Monthly Archives: Dezembro 2013

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SÍNDROME DE DEPENDÊNCIA DO ÁLCOOL – ALCOOLISMO

SÍNDROME DE DEPENDÊNCIA DO ÁLCOOL-ALCOOLISMO
Dr. Laís Marques da Silva
Ex-custódio e Ex-presidente da JUNAAB

Em Alcoólicos Anônimos o que importa não é o alcoolismo, mas sim o alcoólico. Não se fazem estudos ou pesquisas sobre o alcoolismo mas dedicam-se todas as atenções e cuidados às pessoas que sofrem dessa doença. É o ser humano, é o doente que importa.
Além do mais, a Irmandade resolve o problema do diagnóstico de uma forma adequada. Ninguém faz diagnóstico, ninguém rotula ninguém mas, depois de algum tempo de convivência com membros do grupo de A.A. e chegando às suas próprias conclusões diante do que viu e ouviu nas reuniões, é o próprio alcoólico que decide ser ou não um membro do grupo e é também ele quem diz se é ou não um alcoólico. Mas as pessoas, depois de passarem por tratamentos médicos e ao se reconhecerem como alcoólicos, passam, como é natural, a ter um interesse, uma curiosidade em relação à sua doença. Desejam conhecer um pouco acerca do alcoolismo.
A palava alcoolismo foi usada pela primeira vez em 1849 pelo médico sueco Magnus Huss no seu trabalho “Alcoolismo Crônico”, expressão essa que se tornou o modo corrente de tratar os que apresentavam embriagues habitual, chamados a partir daí de alcoólatras, alcoólicos ou alcoolistas. Bebem repetida e excessivamente bebidas alcoólicas com prejuízos para si mesmos e para outras pessoas sendo que os danos se expandem para áreas tão diferentes como mentais, econômica, sociais, legais, etc.
Por ser o controle voluntário muito pequeno e o beber compulsivo, o alcoolismo é considerado como adição e como doença. Daí que, numa visão simples, é tido como sendo a doença que resulta do beber compulsivo e crônico.
N No entanto, do ponto de vista farmacológico e fisiológico, o alcoolismo é entendido como uma adição química que leva à necessidade de beber doses crescentes para produzir os efeitos desejados ou aliviar o desconforto da abstinência e que pode resultar na síndrome de abstinência quando esse beber é interrompido. Mas, diferentemente da adição que ocorre pelo uso de outras drogas, nem sempre o alcoólico necessita de doses crescentes da substância. Por outro lado, o alcoólico desenvolve graus variáveis e baixos de tolerância ao álcool de modo que a dose letal, aquela que leva à morte, só ocasionalmente pode ser alcançada ou ultrapassada
Do ponto de vista do comportamento, o alcoolismo é uma desordem em que o álcool se torna muito importante na vida de uma pessoa que experimenta a perda de controle em relação ao seu beber. Aí, com dependência ou não, o consumo do álcool é suficientemente intenso para causar problemas físicos, mentais, sociais, econômicas, legais, etc. A desordem é entendida como doença porque persiste por anos, é fortemente hereditária, progressivamente incapacitante e importante causa de morte. O álcool compromete a livre decisão de beber ou não e de quando parar. Ainda, diferentemente da maioria dos maus hábitos, a força de vontade vale pouco em relação ao álcool.
Do ponto de vista sociológico, o alcoolismo é tido como um desvio social mas, ele deveria desaparecer com a maturidade, como ocorre em muitas outras formas de desvio social, mas isso não acontece com o alcoolismo. Como é quase impossível submeter todo um grande grupo de indivíduos a estes o entendimento do alcoolismo pode ficar por conta da quantidade e da freqüência em que é ingerido, pelo número de internações relacionadas ao álcool, pela freqüência de mortes por cirrose ou por prisões decorrentes de mau comportamento relacionado com o uso de álcool.
É preciso ainda discernir três condições diferentes: o uso do álcool, o abuso e a dependência. Abusa do álcool aquele que tem um comportamento social desviante em relação ao seu consumo, que bebe regularmente e, o mais importante, que apresenta problemas de saúde, além de sociais e/ou profissionais em conseqüência da ingestão do álcool. O abuso pode evoluir para a dependência e aí encontraremos a compulsão para a ingestão de álcool a fim de experimentar os seus efeitos ou para evitar o desconforto da sua falta. Aqui, na dependência, também são importantes os componentes sociais e comportamentais e, mais ainda, os componentes biológicos e psíquicos traduzidos na tolerância e na compulsão, respectivamente. Nos conceitos de abuso do álcool e na síndrome de dependência do álcool está o que é entendido por alcoolismo. A psicose alcoólica, a cirrose hepática, a gastrite alcoólica, etc, ficam como complicações. Em rápidas palavras, beber sem problemas traduz o beber social, beber com problemas se constitui no abuso do álcool e beber com problemas e apresentando a dependência química caracteriza a Síndrome de Dependência do Álcool.
Acontece que um alcoólico na ativa pode procurar um médico porque está tendo problemas sexuais e para ele alcoolismo pode ser a perda de potência. Para a sua mulher, que foi espancada, o alcoolismo está ligado ao espancamento. Quando, por essa razão, ela o leva ao hospital e lá o médico faz vários testes e as provas de funções hepáticas se mostram alteradas, a enzima gama glutamil transferase se encontra elevada e o volume dos glóbulos vermelhos está aumentado, o médico o considera um alcoolista em face do quadro clínico e dos exames complementares realizados. Já um pouco melhor, no dia seguinte, o paciente sai dirigindo alcoolizado e os vizinhos dizem que ele é um alcoólico porque dirige alcoolizado. Então, afinal, o que é o alcoolismo?
Do ponto de vista da quantidade de bebida consumida, uma pessoa com 100 quilos pode beber uma grande quantidade de bebida alcoólica sem apresentar muitas manifestações, mas a mesma quantidade de bebida seria catastrófica para uma pessoa com pouco peso e epilética ou ainda para um piloto de avião com uma úlcera no estômago. Um taberneiro francês que beba mais de dois litros de vinho por dia pode não ser considerado um alcoólico pelos seus parentes e amigos próximos, mas será visto como portador de alcoolismo por um membro da família que seja israelita. Então o que vale não é a quantidade da bebida ingerida mas os sintomas que resultam.
Por outro lado, uma pessoa pode ter um problema emocional e passar a beber diariamente por um tempo e ficar preocupada com o alcoolismo enquanto que outra pessoa pode beber despreocupada pela vida a fora até que surja uma grave insuficiência hepática. Quem bebe, por algum problema específico, freqüentemente permanece capaz de controlar o uso do álcool, embora relate uma dependência psicológica, o que não ocorre com as pessoas que abusam do álcool.
Para complicar ainda mais as coisas, uma pessoa que estude a literatura sobre o alcoolismo fica com a idéia de que ele é também um problema econômico, psicológico, fisiológico ou ainda social, isso para excluir outros aspectos do problema.
A Organização Mundial de Saúde declarou que o alcoolismo é doença em 1951 ou, mais exatamente, certas formas de alcoolismo. Mas, de modo oficial, também declararam que o alcoolismo é uma doença as seguintes associações: a Associação Médica Americana, a Associação Americana de Psiquiatria, a Associação Americana de Saúde Pública, a Associação Americana de Hospitais, a Associação Americana de Psicologia, a Associação Nacional de Assistentes Sociais e o Colégio Americano de Médicos.
A dependência do álcool pode ser tomada como sinônimo de “adição alcoólica”, como “dependência fisiológica”, como o alcoolismo gama de Jellineck ou ainda e simplesmente entendida como alcoolismo.
Os critérios médicos para definir a doença do alcoolismo se baseiam nas complicações médicas e nos sintomas resultantes do beber, enquanto que os problemas sociais são mais enfatizados em outras classificações. O fato é que existe uma forte correlação entre a síndrome de dependência do álcool e as incapacidades sociais que ele ocasiona. Os parâmetros que definem o modelo médico têm correlação com os desvios sociais. Isso quer dizer que médicos e sociólogos estão falando da mesma síndrome. No entanto, nem sempre a abstinência do álcool se acompanha da recuperação social. O alcoolismo não é só um problema médico em si mas também inclui todo um conjunto de situações que resultam do beber continuado.
Mas como penetrar nesta floresta, que linhas e direções podem facilitar a compreensão do que seja o alcoolismo? Talvez a idéia mais fácil e curta seja a do Conselho Nacional de Alcoolismo dos Estados Unidos da América do Norte: “A pessoa portadora de alcoolismo não pode, de maneira segura e consistente, predizer, em qualquer ocasião em que beber, o quanto vai beber e durante quanto tempo”.
Como veremos em seguida, não é a especificidade de um problema que define o que o que é entendido como alcoolismo mas sim o número e a freqüência dos problemas relacionados com o uso do álcool. De uma maneira geral, todos os sintomas têm igual valor. Em outros termos, o diagnóstico do alcoolismo é feito pela variedade dos problemas relacionados com o álcool e não pela especificidade dos problemas. Nenhum sinal ou sintoma define, isoladamente, o alcoolismo.
As coisas ficam mais claras quando abordamos a síndrome a partir dos estudos do Prof. Dr. Griffith Edwards, da Universidade de Londres, que propôs uma descrição da síndrome a partir de sete parâmetros:
1. empobrecimento do repertório,
2. maior importância da bebida,
3. aumento da tolerância ao álcool,
4. aparecimento da síndrome de abstinência,
5. prevenção ou alívio da síndrome de abstinência pela ingestão de mais bebida,
6. percepção subjetiva da compulsão para beber e
7. reinstalação do quadro após um período de abstinência.

1. O empobrecimento do repertório se traduz em ir fixando o tipo de bebida, a freqüência, as ocasiões em que é ingerida, em de beber mais rapidamente e em quantidades maiores a ponto de esse fato ser notado pelas pessoas mais próximas, em beber sozinho.
2. O beber vai ganhando prioridade maior em relação às atividades com a família e com os amigos, em relação à vida profissional e ao próprio corpo. As outras fontes de gratificação vão esmaecendo e a bebida vai ficando cada vez mais importante. O comportamento vai mudando em função da bebida. Trajetos organizados, freqüência a compromissos sociais em que se faz uso da bebida alcoólica, etc.
3. Em consequência do aparecimento da tolerância, doses cada vez maiores são necessárias para alcançar os mesmos efeitos desejados. Com as doses maiores, vêm também efeitos tóxicos mais intensos. Há casos de dependência avançada em que ocorre o fenômeno inverso, isto é, o paciente se embriaga com doses pequenas, que antes eram bem toleradas.
Estes três parâmetros se instalam ao longo do tempo.
4. A síndrome de abstinência talvez seja a mais importante manifestação da dependência. Nela ocorrem, ao acordar, usualmente pela manhã: tremores, suores, náuseas acompanhadas ou não de vômitos, ansiedade, agitação, etc. Nos casos mais severos, o paciente pode sofrer alucinações auditivas e visuais ou ainda apresentar convulsões e evoluir para o quadro de “delirium tremens”. A síndrome da abstinência revela a condição de dependência em relação ao álcool e se instala em função dos níveis baixos de álcool no sangue, sendo essa a razão pela qual costuma aparecer pela manhã, ao despertar, após serem passadas algumas horas sem a ingestão de bebidas.
5. Os sintomas de abstinência podem ser evitados ou aliviados pela ingestão de mais álcool. É o gole matinal.
6. Compulsão para beber. É entendida como sinônimo de perda de controle. Pode haver uma perda de controle ou uma desistência do controle.
7. A reinstalação, após um período de abstinência, implica na volta rápida do quadro de tolerância ao álcool. Isso pode ocorrer após anos de abstinência. Quanto maior o grau da dependência anterior, mais rápida é a reinstalação da tolerância. É uma espécie de “memória bioquímica” que permanece no organismo. É como se diz em A.A., o doente recomeça de onde terminou.

A TRADIÇÃO DE A.A. COMO SE DESENVOLVEU

A TRADIÇÃO DE A.A. COMO SE DESENVOLVEU

Neste livrete o companheiro Bill W. mostra o início e o desenvolvimento dos princípios essenciais para a unidade e sobrevivência de Alcoólicos Anônimos.
A questão central deste tema é como nós, membros de A.A. preservaremos melhor nossa unidade?
Os laços que nos unem, precisam ser muito mais fortes do que as forças que nos dividiriam se pudessem. A unidade é essencial para a nossa segurança.
Quatro condições básicas são aqui apresentadas para que possamos a cumprir a nossa missão como irmandade que tem por finalidade transmitir uma mensagem que possibilite a recuperação do alcoólico que ainda sofre:

1ª – Como membros de A.A, cada um de nós conseguir recusar prestígio público e renunciar a qualquer desejo de influência pessoal;

2ª – Se como movimento, insistimos em permanecer pobres, a fim de evitar disputas a respeito de grande propriedade e sua administração;

3ª – Se rejeitarmos sempre todas as alianças políticas, sectárias ou quaisquer outras, evitando assim a divisão interna e a notoriedade pública;

4ª – Se como movimento, continuarmos sendo uma entidade espiritual, interessada somente em levar nossa mensagem aos companheiros sofredores, sem recompensa ou obrigação.

Atitudes e práticas que têm desmoralizado outras formas de sociedades humanas seriam um risco para A.A porque poderiam atingir de morte a unidade tão vital para nós.
A unidade de A.A. não pode se preservar automaticamente e assim como na recuperação, temos que sempre trabalhar para mantê-la, eis alguns requisitos necessários: honestidade, humildade, mente aberta, altruísmo e, acima de tudo vigilância.
Em determinado momento percebemos a necessidade de trabalhar e viver juntos  conviver.
Cada membro deve tomar consciência de tendências perturbadoras que nos põem em perigo como um todo. Aqui vale a pena uma reflexão, será que nos dias atuais ainda corremos esse risco? Assim como os defeitos pessoais põem em risco a sobriedade e paz de espírito do indivíduo, a quebra da unidade ameaça de morte a irmandade de Alcoólicos Anônimos.
Os “Doze Pontos da Tradição de A.A.” constituem nossa primeira tentativa para estabelecer princípios sólidos da conduta de grupo e relações públicas. Nesta ocasião as Doze Tradições já se mostravam sólidas o suficiente para se tornar o guia básico e a proteção para A.A. (grifo nosso) Devemos aplicar as Tradições tão seriamente à vida do grupo como fazemos com os Doze Passos de recuperação para nós mesmos.
Unidade permanente para que possamos aliviar o sofrimento daqueles que ainda estão por se unir a nós em busca da liberdade pessoal que um dia alcançamos.
Ninguém inventou Alcoólicos Anônimos. Ele brotou. Por ensaio e erro tem produzido uma rica experiência. Tentamos e erramos, tentamos e erramos e com isto adquirimos uma rica experiência, que nos foi legada, porque alguém teve a humildade de deixar escrito para nós, primeiro como norma de procedimento e depois como tradição.
Mas nesta hora foi colocado um aviso de prudência “não deveríamos ser por demais rígidos; a letra pode matar o espírito”. Para isto evitamos as pequenas regras e proibições; o falso orgulho de pensarmos que tínhamos dito a última palavra; a tentação de impor nossas rígidas regras aos alcoólicos, sob a ameaça de deixá-los de fora. Isso seria impedir o crescimento e desenvolvimento de Alcoólicos Anônimos.
As lições aprendidas com as nossas experiências valem muito. Adquirimos durante esses anos um grande conhecimento do problema de conviver  viver e trabalhar juntos. Se conseguirmos isto de forma permanente, então, e somente então, nosso futuro estará assegurado.
Depois da libertação da calamidade pessoal que não mais os escravizava, a maior preocupação dos nossos membros mais antigos passou a ser o futuro de Alcoólicos Anônimos. Neste momento, aqui reunidos, buscamos certamente, a resposta para a pergunta: “como preservar entre nós A.As., essa poderosa unidade para que nem a fraqueza das pessoas, nem a tensão e disputa desses tempos modernos possam prejudicar a nossa causa comum?” (grifos nossos)
Já naquela ocasião e, infelizmente ainda hoje, falávamos em nossos problemas de grupo. Basicamente esses problemas foram assim definidos:

a) relações de uns membros com os outros;

b) relações do grupo com o mundo exterior;

c) a relação do grupo com Alcoólicos Anônimos como um todo;

d) o lugar que Alcoólicos Anônimos ocupa na sociedade moderna;

e) a relação do grupo com a estrutura de Alcoólicos Anônimos;

f) a nossa atitude – membros e grupos -com relação a liderança, dinheiro e autoridade.

O futuro de A.A pode muito bem depender de como sentimos e atuamos a respeito das coisas que são sujeitas a controvérsia e como consideramos as nossas relações públicas.

Ao final dessas considerações de suma importância para a existência de Alcoólicos Anônimos chegou-se àquela época a duas indagações vitais para a definição do conjunto de princípios que hoje norteiam e balizam a nossa convivência representando, ainda, a garantia da preservação de Alcoólicos Anônimos.

– Será que já adquirimos experiência suficiente para apresentar normas de procedimentos bem definidas sobre essas questões preponderantes para nós?

– Podemos agora estabelecer os princípios gerais que poderiam levar às tradições vitais  tradições mantidas no coração de cada A.A por sua própria convicção profunda e pelo consentimento comum de seus companheiros? (grifo nosso)

Essa é a questão. Apesar de que respostas completas para todas as nossas dúvidas possam nunca ser encontradas, tenho certeza, disse Bill W., tenho certeza que chegamos finalmente a uma posição vantajosa, de onde podemos vislumbrar os principais contorno de um corpo de tradição que, se Deus quiser, pode permanecer como um eficiente vigilante contra todas as destruições de tempo e circunstancias. (grifo nosso)

Finalmente, Bill W. expressa o sentimento dos membros da época ao assentarem os trilhos que evitaram que a locomotiva chamada Alcoólicos Anônimos descarrilasse e não conseguisse atingir o seu único e primordial objetivo, ou seja, a transmissão de sua mensagem. Eis na íntegra o trecho que marca a entrega das tradições à nossa irmandade:

“Atuando de acordo com o desejo persistente dos velhos amigos de A.A. e com a convicção de que agora é possível um entendimento e acordo geral entre nossos membros, arriscarei colocar em palavras estas sugestões para uma Tradição de Relações de Alcoólicos Anônimos  Doze Pontos para assegurar nosso futuro.”

AS TRADIÇÕES NA FORMA INTEGRAL

A experiência de A.A. nos tem ensinado que:

1ª Cada membro de Alcoólicos Anônimos é apenas uma pequena parte de um grande todo. A.A. precisa continuar a viver ou a maioria de nos certamente morrerá. Portanto nosso bem-estar comum vem em primeiro lugar. Mas o bem-estar individual vem logo depois.

2ª Para os objetivos de nosso grupo, há somente uma autoridade final – um Deus amantíssimo, como pode expressar-Se em nossa consciência coletiva.

3ª Nossa Irmandade deve incluir todos os que sofrem do alcoolismo. A condição para tornar-se membro não deve nunca depender de dinheiro ou formalidade. Dois ou três alcoólicos quaisquer reunidos em busca de sobriedade podem se autodenominar um grupo de A.A., desde que como grupo não possuam qualquer outra afiliação.

4ª Com respeito a seus próprios assuntos, nenhum grupo de A.A. esta sujeito a autoridade alguma além de sua própria consciência. Quando porem, seus planos interferirem no bem-estar de grupos vizinhos, estes devem ser consultados. E nenhum grupo, comitê regional ou membro como indivíduo deve tomar qualquer atitude que possa afetar seriamente A.A. como um todo, sem consultar os custódios da Junta de Serviços Gerais. Em tais questões, nosso bem-estar comum tem absoluta primazia.

5ª Cada grupo de Alcoólicos Anônimos deve ser uma entidade espiritual com um único propósito primordial – o de levar sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.

6ª Problemas de dinheiro, propriedade e autoridade podem facilmente nos afastar de nosso objetivo espiritual primordial. Acreditamos, portanto, que quaisquer bens de valor considerável, de real utilidade a A.A. devem ser incorporados e administrados separadamente, fazendo-se assim uma divisão entre material e espiritual. Um grupo de A.A., como tal, jamais deve dedicar-se ao comércio. Entidades secundárias de auxílio a A.A., tais como clubes ou hospitais, que requeiram muitos bens materiais e muita administração devem ser incorporadas, de forma que, se necessário, possam os grupos livremente descartarem-se deles. Tais instituições não deveriam, portanto, usar o nome de A.A. Sua administração deve ser exclusiva responsabilidade das pessoas que as financiam. Para os clubes, são em geral preferíveis gerentes que sejam membros de A.A. Mas os hospitais e outros locais de recuperação devem, porem, ficar afastados de A.A e ter supervisão médica. Embora um grupo de A.A. possa cooperar com quem quer que seja, tal cooperação nunca deve chegar ao ponto de filiação ou endosso, real ou implícito. Um grupo de A.A. não pode vincular-se a ninguém.

7ª Os grupos de A.A. devem ser inteiramente autofinanciados pelas contribuições voluntárias de seus próprios membros. Acreditamos que cada grupo deve atingir, em pouco tempo, esse ideal; que qualquer solicitação de fundos usando-se o nome de A.A. é altamente perigosa, seja ela feita por grupo, clubes, hospitais ou outros agentes exteriores; que a aceitação de grandes donativos de qualquer fonte ou de contribuições que acarretem quaisquer obrigações é desaconselhável. Vemos ainda com muita preocupação aquelas tesourarias de A.A. que continuam a acumular alem da reserva prudente, fundos sem um propósito específico. A experiência tem nos demonstrado, frequentemente, que nada pode destruir nosso patrimônio espiritual com tanta certeza, como as discussões fúteis sobre propriedade, dinheiro e autoridade.

8ª Alcoólicos Anônimos deveria manter-se sempre não-profissional. Definimos profissionalismo como o emprego do aconselhamento a alcoólicos em troca de honorários ou salário. Todavia podemos empregar alcoólicos pra desempenhar aquelas funções para as quais, em outras circunstâncias, teríamos que contratar não-alcoólicos. Mas nosso trabalho habitual de Décimo Segundo Passo de A.A. jamais deve ser pago.

9ª Cada grupo de A.A. necessita da menor organização possível. A forma rotativa da liderança é a melhor. O grupo pequeno pode eleger um secretário; o grupo grande seu comitê rotativo e os grupos de uma ampla região metropolitana seu comitê central ou intergrupal, o qual frequentemente emprega um secretário em tempo integral. Os Custódios da Junta de Serviços Gerais de A.A. se constituem na realidade, em nosso Comitê de Serviços Gerais de A.A.. São eles os guardiões de nossa Tradição de A.A. e os depositários das contribuições voluntárias dos A.As, através dos quais mantemos nosso Escritório de Serviços Gerais em Nova York. Eles são autorizados pelos grupos a cuidar de nossas relações públicas em geral e garantem a integridade de nosso principal órgão de divulgação: a revista A.A. Grapevine. Todos esses representantes tem suas ações guiadas pelo espírito de serviço, pois os verdadeiros líderes em A.A. são apenas servidores experientes e de confiança da Irmandade. Seus títulos não lhes conferem nenhuma autoridade real e eles não governam. O respeito universal é a chave para sua utilidade.

10ª Nenhum grupo ou membro de A.A. deve jamais expressar, de forma a envolver A.A., qualquer opinião sobre assuntos controversos externos – particularmente política, medidas de combate ao álcool ou religião sectária. Os grupos de A.A. não se opõem a nada. Com respeito a tais assuntos, eles não podem expressar qualquer opinião.

11ª Nossas relações com o público em geral devem caracterizar-se pelo anonimato pessoal. Acreditamos que A.A. deve evitar a publicidade sensacional. Nossos nomes e fotografias, como membros de A.A., não devem ser divulgados pelo rádio, filmados ou publicamente impressos. Nossas relações públicas devem orientar-se pelo princípio da atração e não da promoção. Nunca há necessidade de elogiarmos a nós mesmos. Achamos melhor deixar que nossos amigos nos recomendem.

12ª Finalmente, nós de Alcoólicos Anônimos acreditamos que o princípio do anonimato tem uma enorme significação espiritual. Lembra-nos que devemos colocar os princípios acima das personalidades; que devemos realmente conduzir-nos com genuína humildade. Isto para que as nossas grandes bênçãos jamais nos corrompam, a fim de que vivamos para sempre e grata contemplação d’ Aquele que reina sobre todos nós.

Arrozal, 30/10 a 01/11/2009.

Uma Declaração de Unidade

O futuro de A.A. depende de ser colocado, em primeiro lugar, o nosso bem-estar comum, a fim de manter a nossa Irmandade unida. Da unidade de A.A. dependem as nossas vidas e as vidas daqueles que virão.

A LIDERANÇA EM ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

A LIDERANÇA EM ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

SEGUNDA TRADIÇÃO

“Somente uma autoridade preside em última análise o nosso propósito comum ─ um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa Consciência Coletiva, nossos líderes são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar”.

Líderes– pessoas cujas ações e palavras exercem influência sobre o pensamento e comportamento de outras.

A Segunda Tradição focaliza um Deus amantíssimo, a Consciência de Grupo e a liderança em A.A., ela é a chave que liberta os membros e servidores líderes de A.A. do “individualismo” e que, portanto, precisa ser aplicada (praticada) dentro de nossa Irmandade como um todo. A experiência acumulada pelos precursores mostrou que a Consciência de Grupo deve ser a única autoridade. Ainda hoje isto causa muitas discussões nos Grupos e órgãos de serviço, vemos que movidos pelas circunstâncias e apego ao poder, alguns membros ainda não acreditam nesta realidade, por natureza eles entendem que devem determinar normas e conduzir os trabalhos de A.A. à sua maneira, achando que sem a sua voz de comando nada poderá dar certo, adquirindo assim, um “direito” ilimitado de conduzir A.A. Pior ainda, muitos destes pensam que têm o direito de escolher seus sucessores, sem se aperceberem que a autoridade final deve vir da voz da consciência do Grupo. Isso não significa que estes membros não tenham utilidade, pelo contrário, suas experiências quando aplicadas sem autoritarismo ou interesse pessoal, sempre terão grande valia para o desenvolvimento da nossa Irmandade.

TERÁ A.A. UMA LIDERANÇA?

O Conceito IX na nos diz que “nenhuma sociedade pode funcionar bem sem uma liderança capaz em todos os seus níveis, e A.A. não pode ser exceção”.

A Segunda Tradição nos assegura igualdade:

 Dá-nos o direito de escolher nossos servidores e líderes.

 Garante a democracia plena.

 Também, nos põe a salvo de qualquer retaliação, pois quando colocamos em risco a harmonia do grupo ─ UNIDADE , a punição é a embriaguez do individuo e a dissolução do Grupo.

 Mostra como evitar problemas de autoridade e abuso de personalidade dentro dos serviços.

 Insere o princípio da rotatividade no serviço para evitar que companheiros criem raízes em um determinado encargo. Este princípio estimula os mais novos a prestar serviço para A.A., trazendo recompensas espirituais mais benignas do que fama pessoal e prestígio para alguém.

 Demonstra que os servidores não devem se impor aos mais demais membros, e sim têm a responsabilidade de compartilhar forças, esperanças e sobretudo experiências, baseado nos princípios de A.A. para que o Grupo tenha a sua consciência esclarecida.

 Nos mostra que pelos princípios de nossa Irmandade o líder ou velho mentor não lidera pelo prestígio pessoal, mas pelo exemplo dentro e fora da Irmandade.

SUBMISSÃO À CONSCIÊNCIA COLETIVA
Ao nos dispormos a aceitar encargos de serviço, estamos nos submetendo à Consciência Coletiva. Por isso não deve haver qualquer imposição hierarquizada pessoal ou individualizada dentro da Irmandade. Como verdadeiros servidores e líderes, devemos formular metas de trabalho e submetê-las à Consciência Coletiva do Grupo ou órgão de serviços. Bill W. no Conceito IX nos diz que, “equipar nossa estrutura de serviços em todos os níveis, com trabalhadores capazes e com boa vontade, tem de ser uma atividade constante e que a nossa futura eficiência depende de renovadas gerações de líderes”. Temos trabalhado a formação de novos líderes de serviço? A Segunda Tradição nos mostra os mais veteranos com o dever de transmitir espiritualidade aos mais novos, para que eles futuramente sejam os servidores e líderes de A.A. e então que estes veteranos tornem-se mentores, observando o desenrolar dos acontecimentos, com sua experiência e exemplo de espiritualidade muitas vezes ajudando a resolver situações. Notável o fato de que o velho mentor apresentado pela Segunda Tradição é aquele que continua nos Grupos convivendo, ele é alguém que está sempre por perto pronto para partilha, não existe velho mentor isolado do Grupo.

RECUPERAÇÃO BASE DE TUDO
Precisamos nos recuperar à luz dos Doze Passos para aprendermos a ser servidores e não apenas “líderes”. Liderar em A.A. significa servir¸ orientar, amar para fazer tudo graciosamente, sem expectativa de retorno. Liderar em Alcoólicos Anônimos é servir, precisamos aprender a sermos servidores (servos) ao invés de apenas líderes. Está claro no enunciado da Segunda Tradição “(…) nossos líderes são apenas servidores de confiança; não tem poderes para governar”. O grande problema é que a maioria de nós líderes não aprendemos antes a ser servos, pois isto se dá com a prática da recuperação (Doze Passos) em nossa vida pessoal, por isso muitas vezes deturpamos a beleza do líder servidor de confiança colocado pela Segunda Tradição “Nossos líderes não dirigem pelo mandato, lideram pelo exemplo”. Ainda no Conceito IX encontramos: “um líder no serviço de A.A. é, portanto, um homem (ou uma mulher) que pode pessoalmente colocar princípios, planos e normas ação de maneira tão delicada e efetiva que leva o resto de nós a querer apoiá-lo e ajudá-lo na sua tarefa”. Eis a essência da Segunda Tradição, os líderes em A.A. não lideram pessoas, eles lideram serviços e responsabilidades, por isto os líderes mostrados pela Segunda Tradição e pelo Conceito IX lideram mostrando como se faz, ou seja, fazendo primeiro.

ATUEM POR NÓS, MAS NÃO MANDEM EM NÓS
A Segunda Tradição nos ensina que não precisamos de “governo ou governantes”, o chefe no sentido convencional do termo, com poder de mando, de advertir, punir, suspender, de demitir, de expulsar, de aprovar ou desaprovar ingressos, editar leis e regulamentos etc. não queremos isto porque a experiência já nos disse que não dá certo e nem é bom para nós. Precisamos ser servidores líderes ou a autêntica liderança proposta nesta Tradição que é a do exemplo, que não é a melhor forma de convencer mas a única, não existirá.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Primeira Tradição afirma que o Décimo Segundo Passo ─ o que leva a mensagem, forma o Grupo. O crescimento de A.A. está diretamente ligado à nossa capacidade de transmitir a mensagem. Um alcoólico falando com outro alcoólico, um membro dedicando-se ao serviço da Irmandade, um membro contribuindo anônima e voluntariamente para manter o seu Grupo e os organismos de serviço, estas são algumas formas que encontramos para que a estrutura permaneça firme e o serviço não entre em colapso. A prática permanente das recomendações de prudência e espiritualidade contidas nas Garantias Gerais da Conferência inseridas no Artigo 12 da Ata de Constituição da Conferência e consolidadas no Conceito XII permitirá que a nossa estrutura de serviços mundiais a cada dia torne-se mais sólida e que a transmissão da mensagem ao alcoólico que ainda sofre seja contínua e permanente.

Por outro lado, a aplicação dos princípios enunciados nos Doze Conceitos para Serviços Mundiais nos assegura que teremos sempre a boa e indispensável liderança em todos os níveis de nossas atividades. A Garantia Um define a autoridade e o poder em A.A. da seguinte forma: “a força espiritual que flui das atividades e atitudes de humildade verdadeira, sem egoísmo e dedicados servidores de A.A.”, esta sim, é a forma de autoridade e poder sem as quais não podemos passar.

“Os nossos líderes são apenas servidores de confiança, não têm poderes para governar” este é o alerta da Segunda Tradição, por este motivo, nos Conceitos encontramos importantes orientações para o exercício da liderança em A.A. como as que se seguem, entre outras:
 Verificações e prestações de contas de maneira a impedir a autoridade irrestrita;
 Nenhum Grupo ou indivíduo deveria ser colocado em posição de autoridade suprema sobre outros;
 Deveríamos evitar uma desnecessária concentração de dinheiro ou influência pessoal em qualquer grupo ou entidade de serviço;
 Em cada de nível de serviço a autoridade deveria ser igual à responsabilidade;
 Dupla administração deveria ser evitada;
 Os grupos de A.A. são a autoridade final;
 Os líderes deverão ser empossados somente com responsabilidades delegadas;
 Amor-dedicação pelos nossos companheiros e pelos princípios;
 Delegação de autoridade operacional para representantes com plenos poderes para atuar e falar pelos Grupos;
 Ampla autoridade e responsabilidade delegadas aos servidores de confiança;
 Delegação e distribuição adequada de autoridade, responsabilidade e liderança;
 Os servidores de confiança devem estar sempre prontos para fazer pelos Grupos o que os Grupos não podem ou não devem fazer por si mesmos;
 Confiamos nos nossos servidores
 Na eventualidade dos nossos servidores falharem nas suas responsabilidades ainda teremos ampla oportunidade para adverti-los ou substituí-los;
 Devemos evitar a todo custo a colocação de muito dinheiro ou de muita autoridade em qualquer entidade de serviço;
 Boa liderança não pode funcionar bem numa estrutura mal planejada;
 Má liderança não funciona nem na melhor das estruturas;
 É necessário habilidade e boa vontade para servir a Alcoólicos Anônimos;
 Ambições pessoais precisam ser postas de lado, antagonismos e controvérsias esquecidas, no momento de escolher os servidores;
 Devem ser nomeados os mais qualificados;
 É preciso ter cuidado e abnegação na escolha de servidores.
 Precisamos de liderança capaz em todos os níveis;
 Os nossos líderes não dirigem por mandato, lideram pelo exemplo;
 Dizemos aos nossos líderes: “Atuem por nós, mas não mandem em nós.”
 Quando um líder nos guia pela força excessiva nos revoltamos; mas quando ele se torna um submisso cumpridor de ordens e não usa critério próprio, então ele realmente não é um líder;
 Tolerância, responsabilidade, flexibilidade e visão são atributos que os líderes de serviço de A.A., precisam ter em todos os níveis de nossa atividade.
 Quando falamos de liderança em A.A. devemos selecionar no intuito de obter o melhor talento que pudermos encontrar;
 Todos os padrinhos são necessariamente líderes.

SERVIÇO = AMOR E AÇÃO ──> CRESCIMENTO DE A.A.
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VIDAS SALVAS

O EGO E SUAS MANIFESTAÇÕES

O EGO E SUAS MANIFESTAÇÕES

No Quinto Passo de A.A. encontramos um componente essencial do Programa de Recuperação, ele nos alerta para o fato de que: “todos os Doze Passos nos pedem para atuar em sentido contrário aos desejos naturais, todos desinflam nosso ego” .
Uma profunda deflação do ego foi o caminho indicado ainda no final dos anos 20 pelo eminente Dr. Carl Jung a um alcoólico que o procurou buscando solução para o seu gravíssimo problema. Dizia esse médico “…reconheça a sua impotência pessoal e que se entregue ao Deus que você pensa existir. Terá que tentar isso, é a sua única saída” . Essa deflação do ego é atualmente a pedra angular dos princípios de A.A.
Nesse mesmo sentido o Dr. Tiebout destaca dois fatores essenciais à manutenção da sobriedade, ambos emanados do anonimato conforme suas palavras, duas faces da mesma moeda: primeiro a preservação de um ego reduzido, segundo a presença contínua de humildade ou simplicidade.
Com efeito a Tradição de A.A. coloca o anonimato como “o alicerce espiritual das nossas Tradições” vindo daí a inevitável conclusão de que é preciso “colocar os princípios acima das personalidades”. Segundo o autor esse ego não é um conceito intelectual, mas sim um estado de sentimento  uma sensação de importância  diríamos uma necessidade de ser especial . Vemos hoje por aí afora pessoas tentando ser especiais, e mesmo em nossa irmandade quantas vezes queremos ser especiais pelos mais variados motivos. Aprendemos em A.A. sobre o risco de bajular um alcoólico com honrarias e louvores e por isto evitamos o culto à personalidade. A realimentação do ego é fatal para nós bebedores em recuperação. A Segunda Tradição traz em seu enunciado um antídoto para essa ameaça ao definir que os nossos líderes são apenas servidores de confiança, não tendo poderes para governar.
Portanto, a nossa experiência demonstra que em todos os aspectos da recuperação precisamos manter uma atitude de permanente defesa contra a exacerbação do ego e o serviço em A.A. deve ser uma forma de crescimento espiritual, jamais meio de afirmação pessoal.
Outro aspecto preocupante nos dias atuais foi abordado pelo Dr. Tibeout no artigo que ora compartilhamos. Trata-se da prática infelizmente ainda hoje existente de comemorar-se tempo de sobriedade com bolos e acrescentaríamos, festas. Tomemos as palavras do eminente médico sobre esses episódios acontecidos, segundo ele, nos primeiros dias de nossa então florescente irmandade:
“Uma olhada ao que aconteceu nos mostra o egoísmo, como eu o vejo, em ação. Em primeiro lugar, a pessoa que esteve sóbria por um ano inteiro, tornou-se um exemplo, algo para se admirar. Seu ego naturalmente se expandiu, seu orgulho floresceu e qualquer diminuição de egoísmo, obtida anteriormente, desapareceu. Tendo sua confiança renovada, acabou por tomar um drinque. Tinha sido considerada especial, e reagiu de acordo. Depois, essa parte especial se esvaiu. Nenhum ego é alimentado, estando na condição de lugar comum, e desse modo, o problema de ego desaparece.
Hoje A.A., na prática, está bem consciente do perigo de se bajular alguém com honrarias e louvores. Os riscos da realimentação do ego são reconhecidos. A frase ‘servidor de confiança’ constitui-se num esforço para manter baixo o nível do egoísmo, embora alguns servidores tenham problema nesse particular”
Definido como um estado da mente, o egoísmo tira o indivíduo da sua condição de mero participante do contingente da humanidade para alçá-lo à condição de ser especial, conseqüentemente, diferente. A insistência de A.A. no princípio do anonimato individual, tem fundamental importância como antídoto natural para a forte tendência dos alcoólicos em sentirem-se especiais, levando-os para uma região distante da verdadeira humildade, por conseguinte, colocando-os muito próximo da perigosa zona de hiperinflação do ego.
Por outro lado o ego pode levar o indivíduo ao extremo oposto do “sentir-se especial”, mergulhando no pântano da autopiedade por não conseguir suportar ou admitir as suas falhas, fraquezas e impotências. O sentimento de inferioridade dele se apossa fazendo-o sentir-se inferior, o último dos mortais, incapaz de alçar seus vôos de grandeza e superioridade.
Em nossa Sexta Tradição encontramos a síntese desses dois aspectos ao lembrar-nos que: “…a maioria dos alcoólicos não passa de idealistas falidos. Quase todos dentre nós tínhamos desejado fazer um grande bem, praticar atos, personificar grandes ideais. Somos todos perfeccionistas que, à falta da perfeição, nos bandeamos para o extremo oposto e aderimos à garrafa e à escuridão”.
Aceitar ser o “nada”, caminhar no sentido contrário aos desejos naturais, eis o problema de muitas pessoas. Porém, aprender a agir como um nada é entender a importância de ser um simples indivíduo, cidadão do dia-a-dia, integrado à raça humana e fundamentalmente anônimo. Atingir esse nível de compreensão permite desenvolver, aí sim, a verdadeira individualidade, que permite viver uma vida não circunscrita a fatos e circunstâncias, mas estar pronto para aceitar as adversidades como oportunidade para crescimento. Vivendo e deixando viver, livre das injunções do perfeccionismo e das auto-cobranças. Vivendo o hoje intensamente com alegria, plena satisfação consigo mesmo e a certeza de que é capaz de viver um dia por vez. Em A.A. conhecemos esse programa como o plano das vinte e quatro horas, que nos permite construir hoje o nosso amanhã, portanto, sem nos preocuparmos com ele.
Que o anonimato continue sendo o manto protetor de nossa irmandade, proteção contra o ego e suas devastadoras manifestações, permitindo que em A.A. cada indivíduo sinta-se apenas mais um, assimilando o sentimento de “eu não sou nada de especial”, assim buscando a verdadeira humildade, salvaguarda contra futuros problemas com relação ao álcool.

“Compreendo o motivo pelo qual você se espanta ao ouvir alguns oradores de A.A. dizerem: ‘Nosso programa é um programa egoísta.’ A palavra egoísta geralmente significa que se é ambicioso, exigente e indiferente ao bem-estar dos outros. Claro que o modo de vida de A.A. não apresenta esses traços indesejáveis.
O que querem dizer esses oradores? Bem, qualquer teólogo lhe dirá que a salvação de sua própria alma é a mais alta aspiração que um homem pode ter. Logo, sem salvação – podemos definir assim – ele terá pouco ou nada. Para nós de A.A. a urgência é ainda maior. Se não podemos ou não queremos alcançar a sobriedade, então estamos desde já verdadeiramente perdidos. Não temos valor para ninguém, nem para nós mesmos, até nos libertar do álcool. Logo, nossa própria recuperação e crescimento espiritual têm que vir em primeiro lugar – uma justa e necessária espécie de preocupação com nós mesmos.”

Carta de 1966

NATAL SOMOS NÓS

NATAL SOMOS NÓS

Natal somos nós quando decidimos nascer de novo, a cada dia, nos transformando.
Somos o pinheiro de natal quando resistimos vigorosamente aos tropeços da caminhada.
Somos os enfeites de natal quando nossas virtudes, nossos atos, são cores que adornam.
Somos os sinos do natal quando chamamos, congregamos e procuramos unir.
Somos luzes do natal quando simplificamos e damos soluções.
Somos os anjos do natal quando cantamos ao mundo o amor e a alegria.
Somos estrelas do natal quando conduzimos alguém ao Senhor.
Somos os Reis Magos quando damos o que temos de melhor, não importando a quem.
Somos Papai Noel quando criamos lindos sonhos nas mentes infantis.
Somos os presentes de natal quando somos verdadeiros amigos para todos.
Somos sim, a Noite Feliz do Natal, quando humildemente e conscientemente, mesmo sem símbolos e aparatos, sorrimos com confiança e ternura na contemplação interior de um natal perene que estabelece seu Reino em nós.

Nós do Existe uma Solução, desejamos a cada um de vocês, um Natal iluminado.

O GRAVE PROBLEMA DO ALCOOLISMO

O GRAVE PROBLEMA DO ALCOOLISMO

Em sua incessante busca da felicidade, o homem e a mulher avançam, amiúde, por caminhos equivocados. Enganando-se a si mesmos, muitas vezes adquirem necessidades artificiais cuja satisfação proporciona …aparente bem-estar, mas que na realidade os distancia cada vez mais do verdadeiro prazer da vida. A estas necessidades artificiais e malignas as chamamos de vícios, e muitos deles não são outra coisa que intoxicações habituais.
Os tóxicos utilizados vão perturbando as reações normais do organismo frente à agressão química, até que se cria o hábito. Este produz efeitos muito prejudiciais no organismo, como veremos a seguir.

Ação do Álcool sobre o Fígado
O fígado é o grande laboratório químico do organismo; ali realiza-se em grande medida a desintoxicação do sangue. Diversas toxinas são destruídas ou neutralizadas no fígado para sua posterior eliminação. A célula hepática requer uma provisão adequada de vitaminas, proteínas e açúcar, a fim de poder cumprir cabalmente sua função antitóxica.
A pessoa que ingere álcool habitualmente, submete seu fígado a uma constante agressão tóxica, já que todo o álcool que ingere é absorvido pelas mucosas do tubo digestivo e passa através do fígado antes de difundir-se pelo organismo. Além disso, o álcool perturba a nutrição do indivíduo. Isto ocorre, porque não somente dificulta a assimilação de algumas vitaminas, mas também diminui as proteínas e açúcar que se ingerem, devido à perversão do apetite que se produz no alcoólatra.
Tudo isto leva a uma insuficiência da função antitóxica do fígado, que até então está danificado cada vez mais pelo álcool. Afinal se desenvolve a cirrose hepática, enfermidade de lenta evolução, mas frequentemente fatal. O fígado se endurece. Sua superfície volve-se completamente irregular. Suas veias são comprimidas pelo tecido fibroso e, em consequência, é perturbada a circulação do sangue através do órgão. Além disso a síntese das proteínas, que normalmente se realiza no fígado, é afetada.
Estes fatores e outros mais que entram em jogo fazem que se produzam grandes derrames de líquido dentro do abdome. As veias do estômago e do esôfago se dilatam. O mesmo ocorre com as veias do reto, e como resultado produzem hemorróidas. O fígado deixa assim mesmo de produzir algumas substâncias que intervêm na coagulação do sangue, o que contribui para produzir nestes enfermos graves hemorragias.

Ação do Álcool sobre o Estômago
O álcool ingerido com as bebidas produz em primeiro lugar uma ação cáustica e irritante sobre a mucosa do estômago. Esta aumenta a produção de muco e de ácido clorídrico, e perturba deste modo a função digestiva até causar gastrite crônica, atrófica, ou hipertrófica, causa de graves perturbações nutritivas do organismo. Este aumento de secreção ácida do estômago induzido pelo álcool pode favorecer a aparição de úlceras gástricas e duodenais, e contribuir ao fracasso de seu tratamento, fazendo que estas lesões passem à cronicidade.

Ação do Álcool sobre o Pâncreas
O álcool irrita a mucosa duodenal onde desemboca o conduto excretor do pâncreas, e em consequência, perturba o livre fluxo do suco pancreático. Por este mecanismo, associado a outros fatores, pode produzir-se uma grave infecção do curso muitas vezes fatal: a pancreatite aguda. Diversas estatísticas assinalam que por volta de 50% destes casos têm como antecedente o álcool.

Ação do Álcool sobre o Aparelho Genital
O álcool causa lesão nas delicadas células germinativas que intervém na formação da descendência. Desse modo causa diversos transtornos nervosos e da personalidade que constituem a herança alcoólica, entre cujas manifestações se observam casos de debilidade mental, imbecilidade, epilepsia e outras enfermidades mentais.

Ação do Álcool sobre o Sistema Nervoso Periférico
O álcool produz a polineurite alcoólica, afeição consistente em lesões dos nervos que conduzem o estímulo motor e sensitivo das extremidades. O resultado é uma perda da força muscular principalmente nas pernas, que dificulta a marcha e pode chegar à paralisia.

Ação do Álcool sobre o Sistema Nervoso Central
É justamente aqui, no sistema nervoso central, onde exerce o álcool as suas ações mais nocivas. O efeito reiterado do álcool sobre o sistema nervoso central produz lesões bem definidas que podem ter distinta localização. No córtex cerebral dos lóbulos frontais pode produzir-se uma esclerose que afeta a terceira capa das células nervosas.
Se tal é o caso, o paciente apresenta crises repetidas de delírium-tremens, durante as quais experimenta intensa agitação, tremores e visões terroríficas.
As fibras nervosas que ligam entre si ambos hemisférios cerebrais, podem também provocar lesões. Como resultado perdem sua capa isolante e sobrevem uma demência de rápida evolução. Esta demência alcoólica ou etílica antes de chegar ao grau extremo de alienação mental, produz uma notável perda da responsabilidade moral do afetado.
Outro tipo de lesão alcoólica é a poliencefalite hemorrágica de Wernicke, caracterizada pela presença de pequenas focos hemorrágicos que constroem os núcleos de substâncias cinzentas, situadas na profundidade do cérebro. Suas manifestações são: transtornos visuais ocasionados pela paralisia dos músculos que regem o movimento dos globos oculares, transtornos do equilíbrio, febre e suores copiosos. Esta infecção pode ser curada ou ao menos ficar estacionada se suprimir totalmente o álcool; mas costuma também evoluir rapidamente para a morte ou para a demência.
O álcool exerce além disso ações imediatas sobre o sistema nervoso central. Podem ser resumidas estas reações dizendo-se que o álcool deprime todas as funções cerebrais, começando pelas mais elevadas como a autocrítica e o autocontrole, e continuando com a ideação e coordenação motora para terminar com as mais simples ou vegetativas, como a respiração ou a circulação. Tudo isto em proporção direta a sua concentração no sangue. Uma vez deprimidas as altas funções psíquicas e anulada a vontade, o álcool reduz a sua vítima à mais desprezível escravidão ao degradar sua personalidade até os mais baixos níveis.

A Embriaguez e os Traumatismos do Crânio
Uma circunstância muito comum é a do ébrio que cai e bate a cabeça contra o solo, de onde é recolhido em estado de inconsciência. Os que o atendem percebem o hálito francamente alcoólico e atribuem a profunda inconsciência tão-somente à embriaguez. É comum que abandonem o sujeito à sua própria sorte pensando que já despertará quando passarem os efeitos do álcool.
Assim é que o bêbado fica estendido onde estava ou é alojado no centro policial mais próximo. O despertar esperado não se produz, mas persiste um profundo estado de coma, com pulsação lenta e respiração estertorosa. O quadro se agrava pouco depois. Aparece febre elevada e o indivíduo morre. A autópsia revela contusão cerebral, hematoma, ou hemorragia meníngea com ou sem fratura craniana.
A fim de evitar a evolução relatada, terá que se pensar na possibilidade de um sério traumatismo craniano diante de qualquer sujeito que é encontrado inconsciente, embora tenha o odor forte de álcool. Deverá, nestes casos, prestar-se ao paciente uma atenção médica adequada. Esta incluirá radiografias de crânio e o controle constante de suas funções vitais e do psiquismo, a fim de oferecer-lhe o tratamento médica ou cirúrgico mais adequado a sua grave situação.

O Álcool e os Acidentes de Trânsito
Uma circunstância que torna sumamente perigosa a ingestão mesmo moderada de bebidas alcoólicas é a condução de veículos. O álcool, inclusive em pequenas doses, deprime os centros coordenadores do cérebro e, em consequência, retarda sensivelmente as reações normais de motorista esperto. De modo que apesar de sua lucidez mental aparente e de sua habilidade no volante, o motorista que bebeu álcool demora muito além do normal em atuar ante circunstâncias imprevistas. Isto é a causa constante de numerosos e graves acidentes de trânsito.
Um fato que se torna realmente arriscado é dirigir carro depois de haver bebido. É que os transtornos neuro-musculares tais como o retardamento nas reações psicomotoras, a diminuição da atenção e da perturbação dos reflexos com prolongação do tempo de reação, ocorrem muito antes de que apareçam sintomas de embriaguez. De modo que, nem o motorista, nem os que a acompanham se dão conta do transtorno até que aparece uma circunstância imprevista que requer uma rápida decisão e reação por parte do motorista. Mas as decisões e as reações rápidas são impossíveis quando há álcool na organismo, mesmo em pequenas quantidades.
Isto explica as estatísticas de quase todos os países mais de 50% dos acidentes de estradas são produzidos por consequências do álcool.

Tratamento do Alcoolismo
Difícil e desigual é a luta do homem contra o vício. Com o intelecto embotado, a consciência adormecida e a vontade praticamente aniquilada, o alcoólatra se encontra à mercê de seu vício, tão impotente e sem esperanças como o náufrago que se debate só em meio do mar agitado. Unicamente a intervenção sábia e oportuna de uma mão amiga pode ajudá-lo a libertar-se. Sobretudo, temos de mencionar a influência religiosa como arma da maior eficácia na luta do homem contra seus vícios, inclusive a álcool. O estudo fervoroso e sincero da Bíblia dá consolo ao entristecido, proporciona esperança ao oprimido e mostra um novo caminha ao extraviado. Sua influência elevadora não pode ser discutida, pois constantemente sabemos de vidas libertas e de lares transformados, onde a miséria e o vício desapareceram para dar lugar à felicidade e à sobriedade, como testemunho de seu poder.

Fisiologia
Farmalogicamente, o álcool é um veneno protoplasmático, que afeta todas as células, mas especialmente o aparelho digestivo e sistema nervoso, produzindo transtornos da conduta, da personalidade e afetando os nervos periféricos. 90% do álcool ingerido, o fígado se encarrega de transformá-lo em bióxido de carbono e água, que é a última etapa de vários processos prévios.

Etapas Para Chegar ao Alcoolismo
Costume: Consiste na administração repetida de uma droga sem que disto se faça uma verdadeira necessidade, nem a falta de sua administração ocasione nenhum transtorno ao sujeito.
Hábito: É a dependência psíquica, a necessidade compulsiva. A abstenção ocasiona transtornos puramente psíquicos. (Ansiedade, inquietude, desassossego, tal como quando o fumante não tem o cigarro.)
Tolerância: Com a constante administração e sobretudo o aumento progressivo de doses, o organismo ‘aprende’ a metabolizar quantidades cada vez maiores da droga.
Vício: Enfermidade crônica, progressiva, adquirida, que implica a ingestão compulsiva de quantidades excessivas de álcool e que leva seus estágios mais avançados a sequelas psicológicas, sociais e físicas, frequentemente irreversíveis.Com o tempo e o desenvolvimento de tolerância, acrescenta-se a dependência física à dependência psíquica.
Não existem limites bem marcados entre o simples costume e o hábito, nem entre o hábito e o vício. No hábito há a necessidade subjetiva da droga, e a administração da mesma satisfaz essa necessidade e alivia o estado de ansiedade e tensão emocional do indivíduo, dando-lhe a tranquilidade e sossego. Se não administrar a droga, a sensação angustiosa de todas as formas vai diminuindo ao passar do tempo e por fim desaparece. No vício, por sua vez, a falta da administração produz um síndrome de abstenção, quadro patológico que pode ser mortal se não se tomam as medidas específicas de tratamento.
O vício, pois, é um fenômeno que se desenvolve em fases sucessivas começando com o simples costume, depois do hábito, depois se desenvolve a tolerância e finalmente sobrevém o vício. Tomemos em consideração que as características mais comuns na personalidade do alcoólatra são as seguintes:
1. Baixa tolerância de frustração e angústia.
2. Incapacidade de resistir tensão, ansiedade ou conflitos.
3. Má estruturação da personalidade, que leva à negação da realidade dolorosa.
4. Sensação de isolamento.
5. Depressão afetiva que leva a buscar estimulo ou satisfação.
6. Tendência a atos impulsivos.
7. Narcisismo extremo, exibicionismo, tendência autopunitiva.
8. Frequentes mudanças de humor, hipocondria.
9. Rebeldia ou hostilidade inconsciente.
10. Sensibilidade anormal.
11. Inibições permanentes.
12. Necessidade bocais intensas.
13. Imaturidade.
14. Conflitos sexuais inadvertidos.
15. Na bebida, o descontente busca consolo; o covarde, valor, o tímido, confiança.
Samuel Johnson 17-09-1974 Lexicógrafo inglês.

Por que se bebe?
A maioria o faz por ignorar ou subestimar seus tremendos efeitos; outros arrastados pelas obrigações sociais ou incitados pela profusa propaganda. Mas ninguém pensa que um de cada quatorze bebedores moderados terminará sendo alcoólatra crônico.
Contudo, a maioria bebe para escapar da realidade da vida. Passado o efeito da bebida suas dificuldades são iguais ou piores, pelo que recorrem ao álcool para libertar-se de seus problemas. Passando o efeito da bebida suas dificuldades são iguais ou piores, pelo que recorrem novamente à bebida.

Desastrosas Consequências Sociais
Cada mês nos fazia uma visita ao colégio interno onde estudávamos, um velho e esfarrapado mendigo. Mas não foi pobre sempre. Em sua mocidade estudou e obteve três títulos de doutorado, chegou a ser um próspero industrial. Mas perdeu tudo, sua fábrica, seu lar, seus amigos. Qual é a razão? Entregou-se à bebida.
Entre os efeitos terríveis do álcool está a degradação da personalidade. De nada valem a boa criação, a educação, o êxito comercial. O álcool se apodera do indivíduo e o torna um irresponsável capaz de cometer os piores atentados contra os bons costumes, a moral e a vida de seus semelhantes.
Talvez os efeitos piores são sentidos no âmbito familiar onde a esposa e os filhos são humilhados e vivem em constante tensão e insegurança. Os mais sagrados deveres são abandonados e às vezes se desemboca na dissolução do vínculo matrimonial. O filho fica confuso diante do espetáculo vergonhoso de um pai relaxado pela bebida.
Muitas vezes a tragédia se abate sobre o lar diante do ataque impiedoso de um pai ofuscado pelos efeitos da bebida. O alcoolismo atenta contra a grandeza dos países, constitui uma pavorosa sangria em sua economia, empobrecendo a população, diminuindo sua capacidade de trabalho e sua potencialidade econômica.

É Possível Vencer o Vício do Álcool?
Neste, assim como em outros problemas relativos à saúde, é válida a sentença: “Melhor é prevenir que curar.” Portanto, a primeira medida é divulgar por todos os meios possíveis os males do álcool.
Lembremo-nos de que nos Estados Unidos o álcool tem que ver com 95% dos crimes, 20% das mortes por acidentes e é direta ou indiretamente responsável por 75% dos divórcios. No folheto do serviço de propaganda e educação higiênica do departamento de salubridade do México diz: “À ruína econômica e à miséria orgânica agrega-se o fracasso moral. O alcoólatra perde o amor pela família e se converte no verdugo de sua mulher e de seus filhos. Em vez de ser seu sustento, é uma carga intolerável, e os filhos educadas nesse ambiente estão expostos a seguir o mesmo caminho. O alcoólatra perde toda noção de justiça. Faz-se iracundo e cruel, e num ímpeto de loucura, ocasionado pelo veneno que consome, fere ou mata com a maior facilidade. A maior parte dos delitos são cometidos sob a influência do álcool. os presídios estão cheias de vítimas do álcool.”
O Dr. Winton Beaven, presidente do Instituto para Prevenção do Alcoolismo, nos Estados Unidos, diz que há que ter em conta os dois seguintes fatos: “Primeiro, o álcool é uma droga que forma hábito. Ninguém está livre de tornar-se alcoólatra; sempre se começa como bebedor ocasional. Segundo, o álcool é uma droga depressiva e frequentemente é bebida por aqueles que buscam um caminho de escape. É muito possível ser bebedor moderado durante anos e logo, após um choque emocional, converter-se em alcoólatra. A abstinência é o único meio ou método científico garantido para evitar tornar-se alcoólatra.
Há medicamentos como “antabus” “abstensil” e outros que provocam mal-estar ao ingerir o álcool. Tais remédios devem ser prescritos por um médico.
Existem associações como Alcoólatras Anônimos que, mediante um sistema de terapia de grupo conseguiram excelentes resultados.
Transcrevemos a seguir os doze passos tradicionais desta associação:
1. Admitimos que éramos impotentes frente ao álcool, e que nossas vidas haviam se tornado ingovernáveis.
2. Chegamos a acreditar que um poder Superior a nós podia devolver-nos ò razão.
3. Tomamos a decisão de pôr nossa vontade e nossa vida ao cuidado de Deus segundo nossa interpretação dEle.
4. Fizemos um sincero e honesto inventário moral de nós mesmos.
5. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outros seres humanos, a exata natureza de nossas faltas.
6. Estivemos inteiramente dispostos a permitir que Deus nos tirasse todos estes defeitos de caráter.
7. Humildemente pedimos a Deus que nos livrasse de nossas defeitos.
8. Fizemos uma lista das pessoas que havíamos prejudicado e estivemos dispostos a reparar o mal que pudemos haver-lhes ocasionado.
9. Reparamos diretamente nossos erros às pessoas às quais havíamos prejudicado, exceto nos casos em que ao fazê-lo, prejudicamos a essas pessoas ou outras.
10. Continuamos fazendo nosso inventário pessoal, e quando nos enganarmos estaremos prontos a admiti-lo.
11. Buscamos através da oração e da meditação melhorar nosso contato consciente com Deus, segundo nossa interpretação dEle, pedindo somente que nos fizesse conhecer Sua vontade.
12. Tendo um despertar espiritual como resultado destes passos, procuremos levar esta mensagem a outros alcoólatras e de praticar estes princípios em todos os nossos assuntos.

Nestes conselhos ressalta a necessidade de confiar em Deus para vencer as cadeias opressoras do vício. Ao confiar em Deus contamos com o imenso poder que representa a oração. Todos os conceitos morais são reativados; a personalidade passa por uma radical e dinâmica transformação. A prática genuína do cristianismo nos leva a compreender que nosso corpo é sagrado. A força de vontade se robustece com a convicção de que Deus está ao nosso lado.
Você pude vencer o vício! Convença-se de que o está prejudicando gravemente. Use todo o poder de sua vontade e procure a ajuda inapreciável do Altíssimo. Então não será um escravo, mas uma pessoa livre, sadia e útil.

Dr. Pedro Tabuenca