Monthly Archives: Junho 2013

PARAR DE BEBER É APENAS O COMEÇO

Parar de beber é apenas o começo
Em nossas trocas de experiências, compreendi que para se tornar alcoólico, o fato não está na quantidade consumida nem na freqüência no beber. Nem no velho ou no jovem. Nem mais no homem do que na mulher. Mostrou-me as experiências que um alcoólico pode beber apenas uma vez por semana, enquanto um bebedor social pode até fazer uso diário do álcool. No meu caso, as características foram compulsão nas ocasiões mais impróprias e a perda de controle na maioria delas, levando-me à falta total de responsabilidade sob todos os aspectos.
Para criar coragem e dançar colado com as meninas nas festinhas, tomava hi-fi. Eu tinha 17 anos. Meus amigos todos bebiam e eu achava supernormal. Entre doses de hi-fi, cheguei à fase adulta. Pensei em ser padre, mas a bebida me fez perder a fé. Aos 28 anos, era militar e estava casado. Bebia mais que o aceitável. Como eu podia me achar impotente diante da bebida? Militares não se rendem, batalham até a morte! Assim, eu pensava. Meu casamento entrava em crise. No trabalho, o humor modificava. Chegava de ressaca. Sexta-Feira era o dia mais esperado. Embora bebesse nos demais dias. Começava a beber na Sexta à noite e só parava no Domingo, muitas das vezes sem voltar para casa. Meus filhos cresceram e eu nem fazia mais questão de esconder a embriaguez da família. Minha vida estava destruída – moral, física e financeiramente. No dia 26 de dezembro de 1976, fui a uma reunião de AA. Fui acompanhado de meu pai. Eu me rendi. Vi que precisava de ajuda. Estava doente. Fui ajudado e venci. Alcoólicos Anônimos modificou a minha vida. Houve reformulação. Integrei-me em AA.
Superar o orgulho, a vaidade, o narcisismo, o fingimento, e “reconhecer que já não bebe só quando quer e o quanto quer”. Aceitar que “não é mais a mão que procura o copo, mas o copo que a atrai” e “sentir que não tem mais controle sobre o álcool, que não adianta mais continuar sendo dominado por ele” (conforme depoimentos de membros anônimos e, minha aceitação) são fatores importantes para uma abertura de mente. Dar o Primeiro Passo ou praticar o Primeiro Passo ou integrar-se ao Primeiro Passo ou mesmo, entregar-se ao Primeiro Passo é dificílimo, quando não se tem ainda a mente aberta!
Depois de quase dez anos, onde muitas vitórias foram contabilizadas, tive a primeira recaída. Foi num churrasco. Tomei algumas doses de cachaça. Fraquejei. Aí, envergonhado, quis me recriminar e me puni cada vez mais. Bebi sem controle. Embora já passados mais de quinze anos, trago ainda recordações muito vivas. Lembro-me que os antigos hábitos estavam de retorno, relacionamento extraconjugal, ausência nos grupos e o saudosismo das velhas músicas tocadas por amigos nas mesas de bares.
Graças ao Poder Superior, eu nunca me “desencantei” pelo AA. ao longo de todo o meu sofrimento. Nunca me ausentei mais do que oito dias de um Grupo. Nunca cheguei alcoolizado. Durante este tenebroso período eu me analisava muito, conforme algumas descobertas de escritos encontrados já amarelados dentro de um livro: “Os meus sintomas provenientes da recaída foram e são, pois continuam apenas adormecidos e armazenados no meu organismo: amargura e forte depressão; amnésia parcial, onde o esquecimento de coisas e atos ocorridos na noite anterior são totalmente visíveis; descontrole nervoso, onde acessos de comportamentos de histeria (ou seja, princípios de loucura) aparecem, provocando desejos de suicídios e agressões físicas e verbais descontroladas; impotência sexual parcial e diminuição da visão”. Em outro alfarrábio eu encontrava: “Preciso aliar a vontade de beber com o controle emocional. Normalmente é este descontrole que me leva ao 1º Gole, pois a vontade de parar e mesmo deixar definitivamente a bebida de lado, sempre me acompanha antes, durante e depois. Esta obsessão é misteriosa!”.
Lembro-me da minha última bebedeira: Bebi num boteco e não sabia voltar para casa. Dormi num ponto de ônibus e acordei sobre o meu próprio vômito. Sobre isto eu “descobriria” outro alfarrábio, que escrevera naquela época preenchida de tanto remorso: “Trago ainda recordações muito recentes, quando iniciando a beber no final da Asa Sul, próximo à minha casa, fui ao Guará, depois Núcleo Bandeirante e de lá um “disco voador” deve ter me conduzido ao Plano Piloto (Setor Comercial Sul), pois não me lembro como lá cheguei. E ainda eram de 7 para oito horas da noite de um domingo. Terminei dali pra frente rodando por Brasília, indo de táxi para o Gilberto Salomão e atravessando depois toda Asa Norte (ou seja, “zig-zaguiei” quase a metade do Distrito Federal), ficando deslumbrado com alguém que tocava violão, num dos bares das finais das Quadras 200 Norte… Me esqueci onde estava. Não me lembrei do meu endereço. Procurei alguém conhecido. Não encontrei. Acordei-me às 05:00h da manhã deitado sob uma marquise de um ponto de ônibus. Recobrei um pouco os sentidos. Era o barulho do ônibus que embarcando nele segui o seu rumo, destinado a ir para onde ele fosse. Ainda bem que chegou ao seu ponto final, que por muita sorte e a continuidade da presença de Deus, era próximo de minha residência”.
As minhas recaídas só serviram para eu confirmar que sou doente e que o alcoolismo não tem cura. E que devemos admitir e compreender humildemente a nossa incapacidade para governar as nossas vidas sem a sobriedade de que tanto necessitamos.
“Parar de beber é apenas o começo”.
O começo de uma mudança que vem como benefício da capacidade que tem a Irmandade de AA para gerar o bem. Um bem que procura nos levar à reformulação de vida. Que nos impulsiona a continuar o gesto nobre de estender a mão para outros, nos tornando cada vez mais conscientes de que está em jogo, se assim podemos dizer, a nossa vida e a vida daqueles que ainda não nos conhecem e que precisarão um dia de Alcoólicos Anônimos.
CAMPOS S./Brasília-DF

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A RECUPERAÇÃO EM ALCOOLISMO

A recuperação em alcoolismo

Parar de beber é acontecimento marcante na vida de qualquer alcoólico em recuperação. Quando associado ao dia em que ingressou em um grupo de Alcoólicos Anônimos, é muitas vezes data citada com regularidade nos seus depoimentos. Aniversários deste dia são motivos para comemoração, com troca de fichas e festividades variadas, mas o fato em si pertence ao passado.
Já a recuperação do alcoolismo, ou de qualquer outra doença crônica, não é apenas um episódio limitado no tempo, mas sim um processo, mais ou menos lento, em constante evolução no dia a dia, que exige reformulação interior, sem data marcada para terminar e que pode ser modificado ou interrompido a qualquer momento.
Há quem compare um alcoólico em recuperação a uma pessoa que sobe uma escada rolante que está descendo: se ele parar de subir, inevitavelmente descerá junto com a escada. Assim sendo, é engano imaginar que uma recaída comece no primeiro gole: ela é, na realidade um processo de perda de recuperação que pode terminar nele, a menos que seja detido a tempo.
Em qualquer doença crônica acontece a mesma coisa: diabéticos que interrompem a dieta, hipertensos que voltam a abusar de sal, reumáticos que deixam de fazer fisioterapia, são exemplos de doentes crônicos que interrompem o processo de recuperação e iniciam assim um processo de recaída, o que vai levá-los de volta à situação anterior.
Entendemos alcoolismo como enfermidade que se inicia primariamente como dependência química, conseqüência de muitos fatores que possam ter levado o indivíduo a beber intensa e/ou abusivamente. Atingida a área física, continua o gradual processo de adoecimento, agora alcançando também seu comportamento e atitudes, até que em um último estágio, o alcoólico perde seus valores ético-morais. Nesta última fase, a doença é então física, psíquica e espiritual.
Em qualquer doença crônica, não existe uma cura propriamente dita, isto é, não é possível reverter um dependente químico de álcool etílico em consumidor moderado ou “social” desta substância, já que seu organismo sofreu modificações que impedem o seu uso controlado. No entanto, é possível ao doente um retorno a uma vida plenamente normal, desde que se disponha a agir dentro de um processo de recuperação, o qual deve seguir as três fases do rumo natural de adoecimento:
1a fase (recuperação física) — abstenção completa de uso de álcool.
2a fase (recuperação emocional) — modificação de comportamentos e atitudes, visando encontrar um equilíbrio psíquico que o liberte da tentação de achar que o álcool possa ser solução para seus problemas.
3ª fase (recuperação espiritual) — recuperar ou criar novos valores éticos, morais e espirituais, com o objetivo de se reconciliar consigo mesmo e com o mundo que o cerca, passando a ter um modo de vida sóbrio.
O sucesso que Alcoólicos Anônimos vem tendo desde 1935 na recuperação de alcoolismo deve-se a um programa de 12 Passos que segue esta seqüência natural de ações, com a consciência de que elas só podem ser executadas pelo próprio doente, já que são todas processos interiores.
Isto não significa, porém, não precisar ele de ajuda externa. já que existem alguns obstáculos importantes a serem vencidos, a começar pela negação da doença e/ou manipulações variadas, alem da própria crise aguda de abstinência. Passada essa fase inicial, que dura em média 10 – 20 dias, surge outra menos conhecida, mas nem por isso mais fácil, a que se convencionou chamar de síndrome de abstinência pós-aguda, de duração mais longa, caracterizada por pensamento confuso, as vezes caótico, enfraquecimento de memória, dificuldade de concentração e instabilidade emocional, que pode perdurar ainda por muitos meses após o início da abstinência.
Em salas de AA encontram-se sempre novatos nesta situação, sofrendo ainda conseqüências do efeito tóxico do álcool etílico sobre o cérebro e sistema nervoso. Estas pessoas, bastante confusas, costumam apresentar um padrão rígido e repetitivo, muito centrado em apenas certos aspectos de suas vidas, geralmente ligados ao seu passado recente, cheio de culpas, vergonhas, autopiedade, raivas e ressentimentos. Elas têm grande dificuldade para se concentrar na leitura ou para memorizar alguma coisa do que lêem; suas emoções parecem adormecidas, ou pelo contrário, estão à flor da pele; seus afetos costumam ser pequenos, estão ainda muito voltadas ao seu próprio egocentrismo. Alguns parecem estar com suas emoções anestesiadas, não prestam atenção a quase nada em sua volta; outros estão inquietos, ansiosos, irritados, reagem com raiva a qualquer contrariedade menor ou comentário ligeiro sobre elas.
Felizmente, na maioria das vezes esta situação não costuma durar mais do que dois ou três meses, tempo necessário para uma recuperação física do sistema nervoso, mas neste período inicial estas pessoas precisam de muita ajuda externa para conseguir evoluir na sua recuperação. Entendendo isto, surgiram dentro de AA as reuniões para novos, nas quais é possível ajudá-los de forma mais eficiente e ao mesmo tempo explicar o que é a irmandade e como funciona. Também nesta fase, podem os profissionais de saúde ser muito úteis, ela acaba sendo de forma ideal, um amplo espaço aberto para que surja uma íntima colaboração entre AA e os profissionais da área.
Passada esta fase crítica, surge outra barreira no caminho do alcoólico em busca de sobriedade: tendo aceito os três primeiros passos, ele agora deve entrar em ação, para fazer seu inventário moral. Isto significa mexer nos fantasmas arquivados em algum velho baú da sua mente, confrontar-se com a realidade do seu Eu verdadeiro, descobrir virtudes e defeitos não suspeitados, enfim iniciar uma mudança no seu comportamento, atitudes e valores. Tudo isto desencadeia sempre uma reação muito humana e natural: medo e insegurança.
Não há quem não se sinta temeroso antes de fazer mudanças importantes: o organismo reage de forma típica, apresentando um conjunto de sinais e sintomas que os médicos chamam de stress, ao qual o alcoólico, em fase de abstinência pós-aguda, ainda é particularmente sensível. Por isso, nem sempre é útil um quarto passo precoce, é necessário que exista uma estrutura emocional minimamente já equilibrada, para que ele atenda seus objetivos.
Por outro lado, este medo não deve impedir indefinidamente o início do inventário. A melhor forma de enfrentá-lo é reconhecer sua existência e que sua presença é natural e até saudável; em seguida avaliar se ele tem fundamentos reais ou se está ancorado apenas nas fantasias da mente; finalmente, enfrentá-lo e iniciar uma ação efetiva.
Em alcoolismo existe sempre o perigo de ressurgimento da velha negação, sendo que desta vez trata-se da negação do medo. Pensamentos do tipo “está tudo ótimo”, “parei de beber e isto é o principal” ou “eu já me conheço e não preciso fazer nenhum inventário” são perigosos porque induzem o alcoólico a não fazer o 4º passo ou a ficar adiando-o indefinidamente, procedimentos aliás muito parecidos com os que ele tinha em relação ao álcool, no tempo em que bebia.
Por vezes, ele regride na programação, percebe estar com vontade de beber, volta a se agarrar aos primeiros passos, aumenta a freqüência de reunião, volta a se recuperar, até chegar novamente à barreira do inventário moral com as suas duas opções: enfrentar o medo e entrar em ação ou ver tudo se repetir mais uma vez. Muitos alcoólicos ficam, até sem saber direito o que está acontecendo, bastante tempo nesta gangorra emocional.
Vencido este grande obstáculo, a recuperação fica mais fácil e entra em fase de estabilidade. Agora existe um norte, um rumo a seguir, o alcoólico consegue ver a sua vida e o mundo que o cerca de modo mais equilibrado. Aos poucos, o álcool deixa de ser visto como possível solução para enfrentar problemas e passa a não ter mais muita importância – é um estado a que muitos chamam de sobriedade.
Ancorado na programação de AA o alcoólico encontra valores éticos e morais que lhe permitem levar existência emocionalmente muito mais tranqüila, da qual a bebida está excluída. Só que isto não é um fato isolado de sua vida, como foi dito no início deste artigo, mas sim um processo, que se materializa de 24 em 24 horas, portanto, só por hoje. Não existe diploma de aprovação e um fim de curso em 12 Passos. O equilíbrio emocional depende de atividade e vigilância, pois como em qualquer outra doença crônica, recuperação é programa para toda vida.

• Conselheiro no Conselho Estadual de Entorpecentes – Ex-Diretor do Hospital
• Central da Polícia Militar (RJ)

Preâmbulo de AA
Alcoólicos Anónimos é uma comunidade de homens e mulheres que partilham entre si a sua experiência, força e esperança para resolverem o seu problema comum e ajudarem outros a se recuperarem do alcoolismo.

O único requisito para ser membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de AA não é necessário pagar taxas de admissão nem quotas. Somos auto-suficientes pelas nossas próprias contribuições.

O AA não está ligado a nenhuma seita, religião, instituição política ou organização; não se envolve em qualquer controvérsia, não subscreve nem combate quaisquer causas.
O nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançar a sobriedade.

© Copyright “The AA Grapevine, Inc.”; reproduzido com autorização

TRANSMITIR A MENSAGEM DE A.A. AO ALCOÓLICO QUE AINDA SOFRE

TRASMITIR A MENSAGEM DE A.A. AO ALCOÓLICO QUE AINDA SOFRE.

“Nenhum de nós estaria aqui, se alguém não tivesse tido tempo para explicar-nos alguma coisa, para nos dar uns tapinhas nas costa, para levar-nos a uma ou duas reuniões, para fazer numerosos atos de bondade e consciência em nosso favor”.
O 12º Passo nos diz: “Tenho experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossa atividades”.
A 5º Tradição reza: “Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólatra que ainda sofre”.
Nos perguntamos: – por que será que em A.A., por duas vezes nos é pedido para que informemos ao alcoólico que ainda sofre? Por que será que os fundadores de A.A. deram tanta importância para o fato de que a mensagem deve chegar ao alcoólico que ainda bebe?
Aprendemos em A.A. que os Doze Passos são para nossa recuperação individual e as 12 Tradições, para vivermos em unidade nos Grupos.
O que é transmitir a mensagem? – Deixar passar além, conduzir. Fazer passa de um ponto ou de um possuidor ou detentor para outro, transferir.
Os Doze Passos são para nossa recuperação individual, portanto, se aplicam à minha pessoa, individualmente. Eu não trabalho os Passos de outro. Trabalho os meus Doze Passos.
É pelo resultado da prática desses Doze Passos que eu sou visto pela sociedade que convivo.
Quem me conheceu alcoolizado vê essa diferença hoje. Queiramos ou não, transmitimos à sociedade o que os Doze Passos nos fizeram e esta nos põe na balança, nos avalia, nos julga. Nós sentimos isso todos os dias.
Este é o conteúdo da 11ª Tradição: Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção.
Se formos a um baile, nos divertimos, dançamos, bebemos refrigerantes e ainda somos discretos, a sociedade nos vê e poderá dizer: “Esse aí, antigamente bebia muito”. “Esse casal aí estava se separando por causa da bebida”. “Como mudou essa pessoa depois que parou de beber! Era um caso perdido. Como será que isso aconteceu?”
Ou então: “Aquele ali que tem um emblema de A.A. no carro dele, estava passando para trás seus amigos”. “Esse sujeito parou de beber, mas continua negador de contas. É um safado”. “Parou de beber, mas em casa continuam as brigas”.
Onde nós passamos, para aqueles que nos conhecem, transmitimos a mensagem de A.A. pela atração. É isso que nos recomenda a 11ª Tradição. Mesmo não querendo, passo a ser um espelho da Irmandade. Abrindo ou não o meu anonimato, estou sempre transmitindo a mensagem de A.A.
O mar transmite grandeza. O lago calmo nos transmite paz. A rosa transmite um doce aroma. A escuridão nos transmite medo.
A criança nos transmite inocência. Não há necessidade de se colocar placas para isso, assim como não precisamos abrir nosso anonimato para que pessoas notem nossa mudança.
Isso, no meu entender, é transmitir a mensagem que aprendemos nos Doze Passos.
O que é levar a mensagem?
Fazer chegar, estender, levar para fora.
Levar a mensagem nos diz a 5ª Tradição: Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólatra que ainda sofre.
Faço questão de ressaltar: – a Mensagem deve ser levada pelo Grupo. Grupo é unidade, é mais do que um, portanto, com o conhecimento do Grupo, a mensagem, incluindo folhetos e endereços, será leveda aos outros por dois ou mais companheiros. Nunca, mas nunca mesmo, sozinho.
A.A. nos ensina que devemos trabalhar com os outros. Os outros, aqui são os companheiros de A.A., a sociedade e os doentes do alcoolismo.
“Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome. Eu estarei no meio deles”. Precisa-se dizer mais? Porque ser ingrato e se omitir de levar a mensagem com outro?
Muitos companheiros nos dizem ter abordado pessoas que precisariam estar em A.A. e essas não entenderam a mensagem. Fizeram isso sozinhos, não atendendo o que nos diz a 5º Tradição. Não o fizeram em Grupos.
Um fato importante. Devemos nos despojar dessa confiança imoderada que temos em nós mesmo. Muitas vezes, ela está arraigada em nós tão profundamente, que já nem percebemos o domínio que exerce sobre nosso coração. O nosso egoísmo, a preocupação com a nossa pessoa e amor próprio são precisamente as causas de todas nossas dificuldades, de nossa falta de liberdade interior, na provação de nossas contrariedades, de nossos tormentos da alma e do corpo. Por isso, julgamos os outros e somos os donos da “verdade”.
Exemplo está na história do filho pródigo: Dá-me o que é meu que eu vou vencer sozinho. Só o Poder Superior pode lhe dar a vitória. Aí você volta para a casa de Seu Pai, ou ao seu Grupo e reconhece sua impotência, “em aceitar as coisas que não podemos modificar”.
É satisfazer o ego quando se diz no Grupo: Fiz sozinho minha parte; errou, não cumpriu o que sugere a 5ª Tradição.
O mesmo acontece com aqueles membros que, ao invés de levar a mensagem de A.A., levam a sua própria mensagem e ainda, ferindo a 8ª Tradição que diz: “Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre não-profissional”, procuram levá-la misturando com a medicina ou dados estatísticos para se vangloriarem de sua mesquinha inteligência. Pensam que para levar a mensagem de A.A. têm de ser eloqüentes, ter conhecimentos gerais além da literatura de A.A..
Se assim acontece, esse membro deve voltar ao 12º Passo e praticar esses princípios em todas as suas atividades.
Cito um exemplo prático e verdadeiro de um Grupo que foi formado por seis membros. Em março de 2006, esse Grupo completou cinco anos de formação. E sabem quem estava lá? Uns 20 membros e entre eles, hoje, apenas três dos presentes na formação do Grupo há cinco anos. Três membros que nunca coordenaram uma reunião por dificuldades na leitura. Mas lá estavam os três juntos, continuando a levar a mensagem de A.A..
Há companheiros que se afirmam como bons AAs, porque participaram de diversos eventos, se fazem presentes em reuniões de Distrito, de Serviços, etc. Essas pessoas são como aquelas que já leram receitas de bolo, mas nunca experimentaram fazer o bolo. Não sentiram o prazer de fazer o bolo nem mesmo de apreciá-lo.
Tanto Bill como Bob afirmam nos livros de A.A., que o mais importante para a nossa sobrevivência, além da prática dos Doze Passos, é a prática da 5ª Tradição. É levar a mensagem.
O membro de A.A. já entrosado no programa das 24 horas, e que está concentrando suas energias no dia de hoje em busca da sobriedade e da serenidade pode perguntar ou perguntar-se de onde vem a força de Alcoólicos Anônimos? A força vem do despertar para um Poder Superior, da disposição de, em Grupo, levarmos aos outros que sofrem de alcoolismo a informação, através da 5ª Tradição, de como chegamos à sobriedade e de como a nossa vida mudou radicalmente para melhor.
Quando recebemos a força através da amizade dos companheiros do Grupo, do despertar espiritual e da execução do 12º Passo, nós, em A.a., passamos a conviver em unidade, recuperação e serviço. Nesse espírito de grupo, se a amizade não for o suficiente, então nos resta a fé, e se a fé às vezes for pouca, a prestação do serviço ao companheiro é um rio que irriga o deserto. Mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.
Lembremos-nos finalmente, da última mensagem do Dr. Bob: – “Meus queridos amigos em A.A.. Fico bastante emocionado ao ver diante de mim um vasto mar de faces, com o sentimento de que, possivelmente alguma pequena coisa eu fiz há alguns anos para tornar este encontro possível… Nenhum de nós estaria aqui, se alguém não tivesse tido tempo para explicar-nos alguma coisa, para nos dar uns tapinhas nas costas, para levar-nos a uma ou duas reuniões, para fazer numerosos atos de bondade e consciência em nosso favor. Assim não deixemos nunca chegar a um grau de tal complacência presunçosa, que não nos permita dar ajuda ou tentar dá-la, a nossos irmãos menos felizes, já que ela tem sido tão benéfica para todos nós”.
João Toledo / PR
Vivência Nº 102 Julho / Agosto 2006.

SE VOCÊ FOR UM PROFISSIONAL

SE VOCÊ FOR UM PROFISSIONAL

A.A. QUER TRABALHAR

A cooperação com a comunidade profissional é um dos objetivos de A.A. desde os primeiros tempos de nossa Irmandade. Estamos sempre buscando fortalecer e expandir nossa comunicação com você e seus comentários e sugestões são muito bem-vindos. Eles nos ajudam a trabalhar mais efetivamente para alcançarmos nosso propósito comum, que é ajudar o alcoólico que ainda sofre.

Um recurso para o Profissional que Trabalha no Campo do Alcoolismo

Os profissionais que trabalham com alcoólicos compartilham um propósito comum como Alcoólicos Anônimos: ajudar o alcoólico a deixar de beber e levar uma vida produtiva e saudável.
Alcoólicos Anônimos é uma irmandade sem fins lucrativos, auto-suficiente e totalmente independente – “não estamos ligados a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição”. Contudo A.A. está apto a servir como um recurso para você graças à sua diretriz de “cooperação sem afiliação” com a comunidade profissional.
Podemos servir como uma fonte de experiências pessoais com o alcoolismo e também como alternativa de apoio contínuo para a recuperação de alcoólicos.
Porto Alegre, Sábado, 10 de julho de 2008
Como o Programa Funciona?

O propósito primordial de A.A. , como afirma nosso preâmbulo, é “… mantermo-nos sóbrios e ajudarmos outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade”
O único requisito para tornar-se membro de A.A. é o desejo de parar de beber. Não se pagam taxas ou mensalidades; somos auto-suficientes graças ás nossas próprias contribuições. Os membros compartilham entre si suas experiências pessoais na recuperação do alcoolismo e apresentam ao recém-chegado os Doze Passos de A.A. para a recuperação pessoal e as Doze Tradições que sustentam a Irmandade.
Reuniões. As reuniões constituem o coração do programa de A.A. e são conduzidas de maneira autônoma pelos vários grupos de A.A. espalhados por cidades no mundo inteiro. Qualquer pessoa pode assistir às reuniões abertas de A.A. . Estas geralmente consistem em depoimentos proferidos por um ou mais membros que compartilham suas impressões sobre sua doença e sua presente recuperação em A.A. . Algumas reuniões abertas – para as quais são convidados profissionais, imprensa, e público em geral – são realizadas com o propósito de levar informação a respeito de A.A. ao público não-alcoólico ( e eventualmente ao alcoólico também). As reuniões fechadas destinam-se exclusivamente a alcoólicos.
Alcoólicos em recuperação em A.A. costumam assistir a várias reuniões por semana.
Anonimato. O anonimato ajuda a Irmandade a reger-se por princípios e não por personalidades, e a atuar por atração e não por promoção. Compartilhamos abertamente nosso programa de recuperação, mas não mencionamos os nomes dos indivíduos que participam dele.

O que A.A. NÃO faz?

A.A. não faz campanha de motivação para alcoólicos se recuperarem, nem faz campanhas para angariar membros. Não faz pesquisas, nem as patrocina. Não mantém registros de freqüência de seus membros, nem de suas histórias. Não se afilia a “conselhos” ou agências sociais (embora os membros de A.A., os grupos e seus servidores possam cooperar com eles). Não faz acompanhamento e nem controla nenhum de seus membros. Não faz diagnósticos nem emite pareceres médicos ou psiquiátricos. Não fornece serviços de enfermagem ou de desintoxicação, nem remédios ou qualquer tipo de tratamento médico ou psiquiátrico, e nem patrocina hospitalização. Não oferece serviços religiosos. Não se engaja na educação sobre o álcool. Não fornece abrigo, alimento, roupa, emprego, dinheiro ou outros serviços de assistência social. Não fornece orientação em questões domésticas ou vocacionais. Não aceita dinheiro por seus serviços e nem qualquer contribuição material vinda de fontes de fora de A.A. . Não fornece cartas de referência para tribunais, advogados, agências sociais, empregadores, etc…

Encaminhamento de Possíveis Membros por Tribunais e Instituições de Tratamento

Atualmente muitos membros de A.A. chegam à Irmandade enviados por tribunais e instituições de tratamento. Alguns chegam de livre e espontânea vontade, outros não.
A.A. não faz discriminação contra nenhum possível membro. Quem fez o encaminhamento a A.A. não é o que nos interessa – é o bebedor-problema que desperta nosso interesse.
Comprovante de comparecimento às reuniões. Às vezes o tribunal pede um comprovante de comparecimento do possível membro às reuniões de A.A. .

– Alguns grupos, com o consentimento do possível membro, assinam ou rubricam, através de seu secretário, o documento fornecido pelo tribunal., junto com um envelope endereçado ao mesmo. A própria pessoa encaminhada coloca sua identificação e remete o documento de volta ao tribunal, como comprovante de comparecimento.
Outros grupos cooperam de modo diferente. Não há uma norma de procedimento. O modo e a extensão do envolvimento de qualquer grupo nesse processo compete inteiramente a cada grupo.

Unidade de Propósito e outros Problemas além do Álcool

O alcoolismo e a dependência de drogas muitas vezes são identificados como “abuso de substância” ou “dependência química” . Muitas instituições de tratamento portanto encaminham alcoólicos e não-alcoólicos a A.A. e os encorajam a participar das reuniões quando estes deixam as instituições. Qualquer pessoa pode participar de reuniões abertas de A.A. . Contudo apenas pessoas com problemas de bebida podem participar das reuniões fechadas ou tornar-se membros de A.A. . Pessoas com outros problemas além do alcoolismo podem tornar-se membros de A.A. somente se tiverem problema com a bebida.

Como Fazer Encaminhamento a A.A. ?

Alcoólicos Anônimos consta das listas telefônicas em quase todas as localidades. (Alguns profissionais telefonam para A.A. enquanto a pessoa ainda está em seu consultório, dando assim ao indivíduo a oportunidade imediata de estender a mão pedindo ajuda.)
Você também pode entrar em contato com o Escritório de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos, para pedir ajuda e informações, escrevendo para Caixa Postal 3180 – CEP 01060-970 – São Paulo – SP , ou telefonando para (0xx11) 3229-3611.

FONTE: Literatura de A.A. – Livreto “ Se Você for um Profissional”

VEJA A SEGUIR AS DOZE TRADIÇÕES DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
AS DOZE TRADIÇÕES DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

I. Nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar; a reabilitação individual depende da unidade de A.A. .
II. Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que manifesta em nossa consciência coletiva. Nosso líderes são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar.
III. Para ser membro de A.A. , o único requisito é o desejo de parar de beber.
IV. Cada grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros grupos ou a A.A. em seu conjunto.
V. Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir a sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
VI. Nenhum grupo de A.A. deverá jamais sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à Irmandade, a fim de que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos afastem de nosso objetivo primordial.
VII. Todos os grupos de A.A. deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora.
VIII. Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre não profissional, embora nossos centros de serviço possam contratar funcionários especializados.
IX. A.A. jamais deverá organizar-se como tal; podemos porém criar juntas ou comitês de serviço diretamente responsáveis perante aqueles a quem prestam serviços.
X. Alcoólicos Anônimos não opina sobre questões alheias á Irmandade; portanto o nome de A.A. jamais deverá aparecer em controvérsias públicas.
XI. Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção; cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, rádio, televisão e em filmes.
XII. O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.

R.C.T.O – REPRESENTANTE DO COMITÊ TRABALHANDO COM OS OUTROS

R.C.T.O
REPRESENTANTE DO COMITÊ TRABALHANDO COM OS OUTROS

Trabalhar na espiritualidade do CTO é algo de muito intimo e intensamente iluminado.
A experiência concebida no exercício de sua ação, coloca o Programa de Alcoólicos Anônimos disponível no relacionamento constante e salutar com a comunidade profissional em qualquer tempo e lugar.

VIDA QUE DÁ VIDA

O coração de A.A. é um alcoólico transmitindo a mensagem a outro alcoólico. Enquanto outros métodos fracassam, este funciona, porque é o resultado do programa de recuperação sugerido, ou seja, o crescimento espiritual, fruto da humanidade e da gratidão (12º Passo).
Desde os seus primeiros dias, A.A. vem recebendo a cooperação de profissionais das mais diversas áreas de atividades para fazer chegar a sua mensagem a outros alcoólicos. A mensagem de A.A. também é divulgada através da imprensa, observando os três legados, cumprindo-se assim, o nosso propósito primordial (5a. Tradição).
Para que seja cumprido com eficácia esse propósito, é necessário a formação do Comitê Trabalhando com os Outros (CTO), com a finalidade de organizar, estruturar, padronizar e facilitar a divulgação da mensagem de A.A. o CTO é formado pelas comissões:
. Cooperação com a Comunidade Profissional – CCCP
. Informação ao Público – CIP
. Instituições de Tratamento – CIT
. Instituições Correcionais – CIC
(Manual de Serviço de A.A. – Edição 2005)

O RCTO – REPRESENTANTE DO COMITÊ TRABALHANDO COM OS OUTROS

O CTO é responsável pelo sucesso do relacionamento entre Alcoólicos Anônimos e a Comunidade Profissional no âmbito de sua atuação, o que muito contribui para o crescimento dos grupos de A.A., principalmente se for mostrado de forma clara e precisa o que A.A. pode oferecer, para que a mensagem chegue até o alcoólico.
Se os profissionais não sentirem firmeza e conhecimento de causa nos membros que os visitam, dificilmente poderão compreender nosso informalismo e aparente falta de organização.

O QUE FAZ O RCTO?

A consciência coletiva do Grupo elege o RCTO – Representante de CTO (com mandato de dois anos), que é seu representante perante o CTO do Distrito. Cabe a este servidor, junto com outros membros interessados, divulgar o Grupo que representa em sua comunidade ou bairros, contatando escolas, igrejas, hospitais, empresas, repartições públicas, profissionais liberais etc.
Após os seus contatos, caso haja alguma solicitação de palestra, o RCTO poderá promove-la com a ajuda de companheiros interessados do próprio Grupo, ou poderá contatar o CTO do Distrito para promove-la conjuntamente.

QUEM DEVE SER O RCTO?

Sugere-se que este servidor tenha, no mínimo, 02(dois) anos de sobriedade contínua, conhecimento e prática dos três legados, e disponibilidade para atender às exigências do encargo.

AÇÕES DO RCTO NO GRUPO:

O RCTO deve ser um dos primeiros a chegar no local de reunião do seu Grupo, verificando se tudo está de acordo com o que vem sendo divulgado e as instalações estão em perfeitas condições de funcionamento, inclusive com a literatura completa sobre a mesa.
Orienta os demais procedimentos, como o acolhimento aos encaminhados da Justiça.
É sua responsabilidade, ainda, relatar para seu Grupo, todos os trabalhos e atividades realizadas pelo CTO do Distrito e dos outros segmentos da estrutura sobre o CTO.

Sugestões para o RCTO:

. informar o Grupo sobre o que é o CTO;
. informar sobre os benefícios que os trabalhos do CTO poderão trazer para o Grupo;
. informar o Grupo da necessidade de contribuir para o desenvolvimento dos trabalhos do CTO, pois o resultado destes trabalhos depende de materiais tais como: cartazes, folhetos, livretos, livros, etc.;
. convidar companheiros interessados para participarem das reuniões do CTO do Distrito;
. sugerir reuniões temáticas no Grupo;
. trabalhar junto com o RSG buscando a harmonia do Grupo;
. Procurar os Órgãos de Serviços (se achar necessário) para orientações e/ou esclarecimentos.

COMO O RCTO INICIA OS TRABALHOS NA COMUNIDADE?

. Faz o levantamento das empresas, profissionais liberais, religiosos, órgãos públicos, etc., obtendo os nomes dos responsáveis pela instituição;
. Envia uma carta, com uma breve descrição de A.A. solicitando retorno em caso de interesse, marcando um contato pessoal para maiores esclarecimentos. Anexar à carta, exemplares da literatura de A.ª adequada ao caso;
. Após cinco dias, via telefone, confirmar o recebimento da carta, colocando-se à disposição para entrevista;
. Afixação do cartaz de divulgação de A.A. em locais públicos, ex.. farmácias, Postos de Saúde, padarias, escolas, igrejas, locais de grande circulação, etc.
. Antes de afixar o cartaz, conversar com o responsável pelo local informando-lhe sobre a existência de um Grupo de A.A. na comunidade, fornecer-lhe folheto informativo (Ex.: A.A. em sua comunidade), pedir autorização para afixar o cartaz, bem como, anotar o nome, endereço e telefone do mesmo para futuros contatos, como por exemplo, convite para Reuniões de Informação ao Público.

Será através dos trabalhos do CTO nos Grupos e nos Órgãos de Serviços que teremos a “via de acesso” para a sociedade como um todo ou para a comunidade específica onde se localize um Grupo de A.A.. Muitas pessoas ficarão felizes em saber da possibilidade de recuperação do alcoolismo, se a elas forem dadas informações adequadas do nosso Programa de Recuperação.

Em Akron, para se manter sóbrio, ele utilizou um ministro religioso, o Reverendo Walter Tunks, e uma pessoa leiga não-alcoólica, a Sra. Henrietta Seiberling, para encontrar o Dr. Bob. Juntos, para se manterem sóbrios, Bill W. e Dr. Bob contataram uma enfermeira não-alcoólica, a irmã Ignátia, para localizar outros alcoólicos que precisavam de ajuda. Todos esses métodos ainda são válidos e devem continuar sendo usados.

(Manual do CTO – 2a. edição)

CTO
COMITÊ TRABALHANDO COM OS OUTROS

Para que possamos cumprir eficazmente o nosso Terceiro Legado (Serviço), necessitamos de um mínimo de organização, que poderemos obter constituindo um Comitê Trabalhando com os Outros (CTO), tanto no Grupo como nos demais Órgãos de Serviços de A.A.
Baseados na Quinta Tradição: “Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.” E no Décimo Segundo Passo: “Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.”, é necessário elaborar uma maneira simples e eficiente de atingir tais objetivos.
Dia após dia, nós, membros de A.A., mantemos contato com profissionais das mais variadas áreas da atividade humana. Invariavelmente, somos compelidos a divulgar nossa mensagem, seja na mídia ou em cartazes e panfletos. Muitos de nós visitamos hospitais, clínicas de recuperação para alcoólicos, presídios ou cadeias públicas, com o objetivo gratificante e claro de divulgação de nossa mensagem. No entanto, não devemos fazer de forma individualizada e desordenada, sem, muitas vezes, atingir resultados práticos. Para que seja cumprido com eficácia o propósito de A.A. é necessária a formação do Comitê Trabalhando com os Outros.
O Comitê Trabalhando com os Outros (CTO) é formado pelas comissões, a saber: Comissão de Cooperação com a Comunidade Profissional (CCCP); Comissão de Informação ao Público (CIP); Comissão de Instituições de Tratamento (CIT) e Comissão de Instituições Correcionais (CIC). Todo o trabalho esboçado neste plano só terá resultado satisfatório se for efetivado de forma ordenada e integrada, com as atividades das Comissões ocorrendo harmoniosamente, sem conflitos nem sobreposição. O Grupo de A.A., que é a unidade básica da Irmandade, deveria fornecer, dentro de suas possibilidades, representantes para o CTO e suas Comissões.
Dentro dos Grupos temos companheiros interessados no serviço, com as mais variadas aptidões e graus de conhecimento, não só inerentes à Irmandade, como em relação à comunidade que nos cerca. Estes companheiros se harmonizam com aspectos das várias Comissões e podem assumir a responsabilidade de coordená-las, procurando sempre apadrinhar outros membros que irão auxiliá-lo na elaboração e execução dos trabalhos do Terceiro Legado, dando vida própria ao Comitê Trabalhando com os Outros.

FINALIDADE DO CTO

A finalidade do básica do CTO é organizar, estruturar, padronizar e facilitar a divulgação da mensagem de A.A.
Nenhum alcoólico poderá ser ajudado por Alcoólicos Anônimos se não souber que A.A. existe ou onde poderá encontrá-lo. Portanto, para a manutenção de nossa sobriedade, é necessário a formação de CTOs.
Será através dos trabalhos do CTO nos Grupos e nos Órgãos de Serviços que teremos a “via de acesso” para a sociedade como um todo ou para a comunidade específica onde se localize um Grupo de A.A. Muitas pessoas ficarão felizes em saber da possibilidade de recuperação do alcoolismo, se a elas forem dadas informações adequadas do nosso Programa de Recuperação.
Não deveria existir nenhuma dificuldade para que os membros-chave da comunidade, como: médicos, advogados, juízes, clérigos, delegados, psicólogos, etc., conheçam a existência de Alcoólicos Anônimos e a nossa disposição de auxiliar qualquer alcoólico que esteja disposto a aceitar ajuda.
Certa vez alguém disse que o coração de A.A. é um alcoólico levando a mensagem a outro alcoólico. Esta ainda é uma boa, básica e prática maneira de nos mantermos longe do primeiro gole. Às vezes, utilizamos “terceiras pessoas” para fazer chegar a mensagem a outro alcoólico. Bill W. utilizou um profissional da medicina, não-alcoólico, o Dr. Silkworth, e um hospital, para chegar a outros alcoólicos e manter sua sobriedade.
Em Akron, para se manter sóbrio, ele utilizou um ministro religioso, o Rev. Walter Tunks, e uma pessoa leiga não-alcoólica, a Sra. Henrietta Seiberling, para encontrar o Dr. Bob. Juntos, para se manterem sóbrios, Bill W. e Dr. Bob contataram uma enfermeira não-alcoólica, a Irmã Ignatia, para localizar outros alcoólicos que precisavam de ajuda. Todos esses métodos ainda são válidos e devem continuar sendo usados.
A mensagem poderá ser levada a muitos outros alcoólicos, através de artigos publicados em jornais e revistas, pelos programas de rádio e televisão, e pela internet. Também levamos a mensagem de A.A. aos hospitais, clínicas de recuperação, cadeias e penitenciárias e aos profissionais de diversas áreas. Claro que se tornará muito mais fácil esta tarefa se houver uma maneira coordenada para executar esses trabalhos. O Comitê Trabalhando com os Outros é a resposta adequada para facilitar a transmissão da mensagem de Alcoólicos Anônimos.
O Comitê Trabalhando com os Outros é responsável pelo sucesso do relacionamento entre Alcoólicos Anônimos e a sociedade, no âmbito de sua atuação, o que muito contribui para o crescimento dos Grupos de A.A., principalmente se mostrado de forma clara e precisa o que A.A. oferece, para que a mensagem chegue até o alcoólico.
Outro aspecto considerado primordial nos trabalhos do CTO é o estabelecimento do que chamaremos de “estratégia de comunicação interna”, cuja função principal é aumentar o conhecimento dos integrantes dos Grupos sobre o Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos.
Todos nós sabemos da grande importância do conhecimento dos Doze Passos, Doze Tradições e Doze Conceitos, pedras fundamentais de nossa filosofia de atuação, para a recuperação individual e coletiva e para a divulgação da mensagem de A.A.
O trabalho de conscientização proposto, para ter o resultado esperado, precisa empregar recursos audiovisuais como fitas gravadas, videocassetes, “slides”, história em quadrinhos, cartazes, folhetos, todos com assuntos relacionados à programação de A.A., bem como “BOB Mural”, revista “VIVÊNCIA” e “JUNAAB Informa”, principalmente quando a falta de material humano não permitir a solução ideal – palestras, seminários ou reuniões temáticas, com exposições ao vivo.
Tanto os trabalhos externos, visando tornar a Irmandade conhecida na comunidade, como os internos, objetivando dar aos Grupos a conscientização desejável para conseguir manter em seu seio os alcoólicos que os procuram, precisam ser ordenados e de modo a aproveitar melhor cada elemento de serviço, racionalizando sua atuação para concretizar o máximo de suas possibilidades dentro das comissões.

COMO POR EM PRÁTICA O TRABALHO DO CTO
(Trabalhando dentro das Tradições)

O papel de um profissional, seja ele médico, religioso, comunicador ou jornalista, assistente social, delegado ou qualquer outro, na relação com um alcoólico, é muito diferente do nosso costume de compartilhar experiências e colocar em prática o Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos. Esses profissionais trabalham sob o ponto de vista de suas especialidades e é vital, para nossa Irmandade, que eles entendam nosso programa e nossa maneira de trabalhar com alcoólicos.
Os trabalhos a serem executados pelas Comissões exigem cuidados especiais que, se não forem considerados, poderão atrapalhar o seu funcionamento, por isso, seus integrantes devem ser Aas com uma boa capacidade de comunicação e um sólido conhecimento e prática dos princípios de Recuperação, Unidade e Serviço. A formação, procedimentos, manutenção financeira e membros das Comissões estão descritas no manual de Serviço de A.A.
Os princípios que nos guiam como Irmandade estão contidos nas Doze Tradições. A responsabilidade de preservar essas Tradições é somente nossa. Não podemos esperar que pessoas de fora da Irmandade compreendam nossas tradições, a menos que nós, membros de A.A. estejamos bem informados sobre elas e, sobretudo, que as observemos e as pratiquemos em nossas ações. Nossas Tradições estão em grande parte, contidas em nosso Preâmbulo, que afirma: “O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de A.A. não há taxas ou mensalidades; somos auto suficientes, graças às nossas próprias contribuições. A.A. não está ligada a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apóia nem combate quaisquer causas. Nosso propósito primordial é manter-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade.”
C CTO deverá trabalhar no sentido da mensagem fluir com a responsabilidade traduzida pelo cumprimento das Tradições de A.A., especialmente dentro espírito da cooperação. O conhecimento e a prática em nossa vida diárias dos princípios contidos nas Doze Tradições de A.A. dão as diretrizes para realizarmos um bom trabalho no CTO. Vejamos.

A Primeira – assinala que a recuperação individual depende da Unidade de A.A. É algo que devemos ter sempre em mente. Sob quaisquer circunstâncias nossa Unidade deve ser preservada. O todo é mais importante que as partes que o compõem.

A Segunda – nos lembra que um Deus amantíssimo, que Se manifesta em nossa consciência coletiva, é a nossa única autoridade. É uma fonte de inspiração para nós, objetivando principalmente não tentarmos impor uma forma “correta” de trabalhar o programa para os outros membros, aparentemente relutantes.

A Terceira – “O único requisito para ser membro…” nos diz que não temos o direito, a autoridade ou a competência para julgar quem é alcoólico, se deseja ou não parar de beber e se quer ou não se tornar membro de A.A.

A Quarta – dá autonomia ao Grupo para conduzir suas atividades como julgar melhor, desde que essa autonomia não interfira em outros Grupos ou em A.A. no seu todo.

A Quinta – assinala o primordial e único propósito de qualquer Grupo de A.A.: transmitir a mensagem de A.A. ao alcoólico que ainda sofre.

A Sexta – afirma que “nenhum Grupo de A.A. deverá jamais sancionar, financiar ou emprestar o nome de Alcoólicos Anônimos a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à Irmandade, para evitar que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos afastem do nosso objetivo primordial”. Algumas instituições, que têm seus próprios programas de tratamento de alcoolismo, cooperam muito com A.A. e seus representantes falam muito animados de nosso Programa de Recuperação. Até que ponto devemos participar nos programas dessas instituições? A experiência nos tem norteado de maneira simples: cooperamos, porém não nos afiliamos. Queremos trabalhar com outras organizações que tratam do alcoolismo; porém, sem nos confundir com elas perante o público.

A Sétima – enfatiza que “todos os Grupos de A.A. deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora”. Como alcoólicos ativos, muitos de nós sempre estivemos dependendo de ajuda. Hoje, parte de nossa recuperação pessoal está em fazer de nós mesmos seres humanos responsáveis. O mesmo princípio se aplica à nossa Irmandade e muito do respeito que atualmente se tem por A.A. é o resultado da aplicação desse princípio.

A Oitava – diz que “Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre não profissional”. Esta Tradição nos mostra a linha divisória entre o trabalho voluntário de Décimo Segundo Passo e os serviços remunerados, mesmo que executados por membros da Irmandade. Ela nos orienta, mesmo assim, que como Aas nos mantenhamos no que melhor conhecemos (Recuperação pessoal e Décimo Segundo Passo), não nos transformando em profissionais no campo do alcoolismo.

A Nona – recomenda que Alcoólicos Anônimos jamais deverá ter uma organização formal; porém, necessitamos de organismos de serviço que funcionem de maneira harmoniosa e com competência, para cumprirmos nosso objetivo primordial. Se ninguém fizer as tarefas dos Grupos, se o telefone tocar em vão, se não respondermos nossa correspondência, então A.A., tal como o conhecemos, pararia. Embora esta Tradição pareça tratar somente de coisas práticas em seu funcionamento, ela revela uma sociedade animada apenas pelo espírito de servir.

A Décima – diz que “Alcoólicos Anônimos não opina sobre questões alheias à Irmandade; portanto, o nome de A.A. jamais deverá aparecer em controvérsias públicas.” Aqui, novamente somos lembrados para tratar somente de nossos propósitos assuntos, sem nos desviar de nosso único propósito primordial. Colocando-nos fora de controvérsias públicas, reforçamos a Unidade de nossa Irmandade, assim como sua reputação perante o público.

A Décima Primeira – “Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção”. A relação com o público é importantíssima. Precisamos manter nosso anonimato pessoal. Procuramos divulgação para os princípios de A.A. e não para seus membros. Esta Tradição é um lembrete permanente e prático de que a ambição pessoal não tem lugar em A.A. Nela cada membro se torna uma diligente guardião de nossa Irmandade.

A Décima Segunda – “O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.” A subordinação de nossos anseios pessoais ao bem comum é a essência de nossas Tradições. A substância do anonimato é o sacrifício. Temos a certeza que a humildade, expressa pelo anonimato, é a maior salvaguarda que Alcoólicos Anônimos sempre poderá ter.

(Fonte: Guias do CTO – 3.000 – 05/2007 – Páginas: 3 a 10)

CTO DO GRUPO

A consciência coletiva do Grupo elege o RCTO – Representante de CTO (com mandato de dois anos), que é seu representante perante o CTO do Distrito. Cabe a esse servidor, junto com outros membros interessados, divulgar o Grupo que representa em sua comunidade ou bairros, contando escolas, igrejas, hospitais, empresas, repartições públicas, profissionais liberais, etc.
Após os seus contatos, caso haja alguma solicitação de palestra para uma das Comissões, o RCTO poderá promove-la com a ajuda de companheiros interessados do próprio Grupo, ou poderá contatar o CTO do Distrito para promove-la conjuntamente. Sugere-se que esse servidor tenha, no mínimo, 2 (dois) anos de sobriedade continua, conhecimento e prática dos Três Legados, e disponibilidade para atender às exigências do encargo.
O RCTO deve ser um dos primeiros a chegar no local de reunião do seu Grupo, verificando se tudo está de acordo com o que vem sendo divulgado e se as instalações estão em perfeitas condições de funcionamento, inclusive a literatura completa sobre a mesa. Deve ser o responsável por uma calorosa recepção, extensiva aos já companheiros de Grupo. Enfim, toda atenção e carinho que TODOS alcoólicos merecem.
Orienta os demais procedimentos, como o acolhimento aos encaminhados pela justiça.
É sua responsabilidade, ainda relatar, para ao seu Grupo, todos os trabalhos e atividades realizados pelo CTO do Distrito, e dos outros segmentos da estrutura sobre o CTO.

CTO DO DISTRITO

É o órgão encarregado da execução das atividades do CTO no Distrito. Contará com o serviço da secretaria e tesouraria do Distrito.
É formado pelo Coordenador do CTO do Distrito (eleito com mandato de dois anos), pelas Comissões (CCCP, CIP, CIT e CIC) e os RCTOs dos Grupos.
Procedimentos: o coordenador do CTO do Distrito reúne-se com os coordenadores das comissões e RCTOs dos Grupos e presta relatório na reunião do Distrito; relaciona membros interessados em participar, contendo nome e endereço; faz um planejamento com cronograma de trabalho a ser realizado.
Nas reuniões mensais, o CTO do Distrito poderá também padronizar a mensagem a ser divulgada no seu âmbito, evitando assim choque de informações e realizar reuniões de treinamento, Os Coordenadores dos CTOs dos Distritos integrarão o Comitê de Distrito e o CTO sediado no ESL.
A manutenção financeira será de responsabilidade da tesouraria do Distrito.
Para participar de uma comissão, é desejável que o servidor tenha uma sobriedade contínua e que esteja vivenciando os três legados de A.A.

CTO DO ESL / SETOR

É o Órgão encarregado da execução das atividades do CTO no Setor. O seu coordenador tem mandato de 2 anos, é homologado pela Assembléia do CR/Setor. Suas atividades principais: reunir-se, periodicamente, com os coordenadores do CTO dos Distritos, relatando os serviços executados na sua região e levando para os Distritos o resultado dos trabalhos realizados em outras localidades; avaliar se os trabalhos estão dentro dos princípios de A.A.; registrar e repassar aos Distritos os pedidos de serviços pertinentes ao CTO; planejar e orientar os trabalhos do CTO em nível de Setor; orientar sobre reuniões de treinamento; coordenar os trabalhos para realização de Seminários para Profissionais e de reuniões de informação ao público; manter registros e arquivos dos documentos relativos ao CTO; padronizar a mensagem a ser divulgada na comunidade e participar das reuniões do CTO do ESL-SEDE.
Sua manutenção financeira é de responsabilidade da tesouraria do Setor e os trabalhos de secretaria poderão ser executados pelo Secretário II do ESL/Setor.

CTO DO ESL – SEDE

O seu coordenador será homologado pela Assembléia do CR, com mandato de 2 anos, e representará o CTO em nível de Área. Suas atividades serão desempenhadas em conjunto com a Diretoria do ESL-SEDE. Atribuições: visitar e participar das reuniões dos demais órgãos do CTO no âmbito da Área; encaminhar relatórios para o cTO da JUNAAB; distribuir para os ESL/Setores e Distritos as informações recebidas; reunir-se periodicamente, com os coordenadores do CTO dos ESL/Setores e Distritos relatando os serviços executados na sua região, levando para os ESLs o resultado dos trabalhos realizados em outras localidades e avaliar os trabalhos, se estão dentro dos princípios de A.A.; registrar e repassar aos ESLs/Setores e Distritos os pedidos de serviços pertinentes ao CTO; planejar e orientar os trabalhos do CTO em nível de Área; orientar sobre reuniões de treinamento; coordenar os trabalhos para realização de Seminários para Profissionais, e de reunião de Informação ao Público; manter registros e arquivos dos documentos recebidos/expedidos; padronizar a mensagem a ser divulgada na comunidade; e cuidar do material necessário para informação pública.
Sua manutenção financeira é de responsabilidade da tesouraria do ESL Sede e os trabalhos de secretaria poderão ser executados pelo Secretário II do ESL Sede.

CTO DA JUNAAB

Encarregado de elaborar a política de divulgação da Irmandade de A.A. em nível nacional.
Analisa todas as notícias recebidas das Áreas, através do ESL-SEDE; elabora material para ser publicado pelo boletim JUNAAB Informa; colhe experiências práticas para revisão das orientações sobre o serviço de CTO; representa a JUNAAB nos eventos de CTO. É coordenado por membros escolhido pela Junta de Custódios e funciona no ESG.
Quando a Junta de Custódios precisa tomar decisões que abrangem toda a Irmandade, necessita de assessoramento desse Comitê em assuntos específicos de divulgação e cooperação com os segmentos da sociedade que trabalham no campo do alcoolismo.

COMISSÃO TRABALHANDO COM OS OUTROS DA CONFERÊNCIA

Formada por membros da Conferência, reúne-se durante a CSG respectiva, elegendo um coordenador e um relator. Analisa e discute as propostas de recomendações encaminhadas pelas Áreas, e as aprovadas serão submetidas à apreciação do plenário, pelo relator.

(Fonte: Manual de Serviço de A.A.- Edição 2005 – paginas: 108 a 111)

APADRINHAMENTO DE GERAÇÃO A GERAÇÃO

APADRINHAMENTO DE GERAÇÃO A GERAÇÃO

Para levarmos a mensagem com eficácia é preciso que a tenhamos em nossos corações, e só a teremos em nosso interior se tivermos trilhado passo a passo o Primeiro Legado de A.A.

Sem uma boa recuperação não estaremos prontos para transmitir a mensagem aos que ainda sofrem e aos que virão a sofrer da doença do alcoolismo.

Sabemos que essa recuperação é lenta e proporcional ao nosso esforço, como disse o Dr. Bob, porém, sem uma boa reformulação pessoal conforme nos indicam os Doze Passos, pouco ou nenhum resultado positivo poderemos esperar de nosso trabalho de divulgação.

Será importante também que trilhemos intensamente o nosso Segundo Legado, as nossas Tradições, que nos ensinam a bem conviver em todas as circunstâncias e em todas as nossas relações, portanto nos dão uma essencial ferramenta para levar a mensagem de Alcoólicos Anônimos a todos os que dela precisem.

Nosso Terceiro Legado expressa em nossos Conceitos o nosso procedimento nos Serviços e é com essa sabedoria que nos organizamos e formulamos nossa ação, para levarmos a mensagem salvadora ao doente alcoólico.

Sabemos que a transformação pessoal daquele indivíduo alcoólico que não cumprimentava ninguém, que andava de cabeça baixa e cambaleando, ou gritando e tentando impor sua vontade onde estivesse, na rua, em casa, no edifício, no local de trabalho ou no bairro onde mora, e que passa lentamente a caminhar firme, de cabeça erguida, e que começa a cumprimentar as pessoas, a sorrir e a ser gentil, é a melhor mensagem direta e imediata, pois todos quererão saber o que aconteceu com aquele ser humano, e a resposta direta ou indiretamente virá: “Ele agora faz parte de Alcoólicos Anônimos”.

O amor que transforma, e que tem origem nos Doze Passos espirituais de Alcoólicos Anônimos, faz com que tenhamos necessidade e prazer em levar a mensagem de esperança ao doente alcoólico que deseje recuperar-se, isto é um princípio da Vida que Alcoólicos Anônimos sabiamente adotou.

Não poderíamos esquecer, esse extraordinário meio de divulgação que é a Internet, que não só pode, mas deve ser utilizado por nós para levarmos a mensagem a quem ainda sofre, mas também lembrar que, para divulgações ali, precisamos urgentemente da prática de estudos e orientações, para que nada seja feito fora de nossas Tradições, e que venha pôr em perigo nossa Irmandade no futuro, pois é um veículo muito rápido e que atinge milhões de internautas no mundo inteiro, além da facilidade com que qualquer indivíduo pode encontrar um espaço para colocar seu Site, para divulgar o que, e como lhe possa interessar, sendo aí possível facilmente o uso indevido do nome de Alcoólicos Anônimos.

Nossa auto-suficiência, mesmo tendo muitas vezes deixado a desejar, deve mobilizar-nos para que tenhamos os recursos necessários para levarmos de graça uma mensagem que tem custo, e este custo deve ser pago por nós, sem coerção é verdade, mas por consciência de levar adiante o que recebemos, para que possamos conservar e aumentar essa dádiva, que é a sobriedade e a paz.

Ouvimos tantas vezes que em A.A. tudo é de graça, assim nessa afirmação isolada há um grande equívoco. Qualquer alcoolista que chega a A.A recebe a informação sobre a existência de nossa Irmandade, de um amigo nosso, quer seja ele um religioso, um médico, um psicólogo, um assistente social, um professor ou um profissional de qualquer atividade, ou mesmo de um site na Internet; alguém no passado ou mesmo no presente, e de diversas formas fez alguma coisa, e pagou para que essa informação chegasse a essas pessoas. Os nossos grupos pelo mundo afora, com suas salas bem arrumadinhas, mesmo sendo com simplicidade, existem porque muitos agiram e pagaram de diversas formas para que ali A.A. chegasse, se mantivesse vivo e à disposição do doente alcoólico. Como é fácil depreender, muitos pagaram para que aquele que chegue receba de graça a mensagem, mas nós temos o dever, mesmo sem sermos obrigados a isso, de contribuir para que os que virão tenham a mesma oportunidade que tivemos e quem sabe ainda mais.

Cada geração de AAs “deve” apadrinhar os que chegam, sem egoísmo e sem medo de que alguém os supere, pois é isto que precisamos aspirar, para que sempre tenhamos aqueles membros mais preparados e que com boa vontade queiram com amor levar esta mensagem salvadora aos doentes que o desejarem, gerando assim a continuidade genuína de Alcoólicos Anônimos.

Finalmente, quando estivermos com estes Trinta e Seis Princípios impregnados em nossas vidas, tendo assim membros preparados e projetos feitos em conjunto, além da experiência escrita de como fazê-¬lo, só precisaremos de boa vontade, tranqüilidade, harmonia, de ações permanentes e necessárias para que Alcoólicos Anônimos seja conhecido e se mantenha vivo até quando o P.S. (Poder Superior)de cada um de nós assim o quiser.

Que a disposição do doente alcoólico do amanhã e que a sobriedade esteja sempre ao alcance do todos, como objetivo único de nossos serviços, em todos os seus aspectos, por todos os seres humanos, sem alarde espetacular, mas com amor, clareza, beleza e a simplicidade cativante de nossa Irmandade.

Anônimo

Vivência n° 97 ¬ Set./Out. 2005

UMA VISÃO DOS DOZE CONCEITOS PARA SERVIÇOS MUNDIAIS – DR. LAÍS

UMA VISÃO DOS DOZE CONCEITOS PARA SERVIÇOS MUNDIAIS

Dr. Laís Marques da Silva
Ex-Custódio e Presidente da JUNAAB

Os substantivos definem as idéias. Dizemos que uma questão é substantiva quando ela contém o significado, a substância. Na designação “Doze Conceitos para Serviços Mundiais”, temos dois substantivos que devemos analisar detidamente a fim de que possamos compreender a totalidade dos seus conteúdos.
O primeiro é a palavra conceito. Recorrendo ao “Aurélio”, vemos que: 1. Em Filosofia, significa a representação de um objeto pelo pensamento, por uma das suas características gerais – abstração, idéia; 2. Ação de formular uma idéia por meio de palavras – definição, caracterização e, 3. Pensamento, idéia, opinião. Estas primeiras acepções nos transmitem o significado da palavra conceito porque respondem às indagações: qual a idéia e qual a sua definição?
O segundo substantivo é a palavra serviço. Com ela já estamos bem familiarizados, pois vivemos numa Irmandade animada pelo espírito de serviço, entendido como o ato de colocar a sobriedade ao alcance de todos os que a desejem. Os serviços definem o AA como o conhecemos e põem os seus membros em contato, em comunicação, com os que precisam de ajuda, os que querem parar de beber.
O serviço em AA compreende tudo o que se venha a realizar para alcançar o alcoólico que ainda sofre e se compõe de uma grande variedade de atividades que vão desde o preparo de uma xícara de café até a manutenção do Escritório de Serviços Gerais. No entanto, o serviço básico, e também a razão primordial da existência de AA, é o de levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre. O serviço dá à Irmandade a marca da ação. Alcoólicos Anônimos é uma sociedade de alcoólicos em recuperação e em ação.
Do mesmo modo que o objetivo de cada membro é a sua própria sobriedade, o dos serviços é colocar esta mesma sobriedade ao alcance de todos os que a desejem; “Cada grupo é animado de um único propósito – o de transmitir a mensagem ao alcoólico que ainda sofre”.
O ideal de ajuda se constitui numa importante força de coesão para o grupo porque anima os seus membros em torno de um objetivo comum e, por isso, se torna um sólido alicerce para a Irmandade. Indispensável à Unidade, é a própria essência do Terceiro Legado.
A tarefa de estender a mão àquele que ainda sofre oferece a cada membro um trabalho suficientemente grande para polarizar a imaginação e os esforços dos seus membros e para fazer nascer um profundo sentimento de lealdade em relação ao grupo. “Razões tinham que ser encontradas para manter as pessoas autoritárias e causadoras de atrito em seus devidos lugares. Um adequando comitê de serviços, com considerável pressão, aliado a muito amor e confiança, provou ser a resposta”. O serviço traz recompensas imateriais para os que o realizam e é um dos pilares sobre os quais se assenta a recuperação individual.
Voltando ao tema, vemos que os serviços são mundiais e aí muita gente entende que não é da sua alçada em razão do adjetivo mundial, considerado o âmbito restrito da sua atuação individual. Mas os serviços têm outra dimensão, a espacial, uma vez que compreendem as ações que se desenvolvem nos grupos, as que são realizadas a nível nacional, as que ultrapassam as fronteiras de um país e as que são executadas a nível internacional. Como a Irmandade está em cerca de 147 países do mundo, os serviços se tornaram realmente mundiais. Assim, o alcance da Irmandade é global e a sua mensagem é dirigida à espécie humana, a todos os que têm problemas com a bebida.
Os Doze Conceitos, ligados ao Terceiro Legado, interessam em especial aos “servidores de confiança”, isto é, aos companheiros que se dedicam ao serviço.
Com poucos anos de existência, a Irmandade contava com milhares de grupos, com uma Junta de Serviços Gerias, com uma Conferência e uma Revista. Era necessário, então, estabelecer as relações entre estas essas estruturas. Desta forma, quando o próprio Bill W. idealizou os 12 Conceitos, estabeleceu as relações que visavam, a meu ver, montar um sistema, como se espera que exista numa sociedade como aquela em que vivemos, preocupada com os controles, a retroalimentação e com a reformulação do planejamento. Os Doze Conceitos de AA dão a coesão necessária aos serviços e previnem a existência de superposições e, como tal, evitam dissensões.
Outro ponto que é necessário esclarecer é o conceito de Serviços Gerais. São serviços que os grupos não podem fazer por si mesmos, como: uniformizar, editar e distribuir uma literatura composta de numerosos títulos; fazer um trabalho de informação ao público padronizado a nível nacional; passar a experiência adquirida pelos grupos da nossa Irmandade como um todo aos novos grupos; atender, numa escala maior, aos pedidos de ajuda; publicar a Revista Nacional, etc.
Há frases que demonstram um grande poder de síntese e que dão uma idéia muito clara das coisas: “Os Passos são para o alcoólico viver e as Tradições são para a Irmandade viver”. Uma outra diz que “Os Passos ensinam a viver e as Tradições ensinam a conviver”. São frases que, sendo curtas, exibem um grande poder de síntese e encerram uma grande significação. No entanto, em relação aos Conceitos, fica um pouco difícil condensar, fazer uma ponte que os una como um todo. Resta o esforço de tentar costurá-los de modo a transmitir uma idéia condensada, uma visão global do seu conteúdo e é o que passamos a fazer agora.
Conceito I: Nele fica estabelecido que “A responsabilidade final e a autoridade suprema para os serviços mundiais recaem sobre os grupos de AA.” “Esta responsabilidade e a conseqüente autoridade foram transferidos para os grupos no decurso da Convenção Internacional de Saint Louis, em 1955”. Esta é a idéia do Conceito I.
Conceito II: Em 1955, os grupos delegaram autoridade à Conferência para a manutenção dos serviços mundiais e tornaram a Conferência a verdadeira voz e a consciência efetiva de toda a Irmandade de AA. Com este conceito, o grupo resolve o problema de como encaminhar os assuntos ligados ao serviço, isto é, o faz por meio de um instrumento, que é o da delegação. Desta maneira, delega o seu papel de condutor à Conferência de Serviços Gerais e o faz elegendo um representante de serviços gerais para cada grupo, os quais se reúnem em Assembléia de Área e elegem, anualmente, no caso do Brasil, um delegado por Área que atua em nome de todos os grupos da respectiva Área.
A idéia central deste conceito está na delegação, feita pelos grupos à Conferência, do seu papel de condutor da Irmandade.
Conceito III: Por esse conceito, a “Conferência delega à Junta de Serviços Gerais a autoridade para administrar os assuntos de AA. Estabelece também as relações entre os grupos de AA, a Conferência, a Junta de Serviços Gerais, funcionários e comitês executivos acentuando o tradicional “Direito de Decisão”, que pode ser aplicado em praticamente todos os níveis da estrutura de serviços mundiais. Este conceito estabelece também uma relação de confiança nos líderes responsáveis dando-lhes o poder de decisão, levando em conta a sua responsabilidade e autoridade diante dos problemas e das situações que apareçam.
A liderança moderada é a essência do “Direito de Decisão” atribuído aos servidores de confiança. Bill afirmou: “todo o nosso programa dentro de AA repousa no princípio da confiança mútua. Confiamos em Deus, confiamos no AA e confiamos em cada um de nós”.
Conceito IV: Trata do “Direito de Participação”. Constitui-se numa salvaguarda contra a autoridade absoluta, suprema. É uma garantia de participação, do direito de tomar parte. Cria um mecanismo que impede a existência de membros de “segunda classe”. Está em perfeita consonância com a Segunda Tradição. Esse direito está incluído no Estatuto da Conferência de Serviços Gerais. Com ele, os membros da JUNAAB tornam-se membros votantes na Conferência.
Esse conceito atende a uma necessidade, mais do que a um desejo de pertencer e de participar.
Conceito V: O “Direito de Apelação” garante que uma eventual minoria seja sempre ouvida. Qualquer membro de AA pode exercer este direito, bastando para isso redigir um documento e dirigi-lo à Junta de Serviços Gerais. A outra face desse direito é também muito importante, pois ela faz com que todo o tempo necessário e que todo o cuidado sejam dedicados aos temas em discussão. A minoria bem ouvida representa uma proteção contra uma maioria eventualmente desinformada, precipitada ou irritada. Previne uma possível “tirania” da maioria. Dessa forma, uma maioria simples raramente é suficiente para tomar decisões. Se não se chega a uma substancial maioria, é preferível adiar a decisão ou sair para o “procedimento do Terceiro Legado” ou ainda fazer o sorteio no “chapéu”.
Conceito VI: Atribui, em primeiro lugar à Conferência e, depois, à Junta, a responsabilidade de manter serviços mundiais e de decidir sobre assuntos de finanças e de normas de procedimento. Na sua ausência, a Conferência delega autoridade administrativa à Junta. Estabelece que, embora os custódios devam operar sob observação e orientação da Conferência, eles devem funcionar como diretores de uma grande organização de negócios, para o que devem ter ampla autoridade para administrar e conduzir os negócios de AA.
Conceito VII: Por esse conceito, a Conferência reconhece a Ata de Constituição e os Estatutos da Junta de Serviços Gerais como instrumentos legais e lhe dá plenos poderes para administrar e conduzir todos os assuntos dos serviços mundiais de AA.
A Conferência fica com a força da tradição e com o poder do dinheiro e dá à Junta o direito de eleger os seus membros. Assim, estabelece que a escolha dos novos custódios cabe à própria Junta e que esta escolha deve ser submetida à aprovação da Conferência. Assim, a Conferência pode rejeitar, mas não eleger os novos candidatos a custódio. Isto é, preserva à Junta de Custódios o direito de funcionar livre e adequadamente tal como qualquer junta de diretores de negócios. Tudo isso dentro do conceito de “Servidores de Confiança”.
Esse conceito estabelece um equilíbrio de poderes entre a Conferência e a Junta, indispensável a uma harmoniosa colaboração. Assim, a Ata de Constituição dá, aos custódios, autoridade legal de tal forma que lhes é possível dizer “não” para o que vem da Conferência, de vetar qualquer das suas ações. No entanto, eles não estão obrigados a usar toda a autoridade e durante o tempo todo. Muitas vezes é mais sensato um sim. Também a Conferência deve evitar o abuso da sua autoridade tradicional.
Conceito VIII: Por ele, os custódios da Junta atuam como planejadores, administradores e executores e, em relação aos serviços incorporados, exercem supervisão de custódia, podendo eleger os diretores dessas entidades. A Junta delega funções executivas e fica com a supervisão e, para evitar a concentração de dinheiro e de autoridade, as incorporações são mantidas separadas.
Conceito IX: Esse conceito atribui a liderança dos serviços mundiais aos custódios da Junta e os tornam diretamente responsáveis pela nossa Irmandade. Enfatiza também a necessidade de se escolher bons líderes para a estrutura de serviços. As pessoas certas devem ser escolhidas para as muitas tarefas a serem executadas em cada nível de serviço.
“Não importa com que cuidado projetamos a nossa estrutura de serviços em princípios e relações, não importa quão bem repartamos a autoridade e a responsabilidade, os resultados operacionais da nossa estrutura não podem ser melhores do que o desempenho pessoal daqueles que devem servir e fazê-la funcionar. Boa liderança não pode funcionar bem numa estrutura mal planejada … liderança fraca não pode funcionar nem na melhor das estruturas.”
Estabelece ainda que a base da estrutura de serviços repousa em milhares de RSGs, que nomeiam numerosos membros dos Comitês de Área e também tantos outros delegados, além de apreciar os candidatos a custódio das Áreas. A votação se faz pelo método do Terceiro Legado, ou seja, por 2/3 da votação ou por sorteio.
Conceito X: Estabelece a relação entre responsabilidades e limita a extensão. A maior responsabilidade e autoridade estão com os grupos e, por meio deles, com a Conferência. O Conceito I estabelece que a responsabilidade final e a autoridade suprema estão nos grupos e o Conceito II estabelece que eles delegam essa autoridade à Conferência. Esta, por sua vez, pelo Conceito III, delega para a Junta de Serviços Gerais a autoridade para administrar os assuntos de AA.
A autoridade suprema da Conferência nunca deveria ser usada o tempo todo, a não ser numa emergência e isso acontece geralmente quando a autoridade que foi por ela delegada fracassa e precisa ser reorganizada em função da sua deficiência ou porque os limites da autoridade são constantemente ultrapassados.
Além dos dispositivos para igualar autoridade e responsabilidade, esse conceito acrescenta duas garantias: o “Direito de Apelação” e o “Direito de Petição” a fim de assegurar que a minoria tenha uma autoridade correspondente à sua responsabilidade.
A Segunda Tradição define o que se entende por “Consciência de Grupo” como sendo a autoridade final e também fala dos servidores de confiança como tendo autoridade delegada. As definições cuidadosas e o respeito mútuo são indispensáveis para manter o equilíbrio necessário à realização de um trabalho correto e harmonioso.
Conceito XI: Por ele, os custódios devem ter a melhor assistência dos comitês permanentes, dos diretores de serviços incorporados, dos executivos, funcionários e consultores. Nesse conceito, está definida a atuação dos diversos comitês da Junta, a sua composição, funções e relações.
Conceito XII: Tem o mesmo conteúdo do artigo 12 da Ata de Constituição da Conferência. Estabelece que a Conferência observe o espírito das Tradições de AA; que nunca seja sede de riqueza ou de poder, que tenha fundos suficientes para funcionar, que nenhum membro seja colocado em posição de autoridade absoluta sobre os outros; que as decisões sejam tomadas após discussão, votação e, se possível, substancial unanimidade. Que nenhuma ação seja punitiva ou leve à controvérsia pública; que embora preste serviço, não desempenhe ato de governo, permanecendo democrática em pensamento e ação.
Esse conceito é a base do funcionamento da Conferência e, diferentemente dos 11 precedentes, há para ele um mecanismo de proteção contra mudanças. Isto é importante porque garante o bem-estar geral do AA.
São promessas solenes em que a Conferência se submete às Tradições e dá outras garantias. A prudência é a marca das garantias que protegem a Irmandade contra a riqueza, o prestígio, o poder, etc.
No seu conjunto, os Conceitos definem uma estrutura de serviços, estabelecem ralações entre elas, definem onde ficam a autoridade superior e a responsabilidade maior, estabelecem de modo muito sábio o equilíbrio entre a Conferência e a Junta de Serviços Gerais, cuidam primorosamente da relação entre a responsabilidade e a autoridade, garantem o direito e a atuação das minorias e estabelecem um modo de atuar da Conferência, ditado pela prudência e pela temperança. É um conjunto magistral em que nada ficou faltando, em que tudo que é necessário ao funcionamento harmonioso e eficaz de um imenso organismo foi pensado e sabiamente definido. É um conjunto de normas perfeito e irretocável.