Monthly Archives: Julho 2014

LEMBRAR QUE O ALCOOLISMO É UMA DOENÇA PROGRESSIVA, INCURÁVEL E FATAL

*LEMBRAR QUE O ALCOOLISMO É UMA DOENÇA PROGRESSIVA, INCURÁVEL E FATAL*

Muitas pessoas no mundo sabem que não podem comer certos alimentos –
ostras, morangos, ovos, pepinos, açúcar ou outro qualquer – sem se sentir muito indispostas ou até doentes, quem sabe.

Uma pessoa com alergia alimentar desse tipo pode sair por aí lamentando-se
queixando-se a todo mundo de sua injusta privação e exclamando constantemente por não poder (ou por não lhe ser permitido) comer algo
muito gostoso.

É evidente que, embora nos sintamos logrados, não é sábio ignorar nossa
constituição fisiológica. Se ignorarmos nossas limitações, poderemos sofrer
grave indisposição ou enfermidade. Para continuarmos com saúde e razoavelmente felizes, temos de aprender a viver com o organismo que
possuímos.

Um dos novos hábitos que o alcoólico recuperado pode aprender a
cultivar é uma percepção calma de si mesmo, como alguém que precisa evitar
produtos químicos (álcool e outras drogas que o substituem) se desejar manter
boa saúde.

Como prova disso, temos nosso passado de bebedeira, um total de centenas de milhares de anos consumidos na bebida por nós, homens e mulheres.
Sabemos que, á medida que nosso tempo de bebedeira passava, os problemas relacionados com a bebida pioravam continuamente. O alcoolismo é
progressivo.

Naturalmente, muitos de nós passamos por fases em que, durante meses ou
mesmo anos, julgávamos que nosso beber parecia ter-se normalizado.
Parecíamos capazes de manter um elevado consumo de álcool com bastante
segurança. Ou podíamos ficar abstêmios, exceto em algumas noites de
embriaguez, sendo que nosso beber não piorava perceptivelmente, tanto
quanto podíamos ver. Nada de horrível ou dramático acontecia.

Contudo, podemos agora ver que, nesse período longo ou curto, nosso
problema tornava-se inevitavelmente mais grave.

Alguns médicos especialistas no assunto dizem-nos que não há dúvida de
que o alcoolismo vai constantemente piorando à medida que envelhecemos
(conhece alguém que não esteja envelhecendo?). Estamos também convencidos, depois de incontáveis tentativas de provar o contrário, de que o alcoolismo é incurável, exatamente como algumas outras doenças. Isto porque não podemos mudar a constituição química de nosso organismo e voltar a ser
normalmente os bebedores sociais que muitos de nós parecíamos ser na juventude.

Não podemos, como dizem alguns, transformar picles novamente em
pepino. Não houve medicamento nem tratamento psicológico que jamais
conseguisse “curar” um de nós do alcoolismo.

Além disso, tendo visto milhares e milhares de alcoólicos que não pararam de
beber, estamos fortemente convencidos de que o alcoolismo é uma doença
fatal. Não só vimos alcoólicos beberem até a morte – de *delirium tremens*,
ao suspender a bebida, ou de convulsões, ou de cirrose do fígado,
conseqüente do alcoolismo –, mas também sabemos que muitas mortes
oficialmente não atribuídas ao alcoolismo são, na realidade, causadas
por ele. Com freqüência, quando há um acidente de automóvel, um afogamento, um suicídio, um ataque cardíaco, um incêndio, uma pneumonia ou um derrame como causa imediata da morte, foi o excessivo consumo de álcool que conduziu àquela condição ou àquele acontecimento fatal.

Certamente, a maioria de nós no A.A. sentia-se seguramente longe de tal
destino enquanto bebia. E provavelmente a maioria jamais chegou aos
terríveis estágios finais do alcoolismo crônico.

Mas vimos que *podíamos* chegar lá se continuássemos a beber. Quando se
toma um ônibus destinado a uma cidade a dois quilômetros de distância, é lá
que se vai parar, a não ser que se salte antes e tome outro destino.

Pois bem. O quê você faria se soubesse que sofre de uma doença progressiva,
incurável e fatal, seja ela alcoolismo ou outra qualquer, como do coração ou
câncer?

Muitas pessoas negam seu estado, não aceitam a verdade, rejeitam o
tratamento, sofrem e morrem.

Mas existe outro caminho.

Pode-se aceitar o “diagnóstico” apresentado por seu médico, pelos seus amigos ou por você mesmo. Depois, é verificar o que é possível ser feito (se
é que há algo a fazer) para manter a situação sob controle, de modo a poder
viver ainda muitos anos felizes, saudáveis e produtivos, *desde que a
gente se trate apropriadamente*. Reconhecer inteiramente a gravidade da
própria condição e fazer as coisas sensatas necessárias para manter uma vida
sadia.

Ora, acontece que isto é surpreendentemente fácil com relação ao alcoolismo,
se a gente realmente deseja a recuperação. E, como nós do A.A. aprendemos a desfrutar a vida, nós, realmente, desejamos nos recuperar e permanecer
bem.

Tentamos não perder de vista o caráter imutável de nosso alcoolismo, mas
aprendermos a não entregar-nos à auto piedade e nem ficar falando sobre isso
o tempo todo. Nós o aceitamos como uma característica de nosso organismo,
assim como nossa estatura ou a necessidade de usar óculos, ou como
quaisquer alergias que possamos ter.

Então, podemos planejar viver bem – não com amargura – com essa
convicção, desde que comecemos simplesmente por evitar aquele primeiro gole
(lembra-se?) só por hoje.

Um membro de A.A., que é também cego, disse que seu alcoolismo é bem
parecido com sua cegueira. “Uma vez que aceitei a perda de minha visão”,
explica ele, “e recebi o treinamento de reabilitação que me foi oferecido,
descobri que realmente posso, com a ajuda de minha bengala ou de meu
cão, ir aonde quer que eu deseje ir com bastante segurança, desde que eu não
esqueça ou ignore o fato de que sou cego. Mas, quando ajo com a convicção de que posso ver, é ai que me machuco ou fico em dificuldade.”

“Se quiser recuperar-se”, disse uma mulher de A.A., “aceite o tratamento,
siga as instruções e continue vivendo. É fácil, se você se lembrar dos novos
fatos a respeito de sua saúde. Quem é que tem tempo de sentir-se diminuído
ou lamuriar-se, quando há tantas delicias relacionadas com uma vida feliz,
sem temor da doença?”

Resumindo, lembramos que temos uma enfermidade incurável, potencialmente
fatal, chamada alcoolismo. E, em vez de continuar bebendo, preferimos
planejar e usar novas maneiras de viver sem o álcool.

Não precisamos ter vergonha de sofrer de uma doença. Não é nenhuma
desgraça.
Ninguém sabe exatamente porque certas pessoas se tornam alcoólicas e
outras não. Não temos culpa. Não quisemos ser alcoólicos. Não *tentamos
contrair*esta doença.

Afinal de contas não sofremos de alcoolismo só por gostar disso. Não nos
propusemos, com malícia e deliberação a fazer coisas das quais nos
envergonharíamos depois. Nós as fizemos fora de nosso melhor juízo e
instinto, porque estávamos realmente doentes e nem sequer o sabíamos.

Já aprendemos que nada lucramos com o remorso ou a preocupação de como
ficamos assim. O primeiro passo para sentir-se melhor e superar a doença é
simplesmente não beber.

Veja se esta idéia lhe convém. Você não preferiria reconhecer que tem um
problema de saúde, que pode ser tratado com sucesso, a ficar perdendo um
tempo enorme, preocupando-se miseravelmente sobre o que está errado com
você? Nós achamos que esta é uma imagem mais bonita e mais agradável de
nós mesmos do que os sombrios seres humanos que nos habituamos a ver. E é mais verídica também. Nós o sabemos. A prova é o modo como sentíamos, agimos e pensamos – agora.

Quem quiser, está convidado para um “período grátis de experiência” a respeito deste novo conceito do eu. Depois, se desejar voltar aos tempos antigos, está livre para recomeçá-lo. Qualquer um tem o direito de
reaver sua desgraça, se quiser.
Por outro lado, você também pode conservar sua nova imagem, se preferir. Ela
também é sua, por direito.

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PERDOAR – O PASSO QUE FALTA

The BIG BOOK BUNCH

PERDOAR – O PASSO QUE FALTA

Versão J 15/12/2001
THE BIG BOOK BUNCH
(A TURMA DO LIVRO AZUL)

Nós somos o grupo “ The Big Book Bunch “ de Alcoólicos Anônimos . Nossa origem é o grupo Estudantes do Livro Azul, que vem se reunindo em Woodland Hills, Califórnia desde Dezembro de 1985. Nossos objetivos são: vivenciar o processo espiritual, através do qual a sobriedade é obtida e aprimorada, e publicar (gratuitamente) nossa experiência, para outros alcoólicos em recuperação. Nós não temos absolutamente afiliação à qualquer organização ou causa a não ser a nossa filiação individualmente como membros de A.A.
Nosso material escrito não é literatura oficial de A.A. mas no entanto, contem informação do Big Book (Alcoólicos Anônimos) e outra literatura aprovada pela Conferência, registrada e publicada por Alcoólicos Anônimos. Todo material de A.A. utilizado, é acompanhado pela devida referência à sua fonte. Referências em nossos documentos ao Livro Azul, excluem suas estórias ( depoimentos ). Está incluído todo material desde sua capa frontal até a página 164, mais os Apêndices I ( Tradições) e II (Experiência Espiritual).
Você pode reproduzir matéria do Big Book Bunch, observando que: a) as fontes do material (AA ou The BBB) sejam citadas, b) que nada seja cobrado pela sua divulgação,e c) que não seja distribuído por organização ou procedimento que cobre taxas. Caso tenha correções ou melhoramentos a fazer, por favor nos comunique utilizando a Caixa Postal ao pé do artigo.

Nós tratamos de uma discussão sobre a disposição de perdoar. Primeiramente ressaltaremos, caso você ainda não saiba, que os alcoólicos tendem a se sentir vitimados por pessoas,lugares, objetos e o cosmos em geral. Como se isso não fosse o bastante, nós alcoólicos, também carregamos mágoa, de que nos tenha sido feito, ou deixado de fazer por nós.
Nos parágrafos seguintes, exploraremos as implicações de carregarmos os ressentimentos conosco. Se não conseguimos, nos livrar dos ressentimentos, por outro lado, às vezes nos deparamos com a ferramenta de ( última geração ) para a erradicação – perdoar aqueles de quem nos ressentimos. A natureza do perdão é investigada, e , finalmente, são apresentadas técnicas para alcançar o perdoar. A nossa discussão a respeito do perdão é elaborada através de links em quatro páginas adicionais. É melhor, acreditamos, que seja vista na ordem em que está listada.

ALCOÓLICOS TEM ORGULHO DO RESSENTIMENTO

A maior parte dos alcoólicos tem um profundo – quase patológico – senso de justiça. Se nós fomos enganados ( significando freqüentemente que não conseguimos o que queríamos), ou nos apegamos à idéia de que poderíamos ter sido enganados, encontramos plena justificação para expressar raiva ou abrigar ressentimentos. Nesse caso parece quase que um dever carregar um ressentimento justificado. Caso contrário, aqueles que nos enganaram se livrariam impunes. E isto não estaria certo; concordam? Portanto, desperdiçamos nossas vidas, recebidas de Deus, julgando e punindo nossos semelhantes. Abandonar um ressentimento justificável,é sabidamente, uma das experiências mais difíceis para um alcoólico.
Se você pesquisar a palavra ressentimento em nosso dicionário, você vai encontrar:
Ressentir é também utilizado em outros sentidos que nos parecem estranhos, tais como “sentir dor” ou “perceber pelo odor”(1). O fio que mantem esses sentimentos unidosé a noção de sentir ou perceber …de novo.
Para o alcoólico ressentimento é o reviver a ofensa que nos feriu antes de tudo.. Pense nisto. Nós sentimos estar punindo as pessoas por seus erros, quando, na verdade, queremos voltar a sentir a ferida de novo…de novo…de novo – entendeu? Ressentis não faz mais sentido, da mesma forma que não o faz, a nossa antiga bebida. Algo está distorcido no cérebro,pensamos.
(1) N.T.: Isto se dá na língua inglesa

MÉTODOS DE REMOÇÃO DE RESSENTIMENTOS

Como remover os ressentimentos? Aqui estão os métodos costumeiros, e eles são apresentados na ordem crescente de dificuldade ( para o alcoólico, é claro).
Negligenciamento. Sim, a negligência benigna remove a maior parte de seus pensamentos do dia. Nós simplesmente nos esquecemos das coisas que não são importantes para nós. Enquanto crescemos em nossa sobriedade nos tornamos menos interessados em manter ressentimentos, e eles seguem a ordem natural da eliminação, a não ser que sejam retidos devido a nossos hábitos pervertidos.
Reflexão. Se estamos conscientes do nosso ressentimento, e desejamos nos livrar dele, é um procedimento inteligente pensar sobre ele. Nós realmente ouvimos o que a outra pessoa falou? O que foi dito era realmente o que a outra pessoa pensava? O que ouvimos não seria apenas um boato? A ação ofensiva segue um padrão, ou foi apenas um acaso? O ofensor estava estressado? Estamos dando ao outro o benefício da dúvida? Caso contrário, porque não abandonar o ressentimento?
Análise de Custo/Benefício. Se realmente houve um dano,principalmente intencional, seria benéfico para nós guardar ressentimento? Esse é um ressentimento importante? Qual sua posição entre os outros ressentimentos justificados que carregamos? A inserção dele no nosso inventário significa que abriremos mão de outro ressentimento menos danoso? Por quanto tempo carregaremos esse ressentimento? Ele justifica vingança? Estamos dispostos a sofrer a perda de amizades, destruição de propriedade, despesas, prisão, ou pressão social como conseqüência de nos tornarmos juiz, júri e executor? Não seria mais agradável nos livrarmos do ressentimento?
A Disposição de Perdoar. Sim, é possível se livrar dos resíduos de ressentimento através da disposição de perdoar.
Os links abaixo citados descreverão como isso pode ser feito. Eis aqui alguns tópicos, como:
∙ Anonimato. As pessoas das quais você se ressente não precisam saber disto. De fato, é muito melhor e mais simples se eles não souberem. Uma mágoa curtida em segredo é mais suave, de qualquer forma.
∙ Privacidade. A menos que a pessoa de quem você se ressente peça o seu perdão, ou você esteja absolutamente convencido de que ela ficará feliz por ser perdoada, você deve manter seu perdão em sigilo. Pode ser uma forma grosseira de arrogância aproximar-se de uma pessoa para lhe dizer que está sendo perdoada. Elas freqüentemente não tem a menor idéia de ter cometido alguma ofensa, e vão se perguntar que espécie de louco você pensa que é para perdoá-la – Deus, talvez?
∙ Ultimidade. Uma vez que você tenha perdoado uma pessoa, é o ato final. Não precisa nunca mais ser repetido, nem você deve permitir a recorrência do ressentimento.
E, é claro, há o velho conhecido, a prece. Após a discussão de cada passo no Livro Azul, um sem número de métodos para aliviar os problemas são mostrados. A ferramenta fundamental e freqüentemente “sugerida” para nós, é a prece. A prece deveria estar na lista acima, mas não saberíamos como situá-la na ordem de dificuldades. Para alguns de nós, a prece é um meio natural e fácil de ajustar a nossa vida. Para outros, uma perspectiva alienada e até mesmo hostil. Qualquer que possa ser o sentimento de uma pessoa no tocante à prece, deve haver um esforço constante para que seja um ingrediente primordial na concientização.

O QUE É A DISPOSIÇÃO DE PERDOAR?
O Dicionário e FORGIVE (Perdoar)
For – give ( Para dar )
1 – Conceder perdão para, ou remissão por ( uma ofensa, pecado, etc. ) ; absolver.
2 – Cancelar ou Remir ( um débito, obrigação, etc ) ; perdoar os encargos devidos em um empréstimo.
3 – Conceder o perdão a ( uma pessoa ).
4 – Deixar de sentir ressentimento contra; perdoar seus inimigos.
5 – Perdoar uma ofensa ou o ofensor.

QUEM É O GUARDIÃO DE NOSSOS ERROS?
Pode ser que haja um pouco de nossa teologia pessoal aqui. Se a sua é diferente, por favor não se sinta ofendido. Você pode estar certo.
Quando cometemos uma ofensa ( ou falhamos em cumprir uma obrigação ) o erro é gravado. A(s) parte(s) a quem ofendemos, se houver, podem anotar – muitas pessoas o fazem . Nós próprios as acrescentamos ao saco de culpas, vergonhas, remorsos e auto-aversão que arrastamos conosco.
Mas o registro real foi feito no sistema do universo por seu Criador. É automático e inevitável que todos os erros sejam anotados. E a única e verdadeira coisa que pode removê-lo é a reparação ( correção ou reparo).
No Oriente, este sistema é chamado Karma. Em metafísica pode se chamar Akasha. Não importa como seja chamado ou aonde quer que se localize ( mais provavelmente dentro de nós mesmos ), funciona e sempre funciona sem falhas, principalmente para nós alcoólicos ( brincadeira ).

OBJETIVOS NA DISPOSIÇÃO DE PERDOAR
Quem está sendo perdoado, e por quem ?

Perdoando os outros. Se um ato de cortesia de nossa parte vai ajudar os outros a se sentirem melhor com eles mesmos, então devemos deixar que saibam que não temos nenhum sentimento negativo em relação às ações deles. Mas nunca devemos acreditar que possamos, na verdade, interferir em que sejam perdoados, de acordo com o plano traçado por Deus para eles.
Ser perdoado pelos outros. Aqui aplica-se a mesma lógica de perdoar os outros. A disposição cosmética de perdoar entre os humanos pode ser um ato de compaixão. No entanto, a genuína vontade de perdoar é um assunto muito pessoal.
Ser perdoado por Deus. Deus não mantém registros, nem carrega quaisquer mágoas. O sistema universal de Justiça que Ele criou cuida automaticamente da correção e do perdão. Ele não intervem. Ele simplesmente nos ama o tempo todo
Perdoar a nós mesmos. Como os humanos não podem realmente perdoar-se uns aos outros, o auto-perdão é igualmente impossível. Há mais a ser dito, no entanto. Nós certamente concordamos que muitos, senão a maioria dos alcoólicos conhecem de sobra a culpa, a vergonha, o remorso e a auto piedade. Nós DEVEMOS nos livrar disto antes que possamos realmente ver a perfeição do Criador em nós, como era Sua intenção. Devemos ter a capacidade de olhar para o espelho e sorrir para a criatura que está emergindo do limo da assertiva auto dirigida, à serviço do Pai através seus companheiros. Saber que fomos perdoados é um requisito para a vida sóbria.
A primeira coisa a fazer é livrarmo-nos dos falsos crimes de que nós mesmos nos imputamos. Um sólido Quinto Passo produzirá uma lista de nossos defeitos de caráter e uma lista preliminar de pessoas que tínhamos ofendido. Se nós nos sentimos mal por algo que não conste destas listas, ou a lista está incompleta ou fomos apanhados pelo defeito sem sentido da auto-condenação . Sentir-se mal consigo mesmo,, o que poderia fazer sentido enquanto estávamos nos prejudicando, é freqüentemente um cabide emocional que deve ser descartado. Você pode criar uma lista de auto-respeito ( não orgulho ) . Pode ser próximo ao espelho, e pode dizer, “ Eu tenho de me respeitar hoje porque eu…( liste boas ações, passos dados, pessoas ajudadas, preces, etc.).” Mas, assegure-se de nunca colocar seu nome na listagem de seu Oitavo Passo. A segunda coisa a fazer e dar o Nono Passo ( Após ter feito do Primeiro ao Oitavo com seu padrinho, é claro). Porque ? Porque a reparação é o único meio de alcançar o perdão.

NOSSO ”DIREITO” DE PERDOAR

Nós sabemos que quando algo errado é feito, há um imediato registro do fato. O registro não pode ser prevenido e NEM apagado através do perdão. A parte ofendida não pode apagar o registro, e Deus também não o fará, pois, antes de mais nada, foi Ele quem criou o sistema. E o sistema funciona muito bem para Ele.
Então,como você e os outros podem ser absolvidos de seus erros ? Adivinhou, pelo Nono Passo. Reparação ( reparo / correção ) da ofensa remove automaticamente o registro. O perdão não toma parte, em lugar nenhum, na absolvição.
Porque então tanta conversa a respeito do perdão? A realidade é que nós não estamos perdoando ofensas contra nós, no sentido de remover a necessidade de reparação por parte do ofensor. Isso nós não podemos fazer. Apenas a reparação tem esse poder. Nosso ato de perdão é para nos limparmos. É isso mesmo. Nós removemos de nós mesmos o desejo auto imposto de punir o ofensor. Nosso perdão absolve não o ato cometido, mas sim a nossa reação pessoal a ele. Uau ! Que conceito ! Não é o karma dele que corrigimos, mas o nosso próprio !
Eis algumas fontes adicionais que achamos muito úteis. Você poderá notar que algumas delas não concordam plenamente com o que falamos. Isso não faz com que elas ou nós estejamos errados. Isso é necessário para que você viva em profundidade as suas próprias convicções

O QUE ACONTECEU?

O que aconteceu?

Esta pergunta está sendo feita por muitos alcoólicos ultimamente. O que aconteceu com a nossa taxa de sucesso? 30 a 40 anos atrás, estávamos segurando 75% ou mais dos alcoólicos que vinham buscar ajuda conosco. Hoje, não estamos retendo nem 5%. O que aconteceu?
O que aconteceu com aquele Grupo de A.A. maravilhoso de 20, 30 ou 40 anos atrás? Normalmente havia 50, 75, 100 ou mais pessoas em cada reunião. Agora é só história; desapareceu! Cada vez mais grupos estão fechando as portas todo dia. O que está acontecendo?
Ouvem-se muitas idéias, opiniões e justificativas quanto ao que está acontecendo, mas as coisas não estão melhorando. Pelo contrário, continuam a piorar. O que está acontecendo?

Bill W. escreveu:

“Nos anos que se seguirão, A.A. certamente cometerá erros. A experiência nos ensinou que não devemos ter medo de fazê-los, desde que continuemos dispostos a admitir nossas falhas e a corrigi-las prontamente. Nosso crescimento como indivíduos tem dependido deste salutar processo de tentativas e erros. Também acontecerá ao nosso crescimento como Irmandade.
Lembremo-nos sempre que qualquer sociedade de homens e mulheres que não puder corrigir seus próprios erros certamente entrará em declínio senão em colapso. Tal é o preço universal pelo fracasso de continuar a crescer. Assim como cada membro de A.A. deve continuar a fazer seu inventário moral e a se corrigir, também desse modo deve a sociedade, se é que queremos sobreviver e se pretendemos servir bem e com eficiência.” (A.A. Atinge a Maioridade)
Com tão pouca sobriedade e o contínuo fechamento de grupos de A.A., torna-se evidente que nós não temos estado dispostos a admitir nossas falhas e a corrigi-las prontamente.
Parece-me que o Delegado da Área do Nordeste do Ohio. Bob Bacon, identificou nossas falhas e erros quando falou a um grupo de AAs em 1976. Disse ele, em síntese, que não estamos mais mostrando ao recém-chegado que temos uma solução para o alcoolismo. Não estamos falando para eles do Livro Azul e o quão importante ele é para a nossa recuperação a longo prazo. Não estamos falando para eles sobre as nossas Tradições e o quanto elas são importantes para cada um dos grupos e para Alcoólicos Anônimos como um todo. Pelo contrário, estamos usando nossas reuniões para contar mazelas da ativa, discussão de problemas pessoais, idéias e opiniões sobre o “meu dia”, ou o “nosso modo”.
Tenho estado aqui a já alguns anos, e refletindo sobre o que Bob Bacon falou, parece que nós deixamos os recém-chegados convencerem os antigões de que eles novatos tinham uma idéia melhor. Eles vieram de 30 ou mais dias passados em centros de tratamento onde lhes tinha sido ressaltada a necessidade que tinham de falar dos problemas deles nas Sessões de Terapia em Grupo. Foi-lhes dito que não fazia diferença saber qual era o verdadeiro problema deles, pois A.A. tinha o “melhor programa”. Foi-lhes dito que eles deveriam ir a uma reunião de A.A. todo dia durante os primeiros 90 dias do tratamento. Foi-lhes dito que não deveriam tomar quaisquer decisões importantes durante o primeiro ano de sobriedade. E o que mais lhes foi dito vai mais adiante, a maior parte nada tendo a ver com o programa de Alcoólicos Anônimos.
Aparentemente, o que lhes foi dito pareceu suficiente para os membros de A.A. que já estavam aqui quando os pacientes de Centros de Tratamento começaram a aparecer nas reuniões. E muitos membros de A.A. gostaram das idéias desses centros porque eles proporcionavam um lugar onde podiam descarregar um bebedor com problemas principalmente se ele tivesse como pagar. Isso eliminava algumas das inconveniências com que já havíamos sido incomodados antes e que nos fazia despejar suco de laranja e mel ou até uma dose de bebida na garganta de um alcoólico em delírio para ajudá-lo a desintoxicar-se.
Quando o A.A. se tornou bem sucedido, as pessoas que falavam nas reuniões eram alcoólicos em recuperação. Os alcoólicos que ainda não estavam em recuperação e sofredores apenas escutavam. Após ouvir o que era preciso fazer para entrarem em recuperação, o recém-chegado tinha que tomar uma decisão: “Você vai por em prática os Passos para se recuperar ou vai voltar lá e continuar a beber?”
Se eles dissessem que estavam dispostos a “fazer o que fosse necessário”, recebiam apadrinhamento, um Livro Azul, e começavam um processo de recuperação pela prática dos Passos e experimentando as Promessas que resultam desse modo de ação.
Este processo mantinha o recém-chegado ocupado em trabalhar o programa com os outros e continuar o crescimento da Irmandade. Nossa taxa de crescimento era de aproximadamente 70% e o número de membros sóbrios de Alcoólicos Anônimos dobrava a cada 10 anos.
Com o crescimento rápido da Indústria do Tratamento, a aceitação do nosso êxito com alcoólicos pelo sistema judicial e endosso dele pelos médicos, psiquiatras, psicólogos etc., todo tipo de gente vinha para o A.A. em número que jamais imagináramos possível. Até sem compreendermos o que estava acontecendo, nossas reuniões começaram a mudar daquelas que se focavam na recuperação do alcoolismo para as de “discussão ou partilha” que convidavam a todos para dizerem o que lhes viesse à cabeça. As reuniões evoluíram de um programa de crescimento espiritual para as do tipo de terapia em grupo, em que passamos a ouvir cada vez mais a respeito dos “nossos problemas” e cada vez menos sobre o Programa de Recuperação do Livro Azul e da preservação da Irmandade por adesão às nossas Tradições.
E o que resultou disso tudo? Bom, nunca tivemos tantos virem a nós pedindo ajuda. Mas também nunca tivemos uma taxa de crescimento tão baixa e que agora vai baixando cada vez mais. Pela primeira vez em nossa história, Alcoólicos Anônimos está perdendo membros mais rápido do que chegam recém-chegados, e nossa taxa de sucesso está no incrível mínimo. (Estatísticas dos Escritórios Intergrupais de algumas das maiores cidades indicam que menos de 5% daqueles que manifestam o desejo de parar de beber conseguem fazê-lo por mais que 5 anos; muito longe mesmo dos 75% constatados por Bill W no Prefácio da Segunda Edição.) A mudança no conteúdo de nossas reuniões está se provando uma armadilha fatal para o recém-chegado e também, para os grupos que passam a depender desse tipo de reuniões de “discussão e participação”.
Porque isso? A resposta é muito simples. Quando as reuniões eram abertas para os alcoólicos que precisavam de ajuda e para os não-alcoólicos, dava-se-lhes oportunidade para expressar suas idéias, opiniões, arejar seus problemas e contar como lhes tinha sido dito para fazer nos lugares de que vinham, e o recém-chegado confuso ficava ainda mais confuso com a diversidade de informação que lhe era apresentado. Cada vez maior número era encorajado a “somente participar de reuniões e não beber”, ou pior ainda, “ir a 90 reuniões durante 90 dias”. Não se falou mais ao recém-chegado para seguir os Passos ou então voltar a beber para ver onde ia dar. Na verdade, passamos a dizer: “Não se apressem a trabalhar os Passos. Deixem que eles entrem em você.” Os alcoólicos que participaram da compilação do Livro Azul não esperaram. Eles começaram a trabalhar os Passos desde os primeiros dias após seu último gole.
Agradeçamos a Deus que há aqueles em nossa Irmandade, como o Joe, o Wally ou o Charlie etc., que reconheceram o problema e começaram logo a fazer algo a respeito. Eles estão redirecionando o foco de volta ao Livros Azul. Sempre ficaram alguns grupos que não se deixaram levar pela tendência do tipo terapia em grupo e se mantiveram firmes no seu comprometimento de levar uma única mensagem ao alcoólico que sofre. Esta é dizer ao recém-chegado que “nós tivemos um despertar espiritual como resultado da prática destes Passos e se você quiser se recuperar, lhe designaremos um padrinho que já se recuperou e que o guiará pelo caminho que os primeiros 100 primeiros membros abriram para nós.”
Alcoólicos em recuperação começaram a fundar grupos que tem um único propósito e informam ao recém-chegado que até que ele tenha adotado os Passos e entrado em recuperação, não poderá dizer nada nas reuniões. Irão ouvir os alcoólicos em recuperação, praticarão os Passos, irão se recuperar e então tentarão passar suas experiências e conhecimento a outros que estejam procurando o tipo de ajuda que Alcoólicos Anônimos proporciona.
À medida que esse movimento se expande, como está fazendo, Alcoólicos Anônimos voltará a ter êxito em fazer a única coisa que Deus determinou para nós, e que é ajudar o alcoólico que ainda sofre a se recuperar, se já se decidiu que quer o que nós temos e para conseguir isso, está disposto ao que for necessário, aderir e praticar os Doze Passos em suas vidas e proteger nossa Irmandade honrando e respeitando nossas Doze Tradições.
Existe uma tendência para colocar a culpa por nossas dificuldades no colo da industria do tratamento e nos profissionais. Eles fazem o que fazem e isso não tem nada a ver com o que nós em Alcoólicos Anônimos fazemos. Isso é assunto deles. Não é lá que se deve colocar a culpa ou a transgressão da nossa Décima Segunda Tradição.
O verdadeiro problema é de que os membros de Alcoólicos Anônimos que estavam aqui quando esses pacientes de fora começaram a vir à nossa Irmandade, não os ajudaram a entender que o nosso programa já estava firmemente comprovado desde Abril de 1939.
E que as linhas guia para a preservação e crescimento de nossa Irmandade foram adotadas em 1950. Que esses novatos precisavam começar a praticar o Programa de Doze Passos de Alcoólicos Anônimos tal e qual nos foi dado. Que até que o tivessem feito e se recuperado, eles não tinham nada para dizer que precisasse ser ouvido por qualquer outro além do seu padrinho. Mas isso não aconteceu.
Pelo contrário, os antigões falharam em sua responsabilidade para com o recém-chegado, não o informando da verdade vital: “Raramente vimos fracassar a pessoa que nos tenha seguido nesse caminho. Aqueles que não se recuperam são pessoas incapazes de fazê-lo ou que não se dispõe a se entregarem inteiramente a este programa simples.”
Temos permitido a alcoólicos e a não alcoólicos sentarem em nossas reuniões e falarem de seus proble-mas, suas idéias e opiniões. Estamos saindo do “Raramente vimos fracassar” para o “Raramente vemos uma pessoa se recuperar”.
E é onde estamos hoje. Tivemos 30 anos de inacreditável êxito por seguirmos os ditames do Livro Azul. E estamos tendo 30 anos de fracasso desalentador por nos dispormos a ouvir todos falarem de seus problemas. Pelo menos agora temos algo a comparar.
Agora sabemos qual é o problema e sabemos qual é a solução. Infelizmente, não fomos capazes de prontamente corrigir as falhas que foram geradas pelo que pode parecer a ingestão de grandes doses de apatia e complacência. O problema que estamos vivenciando é o de desnecessariamente matar alcoólicos. A solução? O Poder maior que nós mesmos, que nós encontramos através das promessas de recuperação dos Doze Passos para aqueles que se dispõe a praticá-los conforme as guias claras e objetivas do Livro Azul.
Você quer ser uma parte do problema ou parte da solução? Simples, mas não fácil. Vai ser preciso pagar um preço.

REVISTA VIVÊNCIA – VOCÊ CHEGOU A LER?

REVISTA VIVÊNCIA

SOMOS TODOS VENDEDORES:

Venda é troca de bens, geralmente mercadorias ou serviços, por dinheiro. Dinheiro é bem fungível utilizado para avaliar todos os demais produtos disponíveis no mercado.
A disputa pela clientela cria sofisticada técnicas de vendas. Mas uma coisa é certa: toda venda visa a satisfazer uma necessidade do comprador.
Servirão estas técnicas de vendas para levar a mensagem de Alcoólicos Anônimos aos que dela necessitam? A sobriedade não é bem avaliável em dinheiro. Portanto, não pode ser vendida. Isto é conclusivo. Acrescente-se o fato de o programa de A.A. ser processo espiritual caracterizado pela rendição incondicional do doente alcoólico diante de sua impotência perante o álcool. Está decidido: técnicas de vendas não servem para “vender” a mensagem de A.A.
Nada custa, todavia, usar algumas dessas técnicas na aproximação daqueles a quem vamos abordar. Se não ajudar, pelo menos não prejudica.
Eis algumas delas:

ESTUDAR PROFUNDAMENTE O PRODUTO:
Não podemos vender o desconhecido. Esta é a primeira e fundamental regra da venda. Nosso produto é o programa de recuperação de A.A. Quanto mais o conhecermos, melhores serão as oportunidades de transmiti-lo, quase diria vendê-lo, para satisfazer a necessidade vital de quem nos procura tentando recuperar-se do alcoolismo. Este conhecimento é essencial. Adquirimo-lo freqüentando as reuniões de grupo, participando, vivenciando o programa, estudando a literatura. Quanto melhor for nossa recuperação, maiores as possibilidades de compartilhá-la.

SER BREVE, CLARO E HONESTO:
Quem já não teve a desagradável experiência de receber um vendedor daqueles que decoram o texto demonstrativo do produto e o vomitam, sem piedade, de uma vez, em cima do freguês, sem lhe dar tempo para respirar? Palavreado balofo a nada leva. O melhor é ir diretamente ao assunto. Contar, em poucas palavras, como éramos quando estávamos bebendo, e como somos agora, depois de alcançar a sobriedade em A.A. Explicar, brevemente, aquilo que Alcoólicos Anônimos pode fazer pelo alcoólico, quais suas possibilidades de recuperação e como se pode viver alegremente sem bebida.

SER SIMPÁTICO – SORRIR
A simpatia abre todas as portas. Nada pior que o ar professoral de quem tudo sabe ou pensa saber. Não existe alcoólico tolo e qualquer pessoa, máxime o bebedor, tem idéias próprias e não está disposto a mudá-las somente porque pensamos ter mais conhecimento do que ele a respeito do alcoolismo. Lembremo-nos de que ele é, também, alguém vivido e sofrido.

NÃO DISCUTIR:
Isto é primordial. Vendedor discutindo com o cliente pode até “vencer” a discussão, mas perde a venda. Os profissionais de vendas experientes fogem da polêmica como o diabo foge da cruz. Por que provar ao abordando estar ele completamente errado, que somos sabichões, mas inteligentes, doutores em alcoolismo? Um pouco de humildade nunca é demais. Procuramos, na nossa abordagem, encontrar os pontos convergentes, descobrir nossas semelhanças, respeitando sempre a opinião do interlocutor. Estamos tratando com pessoa gravemente doente e, muitas vezes, apegada ao fenômeno da negação: “Bebo quando quero e paro quando quero”. “Não sou alcoólatra”. “Só bebo nos fins de semana”. “Não tenho nenhum problema com bebida”. “A culpa é da mulher, do marido, do patrão, da crise, da situação mundial”. São desculpas, todos o sabemos, pois já as usamos. Mas, no mundo fantasioso do alcoólico, estas evasivas adquirem foros de verdades indiscutíveis.

SER BOM OUVINTE:
A crise maior do mundo moderno é a da solidão. Estamos todos muitos ocupados com nossos próprios afazeres, sem disponibilidade para nos interessar pelos problemas do próximo. Nada mais simpático do que ouvir. Tenhamos paciência para ouvir com atenção e respeito ao nosso entrevistado, mesmo na concordando com ele. Temos dois bons ouvidos e somente uma boca. Deveríamos ouvir duas vezes mais do que falamos. Todo mundo se sente importante quando merece atenção. E ouvir é, provavelmente, a maior das homenagens prestadas a quem conosco conversa.

INFORMA-SE SOBRE OS INTERESSES DA PESSOA:
Para entabular boa conversa, nada melhor que se inteirar dos interesses da pessoa. Falar de futebol com quem gosta de futebol; de música com que gosta de música; de culinária com gosta de cozinhar. Se possível, informar-se dos interesses do possível candidato à recuperação antes de falar com ele. Tratá-lo pelo nome e incentivá-lo a falar de si mesmo. Isto gera empatia, ajuda a ganhar confiança, abre as portas do coração.

FINALMENTE – Estas são regras de ouro:

Não julgar – O julgamento pertence a Deus.
Não culpar – Quando ocorre um acidente, primeiro socorre-se a vítima e somente depois se procuram os culpados.
Só dar opinião se for perguntado – Manter a conversa a nível impessoal evitando juízos de valores capazes de gerar controvérsias. Às vezes, o abordando procura estribar-se nos nossos conceitos (e como o alcoólico é mestre nisso) para justificar projetos pessoais nem sempre recomendáveis.
Pedir assistência do Poder Superior – Na verdade, não vendemos nem damos sobriedade a ninguém.

Fernando de Campos
Editor responsável
Edição nº 01 – pág. 2 – Editorial

Meio século de experiência universal:

A tradição de auto-suficiência em A.A. justificaria plenamente o atraso com que nossa Revista, já agora no limiar de 87, chega às mãos de toda clientela paciente e esperançosa que hoje ocupa, no cenário nacional, espaços que se projetam do Oiapoque ao Chuí. A única subvenção com que contamos é nossa tenacidade, nosso interesse de servir, alimentados, uma e outro, pela certeza de que, com humildade e idealismo, ultrapassamos, sempre, a barreira do possível.
Às dificuldades naturais de ordem material – com o que, aliás, nossa Irmandade sempre conviveu sem perplexidade -, somou-se, no ano eleitoral de 1986, a corrida milionária ao parque gráfico de todo o País, estrangulando nossa programação editorial ao inviabilizar esta VIVÊNCIA mais estreita com o crescimento gratificante das comunidades de Alcoólicos Anônimos.
Nada, porém, nos arrefeceu o ânimo do primeiro momento. Ao contrário, fortalecemo-nos no silêncio que nos foi imposto, retemperamos a confiança na força do Poder Superior e podemos constatar, agora até com certo júbilo, que a semente de A.A. tem caído em solo fértil, germina com prodigalidade e, com o surgimento de novos e numerosos grupos em todo o território nacional, a doença do alcoolismo encontra resistência para a propagação maior dos males sociais pelos quais é responsável.
Meio século de experiência universal empresta a Alcoólicos Anônimos singular e invejável personalidade. Nossos Passos e Tradições, enriquecidos através da experiência de Encontros, Convenções e intercâmbio entre grupos, servem hoje de bússola para tanta vida arrancada já do fundo do poço, representam o elo de reintegração de inúmeras famílias que se desagregavam, vítimas indefesas desse flagelo que teima em corroer as estruturas da sociedade.
Depoimentos, estudos científicos, ensaios jurídicos, toda uma gama de observações, ao longo do tempo, convergem para o mesmo ponto – o alcoolismo é uma doença insidiosa, reflexiva e fatal, para cuja recuperação em grupo, como se pratica em A.A. vem sendo uma resposta irrecusavelmente positiva. São muitos milhares de testemunhos a ratificar esta assertiva.
VIVÊNCIA, por isso mesmo, é uma proposta sedimentada no universo vitorioso de A.A. É uma forma de atração e não de persuasão. Condensamos material de inquestionável interesse não só para quantos foram ou ainda são vítimas do alcoolismo, mas, igualmente, para aqueles estudiosos que se preocupam em conhecer, no âmago, a complexidade de um problema que tantos males tem causado à humanidade.
Pretendemos que o presente número de nossa Revista preencha a expectativa dos leitores. Nosso ideal é o de aprimorar o seu conteúdo, para o que esperamos contar com a colaboração dos que possam fazê-lo, de maneira a que ela represente, realmente, a VIVÊNCIA nacional de Alcoólicos Anônimos. E isso, como tudo em A.A., vai mostrar que É POSSIVEL.

Fernando de Campos – Redator-Responsável
Edição n 02 – pág. 02 – Editorial

Uma explicação aos Leitores:

A criação da nossa Revista Vivência obedeceu a uma Recomendação da Conferência de Serviços Gerais que, recolhendo as aspirações da comunidade, desejou vê-la realizada e integrada como um dos organismos da Junta de Serviços Gerais de A.A. no Brasil – JUNAAB.
A demora no atendimento àquela Recomendação deveu-se a dificuldades financeiras e a outras de natureza diversa, até que atual Junta, em uma das suas reuniões de Baependi, resolveu, a qualquer custo, atender ao já determinado pela Conferência; em última análise, ao reiterado anseio da comunidade.
Assim, encarregou o companheiro M. Aragão de providenciar uma edição experimental, o que foi feito nos princípios do ano passado. Posteriormente, a mesma Junta nos transferiu essa incumbência, recomendando que, para apreciação da comunidade, a revista fosse editada no formato adotado por outras revistas congêneres. Escolhido o formato atual, tratou-se de registrar a revista como órgão autônomo, a exemplo da “Grapevine” americana.

Enquanto isto se tratou também, do seu planejamento, nele incluindo-se, naturalmente, a forma de distribuição e os recursos financeiros. Quanto à distribuição foi fixado um sistema de vendas por meio de assinaturas individuais e de venda avulsas por intermédio das Centrais de Serviços, levando-se em conta que as assinaturas atenderiam ao público não A.A., clientela da vital importância dentro dos objetivos da revista.
Quanto aos recursos financeiros, por haver sido planejada na vigência do chamado Plano Cruzado, optou-se pela fixação de um preço mínimo de venda que permitisse ao mesmo tempo a manutenção da revista e a sua divulgação, dentro e fora da Irmandade. Sobrevindo o colapso do Plano Cruzado com a prática da cobrança de ágio e, posteriormente, uma violenta alta no preço do papel, a Junta, como Conselho Diretor da Revista, não teve alternativa senão aumentar o preço do exemplar de 40 cruzados e suspender, temporariamente, até que o mercado se normalize, o sistema de distribuição por meio de assinaturas individuais.
Todavia, como já havíamos distribuído os cupons de assinaturas, o que implica num princípio de compromisso com os prováveis assinantes, a direção da revista resolveu manter as assinaturas já contratadas aos preços constantes nos cupons enviados ou publicados no BOB, honrando, assim, as tradições de lisura da nossa comunidade. O que esperamos, agora, é a compreensão, e sobretudo o apoio dessa mesma comunidade fazendo de cada companheiro um leitor da nossa revista Vivência que pode ser adquirida, a exemplo de qualquer literatura de A.A., nas Centrais de Serviços, nossos únicos distribuidores no momento.

J.W.Chaves
Diretor-Geral
Edição nº 03 – pág. 2 – Editorial

Prezado Leitor,

A nossa revista deixou de circular o seu número relativo a abril-junho para que a Junta de Custódios tomasse algumas providências visando regularizar uma situação criada pelo alto custo das suas edições sucessivas, isto em conseqüências da inflação que nos persegue a todos.
Como você sabe, a nossa revista, por imperativo das nossas Tradições, não pode, ao contrário de outros veículos, agenciar anúncios, tendo, por isto, como única fonte de receita a venda de assinaturas e de números avulsos por intermédio das nossas Centrais e Intergrupais de Serviços.
A principal providência tomada pela Junta de Custódios foi a de transferir para Brasília o controle total da revista, vale dizer, a sua feitura, impressão, expedição e contabilidade. Por especial deferência dos grupos do Distrito /federal a revista ficará, provisoriamente, com endereço da CENSAA-DF que é: SCS – Ed. Márcia, sala 1.006 – fone: 61-2260091 – devendo toda e qualquer correspondência ser enviada, a partir de agora, para: Vivência – CX.P. 04.185 – CEP 70312 – Brasília/DF.
Desde a sua criação a revista adotou o preço da assinatura anual – 4 exemplares, como o correspondente a 80% do valor da OTN referente ao último mês de cada trimestre. Tal procedimento, entretanto, resultou em grave prejuízo, pois o preço do papel e da produção era duplicado, e, em alguns casos, até mesmo triplicado, em razão de ser aumentado sempre acima da inflação verificada no período considerado por nós. Por este motivo fomos obrigados a fixar o preço da assinatura no valor da OTN do mês em que a revista for editada. Em outro local desta edição exemplificaremos como deve proceder ao leitor ao fazer ou renovar a sua assinatura.
A peculiar situação econômica do nosso país nos coloca nesta desconfortável situação, aliás, bem mais adversa que a de outras comunidades AAs de outros países que editam revistas congêneres. Temos certeza, porém, de que os nossos leitores saberão compreender os nossos esforços, principalmente a comunidade AA no Brasil que, hoje, conta com cerca de 2.500 grupos e mais de 100.000 membros perseverando na sobriedade a cada 24 horas…

Editorial
Edição nº 7 – pág. 3

A.A. CHEGA À IDADE DO COMPUTADOR

Quando Bill W. escreveu “Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade” não podia supor, sequer sonhar, o impacto que os computadores teriam na história de A.A., impacto este pouco imaginado até mesmo por muitos companheiros nos dias de hoje. Pois não é que o Box 459, de setembro último, nos informa que já existem reuniões de A.A. programadas em computadores.
Um dos grandes Centros de Armazenamento de Informações tem programado uma reunião de A.A. em sua seção CB. Através do teclado de terminais qualquer número de membros de A.A. que disponham de equipamento conveniente pode compartilhar da reunião.
Primeiro ele ou ela, “logs-on”, ou seja, inicia a conexão pelo teclado eletrônico e se identifica por seu apelido. Logo pode ler os depoimentos, fazer suas próprias perguntas e responder, querendo, às que aparecem no vídeo. É similar a uma reunião pelo correio, mas com a vantagem de ser muito mais rápida e de que um número ilimitado de pessoas pode participar.
Num desses programas é exigido que o interessado confirme que é membro de A.A. respondendo a um “questionário” antes de ter acesso à parte do programa que corresponde a uma reunião fechada. Alguns dos terminais estão ligados eletronicamente a uma rede de comunicação para que, aqueles que se utilizam do sistema a nível local, possam aproveitar das experiências de AAs de regiões remotas, sem que para isto tenham de pagar tarifas de longas distâncias.
Considerando que os computadores são, por excelência, aparatos de comunicação, alguns programas já cumprem a função muito específica de informação ao público, oferecendo ao televidente informações sobre o que faz e o que não faz A.A. Isto nos leva a acreditar que novas aplicações da informática, até agora não imaginadas, poderão sugerir à proporção que o A.A. for adentrando a idade do computador.
No Brasil, por enquanto, estamos no cadastramento dos grupos e na etiquetagem de endereços dos assinantes do BOB e da Vivência. Se a canoa não virar, o ESG chega lá …

Fonte: Box 459
Edição nº 7 – pág. 39 – 1988

PENSE NISSO:

Ser grato a quem salvou sua vida não é sentar numa cadeira e dizer palavras bonitas. O tempo da conversa mole acabou quando abandonamos os bares e botequins de esquina. A verdadeira gratidão é a que se mede pela qualidade da própria recuperação, e esta cresce na exata proporção em que conhecemos e aplicamos melhor o programa de A.A.
O informativo BOB e a Revista Vivência são os meios pelos quais Alcoólicos Anônimos expressa, consolida e aprimora sua unidade, sem o que sua força maior, a solidariedade, não teria condições de existir. Você pode não gostar da maneira com que são escritos, e até não concordar com algumas matérias publicadas. O que você não pode é ignorá-los ou abandoná-los. Peça uma assinatura. Estimule outros companheiros a fazerem o mesmo. Dê sugestões para melhorá-los.
Lembre-se: somente sua ação prática vai manter nossa voz viva. Palavras vazias de agradecimentos, nesta época de crise, são o mesmo que amordaçar a irmandade e lhe impor o silêncio.

Área Central de Serviços de A.A. de São Paulo
Edição nº 7 – pág. 40 – 1988

Os objetivos de nossa revista e suas dificuldades

Neste mês de novembro de 1989 a nossa revista completa o seu terceiro ano de existência. Ela foi criada com finalidade de veicular o pensamento da comunidade sobre o programa e os princípios da Irmandade, pensamento este externado na forma de depoimentos ou comentários sobre como cada um pratica o programa sugerido de A.A., e como os princípios têm sido assimilados e praticados em proveito próprio e em proveito da instituição como um todo.
Por outro lado, em se tratando de uma publicação acessível ao público em geral, a revista desempenha, também, o seu papel institucional na medida em que transmite a esse público o que é, o que faz, e o que deixar de fazer Alcoólicos Anônimos enquanto Irmandade. Neste particular é com indisfarçável satisfação que registramos sua plena aceitação, principalmente por parte da comunidade profissional que conosco comunga do mesmo propósito primordial, dentro de uma mesma visão e com a mesma abordagem acerca do problema do alcoolismo. Prova isto a constatação de que um quinto dos nossos assinantes é de membros dessa comunidade profissional, cuja colaboração nos tem chegado, também, na forma de artigos e de breves ensaios os quais, certamente, muito têm contribuído para um mais largo conhecimento da doença e da problemática do alcoolismo por parte dos próprios membros da Irmandade.
Assim, quanto à sua finalidade, não restam dúvidas de que a Vivência tem preenchido este duplo papel, em que pese o fato dos seus primeiros números haverem sido editados em caráter experimental. A nossa dificuldade não está, pois, na revista em si como publicação, mas na quase impossibilidade de mantê-la como órgão financeiramente autônomo dentro da estrutura de serviços considerados essenciais.
Sabem os que lidam no campo empresarial das comunicações, e nele no particular de jornais e revistas, que as publicações desse gênero vão buscar seus recursos financeiros na venda de espaço para a publicação de anúncios e de matéria de cunha institucional por parte de empresas e instituições. A nossa revista, muito embora tenha o público externo como destinatário, não pode, por força de um nosso princípio tradicional, buscar nessa fonte os recursos financeiros de que necessita. Neste caso é a própria Irmandade que terá de arcar com o sustento financeiro de sua revista, seja por meio de assinaturas seja por meio de venda avulsas por parte das Centrais e Intergrupais de Serviços.
No tocante a assinatura o nosso esforço tem sido desenvolvido através de mala-direta com a publicação de cupons no próprio corpo da revista, em folhetos e em formulários avulsos. Este sistema, no entanto, sofreu e sofre sérias dificuldades causadas pela inflação, cujo galope atropela e invalida o cartão-resposta, antes mesmo de ele atingir o provável assinante. A solução encontrada foi a de se fixar o preço da assinatura no valor correspondente a 1 (uma) OTN em vigor na data em que ela fosse feita. Vem agora o chamado Plano Verão e nos surpreende no exato momento em que anunciamos este procedimento e íamos providenciar a feitura dos cupons com este referencial de preços para a assinatura e para a venda de exemplares avulsos.
Assim, até que posteriores modificações venham a alterar as condições de mercado, resolvemos fixar o preço para assinatura anual em NCz$ 7,00 (sete cruzados novos) e o do exemplar avulso em NCz$ 1,40 (hum cruzado novo e quarenta centavos). Apesar desta e de outras dificuldades, o número de assinantes vem aumentando e aumentará muito mais ainda quando cada um fizer do seu companheiro, amigo, parente ou colega de trabalho mais um assinante da nossa revista…

Vivência edição n° 9 – pág. 3

Representante da Revista Vivência: A sua criação

A Comissão da Conferência que trata dos assuntos da Revista vivência teve aprovada pelo Plenário uma Recomendação no sentido de que cada Grupo, a exemplo da “AA Grapevine”, tenha um representante da Vivência. Estamos estudando a melhor maneira de pôr em prática esta Recomendação, tudo indicando que a maneira mais prática seja por intermédio dos Distritos, vale dizer, das áreas.

Edição nº 10 – pág. 40

VIVENDO A VIVÊNCIA

A Conferência recomendou, e nós adoramos a idéia, que cada Grupo tenha o seu Representante da Vivência que ficará conhecido de vocês como o RV, a exemplo do que acontece com a revista “Grapevine” do A.A. dos Estados Unidos. Por este motivo estamos perguntando quem vai ser o RV desse Grupo. A coisa é simples:
• O RV que pode ser um companheiro ou companheira é escolhido pelo Grupo. Não há pré-requisito de tempo de sobriedade e pode ser até mesmo o RI ou RSG. O importante é que o RV viva a Vivência e venda a idéia da Vivência.
• O RV é o vendedor da revista no seu Grupo e fora dele, cuidando de fazer assinaturas; de receber e encaminhar colaborações e eventuais reclamações de não recebimento de exemplares por parte dos assinantes. Tratar, enfim, de todo e qualquer assunto do interesse do leitor junto à revista, e desta junto ao leitor.
• Sugerir formas e maneiras de melhorar procedimentos. Por exemplo: a idéia de fechar o exemplar remetido ao assinante não foi nossa, mas de um leitor assinante. Idéias como esta podem melhorar os nossos serviços.
• Cuidar para que os membros do Grupo tenham sempre disponíveis os cupons para assinaturas. Como para a revista é difícil suprir todos os grupos com este material, o RV deve ser criativo: xerocar ou datilografar cupons. Não sendo isto possível, mandar os pedidos em letra de forma, indicando se a assinatura é nova ou renovação.
• Neste folheto há um cupom-resposta para que vocês indiquem o RV escolhido. Sugerimos que ele não seja trocado num espaço de tempo muito curto. Ele vai ser cadastrado em computador, e enquanto mais tempo permanecer neste cadastro melhor…

Agora que o RV foi escolhido, vamos dar a eles algumas informações que podem ajudá-lo no seu desempenho:

1. A finalidade da revista – A revista Vivência é um órgão de divulgação de A.A. não apenas entre seus membros, mas entre a sociedade de um modo geral. Atualmente cerca de 1/5 dos seus assinantes é de pessoas não-alcoólicas, predominando aquelas consideradas por nó como pertencentes à comunidade profissional. São médicos, psicólogos, assistentes sociais, administradores, técnicos na área de recursos humanos e até mesmo simples admiradores da nossa Irmandade.
2. Administração da Revista – Dentro de nossa estrutura de serviços gerais a revista é ÓRGÃO DA JUNAAB que para efeitos legais, é a sua proprietária. Atualmente ela é dirigida por quatro diretores, sendo um Diretor-Geral, um Secretário, um Tesoureiro e um Redator responsável escolhidos pela Junta de Custódios na qualidade de representantes da proprietária. Administrativamente a revista se subordina a um Regulamento Administrativo que faz parte dos estatutos da JUNAAB e nele constam as atribuições e a competência de cada diretor. (Em 1989)
3. Distribuição – A revista é distribuída por meio de assinaturas e de venda exemplares avulsos através das Centrais e Intergrupais de A.A. Todos os seus assinantes estão cadastrados eletronicamente, serviço este contratado com uma firma especializada. Assim, também, serão cadastrados os RVs.
4. Dados Técnicos – A revista Vivência tem sua medida estabelecida no formato de 21×15 cms. Miolo com 40 páginas impressas a uma cor e quatro capas impressas em duas cores. O papel utilizado é o off-set 75 grs. Para o miolo, e 170 grs. Para a capa que é plastificada. Para remessa aos assinantes a revista tem sobrecapa em papel Kraft, o que evita ser envelopada, caso em que o porte postal custaria o dobro.
5. Periodicidade – A revista é trimestral com edições saindo nos meses de março, junho, setembro e dezembro de cada ano. Sendo trimestral, a assinatura anual da revista cobre quatro exemplares e começa com envio do exemplar do número em circulação no período. Para quem desejar fazer coleção podem ser fornecidos números atrasados, assim considerados aqueles anteriores ao número em circulação. Preste atenção: Quando a revista era feita em Brasília e remetida a São Paulo para distribuição a empresa transportadora extraviou 300 exemplares do número 2 que, por este motivo, está, infelizmente, esgotado.
6. Revistas de A.A. em outros países – A nossa revista procura ter o mesmo padrão editorial de suas congêneres conhecidas e que são: “Grapevine” no Estados Unidos, “Plenitud” do México, “El Mensage” da Colômbia, “Compartimiento” da Guatemala, “La Respuesta” de Honduras, “Hálmstrád” da Islândia, “Regmaker” da África do Sul, “Roundabout” da Escócia, “Irgendwo AA” da Suíça (para a comunidade de língua alemã), “Insieme in AA” da Itália, e a “Ratkaisu” da Finlândia. Entre elas a Vivência é uma das melhores no seu aspecto gráfico, graças a sua diagramação e uniformidade da paginação.

Agora é Entrar em Ação! …

Como é aconselhado em A.A. que primeiro as primeiras coisas, você, como o RV do Grupo, deve ser – se ainda não é – o primeiro a assinar a Vivência. Isto vai lhe permitir um total de conhecimento de cada edição. Por dentro e por fora. Além disso, você terá sempre informações atualizadas através da página “Vivendo a Vivência”, que sairá em cada edição. Muitas dessas informações dizem respeito diretamente ao seu desempenho como RV.
Feita a sua assinatura, você deve partir para a assinatura do Grupo. Qualquer grupo de A.A. grande, pequeno ou esquisito, tem condições de fazer uma assinatura, nem que para isso seja preciso corre uma, duas ou três sacolas.Converso isto com o Coordenador e com os seus companheiros. Temos certeza que eles vão concordar. Lembre-se, também, de que qualquer pessoa pode ser assinante da Vivência. Quanto mais, melhor…
Falando nisso, mais uma informação para você: quanto maior a quantidade de exemplares de uma edição, menor será o custo unitário do exemplar. Por que isto? Porque a despesa com diagramação, composição, paginação e impressão é a mesma, tanto para produzir um exemplar como produzir 1.000, 10.000 ou 20.000 quando o custo será aumentado apenas em função da quantidade de papel, máquina-operária e da tinta gastos em cada caso.

Estamos esperando por você.

Edição n° 11 – pág. 38

Um Treze sem azar

Chegamos com a presente edição ao número 13 da nossa revista. Há quem atribua a este número certo desfavorecimento, quando não um completo azar. No caso, haver chegado ao número 13 apesar de tantas dificuldades, a maior delas uma inflação que teve o seu ponto culminante nos meses de dezembro de 89 a março de 1990, pode ser considerado um completo sucesso e não azar. E o sucesso está no fato de que, com este número 13, chegamos a uma tiragem de 5.000 exemplares.
Com uma tiragem de 2.000, em 1986, entramos 87 com 3.000, passamos para os 4.000 em 1988 e, agora, para os 5.000 exemplares, neste primeiro semestre de 1990. Até 1987, o grosso da nossa distribuição era feito pelas Centrais e Intergrupais de serviços, já que a revista, por ser nova, era desconhecida por praticamente toda a comunidade A.A. A primeira listagem feita por computador acusava em 1988 um total de 895 assinantes. Agora, a última listagem levantada para fins de controle da remessa deste número 13 acusa um total de cerca de 3.000 assinantes ativos.
O aumento da tiragem e do número de assinantes tanto pode ser creditado ao padrão editorial da revista quanto à política adotada de manter-se neste período inicial um baixo preço para a assinatura anual que corresponde a 4 exemplares. Esta política, entretanto, se por um lado favoreceu a difusão da revista, por outro desfavoreceu suas finanças já que a cada edição teve aumentado os custos de impressão, de postagem e de serviços de computação. Por este motivo, estamos agora reajustando gradualmente os nossos preços, com o fim de compatibilizá-los com os nossos custos reais cobrindo, assim, a defasagem verificada, notadamente durante o pico inflacionário no período citado.
Vale lembrar, mais uma vez, que nenhum jornal ou revista tem o seu custo coberto apenas com a venda de assinatura e de exemplares avulsos, mas pela venda de espaço para propaganda comercial, o que, no nosso caso, não nos é permitido, em razão dos nossos princípios tradicionais. Assim, é do apoio da comunidade A.A. que temos obtido os recursos necessários ao prosseguimento das nossas tiragens, e com este apoio chegamos a este número 13 que nada tem de azar, mas de boa sorte como demonstrado. Vamos em frente!…

Edição nº 13 – pág. 3

Nossa Caminhada

Não espere perfeição. Este aforismo aflorou da sabedoria de A.A.
A experiência mostrou-nos a desnecessidade de perfeccionismo. Basta crescer. Também não é preciso correr. Cada um tem sua cadência. Uns andam depressa. Outros vão devagar. O importante é não parar. Cair não tira o mérito de andar.
A recuperação vem naturalmente. Basta fazer a programação, dentro de nossas possibilidades, corretamente. A aceitação é a receita. É necessário aceitarmos a nós mesmos e aos outros. Entregamos nossa vida e nossa vontade aos cuidados de Deus na forma que O concebemos. Então, deixaremos de lutar contra qualquer coisa, inclusive o álcool. A sanidade estará restaurada. E aí, descortina-se maravilhoso itinerário diante de nós. Sem luta, sem ódios, sem rancores, sem retaliações.
É esta a filosofia de VIVÊNCIA. VIVÊNCIA existe para servir. Não tem opinião sobre assuntos alheios a Irmandade de Alcoólicos Anônimos e nem pretende entrar em qualquer controvérsia, dentro ou fora da Irmandade. Nosso objetivo primordial é o de levar a mensagem salvadora de A.A. ao alcoólico sofredor.
A sobriedade só tem sentido se for partilhada com outros. Aliás, este é o método mais eficiente para nos conservarmos sóbrios. Quando tudo falha, esta opção funciona. Não podemos desperdiçar energias inutilmente. Outros alcoólicos morreriam, se o fizéssemos. E quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, queremos que a mão de A.A. esteja sempre ali. Por isso, nós somos responsáveis.
Assumamos a nossa responsabilidade. Caminhemos juntos. Aceitemos aquilo que não podemos modificar. Vamos ajudar o órgão de divulgação de nossa mensagem. VIVÊNCIA precisa de todos. Toda ajuda é bem-vinda. Queremos somar. Jamais dividir.
Qualquer tolo pode quebrar um valioso jarro de porcelana chinesa do Século V. Muitos de nós, quando bêbados, quebrávamos tudo o que encontrávamos pela frente. Não nos apercebíamos que aqueles quebra-quebras simbolizavam a nossa própria destruição.
Unamo-nos. Sem UNIDADE, o A.A. morrerá. E nós, também. De nossa UNIDADE dependem as nossas vidas e as vidas dos que estão por chegar.

Editorial
Edição nº 15 – pág. 3

SEIS ANOS DE LUTA

Em 1985, a Junta de Custódios reunia-se, quase sempre, em Baependi, Minas Gerais. A Junta criara, de acordo com o Manual de Serviços então em uso (tradução do Manual de Serviços americano/canadense), diversos comitês para assessorá-la.
Há muito se sentia a carência de órgão de divulgação da mensagem ao nível de público. O A.A.brasileiro crescia, estruturava-se. Trabalhava-se arduamente num Manual de Serviços adaptado à nossa realidade. Mas faltava uma revista capaz de levar a mensagem de A.A. aos profissionais, aos possíveis alcoólicos e seus familiares e para ajudar na manutenção de nossa UNIDADE.
O Comitê de Literatura, numa dessas reuniões, sugeriu à Junta autorizar o companheiro Aragão a tirar uma edição experimental: seria o número Zero, marco inicial desta jornada.
A revista foi lançada em novembro de 1985, durante o Seminário de A.A. do Centro-Oeste, em Campo Grande – MS, com o nome de Revista Brasileira de A.A.. Sucesso total. Os cinco mil exemplares foram quase todos vendidos em tempo recorde. A revista era viável.
Na primeira reunião de 1986, a Junta de Custódios nomeava uma diretoria para a revista, à frente o Companheiro Chaves. A revista passou a chamar-se VIVÊNCIA. Era editorada e impressa em Brasília e distribuída pelo ESG, em São Paulo. Posteriormente, a distribuição também passou a ser feita pelos companheiros brasilienses. Tateava-se. Experimentava-se. Procurava-se resolver os problemas emergentes. VIVÊNCIA crescia, tomava corpo, entrava na adolescência, expandia-se.
VIVÊNCIA é órgão executivo da JUNAAB. Sua sede é a da JUNAAB. Como a JUNAAB é organismo nacional, a Junta de Custódios pode autorizar o funcionamento de seus órgãos executivos em qualquer parte do país. Assim, a revista nascida em Campo Grande passou por Brasília e, a partir de outubro de 1990, instalou-se em Fortaleza.
Hoje, aos seis anos de idade, VIVÊNCIA é auto-suficiente e, inclusive, contribui, mesmo modestamente, para ajudar nas despesas do ESG. Ultrapassou os três mil assinantes. As vendas avulsas transpuseram o patamar dos mil e quinhentos exemplares e já se aproximam dos dois mil. Vem sendo publicada religiosamente ao fim de cada trimestre.
O sucesso de VIVÊNCIA reflete o crescimento, a pujança do A.A. brasileiro. O êxito de VIVÊNCIA é o de milhares de colaboradores anônimos ausentes do expediente da revista. A direção da revista faz a menor parte. O mérito é de quem compra, assina, lê, divulga, dá suporte para que VIVÊNCIA permaneça viva e atuante no cenário de A.A. brasileiro, com destaque especial para os RVs.
Ao comemorar o sexto aniversário, VIVÊNCIA parabeniza todos os companheiros deste imenso Brasil na certeza de que não lhe faltará apoio para prosseguir sua jornada. Muito Obrigado.

Revista Vivência nº 18, pág. 8

Sugestões Editoriais sobre a Vivência:

VIVÊNCIA publica matéria dirigida aos membros de Alcoólicos Anônimos, à comunidade profissional e ao público em geral. Trata, preferencialmente, de assuntos ligados ao alcoolismo e aos Três Legados de A.A.: Recuperação, Unidade e Serviço.
VIVÊNCIA é publicada com autorização da Conferência de Serviços Gerais, mas seu conteúdo não se confunde com a literatura aprovada pela Conferência.
VIVÊNCIA tem, no momento, apenas 40 páginas. Não pode abrigar artigos muito longos. Uma página corresponde a 42 linhas datilografadas. O tamanho – ideal de um artigo é de 84 linhas. Para assuntos técnicos, da lavra de profissionais, aceitam-se até 168 linhas. Naturalmente, isso não é milimetrado. Algumas linhas a mais não criam problema.
As virtudes cardeais de qualquer escrito são: clareza, concisão e correção. Sugere-se redigir o texto em linguagem simples, sem interpolações, frase curta e direta, evitando-se palavreados ininteligíveis, redundantes e de duplo sentido. Matéria clara, qualquer pessoa entende. Texto obscuro precisa ser analisado, decomposto para ser entendido. O leitor não deve ser obrigado a decifrar charadas.
Consegue-se a concisão evitando-se os “mas”, “poréns”, “todavias”, “portantos”, “porquês”, “hajas vistas” e outras expressões quase sempre dispensáveis sem prejuízo da clareza. O uso abusivo de “quês” empobrece o texto. Sempre se pode substituir um “quê” por uma oração reduzida.
Toda matéria é submetida à revisão ortográfica e gramatical por revisor profissional.

“O exemplo não é a melhor maneira de convencer, é a única”.

É melhor você dizer como fez do que ensinar a fazer. Conte como você fez um dos Passos, como aplicou as Tradições, como foi sua recuperação, sua experiência de serviço, quais os resultados alcançados em suas abordagens, na formação de um grupo ou de um órgão de serviço, diga como está seu crescimento espiritual e emocional. Todo mundo sabe como é um bêbado. O de que precisamos é mostrar e demonstrar como se consegue a recuperação em A.A. Este é o objetivo de VIVÊNCIA e de Alcoólicos Anônimos: levar a mensagem ao alcoólico sofredor. Abrir-lhe as portas da esperança, a perspectiva de uma vida digna, útil, alegre, feliz, descontraída, livre das algemas do alcoolismo. Cultivar a atração, jamais a promoção. Os louvores, elogios e encômios à nossa programação devem ser deixados para nossos amigos não-alcoólicos. A nós, membros de A.A., cabem-nos contar nossa história, o que é muito mais convincente do que todas as apologias.

Edição nº 19 – pág. 40

SOMOS TODOS VENDEDORES:

Venda é troca de bens, geralmente mercadorias ou serviços, por dinheiro. Dinheiro é bem fungível utilizado para avaliar todos os demais produtos disponíveis no mercado.
A disputa pela clientela cria sofisticadas técnicas de vendas. Mas uma coisa é certa: toda venda visa a satisfazer uma necessidade do comprador.
Servirão estas técnicas de vendas para levar a mensagem de Alcoólicos Anônimos aos que dela necessitam? A sobriedade não é bem avaliável em dinheiro. Portanto, não pode ser vendida. Isto é conclusivo. Acrescente-se o fato de o programa de A.A. ser processo espiritual caracterizado pela rendição incondicional do doente alcoólico diante de sua impotência perante o álcool. Está decidido: técnicas de vendas não servem para “vender” a mensagem de A.A.
Nada custa, todavia, usar algumas dessas técnicas na aproximação daqueles a quem vamos abordar. Se não ajudar, pelo menos não prejudica.
Eis algumas delas:

ESTUDAR PROFUNDAMENTE O PRODUTO:
Não podemos vender o desconhecido. Esta é a primeira e fundamental regra da venda. Nosso produto é o programa de recuperação de A.A. Quanto mais o conhecermos, melhores serão as oportunidades de transmiti-lo, quase diria vendê-lo, para satisfazer a necessidade vital de quem nos procura tentando recuperar-se do alcoolismo. Este conhecimento é essencial. Adquirimo-lo freqüentando as reuniões de grupo, participando, vivenciando o programa, estudando a literatura. Quanto melhor for nossa recuperação, maiores as possibilidades de compartilhá-la.

SER BREVE, CLARO E HONESTO:
Quem já não teve a desagradável experiência de receber um vendedor daquele que decoram o texto demonstrativo do produto e o vomitam, sem piedade, de uma vez, em cima do freguês, sem lhe dar tempo para respirar? Palavreado balofo a nada leva. O melhor é ir diretamente ao assunto. Contar, em poucas palavras, como éramos quando estávamos bebendo, e como somos agora, depois de alcançar a sobriedade em A.A. Explicar, brevemente, aquilo que Alcoólicos Anônimos pode fazer pelo alcoólico, qual sua possibilidade de recuperação e como se pode viver alegremente sem bebida.

SER SIMPÁTICO – SORRIR
A simpatia abre todas as portas. Nada pior que o ar professoral de quem tudo sabe ou pensa saber. Não existe alcoólico tolo e qualquer pessoa, máxime o bebedor, tem idéias próprias e não está disposto a mudá-las somente porque pensamos ter mais conhecimento do que ele a respeito do alcoolismo. Lembremo-nos de que ele é, também, alguém vivido e sofrido.

NÃO DISCUTIR:
Isto é primordial. Vendedor discutindo com o cliente pode até “vencer” a discussão, mas perde a venda. Os profissionais de vendas experientes fogem da polêmica como o diabo foge da cruz. Por que provar ao abordando estar ele completamente errado, que somos sabichões, mas inteligentes, doutores em alcoolismo? Um pouco de humildade nunca é demais. Procuramos, na nossa abordagem, encontrar os pontos convergentes, descobrir nossas semelhanças, respeitando sempre a opinião do interlocutor. Estamos tratando com pessoa gravemente doente e, muitas vezes, apegada ao fenômeno da negação: “Bebo quando quero e paro quando quero”. “Não sou alcoólatra”. “Só bebo nos fins de semana”. “Não tenho nenhum problema com bebida”. “A culpa é da mulher, do marido, do patrão, da crise, da situação mundial”. São desculpas, todos o sabemos, pois já as usamos. Mas, no mundo fantasioso do alcoólico, estas evasivas adquirem foros de verdades indiscutíveis.

SER BOM OUVINTE:
A crise maior do mundo moderno é a da solidão. Estamos todos muitos ocupados com nossos próprios afazeres, sem disponibilidade para nos interessar pelos problemas do próximo. Nada mais simpático do que ouvir. Tenhamos paciência para ouvir com atenção e respeito ao nosso entrevistado, mesmo na concordando com ele. Temos dois bons ouvidos e somente uma boca. Deveríamos ouvir duas vezes mais do que falamos. Todo mundo se sente importante quando merece atenção. E ouvir é, provavelmente, a maior das homenagens prestadas a quem conosco conversa.

INFORMA-SE SOBRE OS INTERESSES DA PESSOA:
Para entabular boa conversa, nada melhor que se inteirar dos interesses da pessoa. Falar de futebol com quem gosta de futebol; de música com que gosta de música; de culinária com gosta de cozinhar. Se possível, informar-se dos interesses do possível candidato à recuperação antes de falar com ele. Tratá-lo pelo nome e incentivá-lo a falar de si mesmo. Isto gera empatia, ajuda a ganhar confiança, abre as portas do coração.

FINALMENTE – Estas são regras de ouro:

Não julgar – O julgamento pertence a Deus.
Não culpar – Quando ocorre um acidente, primeiro socorre-se a vítima e somente depois se procuram os culpados.
Só dar opinião se for perguntado – Manter a conversa a nível impessoal evitando juízos de valores capazes de gerar controvérsias. Às vezes, o abordando procura estribar-se nos nossos conceitos (e como o alcoólico é mestre nisso) para justificar projetos pessoais nem sempre recomendáveis.
Pedir assistência do Poder Superior – Na verdade, não vendemos nem damos sobriedade a ninguém. Somos apenas instrumentos do Poder Superior, para levar a mensagem de A.A., e isto já é um grande privilégio. Façamos a nossa parte e deixemos o resultado aos cuidados do Poder Superior.

E boas abordagens.

Luiz Derval
Edição 21 – pág. 30

VIVÊNCIA MUDA DE ENDEREÇO:

A próxima edição já será impressa e distribuída em São Paulo, sede da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos – JUNAAB – e, portanto, sede de Vivência.
Esteve em Fortaleza de 14 de outubro de 1990 até agora. Em Fortaleza, editados e distribuídos os números 14 a 24, todos, graças ao Poder Superior, religiosamente dentro de cada trimestre.
Vivência saltou, nesse período, de 1.500 para 5 mil assinaturas. Depois, houve retração. Estamos com cerca de 4 mil assinantes.
Não foi difícil fazer Vivência em Fortaleza. Recebemos apoio incondicional da Junta de Custódios, da Conferência e de todos os órgãos de serviço, salvo raríssimas exceções. Não podemos esquecer a inestimável colaboração dos nossos dedicados RVs (Representante da Vivência) e de inúmeros amigos da revista que, nos mais remotos rincões deste imenso Brasil, se desdobraram para colaborar conosco. A todos, o nosso mais profundo agradecimento.
Vivência está entregue a uma equipe competente, experiente, dedicada, responsável. Mesmos assim, continua precisando da ajuda de todos. É o nosso pedido, na hora da despedida. Para sobreviver, Vivência necessita continuar recebendo este entusiástico suporte de toda a Irmandade. Não é fácil manter uma revista sem anúncios e sem outros aportes financeiros (7ª Tradição). Vivência precisa continuar levando a mensagem de A.A. ao alcoólico que ainda sofre; fortalecendo a sobriedade daqueles que estão em recuperação; divulgando o A.A. junto ao grande público, principalmente junto às classes profissionais; registrando, para as gerações futuras, a atualidade do A.A. brasileiro; levando nossas experiências, forças e esperanças a quantos delas necessitem. Sem apoio integral da comunidade de A.A., isso não seria possível.
Vamos ajudar Vivência.
Vamos crescer.
Com uma média de dois assinantes por grupo, Vivência teria o dobro de assinaturas. Seria isto meta inatingível? Não! É coisa perfeitamente viável. Basta entusiasmo, trabalho, otimismo.
Vivência está definitivamente integrada no cenário do A.A. brasileiro. O trabalho de Vivência na divulgação da mensagem de A.A. é incalculável. Poucos podem avaliar os resultados desse labor. São 6 mil exemplares circulando por todo este imenso Brasil, às vezes em regiões de difícil acesso, quase inteiramente desassistidas. Mas Vivência chega lá, levando orientação, consolo, esperança, esclarecendo pontos duvidosos, difundindo o programa de recuperação, unidade e serviço. Atingiu o exterior. É nosso cartão de visitas e motivo de justo orgulho para todos nós.
Vivência precisa subsistir. E isto depende exclusivamente de você. Faça sua parte. A nova equipe de Vivência, com ajuda do Poder Superior fará o resto.
Muito obrigado. E o adeus saudoso e agradecido da equipe que se despede.

Edição nº 24 – pág. 40

DOZE MANEIRAS DE USAR VIVÊNCIA

Sente-se ressentido, confuso ou simplesmente aborrecido? Gaste alguns minutos com Vivência. Sua leitura lhe dará nova perspectiva do seu problema de bebida, do A.A. e de você.
Para milhares de leitores, em milhares de grupos, no Brasil e no exterior, VIVÊNCIA é mais que uma revista. É parte vital deste programa que ajuda homens e mulheres a levar uma vida feliz e produtiva sem o álcool.
VIVÊNCIA é um informativo inspirador, mensageiro simpático e prestativo como um membro ou pessoa amiga – ou mesmo um grupo de AA de qualquer tamanho. É particularmente útil no apadrinhamento.
Que ter acesso aos Passos e Tradições? VIVÊNCIA não pode lhe dizer o que fazer, mas certamente pode lhe mostrar a experiência de outros.
Eis algumas formas práticas que demonstram como VIVÊNCIA é útil para muitos companheiros e grupos.

AJUDANDO AOS COMPANHEIROS INDIVIDUALMENTE

1. É uma reunião escrita.
VIVÊNCIA é a solução ideal para quem não pode assistir às reuniões regularmente. Compacta, de fácil leitura, a cada bimestre, publica a essência do que de “melhor” você poderia esperar de uma reunião.

2. É o presente ideal.
Para um companheiro ou amigo poucos presentes podem ser mais apropriados do que uma assinatura de VIVÊNCIA. É uma lembrança continuada de sua atenção e fonte de prazer e de inspiração para o presenteado.

3. Preparando palestras.
Procurando idéias para fazer uma palestra interessante?
Você encontrará na leitura de VIVÊNCIA: histórias pessoais, artigos interpretativo, anedotas, noticiário de A.A. do Brasil e do mundo, opiniões de médicos sobre o alcoolismo e o programa de recuperação oferecido pelo A.A. e muitas outras matérias.

4. Informações.
Como A.A. está chegando aos hospitais e prisões? O que é a Conferência de Serviços Gerais e o que ela significa para os membros de A.A. individualmente? E quanto ao A.A. no resto do mundo? VIVÊNCIA traz o mundo para sua casa e o mantém sempre atualizado.

5. É um Fórum.
Quer transmitir uma idéia? VIVÊNCIA lhe dá uma visão tão ampla quanto possível de A.A. como um todo, onde você e seus companheiros podem permutar histórias, pontos de vista e interpretações do programa de recuperação.

6. Companheira nas abordagens.
Permita que VIVÊNCIA mostre ao recém-chegado o que A.A. realmente é – uma maravilhosa comunidade humana de mais um milhão de homens e mulheres em todo o mundo, unidos no propósito comum de permanecerem sóbrios e ajudar outros a alcançarem a sobriedade.

AJUDANDO AOS GRUPOS

7. Reuniões temáticas mais produtivas.
Grupos de todo o Brasil estão usando artigos de VIVÊNCIA para discussão em reuniões temáticas. Com VIVÊNCIA, os membros ficam mais bem preparados para tais reuniões, capazes de contribuir mais construtivamente.

8. Experiência acumulada.
Você pensa que seu grupo tem problemas? Não se preocupe. Procure inteirar-se das inúmeras experiências de grupos publicadas freqüentemente em VIVÊNCIA. É uma forma construtiva de manter seu grupo sintonizado com as Tradições.

9. Uma aliada no AA Institucional.
Existe alguém no seu grupo apadrinhando (ou pretendendo apadrinhar) um grupo em hospital ou numa prisão? Uma assinatura de presente será profundamente apreciada por homens e mulheres com limitados contatos com o mundo exterior.

10. Ofertada ao recém-chegado.
Muitos grupos usam VIVÊNCIA como importante ajuda para os programas de apadrinhamento. Encorajam os recém-chegados a ler a revista, a discutir e fazer perguntas sobre os assuntos lidos. Alguns grupos oferecem gratuitamente uma revista a cada visitante.

11. Ligação com a Irmandade.
A.A. vem crescendo muito em todo o mundo. Seu Grupo, seu Distrito ou Área está experimentando as dores do crescimento? Muitas soluções podem ser encontradas através das experiências compartilhadas em VIVÊNCIA.

12. Arquivo da História de AA.
VIVÊNCIA espelha os acontecimentos da irmandade de Alcoólicos Anônimos no momento atual. É uma preciosa coleção da experiência acumulada ao longo dos anos.

Procure o RVD, RV do seu Grupo ou ligue para o ESL.
Extraída da Revista Vivência nº 25 julho/agosto/setembro 1993

GRUPOS APADRINHANDO GRUPOS

GRUPOS APADRINHANDO GRUPOS

Ao começar minha palestra, gostaria de exprimir-lhes os afetuosos cumprimentos da comunidade de A.A. da Polônia e expressar, aos AAs de todo o mundo, em nome de A.A. polonês, os melhores desejos de felizes e serenas 24 horas de sobriedade.

Minhas anotações sobre o tema são baseadas em minhas próprias experiências e observações. Nos últimos anos, temos visto um espantoso crescimento do A.A. na Polônia. Para entender este crescimento, seria útil notar que na Polônia, um país com uma população de quarenta milhões de habitantes, estima-se haver cinco milhões de alcoólicos. Entre as razões que podem ser citadas para justificar os altos índices de alcoolismo na Polônia, estão a opressão, a qual a nação foi exposta durante os anos da ocupação estrangeira e o sistemático esforço, por parte dos invasores e da burocracia comunista, no sentido de induzir o povo polonês a beber cada vez mais. Existia, também, uma noção errada, muito difundida, de que os poloneses eram bêbados inveterados. Quando a mensagem de A.A. chegou ao meu país, traduzimos os Doze Passos, Doze Tradições e o Livro Grande; então, muitos daqueles que sofriam de alcoolismo rapidamente compreenderam que esta era a grande esperança e a oportunidade para a salvação de nossas vidas.

Todos nós que tínhamos tomado conhecimento do que era esta Irmandade, queríamos levar a mensagem aos alcoólicos que ainda estavam sofrendo. Oito anos atrás, quando compreendi o valor da Irmandade de A.A., havia apenas um grupo em Cracóvia, cidade de quase um milhão de habitantes e, neste grupo, chamado de “Grupo Queen Hewig”, havia apenas oito membros. Tínhamos apenas duas reuniões por semana. Procurávamos amparar uns aos outros todos os dias, mantendo-nos mutuamente em contato, marcando encontros, telefonando para os companheiros, conversando sobre nossas vidas diárias, nossos sentimentos, problemas e temores.

Sempre que alguém necessitava de ajuda, nós ajudávamos. Visitamos hospitais onde havia alcoólicos em tratamento. Graças à boa vontade de médicos, padres e outros amigos, conseguimos encontrar novos lugares em Cracóvia para formação de novos grupos. Meu trabalho tomava-me muito tempo, a qualquer hora do dia, e por isso eu nem sempre conseguia chegar pontualmente às reuniões existentes. Destarte, procurei encontrar um lugar adequado para uma reunião e iniciei um novo grupo. Assim surgiu o “Grupo Krakus”, no meu bairro.

Posteriormente, quando o grupo cresceu, decidimos ir à prisão local e contar nossas histórias. O resultado foi a formação de um grupo pelos próprios prisioneiros, o qual ainda está ativo e o qual frequentemente visitamos.

À medida que o grupo continuou a crescer, passamos a sentir falta de espaço para nossas reuniões. Para resolver o problema, experimentamos dividir o grupo em duas partes e organizar duas reuniões separadas. Esta tentativa de solução falhou, porque os que vinham para a primeira reunião ficavam para a segunda. Depois, alguns membros mais experientes viajaram para outros lugares e fundaram novos grupos, os quais passaram a funcionar nas diversas áreas do país.

Fundou-se o Intergrupo “Gallician” no sul do país, o qual atende a quase oitenta grupos. Começamos a nos visitar uns aos outros e a organizar reuniões conjuntas mensalmente, cada vez numa cidade diferente. Continuamos em contato uns com os outros, participamos da Conferência Nacional de Serviços e, como resultado, a Irmandade na Polônia cresceu tremendamente. O número de grupos cresceu de 32 em 1984 para quase mil em 1994.

Enquanto isso, temos datas e lugares fixos de diversas reuniões que se tornaram quase tradicionais em nosso país: em março, em Czestochowe; em julho, em Lichen; em novembro, em Zakroczym. A localização de nossa Conferência Nacional de Serviços é rotativa. Estas Conferências, as quais são organizadas por diferentes intergrupos de A.A., são, na essência, grandes reuniões de A.A., embora também discutamos matérias de interesse comum e outros problemas, tais como publicações de literatura, finanças, etc.

Os principais objetivos no apadrinhamento de novos Grupos são fornecer literatura, ajudá-los na organização das primeiras reuniões e manter contatos pessoais frequentes. A irmandade de A.A. na Polônia deseja continuar oferecendo esta preciosa dádiva de esperança; levar esse dom cada vez mais longe, para grupos na Slovákia, Bielarus, Lituânia e Rússia. Já temos alguns contatos mútuos com outros grupos e, ocasionalmente, nos encontramos durante viagens ao exterior e em nossos eventos de A.A. na Polônia. As diferenças de linguagem são os maiores obstáculos aos nossos esforços para estabelecer aqueles contatos, mas a experiência tem demonstrado que nossa simples presença dá suporte, encorajamento e esperança a outros alcoólicos e contribui para a unidade.

Procuramos nos comunicar através da linguagem do coração.

(Tadeusz F. – Polônia)

Vivência nº 36 – Jul./Ago. 1995

A.A. POR JACK ALEXANDER

A.A. por Jack Alexander
A publicação do artigo “Alcoólicos Anônimos”, pelo jornalista Jack Alexander, no número de março de 1941 do “Saturday Evening Post”, representou um marco na história da Irmandade.
Embora um outro artigo de âmbito nacional tenha sido publicado anteriormente, o relato do “Saturday Evening Post”, sobre um grupo de homens e mulheres que alcançaram a sobriedade através do A.A., foi, em grande parte, responsável pela onda de interesse que sedimentou a Irmandade em termos nacionais e internacionais.
A história do Post é uma lembrança do desenvolvimento da A.A., em um período relativamente curto. Em 1941, aproximadamente 2000 homens e mulheres estavam vivendo o programa de A.A. com sucesso. Hoje este número excede 1.800.000 e cerca de 85.000 grupos reúnem-se regularmente nos Estados Unidos e Canadá e em outros 136 países.
Em 1941, Jack Alexander escreveu a respeito do senso de humildade e serviço que caracterizavam o programa de A.A. e aqueles que então o praticavam.
Alcoólicos Anônimos (POR JACK ALEXANDER)
Em uma tarde, há algumas semanas, três homens estavam sentados à volta da cama de um paciente alcoólico, na ala de psicopatas do Hospital Geral da Filadélfia. O homem deitado, que era um completo estranho para os três, tinha aquele olhar desgastado e ligeiramente estúpido que os bebedores apresentam, enquanto estão-se desintoxicando após uma bebedeira prolongada. Com exceção do contraste óbvio entre a bem-cuidada aparência dos visitantes e aquela do paciente, a única coisa importante a observar era o fato de que cada um deles já havia passado pelo mesmo processo de desintoxicação várias vezes. Eles eram membros de Alcoólicos Anônimos, um bando de ex- bebedores – problema, que se dispuseram com satisfação a ajudar outros alcoólicos a vencer o hábito da bebida.
O homem na cama era um mecânico de profissão. Seus visitantes tinham estudado nas Universidades Princeton, Yale e Pensilvânia e eram, profissionalmente um vendedor, um advogado e um publicitário. Menos de um ano antes, um deles tinha estado nesta mesma ala do hospital, amarrado à cama. Um de seus companheiros tinha sido do tipo mais conhecido como “interno vaivém” de sanatórios. Mudou-se de uma instituição para outra, infernizando as equipes médicas das mais importantes instituições de tratamento de alcoólicos do país. O outro desperdiçou 20 anos de sua vida, fora dos muros de instituições, tornando a vida insuportável para ele mesmo, para sua família e seus patrões, bem como para diversos parentes bem-intencionados que cometeram a temeridade de tentar intervir no problema.
A atmosfera da ala do hospital estava carregada com o cheiro de paraldeído, ou seja, um odor desagradável de coquetel enjoativo, cheirando como uma mistura de éter com álcool de que os hospitais lançam mão, ocasionalmente, com a finalidade de acalmar o bêbado e aliviar suas tensões nervosas. Os visitantes pareciam ignorar tal fato e também a atmosfera deprimente que está sempre presente mesmo nas mais bem-cuidadas alas de psicopatas. Eles fumaram e conversaram com o paciente, por cerca de 20 minutos e partiram após darem-lhe seus cartões de visita. Antes de sair, disseram ao homem deitado na cama que, se ele acreditasse gostar de rever qualquer um deles, bastaria uma chamada telefônica.
Também deixaram claro que estariam dispostos a deixar seus afazeres, ou levantar-se da cama no meio da noite, para atendê-lo prontamente, caso ele de fato estivesse querendo parar de beber. Os membros de Alcoólicos Anônimos não correm atrás, nem “paparicam” novo companheiro ingressante, mas ardilosos, visto que eles conhecem muito bem as manhas de um alcoólico, da mesma forma que um trapaceiro regenerado continua conhecendo a arte de iludir o próximo.
Nisto repousa grande parte da força de um movimento que, nos últimos 6 anos, trouxe a recuperação a cerca de 2.000 homens e mulheres, dos quais uma grande percentagem tinha sido considerada sem remédio pela medicina. Médicos e sacerdotes, quer trabalhando em separado ou em conjunto, têm sempre conseguido recuperar alguns casos. Em alguns casos isolados, bebedores problema têm encontrado métodos próprios de parar de beber. Mas as incursões na área do alcoolismo não têm apresentado resultado significativo e ele continua sendo um dos maiores problemas de saúde pública não resolvido.
Sensível e desconfiado por natureza, o alcoólico gosta de ser deixado consigo mesmo, para resolver seu próprio quebra-cabeças e possui um meio conveniente de ignorar a tragédia que inflinge aqueles que o cercam. Ele se agarra desesperadamente à convicção de que, apesar de não ter sido capaz de controlar o álcool no passado, seria bem-sucedido, de agora em diante, em tornar-se um bebedor controlado. O alcoólico é um dos mais estranhos animais da medicina e pode ser ou não uma pessoa acentuadamente inteligente. Ele discute habilmente com profissionais e com parentes que tentam ajudá-lo e obtém uma maldosa satisfação com o fato de manipulá-los em uma discussão.
Não existe artimanha ou desculpa para beber de que um A.A., anteriormente na ativa, não tenha ouvido falar ou não tenha utilizado ele próprio para beber.
Quando alguém, abordado, racionaliza seus motivos para se embriagar, eles o confrontam com meia dúzia de outros de sua própria experiência. Isto irrita o novo companheiro em potencial e o coloca na defensiva. Ele observa as roupas limpas e bem passadas, os rostos bem-barbeados de seus interlocutores e os acusa de serem uns retrógrados privilegiados que não têm a mínima idéia do que seja lutar com o álcool. Os AAs retrucam relatando suas próprias estórias: os uísques duplos, os conhaques, antes do café da manhã; o vago sentimento de desconforto que precede uma bebedeira prolongada; o despertar depois de uma bebedeira, sem conseguir se lembrar do que aconteceu nos últimos dias e o medo angustiante de possivelmente ter atropelado alguém com o seu carro.
Eles contam das garrafas de bebida escondidas atrás de quadros ou em qualquer canto da sala, do porão ao sótão; sobre passar dias inteiros dentro de um cinema para afugentar a tentação de um trago; de sorrateiramente ausentar-se do escritório durante o dia, para tomar uma dose bem rápida a cada meia hora. Contam sobre perdas de empregos e o roubo de dinheiro da bolsa de suas esposas; de colocar pimenta na bebida para torná-la mais forte; de tomar bebidas amargas com sedativos, além de tomar perfume e loção para a barba; sobre ficar esperando por 10 minutos até que o botequim da vizinhança abra. Eles descrevem como suas mãos tremiam tanto, que não podiam levar o copo à boca sem derramar; de por a bebida dentro de uma caneca de cerveja para poder agarrá-la com as duas mãos e com mais firmeza, mesmo com o risco de quebrar os dentes incisivos; de amarrar uma ponta da toalha num copo e a outra no pescoço e com a outra mão tentar levar o copo à boca; falam de mãos tão trêmulas que pareciam querer se soltar dos braços e sair voando; de sentar-se em cima das mãos, por horas, para evitar que tudo isto acontecesse.
Esta e outras noções de vivência alcoólica são normalmente suficientes para convencer o alcoólico de que ele está falando com “irmãos de sangue”. Um laço de afinidade, portanto, se estabelece, numa experiência que o médico, o religioso ou o infortunado parente desconhecem. Com base nestas afinidades, os alcoólicos de A.A. que se dedicam a abordagem, dão a conhecer pouco a pouco os detalhes de um programa de vida que vem funcionando para eles e que pode funcionar para qualquer outro alcoólico. Os A.As. não consideram dentro de seu alcance aqueles que já sofrem de problemas neurológicos. Mas, ao mesmo tempo, tomam todas as providências para que os ingressantes tenham toda assistência médica necessária.
Muitos médicos e suas equipes, de instituições através do país, estão agora indicando Alcoólicos Anônimos aos seus pacientes com problemas de bebida. Em algumas cidades, os tribunais e oficiais de justiça cooperam com os grupos locais. Os membros de A.A. recebem os mesmos privilégios que os da equipe terapeuta, nas divisões de tratamento psicopático de algumas cidades. O Hospital Geral de Filadélfia é um deles. O dr. John F. Stouffer, psiquiatra-chefe, diz: “Os alcoólicos que temos aqui são, em sua maioria, aqueles que não podem arcar com as despesas de um tratamento particular e portanto a cooperação dos AAs é, sem a menor dúvida, a melhor coisa que lhes podemos oferecer. Mesmo dentre aqueles que ocasionalmente retornam aqui, observamos profundas mudanças em suas personalidades. Dificilmente outros os reconheceriam”.
O “Illinois Medical Journal”, em um editorial de dezembro último, foi mais além do que o Dr. Stouffer, afirmando: É sem dúvida um milagre quando uma pessoa que tenha estado por muitos anos, em maior ou menor proporção, sob a influência do álcool e em quem seus amigos tenham perdido toda a confiança, venha a sentar-se a noite inteira ao lado de um bêbado e a intervalos prescritos pelo médico administrar-lhes pequenas doses de bebida sem que ele próprio tome uma só gota”.
Isto é uma referência ao aspecto peculiar de aventuras das “Mil e Uma Noites”, a que os AAs se dedicam. Freqüentemente isto implica sentar-se junto a uma pessoa intoxicada, participando intimamente de todas as suas atividades, uma vez que o impulso de jogar-se por uma janela parece ser uma idéia atraente para muitos alcoólicos, no momento de suas crises. Somente um alcoólico para imobilizá-lo e fazer isto transmitindo um misto de autoridade e simpatia.
*Durante uma recente viagem ao Oeste e Meio-Oeste, conversei com um grande número de membros AAs, como se autodenominam, e observei que são pessoas incomumente calmas e tolerantes. De alguma forma, eles parecem mais bem-integrados entre si do que outros grupos de indivíduos não-alcoólicos. As suas transformações, passando de criadores de caso com a polícia, habituais comedores de restos de comida nos lixos e, em alguns casos, espancadores de esposas, foram sem dúvida surpreendentes. Em um dos jornais mais influentes do país soube que o editor-assistente e um repórter conhecido em todo o país eram AAs e tinham a mais completa confiança de seus superiores.
Em outra cidade, presenciei um juiz entregar em liberdade condicional um motorista, preso por dirigir embriagado, a um membro de A.A. Este, durante seus dias de bebedeira, destruiu diversos carros e teve sua própria licença de motorista suspensa. O juiz o conhecia e estava feliz em poder confiar nele. Um brilhante executivo de uma agência de propaganda contou que, dois anos atrás, estava na mendicância, dormindo debaixo do viaduto. Na época, ele tinha um lugar favorito que dividia com outros vagabundos e, periodicamente, retorna ao local, para se certificar de que não está sonhando.
Em Akron, como em outros centros industriais, os grupos têm um forte contingente de membros que são trabalhadores braçais. No Clube Atlético de Cleveland, almocei com cinco advogados, um contador, um engenheiro, três vendedores, um agente de seguros, um comprador, um barman, um sócio-gerente de uma loja, um gerente de uma rede de supermercados e um representante industrial. Eles eram membros de um comitê central que coordena o trabalho de nove grupos vizinhos. Cleveland, com mais de 450 membros, é o maior dos centros de A.A. Em seguida os maiores estão situados em Chicago, Akron, Filadélfia, Los Angeles. Washington e New York, existindo, no total, grupos em cerca de 50 cidades e municípios.
Quando discutindo o seu trabalho, os AAs explicavam que sua recuperação de bêbados era em realidade o seu próprio “auto-seguro”. Afirmaram que a experiência dentro do grupo mostrou que, uma vez que um bebedor em recuperação reduz o ritmo de sua atividade de levar a sua mensagem a um alcoólico que ainda sofre, então existe maior possibilidade dele mesmo voltar a beber. Todos eles concordam em que não existe a personagem do ex-alcoólico.
Cada alcoólico, ou seja, um indivíduo incapaz de beber normalmente será sempre um alcoólico até a sua morte, de forma semelhante a um diabético.
A sua melhor expectativa é estacionar o processo da doença, utilizando a interrupção do ato de beber, como se fosse sua insulina. Pelo menos, é esta a afirmação dos AAs, que tende a ser confirmada pela opinião dos médicos envolvidos. Com raras exceções, todos afirmaram ter perdido todo seu desejo pelo álcool. Por ocasião da visita de amigos a suas residências, a maioria dos AAs serve bebidas alcoólicas a seus amigos e até mesmo vai a bares com companheiros que bebem. Os AAs somente bebem refrigerantes e café.
Um deles, um gerente de vendas, serve bebidas no bar durante a reunião anual de sua companhia em Atlantic City e, durante toda essa noite leva participantes para suas respectivas camas. Somente um número muito reduzido de alcoólicos em recuperação deixa de ter a certeza de que, no exato minuto em que tomarem impensadamente o primeiro gole, estará despertando um compulsão descomunal e incontrolável em relação à bebida e de conseqüências desastrosas. Um A.A., que é funcionário administrativo numa cidade do Leste, afirma que, apesar de não ter tomado uma única dose de bebida em três anos e meio, ainda passa apressadamente por bares, de modo a evitar a antiga compulsão; ele, no entanto, certamente é uma exceção. A ressaca dos dias tormentosos que afligiram um AA certamente é o único pesadelo remanescente. Nesse sonho ele se encontra no centro de um turbilhão, tentando freneticamente ocultar sua condição da comunidade. No entanto, até mesmo este sintoma desaparece, a curto prazo, na maioria dos casos. Surpreendentemente, o percentual, entre essas pessoas, que encontra emprego e trabalho, quando anteriormente haviam perdido todos seus empregos, em virtude da bebida, é da ordem de 90%.
Alcoólicos Anônimos declara que é de 100% a eficiência de seu programa, para bebedores não-psicóticos que sinceramente desejam parar de beber. Os AAs acrescentam que o programa não trará resultados, em relação àqueles que apenas querem poder parar de beber por temerem perder suas famílias ou seus empregos. Afirmam que o desejo objetivo deve ter como origem um interesse pessoal verdadeiramente esclarecido e iluminado; o iniciante deve querer livrar-se da bebida alcoólica para evitar a prisão ou morte prematura. Ele precisa estar totalmente exaurido da solidão social que cerca o bebedor descontrolado e deve querer pôr alguma ordem em sua vida desregrada.
Como é impossível desqualificar todos os candidatos que se apresentam, a porcentagem de recuperação não chega a 100%. De acordo com estimativas de A.A., cinqüenta por cento dos alcoólicos filiados recuperam-se quase imediatamente: vinte e cinco por cento melhoram após uma ou duas recaídas e o restante permanece em dúvida. Este índice de sucesso é excepcionalmente elevado. Pela inexistência de dados estatísticos sobre curas através da medicina tradicional ou da religião, a estimativa é de que a recuperação por tais métodos não atinge mais do que dois ou três por cento.
Embora ainda seja muito cedo para afirmar que Alcoólicos Anônimos é a resposta definitiva para o alcoolismo, os resultados obtidos em pouco tempo são impressionantes e têm recebido apoio promissor. John D. Rockefeller Jr. ajudou no custeio das despesas iniciais do movimento e procurou de todas as formas interessar outros cidadãos preeminentes no assunto.
A contribuição de Rockefeller foi muito pequena, atendendo em atenção aos pedidos insistentes dos fundadores de que o movimento fosse mantido em base voluntária e em regime não profissional. Não há organizadores assalariados, obrigações, administradores contratados e nenhum controle central. Nos grupos, os aluguéis de salas de reunião são pagos através de coleta feita durante as reuniões. Em pequenas comunidades, nem mesmo são feitas coletas porque as reuniões são realizadas em residências particulares. Um pequeno escritório no centro de New York atua meramente como central de informações. Não existe nenhum nome na porta e a correspondência é recebida anonimamente através de uma caixa postal. A única receita é a exatamente resultante da venda de um livro que descreve o trabalho de A.A. e é administrada pela Fundação Alcoólica, uma junta composta por três alcoólicos e quatro não-alcoólicos.
Em Chicago, vinte e cinco médicos trabalham em estreita cooperação com Alcoólicos Anônimos, contribuindo com seus serviços e encaminhando seus próprios pacientes alcoólicos para os grupos, atualmente cerca de 200. A mesma cooperação existe em Cleveland e, em menor escala, em outras cidades. Um médico, o Dr. W. D. Silkworth, da Cidade de New York, deu ao movimento seu primeiro encorajamento. No entanto, muitos médicos continuam incrédulos. O Dr. Foster Kennedy, um eminente neurologista de New York, provavelmente tinha em mente atingir alguns médicos, quando declarou, em uma reunião um ano atrás, que: “O propósito daqueles que estão envolvidos neste esforço contra o alcoolismo é elevado; seu sucesso tem sido considerável e eu acredito que a classe médica bem-intencionada deveria dar-lhes apoio”.
A ajuda ativa de dois médicos de boa vontade, Drs. A. Wiese Hammer e C. Dudley Saul, tem colaborado enormemente para que o grupo de Filadélfia seja um dos mais eficientes daqueles recentemente fundados. O movimento teve início em Filadélfia de um modo improvisado, no mês de fevereiro de 1940, quando um empresário que tinha ingressado no A.A. foi transferido de New York para a Filadélfia. Com receio de recair por não ter como ajudar alcoólicos, o recém-chegado abordou três bebedores crônicos que freqüentavam estabelecimentos da pior qualidade, na redondeza, e começou a trabalhar com eles. Conseguiu mantê-los sóbrios e o quarteto formado começou a investigar detalhadamente outros casos. Por volta de 15 de dezembro último, noventa e nove alcoólicos tinham se juntado a eles.
Destes, oitenta e seis conseguiram manter finalmente total abstinência, sendo que trinta e nove mantiveram-se abstêmios por um período variando de três a seis meses e vinte e cinco no intervalo de seis a dez meses. Cinco membros que se filiaram em outras cidades estavam sem beber por períodos variando de um a três anos.
A cidade de Akron, que foi o berço do movimento, mantém o recorde interno de tempo de permanência em abstinência. De acordo com uma pesquisa recente, dois membros estão seguindo o programa de A.A. há cinco anos e meio; um, há cinco anos; três, há quatro anos e meio; um pelo mesmo período, com uma recaída; três, por três anos e meio, com uma recaída cada; um, por dois anos e meio e treze, por dois anos.
No passado, muitos dos membros de A.A. das cidades de Akron e Filadélfia não tinham conseguido abster-se de álcool por mais do que algumas semanas.
No meio-oeste (dos EUA) o trabalho tem sido quase exclusivamente entre pessoas que nunca foram internadas. O grupo de New York, que tem um núcleo semelhante, dá uma atenção especial aos pacientes alcoólicos internados em instituições e tem conseguido resultados extraordinários. No verão de 1939, o grupo começou a trabalhar com alcoólicos internados no Hospital Estadual de Rockland em Orangeburg, que é um enorme sanatório para doentes mentais e recebe os alcoólicos sem expectativa de recuperação dos grandes centros populacionais. Com estímulo do Dr. R. E. Blaisdell, o superintendente-médico, um grupo foi formado dentro do hospital e as reuniões eram realizadas na sala de recreação. AAs de New York iam a Orangeburg para fazer palestras e, nas tardes de domingo, os pacientes eram levados em ônibus estaduais para o clube que o grupo de Manhattan alugava no lado Oeste.
Em primeiro de julho último, isto é, onze meses depois, registros mantidos no hospital demonstraram que, dos cinqüenta e quatro pacientes entregues a Alcoólicos Anônimos, dezessete não tiveram nenhuma recaída e quatorze apenas uma. Dos restantes, nove voltaram a beber em suas comunidades de origem, doze voltaram ao hospital e dois não puderam ser localizados. O Dr. Blaisdell escreveu favoravelmente sobre o trabalho de A.A. ao Departamento Estadual de Higiene Mental e enalteceu-o oficialmente em seu último relatório anual.
Resultados ainda melhores foram obtidos em duas instituições públicas de New Jersey – Greystone Park e Overbrook que atraem pacientes de melhores condições econômicas e sociais do que os de Rockland, devido a sua proximidade a regiões mais prósperas. Em 2 anos, de sete pacientes que receberam alta da instituição de Greystone Park, cinco abstiveram-se de álcool por períodos de um a dois anos, de acordo com registros do A.A. Oito de dez pacientes de Overbrook que tiveram alta abstiveram-se de álcool por mais ou menos o mesmo período. Os outros tiveram uma ou diversas recaídas.
As autoridades não conseguem concordar no motivo pelo qual algumas pessoas tornam-se alcoólicos.
Alguns pensam que qualquer um pode “nascer alcoólico”. Uma pessoa pode nascer, dizem eles, com uma predisposição hereditária ao alcoolismo, assim como outra pode nascer com uma vulnerabilidade à tuberculose. Os demais parecem depender do ambiente em que vivem, bem como sua experiência, embora uma teoria afirme que algumas pessoas são alérgicas ao álcool da mesma forma como outras sofrem de febre do feno e alergia a pólen. Apenas uma característica parece ser comum a todos os alcoólicos: imaturidade emocional. Estreitamente relacionada a isto existe a observação de que um número muito grande de alcoólicos inicia suas vidas como filhos únicos, filhos caçulas, único filho homem em uma família de mulheres ou única filha em uma família de meninos. Muitos têm estórias de precocidade infantil e eram crianças mimadas.
Freqüentemente, a situação é complicada pela atmosfera familiar, onde um dos pais é indevidamente rigoroso e o outro superindulgente. Qualquer combinação desses fatores, acrescida de um divórcio ou dois, tende a produzir crianças neuróticas que estão indevidamente equipadas emocionalmente para encarar as dificuldades normais da vida adulta. Para escapar disso, alguns trabalham de forma exagerada, dedicando às suas atividades profissionais doze a quinze horas por dia, ou em esportes, ou em alguma atividade artística paralela. Outros encontram o que acreditam ser uma fuga prazerosa na bebida. A bebida exacerba seu auto-conceito, encobre temporariamente qualquer sentimento de inferioridade social que possa ter. E passa a beber cada vez mais. Os amigos e a família se afastam e os patrões tornam-se intolerantes. O bebedor se afoga em ressentimentos e autopiedade. Ele se permite racionalizações infantis para justificar sua maneira de beber: tem trabalhado duro e merece relaxar; sua garganta dói de uma antiga operação de amídalas e um drinque aliviaria a dor; está com dor de cabeça; sua mulher não o entende; seus nervos estão à flor da pele; todo mundo está contra ele; e por aí afora. Inconscientemente se transforma em um auto- enganador crônico.
Sempre que ele está bebendo, diz a si mesmo e àqueles que se intrometem em seus assuntos que pode realmente tornar-se um bebedor controlado se assim o quiser. Para demonstrar sua força de vontade, fica várias semanas sem beber uma gota de álcool. Ele faz grande alarde em ir a seu bar favorito a determinada hora, a cada dia e ostensivamente ficar tomando leite aos golinhos ou refrigerante sem se dar conta de que está incorrendo em um exibicionismo juvenil. Falsamente encorajado, ele volta à rotina de uma cerveja por dia e isto é mais uma vez o começo do fim. Cerveja leva inevitavelmente a mais cerveja e depois a bebidas fortes. Bebidas fortes conduzem a mais outra bebedeira monumental. Estranhamente, o gatilho que detona a explosão pode ser tanto uma vitória comercial como uma maré de má sorte. Um alcoólico não pode suportar nem a prosperidade nem a adversidade.
A vítima fica perplexa ao sair do nevoeiro alcoólico. Sem que ele se apercebesse, aquilo que era um hábito tornou-se gradualmente uma obsessão. Depois de algum tempo, não precisa de racionalizações para justificar o primeiro drinque fatal. Tudo que ele sabe é que se sente inundado de desconforto ou de júbilo e, antes que perceba o que está acontecendo, está defronte do balcão do bar com um copo de uísque vazio à sua frente e uma sensação estimulante na garganta. Por algum ardil peculiar de sua mente, foi capaz de esquecer a dor intensa e o remorso causados pelas bebedeiras precedentes. Depois de muitas experiências deste tipo, o alcoólico começa a perceber que não se entende e fica imaginando por que sua força de vontade, que é eficaz em outras situações, não funciona em sua defesa contra o álcool. Ele pode seguir tentando derrotar sua obsessão e terminar num sanatório. Ele pode desistir da luta, considerando-a sem esperanças, e tentar o suicídio. Ou pode procurar ajuda de terceiros.
*Se apelar para os Alcoólicos Anônimos, ele é antes de mais nada ajudado a admitir que o álcool o derrotou e que tinha perdido o domínio sobre sua vida. Tendo atingido esse estado de humildade intelectual, recebe uma dose de religiosidade no seu sentido mais amplo. Pede-se a ele que acredite em um Poder Superior a ele, ou que pelo menos mantenha a mente aberta a respeito do assunto, enquanto prossegue com o restante do programa. Qualquer conceito de Poder Superior é aceitável. Um cético ou agnóstico pode escolher seu próprio Ser Superior entre, por exemplo, o milagre do crescimento, uma árvore, o deslumbramento do homem face ao universo, a estrutura do átomo, ou meramente o infinito matemático. Qualquer que seja a forma de visualização do Poder Superior, o novato é ensinado e deve, a seu próprio modo, orar a esse Poder para que forças lhe sejam dadas.
Em seguida, ele faz uma espécie de inventário moral de si mesmo com o auxílio particular de outra pessoa, um de seus padrinhos de A.A., um religioso, um psiquiatra ou outra pessoa de seu agrado. Se ele assim o desejar e se isto vier a constituir-se alguma forma de alívio, pode levantar-se em uma reunião e relatar seus infortúnios, embora não seja obrigado a isto. Ele restitui o que eventualmente tenha roubado enquanto bêbado e empenha-se em pagar velhas dívidas e honrar cheques sem fundo; faz reparações a pessoas a quem tenha ofendido e, em geral, realiza a melhor limpeza possível em seu passado. Não é incomum que padrinhos lhe emprestem dinheiro para ajudá-lo em seu reinício.
Esta catarse é considerada importante devido à compulsão que um sentimento de culpa exerce sobre a obsessão alcoólica. Como nada empurra mais um alcoólico para a garrafa do que ressentimentos pessoais, o novato faz uma lista de seus ressentimentos e decide não ser abalado por eles. A partir desse momento, ele está pronto para começar a trabalhar com outros alcoólicos na ativa. Pelo processo de extroversão que o trabalho envolve, ele consegue pensar menos em seus próprios problemas.
Quanto mais bebedores ele conseguir atrair para Alcoólicos Anônimos, tanto maior será sua responsabilidade com relação ao grupo.
Ele não pode embriagar-se agora sem afetar negativamente pessoas que provaram ser seus melhores amigos. Está começando a crescer emocionalmente e deixando de ser um dependente. Se tiver sido educado de acordo com uma religião, geralmente, mas não sempre, poderá tornar-se novamente um freqüentador regular.
De forma simultânea a seu processo de reconstrução, o alcoólico inicia o processo de reajuste em sua maneira de viver. Esposa ou marido de alcoólicos e também filhos tornam-se freqüentemente neuróticos pela exposição aos excessos alcoólicos que tenham ocorrido durante um longo período de tempo. Reeducação da família é uma parte essencial no programa de acompanhamento que foi delineado.
Alcoólicos Anônimos, que é uma síntese de velhas idéias, em vez de uma descoberta nova, deve sua existência à colaboração de um corretor da Bolsa de New York e de um médico de Akron, Ohio. Ambos alcoólicos, encontraram-se pela primeira vez há pouco menos de seis anos. Em trinta e cinco anos de bebedeiras periódicas, o Dr. Armstrong – para dar ao médico um nome fictício – bebeu a ponto de quase abandonar a prática da medicina. Armstrong tentou de tudo, para abandonar a bebida, inclusive o Grupo Oxford, sem conseguir nenhuma melhora. No dia das mães do ano de 1935, ele voltou para casa cambaleando, à moda típica dos bêbados, abraçado a um caríssimo vaso de plantas que depositou no colo de sua mulher. Então subiu as escadas e desmaiou.
Nesse mesmo instante, perambulando nervosamente pelo hall de um hotel de Akron, achava-se o corretor de New York, a quem chamaremos arbitrariamente de Griffith. Ele estava com sérios problemas. Na tentativa de obter o controle acionário de uma firma e recuperar sua situação financeira, ele tinha vindo a Akron e estava empenhado numa disputa legal para conseguir procurações de acionistas dessa firma. Tinha perdido a disputa. Estava devendo a conta do hotel e quase absolutamente sem dinheiro. Griffith estava com vontade de beber.
Durante sua carreira em Wall Street, Griffith realizara negócios de grande vulto e prosperara, mas, por força de episódios desastrosos com bebida, tinha perdido suas oportunidades mais importantes. Por um período de cinco meses, antes de viajar para Akron, tinha-se mantido abstêmio em relação a bebidas alcoólicas, graças aos ensinamentos do Grupo Oxford de New York. Fascinado com o problema do alcoolismo, ele voltara muitas vezes, como visitante, a um hospital de desintoxicação no Central Park West, onde tinha estado como paciente e conversara com os doentes internados. Ele não efetivou nenhuma recuperação, mas percebeu que, trabalhando com outros alcoólicos, conseguia afastar sua compulsão pelo álcool.
Sendo um estranho em Akron, Griffith não conhecia nenhum alcoólico com quem pudesse discutir abertamente seus problemas com o álcool. Uma lista telefônica com números de igrejas, pendurada no saguão em frente ao bar, deu-lhe uma idéia. Ele telefonou para um dos clérigos relacionados na lista e através dele entrou em contato com um membro local do Grupo Oxford. Essa pessoa era amiga do Dr. Armstrong e, assim sendo, pôde realizar as respectivas apresentações durante o jantar. Desta maneira, o Dr. Armstrong tornou-se realmente o primeiro discípulo de Griffith. No começo ele estava muito trêmulo. Depois de algumas semanas de abstinência, foi para o oeste do EUA participar de uma convenção médica e voltou numa bebedeira deplorável. Griffith, que tinha ficado em Akron para finalizar a resolução de impasses surgidos na disputa legal das procurações, colaborou com ele em seu retorno à sobriedade. Isto foi em 10 de junho de 1935. Os goles que o médico tomou da garrafa oferecida por Griffith naquele dia foram os últimos drinques em sua vida.
Os problemas de demanda judicial de Griffith estavam-se prolongando, mantendo-o em Akron por seis meses. Ele mudou-se para a casa dos Armstrong e, juntos, em dupla, trabalharam outros alcoólicos. Antes de Griffith retornar a New York, ambos conseguiram converter mais duas pessoas em Akron. Nesse ínterim, ambos, Griffith e Armstrong, tinham-se desligado do Grupo Oxford, porque sentiram que seu evangelismo, por demais agressivo e outros de seus métodos eram empecilhos no trabalho com alcoólicos. Eles passaram a usar técnica própria, estritamente em bases de “pegue ou deixe” e assim a mantiveram.
O progresso foi lento. Após o regresso de Griffith para o Leste, o Dr. Armstrong e sua esposa, graduada em Wellesley, transformaram sua residência em um refúgio gratuito para alcoólicos e num laboratório experimental para estudar o comportamento dos hóspedes. Um dos hóspedes que, sem que seus anfitriões soubessem, era maníaco-depressivo e alcoólico, enfureceu-se uma noite, apossando-se de um facão de cozinha. Ele foi subjugado antes de ter podido esfaquear alguém. Depois de um ano e meio, um total de dez pessoas tinha respondido ao programa, permanecendo abstêmio em relação ao álcool. O restante das economias da família tinha-se esgotado com esse trabalho. A nova sobriedade do médico proporcionou-lhe reativar sua clínica, mas não o suficiente para arcar com as despesas extras. Os Armstrongs, apesar de tudo, prosseguiram por meio de recursos obtidos através de empréstimos. Griffith, cuja esposa tinha hábitos espartanos, transformou a sua casa de Brooklin em uma réplica da casa de Akron. A Sra. Griffith, oriunda de uma tradicional família de Brooklin, empregou-se em uma loja de departamentos e nas horas vagas praticava enfermagem junto aos embriagados. Os Griffith também tomaram dinheiro emprestado, e Griffith conseguiu realizar pequenos negócios e ganhar algum dinheiro em transações nas corretoras de valores. Por volta da primavera de 1939, os Armstrongs e os Griffiths tinham, entre si, conduzido cerca de cem alcoólatras à sobriedade. **************
Em um livro publicado naquele tempo, os bebedores recuperados descreviam o programa de cura e relatavam suas histórias pessoais. O título era “Alcoólicos Anônimos”. Foi adotado como denominação para o próprio movimento, que até então não tinha nenhum nome. Quando o livro entrou em circulação, o movimento difundiu-se rapidamente.
Hoje o Dr. Armstrong ainda está lutando para reconstruir sua prática na profissão médica. A tarefa é árdua. Ele está totalmente absorvido devido a suas contribuições ao movimento e ao tempo gratuito que devota aos alcoólicos. Sendo uma pessoa-chave no grupo, ele é incapaz de negar-se a atender as solicitações de ajuda que assoberbam seu consultório.
Griffith se encontra em muito pior situação. Nos últimos dois anos, ele e sua mulher não têm tido o que se pode considerar como um lar no sentido normal da palavra. Da mesma maneira como os primitivos cristãos, eles têm-se mantido em permanente condição de mudança, encontrando abrigo nas casas de companheiros AAs e, eventualmente, vestindo roupas emprestadas.
Tendo iniciado um movimento de maior importância, ambos desejam afastar-se de seu centro nervoso, de modo a reajustar-se financeiramente. Eles consideram que da maneira como a coisa vai indo, o movimento é virtualmente auto-operacional e irá automultiplicar-se. Devido à ausência de personalidade de renome e ao fato de não existir nenhuma sociedade formal a ser promovida, eles não temem que a Irmandade de Alcoólicos Anônimos possa degenerar-se em culto.
A natureza espontânea do movimento torna-se aparente, de acordo com as cartas arquivadas no escritório de New York.
Diversas pessoas têm escrito, relatando que pararam de beber assim que terminaram a leitura do livro e fizeram de suas casas locais de reunião para pequenos núcleos locais. Até mesmo um grupo de grandes proporções, como o de Little Rock, iniciou-se desta forma. Um engenheiro civil de Akron e sua esposa, num gesto de gratidão por sua cura há quatro anos, vêm trazendo assiduamente alcoólicos para sua residência. De um total de trinta e cinco desses iniciantes, trinta e um se recuperaram.
Vinte visitantes de Cleveland absorveram a idéia em Akron e voltaram a seus locais de origem para iniciar um grupo próprio. De Cleveland, por diversos meios, o movimento se alastrou para Chicago, Detroit, St. Louis, Los Angeles, Indianópolis, Atlanta, San Francisco, Evansville e outras cidades. Um jornalista alcoólico de Cleveland, que tinha um pulmão arruinado cirurgicamente, mudou-se para Houston por questões de saúde. Ele conseguiu um emprego em um jornal de Houston e, através de uma série de artigos escritos para esse mesmo jornal, iniciou um grupo de A.A. que, no momento, conta com trinta e cinco membros. Um membro de Houston mudou-se para Miami e está agora se esforçando para atrair para a irmandade alguns dos mais eminentes bebedores daquele balneário de inverno. Um vendedor-viajante de Cleveland é responsável pelo início de pequenos grupos em várias partes diferentes do país. Menos da metade dos membros de A.A. jamais viu Griffith ou o Dr. Armstrong.
Para um estranho, que fique intrigado, como muitos de nós ficamos, com o comportamento esquisito dos amigos bebedores-problemas, os resultados que têm sido alcançados são surpreendentes. Tal fato é especialmente verdadeiro em relação aos casos mais desesperados, alguns dos quais estão abaixo descritos sob nomes fictícios.
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Sarah Martin era um produto da geração de F. Scott Fitzgerald. Nascida em berço de ouro, em uma cidade do Oeste, foi estudar em internatos no Leste e encontrou-se mudando para Paris. Depois de apresentada à sociedade de Paris, casou-se. A partir desse acontecimento, Sarah passava suas noites bebendo e dançando até o amanhecer. Ela era conhecida como uma moça que podia beber enormes quantidades. Seu marido era uma pessoa frágil e ela ficou desgostosa com ele. Rapidamente se divorciaram. Depois que a fortuna de seu pai chegou ao fim em 1929, Sarah arranjou um emprego em New York e conseguiu sustentar-se.
Em 1932, em busca de uma vida aventurosa, foi morar em Paris e montou um negócio próprio em que foi bem-sucedida. Continuou a beber muito e ficava bêbada mais tempo que o normal. Depois de uma longa bebedeira em 1933, foi-lhe informado que ela havia tentado atirar-se de uma janela. Em outra bebedeira ela de fato se atirou – ou caiu -, ela não se lembrava como foi, de uma janela do primeiro andar. Ela caiu com o rosto na calçada e ficou acamada por seis meses, sendo recuperada através de cirurgias dos ossos, recuperação dentária e cirurgia plástica.
Em 1936, Sarah Martin concluiu que se mudasse de ambiente, retornando aos EUA, poderia beber normalmente. Essa crença infantil em mudança geográfica é uma ilusão clássica, que todo alcoólico vivencia durante algum tempo. Ela esteve bêbada durante toda a viagem de navio de volta. New York a amedrontou e ela bebeu para escapar ao medo. Seu dinheiro terminou e ela passou a pedir emprestado a amigos. Quando os amigos a ignoraram, ela passou a freqüentar continuamente os bares da Terceira Avenida, mendigando drinques de desconhecidos. Até este estágio ela havia diagnosticado seu problema como uma crise nervosa. Somente após internar-se em diversos sanatórios é que ela conscientizou-se, através de leitura, de que era uma alcoólica. Aconselhada por um médico da equipe de um sanatório, ela iniciou contato com um grupo de A.A. Hoje em dia, tem outro ótimo emprego e passa muitas de suas noites sentada ao lado de mulheres bêbadas histéricas, para evitar que tentem jogar-se pelas janelas. Em seus trinta e poucos anos, Sarah Martin é agora uma mulher atraente e serena. Os cirurgiões de Paris fizeram um belo trabalho nela.
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Watkins é um encarregado de despachos de mercadoria numa fábrica. Tendo sofrido um acidente de elevador que o aleijou, em 1927, foi licenciado com remuneração por sua companhia, que ficou muito grata por ele não a ter processado por danos físicos. Nada tendo a fazer durante a longa convalescença, Watkins passou a vagar pelos botequins escusos. Se anteriormente ele era um bebedor moderado, começou então a tomar bebedeiras que duravam meses. Em seguida, sua mobília foi penhorada e sua mulher o abandonou levando os filhos. Em onze anos, Watkins foi preso doze vezes e foi sentenciado oito vezes a trabalhos forçados. Uma vez, durante um acesso de delirium-tremens, ele circulou um boato entre os prisioneiros de que as autoridades responsáveis estavam envenenando a comida, de modo a reduzir a população carcerária e reduzir as despesas. O resultado foi um motim no refeitório da prisão. Durante outro acesso de delirium-tremens, no qual ele imaginou que seu companheiro da cela de cima estava tentando derramar chumbo derretido nele, Watkins cortou seus próprios pulsos e garganta, com uma lâmina de barbear. Enquanto se recuperava em um hospital fora da prisão, com oitenta e seis pontos pelo corpo, ele jurou nunca mais beber. Estava bêbado antes que os últimos curativos tivessem sido removidos. Dois anos atrás, um antigo companheiro de bebedeiras levou-o ao A.A. e desde então ele nunca mais tocou em álcool. Sua mulher e seus filhos voltaram e sua casa tem mobília nova. Retornando ao trabalho. Watkins pagou a maior parcela dos 2.000 dólares de dívidas e pequenos roubos e agora está desejando adquirir um carro novo.
Aos 22 anos de idade, Tracy, um filho precoce de pais bem sucedidos, era gerente de crédito de um banco de investimentos, cujo nome tornou-se um símbolo do turbulento mercado financeiro da época. Depois do colapso da Bolsa, que arruinou seu banco, ele foi trabalhar em publicidade. Ocupou um posto que lhe rendia U$ 23,000 ao ano. Um dia, quando nasceu seu primeiro filho, Tracy ficou muito entusiasmado. Ao invés de comparecer a Boston, onde deveria fechar um grande contrato de publicidade, foi a uma farra e acabou acordando, assustado, em Chicago, deixando de realizar o contrato de Boston, por perder o prazo. Continuamente um bebedor forte, transformou-se num bêbado vagabundo. Ele tomava bebidas alcoólicas aquecidas numa latinha; ingeria tônicos para cabelos e mendigava de policiais que são sempre acessíveis quando se trata de até 10 centavos. Numa noite em que nevava, Tracy vendeu seus sapatos para tomar um drinque e calçou um par de galochas, que encontrara numa soleira de porta, forrando-as com jornal para manter seus pés aquecidos.
A partir daí começou a internar-se em sanatórios, mais para escapar do frio do que por qualquer outro motivo. Em uma dessas instituições, um médico conseguiu despertar seu interesse no programa de A.A. Como parte dele, Tracy, um católico, fez uma confissão total e voltou a freqüentar a igreja que tinha abandonado há muito tempo. Ele retornou ao álcool tendo algumas recaídas, mas depois de uma recaída em fevereiro de 1939, Tracy não bebeu mais. Desde então, reiniciou sua carreira, atingindo novamente a faixa salarial de U$ 18,000 anuais, por seu trabalho na área de publicidade.
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Vitor Hugo teria se deliciado em conhecer Brewster, um aventureiro do tipo musculoso que escolheu viver da maneira mais difícil. Brewster foi lenhador, vaqueiro e aviador na guerra. Durante o pós-guerra ele incorporou-se à bebida e logo estava fazendo turismo na excursão dos sanatórios. Em um deles, depois de ouvir falar em cura por eletrochoques, ele subornou com cigarros um atendente negro encarregado do necrotério, para que o deixasse entrar todas as tardes para meditar ao lado de um cadáver. O plano funcionou muito bem até o dia em que um morto, por uma contorção facial adquirida ao morrer, parecia estar sorrindo. Brewster encontrou-se com A.A. em dezembro de 1938 e, depois de alcançar a abstinência, conseguiu um emprego de vendedor que envolvia longas caminhadas. Nesse intervalo, ele contraiu catarata nos dois olhos. Uma das cataratas foi removida, deixando-lhe apenas visão a distância com o auxílio de grossas lentes. A outra vista ele usava para visão próxima, mantendo-a dilatada através de pinga-gotas de uma solução que lhe permitia evitar ser atropelado no tráfego de rua. Então ele foi acometido de uma trombose na perna e, com essas desvantagens, Brewster perambulou pelas ruas por seis meses antes de poder regularizar sua situação financeira. Hoje, com cinqüenta anos, embora ainda atribulado por essas deficiências físicas, ele está fazendo suas visitas a clientes e está ganhando cerca de 400 dólares por mês.
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Para os Brewster, os Martins, os Watkinses, os Tracys e outros alcoólicos recuperados existe companhia adequada, agora. Aquela que é disponível em qualquer lugar em que estejam. Nas grandes cidades, A.As. se encontram diariamente em restaurantes, para almoçar juntos. Os grupos de Cleveland realizam festas no ano-novo, e em outros feriados, em que litros e litros de café e refrigerantes são consumidos. Chicago mantém grupos funcionando nas sextas, nos sábados e domingos, alternadamente, nas zonas Norte, Oeste e Sul – de modo que nenhum alcoólico solitário necessite retornar à bebida durante os fins de semana por falta de companhia. Alguns jogam canastra, ou bridge e o ganhador de cada mão contribui para o pagamento das despesas da diversão. Outros ouvem rádio, dançam, comem ou apenas conversam. Todo alcoólico bêbado ou sóbrio gosta de conversar. Eles se encontram entre aqueles que mais amam a convivência social, fato este que pode ajudar a explicar por que eles tiveram que ser alcoólicos em primeiro lugar.

PRIMEIRO PASSO – REFLEXÕES

1º PASSO

Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos
perdido o domínio sobre nossas vidas.

Quase ninguém se dispõe a admitir uma derrota total. É terrível admitir que o álcool tornou-se uma obsessão que priva o alcoolista de toda sua auto-suficiência. O primeiro passo trata da dificuldade que surge para admissão da derrota completa em relação ao uso do álcool. O alcoolista, com o copo na mão, perde o controle quanto à ingestão de bebida alcoólica e quanto a todas as conseqüências desta ingestão.
Para obter sucesso em manter-se abstinente, é preciso reconhecer esta impotência
perante o álcool. Caso contrario, a sobriedade será precária. Diz a literatura de A. A.: “O princípio de que não encontraremos qualquer força duradoura sem que antes admitamos a derrota completa, é a raiz principal da qual germinou e floresceu nossa sociedade toda” (Os Doze Passos, p. 14). Muitos se revoltam por ter que admitir a derrota. Chegam no grupo de A. A. buscando apoio e escutam que nenhuma força de vontade será suficiente para quebrar a obsessão pela bebida.
Inicialmente, apenas os casos mais desesperados conseguiam aceitar esta verdade.

Felizmente, isto mudou com o passar dos anos. Alcoolistas em um estágio menos grave conseguiam reconhecer seu alcoolismo. Para que estas pessoas pudessem aceitar esta perda do governo de sua vida, os alcoolistas que tinham atingido um grau mais sério de alcoolismo puderam a elas mostrar que, em momento anterior à chegada do fundo do poço, a vida já havia se tornado ingovernável. Percebeu-se que, caso o recém-chegado ainda permanecesse em dúvida, levava consigo a idéia da natureza da enfermidade, e, muitas vezes, voltava ao grupo antes de precisar chegar a dificuldades extremas.
Observa-se que poucas pessoas conseguem praticar com sinceridade o programa de
A.A. sem chegarem afundar completamente. Isso ocorre pelo fato de que “… praticar os restantes onze passos de A. A. requer a adoção de atitudes e ações que quase nenhum alcoólatra que ainda bebe, sonharia adotar” (Os Doze Passos, p. 15). É o desejo de sobrevivência que leva o alcoolista a ter disposição para escutar a mensagem de A. A., e a reconhecer a necessidade de seguir o programa dos Doze Passos.

IMPOTÊNCIA

Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.

Não é coincidência que o próprio Primeiro Passo mencione impotência. Uma admissão de impotência pessoal perante o álcool é a pedra fundamental do alicerce da sobriedade.
Aprendi que não tenho o Poder e controle que uma vez pensei ter. Sou impotente sobre os que as pessoas pensam sobre mim. Sou impotente até por ter perdido o ônibus. Sou impotente sobre como as outras pessoas praticam (ou não praticam) os Passos. Mas, também aprendi que não sou impotente perante algumas coisas. Não sou impotente perante minhas atitudes. Não sou impotente perante a negatividade. Não sou impotente sobre assumir responsabilidade por minha própria sobriedade. Tenho o poder de exercer uma influência positiva sobre mim mesmo, as pessoas que amo e o mundo em que vivo.

A VITÓRIA DA RENDIÇÃO

Percebemos que somente através da derrota total somos capazes de dar os primeiros passos na direção da liberação e da força. Nossa admissão de impotência pessoal finalmente produz e alicerce firme sobre o qual, vidas felizes e significativas podem ser construídas.

Quando o álcool influenciava cada faceta de minha vida, quando as garrafas tornaram-se o símbolo de toda minha auto-indulgência e permissividade, quando vim a perceber que, por mim mesmo, não podia fazer nada para vencer o poder do álcool, percebi que não tinha outro recurso a não ser a rendição. Na rendição encontrei a vitória – vitória sobre minha egoística auto-indulgência, vitória sobre minha resistência teimosa à vida como ela era dada para mim. Quando parei de lutar contra tudo e contra todos, comecei a caminhada para a sobriedade, serenidade e paz.

UM ATO DA PROVIDÊNCIA

Realmente é terrível admitir que, com um copo na mão temos convertido nossas mentes numa obsessão tão grande por beber destrutivamente que somente um ato da providência pode removê-la de nós.

Meu ato da Providência (manifestação de cuidado e direção divina) veio quando experimentei a falência total do alcoolismo ativo – tudo que tinha algum significado em minha vida havia ido embora. Telefonei para Alcoólicos Anônimos e, a partir daquele instante minha vida nunca mais foi a mesma. Quando penso naquele momento tão especial, sei que Deus estava agindo em minha vida bem antes que eu fosse capaz de conhecer e aceitar conceitos espirituais. O copo foi arriado através desse único ato da Providência e minha jornada pela sobriedade começou. Minha vida continua se expandindo com o cuidado e a direção divina. O Primeiro Passo, no qual admiti que era impotente perante o álcool, que tinha perdido o domínio de minha vida, tornou-se mais um significado para mim um dia de cada vez – na salvadora de vidas, vivificante Irmandade de Alcoólicos Anônimos.

O PASSO 100%

Somente o Primeiro Passo, onde admitimos inteiramente que somos impotentes perante o álcool, pode ser praticado com absoluta perfeição.

Muito antes de conseguir alcançar a sobriedade em A. A. eu sabia, sem nenhuma dúvida, que o álcool estava me matando mas, mesmo com esse conhecimento, fui incapaz de parar de beber. Assim, quando encarei o Primeiro Passo, foi fácil admitir que me faltava forças para não beber. Mas, que tinha perdido o domínio de minha vida? Nunca. Cinco meses após ter chegado em A. A. estava bebendo novamente e imaginando por quê.
Mais tarde, de volta a A. A. e sentindo a dor de minhas feridas, aprendi que o Primeiro Passo é o único que pode ser praticado 100%. E que a única maneira para praticá-lo é aceitar esse Passo 100%. Desde então, já se passaram muitas 24 horas e não precisei praticar novamente o Primeiro Passo.

ATINGINDO O FUNDO

Por que toda esta insistência que todo A. A. deve primeiro atingir o fundo do poço? A resposta é que poucas pessoas tentarão praticar programa de A. A. sinceramente, a menos que tenham chegado ao fundo. Pois praticar os restantes onze Passos do programa, significa a adoção de atitudes e ações que quase nenhum alcoólico que esta ainda bebendo pode sonhar em fazer.

Atingindo o fundo do poço minha mente abriu e fiquei disposto a tentar algo diferente. O que tentei foi A. A. Minha nova vida em A. A. pode-se comparar como aprender a andar de bicicleta pela primeira vez: A. A. tornou-se minha bicicleta de treinamento e minha mão de apoio. Não é que eu desejasse tanto a ajuda; simplesmente não queria voltar a sofrer essas coisas novamente. Meu desejo de evitar voltar ao fundo novamente foi mais forte que meu desejo de beber. No começo isso foi que me manteve sóbrio. Porém, após algum tempo, descobri a mim mesmo trabalhando os Passos o melhor que podia. Em breve percebi que minhas atitudes e ações estavam mudando aos poucos. Um Dia de Cada Vez, senti-me bem comigo mesmo, com os outros, e minhas feridas começaram a cicatrizar. Agradeço a Deus pela bicicleta de treinamento e a mão de apoio que escolhi chamar de Alcoólicos Anônimos.

UMA BEBIDA AJUDARIA?

Voltando atrás em nossas próprias história de bebida, não poderíamos mostrar que, anos antes de perceber, que estávamos fora de controle, que nossa maneira de beber, mesmo naquela época, não era apenas um hábito, mas era de fato o início da progressão fatal.

Quando eu ainda estava bebendo, não podia responder a qualquer situação da vida como podiam outras pessoas mais saudáveis. O menor incidente desencadeava um estado de espírito que, acredite, eu tinha que beber para entorpecer meus sentimentos. Mas o entorpecimento não melhorava a situação, então procurava uma saída na garrafa. Hoje preciso estar consciente do meu alcoolismo. Não posso me permitir acreditar que ganhei o controle sobre minha maneira de beber – ou novamente pensarei que ganhei o controle sobre minha vida. Tal sentimento de controle é fatal à minha recuperação.

HONESTIDADE RIGOROSA

Quem se dispõe a ser rigorosamente honesto e tolerante?
Quem se dispõe a confessar suas falhas a outra pessoa e a fazer reparações pelo danos causados? Quem se interessa, ao mínimo, por um Poder Superior, e ainda pela meditação e a oração? Quem se dispõe a sacrificar seu tempo e sua energia tentando levar a mensagem de A. A. ao próximo? Não, o alcoólico típico, egoísta ao extremo, pouco se interessa por estas medidas, a não ser que tenha de tomá-las para sobreviver.

Eu sou um alcoólico. Se eu beber eu morrerei. Meu Deus, que poder, energia e emoção esta simples declaração gera em mim! Mas, verdadeiramente, é tudo que preciso saber por hoje. Estou disposto a ficar vivo hoje? Estou disposto a ficar sóbrio hoje? Estou disposto a pedir ajuda e estou disposto a ajudar outro alcoólico que ainda sofre hoje? Descobri a natureza fatal de minha situação? O que devo fazer, hoje, para permanecer sóbrio?

PRIMEIRO PASSO

Admitimos… (“Nós” a primeira palavra do Primeiro Passo)

Quando eu bebia, tudo o que eu pensava era sempre “!Eu, Eu, Eu”, ou “Meu, Meu, Meu”. Tal obsessão do ser, tal doença da alma, tal egoísmo espiritual me escravizou à garrafa mais da metade de minha vida.
O caminho para encontrar Deus e fazer Sua vontade um dia de cada vez, começou com a primeira expressão do Primeiro Passo… “Nós”.
Havia poder, força e segurança no plural e para um alcoólico como eu, também havia vida. Se tivesse tentado me recuperar sozinho, provavelmente teria morrido. Com Deus e outro alcoólico tenho um propósito divino na minha vida… tornei-me um canal para o amor benéfico de Deus.

“A RAIZ PRINCIPAL” DE A. A.

O princípio de que não encontraremos qualquer força duradora sem que antes admitamos a derrota completa, é a raiz principal da qual germinou e floresceu nossa Irmandade.

Derrotado e sabendo disto, cheguei às portas de A. A. sozinho e com medo do desconhecido. Um Poder fora de mim mesmo havia me tirado de minha casa, guiou-me para uma lista telefônica, depois até a parada de ônibus e pelas portas de Alcoólicos Anônimos. Uma vez dentro de A. A. Experimentei uma sensação de ser amado e aceito, algo que não sentia desde a minha tenra infância.
Que nunca perca a sensação de milagre que experimentei nessa primeira noite com A. A., o maior evento de toda a minha vida.

(Fonte: Reflexões Diárias – paginas: 11-14-17-19-24-26-34-151-301)