Monthly Archives: Outubro 2013

GRUPOS VAZIOS – FALTA UNIDADE

GRUPOS VAZIOS – FALTA UNIDADE

“NOSSAS TRADIÇÕES, SEGUNDO BILL W. são um Guia para se encontrar formas melhores de trabalhar e viver em Grupo”.

1. Nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar; a reabilitação individual depende da unidade de A. A..

Sem unidade A. A. morrerá. Liberdade individual e, não obstante, uma grande unidade. A chave do paradoxo: a vida de cada A. A. depende da obediência a princípios espirituais. O grupo precisa sobreviver; caso contrário, não sobreviverá o indivíduo. O bem-estar comum vem em primeiro lugar. A melhor forma de viver e trabalhar juntos como grupos.

AS TRADIÇÕES DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
“Elas são para a sobrevivência do Grupo, aquilo que os Doze Passos de A. A. são para a sobriedade e paz de espírito de cada companheiro…”

Hoje, nós de A. A. estamos juntos e sabemos que vamos permanecer juntos.
Estamos em paz uns com os outros e com o mundo que nos rodeia. Por isso, muitos de nossos conflitos são resolvidos e nosso destino parece assegurado. Os problemas de ontem têm produzido as bênçãos de hoje.
Nossa história não é uma história comum; ao contrário, é a história de como, pela Graça de Deus, uma força desconhecida tem-se levantado da grande fraqueza; de como sob ameaças de desunião e colapso, a unidade mundial e a Irmandade têm sido forjadas.
No curso desta experiência, temos desenvolvido uma série de princípios tradicionais pelos quais vivemos e trabalhamos unidos, bem como nos relacionamos como uma Irmandade para o mundo que nos rodeia.
Estes princípios são chamados de Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos.
Elas representam a experiência extraída do nosso passado e nos apoiamos nelas para nos manter em unidade, através dos obstáculos e perigos que o futuro nos possa trazer.
Não foi sempre assim. Nos primeiros dias vimos que era uma coisa para algum alcoólicos se recuperarem, mas o problema de viver e trabalhar juntos era algo mais.
Por conseguinte, foi para um futuro desconhecido que olhamos pela janela da sala de estar da casa do Dr. Bob, em 1937, quando pela primeira vez percebemos que os alcoólicos poderiam ser capazes de se recuperar em grande escala.
O mundo ao redor de nós, o mundo de pessoas mais normais, estava sendo destruído. Poderíamos nós, os alcoólicos em recuperação permanecermos juntos? Poderíamos nós levar a mensagem de A. A.? Poderíamos nós funcionar como grupos e como um todo? Ninguém poderia dizer.
Nossos amigos psiquiatras, com alguma razão começavam a nos prevenir: “Esta Irmandade de alcoólicos é dinamite emocional. Seu conteúdo neurótico pode explodi-la em pedacinhos.”
Quando estávamos bebendo, na verdade, éramos muito explosivos. Agora que estamos sóbrios, bebedeiras secas nos farão explodir?
E foi assim, que através das tentativas e dos erros que adquirimos rica experiência. Adotamos pouco a pouco, as lições dessa experiência, primeiro como política e depois como Tradição.
Este processo ainda continua e esperamos que nunca termine.
Caso algum dia nos tornemos muito rigorosos, a letra da lei poderá esmagar o espírito da lei. Poderíamos vitimar a nós mesmos, através de regras e proibições mesquinhas; poderíamos vitimar a nós mesmos, através de regras e proibições mesquinhas; poderíamos imaginar que houvéssemos dito a ultima palavra. Poderíamos até mesmo exigir dos alcoólicos que aceitassem nossas ideais rígidas ou se mantivessem afastados. Não podemos nunca engessar o progresso desta forma, mas as lições proporcionadas pela nossa experiência são muito importantes, estamos todos convictos disso.
Grande parte do trabalho de Bill no escritório de A. A. era cuidar da correspondência. As cartas vinham em um fluxo constante desde a publicação do artigo no Saturday Evening Post. Muitas destas cartas solicitavam auxilio a formação de novos Grupos ou pediam orientações sobre os diversos problemas e circunstâncias dos Grupos existentes. A idéia de se desenvolver diretrizes clara para os Grupos evoluiu do continuo surgimento de perguntas semelhantes. Esta necessidade vinha sendo discutida desde 1943, quando o escritório central começara a coletar informações e solicitara aos Grupos que enviassem uma relação das regras e requisitos referentes à filiação.
A relação consolidada recordava Bill, tinha muitas páginas e uma reflexão sobre aquelas muitas regras, levou-nos a uma assombrosa conclusão: – se todas aquelas exigências fossem imediatamente impostas por toda parte teria sido praticamente impossível para qualquer alcoólico filiar-se a A. A.
As idéias básicas para as Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos vieram diretamente desta vasta correspondência. Em fins de 1945, um grande amigo de A. A. sugeriu que toda aquela massa de experiências poderia ser codificada em um conjunto de princípios capaz de oferecer soluções comprovadas para todos os nossos problemas de convivência e trabalho conjunto e de relacionamento da nossa Irmandade com o mundo externo. A denominação “Tradições” dada a estes princípios atesta a genialidade de Bill. Se tivessem sido chamados de “leis”, “regras”, “estatutos” ou “regulamentos”, estes princípios talvez nunca fossem aceitos pelos membros. Bill conhecia muito bem seus companheiros alcoólicos: ele sabia que nenhum bêbado que se auto-respeitasse, sóbrio ou não, se submeteria docilmente a um conjunto de “leis” – isso seria autoritário demais!
Não obstante, a denominação “Tradições” só foi adotada um pouco mais tarde. Inicialmente, Bill as chamou de “Doze Pontos para Garantir Nosso Futuro”, porque as entendia como diretrizes necessárias à sobrevivência, à unidade e à eficiência da Irmandade. Foram divulgadas pela primeira vez sob esse título em 1946 na The Grapevine.
Assim como os Passos, as Tradições não foram imaginadas antecipadamente como meios de ação contra problemas futuros. A ação veio primeiro. Não dispondo de nada em que pudessem se basear, exceto o método de tentativa, erro e nova tentativa, os Grupos pioneiros de A. A. logo descobriram: – bem, daquela maneira não funcionou, porém de outra deu certo; e essa maneira funciona ainda melhor!
Nossas Tradições são um Guia para se encontrar formas melhores de trabalhar e viver em Grupo, afirmou nosso co-fundador Bill W.: – elas são para a sobrevivência do Grupo, aquilo que os Doze Passos de A. A. são para a sobriedade e paz de espírito de cada companheiro…
A maioria das pessoas só consegue se recuperar se existir um Grupo. O Grupo precisa sobreviver ou o indivíduo não sobreviverá.
(Esta matéria foi extraída de trechos dos livros: A. A. Atinge a Maioridade, A Linguagem do Coração, Levar Adiante e as Doze Tradições Ilustradas como introdução do tema desta e das próximas edições, esclarecendo assim os Profissionais e Amigos de A. A.)

NOSSO BEM-ESTAR COMUM DEVE ESTAR EM PRIMEIRO LUGAR; A REABILITAÇÃO INDIVIDUAL DEPENDE DA UNIDADE DE A. A.
(1ª. Tradição)
“ O bem-estar comum é a base de sustentação.”

Muito se fala em A. A. sobre crescimento espiritual, mas pouco se fala de como conseguir este crescimento.
Para mim, não há crescimento espiritual sozinho, o crescimento se adquire através do outro, da maneira como vejo e aceito o outro.
A prática dos Passos me ajuda a aceitar a mim mesmo do jeito que sou e a partir daí começo a aceitar que o outro também tem o direito de ser o outro, de ser diferente, de ser ele.
Uma coisa que sempre me acompanhou desde minha chegada em A. A. foi a fé inabalável em seu programa; sem conhecer os princípios eu já tinha convicção que eles poderiam resolver qualquer problema.
A história de Bill reforçou essa convicção. À medida que fui tendo algum entendimento sobre os Passos, mais maravilhado eu ficava. Passei bom tempo falando só em Passos.
Quando ouvia algo sobre as Tradições ou lia, ficava decepcionado: – que coisa mais sem graça e essa desmotivação era forçada pelo chavão: “Tradição é para funcionamento de Grupos”, nada haver comigo, portanto.
Nota-se, de um modo geral, a grande dificuldade que tem o membro de A. A. com a prática das Tradições, chega a ser até um preconceito.
Talvez por nunca recebermos a informação correta sobre o significado dos princípios de A. A. quando chegamos ao Grupo pela primeira vez.
Eu, por exemplo, quando cheguei recebi a informação de que aqueles membros dos órgãos de serviço que falavam de Tradições estavam acabando com o A. A. e como eu poderia aceitar aqueles companheiros e o que eles falavam se eles estavam querendo acabar com aquilo que estava salvando a minha vida? Coisa mais absurda!
Mas com o passar do tempo, enquanto refletia sobre minha vida, despertei para uma palavrinha que mudou todo o rumo de minha história: a palavra GRUPO.
De repente percebi que minha vida era formada por grupos: o grupo de minha casa (minha família); o grupo do meu local de trabalho; o grupo dos colegas de futebol, e tantos outros grupos.
Veio então o seguinte raciocínio: se as Tradições são para o funcionamento de Grupos de A. A. vão servir também para os outros grupos nos quais estou inserido e comecei a buscar um entendimento melhor das nossas Tradições.
Logo na primeira tradição aparecia uma coisa nova para mim: bem-estar comum. Eu nunca havia pensado nisso, aliás, eu nunca havia pensado no outro. O egocentrismo, a vida centrada em mim mesmo, era meu modelo de vida.
Então, logo no seu início , as Tradições começam a falar que sem levar em consideração o outro o grupo não irá em frente e para que isso aconteça é necessário que o bem-estar comum venha em primeiro lugar. Mas o que vem a ser esse bem-estar comum?
Toda coletividade, seja ela sociedade ou comunidade tem uma missão peculiar para o desempenho da qual existe, missão que lhe confere sua marca, sua característica e princípio formal e que, por assim dizer, é a sua alma.
Tal missão deve consistir evidentemente num bem (ou conjunto de bens) que deve ser conseguido mediante a atividade do ente coletivo (grupo) e de maneira que não só redunde em benefício deste ente enquanto tal (o grupo), como também beneficie, em última instância, a todos os seus membros.
Este bem (ou conjunto de bens) recebe o nome de “bonum commune”, “bem comum”. Nele se verifica uma relação recíproca: toda perfeição do conjunto significa um proveito para os membros e vice-versa, aumentando e consolidando-se o aperfeiçoamento destes, aumenta a capacidade operativa do conjunto…
Interessante esse conceito e muito diferente de minha percepção até então.
Quer dizer que o grupo é o somatório de suas partes e se essas crescem o grupo no seu todo cresce. E se a missão dos grupos em A. A. e de A. A. em seu todo é assegurar a sobriedade de seus membros e transmitir a mensagem àqueles que dela necessitam, logo a garantia de manutenção desse bem comum passa necessariamente pelo bem-estar comum de seus membros.
A manutenção, a busca constante desse bem-estar comum, bem estar do grupo, passa a ser o grande desafio a ser enfrentado por todos os grupos. Comecei então a entender o verdadeiro significado de “o bem-estar comum deve estar em primeiro lugar; tenho que abrir mão dos meus anseios e minhas vontades sempre que elas ameaçam o bem-estar do todo”.
Fácil? Não. Muito difícil. Como resolver o problema da autoridade? Quem pode ser membro? Até onde o grupo pode ir? E quanto à propriedade e sustentação? Essa e várias outras questões ameaçam constantemente o bem comum do grupo (a espiritualidade) e quando o bem comum do grupo está sob ameaça o indivíduo corre sérios riscos.
Aí sim, comecei a perceber que de nada adiantaria eu tentar colocar a minha personalidade acima dos princípios do grupo, pois o primeiro grande ameaçado seria eu. Logo, eu teria que me contentar em calar os meus anseios tão acalentados pela minha personalidade distorcida em benefício do bem-estar do grupo.
E quando consigo fazer assim começo a perceber que mudanças incríveis acontecem em mim e que o grande beneficiado por colocar o bem-estar do grupo em primeiro lugar sou eu mesmo.
A minha vida é feita de relações com outras pessoas e quando começo a aprender a conviver com as diferenças de cada um dentro de um grupo de A. A. passo a entender que a prática desses princípios em outros grupos de minha vida (família, empresa, etc.) pode me levar ao crescimento espiritual tão falado em A. A.
Se a prática dos Passos me ensina a viver comigo mesmo e meus monstros interiores, a prática das Tradições me ensina a conviver com as pessoas e aceitar as suas diferenças e através disso colocar o coletivo em primeiro lugar e me deixando com meus anseios num segundo plano e sabendo que esse estar em segundo plano não é nenhum demérito, mas acima de tudo desenvolver um tipo de humildade que me faz entender que o todo é mais importante que suas partes e que para eu crescer eu preciso do todo, sozinho nada sou.
Eu não sou o outro, o outro não sou eu, mas somos um grupo, enquanto somos capazes de diferencialmente, eu ser eu vivendo com você; você ser você, vivendo comigo… isso é espiritualidade!
Que maravilhas podem fazer os princípios de A. A.!
(Fonte: Revista Vivência Nº 123 – Jan/Fev-2.010 /Antônio)

NÃO PERMITAM QUE O ENCANTO SE QUEBRE
“Se o problema não for logo contornado em pouco tempo estaremos de volta ao copo e certamente, ao inferno, não sem antes, “balançar” a Unidade do Grupo.”

Ao chegarmos em A. A. encontramos um “mundo” bem diferente daquele que imaginávamos e estávamos.
No início até parecia um mundo de sonhos, daqueles que víamos em nossas fantasias.
Um mundo pequeno nas aparências, porém gigante por natureza, tão simples e ao mesmo tempo tão enigmático. Tudo é tão novo, tão surpreendente e promissor; jamais imaginávamos encontrar algo assim. No início da caminhada quando tudo é novo somos bastante receptivos como aqueles que estão a se afogar em águas profundas e barrentas, sem alguém por perto; por perto ajudar, mesmo que seja para atrair uma pequena bóia. Demonstramos humildade e submissão, certamente retiradas de um último suspiro de desespero e dor.
Criamos um verdadeiro encanto por tudo que estamos aprendendo, pelos outros membros de A. A., pelo reflexo e o sucesso das mudanças em nossa vida social e familiar. Passamos a viver com alegria! Começa a despontar um tênue fio de felicidade, algo que sempre esperávamos encontrar no funesto e diabólico fundo de um cálice!
Já é possível traçar algumas metas em nossa vida como o retorno à família, um novo emprego e muito mais, porém, com a mente alcoólica, doentia e traiçoeira a maioria de nós logo esquece o que realmente nos trouxe a A. A. e o que encontramos.
Esquecemos de como chegamos, que fomos recebidos com amor e carinho (valores que já desconhecíamos) por aqueles que lá estavam à nossa espera; que em apenas poucos dias seguindo a Programação de A. A. nossa vida começou melhorar. Ignoramos tudo isso. Esquecemos da dedicação de todos à nossa volta que sonharam em ver-nos novamente reintegrados na sociedade, sem revolta ou ressentimentos.
Assim como a referência do Capítulo Cinco do Livro Alcoólicos Anônimos… aqueles que sentem dores nos pés durante a caminhada… cheios de orgulho, com a mente doentia comum a todo alcoólico, e os defeitos de caráter bastante acentuados ainda, se não afastam do Grupo, passam a encontrar defeitos nos companheiros e na programação, e assim, como um vaso de vidro de péssima qualidade, o encanto se quebra e voltam à prática dos velhos hábitos dando vazão aos defeitos de caráter que estavam refreados e voltam às velhas atitudes.
A famosa bebedeira seca citada começa seu efeito devastador. Se o problema não for logo contornado em pouco tempo estaremos de volta ao copo e certamente ao inferno em que vivíamos antes, não sem antes “balançar” a Unidade do Grupo. Apesar de alguns membros entenderem isso como “dores do crescimento”, penso de outra forma. Ora, se aceitarmos este desrespeito às Tradições com naturalidade e o Grupo viver absorvendo sempre estas “dores” a recuperação de seus membros, assim como o próprio Grupo estarão comprometidos; não haverá condição de recuperação espiritual.
Se não conseguirmos tal recuperação, o Grupo irá mal, não poderemos ajudar nem mesmo a nós, quanto mais àqueles que chegam à busca de ajuda!
O Grupo necessita primar pelo único propósito de A. A.. Se observarmos bem nossas Tradições descobriremos que podemos passar muito bem sem esses males e aproveitar melhor os ensinamentos sugeridos na programação caminhando em busca da verdadeira harmonia com o Poder Superior, conosco e com o nosso próximo.
Somente assim poderemos levar adiante a mensagem de A. A., dividindo essa riqueza inigualável encontrada na alma desta tão abençoada Irmandade.
(Fonte: Revista Vivência Nº 123 – Jan/Fev.2010 – Nonato/Pirassununga-SP)

UNIDADE
“Bill, nós adoramos recebê-lo e ouvi-lo falar. Conte-nos onde você costumava esconder as suas garrafas e fale-nos daquela experiência espiritual. Mas não venha nos falar mais a respeito destas malditas Tradições.” (Levar Adiante)

Era mais ou menos coisas deste tipo que Bill ouvia quando, antevendo o perigo que corria A. A., colocou o pé na estrada e passou a divulgar o que ele chamava de Doze Pontos Para Garantir o Nosso Futuro.
O nome Tradições só veio mais tarde e atesta toda a genialidade de Bill, pois já pensaram se ele tivesse dado o nome de “12 regras”, “12 leis”, “estatuto”, ou qualquer outra coisa que significasse regulamento?
Talvez nenhum membro de A. A. aceitaria estes princípios, Bill conhecia muito bem seus companheiros alcoólicos; ele sabia que nenhum bêbado que se auto-respeitasse, sóbrio ou não, se submeteria docilmente a um conjunto de “leis” isso seria autoritário demais!
Mas por que Bill sentiu a necessidade das Tradições como garantia do futuro de A. A.?
Bill tinha uma mente obcecada e uma visão de futuro excepcional. Ele sabia o que era bom para A. A. e não desistia de seus propósitos facilmente quando em benefício de A. A.
Bill estudou e pesquisou profundamente sobre o Movimento Washingtoniano, movimento que surgiu de maneira espetacular nos Estados Unidos um século antes de A. A. com o objetivo de salvar bêbados e da mesma maneira espetacular que surgiu naufragou por dois motivos básicos: a) Eles não consideravam o alcoolismo como doença e sim como um desvio de caráter, uma fraqueza, que podia ser corrigido apenas com a força de vontade e b) Não oferecia um padrão de conduta, uma orientação que salvaguardassem o movimento.
Por exemplo, táticas carnavalescas de promoção e a carência de qualquer princípio de anonimato era o modo que eles divulgavam o movimento; participavam ativamente de controvérsias públicas, política, religião, etc.
A. A. já havia corrigido o primeiro motivo quando afirmou que o alcoolismo é uma doença incurável e que a força de vontade é inteiramente nula no seu combate, mas e a segunda causa do naufrágio dos Washingtonianos como fazer?
Pois bem, as respostas a estas perguntas vieram nos anos seguintes e tiveram a sua origem nos próprios Grupos.
Desde 1937, já contávamos com o auxilio de um Escritório e grande parte do trabalho de Bill W. neste escritório era de cuidar da correspondência.
A maioria das correspondências pedia orientação para a abertura de novos Grupos ou pediam sugestões para a solução de problemas de funcionamentos dos grupos.
A idéia da criação de diretrizes para funcionamento de grupos surgiu justamente da crescente correspondência com pedidos de ajuda.
As Tradições em A. A. representam a experiência extraída de nosso passado e nos apoiamos nelas para nos manter em unidade, através dos obstáculos e perigos que nos possa trazer.
Tradição significa um método específico de determinada ação, atitude ou ensinamento que são passados de geração para geração. Uma coisa que se torna tradicional, se torna normal, e, portanto, é seguida muitas vezes sem nenhuma indagação.
Nota-se, de um modo geral, a grande dificuldade que tem o membro de A. A. com a prática das Tradições, chega a ser até um preconceito. Talvez por nunca recebermos a informação correta para o significado dos princípios de A. A. quando chegamos ao Grupo pela primeira vez.
Tive muita dificuldade em quebrar esta barreira. Como diz uma citação de Hebert Spencer em nosso livro azul: “Há um princípio que é um barreira a toda informação, que é uma refutação de qualquer argumento e que não pode deixar de manter um homem na ignorância perpétua: o princípio consiste em depreciar antes de investigar”. Normalmente depreciamos antes.
Devido a este “depreciar antes de investigar” é que aceitamos passivamente a afirmação que as Tradições de A. A. são só para os Grupos.
“Mas as Doze Tradições também apontam diretamente para muitos de nossos defeitos individuais. Por dedução, elas pedem a cada um de nós para deixar de lado o orgulho e o ressentimento. Elas pedem pelo benefício do Grupo, bem como pelo benefício pessoal. Elas nos pedem para nunca usar o nome de A. A. em busca de poder pessoal, fama ou dinheiro. As Tradições garantem a igualdade de todos os membros e a independência de todos os Grupos.” (A. A. Atinge a Maioridade pg.87).
Se formos cuidadosos em sua prática veremos que são as Tradições que têm a capacidade de revelar aqueles defeitos que mais nos prejudicam e que insistem em dirigir a nossa vida.
São os conflitos em nossas relações interpessoais um valioso terreno de observação de nossa personalidade. Esses conflitos são reveladores de nós mesmos. Afinal, todos temos uma agenda oculta e nesta agenda estão escondidos aqueles nossos já conhecidos instintos de busca de prestígio, poder e prazer. A nossa incrível capacidade de conduzir as coisas para que beneficiem a nós mesmos. O querer sempre estar com a razão, independente de tê-la ou não? Energia perdida. Em vão.
Tal como Os Passos surgiram com a finalidade de evitar que voltássemos a beber ao longo de sua prática percebeu-se que poderíamos conseguir muito mais com eles, o mesmo ocorre com as Tradições de A. A.
Se em seu princípio a finalidade era orientar os Grupos para problemas que fossem surgindo, com a sua prática percebeu-se rapidamente que elas são um poderoso instrumento em minha recuperação.
Afinal, se os Passos são sugeridos para um melhor conhecimento de mim mesmo, para melhorar a minha auto-aceitação, as Tradições têm o poder de me mostrar a melhor maneira de viver em grupos.
Se aprendermos a conviver com os companheiros do Grupo de A. A. já teremos um ótimo indicador de como conviver com as demais pessoas de nossos diversos grupos.
Se os Passos nos ensinam a viver, as tradições têm o poder de nos ensinar a conviver, talvez a nossa maior dificuldade. Só se cresce espiritualmente na convivência com os outros. Aqui temos outra máxima muito usada por nós que é: “quer saber côo está meu relacionamento com Deus, pergunte às pessoas que convivem comigo”.
Quanto mais praticarmos as Tradições em nossos relacionamentos, mais cresceremos em direção a um Poder Superior, mais cresceremos espiritualmente.
Uma filosofia afirmou determinada época que se reprimimos uma tradição, ela escapa pelo ladrão e retorna… Assim se dá em A. A., se reprimimos uma das Tradições mais à frente seremos obrigados a observá-la novamente. Para o nosso próprio bem.
As Tradições de A. A. existem justamente para isso, para evitar a repetição de erros. Erros velhos não nos levam a nenhum crescimento, que cometamos erros novos, pois através deles é que continuaremos a aperfeiçoar a melhor maneira de viver em grupos de nos relacionarmos com a sociedade lá fora e, principalmente, melhorar a nossa qualidade de recuperação.
O crescimento espiritual inicia quando nos juntamos a um Grupo e passamos a viver em Unidade com os companheiros deste Grupo e com A. A. em seu todo.
(Fonte: Revista Vivência Nº 123 – Jan/Fev – 2010 – Anônimo)

NOSSO BEM-ESTAR COMUM DEVE ESTAR EM PRIMEIRO LUGAR

A unidade de Alcoólicos Anônimos é a qualidade mais preciosa que nossa Irmandade possui… ou nos mantemos unificados ou A. A. morre.
Nossas Tradições são elementos-chave no processo de deflação do ego, necessário para alcançar e manter a sobriedade em Alcoólicos Anônimos. A Primeira Tradição me relembra de não atribuir a mim o mérito ou autoridade por minha recuperação. Colocando o bem-estar comum em primeiro lugar me faz lembrar de não tornar-me um curandeiro neste programa; ainda sou um dos pacientes. Modestos pioneiros construíram a enfermaria. Sem eles, duvido que eu estaria vivo. Sem o Grupo, poucos alcoólicos se recuperariam.
O papel ativo na renovação da rendição da vontade me da condições de ficar de lado da necessidade de dominar, do desejo de reconhecimento, duas coisas que representaram um grande papel no meu alcoolismo ativo. Adiando meus desejos pessoais pelo bem maior do crescimento do Grupo, contribuo para a unidade de A. A. que é central para toda recuperação. Ajuda-me a lembrar que o inteiro é maior que a soma de todas as suas partes.
(Fonte: Reflexões Diárias – pag. 39 / 31 de Janeiro)

PELA FÉ E PELAS OBRAS

A estrutura da nossa Irmandade foi forjada à custa dos ensinamentos da experiência… Assim se deu com A. A. Pela fé e através das obras fizemos valer as lições de uma incrível experiência. Essa fé e essas obras estão hoje presentes nas Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos que – se Deus quiser – manterão nossa unidade durante todo o tempo que Ele precisar de nós.
Deus me permitiu o direito de estar errado para que nossa Irmandade exista com ela é hoje. Se coloco a vontade de Deus em primeiro lugar na minha vida, é muito provável que A. A., como eu o conheço, permanecerá como está hoje.
Fonte: Reflexões Diárias – pag. 306 / 24 de Outubro)

PRIMEIRA TRADIÇÃO
Dezembro de 1947

Todo o nosso programa de A. A. está firmemente baseado no princípio de humildade – quer dizer, de perspectiva. Isso supõe, entre outras coisas, que logramos relacionar-nos de forma devida com Deus e com nosso semelhante; que nos vejamos a nós mesmos como realmente somos – “uma pequena parte de um grande todo”. Ao vermos assim ao nosso semelhante desfrutaremos da harmonia de nossos Grupos. Por está razão, a tradição de A. A. pode dizer com confiança: “Nosso bem estar comum deve estar em primeiro lugar”.
Alguns perguntarão: “Isto quer dizer que em A. A., o indivíduo não tem muita importância? Será dominado pelo seu Grupo e absorvido por ele?”
Não, não parece que seja assim. Talvez não haja na terra sociedade que se preocupe mais com o bem estar pessoal de seus membros, que esteja mais disposta a conceder ao individuo a maior liberdade possível para crer e atuar. Em Alcoólicos Anônimos, nunca se ouvem as palavras “tem que”. Poucos são os Grupos que nos impõem castigos pelo não cumprimento de normas. Nós sugerimos, mas nunca castigamos. O cumprimento ou não de qualquer princípio de A. A. é um assunto que fica a cargo da consciência de cada individuo; ele é o juiz de sua própria conduta. Seguimos ao pé da letra as antigas palavras “não julgarás”.
“Mas,” alguns protestam. “se A. A. não tem autoridade para governar seus membros ou seus Grupos, como pode estar seguro de que o bem estar comum deve estar em primeiro lugar? Como é possível ser governado sem um governo? Se cada um faz o que lhe agrada? Como é que isso não é uma pura anarquia?”
A resposta parece ser que na realidade nós Aas não podemos fazer o que queremos, mesmo que não haja nenhuma autoridade humana constituída que nos impeça. Efetivamente, nosso bem estar comum está protegido fortemente. Assim que, qualquer ação põe em perigo o bem estar comum, a opinião do Grupo se mobiliza para nos lembrar, nossa consciência começa a reclamar. Se alguém persiste, pode ser que fique transtornado o suficiente para embebedar-se e o álcool lhe dá uma surra. A opinião do Grupo lhe indica que se desviou, sua própria consciência lhe diz que está equivocado; e se vai longe demais, o álcool acaba o convencendo de seu erro.
Assim chegamos a nos dar conta de que, em assuntos que afetam profundamente o Grupo no seu todo, “nosso bem estar comum deve estar em primeiro lugar. Acaba a rebeldia e começa a cooperação, porque tem que ser assim; nos disciplinamos a nós mesmos.
Assim sendo, acabamos cooperando porque desejamos fazê-lo; vemos que sem uma unidade substancial, o A. A. não pode existir e que, sem o A. A., nenhuma recuperação duradoura pode ser possível para ninguém. Colocamos as ambições pessoais de lado quando estas podem prejudicar ao A. A. Humildemente, confessamos que não somos senão “uma pequena parte de um grande todo”.
(Fonte: A Linguagem do Coração – pags. 91 e 92)

Unidade
Por Marcos – Cachoeira do Campo-MG

“Bill, nós adoramos recebe-lo e ouvi-lo falar. Conte-nos onde você costumava esconder as suas garrafas e fale-nos daquela sua experiência espiritual. Mas não venha nos falar mais a respeito dessas malditas Tradições.” (Levar Adiante – pg 353).

Era mais ou menos coisas deste tipo que Bill ouvia quando, antevendo o perigo que corria A.A., colocou o pé na estrada e passou a divulgar o que ele chamava de Doze Pontos Para Garantir o Nosso Futuro. O nome Tradições só veio mais tarde e atesta toda a genialidade de Bill, pois já pensaram se ele tivesse dado o nome de “12 regras”, “12 leis”, “estatuto”, ou qualquer outra coisa que significasse regulamento? Talvez nenhum membro de A.A. aceitaria estes princípios. Bill conhecia muito bem seus companheiros alcoólicos; ele sabia que nenhum bêbado que se auto-respeitasse, sóbrio ou não, se submeteria docilmente a um conjunto de “leis” – isso seria autoritário demais!

Mas por que Bill sentiu a necessidade das Tradições como garantia do futuro de A.A.?
Bill tinha uma mente obcecada e uma visão de futuro excepcional. Ele sabia o que era bom para A.A. e não desistia de seus propósitos facilmente quando em benefício de A.A.
Bill estudou e pesquisou profundamente sobre o Movimento Washigtoniano, movimento que surgiu de maneira espetacular nos Estados Unidos um século antes de A.A. com o objetivo de salvar bêbados e da mesma maneira espetacular que surgiu naufragou por dois motivos básicos:
1- Eles não consideravam o alcoolismo como uma doença e sim como um desvio de caráter, uma fraqueza, que podia ser corrigido apenas com a força de vontade e
2- Não oferecia um padrão de conduta, uma orientação para seus membros que salvaguardassem o movimento. Por exemplo, táticas carnavalescas de promoção e a carência de qualquer princípio de anonimato era o modo que eles divulgavam o movimento; participavam ativamente de controvérsias públicas, política, religião, etc.
A.A. já tinha corrigido o primeiro motivo quando afirmou que o Alcoolismo é uma doença incurável e que a força de vontade é inteiramente nula no seu combate, mas e a segunda causa do naufrágio dos Washingtonianos, como fazer?
Pois bem, as respostas a estas perguntas vieram nos anos seguintes e tiveram a sua origem nos próprios Grupos. Desde 1937, já contávamos com o auxílio de um Escritório e grande parte do trabalho de Bill W. neste escritório era cuidar da correspondência. A maioria da correspondência pedia orientação para a abertura de novos Grupos ou pediam sugestões para a solução de problemas de funcionamentos dos grupos. A idéia da criação de diretrizes para funcionamento de grupos surgiu justamente da crescente correspondência com pedidos de ajuda.
As Tradições em A.A. representam a experiência extraída de nosso passado e nos apoiamos nelas para nos manter em unidade, através dos obstáculos e perigos que nos possa trazer.
Tradição significa um método específico de determinada ação, atitude ou ensinamento que são passados de geração para geração. Uma coisa que se torna tradicional, se torna normal, e, portanto, é seguida muitas vezes sem nenhuma indagação.
Nota-se, de um modo geral, a grande dificuldade que tem o membro de A.A. com a prática das Tradições, chega a ser até um preconceito. Talvez por nunca recebermos a informação correta para o significado dos princípios de A.A. quando chegamos ao Grupo pela primeira vez. Tive muita dificuldade em quebrar esta barreira. Como diz uma citação de Hebert Spencer em nosso livro azul: “Há um princípio que é uma barreira a toda informação, que é uma refutação de qualquer argumento e que não pode deixar de manter um homem na ignorância perpetua: o princípio consiste em depreciar antes de investigar”. Normalmente depreciamos antes.
Devido a esse “depreciar antes de investigar” é que aceitamos passivamente a afirmação que as Tradições de A.A. são só para os Grupos.
“Mas as Doze Tradições também apontam diretamente para muitos de nossos defeitos individuais. Por dedução, elas pedem a cada um de nós para deixar de lado o orgulho e o ressentimento. Elas pedem pelo benefício do Grupo, bem como pelo benefício pessoal. Elas nos pedem para nunca usar o nome de A.A. em busca de poder pessoal, fama ou dinheiro. As Tradições garantem a igualdade de todos os membros e a independência de todos os Grupos.” (A.A. Atinge a Maioridade – pg 87).
Se formos cuidadosos em sua prática veremos que são as Tradições que têm a capacidade de revelar aqueles defeitos que mais nos prejudicam e que insistem em dirigir a nossa vida. São os conflitos em nossas relações interpessoais um valioso terreno de observação de nossa personalidade. Esses conflitos são reveladores de nós mesmos. Afinal, todos temos uma agenda oculta e nesta agenda estão escondidos aqueles nossos já conhecidos instintos de busca de prestígio, poder e prazer. A nossa incrível capacidade de conduzir as coisas para que beneficiem a nós mesmos. O querer sempre estar com a razão. Nessa questão vale um parêntesis: vocês já perceberam quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independente de tê-la ou não? Energia perdida. Em vão.
Tal como Os Passos surgiram com a finalidade de evitar que voltássemos a beber e ao longo de sua prática percebeu-se que poderíamos conseguir muito mais com eles, o mesmo ocorre com as Tradições de A.A. Se em seu princípio a finalidade era orientar os Grupos para problemas que fossem surgindo, com a sua prática percebeu-se rapidamente que elas são um poderoso instrumento em minha recuperação. Afinal, se os Passos são sugeridos para um melhor conhecimento de mim mesmo, para melhorar a minha auto-aceitação, as Tradições tem o poder de me mostrar a melhor maneira de viver em grupos. Se aprendermos a conviver com os companheiros do Grupo de A.A. já teremos um ótimo indicador de como conviver com as demais pessoas de nossos diversos grupos. Se os Passos nos ensinam a viver, as tradições têm o poder de nos ensinar a conviver, talvez a nossa maior dificuldade. Só se cresce espiritualmente na convivência com os outros. Aqui temos outra máxima muito usada por nós que é: “quer saber como está meu relacionamento com Deus, pergunte as pessoas que convivem comigo”.
Quanto mais praticarmos as Tradições em nossos relacionamentos, mais cresceremos em direção a um Poder Superior, mais cresceremos espiritualmente.

Uma filósofa afirmou determinada época que se reprimimos uma tradição, ela escapa pelo ladrão e retorna…
Assim se dá em A.A., se reprimimos uma das Tradições mais à frente seremos obrigados a observá-la novamente. Para o nosso próprio bem.
As Tradições de A.A. existem justamente para isso, para evitar a repetição de erros. Erros velhos não nos levam a nenhum crescimento, que cometamos erros novos, pois através deles é que continuaremos a aperfeiçoar a melhor maneira de viver em grupos, de nos relacionarmos com a sociedade lá fora e, principalmente, melhorar a nossa qualidade de recuperação.

O crescimento espiritual inicia quando nos juntamos a um Grupo a passamos a viver em Unidade com os companheiros deste Grupo e com o A.A. em seu todo.
AS TRADIÇÕES ´- FÁBIO CORDEIRO .

O QUE È TRADIÇÃO ?
A tradição é um conjunto de costumes e crenças que remonta tempos antigos, praticados por nossos antepassados e transmitidos de geração em geração com o objetivo de serem preservados. Variam da cultura de cada povo e região e fazem parte de um contexto histórico-temporal, onde são aceitos e praticados pelo senso comum da sociedade.
Fazem parte das tradições: lendas, mitos, práticas religiosas, danças, músicas, vestimentas, pratos típicos, brinquedos, jogos, artesanatos, decorações, histórias, valores e comportamentos.
Tais conhecimentos são transmitidos de forma oral e/ou escrita.

A Tradição em A.A.: Como surgiu?
Bill e os demais pioneiros de A.A. perceberam já nos primeiros dias, que aquele movimento que estava se iniciando funcionaria para alguns alcoólicos se recuperarem, mas o problema de viver e trabalhar juntos era algo mais. E foi pensando dessa forma, que olhando da janela da sala de estar da casa do Dr. Bob, em 1937, antes mesmo de A.A. ter este nome, eles perceberam pela primeira vez que os alcoólicos poderiam se recuperar em grande escala, mas ao olhar para o futuro, perguntas inquietantes vieram às suas mentes: “Poderíamos nós, alcoólicos recuperados, permanecer juntos?”, Poderíamos levar a mensagem de A.A.?”, Poderíamos funcionar como grupos ou como um todo?”. Ninguém podia responder a estas perguntas. A grande pergunta era: “Explodíramos nós ou poderíamos viver juntos?”. “E sem o Grupo, o que seria de nós?” Perguntas realmente inquietantes já àquela época, com o movimento apenas se iniciando.
As Doze Tradições,
o caminho da Unidade
• Normas de convivência grupal. Uma releitura de princípios de relações humanas, englobando os mais antigos conceitos de auto-conhecimento e respeito mútuo. Caminhos para a redescoberta de valores universais, onde, embora o indivíduo possa manifestar toda liberdade de pensamento, de sentimento e de ação, o conceito de Grupo assume um significado essencial.
E Toma consciência do porquê da sua fraqueza frente ao álcool e da perda do controle sobre a sua vida.
E Sente que o Grupo lhe proporciona uma gostosa sensação de pertencer.
E Descobre que no Grupo existe uma força maior do que o seu desejo irrefreado de beber.
E Aprende que precisa fazer um inventário pessoal, pra saber “a quantas anda ou andou a sua vida”, e admitir a verdadeira natureza das suas falhas.
E Percebe, sem saber como funciona, que do Grupo emana “uma irresistível força de propósito e de ação”.
Em doses homeopáticas, um dia de cada vez, descobre que:
E precisa ser honesto com “o ‘cara’ do espelho”.
E precisa buscar a humildade.
E que não é mais o “dono da verdade”.
E a alegria de viver é o foco central do programa, e que a ação é a palavra-chave.
E precisa aceitar o outro do jeito que ele se apresenta.
E que o seu direito termina onde começa o do outro.
E toda a motivação que está vivenciando advém do Grupo.
“As Doze Tradições de A.A. dizem respeito à vida da própria Irmandade. Delineiam os meios pelos quais A.A. mantém sua unidade e se relaciona com o mundo exterior, sua forma de viver e desenvolver-se.”
As Doze Tradições representam o nosso Segundo Legado: UNIDADE
Mais do que a união (aproximação de duas ou mais coisas ou pessoas), a Unidade é quando duas ou mais pessoas se tornam apenas uma: pensando, sentindo e agindo de forma homogênea em qualquer parte do mundo (sociologicamente, o fato social de A.A.).
Importante esclarecer o porquê de Bill denominar o conjunto de princípios constitutivos do Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos de “LEGADOS”.
As pessoas não afeitas ao linguajar jurídico entendem as palavras herança e legado como tendo o mesmo sentido.
Vale esclarecer que a herança é um direito que os herdeiros têm sobre os bens deixados pela pessoa que morre. Há uma ordem sucessória a ser, obrigatoriamente, observada. Nada se impõe ao pretenso herdeiro. É um direito seu a partir do momento da morte do de cujus e que ele herdeiro, agora disporá como bem lhe aprouver.
Quando se fala em legado, entretanto, fala-se daquela parcela de bens que o testador designou em favor de um legatário que não era um dos herdeiros necessários, impondo-lhe, muitas vezes, condições.
Veja-se a diferença – o herdeiro tem direito ao seu quinhão, por isso não se lhe pode impor condições; o legatário não; foi agraciado com o legado, sendo permitida a imposição de condições para seu uso.
Diz-se, ainda, de legado cultural: língua, costumes e tradições que passam de uma a outra geração.
E é neste sentido os LEGADOS que recebemos de nossos co-fundadores, sob a condição de os conservarmos intactos e, em seus nomes, transferi-los às futuras gerações de alcoólicos.
As Doze Tradições,
o caminho da Unidade
Ä Autonomia,
Ä Mensageiros da boa-nova,
Ä Autossuficiência,
Ä Consciência coletiva,
Ä Independência ideológica,
Ä Não-profissionalismo da mão de ajuda e
Ä Anonimato
Estes são alguns pontos mais importantes d’As Doze Tradições.
O anonimato, assumindo um fator preponderante, representa dois aspectos fundamentais: o espiritual e o prático.
O prático: garantia da privacidade daquele que chega, sem ser identificado para a comunidade por nenhum dos membros.
(mais tarde, já com alguma compreensão do programa e, consequentemente, com uma certa segurança, ele mesmo se revela a quem julga importante e necessário);
F O espiritual: funciona como um nivelador dos anseios pessoais, gerando o entendimento de que os princípios devem sempre vir antes das personalidades.
E A mensagem é (e deverá ser) sempre mais importante que o mensageiro;
E a proteção do nosso movimento e a garantia da sobrevivência de todos e de cada um.
Silogismo
Um silogismo (do grego antigo συλλογισμός, “conexão de ideias”, “raciocínio”; composto pelos termos σύν “com” e λογισμός “cálculo”) é um termo filosófico com o qual Aristóteles designou a argumentação lógica perfeita e que mais tarde veio a ser chamada de silogismo, constituída de três proposições declarativas que se conectam de tal modo que a partir das duas primeiras, chamadas premissas, é possível deduzir uma conclusão.
Um exemplo clássico de silogismo é o seguinte:
1) (Primeira premissa) Todo homem é mortal.
2) (Segunda premissa) Sócrates é homem.
3) (Conclusão) Logo, Sócrates é mortal.
1) (Primeira premissa) As Tradições delineiam a forma de viver e de desenvolver-se de A.A.
2) (Segunda premissa) Eu sou A.A.
3) (Conclusão) Logo, as Tradições delineiam a minha forma de viver .
1) (Primeira premissa) As Tradições são o modo de vida de A.A.
2) (Segunda premissa) Eu sou A.A.
3) (Conclusão) Logo, as Tradições são o meu modo de vida.
O A.A. precisa ser assim. Será que você pode ajudar?
Alcoólicos Anônimos
Gráfico de um sonhador
Muito obrigado e mais vinte e quatro horas de sobriedade, serenidade, coragem e sabedoria
a todos os presentes.

U N I D A D E
O Espírito da Unidade de A. A.
Nosso bem estar comum deve estar em primeiro lugar…
Ao analisar “O Espírito da Unidade de A. A., chegamos a conclusão que ele é a essência do comportamento dos membros de A .A.. Este comportamento tem o objetivo de preservar a Unidade de A. A.. É a união de pessoas que se identificam com um problema comum e todos com um único propósito, de buscar a melhor maneira de solucioná-lo, procurando agir com um só pensamento, uma só maneira de trabalhar e sempre juntos em igualdade, garantindo assim o bem-estar comum que existe entre os membros, esforçando sempre para que ele seja da melhor qualidade. Nos relacionando em grupo num sentido de ajuda mútua e dedicando ao programa de recuperação, a nossa libertação do alcoolismo virá de uma forma gradativa, trazendo a esperança de uma vida de paz e felicidade sempre conquistando vitórias através de um desenvolvimento espiritual”.
É bom lembrar como os membros pioneiros de Alcoólicos Anônimos começaram a encontrar uma linha de conduta com o propósito de assegurar o futuro da nossa Irmandade. Logo chegaram a conclusão que sem unidade, poucas chances teriam para sobreviver em grupo e muito pouco teriam para oferecer, no sentido de aliviar os milhares de alcoólatras que ainda poderiam chegar a procura da liberdade. Pouco a pouco adotando as lições aprendidas através das experiências vividas, primeiro como norma de procedimento e depois como tradição, concluíram que:
Cada membro de Alcoólicos Anônimos é apenas uma pequena parte de um todo. Que nenhum membro pode ser punido ou expulso da irmandade. Que o Grupo precisa sobreviver, caso contrário, não sobreviverá o indivíduo, portanto nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar;
Nossos líderes são apenas servidores de confiança, não tem poderes para governar, eles devem liderar pelo exemplo e jamais por imposição. A única autoridade em Alcoólicos Anônimos é um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa consciência coletiva;
Nossa irmandade deve incluir todos aqueles que sofrem do alcoolismo, por isso não devemos recusar nenhuma pessoa que queira se recuperar, nem seu ingresso em A .A. poderá jamais depender de dinheiro ou formalidades.
Dois ou mais alcoólicos reunidos com o propósito de procurar pela sobriedade, podem se considerar um Grupo de A. A., desde que como Grupo, não tenham nenhuma outra afiliação. Com respeito aos seus próprios assuntos, cada Grupo deve ser livre de qualquer autoridade, a não ser de sua própria consciência. Mas, quando seus planos afetam outros grupos, estes, deverão ser consultados. Nenhum grupo, comitê regional ou indivíduo jamais deverá tomar qualquer atitude que possa afetar grandemente A. A. como um todo, sem antes trocar idéias com os nossos comitês de serviços. Pois esse procedimento nos manterá em unidade, buscando cumprir o único propósito primordial.
Cada Grupo deve ser uma entidade espiritual, tendo somente um propósito primordial, o de transmitir a sua mensagem, e ajudar outros alcoólicos a se recuperarem através dos “Doze Passos” de A. A..
Problemas de dinheiro, propriedade, prestígio e autoridade podem facilmente nos afastar do nosso objetivo primordial, portanto, qualquer propriedade de considerável valor e utilidade para Alcoólicos Anônimos, deverá ser organizada e administrada separadamente, fazendo assim uma divisão entre o material e o espiritual.
Os Grupos de A. A. devem ser mantidos totalmente pelas contribuições voluntárias de seus próprios membros. O Grupo deve atingir este ideal em um tempo mais curto possível. Qualquer levantamento de fundos a nível público, usando o nome de Alcoólicos Anônimos é altamente perigoso. Que a aceitação de doação ou contribuição de qualquer fonte de fora é desaconselhável. Da mesma forma, causa muita preocupação, as tesourarias de A. A. que, ultrapassando as reservas consideradas prudentes, continuam a acumular fundos sem qualquer propósito determinado de A .A.. A experiência tem frequentemente mostrado que nada pode, na verdade, destruir tanto nossa herança espiritual como fúteis disputas de propriedade, dinheiro e autoridade. Não podemos esquecer, que todo dinheiro que entra na sacola da Sétima Tradição pertence a Alcoólicos Anônimos como um todo – ele precisa circular para fazer com que a mensagem possa chegar a todos os alcoólicos que ainda sofrem.
Alcoólicos Anônimos deve sempre se manter não profissional. Definimos profissionalismo como a prática remunerada de orientação a alcoólicos. Mas podemos empregar alcoólicos em serviços para os quais possam ser contratados também não alcoólicos. Tais serviços podem ser remunerados, mas nosso costumeiro trabalho do Décimo Segundo Passo nunca deve ser pago.
Como irmandade, Alcoólicos Anônimos não deve ter nenhum tipo de organização. Nossos líderes devem ser sempre revezados. Todos os representantes devem ser guiados pelo espírito de servir, pois os verdadeiros líderes de Alcoólicos Anônimos nada mais são que servidores de confiança e com experiência em relação ao A. A. em seu todo. Seus títulos não lhes conferem nenhuma autoridade. Eles não governam, agem com respeito mútuo.
Nenhum membro ou Grupo de A. A. jamais deverá opinar sobre questões alheias a irmandade, sujeitas a controvérsia, especialmente com relação a política, combate ao álcool ou sectarismo religioso, de forma a envolver a Alcoólicos Anônimos. Os Grupos de A. A. não se opõem a nada. Com respeito a estas questões, eles não devem dar qualquer opinião. Por isso, precisamos ter cuidado com o nosso relacionamento com o público para não confundirmos e envolvermo-nos em assuntos alheios ao nosso propósito primordial.
Nossas relações com o público em geral devem ser caracterizadas pelo anonimato pessoal. Nossos nomes e fotografias como membros de A. A. não devem ser divulgados pelo Rádio, Filmes ou Imprensa. Nossas relações com o público devem ser orientadas pelo princípio da atração, não da promoção. E, finalmente, acreditamos que o princípio do anonimato tem um enorme significado espiritual. Ele nos lembra que devemos colocar os princípios acima das personalidades e que devemos realmente praticar a verdadeira humildade. Sendo o anonimato a garantia de proteção que a Irmandade oferece a todos aqueles alcoólicos que queiram se juntar a nós, cresce a responsabilidade de cada membro em respeitar o direito de seu companheiro em manter seu anonimato. O grupo precisa evitar situações que possa expor o anonimato de seus membros.
Uma vez que esta linha de comportamento seja respeitada com disposição, dedicação e, acima de tudo com fidelidade, vamos conquistar a “harmonia”, que no nosso entendimento é o verdadeiro “espírito” da “Unidade” de A. A.. Harmonia é a disposição bem ordenada entre as partes de um todo, é a paz coletiva entre as pessoas; e paz é a ausência de violências, perturbações e conflitos entre as pessoas, paz é sossego, é serenidade. Tudo isto está contido na “harmonia”. Entretanto, considerando que a nossa irmandade é composta de membros que buscam o aperfeiçoamento espiritual, ainda tem comportamentos defeituosos, vamos ver que existem algumas falhas e determinados defeitos que nos ameaçam continuamente.
As Tradições nos orientam para melhorar nossa maneira de trabalhar e viver juntos, elas são também um antídoto para nossos diversos males. As Tradições são para a sobrevivência e harmonia do Grupo como os Doze Passos são para a sobriedade e paz de espírito de cada membro. Elas apontam para muitos de nossos defeitos individuais. Por dedução elas pedem para nunca usar o nome de A. A. na busca de poder pessoal, fama, dinheiro e prestígio. Pedem a cada um de nós para deixar de lado, o orgulho e o ressentimento. Pedem o sacrifício para o benefício do Grupo como também o benefício pessoal.
Considerando que cada membro é uma pequena parte de um todo (nossa irmandade), concluímos que a qualidade da “unidade” depende do quanto cada um de nós estejamos dispostos e empenhados a respeitar todos os princípios de Alcoólicos Anônimos. Um membro que contribui para a boa qualidade da “unidade”, ele procura com satisfação frequentar as reuniões sempre com o propósito de compartilhar suas experiências e forças com os companheiros, dando a eles a máxima atenção quando eles também estiverem nos transmitindo algo, procurando respeitar as condições de cada um, bem como as convicções, ele procura também, prestar serviços com responsabilidade e dedicação, seu primeiro impulso é o de ser um servidor, buscando o interesse pelo bem-estar comum em vez de pensar em si mesmo. Não condena aqueles que não aceitam suas opiniões, bem como, não impõem seus conhecimentos aos companheiros. Procura em seu programa não ter ódio, rancor, ressentimentos, nem desejos de vingança. Perdoa e esquece as ofensas, e só se lembra dos benefícios recebidos, porque sabe que também quer ser perdoado. Não procura descobrir e por em evidência os defeitos alheios, se a necessidade a tanto o obriga, procura sempre se posicionar do lado bom, na tentativa de atenuar o mal. Estuda suas próprias imperfeições e sem cessar esforça para combatê-las. Jamais procura valorizar seu talento á custa dos outros, ao contrário, busca todas as ocasiões para ressaltar aquilo que é mais interessante nos demais. Está sempre pronto a ajudar aquele que ainda sofre pelo alcoolismo. Procura descobrir quais as atividades que melhor funcionam como Padrinho para oferecer a melhor ajuda ao recém-chegado, procurando ajudá-lo a se recuperar através do programa de recuperação, “Os Doze Passos”, principalmente com seus exemplos. Procura se posicionar na sua verdadeira disponibilidade para participar da “autossuficiência” de A .A., contribuindo sempre com lealdade. Respeita a promessa de sigilo pelo anonimato dos companheiros, inclusive de suas histórias.
Enfim, se cada membro procurar sempre pelo aperfeiçoamento na recuperação individual e dedicar o melhor dos esforços e atenção ao aprimoramento do Grupo, dando força para que ele seja cada vez mais um Grupo consciente, estaremos cuidando de melhorar sempre a qualidade da nossa “Unidade” e de cabeça erguida poderemos caminhar em direção à perfeita harmonia que é o verdadeiro “Espírito da Unidade de A. A.”.

NA OPINIÃO DO BILL 9
O grupo e a ampla comunidade mundial
No momento em que o trabalho do Décimo Segundo Passo forma um grupo, uma descoberta é feita – que a maioria dos indivíduos não consegue se recuperar, se não houver um grupo. Surge a compreensão de que cada membro é apenas uma pequena parte de um grande todo; de que nenhum sacrifício pessoal é grande demais para a preservação da Irmandade. Ele aprende que o clamor dos desejos e ambições interiores deve ser silenciado, sempre que possa prejudicar o grupo.
Torna-se claro que o grupo precisa sobreviver para que o indivíduo não pereça.
* * *
“O membro sozinho no mar, o A.A. em guerra numa terra distante – todos esses membros sabem que pertencem à Comunidade Mundial de A.A., que sua separação é apenas física, que seus companheiros podem estar tão perto como está o próximo porto. E a mais importante, que eles estão certos de que a graça de Deus está realmente com eles, em alto mar ou na solitária terra distante, como está com aqueles que estão em sua própria terra”.
1 – As Doze Tradições, pág. 14
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 50
A.A.: Anarquia benigna e democracia
Quando chegamos em A.A., encontramos uma liberdade pessoal maior do que qualquer outra sociedade conhece. Não somos obrigados a fazer nada. Nesse sentido, essa sociedade é uma anarquia benigna. A palavra “anarquia” tem um mau significado para a maioria de nós. Mas acho que o idealista, que primeiro advogou a ideia, sentia que se os homens tivessem garantido liberdade absoluta e não fossem obrigados a obedecer ninguém, eles então voluntariamente se associariam a um interesse comum. A.A. é uma associação do tipo benigno que ele imaginou.
Mas quando tivemos que entrar em ação – para funcionar como grupos – descobrimos que tínhamos que vir a ser uma democracia. À medida que os primeiros membros iam-se retirando, começamos a eleger nossos servidores pela maioria de votos. Cada grupo nesse sentido veio a ser uma reunião democrática com os membros da comunidade. Todos os planos para a ação do grupo tinham de ser aprovados pela maioria. Isso significa que nenhum indivíduo poderia designar a si mesmo para atuar por seu grupo ou por A.A. como um todo. Para nós não servia nem ditadura nem paternalismo.
A.A. Atinge a Maioridade, págs. 200 e 201

NA OPINIÃO DO BILL 82
As dificuldades tornam-se uma vantagem
“Penso que essa Conferência de Serviços Gerais, em particular, promete e tem alcançado progresso, porque ela atravessou dificuldades. E ela transformou essas dificuldades numa vantagem, crescimento e numa grande promessa.
“A.A. nasceu da dificuldade, uma das mais sérias dificuldades que pode acontecer a um indivíduo, o problema criado por essa sombria e fatal doença do alcoolismo. Cada um de nós se aproximou de A.A. cheio de dificuldades, com um problema impossível e desesperador. E foi por isso que viemos.
“Se essa Conferência era agitada, se os indivíduos estavam profundamente perturbados – eu digo: ‘Isso é ótimo’. Que parlamento, que república, que democracia que não foi perturbado? O atrito de pontos de vista opostos é o próprio ‘modus operandi’ sobre o qual eles atuam. Então do que deveríamos ter medo?”
Palestra de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 98
A raiva – inimiga da pessoa e do grupo
“Como inserido no livro ‘Alcoólicos Anônimos’, ‘o ressentimento é o principal ofensor’. Ele é uma das causas principais das recaídas. Sabemos bem, nós de A.A., que para nós ‘beber significa caminhar em direção à loucura’.
“O mesmo perigo ameaça todos os grupos de A.A. Se existe bastante raiva, a unidade e o propósito estão perdidos. Se também existe muita indignação ‘justificada’, o ‘grupo’ pode se desintegrar; ele pode até morrer. É por isso que evitamos controvérsia. É por isto que não prescrevemos castigos para os erros, não importa sua gravidade. Na verdade nenhum alcoólico, por nenhuma razão, pode ser privado de sua filiação.
“Castigo não cura nunca. Só o amor pode curar.”
Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 125
Olhe além do horizonte
Meu local de trabalho fica numa colina, atrás de nossa casa. Olhando para o vale, vejo a casa comunitária da vila, onde se reúne nosso grupo. Além do círculo de meu horizonte está o mundo inteiro de A.A.
* * *
A unidade de Alcoólicos Anônimos é a qualidade mais preciosa que nossa sociedade tem. Nossas vidas e as vidas dos que estão por chegar dependem diretamente dela. Sem unidade, o coração de Alcoólicos Anônimos deixaria de bater; nossas artérias mundiais não mais levariam a inspiradora graça de Deus.
1 –A.A. Today, pág. 7
2 – As Doze Tradições, pág. 13

NA OPINIÃO DO BILL 143
Na escola de vida de A.A.
Suponho que dentro de A.A. sempre estaremos disputando. Principalmente, acredito eu, acerca de como fazer para levar o melhor a um maior número de bêbados. Teremos nossas discussões infantis sobre pequenas dificuldades de dinheiro e como coordenar nossos grupos durante os próximos seis meses. Qualquer punhado de crianças em crescimento (e isso é o que somos) faria uma coisa dessa, e isso estaria de acordo com seu caráter.
Essas são as dores do crescimento da infância e nós, na verdade, estamos passando por elas. Superar tais problemas, na escola de vida de A.A., é um saudável exercício.
A.A. Atinge a Maioridade, pág. 208

NA OPINIÃO DO BILL 149
Orientação para um caminho melhor
Quase nenhum de nós gostava de fazer o autoexame, a demolição de nosso orgulho e a confissão das imperfeições que os Passos requerem. Mas víamos que o programa realmente funcionava para os outros e tínhamos chegado a acreditar na desesperança da vida, da forma como a estávamos vivendo.
Portanto, quando fomos abordados por aquelas pessoas que haviam resolvido o problema, só nos restava pegar o simples conjunto de instrumentos espirituais que foi colocado a nosso alcance.
* * *
Nas Tradições de A.A. está implícita a confissão de que nossa Irmandade tem suas falhas. Confessamos que temos determinados defeitos, como sociedade, e que esses defeitos nos ameaçam continuamente. As Tradições nos orientam para melhorar nossa maneira de trabalhar e viver, e elas são para a sobrevivência e harmonia do grupo o que os Doze Passos de A.A. são para a sobriedade e paz de espírito de cada membro.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 48
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 87

NA OPINIÃO DO BILL 154
As recaídas – e o grupo
Um antigo temor era o de deslizes e recaídas. No princípio, quase todo alcoólico de quem nos aproximávamos começava a ter deslizes, isso quando ele conseguia realmente ficar sóbrio. Outros permaneciam abstêmios por seis meses ou talvez um ano e daí escorregavam. Isso foi sempre uma verdadeira catástrofe. Olhávamos uns para os outros e nos perguntávamos: “Qual o próximo?”
Hoje, embora as recaídas sejam dificuldades muito sérias, como grupo as conduzimos a passos largos. O medo desapareceu. O álcool sempre ameaça o indivíduo, mas sabemos que não pode destruir o bem-estar comum.
* * *
“Parece que não adianta discutir com os “que recaem”, a respeito do método apropriado para se manter sóbrio. Afinal de contas, por que deveriam as pessoas que estão bebendo contar às que estão sóbrias como isso deveria ser feito?
“Só por brincadeira, pergunte a eles se estão se divertindo. Se estiverem muito barulhentos ou importunos, gentilmente se afaste do caminho deles”.
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 88
2 – Carta de 1942

NA OPINIÃO DO BILL 155
Construído por um e por muitos
Damos graças a nosso Pai Celestial que, através de tantos amigos e através de tantos meios e canais tem nos permitido construir esse maravilhoso edifício do espírito, no qual estamos agora residindo – essa catedral, cujos fundamentos já repousam nos quatro cantos do mundo.
Em sua enorme edificação inscrevemos nossos Doze Passos de recuperação. Nas paredes laterais, os esteios das Tradições de A.A. foram colocados para nos manter em unidade até quando Deus quiser. Ansiosos corações e mãos levantaram o espiral de nossa catedral em seu devido lugar. Esse espiral leva o nome de Serviço. Que ele possa sempre estar apontado em direção a Deus.
* * *
“Não é somente a alguns que devemos o notável desenvolvimento de nossa unidade e de nossa capacidade de levar a mensagem de A.A. a todos os lugares. Devemos a muitos; na verdade, é ao trabalho de todos nós que devemos essas maravilhosas bênçãos”.
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 209
2 – Palestra de 1959

NA OPINIÃO DO BILL 162
“Mantenha-o simples”
“Precisamos distinguir bem entre a simplicidade espiritual e a simplicidade funcional. Quando dizemos que A.A. não prega proposição teológica, a não ser Deus, como nós O concebemos, simplificamos muito a vida de A.A., evitando conflito e rejeição.
“Mas quando entramos nas questões de ação, pelos grupos, áreas e por A.A. como um todo, achamos que devemos nos organizar um pouco para levar a mensagem – ou então enfrentar o caos. E o caos não é simplicidade”.
* * *
Aprendi que o temporário ou aparentemente bom pode muitas vezes não ser aquilo que é sempre o melhor. Quando se trata da sobrevivência de A.A., nem o nosso melhor será bom o suficiente.
1 – Carta de 1966
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 263

NA OPINIÃO DO BILL 198
Contar ao público?
“Alguns AAs de notoriedade mundial às vezes dizem: Se eu contar ao público que estou em Alcoólicos Anônimos, isso vai então trazer muitos outros. Expressa assim a crença de que nossa Tradição do anonimato não está certa – Pelo menos para eles”.
“Esquecem que, durante seus dias de bebedeiras, suas principais metas eram prestígio e a ambição de se elevar socialmente. Não percebem que quebrando o anonimato, estão inconscientemente perseguindo outra vez aquelas antigas ilusões perigosas. Esquecem que preservar o anonimato significa muitas vezes o sacrifício do desejo pessoal de poder, prestígio e dinheiro. Não veem que, se essas lutas ser tornarem gerais em A.A., o curso de nossa história seria mudado; que estariam lançando a semente de nossa própria destruição como sociedade.”
“No entanto, posso felizmente dizer que, embora muitos de nós sejam tentados – e eu fui um deles –, poucos de nós aqui na América realmente quebram nosso anonimato, a nível público.”
Carta de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 207
O futuro da irmandade
“Parece certo que A.A. pode se manter firme em qualquer lugar e em qualquer situação. A.A. cresceu acima de qualquer dependência, que alguma vez poderia ter tido, de personalidades ou esforços de alguns dos membros mais antigos como eu. Vêm surgindo pessoas novas, capazes e vigorosas, aparecendo onde são necessárias. Além disso, A.A. atingiu maturidade espiritual o suficiente para saber que sua verdadeira dependência é de Deus.”
***
Na verdade, nosso primeiro dever, quanto ao futuro de A.A., é o de manter em plena força o que agora temos. Só o mais vigilante cuidado pode assegurar isso. Nunca deveríamos ser embalados em complacente auto satisfação, devido a grande aclamação e sucesso que temos em toda parte. Essa é a sutil tentação que poderia nos deixar atônitos hoje, talvez para nos desintegrar amanhã. Temos estado sempre unidos para enfrentar e vencer as falhas e crises. Os problemas têm sido nossos estimulantes. No entanto, como seremos capazes de enfrentar os problemas do sucesso?
1 – Carta de 1940
2 – A.A. Today, pág. 106

NA OPINIÃO DO BILL 220
Em sociedade
À medida que progredíamos espiritualmente, ficava claro que, se esperávamos algum dia nos sentir emocionalmente seguros, teríamos que colocar nossa vida na base do dar e receber; teríamos que desenvolver o hábito de viver em sociedade ou fraternidade com todos que nos cercam. Vimos que precisaríamos sempre dar de nós mesmos, sem esperar nada em troca. Quando persistimos nisso, descobrimos que aos poucos as pessoas eram atraídas para nós, como nunca foram antes. E mesmo que elas nos desapontassem, poderíamos ser compreensivos e não seriamos tão seriamente afetados.
***
A unidade, a eficiência e mesmo a sobrevivência de A.A. sempre dependerão de nossa contínua boa vontade de renunciar a nossos desejos e ambições pessoais, para a segurança e bem-estar comum. Do mesmo modo que o sacrifício significa sobrevivência para o indivíduo, também significa unidade e sobrevivência para o grupo e para a Irmandade de A.A. como um todo.
1 – Os Doze Passos, pág. 102
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 257

NA OPINIÃO DO BILL 229
O dia do regresso ao lar
“Assim como a sobriedade significa vida longa e felicidade para o indivíduo, a unidade significa exatamente a mesma coisa para nossa Sociedade como um todo. Unidos, vivemos; desunidos, perecemos.”
***
“Devemos pensar profundamente em todos aqueles doentes que ainda virão ao A.A. Quando eles procuram retornar à fé e à vida, queremos que encontrem em A.A. tudo o que encontramos e ainda mais, se for possível. Nenhum cuidado, nenhuma vigilância, nenhum esforço para preservar a constante eficiência e a força espiritual de A.A. será grande demais para nos pôr inteiramente de prontidão para o dia do regresso deles ao lar”.
1 – Carta de 1949
2 – Palestra de 1959

NA OPINIÃO DO BILL 249
Dádivas de Deus
Percebemos que o sol nunca se põe para a Irmandade de A.A.; que mais de trezentos e cinquenta mil pessoas agora se recuperam de sua doença; que começamos em toda parte a transpor as enormes barreiras de raça, credo e nacionalidade. Essa certeza de que tantos de nós têm sido capazes de encontrar nossas responsabilidades, sobriedade, crescimento e eficiência no confuso mundo em que vivemos, certamente nos dará a mais profunda alegria e satisfação. Mas, como pessoas que sempre aprenderam pelo modo mais difícil, com certeza não vamos nos felicitar. Temos que saber que esses bens são dádivas de Deus, que em parte se combinaram com uma crescente boa vontade de nossa parte de descobrir e fazer Sua vontade para conosco.
Grapevine de julho de 1965

NA OPINIÃO DO BILL 273
Amor constrangedor
A vida de cada A.A. e de cada grupo é construída ao redor de nossos Doze Passos e Doze Tradições. Sabemos muito bem que a punição para a desobediência sistemática desses princípios é a morte do indivíduo e a dissolução do grupo. Uma força ainda maior para a unidade de A.A. é o amor-dedicação que temos por nossos companheiros e por nossos princípios.
***
Você poderia pensar que as pessoas na sede de A.A., em Nova York, certamente teriam que ter alguma autoridade pessoal. Mas há muito tempo, tanto os custódios como os secretários descobriram que não poderiam fazer nada mais do que dar leves sugestões aos grupos de A.A.
Tiveram até que inventar duas frases que ainda aparecem em algumas cartas que escrevem: “Claro que vocês têm toda a liberdade de resolver esse assunto como achar melhor. Mas a experiência da maioria, em A.A., parece sugerir…”
A sede mundial de A.A. não dá ordens. Ao contrário, é nossa maior transmissora das lições aprendidas com a experiência.
1 – Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 11
2 – As Doze Tradições, pág. 51

NA OPINIÃO DO BILL 302
Camaradagem em perigo
Nós, AAs, somos como os passageiros de um grande navio, momentos depois de serem salvos de um naufrágio, quando a camaradagem, a alegria e a democracia reinam na embarcação, desde a mesa de terceira classe até a mesa do capitão.
Portanto, os diferentes sentimentos dos passageiros, nossa alegria por haver escapado do desastre, não diminuíram, quando seguimos nossos próprios caminhos. O sentimento de compartilhar um perigo comum –recaída no alcoolismo – continua sendo um elemento importante do poderoso vínculo que nos une em A.A.
***
Nossa primeira mulher alcoólica tinha sido paciente do Dr. Harry Tiebout, e ele lhe havia entregue uma cópia manuscrita do Livro Grande (Livro Azul). A primeira leitura a deixou revoltada, mas a segunda a convenceu. Em breve ela foi a uma reunião realizada em nossa sala de estar, e dali ela voltou para o sanatório, levando essa clássica mensagem a um companheiro paciente: “Não estamos mais sozinhos.”
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 37
2 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 16 e 17

NA OPINIÃO DO BILL 307
O círculo e o triângulo
Acima de nós, a Convenção Internacional, em St. Louis, em 1955, flutuava uma bandeira com a inscrição do novo símbolo de A.A., um círculo contendo um triângulo. O círculo simboliza A.A. no mundo inteiro, e o triângulo simboliza os Três Legados de A.A.: Recuperação, Unidade e Serviço.
Talvez não seja por acaso que os sacerdotes e os profetas da antiguidade consideravam esse símbolo como uma forma de afastar os espíritos maus.
***
Quando em 1955, nós, os membros mais antigos, entregamos nossos Três Legados a todo o movimento, senti saudades dos velhos dias e ao mesmo tempo me senti grato pelo grande dia que estava vivendo agora. Eu não mais atuaria, nem decidiria, nem protegeria A.A.
Por um momento, tive medo, da mudança que se realizava. Mas essa sensação logo passou. Podíamos depender da consciência de A.A., movida pela orientação de Deus, para assegurar o futuro de A.A. Meu trabalho daqui para frente ia ser “soltar-me e entregar-me a Deus”.
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 125
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 43

NA OPINIÃO DO BILL 319
Duas autoridades
Muitas pessoas se admiram como A.A. pode funcionar sob uma anarquia tão aparente. Outras sociedades têm que ter lei, força, sanção e penalidade, administradas por pessoas autorizadas. Felizmente para nós, achamos que não precisamos de nenhuma autoridade humana. Temos duas autoridades que são muito mais eficientes. Uma é benigna, a outra é maligna.
Existe Deus, nosso pai, que muito simplesmente diz: “Estou esperando que você faça a minha vontade.” A outra autoridade chama-se bebida alcoólica e diz: “É melhor você fazer a vontade de Deus ou então eu o matarei.”
***
As Tradições de A.A. não são regras, nem regulamentos nem leis. Nós as obedecemos de boa vontade, porque devemos e porque queremos obedecer. Talvez o segredo de sua força se encontre no fato de que essas comunicações de vital importância venham da experiência dr vida e estão arraigadas no amor.
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 95
2 –A.A. Today, pág. 11

NA OPINIÃO DO BILL 332
Eu sou responsável…
Quando qualquer um, seja onde for,
estender a mão pedindo ajuda,
quero que a mão de A.A.
esteja sempre ali.
E por isto: Eu sou responsável.
– Declaração do 30° aniversário
Convenção Internacional de 1965
***
Prezados amigos:
Desde 1938, a maior parte de minha vida, em A.A., foi dedicada à ajuda da criação, planejamento, direção e segurança da solvência e eficiência dos serviços mundiais de A.A. – o escritório que tem capacitado nossa Irmandade a funcionar, no mundo inteiro, como um todo unificado.
Não é exagero dizer que, sob a orientação de seus custódios, todos esses importantes serviços foram, em parte, responsáveis por nossa atual extensão e total eficiência.
O Escritório de Serviços Gerais de A.A. é muito mais do que o principal portador da mensagem de A.A. Ele tem apresentado A.A. ao mundo conturbado em que vivemos. Tem encorajado a propagação de nossa Irmandade em todos os lugares. A.A. World Services, Inc. está pronto para atender às necessidades especiais de qualquer grupo ou indivíduo isolado, seja qual for a distância ou o idioma. Seus muitos anos de acumulada experiência estão disponíveis para todos nós.
Os membros de nossa curadoria – a Junta de Serviços Gerais de A.A. – serão, no futuro, nossos principais líderes em todas as nossas atividades mundiais. Essa alta responsabilidade já lhes foi delegada há muito tempo; eles são meus sucessores, bem como do Dr. Bob, nos serviços mundiais e são diretamente responsáveis por A.A. como um todo.
Esse é o legado de responsabilidade dos serviços mundiais que nós, os membros mais antigos que vão desaparecendo, estamos deixando a vocês, os AAs de hoje e de amanhã. Sabemos que vocês vão guardar, sustentar e estimar esse legado mundial, como a maior responsabilidade coletiva que A.A. já teve. Com confiança e afeição

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O ANONIMATO – VIVENDO AS NOSSAS TRADIÇÕES

O Anonimato – Vivendo as Nossas Tradições

“Em nossas Doze Tradições, temos nos colocado contra quase todas as tendências do mundo “lá fora”. Temos negado a nós mesmos o governo pessoal, o profissionalismo e o direito de dizer quais deverão ser nossos membros. Abandonamos a beatice, a reforma e o paternalismo. Recusamos o generoso dinheiro de fora e decidimos viver à nossa custa. Queremos cooperar com praticamente todos, mas não permitimos que nossa sociedade seja unida a nenhuma. Não entramos em controvérsia pública e não discutimos, entre nós, coisas que dividem a sociedade: religião, política e reforma. Temos um único propósito, que é o de levar a mensagem de A.A. para o doente alcoólico que a deseja. Tomamos essas atitudes, não porque pretendemos virtudes especiais ou sabedoria; fazemos essas coisas porque a dura experiência nos tem ensinado que A.A. tem que sobreviver num mundo conturbado como é o de hoje. Nós também abandonamos nossos direitos e nos sacrificamos,
porque precisamos e, melhor ainda, por que quisemos. A.A. é uma força maior do que qualquer um de nós; ele precisa continuar existindo ou milhares de alcoólicos como nós certamente morrerão”.
Bill W.
Eis porque, plenamente solidário com os elevados propósitos e princípios que regem a nossa Irmandade, sentimo-nos verdadeiramente feliz em poder, mais uma vez, estar com vocês, desta feita, para dialogarmos sobre o controverso tema O Anonimato – Vivendo as Nossas Tradições, por sinal, assunto central da 39ª Conferência de Serviços Gerais de A.A., realizada na cidade de New York, no período de 23 a 29 de abril de 1989, reunindo servidores dos E.E.U.U./Canadá.
É oportuno ressaltar que todo cuidado foi tomado para que o nosso trabalho não se confunda com outras interpretações, de modo que, ao inserirmos breves e concisas noções sobre o tema enfocado, o fizemos na certeza de que, aqueles que as aceitarem, terão uma verdadeira compreensão do que fazem e porque o fazem.
Assim, faz-se necessário dizer que, pela simplicidade do trabalho, é bom de se ver que a sua finalidade outra não é senão a de subsidiar e orientar e, por isso mesmo, não dispensa a complementação eficiente de companheiros mais experientes, que vivenciam, com dedicação e zelo, o programa de recuperação oferecido por nossa instituição.
Por isso, imbuído, somente, da intenção de poder ser útil, alimentamos a esperança de que os conceitos aqui expostos sejam resposta para as dúvidas que se nos apresentam no dia-a-dia de nossa recuperação.
Desse modo, para que o tema enunciado seja desenvolvido, faz-se mister a conceituação do que venha a ser Anonimato, razão que nos leva a tentar esclarecer, sem a pretensão descabida da elucidação do termo. Será, assim, este trabalho, um lembrete aos companheiros, para que o tema levantado seja, posteriormente, aprofundado e enriquecido com experiências outras e saberes os mais diversos, sempre visando a ajudar ao alcoólico que sofre.
De uma forma geral, Anonimato é o artifício usado por aquelas pessoas que não querem ser identificadas. Para nós AAs, esse termo tem uma conotação mais abrangente, haja visto que representa o maior símbolo de sacrifício pessoal, a maior proteção que a Irmandade pode ter, a chave espiritual para todas as nossas Tradições e para todo o nosso modo de vida.
Escrevendo sobre o Anonimato, Bill W. diz em certo trecho:
“Começamos a perceber que a palavra anônimo tem para nós uma grande significação espiritual. De maneira sutil, mas vigorosamente, lembramo-nos de que devemos colocar os princípios antes das personalidades; que renunciamos à glorificação pessoal em público; que. nosso movimento não apenas prega, porém pratica uma verdadeira humildade”.
Foi dentro desse princípio, de ajudar anonimamente, que Bill W. recusou o título de Doutor Honoris Causa que lhe fora oferecido por uma Universidade Norte americana; nesse mesmo passo, Bill W. renunciou a grande soma de dinheiro a ele oferecida por companhias cinematográficas norte-americanas, para filmar a sua vida; foi esse mesmo Bill que, recusando o prestígio pessoal, não permitiu que o seu retrato fosse estampado na capa da revista “Times”, quando de uma reportagem que ele solicitara sobre Alcoólicos Anônimos.
De outro lado, temos a clássica história envolvendo Bill, Dr. Bob e alguns de seus amigos. Conta-nos Bill que, “quando se soube com toda a segurança que o Dr. Bob estava para morrer, alguns de seus amigos sugeriram que se erguesse um monumento ou mausoléu em sua homenagem e à sua esposa Ane – algo digno de um fundador e de sua esposa. Naturalmente, esse era um tributo muito espontâneo e natural. O comitê chegou inclusive a mostrar-lhe um esboço do monumento proposto. Contando-me a esse respeito, o Dr. Bob sorriu e disse:
“Deus os abençoe”. “Eles têm boa intenção, mas pelo amor de Deus, Bill, que sejamos enterrados, tanto você como eu, da mesma maneira como são todas as pessoas.”
O que nos deixa perplexo, é o fato do nosso co-fundador haver escrito há 35 anos atrás a realidade do mundo moderno. Em seu artigo: “Por que o A.A. é Anônimo” ele diz entre outras coisas:
“Como nunca, a luta pelo poder, prestígio e riqueza, está arrasando a civilização – homem contra homem, família contra família, grupo contra grupo, nação contra nação. Quase todos aqueles envolvidos nessa violenta competição declaram que seus objetivos são: a paz e a justiça para eles mesmos, para seus semelhantes e para suas nações. “Dê a nós o poder”, eles dizem, e faremos justiça: dê a nós a fama, e daremos nosso grande exemplo; dê a nós o dinheiro, e ficaremos satisfeitos e felizes. As pessoas do mundo inteiro acreditam profundamente nisso e atuam de acordo com isso. Nessa espantosa bebedeira seca, a sociedade parece entrando num beco sem saída. O sinal “pare” está claramente marcado. Ele anuncia “desastre”.
Por isso, no mesmo artigo, ele acrescenta:
“Quando o primeiro grupo de A.A. tomou forma, logo começamos a aprender muita coisa sobre o sacrifício e suas resultantes. Descobrimos que cada um de nós tinha que fazer sacrifícios pelo bem comum. O Grupo, por sua vez, descobriu que deveria renunciar a muitos de seus próprios direitos para garantir a proteção e bem-estar de cada membro, bem como de A.A. como um todo. Esses sacrifícios tinham que ser feitos ou A.A. não poderia continuar a existir.”
Toda a Irmandade tem conhecimento de que o Anonimato foi o tema que mais preocupou os nossos co-fundadores, haja vista a maneira errônea como tem sido interpretado pela maioria. A prova disso está no fato ocorrido quando de sua última mensagem enviada aos companheiros que lhe prestavam solidariedade, por ocasião dos seus 36 anos de sobriedade. Já sem forças, Bill pediu a Lois – sua esposa – que o representasse, lendo aos companheiros solidários a seguinte mensagem:
“… meus pensamentos hoje são cheios de gratidão para com a nossa Associação, pelo sem número de bendições que nos tem dado a graça de Deus. Se me perguntassem qual dessas bendições era responsável por nosso crescimento como associação e mais vital para nossa continuidade, eu diria: “O Conceito do Anonimato””.
Feitas estas considerações, resta-nos à luz da literatura e experiências pessoais, vivenciadas no dia-a-dia de nossa recuperação, entrar no ponto axial do tema proposto, cuja essência está inserida nas 11ª e 12ª Tradições, in verbis:
“11ª Tradição – Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção. Cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, no rádio e em filmes.”
12ª Tradição – O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades”.
Embora, as 11ª e 12ª Tradições sejam completamente distintas, jamais poderão ser analisadas separadamente, haja vista que, ambas se completam para mostrar ao grande público, que Anônimos somos nós – membros de A.A. – e não a irmandade de Alcoólicos Anônimos. Portanto, a irmandade pode e deve ser divulgada, nós não. Enquanto a 11ª Tradição diz respeito ao Anonimato Pessoal, a 12ª encerra, pura e simplesmente, a Tradição do Anonimato.
Dissecando, então, o conteúdo dessas Tradições (11ª e 12ª), verifica-se com facilidade que a 11ª Tradição faz referência a preservação do Anonimato Pessoal, única e exclusivamente em termos de mídia, o que significa dizer, que não existe Anonimato em nossas relações interpessoais.
De outro lado, ao nos lembrar da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades, a 12ª Tradição visa demonstrar, de forma explícita, que a “substância do Anonimato é o sacrifício”, e que, é através desse sacrifício que devemos procurar vencer as paixões e submeter a nossa vontade individual em prol de toda uma coletividade.
Ante as razões apresentadas, é fácil concluir que:
* Quando um membro se identifica, como A.A., nas suas relações interpessoais, está, apenas, dando abertura ao seu Anonimato, o que, aliás, deve ser feito, sempre que possível, visando a ajudar ao alcoólatra que sofre. Se essa identificação ocorre em termos de mídia, aí está havendo a quebra da Tradição do Anonimato, o que, por sua vez, deve ser evitada sob pena de colocar as personalidades acima dos princípios.
* De outro lado, quando o membro identifica outra pessoa como seu companheiro de A.A. está, não só ferindo os princípios da irmandade, como também, quebrando a Tradição do Anonimato.
Portanto, ao assumirmos a responsabilidade de levar a mensagem salvadora ao alcoólatra que sofre, devemos sempre ter em mente o seguinte:
* A informação pública é orientada pela Tradição; entretanto, a informação pessoal, muito mais eficiente, depende da vontade de cada membro.
* Nosso trabalho será bem mais eficiente se deixarmos que os outros nos recomendem.
* Não há Anonimato nas nossas relações interpessoais.
* Por princípio, não há quebra de Anonimato, mas, simplesmente, abertura do Anonimato. Quando existe a quebra, não é do Anonimato, mas da Tradição do Anonimato, o que são duas coisas bem distintas.
Assim, procurando deixar o leitor bem familiarizado com o tema, nas suas mais diversas formas e aspectos, condensamos, dentro do possível, o que segue abaixo:
Anonimato Pessoal: Deve ser mantido na Imprensa, no Rádio, na Televisão e no cinema, da seguinte forma:
* Na Imprensa – evitar fotografias e dá apenas o primeiro nome e a inicial do sobrenome.
* No Rádio – dá o nosso primeiro nome e a inicial do sobrenome.
* Na Televisão e no Cinema – aparecemos de costas ou de perfil, usando um jogo de luz e sombras que nos permita apenas transmitir nossas silhuetas. Aqui também só usaremos o primeiro nome e a inicial do sobrenome.
* Nas Correspondências – nos casos pessoais, devemos evitar a sigla “A.A.” nos envelopes; em outras ocasiões tomamos as seguintes precauções:
– De companheiro para companheiro é uma correspondência normal, desde que tomemos os cuidados acima.
– De grupo para grupo – é também uma correspondência normal, podendo inclusive ser usadas as iniciais “A.A.”.
– De companheiro para grupo – evitamos o nosso nome e endereço no envelope, tendo em vista que o grupo está identificado como sendo de A.A.
– De grupo para companheiro – usamos apenas o primeiro nome com a inicial do sobrenome do companheiro.
* Nas Reuniões – dependendo de sua natureza – aberta ou fechada -, tomamos os cuidados seguintes:
– De caráter fechado – não há anonimato, tendo em vista que a ela têm acesso somente membros de A.A.
– De caráter aberto – usamos apenas o primeiro nome, se o orador é membro de A.A.; se for não -A.A., usamos o nome completo, inclusive com sua profissão e posição social.
– De pessoas falecidas – seguimos orientação dos familiares que, por certo, saberão do desejo do falecido quando vivo.
– De pessoas celebres – a identificação de pessoas como membros de A.A., cabe a elas próprias, sejam célebres ou não.

* Anonimato das Listas Confidenciais – as listas é que não deveriam existir, pois nenhum benefício traz ao alcoólatra ou ao grupo.
* Anonimato da Doença – alcoolismo, como doença, é assunto da medicina.
* Anonimato de Grupos – não deverá existir, pois seu único objetivo é ajudar ao alcoólatra que sofre.
* Anonimato da Irmandade – não existe, haja visto que anônimos são seus membros.
Ao fim, se nenhum de nós desperdiçarmos publicamente nosso valor, ninguém possivelmente irá explorar A.A. para benefício pessoal. O Anonimato não é apenas algo para nos salvar da vergonha e do estigma alcoólico; seu propósito mais profundo é, na verdade, manter nossos egos tolos, sob controle, evitando que corramos atrás do dinheiro e da fama pública à custa de Alcoólicos Anônimos.
Com efeito, ainda em seu artigo “Por que Alcoólicos Anônimos é Anônimo”, Bill afirma:
“… o temporário ou aparentemente bom pode muitas vezes não ser aquilo que é sempre o melhor. Quando se trata da sobrevivência de A.A., nem o nosso melhor será bom o suficiente.”
E conclui:
“Agora nos damos conta de que cem por cento do anonimato diante do grande público é tão vital para a vida de A.A., como cem por cento de sobriedade o é para a vida de cada membro em particular”.

J. Costa

(Vivência Nº 12 – Out/Nov/Dez 89)

REVISTA VIVÊNCIA – DIVULGAÇÃO DA MENSAGEM DE A. A.

Qual a importância da Revista Vivência para a divulgação da mensagem de A.A.

Nosso conteúdo, com abordagem cientifica, legal, humana e, sobretudo vivencial, testifica a importância de nossa missão alicerçada, honrosamente, na confortadora revelação de que, mesmo pálida e discretamente, já começamos a produzir nossa própria literatura, fruto de nossas próprias observações, produto da Vivência que vimos sedimentando ao longo dos anos, fiéis aos ideais inspiradores de Bill e Bob, consciente da dignidade de A.A., fazendo com que nossa disponibilidade seja um bem permanente e configure sempre, com Humildade e Amor. A Lição do tempo nos ensinou que é possível.
VIVÊNCIA, por isso mesmo, é uma proposta sedimentada no universo vitorioso de AA. É uma forma de atração e não de persuasão. Condensamos material de inquestionável interesse não só para quantos foram ou ainda são vitimas do alcoolismo, mas, igualmente, para aqueles que se preocupam em conhecer, no âmago, a complexidade de um problema que tantos males tem causado à humanidade.
Ela foi criada com a finalidade de veicular o pensamento da comunidade sobre o programa e os princípios da irmandade, pensamento este externado na forma de depoimentos ou comentário sobre como cada um pratica o programa sugerido de A.A., e como os princípios têm sido assimilados e praticados em proveito próprio da instituição como um todo.
Por outro lado, em se tratando de uma publicação acessível ao público em geral, a revista desempenha, também, o seu papel institucional na medida em que transmite a esse público o que é, o que faz, como faz, e o que deixa de fazer Alcoólicos Anônimos enquanto Irmandade. Neste particular é com indisfarçável satisfação que registramos sua plena aceitação, principalmente por parte da comunidade profissional que conosco comunga do mesmo propósito primordial, dentro de uma mesma visão e com a mesma abordagem acerca do problema do alcoolismo.
Assim, quanto à sua finalidade, não restam dúvidas de que a VIVÊNCIA tem preenchido este seu duplo papel, em que pese o fato dos seus primeiros números haverem sido editados em caráter experimental. A nossa dificuldade não está, pois, na revista em si como publicação, mas na quase impossibilidade de mantê-la como órgão financeiramente autônomo dentro da estrutura dos nossos serviços considerados essenciais.
Sabem os que lidam no campo empresarial das comunicações, e nele no particular de jornais e revistas, que as publicações desse gênero vão buscar seus recursos financeiros na venda de espaços para a publicação de anúncios e de matéria de cunho institucional por parte de empresas e instituições. A nossa revista, muito embora tenha também o público externo como destinatário, não pode, por força de um nosso princípio tradicional, buscar nessa fonte os recursos financeiros de que necessita. Neste caso é a própria Irmandade que terá de arcar com o sustento financeiro da sua revista, seja por meio de assinaturas seja por meio de venda avulsa por parte das Centrais e Intergrupais de Serviços.
Apesar das dificuldades o número de assinantes vem aumentando e aumentará muito mais quando cada um fizer do seu companheiro, amigo, parente ou colega de serviço mais um assinante da nossa revista.
Ao longo de toda a sua história, a Revista Vivência vem contribuindo, de forma decisiva, para firmar e para difundir a cultura de A.A., importante e fundamental fator de coesão e de unidade. Tem sido também, o veículo de expressão das experiências pessoais de numerosos membros da Irmandade, assim como o meio disponível que lhes tem possibilitado expressar as suas visões, emoções, experiências e esperanças, ou, simplesmente, servido para contar as suas histórias. Ela tem sido a expressão da alma de A.A. e, por isso, traz toda a riqueza da criação humana.
Que a partir dessa nova baliza, sinalizando no sentido de um horizonte de novas realizações, todos os companheiros de A.A., irmanados, se lancem para o futuro animado pela consciência do seu valor, com esperança e amor pela Irmandade de A.A. e, sobretudo, com fé.

UMA CARTA AOS ADICTOS – DRA. MARÍLIA TEIXEIRA MARTINS

Uma carta aos adictos
Meus 50 anos em 12 Passos ® Por Marília Teixeira Martins – 01/02/2009
Muita gente me questiona, como posso entender o que se passa na alma, no “coração” e na cabeça de um dependente químico, sendo eu apenas uma profissional de saúde e não pertencer a nenhum grupo de mútua-ajuda. E a cada pessoa que me dirige essa pergunta, deixo como resposta uma reflexão ou outra pergunta:- Então, para ajudar um hipertenso, preciso ser também hipertensa? E a quem possui o transtorno bipolar de humor ou quem sofre de depressão, bulimia, anorexia ou até mesmo de esquizofrenia? Para compreendê-los e ajudá-los preciso de fato também ser portadora desses diagnósticos?
E hoje, aos meus 50 anos de vida, acrescento à minha resposta os 12 Passos de Alcoólicos Anônimos, uma bela filosofia de vida que tive o prazer em conhecer e vivenciar, ainda que não alcoólica e/ou adicta.
Bill e Bob me foram apresentados há algum tempo, através da literatura específica de Alcoólicos Anônimos; e quando entrei em contato com suas primeiras linhas algo novo me aconteceu. E a cada passo, dos 12 descritos, que eu lia e percorria, me vinham respostas precisas e exatas para um emaranhado de sentimentos que eu experimentava naquele momento de minha vida. Como se eu vivenciasse um novo despertar, que somado ao o que o mundo científico me apresentava, a vida me pareceu bem mais simples do que eu imaginava, e por isso mais bela.
Os 12 princípios me apontavam uma direção, como uma bússola que não deixa seu navegante em alto mar se desviar de sua rota.
E fui seguindo, ora para o Sul, ora para o Norte, mas com tranqüilidade e leveza, na certeza de que eu havia descoberto um tesouro. Encontrá-lo era uma questão de tempo. Bastava seguir aquela rota, aquele mapa que caiu em minhas mãos e me tornaria uma pessoa mais rica em sabedoria e direção. E assim fui eu, em busca deste tesouro, passo a passo, e no meu ritmo. E nos caminhos mais escuros e sombrios, fazia uma pausa, desligava o barco e descansava, me contentando apenas em receber o leve toque de uma brisa em meu rosto.
Há poucos meses completei 50 anos de vida. Uma idade que me faz relembrar com intensidade alguns momentos que vivenciei. E nesta rede de lembranças peguei-me refletindo sobre um sentimento em especial: o sentimento de impotência. Impotência diante da minha idade que avança a cada dia, impotência diante do outro e de suas escolhas, diante da morte de um ente querido, diante de um amor que se foi ou diante de um caminho escolhido e percorrido por um filho.
Por quantas vezes, cometo os mesmos erros esperando resultados diferentes? E do alto de minha arrogância, preciso me curvar e acreditar humildemente que eu não preciso caminhar sozinha e que, acima de mim existe um Poder Maior que pode devolver-me a “sanidade”, às vezes perdida. ( Einstein dizia: “Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes).
Por quantos momentos em minha vida, me esbarro no limite do possível e preciso acreditar e contar com o impossível, me embriagando de esperança e fé, acreditando e entregando as minhas vontades e minha vida aos cuidados de Deus, o único que com o seu infinito Amor me acolhe, me protege e me transforma a cada dia, a cada 24 horas.
E ao longo dessa minha caminhada me pergunto: quantas pessoas eu feri, magoei, fiz e faço sofrer, mesmo que de forma não intencional? Por quantas vezes sou teimosa, imatura, mesquinha e imperfeita? E para me transformar em uma pessoa melhor, é preciso me renovar, revendo e reaprendendo o real significado do exercício do perdão, admitindo e reconhecendo meus erros e minhas falhas, procurando transformá-los em futuros acertos. E àqueles mais profundos, enraizados e sombrios, pedir humildemente a Deus que os remova e me livre de minhas imperfeições.
Por quantas vezes, preciso vestir-me com a roupa da humildade e da sensatez e me propor a reparar danos causados a mim, a um filho, a um pai, a um professor, a um paciente, a um amigo e até mesmo a algum desconhecido?
Por quantas noites me recolho em meu quarto, em meu canto e faço uma retrospectiva pessoal e destemida de meus atos e comportamentos, me propondo prontamente a admitir e reparar meus erros? E é assim, dessa forma, que vou aprendendo a me relacionar intimamente comigo mesma, com os adictos e principalmente com Deus, rogando a Ele todos os dias, através de orações, preces, meditações e principalmente, através da leitura de Sua palavra, que me mostre sua vontade e me dê forças para alcançá-la.
E hoje, só por hoje, procuro levar e transmitir tudo o que aprendo a outro ser humano, através de meus conhecimentos científicos, através das minhas experiências e vivências, através da minha caminhada cristã ou mesmo através de uma borboleta ou de um passarinho, que por acaso, adentram na janela de minha sala à procura de uma saída e em busca da liberdade perdida. Procuro levar a toda pessoa, adicta ou não, a mensagem de que esses 12 princípios e passos do A.A., com certeza nos tornam pessoas melhores, mais sensíveis, mais felizes e porque não dizer, mais sábias e libertas, a cada dia, a cada 24 horas.
E é desta forma, seguindo-os e aplicando-os primeiramente em minha vida, baseando-me na Palavra viva de Deus e associando-os aos meus conhecimentos científicos e técnicos que, mesmo não sendo adicta, posso olhar, escutar e compreender de forma empática, o que um dependente químico traz em seu coração e em sua alma e, junto com ele redescobrirmos um novo estilo de vida e um jeito diferente e saudável de viver.
Na verdade, este relato, diferente de outros que já escrevi, não deve ser considerado um artigo propriamente dito e sim um texto, fruto de uma auto-reflexão baseada não só em minha experiência pessoal e espiritual, como também em alguns estudos técnicos e científicos.
Carl Gustav Jung (Psiquiatra Suíço, fundador da Psicologia Analítica), por exemplo, em meados de 1934 passou a acreditar que o dependente químico necessita de um relacionamento com Deus para sua libertação dos químicos, admitindo assim que apenas a sua abordagem analítica não era suficiente para o tratamento da dependência química.
“Em 1961, Bill Wilson e Carl Jung trocaram cartas a respeito do papel de Jung na formação de Alcóolicos Anônimos. O próprio Bill nunca deixou de insistir que o “fundador primordial” de A.A. foi Carl Gustav Jung, que plantou as raízes de A.A. alguns anos antes da famosa reunião entre Bill & Bob em Akron, Ohio, em 1935.”
Em uma dessas cartas para Bill Wilson em Janeiro de 1961, Jung escreveu, em referência a um paciente de nome Roland H, que ficou sob os seus cuidados clínicos em 1931.
…”Sua fixação pelo álcool era o equivalente, num grau inferior, da sede espiritual do nosso ser pela totalidade, expressa em linguagem medieval, pela união com Deus.”…
…”Veja você que “álcohol” em latim significa “espírito”; no entanto, usamos a mesma palavra tanto para designar a mais alta experiência religiosa como para designar o mais depravador dos venenos.
“A receita então é “spiritus” contra spiritum”.
Referências Bibliográficas:
1. O caminho dos 12 passos – Tratamento de dependência de álcool e outras drogas – John E. Burns – Edições Loyola – 2ª edição
2. Alcoólicos Anônimos na Bahia: http://www.aabahia.org.br/billjung.htm
Murray Stein (Murray Stein, Ph.D. é um Analista de formação na Escola Internacional de Psicologia Analítica, em Zurique, na Suíça. Ele internacionalmente palestras sobre temas relacionados com a Psicologia Analítica e suas aplicações no mundo contemporâneo.) faz também uma referência às cartas trocadas entre Carl Jung e Bill Wilson em seu livro “Jung – O mapa da alma – Uma Introdução”:
“Quando Bill Wilson, co-fundador dos Alcoólicos Anônimos, escreveu a Jung em 1961 e o informou sobre o ocorrido com Roland H. (um paciente a quem Jung tinha tratado por alcoolismo no começo da década de 1930), Jung o respondeu admitindo que o terapeuta é essencialmente impotente ao tentar vencer a dependência de um paciente de uma substância. Jung dizia – na minha paráfrase de sua carta – “Você precisa de um símbolo, de um análogo que atraia a energia que foi para a bebida. Tem que encontrar um equivalente que seja mais interessante do que beber todas as noites, que atraia o seu interesse mais do que uma garrafa de vodca”.
Um símbolo poderoso é requerido para provocar uma importante transformação num alcoólico, e Jung falou da necessidade de uma experiência de conversão.”
Referência Bibliográfica: Jung – O Mapa da Alma – Uma Introdução – Murray Stein – Editora Cultrix – 2000
E agora, termino este relato parafraseando o texto de James Agrey, a Parábola da Águia, tão conhecido por todos nós. Às vezes sinto que Deus me entregou a missão de descobrir águias e fazê-las acreditar que podem voar. Umas aprendem mais rápido do que outras e já estão alçando vôos tão altos que já não as avisto mais. Outras, mostram suas tentativas com tanto empenho e dedicação que não demoram muito e já se arriscam a dar os primeiros vôos bem sucedidos. Caem às vezes, mas não se acomodam.
E assim que se recuperam arriscam mais um vôo, tornando-se tão aptas quanto às primeiras. E algumas demoram um pouco mais do que as outras. Talvez por sentirem medo de se arriscarem e descobrirem a imensidão do universo com todas as suas possibilidades. E são com estas que Deus de uma forma muito suave, gentil e respeitosa, me retira de cena.
De alguma forma que desconheço, faz com que estas águias olhem para cima, além dos limites estabelecidos por “muros ou cercas” e as fazem descobrir que acima de suas cabeças existe um sóbrio universo e é por ali, olhando para cima e permitindo a Sua ajuda e a Sua presença que podem se libertar. Nestes casos, literalmente saio de cena, de forma humilde e obediente para que apenas Deus realize Sua grandiosa obra! Por isso, muitas vezes é necessário admitir e reconhecer minha impotência diante de alguns adictos e dizer “não” às minhas vaidades, ao meu orgulho, aos meus caprichos e desejos onipotentes.
E neste percurso, me deparo mais uma vez com a mensagem que às vezes teimosamente insisto em não seguir: que preciso escutar e obedecer a Deus acima de qualquer coisa. E entendo que é assim, que alguns adictos finalmente levantam seus vôos mais altos e necessários, passando a acreditar que para se transformar em uma águia basta apenas o desejo em sê-la. E que é preciso abrir mão de alguns lugares, de alguns amigos e voar acompanhado de outras águias, rumo ao mesmo objetivo. E só depois que alçarem vôos bem altos e seguros que conseguirão ajudar o outro, realizando assim o 12º passo que os grupos de mútua-ajuda sugerem e ensinam.
Se viverei mais 50 anos, não sei. Mas é com o coração encharcado de gratidão e como cristã que sou, que me dirijo a Deus neste momento e neste dia, agradecendo a Ele por ter me dado o privilégio de poder estar aqui durante tantos anos! Obrigada Senhor, por Suas palavras que me transformam e me fazem renascer a cada dia.
Obrigada Jung por me fazer compreender, acreditar e aceitar que só a Ciência não basta e que é preciso algo mais.
Obrigada Bill e obrigada Bob, que com um verdadeiro espírito de união, solidariedade, desprendimento e amor ao próximo, me “apresentaram” e me deixaram uma linda e funcional filosofia que me norteia a cada dia, mesmo não sendo alcoólica e/ou adicta. Obrigada por me “emprestarem” estes 12 princípios e passos, hoje já incorporados e gravados em minha alma.
Só por hoje eu os agradeço eternamente e levanto um brinde à sabedoria e à vida.
E a você adicto, deixo o meu carinho e a certeza de que o vôo é possível sim, desde que você se permita.
É…não existe vôo mais seguro e mais alto do que o vôo na presença de Deus!!
Então, voa adicto… voa em busca de sua liberdade, sobriedade e de sua recuperação!
E um feliz vôo! Deus o abençoe.
Com carinho e amor, Marília – Home Page – Recuperação
“Concedei-me Senhor a serenidade necessária, para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir uma das outras.”

12 PRINCÍPIOS DE A.A.

12 PRINCÍPIOS DE A. A.”

1º princípio: conscientizar-se de que os alcoólicos são impotentes perante o álcool e que perdem o controle de suas vidas em virtude dessa impotência;

2º princípio: acreditar em uma força superior para alcançar a saúde plena e uma vida digna (a ideia de ser superior não é rígida. Para os ateus que frequentam o A. A., o poder superior pode ser o próprio A. A.);

3º princípio: entregar a vida a Deus, segundo o modo que cada membro da irmandade O concebe;

4º princípio: buscar o autoconhecimento. O alcoólico deve mergulhar dentro de si mesmo e fazer um inventário moral para descobrir os porquês de ter chegado ao fundo do poço;

5º princípio: admitir perante si mesmo, outro ser humano e Deus a natureza das próprias falhas descobertas durante o exame de consciência;

6º e 7º princípio: corrigir os erros e reformular o comportamento com humildade, pedindo a Deus que remova as falhas de caráter e o liberte das imperfeições;

8º princípio: restabelecer relações com as pessoas que foram prejudicadas durante o período de alcoolismo;

9º princípio: reparar, sempre que possível, os males causados;

10º princípio: valorizar a oportunidade de reconhecer o próprio erro e buscar a reparação imediata;

11º princípio: cultivar o relacionamento com o ser superior que a maioria chama de Deus. Esse contato é importante para conhecer sua vontade e pedir forças para realizá-la;

12º princípio: levar as mensagens e os princípios do A. A. para outros alcoólicos sempre que possível, pois quem não o faz está sujeito a voltar a beber.

*Fonte: alcoolismo.com.br

QUANDO BUSCAR AJUDA

“QUANDO BUSCAR AJUDA”

Reconhecer que a bebida se converteu em um problema e que não consegue mais beber normalmente é uma das grandes dificuldades de um alcoolista. A fim de dar uma luz àqueles que enfrentam dificuldades relacionadas à bebida, o A. A. (Alcoólicos Anônimos) desenvolveu uma série de 12 perguntas que devem ser respondidas honestamente sobre a maneira de beber e seus efeitos na vida cotidiana. Anote o numero de “sim” respondidos.

1. Já tentou parar de beber por uma semana (ou mais), sem conseguir atingir seu objetivo?

Muitos de nós “largamos a bebida” muitas vezes antes de procurar ajuda. Fizemos sérias promessas aos nossos familiares e empregadores. Fizemos juramentos solenes. Nada funcionou. Agora não lutamos mais. Não prometemos nada a ninguém, nem a nós mesmos. Simplesmente esforçamo-nos para não tomar o primeiro gole hoje. Mantemo-nos sóbrios um dia de cada vez.
Sim Não

2. Ressente-se com os conselhos dos outros que tentam fazê-lo parar de beber?

Muitas pessoas tentam ajudar bebedores – problema. Porém, a maioria dos alcoólicos ressente-se com os “bons conselhos” que lhes dão. (não impomos esse tipo de conselho a ninguém. Mas, se solicitados, contaríamos nossa experiência e daríamos algumas sugestões práticas sobre como viver sem o álcool.)
Sim Não

3. Já tentou controlar sua tendência de beber demais, trocando uma bebida alcoólica por outra?

Sempre procurávamos uma fórmula “salvadora” de beber. Passamos das bebidas destiladas para o vinho e a cerveja. Ou confiamos na água para “diluir” a bebida. Ou, então, tomamos nossos goles sem misturá-los. Tentamos ainda beber somente em determinadas horas. Porém, seja qual for a fórmula adotada, invariavelmente acabamos embriagados
Sim Não

4. Tomou algum trago pela manhã nos últimos doze meses?

A maioria de nós está convencida (por experiência própria) de que a resposta a esta pergunta fornece uma chave quase infalível sobre se uma pessoa está ou não a caminho do alcoolismo, ou já se encontra no limite da “normalidade” no beber.
Sim Não

5. Inveja às pessoas que podem beber sem criar problemas?

É óbvio que milhões de pessoas podem beber (às vezes muito) em seus contatos sociais sem causar danos sérios a si mesmos, ou a outros. Você parou alguma vez para perguntar-se por que, no seu caso, o álcool é, tão frequentemente, um convite ao desastre?
Sim Não

6. Seu problema de bebida vem se tornando cada vez mais sério nos últimos doze meses?

Todos os fatos médicos conhecidos indicam que o alcoolismo é uma doença progressiva. Uma vez que a pessoa perde o controle da bebida, o problema torna-se pior, nunca desaparece. O alcoólico só tem, no fim, duas alternativas: beber até morrer ou ser internado num manicômio, ou afastar-se do álcool em todas as suas formas. A escolha é simples.
Sim Não

7. A bebida já criou problemas no seu lar?

Muitos de nós dizíamos que bebíamos por causa das situações desagradáveis no lar. Raramente nos ocorria que problemas deste tipo são agravados, em vez de resolvidos, pelo nosso descontrole no beber.
Sim Não

8. Nas reuniões sociais onde as bebidas são limitadas, você tenta conseguir doses extras?

Quando tínhamos de participar de reuniões deste tipo, ou nos “fortificávamos” antes de chegar, ou conseguíamos geralmente ir além da parte que nos cabia. E, freqüentemente, continuávamos a beber depois.
Sim Não

9. Apesar de prova em contrário, você continua afirmando que bebe e para quando quer?

Iludir a si mesmo parece ser próprio do bebedor problema. A maioria de nós que hoje nos encontramos., tentou parar de beber repetidas vezes sem ajuda de fora. Mas não conseguimos.
Sim Não

10. Faltou ao serviço, durante os últimos doze meses, por causa da bebida?

Quando bebíamos e perdíamos dias de trabalho na fábrica ou no escritório, frequentemente procurávamos justificar nossa “doença”. Apelamos para vários males para desculpar nossas ausências. Na verdade, enganávamos somente a nós mesmos.
Sim Não

11. Já experimentou alguma vez `apagamento’ durante uma bebedeira?

Os chamados “apagamentos” (em que continuamos funcionando sem, contudo poder lembrar mais tarde do que aconteceu) parecem ser um denominador comum nos casos de muitos de nós que hoje admitimos ser alcoólicos. Agora sabemos muito bem quais os problemas que tivemos nesse estado “apagado” e irresponsável.
Sim Não

12. Já pensou alguma vez que poderia aproveitar muito mais a vida, se não bebesse?

Enfim, não podemos resolver todos os seus problemas. No que se refere, porém, ao alcoolismo, podemos mostrar-lhe como viver sem os “apagamentos”, as ressacas, o remorso ou o desconsolo que acompanham as bebedeiras desenfreadas. Uma vez alcoólico, sempre alcoólico. Portanto, evitamos o “primeiro gole”. Quando se faz isto, a vida se torna mais simples, mais promissora e muitíssimo mais feliz.
Sim Não

Resultado

Respondeu SIM quatro vezes ou mais? Em caso positivo, é provável que você tenha um problema sério de bebida, ou poderá tê-lo no futuro. Por que dizemos isto? Somente porque a experiência de milhares de alcoólicos recuperados nos ensinou algumas verdades básicas a respeito dos sintomas do alcoolismo – e de nós mesmo.

Você é a única pessoa que poderá dizer, com certeza, se deve ou não procurar um grupo de ajuda ou um tratamento especializado. Se a resposta for SIM, teremos satisfação em mostrar-lhe como conseguimos parar de beber. Se ainda não puder admitir que você tem um problema de bebida, não faz mal. Apenas sugerimos que você encare sempre a questão com mentalidade aberta.

*Fonte: alcoolismo.com.br

DÉCIMO PRIMEIRO PASSO DE A.A.

DÈCIMO PRIMEIRO PASSO.
Décimo Primeiro Passo:

“Procuramos, através da Prece e da Meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus , na forma em que o concebíamos , rogando apenas o Conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade.”
INTRODUÇÂO: _ ‘ Em nossa nova maneira de viver, sóbrios, o aspecto da VIDA ESPIRITUAL ressurge, sufocado que fora pelo nosso alcoolismo. A esse respeito, William James afirma: “o sentido da presença de um Poder Superior e amigo parece ser o traço fundamental e amigo da Vida Espiritual” (¹).
“ Visto que o Sentido da Presença de Um Poder Superior e Amigo parece ser o traço fundamental na Vida Espiritual , começarei por ele.
Em nossas narrativas de Conversão vimos que o mundo pode parecer brilhante e transfigurado ao convertido(13) e , fora de qualquer coisa agudamente religiosa todos nós temos momentos em que a Vida universal dá a impressão de nos envolver com afeto. Quando somos jovens e saudáveis, no verão , nos bosques ou nas montanhas, dias em que o tempo parece todo ele emitindo murmúrios de Paz ,hora em que a Bondade e a Beleza da Existência nos Cingem como um clima seco e quente,ou soam de dentro de nós como se nossos ouvidos internos se pusessem ,de chofre, a repicar sutilmente com a segurança do mundo.
De chofre. 1. De repente; de súbito; repentinamente:
“deixou escapar um grito …. que cortou de chofre o silêncio do dia.” (Inglês de Sousa, O Missionário, p. 90). 2. De chapa, em cheio:
“A lua, iluminando suavemente aquele magnífico cenário, batia de chofre na sacada” (Artur Azevedo, Contos fora da Moda, p. 28).

Com BILL W. também foi assim. No inicio, no entanto, um erro ele confessa que cometeu: “Todo mundo tinha que aceitar Deus Como eu O Concebia” (2).

O MELHOR DE BILL
DEUS COMO NÓS O CONCEBEMOS
Na Pag 7
… Certamente ninguém é mais sensível à super-confiança espiritual, orgulho e agressão do que eles o são. Estou certo de que isto é algo de que muitas vezes nos esquecemos. Nos primeiros anos de A.A., eu quase estraguei o empreendimento por causa deste tipo de arrogância não consciente. Todo mundo tinha que aceitar Deus como eu O concebia.Algumas vezes minha presunção era sutil e outras vezes era direta. Mas em qualquer caso ela causava dano – talvez de maneira total – a vários dos não crentes. Naturalmente este tipo de coisa não se limita à prática do 12° passo. Está muito sujeito a extravasar em nossas relações com todo o mundo. Mesmo agora, surpreendo-me entoando aquele mesmo antigo refrão que gera barreiras, “Faça como eu faço, creia como eu creio – ou de nada adianta!”
Eis um exemplo recente do alto custo da presunção ou soberba espiritual. Um ingressante em potencial bem senhor de si foi levado a sua primeira reunião de A.A. O primeiro a falar discorreu sobre a sua forma de beber. O candidato ou ingressante em potencial parecia impressionado. Os dois que falaram a seguir (ou melhor, dois conferencistas) cada um enfocara em suas
Pag 8
palavras o assunto “Deus como eu O concebo”. Isto poderia ter sido bom, também, mas certamente não o foi. O problema foi a atitude deles, a maneira pela qual apresentaram suas experiências. …

2) Vamos analisar esse assunto procurando esclarecer :

BILL escreve sobre a FÉ
DEUS na forma em que O
concebemos

A frase “Deus na forma em que O concebemos” é talvez a expressão mais importante que pode ser encontrada em todo o vocabulário de A.A. No âmbito dessas sete palavras significativas, podem ser incluídos todos os tipos e todas as intensidades da Fé, juntamente com a garantia positiva de que cada um de nós pode escolher sua própria Fé. Dificilmente menos valiosas para nós são aquelas expressões complementares – “um Poder Superior” e “um Poder Superior a nós mesmos”. Para todos aqueles que negam ou duvidam seriamente da existência de uma divindade, essas expressões levam a uma porta aberta para além da qual o incrédulo pode dar seu primeiro passo rumo a uma realidade até agora desconhecida para ele – o domínio da Fé.
O Décimo Primeiro Passo, ou o passo da Sublimação, faz com que nos elevemos espiritualmente para chegar, mais próximos da presença de DEUS, como o concebemos. (3)
“ Procuramos, através da Prece e Meditação,melhorar ……..”
Na Coletânea I , de nosso Companheiro F. Aloísio, na pág. 71, ele cita :
“ É nos momentos de tranqüilidade ,de devaneios, mergulhados em nós mesmos, com a consciência tranqüila, que procuramos agir da melhor forma possível, tomando decisões importantes, muitas das vezes até decisivas em relação às nossas próprias vidas e às de outrem .É quando agimos de acordo com a nossa própria Consciência que, sentimos a SUA ajuda e a SUA presença , pois é através de nossas próprias consciências que ELE se manifesta a nós,agora sóbrios. Como disse Williams James : “ Todos nós temos um Deus que nos acompanha , um Deus “cósmico”, mas que só nos lembramos D’Ele na hora da Dor e do Desespero”.
O Décimo Primeiro Passo ,eu o Chamaria de o Passo da Sublimação , aquele que nos faz que nos elevemos espiritualmente para chegar mais próximo de Deus ,na Forma em que o Concebemos. ( O Entendemos)
Desenvolvimento
Logo no início de “Os Doze Passos” Bill nos adverte: “ Da mesma forma o corpo , a alma pode deixar de funcionar por falta de alimentação”. A oração e a meditação são os principais meios de Contato Consciente com Deus. (O alimento da Alma)
(A tentação) – A tentação inicial a ser afastada é a de que a oração e a meditação são só para os santos,os religiosos . Na verdade “os chacoteadores da oração são quase sempre aqueles que não a experimentaram devidamente”.
A Oração: Conceito e Tipo e o pedido.
A oração “é a elevação do coração e da mente para Deus”. O estilo mais comum de oração para nós alcoólicos que queremos viver sóbrios, é a petição a Deus.
Pela oração procuramos pedir determinadas coisas de que temos necessidade premente.
Informações :
1) James, William. As Variedades da Experiência Religiosa, Editora Cultrix ,SP ,1991, pág. 176
2) W.BILL. O melhor de Bill CL ,JUNAAB, SP, pág.7
3) F.Aloisio. Coletânea 1 , Gráfica Editora Dior, RJ , Pág. 71

· Mérito do pedido:- “ Devemos sempre aquilatar o mérito de cada pedido antes de faze-lo. E acrescentar sempre ao nosso pedido : “ Se for de Sua vontade”. Assim, o mais simples de todos os pedidos é: “ Seja feita a Vossa vontade e não a minha”.

A lembrança principal:
‘ Quando não estivermos entendendo o que está acontecendo, lembrar-nos sempre que “Deus, efetivamente age de maneira misteriosa na realização de suas maravilhas”.
Três são as orações que, por seu conteúdo e pedidos, se relacionam mais especificamente com o Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos.
A análise de A.A. , de cada Oração citada :
(A) O Pai – Nosso, que estais no Céu, santificado seja o Vosso nome, venha a nós o Vosso reino, seja feito a Vossa Vontade, assim na terra como no céu . O pão nosso de cada dia nos daí hoje, perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos aos que nos tem ofendido, e não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.

Como podemos ver, tal oração que o Senhor nos ensinou, muito tem a ver com os Doze Passos e é ,por isto muito usada em A.A. De fato, o Pai nosso é um Programa de Reformulação de Vida , de Conversão. O livro Coletânea I (pág. 138) traz uma análise completa desta oração, segundo a Passos de A.A.
(B) Oração de São Francisco ‘ No Décimo Primeiro Passo, nos é sugerida, também a Oração de São Francisco. Ao rezá-la com atenção verificamos que ela é também Reformulação de Vida. Uma Primeira parte, as nossas novas intenções; a Segunda parte, as novas ações, e a Terceira parte, a das justificações. E nesta Terceira parte vemos: Porquanto
É dando que se recebe. (Décimo Segundo Passo)
É perdoando que se é perdoado (Oitava e Nona Passos)
É morrendo (para o Alcoolismo) que se vive para a Vida Eterna
(Pág.86 – Os Doze Passos)
Conclusão: São assim companheiros, que se pode afirmar que a Recuperação, através dos Passos, significa não só a salvação para o nosso corpo, mas para quem tem a FÈ, a Salvação para a alma, a salvação eterna.
(C) A Oração da SERENIDADE-apesar de ser de origem desconhecida-uns dizem que foi escrita por um monge da antiguidade (Boécio), outros que foi por um marinheiro – o fato é que seu texto parece específico para o Programa de A.A..

Nela pedimos:
Aceitação das coisas que não podemos mudar: o nosso alcoolismo.
Coragem para mudar as coisas que podemos; o não ser um alcoólatra bêbado e sim Sóbrio ; o livrar-nos de nossos defeitos de caráter .
SABEDORIA para ver o que posso mudar

A MEDITAÇÃO: _ “OBS:- é um pensamento livre”
A Meditação é, também, uma forma de Oração, mas com características próprias. Ela é mais pessoal, mais livre, BILL a compara como “Um Passo em direção ao Sol”.
E recomenda que “todo A.A. filiado a uma religião que dê ênfase á Meditação, que retorne a essa prática com maior devoção do que nunca.” Bill e a Religião-Padre ED.
Os membros de Alcoólicos Anônimos possuem excelente guia para Meditação:
“Reflexões Diárias”.
Como Meditar?
1) Primeiramente escolher um texto ou oração que nos satisfaça. O tema para a Meditação deve ser variado. Se possível cada dia um.

2) Na Meditação não há lugar para o debate. Este, sobretudo se for caloroso, não permite a nossa concentração.

3) Relaxemos e respiremos a espiritualidade do ambiente, O ambiente deve ser silencioso, tranqüilo e acolhedor.

4) Soltar nossa imaginação e nosso coração. Nada há de mal na imaginação construtiva. A meditação nos ajudará, assim, a ter uma noção de nosso objetivo espiritual antes de nos encaminharmos em sua direção. Má era aquela imaginação que tínhamos quando, através das garrafas, buscávamos realidades que não éramos, nem tínhamos .

5) Apesar do objetivo da meditação ser sempre o mesmo: o melhorar o nosso contato consciente com Deus, ela pode ser sempre desenvolvida . Os orientais, por exemplo, já desenvolveram “técnicas de meditação” extraordinárias. Fixam até a postura e o vestuário.

6) A Meditação, no entanto, sempre será uma aventura individual, que cada um realiza á sua maneira.

Conclusão:-
A maior recompensa da oração e da meditação, a maior recompensa dessa melhoria de nossa relação com Deus, é a convicção interior que passamos a fazer parte.
Já não estamos mais sozinhos num mundo inteiramente hostil.
O sentimento de abandono e de medo desaparecerá.
No seu lugar, o sentimento de verdade, justiça e amor.
Pois Ele está conosco, e nós estamos com Ele.

Temática de A. R.