Monthly Archives: Março 2014

BILL ESCREVE SOBRE A FÉ

Bill escreve sobre a Fé

Deus na forma em que O concebemos.

A frase “Deus na forma em que O concebemos” é talvez a expressão mais importante que pode se encontrada em todo o vocabulário de A.A. No âmbito dessas sete palavras significativas, podem ser incluídos todos os tipos e todas as intensidades da Fé, juntamente com a garantia positiva de que cada um de nós pode escolher sua própria Fé. Dificilmente menos valiosas para nós são aquelas expressões complementares – “um Poder Superior” e “um Poder Superior a nós mesmos”. Para todos aqueles que negam ou duvidam seriamente da existência de uma divindade, essas expressões levam a uma porta aberta para além da qual o incrédulo pode dar seu primeiro passo rumo a uma realidade até agora desconhecida para ele – o domínio da Fé.
Esses avanços constituem acontecimentos diários em A.A. Os eventos são ainda mais notáveis quando refletimos sobre o fato de que uma Fé funcional parecia anteriormente ser uma impossibilidade de primeira ordem, para talvez a metade da atual Irmandade de mais de 2.000.000 membros(**Quando na data desta Edição**). Tornou-se uma grande revelação para todos esses incrédulos que, assim que conseguiram depositar sua principal confiança em um poder superior – mesmo que esse poder fosse seu próprio Grupo de A.A.- eles haviam vencido aquele obstáculo que sempre mantivera a ampla estrada afastada da sua visão. Desse momento em diante – admitindo-se que eles tenham se empenhado com afinco em praticar o restante do programa de A.A., com a mente aberta e descontraída – havia surgido, às vezes inesperada e com frequência misteriosa, uma Fé ainda mais profunda e ampla.
Lamentamos muito que esses fatos da vida em A.A. não sejam compreendidos pela legião de alcoólicos do mundo que nos rodeia. Um número razoável desses alcoólicos continua atormentado pela triste convicção de que, se algum dia aproximar-se de A.A., será pressionado no sentido de obedecer a alguma determinada espécie de fé ou teologia. Essas pessoas simplesmente não perceberam que a Fé nunca foi uma exigência para a filiação em A.A., que a sobriedade pode ser conseguida com um mínimo de Fé facilmente aceitável e que nosso conceito de um poder superior e de Deus, na forma em que O concebemos, permite a todos uma escolha quase ilimitada no que diz respeito à crença e à ação espirituais.
A maneira de transmitir essa boa nova é um dos nossos problemas de comunicação mais desafiadores, para o qual pode ser que não exista nenhuma resposta rápida ou abrangente. Nossos serviços de informação ao público talvez pudesse começar a enfatizar mais intensamente esse aspecto da máxima importância de A.A. E poderíamos muito bem desenvolver, entre nossos próprios membros, uma conscientização mais compassiva em relação à penosa situação desses sofredores realmente isolados e desesperados. Ao socorrê-los, não podemos nos contentar com nada menos do que a melhor atitude possível e as ações mais engenhosas que possamos empreender.
Podemos também reexaminar o problema da ” falta de fé”, tal como ele existe bem à nossa porta. Embora mais de 2.000.000 membros tenham se recuperado durante os últimos trinta anos (**Quando na data desta Edição**), mais de meio milhão, talvez, tenha chegado até nós e depois se afastado. Alguns desses membros estavam, sem dúvida nenhuma, doentes demais até mesmo parar começar. Outros não conseguiram ou não quiseram admitir seu alcoolismo. Outros ainda não puderam encarar seus defeitos de caráter subjacentes. E muitos deles se afastaram por outras razões.
Mesmo assim, não podemos nos contentar com a ideia de que todos esses fracassos de recuperação tenham ocorrido interiormente por falha dos próprios recém-chegados. Muitos deles talvez não tenham recebido o tipo e a intensidade de apadrinhamento dos quais tanto necessitavam. Não nos comunicamos com eles quando podíamos tê-lo feito. Assim, nós, os AAs, falhamos com eles. Pode ser que, mais frequentemente do que pensamos, ainda não façamos nenhum contato em profundidade com aqueles que sofrem do dilema de falta de Fé.
Nenhum de nós é certamente mais sensível ao orgulho e à agressividade espirituais do que eles. Tenho certeza de que isso é algo que esquecemos frequentemente. Nos primeiros anos de A.A., eu quase arruinei todo o empreendimento com esse tipo de arrogância inconsciente. Deus como eu O concebia tinha que ser para todos. Minha agressividade era às vezes sutil e às vezes patente. Mas ela era de qualquer forma prejudicial – talvez fatalmente – para os inúmeros incrédulos. É claro que esse tipo de coisa não fica restrito ao trabalho de Décimo Segundo Passo. É algo muito propenso a contaminar nosso relacionamento com todo mundo. Mesmo hoje em dia, eu me flagro entoando o mesmo velho refrão gerador de barreiras, “Faça como eu faço, acredite como eu acredito – ou você vai se dar mal!”
Segue-se um exemplo recente do custo elevado do orgulho espiritual. Um candidato muito cabeça-dura foi levado à sua primeira reunião de A.A. O primeiro depoente pontificou sobre sua forma de beber. O candidato parecia impressionado. Os dois depoentes seguintes (talvez palestrantes) concentraram-se sobre “Deus na forma em que eu O concebo”. Isso também poderia ter sido bom, mas certamente não foi. O problema foi a atitude dos depoentes, a forma pela qual apresentaram suas experiências. Eles transpiravam arrogância. O último depoente foi na realidade longe demais sobre algumas das suas convicções teológicas pessoais. Os dois estavam repetindo com perfeita fidelidade o meu desempenho de anos atrás. Muito velada mas no entanto implícita em tudo que eles disseram, havia a mesma ideia – “Pessoal, preste atenção ao que eu digo. Nós possuímos a única mensagem verdadeira de A.A.- e é melhor que vocês aceitem!”
O novo candidato disse que bastava para ele – e bastava mesmo. Seu padrinho em perspectiva protestou que aquilo não era realmente A.A., mas já era tarde demais; ninguém poderia mais convencer o candidato após tal episódio. Ele tinha além disso um álibi de primeira classe para outra bebedeira. A última vez que ouvimos falar dele, parecia ser provável um encontro prematuro com a agente funerário.
Felizmente, essa agressão vinda dos companheiros, em nome da espiritualidade, não é observada com frequência hoje em dia. No entanto, esse triste e raro episódio pode ser convertido em aprendizado. Podemos nos perguntar se, de maneira menos óbvias mas não obstante destrutivas, não estaremos mais sujeitos a ataques de orgulho espiritual do que havíamos imaginado. Se isso for constantemente trabalhado, tenho certeza de que nenhum tipo de auto-questionamento poderia ser mais benéfico. Nada poderia incrementar com mais segurança nossas comunicações interpessoais e com Deus.
Um assim-chamado incrédulo fez-me ver isso muito claramente, há alguns anos atrás. Tratava-se de um médico e de um bom médico. Conheci-o e à sua mulher Mary, na casa de um amigo em uma cidade do meio-oeste. A ocasião era puramente social. A nossa Irmandade de alcoólicos era o meu único assunto e eu monopolizei em grande parte a conversa. Não obstante, o médico e sua mulher pareciam verdadeiramente interessados, fazendo-me ele muitas perguntas. Mas uma delas me fez suspeitar de que ele fosse um agnóstico ou talvez um ateu.
Isso me pôs em ação imediatamente e me decidi a convertê-lo, ali e naquele momento. Extremamente sério, eu na realidade me vangloriei da minha espetacular experiência espiritual no ano anterior. O médico perguntou-me gentilmente se essa experiência não poderia ter sido alguma coisa diferente daquilo que eu pensava. Isso me atingiu profundamente e eu fui abertamente indelicado. Não houvera nenhuma provocação real; o médico mantivera-se, bem humorado e até mesmo respeitoso durante todo o tempo. Sem nenhuma ansiedade, disse que frequentemente desejara ter ele também uma fé sólida. Mas era muito claro que eu não o havia convencido de nada.
Três anos depois visitei novamente o meu amigo do meio-oeste. Mary, a esposa do médico, apareceu também para uma rápida visita e eu soube que o médico havia morrido na semana anterior. Muito abalada, ela começou a falar do marido.
Ele era de uma distinta família de Boston e havia estudado em Harvard. Estudante brilhante, poderia ter obtido fama na sua profissão. Poderia ter desfrutado de uma clínica rica e de uma vida social entre seus velhos amigos. Ao invés disso, ele insistira em ser um médico de uma empresa em uma cidade industrial dilacerada por conflitos. Quando Mary lhe perguntava ocasionalmente por que não voltavam para Boston, ele segurava a mão dela e dizia: “Talvez você esteja certa, mas não consigo me convencer a sair daqui. Acho que as pessoas da empresa realmente precisam de mim”.
Mary recordou então que nunca ouvira seu marido reclamar seriamente acerca de nada ou criticar com amargura quem quer que fosse. Embora parecesse perfeitamente saudável, ele havia esmorecido nos últimos cinco anos. Quando Mary o estimulava a sair à noite ou tentava fazer com que chegasse ao consultório na hora, ele sempre apresentava uma desculpa plausível e bem-humorada. Até o momento da sua súbita e última doença, ela nunca soubera que ele era portador de problema cardíaco que o poderia matar a qualquer momento. Exceto por um único médico da sua própria equipe, ninguém tinha a menor suspeita do fato. Quando ela o recriminou sobre isso, ele simplesmente disse: “Bem, eu não vejo de que serviria levar as pessoas a se preocuparem comigo – especialmente você, querida”.
Esta é a história de um homem de grande valor espiritual. As marcas registradas disso estão à vista de todos: humor e paciência, delicadeza e coragem, humildade e dedicação, altruísmo e amor – uma demonstração de algo que eu talvez nunca viesse a igualar. Esse era o homem que eu havia repreendido e tratado com condescendência. Esse era o incrédulo a quem eu havia pretendido esclarecer!
Mary contou-nos essa história há mais de vinte anos. E foi então que, pela primeira vez, desabou sobre mim a percepção do quanto a Fé pode ser inútil – quando desacompanhada da responsabilidade. Aquele médico tinha uma Fé inabalável nos seus ideais. Mas ele também praticava a humildade, a sabedoria e a responsabilidade. E disso decorreria a extraordinária vivência daquele homem.
Meu próprio despertar espiritual havia me concedido uma Fé imanente em Deus – na realidade uma benção. Mas eu não tinha sido humilde nem sábio. Ao alardear minha Fé, eu havia esquecido meus ideais. O orgulho e a irresponsabilidade haviam tomado lugar desses ideais. Extinguindo dessa forma a minha própria luz, eu tinha pouca coisa a fornecer aos meus companheiros alcoólicos. Minha Fé era, portanto inútil para eles. Finalmente percebi porque muitos deles haviam se afastado – alguns para sempre.
A Fé é, portanto algo maior do que a nossa dádiva máxima, e compartilhar essa Fé com os outros é a maior responsabilidade. Assim, possamos nós de A.A. buscar continuamente a sabedoria e a boa-vontade através das quais poderemos corresponder àquela imensa confiança que o Doador de todas as dádivas perfeitas colocou em nossas mãos.

Bill escreve sobre a Fé

Deus na forma em que O concebemos.

A frase “Deus na forma em que O concebemos” é talvez a expressão mais importante que pode se encontrada em todo o vocabulário de A.A. No âmbito dessas sete palavras significativas, podem ser incluídos todos os tipos e todas as intensidades da Fé, juntamente com a garantia positiva de que cada um de nós pode escolher sua própria Fé. Dificilmente menos valiosas para nós são aquelas expressões complementares – “um Poder Superior” e “um Poder Superior a nós mesmos”. Para todos aqueles que negam ou duvidam seriamente da existência de uma divindade, essas expressões levam a uma porta aberta para além da qual o incrédulo pode dar seu primeiro passo rumo a uma realidade até agora desconhecida para ele – o domínio da Fé.

Esses avanços constituem acontecimentos diários em A.A. Os eventos são ainda mais notáveis quando refletimos sobre o fato de que uma Fé funcional parecia anteriormente ser uma impossibilidade de primeira ordem, para talvez a metade da atual Irmandade de mais de 2.000.000 membros(**Quando na data desta Edição**). Tornou-se uma grande revelação para todos esses incrédulos que, assim que conseguiram depositar sua principal confiança em um poder superior – mesmo que esse poder fosse seu próprio Grupo de A.A.- eles haviam vencido aquele obstáculo que sempre mantivera a ampla estrada afastada da sua visão. Desse momento em diante – admitindo-se que eles tenham se empenhado com afinco em praticar o restante do programa de A.A., com a mente aberta e descontraída – havia surgido, às vezes inesperada e com frequência misteriosa, uma Fé ainda mais profunda e ampla.

Lamentamos muito que esses fatos da vida em A.A. não sejam compreendidos pela legião de alcoólicos do mundo que nos rodeia. Um número razoável desses alcoólicos continua atormentado pela triste convicção de que, se algum dia aproximar-se de A.A., será pressionado no sentido de obedecer a alguma determinada espécie de fé ou teologia. Essas pessoas simplesmente não perceberam que a Fé nunca foi uma exigência para a filiação em A.A., que a sobriedade pode ser conseguida com um mínimo de Fé facilmente aceitável e que nosso conceito de um poder superior e de Deus, na forma em que O concebemos, permite a todos uma escolha quase ilimitada no que diz respeito à crença e à ação espirituais.

A maneira de transmitir essa boa nova é um dos nossos problemas de comunicação mais desafiadores, para o qual pode ser que não exista nenhuma resposta rápida ou abrangente. Nossos serviços de informação ao público talvez pudesse começar a enfatizar mais intensamente esse aspecto da máxima importância de A.A. E poderíamos muito bem desenvolver, entre nossos próprios membros, uma conscientização mais compassiva em relação à penosa situação desses sofredores realmente isolados e desesperados. Ao socorrê-los, não podemos nos contentar com nada menos do que a melhor atitude possível e as ações mais engenhosas que possamos empreender.

Podemos também reexaminar o problema da ” falta de fé”, tal como ele existe bem à nossa porta. Embora mais de 2.000.000 membros tenham se recuperado durante os últimos trinta anos (**Quando na data desta Edição**), mais de meio milhão, talvez, tenha chegado até nós e depois se afastado. Alguns desses membros estavam, sem dúvida nenhuma, doentes demais até mesmo parar começar. Outros não conseguiram ou não quiseram admitir seu alcoolismo. Outros ainda não puderam encarar seus defeitos de caráter subjacentes. E muitos deles se afastaram por outras razões.

Mesmo assim, não podemos nos contentar com a idéia de que todos esses fracassos de recuperação tenham ocorrido interiormente por falha dos próprios recém-chegados. Muitos deles talvez não tenham recebido o tipo e a intensidade de apadrinhamento dos quais tanto necessitavam. Não nos comunicamos com eles quando podíamos tê-lo feito. Assim, nós, os AAs, falhamos com eles. Pode ser que, mais frequentemente do que pensamos, ainda não façamos nenhum contato em profundidade com aqueles que sofrem do dilema de falta de Fé.

Nenhum de nós é certamente mais sensível ao orgulho e à agressividade espirituais do que eles. Tenho certeza de que isso é algo que esquecemos frequentemente. Nos primeiros anos de A.A., eu quase arruinei todo o empreendimento com esse tipo de arrogância inconsciente. Deus como eu O concebia tinha que ser para todos. Minha agressividade era às vezes sutil e às vezes patente. Mas ela era de qualquer forma prejudicial – talvez fatalmente – para os inúmeros incrédulos. É claro que esse tipo de coisa não fica restrito ao trabalho de Décimo Segundo Passo. É algo muito propenso a contaminar nosso relacionamento com todo mundo. Mesmo hoje em dia, eu me flagro entoando o mesmo velho refrão gerador de barreiras, “Faça como eu faço, acredite como eu acredito – ou você vai se dar mal!”

Segue-se um exemplo recente do custo elevado do orgulho espiritual. Um candidato muito cabeça-dura foi levado à sua primeira reunião de A.A. O primeiro depoente pontificou sobre sua forma de beber. O candidato parecia impressionado. Os dois depoentes seguintes(talvez palestristas) concentraram-se sobre “Deus na forma em que eu O concebo”. Isso também poderia ter sido bom, mas certamente não foi. O problema foi a atitude dos depoentes, a forma pela qual apresentaram suas experiências. Eles transpiravam arrogância. O último depoente foi na realidade longe demais sobre algumas das suas convicções teológicas pessoais. Os dois estavam repetindo com perfeita fidelidade o meu desempenho de anos atrás. Muito velada mas no entanto implícita em tudo que eles disseram, havia a mesma idéia – “Pessoal, preste atenção ao que eu digo. Nós possuímos a única mensagem verdadeira de A.A.- e é melhor que vocês aceitem!”

O novo candidato disse que bastava para ele – e bastava mesmo. Seu padrinho em perspectiva protestou que aquilo não era realmente A.A., mas já era tarde demais; ninguém poderia mais convencer o candidato após tal episódio. Ele tinha além disso um álibi de primeira classe para outra bebedeira. A última vez que ouvimos falar dele, parecia ser provável um encontro prematuro com a agente funerário.

Felizmente, essa agressão vinda dos companheiros, em nome da espiritualidade, não é observada com frequência hoje em dia. No entanto, esse triste e raro episódio pode ser convertido em aprendizado. Podemos nos perguntar se, de maneira menos óbvias mas não obstante destrutivas, não estaremos mais sujeitos a ataques de orgulho espiritual do que havíamos imaginado. Se isso for constantemente trabalhado, tenho certeza de que nenhum tipo de auto-questionamento poderia ser mais benéfico. Nada poderia incrementar com mais segurança nossas comunicações interpessoais e com Deus.

Um assim-chamado incrédulo fez-me ver isso muito claramente, há alguns anos atrás. Tratava-se de um médico e de um bom médico. Conheci-o e à sua mulher Mary, na casa de um amigo em uma cidade do meio-oeste. A ocasião era puramente social. A nossa Irmandade de alcoólicos era o meu único assunto e eu monopolizei em grande parte a conversa. Não obstante, o médico e sua mulher pareciam verdadeiramente interessados, fazendo-me ele muitas perguntas. Mas uma delas me fez suspeitar de que ele fosse um agnóstico ou talvez um ateu.

Isso me pôs em ação imediatamente e me decidi a convertê-lo, ali e naquele momento. Extremamente sério, eu na realidade me vangloriei da minha espetacular experiência espiritual no ano anterior. O médico perguntou-me gentilmente se essa experiência não poderia ter sido alguma coisa diferente daquilo que eu pensava. Isso me atingiu profundamente e eu fui abertamente indelicado. Não houvera nenhuma provocação real; o médico mantivera-se, bem humorado e até mesmo respeitoso durante todo o tempo. Sem nenhuma ansiedade, disse que frequentemente desejara ter ele também uma fé sólida. Mas era muito claro que eu não o havia convencido de nada.

Três anos depois visitei novamente o meu amigo do meio-oeste. Mary, a esposa do médico, apareceu também para uma rápida visita e eu soube que o médico havia morrido na semana anterior. Muito abalada, ela começou a falar do marido.

Ele era de uma distinta familia de Boston e havia estudado em Harvard. Estudante brilhante, poderia ter obtido fama na sua profissão. Poderia ter desfrutado de uma clínica rica e de uma vida social entre seus velhos amigos. Ao invés disso, ele insistira em ser um médico de uma empresa em uma cidade industrial dilacerada por conflitos. Quando Mary lhe perguntava ocasionalmente por que não voltavam para Boston, ele segurava a mão dela e dizia: “Talvez você esteja certa, mas não consigo me convencer a sair daqui. Acho que as pessoas da empresa realmente precisam de mim”.

Mary recordou então que nunca ouvira seu marido reclamar seriamente acerca de nada ou criticar com amargura quem quer que fosse. Embora parecesse perfeitamente saudável, ele havia esmorecido nos últimos cinco anos. Quando Mary o estimulava a sair à noite ou tentava fazer com que chegasse ao consultório na hora, ele sempre apresentava uma desculpa plausível e bem-humorada. Até o momento da sua súbita e última doença, ela nunca soubera que ele era portador de problema cardíaco que o poderia matar a qualquer momento. Exceto por um único médico da sua própria equipe, ninguém tinha a menor suspeita do fato. Quando ela o recriminou sobre isso, ele simplesmente disse: “Bem, eu não vejo de que serviria levar as pessoas a se preocuparem comigo – especialmente você, querida”.

Esta é a história de um homem de grande valor espiritual. As marcas registradas disso estão à vista de todos: humor e paciência, delicadeza e coragem, humildade e dedicação, altruísmo e amor – uma demonstração de algo que eu talvez nunca viesse a igualar. Esse era o homem que eu havia repreendido e tratado com condescendência. Esse era o incrédulo a quem eu havia pretendido esclarecer!

Mary contou-nos essa história há mais de vinte anos. E foi então que, pela primeira vez, desabou sobre mim a percepção do quanto a Fé pode ser inútil – quando desacompanhada da responsabilidade. Aquele médico tinha uma Fé inabalável nos seus ideais. Mas ele também praticava a humildade, a sabedoria e a responsabilidade. E disso decorreria a extraordinária vivência daquele homem.
Meu próprio despertar espiritual havia me concedido uma Fé imanente em Deus – na realidade uma benção. Mas eu não tinha sido humilde nem sábio. Ao alardear minha Fé, eu havia esquecido meus ideais. O orgulho e a irresponsabilidade haviam tomado lugar desses ideais. Extinguindo dessa forma a minha própria luz, eu tinha pouca coisa a fornecer aos meus companheiros alcoólicos. Minha Fé era, portanto inútil para eles. Finalmente percebi porque muitos deles haviam se afastado – alguns para sempre.

A Fé é, portanto algo maior do que a nossa dádiva máxima, e compartilhar essa Fé com os outros é a maior responsabilidade. Assim, possamos nós de A.A. buscar continuamente a sabedoria e a boa-vontade através das quais poderemos corresponder àquela imensa confiança que o Doador de todas as dádivas perfeitas colocou em nossas mãos.

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ALCANÇAR A SOBRIEDADE – 2º PASSO DE A.A.

ALCANÇAR A SOBRIEDADE
2º PASSO DE A.A.

Os “Doze Passos” são o núcleo do programa de recuperação individual de AA. Não são teorias abstratas: baseiam-se na experiência dos primeiros membros de AA que lá chegaram por tentativas, umas bem sucedidas e outras falhadas. Descrevem a atitude e as atividades que esses primeiros membros acharam importantes para alcançarem a sobriedade. Aceitar os “Doze Passos” não é, de forma nenhuma obrigatório.
No entanto, a experiência sugere que os membros que se esforçam honestamente por seguir estes Passos e por aplicá-los na sua vida diária, vão muito mais longe em AA do que aqueles que apenas os encaram com ligeireza. Tem-se dito que é impossível seguir à letra todos os Passos dia a dia. Embora isto possa ser verdade, na medida em que os Doze Passos refletem uma aproximação à vida que é totalmente nova para a maioria dos alcoólicos, muitos membros de AA sentem que os Passos são uma necessidade prática para manterem a sua sobriedade.

SEGUNDO PASSO
“Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos a sanidade.”

Em que podemos acreditar? A.A. não exige crença; os Doze Passos são apenas sugestões. A importância de ter a mente aberta. A variedade de caminhos em direção à fé. Substituição por A.A. como força superior. A má situação dos desiludidos. As barreiras da indiferença e do preconceito. A fé perdida e reencontrada em A.A. Problemas do intelectualismo e da autossuficiência. Pensamentos negativos e positivos. A honestidade. O desdém é uma característica saliente dos alcoólicos. O Segundo Passo é um ponto de reagrupamento em direção à sanidade. É a relação certa com Deus.

SEGUNDO PASSO

“Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos a sanidade.”

A partir do momento em que lê o Segundo Passo, a maioria dos novos em A.A. enfrenta um dilema, às vezes bastante sério. Quantas vezes os temos ouvido reclamar: “olhem o que vocês fizeram conosco. Convenceram-nos de que somos alcoólicos e que nossas vidas são ingovernáveis. Havendo nos reduzido a um estado de desespero absoluto, agora nos informam que somente um Poder Superior poderá resolver nossa obsessão. Alguns de nós se recusam a acreditar em Deus, outros não conseguem acreditar e ainda outros acreditam na existência de Deus, mas de forma alguma confiam que Ele levará a cabo este milagre. Pois é, nos meteram num buraco sem saída, tudo bem, mas e agora, para onde vamos?”

Olhemos primeiro o caso daquele que diz que se recusa a acreditar – o caso do beligerante. Encontra-se num estado de espírito que só poderia denominar de selvagem. Está ameaçada toda a sua filosofia de vida, da qual tanto se gabava. Já não é fácil, pensa ele, admitir que está permanentemente vencido pelo álcool. Mas agora, ainda ferido por esta admissão, ele enfrenta algo realmente impossível. Gosta de abrigar a ideia de que o homem, elevado majestosamente de uma simples e primitiva célula, é hoje a ponta de lança da evolução e, portanto, o único deus que ele conhece. Precisa renunciar a tudo isto para se salvar?

A esta altura, seu padrinho em A.A. geralmente se põe a rir. E isto, pensa o recém-chegado, é o “fim da picada”. Pelo menos o começo do fim. E é mesmo: é o começo do fim da sua vida anterior, e o começo de sua entrada para uma nova vida. seu padrinho provavelmente lhe diz: “Calma, calma. O obstáculo que você deverá saltar não é tão alto quanto parece. Pelo menos para mim não o foi. E nem o foi para um amigo meu, que antes era vice-presidente da Sociedade Ateia Americana. Ele o superou tranquilamente.” “Bem”, diz o recém-chegado, “sei que está contando a verdade”. Sem dúvida é um fato que A.A. está cheio de gente que antes pensava como eu. Mas como, nestas circunstâncias, pode alguém ir com calma? É isso o que eu quero saber.”

“É uma boa pergunta mesmo”, concorda o padrinho. “Acho que poderia lhe dizer como se acalmar. E nem terá que se esforçar muito. Faça o favor de escutar estas três afirmações. Em primeiro lugar, Alcoólicos Anônimos não exige que você acredite em coisa alguma. Todos os Doze Passos são apenas sugestões. Em segundo lugar, para alcançar a sobriedade e para manter-se sóbrio, não é preciso aceitar todo o Segundo Passo de uma vez. Olhando para o passado, vejo que eu mesmo o aceitei aos pedaços. Em terceiro lugar, a única coisa que você realmente precisa ter é a mente aberta. Portanto, desista dos debates e pare de se incomodar com questões profundas como, por exemplo, se foi a galinha ou o ovo que surgiu primeiro. Volto a repetir, a única coisa que você precisa é ter a mente aberta.”

O padrinho continua. “Tome por exemplo, o meu caso. Tive uma educação científica. Logo, respeitava, venerava, até adorava a ciência. Aliás, faço isso até hoje, tudo menos na parte da adoração. Vezes sem conta, meus professores apontavam o princípio básico de todo o progresso científico: `procure e pesquise sem descanso, mas sempre com a mente aberta. Quando deparei com A.A. pela primeira vez, minha reação foi igual à sua. Este negócio de A.A., pensei, é totalmente anticientífico. Isto eu não posso tragar. Simplesmente recuso-me considerar tal bobagem.

Então despertei. Tive de admitir que A.A. mostrava resultados, prodigiosos resultados. Percebi que minha atitude frente a esses resultados havia sido nada científica. Não era A.A. que tinha a mente fechada, era eu. A partir do momento que desisti de argumentar, comecei a ver e a sentir. Nesse instante, o Segundo Passo, sutil e gradualmente, começou a se infiltrar na minha vida. não posso dizer a ocasião e a data em que vim acreditar num Poder superior a mim, mas certamente tenho essa crença agora. Para adquiri-la, bastou-me parar de lutar e praticar o resto do programa de A.A. com o maior entusiasmo de que dispunha. É claro que isso não passa da opinião de uma pessoa, baseada na própria experiência. Preciso assegurar-lhe, desde já, que os membros de A.A. seguem inúmeros caminhos à procura de fé. Se não interessar aquele que lhe sugeri, certamente descobrirá outro que lhe convirá, se ficar atento. Muitas pessoas como você começaram a resolver o problema pelo método da substituição. Poderá, se quiser, considerar A.A. em si como sua força superior. Nele se encontra um grande número de pessoas que resolveram seus problemas com álcool. Nesse sentido, certamente representam um poder superior a você, que nem sequer chegou perto de uma solução. Seguramente poderá depositar sua fé neles. Mesmo esse mínimo de fé bastará. Encontrará muitos membros que desta maneira atravessaram a barreira inicial. Todos lhe dirão que, uma vez do outro lado, sua fé se ampliou e se aprofundou. Libertados da obsessão pelo álcool, com suas vidas inexplicavelmente transformadas, chegaram a acreditar num Poder superior, e a maioria começou a falarem Deus.”

Consideremos, agora, a situação daqueles que já tiveram fé e a perderam. Existirão aqueles que se deixaram levar pela indiferença, aqueles que estão cheios de autossuficiência e que se afastaram de uma vez, aqueles que desenvolveram um preconceito contra a religião e aqueles que se encontram em plena rebelião porque Deus não satisfez suas exigências. Poderá a experiência de A.A. dizer a todos estes que ainda poderão encontrar uma fé que funciona?

Às vezes, A.A. é aceito com maior dificuldade pelos que perderam ou rejeitaram a fé, do que pelos que nunca a tiveram, pois acham que já experimentaram a fé e não lhes serviu. Experimentaram viver com fé e sem fé. E, em vista de que ambas as maneiras os decepcionaram amargamente, concluíram que não havia mais para onde ir. As barreiras da indiferença, da presumida autossuficiência, do preconceito e do desprezo provaram ser com frequência, mais sólidas e formidáveis para estas pessoas que qualquer barreira construída pelo agnóstico duvidoso ou pelo ateu militante. A religião afirma que a existência de Deus pode ser comprovada; o agnóstico diz que não pode ser comprovada, o ateu afirma que tem provas da inexistência de Deus. Evidentemente, o problema daquele que se afasta da fé é de uma confusão profunda. Acha-se desprovido do conforto de qualquer crença. Nem sequer num grau mínimo consegue alcançar a convicção do crente, do agnóstico ou do ateu. O desnorteado é ele.

Alguns AAs podem dizer para o indeciso: “Sim, nós também chegamos a achar graça da nossa fé infantil. O excesso de confiança da juventude era muito para nós. Naturalmente, estávamos satisfeitos com a boa educação familiar e religiosa que nos legaram certos valores. Estávamos até certos de que deveríamos ser bastante honestos, tolerantes e justos, que deveríamos ser ambiciosos e trabalhadores. Estávamos convencidos de que estas simples regras de justiça e decência seriam suficientes. Ao começarmos a obter certo êxito material, baseados apenas nesses atributos comuns, achávamos que estávamos ganhando no jogo da vida. estávamos estimulados e isto nos fazia felizes. Por que nos preocupar com abstrações teológicas e deveres religiosos, ou com o estado de nossas almas na terra e no além? Bastava-nos o aqui e o agora. A vontade de ganhar nos levaria para frente. Então, o álcool começou a nos dominar. Finalmente, quando todos os nossos talões de pontos marcavam “zero” e verificamos que mais um gol nos colocaria fora do jogo para sempre, foi necessário que saíssemos à procura de nossa fé perdida. Foi em A.A. que a descobrimos de novo. E você poderá descobri-la também.”

Agora chegamos a outro tipo de problema: o homem ou a mulher intelectualmente autossuficiente. A estes, muitos membros de A.A. podem dizer: “Sim, éramos como vocês: inteligentes demais para o nosso próprio bem. Adorávamos ouvir as pessoas nos chamarem de precoces. Usávamos nossa educação para nos inflar em balões orgulhosos, embora cuidássemos de esconder isso dos outros. Secretamente, achávamos que podíamos flutuar acima dos outros utilizando apenas o poder de nossos cérebros. O progresso científico nos dizia que nada estava além do alcance do homem. A sabedoria era onipotente. O intelecto era capaz de conquistar a natureza. . por sermos mais vivos do que a maioria (assim nos considerávamos), os espólios da vitória seriam nossos, automaticamente. O deus do intelecto substituía o Deus de nossos pais. Porém, mais uma vez, a cachaça tinha outras ideias. Nós, que tão brilhantemente havíamos vencido sem esforços, nos convertemos nos maiores derrotados de todos os tempos. Vimos que seria necessário reconsiderar, senão morreríamos. Encontramos muitos em A.A. que antes pensavam como nós. Ajudaram-nos a voltar ao nosso verdadeiro tamanho. Com o exemplo deles, nos mostraram que a humildade e o intelecto poderiam ser compatíveis, conquanto a humildade estivesse em primeiro plano. Quando começamos a entender isso, recebemos a dádiva da fé, uma fé que funciona. Fé que também está a sua disposição.”

Um outro grupo de membros de A.A. diz: “Estávamos desenganados com a religião e todas as suas obras. A Bíblia, dizíamos, sem contudo conseguir distinguir os beatos dos benditos. Em certas partes, sua moralidade era incrivelmente boa, e em outras, má até o impossível. Porém, o que realmente nos decepcionou foi a moralidade dos religiosos. Olhávamos com maligna satisfação para a hipocrisia, os preconceitos e o orgulho opressor com que se vestiam tantos “crentes”. Como gostávamos de apregoar o fato prejudicial de que milhares de “bons homens da religião” ainda matavam uns aos outros em nome de Deus. Tudo isso significava, é claro, que havíamos substituído pensamentos positivos por pensamentos negativos. Depois de chegar em A.A., tivemos de reconhecer que este defeito havia servido para alimentar nosso ego. Enquanto criticávamos os pecados de algumas pessoas religiosas, podíamos nos sentir superiores a todas elas. Além do mais, podíamos escapar à necessidade de olhar para os nossos próprios defeitos. A hipocrisia, justamente o que havíamos condenado com desdém nos outros, era o nosso próprio pecado obstruidor. Esta falsa forma de respeitabilidade foi a nossa desgraça. Esta falsa forma de respeitabilidade foi a nossa desgraça, no tocante à fé. Contudo, compelidos ao A.A., acabamos por aprender melhor.

Como os psiquiatras muitas vezes observaram, o desfio é a característica predominante de muitos alcoólicos. Não é portanto de se admirar que muitos de nós tenham passado bastante tempo desafiando o próprio Deus. Às vezes, era porque Deus não nos entregara as coisas boas da vida que encomendáramos, da mesma maneira que uma criança que sempre quer mais faz uma relação sem fim de encomendas para Papai Noel. A maior parte das vezes, contudo, havíamos deparado com uma grande desgraça que, ao nosso ver, nos havia acontecido porque Deus nos havia abandonado. A moça com a qual queríamos casar se interessa por outro; rezamos a Deus para que ela mudasse de opinião, mas não mudou. Rezamos para ter filhos saudáveis e ganhamos filhos doentes, ou então não conseguimos ter filho algum. Rezamos por melhorias nos negócios e não vieram. Nossos entes queridos, dos quais muito dependíamos, foram levados por “atos de Deus”. Então, nos convertemos em bêbados e rezamos a Deus para que nos salvasse. E nada aconteceu. Essa era a falha mais impiedosa de todas. “Para o diabo com este negócio de fé”, dizíamos.

Quando encontramos A.A., nos foi revelado o erro de nossa rebeldia. Em nenhum momento havíamos pedido para saber qual seria a vontade de Deus para conosco; ao contrário, vivíamos dizendo-lhe o que deveria ser. Reconhecemos que nenhum homem poderia acreditar em Deus e desafiá-lo ao mesmo tempo. A crença significava a confiança e não o desafio. Em A.A. vimos os frutos dessa crença: homens e mulheres salvos da última catástrofe do álcool. Vimo-los enfrentar e superar suas dores e suas provas. Vimo-los aceitar com calma situações impossíveis, sem o desejo de fugir ou de recriminar. Isto não era apenas fé; era uma fé que funcionava sob todas as condições. Logo concluímos que, fosse qual fosse o preço da humildade que tivéssemos de pagar, nós o pagaríamos. Agora, tomemos o cara “cheio de fé”, embora cheirando a álcool. Ele se considera devoto. Suas observâncias religiosas são cuidadosas. Tem certeza de que ainda acredita em Deus, embora suspeite que Deus não acredita nele. Faz promessas e mais promessas para não beber. Após cada uma, não só volta a beber, como também se comporta pior do que antes. Tenta, valentemente, lutar contra o álcool, implorando pela ajuda de Deus. Mas a ajuda não vem. Então, o que se passa com ele?

Para os clérigos, os médicos, os amigos e os parentes, o alcoólico bem intencionado que se esforça bastante, é um enigma doloroso, mas para a maioria dos membros de A.A., não o é. Somos muitos os que já fomos como ele e encontramos a chave do enigma. Esta chave tem que vir com a qualidade da fé e não com o volume da prática religiosa. Esse foi o nosso ponto cego. Acreditávamos ser humildes quando não o éramos. Considerávamos haver praticado a sério nossas religiões, conquanto, após uma apreciação honesta, reconhecemos que havíamos sido apenas superficiais. Ou, indo ao outro extremo, havíamos nos banhado de emocionalismo, confundindo este com os verdadeiros sentimentos religiosos. Em ambos os casos, estávamos querendo receber sem dar. A verdade é que não havíamos varrido nossa casa interior para que Deus entrasse em nós e expulsasse a obsessão. Jamais havíamos, no sentido profundo e significativo, nos examinado. Jamais havíamos reparado os danos que havíamos causado aos outros, ou dado livremente de nós a qualquer outro ser humano, sem pedir algo em troca. Nem sequer havíamos aprendido a rezar de maneira certa. Sempre havíamos dito: “Concedei-me as coisas que eu desejo”, em vez de: “Seja feita a Vossa vontade”. Ignorávamos por completo o verdadeiro amor a Deus e ao semelhante. Assim, enganamos a nós mesmos e permanecemos incapazes de receber a graça suficiente para nos devolver à sanidade.

Pouquíssimos são os alcoólicos ativos que têm consciência do grau da sua maluquice ou, percebendo-a, têm a coragem de enfrentá-la. Alguns estarão dispostos a se classificarem de “bebedores-problema”, mas não aceitarão a simples insinuação de que estão mentalmente doentes. São amparados nesta cegueira por um mundo que não compreende a diferença entre o beber racional e o alcoolismo. A “sanidade” se define como “saúde mental”. Contudo, nenhum alcoólico, analisando sobriamente seu comportamento destrutivo, poderia se considerar possuidor de “saúde mental”, caísse a destruição sobre um objeto ou sobre sua estrutura moral. Portanto, o Segundo Passo é o ponto de reagrupamento para todos nós. Sejamos agnósticos, ateus ou ex crentes podemos nos agrupar neste passo. A verdadeira humildade e a mente aberta poderão nos conduzir à fé, e toda reunião de A.A. é uma segurança de que Deus nos levará de volta à sanidade, se soubermos nos relacionar corretamente com Ele.

SEGUNDO PASSO.

“VIEMOS A ACREDITAR QUE UM PODER SUPERIOR A NÓS MESMOS PODERIA DEVOLVER-NOS À SANIDADE”.
Por: Emílio M.

01. O que e como entendo e tento praticar o Segundo Passo nesta data em meu e não no de A.A. (Enumero os parágrafos para facilitar os debates nos Seminários).

02. Iniciando, gostaria de citar o filósofo espanhol, Unamuno Y Jugo: “Aquele Que Nega Deus, O Nega Por Causa Do Seu Desespero Por Não Encontrá-LO”.

03. Preciso ser cauteloso, sensato e prudente ao falar deste Passo para o recém – ingresso. Para ele não confundir A.A. com uma religião ou seita. Se isto acontecer é possível ele abandonar a Irmandade e encontrar a morte lá fora. Pois a maioria dos alcoólatras já tentaram saídas desta natureza e não obtiveram êxito.

04. O A.A. não é e nem jamais se transformará numa religião ou seita. Mas, um programa de vida privilegiando a espiritualidade e não a religiosidade. No obstante, ao falar do Poder Superior, devo fazê-lo sem timidez, com convicção, entusiasmo e com firmeza, pois somente Ele poderá devolver-nos à sanidade. Isto não é mera teoria ou abstração, mas uma realidade comprovada por milhões de companheiros em recuperação. A ciência reconhece a importância da fé e da crença para convivermos com esta nossa doença. Citarei apenas alguns cientistas que abordam o tema:

a – Dr. William James, doutorado em medicina pela Universidade Harvard, em 1869, na qual era instrutor de fisiologia e titular de filosofia. Dedicou-se muito à psicologia fisiológica. Médico, psicólogo, filósofo, cientista, pesquisador e escritor, americano mundialmente reconhecido, em seu livro – “A Variedade Da Experiência Religiosa”, (livro de cabeceira de Bill W.) na página 182 escreveu: “Um paraíso de tranquilidade interior parece ser o resultado usual da fé; e para nós é fácil compreendê-lo, ainda que não sejamos religiosos. Há pouco, ao tratar do sentido da presença de Deus, falei da inexplicável sensação de segurança que então podemos experimentar. E, de feito, como será possível não se acalmarem os nervos, não se esfriar a febre, não se abrandar a aflição, se estamos sensivelmente cônscios de que, sejam quais forem as nossas dificuldades do momento, nossa vida está toda nas mãos de um poder em que podemos confiar de forma absoluta?”

b – Dr. Carl Gustav Jung, médico, psiquiatra, psicólogo, cientista, pesquisador e escritor suíço que, durante quatro anos tratou o norte americano Rolland H, sem o menor sucesso, declarou: “Rolland, cheguei à conclusão de que, à luz da medicina e da psicologia, o teu alcoolismo é um caso perdido. A única solução que antevejo para você é a seguinte: “Procure um programa espiritual que lhe desinfle o ego e lhe desenvolva a espiritualidade. Faça isso ou o alcoolismo o levará à morte”. Foi assim, desenganado pela ciência, que Rolland H. retornou aos USA e ingressou, graças a sugestão deste cientista, num dos Grupos Oxford, onde recuperou-se.
Referindo-me, ainda, ao Dr. Jung, quero transcrever o último trecho da carta – resposta dele para o Bill. Escrita em 30 de janeiro de 1961, sete dias após o recebimento da carta em que Bill lhe contava e agradecia da sua contribuição indireta para a formação de A.A., quando daquela conversa mantida com o seu ex cliente Rolland H: “Como vê, álcool em latim quer dizer ‘spiritus’ e se utiliza a mesma palavra para designar a experiência religiosa mais elevada, como para o veneno mais devastador. Uma fórmula útil, portanto, é: ‘Spiritus Contra Spiritum’”. A.A. Descobriu!

c – Dr. Harry Tiebout, médico psiquiatra, pesquisador e escritor, membro da Associação Psiquiátrica Americana, também faz referências à recuperações através do desenvolvimento da espiritualidade. É ele o autor de: “Os Fatores Do Ego Na Rendição Diante Do Alcoolismo”.

d – Dr. William Ducan Silkworth, psiquiatra, pioneiro no tratamento do alcoolismo. Foi ele que internou e tratou Bill W por longo tempo. Quando do último internamento, o Dr. Silk explicou à Lois, esposa de Bill, a sua desesperança quanto à recuperação do mesmo. Ao tomar conhecimento deste veredicto médico, Bill W., ainda suportando a duras penas a síndrome de abstinência, relata esta experiência: “Minha depressão aumentou de forma insuportável, até que finalmente me pareceu estar no mais obscuro fundo de minha vida. Eu ainda resistia muito à ideia de um Poder Superior a mim mesmo, mas finalmente chegou o momento e o último vestígio de minha orgulhosa obstinação foi esmagado. Imediatamente me encontrei exclamando: ‘Se existe um Deus, que Ele se manifeste! Estou pronto para fazer qualquer coisa, qualquer coisa!’
De repente, o quarto se encheu de uma forte Luz. Mergulhei-me num êxtase, que não há palavras para descrevê-lo. Pareceu-me, com os olhos de minha mente, que eu estava numa montanha e que soprava um vento, não de ar, mas de espírito. E daí tive a sensação de que era um homem livre. Lentamente o êxtase passou. Eu estava deitado na cama, mas agora por instantes me encontrava em outro mundo, um mundo novo de conscientização. A meu redor e dentro de mim, havia uma maravilhosa sensação de presença, e pensei comigo mesmo: ‘Então, esse é o Deus dos pregadores! Uma grande paz tomou conta de mim e pensei’: ‘Não importa quão erradas as coisas pareçam ser, elas ainda são certas. As coisas são certas com Deus e seu mundo’.
Então, pouco a pouco, comecei a ficar assustado. Minha educação moderna arrastou-me para trás e me disse: ‘Você está tendo alucinações. É melhor você chamar o médico.’ O Dr. Silkworth me fez muitas perguntas, e depois de alguns minutos disse: ‘Não, Bill, você não está louco. Aconteceu aqui algum fato, a nível psicológico ou espiritual. Tenho lido a respeito dessas coisas nos livros. Às vezes, as experiências espirituais libertam pessoas do alcoolismo.’ Muito aliviado, comecei a me perguntar o que na verdade tinha acontecido.
No dia seguinte, surgiu mais luz a respeito disso. Creio que foi Ebby que me trouxe um exemplar do livro de William James – ‘A Variedade Da Experiência Religiosa’. Foi uma leitura bastante difícil para mim, mas a devorei do começo ao fim”.
Bill W., no dia 11 de dezembro de 1 934, data da sua última internação, tomou seu último pileque, completado com quatro cervejas compradas à fiado, à caminho do Hospital Towns de New York. A partir desta data, nunca mais bebeu. Mantendo uma profícua e serena sobriedade por 37 anos e 44 dias. (Ele nasceu em 26 de novembro de 1895, na cidade de East Dorset, estado de Vermont – USA, – no mesmo Estado natal do Dr. Bob S. – e faleceu com 75 anos idade, em 24 de janeiro de 1971, justamente no dia de aniversário de seu casamento com Lois).
Bill W. comenta sobre o despertar espiritual ‘repentino’ e o ‘gradual’: “Embora muitos teólogos afirmem que as súbitas experiências espirituais levem a distinção especial ou a algum tipo de ordenação divina, eu questiono esse ponto de vista. Todo ser humano, qualquer seja sejam seus atributos para o bem ou para o mal, é uma parte da economia espiritual divina. Portanto, cada um de nós tem seu lugar, e não posso aceitar que Deus pretenda exaltar um mais do que o outro.
Dessa forma, é preciso que todos nós aceitemos qualquer dádiva positiva que recebamos, com profunda humildade, tendo sempre em mente que nossas atitudes negativas foram em primeiro lugar necessárias, como um meio de nos reduzir a estado tal que nos deixasse prontos para receber uma dádiva positiva, através da experiência da conversão. Nosso próprio alcoolismo e a imensa deflação, que finalmente daí resultou, constituem na verdade a base sobre a qual repousa nossa experiência espiritual”.
O Pe. Ed. Afirmou: “Está mencionado no Décimo Segundo Passo e no Segundo Passo de uma outra maneira. Agora a experiência pode ser de dois tipos. Um tipo é o do conhecimento repentino e passivo, como a experiência de Bill e a história que foi escrita no Grapevine daquela véspera de Natal em Chicago. Todas essas estão no exemplo válido da visão repentina de Saulo, na estrada de Damasco, onde subitamente foi atingido por uma luz e caiu por terra. Há outros tipos, provavelmente mais do agrado de Deus, uma vez que são mais comuns e essas são as que observamos todos os dias. ‘Eu estou sóbrio hoje’. Esta reunião, nesta manhã, esta convenção, nesta semana, como a experiência mostra, nasceu do sofrimento. Na noite anterior, Bernard Smith, Presidente dos Custódios de A.A. disse algo que para mim foi tão bom que até anotei. Ele disse: ‘A tragédia de nossas vida é tão grande quanto é nosso sofrimento, até que aprendamos as verdades elementares pelas quais possamos viver’.

e – Dr. Paul de Kruif, psiquiatra alemão, autor de trabalhos de grande valor científico e literário, como: ‘Os Caçadores De Micróbios’, ‘Vida Entre Médicos’, entre outros, em seu artigo sobre A.A. – ‘Mesmo Você Não É Deus’, escreveu: ‘O Remédio De A.A. É Deus E Somente Deus. Este É O Grande Descobrimento’. E depois de contar como conheceu o A.A., por intermédio de dois companheiros nossos, Earl e Ward, e, após sentir de perto toda a transformação espiritual pela qual passaram, a ponto de admirá-los e achá-los ‘diferentes’ dos outros seres, ‘gêmeos espiritualmente’ acrescentou: “Para uma nova espécie de doente, uma nova espécie de médico. É nisso que se resume, para mim, o mistério de A.A.”.

05. Com minha experiência constatei que, realmente, para uma doença incurável, sui generis e muito especial, somente um Médico muito mais especial – Deus conforme O concebo. Se n‘Ele eu quiser acreditar e com Ele colaborar, terei de volta tudo quanto o álcool me surrupiou como: pais, irmãos, namorada ou esposa, filhos, dinheiro, emprego, casa, automóvel, comida, amigos, religião, conforto, saúde, dignidade e a própria vida. Agora premiada com a sobriedade, a serenidade, a felicidade e plena de utilidade para mim, para os meus e para a comunidade. Uma vida com conhecimentos forjados na dor e no sofrimento, qualificando-me para ajudar outros alcoólicos.

06. Vejamos o que disse Samuel Shoemaker: “Deus está muito mais interessado para nos ajudar do que nós para sermos ajudados. Ele não transgride a liberdade do homem, e nós podemos rejeitá-LO, negá-LO e ignorá-LO, por quanto tempo quisermos. Mas quando abrimos a porta numa pesquisa espiritual, com nossas vidas inteiras atiradas nela, nós O encontraremos sempre pronto para receber nossa mais tímida aproximação e nossas orações muitas vezes egoístas e infantis, bem como nossos indignos egos. Ele está sempre disposto a chegar a um acordo conosco. A aproximação experimental parece, para mim, ser a essência de nossa descoberta da ajuda de um poder superior. Primeiro nos apoiamos em outro ser humano que parece ter encontrado a resposta, e, então, nos apoiamos no Poder superior que se encontra atrás desse ser humano”.

07. Preciso entender as dificuldades iniciais daquele que chega e orientá-lo como poderá derrotar o dilema da derrota, através da gradativa prática deste Passo da crença e da esperança.
“No mais profundo de cada homem, mulher e criança está a ideia fundamental de um Deus. Ela pode estar obscurecida pela calamidade, pela pompa, pela adoração de outras coisas, mas de uma forma ou outra ela está ali, pois a fé é um Poder Superior a nós mesmos e as demonstrações milagrosas desse Poder, nas vidas humanas, são fatos tão antigos como a própria humanidade”.
“A fé pode muitas vezes ser dada através de ensinamentos inspirados ou de um convincente exemplo pessoal de seus frutos. Pode às vezes ser obtida através da razão. Por exemplo, muitos clérigos acreditam que São Tomás de Aquino provou realmente a existência de Deus por pura lógica. Mas o que pode uma pessoa fazer quando todos esses meios falham? Esse era meu doloroso dilema. Foi somente quando cheguei a acreditar firmemente que era impotente perante o álcool, somente quando apelei para um Deus que poderia existir, que experimentei um despertar espiritual. Essa experiência libertadora veio primeiro, em seguida veio a fé – na verdade, uma dádiva”!

08. “Alguns de nós se recusam a acreditar em Deus, outros não conseguem acreditar e ainda outros acreditam na existência de Deus, mas de forma alguma confiam que Ele levará a cabo este milagre”.

09. Para aquele que se recusa a acreditar em Deus, que é um arrogante, autossuficiente, sinceramente iludido, insistindo em vencer pela sua própria força de vontade, ignorando que esta lhe foi anulada pelo álcool; arrogando-se ser o próprio deus, explico-lhe, com minhas próprias palavras, quatro aspectos intimamente relacionados ao Segundo Passo:

a – A.A. não exige, apenas sugere uma crença e todos os Passos são meras sugestões;

b – para obter e manter a sobriedade pode aceitar aos poucos o proposto neste Passo;

c – é fundamental parar com questionamentos profundos, manter a mente aberta, sem jamais fechar a questão até que possa amadurecer bem a ideia. Posso explicar-lhe que agnósticos e ex ateus, até Diretores De Sociedades Ateias, hoje AAs. recuperados, falam em Deus com uma convicção capaz de convencer até as pedras e;

d – que ele pode usar o método da substituição. Isto é, no início recorrer ao poder da natureza, da força do átomo, do grupo ou do A.A. como um todo, pois são forças superiores a ele mesmo. Em A.A. dizemos: Espiritualidade sim, religiosidade, positivamente negativo. Porém um dia se ou não poderá adotar uma religião. Cada qual encontra seu próprio caminho.
“Não há progresso sem mudanças. E quem não consegue mudar a si mesmo acaba não mudando coisa alguma”.
“Insanidade é fazer as mesmas coisas do mesmo modo e esperar resultados diferentes”. (Roger Miliken)

10. Para aquele que tinha mas perdeu a fé, a aceitação do programa pode ser mais difícil porque, ao viver com fé e sem ela, mesmo assim fracassou. Pode até rebelar-se contra Deus por não lhe atender seus exigentes pedidos. Mas ao ingressar na Irmandade encontrará aquela fé que realmente funciona. Fé esta que está a minha disposição também, se eu quiser. O alcoólico não dispõe de defesa mental contra o 1º gole. Essa defesa só poderá vir de um Poder Superior, desde que eu faça a minha parte. “Este Poder Superior está a sua disposição também. Que O encontre agora!”

11. “Agora, consideremos o cara cheio de fé, embora cheirando a álcool. Ele se considera devoto. Suas observâncias religiosas são cuidadosas. Tem certeza de que ainda acredita em Deus, embora suspeite que Deus não acredita nele. Faz promessas e mais promessas para não beber. Após cada uma, não só volta a beber, como também se comporta pior do que antes. Tenta, valentemente, lutar contra o álcool, implorando pela ajuda de Deus. Mas, a ajuda não vem. Então, o que se passa com ele?”
O Pe. Edward Dowling, brincando, comentava: “Conheci alguns amigos católicos que nesse Passo diziam: ‘Bem, eu já acredito, por isso não tenho que fazer mais nada’. E numa grande explosão de bondade, continuavam bebendo para deixar que os protestantes os alcançassem”.

12. A melhor saída reside na qualidade da fé e não no volume da prática religiosa, bem como, não confundir emocionalismo com verdadeiros sentimentos espirituais. Na verdade meu interior não estava preparado para Deus entrar e expulsar a minha obsessão alcoólica. Meus pedidos não eram atendidos, porque eram insanos, imaturos, superficiais e insinceros, senão vejamos: Lhe pedia para beber menos ou para que a bebida não me afetasse e até para nunca mais beber. Porém ao sair da igreja e ao ver uma placa com a inscrição coca cola entrava e pedia uma cerveja gelada. Assim, não há Deus que ajude. Só se for o Deus Baco.
Cansado de fazer e pagar promessas para parar de beber, certo dia, desesperado, beirando o suicídio, entrei na Igreja Cristo Rei e blasfemei contra Deus, por recusar-me a ajuda tão suplicada.
Resumindo, meu monólogo foi mais ou menos assim: Que Deus é tu? Que poder tens Tu seu… que Pai és Tu seu … , cognominado, de O Todo Poderoso. Já que me negas o socorro que tanto necessito. Faço hoje um pacto com Lúcifer para parar de beber. Roubei uma vela da própria igreja e a acendi em homenagem ao Diabo.
Chegando na porta de saída da igreja, ajoelhei e jurei jamais entrar em qualquer templo. Ao fechar a porta, vi afixada a seguinte mensagem: “Se o seu caso é beber, o problema é seu. Se é parar de beber, o problema é nosso”! No dia seguinte ingressei em A.A. e minha mulher em Al-Anon
Em A.A. iniciei um processo de conversão, pois sem ela não há recuperação. Refiro-me não à conversão religiosa, mas à conversão da mente, da alma, do espírito e do rumo na busca da verdadeira espiritualidade. Realmente insondáveis são os desígnios d´Ele. Na hora em que eu estava sentando no colo do Satanás, Ele, Deus, me tomou em Seus braços, olhou nos meus olhos, chamou-me pelo nome e mostro-me o caminho de A.A.- O melhor caminho, a melhor saída.

13. Na escuridão do alcoolismo eu confiava no imediato, porém efêmero, ilusório, insano e falso efeito do álcool para ‘resolver’ meu sofrimento físico, emocional ou espiritual, isto é, seguia pelo atalho. O atalho era a geladeira ou o boteco, jamais funcionaram, só complicaram. Agora recorro a graça de Deus. Este é o caminho. Pode ser mais longo e demorado, mas não falha. Funciona e tem a garantia Divina. Se o atalho fosse o melhor caminho, para que a estrada? “O Reino De Deus Jamais Será Negado Aos Que O Buscarem”.

14. Hoje, dedico-me na propagação da misericórdia e do poder de Deus, através de A.A.. E pretendo continuar nesta missão de sanar a dor do Cristo padecente na pessoa do irmão doente. Deste irmão que tanto sofre e faz outros sofrerem com esta doença tão cruel o alcoolismo. O alcoólatra desafia tudo e a todos, até Deus, desafio e crença são incompatíveis.

15. “Reconhecemos que nenhum homem poderia acreditar em Deus e desafiá-lo ao mesmo tempo. A crença significava a confiança e não o desafio. Em A.A. vimos os frutos dessa crença: homens e mulheres salvos da última catástrofe do álcool. Vimo-los enfrentar e superar suas dores e suas provas. Vimo-los aceitar com calma situações impossíveis, sem o desejo de fugir ou de recriminar. Isto não era apenas fé. Era uma fé que funcionava sob todas as condições. Logo concluímos que, fosse qual fosse o preço da humildade que tivéssemos de pagar, nós o pagaríamos”.

16. “Agora chegamos a outro tipo de problema: O homem ou a mulher intelectualmente autossuficientes. A estes, muitos membros de A.A. podem dizer: Sim, éramos como vocês; inteligentes demais para o nosso próprio bem. Adorávamos ouvir as pessoas nos chamarem de precoces. Usávamos a nossa educação para nos inflar em balões orgulhosos, embora cuidássemos de esconder isso dos outros. Secretamente, achávamos que podíamos flutuar acima dos outros utilizando apenas o poder de nossos cérebros. O progresso científico nos dizia que nada estava além do alcance do homem. A sabedoria era onipotente. O intelecto era capaz de conquistar a natureza. Por sermos mais vivos do que a maioria (assim nos considerávamos), os espólios da vitória seriam nossos, automaticamente. O deus do intelecto era substituído pelo Deus de nossos pais. Porém, mais uma vez, a cachaça tinha outras ideias. Nós, que tão brilhantemente havíamos vencido sem esforços, nos convertemos nos maiores derrotados de todos os tempos. Vimos que seria necessário reconsiderar, senão morreríamos. Encontramos muitos em A.A. que antes pensavam como nós. Ajudaram-nos a voltar ao nosso verdadeiro tamanho. Com o exemplo deles, nos mostraram que a humildade e o intelecto poderiam ser compatíveis, conquanto a humildade estivesse em primeiro plano. Quando começamos a entender isso, recebemos a dádiva da fé, uma fé que funciona. Fé que está à sua disposição, também”.

17. Desejar a fé não é sinal de fraqueza, mas de força e sabedoria. Oscilações para mais e para menos, são da natureza humana. Comigo isso acontece. Resolvo essas dificuldades com a persistência na programação. “Tudo é possível ao que crê”! Os resultados concretos, benéficos e altamente positivos obtidos através da fé são tão antigos quanto a humanidade.
“Nós, de temperamento agnóstico, descobrimos que logo que fomos capazes de deixar de lado o preconceito e expressar até uma disposição para acreditar num Poder Superior a nós mesmos, começamos a ver os resultados, ainda quando era impossível para qualquer um de nós definir ou compreender totalmente esse Poder, que é Deus.
Muitas pessoas me asseguram, com toda a seriedade, que o indivíduo não tem um lugar melhor no universo, do que um outro qualquer, por lutar em seu caminho, através da vida, só para morrer no fim. Ouvindo isso, sinto que ainda prefiro me apegar à tão chamada ilusão da religião, que em minha própria existência tem me revelado algo com sentido muito diferente”.

18. “Portanto, o Segundo Passo é o ponto de reagrupamento para todos nós. Sejamos agnósticos, ateus ou ex crentes, podemos nos agrupar neste Passo. A verdadeira humildade e a mente aberta poderão nos conduzir à fé, e toda reunião de A.A. é uma segurança de que Deus nos levará de volta à sanidade, se soubermos nos relacionar corretamente com Ele”.
“Descobrimos que os princípios de tolerância e amor tinham que ser enfatizados na prática. Não podemos nunca dizer (ou insinuar) a alguém que ele deva concordar com nossa fórmula ou ser excomungado. O ateu pode se levantar numa reunião de AA, ainda negando a Divindade, mas relatando o quanto mudou em atitude e ponto de vista. Sabemos por experiência que ele em pouco tempo mudará de ideia a respeito de Deus, mas ninguém lhe diz que ele deve fazer isso.
A fim de levar ainda mais longe o princípio de aceitação e tolerância, não exigimos nenhuma religião de ninguém. Todas as pessoas com problema alcoólico que queiram se livrar dele e se ajustar bem às circunstâncias da vida tornam-se membros de AA, simplesmente se ligando a nós. Nada é preciso, a não ser sinceridade. Mas não exigimos nem isso.
Numa atmosfera como essa, o ortodoxo, o heterodoxo e o descrente se misturam e juntos são felizes e úteis. Uma oportunidade de obter crescimento espiritual é aberta a todos”.

19. “Se você achar que é um ateu, um agnóstico, um céptico ou se tiver alguma outra forma de orgulho intelectual que não o permita aceitar o que está escrito neste livro, (livro azul) sinto pena de você. Se ainda achar que é suficientemente poderoso para ganhar no jogo da vida, sozinho, é assunto seu. Porém, se realmente desejar abandonar a bebida de uma vez para sempre, e sinceramente achar que precisa de alguma ajuda, sabemos que temos uma solução para você. Nunca falha, se dedicar ao nosso programa a metade do entusiasmo que você costumava dedicar à procura da próxima bebida. Seu Pai Divino jamais o decepcionará!”

20. Oportuna uma breve referência sobre o Despertar Espiritual repentino do companheiro Harold W., co-fundador de A.A. no Brasil. Ele morava, de favor, no porão da casa de seu irmão em Niterói. Nos últimos três meses permaneceu completamente alcoolizado, ao ponto de não poder sair nem para comprar sua cachaça, que lhe era trazida por alguma ‘alma caridosa’. Foi neste estado deplorável que o companheiro Herb D., um AA americano, a serviço no Rio de Janeiro, o abordou para que traduzisse, visto que Harold era inglês, o primeiro folheto de A.A. para o português.
Conta Harold, com o rosto marejado, que passou três dias de infernal síndrome de abstinência com deliruim tremens dos mais graves e sem nenhuma assistência médica. Nestes dias, sozinho no porão, não conseguiu comer e nem dormir. Quando, por exaustão completa, adormeceu por mais ou menos duas horas. Foi acordado por Alguém enxugando-lhe o suor da testa com um lenço, muito suave. Harold levantou-se da cama sentindo uma paz, segundo ele, impossível de descrever. A partir deste momento o desejo de beber desapareceu. Sentou-se junto a um caixote e iniciou a tradução do folheto. (Tenho uma fita gravada pelo próprio Harold relatando este emocionante episódio, que é bastante extenso. Aqui apenas resumi).
Eu e minha família tivemos o privilégio de hospedar o companheiro Harold durante quinze dias. Ele estava com 83 anos, porém muito lúcido. Conversamos muito sobre os primórdios de A.A. no Brasil. Valeu apenas. Foi muito proveitoso. Que o Pai Celestial o guarde.

21. Pura alucinação ou Despertar Espiritual repentino? “Pelos frutos os reconhecereis”. Milagres continuam acontecendo, até hoje. Louvo e dou graças a Deus por isso.
Na tarde de 23 de abril de 1 948, na sala de chá da ABI, no Rio de Janeiro foi implantado o A.A. no Brasil, pelo companheiro norte-americano Herb D., funcionário de uma multinacional, e pelo companheiro Harold W, um inglês radicado no Rio de Janeiro. Esta é a informação que obtive falando com o próprio Harold W. Porém as nossas Lideranças Nacionais definiram como data oficial de instalação de A.A. em nosso País 05/09/47. (É oportuno esclarecer que logo após a Segunda Grande Guerra Mundial, já eram realizadas reuniões aqui no Brasil, porém, em língua Inglesa e muito reservadas. Não só pelo estigma, mas também porque a Lei coibia aglomerações de pessoas).

22. “Seja alegre e otimista: Deus está dentro de você. Não faça como os tolos, que pensam que Deus está muito longe, sentado num trono de ouro. Nada disso. Não o procures nas nuvens ou nas estrelas, tão alto que não o possa atingir. Ele está dentro de você, e lhe fala silenciosamente, pela voz de sua consciência. Procure descobri-lo, vivendo com pureza de coração e amando a todos como a si mesmo”.

23. “Tenha fé em si mesmo, porque Deus habita dentro de você. Portanto, ter fé em si mesmo é ter fé em Deus. Tenha confiança em suas capacidades, e caminhe sem temer os obstáculos. Você pode vencer! Você vai vencer! Corresponda à confiança que Deus depositou em você, quando lhe entregou as capacidades de que dispõe, para que você as desenvolvesse e pusesse em prática”.

24. “Você jamais está abandonado! Absolutamente! O Pai não abandona ninguém. Ele veste de plumas multicoloridas a pequena ave, enfeita de beleza e perfume as flores e não deixa morrer de fome nem os insetos nem os pequeninos vermes. Esteja certo: Não cai um fio de cabelo de sua cabeça, sem que Ele o permita. Confie no Pai! Você jamais estará abandonado!”

25. “Quer você sinta felicidade, quer esteja ferreteado pelo sofrimento, Deus está dentro de você. Procure não esquecer esta verdade, em nenhum momento de sua vida: Deus está dentro de você!”

26. “Nunca maldiga o teu fardo. Confia em Deus firmemente. O arvoredo mais copado já foi humilde semente”. “Não diga a Deus que você tem um grande problema. Diga ao problema que você tem um Grande Deus”.

27. “Quando, por uma série de reveses e desapontamentos, o homem perde a coragem e sente convicto de que lhe é impossível avançar, quando só espera maus resultados, uma só coisa lhe podemos fazer: tentar levantar a esperança. Restabelecer-lhe a fé perdida. Fazer-lhe ver que, sendo de origem Divina, há alguma coisa dentro dele que nunca pode falhar e que, trabalhando de acordo com seu Criador, há de ser por Ele recompensado”.

28. “Uma pessoa de fé não sucumbe quando as dificuldades se apresentam… Não se desespera quando se acha em perturbação… Por mais alcantilado e negro que pareça o seu caminho, olha para frente a procura de um horizonte mais claro, vê um destino de descanso e luz mais adiante”.
“A fé quase infantil dos irmãos Wright, de que poderiam construir uma máquina que voasse, foi a mola mestra de seu sucesso. Sem ela nada poderia ter acontecido.
Nós, os agnósticos e ateus, estávamos agarrados à ideia de que a autossuficiência resolveria nossos problemas. Quando os outros nos mostravam que a “suficiência de Deus” funcionava para eles, começamos a nos sentir como aqueles que tinham insistido em que os irmãos Wright nunca voariam. Estávamos vendo um outro tipo de voo, uma libertação espiritual deste mundo, pessoas que se elevavam acima de seus problemas”.

29. “Quando você pensar que tudo está perdido e não tiver mais ninguém a quem recorrer, volte-se para o seu Criador a fonte da vida, donde emanam o Saber, o Amor, o Poder… Uma pessoa sozinha pode ser facilmente vencida, mas, uma pessoa animada intimamente pelo Poder do seu Criador, é invencível!”

30. “A fé em Deus não é um ato convencional que se expressa apenas por um momento, em casa ou nos templos. É um sentimento de confiança e amor fraternal, atuante e permanente, que deve ser praticado, não só nos templos, como no lar, no ambiente de trabalho e no meio da sociedade”.

31. Transcrevo de ‘Os Doze Passos, em áudio, 1ª. Edição’, a essa partilha de um AA: “Chegamos ao A.A., destruídos, sem saída, sabedores agora, pelo próprio sofrimento, de que estamos derrotados, vimos isso no Primeiro Passo. Vimos também, que perdemos o controle sobre nossas próprias vidas e que tudo o que julgávamos, ilusoriamente, como metas não passavam de sonhos, fantasias, inverdades e ficções. Estamos diante do impasse ou nada mais somos, ou tentamos ser alguma coisa diferente do que conseguimos até então, através da bebida, através do copo, através do bar. Mas o que perdemos? O que nos levou a isso? Uma doença. Sim! Uma doença! Mas, o que realmente nos colocou sem perspectivas, sem esperanças? A perda da força interior, do amor pela vida, da alegria de viver. E essa alegria de viver, essa força está em algum lugar, vem de algum lugar. O Segundo Passo diz: “Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade”. Equilíbrio, serenidade e saúde, uma saúde que perdemos tentando encontrar ou ser esse Poder Superior. Como voltar? Como achar o caminho de novo, se nossa fé, se nosso otimismo se perderam? E se nós mantivemos, superficialmente, uma aparente religiosidade a nossa prática, a nossa alma, a nossa essência há muito tempo trabalhava apenas com palavras vazias e com conceitos sem sentido?
Comigo aconteceu de eu chegar em A.A. exatamente assim. Sem nenhuma saída. E A.A. me mostrou, na prática, no dia – a – dia, nas pessoas que me cercavam, a existência de uma força inexplicável, de alguma coisa invisível que atuava e que compunha através de pedacinhos de cada um, uma única energia, que levava todos na direção de uma vida muito melhor do que a vida que tinham tido e que eu tinha até então.
Eu já não acreditava em nada. Dizia até que tinha um espírito científico e que precisava de provas. E foi justamente esse espírito científico que me fez ver, na voz de um padrinho, que a prática, a ciência, a comprovação estavam ali na minha frente. E eu experimentei. Experimentei e descobri que pelo menos o grupo, o conjunto de pessoas que ali estavam conseguindo uma recuperação, conseguindo uma nova esperança, um novo alento, uma nova vida, era em relação a doença do alcoolismo, um Poder muito Superior a mim. E eu entrei nessa! Fui tirando do próprio grupo, da própria força das pessoas a força necessária para fazer da minha fraqueza e do conhecimento de minha fraqueza a minha própria força. E, lentamente, pouco a pouco, eu fui vendo que essas pessoas também eram fracas como eu, mas se abrindo para a sua própria fraqueza e colocando-se na sintonia, na corrente de uma força superior e, sem nome, tornavam-se também, parte integrantes dessa força e, conseqüentemente, pessoas fortes. Pessoas fortes não imunes aos problemas, mas cada vez, gradativamente, mais capazes de resolvê-los. Cada vez mais próximos ao retorno do controle sobre suas vidas.
Foi isso que o Segundo Passo me ensinou. Que não adianta, absolutamente nada, eu me sentir um derrotado apenas perante o álcool, não adianta nada eu me sentir um derrotado apenas perante a minha vida no alcoolismo ativo, eu tenho que acreditar, que embora eu tenha perdido estas batalhas, eu não perdi a guerra. Que existe uma chance. Que existe uma lei maior, que eu posso chamar como eu quiser. Posso chamar de Jeová. Posso chamar de Manitu. Posso chamar até, se for um ateu, de Big Bang, a grande explosão do cosmo. Mas essa força atuando sobre os seres humanos e fazendo o processo de vida, e fazendo o processo de união, e fazendo o processo realmente de integração de todos diante de um objetivo comum. Poderia ser o canal propulsor do meu próprio movimento em direção a uma recuperação. Em direção a uma nova sanidade. A uma nova noção de sanidade. A uma noção de alegria. A uma nova noção de felicidade. E, à medida que essa força foi atuando em mim, eu percebi que alguém podia me ajudar. Um alguém dividido em muitos pequenos alguéns. Alguéns pequenos como eu. Alguém, alcoólico, como eu. Alguém derrotado como eu. Que formavam Alguém Maior. Um Alguém que eu poderia tranquilamente chamar de Divino. E, me deixando impregnar dessa força eu, lentamente, fui caminhando, para mais tarde, com o passar do tempo, poder fazer o Terceiro Passo e me integrar, entregando a minha vida a esse fluxo que em A.A. chamamos de unidade e que é a manifestação de um poder horizontal, de um Poder Superior sem nome que nós podemos, por causa disso, chamar do que quisermos, mas que temos que aceitar sua existência”.

32. Humildemente, sugiro aos companheiros, estudarem e praticarem a programação de A.A., contida na Literatura que está disponível nos Grupos e nas Centrais pelo preço de reposição.

33. Os versículos bíblicos, pertinentes a este Passo, os incluí para enriquecer o tema porém, sem nenhuma conotação religiosa.

1Pd. 5, 6. “Abaixem-se diante da poderosa mão de Deus, a fim de que no momento certo Ele os levante”.

Eclo. 33,1. “Quem respeita ao Senhor não sofre nenhum mal, e se passar por alguma tentação, fica livre dela”.

Eclo. 50, 22-24. “E agora, bendigam o Deus do universo, que realiza por toda parte coisas grandiosas… Que Ele nos dê um coração alegre e conceda a paz aos nossos dias…”.

He. 6,11. “E desejamos que cada um de vós mostre o mesmo zelo até o fim, para completa certeza da esperança;”

IS. 41, 13. “Porque eu sou Deus, … Não tenha medo; eu mesmo o ajudarei’”.

Jr. 29,11. “…diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança”.

Js. 31,17. “E há esperança para o teu futuro, diz o Senhor;”

Jó 4,6 e 18. “Porventura não está a tua confiança no teu temor de Deus, e a tua esperança na integridade dos teus caminhos? E terás confiança, porque haverá esperança; …”

I Jo. 3,3. “E todo o que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo,…”

Mt. 7, 7-11. “Peçam, e lhes será dado! Procurem, e encontrarão! Batam, e abrirão a porta para vocês! Pois, todo aquele que pede, recebe; quem procura acha; e a quem bate, a porta será aberta. Quem de vocês dá ao filho uma pedra, quando ele pede um pão? Ou lhe dá uma cobra quando ele pede um peixe? Se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos, quanto mais o pai de vocês que está no céu dará coisas boas aos que lhe pedirem”.

Ro. 5, 4 e 5. “E a perseverança a experiência, e a experiência a esperança; e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações…”.

Ro. 12,12. “Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação,”

Pr. 8, 35-36. “Quem me encontra, encontra a vida, e goza do favor de Deus. Quem me perde, se arruína a si mesmo, pois todos os que me odeiam amam a morte”.

Pr. 23,18. “Porque deveras terás uma recompensa; não será malograda a tua esperança”.

I Tes. 5, 8. “Mas nós, porque somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da libertação;”

Sl. 9,18. “Pois o necessitado não será esquecido para sempre, nem a esperança dos pobres será frustrada perpetuamente”.

Sl. 39,7. “Agora, pois, Senhor, que espero eu? A minha esperança está em ti”.

Sl. 62,5. “Ó minha alma, espera silenciosa somente em Deus, porque dele vem a minha esperança”.

Sl. 71,5. “Pois tu és a minha esperança, Senhor Deus; tu és a minha confiança desde a minha mocidade”.

Sl. 78,7. “A fim de que pusessem em Deus a sua esperança…,

Sl 31,1-9. “Ó Deus, em ti busco proteção; não deixes que eu seja derrotado…”.

Sl. 119,116 e 147. “… não permitas que eu seja envergonhado na minha esperança… aguardo com esperança as tuas palavras”.

Sl.139, 20. “Homens que se rebelam contra ti, e contra ti se levantam para o mal”.

SL. 145, 9 -ss. “O Senhor é bom para todos, e cuida com carinho de todas as suas criaturas. … Ele ajuda os que estão em dificuldade, e levanta os que caem. …”.

Bibliografia: “Os Doze Passos”, “Livro Azul”, “Na Opinião Do Bill”, “A.A. Atinge A Maioridade”, “Reflexões Diárias” – “Os Doze, Em Áudio Primeira Edição”. – “A Variedade Da Experiência Religiosa” – James, William. “Coletânea I E II” – F., Aluízio. “O Caminho Dos Doze Passos” – Jonh E. Burs. “Minutos De Sabedoria” – Pastorino Torres, Carlos. “Otimismo Em Gotas” – Dantas O., R. “Sagradas Escrituras” – Edição Pastoral. “Salmos Na Linguagem De Hoje” – Sociedade Bíblica Do Brasil.

PERGUNTAS SOBRE OS PASSOS

A recuperação é encontrada, fundamentalmente, a partir da experiência pessoal de cada membro ao trabalhar os passos. Cada um poderá acrescentar, eliminar dados. A escolha é de cada um.
Nunca será demais salientar a importância da colaboração do padrinho ou madrinha.

2 – PASSO 02

2.1 – Estou realmente convencido de que sou alcoólatra, e que minha vida é ingovernável? Preciso realmente acreditar num Poder Superior?

2.2 – Recuso-me a acreditar em Deus?

2.3 – Confio em que Deus poderá levar a cabo o milagre da minha recuperação?

2.4 – Acreditar num Poder Superior abala minha filosofia de vida?

2.5 – Não será o homem o ponto máximo da evolução dos seres vivos, a verdadeira manifestação do Poder Superior?

2.6 – Acreditar na existência de um Poder Superior lhe parece um obstáculo intransponível?

2.7 – Alcoólicos Anônimos exige que acreditemos em alguma coisa?

2.8 – O Segundo Passo precisa ser aceito de uma vez? Ou basta manter a mente aberta?

2.9 – O debate sobre questões filosóficas profundas ajuda abrir a mente?

2.10 – O fato de A.A. adotar métodos nada científicos o impede de aceitar suas sugestões?

2.11 – Ao desconsiderar os resultados apresentados pelo A.A. estamos adotando uma atitude racional , científica?

2.12 – Parar de lutar contra a ideia da existência de um poder superior e tentar praticar o restante do programa pode proporcionar a oportunidade de vir a acreditar na existência deste Poder Superior?

2.13 – Que acha da ideia de aceitar inicialmente o A.A. em si como uma Força Superior?

2.14 – Libertar-se da obsessão pelo álcool fez (ou poderá fazer) com que você acreditasse (ou acredite) no Poder Superior? E o fato de outros já terem se libertado?

2.15 – Você já teve algum tipo de fé e perdeu?

2.16 – Você tem algum preconceito contra religião?

2.17 – Acha que Deus tem sido justo com você?

2.18 – Acha que o fato da experiência de A.A. dizer a todos que ainda não encontraram a fé que eles também podem encontrar uma fé que funcione é válido, verdadeiro?

2.19 – A religião afirma que a existência de Deus pode ser comprovada; o agnóstico diz que não pode ser comprovada e o ateu afirma que tem provas da não existência de Deus. Qual é o seu caso? Justifique.

2.20 – A vontade de ganhar nos impulsionará sempre para frente, basta-nos o aqui e o agora. Por que nos preocuparmos com abstrações teológicas e deveres religiosos ou com o estado de nossas almas na terra ou no além?

2.21 – Posso flutuar acima dos outros. O progresso científico me diz que nada está além do alcance do homem. O Deus Intelecto pode perfeitamente substituir o Deus de meus pais. – Concordo ou não com isso? Por quê?

2.22 – Humildade e intelecto podem ser compatíveis?

2.23 – A moralidade hipócrita de alguns religiosos, e o fato de homens de religião matarem-se uns aos outros em nome da fé, constituem-se em obstáculos para aceitação da existência do Poder Superior? Ou será esta uma justificativa para não olharmos para os nossos próprios defeitos?

2.24 – Pode-se acreditar em Deus e ao mesmo tempo desafiá-Lo? Podemos confiar em que Ele nos devolverá a sanidade sem que façamos a nossa parte?

2.25 – A fé, devoção e observâncias religiosas foram suficientes para que cumpríssemos nossas promessas de não mais beber? Por quê?

2.26 – O volume exterior da prática religiosa é mais importante do que a pureza da fé?

2.27 – Em algum momento da fase ativa chegou a ter consciência do verdadeiro grau de sua sanidade mental?

2.28 – A verdadeira humildade e a mente aberta poderão nos conduzir a fé e ao conforto da segurança de que Deus nos levará de volta ao caminho da sanidade, desde que…

A ORIGEM E O SIGNIFICADO DOS PASSOS

A ORIGEM E O Significado Dos PASSOS !
Publicado no Brasil Pela JUNAAB
Com Autorização de Alcoholics Anonymous World Services , Inc.
Box 4 5 9 ,Grand Central Station
New York , N Y
U.S.A.

INTRODUÇÂO:

No Livro ‘Os Doze Passos e as Doze Tradições’ temos No Prefácio o Seguinte Enunciado:

Alcoólicos Anônimos é uma Irmandade mundial*** de mais de cem mil homens e mulheres alcoólicos, unidos a fim de resolver seus problemas comuns e de ajudar seus irmãos sofredores na Recuperação daquela velha e desconcertante enfermidade, o alcoolismo.

Este Livro se dedica aos “Doze Passos” e às “Doze Tradições” de Alcoólicos Anônimos . Apresenta uma visão clara dos princípios, através dos quais os membros de A.A. se recuperam e pelos quais funciona a Irmandade.

*Os Doze Passos de A.A. consistem em um grupo princípios, espirituais em sua natureza que, se praticados como um modo de vida, podem expulsar a obsessão pela bebida e permitir que o sofredor se torne íntegro, feliz e útil.

*Os PASSOS eram chamados de Etapas nos Grupos Oxford e quando se formou A.A. Bill, D® Bob e outros pioneiros, denominou as Etapas que davam um Ideia de Paradas estanques, para Passos que dava uma ideia de Continuidade no Programa De Recuperação dos membros de nossa Irmandade”.

As Doze Tradições de A.A. dizem a vida da própria Irmandade. Delineiam os meios pelos quais A.A., mantém sua unidade e se relaciona com o mundo exterior, sua forma de viver e desenvolver-se.

Embora os ensaios que se seguem tenham sido escritos principalmente para os membros de A.A. , muitos amigos opinam que podem despertar interesse e encontrar aplicação mesmo não sendo da Irmandade.

Muitas pessoas não alcoólicas dizem , que conseguiram enfrentar outras dificuldades na vida. Consideram que os ‘Doze Passos’ podem significar mais que a sobriedade para o bebedor problema. Veem neles um caminho para uma vida feliz e efetiva para muitos, alcoólicos ou não.

***OBS: Em 1994 , estima-se que mais de 2.000.000 se recuperaram através de A.A.

A segunda secção desse volume , embora destinados aos membros de A.A. , fornecerá aos curiosos uma visão interior de Alcoólicos Anônimos até agora impossível de se ter. Alcoólicos Anônimos nasceu em 1935 em Akron, Ohio (EE.UU.), como consequência de um encontro entre um conhecido cirurgião e um corretor de Nova York. Ambos eram casos graves de alcoolismo, destinados a se tornarem co-fundadores da Irmandade de Alcoólicos Anônimos .

Os Princípios básicos de A.A., na forma em que se conhecem hoje, foram tomados emprestados das áreas da religião e da medicina, embora algumas das ideias às quais eventualmente levaram ao êxito, resultaram da observação do comportamento e das necessidades da própria Irmandade.
Após Três anos do método das tentativas na seleção dos princípios mais aplicáveis sobre os quais se poderia basear a Sociedade, e após grande número de fracassos na recuperação de alcoólicos , surgiram três grupos bem sucedidos- o primeiro em Akron , o segundo em Nova York e o terceiro em Cleveland. Mesmo assim era difícil encontrar quarenta recuperações seguras entre todos os três grupos .

Não obstante, a incipiente sociedade resolveu registrar sua experiência num livro que chegou ao público em 1939. A essa altura, já havia umas cem recuperações. O Livro se chamou Alcoólicos Anônimos, e dele a Irmandade (sentido Fraternal) recebeu seu nome . Nesse livro, descreveu-se o alcoolismo do ponto de vista do alcoólico; codificaram-se nos Doze Passos, pela primeira vez, as ideias espirituais da sociedade e esclareceu –se a aplicação desses passos ao dilema alcoólico.

O resto do Livro foi dedicado à exposição de trinta histórias, nas quais os alcoólicos descreveram suas experiências com a bebida e suas recuperações. Isto estabeleceu uma identificação com os leitores alcoólicos e lhes provou que o virtualmente impossível, agora se tornara possível. O Livro Alcoólicos Anônimos converteu-se no texto básico da Irmandade, e ainda o é.

Tentei fazer uma introdução mais simples e objetiva, usando as palavras de Bill, com a finalidade de alcançar todos nossos amigos em A.A. e para tentar também ,alcançar aqueles que se encontram nas garras dessa terrível Doença da qual somos portadores, mas que infelizmente, uma gama infinita de alcoólicos desconhecem, que podem encontrar o que nós encontramos ; “Uma Nova Maneira de Viver, Sóbrio e feliz!”

O Programa de nossa Sociedade è constituído de 36 princípios, sendo que Na Base do Triângulo que forma o Símbolo de A.A., encontramos formando a Recuperação , 12 Princípios denominados de “Os Doze Passos” essencialmente espirituais e que se praticados, detém a Doença do Alcoolismo.

1º Legado-DOZE PASSOS – RECUPERAÇÂO – O INDIVÌDUO= VIVER
2ºLegado- DOZE TRADIÇÔES- UNIDADE – O INDIVÌDUO- CONVIVER
3º Legado DOZE CONCEITOS – SERVIÇO – O INDIVÌDUO – SOBREVIVER

Os Doze Passos nos ensina a VIVER . Primeiro Legado .
As Doze Tradições nos ensina a Conviver. Segundo Legado
OS Serviços que se refere ao Terceiro Legado nos ensina a Sobreviver . Esta é a Herança deixada a nós pelos nossos co-Fundadores Bill W. E D® Bob e que formam o Programa de Alcoólicos Anônimos.

Mas algum alcoólico pode perguntar; O Que é Alcoolismo? Ou Como Alcoólicos Anônimos Vê o alcoolismo? A Resposta mais Simples é: O alcoolismo é, em nossa opinião, uma Doença Progressiva – Espiritual e Emocional (ou Mental ) tanto quanto Física . Os alcoólicos que conhecemos parecem ter perdido o poder para controlar suas doses de bebidas alcoólicas. ( Fonte: Alcoólicos Anônimos em sua Comunidade)

Mas Um Indivíduo que tem Problemas com sua Maneira de Beber , poderá também perguntar : O que é Alcoólicos Anônimos ?
Para não deixar Dúvidas é melhor Citar,

‘O PREÂMBULO’

‘ALCOÓLICOS ANONIMOS ® é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham entre si sua experiência, força e esperança, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo.
. O único requisito para tomar-se membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de A.A. não há necessidade de pagar taxas nem mensalidades; somos autossuficientes, graças às nossas próprias contribuições.
. A.A. não está ligado a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apoia nem combate quaisquer causas.
. Nosso propósito primordial é o de mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade.’

“Direitos autorais © de The A.A. Grapevine, Inc.;
reimpresso com permissão.”

Impresso com autorização do
The Saturday Evening Post
Copyright 1941.
The Curtis Publishing Company

A RECUPERAÇÃO SEGUNDO GUILHERME

A RECUPERAÇÃO SEGUNDO GUILHERME
OS DOZE PASSOS – UM PROGRAMA ESPIRITUAL

INTRODUÇÃO –

Os nossos depoimentos na reunião são como uma bicicleta. A bicicleta tem pneu dianteiro e o traseiro, e os 2 têm de estar cheios para a bicicleta andar.
Os nossos depoimentos – escreve Bill no capítulo 5 do Livro Azul – revelam como éramos, que aconteceu e COMO SOMOS AGORA.
Se contamos somente como éramos (a história das nossas bebedeiras) e não sabemos contar como somos agora (COMO ESTAMOS VIVENDO OS 12 PASSOS), o depoimento tem o pneu traseiro cheio, mas o dianteiro está vazio. A bicicleta não anda. Meu depoimento não ajuda o grupo tanto quando devia.
Uns companheiros falam de como são agora, dizendo: “Está tudo jóia! Tudo legal! Tudo azul!. Não é o suficiente para encher o pneu dianteiro. Bill está nos convidando para falar da nossa vivência dos 12 Passos hoje!
Pedimos juntos ao Poder Superior que nosso bate-papo sobre CRESCIMENTO ESPIRITUAL DENTRO DO PROGRAMA DE A. A. nos dê mais interesse e mais confiança de conhecermos e praticarmos os 12 Passos. No próximo parágrafo do Livro Azul, Bill diz: “Pensamos poder encontrar maneira mais fácil – do que os 12 Passos. Porém, não podemos”.

A. A. é um PROGRAMA ESPIRITUAL

O meu alcoolismo é doença incurável, mas espero ir me recuperando das atitudes doentias do meu alcoolismo até o fim da minha vida. Não basta “Botar a Rolha na Garrafa” : a minha recuperação progressiva exige os 12 Passos – a fim de vivê-los todos os dias.
Porque é que uns alcoólatras não conseguem parar de beber, mesmo se assistirem algumas reuniões? Provavelmente não conhecem nem os primeiros 2 Passos! Porque é que outros frequentam AA por um tempo, mas recaem? Garanto que não estavam estudando e PRATICANDO os Passos. Sem os Passos, continuamos “Bêbados Secos”: tão bravos, tão auto suficiente, tão isolados dos outros, tão cheios de auto piedade, como quando bebíamos. Sem os Passos, qualquer raiva ou frustração pode provocar uma recaída. A próxima vez que um companheiro recair, pergunte-o QUAL DOS DOZE PASSOS ESTAVA PRATICANDO NO DIA QUE RECAIU!!!

BÊBADOS SECOS

Por que é que os membros de nossas famílias podem queixar-se que era mais fácil conviver conosco quando estávamos bêbados? Esforçando-nos para não tomar o 1º gole, vivemos bravos, intolerantes e intoleráveis, esquisitos, “Bêbados Secos”: por que? O motivo é claro: hoje não estou rogando humildemente que Deus me livre das minhas imperfeições (7º Passo); não estou admitindo prontamente quando estou errado (10º); não estou procurando melhorar o meu contato consciente com Deus: (11º); não estou praticando os princípios de A. A. em todas as minhas atividades. (12º).

SOMOS DOENTES EMOCIONAIS

Mais uma pergunta: POR QUE É QUE TANTAS BRIGAS FEIAS ACONTECE EM A. A.? A resposta é óbvia: sendo alcoólatra, todos nós somos DOENTES EMOCIONAIS! Se eu conheço bem os Passos, e não estou tentando praticá-los, em vez de fazer o meu próprio inventário (como sugerem o 4º e 19º Passos) vivo fazendo o inventário dos outros! Se não estou admitindo a natureza que Deus remova MEUS defeitos de caráter (6º Passo) então continuo naquela atitude alcoólica de culpar todos os outros e negar os meus erros.
Se não estou praticando os 12 Passos, vivo criticando e condenando o companheiro que tem opinião diferente da minha. Faço fofoca, e sou capaz, como Bêbado Seco, de insultar um companheiro. Sem os Passos, posso destruir a UNIDADE de A. A. , que a 1ª. e realmente única Tradição de A. A.
Digo mais ainda: discussão sobre as Tradições pode ser ofensiva e divisiva, SE OS MEMBROS NÃO ESTÃO TENTANDO PRATICAR OS 12 PASSOS, porque sem os Passos, nós alcoólatras continuamos sendo inseguros, rígidos, inflexíveis, arrogantes e incapazes de discutir nada com calma e respeito mútuo. Se os Passos, continuamos sendo pessoas cheias de raiva e de ódio de NÓS MESMOS, que descarregamos nos outros, na família e em nosso grupo de A. A.

SOMOS EMOCIONALMENTE DESEQUILIBRADOS

Meus Caros Companheiros, quero bradar dos telhados o seguinte: NÓS ALCOÓLATRAS, MESMO COM A ROLHA NA GARRAFA, SOMOS DOENTES EMOCIONAIS, SOMOS EMOCIONALMENTE DESEQUILÍBRADOS! Depois de banhar o sistema nervoso com o veneno álcool, em grandes quantidades e por muito tempo, nossos nervos nunca serão tão estáveis e calmos como a pessoa que não abusou da droga álcool! Assim como uma mulher menstruada sente pequenas irritações como se fossem grandes, assim também nós, doentes emocionais, sofremos as consequências dos nosso alcoolismo: somos supersensíveis; nos ofendemos à toa; as frustrações mais banais nos derrubaram.

NOSSA RECUPERAÇÃO

Será que existe esperança de recuperação dessa doença emocional? Sim! Os 12 Passos nos oferecem recuperação lenta mas progressiva. Por esse motivo, os 12 Passos não são luxo para uns “fanáticos”, mas são o tratamento indispensáveis e continuo, se não queremos voltar a beber. Para gozarmos uma vida SÓBRIA, SERENA E FELIZ – para nós, para nossas famílias e para nosso grupo de A. A. – precisamos estudar e praticar os 12 Passos!!! Cada grupo tem a liberdade de escolher a maneira de estudar os Passos, mas nenhum grupo pode deixar os Passos ao lado como algo supérfluo e desnecessário. Os 12 Passos são nosso PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO, NOSSO PROGRAMA DE VIDA!

CONFIANÇA

Muitos companheiros acham que os Passos são complicados e difíceis. Mas não são complicados. Basta cada membro tentar partilhar um pouco no seu depoimento sobre como ele está tentando viver um dos Passos. Todos os membros vão se enriquecer e criar confiança de começar a viver os Passos e falar deles como parte do seu depoimento. É essencial que o grupo estude a nossa literatura sobre os Passos. Com boa vontade, todos vão entendendo-os e muitos vão começar a praticá-los – pois os 12 Passos são nosso programa espiritual de vida e de recuperação.

EXPERIMENTAR OS DOZE PASSOS

Experimentar os Doze Passos

“Quando tudo mais falha”, dizia um médico de roça, “siga as instruções”.
Até agora nada falamos a respeito dos Doze Passos oferecidos por A.A. como programa de recuperação do alcoolismo, e tampouco vamos enumera-los ou explicar aqui, porque qualquer pessoa que tenha curiosidade acerca deles podem encontra-los facilmente na literatura de A.A. Entretanto vamos falar a respeito de sua origem, que é surpreendente.
Em 1935, dois homens encontram-se em Akron, Ohio. Ambos eram, então, considerados bêbados irrecuperáveis, uma vergonha para as pessoas que os tinham conhecido. Um deles fora nome importante em Wall Street; o outro, um famoso cirurgião; ambos, porém, tinham bebido até quase morrer. Cada um deles tentará muitas “curas”, e os dois tinham sido internados repetidamente. Parecia certo, mesmo para eles, que estavam irremediavelmente perdidos.
Quase por acaso, ao se conhecerem, depararam com um fato espantoso: quando cada um deles procurava ajudar o outro, o resultado era a sobriedade. Transmitiram a ideia a um advogado alcoólico preso a um leito de hospital e ele, também, decidiu experimenta-la.
Os três então, continuaram – cada um em sua vida particular – tentando ajudar alcoólico após alcoólico. Se as pessoas que eles queriam auxiliar às vezes rejeitavam a ajuda, eles, não obstante, sabiam que o esforço era compensador porque, em cada caso, a tentativa fazia-os continuar sóbrios, mesmo que o “paciente” continuasse a beber.
Persistindo nesta brincadeira para seu próprio bem, este pequeno grupo de ex bêbados sem nome, de repente, se deu conta, em 1937, de que vinte deles já estavam sóbrios. Ninguém os pode culpar por julgarem ter acontecido um milagre.
Concordaram em registrar por escrito o que lhes tinha acontecido para que sua experiência pudesse ser amplamente divulgada. Mas, como se pode imaginar, enfrentaram bastante dificuldade para chegar a um acordo sobre o que realmente acontecera. Não foi senão em 1939 que puderam publicar uma descrição com a qual todos estavam de acordo. Nessa época, já contavam com cerca de cem pessoas.
Escreveram que o caminho para a recuperação que tiveram trilhado até então consistia em doze passos e acreditavam que qualquer pessoa que os seguisse conseguiria o mesmo.
Seu número atualmente chega a mais de 2 milhões. E são virtualmente unânimes em sua convicção: “A experiência demonstra que nada assegurará tanta imunidade à bebida quanto o intenso trabalho com outros alcoólicos. Funciona quando outras atividades fracassam”.
Muitos de nós há muito vínhamos brigando com a bebida. Seguidamente, tínhamos parado de beber e tentado permanecer sóbrios, só para voltar a beber mais cedo ou mais tarde e nos vermos outra vez metidos em crescentes dificuldades. Mas esses Doze Passos de A.A. sinalizam a estrada de nossa recuperação. Agora, não precisamos lutar mais. E nosso caminho está aberto a todos os que vierem.
Centenas de nós tinham somente uma vaga ideia do que era o A.A. antes de realmente chegarmos a esta Irmandade. Agora, as vezes, pensamos que a respeito do A.A. circula mais desinformação do que pura verdade. Por isso, se você não examinou pessoalmente o A.A., podemos imaginar algumas das impressões distorcidas e falsas que pode ter recolhido, uma vez que muitos de nós próprios já as tivemos.
Felizmente, você não precisa ser enganado por tais falsas descrições ou boatos porque é bastante fácil ver e ouvir por si mesmo o verdadeiro A.A. As publicações de A.A. e qualquer escritório ou grupo de A.A. próximo são fontes originais de realidades que causaram enorme surpresa a muitos de nós. Você não tem necessidade de informar-se com terceiros, pois pode obter o “serviço” de graça e tomar sua própria decisão.
Conseguir uma imagem real e justa do A.A. talvez seja uma oportunidade de usar bem a força de vontade. Estamos plenamente convencidos de que os alcoólicos possuem tremenda força de vontade. Considere os meios que podíamos usar para conseguir bebida em desafio a todas as possibilidades visíveis. Só o acordar de manh㠖 estômago enferrujado, os dentes rilhados e os cabelos eletrificados – requer força de vontade que os que não bebem não podem imaginar. Ter conseguido levantar a cabeça, naquelas manhãs terríveis e a capacidade de carrega-la através do dia é prova adicional de fabulosa força de vontade. É inegável que os bebedores de fato possuem verdadeira força de vontade.
O segredo que aprendemos foi colocar essa vontade a serviço de nossa saúde e fazer explorar em grande profundidade as sugestões de recuperação, mesmo que às vezes isto nos parecesse enfadonho.
Talvez ajude lembra-lo de que os membros do A.A. não estão ansiosos para lhe fazer perguntas. Pode parecer que nem o estejamos escutando muito, pois tomamos mais tempo lançando sobre você a nua e crua realidade de nossa própria doença. Estamos na busca de nossa recuperação, você sabe, de modo que falamos a você muito mais pelo nosso próprio bem. Queremos ajuda-lo, é claro, mas só se você quiser.
Pode ser que o problema de bebida seja, de fato, como alguns especialistas em psicologia afirmam, uma doença caracterizada especialmente pelo egocentrismo. Nem todos os alcoólicos são egoístas, embora muitos de nós tenhamos aprendido a descobrir essa tendência em nós mesmos. Outros nos achávamos inferiores a maior parte do tempo; só nos sentíamos iguais ou superiores aos demais quando bebíamos.
Não importa a que tipo pertençamos, compreendemos agora que estávamos excessivamente centrados em nós mesmos, interessados principalmente em nossos sentimentos, nossos problemas, na reação dos outros para conosco, nosso passado e nosso futuro. Por conseguinte, tentar entrar em contato com outras pessoas e dar-lhes apoio é, para nós, uma medida de recuperação, porque nos ajuda a sair de nós mesmos. Tentar nossa cura ajudando os outros dá certo, mesmo quando é um gesto insincero. Experimente! Se você der atenção (não ouvir apenas) ao que está sendo dito, pode pensar que a pessoa que fala penetrou tranquilamente em sal cabeça e parece descrever a paisagem de lá – os cambiantes vultos de temores inomináveis, o aspecto e o calafrio da ruína iminente – quando não os próprios acontecimentos e palavras armazenados em seu cérebro.
Quer isso aconteça, quer não, você certamente dará umas boas risadas juntamente com os membros de A.A. e provavelmente colherá algumas ideias para viver sóbrio. Se quiser utiliza-las, depende de você.
Qualquer que seja sua decisão lembre-se de que tornar estas sugestões viáveis é um dos passos para se recuperar.

MEUS 50 ANOS EM 12 PASSOS – DRA. MARÍLIA MARTINS

Meus 50 anos em 12 Passos
Por Marília Teixeira Martins

Muita gente me questiona, como posso entender o que se passa na alma, no “coração” e na cabeça de um dependente químico, sendo eu apenas uma profissional de saúde e não pertencer a nenhum grupo de mútua-ajuda. E a cada pessoa que me dirige essa pergunta, deixo como resposta uma reflexão ou outra pergunta:- Então, para ajudar um hipertenso, preciso ser também hipertensa? E a quem possui o transtorno bipolar de humor ou quem sofre de depressão, bulimia, anorexia ou até mesmo de esquizofrenia? Para compreendê-los e ajudá-los preciso de fato também ser portadora desses diagnósticos?
E hoje, aos meus 50 anos de vida, acrescento à minha resposta os 12 Passos de Alcoólicos Anônimos, uma bela filosofia de vida que tive o prazer em conhecer e vivenciar, ainda que não alcoólica e/ou adicta.
Bill e Bob me foram apresentados há algum tempo, através da literatura específica de Alcoólicos Anônimos; e quando entrei em contato com suas primeiras linhas algo novo me aconteceu. E a cada passo, dos 12 descritos, que eu lia e percorria, me vinham respostas precisas e exatas para um emaranhado de sentimentos que eu experimentava naquele momento de minha vida. Como se eu vivenciasse um novo despertar, que somado ao o que o mundo científico me apresentava, a vida me pareceu bem mais simples do que eu imaginava, e por isso mais bela.
Os 12 princípios me apontavam uma direção, como uma bússola que não deixa seu navegante em alto mar se desviar de sua rota.
E fui seguindo, ora para o Sul, ora para o Norte, mas com tranquilidade e leveza, na certeza de que eu havia descoberto um tesouro. Encontrá-lo era uma questão de tempo. Bastava seguir aquela rota, aquele mapa que caiu em minhas mãos e me tornaria uma pessoa mais rica em sabedoria e direção. E assim fui eu, em busca deste tesouro, passo a passo, e no meu ritmo. E nos caminhos mais escuros e sombrios, fazia uma pausa, desligava o barco e descansava, me contentando apenas em receber o leve toque de uma brisa em meu rosto.
Há poucos meses completei 50 anos de vida. Uma idade que me faz relembrar com intensidade alguns momentos que vivenciei. E nesta rede de lembranças peguei-me refletindo sobre um sentimento em especial: o sentimento de impotência. Impotência diante da minha idade que avança a cada dia, impotência diante do outro e de suas escolhas, diante da morte de um ente querido, diante de um amor que se foi ou diante de um caminho escolhido e percorrido por um filho.
Por quantas vezes, cometo os mesmos erros esperando resultados diferentes? E do alto de minha arrogância, preciso me curvar e acreditar humildemente que eu não preciso caminhar sozinha e que, acima de mim existe um Poder Maior que pode devolver-me a “sanidade”, às vezes perdida. ( Einstein dizia: “Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes).
Por quantos momentos em minha vida, me esbarro no limite do possível e preciso acreditar e contar com o impossível, me embriagando de esperança e fé, acreditando e entregando as minhas vontades e minha vida aos cuidados de Deus, o único que com o seu infinito Amor me acolhe, me protege e me transforma a cada dia, a cada 24 horas.
E ao longo dessa minha caminhada me pergunto: quantas pessoas eu feri, magoei, fiz e faço sofrer, mesmo que de forma não intencional? Por quantas vezes sou teimosa, imatura, mesquinha e imperfeita? E para me transformar em uma pessoa melhor, é preciso me renovar, revendo e reaprendendo o real significado do exercício do perdão, admitindo e reconhecendo meus erros e minhas falhas, procurando transformá-los em futuros acertos. E àqueles mais profundos, enraizados e sombrios, pedir humildemente a Deus que os remova e me livre de minhas imperfeições.
Por quantas vezes, preciso vestir-me com a roupa da humildade e da sensatez e me propor a reparar danos causados a mim, a um filho, a um pai, a um professor, a um paciente, a um amigo e até mesmo a algum desconhecido?
Por quantas noites me recolho em meu quarto, em meu canto e faço uma retrospectiva pessoal e destemida de meus atos e comportamentos, me propondo prontamente a admitir e reparar meus erros? E é assim, dessa forma, que vou aprendendo a me relacionar intimamente comigo mesma, com os adictos e principalmente com Deus, rogando a Ele todos os dias, através de orações, preces, meditações e principalmente, através da leitura de Sua palavra, que me mostre sua vontade e me dê forças para alcançá-la.
E hoje, só por hoje, procuro levar e transmitir tudo o que aprendo a outro ser humano, através de meus conhecimentos científicos, através das minhas experiências e vivências, através da minha caminhada cristã ou mesmo através de uma borboleta ou de um passarinho, que por acaso, adentram na janela de minha sala à procura de uma saída e em busca da liberdade perdida. Procuro levar a toda pessoa, adicta ou não, a mensagem de que esses 12 princípios e passos do A.A., com certeza nos tornam pessoas melhores, mais sensíveis, mais felizes e porque não dizer, mais sábias e libertas, a cada dia, a cada 24 horas.
E é desta forma, seguindo-os e aplicando-os primeiramente em minha vida, baseando-me na Palavra viva de Deus e associando-os aos meus conhecimentos científicos e técnicos que, mesmo não sendo adicta, posso olhar, escutar e compreender de forma empática, o que um dependente químico traz em seu coração e em sua alma e, junto com ele redescobrirmos um novo estilo de vida e um jeito diferente e saudável de viver.
Na verdade, este relato, diferente de outros que já escrevi, não deve ser considerado um artigo propriamente dito e sim um texto, fruto de uma auto reflexão baseada não só em minha experiência pessoal e espiritual, como também em alguns estudos técnicos e científicos.
Carl Gustav Jung (Psiquiatra Suíço, fundador da Psicologia Analítica), por exemplo, em meados de 1934 passou a acreditar que o dependente químico necessita de um relacionamento com Deus para sua libertação dos químicos, admitindo assim que apenas a sua abordagem analítica não era suficiente para o tratamento da dependência química.
“Em 1961, Bill Wilson e Carl Jung trocaram cartas a respeito do papel de Jung na formação de Alcóolicos Anônimos. O próprio Bill nunca deixou de insistir que o “fundador primordial” de A.A. foi Carl Gustav Jung, que plantou as raízes de A.A. alguns anos antes da famosa reunião entre Bill & Bob em Akron, Ohio, em 1935.”
Em uma dessas cartas para Bill Wilson em Janeiro de 1961, Jung escreveu, em referência a um paciente de nome Roland H, que ficou sob os seus cuidados clínicos em 1931.
…”Sua fixação pelo álcool era o equivalente, num grau inferior, da sede espiritual do nosso ser pela totalidade, expressa em linguagem medieval, pela união com Deus.”…
…”Veja você que “álcohol” em latim significa “espírito”; no entanto, usamos a mesma palavra tanto para designar a mais alta experiência religiosa como para designar o mais depravador dos venenos.
“A receita então é “spiritus” contra spiritum”.

Referências Bibliográficas:
1. O caminho dos 12 passos – Tratamento de dependência de álcool e outras drogas – John E. Burns – Edições Loyola – 2ª edição
2. Alcoólicos Anônimos na Bahia: http://www.aabahia.org.br/billjung.htm
Murray Stein (Murray Stein, Ph.D. é um Analista de formação na Escola Internacional de Psicologia Analítica, em Zurique, na Suíça. Ele internacionalmente palestras sobre temas relacionados com a Psicologia Analítica e suas aplicações no mundo contemporâneo.) faz também uma referência às cartas trocadas entre Carl Jung e Bill Wilson em seu livro “Jung – O mapa da alma – Uma Introdução”:
“Quando Bill Wilson, co-fundador dos Alcoólicos Anônimos, escreveu a Jung em 1961 e o informou sobre o ocorrido com Roland H. (um paciente a quem Jung tinha tratado por alcoolismo no começo da década de 1930), Jung o respondeu admitindo que o terapeuta é essencialmente impotente ao tentar vencer a dependência de um paciente de uma substância. Jung dizia – na minha paráfrase de sua carta – “Você precisa de um símbolo, de um análogo que atraia a energia que foi para a bebida. Tem que encontrar um equivalente que seja mais interessante do que beber todas as noites, que atraia o seu interesse mais do que uma garrafa de vodca”.

O PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO E AS PROMESSAS DE A.A.

O PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO E AS PROMESSAS DE A. A.

O Programa de Recuperação sugerido por Alcoólicos Anônimos representa um verdadeiro compartilhar de experiências, proporcionando um novo aprendizado de vida. Nele compartilham-se histórias e dificuldades e se descobre que não estamos sozinhos. Descobre-se que outros já passaram por sofrimentos bem parecidos. Que superaram suas dificuldades. Que estão vivendo uma nova vida! É quando surgem dois esquecidos sentimentos: o de perdoar-se e também o de aceitar-se! É como se o coração estivesse aumentando em si mesmo a sua influência!
Quando recebemos a mensagem e chegamos logo em seguida a um Grupo, nos envolvemos num misto de curiosidade, ansiedade e grande dose de vontade para saber de imediato a cerca de tudo que nos convença a abandonar a bebida.
E já nos primeiros dias, quando identificamos o clima espontâneo das reuniões e ouvimos atentamente sobre o alcoolismo visto como doença, passamos daí para frente a encarar a nossa vida com um pouco mais de amor e fé. Começamos a nos espiritualizar. Passamos a nos amar mais. E nestes momentos, invariavelmente, nos surpreendemos muitas vezes fazendo por nós, algo que nunca e em momento algum já tivéssemos feito anteriormente. Ou o que é pior, (ou melhor), ou alguém feito para nós! Os nossos “valores” começam a ressurgir das cinzas!
Este despertar vivenciado já nos primeiros dias é a base de nossa programação. É através dele que descobrimos a Humildade, a Tolerância e a Aceitação. É através dele que nos “encantamos” pela Irmandade e passamos a nos envolver mais e mais dentro de um princípio de Gratidão. É a Gratidão que nos Abre a Mente e nos impulsiona à Prestação de Serviços dentro de AA e pelo AA.
Ninguém quer ser alcoólico. Ninguém nasce alcoólatra. Ninguém decide: vou beber para perder meu emprego. Perder minha família, perder meus amigos! Ou para desafiar aos pais. Ninguém quer ter a imagem de um “pé inchado”, “pedinte” ou “daquele velho de pele enrugada” que não saí do balcão do bar, que muitas vezes foi o primeiro a abri-lo, para tomar a “primeira” da manhã!
Mas, infelizmente esta é uma das faces expostas da doença do alcoolismo que parte de nossa sociedade apenas vê. Outras facetas existem e em todos os segmentos. Foram estas visões estigmatizantes e degradantes, vistas pela sociedade que criaram os porquês da negação da doença, fazendo com que exista uma ilusória preservação da auto-imagem, que só faz alongar o sofrimento do doente alcoólico, impedindo-o de encontrar um Grupo de Alcoólicos Anônimos, onde acertadamente encontrará outros iguais em plena Recuperação e Sobriedade!
Identificar o alcoolismo como doença demora muito, em virtude da negação da própria pessoa em admitir-se impotente perante ao álcool. Enquanto a pessoa não reconhecer a sua própria doença, não haverá um tratamento eficaz.
Admitir-se impotente perante o álcool é um dos maiores gestos de grandeza, para nós que ainda não “aprendemos” a beber, durante todos estes anos de tentativas e “derrocadas” pelo álcool, além dos sofrimentos causados àqueles em nossa volta!
A Programação de AA sugere um Plano de 24 horas evitando o Primeiro Gole. Repetindo-se a cada 24 horas ou a cada momento presente! Onde o importante situa-se em: Não ir ao Primeiro Gole!
Sugere ainda, que você seja o seu próprio fiscal ou o “eterno vigilante” de sua Sobriedade. O Programa recomenda a freqüência às reuniões, principalmente daquele Grupo onde você ingressou, o seu Grupo Base, mas, que visite também outros Grupos, para conhecer novas experiências.
Nos Grupos sempre se encontram “velhos mentores”. São aqueles membros com um pouco mais de experiências que ainda freqüentam, compartilhando suas histórias de como se livraram do álcool e como superaram todos os seus problemas e assim “dando de graça o que de graça receberam” exercitam o princípio da Gratidão para com a Irmandade.
Por outro lado, a freqüência às reuniões assegurará que os antigos hábitos, gradativamente, passarão a ser substituídos por uma reformulação de vida, com o resgate da auto-estima e do amor próprio, alicerçados na Honestidade, Boa Vontade e Mente Aberta propostas pelo Programa de Recuperação sugerido por Alcoólicos Anônimos.
Participando de AA descobrimos que o alcoolismo é uma doença que atinge todas as camadas sociais e de todas as idades haja vista o fluxo de seus membros. Descobrimos também o excelente relacionamento que existe com os segmentos da Sociedade no campo da Medicina, no campo da Justiça, no campo da Educação e junto a Imprensa.
Descobrimos que como “formiguinhas”, existe em cada Comunidade, um “batalhão” de abnegados Servidores sempre atentos e dispostos à levar a Mensagem Seja Onde For!
Descobrimos que para os Serviços em AA não existe a remuneração para os seus membros.
Descobrimos que para ser membro não se paga taxa ou mensalidades.
Descobrimos que o Anonimato é um dos maiores alicerces espirituais que a Irmandade possui. Que ninguém é identificado nem lá entre os iguais e nem quando sair de cada reunião. Que seus testemunhos são mantidos em sigilo absoluto: “Quem você vê aqui, O que você ouve aqui. Quando sair daqui. Deixe que fique Aqui”.
Descobrimos que os Princípios da Irmandade são colocados acima das Personalidades de cada um. Descobrimos que é uma Obra de Amor! Vale a pena conhecer. Vale a pena participar!
CAMPOS S.

As Promessas de A.A.

• Se formos cuidadosos nesta fase de nosso desenvolvimento, ficaremos surpresos antes de chegar à metade do caminho.
• Estamos a ponto de conhecer uma nova liberdade e uma nova felicidade.
• Não lamentaremos o passado, nem nos recusaremos a enxergá-lo.
• Compreenderemos o significado da palavra serenidade e conheceremos a paz.
• Não importa até que ponto descemos, veremos como a nossa experiência pode ajudar outras pessoas.
• Aquele sentimento de inutilidade e auto-piedade irá desaparecer.
• Perderemos o interesse em coisas egoístas e passaremos a nos interessar pelos nossos semelhantes.
• O egoísmo deixará de existir.
• Todos os nossos pontos de vista e atitudes perante a vida irão se modificar.
• O medo das pessoas e da insegurança econômica nos abandonará.
• Saberemos, intuitivamente, como lidar com situações que costumavam nos desconcertar.
• Perceberemos, de repente, que Deus está fazendo por nós o que não conseguíamos fazer sozinhos.
Serão estas promessas extravagantes?
Achamos que não. Estão sendo cumpridas entre nós – às vezes depressa, outras devagar.
Sempre se tornarão realidade se trabalharmos para isto.
Alcoólicos Anônimos, Capítulo 6, Entrando em Ação, página 103 da edição brasileira do cinqüentenário de AA, página 65 da edição portuguesa) publicado com autorização.
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