problemas de impressão. Tudo ok, falta só a expedição aos assinantes – um trabalho feito pelos funcionários do ESG.

Edição Especial 63 – pág. 16

Aprendendo com a Vivência

Como trabalhamos hoje, para que a Vivência seja editada.

Em abril de 1996, o Comitê de Publicações Periódicas passou a ser coordenado pelo Companheiro Vagner, já bem apadrinhado pela José Roberto, além do companheiro Sebastião A. Ao longo desses quase três anos, o CPP recebeu a companheira Eliane G., que já conhecia a área editorial, e nos dias de hoje conta com o serviço do Marcelo e da Marlene, ambos nossos companheiros. Além desse pessoal, contamos com a Graça, que traduz textos com prontidão e competência, e com o França, que é fotógrafo.
No início do CPP, em 1995, após a última revisão do Manual de Serviços, o Comitê tratava apenas da edição da Revista, além de contato com leitores, CEVs e RVs. A distribuição da Vivência e os contatos com os assinantes ficavam por conta do Escritório de Serviços Gerais. É fato que naquela época havia problemas com a distribuição da Revista. Assim, o Comitê, além da edição, começou a controlar sistematicamente a distribuição aos assinantes, bem como todos os dados relativos a Vivência: quantidade de assinantes ativos, inativos, RVs, estoques, reclamações. Com o tempo, as falhas de distribuição reduziram-se a níveis aceitáveis.
A qualidade editorial da Revista, retrato da qualidade dos artigos encaminhados à redação, foi melhorando. Continuamos a publicação de artigos que retratavam experiências pessoais, além de matérias de profissionais conhecedores e amigos do nosso programa. Isso causou uma mudança em sua linha editorial, que paulatinamente passou a mostrar experiências vividas, ao invés de discussões e opiniões acerca de nosso Programa. Porém, perdemos de vista a finalidade maior da publicação: apresentar o Programa de A.A. Acreditamos que esse foi um dos dois motivos do aumento substancial no número de assinantes ativos da Vivência.
Outra possível explicação para que a Vivência fosse assinada por mias e mais pessoas, é a entusiasmada atuação dos Coordenadores Estaduais e Representantes da Vivência dos grupos. Com a manutenção diária do ingresso de assinantes, logo constatamos o crescimento da quantidade de assinaturas nas Áreas, sobretudo naquelas cujos CEVs atuam com maior dinamismo.
Hoje, o número de assinantes ativos gira em torno dos oito mil. Não foi fácil atingir essa marca, nem é fácil mantê-la. O sistema de renovação de assinaturas baseia-se no envio de correspondências a todos os leitores cujas assinaturas serão vencidas nos próximos dois meses. Quando não acusamos renovação, destinamos outra correspondência juntamente com o último exemplar a que o assinante tem direito. Se ainda assim a renovação não é efetuada, o assinante recebe uma carta cerca de dois meses após o vencimento. Finalmente, no término de cada ano temos lembrado a todos os assinantes que se tornaram inativos nesse período, que ainda podem renovar a sua assinatura.
Mensalmente recebemos em média quinhentas assinaturas novas. Nossos assinantes estão espalhados por todo o Brasil e também por outros países, como Argentina, Estados Unidos, Japão, Itália, Portugal e Angola.
Também temos nos ocupado com a divulgação da Vivência. Sabemos que a maior parte desse serviço é feita pelos RVs e CEVs. Atualmente estamos com 24 Coordenadores Estaduais da Vivência e aproximadamente novecentos RVs cadastrados. No entanto, sabemos que esse número não está correto e por isso estamos providenciando um recadastramento urgente.
Além disso, temos buscado outros meios de divulgá-la. Um exemplo recente é o dos marcadores de páginas, com motivos da Vivência, que estão à disposição da Irmandade.
Com relação à edição, no início a idéia era apenas continuar o atraente trabalho desenvolvido até ali. Portanto, os temas de capa foram mantidos e todas as seções fixas também. Mas, como às vezes “o bom é inimigo do melhor•, vieram algumas modificações”.
Com o tempo, notamos que a quantidade de artigos recebidos tendia a diminuir. Então adotamos a sugestão de veicular pedido de artigos em todas as edições. Além disso, passamos a informar os temas para o ano todo, sempre no mês de setembro do ano anterior. As medidas mostraram-se acertadas. Vimos que mais artigos passaram a chegar a cada mês. Vale dizer, também, que os critérios para a escolha de temas (sugeridos pro assinantes e servidores de A.A.) são eventuais necessidades da Irmandade e a facilidade para os leitores escreverem sobre eles.
As capas da Vivência têm sido definidas no início de cada ano, depois de termos escolhidos os temas de cada edição. Temos buscado mesclar imagens gráficas, desenhos e fotografias. Para o próximo ano, estamos pensando em criar pequeno texto, no sumário da revista, comentando as imagens de cada capa.

Vagner

Edição Especial nº 63 – pág, 14 – (edições 47 a 63)

Nossa Grande Reunião Brasileira

 “Não um manual. Jamais uma aula. Apenas o de sempre: nossas experiências pessoais, depoimentos a respeito do tema. Vocês fazendo a revista, na nossa tão conhecida e eficaz Linguagem do Coração.” (Trecho do Editorial da revista nº 38)

Cheguei cedo ao ESG naquele dia, antes das oito. Passei na copa, pedi uma garrafa
térmica com café e água gelada, fui atrás do Sebastião, entrei numa sala e sentei-me. Olhei em volta. Eu estava na sala de Vivência. Sentado na cadeira do coordenador da Vivência. Com os cotovelos na mesa do coordenador da Vivência.
Cara, eu era o coordenador da Vivência! De alto a baixo, correu-me um frio pela espinha. Tinha chegado a hora. A reunião da Junta havia acabado no domingo. No sábado, entrei na sala meio atrasado, com a reunião da JUNAAB já em andamento. Mal fechando a porta, foram logo anunciando: “Acabou de chegar o novo coordenador da Vivência”. A minha vontade naquela hora foi voltar para casa e me enfiar debaixo da cama. Será que eu tinha entendido mal? Na semana anterior, havia sido sondado para ser apenas um membro do Comitê que editava a revista. Consegui sentar-me e esboçar um sorriso meio assustado. Passei a reunião todo apreensivo, mas já fazendo alguns planos. Lembrei-me de uma das grandes lições que o Dr. Bob nos legou. Ele sempre dizia: “Sou apenas um instrumento de Deus”. Nessa época, ainda não era tão ligado com Deus como sou hoje, mas a lembrança me consolou muito, tirou parte do peso que sentia nos ombros e evitou que o encargo me subisse à cabeça. “Preciso ser apenas um instrumento”, pensei.
Passei aqueles primeiros dias mergulhado num mar de papéis. Lembro-me de que o maior trabalho, no começo, foi separar, com segurança, todo o material que já havia sido publicado. Fechamos tudo num arquivo com prazos para expurgo. Só então comecei a ler tudo o que ali havia. À medida que ia lendo, fui separando, numa pilha, o que poderia ser publicado. Eu tinha uma razoável experiência com textos, mas o que pesou mesmo nesse “o que poderia ser publicado” foi a minha experiência de alguns anos de A.A. Em nenhum momento tive dúvidas sobre qual deveria ser a linha editorial da revista Vivência. Nunca poderia ser uma publicação técnica. Porque nos só temos uma linguagem em A.A., um só jeito de nos expressarmos. É a Linguagem do Coração. O que eu falo de mim numa reunião sai do meu coração e entra direto no coração dos outros. O que os outros falam de si mesmos entra direto no meu. Os nossos livros, livretes, folhetos, fitas, vídeos são assim. Lembra-se daquela fita cassete com temáticas sobre os Doze Passos? Por que fez tanto sucesso? Porque ali ninguém dá aula, cada um fala só de si, direto, direto, de coração para coração. É assim que nós compartilharmos, que nós nos recuperamos da grave doença do alcoolismo, é assim desde que A.A. só tinha dois membros, Bill e Bob.
A revista não poderia ser diferente. A linha editorial dela tinha que ser a Linguagem do Coração. Ela ia ser uma “reunião impressa”. Lembram-se do editorial da revista nº 37, na parte final? Dizia: … A Vivência de outubro. A Vivência da primavera. A Vivência de sempre. A sua revista. “A nossa grande reunião brasileira”.
Começamos em dois o Comitê naquele período. O Sebastião, gráfico de profissão, e eu. Íamos editar a revista a partir da edição de número 36. Era muito pouca gente para trabalhar, mas nos dois anos que se seguiram o número aumentou somente para três. A verdade é que, para trabalhar com a edição da revista, não bastava boa vontade, tinha que ser do ramo.
Dois mês antes dessa época chegou ao ESG à noite num dia de semana e havia um movimento fora do normal. Fui logo informado de que a TV Bandeirantes iria entrevistar um companheiro sobre alcoolismo entre os jovens. Era um companheiro experiente, mas novo de idade, vinte e poucos anos. Eu não o conhecia, mas veio o Ércio, me puxou pelo braço, dizendo: “Vamos lá dentro, dar uma força para o garoto, para ele não ficar nervoso”. A entrevista aconteceu, foi ótima, no estilo de A.A., claro, o companheiro com o rosto nas sombras. Lembro-me de ter pensado naquela noite: “Se esse rapaz escreve tão bem quanto fala, seria um ótimo servidor para a Vivência”.
Ao final daquele primeiro dia de trabalho, liguei para ele e pedi um artigo. Dois dias depois, almoçamos juntos. Numa passada de olhos pelo artigo, deu para ver que ele era do ramo. Falei: “Vagner, você que prestar serviços na revista? Salário zero, muita dor de cabeça, uma trabalheira, mas muita sobriedade, também” Ele respondeu: “Quero”, e está lá até hoje.
A revista precisava de uma marca, uma identificação, de forma a que cada número se diferenciasse do outro e ficasse na lembrança do leitor. O que poderia ser?
Tema, claro. Os periódicos de grande circulação têm um assunto principal, as boas revistas de A.A. de outros países tinham temas. Consultamos alguns mentores, em especial o Carvalho, que já tinha tido alguma experiência com temas no seu período da Revista no Ceará. Todos foram unânimes a respeito. Hoje em dia, fica até difícil imaginar a Vivência sem um tema.
Outra coisa que também pegou para valer foi a foto da página central. Foi criada para dar um descanso ao leitor no meio da revista. Idéia do Gaspar, na época diretor administrativo, mas que em sua vida particular fazia filmagens e era muito criativo. Não resisti e comecei a colocar também pequenas frases ao lado das fotos para, além do descanso, proporcionar um momento de reflexão. “Daquele tempo, a página central que mais repercutiu foi da Vivência nº 38, com uma foto meio maluca e a frase: A recaída não começa no primeiro gole, ela termina no primeiro gole”.
Queríamos muitas fotos e ilustrações. Logo, porém, uma dura descoberta. Nada podia ser reproduzido ou copiado, tudo tinha direito autoral, desenhos ou fotos, tudo era pago ou alugado. Tivemos que ir atrás de desenhistas e organizar arquivo próprio de fotos.
As capas eram uma fonte permanente de preocupação. Elas precisavam transmitir, quase sem palavras, só com imagens, como seria aquela edição. Após muita conversa, optamos por fotos. Não me esqueço de uma noite no ESG, o Gaspar meio misterioso, com um pacotinho debaixo do braço, me chamou para uma salinha e distribuiu quase vinte fotos sobre a mesa. “Pode escolher a capa”. Era a nossa estréia, a edição nº 36, o tema Apadrinhamento. As fotos haviam sido tiradas numa Praça em Santos e levara uma tarde inteira. Acabamos ficando com aquela com a flor vermelha em relevo, lembra-se?
A capa que mais gostei foi da edição com o tema “A Mulher”. A foto original foi tirada no Parque do Ibirapuera e o quadro que o modelo aparece pintando está até hoje na sala da Vivência, no ESG.
Lembro-me também de uma reunião decisiva com o Mirandinha, responsável pela diagramação e arte final. O nome dele é Jorge Custódio, todo mundo o chama de Mirandinha, inclusive a mulher, até hoje não sei por quê. É um profissional pago, não AA. Trabalham ele e a esposa, Kátia, ela ótima em português. Tinha ouvido falar muito bem deles. Ficamos algumas horas trocando idéias sobre como deveria ser a revista. Folheamos junta a revista “Saúde”, as “Seleções”, revistas de A.A. de outros países. Combinamos de introduzir recursos como “lead” e janela, ou olho, usados para atrair o leitor ao texto. O “lead” é aquele texto curto, geralmente em itálico, logo abaixo do título. A janela é aquele quadradinho com uma frase no meio do texto. Observe jornais e outras revistas.
O fato é que essa parceria deu muito certo. As mudanças, introduzidas a partir da revista nº 36, foram muito bem recebidas pela Irmandade.
Assistimos também, nesse período, ao aparecimento dos primeiros CEVs, os Coordenadores Estaduais da Vivência, um encargo que tem tudo para se tornar o grande elo entre os assinantes, os RVs e o Comitê da Revista.
Foram dois anos nesse Comitê. Fechamos nosso ciclo com a edição da Vivência nº 46, aquela colorida, especial para o cinqüentenário de A.A. no Brasil, em 1977. Ficamos num estande muito bem montado na Convenção do Rio de Janeiro e a atração principal, sem dúvida, foi a edição colorida. Foi emocionante ver as filas de companheiros, mesmo assinantes, para levar a Revista. Se você não se lembra, ela contém a história completa de A.A. em nosso País. Trata-se de um trabalho fantástico feito por um companheiro, que levou muitos dias (e noites) pesquisando papéis, cartas, documentos e caixas e mais caixas no ESG.
Dois anos se passaram. O fato é que, num determinado dia de 1996, lá estava eu novamente. Sentado na cadeira do coordenador da Vivência, com os cotovelos na mesa do coordenador da Vivência. Só que eu não era mais o coordenador da Vivência.
Levantei-me, dei um forte abraço em todo mundo, devolvi a garrafa térmica e a água gelada e fui embora, para minha cidade do interior, para meu pequeno grupo de A.A.
O que eu ia fazer agora? Pensei em me tornar um velho resmungão, a reunião toda pigarreando no fundo da sala. Mas não, pensei, nem sou assim tão velho. Eu ia era me candidatar a alguma coisa, desde que não fosse o tesoureiro, claro, isso era uma velha promessa.
Hoje sou tesoureiro do pequeno grupo no qual freqüento.

José Roberto
Edição Especial nº 63 – pág. 10
( período da edição nº 36 a 46)

Atenção, assinantes da Vivência

Gostaríamos de lembrá-lo (a) de alguns detalhes essenciais para que continue recebendo os exemplares correspondentes à sua assinatura:

1. Se você mudar de endereço, não deixe de nos avisar, por telefone, fax, carta ou e-mail;
2. Ao fazer ou renovar sua assinatura, verifique se o endereço está completo, pois temos recebido cupons sem o “número” da rua ou avenida;
3. Quando for o caso e nos enviar o depósito bancário que você fez, como comprovante da assinatura, nunca envie o original: tire uma cópia para nós e guarde o original.

Esses cuidados permitem que você possa receber fresquinha, cada
Edição fresquinha! Por eles, nós do CPP lhe agradecemos.

Partilhando um privilégio

 Nos idos de 1979, um AA brasileiro escreveu uma carta para Lois, a esposa de Bill W. e co-fundadora da Irmandade Al-Anon. A resposta de Lois veio um mês depois. Publicamos ambas as cartas, que o companheiro nos enviou como colaboração.

Rio de Janeiro, 26 de dezembro de 1979.

Querida Lois:

Você não pode imaginar a minha satisfação por estar-lhe escrevendo. Definitivamente, trata-se de um privilégio contatar a figura histórica que é a esposa do inesquecível Bill, um dos dois homens usados por Deus como Suas ferramentas na criação e construção de Alcoólicos Anônimos.
Não tenho como não registrar a minha gratidão por tudo o que você fez por Bill durante o longo tempo de seu alcoolismo ativo, como também pelo muito que você deu de si após a fundação de nossa Irmandade. Você é uma mulher fantástica e sou grato a Deus porque você nasceu. Poucos sabem, não fosse você e talvez A.A. nem existisse.
Sou também muito agradecido a Deus pela vida de Bill, Bob e Anne. O Deus vivo conhece bem àqueles a quem Ele escolhe para realizar suas tarefas.
Quando cheguei a Alcoólicos Anônimos, Bill já havia falecido. O Senhor já o havia levado para a morada celestial. Tenho a esperança de que um dia seremos vizinhos na Casa do Senhor.
Quero aproveitar a oportunidade para perguntar se Bill recebia ficha quando celebravam seus aniversários de sobriedade. Ele ficava eufórico? Como era o comportamento dele?
E quanto a você, amava-o muito?
Creia, ficarei imensamente feliz se puder responder a esta carta.
Peço desculpas por estar incomodando; não pude resistir à tentação de escrever.
Com votos de felicidade e antecipadamente agradecido.

Edison H.

São Paulo, 29 de janeiro de 1980.

Querido Edison:

Grata por sua carta de 26 de dezembro, a qual li com grande prazer.
Eu fiquei com Bill por meu bem-estar e também porque o amava. Sem ele iria sentir-me muito infeliz.
Em muitas partes dos Estados Unidos, as fichas não são entregues em aniversários, os quais celebram-se com bolos e uma festa depois das reuniões.
No caso de Bill, os primeiros grupos realizavam anualmente uma grande festa, vindo gente de todas as partes e isso acontecia em outubro ou novembro. Bilhetes eram vendidos. Às vezes Bill não lembrava quando tomara seu último gole. Pessoalmente, ele nunca deu muita atenção à passagem de seu aniversário. Para ele o mais importante era manter-se sóbrio hoje. Isso lhe era suficiente. Bill lutava muito para obter a humildade verdadeira.
Você já leu os livros que ele escreveu? Através desses livros você poderá formar um retrato de Bill, o homem. Além do livro “Alcoólicos Anônimos”, ele escreveu “Os Doze Passos”, “As Doze Tradições” e “A.A. Atinge a Maioridade”. Existe uma compilação dos escritos de Bill no livro intitulado “Na Opinião do Bill”. Este último é esplendido e o leio sempre que posso.
Você escreve em inglês muito bem. Você é um americano vivendo no Brasil? Ou um brasileiro que aprendeu um inglês perfeito?
Eu também escrevi um livro chamado “Memórias de Lois”, que fala muito sobre Bill e o início de A.A.
Tudo de bom para você e escreva outra vez.
Com gratidão,

Lois

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AMOR

UMA HISTÓRIA DE AMOR
Eu vivo uma verdadeira história de amor com A. A.
Incrível como em A. A. posso viver a palavra de Deus na sua expressão mais ampla, onde os princípios de qualquer religião humana estão presentes.
O reconhecimento de que sem Deus não sou nada, está lá, assumido e vivido.
O amor ao próximo, quando aceito o outro como ele é, não como eu gostaria que fosse, também está lá, no seu lema: viva e deixe viver.
A caridade/partilhada na troca e não na soberba de quem tem muito, dá a quem tem pouco. Mas, por incrível que pareça, o que dou é exatamente a mesma medida do que preciso. Não me esvazio, mas me encho.
A humildade, quando tenho consciência de minhas reais falhas.
Entrei em A.A quase por acaso. Na época, já tinha reconhecido minha incapacidade de beber “socialmente”. Também já sabia que sozinha eu não conseguiria. Que só uma força superior, infinitamente maior do que a minha, poderia me ajudar. Vinha realizando um levantamento das grandes besteiras e estragos que havia feito na minha vida e na vida dos outros. Tentava, na medida do possível e da minha capacidade, fazer os reparos. Mudava de atitudes e comportamentos. Tentava ressignificar meus erros, para que eles não fossem um peso, mas adubo para minha vida. Não queria ficar chorando em cima de mim mesma, com auto piedade, mas, queria sim, ganhar dignidade.
Comecei a trabalhar os meus defeitos de caráter e a fazer o meu inventário pessoal e, consequentemente, as devidas reparações às pessoas que havia magoado e prejudicado.
E minhas mudanças de comportamento se expressavam nas minhas atitudes em casa, no trabalho e com os amigos.
Foi quando conheci um membro de A. A. que me revelou seu anonimato, presenteou-me com a bibliografia básica da Irmandade e, quase sem querer (ele não sabia do meu problema), me apadrinhou em A. A..
Ao fazer a leitura do Livro Azul, e do Viver Sóbrio me dei conta da minha enfermidade. Decidi conhecer A. A..
Na primeira reunião já me identifiquei com as pessoas, falas e atitudes. Revivi o meu passado de ilusão alcoólica, que eu não queria mais e principalmente sabia o que eu queria viver daqui pra frente.
Fui ficando em A. A., amando e querendo bem; me identificando, me valorizando, me tornando gente “diferente-igual” a todo mundo.
A. A. foi o reconhecimento da vida que eu quero levar, a que grupo eu quero pertencer.
Em A. A. eu me encontrei e encontrei outros que querem viver assim: sóbrios e felizes.
Sou feliz porque faço parte dessa linda irmandade chamada A. A.
Felizes 24 horas de plena sobriedade.
(Fonte: Revista Vivência – 112 – Mar./Abr.2009 – Roberta/Crateú/Orocó/PE)

UM MONUMENTO FEITO DE AMOR
Estive recentemente em Porto Alegre, por ocasião do XVI Seminário da Região Sul de A. A. e envio as impressões que tive a todos os amigos, que não estavam lá, mas que de alguma forma participaram.
No final do livro Dr. Bob e os Bons Veteranos esta escrito: “Dr. Bob foi enterrado exatamente como os outros sujeitos. Próximo a ele está Anne, como esteve durante tantos anos. Além de uma lápide simples, não há nenhum monumento”.
– Nenhum monumento?
Pois eu vi um pedacinho do monumento numa cidade do sul da América do Sul, muito abaixo do trópico de Capricórnio.
Vi um pedacinho do monumento nos companheiros que acompanhavam pela Internet, da Espanha, de Portugal, dos Estados Unidos, do Japão, além do Brasil todo.
Vi um pedacinho do monumento na companheira que, pelas suas 24 horas, atravessou o oceano e foi ajudar um desconhecido nas 24 horas dele, plantando a semente em Angola.
Vi um pedacinho do monumento nos companheiros que têm mais de três décadas de 24 horas, que começaram sem saber direito o que fazer, que erraram e acertaram, que brigaram e acreditaram, que já viram e ouviram de tudo, e estavam lá para provar que funciona.
Vi um pedacinho do monumento nas lágrimas e nos sorrisos partilhados entre os companheiros que se encontraram depois de longa data, nos companheiros que se viram um dia antes, nos companheiros que se conheceram pessoalmente depois de muita conversa virtual, nos companheiros que estavam iniciando a caminhada para sair da dor.
Vi um pedacinho do monumento em cada um dos quase mil companheiros que foram lá, levando suas esperanças, forças e experiências e que depois juntaram tudo numa única imensa e alegre celebração.
O monumento, meu irmão, é muito maior do que se pode enxergar, porque o milagre que se realiza é muito maior do que o milagre que se deseja.
Levei minhas 24 horas.
Grata ao Poder Superior por ser parte deste monumento feito de amor!
Beijo e mais 24 abençoadas horas, ainda numa condição de parva deslumbrada com as benesses de A. A..
(Fonte: Revista Vivência – 113-Mai./Junh.2008-Constance/S.J.dos Pinhais/Paraná)

AMOR
“Na Opinião do Bill”
Companheiro e sócio
“O Dr. Bob foi meu constante companheiro e sócio na grande aventura de A. A.. Como médico e grande criatura humana que era, ele escolheu trabalhar com os outros em sua sublime dedicação a A. A. e alcançou um recorde que, em quantidade e qualidade, ninguém conseguira ultrapassar. Assistido pela incomparável Irmã Ignatia, no St. Thomas Hospital, em Akron, ele – sem receber pagamento – trabalhou clinicamente e auxiliou espiritualmente cinco mil sofredores.
Com todo o esforço e dificuldades do pioneirismo de A. A., nunca houve uma palavra dura entre nós dois. Por isso, posso dizer com toda a gratidão que o crédito foi todo dele.”
Eu me despedi do Dr. Bob sabendo que ele ia se submeter a uma delicada cirurgia. O maravilhoso e antigo sorriso estava em seu rosto, quando me disse quase brincando: “Lembre-se Bill, não deixe que isso se acabe. Mantenha-o simples!” Saí sem conseguir dizer uma palavra. Essa foi a última vez que o vi.
Somos todos adoradores
Descobrimos que de fato tínhamos sido adoradores. Que calafrio nos dava pensar nisso! Não tínhamos, em várias ocasiões, adorado pessoas, sentimentos, coisas, dinheiro e a nós mesmos?
E também, com melhor motivo, não tínhamos contemplado com adoração o pôr-do-sol, o mar ou uma flor? Quem de nós não tinha amado alguma coisa ou alguém? Não foi com isto que foram construídas nossas vidas? Não foram esses sentimentos que, afinal de contas, determinaram o curso de nossa existência?
Era impossível dizer que não éramos capazes de ter fé, amor ou adoração. De uma forma ou de outra, estivemos vivendo pela fé e nada mais.

Detenção diária
Não estamos curados do alcoolismo. O que fazemos, na realidade, é deter a doença do alcoolismo diariamente, o que depende da manutenção de nossa condição espiritual.
Nós, de A. A., obedecemos a princípios espirituais, primeiro porque precisamos e depois porque gostamos do tipo de vida que essa obediência acarreta. O grande sofrimento e o grande amor são os disciplinadores de A. A.; não precisamos de nenhum outro.

Um coração cheio e agradecido
Um exercício que pratico é o de tentar fazer um inventário completo de minhas bênçãos e então aceitar as muitas dádivas que tenho, tanto temporais como espirituais. Aí então tento alcançar um estado de alegre gratidão. Quando essa espécie de gratidão é repetidamente afirmada e ponderada, ela consegue finalmente afastar a tendência natural de me felicitar por qualquer progresso que eu possa ter sido capaz de alcançar em alguns setores da vida.
Tento me convencer de que um coração cheio e agradecido não pode abrigar nenhum orgulho. Quando cheio de gratidão, o coração por certo só pode dar amor, a mais bela emoção que jamais podemos sentir.

“Solitários” – mas não sozinhos
O que se pode dizer dos muitos membros de A. A. que, por várias razões, não podem ter uma vida familiar? No início muitos deles sentem-se sós, magoados e abandonados, ao testemunhar tanta felicidade doméstica ao seu redor. Se não podem ter esse tipo de felicidade, A. A. pode lhes oferecer satisfações igualmente valiosas e duradouras?
Sim, desde que eles se disponham a procurá-las. Cercados por tantos amigos Aas, os assim chamados “solitários” nos contam que já não se sentem sós. Em companhia de outros homens e mulheres, podem se dedicar a inúmeros ideais, pessoas e projetos construtivos. Podem participar de empreendimentos que por sua natureza seriam negados aos casados. Todos os dias vemos esses membros prestarem relevantes serviços e receberem, de volta, grandes alegrias.

Ver desaparecer a solidão
Quase sem exceção, os alcoólicos são torturados pela solidão. Mesmo antes de nossas bebedeiras se tornarem graves e as pessoas começarem a se afastar de nós, quase todos sofremos a sensação de estarmos sós. Ou éramos tímidos e não nos atrevíamos a nos aproximar dos outros, ou éramos capazes de ser bons sujeitos, sempre desejando ardentemente a atenção e o companheirismo, mas raramente conseguindo. Sempre existia aquela barreira misteriosa que não conseguíamos vencer nem entender.
Essa é uma das razões pela qual amávamos tanto o álcool. Mas até Baco nos traiu; ficamos finalmente arrasados e caímos numa terrível solidão.
A vida adquire um novo sentido em A. A. Ver pessoas se recuperarem, vê-los ajudarem os outros, ver desaparecer a solidão, ver crescer uma fraternidade ao redor de você, ter um grande número de amigos – essa é uma experiência que não deve ser perdida.

Confiança cega?
“Certamente não pode haver confiança onde não há amor, nem pode haver amor verdadeiro onde reina a maligna desconfiança.
“Mas será que a confiança exige que sejamos cegos em relação aos motivos dos outros ou até dos nossos? Claro que não: isso seria loucura. Certamente devemos avaliar tanto a capacidade de fazer o mal como a capacidade de fazer o bem das pessoas em quem vamos confiar. Esse inventário particular pode revelar o grau de confiança que podemos depositar em qualquer situação que se apresente.
“Mas esse inventário precisa ser feito com espírito de compreensão e amor. Nada pode prejudicar mais nosso julgamento, quanto as emoções negativas de suspeita, ciúme ou raiva.
“Tendo depositado nossa confiança numa outra pessoa, devemos fazer com que ela saiba disso. Desse modo, quase sempre ela vai corresponder de maneira magnífica e muito além da nossa expectativa.”

Esse assunto de honestidade
“Somente Deus pode saber completamente o que é honestidade absoluta. Portanto, cada um de nós tem que imaginar com o máximo de sua capacidade o que pode ser esse grande ideal.
“Falíveis como somos e sempre seremos na vida, é presunção supor que poderemos alcançar uma honestidade absoluta. O melhor que poderemos fazer é atingir uma melhor qualidade de honestidade.
“Ás vezes precisamos colocar o amor acima da indiscriminada ‘honestidade objetiva’. Não podemos, sob o pretexto de uma ‘perfeita honestidade’, ferir cruel e desnecessariamente outras pessoas. Sempre devemos nos perguntar: O que posso fazer de melhor e mais amoroso!”

A verdadeira tolerância
Aos poucos começamos a ser capazes de aceitar os erros dos outros, assim como suas virtudes. Inventamos a poderosa e significativa frase: “Vamos amar sempre o que há de melhor nos outros – e nunca temer o que tenham de pior”.
Finalmente começamos a perceber que todas as pessoas, inclusive nós, estão de alguma forma emocionalmente doentes e muitas vezes erradas. Quando isso acontece, nos aproximamos da verdadeira tolerância e percebemos o que significa de fato o verdadeiro amor ao próximo.

Amar todo mundo?
Poucas pessoas podem afirmar que amam com sinceridade todo mundo. A maioria de nós tem que admitir ter amado apenas alguns outros semelhantes; ter sido indiferente a muitos, e ter nutrido antipatia e até mesmo ódio a muitos outros.
Nós, Aas, descobrimos que precisamos de algo muito melhor a fim de manter nosso equilíbrio. A idéia de que podemos amar possessivamente algumas pessoas, ignorar muitas, e continuar a temer ou odiar quem quer que seja tem que ser abandonada, mesmo que seja aos poucos.
Podemos procurar não fazer exigências descabidas àqueles que amamos. Podemos demonstrar bondade onde antes havíamos demonstrado. E, com aqueles com quem não simpatizamos, podemos pelo menos começar a prática da justiça e cortesia, talvez nos esforçando para compreendê-los e ajudá-los.

Amor irresistível
A vida de cada AA e de cada grupo é construída ao redor de nossos Doze Passos e Doze Tradições. Sabemos muito bem que a punição para a desobediência sistemática desses princípios é a morte do indivíduo e a dissolução do grupo. Mas a força maior que contribui para a unidade de A. A. é o amor irresistível que temos por nossos companheiros e por nossos princípios.
Você pode pensar que as pessoas do escritório de A. A., em Nova Iorque certamente deveriam ter alguma autoridade pessoal. Mas há muito tempo, tanto os custódios como os secretários descobriram que podem apenas dar discretas sugestões aos grupos de A. A.
Tiveram até que cunhar algumas frases que ainda aparecem em algumas das cartas que escrevem, como por exemplo: “Claro que vocês têm toda a liberdade de resolver esse assunto como acharem melhor. Mas a experiência da maioria, em A. A., parece sugerir que…”
O escritório mundial de A. A. não dá ordens. Ele é, ao contrário, nosso maior divulgador das lições aprendidas com a experiência.

Amor + racionalidade = crescimento
“Parece para mim que o objetivo primordial de qualquer ser humano é o de desenvolver-se, como Deus pretendeu, sendo essa a natureza de tudo o que cresce.
“Nossa busca deve ser em direção à realidade que podemos encontrar, incluindo a melhor definição e sentimento de amor que podemos adquirir. Se a capacidade de amar existe no ser humano, então ela certamente existe em seu Criador.
“A teologia me ajuda, porque a maioria de seus conceitos me faz acreditar que vivo num universo racional, sob o poder de um Deus amoroso e que tinha própria irracionalidade pode aos poucos desaparecer. Esse é, suponho, o processo de crescimento para o qual estamos destinados.”

Conselheiros afetuosos
Se não tivesse sido abençoado por conselheiros afetuosos e sábio, eu poderia ter me arrebentado há muito tempo. Uma vez um médico me salvou da morte por alcoolismo, porque me obrigou a encarar a mortalidade dessa doença. Mais adiante, um outro médico, psiquiatra, me ajudou a manter a sanidade, porque me levou a descobrir alguns de meus defeitos mais profundos. De um clérigo adquiri os verdadeiros princípios, pelos quais nós, Aas, tentamos agora viver.
Mas esses preciosos amigos fizeram muito mais do que me suprir com suas capacidades profissionais. Aprendi que eu poderia recorrer a eles com respeito a qualquer problema que tivesse. Eu podia contar sempre com sua sabedoria e integridade.
Muitos de meus queridos amigos de A. A. têm mantido comigo exatamente essa mesma relação. Em muitas ocasiões, puderam ajudar onde outros não puderam, simplesmente por serem AAs.
(Fonte: Na Opinião do Bill – paginas: 18-23-27-37-53-90-144-172-203-230-273-294-303)

“AMOR EM AÇÃO”
Tudo começou há muito tempo!
O Poder Superior, Deus como cada um O concebe é amor puro. Por nos amar muito esse Amor entrou em Ação e agindo em Bill e Bob deu início nossa Irmandade.
Por amor um membro de A. A. entra em ação e traz a mensagem para o Brasil. Também por amor uma companheira faz o mesmo, trazendo a mensagem de A. A. para o Paraná.
Amor sem obras não é amor. Se não agirmos, se nada fizermos, o nosso amor é fútil, efêmero, sem vida. O amor dá vida, por exemplo: o amor da esposa, o amor dos filhos e o amor de Alcoólicos Anônimos.
Quando ingressamos em A. A. vamos praticando os Passos sugeridos para a recuperação e, através deles vamos nos desenvolvendo espiritualmente. Ao praticarmos os Doze Passos, vamos marchando em direção a um tipo de amor que não tem preço.
Na prática destes Passos, frutos da Ação do Amor de Deus, adquirimos, ou melhor, descobrimos em nós o verdadeiro amor: “amor paciente, bondoso, que não tem inveja, que não é orgulhoso, nem arrogante, nem escandaloso. Amor que não busca seus próprios interesses, não se irrita e nem guarda rancor. Amor que tudo desculpa, tudo crê, tudo espera e tudo suporta”.
Ao despertarmos espiritualmente, graças a estes Passos, chegamos à conclusão de que é hora de colocarmos esse “Amor em Ação”.
Procuramos então, transmitir a mensagem aos alcoólicos que ainda sofrem e praticar os princípios de A. A. em todas as nossas atividades.
Graças a esse “Amor em Ação” é que nossa Irmandade cresce a cada dia e cada vez mais irmãos e irmãs alcoólicos estão sendo salvos das garras da doença do alcoolismo.
Cada um de nós tem uma DIVIDA DE GRATIDÃO para com aqueles que nos deram o “amor em Ação”: é como diz o ditado, amor com amor se paga.
Por isso devemos cada vez mais entrar em ação e levar este amor e a mensagem de A. A. até os confins do mundo; como está escrito: “Ide, pois, e ensina a todas as nações, ensinando-as a observar tudo o que vos prescrevi; eis que estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo.”
Esta é a única forma de pagar a dívida: ajudar os outros sem nada pedir em troca. Não há dinheiro no mundo que pague a nossa sobriedade.
Pela doença ingressamos nesta Irmandade e nos tornamos irmãos e irmãs. Perante o Poder superior, Deus como nós O concebemos, o qual podemos chamar de Pai, somos todos irmãos e irmãs, por isso, convido a todos, para que, sempre de mãos dadas, como membros de uma mesma família, fazermos a declaração da responsabilidade, dizendo a uma só voz:
“Quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, quero que a mão de A. A. esteja sempre ali. E por isso, eu sou responsável.”
A paz esteja com todos e que o Senhor nos abençoe e nos guarde.
(Fonte: Revista Vivência – 114 – Jul./Ago. 2008 – Hermes F/Curitiba/PR)

POR AMOR
Pensando em dar uma força ao irmão, ele foi a uma sala de A. A. E ali permaneceu.
Não vim para A. A. porque eu queria parar de beber. Muito pelo contrário. Por mim estaria bebendo, muito feliz até hoje, pois eu bebia quando tinha vontade e parava de beber a hora que eu queria. Conseguia ficar até 48 horas sem beber. Após uma ressaca braba.
Certa vez consegui ficar seis meses sem beber (foi uma única vez em 45 anos de ativa). Na época eu tinha 21 anos de idade.
Segunda feira, 6 de abril de 1998, meu irmão foi pela primeira vez a uma reunião de A. A. Na terça feira, quando ele chegou na minha loja, de manhã, (ele trabalhava comigo), foi logo dizendo todo entusiasmado: “Deni, ontem eu fui ao grupo de A. A. e gostei à beça. Você tem que ir lá. Vai adorar.”
“Pode parar”, cortei. “Se você tem problemas com bebida é problema seu. E até é bom voltar.”
“Cara, voltei na reunião de A. A. ontem e até ingressei. Vocês tem que ir lá pra ver. Vai adorar!”
“Você está igualzinho a essas pessoas que entram para alguma igreja e querem converter todo mundo. Pra gente não se aborrecer, vou te pedir um favor: não toque mais nesse assunto. Eu não sou alcoólico e não tenho problema com álcool. Nunca caí na rua, não separei de minha mulher. A bebida nunca me trouxe problema. Aquilo lá não é para mim”, ponderei, cheio de moral.
Na quinta feira Santa, à tarde, viajei para o Rio a fim de passar a Semana Santa com meus sogros e, como era de praxe, lá chegando encontrei uma caixa de cerveja em lata na geladeira. Não deu outra: bebi até ficar satisfeito, sem causar problema algum.
Na sexta feira Santa, pela manhã, resolvi polir o meu carro. Às 9 horas da manhã eu já estava todo suado e com muita sede. Pedi então à minha esposa que me desse uma “latinha gelada”.
“Hoje é sexta feira Santa, não pode beber. Se você quiser, tem vinho na geladeira.”
Foi o que ouvi.
“Manda então um copo duplo. Não sei quantos copos e nem até que hora bebi. Só sei que acordei às 21 horas com uma sede de arrasar. A primeira coisa que fiz foi ir direto à geladeira e enchi um copo de vinho.
“Viu o que você fez no assento do carro?”
Quase cai para trás.
“Você sentou no banco do motorista e colocou o copo de vinho no banco do carona. O copo virou no estofamento.”
Corri até o carro. Qual não foi a surpresa… minha mulher já havia lavado e tirado a mancha de vinho do estofamento. Entreguei o copo a ela e, mais uma vez, jurei nunca mais beber.
Não bebi no sábado nem no domingo de Páscoa. Na segunda feira à tarde fui visitar uma senhora que morava a 5 quilômetros de minha casa e, na volta, lá pelas 6h20 vim pensando pelo caminho:
“Eu vou lá na sala de A. A. para dar uma força ao meu irmão, senão ele é capaz de – por falta de incentivo – voltar a beber. Pensando bem, não vou, não. O que é que vou fazer no meio daquele monte de pés inchados? Mas, se eu não for, o mano pode voltar a beber.”
E assim, vim eu pela estrada: vou não vou, quando, de repente eu estava na porta do centro de Saúde onde A. A. funciona, sem saber com eu tinha ido parar ali.
Então eu resolvi: “Vou lá, fico 15 minutos e me mando. Pelo menos ele não pode dizer que eu não dei uma força.”
Subi e, com 20 minutos de reunião, eu já estava querendo ir à cabeceira de mesa. O coordenador disse-me no intervalo que para ir à cabeceira de mesa eu teria que ingressar. Ele me deixou de castigo, mas uma hora boa para poder me ingressar.
Na terça feira, às 11 horas, saindo para almoçar, já ia eu direto tomar uma “purinha” antes do almoço. Foi quando me questionei:
“Que falta de vergonha. Ingressei ontem e hoje já vou beber?”
Segurei minha ficha amarela e fui até minha casa com ela na mão e até hoje, graças ao Poder Superior, não tive nem uma recaída. Parei de fumar e encontrei minha religião.
Eu não queria parar de beber e hoje me orgulho de ter aprendido que não basta você parar de beber. É preciso mudar, pois nada muda se você não mudar.
(Fonte: Revista Vivência – 78 Jul./Ago.-2002 Deni, Itaocara/RJ)

HUMILDADE

HUMILDADE
A palavra humildade, de acordo com nossa concepção, tem relação com nossos sentimentos perante o Poder Superior. Essa humildade vem ligada ao sentimento de espiritualidade e não a bens materiais.
Temos necessidade de praticá-la em todos os sentidos se quisermos crescer como seres humanos pertencentes à irmandade do mundo, como o quer este nosso Poder Superior.
Dentre as muitas formas de defini-la, humildade significa: a virtude que nos dá o sentido de como realmente somos.
Muitas vezes ela é interpretada como sendo fraqueza, rebaixamento, mas, a realidade, a humildade é força, é aceitação, é a capacidade de pedir perdão e se perdoar.
Humildade é o ponto de partida para nosso crescimento espiritual, porque sem a humildade não haveria a aceitação dos Passos, lemas e Tradições que são a base de nossa reformulação de vida.
Encontramo-la logo no 1º Passo, quando admitimos que somos impotentes perante o álcool, e que nossas vidas haviam-se desmoronado completamente à mercê dessa doença.
No 2º Passo vamos encontrá-la na submissão ao Poder Superior e na admissão de no passado nosso modo de pensar, agir e viver não era razoável e equilibrado. Contudo, a experiência da vida não nos deixa duvidar que o ser humano não é todo sábio, nem todo poderoso, nem capaz de um amor perfeito.
Essas qualidades pertencem a um ser Superior, segundo entendimento que cada um tenha Dele.
Podemos entregar-lhe nossas tristezas, dissabores e pedir que nos ajude com sua bondade infinita.
No 3º Passo vamos encontrá-la na rendição incondicional ao Poder Superior quando formos capazes de dizer: – Senhor, não sou capaz de resolver este problema sozinho, preciso de Sua orientação e cuidados; ensina-me Sua vontade em relação a mim e a farei.
Já no 4º Passo vamos precisar de humildade para podermos nos olhar honestamente e fazer uma auto análise sincera do que realmente somos.
Talvez seja difícil e desagradável levar a cabo um inventário moral próprio e com toda sinceridade, mas é um passo vital, se desejamos progredir.
No 5º Passo vamos encontrar a humildade na admissão de nossas falhas perante Deus, perante nós mesmos e confidenciando-as a um outro ser humano de confiança. Tal reconhecimento requer tanto humildade, como honestidade.
É muito mais fácil sermos honestos com outra pessoa do que conosco mesmos.
Até certo ponto todos nós somos tolhidos pela nossa necessidade de justificar as nossas ações e palavras. Se admitirmos os nossos erros a nós mesmos, a Deus e a outro ser humano, teremos uma vaga idéia da pessoa maravilhosa que poderemos ser.
No 6º Passo vamos encontrá-la na disposição em remover os nossos defeitos de caráter, entregando-os ao Poder Superior para que nos ajude a eliminá-los.
Não podemos confiar somente nos nossos duvidosos poderes humanos. Tornamo-nos capazes de ver também nossas qualidades como dádivas de Deus.
Não deveria eu compreender que Deus não remove um defeito para produzir um vácuo, um vazio, mas sim, para dar lugar ao seu conceito de amor, bondade e tolerância?
No 7º Passo, encontramos a humildade na promessa de utilizarmos honestidade e inteligência que são dádivas divinas para solucionarmos nossos problemas.
Essa rendição ante a vontade de Deus põe em movimento todo seu amoroso poder para devolver às nossas vidas a ordem e serenidade.
Pedir a Deus humildemente que elimine nossas culpas é uma das mais nobres ações e uma das melhores maneiras de orar que existe.
A palavra chave é humildade, o nosso reconhecimento de que necessitamos que um Poder Superior a nós mesmos nos ajude a ver uma perspectiva real e a manter nossas mentes abertas à verdade.
A humildade não requer submissão ou padecimentos, tudo isto encerra qualidades negativas contra as quais não podemos nos rebelar.
A verdadeira humildade é da livre aceitação.
No 8º Passo vamos encontrar a humildade na disposição em admitir nossos erros de modo que possamos limpar a nossa consciência de culpa.
O que fazer para livrar-nos de tal condição?
Fazendo uma relação de todas as pessoas com quem temos atuado mal, nos dispondo a reparar o dano causado. A quem magoei?
Seguramente as pessoas mais próximas a mim: minha família – se consciente ou inconscientemente carregamos este fardo de culpa, isto deve ser apagado fazendo correções.
Somente então encontraremos paz de espírito e um padrão mais racional de pensamentos e comportamento.
A humildade é a boa vontade em fazer correções; muitas vezes cria a oportunidade de fazê-las de maneira natural, espontânea e sem embaraços. E isso leva ao crescimento espiritual.
Vamos encontrar a humildade no 9º Passo, na coragem de reparar os danos causados, os desacordos e a falta de compreensão entre mim e meus parentes ou ex-amigos.
Um auto-exame honesto e prudente será necessário. Um casual pedido de desculpas, por exemplo, raramente é suficiente para livrar-nos da culpa de críticas prejudiciais.
A melhor maneira de reparar os estragos é mudando nossas atitudes, adotando um trato marcado pela constante bondade e compreensão.
No 10º Passo vamos encontrá-la na atenção suficiente de revisão e preparação para o meu dia-a-dia, renovando meus esforços para progredir no desenvolvimento pessoal.
Olhar para dentro de si mesmo: ai que encontraremos todas as respostas.
No 11º Passo vamos encontrar a humildade na disposição de estar em comunhão com nosso Poder Superior, pedindo-lhe apenas a capacidade de reconhecer Sua vontade, pondo de lado todas as orações em que imponho minha vontade, instruindo a Deus sobre o que queremos que faça por nós.
O objetivo das preces e das meditações é manter nossas mentes abertas a receptivas à orientação.
Este processo de “escuta interior” orientará nossos pensamentos e ações e trará paz à nossa existência.
“É Deus que nos dá forças e torna perfeito o nosso caminho”.
“Deus está presente em todas as criaturas, mas nem todas estão igualmente cientes de sua presença”.
No 12º Passo vamos encontrar a humildade estando sempre dispostos a levar a mensagem aos outros.
Essa necessidade está sempre ao meu redor se eu me mantiver suficientemente alerta para reconhecê-la.
Ajudando os outros, também me ajudo.
Essa é a culminação triunfante – o resumo – dos Passos, é o reconhecimento de que alcançamos uma profunda consciência de Deus e a nossa relação para com Ele, e que estamos prontos para continuar o trabalho, levando aos outros a luz e a dignidade que encontramos. Então, quando obtenho uma idéia clara e sensata de onde estou, qual o caminho em que estou, passo a perceber que meu crescimento espiritual apenas começou.
E quanto mais eu me conscientizar da minha capacidade, da minha pequenez e dividir em porções o que eu posso fazer, as minhas desculpas e a minha importância ficam ridículas e cômicas.
Assim, conscientizado de mim, tomo também consciência e fé de que Deus é bom e que preciso Dele para abafar meu orgulho e saber então o significado da palavra Humildade.
No livro “O melhor de Bill”, Bill citou o seguinte trecho:
“Esta é a razão pela qual vejo humildade para o dia de hoje como aquele meio-termo seguro e garantido entre esses extremos emocionais violentos. Trata-se de um lugar tranqüilo onde posso manter perspectiva e equilíbrio suficientes para iniciar o meu próximo passo em direção à estrada claramente indicada que leva a valores eternos”.
(Fonte: Revista Vivência Nº 91 – Set/Out-2004 – Rubens A.. /Paulina/SP)

HUMILDADE – REFLEXÕES DIÁRIAS
Servindo meu irmão
O membro de A. A. fala ao recém-chegado, não com espírito de grandeza, mas com o espírito de humildade e fraqueza.
Enquanto passam os dias em A. A. peço a Deus para guiar meus pensamentos e minhas palavras ao falar. Neste labor de contínua participação na Irmandade, tenho muitas oportunidades de falar. Assim, frequentemente peço a Deus para me ajudar a observar meus pensamentos e palavras, que elas possam ser verdadeiras e próprias reflexões de nosso programa; focalizar minhas aspirações mais uma vez para procurar Sua direção; para me ajudar a ser realmente agradável e amável, prestativo e curativo, mas sempre cheio de humildade e livre de qualquer traço de arrogância.
Talvez eu tenha que enfrentar atitudes ou palavras desagradáveis; recursos típicos do alcoólico que ainda sofre. Se isto vier a acontecer, tomarei um momento para concentrar-me em Deus; e então ser capaz de responder de uma perspectiva de compostura, força e sensibilidade.

Um caminho para a fé
A verdadeira humildade e a mente aberta poderão nos conduzir a fé. Toda reunião de A. A. é uma segurança de que Deus nos levará de volta à sanidade, se soubermos nos relacionar corretamente com Ele.
Minha última bebedeira deixou-me num hospital totalmente quebrado. Foi então que fui capaz de ver passado flutuar na minha frente. Percebi que por causa da bebida, tinha vivido todos os pesadelos que pudera haver imaginado. Minha própria teimosia e obsessão para beber levaram-me para um abismo escuro de alucinações, apagamentos e desespero. Finalmente vencido, pedi ajuda a Deus. Sua presença convenceu-me para que acreditasse. Minha obsessão pelo álcool foi tirada e minha paranóia foi suspensa. Não estou mais com medo. Sei que minha vida é saudável e sã.

Dois “magníficos padrões”
Todo o progresso de A. A. pode ser expressado em apenas duas palavras: humildade e responsabilidade. Todo o nosso desenvolvimento espiritual pode ser medido, com precisão, conforme nosso grau de adesão a estes magníficos padrões.
Conhecer e respeitar as opiniões, talentos e prerrogativas dos outros, e aceitar estar errado, mostra-me o caminho da humildade.
Praticar os princípios de A. A. em todos os meus assuntos me leva a ser responsável. Respeitar estes preceitos dá crédito à Quarta Tradição – e a todas as outras Tradições da Irmandade.
Alcoólicos Anônimos tem desenvolvido uma filosofia de vida cheia de motivações válidas, rica dos mais altos e relevantes princípios e valores éticos, uma maneira de vida que pode ser estendida além dos limites da população alcoólica. Para honrar estes preceitos, preciso somente rezar e cuidar de cada companheiro como se cada um fosse meu irmão.

Afinal, livre
Outra grande dádiva que podemos esperar por confiar nossos defeitos a outro ser humano é a humildade – uma palavra frequentemente mal compreendida… representa um claro reconhecimento do que e quem somos realmente, seguido de um esforço sincero de ser aquilo que poderíamos ser.
Sabia no fundo do meu ser que se quisesse ser alegre, feliz e livre para sempre, tinha de compartilhar minha vida passada com outra pessoa. A alegria e o alívio que senti após fazer isto estão além de qualquer descrição. Quase que imediatamente após fazer o Quinto Passo, me senti livre da escravidão do ego e da escravidão do álcool. Esta liberdade permanece após 36 anos, um dia de cada vez.
Descobri que Deus podia fazer por mim o que eu não podia fazer sozinho.

É bom ser eu mesmo
Inúmeras vezes os novatos procuram guardar para si certos fatos de suas vidas… Desviaram-se para métodos mais fáceis… mas, não aprenderam o suficiente sobre a humildade.
Humildade soa muito como humilhação mas, na realidade, ela é a capacidade de olhar para mim mesmo – e honestamente aceitar o que vejo. Não preciso ser o “mais esperto” nem o “mais estúpido” ou qualquer outro “mais”. Finalmente é muito bom ser “eu” mesmo. É mais fácil para mim aceitar-me se compartilhar toda a minha vida. Se não posso compartilhar nas reuniões, então é melhor ter um padrinho – alguém com que eu possa compartilhar “certos fatos” que podem me levar de volta à bebida e para a morte. Preciso praticar todos os Passos. Preciso do Quinto Passo para aprender a verdadeira humildade. Métodos mais fáceis não funcionam.

Uma liberdade sempre crescente
É no Sétimo Passo que efetuamos a mudança em nossa atitude que nos permite, com a humildade servindo de guia, sair de dentro de nós mesmos em direção aos outros e a Deus.
Quando finalmente pedi a Deus para remover estas coisas que me separavam Dele e da luz do Espírito, embarquei numa viagem mais gloriosa do que podia imaginar. Experimentei libertação destas características que me mantinham escondido em mim mesmo. Devido à humildade desta Passo, hoje me sinto limpo.
Sou especialmente consciente deste Passo porque agora sou útil a Deus e a meus companheiros. Sei que Ele me concedeu forças para cumprir Sua vontade e me preparou para qualquer pessoa ou coisa que possa surgir no meu caminho hoje. Estou realmente em Suas mãos e agradeço pela alegria de poder ser útil hoje.

Sou um instrumento
“Humildemente rogamos a Ele que nos livre de nossas imperfeições.”
O assunto de humildade é um dos mais difíceis. Humildade não é pensar menos do que deveria de mim mesmo: humildade é reconhecer que eu faço bem certas coisas, é aceitar cortesmente um elogio.
Deus pode somente fazer para mim o que Ele pode fazer através de mim. Humildade é o resultado de saber que Deus é quem faz, não eu. Na luz desta percepção, como posso ter orgulho de minhas realizações? Sou um instrumento, e qualquer trabalho que pareça estar fazendo, está sendo feito por Deus através de mim. Peço a Deus diariamente que remova minhas imperfeições, para que possa mais livremente continuar meus assuntos de A. A. de “amor e serviço.”

Um momento decisivo
Um momento decisivo em nossas vidas chegou quando procuramos a humildade como algo que realmente desejávamos, em vez de algo que precisávamos ter.
Ou a maneira de viver de A. A. torna-se uma alegria ou eu volto para a escuridão e desespero do alcoolismo. A alegria acontece em minha vida quando minha atitude em relação a Deus e à humildade se tornam um desejo ao invés de uma carga. A escuridão de minha vida transforma-se em uma luz radiante, quando eu compreendo que ser verdadeiro e honesto ao fazer o meu inventário, resulta em minha vida ficar plena de serenidade, liberdade e alegria.
A confiança em meu Poder Superior se aprofunda e o fluxo de gratidão se espalha através de mim. Estou convencido de que ser humilde é ser verdadeiro e honesto ao tratar comigo e com Deus. Então, humildade é algo que “realmente desejo”, ao invés de ser “uma coisa que devo ter”.

Abandonando o centro do palco
Pois, sem certas doses de humildade, nenhum alcoólico poderá permanecer sóbrio… Sem ela não podem viver uma vida de muita utilidade ou, com os contra-tempos, convocar a fé que se necessita para enfrentar qualquer emergência.
Por que tanta resistência à palavra “humildade”? Eu não sou humilde ante outras pessoas, mas para Deus, como eu O entendo. Humildade significa “mostrar um respeito submisso” e ao ser humilde eu percebo que não sou o centro do universo. Quando bebia eu era consumido pelo orgulho e o egocentrismo. Sentia o mundo todo girar em torno de mim, que eu era o mestre do meu destino. A humildade me dá condições de depender mais de Deus para me ajudar a vencer os obstáculos e minhas próprias imperfeições, para que possa crescer espiritualmente. Preciso resolver mais problemas difíceis para aumentar minha competência e, quando encontro os obstáculos da vida, preciso aprender a superá-los com a ajuda de Deus.
Comunhão diária com Deus demonstra minha humildade, e me abastece com a compreensão de que ser mais poderoso do que eu está disposto a me ajudar, se eu parar de tentar representar o papel de Deus.

Humildade é uma dádiva
Já que colocávamos a confiança própria em primeiro lugar, permanecia fora de cogitação uma autêntica fé num Poder Superior. Faltava esse ingrediente básico de toda a humildade, o desejo de solicitar e fazer a vontade de Deus.
Quando vim pela primeira vez para A. A., desejava encontrar um pouco da ilusória qualidade chamada humildade. Não percebi que procurava por humildade porque pensava que poderia me ajudar a conseguir o que eu queria, e que eu faria qualquer coisa pelo outros se eu pensasse que Deus, de alguma forma, me recompensaria por isto. Agora tento me lembrar que as pessoas que encontro durante o meu dia estão tão próximas de Deus quanto eu poderia estar, enquanto estiver nesta terra. Preciso rezar para saber a vontade de Deus hoje e ver como minha experiência com a esperança e a dor pode ajudar outras pessoas; se posso fazer isto não preciso procurar humildade, ele me encontrou.

Um ingrediente nutritivo
Apesar de que a humildade houvesse anteriormente representado uma alimentação forçada, agora começa a significar o ingrediente nutritivo que pode nos trazer a serenidade.
Quantas vezes me concentro em meus problemas e frustrações?
Quando estou tendo um “bom dia”, estes mesmos problemas diminuem em importância e minha preocupação com eles se reduz. Não seria melhor se encontrasse a chave para abrir “a mágica” de meus “dias bons” para usar no infortúnio dos meus “dias maus”?
Já tenho a solução! Ao invés de tentar fugir de minhas dores e desejar que meus problemas desapareçam, posso rezar pedindo a humildade! A humildade curará a dor. A humildade será tirada de mim mesmo. A humildade, esta força que me é concedida por esse “Poder Superior a mim mesmo”, é minha, basta pedir! A humildade devolverá o equilíbrio a minha vida. A humildade permitirá o equilíbrio a minha vida. A humildade permitirá me aceitar alegremente como ser humano.

Orgulho
Há milhares de anos vimos querendo aumentar nossa parcela de segurança, prestígio e romance. Quando parecia que estávamos tendo êxito, bebíamos para viver sonhos ainda maiores. Quando estávamos frustrados, mesmo que pouco, bebíamos para esquecer. Nunca havia o suficiente daquilo que julgávamos querer.
Em todos esses esforços, muitos dos quais bem intencionados, ficamos paralisados pela nossa falta de humildade.
Havia-nos faltado a visão de que o aperfeiçoamento do caráter e os valores espirituais deveriam vir primeiro, e que as satisfações materiais não constituíam o propósito da vida.
Repetidamente me aproximei do Sétimo Passo, somente para retroceder e me reorganizar. Faltava alguma coisa e me escapava o impacto do Passo. O que eu não havia visto direito? Uma palavra simples: lida mas ignorada, a base de todos os Passos, na verdade de todo o programa de Alcoólicos Anônimos – essa palavra é “humildemente”.
Entendi meus defeitos: constantemente adiava meu trabalho; ficava com raiva facilmente; sentia muita auto-piedade; e pensava: por que eu? Então me lembrei: “o orgulho sempre vem antes da queda” e eliminei o orgulho e minha vida.

“Uma medida de humildade”
Em todos os casos, o sofrimento havia sido o preço de ingresso para uma nova vida. Porém, este valor de ingresso havia comprado mais do que esperávamos, trouxe uma medida de humildade que logo descobrimos ser um remédio para a dor.
Foi doloroso deixar de tentar controlar minha vida, embora o sucesso me havia iludido e, quando a vida ficava muito difícil, eu bebia para escapar. Aceitar a vida em seus termos, é o que aprenderei através da humildade que experimento quando coloco minha vontade e minha vida aos cuidados de Deus, como eu O entendo.
Com minha vida aos cuidados de Deus, o medo, a incerteza e a raiva não são mais minhas respostas para aquelas situações da vida que eu preferiria não acontecessem para mim. A dor de viver esses momentos será curada pelo conhecimento de que recebi da força espiritual para sobreviver.

Rendição e autocrítica
Minha estabilidade proveio de tentar dar, não de exigir que me dessem.
É assim que penso que pode funcionar com a sobriedade emocional. Se olharmos cada distúrbio que temos, grande ou pequeno, encontraremos em sua raiz uma dependência doentia, e, em consequência, exigências doentias. Que possamos, com a ajuda de Deus, entregar continuamente essas exigências alei jantes. Então nos poderá ser dada a liberdade para viver e amar: poderemos então fazer um Décimo Segundo Passo para nós mesmos e para os outros, em direção à sobriedade emocional.
Anos de dependência do álcool, como um alterador químico de meu humor, tiraram-me a capacidade de interagir emocionalmente com meus companheiros. Pensava que tinha de ser auto-suficiente, autoconfiante, e auto motivado num mundo de pessoas não confiáveis. No final perdi minha dignidade e fiquei dependente, sem qualquer capacidade para confiar em mim mesmo ou acreditar em qualquer outra coisa. Rendição e auto-exame, enquanto compartilho com os que chegam, ajudam-me a pedir humildemente por socorro.

Gratidão pelo que tenho
Durante este processo de aprendizagem, a respeito de humildade, o resultado mais profundo de todos foi a mudança de nossa atitude sobre Deus.
Hoje minhas preces consistem principalmente em dizer “obrigado” ao meu Poder Superior por minha sobriedade e pela maravilhosa generosidade de Deus, mas preciso também pedir ajuda e força para colocar em prática a Sua vontade na minha vida. Não preciso pedir a Deus a cada minuto para me socorrer de situações em que me coloco por não fazer a Sua vontade. Agora minha gratidão parece estar ligada diretamente à humildade. Enquanto tenho humildade para ser grato pelo que tenho, Deus continua me abastecendo.

Defeitos removidos
Porém, agora as palavras: “Sozinho nada sou, o Pai é quem faz”, começaram a adquirir um significado brilhante e animador.
Quando coloco o Sétimo Passo em ação, devo lembrar que não há espaço para preencher. Eu não digo, “humildemente peço a Ele para (preencher o espaço) remover meus defeitos”.
Por anos eu preenchi o espaço imaginário com: “Ajuda-me!”, “Dá-me a coragem para!” E com “Dá-me a força!”, etc. O Passo diz simplesmente que Deus removerá meus defeitos. O único trabalho que devo fazer é “humildemente pedir”, o que, para mim significa pedir o conhecimento de que por mim mesmo não sou nada, o Pai é que “Faz o trabalho”.
Peço para Deus decidir
“Peço que removas de mim todo e qualquer defeito de caráter que me impeça de ser útil, a Ti aos meus semelhantes.”
Tenho admitido minha impotência e tomado a decisão de colocar minha vida e minha vontade sob os cuidados de Deus, como eu O concebo, não sou eu quem decide quais os defeitos serão removidos, nem a ordem em que os defeitos serão removidos. Peço a Deus que decida quais os defeitos que me impedem de ser útil a Ele e aos outros e então, humildemente, peço que os remova.

Impelidos
Impelidos por centenas de formas de medos, auto-ilusão, egoísmo e auto piedade, pisamos nos pés dos outros e eles revidam.
Meu egoísmo era a força que me impelia para a bebida. Bebia para celebrar o sucesso e bebia para afogar as minhas desgraças. Humildade é a resposta. Aprendo a entregar a minha vontade e aminha vida aos cuidados de Deus. Meu padrinho me diz que o serviço me mantém sóbrio. Hoje me pergunto: Procurei saber a vontade de Deus para comigo? Prestei serviço a meu Grupo de A. A.?

Eu escolho o anonimato
Temos a certeza de que a humildade, expressa pelo anonimato, é a maior salva-guarda que Alcoólicos Anônimos sempre poderá ter.
Uma vez que não existem regras em A. A., coloco-me onde quero estar e, portanto, escolho o anonimato. Desejo que meu Deus me use, humildemente, como uma de suas ferramentas neste programa. Sacrifício é a arte de dar de mim mesmo generosamente, permitindo que a humildade substitua meu ego. Com a sobriedade, suprimo aquela ânsia de gritar para o mundo:
“Eu sou um membro de A. A.” e experimento alegria e paz interior. Deixo as pessoas verem as mudanças em mim e espero que elas perguntem o que me aconteceu. Coloco os princípios de espiritualidade à frente de julgamentos precipitados, de fofocas e de críticas. Desejo amor e carinho em meu Grupo, para poder crescer.

Uma mente aberta
A verdadeira humildade e a mente aberta poderão nos conduzir à fé…
Meu pensamento alcoólico me levou a acreditar que eu podia controlar a bebida, mas não conseguia. Quando vim para A. A., percebi que Deus estava falando para mim através do meu Grupo. Minha mente se abriu o suficiente para perceber que eu precisava de Sua ajuda. Uma real e honesta aceitação de A. A. levou mais tempo, mas com ela veio a humildade. Sei como eu era insano, e hoje sou extremamente grato por ter minha sanidade restaurada e ser um alcoólico sóbrio.
A nova e sóbria pessoa que sou, é muito melhor do que jamais eu poderia ter sido sem A. A.

Guardiões ativos
Para nós, contudo, trata-se muito mais do que uma política salutar de relações públicas. É mais do que uma negação do egoísmo. Esta Tradição é um lembrete permanente e prático de que a ambição pessoal não tem lugar em A. A.
Nela cada membro se transforma num diligente guardião da nossa Irmandade.
O conceito básico de humildade é expresso na Décima Primeira Tradição. Ela me permite participar completamente do programa numa maneira simples e profunda; ela preenche minha necessidade de ser parte integral de um todo significativo. Humildade me traz mais perto do espírito atual de companheirismo e unicidade, sem o qual eu não poderia permanecer sóbrio.
Lembrando que todo membro é um exemplo de sobriedade, cada um vivendo a Décima Primeira Tradição, posso experimentar liberdade porque cada um de nós é anônimo.

Uma genuína humildade
… que devemos conduzir-nos com a genuína humildade. Isto para que nossas grandes bênçãos jamais nos estraguem: para que vivamos eternamente em grata contemplação d’Aquele que reina sobre todos nós.
A experiência me ensinou que minha personalidade alcoólica tem tendência para o grandioso. Mesmo que tiver, aparentemente, boas intenções, posso sair pela tangente atrás de minhas “causas”. Meu ego toma conta e perco de vista o meu propósito primeiro. Posso até tomar o crédito pela obra de Deus em minha vida. Esse sentimento exagerado de minha própria importância é perigoso para a minha sobriedade e pode causar grande dano a A. A. como um todo.
Minha salvaguarda, a Décima Segunda Tradição, serve para manter-me humilde. Percebo, tanto como um indivíduo, como um membro da Irmandade, que não posso me gabar de minhas façanhas, e que “Deus faz por nós o que não podemos fazer por nós mesmos”.

Anonimato
O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.
A Décima Segunda Tradição tornou-se importante nos primeiros dias de minha sobriedade e, junto com os Doze Passos, continua a ser indispensável em minha recuperação. Tornei-me consciente, após ingressar na Irmandade, de que tinha problemas de personalidade. Assim, quando ouvi pela primeira vez a mensagem da Tradição, estava muito claro: existe uma maneira imediata para, com os outros, encarar meu alcoolismo e seus acompanhantes, a raiva e as atitudes defensivas e ofensivas. Vi a Décima Segunda Tradição como sendo uma grande desinfladora do ego; ela aliviou a minha raiva e me deu uma chance de utilizar os princípios do programa. Todos os Passos, e esta Tradição em particular, têm-me guiado por décadas de sobriedade contínua. Sou grato àqueles que estavam aqui quando precisei deles.
(Fonte: Reflexões Diárias – paginas: 29-46-127-139-143-198-199-201-202-203-204-205-206-207-208-210-213-227-250-300-342-354-373)

HUMILDADE – Necessidade de:
NA OPINIÃO DO BILL

Livres da escuridão
A auto-análise é o meio pelo qual trazemos uma nova visão, ação e graça para influir no lado escuro e negativo de nosso ser. Com ela vem o desenvolvimento daquele tipo de humildade, que nos permite receber a ajuda de Deus. No entanto, ela é apenas um passo. Vamos querer ir mais longe. Vamos querer que o bem que está dentro de todos nós, mesmo dentro dos piores, cresça e floresça. Mas, antes de tudo, vamos querer a luz do sol; pouco se pode crescer na escuridão. A meditação é nosso passo em direção ao sol.
“Uma luz clara parece descer sobre nós – quando abrimos os olhos. Uma vez que nossa cegueira é causada por nossos próprios defeitos, precisamos primeiro conhecê-los a fundo. A meditação construtiva é o primeiro requisito para cada novo passo em nosso crescimento espiritual.”

A humildade em primeiro lugar
Encontramos muito em A. A. que antes pensavam, como nós, que humildade era sinônimo de fraqueza. Eles nos ajudaram a nos reduzir ao nosso verdadeiro tamanho. Com seu exemplo nos mostraram que a humildade e o intelecto poderiam ser compatíveis, contanto que colocássemos a humildade em primeiro lugar. Quando começamos a fazer isso, recebemos a dádiva da fé que funciona. Essa fé também é para você.
Apesar da humildade primeiro ter significado uma humilhação, agora ela começa a representar o ingrediente que pode nos trazer serenidade.

Caminho direto para Deus
“Acredito firmemente tanto na orientação como na oração. Mas estou bem consciente e espero que humilde o suficiente para ver que não há nada de infalível em minha orientação.
No momento em que acreditar que encontrei um perfeito caminho para Deus, eu me tornarei egoísta o suficiente para entrar em verdadeira dificuldade. Ninguém pode causar mais sofrimento desnecessário do que aquele que possui força e acha que a obteve diretamente de Deus.”

Conquista material
Nenhum membro de A. A. quer condenar os avanços materiais. Nem entramos em discussão com muita gente que se agarra à crença de que satisfazer nossos desejos básicos é o objetivo principal da vida. Mas estamos convencidos de que nenhum tipo de pessoa no mundo jamais se atrapalhou tanto, tentando viver segundo esse pensamento, como os alcoólicos.
Estávamos à procura de mais segurança, prestígio e romance. Quando parecíamos estar sendo bem-sucedidos, bebíamos para viver sonhos ainda maiores. Quando estávamos frustrados, mesmo um pouco, bebíamos para esquecer.
Em todas essas lutas, muitas delas bem-intencionadas, nosso maior obstáculo era nossa falta de humildade. Faltava-nos ver que a formação do caráter e os valores espirituais tinham que vir em primeiro lugar e que as satisfações materiais eram simplesmente sub-produtos e não o principal objetivo da vida.

A verdadeira ambição e a falsa
Concentrávamos muito em nós mesmos e naqueles que nos cercavam. Sabíamos que éramos cutucados, por medo ou ansiedade descabidos, a uma vida que levava à fama, dinheiro e ao que supúnhamos que fosse liderança. Assim, o falso orgulho tornou-se o outro lado da terrível moeda com a marca do “medo”. Simplesmente tínhamos que ser a pessoa mais importante, a fim de encobrir nossas inferioridades mais profundas.
A verdadeira ambição não é aquilo que achávamos que era. Ela é o profundo desejo de viver de maneira útil e caminhar humildemente, sob a Graça de Deus.

Rompa as paredes do ego
As pessoas que são impelidas pelo orgulho, inconscientemente não enxergam seus defeitos. Os recém-chegados desse tipo certamente não precisam de consolo. O problema é ajudá-los a descobrir uma trinca nas paredes construídas pelo seu ego, através da qual a luz da razão possa brilhar.
Adquirir uma humildade maior é o princípio fundamental de cada um dos Doze Passos de A. A., pois sem um certo grau de humildade, nenhum alcoólico pode ser permanente sóbrio.
Quase todos os Aas descobriram também que, a não ser que desenvolvam essa preciosa qualidade, muito mais do que a necessária para se obter a sobriedade, ainda não têm muita probabilidade de virem a ser verdadeiramente felizes. Sem ela não podem viver com propósito útil ou, nas horas difíceis, apelar para a fé que pode enfrentar qualquer emergência.

Respeito próprio através do sacrifício
No princípio sacrificamos o álcool. Tivemos que fazê-lo, ou ele nos teria matado. Mas não poderíamos nos libertar do álcool a menos que fizéssemos outros sacrifícios. Tivemos que jogar fora a auto justificação, a auto piedade e a raiva. Tivemos que nos livrar da competição louca em busca do prestígio pessoal e grandes saldos bancários. Tivemos que assumir a responsabilidade pelo nosso estado lamentável e deixar de culpar os outros por isto.
Foram realmente sacrifícios? Sim, foram. Para obter suficiente humildade e respeito próprio a fim de permanecermos vivos, tivemos que abandonar o que tinha realmente sido nosso bem mais querido – nossa ambição e nosso orgulho ilegítimos.

A humildade “perfeita”
Eu, por minha parte, tento encontrar a definição mais verdadeira de humildade que puder. Ela não será a definição perfeita por que eu serei sempre imperfeito.
Nesse artigo, escolheria a definição seguinte: “A humildade absoluta consistiria num estado de completa libertação de mim mesmo, na libertação de todas as exigências que meus defeitos de caráter lançam tão pesadamente sobre mim agora. A humildade perfeita seria a total boa vontade de, em todos os momentos e lugares, reconhecer e fazer a vontade de Deus”.
Quando penso nessa visão, não preciso ficar desanimado porque nunca a atingirei, nem preciso me encher da presunção de que algum dia alcançarei todas essas virtudes.
Preciso apenas contemplar essa visão, deixando-a crescer e encher meu coração. Isto feito, posso compará-la ao meu último inventário pessoal. Tenho então uma saudável idéia de onde me encontro no caminho para a humildade. Vejo que minha caminhada em direção a Deus apenas começou.
Ao reduzir-me ao meu verdadeiro tamanho, minhas preocupações comigo mesmo e o sentimento de minha própria importância fazem-me rir.

A base de toda a humildade
Uma vez que estávamos convencidos de que poderíamos viver exclusivamente pela nossa força e inteligência, tornava-se impossível a fé num Poder Superior.
Isto era assim, mesmo quando acreditávamos que Deus existia. Podíamos na verdade ter as mais fervorosas crenças religiosas, que continuavam estéreis, porque nós mesmos ainda tentávamos fazer o papel de Deus. Já que púnhamos a autoconfiança em primeiro lugar não era possível uma verdadeira confiança num Poder Superior. Faltava aquele ingrediente básico da humildade, o desejo de buscar e fazer a vontade de Deus.

Os racionalizadores e os modestos
Nós, alcoólicos, somos os maiores racionaliza dores do mundo. Animados pela desculpa de que estamos fazendo grandes coisas para o bem de A. A., podemos, ao quebrar o anonimato, continuar com nossa antiga e desastrosa busca de poder e prestígio pessoal, honras públicas e dinheiro – as mesmas ambições implacáveis que, quando frustradas, certa vez nos conduziram à bebida.
O Dr. Bob era essencialmente uma pessoa muito mais humilde do que eu, e ele compreendeu o anonimato muito facilmente. Quando ficou evidente que ele estava mortalmente doente, alguns de seus amigos sugeriram que se erguesse um monumento ou mausoléu em sua homenagem e de sua esposa Anne – algo digno de um fundador e sua esposa. Falando-me a esse respeito, o Dr. Bob sorriu e disse: “Deus os abençoe. Eles têm boa intenção. Mas vamos deixar que tanto você quanto eu sejamos enterrados igual a qualquer outra pessoa”.
No cemitério de Akron, onde jazem o Dr. Bob e Anne, a lápide simples não diz sequer uma palavra a respeito de A. A. Esse comovente e definitivo exemplo de modéstia tem um valor mais permanente para A. A. do que qualquer promoção pública ou monumento grandioso.

Aceitando as dádivas de Deus
“Embora muito teólogos afirmem que as experiências espirituais súbitas representem alguma distinção especial ou algum tipo de preferência divina, eu questiono esse ponto de vista. Todo ser humano, qualquer que sejam seus atributos para o bem ou para o mal, é uma parte da economia espiritual divina. Portanto, cada um de nós têm seu lugar, e não posso aceitar que Deus pretenda elevar alguns mais do que outros.
“Dessa forma, é preciso que todos nós aceitemos qualquer dádiva positiva que recebamos com profunda humildade, tendo sempre em mente que primeiro foram necessárias nossas atitudes negativas, como um meio de nos reduzir a um estado tal que nos deixasse prontos para receber uma dádiva positiva através da experiência da conversão. Nosso próprio alcoolismo e a imensa deflação, que finalmente daí resultou, constituem na verdade a base sobre a qual repousa nossa experiência espiritual.”

A arrogância e seu oposto
Um possível membro muito teimoso foi levado pela primeira vez a uma reunião de A. A., na qual dois oradores (ou talvez palestrantes), falavam sobre o tema “Deus, como eu O concebo”. Suas atitudes manifestavam arrogância. De fato, o último orador se excedeu em suas convicções teológicas.
Ambos estavam repetindo, o que eu fazia anos atrás. Em tudo o que diziam estava implícita a mesma idéia: “Gente, ouçam o que estamos dizendo. Nós é que sabemos o que é o verdadeiro A. A. – e é melhor que vocês o aceitem”.
O novo possível membro disse que tinha entendido e foi embora. Seu padrinho protestou dizendo que isso não era o verdadeiro A. A., mas era tarde demais. Ninguém mais conseguiu abordá-lo depois disso.
Considero a “humildade só por hoje” como uma postura sadia e segura, um meio do caminho entre os violentos extremos emocionais. É um lugar tranqüilo, onde posso manter a perspectiva necessária e o suficiente equilíbrio para dar mais um pequeno passo no caminho claramente demarcado que conduz aos valores eternos.

Fé e ação
A educação e o treinamento religiosos de seu provável membro podem ser bem superiores aos que você tenha. Nesse caso, ele vai duvidar que você possa acrescentar alguma coisa, ao que ele já conhece. Mas desejará saber por que as próprias convicções não funcionaram, enquanto as suas parecem funcionar bem. Talvez ele seja um exemplo de que a fé sozinha não basta.
Para ser vital, a fé deve ser acompanhada de auto-sacrifício, altruísmo e ação construtiva.
Admita a possibilidade de ele saber mais a respeito de religião do que você, mas chame a atenção dele para o fato de que, por mais profundas que sejam sua fé e educação religiosa, essas qualidades não devem ter lhe servido muito, caso contrário ele não estaria solicitando ajuda.
O Dr. Bob não precisava de mim para sua orientação espiritual. Ele tinha mais do que eu. Na verdade o que ele mais precisava, quando nos encontramos pela primeira vez, era de uma profunda deflação e da compreensão, que somente um bêbado pode dar a outro. O que eu precisava era de humildade, de esquecimento de mim mesmo e de estabelecer um verdadeiro parentesco com outro ser humano de meu próprio tipo.

Uma Irmandade – muitas crenças
Como sociedade, nunca deveremos nos tornar vaidosos a ponto de supor que somos autores e inventores de uma nova religião. Humildemente refletimos que cada um dos princípios de A. A. foi retirado de fontes antigas.
Um ministro na Tailândia nos escreveu: “Levamos os Doze Passos de A. A. ao maior mosteiro budista desta província, e o sacerdote responsável pela organização disse: ‘Esses passos são excelentes! Para nós, budistas, eles seriam ainda mais aceitáveis se vocês tivessem inserido a palavra ‘bem’ em seus Passos, em vez de ‘Deus’. Entretanto, vocês dizem nesses Passos que é um Deus como cada qual O concebe, e isso certamente inclui o bem. Sim, os Doze Passos de A. A. certamente serão aceitos pelos budistas aqui.’”
Os membros mais antigos de St. Louis recordam como o Padre Edward Dowling ajudou-os a começarem seu grupo. Aconteceu de o grupo ser composto por uma grande maioria de protestantes, mas isso não o perturbava em absoluto.

Humildade para a Irmandade, também
Nós, Aas, às vezes exageramos as virtudes de nossa Irmandade. Não nos esqueçamos de que, na verdade, poucas dessas virtudes foram de fato conquistadas por nós. Para começar, fomos forçados a elas pelo cruel chicote do alcoolismo. Finalmente as adotamos, não porque o quiséssemos, mas sim porque fomos forçados a fazê-lo.
A seguir, à medida que o tempo ia confirmando a aparente correção de nossos princípios básicos, começamos a nos conformar porque essa era a coisa certa a fazer. Alguns de nós, e eu em especial, ajustamo-nos então, ainda que com alguma relutância.
Mas finalmente chegamos a um ponto onde passamos a desejar nos conformar com alegria com esses princípios que a experiência, sob a graça de Deus, nos ensinou.

Em direção à maturidade
Muitos membros mais antigos, que têm submetido a “cura das bebedeiras” de A. A. a severos mas bem-sucedidos testes, descobrem que frequentemente ainda lhes falta sobriedade emocional. Para obter isto, precisamos desenvolver real maturidade e equilíbrio (ou seja, humildade) em nossas relações com nós mesmos, com nossos semelhantes e com Deus.
Não permitamos nunca que A. A. seja uma entidade fechada; não recusemos nunca nossa experiência ao mundo que nos cerca, se ela puder ser útil e valiosa. Deixemos que nossos membros, individualmente, atendam o chamado de cada um dos campos da atividade humana. Deixemos que eles levem a experiência e o espírito de A. A. em todos esses assuntos, seja qual for o bem que posam realizar. Pois Deus nos salvou apenas do alcoolismo; o mundo nos recebeu de volta para a cidadania.

A. A. em duas palavras
“Todo o progresso de A. A. pode ser expresso em apenas duas palavras: humildade e responsabilidade. Todo nosso desenvolvimento espiritual pode ser medido, com precisão, conforme nosso grau de adesão a esses magníficos padrões.
“Uma humildade sempre mais profunda, acompanhada por uma crescente boa vontade para aceitar e cumprir com nossas responsabilidades – estas são realmente as pedras de toque para todo o crescimento na vida do espírito. Elas nos proporcionam a essência do bem, tanto no ser como no atuar. É por meio delas que conseguimos encontrar e fazer a vontade de Deus.”

O único propósito
Há quem profetize que A. A. pode muito bem tornar-se uma nova ponta de lança para um despertar espiritual no mundo todo. Quando nossos amigos dizem essas coisas, estão sendo não só generosos como também sinceros. Mas nós, de A. A. devemos refletir que tal homenagem e tal profecia podem acabar se transformando numa bebida tóxica para a maioria de nós, se realmente viermos a acreditar que esse é o verdadeiro propósito de A. A., e se começarmos a nos comportar dessa maneira.
Portanto, nossa sociedade deverá ajustar-se prudentemente a seu único propósito: o de levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre. Tratemos de resistir à orgulhosa idéia de que, se Deus nos permitiu o êxito numa área, estamos destinados a ser um meio de graça salvadora para todos.

A humildade traz a esperança
Já que agora não mais patrocinamos bares e bordéis, já que levamos o salário para casa, já que estamos tão ativos em A. A. e agora que as pessoas nos felicitam por esses sinais de progresso – bem, naturalmente ficamos nos felicitando. Certamente ainda não estamos muito perto de atingir humildade.
Deveríamos estar dispostos a tentar a humildade, procurando remover nossas imperfeições, da mesma forma que fizemos quando admitimos que éramos impotentes perante o álcool e viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia nos devolver à sanidade.
Se a humildade pôde nos permitir encontrar a graça, através da qual pôde ser banida a obsessão mortal do álcool, então deve haver esperança de se obter o mesmo resultado, em relação a qualquer outro problema que possamos ter.
(Fonte: Na Opinião do Bill – páginas: 10-36-38-40-46-74-97-106-139-160-168-199-212-223-226-244-271-304-325)

HUMILDADE – para hoje
por Bill
Não pode haver nenhuma humildade absoluta para nós, seres humanos. Na melhor das hipóteses, podemos apenas vislumbrar o significado e o esplendor desse ideal perfeito. Como diz o livro Alcoólicos Anônimos, “Não somos santos… reivindicamos o progresso espiritual, ao invés da perfeição espiritual”. Apenas Deus em Si mesmo pode se manifestar no absoluto; nós, seres humanos, temos que viver e crescer no domínio do relativo. Buscamos a humildade para hoje.
Consequentemente, na prática, nos perguntamos: “Exatamente o que significa ‘humildade para hoje’ e como a reconheceremos quando a encontrarmos?”
Dificilmente precisamos ser lembrados de que a culpa ou a revolta excessiva conduz à pobreza espiritual. Mas passou-se muito tempo antes que percebêssemos que podíamos ser ainda mais arruinados pelo orgulho espiritual. Quando nós, os primeiros Aas, tivemos nosso primeiro vislumbre do quão espiritualmente orgulhosos podíamos ser, criamos a expressão: “Não tente ficar maravilhosamente bem até Quinta feira!” Essa admoestação dos velhos tempos pode parecer outro desses jeitosos álibis que podem nos desculpar por não tentarmos fazer o melhor possível. Não obstante, uma análise mais apurada revela exatamente o contrário. Esta é a nossa forma em A. A. de nos precavermos contra a cegueira do orgulho e as perfeições imaginárias que não possuímos.
Agora que não freqüentamos mais bares e bordéis, agora que levamos o salário para casa, agora que somos tão ativos em A. A. e que as pessoas nos parabenizam por esses sinais de progresso – bem, naturalmente passamos a nos congratular com nós mesmos. E todavia podemos não estar ao alcance da humildade. Pretendendo agir corretamente e não obstante agindo mal, quantas vezes dissemos ou pensamos, “Meu plano é correto e o seu é falho”, “Graças a Deus os seus pecados não são os meus”, “Você está prejudicando A. A. e eu vou detê-lo”, “Eu tenho a orientação de Deus e portanto Ele está do meu lado”, e assim por diante, infinitamente.
A coisa alarmante acerca dessa cegueira do orgulho é a facilidade com que ela é justificada. Mas não precisamos ir muito longe para perceber que esse tipo de auto justificação ilusória é um destruidor universal da harmonia e do amor. Ela coloca homens contra homens e nações contra nações. Por meio dela, pode-se fazer com que toda as formas de loucura e violência pareçam certas e até mesmo respeitáveis. É claro que não cabe a nós condenar. Precisamos apenas investigar a nós mesmos.
Como podemos então trabalhar cada vez mais para reduzir nossa culpa, revolta e orgulho?
Quando inventário esses defeitos, gosto de pintar um quadro e contar uma história a mim mesmo. Meu quadro é aquele de uma Rodovia para a Humildade e minha história é uma alegoria. Em um dos lados da minha Rodovia, vejo um grande pântano. Os acostamentos da Rodovia acompanham um charco raso que finalmente se funde naquele lamaçal da culpa e da revolta no qual me afundei tão frequentemente. A auto-destruição está lá à espreita e eu sei disso. Mas o terrenos do outro lado da minha Rodovia parece excelente. Vejo clareiras convidativas e, além delas, grandes montanhas. As incontáveis trilhas que levam a essa terra agradável parecem seguras. Será fácil, penso eu, encontrar o caminho de volta.
Juntamente com alguns amigos, decido tomar um rápido atalho. Escolhemos nosso caminho e alegremente o seguimos. Sonhadoramente, alguém logo diz: “Talvez encontremos ouro no topo daquelas montanhas”. E então, para nossa surpresa, achamos ouro – não pepitas dos regatos, mas sim moedas plenamente cunhadas. Uma das faces dessas moedas apresenta a inscrição: “Isto é ouro puro – vinte e quatro quilates”. Com toda certeza, pensamos, esta é a recompensa pelo nosso paciente e penoso caminhar de volta para a eterna luminosidade da Rodovia.
Logo no entanto, começamos a notar as palavras na outra face das nossas moedas e temos estranhos pressentimentos. Algumas delas ostentam inscrições muito atraentes: “Eu sou o Poder”, “Eu sou a aclamação”, “Eu sou a riqueza”, “Eu sou a Retidão”, dizem elas. Mas outras inscrições parecem muito estranhas. Por exemplo: “Eu sou a Raça Suprema”, “Eu sou o Benfeitor”, “Eu sou as Boas Causas” e “Eu sou Deus”. Isso é muito intrigante. Não obstante, embolsamos as moedas. Mas em seguida vêm aquelas realmente chocantes e dizem: “Eu sou o Orgulho”, “Eu sou a Raiva”, “Eu sou a Agressão”, “Eu sou a Vingança”, “Eu sou a Discórdia”, “Eu sou o Caos”. Reviramos então uma única moeda – apenas uma – na qual se lê: “Eu sou o próprio Demônio”. E alguém entre nós fica horrorizado e grita: “Isto é ouro de tolo e este é o paraíso dos tolos – vamos cair fora daqui!”
Mas muito não querem voltar conosco. “Vamos ficar aqui e separar estas moedas malditas”, dizem eles. “Escolheremos apenas aquelas que trazem as inscrições felizes. Aquelas que dizem, por exemplo, ‘Poder’, ‘Glória’ e ‘Retidão’. Vocês vão se arrepender de não terem ficado aqui” . Não é de se estranhar que tenham se passado muitos anos antes que parte do nosso grupo original voltasse à Rodovia.
Essa é a história daqueles que juraram nunca voltar. Eles haviam dito: “Este dinheiro é ouro de verdade e não venham nos dizer o contrário. Vamos acumular tudo que pudermos. É claro que não gostamos dessas frases loucas. Mas há muita lenha aqui. Vamos fundir tudo isso em bons e sólidos tijolos de ouro”. Então os recém-chegados adicionaram: “Foi assim que o ouro do Orgulho levou nossos irmãos. Eles já estavam discutindo acerca dos seus tijolos quando partimos. Alguns estavam feridos e outros estavam morrendo. Eles haviam começado a se destruir uns aos outros”.
Esse quadro simbólico ilustra para mim graficamente como poderei conseguir a “humildade para hoje”, apenas na medida em que for capaz de evitar o pântano da culpa e da revolta, bem como aquela terra bela mas ilusória semeada com a moeda do Orgulho. É assim que poderei encontrar e permanecer na Estada para a Humildade que fica entre o pântano e a terra do outro lado. É portanto permanentemente necessário um inventário constante que possa revelar quando estou saindo do caminho.
É claro que nossas primeiras tentativas desse inventário estão prontas a ser muito irreais. Eu costumava ser um campeão da auto-avaliação irreal. Queria contemplar apenas a parte da minha vida que parecia boa. Exagerava em quaisquer virtudes que supunha haver conquistado. Em seguida eu me congratulava pelo grande trabalho que estava realizando. Assim, minha auto-ilusão inconsciente nunca falhava em converter o meu pequeno ativo bom em um sério passivo. Esse processo surpreendente era sempre agradável, Isso naturalmente gerava uma terrível ansiedade por mais “realizações” e ainda mais aprovação. Eu estava recaindo diretamente no padrão dos meus dias de bebedeira. Lá estavam os mesmos velhos objetivos – poder, fama e aplauso. Além disso, eu dispunha do melhor álibi conhecido – o álibi espiritual. O fato de eu ter realmente um objetivo espiritual sempre fez essa insensatez absoluta parecer perfeitamente justa. Eu não conseguia diferenciar uma moeda boa de outra ruim; era uma fundição de ouro em tijolos da pior espécie. Lamentarei para sempre os prejuízos que causei às pessoas ao meu redor. Na realidade, estremeço ainda quando percebo o que poderia ter feito para A. A. e seu futuro.
Naquela época, eu não estava muito preocupado acerca das áreas vitais nas quais estava imobilizado. Sempre havia um álibi. “Afinal de contas”, dizia a mim mesmo, “estou ocupado demais com questões muito mais importantes”. Essa era a minha prescrição quase perfeita para o conforto e a complacência.
Mas ocasionalmente eu tinha simplesmente que enfrentar determinadas situações onde, frente a frente, estava me saindo muito mal. De imediato, estabelecia-se uma assombrosa revolta. Em seguida, a procura de desculpas tornava-se frenética. “Essas são na realidade as falhas de um homem bom”, exclamava eu. Quando esse truque preferido finalmente se desmantelava, eu pensava: “Bem, se essa gente ao menos me tratasse direito, eu não teria que me comportar desse jeito”. A desculpa seguinte era: “Deus sabe muito bem que eu tenho medonhas compulsões. Não consigo simplesmente superar essa. Assim, Ele terá que me libertar”. Finalmente vinha o instante em que eu gritava: “Isso eu positivamente não farei; nem mesmo tentarei”. É claro que meus conflitos continuavam se acumulando, porque eu simplesmente estava cheio de desculpas e recusas.
Quando esses problemas haviam finalmente me esgotado o suficiente, havia ainda uma outra fuga. Eu começava a vadear no pântano da culpa. Lá, o orgulho e a revolta cediam espaço à depressão. Embora as variações fossem muitas, meu tema principal sempre era: “Eu sou horrível”. Assim como havia exagerado minhas modestas conquistas através do orgulho, assim eu exagerava agora meus defeitos através da culpa. Eu corria por aí confessando tudo (e muito mais!) a quem quer que me ouvisse. Acreditem ou não, eu tomava isso como uma grande humildade da minha parte e contava com isso como meu único ativo e consolação remanescentes!
Durante esse ataques de culpa, nunca havia um arrependimento decente pelos males que eu havia causado, nem propósito algum de fazer reparações conforme pudesse. Nunca me ocorreu a idéia de pedir perdão a Deus, muito menos de perdoar a mim mesmo. É claro que minha deficiência realmente grande – orgulho e arrogância espirituais – nunca era examinada. Eu havia desligado a luz por meio da qual poderia tê-la enxergado.
Acredito hoje que posso estabelecer uma clara conexão entre minha culpa e meu orgulho. As duas atitudes recebiam, com certeza, atenção. Quando orgulhoso eu podia dizer: “Olhem para mim, eu sou maravilhoso”. Na culpa eu resmungava: “Sou horrível”. Consequentemente, a culpa é na realidade o verso da moeda do orgulho. A culpa objetiva, a auto-destruição e o orgulho vida a destruição dos outros.
É por essa razão que veja a “humildade para hoje” como a posição segura entre esses dois extremos emocionais exagerados. Ela é um lugar calmo onde posso manter uma perspectiva e um equilíbrio suficientes para dar meu pequeno passo seguinte no caminho nitidamente demarcado que leva aos valores eternos.
Muitos de nós experimentaram oscilações emocionais muito maiores que as minhas. Outros experimentaram menos. Mas todos nós as experimentamos às vezes. Acredito no entanto que não precisamos lastimar esses conflitos. Eles parecem ser uma parte necessária do crescimento emocional e espiritual. Eles são a matéria-prima a partir da qual tem que ser realizado grande parte do nosso progresso.
Alguém duvida que A. A. não passe de um poço transbordante de dor e conflito? A resposta é: “Claro que não”. Em grande parte, nós Aas realmente encontramos a paz. Embora intermitentemente, conseguimos atingir uma crescente humildade cujos dividendos foram a serenidade e a alegria legítima. Não nos desviamos mais tanto quanto fazíamos.
No início dessa meditação, acreditava-se que os ideais absolutos estivessem muito além do nosso alcance ou mesmo da nossa compreensão; que careceríamos tristemente de humildade se realmente achássemos que podíamos atingir algo como a perfeição absoluta neste breve intervalo de existência terrena. Essa presunção seria certamente o ápice do orgulho espiritual.
Raciocinando dessa forma, muitas pessoas não fazem nenhuma concessão relativa aos valores espirituais absolutos. Os perfeccionistas, afirmam elas, ou estão cheios de presunção porque imaginam que atingiram algum objetivo impossível, ou então estão atolados na auto-condenação porque não fizeram na disso.
Penso que não devemos sustentar essa visão. Não é culpa dos grandes ideais que eles sejam ocasionalmente mal-utilizados, tornando-se assim desculpas esfarrapadas para a culpa, a revolta e o orgulho. Por outro lado, não poderemos crescer muito a menos que tentemos constantemente vislumbrar quais são os eternos valores espirituais. Como diz o Décimo Primeiro Passo do programa de recuperação de A. A.: “Procuramos melhorar, através da prece e da meditação, nosso contato com Deus na forma que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento da Sua vontade em relação a nós e forças para realizar esta vontade”. Isso certamente significa que devemos nos voltar Para Perfeição de Deus como nosso guia, ao invés de como o objetivo a ser atingido em algum período de tempo previsível.
Tenho certeza de que, por exemplo, devo procurar a melhor definição de humildade que me seja possível conceber. Essa definição não terá que ser absolutamente perfeita – sou apenas solicitado a tentar. Suponhamos que eu escolha uma definição como essa: “A humildade perfeita seria um estado de completa libertação de mim mesmo, libertação de todas a s exigências que meus defeitos de caráter me impõe agora tão pesadamente. A humildade perfeita seria uma disposição total, permanente e une presente para descobrir e cumprir a vontade de Deus”.
Quando medito sobre essa concepção, não preciso desanimar porque nunca a atingirei, nem preciso ficar cheio de mim por presumir que qualquer dia desse possuirei todas essas virtudes.
Preciso apenas apoiar-me na própria concepção, deixando-a crescer e preencher cada vez mais o meu coração. Feito isso, posso compará-la ao meu último inventário pessoal. Terei então uma idéia lúcida e sadia de onde realmente me encontro na Rodovia para Humildade. Percebo que minha jornada em direção a Deus apenas começou. A medida que sou reduzido ao meu tamanho e estatura corretos, minha auto-centralização e minha importância tornam-se divertidas. Cresce então a certeza de que tenho um lugar nessa Rodovia, de que posso avançar ao longo dela com uma paz e uma confiança cada vez mais profundas. Percebo mais uma vez que Deus é bom, que não preciso temer o mal. Esta é uma enorme dádiva, essa percepção de que a um destino para mim.
A medida em que continuo a contemplar a perfeição de Deus, descubro ainda mais uma alegria. Em criança, ouvindo a minha primeira sinfonia, senti-me arrebatado por uma indescritível harmonia embora pouco entendesse de onde ou como ela surgirá. Assim, quando ouço a Música das Esferas de Deus, posso ouvir novamente aqueles couros divinos através dos quais sou informado de que o grande compositor me ama – e de que eu O amo.
(Fonte: O melhor de Bill – paginas: 36 a 47)

HUMILDADE – Caminhos para:
NA OPINIÃO DO BILL

Nas mãos de Deus
Quando olhamos para o passado, reconhecemos que as coisas que nos chegaram quando nos entregamos nas mãos de Deus foram melhores do que qualquer coisa que pudéssemos ter planejado.
Minha depressão aumentou de forma insuportável até que finalmente me pareceu estar no fundo do poço, pois naquele momento o último vestígio de minha orgulhosas obstinação foi esmagado. Imediatamente me encontrei exclamando: “Se existe Deus, que Ele se manifeste! Estou pronto para fazer qualquer coisa, qualquer coisa!”
De repente, o quarto se encheu de uma forte luz. Pareceu-me com os olhos de minha mente, que eu estava numa montanha e que soprava um vento, não de ar, mas de espírito. E então tive a sensação de que era um homem livre. Lentamente o êxtase passou. Eu estava deitado na cama, mas agora por instantes me encontrava em outro mundo, um mundo novo de conscientização. Ao meu redor e dentro de mim, havia uma maravilhosa sensação de presença e pensei comigo mesmo: “Então, esse é o Deus dos pregadores!”

Buscando o ouro do insensato
O orgulho é o grande causador da maioria das dificuldades humanas, o principal obstáculo ao verdadeiro progresso. O orgulho nos induz a exigir de nós e dos outros; e as exigências não podem ser cumpridas sem perverter ou fazer mau uso dos instintos que Deus nos deu. Quando a satisfação de nossos instintos em relação ao sexo, segurança e posição social se torna o único objetivo de nossa vida, então o orgulho entre em cena para justificar nossos excessos.
Posso alcançar a “humildade por hoje” apenas na medida em que sou capaz de evitar, por um lado, o lamaçal de sentimentos de culpa e revolta, e por outro, essa bela mas esmagadora terra semeada de moedas de ouro do orgulho do insensato. É assim que posso encontrar e permanecer no verdadeiro caminho da humildade, que está situado entre esses dois extremos. Logo, é necessário um inventário constante que possa mostrar quando me afasto do caminho.

O sistema econômico de Deus
“No sistema econômico de Deus, nada é desperdiçado. Através do fracasso, aprendemos uma lição de humildade que é provavelmente necessária, por mais dolorosa que seja.”
Nem sempre chegamos mais perto da sabedoria por causa de nossas virtudes; nossa melhor compreensão frequentemente tem fundamento nos sofrimentos de nossos antigos desatinos. Pelo fato disso ter sido a essência de nossa experiência individual, é também a essência de nossa experiência como irmandade.

Aceitação diária
“Grande parte de minha vida foi passada repisando as faltas dos outros. Essa é uma das muitas formas sutis e maldosas de auto-satisfação, que nos permite ficar confortavelmente despreocupados a respeito de nossos próprios defeitos. Inúmeras vezes dissemos: ‘Se não fosse por causa dele (dela), como eu seria feliz!’”
Nosso primeiro problema é aceitar nossas circunstâncias atuais como são, a nós mesmos como somos, e as pessoas que nos cercam como também são. Isso é adotar uma humildade realista sem a qual nenhum verdadeiro progresso pode sequer começar. Repetidamente precisaremos voltar a esse pouco lisonjeiro ponto de partida. Esse é um exercício de aceitação que podemos praticar com proveito todos os dias de nossas vidas.
Desde que evitemos arduamente transformar esses reconhecimentos realistas dos fatos da vida em álibis irreais para a prática da apatia ou do derrotismo, eles podem ser a base segura sobre a qual pode ser construída a crescente saúde emocional e, portanto, o progresso espiritual.

Não podemos viver sozinhos
Todos os Doze Passos de A. A. nos pedem para irmos contra nossas desejos naturais; todos eles reduzem nosso ego. Quando se trata da redução do ego, poucos Passos são mais duros de aceitar do que o Quinto Passo. Dificilmente qualquer um deles é mais necessário à sobriedade prolongada e à paz de espírito.
A experiências de A. A. nos ensinou que não podemos viver sozinhos e com os problemas que nos pressionam e com os defeitos de caráter que os causam ou agravam. Se passarmos o holofote do Quarto Passo sobre nossas vidas, e se ele mostrar, para nosso alívio, aquelas experiências que preferimos não lembrar, então se torna mais urgente do que nunca desistirmos de viver sozinhos com aqueles atormentadores fantasmas do passado. Temos que falar deles para alguém.
Não podemos depender totalmente dos amigos para resolver todas as nossas dificuldades. Um bom conselheiro nunca pensará em tudo, por nós. Ele sabe que a escolha final deve ser nossa. Entretanto, ele pode ajudar a eliminar o medo, oportunismo e a ilusão, tornando-nos capazes de fazer escolhas afetuosas, prudentes e honestas.

Coragem e prudência
Quando o medo persistiu, nós já o conhecíamos e fomos capazes de lidar com ele. Começamos a ver cada adversidade como uma oportunidade enviada por Deus para desenvolver a espécie de coragem que nasce há humildade não do desafio.
A prudência é um terreno trabalhável, um canal de navegação seguro entre os obstáculos do medo de um lado e descuido do outro. A prudência na prática cria um clima definido, o único clima em que a harmonia, eficiência e progresso espiritual firmes podem ser conseguidos.
“A prudência é o interesse racional sem preocupação.”

A humildade perfeita
Eu, por minha parte, tento encontrar a definição mais verdadeira de humildade que puder. Ela não será a definição perfeita porque eu serei sempre imperfeito.
Nesse artigo, escolheria a definição seguinte: “A humildade absoluta consistiria num estado de completa libertação de mim mesmo, na libertação de todas as exigências que meus defeitos de caráter lançam tão pesadamente sobre mim agora. A humildade perfeita seria a total boa vontade de, em todos os momentos e lugares, reconhecer e fazer a vontade de Deus”.
Quando penso nessa visão, não preciso ficar desanimado porque nunca a atingirei, nem preciso me encher da presunção de que algum dia alcançarei todas essas virtudes.
Preciso apenas contemplar essa visão, deixando-a crescer e encher meu coração. Isto feito, posso compará-la ao meu último inventário pessoal. Tenho então uma saudável idéia de onde me encontro no caminho para a humildade. Vejo que minha caminhada em direção a Deus apenas começou.
Ao reduzir-me ao meu verdadeiro tamanho, minhas preocupações comigo mesmo e o sentimento de minha própria importância fazem-me rir.

“Admitimos perante Deus…”
Desde que você não esconda nada, ao fazer o Quinto Passo, sua sensação de alívio aumentará de minuto a minuto. As emoções reprimidas durante anos saem de seu confinamento e, milagrosamente, desaparecem à medida que são reveladas. Com a diminuição da dor, uma tranqüilidade restauradora toma seu lugar. E quando a humildade e a serenidade estiverem assim combinadas, pode acontecer algo de grande significação para nós.
Muitos Aas, anteriormente agnósticos ou ateus, nos dizem que foi nessa fase do Quinto Passo que de fato sentiram, pela primeira vez, a presença de Deus. E mesmo aqueles que já tinham fé, muitas vezes tomaram consciência de Deus como nunca antes.

Guia para um caminho melhor
Quase nenhum de nós gostou da idéia do auto-exame, da redução do orgulho e da confissão das imperfeições que os Passos requerem. Mas vimos que o programa realmente funcionava para os outros e viemos a acreditar na desesperança da vida tal como estávamos vivendo.
Portanto, quando fomos abordados por aquelas pessoas que tinham resolvido o problema, só nos restou apanhar o simples conjunto de instrumentos espirituais que puseram ao nosso alcance.
Nas Tradições de A. A. está implícita a confissão de que nossa Irmandade tem suas falhas. Confessamos que temos defeitos de caráter, como sociedade, e que esses defeitos nos ameaçam continuamente. Nossas Tradições são um guia para melhores formas de trabalhar e de viver, e representam para a sobrevivência e harmonia do grupo o que os Doze Passos de A. A. representam para a sobriedade e paz de espírito de cada membro.

Percepção da humildade
Uma melhor percepção da humildade inicia uma mudança revolucionária em nossa maneira de ver. Nossos olhos começam a se abrir aos imensos valores resultantes do doloroso esvaziamento do ego. Até agora, dedicamos grande parte de nossas vidas a fugir do sofrimento e dos problemas. A fuga através da garrafa foi sempre nossa solução.
Então, em A. A., observamos e escutamos. Por todo lado vimos o fracasso e a miséria transformados pela humildade em valores inestimáveis.
Para quem tem progredido em A. A., a humildade significa uma claro reconhecimento do que e de quem realmente somos, seguido de uma tentativa sincera de nos tornar aquilo que poderíamos ser.

Entre os extremos
“ verdadeira questão é se podemos aprender de nossas experiências algo que sirva de base para podermos crescer e para ajudar outros a crescerem à imagem e semelhança de Deus.
“Sabemos que se nos negarmos a fazer aquilo que é razoavelmente possível para nós, seremos castigados. E também seremos castigados se pretendermos ter uma perfeição que simplesmente temos.
“Aparentemente o caminho da relativa humildade e progresso deve estar entre esses extremos. Em nosso lento progresso em abandonar a rebeldia, a verdadeira perfeição está sem dúvida muito distante.”

O começo da humildade
“Há poucos pontos absolutos inerentes aos Doze Passos. Quase todos os Passos estão abertos à interpretação baseada na experiência e na visão do indivíduo.
“Consequentemente, o indivíduo é livre para começar os Passos no ponto em que puder ou quiser. Deus, como nós O concebemos, pode ser definido como um ‘Poder maior…’ ou, como o Poder Superior. Para milhares de membros, o próprio grupo de A. A. tem sido, no início, um ‘Poder Superior’. Esse reconhecimento é fácil de aceitar, se o recém-chegado sabe que os membros, em sua maioria, estão sóbrios e ele não.
“Sua admissão é o começo da humildade – pelo menos o recém-chegado está disposto a renunciar à idéia de que ele mesmo é Deus. Isso é tudo o que ele precisa para começar. Se, continuando esta admissão, ele relaxar e praticar todos os Passos que puder,certamente crescerá espiritualmente.”
Alcançando a humildade
Percebemos que não precisávamos sempre apanhar e levar cacetadas para ter humildade. Ela poderia ser alcançada seja se a procurássemos voluntariamente, seja pelo constante sofrimento.
Em primeiro lugar, procuramos obter um pouco de humildade, sabendo que morreremos de alcoolismo se não o fizermos. Depois de algum tempo, embora ainda possamos nos revoltar, até certo ponto, começamos a praticar a humildade, porque essa é a coisa certa a se fazer.
“Chega então o dia em que, finalmente livres da revolta, praticamos a humildade, porque no fundo a queremos como um modo de vida.”

Complete a limpeza da casa
Muitas vezes, os recém-chegados procuram guardar para si mesmos os fatos desagradáveis referentes às suas vidas. Tentando evitar a experiência humilhante do Quinto Passo, eles tentaram métodos mais fáceis. Quase sem exceção se embriagaram… Tendo preservado no resto do programa, perguntavam-se porque tinham recaído.
Acho que a razão é que eles nunca completaram a limpeza de sua casa. Fizeram seu inventário, mas continuaram agarrados a alguns de seus piores defeitos. Eles somente pensaram que tinham perdido seu egoísmo e medo. Somente pensaram que tinham se humilhado. Mas não tinham aprendido o suficiente sobre humildade, coragem e honestidade. Até que contaram a outra pessoa toda a sua vida.

Perfeição – apenas um objetivo
Nós, seres humanos, não podemos ter humildade absoluta. No máximo podemos apenas vislumbrar o significado e o esplendor desse perfeito ideal. Só Deus pode Se manifestar no absoluto; nós seres humanos, precisamos viver e crescer no domínio do relativo.
Assim sendo, buscamos progredir na humildade para hoje.
Poucos de nós estão prontos para sequer sonhar com a perfeição moral e espiritual; queremos apenas nos desenvolver tanto quanto esteja ao nosso alcance nessa vida, de acordo, é claro, com as mais variadas idéias que cada um tenha sobre o que esteja ao seu alcance. Lutamos equivocadamente para alcançar objetivos determinados por nós mesmos, em vez de lutar pelo objetivo perfeito, que é o objetivo de Deus.

O instinto de viver
Quando homens e mulheres ingerem tanto álcool a ponto de destruir suas vidas, cometem um ato totalmente antinatural. Contrariando seu desejo instintivo de auto preservação, parecem estar inclinados à auto destruição. Lutam contra seu mais profundo instinto.
Á medida que vão progressivamente se humilhando pela terrível surra administrada pelo álcool, a graça de Deus pode penetrar neles e expulsar sua obsessão. Aqui, seu poderoso instinto de viver pode cooperar plenamente com o desejo de seu Criador de lhes dar uma nova vida.
“A característica central da experiência espiritual consiste em dar a quem a experimenta uma nova e melhor motivação, fora de qualquer proporção com qualquer processo de disciplina, crença ou fé.
“Essas experiências não podem nos tornar íntegros de uma vez; constituem um renascimento a uma nova e verdadeira oportunidade.”

Precisamos a ajuda de fora
Era evidente que uma auto-avaliação, feita a sós, e admissão de nossos defeitos, baseada só nessa avaliação, nem de longe seriam suficientes. Tínhamos que ter ajuda de fora, se quiséssemos saber e admitir a verdade a nosso respeito – a ajuda de Deus e de um outro ser humano.
Somente através de uma discussão sobre nós mesmos, sem esconder nada, somente com a disposição de seguir conselho em direção ao pensamento correto, à honestidade sólida e à verdadeira humildade.
Se estivermos nos enganando, um conselheiro competente pode rapidamente percebê-lo. E, à medida que ele habilmente nos afasta de nossas fantasias, ficamos surpresos ao descobrir que vamos tendo poucos dos costumeiros ímpetos de nos defender das verdades desagradáveis. De nenhuma outra forma podem desaparecer tão prontamente o medo, o orgulho e a ignorância. Depois de certo tempo, percebemos que estamos numa nova base firme para a integridade, e agradecidos damos crédito a nossos padrinhos, cujos conselhos nos indicaram o caminho.

Para matar ou curar o sofrimento
“Acredito que quando éramos alcoólicos ativos, bebíamos principalmente para acabar com o sofrimento de um tipo ou de outro – físico, emocional ou psíquico. É claro que cada pessoa tem um ponto fraco, e suponho que você tenha encontrado o seu – por essa razão é que recorremos à garrafa outra vez.
“Se eu fosse você, não me culparia tanto por isso; por outro lado, a experiência deveria redobrar sua convicção de que o álcool não tem um poder permanente para acabar com o sofrimento”.
Em cada história de A. A., o sofrimento tinha sido o preço da admissão para uma nova vida. Mas esse preço tinha comprado mais do que esperávamos. Ele trouxe humildade, que logo descobrimos que era um remédio para o sofrimento. Começamos a ter menos medo do sofrimento e a desejar a humildade mais do que nunca.

Desde a raiz principal
O princípio de que não encontraremos qualquer força duradoura, sem que antes admitamos a derrota total é a raiz principal da qual germinou e floresceu nossa sociedade toda.
É dito a todo recém-chegado, e logo ele percebe por si mesmo, que sua humildade admissão de impotência perante o álcool constitui o primeiro passo em direção à libertação de seu jugo embriagador.
Assim, pela primeira vez, vemos a humildade como uma necessidade. Mas isso é apenas o começo. Afastar completamente nossa aversão à idéia de ser humildes, obter uma visão da humildade como o caminho que leva à verdadeira liberdade do espírito humano, trabalhar para a conquista da humildade como algo desejável por si mesmo, são as coisas que demoram muito, muito tempo para a maioria de nós. Uma vida inteira dedicada ao egocentrismo não pode ser mudada de repente.

Contado o pior
Embora fossem muitas as variações, meu principal tema era sempre: “Como sou terrível!” Do mesmo modo como muitas vezes, por orgulho, exagerava minhas mais modestas qualidades, também exagerava meu defeitos através do sentimento de culpa. Em todos os lugares, eu vivia confessando tudo (e mais um pouco) a quem quisesse me ouvir. Acreditem ou não, eu achava que essa ampla exposição de meus erros era uma grande humildade de minha parte e considerava isso um consolo e um grande bem espiritual.
Porém, mais tarde, percebi profundamente que na verdade não tinha me arrependido dos danos que causei aos outros. Esses episódio eram apenas a base para contar histórias e fazer exibicionismo. Junto com essa compreensão, veio o começo de um certo grau de humildade.

Nosso manto maior
Quase todo jornalista que vai fazer uma reportagem sobre A. A. se queixa, a princípio, da dificuldade de escrever sua matéria sem citar nomes. Mas esquece rapidamente esta dificuldade quando compreende que este é um grupo de pessoas que não se preocupa de forma alguma com o aplauso.
Provavelmente é a primeira vez em sua vida que ele faz uma reportagem sobre uma organização onde ninguém quer publicidade pessoal. Por mais cético que ele seja, essa sinceridade evidente o transformará num amigo de A. A.
Movidos pelo espírito do anonimato, enquanto membros de A. A. tentamos deixar de lado nossos desejos naturais de distinção pessoal, tanto entre nossos companheiros alcoólicos como ante o público em geral. À medida que deixamos de lado estas aspirações muito humanas, acreditamos que cada um de nós contribui para tecer um manto protetor que cobre toda nossa sociedade e sob o qual podemos crescer e trabalhar em unidade.
(Fonte: Na Opinião do Bill – paginas: 2-12-31-44-83-91-106-126-149-156-159-191-211-213-236-246-248-291-305-311-316)

A HUMILDADE É O TRAJE DO ANONIMATO E O ANONIMATO É A EXPRESSÃO DA HUMILDADE
Uma criação em lar religioso me incutiu uma noção de humildade sempre ligada a ficar de joelhos. Na minha vida adulta engrossei o caudal daqueles que vêem humildade intimamente relacionada à pobreza. Foi difícil entender o sentido de humildade. Em A. A. me foi mostrado que nossos Doze Passos refletem um conteúdo de humildade, quase sempre ao lado da fé.
Foi relativamente fácil relacionar um conteúdo de humildade com a heterogênica composição de nossa Unidade. Entendia humildade como a minha coexistência no Grupo em pé de igualdade com companheiros menos providos de recursos ou de escolaridade. Aceitei essa condição de bom grado. Acresce que a não-religiosidade de A. A. me liberava de ver a humildade em atitude de genuflexão.
Foi cômodo formar uma convicção de que o A. A. teria uma concepção diferente de humildade. Levou tempo para que percebesse que não existem distintas acepções de humildade.
Talvez a descrição que alguém possa fazer da humildade contenha uma visão particular que de forma alguma destoa do significado único.
Em dicionários encontrei definições secundárias de humildade, que contemplavam uma noção de modéstia, pobreza e ainda respeito, reverência e submissão. Contudo, em destaque, a definição: Humildade: virtude que nos dá o sentimento de nossa fragilidade. A aceitação de nossa condição humana.
A aceitação de nossa condição humana nos tira a veleidade de sermos Deus. Essa mesma aceitação de nossa humildade nos põe, de imediato, em nível de igualdade com as criaturas e nos induz mais facilmente ao reconhecimento de um Criador. Daí a total desnecessidade de darmos relevo à nossa personalidade. Daí a importância de nos despirmos dos atos que nos destacam. Daí a convicção plena de que nosso maior tesouro está em nossas intenções.
E que a pura alegria de nosso sentimento íntimo, vale mais, é mais gratificante do que os momentos de pequena glória que podemos ter ao declarar nossa autoria.
(Fonte: Revista Vivência – 91 – Set./Out. 2004 – Guaracy)

“HUMILDEMENTE ROGAMOS A ELE QUE NOS LIVRASSE DE NOSSAS IMPERFEIÇÕES”
Ao pedir:
“Humildade”: refiro-me sinceramente às minhas limitações reconhecendo que sou falível, sujeito a cometer erros.
“Rogamos”: peço e suplico a Ele.
“Ele”: um Ser Superior a mim, potencializa dor e iluminador da minha auto-imagem.
“Que nos livrasse”: que me possibilite ficar resguardado, a salvo.
“De nossas imperfeições”: incorreções ou falhas apuradas nos Passos anteriores.
Notemos que a palavra “Ele” na frase está unindo o nosso reconhecimento da superioridade de Deus ao nosso desejo de evoluir e crescer seguindo Sua orientação e preceitos.
No 7º Passo o que se faz é reconhecer que apesar do esforço que fizemos nos 4º, 5º e 6º Passos para fazer um inventário o mais completo e honesto possível de nossa vida passada relacionando por escrito tudo de que nos lembramos e reexaminando cautelosamente com lisura e isenção de ânimo, de tudo o que foi listado pode haver ocorrido omissões involuntárias.
Além disso, existe ainda a possibilidade de não termos feito uma avaliação plenamente a certada no nosso inventário, já que nossa capacidade de discernir e apreciar com imparcialidade as coisas é muito inferior à de Deus.
Justo por isso nós Lhe pedimos com humildade que potencialize nosso espírito e nossa mente suprindo suas deficiências de modo que possamos conhecer a verdade sobre nós e nosso comportamento, incorporando à nossa imagem mental fatos exatos com base nos quais possamos corrigir os erros que cometemos livrando-nos assim, dos danos que causamos a nós mesmos, criando condições de reparar nos Passos seguintes os danos causados a terceiros.
Em outras palavras, eu peço a Deus que me auxilie ampliando minha capacidade de entendimentos e compreensão além do normal.
Chegou a hora de percorrer o caminho rumo à liberdade do espírito com a ajuda de um Poder Superior a mim mesmo. Com a ajuda deste Poder Superior que eu chamo de Deus, eu, alcoólico, compreenderei que me julguei espezinhado, fiz péssimos conceitos de mim mesmo, acumulei críticas a respeito de meus pensamentos e ações e adquiri sentimentos de inferioridade, de não prestar, baseado somente em provas que qualquer pessoa imparcial rejeitaria e quase sempre motivado por um perfeccionismo injustificável.
Através do 7º Passo descobrirei que é hora de encontrar um conceito verdadeiro a respeito da minha pessoa passando a agir como amigo e não como inimigo de mim mesmo.
Saberei que não sou herói nem vilão, mas apenas um ser humano com defeitos e qualidades como qualquer outro e que está neste mundo para evoluir fazendo o bem a mim mesmo e a meus semelhantes. Por pior que alguém seja sempre tem algo de bom para oferecer.
Percebi ainda com clareza o essencial: tenho que me perdoar e gostar de mim mesmo para poder perdoar e gostar dos outros.
Descobri que mudar meus hábitos colocando coisas novas e boas em minha mente vão ajudar-me a construir uma imagem adequada e realista baseada no meu sucesso e não no meu fracasso.
Para mim foi e é tremendamente importante para a prática deste Passo o convívio e a frequência às reuniões de A. A., onde consegui vividamente me aceitar como sou e aos outros como são através dos exemplos, da compreensão, da solidariedade e do sentimento de integração em um grupo social em vez do isolamento.
A troca de idéias e experiências, o encontro de novos e verdadeiros amigos, a visão de novos horizontes e caminhos, além de uma série enorme de outras coisas que só existem em A. A. facilitaram muito minha integração no mundo e na vida como um ser digno, decente e capaz.
No Grupo tenho desfrutado de momentos em que sinto algo parecido à verdadeira paz de espírito; meus olhos começaram a se abrir aos imensos valores que resultaram diretamente do doloroso esvaziamento do ego.
Sozinho nada sou, o Pai é que faz!
Tenho procurado cultivar a virtude da humildade, este dom que Deus me deu para que, através dele eu reconheça meu exato tamanho.
Praticando este Passo procuro me tornar livre de minhas imperfeições no tanto que for possível, mas não me tornando perfeccionista, porque só Deus é perfeito.
É bom ter sempre na mente estas verdades:
“Não sou melhor porque me louvam, nem sou pior porque me censuram. Sou, na verdade, o que sou aos Teus olhos Senhor e, à luz da minha consciência”.
“O que vem de fora não me faz mal porque não me torna mal. Só que vem de dentro pode me fazer mal, porque pode me tornar mal”.
Concluo que todos nós podemos e devemos ser felizes.
A alegria e a risada espontânea contagiam assim como tudo mais que sai naturalmente de dentro.
É um fato psicológico que os sentimentos que temos para com as outras pessoas são os sentimentos que temos em relação a nós mesmos.
Nós damos o que possuímos.
Quando começamos a nos sentir mais caridosos com os outros estamos fazendo a mesma coisa conosco.
É dessa maneira que nos tornamos melhores e nos livramos de nossos defeitos e imperfeições rumo à liberdade do espírito. Passando a gostar de nós mesmos, limpamos a nossa casa (mente) e ficamos em condições de ir recolher o lixo que jogamos na casa dos outros (8º Passo).
Aprender a “viver com os outros” é uma aventura fascinante!
(Fonte: Revista Vivência Nº 117 – Antônio)

HUMILDADE
“Um sentimento que leva a pessoa a reconhecer suas próprias limitações”
Humildade é uma palavra que vem do latim “húmus” que significa terra boa para se cultivar, que recebe bem e germina a semente. Refere-se à qualidade daqueles que sabem ouvir e não tentam se projetar sobre as outras pessoas, nem mostrar serem superiores a elas.
A humildade é a virtude que mostra o sentimento exato da nossa fraqueza, modéstia, respeito, pobreza, reverência e submissão.
É nessa posição que talvez se situe a humildade confissão de Albert Einstein quando reconhece que “por detrás da matéria há algo de inexplicável”..
A humildade é preciosa aos olhos de Deus e revela que quem possuir será mais e mais abençoado e agraciado com os Seus cuidados; ela conserva a alma na tranqüilidade e contentamento, mesmo em meio às dificuldades diárias e gera a paciência e resignação nos momentos mais difíceis.
Pode-se defini-la como “um sentimento que leva a pessoa a reconhecer suas próprias limitações; modéstia; ausência de orgulho.
É conveniente que utilizemos a humildade para eliminarmos nossos defeitos, tal como o fizemos ao admitir que éramos impotentes perante o álcool e chegamos à crença de que um Poder Superior a nós mesmos nos poderia devolver a sanidade. Se a humildade pode capacitar-nos a encontrar a graça por meio da qual a obsessão conseguiu desvanecer-se, então deve existir a esperança de que conseguiremos os mesmos resultados com respeito a qualquer outro problema que possamos ter.
A humildade é tão importante para mantermo-nos sóbrios como comer e beber é importante para nossa sobrevivência.
Conseguir ser humilde é o princípio essencial de cada um dos Doze Passos; é o caminho da tolerância que nos mantém sóbrios. Sem desenvolver esta preciosa virtude perderemos a probabilidade de encontrar a felicidade.
Procurando ser humilde tenho tentado ser honesto comigo e com meus semelhantes para aprender a admitir e corrigir minhas falhas. Se cultivo o orgulho não enxergo a realidade, torno-me incapaz de amar, de perdoar, de aceitar, de tolerar e de conviver.
A prática da humildade consiste em desenvolver sentimentos há muito perdidos principalmente por causa do alcoolismo: a compaixão pela dor do outro, a misericórdia pelos sentimentos alheios, a empatia de me perceber igual nas perdas e nas conquistas.
Registro aqui minha gratidão por estar hoje sóbrio, conquistando dia a dia minha vida envolto pelo amor de um Poder Superior a mim que, se eu deixar me livrará de minhas imperfeições.
(Fonte: Revista Vivência – 117 – Jan./Fev. 2009 – Jorge)

7º PASSO
“Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições”
Este Passo inicia-se com uma palavra chave para o nosso processo de recuperação: HUMILDADE. Uma das palavras de nossa língua com a qual perdemos um grande tempo tentando explicá-la e nunca conseguimos devido à grande dificuldade em praticá-la.
Desde criança recebemos direcionamentos para sermos o melhor, o mais bonito, o mais capaz e quando o fazemos nos colocam num pedestal e nos inflam o ego.
Geralmente encontramos grande dificuldade para analisar nossas imperfeições, pois é muito cômodo culpar os outros e essas imperfeições são a causa do nosso deficiente relacionamento.
Quando por necessidade somos obrigados a nos retratar chamamos a isto de renúncia e nos orgulhamos de nossa atitude.
Este Passo nos traz uma novidade: – o não exigir e sim pedir.
Nossos defeitos são sempre alimentados pelo medo de perder ou não conseguir algo que consideramos essencial para nossa felicidade.
Sabemos que alguns de nossos defeitos dependem só de nossa própria vontade para serem corrigidos: – mentimos porque queremos ou gostamos; fofocamos, agredimos com palavras e atitudes, somos donos da verdade, somos impacientes, procrastinamos, somos falsos, etc. porque nos acostumamos a isso e disso tudo podemos nos livrar adotando novas atitudes.
Existem, porém problemas que são mais graves, pois são inerentes à nossa personalidade.
Quando perdemos o controle erramos instintivamente e o posterior arrependimento nada resolve ou ainda piora a situação. Deste descontrole somente Ele nos pode oferecer condições de nos livrarmos.
Analisando friamente o assunto em minha vida constatei que tenho que fazer alguma coisa, pois todo o descontrole parte de uma situação perfeitamente controlável.
Sem me dar conta, inicio um processo que pouco a pouco alimenta neurose que me domina e só termina quando explodo e, normalmente esta explosão tem que atingir alguém que culpo por aquele meu estado, pois adoro ser vítima.
Através da prática deste Passo venho conseguindo paz interior, tranqüilidade e sobriedade, que dependem muito da minha capacidade de ser equilibrado e responder aos problemas com atitudes dentro de uma faixa de reações emocionais normais.
Venho conseguindo este novo modo de viver trilhando a proposta dos Doze Passos de A. A. e freqüentando as reuniões do Grupo, onde encontro cumplicidade e calor humano.
Do próximo Passo em diante vou me preparar para um mundo que será sempre o mesmo: – eu é que deverei ser diferente.
Fui excluído por ser diferente de uma forma negativa e agora, a inclusão vai depender de mim, que eu seja mais uma vez diferente, porém de maneira positiva.
(Fonte: Revista Vivência – 117 – Jan./Fev.2009 – Érico/SP)

A ORAÇÃO DO SÉTIMO PASSO
“Libertação do egoísmo em busca da humildade.”
Em uma reunião de serviços de A. A. onde os nervos de certos companheiros, inclusive os meus, já estavam à flor da pele para serem manifestados, um companheiro sereno fez a seguinte pergunta: vocês já fizeram a oração do 7º Passo?
Todos ficaram perplexos. Eu mesmo tentei lembrar que oração era esta, mas não consegui. Espera aí! Tem oração no Sétimo Passo?
Que oração é essa? Eu conhecia muito bem as orações da Serenidade e de São Francisco, as duas mais usadas em A. A., mas a oração do Sétimo Passo passou-me despercebida.
Então o companheiro pegou o “Livro Azul” (Alcoólicos Anônimos) e no capítulo 6 “Entrando em Ação” onde Bill W. escreve sobre os Doze Passos e justamente no Sétimo Passo havia essa oração que dizia assim:
“Meu criador, agora desejo que me aceites como sou, por inteiro, bom e mau. Peço que removas de mim tudo e qualquer defeito de caráter que me impeça de ser útil a Ti e aos meus companheiros. Conceda-me forças para que ao sair daqui, eu cumpra as tuas ordens. Amém!”
Chegando em casa refleti melhor sobre esta oração e sobre a mensagem deste passo que me fez olhar alguns de meus defeitos de frente e humildemente pedir que o Poder Superior arrancasse de dento de mim todo o mal.
Quando surgem situações que querem destruir minha serenidade, a dor muitas vezes me leva a pedir a Deus a clareza para identificar meu papel na situação.
Admitindo minha impotência perante meus defeitos peço por aceitação. Tento ver como meus defeitos de caráter contribuíram para a situação. Poderia ter sido mais paciente? Fui tolerante, insisti em fazer da minha maneira? Estava assustado?
Á medida que meus defeitos são revelados, coloco a autoconfiança de lado e humildemente peço a Deus que remova minhas imperfeições.
A situação pode não mudar, mas com a prática de exercitar a humildade, desfruto de paz e serenidade, que são os benefícios naturais por colocar minha confiança em um Poder Superior a mim mesmo.
Descobri neste Passo a solução! Ao invés de tentar fugir de minhas dores e desejar que meus problemas desapareçam, posso rezar pedindo humildade!
A humildade curará a dor. A humildade permitirá que eu me aceite alegremente como ser humano, sujeito a erros! Repetidamente trabalhei no Sétimo Passo. Ás vezes retrocedia e me reorganizava. Faltava alguma coisa e me escapava o trabalho do Passo: – o que eu não havia visto direito? Uma palavra simples, lida, mas ignorada, a base de todos os Passos, na verdade de todo o programa de Alcoólicos Anônimos; essa palavra é humildemente.
Entendi muito de meus defeitos. Constantemente adiava meu trabalho, ficava com raiva facilmente, sentia muita auto-piedade, e pensava: – por que eu? Então me lembrei: “o orgulho sempre vem antes da queda” e eliminei o orgulho da minha vida…
Descobri que a verdadeira alegria da vida está em dar algo ao próximo.
Ficar livre das minhas imperfeições faz com que eu possa mais livremente fazer meu serviço e permite que cresça em mim a humildade. Minhas imperfeições podem ser colocadas humildemente, aos cuidados amorosos de Deus para que possam ser removidas.
A essência do 7º Passo é a humildade e a melhor maneira de buscá-la é poder dar tudo de mim para Deus: o bom e o mau para que “Ele” possa remover o mau e devolver-me o bom.
Tendo admitido minha impotência perante alguns defeitos, e tomando a decisão de colocar minha vida e minha vontade aos cuidados de Deus, não sou eu quem decide quais defeitos serão removidos, nem a ordem que serão removidos, ou ainda a hora que serão removidos.
Peço a Deus que decida quais os defeitos que me impedem de ser útil a ”Ele” e aos outros e então, humildemente peço que os remova.
Não estou mais disposto a viver com a multidão de defeitos de caráter que caracterizaram minha vida quando eu bebia. O Sétimo Passo é o meu veículo para libertação destes defeitos. Rezo para ser ajudado a identificar o medo escondido nos defeitos e então peço a Deus para me libertar do medo. Esse método tem funcionando para mim sem falhas e é um dos grandes milagres de minha vida em Alcoólicos Anônimos.
Quando finalmente pedi a Deus para remover estas coisas que me separavam “Dele” e da luz do espírito, embarqueis na viagem mais gloriosa que podia imaginar. Experimentei a libertação destas características que me mantinham escondido em mim mesmo.
Devido a humildade deste Passo, hoje me sinto limpo. Sou especialmente consciente deste Passo porque agora sou útil a Deus e a meus companheiros. Sei que Ele me concede forças para cumprir sua vontade e me prepara para qualquer obstáculo ou coisa que possa surgir no meu caminho hoje. Sei que estou realmente seguro nas mãos de Deus e agradeço pela alegria de poder ser útil hoje.
(Fonte: Revista Vivência – 117 – Jan/.Fev.2009 – Garcia/Ribeirão Preto/SP)

QUANDO SOU HUMILDE?
“Quando vou ao Grupo e peço a Deus humildade para poder entender os depoimentos dos companheiros; quando vou depor e peço também humildade para poder falar sem orgulho, acanhamento ou vergonha e muitas outras imperfeições que tenho”
Sou um alcoólico em recuperação; hoje, com uma liberdade maior do que a de ontem, pois estou liberto de uma escravidão na qual eu não percebia que estava.
Hoje graças aos Doze Passos de A. A. tenho responsabilidade sobre minha pessoa e minhas escolhas traçaram o meu amanhã.
Primeiramente gostaria de agradecer a todos os companheiros mais antigos da Irmandade por estarem dando continuidade aos trabalhos de Bill e Bob.
Quando vou ao Grupo peço a Deus humildade para poder entender os depoimentos dos companheiros; peço também mente aberta para poder saber ouvir e entender a cada um e, quando vou depor peço também humildade para poder falar retirando minha vergonha, orgulho e muitas outras imperfeições que tenho.
Não adianta ir ao Grupo e não participar da programação; ir ao Grupo e não ter a humildade para mudar; não adianta, pois viçarei o mesmo bêbado de antes, porém sem beber se eu não me cobrar com humildade para estar me reformulando de nada adiantaria minha parada na militância alcoólica.
Hoje compreendo a humildade como uma fonte de sabedoria para minha recuperação.
Só por hoje tenho responsabilidade reconhecendo o meu real lugar que é freqüentando o Grupo.
Quando estava na ativa não tinha escolha, pois a doença me levava a ser irresponsável, mentiroso, manipulador, fazendo tudo de errado e com muita insanidade.
Hoje, com a sanidade devolvida tenho que ter humildade e mudar, pois só assim minha mente votará a dar frutos bons uma vez que o círculo vicioso da ativa levou vários anos e, só essa real humildade vai me devolver uma vida feliz sem uso do álcool. Essa humildade me trará paz de espírito o que busco para o meu crescimento pessoal e espiritual.
Grato a Irmandade que me estendeu a mão e me ajudou na libertação da miséria de vida que eu estava levando.
Hoje, graças ao cultivo da humildade, estou liberto e feliz 24 horas de serenidade e sobriedade.
(Fonte: Revista Vivência – 117 – Jan./Fev.2009 – Francismar/Divinópolis/MG)
ARTIGO 03 – AMOR

A próxima etapa
SOBRIEDADE EMOCIONAL
Acredito que muitos veteranos que submeteram nosso Programa de Recuperação de A. A. a testes severos, mas bem-sucedidos, ainda descobrem que frequentemente lhes falta sobriedade emocional. Talvez eles venham a ser a ponta de lança do próximo desenvolvimento importante AM A. A. – o desenvolvimento de uma maturidade e um equilíbrio muito mais reais (o mesmo que dizer humildade), em nossos relacionamentos com nós mesmos, com nossos companheiros e com Deus.
Aqueles anseios adolescentes que tantos de nós experimentavam, por aprovação superior, segurança perfeita e romance perfeito – anseios muito adequados quando se tem dezessete anos – revelam-se uma forma de vida impossível quando temos quarenta e sete ou cinqüenta e sete anos.
Desde o início de A. A., passei por imensos percalços em todas as áreas, devido à minha incapacidade de crescer emocional e espiritualmente. Meu Deus, como foi doloroso tentar exigir o impossível e como doeu descobrir, finalmente, que havíamos colocado o carro adiante dos bois durante todo esse tempo! Veio então a agonia final de perceber o quão pavorosamente errados tínhamos sido, mas ainda assim nos descobrimos incapazes de pular fora do carrossel emocional.
Como traduzir uma convicção mental correta em um resultado emocional correto e, assim, numa vida fácil, boa e feliz – bem, esse problema não é só dos neuróticos; é o problema da própria vida para todos nós que chegamos ao ponto da real disposição para respeitar princípios corretos em todas as nossas atividades.
Mesmo assim, à medida em que talhávamos esses princípios, a paz e a alegria ainda nos fugiam. Foi a esse ponto que tantos veteranos de A. A. chegaram. E é um ponto infernal, literalmente. Como poderá nosso inconsciente – de onde ainda fluem tantos dos nossos temores, compulsões e falsas aspirações – ser alinhado com aquilo em que realmente acreditamos, sabemos e queremos? Como convencer o nosso obtuso, raivoso e oculto “Mr. Hyde”, converte-se em nossa tarefa principal.
Cheguei recentemente à conclusão de que isso pode ser conseguido. Acredito nisso porque comecei a encontrar muitas pessoas perdidas na escuridão – gente como você eu – começando a obter resultados. No último outono, uma depressão sem nenhuma causa racional quase me levou para o buraco. Comecei a temer que estivesse me encaminhando para outro longo período crônico. Considerando-se as aflições que sofri com os períodos de depressão, a perspectiva não era nada brilhante.
Eu continuava me perguntando: “Por que é que os Doze Passos não podem funcionar para aliviar a depressão?” Lembrava-me a toda hora da Oração de São Francisco… “É melhor consolar do que ser consolado”. A fórmula estava lá, tudo bem. Mas por que é que ela não funcionava?
Percebi subitamente qual era o problema. Minha falha básica sempre fora a dependência – a dependência quase absoluta – de pessoas ou circunstâncias que me alimentassem com prestígio, segurança e coisa assim. Não conseguindo obter essas coisas de acordo com meus sonhos e especificações perfeccionistas, eu havia lutado por elas. E quando veio a derrota, assim também veio minha depressão.
Não havia nenhuma possibilidade de converter o altruísta amor de São Francisco em uma forma de vida funcional e radiosa, até que essas dependências fatais e quase absolutas fossem eliminadas.
Uma vez que eu havia experimentado um pequeno desenvolvimento espiritual ao longo dos anos, a qualidade absoluta dessas dependências apavorantes nunca fora antes tão cruamente revelada. Reforçado por um pouco de Graça que podia garantir através da oração, constatei que tinha que despender cada grama de força de vontade e ação para romper essas dependências emocionais falhas em relação às pessoas, ao A. A. e, na verdade, em relação a qualquer conjunto de circunstâncias que fosse.
Só então eu poderia ser livre para amar como São Francisco havia amado. As satisfações emocionais e instintivas eram na realidade, como percebi, os dividendos extras de experimentar o amor, oferecer o amor e expressar o amor adequado a cada relacionamento na vida.
Falando francamente, eu não poderia me tornar disponível para receber o amor de Deus, até que fosse capaz de oferecê-lo de volta amando aos outros da forma que Ele me amava. E eu não poderia possivelmente fazer isso enquanto fosse vitimizado pelas falsas dependências.
Para mim, dependência significava exigência – a exigência da posse e do controle das pessoas e das condições que me rodeavam.
Embora as palavras “dependência absoluta” possam parecer um truque, foram elas que me ajudaram a iniciar minha libertação até meu presente grau de estabilidade e silêncio mental, qualidades que estou agora tentando consolidar oferecendo amor aos outros, independentemente do seu retorno.
Esse parece ser o circuito de restabelecimento primordial: um amor altruísta pela criação de Deus e pelos Seus filhos, através do qual nos tornamos receptivos ao amor d’Ele por nós. É da máxima clareza que o fluxo verdadeiro não poderá fluir até que nossas dependências paralisantes sejam rompidas, e rompidas em profundidade. Somente então poderemos possivelmente ter um lampejo daquilo que o amor adulto realmente é.
Cálculo espiritual, dirá você. Nada disso. Observe qualquer recém-chegado em A. A. há seis meses trabalhando em um novo caso de Décimo Segundo Passo. Se a “vítima” disser “Vá para o Diabo”, o Mensageiro apenas sorrirá e se dedicará a outro caso. Ele não se sentirá frustrado ou rejeitado. Se o caso seguinte se interessar e, por sua vez, começar a conceder amor e atenção a outros alcoólicos embora não conceda nada ao seu Padrinho, este estará contente de qualquer forma. Nem assim ele se sentirá rejeitado; ao invés disso, ele se alegrará pelo fato do primeiro membro abordado estar sóbrio e feliz. E se o seu caso seguinte acabar mais tarde se tornando seu melhor amigo (ou amor), então o Padrinho experimentará a alegria máxima. Mas ele saberá muito bem que essa felicidade é um produto colateral – o dividendo extra por haver se dado sem nada exigir em troca.
A coisa realmente estabilizante para ele será ter e oferecer amor àquele bêbado desconhecido na soleira da sua porta. Assim trabalhava São Francisco, poderoso e prático: menos dependência e menos exigência.
Nos seis primeiros meses da minha própria sobriedade, trabalhei exaustivamente com muitos alcoólicos. Não tive êxito com nenhum deles. Não obstante, esse trabalho manteve-me sóbrio. A questão não era aqueles alcoólicos me darem alguma coisa. Minha estabilidade veio da tentativa de dar e não de exigir recebimento.
É dessa forma portanto que acredito que a estabilidade emocional possa funcionar. Se examinarmos cada contratempo que nos aparece, grande ou pequeno, descobriremos na raiz dele alguma dependência doentia e sua conseqüente exigência doentia. Vamos abandonar continuamente, com a ajuda de Deus, essas dependências embaraçantes. Poderemos então nos libertar para viver com amor; poderemos então ser capazes de dar o Décimo Segundo Passo, em relação a nós mesmos e aos outros, a fim de alcançar a sobriedade emocional.
É claro que não ofereci a vocês nenhuma idéia realmente nova – apenas um truque que começou a desembaraçar alguns dos meus próprios “embruxamentos” em profundidade. Hoje em dia, meu cérebro não dispara mais compulsivamente para a exaltação, a grandiosidade ou a depressão. Consegui um lugar calmo sob o sol brilhante.

ORAÇÃO
Atribuída a São Francisco de Assis
“Ó Senhor!
Faze de mim um instrumento da Tua Paz;
Onde há ódio, faze que eu leve o Amor;
Onde há ofensa, que eu leve o Perdão;
Onde há discórdia, que eu leve a União;
Onde há dúvidas, que eu leve a Fé!
Onde há erros, que eu leve a Verdade;
Onde há desespero, que eu leve a Esperança;
Onde há tristeza, que eu leve a Alegria;
Onde há trevas, que eu leve a Luz!
Ó Mestre! Faze que eu procure menos
Ser consolado, do que consolar;
Ser compreendido, do que compreender;
Ser amado, do que amar…
Porquanto:
É dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a Vida Eterna.
Amém”.
(Fonte: O melhor de Bill – paginas: 48 a 54)

RENDIÇÃO – ADMISSÃO – ACEITAÇÃO

RENDIÇÃO – ADMISSÃO – ACEITAÇÃO
O Primeiro Passo nos fala de rendição. A palavra “render” me leva a outra: “derrota” e derrota para mim era algo inconcebível. Meu orgulho me impedia de enxergar qualquer tipo de derrota, mas os companheiros de A. A. conseguiram abrir uma brecha em meu orgulho, o suficiente para eu me sentir derrotado pelo álcool.
Eu me rendi, admiti e aceitei que eu era um alcoólico. Tinha algo errado em minha maneira de beber. Percebi logo cedo em A. A. que eu tinha que viver no mundo real, que a vida no mundo imaginário do alcoolismo estava me destruindo e não me levaria a lugar nenhum.
A admissão da impotência é o primeiro passo para a libertação desta obsessão mental poderosa que nos leva sempre a buscar o álcool como refúgio. Aliada a esta obsessão ou depois de satisfeita esta obsessão através da ingestão de algum gole de bebida surgia outra força tão poderosa quanto à obsessão que era a compulsão. Esta compulsão me obrigava a continuar bebendo cada vez mais. Que loucura!
Como entender que uma pessoa inteligente, segura de si, já experiente, ciente do buraco para o qual estava encaminhando não conseguia controlar a sua maneira de beber? Pois é, eu não tinha resposta para esta pergunta, mas o A. A. logo em seu Primeiro Passo para a recuperação me mostrou a dura realidade: o alcoolismo é um doença incurável, progressiva e de fins quase sempre fatais. Que triste notícia, mas junto com esta triste notícia veio outra e esta outra era confortadora e me mostrava o caminho a ser seguido: – só existe uma forma de deter este anseio louco pela bebida alcoólica: Este caminho é evitar o primeiro gole, pois é ele que põe em movimento toda esta loucura mental, esta obsessão aliada a compulsão que leva o alcoólico cada vez mais para o fundo, cada vez mais para a escuridão do fundo de poço. E é esta fabulosa sugestão que eu venho seguindo com sucesso: evitando o primeiro gole e me apoiando nos companheiros através das reuniões venho conseguindo, um dia de cada vez, conter esta destruição chamada alcoolismo. Quero destacar dois pontos muito importantes que constam em nossa literatura:
1) Nos primeiros tempos de A. A. era pensamento que somente os alcoólicos mais desesperados conseguiriam digerir esta notícias amargas, mas com o passar dos anos puderam perceber que mesmo aqueles que apenas eram bebedores potenciais poderiam ser atingidos pela experiência salvadora de A. A. e conseguiram evitar muitos anos de puro inferno em suas vidas. Cada vez mais, alcoólicos mais jovens e com um fundo de poço menos doloroso vêm alcançando A. A.
2) Existe uma pergunta de fundamental importância em nosso Primeiro Passo: Por que insistir que todo A. A. precisa chegar ao fundo de poço? E a resposta vem logo a seguir: porque para praticar os restantes onze passos de A. A. requer a adoção de atitudes e ações que quase nenhum alcoólico sonharia adotar. Quem se dispõe a ser rigorosamente honesto e tolerante? Honestidade, tolerância, compreensão, humildade, coragem e tantas outras virtudes até então desconhecidas para o alcoólico passam a ter importância fundamental na prática do restante do programa. Mas não precisamos nos desesperar, pois estas virtudes virão aparecendo pouco a pouco, um dia de cada vez, necessitamos para que isso ocorra somente ter a mente aberta e boa vontade.
(Fonte: Revista Vivência Nº 111-Jan-Fev/2008 – Onofre/Cachoeira do Campo/MG)

RENDIÇÃO
“Na Opinião do Bill”
NAS MÃOS DE DEUS
Quando olhamos para o passado, reconhecemos que as coisas que nos chegaram quando nos entregamos nas mãos de Deus foram melhores do que qualquer coisa que pudéssemos ter planejado.
Minha depressão aumentou de forma insuportável até que finalmente me pareceu estar no fundo do poço, pois naquele momento o último vestígio de minha orgulhosa obstinação foi esmagado. Imediatamente me encontrei exclamando: “Se existe um Deus, que Ele se manifeste! Estou pronto para fazer qualquer coisa, qualquer coisa!”
De repente, o quarto se encheu de uma forte luz. Pareceu-me com os olhos de minha mente, que eu estava numa montanha e que soprava um vento, não de ar, mas de espírito. E então tive a sensação de que era um homem livre. Lentamente o êxtase passou. Eu estava deitado na cama, mas agora por instantes me encontrava em outro mundo, um mundo novo de conscientização. Ao meu redor e dentro de mim, havia uma maravilhosa sensação de presença e pensei comigo mesmo: “Então, esse é o Deus dos pregadores!”

AUTO CONFIANÇA E FORÇA DE VONTADE
Quando pela primeira vez fomos desafiados a admitir a derrota, a maioria de nós se revoltou. Havíamos nos aproximado de A. A. esperando aprender a ter auto confiança. Então nos disseram que, no tocante ao álcool, de nada nos serviria a auto confiança: aliás, ela era um empecilho total. Não era possível ao alcoólico vencer a compulsão pela mera força de vontade.
É quando tentamos fazer com que nossa vontade se harmonize com a vontade de Deus, que começamos a usá-la corretamente. Para todos nós, esta foi uma das mais maravilhosas revelações. Todo o nosso problema tinha sido o mau uso da força de vontade. Tínhamos tentado atacar nossos problemas com ela ao invés de tentar fazer com que ela se alinhasse com os planos de Deus para conosco. O propósito dos Doze Passos de A. A. é tornar isto cada vez mais possível.

A FORÇA NASCENDO DA FRAQUEZA
Se estamos dispostos a parar de beber, não podemos abrigar, de forma nenhuma, a esperança de que um dia seremos imunes ao álcool.
Tal é o paradoxo da recuperação em A. A.: a força nascendo da fraqueza e da derrota completa, a perda de uma vida antiga como condição para encontrar uma nova.

SOMENTE COM O PODER DA INTELIGÊNCIA?
Para o homem ou mulher intelectualmente auto suficiente, muitos Aas podem dizer: “Sim, éramos como você – inteligentes demais para nosso próprio bem. Adorávamos ouvir as pessoas nos chamarem de precoces. Usávamos nossa instrução para nos vangloriar, embora tivéssemos o cuidado de esconder isso dos outros. Secretamente, achávamos que poderíamos flutuar acima dos outros, somente com o poder da inteligência.
“O progresso científico nos dizia que não havia nada que o homem não pudesse fazer. O conhecimento era todo poderoso. O intelecto era capaz de conquistar a natureza. Uma vez que éramos mais brilhantes do que a maioria (assim pensávamos), os benefícios da vitória seriam nossos, automaticamente. O deus do intelecto substituía o Deus de nossos pais.
“Mas novamente o álcool tinha outras idéias. Nós, que tão brilhantemente tínhamos vencido, de repente nos convertemos nos maiores derrotados de todos os tempos. Percebemos que tínhamos que mudar ou morrer.”

A PEDRA FUNDAMENTAL DO ARCO DO TRÍUNFO
Tendo experimentado a destruição alcoólica, abrimos nossas mentes em relação às coisas espirituais. A esse respeito, o álcool foi um grande persuasor. Ele finalmente nos derrotou obrigando-nos a raciocinar.
Tivemos que deixar de fazer o papel de Deus. Isso não funcionou. Decidimos que dali por diante, nesse drama da vida, Deus ia ser nosso Diretor. Ele seria o Chefe: nós, os Seus agentes.
As boas idéias, na sua maioria, são simples, e esse conceito constitui a pedra fundamental do novo arco do triunfo, através do qual passamos à liberdade.

PRELÚDIO AO PROGRAMA
Poucas pessoas tentarão praticar sinceramente o programa de A. A., a não ser que tenham “chegado ao fundo do poço”, pois praticar os Passos de A. A. requer a adoção de atitudes e ações que quase nenhum alcoólico que ainda bebe pode sonhar em adotar. O alcoólico típico, egoísta ao extremo, não se interessa por essa perspectiva, a não ser que tenha que fazer essas coisas para não morrer.
Sabemos que o recém-chegado tem que “chegar ao fundo do poço”, do contrário pouca coisa pode acontecer. Por sermos alcoólicos que o compreendem. Podemos usar a fundo o poderoso argumento da obsessão mais alegria, como uma força que pode destruir seu ego. Só assim ele pode se convencer de que unicamente com seus recursos tem pouca ou nenhuma chance.

NÓS NÃO ESTAMOS LUTANDO
Paramos de lutar com tudo e com todos – mesmo com o álcool, pois a essa altura a sanidade voltou. Agora podemos reagir sadia e normalmente, e constatamos que isso aconteceu quase automaticamente. Vemos que essa nova atitude face ao álcool é realmente uma dádiva de Deus.
Aí esta o milagre. Não estamos lutando com ele, nem estamos evitando a tentação. Tampouco temos que prestar juramento. Em vez disso, o problema foi removido. Ele não existe para nós. Não somos nem atrevidos nem medrosos.
É assim que reagimos – enquanto nos mantivermos em boas condições espirituais.

VITÓRIA NA DERROTA
Convencido de que nunca conseguiria fazer parte e jurando nunca me conformar com o segundo lugar, eu sentia que simplesmente tinha que vencer em tudo que quisesse fazer, fosse trabalho ou divertimento. Como essa atraente fórmula de bem viver começou a dar resultado, de acordo com a idéia que eu então fazia do que fosse sucesso, fiquei delirantemente feliz.
Mas quando acontecia de um empreendimento falhar, eu me enchia de ressentimento e depressão que só podiam ser curados com o próximo triunfo. Portanto, muito cedo comecei a avaliar tudo em termos de vitória ou derrota – “tudo ou nada”. A única satisfação que eu conhecia era vencer.
Somente através da derrota total é que somos capazes de dar os primeiros passos em direção à libertação e à força. Nossa admissão de impotência pessoal finalmente vem a ser o leito de rocha firme sobre o qual podem ser construídas vidas felizes e significativas.

ACEITANDO AS DÁDIVAS DE DEUS
“Embora muitos teólogos afirmem que as experiências espirituais súbitas representem alguma distinção especial ou algum tipo de preferência divina, eu questiono esse ponto de vista. Todo ser humano, qualquer que sejam seus atributos para o bem ou para o mal, é uma parte da economia espiritual divina. Portanto, cada um de nós têm seu lugar, e não posso aceitar que Deus pretenda elevar alguns mais do que outros.
Dessa forma, é preciso que todos nós aceitemos qualquer dádiva positiva que recebamos com profunda humildade, tendo sempre em mente que primeiro foram necessárias nossas atitudes negativas, como um meio de nos reduzir a um estado tal que nos deixasse prontos para receber uma dádiva positiva através da experiência da conversão. Nosso próprio alcoolismo e a imensa deflação, que finalmente daí resultou, constituem na verdade a base sobre a qual repousa nossa experiência espiritual.”

FORÇAS CONSTRUTIVAS
Minha opinião era tão arraigada, como a frequentemente vemos hoje em dia nas pessoas que se dizem atéias ou agnósticas, sua vontade de descrer é tão forte, que parecem preferir a morte a uma busca sincera de Deus, feita com a mente aberta. Felizmente para mim e para muitos como eu que buscaram A. A., as forças construtivas, produzidas em nossa Irmandade, quase sempre venceram essa colossal teimosia. Abatidos e completamente derrotados pelo álcool, frente a frente com a prova viva da libertação e rodeados por pessoas que podiam nos falar do fundo do coração, finalmente nos rendemos.
E então, paradoxalmente, nos encontramos numa nova dimensão, o verdadeiro mundo do espírito e da fé. Boa vontade suficiente, mente aberta suficiente – e pronto!

NUNCA O MESMO OUTRA VEZ
Descobrimos que quando um alcoólico plantava na mente de outro a idéia da verdadeira natureza de sua doença, este jamais voltaria a ser o mesmo. Após cada bebedeira, ele diria a si mesmo: “Talvez esses Aas tenham razão”. Depois de algumas experiências assim, e muitas vezes antes do começar a ter grandes dificuldades, ele voltaria a nós, convencido.
Nos primeiros anos, aqueles dentre nós que ficaram sóbrios em A. A., eram na verdade casos horríveis e completamente sem esperança. Mas depois começamos a ter sucesso com alcoólicos moderados, e mesmo com alguns alcoólicos em potencial. Começaram a aparecer pessoas mais jovens. Chegavam muitas pessoas que ainda tinham trabalho, lar, saúde e posição social.
Naturalmente foi necessário que esses recém-chegados chegassem emocionalmente ao fundo do poço, mas eles não tiveram que chegar a todos os tipos de fundo de poço possíveis para admitir que estavam derrotados.

A ESPERANÇA NASCIDA DO DESESPERO
Carta ao Dr, Carl Jung:
“Muitas experiências de conversão, qualquer que seja a variedade, têm como denominador comum o profundo colapso do ego. O indivíduo enfrenta um dilema impossível.
“No meu caso, o dilema tinha sido criado por minha compulsão pela bebida, e o profundo sentimento de desespero foi extremamente aumentado por meu médico. Foi aumentado ainda mais quando meu amigo alcoólatra contou-me de seu veredicto de desespero com respeito ao caso de Rowland H.
“No despertar de minha experiência espiritual, veio-me uma visão de uma sociedade de alcoólicos. Se cada sofredor levasse a outro a visão científica quanto à condição desesperada do alcoólico, poderia abrir-lhe a possibilidade de uma experiência espiritual transformadora. Esse conceito foi e é a base do sucesso, que desde então A. A. tem alcançado.”

FELIZES – QUANDO SOMOS LIVRES
Para a maioria das pessoas normais a bebida significa a libertação da preocupação, do aborrecimento e da ansiedade. Significa uma alegre intimidade com os amigos e um sentimento de que a vida é boa.
Mas não foi isso o que aconteceu conosco, nos últimos tempos de nossas pesadas bebedeiras. Os velhos prazeres desapareceram. Havia um desejo ardente de gozar a vida, como nunca, e uma dolorosa ilusão de que algum novo controle milagroso nos permitisse fazê-lo. Havia sempre mais uma tentativa e mais um fracasso.
Estamos certos de que Deus nos quer ver felizes, alegres e livres. Portanto, não podemos compartilhar a crença de que esta vida seja necessariamente um vale de lágrimas, embora em certa época tenha sido exatamente isto para muitos de nós. Mas ficou claro que vivíamos criando nossa própria miséria.

EM BUSCA DA FÉ PERDIDA
Muitos Aas podem dizer a uma pessoa sem fé: “Nós desviamos da fé que tínhamos quando crianças. Com a chegada do sucesso material, achamos que estávamos ganhando o jogo da vida. Isso era emocionante e nos fazia felizes.
“Por que deveríamos nos preocupar com abstrações teológicas e deveres religiosos ou com o estado de nossas almas aqui ou no além? A vontade de ganhar nos levaria para frente”.
“Mas então o álcool começou a nos dominar. Finalmente, quando começamos a ver nosso placar marcando zero, e percebemos que mais um golpe nos colocaria fora do jogo para sempre, tivemos que buscar nossa fé perdida. Foi em A. A. que a reencontramos.”

ENTREGAR-SE SEM RESERVAS
Depois de fracassar em meus esforços para fazer alguns bêbados pararem de beber, o Dr. Silkworth novamente me lembrou da observação do professor William James de que as experiências espirituais realmente transformadoras quase sempre se baseiam num estado de calamidade e colapso. “Pare de lhes pregar sermões”, disse o Dr. Silkworth, “e dê-lhes primeiro os duros fatos médicos. Isso pode sensibilizá-los tão profundamente que talvez venham a querer fazer qualquer coisa para recuperar-se. Então sim, elas poderão aceitar aquelas suas idéias espirituais e talvez até um Poder Superior”.
Pedimos que você seja destemido e meticuloso desde o início. Alguns de nós procuramos nos agarrar às nossas antigas idéias, e o resultado foi nulo – até que nos entregamos sem reservas.

COMBATE SEM AJUDA
Na verdade, poucos são aqueles que, assaltados pelo tirano álcool, venceram o combate sem ajuda. É um fato estatístico que os alcoólicos quase nunca se recuperam, só por meio de seus próprios recursos.
A caminho de Point Barrow, no Alaska, dois garimpeiros se instalaram numa cabana com uma caixa de uísque. O tempo ficou muito ruim e a temperatura baixou para 20 graus negativos; eles ficaram tão bêbados que deixaram o fogo apagar. Quando estavam a ponto de morrer por congelamento, um deles acordou a tempo de reacender o fogo. Saiu para procurar combustível e avistou um tambor de óleo vazio, cheio de água congelada. Embaixo do gelo, avistou um objeto amarelo-avermelhado. Eles descongelaram o tal objeto, e era um livro de A. A. Um deles leu o livro e parou de beber. A lenda diz que ele se tornou o fundador de um de nossos grupos mais longínquos do norte.

O INSTINTO DE VIVER
Quando homem e mulheres ingerem tanto álcool a ponto de destruir suas vidas, cometem um ato totalmente antinatural. Contrariando seu desejo instintivo de auto preservação, parecem estar inclinados à auto destruição. Lutam contra seu mais profundo instinto.
À medida que vão progressivamente se humilhando pela terrível surra administrada pelo álcool, a graça de Deus pode penetrar neles e expulsar sua obsessão. Aqui, seu poderoso instinto de viver pode cooperar plenamente com o desejo de seu Criador de lhes dar uma nova vida.
“A característica central da experiência espiritual consiste em dar a quem a experimenta uma nova e melhor motivação, fora de qualquer proporção com qualquer processo de disciplina, crença ou fé.
“Essas experiências não podem nos tornar íntegros de uma vez; constituem um renascimento a uma nova e verdadeira oportunidade.”

“IMPOTENTE PERANTE O ÁLCOOL”
Eu vinha descendo continuamente ladeira abaixo e, naquele dia em 1934, estava acamado no andar superior do hospital, sabendo pela primeira vez que estava completamente sem esperança.
Lois estava no andar térreo, e o Dr. Silkworth estava tentando, com suas maneiras gentis, transmitir a ela o que estava acontecendo comigo e que meu caso era sem esperança. “Mas Bill tem uma grande força de vontade”, ela disse. “Ele tem tentado desesperadamente ficar bom. Doutor, por que ele não consegue parar?”
Ele explicou que minha maneira de beber, que anteriormente era um hábito, tornou-se uma obsessão, uma verdadeira loucura que me condenava a beber contra meu desejo.
“Nos últimos estágios de nosso alcoolismo ativo, a vontade de resistir já não existe. Portanto, quando admitimos a derrota total e quando ficamos inteiramente dispostos a tentar os princípios de A. A., nossa obsessão desaparece e entramos numa nova dimensão – a liberdade sob a vontade de Deus, como nós O concebemos.”

DESDE A RAIZ PRINCIPAL
O princípio de que não encontraremos qualquer força duradoura, sem antes admitamos a derrota total é a raiz principal da qual germinou e floresceu nossa sociedade toda.
É dito a todo recém-chegado, e logo ele percebe por si mesmo, que sua humilde admissão de impotência perante o álcool constitui o primeiro passo em direção à libertação de seu jugo embriagador.
Assim, pela primeira vez, vemos a humildade como uma necessidade. Mas isso é apenas o começo. Afastar completamente nossa aversão à idéia de ser humildes, obter uma visão da humildade como o caminho que leva à verdadeira liberdade do espírito humano, trabalhar para a conquista da humildade como algo desejável por si mesmo, são coisas que demoram muito, muito tempo para a maioria de nós. Uma vida inteira dedicada ao egocentrismo não pode ser mudada de repente.

ALTO E BAIXO
Quando nossa Irmandade era pequena, lidávamos somente com “casos desesperados”. Muitos alcoólicos menos desesperados tentavam A. A., mas não eram bem-sucedidos porque não podiam admitir sua desesperança.
Nos anos seguintes isso mudou. Os alcoólicos que ainda tinham saúde, família, trabalho e até dois carros na garagem, começaram a reconhecer seu alcoolismo. À medida que essa tendência crescia, jovens que mal passavam de alcoólicos em potencial passaram a juntar-se a eles. Como poderiam pessoas como essas aceitar o Primeiro Passo?
Recordando nossas próprias histórias de bebida, mostrávamos a eles que anos antes de reconhecê-lo, já havíamos perdido o controle, que mesmo naquela época nossa maneira de beber já não era um mero hábito, que era na verdade o começo de uma progressão fatal.

VÁ COM CALMA, MAS VÁ
A procrastinação na verdade é apenas preguiça.
“Tenho observado que algumas pessoas conseguem suportar alguma procrastinação, mas muito poucos conseguem viver em completa rebeldia.”
“Temos conseguido colocar muitos bebedores problema diante desta terrível alternativa: ‘Ou nós, Aas, fazemos isso, ou morreremos’. Uma vez que isto entre em sua cabeça, beber mais só vai apertar mais o laço.
“Como muitos alcoólicos têm dito: ‘Cheguei ao ponto em que ou permanecia em A. A. ou do lado de fora. De modo que aqui estou!’”
(Fonte: Na Opinião do Bill – paginas: 2-42-49-60-87-118-121-135-168-174-209-217-218-235-242-245-246-283-305-314-322)

ADMISSÃO
“Na Opinião do Bill”
ACERCA DA HONESTIDADE
O perverso desejo de ocultar um mau motivo, atrás do bom, se infiltra nos atos humanos de alto a baixo. Esse tipo sutil e evasivo, de farisaísmo, pode se esconder sob o ato ou pensamento mais insignificante. Aprender a identificar, admitir e corrigir essas falhas, todos os dias, constitui a essência da formação do caráter e de uma vida satisfatória.
A decepção dos outros está quase sempre enraizada na decepção de nós mesmos.
De algum modo, estar sozinho com Deus não parece ser tão embaraçoso quanto enfrentar uma outra pessoa. Até que resolvamos sentar e falar em voz alta a respeito daquilo que há tanto tempo temos escondido, nossa disposição de “limpara a casa” é ainda muito teórica. Quando somos honestos com outra pessoa, isso confirma que temos sido honestos conosco e com Deus.

NA HORA DA VERDADE, SOMOS TODOS IGUAIS
No princípio, passaram-se quatro anos antes que A. A. conseguisse levar à sobriedade permanente uma única mulher alcoólica. Assim como aquelas pessoas que tiveram um fundo de poço “muito alto”, as mulheres diziam que eram diferentes; elas não precisavam de A. A. Mas, com o aperfeiçoamento da comunicação, principalmente pelas próprias mulheres, a situação mudou.
Esse processo de identificação e transmissão tem continuado. Aqueles que viviam na sarjeta diziam que eram diferentes. Ainda com mais ênfase, o membro da alta sociedade (ou o bêbado das altas rodas) dizia a mesma coisa, como também diziam os artistas e os profissionais, os ricos e os pobres, os religiosos, os agnósticos, os índios e os esquimós, os veteranos e os prisioneiros.
Mas hoje todas essas pessoas, e muitas outras, falam sobriamente do quanto todos nós, alcoólicos, somos iguais na hora da verdade.

VIVA SERENAMENTE
Quando um bêbado está com uma terrível ressaca porque bebeu em excesso ontem, ele não pode viver bem hoje. Mas existe um outro tipo de ressaca que todos experimentamos, bebendo ou não. Essa é emocional, resultado direto do acúmulo de emoções negativas de ontem e, às vezes, de hoje – raiva, medo, ciúme e outras semelhantes.
Se queremos viver serenamente hoje e amanhã, sem dúvida precisamos eliminar essas ressacas. Isso não quer dizer que precisamos perambular morbidamente pelo passado. Requer, isso sim, uma admissão e correção dos erros cometidos – agora.

CRESCIMENTO PELO DÉCIMO PASSO
Naturalmente, no decorrer dos próximos anos, cometeremos erros. A experiência nos tem ensinado que não precisamos ter medo de cometê-los, desde que mantenhamos a disposição para confessar nossas faltas e corrigi-las prontamente. Nosso crescimento como indivíduos tem dependido desse saudável processo de ensaio e erro. Assim crescerá nossa Irmandade.
Devemos sempre nos lembrar de que qualquer sociedade de homens e mulheres que não podem corrigir livremente suas próprias faltas, inevitavelmente chega à decadência e até mesmo ao colapso. Esse é o castigo universal por não continuar fazendo seu inventário moral e atuar de acordo com ele, do mesmo modo nossa sociedade como um todo deve fazer, se quisermos sobreviver e prestar serviço de maneira proveitosa e satisfatória.

NÃO PODEMOS VIVER SOZINHOS
Todos os Doze Passos de A. A. nos pedem para irmos contra nossos desejos naturais; todos eles reduzem nosso ego. Quando se trata da redução do ego, poucos Passos são mais duros de aceitar do que o Quinto Passo. Dificilmente qualquer um deles é mais necessário à sobriedade prolongada e à paz de espírito.
A experiência de A. A. nos ensinou que não podemos viver sozinhos e com os problemas que nos pressionam e com os defeitos de caráter que os causam ou agravam. Se passarmos o holofote do Quarto Passo sobre nossas vidas, e se ele mostrar, para nosso alívio, aquelas experiências que preferimos não lembrar, então se torna mais urgente do que nunca desistirmos de viver sozinhos com aqueles atormentadores fantasmas do passado. Temos que falar deles para alguém.
Não podemos depender totalmente dos amigos para resolver todas as nossas dificuldades. Um bom conselheiro nunca pensará em tudo, por nós. Ele sabe que a escolha final deve ser nossa. Entretanto, ele pode ajudar a eliminar o medo, oportunismo e a ilusão, tornando-nos capazes de fazer escolhas afetuosas, prudente e honestas.

FORÇA DE VONTADE E ESCOLHA
“Nós, AAs, sabemos que é inútil tentar destruir a obsessão de beber só pela força de vontade. Entretanto, sabemos que é preciso uma grande vontade para adotar os Doze Passos de A. A. como um modo de vida que pode nos devolver a sanidade.
Qualquer que seja a gravidade da obsessão pelo álcool, felizmente descobrimos que ainda podem ser feitas outras escolhas vitais. Por exemplo, podemos admitir que somos impotentes pessoalmente perante o álcool; que a dependência de um ‘Poder Superior’ é uma necessidade, mesmo que esta seja simplesmente uma dependência de um grupo de A. A. Então podemos preferir tentar uma vida de honestidade e humildade, fazendo um serviço desinteressado para nossos companheiros e para ‘Deus como nós O concebemos’.
Conforme continuamos fazendo essas escolhas e assim indo em busca dessas altas aspirações, nossa sanidade volta e desaparece a compulsão para beber”.

CONVERSAS QUE CURAM
Quando pedimos orientação a um amigo em A. A., não devemos hesitar em lembrá-lo de nossa necessidade de completo sigilo. A comunicação íntima normalmente é tão livre e fácil entre nós que um AA pode às vezes esquecer-se de guardar segredo. Nunca deveríamos violar o santo refúgio protetor desta que é a mais curativa de todas as relações humana.
Essas comunicações privilegiadas têm vantagens incalculáveis. Encontramos nelas a perfeita oportunidade de sermos totalmente honestos. Não precisamos nos preocupar com a possibilidade de prejudicar outras pessoas e nem precisamos temer o ridículo ou a condenação. E também temos a melhor oportunidade possível para identificarmos o auto-engano.

EXAMINANDO O PASSADO
Deveríamos fazer um preciso e exaustivo exame de como nossa vida passada afetou outras pessoas. Em muitos casos descobrimos que, embora o dano causado aos outros não tenha sido grande, o dano emocional que causamos a nós mesmos o foi.
Além do mais, os conflitos emocionais danosos permanecem muito profundos, abaixo do nível da consciência, às vezes quase esquecidos. Portanto, deveríamos tentar relembrar e rever bem estes acontecimentos passados que deram origem a esses conflitos e continuam causando violentos desequilíbrios emocionais, perturbando dessa forma nossa personalidade e mudando nossa vida para pior.
Reagimos mais fortemente às frustrações do que as pessoas normais. Revivendo esses episódios e discutindo-os em estreita confiança com outra pessoa, podemos reduzir seu tamanho e portanto seu poder inconsciente.

“ADMITIMOS PERANTE DEUS”
Desde que você não esconda nada, ao fazer o Quinto Passo, sua sensação de alívio aumentará de minuto a minuto. As emoções reprimidas durante anos saem de seu confinamento e, milagrosamente, desaparecem à medida que são reveladas. Com a diminuição da dor, uma tranqüilidade restauradora toma seu lugar. E quando a humildade e a serenidade estiverem assim combinadas, pode acontecer algo de grande significação para nós.
Muitos Aas, anteriormente agnósticos ou ateus, nos dizem que foi nessa fase do Quinto Passo que de fato sentiram, pela primeira vez, a presença de Deus. E mesmo aqueles que já tinham fé, muitas vezes tomaram consciência de Deus como nunca antes.

VITÓRIA NA DERROTA
Convencido de que nunca conseguiria fazer parte e jurando nunca me conformar com o segundo lugar, eu sentia que simplesmente tinha que vencer em tudo que quisesse fazer, fosse trabalho ou divertimento. Como essa atraente fórmula de bem viver começou a dar resultado, de acordo com a idéia que eu então fazia do que fosse sucesso, fiquei delirantemente feliz.
Mas quando acontecia de um empreendimento falhar, eu me enchia de ressentimento e depressão que só podiam ser curados com o próximo triunfo. Portanto, muito cedo comecei a avaliar tudo em termos de vitória ou derrota – “tudo ou nada”. A única satisfação que eu conhecia era vencer.
Somente através da derrota é que somos capazes de dar os primeiros passos em direção à libertação e à força. Nossa admissão de impotência pessoal finalmente vem a ser o leito de rocha firme sobre o qual podem ser construídas vidas felizes e significativas.

GUIA PARA UM CAMINHO MELHOR
Quase nenhum de nós gostou da idéia do auto-exame, da redução do orgulho e da confissão das imperfeições que os Passos requerem. Mas vimos que o programa realmente funcionava para os outros e viemos a acreditar na desesperança da vida tal como a estávamos vivendo.
Portanto, quando fomos abordados por aquelas pessoas que tinham resolvido o problema, só nos restou apanhar o simples conjunto de instrumentos espirituais que puseram ao nosso alcance.
Nas Tradições de A. A. está implícita a confissão de que nossa Irmandade tem suas falhas. Confessamos que temos defeitos de caráter, como a sociedade, e que esses defeitos nos ameaçam continuamente. Nossas Tradições são um guia para melhores formas de trabalhar e de viver, e representam para a sobrevivência e harmonia do grupo o que os Doze Passos de A. A. representam para a sobriedade e paz de espírito de cada membro.

UM PRINCÍPIO SALVADOR
Essa prática de admitir os próprios defeitos a uma outra pessoa é, sem dúvida, muito antiga. Foi validada em todas os séculos, e caracteriza a vida de todas as pessoas espiritualmente centradas e verdadeiramente religiosas.
Mas hoje a religião não é nem de longe a única defensora desse princípio salvador. Os psiquiatras e psicólogos apontam a grande necessidade que todo ser humano tem de desenvolver percepção e conhecimento práticos de suas próprias falhas de personalidade e de discuti-las com uma pessoa compreensiva e digna de confiança.
No que se refere aos alcoólicos, A. A. vai ainda mais longe. A maioria de nós declararia que sem a corajosa admissão de nossos defeitos para um outro ser humano, não poderíamos nos manter sóbrios. Até que estejamos dispostos a tentar isso, parece evidente que a graça de Deus não nos tocará para expulsar nossas obsessões destrutivas.

NUNCA O MESMO OUTRA VEZ
Descobrimos que quando um alcoólico plantava na mente de outro a idéia de verdadeira natureza de sua doença, este jamais voltaria a ser o mesmo. Após cada bebedeira, ele diria a si mesmo: “Talvez esses Aas tenham razão”. Depois de algumas experiências assim, e muitas vezes antes do começar a ter grandes dificuldades, ele voltaria a nós, convencido.
Nos primeiros anos, aqueles dentre nós que ficaram sóbrios em A. A., eram na verdade casos horríveis e completamente sem esperança. Mas depois começamos a ter sucesso com alcoólicos moderados, e mesmo com alguns alcoólicos em potencial. Começaram a aparecer pessoas mais jovens. Chegavam muitas pessoas que ainda tinham trabalho, lar, saúde e posição social.
Naturalmente foi necessário que esses recém-chegados chegassem emocionalmente ao fundo do poço, mas eles não tiveram que chegar a todos os tipos de fundo de poço possíveis para admitir que estavam derrotados.
COMPLETA A LIMPEZA DA CASA
Muitas vezes, os recém-chegados procuram guardar para si mesmos os fatos desagradáveis referentes às suas vidas. Tentando evitar a experiência humilhante do Quinto Passo, eles tentaram métodos mais fáceis. Quase sem exceção se embriagaram… Tendo preservado no resto do programa, perguntavam-se por que tinham recaído.
Acho que a razão é que eles nunca completaram a limpeza de sua casa. Fizeram seu inventário, mas continuaram agarrados a alguns de seus piores defeitos. Eles somente pensaram que tinham perdido seu egoísmo e medo. Somente pensaram que tinham se humilhado. Mas não tinham aprendido o suficiente sobre humildade, coragem e honestidade. Até que contaram a outra pessoa toda a sua vida.

O COMEÇO DA VERDADEIRA AFINIDADE
Quando chegamos em A. A. e pela primeira vez na vida nos encontramos entre pessoas que pareciam nos compreender, a sensação de pertencer foi muito emocionante. Achamos que o problema de isolamento tinha sido resolvido.
Mas logo descobrimos que, embora não estivéssemos mais sozinhos, no sentido social, ainda sofríamos das antigas angústias do isolamento ansioso. Enquanto não falássemos, com toda franqueza, de nossos conflitos e ouvíssemos mais alguém fazer o mesmo, ainda não fazíamos parte.
O Quinto Passo foi a resposta. Foi o começo de uma verdadeira afinidade como o homem e com Deus.

O PRIVILÉGIO DE COMUNICAR
Todos devem concordar que nós, Aas, somos pessoas incrivelmente afortunadas. Afortunadas porque sofremos tanto. Afortunadas porque podemos conhecer-nos, compreender-nos e amar-nos uns aos outros tão bem.
Esses atributos e virtudes raramente caem do céu. Na verdade, a maioria de nós sabe muito bem que essas dádivas são raras e que têm sua verdadeira origem em nosso sofrimento comum e em nossa libertação comum, pela graça de Deus.
Assim sendo, somos privilegiados por podermos comunicar-nos uns com os outros numa intensidade e de uma maneira raramente alcançada por nossos amigos não-alcoólicos do mundo que nos cerca.
“Eu costumava me envergonhar de minha situação e não falava sobre isso. Mas hoje confesso francamente que tenho tendência à depressão e isso tem atraído para mim outras pessoas com a mesma tendência. Trabalhar com eles tem me ajudado bastante”.

“DESTEMIDO E MINUCIOSO”
Minha auto análise tem sido frequentemente falha. Às vezes tenho deixado de compartilhar meus defeitos com as pessoas certas; outras vezes tenho confessado os defeitos delas, em lugar dos meus, e ainda outras vezes, minha confissão dos defeitos tem sido mais de queixas, em alta voz, acerca de minhas circunstâncias e meus problemas.
Quando A. A. sugere um destemido inventário moral, isso deve parecer a todo recém-chegado que lhe estamos pedindo mais do que ele é capaz de fazer. Cada vez que ele tenta olhar para dentro de si, o orgulho diz: “Você não precisa percorrer esse caminho…” e o medo diz: “Não se atreva a olhar!”
Mas o orgulho e o medo desse tipo não passam de bichos-papões. Uma vez que façamos inventário com toda a boa vontade e nos esforcemos para fazê-lo minuciosamente, uma luz maravilhosa invade essa cena nebulosa. À medida que persistimos, nasce um tipo de confiança totalmente novo, e a sensação de alívio com a qual finalmente nos deparamos é incrível.

QUANDO OS CONFLITOS AUMENTAM
Algumas vezes eu seria forçado a examinar situações onde estava agindo mal. No mesmo instante, eu começaria freneticamente a procurar desculpas.
“Essas”, eu exclamaria, “são realmente faltas de um homem de bem”. Quando essa frase favorita fosse destruída, eu pensaria: “Bem se aquelas pessoas me tratassem sempre bem, eu não teria que me comportar da maneira que me comporto”. A desculpa seguinte seria esta: “Deus sabe muito bem que tenho terríveis compulsões. Simplesmente não posso vencê-las, só mesmo Ele vai ter que me tirar dessa”. Finalmente chegava o momento em que eu exclamaria: “Isso eu positivamente não farei! Nem mesmo tentarei”.
Claro que meus conflitos foram aumentando, porque eu estava completamente carregado de desculpas, recusas e revolta.
Numa auto-avaliação, o que nos vem à mente, quando estamos sozinhos, pode ser distorcido por nossa própria racionalização. A vantagem de falar com uma outra pessoa é que podemos obter, diretamente, seus comentários e conselhos a respeito de nossa situação.

DESDE A RAIZ PRINCIPAL
O princípio de que não encontraremos qualquer força duradora, sem que antes admitimos a derrota total é a raiz principal da qual germinou e floresceu nossa sociedade toda.
É dito a todo recém-chegado,e logo ele percebe por si mesmo, que sua humilde admissão de impotência perante o álcool constitui o primeiro passo em direção à libertação de seu jugo embriagador.
Assim, pela primeira vez, vemos a humildade como uma necessidade. Mas isso é apenas o começo. Afastar completamente nossa aversão à idéia de ser humildes, obter uma visão da humildade como o caminho que leva à verdadeira liberdade do espírito humano, trabalhar para a conquista da humildade como algo desejável por si mesmo, são coisas que demoram muito, muito tempo para a maioria de nós. Uma vida inteira dedicada ao egocentrismo não pode ser mudada de repente.

CONTANDO O PIOR
Embora fossem muitas as variações, meu principal tema era sempre: “Como sou terrível!” Do mesmo modo como muitas vezes, por orgulho, exagerava minhas mais modestas qualidades, também exagerava meus defeitos através do sentimento de culpa. Em todos os lugares, eu vivia confessando tudo (e mais um pouco) a quem quisesse me ouvir. Acreditem ou não, eu achava que essa ampla exposição de meus erros era uma grande humildade de minha parte e considerava isso um consolo e um grande bem espiritual.
Porém, mais tarde, percebi profundamente que na verdade não tinha me arrependido dos danos que causei aos outros. Esses episódios eram apenas a base para contar histórias e fazer exibicionismo. Junto com essa compreensão, veio o começo de um certo grau de humildade.

ALTO E BAIXO
Quando nossa Irmandade era pequena, lidávamos somente com “casos desesperados”. Muitos alcoólicos menos desesperados tentavam A. A., mas não eram bem-sucedidos porque não podiam admitir sua desesperança.
Nos anos seguintes isso mudou. Os alcoólicos que ainda tinham saúde, família, trabalho e até dois carros na garagem, começaram a reconhecer seu alcoolismo. À medida que essa tendência crescia, jovens que mal passavam de alcoólicos em potencial passaram a juntar-se a eles. Como poderiam pessoas como essas aceitar o Primeiro Passo?
Recordando nossas próprias histórias de bebida, mostrávamos a eles que anos antes de reconhecê-lo, já havíamos perdido o controle, que mesmo naquela época nossa maneira de beber já não era mero hábito, que era na verdade o começo de uma progressão fatal.

PERDÃO
Através do Quinto Passo, que é de vital importância, começamos a ter a sensação de que poderíamos ser perdoados, fosse o que fosse que tivéssemos pensando ou feito.
Muitas vezes, ao trabalhar nesse Passo com nossos padrinhos ou conselheiros espirituais, pela primeira vez nos sentimos verdadeiramente capazes de perdoar os outros, não importando quão profundamente sentíssemos que eles tivessem nos ofendido.
Nosso inventário moral nos tinha convencido de que todo perdão era desejável, mas foi somente quando fizemos resolutamente o Quinto Passo que soubemos no íntimo que éramos capazes, tanto de aceitar o perdão como também de perdoar.
(Fonte: Na Opinião do Bill – paginas: 17-24-48-65-83-88-102-111-126-135-149-164-209-213-228-231-261-289-305-311-314-318)

ACEITAÇÃO
“Na Opinião do Bill”

TUDO OU NADA
A aceitação e a fé são capazes de produzir cem por cento de sobriedade. De fato, elas geralmente conseguem; e assim deve ser, caso contrário, não podemos viver. Mas a partir do momento em que transferimos essas atitudes para nossos problemas emocionais, descobrimos que só é possível obter resultados relativos. Ninguém pode, por exemplo, livrar-se completamente do medo, da raiva e do orgulho. Consequentemente, nesta vida não atingiremos uma total humildade nem amor. Assim, vamos ter que nos conformar, com referência à maioria de nossos problemas, pois um progresso muito gradual, às vezes é interrompido por grandes retrocessos. Nossa antiga atitude de “tudo ou nada” terá que ser abandonada.

LUZ PROVENIENTE DE UMA ORAÇÃO
Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar. Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras.
Guardamos como um tesouro nossa “Oração da serenidade”, porque ela nos traz uma nova luz que pode dissipar nosso velho e quase fatal hábito de enganar a nós mesmos.
No esplendor dessa oração, vemos que a derrota, quando bem aceita, não significa desastre. Sabemos agora que não temos que fugir, nem deveríamos outra vez tentar vencer a adversidade por meio de um outro poderoso impulso arrasador, que só pode nos trazer problemas difíceis de serem resolvidos.

LIVRANDO-SE DE UMA “BEBEDEIRA SECA”
“Às vezes nós ficamos deprimidos. Disso sei muito bem; eu mesmo fui um campeão das bebedeiras secas. Enquanto as causas superficiais constituíam uma parte do quadrado; acontecimentos que precipitavam a depressão; estou consciente de que as causas fundamentais eram muito mais profundas.
“Intelectualmente, eu poderia aceitar minha situação, mas emocionalmente não.
“Para esses problemas, certamente não há respostas adequadas, mas parte da resposta certamente se encontra no esforço constante para praticar todos os Doze Passos de A. A.”

ACEITAÇÃO DIÁRIA
“Grande parte de minha vida foi passada repisando as faltas dos outros. Essa é uma das muitas formas sutis e maldosas da auto-satisfação, que nos permite ficar confortavelmente despreocupados a respeito de nossos próprios defeitos. Inúmeras vezes dissemos: ‘Se não fosse por causa dele (ou dela), como eu seria feliz!”
Nosso primeiro problema é aceitar nossas circunstâncias atuais como são, a nós mesmos como somos, e as pessoas que nos cercam como também são. Isso é adotar uma humildade realista, sem a qual nenhum verdadeiro progresso pode sequer começar. Repetidamente precisaremos voltar a esse pouco lisonjeiro ponto de partida. Esse é um exercício de aceitação que podemos praticar com proveito todos os dias de nossas vidas.
Desde que evitemos arduamente transformar esses reconhecimentos realistas dos fatos da vida em álibis irreais para a prática da apatia ou do terrorismo, eles podem ser a base segura sobre a qual pode ser construída a crescente saúde emocional e, portanto, o progresso espiritual.

A FORÇA NASCENDO DA FRAQUEZA
Se estamos dispostos a parar de beber, não podemos abrigar, de forma nenhuma, a esperança de que um dia seremos imunes ao álcool.
Tal é o paradoxo da recuperação em A. A.: a força nascendo da fraqueza e da derrota completa, a perda de uma vida antiga como condição para encontrar uma nova.

LIBERDADE ATRAVÉS DA ACEITAÇÃO
Admitimos que não podíamos vencer o álcool com os recursos que ainda nos restavam, e assim aceitamos o fato de que só a dependência de um Poder Superior (mesmo que fosse apenas nosso Grupo de A. A.) poderia resolver esse problema até aqui insolúvel. No momento em que fomos capazes de aceitar inteiramente esses fatos, iniciou-se nossa libertação da compulsão alcoólica.
Para a maioria de nós foi preciso grande esforço para aceitar esses dois fatos. Tivemos que abandonar nossa querida filosofia de auto-suficiência. Não o conseguimos apenas com a força de vontade; isso aconteceu como resultado do desenvolvimento da boa vontade para aceitar esses novos fatos da vida.
Não fugimos nem lutamos, mas aceitamos. E então começamos a ser livres.

NENHUM PODER PESSOAL
“ A princípio, o remédio para minhas dificuldades pessoais parecia tão evidente que eu não podia imaginar um alcoólicos recusando a proposta que lhe fosse adequadamente apresentada. Acreditando firmemente que Cristo pode fazer tudo, eu tinha a idéia inconsciente de supor que Ele faria tudo por meu intermédio – quando e da maneira que eu quisesse. Depois de seis longos meses, tive que admitir que ninguém tinha se apoderado do Mestre – nem mesmo eu.
“Isso me levou à boa e saudável conclusão de que havia muitas situações no mundo sobre as quais eu não tinha nenhum poder pessoal – que, se eu estava tão pronto a admitir isso a respeito do álcool, devia admitir também em relação a muitas outras coisas. Tinha que ficar quieto a muitas outras coisas. Tinha que ficar quieto e entender que Ele e não eu, era Deus.”

OBSTÁCULOS EM NOSSO CAMINHO
Vivemos num mundo cheio de inveja. Em grau maior ou menor, todos são contaminados por ela. Deste defeito certamente retiramos uma satisfação deturpada porém definida. Se assim não fosse, porque poderíamos tanto tempo desejando o que não temos, em vez de trabalhar para obtê-lo, ou furiosamente procurando qualidade que nunca teremos, em vez de adaptarmo-nos aos fatos, aceitando-os?
Cada um de nós gostaria de viver em paz consigo mesmo e com seus semelhantes. Gostaríamos de ser assegurados de que a graça de Deus pode fazer por nós aquilo que não podemos.
Temos visto que os defeitos de caráter baseados em desejos imprevidentes a indignos são obstáculos que bloqueiam nosso caminho em direção a esses objetivos. Agora vemos, com clareza, que estivemos fazendo exigências irracionais a nós mesmos, aos outros e a Deus.

DOIS CAMINHOS PARA OS MEMBROS MAIS ANTIGOS
Os fundadores de muitos grupos acabam por dividirem-se em duas categorias, conhecidas na linguagem de A. A. como “velhos mentores” e “velhos resmungões”.
O velho mentor vê sabedoria na decisão do grupo de assumir sua própria direção e não guarda ressentimento ao ver reduzido seu status. Seu julgamento, reforçado por considerável experiência, é saudável: ele está disposto a ficar de lado, aguardando com paciência os acontecimentos.
O velho resmungão está certamente convencido de que o grupo não pode caminhar sem ele. Ele constantemente conspira para reeleger-se e continua sendo consumido pela auto piedade. Quase todos os membros mais antigos de nossa sociedade passaram por isso, em maior ou menor grau. Felizmente, a maior parte deles sobreviveu para se transformar no velho mentor. Estes vêm a ser a verdadeira e duradoura liderança de A. A.

MAIS DO QUE CONFORTO
Quando me sinto deprimido, repito para mim mesmo declarações como estas: “O sofrimento é a pedra de toque do progresso…” “Não tema o mal”… “Isso também vai passar”… “Essa experiência pode se transformar em benefício”.
Esses fragmentos de oração trazem muito mais do que um mero conforto. Eles me mantêm no caminho da aceitação perfeita, dissolvem meus temas obsessivos de culpa, depressão, revolta e orgulho; e às vezes me dão a coragem para mudar as coisas que posso e sabedoria para perceber a diferença.

O APRENDIZADO NÃO TERMINA NUNCA
“Minha experiência, como antigo membro, é em alguns pontos paralela à sua e as de muitos outros. Todos nós descobrimos que chega o momento em que não mais podemos conduzir os negócios funcionais dos grupos, das áreas ou, em meu caso, de A. A. com um todo. Em última análise, só valemos pelo exemplo espiritual que porventura tenhamos dado. Nesta medida tornamo-nos símbolos úteis – e isso é tudo.”
“Tornei-me discípulo do movimento de A. A., ao invés do professor que eu outrora achava que era”.

A OBSESSÃO E A RESPOSTA
A idéia de que de algum modo, algum dia, vai controlar e desfrutar da bebida constitui a grande obsessão de todo bebedor anormal. A persistência dessa ilusão é incrível. Muitos a perseguem até as portas da loucura e da morte.
O alcoolismo, e não o câncer, era minha doença. Mas qual a diferença? O alcoolismo não era também um consumidor do corpo e da mente? O alcoolismo levaria mais tempo para matar, mas o resultado era o mesmo. Então decidi, que se houvesse um grande Médico que pudesse curar a doença do alcoolismo, o melhor que eu poderia fazer era procurá-Lo imediatamente.

SATISFAÇÕES DE UMA VIDA CORRETA
Como é maravilhoso sentir que não precisamos nos distinguir especialmente de nossos companheiros para podermos ser úteis e profundamente felizes. Poucos de nós podemos ser líderes destacados, e nem queremos sê-lo.
O serviço prestado com alegria; as obrigações honestamente cumpridas; os problemas bem aceitos ou resolvidos com a ajuda de Deus; a consciência de que em casa ou no mundo lá fora somos parceiros num esforço comum; o fato de que aos olhos de Deus somos todos importantes; a prova de que o amor dado livremente sempre traz retorno; a certeza de que não estamos mais isolados e sós em prisões construídas por nós mesmos; a segurança de que podemos nos ajustar e pertencer ao esquema de Deus – essas são as satisfações de uma vida correta, que jamais poderiam ser substituídas por qualquer pompa ou cerimônia ou por qualquer quantidade de posses materiais.

REVOLTA OU ACEITAÇÃO
Todos nós passamos por períodos em que somente podemos orar com o maior empenho. Às vezes, vamos ainda mais longe. Somos acometidos por uma revolta tão doentia que simplesmente não conseguimos orar. Quando essas coisas acontecem, não devemos achar que somos tão doentes. Devemos simplesmente voltar à prática da oração, tão logo possamos, fazendo o que sabemos ser bom para nós.
Uma pessoa que persiste na oração encontra-se na posse de grandes dádivas. Quando tem que lidar com situações difíceis, descobre que pode enfrentá-las. Pode aceitar a si mesma e ao mundo que a cerca.
Pode fazer isso porque agora aceita um Deus que é Tudo – e que ama a todos. Quando ela diz: “Pai nosso que estais no céu, santificado seja Teu nome”, ela quer dizer isso profunda e humildemente. Quando em verdadeira meditação e portanto livre dos clamores do mundo, sabe que está nas mãos de Deus, que seu destino final está realmente seguro, aqui e no além, aconteça o que acontecer.
(Fonte: Na Opinião do Bill – paginas: 6-20-30-44-49-109-114-131-138-148-169-194-254-293)

BOA VONTADE

BOA VONTADE

“Reflexões”
HONESTIDADE RIGOROSA
Quem se dispõe a ser rigorosamente honesto e tolerante?
Quem se dispõe a confessar suas falhas a outra pessoa e a fazer reparações pelos danos causados? Quem se interessa, ao mínimo, por um Poder Superior, e ainda pela meditação e a oração? Quem se dispõe a sacrificar seu tempo e sua energia tentando levar a mensagem de A. A. ao próximo? Não, o alcoólico típico, egoísta ao estremo, pouco se interessa por estas medidas, a não ser que tenha de tomá-las para sobreviver.
Eu sou um alcoólico. Se eu beber eu morrerei. Me Deus, que poder, energia e emoção esta simples declaração gera em mim! Mas, verdadeiramente, é tudo que preciso saber por hoje. Estou disposto a ficar vivo hoje? Estou disposto a ficar sóbrio hoje? Estou disposto a pedir ajuda e estou disposto a ajudar outro alcoólico que ainda sofre hoje? Descobri a natureza fatal de minha situação? O que devo fazer, hoje, para permanecer sóbrio?

SALVO POR RENDER-SE
É uma característica do chamado alcoólico típico ser egocêntrico e narcisista, ser dominado por sentimentos de onipotência e ter intenção de manter a todo custo sua integridade interior… Interiormente o alcoólico não aceita ser controlado pelo homem ou por Deus. Ele, o alcoólico, é e precisa ser – o dono de seu destino. Lutará até o fim para preservar essa posição.
O grande mistério é: Por que alguns de nós morrem de alcoolismo, lutando para preservar a independência de nosso ego, enquanto outros conseguem ficar sóbrios em A. A. aparentemente sem esforços? A ajuda de um Poder Superior, a dádiva da sobriedade, aconteceu para mim quando um inexplicável desejo de parar de beber coincidiu com minha disposição de aceitar as sugestões dos homens e mulheres de A. A. Precisei render-me, pois somente alcançando Deus e meus companheiros eu poderia ser salvo.

LIMPANDO O JARDIM
A essência de todo crescimento é uma disposição de mudar para melhor e uma disposição incansável de aceitar qualquer responsabilidade que implique essa mudança.
Quando alcancei o Terceiro Passo, eu já estava livre de minha dependência do álcool, mas amargas experiências me mostraram que a sobriedade contínua requer um esforço contínuo.
De vez em quando dou uma pausa para dar uma olhada no meu progresso. Mais e mais o meu jardim fica limpo cada vez que olho, porém, toda vez também encontro novas erva daninhas crescendo rapidamente, onde eu pensava já ter finalmente cortado com lâmina. Quando volto para tirar as ervas novas que cresceram (é mais fácil quando elas ainda são jovens), para um momento para admirar como é vigoroso o crescimento dos vegetais e das flores, e meu trabalho é recompensado. Minhas sobriedade cresce e produz frutos.

A CHAVE E A BOA VONTADE
Uma vez que introduzimos a chave da boa vontade na fechadura e entreabrimos a porta descobrimos que sempre se pode abrir um pouco mais.
A boa vontade para entregar o meu orgulho e minha obstinação a um Poder Superior a mim mesmo, provou ser o único ingrediente necessário para resolver meus problemas hoje. Até mesmo pequenas doses de boa vontade, se sincera, é suficiente para permitir que Deus entre e tome o controle sobre qualquer problema, dor ou obsessão. Meu nível de bem-estar está em relação direta com o grau de boa vontade que tenho num determinado momento para abandonar minha vontade própria e permitir que a vontade de Deus se manifeste em minha vida. Com a chave da boa vontade, minhas preocupações e medos são poderosamente transformados em serenidade.

A VERDADEIRA INDEPENDÊNCIA
Quanto mais nos dispomos a depender de um Poder Superior, mais independentes nos tornamos.
Começo a confiar em Deus com uma vontade pequena e Ele faz com que essa vontade cresça. Quanto mais boa vontade tenho, mais confiança ganho, e quanto mais crença ganho, mais boa vontade tenho. Minha dependência de Deus cresce na proporção em que cresce a minha crença Nele. Antes de tornar-me disposto, dependia de mim mesmo para todas as minhas necessidades e estava restrito pela minha imperfeição. Pela minha boa vontade de depender do meu Poder Superior, a quem chamo de Deus, todas as minhas necessidades são satisfeitas por Aquele que me conhece melhor que eu mesmo; até mesmo aquelas necessidades que posso não perceber, bem como as que ainda não vieram. Somente Aquele que me conhece tão bem, pode levar-me a ser eu mesmo e me ajudar a preencher a necessidade de alguém que somente eu posso preencher. Nunca haverá alguém exatamente como eu. E isto é a verdadeira independência.

LIBERDADE DO “REI ÁLCOOL”
… não vamos supor nem mesmo por um instante, que não estamos sob coação. Na verdade, estamos sob uma enorme sujeição… Nosso antigo tirano, o “Rei Álcool”, está sempre pronto para nos agarrar. Portanto, a libertação do álcool é o grande “dever” que tem que ser alcançado: caso contrário, chegaremos à loucura ou à morte.
Quando bebia eu vivia preso espiritualmente, emocionalmente e às vezes fisicamente. Tinha construído minha prisão com barras de teimosia e indulgência, das quais não podia escapar. Ocasionalmente passava por períodos secos que pareciam prometer liberdade, mas que se tornavam apenas esperanças de um indulto. A verdadeira fuga requer uma disposição para seguir as ações corretas para abrir a fechadura. Com disposição e ação tanto as barras como a fechadura abrem-se por si mesmas para mim. Boa vontade e ação contínua me mantêm livre – numa espécie de liberdade condicional diária – que nunca termina.

CRESCENDO
A essência de todo crescimento é uma disposição de mudar para melhor e uma disposição incansável de aceitar qualquer responsabilidade que essa mudança implique.
Algumas vezes quando me torno disposto a fazer o que deveria fazer o tempo todo, desejo louvor e reconhecimento. Não percebo que quanto mais estiver disposto a agir de uma maneira diferente, mais excitante é a minha vida. Quando mais estou disposto a ajudar os outros, mais recompensa recebo. Isto é o que a prática dos princípios significa para mim. Alegria e benefícios para mim estão na disposição de fazer as ações, não em obter resultados imediatos. Sendo um pouco mais amável, um pouco menos agressivo e um pouco mais amoroso, faz com que minha vida seja melhor – dia a dia.

CAMINHANDO PELO MEDO
Se ainda nos apegamos a algo que não queremos soltar, pedimos a Deus que nos ajude a ter a vontade.
Quando fiz o meu quinto Passo, tornei-me consciente de que todos os meus defeitos de caráter se originavam da minha necessidade de me sentir seguro e amado. Usar somente a minha vontade para trabalhar com meus defeitos e resolver o meu problema eu já havia tentado obsessivamente. No Sexto Passo aumentei a ação que tomei nos três primeiros Passos – meditando no Passo, dizendo-o várias vezes, indo às reuniões, seguindo às sugestões de meu padrinho, lendo e procurando dentro de mim mesmo. Durante os três primeiros anos de sobriedade tinha medo de entrar num elevador sozinho. Um dia decidi que tinha de enfrentar este medo. Pedi ajuda a Deus, entrei no elevador e ali no canto estava uma senhora chorando. Ela disse que desde que seu marido havia morrido ela tinha um medo mortal de elevadores. Esqueci meu medo e a confortei. Esta experiência espiritual ajudou-me a ver como a boa vontade era a chave para trabalhar o resto dos Doze Passos para a recuperação. Deus ajuda aqueles que se ajudam.

NUMA ASA E NUMA ORAÇÃO
… olhamos então para o sexto Passo. Frisamos que a boa vontade é indispensável.
O Quarto e Quinto Passos são difíceis, mas de grande valor. Agora estava parado no Sexto Passo e, em desespero, peguei o Livro Grande e li esta passagem. Estava fora, rezando por vontade própria, quando levantei meus olhos e vi um grande pássaro subindo para o céu. Eu o observei subitamente entregar-se às poderosas correntes de ar das montanhas. Levado pelo vento, mergulhando e elevando-se, o pássaro fez coisas aparentemente impossíveis. Foi um exemplo inspirador de uma criatura “soltando-se” para um poder maior que ela própria. Percebi que se o pássaro “retomasse seus controles” e tentasse voar com menos confiança, apenas com sua força, poderia estragar o seu aparente vôo livre. Esta preparação me deu disposição para rezar a Oração do Sétimo Passo.
Nem sempre é fácil conhecer a vontade de Deus. Devo procurar e estar pronto para aproveitar as correntes de ar, pois é ai que a oração e a meditação ajudam. Porque por mim mesmo eu não sou nada, peço a Deus que me conceda o conhecimento de Sua vontade, força e coragem para transmiti-la hoje.

LIBERTANDO-NOS DE NOSSOS VELHOS EGOS
Lendo cuidadosamente as primeiras cinco proposições, perguntamo-nos se omitimos alguma coisa, pois estamos construindo um arco pelo qual passaremos finalmente como homens livres…
Estamos agora prontos para que Deus retire de nós todas as coisas que já admitimos serem censuráveis?
O Sexta Passo é o último de “preparação”. Embora já tenha usado a oração extensivamente, ainda não fiz nenhum pedido formal ao meu Poder Superior nos primeiros Seis Passos. Identifiquei meu problema, vim a acreditar que havia uma solução, tomei a decisão de procurar esta solução, e “limpei a casa”. Agora me pergunto: estou disposto a viver uma vida de sobriedade, de mudanças, de me libertar do meu velho ego? Preciso determinar se estou realmente pronto para mudar. Revejo o que tenho feito e estou disposto a que Deus remova todos os meus defeitos de caráter: para que, no próximo Passo, eu diga ao meu Criador que estou disposto e peça ajuda. “Se ainda nos apegarmos a algo que não queremos soltar, peçamos a Deus que nos dê a vontade de fazê-lo.

INTEIRAMENTE PRONTO?
“Este é o Passo que separa os adultos dos adolescentes…” … a diferença entre “os adultos e os adolescentes” é igual à que existe entre a luta por um objetivo qualquer de nossa escolha e a meta perfeita que é Deus… Sugere-se que devemos estar inteiramente dispostos a procurar a perfeição… No momento em que dizemos: “não, nunca”, nossa mente se fecha para a graça de Deus. … Este é o ponto exato em que teremos de abandonar nossos objetivos limitados e avançar em direção à vontade de Deus para conosco.
Estou inteiramente pronto a deixar que Deus remova estes defeitos de caráter? Reconheço que não tenho condições de salvar a mim mesmo? Vim a crer que não posso. Se sou incapaz, se minhas melhores intenções dão errado, se meus desejos têm uma motivação egoísta e se meu conhecimento e minha vontade são limitados – então estou pronto a admitir a vontade de Deus em minha vida.

TUDO QUE FAZEMOS É TENTAR
Será que Ele pode levá-las embora, todas elas?
Ao fazer o Sexto Passo, lembrei que estou lutando por alcançar um “progresso espiritual”. Alguns de meus defeitos de caráter ficarão comigo pelo resto de minha vida, mas muitos foram suavizados ou eliminados. Tudo que o Sexto Passo pede de mim é que me torne disposto a nomear meus defeitos, reconhecer que são meus e estar disposto a me livrar daqueles que puder, só por hoje. Quando cresço no programa, muitos dos meus defeitos tornam-se mais censuráveis para mim que anteriormente, portanto, preciso repetir o Sexto Passo para que possa ser mais feliz comigo mesmo e manter minha sobriedade.

UMA VASSOURA LIMPA
… e, em terceiro lugar, havendo desta forma limpado o entulho do passado, consideramos de que modo, com o novo conhecimento de nós mesmos, poderemos desenvolver as melhores relações possíveis, com todas as pessoas que conhecemos.
Quando olhei para o Oitavo Passo, tudo o que foi pedido para completar com sucesso os sete passos anteriores veio junto: coragem, honestidade, sinceridade, disposição e meticulosidade. Não poderia reunir a força requerida para esta tarefa no começo, e é por isso que está escrito neste Passo: “nos dispusemos…”
Precisava desenvolver a coragem para começar, a honestidade para ver onde eu estava errado, um desejo sincero de colocar as coisas em ordem, precisava ser meticuloso ao fazer a relação e precisava ter disposição para assumir os riscos exigidos para a verdadeira humildade. Com a ajuda de meu Poder superior, para desenvolver estas virtudes, completei este Passo e continuei movendo me para adiante na minha busca de um crescimento espiritual.

EM DIREÇÃO À LIBERDADE EMOCIONAL
Em vista de que as relações deficientes com outras pessoas quase sempre foram a causa imediata de nossas mágoas, inclusive de nosso alcoolismo, nenhum campo de investigação poderia render resultados mais satisfatórios e valioso do que este.
A boa disposição é uma coisa peculiar para mim porque com o tempo, parece vir primeiro com consciência e, depois com uma sensação de desconforto, fazendo-me querer tomar alguma decisão. Quando reflito em praticar o Oitavo Passo, minha disposição de fazer reparações aos outros vem como um desejo de perdão, a outros e a mim mesmo. Senti o perdão para os outros após tornar-me cônscio de minha parte nas dificuldades dos relacionamentos. Desejava sentir a paz e a serenidade descritas nas promessas. Praticando os primeiros Sete Passos, fiquei sabendo quem tinha prejudicado e que eu tinha sido meu pior inimigo. A fim de restaurar meus relacionamentos com meus semelhantes, sabia que precisava mudar. Desejava viver em harmonia comigo mesmo e com os outros, para que pudesse também ter uma vida de liberdade emocional. O começo do fim de meu isolamento – de meus companheiros e de Deus – veio quando escrevi minha relação do Oitavo Passo.

DISPOSIÇÃO PARA CRESCER
Se temos que receber outras dádivas, nosso despertar tem que continuar:
A sobriedade preenche o doloroso “buraco na alma” que meu alcoolismo criou. Muitas vezes me sinto fisicamente tão bem, que acredito que meu trabalho já foi feito. Contudo, a alegria não é apenas a ausência de dor: ela é a dádiva de um contínuo despertar espiritual. A alegria vem de um estudo ativo e progressivo, bem como da aplicação dos princípios de recuperação em minha vida diária, e de compartilhar esta experiência com os outros. Meu Poder Superior apresenta muitas oportunidades para um mais profundo despertar espiritual. Preciso somente trazer para minha recuperação a disposição de crescer. Hoje estou pronto para crescer.

ENCONTRANDO “UMA RAZÃO PARA ACREDITAR”
A disposição para crescer é a essência de todo crescimento espiritual.
Um verso de uma canção diz: “… E procuro uma razão para acreditar…”. Isto me faz lembrar que numa certa época eu não era capaz de encontrar uma razão para acreditar que minha vida estava bem. Embora minha vida tivesse sido salva por minha vinda ao A. A., três meses mais tarde fui e bebi novamente.
Alguém me disse: “Você não precisa acreditar. Será que você não está disposto a acreditar que há uma razão para sua vida, embora você possa não saber qual é ou que algumas vezes não saber a maneira correta de se comportar?” Quando estava disposto a acreditar que havia uma razão para a minha vida, então pude começar a trabalhar nos Passos. Agora, quando começo com: “eu estou disposto…”, estou usando a chave que leva à ação, à honestidade e uma abertura para um Poder Superior que se manifesta em minha vida.

ACEITAR A SI MESMO
Sabemos que o amor de Deus vela sobre nós. Enfim, sabemos que quando nos voltarmos para Ele, tudo estará bem conosco, agora e para sempre.
Rezo para estar sempre disposto a recordar que sou filho de Deus, uma alma divina numa forma humana, e que a tarefa mais urgente e básica na minha vida é aceitar, conhecer, amar e cuidar de mim mesmo. Quando me aceito, estou aceitando a vontade de Deus. Quando me conheço e me amo, estou conhecendo e amando a Deus. Quando cuido de mim, estou agindo sob a orientação de Deus. Rezo para ter disposição de abandonar minha arrogante autocrítica, e louvar a Deus humildemente aceitando-me e cuidando de mim mesmo.
(Fonte: Reflexões Diárias – paginas: 34-41-72-75-86-108-109-138-163-164-165-166-234-241-253-254-324)

BOA VONTADE
Um artigo sobre a Oração da Serenidade.
Quando ingressei em Alcoólicos Anônimos, procurei, atentamente, seguir as orientações de meu padrinho, bem como todas as sugestões dos companheiros nos Grupos. Tumultuado pelo domínio do álcool, achava que a Oração da Serenidade era mais um ritual sagrado de uma seita ou religião na qual eu acabara de entrar. Totalmente longe da realidade, fui conhecendo a Irmandade de A. A. e vi que meu pensamento era completamente diferente da realidade: a Oração da Serenidade não é um ritual e A. A. não é seita ou religião, isso ficou bem claro para mim.
Passados três anos dessa experiência, sei que o recitar da prece é a chave que abre as portas da nova vida, longe do primeiro gole, a cada momento do dia, diante de dificuldades e no início ou no fim das reuniões. É de grande valia para meu programa de recuperação, como também é o mais nobre canal de comunicação que encontrei para contatar com meu Poder Superior, que na minha concepção é Deus, reforçando em mim a força espiritual que o programa de A. A. me traz.
É com muita fé e esperança que eu peço ao Senhor do Universo a serenidade, a saúde, a sanidade e a aceitação, as quais são pilares fundamentais para manter-me sóbrio. Isso eu venho conseguindo a cada vinte e quatro horas.
Ainda não consegui a “coragem” para efetuar todas as mudanças que gostaria de fazer no meu programa de vida, mas todo dia eu renovo o pedido ao Poder Superior para me conceder esse dom. Sei que as mudanças não podem ser do dia para a noite, mas só em poder dizer que tive a coragem de ficar longe do primeiro gole, já tenho motivo suficiente para agradecer a Deus.
A sabedoria aliada ao conhecimento faz de mim um ser capaz. Graças a Deus venho conseguindo essa capacidade de distinguir aquilo que eu posso e o que eu não posso modificar, aquilo que eu devo e o que não devo fazer. Isso é o que aumenta minha boa vontade de continuar sóbrio.
(Fonte: Revista Vivência – 50 – Nov./Dez. 2007 – José P. – Teresina/PI)

A CHAVE DA BOA VONTADE
“A fechadura deve ser mergulhada no mais puro amor e colocada no lado esquerdo do peito.”
Chaves!
Elas existem há vários séculos, de diversos formatos e de vários tamanhos.
Elas têm duas funções básicas que são: – aprisionar ou libertar.
O interruptor é uma chave que me liberta da escuridão, que me alivia o calor…
Já o cartão telefônico é uma chave que me possibilita conversar com outra pessoa a longa distância.
Esta conversa pode ser libertadora ou aprisionadora; medíocre, fofoqueira, injuriosa, que além de mesquinha e infrutífera me aprisionará, me trará sérios problemas impossibilitando-me de enxergar as coisas como elas realmente são.
Na verdade, chave é tudo aquilo que facilita, que viabiliza, que torna fácil o acesso tanto para o bem quanto para o mal.
O álcool é uma chave para a descontração; facilita a aproximação de homens e mulheres, desinibe, mas também é a chave da grande maioria dos acidentes.
É ele quem impulsiona muitas pessoas para a criminalidade e formula atrocidades nas mentes onde habita.
Em suma, o álcool é uma chave que tranca mais que liberta e muitas vezes usando de sagacidade ele liberta hoje para encarcerar amanhã.
Quantos avolumaram seu molho com essa chave, líquida e estão literalmente aprisionados nas penitenciárias e nos manicômios?
Só resolvi abandonar a bebida depois que já estava de posse da chave abstrata da vontade e percebi a necessidade de adquirir a chave do bom senso, pois seria muita tolice, muita ingenuidade de minha parte achar que me livraria do meu algoz sem passar por momentos tempestuosos.
Destrancar os bares onde eu havia aprisionado meu espírito e minha mente, não seria tarefa fácil!
Depois, as chaves da força, da determinação e a dos sonhos tornaram-se minhas aliadas.
Os sonhos, que antes não passavam de ilusões, de fraco desejo, hoje, graças a essas chaves imateriais, a Deus e ao A. A., tenho me mantido sóbrio e conseguido realizar alguns sonhos que foram trancados na masmorra do álcool.
Essas chaves poderosas trouxeram-me até aqui, mas há uma outra que pode facilitar minha caminhada daqui para frente. Essa última possui elementos poderosíssimos em sua liga: é a chave da boa vontade.
Assim como a cobra coral, a boa vontade também possui uma sósia tão parecida que não é fácil distinguir a falsa da verdadeira.
A autêntica coral possui veneno poderosíssimo, capaz de matar em poucos instantes. A genuína boa vontade também, quando penetra na corrente sanguínea, quando passa a fazer parte do DNA da alma proporciona fé, resignação, comprometimento, paciência e compreensão.
A falsa boa vontade, que nada mais é que “obrigação”, tem ajudado as pessoas a seguirem em frente, mas de forma pesada, arrastada, lamuriosa.
Obrigatoriedade é um remédio excessivamente apimentado, ajuda, mas queima muito.
Já a boa vontade é açucarada, leve e prazerosa.
Hoje tenho certeza que as soluções para os meus problemas já existem! Só tenho que saber procurá-las e quanto à chave da boa vontade… estou tentando, mas já entendi que ela é real e que para conquistá-la é necessário que eu construa a fechadura perfeita, fechadura esta que depois de pronta deve ser mergulhada no mais puro amor e colocada no lado esquerdo do peito.
Quando a fechadura estiver pronta, a chave da boa vontade aparecerá.
(Fonte: Revista Vivência – 113 – Mai./Jun. 2008 – Marco Antônio – Niterói/RJ)

BOA VONTADE
“Na Opinião do Bill”
PODEMOS ESCOLHER?
Não devemos nunca nos deixar cegar pela filosofia fútil de que somos vítimas de nossa hereditariedade, de nossa experiência de vida e de nosso meio ambiente – de que essas são as únicas forças que tomam as decisões por nós. Esse não é o caminho para a liberdade. Temos que acreditar que podemos realmente escolher.
“Como alcoólicos ativos, perdemos a capacidade de escolher se beberíamos ou não. Éramos vítimas de uma compulsão que parecia determinar que deveríamos prosseguir em nossa própria destruição.”
“No entanto, finalmente, fizemos escolhas que nos levaram à recuperação. Viemos a acreditar que sós éramos impotentes perante o álcool. Isso foi certamente uma escolha, aliás, muito difícil. Viemos a acreditar que um Poder Superior poderia nos devolver a sanidade, quando nos dispusemos a praticar os Doze Passos de A. A.”. Em resumo, preferimos ‘estar dispostos’, e essa foi a melhor escolha que poderíamos ter feito.”

FORÇA DE VONTADE E ESCOLHA
“Nós, AAs, sabemos que é inútil tentar destruir a obsessão de beber só pela força de vontade. Entretanto, sabemos que é preciso uma grande vontade para adotar os Doze Passos de A. A. como um modo de vida que pode nos devolver a sanidade.
Qualquer que seja a gravidade da obsessão pelo álcool, felizmente descobrimos que ainda podem ser feitas outras escolhas vitais. Por exemplo, podemos admitir que somos impotentes pessoalmente perante o álcool; que a dependência de um ‘Poder Superior’ é uma necessidade, mesmo que esta seja simplesmente uma dependência de um grupo de A. A. Então podemos preferir tentar uma vida de honestidade e humildade, fazendo um serviço desinteressado para nossos companheiros e para ‘Deus como nós O concebemos’.
Conforme continuamos fazendo essas escolhas e assim indo em busca dessas altas aspirações, nossa sanidade volta e desaparece a compulsão para beber.”

A HUMILDADE “PERFEITA”
Eu, por minha parte, tento encontrar a definição mais verdadeira de humildade que puder. Ela não será a definição perfeita porque eu serei sempre imperfeito.
Nesse artigo, escolheria a definição seguinte: “A humildade absoluta consistiria num estado de completa libertação de mim mesmo, na libertação de todas as exigências que meus defeitos de caráter lançam tão pesadamente sobre mim agora. A humildade perfeita seria a total boa vontade de, em todos os momentos e lugares, reconhecer e fazer a vontade de Deus”.
Quando penso nessa visão, não preciso ficar desanimado porque nunca atingirei, nem preciso me encher da presunção de que algum dia alcançarei todas essas virtudes.
Preciso apenas contemplar essa visão, deixando-a crescer e encher meu coração. Isto feito, posso compará-la ao meu último inventário pessoal. Tenho então uma saudável idéia de onde me encontro no caminho para a humildade. Vejo que minha caminhada em direção a Deus apenas começou.
Ao reduzir-me ao meu verdadeiro tamanho, minhas preocupações comigo mesmo e o sentimento de minha própria importância fazem-me rir.

LIBERDADE ATRAVÉS DA ACEITAÇÃO
Admitimos que não podíamos vencer o álcool com os recursos que ainda nos restavam, e assim aceitamos o fato de que só a dependência de um Poder Superior (mesmo que fosse apenas nosso Grupo de A. A.) poderia resolver esse problema até aqui insolúvel. No momento em que fomos capazes de aceitar inteiramente esses fatos, iniciou-se nossa libertação da compulsão alcoólica.
Para a maioria de nós foi preciso grande esforço para aceitar esses dois fatos. Tivemos que abandonar nossa querida filosofia de auto suficiência. Não o conseguíamos apenas com a força de vontade.; isso aconteceu como resultado do desenvolvimento da boa vontade para aceitar esses novos fatos da vida.
Não fugimos nem lutamos, mas aceitamos. E então começamos a ser livres.

ESSÊNCIA DO CRESCIMENTO
Que nunca tenhamos medo das mudanças necessárias. Certamente temos que distinguir entre mudanças para pior e mudanças para melhor. Mas já descobrimos há muito tempo que, logo que uma necessidade se torna clara para o indivíduo, para o grupo ou para A. A. como um todo, não podemos ficar parados.
A essência de todo crescimento é a disposição de mudar para melhor e uma incansável disposição para aceitar qualquer responsabilidade que essa mudança implique.

A BOA VONTADDE É A CHAVE
Independente do quanto se queira tentar, a pergunta é: como, exatamente, pode alguém entregar sua própria vontade e sua própria vida aos cuidados de qualquer Deus que acredite existir?
Basta começar, mesmo que seja um tímido começo. Uma vez que tenhamos colocado a chave da boa vontade na fechadura e tenhamos entreaberto a porta, descobrimos que podemos sempre abri-la um pouco mais.
Embora a obstinação possa fechá-la de novo, como frequentemente acontece, ela sempre voltará a se abrir quando utilizarmos a chave da boa vontade.

ALÉM DO AGNOSTICISMO
Nós, de temperamento agnóstico, descobrimos que tão logo fomos capazes de deixar de lado o preconceito e expressar pelo menos uma disposição para acreditar num Poder Superior a nós mesmos, começamos a ver os resultados, mesmo quando ainda era impossível para qualquer um de nós definir ou compreender totalmente esse Poder, que é Deus.
“Muitas pessoas me asseguram, com toda a seriedade, que o homem não tem lugar melhor no universo do que qualquer outro organismo competindo por sua sobrevivência apenas para morrer no fim. Ouvindo isso, sinto que ainda prefiro me apegar à chamada ilusão da religião, que em minha própria experiência, e de um modo muito significativo, revelou-me algo muito diferente!”

BENEFÍCIOS E MISTÉRIOS
“A preocupação de A. A. com a sobriedade é às vezes mal interpretada. Para alguns, essa simples virtude parece ser o único benefício da nossa Irmandade. Pensam que somos bêbados recuperados e que, em outros aspectos, pouco ou nada melhoramos. Essa suposição esta muito longe da verdade. Sabemos que uma sobriedade permanente pode ser alcançada apenas por uma revolucionária mudança na vida e perspectiva do indivíduo – por um despertar espiritual que pode eliminar o desejo de beber.”
“Você está se preocupando, como muitos de nós devem estar: ‘Quem sou eu?’ ‘Onde estou?’ ‘Para onde vou?’ O processo de esclarecimento é geralmente lento. Mas, no fim, nossa busca sempre traz uma descoberta. Esses grandes mistérios, afinal, estão envoltos em total simplicidade. A disposição de desenvolver-se é a essência de todo o crescimento espiritual.”

ALCANÇANDO A HUMILDADE
Percebemos que não precisávamos sempre apanhar e levar cacetadas para ter humildade. Ela poderia ser alcançada seja se a procurássemos voluntariamente, seja pelo constante sofrimento.
Em primeiro lugar, procuramos obter um pouco de humildade, sabendo que morreremos de alcoolismo se não o fizermos. Depois de algum tempo, embora ainda possamos nos revoltar, até certo ponto, começamos a praticar a humildade, porque essa é a coisa certa a se fazer.
“Chega então o dia em que, finalmente livres da revolta, praticamos a humildade, porque no fundo a queremos como um modo de vida.”

DISPOSTOS A ACREDITAR
“Não permita que qualquer preconceito contra termos espirituais possa impedi-lo de se perguntar, o que eles poderiam significar para você. No começo, era disso que precisávamos, para dar início a um crescimento espiritual, ‘para estabelecer nossa primeira relação consciente com Deus como nós O concebíamos’. Mais adiante passamos a aceitar muitas coisas que nos pareciam inteiramente fora de alcance. Isso era crescimento, mas para crescer tínhamos que começar de algum modo. Assim, no princípio, usamos nossas próprias concepções de Deus, ainda que limitadas.
“Precisávamos nos fazer apenas uma simples pergunta: ‘Acredito, ou estou mesmo disposto a acreditar que existe um Poder Superior a mim?’ Assim que o indivíduo possa dizer que acredita, ainda que seja em pequeno grau, ou que esteja disposto a acreditar, nós lhe asseguramos enfaticamente que ele está no caminho.”

HUMILDADE PARA A IRMANDADE, TAMBÉM
Nós, Aas às vezes exageramos as virtudes de nossa Irmandade. Não nos esqueçamos de que, na verdade, poucas dessas virtudes foram de fato conquistadas por nós. Para começar, fomos forçados a elas pelo cruel chicote do alcoolismo. Finalmente as adotamos, não porque o quiséssemos, mas sim porque fomos forçados a fazê-lo.
A seguir, à medida que o tempo ia confirmando a aparente correção de nossos princípios básicos, começamos a nos conformar porque essa era a coisa certa a fazer. Alguns de nós, e eu em especial, ajustamo-nos então, ainda que com alguma relutância.
Mas finalmente chegamos a um ponto onde passamos a desejar nos conformar com alegria com esses princípios que a experiência, sob a graça de Deus, nos ensinou.

O VALOR DA VONTADE HUMANA
Muitos recém-chegados, tendo experimentado uma pequena mas constante deflação, sentem uma crescente convicção de que a vontade humana não tem nenhum valor. Ficaram convencidos, às vezes com razão, de que, além do álcool, muitos outros problemas não vão se resolver apenas pela vontade do indivíduo.
Contudo, há certas coisas que o indivíduo pode fazer. Sozinho e à luz de suas próprias circunstâncias, ele precisa desenvolver a boa vontade. Ao adquirir boa vontade, ele passa a ser a única pessoa que pode tomar a decisão de se esforçar no caminho espiritual. Tentar fazer isso é, na verdade, um ato de sua própria vontade. É usar corretamente essa faculdade.
Na verdade, todos os Doze Passos de A. A. requerem um constante esforço pessoal para ficarmos de acordo com seus princípios e, assim acreditamos, com a vontade de Deus.

OS RESULTADOS DA ORAÇÃO
Quando o cético experimenta o processo da oração, deve começar a acumular resultados. Se persistir, é quase certo que encontrará mais serenidade, mais tolerância, menos medo e menos raiva. Vai adquirir uma coragem calma, sem nenhuma tensão. Poderá ver o “fracasso” e o “sucesso” como realmente são. Os problemas e calamidades começarão a representar aprendizado em vez de destruição. Vai sentir-se mais livre e mais sadio.
A ideais de que tenha se hipnotizado por auto-sugestão parecerá ridícula. Seu senso de utilidade e de propósito aumentará. Suas ansiedades começarão a diminuir. Sua saúde física talvez melhore. Coisas imprevistas e maravilhosas começarão a acontecer. Relações distorcidas com a família e com outras pessoas melhorarão surpreendentemente.

TRÊS ALTERNATIVAS
O objetivo imediato de nossa busca é a sobriedade – a libertação do álcool e de todas as suas desastrosas conseqüências. Sem esta libertação não temos nada.
Paradoxalmente, não conseguimos libertar-nos da obsessão do álcool enquanto não estejamos dispostos a lidar com os defeitos de caráter que nos levaram a esta irremediável situação. Nesta busca de libertação sempre nos foram dadas três escolhas:
Uma recusa rebelde de trabalhar em nossos defeitos mais evidentes, que pode ser um passaporte quase certo para a destruição. Ou então permanecer sóbrios, talvez por algum tempo, com um mínimo de auto-aperfeiçoamento, e nos instalarmos numa confortável mas perigosa mediocridade. Ou, finalmente, emprenharmo-nos constantemente em adquirir aquelas genuínas qualidades que podem contribuir para a clareza de espírito e para a ação – uma liberdade verdadeira e duradoura sob a graça de Deus.

UMA RECÉM-ENCONTRADA PROVIDÊNCIA
Ao lidar com um possível membro que tenha inclinações agnósticas ou ateístas, é preferível usar a linguagem coloquial para descrever os princípios espirituais. Não adianta despertar qualquer preconceito que ele possa ter contra certos conceitos e termos teológicos, sobre os quais já possa estar confuso. Não levante estes assuntos, sejam quais forem as convicções que você tenha.
Todos os homens e mulheres que ingressaram e pretendem permanecer em A. A., sem perceber, já começaram a praticar o Terceiro Passo. Não é verdade que em todos os assuntos relacionados com o álcool, cada um deles decidiu entregar sua vida aos cuidados, proteção e orientação de A. A.?
Já se operou um ato de boa vontade quando eles se dispuseram a substituir a vontade e as ideais próprias sobre o problema do álcool, pelas sugeridas por A. A. Ora, se isso não é entregar a vontade e a vida a uma recém-encontrada “Providência”, o que é então?
(Fonte: Na Opinião do Bill – paginas: 4-88-106-109-115-122-137-171-211-219-226-232-321-327-328)

BOA VONTADE: – A CHAVE DO SUCESSO
Mesmo estando em recuperação há algumas 24 horas sentia que a programação de A. A. ainda não estava presente em minha vida, pois eu acordava pela manhã mesmo sem ressaca há vários anos, reclamando: – Nossa já é hora de levantar, passou tão rápido esta noite! Tenho que ir trabalhar mesmo? Era assim que começava o meu dia e no decorrer deste, batia uma monotonia, uma tristeza sem explicação. Assim eu ia levando, reclamando, me tornando sem perceber, um verdadeiro ranzinza.
Esta fase aconteceu após 3 anos em A. A., até que um “A Amigo”, certo dia me disse: – Faça o 3º Passo; entregue sua vida aos cuidados do seu Poder Superior; mude seu foco; comece a agradecer ajudando sem esperar retorno; seja grato por acordar cedo e sem ressaca, pois que precisa acordar cedo é porque esta trabalhando e se tem um trabalho terá pão em sua mesa; agradeça por estar em recuperação e que a programação está funcionando para você.
Aquelas palavras mudaram meu caminho!
Recordo-me quando eu estava no sanatório e que meu maior patrimônio eram minhas sandálias havaianas.
Bastou um pouco de boa vontade para eu encontrar a chave do sucesso!
Hoje acordo pela manhã e agradeço meu Poder Superior por estar em A. A., por estar sóbrio e com minha família.
Tenho um bom trabalho, voltei a estudar e sou saudável.
Agradeço a A. A. e ao Poder Superior pela minha vida, pela minha felicidade.
Hoje sim, tenho prazer no trabalho, nos meus momentos de lazer com minha família, pois amo minha esposa e retribuo a força que ela me dá em minha programação. Amo meus filhos e isso companheiros é porque entreguei minha vontade e minha vida aos cuidados de um Poder Superior como O concebo.
Só Por Hoje! Funciona. Felizes 24 Horas de Sobriedade e Serenidade.
(Fonte: Revista Vivência – 113 – Mai./Jun. 2008 – Euler/Goiânia/GO)

DR. LAIS MARQUES

PALESTRA CONGRESSO DE CARDIOLOGIA – Dr. Lais Marques da Silva
59º CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA
26 A 29 DE SETEMBRO DE 2004

Tema proposto pelos organizadores do evento:
Tratamento informal da dependência química. Fundamentos do programa de recuperação de alcoólicos anônimos – “Os doze passos”

PALESTRANTE: Dr. LAÍS MARQUES DA SILVA

TEXTO BÁSICO

INTRODUÇÃO
Iniciarei esta apresentação valendo-me de uma importante afirmativa feita por George Vaillant no seu livro, A História Natural do Alcoolismo. Ele diz que é preciso aceitar o paradoxo e admitir que podemos colocar o alcoolismo no modelo médico, mas que a sua etiologia e tratamento são largamente sociais. E acrescenta ainda que talvez não haja na Medicina moderna nenhum outro caso em que a sociologia contribua tanto para o entendimento daquilo que é chamado de alcoolismo.
Por outro lado, Klaus Makela afirma que “mudanças comportamentais radicais e duradouras geralmente também envolvem uma mudança existencial e a reestruturação do “self”. E, deste ponto de vista, Alcoólicos Anônimos é uma interessante saída do alcoolismo”.

TRABALHO DE VAILLANT
George Vaillant estudou 660 casos de alcoolismo e acompanhou esses pacientes por 40 anos, de 1940 a 1980. Ou seja, realizou um importante e significativo estudo longitudinal, talvez o mais completo e mais longo dos que até hoje foram feitos. A importância desse enfoque é posta em destaque pelo fato de que o corte transversal exibe o quadro de um momento, mas não mostra como se chegou a ele nem o que aconteceu a partir dele. Num estudo longitudinal é que se delineia o contorno da história natural de uma doença.

CORRELAÇÃO
O foco principal do referido trabalho está voltado para um minucioso estudo de correlação entre os modelos médico e social do alcoolismo. Num estudo de correlação, procura-se avaliar em que medida, em determinados grupos de fenômenos ou a partir de diferentes enfoques de um mesmo fenômeno, ocorrem pontos comuns ou ligações entre as suas características que sejam estatisticamente significativas. A partir desse estudo, concluiu Vaillant que os médicos e os sociólogos estudavam o mesmo fenômeno, o alcoolismo. Falavam do mesmo fenômeno a partir de enfoques inteiramente distintos e isso é tão importante que, observando os critérios usados para o diagnóstico do alcoolismo, vemos que são adotados parâmetros tanto de caráter médico quanto social.
Olhando a partir de uma perspectiva mais adequada, volto a apresentar as palavras de George Vaillant que definem o foco, que a meu ver é o mais adequado diante da experiência que acumulei ao longo de muitos anos de prática médica e dos quase 34 anos de convivência estreita e contínua com os membros da comunidade de Alcoólicos Anônimos. Repetindo, temos que aceitar o paradoxo e admitir que podemos colocar o alcoolismo no modelo médico, mas a etiologia e o tratamento são largamente sociais. Nós, do mundo científico, racionalistas e cartesianos, não gostamos do paradoxo. A palavra paradoxo traz a conotação de imprecisão, de coisa de compreensão difícil, de complexidade, de coisa contraditória, mas uma coisa só é verdadeira quando contém o paradoxo.

DESCONHECIMENTO
Apesar de o alcoolismo ser uma desordem de grande poder destrutivo, que segundo o mesmo autor afeta de 3 a 10% dos americanos do norte, ser responsável por 25% das internações em hospitais gerais e de ter papel importante nas quatro maiores causas de morte entre homens de 20 a 40 anos de idade: suicídio, homicídio, acidentes e cirrose hepática, além de comprometer seriamente os familiares e amigos dos alcoólicos, a falta de conhecimento acerca do que é o alcoolismo é assombrosa.

FATOS
O que consideramos até o momento nos mostra que o melhor caminho a seguir no conhecimento do fenômeno Alcoólico Anônimos é o da observação pura e simples de fatos reais e de fácil constatação.

BREVE HISTÓRICO
Assim, temos que a Irmandade de Alcoólicos Anônimos surgiu em 10 de junho de 1935 nos Estados Unidos da América, ou seja, há 69 anos. Ao longo de todo esse intervalo de tempo, cresceu de forma contínua e consistente. Ou seja, o crescimento não teve um contorno senoidal, ora para cima ora para baixo, e isso é muito importante para apreciar a consistência e o vigor desta forma de associação humana. É importante ainda acrescentar que poucos são os fenômenos sociais ou mesmo instituições que mostraram uma tal consistência e longevidade. Por outro lado, difundiu-se para quase todos os países do mundo e aqui vale ressaltar que ultrapassou fronteiras não só físicas, mas sobretudo sociais: lingüísticos, culturais, religiosos, étnicos, etc. Isto é, alcançou seres humanos de todas as raças, de todas as religiões e de muitas e diferentes culturas.
Num primeiro momento, irradiou-se por todo os Estados Unidos. Num segundo, alcançou o norte da Europa e se difundiu por países anglo-saxônicos e de cultura predominantemente protestante. Depois, chegou ao centro e ao sul do continente europeu, ou seja, a países de cultura predominantemente católica. A seguir, alcançou a América Latina, a África e os países do leste europeu. Numa terceira onda, chegou aos países do leste asiático, podendo-se afirmar que Alcoólicos Anônimos está se consolidando como o que, em sociologia, se conhece como sendo um fenômeno mundial, e este é um fato notável.
No Brasil, o primeiro grupo surgiu em 5 de setembro de 1945 e, a partir dos anos 60, a Irmandade de A.A. tem crescido num ritmo intenso, de tal forma que hoje existem cerca de 6.000 grupos com aproximadamente 180.000 membros em recuperação.
Fazendo uma imagem simples, podemos dizer que em 1935 eram apenas dois os membros de Alcoólicos Anônimos e que hoje são dois, milhões, de membros espalhados por quase todos os países do mundo.

COMO É O A.A.
Ao contrário dos movimentos sociais de longa duração, que vão lentamente passando de um início freqüentemente carismático e vão se tornando burocráticos e profissionais ao longo do tempo, isso não aconteceu com a Irmandade de Alcoólicos Anônimos. O A.A. não está sujeito à lei de ferro de uma oligarquia, não existindo em A.A. uma estrutura de poder e nem um código disciplinar. A Irmandade não possui bens, a não ser o que é estritamente necessário para o seu funcionamento, ou seja, apenas alguns bens móveis e nenhum imóvel.
O A.A. funciona sobre uma estrutura celular segmentada, que é uma forma de organização muito eficiente adotada nas sociedades modernas, de modo que todos os grupos são autônomos e economicamente independentes. Eles crescem, morrem, proliferam, diminuem, se dividem e se fundem espontaneamente, por si mesmos. Os grupos são sustentados através das contribuições voluntárias dos seus membros e pelo resultado da venda de literatura própria. Por outro lado, a estrutura celular não é amorfa, sendo que as células se juntam para formar uma complexa rede com a clara característica de ser uma rede social.
A estrutura celular, em grupos, facilita a tarefa de alcançar diferentes segmentos populacionais de uma sociedade além de oferecer uma grande variedade de grupos para que o recém-chegado possa livremente escolher, de modo a encontrar um que se adapte à sua personalidade, ideologia e condição social. Por outro lado, esta estrutura permite que formas mal adaptadas desapareçam sem colocar a Irmandade, como um todo, em risco. As decisões são tomadas mais por consenso do que por votação, o que tende a prevenir a divisão em frações. De outra forma, a unidade é reforçada pelo sistema de rotação daqueles que estão em serviço, no desempenho de algum encargo. Não há cargos e tão somente encargos, ou seja, apenas responsabilidades na execução de alguma determinada tarefa, mas sem qualquer uso de poder. Dentro da sua estrutura não-hierárquica e não-burocrática, as lideranças não se apóiam na posição que um membro possa ter na estrutura formal da sociedade. O prestígio pessoal depende da sabedoria e da experiência de vida de cada um, além do trabalho realizado com outros alcoólicos.

ORGANIZAÇÃO POLICÉFALA
O fato de não aceitar ajuda econômica externa, torna os grupos autônomos e é a partir dessa condição que eles se constituem no local primário de tomada de decisões. Por outro lado, em razão do fato de não terem que assumir posição em assuntos externos ao movimento e em questões ligadas ao cuidado com os alcoólicos, fica diminuída a necessidade de tomada de decisões.
Uma outra característica muito importante é que o A.A. tem uma organização policéfala, não existindo uma estrutura central de tomada de decisões. Vale destacar que a estrutura policéfala evita as disfunções causadas pelo envelhecimento das lideranças, pela ossificação das estruturas e as causadas por alguma conduta inadequada.

AUTO-GESTÃO
Uma conferência é realizada anualmente nos países em que o A.A. está presente e nela todos os grupos de um determinado país são representados constituindo- se essas conferências naquilo que podemos entender como sendo um aperfeiçoado e eficiente sistema de auto-gestão. No decurso das conferências, são identificadas soluções para os problemas encontrados ao longo de um ano e traçadas orientações para mais um período de igual duração, além de outras providências, sendo que, desse grande encontro resultam apenas sugestões que são passadas para todos os grupos.

DESTAQUE PARA O PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO
Em princípio, Alcoólicos Anônimos não oferece tratamento e é um movimento de ajuda mútua, não existindo uma relação profissional/ paciente, não obstante existir fora de A.A. um modelo de tratamento realizado por profissionais e inspirado ou orientado para o programa de recuperação de A.A..
Um lugar de destaque fica para o Programa de Recuperação, constituído pelos Doze Passos de A.A.. Os Doze Passos são, literalmente, um programa. Não se trata de um código de conduta, mas sim de tarefas e problemas a serem resolvidos. Os três primeiros são passos de decisão e neles os alcoólicos admitem o alcoolismo e colocam a recuperação nas mãos de um Poder Superior. Os de número 4 a 9 são voltados para uma mudança da relação com a própria vida e com os outros são chamados de passos de ação e os de 10 a 12 são de continuação e manutenção.

LIVRO AZUL
A primeira literatura impressa de A.A. foi o chamado Livro Azul que apresentou os Doze Passos e é um resumo do que os primeiros membros de A.A. fizeram. Os Doze Passos são colocados como um programa sugerido de recuperação. A maioria das suas páginas é dedicada a histórias individuais de recuperação, de tal forma que o aprendizado em A.A. se torna baseado no exemplo.
O A.A. se apóia numa mistura de tradições escritas e orais de modo que possui textos básicos altamente reverenciados que se constituem num modelo para os grupos e para os seus membros, sendo que a tradição oral está associada à ênfase que se dá à experiência individual dos membros. As tradições, escritas e orais, são o fruto da experiência individual e, coletivamente, dos grupos.

GRUPOS MAIS E MENOS RÍGIDOS
O A.A. não formula regras de conduta mas, pela transmissão oral, são passados modos de comportamento e maneiras de falar que vão sendo aprendidas ao longo do tempo pelo exemplo e pela experiência diária. Resumindo, aprendem-se virtudes e sabedoria a partir da experiência, embora não existam regras de boa conduta, do que resulta uma profunda mudança comportamental ao longo do tempo. Dessa forma, há muito de cultural, e assim sendo, são criadas condições para a existência do espaço necessário para o surgimento de alguma variação no sistema de crenças que permite o aparecimento de variantes extremamente doutrinárias e de outras formas mais frouxas, abertas e liberais. Por outro lado, os recém-chegados são usualmente orientados para que visitem diferentes grupos a fim de encontrarem um que se adapte melhor ao seu modo de ser. Dentro desta mesma linha e tendo a recuperação individual como objetivo principal, o membro de A.A. continua com a possibilidade de, a qualquer momento e sempre que necessário, procurar um outro grupo que contribua melhor para a sua recuperação.
Como decorrência, fica estabelecido um processo de auto-seleção contínua e flexível que amplia a condição do A.A. como movimento de ajuda mútua e serve como uma maneira informal e autodirigida de “comparação de tratamento” que está além do alcance de qualquer programa de tratamento profissional.
Em traços muito gerais, desenhamos uma visão macro da Irmandade de Alcoólicos Anônimos e agora vamos à dimensão micro do fenômeno. Para dar ênfase às dimensões da Irmandade, adotamos uma abordagem bi-polar. Nos movemos da dimensão histórica, geográfica e social para o que ocorre no interior dos grupos de Alcoólicos Anônimos. Do cosmo para o átomo. Vamos entrar na matriz, no útero, vamos para o que gera, para o local onde as coisas acontecem tendo em vista que o grupo de A.A. é a mais importante unidade de atuação, de transformação e de recuperação da Irmandade.

NOS GRUPOS
Em realidade, a mudança de enfoque é mais radical ainda. Eu havia adotado a conduta de fazer relatos acerca de fatos reais, de coisas facilmente observáveis em função da sua materialidade. Agora, vamos para uma realidade inteiramente diferente em que a melhor maneira de iniciar a sua apresentação é ter em mente as palavras de Antoine de Saint-Exupery, em O Pequeno Príncipe: “É com o coração que vemos corretamente. O essencial é invisível aos olhos”.

1- Rituais de abertura.
Nos grupos, as reuniões se iniciam com os rituais de abertura, que separam o tempo destinado à reunião, do tempo livre. Assim, é feita a Oração da Serenidade e são lidos alguns trechos da literatura de A.A. que declaram a condição comum das pessoas ali presentes, o seu problema compartilhado, o alcoolismo. A separação dos tempos é importante, pois se passa para uma outra realidade, para uma outra dinâmica.
Cada reunião é um evento social único e nunca baseado no que aconteceu em alguma reunião prévia e nem há qualquer tipo de compromisso em relação a futuras reuniões. O que em uma reunião acontece é próprio daquela reunião. Os membros identificam- se naturalmente e o que importa é a espontaneidade e a necessidade de comunicar a experiência pessoal. A continuidade das reuniões fica por conta da repetição da agenda de reuniões, que usualmente permanece a mesma.

2- Eu sou um alcoólatra.
Os que usam a palavra, usualmente, iniciam os seus depoimentos dizendo: “eu sou um alcoólatra em recuperação e hoje não bebi pela graça do Poder Superior e à ajuda de vocês”. Assim, ao iniciar, reiteram uma parte do que é dito no ritual de abertura e reconhecem serem alcoólicos em recuperação. A admissão dá início à recuperação e faz parte do processo de superar a negação que o alcoólico na ativa tem em relação aos seus problemas com o álcool. A identificação pessoal faz com que o A.A. não necessite de critérios objetivos para fazer diagnósticos e o próprio reconhecimento da impotência diante do álcool não depende de métodos codificados de diagnóstico. Isso muda radicalmente a atitude mental que o alcoólatra tem do seu problema. Passa a aceitar a realidade e não continua a negá-la.
A condição de ser um alcoólico é tão básica que supera as diferenças individuais e sociais. É a identificação de iguais, que mutuamente reconhecem que são torturados pelo mesmo demônio, que dá suporte para a condição de igualdade entre os membros dos grupos. Por outro lado, os grupos não estão interessados nas causas do alcoolismo e participar o programa de A.A. é uma realização conjunta, de iguais. A auto-identificaçã o dá fundamento à Irmandade de Alcoólicos Anônimos.

3- A recuperação é possível.
É possível parar de beber. O alcoólatra que chega ao A.A. encontra no grupo pessoas que sofreram as mesmas conseqüências do alcoolismo e que estão limpas e bem vestidas, que estão bem e alegres. O que sempre parecera ser impossível alcançar, parar de beber, é visto como sendo possível. Portanto, existe um caminho, uma saída para o problema. Surge a esperança, e ninguém pode viver sem ela.

4- Ser humano que tem valor.
Ao entrar em um grupo, ao ser bem recebido, o alcoólico tem a oportunidade de falar e, mais ainda, de ser ouvido e não apenas escutado. Recebe abraços e cumprimentos que fazem o recém- chegado crescer na sua auto-estima. São tratados como seres humanos, como pessoas que têm valor e que apenas são portadores de uma doença que, embora não seja possível curar, podem deter, superar. O recém-chegado ouve que é a pessoas mais importante daquela reunião. E não é hipocrisia, pois que ele lembra aos que estão sóbrios e bem, que a doença continua existindo e que é daquela maneira deplorável que irão ficar se pensarem que já podem beber.

5- Isolamento e comunicação.
O isolamento é característico do alcoólico na ativa. Ele perde a comunicação com os que estão à sua volta em função do seu alcoolismo e da perda de referenciais, valores e prioridades. Mas o ser humano é um ser social que se realiza e cresce no convívio com os outros. A troca de interiores os enriquece mutuamente e por isso a comunicação é indispensável à vida de todos os seres humanos e, em especial, dos alcoólicos.
Em A.A., o alcoólico encontra espaço para reiniciar a comunicação com outros seres humanos porque encontra um silêncio respeitoso, uma atenção que transmite ao alcoólico que faz o seu depoimento a mensagem de que ele tem valor e que por isso é ouvido atentamente. A volta da comunicação abre o espaço indispensável para um enorme progresso nas relações com os outros, para uma mudança de comportamento.

6- Pertencer. Ter raízes.
Todas as pessoas necessitam de um certo grau de integração com o ambiente social em que vivem, têm necessidade de pertencer. Participar e realizar-se como ser humano no convívio com os outros é essencial para a estabilidade emocional. Mas o alcoólico vai perdendo raízes ao longo da sua vida. Freqüentemente, não mais pertence a um clube, não freqüenta mais um curso e, muitas vezes, perde o emprego e o convívio com familiares. Perde amigos. Ou seja, em graus variáveis, ocorrem perdas significativas e as raízes vão sendo perdidas ao longo do tempo e vemos, com freqüência, que o que resta são os amigos de bar e os mendigos moradores de rua. O sofrimento é atroz. No entanto, ocorre que as portas dos grupos de A.A. são muitas e estão abertas, sem qualquer restrição, para todos os que queiram parar de beber. Também estão abertos os braços e os corações dos membros dos grupos para todos os que desejarem parar de beber. Nos grupos, ouve-se dizer que se o seu problema é para de beber o problema e nosso, dos membros do grupo e do próprio, e se o seu problema é beber, o problema é seu. Se decidem pertencer a um grupo, começam a pertencer, a ter raízes. É como se ligassem a sua tomada na fonte de energia do mundo.

7- Não julgamento, cada um fala de si.
Cada um oferece, ao depor, as suas experiências pessoais dentro de um ambiente em que não se faz qualquer comentário em relação a depoimentos anteriormente realizados e nem mesmo ao que está em curso. Não se fazem julgamentos. Nenhum depoimento pode ser interrompido e, por isso, são criadas condições para que sejam feitos livremente. Acresce que, como todos os presentes tiveram experiências semelhantes e, das experiências que não tiveram, já ouviram falar em depoimentos feitos por outros alcoólicos, não existe qualquer reação visível por parte dos companheiros do grupo que escutam em silêncio respeitoso. Eles não se escandalizam, não há uma reação do tipo: como você foi capaz de? Essa atitude por parte do grupo é fundamental para que aquele que faz o depoimento possa abrir irrestritamente o seu coração. A autonomia de quem faz o depoimento é irrestrita e não existe a necessidade de ser aprovado pelo grupo. Ninguém pergunta sequer de onde o depoente veio e para onde está indo. Não há retorno ao depoimento que um membro do grupo faz.

8- Anonimato.
É fundamental para preservar o alcoólico em relação a preconceitos e ao conteúdo do seu depoimento. Um outro aspecto a ser considerado é que o anonimato concorre para tornar seguro o ambiente do grupo, em que as guardas podem ser baixadas, também as defesas naturais, e para que o membro do grupo possa a fazer o seu depoimento com verdade, o único que, e só dessa maneira, contribui para a recuperação. Isso representa uma radical mudança de atitude em relação ao tempo do alcoolismo ativo em que predominava a manipulação, a racionalização e a negação. Um outro aspecto de igual importância é que o anonimato previne o crescimento do ego. Estando sóbrio e tendo a seu favor a grande conquista, poderia ocorrer o aparecimento dos “que entendem de alcoolismo e de como se sai dele”, tentados a grandes exibições. Mas a humildade é a primeira condição para se consolidar vitória tão importante, para alcançar a serenidade e aí o anonimato é o compromisso salvador que leva a aceitar que os “princípios estão acima das personalidades”, pensamento freqüentemente repetido nas salas de A.A.. O anonimato é uma conquista e leva a profunda e radical mudança de comportamento.

9- Troca de experiências, forças e esperanças.
O ambiente do grupo, com as características já descritas, torna-se o local próprio para a troca de experiências, para o desenvolvimento de atitudes corajosas e para uma abertura para um futuro melhor, para ter esperança.

10- Ser e ter.
O A.A. fez opção pela pobreza. Na Irmandade, se quer ser e não ter. Como não há limites para a vontade de possuir mais, o desejo de ter mais leva à ganância, ao egoísmo e ao individualismo. A cobiça leva ao antagonismo. Em A.A. a atenção não está voltada para ter, mas para o alcoólico que ainda sofre. Não está voltada para as coisas, mas para as pessoas, para o ser humano. Em A.A. a busca é por ser digno, ser honesto, ser fraterno, ser bons e amáveis companheiros, ser bons amigos, ser bons pais, ser bons filhos, ser e ser gente.
Os comportamentos, as maneiras de sentir, pensar e agir, na sobriedade, são profundamente diferentes daquelas que predominavam quando estavam no alcoolismo ativo. Há uma diferença sensível entre as pessoas que vivem no modo ter e as pessoas que vivem no modo ser, que induz a um relacionamento amoroso e pacífico. Ser implica em atividade, renovação, criatividade. É mudança, é crescimento. É vida, é processo que leva a uma mudança interior e, conseqüentemente, a uma profunda mudança de comportamento.

11- O alcoólico e não o alcoolismo.
Toda a Irmandade está voltada para o alcoólico e por isso não faz estatísticas e nem se dedica a estudar o alcoolismo. O que interessa é o ser humano que sofre de uma condição de alto poder de destruição, que é o alcoolismo. Ela também não faz pesquisa de qualquer tipo, pois isso poderia implicar em submeter os seus membros a processo de estudo e pesquisa. Em A.A. ninguém é submetido a nada. A liberdade pessoal é respeitada, no máximo da sua amplitude.

12- Identifica.
Não são consideradas as diferenças sociais, categorias ou estratos. O A.A. não iguala, irmana. Não aceita rótulos.
Estando voltados para o seu problema comum, que não é pequeno, resulta que os membros de A.A. convivem num ambiente formado por pessoas que se identificam profundamente, o que faz empalidecer as diferenças sociais, dilui as categorias e os estratos existentes na sociedade. Resulta que todos ficam irmanados e não são considerados os rótulos, que reduzem a dimensão humana. Mas nesse mesmo ambiente, cada um mantém, preserva, a sua individualidade. Não importa o papel que cada um tenha na sociedade. Freqüentemente, os membros não sabem nada a esse respeito. O que importa é o problema comum, o alcoolismo.

13- Inclui, não exclui.
Não há qualquer formalidade para o ingresso de um alcoólico em A.A.. Nada é exigido como condição de entrada. Nem mesmo que esteja limpo e sóbrio. Nem o nome, nem de onde veio, nem o que fez e o que faz, nem para onde vai. Nada, simplesmente.
A decisão de incluir sem restrições exige muita coragem e também que os membros dos grupos estejam bem estruturados, que se mantenham num crescimento contínuo por meio da prática do programa para que possam estar em condições de receber pessoas profundamente desequilibradas, desestruturadas, doentes. Como não há dogmas em A.A., nada há que impor, sendo que o programa de recuperação é apenas sugerido ao recém-chegado. Não conheço nenhum outro agrupamento humano com estas características.

14- Não há código disciplinar.
Ninguém pode ser punido ou excluído, a despeito do que fale ou faça. Esse fato se constitui num desafio assombroso e exige um alto grau de aceitação, de compreensão, de tolerância e de amor ao próximo. Não conheço nada igual sobre a terra. É o Deus amoroso que reina e não o que julga e castiga. Não há juízo e, muito menos, juízo final.

15- Evite o primeiro gole. Só por hoje.
Não seria possível fazer promessas e assumir compromissos para toda a vida. Seria pesado demais para qualquer pessoa e, especialmente, para os ingressantes. O objetivo é alcançado pouco a pouco, um dia de cada vez. Como foi ensinado há milênios, “a cada dia bastam as suas tribulações”. Mais do que isso, só é preciso estar atento ao primeiro gole, nada mais.

16- Direito de participação.
Como não há estratos e nem hierarquia, o direito de participação assegura que todos, indistintamente, possam participar das atividades, de todos os serviços necessários à manutenção do grupo e indispensáveis para manter as portas abertas, além da existência da própria Irmandade de Alcoólicos Anônimos como um todo, a nível mundial. Mas participar significa conviver, aceitar o próximo, harmonizar-se com as pessoas, aceitar objetivos e irmanar-se com os outros membros do grupo, com todos os que formam tão alargada forma de associação humana. Tudo isso leva a uma profunda mudança comportamental, indispensável à integração na grande comunidade dos humanos.

17- Serviço, instrumentalizaçã o do amor ao próximo.
Irmanados em torno de objetivos comuns e tendo como objetivo estar em condições de estender a mão aos que ainda sofrem nas garras do alcoolismo, o serviço concorre para uma mudança radical de comportamento. O alcoólico sai de si, deixa de ser o centro, esquece momentaneamente os seus problemas para se dedicar ao próximo. O ideal superior, livremente escolhido e assumido, de manter as portas do grupo abertas para receber os que sofrem do alcoolismo e para levar a eles a mensagem de A.A. faz com que os membros do grupo cooperem entre si, e isso leva ao desenvolvimento de um clima de entendimento e harmonia, do que resulta que todos se tornam mais sociáveis. Era o que não acontecia nos tempos de ativa.
Ao cooperar, aceita o próximo, valoriza-o e aprende a amar o irmão. Caminha para a solidariedade. Ocorre, em decorrência, uma profunda modificação nos interesses e na conduta de cada um dos membros do grupo. Uma notável mudança comportamental.

18- Responsabilidade auto-atribuída.
Assumir o ideal maior de manter o grupo, de levar a mensagem a quem ainda sofre e de manter as portas abertas para receber o alcoólico que chega coloca a Irmandade de A.A. em ação, gera o imperativo de responder às necessidades, conduz à responsabilidade. Todos assumem os serviços por se entenderem responsáveis e, daí, resulta a fundamental auto-atribuiçã o de responsabilidade. Se ela fosse, de algum modo, imposta, poderia ser rejeitada ou não cumprida. Mas, como é auto-atribuída, é plenamente aceita e os serviços são realizados, usualmente, à perfeição.
Ao se tornar responsável, o membro do grupo, dentro da possibilidade de cada um e de limites tradicionalmente aceitos, contribui com os meios materiais necessários para manter o grupo, que passa a ser o centro das decisões ao não depender de ajuda de fora, além de permitir que o A.A. permaneça fiel aos seus objetivos e imune a influências externas. Isso dá a todos os seus membros a sensação de poder, de ser capaz, o que concorre para aumentar a auto-estima. O ato da doação torna-se um exercício, um ato de poder feito com as próprias mãos, por um ato de vontade. Atua como se fosse uma “ginástica” de responsabilidade que fortalece a vontade e muda o comportamento ao longo do tempo. E responsabilidade era o que o alcoólico na ativa não tinha. Era freqüentemente acusado de ser um irresponsável por todos à sua volta.

19- Conhece-te a ti mesmo.
Quase todos os passos do programa de recuperação estão voltados para o autoconhecimento. Ao estudar e praticar os passos, o alcoólico evolui, ao longo da jornada, em direção ao seu interior, a si mesmo, o que lhe dá valor e grandeza espiritual, além de possibilitar a melhoria da única parte do mundo que depende só dele, que é ele mesmo.
Reconhece a sua individualidade, entende que é um ser único na Criação. Caminha na conquista de si mesmo. Encontra sentido para a sua vida. Percebe que é um fim em si mesmo e que tem espírito próprio. Ganha plena consciência de si mesmo, se aceita inteiramente. Caminha para a solução dos seus mais recônditos problemas.

20- Solução das culpas e das vergonhas. Compreensão e não julgamento.
Ao ficar e permanecer sóbrio, o alcoólico tem que enfrentar a sua realidade, a verdade, as conseqüências do seu alcoolismo, lidar com o fato de se sentir incapaz, impotente, inadequado. Culpas e vergonhas surgem de forma contínua. Mas a freqüência aos grupos possibilita desfrutar de um ambiente em que as pessoas compreendem e não julgam, contribuindo isso para a solução, de modo eficaz, dos problemas relacionados às culpas e às vergonhas.
Normalmente, é difícil encontrar quem seja capaz de compreender, mas os alcoólicos têm essa necessidade satisfeita à saciedade. Para a solução das culpas e das vergonhas, o alcoólico encontra, em determinados passos do programa, a solução ideal para esse tipo de problemas, sendo que a prática dos passos é facilitada pela solidariedade, pela compreensão e pelo não julgamento por parte dos membros do grupo.

21- Ambiente alegre de pessoas felizes.
Os sofrimentos das pessoas que padecem do alcoolismo são intensos e atingem diversas dimensões do ser humano: física, mental, espiritual, econômica, relacional, etc e seria previsível encontrar nos grupos de A.A. um clima de intensa dor, clima pesado de tragédia humana. Mas não é assim. As pessoas estão bem, freqüentemente alegres, limpas, vestidas com dignidade e em ambiente de cordialidade.
Isto é muito importante porque, para ouvir os depoimentos, é preciso estar aberto, aceitar sentir dor. Usualmente as pessoas evitam desconfortos, evitam os ambientes pesados criados pela dor, mas desse modo não desenvolvem a compaixão que os enriquece. O médico aceita a dor dos seus pacientes, embora, pela freqüência com que isto acontece e pela sua intensidade, tenha que desenvolver atitudes de proteção pessoal.
As pessoas em A.A. são vitoriosas. Vivem a realidade de que não são pessoas que “não podem beber” mas que são pessoas que “podem não beber” e isso faz toda a diferença. São pessoas que não estão sendo levadas sabe-se lá para onde por um furacão, mas que começam a ter poder sobre si mesmas, começam a comandar os seus barcos e a ser donos dos seus destinos. Sabem que não podem tudo, mas que podem algumas coisas. Enquanto que no passado eram muitas as perdas, agora são muitas as vitórias. Mas seria previsível encontrar alguma tristeza, pelo menos. No entanto, o sentimento predominante é outro.
As pessoas que estão no grupo têm consciência profunda do sofrimento relatado por quem faz o seu depoimento e o escutam atentamente, em silêncio, e desejando ajudar o companheiro no sentido de aliviar o seu sofrimento. Acontece que este sentimento se chama compaixão, é denso e se desenvolve na sua plenitude no ambiente de silêncio respeitoso do grupo. É a resposta espontânea daquele que está aberto para quem faz o depoimento. Nem a própria dor pesa tanto quanto a que se sente com alguém e por alguém. Essa dor é amplificada, posteriormente, pelas lembranças que surgem do depoimento feito; são ecos que reforçam a compaixão que, por seu lado, elevam a dimensão humana de quem ouve o depoimento e na compaixão despertam para o amor ao próximo, para os sentimentos de fraternidade e de solidariedade. Mas compaixão não é o mesmo que tristeza, não é o mesmo que ter pena. É muito mais que isso. As pessoas se sentem bem nos grupos, são felizes no convívio com iguais.

22- Solidariedade e crise.
Um poderoso sentimento de solidariedade está presente nos grupos,que é estimulado por situações de crise. Desastres ambientais com vítimas despertam solidariedade a nível mundial. Genocídios, como recentemente vimos praticados numa escola russa, despertaram solidariedade a nível mundial. Na sala de espera de uma UTI identificamos o sentimento de solidariedade entre os que esperam notícias de melhora.
A doença do alcoolismo é incurável, ou seja, a crise permanece, é constante. Este é o lado bom porque a crise permanece e também a correspondente resposta, que é a solidariedade.

23- Novo ciclo de amizades.
Este é mais um aspecto positivo da Irmandade. Todo um conjunto de novos relacionamentos é oferecido aos que chegam aos grupos. Funciona como se fosse um escudo de proteção formado por pessoas vitoriosas, felizes, equilibradas, de bem consigo e com a vida, que se aceitam e aceitam os outros e que admitem estar dentro de um processo de evolução, de crescimento na sua humanidade. De pessoas que aprofundam o seu nível de consciência e que se mantêm no processo.

24- Alicerce e construção.
A sobriedade é indispensável para que haja uma evolução favorável no quadro do alcoolismo. Ela é o alicerce, mas não se faz um alicerce para nada. Em cima da sobriedade, vem a serenidade, a evolução, que leva à construção de um novo ser a partir de uma profunda mudança, uma mudança no “self” sem o que nada melhora de modo significativo e duradouro. E esta evolução é oferecida aos que estão nos grupos por meio do programa de recuperação, magnífico programa, também adotado por um grande número de outras formas de associação humanas.

PORQUE OS PSIQUIATRAS FALHAM COM OS ALCOÓLICOS

PORQUE OS PSIQUIATRAS FALHAM COM OS ALCOÓLICOS

Por Harry M. Tiebout – Médico

(O Dr. Tiebout foi o primeiro psiquiatra a reconhecer o trabalho de Alcoólicos Anônimos. Seu apoio a A.A. foi muito efetivo para a obtenção da aceitação do programa entre os membros da área médica. O Dr. Tiebout foi durante muitos anos um Custódio Classe A (não alcoólico) da Junta de Serviços Gerais dos Estados Unidos e Canadá.)

Embora ninguém esteja mais convencido do que eu de que o alcoolismo é uma enfermidade, ninguém está mais surpreso do que eu pela forma quase irresponsável com que este conceito tem sido recebido e a forma leviana como se o tem colocado na prática. Motejando Winston Churchill, eu poderia dizer, “Nunca tanto se tem feito em tão pouco tempo e com tanto rebu. *
Estou em condições de fazer esta declaração com muita franqueza porque estive no rebu inicial e fui parte muito ativa nele. Não posso senão sentir que todo o campo do alcoolismo se encontra numa posição que pode quebrar-se a qualquer momento e arrastar-nos a um terrível caos. Em determinadas ocasiões tremo ao pensar sobre o pouco que conseguimos como sustentação de nossas informações.
Contudo, creio que não poderia ser de outro modo, que pudesse ter sido de forma diferente.
Todos os movimentos são postos em marcha graças a alguém pessoalmente ou em grupo, arriscando-se a enfrentar uma nova oportunidade. Não há outro jeito, tem que se fazer. O único perigo advém do fracasso e, neste caso, podem-se ver as coisas em perspectiva. Não deveríamos nos enganar por nossa própria gritaria que com falso sentido reclama grandes resultados. A necessidade de se fazer algo a respeito do alcoolismo é, em regra, admitida; o problema principal se refere às ferramentas de que dispomos para obter resultados satisfatórios. Para mim, estas ferramentas parecem ainda toscas e artesanais.
Este fato, apesar de deplorável, não deve ser usado para condenar-nos. o desenvolvimento de algumas forças sobre as quais nós como grupo temos muito pouco ou nenhum controle. O campo do alcoolismo simplesmente tem “crescido”. Primeiro surgiu o Conselho de Investigação, depois os membros de Yale e o poderoso ímpeto de Alcoólicos Anônimos. Ao final, se obteve o trabalho organizador e educativo do Comitê Nacional (agora Conselho) sobre o Alcoolismo. O problema agora é o seguinte: Por que confrontamos outros que também estão envolvidos na luta contra o problema?
Não prometemos realizar um trabalho sem o menor direito de dizer nada além de “Vamos nos empenhar”? Temos dedicado suficiente força de vontade para sair desse limbo, com o objetivo de estabelecer um organismo confiável de dados e experiências que nos permitam desenvolver médicos competentes no campo do alcoolismo? Sinceramente, eu duvido.
Existem muitas razões para este fracasso quanto ao estabelecimento de informações sobre o alcoolismo. Uma delas me parece de grande importância porque é muito sutil e geralmente não se a reconhece: o fato de que as pessoas que ingressam no campo do alcoolismo vêm de outras atividades. Mais do que elas mesmas se dão contas, estão trasladando algo para este campo e têm muito pouca esperança de aprender, quando não têm a particular necessidade de fazê-lo. Aquilo que lhes foi ensinado é o que desejam aplicar. Não se apercebem de que aquilo que já sabem não lhes serve quando se trata de trabalhar com alcoólicos.
Apresentam-se, então, duas reações possíveis. Ou o indivíduo muda e começa a funcionar, ou permanece rígido e começa a desanimar e a converter-se em cético acerca dos projetos do trabalho com o alcoólico. A infortunada verdade é que, pelo menos no que concerne aos psiquiatras, uma grande maioria nunca aprende esta lição e quase sempre se sentem como peixes fora dágua.
*NT – Winston Churchill, após uma batalha aérea travada entre ingleses e alemães durante a segunda guerra mundial, colocou-se com o seguinte pronunciamento: “Nunca tantos deveram tanto a tão poucos» (Esta remissão foi sugerida por meu afilhado Edinho)”.
Naturalmente, eu tenho dado cuidadosa consideração a este novo fenômeno. Minha explicação radica no ponto de vista que traz consigo. Eles chegam equipados com um bom treinamento, e afanosamente se empenham na utilização dessa prévia experiência. Muito raramente funciona bem quando se trata de alcoolismo. A pergunta é: “Por que, quando o mesmo treinamento serve e funciona bem em outras áreas, mas não serve de nada quando se trata de alcoolismo?” .
Eu acredito que esta é uma pergunta muito importante. Uma razão para a falta de conhecimento específico é a carência de cientistas que permaneçam neste campo o tempo suficiente para obter o sentido real da condição. Em raríssimas vezes vão além dos estados iniciais e por isso não conseguem alcançar uma posição para acrescentar algo novo aos nossos conhecimentos. No resumo de uma reunião investigadora que teve lugar em outubro de 1954, Diethelm estabeleceu que a maioria dos investigadores do alcoolismo elaboraram um informe e em seguida retirou, o que confirma minhas observações. Devemos perguntar-nos: “O que sucede para produzir esta repetida conduta?”
Esta pergunta, assim corno a anterior, “Por que um psiquiatra bem treinado falha com os alcoólicos?”, pode, na minha visão, ser respondida com a mesma resposta. Antes da formulação de uma resposta concreta, vamos dar uma olhada nos antecedentes deste tema. A psiquiatria atual está alicerçada nos métodos da medicina moderna. Onde se encontre uma enfermidade, busca-se a causa e de imediato trata-se essa causa e se obtém a cura da enfermidade. Isto se considera tão certo para as deficiências mentais quanto para as enfermidades físicas. O alvo do tratamento é a etiologia.
Quando uma pessoa que tem esta maneira de pensar entra no campo do alcoolismo, está totalmente deslocada, embora não saiba. Ela começa a buscar as causas da enfermidade sem olhar a enfermidade em si mesma; termina focando as experiências de infância e nunca se aproxima o suficiente de seu paciente e da enfermidade de que este padece. Seu treinamento é um julgamento em vez de uma ajuda. Ele deve reatualizar totalmente seus pontos de vista, ou se perde completamente.
Em uma reunião ocorrida no último inverno, um psiquiatra muitíssimo bem treinado no enfoque moderno da medicina apresentou um trabalho no qual delineou algumas das idéias que se deviam assinalar antes de poder trabalhar com êxito com pacientes alcoólicos. Deu especial ênfase à necessidade de não se continuar buscando históricos e aprofundando nas causas, particularmente no começo de uma relação terapêutica. Durante a discussão que se seguiu à leitura, ele foi contestado por um colega mais ortodoxo, que se mostrou surpreendido e horrorizado pela heresia que ouvira do psiquiatra que o precedeu. A resposta deste foi, no meu entendimento, perfeita. Disse em parte, “eu acreditava anteriormente que obter todo o histórico era muito necessário, mas me dei conta de que isso não funcionava; Por isso, tive que mudar minha maneira de pensar”. Seria dispensável dizer que esta pessoa continua atuando no campo do alcoolismo e acredito que será escutada devotadamente no futuro. Não aderiu rigidamente aos preceitos de seu treinamento, mas aceitou a realidade e o ponto em que tal realidade é mais efetiva. Infortunadamente, não há muitos colegas desta categoria.
O que ocorreu, por conseguinte, foi a mudança de seus pontos de vista para olhar a doença do, alcoolismo diretamente, doença que não se pode tratar pelo enfoque convencional que ele aprendera. Por esta razão, teve que formular um novo enfoque. Como o conseguiu, talvez eu não possa dizê-lo. Porém, posso afirmar que eu mesmo modifiquei meu pensamento à luz das experiências que são muito semelhantes àquelas que teve o psiquiatra a quem acabo de mencionar.
Talvez o que mais me impressionou criando a necessidade de mudança de meu enfoque foram as queixas rotineiras dos pacientes de que suas conversas com psiquiatras eram quase sempre uniformemente inúteis. Isso foi nos primeiros dias. As queixas referiam-se ao fato de que os psiquiatras jamais se ocupavam da bebida, o que parecia minimizar sua importância, o que em larga escala não produzia qualquer resultado. O enfoque que objetivava fazer o alcoólico falar parecia ter demasiado desvantagens.
Depois, Alcoólicos Anônimos se apresentou com um programa para parar de beber; As causas primeiras foram ignoradas; Foi dada ênfase ao tratamento. Descartaram- se as insistentes práticas médicas de cuidar primeiro das causas, colocando-se ênfase no parar de beber e ajudar o indivíduo a alcançar e manter a sobriedade. Assim como tratamento cirúrgico, as causas não tinham importância de imediato. No lugar de um bisturi, se apresentava o programa de A.A. Em vez de remover o apêndice infectado, se dizia ao indivíduo que ele deixara de beber, ou, em outros termos, se removia o álcool de sua vida.
Anteriormente, os pacientes que tinham sintomas de deficiência cardíaca se lhes davam um remédio para corrigir o sintoma, neste caso, por exemplo, a debilitação do músculo cardíaco. O tratamento com o uso de remédios tende hoje em dia a ser menosprezado porque carece de precisão. Contudo, ninguém se atreve a descartar completamente o remédio, assim como ninguém, ao que eu saiba, está tratando de combater A.A. Ambos trabalham, ambos preservam a vida, e conquanto nenhum deles cure, ambos proporcionam um prolongamento da vida e acrescentam, assim, muitos anos de existência satisfatória. Para as pessoas que se beneficiam deles, o interesse causal é puramente acadêmico. O cirurgião talvez deseje saber algo mais sobre as causas, mas agradece muito o fato de contar com um remédio conhecido. E quase sempre desejaria ter maior quantidade desse remédio.
Similarmente, qualquer tratamento do alcoólico deve basear-se no remédio. Não há um valor definido em chegar até as causas e corrigi-las, porque o resultado líquido de tal conduta só poderia permitir-se à pessoa beber normalmente. Se bem, é certo, tal meta poderia ser conseguida dentro de muitos milhares de anos, posto que é muito improvável que se obtenha algum avanço imediato neste sentido. Qualquer terapia dirigida neste sentido é totalmente irrealizável e irrealista; todos reconhecem a inexistência atual de cura e que o único remédio é a total sobriedade. A pessoa não aprende a administrar o álcool e só pode aprender a deixá-lo por completo.
A meta terapêutica é, por conseguinte, conseguir que o paciente não consuma o primeiro gole. Está visto que é muito proveitoso trabalhar com base na linha do por que o paciente não quer ou não pode deixar de tomar este primeiro gole. Isso conduziu aos conceitos de tocar fundo (adotados, naturalmente, de A.A.), a rendição, a admissão e o reconhecimento de um ego que não se deixará manejar por ninguém nem por nada. E embora pareça estranho, ao aplicar o remédio do deixar de beber, aprendi muito mais sobre o alcoólico e seus problemas do que aprendi quando me concentrava unicamente nas causas.
Quando me concentrei na suspensão da bebida, comecei a enfocar corretamente a enfermidade em si mesma, que mais e mais se me foi apresentando como uma verdadeira doença. Finalmente, me vi disposto a deixar de lado minha experiência anterior para concentrar minha atenção naquilo que sucedia com o doente. A situação clínica me fez aterrissar, e dessa situação clínica comecei a aprender sobre o alcoolismo. Agora sei muito bem que enquanto me esqueço da situação clínica, minha fonte de aprendizagem desaparece.
Este não é o momento para falar sobre os remédios de que dispomos. Vocês os conhecem tão bem quanto eu. O problema real é conseguir que o indivíduo tome esses remédios. A menos que se tenha prática em reger os diversos estratagemas e desculpas do alcoólico, não se obtém qualquer resultado. Em todas as doenças psicológicas se encontram reações de defesa. O alcoólico tem as mesmas defesas, além de uma grande fartura de desculpas, que provém da natureza especial de seu padecimento. Enquanto o médico não desenvolve alguma destreza em penetrar na muralha que rodela o alcoólico, não pode antecipar nenhum progresso.
São muito escassos os artigos que orientam quanto a maneira de estabelecer contato com o alcoólico tendo por objetivo conseguir fazer com que ele aceite os remédios possíveis. Todos os dias se levantam a pergunta se não se deveria exercer pressão, ou não. O que é que a experiência nos tem ensinado? Freqüentemente, a voz do clínico se emudece porque tudo o que ele pode oferecer é sua experiência pessoal, que parece muito débil comparada com a voz autoritária das estatísticas Não obstante, todas as estatísticas do mundo nunca poderão prover um juízo clínico, nem ajudar ninguém na prática de sua profissão ou ofício.

No campo do alcoolismo, necessitamos que mais gente informe sobre suas experiências como praticantes, de maneira tal que se possa adquirir gradualmente todo um corpo de prática generalizadamente aceita. O conhecimento dessa prática e a habilidade para utilizá-la permitirá ao indivíduo tornar-se um expert neste campo. Somente quando se obtenha tal conhecimento poderá haver experts, não importa quão treinados possam ser no mesmo campo ou em similares.
Podemos agora responder à pergunta feita anteriormente sobre do “Por que os psiquiatras falham tão freqüentemente com os alcoólicos?” A resposta é que não adotam um enfoque para o remédio e, por conseguinte se desnorteiam totalmente como terapeutas. Somente quando despertarem que estão diante de uma doença que deve ser tratada em si mesma poderão ter alguma esperança de efetividade.
Meu desejo é, naturalmente, que haja muito mais estudo sobre a enfermidade alcoólica. Meu interesse não é tanto em suas causas como no reconhecimento de que se trata de uma enfermidade que deve ser cuidada com medidas remediáveis. Minha esperança é que enquanto se mantenha este enfoque da enfermidade em si mesma, a prática de manejar essa enfermidade receberá ainda maior estudo e consideração. Creio que unicamente dessa maneira o campo do alcoolismo poderá capacitar-se para ultrapassar o limbo que agora ocupa e alcançar um piso firme, do qual possa enfrentar suas obrigações com algum grau de consistência.
Devemos deixar de tomar emprestado de outras disciplinas e desenvolver nosso próprio organismo de conhecimento e experiência.

Tradução: Edson H.