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UNICIDADE DE PROPÓSITO – REVISTA VIVÊNCIA nº 63

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 63 – JAN/ FEV 2000

Unicidade de Propósito

Apresentamos esse artigo dentro do espírito de nossa Sexta Tradição – não para endossar o “empreendimento alheio”, e sim abordar tópicos que dizem respeito a todos os membros de A.A.
Narcóticos Anônimos, Conselho de Curadores para Serviços Mundiais
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE NOSSO RELACIONAMENTO COM ALCOÓLICOS ANÔNIMOS.

A forma como NA se relaciona com todas as outras irmandades e organizações podem gerar controvérsia dentro de nossa irmandade. Embora haja uma política estabelecida de “cooperação sem afiliação”, a confusão permanece no que se refere às outras irmandades. Uma questão bastante delicada envolve nosso relacionamento com a irmandade de Alcoólicos Anônimos. O Conselho de Curadores para Serviços Mundiais de NA costuma receber cartas que versam sobre a mais variada gama de perguntas acerca desse relacionamento.
Narcóticos Anônimos foi criado com base em Alcoólicos Anônimos. Quase todas as comunidades de NA que existem, apoiaram-se, de alguma forma, em A.A., durante seu período de formação. Nosso relacionamento com A.A. tem sido muito verdadeiro e dinâmico ao longo dos anos. Nossa irmandade como um todo resultou da dúvida existente em A.A., sobre o que fazer com os adictos que batiam à sua porta. Voltaremos um pouco às origens , em busca de uma perspectiva de nosso atual relacionamento com A.A.
Bill W., um dos co-fundadores de A.A. , sempre dizia que um dos maiores sustentáculos de sua irmandade era a unicidade de propósito, ou seja, mirar somente um aspecto. Limitando seu propósito primordial a levar a mensagem aos alcoólicos e evitando assim qualquer outra atividade, A.A. é capaz de se desincumbir dessa tarefa de uma forma extremamente eficaz. O clima de identificação é preservado pela unicidade de propósito, e o alcoólico encontra então a ajuda de que necessita.
Desde seu mais remoto início, A.A. foi confrontado com uma situação bastante complicada: “O que fazer com os dependentes químicos que nos procuravam? Desejamos manter nosso foco no álcool para que a mensagem seja levada ao alcoólico, mas os adictos que aqui chegam, falam sobre drogas, e, inadvertidamente enfraquecem nosso clima de identificação.” Os Doze Passos e o Livro Azul já haviam sido escritos – o que mais se esperava que eles fizessem? Que novamente os reescrevessem? Permitir que o clima de identificação se diluísse e que o sentido de pertencer a A.A. se perdesse? Expulsar aquelas pessoas agonizantes para que morressem na rua? Deve ter sido uma situação extremamente complexa para A.A.
Quando A.A. finalmente estudou o problema de forma cuidadosa e tomou uma posição através de sua literatura, a solução por eles encontrada foi mais uma prova de seu bom senso e sabedoria. Prometeram seu apoio num espírito de “cooperação, mas não afiliação”. Essa solução de grande visão para uma questão tão complexa preparou o terreno para o surgimento da irmandade de Narcóticos Anônimos.
Entretanto, o problema que A.A gostaria de evitar teria de ser comunicado individualmente a cada grupo que tentasse adaptar seu programa de recuperação para dependentes químicos (adictos). Como conseguir então o clima de identificação indispensável para a rendição e a consequente recuperação, caso fosse permitido acolher os mais diversos tipos de dependência? Seria possível para um dependente de heroína se relacionar com facilidade com outros dependentes cujo problema fosse o álcool, maconha ou tranquilizantes? Como seria conseguida a Unidade, que, segundo a Primeira Tradição, é fundamental para a recuperação? Nossa Irmandade (NA) herdou então um árduo dilema.
Para que se tenha ideia de como A.A. lidou com o problema, voltemos um pouco para a sua história. Uma segunda coisa sobre a qual Bill W. sempre falava e escrevia, era o que ele chamava de “gol de placa” de sua irmandade – as palavras do Terceiro e Décimo Primeiro Passos. A grande área da espiritualidade versus religião era tão complexa para eles assim como a unicidade de enfoque o era para nós. Bill costumava contar como o simples fato de acrescentar “na forma em que O concebíamos” depois da palavra “Deus”, liquidou por completo com toda a controvérsia a esse respeito. Um simples quesito, que tinha potencial para dividir e destruir A.A., transformou-se num dos maiores alicerces de seu programa.
À medida que os fundadores de Narcóticos Anônimos adaptaram os Passos de A.A., chegaram também a um “gol de placa” de importância equivalente. Ao invés de adaptar o Primeiro Passo de forma lógica e natural (“Admitimos que somos impotentes perante as drogas”), eles fizeram aí uma mudança radical: Escreveram assim: “Admitimos que somos impotentes perante a nossa adicção.” Existe um grande número de drogas e o uso de qualquer delas é apenas o sintoma de nossa doença. Quando os adictos se reúnem e enfocam as drogas, normalmente estão enfocando suas diferenças, pois cada um deles usa um tipo de combinação de drogas. A única coisa que todos eles tem em comum é a doença da adicção. Com aquela simples mudança na frase, foi criada a irmandade de Narcóticos Anônimos.
Nosso Primeiro Passo (NA) dá-nos um foco: nossa adicção. As palavras do Passo Um enfocam também nossa impotência perante os sintomas da doença. A frase “impotentes perante nossa adicção” engloba tanto os veteranos quanto os recém-chegados. Nossa adicção vem novamente à tona e causa descontrole de pensamentos e sentimentos sempre que descuidamos de nosso programa de recuperação. Esse processo nada tem a ver com a “droga de preferência”. Estamos alerta contra a recorrência do nosso uso de droga aplicando nossos princípios espirituais antes de uma recaída. Nosso Primeiro Passo se aplica independentemente da “droga de preferência” e do tempo em que estamos limpos. Tendo esse “gol de placa” como embasamento, NA floresceu como importante organização mundial, enfocando claramente a adicção.
À medida que a comunidade de NA amadureceu através de um melhor conhecimento de seus próprios princípios (o Passo Um em particular), um fato interessante se apresentou. A perspectiva de A.A., enfocando o álcool, e a abordagem de NA, não enfocando nenhuma droga específica, não podem ser confundidas (misturadas). Quando tentamos misturá-las enfrentamos os mesmos problemas que A.A. teve conosco. Quando nossos membros se identificam como “adictos e alcoólicos”, ou falam sobre “sobriedade” e viver “limpo e sóbrio”, a clareza da mensagem de NA é truncada. Esse linguajar sugere a existência de duas doenças e que cada droga é diferente da outra, como se houvesse necessidade de terminologias diferenciadas toda vez que a adicção fosse discutida. À primeira vista, o fato parece de somenos importância, contudo nossa experiência mostra que o impacto da mensagem de NA é claramente atenuado por essa confusão semântica aparentemente tão sutil.
Ficou bem claro que tanto nossa compreensão quanto nossa unidade, assim como a nossa rendição “ampla, total e irrestrita” como adictos que somos, depende de um entendimento límpido e cristalino de nossos princípios mais fundamentais: somos impotentes perante uma doença que piora progressivamente mediante o uso de qualquer droga. Não importa qual fosse a nossa “droga de preferência” ao ingressarmos; qualquer droga que usarmos acionará novamente a doença. Recuperamo-nos da doença da adicção aplicando nossos Doze Passos. Nossos Passos foram escritos especialmente para transmitir claramente a mensagem, portanto, todo o resto de nossa linguagem de recuperação precisa ser tão consistente quanto eles. Não podemos misturar esses princípios fundamentais com aqueles da organização co-irmã, sem que nossa própria mensagem seja truncada.
Ambas as irmandades têm sua Sexta Tradição, para que possam conservar suas respectivas características e impedir que se afastem do seu propósito primordial. Uma irmandade de Doze Passos possui uma necessidade inerente de enfocar um único propósito, de forma a fazê-lo de um modo eficaz; cada irmandade de Doze Passos deve ser independente e não filiada a nenhuma outra atividade. A separação faz parte de nossa natureza, assim como o uso de terminologia própria, pois cada uma delas tem seu único e diferenciado propósito. O alcoolismo é o enfoque de A.A., e nós devemos respeitar o nosso próprio propósito e identificarmo-nos em nossas reuniões como adictos simplesmente, e fazer nossas partilhas de forma que a nossa mensagem seja clara.
Como irmandade, devemos nos empenhar cada vez mais em evoluir, sem nos atermos teimosamente a nenhuma radicalidade. Aqueles companheiros que estavam truncando (ainda que sem intenção) a mensagem de NA, usando termos como “sobriedade”, “alcoólico,” “limpo e sóbrio,” “viciado em drogas” etc, poderiam contribuir bastante identificando-se claramente como adictos e passando a usar as palavras “limpo,” “tempo limpo,” e “recuperação”, as quais não especificam nenhuma substância em particular. Todos nós podemos ajudar, citando nas reuniões apenas a nossa literatura, e evitando com isso implicações de qualquer endosso ou afiliação. Nossos princípios são auto sustentáveis. Pelo bem de nosso desenvolvimento como irmandade e a recuperação individual de nossos membros, nossa abordagem dos problemas da adicção deve transparecer claramente em tudo o que fazemos ou falamos nas reuniões.
Membros de NA que costumavam usar esses argumentos no sentido de racionalizar e também cristalizar uma posição anti-A.A., conseguiram com isso desestabilizar companheiros veteranos e bastante ativos dentro da Irmandade. Melhor fariam eles se reavaliassem e reconsiderassem os efeitos danosos desse tipo de comportamento. Narcóticos Anônimos é uma irmandade espiritualizada. Amor, tolerância, paciência, e compreensão são essenciais na consolidação de nossos princípios.
Vamos canalizar energias em direção ao nosso desenvolvimento espiritual pessoal, através dos nossos Doze Passos. Levemos nossa mensagem de forma clara. Há muito trabalho e fazer e precisaremos muito uns dos outros para que haja eficácia. Vamos buscar o espírito de unidade de NA.

(Narcóticos Anônimos, Conselho de Curadores para Serviços Mundiais, Boletim 13 – novembro de 1985)

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AS NOVAS VÍTIMAS DO ALCOOLISMO

AS NOVAS VÍTIMAS DO ALCOOLISMO

Laís Capistrano especial para o Diario urbana.pe@dabr.com.br
Recife, domingo, 26 de fevereiro de 2012
Mulheres e jovens. Esse é o novo perfil de dependentes que está procurando ajuda nos Alcoólicos Anônimos.

Um novo perfil de dependentes formado por mulheres e jovens passou a procurar ajuda nos grupos do Alcoólicos Anônimos (AA) no estado. Antes minoria, a presença feminina, em alguns grupos, já chega a ser igual a dos homens. Em geral, as mulheres começam a procurar tratamentos mais tardiamente, devido à não aceitação da doença. Paralelamente, são elas as presas mais fáceis em função de o corpo acumular 11% a menos de água, frente aos homens, o que favorece à dependência mais rápida do álcool. Outro fator preocupante, segundo médicos e especialistas, é a precocidade apresentada pelo novo público. A faixa etária que passou a pedir socorro no AA é de dependentes entre 18 e 25 anos, de ambos os sexos.
Segundo o médico endocrinologista e metabologista Edinário Lins, o sexo feminino dispõe de menos enzimas para oxigenar o etanol no organismo. “Cerca de 90% das bebidas alcoólicas ingeridas são metabolizadas pelo fígado. Quando há um consumo descontrolado da droga, alguns órgãos são prejudicados e até pode ocasionarar um câncer. Os tipos mais comumente associados ao alcoolismo são os de esôfago, estômago, pâncreas e fígado”.
A pré-disposição genética é um ponto importante a ser analisado, no entanto, outros fatores merecem igual atenção. “O contato com o álcool começa, para muitos dependentes, ainda na infância ou início da adolescência, o que proporciona o quadro vicioso tão cedo”, alerta o médico. Em dez anos, 130 novos grupos de apoio surgiram no estado. Hoje, são 450, a maioria na Região Metropolitana do Recife. Esse aumento significativo se dá pela procura crescente dos dois segmentos, segundo a coordenação da instituição em Pernambuco.
A dependência alcoólica ainda é vista sob uma ótica preconceituosa, o que dificulta o processo de recuperação dos dependentes. “Durante o tratamento, muitas vezes a chave para a recuperação do paciente está no apoio familiar. Em alguns casos, o trabalho realizado com família é mais intenso e duradouro do que com o próprio dependente”, explicou a psicóloga especialista em alcoolismo, Francinete Xavier Borba. Ela ressaltou que a displicência paterna, somada ao sentimento de autonomia da ala jovem, potencializam o surgimento da doença. E alcoolismo mata.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o consumo excessivo de álcool é o 3º maior responsável pelas mortes no mundo. Embora não tenha cura, é possível controlar a enfermidade. A psicóloga aponta caminhos. “Para as mulheres, a recuperação é ainda mais dolorosa. Ela necessita do apoio de toda a família”. Em muitos casos, o estímulo para prosseguir no tratamento vem de membros de grupos de apoio, segundo as mulheres.
“O primeiro passo é evitar o primeiro gole”, aconselha o coordenador do AA no estado, R.J. A maioria dos alcoólicos que procura apoio em grupos diz conseguir resultados mais satisfatórios no combate à doença.Ele ressaltou que a instituição registrou um aumento de quase 300% no número de ligações nos últimos anos. E qualquer pessoa pode ligar para o 3221-3592 ou mandar um e-mail para ctorecifeesl@areapeaa.org.br e saber onde procurar ajuda. O anonimato é garantido.

Relatos de dramas pessoais

“A bebida atrapalhava minha profissão”
“Comecei a perceber que não tinha mais controle sobre a bebida. Saía nos finais de semana com algumas amigas, acabava me envolvendo em confusões e depois não me lembrava de nada.Essa dependência estava me prejudicando no trabalho. Meus colegas e chefe sentiam cheiro de bebida. Me atrasava todas as segundas por causa da ressaca. Sabia que aquilo me fazia mal, só não conseguia dar uma basta. Aos 17 anos, tomei minha primeira dose por influência de umas amigas. Havia me mudado, era novata no prédio. Gradativamente fui ficando resistente ao álcool, queria sempre mais. Bati o carro inúmeras vezes, me envolvi em acidentes muito graves, fiquei hospitalizada, já fui presa por brigar com policiais. Uma vez, conversando com um amigo, falei da situação. O admirava porque ele tinha problemas de alcoolismo e há quase dez anos havia controlado a doença. Foi ele o divisor de águas na minha vida.Esse amigo me convidou para participar de uma reunião do AA no mesmo grupo em que ele frequentava. No encontro descobri que era uma alcoólica. Desde então, já se passaram dois meses e vou a todas as reuniões. Na minha casa, minha mãe sempre se desesperava. Meu pai faleceu de AVC, por causa da bebida, e ela tinha medo que eu seguisse o mesmo caminho. Reconquistei a confiança dela. Estou me recuperando e quero continuar me sentindo assim”.
Diário de: T. Mulher, 26 anos
“Achei que podia beber pois era jovem”
“Tenho 20 anos e sou um alcoólico. No começo pensei que era uma fase. Procurava justificativas para minhas atitudes jogando a culpa nos meus pais. Desandei nos estudos, meus amigos se afastaram de mim e tive muitos problemas em casa. Hoje sei que sou portador de uma doença. Estava com 13 anos quando comecei a beber em companhia de alguns amigos. Primeiro em algumas festas, depois todo mês e, aos 15 anos, saía das aulas todas às sextas-feiras para ir a barzinhos. Urinava na cama e tinha apagamentos. Minha mãe se desesperava, me aconselhava. Fui morar com meu pai porque ela já não me aguentava mais em casa. Fui detido oito vezes e atropelei uma pessoa, tudo sob o efeito da bebida. Minha família me levou a psiquiatras conceituados, cheguei a ser internado, mas ninguém conseguia diagnosticar a doença. Tomava vários remédios por dia e vivia como um zumbi. Em um momento como este, o que ele mais precisa é do apoio da família. Primeiro tentar conscientizar o jovem de que a bebida está fazendo mal. Depois, mostrá-lo um caminho para a recuperação. Quem conversou comigo sobre a importância de participar dos grupos de apoio foi uma tia, que também é alcoólica. No início não queria me enxergar como um. Há quase três anos, controlei a doença, retomei a faculdade, trabalho, faço exercícios, mergulho e pesco. Reconquistei a confiança da minha família”.
Diário de: V. Homem, 20 anos
“A bebida me deixava promíscua”
“Quando bebia, me transformava em uma pessoa completamente diferente. Fiz coisas que jamais faria sóbria, fiquei com rapazes e depois não me lembrava de nada. A bebida deixa as pessoas mais promíscuas. Tinha apagamentos e quando acordava minhas amigas me diziam o que eu tinha feito. Sempre achava que bebia porque era uma mulher extrovertida e com muitos amigos.Tive muita dificuldade para perceber meu descontrole. Já deixei meus filhos doentes em casa enquanto ia à praia com os amigos.Passávamos a noite inteira tomando cerveja e, de manhã, quando voltava para casa, me sentia muito mal por ter feito tudo aquilo. Minha mãe me comparava com meu pai e irmão, que também apresentavam o problema. O fato de ter pré-disposição genética para a doença me deixava irritada. O meu maior desafio para aceitar que estava doente, consequentemente procurar ajuda, foi o preconceito por ser mulher alcoólica aos 35 anos. Tive três filhos em relacionamentos que não deram certo. Só consegui refazer meus planos de vida quando comecei a frequentar as reuniões em grupo. Ainda preciso de psicanalistas e psiquiatras, mas já consigo visualizar um futuro melhor para meus filhos. Quero cuidar deles, fazer meu mestrado e procurar um emprego.Eu acho que se uma mulher está na dúvida se é alcoólica ou não, isto já é um motivo para procurar um grupo de apoio”.
Diário de: R. Mulher, 38 anos
“Uma mãe nunca abandona o seu filho”
“Eu não reconhecia mais meu filho, afirmou C.L., mãe de um jovem dependente alcoólico, de 20 anos. Aos 18 anos ele procurou ajuda no AA. Tinha começado a beber muito jovem, aos 12 anos, escondido, na casa de amigos. Aos 15 anos já estava dependente. Segundo a mãe do jovem, que hoje cursa administração, o filho sempre foi maravilhoso, mas se transformava em outra pessoa quando estava sob efeito do álcool. “Era difícil ver o meu menino fazendo tantas coisas horríveis. Ele chegou a bater com o carro e a ser detido no trânsito por embriaguez. A mãe conta que sentia-se culpada, até se informar sobre a doença. Ela começou a participar de grupos de apoio à familiares e o convenceu a iniciar um tratamento. Foi uma fase difícil, conversei muito com ele, o alertava sobre a educação que ele recebeu, o futuro que ele estaria colocando a perder se continuasse bebendo e todos os males que aquilo estava lhe causando. Alguns amigos podem se afastar, namorada ou até mesmo esposa, mas a mãe nunca abandona, diz. Para a maioria das famílias a percepção da doença é algo difícil. No entanto, sem o apoio necessário para a recuperação do doente, os tratamentos utilizados podem ser ineficazes. Na minha casa, todos nós evitamos ingerir bebida alcoólica. É um ato de respeito ao meu pai, avô do jovem, que sofre com o problema, mas também uma forma de fortalecê-lo em sua batalha diária”, relata,
Diário de uma mãe.
“O alcoolismo não escolhe classe social, cor, profissão, idade e nem sexo”
As pessoas não desconfiam que uma senhora da minha idade seja uma alcoólica. Durante muitos anos minha família sofreu, principalmente a minha filha. A sociedade entende por alcoólico um homem pobre e doente. Essa ideia é errada. O alcoolismo não escolhe classe social, cor, profissão, idade e nem sexo. É uma doença preconceituosa e por isso não conseguia me ver assim. Sempre fui recatada e tímida, não frequentava bares, só tomava vinho em casa em finais de semana com meu marido. Mas com o tempo, as taças foram aumentando.Certa vez, quando minha filha tinha 15 anos, explodi o fogão de casa, logo depois tive um apagamento. Só procurei ajuda quando vi que estava no meu limite.Um dia eu escutei os conselhos de um irmão, que também é alcoólico.Até então eu sempre me aborrecia com as palavras dele. Caí em mim, entrei no AA. Ainda sinto vontade de beber, mas minhas razões para parar são ainda maiores”. Diário de: M.E. Mulher, 54 anos.
Entrevista: Francinete Xavier Borba

Quais as razões que levam tantos jovens e mulheres ao alcoolismo?
Os jovens estão bebendo mais cedo. Eles se sentem mais poderosos e desinibidos. Em alguns casos falta limites por parte dos pais, muitos deles confundem liberdade com liberação e permitem que crianças experimentem bebidas alcoólicas. Consequentemente, essa parcela está exposta a ficar dependente mais cedo. Já entre as mulheres, existe a busca pela igualdade entre os sexos. Nesse contexto, elas compreendem que a liberdade passa pela bebida. O álcool pode ser porta de entrada para outras drogas.

A família pode colaborar?
De modo geral, as mulheres alcoólicas têm um perfil semelhante. Elas são muito inteligentes, sensíveis, e se sentem frustradas por não preencherem um determinado espaço vazio na vida. E por algum motivo elas supervalorizam a bebida. Quando se é jovem, esse fator emocional está fundido com a necessidade de se integrar aos grupos de amigos. Cabe à família da mulher, assim como a do jovem, ressaltar sua autoestima, demonstrar apoio, afeição e acolhimento.

A falta de informações sobre a doença pode ser a causa para o repúdio das pessoas?
Eu costumo dizer que o alcoolismo é a doença do preconceito, da negação e da hipocrisia. A sociedade repudia, no entanto partilha das mesmas práticas. A doença muda o comportamento das pessoas. Não é raro um dependente ser confundido com um mau caráter. Alcoolismo é uma doença que alcança todas as classes sociais e faixas etárias. Não existe cura, mas o portador pode ser tratado desde cedo.

ENCONTRO DE GRUPOS BH/MG – 05

ABORDAGEM – O apadrinhamento individual e coletivo.
Texto sugerido
A formação e consolidação da irmandade dos Alcoólicos Anônimos só foi possível porque um alcoólico percebeu que ao conversar com outro alcoólico e contar-lhe sua história de bebedor ele conseguia permanecer sóbrio por mais tempo.
Chamamos esse procedimento de abordagem e podemos praticá-lo a qualquer hora, em qualquer lugar e com qualquer pessoa, direta ou indiretamente. Direta, quando conversamos com um possível alcoólico e, baseados em nossa experiência, contamos-lhe o que éramos, o que aconteceu conosco, como somos agora e como o A.A. está nos ajudando a permanecer sóbrios. Indiretamente, através dos trabalhos do CTO, quando levamos a mensagem de A.A. para alcoólicos e não alcoólicos. Eis alguns destes trabalhos: palestras, divulgação na mídia, participação em Grupos de apoio das instituições, Reuniões de Informação ao público e outros.
Por isso precisamos estar atentos e preparados para atender o chamado, pois a qualquer momento poderá surgir a oportunidade de exercitarmos o 12º Passo, inclusive, ficarmos atentos para o novo perfil do alcoólico, hoje mais jovem e muitos com outros problemas além do álcool..
Vez ou outra, ouvimos companheiros(as) reclamarem que a freqüência em seus grupos está fraca. Alguns dizem que é porque os membros mais antigos não participam das reuniões, muitos chegam a dizer que estes companheiros(as) não tem gratidão pela Irmandade e que eles não precisam mais de A.A. Acreditamos que muitos destes companheiros(as) antigos, já deram suas contribuições para o A.A. ajudando a manter o Grupo funcionando para que nós chegássemos e hoje estão usufruindo da liberdade que a Irmandade lhes dá. Afastaram para dar oportunidade a outros membros que estão chegando, pois, a Irmandade sugere o rodízio, e sabemos que se não chegar novos membros o futuro do grupo estará comprometido. Por isso precisamos deixar que cada companheiro(a) faça sua recuperação da melhor forma que quiser, cabendo a nós trabalharmos com os novos membros, apadrinhando-os para manter o grupo em funcionamento.
Por outro lado precisamos sair do comodismo e fazermos o nosso trabalho – levando a mensagem ao alcoólico que ainda sofre, pois enquanto estamos preocupados com os companheiros que não vem mais ao Grupo, muitos alcoólicos estão morrendo diante de nossos olhos. Bem, até entendemos o porquê desse comodismo, pois, já há algum tempo que muitos companheiros(as) acreditam que a abordagem passou a ser responsabilidade única do CTO. Em parte, eles estão certos, pois, realmente o trabalho do CTO é levar a mensagem, porém, a um número maior de pessoas – alcoólicas e não alcoólicas – o que faz com que a abordagem seja coletiva. Portanto, a abordagem individual, continua sendo responsabilidade de cada membro em seu Grupo.
O procedimento da abordagem e apadrinhamento que é essencial à preservação da Irmandade, teve início quando Rolland abordou Ebby, Ebby abordou Bill W., Bill W. abordou Dr. Bob e meu padrinho me abordou. É na abordagem que geralmente acontece a identificação entre o membro de A.A. e o bebedor – e é quando começa o processo do apadrinhamento. Geralmente a pessoa que fez a abordagem é considerada como o primeiro padrinho e se coloca à disposição do seu afilhado até ele se senta seguro dentro do grupo. A partir daí, a responsabilidade passa a ser também do grupo que o apadrinha para o programa.
Aqui estão algumas formas de abordagens que os companheiros faziam há alguns anos atrás:
– Ficavam próximos aos bares a espera que algum bêbado saísse para aborda-lo;
– Quando viam um bêbado caído na rua, colocavam um cartão ou um pedaço de papel com o endereço do
grupo em seu bolso;
– Pela seriedade do assunto, alguns grupos criavam um Comitê de abordagem;

TÓPICOS PARA DISCUSSÃO
• Como abordar o dependente cruzado – álcool e droga?
• Quem é o responsável pelos pedidos de abordagens que chegam no grupo?
• Como fazer um apadrinhamento coletivo?
• Meu grupo está cumprindo com a sua responsabilidade com os alcoólicos de sua comunidade?

ENCONTRO DE GRUPOS BH/MG – 04

O acolhimento do Grupo aos jovens da era moderna/internet
Texto sugerido

Em 1934 Ebby transmitiu para Bill W. a primeira mensagem com noções de sobriedade, que posteriormente, veio a se transformar nesta importante organização com o nome de Alcoólicos Anônimos.
Naquela época os meios de comunicação eram escassos, tais como: radio amador; telégrafo; telefone, este restrito a poucas pessoas; cartas; etc. Mesmo assim, sem muitos recursos nesta área, Bill W. conseguiu chegar até Dr. Bob através de um contato telefônico, quando marcou um encontro e através de uma conversa entre eles, nasceu Alcoólicos Anônimos. A partir daí as coisas foram acontecendo e para fazer aquela mensagem salvadora alcançar outros alcoólicos em lugares distantes, Bill W. escreveu o “livro azul” que foi e é o texto básico da irmandade.
Naquele início, o papo entre as pessoas girava em torno dos aparelhos de comunicação da época, como: TELÉGRAFO, RÁDIO AMADOR, MEGAFONE, VITROLA, CARTA, etc. Outra linguagem da época falada nos grupos e que continua sendo usadas nos dias de hoje: Bebia tanto que várias vezes dormi no mato; Cheguei a ver bicho andando no teto de meu quarto; Perdi minha casa, perdi meu emprego e perdi minha família, etc. Tudo isso tem acontecido ao longo destes 78 anos nos grupos de A.A. e hoje vivemos uma outra realidade, pois o perfil do alcoólico mudou e vivemos uma situação bem diferente daqueles primeiros tempos. Nos dias de hoje a média de idade dos alcoólicos que procuram A.A. é de 30 anos. Portanto o cenário que nos apresenta é o seguinte: alcoólicos jovens e às vezes com bastante conhecimentos sobre A.A.; solteiros; muitos ainda não tiveram um emprego; e a maioria chega com dependência cruzada, geralmente vindo de casas de recuperação. Outra questão a considerar, é que estamos vivendo a era moderna – a era da internet, com um sistema de comunicação totalmente moderno. A linguagem de hoje não tem nada a ver com a linguagem daquele tempo (15, 20 anos atrás), por isso, o que se ouve atualmente, entre os jovens dentro e fora do grupo é o seguinte: Teclei com a gata pelo “FACE”, comprei um HIPHONE para minha filha; Você vendeu seu IPOD? Cara, vendi o liquidificador de minha mãe para comprar drogas; Estou devendo o “mala”, Então, hoje o papo é em torno do álcool e das drogas ilícitas, bem como dos novos aparelhos e sistema de comunicação: NOTEBOOK, IPED, IPOD, FACEBOOK, STAGRAN, ORKUT, TWITER, YOUTUBE, etc.
Para a maioria dos membros mais antigos de A.A. e principalmente, mais velhos de idade fica difícil comunicar com os jovens que estão chegando, pois a linguagem é totalmente diferente. E para este novato encontrar o bem estar citado na Primeira Tradição, ele precisa se identificar com o Grupo e vice-versa. Então, o que fazer? Devemos lembrar que, mesmo que ele tenha conhecimento teórico do programa de recuperação, ele ainda não tem a experiência do convívio constante com os outros membros do grupo para se recuperar. Dessa forma cabe a nós, que já estamos em A.A., acolher estes jovens mostrando-lhes o que a irmandade tem a oferecer para ajuda-lo a se recuperar do alcoolismo e, consequentemente, das outras drogas, se for o caso e ele quiser.

TOPICOS PARA DISCUSSÃO
• Que tipo de tratamento o grupo deve dar a um alcoólico jovem que chega com algum conhecimento sobre A.A. e já querendo mudar o grupo?;
• O que o grupo tradicional, que funciona de acordo com os costumes, precisa fazer para se relacionar com estes novos alcoólicos que estão chegando já com conhecimentos sobre A.A.?
• Qual a importância dos grupos online no funcionamento de A.A. nos dias de hoje?;
• Um membro de A.A. colocou as fotos da Convenção de A.A. no facebook – ele agiu certo ou errado e por quê?

ENCONTRO DE GRUPOS BH/MG – 03

A identificação do grupo com o novo perfil do alcoólico
Texto Sugerido

A identificação de um alcoólico com outro se dá quando eles tem a oportunidade de trocar suas experiências do sofrimento vivido durante o alcoolismo. Por isso, uma frase muito falada em A.A.: “só um alcoólico consegue entrar na caverna escura de outro alcoólico e mostrar para ele a natureza exata da doença do alcoolismo e possivelmente, leva-lo a um grupo de A.A.”.
Tudo começa com uma boa abordagem, o alcoólico precisa confiar na pessoa que está conversando com ele e, portanto, demonstrar-lhe que não somos melhores que ele. Foi assim que aconteceu há 78 anos atrás, quando Bill W. levou a mensagem para Dr. Bob. Durante a conversa, quando Bill W. começa a falar sobre sua vida e o que havia acontecido com ele, em determinado momento Dr. Bob fala a famosa frase histórica, “Eu sou assim”. Na opinião de muitos companheiros, naquele momento nascia Alcoólicos Anônimos, pois um alcoólico havia se identificado com outro alcoólico através da mensagem e do sofrimento.
Naquele tempo os grupos eram formados apenas com os chamados “alcoólicos puros”, porém, com o crescimento da Irmandade os grupos perceberam que precisavam fazer alguma coisa, pois, os alcoólicos que chegavam e declaravam ter outros problemas além do álcool eram rejeitados. Por este motivo e vários outros, foram forjadas as Tradições, que vieram para orientar-nos de como proceder diante das mais diversas situações que poderiam surgir. Por isso é importante o conhecimento e prática das Tradições para não continuarmos a cometer as mesmas injustiças com o doente alcoólico que nos procura – devemos estar sempre atentos à Terceira Tradição.
O Grupo se prepara para receber o novo alcoólico que chega – os membros do grupo procuram trata-lo da melhor maneira para que ele sinta-se bem e tenha vontade de voltar. Ninguém deve questioná-lo sobre a sua vida, pois de acordo com a Terceira Tradição o que interessa para o grupo, é o seu desejo de abandonar a bebida.
Por tudo isso, é importante que os membros do grupo compreendam a mudança que houve ao longo do tempo no perfil do alcoólico – a doença é a mesma, porém, o modo de vida, a idade, a cultura e o nível de conhecimento do alcoólico mudou. Antes o alcoólico era aquele homem ou mulher com idade média de 40 anos, já casado e com filhos. A mulher alcoólica geralmente, bebia escondido e só em casa. Hoje é o contrário, a média de idade dos alcoólicos abaixou para 25 anos e a maioria com a vida ainda em construção e grande parte deles já envolvidos com outras drogas, inclusive as mulheres que hoje bebem nos bares. É importante observar que houve uma inversão, pois, há aproximadamente uns 20 para trás, em cada 100 alcoólicos, possivelmente, 80% tinham acima dos 40 anos e hoje em 100 alcoólicos, temos 80% abaixo dos 40 anos. Hoje em dia, é normal encontrar jovens com menos de 20 anos já com a vida destruídas pela bebida e drogas.
Daí a importância do grupo em adequar-se aos novos tempos, procurando compreender melhor as Tradições e praticá-las, sem, no entanto, perder o companheirismo que é a essência de A.A.

TÓPICOS PARA DISCUSSÃO:
• O novo membro vai a cabeceira de mesa e fala de seu alcoolismo e também de sua dificuldade com as drogas, como o grupo deve proceder?
• O grupo fere alguma Tradição ao rejeitar um alcoólico com dependência cruzada?
• Qual a importância da recepção ao alcoólico que chega ao grupo pedindo ajuda? Seria interessante que um membro do grupo conversasse com ele antes de ele entrar para a reunião?
• Como proceder com o alcoólico que chega no grupo demonstrando grande conhecimento em A.A.?
– Devemos orientá-lo sobre o funcionamento da Irmandade, quanto a troca de experiências; ou
– Aproveitar os seus conhecimentos e colocá-lo no serviço para nos ajudar?

ENCONTRO DE GRUPOS BH/MG – 02

Alcoólicos Anônimos e os Novos Tempos

Bom dia companheiros e companheiras, meu nome é Ronaldo e o que me qualifica estar aqui promovendo a abertura deste encontro é o meu passado.
A esperança e a confiança que tenho no Poder Superior, me fazem crer que esse nosso esforço e alegria de estarmos aqui, irão refletir na sublime missão herdada por nós, que é “salvar vidas”.

Neste encontro iremos discutir sobre as pessoas que tem chegado em nossos Grupos com outros tipos de dependências – além do álcool. Como devemos recebê-los?, Onde podemos estar errando? Estamos preparados para emitir uma sugestão correta? Bem, sobre estes e outros questionamentos iremos opinar nos Grupos de Trabalho – GTs.

Com o passar dos anos a chegada do “alcoólatra puro”, (aquele só do álcool) nos Grupos de A.A. é cada vez mais raro. Temos percebido que a chegada dos adictos (usuários de outras Drogas) tem causado um grande frisson, (um reboliço) nos nossos grupos, pois, vindo de clínicas de recuperação e comunidades terapêuticas eles estão chegando cada vez mais e com muito conhecimento sobre nossa programação – os Doze Passos. Na maioria das vezes eles têm encontrado um grupo pautado apenas nas experiências dos membros, o “cachaçal”. Sendo esta a principal atração e didática de nossas reuniões, claro que tem a sua importância, pois é quando acontece a identificação e muitos de nós nos recuperamos e alcançamos nossas vitórias nesta dinâmica. Através da troca de experiências com os companheiros conseguimos evitar o primeiro gole, porém os tempos mudaram e as necessidades são outras. Hoje existe muita informação, estamos na era da tecnologia, da globalização e achamos que precisamos nos globalizar também.

Podemos compreender essa mudança analisando o perfil do alcoólico que chega ao grupo – antes chegava aquele homem ou mulher, com família constituída, idade acima dos 40 anos e as mulheres bebiam geralmente escondido em casa, O que vemos hoje? Jovens homens e mulheres com media de 25 anos de idade, ainda com a vida profissional e familiar indefinida e em sua esmagadora maioria com outras dependências além do álcool. Portanto, no que se refere à recuperação, devemos ter uma mesma proposta e o mesmo acolhimento a todos que procuram os nossos grupos.

Digo isso por já ter visto que a falta de conhecimento sobre a dependência cruzada, está deixando alguns companheiros assustados levando-os a tomar atitudes que vão contra nossos princípios, ou seja, não acolher o dependente cruzado. Acreditamos, que o grupo deveria recebê-lo e, se for o caso, sugerir outros locais onde ele poderá buscar ajuda para as outras dependências também, tais como: Narcóticos Anônimos, Fumantes Anônimos, Pastoral da Sobriedade, SOS Drogas, Amor exigente e outros.

Temos na manga um curinga que pode ser um remédio para todos os males e hoje, mais do que nunca, temos que tirá-lo do bolso do colete e apresentá-lo no grupo para o recém chegado e para o membro de mais “24 horas”. Que curinga é este? Os DOZE PASSOS DE AA – um programa de vida que, se colocado em prática, reabilita o INDIVÍDUO, independente da droga de sua preferência. Vale lembrar que de acordo com a Quinta Tradição, o Grupo de A.A. tem um único propósito: transmitir a mensagem de A.A. ao alcoólico que ainda sofre. Entretanto, Os Doze Passos de A.A. vem sendo usado cada vez mais na reabilitação de pessoas com vários tipos de dependências.

Ao deparar com jovens com tão pouca idade e com homens e mulheres maduros, com um histórico sofrido pelo uso das outras drogas, vemos como a química é devastadora. Tanto que já observamos que os chamados, cervejeiros, também tem sofrido as conseqüências desta química, pois a fermentação que levava 40 dias, hoje não passa de 15 minutos, com a utilização de produtos químicos na produção. Sendo assim temos certeza que estamos no mesmo barco e pretendemos remar juntos rumo a nossa LIBERDADE. Sobre a Liberdade me permitam dizer uma afirmação de BILL W.:
“A LIBERDADE é a qualidade mais importante de nós AAs. Ninguém pode nos obrigar a pagar nada, da mesma forma que ninguém pode nos obrigar a acreditar em nada, também, ninguém tem o direito de tirar de ninguém, O DIREITO DE SER MEMBRO DE A.A.”

Concluindo, acho que não devo mais me prolongar, pois, está bem claro qual nosso propósito, falar todos e ouvir todos, nossa bandeira aqui é a colocação da primeira pedra, a pedra angular para uma nova era em nossa irmandade, onde possa ser acolhido meu filho, meu neto… Com informações corretas sem perder o companheirismo e o calor humano que é a essência de AA.

Obrigado

Membro de A.A.
15/12/2013

ENCONTRO DE GRUPOS BH/MG – 01

“Nossa irmandade deveria incluir todos os que sofrem do alcoolismo. Não podemos, portanto, recusar quem quer que deseje se recuperar. A condição para tornar-se membro não deve nunca depender de dinheiro ou formalidades. Dois ou três alcoólicos quaisquer reunidos em busca de sobriedade podem se autodenominar um grupo de A.A., desde que, como grupo, não tenha qualquer outra filiação”. (Terceira Tradição).

“Nossa irmandade tem um único propósito, o de transmitir a mensagem de A.A. ao alcoólico que ainda sofre”. (Quinta Tradição)

Então, “o que podemos fazer acerca do problema das drogas – dentro e fora de nossa irmandade?”
Esta pergunta pode ser prontamente explicada para a satisfação de todos, se dermos uma olhada nas Tradições de A.A. que se aplicam ao fato em nossa longa experiência com grupos de propósitos especiais, nos quais os AAs são ativos hoje – tanto dentro como fora de nossa irmandade.
Há certas coisas que A.A. não pode fazer por ninguém, independente de quais sejam nossos desejos e sentimentos individuais, ou simpatia.
Nossa primeira responsabilidade como Irmandade é assegurar nossa própria sobrevivência. Portanto, temos que evitar confusões e as atividades de propósitos múltiplos. Um Grupo de A.A., como tal, não pode assumir todos os problemas de seus membros, muito menos os problemas de mundo inteiro.
Sobriedade – libertação do álcool – através do aprendizado dos Doze Passos é o único propósito de um Grupo de A.A. (folheto: Outros problemas além do álcool)

Conforme Bill W. deixa registrado na “introdução” dos Doze Conceitos, que: Cada nova geração de servidores mundiais de A.A., com toda razão, estará ansiosa para introduzir melhoramentos operacionais. Falhas imprevistas na estrutura atual aparecerão, sem dúvida, mais tarde. “Novas necessidades de serviço e problemas surgirão, fazendo necessariamente mudanças na estrutura”. Portanto, de acordo com o texto, atualmente estamos sentindo a necessidade de discutir a convivência entre os alcoólicos que estão em A.A. apenas com o problema do álcool, com os alcoólicos que estão chegando com dependência cruzada, ou seja, álcool e outras drogas.