Monthly Archives: Maio 2013

AO PARTILHAR E OUVIR SOMOS OS MAIORES BENEFICIÁRIOS


“Ao partilhar e ouvir somos os maiores beneficiados.”

Dizem os companheiros mais antigos, que quando ingressamos em A.A. recebemos de uma só vez um salário vitalício com todos os acréscimos de férias, décimo terceiro salário, abono, participação de lucros, etc.

Esses proventos estão embutidos em uma só palavra:
“sobriedade”. Ela vale mais do que qualquer aposentadoria milionária, ou qualquer premio lotérico.

Mas, muitos de nós, com algumas poucas vinte e quatro horas de sobriedade, nos esquecemos totalmente o que representa a palavra gratidão.

E lembrando: – gratidão é na verdade o reconhecimento que devemos ter por alguém que nos tenha proporcionado benefícios, sejam eles físicos, emocionais, intelectuais, morais, espirituais e até mesmo financeiros.

Sendo assim devemos nos perguntar: A Irmandade de Alcoólicos Anônimos deve estar entre aqueles que nos trouxeram benefícios?

A resposta não pode ser outra: SIM, com letras maiúsculas e grifadas.

Mas será que somos gratos o suficiente para retribuir à Irmandade apenas um pouquinho daquilo que recebemos de graça, enviado pelo Poder Superior?

Pensamos que não. Muitos de nós achamos que a simples presença nas reuniões de recuperação, já é o suficiente para retribuir e nos esquecemos que essas reuniões fazem parte de uma recuperação que deve, quando possível, ser diária e prolongada.

Ao partilhar e ouvir, nós somos os maiores beneficiados.

Alguns ainda pensam que colocar algumas moedas na sacola da Sétima Tradição é o suficiente e se esquecem o quanto gastavam com o consumo de bebidas, dia após dia.

A.A. não pode nem deve viver de esmolas, mas sim de reconhecimento.

Será que não temos conhecimento o suficiente para poder entender que o dinheiro coletado não é perdido, roubado ou extraviado? Muito pelo contrário, A.A. administra bem o pouco e faz muito para conseguirmos levar a mensagem a milhares de pessoas. Somos ou não auto ­suficientes? É necessário sermos honestos com nossas consciências.

Alguns companheiros ainda hoje, não se privam de gastar no jogo ou na loteria, mas tiram do fundo do bolso a menor moeda para colocar na sacola.

Sabemos também, que existem outras formas de gratidão: o lavar os cinzeiros e fazer o café sugerido desde 1935, quando aconteceram as primeiras reuniões.

Hoje, podemos ser voluntários nas mais diversas tarefas.

Estar disponível para tirar um plantão no escritório, passar uma vassoura na sala de reuniões (sem ninguém pedir), consertar uma tomada, trocar uma lâmpada, passar uma flanela nas cadeiras, colaborar na elaboração de um ciclo de passos ou tradições, servir na equipe de CTO (Comitê trabalhando Com Outros), visitar um companheiro enfermo, fazer uma abordagem, etc.
Portanto, continuamos dizendo: – você companheiro, não importa o tempo de sobriedade, continua e continuará sendo a pessoa mais importante para nós.

Sem você o AA. poderá morrer e, conseqüentemente todos nós morreremos.

Sejamos gratos, “só por hoje” .Muitas 24 horas de sobriedade.

Vivência nº 100

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A.A. NA INTERNET E NOSSAS TRADIÇÕES

A.A. na INTERNET e nossas TRADIÇÕES 

 

 

AS TRADIÇÕES DE AA

 Observamos todos os princípios e Tradições nos Websites de AA.

Anonimato — Uma vez que o anonimato é a base espiritual de todas as nossas Tradições, pomos sempre em prática o anonimato em todos os Websites de AA públicos.

 

A não ser que esteja protegido por senha, um Website de AA é um meio público e, por isso, exigem-se as mesmas medidas de segurança que utilizamos ao nível da imprensa, rádio, TV e cinema. Na sua forma mais simples, isto supõe que os membros de AA não se identificam a si mesmos como membros de AA usando os nomes completos e/ou fotografia de cara inteira. Para mais informação sobre o anonimato online, pode ver a sessão destas Linhas com o título: “Proteção do anonimato online”

 

Atração e não promoção — Nas palavras do nosso co fundador Bill W. “A Informação Pública toma muitas formas: o simples letreiro à porta do local de reunião que diz “Reunião de AA, esta tarde”; o número de AA nas listas telefônicas; distribuição de Literatura AA; programas de rádio e TV com técnicas sofisticadas dos meios de comunicação. Seja qual for a forma, tudo se reduz a um alcoólico que fala com outro, por contato pessoal, por meio de um terceiro ou através dos meios de comunicação”.

 

Auto suficiência — De acordo com a nossa Sétima Tradição, AA cobre os seus próprios gastos e também é assim no ciberespaço. Para evitar confusões e não criar nenhuma impressão de filiação, apoio ou promoção, deve-se ter cuidado ao selecionar um serviço de hospedagem para páginas Web. Os Comitês de Website têm evitado todos os serviços de hospedagem que exigem espaço para anúncios publicitários ou links com Websites comerciais.

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Não filiação, não apoio

 

Links para outros Websites de AA podem ter o efeito positivo de ampliar o alcance do Website de maneira importante. Não obstante, ao vincular-se com outro Website de AA há que ter cuidado, uma vez que cada entidade AA é autônoma, tem a sua própria consciência de grupo e pode colocar no seu Website materiais que possam ser impróprios para outros grupos Não há forma de prever quando se pode apresentar tal situação.

 

A experiência indica que o vincular-se com outro Website que não é de AA pode criar ainda mais problemas. Não somente é mais provável que estes Websites ponham materiais não AA e/ou adulterados, como também o vínculo pode causar uma impressão de apoio, no mínimo, ou até de filiação. De qualquer modo, a experiência sugere energicamente que ao considerar-se o vínculo com outro Website, há que ter sempre cuidado.

 

Há que ter cuidado também ao selecionar um serviço de hospedagem de páginas Web. Muitos serviços de hospedagem “grátis” exigem que se incluam no Website anúncios publicitários ou vínculos. A maioria dos Comitês de Website de AA consideram este requisito como uma filiação real ou implícita ou uma recomendação dos produtos ou serviços em questão. Parece-lhes prudente criar o Website através de um serviço que não exija espaço para anúncios publicitários ou vínculos.

 

A GSO (ESG) tem tentado evitar alguns problemas deste tipo, vinculando-se somente com entidades de serviço de AA e incorporando um enunciado de saída obrigatória do Website, se um utilizador quiser ativar vínculos com Websites alheios. (Nisto inclui-se acesso a software tal como Adobe Reader que serve para ajudar os visitantes a ler arquivos PDF).

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SEÇÕES “RESTRITAS”

 

O GSO (ESG) teve conhecimento que algumas Áreas têm partes dos seus Websites designadas como “RESTRITAS” às quais se podem acessar com usuário e senha. Em alguns casos, o único requisito para obter um usuário e senha é dizer ao administrador do Website ou a outro servidor de confiança que se é membro de AA. Noutros casos, somente aqueles que têm determinados postos de serviço podem acessar a essas sessões.

 

Os Comitês de Website que consideram criar no seu Website sessões protegidas por senha devem perguntar-se: que conteúdo é privado e que conteúdo é público; a quem se permitirá que aceda à informação privada e como; como se comunicam, armazenam e manterão os usuários e senhas?

 

Alguns Websites utilizam estas sessões restritas para mudar ou atualizar informação sobre as reuniões e dados de contato dos servidores de confiança. Ao tornar possível que um servidor possa mudar o conteúdo de um Website ou uma base de dados, os Comitês devem ter cuidado. É possível que seja necessário capacitar no uso de software os membros que podem alterar o conteúdo e seria bom designar alguém para comprovar a exatidão dos conteúdos.

 

Até a data, o GSO (ESG) não teve conhecimento de problemas graves relacionados com a recuperação não autorizada de informação confidencial de AA destas seções restritas, por parte de indivíduos que não são membros de AA. Não obstante, para os Comitês de Website pode valer à pena falar sobre como vão proteger a informação confidencial de AA e como evitar uma falha de segurança.

 

A experiência partilhada de AA até a data indica que alguns membros não têm nenhum inconveniente em utilizar os seus nomes completos nem em facilitar informação de contatos pessoais nos Websites de AA protegidos por senha.

 

Porém outros membros sentem-se inquietos ao fornecer dados para facilitar a comunicação, inclusive nos Websites protegidos por senha. Os Comitês costumam ter cuidado e ajudam a que os membros se familiarizem com os novos meios de comunicação e continuam a oferecer-lhes a possibilidade de receber correspondência de AA por correio normal, se assim o preferirem.

 

O GSO (ESG) tem alguma experiência com Websites de AA privados e protegidos por senha. Os diretores de AAWS e logo o CSG concordaram receber informação por meio de suporte magnético eletrônico — um instrumento de comunicação protegido por senha e que requer um usuário. E, pela primeira vez, em 2008 os membros da Conferência de Serviços Gerais também receberam informação através de suporte magnético privado (todos os membros da Conferência tiveram a opção de receber a informação em formato CD ou em papel).

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PROTEÇÃO DO ANONIMATO ONLINE

 

A comunicação em AA hoje em dia flui de um alcoólico para outro por meio da tecnologia de ponta de uma forma relativamente aberta e vem evoluindo rapidamente. A proteção do anonimato é uma das principais preocupações dos membros que acedem à Internet em número cada vez maior.

 

Um recurso orientador da experiência partilhada de AA referente aos Websites de AA é o artigo de serviço do GSO (ESG) “Perguntas que se fazem freqüentemente acerca dos Websites de AA”. O número 7 diz:

 

P. — E quanto ao anonimato? Observamos todos os princípios e Tradições de AA nos nossos Websites. Uma vez que o anonimato é a “base espiritual de todas as nossas Tradições” pomos em prática o anonimato a todo o momento em todos os Websites de AA. Um Website de AA é um meio de comunicação público e tem capacidade de alcançar a audiência mais diversa e numerosa possível; por conseguinte, é necessário usarmos da mesma proteção que usamos perante a imprensa, rádio, TV e cinema.

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WEBSITES DE REDE SOCIAL

 

MySpace, Facebook e outros Websites de rede social são de natureza pública. Ainda que os utilizadores criem as suas contas, utilizem usuário e senha, uma vez que se entre no Website, está-se num meio público onde se misturam os membros de AA com pessoas que o não são.

 

Se as pessoas não se identificam como membros de AA, não haverá conflito de interesses. Porém ao utilizar o seu nome completo e/ou uma imagem tal como uma fotografia de rosto inteiro e se diz ser membro de AA, não estará conforme o espírito da Décima Primeira Tradição que, na sua forma longa diz em parte: “Não se devem publicar, filmar ou difundir os nossos nomes ou fotografias, identificando-nos como membros de AA”

 

A experiência sugere que, de acordo com a Décima Primeira Tradição, não se revele que se é membro de AA num Website de rede social nem em nenhum outro Website, blog, quadro de anúncios eletrônico, etc.. ou que seja acessível ao público, salvo quando esteja exclusivamente composto de membros de AA e protegido por senha.

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PUBLICAÇÕES DE ATAS E CIRCULARES DE SERVIÇO

 

Há que considerar cuidadosamente que materiais se vão colocar nos Websites públicos. Ainda que seja uma grande ajuda colocar à disposição de muita gente as atas das reuniões, circulares e outros materiais informativos são de suma importância ter presente a possibilidade de que estes documentos apareçam num meio público. É conveniente repassar e rever todos os documentos para se estar seguro de que não apareçam os nomes completos dos membros.

 

Alguns Comitês têm duas versões das atas: uma apenas para os membros de AA, na qual aparecem nomes completos, números de telefone e endereços de e-mail; e outra que se pode colocar no Website público do Comitê na qual se omitem os nomes e dados pessoais de contato.

 

Tenham presente que, além dos membros de AA locais, os seguintes indivíduos são igualmente membros de AA e as suas fotografias e nomes completos não devem aparecer em circulares ou folhetos colocados em Websites públicos: custódios Classe B (alcoólicos) membros do CSG; diretores de AAWS e da Grapevine; membros de AA que trabalhem no GSO (ESG) e/ou na Grapevine e na La Viña. Se houver alguma dúvida em publicar numa circular o nome completo de uma pessoa, será bom que se peça a sua autorização antes de fazê-lo.

 

A alguns Comitês, parece-lhes perfeitamente correto por nomes completos e informação pessoal de contato num Website protegido por senha e dirigido unicamente a membros de AA. Esta decisão deve corresponder à decisão da consciência de grupo informada.

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PARTILHAS DE ORADORES ONLINE

 

Os membros têm-nos informado que há cada vez mais arquivos na Internet com partilhas de membros de AA. Se um membro não quiser que se mostre publicamente a sua história pessoal, deve pôr-se em contato com o administrador do Website para lhe pedir que a suprima.

 

Muitos membros têm seguido com bons resultados a seguinte sugestão para os oradores de AA em eventos de AA, que aparece no material de serviço da GSO (ESG) com o título “Linhas de Orientação de AA para Conferências, Convenções e Encontros”:

 

A experiência indica que o melhor, é dissuadir os oradores de utilizarem nomes completos e de identificar terceiros pelos seus nomes completos nas suas partilhas. O poder das nossas Tradições de anonimato é reforçado pelos oradores que não utilizam os apelidos e pelas pessoas ou companhias gravadoras que nas suas etiquetas ou catálogos não identificam os oradores pelos apelidos, títulos, postos de serviço ou descrições.

 

Além disso, alguns membros de AA ao terem as suas partilhas gravadas para uso futuro num Website público, podem optar por omitir outros detalhes das suas vidas que podem servir para identificar mais facilmente os próprios ou ás suas famílias.

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NÚMEROS DE TELEFONE PESSOAIS EM FOLHETOS DE EVENTOS DE AA

 

Até uma data relativamente recente, os membros de AA raramente tinham que se preocupar ao pôr os seus nomes com a inicial do apelido e número de telefone pessoais em folhetos que anunciavam eventos de AA de realização próxima, uma vez que esses folhetos se destinavam a ser distribuídos unicamente nas reuniões de AA e exclusivamente aos membros de AA. Hoje em dia os folhetos, por ser fácil a sua colocação nos Websites, ficam acessíveis ao público em geral.

 

Por meio dos serviços de busca da Internet, agora é possível identificar uma pessoa, descobrir o seu nome completos e possivelmente, vários dados pessoais. Se os membros de AA se sentem cada vez mais inquietos ao ver os seus números de telefone pessoais publicados nos folhetos, os Comitês organizadores dos eventos deverão criar outras formas de facilitar informação de contato como, por exemplo, criando uma direção de correio eletrônico para o evento.

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O ANONIMATO E O CORREIO ELETRÔNICO

 

O correio eletrônico é um meio de comunicação amplamente utilizado e geralmente aceite. Agora utiliza- se regularmente como instrumento de serviço de AA; não obstante, tal como os demais serviços, temos que nos assegurar de que se cumprem as Tradições de AA e, ao mesmo tempo, tirar o máximo proveito deste meio de comunicação.

 

Ao utilizar o e-mail, é necessário considerar o anonimato dos destinatários das mensagens. Enviar mensagens a múltiplos destinatários onde se revelem os endereços eletrônicos de todos os que aparecem na lista de destinatários pode constituir uma potencial violação do anonimato de outra pessoa. Por conseguinte é uma boa ideia obter a autorização expressa de uma pessoa antes de incluir o seu endereço de email na correspondência de AA, especialmente se é um endereço do seu local de trabalho. Ao enviar email a múltiplos destinatários que desejam ser anônimos, pode-se fazer uso da opção Bcc, disponível na maioria dos computadores.

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USO DE NOMES COMPLETOS EM E-MAIL DIRIGIDOS A PROFISSIONAIS

 

Pode considerar-se a comunicação por correio eletrônico com profissionais como algo muito parecido a um projeto de correspondência por correio normal, porém com advertências especiais:

 

1) os e-mails podem ser remetidos facilmente a outros;

2) podem ser cortados, copiados, alterados;

3) podem ser colocadas partes do conteúdo de e-mail em Websites.

 

Os profissionais “amigos de AA”, têm-nos dito que quando se trata de assuntos de serviço de Cooperação com a Comunidade Profissional ou de Informação Pública, o uso do nome completo nas cartas ou nos e-mail, assim como o tom e aparência profissionais, dá maior credibilidade à comunicação.

 

A Coordenadora de Informação Pública do GSO (ESG) responde aos pedidos que nos cheguem dos meios de comunicação por correio normal ou por e-mail da seguinte forma:

Atenciosamente, Fulana de Tal (É favor não publicar o nome)Coordenadora de Informação Pública

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ANONIMATO E OS COMPUTADORES PESSOAIS

 

Alguns AA dizem a si mesmos: “Tenho um computador pessoal, assim não tenho que me preocupar com o anonimato dos membros de AA na minha lista de contatos.” Porém, é possível que um indivíduo, suficientemente motivado para fazê-lo, possa obter o usuário e a senha necessário para acessar ao correio eletrônico de outra pessoa. É de esperar que não suceda tal incursão, porém, pode ser prudente criar uma senha sumamente definitiva e mantê-la privada.

 

Mesmo a conta de correio mais bem protegida pode ser invadida por um especialista (hacker); mesmo assim e até a data, muitos membros e Comitês não têm dúvidas em aceitar estes riscos ao mesmo tempo em que atuam com prudência e senso comum.

 

Devemos considerar também o fato de que as listas de endereço de e-mail utilizadas na correspondência AA num computador pessoal podem ser acedidas por amigos ou membros da família, se mais que uma pessoa faz uso do equipamento.

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OS E-MAILS EM AA: ACESSO, DIREÇÕES E ROTATIVIDADE

 

Não é necessário ter um computador pessoal para fazer uso do correio eletrônico. Muitos membros de AA no seu trabalho em serviço de AA utilizam os serviços gratuitos de e-mail para abrir contas de correio e designam-na como a sua conta de serviço de e-mail de AA. Os AA podem acessar às suas contas nas bibliotecas públicas, nos ciber cafés e noutros lugares onde esteja disponível um serviço de Internet.

 

No que se refere aos postos de serviço de AA, os endereços de e-mail genéricos podem passar de um servidor de confiança para outro na altura da rotatividade. Por exemplo, o endereço de e-mail e a conta dearea999@aaservico.com pode passar de um servidor para outro quando haja rotatividade, mantendo unicamente a identidade do posto (Podem ser mudados somente o usuário e a senha).

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OS PERIGOS DO SPAM

 

Diz respeito à consciência de grupo informada do Comitê decidir qual será a melhor forma de implementar projetos de serviço através da Internet, especialmente projetos de Cooperação com a Comunidade Profissional (CCCP) e de (Informação Pública (CIP).

 

Sugere-se energicamente que os membros de AA não enviem correio em massa não solicitado para o serviço de AA. Se o fazem, podem expor assim o nome de AA a uma controvérsia pública prejudicando a reputação de AA na sua totalidade. Eventualmente também pode ser ilegal, e deve informar-se sobre as leis locais referentes à comunicação por correio eletrônico e SPAM.

 

Como alternativa o Comitê pode considerar a possibilidade de enviar correspondência a alguns (poucos), destinatários ou de enviar e-mails individuais e personalizados.

 

É possível que a conta do destinatário tenha um filtro contra SPAM que bloqueie a mensagem e por isso deve-se ter um plano de continuidade caso não chegue resposta à correspondência inicial.

 

Aparte dos contatos pessoais que se fazem entre membros de AA, uma forma eficaz de interagir com os profissionais e o público em geral tem sido a de pôr à sua disposição um link com o Website do GSO (ESG).

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REUNIÕES DE AA ONLINE

 

Tal como as reuniões normais de AA, as reuniões de AA online são autônomas. Por não ter uma localização geográfica, as reuniões de AA online não fazem parte da estrutura de serviço (EUA/Canadá e Brasil).

 

Incentivam-se os membros de AA a participarem no serviço nos lugares onde residem e a participar nas decisões da consciência de grupo local. Algumas reuniões de AA online levam a cabo reuniões sobre o serviço e recolhem contribuições da Sétima Tradição.

 

O prefácio da quarta edição do livro Alcoólicos Anônimos comenta a respeito dessas reuniões feitas por membros que dispõe de computador. (Reunião com propósito especial).

 

Enquanto nossa literatura preserva a integridade da mensagem de A.A., amplas mudanças na sociedade como um todo se refletem em novos hábitos e procedimentos dentro da Irmandade. Por exemplo, aproveitando-se dos avanços tecnológicos, os membros de A.A. que dispõem de computador podem participar de reuniões por Internet, compartilhando com companheiros alcoólicos de todo o país e do mundo inteiro. Em qualquer reunião, em qualquer lugar, os AAs compartilham entre si experiências, forças e esperanças com o propósito de manterem-se sóbrios e ajudarem outros alcoólicos. Modem a modem ou cara a cara, os AAs falam a linguagem do coração em todo o seu poder e simplicidade.

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A UNIDADE EM A.A.

 

Como nós, membros de A.A. preservaremos melhor nossa unidade?

 

Quando um alcoólico aplica os Doze Passos de nosso programa de recuperação à sua vida pessoal, sua desintegração para e sua unificação começa. O Poder que agora o prende num único conjunto supera aquelas forças que o estavam destruindo. Exatamente o mesmo princípio se aplica a cada grupo de A.A. e a Alcoólicos Anônimos como um todo. Enquanto os laços que nos unem provarem ser muito mais fortes do que as forças que nos dividiriam tudo estará bem.

 

Estaremos seguros como movimento; nossa unidade essencial permanecerá com certeza. Se, como membros de A.A., cada um de nós pode recusar prestígio público e renunciar a qualquer desejo de influência pessoal; se, como movimento, insistimos em permanecer pobres, a fim de evitar disputas a respeito de grande propriedade e sua administração; se nós constantemente rejeitamos todas as alianças políticas, sectárias ou qualquer outras evitaremos a divisão interna e a notoriedade pública; se, como movimento, continuarmos sendo uma entidade espiritual, interessada somente em levar nossa mensagem aos companheiros sofredores, sem recompensa financeira ou obrigação, apenas então podemos efetivamente concluir nossa missão.

 

 

Está cada vez mais claro que nunca deveríamos aceitar benefícios temporários, ainda que sejam os mais tentadores, se esses consistirem em consideráveis somas de dinheiro, ou puderem nos envolver em alianças polêmicas e de endosso, ou puderem tentar alguns de nós a aceitar, como membros de A.A., publicidade pessoal, a nível de imprensa ou rádio. A unidade é tão vital para nós, membros de A.A. que não podemos nos arriscar tomando aquelas atitude e práticas que têm às vezes desmoralizado outras formas de sociedade humana.

 

 

Até aqui temos sido bem sucedidos, porque temos sido diferentes. Que possamos continuar a ser assim! Mas a unidade de A.A. não pode se preservar automaticamente. Como a recuperação pessoal, teremos sempre que trabalhar para mantê-la. Também aqui precisamos de honestidade, humildade, mente aberta, altruísmo e, acima de tudo vigilância. Assim, nós que somos mais antigos em A.A. pedimos a vocês, que são mais novos, para ponderarem cuidadosamente a experiência que temos tido de tentar trabalhar e viver juntos.

 

Gostaríamos que cada A.A. tomasse tanta consciência dessas tendências perturbadoras que nos põem em perigo como um todo, como ele mesmo tem consciência daqueles defeitos pessoais que ameaçam sua própria sobriedade e paz de espírito. Movimentos inteiros anteriormente se desfizeram por falta de unidade.

 

Os “Doze Pontos da Tradição de A.A.” constituem nossa primeira tentativa para estabelecer princípios sólidos da conduta de grupo e relações públicas. Muitos de A. As. já sentem que essas Doze Tradições são sólidas o suficiente para tornar-se o guia básico e a proteção para A.A. como um todo; que devemos aplicá-las tão seriamente à vida de nosso grupo como fazemos com os Doze Passos de recuperação para nós mesmos. Para se falar disso, será preciso muito tempo.

 

Nunca podemos nos esquecer que, sem unidade permanente, muito pouco podemos oferecer, no sentido de aliviar os milhares que ainda estão por unir-se a nós, em sua procura de liberdade.

(Fonte: Livrete “A Tradição de A.A.” Como se desenvolveu, por Bill W.)

O QUE É E PARA QUE SERVE

O QUE É E PARA QUE SERVE?

Serviço em A.A. é tudo aquilo que ajuda a alcançar uma pessoa que sofre. A Estrutura de Serviços de A.A. serve para organizar os trabalhos da Irmandade relacionados com a 5ª Tradição e com 12° Passo, ou seja, levar  a mensagem correta ao público, que desconhece ou que não esteja informado  sobre a Irmandade.

Desta forma, a Irmandade deve estar sempre preparada para levar a mensagem, realizando entre si, reuniões de esclarecimentos, debates, temáticas, estudo dos melhores meios de como se apresentar em público, o que  falar,
esclarecendo o que A.A. faz e o que não faz. Tudo dentro de A.A. sugere-se que
seja sempre bem discutido.

Há uma real necessidade de se estar pelo menos 5% em processo de recuperação dentro dos Doze Passos. Parar de beber foi difícil, e hoje já se tomou prático não beber. Como falou Bill W., é necessário submeter-se aos princípios para que a Irmandade não pereça. Caso ocorra dificuldade de servir à Irmandade, de levar esta mensagem que de graça recebemos, está explícito que não estamos praticando os passos da Recuperação. Estamos apenas preocupados em nos  envaidecer dizendo: “fui eu” que executei tal ação, justificando-se que não  havia ninguém para fazê-lo. Vejamos o que o capítulo Cinco do Livro Azul nos revela em seu primeiro parágrafo: “Raramente temos visto fracassar pessoas que cuidadosamente seguiram os nossos caminhos. Os que não seguiram, não conseguem ou não podem se entregar por completo a este programa simples são pessoas que, por natureza, são incapazes de ser honestas consigo mesmas … e de desenvolverem um modo de vida que requeira rigorosa honestidade …”

Daí perguntamos: como se pode servir se não nos conhecemos o suficiente para
nos relacionarmos? Como poderemos trabalhar em uma estrutura se o grau de
recuperação de seus membros está baixo? O grupo é a célula-mãe dos servidores de confiança. Com temáticas e trabalhos efetuados dentro dos grupos, nasce uma consciência individual que se manifesta em todo grupo, formando uma consciência coletiva esclarecida. Desta forma, sim, todos os membros do grupo serão incentivados a participar e praticar os princípios em todas as suas atividades.

(Vivência nº 99 – Jan./Fev. 2006)

EVIDENCIA DE UM MILAGRE

Evidencia de um milagre

Meu alcoolismo ainda não estava muito adiantado quando procurei pela primeira vez a ajuda de A.A., mas os efeitos de trinta anos de bebida estavam lá e a minha vida espiritual andava em maré baixa. Todo desejo de beber desapareceu na minha primeira reunião e, acreditando, dediquei-me ao programa com entusiasmo, meditava sobre os lemas, ia às reuniões, fazia amigos e levava a mensagem tal como a concebia. Pouco depois de ingressar em A.A., experimentei uma conversão religiosa. Era cristã nominalmente – tão mal-informada acerca das questões espirituais em geral quanto se possa imaginar. Depois de descobrir realmente o cristianismo, estudei teologia em suas muitas ramificações, tornei-me irmã leiga de uma ordem religiosa e comungava diariamente. Sentia-me segura e assim me afastei da Irmandade. Não participava mais das reuniões, perdi o contato com
os meus amigos de A.A. e me tornei extremamente “ocupada”. Quando tomei um gole depois de treze anos de sobriedade, tenho certeza de que tinha em mente que A.A. ainda estaria lá se o resultado fosse ruim. Surpreendentemente, o uísque não teve nenhum efeito aparente. Depois disso, bebi ocasionalmente durante uns dois anos. Minha situação na vida era então inteiramente diferente daquela de quinze anos atrás; gradualmente, iludindo habilmente a mim mesma, convenci-me de que havia me enganado acerca do meu alcoolismo. Durante alguns anos, aparentei ser uma bebedora social. Houve presságios em contrário, mas os ignorei. Acalentava minha ilusão de controle. A degradação da minha vida espiritual foi lenta: os efeitos físicos e mentais não foram especificamente perceptíveis durante muito tempo. Inevitavelmente, chegou o momento em que enfrentei o fato de não conseguir reduzir os consideráveis volumes de bebida que estava ingerindo e nem conseguir parar. Em desespero, internei-me em um hospital. Minha ficha dizia “alcoolismo agudo” e eu tinha todos os sintomas, inclusive alucinações. Não obstante continuei a beber depois de receber alta, completamente obcecada. Certo dia, meu médico sugeriu que me internasse novamente. Disse a ele que pensaria a respeito. Uma amiga veio tomar chá comigo naquele dia (o meu chá era mais da metade vodca) e disse, assim como quem não quer nada: “Olhe, querida, não vale a pena”. Somente isso. Depois que ela saiu, as palavras “não vale a pena” continuaram girando na minha cabeça. Na manhã seguinte, telefonei para o escritório intergrupal de A.A. local e pedi uma relação das reuniões. Desde então nunca mais tomei um gole. Vejo agora quão monumental era minha auto-ilusão. Durante aqueles primeiros treze anos, minha sobriedade não fora de tão boa qualidade quanto parecia. Durante os dois anos que se seguiram, convenci-me na realidade de que era privilégio poder beber. Quando retornei a A.A., os preceitos me pareceram inteiramente novos, especialmente o significado completo do Primeiro Passo, a “bomba atômica do programa”. Ao invés de estudar os Passos e depois esquecê-los, comecei dessa vez a praticá-los diariamente, encontrando um novo significado em cada um deles. Aquilo no que vim a acreditar é profundo e minha concepção e compreensão do programa são agora muito diferentes daquelas de antes. Meu modo de vida em A.A. exige uma ação constante – uma auto-honestidade ativa e o reconhecimento da necessidade de viver um dia de cada vez. A paciência precisa ser praticada. Por gratidão, tenho que vir a acreditar humildemente em cada momento de cada dia. Tenho que me render e reconsagrar minha vida a cada dia ou perderei tudo aquilo que conquistei. Sempre acreditei em Deus, mas não posso jamais me esquecer de como é fácil perder contato com Ele e me tornar novamente “insana”.
“Procurei minha alma, mas não conseguia vê-la. Procurei meu Deus, mas Ele me escapava. Procurei meu irmão e então encontrei os três.” Encontramos nossos irmãos na Irmandade e conseguimos a força espiritual. A sua concepção de Deus pode ser muito diferente da minha, mas podemos concordar, acredito eu, em que existe um Espírito Santo pairando nas reuniões de A.A., e no fato da sobriedade de cada um e de todos nós ser a evidência de um milagre. Os milagres são definidos como acontecimentos que parecem ser inexplicáveis, sendo considerados portanto de origem sobrenatural – atos de Deus. Isso eu aceito. David Stewart escreveu: “Um milagre é uma ação espantosa que emerge do esforço concatenado de Deus e da pessoa”. Concordo – e, em A.A., uma “pessoa” se torna muitas pessoas. A.A. é um sucesso porque, cada um e todos nós, temos um objetivo comum em função do qual estamos trabalhando: crescimento mental, emocional e espiritual através do amor e do serviço. Uma vez que venhamos a acreditar, teremos oportunidades de trabalhar em prol desse objetivo. Para mim, vir a acreditar não é uma experiência temporária. É uma ação a ser realizada diariamente enquanto vivermos e crescermos.

 
VIEMOS A ACREDITAR 9/4 

UMA GELADEIRA QUE SE DERRETE

Uma geleira que se derrete

Eu estava sóbria há dezoito meses e sentia-me física e mentalmente melhor do que jamais estivera durante muitos anos. Estava muito envolvida nas atividades de A.A., mas continuava agnóstica acerca desse “negócio de Poder Superior”. Achava que tinha procurado A.A. em busca da sobriedade, que tinha conseguido essa sobriedade e que A.A. era tudo o que eu precisava para me manter sóbria. De vez em quando gostaria de poder afirmar, como a maioria dos membros de A.A., que meu Poder Superior era Deus; mas a necessidade de honestidade me causara uma forte impressão e sabia que seria incapaz de admitir um Poder Superior a Alcoólicos Anônimos, até que estivesse firmemente convencida. Em um fim de semana, fiz planos especiais e pessoais (montei o palco) e o homem incluído nesses planos me desapontou (o ator não entrou no palco na hora da deixa). Sem aviso e aparentemente sem nenhuma causa suficiente, mergulhei numa crise de choro histérico, ficando cada vez mais desestruturada emocionalmente. Estivera hospitalizada seis anos antes, como psicótica, e agora estava experimentando a sensação de deslizar para um poço de torturas infernais. Sentia-me tão desesperada, da mesma forma como quando pedira a ajuda a A.A., um ano e meio atrás. Mas desta vez eu estava sóbria. Minha filha de quinze anos ficou mais alarmada do que jamais ficara antes, durante todos os meus anos de bebedeiras. Também ela começou a chorar de medo e sugeriu que eu chamasse um médico ou alguns dos meus amigos de A.A. Disse a ela: “Linda, nenhuma pessoa pode me ajudar. Eu preciso da ajuda de Deus”. Essa palavra, “Deus”, saiu-me automaticamente.Anteriormente, nunca fora capaz de dizê-la em voz alta. Chorando, minha filha respondeu: “Mãe, penso que Deus nos esqueceu”. Essa resposta levou-me a chorar ainda mais compulsivamente e caí numa depressão desesperada. Eu havia comparecido a muitas e muitas reuniões de A.A. e ouvira o ABC do Capítulo Cinco do livro “Alcoólicos Anônimos”, afirmando sempre que a resposta para o meu problema estaria esperando por mim nesse momento de necessidade. Estava convencida de que Deus poderia e iria me ajudar se eu O procurasse. Durante as seis semanas que se seguiram, nos momentos em que pude estar sozinha, fazia um esforço concentrado para determinar o que ou quem era Deus e qual era meu relacionamento com Ele. Começaram a acontecer coisas estranhas. Havia pensado que era feliz naqueles primeiros dezoito meses de sobriedade, mas agora tudo começava a parecer-me mais brilhante; as pessoas pareciam mais gentis e eu tive momentos de profunda percepção. Era como se as palavras e as sentenças que ouvira durante toda minha vida tivessem um significado mais profundo e estivessem tocando meus sentimentos, ao invés do meu intelecto. Era como se minha cabeça e meu coração finalmente estivessem integrados. Não parecia mais ser duas pessoas em uma, engajada em um esforço de guerra. Experimentei nesse período de seis semanas uma sensação de ser totalmente perdoada e nunca mais, desde então, senti a culpa que sentira durante toda minha vida anterior àquele período. Tive mais de uma vez a sensação de uma Presença que só posso descrever como sendo maravilhosamente cálida, edificante e confortadora. Embora não chorasse mais quando estava acordada, nesse período acordei muitas vezes durante a noite porque meu travesseiro estava úmido e frio. Era como se todo esse pranto estivesse derretendo uma geleira que envolvia meu coração – uma geleira que havia me afastado não apenas do mundo das pessoas, mas também do meu “eu” real. Posteriormente, quando confidenciei a estranheza desse interlúdio a outros AAs, disseram-me que eu tivera “o choro de A.A.”. Foi um período de confusão, mas fui especialmente ajudada por ter observado uma nota de rodapé na primeira edição do livro “Alcoólicos Anônimos”, transportando-me ao livro “As Variedades da Experiência Religiosa”, de William James, cuja psicologia filosófica constitui uma grande parte do método pratico de A.A. para se obter a sobriedade e induzir um despertar espiritual voluntário. Como exemplo, James afirma (resumindo as opiniões do Dr. E. D. Starbuck), que “para a maioria de nós, a sensação de nossa iniqüidade atual é um componente muito mais distinto da nossa consciência do que a imaginação de qualquer ideal positivo que possamos almejar. Com efeito e na maioria dos casos, o ‘pecado’ quase que apenas aguça a atenção, de forma que a conversão seja ‘um processo de empenho em nos afastarmos do pecado, ao invés de nos esforçarmos no sentido da retidão'”. Exatamente como James descreve, eu não me sentia mais como uma pessoa dividida. Depois desse período de seis semanas, estava unificada. Desaparecera de meu plexo solar a “bomba-relógio” que sempre existira ali, esperando para explodir. Acredito que tenha sofrido não apenas de alcoolismo, mas também de “sérias desordens emocionais e mentais”. Conseqüentemente, foi necessário que me rendesse não apenas em relação ao álcool, mas também em relação a Algo Mais. Ninguém disse isso melhor do que o Dr. Harry Tiebout, no seu livreto “O Ato da Rendição no Processo Terapêutico”: “Para uns poucos, parece ocorrer um fenômeno que poderia ser chamado de rendição seletiva’. Depois que se dissipam os efeitos da experiência de rendição inicial, o indivíduo volta a ser em grande parte a mesma pessoa que era antes, exceto pelo fato de não beber e não travar nenhuma batalha nesse sentido. Sua rendição não ocorre em relação à vida, como uma pessoa, mas sim em relação ao álcool, como um alcoólico”. A.A. me proporcionou um meio através do qual consegui superar a compulsão para beber e, mais importante, um meio através do qual pude conseguir uma mudança da personalidade ou um despertar espiritual – uma rendição em relação à vida. Embora eu tenha tido problemas, e foram problemas graves, desde aquele verão, dez anos atrás, minha fé não foi abalada. Não posso dizer que eu tenha encontrado Deus na forma em que O concebo, mas sim que tenho fé em Algo que continua sendo um mistério para mim e que continuo a procurar. 

 
VIEMOS A ACREDITAR 6/3 

PADRINHOS, MADRINHAS & AFILHADOS

Padrinhos, Madrinhas & Afilhados…

Meus primeiros dias em A.A. foram assustadores. Sem beber, tudo ficava mais difícil. Minha insegurança, meus medos, tudo veio à tona.
 
Apesar de saber que alí estava a minha “turma”, um enorme sentimento de solidão me envolvia. Eu não entendia muito bem o que estava acontecendo comigo. O meu último período de ativa fora muito sofrido. Estivera a um passo da loucura. Sem fé, sem esperança, sem identidade, eu parecia uma menininha deixada sozinha num quarto escuro, completamente entregue aos seus fantasmas. E a vontade de beber não passava…Quanto maior a minha insegurança, quanto mais medo eu sentia, mais forte era a tentação de recorrer ao primeiro gole. Todos no grupo me pareciam fortes, invencíveis e…distantes… Ainda não tinha conhecido nenhuma companheira.
 
Mas havia um olhar e um sorriso que aqueciam o meu coração. Eram do primeiro padrinho em A.A. Ele foi se aproximando, puxando conversa. Havia nele uma serenidade que eu gostaria de ter.
 
Desconfiada de tudo e de todos, sem entender quase nada da programação, fui confiando nele. Comecei a lhe fazer algumas tímidas confidências e algumas perguntas sobre a Irmandade. Ele me emprestou os livros “Viver Sóbrio”, “Alcoólicos Anônimos”, “Os Doze Passos e as Doze Tradições”. Tratava-me com carinhosa atenção, sempre pronto a me ouvir, partilhar suas experiências comigo e fazia sugestões muito úteis para mim. Aos poucos fui me sentindo mais segura. Era bom chegar na sala e sentir a sua presença sempre ali, mostrando-me, com o seu exemplo, que “a participação é a chave da recuperação”.
 
Hoje somos mais que companheiros, somos amigos! Com ele aprendí os segredos do apadrinhamento. Tenho alguns afilhados, a maioria mulheres, as quais também recebí com carinho e atenção. E tenho caminhado junto com eles, como o meu padrinho caminhou comigo nos primeiros tempos.
 
Acho que meus afilhados jamais entenderão o quanto me ajudam. É um mistério essa maravilhosa troca de energia que acontece entre nós. Vou partilhando com eles as minhas experiências e eles vão partilhando comigo as suas dificuldades e os seus sentimentos, que são tão iguais aos meus!…
 
Outro dia, num momento de descontrole emocional, quando o meu comportamento não foi nada exemplar, uma afilhada, um pouco assustada comigo, concluiu: “É, com a minha madrinha eu vou aprendendo o que fazer e o que não fazer.”
 
A grande lição que tenho aprendido em Alcoólicos Anônimos, especialmente com a minha experiência no apadrinhamento, é que, neste planeta, não existem professores. Todos somos aprendizes: estamos caminhando juntos, de mãos dadas, em direção ao infinito.
 
Que Deus conceda a todos vinte e quatro horas de serena sobriedade!

NADA VALE A VIDA SE EU NÃO ESTIVER SÓBRIA PARA VIVER!

Nada vale a vida se eu não estiver sóbria para viver!

Hoje, lendo a Revista Vivência e me maravilhando com os detalhes que encontro em cada depoimento lembrei-me de quando cheguei em A.A. Era final de 1992; eu trabalhava de empregada doméstica e nesse dia a filha da minha patroa estava se casando. Como são de uma família tradicional e bem de vida, o casamento civil seria realizado na casa da noiva.
Nesta ocasião os freezers estavam cheio de bebidas de toda qualidade, inclusive bebidas que eu nunca havia visto.
Meu marido, que na época era meu namorado ficou de passar no meu serviço para que fôssemos embora juntos, porém ele também bebia e resolveu sair com os amigos esquecendo-se de mim.
Terminado o casamento, todos saíram e eu fiquei sozinha! Que festa!
Chateada porque o namorado não apareceu, uma desculpa para beber todas, bebi de tudo o que havia. Acordei no sábado, na minha casa, sem saber quem havia me levado. Minha mãe me disse que os noivos me encontraram bêbada na rua, com pé ensangüentado, pois eu havia me cortado num caco de garrafa. Eles me pegaram, banharam-me, me vestiram e me levaram para casa. Minha vergonha foi tanta que eu não voltei nem para receber o pagamento.
Foi quando me falaram de A.A. Minha irmã, de tanto ver meu sofrimento procurou ajuda; falou com o meu namorado e ele topou em me acompanhar.
Quando chegamos ao grupo, numa segunda-feira a sala estava cheia; o coordenador da reunião nos deu as boas-vindas e me disse que a reunião de Al-Anon era na sala ao lado; eu respondi “esta é a sala que eu procuro, esta é a minha sala”!
Abençoados companheiros, que nos ajudaram a mim e ao meu namorado, que hoje é meu marido, porque ele também se identificou como alcoólico.
Foi assim que conheci esta Revista maravilhosa. Fiz minha assinatura e sigo firme na minha programação fazendo das vinte quatro horas o primeiro e único dia de toda a minha vida.
Aprendi que sou importante e que nada vale a pena se eu não estiver sóbria para viver. Hoje tenho quatro netos que são minha alegria!
Agradeço, a Deus e aos meus companheiros de A.A., por esta felicidade. Vinte e quatro horas de sobriedade e obrigado por esta maravilha que é a Revista Vivência.
 
Vivência  Nº 106 – Março / Abril – 2007