RETORNO AO BÁSICO – A SÍNDROME DO PORRE SECO

A síndrome do porre seco da revista “Lo Mejor de Plenitud”

A SUGESTÃO É QUE SE FAÇA E MEDITE ENTRE O QUARTO E O QUINTO PASSOS;ENTRE A QUARTA E A QUINTA TRADIÇÃO

A síndrome do porre seco
A revista Mexicana “Lo Mejor de Plenitud”, tem um tema intitulado: “A Síndrome do Porre Seco” e me parece muito apropriado para analisarmos depois de termos tratado dos passos e tradições 4 e 5 . No que me toca, lhes digo que sinto calafrios depois de te-lo copiado. Em continuidade comparto-o para aqueles que desejem lê-lo. O tema nos diz que esta síndrome pode ser reconhecida pela presença de oito sintomas característicos, que são os seguintes.
1) Tendência em exagerar
2) Conduta infantil
3) Insatisfação Persistente
4) Negação de sua realidade não alcoólica
5) Racionalização de seus problemas neuróticos
6) Persistência dos problemas familiares
7) Conduta inadequada em seu grupo de AA
8) Angústia e depressão recorrentes
O processo de reabilitação do alcoólico que tem a determinação em deixar de beber é, certamente, um processo que implica autodisciplina, tolerância, paciência e persistência para alcançar a meta, tudo isso marcado pela humildade, boa vontade e mente receptiva (aberta) para cumprir com o programa de Alcoólicos Anônimos e deixar-se ajudar por outros que podem faze-lo. A abstinência é somente o primeiro passo de quem decidiu reabilitar-se, mas a verdadeira meta é a Sobriedade.
Talvez muitos ainda confundem qual é a diferença entre Abstinência e Sobriedade. Abstinência é simplesmente deixar de beber, mas sem lograr uma verdadeira mudança em todos aqueles defeitos de caráter e velhos hábitos que haviam determinado uma vida ingovernável, enquanto que Sobriedade implica não só deixar de beber, se não experimentar gradualmente um profundo cambio de todos aqueles aspectos negativos de nossa personalidade.
Muitos membros de AA que não levam a sério seu programa, sofrem freqüentemente de recaídas emocionais que obstaculizam sua Sobriedade. Estas recaídas emocionais constituem um conjunto de sintomas que provocam um estado de mal-estar e infelicidade no alcoólico na ativa, isto que se conhece como a “síndrome da bebedeira seca” ou simplesmente “síndrome do porre seco”. “La Borrachera seca”.
Chama-se “porre seco”, porque quem dela padece, exibe todos os transtornos típicos de uma vida ingovernável, apesar de que se abstém de beber. Esta síndrome pode se reconhecer pela presença de oito sintomas característicos, que são:
1 – Tendência ao exagero:
Aquele que sofre de um porre seco tende a passar de um extremo a outro. Mostra incapacidade em manter-se no intermédio (pratos da balança equilibrados), se antes se sentia culpado e cheio de auto-estima; pelo alcoolismo, agora tende a “inflar” suas próprias capacidades, inteligência e critério. Sente-se dono da verdade e pensa que tem o direito de dizer a todo mundo o que devem fazer e o que esta certo e errado. (Tem o rei na barriga)
Torna-se muito rígido e severo em julgar os demais, caindo freqüentemente no defeito de “ver a palha no olho alheio mas não vê a trave que esta no seu”. Tende tambem a viver acima de suas posses e continua sendo fanfarrão e presunçoso, como quando se embebedava. Torna-se impaciente e não tolera a frustração; isto torna-o uma pessoa irritadiça e impaciente.
2 – Conduta infantil
Ainda que não bebam muitos alcoólicos continuam sendo uns garotos em muitos aspectos. Com facilidade se aborrecem se distraem ou se desorganizam, são inconstantes, nunca terminam o que começaram. Permanecem amarrados às suas dependências emocionais de toda a sua vida passada e continuam na expectativa de que outros lhes resolvam seus problemas. Seguem superficiais e têm muita dificuldade para ter relações mais profundas, sólidas e de respeito mútuo com outras pessoas. Não são capazes em apreciar as belezas da vida e daquilo de que desfrutam as pessoas maduras. São sentimentalóides hipersensíveis e freqüentemente reagem em forma de caprichos infantis.
3 – Insatisfação persistente
O alcoólico na ativa com porre seco se sente permanentemente incômodo consigo mesmo, mas não sabe por que. Não tem capacidade em analisar os seus próprios conflitos, significa dizer, carece de uma percepção interior pessoal. Há uma atmosfera constante de amargura em tudo o que o rodeia e todos os demônios de sua vida passada executam uma dança macabra ao seu redor de modo reiterado e constante; seja acordado ou dormindo. Os demônios do passado sempre estão de tridente na mão, prontos para joga-lo no quinto dos infernos. As portas infernais estão sempre escancaradas à sua frente e satanás é quem povoa a sua cabeça com suas eternas tentações e culpas. Isto dá lugar a que, por um lado com freqüência esteja ancorado, no passado e por outro, esteja se futurando sistematicamente, por isso, experimenta medo e pessimismo em ralação ao futuro.
Tem um persistente sentimento de culpabilidade e nunca chega a reconciliar-se consigo mesmo. O passado dá lugar a que seja um indivíduo negativo e com grande inclinação a criticar tudo. É lhe penoso adaptar-se aos demais e freqüentemente tem conflitos com seus companheiros de grupo, amigos ou familiares, a quem sói hostilizar, e inclusive, chega a feri-los com suas atitudes. É o típico AA que tem saudades ou se agarra tenazmente aos tempos de alcoólico ativo e que não se sente feliz apesar de ter deixado de beber.
4 – Negação de sua realidade não alcoólica
Apesar de que este tipo de alcoólicos já aceitaram o seu alcoolismo e sua admissão em deixar de beber, não se “tem rendido” ante seus outros defeitos de caráter. Continuam soberbos, egoístas, dependentes e imaturos. Mas não o aceitam. Se autoenganam constantemente, e todo mal que lhes tenha acontecido, botam a culpa no álcool, mas jamais nas suas tendências neuróticas de sua personalidade. Para eles a única coisa importante. é “deixar de beber”, e pensam que graças à abstinência já têm chegado à perfeição. Geralmente nunca tem trabalhado seriamente no quarto e quinto passos do programa.
Existe uma grande diferença entre o que seus companheiros de grupo opinam sobre eles e o que eles dizem de si mesmos. Não toleram a crítica dos demais, e geralmente tendem a mudar freqüentemente de grupo “para não serem descobertos”. Muitos deles se refugiam no serviço ou na literatura e falam mais de outros ou sobre a teoria do programa que sobre si mesmos. Para este tipo de alcoólicos, tanto os familiares ou os amigos mais chegados a eles, concordam que a abstinência não tem sido suficiente para produzir uma verdadeira mudança neles.
5 – Racionalização de seus problemas neuróticos
Assim como antes tratava de justificar a sua forma ingovernável de beber mediante vários pretextos, agora trata de justificar suas tendências neuróticas mediante outros pretextos igualmente infantis e absurdos. Uma forma muito freqüente de racionalizar consiste em criticar os outros. Ainda que não negue as suas próprias faltas, procura escondê-las do conhecimento dos demais, usando como álibi a lista de erros de sua família, amigos, patrão, médico, companheiro de grupo ou de qualquer pessoa, sobretudo aquela investida de autoridade, realmente não esta nada interessado em mudar, se não muito bem trata de dizer a si mesmo: “Realmente não sou tão diferente dos demais.” Procura culpar a todos que o rodeiam, pelos seus próprios fracassos e erros. Sempre encontra um argumento muito convincente para não ir às reuniões de AA. Este tipo de indivíduo é alérgico a ter uma consulta espiritual com um sacerdote; pastor. ou um tratamento psicoterápico com um psiquiatra e especulam muito sobre a ignorância destes profissionais acerca dos problemas do alcoolismo, mas o que ocorre realmente é que ele tem muito medo de alguém que o coloque cara a cara com os seus problemas e erros ou ;frente a frente consigo mesmo. Como conseqüência desta cegueira emocional sobre os seus próprios defeitos de caráter, se comportam de modo muito submisso, quer dizer, aceitam a crítica e falam muito detalhadamente de seus defeitos pessoais, mas são incapazes de traduzir suas palavras em atos, ou seja, que seus feitos não são nunca iguais às suas promessas. Tambem são muito escorregadios (bagres) no que diz respeito a mudanças drásticas que impliquem sacrifícios e renúncias, o que se traduz em uma grande resistência ao cambio.
6 – Persistência dos problemas familiares.
Esse é o típico alcoólico “seco”, que apesar de não ter bebido, tem os mesmos problemas com a família, como quando era bebedor problema, continua, a maior parte do tempo, ausente de sua casa, sua esposa e seus filhos seguem sem ter o seu respaldo moral, não há o restabelecimento da comunicação na família, continuam os ressentimentos mútuos e as discussões e as disputas prosseguem exatamente iguais como quando bebia. Freqüentemente persistem os problemas de ciúmes ou de infidelidade apesar de vários anos de abstinência. Péssima relação com seus filhos, pais e irmãos sói ser característica nestes casos. Em muitos alcoólicos persiste tambem a dependência frente à sua mãe, à esposa ou algum membro da família com as mesmas características ou tendências de antes de deixar de beber, de serem atendidos ou esperar que os demais resolvam lhes os problemas. Em muitos casos de separação ou divórcio depois de ter-se incorporado aos grupos de AA se deve a que sua esposa não notou em seu cônjuge nenhum cambio positivo em relação à família apesar da abstinência.
7 – Conduta imprópria nos grupos de AA
Este é um sintoma típico da bebedeira seca. O alcoólico “seco” começa a fazer mau uso dos grupos de AA e se esquece dos objetivos do programa ao aplicar na prática as tradições. As manifestações de conduta inadequada são:
a) Crítica excessiva aos companheiros que usam a cabeceira de mesa, aos servidores e a todos em geral.
b) Chega atrasado ao grupo e se interessa mais com as politicagens do grupo, os mexericos ou as relações sociais.
c) Utiliza os grupos para conseguir emprego, fazer negócios pessoais ou seduzir aos membros do sexo oposto.
d) Ser indiscreto fora do grupo, comentar e criticar o que foi dito à cabeceira de mesa (tribuna) por algum companheiro ou até não respeitar o anonimato.
e) Ter a doença da “Tribunitis” (se lê tribúnitis) ou utiliza a tribuna para criar polemicas ou criticar os companheiros.
f) Se afasta progressivamente dos grupos de AA e se converte no melhor expositor de “histórias nuas e cruas”, e confunde os princípios com as personalidades.

8) Angústia e depressão recorrentes
O alcoólico “seco” longe de experimentar um bem-estar progressivo ao deixar de beber, continua em crise de angústia e depressão. Se sente inquieto, irritável, não esta satisfeito em nenhum lugar, sofre de insônia, medos inespecíficos, moléstias orgânicas como suor nas mãos, dor de cabeça, sensação de opressão no peito, sensação de “vazio” no estômago, dores nas costas, má digestão. As vezes tornam-se muitos violentos e arrebatados. Não conseguem concentrar-se bem. Se sentem tristes, cheios de autopiedade, sem esperança, culpados de algo, ressentidos sem ganas de trabalhar, pessimistas e, em muitas ocasiões pensam até em suicídio. Este tipo de alcoólico cai facilmente na automedicação de tranqüilizantes para poder dormir, ou em outras situações, caem em outras fármacodependências como a marijuana, as anfetaminas, ou os barbitúricos. Quando procuram a ajuda de um Psiquiatra, esperam uma solução rápida de seus problemas mediante medicamentos, e eles, não se submetem a uma psicoterapia de longo prazo. Costumam visitar muitos médicos, mas com nenhum deles fazem um tratamento sério. Tomam muitos medicamentos, mas nenhum chega a ser um alívio perfeito para eles.
Finalmente, diremos que o alcoólico que padece de uma bebedeira seca vive uma existência miserável. Experimenta limitações enormes para crescer, para madurar e para beneficiar-se das oportunidades com as quais a vida o brinda. Sua vida é um sistema fechado e suas atitudes e condutas são estereotipadas, repetitivas e previsíveis, suas opções são poucas e estéreis. A possibilidade de uma recaída em um alcoólico “seco” é dez vezes maior do que em um alcoólico sóbrio. Na maioria das vezes a síndrome do porre seco é somente o reflexo de uma neurose ou um grave transtorno de personalidade, que necessita da ajuda psiquiátrica, alem da do programa de Alcoólicos Anônimos.
Entre nós ela é muito conhecida como “porre seco”; “bebedeira seca”; “borrachera Seca”, “embriaguez seca”….e outros…..
Agradeço do fundo do coração ao amigo e companheiro Ramiro que prontamente me atendeu, não só me enviando este artigo, mas tambem dando a sua autorização para que ele fosse publicado.

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2 thoughts on “RETORNO AO BÁSICO – A SÍNDROME DO PORRE SECO

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