Monthly Archives: Julho 2013

GRUPO BELO HORIZONTE DE A.A.

COMPANHEIROS – COMPANHEIRAS

PARTICIPE E TRAGA MAIS UM COM VOCÊ

VENHA NOS FALAR DA SUA HISTÓRIA

GRUPO BELO HORIZONTE DE A. A.
RUA DA BAHIA, 1148 – SALA 1526
EDIFÍCIO MALETA – BAIRRO DE LOURDES
BH/MG
REUNIÕES:
2ª. A 6ª. Feira às 18:30 horas
AOS SÁBADOS ÀS 10:00 horas

Tudo que tenho agora é dádiva de Deus, minha vida, minha utilidade, meu contentamento e este programa. A serenidade me possibilita continuar caminhando.

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MENSAGEM PARA OS ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

MENSAGEM PARA OS ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

Estudiosos dos fenômenos compartimentos, especialmente daqueles que ocorrem em escala coletiva, têm apontado o individualismo, com a conseqüente diminuição da solidariedade como sendo uma característica marcante do tempo. E como sendo ainda, senão a causa, pelo menos um agravante dos muitos problemas com que e depara, hoje, a humanidade.

O homem fechando-se para o próprio homem…

Diante deste quadro, é reconfortante constatar que existe pessoas fazendo da solidariedade ativa a base de sua relação com o semelhante e fazendo-o anonimamente, tornando sem estardalhaços, com total isenção de outra finalidade que não seja a de prestar um testemunho de confiança e amor à humanidade.

Este é o caso dos Alcoólicos Anônimos, cujo trabalho deve constituir não apenas uma experiência merecedora de reconhecimento e aplausos, mas um exemplo a ser reproduzido nas mais diferentes áreas e campos da atividade humana.

O fundamental no AA. é visualizar a pessoa humana como um todo variado e complexo, daí procurando trabalhar suas potencialidades infinitas, recusando deter seu olhar em aspectos isolados, um sinal, um rótulo apenas.

Pudesse o espírito que move os Alcoólicos Anônimos ser internalizado por outros grupos de pessoas, em escala planetária, segura mente não teríamos a guerra, a fome, a miséria.

Dom Helder Camara

Arcebispo Emérito de Olinda Recife

Revista Vivência nº 25 Jul/Ago/Set 1993

COMO NÃO SER AMIGA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS?

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS E A COMUNIDADE PROFISSIONAL
COMO NÃO SER AMIGA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS?
Dra. Vera Loureiro de Almeida, Custódia não-alcoólica.

Hoje, como Custódia não-alcoólica da Junta de Serviços Gerais de A.A. do Brasil, me sinto honrada por esta irmandade de Alcoólicos Anônimos me considerar amiga.
Amigo, todos sabemos o que significa… “ Aquele que ampara, defende, protege, orienta, custodia, aquele que ama, que dá sem nada pedir em troca”.
Como não ser amiga desta Irmandade que é importante para o indivíduo que foi rejeitado pela sociedade, que é importante para o indivíduo que rejeitou a sociedade, e que é muito importante para todos aqueles que buscam um modelo de vida espiritual?
Alcoólicos Anônimos tem me mostrado, através da transmissão da sua mensagem, das experiências, forças e esperanças de seus membros, e também de sua literatura, que para viver o modelo de vida espiritual de A.A. é preciso buscar o próprio ser, através do conhecimento e prática da vontade de um Poder Superior, e para isso é necessário se despojar do orgulho ou qualquer outra emoção que cause sofrimento interno, bastando que se inicie com ações de humildade.
A Irmandade considera seu próximo como igual, não importando sua aparência, sua forma de viver, como se apresenta, de onde vem, ou como vem. Uma Irmandade que respeita o alcoólico, antes de mais nada e acima de tudo, como um ser humano, e a ele estende sua mão de amor, de puro amor.
Como não ser amiga dessa Irmandade que fala somente a linguagem do amor? Que para se tornar parte integrante dela, basta o desejo de parar de beber?
Seus membros não detêm poder algum, e somente um Deus amantíssimo preside a Irmandade, concebido como Poder Superior de cada um.
A humanidade se depara com a drasticidade do problema do alcoolismo e, o que é pior, é afetada direta ou indiretamente por ele; que vai desde a degradação generalizada do alcoólico, a dilaceração de sua família, até os raios sociais com conseqüências as mais diversas.
A doença do alcoolismo não escolhe suas vítimas, afeta o ser humano sem distinção de sexo, raças, credos, posições sociais, culturais, assim sendo, qualquer um pode ser acolhido pela doença do alcoolismo.
Aqueles que ainda não tiveram a honra e o privilégio de conhecer e compartilhar desta Irmandade, desconhecem a importância de Alcoólicos Anônimos para a sociedade brasileira e mundial.
Embora a irmandade de Alcoólicos Anônimos não esteja ligada a nenhuma seita ou religião, nenhuma instituição ou organização, não apóia nem combate quaisquer causas, não opina sobre assuntos alheios à Irmandade, tem um único propósito, que é primordial, manter seus membros sóbrios ajudando outros alcoólicos a alcançar a sobriedade. Não tem pretensão alguma em ser a única ou a melhor opção para a recuperação do alcoólico, mas, no entanto, mesmo não sendo seu objetivo, tem refletido de forma concreta na sociedade.
Com o advento de Alcoólicos Anônimos em 1935, e em decorrência dos resultados obtidos pelos alcoólicos, em A.A. , foi que os cientistas da Organização Mundial de Saúde se propuseram a novos estudos sobre o alcoolismo, mudando conceitos médicos e terapêuticos, já firmados na época, chegando em 1954 à conclusão e definição de que o alcoolismo é doença.
Chegamos num ponto em que não dá mais para esconder o problema do alcoolismo. Está aí, trazendo consequências sócio econômicas também a toda esfera empresarial. Hoje, desde grandes multinacionais até pequenas empresas, estão buscando através de programas de alcoolismo-empresa, oferecer aos empregados alcoólicos uma opção de tratamento. É onde também A.A. se faz presente. E como resultado, tem-se conseguido redução do absenteísmo, ou seja, a redução de ausência no trabalho, diminuição de acidentes no trabalho e maior produtividade.
Nossos irmãos índios também são afetados por ela, e é de conhecimento nacional esse problema, por sinal preocupante, devido às suas consequências que tem chegado a um número expressivo de suicídios. Diante do problema, temos conhecimento que alguns Estados, através da FUNAI, também vêm buscando a cooperação de Alcoólicos Anônimos na tentativa de efetivar um programa de alcoolismo para nosso índios.
Na busca de ajudar aqueles que em decorrência da doença do alcoolismo transgridem a lei, alguns juízes com conhecimento do programa de A.A. e uma maior reflexão sobre o doente alcoólico, têm deixado de se fixar na lei para encaminhar os indivíduos faltosos à Irmandade.
Enfim, vários segmentos da sociedade, preocupados com o problema e as consequências do alcoolismo, vêm tentando objetivar uma solução e buscam Alcoólicos Anônimos, que no espírito cooperativo se encontra presente, e assim tem sido de grande importância para a sociedade.
Mas o que oferece essa Irmandade, para trazer tantas modificações?
Alcoólicos Anônimos oferece um modelo de vida, onde encontramos um refúgio permanente para o prazer de viver. Não considera nenhum alcoólico degenerado, fraco de caráter ou sem vergonha na cara. De jeito nenhum. Para Alcoólicos Anônimos, o indivíduo bebe porque sofre de uma compulsão, causada pela sua doença. Para A.A. , o alcoolismo é apenas uma doença. O fato de considerarem portadores de uma doença, não significa que se consideram pessoas alijadas da dignidade de ser um ser humano.
Assim, para este ser humano – o alcoólico, portador de uma doença, que precisa urgentemente de ajuda, Alcoólicos Anônimos estende suas mãos.
O ser humano, degradado moral, física e espiritualmente pela doença; marginalizado, estigmatizado e rejeitado pela sociedade, encontra em A.A. , através de seu programa de recuperação, não só a abstinência do álcool mas, sobretudo, alcança a sobriedade, que o conduzirá à sua integração pela edificação de seu caráter, e assim reintegra-se à sociedade.
A vida de cada membro de A.A. em seu modelo de vida está construída ao redor dos DOZE PASSOS, DOZE TRADIÇÕES e DOZE CONCEITOS PARA SERVIÇOS MUNDIAIS.

Através de seus princípios, Alcoólicos Anônimos nos ensina como nos conhecer, conceber um Poder Superior e, do conhecimento e prática de Sua Vontade, amar o próximo, com ações do amor dedicado.
Assim sendo…
Como não ser amiga de A.A. , quando contemplamos os olhos de homens e mulheres se abrirem maravilhados à medida que passam das trevas para a luz?
Como não ser amiga de A.A. , quando sentimos as vidas desses homens e mulheres se tornarem rapidamente cheias de propósitos e sentido?
Como não ser amiga de A.A. , quando observamos famílias inteiras se reintegrando e se estruturando?
Como não ser amiga de A.A. , quando testemunhamos o alcoólico antes marginalizado sendo recebido alegremente em sua comunidade como cidadão respeitável?
E, acima de tudo, como não ser amiga de A.A. , quando percebemos estas pessoas despertadas para a presença de um Deus amantíssimo em suas vidas?
Pela “Graça de DEUS”, uma força desconhecida tem-se levantado da grande fraqueza, tornando possível a vida daqueles um dia desacreditados por todos, ofertando-lhes a seiva vivificante. Que nos ensina e nos mostra que o AMOR é a grande força para nosso crescimento em busca de uma vida feliz, útil e significativa. Nos dá a esperança de um mundo melhor.
Eu lhes pergunto: Como, senhoras e senhores leitores, não ser amiga de Alcoólicos Anônimos.
(Transcrito da Revista Vivência nº 82, páginas 49 a 51).

O SEGREDO DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

VENHA PARTICIPAR E CONHECER O SEGREDO

GRUPO ROSA MÍSTICA DE A. A.
RUA ALPES, 532 – BAIRRO NOVA SUIÇA
BELO HORIZONTE/MG
REUNIÕES: 2a. – 4a. 6a. feiras às 19:30 horas
DOMINGO ÀS 15:30 HORAS
NOSSO CONTATO: gruporosamistica_aa@yahoo.com.br

O Segredo de Alcoólicos Anônimos ® Por Leonardo Ramalho

Desde a minha adolescência, precisamente aos 15 anos de idade, comecei a ter um comportamento exagerado com a bebida alcoólica, porém a progressividade do meu alcoolismo foi lenta. Contudo, o meu desequilíbrio emocional decorrente do abuso do álcool se tornou meu companheiro de copo a partir do primeiro porre, pois em cada dose que eu bebia estava sempre presente o tempero das vaidades.

Portanto, quando parei de beber aos 33 anos de idade, percebi que muitos dos meus sentimentos ainda estavam bêbados e a isso eu chamei de ressaca espiritual, encontrando alívio através do exercício do 4º Passo de AA que é chamado também de Inventário Moral, onde encontrei a coragem necessária para enfrentar a virtude do perdão. Exercício este, que considero o maior desafio do ser humano.

Ao entrar no A.A. o orgulho foi meu primeiro oponente que comecei a combater, aceitando com consciência que sou um alcoólatra, bem como portador de uma doença chamada alcoolismo, que não tem cura, mas que pode ser interrompida desde que eu evite o primeiro gole.

A primeira sugestão de AA: “Evite o primeiro gole”, sugere também evitar a primeira dose de orgulho, da impaciência e da intolerância, até que possamos “beber” doses de virtudes como forma de libertação da culpa. Assim, “evitando o primeiro gole” sou recompensado pela sobriedade, que favorece à calma e me conduz à serenidade necessária para abrir uma janela para a alma, onde convivo com meu passado sem medo de construir o homem novo que há em mim.

Logo que parei de beber me defrontei com hábitos bastante enraizados em minha mente: pedir um “drink” quando se está num bar, num restaurante, com os amigos e mesmo num encontro com a mulher amada. Porém descobri que essas regras e padrões sociais são perfeitamente dispensáveis, pois não é a bebida alcoólica que faz esses momentos especiais, mas quando compartilhamos nossas emoções com serenidade.
No entanto, para quem não tem problema com o álcool é muito bom, mas para um bebedor-problema essas ocasiões podem se tornar em sérios incômodos. Na verdade, quem é chegado a “tomar umas e outras” sempre fica de “fogo”, cria situações preocupantes, faz “palhaçadas” e torna-se ridículo e aberto a críticas contundentes que o tornam chato e agressivo.

Na minha experiência de A.A. descobri que a fé pode curar a dor e despertar a coragem inteligente para se atravessar o “vale das sombras”, apenas com uma tocha de luz erguida para o alto. Embora eu tenha bebido minha fé em doses de insensatez por muito tempo, nasceu em mim à determinação de resgatá-la dos escombros que envolviam minha alma. E com a vontade de vencer despertada dentro de mim, iluminei o caminho do meu coração com alegria e aprendi a me reconciliar comigo mesmo e com o sofrimento.

Ainda hoje, aos 53 anos de idade, sinto vontade de beber em certas ocasiões, porém não desejo voltar a beber. Com certo tempo de sobriedade apoiada pelos Alcoólicos Anônimos é que percebi que para se libertar do desejo de beber é necessário “plantar” e “regar” o desejo de não beber.
Assim, compreendi finalmente, o primeiro ensinamento de A.A.: “Para ser membro de A.A. basta o desejo sincero de abandonar a bebida”. Graças a esse novo hábito que introduzi na minha vida, descobri que não preciso de bebidas alcoólicas para nada e que o grande segredo de Alcoólicos Anônimos está na próxima reunião.

Não bebo desde 1987

Evitar o primeiro gole é o princípio e o fim. ® – 2007

A VIAGEM – DESTINO: 12º PASSO

“O PASSO DOZE”

Drª. Maria Tude

Tendo tido um despertar espiritual, por meio desses Passos, procuramos levar essa mensagem a outras pessoas e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.

Todos os Passos nos nortearam na busca da sanidade, na saída para nossos impasses, na cura de nossas dores, na alegria de viver amorosamente a partir de nossa dimensão espiritual. Ela é a fonte da vida, do sagrado, da conecção com um Poder Superior.
Eles nos guiaram nessa itinerância através de nosso ego fechado, arrogante mas
amedrontado, competitivo e defensivo, usando o compartilhar sem confronto com outros egos, para irmos descobrindo nossa espiritualidade. E nesse caminhar perseverante, com esse propósito, vamos chegando a um “despertar espiritual”.

Estamos aprendendo a viver coerentes com nossa identidade de seres espirituais.
Cada vez mais livres das amarras que nos impuseram e aceitáramos continuar com elas, estamos desfrutando agora da gostosura de compartilhar, cooperar, respeitar, ter compaixão, sermos generosos, gentis, bem humorados, verdadeiros…

Embora nossos problemas muitas vezes continuem iguais (ou até maiores), algo mudou – fomos nós. E tudo começa a ser tão diferente e nos sentimos tão plenos que, naturalmente, necessitamos “transbordar” para tudo e todos.

Queremos levar a boa nova, a mensagem, a “dica” de que a felicidade “até existe” e ela está nessa caminhada à dimensão espiritual.

O Passo 12 nos convoca a sermos mensageiros, a levarmos a boa mensagem, não apenas informando ou ensinando, mas sendo nós próprios, um dia de cada vez, a própria mensagem, vivenciando esses princípios espirituais amorosos.

* Drª. Maria Tude ( Psicologa )

DÉCIMO SEGUNDO PASSO

“Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.”

No Décimo Segundo Passo de A.A., o prazer de viver é o tema e a ação sua palavra chave. Chegou a oportunidade de nos voltarmos para fora em direção de nossos companheiros alcoólicos ainda aflitos. Nessa altura, estamos experimentando o dar pelo dar, isto é, nada pedindo em troca. Agora começamos a praticar todos os Doze Passos em nossa vida diária para que possamos todos, nós e as pessoas que nos cercam, encontrar a sobriedade emocional. Quando conseguimos ver em que o Décimo Segundo Passo implica, vemos que se trata do amor que não tem preço.

Este passo também nos diz que, como resultado da prática de todos os passos, cada um de nós foi descobrindo algo que se pode chamar de “despertar espiritual”. Para os AAs novos, este estado de coisas pode parecer dúbio ou improvável. Eles perguntam: Que querem dizer quando falam em “despertar espiritual”?

É possível que haja uma definição de despertar espiritual para cada pessoa que o tenha experimentado. Contudo, os casos autênticos, na verdade, têm algo comum entre si. Estas coisas comuns entre eles são de fácil compreensão. Quando um homem ou uma mulher experimenta um despertar espiritual, o significado mais importante disso é que se torna capaz de fazer, sentir e acreditar em coisas como antes não podia, quando dispunha apenas de seus próprios recursos desassistidos. A dádiva recebida consiste em um novo estado de consciência e uma nova maneira de ser. Um novo caminho lhe foi indicado, conduzindo-o a um lugar determinado, onde a vida não é um beco sem saída, nem algo a ser suportado ou dominado. Foi transformado em um sentido bem real, pois lançou mão de uma fonte de força que, de um modo ou de outro, havia negado a si próprio até aqui. Encontrou-se possuindo um grau de honestidade, tolerância, dedicação, paz de espírito e amor, dos quais se supunha totalmente incapaz. O que recebeu foi um presente de graça, contudo, geralmente, pelo menos em uma pequena medida, tornou-se pronto para recebê-lo.

O meio de que A.A. dispõe em nosso preparo para a recepção desta dádiva está na prática dos Doze Passos de nosso programa. Portanto, procedamos a um rápido levantamento do que temos tentado fazer até aqui:

O Primeiro Passo nos revelou um fato surpreendentemente paradoxal: descobrimos que éramos totalmente incapazes de nos livrar da obsessão pelo álcool até que admitíssemos nossa impotência diante dele. No Segundo Passo vimos que já não éramos capazes de, por nossos próprios meios, retornar à sanidade, e que algum Poder Superior teria que fazê-lo por nós, para que pudéssemos sobreviver. Em conseqüência, no Terceiro Passo, entregamos nossa vontade e nosso destino aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos. A título provisório, aqueles de nós que eram ateus ou agnósticos descobriram que o nosso grupo ou A.A. no todo, poderia atuar como poder superior. A partir do Quarto Passo, começamos a procurar dentro de nós as coisas que nos haviam levado à bancarrota física, moral e espiritual e fizemos um corajoso e profundo inventário moral. Em face do Quinto Passo, decidimos que apenas fazer um inventário não seria suficiente; sabíamos que era necessário abandonar nosso funesto isolamento com nossos conflitos e, honestamente, confiá-lo a Deus e a outro ser humano. No Sexto Passo, muitos dentre nós recuaram pela simples razão de que não desejavam a pronta remoção de alguns defeitos de caráter dos quais ainda gostavam muito. Sabíamos, porém, todos, da necessidade de nos ajustar ao princípio fundamental deste passo. Portanto, decidimos que, embora tivéssemos ainda alguns defeitos de caráter que ainda não podíamos expulsar, devíamos de todos os modos abandonar nossa obstinada e revoltante dependência deles. Dissemos: “Talvez não possa fazer isso hoje mas, pelo menos, parar de protestar: não, nunca!”. Então, no Sétimo Passo, rogamos humildemente Deus que, de acordo com as condições reinantes no dia do pedido e se esta fosse a Sua vontade, nos libertasse de nossas imperfeições. No Oitavo Passo continuamos a limpeza de nosso interior, pois sabíamos que não só estávamos em conflito conosco, como também com pessoas e fatos do mundo em que vivíamos. Precisávamos começar a restabelecer relações amistosas e, para esse fim, relacionando as pessoas que havíamos ofendido, nos propusemos, com disposição, a remediar os males que praticamos. Prosseguimos com esse desígnio no Nono Passo, reparando diretamente junto às pessoas atingidas, os danos que causamos, salvo quando disso resultassem prejuízos para elas e outros. No Décimo Passo, havíamos iniciado o estabelecimento de uma base para a vida cotidiana, conhecendo claramente que seria necessário fazer de maneira contínua o inventário pessoal, admitindo prontamente os erros que fôssemos encontrando. No Décimo Primeiro Passo vimos que se um Poder Superior nos havia devolvido à sanidade e permitido que vivêssemos com relativa paz de espírito num mundo conturbado, valia a pena conhecê-lo melhor, através do contato mais direto possível. Ficamos sabendo que o uso persistente da oração e da meditação abria, de fato, o canal para que, no lugar onde havia existido um fio de água, corresse um caudaloso rio que nos levava em direção ao indiscutível poder e à orientação segura de Deus, tal como estávamos podendo conhecê-lo, cada vez melhor.

Assim, praticando estes passos, experimentamos um despertar espiritual sobre o qual, afinal, não nos restava a menor dúvida. Olhando aqueles que apenas começavam e ainda duvidavam de si mesmos, nós podíamos ir observando a mudança que neles se operava. Tomando por base o grande número de experiências que tivemos, podíamos prognosticar que o companheiro cheio de dúvida e que dizia não haver ainda compreendido o “lado espiritual”, mas que insistia em considerar seu bem-amado, grupo de A.A., seu poder superior, em breve amaria a Deus, e O chamaria pelo nome.

E agora, que diremos do restante do Décimo Segundo Passo? A energia maravilhosa que ele desencadeia e a ação pronta pela qual leva nossa mensagem ao próximo alcoólico sofredor, e que finalmente convertem os Doze Passos em ação sobre todas as nossas atividades é a recompensa, a magnífica realidade de Alcoólicos Anônimos.

Até o último dos recém-chegados descobre recompensas nunca sonhadas quando procura ajudar seu irmão alcoólico, aquele que ainda está mais cego do que ele. Isto de fato, é dar, nada pedindo. Ele não espera de seu companheiro qualquer paga ou mesmo amor. E então, descobre que, pelo paradoxo divino contido nessa maneira de dar, já recebeu a sua própria recompensa, não importando se seu irmão foi ajudado ou não.

Seu caráter pode ainda encerrar graves defeitos, mas de alguma forma ele sabe que começou bem, por obra de Deus, sentindo que está à beira da descoberta de alegrias, experiências e mistérios jamais sonhados. É comum quase em todos os membros de A.A. a afirmação de que nenhuma satisfação é mais profunda e nenhuma alegria é mais intensa e duradoura do que um Décimo Segundo Passo bem executado. Contemplar os olhos de homens e mulheres se abrirem maravilhados à medida em que passam da treva para a luz, suas vidas se tornando rapidamente cheias de propósito e sentido, famílias inteiras se reintegrando, o alcoólico marginalizado sendo recebido alegremente em sua comunidade como cidadão respeitável, e acima de tudo, ver estas pessoas despertadas para a presença de um Deus amantíssimo em suas vidas, são fatos que constituem a essência do bem que nos invade, quando levamos a mensagem de A.A. ao irmão sofredor.

E não fica nisso o trabalho do Décimo Segundo Passo. Nas reuniões de A.A., não só escutamos para receber os benefícios de experiências alheias, como também para dar o apoio que nossa presença possa trazer. Quando nos cabe falar, novamente tentamos transmitir a mensagem de A.A. Seja o nosso auditório por uma ou muitas pessoas, ainda é serviço do Décimo Segundo Passo. Existem muitas oportunidades para aqueles dentre nós que não se sentem capazes de falar ou, dadas as circunstâncias, não tem condições para as abordagens. Podem eles aceitar as incumbências pouco notadas, mas igualmente importantes e que tornam possível a execução do Décimo Segundo Passo, providenciando café e bolo para depois das reuniões, quando tantos recém-chegados, ainda descrentes e fechados, encontram um ambiente de confiança e conforto no bate-papo alegre e descontraído. Isso é trabalho do Décimo Segundo Passo no melhor sentido da palavra. “Livremente receberam e livremente dão…”, eis o coração deste último passo.

Passamos por certas experiências no Décimo Segundo Passo que fazem, freqüentemente, supor que estejamos temporariamente “fora de onda”. Quando forem surgindo, parecerão sérios reveses para nós, mas com o tempo, serão encarados como meros degraus na ascensão para um estágio melhor. Por exemplo, desejamos ardentemente levar à sobriedade uma determinada pessoa, fazendo tudo o que podemos durante meses, para depois vê-la recair. Talvez isto venha a acontecer várias vezes, o que poderá nos acarretar grande decepção, relativa à nossa capacidade de transmitir a mensagem de A.A. E a situação inversa, quando chegamos a Ter, com euforismo, a sensação de êxito, pelo menos aparentemente? Neste caso, a tentação é nos tornarmos donos dos novatos. Pode ser que não resistamos ao desejo de nos tornarmos conselheiros de seus assuntos privados, não estando nem preparados para essa difícil missão e nem devendo fazê-lo. Daí ficamos ofendidos e confusos quando os nossos conselhos são rejeitados ou, se aceitos, trazem ainda maior perturbação. Às vezes, com muito esforço, levamos a nossa mensagem a tantos alcoólicos que os companheiros nos colocam em posição de confiança, digamos, nos elegem para coordenar o grupo. Este acontecimento pode nos trazer a tentação de cometer exageros na administração das coisas, nos expondo a vexames e outras dificuldades incômodas. Porém, a longo prazo, vamos reconhecendo claramente que essas são as dores do crescimento e que só o bem poderá delas advir se procurarmos as respostas, cada vez mais profundamente, nos Doze Passos.

Agora, a maior pergunta que já fizemos: O que dizer da “prática destes princípios em todas as nossas atividades”? temos condições para amar a vida em todos os seus aspectos com tanto entusiasmo quanto amamos aquela pequena parcela que descobrimos, quando tentamos ajudar os outros alcoólicos a alcançar a sobriedade? Somos capazes de levar às nossas vidas em família, por vezes bastante complicadas, o mesmo espírito de amor e tolerância com que tratamos nossos companheiros do grupo de A.A.? As pessoas de nossa família, que foram envolvidas e até marcadas pela nossa doença, merecem de nós o mesmo grau de confiança e fé que temos em nossos padrinhos? Podemos fazer com que o espírito de A.A. esteja de fato presente em nossas atividades diárias? Estamos prontos para arcar com as novas e reconhecidas responsabilidades que nos cercam? Podemos levar para a religião de nossa escolha, novo propósito e nova devoção? Será que podemos encontrar uma nova alegria de viver, tentando dar um jeito em todas essas coisas?

Além do mais, como podemos nos ajustar à derrota ou ao êxito aparentes? Podemos aceitar e nos adaptar a ambos sem desespero ou orgulho? Podemos aceitar a pobreza, a doença, a solidão e o luto com coragem e serenidade? Podemos nos contentar resolutamente com as satisfações mais simples, embora às vezes mais duráveis, quando nos são negadas as mais brilhantes e gloriosas realizações?

A resposta de A.A. a tais perguntas sobre a vida é: “Sim, tudo isto é possível.” Sabemos porque vimos a monotonia, a dor e até a calamidade transformadas por aqueles que continuam tentando praticar os Doze Passos de A.A. Se estes são os fatos da vida de muitos alcoólicos que se recuperam em A.A., podem muito bem vir a ser fatos da vida de muitos mais.

É claro que até os melhores AAs nem sempre conseguem alcançar esses objetivos de forma consciente. Não é necessário tomarmos o primeiro gole para que, muitas vezes, nos afastemos em maior ou menor distância da faixa da normalidade. Às vezes nossos problemas começam pelo comodismo; sentimo-nos sóbrios e felizes em nosso trabalho de A.A.; as coisas vão bem em casa e no escritório. De certo modo, já estamos nos congratulando por aquilo que mais tarde saberemos ser muito fácil e superficial. Temporariamente paramos de crescer porque nos acomodamos na crença de que para nós não será necessário o cumprimento de todos os Doze Passos de A.A. Estamos muito bem com parte deles. Talvez para nós sejam suficientes somente o Primeiro Passo e trecho do Décimo Segundo que diz: “levamos a mensagem”. Na gíria de A.A. esse feliz estado de coisas é denominado “a dança dos dois passos” e pode durar vários anos.

Até os mais bem intencionados entre nós podem ser iludidos por essa “dança”. Mais cedo ou mais tarde, a fase da euforia passa e somos envolvidos por monotonia. Começamos então a pensar que A.A., afinal de contas, não vale a pena. Ficamos confusos e desanimados.

Aí, é possível que a vida, como sempre de novo acontece, nos dê um “bocado” tão grande que não possamos engolir, muito menos digerir. Deixamos de obter um aumento salarial pelo qual tanto havíamos lutado. Perdemos “aquele” emprego. É provável que surjam sérias dificuldades domésticas ou sentimentais. Aquele rapaz que nos parecia guardado por Deus, talvez não retorne da frente de combate!

Que acontecerá então? Será que nós alcoólicos encontramos ou podemos encontrar em A.A. os meios para enfrentar essas calamidades que a tantos afligem? Estes eram os problemas da vida que jamais conseguíamos encarar. Temos agora condições para, com a ajuda de Deus, tal qual O entendemos, lidar com eles com a mesma decisão e coragem com que fazem, freqüentemente, nossos amigos não alcoólicos? Sabemos transformar essas desventuras em algo positivo, fonte de crescimento e alívio para nós mesmos e aqueles que nos rodeiam? Bem, com certeza teremos uma chance se passarmos da “dança dos dois passos” para o “samba dos Doze Passos”, se quisermos receber a graça Divina que nos pode sustentar e fortalecer em qualquer catástrofe.

Nossos problemas básicos são idênticos aos das outras pessoas, porém, quando AAs bem alicerçados se esforçam honestamente para ”praticar esses princípios em todas as atividades”, parecem Ter a capacidade, pela graça de Deus, de não se atrapalhar, convertendo suas dificuldades em autênticas demonstrações de fé. Temos visto AAs sofrerem doenças prolongadas e fatais, quase sem queixa, permanecendo muitas vezes de bom humor. Freqüentemente temos encontrado reunidas de novo pela maneira de viver de A.A., famílias inteiras desintegradas pela incompreensão, tensão ou até infidelidade.

Embora a capacidade de ganho da maioria dos AAs seja relativamente alta, alguns membros parecem nunca obter o almejado equilíbrio financeiro, enquanto outros se debatem inutilmente com pesados contratempos dessa ordem. E vemos que, em geral, estas situações são encaradas com energia e fé.

Como a maioria das pessoas, descobrimos que somos capazes de suportar nossos reveses. Mas, da mesma forma que os outros, descobrimos que os maiores desafios nos vêm dos pequenos e crônicos problemas da vida. Nossa resposta está em aumentar nosso desenvolvimento espiritual. Somente assim teremos condições de elevar nossas chances para Ter uma vida verdadeiramente útil e feliz. E, ao crescermos espiritualmente, ficamos sabendo que as velhas atitudes diante de nossos instintos precisam sofrer drástica revisão. Nossos desejos de segurança emocional e material, prestígio pessoal e poder, vida sentimental e bem estar no seio da família, todos estes carecem ser equilibrados e reorientados. Aprendemos que a satisfação de nossos instintos não pode ser o objeto exclusivo, a única finalidade da nossa vida. Se pusermos os instintos em primeiro lugar, estaremos colocando a carroça diante dos bois e seremos arrastados para a desilusão. Ao contrário, se nos dispusermos a elevar ao primeiro plano o nosso crescimento espiritual, então, e apenas então, teremos uma boa chance.

Após o nosso ingresso em A.A., se continuarmos a crescer, nossa maneira de ver e agir em relação a nossa segurança emocional ou financeira começa a mudar profundamente. Nossas exigências de segurança emocional, de ter as coisas à nossa maneira, consistentemente nos lançaram em situações intratáveis com outras pessoas. Embora muitas vezes não tivéssemos consciência disso, o resultado será sempre o mesmo. Ou havíamos assumido o papel de Deus e dominado as pessoas que nos rodeavam, ou insistido, abusivamente, em depender delas. Nos casos em que outras pessoas nos deixaram dirigir suas vidas por algum tempo, como se ainda fossem crianças, sentimo-nos imensamente felizes e seguros de nós mesmos. Porém, quando opuseram resistência ou se afastaram, ficamos ofendidos e desapontados. Pusemos a culpa neles. Incapazes que éramos de perceber que nossas imposições injustificáveis haviam sido a causa de tudo.

Nos casos em que havíamos seguido o caminho contrário, querendo, como crianças exigir dos outros proteção e cuidados ou que o mundo nos desse uma vida melhor, igualmente ocorreu um resultado infeliz. Por esse motivo, quase sempre as pessoas que mais amávamos eram levadas a nos repelir ou abandonar por completo. Não foi fácil suportar nossa desilusão, pois não imaginávamos que pudéssemos ser tratados dessa maneira. Já não percebíamos que, embora adultos em anos, ainda nos comportávamos infantilmente, tentando converter todos – amigos, esposas ou maridos e até o próprio mundo – em pais protetores. Havíamos nos recusado a compreender a dura lição de que a exagerada dependência dos outros sempre nos leva ao fracasso, dada a falibilidade até das melhores pessoas. Estas, muitas vezes terão que nos desapontar, especialmente quando nossas exigências de atenção se tornam impertinentes.

À medida em que progredíamos espiritualmente, passamos a reconhecer a natureza desses erros. Tornou-se evidente que se esperávamos, algum dia, nos sentir emocionalmente seguros entre pessoas adultas, teríamos de colocar nossa vida no mesmo plano que elas, dando e recebendo em igual medida. Seria necessário desenvolvermos o hábito de viver em sociedade ou fraternidade com todos os que nos cercavam. Vimos que sempre teríamos que dar tudo de nós mesmos, sem esperar qualquer troca.

Enquanto íamos agindo assim, descobríamos gradualmente que as pessoas se sentiam atraídas por nós como jamais o haviam sido antes. E mesmo que nos desapontassem, podíamos ser compreensivos e não seríamos tão afetados.

Ao desenvolver-nos mais ainda, descobrimos que o próprio Deus, sem dúvida, é a melhor fonte de estabilidade emocional. Descobrimos que a dependência de Sua absoluta justiça, perdão e amor era saudável, e que funcionaria quando tudo o mais fracassasse. Se realmente dependêssemos de Deus, nos seria difícil bancar o Deus perante nossos semelhantes, e nem sentiríamos a necessidade de os apoiar totalmente na proteção e no cuidado humano. Estas foram as novas atitudes que finalmente trouxeram a muitos de nós força e paz interior que dificilmente seriam abaladas pelas falhas dos outros ou por qualquer infortúnio não causado por nós.

Compreendemos que esta nova maneira de encarar os fatos era necessária, em especial para nós alcoólicos. Pois o alcoolismo, para nós, representa a solidão, apesar de que estivéramos cercados por pessoas que nos amavam. Mas, quando a nossa prepotência havia espantado a todos o nosso isolamento se tornara total, fomos levados a bancar os importantes em botequins de última classe e, então sozinhos, perambular pelas ruas e depender da caridade dos transeuntes. Ainda procurávamos a segurança emocional, dominando ou nos fazendo dominar pelos outros. E mesmo quando a nossa sorte não havia descido tanto e estávamos sós, mesmo assim insistíamos em procurar a segurança por esses comportamentos doentios. Para aqueles de nós que eram assim, A.A. teve um sentido muito especial. Através dele começamos aprendendo a manter boas relações com as pessoas que nos compreendem; não há mais necessidade de ficarmos sós.

A maioria de AAs casados tem lares muito felizes. De forma surpreendente, A.A. contrabalança os danos causados à vida familiar por anos de alcoolismo. Porém, como em todos os outros agrupamentos, nos também temos os nossos problemas sexuais e matrimoniais, às vezes, penosamente agudos. As separações e os deslizes permanentes, contudo, são raros entre os membros de A.A. Nosso principal problema não é conservar o casamento: é Ter uma vida conjugal cada vez mais sólida e feliz, eliminando-se as graves distorções emocionais que, na maioria das vezes, provieram do alcoolismo.

Quase todo o indivíduo sensato experimenta, em algum momento de sua vida, o desejo imperioso de encontrar um companheiro do outro sexo com o qual possa realizar a mais completa união possível, ou seja: espiritual, mental, emocional e física. Esse poderoso anseio é a raiz de grandes empreendimentos humanos, é uma energia criadora que influencia profundamente nossa vida. Deus nos fez assim. Portanto, nossa pergunta só pode ser esta: de que modo, por ignorância, compulsão e própria vontade, deturpamos essa dádiva para causar a nossa destruição? Nós AAs temos a pretensão de oferecer respostas cabais a antigas dúvidas, mas a nossa experiência pessoal nos dá, isso sim, respostas adequadas que funcionam para nós.

Quando o alcoolismo ataca, podem surgir graves anormalidades que militam contra a harmonia e a compatibilidade entre os cônjuges. Se for o homem afetado, a esposa terá de assumir a chefia da família e, quase sempre, se transformar em “o ganha pão”; à medida que as coisas vão piorando, o marido se concerte em criança doente e irresponsável, carente de cuidados e ajuda para livrar-se de inúmeras embrulhadas e becos sem saída. De forma gradual e geralmente sem aperceber do fato, a esposa é obrigada a se tornar mãe de um menino transviado. Se ela já tinha um forte instinto maternal, a situação é agravada. Nessas condições, como é óbvio, pouco companheirismo pode existir. É comum a esposa continuar fazendo o que de melhor possa, enquanto o alcoólico, alternadamente, ama e odeia seus cuidados maternais. Estabelece-se assim uma norma de vida que poderá ser difícil de romper mais tarde. Apesar disso, essas situações podem ser consertadas amiúde sob a influência dos Doze Passos de A.A. Em forma adaptada, estes Passos são também usados pelos Grupos Familiares Al-Anon. Essa grande Irmandade Mundial é constituída de cônjuges, familiares e amigos dos alcoólicos (em A.A. ou ainda bebendo). O endereço no Brasil é Rua Antônio de Godói, 20, 5º andar, salas 51 e 52, São Paulo/SP Caixa Postal 2034 –CEP 01060-970.

Caso a distorção tenha sido extensa, haverá necessidade de um grande e prolongado empenho na tentativa de corrigi-la. Após um marido tornar-se membro de A.A., a esposa poderá se sentir decepcionada e até muito ressentida pelo fato de Alcoólicos Anônimos Ter conseguido o que ela não alcançou com todos os seus esforços e anos de devoção. O marido poderá se envolver de tal maneira com A.A. e seus novos amigos que, desconsideradamente, passa mais tempo fora de casa do que quando bebia. Percebendo que a esposa não é feliz, ele recomenda-lhe os Doze Passos de A.A. e tenta ensina-la a viver. Naturalmente ela há de ponderar que, durante anos, conhecia muito mais do que ele sobre as coisas da vida. Cada um, então, culpa o outro e pergunta quando o matrimônio voltará a ser feliz. Não é impossível que comecem a desconfiar que desde os primeiros dias, o casamento foi uma droga.

É lógico que a incompatibilidade pode ser tanta que justifique uma separação. Porém, esses casos são raros. O alcoólico, reconhecendo o que sua esposa aturou e tendo nítida compreensão de quantos prejuízos ocasionou a ela e aos filhos, quase sempre retoma suas responsabilidades matrimoniais com a disposição de reparar o que perdeu e de aceitar o que não puder. Ele persiste na tentativa de praticar em seu lar todos os Doze Passos de A.A., obtendo, muitas vezes, bom resultado. A essa altura, ele começa, com firmeza mas com carinho também, a se comportar como um marido e não como um menino mal acostumado. E, acima de tudo, está finalmente convencido de que as aventuras sentimentais não são um modo de vida para ele.

Existem em A.A. muitos membros solteiros que querem se casar e estão em condições de fazê-lo. Alguns se casam com outros AAs. Qual o resultado destes casamentos? Na maioria dos casos, é muito bom. O sofrimento comum, como bebedores, o mesmo interesse em A.A. e sobre as coisas do espírito, geralmente fortalecem esses vínculos conjugais. Somente quando o “rapaz encontra a moça no jardim de A.A.” e o amor brota à primeira vista é que surgem as complicações. Os candidatos ao matrimônio devem ser AAs sólidos e se conhecer a tempo suficiente para que possam saber que a afinidade entre eles no plano espiritual, mental e emocional é um fato e não apenas uma aspiração. Devem estar tão seguros quanto possível de que nenhuma emoção negativa profunda em qualquer um dos dois, possa surgir sob pressões futuras e prejudicá-los.

Estas considerações são igualmente válidas e importantes para os AAs que se casam com pessoas estranhas à Irmandade. Com clara compreensão e tomadas de atitudes definidas e adultas, resultados muito felizes podem ser alcançados.

Que se poderá dizer de muitos membros de A.A. que por múltiplas razões não podem constituir família? De início, muitos deles se sentem sozinhos, magoados e excluídos, ao perceberem tanta felicidade conjugal ao seu redor. Se não podem ser felizes dessa maneira, pode A.A. oferecer a eles um ambiente de bem-estar igualmente válido e duradouro? Sim, toda vez que eles procurarem com vontade. Vivendo no aconchegante círculo de amigos de A.A., esses “solitários” nos dizem que já não se sentem mais em solidão. Em companhia de outros, homens e mulheres podem se devotar a um sem número de idéias, pessoas e projetos construtivos. Livres das responsabilidades oriundas do matrimônio, podem eles se entregar a empreendimentos que por sua natureza seriam vedados aos casados. Todos os dias vemos esses membros prestando relevantes serviços e recebendo, em compensação, alegria incomensurável.

Nossa maneira de encarar a posse de dinheiro e outras coisas materiais também sofreu mudança radical. Com poucas exceções, nós todos já fomos esbanjadores. Atirávamos dinheiro para todos os lados a fim de nos satisfazer e impressionar os outros. Na época em que bebíamos, atirávamos como se a fonte do dinheiro fosse inexaurível, embora às vezes, em bebedeiras, fôssemos ao outro extremo e nos tornássemos quase usuários.

Sem que nos déssemos conta, estávamos apenas acumulando fundos para a próxima farra. O dinheiro foi para nós o símbolo do prazer e da importância. Quando o nosso jeito de beber foi sem agravando, o dinheiro nada mais era do que um simples, mas imperioso requisito para o nosso provimento futuro de bebida e o conforto do desligamento temporário que ele nos trazia.

Após o nosso ingresso em A.A. essas atitudes sofreram uma brusca inversão, passando a ser, reiterada e exageradamente, a expressão do contrário. A fugaz lembrança dos anos gastos bastava para nos levar ao pânico. Achávamos que não tínhamos mais tempo para reconstruir nosso destino. De que forma conseguiríamos liquidar essas alarmantes dívidas, possuir uma casa decente, educar os filhos e poupar alguma coisa para a velhice? Um importante volume de dinheiro não era mais o nosso objetivo; o que reclamávamos agora era a segurança material em geral. Mesmo quando já estávamos restaurados em nossos negócios, o medo terrível continuava nos perseguindo. Isto nos transformou novamente em avarentos e usuários. Era um imperativo Ter, a qualquer preço, a segurança material completa. Esquecemo-nos de que a maioria dos membros de A.A. tem capacidade bem acima do normal para realizar numerário; não tivemos presente a imensa boa vontade de nossos companheiros em A.A. que estavam ansiosos por nos ajudar a conseguir melhores empregos, desde que o merecêssemos; não nos lembramos de que a insegurança financeira, atual ou potencial, acompanha de perto a todos os habitantes da terra. E, o pior de tudo, olvidamos a Deus. Em matéria de dinheiro só confiávamos em nós e, assim mesmo, não muito.

Na verdade, tudo isso significava que ainda estávamos bem desequilibrados. Quando um emprego para nós era apenas um meio de obter dinheiro ao invés de uma oportunidade para servir; quando a aquisição de dinheiro para a garantia de nossa independência financeira era, para nós, mais importante do que a dependência certa de Deus, ainda estávamos sob a pressão do medo injustificável. Esse medo tornaria possível uma existência serena e útil, qualquer que fosse o nosso nível financeiro.

Porém, com o passar do tempo, descobrimos que, com a ajuda dos Doze Passos de A.A., poderíamos perder o medo, não importando quais fossem nossas possibilidades materiais. Estava em nós a realização espontânea e alegre de tarefas humildes, sem nos preocuparmos com o amanhã. Se a nossa situação se apresentasse revestida de otimismo, já não receávamos uma mudança para pior, pois havíamos aprendido que nossos problemas podiam ser transformados em valores positivos. Deixava de ser importante nossa posição material, porém, tínhamos em grande conta a nossa condição espiritual. Aos poucos, o dinheiro foi deixando de ser nosso patrão para se tornar nosso servidor; ele veio facilitar a permuta do amor e da ajuda com aqueles que nos cercavam. Quando, pela graça divina, chegamos a aceitar nosso destino, compreendemos que podíamos, intimamente, viver em paz e mostrar aos que ainda sofriam do mesmo medo, que eles também poderiam superá-lo. Descobrimos que a libertação do medo era mais importante do que a libertação da penúria.

Tomamos conhecimento aqui da melhora em nossa maneira de ver os problemas ligados à importância pessoal, ao poder, à ambição e à liderança. Estes foram recifes contra os quais muitos dentre nós batemos e, a seguir, naufragamos durante a trajetória que percorremos como bêbados.

Quase todo menino sonha em chegar a ser o Presidente da República; almeja ser o homem mais importante do país. À medida que ele vai crescendo e vê que seu desejo é impraticável, pode rir bem-humorado desse sonho da juventude. Ao longo dos aos ele descobre que a verdadeira felicidade não está na ambição de ser o número um ou um dos primeiros na aflitiva luta pelo dinheiro, pela vida sentimental e pela importância. Aprende que pode ser feliz, enquanto souber manejar com maestria as cartas do baralho da vida que lhe foram distribuídas. Continua ambicioso, mas não absurdamente, porque agora ele pode ver e aceitar a realidade do momento. Está disposto a reconhecer sua verdadeira dimensão. No entanto, não é isso o que se passa com os alcoólicos. Quando A.A. ainda ensaiava os seus primeiros passos, vários psicólogos e médicos submeteram a um exaustivo estudo um grupo bem grande de chamados bebedores-problema. Não procuravam constatar o quão diferentes éramos uns dos outros; queriam conhecer os traços da personalidade, se é que existiam, que os componentes do grupo teriam em comum. Acabaram chegando a uma conclusão que horrorizou aos membros de A.A. daquele tempo. Esses distintos homens de ciência tiveram a “coragem” de dizer que a maioria dos alcoólicos investigados ainda eram infantis, emocionalmente sensíveis e cheios de mania de grandeza.

Quanto machucou a nós alcoólicos esse veredicto! Não nos permitíamos acreditar que nossos sonhos de adultos eram, muitas vezes, sonhos infantis. E, considerando a má fortuna com que a vida nos havia aquinhoado, julgamos perfeitamente natural o fato de sermos sensíveis. Quanto às atitudes decorrentes de nossa mania de grandeza, insistimos que havíamos sido tomadas apenas por uma nobre e legítima ambição de ganhar a batalha da vida.

A despeito disso, nos anos seguintes a maioria de nós veio a concordar com os médicos. Temos concentrado nossa atenção sobre nós mesmos e os que nos rodeiam. Sabemos que fomos cutucados pelo medo ou por ansiedades injustificáveis a fazer de nossa vida um só esforço para ganhar fama, dinheiro e o que supúnhamos fosse liderança. Assim, o falso orgulho tornou-se o outro lado da ruinosa moeda marcada “medo”. Simplesmente tínhamos que chegar primeiro para que pudéssemos encobrir as fraquezas do nosso interior. Com alguns êxitos esporádicos, alardeávamos as façanhas que seriam realizadas futuramente. Já com a derrota éramos secos. Se não conseguíamos muito sucesso material, nos tornávamos deprimidos e intimidados. Então os outros diziam que éramos do tipo “inferior”. Reconhecemos agora como éramos todos iguais. No fundo, todos havíamos sido medrosos de uma forma fora do comum. Não tinha importância se havíamos descansado à margem da vida, bebendo até o esquecimento, ou havíamos mergulhado voluntária e descuidadamente além de nossa capacidade e por isso perdemos o pé. O resultado foi sempre o mesmo – todos nós quase perecemos afogados num mar de álcool.

No presente, constatamos que nos AAs maduros, os impulsos distorcido foram restaurados à imagem do verdadeiro objetivo e postos na direção certa. Já não nos esforçamos mais para dominar ou controlar os que nos cercam com o sentido de nos tornarmos importantes. Não mais perseguimos a fama e a glória a fim de sermos elogiados. Quando, devido aos bons serviços que prestamos a parentes, amigos, patrões e à comunidade, atraímos a simpatia geral e, às vezes, somos escolhidos para funções de maior responsabilidade e confiança, tentamos ser humildes no agradecimento e nos esforçamos mais ainda com o ânimo de amar e servir. A liderança autêntica é aquela que tem por base o exemplo construtivo e não as efêmeras exibições de poder e glória.

É mais maravilhoso ainda sentir que não é necessário sermos especialmente distinguidos dentre nossos companheiros para podermos ser úteis e profundamente felizes. Muitos entre nós podem ser líderes proeminentes e nem querem ser. O serviço prestado com prazer, as obrigações cabalmente cumpridas, os reveses calmamente aceitos ou resolvidos com ajuda de Deus, o reconhecimento de que, tanto no lar como fora dele, somos confrades num esforço comum, o bem compreendido fato de que, perante Deus, todos os seres humanos são importantes, a prova de que o amor, livremente oferecido, na certeza traz um retorno total, a certeza de que não mais estamos isolados e sozinhos em prisões erigidas pela nossa mente. A segurança de que não somos mais desadaptados, senão que nos integramos e fazemos parte do esquema de coisas criadas por Deus – estas são as satisfações permanentes e legítimas de que fruímos, de uma vida correta que nenhuma pompa ou ostentação de riquezas materiais jamais poderá suplantar. Estávamos enganados com a verdadeira ambição; ela é o profundo e sadio desejo de viver uma vida útil e caminhar humildemente, por mercê de Deus.

Terminam aqui algumas considerações pelas quais analisamos os Doze Passos de A.A. Temos exposto tantos problemas que poderia parecer que A.A. consiste fundamentalmente em dilemas torturantes e no esforço para eliminá-los. Até certo ponto, é isso mesmo. Temos falado de problemas porque somos pessoas com problemas que encontramos uma saída por um caminho que nos eleva, e que desejamos compartilhar com os que dele possam tirar proveito. É somente aceitando e resolvendo nossos problemas que poderemos restabelecer a ordem em nosso interior, com o mundo ao nosso redor e com Aquele que reina sobre todos nós. A compreensão é a chave que abre a porta dos princípios e atitudes certas e a ação correta é a chave do bem viver. Portanto, alegria de viver bem é o tema do Décimo Segundo Passo.

Em cada dia que passa em nossa vida, que cada um de nós sinta mais e mais o significado profundo da singela oração de A.A.:

Concedei-nos, Senhor,
a serenidade necessária
para aceitar as coisas
que não podemos modificar,
coragem para modificar
aquelas que podemos
e sabedoria para distinguir
umas das outras.

12. Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.
No Décimo Segundo Passo de A.A., o prazer de viver é o tema e a ação sua palavra chave. Chegou a oportunidade de nos voltarmos para fora em direção de nossos companheiros alcoólicos ainda aflitos. Nessa altura, estamos experimentando o dar pelo dar, isto é, nada pedindo em troca. Agora começamos a praticar todos os Doze Passos em nossa vida diária para que possamos todos, nós e as pessoas que nos cercam, encontrar a sobriedade emocional. Quando conseguimos ver em que o Décimo Segundo Passo implica, vemos que se trata do amor que não tem preço.

Este passo também nos diz que, como resultado da prática de todos os passos, cada um de nós foi descobrindo algo que se pode chamar de “despertar espiritual”. Para os AAs novos, este estado de coisas pode parecer dúbio ou improvável. Eles perguntam: Que querem dizer quando falam em “despertar espiritual”?

É possível que haja uma definição de despertar espiritual para cada pessoa que o tenha experimentado. Contudo, os casos autênticos, na verdade, têm algo comum entre si. Estas coisas comuns entre eles são de fácil compreensão. Quando um homem ou uma mulher experimenta um despertar espiritual, o significado mais importante disso é que se torna capaz de fazer, sentir e acreditar em coisas como antes não podia, quando dispunha apenas de seus próprios recursos desassistidos. A dádiva recebida consiste em um novo estado de consciência e uma nova maneira de ser. Um novo caminho lhe foi indicado, conduzindo-o a um lugar determinado, onde a vida não é um beco sem saída, nem algo a ser suportado ou dominado. Foi transformado em um sentido bem real, pois lançou mão de uma fonte de força que, de um modo ou de outro, havia negado a si próprio até aqui. Encontrou-se possuindo um grau de honestidade, tolerância, dedicação, paz de espírito e amor, dos quais se supunha totalmente incapaz. O que recebeu foi um presente de graça, contudo, geralmente, pelo menos em uma pequena medida, tornou-se pronto para recebê-lo.

Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições – Áudio da Fita os Doze Passos – Imagens dos Doze Passos ilustrados. A disposição em qualquer Grupo ou Escritório de A.A na íntegra.

Direitos autorais de Alcoholics Anonymous World Services, Inc.; publicado com permissão

O amor entre nós AAs. É um sentimento tão divino que muitas vezes foge à nossa compreensão.
Através deste amor somos movidos a caminhar juntos pela vida levando compreensão, perdão, tolerância, desapego; dando valor ao que realmente tem valor, não ficando presos a palavras, gestos, fatos, eventos ou situações emocionais, pois tudo isto é muito pequeno comparado à grandeza do nosso espírito, à grandeza da vida que A. A. nos proporciona.
É neste caminhar juntos que fazemos nossa parte amando nossos companheiros como a nós mesmos, entregando ao Poder Superior nossa vida, nossas situações conflitantes e dolorosas visualizando sempre nossa grande meta que é tão somente nosso amadurecimento espiritual.
Existe outra maneira de atingirmos nossa paz interior senão através do amor?
Do dar que não pede recompensa?
Do amor sem nada pedir em troca?
Este amar que vai além…
Nós Aas. Após havermos experimentado um despertar espiritual graças aos Passos sabemos que há retorno sim, porém do Amor Divino e real que é a alegria de viver! A verdadeira felicidade está em termos a capacidade de expressar este amor.
Que o Poder Superior nos conceda a graça de continuarmos na emoção de levar emoção, reconciliando sentimentos, encurtando distâncias através das palavras, palavras estas, que vocês nos enviam e que aliviam a dor e o sofrimento daqueles que ainda não conhecem A. A.
Que a luz que guia o mundo possa também iluminar os seus sonhos.

12º Passo:
“Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades”.

Sinto prazer em ver uma pessoa sair do atoleiro e evoluir. Sinto gratidão ao dar o que recebi de graça.
Com sinceridade, levo a mensagem de A. A. por interesse pessoal, uma vez que, caso não haja ingressantes muitas portas poderão se fechar e, como conseqüência, ficará mais difícil a manutenção da minha abstinência alcoólica.
Hoje, passados treze anos e seis meses que estou buscando a sobriedade plena percebi que meu objetivo maior dentro da Irmandade de Alcoólicos Anônimos é ser uma pessoa normal, pois, quando alcoolizado era totalmente insano; o que eu fazia sob o efeito álcool não era nada normal.
Certa noite estava conversando com um companheiro de grande sabedoria e este me falava: – enquanto o companheiro tiver dúvida ou não aceitar os Passos, não tem jeito, não tem futuro na Irmandade, invariavelmente vai voltar ao copo.
Realmente, ele tem razão, como posso experimentar um despertar espiritual se arrasto comigo alguma dúvida? Para que eu possa transmitir uma mensagem tenho que ter convicção plena daquilo que estou falando.
Vejamos o outro lado da moeda. Quando vim para a Irmandade, não vim porque era modismo ou era um local agradável.
Vim porque estava no fundo do poço, perdendo a vida, perdendo a família e a dignidade.
Vim porque era impotente perante o álcool e porque o álcool havia dominado totalmente a minha vida.
Vim por acreditar que um Poder Superior a mim mesmo poderia devolver-me a sanidade e, com isso, decidi entregar minha vontade e minha vida aos cuidados de um Deus Amantíssimo, na forma em que O concebo.
Fiz um minucioso e destemido inventário moral de mim mesmo e admiti perante Deus e a outro ser humano a natureza real de minhas falhas; estendi as mãos espalmadas a Deus para que removesse meus defeitos de caráter.
Voltei a Ele, humildemente, para que me livrasse de minhas imperfeições.
Relacionei as pessoas que feri e fiz reparações, sempre que possível e me propus a continuar fazendo inventários e reparações ao longo de minha vida.
Estes Passos a meu ver são como construir uma casa: – escolher o terreno, planejar, fazer alicerce, a base, construir as paredes, fazer a laje superior, fazer o telhado, dar o acabamento e mobiliar.
Com esta casa pronta procurei, através da prece e da meditação, melhorar meu contato consciente com Deus Amantíssimo, na forma que eu O concebo, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a mim, para melhor viver nesta casa que construí.
Agora sim, sinto alegria de viver e quero passar para frente, compartilhar meu novo modo de vida, dar sem nada pedir em troca porque já recebi tudo!
Após este despertar espiritual, minha vida transformou-se muito.
Deixei de ser uma pessoa egoísta e querer tudo somente para mim; deixei de ser o alvo das atrações; comecei a olhar para os lados e ver as pessoas que sofrem por causa do alcoolismo, famílias sendo destruídas e passei a compartilhar com outras pessoas o que é, e para que serve a Irmandade de Alcoólicos Anônimos.
Em nossa Irmandade ocorre algo surpreendente: ela não transforma o pobre em rico; o analfabeto em literato; o feio em bonito; o velho em jovem e nem dá remédio, dinheiro, emprego, roupa ou soluciona nossos problemas, mas nos oferece condições para modificar e melhorar nossa vida!
A. A. é um programa de vida para toda vida; é uma escola que não dá diploma, mas nos transforma em seres dignos, íntegros, úteis e felizes!.

(Fonte: Revista Vivência – Nº 122 – Nov-Dez/2009 – JÁ – Santos/SP)

RUMO AO NOVO MILÊNIO COM AMOR E AÇÃO – PARA VOCÊ REFLETIR

VAMOS REFLETIR

RUMO AO NOVO MILÊNIO COM AMOR E AÇÃO.

O futuro de AA é o nosso maior desafio. Nosso primeiro dever quanto a esse amanhã, é o de manter à plena força o que agora temos. Só o mais vigilante cuidado pode assegurar que estejamos unidos para enfrentar e vencer nossas falhas e crises. As experiências são mais bem compreendidas, pela constante troca das mesmas e assim garantiremos o futuro dos doentes que sempre chegam e de nossa própria Irmandade. Pensemos seriamente naqueles que ainda virão a AA nos anos, séculos, milênios futuros, e queiramos que encontrem o que encontramos e quem sabe ainda muito mais, se possível for. Nenhum esforço, cuidado e vigilância será suficientemente grande, para conservar e ampliar constantemente a eficiência e força espiritual de AA, que é a energia mestra que nos mobiliza e tem origem no amor do Deus de nosso entendimento.

As tradições são o segredo de nossa força, pois tem origem na experiência, ela nos mantém dentro dos limites sugeridos para nosso modo de ação, com a finalidade de que AA permaneça vivo em quanto Deus quiser. Entendemos que o clamor dos desejos e das ambições deve ser silenciado, sempre que prejudique o grupo e a Irmandade como um todo.

Só conseguiremos sobreviver se permanecermos unidos; uma grande força para isso é o amor e a dedicação que temos pôr nossos companheiros e pêlos nossos princípios. As diferenças identificam cada indivíduo e fortalecem a unidade, não devemos ter medo do atrito dos pontos de vista opostos, isto é democrático. Temos que ter medo sim da destruidora raiva, do perigoso ressentimento e do desagregador personalismo, pois com eles, arranharemos nossa unidade e poderemos pôr em perigo nossa Irmandade. Teremos sempre um desafio, conviver com os diferentes e suas diferenças, praticando a tolerância e o amor para com nossos irmãos; este é nosso ponto crítico: Discordar, tolerar, compreender, conviver bem, perdoando e amando o outro em qualquer circunstância, dentro de nossas forças e limites. Cada um de nós no entanto, deve fazer a sua parte num grande esforço coletivo de ação para levar a mensagem de AA a todos os sofredores que estão chegando, e aos que virão no futuro. AA como um todo só será melhor e perdurará, quando cada um de nós for melhor, agregador, amoroso e justo, garantindo assim os serviços da Irmandade para todos nossos irmãos de doença, no porvir.

Para que AA prossiga pêlos tempos, precisamos também de muita ação. Ajo quando me reformulo, quando contribuo com dinheiro e serviço, quando estudo os princípios de AA, quando planejo, quando escolho o material e os veículos de distribuição e divulgação desse material e o público alvo, levando a mensagem certa, dentro dos princípios de AA e de suas tradições. Esta ação em caráter permanente é necessária para a perpetuação de AA. Entretanto se não estivermos impregnados do espírito de AA, que é um princípio de vida, de que não permaneceremos com o que temos, nem ampliaremos o que possuímos se não dermos um pouco do que temos e possuímos, seja em sobriedade, bem estar, amor e paz, dentro de nossas limitações, não teremos muita força nem coragem para agir, pois não teremos encontrado o segredo do amor aos nossos irmãos doentes e aos outros irmãos, aplicando os princípios de AA em todas as nossas atividades, como nos fala o 12° Passo de recuperação.

Como disse o Dr. Bob, somos companheiros e sócios na aventura de AA, trabalhando com os outros com amor. Obedecemos aos princípios de AA, porque precisamos e gostamos do tipo de vida que essa obediência nos traz.

Sempre temos que nos perguntar, qual é a melhor coisa cheia de amor que podemos fazer? Amemos sempre o que o outro tem de melhor e nunca tenhamos medo de seus defeitos.

O sofrimento e o amor são nossos mestres, não precisamos de nenhum outro, isto nos mobiliza para levar permanentemente a mensagem de AA adiante.

Seguindo os princípios de AA, teremos certamente assegurado, que não só os irmãos doentes do futuro terão AA no terceiro milênio, mas também pêlos milênios afora.

Que o Deus de nossa compreensão nos mostre, e nos de coragem e forças para cumprir Sua vontade, e AA terá vida para sempre.

O grupo e o relacionamento com a sociedade

Sabemos que o princípio básico de A. A. é um alcoólico conversando com outro alcoólico, e seu único propósito é a transmissão da mensagem ao alcoólico que ainda sofre. Foi exatamente assim que tudo começou com Bill W. Conversando com o Dr. Bob e posteriormente, os dois passaram suas experiências a outro alcoólico, iniciando aí o que mais tarde se tornaria esta extraordinária Irmandade mundial que há 72 anos vem ajudando milhares de doentes alcoólicos a paralisarem com a bebida.
Para que a Irmandade conseguisse crescer e solidificar como uma instituição, foi necessária a participação ativa de várias pessoas não alcoólicas, que deram seu tempo e sua boa vontade para nos ajudar. Possivelmente, sem a ajuda desses amigos, dificilmente Alcoólicos Anônimos chegaria a 180 países levando a sua mensagem e salvando milhões de vidas.

Pelo fato do alcoolismo ser um problema milenar, mesmo antes de existir Alcoólicos Anônimos, já havia pessoas não alcoólicas trabalhando na tentativa de resolver o problema. Em nossa história, o primeiro não alcoólico que teve uma influência muito grande na formação da Irmandade, foi o Dr. Silkworth, o médico que cuidou de Bill W. Algum tempo depois de sua participação nos Grupos Oxford, Bill W. procurou o Dr. Silkworth e comentou com ele sobre o seu fracasso com os bêbados. Contou para o médico que enquanto falava com os bêbados, ele, Bill, não tinha vontade de beber, mas nenhum dos bêbados conseguia ficar sem beber. Após ouvi-lo, Doutor Silk escreveu uma página fundamental na história de A. A.: “Veja Bill”, ele disse, “você somente conseguiu fracassos porque está pregando a esses alcoólicos. Você está lhes falando a respeito dos preceitos do Grupo Oxford – (os absolutos)… e da sua misteriosa experiência espiritual…. Isso é uma ordem…” e continua. Foi depois desse conselho do Dr. Silkworth, é que Bill W. viajou para a cidade de Akron e encontrou o Dr. Bob. Vejam o que Bill relata no livro “A. A. Atinge a Maioridade”: “Agora – conversando com o Dr. Bob – lembrei-me de tudo o que o Dr. Silkworth tinha dito. Então fui devagar com minha experiência religiosa. Comecei a falar apenas a respeito de meu próprio caso, até que ele se identificou comigo e começou a dizer: “Sim, é isso mesmo. Eu sou assim.” Como o Dr. Silkworth, houve muitos outros não alcoólicos que participaram ativamente na construção de A. A., como: Walter Tunks e Padre Edward Dowling, Samoel Shoemaker (religiosos), Henrietta Seiberling, Irmã Ignátia, Dr. Harry Tiebout (Psiquiatra), Dr. Bernard Smith, Willard Richardson, Frank Amos, Jack Alexander, John D. Rockfeller Jr., T. Henry e Clarace Willians, e muitos outros.
Assim como estes amigos tiveram participação ativa na formação de A. A., hoje continuamos precisando dos não alcoólicos, pois, dificilmente, conseguiremos continuar com os nossos trabalhos sem esta cooperação. Sabemos também, que para mantermos um bom entrosamento entre A. A. e a sociedade, precisamos antes de mais nada nos preparar internamente, para levarmos uma mensagem correta sobre quem somos, onde estamos, o que fazemos e o que não fazemos. Só assim, poderemos cumprir a nossa Quinta Tradição sem trazer prejuízos para o grupo, bem como para a Irmandade como um todo.

Atualmente, o CTO-Sede e os CTO’S dos Distritos têm recebido pedidos de informações de todas as partes como, representantes de Hospitais, Universidades, Escolas, Empresas, Justiça, Conselhos Tutelares e outros – às vezes, estes pedidos são feitos diretamente aos grupos. Porém, a falta de informações interna e externa sobre a nossa Irmandade, tem ocasionado algumas dificuldades nesta relação, pois, a abertura dos Grupos para a participação ativa de não alcoólicos nos grupos, tem confundido a forma de se relacionar com a sociedade. Eles entendem que relacionar com a sociedade, é permitir a participação de não alcoólicos em todas as reuniões do grupo, porém, não percebem que agindo assim estão ferindo praticamente todas as Tradições, ou seja, a 1ª, 3ª, 4ª, 5ª, 7ª, 10ª e 12ª. No entanto, conforme consta no livreto “O Grupo de A. A.”, o grupo poderá realizar reuniões fechadas destinadas exclusivamente a membros de A. A. e a pessoas que têm um problema com a bebida e “têm um desejo de parar de beber” e reuniões abertas que são franqueadas a qualquer pessoa interessada no programa de recuperação do alcoolismo sugerido por Alcoólicos Anônimos. Entendemos que estes problemas acontecem, por falta de conhecimento das Tradições e de como é feito o trabalho de informação à sociedade. Para a prática deste trabalho existe o CTO-Comitê Trabalhando com os Outros que cuida dessa atividade, onde seus integrantes se preparam antes de entrar em ação. A formação deste Comitê se dá a partir do grupo, quando este elege o seu RCTO (Representante de CTO) e ele junto com os outros RCTO’s de outros grupos, formam o CTO do Distrito.
Devemos lembrar que nós os membros somos anônimos, porém, a Irmandade não. “Precisamos levar a mensagem, caso contrário, nós mesmos poderemos recair, e aqueles a quem não foi dada a verdade podem perecer”. (Manual de Serviços).
Precisamos colocar a Irmandade à disposição de quem precisar e quiser. Porém, devemos ter cuidado para não afiliarmos há nenhum movimento ou instituição como nos orienta a Sexta Tradição. Também, não devemos oferecer serviços que fogem do nosso propósito primordial. Como exemplo, os Grupos estão vivenciando uma fase de complicações, ou seja: algumas instituições estão enviando familiares de alcoólicos internados nas mesmas, para freqüentar às reuniões de A. A. e com isso, adquirir condições para visitar seus parentes. Isso, sabemos que não está correto, pois, estas pessoas além de participar indevidamente das reuniões, ainda solicitam do Grupo, uma declaração de sua freqüência. Sendo que o Grupo não tem personalidade jurídica e é anônimo, ele não poderá atestar nada e nem dar declaração, pois, a finalidade do Grupo de A. A. é a troca de experiências entre os seus membros para conseguirem permanecer sóbrios. O Grupo de A. A. não pode resolver os problemas de todo mundo, se assim, ele proceder, irá se perder e não irá ajudar ninguém.

Conforme as coisas vão se modificando na sociedade a cada dia, vai se tornando necessário e urgente, a busca do conhecimento das Tradições pelos grupos para que possam se proteger das interferências externas em seus assuntos.
Bill W. com a sua sabedoria e a iluminação divina, Bill forjou às Tradições para proteger o grupo tanto dos membros e das influências externas. Para tanto, a Nona Tradição fala da criação e/ou formação de juntas ou comitês para nos servir e serem responsáveis pelos serviços que o grupo como tal não deveria fazer. Por isso, devemos deixar que os serviços sejam executados por quem de direito. Vamos respeitar a Quarta Tradição e observar o alerta desta Tradição que diz: “Sapateiro não vás além de tua chinela”.
Como o grupo deve proceder quando se ver diante dessa situação?
De quem é a responsabilidade para cuidar desses assuntos?
O que o grupo de A. A. pode fazer e o que ele não pode?
A presença de pessoas não alcoólicas em todas as reuniões do grupo de A. A., fere alguma Tradição ou não?

Quem cuida do relacionamento do grupo com a sociedade?

Obrigado,

O GRUPO DE A. A.

– O Grupo de A.A. – Como Entidade Espiritual:

Para caracterizarmos o Grupo de A.A. como uma Entidade Espiritual, necessário se faz retornarmos no tempo e buscarmos nas primeiras preocupações com o trato do problema do alcoolismo as experiências obtidas. Senão vejamos:
A história de A.A. nos leva ao encontro do alcoólatra Holland H. com o eminente psiquiatra Dr. Carl Gustav Jung, em meados de 1930. Deste encontro tiramos a conclusão do que foi dito pelo Dr. Jung à Holland: “Que sua recuperação seria impossível pela ciência”. Disse-lhe também que a esperança de tal acontecer, residia na possibilidade de que ele, Holland H. chegasse a ter algum tipo de experiência espiritual ou religiosa, que buscasse um ambiente religioso e esperasse o melhor.
Em carta resposta que enviou a Bill W. o Dr. Jung diz: “A única forma correta e legítima para a dita experiência espiritual ou religiosa, é que ela ocorra realmente com você, e somente acontece quando estiver transitando pela estrada que conduz a uma compreensão mais elevada. Pode ser conduzida a esta meta por um ato de pura graça, por meio de um contato pessoal e honesto com semelhantes, ou ainda através de uma educação aprimorada da mente, mais além dos confins do mero relacionamento” .
Analisando as palavras do Dr. Jung, sentimos que Holland H. escolheu a segunda opção face às circunstâncias. E aí tudo começou, Holland H. conversando com Ebb T.; Ebb T. conversando com Bill W.; Bill W. conversando com Dr. Bob; Bill W. e Dr. Bob conversando com Bill D., ou seja um alcoólico conversando com outro alcoólico, sem desejar nada em troca, e nenhuma recompensa a não ser a esperança de continuar sóbrio.
Ainda com o objetivo de situar o Grupo de A.A. como Entidade Espiritual, lembremos os Grupos Oxford do clérigo Sam Snoemaker, ou da Igreja do Calvário onde os membros dos Grupos Oxford mais necessitados eram assistidos e alimentados. Lembremos de quando Bill W. em companhia de Alec, apesar de Ebby tentar impedi-los, se atiraram de joelhos diante do púlpito na Igreja do Calvário entregando suas vidas a Deus. E foi destes Grupos, que Bill W. selecionou os princípios que mais tarde transformaram- se em nossos Doze Passos. Foi vivenciando os Grupos Oxford que Bill W. pode aprender o que fazer e o que não fazer em relação aos alcoólicos. Como exemplo eis algumas lições aprendidas:
– Que não deveríamos ser um movimento de temperança, mas um movimento que deve se limitar a levar o alcoólico à sobriedade, isto é, em vez de se preocupar em salvar o mundo das diversas chagas sociais, A.A. deve se preocupar apenas em libertar os alcoólatras dos grilhões do alcoolismo.
– Que outras idéias e atitudes, como os famosos “Conceitos dos Absolutos”, é muitas vezes demais para os bêbados. Que as idéias de Pureza, da Honestidade, do Desinteresse e do Amor, devem ser alimentadas com colheres de chá homeopaticamente e não em doses cavalares.
– Que o anonimato é essencial, não só para proteger a Irmandade, mas também como instrumento para o desenvolvimento da espiritualidade. Que o membro de A.A. respeitando este princípio do anonimato, poderá agir e trabalhar, sempre com o espírito de ajuda ao próximo, de compreensão, sabendo que aquela sua ação ou trabalho jamais será trampolim para alcançar a fama, prestígio ou poder.
– Que A.A. deverá sempre dar a liberdade de falar, pensar e agir livremente, uma vez que o alcoólatra jamais se submeterá a quaisquer tipo de pressão, a não ser aquela exercida pelo álcool.
– Que A.A. jamais deverá intrometer-se na vida particular e privada de seus membros e, portanto, não fornece uma “orientação coletiva” para seu comportamento e aplicação na sua própria vida.
– Que A.A. apenas pode sugerir os Princípios de Recuperação, deixando sob a responsabilidade do próprio doente alcoólico a opção de exercitá-los ou não. Mas fica a advertência que, se seus membros desejam uma vida útil e feliz, não existe outro caminho, que não seja a submissão a estes Princípios.
Como podemos perceber, estes são princípios espirituais, que foram aproveitados dos Grupos Oxford e legados a nós membros ativos da Irmandade de A.A. para pô-los em prática.

– O Grupo de A.A. – E o Espaço Físico:

A imagem física do Grupo de A.A. deve ser perfeitamente sintonizada com a imagem espiritual. A simplicidade deve revestir o espaço físico ocupado, de forma a permitir que ali se instale – pelo propósito único de seus membros na prática dos princípios espirituais da Irmandade – o ambiente espiritual a que se referiu o Dr. Jung, propiciador da recuperação através de um “Despertar Espiritual”.
Em síntese, o espaço físico, só será condizente com o que se propõe um Grupo de A.A., quando o seu visual no plano material, mantido pela relação espírito/matéria, estiver perfeitamente sintonizado com os Princípios da Irmandade: Recuperação, Unidade e Serviços.
O relacionamento matéria/espírito iniciou-se segundo Bill W., quando Ebb T. gastou de seu dinheiro para telefonar e pagar a passagem do metrô para ir ao seu encontro e transmitir a mensagem.

– Responsabilidade de Prover Espaço Físico:

Já sabedores de que nosso espaço físico é simples na sua aparência (física), podemos respirar aliviados e certificarmo-nos de nossa condição de participação.
Nossa Sétima Tradição nos diz: “Todos os Grupos de A.A. deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora”. Desde nossa primeira participação numa sala de A.A. constatamos este fato, (através de uma sacola), evidentemente sentiremos ainda que seja tênue, a responsabilidade de também contribuirmos com a sacola. Este é o único lugar em A.A. onde o material funde-se com o espiritual. Por esta razão, devemos ter sempre em mente que: “O metal só brilha se houver luz”. Pode-se entender que o dinheiro (metal), só atingirá seu objetivo se for iluminado pela intenção da luz (espiritual) .
Diante do exposto concluímos que: a responsabilidade de prover o espaço físico do Grupo de A.A., cabe aos membros que compõem a Irmandade, a partir do seu auto-ingresso na mesma.

– Diferença entre Grupo de A.A. e Reunião de A.A.:

Talvez não seja bem aplicada a expressão “diferença”, desde que acreditamos que o Grupo de A.A. depende das Reuniões, e as Reuniões de A.A.dependem dos Grupos de A.A. Assim entendemos que: os Grupos de A.A. continuam a existir além dos horários das Reuniões, ajudando quando solicitado, com o 12º Passo, trabalhando em instituições e atividades de I.P. (Informação ao Público), integrado em Comissões de Colaboração com a Comunidade Profissional (CCCP) e Comissões Institucionais (C.I.), por intermédio do Organismo de Serviços Locais.
Assim a Consciência Coletiva de A.A. a nível mundial, parece concordar em seis pontos que definem um Grupo de A.A.:

1) Todos os membros de um Grupo de A.A. são alcoólicos, e todos os alcoólicos são qualificados para serem membros.

2) Como Grupo ele é totalmente auto-suficiente.

3) O propósito primordial de um Grupo é o de ajudar alcoólicos a se recuperarem através dos Doze Passos.

4) Como Grupo ele não emite opinião sobre quaisquer assuntos alheios à Irmandade.

5) Como Grupo sua norma de procedimento para com o público, se baseia na atração ao invés da promoção, e seus membros mantêm o anonimato em nível da imprensa, rádio, televisão e cinema.

6) Como Grupo ele não possui nenhuma outra filiação.

A realização de Reuniões programadas regularmente é a principal atividade de qualquer Grupo de A.A. Algum grau de organização é necessário para conservar a funcionalidade e a eficácia de tais reuniões. Nossa Quarta Tradição diz que: “Cada Grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros Grupos ou ao A.A. em seu conjunto”. Previsivelmente, portanto, as reuniões realizadas por nossos milhares de Grupos têm cada uma suas próprias características.

– O Grupo de A.A. – Cumprindo o seu Propósito:

Conforme está explícito em nossa Quinta Tradição, o único objetivo primordial de um Grupo de A.A. é o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
Nesta máxima duas perguntas se nos apresenta: A primeira é – Qual a mensagem deverá que deverá ser transmitida? A segunda é – Quem é o alcoólatra que ainda sofre?
Claro está que a resposta á primeira pergunta é: A Mensagem a ser transmitida é a Mensagem de A.A.; é a mensagem de esperança de futuro promissor; é a mensagem que irá mostrar ao doente alcoólico, a luz no fim do túnel em que ele entrou quando da sua militância alcoólica. É a mensagem legada a nós membros de A.A., através dos Doze Passos, aliás, nesta máxima ainda podemos notar que muito sabiamente está registrado “Transmitir a Mensagem” e não “Levar a Mensagem”. Será que já sabemos fazer a diferença entre a transmitir a mensagem e levar a mensagem?. Pesquisando no Dicionário, verificamos que: TRANSMITIR é “fazer passar de um possuidor ou detentor para outro” e LEVAR é fazer passar de um lugar para outro. Transportar” . Donde verificamos que – para se transmitir uma mensagem, principalmente de otimismo e esperança, é necessário antes de mais nada, ter tido uma experiência anterior ou vivido algo semelhante e com relativo ou mesmo grande sucesso.

Para a pergunta número dois, poderemos deduzir que o alcoólatra que ainda sofre, pode estar dentro do Grupo, assistindo mas não participando da reunião. Em conseqüência desta observação, formulamos uma terceira pergunta. Será que os Grupos de A.A. estão preparados para cumprirem seu propósito primordial de transmitir a mensagem de A.A. ao alcoólatra que ainda sofre? Particularmente não sei responder e acredito que não saberemos respondê-la, mas o que nós sabemos e procuramos despertar em nossos irmãos em A.A. é que, para atingir este propósito primordial, tão decantado e enfatizado na Quinta Tradição, torna-se absolutamente necessário, que algumas condições e circunstâncias sejam satisfeitas. E Alcoólicos Anônimos, na sua sabedoria, já nos oferece de mão beijada estas condições, basta apenas que nós, integrantes de um Grupo de A.A., as satisfaçamos. E a condição básica e essencial é que reine no Grupo de A.A., um ambiente de paz, de harmonia, de fraternidade, de confiança mútua e a somatória das qualidades que poderemos denominar de BEM-ESTAR COMUM.
Se um Grupo de A.A. dedicar todo o seu entusiasmo em criar tal ambiente, – o do BEM-ESTAR COMUM – meio caminho foi andado e vencido, para favorecer ao doente que ainda sofre. E o grande instrumento para se encontrar ou criar este ambiente, é a chave da Boa Vontade. Boa Vontade para aceitar que todas as decisões a serem tomados pelo Grupo de A.A., sejam tomadas através da Consciência Coletiva e não “na opinião do Grupo de A.A…. ” Também é necessário que o Grupo de A.A., esteja sempre com as portas abertas para receber o possível doente alcoólico que foi procurá-lo. E, em sendo procurado, evitar a todo e qualquer custo ou sacrifício, criar-lhe quaisquer tipo de obstáculo ou entrave, e até pelo contrário, deverá proporcionar- lhe as melhores condições de facilidade, oferecendo-lhe companheirismo, confiança e camaradagem, . É necessário também que, no Grupo de A.A. que deseje cumprir o seu propósito primordial, seus membros saibam respeitar não só os seus próprios limites e o de outros Grupos, mas também e principalmente os limites dos outros segmentos da sociedade. É necessário também para um Grupo de A.A. que deseje cumprir o seu propósito primordial, que se abstenha de coligar-se com qualquer outro Grupo de Ajuda Mútua ou movimento similar, evitando assim sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. Com estes procedimentos, muitos problemas poderão ser evitados e, dentre estes podemos citar, o problema da busca da fama, prestígio e poder, o que certamente os afastariam do seu propósito primordial – o de Transmitir a Mensagem ao Alcoólatra que ainda sofre.

– O Grupo de A.A. – E NOSSAS FALHAS:

A Tradição Cinco e o Passo Doze, que trazem em seu bojo a essência da nossa Irmandade, não sendo compreendidos e aplicados, tornam-se um empecilho à recuperação daqueles que já pertencem à Irmandade e àqueles que estão para chegar. A coragem para mudar aquelas coisas que posso, se aplica perfeitamente dentro de nossas falhas.
A justificativa de que deu certo para alguns, tem que ser descartada, porque o Programa de Recuperação sugerido por Alcoólicos Anônimos, é para todos e não para alguns.
Como a primeira tradução para o português do Livro Azul, livro básico de A.A. somente ocorreu nos idos de 1973 (?), podemos com absoluta certeza afirmar que de 1947 a 1973 (?), toda mensagem recebida e transmitida, baseava-se no folheto que o publicitário americano Herbert L. Daugherty entregou ao economista inglês Harold W. para traduzi-lo – “Folheto (Livro) Branco”, não tivemos a oportunidade de iniciarmos o A.A. no Brasil, com o livro básico de Alcoólicos Anônimos. Sabemos das dificuldades encontradas pelos nossos pioneiros, dificuldades estas vencidas através de suas boa vontade quase sempre alicerçadas no EU ACHO. Mas hoje os tempos são outros, e já contamos com um elevado número de títulos da Literatura de A.A., traduzidos e distribuídos pela JUNAAB.
Pergunta-se então: Porque continuamos persistindo em transmitirmos a mensagem de A.A., contrariando nossos escritos? Talvez esta seja a nossa principal falha.
Temos consciência que estamos errados e não temos coragem para mudar. Podemos observar que mesmo nossos Órgãos de Serviços cooperam para que a mensagem de A.A. seja distorcida. Numa rápida análise, uma verdadeira avalanche de coisas materiais, são oferecidas como integrantes do Programa de Recuperação, visando apenas o lucro material, contrariando frontalmente o enunciado na Tradição Cinco. No apêndice do LIVRO AZUL – cada grupo de A.A. deve ser uma entidade espiritual.. .
Que entidade espiritual é esta que oferece objetos materiais? A Mensagem de A.A. é uma proposta de crescimento espiritual, uma nova maneira de viver, através dos Doze Passos – princípios espirituais – que se aplicados em nossas vidas, podem expulsar a obsessão pela bebida alcoólica.
Existe uma idéia generalizada, que o Brasil é um país com grande número de analfabetos. Devemos lembra que o analfabeto não é surdo. O analfabeto ouvindo é tão capaz de transmitir a mensagem ouvida, como um erudito…
Nossos Doze Conceitos para Serviços Mundiais, lembram-nos que não existe A.A. de segunda classe. Todos nós membros de um Grupo de A.A., temos que ouvir a mesma mensagem. Se um Grupo de A.A. não ouve e não transmite a verdadeira mensagem de A.A., como pode ser um Grupo de A.A. em Ação? Um Grupo de A.A. em Ação, subtende-se que é um Grupo de pessoas imbuídas de um mesmo ideal, mesma confiança mútua, mesmo propósito, etc…
Para que isto aconteça, acreditamos que a liderança do Grupo de A.A., tem que acreditar nas mudanças necessárias e pagar o preço que estas mudanças acarretam. Devemos lembrar que estamos lidando com vidas humanas.
Em casos de vidas humanas, não existe meia recuperação. O Programa de A.A. é para recuperação integral do doente alcoólico que queira se recuperar e o Grupo de A.A. deve estar à disposição de qualquer um queira fazer parte deste Grupo de A.A., sem lhe ser apresentado nenhum obstáculo à sua chegada. Nossa falha é a de não abrirmos a caixa de ferramentas espirituais e colocá-la à disposição de quem os procura e também explicar-lhes como estas ferramentas têm nos ajudado. Nossa falha está em continuarmos desrespeitando nossas Tradições, da Primeira à Décima Segunda, que é a única maneira de nos mantermos unidos. A Tradição Nove é rica em ensinamentos quando diz: “a mesma sentença se aplica aos Grupos…”
Teríamos uma grande relação de nossas falhas, mas acredito que o plenário, também pode e deve acrescentar algumas falhas observadas no seu Grupo de A.A., no seu Escritório de Serviços, no seu Distrito, na sua Área… que as apresente, enriquecendo nosso trabalho.

Uma indagação: FALTA DE CORAGEM PARA MUDAR AQUILO QUE PODE SER MUDADO?

Isaias