Monthly Archives: Agosto 2014

O GRUPO DE A.A.

2.000 – 11/02 Impresso no Brasil

O grupo de A.A.

Índice
A única finalidade de A.A…………………………………………………………………..
A importância do anonimato……………………………………………………………….
Introdução…………………………………………………………………………………………
Como utilizar este livreto…………………………………………………………………….

O grupo… Onde começa a
estrutura de serviços de A.A.
O que é um grupo de A.A…………………………………………………………………….
Como tomar-se membro
de um grupo de A.A.?………………………………………………………………………….
A diferença entre as reuniões
abertas e as reuniões fechadas……………………………………………………………….
Que tipos de reunião são
realizadas pelos grupos de A.A.?……………………………………………………………
Ciclos…………………………………………………………………………………………………
O grupo base……………………………………………………………………………………….
Procedimentos sugeridos para as reuniões……………………………………………….
Auto-suficiência: A Sétima Tradição………………………………………………………
Café, chá e companheirismo…………………………………………………………………..

Como funciona um grupo de A.A.
Como começar um novo grupo de A.A……………………………………………………
A escolha de um nome para o grupo de A.A…………………………………………….
O que fazem os membros do grupo de A.A………………………………………………
De quais servidores de confiança necessitamos?……………………………………….
Estrutura de Serviços Internos do grupo de A.A………………………………………..
Coordenador…………………………………………………………………………………………
Secretário……………………………………………………………………………………………..
Tesoureiro…………………………………………………………………………………………….
Representante de Serviços Gerais (RSG)………………………………………………….
Coordenador do CTO…………………………………………………………………………….
Representante da Vivência (RV)……………………………………………………………..
Como abordar e
ajudar os recém-chegados?……………………………………………………………………..

Princípios acima das personalidades
O princípio da rotatividade……………………………………………………………………..
O que é uma consciência de grupo esclarecida?………………………………………..
Inventário do grupo……………………………………………………………………………….
Reuniões de Serviço………………………………………………………………………………
Sobre os problemas do grupo………………………………………………………………….

Como o grupo se relaciona com A.A. como um todo
Como o grupo de A.A. se enquadra na
estrutura da Irmandade……………………………………………………………………………
O que é o ESG – Escritório de
Serviços Gerais?…………………………………………………………………………………….
O que faz o Escritório de Serviços Gerais?………………………………………………..
Quem está encarregado do ESG?……………………………………………………………..
Como são tomadas as “decisões
que afetam A.A.?”………………………………………………………………………………….
Como são financiados nossos
serviços nacionais?…………………………………………………………………………………
Como os grupos podem ajudar o ESG?……………………………………………………..
O que é um Escritório de
Serviços Locais (ESL)? Como funciona?…………………………………………………..
O que faz um Escritório
de Serviços Locais?…………………………………………………………………………………

O que A.A. não faz

A posição de A.A. no campo do alcoolismo
“Cooperação sem afiliação”……………………………………………………………………..
A.A. e outras entidades……………………………………………………………………………

Outras perguntas sobre A.A……………………………………………………………………
Os Doze Passos de Alcoólicos Anônimos…………………………………………………
As Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos…………………………………………….
As Doze Tradições – Forma longa………………………………………………………….
Os Doze Conceitos para os
Serviços Mundiais – Texto Integral………………………………………………………..

A única finalidade de A.A.
Quinta Tradição: Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.

“Há quem profetize que A.A. poderia muito bem se tornar uma nova ponta de lança para um despertar espiritual em todo o mundo. Ao dizerem isso, nossos amigos são tão generosos quanto sinceros. Mas nós, de A.A., devemos considerar que essa homenagem e essa profecia podem se converter num gole embriagante, se realmente acreditarmos que este é o propósito de A.A., e se começarmos a nos comportar de acordo.
“Nossa Sociedade irá portanto ater-se prudentemente à sua única finalidade: transmitir a mensagem ao alcoólico que ainda sofre. Vamos resistir à presunçosa suposição de que, só porque Deus nos possibilitou sairmo-nos bem em uma única área de atuação, estaríamos destinados a ser um canal dispensador da graça salvadora para todo o mundo.”
Bill W., co-fundador de A.A., 1955

A importância do anonimato
Décima Segunda Tradição: O anonimato é o alicerce espiritual das nossas tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.

Qual a finalidade do anonimato em A.A.? Por que será que o anonimato é freqüentemente citado como sendo a mais importante proteção que a Irmandade tem para garantir sua existência e seu crescimento contínuos?
Na imprensa, radio, televisão e filmes, o anonimato enfatiza a igualdade de todos os membros de A.A. Ele refreia nossos egos facilmente infláveis; nossas descabidas convicções de que o violar o anonimato poderia ajudar alguém; e nossos desejos de reconhecimento pessoal ou controle. Acima de tudo, a Tradição do Anonimato recorda-nos que o que importa é a mensagem de A.A., não o mensageiro.
Em nível pessoal, o anonimato garante a privacidade de todos os membros. Essa é uma proteção freqüentemente muito importante para os recém-chegados, que poderiam hesitar em buscar ajuda em A.A. se tivessem qualquer motivo para acreditar que seu alcoolismo poderia ser publicamente revelado.
Na teoria, o principio do anonimato parece claro, mas nem sempre é fácil colocá-lo em prática. Seguem-se algumas diretrizes gerais selecionadas a partir da experiência dos grupos de A.A., e que podem ser úteis.

Mantendo o anonimato em público
Quando participamos como membros de A.A. em programas de rádio, televisão ou em filmes e vídeos, evitamos mostrar nossos rostos ou revelar nossos sobrenomes. Na imprensa escrita identificamo-nos apenas por nosso primeiro nome e a inicial do sobrenome.
Usamos nossos prenomes e a inicial do sobrenome apenas quando falamos como membros de A.A. em reuniões que não sejam de A.A. (Leia o folheto “Falando em Reuniões de Não-A.A.”)
Não escrevemos “A.A.” nos envelopes que enviamos pelo correio, nem mesmo na correspondência enviada aos órgãos de A.A. Nos materiais feitos para serem afixados quadros de avisos de A.A. ou impressos em programas de A.A. acessíveis ao público em geral, omitimos os sobrenomes e os títulos que possam identificar qualquer membro.

Entendendo o anonimato no grupo de A.A.
Podemos usar nossos sobrenomes dentro dos nossos grupos. Ao mesmo tempo, respeitamos o direito de cada companheiro de manter seu próprio anonimato da forma que desejar e tão rigorosamente quanto quiser. Alguns grupos mantêm listas de nomes e números de telefones fornecidos voluntariamente por seus membros e podem distribuí-los – mas apenas a membros do grupo.
Não reproduzimos nenhum depoimento pessoal feito nas reuniões de A.A. por qualquer companheiro. A palavra “anônimos” que consta no nome de nossa irmandade é uma promessa de privacidade. Além disso, a única história de recuperação que realmente podemos compartilhar é a nossa própria historia.
Em nossas relações pessoais com não-alcoólicos – e com pessoas que pensam que podem ter um problema com o álcool – podemos nos sentir à vontade para dizer que somos alcoólicos em recuperação (sem revelar nomes de outros membros de A.A.), embora se recomende discrição. Nesses casos, nossa franqueza pode ajudar a transmitir a mensagem.
Abstemo-nos de gravar em vídeo qualquer palestra ou reunião especial de A.A. que possa ser exibida em público. Alem disso, seguindo a recomendação da Conferencia de Serviços Gerais de 1980, é aconselhável que palestras de companheiros de A.A. na condição de membros, sejam realizadas ao vivo, evitando a tentação de, ao usar videoteipe, colocar personalidades acima dos princípios e assim encorajar o estrelismo dentro de A.A.
Para maiores informações sobre esta importante Tradição, consulte o folheto “Entendendo o Anonimato”.

Introdução
Como afirma o Conceito I:
A responsabilidade final e a autoridade suprema pelos serviços mundiais de A.A. deveriam sempre recair na consciência coletiva de toda a nossa Irmandade.

O grupo de A.A. – a palavra final da Irmandade
Dizem que Alcoólicos Anônimos é uma organização virada de ponta-cabeça porque a “responsabilidade final e a autoridade suprema pelos Serviços Mundiais recaem sobre os grupos – e não sobre os custódios, a Junta de Serviços Gerais ou o Escritório de Serviços Gerais em Nova Iorque”. (“Doze Conceitos Ilustrados para os Serviços Mundiais”).
Toda a estrutura de A.A. depende da participação e da consciência de cada grupo, e o modo como cada um desses grupos conduz seus assuntos afeta A.A. no mundo inteiro. Por isso, pessoalmente, estamos sempre conscientes da responsabilidade por nossa própria sobriedade e, como grupo, conscientes da necessidade de transmitir a mensagem de A.A. ao alcoólico que ainda sofre e que nos procura pedindo ajuda.
A.A. não tem nenhuma autoridade central. Dispõe apenas de uma organização mínima e algumas Tradições, ao invés de regulamentos. Como observou nosso co-fundador Bill W. em 1960, “respeitamos voluntariamente as Doze Tradições porque precisamos e porque queremos fazê-lo. Talvez o segredo de sua força resida no fato de essas mensagens inspiradoras brotarem de experiências de vida e estarem enraizadas no amor”.
A.A. é formada pela voz coletiva de seus grupos locais e de seus representantes na Conferencia de Serviços Gerais, os quais trabalham visando a unanimidade nas questões vitais para a Irmandade. Cada grupo funciona de modo independente, exceto em questões que afetem outros grupos ou A.A. como um todo.
O trabalho essencial dos grupos de A.A. é feito por alcoólicos que estão, eles próprios, recuperando-se através da Irmandade, e cada um está habilitado a realizar sua tarefa em A.A. da forma que julgar melhor, dentro do espírito das Tradições. Isso significa que funcionamos como uma democracia, sendo todos os planos de ação do grupo aprovados pela voz da maioria. Nenhum indivíduo isolado é nomeado para agir pelo grupo ou por A.A. como um todo.
Cada grupo é tão singular quanto uma impressão digital, e os modos de transmitir a mensagem de sobriedade variam não apenas de grupo para grupo, mas também de região para região. Agindo com autonomia, cada grupo traça seu próprio rumo. Quanto melhor informados estiverem seus membros e quanto mais forte e mais coeso estiver o grupo, maior será a garantia de que, quando alguém nos procurar em busca de ajuda, a mão de A.A. esteja estendida.
A maioria de nós só consegue se recuperar se houver um grupo. Como disse Bill, “aflora em cada membro a percepção de que ele é apenas uma pequena parte de um grande todo… Ele aprende que o clamor de seus desejos e ambições deve ser silenciado sempre que possa prejudicar o grupo. Fica evidente que o grupo precisa sobreviver para que o indivíduo viva”.

Como usar este folheto
Este livreto foi desenvolvido como um instrumento de informação e como um guia de sugestões para grupos de A.A. – e não para ditar a ninguém o que deve ser feito. Ele serve como um complemento ao Manual de Serviços de A.A. e outros títulos de nossa literatura (veja a contracapa) que abordam em maior profundidade questões especificas dos grupos.
Desenvolvido para facilitar consultas rápidas, o livreto aborda quatro áreas principais: (1) o que é um grupo de A.A.; (2) como funcionam os grupos; (3) a relação entre os grupos e a comunidade; (4) como cada grupo se enquadra na estrutura de A.A. como um todo.
O índice descreve, do modo mais completo possível, todos os assuntos relacionados ao grupo abordados neste livreto. Caso você tenha quaisquer outras duvidas, por favor entre em contato com o ESG – Escritório de Serviços Gerais de A.A. – que estará pronto para ajudá-lo em tudo o que for possível.

O grupo… Onde começa próxima parte
a estrutura de serviços de A.A.

O que é um grupo de A.A.
Como afirma claramente o texto integral da Terceira Tradição, “Nossa Irmandade deve incluir todos os que sofrem do alcoolismo. Não podemos portanto recusar quem quer que deseje se recuperar. A condição para tornar-se membro não deve nunca depender de dinheiro ou formalidade. Dois ou três alcoólicos quaisquer reunidos em busca de sobriedade podem se autodenominar um grupo de A.A., desde que, como grupo, não possuam outra afiliação.”
Alguns AAs reúnem-se como grupos de A.A. especializados – grupos masculinos, grupos para mulheres, grupos para jovens, grupos para médicos, grupos para homossexuais, e outros. Se seus participantes forem todos alcoólicos, e se abrirem suas portas para todos os alcoólicos que quiserem ajuda, independente de profissão, sexo ou outras distinções, e se atenderem todos os demais aspectos que definem um grupo de A.A., eles poderão denominar-se um grupo de A.A.
Os grupos de A.A. são referendados pelos Comitês de Área, após um ano de funcionamento experimental, recebendo apoio dos Escritórios de Serviços Locais (ESL).

Como tornar-se membro de um grupo de A.A.?
“Para ser membro de A.A. o único requisito é o desejo de parar de beber” (Terceira Tradição). A filiação a um grupo não exige portanto nenhuma formalidade. Assim como nos tornamos membros de A.A. bastando afirmar que o somos, do mesmo modo somos membros de um grupo ao afirmarmos isso e continuarmos a participar das reuniões.

A diferença entre as reuniões abertas e as reuniões fechadas
A finalidade de toda reunião de um grupo de A.A. como afirma nosso Preâmbulo, é permitir aos membros de A.A. que “compartilhem suas experiências, forças e esperanças a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo”. Com essa finalidade os grupos realizam reuniões abertas e reuniões fechadas.
As reuniões fechadas destinam-se exclusivamente a membros de A.A. e a pessoas que têm um problema com a bebida e “têm um desejo de parar de beber”.
As reuniões abertas são franqueadas a qualquer pessoa interessada no programa de recuperação do alcoolismo de Alcoólicos Anônimos.
Nos dois tipos de reunião o coordenador pode solicitar que os participantes limitem seus depoimentos a questões pertinentes à recuperação do alcoolismo.
Sejam abertas ou fechadas, as reuniões dos grupos de A.A. são coordenadas por membros de A.A., que determinam o formato de suas reuniões.

Que tipo de reuniões são realizadas pelos grupos de A.A.?
Nossa Quarta Tradição diz que “cada grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros grupos ou a A.A. em seu conjunto”. Previsivelmente, portanto, as reuniões realizadas por nossos milhares de grupos têm cada uma suas próprias características.
Os tipos mais comuns de reuniões de A.A. são:
1. Debates. Seja a reunião aberta ou fechada, um membro de A.A. que atua como “líder” ou “coordenador” abre a reunião da forma habitual e seleciona um assunto para discussão.
Geralmente esses assuntos derivam do nosso Livro Azul, ou dos livros Os Doze Passos e as Doze Tradições, Na Opinião do Bill ou ainda da revista Vivência. Algumas sugestões especificas de assuntos são: aceitação versus submissão; a liberdade através da sobriedade; princípios versus personalidades; medo (ou temores indefiníveis); rendição; gratidão; raiva; boa vontade; honestidade; atitude; ressentimentos; reparações; humildade e tolerância.
2. Públicas. Um ou mais membros selecionados antecipadamente “compartilham suas experiências” conforme descrito no Livro Azul, contando como estavam, o que aconteceu e como estão agora.
Dependendo das diretrizes gerais da consciência do grupo, alguns grupos preferem que os oradores tenham um tempo mínimo de sobriedade contínua. Pode-se também programar profissionais amigos de A.A.
3. Novos. Normalmente coordenadas por algum membro do grupo que já esteja sóbrio há algum tempo, essas reuniões incluem freqüentemente sessões de perguntas-e-respostas para ajudar os recém-chegados. Sobre essas reuniões veja o folheto Sugestões para Coordenar Reuniões de Novos.
4. Literatura. Uma vez que os Doze Passos são a base de nossa recuperação pessoal em A.A., muitos grupos dedicam uma ou mais reuniões por semana ao estudo alternado de cada Passo. (Alguns grupos abordam dois ou três Passos por reunião.) Esse mesmo formato pode ser aplicado às reuniões sobre o Livro Azul ou dos Doze Passos e Doze Tradições. Muitos grupos têm o habito de ler em voz alta trechos pertinentes do Livro Azul ou dos Doze Passos e Doze Tradições no início das reuniões.
5. Temáticas. Membros de A.A. do grupo base ou de outro grupo são convidados a proferir palestra sobre um tema escolhido. Normalmente a palestra tem duração de uma hora e a seguir acontece uma sessão de perguntas e respostas.
6. Mini-temáticas. O grupo distribui pequenos cartões com motivos extraídos da literatura de A.A. como sugestão para os depoimentos da primeira hora de reunião. Na segunda hora um membro do grupo familiarizado com o tema profere uma palestra de no máximo trinta minutos, seguida de uma sessão de perguntas e respostas de mais trinta minutos.
Além das reuniões descritas acima, os grupos também realizam os seguintes tipos de reuniões:
Serviços. Alguns grupos programam reuniões especiais ao longo do ano, independentes das reuniões normais, para que os servidores discutam sobre os assuntos do grupo com seus membros e deles obtenham a orientação do grupo. Normalmente os servidores do grupo são eleitos nessas reuniões. Consulte o capitulo sobre Reuniões de Serviço na pagina 37.
Inventario do grupo. São reuniões em que os participantes do grupo procuram verificar como o grupo está atendendo ao seu propósito primordial. Consulte o capitulo sobre o Inventario do grupo na pagina 36.
Vivência. Nessas reuniões discute-se sobre assuntos de A.A. abordados na revista Vivência.

Ciclos
Como fruto da experiência do A.A. brasileiro, realizam-se atualmente os chamados Ciclos de estudos da literatura de A.A., principalmente sobre os Doze Passos, as Doze Tradições, os Doze Conceitos para Serviços Mundiais e o livro Alcoólicos Anônimos (livro Azul).
Trata-se de eventos com duração de um, dois ou três dias. Normalmente são estruturados em grupos de trabalho que se reúnem após uma palestra geral sobre o assunto enfocado. São praticados principalmente pelos Distritos de A.A., mas podem também ser realizados por Escritórios Locais ou por grupos de A.A.

O grupo base
Tradicionalmente, a maioria dos membros de A.A. constatou, ao longo dos anos, que é importante pertencer a um grupo que possam chamar de seu “grupo base”. Este é o grupo onde o membro assume responsabilidades e tenta manter relações de amizade. Embora todo membro de A.A. seja habitualmente bem-vindo em qualquer grupo e sinta-se em casa em qualquer reunião, o conceito de “grupo base” continua sendo o vínculo mais forte entre o membro de A.A. e a Irmandade.
Pertencer a um grupo dá ao membro o direito de votar em questões que possam afetar o grupo e possam também afetar A.A. como um todo – num processo que forma a verdadeira pedra angular da estrutura de serviços de A.A. Tal como ocorre com todos os assuntos decididos pela consciência de grupo, cada membro de A.A. tem direito a um voto, e este voto idealmente deveria ser expresso em seu grupo base.
Ao longo dos anos, a própria essência da força de A.A. tem permanecido nos grupos base, os quais, para muitos membros, tornam-se uma extensão de sua família. Outrora isolados por seu modo de beber, os membros encontram no seu grupo base um sistema sólido de apoio contínuo, de amizade e, muito freqüentemente, de apadrinhamento. Também aprendem por experiência própria, através dos trabalhos do grupo, como “colocar princípios acima de personalidades” objetivando transmitir a mensagem de A.A.
Falando a respeito de seu próprio grupo, um membro declara: “Parte do meu compromisso é freqüentar as reuniões de meu grupo, receber os recém-chegados à porta, e estar à sua disposição – não somente por eles, mas por mim. Meus companheiros de grupo são as pessoas que me conhecem, que me ouvem e que me orientam quando eu me desvio. Eles me proporcionam sua experiência, sua força e o amor de A.A., capacitando-me a “levar adiante a mensagem ao alcoólico que ainda sofre”.

Procedimentos sugeridos para as reuniões
Não há um tipo ou formato de reunião que seja “o melhor”, mas alguns formatos funcionam melhor que outros.
Normalmente o coordenador abre a reunião com a leitura do Preâmbulo e algumas observações. Em alguns grupos observa-se um minuto de silencio e/ou recita-se a Oração da Serenidade. Em outros lê-se algum trecho do livro Alcoólicos Anônimos – normalmente uma parte do Capitulo 5 (“Como funciona”) ou do Capítulo 3 (“Mais sobre o alcoolismo”). Em muitas reuniões promove-se a leitura em voz alta de um capítulo, ou parte de um capítulo, de Os Doze Passos e as Doze Tradições. Convidar diferentes membros ou visitantes para que façam a leitura ajuda especialmente os recém-chegados a sentirem-se participando da vida do grupo.
O coordenador pode enfatizar a importância de preservar o anonimato dos membros de A.A. fora da reunião e recomendar aos participantes que “deixem aqui o que aqui ouviram”. (Sobre esse assunto, consulte o folheto Entendendo o Anonimato)
Muitas reuniões são encerradas com o Pai-Nosso ou com a Oração da Serenidade.

Auto-suficiência: A Sétima Tradição
Não existem taxas ou mensalidades para pertencer a A.A., mas temos nossos gastos. Respeitando nossa Sétima Tradição, os grupos podem “passar a sacola” para cobrir despesas de aluguel da sala, água e café aos presentes, literatura de A.A., folhetos, relações de grupos e contribuições para os serviços prestados pelo ESL, comitês de Distrito ou de Área e pelo ESG. Os membros de A.A. são livres para contribuir com a quantia que desejarem, ate um máximo equivalente a US$2.000,00 (dois mil dólares) por ano.

Café, chá e companheirismo
Muitos membros de A.A. contam que fizeram muitos amigos nas conversas ao redor do café durante os intervalos, ou antes e depois das reuniões.
Na maioria dos grupos são os próprios membros que preparam cada reunião, fazem o café e limpam a sala. Você ouvirá com freqüência membros de A.A. afirmarem que começaram a se sentir “realmente participantes” quando começaram a fazer o café e a arrumar as cadeiras, fazendo “terapia ocupacional”. Alguns recém-chegados acreditam que essas atividades amenizam sua timidez e facilitam o contato com os outros membros do grupo.

Como funciona um grupo de A.A.
Quarta Tradição: Cada grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros grupos ou a A.A. em seu conjunto.

Como começar um novo grupo de A.A.
Pode ser que você esteja pensando em começar um novo grupo. As razões para isso podem variar, mas o modo de fazê-lo é basicamente o mesmo.
O importante para formar um grupo de A.A. é haver dois ou três alcoólicos que o queiram; alem da cooperação de outros membros de A.A., um ligar para as reuniões, uma garrafa de café, literatura de A.A., listas de endereços de grupos e alguns suprimentos simples.
Uma vez que o grupo esteja pronto pra funcionar, é importante divulgar sua existência para os grupos mais próximos, para o Escritório de Serviços Local, os comitês de Distrito e de Área e o Escritório de Serviços Gerais. Essas fontes, podem proporcionar grande apoio.

A escolha de um nome para o grupo de A.A.
Por mais meritória que possa ser qualquer atividade ou instituição, a experiência nos ensinou que os grupos de A.A. devem evitar cuidadosamente toda forma de filiação ou endosso de qualquer empreendimento fora de A.A.
Sexta Tradição: Nenhum grupo de A.A. deverá jamais sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à Irmandade, a fim de que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos afastem do nosso objetivo primordial.
É necessário evitar qualquer aparência de vínculo de A.A. com qualquer organização, associação ou instituição política ou religiosa.
Por conseqüência, um grupo de A.A. que se reúna numa instituição correcional ou de tratamento, ou numa igreja, deverá ter o cuidado de não usar o nome dessa instituição, escolhendo algum nome totalmente diferente para o grupo. Com isso busca-se deixar claro que o grupo de A.A. não está vinculado ao hospital, igreja, prisão, centro de tratamento, etc., mas simplesmente aluga espaço para suas reuniões.
Nossa consciência de grupo recomenda que reuniões de propósitos especiais não constem das listas de reuniões de A.A.
O propósito primordial de qualquer grupo de A.A. é transmitir a mensagem aos alcoólicos. A experiência com o álcool é algo que todos os membros de A.A. têm em comum. É ilusório sugerir ou dar a impressão que A.A. resolve outros problemas ou que sabe como proceder com respeito à dependência de drogas.
A Conferência também recomenda que nenhum grupo de A.A. seja batizado com o nome de qualquer pessoa, viva ou morta, AA ou não-AA. Essa é uma das maneiras pelas quais podemos “colocar os princípios acima das personalidades”.

O que fazem os membros do grupo de A.A.
“Eu sou responsável… quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, quero que a mão de A.A. esteja sempre ali. E por isto eu sou responsável”. Em outras palavras, quando os recém-chegados se dirigem a uma sala de reunião, queremos que A.A. esteja lá para eles assim como esteve para nós – coisa que só poderemos fazer continuamente se funcionarmos como grupo.
Entretanto, para que um grupo funcione continuamente, uma série de tarefas têm que ser realizadas. É através dos esforços combinados e do contínuo comprometimento dos membros do grupo que será possível:
* Providenciar e manter um local para as reuniões.
* Programar as reuniões.
* Coletar as contribuições e alocá-las e gastá-las adequadamente.
* Dispor sempre de literatura aprovada pela Conferência.
* Dispor sempre da revista Vivência e de listas dos grupos locais.
* Dispor sempre de água e café.
*Divulgar aos alcoólicos da região que existe um grupo de A.A. e onde encontrá-lo.
* Responder aos pedidos de ajuda.
* Ventilar e resolver os problemas do grupo.
* Manter contato contínuo com o restante de A.A. – localmente através do ESL, em nível nacional através do Comitê de área, e internacionalmente através do Escritório de Serviços Gerais.

De quais servidores de confiança necessitamos?
É preciso que haja gente para realizar as tarefas do grupo. A maioria de nós concorda que A.A. nunca deveria “organizar-se”. Entretanto, desde que não coloquemos em risco nosso compromisso de preservar nossa Irmandade democrática e espiritual, podemos “criar juntas ou comitês de serviços, diretamente responsáveis perante aqueles a quem prestam serviços” (Nona Tradição). Esses servidores dos grupos de A.A. são denominados “servidores de confiança”, sendo normalmente eleitos pelo grupo para períodos limitados de serviços. Como recorda nossa Segunda Tradição, “Nossos lideres são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar”.
Os grupos constataram que a inviabilidade de se eleger não-alcoólicos para servir ao grupo, uma vez que faltaria a eles a necessária identificação com nosso propósito primordial ou com os outros membros do grupo. Cada grupo determina o período mínimo de sobriedade sugerido para que um membro seja elegível para algum encargo. A diretriz geral poderia sugerir de seis meses a um ano ou mais de contínua sobriedade.
Os encargos podem ter títulos, mas títulos em A.A. não significam autoridade ou honrarias: apenas descrevem serviços e responsabilidades. Constatou-se que geralmente não funciona entregar cargos a certos membros apenas para ajudá-los a permanecerem sóbrios. Ao contrário, o bem-estar do grupo deverá ser a única preocupação ao se escolher servidores. Na época da eleição dos servidores, poderá ser muito útil fazer no grupo uma revisão da Primeira e da Segunda Tradições.
Os grupos podem garantir de várias maneiras que os serviços necessários sejam realizados com o mínimo de organização. Veja abaixo um quadro sugerido de servidores do grupo.

ESTRUTURA DE SERVIÇOS
INTERNOS DO GRUPO DE A.A.

Seguem-se os cargos instituídos por muitos grupos para servi-los internamente e junto à comunidade externa.

Coordenador: O coordenador do grupo serve durante um período especifico de tempo (normalmente seis meses ou um ano). A experiência sugere que o coordenador deva ter ao menos um ano de sobriedade contínua e, idealmente, deveria ter ocupado antes outros cargos no grupo.
Sua função é coordenar as atividades dos demais servidores do grupo e dos membros que assumirem a responsabilidade pela literatura, acolhida, café, programação de reuniões internas e outras atividades vitais para o grupo.
Quanto mais o coordenador e os demais servidores do grupo estiverem informados sobre A.A. como um todo, melhor exercerão suas funções. Tendo claramente em mente a Primeira Tradição e estimulando os membros a se familiarizarem com todas as Tradições, eles contribuirão para garantir que o grupo se mantenha saudável.

Secretário: À semelhança do coordenador, o secretário também precisa ser um servidor versátil. Em grupos que não têm coordenador, os secretários executam suas tarefas. Cada grupo tem procedimentos próprios, mas, a menos que existam outros servidores ou comitês, geralmente é atribuição dos secretários:
* Divulgar informações sobre atividades e eventos importantes de A.A.
* Manter atualizado um arquivo estritamente confidencial dos nomes, endereços e números de telefone dos membros do grupo (sujeito à aprovação de cada membro), e saber quais deles estão disponíveis para chamados de Décimo Segundo Passo.
* Manter um registro dos aniversários de sobriedade dos membros, caso o grupo assim o deseje.
* Manter um quadro de avisos para fixação de notícias e boletins de A.A.
* Certificar-se de que o distrito, o ESL e o Escritório de Serviços Gerais sejam informados por escrito de qualquer mudança de endereço, local, horário de reuniões ou servidores do grupo.
* Certificar-se de que os livros, livretos e folhetos aprovados pela Conferência estejam disponíveis e adequadamente expostos durante as reuniões.
* Aceitar e designar companheiros para atividades de Décimo Segundo Passo (a menos que haja um coordenador especifico para essa atividade).
* Transmitir aos membros do grupo a correspondência recebida.

Sétima Tradição: Todos os grupos de A.A. deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora.

Tesoureiro: Os grupos de A.A. são auto-suficientes através da contribuição voluntária de seus membros. A sacola que circula nas reuniões geralmente cobre as necessidades financeiras do grupo, sobrando o suficiente para que o grupo possa assumir sua parte na manutenção do ESL, do Comitê de Distrito e de Área e do Escritório de Serviços Gerais.
Ninguém é obrigado a contribuir, mas a maioria dos membros contribui. Os que podem contribuir geralmente se dispõem a colocar um pouco mais na sacola, para compensar os que não podem. Os fundos do grupo destinam-se a cobrir serviços como por exemplo:
* aluguel da sala;
* literatura de A.A.;
* lista dos grupos locais, geralmente adquiridas do ESL mais próximo ou do Comitê de Áreas;
* água e café;
* Contribuição aos órgãos de serviço de A.A., feita normalmente a cada mês ou a cada trimestre.
O tesoureiro normalmente mantém registros claros no livro-caixa e informa ao grupo quanto dinheiro foi arrecadado e quanto foi gasto. Fazem relatórios e demonstrativos financeiros periódicos ao grupo. Pode-se evitar problemas mantendo os fundos do grupo numa conta bancária separada que exija duas assinaturas em cada cheque.
A experiência de A.A. indica claramente não ser adequado que o grupo acumule grandes valores alem do necessário para suas despesas acrescido de uma reserva prudente. Esse valor deverá ser determinado pela consciência do grupo. Também podem surgir problemas quando o grupo aceita contribuições exageradas, em dinheiro, bens ou serviços, feitas por um único membro.
O folheto Auto-Suficiência pelas Nossas Próprias Contribuições, aprovado pela Conferência, contem sugestões de como o grupo pode contribuir para os serviços de A.A.
Atualmente grupos em todo o Brasil têm adotado o Plano 60-25-15. Esse plano consiste em o grupo, após cobrir todas as suas despesas mensais, e deduzida a parcela correspondente à sua reserva prudente, remeter o saldo registrado em seu livro caixa ao ESL. Fica a cargo do próprio ESL, a retenção de 60% desses fundos para seu uso próprio, repassando 25% daquela quantia para o Comitê de Área e 15% para o ESG.
Alem disso o ESG, os Comitês de Área e ocasionalmente de Distrito, bem como os ESL, aceitam contribuições de membros individuais – desde que não ultrapassem valor equivalente a dois mil dólares anuais. As contribuições provenientes de espólios em valores equivalentes a uma parcela única de no máximo dois mil dólares são aceitáveis, desde que sejam provenientes de membros de A.A.
Alguns membros celebram seus aniversários de sobriedade enviando um “presente” ao Escritório de Serviços Gerais para expressar sua gratidão pelos serviços prestados em todo o país – geralmente são contribuições do equivalente a um dólar por ano de sobriedade. Converse com o RSG de seu grupo, ou escreva para o ESG para obter maiores detalhes a respeito.

Representante de Serviços Gerais (RSG): Trabalhando através dos Comitês de Distrito e de Área, o RSG é o contato do grupo com a Conferência de Serviços Gerais, através da qual os grupos compartilham suas experiências e divulgam a consciência coletiva de A.A. Chamados algumas vezes de “guardiões das Tradições”, os RSGs se familiarizam com o Terceiro Legado de A.A.: nossa responsabilidade espiritual de servir gratuitamente. Geralmente eleitos para períodos de dois anos, são tarefas do RSG:
* representar os grupos no Distrito e nas assembléias gerais de Área;
* manter os membros do grupo informados sobre as atividades de serviços gerais em suas áreas;
*receber e divulgar em seu grupo toda correspondência recebida dos demais órgãos de serviço e o BOB Mural, que é o principal instrumento de comunicação entre o ESG e a Irmandade.
O RSG também pode ajudar seu grupo a resolver uma série de problemas, especialmente os relacionados às Tradições. Para servir seu grupo, o RSG pode se apoiar em todos os serviços oferecidos pelo ESG (veja à página 40).
Junto com o RSG elege-se um suplente, para a eventualidade de o titular não poder comparecer a todas as reuniões de Distrito e de Área. O suplente deveria ser estimulado a dividir as responsabilidades com o titular no grupo, no Distrito e na Área. (Para maiores informações, consulte o Manual de Serviços de A.A., paginas 25 a 27)

Coordenador do CTO: É o coordenador do comitê responsável pela divulgação do grupo junto à comunidade. Reúne-se com os coordenadores de CTO dos demais grupos no CTO do Distrito. Para maiores detalhes sobre este trabalho leia o Manual do CTO.

Representante da Vivência (RV): A tarefa do RV é divulgar a revista brasileira da Irmandade – Vivência – junto aos membros do grupo, e familiarizá-los com a oportunidade de aprimoramento da sobriedade que ela oferece, através de artigos baseados em experiências pessoais de recuperação escritos por companheiros de A.A., alem dos artigos escritos por não-AAs sobre suas experiências profissionais. Chamada às vezes de “reunião impressa”, a Vivência também publica um calendário mensal dos eventos especiais de A.A.
O RV eleito pelo grupo deve enviar seu nome e endereço para: Vivência, caixa Postal 3180, CEP 01060-970, São Paulo-SP. Os mesmos dados devem ser enviados para o Coordenador Estadual de Vivência do ESL. Com estas informações ele será devidamente cadastrado e receberá regularmente correspondência com os formulários de assinatura de Vivência.
Outras atribuições do RV são:
* Informar ao grupo a chegada de cada nova edição e comentar sobre as matérias nela publicadas;
*Fazer com que a Vivência sempre esteja exposta em lugar visível no grupo e, se possível, manter um pequeno mural com frases da ultima edição, cupom de assinatura, lista das assinaturas vencidas e a vencer, etc.
* Sugerir aos companheiros mais antigos o uso da revista no apadrinhamento;
* Sugerir ao grupo que ofereça assinaturas de cortesia da Vivência a médicos, religiosos, juizes, advogados, delegados, assistentes sociais, jornalistas, repórteres, etc.
* Sugerir ao grupo que use artigos da revista nas reuniões com temas e nos trabalhos do CTO;
* Motivar os membros do grupo a mandarem colaborações para a Vivência: artigos, desenhos, etc.
* Solicitar aos profissionais, principalmente àqueles que conhecem o nosso programa, o envio de artigos à revista;
* Orientar e motivar os companheiros a fazerem ou renovarem suas assinaturas, e encaminhar à Vivência as assinaturas, renovações e sugestões dos assinantes;
* Manter contato com o Representante de Vivência do Distrito (RVD) ou Representante de Vivência do ESL, para a solução de eventuais problemas.

Como abordar e ajudar os recém-chegados?
Naturalmente nenhum alcoólico pode ser ajudado por A.A. a menos que saiba da nossa existência e onde nos encontrar. Por isso é importante que os grupos de cidades menores divulguem o local e o horário de suas reuniões nas diversas entidades públicas locais existentes. Junto com essa informação, vale a pena distribuir o folheto A.A. num Relance ou Alcoólicos Anônimos em sua Comunidade.
Nas grande áreas urbanas pode-se usar as listas de grupos fornecidas pelos ESLs com essa finalidade.
Devem os grupos de A.A. anunciar ao público em geral reuniões abertas para obter informações sobre A.A.? Alguns grupos o fazem, por uma única razão: para permitir que a comunidade conheça a ajuda disponível para alcoólicos através de nosso programa. Pequenos anúncios são comumente colocados nas seções de serviços comunitários dos jornais locais para permitir que as pessoas saibam como encontrar a reunião de A.A. mais próxima, caso o desejem.
Para sugestões de material de divulgação, consulte o Manual do CTO.
Alguns grupos mantêm uma relação dos membros disponíveis para fazer o trabalho de Décimo Segundo Passo. Os grupos podem ainda formar comitês de recepção para garantir que todo recém-chegado, seja ele visitante ou companheiro em potencial, seja bem recebido.
Geralmente os padrinhos assumem a responsabilidade de ajudar os recém-chegados a encontrar seu caminho em A.A. Para melhor orientação consulte o folheto Perguntas e Respostas sobre o Apadrinhamento.

Princípios acima das personalidades
Segunda Tradição: Somente uma autoridade preside, em ultima análise, ao nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos lideres são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar.

O princípio da rotatividade
Tradicionalmente a rotatividade impede que membros de A.A. se perpetuem nos cargos. Também garante que as tarefas do grupo, como quase tudo em A.A., sejam compartilhadas por todos. Muitos grupos já elegem suplentes para cada um dos servidores de confiança, e os preparam para assumir os cargos de seus titulares, quando estes ficam vagos, enquanto o grupo escolhe novos membros para preencher as suplências.
Pode ser difícil deixar um cargo de A.A. do qual você goste. Se você fez um bom trabalho, se honestamente não vê ninguém disposto, capacitado ou com tempo disponível para fazê-lo, e se seus amigos tiverem a mesma opinião que você, será especialmente mais difícil. Mas esse será um verdadeiro passo para o seu crescimento – um passo em direção à humildade, que é, para muitos, a essência espiritual do anonimato.
Entre outras coisas, o anonimato na Irmandade significa que abrimos mão de qualquer prestígio pessoal em função de qualquer trabalho que façamos para ajudar alcoólicos. No espírito da Décima Segunda Tradição, o anonimato nos lembra de sempre “colocarmos princípios acima de personalidades”.
A rotatividade nos proporciona recompensas espirituais bem mais duradouras que qualquer fama. Como em A.A. não há nenhum “status” em jogo, não precisamos competir por títulos e glorias – e temos total liberdade para servir na medida em que formos necessários.

O que é uma consciência de grupo esclarecida?
A consciência de grupo é a consciência coletiva dos membros do grupo, e representa portanto substancial unanimidade em qualquer assunto, antes que qualquer ação definitiva seja tomada. Os membros do grupo alcançam isso compartilhando completamente as informações, os pontos de vista individuais e através da prática dos princípios de A.A. Estar plenamente informado exige a disposição de ouvir a opinião da minoria com mente aberta.
Em questões delicadas, o grupo trabalha lentamente, desestimulando moções formais até que aflore um entendimento claro da visão coletiva. Colocando princípios acima de personalidades, os membros são cautelosos com as opiniões dominantes. O resultado baseia-se em algo mais do que uma simples contagem dos votos “a favor” e “contra”, justamente por ser a expressão espiritual da consciência do grupo. A expressão “consciência de grupo esclarecida” significa que a informação pertinente foi examinada e que todos os pontos de vista foram ouvidos antes que o grupo votasse.

Inventário do grupo
Muitos grupos realizam periodicamente uma “reunião de inventário do grupo” para avaliar como estão cumprindo com o propósito primordial: ajudar alcoólicos a se recuperarem através dos Doze Passos sugeridos por A.A. Alguns grupos fazem o inventário examinando as Doze Tradições, uma de cada vez, para determinar o quanto estão vivendo de acordo com esses princípios.
Os grupos interessados em realizar inventários regulares acharão útil uma revisão do Décimo Passo. As perguntas a seguir, recolhidas a partir da experiência compartilhada de A.A., poderão ser úteis para se chegar a uma consciência de grupo esclarecida. Os grupos provavelmente vão querer acrescentar suas próprias perguntas a esta lista:
1. Qual o propósito básico do grupo?
2. Que mais o grupo pode fazer para transmitir a mensagem?
3. O grupo está atraindo alcoólicos de diferentes origens? Estamos vendo no grupo uma amostra representativa da nossa comunidade?
4. Os novos membros permanecem conosco, ou está havendo uma excessiva rotatividade? Se assim for, qual a razão? O que podemos fazer a respeito como grupo?
5. Estamos enfatizando a importância do apadrinhamento? Com que eficiência? Como podemos melhorar?
6. Temos o cuidado de preservar o anonimato dos membros de nosso grupo e de outros AAs fora das salas de reunião? Deixamos na sala as confidências compartilhadas nas reuniões?
7. Dedicamos algum tempo a explicar a todos os membros do grupo a importância de realizar as tarefas de cozinha, arrumação e outros serviços essenciais que são parte integrante do nosso trabalho de Décimo Segundo Passo?
8. Todos os membros estão tendo oportunidade de falar nas reuniões e de participar das demais atividades do grupo?
9. Tendo em mente que o preenchimento dos cargos é uma grande responsabilidade, e que não deve ser encarado como o resultado de um concurso de popularidade, estamos escolhendo cuidadosamente quem ocupa esses cargos?
10. Estamos fazendo todo o possível para proporcionar um local de reunião agradável?
11. O grupo cumpre com sua justa parcela na realização dos propósitos de A.A., como descritos nos nossos Três Legados – Recuperação, Unidade e Serviço?
12. O que o grupo tem feito ultimamente para divulgar a mensagem de A.A. junto a profissionais da comunidade – médicos, sacerdotes, autoridades legais, educadores e outros, que freqüentemente são os primeiros a entrar em contato com alcoólicos que precisam de ajuda?
13. Como o grupo está cumprindo sua responsabilidade em relação à Sétima Tradição?

Reuniões de Serviço
Na maioria dos grupos o coordenador, ou algum outro servidor, convoca as reuniões de serviço, que habitualmente se realizam mensalmente ou trimestralmente.
Embora alguns grupos possam ocasionalmente permitir a presença de pessoas que não são membros do grupo, apenas os membros têm direito a voto. A pauta dessas reuniões pode incluir: a eleição de novos servidores, a programação de reuniões; a apresentação e discussão do relatório periódico do tesoureiro; a apresentação do relatório de atividades do representante de serviços gerais e de outros servidores do grupo; a distribuição dos fundos excedentes entre o ESL, o ESG e o Comitê de Área, etc.
Antes de realizar votações, é essencial que todos os fatos relevantes sobre o assunto em exame sejam levados ao conhecimento dos membros. Em muitos casos, pode-se pedir a alguns membros que examinem os prós e os contras da questão e os apresente na reunião. Chegar a uma consciência de grupo esclarecida, tanto nas grandes questões quanto nas pequenas, pode levar algum tempo. Mas é importante que os pontos de vista da minoria e dos divergentes sejam ouvidos junto com os da maioria (veja a pagina 34). Em alguns casos, podem até mudar o curso dos acontecimentos.
As reuniões de serviço são geralmente programadas para antes ou depois das reuniões regulares do grupo. Elas tendem a ser informais, mas os costumes variam de grupo para grupo. Alguns grupos já tentaram importar procedimentos parlamentares para suas reuniões de serviço, apenas para descobrir que muitos membros não têm conhecimento desse tipo de procedimentos e sentem-se muito intimidados para falar. Alem disso, a natureza espiritual de nossa Irmandade, incorporada em nossas Tradições e em nossos Conceitos, já nos proporcionam ampla orientação.

Sobre os problemas do grupo…
Problemas do grupo geralmente são a evidência de uma saudável e desejável diversidade de opiniões entre os membros. Eles nos dão a oportunidade de “praticar estes princípios em todas as nossas atividades”, conforme nos diz o Décimo Segundo Passo.
Os problemas do grupo podem incluir questões comuns em A.A., tais como: o que o grupo deve fazer com relação aos “recaídos”? Como estimular o comparecimento às reuniões? Como conseguir mais pessoas para ajudar nas tarefas? O que fazer a respeito da quebra de anonimato de algum membro? Ou do entusiasmo romântico de algum praticante do “décimo terceiro passo”? Como escapar da influência dos “velhos resmungões”, aqueles veteranos que insistem em saber o que é melhor para o grupo? E como conseguir que os veteranos compartilhem mais suas experiências na solução dos problemas do grupo?
Praticamente todo problema de grupo tem uma solução que habitualmente se consegue através do método da consciência de grupo esclarecida. É importante mencionar que o emprego do senso de humor, a prática de dar um tempo para esfriar os ânimos, o uso da paciência, da cortesia, da boa vontade para ouvir e para esperar – alem do senso de justiça e da confiança num “Poder superior a nós mesmos” – provaram ser muito mais eficientes do que argumentos “legalísticos” ou acusações pessoais.

Como o grupo se relaciona
com A.A. como um todo
Primeira Tradição: Nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar; a reabilitação individual depende da unidade de A.A.

COMO O GRUPO DE A.A. SE ENQUADRA NA
ESTRUTURA DA IRMANDADE
Cada grupo elege um Representante de Serviços Gerais (RSG) que se reúne com os RSGs de outros grupos de uma micro-região num Distrito. Uma vez por ano os RSGs de uma Área reúnem-se numa Assembléia de Área, quando elegem seus Delegados de Área. Os Delegados compartilham as experiências de sua Área com os Delegados de outras Áreas de A.A. do Brasil durante a Conferência, na qual são eleitos os Delegados à RSM (Reunião de Serviços Mundial), estabelecendo-se assim a unidade de A.A. mundial.

O que é o ESG – Escritório de Serviços Gerais?
O Escritório de Serviços Gerais é a secretaria da Junta de Serviços Gerais de A.A. do Brasil. É também um repositório das experiências e dos conhecimentos compartilhados de todos os AAs. Ele cumpre com nosso propósito primordial: (1) proporcionando serviços, informações e experiência aos grupos de todo o Brasil; (2) publicando a literatura de A.A.; (3) apoiando as atividades da Junta de Serviços Gerais de A.A.; (4) divulgando as recomendações da Conferência de Serviços Gerais.
A historia do ESG inicia-se em 1969, com a fundação do hoje extinto CLAAB – Centro de Distribuição de Literatura de A.A. para o Brasil. Em 1974 foram convocados os primeiros Delegados de Área e realizado o primeiro Conclave Nacional de A.A. do Brasil. Em 1976, com a eleição dos Custódios, a reunião, que até então era chamada de Conclave Nacional, passou a denominar-se Conferência de Serviços Gerais. Foi então que foi formado o ESG, para funcionar como Escritório-Secretaria da Junta de Serviços Gerais, formada pelos Custódios, sendo 8 membros de A.A. e 3 membros não-alcoólicos e contando com a participação dos 2 Delegados à RSM (Reunião de Serviços Mundial).

O que faz o Escritório de Serviços Gerais?
Trabalhando em estreita cooperação com os comitês da Junta de Serviços Gerais, as responsabilidades do Escritório de Serviços Gerais perante os grupos abrangem:
1. Receber, organizar, e transmitir aos grupos e membros de A.A. em todo o Brasil a experiência compartilhada sobre os desafios e soluções dos grupos, sempre que solicitado.
2. Trabalhar através do CTO – Comitê Trabalhando com os Outros – com os solitários (RIS: AAs que vivem em áreas onde não há reuniões); os membros deficientes físicos ou que por qualquer outro motivo não podem deixar suas casas, os Internacionalistas (AAs que trabalham embarcados em navios ou aeronaves), os AAs nas Forças Armadas e os AAs em instituições correcionais ou de tratamento.
3. Responder às inúmeras cartas solicitando a A.A. informações ou ajuda para alcoólicos.
4. Publicar e distribuir o JUNAAB Informa, o BOB Mural, a revista Vivência e outros boletins publicados pelo Comitê de Publicações Periódicas.
5. Distribuir os livros, livretos e folhetos de A.A. aprovados pela Conferência de Serviços Gerais e publicados pelo Comitê de Literatura. (Consulte a relação da literatura ao final deste folheto.)
6. Divulgar nacionalmente informações públicas sobre A.A. como um todo, colaborando com a imprensa e os meios de divulgação eletrônicos, assim como as organizações envolvidas com o tratamento do alcoolismo.
7. Produzir e distribuir materiais audiovisuais.
8. Secretariar a Conferência de Serviços Gerais e organizar a sua realização através do CAC – Comitê de Assuntos da Conferência.
9. Organizar a realização das Convenções Nacionais de A.A. através do COC (Comitê de Organização da Convenção).
10. Pesquisar e manter o arquivo da história de A.A. do Brasil através do CISM (Comitê de Imagem, Som e Memória).
11. Responsabilizar-se pelas despesas necessárias ao bom andamento dos serviços decorrentes dos encargos de Custódio e de Delegado à Reunião de Serviços Mundial.

Quem está encarregado do ESG?
Existe uma diretoria composta por quatro membros: o Diretor Geral, sempre um Custódio Alcoólico; O Tesoureiro-Geral, sempre um Custódio não-alcoólico; o Diretor Financeiro (Custódio alcoólico) e o Diretor Executivo, sempre um membro de A.A. As atividades diárias são responsabilidade de um gerente administrativo profissional, auxiliado por uma equipe de funcionários.

Como são tomadas as “decisões que afetam A.A.”?
Os Custódios da Junta de Serviços Gerais (8 alcoólicos e 3 não alcoólicos) são responsáveis perante os grupos de A.A. através da Conferência de Serviços Gerais. Os grupos elegem anualmente Delegados (que servem durante dois anos) à reunião anual da Conferência de Serviços Gerais, para ouvir os relatórios dos comitês da Junta e das equipes do ESG, e para dar as diretrizes para o futuro, principalmente na forma de Recomendações. É responsabilidade da Conferência trabalhar em busca de consenso, ou de uma consciência de grupo esclarecida, nas questões vitais para A.A. como um todo. Os Delegados à Conferência respondem aos grupos de suas Áreas através do Comitê de Área.
Cada Comitê de Área é eleito por uma assembléia de Representantes de Serviços Gerais dos grupos (RSGs, ver pág. 29) e a ela responde.
O elo essencial entre os RSGs e os Delegados da Área para a Conferência de Serviços Gerais são os Membros do Comitê de Distrito (MCDs) e seus suplentes, geralmente eleitos ao mesmo tempo. Como servidores de confiança dos Comitês de Distrito, compostos por todos os RSGs de um mesmo distrito, os MCDs são expostos à consciência de grupo de todos os grupos dos seus Distritos. Como membros dos Comitês de Áreas, eles podem compartilhar, essa consciência de grupo com o Delegado da Área e os Comitês de Área.
Não fosse o elo proporcionado pelos MCDs, mantendo a comunicação com os novos grupos à medida que A.A. se expande, a Conferência de Serviços Gerais poderia rapidamente se tornar incontrolável. À medida que aumenta o número de grupos, pode-se acrescentar novos Distritos.

Como são financiados nossos serviços nacionais?
Assim como nas demais atividades de A.A., as despesas do Escritório de Serviços Gerais são cobertas principalmente pelas contribuições individuais e dos grupos. Uma vez que essas contribuições não são suficientes para cobrir totalmente os custos dos serviços nacionais de A.A., a renda proveniente das publicações é utilizada para compensar a diferença.
Para saber como seu grupo pode contribuir, veja as sugestões contidas nas paginas 28 e 29.

Como os grupos podem ajudar o ESG?
O trabalho que é feito pelo ESG depende muito de cada um dos grupos, que são os que têm a responsabilidade final sobre A.A. e que, em ultima instância, são os que colhem os benefícios desse trabalho.
Se os grupos pretendem que A.A. esteja disponível, hoje e no futuro, para os novos membros, é necessária sua participação no trabalho do ESG. Abaixo seguem-se alguns dos modos pelos quais os grupos podem contribuir:
1. Manter-se informados e perguntar sobre o que ocorre no ESG – afinal tudo é feito em nome dos grupos. Quanto mais você souber sobre A.A., mais útil você será para transmitir a mensagem.
2. Eleger um Representante de Serviços Gerais qualificado. O RSG ficará, sem duvida alguma, tão agradecido por seu interesse e por suas idéias quanto você fica quando alguém o apóia.
3. É importante informar ao ESG qualquer mudança ocorrida no grupo – como a eleição de um novo RSG ou mudanças no endereço ou no nome do grupo. Essa é a única forma de garantir que a correspondência continue a chegar ao grupo.

O que é um Escritório de Serviços Locais (ESL)? Como funciona?
O Escritório de Serviços Locais é freqüentemente o primeiro lugar para onde o alcoólico na ativa telefona ou vai em busca de ajuda de A.A.
Embora funcionem independentemente da estrutura de serviços gerais de A.A., os ESL são uma parte vital da Irmandade. Na maioria das Áreas qualquer grupo que assim o desejar pode pertencer ao ESL, que é financiado pelas contribuições dos grupos filiados. Essas contribuições são voluntárias.
Nas áreas em que é impraticável abrir um escritório, os grupos às vezes formam comitês conjuntos para realizar as atividades de Décimo Segundo Passo e usam algum serviço de recados e/ou atendimento telefônico cuidadosamente preparado. Importante: sistemas de serviços locais desse tipo parecem funcionar melhor se administrados separadamente do trabalho dos Comitês de Serviços Gerais da Área, que geralmente já têm muitas atividades para realizar.
A maioria dos Escritórios Locais emprega no máximo um ou dois funcionários, e portanto apóia-se muito no trabalho de voluntários. Muitos AAs descobriram que servir um Escritório Local – atendendo telefonemas de alcoólicos e fazendo o que houver para ser feito – enriquece muito sua sobriedade e amplia seu circulo de amigos.

O que faz um Escritório de Serviços Locais?
Os métodos e objetivos variam de uma Área para outra, mas de um modo geral as responsabilidades dos Escritórios Locais incluem:
1. Responder aos pedidos de ajuda de alcoólicos na ativa e, quando for o caso, providenciar voluntários de A.A. para acompanhá-los a uma reunião.
2. Manter os telefones de A.A. nas listas telefônicas locais, receber os pedidos por telefone e por correio e encaminhá-los aos grupos locais, distribuindo assim geograficamente o trabalho do Décimo Segundo Passo de forma a garantir ajuda aos recém-chegados.
3. Distribuir listas atualizadas de grupos e reuniões.
4. Estocar e vender a literatura de A.A. e números avulsos da revista Vivência.
5. Servir como centro de comunicações para os grupos participantes – muitas vezes publicando circulares ou boletins para manter cada grupo informado sobre o que se passa nos demais.
6. Organizar para que os grupos realizem um intercambio de oradores.
7. Fornecer informações sobre centros de tratamento, hospitais e clínicas.
8. Responder aos pedidos de informação sobre A.A. provenientes da imprensa local; planejar programas locais de radio e televisão sobre A.A.; providenciar oradores para escolas e entidades não A.A.
9. Manter a comunicação e a cooperação – sem afiliação – com a comunidade e com os profissionais de ajuda na área do alcoolismo.

O que A.A. não faz
Décima Tradição: Alcoólicos Anônimos não opina sobre questões alheias à Irmandade; portanto, o nome de A.A. jamais deverá aparecer em controvérsias públicas.
1. Recrutar membros ou fornecer a motivação inicial pra que os alcoólicos se recuperem.
2. Manter registro ou históricos de casos dos seus membros.
3. Acompanhar ou tentar controlar seus membros.
4. Fazer diagnósticos ou prognósticos clínicos ou psicológicos.
5. Providenciar hospitalização, medicamentos ou tratamento psiquiátrico.
6. Fornecer alojamento, alimentação, roupas, dinheiro, emprego ou outros serviços semelhantes.
7. Fornecer aconselhamento familiar ou profissional.
8. Participar de pesquisas ou patrociná-las.
9. Filiar-se a entidades sociais (embora muitos membros e servidores cooperem com elas).
10. Oferecer serviços religiosos.
11. Participar de qualquer controvérsia sobre o álcool ou outros assuntos.
12. Aceitar dinheiro pelos seus serviços, ou contribuições de fontes não- A.A.
13. Fornecer cartas de recomendação para juntas de livramento condicional, advogados, oficiais de justiça, escolas, empresas, entidades sociais ou quaisquer outras organizações ou instituições.

A posição de A.A. no campo
do alcoolismo
Sexta Tradição: Nenhum Grupo de A.A. deverá jamais sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à Irmandade, a fim de que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos afastem de nosso objetivo primordial.

“Cooperação sem afiliação”
Alcoólicos Anônimos é uma irmandade mundial de alcoólicos que se ajudam mutuamente a permanecer sóbrios e que se oferecem para compartilhar suas experiências de recuperação gratuitamente com outras pessoas que possam ter problemas com a bebida. Os membros de A.A. se caracterizam pela aceitação de um programa sugerido de Doze Passos para a recuperação pessoal do alcoolismo.
A Irmandade funciona através de mais de 97.000 grupos espalhados em mais de 150 países. Embora se estime que existam hoje cerca de dois milhões de membros, A.A. reconhece que nem sempre seu programa é eficaz para todos os alcoólicos e que alguns desses alcoólicos podem necessitar de aconselhamento ou tratamentos profissionais.
A.A. preocupa-se unicamente com a recuperação pessoal e continua sobriedade dos alcoólicos que procuram ajuda na Irmandade. A.A. não se dedica a nenhuma forma de pesquisa sobre o alcoolismo e nem ao tratamento medico ou psiquiátrico, educação ou propaganda sobre alcoolismo, embora seus membros, a título pessoal, possam fazê-lo.
A.A. adota uma política de “cooperação sem afiliação” com outras organizações que se dedicam ao problema do alcoolismo.
Tradicionalmente, Alcoólicos Anônimos não aceita e nem busca ajuda financeira de fontes externas. Os membros de A.A. preservam seu anonimato pessoal na imprensa, filmes e outros meios de comunicação.

A.A. e outras entidades
A.A. não está filiado a nenhuma outra organização ou instituição. Nossas tradições estimulam a “cooperação sem afiliação”.

Outras perguntas sobre A.A.
O que são os Três Legados de A.A.?
Os Três Legados originam-se da experiência acumulada pelos primeiros membros de A.A., transmitida e compartilhada conosco, e consiste em:
(1) sugestões para a recuperação – Os Doze Passos;
(2) sugestões para atingir a Unidade – As Doze Tradições; e
(3) o Serviço de A.A. – descrito no Manual de Serviços de A.A., nos Doze
Conceitos para o Serviço Mundial, no Manual do CTO e no livro A.A. Atinge a Maioridade.

Quem dirige clinicas e outros centros de tratamento?
A.A. não proporciona serviços médicos ou sociais. Como Irmandade, não estamos qualificados a prestar esta ajuda.
No entanto, muitos membros de A.A. servem como valiosos funcionários em hospitais e centros de tratamento. Não existe, contudo, nenhum “hospital de A.A.” ou nenhuma “clinica de A.A.” – embora muitas dessas instituições realizem-se reuniões de A.A. e haja companheiros de A.A. disponíveis.
Seguindo nossa Sexta Tradição, os membros e grupos asseguram-se de que o nome de A.A. não seja incorporado ao nome de instituições ou usado em sua literatura promocional ou seu logotipo. Tais instituições também não deveriam utilizar nenhum nome (como por exemplo “Casa do Décimo Segundo Passo”) que possa induzir erroneamente a crer num endosso de A.A.

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O GRUPO DE A.A. – O QUE É, E COMO FUNCIONA

O Grupo de A.A.
O que é, e como funciona
Companheiros(as), acredito que cada um de nós temos o nosso entendimento de “grupo” e desde que nascemos, passamos a fazer parte de um grupo qualquer, pois já iniciamos nossas vidas fazendo parte de um grupo – o familiar. Em seguida passamos a fazer parte do grupo de alunos na Escola, depois o grupo de amigos, etc. Assim, seguimos pela vida fazendo parte de grupos, os mais diversos. Mais tarde, devido a nossa doença do alcoolismo, viemos a fazer parte de um grupo de Alcoólicos Anônimos e isso graças a um Poder Superior que um dia manifestou na mente de um alcoólico, mostrando-lhe que ao conversar com outro alcoólatra, ele poderia ficar sem beber, e tudo começou a partir de 1934, quando Bill W. recebeu a mensagem de Ebby e mais tarde, já em 1935, Bill W. encontra com Dr. Bob e com a troca de experiências, eles conseguiram ficar sem beber. Desde então, os dois passaram a transmitir a mensagem a outros alcoólicos, que juntos formaram o primeiro grupo, que se reuniam na casa de Dr. Bob. A partir dali começou a surgir grupos de alcoólicos por todos os lados até se tornar uma Irmandade que tem como marco de sua fundação, o dia 10 de junho de 1935.
Naqueles primeiros dias, aqueles alcoólicos que se reuniam, ainda não podiam se chamar grupo de Alcoólicos Anônimos, pois ainda não existia a Irmandade e as reuniões eram feitas com a presença dos casais, quando, esposas acompanhavam seus alcoólicos à reunião. Enquanto eles trocavam suas experiências sobre a bebida e de como estavam recuperando-se, as mulheres ficavam conversando sobre outras coisas, e Anne, esposa de Dr. Bob fazia o café. Mais tarde, percebendo que os assuntos dos maridos não lhes interessavam diretamente, as esposas resolveram discutir seus próprios problemas, ou seja, as dificuldades que tinham com os maridos devido a sua bebida e assim, elas fundaram o Al-Anon.
Devido a transmissão da mensagem, foram surgindo outros grupos de alcoólicos por todos os lados, como em Akron – Clevelland – Nova Iork e em outros lugares. Bill W., Dr. Bob e outros companheiros, percebendo o crescimento do movimento, entenderam que precisavam escrever um livro que pudesse levar a outros alcoólicos suas experiências de como estavam conseguindo ficar sem beber. Assim, escreveram o livro que após analisarem vários títulos, e baseados no anonimato que eles já vinham praticando, foi sugerido o nome, “Alcoólicos Anônimos”. O livro foi publicado, e a partir daí, os grupos passaram a se chamar grupos de Alcoólicos Anônimos, quando deixaram de ser um amontoado de pessoas para se transformar num grupo de pessoas afins – todos alcoólicos.
Para que pudéssemos compreender melhor o significado da palavra “grupo” recorremos ao Dicionário e encontramos a seguinte definição: grupo é, amontoado de pessoas ou coisas; agregado, conglomerado de pessoas; sociedade; grupo de pessoas afins e/ou com um mesmo propósito.
O que é um Grupo de A.A.?
É uma pergunta que nem sempre conseguimos responde-la, pois a maioria de nós, membros, ainda não temos um entendimento correto do que é um Grupo de Alcoólicos Anônimos. A maioria dos membros tem como Grupo de A.A., o local onde se realizam as reuniões. Porém, segundo o livreto “O Grupo de AA” isso não é verdade, senão vejamos:
Como afirma claramente um trecho do texto da Terceira Tradição…, “Dois ou três alcoólicos quaisquer reunidos em busca de sobriedade podem se autodenominar um grupo de A.A., desde que, como grupo, não possuam outra afiliação.”
Alguns AAs reúnem-se como grupos de A.A. especializados – grupos masculinos, grupos para mulheres, grupos para jovens, grupos para médicos, grupos para homossexuais, e outros. Se seus participantes forem todos alcoólicos, e se abrirem suas portas para todos os alcoólicos que quiserem ajuda, independente de profissão, sexo ou outras distinções, e se atenderem todos os demais aspectos que definem um grupo de A.A., eles poderão denominar-se um grupo de A.A.
Conforme o texto acima, fica claro a definição do grupo de A.A., pois, para se considerar um grupo de A.A., ele precisa preencher esses requisitos: todos os membros do grupo são alcoólicos e eles mantêm a porta aberta para receber todos alcoólicos que desejam se recuperar. A partir do momento em que pessoas não alcoólicas passam a fazer parte do grupo, este grupo não deve ser considerado um grupo de A.A., pois deixou de ser um grupo de pessoas afins, que neste caso, todos alcoólicos, tornando-se um grupo misto.
Ainda sobre a definição do grupo, percebe-se a falta de compromisso com a Irmandade, por parte de muitos grupos. Se não vejamos a forma em que estamos tratando o assunto – anonimato. No livreto “As Tradições como elas se desenvolveu” Bill W. deixou escrito que a Irmandade promete ao membro que está chegando 100% de anonimato e isso não vem acontecendo em nosso meio, pois, nossos grupos deixaram de ser grupos de alcoólicos em busca de sua recuperação, para serem grupos mistos, onde nas reuniões, participam pessoas não alcoólicas, normalmente como membros. Em nosso entendimento, isso fere frontalmente, a Décima Segunda Tradição e jogamos por terra todo trabalho que nosso co-fundador, Bill W. teve para elaborar às nossas Tradições.
Também, temos o problema do relacionamento de A.A. com a Comunidade, são problemas por todos os lados, e um dos motivos, é o fato de não respeitarmos a Sexta e Sétima Tradições. Por exemplo: alguns Grupos envolvem o nome de A.A. com religião, (expondo imagens de santos e outras entidades em suas salas de reuniões); aceitam doações de fora, (usando espaço físico para realizarem suas reuniões sem pagar nada, aceitam doações diversas para realizar suas festas) etc; usam o espaço de reunião do grupo para a realização de outras atividades extra A.A. como (bailes, jogos, ponto de encontro para o 13º passo) etc; usam de meios escusos para arrecadar dinheiro para pagar suas despesas, como (rifas, almoço com venda de inscrições, inclusive para a comunidade, etc.
Assim, percebemos a série de problemas que vivemos atualmente e precisamos encontrar meios para resolvê-los. Não sabemos como ainda, mas juntos, com certeza iremos encontrar a melhor maneira de resgatar tudo aquilo que Bill W. sonhou que poderia ser a nossa Irmandade.
Alcoólicos Anônimos tem sido descrita como uma Organização incomum, pois “a responsabilidade final e a autoridade suprema para o Serviço Mundial recaem sobre os Grupos e não aos Custódios da Junta de Serviços Gerais ou sobre o Escritório de Serviços Gerais”.(Conceito I).
De acordo com o Conceito I, a partir de 1955, Bill W. passou para os grupos a responsabilidade do futuro da Irmandade. Acreditamos que naquele momento, todos os presentes concordaram com esta atitude dele em sair da frente, deixando que cada grupo resolvesse seus problemas da melhor forma possível. A partir de então, nem ele e tão pouco a Fundação poderiam interferir nas atividades dos grupos – seria liberdade total. Entretanto, os grupos, talvez não tenham dado conta de que tudo que ocorresse com a Irmandade dali para frente, seria de responsabilidade deles. A Quinta Tradição define bem a finalidade do grupo. Ele tem um único objetivo, o de transmitir a sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre. E para cumprir essa tarefa um “DEUS AMANTÍSSIMO” pode se manifestar na consciência coletiva desse grupo, permitindo aos seus membros se libertarem do alcoolismo e viverem uma vida significativa, feliz e útil. (Tradições 2ª e 5ª).
“… muita atenção foi dada para a extraordinária liberdade que as Tradições de A.A. permitem ao membro individual e ao seu Grupo: não serão aplicadas penalidades aos que não estiverem de acordo com os princípios de A.A.; não haverá taxas nem mensalidades – somente contribuições voluntárias; nenhum membro de A.A. será expulso – ser membro de A.A. será sempre da escolha do indivíduo; cada grupo deve conduzir os seus assuntos internos como bem lhe aprouver – sendo somente pedido que se abstenha de praticar atos que possam prejudicar A.A. como um todo e, finalmente, que qualquer grupo de alcoólicos que se reuna para conseguir sobriedade possa se chamar um grupo de A.A., desde que como grupo, não tenha outro propósito ou filiação”. (Garantia VI do Conceito 12). Essa liberdade do grupo expressa pela Garantia VI vem seguida de um alerta, e diz lá: “Sabemos que nós pessoalmente temos que escolher: ou os Doze Passos e Doze Tradições de A.A. ou encarar a dissolução e a morte, tanto como indivíduos quanto como grupos.” As vezes isso soa como uma ameaça, porém sabemos que a maioria de nós alcoólicos, não aceitamos este tipo de ameaça, parece que é da própria doença. Então nos rebelamos e às vezes fazemos tudo ao contrário do que nos sugere às Tradições e agindo assim, geralmente, terminamos de forma não muito agradável. Se for o grupo, ele vai deteriorando-se e entra em colapso. Daí começa as fofocas, os desentendimentos entre os membros, a freqüência vai caindo e o fim. Com o membro acontece mais ou menos a mesma coisa: ele passa a não concordar com os companheiros(as), tudo está errado, sempre procurando uma desculpa para não ir à reunião e começa a se sentir melhor fora do grupo. Com o tempo as coisas vão piorando e ele chega aquela frase fatal: “Será que está valendo a pena ficar sem beber?” Possivelmente, neste momento, ele está a um passo do primeiro gole, e geralmente ele vai beber.
Finalizando, gostaríamos de convidar os Companheiros(as), para analisarmos os pontos abaixo e fazermos uma reflexão sobre o nosso comportamento enquanto membro de A.A., individual e como grupo:
Procuramos conhecer o funcionamento e a sua estrutura interna de nosso Grupo?
Qual a responsabilidade do grupo com a manutenção da Irmandade?
Tenho me comportado como um verdadeiro membro de A.A., buscando a minha recuperação e participando ativamente do meu grupo base?
Tenho preocupado com o crescimento do meu grupo base através dos princípios?
Tenho dado o verdadeiro valor à Irmandade que salvou a minha vida, colocando-me à disposição do Grupo e/ou dos Órgãos de Serviços para servi-los?
Minha contribuição para com o meu grupo base, estão de acordo com as minhas condições?
Tenho buscado o conhecimento do que é o grupo e também, da Irmandade
como um todo?
Tenho contribuído para o bem estar do meu grupo base?
Tenho passado os meus conhecimentos e experiências para os recém-chegados?
Bem, acreditamos que as respostas honestas a estas perguntas, poderão nos ajudar a melhorar nossa postura dentro da Irmandade, e quem sabe mudar o rumo das coisas.

O GRUPO DE A.A. EM AÇÃO

” O GRUPO DE A. A. EM AÇÃO ”

* INTRODUÇÃO

Através de observações e experiências adquiridas nestas poucas 24 horas vivenciando nossa Irmandade, venho observando um “mal crônico” que persiste em inquietar o A. A. no Brasil. Estou referindo-me aos baixos índices de Recuperação em nossos Grupos.

De tempos em tempos atribuiu-se esse problema a diversos motivos. Hoje os motivos são:
– A falta de literatura para orientar nossos antepassados quando da chegada do A. A. no Brasil.

– A inexistência de uma Estrutura de Serviços eficiente com Comitês e Comissões atuantes.

Tais motivos parcialmente solucionados desde 1969 com a fundação do hoje extinto CLAAB – Centro de Distribuição de Literatura de A. A. para o Brasil e, em 1974 quando foram convocados os primeiros Delegados de Área e realizado o 1º Conclave de A. A. no Brasil. Dois anos após com a Eleição dos Custódios em Assembléia realizada em 29 de fevereiro de 1976 – criou-se a JUNAAB – Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil – quando foi estabelecido o ESG – Escritório de Serviços Gerais. Estes foram realmente os primeiros Organismos de Serviços de A. A. registrados juridicamente no Brasil, fato ocorrido em 29 de junho de 1976.

O problema permanece irremovível, hoje com os seguintes discursos:

– Que os hábitos adquiridos nos tempos pioneiros, com a inexistência da Literatura, estão demais arraigados e somente serão diluídos com o tempo.

– Que a Estrutura de Serviços existente, não está sendo eficientemente usada no objetivo de recuperar os alcoólicos que ainda sofrem.

Se pesquisarmos profundamente com uma análise consciente, fatalmente iremos constatar que falta uma “Determinação obtida por uma ampla conscientização” empreendida pelos diversos segmentos de Serviços (Servidores) responsáveis, para uma tomada de posição no sentido de minimizarmos o problema.
Um posicionamento que objetive ascender os níveis de recuperação da Irmandade no Brasil, através do desenvolvimento de ações dinâmicas sensibilizadoras da profundidade dos Princípios Espirituais de nossa Irmandade.
Os doentes alcoólicos buscam A. A. porquê de alguma forma se sentiram atraídos pela imagem da Irmandade que lhe foi passada por alguma forma de divulgação ou pela abordagem de um membro, despertando- lhe um fio de esperança para cessar o sofrimento vivido.
A partir de nossas próprias experiências do primeiro dia, é fácil imaginar o que se passa pelas mentes doentes ante o desapontamento com a realidade mostrada nos Grupos de A. A., que na maioria das vezes desmente a concepção que tínhamos a respeito. A inverdade nunca poderá ser a base de um objetivo que envolve vidas humanas.
Se estabelecermos um confronto entre o que deveria ser uma real Programação de Recuperação de A. A., e o que é divulgado ou passado pelo abordante e a realidade que o ingressante irá constatar no Grupo, onde estará assistindo à sua primeira reunião, iremos detectar de uma forma generalizada as seguintes falhas e distorções:

– Desinformação sobre o que é realmente o Programa de Recuperação de A. A.:

Grande parte de responsabilidade pela má Recuperação, reside na qualidade do apadrinhamento realizado, quando o recém-chegado, após o primeiro dia, é lançado à sua própria sorte, sendo-lhe negadas as informações vitais de como proceder de agora em diante. É voz corrente em nossos Grupos: “Evite o Primeiro Gole… Freqüente as reuniões na medida do possível… e traga mais um, quando puder…” Esta é a orientação comum, precursora da inércia e estagnação, que presta o maior desserviço ao doente e à Irmandade.

– A Rotina e a Repetitividade:
A ignorância e o desconhecimento do que deve ser feito, levam os Grupos de A. A. a realizarem uma programação pobre e deficiente, onde a rotina e a repetitividade provocam o desânimo e a desmotivação, com o cansativo desfile pela “Cabeceira de Mesa” dos mesmos companheiros que contam sempre a mesma “estória”.

– Despreparo dos Servidores Responsáveis:
As lideranças de Grupos se afirmam mais pela assiduidade e pela capacidade de falar mais alto, que pelo grau de conhecimento dos Princípios de A. A. Assim o nível da programação oferecida é paralela ao preparo do Servidor dirigente. É lamentável o estrangulamento de Grupos de A. A. por mãos incapazes impulsionadas pela força do anseio individual.

– Inexistência de Clima Espiritual que Possibilite a Recuperação:
Os Grupos de A. A., com raríssimas exceções, não se preocupam com o estabelecimento deste clima espiritual, só obtido com a fiel obediência dos Princípios que orientam a nossa Irmandade. Enquanto houver meia observância deles, haverá sempre meia Recuperação. Onde estes Princípios não são observados, inexiste a Recuperação. E os exemplos estão aí mesmo, às centenas.
Diante deste quadro que se nos apresenta:

* O QUE FAZER?:

Para melhor entendimento do que tratamos até agora, vamos desmembrar este Tema em quatro pontos de suma importância, a saber:

1) O Grupo de A.A. – Como Entidade Espiritual.
2) O Grupo de A.A. – E o Espaço Físico.
3) O Grupo de A.A. – Cumprindo o Seu Propósito.
4) O Grupo de A.A. – E Nossas Falhas

– O Grupo de A.A. – Como Entidade Espiritual:

Para caracterizarmos o Grupo de A.A. como uma Entidade Espiritual, necessário se faz retornarmos no tempo e buscarmos nas primeiras preocupações com o trato do problema do alcoolismo as experiências obtidas. Senão vejamos:
A história de A.A. nos leva ao encontro do alcoólatra Holland H. com o eminente psiquiatra Dr. Carl Gustav Jung, em meados de 1930. Deste encontro tiramos a conclusão do que foi dito pelo Dr. Jung à Holland: “Que sua recuperação seria impossível pela ciência”. Disse-lhe também que a esperança de tal acontecer, residia na possibilidade de que ele, Holland H. chegasse a ter algum tipo de experiência espiritual ou religiosa, que buscasse um ambiente religioso e esperasse o melhor.
Em carta resposta que enviou a Bill W. o Dr. Jung diz: “A única forma correta e legítima para a dita experiência espiritual ou religiosa, é que ela ocorra realmente com você, e somente acontece quando estiver transitando pela estrada que conduz a uma compreensão mais elevada. Pode ser conduzida a esta meta por um ato de pura graça, por meio de um contato pessoal e honesto com semelhantes, ou ainda através de uma educação aprimorada da mente, mais além dos confins do mero relacionamento” .
Analisando as palavras do Dr. Jung, sentimos que Holland H. escolheu a segunda opção face às circunstâncias. E aí tudo começou, Holland H. conversando com Ebb T.; Ebb T. conversando com Bill W.; Bill W. conversando com Dr. Bob; Bill W. e Dr. Bob conversando com Bill D., ou seja um alcoólico conversando com outro alcoólico, sem desejar nada em troca, e nenhuma recompensa a não ser a esperança de continuar sóbrio.
Ainda com o objetivo de situar o Grupo de A.A. como Entidade Espiritual, lembremos os Grupos Oxford do clérigo Sam Snoemaker, ou da Igreja do Calvário onde os membros dos Grupos Oxford mais necessitados eram assistidos e alimentados. Lembremos de quando Bill W. em companhia de Alec, apesar de Ebby tentar impedi-los, se atiraram de joelhos diante do púlpito na Igreja do Calvário entregando suas vidas a Deus. E foi destes Grupos, que Bill W. selecionou os princípios que mais tarde transformaram- se em nossos Doze Passos. Foi vivenciando os Grupos Oxford que Bill W. pode aprender o que fazer e o que não fazer em relação aos alcoólicos. Como exemplo eis algumas lições aprendidas:
– Que não deveríamos ser um movimento de temperança, mas um movimento que deve se limitar a levar o alcoólico à sobriedade, isto é, em vez de se preocupar em salvar o mundo das diversas chagas sociais, A.A. deve se preocupar apenas em libertar os alcoólatras dos grilhões do alcoolismo.
– Que outras idéias e atitudes, como os famosos “Conceitos dos Absolutos”, é muitas vezes demais para os bêbados. Que as idéias de Pureza, da Honestidade, do Desinteresse e do Amor, devem ser alimentadas com colheres de chá homeopaticamente e não em doses cavalares.
– Que o anonimato é essencial, não só para proteger a Irmandade, mas também como instrumento para o desenvolvimento da espiritualidade. Que o membro de A.A. respeitando este princípio do anonimato, poderá agir e trabalhar, sempre com o espírito de ajuda ao próximo, de compreensão, sabendo que aquela sua ação ou trabalho jamais será trampolim para alcançar a fama, prestígio ou poder.
– Que A.A. deverá sempre dar a liberdade de falar, pensar e agir livremente, uma vez que o alcoólatra jamais se submeterá a quaisquer tipo de pressão, a não ser aquela exercida pelo álcool.
– Que A.A. jamais deverá intrometer-se na vida particular e privada de seus membros e, portanto, não fornece uma “orientação coletiva” para seu comportamento e aplicação na sua própria vida.
– Que A.A. apenas pode sugerir os Princípios de Recuperação, deixando sob a responsabilidade do próprio doente alcoólico a opção de exercitá-los ou não. Mas fica a advertência que, se seus membros desejam uma vida útil e feliz, não existe outro caminho, que não seja a submissão a estes Princípios.
Como podemos perceber, estes são princípios espirituais, que foram aproveitados dos Grupos Oxford e legados a nós membros ativos da Irmandade de A.A. para pô-los em prática.

” O GRUPO DE A. A. EM AÇÃO ” ( FINAL )

– O Grupo de A.A. – E o Espaço Físico:

A imagem física do Grupo de A.A. deve ser perfeitamente sintonizada com a imagem espiritual. A simplicidade deve revestir o espaço físico ocupado, de forma a permitir que ali se instale – pelo propósito único de seus membros na prática dos princípios espirituais da Irmandade – o ambiente espiritual a que se referiu o Dr. Jung, propiciador da recuperação através de um “Despertar Espiritual”.
Em síntese, o espaço físico, só será condizente com o que se propõe um Grupo de A.A., quando o seu visual no plano material, mantido pela relação espírito/matéria, estiver perfeitamente sintonizado com os Princípios da Irmandade: Recuperação, Unidade e Serviços.
O relacionamento matéria/espírito iniciou-se segundo Bill W., quando Ebb T. gastou de seu dinheiro para telefonar e pagar a passagem do metrô para ir ao seu encontro e transmitir a mensagem.

– Responsabilidade de Prover Espaço Físico:

Já sabedores de que nosso espaço físico é simples na sua aparência (física), podemos respirar aliviados e certificarmo-nos de nossa condição de participação.
Nossa Sétima Tradição nos diz: “Todos os Grupos de A.A. deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora”. Desde nossa primeira participação numa sala de A.A. constatamos este fato, (através de uma sacola), evidentemente sentiremos ainda que seja tênue, a responsabilidade de também contribuirmos com a sacola. Este é o único lugar em A.A. onde o material funde-se com o espiritual. Por esta razão, devemos ter sempre em mente que: “O metal só brilha se houver luz”. Pode-se entender que o dinheiro (metal), só atingirá seu objetivo se for iluminado pela intenção da luz (espiritual) .
Diante do exposto concluímos que: a responsabilidade de prover o espaço físico do Grupo de A.A., cabe aos membros que compõem a Irmandade, a partir do seu auto-ingresso na mesma.

– Diferença entre Grupo de A.A. e Reunião de A.A.:

Talvez não seja bem aplicada a expressão “diferença”, desde que acreditamos que o Grupo de A.A. depende das Reuniões, e as Reuniões de A.A.dependem dos Grupos de A.A. Assim entendemos que: os Grupos de A.A. continuam a existir além dos horários das Reuniões, ajudando quando solicitado, com o 12º Passo, trabalhando em instituições e atividades de I.P. (Informação ao Público), integrado em Comissões de Colaboração com a Comunidade Profissional (CCCP) e Comissões Institucionais (C.I.), por intermédio do Organismo de Serviços Locais.
Assim a Consciência Coletiva de A.A. a nível mundial, parece concordar em seis pontos que definem um Grupo de A.A.:

1) Todos os membros de um Grupo de A.A. são alcoólicos, e todos os alcoólicos são qualificados para serem membros.

2) Como Grupo ele é totalmente auto-suficiente.

3) O propósito primordial de um Grupo é o de ajudar alcoólicos a se recuperarem através dos Doze Passos.

4) Como Grupo ele não emite opinião sobre quaisquer assuntos alheios à Irmandade.

5) Como Grupo sua norma de procedimento para com o público, se baseia na atração ao invés da promoção, e seus membros mantêm o anonimato em nível da imprensa, rádio, televisão e cinema.

6) Como Grupo ele não possui nenhuma outra filiação.

A realização de Reuniões programadas regularmente é a principal atividade de qualquer Grupo de A.A. Algum grau de organização é necessário para conservar a funcionalidade e a eficácia de tais reuniões. Nossa Quarta Tradição diz que: “Cada Grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros Grupos ou ao A.A. em seu conjunto”. Previsivelmente, portanto, as reuniões realizadas por nossos milhares de Grupos têm cada uma suas próprias características.

– O Grupo de A.A. – Cumprindo o seu Propósito:

Conforme está explícito em nossa Quinta Tradição, o único objetivo primordial de um Grupo de A.A. é o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
Nesta máxima duas perguntas se nos apresenta: A primeira é – Qual a mensagem deverá que deverá ser transmitida? A segunda é – Quem é o alcoólatra que ainda sofre?
Claro está que a resposta á primeira pergunta é: A Mensagem a ser transmitida é a Mensagem de A.A.; é a mensagem de esperança de futuro promissor; é a mensagem que irá mostrar ao doente alcoólico, a luz no fim do túnel em que ele entrou quando da sua militância alcoólica. É a mensagem legada a nós membros de A.A., através dos Doze Passos, aliás, nesta máxima ainda podemos notar que muito sabiamente está registrado “Transmitir a Mensagem” e não “Levar a Mensagem”. Será que já sabemos fazer a diferença entre a transmitir a mensagem e levar a mensagem?. Pesquisando no Dicionário, verificamos que: TRANSMITIR é “fazer passar de um possuidor ou detentor para outro” e LEVAR é fazer passar de um lugar para outro. Transportar” . Donde verificamos que – para se transmitir uma mensagem, principalmente de otimismo e esperança, é necessário antes de mais nada, ter tido uma experiência anterior ou vivido algo semelhante e com relativo ou mesmo grande sucesso.

Para a pergunta número dois, poderemos deduzir que o alcoólatra que ainda sofre, pode estar dentro do Grupo, assistindo mas não participando da reunião. Em conseqüência desta observação, formulamos uma terceira pergunta. Será que os Grupos de A.A. estão preparados para cumprirem seu propósito primordial de transmitir a mensagem de A.A. ao alcoólatra que ainda sofre? Particularmente não sei responder e acredito que não saberemos respondê-la, mas o que nós sabemos e procuramos despertar em nossos irmãos em A.A. é que, para atingir este propósito primordial, tão decantado e enfatizado na Quinta Tradição, torna-se absolutamente necessário, que algumas condições e circunstâncias sejam satisfeitas. E Alcoólicos Anônimos, na sua sabedoria, já nos oferece de mão beijada estas condições, basta apenas que nós, integrantes de um Grupo de A.A., as satisfaçamos. E a condição básica e essencial é que reine no Grupo de A.A., um ambiente de paz, de harmonia, de fraternidade, de confiança mútua e a somatória das qualidades que poderemos denominar de BEM-ESTAR COMUM.
Se um Grupo de A.A. dedicar todo o seu entusiasmo em criar tal ambiente, – o do BEM-ESTAR COMUM – meio caminho foi andado e vencido, para favorecer ao doente que ainda sofre. E o grande instrumento para se encontrar ou criar este ambiente, é a chave da Boa Vontade. Boa Vontade para aceitar que todas as decisões a serem tomados pelo Grupo de A.A., sejam tomadas através da Consciência Coletiva e não “na opinião do Grupo de A.A…. ” Também é necessário que o Grupo de A.A., esteja sempre com as portas abertas para receber o possível doente alcoólico que foi procurá-lo. E, em sendo procurado, evitar a todo e qualquer custo ou sacrifício, criar-lhe quaisquer tipo de obstáculo ou entrave, e até pelo contrário, deverá proporcionar- lhe as melhores condições de facilidade, oferecendo-lhe companheirismo, confiança e camaradagem, . É necessário também que, no Grupo de A.A. que deseje cumprir o seu propósito primordial, seus membros saibam respeitar não só os seus próprios limites e o de outros Grupos, mas também e principalmente os limites dos outros segmentos da sociedade. É necessário também para um Grupo de A.A. que deseje cumprir o seu propósito primordial, que se abstenha de coligar-se com qualquer outro Grupo de Ajuda Mútua ou movimento similar, evitando assim sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. Com estes procedimentos, muitos problemas poderão ser evitados e, dentre estes podemos citar, o problema da busca da fama, prestígio e poder, o que certamente os afastariam do seu propósito primordial – o de Transmitir a Mensagem ao Alcoólatra que ainda sofre.

– O Grupo de A.A. – E NOSSAS FALHAS:

A Tradição Cinco e o Passo Doze, que trazem em seu bojo a essência da nossa Irmandade, não sendo compreendidos e aplicados, tornam-se um empecilho à recuperação daqueles que já pertencem à Irmandade e àqueles que estão para chegar. A coragem para mudar aquelas coisas que posso, se aplica perfeitamente dentro de nossas falhas.
A justificativa de que deu certo para alguns, tem que ser descartada, porque o Programa de Recuperação sugerido por Alcoólicos Anônimos, é para todos e não para alguns.
Como a primeira tradução para o português do Livro Azul, livro básico de A.A. somente ocorreu nos idos de 1973 (?), podemos com absoluta certeza afirmar que de 1947 a 1973 (?), toda mensagem recebida e transmitida, baseava-se no folheto que o publicitário americano Herbert L. Daugherty entregou ao economista inglês Harold W. para traduzi-lo – “Folheto (Livro) Branco”, não tivemos a oportunidade de iniciarmos o A.A. no Brasil, com o livro básico de Alcoólicos Anônimos. Sabemos das dificuldades encontradas pelos nossos pioneiros, dificuldades estas vencidas através de suas boa vontade quase sempre alicerçadas no EU ACHO. Mas hoje os tempos são outros, e já contamos com um elevado número de títulos da Literatura de A.A., traduzidos e distribuídos pela JUNAAB.
Pergunta-se então: Porque continuamos persistindo em transmitirmos a mensagem de A.A., contrariando nossos escritos? Talvez esta seja a nossa principal falha.
Temos consciência que estamos errados e não temos coragem para mudar. Podemos observar que mesmo nossos Órgãos de Serviços cooperam para que a mensagem de A.A. seja distorcida. Numa rápida análise, uma verdadeira avalanche de coisas materiais, são oferecidas como integrantes do Programa de Recuperação, visando apenas o lucro material, contrariando frontalmente o enunciado na Tradição Cinco. No apêndice do LIVRO AZUL – cada grupo de A.A. deve ser uma entidade espiritual.. .
Que entidade espiritual é esta que oferece objetos materiais? A Mensagem de A.A. é uma proposta de crescimento espiritual, uma nova maneira de viver, através dos Doze Passos – princípios espirituais – que se aplicados em nossas vidas, podem expulsar a obsessão pela bebida alcoólica.
Existe uma idéia generalizada, que o Brasil é um país com grande número de analfabetos. Devemos lembra que o analfabeto não é surdo. O analfabeto ouvindo é tão capaz de transmitir a mensagem ouvida, como um erudito…
Nossos Doze Conceitos para Serviços Mundiais, lembram-nos que não existe A.A. de segunda classe. Todos nós membros de um Grupo de A.A., temos que ouvir a mesma mensagem. Se um Grupo de A.A. não ouve e não transmite a verdadeira mensagem de A.A., como pode ser um Grupo de A.A. em Ação? Um Grupo de A.A. em Ação, subtende-se que é um Grupo de pessoas imbuídas de um mesmo ideal, mesma confiança mútua, mesmo propósito, etc…
Para que isto aconteça, acreditamos que a liderança do Grupo de A.A., tem que acreditar nas mudanças necessárias e pagar o preço que estas mudanças acarretam. Devemos lembrar que estamos lidando com vidas humanas.
Em casos de vidas humanas, não existe meia recuperação. O Programa de A.A. é para recuperação integral do doente alcoólico que queira se recuperar e o Grupo de A.A. deve estar à disposição de qualquer um queira fazer parte deste Grupo de A.A., sem lhe ser apresentado nenhum obstáculo à sua chegada. Nossa falha é a de não abrirmos a caixa de ferramentas espirituais e colocá-la à disposição de quem os procura e também explicar-lhes como estas ferramentas têm nos ajudado. Nossa falha está em continuarmos desrespeitando nossas Tradições, da Primeira à Décima Segunda, que é a única maneira de nos mantermos unidos. A Tradição Nove é rica em ensinamentos quando diz: “a mesma sentença se aplica aos Grupos…”
Teríamos uma grande relação de nossas falhas, mas acredito que o plenário, também pode e deve acrescentar algumas falhas observadas no seu Grupo de A.A., no seu Escritório de Serviços, no seu Distrito, na sua Área… que as apresente, enriquecendo nosso trabalho.

Uma indagação: FALTA DE CORAGEM PARA MUDAR AQUILO QUE PODE SER MUDADO?

Isaias

BIBLIOGRAFIA:

– A.A. Atinge a Maioridade

– Alcoólicos Anônimos

– Doze Passos e Doze Tradições

– Doze Conceitos para Serviços Mundiais

– O Grupo de A.A.

OS DOZE CONCEITOS PARA O SERVIÇO MUNDIAL DE A.A.

Os Doze Conceitos para o Serviço Mundial de A.A.

Ao dar uma olhada no passado (em 2011), pode ser difícil formar uma idéia clara do quanto incerta era a existência de A.A. 75 anos atrás. Os membros pioneiros viam-se cercados por dificuldades relacionadas com o dinheiro, a propriedade e o prestígio, e foi da maior importância para eles a questão de encontrar a melhor maneira de seguir em frente e levar a mensagem a outros. Devido aos problemas que a Irmandade havia enfrentado na sua infância, Bill W. costumava comparar A.A. com “uma vela piscando” que, a qualquer momento poderia se apagar. Porém, a Irmandade mostrava ser resistente e com a ajuda dos seus muitos amigos e defensores começou a fincar raízes e a crescer.
Começou com os Grupos – no começo uns poucos, logo centenas e depois milhares. Em pouco tempo foi estabelecida a Fundação do Alcoólico (1938) – mais tarde (1954), denominada Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos, para se responsabilizar por todos os assuntos de A.A. Com a morte do Dr. Bob e a consciência de Bill W. sobre sua própria mortalidade, a Conferência de Serviços Gerais tomou forma e assumiu o papel na direção da Irmandade que antes correspondia aos co-fundadores e membros pioneiros. Enquanto isso, uma pequena editora e escritório de serviço foram crescendo em tamanho e importância e estava publicando uma revista mensal, o A.A. Grapevine.
Existiam múltiplas dúvidas. Dessas entidades, a quais corresponderia fazer o quê? Qual a relação entre elas? Quais suas responsabilidades? E, seus direitos?
Como Bill W. reconheceu em sua palestra perante a Conferência de Serviços Gerais de 1960: “Assim como era de vital importância para nós codificar os Doze Passos, o aspecto espiritual do nosso programa, e codificar em Doze princípios Tradicionais as forças e idéias que irão fomentar a unidade e trabalharão contra a desunião, agora pode nos resultar também necessário codificar os princípios e relações sobre os que repousam nossos serviços mundiais, desde os Grupos até os Custódios da Junta de Serviços Gerais… um conjunto de princípios e relações explícitos por meio dos quais poderemos nos entender uns aos outros, e conhecer as tarefas que devemos desempenhar e os princípios em que nos baseamos para executá-las”.
Para tanto, Bill W. se encarregou de escrever os Doze Conceitos para o Serviço Mundial, e na Introdução a estes Conceitos, publicados pela primeira vez em 1962 e mais tarde introduzidos no Manual de Serviço de A.A., disse que os Conceitos foram concebidos para “demonstrar o ‘porquê’ desta estrutura para que as lições do passado não sejam esquecidas ou perdidas”. Também escreveu, “É natural, e inclusive fundamental, que nossos conceitos de serviço estejam baseados num sistema de ‘equilíbrio de poderes nos diferentes organismos’. Tivemos que nos defrontar com o fato de que, com freqüência, tratamos de engrandecer a nossa própria autoridade e prestígio quando estamos de posse das rédeas. Entretanto, quando elas estão nas mãos de outros, aferramo-nos às nossas posições e resistimos a qualquer administração que nos contrarie. Tenho certeza absoluta do que estou dizendo porque eu tenho essas mesmas inclinações.
Por conseguinte, idéias como as que seguem fazem parte dos Conceitos: ’Não devemos colocar nenhum grupo ou indivíduo em condições de autoridade imerecida sobre outros’, ‘Operações diferentes, devem ser agrupadas e administradas separadamente, cada uma com seu próprio pessoal e equipe de trabalho’. ‘Devemos evitar a excessiva concentração de dinheiro ou de influência pessoal em qualquer grupo ou entidade de serviço’. ‘Em cada nível de serviço a autoridade deve ser igual à responsabilidade’. Estas e outras postulações similares definem as relações de trabalho e podem ser amigáveis porém eficientes”.
Adotados pela Conferência de Serviços Gerais de 1962, os Conceitos têm sido uma força “entre bastidores” orientadora no desenvolvimento da Irmandade em seus trabalhos encaminhados a alcançar os alcoólicos de todas as partes do mundo. Dado o alcance de A.A. e seus serviços vitais, é importante conhecer e compreender como funciona a estrutura de serviço e como chegou a ser o que atualmente é, e que, da mesma maneira que os Passos e as Tradições, os princípios encarnados nos Doze Conceitos, tais como o “Direito de Decisão”, o “Direito de Participação” e o “Direito de Apelação” foram forjados na experiência de A.A.
De acordo com Martha C., antiga Custódia de Serviços Gerais, “Você e eu sabemos quem tem a autoridade final para os serviços mundiais; qual a relação entre os Custódios e as corporações de serviços; o quê fazemos para atuar eqüitativamente se alguém está em desacordo com a maioria; qual a relação entre a Conferência e a Junta de Custódios; porquê é importante para nós contar com uma boa direção rotativa; porquê nenhuma ação da Conferência deverá ser punitiva para pessoas nem provocar controvérsia pública…
Os Conceitos contribuem para assegurar a unidade de A.A. e produzem em nós um belíssimo efeito: no liberam, a você e a mim, para que possamos focar nossa atenção em realizar o objetivo primordial da nossa Irmandade. Então, em certo sentido, os Conceitos nos ajudam a levar a sobriedade ao alcoólico que precise de nossa ajuda onde quer que se encontre neste mundo”.
Em um artigo sobre os Conceitos, Sam S., um antigo Delegado do sul da Flórida, comentou sobre a importância perene que eles têm para o bem estar geral de A.A. e que os princípios em que estão baseados são inerentes aos membros de A,A, mesmo tendo, ou não, um conhecimento específico sobre eles. “Eles nos dizem que nunca devamos ser ávidos por dinheiro ou poder, que somos todos iguais, que devemos tomar decisões, se possível, somente quando estamos de acordo, que nossas ações não devem ser prejudiciais, que sempre devemos atuar como servidores de confiança. Estes são os guias para as relações entre a Conferência e a Irmandade como um todo; Porém, servem também como guias para qualquer Grupo de A.A. onde quer que se encontre, por meio dos quais pode trabalhar com eficácia para proteger nossa Irmandade a fim de que os que ainda estão pó vir a encontrem saudável e segura.
Os Conceitos não deixam apenas traçadas com extrema clareza as linhas de comunicação, mas, também nos oferecem métodos e formas de comunicação que refletem a preocupação, a confiança, o amor, o respeito mútuo e o reconhecimento da dignidade de cada pessoa que caracterizam a Irmandade de A.A. Percebemos que nossos Conceitos são a base espiritual de todos os serviços mundiais de A.A.”

Transcrito, com permissão, do texto em español no boletim oficial do GSO, Box 4-5-9, Outono (setembro) 2011 => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_fall11.pdf

12º PASSO DE A.A.

12º passo
No 12º passo, o prazer de viver é o tema e a ação sua palavra chave. Devemos nos doar aos que ainda sofrem, sem pedir nada em troca, pois aquilo que recebemos de graça, também o devemos dar de graça.
O despertar espiritual é diferente para cada pessoa, mas existem coisas em comum entre si. A pessoa se torna capaz de fazer, sentir e acreditar em coisas como antes não podia. É uma nova maneira de se e um novo estado de consciência. A vida não é mais um beco sem saída, nem algo a ser suportado ou dominado. Agora há um grau de honestidade, tolerância, dedicação, paz de espírito e amor, dos quais se supunha totalmente incapaz.
Em Alcoólicos Anônimos, até o último dos recém-chegados descobre recompensas nunca sonhadas quando procura ajudar seu irmão alcoólico. Isto de fato, é dar, nada pedindo em troca. Não se espera de seu companheiro qualquer paga ou mesmo amor. E então, descobre que, pelo paradoxo divino contido nessa maneira de dar, já recebeu a sua própria recompensa, não importando se seu irmão foi ajudado ou não.
Contemplar os olhos dos homens e mulheres se abrirem maravilhados à medida que passam da treva para a luz, suas vidas se tornando rapidamente cheias de propósito e sentido, famílias inteiras se reintegrando, o alcoólico marginalizado sendo recebido alegremente em sua comunidade como cidadão respeitável, e acima de tudo, ver estas pessoas despertadas para a presença de um amantíssimo em suas vidas são fatos que constituem a essência do bem que nos invade, quando levamos a mensagem de Alcoólicos Anônimos ao irmão sofredor.
Descobrimos que somos capazes de suportar nossos reveses e que os maiores desafios nos vêm dos pequenos e crônicos problemas da vida. Nossa resposta está em aumentar nosso desenvolvimento espiritual. E, ao crescermos espiritualmente, içamos sabendo que as velhas atitudes precisam sofrer drástica revisão. A satisfação de nossos instintos não pode ser o objeto exclusivo, a única finalidade da vida. Se pusermos os instintos em primeiro lugar, estaremos colocando a carroça diante dos bois e seremos arrastados para a desilusão. Ao contrário, se nos dispusermos a elevar ao primeiro plano o nosso crescimento espiritual, então, e apenas então, teremos chance.
Querendo ter e fazer as coisas à nossa maneira, fomos lançados em situações intratáveis com outras pessoas. Ou a dominávamos ou dependíamos delas, e isso invariavelmente as levava a nos repelir ou abandonar por completo. O alcoolismo para nós representou a solidão, apesar de que estivéramos cercados por pessoas que nos amavam. E quando a nossa prepotência havia espantando a todos e nosso isolamento se tornara total, fomos bancar os importantes em botequins de quinta categoria e, então sozinhos, perambular sem rumo pelas ruas. Para aqueles de nós que eram assim, Alcoólicos Anônimos teve um sentido muito especial. Através dele começamos aprendendo a manter voas relações com as pessoas que nos compreendem; não há mais necessidade de ficarmos sós.
Já não nos esforçamos mais para dominar ou controlar os que nos cercam com o sentido de tornarmos importantes. Não mais perseguimos a fama e a gloria a fim de sermos elogiados. Quando, devido aos bons serviços que prestamos a parentes, amigos, patrões e à comunidade, atraímos a simpatia geral e, às vezes, somos escolhidos para funções de maior responsabilidade e confiança, tentamos ser humilde nos agradecimentos e nos esforçamos mais ainda com o ânimo de amar e servir. A liderança autêntica é aquela que tem por base o exemplo construtivo e não as efêmeras exibições de poder e glória.

11º PASSO DE A.A.

11º passo

A oração e a meditação são nossos meios principais de contato consciente com Deus.
Muitas vezes pensamos que auxiliar outro alcoólico já é o bastante e ao esquecermos da prática da oração e meditação, ou só a praticando nos momentos de emergências, estamos recusando um suporte essencial ao bem estar das nossas mentes, emoções e intuições.
As práticas do auto exame, da meditação e da oração estão diretamente interligadas. Usadas separadamente, elas podem trazer muito alívio e benefício, mas quando são relacionadas e interligadas logicamente, resultam em uma base inabalável para toda a vida.
Como nos foi dado perceber, é pelo exame de nossos próprios pensamentos e sentimentos que conseguimos que uma nova visão, ação e graça venham a influir no lado escuro e negativo de nosso ser.
Vamos querer que o bem que está dentro de todos nós, cresça e floresça. Sabemos que poucas coisas podem crescer na escuridão. A meditação é um passo em direção ao sol.

Pergunta: Mas o que é a oração e a meditação? Como podemos fazê-las e qual a diferença entre as duas?

Bem poderíamos começar desta maneira: primeiro procuremos uma oração que seja boa de fato. Não será necessário procurar muito. Iniciemos com uma que é clássica: a oração de São Francisco.
Meditando sobre ela, podemos sentir que primeiro ele quis tornar-se um “instrumento de paz”. Então ele pediu a graça de levar amor, perdão, harmonia, verdade, fé, esperança, luz e alegria a todos quantos pudesse. Depois veio a expressão de uma aspiração e de uma esperança para ele próprio. Ele esperava que se Deus quisesse, lhe fosse permitido ser capaz de encontrar alguns desses tesouros também. Isso ele tentaria realizar através do que chamou de dar de si mesmo. O que ele quis dizer com “é dando que se recebe” e como se propôs a consegui-lo?
Ele achava melhor consolar e não ser consolado; compreender e não ser compreendido; perdoar e não ser perdoado.
Ao pensarmos em quanto valor dávamos, em outro tempo, à imaginação que tentava criar a realidade de dentro das garrafas, veremos que nada há de mal na imaginação construtiva.
A meditação é algo que pode ser desenvolvido. Ela não tem limites, é uma aventura individual que cada um realiza a sua maneira e o objetivo é o mesmo: melhorar nosso contato consciente com Deus, com sua graça, sabedoria e amor.
Já a oração, é a elevação do coração e da mente para Deus. O estilo comum de oração é uma petição a Deus. Mas seja ela qual for, faz-se necessário a extensão: “nos dê o conhecimento de sua vontade em relação a nós e forças para realizá-la”.
Nos momentos de fortes perturbações emocionais, manteremos nosso equilíbrio se nos lembrarmos de uma oração qualquer ou frase que, particularmente, nos tenha agradado e a repetirmos algumas vezes.
Devemos orar para que se faça a vontade de Deus, seja ela qual for, tanto para nós como para os outros. Devemos nos conscientizar de que Deus, efetivamente, “age de maneira misteriosa na realização de suas maravilhas” e ele conhece nossas necessidades e o momento certo de agir.
É importante sabermos que o amor de Deus vela sobre nós. Pensando assim, não mais nos sentiremos abandonados, amedrontados e sem objetivo na vida. Começamos a ver a verdade, a justiça e o amor com os valores reais e eternos e não mais unicamente com a nossa visão materialista dos fatos.

10º PASSO DE A.A.

10º passo
Pergunta: Qual sua visão sobre a importância do décimo passo?

Não é necessário no décimo passo, perambularmos pelo passado. É necessário isto sim, a admissão e correção dos erros agora.
É neste verdadeiro balancete diário, que creditamos a nosso favor ou debitamos contra nós as coisas que julgamos bem ou mal feitas. A cada seis meses, devemos juntamente com nosso padrinho, fazer uma “limpeza geral” que é uma revisão importante de nossos comportamentos diante das várias situações surgidas no período e anotadas diariamente.
No início pode parecer difícil escrever diariamente sobre todas situações que nos levaram a emoções boas ou más, porém, o inventário, com o passar do tempo, passará a fazer parte integrante de nossa vida diária e não uma coisa rara ou à parte.
É um preceito espiritual, o de que cada vez que estamos perturbados, seja qual for a causa, alguma coisa em nós está errada. Se ao sermos ofendidos, nos irritamos, é sinal de que também estamos errados. O rancor, embora justificável, devemos deixar para aqueles que possam melhor controlá-lo.
Fomos atingidos por ressentimentos, nossas mágoas não tinham importância. Estragávamos nosso dia com mau gênio, revolta, incapacidade de distinguir se os rancores eram justificados ou não, mas também, tanto fazia, pois a nosso ver, sempre tínhamos razão, os outros é que estavam sempre errados e nos perseguiam sem motivos. Nossas emoções invariavelmente eram de ira, ciúme, inveja, autopiedade, orgulho ferido etc. e esses senti.s nos levavam diretamente à garrafa.
O inventário “relâmpago” visa nossas variações de humor, especialmente aquelas quando pessoas ou novos acontecimentos nos desequilibram e nos levam à tentação de cometer enganos. Para se evitar as terríveis “bebedeiras secas”, necessitamos autodomínio, disposição para admitir nossa culpa e, igualmente, para desculpar as ouras pessoas. Não se martirize: essas disciplinas não são fáceis, mas nosso objetivo não é a perfeição e sim o aperfeiçoamento.
Humildade faz muito bem e devemos nos lembrar a todo instante, que se hoje estamos sóbrios é porque Deus o quis, e qualquer vitória que, porventura, estamos gozando, é mais êxito dele do que nosso.
Ao desapontarmos aluem, devemos admiti-lo imediatamente, sempre perante nós e, se houver utilidade, perante a pessoa também.
Evidentemente que nem tudo são erros. No nosso dia-a-dia, praticamos uma porção de atos construtivos que ao relatarmos no inventário relâmpago, nos fornecem o estímulo necessário para prosseguir.
É uma excelente hora para refletir se agirmos movidos pelas emoções e qual teria sido o melhor comportamento. Aprender a identificar, admitir e corrigir nossas possíveis falhas, todos os dias constitui a essência da edificação do caráter e da vida correta.
O sincero arrependimento pelos danos causados, a gratidão genuína pelas bênçãos recebidas e a disposição de tentar melhores coisas amanhã, serão os valores permanentes que procuraremos. Tendo, dessa forma, feito o exame meticuloso de nosso dia, sem deixar de incluir as coisas bem feitas e tendo vasculhado nossos corações, sem medo ou concessões, estamos realmente prontos para agradecer a Deus todas as graças recebidas e podemos, então, dormir com a consciência tranqüila.