Monthly Archives: Março 2013

GRUPO BASE A IMAGEM DE A.A.

O GRUPO BASE, IMAGEM DE A. A.

Objetivos:

1. Conseguir que os líderes membros de A. A. conheçam e valorizem a importância de permanecer a um grupo que seja a base para seu trabalho de recuperação e serviço, em aplicação ao princípio que enuncia nosso objetivo principal: “nos mantermos sóbrios e ajudar a outros a alcançar a sobriedade”.
2. Conscientizar os participantes de que o seu grupo mostra a Irmandade como um todo aos visitantes e principalmente aos que chegam pedindo ajuda. O grupo é a imagem de A. A.
3. Explicar, respeitando plenamente a autonomia, como seria o funcionamento ideal de um grupo, como pode ser estruturado e como seus membros podem comportar-ser para a manutenção da unidade e participar do trabalho dentro do grupo e também do trabalho externo que o grupo possa fazer, no lugar onde esteja localizado.
4. Dar a consciência da responsabilidade de transitar a mensagem original com a literatura básica e do compromisso com a autossuficiência dos centros de serviço de toda a Irmandade.
5. Incentivar os membros do grupo a contribuir com os servidores e à formação e capacitação adequadas, dos eleitos como representantes nos Serviços Gerais, intergrupos e diferentes comitês de serviço.
6. Realçar a importância da participação do grupo na vida da Irmandade e da responsabilidade de aplicação das recomendações emanadas na Conferência de Serviços Gerais.

(Fonte: Guia de Capacitação de Liderança – pagina: 31)

Textos para leitura:

” O GRUPO DE A. A. EM AÇÃO ”

* INTRODUÇÃO

Através de observações e experiências adquiridas nestas poucas 24 horas vivenciando nossa Irmandade, venho observando um “mal crônico” que persiste em inquietar o A. A. no Brasil. Estou referindo-me aos baixos índices de Recuperação em nossos Grupos.

De tempos em tempos atribuiu-se esse problema a diversos motivos. Hoje os motivos são:
– A falta de literatura para orientar nossos antepassados quando da chegada do A. A. no Brasil.

– A inexistência de uma Estrutura de Serviços eficiente com Comitês e Comissões atuantes.

Tais motivos parcialmente solucionados desde 1969 com a fundação do hoje extinto CLAAB – Centro de Distribuição de Literatura de A. A. para o Brasil e, em 1974 quando foram convocados os primeiros Delegados de Área e realizado o 1º Conclave de A. A. no Brasil. Dois anos após com a Eleição dos Custódios em Assembléia realizada em 29 de fevereiro de 1976 – criou-se a JUNAAB – Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil – quando foi estabelecido o ESG – Escritório de Serviços Gerais. Estes foram realmente os primeiros Organismos de Serviços de A. A. registrados juridicamente no Brasil, fato ocorrido em 29 de junho de 1976.

O problema permanece irremovível, hoje com os seguintes discursos:

– Que os hábitos adquiridos nos tempos pioneiros, com a inexistência da Literatura, estão demais arraigados e somente serão diluídos com o tempo.

– Que a Estrutura de Serviços existente, não está sendo eficientemente usada no objetivo de recuperar os alcoólicos que ainda sofrem.

Se pesquisarmos profundamente com uma análise consciente, fatalmente iremos constatar que falta uma “Determinação obtida por uma ampla conscientização” empreendida pelos diversos segmentos de Serviços (Servidores) responsáveis, para uma tomada de posição no sentido de minimizarmos o problema.
Um posicionamento que objetive ascender os níveis de recuperação da Irmandade no Brasil, através do desenvolvimento de ações dinâmicas sensibilizadoras da profundidade dos Princípios Espirituais de nossa Irmandade.
Os doentes alcoólicos buscam A. A. porquê de alguma forma se sentiram atraídos pela imagem da Irmandade que lhe foi passada por alguma forma de divulgação ou pela abordagem de um membro, despertando- lhe um fio de esperança para cessar o sofrimento vivido.
A partir de nossas próprias experiências do primeiro dia, é fácil imaginar o que se passa pelas mentes doentes ante o desapontamento com a realidade mostrada nos Grupos de A. A., que na maioria das vezes desmente a concepção que tínhamos a respeito. A inverdade nunca poderá ser a base de um objetivo que envolve vidas humanas.
Se estabelecermos um confronto entre o que deveria ser uma real Programação de Recuperação de A. A., e o que é divulgado ou passado pelo abordante e a realidade que o ingressante irá constatar no Grupo, onde estará assistindo à sua primeira reunião, iremos detectar de uma forma generalizada as seguintes falhas e distorções:

– Desinformação sobre o que é realmente o Programa de Recuperação de A. A.:

Grande parte de responsabilidade pela má Recuperação, reside na qualidade do apadrinhamento realizado, quando o recém-chegado, após o primeiro dia, é lançado à sua própria sorte, sendo-lhe negadas as informações vitais de como proceder de agora em diante. É voz corrente em nossos Grupos: “Evite o Primeiro Gole… Freqüente as reuniões na medida do possível… e traga mais um, quando puder…” Esta é a orientação comum, precursora da inércia e estagnação, que presta o maior desserviço ao doente e à Irmandade.

– A Rotina e a Repetitividade:
A ignorância e o desconhecimento do que deve ser feito, levam os Grupos de A. A. a realizarem uma programação pobre e deficiente, onde a rotina e a repetitividade provocam o desânimo e a desmotivação, com o cansativo desfile pela “Cabeceira de Mesa” dos mesmos companheiros que contam sempre a mesma “estória”.

– Despreparo dos Servidores Responsáveis:
As lideranças de Grupos se afirmam mais pela assiduidade e pela capacidade de falar mais alto, que pelo grau de conhecimento dos Princípios de A. A. Assim o nível da programação oferecida é paralela ao preparo do Servidor dirigente. É lamentável o estrangulamento de Grupos de A. A. por mãos incapazes impulsionadas pela força do anseio individual.

– Inexistência de Clima Espiritual que Possibilite a Recuperação:
Os Grupos de A. A., com raríssimas exceções, não se preocupam com o estabelecimento deste clima espiritual, só obtido com a fiel obediência dos Princípios que orientam a nossa Irmandade. Enquanto houver meia observância deles, haverá sempre meia Recuperação. Onde estes Princípios não são observados, inexiste a Recuperação. E os exemplos estão aí mesmo, às centenas.
Diante deste quadro que se nos apresenta:

* O QUE FAZER?:

Para melhor entendimento do que tratamos até agora, vamos desmembrar este Tema em quatro pontos de suma importância, a saber:

1) O Grupo de A.A. – Como Entidade Espiritual.
2) O Grupo de A.A. – E o Espaço Físico.
3) O Grupo de A.A. – Cumprindo o Seu Propósito.
4) O Grupo de A.A. – E Nossas Falhas

– O Grupo de A.A. – Como Entidade Espiritual:

Para caracterizarmos o Grupo de A.A. como uma Entidade Espiritual, necessário se faz retornarmos no tempo e buscarmos nas primeiras preocupações com o trato do problema do alcoolismo as experiências obtidas. Senão vejamos:
A história de A.A. nos leva ao encontro do alcoólatra Holland H. com o eminente psiquiatra Dr. Carl Gustav Jung, em meados de 1930. Deste encontro tiramos a conclusão do que foi dito pelo Dr. Jung à Holland: “Que sua recuperação seria impossível pela ciência”. Disse-lhe também que a esperança de tal acontecer, residia na possibilidade de que ele, Holland H. chegasse a ter algum tipo de experiência espiritual ou religiosa, que buscasse um ambiente religioso e esperasse o melhor.
Em carta resposta que enviou a Bill W. o Dr. Jung diz: “A única forma correta e legítima para a dita experiência espiritual ou religiosa, é que ela ocorra realmente com você, e somente acontece quando estiver transitando pela estrada que conduz a uma compreensão mais elevada. Pode ser conduzida a esta meta por um ato de pura graça, por meio de um contato pessoal e honesto com semelhantes, ou ainda através de uma educação aprimorada da mente, mais além dos confins do mero relacionamento” .
Analisando as palavras do Dr. Jung, sentimos que Holland H. escolheu a segunda opção face às circunstâncias. E aí tudo começou, Holland H. conversando com Ebb T.; Ebb T. conversando com Bill W.; Bill W. conversando com Dr. Bob; Bill W. e Dr. Bob conversando com Bill D., ou seja um alcoólico conversando com outro alcoólico, sem desejar nada em troca, e nenhuma recompensa a não ser a esperança de continuar sóbrio.
Ainda com o objetivo de situar o Grupo de A.A. como Entidade Espiritual, lembremos os Grupos Oxford do clérigo Sam Snoemaker, ou da Igreja do Calvário onde os membros dos Grupos Oxford mais necessitados eram assistidos e alimentados. Lembremos de quando Bill W. em companhia de Alec, apesar de Ebby tentar impedi-los, se atiraram de joelhos diante do púlpito na Igreja do Calvário entregando suas vidas a Deus. E foi destes Grupos, que Bill W. selecionou os princípios que mais tarde transformaram- se em nossos Doze Passos. Foi vivenciando os Grupos Oxford que Bill W. pode aprender o que fazer e o que não fazer em relação aos alcoólicos. Como exemplo eis algumas lições aprendidas:
– Que não deveríamos ser um movimento de temperança, mas um movimento que deve se limitar a levar o alcoólico à sobriedade, isto é, em vez de se preocupar em salvar o mundo das diversas chagas sociais, A.A. deve se preocupar apenas em libertar os alcoólatras dos grilhões do alcoolismo.
– Que outras idéias e atitudes, como os famosos “Conceitos dos Absolutos”, é muitas vezes demais para os bêbados. Que as idéias de Pureza, da Honestidade, do Desinteresse e do Amor, devem ser alimentadas com colheres de chá homeopaticamente e não em doses cavalares.
– Que o anonimato é essencial, não só para proteger a Irmandade, mas também como instrumento para o desenvolvimento da espiritualidade. Que o membro de A.A. respeitando este princípio do anonimato, poderá agir e trabalhar, sempre com o espírito de ajuda ao próximo, de compreensão, sabendo que aquela sua ação ou trabalho jamais será trampolim para alcançar a fama, prestígio ou poder.
– Que A.A. deverá sempre dar a liberdade de falar, pensar e agir livremente, uma vez que o alcoólatra jamais se submeterá a quaisquer tipo de pressão, a não ser aquela exercida pelo álcool.
– Que A.A. jamais deverá intrometer-se na vida particular e privada de seus membros e, portanto, não fornece uma “orientação coletiva” para seu comportamento e aplicação na sua própria vida.
– Que A.A. apenas pode sugerir os Princípios de Recuperação, deixando sob a responsabilidade do próprio doente alcoólico a opção de exercitá-los ou não. Mas fica a advertência que, se seus membros desejam uma vida útil e feliz, não existe outro caminho, que não seja a submissão a estes Princípios.
Como podemos perceber, estes são princípios espirituais, que foram aproveitados dos Grupos Oxford e legados a nós membros ativos da Irmandade de A.A. para pô-los em prática.

” O GRUPO DE A. A. EM AÇÃO ” ( FINAL )

– O Grupo de A.A. – E o Espaço Físico:

A imagem física do Grupo de A.A. deve ser perfeitamente sintonizada com a imagem espiritual. A simplicidade deve revestir o espaço físico ocupado, de forma a permitir que ali se instale – pelo propósito único de seus membros na prática dos princípios espirituais da Irmandade – o ambiente espiritual a que se referiu o Dr. Jung, propiciador da recuperação através de um “Despertar Espiritual”.
Em síntese, o espaço físico, só será condizente com o que se propõe um Grupo de A.A., quando o seu visual no plano material, mantido pela relação espírito/matéria, estiver perfeitamente sintonizado com os Princípios da Irmandade: Recuperação, Unidade e Serviços.
O relacionamento matéria/espírito iniciou-se segundo Bill W., quando Ebb T. gastou de seu dinheiro para telefonar e pagar a passagem do metrô para ir ao seu encontro e transmitir a mensagem.

– Responsabilidade de Prover Espaço Físico:

Já sabedores de que nosso espaço físico é simples na sua aparência (física), podemos respirar aliviados e certificarmo-nos de nossa condição de participação.
Nossa Sétima Tradição nos diz: “Todos os Grupos de A.A. deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora”. Desde nossa primeira participação numa sala de A.A. constatamos este fato, (através de uma sacola), evidentemente sentiremos ainda que seja tênue, a responsabilidade de também contribuirmos com a sacola. Este é o único lugar em A.A. onde o material funde-se com o espiritual. Por esta razão, devemos ter sempre em mente que: “O metal só brilha se houver luz”. Pode-se entender que o dinheiro (metal), só atingirá seu objetivo se for iluminado pela intenção da luz (espiritual) .
Diante do exposto concluímos que: a responsabilidade de prover o espaço físico do Grupo de A.A., cabe aos membros que compõem a Irmandade, a partir do seu auto-ingresso na mesma.

– Diferença entre Grupo de A.A. e Reunião de A.A.:

Talvez não seja bem aplicada a expressão “diferença”, desde que acreditamos que o Grupo de A.A. depende das Reuniões, e as Reuniões de A.A.dependem dos Grupos de A.A. Assim entendemos que: os Grupos de A.A. continuam a existir além dos horários das Reuniões, ajudando quando solicitado, com o 12º Passo, trabalhando em instituições e atividades de I.P. (Informação ao Público), integrado em Comissões de Colaboração com a Comunidade Profissional (CCCP) e Comissões Institucionais (C.I.), por intermédio do Organismo de Serviços Locais.
Assim a Consciência Coletiva de A.A. a nível mundial, parece concordar em seis pontos que definem um Grupo de A.A.:

1) Todos os membros de um Grupo de A.A. são alcoólicos, e todos os alcoólicos são qualificados para serem membros.

2) Como Grupo ele é totalmente auto-suficiente.

3) O propósito primordial de um Grupo é o de ajudar alcoólicos a se recuperarem através dos Doze Passos.

4) Como Grupo ele não emite opinião sobre quaisquer assuntos alheios à Irmandade.

5) Como Grupo sua norma de procedimento para com o público, se baseia na atração ao invés da promoção, e seus membros mantêm o anonimato em nível da imprensa, rádio, televisão e cinema.

6) Como Grupo ele não possui nenhuma outra filiação.

A realização de Reuniões programadas regularmente é a principal atividade de qualquer Grupo de A.A. Algum grau de organização é necessário para conservar a funcionalidade e a eficácia de tais reuniões. Nossa Quarta Tradição diz que: “Cada Grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros Grupos ou ao A.A. em seu conjunto”. Previsivelmente, portanto, as reuniões realizadas por nossos milhares de Grupos têm cada uma suas próprias características.

– O Grupo de A.A. – Cumprindo o seu Propósito:

Conforme está explícito em nossa Quinta Tradição, o único objetivo primordial de um Grupo de A.A. é o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
Nesta máxima duas perguntas se nos apresenta: A primeira é – Qual a mensagem deverá que deverá ser transmitida? A segunda é – Quem é o alcoólatra que ainda sofre?
Claro está que a resposta á primeira pergunta é: A Mensagem a ser transmitida é a Mensagem de A.A.; é a mensagem de esperança de futuro promissor; é a mensagem que irá mostrar ao doente alcoólico, a luz no fim do túnel em que ele entrou quando da sua militância alcoólica. É a mensagem legada a nós membros de A.A., através dos Doze Passos, aliás, nesta máxima ainda podemos notar que muito sabiamente está registrado “Transmitir a Mensagem” e não “Levar a Mensagem”. Será que já sabemos fazer a diferença entre a transmitir a mensagem e levar a mensagem?. Pesquisando no Dicionário, verificamos que: TRANSMITIR é “fazer passar de um possuidor ou detentor para outro” e LEVAR é fazer passar de um lugar para outro. Transportar” . Donde verificamos que – para se transmitir uma mensagem, principalmente de otimismo e esperança, é necessário antes de mais nada, ter tido uma experiência anterior ou vivido algo semelhante e com relativo ou mesmo grande sucesso.

Para a pergunta número dois, poderemos deduzir que o alcoólatra que ainda sofre, pode estar dentro do Grupo, assistindo mas não participando da reunião. Em conseqüência desta observação, formulamos uma terceira pergunta. Será que os Grupos de A.A. estão preparados para cumprirem seu propósito primordial de transmitir a mensagem de A.A. ao alcoólatra que ainda sofre? Particularmente não sei responder e acredito que não saberemos respondê-la, mas o que nós sabemos e procuramos despertar em nossos irmãos em A.A. é que, para atingir este propósito primordial, tão decantado e enfatizado na Quinta Tradição, torna-se absolutamente necessário, que algumas condições e circunstâncias sejam satisfeitas. E Alcoólicos Anônimos, na sua sabedoria, já nos oferece de mão beijada estas condições, basta apenas que nós, integrantes de um Grupo de A.A., as satisfaçamos. E a condição básica e essencial é que reine no Grupo de A.A., um ambiente de paz, de harmonia, de fraternidade, de confiança mútua e a somatória das qualidades que poderemos denominar de BEM-ESTAR COMUM.
Se um Grupo de A.A. dedicar todo o seu entusiasmo em criar tal ambiente, – o do BEM-ESTAR COMUM – meio caminho foi andado e vencido, para favorecer ao doente que ainda sofre. E o grande instrumento para se encontrar ou criar este ambiente, é a chave da Boa Vontade. Boa Vontade para aceitar que todas as decisões a serem tomados pelo Grupo de A.A., sejam tomadas através da Consciência Coletiva e não “na opinião do Grupo de A.A…. ” Também é necessário que o Grupo de A.A., esteja sempre com as portas abertas para receber o possível doente alcoólico que foi procurá-lo. E, em sendo procurado, evitar a todo e qualquer custo ou sacrifício, criar-lhe quaisquer tipo de obstáculo ou entrave, e até pelo contrário, deverá proporcionar- lhe as melhores condições de facilidade, oferecendo-lhe companheirismo, confiança e camaradagem, . É necessário também que, no Grupo de A.A. que deseje cumprir o seu propósito primordial, seus membros saibam respeitar não só os seus próprios limites e o de outros Grupos, mas também e principalmente os limites dos outros segmentos da sociedade. É necessário também para um Grupo de A.A. que deseje cumprir o seu propósito primordial, que se abstenha de coligar-se com qualquer outro Grupo de Ajuda Mútua ou movimento similar, evitando assim sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. Com estes procedimentos, muitos problemas poderão ser evitados e, dentre estes podemos citar, o problema da busca da fama, prestígio e poder, o que certamente os afastariam do seu propósito primordial – o de Transmitir a Mensagem ao Alcoólatra que ainda sofre.

– O Grupo de A.A. – E NOSSAS FALHAS:

A Tradição Cinco e o Passo Doze, que trazem em seu bojo a essência da nossa Irmandade, não sendo compreendidos e aplicados, tornam-se um empecilho à recuperação daqueles que já pertencem à Irmandade e àqueles que estão para chegar. A coragem para mudar aquelas coisas que posso, se aplica perfeitamente dentro de nossas falhas.
A justificativa de que deu certo para alguns, tem que ser descartada, porque o Programa de Recuperação sugerido por Alcoólicos Anônimos, é para todos e não para alguns.
Como a primeira tradução para o português do Livro Azul, livro básico de A.A. somente ocorreu nos idos de 1973 (?), podemos com absoluta certeza afirmar que de 1947 a 1973 (?), toda mensagem recebida e transmitida, baseava-se no folheto que o publicitário americano Herbert L. Daugherty entregou ao economista inglês Harold W. para traduzi-lo – “Folheto (Livro) Branco”, não tivemos a oportunidade de iniciarmos o A.A. no Brasil, com o livro básico de Alcoólicos Anônimos. Sabemos das dificuldades encontradas pelos nossos pioneiros, dificuldades estas vencidas através de suas boa vontade quase sempre alicerçadas no EU ACHO. Mas hoje os tempos são outros, e já contamos com um elevado número de títulos da Literatura de A.A., traduzidos e distribuídos pela JUNAAB.
Pergunta-se então: Porque continuamos persistindo em transmitirmos a mensagem de A.A., contrariando nossos escritos? Talvez esta seja a nossa principal falha.
Temos consciência que estamos errados e não temos coragem para mudar. Podemos observar que mesmo nossos Órgãos de Serviços cooperam para que a mensagem de A.A. seja distorcida. Numa rápida análise, uma verdadeira avalanche de coisas materiais, são oferecidas como integrantes do Programa de Recuperação, visando apenas o lucro material, contrariando frontalmente o enunciado na Tradição Cinco. No apêndice do LIVRO AZUL – cada grupo de A.A. deve ser uma entidade espiritual.. .
Que entidade espiritual é esta que oferece objetos materiais? A Mensagem de A.A. é uma proposta de crescimento espiritual, uma nova maneira de viver, através dos Doze Passos – princípios espirituais – que se aplicados em nossas vidas, podem expulsar a obsessão pela bebida alcoólica.
Existe uma idéia generalizada, que o Brasil é um país com grande número de analfabetos. Devemos lembra que o analfabeto não é surdo. O analfabeto ouvindo é tão capaz de transmitir a mensagem ouvida, como um erudito…
Nossos Doze Conceitos para Serviços Mundiais, lembram-nos que não existe A.A. de segunda classe. Todos nós membros de um Grupo de A.A., temos que ouvir a mesma mensagem. Se um Grupo de A.A. não ouve e não transmite a verdadeira mensagem de A.A., como pode ser um Grupo de A.A. em Ação? Um Grupo de A.A. em Ação, subtende-se que é um Grupo de pessoas imbuídas de um mesmo ideal, mesma confiança mútua, mesmo propósito, etc…
Para que isto aconteça, acreditamos que a liderança do Grupo de A.A., tem que acreditar nas mudanças necessárias e pagar o preço que estas mudanças acarretam. Devemos lembrar que estamos lidando com vidas humanas.
Em casos de vidas humanas, não existe meia recuperação. O Programa de A.A. é para recuperação integral do doente alcoólico que queira se recuperar e o Grupo de A.A. deve estar à disposição de qualquer um queira fazer parte deste Grupo de A.A., sem lhe ser apresentado nenhum obstáculo à sua chegada. Nossa falha é a de não abrirmos a caixa de ferramentas espirituais e colocá-la à disposição de quem os procura e também explicar-lhes como estas ferramentas têm nos ajudado. Nossa falha está em continuarmos desrespeitando nossas Tradições, da Primeira à Décima Segunda, que é a única maneira de nos mantermos unidos. A Tradição Nove é rica em ensinamentos quando diz: “a mesma sentença se aplica aos Grupos…”
Teríamos uma grande relação de nossas falhas, mas acredito que o plenário, também pode e deve acrescentar algumas falhas observadas no seu Grupo de A.A., no seu Escritório de Serviços, no seu Distrito, na sua Área… que as apresente, enriquecendo nosso trabalho.

Uma indagação: FALTA DE CORAGEM PARA MUDAR AQUILO QUE PODE SER MUDADO?

Isaias

BIBLIOGRAFIA:

– A.A. Atinge a Maioridade

– Alcoólicos Anônimos

– Doze Passos e Doze Tradições

– Doze Conceitos para Serviços Mundiais

– O Grupo de A.A.

O Grupo de A.A.
O que é, e como funciona
Companheiros(as), acredito que cada um de nós temos o nosso entendimento de “grupo” e desde que nascemos, passamos a fazer parte de um grupo qualquer, pois já iniciamos nossas vidas fazendo parte de um grupo – o familiar. Em seguida passamos a fazer parte do grupo de alunos na Escola, depois o grupo de amigos, etc. Assim, seguimos pela vida fazendo parte de grupos, os mais diversos. Mais tarde, devido a nossa doença do alcoolismo, viemos a fazer parte de um grupo de Alcoólicos Anônimos e isso graças a um Poder Superior que um dia manifestou na mente de um alcoólico, mostrando-lhe que ao conversar com outro alcoólatra, ele poderia ficar sem beber, e tudo começou a partir de 1934, quando Bill W. recebeu a mensagem de Ebby e mais tarde, já em 1935, Bill W. encontra com Dr. Bob e com a troca de experiências, eles conseguiram ficar sem beber. Desde então, os dois passaram a transmitir a mensagem a outros alcoólicos, que juntos formaram o primeiro grupo, que se reuniam na casa de Dr. Bob. A partir dali começou a surgir grupos de alcoólicos por todos os lados até se tornar uma Irmandade que tem como marco de sua fundação, o dia 10 de junho de 1935.
Naqueles primeiros dias, aqueles alcoólicos que se reuniam, ainda não podiam se chamar grupo de Alcoólicos Anônimos, pois ainda não existia a Irmandade e as reuniões eram feitas com a presença dos casais, quando, esposas acompanhavam seus alcoólicos à reunião. Enquanto eles trocavam suas experiências sobre a bebida e de como estavam recuperando-se, as mulheres ficavam conversando sobre outras coisas, e Anne, esposa de Dr. Bob fazia o café. Mais tarde, percebendo que os assuntos dos maridos não lhes interessavam diretamente, as esposas resolveram discutir seus próprios problemas, ou seja, as dificuldades que tinham com os maridos devido a sua bebida e assim, elas fundaram o Al-Anon.
Devido a transmissão da mensagem, foram surgindo outros grupos de alcoólicos por todos os lados, como em Akron – Clevelland – Nova Iork e em outros lugares. Bill W., Dr. Bob e outros companheiros, percebendo o crescimento do movimento, entenderam que precisavam escrever um livro que pudesse levar a outros alcoólicos suas experiências de como estavam conseguindo ficar sem beber. Assim, escreveram o livro que após analisarem vários títulos, e baseados no anonimato que eles já vinham praticando, foi sugerido o nome, “Alcoólicos Anônimos”. O livro foi publicado, e a partir daí, os grupos passaram a se chamar grupos de Alcoólicos Anônimos, quando deixaram de ser um amontoado de pessoas para se transformar num grupo de pessoas afins – todos alcoólicos.
Para que pudéssemos compreender melhor o significado da palavra “grupo” recorremos ao Dicionário e encontramos a seguinte definição: grupo é, amontoado de pessoas ou coisas; agregado, conglomerado de pessoas; sociedade; grupo de pessoas afins e/ou com um mesmo propósito.
O que é um Grupo de A.A.?
É uma pergunta que nem sempre conseguimos responde-la, pois a maioria de nós, membros, ainda não temos um entendimento correto do que é um Grupo de Alcoólicos Anônimos. A maioria dos membros tem como Grupo de A.A., o local onde se realizam as reuniões. Porém, segundo o livreto “O Grupo de AA” isso não é verdade, senão vejamos:
Como afirma claramente um trecho do texto da Terceira Tradição…, “Dois ou três alcoólicos quaisquer reunidos em busca de sobriedade podem se autodenominar um grupo de A.A., desde que, como grupo, não possuam outra afiliação.”
Alguns AAs reúnem-se como grupos de A.A. especializados – grupos masculinos, grupos para mulheres, grupos para jovens, grupos para médicos, grupos para homossexuais, e outros. Se seus participantes forem todos alcoólicos, e se abrirem suas portas para todos os alcoólicos que quiserem ajuda, independente de profissão, sexo ou outras distinções, e se atenderem todos os demais aspectos que definem um grupo de A.A., eles poderão denominar-se um grupo de A.A.
Conforme o texto acima, fica claro a definição do grupo de A.A., pois, para se considerar um grupo de A.A., ele precisa preencher esses requisitos: todos os membros do grupo são alcoólicos e eles mantêm a porta aberta para receber todos alcoólicos que desejam se recuperar. A partir do momento em que pessoas não alcoólicas passam a fazer parte do grupo, este grupo não deve ser considerado um grupo de A.A., pois deixou de ser um grupo de pessoas afins, que neste caso, todos alcoólicos, tornando-se um grupo misto.
Ainda sobre a definição do grupo, percebe-se a falta de compromisso com a Irmandade, por parte de muitos grupos. Se não vejamos a forma em que estamos tratando o assunto – anonimato. No livreto “As Tradições como elas se desenvolveu” Bill W. deixou escrito que a Irmandade promete ao membro que está chegando 100% de anonimato e isso não vem acontecendo em nosso meio, pois, nossos grupos deixaram de ser grupos de alcoólicos em busca de sua recuperação, para serem grupos mistos, onde nas reuniões, participam pessoas não alcoólicas, normalmente como membros. Em nosso entendimento, isso fere frontalmente, a Décima Segunda Tradição e jogamos por terra todo trabalho que nosso co-fundador, Bill W. teve para elaborar às nossas Tradições.
Também, temos o problema do relacionamento de A.A. com a Comunidade, são problemas por todos os lados, e um dos motivos, é o fato de não respeitarmos a Sexta e Sétima Tradições. Por exemplo: alguns Grupos envolvem o nome de A.A. com religião, (expondo imagens de santos e outras entidades em suas salas de reuniões); aceitam doações de fora, (usando espaço físico para realizarem suas reuniões sem pagar nada, aceitam doações diversas para realizar suas festas) etc; usam o espaço de reunião do grupo para a realização de outras atividades extra A.A. como (bailes, jogos, ponto de encontro para o 13º passo) etc; usam de meios escusos para arrecadar dinheiro para pagar suas despesas, como (rifas, almoço com venda de inscrições, inclusive para a comunidade, etc.
Assim, percebemos a série de problemas que vivemos atualmente e precisamos encontrar meios para resolvê-los. Não sabemos como ainda, mas juntos, com certeza iremos encontrar a melhor maneira de resgatar tudo aquilo que Bill W. sonhou que poderia ser a nossa Irmandade.
Alcoólicos Anônimos tem sido descrita como uma Organização incomum, pois “a responsabilidade final e a autoridade suprema para o Serviço Mundial recaem sobre os Grupos e não aos Custódios da Junta de Serviços Gerais ou sobre o Escritório de Serviços Gerais”.(Conceito I).
De acordo com o Conceito I, a partir de 1955, Bill W. passou para os grupos a responsabilidade do futuro da Irmandade. Acreditamos que naquele momento, todos os presentes concordaram com esta atitude dele em sair da frente, deixando que cada grupo resolvesse seus problemas da melhor forma possível. A partir de então, nem ele e tão pouco a Fundação poderiam interferir nas atividades dos grupos – seria liberdade total. Entretanto, os grupos, talvez não tenham dado conta de que tudo que ocorresse com a Irmandade dali para frente, seria de responsabilidade deles. A Quinta Tradição define bem a finalidade do grupo. Ele tem um único objetivo, o de transmitir a sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre. E para cumprir essa tarefa um “DEUS AMANTÍSSIMO” pode se manifestar na consciência coletiva desse grupo, permitindo aos seus membros se libertarem do alcoolismo e viverem uma vida significativa, feliz e útil. (Tradições 2ª e 5ª).
“… muita atenção foi dada para a extraordinária liberdade que as Tradições de A.A. permitem ao membro individual e ao seu Grupo: não serão aplicadas penalidades aos que não estiverem de acordo com os princípios de A.A.; não haverá taxas nem mensalidades – somente contribuições voluntárias; nenhum membro de A.A. será expulso – ser membro de A.A. será sempre da escolha do indivíduo; cada grupo deve conduzir os seus assuntos internos como bem lhe aprouver – sendo somente pedido que se abstenha de praticar atos que possam prejudicar A.A. como um todo e, finalmente, que qualquer grupo de alcoólicos que se reuna para conseguir sobriedade possa se chamar um grupo de A.A., desde que como grupo, não tenha outro propósito ou filiação”. (Garantia VI do Conceito 12). Essa liberdade do grupo expressa pela Garantia VI vem seguida de um alerta, e diz lá: “Sabemos que nós pessoalmente temos que escolher: ou os Doze Passos e Doze Tradições de A.A. ou encarar a dissolução e a morte, tanto como indivíduos quanto como grupos.” As vezes isso soa como uma ameaça, porém sabemos que a maioria de nós alcoólicos, não aceitamos este tipo de ameaça, parece que é da própria doença. Então nos rebelamos e às vezes fazemos tudo ao contrário do que nos sugere às Tradições e agindo assim, geralmente, terminamos de forma não muito agradável. Se for o grupo, ele vai deteriorando-se e entra em colapso. Daí começa as fofocas, os desentendimentos entre os membros, a freqüência vai caindo e o fim. Com o membro acontece mais ou menos a mesma coisa: ele passa a não concordar com os companheiros(as), tudo está errado, sempre procurando uma desculpa para não ir à reunião e começa a se sentir melhor fora do grupo. Com o tempo as coisas vão piorando e ele chega aquela frase fatal: “Será que está valendo a pena ficar sem beber?” Possivelmente, neste momento, ele está a um passo do primeiro gole, e geralmente ele vai beber.
Finalizando, gostaríamos de convidar os Companheiros(as), para analisarmos os pontos abaixo e fazermos uma reflexão sobre o nosso comportamento enquanto membro de A.A., individual e como grupo:
Procuramos conhecer o funcionamento e a sua estrutura interna de nosso Grupo?
Qual a responsabilidade do grupo com a manutenção da Irmandade?
Tenho me comportado como um verdadeiro membro de A.A., buscando a minha recuperação e participando ativamente do meu grupo base?
Tenho preocupado com o crescimento do meu grupo base através dos princípios?
Tenho dado o verdadeiro valor à Irmandade que salvou a minha vida, colocando-me à disposição do Grupo e/ou dos Órgãos de Serviços para servi-los?
Minha contribuição para com o meu grupo base, estão de acordo com as minhas condições?
Tenho buscado o conhecimento do que é o grupo e também, da Irmandade
como um todo?
Tenho contribuído para o bem estar do meu grupo base?
Tenho passado os meus conhecimentos e experiências para os recém-chegados?
Bem, acreditamos que as respostas honestas a estas perguntas, poderão nos ajudar a melhorar nossa postura dentro da Irmandade, e quem sabe mudar o rumo das coisas.
O GRUPO DE A.A. … Onde tudo começa

Alcoólicos ANÔNIMOS® é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo.
. O único requisito para ser membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de A.A. não há necessidade de pagar taxas ou mensalidades; somos auto-suficientes, graças às nossas próprias contribuições.
. A.A. não está ligada a nenhuma seita ou religião, nenhum partido político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apóia nem combate quaisquer causas.
. Nosso propósito primordial é
Direitos autorais © de The A.A. Grapevine, lnc.;
reimpresso com permissão

Publicado pela
JUNAAB – Junta de Serviços Gerais
de Alcoólicos Anônimos do Brasil.
Caixa Postal 3180
CEP 01060-970 São Paulo/SP
http://www.alcoolicosanonimos.org.br

Revisado em maio de 2002

Com autorização de
Alcoholics Anonymous World Services, Inc.
475 Riverside Drive
York, NY 10115

2.000 – 11/02 Impresso no Brasil

O grupo de A.A.

Índice
A única finalidade de A.A…………………………………………………………………..
A importância do anonimato……………………………………………………………….
Introdução…………………………………………………………………………………………
Como utilizar este livreto…………………………………………………………………….

O grupo… Onde começa a
estrutura de serviços de A.A.
O que é um grupo de A.A…………………………………………………………………….
Como tomar-se membro
de um grupo de A.A.?………………………………………………………………………….
A diferença entre as reuniões
abertas e as reuniões fechadas……………………………………………………………….
Que tipos de reunião são
realizadas pelos grupos de A.A.?……………………………………………………………
Ciclos…………………………………………………………………………………………………
O grupo base……………………………………………………………………………………….
Procedimentos sugeridos para as reuniões……………………………………………….
Auto-suficiência: A Sétima Tradição………………………………………………………
Café, chá e companheirismo…………………………………………………………………..

Como funciona um grupo de A.A.
Como começar um novo grupo de A.A……………………………………………………
A escolha de um nome para o grupo de A.A…………………………………………….
O que fazem os membros do grupo de A.A………………………………………………
De quais servidores de confiança necessitamos?……………………………………….
Estrutura de Serviços Internos do grupo de A.A………………………………………..
Coordenador…………………………………………………………………………………………
Secretário……………………………………………………………………………………………..
Tesoureiro…………………………………………………………………………………………….
Representante de Serviços Gerais (RSG)………………………………………………….
Coordenador do CTO…………………………………………………………………………….
Representante da Vivência (RV)……………………………………………………………..
Como abordar e
ajudar os recém-chegados?……………………………………………………………………..

Princípios acima das personalidades
O princípio da rotatividade……………………………………………………………………..
O que é uma consciência de grupo esclarecida?………………………………………..
Inventário do grupo……………………………………………………………………………….
Reuniões de Serviço………………………………………………………………………………
Sobre os problemas do grupo………………………………………………………………….

Como o grupo se relaciona com A.A. como um todo
Como o grupo de A.A. se enquadra na
estrutura da Irmandade……………………………………………………………………………
O que é o ESG – Escritório de
Serviços Gerais?…………………………………………………………………………………….
O que faz o Escritório de Serviços Gerais?………………………………………………..
Quem está encarregado do ESG?……………………………………………………………..
Como são tomadas as “decisões
que afetam A.A.?”………………………………………………………………………………….
Como são financiados nossos
serviços nacionais?…………………………………………………………………………………
Como os grupos podem ajudar o ESG?……………………………………………………..
O que é um Escritório de
Serviços Locais (ESL)? Como funciona?…………………………………………………..
O que faz um Escritório
de Serviços Locais?…………………………………………………………………………………

O que A.A. não faz

A posição de A.A. no campo do alcoolismo
“Cooperação sem afiliação”……………………………………………………………………..
A.A. e outras entidades……………………………………………………………………………

Outras perguntas sobre A.A……………………………………………………………………
Os Doze Passos de Alcoólicos Anônimos…………………………………………………
As Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos…………………………………………….
As Doze Tradições – Forma longa………………………………………………………….
Os Doze Conceitos para os
Serviços Mundiais – Texto Integral………………………………………………………..

A única finalidade de A.A.
Quinta Tradição: Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.

“Há quem profetize que A.A. poderia muito bem se tornar uma nova ponta de lança para um despertar espiritual em todo o mundo. Ao dizerem isso, nossos amigos são tão generosos quanto sinceros. Mas nós, de A.A., devemos considerar que essa homenagem e essa profecia podem se converter num gole embriagante, se realmente acreditarmos que este é o propósito de A.A., e se começarmos a nos comportar de acordo.
“Nossa Sociedade irá portanto ater-se prudentemente à sua única finalidade: transmitir a mensagem ao alcoólico que ainda sofre. Vamos resistir à presunçosa suposição de que, só porque Deus nos possibilitou sairmo-nos bem em uma única área de atuação, estaríamos destinados a ser um canal dispensador da graça salvadora para todo o mundo.”
Bill W., co-fundador de A.A., 1955

A importância do anonimato
Décima Segunda Tradição: O anonimato é o alicerce espiritual das nossas tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.

Qual a finalidade do anonimato em A.A.? Por que será que o anonimato é freqüentemente citado como sendo a mais importante proteção que a Irmandade tem para garantir sua existência e seu crescimento contínuos?
Na imprensa, radio, televisão e filmes, o anonimato enfatiza a igualdade de todos os membros de A.A. Ele refreia nossos egos facilmente infláveis; nossas descabidas convicções de que o violar o anonimato poderia ajudar alguém; e nossos desejos de reconhecimento pessoal ou controle. Acima de tudo, a Tradição do Anonimato recorda-nos que o que importa é a mensagem de A.A., não o mensageiro.
Em nível pessoal, o anonimato garante a privacidade de todos os membros. Essa é uma proteção freqüentemente muito importante para os recém-chegados, que poderiam hesitar em buscar ajuda em A.A. se tivessem qualquer motivo para acreditar que seu alcoolismo poderia ser publicamente revelado.
Na teoria, o principio do anonimato parece claro, mas nem sempre é fácil colocá-lo em prática. Seguem-se algumas diretrizes gerais selecionadas a partir da experiência dos grupos de A.A., e que podem ser úteis.

Mantendo o anonimato em público
Quando participamos como membros de A.A. em programas de rádio, televisão ou em filmes e vídeos, evitamos mostrar nossos rostos ou revelar nossos sobrenomes. Na imprensa escrita identificamo-nos apenas por nosso primeiro nome e a inicial do sobrenome.
Usamos nossos prenomes e a inicial do sobrenome apenas quando falamos como membros de A.A. em reuniões que não sejam de A.A. (Leia o folheto “Falando em Reuniões de Não-A.A.”)
Não escrevemos “A.A.” nos envelopes que enviamos pelo correio, nem mesmo na correspondência enviada aos órgãos de A.A. Nos materiais feitos para serem afixados quadros de avisos de A.A. ou impressos em programas de A.A. acessíveis ao público em geral, omitimos os sobrenomes e os títulos que possam identificar qualquer membro.

Entendendo o anonimato no grupo de A.A.
Podemos usar nossos sobrenomes dentro dos nossos grupos. Ao mesmo tempo, respeitamos o direito de cada companheiro de manter seu próprio anonimato da forma que desejar e tão rigorosamente quanto quiser. Alguns grupos mantêm listas de nomes e números de telefones fornecidos voluntariamente por seus membros e podem distribuí-los – mas apenas a membros do grupo.
Não reproduzimos nenhum depoimento pessoal feito nas reuniões de A.A. por qualquer companheiro. A palavra “anônimos” que consta no nome de nossa irmandade é uma promessa de privacidade. Além disso, a única história de recuperação que realmente podemos compartilhar é a nossa própria historia.
Em nossas relações pessoais com não-alcoólicos – e com pessoas que pensam que podem ter um problema com o álcool – podemos nos sentir à vontade para dizer que somos alcoólicos em recuperação (sem revelar nomes de outros membros de A.A.), embora se recomende discrição. Nesses casos, nossa franqueza pode ajudar a transmitir a mensagem.
Abstemo-nos de gravar em vídeo qualquer palestra ou reunião especial de A.A. que possa ser exibida em público. Alem disso, seguindo a recomendação da Conferencia de Serviços Gerais de 1980, é aconselhável que palestras de companheiros de A.A. na condição de membros, sejam realizadas ao vivo, evitando a tentação de, ao usar videoteipe, colocar personalidades acima dos princípios e assim encorajar o estrelismo dentro de A.A.
Para maiores informações sobre esta importante Tradição, consulte o folheto “Entendendo o Anonimato”.

Introdução
Como afirma o Conceito I:
A responsabilidade final e a autoridade suprema pelos serviços mundiais de A.A. deveriam sempre recair na consciência coletiva de toda a nossa Irmandade.

O grupo de A.A. – a palavra final da Irmandade
Dizem que Alcoólicos Anônimos é uma organização virada de ponta-cabeça porque a “responsabilidade final e a autoridade suprema pelos Serviços Mundiais recaem sobre os grupos – e não sobre os custódios, a Junta de Serviços Gerais ou o Escritório de Serviços Gerais em Nova Iorque”. (“Doze Conceitos Ilustrados para os Serviços Mundiais”).
Toda a estrutura de A.A. depende da participação e da consciência de cada grupo, e o modo como cada um desses grupos conduz seus assuntos afeta A.A. no mundo inteiro. Por isso, pessoalmente, estamos sempre conscientes da responsabilidade por nossa própria sobriedade e, como grupo, conscientes da necessidade de transmitir a mensagem de A.A. ao alcoólico que ainda sofre e que nos procura pedindo ajuda.
A.A. não tem nenhuma autoridade central. Dispõe apenas de uma organização mínima e algumas Tradições, ao invés de regulamentos. Como observou nosso co-fundador Bill W. em 1960, “respeitamos voluntariamente as Doze Tradições porque precisamos e porque queremos fazê-lo. Talvez o segredo de sua força resida no fato de essas mensagens inspiradoras brotarem de experiências de vida e estarem enraizadas no amor”.
A.A. é formada pela voz coletiva de seus grupos locais e de seus representantes na Conferencia de Serviços Gerais, os quais trabalham visando a unanimidade nas questões vitais para a Irmandade. Cada grupo funciona de modo independente, exceto em questões que afetem outros grupos ou A.A. como um todo.
O trabalho essencial dos grupos de A.A. é feito por alcoólicos que estão, eles próprios, recuperando-se através da Irmandade, e cada um está habilitado a realizar sua tarefa em A.A. da forma que julgar melhor, dentro do espírito das Tradições. Isso significa que funcionamos como uma democracia, sendo todos os planos de ação do grupo aprovados pela voz da maioria. Nenhum indivíduo isolado é nomeado para agir pelo grupo ou por A.A. como um todo.
Cada grupo é tão singular quanto uma impressão digital, e os modos de transmitir a mensagem de sobriedade variam não apenas de grupo para grupo, mas também de região para região. Agindo com autonomia, cada grupo traça seu próprio rumo. Quanto melhor informados estiverem seus membros e quanto mais forte e mais coeso estiver o grupo, maior será a garantia de que, quando alguém nos procurar em busca de ajuda, a mão de A.A. esteja estendida.
A maioria de nós só consegue se recuperar se houver um grupo. Como disse Bill, “aflora em cada membro a percepção de que ele é apenas uma pequena parte de um grande todo… Ele aprende que o clamor de seus desejos e ambições deve ser silenciado sempre que possa prejudicar o grupo. Fica evidente que o grupo precisa sobreviver para que o indivíduo viva”.

Como usar este folheto
Este livreto foi desenvolvido como um instrumento de informação e como um guia de sugestões para grupos de A.A. – e não para ditar a ninguém o que deve ser feito. Ele serve como um complemento ao Manual de Serviços de A.A. e outros títulos de nossa literatura (veja a contracapa) que abordam em maior profundidade questões especificas dos grupos.
Desenvolvido para facilitar consultas rápidas, o livreto aborda quatro áreas principais: (1) o que é um grupo de A.A.; (2) como funcionam os grupos; (3) a relação entre os grupos e a comunidade; (4) como cada grupo se enquadra na estrutura de A.A. como um todo.
O índice descreve, do modo mais completo possível, todos os assuntos relacionados ao grupo abordados neste livreto. Caso você tenha quaisquer outras duvidas, por favor entre em contato com o ESG – Escritório de Serviços Gerais de A.A. – que estará pronto para ajudá-lo em tudo o que for possível.

O grupo… Onde começa próxima parte
a estrutura de serviços de A.A.

O que é um grupo de A.A.
Como afirma claramente o texto integral da Terceira Tradição, “Nossa Irmandade deve incluir todos os que sofrem do alcoolismo. Não podemos portanto recusar quem quer que deseje se recuperar. A condição para tornar-se membro não deve nunca depender de dinheiro ou formalidade. Dois ou três alcoólicos quaisquer reunidos em busca de sobriedade podem se autodenominar um grupo de A.A., desde que, como grupo, não possuam outra afiliação.”
Alguns AAs reúnem-se como grupos de A.A. especializados – grupos masculinos, grupos para mulheres, grupos para jovens, grupos para médicos, grupos para homossexuais, e outros. Se seus participantes forem todos alcoólicos, e se abrirem suas portas para todos os alcoólicos que quiserem ajuda, independente de profissão, sexo ou outras distinções, e se atenderem todos os demais aspectos que definem um grupo de A.A., eles poderão denominar-se um grupo de A.A.
Os grupos de A.A. são referendados pelos Comitês de Área, após um ano de funcionamento experimental, recebendo apoio dos Escritórios de Serviços Locais (ESL).

Como tornar-se membro de um grupo de A.A.?
“Para ser membro de A.A. o único requisito é o desejo de parar de beber” (Terceira Tradição). A filiação a um grupo não exige portanto nenhuma formalidade. Assim como nos tornamos membros de A.A. bastando afirmar que o somos, do mesmo modo somos membros de um grupo ao afirmarmos isso e continuarmos a participar das reuniões.

A diferença entre as reuniões abertas e as reuniões fechadas
A finalidade de toda reunião de um grupo de A.A. como afirma nosso Preâmbulo, é permitir aos membros de A.A. que “compartilhem suas experiências, forças e esperanças a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo”. Com essa finalidade os grupos realizam reuniões abertas e reuniões fechadas.
As reuniões fechadas destinam-se exclusivamente a membros de A.A. e a pessoas que têm um problema com a bebida e “têm um desejo de parar de beber”.
As reuniões abertas são franqueadas a qualquer pessoa interessada no programa de recuperação do alcoolismo de Alcoólicos Anônimos.
Nos dois tipos de reunião o coordenador pode solicitar que os participantes limitem seus depoimentos a questões pertinentes à recuperação do alcoolismo.
Sejam abertas ou fechadas, as reuniões dos grupos de A.A. são coordenadas por membros de A.A., que determinam o formato de suas reuniões.

Que tipo de reuniões são realizadas pelos grupos de A.A.?
Nossa Quarta Tradição diz que “cada grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros grupos ou a A.A. em seu conjunto”. Previsivelmente, portanto, as reuniões realizadas por nossos milhares de grupos têm cada uma suas próprias características.
Os tipos mais comuns de reuniões de A.A. são:
1. Debates. Seja a reunião aberta ou fechada, um membro de A.A. que atua como “líder” ou “coordenador” abre a reunião da forma habitual e seleciona um assunto para discussão.
Geralmente esses assuntos derivam do nosso Livro Azul, ou dos livros Os Doze Passos e as Doze Tradições, Na Opinião do Bill ou ainda da revista Vivência. Algumas sugestões especificas de assuntos são: aceitação versus submissão; a liberdade através da sobriedade; princípios versus personalidades; medo (ou temores indefiníveis); rendição; gratidão; raiva; boa vontade; honestidade; atitude; ressentimentos; reparações; humildade e tolerância.
2. Públicas. Um ou mais membros selecionados antecipadamente “compartilham suas experiências” conforme descrito no Livro Azul, contando como estavam, o que aconteceu e como estão agora.
Dependendo das diretrizes gerais da consciência do grupo, alguns grupos preferem que os oradores tenham um tempo mínimo de sobriedade contínua. Pode-se também programar profissionais amigos de A.A.
3. Novos. Normalmente coordenadas por algum membro do grupo que já esteja sóbrio há algum tempo, essas reuniões incluem freqüentemente sessões de perguntas-e-respostas para ajudar os recém-chegados. Sobre essas reuniões veja o folheto Sugestões para Coordenar Reuniões de Novos.
4. Literatura. Uma vez que os Doze Passos são a base de nossa recuperação pessoal em A.A., muitos grupos dedicam uma ou mais reuniões por semana ao estudo alternado de cada Passo. (Alguns grupos abordam dois ou três Passos por reunião.) Esse mesmo formato pode ser aplicado às reuniões sobre o Livro Azul ou dos Doze Passos e Doze Tradições. Muitos grupos têm o habito de ler em voz alta trechos pertinentes do Livro Azul ou dos Doze Passos e Doze Tradições no início das reuniões.
5. Temáticas. Membros de A.A. do grupo base ou de outro grupo são convidados a proferir palestra sobre um tema escolhido. Normalmente a palestra tem duração de uma hora e a seguir acontece uma sessão de perguntas e respostas.
6. Mini-temáticas. O grupo distribui pequenos cartões com motivos extraídos da literatura de A.A. como sugestão para os depoimentos da primeira hora de reunião. Na segunda hora um membro do grupo familiarizado com o tema profere uma palestra de no máximo trinta minutos, seguida de uma sessão de perguntas e respostas de mais trinta minutos.
Além das reuniões descritas acima, os grupos também realizam os seguintes tipos de reuniões:
Serviços. Alguns grupos programam reuniões especiais ao longo do ano, independentes das reuniões normais, para que os servidores discutam sobre os assuntos do grupo com seus membros e deles obtenham a orientação do grupo. Normalmente os servidores do grupo são eleitos nessas reuniões. Consulte o capitulo sobre Reuniões de Serviço na pagina 37.
Inventario do grupo. São reuniões em que os participantes do grupo procuram verificar como o grupo está atendendo ao seu propósito primordial. Consulte o capitulo sobre o Inventario do grupo na pagina 36.
Vivência. Nessas reuniões discute-se sobre assuntos de A.A. abordados na revista Vivência.

Ciclos
Como fruto da experiência do A.A. brasileiro, realizam-se atualmente os chamados Ciclos de estudos da literatura de A.A., principalmente sobre os Doze Passos, as Doze Tradições, os Doze Conceitos para Serviços Mundiais e o livro Alcoólicos Anônimos (livro Azul).
Trata-se de eventos com duração de um, dois ou três dias. Normalmente são estruturados em grupos de trabalho que se reúnem após uma palestra geral sobre o assunto enfocado. São praticados principalmente pelos Distritos de A.A., mas podem também ser realizados por Escritórios Locais ou por grupos de A.A.

O grupo base
Tradicionalmente, a maioria dos membros de A.A. constatou, ao longo dos anos, que é importante pertencer a um grupo que possam chamar de seu “grupo base”. Este é o grupo onde o membro assume responsabilidades e tenta manter relações de amizade. Embora todo membro de A.A. seja habitualmente bem-vindo em qualquer grupo e sinta-se em casa em qualquer reunião, o conceito de “grupo base” continua sendo o vínculo mais forte entre o membro de A.A. e a Irmandade.
Pertencer a um grupo dá ao membro o direito de votar em questões que possam afetar o grupo e possam também afetar A.A. como um todo – num processo que forma a verdadeira pedra angular da estrutura de serviços de A.A. Tal como ocorre com todos os assuntos decididos pela consciência de grupo, cada membro de A.A. tem direito a um voto, e este voto idealmente deveria ser expresso em seu grupo base.
Ao longo dos anos, a própria essência da força de A.A. tem permanecido nos grupos base, os quais, para muitos membros, tornam-se uma extensão de sua família. Outrora isolados por seu modo de beber, os membros encontram no seu grupo base um sistema sólido de apoio contínuo, de amizade e, muito freqüentemente, de apadrinhamento. Também aprendem por experiência própria, através dos trabalhos do grupo, como “colocar princípios acima de personalidades” objetivando transmitir a mensagem de A.A.
Falando a respeito de seu próprio grupo, um membro declara: “Parte do meu compromisso é freqüentar as reuniões de meu grupo, receber os recém-chegados à porta, e estar à sua disposição – não somente por eles, mas por mim. Meus companheiros de grupo são as pessoas que me conhecem, que me ouvem e que me orientam quando eu me desvio. Eles me proporcionam sua experiência, sua força e o amor de A.A., capacitando-me a “levar adiante a mensagem ao alcoólico que ainda sofre”.

Procedimentos sugeridos para as reuniões
Não há um tipo ou formato de reunião que seja “o melhor”, mas alguns formatos funcionam melhor que outros.
Normalmente o coordenador abre a reunião com a leitura do Preâmbulo e algumas observações. Em alguns grupos observa-se um minuto de silencio e/ou recita-se a Oração da Serenidade. Em outros lê-se algum trecho do livro Alcoólicos Anônimos – normalmente uma parte do Capitulo 5 (“Como funciona”) ou do Capítulo 3 (“Mais sobre o alcoolismo”). Em muitas reuniões promove-se a leitura em voz alta de um capítulo, ou parte de um capítulo, de Os Doze Passos e as Doze Tradições. Convidar diferentes membros ou visitantes para que façam a leitura ajuda especialmente os recém-chegados a sentirem-se participando da vida do grupo.
O coordenador pode enfatizar a importância de preservar o anonimato dos membros de A.A. fora da reunião e recomendar aos participantes que “deixem aqui o que aqui ouviram”. (Sobre esse assunto, consulte o folheto Entendendo o Anonimato)
Muitas reuniões são encerradas com o Pai-Nosso ou com a Oração da Serenidade.

Auto-suficiência: A Sétima Tradição
Não existem taxas ou mensalidades para pertencer a A.A., mas temos nossos gastos. Respeitando nossa Sétima Tradição, os grupos podem “passar a sacola” para cobrir despesas de aluguel da sala, água e café aos presentes, literatura de A.A., folhetos, relações de grupos e contribuições para os serviços prestados pelo ESL, comitês de Distrito ou de Área e pelo ESG. Os membros de A.A. são livres para contribuir com a quantia que desejarem, ate um máximo equivalente a US$2.000,00 (dois mil dólares) por ano.

Café, chá e companheirismo
Muitos membros de A.A. contam que fizeram muitos amigos nas conversas ao redor do café durante os intervalos, ou antes e depois das reuniões.
Na maioria dos grupos são os próprios membros que preparam cada reunião, fazem o café e limpam a sala. Você ouvirá com freqüência membros de A.A. afirmarem que começaram a se sentir “realmente participantes” quando começaram a fazer o café e a arrumar as cadeiras, fazendo “terapia ocupacional”. Alguns recém-chegados acreditam que essas atividades amenizam sua timidez e facilitam o contato com os outros membros do grupo.

Como funciona um grupo de A.A.
Quarta Tradição: Cada grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros grupos ou a A.A. em seu conjunto.

Como começar um novo grupo de A.A.
Pode ser que você esteja pensando em começar um novo grupo. As razões para isso podem variar, mas o modo de fazê-lo é basicamente o mesmo.
O importante para formar um grupo de A.A. é haver dois ou três alcoólicos que o queiram; alem da cooperação de outros membros de A.A., um ligar para as reuniões, uma garrafa de café, literatura de A.A., listas de endereços de grupos e alguns suprimentos simples.
Uma vez que o grupo esteja pronto pra funcionar, é importante divulgar sua existência para os grupos mais próximos, para o Escritório de Serviços Local, os comitês de Distrito e de Área e o Escritório de Serviços Gerais. Essas fontes, podem proporcionar grande apoio.

A escolha de um nome para o grupo de A.A.
Por mais meritória que possa ser qualquer atividade ou instituição, a experiência nos ensinou que os grupos de A.A. devem evitar cuidadosamente toda forma de filiação ou endosso de qualquer empreendimento fora de A.A.
Sexta Tradição: Nenhum grupo de A.A. deverá jamais sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à Irmandade, a fim de que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos afastem do nosso objetivo primordial.
É necessário evitar qualquer aparência de vínculo de A.A. com qualquer organização, associação ou instituição política ou religiosa.
Por conseqüência, um grupo de A.A. que se reúna numa instituição correcional ou de tratamento, ou numa igreja, deverá ter o cuidado de não usar o nome dessa instituição, escolhendo algum nome totalmente diferente para o grupo. Com isso busca-se deixar claro que o grupo de A.A. não está vinculado ao hospital, igreja, prisão, centro de tratamento, etc., mas simplesmente aluga espaço para suas reuniões.
Nossa consciência de grupo recomenda que reuniões de propósitos especiais não constem das listas de reuniões de A.A.
O propósito primordial de qualquer grupo de A.A. é transmitir a mensagem aos alcoólicos. A experiência com o álcool é algo que todos os membros de A.A. têm em comum. É ilusório sugerir ou dar a impressão que A.A. resolve outros problemas ou que sabe como proceder com respeito à dependência de drogas.
A Conferência também recomenda que nenhum grupo de A.A. seja batizado com o nome de qualquer pessoa, viva ou morta, AA ou não-AA. Essa é uma das maneiras pelas quais podemos “colocar os princípios acima das personalidades”.

O que fazem os membros do grupo de A.A.
“Eu sou responsável… quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, quero que a mão de A.A. esteja sempre ali. E por isto eu sou responsável”. Em outras palavras, quando os recém-chegados se dirigem a uma sala de reunião, queremos que A.A. esteja lá para eles assim como esteve para nós – coisa que só poderemos fazer continuamente se funcionarmos como grupo.
Entretanto, para que um grupo funcione continuamente, uma série de tarefas têm que ser realizadas. É através dos esforços combinados e do contínuo comprometimento dos membros do grupo que será possível:
* Providenciar e manter um local para as reuniões.
* Programar as reuniões.
* Coletar as contribuições e alocá-las e gastá-las adequadamente.
* Dispor sempre de literatura aprovada pela Conferência.
* Dispor sempre da revista Vivência e de listas dos grupos locais.
* Dispor sempre de água e café.
*Divulgar aos alcoólicos da região que existe um grupo de A.A. e onde encontrá-lo.
* Responder aos pedidos de ajuda.
* Ventilar e resolver os problemas do grupo.
* Manter contato contínuo com o restante de A.A. – localmente através do ESL, em nível nacional através do Comitê de área, e internacionalmente através do Escritório de Serviços Gerais.

De quais servidores de confiança necessitamos?
É preciso que haja gente para realizar as tarefas do grupo. A maioria de nós concorda que A.A. nunca deveria “organizar-se”. Entretanto, desde que não coloquemos em risco nosso compromisso de preservar nossa Irmandade democrática e espiritual, podemos “criar juntas ou comitês de serviços, diretamente responsáveis perante aqueles a quem prestam serviços” (Nona Tradição). Esses servidores dos grupos de A.A. são denominados “servidores de confiança”, sendo normalmente eleitos pelo grupo para períodos limitados de serviços. Como recorda nossa Segunda Tradição, “Nossos lideres são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar”.
Os grupos constataram que a inviabilidade de se eleger não-alcoólicos para servir ao grupo, uma vez que faltaria a eles a necessária identificação com nosso propósito primordial ou com os outros membros do grupo. Cada grupo determina o período mínimo de sobriedade sugerido para que um membro seja elegível para algum encargo. A diretriz geral poderia sugerir de seis meses a um ano ou mais de contínua sobriedade.
Os encargos podem ter títulos, mas títulos em A.A. não significam autoridade ou honrarias: apenas descrevem serviços e responsabilidades. Constatou-se que geralmente não funciona entregar cargos a certos membros apenas para ajudá-los a permanecerem sóbrios. Ao contrário, o bem-estar do grupo deverá ser a única preocupação ao se escolher servidores. Na época da eleição dos servidores, poderá ser muito útil fazer no grupo uma revisão da Primeira e da Segunda Tradições.
Os grupos podem garantir de várias maneiras que os serviços necessários sejam realizados com o mínimo de organização. Veja abaixo um quadro sugerido de servidores do grupo.

ESTRUTURA DE SERVIÇOS
INTERNOS DO GRUPO DE A.A.

Seguem-se os cargos instituídos por muitos grupos para servi-los internamente e junto à comunidade externa.

Coordenador: O coordenador do grupo serve durante um período especifico de tempo (normalmente seis meses ou um ano). A experiência sugere que o coordenador deva ter ao menos um ano de sobriedade contínua e, idealmente, deveria ter ocupado antes outros cargos no grupo.
Sua função é coordenar as atividades dos demais servidores do grupo e dos membros que assumirem a responsabilidade pela literatura, acolhida, café, programação de reuniões internas e outras atividades vitais para o grupo.
Quanto mais o coordenador e os demais servidores do grupo estiverem informados sobre A.A. como um todo, melhor exercerão suas funções. Tendo claramente em mente a Primeira Tradição e estimulando os membros a se familiarizarem com todas as Tradições, eles contribuirão para garantir que o grupo se mantenha saudável.

Secretário: À semelhança do coordenador, o secretário também precisa ser um servidor versátil. Em grupos que não têm coordenador, os secretários executam suas tarefas. Cada grupo tem procedimentos próprios, mas, a menos que existam outros servidores ou comitês, geralmente é atribuição dos secretários:
* Divulgar informações sobre atividades e eventos importantes de A.A.
* Manter atualizado um arquivo estritamente confidencial dos nomes, endereços e números de telefone dos membros do grupo (sujeito à aprovação de cada membro), e saber quais deles estão disponíveis para chamados de Décimo Segundo Passo.
* Manter um registro dos aniversários de sobriedade dos membros, caso o grupo assim o deseje.
* Manter um quadro de avisos para fixação de notícias e boletins de A.A.
* Certificar-se de que o distrito, o ESL e o Escritório de Serviços Gerais sejam informados por escrito de qualquer mudança de endereço, local, horário de reuniões ou servidores do grupo.
* Certificar-se de que os livros, livretos e folhetos aprovados pela Conferência estejam disponíveis e adequadamente expostos durante as reuniões.
* Aceitar e designar companheiros para atividades de Décimo Segundo Passo (a menos que haja um coordenador especifico para essa atividade).
* Transmitir aos membros do grupo a correspondência recebida.

Sétima Tradição: Todos os grupos de A.A. deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora.

Tesoureiro: Os grupos de A.A. são auto-suficientes através da contribuição voluntária de seus membros. A sacola que circula nas reuniões geralmente cobre as necessidades financeiras do grupo, sobrando o suficiente para que o grupo possa assumir sua parte na manutenção do ESL, do Comitê de Distrito e de Área e do Escritório de Serviços Gerais.
Ninguém é obrigado a contribuir, mas a maioria dos membros contribui. Os que podem contribuir geralmente se dispõem a colocar um pouco mais na sacola, para compensar os que não podem. Os fundos do grupo destinam-se a cobrir serviços como por exemplo:
* aluguel da sala;
* literatura de A.A.;
* lista dos grupos locais, geralmente adquiridas do ESL mais próximo ou do Comitê de Áreas;
* água e café;
* Contribuição aos órgãos de serviço de A.A., feita normalmente a cada mês ou a cada trimestre.
O tesoureiro normalmente mantém registros claros no livro-caixa e informa ao grupo quanto dinheiro foi arrecadado e quanto foi gasto. Fazem relatórios e demonstrativos financeiros periódicos ao grupo. Pode-se evitar problemas mantendo os fundos do grupo numa conta bancária separada que exija duas assinaturas em cada cheque.
A experiência de A.A. indica claramente não ser adequado que o grupo acumule grandes valores alem do necessário para suas despesas acrescido de uma reserva prudente. Esse valor deverá ser determinado pela consciência do grupo. Também podem surgir problemas quando o grupo aceita contribuições exageradas, em dinheiro, bens ou serviços, feitas por um único membro.
O folheto Auto-Suficiência pelas Nossas Próprias Contribuições, aprovado pela Conferência, contem sugestões de como o grupo pode contribuir para os serviços de A.A.
Atualmente grupos em todo o Brasil têm adotado o Plano 60-25-15. Esse plano consiste em o grupo, após cobrir todas as suas despesas mensais, e deduzida a parcela correspondente à sua reserva prudente, remeter o saldo registrado em seu livro caixa ao ESL. Fica a cargo do próprio ESL, a retenção de 60% desses fundos para seu uso próprio, repassando 25% daquela quantia para o Comitê de Área e 15% para o ESG.
Alem disso o ESG, os Comitês de Área e ocasionalmente de Distrito, bem como os ESL, aceitam contribuições de membros individuais – desde que não ultrapassem valor equivalente a dois mil dólares anuais. As contribuições provenientes de espólios em valores equivalentes a uma parcela única de no máximo dois mil dólares são aceitáveis, desde que sejam provenientes de membros de A.A.
Alguns membros celebram seus aniversários de sobriedade enviando um “presente” ao Escritório de Serviços Gerais para expressar sua gratidão pelos serviços prestados em todo o país – geralmente são contribuições do equivalente a um dólar por ano de sobriedade. Converse com o RSG de seu grupo, ou escreva para o ESG para obter maiores detalhes a respeito.

Representante de Serviços Gerais (RSG): Trabalhando através dos Comitês de Distrito e de Área, o RSG é o contato do grupo com a Conferência de Serviços Gerais, através da qual os grupos compartilham suas experiências e divulgam a consciência coletiva de A.A. Chamados algumas vezes de “guardiões das Tradições”, os RSGs se familiarizam com o Terceiro Legado de A.A.: nossa responsabilidade espiritual de servir gratuitamente. Geralmente eleitos para períodos de dois anos, são tarefas do RSG:
* representar os grupos no Distrito e nas assembléias gerais de Área;
* manter os membros do grupo informados sobre as atividades de serviços gerais em suas áreas;
*receber e divulgar em seu grupo toda correspondência recebida dos demais órgãos de serviço e o BOB Mural, que é o principal instrumento de comunicação entre o ESG e a Irmandade.
O RSG também pode ajudar seu grupo a resolver uma série de problemas, especialmente os relacionados às Tradições. Para servir seu grupo, o RSG pode se apoiar em todos os serviços oferecidos pelo ESG (veja à página 40).
Junto com o RSG elege-se um suplente, para a eventualidade de o titular não poder comparecer a todas as reuniões de Distrito e de Área. O suplente deveria ser estimulado a dividir as responsabilidades com o titular no grupo, no Distrito e na Área. (Para maiores informações, consulte o Manual de Serviços de A.A., paginas 25 a 27)

Coordenador do CTO: É o coordenador do comitê responsável pela divulgação do grupo junto à comunidade. Reúne-se com os coordenadores de CTO dos demais grupos no CTO do Distrito. Para maiores detalhes sobre este trabalho leia o Manual do CTO.

Representante da Vivência (RV): A tarefa do RV é divulgar a revista brasileira da Irmandade – Vivência – junto aos membros do grupo, e familiarizá-los com a oportunidade de aprimoramento da sobriedade que ela oferece, através de artigos baseados em experiências pessoais de recuperação escritos por companheiros de A.A., alem dos artigos escritos por não-AAs sobre suas experiências profissionais. Chamada às vezes de “reunião impressa”, a Vivência também publica um calendário mensal dos eventos especiais de A.A.
O RV eleito pelo grupo deve enviar seu nome e endereço para: Vivência, caixa Postal 3180, CEP 01060-970, São Paulo-SP. Os mesmos dados devem ser enviados para o Coordenador Estadual de Vivência do ESL. Com estas informações ele será devidamente cadastrado e receberá regularmente correspondência com os formulários de assinatura de Vivência.
Outras atribuições do RV são:
* Informar ao grupo a chegada de cada nova edição e comentar sobre as matérias nela publicadas;
*Fazer com que a Vivência sempre esteja exposta em lugar visível no grupo e, se possível, manter um pequeno mural com frases da ultima edição, cupom de assinatura, lista das assinaturas vencidas e a vencer, etc.
* Sugerir aos companheiros mais antigos o uso da revista no apadrinhamento;
* Sugerir ao grupo que ofereça assinaturas de cortesia da Vivência a médicos, religiosos, juizes, advogados, delegados, assistentes sociais, jornalistas, repórteres, etc.
* Sugerir ao grupo que use artigos da revista nas reuniões com temas e nos trabalhos do CTO;
* Motivar os membros do grupo a mandarem colaborações para a Vivência: artigos, desenhos, etc.
* Solicitar aos profissionais, principalmente àqueles que conhecem o nosso programa, o envio de artigos à revista;
* Orientar e motivar os companheiros a fazerem ou renovarem suas assinaturas, e encaminhar à Vivência as assinaturas, renovações e sugestões dos assinantes;
* Manter contato com o Representante de Vivência do Distrito (RVD) ou Representante de Vivência do ESL, para a solução de eventuais problemas.

Como abordar e ajudar os recém-chegados?
Naturalmente nenhum alcoólico pode ser ajudado por A.A. a menos que saiba da nossa existência e onde nos encontrar. Por isso é importante que os grupos de cidades menores divulguem o local e o horário de suas reuniões nas diversas entidades públicas locais existentes. Junto com essa informação, vale a pena distribuir o folheto A.A. num Relance ou Alcoólicos Anônimos em sua Comunidade.
Nas grande áreas urbanas pode-se usar as listas de grupos fornecidas pelos ESLs com essa finalidade.
Devem os grupos de A.A. anunciar ao público em geral reuniões abertas para obter informações sobre A.A.? Alguns grupos o fazem, por uma única razão: para permitir que a comunidade conheça a ajuda disponível para alcoólicos através de nosso programa. Pequenos anúncios são comumente colocados nas seções de serviços comunitários dos jornais locais para permitir que as pessoas saibam como encontrar a reunião de A.A. mais próxima, caso o desejem.
Para sugestões de material de divulgação, consulte o Manual do CTO.
Alguns grupos mantêm uma relação dos membros disponíveis para fazer o trabalho de Décimo Segundo Passo. Os grupos podem ainda formar comitês de recepção para garantir que todo recém-chegado, seja ele visitante ou companheiro em potencial, seja bem recebido.
Geralmente os padrinhos assumem a responsabilidade de ajudar os recém-chegados a encontrar seu caminho em A.A. Para melhor orientação consulte o folheto Perguntas e Respostas sobre o Apadrinhamento.

Princípios acima das personalidades
Segunda Tradição: Somente uma autoridade preside, em ultima análise, ao nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos lideres são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar.

O princípio da rotatividade
Tradicionalmente a rotatividade impede que membros de A.A. se perpetuem nos cargos. Também garante que as tarefas do grupo, como quase tudo em A.A., sejam compartilhadas por todos. Muitos grupos já elegem suplentes para cada um dos servidores de confiança, e os preparam para assumir os cargos de seus titulares, quando estes ficam vagos, enquanto o grupo escolhe novos membros para preencher as suplências.
Pode ser difícil deixar um cargo de A.A. do qual você goste. Se você fez um bom trabalho, se honestamente não vê ninguém disposto, capacitado ou com tempo disponível para fazê-lo, e se seus amigos tiverem a mesma opinião que você, será especialmente mais difícil. Mas esse será um verdadeiro passo para o seu crescimento – um passo em direção à humildade, que é, para muitos, a essência espiritual do anonimato.
Entre outras coisas, o anonimato na Irmandade significa que abrimos mão de qualquer prestígio pessoal em função de qualquer trabalho que façamos para ajudar alcoólicos. No espírito da Décima Segunda Tradição, o anonimato nos lembra de sempre “colocarmos princípios acima de personalidades”.
A rotatividade nos proporciona recompensas espirituais bem mais duradouras que qualquer fama. Como em A.A. não há nenhum “status” em jogo, não precisamos competir por títulos e glorias – e temos total liberdade para servir na medida em que formos necessários.

O que é uma consciência de grupo esclarecida?
A consciência de grupo é a consciência coletiva dos membros do grupo, e representa portanto substancial unanimidade em qualquer assunto, antes que qualquer ação definitiva seja tomada. Os membros do grupo alcançam isso compartilhando completamente as informações, os pontos de vista individuais e através da prática dos princípios de A.A. Estar plenamente informado exige a disposição de ouvir a opinião da minoria com mente aberta.
Em questões delicadas, o grupo trabalha lentamente, desestimulando moções formais até que aflore um entendimento claro da visão coletiva. Colocando princípios acima de personalidades, os membros são cautelosos com as opiniões dominantes. O resultado baseia-se em algo mais do que uma simples contagem dos votos “a favor” e “contra”, justamente por ser a expressão espiritual da consciência do grupo. A expressão “consciência de grupo esclarecida” significa que a informação pertinente foi examinada e que todos os pontos de vista foram ouvidos antes que o grupo votasse.

Inventário do grupo
Muitos grupos realizam periodicamente uma “reunião de inventário do grupo” para avaliar como estão cumprindo com o propósito primordial: ajudar alcoólicos a se recuperarem através dos Doze Passos sugeridos por A.A. Alguns grupos fazem o inventário examinando as Doze Tradições, uma de cada vez, para determinar o quanto estão vivendo de acordo com esses princípios.
Os grupos interessados em realizar inventários regulares acharão útil uma revisão do Décimo Passo. As perguntas a seguir, recolhidas a partir da experiência compartilhada de A.A., poderão ser úteis para se chegar a uma consciência de grupo esclarecida. Os grupos provavelmente vão querer acrescentar suas próprias perguntas a esta lista:
1. Qual o propósito básico do grupo?
2. Que mais o grupo pode fazer para transmitir a mensagem?
3. O grupo está atraindo alcoólicos de diferentes origens? Estamos vendo no grupo uma amostra representativa da nossa comunidade?
4. Os novos membros permanecem conosco, ou está havendo uma excessiva rotatividade? Se assim for, qual a razão? O que podemos fazer a respeito como grupo?
5. Estamos enfatizando a importância do apadrinhamento? Com que eficiência? Como podemos melhorar?
6. Temos o cuidado de preservar o anonimato dos membros de nosso grupo e de outros AAs fora das salas de reunião? Deixamos na sala as confidências compartilhadas nas reuniões?
7. Dedicamos algum tempo a explicar a todos os membros do grupo a importância de realizar as tarefas de cozinha, arrumação e outros serviços essenciais que são parte integrante do nosso trabalho de Décimo Segundo Passo?
8. Todos os membros estão tendo oportunidade de falar nas reuniões e de participar das demais atividades do grupo?
9. Tendo em mente que o preenchimento dos cargos é uma grande responsabilidade, e que não deve ser encarado como o resultado de um concurso de popularidade, estamos escolhendo cuidadosamente quem ocupa esses cargos?
10. Estamos fazendo todo o possível para proporcionar um local de reunião agradável?
11. O grupo cumpre com sua justa parcela na realização dos propósitos de A.A., como descritos nos nossos Três Legados – Recuperação, Unidade e Serviço?
12. O que o grupo tem feito ultimamente para divulgar a mensagem de A.A. junto a profissionais da comunidade – médicos, sacerdotes, autoridades legais, educadores e outros, que freqüentemente são os primeiros a entrar em contato com alcoólicos que precisam de ajuda?
13. Como o grupo está cumprindo sua responsabilidade em relação à Sétima Tradição?

Reuniões de Serviço
Na maioria dos grupos o coordenador, ou algum outro servidor, convoca as reuniões de serviço, que habitualmente se realizam mensalmente ou trimestralmente.
Embora alguns grupos possam ocasionalmente permitir a presença de pessoas que não são membros do grupo, apenas os membros têm direito a voto. A pauta dessas reuniões pode incluir: a eleição de novos servidores, a programação de reuniões; a apresentação e discussão do relatório periódico do tesoureiro; a apresentação do relatório de atividades do representante de serviços gerais e de outros servidores do grupo; a distribuição dos fundos excedentes entre o ESL, o ESG e o Comitê de Área, etc.
Antes de realizar votações, é essencial que todos os fatos relevantes sobre o assunto em exame sejam levados ao conhecimento dos membros. Em muitos casos, pode-se pedir a alguns membros que examinem os prós e os contras da questão e os apresente na reunião. Chegar a uma consciência de grupo esclarecida, tanto nas grandes questões quanto nas pequenas, pode levar algum tempo. Mas é importante que os pontos de vista da minoria e dos divergentes sejam ouvidos junto com os da maioria (veja a pagina 34). Em alguns casos, podem até mudar o curso dos acontecimentos.
As reuniões de serviço são geralmente programadas para antes ou depois das reuniões regulares do grupo. Elas tendem a ser informais, mas os costumes variam de grupo para grupo. Alguns grupos já tentaram importar procedimentos parlamentares para suas reuniões de serviço, apenas para descobrir que muitos membros não têm conhecimento desse tipo de procedimentos e sentem-se muito intimidados para falar. Alem disso, a natureza espiritual de nossa Irmandade, incorporada em nossas Tradições e em nossos Conceitos, já nos proporcionam ampla orientação.

Sobre os problemas do grupo…
Problemas do grupo geralmente são a evidência de uma saudável e desejável diversidade de opiniões entre os membros. Eles nos dão a oportunidade de “praticar estes princípios em todas as nossas atividades”, conforme nos diz o Décimo Segundo Passo.
Os problemas do grupo podem incluir questões comuns em A.A., tais como: o que o grupo deve fazer com relação aos “recaídos”? Como estimular o comparecimento às reuniões? Como conseguir mais pessoas para ajudar nas tarefas? O que fazer a respeito da quebra de anonimato de algum membro? Ou do entusiasmo romântico de algum praticante do “décimo terceiro passo”? Como escapar da influência dos “velhos resmungões”, aqueles veteranos que insistem em saber o que é melhor para o grupo? E como conseguir que os veteranos compartilhem mais suas experiências na solução dos problemas do grupo?
Praticamente todo problema de grupo tem uma solução que habitualmente se consegue através do método da consciência de grupo esclarecida. É importante mencionar que o emprego do senso de humor, a prática de dar um tempo para esfriar os ânimos, o uso da paciência, da cortesia, da boa vontade para ouvir e para esperar – alem do senso de justiça e da confiança num “Poder superior a nós mesmos” – provaram ser muito mais eficientes do que argumentos “legalísticos” ou acusações pessoais.

Como o grupo se relaciona
com A.A. como um todo
Primeira Tradição: Nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar; a reabilitação individual depende da unidade de A.A.

COMO O GRUPO DE A.A. SE ENQUADRA NA
ESTRUTURA DA IRMANDADE
Cada grupo elege um Representante de Serviços Gerais (RSG) que se reúne com os RSGs de outros grupos de uma micro-região num Distrito. Uma vez por ano os RSGs de uma Área reúnem-se numa Assembléia de Área, quando elegem seus Delegados de Área. Os Delegados compartilham as experiências de sua Área com os Delegados de outras Áreas de A.A. do Brasil durante a Conferência, na qual são eleitos os Delegados à RSM (Reunião de Serviços Mundial), estabelecendo-se assim a unidade de A.A. mundial.

O que é o ESG – Escritório de Serviços Gerais?
O Escritório de Serviços Gerais é a secretaria da Junta de Serviços Gerais de A.A. do Brasil. É também um repositório das experiências e dos conhecimentos compartilhados de todos os AAs. Ele cumpre com nosso propósito primordial: (1) proporcionando serviços, informações e experiência aos grupos de todo o Brasil; (2) publicando a literatura de A.A.; (3) apoiando as atividades da Junta de Serviços Gerais de A.A.; (4) divulgando as recomendações da Conferência de Serviços Gerais.
A historia do ESG inicia-se em 1969, com a fundação do hoje extinto CLAAB – Centro de Distribuição de Literatura de A.A. para o Brasil. Em 1974 foram convocados os primeiros Delegados de Área e realizado o primeiro Conclave Nacional de A.A. do Brasil. Em 1976, com a eleição dos Custódios, a reunião, que até então era chamada de Conclave Nacional, passou a denominar-se Conferência de Serviços Gerais. Foi então que foi formado o ESG, para funcionar como Escritório-Secretaria da Junta de Serviços Gerais, formada pelos Custódios, sendo 8 membros de A.A. e 3 membros não-alcoólicos e contando com a participação dos 2 Delegados à RSM (Reunião de Serviços Mundial).

O que faz o Escritório de Serviços Gerais?
Trabalhando em estreita cooperação com os comitês da Junta de Serviços Gerais, as responsabilidades do Escritório de Serviços Gerais perante os grupos abrangem:
1. Receber, organizar, e transmitir aos grupos e membros de A.A. em todo o Brasil a experiência compartilhada sobre os desafios e soluções dos grupos, sempre que solicitado.
2. Trabalhar através do CTO – Comitê Trabalhando com os Outros – com os solitários (RIS: AAs que vivem em áreas onde não há reuniões); os membros deficientes físicos ou que por qualquer outro motivo não podem deixar suas casas, os Internacionalistas (AAs que trabalham embarcados em navios ou aeronaves), os AAs nas Forças Armadas e os AAs em instituições correcionais ou de tratamento.
3. Responder às inúmeras cartas solicitando a A.A. informações ou ajuda para alcoólicos.
4. Publicar e distribuir o JUNAAB Informa, o BOB Mural, a revista Vivência e outros boletins publicados pelo Comitê de Publicações Periódicas.
5. Distribuir os livros, livretos e folhetos de A.A. aprovados pela Conferência de Serviços Gerais e publicados pelo Comitê de Literatura. (Consulte a relação da literatura ao final deste folheto.)
6. Divulgar nacionalmente informações públicas sobre A.A. como um todo, colaborando com a imprensa e os meios de divulgação eletrônicos, assim como as organizações envolvidas com o tratamento do alcoolismo.
7. Produzir e distribuir materiais audiovisuais.
8. Secretariar a Conferência de Serviços Gerais e organizar a sua realização através do CAC – Comitê de Assuntos da Conferência.
9. Organizar a realização das Convenções Nacionais de A.A. através do COC (Comitê de Organização da Convenção).
10. Pesquisar e manter o arquivo da história de A.A. do Brasil através do CISM (Comitê de Imagem, Som e Memória).
11. Responsabilizar-se pelas despesas necessárias ao bom andamento dos serviços decorrentes dos encargos de Custódio e de Delegado à Reunião de Serviços Mundial.

Quem está encarregado do ESG?
Existe uma diretoria composta por quatro membros: o Diretor Geral, sempre um Custódio Alcoólico; O Tesoureiro-Geral, sempre um Custódio não-alcoólico; o Diretor Financeiro (Custódio alcoólico) e o Diretor Executivo, sempre um membro de A.A. As atividades diárias são responsabilidade de um gerente administrativo profissional, auxiliado por uma equipe de funcionários.

Como são tomadas as “decisões que afetam A.A.”?
Os Custódios da Junta de Serviços Gerais (8 alcoólicos e 3 não alcoólicos) são responsáveis perante os grupos de A.A. através da Conferência de Serviços Gerais. Os grupos elegem anualmente Delegados (que servem durante dois anos) à reunião anual da Conferência de Serviços Gerais, para ouvir os relatórios dos comitês da Junta e das equipes do ESG, e para dar as diretrizes para o futuro, principalmente na forma de Recomendações. É responsabilidade da Conferência trabalhar em busca de consenso, ou de uma consciência de grupo esclarecida, nas questões vitais para A.A. como um todo. Os Delegados à Conferência respondem aos grupos de suas Áreas através do Comitê de Área.
Cada Comitê de Área é eleito por uma assembléia de Representantes de Serviços Gerais dos grupos (RSGs, ver pág. 29) e a ela responde.
O elo essencial entre os RSGs e os Delegados da Área para a Conferência de Serviços Gerais são os Membros do Comitê de Distrito (MCDs) e seus suplentes, geralmente eleitos ao mesmo tempo. Como servidores de confiança dos Comitês de Distrito, compostos por todos os RSGs de um mesmo distrito, os MCDs são expostos à consciência de grupo de todos os grupos dos seus Distritos. Como membros dos Comitês de Áreas, eles podem compartilhar, essa consciência de grupo com o Delegado da Área e os Comitês de Área.
Não fosse o elo proporcionado pelos MCDs, mantendo a comunicação com os novos grupos à medida que A.A. se expande, a Conferência de Serviços Gerais poderia rapidamente se tornar incontrolável. À medida que aumenta o número de grupos, pode-se acrescentar novos Distritos.

Como são financiados nossos serviços nacionais?
Assim como nas demais atividades de A.A., as despesas do Escritório de Serviços Gerais são cobertas principalmente pelas contribuições individuais e dos grupos. Uma vez que essas contribuições não são suficientes para cobrir totalmente os custos dos serviços nacionais de A.A., a renda proveniente das publicações é utilizada para compensar a diferença.
Para saber como seu grupo pode contribuir, veja as sugestões contidas nas paginas 28 e 29.

Como os grupos podem ajudar o ESG?
O trabalho que é feito pelo ESG depende muito de cada um dos grupos, que são os que têm a responsabilidade final sobre A.A. e que, em ultima instância, são os que colhem os benefícios desse trabalho.
Se os grupos pretendem que A.A. esteja disponível, hoje e no futuro, para os novos membros, é necessária sua participação no trabalho do ESG. Abaixo seguem-se alguns dos modos pelos quais os grupos podem contribuir:
1. Manter-se informados e perguntar sobre o que ocorre no ESG – afinal tudo é feito em nome dos grupos. Quanto mais você souber sobre A.A., mais útil você será para transmitir a mensagem.
2. Eleger um Representante de Serviços Gerais qualificado. O RSG ficará, sem duvida alguma, tão agradecido por seu interesse e por suas idéias quanto você fica quando alguém o apóia.
3. É importante informar ao ESG qualquer mudança ocorrida no grupo – como a eleição de um novo RSG ou mudanças no endereço ou no nome do grupo. Essa é a única forma de garantir que a correspondência continue a chegar ao grupo.

O que é um Escritório de Serviços Locais (ESL)? Como funciona?
O Escritório de Serviços Locais é freqüentemente o primeiro lugar para onde o alcoólico na ativa telefona ou vai em busca de ajuda de A.A.
Embora funcionem independentemente da estrutura de serviços gerais de A.A., os ESL são uma parte vital da Irmandade. Na maioria das Áreas qualquer grupo que assim o desejar pode pertencer ao ESL, que é financiado pelas contribuições dos grupos filiados. Essas contribuições são voluntárias.
Nas áreas em que é impraticável abrir um escritório, os grupos às vezes formam comitês conjuntos para realizar as atividades de Décimo Segundo Passo e usam algum serviço de recados e/ou atendimento telefônico cuidadosamente preparado. Importante: sistemas de serviços locais desse tipo parecem funcionar melhor se administrados separadamente do trabalho dos Comitês de Serviços Gerais da Área, que geralmente já têm muitas atividades para realizar.
A maioria dos Escritórios Locais emprega no máximo um ou dois funcionários, e portanto apóia-se muito no trabalho de voluntários. Muitos AAs descobriram que servir um Escritório Local – atendendo telefonemas de alcoólicos e fazendo o que houver para ser feito – enriquece muito sua sobriedade e amplia seu circulo de amigos.

O que faz um Escritório de Serviços Locais?
Os métodos e objetivos variam de uma Área para outra, mas de um modo geral as responsabilidades dos Escritórios Locais incluem:
1. Responder aos pedidos de ajuda de alcoólicos na ativa e, quando for o caso, providenciar voluntários de A.A. para acompanhá-los a uma reunião.
2. Manter os telefones de A.A. nas listas telefônicas locais, receber os pedidos por telefone e por correio e encaminhá-los aos grupos locais, distribuindo assim geograficamente o trabalho do Décimo Segundo Passo de forma a garantir ajuda aos recém-chegados.
3. Distribuir listas atualizadas de grupos e reuniões.
4. Estocar e vender a literatura de A.A. e números avulsos da revista Vivência.
5. Servir como centro de comunicações para os grupos participantes – muitas vezes publicando circulares ou boletins para manter cada grupo informado sobre o que se passa nos demais.
6. Organizar para que os grupos realizem um intercambio de oradores.
7. Fornecer informações sobre centros de tratamento, hospitais e clínicas.
8. Responder aos pedidos de informação sobre A.A. provenientes da imprensa local; planejar programas locais de radio e televisão sobre A.A.; providenciar oradores para escolas e entidades não A.A.
9. Manter a comunicação e a cooperação – sem afiliação – com a comunidade e com os profissionais de ajuda na área do alcoolismo.

O que A.A. não faz
Décima Tradição: Alcoólicos Anônimos não opina sobre questões alheias à Irmandade; portanto, o nome de A.A. jamais deverá aparecer em controvérsias públicas.
1. Recrutar membros ou fornecer a motivação inicial pra que os alcoólicos se recuperem.
2. Manter registro ou históricos de casos dos seus membros.
3. Acompanhar ou tentar controlar seus membros.
4. Fazer diagnósticos ou prognósticos clínicos ou psicológicos.
5. Providenciar hospitalização, medicamentos ou tratamento psiquiátrico.
6. Fornecer alojamento, alimentação, roupas, dinheiro, emprego ou outros serviços semelhantes.
7. Fornecer aconselhamento familiar ou profissional.
8. Participar de pesquisas ou patrociná-las.
9. Filiar-se a entidades sociais (embora muitos membros e servidores cooperem com elas).
10. Oferecer serviços religiosos.
11. Participar de qualquer controvérsia sobre o álcool ou outros assuntos.
12. Aceitar dinheiro pelos seus serviços, ou contribuições de fontes não- A.A.
13. Fornecer cartas de recomendação para juntas de livramento condicional, advogados, oficiais de justiça, escolas, empresas, entidades sociais ou quaisquer outras organizações ou instituições.

A posição de A.A. no campo
do alcoolismo
Sexta Tradição: Nenhum Grupo de A.A. deverá jamais sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à Irmandade, a fim de que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos afastem de nosso objetivo primordial.

“Cooperação sem afiliação”
Alcoólicos Anônimos é uma irmandade mundial de alcoólicos que se ajudam mutuamente a permanecer sóbrios e que se oferecem para compartilhar suas experiências de recuperação gratuitamente com outras pessoas que possam ter problemas com a bebida. Os membros de A.A. se caracterizam pela aceitação de um programa sugerido de Doze Passos para a recuperação pessoal do alcoolismo.
A Irmandade funciona através de mais de 97.000 grupos espalhados em mais de 150 países. Embora se estime que existam hoje cerca de dois milhões de membros, A.A. reconhece que nem sempre seu programa é eficaz para todos os alcoólicos e que alguns desses alcoólicos podem necessitar de aconselhamento ou tratamentos profissionais.
A.A. preocupa-se unicamente com a recuperação pessoal e continua sobriedade dos alcoólicos que procuram ajuda na Irmandade. A.A. não se dedica a nenhuma forma de pesquisa sobre o alcoolismo e nem ao tratamento medico ou psiquiátrico, educação ou propaganda sobre alcoolismo, embora seus membros, a título pessoal, possam fazê-lo.
A.A. adota uma política de “cooperação sem afiliação” com outras organizações que se dedicam ao problema do alcoolismo.
Tradicionalmente, Alcoólicos Anônimos não aceita e nem busca ajuda financeira de fontes externas. Os membros de A.A. preservam seu anonimato pessoal na imprensa, filmes e outros meios de comunicação.

A.A. e outras entidades
A.A. não está filiado a nenhuma outra organização ou instituição. Nossas tradições estimulam a “cooperação sem afiliação”.

Outras perguntas sobre A.A.
O que são os Três Legados de A.A.?
Os Três Legados originam-se da experiência acumulada pelos primeiros membros de A.A., transmitida e compartilhada conosco, e consiste em:
(1) sugestões para a recuperação – Os Doze Passos;
(2) sugestões para atingir a Unidade – As Doze Tradições; e
(3) o Serviço de A.A. – descrito no Manual de Serviços de A.A., nos Doze
Conceitos para o Serviço Mundial, no Manual do CTO e no livro A.A. Atinge a Maioridade.

Quem dirige clinicas e outros centros de tratamento?
A.A. não proporciona serviços médicos ou sociais. Como Irmandade, não estamos qualificados a prestar esta ajuda.
No entanto, muitos membros de A.A. servem como valiosos funcionários em hospitais e centros de tratamento. Não existe, contudo, nenhum “hospital de A.A.” ou nenhuma “clinica de A.A.” – embora muitas dessas instituições realizem-se reuniões de A.A. e haja companheiros de A.A. disponíveis.
Seguindo nossa Sexta Tradição, os membros e grupos asseguram-se de que o nome de A.A. não seja incorporado ao nome de instituições ou usado em sua literatura promocional ou seu logotipo. Tais instituições também não deveriam utilizar nenhum nome (como por exemplo “Casa do Décimo Segundo Passo”) que possa induzir erroneamente a crer num endosso de A.A.

OS DOZE PASSOS
DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
1. Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.
2. Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.
3. Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.
4. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.
5. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.
6. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
7. Humildemente, rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.
8. Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.
9. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outrem.
10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
11. Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade.
12. Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.

AS DOZE TRADIÇÕES
DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
1. Nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar; a reabilitação individual depende da unidade de A.A..
2. Somente uma autoridade preside, em última análise, o nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar.
3. Para ser membro de A.A., o único requisito é o desejo de parar de beber.
4. Cada Grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros Grupos ou a A.A. em seu conjunto.
5. Cada Grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
6. Nenhum Grupo de A.A. deverá jamais sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à Irmandade, a fim de que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos afastem de nosso propósito primordial.
7. Todos os Grupos de A.A. deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora.
8. Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre não-profissional, embora nossos centros de serviços possam contratar funcionários especializados.
9. A.A. jamais deverá organizar-se como tal; podemos, porém, criar juntas ou comitês de serviço diretamente responsáveis perante aqueles a quem prestam serviços.
10. Alcoólicos Anônimos não opina sobre questões alheias à Irmandade; portanto, o nome de A.A. jamais deverá aparecer em controvérsias públicas.
11. Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção; cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, no rádio e em filmes.
12. O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.

As Doze Tradições
(Forma Longa)
Nossa experiência em A.A. nos ensinou que:
1. Cada membro de Alcoólicos Anônimos é apenas uma pequena parte de um grande todo. A.A. precisa continuar a viver, ou a maioria de nós certamente morrerá. Portanto, o nosso bem-estar comum está em primeiro lugar. Mas o bem-estar individual vem logo depois.
2. Para os objetivos do nosso grupo, há somente uma autoridade final – um Deus amantíssimo, como pode expressar-Se em nossa consciência coletiva.
3. A nossa Irmandade deve incluir todos os que sofrem de alcoolismo. Não podemos, portanto, recusar quem quer que deseje se recuperar. A condição para tornar-se membro não deve nunca depender de dinheiro ou formalidades. Dois ou três alcoólicos quaisquer reunidos em busca de sobriedade podem se autodenominar um grupo de A.A., desde que como grupo não possuam qualquer outra afiliação.
4. Com respeito aos seus próprios assuntos, nenhum grupo de A.A. está sujeito a autoridade alguma alem de sua própria consciência. Quando, porém, seus planos interferem no bem-estar de grupos vizinhos, estes devem ser consultados. E nenhum grupo, comitê regional ou membro como indivíduo deve tomar qualquer atitude que possa afetar seriamente A.A. como um todo, sem consultar os Custódios da Junta de Serviços Gerais. Em tais questões, nosso bem-estar comum tem absoluta primazia.
5. Cada grupo de Alcoólicos Anônimos deve ser uma entidade espiritual com um único propósito primordial: o de levar sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
6. Problemas de dinheiro, propriedade e autoridade podem facilmente nos afastar de nosso objetivo espiritual primordial. Acreditamos, portanto, que quaisquer bens de valor considerável, de real utilidade a A.A. devem ser incorporados e administrados separadamente, fazendo-se assim uma divisão entre o material e o espiritual. Um grupo de A.A., como tal, jamais deveria dedicar-se ao comercio. Entidades secundárias de auxílio a A.A., tais como clubes ou hospitais que requeiram muitos bens materiais e muita administração, devem ser incorporadas, de forma que, se necessário, possam os grupos livremente descartarem-se deles. Tais instituições não deveriam, portanto, usar o nome de A.A. Sua administração deve ser de exclusiva responsabilidade das pessoas que financiam. Para os clubes, são em geral preferíveis gerentes que sejam membros de A.A. Mas os hospitais e outros locais de recuperação devem, porem, ficar bem afastados de A.A. e ter supervisão médica. Embora um grupo de A.A. possa cooperar com quem quer que seja, tal cooperação nunca deve chegar ao ponto de filiação ou endosso, real ou implícito. Um grupo de A.A. não pode vincular-se a ninguém.
7. Os grupos de A.A. devem ser inteiramente auto financiados pelas contribuições voluntárias dos seus próprios membros. Acreditamos que cada grupo deve atingir, em pouco tempo, esse ideal; que qualquer solicitação de fundos usando-se o nome de A.A. é altamente perigosa, seja ela feita por grupo, clubes, hospitais ou por outros agentes exteriores; que a aceitação de grandes donativos de qualquer fonte ou de contribuições que acarretem quaisquer obrigações é desaconselhável. Vemos ainda com grande preocupação aquelas tesourarias de A.A. que continuam a acumular além da reserva prudente, fundos sem um propósito específico. A experiência tem nos demonstrado, freqüentemente, que nada pode destruir nosso patrimônio espiritual com tanta certeza, como as discussões fúteis sobre propriedade, dinheiro e autoridade.
8. Alcoólicos Anônimos deve manter-se sempre não-profissional. Definimos o profissionalismo como o emprego do aconselhamento a alcoólicos em troca de honorários ou salário. Todavia, podemos empregar alcoólicos para desempenhar aquelas funções para os quais, em outras circunstâncias, teríamos que contratar não-alcoólicos. Tais serviços especiais podem ser bem recompensados. Mas nosso trabalho habitual do Décimo Segundo Passo de A.A. jamais deve ser pago.
9. Cada grupo de A.A. necessita da menor organização possível. A forma rotativa da liderança é a melhor. O grupo pequeno pode eleger um secretário, o grupo grande seu comitê rotativo e os Grupos de uma ampla região metropolitana, seu Escritório de Serviços Locais, o qual freqüentemente emprega um secretário em tempo integral. Os Custódios da Junta de Serviços Gerais se constituem, na realidade, em nosso Comitê de Serviços Gerais de A.A. Eles são os guardiões de nossa Tradição de A.A. e os depositários das contribuições voluntárias dos AAs, através dos quais mantemos nosso Escritório de Serviços Gerais em Nova Iorque. Eles são autorizados pelos grupos a cuidar de nossas relações públicas em geral e garantem a integridade de nosso principal órgão de divulgação: a revista A.A. Grapevine. Todos esses representantes têm sua ações guiadas pelo espírito de serviço, pois os verdadeiros líderes em A.A. são apenas servidores experientes e de confiança da Irmandade. Seus títulos não lhes conferem nenhuma autoridade real e eles não governam. O respeito universal é a chave para sua utilidade.
10. Nenhum grupo ou membro de A.A. deve jamais expressar, de forma a envolver A.A., qualquer opinião sobre assuntos controversos externos – particularmente sobre política, medidas de combate ao álcool ou religião sectária. Os grupos de A.A. não se opõem a nada. Com respeito a tais assuntos, eles não podem expressar qualquer opinião.
11. Nossas relações com o público em geral devem caracterizar-se pelo anonimato pessoal. Acreditamos que A.A. deve evitar a publicidade sensacional. Nossos nomes e fotografias, como membros de A.A. não devem ser divulgados pelo radio, filmados ou publicamente impressos. Nossas relações públicas devem orientar-se pelo princípio da atração e não da promoção. Nunca há necessidade de elogiarmos a nós mesmos. Achamos melhor deixar que nossos amigos nos recomendem.
12. Finalmente, nós de Alcoólicos Anônimos, acreditamos que o princípio do Anonimato tem uma enorme significação espiritual. Lembra-nos que devemos colocar os princípios acima das personalidades; que devemos realmente conduzir-nos com genuína humildade. Isto para que as nossas grandes bênçãos jamais nos corrompam, a fim de que vivamos para sempre em grata contemplação d’Aquele que reina sobre todos nós.

Os Doze Conceitos para os Serviços Mundiais
1. A responsabilidade final e a autoridade suprema pelos serviços mundiais de A.A. deveriam sempre recair na consciência coletiva de toda a nossa Irmandade.
2. Quando, em 1955, os grupos de A.A. confirmaram a permanente Ata de Constituição da sua Conferência de Serviços Gerais, eles, automaticamente, delegaram à Conferência completa autoridade para a manutenção ativa dos nossos serviços mundiais e assim tornaram a Conferência – com exceção de qualquer mudança nas Doze Tradições ou no Artigo 12 da Ata da Constituição da Conferência – a verdadeira voz e a consciência efetiva de toda a nossa Sociedade.
3. Como um meio tradicional de criar e manter uma relação de trabalho claramente definida entre os Grupos, a Conferência, a Junta de Serviços Gerais de A.A. e as suas diversas corporações de serviços, quadros de funcionários, comitês e executivos, assim assegurando as suas lideranças efetivas, é aqui sugerido que dotemos cada um desses elementos dos serviços mundiais com um tradicional “Direito de Decisão”.
4. Através da estrutura da nossa Conferência, deveríamos manter em todos os níveis de responsabilidade um tradicional “Direito de Participação”, tomando cuidado para que a cada setor ou grupo de nossos servidores mundiais seja concedido um voto representativo em proporção correspondente à responsabilidade que cada um deve ter.
5. Através de nossa estrutura de serviços mundiais, deveria prevalecer um tradicional “Direito de Apelação”, assim nos assegurando de que a opinião da minoria seja ouvida e de que as petições para a reparação de queixas pessoais sejam cuidadosamente consideradas.
6. Em benefício de A.A. como um todo, a nossa Conferência de Serviços Gerais tem a principal responsabilidade de manter os nossos serviços mundiais e, tradicionalmente, tem a decisão final nos grandes assuntos de finanças e de normas de procedimento em geral. Mas a Conferência também reconhece que a principal iniciativa e a responsabilidade ativa, na maioria desses assuntos, deveria ser exercida principalmente pelos Custódios, membros da Conferência, quando eles atuam entre si como Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos.
7. A Conferência reconhece que a Ata de Constituição e os Estatutos da Junta de Serviços Gerais são instrumentos legais e que os Custódios têm plenos poderes para administrar e conduzir todos os assuntos dos serviços mundiais de Alcoólicos Anônimos. Além do mais é entendido que a Ata de Constituição da Conferência não é por si só um documento legal, mas pelo contrário, ela depende da força da tradição e do poder da bolsa de A.A. para efetivar sua finalidade.
8. Os Custódios da Junta de Serviços Gerais atuam em duas atividades principais: (a) com relação aos amplos assuntos de normas de procedimentos e finanças em geral, eles são os principais planejadores e administradores. Eles e os seus principais Comitês dirigem diretamente esses assuntos; (b) mas com relação aos nossos serviços, constantemente ativos e incorporados separadamente, a relação dos Custódios é principalmente, aquela de direito de propriedade total e de supervisão de custódia que exercem através de sua capacidade de eleger todos os diretores dessas entidades.
9. Bons líderes de serviços, bem como métodos sólidos e adequados para a sua escolha, são em todos os níveis indispensáveis para o nosso funcionamento e segurança no futuro. A liderança principal dos serviços mundiais, exercida pelos fundadores de A.A., deve, necessariamente, ser assumida pelos Custódios da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos.
10. Toda a responsabilidade de serviço deveria corresponder a uma autoridade de serviço equivalente – a extensão de tal autoridade ser sempre bem definida, seja por tradição, por resolução, por descrição específica de função ou por atas de constituição e estatutos adequados.
11. Enquanto os Custódios tiverem a responsabilidade final pela administração dos serviços mundiais de A.A., eles deverão ter sempre a melhor assistência possível dos comitês permanentes, diretores de serviços incorporados, executivos, quadros de funcionários e consultores. Portanto, a composição desses comitês subordinados e juntas de serviço, as qualificações pessoais dos seus membros, o modo como foram introduzidos dentro do serviço, os seus sistemas de revezamento, a maneira como eles são relacionados uns com os outros, os direitos e deveres especiais dos nossos executivos, quadros de funcionários e consultores, bem como uma base própria para a remuneração desses trabalhadores especiais, serão sempre assuntos para muita atenção e cuidado.
12. As Garantias Gerais da Conferência: em todos os seus procedimentos, a Conferência de Serviços Gerais observará o espírito das Tradições de A.A., tomando muito cuidado para que a Conferência nunca se torne sede de riqueza ou poder perigosos; que suficientes fundos para as operações mais uma ampla reserva sejam o seu prudente princípio financeiro; que nenhum dos membros da Conferência nunca seja colocado em posição de autoridade absoluta sobre qualquer um dos outros; que todas as decisões importantes sejam tomadas através de discussão, votação e, sempre que possível, por substancial unanimidade; que nenhuma ação da Conferência seja jamais pessoalmente punitiva ou uma incitação à controvérsia pública; que, embora a Conferência preste serviço a Alcoólicos Anônimos, ela nunca desempenhe qualquer ato de governo e que, da mesma forma que a Sociedade de Alcoólicos Anônimos a que serve, a Conferência permaneça sempre democrática em pensamento e ação.
Observação: A Conferência de Serviços Gerais recomendou que o “texto integral” dos Conceitos seja estudado detalhadamente.

PUBLICAÇÕES DE A.A.
Relação da literatura oficial de A.A., editada em português, pela JUNAAB – Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil, que pode ser adquirida nos grupos e Escritórios de Serviços Locais de A.A. de sua cidade.

LIVROS
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
A.A. ATINGE A MAIORIDADE
DR. BOB E OS BONS VETERANOS
LEVAR ADIANTE
NA OPINIÃO DO BILL
OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES
REFLEXÕES DIÁRIAS
VIEMOS A ACREDITAR
VIVER SÓBRIO

LIVRETOS E FOLHETOS
44 PERGUNTAS
A TRADIÇÃO DE A.A. – COMO SE DESENVOLVEU
A.A. COMO FUNCIONA
A.A. COMO UM RECURSO PARA OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE
A.A. E A CLASSE MÉDICA
A.A. E OS PROGRAMAS DE ASSISTÊNCIA AOS EMPREGADOS
A.A. É PARA MIM?
A.A. EM INSTITUIÇÕES DE TRATAMENTO
A.A. EM SUA COMUNIDADE
A.A. NUM RELANCE
A.A. PARA A MULHER
AS DOZE TRADIÇÕES ILUSTRADAS
AUTO-SUFICIÊNCIA PELAS NOSSAS PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES
CARTA A UMA MULHER ALCOÓLICA
DENTRO DE A.A.
EIS O A.A.
ENTENDENDO O ANONIMATO
FALANDO EM REUNIÕES DE NÃO A.A.
MENSAGEM A UM RECLUSO QUE PODE SER UM ALCOÓLICO
O ARTIGO DE JACK ALEXANDER SOBRE A.A.
O MELHOR DE BILL – EXTRAÍDO DO GRAPEVINE
O MEMBRO DE A.A. – MEDICAMENTOS E OUTRAS DROGAS
OS CO-FUNDADORES DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
OS DOZE PASSOS ILUSTRADOS
OS JOVENS E A.A.
OUTROS PROBLEMAS ALÉM DO ÁLCOOL
PARA ONDE VOU DAQUI?
PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE APADRINHAMENTO
PRIMEIRAS NOÇÕES
SE VOCÊ FOR UM PROFISSIONAL
SUGESTÕES PARA COORDENAR REUNIÃO DE NOVOS
TRÊS PALESTRAS ÀS SOCIEDADES MÉDICAS POR BILL W., CO-FUNDADOR DE A.A.
UM CLÉRIGO PERGUNTA A RESPEITO DE A.A.
UM PEQUENO GUIA PARA A.A.
UM RECÉM-CHEGADO PERGUNTA…
UMA MENSAGEM AOS ADMINISTRADORES DE INSTITUIÇÕES CORRECIONAIS
UMA MENSAGEM PARA OS JOVENS…
VOCÊ DEVE PROCRAR O A.A.?
VOCÊ PENSA QUE É DIFERENTE?

LITERATURA DE SERVIÇOS
MANUAL DE SERVIÇOS DE A.A.
MANUAL DO CTO
O GRUPO DE A.A.
O RSG
DOZE CONCEITOS PARA SERVIÇOS MUNDIAIS ILUSTRADOS
DOZE CONCEITOS PARA SERVIÇOS MUNDIAIS

PERIÓDICOS
REVISTA VIVÊNCIA (publicada bimestralmente)

Eu sou responsável…
Quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, quero que a mão do A.A. esteja sempre ali. E por isto: Eu sou responsável.

Uma declaração de Unidade
Devemos, para o futuro de A.A.:
Colocar nosso bem-estar comum em primeiro lugar;
Manter nossa Irmandade unida;
Porque em A.A., a unidade garante nossas vidas
E s vidas daqueles que ainda virão.

Literatura aprovada pela
Conferência de Serviços Gerais de A.A.

A Relação do Indivíduo Com A.A. como Grupo.

Pode ser que alcoólicos Anônimos seja uma nova forma de sociedade humana.O Primeiro dos Doze Pontos de nossa Tradição diz: Cada membro de Alcoólicos Anônimos não é senão uma pequena parte de um grande todo. É necessário que eu o A.A. continue vivendo ou, do contrário, seguramente a maioria de nós morrerá. Por isto, o nosso bem-estar comum tem prioridade, porém seguido de perto pelo bem-estar individual. Isto representa um reconhecimento, comum em todas as sociedades, de que, às vezes, o indivíduo tem que antepor o bem-estar de seus companheiros aos seus próprios desejos descontrolados.
Se o indivíduo não cedesse nada, em benefício do bem-estar comum, não poderia existir sociedade alguma o que restaria seria a obstinação e a anarquia, no pior sentido da palavra.
Todavia, o Terceiro Ponto de nossa Tradição parece ser um convite aberto à anarquia. Aparentemente, contradiz o Primeiro Ponto. Ele diz: Nossa Comunidade deve incluir a todos os que sofrem de alcoolismo. Por isto, não podemos rechaçar a ninguém que queira recuperar-se. Para tornar-se membro de A.A. não depende de dinheiro ou formalidade. Quando dois ou três alcoólatras se reunirem para manter a sobriedade, podem chamar-se um grupo de A.A.. Isto implica claramente em dizer que um alcoólatra é membro se ele assim o disser; que não podemos privá-lo de ser membro; que não podemos exigir-lhe sequer um centavo; que não podemos impor-lhe nossas crenças e costumes; que ele pode recusar tudo o que sustentamos e, não obstante, continuar sendo membro. Na realidade, nossa Tradição leva o Princípio de independência individual a tal fantástico extremo que, enquanto tiver o mínimo interesse na sobriedade, o alcoólico mais imoral, mais anti-social, mais crítico, pode reunir-se com uma quantas almas gêmeas e anunciar-nos que foi formado um novo grupo de A.A. Mesmo opondo-se a Deus, à medicina, contrários ao nosso programa de recuperação, inclusive uns contrários aos outros, estes indivíduos desenfreados, ainda assim, constituem um grupo de A.A., se assim o crêem.
Às vezes, nossos amigos não-alcoólicos nos perguntam: Temo-los ouvido dizer que o A.A. tem estrutura social segura E prosseguem: Devem estar brincando. Segundo vemos, sua Terceira Tradição tem uma cimentação tão firme quanto à cimentação da Torre de Babel. No Primeiro Ponto, vocês dizem abertamente que o bem-estar do grupo tem a primazia. Em seguida, no Ponto Três, passam a dizer a cada A.A. que ninguém o pode impedir que pense ou faça como melhor lhe convenha. É certo que no Segundo Ponto falam vagamente de uma autoridade final, Um Deus amoroso tal como se expresse na consciência do grupo. Com todo respeito aos seus pontos de vista, olhada de fora esta Tradição parece irrealista. Além de tudo, o mundo atual não é senão a triste história de como a maioria dos homens tem perdido sua consciência e, por isto, não pode encontrar o seu caminho. Agora vêm vocês, alcoólicos (gente, além de tudo, pouco equilibrada. Verdade?) para nos dizer amavelmente: 1) Que o A.A. é um formoso socialismo muito democrático. 2) Que o A.A. também é uma ditadura, sujeitando-se os seus membros ao mandato benigno de Deus. E, finalmente, que o A.A. é tão individualista que a organização não pode punir aos seus membros por mal comportamento ou incredulidade. Portanto, continuam nossos amigos, quer nos parecer, dentro da Sociedade de Alcoólicos Anônimos vocês têm uma democracia, uma ditadura e uma anarquia, tudo funcionando ao mesmo tempo. Deita-se tranqüilamente na mesma cama estes conceitos que nos dias atuais acham-se em tão violento conflito que vão dilacerando o mundo? Contudo, sabemos que o A.A. dá resultado. Portanto, vocês, de alguma forma, devem ter conciliado estas grandes forças. Contem-nos, se puderem, o que é que mantém o A.A. unido? Por que o A.A. também não se desgarra?Se todo membro de A.A. goza de uma liberdade pessoal que pode chegar à libertinagem, por que sua Sociedade não explode? Deveria explodir, mas não explode.
É provável que, ao ler o nosso Primeiro Ponto, nossos amigos do mundo afora, tão tomados pela perplexidade deste paradoxo, deixem de atentar para uma declaração muito significativa: É necessário que o A.A. continue vivendo ou, do contrário, seguramente a maioria de nós morrerá.
Esta dura asserção leva implícito todo um mundo de significado para cada membro de Alcoólicos Anônimos. Embora seja totalmente certo que nenhum grupo de A.A. pode forçar a qualquer alcoólico a contribuir com dinheiro ou a submeter-se aos Doze Passos, cada membro de A.A. se vê obrigado, com o passar do tempo, a fazer estas coisas.
A verdade é que, na vida de cada alcoólico, sempre há um tirano à espreita. Chama-se álcool. Astuto, impiedoso, suas armas são a aflição, a loucura e a morte. Não importa o tempo que levemos sóbrios, ele se coloca sempre ao nosso lado, vigiando, pronto para aproveitar qualquer oportunidade para reiniciar seu trabalho de destruição. Tal como um agente da Gestapo, ele ameaça a cada cidadão A.A. com a tortura e a extinção a menos que o cidadão A.A. esteja disposto a viver sem egoísmo, amiúde antepondo a seus planos e ambições pessoais o bem-estar de A.A. no seu todo.
Aparentemente, nenhum ser humano pode forçar os alcoólatras a viverem juntos felizes e utilmente. Porém o Sr. Álcool pode e costuma fazê-lo!
Isto se pode ilustrar com uma história: Faz algum tempo, listamos amplamente nossos aparentes fracassos ocorridos durante os primeiros anos de A.A. A cada alcoólatra que aparecia na lista, se lhe havia sido dada uma boa orientação.
A maioria havia assistido as reuniões durante vários meses. Depois de recair e tornar a recair, todos desapareceram. Alguns diziam que não eram alcoólatras. Outros não puderam aceitar nossa crença em Deus. Uns quantos carregavam intensos ressentimentos contra seus companheiros. Anarquistas convencidos, não podiam ajustar-se à nossa Sociedade. E como a nossa Sociedade não se ajustava a eles, marcharam. Porém, só temporariamente. No curso dos anos, a maioria destes chamados fracassos tem retornado, convertendo- se, freqüentemente, em excelentes membros. Nunca fomos atrás deles. Voltaram por conta própria.
Cada vez que vejo alguém que acaba de retornar, pergunto-lhe porque voltou a se unir ao nosso rebanho. Invariavelmente, sua resposta é mais ou menos assim: Quando contatei A.A. pela primeira vez, inteirei-me de que alcoolismo é uma enfermidade: uma obsessão mental que nos impulsiona a beber e uma sensibilidade física que nos condena à loucura ou à morte se continuamos bebendo. Porém, logo fiquei desgostoso com os métodos de A.A. e cheguei a odiar a alguns dos alcoólicos que conhecia ali. E ainda continuava com a idéia de que podia deixar a bebida pelos meus próprios meios. Depois de vários anos bebendo de forma terrível, compreendi que era impotente para controlar o álcool e me rendi. Retornava ao A.A. porque não tinha outro lugar a que recorrer. Já havia tentado em todos os demais. Tendo alcançado este ponto, soube que teria que fazer algo rapidamente: que tinha que praticar os Doze Passos do programa de recuperação de A.A.; que teria que deixar de odiar aos meus companheiros alcoólicos; que agora teria que ocupar meu lugar entre eles, como uma pequena parte deste grande todo, a Sociedade de Alcoólicos Anônimos. Tudo se reduzia à simples alternativa do agir ou morrer. Tinha que me ajustar aos princípios de A.A. se não, poderia despedir-me da vida. Acabou a anarquia para mim e aqui estou.
Esta história mostra a razão pela qual, nós, os A.As., temos que viver juntos. Do contrário, morreremos sós. Somos os atores de um drama inexorável, no qual a morte é o ponto dos que vacilam em seus papéis (nota do tradutor: ponto, aqui, significa pessoa que no teatro vai lendo o que os atores hão de dizer, para lhes auxiliar a memória). Há alguém que possa imaginar a imposição de uma disciplina mais rigorosa que esta?
Não obstante, a história do beber descontrolado nos mostra que o temor, por si só, tem disciplinado a muitos poucos alcoólatras. Para nos mantermos unidos, nós, os anarquistas, é necessário muito mais do que o simples temor.Há uns poucos anos, fazendo uma palestra em (Baltimore), encontrava-me pondo sal nos grandes sofrimentos que nós, os alcoólicos, havíamos conhecido.
Desconfio que as minhas palavras tinham um forte cheiro de autocomiseração e exibicionismo. Insistia em descrever a nossa experiência de bebedores como uma grande calamidade, um terrível infortúnio. Depois da reunião, fui abordado por um padre, que com um tom muito gentil, me disse: Eu o ouvi dizer que cria que sua maneira de beber era um infortúnio. Entretanto, a mim me parece que, no seu caso, aquilo era uma tremenda bem-aventurança.
Não foi essa experiência horrível o que o humilhou tanto que fez com que pudesse encontrar a Deus? Não foi o sofrimento o que lhe abriu os olhos e o coração? Todas as oportunidades que você tem hoje, toda esta maravilhosa experiência a que você chama de A.A., tiveram sua origem num profundo sofrimento pessoal. No seu caso, não foi nenhum infortúnio. Foi uma bem-aventurança que não tem preço. Vocês, A.As., são pessoas privilegiadas.
Este sincero e profundo comentário me comoveu muito. Marca um momento decisivo de minha vida. Fez-me pensar, como nunca, sobre a relação que mantinha com meus companheiros de A.A. Fez-me pôr em dúvida os meus próprios motivos. Por que havia vindo à Baltimore? Estava ali só para banhar-me nos aplausos e louvação dos meus companheiros? Estava ali como mestre ou como pregador?
Via-me como um eminente expedicionário da cruzada moral Ao refletir, confessei envergonhadamente a mim mesmo que tinham todos esses motivos, que havia extraído um prazer indireto, e bastante egocêntrico, de minha visita. Mas, isso era tudo? Não haveria um motivo melhor do que a minha avidez por prestígio e aplauso? Fora à Baltimore unicamente para satisfazer a esta necessidade e a nenhuma outra mais profunda ou nobre? Então, me veio uma luz de inspiração.Sob minha vanglória superficial ou pueril, vi operando Alguém muito superior a mim. Alguém que queria transformar- me; Alguém que, se eu o permitisse, livrar-me-ia dos meus desejos menos honestos e os substituiria com aspirações mais louváveis, nas quais, se eu tivesse suficiente humildade, poderia encontrar a paz.Naquele momento, vi nitidamente a razão pala qual devia ter vindo à Baltimore.
Devia ter viajado para ali possuído pela feliz convicção de que necessitava dos baltimorenses ainda mais do que eles necessitavam de mim; que teria necessidade de compartilhar com eles tanto suas penas, quanto suas alegrias; que teria necessidade de sentir-me unido a eles, fusionando-me em sua sociedade; que, inclusive, se eles persistissem em considerar-me como seu mestre, eu deveria considerar a mim mesmo como aluno deles. Compreendi que havia estado vivendo muito isolado, muito apartado dos meus companheiros e muito surdo a essa voz interior. Ao invés de ir à Baltimore como mero agente que levava a mensagem de experiência, cheguei com fundador de Alcoólicos Anônimos. E, tal como um vendedor numa convenção, coloquei meu crachá de identificação para que todos pudessem vê-lo bem. Como seria melhor se tivesse gratidão ao invés de satisfação de mim mesmo ? gratidão por haver padecido os sofrimentos do alcoolismo; gratidão pelo milagre da recuperação que a Providência havia operado em mim; gratidão pelo privilégio de servir aos meus companheiros alcoólatras e gratidão pelos laços fraternais que me uniam a eles numa camaradagem cada vez mais íntima, como raras sociedades conhecem. Era verdade o que me dissera o padre: ?Seu infortúnio converteu-se em bem-aventurança.
Vocês, os A.As., são pessoas privilegiadas.
A experiência que tive em Baltimore não foi nada insólita. Cada A.A. passa em sua vida por parecidos acontecimentos espirituais decisivos momentos de iluminação que o une, cada vez mais intimamente, aos seus companheiros e ao seu Criador. O ciclo é sempre o mesmo. Primeiro, recorremos ao A.A. porque morreríamos se não o fizéssemos. Depois, para deixar de beber, dependemos de sua filosofia e do companheirismo que nos é oferecido. Depois, por algum tempo, tendemos a voltar a depender de nós mesmos, e buscamos a felicidade por intermédio do poder e dos aplausos. Finalmente, algum acidente, talvez um grave contratempo, nos abre ainda mais os olhos. Na medida em que vamos aprendendo as novas lições e aceitamos, de fato, o que nos ensinam, alcançamos um novo e mais frutífero nível de ação e emoção. A vida adquire um sentido mais nobre. Vislumbramos novas realidades; percebemos a qualidade de amor que nos faz enxergar que mais vale dar do que receber. Estas são as razões pelas quais cremos que Alcoólicos Anônimos pode ser uma nova forma de sociedade
Cada grupo de A.A. é um refúgio seguro. Porém, sempre está rodeado pelo tirano álcool. Como os companheiros de Eddie Rickenbacker, flutuando numa balsa em alto mar, nós, os que vivemos no refúgio de A.A., apegamo-nos uns aos outros com uma determinação tal que o mundo raramente pode compreender.
A anarquia do indivíduo vai desaparecendo. Se desvanece o egoísmo e a democracia se converte em realidade. Começamos a conhecer a verdadeira liberdade de espírito. Tornamo-nos, cada vez mais, conscientes de que tudo vai bem; de que cada um de nós pode confiar, incondicionalmente, em quem nos guia com amor desde o nosso interior e desde do alto.

(Artigo escrito por Bill W. para a Grapevine de julho/46)

” PARTICIPAÇÃO COM RESPONSABILIDADE ”

A RESPONSABILIDADE DOS GRUPOS COM OS SERVIÇOS MUNDIAIS
Os grupos de A. A. têm hoje em dia a responsabilidade final e autoridade suprema pelos nossos serviços mundiais. (Conceito I)

A RESPONSABILIDADE DELEGADA (CONFERÊNCIA/ JUNTA DE CUSTÓDIOS)
Em benefício de A. A. como um todo, a nossa Conferência de Serviços Gerais tem a principal responsabilidade de manter os nossos serviços mundiais. Mas a Conferência também reconhece que a principal iniciativa e responsabilidade ativa, na maioria desses assuntos, deveria ser exercida principalmente pelos Custódios, membros da Conferência quando eles atuam entre si como Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos. (Conceito VI)

A RESPONSABILIDADE NO SERVIÇO
Quase todas as sociedades e governos, hoje, apresentam sérios desvios do princípio muito sadio de que cada responsabilidade operacional deve ser acompanhada de uma autoridade correspondente para acompanhá-la. É por isso que temos tido tanto trabalho em discussões precedentes ao definir as autoridades e responsabilidades dos Grupos de A. A., da Conferência, dos Custódios e das nossas corporações de serviço ativo. Tentamos fazer, certamente, com que a autoridade em cada um desses níveis seja igual à nossa responsabilidade. Então tentamos relacionar esses níveis entre si de tal maneira que esse princípio seja mantido completamente. (Conceito X)

A RESPONSABILIDADE COM A AUTO-SUFICIÊNCIA
Para que A. A. possa manter-se livre de quaisquer influências externas, precisamos assumir a responsabilidade com a manutenção dos nossos grupos e organismos de serviços em todos os níveis.
“Os serviços abrangem, desde a xícara de café até a Sede de Serviços Gerais para a ação nacional e internacional. A soma de todos esses serviços é o Terceiro Legado de A. A. Tais serviços são absolutamente necessários para a existência e crescimento de A. A. Aspirando simplicidade, muitas vezes nos perguntamos se poderíamos eliminar alguns dos serviços atuais de A. A. seria maravilhoso não se ter preocupações, nem políticas, nem despesas e nem responsabilidades! Mas isso é apenas um sonho acerca de simplicidade; isso, na verdade, não seria simplicidade. Sem seus serviços essenciais, A. A. se converteria rapidamente numa anarquia disforme, confusa e irresponsável. ” (A. A. Atinge a Maioridade, pg. . 122; 5ª Ed, 2001)

A RESPONSABILIDADE NO SERVIÇO DO GRUPO
“A. A. jamais deverá organizar-se como tal; podemos porém criar juntas ou comitês de serviço diretamente responsáveis perante aqueles a quem prestam serviços” (Nona Tradição)

A RESPONSABILIDADE DOS SERVIDORES DE CONFIANÇA
Não obstante, os grupos de A. A. reconheceram que para os propósitos dos serviços mundiais, a “Consciência de Grupo de A. A.”, como uma totalidade, tem certas limitações. Não pode atuar diretamente em muitos assuntos de serviço porque não está suficientemente informada sobre os problemas em questão. É também verdade que a Consciência de Grupo, durante de muito distúrbio, não é sempre o guia mais seguro, porque temporariamente podem impedir o seu funcionamento de forma inteligente e eficiente. Portanto, quando a Consciência de Grupo não pode ou não deve atuar diretamente, quem deveria atuar no seu lugar? A segunda parte da Segunda Tradição nos dá a resposta quando descreve os líderes de A. A. como “servidores de confiança”. Esses servidores devem estar sempre prontos para fazer pelos Grupos o que os grupos não podem ou não devem fazer por si mesmos.
Conseqüentemente, os servidores tendem a usar as suas próprias informações e julgamento, às vezes a ponto de discordar de uma opinião mal informada ou preconcebida do Grupo.
Portanto, será observado que nos serviços de mundiais de A. A. confiamos numa pequena porém idônea minoria — nos cento e tanto membros da C. S.G. — para atuar como Consciência de Grupo de A. A., em muito dos nossos assuntos dos nossos serviços. Como em outras sociedades livres, confiamos nos nossos servidores (cf. Conceito III), embora sabendo que na eventualidade de falharem nas suas responsabilidades ainda teremos ampla oportunidade para adverti-los ou substituí-los. (Conceito V)

A RESPONSABILIDADE NA RECUPERAÇÃO
“Algumas pessoas se opõem firmemente à posição de A. A. de que o alcoolismo é uma doença. Sentem que esse conceito tira dos alcoólicos a responsabilidade moral. Como qualquer A. A. sabe, isso está longe de ser verdade. Não utilizamos o conceito de doença para eximir nossos membros da responsabilidade. Pelo contrário, usamos o fato de que se trata de uma doença fatal para impor a mais severa obrigação moral ao sofredor, a obrigação de usar os Doze Passos de A. A. para se recuperar”. (Na Opinião do Bill – pág. 32)

A RESPONSABILIDADE NO APADRINHAMENTO
“Todos os padrinhos são necessariamente líderes. Os valores são tão grandes quanto podem ser. Uma vida humana e geralmente a felicidade de toda uma família está em jogo. O que o padrinho diz ou faz, como prevê as reações dos seus afilhados, como controla e se apresenta bem, como faz as suas críticas e como controla bem o seu afilhado, através de exemplos espirituais pessoais – essas qualidades de liderança podem constituir toda a diferença entre a vida e a morte”. (Conceito IX)

A RESPONSABILIDADE COM A TRANSMISSÃO DA MENSAGEM
Quando qualquer um, seja onde for,
estender a mão pedindo ajuda,
quero que a mão de A. A.
esteja sempre ali.
E por isto: Eu sou responsável”.

— Declaração do 30º aniversário
Convenção Internacional de 1965

“(…) O Escritório de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos é muito mais do que o principal portador da mensagem de A. A. ele tem apresentado A. A. ao mundo conturbado em que vivemos. Tem encorajado a propagação de nossa Irmandade em todos os lugares. A. A. World Services, Inc. está pronto para atender às necessidades especiais de qualquer grupo ou indivíduo isolado, seja qual for a distância ou o idioma. Seus muitos anos de acumulada experiência estão disponíveis para todos nós. (…)

Esse é o legado de responsabilidade dos serviços mundiais que nós, os membros mais antigos que vão desaparecendo, estamos deixando a vocês, os A.As de hoje e de amanhã. Sabemos que vocês vão guardar, sustentar e estimar esse legado mundial como a maior responsabilidade coletiva que A. A. já teve. (Bill W. – Na Opinião do Bill, pág. 332)

Isaias

Bibliografia:

– Doze Conceitos para Serviços Mundiais
– Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade
– Doze Passos e Doze Tradições
– Na Opinião do Bill

TRABALHANDO COM O GRUPO DE A. A.

01 – O QUE É UM GRUPO DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

Um Grupo de AA é a menor porção da nossa Irmandade e sua célula básica, sem os Grupos não existiria Alcoólicos Anônimos. Um Grupo de AA deve preencher os seguintes requisitos:

1. Todos os membros do Grupo são alcoólicos;
2. Como Grupo, somos totalmente auto-suficientes;
3. O propósito primordial do Grupo é o de levar a mensagem ao alcoólatra que ainda sofre;
4. Como Grupo não pode haver afiliação ou ligação a coisas externas;
5. Como Grupo não deverá dar opiniões a coisas alheias à Irmandade;
6. Como Grupo a política de relações públicas baseia-se na atração e não na promoção. Seus membros devem manter o anonimato pessoal a nível de imprensa, rádio, televisão e filmes.

02 – TIPOS DE REUNIÕES DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

FECHADA – Somente para alcoólicos são dedicadas à “terapia” dos companheiros. A dinâmica poderá ser estabelecida pelo Comitê Orientador do Grupo ou pelo Coordenador e versará sobre: discussões informais das dificuldades que os companheiros enfrentam para manter a sobriedade, troca de experiências baseadas nos Doze Passos e Doze Tradições, seleciona mento de tópicos específicos tais como: Slogans de AA, os Três Legados, Prece da Serenidade, etc.

ABERTAS – Dedicadas ao esclarecimento a qualquer pessoa interessada sobre AA. Neste caso os oradores serão previamente selecionados e os assuntos pré-escolhidos. Extraordinariamente uma reunião fechada, poderá tornar-se aberta no caso de visita inesperada de pessoas não AA. Nesse caso o Coordenador consultará o Grupo para saber da conveniência de abrir uma reunião fechada.

PÚBLICA – Esta é uma reunião aberta ao grande público e quase sempre para comemorar um evento de AA. Para esta reunião são convidados o público em geral e, especialmente, médicos, psicólogos, assistentes sociais, sacerdotes, etc.

03 – LEMBRETES PARA O COORDENADOR

(Sugestões para uma boa Coordenação)

01. Evite tomar ares de “autoridade”. A função do coordenador é liderar a reunião. Zele pelas Tradições de AA e seja Humilde.
02. Evite bancar o “professor/pregador”, evitando longas dissertações sobre qualquer assunto. Análise e diagnósticos são próprios para médicos.
03. Evite comentários em relação ao depoimento do companheiro, salvo quando for solicitado. Não deprecie nem humilhe, quanto menos tagarela, melhor.
04. Evite interromper o Companheiro, e seja diplomático para manter o tempo.
05. Evite coordenar, se você está tumultuado, mau humorado, deprimido.
06. Preserve a UNIDADE do Grupo com atitudes cordiais e fraternas.
07. Dê exemplo de doação, lembrando-se sempre que da sobriedade de cada um depende a sua própria.
08. Lembre-se que seu Grupo é autônomo, mas está ligado com o todo de AA. Como o seu Grupo, existem mais outros 80.000 espalhados pelo mundo.
09. Lembre-se das palavras do Dr. BOB, “ Mantenha o AA simples”.
10. “ VIVA e DEIXE VIVER “.

04 – SUGESTÕES DE TEMÁTICAS PARA REUNIÕES DO GRUPO

– Os Doze Passos
– As Doze Tradições
– O livro “Alcoólicos Anônimos”
– Os Doze Conceitos
– Oração da Serenidade
– Os “sologans” de AA:
– A) Viva e deixe viver;
– B) Devagar se vai ao longe
– C) Primeiro, as primeiras coisas;
– D) É possível;
– E) Pensei;
– F) Pela Graça de DEUS.
– Os Três Legados: Recuperação, Unidade e Serviço
– O livro “Viver Sóbrio”
– O Manual de Serviço
– Participação e Ação
– Abordagens e apadrinhamento
– Maneiras de levar a mensagem
– Inventário do Grupo
– Responsabilidade
– Sejamos amigos dos nossos amigos
– Aceitação X admissão
– Tolerância
– Nós planejamos a ação, não os resultados
– Princípios X personalidades
– Serenidade e humildade
– Ressentimentos e ódio
– Entendendo o anonimato
– Depressões
– Gratidão e honestidade
– DEUS, como nós O entendemos

05 – ABERTURA DAS REUNIÕES

(Oração da Serenidade e o Preâmbulo de AA)

CONCEDEI-NOS SENHOR,
A SERENIDADE NECESSÁRIA PARA ACEITAR AS COISAS QUE NÃO PODEMOS MODIFICAR,
CORAGEM PARA MODIFICAR AQUELAS QUE PODEMOS,
E SABEDORIA PARA DISTINGUIRMOS UMAS DAS OUTRAS.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS é uma Irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo.

O único requisito para tornar-se membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de AA não há necessidade de pagar taxas ou mensalidades; somos auto-suficientes, graças às nossas próprias contribuições.

AA não está ligado a nenhuma seita ou religião, nenhum partido político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apóia nem combate quaisquer causas.

Nosso propósito primordial é o de mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólatras a alcançarem a sobriedade.

06 – ORIGEM DA ORAÇÃO DA SERENIDADE

Normalmente, toda e qualquer reunião de AA tem início com a Oração da Serenidade, seguida de um momento de silêncio para meditação e logo a seguir com a leitura do Preâmbulo de AA.

A origem da Oração da Serenidade é obscura. Dizem alguns que foi o teólogo e filósofo Boethius, que viveu no século V, autor da “Consolação da Filosofia”, que teria escrito antes de sua morte, após longo período de cativeiro.

Outros creditam-na ao teólogo Reinhold Niebuhr, que teria escrito em 1932, ao término de uma oração maior. Este, entretanto, a credita a um teólogo do Século XVIII, Friedrich Oetinger. O que temos como certo é que a Oração da Serenidade chegou até nós de forma inusitada e acidental.

Ruth Hock, a primeira Secretária do GSO de New York, estava trabalhando em 1941, quando Jack C. apareceu com o jornal “Herald Tribune” onde, , na coluna dos obituários, foi encontrada a Oração da Serenidade, ali incluída sem maiores explicações. Foi o quanto bastou para, por sua extrema simplicidade, mas profunda racionalidade, ser imediatamente adotada por Alcoólicos Anônimos. A versão original publicada no “Herald Tribune” dizia: “ Mamãe, DEUS, conceda-me a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso modificar, coragem para modificar as coisas que eu possa e sabedoria para conhecer a diferença. Adeus”. (Do livro “Pass it On”, páginas: 252/258)

07 – OS DOZE PASSOS

DOZE PASSOS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

01- Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.
02- Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.
03- Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.
04- Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.
05- Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.
06- Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
07- Humildemente, rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.
08- Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.
09- Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando faze – las significasse prejudicá-las ou a outrem.
10- Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
11- Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade.
12- Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.

08 – OS DOZE PASSOS – RECUPERAÇÃO

A prática dos Doze Passos é condição primordial para a recuperação do alcoólico, cuja obtenção é, por sua vez, um processo pelo qual o equilíbrio emocional conduzirá o companheiro a uma vida feliz e útil, livrando-o das tensões, ansiedades, depressões e compulsões as mais diversas. Os Doze Passos são um conjunto de princípios espirituais, não necessariamente religiosos, mas baseados na ética, na moral e em ensinamentos universalmente transmitidos por todas as denominações religiosas. Os Doze Passos foram desenvolvidos a partir da dura realidade e evidência de que havíamos perdido nossa força e nossa vontade em relação ao álcool e de que somente um Poder Superior a nós mesmos poderia nos reconduzir ao equilíbrio e à recuperação das nossas vidas. A recuperação individual é a base do triângulo na qual assenta toda a estrutura da nossa Irmandade. No livro “Alcoólicos Anônimos atinge a maioridade”, páginas: 143/144, está descrito como foram elaborados os Doze Passos de AA. Nosso co-fundador BIL, dizia que estes passos era o leme seguro para a sobriedade de qualquer alcoólico, desde que ele fosse bastante honesto consigo mesmo. Os Doze Passos é o nosso primeiro Legado-Recuperação.

09 – AS DOZE TRADIÇÕES

AS DOZE TRADIÇÕES DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

01. Nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar; a reabilitação individual depende da unidade de AA.
02. Somente uma autoridade preside, em última análise, o nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar.
03. Para ser membro de AA, o único requisito é o desejo de parar de beber.
04. Cada grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros Grupos ou a AA em seu conjunto.
05. Cada Grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
06. Nenhum Grupo de AA deverá jamais sancionar, financiar ou emprestar o nome de AA a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à Irmandade, a fim de que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos afastem de nosso objetivo primordial.
07. Todos os Grupos de AA deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora.
08. Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre não profissional, embora nossos centros de serviços possam contratar funcionários especializados.
09. AA jamais deverá organizar-se como tal; podemos, porém criar juntas ou comitês de serviço diretamente responsáveis perante aqueles a quem prestam serviços.
10. Alcoólicos Anônimos não opina sobre questões alheias à Irmandade; portanto, o nome de AA jamais deverá aparecer em controvérsias públicas.
11. Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção; cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, no rádio e em filmes.
12. O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.

10 – AS DOZE TRADIÇÕES – UNIDADE

Alcoólicos Anônimos não é, e jamais deverá ser, uma sociedade formal e hierarquicamente organizada. A sua unidade ao redor do mundo se orienta e se concretiza pela aceitação individual e coletiva de um conjunto de regras de procedimentos conhecido entre nós como as Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos. A prática dessas regras por parte de cada membro e de cada Grupo de AA tem conseguido manter a Irmandade dentro de um padrão de unidade jamais experimentado por qualquer sociedade semelhante; exemplo de obediência voluntária, não conseguida por temor de punições, portanto sem a obrigatoriedade de corrente de uma disciplina hierarquizada.
A consciência de cada membro e de cada Grupo é o seu próprio juiz. Nenhum de nós, membro do Grupo, é uma ilha isolada. Somos, em vontade e consciência, um só continente, embora de muitas terras, línguas e crenças diferentes.

EU SOU RESPONSÁVEL …

Quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda,
Quero que a mão de AA esteja sempre ali.

E PARA ISTO: EU SOU RESPONSÁVEL

11 – OS DOZE CONCEITOS PARA SERVIÇOS MUNDIAIS

01. A responsabilidade final e a autoridade suprema pelos serviços mundiais de AA deveriam sempre recair na consciência coletiva de toda a nossa Irmandade.
02. Quando, em 1955, os Grupos de AA confirmaram a permanente Ata de Constituição da sua Conferência de Serviços Gerais, eles, automaticamente, delegaram à Conferência completa autoridade para a manutenção ativa dos nossos serviços mundiais e assim tornaram a Conferência – com exceção de qualquer mudança nas Doze Tradições ou no Artigo 12 da Ata de Constituição da Conferência – a verdadeira voz e a consciência efetiva de toda a nossa Sociedade.
03. Como um meio tradicional de criar e manter uma relação de trabalho claramente definida entre os Grupos de AA e as suas diversas corporações de serviços, quadros de funcionários, comitês e executivos, assim assegurando as suas lideranças efetivas, é aqui sugerido que dotemos cada um desses elementos dos serviços mundiais com um tradicional “Direito de Decisão”.
04. Através da estrutura da nossa Conferência, deveríamos manter em todos os níveis de responsabilidade um tradicional “Direito de Participação”, tomando cuidado para que a cada setor ou grupo de nossos servidores mundiais seja concedido um voto representativo em proporção correspondente à responsabilidade que cada um deve ter.
05. Através de nossa estrutura de serviços mundiais, deveria prevalecer um tradicional “Direito de Apelação”, assim nos assegurando de que a opinião da maioria seja ouvida e de que as petições para a reparação de queixas pessoais sejam cuidadosamente consideradas.
06. Em benefício de A. A. como um todo, a nossa Conferência de Serviços Gerais tem a principal responsabilidade de manter os nossos serviços mundiais e, tradicionalmente, tem a decisão final nos grandes assuntos de finanças e de normas de procedimento em geral. Mas a Conferência também reconhece que a principal iniciativa e a responsabilidade ativa, na maioria desses assuntos, deveria ser exercida principalmente pelos Custódios, membros da Conferência, quando eles atuam entre si como Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos.
07. A Conferência reconhece que a Ata de Constituição e os Estatutos da Junta de Serviços Gerais são instrumentos legais e que os Custódios têm plenos poderes para administrar e conduzir todos os assuntos dos serviços mundiais de Alcoólicos Anônimos. Além do mais, é entendido que a Ata de Constituição da Conferência não é por si só um documento legal, mas pelo contrário, ela depende da força da tradição e do poder da bolsa de AA para efetivara sua finalidade.
08. Os Custódios da Junta de Serviços Gerais atuam em duas atividades principais: a) com relação aos amplos assuntos de normas de procedimentos e finanças em geral, eles são os principais planejadores e administradores. Eles e os seus principais Comitês dirigem diretamente esses assuntos; b) mas com relação aos nossos serviços, constantemente ativos e incorporados separadamente, a relação dos Custódios é principalmente aquela de direito de propriedade total e de supervisão de custódia que exercem através de sua capacidade de eleger os diretores dessas entidades.
09. Bons líderes de serviços, bem como métodos sólidos e adequados para a sua escolha, são em todos os níveis indispensáveis para o nosso funcionamento e segurança no futuro. A liderança principal dos serviços mundiais, exercida pelos fundadores de AA, deve, necessariamente, ser assumida pelos Custódios da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos.
10. Toda a responsabilidade de serviço deveria corresponder a uma autoridade de serviço equivalente – a extensão de tal autoridade ser sempre bem definida, seja por tradição, por resolução, por descrição específica de função ou por atas de constituição e estatutos adequados.
11. Enquanto os Custódios tiverem a responsabilidade final pela administração dos serviços mundiais de AA eles deverão ter sempre a melhor assistência possível dos comitês permanentes, diretores de serviços incorporados, executivos e quadro de funcionários e consultores. Portanto, a composição desses comitês subordinados e juntas de serviços, as qualificações pessoais dos seus membros, o modo como são introduzidos dentro do serviço, os seus sistemas de revezamento, a maneira como eles são relacionados uns com os outros, os direitos e deveres especiais dos nossos executivos, quadros de funcionários e consultores, bem como uma base própria para a remuneração desses trabalhos especiais, serão sempre assuntos para muita atenção e cuidado.
12. As Garantias Gerais da Conferência: em todos os seus procedimentos, a Conferência de Serviços Gerais observará o espírito das Tradições de AA, tomando muito cuidado para que a Conferência nunca se torne sede de riqueza ou poder perigosos; que suficientes fundos para as operações mais uma ampla reserva sejam o seu prudente princípio financeiro; que nenhum dos membros da Conferência nunca seja colocado em posição de autoridade absoluta sobre qualquer um dos outros; que todas as decisões importantes sejam tomadas através de discussão, votação e, sempre que possível, por substancial unanimidade; que nenhuma ação da Conferência seja jamais pessoalmente punitiva ou uma incitação à controvérsia pública; que, embora a Conferência preste serviço a Alcoólicos Anônimos, ela nunca desempenhe qualquer ato de governo e que, da mesma forma que a Sociedade de Alcoólicos Anônimos a que serve, a Conferência permaneça sempre democrática em pensamento e ação.

12 – OS DOZE CONCEITOS PARA SERVIÇOS MUNDIAIS
SERVIÇO

Os Doze Conceitos para Serviços Mundiais e o Manual de Serviço de AA é, fundamentalmente, todo trabalho e esforço desenvolvidos no sentido de trazer o alcoólatra que ainda sofre ao convívio da Irmandade. Em outras palavras, e de forma mais objetiva, podemos dizer que Serviço é “abordagem”. Lembremos porém, que o serviço se baseia na atração e jamais na promoção. Para que o conjunto de trabalhos e esforços se realizem de forma harmoniosa e uniforme, dentro dos princípios gerais de Alcoólicos Anônimos, necessário se torna conceituá-los quanto à sua forma e desenvolvimento. É aconselhável, senão necessário, que cada membro e cada Grupo de AA conheçam “Os Doze Conceitos para o Serviço Mundial”, um dos textos da literatura de AA editado pelo CLAAB.

A exemplo de outros países onde os trabalhos de AA foram organizados segundo suas próprias características e necessidades, no Brasil a sua estrutura de serviços está organizada segundo o estabelecido em um Manual de Serviços aprovado pela Conferência de Serviços Gerais e em obediência aos princípios gerais de AA. Mundial. O Manual é, pois, guia e ensinamento, e cada Grupo deve ter um exemplar dessa verdadeira ferramenta de trabalho.

13 – A 7a. TRADIÇÃO: AUTO-SUFICIÊNCIA

(A Independência de AA como Instituição)

É costume no Brasil fazer-se um intervalo nas reuniões fechadas para o tradicional cafezinho, aproveitando-se esta ocasião para “correr a sacola”.

É sugerido que o Coordenador lembre aos presentes a importância do nosso princípio da Auto-Suficiência. Vamos ajudá-lo no esclarecimento dessa Tradição de AA.

Um dos principais, senão o principal motivo do respeito e da administração que a sociedade em geral tem por Alcoólicos Anônimos é a sua independência financeira. A nossa Irmandade, não dependende dos cofres públicos nem da ajuda de instituições e de pessoas não-alcoólicas, tem conseguido manter, com dignidade, os seus princípios e fazê-los respeitados por governos, pessoas e instituições. A auto-suficiência de AA como um todo, começa na de cada Grupo que a compõe. E a de cada Grupo, na sacola de cada reunião. Durante muitos anos, e até mesmo nos dias atuais, mantivemos um discurso inconseqüente, dizendo ao recém-chegado que “em AA não é preciso dar dinheiro, pois somos auto-suficientes” A inconseqüência de tão contraditório discurso nos conduziu a que tenhamos hoje não apenas uma, mas pelo menos quatro gerações de companheiros erradamente informados, e por isso educados na irresponsabilidade quanto a necessidade da sua contribuição. Quando acordamos para esta realidade estávamos cercados de necessidades por todos os lados, em rota de colisão com a insolvência de nossos principais organismos de trabalho. Precisamos mudar este discurso e corrigir esta má educação.

O Plano 60-25-15, significa: 60% da arrecadação da sacola para as despesas do Grupo, 25% para a Central de Serviços ou Intergrupal e 15% para o Escritório de Serviços Gerais.

14 – ABORDAGEM

O seu Grupo, a exemplo dos demais Grupos em todo o mundo, é animado de um único propósito primordial: o de transmitir ao alcoólatra que ainda sofre a mensagem de Alcoólicos Anônimos. Está na Quinta Tradição. A transmissão dessa mensagem pode ser feita de maneira diversas, sendo a mais comum a “abordagem” cara a cara, aquela feita individualmente pelo membro que transmite sua experiência a um alcoólatra na ativa. Outra, a coletiva, feita nos serviços em hospitais, empresas e em instituições correcionais ou ainda em reuniões públicas. Em todos estes casos deve ser usada a atração em vez da promoção.

Quando o Grupo não dispuser de um Comitê de Abordagem, o Coordenador do Grupo deve pedir a um dos membros que faça a abordagem, cujo pedido tenha chegado ao Grupo, normalmente por intermédio da Central, da Intergrupal e mesmo por pedido direto de pessoas não-alcoólicas. Convém registrar esse pedido no resumo de ata da reunião, a fim de ser informado se a abordagem foi feita ou não, dando ciência ao solicitante. Na abordagem indireta, feita de forma sugestiva na reunião pública, tenha sempre presente que AA é uma instituição leiga, não profissional e que apesar dos altos índices de recuperação alcançado pela Irmandade, esta não é senão uma opção com a qual o indivíduo ou a sociedade pode contar para a solução do alcoolismo. O alcoólatra abordado não é obrigado a tornar-se membro de AA, mas nós, membros da Irmandade, somos responsáveis pela transmissão da mensagem de Alcoólicos Anônimos, até porque é assim que mantemos a nossa própria sobriedade.

15 – INGRESSO / APADRINHAMENTO

Usualmente o Coordenador deixa para fazer o ingresso do visitante ou do abordado mais para o final da reunião fechada, quando o provável ingressante teve oportunidade de ouvir os vários depoimentos de companheiros mais antigos, nos quais é enfatizado o alcoolismo como doença, o programa de AA e os seus princípios, etc. Não é conveniente constranger o visitante a fazer-se membro de AA, mas deixá-lo à vontade quanto a esta decisão, que poderá ser tomada até mesmo em outra reunião. Lembre-se: AA é uma opção.

Tomada a decisão, o novo membro poderá escolher um(a) dos(as) companheiros(as) presentes para ser o seu padrinho ou madrinha. Pode ocorrer que esta escolha imediata decorra do fato do ingressante já ser conhecido do seu padrinho ou madrinha. No caso de não serem conhecidos, é conveniente que o Coordenador apenas indique um dos presentes para entregar-lhe a ficha de ingresso – se este for o costume do Grupo – e deixe ao ingressante escolher futuramente o seu padrinho ou madrinha, aquele ou aquela com que mais “afinou” no decorrer de algumas outras reuniões. Sendo o 1o. Passo essencial para a tomada de decisão do visitante, sugere-se que um dos membros mais antigos do Grupo verse seu depoimento pessoal sobre esse importante passo. Lembre-se, nenhum membro do Grupo deve fazer pressão para a permanência do visitante.

No folheto “Perguntas e Respostas Sobre Apadrinhamento”, você encontrará respostas para qualquer dúvida porventura existente. O melhor exemplo de relacionamento entre padrinho e afilhado é o caso de BILL e Dr. BOB, nossos co-fundadores. Com base neste exemplo, podemos dizer que o Apadrinhamento é a realização prática e vivida, em toda a sua extensão das palavras: amigo, companheiro e confidente.

16 – ENCERRAMENTO DA REUNIÃO

Qualquer reunião, seja fechada, aberta ou pública, deve ser encerrada com a Oração da Serenidade ou Pai Nosso. Nas reuniões abertas e públicas o Coordenador, ante o encerramento, deve agradecer a presença dos convidados não-alcoólicos, citando, na oportunidade, nominalmente, aqueles convidados especiais que não estiveram presentes na abertura. Nas reuniões fechadas agradece aos companheiros a ajuda recebida para o bom andamento da reunião, assim como pela contribuição na sacola. Orienta sobre a próxima reunião e pede a quem esteja secretariando que leia a correspondência recebida, o resumo da reunião e o movimento de caixa, alertando aos companheiros a necessidade das contribuições na sacola, para saldar os compromissos financeiros do Grupo. O tesoureiro fornecerá ao Coordenador/Secretário a cada reunião, o valor desses compromissos monetários.

Após a Oração da Serenidade ou Pai Nosso, pede aos presentes observarem um instante de silenciosa reflexão. Nesta oportunidade os companheiros religiosos poderão fazer, em silêncio, qualquer outra oração do seu credo religioso, respeitando, assim, os companheiros de outra ou de nenhuma denominação religiosa.

17 – DADOS HISTÓRICOS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

Como nós sabemos, Alcoólicos Anônimos começou em 1935 na cidade norte-americana de Akron, Estado de CHIO, resultante do encontro de BILL W. , corretor da Bolsa de Valores de New York e o médico cirurgião de Akron, Dr. BOB, ambos considerados casos perdidos de alcoólatras. Nossos dois co-fundadores permaneceram sóbrios até a morte, graças ao trabalho que eles desenvolveram junto a outros alcoólatras, descobrindo assim, desde o início, que para sair do egocentrismo, característica marcante da personalidade de todo alcoólatra, seria necessário pensar em outro ser humano, para sair de si mesmo. Compreenderam que para se manterem sóbrios, este estado de felicidade e utilidade, deveria ser compartilhado com outros alcoólatras sofredores. BILL e BOB, juntamente com outros alcoólicos em recuperação, conseguiram nos primeiros anos da nossa Irmandade, os seguintes resultados:

1935 – 5 membros
1936 – 15 membros, aumento de 200%
1937 – 40 membros, aumento de 170%
1938 – 100 membros, aumento de 150%
1939 – 400 membros, aumento de 300%
1940 – 2000 membros, aumento de 400%
1941 – 8000 membros, aumento de 300%
(Dados do livro AA Atinge a maioridade)

Dados fornecidos pelo GSO de New York, nos diz que a 1o. de janeiro de 1986, tínhamos:
69.019 Grupos de Alcoólicos Anônimos espalhados pelo mundo todos, sendo que 38.285, somente nos Estados Unidos e Canadá, e que o número de membros ativos, era de 1.446.000.

18 – SUGESTÕES PARA COORDENAÇÃO DE REUNIÕES

(GUIAS DE AA)

Estes guias estão baseados na experiência dos membros de AA que trabalham nos diversos campos de serviço. Também refletem o espírito das Doze Tradições e das recomendações da Conferência de Serviços Gerais. De acordo com nossa Tradição de autonomia, exceto em assuntos que afetem outros Grupos ou AA como um todo, a maioria das decisões se toma por meio da consciência coletiva dos membros participantes. O propósito deste Guia é ajudar a tornar esclarecida uma consciência coletiva.

Com o objetivo de atender um anseio de nossa Irmandade, apresentamos uma sugestão para coordenação de reuniões de um Grupo de AA. O bom andamento de uma reunião em um Grupo de AA, qualquer que seja ela, depende do discernimento, do conhecimento e do bom senso do Coordenador (O famoso “jogo de cintura”). Portanto, estamos relacionando, após a sugestão de roteiro, algumas sugestões para balizar o comportamento do Coordenador durante uma reunião. Cada Grupo utilizará aquilo que lhe for conveniente, para elaborar o roteiro para coordenação de suas reuniões.

COORDENAÇÕES DE REUNIÕES – ROTEIRO

ABERTURA:

Boa noite (ou bom dia, boa tarde) a todos. Sejam bem-vindos a mais uma reunião de Alcoólicos Anônimos no Grupo(mencionar o nome do Grupo onde esta ocorrendo a reunião).
Meu nome é(mencionar o nome de quem esta coordenando a reunião) e sou alcoólatra (ou alcoólico(a)).
Alcoólicos Anônimos é uma Irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, afim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo.
O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de AA não há necessidade de pagar taxa ou mensalidades, somos auto-suficientes, graças as nossas próprias contribuições.
Alcoólicos Anônimos não está ligado a nenhuma seita ou religião, nenhum partido político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apóia nem combate quaisquer causas.
Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade.
Embora Alcoólicos Anônimos não esteja ligado a nenhuma seita ou religião, temos por costume começar e terminar as reuniões de AA no mundo todo com uma breve invocação, conhecida por nós como Oração da Serenidade, e convido a todos que quiserem que me acompanhem, após um instante de silêncio.
ORAÇÃO DA SERENIDADE:

Concedei-nos, Senhor, a SERENIDADE necessária
Para aceitar as coisas que não podemos modificar.
CORAGEM, para modificar aquelas que podemos e
SABEDORIA para distinguir umas das outras.

PARA SER LIDO, SE FOR OPORTUNO, DE ACORDO COM O TIPO DE REUNIÃO:

Esta é uma reunião ABERTA e podem assistir a ela pessoas não alcoólicas, nossos familiares, amigos ou quaisquer outras que queiram conhecer nosso programa de recuperação.

Esta é uma reunião de Serviço (ou Administrativa) para tratar de assuntos de interesse do Grupo. Ela é FECHADA e somente para membros de AA.
Outros tipos de reunião serão anunciadas, de acordo com a disposição do Grupo de realizá-las.

Nesta reunião ouviremos alguns depoimentos de membros de AA. Aquele que estiver dando seu depoimento merece de nós toda consideração e respeito. Lembramos que os depoimentos são pessoais e não refletem necessariamente a opinião da Irmandade de Alcoólicos Anônimos como um todo.

NOTA: As pessoas que chegam pela primeira vez deverão ser tratadas de acordo com o que determina a consciência coletiva do Grupo e com os princípios de Aa. Se o visitante estiver alcoolizado e o Coordenador da Reunião achar por bem ceder a palavra, poderá faze – lo. Se o visitante for um profissional, deverá ser-lhe dada toda atenção, pois poderemos ter a oportunidade de apadrinhar um futuro amigo de AA. O Grupo poderá dispor de algum tempo para transmitir recados do RSG, CTO, ou outro servidor. Poderá faze – lo antes ou depois do intervalo para o café, ou quando suas consciência coletiva determinar.

SÉTIMA TRADIÇÃO
(Para ser lido antes do intervalo para o café)

Nossa Sétima Tradição diz: “Todos os Grupos de AA deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora”. Para cumprir essa Tradição passamos uma sacola entre os presentes. Esse dinheiro é utilizado para cobrir as despesas de nosso Grupo, para distribuição gratuita de literatura e para manutenção dos Órgãos de Serviço de AA.
Agora convido todos a saborearem um cafezinho.
NOTA: Após o intervalo para o café, a reunião segue normalmente.

ENCERRAMENTO:

TERCEIRA TRADIÇÃO

“Para ser membro de AA o único requisito é o desejo de parar de beber”. Se houver alguém presente com o desejo de fazer parte de nossa Irmandade, considere-se membro. Ao final da reunião procure o Coordenador ou outro servidor, para receber folhetos informativos sobre AA.
NOTA: Embora não existam formalidades para o ingresso de membros em AA, alguns Grupos ainda utilizam a entrega de fichas aos novatos. Como em qualquer outro assunto, aqui também prevalece o que determinar a consciência coletiva de cada Grupo.

ANONIMATO:

Nossas Tradições de Anonimato dizem o seguinte:
Décima Primeira: “Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção;cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na impressa, no rádio e em filmes”.
Décima Segunda: “O anonimato é o alicerce espiritual de nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades”.

Embora nenhum membro de AA deva jamais revelar a ligação de qualquer outro membro com a Irmandade, Alcoólicos Anônimos não deve ser mantido secreto ou como movimento clandestino. Havendo necessidade, deveríamos estar dispostos a nos identificar como membros de AA, se com isso pudermos estar ajudando alguém.
NOTA: Sobre esse assunto, talvez seja oportuno termos a mão o seguinte lembrete:

“Quem você viu aqui,
o que você ouvir aqui,
quando você sair daqui,
deixe que fique aqui”.

Chegamos ao término de mais uma reunião nesse Grupo. Nossa Sacola somou R$ e tivemos a presença de … companheiros(as)

PARA SER LIDO QUANDO TIVERMOS NOVATOS NA SALA.

Pedimos aos recém-chegados que não deixem levar por qualquer má impressão causada por esta reunião. Visitem-nos mais vezes, pois assim entenderão melhor nossa programação. E tenham certeza de que serão sempre bem-vindos.

Agradecemos a presença de todos e aproveitamos para convidá-los para nossa próxima reunião que será dia(falar o dia da semana) às (falar o horário).
Para encerrar nossa reunião, convido a todos que quiserem que me acompanhem, após um instante de silencia, na

ORAÇÃO DA SERENIDADE

Concedei-nos, Senhor, a SERENIDADE necessária
Para aceitar as coisas que não podemos modificar.
CORAGEM para modificar aquelas que podemos e
SABEDORIA para distinguir umas das outras.

Boa noite (ou bom dia, boa tarde) e muito obrigado a todos.

19 – ALCOOLISMO

O uso de álcool é conhecido desde os tempos bíblicos, mas passou a ser estudado em 1856 na Suécia pelo especialista, MANGOS-HUS, que aliás, é o autor da expressão “ALCOOLISMO”, que designa uma doença caracterizada pela dependência física e psíquica do álcool.
Em 1935, BIL e o Dr. BOB, realizaram a primeira reunião dos Alcoólicos Anônimos, pôr admitirem que também eram impotente perante o álcool, daí então resolveram conscientizar outros Alcoólatras que realmente os mesmos precisavam de ajuda pôr se tratar de uma doença, e não mais pararam com este trabalho. Com isso, espalhou-se pelo mundo todo, grupos de ajuda a todos que sofriam com o problema do alcoolismo e fazendo sofrer a todos que os rodeavam, principalmente os seus familiares, surgindo assim: GRUPOS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS – AA.
O alcoolismo, é uma doença que se manifesta com pequenas doses ingeridas, chegando ao ponto da pessoa perder o controle sobre ela.

Problemas sociais: desajuste no lar, separação conjugal, perda do emprego, incapacidade de desempenhar papéis sociais, endividamento, acidente de trânsito, homicídios, suicídios, demandas legais como: perdas dos filhos por exemplo e as amizades, pois a mesma sociedade que os incentiva a beber é a mesma que os descrimina expulsando-os de seu meio, principalmente no meio FAMILIAR e tornando-se assim um zero a esquerda perante a todos.

Doença física: hepatite, cirrose hepática, depressão, frequência cardíaca acelerada, hipertensão, insônia, pancreatite, gastrite e úlceras estomacal e duodenais, redução da coordenação motora, impotência sexual, lesões celebrais, diabete e outras.
É uma doença progressiva e de fins fatais e, se não for tratada, com o passar do tempo compromete a saúde física e mental do indivíduo.

Em resumo: A progressão da doença vai da perda da auto estima, a desagregação da família, a perda do emprego, ao comprometimento orgânico até a internação hospitalar e FINALMENTE, A MORTE.

Não esqueça ainda que a bebida para muitos, é a porta de entrada para as drogas mias fatais, levando ainda mais rápido ao caminho de tudo que foi citado acima!
Se você quer ou tem alguém que quer receber ajuda, procure um Grupo de AA.

“SE FOR DE SUA PRÓPRIA INICIATIVA, NÓS ESTAMOS DE BRAÇOS ABERTOS PARA AJUDAR E TAMBÉM SER AJUDADO”.

20 – DOZE SUGESTÕES PARA UMA BOA COORDENAÇÃO

01- Evite tomar ares de “autoridade”. Lembre-se que a função do Coordenador ao liderar a reunião, é zelar pelas Tradições de AA. E as Tradições de AA baseiam-se na HUMILDADE. Portanto procure mentalizar o velho ditado: “que comece por mim”.
02- Antes de aceitar uma coordenação, faça um minucioso inventário moral de si mesmo e veja se está em condições de assumi-la. Sobriedade é um estado de espírito que se transmite e um Coordenador tumultuado ou mal-humorado pode contagiar todo o Grupo.
03- Existe querer bancar o “professor” ou “pregador”. Lembre-se que a cadeira de Coordenador não é tribuna, que uma reunião de AA não é sala de aula e que seus companheiros não são alunos.
04- Não faça análises ou diagnósticos dos companheiros. Esse direito não compete a nós membros de AA. Procure inteirar-se do folheto.”AA em sua Comunidade”.
05- Não faça comentários em relação ao depoimento dos companheiros, salvo quando for solicitado pelo depoente, ou se isso se tornar absolutamente necessário para ajudar, nunca para depreciar ou humilhar. Quanto menos o Coordenador “tagarelar” melhor a reunião.
06- Evite interromper o companheiro, mesmo que ele esteja “falando demais”. Em alguns Grupos o tempo é limitado e você poderá depois falar livremente.
07- Evite dialogar com os companheiros, salvo se a reunião for informal isso, porém, não significa que você não possa perguntar aos novos como estão passando o dia-a-dia.
08- Procure estar sempre atento durante todo o tempo em que transcorrer a reunião. Atento com os que falam, com os que ouvem e também com os que chegam. Alguém pode estar “tumultuando” e, talvez, precisando desabafar.
09- Jamais abuse do direito que o Grupo lhe concedeu ao confiar-lhe a liderança de sua reunião. Procure não criticar o depoimento do companheiro. Lembre-se que você é um simples servidor e, como tal, deve ser sempre um fiel servidor no Grupo.
10- Procure inteirar-se, se a reunião é “aberta” ou “fechada” e se a palavra deve ser “dirigida” ou apenas “franqueada”. Não se esqueça dos novos, dos recém-chegados e dos visitantes, já que geralmente têm algo de novo para nos transmitir. Lembre-se de que uma reunião “aberta” deixa de ser do Grupo para ser de AA, como um todo e que nosso programa é de atração e não de promoção. Dizem que todo alcoólico é inteligente. Como tal, um Coordenador deve ser membro de AA – um alcoólico portanto.
11- Evite dirigir a reunião a seu bel prazer. Deixe que tudo transcorra naturalmente e que cada um fale livremente. Em AA cada um fala de si.
12- Não complique! A UNIDADE do Grupo deve ser preservada a todo instante e o Coordenador é o guardião dessa UNIDADE. Portanto, é bom lembrar o que diz nossa Primeira Tradição – “ O bem-estar coletivo deve estar em primeiro lugar”. Lembre-se das últimas palavras do Dr. BOB: “MANTENHA AA SIMPLES”.

COMO MELHORAR SUA COMUNICAÇÃO NO GRUPO

Siga sua intuição
Em reunião de Recuperação, determine quando quer falar ou permaneça em silêncio. Procure, em depoimento, transmitir o que lhe parece importante no momento, tendo em vista o assunto em andamento e suas necessidades. Procedendo desta maneira, você vai se conscientizar de que está em você a livre decisão e a responsabilidade de utilizar este tempo da maneira que o fizer. Vai doer apenas em você se deixar de aproveitar este momento.
Não se preocupe em agradar aos outros com o que você vai dizer. Diga simplesmente o que você considera necessário e importante para si mesmo. Os outros também seguirão as suas intuições e poderão dizer se pensam diferente.
Não fique ausente
Um “ausente” não perde apenas a possibilidade de realização própria dentro do grupo, como também significa uma perda para o grupo todo. Impossibilitado de participar de uma discussão, sentindo-se entediado, com raiva, procure interromper e colocar seus sentimentos. No momento em que se consegue superar uma interrupção dessas, ou se recomeça a discussão com maior clareza ou se parte para um assunto de maior importância.
Seja direto
Se quer comunicar alguma coisa a alguém do grupo, dirija-se diretamente a essa pessoa, mostre-lhe com o olhar que é a ela que você está se referindo. Não fale com terceiros sobre um outro e também não fale para o grupo quando, na verdade, está se dirigindo a uma pessoa em especial.
Use ‘eu’ no lugar de ‘nós’ ou ‘a gente’
Evite falar em nós ou na gente pois você pode estar se escondendo atrás dessas palavras, não querendo arcar com a responsabilidade do que está dizendo. Mostre-se pessoalmente, fale EU. Além de tudo, se você usar “nós” ou “a gente” estará envolvendo outros sem saber se eles concordam com o que está sendo dito.
Dê sua opinião, evite perguntas
Quando fizer uma pergunta, esclareça porque a está fazendo. Perguntas, muitas vezes, são um método de não se mostrar a si próprio ou a sua opinião. Além disso, perguntas podem soar como inquisidoras, muitas vezes são isso mesmo, e acabam encurralando o outro. Expressando sua opinião claramente é muito mais fácil para o outro associar-se ao seu modo de pensar.
Experimente novas posturas
Indague-se: Revelo em minha postura o que realmente quero transmitir, ou na verdade gostaria de portar-me de maneira diferente?
Procure, algumas vezes, experimentar novas posturas. Arrisque-se aos arrepios que isto causará, eles são um bom sinal de que você de fato está experimentando uma nova postura.
Atente para os avisos de seu corpo
Para descobrir o que você no momento realmente sente e quer, ouça o que diz o seu corpo. O corpo pode contar, muitas vezes, mais sobre nossos sentimentos e necessidades do que a nossa cabeça.
Forneça “feed back” – retornos
Se a postura de um companheiro do grupo lhe causar sentimentos agradáveis ou desagradáveis, comunique isso logo a ele e não, mais tarde, a um terceiro. Ao dar “feed back”, fale simplesmente dos sentimentos que o comportamento do outro desencadeou em você. Tente descrever a ação do outro de maneira concreta e precisa para que ele possa entender qual o comportamento que causou em você tais sentimentos. Deixe em aberto a questão de quem é o “culpado” dos sentimentos que você sente. Você não precisa, para isso, de fatos objetivos ou de provas, seus sentimentos subjetivos são o bastante, pois você tem direito inalienável a eles.
Receba “feed back’ – retornos”
Se receber resposta sobre o que falou, não tente logo se defender e nem esclarecer as coisas. Saiba que não estão sendo passados fatos objetivos, isso nem é possível, mas sim sentimentos subjetivos do outro. Alegre-se que o seu interlocutor fale de seu problema a você, o problema que ele tem com você. Procure ouvir calmamente, para poder verificar se de fato está entendendo o que ele está lhe dizendo.
Falar um de cada vez
Apenas um deve falar de cada vez. Quando várias pessoas querem falar ao mesmo tempo é preciso encontrar uma alternativa para essa situação.

(Artigo traduzido e adaptado da revista alemã AA INFORMATIONEN, edição de março de 1993)
Vivência n° 29 – MAIO/JUNHO DE 1994

1° Ciclo dos Doze Conceitos Para SERVIÇOS MUNDIAIS
APRESENTAÇÂO
“ CRESCIMENTO E LIDERANÇA A PARTIR da INTERPRETAÇÂO E ESTUDO Dos CONCEITOS”.
AUTORIA :-WILMA –DF

“ TRADUZEM os “DOZE CONCEITOS PARA SERVIÇOS MUNDIAIS”,UM número de Princípios que se tornaram tradicionais nos nossos serviços .São uma Interpretação da estrutura de serviços mundiais de A.A.,que mostram a evolução pela qual eles chegaram á sua forma atual .EM Síntese ,pretendem os Conceitos registrar o “ porquê” da nossa estrutura de tal maneira que a valiosa Experiência do Passado e as lições tiradas dessa Experiência Nunca devam ser esquecidas ou perdidas”

“ Os Conceitos tentam apresentar uma Estrutura na qual todos possam trabalhar em prol de bons resultados com o mínimo de atritos .”
“ CADA Conceito é um grupo de Princípios relacionados ,que se inicia dando aos Grupos De A.A. a Responsabilidade Final e a Autoridade Suprema pelos nossos Serviços Mundiais ,consubstanciadas pelas Razões centralizadas na SEGUNDA TRADIÇÂO .”

“ Para conseguir a ação eficiente , os Grupos precisam delegar uma Autoridade operacional ,escolhendo que tenham plenos poderes para falar por e atuar por eles , onde a CONSCIÊNCIA de Grupo possa ser ouvida .È onde identificamos o Princípio da ampla Autoridade e Responsabilidade delegadas aos “servidores de Confiança”, respeitando-se a clara Tradição Dois DE A.A. transferindo-se para a Conferência de Serviços Gerais De A.A. .,a Verdadeira voz ativa e a Consciência efetiva de toda a nossa Irmandade “.
“Para que em todos os níveis possa haver um Equilíbrio contínuo no relacionamento perfeito entre a Autoridade Suprema e a Responsabilidade delegada , atitudes teriam que ser definidas . O “ Direito de DECISÂO “dá aos nossos Líderes de Serviço uma discrição adequada e Liberdade de Ação , competindo-lhes dentro do Sistema dos seus Deveres e Responsabilidades , a ação de como eles podem interpretar e aplicar a sua própria autoridade e responsabilidade para cada problema ou situação em particular , conforme elas aparecem .Essa espécie de Liderança moderada deveria ser a essência do “ DIREITO de DECISÂO”.
“ Todos nós desejamos profundamente tomar parte . “Queremos um relacionamento de A.A. em SOCIEDADE IRMANADA ..” È o nosso ideal mais importante , que a união espiritual de A.A. nunca inclua membros Considerados de Segunda Classe”
“ O Direito de Participação é um corretivo a autoridade Suprema , porque atenua as suas asperezas ou o seu mau emprego .” O Direito de Participação dá a cada servidor o direito de Voto de acordo com a sua Responsabilidade .e a Participação garante além do mais que cada junta de serviço ou Comitê tenha sempre a posse de diversos elementos e pessoas com talento e que assegurarão um funcionamento eficiente”.
“ Os Direitos de Apelação “ e de “PETIÇÃO “, certamente , têm em vista o problema total da proteção e melhor aplicação possível dos sentimentos e da Opinião das minorias “.Protege e encoraja a Opinião da Minoria e dá certeza que as queixas podem ser ouvidas e tratadas adequadamente .Acreditamos que jamais estaremos sujeitos à Tirania ,seja das MAIORIAS ou DAS MINORIAS , desde que cuidadosamente definamos o Relacionamento entre elas.”

“ O maior perigo da Democracia sempre será a “ Tirania “de uma Maioria apática ,egoísta ,não Informada ou mal Humorada .Acreditamos que o espírito da Democracia sempre sobreviverá na nossa Irmandade e na Estrutura de nossos Serviços , a despeito dos contra-ataques que serão desfechados . Felizmente, não estamos obrigados a manter uma administração que obrigue obediências e imponha Punições .Precisamos apenas manter no Alto nossas Tradições , que constitua e exerça as
nossas diretrizes nelas contidas, de maneira a levar continuamente a nossa Mensagem àqueles que sofrem.”
“ São os custódios que garantem a boa administração da Junta de Serviços Gerais,tendo Liberdade e de Ação na ausência da Conferência . Deles é esperada uma Liderança da formulação política de A.A .e sua adequada execução .Eles são os guardiões ativos das nossas DOZE TRADIÇÔES .Eles devem funcionar quase exatamente como os Diretores de qualquer organização de Negócios .”
“ Eles precisam ter ampla autoridade para realmente administrar e conduzir os negócios de A.A .simultaneamente compreendendo que a CONFERÊNCIA é o verdadeiro Reduto da Suprema Autoridade Sobre Serviço , por que dessa maneira como Regra geral ,sejam os assuntos sérios sempre resolvidos dentro de uma cooperação harmoniosa e feliz
“ A unificação da Estrutura de Serviços no Brasil deveria ser reavaliada á Luz do Conceito VIII e esperamos que neste ciclo o assunto possa ser abordado com precisão ,esclarecimento e impessoalidade , onde as experiências contidas neste Conceito possam se com as experiências já vivenciadas neste curto espaço de Unificação Dos órgãos de Serviço no BRASIL.” POR outro lado também esperamos que a liderança em A.A. seja um tema apresentado sem distorções e com exemplos de como se tornar ou alcançar esta necessidade Vital Dentro de A.A.”.

“O entendimento mais aprofundado sobre a SEGUNDA TRADIÇÂO poderá nos trazer uma melhor compreensão quando tratarmos das responsabilidades de serviço em A.A. com a sua correspondente autoridade de serviço equivalente , quando tratarmos do DÈCIMO CONCEITO” . PORTANTO ,que em todos os Níveis possamos identificar esta correspondência e assim nossos Grupos sejam melhor informados.”
“ Necessitamos repassar minuciosamente aos grupos a essência e a praticidade do CONCEITO XI,Principalmente sobre que consiste nossa estrutura subordinada de Serviço e sua composição e atribuições á nível de JUNTA”.
“ Questionamento SOBRE o que é a ATA de Constituição da CONFERÊNCIA ,SOBRE o conteúdo do ART.12 da ata da Constituição ou sobre as Garantias GERAIS DA CONFERÊNCIA acontecerão no decorrer deste grandioso evento.”
“ Precisamos ,prezados companheiros[as]estar de mentes e corações abertos e espíritos desarmados para assim alcançarmos mais um pouco além ,daquilo que conhecíamos quando aqui chegamos”
“ a aplicabilidade no dia a dia em nossos grupos ,dos Princípios contidos nos “ DOZE CONCEITOS para SERVIÇOS MUNDIAIS” , dignificará mais e mais o membro , o GRUPO e a nossa gloriosa IRMANDADE .

Fraternalmente,
Lúcio

Felizmente, a nossa Irmandade é abençoada com toda a sorte de liderança verdadeira – o pessoal ativo de hoje e os líderes em potencial de amanhã, de acordo com cada nova geração de membros capazes que vão aparecendo. Temos uma abundância de homens e mulheres cuja dedicação, estabilidade, visão e habilidades especiais os tornam capazes de lidar com qualquer serviço que lhes possa ser designado. Somente temos que procurar esse pessoal e confiar nele para que nos sirva.
Em algum lugar da nossa literatura há uma declaração que diz o seguinte: “Os nossos líderes não dirigem por mandato, lideram pelo exemplo”. Com efeito, dizemos para eles: “Atuem por nós, mas não mandem em nós.”
Um líder no serviço de A.A. é, portanto, um homem (ou uma mulher) que pode pessoalmente colocar princípios, planos e normas em ação de maneira tão delicada e efetiva que leva o resto de nós a querer apoiá-lo e ajudá-lo na sua tarefa. Quando um líder nos guia pela força excessiva, nos revoltamos; mas quando ele se torna um submisso cumpridor de ordens e não usa critério próprio, então ele realmente não é um líder.
Uma boa liderança elabora planos, normas e idéias para melhoramento da nossa Irmandade e seus serviços. Mas nos assuntos novos e importantes, todavia, consultará amplamente antes de tomar decisões e atitudes. Boa liderança também é saber que um excelente plano ou idéia pode vir de qualquer um, de qualquer lugar. Conseqüentemente, uma boa liderança muitas vezes substituirá os seus acalentados planos por outros que são melhores e dará crédito aos seus autores.
A boa liderança nunca se esquiva. Uma vez segura de que tem ou pode obter apoio geral suficiente, ela toma decisões livremente e as coloca em ação, desde que, naturalmente, essas ações estejam dentro do esquema da sua autoridade e responsabilidade definidas.
Um político é um indivíduo que está sempre tentando “arranjar para as pessoas aquilo que elas querem”. Um estadista é um indivíduo que sabe cuidadosamente discernir quando fazê-lo e quando não. Ele reconhece que mesmo as grandes maiorias, quando muito perturbadas ou não informadas, podem, às vezes, estar completamente enganadas. Quando tal situação aparece, ocasionalmente, e algo de importância vital está em jogo, é sempre dever da liderança, mesmo que em pequena minoria, tomar posição contra a tormenta, usando toda a sua habilidade de autoridade e persuasão para efetuar uma mudança.
Nada, no entanto, pode ser mais prejudicial à liderança do que a oposição, apenas com o intuito de ser oposição. Nunca pode ser: “Vai ser da nossa maneira ou nada”. Esse tipo de oposição é geralmente causado por um orgulho cego ou um desejo de domínio que nos leva a bloquear algo ou alguém. Há então a oposição que dá seu voto dizendo: “Não estamos satisfeitos.” Nenhuma razão verdadeira nem mesmo é dada. Isso não serve. Quando requisitada, a liderança tem sempre que apresentar as suas razões, e que sejam boas.
Então, também um líder precisa reconhecer que mesmo as pessoas mais orgulhosas ou raivosas podem algumas vezes estar totalmente certas, enquanto as mais calmas e humildes podem estar enganadas.
Esses pontos são ilustrações práticas das diversas discriminações cuidadosas e das pesquisas profundas que a liderança verdadeira tem sempre que tentar exercer.
Outro qualificativo para a liderança é o dar-e-receber, a habilidade de transigir sem rancor sempre que possa fazer progredir uma situação que aparenta ser a direção certa. Fazer concessões é muito penoso para nós, beberrões de “tudo ou nada”. Entretanto, não podemos nos esquecer de que o progresso é quase sempre caracterizado por uma série de concessões vantajosas. Não podemos, entretanto, fazer concessões sempre. Uma vez ou outra é realmente necessário fincar os pés numa convicção sobre um assunto, até que ele se esclareça. (…)
Liderança, muitas vezes, tem pela frente críticas pesadas e às vezes de longa duração. Isso é um teste ácido. Há sempre os críticos construtivos, os nossos amigos de verdade. Nunca podemos deixar de ouvi-los atenciosamente. Devemos estar dispostos a deixar que eles modifiquem as nossas opiniões ou que as mudem completamente. Muitas vezes, também, teremos que discordar e fazer pé firme sem perder a sua amizade.
Há então aqueles que gostamos de chamar de nossos críticos “destrutivos”. Conduzem pela força, são politiqueiros, fazem acusações. Talvez sejam violentos, maliciosos. Eles soltam boatos, fazem fofocas para atingir seus alvos – tudo pelo bem de A.A., naturalmente! Mas em A.A., já aprendemos, afinal, que esses sujeitos, que devem ser um pouco mais doentes do que nós, não são tão destrutivos assim, dependendo muito de como nos relacionamos com eles.
Para começar, deveríamos ouvir cuidadosamente o que eles dizem. Algumas vezes estão dizendo toda a verdade; outras vezes somente parte da verdade, embora freqüentemente eles estejam racionalizando até o ridículo. Se estivermos por dentro de toda a verdade, parte da verdade ou sem verdade alguma, pode ser igualmente desagradável para nós. Essa é a razão pela qual temos que ouvir tão cuidadosamente. (…) Há poucos meios melhores de auto pesquisa e de desenvolvimento de genuína paciência do que a prova a que nos submetem esses membros bem-intencionados, mas erráticos. Isso é pedir muito e, às vezes, não conseguiremos, mas precisamos continuar tentando.
Agora chegamos ao atributo da mais alta importância: o da visão. Visão é, penso, a habilidade de fazer boas estimativas, tanto para o futuro imediato como para um futuro mais distante. Alguns podem achar esse tipo de esforço como se fosse uma espécie de heresia, porque nós de A.A. estamos constantemente dizendo a nós mesmos: “Um dia de cada vez.” Mas esse princípio valioso realmente refere-se à nossa vida mental e emocional e quer dizer principalmente que não somos tolos para lamentar o passado nem sonhar com o futuro de olhos abertos.
Como indivíduos e como uma irmandade, iremos certamente sofrer se deixarmos toda a tarefa do planejamento para o amanhã nas mãos da Providência. A verdadeira Providência Divina foi dar a nós, seres humanos, uma considerável capacidade de antevisão e Ela evidentemente espera que a usemos. Por isso, precisamos distinguir entre desejos fantasiosos sobre um amanhã feliz e o presente uso das nossas forças de estimativas bem pensadas. Isso pode determinar a diferença entre progresso futuro e infortúnio imprevisto.
Visão é por isso a própria essência da prudência, uma virtude essencial, se é que existe uma. Naturalmente, podemos muitas vezes cometer erros de cálculo quanto ao futuro, como um todo, ou em parte, mas o pior é recusar-se a pensar nele.
Precisaremos constantemente desses mesmos atributos – tolerância, responsabilidade, flexibilidade e visão – entre os líderes de serviços de A.A. em todos os níveis. Os princípios de liderança serão os mesmos, seja qual for o tamanho da atividade. (…)
Agradecemos a Deus pelo fato de Alcoólicos Anônimos ter sido abençoado com tanta liderança em todos os seus setores. (Os Doze Conceitos para os Serviços Mundiais, p. 54-7)

(VIVÊNCIA – Março/Abril 2001)

TEMA: “LIDERANÇA EM AA – SEMPRE UMA NECESSIDADE VITAL”
EXPOSITOR: MARCOS P. (DELEGADO DE AREA 2009/2010)

Nenhuma sociedade pode funcionar bem senão contar com líderes competentes em todos os níveis e o A.A. não pode considerar-se uma exceção. Às vezes nós AAs abrigamos a idéia que podemos abrir mão de toda liderança ou por outras vezes exigimos que nossos líderes sejam pessoas impecáveis e de inspiração sublime – gente de energia e ação, bons exemplos para todos e quase infalíveis. A verdadeira liderança, certamente, tem que seguir por caminhos intermediários a esses extremos.

Mas o que é liderança?
Liderança é o poder de agregar pessoas, criando uma visão e fornecendo a motivação e as metas necessárias para atingi-la. Está inserida em diversas áreas da sociedade. Seja política, religião, esportes e áreas administrativas não importando se pública ou privada. A liderança deverá permitir ao grupo vislumbrar oportunidades de crescimento e desenvolvimento. Incentivando, mostrando que é possível, adotando uma postura de otimismo e entusiasmo. O verdadeiro líder é aquele que passa e conquista a confiança de seus companheiros, é o espelho para seu liderado. Ao mencionar a expectativa de crescimento, a liderança deverá buscar o comprometimento da equipe por meio da real possibilidade de participação de seus membros no benefício gerado pelo resultado atingido. É necessário muito cuidado para não confundirmos a liderança com a arte de agradar e de demonstrar simpatia para as pessoas. Geralmente, em toda liderança sempre existirá tomadas de decisões que podem agradar ou não as pessoas. O verdadeiro líder é aquele que sabe o que precisa ser feito e faz. O líder é servidor de uma causa, de uma obra. Sua missão é organizar e entusiasmar um grupo de pessoas para juntos servirem a uma causa maior, ou seja, o ambiente ou contexto onde estiver inserido.

Bons líderes são aqueles que têm poder de influência positiva sobre pessoas ou grupos baseado na experiência pessoal e no conhecimento, conquistando credibilidade e confiança e obtendo aceitação, consenso e ação na consecução de objetivos.

Liderar é conduzir um grupo de pessoas influenciando seus comportamentos e suas ações para atingir objetivos e metas de interesse comum deste grupo, de acordo com uma visão de futuro baseado num conjunto coerente de idéias e princípios. Existem características básicas para que um indivíduo possa tornar-se um líder, tais como visão, integridade, conhecimentos, autoconfiança, honestidade, flexibilidade, entre outras tantas qualidades, mas é preciso destacar que nenhum líder é dotado de todas essas qualidades o tempo todo, afinal são pessoas normais e como tais suscetíveis à falhas.
O líder é quem guia, quem toma a frente, quem inspira, quem dá confiança… São muitas definições, mas uma das melhores é: o líder é quem serve. O líder servidor é fundamental para a manutenção e crescimento de Alcoólicos Anônimos. Os líderes não dirigem por mandato, lideram pelo exemplo. Com efeito, dizemos para eles: “Atuem por nós, mas não mandem em nós.” Quando um líder nos guia pela força excessiva, nos revoltamos; mas quando ele se torna um submisso cumpridor de ordens e não usa critério próprio, então ele realmente não é um líder.

Não importa com que cuidado projetemos a nossa estrutura de serviço de princípios e relacionamentos, não importam com que equilíbrio dividamos autoridade e responsabilidade, os resultados operacionais da nossa estrutura não podem ser melhores do que o desempenho pessoal daqueles que compõem essa estrutura e a fazem funcionar. Boa liderança não pode funcionar bem numa estrutura mal planejada. Má liderança não funciona nem na melhor das estruturas.

Com liderança teremos um constante problema. Boa liderança pode estar aqui hoje e desaparecer amanhã. Equipar nossa estrutura de serviços com trabalhadores capazes e com boa vontade tem que ser uma atividade constante. Esse é um problema que por sua própria natureza não pode ser sempre resolvido. Precisamos continuamente encontrar as pessoas certas para as nossas inúmeras tarefas.

Felizmente, a nossa Irmandade é abençoada com toda sorte de liderança verdadeira – o pessoal ativo de hoje e os líderes em potencial de amanhã, de acordo com cada nova geração de membros capazes de lidar com qualquer serviço que lhes possa ser designado. Somente temos que procurar esse pessoal e confiar nele para que nos sirva.

Um líder em A.A. é um homem ou mulher que pode pessoalmente por em prática princípios, planos e políticas de maneira tão dedicada e eficaz que os demais querem apoiá-lo e ajudá-lo a realizar o seu trabalho.

Uma boa liderança elabora planos, normas e idéias para melhoramento de nossa Irmandade e seus serviços. Mas nos assuntos novos e importantes consultará amplamente antes de tomar decisões e atitudes. Boa liderança também é saber que um excelente plano ou idéia pode vir de qualquer um, de qualquer lugar. Portanto, boa liderança abandonará seus acalentados planos por outros melhores e dará crédito aos seus autores. A boa liderança nunca se esquiva. Uma vez segura de que tem ou pode obter apoio geral suficiente, ele toma decisões livremente e as coloca em ação, desde que, naturalmente, essas ações estejam dentro do esquema de sua autoridade e responsabilidade.

Boa liderança reconhece que mesmo as grandes maiorias quando muito perturbadas ou não informadas podem, às vezes, estar completamente enganadas. Quando tal situação aparece, ocasionalmente, e algo de importância vital está em jogo, é sempre dever da liderança, mesmo que em pequena minoria, tomar posição contra a tormenta, usando toda a sua habilidade de autoridade e persuasão para efetuar a mudança.

Boa liderança não se esquiva, quando requisitada, tem sempre que apresentar as suas razões e que sejam boas. Um líder precisa reconhecer que mesmo as pessoas mais orgulhosas ou raivosas podem muitas vezes estar totalmente certas, enquanto as mais calmas e humildes podem estar enganadas.

Outro qualitativo para a liderança é o dar e receber, a habilidade de transigir sempre que possa progredir uma situação que aparenta ser a direção certa. Fazer concessões é sempre difícil para nós, pessoas de tudo ou nada. Entretanto não podemos esquecer de que o progresso é quase sempre caracterizado por uma série de concessões vantajosas. Ás vezes, entretanto, é necessário fincar o pé em determinada convicção sobre um assunto até que ele se esclareça.

Liderança muitas vezes tem pela frente críticas pesadas e às vezes de longa duração. È um teste pesado. Há sempre os críticos construtivos, os nossos amigos de verdade. Nunca podemos deixar de ouvi-los atenciosamente. Devemos estar dispostos a deixar que eles modifiquem as nossas opiniões ou que as mudem completamente. Muitas vezes, também, teremos que discordar e fazer pé firme sem perder a sua amizade.

Há também aqueles que gostamos de chamar de nossos críticos destrutivos. Conduzem pela força, são politiqueiros, fazem acusações. Talvez sejam violentos, maliciosos. Eles soltam boatos, fazem fofocas para atingir seus alvos – tudo pelo bem de A.A., naturalmente! Mas em A.A. já aprendemos, afinal, que esses sujeitos, que devem ser um pouco mais doentes do que nós, não são tão destrutivos assim, dependendo muito de como relacionamos com eles. Para começar devemos ouvir cuidadosamente o que eles dizem. Algumas vezes estão dizendo toda a verdade; outras vezes somente parte da verdade, embora frequentemente estejam errados. Se eles estiverem certos, nós o agradecemos; se estiverem errados, nós os perdoamos, afinal, estão mais doentes que nós. De qualquer forma esses são bons testes para a nossa tolerância e paciência.

Um atributo da mais alta importância da boa liderança é a visão.
Visão é a habilidade de fazer boas estimativas, tanto para o futuro imediato como para o futuro mais distante. Parece um contra-senso ao nosso “um dia de cada vez”. Mas esse princípio altamente eficaz refere-se à nossa vida mental emocional e quer dizer que não somos tolos para lamentar o passado nem sonhar com o futuro de olhos abertos.

Como indivíduos e como irmandade iremos certamente sofrer se deixarmos toda a tarefa do planejamento para o amanhã nas mãos da Providência. Nos foi dado a todos nós a capacidade de antevisão e devemos usar essa virtude. Precisamos distinguir entre desejos fantasiosos sobre um amanhã feliz e o presente uso das nossas forças de estimativas bem pensadas. A diferença entre progresso futuro e fracasso é determinada aí.
O fazer estimativas tem diversos aspectos. Olhamos para a experiência passada e presente para ver o que pensamos que elas representam. Disso deduzimos uma idéia ou uma norma provisória. Primeiro perguntamos como é que essa idéia ou norma poderá funcionar num futuro próximo. Perguntamos então como é que essa idéia ou norma se aplicaria nas mais diversas condições num futuro distante. Se uma idéia for boa, nós a tentaremos. Reavaliaremos mais tarde se está funcionando bem. Nesse ponto, talvez tenhamos que tomar uma decisão crítica. Devemos responder a pergunta: Poderão as vantagens de hoje se reverter em obrigações amanhã? A tentação de aproveitar os benefícios imediatos, esquecendo-nos dos precedentes nocivos ou das conseqüências que possam resultar.

Essas não são teorias fantasiosas. Temos que fazer uso desses princípios para constantemente fazer previsões. As nossas finanças devem ser avaliadas e distribuídas nos orçamentos. Precisamos pensar nas nossas necessidades de serviço em relação às condições econômicas gerais, às capacidades dos Grupos e boa vontade para contribuir. Frequentemente precisamos pensar com meses e até anos de antecedência.

Todas as Doze Tradições foram inicialmente questões de estimativa e visão para o futuro. A política de auto sustentação e do anonimato foram desenvolvidas assim. Primeiro uma idéia, depois uma norma de procedimento experimental, depois uma firme norma de procedimento e finalmente uma convicção – uma visão para o futuro.

Tolerância, responsabilidade, flexibilidade e visão são atributos indispensáveis entre os lideres de serviços de A.A. em todos os níveis. Os princípios de liderança serão os mesmos, seja qual for o tamanho da atividade.

Talvez isso pareça uma tentativa de projetar um tipo de membro de A.A. privilegiado e superior. Mas não é. Os nossos talentos variam muito. Um regente de orquestra não é necessariamente bom em finanças e previsões e vice-versa. Quando falamos em liderança em A.A. somente declaramos que deveríamos selecionar essa liderança na base de obter o melhor talento que pudemos encontrar.

Embora possa parecer que o assunto “liderança” seja aplicável somente no serviço, ele é útil em qualquer campo de trabalho, particularmente no trabalho dos Doze Passos. Todos os padrinhos são necessariamente líderes. Uma vida humana e geralmente a felicidade de toda uma família está em jogo. O que o padrinho diz ou faz, como prevê as reações dos seus afilhados, como controla e se apresenta bem, como faz as suas críticas e como lidera bem seu afilhado, através de exemplos espirituais pessoais – essas qualidades de liderança podem constituir toda a diferença, muitas vezes a diferença entre a vida e a morte.

COMUNICAÇÃO: BASE FUNDAMENTAL PARA UM BOM SERVIÇO NO 3º LEGADO

Prezados Companheiros: – Hoje, nos reencontramos!

A todo momento conversamos com nós mesmos, seja para definir e avaliar sentimentos, emoções, comportamentos e atuações ou seja para emitir opiniões, formular idéias ou ainda, aprofundar pensamentos e buscar compreender o sentido daquilo que ouvimos e vivemos no dia-à-dia.
Todo ser humano procura se comunicar, mas é muito comum encontrar pessoas que não conseguem interagir umas com as outras.
Dentro de uma comunicação, a clareza e a forma como a mensagem é transmitida, “pedem” de nós um comprometimento pessoal.
Por definição,“Comunicação é um processo pelo qual as pessoas tentam expressar o que pensam e o que sentem para os outros, como também destes, vir a tê-la em reciprocidade. Nesse sentido, é importante sabermos ouvir e escutar para sermos ouvidos e escutados por alguém”. Não é diferente para nós, quando estamos realizando um Serviço de Alcoólicos Anônimos!
“A comunicação é uma troca de idéias e informações. Não é o que se diz, mas o que o outro entende sobre o que estamos dizendo! Ela é mais do que apenas dizer palavras. Ela entra em todas as facetas de nossas atividades cotidianas e relações pessoais. Ela melhora o nosso relacionamento interpessoal e nos faz aceitar mais e melhor os outros, principalmente depois de conhecer as suas virtudes ou limitações. Quando existe clareza, o que anima uma comunicação e o que a torna mais cativante são o tema, as pessoas e os relacionamentos que passam a existir entre elas”.
“As comunicações são como uma via de duas mãos, e a tarefa de comunicar-se não está concluída até que haja compreensão, aceitação e uma ação resultante. A finalidade da comunicação é afetar comportamentos. É trazer esclarecimentos dentro de uma informação. Um erro comum é o de se emitir orientações por escrito e se acreditar que sua interpretação será desta forma mais precisa do que a verbal, sem a possibilidade de problemas na sua receptividade. Há a necessidade da interação, levando-se melhores esclarecimentos e despertando-se o interesse pelo assunto. Por isso, a razão dos valores que devemos dar as interações e aos processos de trocas e aos relacionamentos, senão tudo cai de água abaixo e continuaremos fazendo descaso em cima de descaso, mais preocupados com o que vamos dizer”.
Comunicação é para os nossos trabalhos do Terceiro Legado mais do que um requisito fundamental. Ela é essencial para o conhecimento do Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos, tanto pelo membro quanto pela Sociedade. Ela é o elo de ligação para o bem estar e para uma continuidade saudável das atividades desenvolvidas pelo 3º Legado – Serviço em AA.
Os membros de AA que se interessam pelos Serviços da Irmandade, normalmente se apegam as atividades como um gesto de sobrevivência. Isto porque, a ausência de atividades leva também ao doente alcoólico o aparecimento de doenças físicas e mentais, que não têm nada a ver com o alcoolismo (embora ele atribua ao alcoolismo). Como exemplo, a auto-desvalorização, o declínio da auto-estima, a desmotivação ou o isolamento social, para não falar do tenebroso afastamento do Grupo, que ocorre na medida em que o tempo passa e também, quando “as coisas melhoram…”
Vejo portanto, que praticar o Terceiro Legado, significa também ingerir “um comprimido de milagrosa medicação” para a nossa saúde, que com o passar dos anos normalmente dá os seus sinais com o avançar da idade e na medida que completamos mais anos de Sobriedade! E entendo que é fundamental fazer esta comunicação e alerta à nossa Comunidade, que ainda tem dúvidas sobre os Serviços em AA.
Eis uma comunicação importante e faço-a agora: Em outubro de 2008, a Irmandade de Alcoólicos Anônimos já existia em 180 países, com 113.168 Grupos, com mais de Dois milhões de membros, tendo o Livro “Alcoólicos Anônimos” em 58 idiomas e mundialmente contando com a existência de 61 Escritórios de Serviços Gerais. Mas, continua necessitando dos nossos Serviços!
Outra comunicação que nos faz muito bem lembrar, como Servidores, diz respeito a nossa política de Relações Públicas, quando em 1973 a Conferência de Serviços Gerais (EUA/Canadá) confirmava que: “temos de reconhecer que nossa competência para falar de alcoolismo se limita ao tema de Alcoólicos Anônimos e seu Programa de Recuperação”. Sapateiro, não vá além de suas chinelas, foi o que nos foi dado a entender! É uma comunicação básica, clara e fundamental.
Na verdade, já em junho de 1960, o nosso co-fundador Bill W. previa alguns desafios, tendo em vista o crescimento tão vertiginoso de nossa Irmandade: – dizia ele em um artigo, “Para onde vamos a partir de agora? Quais são nossas responsabilidades para hoje e para o amanhã?
As respostas a estas perguntas vem sendo respondidas na medida que nossos Servidores se dispõem a praticar o Terceiro Legado. Será que estamos fazendo tão bem como deveria ser, o “Alcoólicos Anônimos Amanhã”, imaginado pelo nosso co-fundador? Será que estamos retribuindo a dádiva recebida? Será que não estamos nos acomodando? Pergunto: Como será Alcoólicos Anônimos, depois de Amanhã…? Onde erramos? Onde acertamos? Onde podemos corrigir? Onde está o Amor? Onde está o Perdão? Onde está a Espiritualidade? Onde está a Gratidão?
Para que a mensagem de AA possa ser divulgada corretamente, sem banalização, há a necessidade de conhecermos o Programa de Recuperação, seus Princípios e como funcionam os segmentos organizados dentro da Irmandade, seus Representantes, seus Encargos, seus níveis de responsabilidades e autoridades delegadas. De outra forma, sempre haverá retrocesso…
Uma ação bem coordenada e de forma organizada, proporciona o alcance da Sobriedade e da mensagem de AA a um número maior de empresas públicas e privadas, clínicas e hospitais, escolas e universidades: Nossos grandes multiplicadores da mensagem. Para isto, o entendimento do 3º Legado, precisa ser claro, aberto, preciso, transparente e responsável. Estes atributos só acontecem se houver uma comunicação clara e objetiva, sem distorções, de forma com que o receptor possa receber a mensagem sem ruídos e possa repassá-la para a Comunidade AA.
A imprensa e o rádio no Brasil, desde os anos da década de 1950 vem abordando temas sobre Alcoólicos Anônimos. Nos últimos anos temos presenciado, principalmente a Televisão mostrar, como funcionam os grupos de AA. Isto ocorre desde o ano de 1975 (com a novela “Meu rico português”). Nestas ocasiões, além de enaltecer a credibilidade e a importância de AA e da mensagem de esperança e amor ao alcoólico que ainda sofre, prestam um valioso serviço de comunicação e informação correta à Sociedade. Somos imensamente gratos. Quantos novos companheiros e quantas novas companheiras chegaram aos Grupos e hoje reconhecem o valor daquelas comunicações! Foram muitos, muitos…e muitas!
Por outro lado, outro meio de comunicação que está sendo bastante pesquisado está sendo a Internet. Ai, convém checar as informações! Elas são variadas! Elas devem ser filtradas, pois devido a liberdade de expressão não há um comprometimento e se identifica a existência de assuntos controvertidos e alguns outros que banalizam o conteúdo da mensagem de AA. Eis porque uma comunicação necessita ser eficaz.. Sua eficácia traduzirá a mensagem correta e esta será de grande valia aos interessados no Programa de AA e a todos aqueles que atuam no 3º Legado.
Todo o empenho que se faz buscando atrair o alcoólico para um grupo de AA denominamos como Serviço. Atrair um novo membro a um grupo é um momento muito mágico e acompanhar a Recuperação do alcoólico é uma dádiva de Deus, porque ali também estamos todos nós, em Unidade recebendo-o, e juntos, repassando adiante a dádiva da Sobriedade! É a comunicação afetiva. É o resultado do nosso único propósito primordial – Transmitir, comunicar, levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre!
Ferramentas para o trabalho do Terceiro Legado e espaço para todos que o queira não faltam! Quem deseja honestamente trabalhar em AA, sempre encontrará um lugar compatível com as suas habilidades. Antes de nós, muitas experiências foram vivenciadas, discutidas exaustivamente, eliminadas e muitas outras foram colocadas em prática porque deram certo. A presença de um bom veterano, repassando suas experiências serve de estímulo bastante significativo ao desenvolvimento de um Grupo. Normalmente ele é o responsável pelo despertar dos demais membros para a prática do Terceiro Legado, repassando sua vasta experiência, não a restringindo somente para si próprio.
Para que um membro assuma um Encargo é necessário que conheça um mínimo sobre o 3º Legado – Serviço em AA. Só a vontade de querer “trabalhar” pelo seu grupo e conseqüentemente pelo AA já é importante, porém insuficiente. Pois como já é dito, “o que deve ser feito, deve ser bem feito” e para o bom Serviço, a nossa Irmandade não foge desta regra!
Todo membro que desperta para o trabalho dentro de AA, deve ao mesmo tempo se “alimentar” com as boas novas das literaturas específicas que possam melhor lhe conduzir e torná-lo eficiente no desempenho do 3º Legado. Ler tudo que possa lhe orientar para melhor divulgar a Irmandade: “O Grupo”, “Os Doze Passos e as Doze Tradições”, “O Manual de Serviços”, “Os Doze Conceitos para os Serviços Mundiais”, as “Recomendações da Conferência”, “Revista Vivência”, folhetos, como por exemplo, “Como falar em reunião de não AA” e tudo que é notícia em AA.
Um dos principais requisitos prende-se a sua nova Responsabilidade: Servidor de Confiança. Um bom Servidor, representa o seu Grupo, o seu Distrito, a sua Área, a sua Região, o seu País. Esta representação significa se fazer presente nos fóruns de Serviços, tais como Reuniões de Serviços, Reuniões nos Distritos, Reuniões de Comissões ou Comitês, Assembléias de Área, Conselhos de Representantes, Conferências e Eventos. Para isto, convém ficar sempre atento às Comunicações…
Existindo ou não as convocações, os Servidores de Confiança foram escolhidos para estar presentes. É assim que funciona a ação do 3º Legado durante o tempo de mandato assumido. Foi um compromisso para exercer o 3º Legado, que normalmente ocorre quando o 1º Legado – Recuperação e o 2º Legado – Unidade, já estão bastante assimilados e compreendidos. Normalmente, quando entendemos que é chegado o momento do exercício da Gratidão. Do passar adiante! Da doação. Do dar de graça o que de graça recebeu! Porém, isto não é uma regra. É possível que existam os sacrifícios de tempo, de outros compromissos, etc., etc. Mas, e no tempo das bebedeiras….? Porque a acomodação? Por que esperar que somente os outros façam por você e para você? Todos nós podemos! É até uma verdadeira e salutar mudança de hábito!
O nivelamento e a igualdade de propósito entre todos os membros, o é “proibido proibir”, a não obrigatoriedade, a não exclusão e a ausência de regras, direcionam a Irmandade ao longo dos anos para um segmento, cada vez mais admirado e compreendido dentro da sociedade.
Nosso entendimento é de que toda espécie de trabalho tem que ser realizado para se manter um grupo de AA em funcionamento. É através do trabalho dos membros do grupo que os doentes alcoólicos de uma comunidade ficam sabendo que AA existem e de que forma pode ser encontrado. É através do Serviço em AA que são atendidos os pedidos de ajuda e são mantidos os órgãos de serviços e os contatos necessários com o restante do AA a nível local, nacional e internacional e assim, o grupo fica informado e sai do isolamento.
Nos grupos, os membros encarregados destes serviços são também chamados de Servidores, que escolhidos pelos demais membros executam suas atividades por períodos limitados, proporcionando a rotatividade. Portanto, aprender a aceitar a responsabilidade dentro do grupo é um privilégio. Este privilégio e esta responsabilidade devidamente manejadas, podem ser bastante útil à recuperação. Muitos membros de AA descobriram e constataram que o Terceiro Legado representa uma excelente maneira de fortalecer a própria sobriedade e por isto procuram não se afastar de atividades que possam fortalecer o seu Programa de Recuperação.
O AA é um corpo amante, crescente e vivo. Ama através do Serviço. Cresce através do Serviço e torna-se vivo através do Serviço. Sua reprodução não é biológica e as novas gerações de membros e Servidores somente poderão acontecer através do Serviço, tendo a obediência aos princípios, entre eles o da escolha democrática e o da rotatividade nos encargos.
O 3º Legado compreende os órgãos de serviços, diretores e encargos dentro de nossa Irmandade a partir do grupo, indo até a estrutura nacional e internacional. Compreende os Procedimentos do 3º Legado para o sistema de escolha e votação de representantes de AA. Compreende a Junta Nacional de Serviços Gerais e a Conferência de Serviços Gerais. Compreende a Reunião de Serviços Mundiais. Compreende as Garantias Gerais e a Ata de Constituição da Conferência.
Simples tarefas de Serviço ajudam a desenvolver a confiança, ou um início de crédito em seus próprios valores e opiniões e até mesmo o retorno do respeito próprio e da auto-estima. Serviço é tão fundamental para AA, assim como a abstinência do álcool está para a Sobriedade. É o verdadeiro núcleo em torno do qual a Irmandade é construída.
A comunicação é um instrumento de integração e também de instrução. São os relacionamentos dentro de nossa Irmandade entre os Órgãos de Serviços e os Grupos e seus membros. A comunicação é responsável pela circulação das informações que são emanadas e, quanto mais bem informados, mais envolvidos estaremos com os nossos propósitos, pois a comunicação amplia a visão do membro de AA interessado na prática do 3º Legado, proporcionando-lhe ser um dos melhores porta-vozes do Grupo ou do segmento de Serviço onde desempenha suas atividades.
No campo afetivo, a comunicação permeia toda a ação do ser humano, possibilitando as interações, o compartilhamento com as idéias e os anseios para minimizar o sofrimento e a necessidade de ajuda. O ser humano necessita comunicar-se. A falta de comunicação leva à solidão. Leva a uma carência afetiva e emocional.
Que o Poder Superior nos ilumine!
CAMPOS S.

COMITÊ PERMANENTE

DO

MANUAL DE SERVIÇO

(CPMS)

APRESENTA

C A R T A

O Comitê Permanente do Manual de Serviço de A.A (CPMS) face às sugestões relacionadas com a estrutura de serviço oriunda das Áreas, após várias reuniões de exaustivos debates sobre o assunto chegou às conclusões a seguir descritas:

1) O CPMS entende que a estrutura de serviço que deve constar no Manual de Serviço de A.A seja a que constitui o funcionamento da CSG e da Junta de Serviços Gerais, descritas na ATA DE CONSTITUIÇÃO DA CONFERENCIA DE SERVIÇOS GERAIS DE ALCOOLICOS ANONIMOS.

2)O CPMS entende que os Serviços Locais deveriam ser disciplinados pelas próprias Áreas, ficando a Junta de Serviços Gerais através do CPMS responsável pela elaboração de GUIAS DE A.A para orientação e troca de experiências no âmbito da Irmandade de como executar estas tarefas da melhor forma possível.

3)O CPMS entende que para o desenvolvimento da IRMANDADE DE ALCOOLICOS ANONIMOS NO BRASIL ela deverá passar por uma GRANDE REFLEXÃO sobre como se libertar das amarras de um CONCEITO GEOPOLÍTICO introduzido em nossa estrutura nos primórdios da ESTRUTURA DE SERVIÇOS GERAIS DO BRASIL, pois naquele momento foi necessário aproveitar o modelo existente para não incorrer no risco de desabar a estrutura que ora estava sendo criada, mas que nos dias atuais apenas serve de ENTRAVE para o DESENVOLVIMENTO da Irmandade em diversos locais. Será que HOJE, na iminência de realizarmos nossa 34ª CONFERENCIA DE SERVIÇOS GERAIS; ou seja, 34 ANOS de EXISTÊNCIA da ESTRUTURA DE SERVIÇOS GERAIS DE ALCOOLICOS ANONIMOS DO BRASIL, ainda NÃO estamos PREPARADOS para REVER este CONCEITO?

4) O CPMS entende que a modificação do Conceito de Área é o ponto crucial para iniciar a reorganização da estrutura de serviço da Conferencia de Serviços Gerais e da Junta de Serviços Gerais, pois haveria o estreitamento do caminho da chegada de informações aos Grupos de A.A e conseqüentemente do retorno de informações, produzindo desta forma o verdadeiro elo de ligação GRUPOS – CSG – JUNAAB, praticando desta forma a tão encantada e falada VIA DE MÃO DUPLA.

5) O CPMS entende também que estas modificações não devem ser feitas de forma abrupta, pois o Manual de Serviço em vigor tem validade até 2012. Deve primeiramente passar por constantes debates nas Áreas para que todos entendam o que está sendo proposto e o resultado que se pretende alcançar com estas modificações, e após o entendimento formularem proposta da Área e encaminhá-la ao CPMS para estudo, o qual estaria em constante contato com a COMISSÃO DE NORMAS E PROCEDIMENTOS DA CONFERENCIA DE SERVIÇOS GERAIS. As modificações propostas pelo CPMS para serem implantadas, seriam primeiramente apresentadas a Comissão de Normas e Procedimentos da CSG para discussão e aprovação; seguindo depois para a plenária da CSG para discussão e aprovação.

COMITÊ PERMANENTE DO MANUAL DE SERVIÇO DE A.A. (CPMS)

Explicativo das modificações feitas no Manual de Serviço de A.A

A carta de entrada do Projeto Manual, por si só, já é bastante esclarecedora, mas vamos esmiuçar o pensamento que está escrito:
Parte 1 da Carta:

Porque dispor o Manual de acordo com a Ata de Constituição da CSG? Se nos reportarmos ao tópico do Manual, Plano da Conferencia, observamos que o caminho para constituir a CSG começa no Grupo através da eleição do RSG, passa pelo Distrito através da eleição do MCD, vai para o Comitê de Área através da eleição do MCA e Delegado de Área, sendo este último o representante da Área na CSG que forma a verdadeira voz e a consciência efetiva de toda a nossa Sociedade, 1º e 2º Conceito, elegendo os Custódios e determinando diretrizes para o funcionamento da JUNAAB.

Parte 2 da Carta:

Porque retirar os serviços locais do Manual? Quanto à parte dos Serviços locais, que engloba CTO, RV, RVD, Setores, Escritórios de Serviços Locais, estatutos e instrumentos legais; foram apresentadas 367 propostas de inserção ou exclusão de matérias do Manual, sendo a maioria delas sobre os serviços locais, as quais totalmente incompatíveis umas com as outras, sendo que cada Área apresenta a proposta de acordo com sua realidade.
Diante deste quadro o CPMS resolveu retirar do Manual os Serviços Locais, repassando-os para as Áreas disciplinarem seu funcionamento de acordo com a realidade de cada uma, cabendo a elas estabelecer dentro de um consenso de responsabilidade e autoridade os instrumentos legais, regimentais, constitutivos e estatutários; observando-se as Tradições e Conceitos para tal.
Mantendo no Manual de Serviço de A.A. somente a parte da estrutura dos Serviços Gerais de acordo com a ATA DE CONSTITUIÇÃO, por entender que o Manual não pode ser um instrumento gerador de confusão e sim um instrumento de trabalho que perpetue o funcionamento da Conferencia de Serviços Gerais e da Junta de Serviços Gerais de uma forma harmônica.
Parte 3 e 4 da Carta:

Porque modificar o Conceito de Área? Algumas áreas enviaram propostas para modificação do Conceito de Área. O CPMS realizando uma pesquisa sobre o assunto verificou que o 1º Manual de Serviço de A.A Brasileiro foi editado em Abril de 1983, o qual era uma cópia do Manual editado em 1981-1982 dos EUA / Canadá e trazia como Conceito de Área: “A área pode ser parte de um estado ou território – ou todo ele”, como também trazia um tópico explicativo sobre a formação de uma nova área. Fazendo um comparativo com o atual Manual de Serviço norte-americano nota-se que o mesmo é bastante parecido com o Manual Brasileiro de 1983. Analisando as palavras de Bill W “Mas este processo de adicionar novos Delegados deveria ser gradual, concentrando-se na reparação das falhas notadas e óbvias nas comunicações locais. Devemos, se o nosso orçamento permitir, continuar a remediar as falhas óbvias nas comunicações locais, e isto é tudo. Deve ser mais uma vez enfatizado que a Conferência não é um corpo político, necessitando de uma formula completamente rígida de representação. Necessitamos sempre é de Delegados suficientes na Conferência para fornecer um confiável grupo representativo de A.A, mais uma quantidade suficiente para assegurar boas comunicações locais”.
Observar-se que a Irmandade de Alcoólicos Anônimos funciona através de informação e comunicação. Estas comunicações não podem ser truncadas, pois afeta o desenvolvimento da Irmandade. Acreditamos que todos nós que hoje aqui nos encontramos, queremos cada vez mais que nossa Irmandade atinja o alcoólico que ainda sofre e para tanto precisamos melhorar a comunicação de nossas informações e isto passa pela descentralização das Áreas; o que podemos comprovar olhando para Alcoólicos Anônimos do EUA / Canadá.

Parte 5 da Carta:

Porque não fazer estas modificações agora? Não podemos e não devemos ser imediatistas, e por ansiedade querer modificar tudo. Devemos ir com calma, pois o Manual vigente tem validade até 2012, e também não devemos aprovar o Manual agora para ser modificado amanha como está ocorrendo com o Manual 2005 com validade até 2012 e na CSG 2007 solicitar a criação de um anteprojeto para modificação. Porque ter pressa, se a Irmandade está funcionando, mesmo com os erros apontados no manual atual? O CPMS está apresentando um Projeto do Manual de Serviço de A.A para ser analisado e entendido por toda a Irmandade Brasileira. O bom é inimigo do melhor, devemos querer o melhor e para tanto devemos debater exaustivamente o que está sendo proposto para chegarmos ao melhor. Como exemplo citamos: “No Brasil, durante a VI Conferência de Serviços Gerais, realizada em Fortaleza em 1982, foi aprovado o Estatuto da JUNAAB e nele constou, pela primeira vez, legalmente instituída, a Junta de Custódios. No ano seguinte, na Conferência realizada em São Paulo, foram eleitos nossos primeiros Custódios, em número de nove, sendo três não alcoólicos e seis membros da Irmandade, cuja posse se deu na VIII Conferência, em Blumenau – SC.
A introdução dos Custódios no Brasil foi precedida de longa reflexão por parte dos membros da Irmandade com maior responsabilidade em seus serviços.
Os Delegados de Área, os Diretores da então Junta de Serviços e um número considerável de companheiros discutiram, durante anos, a conveniência e o momento de adotarmos o encargo de Custódio. Muitos receavam esta adoção questionando, principalmente, o comportamento dos não alcoólicos na condução dos negócios da JUNAAB e nas relações com os Grupos em geral.
A experiência de outras estruturas, especialmente a dos Estados Unidos / Canadá era, porém, de modo a nos tranqüilizar neste particular. Dessa bem sucedida experiência é o testemunho do próprio Bill W., registrado no Manual de Serviço americano/canadense:
“A nossa dívida para com aqueles que não são portadores da nossa enfermidade, mas que voluntariamente compartilham dos nossos problemas é imensa… muitos deles, cujas contribuições em esforços, tempo e força jamais poderão ser suficientemente reconhecidas. A nossa dívida com todos os Custódios não alcoólicos é enorme e somente pode ser paga em termos de amor e de respeito.”
Essas palavras de reconhecimento, escritas há alguns anos pelo co-fundador Bill W, cabiam, cabem, assentam e se encaixam, na forma e no espírito, ao caso de A.A no Brasil. Com efeito, a partir da introdução dos Custódios não alcoólicos, a nossa JUNAAB ganhou em unidade de procedimento e na determinação de não deixar que concepções, vontades e métodos pessoais prevaleçam dentro da Junta. Logo, de imediato, souberam eles conquistarem os companheiros alcoólicos pelo exemplo de serenidade, dedicação e sobretudo, de responsabilidade.

EXPLICATIVO SOBRE DISTRITO – SETOR – DELEGADO ADICIONAL

É importante frisar nas explicações que a Irmandade de Alcoólicos Anônimos tem como básico a comunicação correta da informação a ser passada, portanto, os debates sobre temas importantes deveriam ser realizados constantemente para haver um entendimento melhor sobre os mesmos. A seguir vai um explicativo sobre as duvidas surgidas:

O Distrito é formado pelos Grupos que o compõe, através de seu RSG. Os RSG’s elegem o MCD e MCD Suplente. Os RSG’s e o MCD formam o Comitê de Distrito. Os Servidores necessários para o bom funcionamento do Comitê são indicados pelo MCD para homologação dos RSG’s.
Essa redação acima é uma síntese da composição e funcionamento do Distrito. Como se observa, os servidores necessários para o bom funcionamento do Distrito, independendo do numero de servidores, pois, serão os necessários, e dentro do que se vem praticando hoje o numero mínimo é quatro (secretário, tesoureiro, coordenador cto e rvd) e somando-se o MCD, o comitê de serviço do Distrito contaria com 05 integrantes. Finalizando, este tipo de situação, acarreta o seguinte entendimento:
1. Os servidores do comitê de Distrito não passam por processo eletivo, somente são indicados e homologados; e conseqüentemente não devem ter o mesmo direito de voz e voto do MCD e RSG’s que passaram por um processo eletivo, ademais os servidores do comitê foram indicados e homologados para prestarem serviços específicos para o funcionamento do Distrito, haja visto, serviços estes que não poderiam ser realizados pelo MCD ou RSG’s por não se enquadrarem em suas atribuições. Por este motivo o Manual prevê a escolha de servidores para funções especificas para assessorarem o Comitê de Distrito;
2. Se o entendimento não fosse da forma descrita anteriormente, poderia gerar grandes confusões nas decisões complexas a serem tomadas pelo Comitê de Distrito, pois, como foi citado, o numero mínimo hoje de servidores para assessorar o Comitê é 04, somando o MCD passa para 05, levando-se em conta um Distrito com 05 grupos, teríamos em tese 05 para o lado dos RSG’s e 05 para o lado do MCD. Se um RSG fosse para o lado do MCD, geraria um grande mal estar, o mesmo ocorrendo se algum servidor do comitê fosse para o lado dos RSG’s.
3. Mas a resposta correta está no Conceito I, onde a voz final e suprema reside nos Grupos de A.A., então devemos respeitar a proporcionalidade de 1/3 para o Comitê de serviço do Distrito e 2/3 para os R.S.G’s (voz dos Grupos).

O Setor da Área é constituído de acordo com a necessidade pelo Comitê de Área (MCD’s, MCA e Delegado), quando se observa que o crescimento no numero de Distritos da Área está dificultando a comunicação correta da informação a ser passada. Quando isto acontece a Área através de seu Comitê irá planejar a formação de setores para melhorar o intercambio de informações. Como exemplo podemos citar o Grupo, que quando começa a crescer o numero de membros, ele passa a aumentar o numero de reuniões na semana, até que não sendo possível mais aumentar o numero de reuniões, ele se desmembra criando outro grupo. Como o Setor da Área é formado pelo Comitê de Área, cabe a ele decidir como será o funcionamento, a quantidade de Distritos para a formação do setor, como será composto o comitê de serviços, como será a representatividade nos segmentos da Área (reunião de área, assembléia, interdistrital, intersetorial e etc) e quem fará esta representação. Importante salientar que todas estas decisões deverão ser tomadas pelo Comitê de Área e documentadas, seja por carta constitutiva ou regimentos. Trabalhando desta forma, o Comitê de Área, estará apadrinhando ou preparando o setor ou setores para futuramente se transformarem em novas Áreas de A.A, não menos importante é também a criação do ponto de contato desses setores, ou seja, o Escritório de Serviços Locais, que será o ponto de referencia, como também a secretaria e tesouraria do Setor.

O Delegado adicional, como a própria palavra diz, adicionar um novo delegado no corpo da Conferencia de Serviços Gerais. Como enfatizado por Bill W: “A Irmandade de A.A se desenvolverá mais quanto maior for o número de MCD a ser ouvido no Comitê de Área. O co-fundador Bill W, quando concebeu a estrutura de serviços gerais, previu que a resposta ao crescimento de A.A poderia ser encontrada na formação de um maior número de Comitês de Distritos dentro de uma Área”. Analisando estas palavras de Bill e comparando com a narrativa anterior sobre o Setor, poderíamos dizer que é um contra-senso; pois, se desmembro a Área em Setores devido à grande quantidade de Distritos e Bill afirma que o crescimento de A.A. está balizado na formação de um maior numero de Comitês de Distrito dentro de uma Área, qual seria a saída para este impasse? Como Bill também afirma, o desenvolvimento maior da Irmandade dependerá de um numero maior de MCD’s a serem ouvidos no Comitê de Área, e a constituição da Área diz: “É o espaço geográfico dentro do qual se localiza um número adequado de Distritos – adequado em termos da habilidade do membro de comitê para manter-se em contato freqüente com eles, para conhecer os seus problemas e a forma de contribuir para o seu crescimento e bem estar”, portanto, diante desta afirmativa, a solução para o impasse será a criação de novas Áreas, onde a comunicação se dará entre RSG’s – MCD’s – Comitê de Área – CSG – Junta de Serviços Gerais, fazendo com que desta forma diminua-se o elo entre o Grupo e a CSG / Junta. Devemos lembrar também que a estrutura da CSG dos Estados Unidos / Canadá prevê que a representação da Área é feita por um Delegado, no Brasil atualmente utilizamos a representação de dois Delegados por Área, assunto este que deverá ser bastante debatido pela CSG para saber a forma de fazer a transição para garantir a proporcionalidade da CSG – 1/3 de Custódios e 2/3 de Delegados.

Proposta à CSG para Inserção do Comitê Permanente do Manual de Serviço de A.A. no Regulamento do ESG e posteriormente nos demais documentos pertinentes:

Art. xxº – Comitê Permanente do Manual de Serviço de A.A (CPMS):

É o responsável pela revisão da estrutura de serviço contida no Manual de Serviço de A.A. e pela elaboração de Guias de A.A. para orientação da Irmandade sobre os Serviços Locais.
Parágrafo Único: São Atribuições deste Comitê:
I – Receber e catalogar as propostas inerentes à estrutura disposta no Manual oriunda das Áreas;
II – Analisar as propostas sobre a estrutura e apresentar, quando for o caso, projeto de modificações no Manual de Serviço de A.A. para a Conferencia de Serviços Gerais através da Comissão de Normas e Procedimentos;
III – Trabalhar em consonância com a Diretoria Executiva da JUNAAB e com a Comissão de Normas e Procedimentos da Conferencia de Serviços Gerais;
IV – Elaborar os Guias de A.A. sobre Serviços Locais, trocando experiências com as Áreas, Conferencia de Serviços Gerais e Diretoria Executiva da JUNAAB;
V – Trabalhar em consonância com os demais Comitês, mais estreitamente com o CL, CPP, CTO e CI.

A SEGUIR SEGUE O PROJETO DO MANUAL DE SERVIÇO DE A.A ELABORADO PELA CPMS, ATRAVÉS DAS SUGESTÕES ORIUNDA DAS ÁREAS, PARA SER ANALISADO PELA 34ª CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS DO BRASIL

MANUAL DE

SERVIÇO

DE A.A.

Refletindo as ações da Conferência de Serviços Gerais de A.A. do Brasil

PREÂMBULO

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo.

O único requisito para tornar-se membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de A.A não há taxas ou mensalidades; somos auto-suficientes, graças às nossas próprias contribuições.

A.A não está ligada a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apóia nem combate quaisquer causas.

Nosso propósito primordial é o de mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançarem à sobriedade.

Direitos autorais de The A.A. Grapevine, Inc.;

Reimpresso com permissão

ÍNDICE

(será apresentado de acordo com o aprovado)

APRESENTAÇÃO

A Irmandade de Alcoólicos Anônimos no Brasil empreende um considerável avanço no seu trabalho, disponibilizando aos seus Órgãos de Serviços e membros, este Manual de Serviço aprovado pela……. Conferência de Serviços Gerais, inteiramente de acordo com a estrutura enfatizada pela ATA DE CONSTITUIÇÃO DA CONFERENCIA DE SERVIÇOS GERAIS.
O presente Manual é resultado de um trabalho de consulta a todos os Grupos de A.A., através das Áreas de A.A. no país, de longas horas de trabalho, estudos e pesquisas empreendidas pelo Comitê Permanente do Manual de Serviço de A.A. designado pela Conferência de Serviços Gerais de 2007. Ele poderá nos oferecer mais segurança no desempenho dos encargos da estrutura, na melhor síntese possível do pensamento atual da Irmandade.
No processo de elaboração do texto que segue vivemos grandes experiências que amadureceram as idéias vindas de todas as Áreas, e resultaram num valioso, corajoso e sóbrio documento de serviços.
A tendência de mudanças na forma estrutural acarretou algumas adequações. Assim, doravante, os Serviços Gerais passam a ser estabelecidos por este Manual, e os Serviços Locais passam a ser disciplinados pelos Comitês de Área com orientação da JUNAAB através de GUIAS DE A.A para poderem executar um trabalho mais integrado e harmonioso. Com certeza este Manual, proporcionará à Irmandade, meios seguros para transmissão da mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
Seu texto também não representa uma determinação de lei nem algo imutável, podendo ser ajustado às mudanças necessárias, a critério da Conferência de Serviços Gerais.
Almejamos que o presente Manual de Serviço seja um firme instrumento de trabalho para auxílio eficiente às ações do Terceiro Legado da Irmandade de Alcoólicos Anônimos no Brasil.

ACORDO

Os MEMBROS, Delegado de Área à Conferência de Serviços Gerais de A.A. do Brasil, reunidos na cidade de ………, estado de São Paulo, em xx a xx de xxxxx de 2.00x, na oportunidade da revisão do Manual de Serviço de A.A., analisando o acordo celebrado em 17 de abril de 1.987 e ratificado quando das revisões procedidas em 13 de abril de 1.990, 15 de abril de 1.995, 22 de abril de 2000 e 25 de março de 2.005, cujo texto é o seguinte:
“Os MEMBROS, Delegados de Área à Conferência de Serviços Gerais de A.A. do Brasil, reunidos na cidade de São Paulo, em 17 de abril de 1.987, na oportunidade da aprovação deste Manual de Serviço de A.A., manifestam a convicção de todos os Grupos do País de que a irmandade de Alcoólicos Anônimos no Brasil está em condições de tomar posse, total e permanentemente, dos “Três Legados” que são: RECUPERAÇÃO – UNIDADE – SERVIÇO.
Manifestam a convicção de que a Conferência de Serviços Gerais de A.A. do Brasil está em condições de ser a responsável pela salvaguarda das Doze Tradições de A.A.; de assumir e cumprir o estipulado no Manual do Terceiro Legado, com a responsabilidade dos serviços da nossa Irmandade no âmbito nacional.
Aprovam este Acordo, segundo o qual a Conferência de Serviços Gerais de A.A. do Brasil assume, no País, a parte que lhe corresponde no Serviço Mundial de A.A. para que, assim, se evite, agora e no futuro, disputas de poder ou de prestígio pessoal, e para que nossa Irmandade conte com os meios que lhe permitam operar sobre uma base permanente.
Aprovam que a Conferência de Serviços Gerais de A.A. do Brasil seja a encarregada no País de salvaguardar as Tradições de A.A.; de perpetuar os serviços de nossa Irmandade em nível nacional e que seja a voz da consciência dos Grupos no Brasil. Aprovam, finalmente, que as Doze Tradições e as Garantias Gerais da Conferência aprovadas em 03.07.1955 pela Convenção Internacional de A.A., realizada em St. Louis – EUA, jamais poderão ser alterados ou reformados sem a prévia autorização dos Grupos de A.A. registrados em todo o mundo. Eles deverão ser notificados de qualquer proposição de alteração ou reforma e se lhes concederá um prazo não inferior a 06 (seis) meses para estudar tal proposição, que somente será considerada como aprovada com voto de 3/4 (três quartos) dos Grupos em todo o mundo.”
Acordam ainda que este Manual de Serviço de A.A. poderá, a qualquer tempo, ser ajustado às mudanças necessárias. Para tanto, as propostas de modificações deverão ser enviadas através do Comitê de Área para o Comitê Permanente do Manual de Serviço de A.A. da JUNAAB para estudo, e sendo consideradas procedentes serão encaminhadas para a Comissão de Normas e Procedimentos da Conferência de Serviços Gerais.

O LEGADO DE SERVIÇOS DE A.A

Por Bill W.[1]

O nosso DÉCIMO SEGUNDO PASSO, que leva a mensagem, é o serviço básico que a irmandade de A.A oferece. É o nosso principal objetivo e a razão primordial de nossa existência. Portanto, A.A. é mais do que um conjunto de princípios; é uma sociedade de alcoólicos em ação. Precisamos levar a mensagem, caso contrário, nós mesmos poderemos recair, e aqueles a quem não foi dada a verdade podem perecer.
Portanto, um serviço em A.A. é tudo aquilo que nos ajuda a alcançar uma pessoa que sofre – o chamado Décimo Segundo Passo propriamente dito – pelo telefone ou por uma xícara de café, assim como o Escritório de Serviços Gerais de A.A. para ação nacional ou internacional. A soma total de todos esses serviços é o nosso Terceiro Legado de Serviço. Os serviços incluem locais de reunião, cooperação com hospitais e escritórios Intergrupais, na estrutura Brasileira denominados escritórios de serviços locais; significam também, folhetos, livros e boa publicidade de qualquer natureza. Requerem Comitês, Delegados, Custódios e Conferências e não deve ser esquecido que eles necessitam de contribuições voluntárias em dinheiro, provenientes dos membros da Irmandade.

[1] Bill escreveu estas palavras em 1951, portanto, estas palavras refletem essa época em seus detalhes.

PLANO DA CONFERÊNCIA

É o alicerce da constituição da Conferência de Serviços Gerais e constitui o tema deste Manual de Serviço. É o método pelo qual a consciência coletiva pode expressar-se e fazer efetiva a prática do Serviço em todo o mundo. É a estrutura de Serviço que assume o papel de direção em A.A., assegurando que toda voz de A.A. seja ouvida, quer represente a maioria ou minoria.
Este Plano foi estabelecido como garantia de que o Serviço Mundial, em prol do movimento, continuaria funcionando, sob todas as condições. Ele prova ser um sucessor prático dos co – fundadores de A.A.
As Tradições de A.A. dizem que nosso programa nunca deverá ser “organizado”, que deverá sempre permanecer “não profissional”. Diz, também, que não existe “autoridade” em A.A., exceto aquela expressa pela própria consciência de Grupo. Nós acreditamos que esses princípios funcionarão para nossa Irmandade, orientando-nos para longe do “prestígio” e do “poder”. A Segunda, Oitava, e Nona Tradição continuarão a prover o embasamento para que nossos centros de serviços funcionem, com trabalhadores qualificados, e os nossos escritórios e comitês de serviços sejam totalmente responsáveis perante aqueles a quem servem. A única “autoridade”, então, é aquela que é definida primeiramente pela consciência do Grupo e que é, posteriormente, transferida – e aqui é onde a idéia da estrutura da Conferência começa – pelo Grupo à Irmandade de A.A., como um todo.
O Plano da Conferência foi originalmente estabelecido, em 1950, por Bill W e pelo Dr. Bob. Ele foi confirmado em 1955 em St. Louis por ocasião da Segunda Convenção Internacional. Bill W tomou grande cuidado para explicar que esse método era puramente sugerido e tradicional, não um conjunto de regras ou leis. No entanto ele tem servido bem a Irmandade, desde 1955, e não há dúvidas de que continuará servindo.
Dessa maneira, a estrutura da Conferência começa com a consciência de Grupo. Vamos dar uma olhada no mapa estrutural (organograma da página xxxx) e ver como essa poderá ser transmitida através de todo o caminho. A estrutura de Serviços Gerais inicia-se com o Grupo, através do trabalho do RSG (Representante de Serviços Gerais) que o Grupo elegeu. Os(As) RSG’s elegem o Membro Coordenador de Distrito – MCD e suplente, o Membro Coordenador de Área e suplente, o(a) Delegado(a) de Área e suplente e indica os(as) candidatos(as) a Custódio e Membro do Conselho Fiscal da JUNAAB. As reuniões da Conferência são realizadas anualmente na Área sede da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil (JUNAAB), compõe-se dos(as) Delegados de Área, dos(as) Custódios membros da Junta, dos Diretores Administrativo e Financeiro, bem como do(a) Gerente Administrativo do Escritório de Serviços Gerais – ESG. Os(As) Delegados(as) participam da Conferência de Serviços Gerais – CSG de diversas maneiras: como componentes de uma de suas comissões; em painéis e fóruns de debates; discutindo e aprovando, ou não, os relatórios da JUNAAB, ESG e seus Comitês; homologando os novos Custódios e elegendo os Membros do Conselho Fiscal da JUNAAB.
À Junta de Custódios cabe, conforme estabelecem os Conceitos VI e VII, a “responsabilidade ativa” e os “poderes para administrar e conduzir todos os assuntos do Serviço de A.A”.

COMO PROCEDER QUANDO UM SERVIDOR DESANIMA

“Não importa com que cuidado projetemos a nossa estrutura de serviço, princípios e relacionamentos. Não importa com que equilíbrio dividamos a autoridade e responsabilidade, os resultados operacionais da nossa estrutura não podem ser melhores do que o desempenho pessoal daqueles que compõe esta estrutura e a fazem funcionar.” (Conceito IX)
Alguns servidores começam o exercício de seus encargos com muito entusiasmo, mas aos poucos desanimam.
Alguns comitês nunca tiveram qualquer problema com o servidor que começa entusiasmado. A pergunta é: se o servidor deixa de participar de certo número de reuniões, deve-se pedir a ele que renuncie ou ele será afastado automaticamente? Ou será que nada se pode fazer a respeito?
Diversos comitês sentiram que isto é um problema a ser tratado por todos. Eles escolheram o seu servidor. Cabe-lhes averiguar o desempenho, adverti-lo e substituí-lo, se necessário.
Não devem ser obtidas conclusões rígidas ou precipitadas acerca deste problema, a não ser que o assunto tenha sido debatido e entendido por todos. (Conceito V)

– ESTRUTURA DE SERVIÇOS DE A.A DO BRASIL (INSERIR)

– ORGANOGRAMA DESCRITIVO (INSERIR)

CAPÍTULO I

O GRUPO DE A.A

Como afirma claramente o texto integral da Terceira Tradição, “Nossa Irmandade deve incluir todos os que sofrem do alcoolismo. Não podemos portanto recusar quem quer que deseje se recuperar. A condição para tornar-se membro não deve nunca depender de dinheiro ou formalidade. Dois ou três alcoólicos quaisquer reunidos em busca de sobriedade podem se autodenominar um grupo de A.A; desde que, como grupo, não possua outra afiliação”.

“… muita atenção foi dada para a extraordinária liberdade que as Tradições de A.A permitem ao membro individual e ao seu grupo: não serão aplicadas penalidades aos que não estiverem de acordo com os princípios de A.A; não haverá taxas nem mensalidades – somente contribuições voluntárias; nenhum membro de A.A será expulso – ser membro será sempre da escolha do indivíduo; cada Grupo deve conduzir os seus assuntos internos como bem lhe aprouver – sendo somente pedido que se abstenha de praticar atos que possam prejudicar A.A como um todo e, finalmente, que qualquer grupo de alcoólicos que se reúna para conseguir sobriedade possa se chamar de um grupo de A.A, desde que como grupo, não tenha um outro propósito ou filiação” (Garantia VI do Conceito 12).

ESTRUTURA DE GRUPO

Através de várias experiências realizadas com êxito, os Grupos podem ser estruturados através de um Comitê de Serviços composto por:
• Coordenador;
• Secretário;
• Tesoureiro;
• Representante de Serviços Gerais (RSG);
• Coordenador do CTO
• Representante da Revista Vivência (RV); e
• seus respectivos suplentes
Outras informações de interesse ao bom funcionamento de um Grupo de A. A. estão contidas no livrete “O Grupo de A.A – Onde Tudo Começa”.

O GRUPO DE A.A – A VOZ FINAL DA IRMANDADE.

Alcoólicos Anônimos tem sido descrita como uma Organização incomum, pois “a responsabilidade final e a autoridade suprema para o Serviço Mundial recaem sobre os Grupos – e não aos Custódios da Junta de Serviços Gerais ou sobre o Escritório de Serviços Gerais.” (Conceito I).

POR QUE NECESSITAMOS DOS ÓRGÃOS DE SERVIÇOS?

Necessitamos para realizar os serviços que os Grupos não podem executar por si próprios, por exemplo, produzir a literatura; uniformizar a informação pública a respeito de A.A; ajudar na formação de novos Grupos, compartilhando com eles a experiência de Grupos já estabelecidos; tratar de pedidos de ajuda; publicação de informativos periódicos; e transmitir a mensagem de A.A em outros idiomas a países apadrinhados.

O REPRESENTANTE DE SERVIÇOS GERAIS E O GRUPO

O Representante de Serviços Gerais (RSG) é o elo entre o Grupo e a Conferência de Serviços Gerais e tem a tarefa de vincular o Grupo à Irmandade como um todo. Representa a voz da consciência do Grupo, informando sobre os desejos desta aos membros do Comitê de Distrito. Ele necessita da confiança de todos os membros e, para isso, precisa saber escutar.
Todos nós compreendemos que qualquer autoridade existente em A.A. reside na Consciência de Grupo. O RSG precisa saber daquilo que necessita e pensa o Grupo acerca de alguma situação, levando tal informação ao Distrito que, se aprovada pela consciência coletiva, chegará ao Comitê de Área e, se necessário, será encaminhada à Conferência de Serviços Gerais, na forma de proposta de recomendação. Esta é uma via-de-mão-dupla que permite ao RSG trazer de volta a seu Grupo os problemas e soluções que afetam a Unidade, o bem-estar e o crescimento de A.A. O RSG estará cooperando com a consciência coletiva de A.A. como um todo, à proporção que mantiver o seu Distrito bem informado. Somente assim, a Conferência poderá sentir que está atuando por A.A. Isso a cada ano que passa torna-se mais evidente, quer o RSG fale por um Grupo numeroso ou de poucos membros.
A experiência tem demonstrado que um(a) RSG bem sucedido(a) é o membro de A.A. que tenha sido ativo como servidor de Grupo. Nesse trabalho, ele(a) já aprendeu que A.A. cresce através dos serviços e entende o significado das Doze Tradições para o futuro da Irmandade.
O Grupo deve verificar, cuidadosamente, as aptidões e o tempo disponível do candidato(a) ao encargo.
Para que cada Grupo possa fazer uma escolha eficiente, é bom que saiba das atribuições do RSG.
É este(a) servidor(a) que mantém o Grupo informado das atividades de A.A. na sua localidade, na Área, no país e no mundo, servindo-lhe de contato com os Órgãos de Serviços da estrutura.
Além disso, mantém o Comitê de Distrito informado das modificações ocorridas no local onde se reúne o Grupo, dos horários e dias de suas reuniões, bem como do rodízio de servidores, cuidando assim, que seja atualizado o seu cadastro, o que é essencial para permanente comunicação dos Órgãos de Serviços. Portanto, o RSG precisa familiarizar-se com nossos princípios e nossa literatura, em especial com os livros “Os Doze Passos e As Doze Tradições”; “Manual de Serviço de A.A.”; “Doze Conceitos” além do livrete “O Grupo de A.A.”.
O RSG recebe através do MCD as informações dos Órgãos de Serviços, inclusive as da JUNAAB para repassá-las ao Grupo.
Tem, ainda, as seguintes atribuições:
a) Participar ativamente do Comitê de Serviços do Grupo e auxiliar no planejamento financeiro, sugerindo e estimulando-o a contribuir para a manutenção financeira dos Órgãos de Serviço de A.A,
b)Incentivar a realização de reuniões temáticas, de novos, de estudo, entre outras, em seu Grupo base;
c)Desenvolver o apadrinhamento em serviço junto aos membros de seu Grupo;
d)Ajudar a um novo Grupo, orientando seus servidores e ressaltando a importância dos Órgãos de Serviços bem como, a necessidade de sua manutenção financeira;
e)Participar e auxiliar no planejamento das reuniões de serviço do Distrito e participar de eventos da Área; preparar relatórios de todas as suas participações para seu Grupo;
f)Participar das Assembléias do Distrito, do Setor quando existir, da Área e do Escritório de Serviços Locais, elegendo os respectivos servidores desses órgãos de serviços e indicando os candidatos a Custódio e Membro do Conselho Fiscal da JUNAAB.
g)Cumprir com o estabelecido no Regimento Interno da Área.

• A maioria dos Grupos proporciona ao seu RSG tempo suficiente nas reuniões para as comunicações necessárias.

COMO ELEGER O RSG

Recomenda-se dois anos de sobriedade e participação contínua nos serviços de A.A. O(A) RSG presta serviços por dois anos, sugerindo-se o rodízio no período seguinte. O mandato do RSG é iniciado em primeiro de janeiro, não importando qual tenha sido a data da eleição. Nos Grupos recém-formados, o(a) RSG eleito(a) assume logo seu encargo, exercendo-o até o final do ano seguinte.
Sugere-se que a eleição do(a) RSG seja realizada em uma reunião específica para tal finalidade. Nesta reunião pode-se incluir tempo dedicado à explanação sobre o encargo, tanto no Grupo como no Distrito, e pode ser conduzida com perguntas e respostas, enfatizando sempre o significado da “via-de-mão dupla”, cuja finalidade é estreitar o relacionamento do Grupo com toda a Irmandade. A eleição dá-se pelo método do Terceiro Legado, mencionado neste Manual.
Tão logo seja eleito(a) o(a) RSG, o Grupo comunicará ao Comitê de Distrito, este à Área e esta à JUNAAB, incluindo:
– Identificação do Grupo;
– Nome completo do(a) RSG e suplente, endereço, formas de contato e período de mandato.

Ocorrendo algum impedimento do(a) RSG, automaticamente assume o suplente, ficando a critério do Grupo eleger um novo suplente.

O RSG SUPLENTE

O Grupo precisa manter suplente para o encargo de RSG, dependendo das necessidades e
disponibilidades de cada um. O suplente deve ter o mesmo tempo de sobriedade, ser eleito da mesma forma que o titular. Representará o titular quando necessário. Por este motivo deverá estar bem informado das atividades do titular.

CAPÍTULO II

O DISTRITO

É o espaço geográfico que congrega um número adequado de Grupos – adequado em termos da habilidade do membro de comitê para manter-se em contato freqüente com eles, para conhecer os seus problemas e a forma de contribuir para o seu crescimento e bem estar.
A experiência tem demonstrado que o número ideal de Grupos para a formação de um Distrito pode variar entre 06 (seis) e 12 (doze) Grupos. Nos Distritos com situações geográficas peculiares, o numero poderá ser menor ou maior.
Quando eles se desmembram é essencial a aprovação dos Grupos para formar o novo Distrito. Após uma fase experimental de no mínimo um ano, apadrinhado pelo Distrito do qual foi desmembrado, obtendo-se bom resultado no funcionamento, poderá ser homologado pela Assembléia de Área.
Esse Órgão de Serviço é mantido pelos Grupos que o compõem. Poderá receber contribuições voluntárias dos RSG’s, dos seus servidores e demais membros de A.A.

O COMITÊ DE DISTRITO

A Estrutura é composta de:
– RGS’s dos Grupos
– Membro Coordenador de Distrito – MCD.

Todos com direito de voz e voto.

O MEMBRO COORDENADOR DE DISTRITO – MCD

O MCD constitui o elo imprescindível entre o RSG e o Comitê de Área. Como líder do Comitê de Distrito é exposto à consciência coletiva dos Grupos os quais representa e está capacitado a comunicar este pensamento ao Comitê de Área. A medida de eficiência do Comitê de Distrito é determinada pela dedicação deste servidor.
Atua também como uma válvula de segurança para a Irmandade, no que se refere ao seu crescimento. Se não fosse por este servidor, que se encarrega dos novos Grupos à medida que A.A cresce, a Conferência de Serviços Gerais poderia muito cedo ficar sem controle. Assim, na proporção em que o número de Grupos de A.A aumenta novos Comitês de Distritos serão necessários.
A Irmandade de A.A se desenvolverá mais quanto maior for o número de MCD a ser ouvido no Comitê de Área. O co-fundador Bill W, quando concebeu a estrutura de serviços gerais, previu que a resposta ao crescimento de A.A poderia ser encontrada na formação de um maior número de Comitês de Distritos dentro de uma Área.
Muitos(as) companheiros(as) gostariam de saber se é ou não compensador este encargo. Essa resposta só poderá ser obtida por aqueles que participarem ativamente do trabalho. Os(As) companheiros(as) compreendem que, participando dos serviços, dando-se à obra, tornam-se úteis para si mesmos(as). A recompensa vem do serviço que se assume e reflete-se na vida maravilhosa que se consegue.

QUEM É O MEMBRO COORDENADOR DE DISTRITO – MCD

O MCD é o membro de A.A. que tenha servido como RSG e a quem os demais RSG’s desejam responsabilizar pelas atividades de seu Distrito.
No caso do RSG ser eleito MCD, seu encargo no Grupo deverá ser preenchido por seu suplente.
A experiência mostra que não é praticável servir como MCD e RSG ao mesmo tempo. Um RSG capaz e experiente pode chegar a ser MCD, desde que disponha de tempo e dedicação para trabalhar estreitamente com todos os Grupos do Distrito.
O Comitê de Distrito é representado pelo seu MCD. As qualidades necessárias para ser um bom MCD são:
-Período mínimo de três anos de sobriedade contínua e participação nos serviços de A.A.;
-Dispor de tempo para servir eficientemente o Comitê de Distrito;
-Estar familiarizado com os Doze Passos, as Doze Tradições, os Doze Conceitos para Serviço Mundial, o Manual de Serviço de A.A. e demais itens da literatura aprovada pela Conferência de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos.

COMO ELEGER O MCD

O mandato do MCD é de dois anos, podendo exercer novamente o referido encargo um mandato após o seu.
Os membros de A.A. acreditam que o sistema de revezamento torna um Comitê mais dinâmico e produtivo. Em algumas Áreas é feito o revezamento de metade dos seus MCD’s a cada ano.
No final do segundo ano de mandato, o MCD convoca uma reunião do Comitê de Distrito para a eleição de seu substituto e respectivo suplente. A eleição se dá pelo método do Terceiro Legado.
Tão logo seja eleito o MCD e Suplente, o Distrito comunicará a Área e esta à JUNAAB, incluindo a identificação do Distrito, o Nome do MCD e suplente com os respectivos endereços e formas de contato e o período de mandato.
Em primeiro de janeiro o novo MCD entra em exercício, convocando a primeira reunião do ano. Nesta reunião indicará para homologação dos RSG’s, os servidores necessários para o bom funcionamento do Comitê de Distrito. Esses servidores são membros de A.A. que tenham, preferencialmente, o mínimo de dois anos de sobriedade contínua em A.A. e estejam familiarizados com a Literatura. O direito a voz e voto destes servidores nas reuniões será decidido pelo Comitê de Distrito.

O QUE FAZ O MCD

Suas atribuições são:
a) Convocar e coordenar as reuniões do Comitê de Distrito;
b) Representar o Distrito nas reuniões do Comitê de Área;
c) Informar os RSG’s sobre os assuntos tratados no Comitê de Área,
d) Estimular a realização de reuniões temáticas no Distrito e nos grupos que o integram;
e) Participar, quando solicitado, das reuniões de serviços dos Grupos que compõem o Distrito;
f) Visitar os Grupos do seu Distrito;
g) Compartilhar experiências com outros MCD’s;
h) Conscientizar os Grupos a contribuírem para a manutenção financeira dos Órgãos de Serviços;
i) Participar e votar nas Assembléias para as quais for convocado;
j) Comunicar ao Comitê de Área qualquer problema que envolva as Doze Tradições e/ou os Doze Conceitos;
l) Verificar se as atas das reuniões do Distrito tenham sido enviadas ao Comitê de Área;
m) Acompanhar a formação de novos Grupos no seu Distrito;
n) Cumprir com o estabelecido no Regimento Interno da Área.

O MCD SUPLENTE

O Suplente é um colaborador do membro titular. Se este renunciar ou por alguma razão ficar impossibilitado de servir, o suplente assumirá. É eleito na mesma época do membro titular, pelo mesmo procedimento de eleição. O MCD suplente deverá preencher os mesmos requisitos do titular.

CAPÍTULO III

A ÁREA

É o espaço geográfico dentro do qual se localiza um número adequado de Distritos – adequado em termos da habilidade do membro de comitê para manter-se em contato freqüente com eles, para conhecer os seus problemas e a forma de contribuir para o seu crescimento e bem estar.
Áreas com grande número de Distritos e /ou grande extensão territorial poderão descentralizar-se em espaços geográficos menores, formando Setores.
A formatação do quantitativo e abrangência geográfica dos setores será definida de acordo com a autonomia e necessidade de cada Área. Após um período experimental e se obtendo um resultado positivo no funcionamento, estes Setores poderão se transformar em novas Áreas.
Quando a população de A.A de uma Área parece ter crescido a ponto do Delegado atual e outros servidores de confiança não poderem proporcionar serviços e comunicações adequados, pode haver interesse local na formação de uma nova Área.
Neste caso, o Comitê de Área ou Comitês de Área envolvidos podem escrever para o ESG e pedir um formulário para um Delegado adicional.
Este formulário requer informações detalhadas a respeito da estrutura atual de serviço, tais como:
a) com que freqüência é realizada as reuniões de área e as assembléias e qual o número médio de participantes;
b) se há um Delegado suplente e quais são os seus deveres específicos;
c) com que freqüência é realizada as reuniões de Distrito e qual o número médio de participantes;
d) qual o numero de MCD’s ativos, e se eles assistem o Delegado na coleta de informação do Grupo e na preparação do relatório da Conferência de Serviços Gerais;
e) o número de RSG’s da Área e o número em cada Distrito;
f) Informação geográfica e da população de A.A na Área e o seu padrão de crescimento nos últimos cinco anos, desmembrado em dados anuais.
O formulário é feito para determinar problemas relacionados com a geografia e população de A.A, bem como determinar se a estrutura atual dos serviços de Área é bem desenvolvida quanto deveria ser para proporcionar ajuda para o Delegado.
“Bill W. através de um memorando estabeleceu pareceres que trouxeram luz ao assunto, quando tal necessidade apareceu na Conferência EUA/Canadá de 1961. O nosso co-fundador escreveu (em parte): O Comitê de Admissões da Conferência deveria pesar cada pedido de um novo Delegado, levando em consideração os principais fatores da população, geografia e também gastos. Mas este processo de adicionar novos Delegados deveria ser gradual, concentrando-se na reparação das falhas notadas e óbvias nas comunicações locais. Devemos, se o nosso orçamento permitir, continuar a remediar as falhas óbvias nas comunicações locais, e isto é tudo. Deve ser mais uma vez enfatizado que a Conferência não é um corpo político, necessitando de uma formula completamente rígida de representação.
Necessitamos sempre é de Delegados suficientes na Conferência para fornecer um confiável grupo representativo de A.A, mais uma quantidade suficiente para assegurar boas comunicações locais.”

O COMITÊ DE ÁREA

O Comitê de Área é o responsável pelo crescimento e harmonia de nossa Irmandade e pelo fortalecimento da estrutura da CSG e da JUNAAB.
Um Comitê de Área ativo está sempre em intensa comunicação na via-de-mão-dupla da estrutura de serviços, contribuindo para a solução de problemas e conflitos criados pela desobediência às Doze Tradições de A.A.
Dentro das responsabilidades de um Comitê de Área, inclui-se também o de regimentar os serviços locais, tais como: o funcionamento dos Setores, os trabalhos de CTO e RV, Coordenadores das Comissões Especiais; analisar o pedido de formação de Escritório de Serviços Locais e se procedente encaminhar a Assembléia de Área, e outros que se fizerem necessários.

É composto pelos seguintes servidores:

– MCD’s
– Membro Coordenador de Área – MCA,
– Secretário
– Tesoureiro
– Delegado

Todos com direito de voz e voto.

O MEMBRO COORDENADOR DE ÁREA

O Membro Coordenador de Área – MCA e Suplente serão eleitos pela Assembléia de Área para exercer um mandato de dois anos. O titular só poderá exercer novamente o encargo, passados dois mandatos após o seu.
Para esses encargos os(as) candidatos(as) deverão apresentar seus currículos de serviços em A.A em prazo estipulado pelo Comitê de Área, para apreciação dos Grupos e Órgãos de Serviços.
São requisitos necessários para ser candidato:
Experiência em A.A. – Sobriedade contínua de 05 (cinco) anos e participação em serviço de A.A., tendo exercido o encargo de MCD;
Estar familiarizado com os Doze Passos, Doze Tradições, Doze Conceitos para Serviço Mundial, Manual de Serviço de A.A e demais itens da Literatura aprovada pela CSG.
Liderança – Deve ser capaz de organizar e coordenar, atuando como servidor de confiança de A.A. A sua capacidade de liderança deve ajudá-lo(a), com proveito para os outros, no despertar de um profundo interesse pelo serviço da CSG e JUNAAB. Esta mesma liderança também deve ajudá-lo(a) a ter certeza de que alguma decisão seja tomada em todos os assuntos preliminares das reuniões do Comitê, não deixando problemas para trás. É requisito necessário a um(a) bom(a) MCA possuir uma considerável habilidade para planejar e, certamente, ser capaz de conduzir reuniões de uma forma ordenada.
Capacidade de Comunicação – O(A) candidato(a) ideal é sensível aos desejos de sua Área e não apenas aos seus anseios pessoais. Ter uma vontade intensa de ver A.A. caminhar e prosperar, ser hábil para estabelecer a comunicação e poder prestar bom serviço, são qualidades deste servidor. Além disso, convém que esteja ciente das atividades bem ou mal sucedidas na Área, para poder manter informado o Delegado.
Também se considera em sua função o conhecimento do serviço em nível nacional e mundial, a fim de que possa manter o Comitê informado.
Bom exemplo – Um dos maiores serviços que este servidor pode prestar à Irmandade de A.A. é viver de tal forma que seu exemplo possa influir em muitos membros, sem que eles percebam. Afinal sabemos que ao observarem um(a) AA em atividade, os demais poderão perceber que o serviço prestado é parte vital da nossa recuperação pessoal.

ATRIBUIÇÕES

Suas atribuições são:
a) Convocar e coordenar as Assembléias de Área;
b) Convocar e coordenar as reuniões do Comitê de Área;
c) Planejar e supervisionar todas as ações da Área;
d) Zelar para que os Distritos recebam todas as informações dos Serviços Gerais;
e) Acompanhar a aquisição pelos Grupos do Relatório Anual da Conferência de Serviços Gerais;
f) Incentivar as inscrições para a Convenção Nacional;
g) Cumprir com o estabelecido no Regimento Interno da Área.

O(A) SECRETÁRIO(A)

O(A) Secretário(a) do Comitê de Área será eleito(a) de acordo com o estipulado no Regimento Interno da Área, e terá as seguintes atribuições:
a) Redigir e assinar com o Membro Coordenador de Área, as convocações e atas das Assembléias de Áreas e das Reuniões do Comitê de Área, enviando cópias para os Distritos;
b) Manter atualizado o cadastro de Grupos e Distritos, encaminhando-os ao ESG;
c) Manter em ordem todos os serviços de secretaria do Comitê de Área;
d) Cumprir com o estabelecido no Regimento Interno da Área.

O(A) TESOUREIRO(A)

O(A) Tesoureiro(a) do Comitê de Área será eleito(a) de acordo com o estipulado no Regimento Interno da Área.
É o(a) responsável pelo recebimento e gestão de fundos destinados a manutenção deste Órgão de Serviços, e tem as seguintes atribuições:
a) Conscientizar os Grupos através dos Distritos a contribuírem com os recursos necessários às atividades do Comitê de Área, CSG e JUNAAB;
b) Elaborar balancetes, prestando contas mensalmente aos Grupos através dos Distritos, e enviar cópia destes ao ESG;
c) Manter em ordem todos os serviços da tesouraria do Comitê de Área;
d) Cumprir com o estabelecido no Regimento Interno da Área.

SERVIDORES SUPLENTES

Sugere-se que o Comitê de Área tenha servidores suplentes para todos os encargos e que suas qualificações sejam as mesmas dos titulares para os encargos a que eles possam ser chamados a assumir.

OUTROS SERVIDORES DO COMITÊ

O Comitê de Área poderá ter outros servidores que sejam responsáveis por Comissões Especiais.
As qualificações destes servidores devem ser as mesmas dos demais servidores do Comitê, acrescidas da capacitação para o respectivo encargo. Serão indicados de acordo com o estipulado no Regimento Interno da Área.

COMO O COMITÊ DE ÁREA É MANTIDO FINANCEIRAMENTE

Para a manutenção de um Comitê de Área são necessários recursos suficientes ou as atividades do Comitê serão prejudicadas e dificultadas.
As Áreas devem manter suas tesourarias equilibradas financeiramente e também informar sua situação aos MCD’s e RSG’s com regularidade, através de relatórios financeiros. O Delegado necessita de recursos para viagens e para comparecer à CSG, e os membros do Comitê para visitarem os Distritos.
Aqui estão algumas fontes de recursos que uma Área pode utilizar para manter seu Comitê com eficiência:
a) Contribuições oriundas da Política Financeira estabelecida pela Área;
b) Contribuições voluntárias de membros e Órgãos de Serviços;
c) Contribuições dos Encontros, Seminários e outros eventos de serviço realizados na Área;

AS ATIVIDADES DO COMITÊ DE ÁREA

O Comitê de Área reúne-se periodicamente com a participação dos MCD’s, MCA, Secretário(a) e Tesoureiro(a) da Área, Delegado(a) da Área e dos(as) Coordenadores(as) das Comissões. Nessas reuniões, os mais variados aspectos das atividades da Área são abordados, entre eles:
a) Relatório do(a) MCA sobre as convocações e atas das Assembléias de Áreas e das reuniões do Comitê;
b) Comunicação do(a) Secretário(a) sobre suas atividades;
c) Comunicação do(a) Tesoureiro(a) sobre a situação financeira do Comitê de Área;
d) Relatório do(a) Delegado(a) sobre suas atividades ou comunicações recentes da JUNAAB;
e) Relatórios dos Distritos pelos(as) MCD’s;
f) Relatórios das Comissões, pelos(as) seus(suas) Coordenadores(as);
g) Elaboração ou alteração do Regimento Interno da Área.

APOIO À CSG E JUNAAB

A Área é a responsável pela realização da Conferencia de Serviços Gerais e pela manutenção da estrutura de funcionamento da JUNNAB, para tanto é de sua incumbência o custeio das mesmas, através da aquisição do Relatório Anual de Alcoólicos Anônimos do Brasil proporcionalmente a quantidade de Grupos existentes na Área, ou através de uma política financeira aprovada pela Conferência de Serviços Gerais. O Relatório anual será composto de material enviado pelas Áreas e da JUNAAB, de acordo com o estabelecido e dentro dos prazos estipulados pela Conferencia de Serviços Gerais.
É responsabilidade da Área a aquisição do Relatório Anual de Alcoólicos Anônimos do Brasil em número não inferior à quantidade de Grupos da Área, cabendo-lhe ainda, incentivar a aquisição de Relatórios Extras.

EVENTOS DA ÁREA

Geralmente as Áreas realizam os seguintes eventos: Interdistritais, Intersetoriais, Interáreas. Eles são organizados e orientados pela Comissão Organizadora de Eventos da Área – COE, designada para esta finalidade e contam com o apoio dos Distritos que destacam servidores para tal, mediante solicitação. Ao término dos eventos, o COE elabora seu relatório e presta contas ao Comitê de Área.
Reuniões Interdistritais – A experiência tem demonstrado que reuniões entre Distritos são bastante produtivas para o desenvolvimento da estrutura de A.A. como um todo. Essas reuniões em locais escolhidos pelos MCD’s com programação própria e inseridas no calendário da Área – visam o intercâmbio de experiências e informações comuns dos serviços, fórum de debates e textos sobre o tema central da CSG para enviar sugestões a Intersetorial ou CSG, contando com a participação ativa de representante(s) do Comitê de Área e com apoio dos Órgãos de Serviços.
• Reuniões Intersetoriais – É uma reunião organizada pelo Comitê de Área, entre os Setores da Área, cujo objetivo é analisar as proposições de recomendações, sugestões para fórum de debates e textos sobre o tema central da próxima CSG formulada no âmbito da Área, para serem enviadas ao CAC dentro do prazo estipulado pelo mesmo.
Os participantes, calendário e programação serão estabelecidos conforme regimento aprovado entre os setores envolvidos e o Comitê de Área.
Outra finalidade é o apadrinhamento de novos Delegados e para tanto, a Intersetorial deverá observar o Regimento Interno da Conferência de Serviços Gerais.
• Reuniões Interáreas – Objetivando intercâmbio de experiências e informações, as Áreas que compõe uma determinada Região reúnem-se em local e data previamente acertada entre elas, com a presença do Custódio Regional, que será incumbido da coordenação. Os participantes e o calendário serão estabelecidos em comum acordo entre as Áreas.
A troca de informações e experiências entre os servidores que compõem diferentes Comitês de Área, relatando fatos diversos sobre um mesmo tema, proporciona ampla visão dos variados aspectos das atividades da Irmandade.

A ASSEMBLÉIA DE ÁREA

A Assembléia de Área é composta de:
– RSG’s
– MCD’s,
– Membro Coordenador de Área – MCA
– Delegado de Área
– Secretário de Área
– Tesoureiro de Área

Todos com direito de voz e voto.

Constitui o motivo principal da estrutura da Conferência. É a voz democrática da Irmandade. As Assembléias são de responsabilidade do Comitê de Área e são conduzidas pelo seu Coordenador. Reúne-se pelo menos uma vez a cada ano. Elege o Delegado e Suplente em um ano e no ano subseqüente elege o MCA e Suplente. Os demais servidores do Comitê de Área de acordo com o estipulado no Regimento da Área. Também indica à Conferência os seus candidatos a Custódio, Membro para o Conselho Fiscal da JUNAAB e delibera sobre quaisquer outros assuntos de interesse da Área.
Geralmente, essa reunião é programada para o mês de outubro ou novembro. O Delegado e Servidores eleitos tomam posse perante a mesma Assembléia que os elegeu, passando a exercer seus encargos a partir do dia 1º de janeiro do ano seguinte.
A Assembléia de Área pode ser convocada extraordinariamente por seu Coordenador, pela vontade expressa de 1/3 (um terço) de seus membros ou 1/3 (um terço) do Comitê de Área, para estudo, debate e solução de problemas comuns a toda a Área, sempre que exista motivo relevante para convocação.

As atribuições de uma Assembléia de Área são:
a) Eleger e empossar o Delegado de Área e seu suplente;
b) Eleger e empossar o Membro Coordenador de Área e seu suplente;
c) Indicar candidatos a Custódio e Membro para o Conselho Fiscal da JUNAAB.
d) Homologar os demais servidores do Comitê de Área de acordo com o estipulado no Regimento da Área.

COMO ORGANIZAR UMA ASSEMBLÉIA

1- O Coordenador consulta o Comitê de Área antes de fixar a data, hora e local para a reunião.
2- O Secretário expede as convocações a todos os membros participantes, conforme autonomia da Área;
3- O Coordenador de Área planeja com os servidores a programação para a Assembléia;
4- O Secretário prepara a documentação necessária a ser utilizado, como também o material para votação e relação dos membros votantes;
5-Depende muito da habilidade do Coordenador que preside a Assembléia em dirigi-la sem
contratempos, podendo fazer um bom trabalho se seguir estas simples sugestões:
a) Como coordenador, responsabiliza-se para que os temas propostos sejam mantidos claros;
b) Se é proposta uma moção, certifica-se de que ela seja colocada clara e nitidamente, a fim de que todos saibam o que será votado;
c) Cumprir o procedimento do Terceiro Legado nas eleições;
d) Em questões simples, a maioria de votos é suficiente. Neste caso, o Coordenador pergunta: “Estão todos de acordo?” Se não houver discordância, a moção será aceita;
e) Uma Assembléia pode estabelecer suas próprias diretrizes, mas o Coordenador deixará bem claro que os participantes precisam decidir sobre qualquer modificação que for pedida, antes de uma moção ser votada, ou antes, de fazer uma eleição.

UMA AGENDA SOBRE COMO PROCEDER

a) O Coordenador abre a reunião e pede um instante de silencio, que é seguido pela Oração da Serenidade.
b) O secretário lê a convocação, a ordem do dia e faz a verificação do quorum.
c) O Coordenador estabelece a ordem das eleições.
d) Os Delegados e seus Suplentes, o Membro Coordenador de Área e seu Suplente são eleitos pelo procedimento do Terceiro Legado.
e) São colocados no quadro os nomes dos(as) candidatos(as) que enviaram seus currículos dentro do prazo estipulado pelo Regimento da Área;
f) Serão selecionados membros não votantes, para que atuem como escrutinadores, e outro para registrar no quadro;
g) Os votos, por escrito, são recolhidos e entregues aos escrutinadores para apuração;
h) A apuração é escrita no quadro, ao lado dos nomes dos candidatos;
i) O primeiro candidato que receber dois terços do total dos votos estará eleito;
j) Depois da segunda votação (supondo que nenhum candidato tenha recebido dois terços dos votos na primeira votação), qualquer candidato que tenha menos de um quinto do total de votos é eliminado, exceto os dois primeiros colocado que permanecem. No caso de haver empate para o segundo lugar, permanecem o primeiro colocado e os dois que empataram em segundo lugar;
l) Depois da terceira votação, os candidatos com menos de um terço do total de votos são automaticamente eliminados, exceto os dois primeiros colocados; em caso de empate no segundo lugar, permanecem o primeiro colocado e os dois que empataram em segundo lugar; é feita a quarta votação;
m) Depois da quarta votação, se nenhum candidato obtiver dois terços do total de votos, o Coordenador pede uma moção para que uma quinta e última votação seja feita pela maioria de mãos levantadas. Se esta moção for recusada, está terminada a votação e acontece um sorteio imediatamente. Se a moção for aprovada, é feita uma quinta e última votação;
n) Se nenhum candidato obtiver dois terços do total dos votos, o Coordenador anuncia que a escolha será feita por meio de sorteio (pelo chapéu);
o) O sorteio é feito pelo escrutinador e o primeiro nome tirado do chapéu indicará o servidor eleito; e
p) Em caso de candidato único que não alcance maioria de dois terços, poderá ser convocada nova eleição.
q) Indicar candidatos a Custódio e Membro para o Conselho Fiscal da JUNAAB, depois de avaliados seus currículos pela Assembléia, estando presentes ou não.
r) Após a escolha do Delegado e seu suplente, do Membro Coordenador de Área e seu suplente e da indicação dos candidatos a Custódio e Membro do Conselho Fiscal da JUNAAB, e cumprido os demais itens da ordem do dia, o Secretário elabora a ata da Assembléia, na qual constará o nome e o endereço dos servidores eleitos, remetendo cópia ao ESG/CAC da ata da Assembléia e currículo dos candidatos a Custódio e Membro do Conselho Fiscal indicados.
s) O Coordenador encerra a reunião.

Capítulo IV

O DELEGADO DE ÁREA

O Delegado de Área é o legítimo representante da consciência coletiva de sua Área na CSG. A experiência tem demonstrado que os melhores Delegados são aqueles integrados na Estrutura de Serviços Gerais de A.A, com experiência no serviço de Distrito ou como servidores do Comitê de Área.
O que é preciso para ser um bom Delegado? Se você estiver disponível, e considerando a sua disponibilidade como candidato a Delegado, faça a você mesmo estas perguntas?
a) Eu me saí bem como RSG? E como MCD? Agradaram-me as responsabilidades? Fui ativo?
b) Discuti com minha família sobre a possibilidade de trabalhar como Delegado? Terei tempo
disponível, o suficiente exigido pelo serviço?
c) Estou familiarizado com a literatura de Alcoólicos Anônimos, em especial com este Manual de Serviços, os Doze Passos, as Doze Tradições e os Doze Conceitos?
d) Procurei ex-Delegados para obter deles uma idéia do tempo e do esforço necessário e do tipo de trabalho que esperam que eu faça?
Não existe um tipo padrão de Delegado. Os membros de A.A. vêm de todos os níveis.
Entretanto, existem certas características que parecem ser próprias dos Delegados melhor
qualificados. Isto eles mesmos concordam, alguns anos após o término dos seus mandatos, quando então podem avaliar melhor a qualidade do trabalho que desenvolveram.
De um modo geral, o Delegado deve ter sido ativo em assuntos locais e de sua Área. Deve dispor de tempo, não só para assistir à reunião anual da Conferência, como para todos os esforços necessários antes e depois dessa reunião. Um olhar de relance nos deveres previamente especificados neste capítulo expressa tudo com relação ao tempo necessário
A experiência indica que o(a) candidato(a) deve ter no mínimo cinco anos completo de sobriedade e participação contínua nos serviços de A.A. na data da eleição.
Se o(a) Delegado(a) tiver qualidade de líder, será melhor. Aí ele(a) poderá estimular ações em sua Área e cooperar com o MCA para levar um serviço mais ativo à Área. Deve ter mente aberta. Ser capaz de sentar-se com outros Delegados para discutir e atuar em assuntos que digam respeito a A.A. como um todo.
O(A) Delegado(a) deve lembrar-se de que não é o(a) representante da sua Área no sentido político e não vai à Conferência de Serviços Gerais para obter benefícios especiais à sua Área. Ele(a) vai para prestar um serviço à Irmandade para assegurar-se de que A.A. continue a funcionar como um todo.
Deve trazer com ele(a) os pontos de vista de sua Área, com relação aos problemas gerais ou locais que podem afetar A.A. em seu todo. O(A) Delegado(a) deve atuar sempre como servidor(a) de confiança de A.A..
Embora nenhum Delegado represente uma cidade, no sentido político usual, em A.A. sempre achamos justo fazer um revezamento de uma cidade pouco povoada, ou de uma parte com a outra.
Entretanto, nenhum AA deverá ser menosprezado no interesse do revezamento geográfico.
O Delegado de Área tem as seguintes atribuições:
a) Participar, devidamente preparado, da reunião anual da Conferência, estudando detalhadamente o material recebido do ESG. Participando da CSG, levará os problemas e sugestões de sua Área. Além disso, estuda e vota a respeito de todas as questões, não como representante de uma Área em particular, mas como membro da Conferência, cujo dever é atuar de acordo com os melhores interesses de A.A como um todo;
b) Depois da reunião da Conferência, a eficiência do Delegado vai depender da sua capacidade de transmitir o conteúdo da mesma aos servidores de sua Área e estimulá-los a levarem estas informações aos RSG’s, Grupos, Distritos e Escritórios de Serviços Locais. O Delegado dificilmente conseguirá fazer seu trabalho sozinho, entretanto, ele pode dar uma idéia ampla sobre os Serviços Gerais de A.A. aos MCD’s, RSG’s e demais servidores da Área e solicitar-lhes que compartilhem consigo do encargo;
c) Durante a Conferência, esse servidor adquire uma melhor compreensão dos serviços gerais, ficando, então, apto a explicar à Área a importância daquela reunião para a continuidade e o crescimento da Irmandade. Retorna à Área de origem com fatos e números. No entanto, o mais importante é que terá um melhor entendimento sobre o grande movimento em ação;
d) Inteirar-se nas Reuniões e Assembléias de Área de todos os assuntos da Área, capacitando-se a dar sugestões à agenda da CSG;
e) Participar de eventos que se realizam na Área, onde terá oportunidades adicionais para falar aos membros sobre os serviços gerais;
f) Colaborar com o Comitê de Área na conscientização de membros e órgãos de serviços para a obtenção do apoio financeiro necessário a Área e a JUNAAB;
g) Informar os MCD’s e RSG’s sobre o BOB Mural e a Revista VIVÊNCIA, além de edições informativas da JUNAAB, bem como da literatura aprovada pela CSG;
h) Cooperar com a JUNAAB fornecendo informações e auxiliando-a para ter uma visão geral do funcionamento da Área;
i) Esclarecer à comunidade de A.A. da Área sobre as atividades e finalidades do Escritório de Serviços Gerais – ESG, e sua importância como Secretaria da Junta;
j) Ajudar a resolver os problemas nos quais estejam envolvidas as Doze Tradições de A.A;
k) Visitar os Grupos, Distritos e ESL’s da Área. O Delegado deve estar atento às necessidades da Área. Depois que os RSG’s e MCD’s tenham sido informados sobre as deliberações da Conferência de Serviços Gerais, deve se inteirar de como os Grupos reagiram, viabilizando assim a via de mão dupla;
l) Assumir interinamente a Coordenação da Área se o Coordenador eleito e seu suplente estiverem impossibilitados, convocando Assembléia extraordinária para tomada de decisão;
m) Manter plenamente informado o Delegado suplente, utilizando sua ajuda tanto quanto possível, a fim de capacitá-lo a assumir as funções;
n) Apadrinhar o Delegado recém-eleito, seu sucessor, a fim de proporcionar-lhe o conhecimento básico sobre os procedimentos da Conferência.

O mandato de um Delegado – Presta serviços por dois anos, podendo ser novamente eleito para o encargo passados 03 (três) mandatos após o seu. Entretanto, um Delegado suplente poderá ser eleito titular para o período seguinte. Os candidatos deverão apresentar seus currículos de serviços em A.A. em prazo estipulado pelo Comitê de Área para apreciação dos Grupos e Órgãos de Serviços.

A respeito do Delegado Suplente – Todas as Áreas devem ter Delegados suplentes, os quais devem possuir as mesmas qualificações do titular. Eles servem como assistentes valiosos, substituindo e muitas vezes viajando com o Delegado titular, auxiliando-o na coleta de informações e na solução de problemas. Poderá, também, prestar serviços de informação ao público, em instituições ou em qualquer outra função especial do Comitê de Área. Prestam serviços por 02 anos, podendo exercer novamente o encargo, passados 03 mandatos após o seu. São eleitos pelo mesmo critério do delegado titular.

Despesas do Delegado – A tesouraria do Comitê de Área é responsável por todas as despesas decorrentes das atribuições do encargo. Assim, um bom planejamento é essencial, estimulando os Grupos a fornecerem os recursos necessários de acordo com a Política Financeira estabelecida pela Área;

CAPÍTULO V

A CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS

É a depositária da consciência coletiva dos Grupos de A.A e o Órgão máximo e soberano de deliberação da irmandade de A.A do Brasil.
A Conferência de Serviços Gerais é, portanto, a verdadeira manifestação da consciência coletiva dos grupos iniciada pela ação dos seus membros que elegem os RSG’s, passando pelos MCD’s, Comitês de Áreas e Delegados de Área, terminando na Junta de Serviços Gerais.

PARA QUE A CONSCIÊNCIA COLETIVA SE MANIFESTE CORRETAMENTE, É NECESSÁRIA A PARTICIPAÇÃO DE TODOS, EM TODOS OS NIVEIS DE SERVIÇOS, PROPORCIONANDO QUE A INFORMAÇÃO CHEGUE DE MODO CLARO, LÍMPIDO, RÁPIDO E PRECISO.

A REUNIÃO ANUAL DA CONFERÊNCIA

As reuniões da Conferência são realizadas anualmente na Área sede da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil (JUNAAB).
A Conferência dura alguns dias, no entanto, há o desenvolvimento do trabalho de um ano que se levou para a elaboração da agenda e programa.
Durante os trabalhos, há um grande intercâmbio de idéias. As sessões da Conferência não são de modo algum rígidas. Os Delegados simplesmente atuam com naturalidade, como deve ser em A.A.. Embora se discuta plenamente qualquer questão passível de várias respostas, todos tendem a não perder tempo, senão para cumprir a agenda e apegar-se a questões que digam respeito ao movimento como um todo.
É importante que os Delegados de Área cheguem preparados, pois se espera que tenham compartilhado as experiências com seus antecessores. Nas semanas que precedem a CSG, o ESG os mantém informados sobre as questões que serão objeto de debates. Assim eles podem ter uma “visão antecipada” da Conferência, junto com seus Comitês e RSG’s.
Eles recebem praticamente tudo sobre o que os espera ao chegar à CSG.
As Comissões da Conferência se dedicam ao estudo do material a ser debatido nas reuniões plenárias. Elas se reúnem durante a Conferência, com a freqüência necessária, para um debate completo de cada item da agenda e para apresentar a opinião da maioria.
Um assunto também poderá ser apresentado e discutido sem se chegar, contudo, a uma conclusão. Qualquer um que tenha problema ou uma queixa pode ir à sessão Plenária e apresentá-lo. Às vezes, há debates acalorados. De acordo com a agenda, cada Relator de Comissão da Conferência lê o seu relatório completo para o plenário. Cada atividade do relatório é, então, apresentada separadamente. Uma atividade pode ser aceita ou não pela Conferência e um tempo suficiente é permitido para um debate completo. O relatório pode ser aceito integralmente, com alterações ou em parte.
A Conferência é a voz de A.A, ela pode, no entanto, submeter à livre debate problemas, tendências e perigos que possam afetar a harmonia, o propósito e a eficiência da Irmandade. Quando a Conferência (por maioria de votos) tiver expressado preocupação sobre alguma possível ameaça aos princípios de A.A., a Irmandade será ouvida. Provavelmente, sempre será assim.

MEMBROS DA CONFERÊNCIA

Desta reunião participam, com direito a voz e voto, hum Delegado de cada Área, os Custódios e a Diretoria Executiva da JUNAAB. Os Coordenadores dos Comitês da Junta participam das Comissões e nelas terão direito a voz e voto. Poderão também participar da Conferência, convidados de outros países como observadores.

RELATANDO AOS MEMBROS

O relato do Delegado, em certo sentido, começa com a informação antecipada que recebe da Conferência, referente à agenda para sessões da reunião. Contém uma explicação sobre a CSG e solicita que o Delegado explique tudo aos Grupos e Comitês de Área para que seja apreciado, possibilitando-lhe estar ciente da consciência dos Grupos sobre os assuntos a tratar.
Durante a Conferência, o Delegado toma as suas próprias decisões e anotações. Com a grande quantidade de material, mais suas anotações, o Delegado dispõe então de subsídios vitais para, quando retornar à sua Área, ter vasta informação.
Os resultados das sessões da Conferência serão de muita valia aos Comitês de Área, e
conseqüentemente aos Grupos. Assim, a atribuição do Delegado, ao prestar informações do acontecido na Conferência, se torna tão importante como o programa da Conferência em si. Ele poderá absorver muito do que sucedeu e formular um resumo dos debates, das informações que recebeu e demais atividades.
A Conferência é gravada em vídeo. Posteriormente, é remetido um relatório sucinto às Áreas
contendo todos os aspectos importantes, ressalvados os casos das reuniões extraordinárias, onde serão tratadas e votadas matérias de ordem legal ou que gerem implicações jurídicas, quando então serão lavradas atas formais.
No transcurso do ano, os Delegados e Comitês de Área serão informados sobre as atividades da
JUNAAB através do ESG, especialmente sobre os resultados das reuniões dos comitês da Junta.

COMISSÕES DA CONFERÊNCIA

Dentre os serviços da Conferência, é de grande importância o trabalho das Comissões Permanentes, das quais os Delegados fazem parte.
Dessa forma, a Conferência cumpre com grande parte de suas atribuições quando os Delegados atuam, principalmente, de duas maneiras:
1. Fazendo parte das Comissões Permanentes, participam plenamente de todas as atividades de A.A;
2. Integrando o Plenário da Conferência, discutem sobre todos os assuntos referentes à Irmandade.Não fossem as Comissões, dificilmente a Conferência poderia cobrir uma fração dos campos que agora cobre. À proporção em que a Conferência vai crescendo em tamanho e influência, a importância das Comissões irá crescendo muito mais. Com o passar dos anos, outras Comissões irão sendo agregadas. Todas as Comissões possuem tempo suficiente para se reunir e considerar as propostas apresentadas.
A reunião anual da Conferência não é apenas uma reunião de Comissões.
As Comissões se reúnem, deliberam e podem obter conclusões a serem enviadas ao Plenário.
Podem, também, passar o assunto para a Conferência sem emitir qualquer opinião. Entretanto, quando uma Comissão toma a sua própria decisão sobre determinada questão, o Plenário não está obrigado a aceitá-la.
No Brasil, as Comissões da Conferência, no momento, são seis, a saber: Agenda e Sede; Literatura e Publicações; Finanças; Normas e Procedimentos; Trabalhando com os Outros e de Nomeações. A Conferência pode, ainda, nomear Comissões Especiais.
Cada Comissão trata de assuntos específicos e a maioria delas corresponde aos Comitês de
Assessoramento da Junta de Serviços Gerais. Assim, vejamos:

AGENDA E SEDE – Para funcionar com eficiência, deve trabalhar com base nas informações recebidas do Comitê de Assuntos da Conferência (CAC) da Junta de Serviços Gerais.
Esta Comissão deverá também analisar as propostas das Áreas para sediar a Convenção
Nacional, levando em conta a infra-estrutura oferecida.

LITERATURA E PUBLICAÇÕES – Tem por objetivo apresentar ao plenário da Conferência sugestões para recomendações de publicações de novos títulos e atualizações dos editados, bem como cuidar do cumprimento, pelo Comitê correspondente da Junta, das recomendações da Conferência anterior.

FINANÇAS – É sua responsabilidade, em conjunto com o Comitê de Finanças e Orçamento da Junta, prover meios para a manutenção da Irmandade. É dela também a responsabilidade pelo exame das contas da JUNAAB e demais Órgãos de Serviços na reunião da Conferência. Nesta Comissão, o dinheiro, oriundo da Sétima Tradição e da venda de literatura, reveste-se em espiritualidade, medindo exatamente o desenvolvimento e crescimento de nós mesmos e dos novos serviços, providenciando para que os Órgãos da sede tenham recursos suficientes para se manterem estáveis a qualquer tempo. Os servidores desta Comissão precisam ser firmes, práticos e com bastante experiência financeira, pois cabe a eles planejar e calcular a renda e gastos de cada exercício. Além disso, a Comissão de Finanças apresenta sugestões à Conferência para administração das finanças de A.A em todos os níveis.

NORMAS E PROCEDIMENTOS – Preocupa-se sempre com os assuntos que estão despertando interesse geral dentro da Irmandade, mas que não se enquadram claramente nas atribuições de nenhuma outra Comissão. Todas as alterações no funcionamento de A.A em geral, bem como todos os procedimentos que afetem seu desenvolvimento terão que passar primeiramente pelo seu crivo, inclusive os assuntos relacionados ao Manual de Serviço de A.A..
Esta Comissão pode propor a ampliação do número de Comissões da Conferência.

TRABALHANDO COM OS OUTROS – Trata dos assuntos diretamente ligados à Quinta Tradição, engloba estudos, planificação e avaliação dos trabalhos do respectivo Comitê da JUNAAB.

DE NOMEAÇÕES – Encarrega-se de analisar e emitir parecer sobre os currículos dos candidatos a Custódio e Membro do Conselho Fiscal da JUNAAB.
Após análise, os currículos dos candidatos a Custódio são encaminhados para a JUNTA DE
CUSTÓDIOS, e dos candidatos a Membro do Conselho Fiscal para a CSG.

ESPECIAIS – Eventualmente nomeadas pela CSG, estas Comissões podem ser compostas por Delegados ou não, para projetos ou execução de tarefas específicas, como por exemplo, a revisão de estatutos e para a organização da Convenção Nacional. Os Coordenadores ou relatores destas Comissões, não Delegados, têm assento na Conferência e participam exclusivamente dos debates pertinentes. Terminadas as tarefas, estas Comissões automaticamente se dissolvem.

COMO SERVEM AS COMISSÕES

A eficiência de qualquer Comissão depende muito do Coordenador. Se for ativo, a Comissão
trabalhará a todo vapor e manter-se-á produzindo bons resultados. Entretanto, as Comissões da Conferência têm outro fator ao seu favor, é que os secretários, que podem ser membros do quadro de funcionários do ESG, estão todos interessados em colaborar com as Comissões. A cada dia, os membros do quadro de funcionários estão envolvidos nas mesmas áreas de serviços que são da responsabilidade das Comissões.

REGIMENTO INTERNO DA CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS DO BRASIL

CAPÍTULO I

DOS MEMBROS DA CONFERÊNCIA

Art. 1º – A admissão à Conferência ocorre pela declaração do Presidente ao Plenário, no início ou no transcorrer de qualquer sessão plenária.
Art. 2º – O membro da Conferência usa da palavra em Plenário:
I – por cinco minutos nas discussões de proposição de qualquer espécie;
II – por dois minutos para questão de ordem sobre matéria regimental ou para declaração urgente de assunto grave e importante;
III – por dois minutos para declaração de voto, de requerimento oral ou apoio de requerimento escrito;
IV – por determinação do Presidente da sessão, para assunto e pelo tempo determinado por este.
§ 1º. Em nenhuma hipótese o membro da Conferência pode fazer uso da palavra para tratar de assunto estranho ou paralelo ao que estiver sendo discutido.
§ 2º. É facultado ao membro da Conferência, no caso da alínea “a”, ceder seu tempo a qualquer outro.
Art. 3º – O Presidente da sessão pode aplicar as seguintes medidas:
I – advertência de tempo esgotado – toque de campainha;
II – cassação da palavra por abuso de tempo, intemperança de linguagem, de gestos ou de atos impróprios às Tradições, à ética e à moral de A.A.;
III – suspensão dos trabalhos pelo tempo necessário à sua normalização.

Parágrafo único: Os Custódios não alcoólicos não estão sujeitos às medidas do Art. 3º.

CAPITULO II

DAS COMISSÕES DA CONFERÊNCIA

Art. 4º – A Conferência tem Comissões Permanentes e Especiais.
§ 1º. As Comissões Permanentes e suas respectivas atribuições são as constantes do Manual de Serviço de A.A.
§ 2º. As Comissões Especiais são formadas para estudo de assuntos emergentes não afetos às Comissões Permanentes.
Art. 5º – Na composição de cada Comissão é incluído, obrigatoriamente, um membro Custódio, com direito a voto
§ 1º. O Gerente Administrativo do ESG e os Coordenadores dos Comitês da Junta participam de qualquer Comissão com fins de assessoramento e esclarecimento relativos aos seus serviços, com direito a voto (Conceito IV).
§ 2º. As Comissões adotarão os critérios a seguir indicados para apreciação das propostas de recomendações:
I – não recomendar o que existe na literatura;
II – não recomendar o que possa ferir a autonomia dos Grupos e Órgãos de Serviço;
III – não recomendar o que pode ser resolvido em nível de Área;
IV – não recomendar o que já está sendo cumprido;
A recomendação deve ser redigida em linguagem clara, concisa e correta, a fim de evitar dupla interpretação.
§ 4º. O estudo de assuntos pelas Comissões é apresentado à Conferência para apreciação, mediante parecer conclusivo ou projeto de recomendação.
§ 5º. Uma matéria, quando aprovada por dois terços (2/3) do quorum da Conferência, é obrigatória para a Junta de Custódios e para os órgãos executivos da JUNAAB. Uma matéria aprovada por menos de dois terços (2/3) constitui apenas sugestão.
§ 6º. A recomendação de caráter geral aos Grupos de A.A não tem força de cumprimento obrigatório, mas de importante sugestão, visando o bem comum da Irmandade, segundo o pensamento da Conferência.
§ 7º. A recomendação da Conferência é norma diretiva e, como tal, tem validade por um ano.
§ 8º. Os Coordenadores ou Relatores das Comissões Especiais têm acesso à Conferência quando da discussão e votação de suas conclusões ou projetos.
§ 9º. É facultado, a qualquer membro das Comissões, apresentar à Conferência emendas ou substitutivos parciais ou totais, em separado do relatório. Neste caso, em obediência ao DIREITO DAS MINORIAS, a Conferência examina a emenda ou substitutivo na mesma ocasião em que examinar a matéria do relator e dá ao membro discordante o mesmo acesso, tempo e atenção concedidas àquele.
§ 10º. As Comissões Especiais se extinguem pela conclusão de suas tarefas ou ao término do prazo determinado quando de sua criação.

CAPITULO III

DA ORDEM DO DIA

Art. 6º – A ordem do dia é organizada pela Junta de Custódios, aprovada pela Conferência com observância da pauta seguinte:
I – discussão e aprovação, quando for o caso, do relatório da Conferência anterior (artigos 8º e 9º);
II – admissão de novos Delegados de Área;
III – homologação dos nomes dos Custódios eleitos pela Junta de Custódios;
IV – eleição dos Membros do Conselho Fiscal da JUNAAB;
V – apreciação dos projetos de reforma do Estatuto da JUNAAB, deste Regimento Interno ou do Manual de Serviço de A.A. (Parágrafo 1º);
VI – constituição das Comissões Permanentes e Especiais;
VII – trabalho das Comissões;
VIII – votação dos pareceres e recomendações das Comissões;
IX – apreciação do relatório da JUNAAB e de seus órgãos executivos;
X – apresentação dos relatórios dos Delegados à Reunião de Serviço Mundial.
§ 1º. Constituem matéria preferencial os projetos de reforma de Estatuto da JUNAAB, Regimento Interno da Conferência e do Manual de Serviço de A.A, os quais devem ser votados logo após a aprovação do relatório da Conferência anterior e homologação dos nomes dos Custódios.
§ 2º. Que na homologação ou eleição pela CSG dos candidatos a Custódios, e Membros do
Conselho Fiscal da JUNAAB, antes da votação em plenário, seja franqueada a palavra a um Delegado de Área ou Custódio, da Região que indicou o candidato.
§ 3º A ordem do dia não pode ser alterada, salvo:
I – em virtude da deliberação da Conferência no sentido de adiamento ou inversão da pauta;
II – pela retirada de qualquer matéria, para correção de erro ou para sanar falhas de instrução.
Art. 7º – As proposições consistem em:
I – projetos de reforma do Estatuto, do Regimento Interno da Conferência ou do Manual de Serviço de A.A.;
II – pareceres e projetos de recomendações das Comissões;
III – requerimentos.
§ 1º. Os requerimentos podem ser escritos ou orais.
§ 2º. Não é levado em consideração o requerimento de transcrição, no relatório da Conferência, de voto de louvor ou de agravo a pessoas vivas ou mortas, ou a Órgãos de Serviços de A.A. no desempenho normal de suas funções.

CAPITULO IV

DO RELATÓRIO DA CONFERÊNCIA E DOS ANAIS

Art. 8º – De cada reunião da Conferência elabora-se relatório resumido, com cópia para todos os participantes. As cópias dos relatórios são entregues ao final de cada Conferência.
§ 1º. A remessa do relatório compete ao ESG.
§ 2º. O ESG manterá relatório audiovisual, em videoteipe, de todo o ocorrido na Conferência, à disposição dos interessados participantes das respectivas reuniões.
§ 3º. Recebida a cópia do relatório resumido, os participantes da Conferência com direito a voto tem 30 (trinta) dias para requerer qualquer alteração. Não havendo manifestação, o silêncio é interpretado como aprovação.
Art. 9º – Da denegação do pedido de modificação ou de retificação do relatório cabe recurso à Conferência.
Art. 10 – O relatório e todos os documentos apresentados à Conferência são organizados em anais para futuras consultas e preservação da memória dos serviços de A.A. do Brasil.

CAPITULO V

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 11 – Este Regimento Interno não pode ser usado como motivo ou justificativa para o não atendimento do DIREITO DAS MINORIAS por parte da Conferência de Serviços Gerais.
Art. 12 – Este Regimento Interno é norma complementar do Estatuto da JUNAAB e pode ser reformado a qualquer tempo por iniciativa dos membros da Conferência ou de suas Comissões.
Art. 13 – Este Regimento Interno entra em vigor imediatamente após a sua aprovação pela Conferência.
Aprovado em……., na ….. Conferência de Serviços Gerais de A.A. do Brasil realizada em São Paulo-SP.

CAPÍTULO VI

A JUNAAB E SEUS ÓRGÃOS DE SERVIÇOS

Nos capítulos anteriores, tratamos da Conferência de Serviços Gerais, dos Delegados de Área e dos RSG’s, como elementos que diretamente interferem na informação e no funcionamento da CSG.
A Conferência é um órgão colegiado que se reúne uma vez por ano e, extraordinariamente, em casos especiais. Nas reuniões ordinárias, a Conferência apenas delibera e resolve o que deve ser feito, mas a sua organização não lhe permite executar, diretamente, suas deliberações. Para tanto, é necessário um órgão de composição menos numeroso, de atuação efetiva e com poderes legais para praticar os atos administrativos próprios de uma sociedade civil. Este órgão é a Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil – JUNAAB.
Como Órgão de Serviços, a JUNAAB está formalmente organizada, regida por um Estatuto onde estão estabelecidas legalmente sua destinação, atribuições, forma pela qual é administrada, bem como a composição e competência de sua diretoria executiva e de cada um dos diretores em particular.
Para a execução de suas atribuições, a JUNAAB conta com sua Diretoria Executiva e os Comitês de Serviços, que tratam principalmente dos assuntos administrativos, financeiros e comerciais. A exemplo da Conferência, a JUNAAB se orienta pelas Tradições e pelos demais princípios de A.A .
Na verdade, no Estatuto dos Órgãos de Serviços de A.A, as “Doze Tradições”, os “Doze Passos” e as “Garantias Gerais da Conferência” estão incluídos como parte integrante, imutáveis no todo ou em parte.

O ESCRITÓRIO DE SERVIÇOS GERAIS – ESG

Escritório de Serviços Gerais – ESG é nome figurativo, e indica o escritório sede da JUNAAB e a própria Diretoria Executiva.
Atribuições básicas do ESG:
a) Secretariar a Conferência e ajudar na sua realização;
b) Acompanhar e ajudar nos preparativos, divulgação e realização das Convenções nacionais de A.A;
c) Manter a Irmandade informada sobre todos os assuntos relativos à A.A no seu todo;
d) Orientar os Grupos sobre questões que possam resultar na quebra das Tradições ou de outros princípios de A.A;
e) Intercambiar informações com as Áreas, Escritórios de Serviços Locais, Distritos e Grupos, no sentido de que problemas e soluções comuns possam ser compartilhados;
f) Ajudar através de troca de experiências na organização de Seminários Regionais e Encontros locais;
g) Pesquisar e manter arquivo da história de A.A no Brasil;
h) Publicar e distribuir as informações disponíveis em forma de guias, roteiros e relatórios.
Para realizar essas atribuições e muitas outras que constantemente estão sendo acrescentadas pela dinâmica de suas relações com a comunidade A.A e com a sociedade em geral, é imprescindível que o ESG disponha de um sólido apoio financeiro. Efetivamente, os Grupos e os membros de A.A devem contribuir com o suficiente para manter esses importantes serviços.
Por outro lado, os companheiros começam a entender que um dos pilares de sustentação da moral e da ética de A.A é a sua auto-suficiência, causa do respeito e da admiração daqueles que procuram inteirar-se sobre nossa Irmandade, sobre como funciona e sobre como se sustenta financeiramente.
Chega mesmo a causar espanto o fato de que A.A não recebe doações de fora e de que jamais solicita verbas públicas ou particulares. Os Grupos, por sua vez, já se conscientizam da conveniência de estabelecer um Plano de Contribuições regulares através do qual é enviada determinada quantia mensalmente para suprir desta forma as necessidades dos Órgãos de Serviços.

A REVISTA BRASILEIRA DE ALCOOLICOS ANONIMOS

“VIVÊNCIA”

Em 1977, a Comissão de Literatura e Publicações considerava oportuno que A.A do Brasil possuísse a sua Revista, a exemplo da “Grapevine” e “El Mensaje”, recomendando que se elaborasse um projeto, com análise dos custos, para a implantação desta nova entidade de A.A. do Brasil.
Entre 1977 e 1986, não foi possível tornar realidade aquela recomendação, retornando o assunto à Conferência de 1986, quando foi autorizada a criação da Revista Brasileira, tendo sido aprovada por unanimidade.
Assim, a Junta providenciou que se editasse, a título experimental, a fim de que a Irmandade apreciasse e se manifestasse sobre como deveria ficar a Revista Brasileira de Alcoólicos Anônimos. O formato foi escolhido, a revista foi registrada como propriedade da Junta e organizada como departamento autônomo do ESG.
Consultada, a Irmandade opinou também sobre o nome “VIVÊNCIA”, título igualmente registrado.
A Revista tem como objetivo principal, o de informar ao público em geral como funciona a Irmandade de A.A, destacando o Programa de Recuperação, tendo também a finalidade de informar aos membros e aos Grupos de A.A o que a comunidade profissional pensa a respeito da nossa Irmandade e sobre o problema do alcoolismo. É de responsabilidade do Comitê de Publicações Periódicas seu Editorial.

JUNTA DE CUSTÓDIOS

Custodiar significa ter em custódia, guardar ou proteger, e Custódio é aquele encarregado de
guardar ou proteger alguma coisa.
Em A.A, o encargo de Custódio tem o sentido de administrador de confiança, e, ao mesmo
tempo, de depositário e guardião dos princípios da Irmandade, notadamente das Doze Tradições.
O Custódio é, em verdade, o servidor de maior responsabilidade dentro de A.A., mas não é um governante no sentido estrito do termo.
Historicamente, os Custódios em A.A nasceram com a Fundação do Alcoólico na América do Norte. A Fundação podia receber doações de fora e os doadores podiam abater no Imposto de Renda as quantias doadas. Inicialmente, os membros pioneiros escolheram cinco pessoas de confiança para gerir os fundos arrecadados, sendo três não alcoólicos e dois membros de A.A, um deles o Dr. BOB. Podemos dizer que esta foi, portanto, a primeira Junta de Custódios na história de A.A, muito embora não tivesse, àquela época, esta denominação. Somente em 1954 a Fundação foi transformada na verdadeira Junta de Custódios.
Na América Latina, o primeiro país a instituir uma Junta de Custódios foi a Colômbia, em 1969,seguindo-se El Salvador, em 1979.

No Brasil, durante a VI Conferência de Serviços Gerais, realizada em Fortaleza em 1982, foi
aprovado o Estatuto da JUNAAB e nele constou, pela primeira vez, legalmente instituída, a Junta de Custódios. No ano seguinte, na Conferência, realizada em São Paulo, foram eleitos nossos primeiros Custódios, em número de nove, sendo três não alcoólicos e seis membros da Irmandade, cuja posse se deu na VIII Conferência, em Blumenau – SC.
A introdução dos Custódios no Brasil foi precedida de longa reflexão por parte dos membros da Irmandade com maior responsabilidade em seus serviços.
Os Delegados de Área, os Diretores da então Junta de Serviços e um número considerável de companheiros discutiram, durante anos, a conveniência e o momento de adotarmos o encargo de Custódio. Muitos receavam esta adoção questionando, principalmente, o comportamento dos não alcoólicos na condução dos negócios da JUNAAB e nas relações com os Grupos em geral.
A experiência de outras estruturas, especialmente a dos Estados Unidos / Canadá era, porém, de modo a nos tranqüilizar neste particular. Dessa bem sucedida experiência é o testemunho do próprio Bill W., registrado no Manual de Serviço americano/canadense:
“A nossa dívida para com aqueles que não são portadores da nossa enfermidade, mas que voluntariamente compartilham dos nossos problemas é imensa… muitos deles, cujas contribuições em esforços, tempo e força jamais poderão ser suficientemente reconhecidas”.
“A nossa dívida com todos os Custódios não alcoólicos é enorme e somente pode ser paga em termos de amor e de respeito.”
Essas palavras de reconhecimento, escritas há alguns anos pelo co-fundador Bill W, cabiam, cabem, assentam e se encaixam, na forma e no espírito, ao caso de A.A no Brasil. Com efeito, a partir da introdução dos Custódios não alcoólicos, a JUNAAB ganhou em unidade de procedimento e na determinação de não deixar que concepções, vontades e métodos pessoais prevaleçam dentro da Junta. Logo, de imediato, souberam elas conquistarem os companheiros alcoólicos pelo exemplo de serenidade, dedicação e, sobretudo de responsabilidade.
Os Custódios relacionam-se com todos os acontecimentos dentro e fora de A.A que possam afetar o bem-estar e crescimento da Irmandade. Em razão de eles manterem contato permanente com as atividades do ESG, são freqüentemente os primeiros a se darem conta das tendências influentes no futuro de A.A.
Entretanto, tal como mostra a Ata de Constituição, os seus deveres são, essencialmente, de custódia e proteção. Quando é necessária a tomada de decisão a cerca de norma de procedimento de toda Irmandade, eles consultam a Conferência.
Como eles são uma parte do corpo da Conferência participam da tomada de decisões, somente, como membros individuais, não como Grupo.
Os Custódios têm duas atividades distintas: uma coletiva, como Junta, e a outra individual, representada pela ação específica de cada um.
Como Junta, eles trabalham através da ação dos seus Comitês de assessoramento, cujo desempenho é detidamente estudado e aprovado nas suas reuniões trimestrais e através da atuação do ESG. Seu vínculo de comunicação com a Irmandade é a literatura editada, as edições da VIVÊNCIA, os Boletins, as Circulares Mensais e correspondências diversas.No campo individual, destaca-se a atribuição dos Custódios não alcoólicos na divulgação da Irmandade através da mídia, onde o seu anonimato pessoal não é exigido. Além disso, comparecem aos diversos eventos de A.A. e participam de simpósios e seminários com Profissionais.
Aos Custódios de Serviços Gerais compete a função administrativa conjunta, com atribuições individualizadas.
Aos Custódios Alcoólicos Regionais, compete a Coordenação do Relacionamento das diversas Áreas de suas regiões e a coordenação das Reuniões Interáreas.
O organograma da Irmandade nos mostra como a Junta de Serviços Gerais se enquadra dentro da estrutura geral e como os Custódios obtêm da Conferência a atribuição de responsabilidade que têm. Este relacionamento se estabeleceu desde o primeiro instante em que a estrutura da Conferência foi organizada.
A Junta de Serviços Gerais tem apenas um propósito: o de servir à Irmandade de Alcoólicos Anônimos. É, na realidade, uma entidade criada e agora designada para manter serviços àqueles que procuram A. A em busca da sobriedade através dos “Doze Passos” sugeridos – base fundamental do programa de recuperação.
A Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil – JUNAAB não reclama nenhum direito de propriedade no programa de recuperação, porque os “Doze Passos”, como todas as verdades espirituais, estão à disposição de toda a humanidade.
Entretanto, como os “Doze Passos” demonstra constituir uma efetiva base espiritual para a vida e, se praticados, podem deter a enfermidade do alcoolismo, a Junta tem o direito de impedir qualquer modificação, alteração ou ampliação, de acordo com o estabelecido na Ata de Constituição da Conferencia de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos dos EUA e Canadá.
A Junta de Serviços Gerais, em seus atos, se guiará pelas “Doze Tradições”, fazendo sempre o maior esforço para assegurar que sejam mantidos estes princípios. A JUNAAB é vista pela Irmandade como guardiã das Tradições, mas mesmo assim, nem ela, na medida em que possuir poder para fazê-lo, poderá modificá-las.

QUEM SÃO OS CUSTÓDIOS

A Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil é composta por 14 (quatorze) Custódios, sendo 10 (dez) alcoólicos, membros da Irmandade e 04 (quatro) não alcoólicos. São eleitos anualmente, de acordo com a necessidade, na Conferência de Serviços Gerais, possibilitando o fluxo necessário e tradicional de novos Custódios na Junta com mandatos de 04 (quatro) anos.

Os Custódios estão agrupados em 02 (duas) classes e 03 (três) categorias, a saber:

Classes de Custódios:
1. Custódios não alcoólicos;
2. Custódios alcoólicos.

Categorias de Custódios:
1. Custódios Regionais – todos alcoólicos, em número de 06 (seis), um para cada região de A.A no país, de acordo com o mapa da página XXX ;
2. Custódios de Serviços Gerais – 02 (dois) não alcoólicos e 02 (dois) alcoólicos. Os não alcoólicos é o Tesoureiro Geral I e II, os dois alcoólicos são o Secretário Geral e o Diretor Financeiro. Os Custódios de Serviços Gerais devem residir a uma distância nunca superior a duzentos quilômetros (200 km) da cidade sede da JUNAAB;
3. Custódios Nacionais – em número de 04 (quatro), sendo 02 (dois) não alcoólicos e 02 (dois) alcoólicos. Os não alcoólicos exercem a função de Presidente e 1º Vice Presidente; os alcoólicos são Delegados à RSM.
Os Custódios não alcoólicos poderão ser candidatos à nova eleição por mais um mandato. Os Custódios Alcoólicos não poderão ser reeleitos em qualquer situação.
Em uma situação de vacância para o encargo de Custódio, independente da categoria, a Junta de Custódios deverá eleger em sua próxima reunião ordinária um sucessor que irá cumprir o mandato por 04 anos, devendo ser homologado na próxima Conferência de Serviços Gerais.
Para tanto, a Junta de Custódios deverá observar o que está disposto neste Manual para indicação desses servidores.

CUSTÓDIOS NÃO ALCOÓLICOS

Pode-se dizer, com certeza, que são as pessoas mais ocupadas dentro de A.A e as que mais têm contribuído, mostrando grande dedicação e bom senso.
A sua escolha deve recair entre aqueles colaboradores não alcoólicos que estejam, ao longo de muitos anos – dez anos seria o desejável -, envolvidos com o trabalho de A.A, nos diversos campos de atividades da Irmandade. Devem ser conhecedores profundos da dinâmica e da estrutura de A.A

CUSTÓDIOS ALCOÓLICOS

A experiência mostra que o Custódio alcoólico com as qualidades seguintes tem sido capaz de contribuir muito para a boa administração da Junta:
a) Experiência em vários encargos de serviços – O servidor que tenha passado várias fases do serviço nos diversos campos de atividades, inclusive como Delegado de Área, sem dúvida terá obtido uma visão ampla da Irmandade no seu todo. Paralelamente à experiência, deverá apresentar considerável folha de serviços prestados.
b) Liderança – Em A.A entendemos por liderança as qualidades que permitam a um membro ajudar o seu Grupo, Distrito ou Área para que cresça com um mínimo de atrito e um máximo de bem-estar. Este membro pode representar a Junta e interpretar as suas decisões na sua região de origem.
c) Visão da Estrutura de A.A – Alguns AA’s têm aptidões especiais para a estrutura da Irmandade e estão suficientemente familiarizados com todos os seus elementos, desde o Grupo e o RSG até a Junta de Serviços Gerais e a Conferência. Um Custódio com esse preparo pode levar úteis perspectivas às decisões da Junta.
d) Para o encargo de Custódio Alcoólico Nacional: deverá falar inglês e/ou espanhol.

Existem considerações básicas que a experiência tem demonstrado serem importantes para os Custódios alcoólicos. Uma delas é maturidade. Dez anos de sobriedade ao momento da eleição é o período necessário.
Outra consideração básica é a determinação, ter a coragem das próprias convicções. O Custódio deve demonstrar nas reuniões da Junta o seu bom senso, objetividade e coragem para expressá-las.
Uma consideração importante é a disponibilidade. Quanto tempo deve dedicar ao serviço da Junta, sem prejudicar sua família e as atividades profissionais? Os serviços dos Custódios exigem tempo. Cada reunião trimestral requer dois ou três dias, além da viagem. A Conferência pode durar toda uma semana. Os Custódios mantêm comunicação escrita e telefônica durante o ano. Há, pois, necessidade de muito tempo e desprendimento.

DE ONDE VÊM OS CUSTÓDIOS

O(As) candidatos(as) a Custódios Regionais serão selecionados nas Áreas de cada região e indicados através de suas Assembléias.

Os Custódios de Serviços Gerais serão indicados pela Área sede da JUNAAB, devendo ter experiência nos serviços de A.A e, preferencialmente, em atividades extras A.A relativas ao encargo correspondente na Diretoria Executiva, as quais deverão constar em seu currículo.

Os Custódios Nacionais serão de livre indicação da Área, independentemente de qual região pertençam, podendo até ocorrer que todos sejam originários da mesma Área.
Embora nenhum Custódio possa dizer que “representa” uma parte geográfica do País, visto que todos os Custódios representam exclusivamente a Irmandade como um todo, é verdade que a escolha de Custódios por região traz para a Junta a discussão sobre pontos de vista regionais, o que é de valor incalculável.

Os Custódios alcoólicos devem ser extremamente dinâmicos em suas regiões, e ter participação nas diversas frentes de trabalho da Junta.

REQUISITOS PARA CANDIDATAR-SE A CUSTÓDIO ALCOÓLICO

São requisitos necessários ao encargo de Custódio Alcoólico:

a)Período de sobriedade contínua de dez anos;
b)Qualidades de liderança, genuíno interesse pelo serviço, capacidade de organização,
conhecimento e amor por A.A;
c)Tempo para comparecer às reuniões, da JUNAAB, da Conferência de Serviços Gerais, da Região e outras;
d)Ter exercido vários encargos na Irmandade, inclusive o de Delegado de Área;
e)Enviar ao Comitê de Área o seu Currículo para indicação da Assembléia de Área,

Os(As) candidatos(as) ao encargo devem ser indicados através de manifestação da respectiva Assembléia de Área. Os currículos deverão ser encaminhados ao ESG/CAC, juntamente com a ata da Assembléia que os indicou.

Os(As) candidatos(as) a Custódio de Serviços Gerais não precisam, necessariamente, ter exercido o encargo de Delegado de Área, porém, devem ter experiência em serviços de A.A e, preferencialmente, possuir experiência em atividades extra A.A, relativo ao encargo correspondente na Diretoria Executiva.

REQUISITOS PARA CANDIDATAR-SE A CUSTÓDIO NÃO ALCOÓLICO

São requisitos necessários ao encargo de Custódio não Alcoólico:
a) Ser colaborador(a) por dez anos;
b) Estar envolvido com o trabalho de A.A nos diversos campos de atividades da Irmandade;
c) Deve ser conhecedor profundo da dinâmica e da estrutura de A.A;
d) Os(As) candidatos(as) ao encargo devem ser indicados através da manifestação da respectiva Assembléia de Área. Os currículos deverão ser encaminhados ao ESG/CAC, juntamente com a ata da Assembléia que os indicou.

Os(As) candidatos(as) a Custódios de Serviços Gerais devem ter experiência em atividade extra A.A, relativo ao encargo correspondente na Diretoria Executiva.

PROCEDIMENTO PARA A INDICAÇÃO DE
CANDIDATOS A CUSTÓDIOS NAS ÁREAS

Os Delegados e Comitês de Área da região programada para indicar candidatos a Custódio serão informados pelo ESG na correspondência de janeiro.
Os Delegados de Área e os Comitês de Área da região envolvida programarão uma Assembléia de Área no mês de outubro ou novembro para efetivar a indicação dos candidatos, podendo ser a mesma Assembléia de eleição de novos Delegados de Área e de servidores dos Comitês de Área.
Até 31 de dezembro, devem ser enviados ao ESG/CAC os currículos dos candidatos a Custódios alcoólicos e não alcoólicos indicados, os quais precisam informar nome, endereço, qualificação profissional (para os Custódios não alcoólicos), e serviços prestados em A.A, podendo a Área indicar mais de um candidato. Estes currículos devem conter data, assinatura e todas as suas páginas rubricadas e serem enviados pelo correio (carta registrada), porém, os remetidos após a data estabelecida serão devolvidos pelo ESG/CAC, aos Comitês de Área remetentes.
Os currículos considerados aptos pela Conferência ficarão à disposição da Junta, que poderá utilizá-los em caso de vacância do encargo de algum Custódio.
Caso haja vacância e não existam Currículos aptos, a JUNAAB solicitará às Áreas respectivas, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, novas indicações de candidatos a Custódio.

A ELEIÇÃO DE CUSTÓDIO ALCOÓLICO E NÃO ALCOÓLICO

A eleição para Custódios será efetivada pela Junta e homologada pela Conferência.
Os candidatos que tiverem seus nomes acolhidos pela Comissão de Nomeações da Conferência serão submetidos à eleição na Junta conforme procedimento do Terceiro Legado e o eleito será submetido à homologação da Conferência.
No caso do plenário ser contrario a eleição de algum Custódio, outro nome deverá ser apresentado pela Junta, antes do término da Conferência.
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COMITÊS DE ASSESSORAMENTO DA JUNTA DE CUSTÓDIOS

Os Comitês de Assessoramento da JUNAAB são Grupos de aconselhamento à Junta de Custódios. Tanto quanto possível, esses Comitês devem ser constituídos de companheiros com experiência em serviços em suas respectivas áreas de atuação. Freqüentemente, a Junta tem que tomar decisões que abrangem a comunidade no seu todo, e precisa nestes casos ser aconselhada por companheiros com experiência no assunto ou no problema a ser resolvido.
Quase sempre esses problemas dizem respeito a:
a) Colaboração de A.A com instituições públicas e particulares no atendimento à problemática do alcoolismo e ao alcoólico em particular;
b) Forma e oportunidade da divulgação da Irmandade de A.A;
c) Problemas de finanças;
d) Problemas relacionados com a ética e os princípios de A.A;
e) Problemas relacionados com órgãos de serviços e com eventos nacionais e regionais;
Para cobrir estas necessidades e solucionar eventuais problemas é que são formados os seguintes Comitês de Assessoramento:
I – Comitê Trabalhando com os Outros – CTO: encarregado de elaborar a política de divulgação da irmandade de Alcoólicos Anônimos para informação ao público, cooperação com a comunidade profissional e trabalho em instituições carcerárias e de tratamento;
II – Comitê de Finanças – CF: encarregado da elaboração da política financeira da JUNAAB;
III – Comitê de Literatura – CL: encarregado da revisão de toda a literatura aprovada pela Conferência e do aconselhamento sobre a edição de títulos novos;
IV – Comitê de Assuntos da Conferência – CAC: funciona como secretaria da Conferência de Serviços Gerais e está especialmente encarregado de fazer com que ela aconteça;
V – Comitê de Publicações Periódicas – CPP: é o comitê editorial da Revista Vivência, JUNAAB Informa e BOB Mural;
VI – Comitê de Imagem, Som e Memória – CISM: encarregado de catalogar sistematicamente os arquivos do Escritório de Serviços Gerais para consulta da irmandade e editar material de áudio e vídeo;
VII – Comitê de Assuntos de Tecnologia de Informação – CATI: encarregado de todas as informações pertinentes à Internet;
VIII – Comitê Internacional – CI: manter a comunicação entre Alcoólicos Anônimos do Brasil, o GSO e as demais estruturas, com vistas a compartilhar experiências de serviços; exercer o apadrinhamento de estruturas que necessitem e queira ser apadrinhadas; promover e ajudar na manutenção da Unidade de A.A no mundo;
IX – Comitê Permanente do Manual de Serviço – CPMS: É o responsável pela revisão da estrutura de serviço contida no Manual de Serviço de A.A, e pela elaboração de Guias de A.A para orientação da Irmandade sobre os serviços locais;
X – Comitê de Nomeações – CN – atribuição a definir
XI – Comitê Executivo – CE – presta assessoramento no campo de política geral administrativa e opina sobre preenchimento de cargos. O Comitê Executivo é composto pelos membros da Diretoria Executiva, Coordenadores dos Comitês e Gerente Administrativo.
Em se tratando de órgãos de Assessoramento, cada Comitê deve ser formado, de preferência, por companheiros com conhecimento profissional nas áreas de atuação respectiva.
A preferência por esses companheiros profissionais não exclui, todavia, a participação de outros companheiros com reconhecida capacidade e disponibilidade para atuar de forma efetiva e proveitosa.
Os coordenadores dos Comitês de Assessoramento são de livre escolha da Junta de Custódios, não dependendo de consulta a outros órgãos, cabendo unicamente a ela estabelecer os critérios, o tempo de mandato e a oportunidade dessa escolha.

DIVISÃO REGIONAL DE A.A DO BRASIL (INSERIR)

A REUNIÃO DE SERVIÇO MUNDIAL

A Reunião de Serviço Mundial (denominada RSM) foi criada por sugestão de Bill W e iniciada em 1969. Realiza-se a cada dois anos, ora em Nova York – cidade sede do Serviço Mundial – ora em qualquer outra cidade do mundo, escolhida por consenso dentre os países participantes.
A RSM congrega Delegados de todos os países do mundo que tenham uma estrutura organizada de Serviço capaz de legitimar a sua representação como oriunda da “consciência coletiva” dos Grupos de cada nação.
Quando uma RSM acontece em Nova York, os Delegados têm a preciosa oportunidade de ficar conhecendo o Escritório de Serviços Gerais dos EUA/CANADA.
Além de se familiarizarem com a infra-estrutura do Serviço Mundial, podem sentir,intuitivamente, a aura que envolve as atividades de A.A, executadas no país de origem da Irmandade.
Toda RSM é patrocinada pela Junta de Serviços Gerais dos Estados Unidos e Canadá. Cada país participante colabora com uma cota de despesa nivelada estabelecida pela Reunião anterior. A cada Reunião, o plenário, por sugestão da Comissão de Finanças, decide um aumento da cota, de tal forma que, dentro de alguns anos, a RSM possa se tornar auto-suficiente, libertando-se da atual dependência financeira do ESG dos EUA/CANADA.
A RSM tem por objetivo principal unir A.A de todo o mundo e levar a mensagem a todos os recantos do planeta. O evento se processa através dos seguintes Comitês: Agenda, Comitê de Política/Admissões/Finanças, Literatura e Publicações, Trabalhando com os Outros, Instituições Correcionais, de Informação, de Instituições de Tratamento e de Assuntos Novos.
Desde 1976 o Brasil é representado, nesta reunião, pelos seus Delegados a RSM.

CUSTÓDIO ALCOOLICO NACIONAL DELEGADO À RSM

Dois são os Delegados em atividade e são eleitos pela Junta de Custódios alternadamente e homologados pela Conferencia de Serviços Gerais.
Atribuições:
a) Manter-se ativo no serviço da Irmandade, participando de alguma atividade específica, por iniciativa pessoal ou por convocação de Órgãos de Serviços;
b) Manter permanente contato com o ESG e JUNAAB;
c) Participar das reuniões da JUNAAB;
d) Preparar-se em todos os níveis para participar da RSM ou evento Internacional de A.A;
e) Coordenar as atividades do Comitê Internacional (CI) da JUNAAB.

O CONSELHO FISCAL DA JUNAAB

SUMÁRIO DE NORMAS E PROCEDIMENTOS

COMPOSIÇÃO E FUNCIONAMENTO

O Conselho Fiscal da JUNAAB é composto de 03 (três) membros efetivos e 03 (três) suplentes, 01 (um) de cada Região da Estrutura de A.A. do Brasil, eleitos e empossados pela Conferência de Serviços Gerais, com mandato de 03 (três) anos, com renovação anual de 1/3 (um terço) dos seus membros, sem direito a reeleição. Os candidatos serão indicados pelas Regiões da Estrutura de A.A. do Brasil. A legislação recomenda que o Estatuto Social discipline a forma de funcionamento, que poderá ser de caráter permanente ou apenas nos exercícios sociais. O Conselho Fiscal se reúne periodicamente e a respectiva função é indelegável

REQUISITOS E IMPEDIMENTOS

Membro de A.A com sobriedade e participação contínua de 05 (cinco) anos e que de preferência
possua experiência nas áreas de tesouraria e contabilidade. Não se aplica aos princípios da Irmandade de Alcoólicos Anônimos, mas é conveniente salientar que a Lei 6404/76 considera inelegíveis para o exercício das funções pessoas condenadas por crime falimentar, de prevaricação, suborno, crimes contra a economia popular, a fé pública ou a propriedade entre outros.

ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIA

O Conselho Fiscal é o órgão encarregado de fiscalização dos atos praticados pelos membros da
Administração dos organismos de serviços no exercício de seus encargos. A sua competência e
atuação são bastante amplas e não se restringe apenas à revisão periódica das contas ou de alguns atos da administração. Tem sido adotado no Estatuto de algumas empresas o funcionamento permanente dos Conselhos Fiscais. Os poderes conferidos por Lei ao Conselho Fiscal não podem ser outorgados a outro órgão da empresa. As atribuições e competências que define as tarefas a serem exercidas obrigatoriamente cabem ao Conselho Fiscal:
a) Fiscalizar os atos administrativos dos dirigentes dos órgãos de serviços e verificar o cumprimento dos deveres legais e do Estatuto Social;
b) Opinar sobre os relatórios da administração, fazendo constar do seu parecer às informações
complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação das Assembléias Gerais;
c) Comunicar aos órgãos de administração e, se estes não tomarem providências necessárias, à Assembléia Geral, os erros, fraudes ou crimes que descobrirem, e sugerir as providências indispensáveis;
d) Convocar a Assembléia Geral sempre que órgãos da Administração retardar por mais de um mês essa convocação, e sempre que ocorrerem motivos graves e urgentes, incluindo na agenda das Assembléias as matérias que considerarem necessárias;
e) Analisar, mensalmente, o balancete e demais demonstrações financeiras elaboradas periodicamente pela Administração;
f) Examinar as Demonstrações financeiras do exercício social e sobre elas opinar;
g) Exercer essas atribuições, em caso de liquidação ou encerramento das atividades, tendo em vista as disposições contidas na Lei 6404/76;
h) Solicitar, através de qualquer um de seus membros, esclarecimentos ou informações sobre as atividades da empresa, como também a elaboração de demonstrações financeiras ou contábeis especiais;
i) enviar cópia de seus pareceres aos Delegados de Área.

Os órgãos de administração são obrigados, através de comunicação por escrito, a colocarem à disposição do Conselho Fiscal, dentro de 10 (dez) dias cópia das atas de suas reuniões e, dentro do prazo de 15 (quinze) dias do seu recebimento, cópias dos balancetes e dos relatórios da execução do orçamento econômico-financeiro.

OS DOZE CONCEITOS

1. A responsabilidade final e a autoridade suprema pelo Serviço Mundial de A.A deveriam sempre recair na consciência coletiva de toda a nossa Irmandade.

2. Quando, em 1955, os Grupos de A.A confirmaram a permanente Ata de Constituição da sua Conferência de Serviços Gerais, eles, automaticamente, delegaram à Conferência completa autoridade para a manutenção ativa dos nosso Serviço Mundial e assim tornaram a Conferência – com exceção de qualquer mudança nas Doze Tradições ou no Artigo 12 da Ata de Constituição da Conferência – a verdadeira voz e a consciência efetiva de toda a nossa Sociedade.

3. Como um meio tradicional de criar e manter uma relação de trabalho claramente definida entre os Grupos, a Conferência, a Junta de Serviços Gerais de A.A e as suas diversas corporações de serviços, quadros de funcionários, comitês e executivos, assim assegurando as suas lideranças efetivas, é aqui sugerido que dotemos cada um desses elementos do Serviço Mundial com um tradicional “Direito de Decisão”.

4. Através da estrutura da nossa Conferência, deveríamos manter em todos os níveis de responsabilidade um tradicional “Direito de Participação”, tomando cuidado para que a cada setor ou Grupo de nossos servidores mundiais seja concedido um voto representativo em proporção correspondente à responsabilidade que cada um deve ter.
5. Através de nossa estrutura de Serviço Mundial, deveria prevalecer um tradicional “Direito de Apelação”, assim nos assegurando de que a opinião da minoria seja ouvida e de que as petições para a reparação de queixas pessoais sejam cuidadosamente consideradas.

6. Em benefício de A.A como um todo, a nossa Conferência de Serviços Gerais, tem a principal responsabilidade de manter os nosso Serviço Mundial e, tradicionalmente, tem a decisão final nos grandes assuntos de finanças e de normas de procedimento em geral. Mas a Conferência também reconhece que a principal iniciativa e a responsabilidade ativa, na maioria desses assuntos, deveria ser exercida principalmente pelos Custódios, membros da Conferência, quando eles atuam entre si como Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos.

7. A Conferência reconhece que a Ata de Constituição e o Estatuto da Junta de Serviços Gerais são instrumentos legais e que os Custódios têm plenos poderes para administrar e conduzir todos os assuntos do Serviço Mundial de Alcoólicos Anônimos. Além do mais, é entendido que a Ata de Constituição da Conferência não é por si só um documento legal, mas pelo contrário, ela depende da força da tradição e do poder da bolsa de A.A para efetivar a sua finalidade.

8. Os Custódios da Junta de Serviços Gerais atuam em duas atividades principais: (a) com relação aos amplos assuntos de normas de procedimentos e finanças em geral, eles são os principais planejadores e administradores. Eles e os seus principais Comitês dirigem diretamente esses assuntos; (b) mas com relação aos nossos serviços, constantemente ativos e incorporados separadamente, a relação dos Custódios é principalmente aquela de direito de propriedade total e de supervisão de custódia que exercem através de sua capacidade de eleger todos os diretores dessas entidades.
9. Bons líderes de serviços, bem como métodos sólidos e adequados para a sua escolha, são em todos os níveis indispensáveis para o nosso funcionamento e segurança no futuro. A liderança principal do Serviço Mundial, exercida pelos fundadores de A.A, deve, necessariamente, ser assumida pelos Custódios da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos.

10. Toda a responsabilidade de serviço deveria corresponder a uma autoridade de serviço equivalente – a extensão de tal autoridade ser sempre bem definida seja por tradição, por resolução, por descrição específica de função ou por atas de constituição e Estatuto adequados.

11. Enquanto os Custódios tiverem a responsabilidade final pela administração do Serviço Mundial de A.A, eles deverão ter sempre a melhor assistência possível dos comitês permanentes, diretores de serviços incorporados, executivos e quadro de funcionários e consultores. Portanto, a composição desses comitês subordinados e juntas de serviços, as qualificações pessoais dos seus membros, o modo como são introduzidos dentro do serviço, os seus sistemas de revezamento, a maneira como eles são relacionados uns com os outros, os direitos e deveres especiais dos nossos executivos, quadros de funcionários e consultores, bem como uma base própria para a remuneração desses trabalhadores especiais, serão sempre assuntos para muita atenção e cuidado.

12. As Garantias Gerais da Conferência: em todos os seus procedimentos, a Conferência de Serviços Gerais observará o espírito das Tradições de A.A, tomando muito cuidado para que a Conferência nunca se torne sede de riqueza ou poder perigosos; que suficientes fundos para as operações mais uma ampla reserva sejam o seu prudente princípio financeiro; que nenhum dos membros da Conferência nunca seja colocado em posição de autoridade absoluta sobre qualquer um dos outros; que todas as decisões importantes sejam tomadas através de discussão, votação e, sempre que possível, por substancial unanimidade; que nenhuma ação da Conferência seja jamais pessoalmente punitiva ou uma incitação à controvérsia pública; que, embora a Conferência preste serviço a Alcoólicos Anônimos, ela nunca desempenhe qualquer ato de governo e que, da mesma forma que a Sociedade de Alcoólicos Anônimos a que serve, a Conferência permaneça sempre democrática em pensamento e ação.

***INSERIR NA SEQUENCIA OS DOZE CONCEITOS NA FORMA LARGA***

ATA DE CONSTITUIÇÃO DA CONFERENCIA DE SERVIÇOSGERAIS DE ALCOOLICOS ANONIMOS (ESTADOS UNIDOS E CANADA)

1.Propósito:
A Conferência de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos é guardiã do Serviço Mundial e das Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos. A Conferência será unicamente um corpo de serviço; nunca um governo para Alcoólicos Anônimos.

2. Composição:
A Conferência (Estados Unidos e Canadá) será composta pelos Delegados de Área, Custódios da Junta de Serviços Gerais, Diretores do Serviço Mundial de A.A, e do A.A. Grapevine e pelos Membros do Quadro de Funcionários do Grapevine e do Escritório de Serviços Gerais.
Outras seções da Conferência podem, às vezes, ser criadas no estrangeiro, se for necessário, por razoes geográficas ou de idioma. A Seção dos Estados Unidos e Canadá da Conferência de Serviços Gerais se tornará, então, a Seção Sênior, relacionada às outras seções por vínculos de consulta mútua e de intercâmbio de Delegados.
Nenhuma seção da Conferência jamais será colocada em posição de autoridade sobre a outra. Toda ação conjunta será tomada somente com base numa votação de dois terços dos votos das seções, agrupadas. Dentro de seus limites, cada Conferência deve ser autônoma. Somente assuntos que afetem seriamente as necessidades de A.A, a nível mundial, serão objetos de consideração conjunta.

3. A Relação da Conferência com A.A:
A Conferência atuará por A.A na perpetuação e orientação de seus serviços mundiais e será também o veículo pelo qual o movimento de A.A. poderá expressar seus pontos de vista sobre todos os assuntos vitais de normas de procedimento de A.A. e todos os perigosos desvios das Tradições de A.A. Os Delegados deveriam ser livres para votar de acordo com os ditames de sua consciência; deveriam também ter liberdade para decidir quais os assuntos a serem debatidos, a nível de Grupo, para informação, discussão ou como instrumento direto deles. Porém, não poderão efetuar nenhuma mudança no Artigo 12 da Ata de Constituição, nas Doze Tradições de A.A. sem o consentimento por escrito de três quartos dos Grupos de A.A., como é explicado na Resolução adotada pela Conferência e pela Convenção de 1955, em St. Louis.

4. Relação da Conferência com a Junta de Serviços Gerais e seus Serviços Incorporados:
A Conferência substituirá os fundadores de Alcoólicos Anônimos, os quais anteriormente funcionaram como guias e conselheiros da Junta de Serviços Gerais e seus respectivos serviços incorporados. Espera-se da Conferência que ela sirva como um símbolo de confiança nas diversas correntes de opiniões de A.A
Para efetivamente continuar com esse propósito, ficará entendido que, por uma questão de tradição, dois terços dos votos do quorum da Conferência serão considerados obrigatórios para a Junta de Serviços Gerais e seus respectivos serviços incorporados. Um quorum consistirá de dois terços de todos os membros inscritos na Conferência.
Mas nenhuma votação deveria aniquilar os direitos legais da Junta de Serviços Gerais e das corporações de serviço para conduzir os negócios de rotina e ordinariamente fazer contratos em relação a eles.
Isso será entendido que, por uma questão de tradição, apesar das prerrogativas legais da Junta de Serviços Gerais, dois terços dos votos dos membros da Conferência possam efetuar uma reorganização da Junta de Serviços Gerais, dos diretores e dos membros do quadro de funcionários de seus serviços incorporados, se ou quando tal reorganização for julgada essencial.
Baseada nisso, a Conferência pode fazer demissões, nomear novos Custódios e tomar qualquer outra medida necessária, não levando em conta as prerrogativas legais da Junta de Serviços Gerais.

5. Assembléias de Área – Composição:
As Assembléias, designadas como Assembléias de Área, são compostas por Representantes de Serviços Gerais eleitos de todos os Grupos de A.A, Membros de Comitês de Distrito e servidores do Comitê de Área, que desejam participar em cada uma das Áreas representadas dos Estados Unidos e Canadá. Cada Área terá direito a uma Assembléia, porém nas Áreas de grande população de A.A e/ou cuja geografia apresente problemas de comunicação, poderão ser realizadas Assembléias adicionais, conforme estipulado no “Manual de Serviços Gerais de A.A” ou em qualquer reforma futura do mesmo.

6. Assembléias de Área – Propósito:
As Assembléias de Área são convocadas de dois em dois anos para eleger os membros do Comitê de Área, dentre os quais são eleitos os Delegados para a Conferência de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos.
Tais Assembléias de Área versam exclusivamente sobre assuntos de Serviço Mundial de Alcoólicos Anônimos.

7. Assembléias de Área – Método para eleger Membros de Comitê e Delegados:
Sempre que possível, os Membros de Comitê são eleitos por votação escrita, sem assinatura do votante. Os Delegados são escolhidos dentre os membros do mencionado Comitê, pelo processo de dois terços de votos escritos ou por sorteio, como estipula o “Manual de Serviços Gerais de A.A”.

8. Assembléias de Área – Mandatos dos cargos de Representantes de Serviços Gerais, de Membros de Comitê e de Delegados:
A menos que seja decidido de outra forma pela Conferência, esses mandatos deverão ter a duração de dois anos. Aproximadamente na metade das Áreas, as Assembléias para eleições serão realizadas nos anos pares; as demais Assembléias farão suas eleições nos anos ímpares, criando assim os painéis revezados da Conferência, como descrito posteriormente no “Manual de Serviços Gerais de A.A”.

9. Reuniões da Conferência de Serviços Gerais:
A Conferência será realizada anualmente na cidade de Nova York, a menos que se determine de outra maneira. Em caso de grande emergência, poderão ser convocadas reuniões extraordinárias. A Conferência pode também dar pareceres e consultas, em qualquer tempo, por carta ou por telefone, ajudando a Junta de Serviços Gerais ou seus respectivos serviços

10. A Junta de Serviços Gerais – Composição, jurisdição, responsabilidades:
A Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos será um quadro de Custódios, composto por alcoólicos e não alcoólicos, os quais elegem seus próprios sucessores, sendo que essas escolhas, no entanto, estão sujeitas à aprovação da Conferência ou de um comitê dela. Os candidatos a Custódio Regional alcoólicos são, entretanto, selecionados primeiro pelas Áreas da região. Daí, na Conferência de Serviços Gerais, os votantes são os Delegados da região envolvida mais um número igual de votantes, uma metade que vem do Comitê dos Custódios da Conferência e outra metade que vem do Comitê de Nomeações dos Custódios – que fazem a seleção da pessoa indicada por dois terços dos votos, por escrito ou por sorteio. Essa pessoa indicada é, então, eleita para a Junta de Serviços Gerais, sendo os Custódios obrigados a fazer dessa forma, por tradição. Para os Custódios (trustees-at-large) dos Estados Unidos e Canadá, a Junta pode especificar certos assuntos de serviço ou qualificações profissionais. O procedimento é o seguinte: cada Área da Conferência pode selecionar um candidato, ou duas ou mais Áreas podem, juntas, propor um único candidato, pelo procedimento do Terceiro Legado. Os currículos de todos os candidatos serão revisados para elegibilidade pelo Comitê de Nomeações dos Custódios. Na Conferência de Serviços Gerais, os Delegados de cada região farão uma reunião antes da nomeação, usando o procedimento do Terceiro Legado para reduzir o número de candidatos a um para cada região dos Estados Unidos e dois para cada região do Canadá. Um máximo de seis candidatos a Custódios (trustees-at-large) dos Estados Unidos e um máximo de quatro candidatos a Custódios (trustees-at-large) do Canadá serão apresentados aos membros votantes da Conferência para nomeação. Os membros votantes da Conferência serão todos os Delegados dos países que nomeiam (Estados Unidos e Canadá) e todos os membros do Comitê de Nomeações dos Custódios. Essas pessoas indicadas são, então, eleitas para a Junta de Serviços Gerais, sendo os Custódios obrigados a fazer dessa forma, por tradição.
A Junta de Serviços Gerais é a principal unidade de serviço da Conferência e tem caráter essencialmente de proteção. Exceto para decisões sobre assuntos de normas de procedimento, finanças ou Tradições de A.A, sujeitas a afetar seriamente A.A como um todo, a Junta de Serviços Gerais tem completa liberdade de ação na direção rotineira das normas de procedimento e assuntos de negócios das corporações de serviço de A.A e pode nomear comitês adequados, eleger diretores para suas entidades subordinadas de serviços, a fim de atingir esse propósito.
A Junta de Serviços Gerais é, sobretudo, responsável pela integridade financeira e normas de procedimento de seus serviços subordinados: A.A World Services, Inc., A.A. Grapevine, Inc., bem como de outras corporações de serviço que a Conferência possa querer formar, mas nada comprometerá o direito do Editor do Grapevine de aceitar ou recusar material para sua publicação. A Ata de Constituição e o Estatuto da Junta de Serviços Gerais, bem como quaisquer emendas neles, deveriam sempre estar sujeitos à aprovação da Conferência de Serviços Gerais, mediante dois terços dos votos de todos os seus membros. Exceto numa grande emergência, nem a Junta de Serviços Gerais, nem qualquer um de seus respectivos serviços deveria jamais tomar uma decisão que pudesse afetar grandemente A.A como um todo, sem prévia consulta à Conferência. Não obstante, fica entendido que a Junta, em cada caso, reservará a si o direito de decidir quais de suas ações ou decisões precisarão da aprovação da Conferência.

11. A Conferência de Serviços Gerais – Procedimentos Gerais:
A Conferência ouvirá os relatórios das finanças e das normas e procedimentos da Junta de Serviços Gerais e de seus respectivos serviços incorporados. A Conferência examinará, com os Delegados de Área, Custódios, Diretores e membros do quadro de funcionários, todos os assuntos apresentados e que afetem A.A como um todo. Promoverá debates, nomeará Comitês que se tornarem necessários e aprovará as resoluções adequadas para consulta ou direção da Junta de Serviços Gerais e seus respectivos serviços.
A Conferência pode, também, discutir e recomendar ações que achar apropriadas, com respeito a sérios desvios das Tradições de A.A ou o perigoso mau uso do nome “Alcoólicos Anônimos”.
A Conferência pode redigir qualquer regulamento que venha a ser necessário, bem como nomear seus próprios servidores e Comitês, por método de sua própria escolha.
Ao final de cada Conferência anual, será redigido um relatório completo de seus procedimentos, para ser fornecido a todos os Delegados e membros de Comitê e também um resumo desse relatório será enviado aos Grupos de A.A de todo o país.

12. Garantias Gerais da Conferência:
Em todos os seus procedimentos, a Conferência de Serviços Gerais observará o espírito das Tradições de A.A, tomando muito cuidado para que a Conferência nunca se torne sede de riqueza ou poder perigosos; que suficientes fundos para as operações mais uma ampla reserva sejam o seu prudente princípio financeiro; que nenhum dos membros da Conferência nunca seja colocado em posição de autoridade absoluta sobre qualquer um dos outros; que todas as decisões importantes sejam tomadas através de discussão, votação e, sempre que possível, por substancial unanimidade; que nenhuma ação da Conferência seja jamais pessoalmente punitiva ou uma incitação à controvérsia pública; que, embora a Conferência preste serviço a Alcoólicos Anônimos, ela nunca desempenhe qualquer ato de governo e que, da mesma forma que a sociedade de Alcoólicos Anônimos a que serve, a Conferência permaneça sempre democrática em pensamento e ação. (Por unanimidade adotada pela Conferência de 1955, essa Ata de Constituição foi atualizada pelas Conferências de 1968, 1969, 1970, 1971, 1974, 1978, 1979 e 1986.)

” SUGESTÃO PARA INVENTÁRIO DE GRUPO ”

(VOCÊ PODERIA NOS ENVIAR AS SUAS RESPOSTAS POR E-MAIL)

– Você vem ao Grupo diariamente?
Sim ( ) Não ( ) (apenas _____________ vez(es) por semana).

– Sublinhe as Reuniões que você freqüenta:
Aberta / Apadrinhamento em Serviço / Conceitos / Depoimento Fechada Livro Azul / Literatura / Novos / Orador / Passos / Passos para Novos / Revisão de Passos / Temática / Tradições

– Você está satisfeito com as reuniões que o Grupo oferece?Sim ( ) Mais ou menos ( ) Não ( )

– Você participa da Reunião de Serviço/Consciência Coletiva? Sim ( ) Não ( )

– Você já participou de pelo menos uma Reunião do CTO? Sim ( ) Não ( )

– Você sabe o que é o Distrito? Sim ( ) Não ( )

– Você sabe o que quer dizer MI? Sim ( ) Não ( )

– Você tem noção do que é a Assembléia de Área? Sim ( ) Não ( )

– Sublinhe o(s) serviço(s) que você presta / já prestou aqui no Grupo:
Abertura, Café e Limpeza do Grupo / Coordenação / Plantão Você presta/já prestou outro(s) serviço(s) aqui no Grupo? Sim ( ) Não ( )

– Qual a periodicidade que você costuma se oferecer para prestar serviço aqui no Grupo?
Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca ( )

– Você já foi ao ESL – Escritório de Serviços Locais? Sim ( ) Não ( )

– Você sabia que nós temos uma videoteca no ESL? Sim ( ) Não ( )

– Sublinhe, caso você tenha: madrinha / padrinho

– Você tem afilhado(s)? Sim ( ) Não ( )
– Você sabe a diferença entre o apadrinhamento pessoal e o apadrinhamento em serviço?
Sim ( ) Não ( )

– Você, realmente, já leu algum livro de A.A.? Sim ( ) Não ( )

– Você tem assinatura da Revista Vivência? Sim ( ) Não ( )

– Você fez a inscrição da Convenção? Sim ( ) Não ( )

– Você comprou o Relatório Anual da Conferência? Sim ( ) Não ( )

– Você sabe o que é o Relatório Anual?

– Você já assistiu alguma Reunião Temática aqui no Grupo? Sim ( ) Não ( )

– Você já acompanhou algum Ciclo aqui no Grupo? Sim ( ) Não ( )

– Você contribui, de acordo com as suas possibilidades, com a Sétima Tradição?
Sim ( ) Às vezes ( ) Não ( )

– Você já ouviu falar no ESG? Sim ( ) Não ( )

– Você sabe para que existem os Organismos de Serviços?

– Você sabe o porquê que os Organismos de Serviço (ESL / Comitê de Área / ESG) dependem das contribuições dos Grupos para existirem? Sim ( ) Não ( )

– Você freqüenta outro(s) Grupo(s) de A.A.? Sim ( ) Não ( )

– Caso a sua resposta tenha sido SIM, qual / quais Grupos?
Grupo ____________ _____, Grupo ____________ _________ _ e Grupo ____________ ____.

– Qual a periodicidade ideal para o nosso “INVENTÁRIO”? Anual ( ) Semestral ( )

” O INVENTARIO DO GRUPO ”

APRESENTAÇÃO: Sou igual a vocês, não vim ensinar, mas trocar com vocês as experiências que aprendi em todos os anos que convivi, com companheiros e companheiras de AA, no Grupo, e em diversos setores de A. A. Se alguma coisa eu falar, que desgoste a algum de vocês, não liguem, eu não vim dizer o que você tem que fazer e sim o que a maioria faz, pôr ter entendido que isso é o melhor, mesmo que desagrade a alguns.
Ninguém está em A. A. para agradar ou desagradar companheiros (as), mas sim para ficar sóbrio e servir a AA, para fazer o melhor para que A. A. permaneça para sempre, e para isso o melhor é amar nossos irmãos, compreendê-los, tolerá-los, perdoá-los e ajudá-los em sua trajetória nesta vida, mesmo que discordemos de suas atitudes. Posso até detestar as atitudes de alguém, mas devo amá-lo mesmo assim, pois somos irmãos/as, estamos na mesma nave e dependemos um do outro para sobreviver.

VEJAMOS O INVENTÁRIO:

O grupo e o indivíduo. O indivíduo, os conflitos e a paz. O Grupo é um conjunto de indivíduos que dele fazem parte, não é composto só dos que prestam serviços, portanto o que é feito ou não, é da responsabilidade de todos. Ao melhorarmos o comportamento individual melhoramos o grupo, ao diminuirmos os conflitos internos de cada um de nós, geramos a paz em nosso o grupo. Ninguém pode melhorar o comportamento do outro, mas sim o seu próprio, e isto já é difícil, é preciso querer modificar-se, é necessário programar-se para isso e agir. A diferença entre o ideal e a ação que transforma é enorme. Cada um dos problemas maiores que estão diante de nós foi provocado por um comportamento humano nosso. A boa notícia é que nosso comportamento é a causa, nós temos o poder de modificá-lo! Existem ações que cada um de nós pode realizar dentro de si mesmo, para iniciar uma cadeia de conseqüências específicas e positivas no seu grupo, no seu distrito, na sua área e no A. A. como um todo. O único limite para o impacto que causamos é a nossa imaginação e o nosso compromisso com AA. Pensemos bem nisso, AA é maior de que qualquer um de nós e de que qualquer uma parcela de nós, AA é para todos seus membros, e todos devem ser ouvidos e considerados, não há os mais sábios, nem os melhores, mas a consciência coletiva, à qual todos devemos render-nos humildemente. Em A. A. não deve prevalecer os gostos, usos e preferências pessoais, seus princípios são a nossa única salvação, quer seja na Recuperação, na Convivência e nos Serviços.

Vejamos então sob o ponto de vista individual e coletivo:

1 – Qual o propósito básico do Grupo?
2 – O que mais poderá ser feito para transmitir a mensagem?
3 – Estamos alcançando o número suficiente de alcoólicos (as)?
4 – Que mensagens temos dado aos diversos setores da sociedade?
5 – Estamos atingindo todas as camadas sociais?
6 – Os companheiros (as) têm permanecido entre nós?
7 – Nosso apadrinhamento na recuperação e no serviço é eficiente?
8 – As nossas salas de reuniões são agradáveis, ou tem sempre alguém contestando algo?
9 – Esclarecemos o suficiente, sobre a necessidade de prestarmos serviços?
10 – A todos (as) é permitido participar das atividades do grupo?
11 – Os servidores (as) são escolhidos (as) com cuidado e responsabilidade?
12 – 0 grupo cumpre a sua parte referente aos órgãos de serviço?
13 – Damos a todos (as) informações sobre Recuperação, Unidade e Serviços?
14 – Sou saudável? Será que somo, ao invés de dividir?
15 – Critico companheiros (as) ou grupos em depoimentos de recuperação?
16 – Sou pacificador (ra) ou provocador (ra) de discussões estéreis?
17 – Gosto de comparar meu grupo com os demais da cidade?
18 – Considero inferiores certas atividades em AA?
19 – Estou bem informado sobre AA como um todo, para discutir esses assuntos?
20 – Pareço bonzinho (boazinha), mas secretamente faço conluios e ajo com rancor e hostilidade em grupinhos fora de A. A.?
21 – Procuro conhecer a afundo, o programa de AA, para usá-lo e transmiti-lo?
22 – Compartilho nos momentos bons e difíceis do grupo e da Irmandade?
23 – Vivo criticando líderes, serviços, e centrais sem auxiliá-los?
24 – Procuro elogios pelas minhas idéias e ações, e destaco meu trabalho dizendo que quando eu era responsável por um serviço tudo era melhor?
25 – Sou aberto (a) para aceitar as deliberações do grupo? Trabalho com boa vontade, mesmo que as decisões sejam contra o que penso?
26 – Mesmo antigo (a) ainda faço tarefas simples nos grupos?
27 – Não participo pôr desconhecer os assuntos de AA?
28 – Julgo a possibilidade de recuperação dos novatos (as)?
29 – Acho que alguns (umas) companheiros (as), não deveriam vir ao meu grupo?
30 – Costumo julgar o ingressante como sincero ou hipócrita?
31 – Tenho preconceito de qualquer tipo, a meus companheiros (as)?
32 – Impressiono- me com pessoas consideradas importantes?
33 – Não dou importância às pessoas que eu considero inferiores?
34 – Abordo com a mesma boa vontade, um companheiro (a) sujo (a) e uma companheiro (a) novo (a) e bonito (a), sendo eu mulher ou homem respectivamente?
35 – Como trato o anonimato do outro, com os amigos e na minha família?
36 – Como ajo com a lei do sigilo? Com o que ouço dos desabafos de companheiros (as)? No grupo? Na rua? Em casa?
37 – Sabendo que somos emocionalmente infantis e cheios de mania de grandeza, procuro o autoconhecimento para modificar-me, ou só julgo os outros?
38 – Sei hoje, de que muitos de meus defeitos de caráter são inconscientes?
39 – Procuro métodos, para eliminar meus defeitos de caráter, além das ferramentas de AA, sem trazê-los para dentro de A. A.?
40 – Continuo entendendo que eu sei como é melhor para AA e meus companheiros (as), do que a Consciência Coletiva do Grupo?
41 – Procuro em meus depoimentos, limitar-me ao tempo concedido, ou sou indisciplinado?
42 – Deixo de dar minha experiência, ou sempre pulo na frente para falar?
43 – Tenho falado só do meu progresso material, ou falo preferencialmente de meu crescimento espiritual e autodomínio emocional?
44 – Continuo dizendo que em AA tudo é de graça, ou digo que somos responsáveis pelas nossas despesas e manutenção dos órgãos de serviços, e de nosso Grupo?
45 – Digo que em AA é proibido proibir, ao invés de dizer que em AA temos uma liberdade responsável, como A. A. nos ensina?
46 – Sei que sem o uso das tradições, A. A. correrá perigo no futuro, ou desprezo essa verdade?
47 – Observadas as tradições e os passos, insisto dizendo que são poucas as maneiras de proceder em AA?
48 – Meu grupo sempre considera o bem estar de todo A. A.?
49 – Considero todos os companheiros (as) ou excluo alguns como indesejável, ou até desejo atenção especial para assuntos meus particulares?
50 – Para os que sabem que sou um A. A. sou um bom exemplo em minha vida particular?
51 – Preocupo-me em saber o que devo dizer ao recém chegado (a)? Como trato o que já é companheiro (a), tenho atenção para com todos?
52 – Gosto de homenagem e elogio, ou faço homenagem e elogio a companheiro (a) vivo ou morto (a)?
53 – Faço observações maldosas sobre o comportamento dos companheiros (as)?
54 – Critico os companheiros que querem estudar os princípios de AA, e falar sobre eles?
55 – Já me perguntei, porque só quero reuniões de depoimentos, e só gosto de falar sobre minha época de bebedeira? Não tenho nada de reformulação para contar?
56 – Já me dei conta que o plano de 24 h. é só para parar de beber, mas que para permanecer abstêmio e ser feliz preciso praticar os doze passos, as doze tradições e entrar nos serviços?
57 – Já me dei conta que faço parte do todo e que sem um, ou com a ausência de alguém, o todo estará incompleto?
58 – Entendi que A. A. não nos obriga a nada, mas que devo obrigar-me a participar dos serviços de AA, e a contribuir com dinheiro tão logo possa, pôr gratidão?
59 – Já pensei que se não consigo amar a todos, muito e sempre, pelo menos posso não ter reserva ou raiva de ninguém?
60 – Tenho ajudado na divulgação efetiva de AA? Preparei-me para isso?
61 – Uso o nome de A. A. para obter desconto, emprego, transporte publico, etc.?
62 – Participo das reuniões de serviço para cooperar, ou para ser do contra e derrotar alguém? Ou sequer participo das mesmas?
63 – Culpo o grupo pôr tudo, ou ajudo o mesmo no que posso? Entendo que a verdade se divida em cada mente, e que cada um tem a sua visão do certo?
64 – Preocupo-me com a origem da sugestão para considerá-la; ou se ela é boa ou não para AA? Dou atenção a quem não participa do grupo, para trazer seus questionamentos pessoais e particulares para o grupo?
65 – Não faça tudo dizendo que ninguém o faz, estimule humildemente que outros façam alguma coisa, não diga também que ninguém o deixa fazer, faça humildemente alguma coisa.
66 – Você é livre, mas coopere, participe, não espera convite, não seja indiferente com seus irmãos.
67 – Procure ser sintético quando falar, treine para isso, você falará menos, dirá mais coisas e outros poderão falar também.
68 – Não critique quem fala bem, nem quem fala mal, quem não fala, ou quem fala demais, deixe cada um ser como é, e dar-se conta, se estiver errado. (Se o fizer, faça-o direta e particularmente, ou nas reuniões de serviço se o grupo estiver sendo prejudicado) .
69 – Não tenha vergonha de ser entusiasta com A. A. e mostrar calor humano.
70 – Não precisa concordar com as opiniões alheias, mas nem detestar-lhes pôr pensarem diferente.
71 – Não prejudique o grupo, seja parte da solução, participe.
72 – Não procure companheiros (as) errados (as), e sim acertos.
73 – A consciência coletiva só se manifesta após exaustivas discussões, em várias reuniões, sempre à luz dos princípios de AA, para que a votação atinja substancial unanimidade, colaboro para isso.
74 – Lembro-me que os antigos (as) também são doentes?
75 – Sei que a recuperação sem os passos não traz unidade, nem paz?
76 – Sei que Unidade sem Tradições produzem Serviços deficientes?
77 – Contribuo com gratidão, para a mensagem atingir outros doentes?
78 – Se todos fossem como eu, como seria o AA hoje?

Pense nisso. Como numa empresa, que passa a utilizar um programa de qualidade, não basta uma exposição por outra empresa especializada desse processo moderno; é necessário impregnar seus servidores desses princípios, com atividades permanentes no sentido de tirar velhos hábitos, e introduzir novos em seus servidores e membros. Em A.A. esse processo não é diferente, o que muda é que temos orientação definida, os Três Legados de nossa Irmandade, e para aplicá-los com acerto, é necessário dedicação, debates, estudos e troca de experiências permanentemente, tendo como norte esses mesmos Legados. Em A.A. isso não é diferente, a mudança exige esforço contínuo, não devemos ficar no sonho, é necessária a ação, e sempre a Consciência Coletiva é nosso Mestre.

VAMOS PARTICIPAR
VOCÊ TAMBÉM É RESPONSÁVEL PELO SEU GRUPO BASE.

” INVENTARIO III ”

( Do Livro Os Doze Passos e as Doze Tradições )

Os Oitavo e Nono Passos se preocupam com as relações pessoais. Primeiro olhamos para o passado e tentamos descobrir onde erramos; então, fazemos uma enérgica tentativa de reparar os danos que tenhamos causado; e, em terceiro lugar, havendo dessa forma limpado o entulho do passado, consideramos de que modo, com o novo conhecimento de nós mesmos, poderemos desenvolver as melhores relações possíveis com todas as pessoas que conhecemos. (pág.69)
…Aprender a viver em paz, companheirismo e fraternidade com qualquer homem e mulher, é uma aventura comovente e fascinante. Todo AA. acabou descobrindo que pouco pode progredir nesta nova aventura de viver sem antes voltar atrás e fazer, realmente, um exame acurado e impiedoso dos destroços humanos que porventura tenha deixado em seu passado. Até certo ponto, tal exame já foi feito quando fez o inventário moral, mas agora chegou a hora em que deveria redobrar seus esforços para ver quantas pessoas feriu e de que forma. Esta reabertura das feridas emocionais, algumas velhas, outras talvez esquecidas e ainda outras, sangrentas e dolorosas, dará a impressão, à primeira vista, de ser uma operação desnecessária e sem propósito. Mas se for reiniciada com boa vontade, então as grandes vantagens de assim proceder vão se revelando tão rapidamente que a dor irá diminuindo à medida que os obstáculos, um a um, forem desaparecendo.
Tais obstáculos, contudo, são muito reais. O primeiro e um dos mais difícieis, diz respeito ao perdão. Desde o momento em que examinamos um desentendimento com outra pessoa, nossas emoções se colocam na defensiva. Evitando encarar as ofensas que temos dirigido ao outro, costumamos salientar, com ressentimento, as afrontas que ele nos tem feito. Isto acontece especialmente quando ele, de fato, tenha se comportado mal. Triunfalmente nos agarramos à sua má conduta como a desculpa perfeita para minimizar ou esquecer a nossa. (págs. 69, 70).
Embora em alguns casos não possamos fazer reparação alguma, e em outros o adiamento da ação seja preferível, deveríamos, contudo, fazer um exame acurado, real e exaustivo da maneira pela qual nossa vida passada afetou as outras pessoas. Em muitas instancias descobrimos que, mesmo que o dano causado aos outros não tenha sido grande, o dano emocional que causamos a nós mesmos foi enorme. Embora, às vezes, totalmente esquecidos, os conflitos emocionais que nos prejudicaram se ocultam e permanecem, em lugar profundo, abaixo do nível da consciência.
Essas ocorrências podem realmente ter distorcido, de forma violenta, nossas emoções que, desde então, passaram a descolorar a nossa personalidade e alterar a nossa vida para pior.
Ainda que seja da maior importância o propósito de fazer reparação aos outros, é igualmente necessário que tiremos de um exame de nossas relações pessoais todas as informações possíveis sobre nós e nossas dificuldades fundamentais. Em vista de que nossas relações deficientes com outros seres humanos quase sempre foram às causas imediatas de nossas mágoas, inclusive de nosso alcoolismo, nenhum campo de investigação poderia render resultados mais satisfatórios e valiosos como este. A reflexão calma e ponderada sobre nossas relações pessoais pode aprofundar nosso conhecimento. Podemos ir muito além daquelas coisas superficiais que estavam erradas em nós, até ver essas falhas que eram básicas, falhas que, às vezes, eram responsáveis pela formação de nossa vida toda. A minuciosidade, descobrimos, nos recompensará – e nos recompensará bem.
Poderíamos então perguntar a nós mesmos: O que queremos dizer quando falamos que “prejudicamos” outras pessoas? Que tipo de “danos” se fazem a outras pessoas afinal? Para definir a palavra “dano” de maneira prática, poderíamos dizer que é o resultado de choque entre instintos, que causam prejuízos físicos, mentais, emocionais ou espirituais a outras pessoas. Se estamos constantemente mal humorados, despertaremos a ira nos outros, se mentimos ou defraudamos, privamos os outros não somente de bens materiais, mas de sua segurança emocional e paz de espírito. Na realidade, nós os convidamos para se tornarem desdenhosos e vingativos. Se nossa conduta sexual for egoísta, poderemos despertar o ciúme, a angustia e o desejo de nos pagar na mesma moeda. (págs. 71, 72).
Havendo cuidadosamente revisto toda esta área das relações humanas, e decidido exatamente quais os traços de nossa personalidade que prejudicaram e incomodaram os outros, podemos agora rebuscar nossa memória na busca das pessoas que temos ofendido. Identificar os mais próximos e mais profundamente feridos não deveria ser difícil. Então ao retroceder, ano por ano, pelas nossas vidas até onde chegar a memória, certamente formaremos uma longa relação de pessoas que foram afetadas em menor ou maior grau. Deveríamos, é claro, ponderar e pesar cada caso, cuidadosamente. Haveremos de querer nos apegar à decisão de admitir as coisas que nós temos feito, ao mesmo tempo em que desculpamos as injúrias feitas a nós, sejam elas reais ou imaginárias. Deveríamos evitar os julgamentos extremos, tanto de nós mesmos quanto das outras pessoas envolvidas. Não devemos exagerar em nossos defeitos, nem os deles. Um exame calmo e objetivo será nossa firme intenção. …É o começo do fim do nosso isolamento de nossos semelhantes e de Deus. (pág. 73)

Isaias

” INVENTARIO IV ”

( Do Livro Os Doze Passos e As Doze Tradições )

Uma olhada contínua sobre nossas qualidades e defeitos e o firme propósito de aprender e crescer dessa forma, são necessidades para nós. Nós alcoólicos aprendemos isto de maneira difícil. Em todos os tempo e lugares, é claro, pessoas mais experientes adotaram a prática do auto-exame e da crítica impiedosa. Os sábios sempre souberam que alguém só consegue fazer alguma coisa de sua vida, depois que o exame de si mesmo venha a se tornar um hábito regular, admita e aceite o que encontre e, então, tente corrigir o que lhe pareça errado, com paciência e perseverança.
Um ébrio não pode viver bem hoje se está com uma terrível ressaca, resultante do excesso de bebidas ontem ingerido. Porém, existe outro tipo de ressaca que todos experimentamos, bebendo ou não. É a ressaca emocional, fruto direto do acúmulo de emoções negativas sofridas ontem e, às vezes, hoje – o rancor, o medo, o ciúme e outras semelhantes. Se quisermos viver serenamente hoje e amanhã, sem dúvida temos que eliminar essas ressacas. Isto não quer dizer que devamos perambular morbidamente pelo passado Requer, isto sim, a admissão e correção dos erros agora.. No inventário podemos pôr em ordem o nosso passado. Feito isso, nos tornamos de fato capazes de deixa-lo para trás. Se nosso balanço é feito com cuidado e se tivermos obtido paz conosco mesmo, segue-se a convicção que os desafios de amanha poderão ser encarados na medida em que se apresentem. (pág.78 e 79)

…O inventário só é difícil pela falta do hábito da auto-análise meticulosa. Uma vez que essa saudável prática tenha se tornado rotineira, passará a ser tão interessante e proveitosa que não nos daremos conta do tempo tomado. Pois os minutos ou horas passados em auto-exame certamente terão o condão de tornar mais leves e felizes as horas restantes do dia. Com o passar do tempo, os inventários passarão a fazer parte integrante de nossa vida diária e não serão coisas raras ou à parte.(pág. 79)

…È um preceito espiritual, o de que cada vez que estamos perturbados, seja qual for à causa, alguma coisa em nós está errada. Se ao sermos ofendidos, nos irritamos, é sinal de que também estamos errados. Mas esta é uma regra sem exceções? Que é do rancor “justificável” ? Se alguém nos enganar, não temos o direito de ficarmos magoados? Não podemos, com razão, ficar zangados com os hipócritas ou farisaicos? Para nós em AA., as exceções são sempre perigosas. Descobrimos que devemos deixar o rancor, embora justificável, para àqueles que possam melhor controlá-lo. (pág. 80)

Em todas essas situações necessitamos de autodomínio, análise honesta de tudo o que se encontra envolvido, disposição para admitir nossa culpa e, igualmente, para desculpar as outras pessoas. Não há motivo para cair em desanimo quando recaímos nos equívocos dos nossos hábitos antigos, pois essas disciplinas não são fáceis. Seguimos à procura do aperfeiçoamento, não da perfeição.

Nosso primeiro alvo deve ser o desenvolvimento do autodomínio, que é a mais alta das prioridades. Quando falamos ou agimos precipitada ou imprudentemente, nossa capacidade de fazer justiça e ser tolerante se evapora imediatamente. Uma só palavra dura ou julgamento leviano pode estragar nossas relações com outras pessoas por todo um dia ou, talvez, um ano. Nada traz mais proveito que o controle da língua ou da pena. Devemos evitar a crítica mal-humorada e os argumentos contundentes. O mesmo vale para o amuo ou o desdém silencioso. Estas são as armadilhas para as emoções feitas com orgulho e espírito de vingança. (pág. 81)

…Finalmente começamos a perceber que todas as pessoas, inclusive nós, estamos até certo ponto emocionalmente doentes e freqüentemente errados, e então, aproximando- nos da verdadeira tolerância, conhecemos o real significado do amor ao próximo. Enquanto progredimos, vai se tornando cada vez mais evidente o fato de que não faz sentido ficarmos zangados ou ofendidos, com pessoas que, como nós, estão sofrendo dos males ou desajustes peculiares ao crescimento. (pág.82)

…Mesmo quando tenhamos nos esforçado e falhado, podemos considerar o fato como dos mais positivos. Sob estas condições, as dores do fracasso se transformaram em vantagem. Dela recebemos o estimulo que necessitamos para progredir. Um conhecedor do assunto disse uma vez que a dor era a pedra de toque de todo o progresso espiritual. Nós AAs. Podemos concordar de coração com ele, pois sabemos que antes da sobriedade vem, obrigatoriamente, o sofrimento resultante da bebida, assim como antes da serenidade, vem o desequilíbrio emocional. (pág. 83)

Desejando triunfar numa inútil e banal discussão, forjávamos “críticas construtivas” . Estando ausente a pessoa visada, achávamos que estaríamos ajudando os outros a compreendê-la, quando, na realidade, nosso motivo era diminuí-la para que nos sentíssemos superiores. Sob o pretexto de que precisam “tomar uma lição”, às vezes atacamos àqueles que amamos, quando o que queremos é, pura e simplesmente, puní-los.

Aprender a identificar, admitir e corrigir estas falhas todos os dias, constitui a essência da edificação do caráter e da vida reta. O sincero arrependimento pelos danos causados, a gratidão genuína pelas bênçãos recebidas e a disposição de tentar realizar melhor coisa amanhã, serão os valores permanentes que procuraremos. Tendo, dessa forma, feito o exame meticuloso de nosso dia, sem deixar de incluir as coisas bem feitas e tendo vasculhado nossos corações, sem medo ou concessões, estamos realmente prontos para agradecer a Deus todas as graças recebidas e podemos, então, DORMIR COM A CONSCIENCIA TRANQUILA. (pág. 84)

ROTATIVIDADE NO SERVIÇO:
CHAVE PARA O NOSSO FUTURO
Dr. Oscar Rodolpho Bittencourt Cox
Presidente da Junta de Serviços Gerais do Brasil

Quando os veteranos perceberam a finitude da vida do Ser Humano e a
grandiosidade daquilo que casualmente ocorreu entre dois bêbados, ou
seja, a possibilidade de deixarem de beber, identificaram um sério
problema existencial para a continuação daquilo que descobriram.
Bill e Dr. Bob, considerados co-fundadores da Irmandade de Alcoólicos
Anônimos, nos primeiros momentos foram buscar outros bêbados e Bill
D. mostrou a eles a possibilidade de formar uma cadeia de
reabilitados diante da doença do alcoolismo.
Alcoolismo, doença secular, sem solução plausível e que agora no
século XX começou a ser interrompida no seu processo destruidor. Os
números e estatísticas mostram a extensão deste mal e quando o câncer
surgiu no corpo do Dr. Bob, levando-o a falecer em novembro de 1950,
percebeu-se que o processo de recuperação dos alcoólicos não podia
ser interrompido.
A estrutura de A.A, nos primórdios apresentava duas Áreas de atuação
que corriam em paralelo, isto é, sem contato uma com a outra. A
primeira, formada pelos Grupos, vivenciando o programa e a segunda,
pelos amigos de A.A. que orientavam e juntamente cm os co-fundadores,
administravam a Irmandade (Fundação do Alcoólico, criada em maio de
1938 – futuros Custódios Não Alcoólicos).
Ocorreu então, historicamente, um processo dirigido por Bill W. de
aproximação para que os grupos apreendessem estes amigos, esta
administração e juntos assumissem o comando do processo. Deste modo a
finitude humana não mais teria influência sobre o destino de A.A.
podendo se esperar a perenidade desta recuperação tão inovadora e
espetacular em que pessoas doentes pudessem assumir a própria
responsabilidade sobre sua saúde e vida.
A ameaça à saúde do Dr. Bob, o talvez poder moderador , junto a
impulsividade de Bill W., levou a que em 1950 ocorresse a 1ª
Convenção Internacional em Cleveland – julho 1950 com a anexação das
Tradições ao programa.
É em abril de 1951 após a 1ª Conferência de Serviços Gerais que
começa um período experimental de cerca de cinco anos, unindo os
Custódios de A.A. com a Irmandade como um todo.
Deste primeiro encontro houve uma caminhada contínua até 1955, quando
em Saint Louis, Bill W. se retira da direção de A.A. e os Grupos
passam a assumi-la. Nesta época, já eram conhecidos pela Irmandade os
Passos da Recuperação (1939) e as Tradições (1946).
Surge então, a necessidade do treinamento, da preparação de novos
líderes em A.A.. Pessoas que pelo amor e gratidão a sua recuperação,
desejam participar da manutenção do processo que um dia as salvou. Em
Alcoólicos Anônimos se dá o nome de

-APADRINHAMENTO EM SERVIÇO-

Apadrinhar quer dizer compartilhar erros e acertos e deixar que o
apadrinhado caminhe ao lado. Para tal, tenho que estar aberto e
desapegado para estender a mão.
A partir de 1962, quando surgem os Conceitos, o 4° nos informa: “A
participação é a base da harmonia”.
A estrutura em serviço através o Manual sugere uma série de encargos
e períodos para exercê-los. Surge daí, como conseqüência a
necessidade de um grande número de membros serem apadrinhados nos
encargos o que inexoravelmente só é possível com grande oferta de
pessoas e logicamente: ROTATIVIDADE.
A ROTATIVIDADE EM SERVIÇO necessita de muitos servidores novos
chegando, apadrinhados pelos veteranos, que passando pelos encargos,
não mais os ocupam, mas que, presentes, estimulam e criam novas
lideranças.
Para isto, membros de A.A., precisam aprender a AMAR.

AMAR É PERMITIR QUE O OUTRO SEJA ELE, AO MEU LADO.

A ROTATIVIDADE NÃO É DESCARTAR.
A ROTATIVIDADE POSSIBILITA APRENDER A AMAR.
A ROTATIVIDADE POSSIBILITA CONVIVER COM AS DIFERENÇAS.

A “ROTATIVIDADE – CHAVE PARA O FUTURO” é um grande desafio para
Alcoólicos Anônimos porque exige pré-requisitos fundamentais: a
TRANSFORMAÇÃO DO MEDO PESSOAL em relação à doença e de si mesmo
(distonia) numa entrega e confiança a um Poder Superior.

SÓ O PODER SUPERIOR RETIRA O MEDO HUMANO

Daí, o cidadão poder exercer A PRÁTICA DO AMAR.
Outro requisito fundamental: temos que confessar que não sabemos AMAR
e pedir ajuda para o aprendizado.
Um terceiro quesito é o desapego. O desapego a coisas e pessoas é
possível quando entro no processo do autoconhecimento em que os
referenciais externos eu os desloco para dentro de mim. São meus
valores que passam a me orientar. Deixo o perfeccionismo, pois não
tenho mais que agradar pessoas para que elas me amem. Deixo de ser
condicionado pelos outros e passo a ter meus próprios pontos de
referência através dos sentimentos. Posso acertar como errar.
Acredito ser uma pessoa.
Devido a estas dificuldades, o animal-homem (Homo sapiens) quando em
grupo confiável tende biologicamente a defender um corporativismo
cada vez mais conservador e conseqüentemente destruidor.
O grupo defende o membro deste grupo e este protege o grupo e assim,
o conjunto (membro/grupo), agindo o poder, atropela o direito do
indivíduo, o direito das minorias em particular. Este mesmo
indivíduo, fora do grupo apresentará um discurso que não condiz com
sua conduta quando no grupo.
Este aspecto biológico é combatido pela ROTATIVIDADE e daí o título:
CHAVE PARA O FUTURO pois, será graças a ela que OS PRINCÍPIOS serão
preservados. Daí, o recém-chegado ao grupo ser o mais importante na
reunião.
Esta visão é extremamente revolucionária para a humanidade. Estamos
moldando, na visão de Bill W., um novo Homem em recuperação e mais
espiritualizado.
Toda empresa e A.A. têm o seu lado empresarial. A.A. é uma grande
editora, que tende a proteger, como toda empresa, sua condição de
sobrevivência empresarial, quando ameaçada. Mas como A.A. possui o
lado tradicional – o mais importante –, será a ROTATIVIDADE a sua
grande protetora. Ela deve ser almejada, tendo como única autoridade
a consciência de grupo, facultando o não temer os novos servidores em
potencial, seus novos desafios de cada vez mais abrir toda a
estrutura em todos os níveis de serviço, do grupo aos comitês da
Junta, onde todo alcoólico em recuperação deve e pode circular
apadrinhado e apadrinhando.
Na Junta urge a presença de membros de A.A. de todas as áreas
presentes aos Comitês de Assessoramento e em especial:
CAC: COMITÊ DE ASSUNTOS DA CONFERÊNCIA;
COC: COMITÊ DE ORGANIZAÇÃO DA CONVENÇÃO.
Cientificamente, o exercício prolongado e repetitivo, relativamente
passivo, onde a falta de renovação existe, como exemplo, podemos
citar: espetáculos, televisão, leitura de jornais e revistas de
conteúdo superficial provocam rapidamente o tédio e a aversão.
No nosso caso, serviços e grupos “quase parando”, maratonas
repetitivas e intermináveis são os exemplos. Estas atividades assim
postas não estimulam suficientemente nosso organismo.
A Psicologia Industrial nos mostra que a produção de um empregado é
melhor e sua motivação é mais elevada quando lhe confiam um trabalho
no qual pode executar certa medida de iniciativa e de criatividade, e
sobretudo quando lhe é permitido completar uma parte significativa e
unificada deste trabalho ao invés de confiá-lo à repetição mecânica
de gestos minuciosamente medidos.
Resumindo, eis a importância sob um outro aspecto da ROTATIVIDADE.
Há muitos anos o G.S.O. (General Service Office) adotou o conceito da
ROTATIVIDADE nos encargos do pessoal de A.A.
Para o conhecimento e exercício de todos os encargos da estrutura de
A.A. há, portanto, necessidade de estar ao lado da experiência e da
vivência de erros e acertos. Isto é a ROTATIVIDADE DINÂMICA onde o
apadrinhamento não pode ser capenga porque o alcoólatra não se
estruturou no AMAR, nãp foi orientado a aprender a AMAR: a ser ele e,
logicamente não sabe o que fazer. Podemos chamar de um “EGOÍSMO
ENVERGONHADO”.
Do exposto acima é que provém a queixa comum da falta de servidores,
permanecendo as mesmas pessoas em serviço apenas mudando de encargos.
Este movimento rotatório dos mesmos servidores é movimento de morte,
porque não havendo “sangue novo”, o corporativismo cresce e a
desconfiança acompanha, logo acabando em fechar a mão de A.A.
A Irmandade morre.
O membro de A.A. deve aprender e exercitar o pertencer daí, repetindo
o título: ROTATIVIDADE NO SERVIÇO: CHAVE PARA O NOSSO FUTURO.
Este é, portanto um grande desafio para Alcoólicos Anônimos.
Estes comentários devem ser exaustivamente praticados e não devemos
fugir do conflito. Temos que aprender a conviver com as diferenças. E
é isto a prova maior de AMOR, de entrega ao PODER SUPERIOR.
Eis um grande desafio proposto para Alcoólicos Anônimos a partir
desta Conferência.
Estejamos desarmados, com mente aberta e boa vontade para discutir o
melhor para Alcoólicos Anônimos

Consciência Coletiva como o AA se organiza e decide seus caminhos
” …um Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva”.
“…que todas as decisões importantes sejam tomadas através de discussão, votação e, sempre que possível, por substancial unanimidade”.
O que é consciência coletiva?
É um estado ao qual se chega por meio da participação de todos os membros que compõem um grupo, em especial nas reuniões de serviço, no processo em que se busca o conhecimento de algum assunto ou problema que esteja em estudo e se estende também às decisões que eventualmente irão ser tomadas.
Como se desenvolve o processo?
Dando oportunidade e até solicitando que todos os membros presentes participem, que ofereçam as suas contribuições tanto para o estudo do problema quanto para a sua solução.
Isto significa que ninguém deve ser excluído, que ninguém deve ficar de fora. É indispensável que o coordenador seja capaz de conter os que procuram impor as suas vontades e pontos de vista, limitando a oportunidade de participação e o tempo disponível para apresentar as suas contribuições e, por outro lado, oferecer aos mais retraídos, a eles em especial, bem como a todos os membros presentes, a mesma oportunidade e o mesmo espaço de tempo para participar no processo de busca da consciência coletiva. Não só oferecer, mas, muitas vezes, é preciso até solicitar que os mais tímidos apresentem os seus pontos de vista. O poder coletivo contendo o poder individual, a grandiosidade do alcoólico.
Numa primeira rodada, pode ocorrer que as opiniões fiquem muito distantes umas das outras, mas, quando se faz uma nova rodada de opiniões na qual se buscam novos entendimentos e posições acerca do assunto em estudo, o que se observa é que, após pensar e meditar por algum tempo acerca do que já havia sido colocado por todos os companheiros anteriormente, as opiniões vão tendendo para uma área mais central, vão ficando menos distantes entre si, vão se aglutinando em torno de uma idéia ou decisão que, num certo momento, surgirá como sendo apoiada por uma substancial unanimidade. As opiniões vão gradativamente tendendo para um ponto central. Não há limitação quanto ao número de rodadas nem quanto ao tempo necessário às exposições. O processo deverá demorar o tempo que for necessário.
Como todos devem ser ouvidos, porque deve haver uma ampla participação e também porque os assuntos precisam ser estudados por completo e detalhadamente e ainda porque também as decisões a serem tomadas são sempre importantes, este processo pode exigir um longo tempo de participação e de maturação e pode igualmente exigir um esforço prolongado.
É importante que não haja pressa.
Talvez a reunião se prolongue bastante e é possível que poucos itens de uma agenda sejam abordados ou que poucas decisões sejam tomadas, mas o que é preciso ter em mente é que o processo em si é o fato mais importante e isso ocorre porque ele tem valor terapêutico. Ele vale, em primeiro lugar, pela evolução e pelo crescimento espiritual que propicia. A Irmandade de Alcoólicos Anônimos não é uma empresa em que a eficiência e o uso do tempo ficam em função dos resultados esperados e dos objetivos fixados pelo próprio processo administrativo.
Em Alcoólicos Anônimos, tempo não é dinheiro; é saúde, é recuperação, é crescimento espiritual, sobretudo. A Irmandade de Alcoólicos Anônimos é, antes de tudo, uma Irmandade em que todos procuram deter a sua doença e entrar num processo de cura, não física, mas psicológica e espiritual e a participação no serviço, especialmente no processo que leva à consciência coletiva, tem grande importância para a recuperação e para que se possa alcançar a serenidade. O próprio processo da busca da consciência coletiva é, pela sua natureza, uma maneira de diminuir a velocidade que impomos às nossas vidas, de evitar o estresse. Nele tudo se desenvolve sem obcessividade e cada membro participante vive um agora mais longo, mais demorado.
Por que é importante chegar à consciência coletiva?
Porque é um processo sábio por meio do qual não sairão vencedores nem vencidos. Porque, pela ampla participação, todos aceitam, ao final e ao cabo, e sem resistências psicológicas, as decisões que foram acordadas e ainda porque, em face da ampla participação, todos se sentem igualmente responsáveis pelas ações que serão tomadas e também pelas suas conseqüências e, numa visão maior, até mesmo pelos destinos da Irmandade de Alcoólicos Anônimos.
O usual é que procuremos ser mais espertos e controlar uns aos outros em função de objetivos individuais ou do interesse de pequenos grupos e isso costuma ocorrer ao nos comportarmos seguindo o estímulo psicológico que recebemos no decurso das nossas vidas.
Por meio da consciência coletiva, os conflitos podem ser resolvidos sem derramamento de sangue físico ou emocional e mais ainda, com sabedoria.
Sempre que se busca adequadamente chegar à consciência coletiva, os gladiadores baixam as armas e os escudos e se tornam hábeis em ouvir e entender e, sobretudo, em respeitar e aceitar os dons dos outros, bem como as suas limitações. Ao longo da busca da consciência coletiva, aceitamos que somos diferentes, mas que, por outro lado, estamos ligados aos demais membros pelas nossas feridas e pelo fato de estarmos aprendendo a lutar juntos mais do que uns contra os outros. Os conflitos são resolvidos. Os membros aprendem a desistir de facções e de compor pequenos subgrupos. Aprendem a ouvir mutuamente e a não rejeitar.
O silêncio de quem escuta representa uma abertura, uma disponibilidade em relação ao outro. É como criar uma zona de silêncio que traduz a confiança no outro. Dar um lugar aos outros é indispensável para que possamos desenvolver a nossa relação existencial. A amabilidade do acolhimento, da abertura, não exclui a personalidade de quem escuta, daquele que procura o verdadeiro em meio a múltiplas verdades. Só assim se chega à plenitude do diálogo. É como viver as tarefas do mundo tais como elas se apresentam. A vida é então realizada e confirmada na concretude de cada instante, de cada dia.
A busca da consciência coletiva é uma experiência importante para por fim aos conflitos humanos, pois, durante o processo de busca, não procuramos tirar a energia dos outros companheiros. Sempre que alguém sai vencedor, o perdedor fica deprimido, em baixa. Mas se procuramos a consciência coletiva, estaremos então recebendo energia de uma outra fonte, do Poder Superior.
Na consciência coletiva está contida uma filosofia do diálogo, da relação entre os membros de A.A. Importa uma relação desenvolvida no diálogo, na atitude existencial do face a face. Há uma vibração recíproca no face a face. O diálogo assim desenvolvido abre novas perspectivas em relação ao sentido da existência humana de cada um dos membros participantes porque está voltado para um novo projeto de existência e não para um passado nostálgico. O processo da busca da consciência coletiva estabelece uma nova relação entre os membros de AA e, numa visão maior, entre os seres humanos.
Se consultada a consciência coletiva, as decisões são realistas?
A ampla participação assegura que a realidade seja conhecida nos seus mais diferentes aspectos, que nenhuma particularidade seja omitida, que nenhuma conseqüência das decisões a serem tomadas deixe de ser considerada. O estudo resulta sempre completo porque é o resultado da soma de toda as experiências, de todas as visões. Significa que se estuda e se decide com segurança.
Freqüentemente, o nosso narcisismo nos faz sentir que somos os guardiões de uma estrutura frágil e ameaçada e que, se não fosse por nós, tudo já estaria perdido. Isso é a manifestação de que algo está errado com a nossa saúde mental e espiritual e que é preciso colocar, lado a lado, a nossa realidade com a que é percebida pelos irmãos em quem confiamos. O fato é que a verdade compartilhada é poderosa e eleva o espírito e é por isso que compartilhamos quando participamos das atividades do grupo ou das que são mais ligadas ao serviço.
Freqüentemente a verdade é um processo, o resultado de uma relação entre nós mesmos e os outros, a qual dá à verdade maior clareza e brilho. Precisamos de coragem para ver a verdade, mas ela nos fortalece, e estar dentro da realidade significa não estar alienado. Ocorre uma confiança no diálogo, na busca comum da verdade.
No conjunto, o grupo sempre aprecia melhor porque inclui membros com muitos e diferentes pontos de vista e com a liberdade assegurada de expressá-los por meio do processo que busca a consciência coletiva.
Incorpora-se o claro e o escuro, o sagrado e o profano, a tristeza e a alegria, a glória e a lama e é por essa razão que as decisões são bem elaboradas. Não é provável que se deixe de apreciar algum aspecto importante. Como cada membro representa um padrão de referência e, se eles são muitos, o grupo de trabalho se aproxima mais e mais da realidade. As decisões são realistas e usualmente seguras.
Não ao totalitarismo!
É comum pensar que as diferenças possam sempre ser resolvidas por uma autoridade maior. No passado de cada um de nós, era costumeiro apelar para a intervenção do pai ou da mãe para o entendimento de situações e para a solução de problemas. Procura-se freqüentemente até apelar para um ditador benevolente. Mas Alcoólicos Anônimos, em favor da maturidade dos seus membros, nunca pode ser totalitário.
Nós nos acostumamos, ao longo da nossa vida, a aceitar certas formas de autoridade que sempre serviram como orientação para definir a realidade em que vivemos e sem ela nos sentimos confusos e perdidos. Mas a busca da consciência coletiva passa a ser o exercício através do qual sempre, e em grupo, encontramos a orientação, sempre conhecemos de uma maneira mais completa a realidade e, é bom acentuar, sem a necessidade de qualquer autoridade que não a do Poder Superior. No decurso do processo de busca da consciência coletiva acontece o retorno da sensação de segurança, agora sob uma forma mais espiritualizada, a segurança espiritual.
A maneira menos primitiva de se resolverem as diferenças individuais é a de apelar para o que chamamos de democracia. Pelo voto, determina-se o lado que prevalece. A maioria governa. Mas este processo exclui as aspirações da minoria. Pelo contrário, o processo de tomada da consciência coletiva inclui as aspirações da minoria. É como transcender as diferenças pessoais de modo a incluir, na mesma medida, a minoria. Entrar no processo que leva à consciência coletiva é ir além da democracia. Recorrer ao voto não é a solução. Apenas o consenso integra as minorias e, em realidade, até evita a formação delas. O processo pelo qual se chega ao consenso é uma aventura porque não se pode antecipar o que vai resultar, é algo quase místico e mágico, mas que funciona.
Durante o processo de busca da consciência coletiva, a autoridade fica descentralizada. Não há líderes e, ao mesmo tempo, todos são igualmente líderes. Há um verdadeiro “fluxo de liderança”. Os membros se sentem livres para se expressar e para oferecer as suas contribuições e o fazem no seu exato momento e na devida dimensão. Há lideranças. É o espírito de comunidade que lidera e não o individualismo.
O desenvolvimento da Humildade
O processo de busca da consciência coletiva atenua o individualismo áspero que leva à arrogância e isso se faz por meio da limitação da participação, ao evitar preponderância e excessos – a velha prepotência e a conhecida manipulação. O poder individual só é contido, só é limitado, pelo poder coletivo. Este é um principio fundamental. Isto é exatamente o que acontece no processo de busca da consciência coletiva.
Desenvolve-se, nos membros do grupo de trabalho, um individualismo ameno que leva à humildade. Durante o processo, as dádivas de todos são apreciadas e também reconhecidas as suas próprias limitações e isso está na base da aceitação das nossas próprias imperfeições. “Conhece-te a ti mesmo” é uma regra segura para chegar à humildade.
Nesse momento, fica muito claro que o problema não é a dependência e sim a real interdependência. Não só os membros se tornam mais humildes, mas também o grupo como um todo.
O grupo como um lugar seguro
As pessoas se tornam mais amenas quando participam do processo de busca da consciência coletiva porque se olham através das lentes do respeito. O grupo se torna um lugar seguro porque há aceitação e compreensão, e as pessoas sentem com uma intensidade nova o amor e a confiança. Desarmam-se. Passa a haver a paz e, sobretudo, os membros aprendem a fazer a paz.
É também um lugar seguro porque no grupo ninguém está tentando curar, converter ou mudar o outro e, paradoxalmente, é exatamente por isso que a cura e a conversão acontecem. No grupo, as pessoas são livres para serem elas mesmas, livres para procurar a própria saúde psicológica e espiritual. Tudo isso faz do grupo um lugar seguro em que as pessoas podem abrir mão das suas defesas, das suas máscaras, dos seus disfarces. Aceitamos ser vulneráveis, expor as nossas feridas e fraquezas, e assim fazendo, aprendemos também a ser afetados pelas feridas dos outros. O amor que surge neste compartilhar só é possível porque abrimos mão da norma social de pretender ser invulneráveis.
Num lugar seguro as pessoas se desarmam e aprendem a fazer a paz, que nasce do processo de busca da consciência coletiva.
Um estado de espírito muito especial
Quando nos preparamos psicologicamente para participar de uma reunião de serviço em que se vai em busca da consciência coletiva e nos sujeitamos ao processo que leva a ela, desenvolve-se uma atmosfera tal que, paradoxalmente, nela as pessoas falam mais baixo e, no entanto, são mais ouvidas. Nada é agitado e não se forma o caos.
Pode haver discussão e luta, mas ela é construtiva e move-se em direção do consenso. Em realidade, entra-se no processo de formação de uma verdadeira comunidade.
Esse estado de espírito é indispensável para que se possa estar aberto para a manifestação do Poder Superior. Para a inspiração e para a voz do Espírito Santo.
Quando nos dirigimos para uma reunião de serviço, não podemos imaginar qual será o resultado dos trabalhos nem devemos interferir nele. O processo de formação da consciência coletiva é verdadeiramente um mistério.
O estado de espírito de quem vai para uma reunião de serviço
Quando se vai para uma reunião de serviço, é preciso ter em mente que a intenção, a idéia, é levar tão somente uma contribuição, uma experiência pessoal. É preciso lembrar sempre que o todo é formado pelas partes e que cada um de nós não é senão uma parte, mas uma parte realmente importante.Cabe ainda lembrar que as nossas experiências são tanto o fruto das nossas vivências, e por isso são muito ricas, mas também limitadas à esfera pessoal. Ao mesmo tempo, precisamos ter a consciência do valor da contribuição que podemos dar, mas também de que ela será parte de um todo, de um conjunto maior, que se formará a partir das contribuições de cada um dos presentes à reunião.
O que fica dessas considerações é que a atitude de humildade é indispensável se se deseja chegar à consciência coletiva. É aceitar que, pelo menos diante do fato de se estar frente a uma manifestação do Poder Superior, a prepotência, a arrogância, o narcisismo e a agressividade possam dar lugar à humildade e à aceitação daquilo que irá resultar da soma de todos os conhecimentos e contribuições, mas, sobretudo aceitar que ao final se chegará ao melhor caminho, à melhor solução, à melhor decisão.
O que acontece quando não se busca a consciência coletiva
Muitas coisas podem acontecer. A realidade pode ser distorcida e as conclusões ou decisões podem não ser as mais sábias ou convenientes. Parte dos que compõem o grupo pode ficar excluída dos trabalhos, por ser constituída de membros mais tímidos ou por estarem dominados pelos mais prepotentes, pelos que melhor fazem uso da palavra.
Pode ocorrer que, antes de uma reunião, os componentes do grupo procurem contatar outros membros para lhes convencer acerca das suas pretensões ou postulações ou, simplesmente, conseguir adesões ou fazer acordos. Obviamente a consciência coletiva estará sendo manipulada e aí poderiam os mais doentes chegar ao seu “dia de glória”, pois teriam manipulado até mesmo o Poder Superior. No entanto, nessas condições, a consciência coletiva não se estabelece e Ele não fala. Talvez falem outras vozes menos divinas.
Quando não se busca a consciência coletiva, o que usualmente acontece é correr o sangue emocional e até mesmo o físico. Usualmente a luta se estabelece, mas ela não leva a nada porque é caótica, é barulhenta e não construtiva.
As agressões tornam as reuniões cansativas e os resultados são nulos ou diminutos. As reuniões se tornam tanto desagradáveis quanto improdutivas. É um conflito sem frutos e que vai para lugar nenhum. As pessoas tornam-se prisioneiras das suas raivas, dos seus ressentimentos e das suas ambições pessoais desmesuradas. Outros procuram concertar as cabeças, convencer ou curar os seus companheiros e isso, muitas vezes, pode até parece ser coisa de amor, mas o fato é que fazem isso para o seu próprio conforto, em seu favor.
É fundamental que busquemos a complementação sempre que opiniões diferentes ou contrárias às nossas forem apresentadas. Devemos buscar, nessas situações, o sentido de existir, de ser. Devemos identificar, na existência dos opostos, o sentido da complementaridade. Sempre que nos incompatibilizamos uns com os outros é porque estamos medindo forças e assumindo posições antagônicas. Se buscarmos o sentido do complementar, poderemos reverter o antagonismo e somar as nossas potencialidades em torno de um propósito único. Desse modo, não perdendo o nosso ponto de vista, identificamos um sentido maior que é a grande manifestação da Consciência Coletiva.
A insensatez
Quando não se busca a consciência coletiva, a insensatez se estabelece no grupo. Isto é, ele passa a agir de forma contrária aos seus próprios interesses, de forma contrária à apontada pela razão. Exatamente ao contrário da sabedoria que está no exercício do julgamento atuando com base na experiência e no uso das informações disponíveis.
No caos e na manipulação, buscam-se as atitudes contrárias aos próprios interesses da Irmandade de Alcoólicos Anônimos, não obstante as advertências desesperadas de alguns e da existência de alternativas melhores e viáveis. A busca da insensatez torna-se trágica e, dolorosamente, um comportamento dominante. Dominados pelas paixões, os membros do grupo abandonam o comportamento racional, tornam-se passionais. A mitologia grega tinha uma figura para representar a cegueira da razão, o desvario involuntário, de cujas conseqüências os companheiros depois se arrependem, chamada Ate, filha de Eris, deusa da discórdia e da disputa. Tomados de cega insensatez, as vítimas da deusa se tornam incapazes de realizar uma escolha racional, de distinguir entre atos morais e imorais.
Onde e como o Céu e a Terra se tocam
O homem, desde tempos imemoriais, vem procurando fazer contato com as forças criadoras, com o sagrado. Procurou lugares e objetos em que o céu e a terra se encontrassem. Concebeu a montanha e a cidade sagradas, a residência real, a árvore da vida e da imortalidade, a fonte da juventude, etc.
De acordo com crenças indianas, o monte Meru seria uma montanha sagrada e sobre ela brilharia a estrela polar. Na crença iraniana, a montanha Elburz seria o ponto em que a terra estava ligada ao céu. A população budista do Laos considera sagrado o monte Zinnalo. No Edda, o Himinbjorg, que quer dizer “montanha celestial”, é considerado o ponto em que o arco-íris alcançaria a parábola do céu.
Para os povos mesopotâmicos, o Zigurate era a montanha cósmica. Na Palestina era o Monte Tabor. Para os cristãos, a montanha cósmica era o Gólgota, o lugar onde Adão tinha sido criado e sepultado e o sangue do Salvador teria sido derramado sobre o crânio de Adão, servindo para a sua redenção. Esta crença ainda permanece entre os cristãos orientais. A cidade da Babilônia, como indica o próprio nome, era tida como a “porta dos deuses” pois era por meio dela que os deuses desciam para a terra.
A idéia de que o santuário reproduz o Universo, na sua essência, passou para a arquitetura religiosa da Europa cristã e para as basílicas dos primeiros séculos, do mesmo modo que as catedrais medievais reproduziam simbolicamente a “Jerusalém celestial”.
O lugar sagrado, o “Centro”, seria a zona da realidade absoluta e lá estariam os seus símbolos: a árvore da vida e da imortalidade, a fonte da juventude, etc. daí a idéia de que a estrada que leva ao “Centro” é um “caminho difícil”. Difícil também a peregrinação aos lugares sagrados como Meca, Hardwar e Jerusalém, feita em viagens cheias de perigos e realizadas por expedições heróicas. As mesmas dificuldades encontra aquele que procura caminhar em direção ao seu ego, ao “Centro” do seu ser. A estrada é árdua e cheia de perigos porque representa um ritual de passagem do âmbito profano para o sagrado, do efêmero e ilusório para a realidade e para a eternidade, da morte para a vida, do homem para a divindade. Chegar ao “Centro” equivale a uma consagração; a existência profana e ilusória dá lugar a uma nova existência, a uma vida real, duradoura. Na busca da consciência coletiva o grupo de trabalho procura chegar ao “Centro”, ao ponto mais elevado.
Eu, pessoalmente, considero que é através do processo de formação da consciência coletiva, após percorrer um caminho muitas vezes árduo e difícil, é que estabelecemos um contato entre o céu e a terra. É por meio do processo de busca da consciência coletiva que o céu e a terra se tocam. A consciência coletiva é a voz do Poder Superior.
O conceito de substancial unanimidade e a idéia da formação de uma verdadeira comunidade centrada na busca da manifestação do Poder Superior estão na base de uma nova dimensão de divindade e permitirão que a Irmandade de Alcoólicos Anônimos se aperfeiçoe de maneira progressiva e que, por meio da busca da consciência coletiva, os seus membros conquistem a mais absoluta liberdade espiritual, ficando então livres de preconceitos e de sentimentos negativos em relação aos demais companheiros.
Dr. Laís Marques da Silva
Ex-Custódio e Presidente da JUNAAB

NOVEMBRO/09 – atividades no grm:

01/11/09 – Domingo – às 15h30m – Reunião de Recuperação
02/11/09 – Segunda Feira – às 19h30m – Reunião de Recuperação
04/11/09 – Quarta Feira – às 19h30m – Reunião de Recuperação
05/11/09 – Quinta Feira – às 19h30m – Reunião de Serviço
06/11/09 – Sexta Feira – às 19h30m – Reunião de Recuperação
08/11/09 – Domingo – às 15h30m – Reunião de Recuperação
09/11/09 – Segunda Feira – às 19h30m – Reunião de Recuperação
10/11/09 – Terça Feira – às 20:00h – Evento aberto ao Público – Dr. Frederico Machado – Palestra – Tema: “Alcoolismo”
11/11/09 – Quarta Feira – às 19h30m – Reunião de Recuperação
13/11/09 – Sexta Feira – às 19h30m – Reunião de Recuperação
15/11/09 – Domingo – às 15h30m – Reunião de Recuperação
16/11/09 – Segunda Feira – às 19h30m – Reunião de Recuperação
18/11/09 – Quarta Feira – às 19h30m – Reunião de Recuperação
20/11/09 – Sexta Feira – às 19h30m – Reunião de Recuperação
22/11/09 – Domingo – às 15h30m – Reunião de Recuperação
23/11/09 – Segunda Feira – às 19h30m – Reunião de Recuperação
25/11/09 – Quarta Feira – às 19h30m – Reunião de Recuperação
27/11/09 – Sexta Feira – às 19h30m – Reunião de Recuperação
29/11/09 – Domingo – às 15h30m – Reunião de Recuperação
30/11/09 – Segunda Feira – às 19h30 – Reunião de Recuperação
Nosso contato na Internet: companheiro2009@gmail.com

CTO – COMITÊ TRABALHANDO COM OS OUTROS
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS é uma Irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo.

• O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de A.A. não há necessidades de taxas ou mensalidades; somos auto-suficientes, graças às nossas próprias contribuições.
• A.A. não está ligado a nenhuma seita ou religião; nenhum partido político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apoia nem combate quaisquer causas.
• Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade.
(Direitos autorais de The A.A. Grapevine, Inc; publicado com permissão)

Literatura aprovada pela
Conferência de Serviços Gerais

Direitos autorais © (XXXX)) da
JUNAAB – Junta de Serviços Gerais de A.A. do Brasil

CTO
COMITÊ TRABALHANDO COM OS OUTROS

Para que possamos cumprir eficazmente o nosso Terceiro Legado (Serviço), necessitamos de um mínimo de organização, que poderemos obter constituindo um Comitê Trabalhando com os Outros (CTO), tanto no Grupo como nos demais Órgãos de Serviços de A.A.
Baseados na Quinta Tradição: “Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.” e no Décimo Segundo Passo: “Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.”, é necessário elaborar uma maneira simples e eficiente de atingir tais objetivos.
Dia após dia, nós, membros de A.A., mantemos contato com profissionais das mais variadas áreas da atividade humana. Invariavelmente, somos compelidos a divulgar nossa mensagem, seja na mídia ou em cartazes e panfletos. Muitos de nós visitamos hospitais, clínicas de recuperação para alcoólicos, presídios ou cadeias públicas, com o objetivo gratificante e claro de divulgação de nossa mensagem. No entanto, não devemos fazer de forma individualizada e descoordenada, sem, muitas vezes, atingir resultados práticos. Para que seja cumprido com eficácia o propósito de A.A. é necessária a formação do Comitê Trabalhando com os Outros.
O Comitê Trabalhando com os Outros (CTO) é formado pelas comissões, a saber: Comissão de Cooperação com a Comunidade Profissional (CCCP); Comissão de Informação ao Público (CIP); Comissão de Instituições de Tratamento (CIT) e Comissão de Instituições Correcionais (CIC). Todo o trabalho esboçado neste plano só terá resultado satisfatório se for efetivado de forma ordenada e integrada, com as atividades das Comissões ocorrendo harmoniosamente, sem conflitos nem sobreposições. O Grupo de A.A., que é a unidade básica da Irmandade, deveria fornecer, dentro de suas possibilidades, representantes para o CTO e suas Comissões.
Dentro dos Grupos temos companheiros interessados no serviço, com as mais variadas aptidões e graus de conhecimento, não só inerentes à Irmandade, como em relação à comunidade que nos cerca. Estes companheiros se harmonizam com aspectos das várias Comissões e podem assumir a responsabilidade de coordená-las, procurando sempre apadrinhar outros membros que irão auxiliá-los na elaboração e execução dos trabalhos do Terceiro Legado, dando vida própria ao Comitê Trabalhando com os Outros.

FINALIDADE DO CTO
A finalidade básica do CTO é organizar, estruturar, padronizar e facilitar a divulgação da mensagem de A.A.
Nenhum alcoólico poderá ser ajudado por Alcoólicos Anônimos se não souber que A.A. existe ou onde poderá ser encontrado. Portanto, para a manutenção de nossa sobriedade e preservação de nosso propósito primordial, é necessário a formação de CTO’s.
Será através dos trabalhos do CTO nos Grupos e nos Órgãos de Serviços que teremos a “via de acesso” para a sociedade como um todo ou para a comunidade específica onde se localize um Grupo de A.A. Muitas pessoas ficarão felizes em saberem da possibilidade de recuperação do alcoolismo, se a elas forem dadas informações adequadas do nosso Programa de Recuperação.
Não deveria existir nenhuma dificuldade para que os membros-chave da comunidade, como: médicos, advogados, juizes, clérigos, delegados, psicólogos etc. conheçam a existência de Alcoólicos Anônimos e a nossa disposição de auxiliar qualquer alcoólico que esteja disposto a aceitar ajuda.
Certa vez alguém disse que o coração de A.A. é um alcoólico levando a mensagem a outro alcoólico. Esta ainda é uma boa, básica e prática maneira de nos mantermos longe do primeiro gole. Às vezes, utilizamos “terceiras pessoas” para fazer chegar a mensagem a outro alcoólico. Bill W. utilizou um profissional da medicina, não-alcoólico, o Dr. Silkworth, e um hospital, para chegar a outros alcoólicos e manter sua sobriedade.

Em Akron, para se manter sóbrio, ele utilizou um ministro religioso, o Rev. Walter Tunks, e uma pessoa leiga não-alcoólica, a Sra. Henrietta Seiberling, para encontrar o Dr. Bob. Juntos, para se manterem sóbrios, Bill W. e Dr. Bob contataram uma enfermeira não-alcoólica, a Irmã Ignatia, para localizar outros alcoólicos que precisavam de ajuda. Todos esses métodos ainda são válidos e devem continuar sendo usados.
A mensagem poderá ser levada a “muitos outros alcoólicos” através de artigos publicados em jornais e revistas, pelos programas de rádio e televisão, e pela Internet. Também levamos a mensagem de A.A. aos hospitais, clínicas de recuperação, cadeias e penitenciárias e aos profissionais de diversas áreas. Claro que se tornará muito mais fácil esta tarefa se houver uma maneira coordenada para executar esses trabalhos. O Comitê Trabalhando com os Outros é a resposta adequada para facilitar a transmissão da mensagem de Alcoólicos Anônimos.

O Comitê Trabalhando com os Outros é responsável pelo sucesso do relacionamento entre Alcoólicos Anônimos e a sociedade, no âmbito de sua atuação, o que muito contribui para o crescimento dos Grupos de A.A., principalmente se mostrado de forma clara e precisa o que A.A. oferece, para que a mensagem chegue até o alcoólico.
Outro aspecto considerado primordial nos trabalhos do CTO é o estabelecimento do que chamaremos de “estratégia de comunicação interna”, cuja função principal é aumentar o conhecimento dos integrantes dos Grupos sobre o Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos.
Todos sabem a grande importância do conhecimento dos Doze Passos, Doze Tradições e Doze Conceitos, pedras fundamentais de nossa filosofia de atuação, para a recuperação individual e coletiva e para a divulgação da mensagem de A.A.
O trabalho de conscientização proposto, para ter o resultado esperado, precisa empregar recursos audiovisuais como fitas gravadas, videocassetes, “slides”, histórias em quadrinhos, cartazes, folhetos, todos com assuntos relacionados à programação de A.A., bem como BOB-Mural, revista VIVÊNCIA e JUNAAB Informa, principalmente quando a falta de material humano não permitir a solução ideal – palestras, seminários ou reuniões temáticas, com exposições ao vivo.
Tanto o trabalho externo, visando tornar a Irmandade conhecida na comunidade, como o interno, objetivando dar aos Grupos a conscientização desejável para conseguir manter em seu seio os alcoólicos que os procuram, precisam ser ordenados de modo a aproveitar melhor cada elemento de serviço, racionalizando sua atuação para concretizar o máximo de suas possibilidades dentro das Comissões.

PRIMEIRO PASSO
Força é a capacidade interior de resistir às dificuldades, às perdas, às desilusões e às pressões.
Força é ter coragem de enxergar os erros e assumi-los.
É não guardar ressentimentos, raiva, não ser vingativo.
É quando descobrimos que somos em Deus e não precisamos provar nosso valor aos outros.
As dores físicas, mentais e espirituais têm sobre nós um efeito contrário quando admitimos nossa fraqueza, nossa impotência, nossa perda de domínio ante os efeitos do álcool.
Fazemo-nos fortes quando acreditamos num Poder Superior a nós mesmos. O qual rege nossa existência. “Se Ele nos deu um limão… façamos uma doce limonada…”
De formas diferentes resistimos à fragilidade, buscamos força e procuramos viver. Resistir, negar ou dissimular nossa fraqueza faz parte do jogo da existência.
Infelizmente, o senso comum insiste que pessoas fracas não devem ter espaço. É a lei da natureza que seleciona a raça e privilegia os genes mais notáveis, daí as demonstrações mais bizarras de força se apresentam com mais veemência no tom de voz, na simetria da estética, nos poderes sociais, nos processos ilusórios do ter, do ser e do poder.
É bem ai que nos descobrimos como de fato nós somos: imperfeitos, eternos aprendizes e viajantes de um mundo onde o nosso amor próprio, o orgulho, a vaidade, muitas vezes falam mais alto que o bom senso e a coragem para viver e lutar pelo que de fato buscamos: a sobriedade!
Nesta nossa caminhada temos aprendido em quantas situações somos fracos e impotentes, mas também aprendemos e buscamos força para exercer uma influência positiva sobre nós mesmos, sobre as pessoas que amamos e o mundo em que vivemos.
1º Passo:
Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.
“A força nascendo da fraqueza”

Pode-se perceber, com nitidez, que nos tempos atuais a tecnologia que desponta se apresenta como uma nova divindade. Uma tecnologia fascinante que aproxima pessoas e eventos distantes, mas que por vezes separa aqueles que estão próximos. Um paradoxo contemporâneo que já nos habituamos como um reflexo da modernidade ou como algo muito normal.
Cada vez mais as máquinas se tornam interativas e o contato pessoal mais distante. O perverso e doentio desta nova ideologia é que somos levados a aceitar como naturais e verdadeiros os valores que estão nos objetos externos.
Observamos que dentro do atual espírito consumista os remédios compensam qualquer dificuldade, as drogas e o álcool substituem contato e o conforto humano.
Pois é justamente o contato interpessoal, esta relação intersubjetiva, que se constitui, em Alcoólicos Anônimos a base de nossa recuperação.
Pode-se, em princípio, ter a impressão que a nossa Irmandade está na contramão da história, quando na realidade é a sociedade atual que se encontra na contramão do bom senso e da sanidade.
A nossa época já foi definida por um historiador como a “Era do Narcisismo”. Uma sociedade de pessoas egocêntricas e solitárias.
Na minha vida o alcoolismo se tornou um mergulho para dentro de mim mesmo, não como o sentido de reflexão e autoconhecimento, mas com a característica de isolamento e solidão.
Eu me sentia em constante contrate com a sociedade de um modo geral. Era antes de tudo um solitário limitado pelas minhas próprias contradições. Tinha uma personalidade em constante conflito comigo mesmo e com o outro e desta forma o álcool se tornou um anestésico para camuflar esta realidade e uma muleta para compensar minhas inadequações.
Havia me tornado um ser atormentado por desejos ardentes e tristes pesares. Sentia, diante da vida, uma fraqueza, sem força para me reerguer.
Meu ingresso em Alcoólicos Anônimos possibilitou-me verdadeira transformação na situação em que me encontrava. Da fraqueza nasceu a força que tanto necessitava através do acolhimento e carinho tão característicos em quaisquer grupos de A. A. , os quais me encantaram desde o primeiro momento.
Percebi que se tratava de uma Irmandade muito especial. Um grupo com um propósito comum no qual aprendi a conviver com o outro. A conviver com as diferenças que caracterizam uma sociedade verdadeiramente democrática.
Convivemos com diferentes pessoas respeitando os seus respectivos valores e suas maneiras próprias de encarar a vida.
Em A. A. temos a oportunidade de conhecer pessoas diversas, com personalidades distintas, com experiências alcoólicas bastante pessoais, mas que almejam um único objetivo comum: a libertação da servidão que o alcoolismo impõe.
Como Dr. Bob ressaltou: “O álcool é um grande nivelador de pessoas e A. A. também.” Nossa Quinta Tradição estabelece que A. A. tem um único propósito primordial o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
Bill declara em um artigo de 1946: “O primeiro registro por escrito da experiência de A. A. foi o livro Alcoólicos Anônimos, que abordou o âmago do nosso maior problema a libertação da obsessão pelo álcool.”
A questão que se põe, no entanto é: – qual é a função primordial do hábito de beber de forma obsessiva?
Antes de obter o prazer, a finalidade principal é a de evitar em pensar e a de evitar o sofrimento. O alcoolismo é então uma tentativa de não sentir a dor existencial. É uma negação da própria condição humana.
É compreensível, portanto que o alcoólico ao negar em princípio, seu próprio alcoolismo expresse, de forma subjacente, uma fragilidade e um temor ao sofrimento, um sofrimento que no meu caso antecedeu o hábito de beber. Percebendo este quadro senti a necessidade de entrar em ação para reverter aquele ciclo vicioso. Precisava adquirir uma força partindo da minha própria fraqueza.
De início uma noção da realidade: a consciência da impotência diante da obsessão pelo álcool e a aceitação de que apesar de ser uma doença incurável é perfeitamente tratável, podendo, portanto ficar inteiramente sob controle.
E assim, a partir do Primeiro Passo, adquiri a força necessária seguindo as sugestões do mesmo.
Vivo o presente dentro do plano das 24 horas. Através do inventário pessoal faço uma releitura do passado tentando tirar o melhor proveito das circunstâncias, ainda que adversas.
Esta atitude permite nortear a minha ação presente para que venha se constituir em uma base segura para o futuro.
Enfim, passado, presente e futuro podem ser vivenciados dentro do plano das 24 horas. É um plano simples e singelo, mas que funciona.
Como sempre é enfatizado em nossas reuniões: “Basta fazer certo que dá certo”.
(Fonte: Revista Vivência Nº 111 – Richard/Rio de Janeiro/RJ)

OS NOSSOS AMIGOS
“PROFISSIONAIS”
“A. A. nasceu da necessidade do diálogo”
Dra. Maria Stella Ferreira Cordovil Casotti
Psicóloga e Coordenadora do Serviço de Desintoxicação
Do Hospital de Urgência e Emergência
Rio Branco – Estado do Acre

Alcoólicos Anônimos, desde seu surgimento em 1935, tem sido um baluarte na busca da recuperação da dependência química alcoólica.
Pode-se dizer que A. A. surgiu a partir da necessidade de se dialogar. Foi através do diálogo que Bill Wilson, corretor da bolsa de valores de Nova Iorque e Bob Smith, médico cirurgião de Ohio, ambos pertencentes ao estrato social da classe média alta, mas com uma vida fracassada pelo álcool, perceberam que ao conversar sobre as dificuldades em se abster do álcool, bem como as conseqüências nefastas resultantes do uso do álcool, lhes deixava mais aptos a manterem-se abstêmios.
Este hábito de conversar foi o trampolim para eles fundarem Alcoólicos Anônimos, grupos de auto-ajuda que têm como objetivo auxiliar as pessoas que sofrem de alcoolismo. Talvez a premissa básica de A. A. seja a renovação do compromisso diário de evitar o “primeiro gole”. Cada um busca se tornar líder, especialmente de si mesmo, mas também dos outros, para, assim, se tornarem exemplos a serem seguidos.
Em A. A. existe coesão social, pois afeto, acolhimento, solidariedade, compartilhamento do que cada um possui do ponto de vista humano, há o senso do pertencimento e, com isso são criados laços emocionais fortes especialmente entre os pares.
É através do diálogo que os membros de A. A. compartilham sentimentos, desejos, frustrações, experiências e são essas trocas que direcionam a caminhada para a manutenção da abstinência desses membros.
Os diálogos, as leituras e as trocas permitem ao dependente alcoólico ter consciência de sua dependência e, ao mesmo tempo, se colocar perante o grupos como alguém que necessita de ajuda.
A.A. busca um despertar no sentido de que os seus membros reflitam da seguinte forma: “Só eu posso me ajudar, mas preciso de ajuda”. Esta descoberta é bárbara, pois há uma perfeita inter-relação entre o individual e o coletivo.
E nesta busca de ajuda vale especialmente a ajuda de um Poder Superior. Neste contexto é que se oportuniza ou se possibilita mais o exercício da fé, pois os princípios de A. A. não se correlacionam por acaso. Eles têm uma seqüência lógica em cada “Passo”. E os primeiros “Passos” explicitam a ação de um Poder Superior, O qual deve ser buscado na sua intensidade para a superação deste “modus vivendi” desequilibrado.
Pesquisas recentes também têm revelado a importância da fé e da espiritualidade como componentes básicos, necessários a qualquer ser humano, para se viver uma vida mais plena de significados.
Um dos grandes estudiosos da mente humana a apreender o significado da importância da religiosidade para a saúde psicológica foi Carl Jung.
Para Jung, Deus e ser humano estão inter-relacionados, uma vez que todo ser humano tem algo de divino.
Segundo Jung toda pessoa tem dentro de si forças curativas, bastando para isso perceber os “insights” que lhe são oportunizados.
Para Jung, a perspectiva religiosa religa o homem a Deus, possibilitando assim, a cura e o equilíbrio da vida. Daí a importância do ser humano, inclusive, limpar seu “arquivo mental” das mágoa, medos, ressentimentos, culpas.
De acordo com os preceitos de A. A., o Poder Superior liberta da escravidão dos aspectos materiais, mentais e emocionais, tornando o ser humano senhor de si mesmo, capaz de realizar-se como pessoa humana.
A ênfase espiritual de Jung é contundente em sua carta a Bill W., co-fundador de A.A, como sendo a prática da espiritualidade, no seu sentido mais intenso e profundo possível a última e única solução para que Holand H., que fora seu paciente, solucionasse seu problema: se abster do alcoolismo.
Jung não só influenciou na conversão e cura de Holand H., como também do próprio Bill W. e outros, mas também na co-fundação de A. A. em 1935.
Bill W. na busca da libertação do álcool, estava na mais profunda depressão, sem o mínimo de fé, quando, no seu limite, clamou rogando: – ‘Se existe um Deus, que se manifeste!’. No mesmo instante Bill W. foi libertado da obsessão alcoólica.
Este fato mostra que também na “situação-limite” há possibilidades de superação a partir de uma profunda experiência espiritual, o que fora preconizado por Carl Jung.
Carl Jung teve um papel decisivo na criação da Irmandade de Alcoólicos Anônimos, especialmente sob a perspectiva espiritual. Na verdade foi uma inovação a intervenção de Jung unindo ciência e espiritualidade para a resolução dos dramas existenciais humanos, pois para Jung, o ser humano é um ser físico, mas também metafísico transcendental e espiritual.
O dependente químico alcoólico é um ser humano que, apesar da perda da autonomia e da liberdade pessoal, em maior ou menor grau, para conduzir sua vida agindo de forma construtiva, tem o livre-arbítrio como uma possibilidade de transformar o seu drama humano em um projeto concreto de vida pleno de significados e valores.
Quando este “insigth” é percebido e vivenciado há uma despertar para a vida no sentido global de sua saúde mental e da existência humana.

(Nota do Editor: “insight” palavra de origem inglesa traduzida para o português como compreensão interna, compreensão súbita, apreensão súbita, visão súbita, discernimento, perspicácia.)

REVISTA VIVÊNCIA
“MANTENHA A MENTE
ABERTA SEMPRE”

Quando entrei nesta obra maravilhosa fiquei radiante com o programa de reformulação de vida, pois os passos para mim são o caminho para uma nova vida.
Tive que fazer um esforço e abrir minha mente para aprender com os companheiros tudo sobre A.A.
Fui muito bem apadrinhado e tive que me recuperar no meio de homens, embora a obra seja de homens e mulheres, aqui em Muriaé, quando ingressei havia poucas mulheres.
Com a mente aberta aprendi que eu tinha que mudar de vida se quisesse me recuperar do meu alcoolismo; mudar meu modo de pensar, de agir e principalmente remover os meus defeitos de caráter.
Ainda tenho muitos defeitos, mas vou me lapidando um pouquinho a cada dia.
Hoje mostro minha gratidão através dos serviços.
Estou desde janeiro de 2008 como coordenadora geral do grupo União de Muriaé. O trabalho tem me ajudado a me lapidar.
Aprendi que devo manter a mente aberta para que um Poder superior a mim me guie, me coordene por onde eu for e, principalmente, que ele me oriente para que eu não ofenda os companheiros, principalmente, não afaste nenhum companheiro do grupo sendo arrogante prepotente e nunca deixar meu ego inflar com o encargo que os companheiros permitiram, numa eleição que eu fosse uma líder de confiança do grupo.
Sei que preciso manter minha mente aberta sempre principalmente nas decisões: ouvir a consciência do grupo sempre.
Ninguém decide nada sozinho, ninguém trabalha sozinho e ninguém faz uma reunião sozinho!
Todos são importantes para um grupo de A.A.
Os veteranos acolhem os que chegam e os que chegam nos mostram que não devemos voltar lá fora, lugar que está do mesmo jeito que deixamos.
O que eu quero para mim estende a todos os AAs do mundo inteiro: 24 horas de sobriedade.
Valdete/Marte/ Abril/MG
Vivência nº112 – Março/Abril/2008

RECOMPENSAS ESPIRITUAIS DO SERVIÇO
O Serviço é a terceira parte do programa de A.A. Nosso símbolo, o círculo e o triângulo, deixa bem claro que as três partes: Recuperação, Unidade e Serviço, têm todas igual importância.
O programa de A.A.: os Passos, as Tradições e o Serviço, é pura e simplesmente um programa espiritual. Excelente ilustração deste fato é minha própria experiência. Desde os meus primeiros dias na Irmandade, tive dificuldade com os Doze Passos: eram difíceis demais para mim; um sem número de idéias e princípios nos quais, à época, não tinha sequer interesse ou capacidade para me aprofundar. Não estava preparado para a aceitação tácita daqueles princípios, recusando-me simplesmente a admiti-los. Ao mesmo tempo, amigos meus de A.A. falavam das Tradições e do Serviço. Entendi bem essas duas partes e a elas me afeiçoei. As Tradições trouxeram à minha mente doentia a luz de que tanto carecia. Recuperei pequena parte de minha autoconfiança ao ser convidado a participar em reuniões temáticas do Grupo. Graças a este serviço, em poucas semanas, minha mente já não era a mesma de antes. Pelo estudo das Tradições, através do Serviço, redescobri um ideal de vida que me é de grande valia. Minha vida em A.A., desde muito cedo, tem sido cheia de bênçãos desse tipo.
Anos depois, já em nível nacional, trabalhei no Comitê de A.A. de Informação ao Público. Este serviço me obrigava a conhecer em profundidade as Tradições e os Doze Conceitos do Serviço Mundial de A.A. Não me era difícil vivenciar os princípios que regem o serviço de A.A., ao passo que prosseguia minha transformação mental.
Em Doze Conceitos para o Serviço Mundial de A.A., encontramos este tópico:
“Nosso programa de A.A., em sua totalidade, apóia-se no princípio da confiança mútua (a palavra confiança é uma constante nesse livro, e eu, um alcoólico, preciso confiar).
Em Alcoólicos Anônimos, a liberdade individual é de enorme importância.
As Tradições exprimem princípios e atitudes de prudência que levam à harmonia.
A liberdade, debaixo da vontade de Deus, para crescer à Sua imagem e semelhança, será a busca permanente de Alcoólicos Anônimos.
Como seres humanos, nós de A.A. acreditamos que nossa liberdade de servir é na prática a mesma liberdade pela qual vivemos – essência de nossa vida.
Portanto, eu sou Claude, um alcoólico, um doente, e apesar disso, seguindo esses princípios, posso viver uma vida maravilhosa em harmonia com meus amigos e com os outros, se bem que isto seja mais difícil. Tenho agora plena condição de ser livre: eu, que fui escravo, sendo o álcool meu amo e senhor absoluto. O programa de A.A. deu-me total capacidade de ser livre de novo. Minha liberdade é de extrema importância para Alcoólicos Anônimos. Posso confiar em Deus, em A.A. e nos meus amigos e eles em mim.
O serviço de A.A. me confere ainda outras recompensas. Eu (como vocês, talvez) sou o melhor. Eu (como vocês) sou indispensável. Ao dedicar-me ao serviço de A.A., percebo que não sou o melhor, sou apenas um homem cheio de falhas. Convenço-me, então, de que não sou tão indispensável assim. O revezamento é uma constante em A.A. Ao término de meu período, um outro virá substituir-me. Isto é bom para mim, porque como sugere o Sétimo Passo, “nenhum alcoólico poderá permanecer sóbrio sem um certo grau de humildade.”
Além disso, no serviço de A.A., tenho por vezes que tomar decisões. E, dependendo de minha capacidade, posso até tentar ser um líder durante minha gestão. E, ao findar meu período, eu ainda me questiono: o que fazer para ser útil, o que fazer para melhor servir ao A.A.?
Em A.A., o servir tem exclusivamente base espiritual. Não há medalhas, nem recompensas financeiras, nem honrarias. Há apenas o sacrifício pela graça de Deus. É disto que preciso. É este meu desejo agora. Esta base espiritual a quem me refiro é o único caminho que conheço para a felicidade e a serenidade. Se mantiver esta atitude, não tenho dúvidas quanto ao resultado. Estes resultados estão presentes na minha vida e na de meus amigos. Eu os percebo a cada passo. Eles só têm um nome: o milagre de A.A.
FONTE:
Claude Ansos – Europa de Língua Francesa
XIX Conferência de Serviços Gerais
São Paulo/SP – 1995

Primeiro Conceito

“A responsabilidade final e a autoridade suprema pelos Serviços Mundiais de A.A., deveriam sempre residir na Consciência Coletiva de toda nossa Irmandade.”

Os Grupos assumiram esta responsabilidade na Convenção Internacional de St. Louis em 1955. Nessa Convenção, em nome do Dr. Bob, dos Custódios e dos Lideres de A.A mais antigos, Bill transferiu a responsabilidade dos Serviços Mundiais para toda nossa Irmandade.
Havia alguma resistência para realizar uma Conferência, mas em 1948, aconteceu algo que nos balançou, ficou confirmado que o Dr. Bob estava sofrendo de uma doença fatal. Ficou provado então, que Bill e o Dr. Bob eram os únicos laços de união entre os Custódios e o traba-lho que executavam. Ficou claro também a necessidade de uma Conferência.
Depois de realizá-la ficou provado que os Grupos de A.A. podem e terão a responsabilida-de final pelos Serviços Mundiais. Responsabilidade que devemos entender como: Manutenção de nossos Escritórios de Serviços Locais, Estaduais e Nacionais, seja com contribuições financeiras ou formando servidores para os encargos nos diversos seguimentos da Irmandade; custeio de todos os Eventos como, Intergrupais, Interdistritais, Intersetoriais, Interáreas, Conferências de Serviços Gerais, Convenções, Encontros Estaduais. Manutenção também financeira e formando Servidores para o Comitê Trabalhando com os Outros.
Vemos hoje a dificuldade que temos para conscientizarmos de nossos Princípios, que a vi-da de cada indivíduo e de cada Grupo é construída ao redor dos Doze Passos e das Doze Tradi-ções. Sabemos também que, o que pode nos acontecer caso a desobediência a estes Princípios: a morte do indivíduo e a dissolução do Grupo.
Devemos acreditar que juntos, em amor, tolerância, recuperação unidade e responsabili-dade, como diz o Conceito,podemos, tendo fé em um Poder Superior que cada um concebe, cum-prir com o nosso Propósito Primordial.

É COM O CORAÇÃO QUE SE VÊ
O ESSENCIAL É INVISÍVEL PARA OS OLHOS.

O INVISÍVEL DO GRUPO

1. Eu sou um alcoólatra.
Os que usam a palavra, usualmente, iniciam os seus depoimentos dizendo: “eu sou um alcoólatra em recuperação e hoje não bebi pela graça do Poder Superior e com a ajuda de vocês”. Assim, ao iniciar, reiteram uma parte do que é dito no ritual de abertura e reconhecem serem alcoólicos em recuperação. A admissão dá início à recuperação e faz parte do processo de superar a negação que o alcoólico na ativa tem em relação aos seus problemas com o álcool. A identificação pessoal faz com que o A.A. não necessite de critérios objetivos para fazer diagnósticos e o próprio reconhecimento da impotência diante do álcool não depende de métodos codificados de diagnóstico. Isso muda radicalmente a atitude mental que o alcoólatra tem do seu problema. Passa a aceitar a realidade e não continua a negá-la.
A condição de ser um alcoólico é tão básica que supera as diferenças individuais e sociais. É a identificação de iguais, que mutuamente reconhecem que são torturados pelo mesmo demônio, que dá suporte para a condição de igualdade entre os membros dos grupos. Por outro lado, os grupos não estão interessados nas causas do alcoolismo e participar o programa de A.A. é uma realização conjunta, de iguais. A auto-identificação dá fundamento à Irmandade de Alcoólicos Anônimos.
2- A recuperação é possível.
É possível parar de beber. O alcoólatra que chega ao A.A. encontra um conjunto de pessoas que sofreram as mesmas conseqüências do alcoolismo e que estão limpas e bem vestidas, que estão bem e alegres. O que sempre parecera ser impossível alcançar, parar de beber, é visto como possível. Portanto, existe um caminho, uma saída para o problema. Surge a esperança, e ninguém pode viver sem ela.
3- Ser humano que tem valor.
Ao entrar em um grupo, ao ser bem recebido, o alcoólico tem a oportunidade de falar e, mais ainda, de ser ouvido e não apenas escutado. Recebe abraços e cumprimentos que fazem o recém- chegado crescer na sua auto-estima. São tratados como seres humanos, como pessoas que têm valor e que apenas são portadores de uma doença que, embora não seja possível curar, podem deter, superar. O recém-chegado ouve que é a pessoas mais importante daquela reunião. E não é hipocrisia, pois que ele lembra aos que estão sóbrios e bem, que a doença continua existindo e que é daquela maneira deplorável que irão ficar se pensarem que já podem beber.
4- Isolamento e comunicação.
O isolamento é característico do alcoólico na ativa. Ele perde a comunicação com os que estão à sua volta em função do seu alcoolismo e da perda de referenciais, valores e prioridades. Mas o ser humano é um ser social que se realiza e cresce no convívio com os outros. A troca de interiores os enriquece mutuamente e por isso a comunicação é indispensável à vida de todos os seres humanos e, em especial, dos alcoólicos.
Em A.A., o alcoólico encontra espaço para reiniciar a comunicação porque encontra um silêncio respeitoso, uma atenção que transmite ao alcoólico que faz o seu depoimento a mensagem de que ele tem valor e que por isso é ouvido atentamente. A volta da comunicação abre espaço indispensável para um enorme progresso nas relações com os outros, para uma mudança de comportamento.
5- Não julgamento, cada um fala de si.
Cada um oferece, ao depor, as suas experiências pessoais dentro de um ambiente em que não se faz qualquer comentário a depoimentos anteriormente feitos e nem mesmo ao que está em curso. Não se fazem julgamentos. Nenhum depoimento pode ser interrompido e, por isso, são feitos livremente. Acresce que, como todos os presentes tiveram experiências semelhantes e, das experiências que não tiveram, já ouviram falar em depoimentos feitos por outros alcoólicos, não existe qualquer reação por parte dos companheiros do grupo que escutam em silêncio respeitoso. Eles não se escandalizam, não há uma reação do tipo: como você foi capaz de? Essa atitude por parte do grupo é fundamental para que aquele que faz o depoimento possa abrir irrestritamente o seu coração. A autonomia de quem faz o depoimento é irrestrita e não existe a necessidade de ser aprovado pelo grupo. Ninguém pergunta sequer de onde o depoente veio e para onde está indo. Não há retorno ao depoimento que um membro do grupo faz.
6- Anonimato.
É fundamental para preservar o alcoólico em relação a preconceitos e ao conteúdo do seu depoimento. Um outro aspecto a ser considerado é que o anonimato concorre para tornar seguro o ambiente do grupo, em que as guardas podem ser baixadas e também as defesas naturais e para que o membro do grupo possa a fazer o seu depoimento com verdade, o único que, e só dessa maneira, contribui para a recuperação. Isso representa uma radical mudança de atitude em relação ao tempo do alcoolismo ativo em que predominava a manipulação, a racionalização e a negação. Um outro aspecto de igual importância é que o anonimato previne o crescimento do ego. Estando sóbrio e tendo a seu favor a grande conquista, poderia ocorrer o aparecimento dos “que entendem de alcoolismo e de como se sai dele”, tentados a grandes exibições. Mas a humildade é a primeira condição para se consolidar vitória tão importante, para alcançar a serenidade e aí o anonimato é o compromisso salvador que leva a aceitar que os “princípios estão acima das personalidades”, pensamento freqüentemente repetido nas salas de A.A.. O anonimato é uma conquista e leva a profunda e radical mudança de comportamento.
7- Troca de experiências, forças e esperanças.
O ambiente do grupo, com as características já desenhadas, torna-se o local próprio para a troca de experiências, para o desenvolvimento de atitudes corajosas e para uma abertura para um futuro melhor, para ter esperança.
8- Ser e ter.
O A.A. fez opção pela pobreza. Na Irmandade, se quer ser e não ter. Como não há limites para a vontade de possuir mais, o desejo de ter mais leva à ganância, ao egoísmo e ao individualismo. A cobiça leva ao antagonismo. Em A.A. a atenção não está voltada para ter, mas para o alcoólico que ainda sofre. Não está voltada para as coisas, mas para as pessoas, para o ser humano. Em A.A. a busca é por ser digno, ser honesto, ser fraterno, ser bons e amáveis companheiros, ser bons amigos, ser bons pais, ser bons filhos, ser e ser gente.
Os comportamentos, as maneiras de sentir, pensar e agir, na sobriedade, são profundamente diferentes daquelas que predominavam quando estavam no alcoolismo ativo. Há uma diferença sensível entre as pessoas que vivem no modo ter e as pessoas que vivem no modo ser, que induz a um relacionamento amoroso e pacífico. Ser implica em atividade, renovação, criatividade. É mudança, é crescimento. É vida, é processo que leva a uma mudança interior e, conseqüentemente, a uma profunda mudança de comportamento.
9- O alcoólico e não o alcoolismo.
Toda a Irmandade está voltada para o alcoólico e por isso não faz estatísticas e nem se dedica a estudar o alcoolismo. O que interessa é o ser humano que sofre de uma condição de alto poder de destruição, que é o alcoolismo. Ela também não faz pesquisa de qualquer tipo, pois isso poderia implicar em submeter os seus membros a processo de estudo e pesquisa. Em A.A. ninguém é submetido a nada. A liberdade pessoal é respeitada, no máximo da sua amplitude.
10- Identifica.
Não são consideradas as diferenças sociais, categorias ou estratos. O A.A. não iguala, irmana. Não aceita rótulos.
Estando voltados para o seu problema comum, que não é pequeno, resulta que os membros de A.A. convivem num ambiente formado por pessoas que se identificam profundamente, o que faz empalidecer as diferenças sociais, dilui as categorias e os estratos existentes na sociedade. Resulta que todos ficam irmanados e não são considerados os rótulos, que reduzem a dimensão humana. Mas nesse mesmo ambiente, cada um mantém, preserva, a sua individualidade. Não importa o papel que cada um tenha na sociedade. Freqüentemente, os membros não sabem nada a esse respeito. O que importa é o problema comum, o alcoolismo.
11- Inclui, não exclui.
Não há qualquer formalidade para o ingresso de um alcoólico em A.A.. Nada é exigido como condição de entrada. Nem mesmo que esteja limpo e sóbrio. Nem o nome, nem de onde veio, nem o que fez e o que faz, nem para onde vai. Nada, simplesmente.
A decisão de incluir sem restrições exige muita coragem e também que os membros dos grupos estejam bem estruturados, que se mantenham num crescimento contínuo por meio da prática do programa para que possam estar em condições de receber pessoas profundamente desequilibradas, desestruturadas, doentes. Como não há dogmas em A.A., nada há que impor, sendo que o programa de recuperação é apenas sugerido ao recém-chegado. Não conheço nenhum outro agrupamento humano com estas características.
12- Não há código disciplinar.
Ninguém pode ser punido ou excluído, a despeito do que fale ou faça. Isto se constitui num desafio assombroso e exige um alto grau de aceitação, de compreensão, de tolerância e de amor ao próximo. Não conheço nada igual sobre a terra. É o Deus amoroso que reina e não o que julga e castiga. Não há juízo e, muito menos, juízo final.

13- Evite o primeiro gole. Só por hoje.
Não seria possível fazer promessas e assumir compromissos para toda a vida. Seria pesado demais para qualquer pessoa e, especialmente, para os ingressantes. O objetivo é alcançado pouco a pouco, um dia de cada vez. Como foi ensinado, “a cada dia bastam as suas tribulações”. Mas do que isso, só é preciso estar atento ao primeiro gole, nada mais.

14- Direito de participação.
Como não há estratos e nem hierarquia, o direito de participação assegura que todos, indistintamente, possam participar das atividades, de todos os serviços necessários à manutenção do grupo e indispensáveis para manter as portas abertas, além da própria Irmandade de Alcoólicos Anônimos como um todo, a nível mundial. Mas participar significa conviver, aceitar o próximo, harmonizar-se com as pessoas, aceitar objetivos e irmanar-se com os outros membros do grupo, com todos os que formam tão ampla forma de associação humana. Tudo isso leva a uma profunda mudança comportamental, indispensável à integração na grande comunidade dos humanos.
15- Serviço, instrumentalização do amor ao próximo.
Irmanadas em torno de objetivos comuns e tendo como objetivo estar em condições de estender a mão aos que ainda sofrem nas garras do alcoolismo, o serviço concorre para uma mudança radical de comportamento. O alcoólico sai de si, deixa de ser o centro, esquece momentaneamente os seus problemas para se dedicar ao próximo. O ideal superior, livremente escolhido e assumido, de manter as portas do grupo abertas para receber os que sofrem do alcoolismo e para levar a eles a mensagem de A.A. faz com que os membros do grupo cooperem entre si, o que leva ao desenvolvimento de um clima de entendimento e harmonia, do que resulta que todos se tornam mais sociáveis, e isso era o que não acontecia nos tempos de ativa.
Ao cooperar, aceita o próximo, valoriza-o e aprende a amar o irmão. Caminha para a solidariedade. Ocorre, em decorrência, uma profunda modificação nos interesses e na conduta de cada um dos membros do grupo. Uma notável mudança comportamental.
16- Responsabilidade auto-atribuída.
Como não há estratos e nem hierarquia, o direito de participação assegura que todos, indistintamente, possam participar das atividades, de todos os serviços necessários à manutenção do grupo e indispensáveis para manter as portas abertas, além da própria Irmandade de Alcoólicos Anônimos como um todo, a nível mundial. Se fosse, de algum modo, imposta, poderia ser rejeitada ou não cumprida. Mas, como é auto-atribuída, é plenamente aceita e os serviços são realizados, usualmente, à perfeição.
Ao se tornar responsável, o membro do grupo, dentro da possibilidade de cada um e de limites tradicionalmente aceitos, contribui com os meios materiais necessários para manter o grupo, que passa a ser o centro das decisões ao não depender de ajuda de fora, além de permitir que o A.A. permaneça fiel aos seus objetivos e imune a influências externas. Isso dá a todos os seus membros a sensação de poder, de ser capaz, o que concorre para aumentar a auto-estima. O ato da doação torna-se um exercício, um ato de poder feito com as próprias mãos, por um ato de vontade. Como se fosse uma “ginástica” de responsabilidade que fortalece a vontade e muda o comportamento ao longo do tempo. E responsabilidade era o que o alcoólico na ativa não tinha. Era freqüentemente acusado de ser um irresponsável por todos à sua volta.
17- Conhece-te a ti mesmo.
Quase todos os passos do programa de recuperação estão voltados para o autoconhecimento. Ao estudar e praticar os passos, o alcoólico evolui, ao longo da jornada, em direção ao seu interior, a si mesmo, o que lhe dá valor e grandeza espiritual, além de possibilitar a melhoria da única parte do mundo que depende só dele, que é ele mesmo.
Reconhece a sua individualidade, entende que é um ser único na Criação. Caminha na conquista de si mesmo. Encontra sentido para a sua vida. Percebe que é um fim em si mesmo e que tem espírito próprio. Ganha plena consciência de si mesmo, se aceita inteiramente. Caminha para a solução dos seus mais recônditos problemas.
18- Solução das culpas e das vergonhas. Compreensão e não julgamento.
Ao ficar e permanecer sóbrio, o alcoólico tem que enfrentar a sua realidade, a verdade, as conseqüências do seu alcoolismo, lidar com o fato de se sentir incapaz, impotente, inadequado. Culpas e vergonhas surgem de forma contínua. Mas a freqüência aos grupos possibilita desfrutar de um ambiente em que as pessoas compreendem e não julgam, contribuindo isso para a solução, de modo eficaz, dos problemas relacionados às culpas e às vergonhas..
Normalmente, é difícil encontrar quem seja capaz de compreender, mas os alcoólicos têm essa necessidade satisfeita à saciedade. Para a solução das culpas e das vergonhas, o alcoólico encontra, em determinados passos do programa, a solução ideal para esse tipo de problemas, sendo que a prática dos passos é facilitada pela solidariedade, pela compreensão e pelo não julgamento por parte dos membros do grupo.
19- Ambiente alegre de pessoas felizes.
Os sofrimentos das pessoas que padecem do alcoolismo são intensos e atingem diversas dimensões do ser humano: física, mental, espiritual, econômica, relacional, etc e seria previsível encontrar nos grupos de A.A. um clima de intensa dor, clima pesado de tragédia humana. Mas não é assim. As pessoas estão bem, freqüentemente alegres, limpas, vestidas com dignidade e em ambiente de cordialidade.
Isto é muito importante porque, para ouvir os depoimentos, é preciso estar aberto, aceitar sentir dor. Usualmente as pessoas evitam desconfortos, evitam os ambientes pesados criados pela dor, mas desse modo não desenvolvem a compaixão que os enriquece. O médico aceita a dor dos seus pacientes, embora, pela freqüência com que isto acontece e pela sua intensidade, tenha que desenvolver atitudes de proteção pessoal.
As pessoas em A.A. são vitoriosas. Vivem a realidade de que não são pessoas que “não podem beber” mas que são pessoas que “podem não beber” e isso faz toda a diferença. São pessoas que não estão sendo levadas sabe-se lá para onde por um furacão, mas que começam a ter poder sobre si mesmas, começam a comandar os seus barcos e a ser donos dos seus destinos. Sabem que não podem tudo, mas que podem algumas coisas. Enquanto eram muitas as perdas, agora são muitas as vitórias. Mas seria previsível encontrar alguma tristeza, pelo menos. Mas o sentimento predominante é outro.
As pessoas que estão no grupo têm consciência profunda do sofrimento relatado por quem faz o seu depoimento e o escutam atentamente, em silêncio, e desejando ajudar o companheiro no sentido de aliviar o seu sofrimento. Acontece que este sentimento se chama compaixão, é denso e se desenvolve na sua plenitude no ambiente de silêncio respeitoso do grupo. É a resposta espontânea de quem está aberto para quem faz o depoimento. Nem a própria dor pesa tanto quanto a que se sente com alguém e por alguém. Essa dor é amplificada, posteriormente, pelas lembranças que surgem do depoimento feito; são ecos que reforçam a compaixão que, por seu lado, elevam a dimensão humana de quem ouve o depoimento e na compaixão despertam para o amor ao próximo, para os sentimentos de fraternidade e de solidariedade. Mas compaixão não é o mesmo que tristeza, não é o mesmo que ter pena. É muito mais que isso. Ai está, as pessoas se sentem bem nos grupos, são felizes no convívio com iguais.
20- Solidariedade e crise.
Um poderoso sentimento de solidariedade está presente nos grupos,que é estimulado por situações de crise. Desastres ambientais com vítimas despertam a solidariedade a nível mundial. Genocídios, como recentemente vimos praticados numa escola russa, despertam solidariedade a nível mundial. Na sala de espera de uma UTI identificamos o sentimento de solidariedade entre os que esperam notícias de melhora.
A doença do alcoolismo é incurável, ou seja, a crise permanece, é constante. Este é o lado bom porque a crise permanece e também a correspondente resposta, que é a solidariedade.
21- Novo ciclo de amizades.
Este é mais um aspecto positivo da Irmandade. Todo um conjunto de novos relacionamentos é oferecido aos que chegam aos grupos. Funciona como se fosse um escudo de proteção formado por pessoas vitoriosas, felizes, equilibradas, de bem consigo e com a vida, que se aceitam e aceitam os outros e que admitem estar dentro de um processo de evolução, de crescimento na sua humanidade. De pessoas que aprofundam o seu nível de consciência e que se mantêm no processo.
22- Alicerce e construção.
A sobriedade é indispensável para que haja uma evolução favorável no quadro do alcoolismo. Ela é o alicerce, mas não se faz um alicerce para nada. Em cima da sobriedade, vem a serenidade, a evolução, que leva à construção de um novo ser a partir de uma profunda mudança, uma mudança no “self” sem o que nada melhora de modo significativo e duradouro.

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MULHER – COMPANHEIRA

MULHER! A FORÇA QUE FALTAVA!

Para qualquer Alcoólico, “independente do sexo” ultrapassar a barreira do orgulho que o cega, e entrar em um grupo de A.A., e ainda admitir que está derrotado pelo Álcool, que perdeu o rumo e que precisa de ajuda para se reencontrar, é uma missão que requer todo esforço do mundo.
Para a mulher parece mais difícil ainda, porque o peso da discriminação é mil vezes maior. A mulher nasce para ser santa; esperam que ela seja uma menina comportada, uma moça prendada e mais tarde uma mãe e esposa exemplar.
A típica rainha do lar.
No fundo é isso que a mulher gostaria de ser, mas quando têm a infelicidade de desenvolver a doença do alcoolismo torna-se impossível realizar esta tarefa, mas ela não enxerga esta realidade, tenta esconder o problema de todas as maneiras, algumas pondo a culpa no outro, outras, bebendo escondida e muitas vezes pondo fim à própria vida. As poucas mulheres que chegam em A.A. ainda relutam, afinal admitir que é alcoólica é dar razão aos inimigos.
Pessoas que viviam fazendo acusações injustas, a maioria querendo tirar a única alegria que ela possuía que era beber, já que ninguém gostava dela e não reconheciam suas qualidades.
Felizmente a magia do programa de recuperação sugerido por Alcoólicos Anônimos consegue na maioria das vezes acabar com todas essas defesas e ela se entrega a essa nova maneira de viver; passa por cima até das dificuldades normais que uma dona de casa enfrenta, às vezes jornada dupla de trabalho, filhos pequenos exigindo seus cuidados, ciúme por parte do marido que muito depressa esquece o inferno que vivia.
Às vezes ignoram o fato do alcoolismo ser uma doença incurável e acreditam que não é necessário a freqüência às reuniões.
Muitas vezes por falta de apadrinhamento ela acaba piorando a situação, pois no início a maioria de nós age como se tivéssemos feito um grande favor à nossa família pelo fato de ter parado de beber.
Só com o passar do tempo vamos entender que fizemos um grande favor sim, mas a nós mesmas, já que somos as maiores beneficiadas.
Quando a mulher ou “o homem” chega ao grupo, é tal qual um recém-nascido, os companheiros que já estão ali há algum tempo, se transformam em irmãos mais velhos, pai ou mãe.
Com todo o amor cuidado e paciência do mundo tentam nos ensinar os primeiros passos. Com o passar do tempo a compulsão pela bebida vai desaparecendo e ficamos livres para viver e deixar viver, vamos dando conta da gravidade do nosso problema e da grandeza deste programa de recuperação sugerido por Alcoólicos Anônimos, e a felicidade toma conta de nós.
Com a freqüência às reuniões a companheira vai achando resposta para seus porquês, mas vai também descobrindo que a irmandade é composta de Recuperação, Unidade e Serviço e que o grupo precisa de servidor; aí ela começa a sentir medo, pois certamente já percebeu que aqueles companheiros que trabalham pelo grupo são os mais criticados.
Ela decide então não se envolver com questões desgastantes, e vai continuar fazendo do jeito que tem dado certo para ela, já que o programa é individual; às vezes ela até usa os filhos como desculpa; diz que precisa se dedicar mais a eles para compensar o tempo em que ela bebia, quando tendo filhos, não era mãe, tinha marido, mas não era digna de ser chamada de esposa.
Os companheiros mais antigos continuam a insistir, eles sabem que correm o risco de levá-la até a se afastar do grupo e recair, mas por outro lado pode ser que ela só precise de um empurrãozinho para entender a importância do serviço em A.A. e que o serviço é o espelho da recuperação.
É servindo que temos a oportunidade de revelar nossas falhas e tentar corrigi-las. É servindo que vamos descobrir se realmente estamos reformulando ou se só tampamos a garrafa. É servindo que vamos ter a oportunidade de levar a mensagem que salva vidas a tantas vitimas que como nós, não sabíamos haver uma saída, e isso trás uma sensação indescritível só vivendo!
Deus não escolhe os preparados, ele prepara os escolhidos.
Vamos confiar Nele e nos apresentar para os trabalhos.
Em A.A. há lugar para todos, aliás, nos serviços estão sobrando lugares.
Não é verdade que exista discriminação para com mulher nos serviços; as divergências que surgem são normais e acontecem também entre os companheiros homens, nada mais é que zelo pela irmandade.
Os companheiros torcem para chegar o dia em que as mulheres passem por cima de todas as dificuldades e liderem lado a lado com eles.
Não vamos deixar que acontecimentos corriqueiros, como envolvimentos emocionais, ou as famosas cantadas sejam empecilhos para que possamos colocar em prática nossos três legados, Recuperação, Unidade e Serviço.
Com os conhecimentos que adquirimos em A.A., podemos usar as dificuldades como experiência para o nosso próprio crescimento.
Despertar o interesse do outro deveria era levantar nossa auto-estima pois isso mostra que temos valor, se queremos corresponder ou não, somos nós que vamos decidir, pois agora nós temos direitos.
Se a situação fugir ao nosso controle poderemos contar com o apadrinhamento e até com a proteção de companheiros nos quais confiamos.
Não devemos jamais usar isso como desculpa para desistir do programa de vida que o A.A. nos oferece.
Somos capazes, de lidar com as dificuldades sem quebrar a unidade do grupo.
Lembrando que aquele companheiro que nos parece desrespeitoso ou coisa pior, é um doente, alguém que precisa continuar na irmandade tanto quanto nós.
Devemos ser capazes de distinguir uma coisa da outra.
Não fazer tempestade em copo d’água, pois só assim seremos capazes de servir com responsabilidade e com amor.

Helena/DF

“Ela se entrega a essa nova maneira de viver; passa por cima até das dificuldades normais que uma dona de casa enfrenta; às vezes jornada dupla de trabalho, filhos pequenos exigindo seus cuidados, ciúme por parte do marido que muito depressa esquece o inferno que vivia.”
“Deus não escolhe os preparados, ele prepara os escolhidos. Vamos confiar Nele e nos apresentar para os trabalhos.
Em A.A. há lugar para todos!”

Vivência nº 101 – Mai./Jun. 2006

“CHAPEUZINHO VERMELHO” nas primeiras reuniões de A.A. …
Quando Alcoólicos Anônimos foi fundado em 1935, muitas pessoas acreditavam que as mulheres não podiam ser alcoólicas, e, muito menos merecer um lugar à mesa de A.A. Apesar de que hoje alardearmos que as portas de A.A. estão abertas a qualquer alcoólico independentemente do sexo, isso nem sempre foi o caso. Em “Exterminando o Dragão: História do Tratamento e Recuperação da Adição na América”, William L. White descreve os desafios enfrentados pelas mulheres em busca de recuperação nos primeiros anos de A.A. Os seguintes excertos do livro de White enfocam com destaque as lutas e contribuições dessas mulheres pioneiras.
As primeiras mulheres em A.A.:
As esposas dos primeiros membros de A.A. – em especial Anne Smith e Lois Wilson – participaram e contribuíram imensamente para essa comunidade então em desenvolvimento. O Apoio e aconselhamento de Anne a muitos dos primitivos AA’s é legendário. As sementes de muitas idéias básicas que emergiram em A.A. vieram das páginas de seu jornal e de suas conversações com os primitivos membros. Os dois co-fundadores ressaltaram o papel que as esposas desempenharam na fundação de A.A., e o Dr. Bob até sugerindo que não existiria o A.A. sem essas mulheres…
Seguindo rente aos calcanhares das esposas dos primitivos AA’s vieram as primeiras mulheres alcoólicas procurando a ajuda de A.A. : Uma garçonete índia(na) de nome desconhecido; Silvia K.,”a glamourosa divorciada”; Jane, a esposa de um próspero industrial; Leila M., a herdeira; Ruth T. de Toledo; Ethel M. e Kaye M., que vieram para a programação com seus maridos; e Nona W. .Havia também Florence K., cuja história foi contada na primeira edição do Livro Azul, e que fez objeções a um dos nomes inicialmente propostos para o Livro Azul, “Uma Centena de Homens.” Ela posteriormente voltou a beber e morreu do alcoolismo…Lil,realmente a primeira mulher a buscar ajuda em A.A.,foi assediada por Victor, outro primitivo postulante, sendo pioneiros do que foi batizado como o “Décimo Terceiro Passo” (envolvimento sexual ou romântico com alguém cuja sobriedade seja relativamente recente e portanto potencialmente instável). Lil,como muitas das mulheres que contataram A.A. nos primeiros anos, não alcançou a sobriedade… Marty,M.,que ingressou em 1939 em New York foi quem tornou-se a primeira mulher a conseguir a sobriedade duradoura em A.A., devendo se ressaltar, que muitas dessas mulheres falharam em alcançar a sobriedade não por estarem mais doentes; mas simplesmente por serem mulheres.
Resistência ao ingresso de mulheres:
Muitos dos primeiros membros de A.A. não acreditavam que as mulheres pudessem ser alcoólicas. Alguns não conseguiam compreender como as mulheres poderiam se ajustar a esta Irmandade; enquanto outros afirmavam abertamente que o A.A. não funcionaria para as mulheres. Alguns do último grupo profetizaram que a inclusão de mulheres poderia ameaçar o futuro de A.A. A primeira mulher alcoólica envolvida com o grupo Cleveland foi “posta para fora do A.A. pelas esposas.” O temor primário referente ao envolvimento de mulheres em A.A. era do potencial desagregador da dinâmica sexual que poderia vir a emergir nos grupos.[Esse medo] impregnados com ditos dos membros, tipo ” Debaixo de cada saia há sempre uma escorregadela…” Para administrar essa potencial dissociação durante os primeiros dias de A.A.,homens e mulheres sentavam-se em lados diferentes nas salas de reuniões, e as primeiras mulheres eram freqüentemente apadrinhadas não por membros masculinos de A.A.; mas por suas esposas. Como mais mulheres solteiras e divorciadas ingressavam em A.A., atritos entre essas mulheres e as esposas dos membros aumentou. Isto levou à criação de “reuniões fechadas,” freqüentadas apenas por alcoólicos, em adição às “reuniões abertas,” que aram abertas para todos…
Estigmas e estereótipos
Problemas especiais encarados pelas mulheres em A.A. foram reconhecidos já em 1945, quando um artigo da Grapevine enfocou o isolamento da mulher alcoólica e sua propensão a se envolver com “bolinhas” tanto quanto como com bebidas inebriantes. Um artigo da Grapevine no ano seguinte – a despeito de uma advertência de que não deveria ser lido como um indiciamento das mulheres – estava repleto com tipos de estereotipagem com a qual teriam de se haver no A.A., neste período. O artigo ressalta os seguintes 11 pontos:
1) A percentagem de mulheres que permanecem em A.A. é muito baixa.
2) Muitas mulheres formam ligações muito intensas – beirando o emocional
3) Um número muito grande de mulheres want to run things.
4) Muitas mulheres não gostam de outras mulheres.
5) As mulheres falam demais.
6) A ajuda das mulheres, trabalhando em conjunto com os homens é questionável.
7) Mais cedo ou mais tarde na confraternização de um grupo, ela vai partir à caça de um numero de telefone ou de um encontro.
8) Grande número de mulheres são carentes de atenção.
9) Poucas mulheres são capazes de abstrações.
10) Os sentimentos femininos são feridos com muita freqüência.
11) Numero bastante grande de mulheres AA não conseguem conviver harmoniosamente com as esposas não alcoólicas dos membros masculinos.
Às mulheres freqüentemente é recusado o apadrinhamento por membros masculinos e são mantidas sob suspeita devido a sua adição concorrente a “bolinhas”. O estigma que as mulheres alcoólicas encaravam nos anos 40’s e 50’s foi reflexo de um tratamento sensacionalista pela mídia. Artigos em jornais sobre mulheres em A.A. ostentavam os seguintes títulos como, “Mulheres embriagadas, Criaturas dignas de pena, Uma mãozinha de ajuda,” Talvez o mais bizarro tenha sido um de 1954 a respeito de AA no Confidential Magazine entitulado,” Sem bebida, mais cheio de gatinhas.”
O artigo de Jack Alexander de 1950 no Saurday Evening Post notou. ” Mais de um grupo foi lançado em um vórtice de mexericos e desordem por alguma determinada companheira cujo alcoolismo foi complicado por um agressivo interesse romântico.” Essa imagem pública (negativa) da bebedora feminina indubitavelmente dificulta a muitas mulheres alcoólicas buscarem ajuda e as levam a outros eventos não usuais como motoristas de Domingo em Minnesota no Dia Ling ( Unidade de tratamento da Hazelden para mulheres) na esperança de encontrar “selvagens mulheres bebedoras”
Contribuições efetivas:
As pioneiras femininas enfrentaram com tenacidade tudo isto e tornaram as coisas mais fáceis para as mulheres que posteriormente lhes seguiram. Grupos de mulheres começaram a despontar no início dos anos 40 em Cleveland e outros redutos de A.A. Lá os membros femininos de A.A. estavam livres para falar de muitos assuntos ( abuso sexual, relações íntimas, problemas familiares, menstruação, aborto, menopausa) que elas não se sentiriam confortáveis em abordar em grupos mistos. As mulheres são a força dominante nos bastidores da Grapevine e no início faziam todo o serviço no General Service Office (ESG),e ainda hoje são elas que executam grande parte desta atividade. O percentual de mulheres no total de membros de Alcoólicos Anônimos vem crescendo firmemente desde a sua fundação. Em 1955,A.A. informou que 15% de seus membros eram mulheres, em 1968 essa percentagem tinha subido para 22% e em pesquisa de 1996, as mulheres representavam 33% dos membros.
De “Slaying the Dragon: The History of Addiction Treatment and Recovery in America (Exterminando o Dragão: A História do Tratamento e Recuperação da Adição na America), por William L. White (Chestnut Health Systems,1998) . Utilizado com gentil permissão do autor..

Procurando uma explicação para o termo “Chapeuzinho Vermelho” como usado no texto abaixo. Veio do livro”Exterminando o Dragão” de W.L.White na pág.135 1° parágrafo, linhas 20 a 28. Há igualmente tensões referente ao próprio relacionamento entre A.A. e as clubhouses que vem proliferando em torno da organização. Uma nota de um clubhouse de A.A. em San Francisco relata a tensão causada por “superlotação nas reuniões” e os problemas com “bêbados, mendigos,Lobos e Chapeuzinhos Vermelhos perturbando as reuniões.” Todas essas situações refletiam as dores do crescimento do A.A. Pode ser uma referencia à mulheres cuja vulnerabilidade é ligeiramente mais calculada do que genuína. Tenho uma vaga lembrança de alguém que examina as historias infantis através de lentes da psicanálise, ressaltando o início de Chapeuzinho Vermelho. Quem enviaria uma pequena e indefesa criança para um bosque infestado de lobos? Ou a sua mãe a expôs deliberadamente ao perigo ou Chapeuzinho Vermelho não é tão inocente quanto parece.

Nota de Glenn C. : Cora,foi Eric Berne,em seu livro “What Do You Say After You Say Hello? ( O que você fala após dizer Alô?) É um livro brilhante. Ele explicita que contos de fadas e outras literaturas infantis freqüentemente oferecem boas metáforas para descobris os jogos psicológicos que os adultos utilizam, e os “scripts de vida” ( uma idéia que ele desenvolveu) que baliza o curso de nossas vidas. Por Exemplo, algumas pessoas usam uma deficiência para jogar “Little Lame Prince” (O Príncipe Aleijadinho ) [N.T.: Historinha infantil que pode ser lida na integra no site http://www.the-office.com/bedtime-story/lameprince1.htm ] por toda a vida, usando uma deficiência que possuem, a utilizando como uma desculpa esfarrapada para fugir das responsabilidades em todos os setores, inclusive em outras áreas onde essa deficiência não é relevante. Alcoólicos às vezes fazem esse jogo com o seu alcoolismo. Em partes deste livro e também em partes de “Games People Play” ( Jogos que as Pessoas Fazem )de Berne, ele descreve mulheres que se fazem de “vulneráveis” e “desvalidas” escritas, mas simultaneamente pretendendo mostrar a disponibilidade sexual através do flerte, de forma a manipular os homens para que façam o que elas querem. No contexto do comentário de Bill W.: suspeito que o “Chapeuzinho Vermelho” é a mulher que vem para as reuniões de A.A. falando dos “Grandes Lobos Maus” que abusavam dela, e piscando os cílios para um homem na reunião, na tentativa de convencê-lo de que é “O Bravo Lenhador” que vai aparecer, bancar o herói e “salvá-la ” de todos os lobos maus… Existem homens alcoólicos suficientemente tolos para caírem nesse jogo de conquista, permitindo que um Chapeuzinho Vermelho desfrute de numerosos relacionamentos doentios em A.A. Foi Eric Berne, ao que me consta, quem basicamente desenvolveu a idéia do comportamento de “Libertação e Permissão” como um tipo de jogo psicológico de conquista utilizado por algumas pessoas, e ressaltou que os alcoólicos particularmente são experts neste tipo de jogo. Portanto, a “Chapeuzinho Vermelho” é uma mulher que está procurando por um homem que represente o “Salvador e o Concessor, na forma como Bill W. parece ter usado a metáfora.
A idéia de “comportamento co-dependente” foi um desenvolvimento baseado nas idéias originais de Berne sobre o ” Perseguidor – Vítima – Salvador ” padrão de jogo de conquista que foi jogado por uma década ou mais. Eu acho que a linguagem de Berne é muito mais precisa e muito mais útil do que um de certa maneira amorfo conceito de co-dependência que pretende englobar um número muito grande de tipos de jogos. Mas essa é apenas a minha opinião…
Tom P. (abaixo) fala a respeito do outro lado de jogo de Chapeuzinho Vermelho; principalmente homens que tentam levar na conversa mulheres recém-chegadas em A.A., e convencê-las de que é o gigantesco e heróico lenhador que as “protegerá” dos lobos e “carregará” a cestinha de doces para elas.
De uma mensagem e uma fita de palestra de Bill W. Em Chicago,1951
“Há pessoas,acreditem ou não cuja moral é tão baixa que os respeitáveis alcoólicos deste time balançarão as cabeças dizendo ” com certeza essa gente imoral vai acabar quebrando nossa unidade.” Chapeuzinhos Vermelhos e Lobos Maus começaram a proliferar. Ah,sim, a nossa sociedade pode suportar? Parece que Bill W. estava falando a respeito do medo gerado de que estes pudessem causar o fim de A.A. Eu gosto da reedição de “Chapeuzinho Vermelho” por James Thurber, aonde ela reconhece o Lobo Mau na cama da vovozinha, saca uma automática de dentro da cestinha e mata o lobo a tiros. Moral da história: “Não é tão fácil, atualmente, enganar as menininhas, como antigamente.”
Tradução Comp. Ricardo Gorobo
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
(A) ALCOHOLICS ANONYMOUS COMES OF AGE (AA) ALCOÓLICOS ANÔNIMOS ATINGE A MAIORIDADE
(B) BILL W. -by Robert Thomsen
(C) CHILDREN OF THE HEALER -by Bob Smith & Sue Smith Windows as told to P. Christine Brewer FILHO DO CURADOR
(D) DR. BOB AND THE GOOD OLD TIMERS (AA) DR BOB E OS BONS VETERANOS
(E) A.A. EVERYWHERE ANYWHERE (AA) EM TODO LUGAR E A QUALQUER LUGAR
(G) GRATEFUL TO HAVE BEEN THERE -by Nell Wing AGRADECIDO POR TER ESTADO LÁ (H) THE LANGUAGE OF THE HEART (AA) A LINGUAGEM DO CORAÇÃO
(L) LOIS REMEMBERS -by Lois Wilson MEMÓRIAS DE LOIS
(N) NOT-GOD -by Ernest Kurtz NÃO DEUS
(P) PASS IT ON (AA) LEVAR ADIANTE
(S) SISTER IGNATIA -by Mary C. Darrah SISTER IGNATIA
(SM) THE SERVICE MANUAL (AA, 99′?) MANUAL DE SERVIÇOS
(W) A.A., THE WAY IT BEGAN -by Bill Pittman A.A. COMO COMEÇOU
(BB) *BIG BOOK of ALCOHOLICS ANONYMOUS (AA) LIVRO AZUL DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

PARTILHANDO UM PRIVILÉGIO… *

Nos idos de 1979, um AA brasileiro escreveu uma carta para Lois, a esposa de Bill W. e co-fundadora da Irmandade Al-anon. A resposta de Lois veio um mês depois.

Publicamos ambas as cartas, que o companheiro nos enviou como colaboração.

Rio de Janeiro, 26 de dezembro de 1979.

Querida Lois:

Você não pode imaginar a minha satisfação por estar-lhe escrevendo.
Definitivamente, trata-se de um privilégio contatar a figura histórica que é a esposa do inesquecível Bill, um dos dois homens usados por Deus como suas ferramentas na criação e construção de Alcoólicos Anônimos.

Não tenho como não registrar a minha gratidão por tudo o que você fez por Bill durante o longo tempo de seu alcoolismo ativo, como também pelo muito que você deu de si após a fundação de nossa Irmandade. Você é uma mulher fantástica e sou grato a Deus porque você nasceu. Poucos sabem, não fosse você e talvez A.A. nem existisse.

Sou também muito agradecido a Deus pela vida de Bill, Bob e Anne. O Deus vivo conhece bem àqueles a quem Ele escolhe para realizar suas tarefas.

Quando cheguei a Alcoólicos Anônimos, Bill já havia falecido. O Senhor já o havia levado para a morada celestial. Tenho a esperança de que um dia seremos vizinho na casa do Senhor.

Quero aproveitar a oportunidade para perguntar se Bill recebia ficha quando celebrava seus aniversários de sobriedade. Ele ficava eufórico? Como era o comportamento dele?

E quanto a você, amava-o muito?

Creia, ficarei imensamente feliz se puder responder a essa carta.

Peço desculpas por estar incomodando; não pude resistir à tentação de
escrever.

Com votos de felicidade e antecipadamente agradecido,

Edison H.

São Paulo, 29 de janeiro de 1980.

Querido Edison:

Grata por sua carta de 26 de dezembro, a qual li com grande prazer.

Eu fiquei com Bill por meu bem-estar e também porque o amava. Sem ele iria sentir-me muito infeliz.

Em muitas partes dos Estados Unidos, as fichas não são entregues em aniversários, os quais celebram-se com bolos e uma festa depois das reuniões.

No caso de Bill, os primeiros grupos realizavam anualmente uma grande festa, vindo gente de todas as partes e isso acontecia em outubro ou novembro.
Bilhetes eram vendidos. Às vezes Bill não lembrava quando tomara seu último gole. Pessoalmente, ele nunca deu muita atenção à passagem de seu aniversário. Para ele o mais importante era manter-se sóbrio por hoje. Isso lhe era suficiente. Bill lutava muito para obter a humildade verdadeira.

Você já leu os livros que ele escreveu? Através desses livros você poderá formar um retrato de Bill, o homem. Além do livro “Alcoólicos Anônimos”, ele escreveu “Os Doze Passos”, “As Doze Tradições” e “A.A. Atinge a Maioridade”.
Existe uma compilação dos escritos de Bill no livro intitulado “Na Opinião de Bill”. Este último é esplêndido e o leio sempre que posso.

Você escreve em inglês muito bem. Você é americano vivendo no Brasil? Ou um brasileiro que aprendeu um inglês perfeito?

Eu também escrevi um livro chamado “Memórias de Lois”, que fala muito sobre Bill e o início de A.A.

Tudo de bom para você e escreva outra vez.

Com gratidão,

Lois

(Fonte-Vivência nº64 – março/abril 2000)

A MULHER E O TERCEIRO LEGADO – 34 – (Marisa M./SP)

O que é exatamente o Terceiro Legado?
A resposta é simples: um serviço em A.A. é qualquer coisa que nos ajuda a alcançar companheiros que estão sofrendo. Os serviços abrangem desde a xícara de café até a Sede de Serviços Gerais, para a ação nacional e internacional.
Precisamos ficar atentos ao crescimento de A.A. que está indiretamente ligado ao esforço pessoal de cada um de seus membros. Acreditamos ser este o momento em que passaremos a ter muito trabalho pela frente.
Como mulher alcoólica participante da Irmandade, sei que a caminhada é longa, é árdua, mas gratificante. O apoio e incentivo dos companheiros nos ajudam a fortalecer os laços que nos unem, seguindo juntos homens e mulheres com um só objetivo: “Precisamos levar a mensagem de A.A., caso contrário, nós podemos cair e aqueles a quem não chegou ainda a verdade, podem morrer”.
A mulher desperta para o Terceiro Legado, compreendendo que este faz parte da sua recuperação e que o serviço é absolutamente necessário. Sua realização depende da disponibilidade e capacidade de cada um exercê-lo e não por ser do sexo feminino ou masculino.
Nos Estados Unidos, de 1941 a 1945, as primeiras mulheres alcoólicas começaram a chegar. No início o principal preconceito era das próprias mulheres e, com o tempo, pelo exemplo de sucesso das poucas que haviam ingressado, a situação mudou para melhor. Hoje, de cada quatro alcoólicos que chegam às nossas salas, um é do sexo feminino; e já existem mulheres ocupando encargos de Custódio Classe B.
No entanto, aqui no Brasil, apesar de “aparentemente não haver nenhum tipo de barreira contra a mulher dentro de A.A. por parte dos companheiros, e o número de membros femininos ter aumentado significativamente, ainda são muito raras as mulheres que exercem encargos dentro da estrutura de serviços”.
Essa comprovação pode ser facilmente obtida olhando-se para ‘quem representa o que nas reuniões do CRI, dos Distritos e Assembléias de Áreas. Também contam-se nos dedos as coordenadorias gerais de grupos exercidas por mulheres.
Numa primeira visão, um preconceito disfarçado parece ser uma das causas desta ausência. Os homens de A.A. aceitam a colaboração de companheiras, mas não confiam nelas para funções de maior importância.
Isto só, no entanto, não nos basta para responder a questão, pois cada vez que uma mulher se mostrou realmente decidida a ocupar o seu lugar na Irmandade, através do amor e dedicação ao serviço, os procedimentos ” chauvinistas” anteriormente mencionados mostraram-se frágeis e quebradiços, diluindo-se rapidamente frente ao impacto do exemplo prático da eficiência.
Assim, podemos afirmar sem medo de errar que, exatamente como acontece com ambos os sexos, em qualquer situação da vida, o não desenvolvimento da alcoólica em recuperação com o serviço tem suas causas mais para dentro dela do que para fora.
Questão de educação? Problema cultural? Ou será a natural inércia que envolve a grande maioria dos chamados alcoólicos em recuperação, sejam eles homens ou mulheres, quando abandonam a bebida?
No entanto, independentemente das considerações filosóficas, uma coisa é certa: a qualidade da sobriedade da mulher ingressada em A.A. será sempre diretamente proporcional ao seu envolvimento com o serviço. Isso porque, assim como acontece com o elemento masculino, a posição de vidraça é de fundamental importância para que aprenda a guardar seu estilingue e, lutando contra uma tendência em todos nós quase irresistível, parar de fazer o destemido e minucioso inventário moral daqueles que a cercam, para se concentrar, por força de vê-los espelhados repetidamente em seus próprios erros.
Além disso, como a identificação é um fator primordial para que a alcoólica pense em abandonar a bebida, somente com as mulheres de A.A. trabalhando ativamente na divulgação de uma mensagem de esperança àquelas que ainda se debatem nas malhas da doença, é que poderemos receber em nossas salas cada vez mais doentes alcoólicos do sexo feminino.
Isso adquire importância ainda maior se considerarmos o enorme preconceito – este sim, realmente existe – da sociedade em relação à mulher que bebe excessivamente. Exemplificando: se estiver num local público, ou numa festa, ela será apontada como fácil e promíscua e provocará, no mínimo, um grande constrangimento.
Outra razão a ser focalizada para que a mulher seja estimulada a abraçar o Terceiro Legado, é o fato de que devido a nossa estrutura sócio-econômica, o homem muitas vezes tem que refazer a sua vida profissional e familiar, e mesmo assim encontra tempo disponível para desempenhar funções dentro da Irmandade. A mulher enfrenta a mesma situação ou tem, por responsabilidade a administração do lar, sobrando mais tempo disponível ainda.
Some-se a isso o fato de que, até por uma tendência sócio-cultural, a mulher é naturalmente mais sensível e perspicaz com relação às coisas da alma humana, podendo na maioria das vezes desempenhar junto à Irmandade em suas partes ou todo, um papel de aglutinadora e harmonizadora de tendências e opiniões, às vezes desagradavelmente diversas entre si.
Unindo as características femininas à prática do programa de A.A., a mulher pode, sem sombra de dúvida, ser por exemplo, uma excelente secretária de grupo ou de órgãos de serviços; na coordenação de reuniões a utilização dos mesmos atributos será por certo de grande valia para contornar situações delicadas de modo diplomático e eficaz. Com experiência acumulada pode também vir a ser uma excelente RV, RSG, MCD, Delegada, e até Custódio como já ocorre nas diversas partes do mundo.
Para isso, no entanto, ela não deve esquecer que enfrentará os mesmos percalços, embora atenuados pela filosofia imperante, e demais problemas inerentes à sua própria condição de mulher dentro da sociedade contemporânea e ao relacionamento entre pessoas de diferentes sexos. À medida que ela própria, em sua recuperação, diluir os preconceitos, caminhará para a autonomia andando com seus próprios pés.
As regras, no entanto, para o seu crescimento como pessoa e conseqüente abarcamento de maiores responsabilidades dentro de nossa estrutura de serviço, serão as mesmas válidas para os companheiros presentes na mesma luta que encontramos expostas clara e objetivamente nos conceitos para serviços mundiais, dos quais emprestamos os seguintes tópicos:
1. Bons líderes de serviço, bem como métodos sólidos e adequados para sua escolha, são em todos os níveis indispensáveis para o nosso funcionamento e segurança no futuro.
2. Boa liderança pode estar aqui hoje e desaparecer amanhã. Boa liderança pode não funcionar bem em estruturas mal planejadas, mas a má liderança não funciona nem na melhor das estruturas. Daí o caráter periódico dos encargos.
3. Nossos líderes não atuam por mandatos, mas lideram pelo exemplo.
4. Portanto, o líder de serviço é um homem ou mulher que pode pessoalmente colocar planos e normas em ação, de maneira tão delicada e efetiva que leva o resto de nós a querer apoiá-lo e ajudá-lo nesta tarefa.
5. Um líder nunca se esquiva. Uma vez contando com o apoio da consciência coletiva, toma livremente decisões e as coloca em ação, sempre cuidando para não invadir a seara alheia.
6. Um líder tem que saber que mesmo as pessoas mais detestáveis podem estar certas, e as mais agradáveis erradas. Com isso, escutará cuidadosamente também o que dizem os críticos destrutivos, que às vezes podem ter razão.
7. O líder deve ter visão e habilidade de fazer boas estimativas tanto para o futuro imediato como para o futuro distante. Deve também ter firmeza para agir em função delas, mas pensando antes cuidadosamente.
8. o líder deve ter tolerância, responsabilidade, flexibilidade e visão, inclusive no que diz respeito à formação de novos líderes, apadrinhando novatos no serviço e não lhes negando o espaço necessário para seu desenvolvimento.
9. Deve-se selecionar a liderança na base de obter o melhor talento que possamos encontrar, sem pensar jamais em ambições pessoais.
10. O líder deve manter a cabeça aberta e praticar o programa para obter o melhor resultado.
Para aqueles que acham que a situação deve ficar como está e que nossa preocupação com a mulher em especial é uma invencionice sem sentido, pois A.A. não pode ser alterado em nada, lembro as palavras textuais no nosso co-fundador, Bill W., em sua última mensagem: “com o passar dos anos, A.A. deve e continuará a mudar; não podemos e nem devemos retroceder no tempo”.
E ainda, do mesmo, na página 115 do livro “Na Opinião do Bill” quando fala da essência do crescimento: “Que nunca tenhamos medo de mudanças necessárias. Certamente temos que fazer a diferença entre mudanças para pior e mudanças para melhor. Mas desde que uma necessidade se torne bem aparente num indivíduo, num grupo, ou em A.A. como um todo, há muito já se verificou que não podemos ficar estacionários.
A essência de todo crescimento é uma “disposição de mudar para melhor e uma disposição incansável de aceitar qualquer responsabilidade que essa mudança implique”.
Vivência nº 34 – Março/Abril 1995

A.A. PARA A MULHER

Problemas com a bebida?

1. Você compra bebidas alcoólicas em lugares diferentes, para que ninguém saiba o quanto você está comprando?

2. Você esconde as garrafas vazias e as joga fora às escondidas?

3. Você planeja com antecedência os “prêmios” que dará a si mesma, bebendo um pouco numa “esticadinha” depois de ter cumprido as árduas tarefas domésticas?

4. Você é freqüentemente permissiva com seus filhos, por se sentir culpada pela maneira como se comportou enquanto estivera bebendo?

5.Você tem “apagamentos” periódicos a respeito dos quais não se lembra de nada?

6. De vez em quando, no dia seguinte a uma festa, você telefona à anfitriã e pergunta se magoou alguém, ou se fez um papel ridículo?

7. Você toma um trago ou dois, por via das dúvidas, antes de ir a uma festa onde sabe que serão servidas bebidas alcoólicas?

8. Você se sente mais espirituosa ou mais encantadora quando bebe?

9. Você entra em pânico quando se aproxima um dia em que terá que passar sem beber, como por ocasião de uma visita que fará a parentes?

10. Você inventa ocasiões sociais para beber, tais como convidar amigos para um almoço, um coquetel, um jantar?

11. Quando outras pessoas estão presentes, você evita ler artigos ou assistir filmes ou programas de TV sobre mulheres alcoólicas, porém é isso que faz quando ninguém está por perto?

12. Constantemente você leva alguma bebida alcoólica em sua bolsa quando sai?

13. Você se coloca na defensiva quando alguém menciona seu modo de beber?

14. Você bebe quando está pressionada de alguma forma, ou depois de uma discussão?

15. Você dirige um automóvel, mesmo depois de ter bebido, porém convencida de que tem completo domínio sobre si mesma?

Você não está sozinha
Se você tiver problemas com a bebida – se suspeitar que ela possa ser um de seus problemas -, então você poderá ler neste folheto as histórias de mulheres que um dia já pensaram e se sentiram como você.

Por mais diferentes que sejam entre si, todas elas finalmente chegaram ao ponto em que tiveram de reconhecer que o álcool estava afetando seriamente suas vidas. E para todas essas mulheres – jovens, maduras, idosas, donas-de-casa, profissionais liberais, ou estudantes, vindas de ambientes ricos ou pobres, e de muitas camadas sociais, culturais e étnicas -, a resposta foi a mesma. Através do programa simples de Alcoólicos Anônimos, encontraram um meio para deixar de beber, para se manterem sóbrias, e construírem sóbrias uma vida mais plena e gratificante que qualquer delas jamais imaginara ser possível.

A palavra “alcoólico” pode perturbá-la. Para muitas pessoas, significa apenas uma pessoa fraca ou um marginal. E quando é aplicada a mulheres, este engano continua particularmente forte. A maior parte da sociedade tende a ver com tolerância e até achar engraçado um homem bêbado, porém se afasta enojada de uma mulher que se encontre nas mesmas condições. E o que é ainda mais trágico: a mulher alcoólica, ela mesma, freqüentemente compartilha desse preconceito. Para ela, o peso da culpa que todo bebedor alcoólico carrega na consciência é muitas vezes dobrado.

As mulheres de A.A. lançaram longe a carga paralisante da culpa injustificada. Aprenderam um fato, comprovado pela medicina, que se aplica a elas: o alcoolismo em si não constitui uma questão, nem de moral nem de comportamento (embora certamente influa nos dois). O alcoolismo é um problema de saúde. É uma doença, e como tal é descrita pelas Associações Médicas Americana e Britânica.

Esta definição já não é mais revolucionária. Tem sido muito divulgada, e a maioria das pessoas a aceita com naturalidade, desde que de forma genérica: “É claro que o alcoolismo é uma doença”. Porém, quando as luzes se concentram sobre uma pessoa específica – uma colega de trabalho, uma vizinha, uma amiga, uma pessoa de sua família ou você mesma, talvez -, aí as antigas atitudes voltam à tona imediatamente: “Por que ela não consegue beber como uma senhora?”, ou “Por que eu não posso beber como as outras mulheres?”, ou ainda, “Por que não consigo parar?”, “Não tenho força de vontade!”, ou até mesmo: “Eu não presto.” A nível individual, a doença é vista quase sempre como falta de educação, quando em suas fases iniciais, e, quando já mais avançada, como um profundo fracasso moral.

O aspecto possivelmente mais estranho e traiçoeiro da doença do alcoolismo, é a maneira sutil com que se esconde do próprio doente. Os alcoólicos são peritos quando se trata de não enxergarem sua própria doença. Freqüentemente são os últimos a admitir que têm um problema com a bebida.

Se a doença é tão difícil de ser reconhecida por uma pessoa alcoólica, como poderá você dizer se é ou não uma alcoólica? Qual é a medida? Beber de manhã? Beber sozinha? A quantidade de bebida que você consome? Pode não ser nada disso. O teste do alcoolismo não é quanto você bebe, nem com quem, nem quando, nem onde, nem o que você bebe – pois álcool é álcool, não importa que sabor tem, nem se é diluído -, nem mesmo porque você bebe. A medida correta do alcoolismo se encontra nas respostas a estas outras perguntas: O que a bebida já fez a você? De que maneira a bebida afeta sua família, seu lar, seu desempenho no trabalho ou na escola, sua vida social, sem bem-estar físico, as suas emoções mais íntimas?

Dificuldades em qualquer uma destas áreas, sugerem a possibilidade de que você sofra da doença do alcoolismo. No início pode ser que não se apresentem como dificuldades devastadoras. Alguns alcoólicos começam como bebedores sociais, gozando de imensa capacidade para beber e, literalmente, “não sentindo absolutamente nada”. Já outros apresentam os sintomas típicos do alcoolismo desde o princípio. Se você está “funcionando” bem – cuidando da casa, estudando, trabalhando, etc. – mas ao custo de ocultar os efeitos de suas bebedeiras, pergunte a si mesma: Qual o esforço, quanta força de vontade você precisa pôr em jogo para manter o disfarce? O efeito vale o esforço? Ainda resta algum divertimento nesta forma de “divertir-se”?

O alcoolismo é uma doença progressiva. Começando na juventude ou em idade mais avançada, o modo de beber foge cada vez mais do controle do individuo, e mais grave ainda, a própria tentativa de controlas a bebida pode tornar-se uma preocupação. Beber somente vinho ou cerveja, fazer promessas a si mesma de que apenas beberá em fins-de-semana, espaçar os dias em que bebe: eis uma pequena amostra dos muitos métodos desenvolvidos por bebedores no afã de tentarem controlar suas maneiras de beber. Tais tentativas fracassadas são, igualmente, um sintoma clássico da doença do alcoolismo, tanto como aquela ressaca insuportável ou o apagamento terrivelmente assustador.

Há um ponto crítico, e você não precisa chegar lá passando primeiro por um leito de hospital, nem por um centro de tratamento ou por uma prisão, se bem que muitas mulheres somente chegaram a Alcoólicos Anônimos depois de atingirem esses estágios mais avançados da doença. Em qualquer ponto da progressão vertiginosa dessa doença chamada alcoolismo, você pode afastar-se e manter-se longe dela, simplesmente estendendo sua mão e dispondo-se a enfrentar o seu problema. Não faz diferença se você tem 15 ou 50 anos; se você é rica ou pobre; formada numa faculdade ou se abandonou a escola no primário; se ganha o seu próprio sustento ou mora em casa de uma família; não importa se é uma paciente num centro de tratamento; se está cumprindo pena numa prisão; nem se é uma mulher de rua. A ajuda existe, mas é você quem tem que tomar a decisão de pedi-la.

Em A.A. não há formulários de inscrição para serem preenchidos, nem taxas de matrícula a serem pagas. Você não será convidada a adotar nenhum esquema de tratamento formal. Você simplesmente encontrará homens e mulheres que acharam um caminho para se livrarem da dependência do álcool, e que começaram a consertar os estragos que ele havia feito em suas vidas. Você também pode gozar dessa liberdade e dessa recuperação.

Nesse folheto você não encontrará estatísticas frias, mas sim as histórias de algumas mulheres alcoólicas. Estas histórias foram escolhidas de modo a representarem a experiência comum de muitas mulheres que sofrem do alcoolismo, e para mostrar a ampla gama de mulheres que dele se recuperam, o que significa para elas A.A., e o que A.A. pode vir a significar para você. Após terem assistido às primeiras reuniões, algumas mulheres relataram: “Um sentimento de calor humano por estar com outras pessoas que tinham o mesmo problema que eu…” – “Compaixão e compreensão…” – “Uma atmosfera de amor sem condições…” – “Percebi que eu não estava sozinha.”

THE SIGN, Vol. 35:9-11, Maio, 1956
IRMÃ IGNATIA E O A.A.
Por Gerard E. Sherry Tradução: Ricardo Gorobo
Irmã Ignatia
1889 – 1966
Irmãs de Caridade de Santo Agostinho
O “Anjo da Esperança” dos Bêbados

O telefone tocou e a Irmã Ignatia atendeu.
“É o Bill, Irmã. Sinto muito, mas vou ter de lhe devolver a Medalha do Sagrado Coração. Eu tive uma manhã dura e estou saindo para ir tomar um trago. ”
Irmã Ignatia suspirou profundamente, mas respondeu de imediato: “Não faça isso, Bill. Espere até terminar o seu trabalho às 5 horas. Aí me telefona de novo. Enquanto isso, eu rezarei por você. Não importa o que fizer, não me devolva essa medalha. Mantenha-a com você para força e inspiração.”
Irmã Ignatia rezou fervorosamente durante toda a tarde e, finalmente Bill telefonou de novo.
“Está O.K., Irmã, eu não tomei aquele trago. Acho que agora ficarei bem, graças ao Sagrado Coração e a Senhora. ”
As chamadas telefônicas e a resposta dada não são nada de novo – acontece com bastante freqüência. Pois a Irmã Ignatia é a fundadora e diretora do Rosary Hall Solarium, uma ala para alcoólicos no St.Vincent Hospital em Cleveland,Ohio. Desde Dezembro de 1952, ela dedicou-se às necessidades de cerca de 3.000 homens e mulheres que haviam sucumbido ao alcoolismo. Deste total cerca de 60 por cento foram considerados completamente curados; outros 20 por cento titubearam por algum tempo e depois abandonaram completamente o álcool; e apenas 20 por cento são consideradas falhas após o tratamento espiritual e terapêutico.
E quando eles deixam o Rosary Hall, a Irmã Ignatia lhes dá a Medalha do Sagrado Coração. É considerada como uma constante força de inspiração para não ingerir outro drinque. E ela diz a todos eles que a Medalha é dada apenas com a condição de que precisa ser devolvida após um primeiro drinque ter sido tomado.
Trabalhar com alcoólicos foi o trabalho de amor de toda a vida para Irmã Ignatia. Ele recebeu muitos créditos por contribuir para a criação de Alcoólicos Anônimos. Certamente, ela estava presente no início quando o falecido Dr.Robert H.Smith de Akron e Bill W.,corretor de ações de New York, fundaram o A.A. em 1935.
A Medalha do Sagrado Coração
Nesta época, Irmã Ignatia estava no St.Thomas Hospital, que era dirigido pela sua Ordem, as Irmãs de Caridade de Santo Agostinho. O Dr. Smith, apesar de não ser católico, era do courtesy staff do Hospital. Ele próprio havia adquirido o hábito de beber e sentiu a necessidade de ajudar os outros com um mesmo comprometimento. Ele engajou-se em ajudar a Irmã Ignatia. St. Thomas Hospital Akron, Ohio
Dr. Smith e Irmã Ignatia concordavam em um ponto – o alcoolismo podia ser controlado por cuidados médicos apoiados por atenção espiritual. Era este princípio que eventualmente implantaram em St. Thomas, Akron, um serviço que tratava exclusivamente pessoas que sofriam do alcoolismo. Foi o primeiro esforço neste sentido no País.
Dr. Smith morreu em 1950 e a Irmã Ignatia foi transferida para o Cleveland Charity Hospital. O nome Rosary Hall Solarium explica-se porque a permissão para criar esta ala em Cleveland foi dada durante a festa do Santo Rosário , e porque as iniciais do co-fundador de A.A. eram R.H.S.(N.T.: Robert H. Smith)
Como funciona o Rosary Hall?
A base do programa é o famoso ” Doze Passos ” de A.A. Basicamente envolve a admissão pelo vitimado de que é impotente para se auto-ajudar, seguida pela decisão de entregar sua vida e sua vontade aos cuidados de Deus.
Rosary Hall tem a sua própria capela aonde os pacientes rezam o Rosário diariamente as 8:00 PM, invocando a proteção de Deus e de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, padroeira dos alcoólicos.
Para ser aceito no Rosary Hall, a pessoa tem de ser apadrinhada por um membro de A.A. de boa sobriedade. Precisa demonstrar o desejo não só de alcançar a sobriedade, mas de mantê-la. A estadia de cinco dias é uma retirada do mundo exterior e dos hábitos que causaram o seu colapso. Não há rádios, aparelhos de televisão, jornais ou revistas – nada a não ser literatura de A.A.e outras leituras pertinentes ao programa.
A terapia física utilizada é a mais moderna conhecida pela ciência médica. Os médicos assim como os padres são essenciais no caminho da recuperação.
Os pacientes não podem receber visitas, exceto membros de A.A. que são benvindos de 9 A.M. até 9 P.M. A conversa é focada no alcoolismo e seus problemas. À todo anoitecer um membro de A.A. comparece para coordenar uma breve reunião para os pacientes.
Um elemento essencial no Rosary Hall é a Sala do Café, aberta o tempo todo. Há também uma cozinha e um refrigerador bem provido de alimentos. Os itens principais são leite e sucos cítricos, pois o alcoólico é freqüentemente uma pessoa subnutrida. Os pacientes são encorajados a comerem à vontade.
O programa do Rosary Hall recuperou muitos alcoólicos para vidas úteis e felizes. É essencialmente um programa espiritual, requerendo humildade e preces pedindo a ajuda de Deus. A Caridade também está envolvida, porque os AA’s assim que param de beber, dedicam muito de seu tempo a ajudar os outros que ainda estão enredados no que eles acabaram de ser libertados.
No Rosary Hall, todos os quartos, exceto um, são para mais de uma pessoa, porque, com freqüência, não é bom para um AA, ficar sozinho. Este é um quarto privativo para casos difíceis, nos piores estágios. Irmã Ignatia o apelidou de “Quarto de Descongelamento.”
Rosary Hall foi ajustado por AA’s. Assim que o projeto teve inicio eles, eles vieram em grande quantidade e retiraram os detalhes das mãos de Irmã Ignatia. “Deixe que nós nos preocupamos com isso,” era freqüentemente dito a ela.
AA’s com todos os tipos de ocupações apresentaram-se como voluntários para o serviço. Católicos, Protestantes e Judeus – – todos eles enviavam dinheiro ou contribuíam com trabalho. Algumas vezes eles recontavam seu próprio deslize e como a Irmã Ignatia e os outros o ajudaram.
Um negociante que entrou colaborou com outros AA’s e então trataram de conseguir algum mobiliário. Irmã Ignatia perguntou ansiosa a respeito do orçamento e preços. Ela levantou as mãos desistindo quando recebeu de resposta: “Não há preço. Ele está doando tudo.”
Após isto, tudo o que a irmã disse foi: “O A.A. é assim para você. São todos desta maneira. E seus parentes e amigos também. Na verdade, eu não tenho nada a ver com tudo isso. É Nossa Senhora e o A.A. quem estão fazendo tudo.”
Irmã Ignatia é uma mulher muito tímida, frágil, quase transparente. No entanto é firme e resoluta, e energizada ao ponto de que 24 horas parecem ser pouco para o seu dia. Sua busca incessante pelo anonimato foi pulverizada logo em 1954, quando ela foi condecorada com a Catherine of Siena Medal pela Theta Pi Alpha Sorority of National Catholic Women’s Colleges. Ela foi agraciada por relevantes serviços de combate a um dos maiores problemas que afetam nosso país – – o alcoolismo.” A condecoração é dada anualmente a uma mulher católica que tenha dado uma colaboração importante para a vida Católica nos Estados Unidos.
Irmã Ignatia verdadeiramente fez isso – – e por anos. Ela não fala muito a respeito, mas seu projeto, Rosary Hall, é um meio de conversões para muitos não-Católicos que adentram a seus portais. Igualmente propiciou que muitos católicos relapsos voltassem aos Sacramentos após anos de negligência. Muitos casamentos desajustados foram acertados e, como resultado, famílias inteiras entraram na Igreja.
Rosary Hall também oferece seus serviços para muitos dos que sofreram com os alcoólicos. Um grupo muito alerta e progressivo de mulheres composto por esposas e parentes de membros de Alcoólicos Anônimos, que reúne-se semanalmente para discutir seus problemas. Seu objetivo é a reconstrução de seus casamentos e a re-cristianização de seus lares e famílias. Resultou em uma abordagem fora do comum para a solução dos problemas. As mulheres trocam suas experiências e encorajam-se mutuamente para terem fé em seus maridos e ajudá-los no caminho da satisfação espiritual e material.
Foi mencionado que nem todos os pacientes são homens. As mulheres que ficam em Rosary Hall, são hospitalizadas em um quarto especial, e são duas de cada vez. Os problemas para essas pacientes são os mesmos, e o caminho para a recuperação, igualmente árduo. No entanto, como os do sexo masculino, a maior parte se recupera.
Um detalhe – – não há segunda chance em Rosary Hall. Os pacientes são admitidos apenas uma vez.. Se falham então devem procurar outro método de recuperação. Mas não existe conversa de fracasso por parte da Irmã Ignatia. Esses homens e mulheres vem a ela no ponto mais baixo de sua maré. Na maior parte dos casos é por sua consolação que elevam-se acima da degradação e assumem sua verdadeira dignidade como filhos e filhas de Deus.
Foi desta forma que expressou tudo: “Eu sou apenas uma das mulheres da Comunidade Católica de Enfermeiras da América que está lutando para resgatar homens e mulheres do fundo do poço do alcoolismo.
“Universidades e grupos de benemerência gastaram milhões de dólares em uma tentativa de descobrir as causas do alcoolismo. Mas ninguém conseguiu apontar a causa exata. No entanto, o choque de opiniões entre as grandes mentes que abordaram o problema sugere que a falta de aplicação espiritual por parte da vítima, é, pelo menos, uma causa primária.
“Os co-fundadores de Alcoólicos Anônimos acreditavam que a solução do problema para muitos, deveria ser encontrado na mescla das forças da medicina e da religião. Com essa reunião; o que seria mais propicio à regeneração do individuo como um todo, que a atmosfera de um Hospital Católico ? O caso médico profissionalmente administrado com sua receita propiciando terapia espiritual, física, mental e moral.
“O alcoolismo afeta homens e mulheres em todas as fases da vida. Pesquisa mostrou que 25% da população “skid row” (N.T.)de qualquer grande cidade possui instrução universitária. O fruto do vinho – – um estimulante inofensivo para muitos – – nas mãos de um alcoólico se transforma em um veneno.
“O alcoólico está precisando de simpatia. Caridade Cristã e cuidados apropriados são necessários para que, com a graça de Deus, para ele ou para ela, seja concedida a oportunidade de aceitar uma nova filosofia de vida.”
Irmã Ignatia tinha um nome especial para cada um dos cinco dias que o paciente passava no Rosary Hall. Eles são: Dia da Recepção, Dia da Compreensão, Dia do Inventário Moral, Dia da Resolução e Dia dos Planos para o Futuro.
Quando deixa o Rosary Hall, o paciente em recuperação é obrigado a enfrentar o seu próprio problema. O caminho foi preparado pelo padrinho de A.A. O futuro está nas mãos de Deus. Ele já aprendeu a dizer, “Oh! Senhor! Concedei-me a serenidade de aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que posso, e sabedoria para saber a diferença.”
O paciente é instado a precaver-se conta o orgulho, auto-piedade, ressentimento, intolerância e criticismo ; a freqüentar reuniões, divulgar os princípios de Alcoólicos Anônimos, e de voltar ao Hospital para ajudar outros.
Finalmente, há a medalha do Sagrado Coração. Não são muitas as que retornam para a Irmã Ignatia. Mas quando são devolvidas, ela pede para que o paciente não de o primeiro passo de volta para a ruína. Freqüentemente significa uma ligação telefônica de longa distância, uma prece fervorosa, e a ajuda de um grupo local de A.A. para manter o indeciso no caminho certo.
Para alcoólicos por toda a América, a Irmã Ignatia é chamada de “Pequeno Anjo.” Ela é na verdade pequena e frágil, mas sua força é de um Miguel e sua mensagem a de um Gabriel. Tanto o humilde quanto o grande que morreram na bebida, mas vieram a renascer atestam o fato.
N.T.: Skid row – bairro simples e boêmio freqüentado por bêbados, prostitutas, desempregados com muitos bares e bordeis.
CARTA A UMA MULHER ALCOÓLICA
Por Margaret Lee Runbeck

Se eu morasse em frente a sua casa, e observasse o quanto você luta corajosamente, mas sem esperanças contra sua doença, e se falasse com você às vezes, quando você não conseguisse me evitar, eu não ousaria lhe dizer pessoalmente o que agora vou lhe dizer por escrito. Você não deixaria dizê-lo, porque teria medo de mim. Julgaria que também eu faço parte da conspiração mundial contra você; ofender-se-ia por eu ter suspeitado de sua secreta agonia.

Se nós nos encontrássemos, frente a frente, eu não acharia meio nenhum para lhe dizer o quanto gosto de você. Também não conseguiria lhe dizer que não encontro nada de desprezível ou ridículo em você. Não lhe daria nenhuma lição de moral, pois você não permitiria que lhe falasse a respeito de sua doença fatal. Nós duas faríamos de conta que ela não existe.

Assim sendo, preciso lhe escrever uma carta e pô-la num lugar seguro, onde você vai encontrá-la e possa escondê-la de sua família para depois lê-la com calma.

Nós duas começamos por ter alguma coisa em comum. Ambas sabemos que você está apavorada com o seu problema de bebida.

Você poderá ter qualquer idade; poderá ser uma universitária, uma jovem mãe, uma profissional admirada, a esposa do homem mais importante de sua comunidade ou uma avó que parece equilibrada.
Você pode ser uma mulher extrovertida, animadora de qualquer festa, ou uma pessoa assustada, cheia de complexos de inferioridade e que, antes de tentar qualquer coisa, procura primeiro a coragem dentro de uma garrafa, não importa o quanto possa parecer fácil a outras pessoas o que terá que fazer.
Talvez você já tenha estado bebendo há meses ou mesmo anos, ficaria horrorizada e o negaria veementemente, se alguém a chamasse de alcoólica, mas secretamente está se perguntando se é ou não é. Posso responder-lhe já, pois, se você não pode controlar o seu modo de beber, se agora bebe mais do que admitiria, é provável que de fato seja uma alcoólica. Quando pronuncio esta palavra, me refiro a uma pessoa que sofre de uma doença. Uma enfermidade que progressivamente avança, diminuindo os horizontes de seu mundo, até que nada mais lhe reste de real, salvo o álcool.
Por você ser mulher, seus hábitos de beber são, com toda certeza, muito discretos, pois faz de tudo para escondê-los de todos, até de si mesma. E talvez tenha conseguido. Talvez ainda ninguém saiba que você beba, porque não ousa tomar nada em público, sabendo que este primeiro gole é o início de uma longa jornada para baixo.
Talvez você seja “uma alcoólica do quarto de dormir”, e neste momento talvez eu a tenha seguido em pensamento para dentro de seu próprio quarto, onde pretende, com ares inocentes, pegar a garrafa escondida entre sua lingerie, ou numa caixa de chapéu lá naquela prateleira de cima. Pode até ser que a sua família ainda não tenha percebido nada, não suspeitou ainda de suas freqüentes “dores de cabeça”.
Do outro lado, pode ser que você seja uma daquelas sombras que passam a vida na penumbra dos bares ou boates. Você pode ser o problema de sua vizinhança ou o escândalo de sua cidade. Sua família já pode ter desistido em tentar ocultar o seu problema; até mesmo seus filhos talvez não procurem mais encontrar desculpas para você. Ou ainda, pode até ter perdido sua família porque foi impotente no controle de sua bebida.
Mas, qualquer que seja o estágio no qual você se encontre agora, há esperanças. E não terá que se sentir culpada ou envergonhada, assim como não merece as acusações cheias de melindre, com que todos a aborrecem, tais como: “Se nos amasse, pararia de beber”. Ou ainda: “Você só pensa em si mesma!”. Ou: “Deveria se envergonhar, com toda a sua cultura e as oportunidades que já teve!”. Acontece que você não é egoísta e nem um monstro imoral. Realmente, você é bem o oposto.Você é uma mulher que está gravemente doente.
Após ter compreendido isto, o próximo fato que terá de aceitar, é que está livre de qualquer culpa. Quando admitir que é uma alcoólica, não mais terá que se sentir culpada e castigada (além do castigo desumano que tem inflingido a si própria).Terá tão somente que reconhecer que está doente. Sua enfermidade é perigosa. Ela pode destruir tudo ao seu redor. A não ser que seja detida a tempo, pode destruir a mente e o corpo de sua vítima. Porém, não é mais a sua culpa, seria como se você tivesse alergia ou diabete. O álcool é veneno para você se você for alcoólica.
Você não está sozinha nesta tortura indescritível que é o alcoolismo. Há muitos milhares de mulheres como você, em estágios primários ou em fase de desintegração. Dos 65 milhões de pessoas em nosso país (EUA) que tomam bebidas alcoólicas, mais do que 4 milhões são bebedores-problema e calcula-se que 650 mil destas pessoas são mulheres (década de quarenta). É difícil contá-las com precisão, porque as mulheres, principalmente as donas-de-casa, conseguem esconder melhor a sua condição do que os homens. Podem escondê-la pelo menos por algum tempo. Mas a mulher alcoólica sofre mais do que o homem; sua psique e sua constituição física são mais complexas e mais sensíveis. Ela tem mais dificuldade em suportar o desprezo que sente por si mesma e ainda sente muito mais acentuadamente o estigma social que uma sociedade ignorante coloca o alcoolismo. Certamente não tenho necessidade de lhe explicar isso. Desejaria de todo meu coração que tudo isso não passasse de mera teoria para você, mas sei que não é.
A arrogância que isola um homem alcoólico dos outros, não atinge a uma mulher como você, salvo mais tarde, quando já tenha morto dentro de seu corpo doente, o seu verdadeiro ser. Tenho ouvido mulheres alcoólicas dizendo: “Eu estava completamente morta por dentro. Nada podia me alcançar ou me ajudar.”
É muito difícil para a maioria das mulheres admitir, mesmo que seja a si mesmas que são alcoólicas. Entretanto, este é o primeiro passo na conquista da sobriedade e da sanidade. Se você ainda não deu este primeiro passo, deixe que eu a ajude a dá-lo ainda hoje. Porque se conseguir admitir que o seu sentimento de pânico e sua ruína interior são sintomas de alcoolismo, você está preparada para receber ajuda.

CONSUMO DE ÁLCOOL EM MULHERES “UMA ANÁLISE QUALITATIVA”

por: Maria do Perpétuo S S Nóbrega e Eleonora Menicucci de Oliveira

:: Introdução

O desenvolvimento do alcoolismo em mulheres passa por diferentes caminhos daqueles que ocorrem com os homens. Partindo do ponto de vista biológico, as mulheres são metabolicamente menos tolerantes ao álcool do que os homens. Seu peso e a menor quantidade de água corporal, em detrimento da maior quantidade de gordura, associado a menor quantidade de enzimas metabolizadoras de álcool, implica o fato de que a intoxicação ocorra com o uso de metade da quantidade usada pelo homem. A vulnerabilidade para o desenvolvimento de complicações clínicas é maior entre as mulheres, e as mesmas sofrem mais risco de mortalidade que os homens. Também apresentam maior chance de desenvolver doenças hepáticas como cirrose, mesmo tendo consumido álcool por um período menor.

A literatura ressalta que apesar da dependência alcoólica entre mulheres apresentar um curso diferente, não justifica o pior prognóstico em relação aos homens e que a recuperação para elas em relação ao tempo de tratamento é semelhante. Quando a mulher procura tratamento, tem maior probabilidade de recuperação, na medida que percebe a gravidade do problema e procura maneiras de enfrentá-lo, mesmo com os poucos serviços que ofereçam atenção específica para elas. De maneira geral, as mulheres consomem álcool de forma menos freqüente do que os homens. Apesar da menor pressão social para iniciar o consumo do álcool, em detrimento da maior pressão para parar o uso, o julgamento social em relação à mulher usuária de álcool continua sendo muito árduo.

O atendimento à mulher usuária de álcool, por meio do atendimento individual ou em atividades grupais, gerou interesse dos autores em aprofundamento acerca desse universo. Elas raramente comparecem acompanhadas de algum familiar, maridos e/ou companheiros, como também há solicitação para que estes não saibam sobre a busca de tratamento, devido à vergonha e receio de fracassarem. O artigo desta semana visa a conhecer o perfil da mulher usuária de álcool, inserida em tratamento especializado para dependência química.

:: Métodos

Participaram do estudo 13 mulheres em tratamento especializado no ambulatório de clínica e pesquisa em álcool e drogas devido ao consumo alcoólico, independente de diagnósticos outros, exceto usuárias de substâncias ilícitas.

As mulheres são inseridas nesse serviço para detecção da necessidade de controle dos sintomas da síndrome de abstinência alcoólica. Posteriormente, seguem em atendimento em grupo a fim de discutir, tanto as estratégias que auxiliam na manutenção da abstinência, prevenção de recaída, como enfrentamento de situações cotidianas.

Utilizou-se a “história de vida” como método qualitativo, e como técnica, a entrevista semi-estruturada, gravada, com duração mínima de 60 min, deixando a entrevistada livre para trazer conteúdos além do questionado.

O tempo total de cada entrevista foi de até duas horas e meia.

Para aplicação do método “história de vida” optou-se por uma abordagem focalizada/ temática do momento vivenciado pelas mulheres estudadas. Desse modo, foi possível a utilização de entrevista semi-estruturada, com oito perguntas norteadoras, retratando o recorte de um determinado tema e período de vida das entrevistadas.
Os dados foram trabalhados por meio da Análise de Conteúdo.

:: Resultados e Discussão

:: Caracteristicas das entrevistadas:Média de 43 anos de idade; 84,6% católicas; 76,9% brancas; 46,1% com ocupação; 84,6% residiam com familiares; 53,8% casadas; 61,5% compareciam ao tratamento desacompanhadas; 77% têm filhos.

:: Trabalho e lazer antes do uso nocivo e a dependência ao álcool

As mulheres relataram o quanto consideravam estáveis suas vidas, pautadas por atividades sociais, de lazer e trabalho, antes de desenvolverem o uso nocivo do álcool. Para as entrevistadas, o trabalho significou a via de acesso às oportunidades de participação social, de ascensão, de melhoria das condições concretas de sobrevivência, que passou a ser uma referência do passado.

Um estudo mostrou que abuso e dependência de álcool apresentava-se mais entre mulheres que tinham poucos amigos, vizinhos e parentes próximos, quando comparado a mulheres que estavam quase diariamente em contato com alguém.

A participação de mulheres em atividades sociais ou de trabalho é considerada como fator de contribuição para o menor consumo de álcool. Porém, esses achados não vêm ao encontro dos relatos das mulheres desse estudo onde se detecta que as atividades sociais e de lazer, apesar de estarem preservadas, não foram suficientes para impedir a progressão do consumo do álcool. Se comparado ao homem, o trabalho tem outra representação social para a mulher: a dupla jornada de trabalho, o não reconhecimento social, a complementaridade da renda familiar, a incorporação subjetiva do desemprego como uma questão estrutural e não apenas conjuntural em suas vidas. Conforme aponta a literatura, as mulheres usuárias de álcool atribuem maior significado do uso a eventos internos, diferente dos homens, que atribuem a eventos relacionados ao trabalho. Além disso, elas são potencialmente mais sensíveis aos assuntos relativos às questões domésticas e de suas vidas íntimas.

Os aspectos psicopatológicos que justifiquem o aumento do consumo do álcool não foram relatados nas falas das mulheres. Entretanto, segundo a literatura há maior prevalência de transtornos afetivos entre usuárias(os) de álcool e dependentes de outras drogas do que na população em geral. Nas mulheres, o início de transtornos psiquiátricos, em sua maioria, precede o abuso de álcool, diferentemente do que ocorre no sexo oposto.

:: Perda do controle sobre o álcool e comprometimentos clínicos, sociais e familiares

Dados de estudo desenvolvido na Grã-Bretanha revelaram que 11% das mulheres bebem mais do que o nível recomendado de 14 unidades por semana, sendo que 2% bebem pesadamente, isto é, mais de 35 unidades por semana. As entrevistadas apontaram que a perda do controle sobre o consumo constante do álcool trouxe o descaso das atividades diárias, dentro dos critérios diagnósticos para uso nocivo e dependência do álcool. Percebeu-se nas falas o estreitamento do uso e as conseqüências sociais intensificadas.

A motivação para beber se relacionou com o alívio dos sintomas de abstinência do álcool e menos com situações sociais envolvidas no beber.

O consumo abusivo do álcool traz conseqüências para a mulher em vários aspectos físicos, que incluem miocardiopatia, miopatia e lesão cerebral. A hepatite alcoólica quase sempre progride para cirrose, inibição da ovulação, diminuição da fertilidade e vários problemas ginecológicos e obstétricos.

Outro mecanismo que explica o fato de as mulheres sofrerem complicações físicas mais precocemente que os homens, deve-se aos menores níveis séricos da enzima álcool-desidrogenase, envolvida na metabolização do álcool, que leva as mulheres a absorverem 30% a mais do álcool consumido.

Indivíduos com história de alcoolismo crônico apresentam um prejuízo de leve a moderado na memória de curto e longo prazo, como também na aprendizagem. A idéia de complicação social, freqüentemente implica fracasso em cumprir adequadamente um papel social esperado. A mulher assume diversos papéis na sociedade (mãe, filha, esposa, profissional), que pode sofrer interferência importante decorrente do uso excessivo do álcool, levando a prejuízos no desempenho desses papéis.

Em relação aos comprometimentos sociais decorrentes do consumo alcoólico, destaca-se as agressões verbais no contexto familiar. Para algumas das entrevistadas, estas aconteceram tanto na relação com os companheiros como também nas relações com outros familiares.

Os comprometimentos clínicos, sociais e familiares na vida dessas mulheres desenvolveram-se ao longo de um continuum, de acordo com o grau de dependência. À medida que elevaram o consumo alcoólico, deu-se o desencadeamento de problemas. Proporcionalmente, a motivação para buscarem tratamento, aconteceu em conseqüência da percepção desses prejuízos, tanto nos aspectos físicos e familiares, como emocionais. Porém, chegaram ao tratamento com comprometimentos importantes. Esse fato provavelmente, pode ter sido devido às barreiras enfrentadas: estruturais (falta de creche para seus filhos, de apoio psicológico, de ajuda legal), pessoais (falta de emprego, independência financeira e baixa receptividade dos profissionais de saúde) e sociais (oposição de familiares e amigos, como também do próprio estigma social).

Relatos de sentimentos de acolhimento e respeito na chegada ao tratamento, corroboram com resultados da literatura, que apontam a importância de ambiente favorável, com menos barreiras estruturais e sociais, que possibilitem não apenas a entrada, como também a adesão da mulher usuária de álcool e outras drogas ao tratamento. Considera-se fundamental que os profissionais de saúde, ao abordarem essa clientela devam abster-se de atitudes preconceituosas.

Para as mulheres do presente estudo, a necessidade em voltar a acreditar em si, é narrada como meio de resgate da identidade, comprometida durante todo o processo de perdas com o consumo do álcool, também utilizada como mecanismo de sustentação da abstinência. (Re)aprender a viver e lidar com a dependência significa para essas mulheres uma luta constante. Para trabalhar a prevenção de recaída dessa clientela, a atenção deve estar direcionada a situações específicas e os serviços de tratamentos devem oferecer atendimentos em grupos homogêneos, trabalhar a auto-estima e o manejo das perdas sociais.

Fonte: Álcool e Drogas sem distorção

Mãe solteira e alcoólica
em recuperação.

“Tive que contar comigo e com o Poder Superior para realizar esta tarefa tão
difícil!”.

Educar minha filha praticamente sozinha até agora foi, na verdade, um grande
desafio.
Entrei em Alcoólicos Anônimos quando ela completava um ano.
Separei-me e hoje ela tem treze anos; não me casei novamente; não tenho ajuda
financeira de ninguém. Tem sido uma batalha…
Não tenho um parente sequer e tive que contar comigo e com o Poder Superior para
realizar esta tarefa tão difícil!
Passei por profundos sentimentos de culpa por ela não ter um pai presente, de
não haver parentes para ela se relacionar e não ter uma imagem masculina por
perto.
Sentia muito por ter que trabalhar o dia inteiro e ela ficar por onze horas na
escola semi-integral.
Era constantemente acometida de dúvidas, se estava fazendo as coisas certas.
Sou psicóloga e sei a importância das coisas que não pude dar e sendo alcoólica
sei também os defeitos de caráter que possuo. Mas, como sigo à risca a
programação há algumas vinte e quatro horas, as coisas foram acontecendo e eu
solucionando uma por vez.
Sempre vi minha filha em primeiro lugar. Entrei numa sala de recuperação por
ela; para poder dar-lhe uma vida pelo menos digna!
Eu a adotei recém nascida e sabia que ela cresceria, e isso foi acontecendo
rápido demais.
Seguindo a programação fui educando, acertando e errando e corrigindo meus
erros.
Digo sempre aos companheiros que minha filha é filha de A.A., pois desde bebê ia
às reuniões, uma vez que eu não tinha com quem deixá-la e os velhos companheiros
se revezavam para cuidar dela enquanto eu assistia à reunião.

Hoje ela passa pela adolescência e é muito difícil deixá-la ir; permitir que
faça coisas que têm potencial para magoá-la; deixá-la ir e ao mesmo tempo ainda
mantê-la protegida é um malabarismo constante. É pensar e repensar a cada minuto
as atitudes que devo ou não tomar.
Algumas coisas não há como não ensinar; tenho que deixá-la aprender por si mesma
e isso é o mais difícil: ela tomar suas decisões e depois sofrer as
conseqüências.
Hoje, educar tem sido uma das tarefas mais difíceis pra mim; dirijo minha
empresa com os pés nas costas, mas educá-la é o maior desafio que o Poder
Superior me deu; no entanto, é a tarefa mais gratificante e espetacular que fiz
na minha vida.
Às vezes temos desavenças terríveis, gritos, portas batendo: a grande
comunicação, como costumo chamar, mas isso é passageiro, pois somos as melhores
amigas.
Precisei estudar muito a adolescência e A.A. me dá condições de pesquisar a
respeito; ler livros, trocar idéias com companheiros e companheiras. Abri sempre
meu coração na cadeira, partilhando, e no tête-à-tête, nos bastidores: chorei,
sofri, mas estou conseguindo!

Aprendi que tenho de respeitar o espaço dela, seu quarto, suas particularidades,
seus longos telefonemas, seus e-mails, sua individualidade; aprendi a fechar
minha boca na hora certa e se uma das duas está irada, deixo a conversa pra bem
depois e seguro minha ansiedade alcoólica.
As coisas não são como eu quero; reflito na oração da serenidade.
Quando a vejo sofrendo, ou por frustrações, brigas com amigas, ou seja, lá qual
for o motivo, eu respeito; tudo dela eu levo a sério, nunca me passa pela cabeça
que são bobagens de adolescente; eu respeito e pergunto se ela quer falar comigo
a respeito, se não quiser, me calo e digo que estarei sempre com ela para o que
der e vier e que a amo incondicionalmente.
Faça ela o que fizer, sempre estarei ao seu lado, pois ela é a razão do meu
viver, do meu lutar e a razão por eu não beber nunca mais, só por hoje!
Deixo meu coração aberto para ela e declaro meu amor incondicional.
Sempre estou aberta a levá-la e buscá-la onde for e a as amigas a qualquer hora
e procuro deixá-la sempre segura e confiante.
Ajudo nas paqueras e namoros e oriento, converso muito sempre; a cada
oportunidade mostro a vida real e as conseqüências das atitudes que tomamos
quando agimos sem pensar ou escondidas.
Aprendi principalmente a ser adolescente, a pensar como uma, mas com juízo, uma
adolescente sem mentalidade alcoólica na ativa, mas em recuperação.
Aprendi a abrir meu coração e ser verdadeira e quando não sei uma resposta, digo
filha não sei, mas vamos pesquisar juntas, pois não sou dona da verdade e nem
sei tudo, não temo mostrar a ela que eu erro, mas sei pedir desculpas, a dar e
não esperar nenhum beijo em troca, a estar sempre disponível e participar em
tudo o que for solicitada.
Aprendi a não atrapalhar quando ela estiver com suas amigas; o espaço é dela e
as amigas são dela, quando precisarem de mim irão me solicitar; aprendi também
que ela não pode ocupar o espaço de um marido e eu tenho de aprender que eu sei
viver e ter programas sem tê-la ao meu lado, sem requisitá-la; ela tem a vida
social dela e eu devo ter a minha.
Aprendi muita coisa e hoje vejo que o Grupo de A.A. me ofereceu condições para
isso; bastou eu me entregar de verdade; abrir meu coração e escutar muito sem
colocar escudos na frente ou desculpas.
Tenho que estar na sala diariamente, pois o dia em que eu não for, posso perder
uma grande mensagem e ela poderá nunca mais vir novamente.
Minha filha fica sozinha em casa nessas duas horas de reunião, mas eu aprendi a
compensar essas duas horas e tiro de letra.
Tenho um exemplo que gosto: comparo as dificuldades da vida ou problemas como
uma súbita falta de luz. Quando a luz se apaga não vemos mais nada, daí, aos
poucos, vamos percebendo pouco a pouco os vultos dos móveis, etc. Vamos nos
acostumando àquela situação e vamos tendo a percepção das coisas. É igual com a
vida, quando tenho um problema, a primeira impressão é a de ficar cega, não
enxergar a solução, mas devo ter calma, me acostumar àquela situação, que pouco
a pouco a solução vem e vou percebendo, tendo visões de como solucioná-lo.
Eu estou orgulhosa de mim, estou satisfeita. Sinto-me capaz e realizada e o
fruto disso tudo está aí, uma menina-moça linda, boa aluna, educada e feliz!
O Poder Superior me deu o maior presente que uma mãe poderia querer.
Eu plantei e estou colhendo.
Nunca é tarde para se iniciar uma plantação.
Fonte:Revista Vivência – Nº 94 – Mar/Abr.2005

NUNCA MAIS ESTAREMOS SÓZINHOS

Jesus foi procurado por um seguidor no Mar da Galiléia que lhe perguntou o que deveria fazer para seguir o caminho do mestre já que, os milagres ele, seguidor, via como muito longe de suas possibilidade.
Jesus respondeu com a oração do Pai Nosso.

1º Passo: O sinal inicial para a chamada: “Admitimos que éramos impotentes perante o álcool e que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas”. Pai Nosso que estais nos corações, nos céus, santificado seja o vosso nome.
2º e 3º Passos: Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolvermos a sanidade. Venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu: Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos. O pão nosso de cada dia nos daí hoje. Lema: Só por hoje.
4º Passo: Perdoai as nossas ofensas: Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.
5º Passo: Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza de nossas falhas.
6º Passo: Prontificamos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
7º Passo: Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.
8º Passo: Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido: Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.
9º Passo: Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível salvo quando fazê-los significasse prejudicá-las ou a outrem.
10º Passo: E não nos deixeis cair em tentação: Continuamos fazendo o inventário pessoal e quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
11º Passo: Mas, Livrai-nos do mal: Procuramos através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos rogando apenas o conhecimento de sua vontade em relação a nós e forças para realizar essa vontade.
12º Passo: A finalidade: o resultado de todo este processo: Tendo experimentado um Despertar Espiritual graças a esses Passos, procuramos transmitir essa mensagem e praticar estes princípios em todas as atividades.
Os 12 Passos na Espiritualidade que dão força a cada pessoa para viver bem e estar bem, um dia de cada vez:
1º Passo: Honestidade
2º Passo: Esperança
3º Passo: Fé
4º Passo: Coragem
5º Passo: Integridade
6º Passo: Boa Vontade
7º Passo: Humildade
8º Passo: Auto-Disciplina
9º Passo: Amor
10º Passo: Perseverança
11º Passo: Espiritualidade
12º Passo: Serviços

Fonte: Revista Vivência –Nº 110 – Pg. 63 – 64 – Novembro/Dezembro-2007.

Mudança
Há pouco tempo, no meu grupo base falou-se do tema “Sucesso” do livro “Na Opinião de Bill”, tema que atualmente eu associo à conquista e ao elogio. São temas com os quais eu não sei lidar muito bem, com os quais eu não estou habituado a lidar, e com os quais também tenho muito cuidado em querer saber lidar. Pois deles advém a minha vaidade, o “inchar” do meu ego! É aqui que tenho que estar alerta, saber o limite entre a vaidade saudável e a vaidade doentia, aquela que atrás de si traz a arrogância e que, se me subir à cabeça, me vai causar danos. Mas a vaidade saudável é uma área que eu tenho de modificar e aceitar que também tenho virtudes, capacidades e valores dentro de mim que eu desconhecia, os quais tenho agora posto em prática, graças ao programa de Alcoólicos Anônimos, ao meu Poder Superior e a mim, que muita ação tenho metido em todo este processo da minha recuperação. Mas tem-me sido difícil lidar com a minha parte boa, tenho sérias dificuldades em manifestar e demonstrar o meu amor, em dizer às pessoas que gosto delas. É-me mais fácil transmitir a minha parte má. Ter noção disso e querer mudar, para mim já é muito bom, aliás, é um privilégio poder contrariar-me. Também isto graças ao programa de AA, que eu faço por praticar em todas as áreas da minha vida. Todo este meu processo de recuperação tem mexido muito com o meu interior, algumas vezes com muita dor, pois mudar comportamentos e atitudes, enfim, maneiras de estar, de agir e de falar, ao longo deste meu tempo de vida, causa-me incômodo; mexer dentro de mim não tem sido nada fácil, pelo contrário. Mas basta querer, o falar de mim e dos meus “podres” perante os meus companheiros causa-me transtorno e por vezes até penso que podia não partilhar “estas coisas”. Mas, no entanto, passado algum tempo a dor passa, analiso, e no fundo aquilo sou eu! Abrir o livro da minha vida é fundamental para a minha mudança, não vale a pena andar a varrer para debaixo do tapete. Quando há qualquer “coisinha” que mexe dentro de mim e eu não ando bem, que se reflete no meu dia a dia (e até sei o que é!), dá-me mais jeito falar dos sintomas do que falar da nascente dessa “coisinha”. Tenho que meter ação e ir à fonte do problema, muitas vezes coisas simples, como o pedir desculpa, o dar a razão ao outro, o aceitar a maneira de ver do outro, coisas simples que eu complico e muitas vezes me deixam ressentido. Mas, a verdade, é que todo este trabalho tem-me trazido paz para comigo mesmo. Sinto-me aliviado, sinto-me mais tranqüilo, mais confiante, mais em paz com os outros e até durmo muito melhor. O certo é que graças a AA, através da ida a reuniões, das partilhas e do serviço, eu já consigo exprimir os meus sentimentos, ainda que com alguma dificuldade. Já não tenho aquele sufoco ao falar com as pessoas, já não preciso de beber para não ser tímido (o bicho que eu era, que agredia as pessoas verbalmente, psicologicamente e fisicamente!…). Hoje, sei que não passava de inveja, de frustrações e complexos de inferioridade. Hoje, já me vou aceitando como sou, tento não criticar o outro, o que o outro não faz ou que devia fazer. Cada vez mais, tento fazer menos inventários dos outros (outro meu grande defeito) e fazer o meu, estar atento às minhas limitações, separar o momento até onde posso ir e largar, fazer a minha parte e entregar a Deus como eu O concebo. É fundamental sentir-me bem com aquilo que faço e não o fazer em prol do agrado ou aprovação dos outros, fazer as coisas com amor a troco de nada.
Em todas estas mudanças aconteceram-me muitas coisas boas. Hoje faz-me todo o sentido que “as coisas não acontecem por acaso”, e de que “não há coincidências”.
Às vezes, penso que já estou bem. Mas, todo este processo não acaba, sei que tenho que estar sempre alerta, diariamente. Porque quando me esqueço, principalmente quando me afasto das reuniões, mesmo que por uma semana, noto logo o reativar da falta de tolerância, de paciência…

A TRADIÇÃO DE A.A.

01 – Em alguns casos,

teríamos também sido desencorajados pelas exigências a nós impostas. Os primeiros membros de A.A., em sua maioria, teriam sido rejeitados porque recaíam muito, porque sua moral era péssima, porque tinham tanto problemas psíquicos como com o álcool. Ou ainda, acredite ou não, porque não tinham vindo das melhores classes da sociedade. Nós, os mais antigos, poderíamos ter sido excluídos por não ler o livro “Alcoólicos Anônimos” ou por nosso padrinho ter se recusado a confiar em nós, como candidatos, e assim por diante. O modo como nossos “alcoólicos dignos” têm as vezes tentado julgar os “menos dignos” é, como vemos agora, engraçado. Imaginem, se vocês puderem, um alcoólico julgando outro!

02 – A.A. PARA A MULHER

O início não foi nada fácil, mas o meu padrinho me ajudou a passar por esta fase. Depois, comecei a prestar serviços dentro do meu grupo. Passados dois meses, transferi-me para o escritório intergrupal, onde respondia aos telefonemas pedindo ajuda em espanhol. Hoje, sou grata a Deus por ter feito essas coisas, porque através delas, pude manter-me afastada dos meus amigos de copo. Hoje coordeno atividades institucionais no Comitê Hispânico.

03 – ENTENDENDO O ANONIMATO

P. Devo mencionar minha afiliação a A.A. a pessoas que aparentam ter problemas com a bebida?

R. Esta é uma questão pessoal. Entretanto, o espírito do programa é compartilhar, e um estudo recente com membros de A.A. mostra que um grande número deles juntou-se à Irmandade por intermédio de outro membro. Antes de tomar uma decisão sobre esse assunto, muitos membros acham útil discuti-lo com seus padrinhos ou amigos de A.A.

04 – O ARTIGO DE JACK ALEXANDER SOBRE AA

Em seguida, ele faz uma espécie de inventário moral de si mesmo com o auxílio particular de outra pessoa, um de seus padrinhos de A.A., um religioso, um psiquiatra ou outra pessoa de seu agrado. Se ele assim o desejar e se isto vier a constituir-se alguma forma de alívio, pode levantar-se em uma reunião e relatar seus infortúnios, embora não seja obrigado a isto. Ele restitui o que eventualmente tenha roubado enquanto bêbado e empenha-se em pagar velhas dívidas e honrar cheques sem fundo; faz reparações a pessoas a quem tenha ofendido e, em geral, realiza a melhor limpeza possível em seu passado. Não é incomum que padrinhos lhe emprestem dinheiro para ajudá-lo em seu reinício.

05 – O GRUPO DE A.A.

Geralmente os padrinhos assumem a responsabilidade de ajudar os recém-chegados a encontrar seu caminho em A.A. Para melhor orientação consulte o folheto Perguntas e Respostas sobre o Apadrinhamento.

06 – O MELHOR DE BILL

O novo candidato disse que bastava para ele – e bastava mesmo. Seu padrinho em perspectiva protestou que aquilo não era realmente A.A., mas já era tarde demais; ninguém poderia mais convencer o candidato após tal episódio. Ele tinha além disso um álibi de primeira classe para outra bebedeira. A última vez que ouvimos falar dele, parecia ser provável um encontro prematuro com o agente funerário.

Cálculo espiritual dirá você. Nada disso. Observe qualquer recém-chegado em A.A. há seis meses trabalhando em um novo caso de Décimo Segundo Passo. Se a “vítima” disser “Vá para o Diabo”, o Mensageiro apenas sorrirá e se dedicará a outro caso. Ele não se sentirá frustrado ou rejeitado. Se o caso seguinte se interessar e, por sua vez, começar a conceder amor e atenção a outros alcoólicos embora não conceda nada a seu Padrinho, este estará contente de qualquer forma. Nem assim ele se sentirá rejeitado; ao invés disso, ele se alegrará pelo fato do primeiro membro abordado estar sóbrio e feliz. E se o seu caso seguinte acabar mais tarde se tornando o seu melhor amigo (ou amor), então o Padrinho experimentará a alegria máxima. Mas ele saberá muito bem que essa felicidade é um produto colateral – o dividendo extra por haver se dado sem nada exigir de troca.

07 – OS JOVENS E A.A.

Este programa funciona se você fizer a sua parte. Aceito as sugestões para minha recuperação, como a de ter um padrinho que me conheça bem, todo dia freqüentar as reuniões, participar mesmo. Por outro lado, posso beber e levar uma existência miserável. Hoje posso escolher. Escolhi não beber e freqüentar as reuniões.

Logo de início eu entendi duas coisas: freqüência às reuniões e permanecer ao lado daqueles vencedores. Toda noite vou às reuniões e, sempre que possível, freqüento as reuniões de outros grupos. Depois de dois meses pedi a um companheiro para ser meu padrinho. Ele demonstrou ser de grande ajuda, dando-me respostas e o encorajamento necessário para poder seguir o programa.

Comecei a freqüentar reuniões regularmente. Agarrei-me à idéia de que não precisava ser alcoólico para assistir às reuniões de A.A. Era meu desejo abandonar a bebida, só por hoje. Utilizei-me de alguns telefones que me forneceram e aceitei, em parte, a atenção que algumas pessoas de A.A. me deram. Foi bom começar a entender que eu não era uma pessoa má e sem força de vontade. Eu era doente. Finalmente, no dia 4 de julho, tive a graça de me libertar do álcool. Em 90 dias freqüentei 90 reuniões e arranjei um padrinho. Fui a muitas reuniões de novos e isso foi um novo começo. Dentro do possível segui todas as sugestões e levei a sério os serviços de A.A. Progredi em minha carreira profissional e passei de escriturário de um banco a representante de uma grande corretora. Embora as relações com meus familiares, com meus amigos e colegas de trabalho não sejam perfeitas e livres de atritos, também não são mais afetadas pelos efeitos de bebidas e drogas. Hoje, primeiro e acima de tudo, sou um membro de A.A. que se dedica à Recuperação, ao Serviço e à Unidade. Mas, também, agora sou livre para escolher e me tornar o que eu quiser, sem a influência do álcool.

08 – SUGESTÕES PARA COORDENAR REUNIÃO DE NOVOS

O perigo agora parece óbvio, mas muitos dos recém-chegados de hoje estão positivamente tão confusos como nós outrora estivemos. Assim, o coordenador explica o significado do primeiro gole e como evitá-lo, no mínimo por um dia ou por uma hora.
Quase todo membro de A.A. tem sua maneira pessoal de fazer isso, e outros membros que participam da reunião podem apresentar outras sugestões para acrescer às seguintes:
1. O Plano das 24 horas (ou de um minuto, se necessário).
2. Comer doces e tomar bebidas também doces.
3. Manter-se atento – nunca ficar com muita fome, raiva, solidão ou cansaço.
4. Permanecer junto de seu padrinho – e discutir com ele, ou ela, eventuais problemas pessoais.

h) Apadrinhamento; se necessário, como escolher um padrinho (veja o livrete Perguntas e Respostas Sobre Apadrinhamento).

09 – VOCÊ PENSA QUE É DIFERENTE?

Mas finalmente consegui um padrinho, e desde então as coisas melhoraram para mim. Acho que todos nós AAs. carregamos guarda-chuvas, que colocamos uns nos outros, quando a chuva parece cair um pouco mais forte no nosso vizinho, e realmente não importa de que cor somos.

Hoje, agradeço a Deus, a quem chamo de P.S. (Poder Superior) por essa conversa. Frio e vazio como estava, consegui ficar de pé e ir ao endereço que ele me deu. Naturalmente, tratava-se de uma reunião de A.A. Foi lá que fiz o primeiro contato realmente humano, depois de tantos anos, com o homem que viria a ser o meu padrinho em A.A.

Antes de A.A., tudo que tinha era bebida e sexo. Mecanicamente, eu usava as pessoas para ambas as coisas. Todo mundo era igual. Ninguém era verdadeiro, principalmente para mim. Meu padrinho foi a primeira pessoa verdadeira que encontrei, depois de tantos anos. E ele me fez sentir verdadeiro também. Ele me aceitou sem nenhum preconceito, com respeito ao meu homossexualismo e tudo o mais. Sem sentimentalismo, calmamente me deu a mão nessa primeira noite, como um ser humano dá a outro, e o que pôs na minha mão foi vida.

10 – ALCOÓLICOS ANÔNIMOS ATINGE A MAIORIDADE

E lá estava também meu padrinho Ebby (Ebby faleceu em 1966), que pela primeira vez me trouxe a palavra, que me tirou do “fundo do poço”. Com a Convenção toda, alegrei-me por ele ter podido estar conosco e me recordei de muitos amigos não-alcoólicos dos primeiros dias. Sem eles não teria existido A.A., de forma alguma. Eles nos tinham deixado maravilhosos exemplos de generosa dedicação. Foram os protótipos de milhares de homens e mulheres de boa vontade que, desde então, tinham ajudado a fazer de nossa irmandade o que ela é.

À medida que os grupos de A.A. se multiplicavam, aumentavam-se os problemas de anonimato. Entusiasmados com a recuperação espetacular de um companheiro alcoólico, iríamos comentar às vezes aspectos íntimos e dolorosos de seu caso que foram revelados apenas para seu padrinho. Daí a pessoa magoada iria certamente declarar que havia perdido a confiança. Quando comentários de tais casos começaram a circular fora de A.A., as conseqüências da perda de confiança em nossas promessas de anonimato foram grandes. Isso às vezes afastava as pessoas de nós. Claro que o nome de todo membro de A.A. e também sua história tinham de ser mantidos em segredo, se ele assim quisesse. Foi essa nossa primeira lição na aplicação prática do anonimato.

Vamos começar com meu próprio padrinho Ebby. Quando Ebby soube o quanto era sério meu problema com a bebida, resolveu me visitar. Ele estava em New York, e eu no Brooklyn. Sua decisão não era o suficiente; ele teve que entrar em ação e gastar dinheiro. Ele me chamou ao telefone e em seguida tomou o metrô; o custo total foi de dez centavos. No momento em que telefonou e tomou o metrô, a espiritualidade e o dinheiro começaram a se misturar. Um sem o outro não teria chegado a nada. Naquele exato momento e lugar, Ebby estabeleceu o princípio de A.A. em ação, que exige o sacrifício de muito tempo e dinheiro.

O aspecto médico do alcoolismo inclui o problema de hospitalização, e aqui também grande progresso tem sido feito. Muitos hospitais têm relutado para receber alcoólicos. As instituições estaduais e de províncias geralmente exigiam que alcoólicos permanecessem internados por um longo período. Portanto isso foi muito difícil – e ainda é – persuadir os hospitais em geral a internar prováveis membros de A.A. por curtos períodos de tratamento e permitir que padrinhos tenham o privilégio necessário das visitas, em cooperação com nossos Intergrupos locais.

11 – LEVAR ADIANTE

Segundo seu próprio relato, Bill foi um bebedor excessivo desde o início. Ele nunca atravessou nenhum estágio moderado ou qualquer período de bebida social. O seu sistema interno de advertência deve tê-lo avisado de que sua maneira de beber era estranha, porque ele “mantinha a garrafa arrolhada” quando Lois vinha visitá-lo e o convidava a conhecer seus amigos. Mas ele também não parou totalmente. Sem á bebida, Bill sentia-se novamente inferior.
Iniciava-se o ano de 1918; os Estados Unidos estavam totalmente envolvidos na guerra e Bill poderia ser mandado para o exterior a qualquer momento. Ele e Lois haviam marcado o casamento para 1° de fevereiro. Havia um boato de que Bill logo seria mandado para o exterior; assim, os dois decidiram antecipar a cerimônia para 24 de janeiro e modificaram os proclamas. Preferiram seguir em frente com o grande casamento na Igreja que haviam planejado e todos se esforçaram para ajudar. As coisas foram feitas com tanta pressa que o padrinho Roger, irmão de Lois, chegou de Camp David tarde demais para trocar suas pesadas botas de combate e teve que marchar entre os bancos da Igreja.

E tanto Bill Wilson quanto Dr. Bob Smith acreditavam que a manutenção da sobriedade exigia levar a mensagem a outras pessoas. É digno de menção que os três homens agora sóbrios tinham esposas que haviam mantido a fé juntamente com eles. Esses primeiros pioneiros de Akron e Nova York trabalharam juntamente com suas esposas, tanto para permanecer sóbrios quanto para levar a mensagem.
O Anônimo Número Quatro não tardou a aparecer. Foi Ernie G., de apenas 30 anos e “quase jovem demais” aos olhos de seus padrinhos. Todos os três homens trabalharam. = Ernie; Bill e Dr. Bob não perderam tempo em fazer com que Bill D. se envolvesse no trabalho.
Ernie permaneceu sóbrio durante um ano e então deu uma “derrapada” que durou sete meses. Sua história, “A Derrapada de Sete Meses”, foi publicada na primeira edição do Livro Azul.

“Anos depois, esse irrascível `cliente’ irlandês gostava de afirmar: `Meu padrinho me vendeu uma idéia e foi a da sobriedade. Naquela época, não teria aceitado nenhuma outra coisa’ .”

Mesmo admitindo-se sua natureza generosa e a dívida de carinho para com o homem ao qual chamava de seu padrinho, o comportamento de Bill em relação a Ebby escapava à compreensão de muitos dos seus amigos. Bill simplesmente não conseguia fazer o bastante por Ebby. Esse fato, levando-se em conta que Ebby não conseguia fazer quase nada por si mesmo (depois que acabara o dinheiro da família), significou que Bill iria assumir importantes responsabilidades por Ebby, até que este morreu – sóbrio – em 1966.

A Convenção foi realizada em St. Louis, outra cidade centralmente localizada. Para Bill, pessoalmente, St. Louis tinha a vantagem adicional de ser a cidade-natal do Padre Dowling, seu padrinho espiritual. Outras pessoas importantes para Bill também participaram da Convenção: Ebby esteve lá como seu convidado especial, a Dra. Emily veio de San Diego e os oradores não-AAs convidados incluíram não só o Padre Ed como também o Dr. Sam Shoemaker, o Dr. Harry Tiebout, Leonard Harrison, Bernard Smith, o Dr. W W Bauer da A.M.A., o psiquiatra O. Arnold Kilpatrick, o criminalista Austin MacCormick (entre seus dois períodos como Custódio), Henry Mielcarek, especialista em pessoal corporativo, e o Dr. Jack Norris. Embora dedicasse grande parte da Convenção em St. Louis à plena gratidão pelos não-AAs que haviam ajudado a Irmandade em seus primórdios, Bill trabalhou muito para concluir, antes que a Convenção se reunisse, um importante texto de agradecimento aos membros. Intitulado “Por que Alcoólicos Anônimos é Anônimo”, o texto foi publicado na edição da The Grapevine em janeiro de 1955.4 O documento expressa os pensamentos mais profundos e amadurecidos de Bill quanto à questão do anonimato, literal e espiritual, e a razão dele constituir a essência de tudo que há de melhor acerca de A.A.

Bill ficou exultante com a carta de Jung. Ela não só era delicada e significativa como também respondia afirmativamente a uma pergunta que muitos AAs conscienciosos, inclusive o próprio Bill, haviam formulado freqüentemente: Não seria o próprio uso excessivo do álcool uma forma perversa de buscar um pouco de esclarecimento ou de consciência superior? A ênfase dos Passos na conexão espiritual estava ali confirmada por um dos maiores psicanalistas do mundo, como sendo o antídoto mais adequado – na verdade o único – em relação à intoxicação.
Além disso, a carta chegou em um momento da vida de Bill em que ele realmente precisava dela. O Padre Dowling havia morrido, em St. Louis. O padrinho, guia e mentor espiritual de Bill havia compreendido a natureza e a importância da busca de Bill, de uma forma que ninguém mais havia entendido. Desde o início, ele havia endossado e estimulado sem reservas aquela busca.

12 – OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES

Inicialmente, ao sermos desafiados a admitir a derrota, a maioria de nós se revoltou. Havíamos nos aproximado de A.A. esperando ser ensinados a ter autoconfiança. Então nos disseram que, no tocante ao álcool, de nada nos serviria a autoconfiança, aliás, era um empecilho total, Nossos padrinhos afirmaram que éramos vítimas de uma obsessão mental tão sutilmente poderosa que nenhum grau de força de vontade a quebraria. Não era possível, disseram, a quebra pessoal desta obsessão pela vontade desamparada. Agravando nosso dilema impiedosamente, nossos padrinhos apontaram nossa crescente sensibilidade ao álcool – chamaram-na de alergia. O tirano álcool empunhava sobre nós uma espada de dois gumes: primeiro éramos dominados por um anseio louco que nos condenava a continuar bebendo, e depois por uma alergia prenunciadora de que acabaríamos nos destruindo. Pouquíssimos mesmo eram os que aflitos desta forma, haviam saído vitoriosos lutando sozinhos. Era um fato estatístico os alcoólicos quase nunca se recuperarem pelos seus próprios recursos. E assim parece ter sido desde a primeira vez que o homem espremeu as uvas.

A esta altura, seu padrinho em A.A. geralmente se põe a rir. E isto, pensa o recém-chegado, é “o fim da picada “. Pelo menos o começo do fim. E é mesmo: é o começo do fim da sua vida anterior, e o começo de sua entrada para uma nova vida. Seu padrinho provavelmente lhe diz: “Calma, calma. O obstáculo que você deverá saltar não é tão alto quanto parece. Pelo menos para mim não o foi. E nem o foi para um amigo meu, que antes era vice-presidente da Sociedade Atéia Americana. Ele o superou tranqüilamente.” “Bem”, diz o recém-chegado, do “sei que está contando a verdade . Sem dúvida é um fato que o A.A. está cheio de gente que antes pensava como eu. Mas como, nestas circunstâncias, pode alguém ir com calma? É isso o que eu quero saber.”

“É uma boa pergunta mesmo”, concorda o padrinho. “Acho que poderia lhe dizer como se acalmar. E nem terá que se esforçar muito. Faça o favor de escutar estas três afirmações. Em primeiro lugar, Alcoólicos Anônimos não exige que você acredite em coisa alguma. Todos os Doze Passos são apenas sugestões. Em segundo lugar, para alcançar a sobriedade e para manter-se sóbrio, não é preciso aceitar todo o Segundo Passo de uma vez. Olhando para o passado, vejo que eu mesmo o aceitei aos pedaços. Em terceiro lugar, a única coisa que realmente precisa é ter a mente aberta. Portanto, desista dos debates e pare de se incomodar com questões profundas como, por exemplo, se foi a galinha ou o ovo que surgiu primeiro. Volto a repetir, a única coisa que você precisa é ter a mente aberta.”

O padrinho continua. “Tome, por exemplo, o meu caso. Tive uma educação científica. Logo, respeitava, venerava, até adorava a ciência. Aliás, faço isso até hoje, tudo menos na parte da adoração. Vezes sem conta, meus professores apontavam o princípio básico de todo o progresso científico: ‘procure e pesquise sem descanso, mas sempre com a mente aberta.’ Quando deparei com A.A. pela primeira vez, minha reação foi igual a sua. Este negócio de A.A.., pensei, é totalmente anticientífico. Isto eu não posso tragar. Simplesmente recuso-me a considerar tal bobagem.

Ao início, esse “alguém” provavelmente será seu amigo mais próximo em A.A Ele confia na afirmação de que seus muitos problemas, agora mais agudos, por não poder usar o álcool para matar a dor, também poderão ser resolvidos. É claro que seu padrinho explicará que a vida de nosso amigo está ingovernável apesar de ele está sóbrio e que, afinal de contas, apenas está bem no início do programa de A.A. Uma sobriedade maior, graças ao reconhecimento de seu alcoolismo e à assistência a algumas reuniões, é certamente uma boa coisa. Porém, fatalmente estará longe de ser uma sobriedade permanente e uma vida feliz e útil. É agora que entram em jogo os restantes passos do programa de A.A. Nada menos que a prática constante desses passos como um modo de vida poderá levar ao tão desejado resultado.

A essa altura do andamento do inventário, somos socorridos pelos nossos padrinhos. Isto eles podem fazer porque são eles os portadores da experiência comprovada de A.A. com o Quarto Passo. Consolam o desanimado, mostrando-lhe, em primeiro lugar, que seu caso não é nem estranho nem diferente e que seus defeitos de caráter provavelmente não são mais numerosos e nem piores do eu os de qualquer outro em A.A. Isto o padrinho logo demonstra, falta do livre e espontaneamente e sem exibicionismo, de seus próprios defeitos passados e atuais. Este inventário, calmo e ao mesmo tempo realístico, é imensamente confortador. O padrinho provavelmente faz ver que o novo A.A. tem alguns valores junto com seus defeitos. Isto tende a dissipar a morbidez e encorajar o equilíbrio. Tão logo se torne mais objetivo, o recém-chegado poderá encarar seus próprios defeitos sem medo.

Os padrinhos daqueles que não sentem necessidade de um inventário enfrentam um outro tipo de problema. Isso é porque as pessoas impulsionadas pelo orgulho, inconscientemente não vêem seus defeitos. Estas certamente não estão precisando de conforto. O problema é ajudá-las a descobrir uma trinca nas paredes construídas pelo seu ego, através da qual poderão ver a luz da razão.

Este passo vital também foi o meio pelo qual começamos a ter a sensação de que poderíamos ser perdoados, não importando o que houvéssemos pensado ou feito. Freqüentemente, enquanto dávamos este passo com nossos padrinhos ou conselheiros espirituais, pela primeira vez, nos sentíamos verdadeiramente capazes de perdoar aos outros, não importa quão profundamente sentíssemos que nos houvessem maltratado. Nosso inventário moral nos havia persuadido de que o perdão geral era desejável, mas foi somente quando demos o Quinto Passo com resolução, que soubemos, em nosso íntimo, o quanto seríamos capazes de aceitar o perdão e perdoar também.

Nosso próximo problema será descobrir a pessoa na qual iremos confiar. Aqui devemos tomar bastante cuidado, lembrando-nos que a prudência é considerada uma das mais valiosas virtudes. É possível que seja necessário compartilhar com esta pessoa fatos a nosso respeito que ninguém mais deva saber. Desejaremos falar com alguém experiente que não só tenha se mantido abstêmio, como também conseguido superar outras sérias dificuldades, iguais talvez às nossas. Esta pessoa poderá ser o nosso padrinho, embora não necessariamente. Se a nossa confiança nele estiver bem desenvolvida, se o seu temperamento e seus problemas forem semelhantes aos nossos, então nossa escolha será boa. Além do mais, nosso padrinho já tem a vantagem de conhecer alguma coisa a respeito do nosso caso.

Podem surgir muitas situações delicadas em outros setores da vida onde está envolvido este mesmo princípio. Suponhamos, por exemplo, que tenhamos gasto em bebida uma boa parcela de dinheiro de nossa firma, seja “tomando-o emprestado” ou exagerando nossos gastos de viagem. Suponhamos que o fato continuará desconhecido se nada falarmos. Confessamos imediatamente nossas irregularidades perante a firma, na quase certeza de que isto os obrigará a nos demitir e a nós tornar, praticamente, não empregáveis? Seremos tão rigidamente corretos, ao fazer nossos reparos, que não nos importam as conseqüências para nossa família e nosso lar? Submeteremos o assunto a nosso padrinho ou conselheiro espiritual, pedindo ardentemente a ajuda e orientação de Deus – mas resolvendo atuar de maneira certa, quando ficar claro, custe o que custar? É claro que não existe uma resposta fácil que solucione todos os dilemas deste tipo. Mas todos requerem, isto sim, a completa disposição de fazer todas as reparações de forma tão rápida e completa quanto permitirem as condições do momento.

Embora todos os inventários, em princípio, sejam iguais, a ocasião os faz diferentes. Há o “relâmpago”, feito a qualquer hora, toda vez em que nos encontramos enredados. Existe o do fim de cada jornada, quando revisamos os acontecimentos das últimas vinte e quatro horas. É neste verdadeiro balancete diário que creditamos a nosso favor ou debitamos contra nós as coisas que julgamos bem ou mal feitas. De tempo em tempo, surgem as ocasiões em que, sozinhos ou assessorados pelos nossos padrinhos ou conselheiros espirituais, fazemos a revisão atenta de nosso progresso durante a última etapa. Muitos AAs costumam fazer uma “limpeza geral” em cada ano ou período de seis meses. Outros de nós também preferem a experiência de um retiro, onde isolados do mundo exterior, calma e tranqüilamente, podem proceder à auto-revisão e à meditação sobre os resultados.

Agora, a maior pergunta que já fizemos: o que dizer da “prática destes princípios em todas as nossas atividades”? Temos condições para amar a vida em todos os seus aspectos com tanto entusiasmo quanto amamos aquela pequena parcela que descobrimos, quando tentamos ajudar outros alcoólicos a alcançar a sobriedade? Somos capazes de levar às nossas vidas em família, por vezes bastante complicadas, o mesmo espírito de amor e tolerância com que tratamos nossos companheiros do grupo de A.A.? As pessoas de nossa família, que foram envolvidas e até marcadas pela nossa doença, merecem de nós o mesmo grau de confiança e fé que temos em nossos padrinhos? Podemos fazer com que o espírito de A.A. esteja de fato presente em nossas atividades diárias? Estamos prontos para arcar com as novas e reconhecidas responsabilidades que nos cercam? Podemos levar para a religião de nossa escolha, novo propósito e nova devoção? Será que podemos encontrar uma nova alegria de viver, tentando dar um jeito em todas essas coisas?

Anos mais tarde, aquele irlandês durão costumava dizer: ‘Meu padrinho vendeu-me uma só noção: a de sobriedade. Na ocasião, eu não me achava em condições de aceitar mais nada.’ ”

À medida que os grupos de A.A. se multiplicavam, o mesmo acontecia aos problemas de anonimato. Entusiasmados com a recuperação espetacular de algum irmão alcoólico, revelávamos por vezes aqueles aspectos íntimos e dolorosos do caso que apenas o padrinho devia ouvir. A vítima então declarava com razão que sua confiança havia sido traída. Quando tais histórias começavam a circular fora de A.A., sobrevinha grave perda de confiança nas nossas promessas de anonimato. Isso amiúde afastava de nós as pessoas. Claro que o nome de todo membro de A.A. — bem como a sua história — tinha de ser mantido em segredo, se ele assim o desejasse. Foi essa a primeira lição que aprendemos na aplicação prática de anonimato.

13 – VIEMOS A ACREDITAR
UM CARTÃOZINHO BRANCO

Não obstante tive uma experiência espiritual na noite em que telefonei para A.A., embora só percebesse isso mais tarde. Apareceram dois anjos trazendo-me uma mensagem de esperança real e me falaram a respeito de A.A. Meu padrinho riu quando neguei que tivesse rezado pedindo ajuda. Eu disse a ele que a única vez em que havia mencionado Deus fora quando, no meu desespero por não conseguir ficar nem bêbada ou sóbria, havia gritado: “Deus! O que é que eu vou fazer?”
Ele replicou: “Creio que essa oração até que foi boa, sendo a primeira e vindo de uma atéia. E além disso, foi respondida”.

14 – PEÇA FORÇAS A DEUS

Tive quatro padrinhos bons. Um deles era meu conselheiro espiritual, com quem eu sentia pouca empatia. Cada vez que dava seu depoimento, ele falava de Deus na forma em que ele O concebia. Embora eu me ressentisse das referências e o ouvisse contra minha vontade, um dia sensibilizou-me com as seguintes palavras: “Quando você tiver esgotado todos os recursos da família, dos amigos, dos médicos e dos sacerdotes, ainda assim haverá uma fonte de amparo. É uma fonte que nunca falha e nunca abandona, e está permanentemente disponível e disposta”.

Essas palavras voltaram à minha mente numa manhã, em um quarto de hotel, no fim de três semanas de farras e bebedeiras. Eu estava agudamente consciente das ruínas em que minha vida havia se transformado. Meu segundo casamento acabara de ir para o espaço e as crianças estavam sofrendo. Naquela manhã, fui capaz de ser honesto. Sabia que tinha falhado como pai, como marido e como filho. Havia fracassado na escola e no serviço militar e perdera todos os empregos e negócios que havia tentado. Nem a religião, nem a profissão médica e nem A.A. tiveram sucesso comigo. Eu me sentia totalmente derrotado. Lembrei-me então de algumas palavras do meu padrinho: “Quando tudo mais falhar, agarre uma corda e agüente. Peça forças a Deus para permanecer sóbrio por um dia”.

15 – UM DIA DE INVERNO

Na outra vez que fui ao meu Grupo de A.A., os “hipócritas felizes” me pareceram diferentes. Comecei a enxergar o amor em seus olhos, um carinho maior do que jamais vira antes. Contei isso ao meu padrinho e ele disse: “A razão pela qual você vê o amor nos olhos dessas pessoas é que você está começando a amá-las. O amor que vemos nos olhos delas é o reflexo do nosso próprio amor. Temos que amar para sermos amados”.

16 – A SEMENTE DE DEUS

A decisão de me incluir entre os condenados ou juntar-me ao grupo que desfrutava da misericórdia e da compaixão era minha. Naquela época, não possuía os requisitos para a recuperação. Ao invés da rendição completa, estabeleci regras forçadas para mim mesmo. Falhei em pedir ajuda e orientação a Deus e, ao invés disso, tentei seguir essas regras auto-impostas. Mas quando fracassei, pedi perdão a Deus e prometi me esforçar mais. Meu padrinho em A.A. me avisou que, para conseguirmos a ajuda do Poder Superior, temos que pedi-la nós mesmos – com humildade e sinceridade. Nenhuma outra pessoa, ainda que seja boa e sábia, pode plantar a semente de Deus em nós. Só Deus pode fazê-lo. Meu problema era encontrar essa semente germinada entre as ervas daninhas de minha mente. É ou não é verdade que existe algo de bom em cada um de nós?

17 – A JORNADA DE UM ATEU

Um dia, veio um apelo para que ele visitasse alguém que precisava de ajuda. Ao chegar, o homem descobriu que o Destino havia na realidade lhe entregue estranhas cartas. O alcoólico que o esperava era um padre. O homem jogou cuidadosa e sabiamente aquela cartada, porque se tratava de um desafio diferente de todos que ele algum dia enfrentara ou imaginara enfrentar. Ele, que havia recusado o Deus daquele outro homem, teria agora que encontrar exatamente as palavras certas para se comunicar. Titubeou um pouco e então, de repente, ficou fácil falar com aquele padre – aquele semelhante alcoólico. Desenvolveu-se uma calorosa amizade entre os dois homens e, assim, foi uma alegria especial quando ele se tornou padrinho do padre. Aprenderam muito um com o outro. Ou talvez, tanto em um caso quanto no outro, a sabedoria lá estivesse o tempo todo, apenas esperando que a pessoa certa a fizesse vir à tona.

18 – FÉ NAS PESSOAS

Quando contei esse episódio a um dos meus padrinhos, uma mulher, ela disse: “Entretanto Ele respondeu à sua prece”.
Pode ser. Mas não senti isso. Não argumentei com minha madrinha, mas hoje não ataco o mistério com a lógica pura. Se você puder me provar logicamente que existe um Deus pessoal – e não acho que possa – nem assim me sentirei inclinada a falar com uma Presença que não possa sentir. Se eu pudesse provar-lhe logicamente que não existe nenhum Deus – e sei que não posso – a sua fé verdadeira não ficaria abalada. Em outras palavras, as questões relativas à fé residem inteiramente fora do domínio da razão. Existe algo além do domínio da razão humana? Sim, acredito que exista algo.
Nesse ínterim, aqui estamos todos juntos – quero dizer todos nós e não apenas os alcoólicos. Precisamos uns dos outros.

19 – EXPERIÊNCIA CENTRAL

“Reze, se conseguir”, disse meu padrinho. Não possuindo fé de espécie alguma e pensando que a oração deveria ser uma espécie de auto-hipnose, caí de joelhos como uma criança, sozinho em meu apartamento, e rezei para um Deus desconhecido. “Deus,” pedi a Ele, “afasta de mim essa compulsão para beber”. E a minha compulsão pela bebida foi eliminada e não voltou desde aquele dia. Sem saber como havia feito, tinha me rendido ao Poder e o Poder fizera por mim o que eu não conseguira fazer por vontade própria.

20 – CRENÇAS MUTÁVEI

Quando cheguei, tremendo e apavorada, à minha primeira reunião, pensei que não acreditaria em mais nada. Foi um milagre que, depois de uma conversa com meu padrinho e uma reunião, pudesse ter esperança em A.A.! Essa esperança continuou me levando às reuniões e, gradualmente, evoluiu para uma verdadeira crença em que A.A. tinha todas as respostas que precisava; em que, se estivesse disposta e tentasse, conseguiria permanecer sóbria – um dia de cada vez. Não obstante, descobri que isso envolvia meu esforço para praticar o programa.

21 – VIVER SÓBRIO

Por exemplo, alguns de nós vimos que, nos nossos primeiros dias sem beber, as sugestões e o companheirismo oferecidos por um padrinho A.A. ajudou-nos muito a mantermo-nos sóbrios.
Outros de nós esperamos até termos ido a vários grupos e conhecido muitos membros de A.A. antes de resolvermos, finalmente, pedir ajuda a um padrinho. Alguns de nós achamos que a oração formal era uma enorme ajuda para não beber, enquanto outros fugiam simplesmente de tudo o que lhes sugerisse religião.

22 – PRESTE ATENÇÃO À RAIVA E AOS RESSENTIMENTOS

É também extraordinariamente eficaz pegarmos no telefone e falarmos com o nosso padrinho ou com outro alcoólico em recuperação, quando nos zangamos ou sentimos aborrecidos com qualquer coisa. É conveniente determo-nos para determinar se não estaremos demasiado cansados. Se for esse o caso, vimos que um pouco de descanso ajuda a dissipar a raiva.

23 – PADRINHOS, MADRINHAS & AFILHADOS…

Meus primeiros dias em A.A. foram assustadores. Sem beber, tudo ficava mais difícil. Minha insegurança, meus medos, tudo veio à tona.
Apesar de saber que ali estava a minha “turma”, um enorme sentimento de solidão me envolvia. Eu não entendia muito bem o que estava acontecendo comigo. O meu último período de ativa fora muito sofrido. Estivera a um passo da loucura. Sem fé, sem esperança, sem identidade, eu parecia uma menininha deixada sozinha num quarto escuro, completamente entregue aos seus fantasmas. E a vontade de beber não passava… Quanto maior a minha insegurança, quanto mais medo eu sentia, mais forte era a tentação de recorrer ao primeiro gole. Todos no grupo me pareciam fortes, invencíveis e… Distantes… Ainda não tinha conhecido nenhuma companheira.
Mas havia um olhar e um sorriso que aqueciam o meu coração. Eram do primeiro padrinho em A.A. Ele foi se aproximando, puxando conversa. Havia nele uma serenidade que eu gostaria de ter.
Desconfiada de tudo e de todos, sem entender quase nada da programação, fui confiando nele. Comecei a lhe fazer algumas tímidas confidências e algumas perguntas sobre a Irmandade. Ele me emprestou os livros “Viver Sóbrio”, “Alcoólicos Anônimos”, “Os Doze Passos e as Doze Tradições”. Tratava-me com carinhosa atenção, sempre pronto a me ouvir, partilhar suas experiências comigo e fazia sugestões muito úteis para mim. Aos poucos fui me sentindo mais segura. Era bom chegar na sala e sentir a sua presença sempre ali, mostrando-me, com o seu exemplo, que “a participação é a chave da recuperação”.
Hoje somos mais que companheiros, somos amigos! Com ele aprendi os segredos do apadrinhamento. Tenho alguns afilhados, a maioria mulheres, as quais também recebi com carinho e atenção. E tenho caminhado junto com eles, como o meu padrinho caminhou comigo nos primeiros tempos.
Acho que meus afilhados jamais entenderão o quanto me ajudam. É um mistério essa maravilhosa troca de energia que acontece entre nós. Vou partilhando com eles as minhas experiências e eles vão partilhando comigo as suas dificuldades e os seus sentimentos, que são tão iguais aos meus!…
Outro dia, num momento de descontrole emocional, quando o meu comportamento não foi nada exemplar, uma afilhada, um pouco assustada comigo, concluiu: “É, com a minha madrinha eu vou aprendendo o que fazer e o que não fazer.”
A grande lição que tenho aprendido em Alcoólicos Anônimos, especialmente com a minha experiência no apadrinhamento, é que, neste planeta, não existem professores. Todos somos aprendizes: estamos caminhando juntos, de mãos dadas, em direção ao infinito.
Que Deus conceda a todos vinte e quatro horas de serena sobriedade! (Nícia, Campinas/SP)

24 – RESPONSABILIDADE NO APADRINHAMENTO

O apadrinhamento é uma necessidade, não uma obrigatoriedade.
O que é apadrinhamento? Apadrinhamento é um processo que faz parte da evolução humana, onde alguém se dedica a outro com o objetivo de legar-lhes recursos espirituais, morais, intelectuais, contribuindo dessa forma para o crescimento interior do indivíduo e disseminando assim desarmonia e progresso social. Na história humana sempre vamos encontrar dois indivíduos: o discípulo e o mestre. Entretanto, poucos evidenciam com tais títulos a maioria permanece anônima, onde sempre alguém aprende algo com alguém. Isso acontece nos grupos familiares, profissionais, sociais, religiosos etc. Alcoólicos Anônimos como irmandade não poderia jamais prescindir desse processo evolutivo – o apadrinhamento -, porquanto nele está calcada a base da recuperação.
Assim sendo, caminhemos com o raciocínio de A.A. tocando apenas alguns pontos dos princípios que a nossa irmandade abraça, para vermos o poder e a maravilha que a dedicação e a devoção, essas formas de amor propriamente dito, podem criar.
Primeira Tradição: ademais, ele descobre não poder reter essa dádiva sem preço se por sua vez não entregá-la aos outros. Essa descoberta nos faz compreender o tamanho da nossa responsabilidade em favor da nossa própria sobrevivência; criando oportunidades para que outros se recuperem, por isso em A.A. sempre vai haver alguém necessitando de ajuda e outros proporcionando essa ajuda, ou seja, sempre haverá afilhados e padrinhos. Todavia é muito lento o processo para alcançarmos essa consciência de nos dispormos a ser afilhados e nos dedicarmos a apadrinhar.
Nos momentos de dificuldade, quando nos sentimos engolidos por problemas que parecem querer nos destruir, recorremos inevitavelmente a alguém mais experiente, e somos orientados dentro dos princípios e da experiência de A.A., encontrando o caminho a seguir e o restabelecimento da paz em nosso mundo interior. Por esse processo, aumenta a nossa confiança no programa e no nosso amor por aqueles que nos ajudam.
Quando, por outro lado, alguém nos procura em busca de soluções diante de problemas cruciais e, pela graça de Deus, temos a experiência que a situação requer proporcionando a esse alguém a paz, o conforto, a harmonia e principalmente uma direção, sentimos crescer dentro de nós uma fé, uma alegria que palavras não descrevem. Diante do exposto, de forma elementar, podemos perceber que o trabalho constante com e para o outro é base indispensável para a recuperação e o crescimento espiritual de todos nós. Podemos dizer que estamos trabalhando para outros, quando de qualquer forma a nossa ação implique na recuperação de alguém. E assim compreendemos de uma vez por todas, que a vida de todos nós depende de um apadrinhamento consciente propriamente dito, que só funciona quando ele é responsabilidade e só existe responsabilidade onde houver humildade. Por isso, vejamos aqui dentro do programa alguns aspectos em que se evidenciam o apadrinhamento:
Segundo Passo – “O padrinho continua, tome por exemplo o meu caso”…Terceiro Passo -“chegou a hora de depender de alguém ou de alguma coisa…” É claro que o seu padrinho explicará que a vida do nosso amigo está ingovernável. Quarto Passo – “a essa altura do andamento do inventário, somos socorridos por nossos padrinhos”. Livro Azul – Capítulo 1 – “O amigo de aulas me visitava e contei-lhe…” Nesses textos e muitos outros vamos encontrar a figura decisiva do padrinho consciente do que está fazendo, se doando de alguma forma para que seu irmão menos experiente alcance o que ele já possui. Por isso, apadrinhar em A.A. consiste em guiar o ser humano para dentro do programa de recuperação, unidade e serviço, sugerido por Alcoólicos Anônimos. E para essa realização ter resultados positivos, requer um certo grau de experiência com os Doze Passos, Doze Tradições, Doze Conceitos, Manual de Serviços, CTO, Livro Azul etc., bem como paciência, tolerância, confiança em sí, no outro e em Deus, como também honestidade, responsabilidade, compreensão e acima de tudo humildade – em outras palavras, amor.
Dar de graça o que recebeu de graça no apadrinhamento é ver nascer o verdadeiro sentimento de gratidão e reconhecer também a necessidade da responsabilidade em se doar a A.A. como um todo. No Serviço, estar na ação propriamente dita, também existem muitos afilhados e padrinhos, mas são comuns as dificuldades, pois são poucos os que querem ser afilhados, e os que são padrinhos, apadrinhar sob o manto sagrado das Tradições.
Vamos no caminho do apadrinhamento descobrir uma nova qualidade de vida, ouvindo e falando na linguagem do coração, tornando-nos instrumentos de Deus.
“Nunca precisamos tanto como agora do ‘caminho certo’ e a descoberta deste caminho é obra pessoal de cada um; mas exigirá o alicerce do amor e da sabedoria”.
“Quanto mais unidos e integrados estivermos e mais eficientes forem os resultados do apadrinhamento, melhores condições teremos de atingir o nosso verdadeiro objetivo, um novo ser humano”. (P. Falcão/AM)
(Vivência nº77 maio/junho 2002)

25 – APADRINHAMENTO

Como está nosso apadrinhamento? Estamos estendendo a mão amiga de AA. a todos aqueles dela necessitados? Dos recém-chegados às nossas salas quantos e recuperam? Nosso apadrinhamento è eficiente? Ou estamos perdendo tempo e energia com assuntos estranho à nossa finalidade primordial?
“Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.” ( Quinta tradição).
Levar a mensagem ao alcoólico sofre dor é atividade de AA. É tarefa de todos. Nesta área não há departamentalização. Todos somos responsáveis pela vida daqueles que ainda estão sofrendo e que morrerão se não forem alcançados pelo nosso programa de recuperação.
Além disso, trabalhar com outro alcoólico é a maneira mais segura de manter nossa própria sobriedade. “A experiência prática nos mostra que não há nada melhor, para assegurar nossa imunidade contra a bebida, do que o trabalho intensivo com outros alcoólatras. Quando outra atividade fracassam, esta funciona. É esta nossa décima segunda sugestão: Leve esta mensagem a outro alcoólicos! Você poderá ajudar, quando ninguém puder fazê-lo! Você conseguirá a confiança dele, quando outros fracassam, lembre-se de que são muitos doentes.” (Alcoólicos Anônimos, p.99.)
O trabalho do Décimo Segundo Passo não e esgota na abordagem, é preciso criar condições para que o recém-chegado permaneça conosco e se recupere.
Quase todos alcoólicos é sensível, cismado, desconfiado, já sofreu muito, já entrou em muitas frias, suportou rejeições, castigos, admoestação. Não vem ao AA. para ser julgado mas para ser compreendido. Não importa quanto tenha descido na escala social, moral ou espiritual. É um ser humano e merece ser tratado com dignidade e respeito.
Nada mais cativante para o recém-chegado que o respeito, o ambiente de camaradagem, a compreensão, a amizade sincera. Nada mais repugnante que a critica, o ar professoral, a insinceridade, o elogio de boca-pra-fora, logo percebido, pois o alcoólico trouxa está por nascer.
“Para um novo e provável membro, descrever em linhas gerais o programa de ação, explicando como você fez uma auto-análise, como colocou em ordem seu passado e por que está agora tentando ajudá-lo. É importante que ele perceba que o esforço que você faz para lhe transmitir isso é de vital importância para sua própria recuperação. Na verdade, ele pode estar ajudando-o mais do que você a ele. Explique-lhe claramente que ele não tem nenhuma obrigação para com você” (Na Opinião do Bill, ementa 275).
Nossa sobriedade aumenta quando a partilhamos com ou trem.
O correto apadrinhamento é a melhor forma de partilhar nossa sobriedade, que paradoxalmente, quanto mais damos mais temos.
Vivência nº 17 – 1991

Textos usados na reunião de literatura

26 – AMOR SEM LAÇOS

A experiência prática nos mostra que não há nada melhor para assegurar nossa imunidade contra a bebida, do que o trabalho intensivo com outros alcoólicos.
Alcoólicos anônimos, pg 103

No apadrinhamento tive duas surpresas. Primeira, que meus afilhados se preocupavam comigo. O que pensava que era gratidão, parecia mais amor. Eles queriam me ver feliz, crescer e permanecer sóbrio. O fato de saber como eles se sentiam me manteve longe da bebida por mais de uma vez. Segunda, descobri que eu era capaz de amar alguém responsavelmente, com respeito e com uma preocupação genuína pelo crescimento dessa pessoa. Antes disto, eu pensava que minha capacidade de cuidar sinceramente do bem estar dos outros tinha-se atrofiado por falta de uso. Aprender que posso amar, sem cobiça ou ansiedade, foi uma das maiores dádivas que o programa me deu. Gratidão por este presente me manteve sóbrio muitas vezes.

27 – UTILIZAR-SE DA “TERAPIA DO TELEFONE”

A princípio a idéia de discar para alguém que mal conhecíamos parecia estranha, e muitos de nós nos mostrávamos relutantes. Mas os membros de A.A. que tinham mais tempo de abstenção, continuavam a insistir nela. Diziam compreender porque hesitávamos, uma vez que já haviam passado por isso. Todavia asseguravam eles, tente pelo menos uma vez. Assim, afinal, milhares e milhares de nós o fizemos. Para nosso alívio, a experiência foi tranquila e agradável. Melhor do que tudo, funcionou.

Os observadores de alcoólicos em recuperação constataram a ampla rede de encontros informais existente entre os membros de A.A., mesmo fora das reuniões de grupos ou quando ninguém está pensando ou falando em bebida. Verificamos que é possível desfrutar de vida social fazendo juntos coisas que amigos fazem – ouvir música, bater papo, ir ao teatro ou cinema, comer juntos, acampar e pescar ou simplesmente aparecer, escrever, telefonar – tudo sem necessidade de uma bebida sequer.

O “recurso do telefone” funciona mesmo quando não conhecemos nenhum indivíduo para chamar. Se A.A. constar da lista telefônica, basta discar um numero e entrar instantaneamente em contato com alguém profundamente compreensivo. Pode ser uma pessoa que jamais encontramos, porém, a mesma empatia genuína está presente.

Em São Paulo, o telefone 3315-9333 está de plantão 24 horas.

28 – VALER-SE DE UM PADRINHO

Nos primeiros tempos, o termo “padrinho” não constava no jargão de A.A. Depois, alguns hospitais em Akron. Ohio, começaram a aceita alcoólicos (sob esse diagnóstico) como pacientes, se um AA sóbrio concordasse em “apadrinhar” o homem ou mulher doente. O padrinho levava o paciente ao hospital, visitava-o regularmente, comparecia quando tinha alta, levava-o para casa e depois para uma reunião de A.A. Na reunião, o padrinho apresentava o novato aos felizes alcoólicos sóbrios. Durante os primeiros meses de recuperação, o padrinho mantinha-se atento, pronto a responder às perguntas ou a ouvir quando necessário.

O apadrinhamento mostrou-se uma forma tão boa de ajudar as pessoas a se integrarem em A.A., que se tornou um costume no mundo inteiro, mesmo quando a hospitalização não se faz necessária.

Se você tem um padrinho, algumas das sugestões seguintes podem ajudar. Lembre-se que elas se baseiam nas experiências de milhares de membros de A.A. durante muitos e muitos anos.

a) É geralmente melhor que os homens apadrinhem os homens, e as mulheres amadrinhem as mulheres. Isso ajuda a evitar que se inicie um romance – fato que pode desgraçadamente complicar, se não destruir, o relacionamento padrinho-afilhado. Por tentativa e erro, descobrimos que sexo e apadrinhamento não combinam.

b) Gostemos ou não do que nosso padrinho sugere (e os padrinhos só podem sugerir, nunca obriga ninguém a fazer nada ou de farto impedir qualquer ação), o certo é que ele está sóbrio há mais tempo, sabe das armadilhas a evitar e é possível que tenha razão.

c) Um padrinho AA não é um assistente social ou conselheiro de qualquer tipo. Um padrinho não é alguém de quem se obtém dinheiro emprestado, nem roupa, nem emprego, nem comida. Um padrinho não é um especialista em medicina nem está qualificado para oferecer orientação religiosa, jurídica, doméstica ou psiquiátrica, embora um bom padrinho esteja, em geral, disposto a discutir tais assuntos confidencialmente e muitas vezes possa indicar onde obter a necessária e apropriada assistência profissional.

Um padrinho é simplesmente um alcoólico sóbrio que pode ajudar a resolver um único problema: como ficar sóbrio. E tem apenas uma ferramenta para usar – a experiência pessoal, e não conhecimento científico.

Os padrinhos já estiveram nessa situação e, com freqüência tem mais interesse e compaixão por nós, mais esperança e confiança em nós do que nós mesmos. Acumularam, é certo, mais experiência. Lembrando-se de sua própria condição, estendem a mão para ajudar, não para humilhar.

Diz-se que os alcoólicos talvez sejam pessoas que não deviam guardar segredos sobre si mesmos, especialmente culpas. Manter-nos abertos sobre nós mesmos ajuda a evitar isso e pode ser um antídoto para qualquer tendência à excessiva auto preocupação e inibição. Um bom é alguém em quem podemos confiar, uma pessoa com quem podemos desabafar.

d) É agradável quando o padrinho possui o mesmo temperamento, compartilhando de formação e interesses, além da sobriedade. Mas não é necessário. Em muitos casos, o melhor padrinho é alguém completamente diferente. As junções mais dispares entre padrinho e afilhado, às vezes, são as que melhor funcionam.

e) É provável que os padrinhos, como quaisquer pessoas, tenham suas obrigações de família e emprego. Embora um padrinho, em certas ocasiões, deixe o trabalho ou a família para ajudar um novato às voltas com um aperto, haverá momentos em que não estará acessível. Eis uma oportunidade para que muitos de nós utilizemos nossas remanescentes faculdades mentais, a fim de conseguirmos um substituto para um padrinho. Se realmente desejamos ajuda, não vamos permitir que a doença ou a ausência momentânea de um padrinho, por qualquer motivo, nos impeça de obtê-la. Tentemos achar uma reunião de A.A. próxima. Podemos ler a literatura de A.A. ou alguma coisa que julgamos proveitosa. Podemos telefonar para outros alcoólicos em recuperação que já encontramos, ainda que não o conheçamos muito bem. E podemos telefonar para o escritório de A.A. mais próximo. Mesmo que a única pessoa que encontremos seja alguém que não tenhamos conhecido antes, estejamos certos de que haverá interesse autêntico e desejo de ajudar em qualquer membro de A.A. que procuremos. Quando realmente falamos com franqueza sobre nossa aflição, a verdadeira empatia não falha. Às vezes, recebemos o encorajamento que realmente necessitamos de alcoólicos em recuperação dos quais não gostamos muito. Mesmo se esse sentimento é recíproco, quando um de nós tenta permanecer sóbrio, pede a qualquer alcoólico em recuperação que o ajude a não beber, todas as diferenças, superficiais e insignificantes, se dissolvem.

f) Algumas pessoas acham que é bom ter mais de um padrinho, de modo que pelo menos um possa estar sempre disponível. Esse plano tem uma vantagem adicional, mas também acarreta um pequeno risco. A vantagem é que três ou mais padrinhos oferecem uma faixa mais ampla de experiência e conhecimento do que uma única pessoa. O risco de ter vários padrinhos em vez de um só está numa tendência que cultivamos quando bebíamos. A fim de os proteger e manter nossa bebedeira a salvo de crítica, com frequência contávamos histórias diversas a diferentes pessoas , de modo que os que nos rodeavam praticamente toleravam, quando não encorajavam nossas bebedeiras. É possível que não tivéssemos consciência dessa tendência, não havendo normalmente qualquer má intenção nisso. Mas, na realidade, ela fazia parte da nossa personalidade de bêbados. Desse modo, alguns de nós, com dois padrinhos, surpreendermo-nos a tentar colocar um contra o outro, dizendo coisas totalmente diferentes ao primeiro e ao segundo. Isso nem sempre dá certo, pois não é fácil enganá-los. Eles percebem com bastante rapidez os truques de quem está querendo beber, tendo eles mesmos usado quase todos esses estratagemas. Mas, as vezes, nós podemos persistir até que um padrinho diga algo diretamente oposto ao que o outro já disse. Pode ser que arranquemos de alguém o que queremos ouvir, não o que precisamos. Ou, que demos às suas palavras uma interpretação que atenda nossos desejos. Tal comportamento parece mais um reflexo de nossa doença do que busca de ajuda para melhorar. Nós, os novatos, somos os prejudicados quando isso acontece. De modo que, se dispomos de uma equipe de padrinhos, é boa idéia nos mantermos prevenidos, alertas a qualquer sinal de incorrermos nesse tipo de esperteza, em vez de seguir avante em nosso processo de recuperação.

g) Sendo eles próprios alcoólicos em recuperação, os padrinhos são, naturalmente, dotados de virtudes peculiares e fraquezas próprias. O padrinho (ou qualquer outro ser humano) perfeito, que nós saibamos, ainda está para nascer. É um caso raro, mas é possível que sejamos mal-orientados ou levados a errar devido a inadvertência de um padrinho. Como comprovamos todos nós, por termos incorrido em erro, mesmo com a melhor das intenções os padrinhos também podem falhar. Você, com certeza, pode adivinhar qual será a próxima sentença… O comportamento infeliz de um padrinho não serve como a melhor desculpa para voltar a beber. A mão que vira o copo ainda é a sua própria. Em vez de censurar o padrinho, encontramos pelo menos umas 30 maneiras de evitar um gole. Que vem relacionadas neste livro (Viver Sóbrio).

h) Você não tem nenhuma obrigação de recompensar seu padrinho, em espécie alguma, por tê-lo ajudado. Ele ou ela o faz porque ajudar os outros os auxilia a manter a própria sobriedade. Você está livre para aceitar ou recusar a ajuda. Se aceitar, não tem débito a pagar. Os padrinhos são bondosos – e duros – não para receber recompensa e nem por gostar de praticar boas obras. Um bom padrinho recebe tanto apoio quanto a pessoa apadrinhada. Uma verdade que você vai constatar na primeira vez em que apadrinhar alguém. Algum dia você vai querer transmitir essa ajuda a alguém. Então, estará sendo agradecido.

i) Você não tem nenhuma obrigação de recompensar o novato por sua conta quanto necessário. Pode deixá-lo cometer seus próprios erros; pode vê-lo recusar recomendações sem se sentir ofendido ou desprezado. Um padrinho inteligente tenta por todos os meios, impedir que a vaidade e os ressentimentos interfiram no seu trabalho. Os melhores padrinhos ficam realmente encantados quando o novato é capaz de ultrapassar a fase de apadrinhamento. Não que precisemos seguir também sozinhos. Mas, quando chega o tempo, mesmo a avezinha deve usar as próprias asas e iniciar sua própria vida. Feliz revoada!

Responsabilidade e Recuperação
Caros Companheiros,
Venho partilhar convosco o meu percurso de recuperação começando por aquilo que chamo: “o que não devo fazer”.
Em 1998, por minha própria iniciativa, e já com o único requisito para pertencer a Alcoólicos Anónimos, o desejo (e já não tinha outra solução) de parar de beber, fui à minha primeira reunião. Nessa reunião de que me lembro vagamente, chorei a maior parte do tempo e pouco consegui falar. Houve alguém que me ouviu e confortou dizendo que se eu queria realmente parar de beber, estava no sítio certo; que AA era uma solução. Decidi voltar e fazer 90 dias 90 reuniões tal como me tinha sido sugerido.
Passados cerca de três meses fui proposto para fazer café, serviço esse que aceitei com falsa humildade, por achar que não era adequado a alguém “com a minha importância” e, além disso, não via a necessidade de fazer serviço; afinal, eu só queria parar de beber.
…preciso de todos e da unidade para a minha própria recuperação.
Frequentei as reuniões durante três anos e a única coisa que fazia era não beber. O programa parecia-me despropositado. Achava que não era necessário fazer nada do que estava escrito, eu só precisava do AA como compromisso para não beber, tudo o resto era dispensável. As minhas partilhas eram construídas tendo em atenção a sua fluência e qualidade linguística para que convencesse (tal qual campanha eleitoral) os meus companheiros do Grupo da minha “extraordinária recuperação e inteligência”. Como é óbvio a única pessoa que enganei foi a mim próprio. Mais tarde deixei de ir às reuniões de serviço porque ninguém me nomeava para funções que eu considerasse importantes, dizendo para mim próprio que não havia nessas reuniões ninguém com a competência necessária para avaliar e reconhecer as minhas “extraordinárias capacidades”. Por fim deixei de frequentar as reuniões, e como seria de esperar, veio a recaída. Esta foi perfeitamente programada. Aconteceu exactamente no dia do meu quinto aniversário de abstinência e a partir desse dia, durante um período de cerca de três anos (salvo raríssimas excepções nunca foram de bebedeiras), bebi 2 cervejas, diariamente, às 18h05m (os cinco minutos era o tempo que eu levava de carro, até ao café a distância mais ou menos segura do meu local de trabalho).
Toda a minha vida se havia desmoronado apenas com esta quantidade. Tinha começado tudo de novo: as mentiras, as manipulações, a ansiedade esmagadora de beber mais, ou seja, toda a minha vida se resumia àquelas duas cervejas.
Até que, inevitavelmente, chegou o dia em que não me fiquei pelas duas cervejas mas sim por várias dezenas. No dia seguinte, em plena ressaca e com um esmagador sentimento de culpa, tendo a perfeita noção que já não iria voltar a conseguir beber apenas duas cervejas, decidi ir a uma reunião de AA, pois apesar de ter recusado o programa, eu sabia que, se eu quisesse, a solução ainda lá estava.
Entrei na sala e ao contrário do que eu esperava, o meu sentimento foi de alegria, tendo experimentado um sentimento de paz e alívio. Vinha comigo a consciência de que não me bastava parar de beber: era fundamental baixar os braços e aceitar que seria necessário modificar muitas coisas para que, não beber, passasse de fardo a alegria. Acima de tudo ser HONESTO comigo próprio e com os outros. Sim, desta vez, permiti que o programa de AA me entrasse no coração, peguei na literatura, envolvi-me no serviço, esforcei-me por ser mais responsável e percebi finalmente que não sou auto-suficiente, que preciso de todos e da unidade para a minha própria recuperação. Percebi que não basta dizer obrigado para mostrar a minha gratidão. É preciso “fazer“ obrigado, sendo responsável e aceitando a responsabilidade em servir os outros. No fundo dar o que recebi, acção sem a qual (hoje sei) não terei a recuperação que procuro.
Gostaria de terminar dizendo que hoje, sou responsável pela minha recuperação, pela do meu companheiro, por a daquele que ainda vai chegar e acima de tudo por estar feliz e porque digo, com orgulho saudável, sou Pedro, sou Alcoólico e hoje, só por hoje, não bebi.
Sobriedade ao alcance de todos

Sobriedade ao alcance de todos – objetivo único de nossos serviços

Este foi o tema da XXIX Conferência de Serviços Gerais
Nós em A.A. entendemos a amplitude deste sonho: Sobriedade ao alcance de todos. Não se trata de um sonho utópico. É possível. Todo o membro da Irmandade se sente extremamente feliz quando pratica a nobre missão que lhe foi confiada pelo Poder Superior, como cada um O concebe: a de oportunizar ao doente alcoólico que ainda sofre, uma nova chance para retomar a se sentir íntegro, útil e feliz. Já ultrapassamos enormes espaços, através do conhecimento dos Doze Passos de A.A. Quantas e quantos outros segmentos já não se beneficiaram com as experiências ali contidas? É crescente e visível o emprego dos Doze Passos de A.A. adaptados aos princípios de tratamento e recuperação de instituições diversas de mútua ajuda. … As vias de comunicação, notadamente a Televisão, periodicamente procuram trazer à tona a problemática do alcoolismo, sem contudo deixar de enaltecer a credibilidade e a importância de Alcoólicos Anônimos e de sua mensagem de esperança e amor ao alcoólico que ainda sofre. A Sobriedade é para nós um estado de graça! A Sobriedade é um exercício constante. A Internet será a mais rápida e ao mesmo tempo a responsável pela mensagem ao alcance de todos. A Sobriedade, o estado de graça, o exercício constante da humildade serão apenas uma conseqüência para todos que a queiram. Compartilhar experiências, forças e esperanças: Propósito fundamental da Irmandade de Alcoólicos Anônimos. Existindo em mais de 150 países e tendo em tomo de 105.000 Grupos no mundo e possuindo acima de 2.066.851 membros, acreditamos no nível de responsabilidade que a maioria dos membros da Irmandade possui, depois de sóbrios e gratos, para que sejam transformados em verdadeiros multiplicadores desta mensagem angular e reformuladora legada ao A.A. … O anonimato, cuidadosamente preservado, fornece dois ingredientes essenciais à manutenção da sobriedade. Esses dois ingredientes, na verdade, são duas faces de uma mesma moeda: primeiro, a preservação de um ego reduzido; segundo, a presença contínua da humildade ou simplicidade. “Em junho de 1960, o co-fundador de A.A., Bill W. já prenunciava alguns desafios para o futuro. Num documento com o título “Alcoólicos Anônimos Amanhã”, ele questionava: “Para onde vamos a partir de agora? Quais são nossas responsabilidades para hoje e para amanhã? Sabemos que estamos abrindo, cada vez com mais amplitude, qualquer meio ou canal concebível por intermédio do qual podemos chegar até esses nossos irmãos”. Eis o porquê em depositarmos na Internet toda esta nova esperança. “Alcoólicos Anônimos está sendo abençoado em suas atividades pela Internet”
(Vivência Nov/Dez 2003).
Atrair um novo membro a um Grupo de A.A., é um momento mágico, que significa ser da vontade do Poder Superior salvar uma vida que se encontra em desatino, salvar um lar tumultuado, um emprego perdido, amores desfeitos em mentes doentias e que precisam, acima de tudo, de amor e respeito e não do descaso de uns ou do preconceito de outros. … Do simples gesto de servir o cafezinho ou passar um pano em mesas e cadeiras nas diversas modalidades de reuniões praticadas pelos Grupos de AA, indo até a Conferência de Serviços Gerais ou eventos internacionais, tem nos Serviços o afunilamento em buscar encontrar a melhor maneira de oferecer a Sobriedade ao Alcance de todos, sejam alcoólicos ou não.
Alcoólicos Anônimos é uma sociedade de alcoólicos em ação. …Trabalhando com os Outros, foi a primeira visão dos nossos pioneiros, como consta no Livro Azul. … Portanto, para nós é necessário estarmos também atentos: “o preço da Sobriedade é a eterna vigilância”, em nossos princípios e em nossas ações.
… Sendo assim, a Sobriedade estará ao alcance de todos.
O Brasil possui hoje mais de 16 milhões de pessoas com idade superior a 60 anos, consideradas idosas pela legislação brasileira.
Quase 1/10 da população brasileira encontra-se nessa faixa etária e assim, pessoas da “Melhor Idade” reúnem-se para proporcionar a si e aos demais idosos, momentos de convivência harmoniosa, de crescimento pessoal e de trocas de experiências, entre outras razões.
…No início, alcançar um ano de sobriedade era motivo de grande júbilo.
O tempo foi passando e alcançar 10 anos contínuos de sobriedade era quase que vencer uma guerra.
Nos dias atuais, com o conhecimento da Literatura e com o crescente entendimento da programação, a convivência entre os que chegaram antes e os que estão chegando dentro da Irmandade tem pairado em sutis diferentes conotações.
… A presença de um bom veterano, repassando suas experiências serve de estímulo bastante significativo ao desenvolvimento de um Grupo.
Normalmente ele é o responsável pelo despertar dos membros à prática do Terceiro Legado, repassando sua vasta experiência, não a restringindo a si próprio.
… Para onde caminha o objetivo único de nossos Serviços?
“Cada Grupo é animado de um único propósito primordial o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre” (Tradição Cinco).
1. Não pode¬mos prescindir de nenhum companheiro de boa vontade!
2. Temos estimulado o afilhado a trabalhar com outros alcoólicos, levando-o nas visitas de abordagens do Décimo Segundo Passo?
3. Mostramos, principalmente através do nosso exemplo, a importância de todas as nossas Tradições? Alcoólicos recuperados estão totalmente em Sobriedade? Ou podem ainda estar sofrendo pelas conseqüências do seu alcoolismo?
4. Sobriedade pode rimar com Solidariedade?
5. Quantidade para nós em AA tem a mesma importância que a Qualidade de seus membros?
… “Não temamos jamais as mudanças necessárias. Naturalmente, teremos que saber distinguir entre as mudanças que conduzem à melhoria e as mudanças que nos levam de mal a pior”.
… “Ao dar uma olhada no futuro, vemos claramente que uma boa vontade cada vez mais profunda será a chave do progresso que Deus espera que façamos na medida em que caminhemos até o destino que Ele nos tem reservado”. (Trechos de artigo escrito por Bill W. para a Grapevine de julho de 1965).
Ray/Distrito Federal/DF
Redação: você, leitor poderá ler esta matéria na íntegra no Relatório Anual da XXIX Conferência, assim como outras sobre o mesmo tema.
Vivência n° 93 – Janeiro/Fevereiro 2005
“Alcoólicos Anônimos está sendo abençoado em suas atividades pela Internet”
… Não temamos jamais as mudanças necessárias. Naturalmente, teremos que saber distinguir entre as mudanças que conduzem à melhoria e as mudanças que nos levam de mal a pior.”

Trabalhando a humildade
Para aqueles que têm progredido em AA, a humildade significa um reconhecimento claro daquilo que somos e de quem realmente somos, seguido de um sincero esforço para nos tornarmos naquilo que poderemos ser.” – “Na Opinião de Bill” pg. 156
No dia 18 de Julho de 2007, ao ler a Reflexão Diária sobre a humildade, dei comigo a meditar: serei humilde? Trabalho para isso? Conseguirei alguma vez sê-lo? Afinal o que é a humildade? Nada acontece por acaso. Nesse mesmo dia o tema escolhido pelo moderador para a reunião do Grupo foi… a “Reflexão Diária”. Tive então a oportunidade de ouvir os sentimentos de outros companheiros sobre a humildade. Não fiquei por aqui. Algo me incitava a continuar “às voltas com a humildade” (seria a minha má consciência?).
Não é isto que o Programa de Alcoólicos Anónimos propõe…
Partilho convosco alguns dos pensamentos que me ocorreram. Um dicionário de sinónimos “on-line”, define a humildade da seguinte forma: “virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza e modéstia”; esta última, por sua vez: “ausência de vaidade, de ostentação, simplicidade e moderação”. Fui levado a concluir que estou a praticar, amiúde, a humildade. Não fiquei satisfeito, porque a humildade não se pratica a meu belo prazer: – ou a sinto e sou ou nada feito. Então o que é que tenho vindo a fazer? Para não vos maçar muito vou directo ao assunto. Tenho usado a humildade à medida do meu ego e da maneira que mais me convém. Quando me calo perante uma opinião diferente, quando falo de maneira serena, mas só com o intuito de convencer o meu interlocutor ou quando nada faço quando se impõe tomar uma atitude, não estou a ser humilde. Estou apenas a acomodar-me, a ser preguiçoso, desonesto e orgulhoso. O pior é que o somatório de tudo isto vem logo a seguir e é igual a raiva, ressentimento e desprezo pelos outros. Não é isto que o Programa de Alcoólicos Anónimos propõe e recuperação não é certamente. O que devo fazer perante este cenário?
Recentemente ouvi dizer a um conhecido comunicador que, quando questionado se era feliz, disse que a felicidade depende de muitos factores exteriores à vontade. Contudo, e ainda segundo ele, apesar dos factores adversos pode-se ser alegre. Bom, se não consigo ser feliz, conseguirei ser alegre (soa bem); se não consigo ser humilde acho que posso ser tolerante (soa ainda melhor). Fui outra vez ao dicionário e tolerante vem definido como “a atitude de admitir a outrem uma maneira de pensar ou agir diferente da adoptada por si mesmo” e “acto de não exigir ou interditar, mesmo podendo fazê-lo”.
Fiquei mais tranquilo porque me senti mais capaz de pôr em prática a tolerância, ao contrário do que estava a acontecer com o sentimento de humildade. Acredito que para a minha recuperação, a humildade enquanto sentimento, seja algo perto da perfeição.
Aceitando a verdade de que devo procurar o progresso e não a perfeição espiritual, começa a fazer sentido colocar acção na tolerância.
Ou estarei a manipular os meus sentimentos para evitar algo que me incomoda, dói e dá mais trabalho? Estarei no caminho certo? A minha cabeça não é local onde deva ir sozinho. O melhor é falar nisto com o meu padrinho.
Uma perspectiva de fé
Sou o quinto filho de nove irmãos e tenho quarenta e sete anos. Sou do norte do País, mais concretamente do Minho, duma pequena aldeia do interior. Vim para Lisboa com cinco anos. Frequentei a escola primária até à quarta classe e fui fazer treze anos no meu primeiro emprego, numa drogaria e papelaria. Ganhava 12$50 (0.06€) por dia, com almoço. Um dia, perdi um chapéu de chuva que a minha mãe me tinha dado e pensei em ir juntando dinheiro para comprar um novo. Então, furtei 2$50 da caixa. Fui descoberto e despedido ao fim de três meses. Arranjei outro emprego no mesmo ramo, onde estive oito meses. Fui trabalhar e fazer os catorze anos numa oficina, em Lisboa, onde aprendi o ofício de electricista. Aí, tive o primeiro contacto com as bebidas alcoólicas, visto ser eu quem ia à taberna buscar a bebida para os meus colegas. Como alguns queriam o vinho com mistura de gasosa e laranjada, comecei a provar e a gostar do sabor. Passado algum tempo, já trazia para mim uma garrafa de cerveja (“bomba”). Entretanto, com o 25 de Abril, começo a ter contacto com as primeiras passas, nunca abandonando o álcool. Comecei a acompanhar só com pessoal que fazia o mesmo. Ainda não tinha dezoito anos e já tinha experimentado uma variada gama de substâncias e uma boa dose de álcool.
Entretanto, a firma faliu e fui para as obras, dar serventia a pedreiros. Depois, fui para a Câmara como asfaltador. Só se bebia vinho e cerveja e eu, para não ficar atrás, fazia o mesmo e mais as outras coisas, para ser diferente. Aos vinte e dois anos, com a cabeça bem cheia porque tinha recebido o salário, furtei de um carro dois faróis de longo alcance. Fui apanhado na primeira esquina. Mesmo nunca tendo tido nada com a Justiça, fui julgado e condenado a quatro meses e meio de prisão. Cumpri apenas noventa dias porque, o Papa visitou Portugal nesse ano e anistiaram os delitos menores. Enquanto estive detido, trabalhei na prisão. Saí com 500$00, que deram para chegar a casa já bebido. Entretanto tinham-me levantado um processo disciplinar que me valeu o despedimento da Câmara e fui novamente para as obras. Era sempre o mesmo!
Ambições? Nunca tive. Fiquei livre do Serviço Militar e nunca me senti verdadeiramente responsável por alguma coisa. Crescer, era uma coisa que me recusava fazer.
Um dia, o meu pai falou-me em ir para a fábrica onde trabalhava. Embora preferisse um trabalho de rua, lá aceitei. Foi onde tive contacto com os operários bebedores, dos quais o meu pai também fazia parte. Entrei por turnos e, de manhã, ia todos os dias comer uma bucha com o meu pai. Começou por me dar meio copo de vinho e comecei a gostar muito daquela hora. Por fim, já não me contentava com menos de dois ou três, só ali. Como conhecia quem tinha vinho para vender, comecei a relacionar-me mais estreitamente com esses colegas. Então, comecei a levar para a fábrica as minhas garrafas de aguardente que ficava a dever cá fora. Fazia isto só para me sentir igual àqueles que eu pensava serem os verdadeiros homens. Assim andei, a cometer grandes insanidades durante alguns anos, nunca me apercebendo da tristeza que causava à minha família. De fato, já estava convencido de que a minha vida seria sempre dessa maneira. Embora as raparigas dissessem que eu até nem era feio, nunca fui capaz de ter grande à – vontade nesse campo, visto que sou um pouco gago. Por esta e muitas outras razões, sentia necessidade de beber, para me sentir mais solto. Tinha vinte e nove anos quando conheci a mulher que tenho hoje. Como ela tinha casa própria e gostávamos um do outro, “juntamos os trapos”. Negociei a minha rescisão de contrato de trabalho, recebi uma pequena indenização e arranjei novamente trabalho na Câmara. Comecei, então, uma outra fase da minha vida. Comecei a consumir outras coisas e, mesmo vendo os meus principais amigos de infância a morrer, continuei. Não havia dinheiro que chegasse.
Aos trinta e três anos, resolvemos ser pais. Tenho uma filha, agora com quinze anos.
De 1998 até 2004, altura em que conheci Alcoólicos Anônimos, passei a consumir só álcool e charros.
Fiz de mim uma espécie de homem vazio de qualquer traço de dignidade e de personalidade. Pedia dinheiro a todos, só para beber. Sempre trabalhei, mas o dinheiro dava para cada vez menos. Quando saía do trabalho, já não ia para casa.
Nunca tirei a carta de condução, andava de mota, fui apanhado duas vezes, fui a tribunal. e jurava à minha mãe, à minha companheira e à filha, que ia tomar juízo. Mas voltava sempre ao mesmo. Deixei roubar duas motas e comecei a andar de bicicleta. Destas, roubaram-me três, ao todo. Fiz muitas vezes a pé o trajeto para o trabalho, porque a minha mulher já não queria saber de nada. E eu sempre convencido de que não andava a fazer nada de mal! – “Apenas uns copinhos a mais”… Justificava-me dizendo que saía ao meu pai…
O ambiente em casa, já não tinha por onde se pegar. Nem presente estive, quando a minha filha fez dez anos. Depois de várias ameaças, a minha companheira disse-me: “Ou te tratas, ou aqui em casa não vives mais!”. Como eu dormia no sofá havia bastante tempo, pensei que entre estar ali ou na casa da minha mãe tanto fazia e resolvi sair. Só me preocupei em levar o cartão Multibanco. Então, livre, começou a descida à escuridão do meu Fundo do Poço.
Fui com a minha mãe, o meu irmão e a minha cunhada, passar uma semana de férias à minha terra. Foi nessa semana que cometi mais insanidades. Levantava-me de manhã, comia qualquer coisa e bebia logo vinho. Depois, ia para o café e começava a beber vinho do Porto branco, que nunca tinha bebido. Nunca andei com a família. Combinávamos qualquer passeio, mas esquecia-me ou aparecia já bebido. Vendo tudo isto, a minha cunhada agarrou-se a mim a chorar, dizendo que gostava muito de mim mas eu não lhes estava a dar descanso nenhum. Olhei para a minha mãe e para o meu irmão, estavam os dois com lágrimas nos olhos. Na viagem de regresso, só pensava em parar para poder beber. Já em casa, a minha mãe falou-me nos Alcoólicos Anônimos, que eu julgava uns bêbedos que bebiam sem quererem ser conhecidos.
Um dia, a minha irmã disse-me: – “Gusto! Não tens o direito de, sozinho, andares a fazer sofrer a mãe, mais do que todos nós juntos. A mãe não é só tua e não gosto de a ver assim”. Isso tocou-me bem cá no fundo! E assim foi: por eles, preferi mudar. (Hoje faço-o por mim, visto que o problema sou eu). Como minha mãe me tinha falado de AA, pensei em ir lá um dia, para lhe fazer a vontade. Num sábado de manhã, notei que tremia mais do que era costume. Bebi duas cervejas e fiquei melhor. Então, pensei – “Amanhã vou a Alcoólicos Anônimos”. Foi no dia 18 de Julho de 2004. Fiz a minha primeira reunião e, se tinha dúvidas, as maiores ficaram esclarecidas. Como bom alcoólico, bebi todo o resto do dia. Acordei de madrugada, no quarto onde fui criado com os meus irmãos. Agora estava ali, sozinho. Sentia-me um estranho dentro de mim mesmo, por estar num sítio que era suposto já não ser para mim. Veio-me à idéia a reunião. Lembrei-me de me terem dito que era a pessoa mais importante que naquele dia ali estava, que o alcoolismo é uma doença que não tem cura, mas pode ser parada. Bastava não beber o primeiro copo, seguir um Programa de Doze Passos e fazer reuniões. Então pensei: hoje não vou beber, amanhã logo se vê! No meu primeiro dia de abstinência, ofereceram-me cinco litros de vinho. Dei-os. Na reunião seguinte, partilhei tudo o que se tinha passado. Comecei a interessar-me pela nossa literatura, a sentir a força que exercia sobre mim. Desde então, tenho lido tudo o que está publicado em Portugal. Ao fim de onze meses de assiduidade no meu grupo, de ter passado pelos serviços de café e de literatura, comecei também a moderar reuniões. Hoje estou consciente de que o serviço em AA, é o caminho que me leva a compreender, cada vez mais, a minha condição de alcoólico. Só trabalhando a minha humildade, estando disponível para o alcoólico que ainda sofre, é que consigo dar sentido à minha nova vida que começou, precisamente, quando admiti que não conseguia lutar mais comigo próprio.
Antes, quando me levantava e fazia a barba, só via mazelas no meu rosto e não sabia quem, nem onde as tinha feito. Hoje, faço a barba com um sorriso nos lábios por saber o que ontem fiz. Por isso, sinto-me todos os dias grato por ter encontrado um Poder Superior a mim, que me deu uma perspectiva de fé. Hoje, acredito que Deus fará por mim aquilo que sozinho nunca fui capaz. Comigo, as promessas que vêm escritas no nosso Livro Azul estão-se a cumprir. Hoje, faço serviço em Instituições e já ajudei a abrir um novo grupo. Pela primeira vez, sinto que faço parte de uma comunidade de homens e mulheres do mundo inteiro, todos tripulantes deste grande Barco da Vida sabendo que, só com Unidade e Serviço conseguimos, um dia de cada vez, estar sóbrios, mantendo assim o rumo certo.
Agora já sei aquilo que não quero, porque encontrei AA. O recém-chegado, faz-me lembrar sempre o meu primeiro dia e a confusão que trazia comigo. Por isso, tento sempre ser o mais caloroso possível com os mais novos, porque foi de Amor que todos andamos à procura uma vida inteira. É nos grupos que ele existe, basta ter boa vontade e fé.
Os Doze Passos

O Sucesso do programa de A.A. deve-se ao fato de que quem não está bebendo tem uma excepcional facilidade de ajudar um bebedor problema. Quando um alcoólico recuperado pelos passos, relata seus problemas com a bebida, descreve como está sua sobriedade e o que encontraram em A.A. e abordam um provável ingressante a experimentar essa possibilidade.
O centro desse programa sugerido é baseado em doze passos que estão descritos a seguir:

Primeiro Passo
1. Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.
Quem se dispõe a admitir a derrota completa? Quase ninguém, é claro.
Todos os instintos naturais gritam contra a idéia da impotência pessoal. É verdadeiramente terrível admitir que, com o copo na mão, temos convertido nossas mentes numa tal obsessão pelo beber destrutivo, que somente um ato da Providência pode removê-la.
Nenhuma outra forma de falência é igual a esta. O álcool, transformado em voraz credor, nos esvazia de toda auto-suficiência e toda vontade de resistir às suas exigências. Uma vez que aceitamos este fato, nu e cru, nossa falência como seres humanos está completa.
Porém, ao ingressar em A.A., logo encaramos essa humilhação absoluta de uma maneira bem diferente. Percebemos que somente através da derrota total é que somos capazes de dar os primeiros passos em direção à libertação e ao poder. Nossa admissão de impotência pessoal acaba por tornar-se o leito de rocha firme sobre o qual poderão ser construídas vidas felizes e significativas.
Sabemos que pouca coisa de bom advirá a qualquer alcoólico que se torne membro de A.A. sem aceitar sua devastadora debilidade e todas as suas conseqüências. Até que se humilhe desta forma, sua sobriedade – se a tiver – será precária.
Da felicidade verdadeira, nada conhecerá. Comprovado sem sombra de dúvida por uma longa experiência, este é um dos fatos de vida de A.A. O princípio de que não encontraremos qualquer força duradoura sem que antes admitamos a derrota completa, é a raiz principal da qual germinou e floresceu nossa Irmandade toda.
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições.
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Segundo Passo
2. Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.
A partir do momento em que lê o Segundo Passo, a maioria dos novos em A.A. enfrenta um dilema, às vezes bastante sério.
Quantas vezes os temos ouvido reclamar: “olhem o que vocês fizeram conosco. Convenceram-nos de que somos alcoólicos e que nossas vidas são ingovernáveis. Havendo nos reduzido a um estado de desespero absoluto, agora nos informam que somente um Poder Superior poderá resolver nossa obsessão. Alguns de nós se recusam a acreditar em Deus, outros não conseguem acreditar e ainda outros acreditam na existência de Deus, mas de forma alguma confiam que Ele levará a cabo este milagre. Pois é, nos meteram num buraco sem saída, tudo bem, mas e agora, para onde vamos?”
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições.
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Terceiro Passo
3. Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de um Poder Superior, na forma em que O concebíamos.
A prática do Terceiro Passo é como abrir uma porta que até então parecia estar fechada à chave. Tudo o que precisamos é a chave e a decisão de abrir a porta. Existe apenas uma só chave, e se chama boa vontade. Uma vez usada a chave da boa vontade, a porta se abre quase que sozinha. Olhando-se através dela, ver-se-á um caminho ao lado do qual há uma inscrição que diz: “Eis o caminho em direção àquela fé que realmente funciona.”
Nos primeiros dois passos estivemos refletindo. Vimos que éramos impotentes perante o álcool, mas também percebemos que alguma espécie de fé, mesmo que fosse somente em A.A., estava ao alcance de qualquer um.
Essas conclusões não requereram ação; requereram apenas aceitação.
Como todos os outros, o Terceiro Passo pede uma ação positiva, pois é somente através de ação que conseguimos interromper a vontade própria que sempre impediu a entrada de Deus – ou, se preferir, de um Poder Superior – em nossas vidas. A fé é necessária certamente, porém a fé isolada pode resultar em nada. Podemos ter fé, mas manter Deus fora de nossas vidas.
Portanto, o nosso problema agora é descobrir como e por que meios específicos, poderemos deixá-lo entrar. O Terceiro Passo representa nossa primeira tentativa de alcançar isso. Aliás, a eficácia de todo programa de A.A. dependerá de quão bem e sinceramente tenhamos tentado chegar à decisão de “entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos” .
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições.
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Quarto Passo
4. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.
A Criação nos deu os instintos por alguma razão. Sem eles não seríamos seres humanos completos. Se os homens as mulheres não se esforçassem a fim de se sentir seguros, a fim de conseguir alimento ou construir abrigo, não sobreviveriam; se não se reproduzissem, a Terra não seria povoada; se não existisse o instinto social, se os homens não se interessassem pelo convívio com seus semelhantes, não haveria sociedade. Portanto, estes desejos – pela relação sexual, pela segurança material e emocional, e pelo companheirismo – são perfeitamente necessários e naturais, e certamente dados a nós por Deus.
Contudo, estes instintos, tão necessários para nossa existência, freqüentemente excedem bastante suas funções específicas. Fortemente, cegamente e muitas vezes simultaneamente, eles nos impulsionam, dominam e insistem em dirigir nossas vidas.
Nossos anseios pelo sexo, pela segurança material e emocional, e por posição importante na sociedade, nos tiranizam com freqüência.
Quase deturpados desta forma, os desejos naturais do homem causam-lhe grandes problemas, aliás quase todos o problemas que existem. Nenhum ser humano, por melhor que seja, fica livre destas dificuldades. Quase todo problema emocional grave pode ser considerado como um caso de instintos deturpados. Quando isso acontece, nossas grandes qualidades naturais, os instintos, tornam-se empecilhos físicos e mentais.
O Quarto Passo representa nosso esforço enérgico e meticuloso para descobrir quais foram, e são, esses obstáculos em cada um de nós. Queremos descobrir exatamente como, quando e onde nossos desejos naturais nos deformaram. Queremos olhar de frente a infelicidade que isto causou aos outros e a nós mesmos.
Descobrindo quais são nossas deformidades emocionais, podemos nos encaminhar em direção à correção delas.
Sem um esforço voluntário e persistente para lograr isso, haverá pouca sobriedade e felicidade para nós. Sem um minucioso e destemido inventário moral, a maioria de nós verificou que a fé que realmente funciona na vida diária permanece fora de alcance.
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições.
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Quinto Passo
5. Admitimos perante o Poder Superior, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.
Todos os Doze Passos de A.A. nos pedem para atuar em sentido contrário aos nossos desejos naturais, todos desinflam nosso ego. Quando se trata de desinflar o ego, poucos passos são mais duros de aceitar que o Quinto.
Mas, dificilmente, algum deles é mais necessário à obtenção da sobriedade prolongada e à paz de espírito do que este.
A experiência de A.A. nos indicou que não podemos viver sozinhos com insistentes problemas e os defeitos de caráter que os causam e agravam. Caso tenhamos passado o holofote do Quarto Passo sobre nossas vidas, e se ele tiver realçado aquelas experiências que preferimos não lembrar, se chegamos a aprender como os pensamentos e as ações erradas feriram a nós e a outrem, então se toma mais imperativo do que nunca desistir de viver sozinhos com esses fantasmas torturantes de ontem. É preciso falar com alguém a esse respeito. Tão intensos, porém, são nosso medo e a relutância de fazê-lo que, ao início, muitos AAs tentam contornar o Quinto Passo. Procuramos uma maneira mais fácil que geralmente consiste na admissão ampla e quase indolorosa de que, quando bebíamos, éramos, às vezes, maus elementos. Então, para completar, acrescentamos descrições dramáticas desse lado de nosso comportamento quando bêbados que, em todo caso, nossos amigos provavelmente já conhecem.
Mas, das coisas que realmente nos aborrecem e marcam, nada dizemos. Certas lembranças penosas e aflitivas, dizemos para nós mesmos, não devem ser compartilhadas com ninguém. Essas serão nosso segredo. Ninguém deve saber. Esperamos levá-las conosco para a sepultura.
Contudo, se a experiência de A.A. serve para algo, ela nos diz que a esse procedimento, não só falta critério, como também, é uma resolução perigosa. Poucas atitudes atrapalhadas causaram mais problemas do que recusar-se a pratica do Quinto Passo. Algumas pessoas são incapazes de permanecer sóbrias, outras recairão periodicamente enquanto não fizerem uma verdadeira “limpeza de casa”.
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições.
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Sexto Passo
6. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
“Este é o passo que separa os adultos dos adolescentes …”
Eis o que declara um clérigo muito querido que, por sinal, é um dos melhores amigos de A.A. Ele prossegue para explicar que qualquer pessoa cheia de disposição e honestidade suficientes para, repetidamente, experimentar o Sexto Passo com respeito a todos seus defeitos – em absoluto sem qualquer reserva – tem realmente andado um bom pedaço no campo espiritual e, portanto, merece ser chamado de um homem que está sinceramente empenhado em crescer à imagem e semelhança do Criador.
Evidentemente, a tão discutida pergunta sobre se Deus pode – e quer, sob certas condições – remover os defeitos de caráter, será respondida afirmativamente pela quase totalidade dos membros de A.A. Para eles, esta proposição não será apenas teoria; será simplesmente uma das maiores realidades de suas vidas. Geralmente oferecerão suas provas em exposição semelhante a esta: “É claro, estava vencido, completamente derrotado. Minha própria força de vontade simplesmente não funcionava no caso do álcool. Mudanças de ambiente, os melhores esforços de parentes, amigos, médicos e clérigos nada adiantaram no caso do meu alcoolismo. Simplesmente não conseguia parar de beber, e nenhum ser humano parecia ter a capacidade de me ajudar. Porém, quando me dispus a “limpar a casa” e, roguei a um Poder Superior, Deus, como eu o compreendia, que me libertasse, então minha obsessão para o beber sumiu. Simplesmente foi arrancada de mim.”
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições.
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Sétimo Passo
7. Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.
Já que este passo trata tão especificamente da humildade, deveríamos fazer uma pausa aqui para pensar sobre o que é a humildade e o que a sua prática poderá significar para nós.
Realmente, conseguir maior humildade é o princípio fundamental de cada um dos Doze Passos de A.A., pois sem um certo grau de humildade, nenhum alcoólico poderá permanecer sóbrio.
Além disso, quase todos os AAs descobriram que sem desenvolver esta preciosa virtude além do estritamente necessário à sobriedade, não terão muita probabilidade de serem felizes.
Sem ela, não podem viver uma vida de muita utilidade ou, com os contratempos, convocar a fé que enfrenta qualquer emergência.
A humildade, como palavra e ideal, tem passado bem mal em nosso mundo, não somente é mal entendida a idéia, mas, freqüentemente a palavra em si desagrada profundamente. Muitas pessoas não praticam, mesmo ligeiramente, a humildade como um modo de vida. Uma boa parte da conversa cotidiana que ouvimos, e muito do que lemos, salienta o orgulho que o homem tem de suas próprias realizações.
Com grande inteligência, os homens de ciência vêm forçando a natureza a revelar seus segredos. Os imensos recursos que atualmente podem ser utilizados, prometem tamanha quantidade de bens e confortos materiais que muitos chegaram a acreditar que como obra do homem em breve chegaremos a desfrutar o milênio.
A pobreza desaparecerá, e haverá tanta abundância que todos, amplamente garantidos, terão realizados todos os seus desejos.
Em teoria parece ser assim: uma vez satisfeitos os instintos primários de todos, pouca coisa restará que possa levá-los à discórdia. Então, o mundo se tornará feliz e livre para concentrar-se no desenvolvimento da cultura e do caráter. Apenas com sua própria inteligência e esforço, os homens terão construído seu próprio destino.
Certamente nenhum alcoólico e, sem dúvida, nenhum membro de A.A. quer condenar os avanços materiais. Nem entramos em debate com muita gente que ainda se agarra com tanta paixão à crença de que satisfazer os nossos desejos básicos é o objetivo principal da vida. Porém, estamos convencidos de que nenhuma classe de pessoas no mundo jamais se atrapalhou tanto tentando viver segundo tal pensamento, como os alcoólicos.
Há milhares de anos vimos querendo mais do que a nossa parcela de segurança, prestígio e romance. Quando parecíamos estar obtendo êxito, bebíamos para viver sonhos ainda maiores e quando estávamos frustrados, mesmo um pouco, bebíamos até o esquecimento.
Nunca havia o suficiente daquilo que julgávamos querer. Em todos esses empenhos, muitos dos quais bem intencionados, ficamos paralisados pela nossa falta de humildade. Havia nos faltado a perspectiva para enxergar que o aperfeiçoamento do caráter e os valores espirituais deveriam vir primeiro e que as satisfações materiais não constituíam o propósito da vida. De forma bem caracterizada, havíamos confundido os fins com os meios. Ao invés de considerar a satisfação de nossos desejos materiais como meios pelos quais podíamos viver e funcionar como humanos, entendemos que estas satisfações constituíam a única finalidade e objetivo da vida.
É verdade que a maioria de nós considerava desejável um bom caráter, porém mais como algo de que se iria necessitar para estar satisfeito consigo mesmo.
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições.
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Oitavo Passo
8. Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.
Os Oitavo e Nono Passos se preocupam com as relações pessoais.
Primeiro, olhamos para o passado e tentamos descobrir onde erramos; então, fazemos uma enérgica tentativa de reparar os danos que tenhamos causado; e, em terceiro lugar, havendo desta forma limpado o entulho do passado, consideramos de que modo, com o novo conhecimento de nós mesmos, poderemos desenvolver as melhores relações possíveis com todas as pessoas que conhecemos.
Eis uma incumbência difícil. É uma tarefa que poderemos realizar com crescente habilidade, sem contudo jamais concluí-la. Aprender a viver em paz, companheirismo e fraternidade com qualquer homem e mulher, é uma aventura comovente e fascinante. Todo AA acabou descobrindo que pouco pode progredir nesta nova aventura de viver sem antes voltar atrás e fazer, realmente, um exame acurado e impiedoso dos destroços humanos que porventura tenha deixado em seu passado. Até certo ponto, tal exame já foi feito quando fez o inventário moral, mas agora chegou a hora em que deveria redobrar seus esforços para ver quantas pessoas feriu e de que forma. Esta reabertura das feridas emocionais, algumas velhas, outras talvez esquecidas e ainda outras, sangrentas e dolorosas, dará a impressão, à primeira vista, de ser uma operação desnecessária e sem propósito. Mas se for reiniciada com boa vontade, então as grandes vantagens de assim proceder vão se revelando tão rapidamente que a dor irá diminuindo à medida que os obstáculos, um a um, forem desaparecendo.
Tais obstáculos, contudo, são muito reais. O primeiro e um dos mais difíceis, diz respeito ao perdão.
Desde o momento em que examinamos um desentendimento com outra pessoa, nossas emoções se colocam na defensiva. Evitando encarar as ofensas que temos dirigido a outro, costumamos salientar, com ressentimento, as afrontas que ele nos tem feito. Isto acontece especialmente quando ele, de fato, tenha se comportado mal.
Triunfalmente nos agarramos à sua má conduta como a desculpa perfeita para minimizar ou esquecer a nossa.
Devemos, a essa altura, nos deter imediatamente. Não faz sentido um autêntico beberrão roto, rir-se do esfarrapado.
Lembremo-nos de que os alcoólicos não são os únicos afligidos por emoções doentias. Além do mais, geralmente é um fato que, quando bebíamos, nosso comportamento agravava os defeitos dos outros. Repetidamente abusamos da paciência de nossos melhores amigos a ponto de esgotá-los, e despertamos as piores reações naqueles que, desde o início, não gostaram de nós. Em muitos casos estamos, na realidade, em frente a co-sofredores, pessoas que tiveram suas desditas aumentadas pela nossa contribuição.
Se estamos a ponto de pedir perdão para nós mesmos, por que não começar por perdoar a todos eles?
Ao fazer a relação das pessoas às quais prejudicamos, a maioria de nós depara com outro resistente obstáculo. Sofremos um choque bastante grave quando nos damos conta que estávamos preparando a admissão de nossa conduta desastrosa cara a cara perante aqueles que havíamos tratado mal. Já foi bastante embaraçoso, quando em confiança, havíamos admitido estas coisas perante Deus, nós mesmos e outro ser humano. Mas a perspectiva de chegar a visitar ou mesmo escrever às pessoas envolvidas, agora nos parecia difícil, sobretudo quando lembrávamos a desaprovação com que a maioria delas nos encarava. Também havia casos em que havíamos prejudicado certas pessoas que, felizmente, ainda desconheciam que haviam sido prejudicadas.
Por que, lamentávamos, não esquecer o que se passou? Por que devemos considerar até essas pessoas? Estas eram algumas das maneiras em que o medo conspirava com o orgulho para impedir que fizéssemos uma relação de todas as pessoas às quais tínhamos prejudicado. Alguns de nós, contudo, tropeçaram em um obstáculo bem diferente. Apegamo-nos à tese de que, quando bebíamos, nunca ferimos alguém, exceto nós mesmos. Nossas famílias não sofreram porque sempre pagamos as contas e raramente bebemos em casa. Nossos colegas de trabalho não foram prejudicados, porque geralmente comparecíamos ao trabalho.
Nossa reputação não havia sofrido, porque estávamos certos de que poucos sabiam de nossas bebedeiras e aqueles que sabiam nos asseguravam, às vezes, que uma boa farra, afinal de contas, não passava de uma falha de um bom sujeito. Que mal, portanto, havíamos cometido realmente. Certamente nada que não pudéssemos consertar com algumas desculpas banais.
É claro que esta atitude é o resultado final do esquecimento forçado. É uma atitude que só pode ser mudada por uma busca profunda e honesta de nossas motivações e ações.
Embora em alguns casos não possamos fazer reparação alguma, e em outros o adiamento da ação seja preferível, deveríamos, contudo, fazer um exame acurado, real e exaustivo da maneira pela qual nossa vida passada afetou as outras pessoas. Em muitas instâncias descobriremos que, mesmo que o dano causado aos outros não tenha sido grande, o dano emocional que causamos a nós mesmos foi enorme. Embora, às vezes, totalmente esquecidos, os conflitos emocionais que nos prejudicaram se ocultam e permanecem,em lugar profundo, abaixo do nível da consciência.
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições.
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Nono Passo
9. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outrem.
Bom-senso, um cuidadoso sentido de escolha do momento, coragem e prudência – eis as qualidades que precisamos ter quando damos o Nono Passo.
Após haver elaborado a relação das pessoas as quais prejudicamos, refletido bem sobre cada caso específico e procurado nos imbuir do propósito correto para agir, veremos que o reparo dos danos causados divide em várias classes aqueles aos quais nos devemos dirigir. Haverá os que deverão ter preferências, tão logo estejamos razoavelmente confiantes em poder manter nossa sobriedade. Haverá aqueles aos quais poderemos fazer uma reparação apenas parcial, para que revelações completas não façam a eles e a outros mais danos do que reparos. Haverá outros casos em que a ação deverá ser adiada, e ainda outros em que, pela própria natureza da situação, jamais poderemos fazer um contato pessoal direto.
A maioria de nós começa a fazer certos tipos de reparos a partir do dia em que nos tornamos membros de Alcoólico Anônimos.
Desde o momento em que dizemos às nossas famílias que verdadeiramente pretendemos tentar adotar o programa, o processo se inicia. Nesta área, raramente existirá o problema de escolher o momento ou ter cautela. Queremos entrar pela porta gritando as boas novas. Após voltar de nossa primeira reunião ou, talvez, após haver terminado de ler o livro Alcoólicos Anônimos, geralmente queremos nos sentar com algum membro da família e admitir, de uma vez, os prejuízos que temos causado com nosso beber. Quase sempre queremos ir mais longe e admitir outros defeitos que fizeram com que fosse difícil viver conosco. Esse será um momento bem diferente e em grande contraste com aquelas manhãs de ressaca em que oscilamos entre insultar a nós mesmos e culpar a família (e todos os outros) pelos nossos infortúnios. Nesta primeira sessão, basta fazer uma admissão geral de nossos defeitos. Poderá ser pouco prudente, a esta altura, reviver episódios angustiantes. O bom-senso sugerirá que devemos ir com calma.
Embora possamos estar inteiramente dispostos a revelar o pior, precisamos nos lembrar que não podemos comprar nossa paz de espírito à custa dos outros. O mesmo procedimento se aplicará no escritório ou na fábrica.
Logo pensaremos em algumas pessoas que conhecem bem nossa maneira de beber e que foram as mais afetadas pela mesma.
Porém, mesmo nestes casos, precisaremos usar de um pouco mais de discrição do que com nossa família. Talvez nada queiramos dizer por algumas semanas ou até mais. Primeiro, desejaremos estar razoavelmente seguros de que estamos firmes no programa de A.A. Então, estaremos prontos para procurar estas pessoas, dizer-lhes o que é A.A. e o que estamos tentando fazer. Isso explicado, podemos admitir livremente os danos que causamos e pedir desculpas. Podemos pagar ou prometer pagar, as obrigações financeiras ou outras, que tivermos. A recepção generosa da maioria das pessoas perante tal sinceridade freqüentemente nos assombrará. Até nossos mais severos e justificados críticos, com freqüência nos acolherão bem na primeira tentativa.
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições.
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Décimo Passo
10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
Quando vamos praticando os nove primeiros passos, estamos nos preparando para a aventura de uma nova vida.
Mas, ao nos aproximarmos do Décimo Passo, começamos a nos submeter à maneira de viver de A.A., dia após dia, em tempo bom ou mau.
Então, vem a prova decisiva: podemos permanecer sóbrios, manter nosso equilíbrio emocional e viver utilmente sob quaisquer condições?
Uma olhada contínua sobre nossas qualidades e defeitos e o firme propósito de aprender e crescer por esta forma, são necessidades para nós. Nós alcoólicos aprendemos isso de maneira difícil. Em todos os tempos e lugares, é claro, pessoas mais experientes adotaram a prática do auto-exame e da crítica impiedosa. Os sábios sempre souberam que alguém só consegue fazer alguma coisa de sua vida depois que o exame de si mesmo venha a se tornar um hábito regular, admita e aceite o que encontre e, então, tente corrigir o que lhe pareça errado, com paciência e perseverança.
Um ébrio não pode viver bem hoje se está com uma terrível ressaca, resultante do excesso de bebidas ontem ingerido. Porém, existe outro tipo de ressaca que todos experimentamos, bebendo ou não. É a ressaca emocional, fruto direto do acúmulo de emoções negativas sofridas ontem e, às vezes, hoje – o rancor, o medo, o ciúme e outras semelhantes. Se queremos viver serenamente hoje e amanhã, sem dúvida temos que eliminar estas ressacas. Isto não quer dizer que devamos perambular morbidamente pelo passado. Requer, isto sim, a admissão e correção dos erros agora. No inventário podemos pôr em ordem o nosso passado. Feito isso, nos tornamos de fato capazes de deixá-lo para trás. Se nosso balanço é feito com cuidado e se tivermos obtido paz conosco mesmo, segue-se a convicção de que os desafios do amanhã poderão ser encarados à medida em que se apresentem.
Embora todos os inventários, em princípio, sejam iguais, a ocasião os faz diferentes. Há o “relâmpago”, feito a qualquer hora, toda vez em que nos encontremos enredados. Existe o do fim de cada jornada, quando revisamos os acontecimentos das últimas vinte e quatro horas. É neste verdadeiro balancete diário que creditamos a nosso favor ou debitamos contra nós as coisas que julgamos bem ou mal feitas. De tempo em tempo, surgem as ocasiões em que, sozinhos ou assessorados pelos nossos padrinhos ou conselheiros espirituais, fazemos a revisão atenta de nosso progresso durante a última etapa. Muitos AAs costumam fazer uma “limpeza geral” em cada ano ou período de seis meses. Outros de nós também preferem a experiência de um retiro, onde isolados do mundo exterior, calma e tranquilamente, podem proceder à auto-revisão e à meditação sobre os resultados.
Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições.
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Décimo Primeiro Passo
11. Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade.
A oração e a meditação são nossos meios principais de contato consciente com Deus.

Nós AAs somos pessoas ativas, desfrutando a satisfação de lidar com as realidades da vida, geralmente pela primeira vez em nossas vidas, tentando denodadamente ajudar o primeiro alcoólico que aparecer. Portanto, não é de se estranhar que, com freqüência, façamos pouco caso da meditação e da oração séria como não sendo coisas de real necessidade. Sem dúvida, chegamos a considerá-las como algo que possa nos ajudar a enfrentar uma emergência, mas, a princípio, muitos dentre nós são capazes de entendê-las como expressão de um Dom misterioso dos religiosos, do qual poderemos esperar qualquer benefício de Segunda mão. É possível que não acreditemos em nada destas coisas.
Para certos ingressantes e para aqueles antigos agnósticos que ainda se apegam ao grupo de A.A. como sua “força superior”, as afirmações sobre o poder da oração, apesar de toda a lógica e a experiência que a comprovam, podem não convencer e até desagradar bastante. Aqueles entre nós que uma vez já se sentiram assim, certamente podem Ter por eles simpatia e compreensão. Recordamo-nos muito bem da revolta que se levantava em nosso íntimo contra a idéia de genuflexão perante qualquer Deus. Outros, usando lógica convincente, “provavam” a não existência de Deus. E os acidentes, a doença, a crueldade e a injustiça do mundo? E todas essas criaturas infelizes, resultados diretos da pobreza e de um conjunto de circunstâncias incontroláveis? À vista desses fatos, não poderia haver justiça e, conseqüentemente, qualquer Deus.
Às vezes, argumentávamos de outra maneira. Está certo, nos dizíamos, a galinha provavelmente veio antes do ovo. Sem dúvida o universo teve algum tipo de “origem primeira”; o Deus do átomo, quem sabe, se transformando sucessivamente em frio e calor. Mas certamente não havia indicação alguma da existência de um Deus que conhecia e se interessava pelos homens. Gostávamos de A.A. e não hesitávamos em dizer que operava milagres. Todavia, ante a meditação e a oração, sentíamos o mesmo retraimento do cientista que se recusava a realizar certa experiência por temor de Ter que derrubar sua teoria predileta. É claro que no fim resolvemos experimentar e, quando surgiram resultados inesperados, nós vimos as coisas diferentes; de fato, sentimos de forma diferente e acabamos capitulando totalmente diante da meditação e da oração. E isso, descobrimos, pode acontecer com qualquer pessoa que experimente. Acertou quem disse que “os chacoteadores da oração são, quase sempre, aqueles que não a experimentaram devidamente.”

Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições.
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Décimo Segundo Passo
12. Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.
No Décimo Segundo Passo de A.A., o prazer de viver é o tema e a ação sua palavra chave. Chegou a oportunidade de nos voltarmos para fora em direção de nossos companheiros alcoólicos ainda aflitos. Nessa altura, estamos experimentando o dar pelo dar, isto é, nada pedindo em troca. Agora começamos a praticar todos os Doze Passos em nossa vida diária para que possamos todos, nós e as pessoas que nos cercam, encontrar a sobriedade emocional. Quando conseguimos ver em que o Décimo Segundo Passo implica, vemos que se trata do amor que não tem preço.

Este passo também nos diz que, como resultado da prática de todos os passos, cada um de nós foi descobrindo algo que se pode chamar de “despertar espiritual”. Para os AAs novos, este estado de coisas pode parecer dúbio ou improvável. Eles perguntam: Que querem dizer quando falam em “despertar espiritual”?

É possível que haja uma definição de despertar espiritual para cada pessoa que o tenha experimentado. Contudo, os casos autênticos, na verdade, têm algo comum entre si. Estas coisas comuns entre eles são de fácil compreensão. Quando um homem ou uma mulher experimenta um despertar espiritual, o significado mais importante disso é que se torna capaz de fazer, sentir e acreditar em coisas como antes não podia, quando dispunha apenas de seus próprios recursos desassistidos. A dádiva recebida consiste em um novo estado de consciência e uma nova maneira de ser. Um novo caminho lhe foi indicado, conduzindo-o a um lugar determinado, onde a vida não é um beco sem saída, nem algo a ser suportado ou dominado. Foi transformado em um sentido bem real, pois lançou mão de uma fonte de força que, de um modo ou de outro, havia negado a si próprio até aqui. Encontrou-se possuindo um grau de honestidade, tolerância, dedicação, paz de espírito e amor, dos quais se supunha totalmente incapaz. O que recebeu foi um presente de graça, contudo, geralmente, pelo menos em uma pequena medida, tornou-se pronto para recebê-lo.

Trecho extraído do Livro os Doze Passos e as Doze Tradições.

Bill prezou muito o que recebeu e acreditou que era bom para os outros, dizendo: “Humildemente ofereci-me a Deus, como o concebia, para que ELE fizesse de mim como ELE queria”. Bill disse: “Coloquei-me sob SUA proteção sem reservas. Admiti pela primeira vez que dependendo de mim eu nada era; que sem ELE eu estava perdido. Enfrentei sem medo os meus pecados e preparei-me para que meus novos amigos os arrancassem, raízes e galhos. Não bebi mais desde então”.

FOLHAS ESCRITAS

FOLHAS ESCRITAS

Essa questão do Medo por Bill W.

Corno diz o livro Alcoólicos Anônimos, “O medo é um fio perverso e corrosivo; o tecido das nossas vidas está entremeado dele”. O medo é certamente uma barreira para a razão e o amor e, como é claro, ele potencializa invariavelmente a raiva, a presunção e a agressão. O medo forma a base da culpa e da depressão paralisante da embriaguez. O Presidente Roosevelt observou uma vez significativamente que “Não temos nada a temer a não ser o próprio medo”.
Essa é uma acusação severa e talvez demasiadamente radical. Apesar de toda sua destrutividade habitual, descobrimos que o medo pode ser o ponto de partida para coisas melhores. O medo pode ser um limiar para a prudência e para um respeito honesto pelos outros. Ele pode apontar o caminho tanto para a imparcialidade quanto para o ódio. E quanto mais consideração e imparcialidade que tivermos em relação aos outros, mais rapidamente poderemos encontrar o amor, que pode ser muito sofrido e não obstante ser livremente concedido. Assim, o medo não tem que ser sempre destrutivo, porque as lições trazidas pelas suas conseqüências podem nos conduzir a valores positivos.
A conquista da liberdade a partir do medo é uma tarefa para a vida toda, uma tarefa que nunca poderá ser totalmente concluída. Sob ameaças pesadas, nas doenças agudas ou em outras situações de séria insegurança, temos todos que reagir bem ou mal, conforme seja o caso. Apenas os presunçosos afirmam estarem totalmente livres do medo, embora essa própria grandiosidade esteja na realidade enraizada nos temores que eles temporariamente esqueceram.
A solução do problema do medo tem conseqüentemente dois aspectos. Precisamos tentar obter por todos os meios à libertação do medo que está ao alcance de todos nós. Em seguida, precisamos encontrar tanto a coragem quanto a graça para lidar construtivamente com quaisquer temores remanescentes. Tentar entender nossos temores e os temores dos outros é apenas o primeiro passo. A questão maior é saber como e para onde iremos a partir desse ponto.
Desde o início de A.A., observei a medida em que milhares de companheiros se tornaram cada vez mais capazes de transcender seus temores. Esses exemplos foram um auxílio e uma inspiração infalíveis. Pode ser, então, que algumas das minhas próprias experiências com o medo e com a libertação do mesmo, até um grau encorajador, sejam adequadas.
Quando criança tive alguns traumas emocionais muito duros. Existiam profundos distúrbios familiares; eu era fisicamente desajeitado e assim por diante. E claro que outras crianças tiveram desvantagens emocionais como essas e emergiram delas ilesas. Mas eu não. Eu era evidentemente hipersensível e, conseqüentemente, muito impressionável. De qualquer forma, desenvolvi uma fobia positiva que não era e nunca poderia ser semelhante àquela dos outros jovens. Isso me precipitou inicialmente na depressão e daí em diante no isolamento da solidão.
Mas esses infortúnios infantis, todos eles gerados pelo medo, vieram a serem tão intoleráveis que eu me tornei altamente agressivo. Pensando que nunca poderia pertencer a grupos e jurando que nunca me contentaria com nenhuma situação inferior, eu simplesmente tinha que ser o melhor em tudo que fazia, trabalho ou diversão. A medida em que essa atraente fórmula para uma vida boa começou a obter sucesso, de acordo com as minhas próprias especificações de sucesso, tornei-me delirantemente feliz. Mas quando um empreendimento ocasionalmente falhava, eu me enchia de um ressentimento e de uma depressão que só poderiam ser curados pelo triunfo seguinte. Desde o início, portanto, acostumei-me a valorizar tudo em termos de vitória ou derrota – tudo ou nada. A única satisfação que eu conhecia era vencer.
Esse era o meu falso antídoto para o medo e foi esse o padrão, gravado cada vez mais profundamente, que me impulsionou através dos meus anos escolares, da Primeira Guerra Mundial, da febril carreira de alcoólico em Wall Street e ladeira abaixo até a hora final do meu colapso total. Já então, a adversidade não era mais um estimulante e eu já não sabia se meu maior medo era viver ou morrer.
Embora meu padrão básico de medo seja muito comum, existem obviamente muitos outros. Na realidade, as manifestações do medo e os problemas que se arrastam atrás delas são tão numerosas e complexas que não é possível detalhar, neste breve artigo, nem mesmo algumas delas. Só podemos revisar os recursos e os princípios espirituais através dos quais poderemos ser capazes de enfrentar e lidar com o medo em qualquer um dos seus aspectos.
No meu próprio caso, a pedra fundamental da libertação do medo é a Fé: uma Fé que, apesar de todas as aparências mundanas em contrário, faz-me acreditar que vivo em um universo que faz sentido. Para mim, isso significa a crença em um Criador que é todo poder, justiça e amor; um Deus que pretende para mim uma finalidade, um significado e um destino ao crescimento, ainda que pequeno e intermitente, em direção à Sua semelhança e imagem. Antes da chegada da Fé, eu vivia como um estranho em um cosmo que me parecia, freqüentemente, tanto hostil quanto cruel. Nesse mundo, não poderia haver nenhuma segurança interior para mim.
O Dr. Carl Jung, um dos três fundadores da moderna psicologia em profundidade, tinha uma enorme convicção sobre esse grande dilema do mundo moderno. Em paráfrase, eis o que ele tinha a dizer a esse respeito: “Qualquer pessoa que tenha chegado aos quarenta anos de idade e ainda não tenha meios para compreender quem ela é, onde ela se encontra ou para onde vai em seguida, não pode evitar tornar-se um neurótico – até certo ponto. Isso se aplica quer seus impulsos da juventude em relação ao sexo, à segurança material e a um lugar na sociedade tenham ou não sido satisfeitos”. Quando disse “tornar-se neurótico”, o bondoso médico poderia ter dito igualmente “tornar-se dominado pelo medo”.
E exatamente por essa razão que nós de A.A. colocamos tanta ênfase na necessidade da Fé em um Poder Superior, definido na forma em que O concebemos. Temos que encontrar uma vida no mundo da graça e do espírito e esta é certamente uma dimensão nova para a maioria de nós. Surpreendentemente, nossa busca por esse âmago da essência não é muito difícil. Nosso ingresso consciente nesse domínio começa assim que pudermos confessar sinceramente nossa impotência pessoal para continuarmos sozinhos e tivermos feito nosso apelo a qualquer Deus que possamos conceber – ou possa existir. A resultante é a dádiva da Fé e a consciência de um Poder Superior. A medida em que cresce a Fé, cresce também a segurança interior, O vasto medo subjacente à inexistência de um significado começa a desaparecer. Conseqüentemente, nós de A.A. descobrimos que nosso antídoto básico para o medo é um despertar espiritual.
Tal como aconteceu, minha própria percepção espiritual surgiu de maneira repentina e absolutamente convincente. Tornei-me instantaneamente uma parte – ainda que pequena – de um cosmo que era regido pela justiça e pelo amor na pessoa de Deus. Não importa quais tivessem sido as conseqüências da minha própria disposição e ignorância, ou daquelas dos meus companheiros de jornada na terra, essa ainda era a verdade. Foi essa a garantia nova e positiva e ela nunca me abandonou. Foi-me dado o conhecimento, pelo menos momentâneo, do que poderia ser a ausência do medo. E claro que a minha própria dádiva da Fé não foi essencialmente diferente desse despertar espiritual recebido desde então por incontáveis AAs – ela foi apenas mais súbita. Mas até mesmo esse novo ponto de referência – embora criticamente importante – apenas assinalou meu ingresso nesse longo caminho que nos afasta do medo em direção ao amor. As antigas e profundamente registradas gravações da ansiedade não foram instantânea e permanentemente apagadas. E claro que elas reapareceram e, ocasionalmente, de forma alarmante.
Sendo receptor dessa espetacular experiência espiritual, não foi de surpreender que a primeira fase da minha vida em A.A. fosse caracterizada por muito orgulho e um impulso de poder. O anseio pela influência e a aprovação, o desejo de ser o líder, ainda estava muito em mim. Melhor dizendo, esse comportamento poderia agora ser justificado – tudo em nome das boas intenções!
Aconteceu, felizmente, que essa fase era um tanto espalhafatoso da minha grandiosidade, que durou alguns anos, fosse seguida por uma seqüência de adversidades. Minha exigência de aprovação, baseada obviamente no medo de que eu pudesse não receber o suficiente, começou a colidir com essas características idênticas dos meus companheiros de A.A. Daí deriva o fato deles salvarem a Irmandade de mim, e eu salvá-la deles, ter se tornado uma ocupação totalmente absorvente. Isso logicamente resultou em raiva, suspeita e todo tipo de episódios assustadores. Nessa era notável e já hoje bastante divertida dos nossos esforços, uma parte de nós começou novamente a desempenhar o papel de Deus. Durante alguns anos, os defensores de A.A. dispararam imprudentemente. Mas foi a partir dessa temível situação que fora formulados os Doze Passos e as Doze Tradições. Esses princípios foram desenvolvidos principalmente para a redução do ego e, conseqüentemente, para a redução dos nossos temores. Esses foram os princípios que, segundo esperávamos, nos manteriam unidos e em crescente amor uns para com os outros e para com Deus.
Começamos gradualmente a sermos capazes de aceitar tanto os pecados quanto as virtudes dos outros companheiros. Foi nesse período que cunhamos a poderosa e significativa expressão: “Possamos nós amar sempre o melhor e nunca temer o pior dos outros”. Depois de dez anos tentando inserir esse tipo de amor e as propriedades redutoras do ego dos Passos e Tradições de A.A. na vida da nossa Irmandade, os apavorantes temores quanto à sobrevivência de A.A. simplesmente desapareceram.
A prática dos Doze Passos e das Doze Tradições de A.A. em nossas vidas pessoais suscitou também em incríveis libertações dos temores de toda espécie, apesar da ampla prevalência de formidáveis problemas pessoais. Quando o medo persistia, nós o aceitávamos por aquilo que ele era e, sob a graça de Deus, tornamo-nos capazes de controlá-lo. Começamos a encarar cada adversidade como uma oportunidade oferecida por Deus, para desenvolvermos o tipo de coragem que nasce da humildade e não da arrogância. Assim, fomos capacitados a aceitar nós mesmos, nossas circunstâncias e nossos companheiros. Sob a graça de Deus, descobrimos até mesmo que podíamos morrer com decência, dignidade e Fé, sabendo que “o Pai se encarregará de tudo”.
Nós de A.A. encontramo-nos agora vivendo em um mundo caracterizado pelos temores destrutivos como nunca antes na história. Mas, não obstante, nele percebemos grandes áreas de Fé e enormes aspirações voltadas para a justiça e a fraternidade. E no entanto nenhum profeta pode pretender afirmar se as conseqüências mundiais serão a destruição fulgurante ou o início da era mais brilhante até hoje conhecida pela humanidade, segundo a intenção de Deus. Estou certo de que nós AAs compreendemos esse cenário. Experimentamos no microcosmo es idêntico estado de terrificante incerteza, cada um e sua própria vida. Nós os AAs podemos afirmar, sem orgulho nenhum, que não tememos os desenvolvi mentos mundiais, não importa o rumo que possam tomar. Isso se deve ao fato de termos sido capacita dos a sentir profundamente e a afirmar: “Não devemos temer nenhum mal – seja feita a Vossa vontade e não a nossa”.
A história que se segue, freqüentemente narrada, pode não obstante suportar a repetição. No dia em que a surpreendente calamidade de Pearl Harbor se abateu sobre nossa Nação, um amigo de A.A., uma das maiores figuras espirituais que talvez jamais conheceremos um igual, caminhava por uma rua de St. Louis. Tratava-se como é claro do nosso benquisto Padre Edward Dowling, da Ordem dos Jesuítas. Embora não fosse um alcoólico, ele havia sido um dos fundadores e uma fonte de inspiração primordial para o esforçado Grupo de A.A. daquela cidade. Uma vez que grande parte dos seus amigos habitualmente sóbrios já havia recorrido às garrafas buscando apagar as implicações do desastre de Pearl Harbor, o Padre Edward estava compreensivelmente angustiado com a probabilidade do seu acalentado Grupo de A.A. dificilmente sobreviver. Para a mente do Padre Edward, essa seria em si mesma uma calamidade de primeira ordem.
Foi então que um membro de A.A., sóbrio há menos de um ano, emparelhou o passo com ele e envolveu o Padre Edward em uma animada conversa – principalmente acerca de A.A.
Como o Padre percebeu aliviado, seu companheiro estava perfeitamente sóbrio. E não disse uma única palavra acerca do problema de Pearl Harbor.
Intrigado e maravilhado a esse respeito, o Padre perguntou: “Como é que você não tem nada a dizer acerca de Pearl Harbor? Como é que você manifesta tanta disposição?”
“Bem”, replicou o AA, “estou realmente surpreso que você não saiba. Cada um de nós em A.A. já teve sua própria Pearl Harbor particular. Assim, pergunto a você por que deveríamos nós, alcoólicos, nos exaltar em relação a isso?”

PRIMEIRA JORNADA
DE ESTUDOS DOS ‘DOZE PASSOS.’ GRUPO REUNIDOS –JF

PRIMEIRO PASSO
:-“ Admitimos que éramos Impotentes perante o álcool- que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas”.

Autor : LINDOLPHO- Um amigo de jornada ,!

“ Rendo hoje graças ao meu Deus por mais um dia de Sobriedade . è bom ser membro de A.A. ..è melhor ainda ser e ter companheiros (as) em A.A.
.
È Bom poder mostrar caminhos ;é melhor ainda percorrer caminhos seguros e pontados a mim pelo meu companheiro .

E é sentado frente ao papel e caneta na mão , que tento lembrar (como possível esquecer ), os inúmeros descaminhos percorridos antes eu pudesse sem medo , olhar para frente , ou melhor ,para o dia que tenho á minha frente .

E ontem eu vivia o infortúnio do alcoolismo ativo , sem eira nem beira ,
sofrendo e fazendo sofrer , morrendo e fazendo morrer .

Admitir que era Impotente perante o álcool era muito para mim , mas os fatos ali estavam , o tempo todo , estarrecendo os meus olhos .
E aí se pensa :ou se vive ou se morre , e eu sabia que continuar bebendo seria morrer .

Apesar de toda aquela corrente me arrastando , eu precisava e queria ,
desesperadamente , chegar á superfície , poder olhar o mundo , a vida , sem aquela eterna névoa a me separar de tudo . Era como a vida
acontecesse lá fora , lá fora de mim .

Até que o resto da força se esvai , toda Auto-confiança desaparece e todo desgraçado “ ORGULHO”, e aí se pensa : ou se Vive ou se morre …

.E para meu maior espanto , como Fênix , o pássaro ressurgido das cinzas , eu resolvi a viver .

E hoje , rendo graças ao meu Poder Superior por aquela decisão de viver , apesar de todo pavor que a idéia me trazia.

Viver era me mostrar ao mundo , era me descortinar para a vida e para as verdadeiras sensações .

E é claro que , como toda criança ensaiando seus primeiros passos , me senti inseguro , e com medo de cair e, que bom , precisando e ansiando por toda ajuda que pudessem me dispensar .

Pela primeira vez , que eu me lembre , me sentí confortável com a dependência da ajuda do ‘OUTRO’. Afinal , meu semelhante me pareceu tão distante , tão diferente !

Mas meu semelhante alcoólatra era também meu companheiro em A.A. .
Ombro forte e amigo que me era emprestado a cada dia da minha jornada , até que me sentisse forte o bastante para tentar caminhar sozinho .

Não tão sozinho que o comprimento do meu braço ou da minha vontade não pudesse alcançá-lo.

Autor : Lindolpho- Um amigo de jornada ,!

Pense !Medite e ANALISE .

Recuperação – Os Doze Passos – Primeiro Legado – O Indivíduo

SEGUNDO PASSO

“ Viemos a acreditar que um PODER SUPERIOR a nós mesmos poderia devolver-nos á Sanidade”

AUTOR :=
LINDOLPHO

“Quando comecei a falar em Deus e sobretudo a acreditar em sua existência não consigo me lembrar , mas reconheço que sem sua força e Sua Luz nada teria conseguido .
Como todo alcoólatra ou grande parte dos alcoólatras , já havia experimentado em minha vida a religiosidade e momentos de crença em DEUS . Mas , igualmente , igual como todo alcoólatra ou quase todo alcoólatra , eu não possuía mais quaisquer resquício de Fé que pudesse alimentar o meu soerguimento como homem .
Meu desdém por Deus era enorme . Talvez este tal Deus fosse muito bonzinho para os outros , não para mim .
Afinal onde estava ? A Quem estaria atendendo durante tanto tempo que havia se esquecido de mim ? Onde andaria aquele Deus de justiça , o Deus da minha catequese , sempre tão misericordioso ?
Eu morria aos poucos , envergonhado de mim e ELE não dava nem sinal de se preocupar comigo ! Quantas vezes , me lembrando do Filho de Deus , do Cristo amigo da minha adolescência , clamei por sua Misericórdia antes de sorver o Primeiro Gole do Dia.?
Em A.A. não precisei que me apontassem um DEUS e nem mesmo pretenderam fazé-lo.
Precisei que me apontasse meu irmão alcoólico , “ontem tão sofrido e hoje tão cheio de esperança e confiança” neste mesmo Deus que por tanto tempo recusei , negligenciei e neguei .
E então aprendí , compartilhando minha nova Vida com meus comps.(as) uma das mais lindas verdades que podemos encontrar em nossa Literatura
: “ Nenhum homem poderia acreditar em DEUS e desafiá-lo ao mesmo tempo .A Crença significava a Confiança e não o Desafio.”
E confiei em DEUS .Confiei e confio que , permanecendo com ELE , pouco a pouco vai restabelecendo a Minha Sanidade . É como se fosse a restauração de uma velha imagem ou de um Livro carcomido pela traça.
ESTE trabalho , puramente artesanal , de volta á Sanidade, poderá tomar o restante de minha Vida , mas pouco me Importa . Esta Restauração constitui hoje o grande trabalho e a grande alegria também para o resto de minha Vida .
Continuo acreditando em Meu Grupo de AA. e na força que vem de meu companheiro , mas sobretudo na força De Um PODER SUPERIOR agindo sobre cada Um de nós , desde que queiramos e estejamos prontos para isso.”

TEMA : TERCEIRO PASSO : “ DECIDIMOS ENTREGAR NOSSA VONTADE E NOSSA VIDA AOS CUIDADOS DE DEUS , NA FORMA EM QUE O CONCEBÌAMOS ”

AUTOR:-LINDOLPHO

“Como alcançar, no Alcoolismo ativo, toda a maravilha de pretender viver segundo a vontade de DEUS ? Como poderia me refestelar , sem medo algum , e estar à mercê de Seus Cuidados ?
Na verdade esta ainda é minha busca de Hoje : a confiança plena em Deus e, sobretudo a crença de que se eu me dispuser á entrega de minha VIDA , Nada será mais Tranqüilo e Sereno .
Acabar-se-ão as inquietudes , a aflição e o medo do porvir e as horas de hoje já não pesarão , pois estarei na dependência da Vontade de DEUS .
SEI que nada conseguirei se não tentar crescer neste ponto .
Tenho aprendido que a dependência de Deus , antes de me fazer medroso ou diminuto aos olhos do mundo , só me trará a verdadeira “Liberdade e Independência”. Sinto , hoje , que em meu tímido começo de entrega , uma nesga de Paz já consigo entrever e, se não consigo rasgar este Véu que vai provocar o derradeiro encontro com a serenidade , é porque mal começo a engatinhar nesta busca . È preciso que eu não desanime nunca e que o esforço pessoal para me harmonizar com a vontade de meu PAI seja constantemente Renovado .
AS vezes chego a pensar e até mesmo admitir que Deus deve estar de “Saco Cheio” de mim , pois reconhecendo a SUA Força , a Sua Misericórdia e o Seu Amor , procuro fazer d’ ELE o um amigo mais próximo e mais Intimo , meu guia e conselheiro sempre que caminhos se cruzam perante mim . E são tantas as indecisões !
E sempre que tento resistir á vontade de arrojar-me a Seus pés , sempre que meus objetivos de homem mesquinho ameaçam tirar-me o Bom –Senso de entregar minha Vida e Minha Vontade aos seus cuidados , elevo aos Céus uma prece pelo meu crescimento e pela restauração de minha Fé :
* “ Deus , ofereço-me a Ti para que trabalhes em mim e faças comigo o que desejares . Liberta-me da escravidão do Ego , para que eu possa realizar melhor a Tua Vontade . Remove as minhas dificuldades,
para que a vitória sobre elas dê testemunho, junto daqueles a quem ajudarei , do Teu Poder , de Teu Amor e Teu Modo de Vida. Possa eu sempre Realizar a Tua Vontade” ! OBS: * Estas últimas palavras inseridas pelo Companheiro São citadas POR BILL , NO Livro AZUL Págs. 83 e 84

“ÁLCOOL É A DROGA QUE MAIS MATA NO BRASIL”

A cada ano, cerca de 8 mil pessoas morrem em decorrência do uso de drogas lícitas e ilícitas no Brasil. Um estudo elaborado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) aponta que, entre 2006 e 2010, foram contabilizados 40,6 mil óbitos causados por substâncias psicoativas. O álcool aparece na primeira colocação entre as causas, sendo responsável por 85% dessas mortes.

Para elaborar o estudo, a CNM coletou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, que reúne e consolida os óbitos no território brasileiro conforme os locais da ocorrência e de residência do indivíduo. De acordo com o levantamento, as 40.692 pessoas morreram no Brasil vítimas do uso de substâncias como álcool, fumo e cocaína. E os dados podem estar subestimados, conforme a própria confederação, devido à complexidade de registros no SIM e pelo fato de não serem contabilizadas mortes causadas indiretamente pelo uso de drogas, como acidentes de trânsito e doenças crônicas. No estudo foram contabilizadas mortes em decorrência de envenenamento (intoxicação), transtornos mentais e comportamentais.

Drogas ilícitas são minoria dos casos

Quando se fala em drogas, substâncias ilícitas, como cocaína e crack, costumam ser as mais lembradas. Segundo o levantamento da CNM, contudo, elas são responsáveis por uma parcela mínima das mortes causadas diretamente pelo seu consumo. Juntos, o álcool e o fumo, drogas vendidas e consumidas legalmente, representam 96% dos mais de 40 mil óbitos contabilizados nos últimos anos.

Mortes indiretas elevariam os números

Se o número de 40 mil mortes em cinco anos já é considerado preocupante, é preciso lembrar que ele representa apenas uma parcela dos óbitos em consequências do uso de drogas no Brasil. O estudo levou em consideração somente as mortes em que o consumo de substâncias psicoativas foi apontado como causa direta. Ou seja, existe um contingente ainda maior de óbitos não contabilizados que podem entrar nessa relação.

Com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, foram selecionadas as ocorrências a partir do que indicavam os atestados de óbito. Dessa forma, não foram contabilizadas as mortes decorrentes de doenças crônicas ou acidentes de trânsito. “Dos casos de câncer de pulmão, 95% são decorrentes do fumo. Grande parte dos acidentes com morte é causada por motoristas embriagados. O número de mortes relacionadas a drogas é extremamente superior aos dados formais”, observa o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.

Para o médico Élio Mauer, o álcool se constitui na mais perigosa das drogas porque, além de ser legalizada, pode dar origem a uma série de outros problemas. “Além das mortes por acidentes de trânsito, temos as doenças decorrentes do uso contínuo, como as hepáticas, que podem matar”, diz. A depressão muitas vezes também está associada ao consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas.

Grande parte das mortes contabilizadas no estudo, 34,5 mil, ocorreram em decorrência do uso de álcool. Somente no Paraná, foram 2.338 vítimas. É o estado com o quarto maior índice em proporção à população, ficando atrás somente de Minas Gerais, Ceará e Sergipe.

* Fonte: Gazeta do Povo >>> http://www.alcoolismo.com.br

O MOVIMENTO WASHINGTONIANO

Na tarde de 02 de abril de 1840, quase cem anos antes do nascimento de A.A., seis companheiros de bebedeiras se reuniram em um botequim da cidade de Baltimore, Estado da Virgínia, nos Estados Unidos da América.

Quanto mais bebiam, mais falavam sobre o tema da temperança, que era um dos assuntos mais populares da época. Essa reunião, assim como os encontros posteriores, deram origem à formação, para a curta mas espetacular existência do Movimento dos Washingtonianos, que chegou a contar com mais de 400.000 membros “alcoólicos recuperados”, para poucos anos depois, da noite para o dia, desaparecer totalmente.

A história do Movimento dos Washingtonianos demonstra nitidamente, a importância das Doze Tradições de A.A. como guia de comportamento para os nossos grupos e organismos de Serviço, montadas que foram para proteger-nos de um destino semelhante. O hábito de desprezar nossas Tradições, ou de ignorá-las, nos legou, pelo menos, alguma marca negativa em nosso inventário.

Até a já mencionada reunião de 1840, prevalecia a opinião de que nada era possível fazer pelos doentes do alcoolismo e, mesmo as palavras “alcoólico” ou “alcoolismo”, não era de uso comum. Os poucos casos conhecidos de recuperação de alcoólicos, não influíam no pessimismo geral sobre as possibilidades de recuperação. E, como se acreditava que o álcool era a causa do alcoolismo, muitos movimentos de temperança, então existentes, orientavam sua atuação no sentido de evitar que os não-alcoólicos no alcoolismo ingressassem. Seu lema era:

“Mantenhamos sóbrios os sóbrios; os bêbados que morram e nos deixem em paz”.

Em 05 de abril de 1840 os seis companheiros já referidos, novamente se reuniram no mesmo botequim, ao redor de uma garrafa de bebida alcoólica e, alegremente, brindaram as virtudes da temperança, enquanto condenavam a maldição do alcoolismo.

Embora existisse um bom número de Grupos de Temperança, nenhum deles parecia interessar a esses seis companheiros. Como bons bebedores que eram, decidiram formar seu próprio grupo; elegeram-se diretores e firmaram uma promessa de total abstinência, com o seguinte texto:

“Nós, cujas assinaturas aqui constam, com o propósito de constituir, para o nosso próprio benefício e para proteger-nos de costumes perniciosos que são prejudiciais à nossa saúde, à nossa reputação, às nossas famílias, nos comprometeremos, como cavalheiros, a não ingerir qualquer bebida alcoólica, nem licores, nem vinhos de cidra”.

Escolheram o nome Sociedade de Temperança Washington, em homenagem a George Washington, estabelecendo uma cota de inscrição em dinheiro, junto com uma contribuição mensal. Com calorosos abraços se despediram, ficando combinado que, cada um deles, traria um novo sócio ao botequim para a próxima reunião. E se mantiveram sóbrios.

Como resultado do crescimento do número de associados e, devido às solicitações desesperadas do dono do botequim, o grupo decidiu alugar uma sala e, ao mesmo tempo, tornar habitual as reuniões semanais.

Nessas reuniões desenvolveram um método único de procedimento, onde cada orador contava sua própria história, calcada no seguinte:

“Como eu era, o que me aconteceu e como sou agora”.

Esta ideia obteve sensacional aceitação, contribuindo para enorme e rápido crescimento do Movimento. A abstinência total parecia um milagre.

Em novembro de 1840, realizaram sua primeira reunião pública. Os jornais deram ampla cobertura ao acontecimento nas reportagens incluindo o nome completo dos fundadores. A quantidade de público fora tão grande, que só havia poucos lugares de pé. Tanto aos alcoólicos, como os não-alcoólicos; a todos os que se comprometiam à total abstinência; deu-se boas-vindas ao Grupo.

Uns cinco meses mais tarde, o Movimento Washingtoniano declarava constar de seus quadros mais de 1000 alcoólicos recuperados e uns 5000 membros indecisos quanto à conclusão se eram, ou não, alcoólicos, mas que já haviam se comprometidos a manter uma abstinência absoluta, bem como outros 1000 que defendiam uma temperança total, em todos os sentidos e que viam com muito entusiasmo o crescimento da cruzada dos Washingtonianos.

Como bons e entusiasmados propagandistas que eram, os membros organizaram e participaram de um espetacular desfile, com banda de música, balizas, estandartes, que foi presenciado por mais de 40.000 pessoas em Baltimore. Após o desfile, houve uma grande reunião ao ar livre para divulgação de sua mensagem do “12º Passo”. Diziam:

“Alcoólico, venha até nós. Você pode se recuperar. Ainda esta manhã estivemos com um homem que se recuperou já faz 4 semanas e estava feliz com a sua abstinência. Não desprezamos os alcoólicos, amamo-nos, guiamos, assim como uma mãe guia seus filhos nos primeiros passos”.

As lágrimas caíam copiosamente sobre a mesa da secretária, na medida em que centenas de pessoas subiam ao palanque para assinar seus compromissos de total abstinência. A atmosfera emocional estava saturada de uma contagiante esperança. Os grupos religiosos aceitaram seu programa.

Samuel F. Holbrook, o primeiro Presidente da Sociedade, explodia em altas palavras, com relação ao papel desempenhado por Deus na recuperação dos alcoólicos. Dizia:

“Ao cambaleante alcoólico que encontramos na sarjeta, ou retiramos de seu meio, damos apoio, falamos como amigos, levamos às nossas reuniões. Em nosso grupo ele se encontra rodeado por novos amigos, não do que mais temia, a polícia. Todos lhe estendem as mãos; começa a recuperar-se e, quando já se sente sóbrio, assina o compromisso de manter-se abstêmio e volta à rua como um homem recuperado. E seu caso não termina aí, ele cumpre a sua promessa e, dentre seus companheiros de bebedeiras, logo trás outros que, de sua parte, assinarão o mesmo compromisso, trarão outros. Esses são fatos positivos que se pode constatar.”

Então pergunto: – Pode algum movimento da humanidade demonstrar isso por si só? A minha resposta é um redondo “NÃO”. Nós temos o testemunho invariável de um vasto número de homens recuperados que dizem publicamente que haviam deixado de beber diversas vezes para, logo a seguir, recair nas bebedeiras e, entendem que, seu atual comportamento, deriva da total confiança da força desta nova decisão, sem qualquer preocupação de olhar um pouco mais alto. Depois, sentem que, necessitam da ajuda de Deus que, uma vez conseguida torna a recuperação completa. Louvado seja Deus”.

Não foi possível manter os milagres dos Washingtonianos dentro de seus limites geográficos. Seus membros estavam convencidos de que deles dependiam o socorro para os mais aflitivos casos; os alcoólicos recuperados e em atividade dentro do Movimento comprovaram, com seus exemplos, que podiam ajudar aos alcoólicos e estavam possuídos de uma extraordinária disposição de levar sua mensagem. Depois, essa campanha se ampliou no sentido de evitar o mesmo sofrimento, pela persuasão, aos ainda não atingidos pelo alcoolismo, objetivando que prosseguissem com a sobriedade através de uma total abstinência. Os líderes mais influentes do Movimento eram de opinião de que necessitavam de bons “vendedores” para espalhar a mensagem de prevenção e, os membros dos Grupos Washingtonianos, proporcionaram uma vasta relação de pessoas disponíveis.

A cidade de Nova Iorque lhes serviu de cenário. Em março de 1842, Washingtonianos e espectadores se reuniram na igreja da Rua Gren; no transcurso do primeiro discurso, um jovem que estava no auditório se levantou cambaleando e disse: – “Não haverá alguma esperança para mim? Deus do céu, não haverá esperança? Vocês podem me ajudar?”. O ajudaram a chegar até o palco e, ali mesmo manifestou sua vontade de assumir o compromisso, partir de então, de absoluta abstinência.

Outros o seguiram; uns jovens como ele; outros, de cabeças grisalhas. Os Washingtonianos receberam a todos eles e, uma organização paralela feminina, conhecida como Sociedade Martha Washington, alimentava e vestia os mais necessitados, enquanto buscava apoio e adeptos dentro do próprio sexo.

Em menos de quatro anos da relatada reunião no botequim, o número de Washingtonianos chegava ao máximo. Nessa época, se estimava que o Movimento incluía, no mínimo 100.000 “alcoólicos recuperados”; 300.000 “bebedores normais” que, também, se mantinham em total abstinência, bem como incontável número de admiradores entre os membros dos Movimentos de Temperança.

Mas logo chegaria ao esquecimento total. Pelo ano de 1848, tudo o que restava da espetacular e poderosa organização como método original de tratamento do alcoolismo, era o Asilo dos Decaídos, em Boston. Essa organização, assim mesmo, sofreu numerosas modificações, no nome e na orientação e, atualmente funciona com o nome de Hospital Washingtoniano, se dedicando ao tratamento do alcoolismo mediante sistemas médicos modernos e técnicas sociais. Nos demais aspectos o Movimento se autodestruiu por completo.
Com ele, desapareceu a esperança de milhares de alcoólicos de sua época. Tendo a breve história anterior por exemplo, é possível efetuar uma limitada comparação entre o Movimento Washingtoniano e Alcoólicos Anônimos e, meditar sobre as possibilidades de A.A. ter um destino semelhante.

As semelhanças são as seguintes:

1) Alcoólicos se ajudando mutuamente;

2) Reuniões semanais;

3) Experiência compartilhada;

4) Permanente disponibilidade para ajudar os grupos e seus membros;

5) Confiança em um Poder Superior e,

6) Total abstinência ao álcool.

Embora seja óbvio que o programa dos Washingtonianos fosse incompleto, contendo limitadas possibilidades para a modificação da personalidade se comparado aos Doze Passos de Alcoólicos Anônimos, nasceu da experiência dos que conseguiram a sobriedade; mesmo que por pouco tempo; de milhares de alcoólicos. Porém, falhou em não oferecer um método de conduta, para membros e grupos, que fosse comparável às Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos. Como não existiam garantia de salvaguarda para o Movimento em seu conjunto, este morreu. A maioria dos problemas dos Washingtonianos se situaram em áreas que estão amplamente protegidas em nossas Tradições:

1) O preâmbulo e nossa 5ª Tradição nos aconselha a proteger nosso único objetivo; a 1ª Tradição nos aconselha cautela, para conservar nossa Unidade. Sem essas orientações, o Movimento Washingtoniano se converteu em um monstro de 3 cabeças: a primeira, o programa para atingir a recuperação dos alcoólicos; a Segunda, o convite ao público em geral para conseguir a temperança através da persuasão moral e, a terceira, a exigência de total temperança nacional pelos meios legais. Homens de enorme influência controlavam a ação de cada uma das cabeças e, não levou muito tempo, as cabeças lutavam entre si.

2) As táticas carnavalescas de promoção e a absoluta falta de qualquer princípio de anonimato criaram uma atmosfera de crescimento espetacular; porém, conduziram ao mesmo tempo, às lutas entre as personalidades que buscavam prestígio e poder. Cem anos depois Alcoólicos Anônimos adotou as 11ª e 12ª Tradições que indicam que devemos basear nossas relações com o público na atração, no lugar da promoção; a manter o anonimato pessoal ao nível da imprensa; a considerar o anonimato como “fundamento espiritual…” que nos recorda que devemos sempre que os princípios estão acima das personalidades.

3) Não há nada que possa dividir um grupo com maior rapidez do que a controvérsia política ou religiosa. A 10ª Tradição diz que: “Alcoólicos Anônimos não tem qualquer opinião sobre assuntos alheios às suas atividades” e que o membro de Alcoólicos Anônimos nunca deve envolver-se em polêmicas públicas. Sem possuir esta Tradição, os Washingtonianos ingressaram nesse campo. Chegou ao conhecimento de alguns líderes religiosos que, alguns alcoólicos recuperados, proclamavam publicamente que, “eles, entre outras coisas, é que estavam praticando verdadeiramente o Cristianismo, não alguns pastores que conheciam e que apenas falavam em Cristo”. Em represália o Reverendo Hiram Mattison, ministro da Igreja Metodista Episcopal de Watertown, N.Y., tornou pública a seguinte comunicação: – “Nenhum cristão tem liberdade para selecionar ou adotar algum sistema, organização, agência ou métodos de reforma moral da humanidade, com exceção daqueles prescritos e reconhecidos por Jesus Cristo”.
Acrescentava que sua igreja havia sido escolhida junto com o seu Evangelho, como o sistema da verdade e único para reformar a humanidade. Isto era a guerra. Outras igrejas reagiram da mesma forma, até fecharem suas portas aos Grupos Washingtonianos.

4) E como se esse fato grave fosse pouco, alguns membros do Movimento se tornaram oradores profissionais, por não contar com a orientação de uma 8ª Tradição. Dessa forma, sua mensagem de “alcoólico para alcoólico”, perdeu toda força de atração.

O ponto final da destruição aconteceu quando, alguns influentes líderes de movimentos não-alcoólicos, decidiram que a necessidade de os ex-bebedores recuperarem outros alcoólicos já havia sido ultrapassada e, agora, se deveria concentrar todo esforço na criação de novas leis destinadas a promover a temperança. Enquanto efetuava as investigações para escrever este artigo, várias vezes me ocorreu o seguinte pensamento: – “Depois que os Washingtonianos se autodestruíram, o que teria ocorrido com os seus milhares de membros?” E, esse pensamento se converteu numa indagação pessoal:

– “O que aconteceria comigo?”

Durante os primeiros tempos do programa, especialmente antes de elaboradas as Doze Tradições, Alcoólicos Anônimos passou por muitos dos problemas que destruíram os Washingtonianos. O fato de havermos sobrevivido aos mesmos perigos, é um dos milagres de Alcoólicos Anônimos.

Porém o dia só tem 24 horas!

Por D. P. de Ogden, Utah.

Traduzido da Revista Plenitud, México

Publicação original de Grapevine, USA/Canadá

Publicado no Bob nº 33, jan/fev 1985

Prudência

“É cautela, é precaução, é moderação, é serenidade de juízo”.

Só me dei conta de que a filosofia de Alcoólicos Anônimos tem como alicerce a virtude da Prudência quando ouvia meu familiar dizer: – “Vou evitar o primeiro gole, só por hoje!”.

Apreensiva eu perguntava: – E amanhã? Ora, dizia ela: – Vou com calma! Amanhã a Deus pertence!

Aí fui me inteirando dos fatos: *evite o primeiro gole; * vá com calma; * um dia de cada vez; *a repetição diária de: sou fulano, um alcoólatra em recuperação; * a aceitação; * a tolerância, e acima de tudo: *fugir das ocasiões propícias ao primeiro gole.

Então isso tudo não é Prudência?

Concluí assim que a Prudência é a base do programa de recuperação dos AAs.

Sim, porque a Prudência é a virtude que nos faz conhecer e praticar, oportunamente, o que é bom.

A Prudência sabe escolher meios e os Doze Passos de A.A. oferecem àqueles que estão em recuperação os meios e a oportunidade de uma qualidade de vida, porque não basta tapar a garrafa.

Implicitamente a Prudência se manifesta em todos os passos com seus três elementos:

A Reflexão: todo homem prudente pensa antes de agir.

Um AA, além disso, recorre à memória, que é a faculdade de guardar e reproduzir fatos passados.

Meu familiar sempre se recorda do seu sofrimento anterior à abstinência, do seu último porre, do “medo” da recaída e por quê?

Por causa do sofrimento dele e da família. A reflexão calcula os prós e os contras; considera ensinamentos da experiência própria e alheia através dos depoimentos.

A Determinação: todo homem prudente depois de pensar, toma uma decisão.

Um AA prudente procura ser justo consigo mesmo e com os outros. Dá a cada um o que de direito lhe compete.

Para que se concretize a determinação, o homem tem que ser forte e os AAs em recuperação têm por hábito praticar a coragem: na aceitação, na síndrome da abstinência, na admissão da vulnerabilidade frente ao álcool.

A Realização: todo homem examina bem um assunto antes de decidir-se sobre ele e este, só se torna um ato de prudência, quando realizado.

Os AAs, para não voltarem a beber, têm boa disposição e ânimo para aceitar as sugestões do Programa de A.A.

Como eles dizem: – Força de vontade não basta; para que a realização se concretize é necessário ter “boa vontade”, pois força de vontade é uma atitude isolada e boa vontade resulta do “compartilhar experiências, forças e esperanças”.

Lá no grupo que eu freqüento todos nós aguardamos com certa expectativa e prazer “nosso velho mentor” sentar-se para depor.

Ele fala das suas experiências nestes 32 anos de A.A.; todos ouvem em silêncio como se o ouvissem pela primeira vez.

Como antigo, sua experiência acumulada representa para os AAs e a mim, o ideal a ser atingido. Com suas palavras, prudentemente, ele alerta sobre os perigos das 22 horas lá fora e como vencer a obsessão pela bebida.

As histórias “parecem” sempre as mesmas, mas para nós são preciosidades; ele dá um toque especial e sabem por que?

“A repetição deixa marcas até nas pedras”.

Atenção! Prudência!

Ele é sábio e sendo sábio fez da Prudência a virtude primeira de sua caminhada em A.A.

Hoje ele é o representante supremo da memória coletiva do grupo.

(H.F./Amiga de A.A./SP)

“CONIVÊNCIA DOS PAIS AJUDA A AGRAVAR CONSUMO DE ÁLCOOL POR ADOLESCENTES”.

O estado de São Paulo endureceu o combate ao álcool na infância e na juventude. Em novembro de 2011, entrou em vigor uma lei que prevê punições administrativas, além das sanções penais aos comerciantes que venderem oferecerem ou permitirem o consumo de bebidas alcoólicas por menores de idade no interior de seus estabelecimentos. A lei será aplicada mesmo se o adolescente estiver na companhia de seus pais ou de um responsável maior de idade.

Para burlar a lei, adolescentes passaram a cometer uma infração ainda mais grave: falsificar a carteira de identidade. Não se trata mais, como no passado, de colocar com caneta preta um outro número no documento. A falsificação é para valer. É feita no programa Paint, disponível para qualquer computador. Há até mesmo um tutorial no YouTube, com mais de 50 mil acessos, em que parte da falsificação é mostrada.

O que mais surpreende é que muitos adolescentes falsificam a carteira de identidade com a anuência dos pais. Profissional bem-sucedida, A. ajudou seu filho M., de 17 anos, a falsificar seu RG. Ela aceitou mostrar ao jornal O Globo como se faz. Em cinco minutos, foi falsificada a data de nascimento de uma carteira de identidade. O documento, a seguir, foi destruído, já que falsificar documento é crime, com pena prevista de dois a seis anos de prisão.

– Faltavam apenas dois meses para ele fazer 18 anos. Ele queria muito ir naquela balada – justifica A., acrescentando que o filho já fez 18 anos e rasgou o documento falso.

M. afirma que aprendeu com colegas como falsificar:

– Isso não é novidade. Muita gente faz.

Uma pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 5.226 alunos de 37 escolas privadas de São Paulo, divulgada em 2010, mostrou que 40% dos estudantes haviam bebido no mês anterior à pesquisa. Os estudantes disseram ter começado a consumir bebida alcoólica com 12,5 anos, e 46% afirmaram que beberam pela primeira vez em casa. A bebida foi oferecida por familiares (46%) ou amigos (28%). Apenas 21% disseram ter tomado a iniciativa de buscar a bebida.

Fonte: O Globo >>> http://www.alcoolismo.com.br

CONSUMO DE ÁLCOOL DIFERE ENTRE USUÁRIOS DE DROGAS

Um estudo britânico publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences e divulgado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), investigou as diferenças nos padrões de uso e problemas relacionados entre indivíduos que consomem álcool juntamente com cocaína em pó versus os que fazem essa combinação com o crack.

Para isto, foram recrutados usuários que relataram uso simultâneo de álcool e cocaína em clínicas e comunidades de Londres, na Inglaterra, para participar de entrevistas estruturadas. No total, 102 indivíduos de ambos os sexos e com média de idade de 30 anos foram selecionados, sendo que 69 eram usuários de cocaína e 33 de crack.

Os resultados apontam que tanto a frequência como a quantidade máxima de álcool ingerida por ocasião de beber pesado*, no mês anterior à pesquisa, foram significativamente maiores entre usuários de cocaína em pó em comparação aos de crack: 20 dias de uso e 23 doses de bebida alcoólica; 15 dias de uso e 15 doses, respectivamente.

Entre os usuários de cocaína em pó, 99% relataram ao menos um episódio de beber pesado, enquanto a proporção entre os usuários de crack foi de 48%. Além disso, 46% dos usuários de cocaína em pó afirmaram ter bebido pesado pelo menos uma vez por semana, durante o mês anterior à pesquisa, em comparação com 13% dos usuários de crack. Em contrapartida, os usuários de crack relataram problemas mais sérios associados ao uso dessa substância e outras drogas ilícitas, problemas de saúde física e psicológica e criminalidade, além de uso mais frequente de cocaína e maiores níveis de dependência dessa substância.

Nota-se, portanto, que o beber pesado frequente representa um risco grave para a saúde de muitos usuários de cocaína. As diferenças nos padrões de consumo de álcool confirmam a importância de distinguir os usuários de cocaína em pó dos usuários de crack.

Os autores do estudo ainda alertam que, como é frequente a direção de automóveis sob a influência de álcool ou drogas e os riscos de acidentes de tráfego aumentam bastante, os profissionais de saúde que trabalham no atendimento primário ou na emergência precisam de treinamento para detectar, avaliar e tratar adequadamente pacientes que fazem consumo simultâneo de álcool e cocaína.

*Beber pesado geralmente é definido em termos do consumo excessivo de álcool em um curto período de tempo. O National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism define beber pesado episódico como o consumo de 5 ou mais doses alcoólicas por homens ou de 4 ou mais doses por mulheres, dentro de um período de 2 horas, sendo que uma dose-padrão de bebida alcoólica (285 ml de cerveja, 120 ml de vinho ou 30 ml de destilado) contém, aproximadamente, 8 a 13 g de álcool puro.

Título da pesquisa: Concurrent use of alcohol and cocaine: differences in patterns of use and problems among users of crack cocaine and cocaine powder.

Autores: Gossop M, Manning V, Ridge G.

Fonte: Alcohol & Alcoholism Vol. 41, No. 2, pp. 121–125, 2006.
* http://www.alcoolismo.com.br

BEBIDAS ALCOÓLICAS SÃO AS DROGAS MAIS CONSUMIDAS POR ADOLESCENTES
Segundo o artigo “Fatores de risco para dependência de álcool em adolescentes”, há evidências de que o álcool é a droga mais consumida entre os adolescentes. O objetivo do estudo foi identificar esses fatores que contribuem para a dependência do álcool na adolescência.
O artigo foi publicado este ano na Acta Paulista de Enfermagem e tem como autores Leandro Rozin, do programa de pós-graduação em Biotecnologia aplicada à Saúde da Criança e do Adolescente, e Ivete Palmira Zadonel, professora do mesmo programa de pós-graduação, Ambos fazem parte da Faculdade Pequeno Príncipe – FPP – Curitiba (PR).
Durante a adolescência, o indivíduo deixa de viver apenas com a família e passa a se inserir em grupos sociais como forma de identificação pessoal, informam os autores no artigo. Os pesquisadores descrevem que para muitos adolescentes a inserção no meio social apresenta situações diversas que não tinham sido presenciadas antes, como o contato com o álcool. “Esta é uma droga socialmente aceita por todos os níveis sociais, de fácil acesso e possibilita, conforme suas reações iniciais bem-estar instantâneo como forma de resolução de incertezas e conflitos, mas também para comemorar momentos felizes e agradáveis”, afirmam.
Os autores dizem no artigo que quanto mais precoce for o consumo da droga, maior será a probabilidade de o adolescente torna-se dependente. Além disso, o uso constante da substância cria no organismo uma tolerância à droga e, consequentemente, é preciso aumentar as doses para proporcionar satisfação, explicam. Desta maneira, o aumento do consumo da bebida alcoólica desenvolve a dependência da mesma, alertam.
“Os fatores de risco para dependência estão relacionados ao início precoce do uso, influência da mídia, relacionamento conturbado com os pais, uso por membro da família, abuso sexual, violência doméstica, baixa autoestima, curiosidade, pressão de colegas, entre outros”, informam. Ainda há fatores como exposição genética, neurobiológica, comportamentais – personalidade -, os quais predispõem o início e a continuidade do uso da substância, acrescentam. “Com o passar dos anos, a dependência de álcool instala-se no indivíduo e é identificada quando há perda do controle de decisão sobre o beber e sofrimento com os sintomas de abstinência da droga”, lembram os autores.
De acordo com os pesquisadores, no Brasil, as ações públicas de saúde possuem foco descentralizado “como forma de estar mais perto da população, e intervirem nas problemáticas identificadas”. “Dessa forma, cabe aos serviços e profissionais de saúde, com maior proximidade da população, intervir com educação em saúde e acompanhamento dos adolescentes expostos aos riscos, bem como de suas famílias e atuar no controle do uso de álcool”, explicam no artigo.
Neste caso, é necessário realizar um levantamento individualizado através do diagnóstico comunitário na área de abrangência da atuação da equipe de saúde para identificar os sinais precoces.
Para os autores, os serviços de saúde devem incorporar estratégicas preventivas de identificação de riscos para a dependência, controle e acompanhamento específicos para os adolescentes dependentes. “As ações preventivas tornam-se possíveis, quando há efetivamente profissionais capacitados que assistam individualmente e/ou em grupos essa faixa etária, no sentido de intervir nos fatores de risco relacionados aos aspectos familiares, psicológicos e sociais”, finalizam no artigo.
Fonte: Jornal O Serrano >>> http://www.alcoolismo.com.br/

” O A. A. NÃO MUDA, MAS MUDA ”

Dr. Laís Marques da Silva, ex-custódio e presidente da JUNAAB.

Tema apresentado nas comemorações dos 50 Anos de A.A. em Minas Gerais
Juiz de Fora, MG em 10, 11 e 12 de junho de 2011.

Texto básico da palestra

As pessoas têm necessidade de dispor de referenciais que sejam estáveis, imutáveis e disponíveis para viver e sobreviver, especialmente aqueles que foram batidos pelo demônio do alcoolismo.

Dá bem uma ideia do problema, a imagem do náufrago comparada com os fatos da vida do dia a dia de um alcoólico. De um lado as ondas e, do outro, a necessidade de continuar respirando, mas estando sempre presente a sensação de que se vai morrer a qualquer instante. Surge então um tronco de árvore flutuando e o náufrago agarra-o fortemente e a água não mais cobre a cabeça, não obstante o fato de que as ondas não cessem. O tronco torna-se indispensável à sobrevivência porque, agarrado a ele, o náufrago não afunda mais e a água não cobre a sua cabeça.

Há uns anos, procurava-se, no antigo CLAAB, a cada nova edição de uma publicação de A. A., fazer uma revisão de todo o material que fosse para uma nova reimpressão. Foi aí que se observou que no livro Os Doze Passos, além de várias correções, era necessário traduzir e inserir toda uma folha que estava faltando. Quando a nova edição foi distribuída, o ESG recebeu um grande número de reclamações vindas de todo o país. É que os companheiros tinham de cor até mesmo a última palavra de cada página, tal a necessidade de se “agarrar ao tronco”, e observaram que elas não eram mais as mesmas. Reclamaram que estavam “mudando o A. A.” e protestaram veementemente. Essa reação é compreensível pois que estavam abraçados firmemente no conteúdo de cada página de uma publicação que era indispensável para se manterem sóbrios e poderem continuar sobrevivendo ao alcoolismo. Precisavam continuar não sendo ameaçados de afundar a qualquer momento. Já viviam uma vida em que as ondas existiam no mar da vida mas a cabeça era mantida fora da água e a sobrevivência estava assegurada.

Participei da 12ª Reunião Mundial, em Nova Yorque, e troquei muitas ideias e experiências nos corredores. Usei o meu espanhol e o meu francês e, sobretudo, a prática que tenho do inglês por ter feito nos EEUU um curso de pós-graduação. Pude constatar, em conversas de corredor com delegados de mais de 40 países, que os princípios de A. A. eram mantidos inalterados em seus países. Eu tinha esta curiosidade por causa de uma experiência traumática sofrida em uma Conferência de Serviços Gerais em que, por pouco, não alteraram um Conceito de Serviço. Posteriormente, mantive contatos com companheiros do GSO, por algum tempo, especialmente com o Danny Mooney e tive a informação de que os princípios permaneciam inalterados em toda a irmandade a nível mundial. O “tronco” ainda estava lá, salvando vidas.

A custódia guarda o sagrado e uma das funções dos custódios da junta é guardar o “sagrado” da Irmandade. O custódio encarna a figura do “patriarca”, garantidor das tradições, do passado, daquilo que é imutável, do que é pétreo. Guarda a memória do passado. Portanto, o A. A. não muda.

Mas o A.A. deve continuar vivo e atuante, e o que não se adapta às condições do seu ambiente, tende a desaparecer, pode virar dinossauro, espécie extinta, virar fóssil. As tecnologias surgem e a vida dos homens se modifica em função delas. As circunstâncias que nos cercam mudam e as necessidades se renovam. Tudo na vida é marcado pela mudança e a solução é mudar e se adaptar à realidade cambiante. A cada ano isso acontece no decurso das Conferências de Serviços Gerais. Nelas vemos os custódios no papel conservador de “patriarca”, a conservar o tesouro recebido e a olhar para o passado. Mas lá estão também os “pioneiros”, os delegados a mirar para o futuro. As Comissões da Conferência analisam centenas de sugestões vindas de todo o país e os delegados trabalham no estudo desse material. Para resistir ao tempo e se ajustar à realidade cambiante e às necessidades identificadas pelos grupos de todo o país, as recomendações são elaboradas e enviadas a todos os grupos, em retorno. Por meio desse mecanismo, o A.A. muda, adapta-se às realidades do momento mas não muda no que é pétreo, definitivo, nos seus princípios. As sugestões dos grupos de cada Área, fruto da convivência do dia a dia, além de muitas outras, são estudadas pelas Comissões, ponderadas em todos os detalhes e consideradas as repercussões que possam gerar. Tudo isso se constitui num trabalho de maturação que resultará nas recomendações.

O caminho em A. A. vai sendo feito ao longo do tempo e ao caminhar. Nada está pronto, apesar do muito que vem sendo desenvolvido ao longo de 76 anos de vida da Irmandade. A realidade se impõe e a adaptação a ela é um processo sábio. O solo é pedregoso, não existem trilhas, não existem indicações nem sinalizações. Há sempre perigos à frente, mas o caminho tem que ser encontrado e é feito ao caminhar. Cada passo que se dá deve conduzir ao destino grandioso da Irmandade e, portanto, não pode comprometer o futuro, e o bem estar de todos deve estar em primeiro lugar. O problema está sempre no próximo movimento que se vai fazer e é preciso contar com o Poder Superior para iluminar o caminho, para iluminar esse primeiro passo, embora não necessariamente todo o caminho. O importante é sempre o próximo passo que se vai dar.

Aí está o instante crítico, o momento do próximo passo. Mas podemos recorrer a um contato precioso que todos os homens, por todo o sempre, procuraram e ainda não encontraram mas que a Segunda Tradição nos mostra. É que o Poder Superior se manifesta por meio da Consciência Coletiva. É então necessário criar condições para receber a inspiração, a Graça. É escutar essa comunicação que é real. Aí está a solução para abrir caminhos seguros e que não comprometam o futuro da irmandade. Ela deve continuar como uma via de crescimento espiritual, de libertação, de transformação e de realização plena de cada alcoólico.

Como a estrutura de A. A. é celular, pois os grupos são autossuficientes, todas as decisões são tomadas pelos seus membros num processo que admite que a verdade está um pouco em cada um de seus membros. Que ela não é pessoal, mas interpessoal. Portanto, do somatório das experiências e conhecimentos de cada um em relação a um assunto que está sendo analisado. É no relacionamento respeitoso e no reconhecimento do valor de cada um que o processo evolui. Na aceitação das diferenças é que se desenvolve a busca da Consciência Coletiva, guia seguro para a tomada de decisões.

Está escrito que Ele está no meio de nós, como que espalhado como canela salpicada em arroz doce. Em realidade, a tradução certa é que ele está entre nós, isto é, na inter-relação de irmãos, na qualidade dos nossos relacionamentos, na nossa humanidade. Na troca enriquecedora de interiores. No encontrar caminhos difíceis que ficam mais fáceis quando o fazemos na companhia de irmãos, quando os aceitamos e respeitamos, quando aceitamos as nossas diferenças, sempre benvindas, e que nos enriquecem. As abelhas fazem um trabalho admirável, mas que é o mesmo após milênios. Não evoluem. Não são estimuladas pelas diferenças. Está tudo arrumado e paralisado, não há evolução.

Quando, em uma reunião de Serviço, ou diante da tomada de qualquer decisão, procuramos a substancial unanimidade, isso significa que estamos buscando inspiração num processo de troca de interiores, buscando a Consciência Coletiva.

Doze maneiras de usar VIVÊNCIA

Sente-se ressentido, confuso ou simplesmente aborrecido? Gaste alguns minutos com VIVÊNCIA. Sua leitura lhe trará nova perspectiva do seu problema de bebida, do A.A. e de você.

Para milhares de leitores, em milhares de grupos, no Brasil e no exterior, VIVÊNCIA é muito mais que uma revista. É parte vital deste programa que ajuda homens e mulheres a levar uma vida feliz e produtiva sem álcool.

VIVÊNCIA é um informativo inspirador, mensageiro simpático e prestativo como um membro ou pessoa amiga – ou mesmo um grupo de A.A. de qualquer tamanho. É particularmente útil no apadrinhamento.

Quer ter acesso aos Passos e Tradições? VIVÊNCIA não pode lhe dizer o que fazer, mas certamente pode lhe mostrar a experiência de outros.

Eis algumas formas práticas como VIVÊNCIA é útil para muitos companheiros e grupos:

1. É uma reunião escrita

VIVÊNCIA é a solução ideal para quem não pode assistir às reuniões regularmente ou para quem deseja mais reuniões. Compacta de fácil leitura, a cada bimestre, publica a essência do que de “melhor” você poderia esperar de uma reunião.

2. É o presente ideal

Para um companheiro ou amigo, poucos presentes podem ser mais apropriados do que uma assinatura de VIVÊNCIA. É uma lembrança continuada de sua atenção e fonte de prazer e de inspiração para o presenteado.

3. Preparando palestras

Procurando idéias para fazer uma palestra mais interessante? Você encontrará na leitura de VIVÊNCIA: histórias pessoais, artigos interpretativos, anedotas, noticiário de A.A. do Brasil e do mundo, opiniões de médicos sobre o alcoolismo e o programa de recuperação oferecido pelo A.A. e muitas outras matérias.

4. Informações

Como A.A está chegando aos hospitais e prisões? O que é a Conferência de Serviços Gerais e o que ela significa para os membros de A.A. individualmente? E quanto ao A.A. no resto do mundo? VIVÊNCIA traz o mundo para sua casa e o mantém sempre atualizado.

5. É um fórum

Quer transmitir uma idéia? VIVÊNCIA lhe dá uma visão tão ampla quanto possível de A.A. como um todo, onde você e seus companheiros podem permutar histórias, pontos de vista e interpretações do programa de recuperação.

6.Companheira nas abordagens

Permita que VIVÊNCIA mostre ao recém-chegado o que A.A. realmente é – uma maravilhosa comunidade humana de mais de dois milhões de homens e mulheres em todo o mundo, unidos no propósito comum de permanecerem sóbrios e ajudar outros a alcançarem a sobriedade.

7. Reuniões temáticas mais produtivas

Grupos de todo Brasil estão usando artigos de VIVÊNCIA para discussão em reuniões temáticas. Com VIVÊNCIA, os membros ficam melhor preparados para tais reuniões, capazes de contribuir mais construtivamente.

8. A experiência acumulada

Você pensa que seu grupo tem problemas? Não se preocupe. Procure inteirar-se das inúmeras experiências de grupos publicadas freqüentemente em VIVÊNCIA. É uma forma construtiva de manter seu grupo sintonizado com as Tradições.

9. Uma aliada no A.A. Institucional

Existe alguém no seu grupo apadrinhando (ou pretendendo apadrinhar) um grupo em hospital ou numa prisão? Uma assinatura de presente será profundamente apreciada por homens e mulheres com limitados contatos com o mundo exterior.

10. Ofertada ao recém-chegado

Muitos grupos usam VIVÊNCIA como importante ajuda para os programas de apadrinhamento. Encorajam os recém-chegados a ler a revista, a discutir e fazer perguntas sobre os assuntos lidos. Alguns grupos oferecem gratuitamente uma revista a cada visitante.

11. Ligação com a Irmandade

A.A. vem crescendo muito em todo o mundo. Seu grupo, seu distrito ou Área estão experimentando as dores do crescimento? Muitas soluções podem ser encontradas através das experiências compartilhadas em VIVÊNCIA.

12. Arquivo da história de A.A.

VIVÊNCIA espelha os acontecimentos da Irmandade de Alcoólicos Anônimos no momento atual. É uma preciosa coleção da experiência acumulada ao longo dos anos.

Vivência nº 25 Jul/Ago/Set 1993

CULTIVANDO TOLERÂNCIA
(Dr. Bob)

Durante nove anos em A.A., tenho observado que aqueles que seguem o programa de Alcoólicos Anônimos com maior seriedade e zelo, não apenas mantém a sobriedade, mas freqüentemente adquirem melhores
características e atitudes. Uma delas é a tolerância. A tolerância se manifesta em uma variedade de formas: na gentileza e consideração para com o homem ou a mulher que estão apenas começando a
marcha ao longo do caminho espiritual; na compreensão com aqueles que talvez tenham sido menos afortunados nas vantagens educacionais; e na simpatia com aqueles cujas idéias religiosas parecem ser bastante diferentes das nossas.

Com relação a isso, recordo-me da figura de um cubo de roda com seus respectivos raios. Todos nós começamos pelo lado de fora da circunferência e nos aproximamos de nossos destinos por um dos
vários caminhos. Dizer que um dos raios é muito melhor que todos os outros, é verdadeiro apenas no sentido dele nos servir melhor, como indivíduos. A natureza humana é tal, que sem nenhum grau
de tolerância, cada um de nós poderia estar inclinado a acreditar que encontramos o melhor, ou talvez o mais curto.
Sem alguma tolerância, poderíamos tender a nos tornar um pouco presunçosos ou superiores – o que, naturalmente, não é útil à pessoa que estamos tentando ajudar e pode ser doloroso ou detestável
para outras. Nenhum de nós deseja fazer algo que possa ser empecilho à evolução de um outro – e uma atitude protetora pode imediatamente retardar esse processo.

A tolerância fornece, como um subproduto, uma maior libertação da tendência de se apegar a idéias preconcebidas e, obstinadamente, a radicalismos. Em outras palavras, ela, quase sempre, proporciona
uma abertura de mente que é imensamente importante – é, de fato, o pré-requisito para um final bem sucedido em qualquer linha de busca, seja ela científica ou espiritual.

Eis, portanto, algumas das razões pelas quais um esforço para obter tolerância deve ser feito por todos nós.

(Best Of The Grapevine, páginas 49 e 50, jul.44)

(VIVÊNCIA nº 41 – maio/junho 96) – Colaboração Grupo Carmo Sion de BH-MG

” SEXTA TRADIÇÃO ”

Por B.L, Manhattan, N. Y.

“Um grupo de A.A. nunca deve respaldar, financiar, ou emprestar o nome de A.A. a nenhuma entidade alheia ou empresa estranha, para evitar que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio nos desviem de nosso objetivo primordial”.

O AUTOR EXPRESSA:
“As Doze Tradições em minha experiência, têm sido vitais para conservar-me sóbrio, e também têm sido úteis em todos os meus assuntos.”

(Este artigo foi publicado originalmente na Revista Grapevine e republicado na Revista “EL MENSAJE” de fevereiro de 1975)

Antes que eu tivesse um mínimo conhecimento do que era o A.A., já estava seguro de que poderia melhorá-lo. Recordando agora, me dou conta de que meu atrevimento era aborrecedor, visto que se encontrava firmemente ancorado na minha ignorância. Eu não sabia praticamente nada acerca das atividades de nossa comunidade, e muito menos de seus princípios espirituais. Como eu era demasiadamente orgulhoso para admitir que existisse algo que eu desconhecesse, então não fazia perguntas.

Praticamente nada, na muito escassa literatura de que dispúnhamos então (1945), explicava como funcionava A.A ou as unidades que o compõem, de maneira que meu conhecimento se baseava naquilo que ouvia ou via em meu grupo. Então, como agora, os membros de A.A., tal como todos os seres humanos em todas as partes, falavam uma confusa mexerufada de fatos, adivinhações, suposições, sabedoria infundada, mexericos e bobices. Contudo, eu supunha que aquilo que ouvia era a pura essência da verdade de A.A., e equipado somente com minha pequena coleção de impressões fugazes e informações equivocadas acerca de A.A., queria modificá-lo.

Para mim, por exemplo, A.A. deveria estar informando à classe médica sobre as características de nossa doença, tal como nós a entendíamos. (Naquela época, a Escola de Estudos sobre Alcoolismo de Yale, hoje Rutger, apenas estava se iniciando, e faltavam ainda nove anos para que a Associação Médica Norte-americana estabelecesse seu comitê sobre alcoolismo).

O governo, em minha visão, deveria modificar as leis relativas aos alcoólicos. (A Associação Norte-americana de Programas sobre Alcoolismo e o Centro Nacional para o controle e a Prevenção do Alcoolismo eram, então, sonhos impossíveis).

Centro de desintoxicação, reabilitação vocacional e todo tipo de serviços, o melhoramento da compreensão de nosso problema por parte dos trabalhadores sociais, estudantes, psicólogos e policiais. Tudo isto, e muito mais, o necessitávamos urgentemente. Por que, me perguntava, o A.A. não atua com mais dinamismo nesses campos?

Suponhamos por um momento que nossa comunidade se houvesse realmente orientado para essas atividades. Como teria sido a teia de aranha em que nos enredaríamos? Quantos bêbados teriam sido desprezados e abandonados à própria sorte enquanto nós nos debateríamos em nossas campanhas políticas e financeiras! Quantos inimigos teriam ganhado nossa associação ao procurar ditar cátedra aos profissionais médicos, aos religiosos e às pessoas da área legal.

Se o propósito do meu grupo A.A. tivesse sido adquirir prestígio, dinheiro ou poder, temo que minha própria sobriedade não teria encontrado muita sobre o que se apoiar em nossas reuniões. Não teria havido tempo para a prática do programa Muitos de nós nos teríamos ido, e conosco, provavelmente, até mesmo o A.A. Sic transit gloria mundi*.

Estou seguro agora de que se houvessem estabelecido programas governamentais sobre alcoolismo, dirigidos por A.A., e tivessem fracassado, meus ressentimentos teriam arrasado a minha sobriedade, tão tênue e recém adquirida Suponhamos que se houvesse fundado um clube oficial de A.A., e as autoridades o tivessem fechado por jogo ilegal; ou que as casas de retiro para alcoólicos, administradas por nossa associação se vissem envolvidas em escândalos. O que teria acontecido? Eu teria terminado emocionalmente envolvido, ou, mais provavelmente, alcoolicamente dissolvido.

Como sempre, A.A. como um todo provou ser muito mais prudente e sábio do que eu, individualmente, e do que meu grupo quando queria fazer as coisas a nosso amanho. Ainda sem tantas complicações, para nós era problema suficiente o dar-nos conta do que tínhamos realmente nas mãos. As Tradições não haviam ainda sido escritas.

Inicialmente, críamos que teríamos que fazer pelo menos treis coisas, a saber: primeiro, prover um lugar onde os membros pudessem jogar cartas, comer e tomar café a qualquer hora; segundo, manter um escritório com telefones; como lugar de referência para o Décimo Segundo Passo e dar informação sobre as reuniões e, terceiro, manter trabalhando nossas próprias reuniões e os trabalhos do Duodécimo Passo.

As duas primeiras nos envolveram em operações ilegais de sociedades, problemas financeiros, administração de propriedade de imóvel, manutenção de edifícios, operação da cafeteria, secretárias remuneradas e, naturalmente, regras e funcionários. Como conseqüência, os recém – chegados, que necessitavam apenas da mensagem, saíam defraudados porque nós estávamos muito ocupados resolvendo problemas tais como um cozinheiro bêbado, uma máquina de escrever enguiçada, as divida do clube, a revisão dos estatutos, o mau gênio do faxineiro, as decisões sobre quem não podia fazer uso do telefone, a marca do café a ser comprado, etc. etc.

Desta forma, era quase impossível para os recém-chegados entender a diferença que poderia haver entre unir-se a um clube qualquer ou entrar em A.A.

Eu fui um desses recém-chegados de quem falo.
Aqueles que não conseguiam ser escolhido para os cargos, ou eram despedidos deles, acabavam bebendo. As críticas aos resultados financeiros que a cafeteria apresentava, tornaram-se animosidades contra a estrutura financeira de A.A. “. Dois companheiros a quem eu estimava se desgostaram com a comida que se oferecia na cafeteria, e se foram. (Não me surpreendi, porque em suas treis primeiras reuniões de A.A., somente ouviram falar de comida. Em menos de um ano, ambos morreram.. .de alcoolismo).

A solução que o meu grupo finalmente encontrou, faz um quarto de século, foi muito simples. Decidimos que, por mais excitantes ou necessários que pudessem ser tais atividades empresariais um grupo de A.A. deve permanecer distante delas porque as discussões sobre dinheiro, prestígio ou propriedade nos apartam e nos alheiam dos Doze Passos.

Como grupo de A.A., decidimos levar a mensagem, e ponto! Por conseguinte, nos retiramos do negócio de comida e a administração de imóveis. Alguns membros, atuando de forma individual, formaram corporações sem fins lucrativos, distintas de A.A., para administrar clubes ou lugares de entretenimento dos A.As. que desejavam tal tipo de atividade. Quanto ao escritório central, se conseguiu que fosse sustentado e operado por todos os grupos da vizinhança, e terminou como intergrupo.

Esta modificação tem dado magníficos resultados desde então, tanto em Nova lorque com em todas as partes. E agora, por certo, aqueles serviços realmente necessários para os alcoólicos estão começando a funcionar, mas não sob os auspícios de A.A. A comida, a roupa, a moradia, e a assistência médica são geralmente necessárias para a recuperação do alcoólico. Porém, podem ser administradas muito melhor por outras organizações, com experiência profissional e organização eficiente, qualidades das quais carecem os grupos de A.A.

Certamente, não podemos deixar de lado um fator que quase nunca se menciona, nem de forma verbal e nem escrita: Muitos dos grandes avanços no tratamento de alcoólicos, obtidos no transcurso dos últimos trinta e cinco anos, se devem ao labor prudente e silencioso de membros de A.A., que têm atuado como cidadãos, privadamente interessados no problema de saúde pública.

A Sexta Tradição deixa a cada membro de A.A. a liberdade para assim atuar, se o deseja, conquanto que sua atuação não constitua afiliação ou declinação de A.A. a qualquer iniciativa, nem “emprestem o nome de A.A.” para isto. (Há que se ter também em conta o outro lado da moeda. Certa ocasião, um programa distinto do nosso, procurou criar a impressão, maliciosamente, de que contava com o apoio de A.A. Porém sua intenção não obteve sucesso. Os profissionais que atuariam no referido programa pensaram que se tratasse de uma extensão de A.A. e não se interessaram. Eu o sei porque fui o culpado).

A adesão ao nosso objetivo primordial faz com que A.A. seja único, mas também nos confere uma responsabilidade especial, creio eu. Somos as únicas pessoas que não fazem nada além de ajudar ao indivíduo alcoólico porque temos que fazê-lo a fim de que possamos permanecer sóbrios. Ajudamo-lo, não por causas científicas ou humanitárias, mas visando nossa própria sobriedade.

Como resultado disto, os outros programas no campo do alcoolismo chegam a depender fortemente da participação de membros de A.A., fato que vem aumentando. Em cada junta profissional é um fato notório que os não-alcoólicos contam, de forma absoluta, com a ajuda de A. As. sóbrios e conscientes que lembram permanentemente que quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, quero que a mão de A.A esteja sempre ali. E por isto, EU SOU RESPONSÁVEL.

* Esta remissão é de autoria do tradutor: “Assim passa a glória do mundo” Frase tirada da Imitação de Jesus Cristo.

* Tradução: Edson H.

UMA HISTÓRIA DE AMOR

Eu vivo uma verdadeira história de amor com A.A..
Incrível como em A.A. posso viver a palavra de Deus na sua expressão mais ampla, onde os princípios de qualquer religião humana estão presentes.
O reconhecimento de que sem Deus não sou nada, está lá, assumido e vivido.
O amor ao próximo, quando aceito o outro como ele é, não como eu gostaria
que fosse também está lá, no seu lema: viva e deixe viver.
A caridade/partilhada na troca e não na soberba de quem tem muito, dá a quem tem pouco. Mas, por incrível que pareça, o que dou é exatamente a mesma medida do que preciso. Não me esvazio, mas me encho.
A humildade, quando tenho consciência de minhas reais falhas.
Entrei em A.A. quase por acaso. Na época, já tinha reconhecido minha
incapacidade de beber “socialmente”. Também já sabia que sozinha eu não conseguiria. Que só uma força superior, infinitamente maior do que a minha, poderia me ajudar. Vinha realizando um levantamento das grandes besteiras e estragos que havia feito na minha vida e na vida dos outros. Tentava, na medida do possível e da minha capacidade, fazer os reparos. Tentava ressignificar meus erros, para que eles não fossem um peso, mas adubo para minha vida. Não queria ficar chorando em cima de mim mesma, com autopiedade, mas, queria sim, ganhar dignidade.
Comecei a trabalhar os meus defeitos de caráter e a fazer o meu inventário pessoal e, consequentemente, as devidas reparações às pessoas que havia magoado e prejudicado.
E minhas mudanças de comportamento se expressavam nas minhas atitudes em casa, no trabalho e com os amigos.
Foi quando conheci um membro de A.A. que me revelou seu anonimato,
presenteou-me com bibliografia básica da Irmandade e, quase sem querer (ele não sabia do meu problema), me apadrinhou em A.A..
Ao fazer a leitura do Livro Azul, e do Viver sóbrio me dei conta da minha enfermidade. Decidi conhecer A.A..
Na primeira reunião já me identifiquei com as pessoas, falas e atitudes.
Revivi o meu passado de ilusão alcoólica, que eu não queria mais e
principalmente sabia o que eu queria viver daqui para frente.
Fui ficando em A.A., amando e querendo bem; me identificando, me
valorizando, me tornando gente “diferente igual” a todo mundo.
A.A. foi o reconhecimento da vida que eu quero levar, a que grupo eu quero pertencer.
Em A.A. eu me encontrei e encontrei outros que querem viver assim: sobro e felizes.
Sou feliz porque faço parte dessa linda irmandade chamada A.A..
Felizes 24 horas de plena sobriedade.

Roberta/Crateú/Orocó/PE
Vivência – Nº112 – Mar / Abr.- 2008

Estudo aponta que 3,6% dos paulistas são dependentes de álcool
O estudo São Paulo Megacity realizado com 5.037 indivíduos adultos da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), aponta que mais de 10% dos entrevistados preencheram os critérios para abuso e 3,6% receberam diagnóstico de dependência do álcool. Diferente do esperado, a taxa de abuso foi maior do que a de dependência – o que reforça a necessidade de investimento no diagnóstico precoce e conseqüentemente resultaria na diminuição dos exorbitantes gastos de saúde com os dependentes.
A pesquisa analisou uma amostra representativa que reúne pessoas de diferentes condições econômicas, educacionais e culturais para identificar a prevalência de uso, abuso e dependência de álcool nessa região, assim como as principais características sócio demográficas relacionadas às transições entre as etapas de uso do álcool. De acordo com a pesquisa, as porcentagens da taxa de uso de álcool pelo menos uma vez na vida (85,8%) e uso regular (56,2%) refletem uma considerável exposição à bebida, assim como a continuação de seu uso em uma proporção significativa da amostra.
O São Paulo Megacity, realizado pelo Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, é o primeiro a investigar as idades de início do uso regular, abuso e dependência, transições entre as etapas do uso de álcool e as possíveis influências de gênero, idade, escolaridade e estado civil. Além disso, é parte de uma pesquisa global da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre estresse, bem-estar e saúde mental (World Mental Health Survey Initiative).
Idade de início do uso
O primeiro uso na vida ocorre entre os 16 e 26 anos de idade, com mais da metade dos usuários tendo experimentado aos 17 anos. O São Paulo Megacity mostra ainda que 54% dos entrevistados apresentaram diagnóstico de abuso antes dos 24 anos, o consumo precoce esteve associado à transição do uso regular para o abuso e que a maioria dos indivíduos desenvolveram a dependência do álcool antes dos 35 anos de idade. A pesquisa ainda apontou que a remissão do abuso e da dependência é menor entre os indivíduos que iniciam o uso regular do álcool mais precocemente na vida. “Esses dados comprovam que as políticas públicas voltadas ao consumo do álcool devem estar orientadas para populações jovens”, analisa a psiquiatra Camila Magalhães Silveira, autora do estudo.
Nível de escolaridade e situação escolar
Já em relação à situação escolar, estudantes com baixo nível de escolaridade estiveram consistentemente associados às três primeiras transições entre os estágios de uso do álcool: da abstinência ao primeiro uso na vida, depois para o uso regular e finalmente para o abuso.
A importância desta constatação foi confirmada pelo fato de o baixo nível escolar também ter sido o único correlato sociodemográfico associado à transição para a dependência do álcool, bem como para a não remissão do abuso e da dependência, fato que reforça a necessidade de intervenção para evitar o uso prejudicial do álcool entre os estudantes. “Já que o nível de escolaridade tem sido amplamente utilizado como um indicador de status socioeconômico, os resultados também poderiam refletir que indivíduos com menor escolaridade e nível socioeconômico são mais suscetíveis à exposição ao álcool, tanto por viverem em uma região com alta concentração de bares, como por normas sociais menos restritivas com relação ao uso do álcool. Políticas públicas, voltadas para indivíduos com baixa escolaridade e proveniente de lares carentes, trariam provável diminuição na progressão do beber para eles”, diz Dra. Camila.
O fato de o indivíduo ser estudante esteve fortemente associado à transição do uso regular de álcool para o abuso. “O Brasil não tem uma idade mínima legal para o consumo de bebidas alcoólicas, a única restrição relacionada e pouco fiscalizada é a proibição de venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos de idade; nenhuma licença especial é necessária para vender o produto. Além disso, geralmente não há restrições específicas sobre o uso ou venda dentro dos campi universitários, o que reforça o consumo do álcool entre os estudantes”, afirma a psiquiatra. Além disso, de acordo com a Dra. Camila, como o Brasil apresenta uma cultura de consumo de grandes quantidades de álcool em uma única ocasião; beber em locais públicos e não ingerir o álcool com as refeições, os estudantes acabam ficando ainda mais expostos às conseqüências negativas decorrentes do uso do álcool, como acidentes de trânsito, sexo desprotegido, cardiopatias, doenças gastroesofágicas e à transição para o abuso do álcool conforme demonstrado nesse estudo. Diante do exposto, a psiquiatra conclui que com base no cenário acima, é possível hipotetizar que o padrão de consumo pesado do álcool entre estudantes os leva à transição do uso regular para o abuso.
Estado Civil
O estado civil é outro fator que influencia o consumo de álcool nos brasileiros e apresentou associações distintas para cada um dos estágios de transição. Segundo o São Paulo Megacity, ser solteiro foi preditor para a primeira transição (da abstinência ao primeiro uso na vida) e para a segunda (do uso na vida para o uso regular), sugerindo que ser casado é um fator de proteção. Por outro lado, viúvos ou separados apresentaram maior risco para a segunda transição (do uso na vida para o uso regular) e terceira transição (do uso regular para o abuso) do beber que constituem estágios de maior prejuízo desse comportamento.
Premiação
Recentemente, a Dra. Camila Magalhães Silveira, autora do São Paulo Megacity, conquistou a primeira colocação do Prêmio Psiquiatria FMUSP 2011. O estudo foi nomeado como a melhor tese de doutorado, da área de psiquiatria, de todas apresentadas em 2010 e no ano passado. O estudo foi orientado pela Profa. Dra. Laura Andrade.
Sobre o São Paulo Megacity
O levantamento é o maior e mais completo estudo sobre a prevalência de transtornos mentais na população adulta da Região Metropolitana de São Paulo (cidade de São Paulo mais 38 municípios). A investigação é parte do estudo global “World Mental Health Survey Initiative (WHMS)”, um consórcio sob os auspícios da Organização Mundial da Saúde (OMS), com colaboração das Universidades de Harvard e Michigan, que engloba estudos epidemiológicos realizados em 28 países representando todas as regiões do mundo. Todos os estudos preenchem uma série de pré-requisitos rigorosos para a obtenção de resultados confiáveis e comparáveis entre os países. No total, o WMHS conta com uma amostra de mais de 170 mil pessoas.
O estudo tem como proposta identificar as taxas de prevalência de transtornos psiquiátricos, avaliar o grau de incapacidade associada a eles e determinar possíveis fatores associados na população residente na Região Metropolitana de São Paulo.
No Brasil, o Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo é responsável pelo estudo São Paulo Megacity, sob coordenação da Profa. Dra. Laura Andrade e da Profa. Dra. Maria Carmem Viana.
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O alcoolismo nas empresas

Sou psicóloga e profissional da área de recursos humanos em uma empresa. Como o alcoolismo é uma situação que vivencio no meu dia-a-dia e por não saber quase nada a seu respeito nem como abordar um provável alcoólatra, recorri ao livro Alcoólicos Anônimos.
Para minha surpresa, encontrei uma abordagem simples do problema visto por quem havia passado pelo problema e nada é mais real e objetivo do que a experiência pessoal.
Todo trabalho científico é baseado em pesquisa e experimentações e, mesmo o A.A. não se dedicando a este campo, constatou, através da experiência de milhares de membros, a gravidade e a possibilidade de uma nova abordagem do assunto, ainda tão desconhecido de nossa sociedade.
É o alcoolismo visto sob a ótica de quem trilhou o seu caminho, uma abordagem de dentro para fora, riquíssima em seu conteúdo.
O capítulo 10 do livro Alcoólicos Anônimos tem como título “Aos empregadores” e traz um roteiro completo de como devem ser abordados casos de alcoolismo em empresas e eu tenho adotado as sugestões lá recomendadas.
Para simplificar e até distribuir para outros colegas de profissão que têm o mesmo problema em sua rotina profissional, condensei o conteúdo deste riquíssimo capítulo da forma que segue abaixo.
Se encontrarem algum proveito nele, valeu a pena. Caso contrário valeu a pena da mesma forma, pois pude ter acesso ao conteúdo deste programa maravilhoso de recuperação que é Alcoólicos Anônimos.
Roteiro simplificado de como o profissional de recursos humanos de uma empresa deve se relacionar com o problema alcoolismo dentro da empresa.
* Primeiro passo: se informar sobre o alcoolismo. Indicação dos livros: – “O texto básico de Alcoólicos Anônimos” (Livro Azul) e “Os Doze Passos e as Doze Tradições” (são adquiridos em A.A.).
* Compreender que o alcoolismo é uma doença grave.
* Tendo certeza de que seu funcionário não quer parar de beber, deverá ser demitido. E que fique claro quanto ao motivo: Alcoolismo.
* Ter uma atitude compreensiva em relação a cada caso.
* Diga-lhe que sabe o quanto ele bebe e que aquilo precisa acabar. Você pode dizer que aprecia sua capacidade, que gostaria de conservá-lo na empresa, mas que não poderá fazê-lo se ele continuar a beber. Uma posição firme, neste sentido, irá ajudá-lo.
* A seguir, garanta-lhe que não pretende fazer um sermão, dar lições de moral ou condená-¬lo. Que, se isto foi feito antes, foi por uma questão de falta de conhecimento de causa. Se possível, demonstre que não nutre contra ele sentimentos negativos. Neste ponto, talvez seja uma boa idéia explicar-lhe o alcoolismo como doença. Diga que você acredita que ele esteja gravemente doente, com esta ressalva: sendo talvez portador de uma doença fatal gostaria ele de se recuperar? Você pergunta por que muitos alcoólicos, estando mentalmente perturbados e embotados, não querem parar de beber. Mas e ele, quer? Dará os passos necessários, submetendo-se seja ao que for para parar de beber? Se ele disser que sim, está sendo realmente sincero, ou no fundo acha que pode enganá-lo e que, depois de um descanso e tratamento conseguirá continuar a tomar uma ou outra dose de vez em quando? Achamos que um homem deve ser cuidadosamente investigado em relação a estes pontos. Certifique-se de que ele não o esteja enganando, ou a ele mesmo.
* Se ele contemporizar e ainda achar que pode beber outra vez, mesmo que seja só cerveja, poderá perfeitamente ser demitido depois do próximo porre que, sendo um alcoólico, certamente tomará. É preciso que ele entenda bem isto. Ou você está lidando com um homem que pode e quer se recuperar ou não está. Se não estiver, por que perder tempo com ele? Isto pode parecer duro, mas em geral é o melhor caminho.
* Depois de se certificar de que seu empregado quer se recuperar e que fará o que for preciso para conseguir, você pode sugerir-lhe um programa de ação definitivo. Para a maioria dos alcoólicos que está bebendo, ou acabando de sair de uma bebedeira, uma certa dose de tratamento físico é necessária, e até imperativa. A questão do tratamento físico deve, é claro, ser submetida a seu próprio médico. Seja qual for o método adotado, seu objetivo é eliminar do corpo e da mente os efeitos do alcoolismo. Em mãos competentes, isto raramente demora muito e não custa muito caro. Seu funcionário se sentirá melhor se for posto em condições físicas tais que lhe permitam pensar com clareza e não sentir mais a compulsão pelo álcool.
* Se você lhe propuser tal procedimento, talvez seja preciso adiantar-lhe o custo do tratamento, mas acreditamos que deva ficar claro que quaisquer despesas serão futuramente deduzidas de seu salário. É melhor para ele sentir-se responsável.
* Se o funcionário aceitar sua oferta deve ser enfatizado que o tratamento físico é apenas uma pequena amostra do que o espera. Embora você lhe esteja proporcionando os melhores cuidados médicos, ele deve compreender que precisa passar por uma reformulação interna. Superar o hábito da bebida irá requerer uma modificação de pensamento e atitudes. Todos nós precisamos colocar a recuperação acima de tudo o mais, pois sem a recuperação teríamos perdido tanto o lar quanto o emprego.
* Você pode confiar totalmente em sua capacidade de se recuperar? Por falar em confiança, será que você poderá adotar a atitude de que, no que depender de você, tudo isto permanecerá um problema estritamente pessoal, que seus erros devidos ao alcoolismo e o tratamento ao qual ele vai se submeter nunca serão discutidos sem o consentimento do próprio? Talvez seja bom ter uma boa conversa com ele, quando voltar ao trabalho.
* Caso você se sinta inseguro para ter tal conversa ou seu relacionamento com o funcionário esteja ligado por um grande laço de amizade poderá estar tendo este tipo de conversa com o alcoólico: “Ei, fulano, você quer parar de beber ou não? Cada vez que você bebe, eu é que fico no fogo. Não é justo, nem comigo nem com a firma. Eu estive estudando umas coisas sobre alcoolismo. Se você for um alcoólico, é um homem seriamente doente. Você age como se fosse. A empresa quer ajudá-lo a melhorar e, se estiver interessado, há um jeito de sair dessa. Se for em frente, seu passado será esquecido e o fato de que você foi afastado para tratamento médico não será divulgado. Mas, se você não quiser ou não puder parar de beber, acho que deve pedir demissão”.
* Lembramos que o sigilo e a ética devem ser estritamente respeitados. Comentários sobre o assunto com pessoas que não estão diretamente ligadas ao funcionário só serviram para gerar fofocas e comentários maliciosos. Naturalmente, este tipo de coisa reduz as chances de recuperação do funcionário. O empregador deve proteger o funcionário deste tipo de mexerico, defendendo-o contra provocações desnecessárias ou críticas injustas.
* Caso ele (a) recaia, por uma vez que seja, cabe ao seu superior decidir se será ou não mandado embora. Se estiver convencido de que ele não está levando o caso a sério, não há dúvidas de que deve demiti-lo. Se, pelo contrário, tiver a certeza de que ele está fazendo o que pode, talvez queira lhe dar outra chance. Mas você não deve se sentir obrigado (a) a conservá-lo na empresa, pois sua obrigação já foi totalmente cumprida.
* Em resumo, ninguém deveria ser demitido apenas por ser alcoólico. Se quiser parar de beber, deve merecer uma chance. Se não puder ou não quiser parar, deve ser demitido. Poucas são as exceções.
Este tipo de enfoque resolverá muitos problemas e permitirá a reabilitação de bons funcionários e ao mesmo tempo você não hesitará em se livrar daqueles que não querem ou não conseguem parar com a bebida.
O alcoolismo pode estar causando muito prejuízo à sua empresa, em termos de perda de tempo, pessoal e reputação, ou poderá causar um grave acidente de trabalho.
Estas sugestões têm como objetivo ajudar a eliminar estas perdas, às vezes consideráveis.

Andréia Boggione
Psicóloga Organizacional
Profissional da Área de Recursos Humanos Betim/MG
“DESPRENDENDO-NOS DO CÍRCULO E DO TRIÂNGULO COMO UM SÍMBOLO “OFICIAL” DE A. A.”

(Artigo Publicado Originalmente no Box 4-5-9)

Durante muito tempo, um triângulo inscrito dentro de um circulo tem sido reconhecido como símbolo de Alcoólicos Anônimos. Não obstante, o círculo e o triângulo figuram entre os mais antigos símbolos espirituais conhecidos pelo ser humano. Para os antigos egípcios o triangulo representava a inteligência criativa, para os gregos, significava a sabedoria. Em geral, representava uma aspiração de alcançar um conhecimento mais amplo e uma maior compreensão do terreno espiritual.

Na Convenção Internacional onde se celebrava o 20º aniversário de A.A., aceitou-se o triângulo inscrito num circulo como o símbolo de Alcoólicos Anônimos. “O círculo”, disse Bill aos AAs. reunidos em St. Louis, “simboliza o mundo inteiro de A.A., e o triângulo representa os Três Legados de A.A, de Recuperação, Unidade e Serviço. Dentro do nosso maravilhoso novo mundo, temos encontrado a libertação de nossa obsessão mortal”.

O símbolo foi registrado como a marca oficial de A.A., em 1955, e foi usado livremente por várias entidades de A. A, o que funcionou muito bem durante um tempo. No entanto, em meados da década de 80, havia uma crescente preocupação por parte dos membros da Comunidade a respeito do uso do circulo com o triângulo por organizações alheias à Irmandade.

De acordo com a Sexta Tradição de A.A. que diz que A.A. ” jamais deverá sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à Irmandade”, A.A. World Services começou, em 1986, a tomar medidas para prevenir o uso do círculo com o triângulo por entidades alheias, incluindo fabricantes de souvenires, companhias editoras e instituições de tratamento.

Esta política foi efetivada com moderação, e só depois que todas as tentativas de persuasão e conciliação tinham fracassado, se considerava a possibilidade de empreender ações legais. De fato, de aproximadamente 170 usuários não autorizados que foram contatados, só foi apresentada demanda judicial contra dois deles e ambas foram resolvidas nos seus trâmites iniciais.

No começo de 1990, alguns membros da Comunidade pareciam dizer duas coisas: “queremos medalhas com nosso circulo e triângulo e, não queremos nosso símbolo associado com objetivos não A.A.”. O desejo de alguns membros de A.A de ter fichas de aniversário foi considerado pelas Juntas de A. A. World Services e do Grapevine em outubro de 1990, quando estudaram a possibilidade de produzir medalhas. O parecer das Juntas foi de que as fichas e medalhas não tinham relação com nosso propósito primordial de levar a mensagem de A.A. e de que o assunto deveria ser amplamente discutido na Conferência para conseguir a opinião da consciência de grupo da Comunidade. A essência desta decisão foi transmitida a Conferência de Serviços Gerais de 1991 no informe Junta de A. A. W. S.

A Conferência de Serviços Gerais de 1992 começou a enfrentar o dilema escutando apresentações a respeito de por quê devíamos ou não devíamos produzir medalhas, e sobre responsabilidade de A.A.W. S. de proteger nossas marcas registradas e direitos de propriedade contra usos que pudessem sugerir filiação a empreendimento alheios à Irmandade.

O resultado foi uma Recomendação da Conferência para que a Junta de Serviços Gerais efetivasse um estudo sobre a possibilidade de efetivar as maneiras pelas quais se poderiam colocar as fichas de sobriedade à disposição da Comunidade, seguido de um informe a um comitê de delegados da Conferência de 1993, o qual informaria a todos os membros da Conferência no mês de março seguinte.

Depois de longas considerações, o comitê apresentou seu informe e recomendações à Conferência de 1993. Depois de uma discussão, a Conferência aprovou duas das cinco recomendações:

1) o uso de fichas medalhões e sobriedade é um assunto ligado à autonomia local e não algo sobre o que a Conferência deva fincar uma posição definitiva; e…

2) não é apropriado que A.A.W.S. ou o Grapevine produzam ou autorizem a produção de fichas e medalhas de sobriedade.

Entre as considerações incluídas no informe do comitê estavam as repercussões de continuar protegendo por meios legais o uso das marcas registradas de A.A. por parte de organizações alheias a lrmandade. Casualmente, a Junta de A.A.W.S. tinha começado a considerar alguns acontecimentos recentes, chegando finalmente a reconhecer que as perspectivas de litígios cada vez mais demorados e dispendiosos, a insegurança quanto a possibilidade de lograr êxito, e o desvio em relação ao objetivo primordial de A.A. eram grandes demais para justificar o prosseguimento das tentativas de proteger o círculo com o triângulo.

Durante a reunião pós-Conferência da Junta de Serviços Gerais, os custódios aceitaram a recomendação de A.A.W.S. de deixar de lado a proteção do círculo com o triângulo como uma de nossas marcas registradas.

No começo de junho, a Junta de Serviços Gerais apoiou por substancial unanimidade a declaração de A.A. de que, de acordo com nosso propósito original de evitar a sugestão de afiliação ou associação com produtos e serviços alheios à Irmandade, Alcoholics Anonyimous World Services, Inc. deixará progressivamente de fazer uso “oficial” ou “legal” do símbolo do círculo com o triângulo A.A.W. S. continuará resistindo ao uso não autorizado das outras marcas e qualquer tentativa de publicar literatura de A.A. sem permissão.

Sem dúvida, o circulo e o triângulo terá sempre um significado especial no coração e na mente dos AAs, num sentido simbólico, assim como ocorre com a Oração da Serenidade e os lemas, que nunca tiveram um caráter oficial.

DECLARAÇÃO SUPLEMENTAR REFERENTE AO USO DO SÍMBOLO CÍRCULO / TRIÂNGULO

(Carta Publicada Originalmente no Box 4-5-9)

No dia 29 abril de 1993, A. A. W. S. distribuiu uma declaração para notificar que não mais se oporia ao uso do círculo/triângulo em medalhas, jóias e outros artigos.

Durante vários anos, algumas pessoas e organizações alheias a A.A. têm utilizado o símbolo do circulo/triângulo em conexão com artigos e serviços oferecidos a alcoólicos. Até recentemente, Alcoólicos Anônimos, de boa fé, realizou todos os esforços pala impedir o uso não apropriado do símbolo. Nossas normas têm sido coerentes com nossa Sexta Tradição e com nosso desejo de não ser associados com mercadorias ou serviços não autorizados.

No entanto a possibilidade de envolvermo-nos em litígios cada vez maiores e dispendiosos, a incerteza dos resultados, e a perspectiva de nos desviarmos do propósito primordial de A. A. nos convenceram de que já não seria aconselhável perseverar nos esforços destinada a proteção do símbolo.

De acordo com nosso propósito original de evitar toda impressão sermos associados ou filiados com mercadorias ou serviços alheios à Irmandade, Alcoólicos Anônimos, suspenderá progressivamente o uso “oficial” do símbolo do círculo/triângulo em nossa literatura, nossos memorandos e outros materiais.

Alcoólicos Anônimos continuará se opondo ao uso não autorizado das marcas registradas “A.A.” e “Alcoólicos Anônimos” (Alcoholics Anonyimous), apareçam ou não com o círculo/triângulo, assim como ao uso não autorizado de nossas demais marcas registradas “The Big Book” (O Livro Grande), “Box 4-5-9”, “The Grapevine”, “GV”, “A.A. Grapevine” e “Box 1 980”.

Uma aula de espiritualidade

Foi como se eu tivesse realmente “pronto” – no quarto ano de A.A. – para ler o texto do filósofo norte-americano William James, considerado o “pai da moderna psicologia”. Li Variedades da Experiência Religiosa como quem estuda: com cuidadosa atenção e anotando passagens importantes num bloco de papel. Como não encontrei uma edição em português, recorri a um volume em espanhol, numa biblioteca pública, e isso por si só tornou minha leitura ainda mais atenta.

Foram muitas e gratíssimas as surpresas. A experiência foi notável, não só por confirmar para mim aspectos da espiritualidade que eu já havia percebido, por meio da prática do programa de A.A. – a exemplo da consideração do autor de que “Deus é real desde o momento em que produz efeitos reais”, mas também porque me abriu novas e valiosas perspectivas de crescimento espiritual, ao esclarecer sensações que já tinham me assaltado mas que não conseguia identificar com clareza. Caso desta passagem:
“A prece ou a comunhão íntima com o espírito transcendental – seja ‘Deus’ ou ‘lei’ – constitui um processo onde o fim se cumpre realmente, e a energia espiritual emerge e produz resultados precisos, psicológicos ou materiais, no mundo fenomenológico.”.
Ao final da leitura sobrou para mim uma certeza: a de que o crescimento espiritual constante poderá me conduzir a um estado em que minhas preces deixem de ser meramente súplicas (como foram até agora e acredito que assim continuarão por tempo indeterminado) e assem a representar um estado mais elevado, em que eu possa louvar e amar a Deus como Ele merece ser louvado e amado – para que a semente de Sua presença dentro de meu próprio espírito possa se tornar plenamente efetivada.
Confesso que, de início, não achava que fosse ler o livro inteiro, mas apenas dois dos 20 capítulos, os que tratam da conversão (que eu entendo como despertar espiritual). Findos os dois capítulos (cada capítulo corresponde a cada uma das 20 conferências realizadas por James na Universidade de Edimburgo, na Inglaterra, entre 1901 e 1902), compreendi que tinha aberto uma arca de tesouro, passando a devorar tudo.
Há no livro um aspecto que, logo de saída, me fisgou: a generosidade do mestre, que não dá um passo sem relatar detalhadamente casos verídicos (alguns envolvendo alcoólicos), além de citar bastante outros autores e pesquisadores – como é o caso destas palavras , creditadas ao professor Leuba, contemporâneo seu e também precurssor da psicologia da religião:
“Deus não é conhecido, não é compreendido, é simplesmente utilizado, às vezes como provedor material, às vezes como suporte moral, às vezes como amigo, às vezes como objeto de amor. Se demonstrar sua utilidade, a consciência espiritual não exige mais nada.
Existe Deus realmente?
O que é?, são perguntas irrelevantes.
Não é a Deus que encontramos na análise última dos fins da espiritualidade, mas sim a vida, maior quantidade de vida, uma vida mais ampla, mais rica, mais satisfatória. O amor à vida, em qualquer e em cada um de seus níveis de desenvolvimento, é o impulso religioso”.
Outra citação, creditada pelo autor a Frederic Myers: “Se perguntarmos a quem dirigir a prece, a resposta (curiosamente, é certo…) há de ser isso não tem demasiada importância; a prece não é uma coisa puramente subjetiva, significa um incremento real da intensidade de absorção de poder espiritual – ou graça -, mas não sabemos suficientemente o que ocorre no mundo espiritual, para saber como atua a prece, quem toma conhecimento dela, ou por que tipo de canal é outorgada a graça”.
James também afirma que “o ponto religioso fundamental é que na prece e energia espiritual – em outros momentos adormecida – torna-se ativa e realmente se efetua uma obra espiritual de algum gênero”. Ele constatou, em suas extensas pesquisas sobre homens e mulheres que conseguiram despertar seu íntimo espiritual , que “o novo ardor que acende o peito dessas pessoas consome, com seu fulgor,as inibições inferiores que antes as perseguiam e imuniza-as da porção vil de suas naturezas. A magnanimidade, antes impossível, agora parece fácil; os convencionalismos insignificantes e os vis incentivos, antes tirânicos, agora não mais as subjugam”.
Muito antes da fundação de A.A., James já utilizava palavras muito familiares a todos nós, membros da Irmandade: “O despertar espiritual pode advir por um crescimento gradual ou abruptamente (por crisis), mas em qualquer desses casos parece ter chegado ‘para ficar’…”. Citando Starbuck, outro contemporâneo seu, James comenta que o efeito do despertar espiritual consiste em proporcionar “uma mudança de atitudes com relação à vida, que é constante e permanente, ainda que os sentimentos flutuem…”.
Essa singela colocação, “ainda que os sentimentos flutuem”, produziu em mim um efeito balsâmico. É que durante um bom período de minha recuperação pessoal, vivia com medo de que minhas oscilações emocionais constituíssem um grande risco. É certo que preciso continuar muito atento a meus altos e baixos emocionais, mas o fato é que tal reflexão veio confirmar o que eu já vinha percebendo há algum tempo. Ou seja, que, como ser humano, estou sujeito a uma certa gangorra de sentimentos, que nem sempre, contudo, leva a
uma recaída alcoólica.
Um pouco mais de esclarecimento, sobre os meus temores de recaída, chegou-me com essa reflexão: “Enquanto a nova influência emocional não alcançar um tom de eficácia determinante, as mudanças que produz são inconstantes e volúveis e o homem volta a recair em sua atividade original.
Mas quando uma emoção nova consegue uma certa intensidade, atravessa-se um ponto crítico, conseguindo-se uma revolução irreversível equivalente à produção de um novo estado natural”.
E é muito significativo que, 35 anos antes da fundação de A.A., William James, confrontando o “santo” (para o autor, santa é toda pessoa com faculdades espirituais fortes e desenvolvidas) e o “homem forte” (refere-se ao conceito de super-homem, de Nietzche), tenha escrito: “(…) No entanto, é possível conceber uma sociedade imaginária na qual não caiba a agressividade mas sim apenas a simpatia e a justiça – qualquer pequena comunidade de verdadeiros amigos conduz a essa sociedade. Quando consideramos abstratamente esta sociedade, ela seria, em grande escala, o paraíso, já que cada coisa boa se produziria sem nenhum desgaste. O santo se adaptaria perfeitamente a essa sociedade.
Suas maneiras pacíficas seriam positivas para seus companheiros e não haveria ninguém que se aproveitasse de sua passividade. Portanto, o santo é, abstratamente, um tipo de homem superior ao ‘homem forte’, porque se adapta a essa sociedade mais elevada concebível, sem depender para nada o fato desta sociedade vir a se concretizar ou não jamais”. Impossível não fazer uma analogia com A.A.
Nessa altura de minha programação pessoal, estou amplamente convencido de que a vasta literatura de A.A. é mais do que suficiente para minha recuperação constante – só por hoje. Lendo o livro de William James , pude sentir uma enorme satisfação também pelo fato de estar bebendo das águas de um dos regatos dos quais Bill W. se serviu. E uma grande necessidade de compartilhar minha experiência com os leitores da revista. Vinte e quatro horas a todos.
Juan, São Paulo/SP
Vivência – maio/junho 2000

Quantas Convenções já aconteceram e aonde?

I, II e III – São Paulo
IV – Recife
V – Belo Horizonte
VI – Porto Alegre
VII – Fortaleza
VIII – Blumenau
IX – João Pessoa
X – Curitiba
XI – Belém
XII – Brasília
XIII – Terezina
XIV – Rio de Janeiro
XV – Salvador
XVI – São Paulo
XVII – Manaus
XVIII – Cuiabá
Fatos Marcantes:

I Convenção (Conclave de Carnaval)
Dias 22, 23, 24 e 25 de fevereiro de 1974.
Compareceram representantes (Delegados) de 9 Áreas, a saber:

Santa Catarina – Álvaro K.
São Paulo – Arlindo B.
Rio de Janeiro – Dolores M.
Alagoas – Geraldo L.
Paraná – Chico R. (Sigolf R.)
Pernambuco – Luiz A.
Pará – Magalhães
Ceará – Mário H.
Mato Grosso – Eloy T.
Estavam presentes, além de diversos companheiros, Ana Maria T. e Sônia Lazzo, representantes de Al-Anon e o GSO de NovaYorque nos enviou, como assessora, Mary Ellen Wesh.

NOTAS – Os 9 Delegados passaram a constituir o Conselho Nacional do CLAAB (Centro de Distribuição de Literatura de AA Para o Brasil) ficando a presidência desse Conselho com Chico R., de Curitiba-PR, tendo como Secretário Álvaro K. de Florianópolis-SC.
Esse Conselho, então elegeu a Diretoria Executiva do CLAAB, tendo à frente Donald L.
A grande novidade foi a apresentação do 1º AA padre, do Brasil, o saudoso Pe. João.
28 companheiros assinaram a lista de presença, dos quais 21 já faleceram. Dentre os 28 citados não se tem notícias de nenhuma recaída.

II Convenção – 1975 (II Conclave) Local, São Paulo-SP, Carnaval. Eleva-se de 9 para 15 o número de Delegados (perceba-se que paralelamente à Convenção havia uma reunião de Serviços, ou seja, uma reunião preparatória às futuras Conferências.

III Convenção – 1976 (III Conclave de Carnaval). Em lugar do Eloy, compareceu representando Mato Grosso o companheiro Agostinho, de Cuiabá-MT.
Organizou-se a Junta de Serviços Gerais, com o nome de Junta Nacional de Alcoólicos Anônimos do Brasil (advém daí a sigla JUNAAB); decidiu-se enviar Delegados à WSM com a finalidade principal de trazer subsídios para a organização da Conferência de Serviços Gerais. Delegados Donald e Joaquim Inácio (RS). Também ficou decidido que a I Conferência de Serviços Gerais seria realizada em 1977, em Recife-PE, juntamente com o IV Conclave de Carnaval.

IV Convenção – 1977, Recife-PE. Pela 1ª vez eram apresentadas temáticas escritas com cópias distribuídas aos companheiros. Foram palestrantes:
Roy P. – Os Doze Passos
Eloy T. – As Doze Tradições
Donald Lazzo – Respondendo perguntas e tirando dúvidas.
Durante a Conferência, agora já com o seu corpo de Delegados em número de 40, representando 20 Áreas, ficou decidido que o IV Conclave teria lugar em Belo Horizonte-MG, juntamente com a II Conferência de Serviços Gerais e, em virtude do trânsito nas estradas na ocasião do Carnaval, foi a data transferida para a Semana Santa. A reprodução dos trabalhos apresentados foi feita por companheiros de Cuiabá-MT, sem ônus para a Convenção.

V Convenção – 1978, Belo Horizonte-MG (V Conclave). Contamos com a presença de Dr. Jack Norris, então presidente da Junta de Serviços Gerais dos EE.UU. e Canadá e sua esposa (ambos falecidos). Mato Grosso, em vésperas de ser dividido, levou um Delegado do Norte (Eloy) e um outro do Sul (Mário), sob a mesma bandeira do Mato Grosso uno. Na Conferência Eloy foi eleito como substituto de Donald para a WSM. Decidiu-se trocar o nome de Conclave para Convenção. Decidiu-se que as Convenções teriam lugar de 2 em 2 anos, devendo a seguinte realizar-se em Porto Alegre-RS, em 1980. As Conferências seriam nos anos ímpares realizadas em São Paulo, junto ao
ESG e nos anos pares acompanhariam Convenções.

VI Convenção – 1980, Porto Alegre-RS. Foi uma ótima Convenção realizada no Plenário da Assembléia Legislativa do Rio Grande. Escolhido o Roy Pepperell para substituir o Joaquim Inácio às RSM. Escolhida Fortaleza, Ceará como a sede da VII Convenção.

VII Convenção – 1982, Fortaleza-CE. Destacamos nessa Convenção, em primeiro lugar a presença de Davi Puerta da Colômbia e George Ifran do Uruguai, ambos Delegados À RSM por seus países, como convidados. Destacamos mais, a presença pessoal do Sr. Prefeito Municipal nas reuniões de abertura e encerramento da Convenção. A Convenção outrossim, editou dois livros a saber: a) Serviço, O Coração de A. A., um Relatório dos Delegados à 6ª R. S. M. b) SERVIÇO – Responsabilidade de Todos, contendo todas as temáticas apresentadas na Convenção. Por outro lado, face a grande divulgação e à colocação do evento na agenda do Sr. Prefeito Municipal, a Convenção passou a ser, daí por diante a maior arma de atração da Irmandade.

VIII Convenção – 1984, Blumenau-SC – Grandes enchentes, com o extravasamento das águas do Rio Itajaí, ocorrido nas vésperas do evento, impediu que a VIII Convenção tivesse o brilho esperado. Todavia o número de companheiros presentes manteve-se em elevação.

IX Convenção – 1986, João Pessoa-PB. A Convenção continua a atrair a presença de elevado número de companheiros e, pela primeira vez tivemos. Conferência, Convenção e temáticas todas concentradas na monumental Praça da Cultura.

IX a – Festa dos 40 Anos de AA no Brasil. A descoberta de uma ata de um Grupo dos primeiros tempos que teve o nome de Rio de Janeiro permitiu que se esclarecesse a data correta do início de AA no Brasil. Nela estava registrado: “Nossa próxima Reunião (5 de Setembro de 1950), coincidirá com o terceiro Aniversário da chegada de AA ao Brasil”. Isto motivou a organização de uma comemoração no intervalo das Convenções de João Pessoa (IX) e Curitiba (X). Foi organizada no Rio de Janeiro em um dia com Reuniões diversas em Unidades da Marinha de Guerra (com prestimosa ajuda do então Capitão de Mar e Guerra, Dr. Laís Marques da Silva que veio a ser nosso Custódio não Alcoólico e 2º. Presidente de JUNAAB). A coleta de fundos foi feita com a edição de um folheto: “Não me diga que não sou Alcoólico”, originário de Cleveland e à uma época em que se permitiam edição de folhetos fora do CLAAB. Os fundos permitiram pagar a ocupação do Maracanãzinho para a Reunião de Encerramento. Durante o evento foi lançada a 1ª. Edição do Manual de Serviços.

X Convenção – 1988, Curitiba-PR. A Convenção atinge o seu clímax. Local favorável na Universidade Federal do Paraná e a presença destacada da classe médica. Um marco muito importante na divulgação de AA.

XI Convenção – 1990, Belém-PA. O Norte e o Nordeste brasileiros disseram presente à Convenção e diversas caravanas partiram das regiões Sul e Sudeste, assegurando um sucesso de público, atraído também pela curiosidade turística da região.

XII Convenção – 1992, Brasília-DF. Situada a cidade no coração do país, torna-se o ponto mais eqüidistante de todo o território facilitando a locomoção, também em razão de ônibus de carreira ancorarem naquela cidade vindos de todos os recantos da pátria.

XIII Convenção – 1994, Terezina-PI. Nenhuma novidade anotada, salvo o grande interesse despertado, trazendo um público de 3.000 companheiros, aproximadamente.

XIV Convenção – 1997, Rio de Janeiro-RJ. Aproveitou-se para comemorar os 50 anos de AA no Brasil. Como sempre, a cidade maravilhosa apresentou um trabalho de intensa divulgação, com apoio da média e com a disponibilidade de espaços adequados ao evento – o Maracanãzinho e o Rio Centro. Conta-se que 15.000 pessoas estiveram presentes.

XV Convenção – 2000, Salvador-BA. 5º. Centenário do Descobrimento do Brasil. A Bahia estava em festa e o AA aproveitou a oportunidade para incorporar-se às comemorações obtendo um resultado enorme quer quanto a público, quer pela excelência das apresentações no moderno Centro de Convenções de Salvador.

XVI Convenção – 2003, São Paulo-SP. Aconteceu na Assembléia Legislativa e no Ginásio do Ibirapuera. 4.500 inscrições foram vendidas estimando-se uma presença de mais ou menos 5.000 companheiros.

XVII Convenção – 2007, Manaus-AM. Mesmo considerando a distância e a inexistência de transportes além do fluvial e do aéreo (com alto custo). A Convenção foi realizada com sucesso com cerca de 4.000 presenças.

XVIII Convenção – 2012, Cuiabá-MT. Reina grande expectativa, pois a curiosidade do Brasil sobre o decantado progresso da região, líder absoluto na produção de soja e algodão, tendo os números da produção agrícola do Estado ultrapassado o Estado de São Paulo. O espaço físico invejável, com um Centro de Convenções moderno e acolhedor, a atração da culinária local, faz da capital mato-grossense, um atrativo todo especial. Não nos surpreenderemos se a presença ao evento atinja os 10.000 participantes.

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Alcoolismo, Drogas e Grupos Anônimos – Eduardo Mascarenha
À GUISA DE PREFÁCIO

Bem mais uma nota introdutória.
O uso da palavra para compartilhar a satisfação de ter sido, pelo autor do livro, solicitado a fazê-la.
Tive o privilégio de ler este livro quando eram apenas notas. E o privilégio ainda maior de ter sido convidado a opinar e ver tais opiniões vertidas dentro do texto original. Sou membro de um dos Grupos Anônimos de que trata o livro. Sou alguém que teve a oportunidade de ter sua vida resgatada pelos princípios que norteiam os programas dos Grupos Anônimos. Sou também alguém que muito hesitou em aceitar tais princípios, por conta de uma orgulhosa pretensão auto-suficiente de querer resolver por mim meus problemas de adição. Infrutiferamente, porém. De maneira que, hoje, vendo o autor, o Dr. Eduardo Mascarenhas, um cientista, sem qualquer problemas de adição, enxergar, e de forma nítida, a importância de tais princípios, devo render um preito de reconhecimento a que ele tenha tido tal identificação.
os princípios de que falo são os Doze Passos sugeridos de recuperação, adotados pelos Grupos Anônimos e de original autoria de Alcoólicos Anônimos. E tais Passos sugeridos são um caminho para o aperfeiçoamento, um caminho para a espiritualidade. Já que a pura e simples abstinência para os adictos é uma medida disciplinar, amarga e apenas temporariamente aceita. A reformulação sugerida, contida nos Passos, abrindo aqueles já mencionados caminhos ao aperfeiçoamento, à espiritualidade, representa o virar de uma página de nossas vidas e o início de composição de uma nova história pessoal.
Inúmeros e eminentes cientistas, religiosos, administradores têm ao longo dos 55 anos de existência do Grupo Anônimo Mãe – Alcoólicos Anônimos – manifestado sua admiração, encantamento e respeito ao conteúdo destes princípios.
E agora vemos o lançamento deste livro, no qual o Dr. Eduardo Mascarenhas, por um lado, com desassombro afirmando a impotência da Medicina para a recuperação do adito. Por outro lado, com grande sensibilidade e sem qualquer pieguice, e mais, de uma forma clara e eleve, falando de um DEUS AMIGO de uma forma mais convincente, a meu ver, do que muitos tratados teológicos. sua aproximação racional prevalece até nos ângulos mais espirituais dos Passos.
Que faz o notório psicanalista Dr. Eduardo Mascarenhas enveredar por estes caminhos? A qualidade e profundidade de seu trabalho só permitem indicar uma motivação: AMOR. E por isto me permito supor com bastante convicção que se a motivação foi AMOR, este foi despertado através da prece e da meditação, buscando ampliar um contato consciente com um DEUS AMIGO que confia ao Ser criado os desígnios do Criador.
Creio que este trabalho é o suave atendimento a um desígnio maior.
Paulo M.
INTRODUÇÃO
Hoje é domingo, são 10 horas da manhã. Grande parte do Brasil já está acordada, mas uma pequena parcela ainda dorme, até porque bebeu demais ontem à noite. Como faz sol, muita gente foi para a praia ou para a piscina do clube e já começou a matar a sede com uma cervejinha bem gelada. Muita gente, porém, nem chegou até a praia ou a piscina. Parou no botequim no meio do caminho e, um tanto envergonhadamente, foi além da cervejinha: pediu um conhaque, uma caipirinha de vodca ou, mais diretamente, uma cachacinha. Fez careta ao engolir, emitiu sons guturais, balançou a cabeça como se estivesse espantado alguma aflição, mas, apesar de todo esse aparente mal-estar, pediu nova dose.
Muito embora o dia tenha apenas se iniciado, já começou a ingestão de bebidas alcoólicas. A esta altura, apesar do desfalque dos retardatários do pileque de ontem, que ainda destilam mais uma ressaca na cama, o número de brasileiros alcoolizados já ultrapassa o primeiro milhão. A partir desse momento, entretanto, a cada hora que passar, um novo milhão de alcoolizados se agregará a esse primeiro milhão. Findo o dia, quando a noite baixar, serão 10 milhões e, antes de a noite acabar – quando se chegar ao auge etílico do domingo -, serão de 12 a 15 milhões!
Este é o quadro: de 12 a 15 milhões de bêbados do Oiapoque ao Chuí!
São 100 estádios do Maracanã lotados, são duas vezes a população do Grande Rio, duas vezes a população da cidade de São Paulo! Se reuníssemos todos esses brasileiros num único lugar, eles constituiriam sem dúvida, um dantesco formigueiro de proporções, no mínimo, colossais.
Imaginemos o que vai acontecer nesse domingo, com motoristas bêbados dirigindo veículos em ruas povoadas de transeuntes e pedestres igualmente bêbados.
Não é à toa que, na maior parte dos acidentes de trânsito, sempre uma das partes envolvidas encontra-se alcoolizada e que 70% dos tratamentos de traumato-ortopedia envolvem pessoas que estavam bêbadas por ocasião de toda sorte de acidentes.
Como estarão todos os maquinistas de trem e todos os responsáveis pela sinalização ferroviária neste domingo? E os pilotos de avião e os responsáveis pela navegação aérea? Terão todos eles, sempre que foram ao banheiro, apenas ido ao banheiro, ou terão alguns tomado uns drinques escondido, naquelas garrafinhas achatadas que se pode levar no bolso de um paletó?
Como estarão todos os cirurgiões de plantão por esse país afora, nesse tentados domingo?
O pior é que o álcool, para um grande número dos seus consumidores, altera a personalidade, geralmente no sentido de uma exacerbação da agressividade.
Assim,foram amigos e familiares destratados durante o almoço, em que se tornaram objeto das mais gratuitas desfeitas. E, mais tarde, quando a família reage, são esposas e filhos ofendidos ou mesmo espancados.
Boa parte dos espancamentos e estupros são perpetrados sob o efeito do álcool. Muitos homicídios, assaltos e crimes passionais também. Existe sólida conexão entre alcoolismo, cidade grande e violência urbana.
além disso, o suicídio é 58 vezes mais frequente em alcoólatras na ativa do que no resto da população!
Ora se dirá: “Realmente esses números são assustadores, porém representam apenas excessos de sábados e domingos”.
Infelizmente, não é assim. É claro que, nos sábados, domingos e feriados, aumenta o número de bêbados. Contudo, amanhã, segunda-feira, a grande bebedeira nacional prosseguirá. Amanhã á noite não haverá 15 milhões de bêbados – é verdade -, mas serão 10 milhões! E o mesmo ocorrerá nas noites seguintes e em proporções crescentes até chegar aos picos de embriaguez dos fins de semana.
Acreditem se quiserem: no Brasil existem entre 10 e 12 milhões de alcoólatras, em graus variados de compulsão. E, a partir de amanhã, durante toda a semana, dos 10 a 12 milhões de trabalhadores bêbados espalhados pelo país, alguns estarão pendurados em andaimes – eles balançando para um lado e os andaimes para o outro; outros estarão zonzos e desconcentrados enquanto lidam com serras elétricas ou com chaves de alta tensão. Não é gratuitamente que a maior parte dos acidentes de trabalho ocorre depois do almoço, quando o trabalhador já se encontra alcoolizado.
O alcoolismo é responsável por 30% a 40% dos acidentes de trabalho. Além disso, é responsável pela diminuição da produtividade do trabalhador. O álcool reduz em 30% a capacidade de trabalhar, gerando ineficiência e desperdício. Responde também por um número bem significativo das faltas ao trabalho não-justificadas, o chamado absenteísmo. Como 60% dos operários brasileiros consomem álcool (embora nem todos sejam alcoólatras), pode-se avaliar o volume das perdas econômicas.
Nos anos 70, o governo de Gerald Ford estimou que o alcoolismo causava, nos EUA, um prejuízo anual nunca inferior a 30 bilhões de dólares. No Brasil, não seria exagero dizer que o alcoolismo desperdiça ou consome mais recursos do que a totalidade das importações brasileiras ou recursos equivalentes ao orçamento de toda Previdência Social. Perde-se mais com o alcoolismo do que com as amortizações da dívida externa!
O alcoolismo não só é a principal causa dos acidentes de trabalho, como das consultas médicas do INAMPS! Boa parte das internações e reinternações psiquiátricas é constituída por alcoólatras. O alcoolismo é igualmente um dos principais responsáveis pelas aposentadorias precoces.
De acordo com o sanitarista Ernani Luz Jr., de Porto Alegre, uma pesquisa levada a cabo em 319 empresas estatais espalhadas pelo país revelou que 23,5% dos funcionários dessas empresas têm problemas com o álcool.
O alcoolismo é também grave problema social. Contribui significativamente para a desagregação das famílias, e, se uma parte dos mendigos de nossas cidades é composta por retirantes e desempregados, outra é constituída por pessoas falidas ou enlouquecidas pelo álcool.
Esse fenômeno não é apenas brasileiro; é mundial. para combatê-lo, os norte-americanos inventaram até uma Lei Seca, que vigorou entre 1924 e 1934 e só serviu para inspirar filmes de gângsteres. Para os soviéticos da perestroika, o alcoolismo é prioridade governamental. A Organização Mundial de Saúde considera o alcoolismo a terceira doença que mais mata em todo mundo.
Como compreender o alcoolismo e como enfrentá-lo?
Este livro é uma tentativa de trazer à luz essas questões. Enfrentar o alcoolismo significa não apenas salvar milhões de vidas diretamente, como salvar muitas mais, indiretamente. Isso porque o alcoolismo leva à ruína, não só do alcoólatra como também de sua família, já que com frequência atinge o seu cabeça, provocando uma catástrofe na renda familiar. Enfrentar o alcoolismo significa diminuir enormemente o número de doentes que procuram os serviços públicos de saúde. São menos filas nos postos do Inamps, são mais verbas que sobram para melhorar os serviços, são menos famílias lançadas na miséria para adoecerem.
Não se deve esquecer, também, do problema das drogas, cujo comércio movimenta a inacreditável quantia de 100 bilhões de dólares anuais e cresce numa taxa sem precedentes, prometendo o consumo de drogas tornar-se, no amo 2000, juntamente com a AIDS e o alcoolismo, um dos problemas mais importantes de saúde pública do planeta, nesse torneio macabro de quem mata mais.

Maio de 1990

O LIVRO AZUL NO BRASIL

Eloy Toledo

Em dias de 1969, AAWS, Inc. recebeu uma carta do Grupo Central do Brasil, do Rio de Janeiro, solicitando autorização para traduzir e editar o livro “Alcoólicos Anônimos”. Poucos dias mais tarde aquela empresa recebia outra carta, agora do Grupo Senador Dantas, também do Rio de Janeiro, com a mesma solicitação. Gilberto, um brasileiro funcionário da ONU em Nova Iorque que vinha em férias para o Rio, passou pelo GSO para saber se havia algo para Grupos do Brasil, sendo então solicitado a investigar as razões dos pedidos de diferentes Grupos com relação ao texto base de A.A.

De volta a Nova Iorque, Gilberto, informou ao pessoal do GSO que aqueles grupos vinham, fazia tempo, guerreando por razões de somenos importância, informando mais, que naquele momento não havia unidade no A.A. do Rio a recomendar tarefa de tamanha importância.
Todavia, acrescentou Gilberto, a companheira Dorothy lhe informara que, em São Paulo, um norte-americano, chamado Donald já tinha parte do livro traduzido para uso no seu Grupo e que o considerava em condições de empreender essa missão.

O Gerente do GSO, então, escreveu a Donald perguntando-lhe se aceitava o encargo de traduzir e publicar o livro. Se aceitasse, deveria formar um Comitê para gerir essa atividade, um LDC (Literature Distribution Center). Donald respondeu que aceitava a responsabilidade que lhe ofereciam, porém que os Grupos do Brasil não tinham recursos financeiros para a publicação. O GSO resolveu financiar o empreendimento e quando o CLAAB – Centro de Distribuição de Literatura de A.A. para o Brasil foi constituído, recebeu a importância de US$ 2.000,00 (dois mil dólares americanos) com os quais o Livro pode ser impresso e colocado à disposição do público e dos Grupos de A.A., em novembro de 1969.

O empréstimo do GSO estabelecia condições para o pagamento: a cada dia 30 o CLAAB deveria enviar ao GSO o valor correspondente a um dólar por cada livro vendido no mês findo.No final de um ano haviam sido vendidos todos os 2.000 exemplares daquela primeira edição e a dívida quitada, porém o resultado da venda se esvaira na publicação dos folhetos “A.A. Na Sua Comunidade”, “Você Deve Procurar o A.A.?”, o livreto “44 Perguntas & Respostas” mais despesas correntes (aluguel, etc). Assim, para a nova edição, novo empréstimo foi feito, agora de US$ 3.000,00 (três mil dólares americanos), sem quaisquer especificações na forma de pagamento.

O empréstimo assumido no início de 1971 só foi totalmente liquidado no final de 1979 e dele resultou o patrimônio atual da JUNAAB e a estrutura do A.A. do Brasil.

GRUPOS APADRINHANDO GRUPOS

Ao começar minha palestra, gostaria de exprimir-lhes os afetuosos cumprimentos da comunidade de A.A. da Polônia e expressar, aos AAs de todo o mundo, em nome de A.A. polonês, os melhores desejos de felizes e serenas 24 horas de sobriedade.

Minhas anotações sobre o tema são baseadas em minhas próprias experiências e observações. Nos últimos anos, temos visto um espantoso crescimento do A.A. na Polônia. Para entender este crescimento, seria útil notar que na Polônia, um país com uma população de quarenta milhões de habitantes, estima-se haver cinco milhões de alcoólicos. Entre as razões que podem ser citadas para justificar os altos índices de alcoolismo na Polônia, estão a opressão, a qual a nação foi exposta durante os anos da ocupação estrangeira e o sistemático esforço, por parte dos invasores e da burocracia comunista, no sentido de induzir o povo polonês a beber cada vez mais. Existia, também, uma noção errada, muito difundida, de que os poloneses eram bêbados inveterados. Quando a mensagem de A.A. chegou ao meu país, traduzimos os Doze Passos, Doze Tradições e o Livro Grande; então, muitos daqueles que sofriam de alcoolismo rapidamente compreenderam que esta era a grande esperança e a oportunidade para a salvação de nossas vidas.

Todos nós que tínhamos tomado conhecimento do que era esta Irmandade, queríamos levar a mensagem aos alcoólicos que ainda estavam sofrendo. Oito anos atrás, quando compreendi o valor da Irmandade de A.A., havia apenas um grupo em Cracóvia, cidade de quase um milhão de habitantes e, neste grupo, chamado de “Grupo Queen Hewig”, havia apenas oito membros. Tínhamos apenas duas reuniões por semana. Procurávamos amparar uns aos outros todos os dias, mantendo-nos mutuamente em contato, marcando encontros, telefonando para os companheiros, conversando sobre nossas vidas diárias, nossos sentimentos, problemas e temores.

Sempre que alguém necessitava de ajuda, nós ajudávamos. Visitamos hospitais onde havia alcoólicos em tratamento. Graças à boa vontade de médicos, padres e outros amigos, conseguimos encontrar novos lugares em Cracóvia para formação de novos grupos. Meu trabalho tomava-me muito tempo, a qualquer hora do dia, e por isso eu nem sempre conseguia chegar pontualmente às reuniões existentes. Destarte, procurei encontrar um lugar adequado para uma reunião e iniciei um novo grupo. Assim surgiu o “Grupo Krakus”, no meu bairro.

Posteriormente, quando o grupo cresceu, decidimos ir à prisão local e contar nossas histórias. O resultado foi a formação de um grupo pelos próprios prisioneiros, o qual ainda está ativo e o qual frequentemente visitamos.

À medida que o grupo continuou a crescer, passamos a sentir falta de espaço para nossas reuniões. Para resolver o problema, experimentamos dividir o grupo em duas partes e organizar duas reuniões separadas. Esta tentativa de solução falhou, porque os que vinham para a primeira reunião ficavam para a segunda. Depois, alguns membros mais experientes viajaram para outros lugares e fundaram novos grupos, os quais passaram a funcionar nas diversas áreas do país.

Fundou-se o Intergrupo “Gallician” no sul do país, o qual atende a quase oitenta grupos. Começamos a nos visitar uns aos outros e a organizar reuniões conjuntas mensalmente, cada vez numa cidade diferente. Continuamos em contato uns com os outros, participamos da Conferência Nacional de Serviços e, como resultado, a Irmandade na Polônia cresceu tremendamente. O número de grupos cresceu de 32 em 1984 para quase mil em 1994.

Enquanto isso, temos datas e lugares fixos de diversas reuniões que se tornaram quase tradicionais em nosso país: em março, em Czestochowe; em julho, em Lichen; em novembro, em Zakroczym. A localização de nossa Conferência Nacional de Serviços é rotativa. Estas Conferências, as quais são organizadas por diferentes intergrupos de A.A., são, na essência, grandes reuniões de A.A., embora também discutamos matérias de interesse comum e outros problemas, tais como publicações de literatura, finanças, etc.

Os principais objetivos no apadrinhamento de novos Grupos são fornecer literatura, ajudá-los na organização das primeiras reuniões e manter contatos pessoais frequentes. A irmandade de A.A. na Polônia deseja continuar oferecendo esta preciosa dádiva de esperança; levar esse dom cada vez mais longe, para grupos na Slovákia, Bielarus, Lituânia e Rússia. Já temos alguns contatos mútuos com outros grupos e, ocasionalmente, nos encontramos durante viagens ao exterior e em nossos eventos de A.A. na Polônia. As diferenças de linguagem são os maiores obstáculos aos nossos esforços para estabelecer aqueles contatos, mas a experiência tem demonstrado que nossa simples presença dá suporte, encorajamento e esperança a outros alcoólicos e contribui para a unidade.

Procuramos nos comunicar através da linguagem do coração.

(Tadeusz F. – Polônia)

Vivência nº 36 – Jul./Ago. 1995

Nós, os jovens, temos espaço em A.A.?

“Ele foi levar o pai para conhecer A.A. e acabou ficando”.

Nos primeiros tempo de A.A. não havia jovens, pois, somente os alcoólicos já desesperados conseguiam engolir e digerir essa verdade amarga: ser um alcoólico.

Com imensa satisfação afirmamos que, com o passar dos anos, isso mudou. Os alcoólicos que ainda mantinham sua saúde, suas famílias, seus empregos, e até dois carros na garagem, começaram a reconhecer seu alcoolismo. Crescendo essa tendência, uniram-se a eles muitos alcoólicos jovens, que mal passavam de alcoólicos em potencial. Esse fato se concretiza a cada dia na nossa Irmandade. E eu sou parte desta realidade.

Conheci o A.A. em outubro de 1999, motivado pelos problemas que o meu pai estava enfrentando com o álcool. Minha intenção era levá-lo para A.A., já que ele estava precisando de ajuda, bebendo descontroladamente todos os dias.

Ao entrar em contato com a Irmandade, fiquei maravilhado com as histórias verídicas de recuperação de vários alcoólicos, que de maneira geral, haviam bebido muitos anos e agora tinham encontrado a sobriedade. Fiquei surpreso por ver meu pai evitar o primeiro gole a partir daquela reunião milagrosa. No dia segunite fomos, eu e meu pai, novamente à reunião, e vi novas pessoas contarem suas histórias de sucesso frente à doença do alcoolismo.

Durante essa reunião fiquei refletindo sobre a possibilidade de também possuir a doença, já que eu estava passando por vários problemas e bebendo muito. Ao encerrar a reunião, fui perguntar aos membros do grupo se eles poderiam me informar se eu era ou não alcoólico. Como resposta, me disseram que só eu poderia me considerar alcoólico ou não. Saí daquela reunião um pouco menos preocupado com meu pai, que havia conseguido ficar 24 horas sem ingerir o primeiro gole, e fiquei pensando mais em mim, tentando descobrir se eu era mesmo um alcoólico.

Nessa avaliação, algumas coisas me levaram a crer que eu era mesmo doente, pois eu não vinha de experiências muito agradáveis com a bebida. Entretanto, minha mente alcoólica me mostrava vários pontos que me descartavam da condição de alcoólico, pois eu era jovem (22 anos), não bebia diariamente, havia recém me formado com certo êxito num curso superior, não havia perdido família, nem gostava de beber cachaça. Todas essas situações divergiam da maioria dos membros que eu escutara.

Na minha peregrinação de tentar ajudar meu pai, fui com ele em mais uma reunião, só que agora em outro grupo de A.A. A reunião iniciou-se e eu prestei bastante atenção nos depoimentos dos companheiros e ouvi um companheiro jovem declarar-se alcoólico. Porém, o que me marcou mais foi um senhor, com cerca de 70 anos, que foi falando da sua vida, que havia pouco tempo que ingressara na Irmandade, que estava bem, mas que sentia muito por não ter conhecido A.A. quando mais novo. Parecia que aquele senhor estava falando ao meu ouvido, e que cada palavra que ele dizia, se dirigia especificamente a mim. Percebi que Deus o utilizou para abrir a minha mente, para eu me aceitar como alcoólico e que não precisava chegar a uma situação de profundo desespero para encarar que eu realmente tinha problemas com o álcool. Assim sensibilizado por todo esse contexto espiritual, eu ingressei em A.A., convicto que eu tinha problema com o álcool. Talvez um alcoólico em potencial, mas que não precisaria passar por mais dificuldades além das que eu havia passado, para encontrar a sobriedade.

Deus havia aberto Seus braços de Pai bondoso para acolher-me. Ele não perguntava quantos anos eu tinha, o único requisito que eu necessitava era o desejo de abandonar a bebida, e isso eu tinha. Saí daquela reunião junto com meu pai, e parecia que eu estava nas nuvens. Aquela situação era um grande presente de Deus para mim, sou grato até hoje por A.A. me aceitar como sou, jovem, com o desejo de abandonar a bebida.

Como a doença do alcoolismo me cegou, colocando uma venda nos meus olhos, dificultando a visão de mim mesmo como um alcoólico!

Agora compreendo o meu descontrole frente à bebida e que o meu contato com ela sempre trouxera problemas, porém, ver-me como um alcoólico era algo que ia contra o meu ego, era uma auto-imagem que eu não queria ter; hoje aceitar-me como realmente sou, me faz muito bem.

Agradeço a Deus por estar em recuperação evitando o desenvolvimento da doença, que poderia ter me levado à morte.

Durante esta caminhada, em recuperação, tive várias experiências interessantes, como a incerteza de meus pais e familiares frente a minha condição de alcoólico. Meu pai chegou a dizer que eu não precisava participar de A.A. por causa dele, que eu não era alcoólico. Ele voltou a beber após afastar-se das reuniões; permaneceu longe de A.A. por cerca de dois anos. Eu, graças a Deus, continuei participativo da Irmandade, vivenciando os passos, respeitando as tradições e procurando realizar serviços até que, em junho de 2002, eu tive a grata satisfação de estar novamente com meu pai dentro de A.A.

Daquele momento em diante, venho apadrinhando-o e presenciado sua dedicação pela recuperação.

Hoje ele já compreende que realmente eu não estou em A.A. porque tenho um pai alcoólico, e sim, porque eu sou um alcoólico.

Em certa reunião um companheiro nosso, pai de um amigo meu, e que me conhecia desde criança, também disse que eu não era alcoólico. Outras pessoas que não fazem parte de A.A. me disseram que eu era muito jovem, e que eu não precisava ser tão radical em não beber nenhum gole, mas eu bem sei dos meus problemas com a bebida, e que realmente preciso evitar o primeiro gole e recuperar-me da doença através do programa de doze passos. No meu ponto de vista, essas conclusões de certas pessoas, alcoólicas e não, sobre mim, referente ao alcoolismo, refletem, de certa forma, uma visão da nossa sociedade em geral, ainda distorcida sobre o alcoólico. De que é somente aquele que está no mais profundo estágio do alcoolismo, com muitas perdas, quase à beira da loucura ou da morte. Esquecem-se, que mesmo estes, não nasceram assim. Que essa condição foi galgada, dia após dia, utilizando o álcool de forma progressiva, e quase todos os alcoólicos
não começaram diretamente na sarjeta. Entretanto essa visão tem se modificado, dentro e fora de A.A. As pessoas têm reconhecido a natureza progressiva da doença, além de compreenderem que ela não escolhe sexo, raça, idade, posição sócio-econômica-cultural e que a Irmandade de A.A. está de portas abertas para todo aquele que deseja abandonar a bebida.

Tenho visto cada vez mais jovens dentro das salas e espero estar contribuindo de alguma forma para que o jovem se sinta cada vez mais à vontade na Irmandade, participando de reuniões em vários grupos e apadrinhando alguns jovens.

Deixo aqui o meu grande abraço a todos os companheiros e reitero: A.A. é para todos, inclusive os jovens!

Muita sobriedade e serenidade!

Anônimo

(Vivência – Mai/Jun. 2004)

O que aconteceu?

Esta pergunta está sendo feita por muitos alcoólicos ultimamente. O que aconteceu com a nossa taxa de sucesso? 30 a 40 anos atrás, estávamos segurando 75% ou mais dos alcoólicos que vinham buscar ajuda conosco. Hoje, não estamos retendo nem 5%. O que aconteceu?
O que aconteceu com aquele Grupo de A.A. maravilhoso de 20, 30 ou 40 anos atrás? Normalmente havia 50, 75, 100 ou mais pessoas em cada reunião. Agora é só história; desapareceu! Cada vez mais grupos estão fechando as portas todo dia. O que está acontecendo?
Ouvem-se muitas ideias, opiniões e justificativas quanto ao que está acontecendo, mas as coisas não estão melhorando. Pelo contrário, continuam a piorar. O que está acontecendo?

Bill W. escreveu:

“Nos anos que se seguirão, A.A. certamente cometerá erros. A experiência nos ensinou que não devemos ter medo de fazê-los, desde que continuemos dispostos a admitir nossas falhas e a corrigi-las prontamente. Nosso crescimento como indivíduos tem dependido deste salutar processo de tentativas e erros. Também acontecerá ao nosso crescimento como Irmandade.
Lembremo-nos sempre que qualquer sociedade de homens e mulheres que não puder corrigir seus próprios erros certamente entrará em declínio senão em colapso. Tal é o preço universal pelo fracasso de continuar a crescer. Assim como cada membro de A.A. deve continuar a fazer seu inventário moral e a se corrigir, também desse modo deve a sociedade, se é que queremos sobreviver e se pretendemos servir bem e com eficiência.” (A.A. Atinge a Maioridade)
Com tão pouca sobriedade e o contínuo fechamento de grupos de A.A., torna-se evidente que nós não temos estado dispostos a admitir nossas falhas e a corrigi-las prontamente.
Parece-me que o Delegado da Área do Nordeste do Ohio. Bob Bacon, identificou nossas falhas e erros quando falou a um grupo de AAs em 1976. Disse ele, em síntese, que não estamos mais mostrando ao recém-chegado que temos uma solução para o alcoolismo. Não estamos falando para eles do Livro Azul e o quão importante ele é para a nossa recuperação a longo prazo. Não estamos falando para eles sobre as nossas Tradições e o quanto elas são importantes para cada um dos grupos e para Alcoólicos Anônimos como um todo. Pelo contrário, estamos usando nossas reuniões para contar mazelas da ativa, discussão de problemas pessoais, ideias e opiniões sobre o “meu dia”, ou o “nosso modo”.
Tenho estado aqui a já alguns anos, e refletindo sobre o que Bob Bacon falou, parece que nós deixamos os recém-chegados convencerem os antigões de que eles novatos tinham uma ideia melhor. Eles vieram de 30 ou mais dias passados em centros de tratamento onde lhes tinha sido ressaltada a necessidade que tinham de falar dos problemas deles nas Sessões de Terapia em Grupo. Foi-lhes dito que não fazia diferença saber qual era o verdadeiro problema deles, pois A.A. tinha o “melhor programa”. Foi-lhes dito que eles deveriam ir a uma reunião de A.A. todo dia durante os primeiros 90 dias do tratamento. Foi-lhes dito que não deveriam tomar quaisquer decisões importantes durante o primeiro ano de sobriedade. E o que mais lhes foi dito vai mais adiante, a maior parte nada tendo a ver com o programa de Alcoólicos Anônimos.
Aparentemente, o que lhes foi dito pareceu suficiente para os membros de A.A. que já estavam aqui quando os pacientes de Centros de Tratamento começaram a aparecer nas reuniões. E muitos membros de A.A. gostaram das ideias desses centros porque eles proporcionavam um lugar onde podiam descarregar um bebedor com problemas principalmente se ele tivesse como pagar. Isso eliminava algumas das inconveniências com que já havíamos sido incomodados antes e que nos fazia despejar suco de laranja e mel ou até uma dose de bebida na garganta de um alcoólico em delírio para ajudá-lo a desintoxicar-se.
Quando o A.A. se tornou bem sucedido, as pessoas que falavam nas reuniões eram alcoólicos em recuperação. Os alcoólicos que ainda não estavam em recuperação e sofredores apenas escutavam. Após ouvir o que era preciso fazer para entrarem em recuperação, o recém-chegado tinha que tomar uma decisão: “Você vai por em prática os Passos para se recuperar ou vai voltar lá e continuar a beber?”
Se eles dissessem que estavam dispostos a “fazer o que fosse necessário”, recebiam apadrinhamento, um Livro Azul, e começavam um processo de recuperação pela prática dos Passos e experimentando as Promessas que resultam desse modo de ação.
Este processo mantinha o recém-chegado ocupado em trabalhar o programa com os outros e continuar o crescimento da Irmandade. Nossa taxa de crescimento era de aproximadamente 70% e o número de membros sóbrios de Alcoólicos Anônimos dobrava a cada 10 anos.
Com o crescimento rápido da Indústria do Tratamento, a aceitação do nosso êxito com alcoólicos pelo sistema judicial e endosso dele pelos médicos, psiquiatras, psicólogos etc., todo tipo de gente vinha para o A.A. em número que jamais imagináramos possível. Até sem compreendermos o que estava acontecendo, nossas reuniões começaram a mudar daquelas que se focavam na recuperação do alcoolismo para as de “discussão ou partilha” que convidavam a todos para dizerem o que lhes viesse à cabeça. As reuniões evoluíram de um programa de crescimento espiritual para as do tipo de terapia em grupo, em que passamos a ouvir cada vez mais a respeito dos “nossos problemas” e cada vez menos sobre o Programa de Recuperação do Livro Azul e da preservação da Irmandade por adesão às nossas Tradições.
E o que resultou disso tudo? Bom, nunca tivemos tantos virem a nós pedindo ajuda. Mas também nunca tivemos uma taxa de crescimento tão baixa e que agora vai baixando cada vez mais. Pela primeira vez em nossa história, Alcoólicos Anônimos está perdendo membros mais rápido do que chegam recém-chegados, e nossa taxa de sucesso está no incrível mínimo. (Estatísticas dos Escritórios Intergrupais de algumas das maiores cidades indicam que menos de 5% daqueles que manifestam o desejo de parar de beber conseguem fazê-lo por mais que 5 anos; muito longe mesmo dos 75% constatados por Bill W no Prefácio da Segunda Edição.) A mudança no conteúdo de nossas reuniões está se provando uma armadilha fatal para o recém-chegado e também, para os grupos que passam a depender desse tipo de reuniões de “discussão e participação”.
Porque isso? A resposta é muito simples. Quando as reuniões eram abertas para os alcoólicos que precisavam de ajuda e para os não-alcoólicos, dava-se-lhes oportunidade para expressar suas ideias, opiniões, arejar seus problemas e contar como lhes tinha sido dito para fazer nos lugares de que vinham, e o recém-chegado confuso ficava ainda mais confuso com a diversidade de informação que lhe era apresentado. Cada vez maior número era encorajado a “somente participar de reuniões e não beber”, ou pior ainda, “ir a 90 reuniões durante 90 dias”. Não se falou mais ao recém-chegado para seguir os Passos ou então voltar a beber para ver onde ia dar. Na verdade, passamos a dizer: “Não se apressem a trabalhar os Passos. Deixem que eles entrem em você.” Os alcoólicos que participaram da compilação do Livro Azul não esperaram. Eles começaram a trabalhar os Passos desde os primeiros dias após seu último gole.
Agradeçamos a Deus que há aqueles em nossa Irmandade, como o Joe, o Wally ou o Charlie etc., que reconheceram o problema e começaram logo a fazer algo a respeito. Eles estão redirecionando o foco de volta ao Livros Azul. Sempre ficaram alguns grupos que não se deixaram levar pela tendência do tipo terapia em grupo e se mantiveram firmes no seu comprometimento de levar uma única mensagem ao alcoólico que sofre. Esta é dizer ao recém-chegado que “nós tivemos um despertar espiritual como resultado da prática destes Passos e se você quiser se recuperar, lhe designaremos um padrinho que já se recuperou e que o guiará pelo caminho que os primeiros 100 primeiros membros abriram para nós.”
Alcoólicos em recuperação começaram a fundar grupos que tem um único propósito e informam ao recém-chegado que até que ele tenha adotado os Passos e entrado em recuperação, não poderá dizer nada nas reuniões. Irão ouvir os alcoólicos em recuperação, praticarão os Passos, irão se recuperar e então tentarão passar suas experiências e conhecimento a outros que estejam procurando o tipo de ajuda que Alcoólicos Anônimos proporciona.
À medida que esse movimento se expande, como está fazendo, Alcoólicos Anônimos voltará a ter êxito em fazer a única coisa que Deus determinou para nós, e que é ajudar o alcoólico que ainda sofre a se recuperar, se já se decidiu que quer o que nós temos e para conseguir isso, está disposto ao que for necessário, aderir e praticar os Doze Passos em suas vidas e proteger nossa Irmandade honrando e respeitando nossas Doze Tradições.
Existe uma tendência para colocar a culpa por nossas dificuldades no colo da industria do tratamento e nos profissionais. Eles fazem o que fazem e isso não tem nada a ver com o que nós em Alcoólicos Anônimos fazemos. Isso é assunto deles. Não é lá que se deve colocar a culpa ou a transgressão da nossa Décima Segunda Tradição.
O verdadeiro problema é de que os membros de Alcoólicos Anônimos que estavam aqui quando esses pacientes de fora começaram a vir à nossa Irmandade, não os ajudaram a entender que o nosso programa já estava firmemente comprovado desde Abril de 1939.
E que as linhas guia para a preservação e crescimento de nossa Irmandade foram adotadas em 1950. Que esses novatos precisavam começar a praticar o Programa de Doze Passos de Alcoólicos Anônimos tal e qual nos foi dado. Que até que o tivessem feito e se recuperado, eles não tinham nada para dizer que precisasse ser ouvido por qualquer outro além do seu padrinho. Mas isso não aconteceu.
Pelo contrário, os antigões falharam em sua responsabilidade para com o recém-chegado, não o informando da verdade vital: “Raramente vimos fracassar a pessoa que nos tenha seguido nesse caminho. Aqueles que não se recuperam são pessoas incapazes de fazê-lo ou que não se dispõe a se entregarem inteiramente a este programa simples.”
Temos permitido a alcoólicos e a não alcoólicos sentarem em nossas reuniões e falarem de seus problemas, suas idéias e opiniões. Estamos saindo do “Raramente vimos fracassar” para o “Raramente vemos uma pessoa se recuperar”.
E é onde estamos hoje. Tivemos 30 anos de inacreditável êxito por seguirmos os ditames do Livro Azul. E estamos tendo 30 anos de fracasso desalentador por nos dispormos a ouvir todos falarem de seus problemas. Pelo menos agora temos algo a comparar.
Agora sabemos qual é o problema e sabemos qual é a solução. Infelizmente, não fomos capazes de prontamente corrigir as falhas que foram geradas pelo que pode parecer a ingestão de grandes doses de apatia e complacência. O problema que estamos vivenciando é o de desnecessariamente matar alcoólicos. A solução? O Poder maior que nós mesmos, que nós encontramos através das promessas de recuperação dos Doze Passos para aqueles que se dispõe a praticá-los conforme as guias claras e objetivas do Livro Azul.
Você quer ser uma parte do problema ou parte da solução? Simples, mas não fácil. Vai ser preciso pagar um preço.

OPÇÕES

Com freqüência podemos ouvir em nossos Grupos, depoimentos que mencionam a declaração: “Agora eu tenho opção”.
Penso que seria importante considerar que tal declaração no tempo de “agora” implica em admitirmos que “antes, na ativa, não tínhamos opção”.
Podemos dizer que na ativa, tudo que tínhamos era “beber” ou “beber”.
Vejo dois pontos relevantes: determinismo e livre arbítrio.
Num extremo, o determinismo faz pressupor nossa existência dentro de um caminho totalmente traçado do qual não podemos desviar. É um Destino em todos os detalhes.
No outro extremo, o Livre Arbítrio pleno sendo aplicado a todas as situações de nossa vida, como se fossemos donos absolutos da mesma.
Em Alcoólicos Anônimos, aprendi muito cedo o aparente contraste entre entregar plenamente a minha vida a Deus e, ao mesmo tempo sentir a inexistência de qualquer obrigatoriedade de buscar uma reformulação.
Não foi difícil considerar a coexistência destas duas forças: determinismo e livre arbítrio, inicialmente em relação ao alcoolismo, meu principal problema.
É ele conseqüência de um “DETERMINISMO”.
Mas tenho em minhas mãos a possibilidade de não lutar para vencê-lo e sim, dele me isolar já que meu “LIVRE ARBÍTRIO” a isto me faculta.
São sábios os textos de A.A. quando nos Passos e nas Tradições apenas me sugerem caminhos, jamais existindo uma coerção para praticá-los.
Nas Garantias tenho assegurada minha permanência na Irmandade já que não importa o que faça, não posso dela ser privado.
Por isto, tenho que me rejubilar por hoje ter as opções indicadas pelo meu “LIVRE ARBÍTRIO”.
Não mais estou preso, circunscrito ao “DETERMINISMO” do “Beber ou beber”.

Guaracy/Petrópolis/RJ

Vivência nº107 – Mai./Jun./2007.

A maior dádiva de todas

SAULO F.

Quando este tema me foi sugerido para ser apresentado no “VI Encontro com Veteranos” do Grupo Cachoeira da Paz, em Cachoeira do Campo, Ouro Preto/ MG, temi pelo êxito deste assunto, pois ele abria oportunidade para um juízo de valor, o que o tornava bastante subjetivo. Apelei para o companheiro que dirigia o encontro, mas, naquele momento, ele não podia resolver minha dúvida. Só tempos mais tarde, ele me informaria que a idéia havia sido desenvolvida no
livro “A linguagem do coração”. Mas nesse entremeio de tempo, numa reunião informal de AA, já havia sugerido, numa espécie de balão de ensaio, a pergunta:
qual é a maior dádiva de todas? As respostas, como era de se esperar, foram as mais variadas possíveis. Todas apropriadas, diga-se a bem da verdade, mas com uma peculiaridade que não me agradava. Ou seja, para o objetivo que tinha em mente, para cumprir a missão que me fora destinada, senti-as incompletas.
Continuei pensando sobre o assunto, e uma luz brilhou. Quem sabe, especulei comigo mesmo, a maior dádiva não seria também um grande sacrifício? Então me veio à mente a abstinência alcoólica, porém, afastei-a logo de imediato, por ser óbvia e exclusivamente do nosso meio. Por este fato, em nada estaria acrescentando, apenas ruminando uma idéia que todos sabemos, especialmente em um encontro de e
com veteranos. O tempo passava e temas e mais temas continuaram desfilando em minha tela mental, cada um há seu tempo, tentando se impor como o preferido.
Mas, repentinamente, por uma dissociação de idéias, ou melhor, por uma associação de idéias ao avesso, uma frase pulou na minha frente sem a menor cerimônia.
Vou explicar: creio ter sido eu quem, na Grande Belo Horizonte, pela primeira vez, apresentou, digamos assim, esta mal-bendita frase aos companheiros. O certo é que não me recordo de tê-la ouvido antes em salas de AA. Nada de especial nisto. O problema é que algo nela me chamou a atenção. Com ela, me debati muitas vezes. Impossível ignorá-la. Ainda que se discordasse dela, teríamos que dizer, como os italianos, que poderia não ser verdadeira, mas era bem bolada! A partir daquele momento em que lhe dei à luz, em nosso meio, tal como
uma criatura estranha, ela ganhou vida própria e passei a presenciá-la ser dita e redita inúmeras vezes. Era de fato poderosa na sua expressividade! Mas que frase seria essa que veio como intrometida em meu universo mental, num momento em que apenas esperava por atinar com uma resposta para o tema deste trabalho?
E o que era ainda mais surpreendente, é que ela mais serviria, no caso, como anticlímax, do que como protagonista de um elenco de bênçãos, dentre as quais eu deveria escolher uma. Sendo assim para que eu a adotasse como parte de meu trabalho, teria de contraditá-la depressa, pois apenas serviria como contraponto, nunca como uma solução afirmativa. Ao lado desta dificuldade, outra também havia, qual seja a de que eu deveria me revestir de uma razoável ousa-dia para discordar do filósofo, pai da idéia. E olha que, além de ter sido um dos fundadores da escola filosófica, a que passou a pertencer, foi indicado com mérito na sua carreira de escritor para o cobiçado prêmio Nobel de
literatura!

Contudo, antes de revelar o conteúdo da frase que tanto in-cômodo me causou, vamos dar um passeio, ainda que ligeiro, pelos Passos de AA, com especial ênfase no texto do Passo Seis: “Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter”. (Entre parênteses, para lembrar que o título do nosso trabalho é: “A maior dádiva de todas” e, apenas aparentemente, estamos fugindo deste encargo).
De todos os passos, o Sexto é o que mais ambigüidade revê-la. Ambigüidade no sentido de estar em cima do muro, e, esta vi-são longe está de ser pejorativa.
Uma outra pausa, e voltemos no tempo, para nos lembrar- mos dos chamados Grupos de Oxford e de seus famosos Absolutos. Honestidade absoluta, Verdade Absoluta, e assim por diante. Nesta visão pretérita do que foi o berço do AA, recordemo-nos de que houve, naqueles tempos idos, um afastamento recíproco, de parte a parte, entre os líderes do movimento Oxfordianos e os bêbados que lá chegavam, naquele reduto evangélico. Os bêbados, porque não se sujeitavam as regras rígidas dos chamados Absolutos, e os lideres do movimento Oxfordianos, porque conosco se desencantaram, uma vez que sempre voltávamos a beber. Isto não significa que um lado ou outro estava errado, ou ainda que ambos os lados estivessem equivocados. Na verdade, os dois tinham sua parcela de razão. Ambos estavam corretos, mas em momentos diferentes. Os bêbados, porque precisavam
primeiramente da linguagem do coração, esta poderosa estratégia de
confrontação, irrespondível para os bebedores problemas, que ainda teimam em defender a bebida em suas vidas. Para que pudessem deter a marcha do alcoolismo, a rendição era e continuaria a ser imprescindível. Careciam ainda da informação médica que estava por vir, na sua forma atual, já que, àquela época, o alcoolismo era classificado entre as doenças mentais, e, pelo grande público,
éramos considerados um bando de marginais e de desavergonhados. Os dois grupos, como se vê, não se encontraram no tempo. Quanto aos preceitos, ditos Absolutos, só mais tarde, talvez, tivéssemos condições de nos deliciarmos com eles, sem risco de in-digestão.
Pois bem, a meu ver, o sexto passo é uma tentativa de, na prática, acomodar esses interesses aparentemente conflitantes: o saudosismo dos Oxfordianos, que, a meu ver, cada membro de AA deveria sentir, e a espiritualidade popular, por nós adotada, que promete muito e realiza pouco. Eu próprio brinco de melhorar já faz muito tempo.
Reparem nisto: quando o Passo sugere “prontificamo-nos inteiramente” (grife-se o inteiramente) “a deixar que Deus removesse todos esses defeitos” (grife-se também o todos), ele é Oxfordianos na sua natureza. Também quando ele afirma que “este é o passo que separa os adultos dos adolescentes” (e devemos entender esta maturidade subjacente à figura dos adultos, não só como de caráter emocional, mas igualmente espiritual), a sua índole Oxfordiana manifesta-se incontestável.
E, um terceiro exemplo, no meio de outros tantos: nunca devo dizer, ensina o Passo, que a tal ou qual defeito “jamais renunciarei”. Aqui, mais uma vez, se revela indisfarçável, o seu vezo Oxfordianos.
Mas, indo e voltando, para ver o outro lado da questão, quando o sexto passo concede que na prática do viver diário, a remoção dos defeitos oferece dificuldades, neste momento está prestando uma homenagem aos desertores de ontem e de hoje, fujões eternos da prática dos Absolutos. Ora, aprendendo com os caçadores (certamente foram eles que inventaram o ditado), “devemos fugir é da onça, não do rastro da onça”. Esse pessimismo, ou seria um tipo de acovardamento, não é senão ele quem tem moldado pensamentos, como aquele que
prometemos revelar, daqui a pouco, apesar de ter sido expressado por um gênio.

Introduzamos ainda, para maior clareza, o que se sugere: na tarefa, da assim chamada reformulação, temos, como diz o Sexto Passo, a tendência para fugir dos engarrafamentos psicológicos, das tarefas que oferecem maior dificuldade.
Contentamo-nos em fugir pelas tangentes, em comer pelas beiradas do prato, escapulindo das questões dolorosas. No entanto, atenção agora, por favor, pois, como diziam os antigos, é “aqui que a porca torce o rabo”. É nesta encruzilhada, fabricada por nós, desenhada pelo medo, que se situa a real compreensão do problema. A tal da felicidade, a bendita paz de espírito, a tão convocada serenidade da nossa prece, em reuniões e fora delas, só aparece quando diante desses pontos de estrangulamento, passamos a enfrentá-los corajosamente. Como receita, se me permitem receitar não sendo médico, nem
honorável filósofo, é largar de mão a desconfiança e acreditarmos que o
resultado da superação do defeito de caráter, da imperfeição, do pecado – seja lá que nome se queira dar a essas mazelas – é melhor que a satisfação mórbida do defeito tido como insuperável. É mais ou menos como o prazer que dá a coceira do bicho-de-pé. Contudo, não ignoramos o fato que um pé sadio, afinal, é melhor do que um pé doente. No campo espiritual, essa distinção vem embaçada pela
neblina do EGO. Não é tão simples de enxergar, como no exemplo do bicho-de-pé.
Mas quem quer ser tolo? Ninguém, não é mesmo? Chegaremos lá! Temos que ultrapassar nossos limites, sempre e sempre. Aí então, Deus que é luz toma conta do cenário. Invade nossa alma e nos enche de beatitudes. Detalhe, que tem passado despercebido freqüentemente (tradutor, traidor – ainda os italianos) é o fato de que a frase original, adotada pela Irmandade, não é, de forma alguma, o, à La brasileira, “não sou santo, nem candidato a santo”, mas sim “não queira
ser santo tão depressa”.
Após essa peregrinação, que se fez necessária pelos Passos de AA, tratemos de nos aproximar com mais velocidade da solução pessoal dada por este companheiro ao que poderíamos objetivar como se fosse uma pergunta que está implícita ao tema.
Em sua opinião, Saulo, afinal, qual é a maior dádiva de todas? Os companheiros, naturalmente, se lembram de que, para respondê-la, iríamos contrariar frontalmente o pensamento de abalizado filósofo. Rapidamente, por questão de honestidade e justiça, devemos informar que o contexto em que o ilustre francês cunhou tal frase, ele tinha seu cabimento. Fazia sentido lá, quando e onde foi escrita, e o raciocínio do autor era coerente com o drama que sua imaginação desenvolveu. Licença poética. Coisa de artista. A frase está contida numa peça
de teatro intitulada “Entre quatro paredes”. No original “Huis Seus”. Mas, apesar dessas considerações, não vou me acovardar agora no final. Espiritualmente ela não serve. Está completamente errada e, por um raciocínio invertido, é a solução da pergunta – tarefa. Não se surpreendam, mas lembram-se qual é ela?
Claro! Não? Depois de tanto a repetirmos?

Portanto, agora, depois que justificamos o ilustre filósofo, a quem, em assim fazendo, acabamos por prestar-lhe a nossa devida e respeitosa homenagem, denunciemo-lo, ainda que amistosamente. Cuidamos de uma afirmação que nos veio do filósofo existencialista Jean Paul Sartre e já falecido, que defende o ponto de vista que “L’enfer sont les autres.“ “O inferno são os outros”. Êta desculpa boa, “sô”! O inferno são os outros. Será que é necessária explicação? Vá lá!
Entre outras coisas, esta frase quer dizer que tudo que me acontece, por culpa dos outros aconteceu. Ou ainda, que não devo interagir com os semelhantes, pois todos não passam de empecilhos a minha volta, de paredões a impedir a minha livre caminhada. Pensando bem, diante de tamanho ab-surdo, só posso ser mais generoso ainda com o inteligente Sartre, admitindo que tenha se expressado de
forma irônica, debochada!
Declaro neste momento, amigo Sartre, que vou reescrever sua frase, que fica assim: Os outros não são nosso inferno, mas sim a grande oportunidade que Deus nos dá, visando o aperfeiçoamento espiritual do “homo sapiens”. Ou seja, numa frase mais enxuta:
– Chegamos ao céu através dos outros – Viram no que deu? Voltamos aos idos da década de 30. Aos Oxfordianos. Não me resta alternativa senão, diante das atuais circunstâncias, agradecer a eles, a quem, um dia, no passado, eu despreze. Relevem nossa falha, meus irmãozinhos do grupo Oxford! É claro, é verdadeiro que somente o amor absoluto, que naquela época tentaram me ensinar, é que fornece o passaporte PA-ra a felicidade. A literatura de AA usa a expressão “pedra de toque”, para explicar situação parecida com esta. Quando me ter capaz de pagar o mal que porventura me fazem com a moeda tilintante do bem, o sorriso de Deus me contagia e abençoa minha alma aflita. Vejo, igualmente, que, se na época do meu alcoolismo, a única e
terrível saída era abandonar a bebida, agora no campo espiritual tenho que, a todo custo, viver o amor em todos os níveis. No pensamento, no coração e na ação. Não dá para interromper o programa. “Não dá para quebrar a ficha”! Em termos radicais, posso dizer que aqui está o ponto de estrangula-mento de todo e qualquer ser humano, o maior engarrafamento emocional de cada um de nós. Tal como no exemplo do bicho-de -pé, há que se valorizar é o pé sadio. Apesar de ser esquisitamente agradável odiar quem nos odeia, ter má vontade com aqueles a quem invejamos, guardar rancor de quem nos prejudica, temos que superar essa tolice. É como no salto de obstáculo. Quando estivermos do lado de lá, saberemos que a satisfação pela vitória é definitivamente maior e gratificante do que as dificuldades ultrapassadas, transcendidas. Há que se acreditar que o amor ao
próximo, especialmente para com aqueles a quem é difícil amar, traz-nos uma recompensa quase inimaginável. Esta regra de ouro é condição sem a qual nada feito. Se saltarmos esta lição, ainda que pratiquemos coisas extraordinárias para nosso aprimora-mento, estaremos nos enganando. Conclusão, para este companheiro, que a vós se dirige nesta cachoeira de paz, a maior dádiva de todas não é ser inteligente, ser amado, ou ser o número um. A maior dádiva de todas é a possibilidade que Deus nos dá de amarmos o próximo incondicionalmente, sem nenhuma exigência, ou interesse. Apenas amar.

Pode ajudar muito se entendermos a natureza da má-vontade para com os outros, se compreendemos que de alguma forma, estamos condicionados a ela. Nossa reação de desagrado, de antipatia, de desforço psicológico foi aprendida e vem sendo reforçada constantemente. Passemos a quebrar os hábitos antigos de
antipatizarmo-nos com pessoas e circunstâncias. Para evitar situações que tais, siga seus movimentos emocionais, sem perdê-los de vista. Descarte aqueles que não são generosos e substitua-os gradativamente, mas com rigor, até que um tempo chegará em que valores mais criativos, revestidos de bondade, tornarão nosso ambiente mental harmonioso e altruísta. É mais ou menos por aí, que começamos, de certa forma, a ser senhores de nosso destino.

Alcoólicos Anônimos, começo e crescimento…(Bill W.) Há 14 anos, realizei uma conferência diante da Sociedade Médica do Estado de New York, por ocasião de sua reunião anual, Para nós, de Alcoólicos Anônimos, esse foi um acontecimento histórico. Representou a primeira oportunidade em que uma das grandes Associações Médicas dos Estados Unidos obteve informações corretas sobre a nossa Irmandade. Os médicos, naquele dia, fizeram mais do que tomar conhecimento a nosso respeito. Eles nos receberam com os braços abertos e autorizaram a publicação de nossa palestra sobre A.A. na sua revista especializada, chamada Journal. Milhares de exemplares dessa conferência de 1944, desde então, têm sido distribuídos ao redor do mundo, convencendo os médicos de todas as partes sobre o valor de A.A. Somente Deus sabe o que essa percepção e atitude generosa têm representado para incontáveis alcoólicos e suas famílias. A profunda compreensão daqueles membros da Sociedade Médica Sobre Alcoolismo da cidade de New York, movidos pelo espírito de generosidade, convidaram-me a vir aqui esta noite e com o sentimento de eterna gratidão é que trago os cumprimentos de 250 mil alcoólicos recuperados, que compõem agora a nossa Irmandade, em cerca de 7 mil Grupos, aqui e no exterior.* Talvez a melhor maneira para compreender os métodos e resultados de A.A. seja dar uma olhada nos seus primórdios, no tempo em que a medicina e a religião assumiram uma benéfica parceria conosco. Essa parceria constitui agora o alicerce do sucesso que temos tido desde então. Seguramente, ninguém inventou Alcoólicos Anônimos. A.A. é uma síntese de atitudes e princípios oriundos da medicina e da religião. Nós, alcoólicos, simplesmente alinhamos essas forças, adaptando-as aos nossos propósitos como Irmandade, de forma que funcione com eficácia. A nossa contribuição foi restabelecer o elo perdido na cadeia da recuperação, a qual agora é tão significativa e promissora para o futuro. Poucas pessoas sabem que as primeiras raízes de A.A. encontraram solo fértil há 30 anos num consultório médico. Dr. Carl Jung, esse grande pioneiro da psiquiatria, estava falando com um paciente alcoólico. E, de fato, aconteceu o seguinte: O paciente, um preeminente homem de negócios americano, havia percorrido o caminho típico do alcoólico. Havia esgotado as possibilidades da medicina e da psiquiatria nos Estados Unidos e veio procurar o Dr. Jung como último recurso. Carl Jung havia tratado dele durante um ano e o paciente, a quem chamaremos de Sr. R., sentia-se confiante de que haviam sido descobertas e removidas as causas profundas da sua compulsão para beber. Todavia, em pouco tempo, após receber alta do Dr. Jung, voltou a embriagar-se. Em estado de desespero, voltou ao consultório de Dr. Jung e perguntou qual era a sua real situação, obtendo a resposta. Em essência, o Dr. Jung lhe disse: “Durante algum tempo, após a sua chegada aqui, acreditei que você seria um daqueles raros casos no qual poderia ocorrer uma completa recuperação. Mas devo dizer-lhe francamente que nunca vi um único caso de recuperação através da psiquiatria em que a neurose fosse tão severa como é em você. A medicina fez tudo o que podia fazer. Essa é a situação.” Uma profunda depressão tomou conta do Sr. R., e ele perguntou: “Não há exceção? Isso é realmente o fim da linha para mim?” “Bem”, respondeu o Dr. Jung, “há algumas exceções, muito poucas. Aqui e ali, de vez em quando, os alcoólicos têm tido o que chamam de experiências espirituais vitais, que parecem ser uma espécie de grande rompimento ou alteração, seguida de uma reorganização emocional. Idéias, emoções e atitudes, as quais constituíam as forças motrizes desses homens, são posta de lado e um novo elenco de conceitos e propósitos começa a dominá-los. Tentei produzir algumas dessa alterações emocionais dentro de você. Com alguns tipos de neuróticos, o método que emprego dá bons resultados, mas nunca obtive êxito num alcoólico com o seu perfil.” “Mas”, protestou o paciente, “eu sou um homem religioso e ainda tenho fé”. O Dr. Jung respondeu: ” A fé religiosa comum não é suficiente. Estou me referindo a uma experiência transformadora, uma conversão espiritual, se preferir assim. Somente posso recomendar-lhe que se coloque num ambiente religioso de sua escolha; que reconheça sua impotência pessoal e que se entregue ao Deus que você pensa existir. O raio de um despertar espiritual poderá atingi-lo. Terá que tentar isso, é a sua única saída”. Assim falou um grande e humilde médico. Para o futuro de A.A., essas palavras foram decisivas. A ciência havia diagnosticado que o Sr. R. estava virtualmente desenganado. As palavras do Dr. Jung haviam-no atingido fundo, produzindo uma grande deflação do ego. Essa deflação profunda é atualmente a pedra angular dos princípios de A.A. Ali, no consultório do Dr. Jung, esse princípio foi aplicado pela primeira vez em nosso benefício. O paciente, Sr. R., escolheu o Grupo Oxford da época como sua instituição religiosa. Terrivelmente castigado e quase sem esperança, entrou em grande atividade no grupo. Para sua alegria e assombro, prontamente cessou sua obsessão por bebidas. Retornando à América, o Sr. R. encontrou um velho amigo de escola, um alcoólico crônico. Esse amigo – a quem chamaremos de Ebby – estava prestes a ser internado num hospital psiquiátrico estadual. Nessa conjuntura, um outro elemento vital foi adicionado à síntese de A.A. O Sr. R., alcoólico, conversou com Ebby, também um alcoólico e companheiro de sofrimento. Essa identificação profunda veio a ser o segundo princípio fundamental de A.A. Através dessa ponte de identificação, o Sr. R. transmitiu o veredicto do Dr. Jung de como a maioria dos alcoólicos era desenganada, do ponto de vista médico e psiquiátrico. Ele então apresentou Ebby ao Grupo Oxford, onde meu amigo rapidamente ficou sóbrio. Meu amigo Ebby conhecia bem minha situação. Eu havia percorrido o itinerário familiar. No verão de 1934, meu médico, William D. Silkworth, deu-se por vencido e desenganou-me. Ele foi obrigado a me dizer que eu era vítima de uma compulsão neurótica para beber; que nenhum tratamento, educação ou força de vontade poderia detê-la. Acrescentou ainda que eu era vítima de uma desordem física que poderia ser de natureza alérgica; uma disfunção física que provocaria dano cerebral, a insanidade ou a morte. Aqui estava novamente o deus da ciência – que era então meu único Deus – esvaziando-me o ego. Eu estava pronto para receber a mensagem que em breve viria por intermédio do meu amigo alcoólico, Ebby. Ele veio à minha casa num dia de novembro de 1934 e sentou-se à mesa da cozinha enquanto eu bebia. “Não, obrigado”, não queria nenhuma bebida, disse-me. Muito surpreso, perguntei-lhe o que havia acontecido. Olhando-me de frente, disse: “Tenho religião”. Isso foi demais: uma afronta à minha formação científica. Tão polidamente quanto possível, perguntei-lhe que tipo de religião ele tinha. Então me contou de suas conversas com o Sr.R. e como o alcoolismo realmente era desesperador, segundo o Dr. Carl Jung. Acrescentando-se ao veredicto do Dr. Silkworth, esta era a pior notícia possível. Fui duramente atingido. Em seguida, Ebby enumerou os princípios aprendidos no Grupo Oxford. Embora aquela boa gente às vezes lhe parecesse agressiva demais, não poderia encontrar nenhuma fala na maioria dos seus ensinamentos básicos. Afinal. esses ensinamentos tornaram-no sóbrio. Em essência, aqui estão, tal como o meu amigo os aplicava em 1934: 1. Ebby admitiu que era impotente para dirigir sua própria vida. 2. Tornou-se honesto consigo mesmo, como nunca fora antes; fez um “exame de consciência”. 3. Fez uma rigorosa confissão de seus defeitos pessoais e, assim, deixou de viver sozinho com seus problemas. 4. Inventariou suas relações distorcidas com outras pessoas, visitando-as para fazer as reparações possíveis. 5. Resolveu dedicar-se a ajudar outras pessoas necessitadas, sem a usual necessidade de prestígio ou ganho material. 6. Através da meditação, procurou a orientação para a sua vida e ajuda para praticar esses princípios de comportamento por toda a vida. Para mim, tudo isso soava ingênuo. Contudo, meu amigo continuou o singelo relato do que havia acontecido. Contou-me que, praticando esses ensinamentos, tinha parado de beber. Medo e solidão desapareceram e havia adquirido uma considerável paz de espírito. Sem rigorosas disciplinas ou grandes resoluções, essas mudanças começaram a surgir a partir do momento em que se pôs de acordo com esses princípios. Sua libertação do álcool parecia ser um produto secundário. Embora sóbrio há poucos meses, sentia-se seguro, pois agora tinha uma resposta básica. Evitando prudentemente os debates, despediu-se e partiu. A centelha que se converteria em Alcoólicos Anônimos tinha sido acesa. Um alcoólico havia estado falando com outro, estabelecendo uma profunda identificação comigo e colocando os princípios da recuperação ao meu alcance. A princípio, a história do meu amigo produziu uma confusão de emoções desencontradas. Eu estava indeciso e revoltado ao mesmo tempo. Minha forma solitária de beber continuou por mais algumas semanas, mas não pude esquecer sua visita. Vários assuntos ocorreram em minha mente: primeiro, que era estranho e imensamente convincente o seu estado de evidente libertação; segundo, que ele havia sido desenganado por médicos competentes; terceiro, que esses velhos preceitos, quando transmitidos por ele, tocaram-me com grande força; quarto, que eu não poderia, nem queria, seguir adiante com nenhum conceito de Deus e que não faria nenhum sentido para mim, nenhuma conversão. Resumindo, tentando brincar com meus pensamentos, descobri que já não podia fazê-lo. Pelos laços da compreensão, sofrimento e singela verdade, um outro alcoólico me havia enlaçado a ele. Não podia me desligar. Uma manhã, após beber, tive uma inesperada revelação. E perguntei: “Quem é você para escolher a forma como recuperar-se? Mendigos não têm o direito de escolher. Suponha que a medicina diga que você tem um carcinoma. Você não iria tratá-lo com cosméticos. Tomado de medo, rapidamente suplicaria ao médico para dizimar aquelas diabólicas células cancerosas. E se ele não pudesse detê-las e você acreditasse que uma conversão religiosa poderia fazê-lo, o seu orgulho seria posto de lado. Se preciso fosse, por-se-ia de pé em praça pública e chorando diria ‘Amém’ junto a outras vítimas. Então, qual a diferença entre você e uma vítima de câncer? Seu corpo está se desintegrando. Do mesmo modo, desintegra-se a sua personalidade e a sua obsessão leva-o à loucura ou a funerária. Vai experimentar a fórmula do seu amigo ou não?” Naturalmente, experimentei. Em dezembro de 1934, compareci ao Hospital Towns, de New York. Ao meu ver, meu velho amigo, Dr. William Silkworth, balançou a cabeça, incrédulo. Tão logo me liberei dos sedativos e do álcool, senti-me terrivelmente deprimido. Ebby veio me visitar. Embora me agradasse vê-lo, retraí-me um pouco. Temia a evangelização, mas isso não aconteceu. Após conversar um pouco, pedi-lhe que falasse novamente com clareza da sua fórmula de recuperação. Mansa e calmamente, sem exercer nenhuma pressão, explicou-me E então partiu. Deitado e em grande conflito , mergulhei na mais negra depressão que havia sofrido. Por um momento, meu obstinado orgulho foi esmagado. E exclamei: “Agora estou pronto para fazer o mesmo que o meu amigo Ebby”. Embora não esperasse nada, fiz esse frenético apelo: “Se existe Deus, que se mostre por inteiro”. O resultado foi instantâneo, elétrico, indescritível. O quarto iluminou-se de uma brancura intensa. Entrei em êxtase e vi-me numa montanha. Um vento intenso soprava, envolvendo-me e penetrando-me. Para mim, o vento não era feito de ar, mas de espírito. Veio-me fulgurante à mente um pensamento fantástico: “Você é um homem livre”. E então o estado de êxtase cessou. Ainda deitado na cama, descobri dentro de mim um novo mundo de consciência, inundado da “presença”. Unido com o universo, uma grande paz caiu sobre mim. “Então esse é o Deus dos pregadores, essa é a grande realidade.” Mas, rapidamente, recobrei a razão e minha educação formal assumiu o comando. Eu deveria estar louco. Fiquei terrivelmente assustado. Dr. Silkworth, um santo médico como nunca houvera igual, veio para ouvir-me contar hesitante esse fenômeno. Após interrogar-me cuidadosamente, assegurou-me de que não estava louco e que talvez eu tivesse tido uma experiência psíquica que poderia resolver o meu problema.Como um homem da ciência cético que era até então, essa foi uma resposta compreensiva e sagaz. Se tivesse dito “alucinação”, eu poderia agora estar morto. A ele dedico minha eterna gratidão. A boa sorte me perseguia. Ebby me trouxe um livro intitulado Variedades da Experiência Religiosa e eu o devorei. Escrito por William James, psicólogo, sugere que a experiência da conversão pode ter uma realidade objetiva. A conversão modifica a motivação e, de forma quase automática, possibilita uma pessoa ser e fazer o que era antes impossível. Interessante foi o fato de que as experiências de conversão ocorreram na maioria das vezes com pessoas que sofreram derrota total em determinada etapa da vida. O livro mostrava certamente essas variedades. Mas, se essas experiências eram brilhantes ou embaçadas, súbitas ou graduais, de caráter teológico ou intelectual, tais conversões tinham um denominador comum, operavam mudanças em pessoas completamente derrotadas. Assim afirmava William James, o pai da moderna psicologia. Após compreender esses fatos eu venho tentando aplicá-los. Para os bêbados, a resposta óbvia era a deflação profunda, e quanto maior melhor. Isso me parecia claro como a água. Eu tive a formação de engenheiro e a visão autorizada e a visão autorizada do psicólogo significou tudo para mim. Esse renomado cientista da mente veio confirmar tudo que o Dr. Jung havia dito e ele havia documentado exaustivamente tudo o que havia afirmado. Desse modo, William James confirmou os fundamentos pelos quais eu e muitos outros temos nos mantido sóbrios todos esses anos. Eu não tenho tomado nenhuma bebida alcoólica desde 1934. Armado com absoluta certeza e animado pelo meu inato desejo de poder, lancei-me à tarefa de curar alcoólicos por atacado. Era duplamente impulsionado e as dificuldades nada significavam. Não me apercebia da enorme presunção do meu projeto. Recrutei à força durante seis meses e a minha casa se encheu de alcoólicos. Discursos bombásticos não produziram o menor resultado. (Para meu desapontamento, Ebby, meu amigo da conversa à mesa da cozinha e que estava mais doente do que eu supunha, demonstrou pouco interesse nesse alcoólicos. Esse fato pode ter sido a causa de suas recaídas, embora tenha eventualmente se recuperado.) Mas tinha descoberto que trabalhar com outros alcoólicos era de enorme importância sobre a minha própria sobriedade. Contudo, nenhum dos meus candidatos estava conseguindo ficar sóbrio. Por quê? Pouco a pouco, os erros da minha abordagem tornaram-se claros. Algo semelhante a um fanático religioso, obcecado com a idéia de que todos teriam que ter uma “experiência espiritual” como a minha. Eu esqueci que James havia dito existir uma grande variedade de experiências transformadoras. Meus companheiros alcoólicos olhavam-me incrédulos ou zombavam sobre o meu “clarão”. Sem dúvida, isso arruinava a forte identificação que era tão necessária estabelecer com eles. Tornei-me um evangelista. Obviamente teria que mudar a minha abordagem. O que havia acontecido comigo em seis minutos seriam necessários seis meses com os outros. Tive que aprender que as palavras eram apenas palavras e doravante teria que ser prudente. Nessa conjuntura – a primavera de 1935 -, o Dr. Silkworth advertiu-me que eu havia esquecido tudo a respeito da deflação profunda do ego. Havia me transformado num pregador. E me disse: “Por que você não coloca a dura realidade da medicina a essas pessoas antes de mais nada? Esqueceu o que disse William James sobre a profunda deflação do ego? Dá-lhes os fatos médicos, com toda clareza. Não lhes conte do “clarão”. Enumere extensivamente os seus sintomas, a fim de estabelecer uma profunda identificação. Se você agir dessa forma, os seus candidatos poderão vir a adotar os singelos princípios morais que você vem tentando ensinar a eles”. Aqui estava a contribuição vital para a síntese. E uma vez mais foi feita por um médico. Incontinente, substituiu-se a ênfase atribuída ao pecado pela enfermidade, a doença fatal, o alcoolismo. Nós citávamos a opinião de vários médicos que asseguravam de que o alcoolismo era mais letal que o câncer e que consistia numa obsessão mental acompanhada de crescente sensibilidade física. Esses eram os nossos fantasmas gêmeos. Loucura e morte. Apoiávamo-nos muito na declaração do Dr. Jung de quão desesperadora poderia ser essa situação e logo aplicávamos uma dose devastadora de conhecimento a todo alcoólico ao nosso alcance. Para o homem moderno, a ciência é onipotente, virtualmente um Deus. Por isso, se a ciência proferir uma sentença de morte a um alcoólico e nós colocarmos esse veredicto terrível numa transmissão constante ao alcoólico, uma vítima falando a outra, pode abalar totalmente o ouvinte. Então o alcoólico pode voltar-se para o Deus dos teólogos, simplesmente por não ter mais lugar para onde ir. Por mais verdadeiro que fosse esse estratagema, certamente continha o seu lado prático. Imediatamente todo o ambiente modificou-se. As coisas começaram a melhorar. Passados alguns meses, fui apresentado ao Dr. Robert S., um cirurgião de Akron. Era um alcoólico em péssimo estado. Desta vez não fiz nenhum sermão. Contei-lhe da minha experiência e do que conhecia sobre o alcoolismo. Porque nos entendemos e precisávamos um do outro, estabeleceu-se uma reciprocidade pela primeira vez. Esse encontro marcou o fim da minha postura de pregador. Essa idéia da necessidade mútua, acrescida ao ingrediente final da síntese da medicina, religião e da experiência do alcoólico constitui agora Alcoólicos Anônimos. “Dr, Bob”, um caso muito grave, alcançou a sobriedade e, desde então, nunca mais tomou um trago até a sua morte, em 1950. Ele e eu logo começamos a trabalhar com um grupo de alcoólicos que encontramos no Hospital Municipal de Akron. Quase imediatamente logramos uma recuperação, seguida de outras. O primeiro Grupo de A.A. havia sido formado. Retornando a New York no outono de 1935, dessa vez com todos os ingredientes da recuperação, um outro grupo rapidamente tomou forma nesta cidade. Todavia, o progresso dos Grupos de Akron e New York foi dolorosamente lento nos anos seguintes. Centenas de casos foram trabalhados, mas somente poucos responderam positivamente. Entretanto, no final de 1937, quarenta pessoas estavam sóbrias e começamos a nos sentir mais seguros e confiantes. Vimos que tínhamos uma fórmula poderosa, que levada de um alcoólico a outro, mentalmente produz, numa reação em cadeia, um número expressivo de recuperações. Então veio a pergunta: “Como podemos transmitir nossas boas novas aos milhões de alcoólicos na América e em todas as partes do mundo?” A resposta parecia estar em uma literatura específica, que detalharia os nossos métodos. Uma outra necessidade era uma forte divulgação publicitária, a qual nos traria uma grande quantidade de casos. Na primavera de 1939, mossa Irmandade havia produzido um livro intitulado Alcoólicos Anônimos. Nesse volume, nossos métodos eram detalhadamente descritos. Para obter uma maior clareza e transparência, o programa de viva-voz que me foi transmitido pelo meu amigo Ebby, foi ampliado para conter o que chamamos agora em A.A. de “Doze Passos Sugeridos Para a Recuperação”. Este era o cerne do nosso livro. Para dar substâncias ao métodos de A.A., nosso livro incluiu vinte e oito histórias pessoais de recuperação. Esperávamos que essas histórias pudessem nos identificar plenamente com os nossos leitores distantes, o que certamente vem ocorrendo. E como nos havíamos retirado do Grupo Oxford, nossa Irmandade adotou o título do nosso livro (Alcoólicos Anônimos) como seu nome. O advento desse livro constitui um marco histórico. Nesses vinte anos, esse texto básico teve uma distribuição de aproximadamente 400.000 cópias. Incontáveis alcoólicos têm alcançado a sobriedade sem outra ajuda a não ser a leitura desse livro e a prática dos seus princípios. Nossa segunda necessidade foi a publicidade. E estava prestes a aparecer. Fulton Oursler, destacado editor e escritor, publicou um artigo a nosso respeito na revista Liberty, em 1939. No ano seguinte, John D. Rockefeller Jr. deu um jantar para A.A., que foi amplamente divulgado. No ano seguinte, 1941, foi publicado um artigo no Saturday Evening Post. Essa publicação sozinha nos trouxe milhares de novas pessoas. Na medida em que crescíamos, também aumentávamos a eficiência. O índice de recuperação estava bem alto. De todos aqueles que realmente tentavam A.A., um grande percentual obteve êxito imediato; outros tardavam um pouco e ainda outros, se ficavam conosco, finalmente melhoravam bastante. Nosso alto índice de recuperação tem se mantido constante, incluindo aqueles que primeiro escreveram suas histórias na edição original de Alcoólicos Anônimos. De fato, 75% dessas pessoas alcançaram finalmente a sobriedade. Somente 25% morreram ou ficaram loucos. A maioria daqueles que ainda vivem tem permanecido sóbrios em média vinte anos. Desde os nossos primeiros dias, temos sido procurados por inúmeros alcoólicos, que se aproximam de nós e logo se afastam – talvez três em cada cinco, atualmente. Mas, felizmente, aprendemos que a maioria deles volta mais tarde, contanto que não sejam demasiadamente psicóticos ou tenham sofrido sérios danos cerebrais. Uma vez que tenham aprendido dos lábios de outros alcoólicos que são vítimas de uma doença quase sempre fatal, continuar bebendo somente lhes causará mais transtornos. Finalmente, são obrigados a voltar para A.A.; têm que fazê-lo ou morrem. Algumas vezes isso acontece anos após o primeiro contato. O índice final de recuperação é, por essa razão, mais alto do que pensávamos que poderia ser no princípio. Outra tendência que se tem observado nos anos recentes tem sido fonte de muito conforto. Em nossos primeiros dias cuidávamos somente daqueles casos terminais. Não se podia fazer nada até que o álcool quase destruísse sua vítima. Mas, nos dias atuais, nós não precisamos esperar que tais sofredores atinjam esse nível profundo. Agora podemos ajudá-los a ver onde têm a cabeça antes de alcançarem o fundo do poço. Por conseguinte, metade dos membros atualmente em A.A. é composta de casos mais suaves. Muito freqüentemente, a família, o trabalho e a saúde das vítimas estão relativamente intactos. Até mesmo os casos em potencial que nos procuram hoje em dia são pessoas que sofreram apenas um pouco, Aqui e no exterior, nossa Irmandade está fazendo muito progresso para superar as barreiras de raça, credo e circunstância próprias de cada cultura. Contudo, temos que refletir humildemente que Alcoólicos Anônimos somente arranhou a superfície do problema total do alcoolismo. Aqui nos Estados Unidos, temos ajudado a conseguir a sobriedade somente a cinco por cento de uma população alcoólica de 4.500.000 pessoas. As razões são estas: Não podemos nos relacionar com alcoólicos que são demasiado psicopatas ou sofreram sérios danos cerebrais; muitos alcoólicos não gostam dos nossos métodos e estão à procura de formas distintas e mais fáceis; milhões de alcoólicos ainda se apegam à racionalização de que seus problemas estão relacionados a circunstâncias pessoais e, assim, a culpa recai sobre outras pessoas. Conseguir que o alcoólico na ativa ou alcoólico em potencial admita que é vítima de uma doença progressiva e freqüentemente fatal é uma tarefa muito difícil. Esse é o grande problema com que nos defrontamos, quer sejam médicos, religiosos, familiares ou amigos. Contudo, temos muitos motivos para ter esperanças. Um dos maiores motivos reside no que os médicos estão fazendo e deverão continuar a fazer. Talvez alguns de vocês estejam perguntando: “Como podemos ajudar com mais eficiência?” Nós, de A.A., não podemos oferecer a opinião da autoridade profissional, mas sentimos que podemos dar algumas sugestões de grande ajuda. Somente há poucos anos, o bêbado era na maioria das vezes um incômodo. O médico e o hospital podiam minorar-lhe a brutal ressaca. Um pequeno alívio podia ser proporcionado à família e poucas coisas mais podia ser feita. Agora a situação é diferente. Próximo a cada cidade e vila deste país existe um Grupo de A.A. Todavia, com bastante freqüência, o alcoólico não quer experimentar A.A. Exatamente aí é que o médico da família pode intervir de forma decisiva. Ele é a pessoa a quem chamam quando os problemas reais começam a aparecer. Depois de desintoxicar a vítima do álcool e tranqüilizar a família, pode dizer francamente ao alcoólico o que o aflige. Pode fazer por esse paciente a mesma coisa que o Dr. Carl Jung fez pelo “Sr. R.” e o Dr. Silkworth fez por mim. Isso precisa ficar claro para o relutante bêbado ao dizer-lhe que contraiu uma doença progressiva e quase sempre fatal, que não pode recuperar-se sozinho e que necessita de muita ajuda. Devido ao grande conhecimento atual das deficiências metabólicas e emocionais do alcoólico, os médicos da família podem documentar as suas afirmações e diagnósticos de uma forma mais convincente do que podiam nossos médicos pioneiros. É muito gratificante saber que hoje em dia a matéria alcoolismo é objeto de inúmeros cursos em nossas escolas médicas. Em qualquer caso, é fácil obter informações acerca do alcoolismo. Organizações, como o Conselho Nacional Sobre o Alcoolismo (desde 1962, a Escola Rutgers de Estudos do Álcool), mais as inúmeras clínicas estatais de reabilitação e a ajuda dos médicos clínicos, são forças disponíveis de utilíssimo conhecimento. Assim munido, o médico da família pode – como dizemos em A.A. – “amaciar” o alcoólico de forma tal que ele esteja disposto a procurar a nossa Irmandade. Ou, se resiste ao A.A., pode ser encaminhado a uma clínica, ao psiquiatra ou a um religioso compreensivo. Nesse estágio, o mais importante é que ele reconheça sua doença e que comece a fazer algo a respeito. Se o resultado do médico da família é cuidadosamente realizado, os resultados são muitas vezes imediatos. Se a primeira abordagem não funciona, a chances melhorarão através de abordagens persistentes e sucessivas que trarão resultados. Esses procedimentos simples não roubam ao médico da família muito tempo nem serão necessariamente dispendiosos ao bolso do paciente. Um esforço combinado dessa natureza, feito pelo médico da família, seja onde for, não falha e conquista excelentes resultados. De fato, o resultado do trabalho dessa espécie e do médico da família tem sido grande. E por isso, gostaria de registrar nossos agradecimentos especiais a esses médicos. Agora, dirigimo-nos ao especialista, normalmente o psiquiatra. Estou alegre em dizer que os psiquiatras, em grande número, estão encaminhando alcoólicos para A.A. – até os psiquiatras que são mais ou menos especialistas em alcoolismo. Sua compreensão a respeito de alcoólicos agora é grande. A paciência e tolerância conosco e com A.A. tem sido monumental. Em 1949, por exemplo, a Associação Psiquiátrica Norte-americana permitiu-me apresentar uma palestra sobre A.A. perante uma sessão do seu Encontro Anual. Como esses doutores são especializados em desarranjos emocionais – e o alcoolismo é certamente um deles -, a atitude deles tem sempre me parecido um maravilhoso exemplo de humildade e generosidade refinadas. O tópico dessa palestra tem tido enorme repercussão em todo o mundo. Estou certo de que todos nós, de A.A., nunca avaliamos corretamente a importância desse fato. Costumava ser moda entre alguns de nós depreciar a psiquiatria; a ajuda médica de qualquer espécie, salvo a quem meramente era necessária à desintoxicação. Evidenciávamos as deficiências da psiquiatria e da religião. Estávamos sempre prontos a bater no peito e dizer: “Olhem para nós. Conseguimos, mas eles não.” E por essa razão é com grande alívio que posso registrar que essa atitude está desaparecendo. Os membros atentos de A.A. em todas as partes compreendem que os psiquiatras e os médicos ajudaram a conduzir a nossa Irmandade desde o primeiro momento e têm segurado nas nossas mãos desde então. Nós também compreendemos que as descobertas da psiquiatria e da bioquímica têm enormes implicações para nós, alcoólicos. Na verdade, essas descobertas são atualmente bem maiores do que meras implicações. Seu presidente e outros pioneiros, dentro e fora desta Irmandade, vêm obtendo notáveis resultados há muito tempo e muitos dos seus pacientes têm conseguido boas recuperações sem qualquer ajuda de A.A. Devo assinalar – como destaque – que alguns dos métodos de recuperação empregados fora de A.A. estão em completa contradição com os princípios e a prática de A.A. Todavia, nós de A.A., devemos aplaudir o fato de que algumas dessas tentativas vêm alcançando crescentes sucessos. Nós sabemos também que a psiquiatria freqüentemente pode liberar-nos da pesada carga neurótica que aflige a muitos de nós após ficarmos sóbrios em A.A. Sabemos que os psiquiatras têm nos enviado incontáveis alcoólicos, que de outra forma jamais chegariam a A.A. e, igualmente, muitos clínicos têm feito o mesmo. Vemos claramente que, somando nossos esforços, podemos fazer juntos o que nunca conseguiríamos em separado ou através da crítica míope e da competência. Por essa razão gostaria de fazer uma promessa a toda comunidade médica, de que A.A. sempre estará disposta a cooperar; que A.A. nunca passará por cima da medicina; que nossos membros – quando chamados – ajudarão nos grandes empreendimentos da educação, reabilitação e pesquisa, os quais estão agora bastante adiantados e são muito promissores. Tão ameaçador é o espectro crescente do alcoolismo que nada menos que a totalidade dos recursos da nossa sociedade pode esperar vencer ou diminuir a força do nosso perigosíssimo adversário, o álcool. A sutileza e o poder alcoólico da enfermidade estão presentes em cada página da história da humanidade – e nunca revelada tão claramente e tão destrutivamente como neste século em que vivemos. Quando o conhecimento e a compreensão estiverem combinados e maciçamente aplicados, nós, de A.A., sabemos que encontraremos os nossos amigos da medicina na primeira linha de combate – exatamente onde tantos de vocês hoje já estão a postos. Quando essa sinergia benigna e cooperativa estiver em plena ação, teremos certamente um grande amanhã para a imensa multidão de homens e mulheres que sofrem de alcoolismo e de suas sombrias e terríveis conseqüências. ———————————————————- Declaração sobre o alcoolismo A Associação Médica Norte-americana identifica o alcoolismo como uma doença complexa, com componentes biológicos, psicológicos e sociológicos e reconhece a responsabilidade da medicina em relação às pessoas atingidas. A Associação reconhece que são múltiplas as formas de alcoolismo e que cada paciente deveria ser avaliado e tratado de uma forma total e individualizada. Casa dos Delegados Associação Médica Norte-americana, 1971 ———————————————————- Fonte: Três Palestras às Sociedades Médicas por Bill W., co-fundador de A.A.

“SACOLA”, ALGO MAIS QUE AUTOSUFICIÊNCIA”.

“Todos os Grupos de A. A. deverão ser absolutamente autossuficientes, rejeitando quaisquer doações de fora”.

Na verdade a 7ª Tradição de A. A. contém muito mais significados do que aqueles que se pode apreender de uma simples e sumária leitura de seu texto.

Quase todos os membros de um grupo de A. A., depois de algum tempo de freqüência, começam perceber que seu grupo em particular e a Irmandade, de um modo mais geral, tornaram-se para ele a coisa mais importante de suas vidas. Assim entendem, porque sabem que tudo, família, trabalho, cultura, lazer, dinheiro e o mais que possa existir, para ser usufruído, dependem de sua sobriedade. Esta, a sobriedade, por sua vez, depende do grupo de A. A. e da prática do programa sugerido. Uma vez perdida a sobriedade, através da ingestão do primeiro gole, tudo o mais estará também perdido. É dura, porém inexorável, verdade do alcoólatra.

Partindo dessa premissa o alcoólatra em recuperação sente a necessidade de preservar a vida de seu grupo, como uma célula primaria de um organismo maior que é a Irmandade em seu todo. Em seguida, descobre o que lhe informa a 5ª Tradição, ou seja, que “cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólatra que ainda sofre”. Para isso é necessário que a Irmandade tenha grupos com as portas abertas para recebê-los.

Mas não apenas isso. Há que oferecer-lhe subsídios para a sua recuperação. Informação para a reformulação de suas vidas através de ampla e livre troca de experiências nos grupos. Literatura de A. A. para ele se esclarecer a respeito do programa. Processos e meios para ele praticar o 12° Passo, isto é, “transmitir a mensagem de A. A. aos alcoólatras”. E para que isso tudo possa acontecer são necessários meios materiais. Há que se pagar o aluguel da sala de reuniões, a luz, a água, o cafezinho. Há que se ter literatura disponível para os companheiros e para os que ainda estão fora das salas de reuniões.

Há ainda que se contribuir para a estrutura de serviços de A. A., ou seja, para as intergrupais, para as áreas distritais, para o Escritório de Serviços Gerais, para a Junta Nacional de Serviços, para a Conferência, Junta de Custódios, etc.

Depois de algum tempo o novo companheiro toma conhecimento de tudo isso e ler na 7ª Tradição que o A. A. rejeita qualquer doação de fora. A conclusão torna-se óbvia: tudo depende da contribuição dele e dos companheiros. Tudo depende da arrecadação da sacola dos grupos. Tudo depende das contribuições dos grupos aos escritórios de serviços e destes para os órgãos nacionais de serviços de A. A.

Fica-lhe nítida na mente a idéia de autossuficiência da Irmandade. Mas o que haverá mais além…? Qual a natureza ética da contribuição nas sacolas? Será ele um óbolo, uma esmola, uma caridade, um ato de filantropia, um pagamento ou uma obrigação? Na verdade, a contribuição de cada membro de A. A. é muito mais do que tudo isso. É, em última análise, a conseqüência natural da maturidade do grupo.
Com efeito, um grupo amadurecido é caracterizado por uma atitude de conscientização; por uma situação grupal de cooperação entre os membros e por um sentido de amorização.

Assim vejamos. A conscientização nada mais é que o percebimento encarado de modo genérico. É cada um tornar-se cônscio de si mesmo, abrindo cada vez mais brechas na auto-ilusão que caracteriza muito os alcoólicos. É conhecer e gostar de si mesmo. É sentir sua própria importância no grupo. É aprender a ser responsável perante os companheiros. É reconhecer as conseqüências pessoais de suas ações e de suas palavras integrar-se à consciência coletiva do grupo. É vivenciar intensamente a importância do grupo para a própria sobrevivência e para o crescimento psicológico de cada um de seus membros.

Por sua vez, a cooperação ampla entre os membros de um grupo e dos grupos entre si, constitui-se na fase mais adiantada do processo de maturação grupal. Cooperar é produto de uma aprendizagem que se inicia logo que o ingressante chega. É o melhor remédio para o egocentrismo, pois a prática cooperativa vai gerando mais amor e inteligência objetiva, o que conduz a uma atitude sociocêntrica. A primeira cooperação do alcoólatra é fazer-se presente às reuniões. É ouvir os companheiros. É servir de “fundo” para que o companheiro seja “figura”. É cooperar prestando serviço ao grupo; limpar e preparar a sala para as reuniões é ato de cooperação; providenciar o café é cooperação; coordenar a reunião é cooperação; atender aos novos que chegam é cooperação; por dinheiro na sacola é cooperação. Enfim, tudo que se faz em prol do coletivo e de cada um em particular é cooperação.

Finalmente, a amorização é a aprendizagem do verdadeiro amor. Daquele amor que não é apego, que não é posse do objeto amado, que não é exclusivismo, que não pe apenas atividade sexual, que, enfim, não é condicional, porque de nada depende. Esse amor é o supremo ato de liberdade, através do qual conseguimos ver o mundo com os olhos do outro, de sentir o que se passa nele como ele o sente, de entender a realidade como ele a entende, de ser capaz de dar sem esperar recompensa.

Assim, no grupo psicológico e espiritualmente amadurecido, onde seus membros estão bem conscientizados, onde a cooperação e a amorização são uma constante, a contribuição da sacola não pode ser uma esmola, nem, por outro lado, constitui-se em uma obrigação. Ninguém precisa dar nada para freqüentar uma reunião ou ser membro de A. A.. A contribuição na sacola enquadra-se bem no conceito ético de um “direito-dever”. “Direito” porque é um privilégio que se só se estende aos membros de A. A. e “dever” porque é um puro ato individual de consciência, de participação e doação de si mesmo. Sejamos maduros, e, conseqüentemente, generosos na sacola de A. A.

Vivência n° 3

” O TRABALHO EM GRUPO ”

Por NELSON FARIA

Todo conhecimento é fruto do trabalho em equipe. Este constitui a unidade de trabalho. Não é como se poderia pensar, o esforço de um indivíduo isolado.

A mais tradicional forma de trabalho em equipe é a REUNIÃO DE GRUPO. Esta é talvez, o melhor exemplo de como se compartilhar o trabalho em qualquer organização.

Quando as pessoas se reúnem para discutir um assunto em busca de consenso, estão, num sentido concreto, estabelecendo uma CONSCIÊNCIA DE GRUPO, que é o produto dos talentos e aptidões de todos os envolvidos. A forma de como realizarão suas tarefas, bem como, o êxito que obterão, serão assim, determinados pela CONSCIÊNCIA COLETIVA. Esta e a chave para o alto desempenho do grupo e a harmonia existente entre os membros que o compõem. Essa capacidade de pensamentos e emoções torna um grupo, especialmente, produtivo e bem sucedido.

Esse equilíbrio mental e emocional é a diferença, e o porquê de alguns grupos trabalharem de forma mais eficaz do que outros. Afinal, quando as pessoas se reúnem para trabalhar em equipe, cada um trás consigo certas aptidões ou conhecimentos próprios de sua cultura pessoal. O grupo não deve ter mecanismos que impeçam às pessoas contribuírem com seus talentos.

Só a harmonia interna do Grupo é capaz de criar um clima que permita que os companheiros, que tragam conhecimentos e aptidões próprias, possam torná-los capazes de serem assimilados pelo grupo. Haverá sempre, o que é bom reconhecer, os ansiosos, os controladores, os dominadores excessivos e os apáticos. Só uma coisa não pode existir – os choques emocionais – seja por medo ou raiva; rivalidades e ressentimentos. Num ambiente desses as pessoas não podem dar o melhor de si. Só uma harmonia plena permite a um grupo aproveitar, ao máximo, as qualidades mais criativas de seus membros.

O que as pessoas fazem, ou oferecem com sua participação, seja através do serviço direto ao grupo ou em suas experiências nos depoimentos fazem parte do trabalho coletivo. Depende de seu bom desempenho a permanência ou dispersão de companheiros nas Reuniões.

Todas as formas de trabalho são aspectos da inteligência emocional. Temos que aprender a surpreender os pensamentos negativos e as emoções compulsivas. Liderar não e dominar, mas sim, a arte de convencer as pessoas a trabalharem visando um objetivo comum.

PAZ “Alicerce do verdadeiro amor, da alegria ao dar de nós mesmos e ver o outro crescer.” O grande anseio daqueles que buscam o crescimento espiritual é a SERENIDADE, estado de espírito em que procuramos alcançar e manter inabalável a paz interior, apesar das vicissitudes da vida. Para atingir a SERENIDADE é necessário aceitar as coisas que não podemos modificar. Nossa tendência é querer mudar o que não podemos: nosso passado, o modo de ser das pessoas, as circunstâncias de nossa vida, as contingências do mundo ou do país… tudo isso está fora de nosso alcance. Só podemos mudar a nós mesmos e as nossas atitudes. Existe uma máxima que diz: “Nada muda se eu não mudar.” SERENIDADE não é fraqueza ou submissão. O homem sereno aceita o semelhante como ele é, sem coagi-lo a mudar, sem a ele submeter-se. SERENIDADE não é apenas exercício de paciência ou tolerância, atitudes que podem mascarar o sentir-se superior. A SERENIDADE existe independentemente de atitudes do outro, depende em primeiro lugar de nós mesmos: da CORAGEM de enfrentar ou aceitar o sofrimento, e do esforço para superar nossos defeitos de caráter. Em primeiro lugar, dispondo-nos a analisar minuciosa e destemidamente nossas ações e nossas atitudes, para descobrir quem realmente somos, e em que devemos mudar. Quantas vezes continuamos a tomar as mesmas atitudes que nos fazem sofrer, esperando resultados diferentes. Admitindo que precisamos mudar, podemos fazer a nossa parte, não alimentando sentimentos negativos, procurando viver de acordo com nossa consciência. A mudança interior, que leva ao crescimento espiritual, somente ocorrerá se nos abrirmos à ação de Deus, que se manifestará se assim o permitirmos. A SABEDORIA nos fará compreender essas coisas aparentemente tão simples. A paz espiritual não significa ausência de problemas ou de sofrimento emocional, pois estes sempre estarão presentes em nossas vidas. Tampouco significa que todas as nossas preces serão atendidas do modo que desejarmos. Nem sempre Deus nos dá tudo o que queremos mas, com certeza, nos dará sempre o que precisamos. A paz espiritual é o alicerce do verdadeiro amor e da alegria que nos permitem dar de nós mesmos, sem qualquer outro objetivo que não seja ver o outro crescer. Muitas vezes pensamos que a felicidade está nas coisas que julgamos necessárias, mas sobre as quais não temos o controle absoluto. Dizemos que para sermos felizes, dependemos do amor das outras pessoas, de nossa saúde física e mental, de nosso equilíbrio financeiro, e de inúmeras outras coisas ou situações. Estamos condicionados a “TER” para nos sentirmos felizes, quando na realidade é muito mais importante “SER”. Afirmamos que “temos” nossas mulheres, nossos filhos, nossos pais; é preciso, entretanto, “sermos” maridos, pais, filhos, dando o que de melhor possuímos. ACEITAR AS COISAS QUE NÃO PODEMOS MODIFICAR requer de cada um de nós que abracemos a realidade de nossas vidas. Pode ser que estejamos doentes, desempregados, deprimidos, com dificuldades no casamento ou no trabalho. Não importa o número, nem a grandeza de nossos problemas, precisamos aceitá-los como parte de nossa jornada de vida. Aqueles que encontram a paz e a felicidade aprendem a enfrentar os seus problemas, muitas vezes maiores que os de outras pessoas: a aceitação os capacita a tirar o maior proveito possível da adversidade, sem se tomarem críticos ou amargos, mesmo sabendo que alguns aspectos problemáticos de suas vidas provavelmente não poderão ser modificados. Devemos lembrar que, em quaisquer circunstâncias, podemos escolher o nosso próprio caminho. Nesse sentido, podemos contar sempre com o nosso programa de recuperação, consubstanciado nos princípios de A. A., notadamente nos 12 Passos sugeridos. Se estivermos atentos, veremos que desde o início, ao sermos escolhidos para participarmos de nossa Irmandade, recebemos a dádiva de Deus, que colocou e continua colocando à nossa disposição as ferramentas necessárias para que possamos nos recuperar e sermos felizes, cultivando a SERENIDADE. Trabalhando nosso interior, começamos nosso aperfeiçoamento. Estamos aprendendo a todo o momento; basta que estejamos atentos às coisas que nos cercam. Tudo que vemos e ouvimos tem um significado lógico, positivo, tem uma finalidade. Ao praticarmos o programa, temos a oportunidade de refletir sobre nossa condição humana, sendo induzidos a reflexões profundas. Assumimos a responsabilidade pelo nosso crescimento, aperfeiçoando e desenvolvendo nossas qualidades, enfrentando e corrigindo nossos defeitos de caráter. Sabemos que, pelas nossas imperfeições, encontraremos dificuldades e obstáculos a serem superados. A análise constante de nossas ações e atitudes, o apoio e os ensinamentos incondicionais de nossos companheiros, a leitura e o estudo freqüente de nossa Literatura, o reconhecimento de nossas limitações, a abertura à ação de Deus, são meios de alcançarmos o crescimento espiritual que almejamos. Guiados pela SABEDORIA que emana de Deus e que se manifesta em nossa “Consciência Coletiva”, adquirida em nossas reuniões e desenvolvida com a prática de nossos princípios, continuemos a trabalhar para alcançar a SERENIDADE, lembrando-nos da grande responsabilidade que nos cabe na construção de uma sociedade mais justa e equilibrada, tendo a CORAGEM de, com nossos exemplos, e praticando o 12° Passo, nos tomarmos íntegros, felizes e úteis, e assim transformarmos o mundo num lugar mais agradável de se viver. A cada momento, diante de nossas necessidades e de nossas dificuldades podemos dizer simplesmente: “Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos e Sabedoria para distinguir umas Das outras”. (João Roberto) VIVÊNCIA N.° 89 – MAI/JUN. 2004.
__._,_.___

Aqui é onde está o poder…

Há cinco anos, estava sentado ao lado de um moço bonito, mas emocionalmente em frangalhos – um novato que viera para sua primeira reunião aberta de A.A.

Quando chegou a hora de encerrarmos a reunião da maneira costumeira (O Pai-Nosso e a Oração da Serenidade), ele mostrava-se visivelmente tocado pelo conteúdo emocional da reunião. Caiu em prantos antes do final da oração, com grandes soluços entrecortados. Ao final da prece, agarrou minha mão com toda a força e procurou explicar por que chorava. Eu próprio estava sóbrio há apenas seis meses, e tentei explicar para ele, por entre minhas próprias lágrimas, que não havia necessidade de explicação, que isso acontecia muito nas reuniões de A.A. Ele disse então algo que nunca esquecí, ao erguer nossas mãos juntas: “Aqui é onde está o poder.” Foi uma coisa que me arrepiou naquela hora, e ainda me arrepia hoje, e espero que continue assim enquanto eu viva, e sóbrio.

Muitas vezes, em anos recentes, quando me sentí para baixo, incomodado, e precisando de uma levantada, ia a uma reunião e sentia aquele poder. É espantoso como a minha perspectiva muda (a meu respeito e a respeito das minhas preocupações), quando me sento nas salas enfumaçadas e escuto outras pessoas falarem sobre o dia delas, suas vidas, sua sobriedade. Nunca falha esse poder quieto e singelo. Ergue-me e me puxa para fora de mim, e me reassegura que, só por hoje, as coisas (e eu) vamos melhorar – se conseguir passar por cima de mim.

Durante todo o inverno passado, não consegui ir a muitas reuniões, e apesar de ter um monte de desculpas – falta de dinheiro, de carro ou autorização, lá no fim do mundo, com a reunião mais próxima à distância de uns quinze ou vinte quilômetros – a verdade é que eu estava sentindo pena de mim e extremamente fora de contato com o Poder restaurador.

As coisas pioraram antes de melhorarem. Houve ocasiões em que engoli meu orgulho com relutância e, em quieto desespero, liguei para alguém e lhe pedi que me levasse a uma reunião. Ficava sentado lá, enrolado e miserável, esperando que alguma coisa acontecesse, esperando pela confirmação de que tudo (e eu) estaríamos bem. Às vezes, essa assertiva não vinha (ou eu não a escutava) e então saía sentindo-me pior (ou pensando que me sentía assim), e me perguntava se A.A. ainda estava funcionando. É claro que funcionava, eu é que não. Semana passada, fui a uma nova reunião ao meio dia, que ajudei a começar na cidade onde agora trabalho. Sabia que estava precisando de algum calor, de gentileza e de senso comum, e realmente nutria esperança por alguma coisa naquele dia. Havia seis de nós alí – e apesar de o tema ser “tomar a culpa para sí”, cobrimos uma gama de emoções e sentimentos que começaram e terminaram com amor.

Foi uma ótima reunião e, advinhem se, quando encerramos da maneira de sempre, não houve aquelas lágrimas, os arrepios e o poder – igualzinho como eu me lembrava. Depois de todos os beijos e abraços, acho que saí flutuando da sala, na minha pequena nuvem particular. Não me sentía tão bem há meses, e fico tão grato pela lembrança que “aqui é que está o poder”. Não está apenas nos livros que leio, ou nas minhas ações, ou nas coisas que penso e digo; está também nas mãos e nos corações das minhas irmãs e irmãos em A.A., e com cada mão num poder desses, como poderei perder?

(A.T.)

Vivência – Mar/Abr. 2002)

Quando um encargo “subir à cabeça”.

Mais de uma década nos serviços da Irmandade talvez nos valha para destacar
certos perigos que os serviços podem causar aos próprios servidores. Existe
uma tendência de toda a humanidade e, particularmente a alcoólica, de criar
uma imagem de si mesma e depois acreditar nela. Para uma pessoa não
alcoólica é inclusive possível que isso seja necessário e bom.

Um homem que herda a coroa de um país, por exemplo, além de ser rei, deve
passar a imagem de rei. Sem dúvida, em Alcoólicos Anônimos, onde a verdade
interior de cada membro é de suma importância, o criar uma imagem de si
mesmo e depois acreditar nela pode ter consequências muito graves e às
vezes fatais.

Temos sido os mestres do engano e da falsidade, das fantasias, dos
disfarces e pretextos, e o fato de construirmos outra imagem dentro de A.A.
pode acabar com a nossa recuperação. Essa tendência existe entre todos nós
e temos de vigiá-la. Quem ainda não viu o coordenador recém-eleito de um
Grupo que, de pronto, começa a comportar-se como o executivo de uma
multinacional?

Afortunadamente, as olhadas, as risadas e às vezes as palavras de seu
companheiros de Grupo geralmente conseguem tirá-lo de seu pedestal.

Talvez o perigo aumente com os serviços em nível de Área, Conferência e
Junta de Serviços Gerais. Esses servidores que, pela natureza do seu
serviço, devem dedicar muitas horas ao trabalho para o qual foram
incumbidos, às vezes perdem o contato com o Grupo Base e com o passar do
tempo perdem o contato com a sua verdade interior.

Qualquer pessoa que tenha sido indicada para servir fora do seu Grupo Base
deve perguntar a si mesma, antes de aceitar o serviço, se dispõe de tempo
suficiente para manter-se em contato com seu o Grupo Base, porque se não
for assim pode pôr em perigo sua sobriedade.

Também dentro do seu Grupo Base, o servidor deve lembrar-se que ali ele não
é o Coordenador do Comitê de Área, nem o Delegado de Área e nem um membro
da Junta de Serviços Gerais; é simplesmente um outro alcoólico em
recuperação, com as mesmas necessidades que os demais membros de expor sua
verdade interior, de falar tanto dos seus fracassos como dos seus êxitos, e
pedir ajuda sempre que necessitar.

Extraído do Manual de Serviços de A.A., seção da Espanha, na sua edição de
1994.

Vivência n° 51 – Jan/Fev 1998

REVISTA VIVÊNCIA- QUAL A IMAGEM QUE IRÃO PROJETAR DE NÓS ?
Qual a imagem que irão projetar de nós?

A importância da primeira impressão para os recém-chegados.

Ontem, minha filha mais nova, que ingressou recentemente em A.A., estava me contando sobre contra-tempos em sua última reunião. O tema se prendia no seguinte: xingamento deve ou não ser banido de reuniões de A.A.?

O assunto é importante para mim. Há alguns anos, eu me encontrava numa reunião quando um jovem senhor e sua esposa chegaram pela primeira vez. Com certeza ele necessitava de A.A. No decorrer da reunião, levantou-se e saiu, levando sua esposa consigo. Ele disse que, após ouvir o linguajar falado na reunião na presença de sua esposa, não tínhamos nada para lhe oferecer.

“Isso é o que escuto nos bares”, disse ele. “Estou tentando me afastar de pessoas como vocês.” Não nos foi possível persuadi-lo do contrário. Um companheiro tentou contemporizar com o seguinte comentário: “Ele ainda não está pronto. Quando estiver, o linguajar não fará nenhuma diferença.” Seguindo essa linha de raciocínio, A.A. na verdade não é necessário. Temos qpenas que esperar até que cada alcoólico esteja “pronto”, e aí ele ou ela ficará automaticamente sóbrio.

Em reuniões na Europa, ouvímos um ocasional “inferno” ou “diabos”, mas raramente algo mais agressivo; e meu grupo de origem na Califórnia ainda não é permitido o uso de linguajar vulgar. Outras reuniões, no entanto, estão recheadas de expressões mais pesadas. É essa a idéia que queremos que os recém-chegados tenham da irmandade de A.A.? Queremos que o pregador ou o paroquiano tenha essa impressão a nosso respeito? Quando pessoas ligadas à mídia fizerem a próxima reportagem sobre A.A., qual a imagem que irão projetar de nós?

E quem está proferindo esses xingamentos machões? Apenas alguns de nós, alcoólicos que costumávamos vomitar em nós mesmos. Não somos pessoas rudes e grosseiras. Somos doentes – melhorando talvez – mas ainda doentes. Penso que isso se resuma em: 1) Quando queremos ficar bem? e 2) Como estamos cuidando de A.A.?

(Tradução de ‘Grapevine’/fevereiro de 2003)

(Vivência – Julho/Agosto 2003)

Tema: “OS TRÊS LEGADOS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS”.

INTRODUÇÃO: ‘ Os Trinta e Seis Princípios Espirituais que formam a Herança que nos foram Transmitidas por nossos Co- Fundadores Dr. BOB e Bill W, e os primeiros Pioneiros e Amigos da Medicina e da Religião.
No Livro AA. Atinge a Maioridade
Temos: ‘ As principais heranças dos primeiros vinte anos de Alcoólicos Anônimos são os Legados de Recuperação, de Unidade e de Serviço. Pelo Primeiro nos Recuperamos do ‘alcoolismo’; pelo Segundo permanecemos em ‘Unidade’; pelo Terceiro nossa Irmandade funciona e serve seu ‘Propósito Fundamental’, que é o de levar a Mensagem de A. A. para todos aqueles que dela precisam e a querem. ¹

A parte seguinte deste livro se baseia em três palestras proferidas por Bill, um co-fundador, na comemoração do vigésimo aniversário de A.A..
A Primeira conta a história das pessoas e das correntes de influência que tornaram possível a Recuperação em A.A. . A Segunda mostra a Experiência da qual foram concebidas as Tradições de Alcoólicos Anônimos, as Tradições que hoje mantém A.A. em Unidade. A Terceira
conta como Alcoólicos Anônimos desenvolveu os Serviços que levam sua Mensagem aos mais longínquos lugares da Terra.
¹ Veja Recuperação ,pág. 47,
Unidade,pág. 72; Serviços,pág. 125

Desenvolvimento: OS TRÊS LEGADOS de ALCOÒLICOS ANÔNIMOS.
FONTE: TRÊS LEGADOS “Órgão Informativo do 5º Distrito da Área de MG de Alcoólicos Anônimos- Ano:-FEVEREIRO DE 1955

Recuperação- O Indivíduo- Os Dozes Passos
Unidade – O Grupo – Doze Tradições
SERVIÇO- A Irmandade – Doze Conceitos

“A razão de ser de nossa Sociedade consiste nestes Três Legados, isto é, Alcoólico Anônimo só sobreviverá quando estes Princípios estiverem harmonicamente, funcionando. O Emblema é representado por um círculo e um Triângulo Eqüilátero ao Centro onde, na Base deste triângulo está a Recuperação. Os lados neste Triângulo são iguais, pois os três lados têm a mesma importância dentro da Irmandade. Tanto a Recuperação, quanto a Unidade, quanto o Serviço tem papel de suma importância para a Vida de A. A.. Mas, O Propósito Primordial é o de levar a Mensagem ao alcoólatra que ainda sofre.” Portanto o Indivíduo é o motivo da existência de A. A..” Todos os Três Legados estão girando em torno do Indivíduo. ‘ Por isso , a Recuperação do Indivíduo é Primordial para que se tenha a Unidade e havendo a Unidade pode se
desempenhar o Serviço.
*O Programa individual que o A. A. adota para a Recuperação individual* e é o Único, é os Doze Passos, que são essencialmente Princípios Espirituais sugeridos.
As Doze Tradições são um conjunto de Princípios para a Estrutura do grupo e os *Doze Conceitos Para Serviços Mundiais são diretrizes para eficiência do Serviço de Alcoólicos no Mundo Inteiro. ‘ Vemos assim, a Importância dos Três Legados serem uma conseqüência do outro e assim, sucessivamente; como a Terra não para de girar, os Três
Legados tem de estar sempre em perfeita harmonia para que a Irmandade não se acabe.
Ao chegar em A. A. o Indivíduo, a peça mais importante desta engrenagem, já deve encontrar uma boa estrutura no grupo para que havendo Unidade o indivíduo não pereça. ‘O Indivíduo, por sua vez, ao
encontrar sua Recuperação vai se unir ao Grupo e prestar seu Serviço, levando a Mensagem dentro dos Princípios recebidos no grupo. “Podemos observar a grandeza e a Sabedoria de toda esta Mensagem contida nos Três legados.”
‘Como vemos, a Irmandade se fundamenta em Princípios Espirituais através dos Doze Passos e o Indivíduo se desenvolve no Grupo onde Tudo Começa (Doze Tradições) e se lança no Serviço da nossa Sociedade como um todo através dos “Doze Conceitos P/ Serviços
Mundiais’.
Por isso a Recuperação é à base de tudo e, é por isso está ocupando o lado de sustentação do Triângulo Eqüilátero.
‘ Se vamos construir um edifício, a base é fundamental para uma boa estrutura do prédio e o serviço, isto é, a obra em si poderá ser conhecida e admirada’. “
Assim é em A. A.”. “Se houver Recuperação, haverá Unidade, isto é, a Estrutura será forte e o Serviço será bem feito e o resultado, é o edifício de A. A. sendo conhecido e respeitado pelo mundo inteiro.
‘Companheiros, o responsável geral, pela obra é o Poder Superior, mas ELE precisa de trabalhadores que façam o trabalho em Unidade e ELE tem contratado, a cada dia, Servidores na esperança que, esses servidores desempenhem bem suas tarefas. ‘ ELE nos ensina a
trabalhar através dos Doze Passos, pois este trabalho para o qual fomos chamados é puramente espiritual e não visa lucro, fama ou posição Social’. “Somos Servidores Anônimos que trabalhamos para
o maior empregador que existe: DEUS, O PODER SUPERIOR.”
Por isto nossa tarefa é tão Maravilhosa. É uma obra Divina essa que temos o dever de construir e por isso é necessário que estejamos em obediência e harmonia com o Poder Superior, conhecendo e acatando SUA Vontade. ELE tem chamado muitos de nós para o serviço e muito não tem correspondido ao seu chamado por não ter base para executar a tarefa que ELE nos confiou. ‘ Se não existe em nós a Recuperação será difícil, como visto, continuar prestando serviço a Ele, pois
Deus é exigente para que sua obra seja perfeita. ‘ Tudo o que DEUS constrói é perfeito e por isso, nós servidores, precisamos estar atentos a Sua Vontade.
Somos cooperadores com ELE neste trabalho, mas para desempenhá-lo bem precisamos estar vivendo segundo a Sua Vontade, isto é, de acordo com os Princípios contidos nos Doze Passos, e somente assim,
podemos executar bem a tarefa. ‘ Daí podemos entender porque é fundamental a Recuperação Individual para que os Grupos sejam “peças” que se harmonizem com o conjunto final: Alcoólicos Anônimos.’
Para que sejamos verdadeiros AAs.
Devemos estar vivendo em Recuperação, Vivendo em Unidade e vivendo em Serviço.
Somos privilegiados por termos sido escolhidos para fazer parte desta tão nobre missão, mas para isto é necessário Aprender, Servir e Amar, pois, Primeiro; precisamos aprender a praticar os Princípios
(ninguém dá o que não Tem), Segundo: precisamos Servir como trabalhadores na obra do Poder Superior
E Terceiro: AMAR, pois Serviço É Amor. Tudo que fizermos deverá ser feito Com Gratidão e Amor! Que Deus Nos Ensine a Servir com Humildade!

OBS: Esta Temática foi um trabalho feito por mim há muitos anos.
Fonte: 1) Três Legados “Órgão Informativo do 5º Distrito da área de MG -Ano:1955
2) A. A. Atinge a Maioridade;
Recuperação ,Unidade e Serviços !

FRASES DE BILL W.(VIEMOS A ACREDITAR) ESPIRITUAL

Assunto: FRASES DE BILL W.
FONTE:- “ VIEMOS A ACREDITAR “

“ ESPIRITUAL”

“FRASES DE BILL W.(VIEMOS A ACREDITAR)

ESPIRITUAL

Não permita que nenhum preconceito que você possa ter em relação às
expressões espirituais o impeça de perguntar honestamente a si mesmo o que elas significam.

Bill W.

EXPERIÊNCIAS ESPIRITUAIS

É um fato que todos que passaram por experiências espirituais afirmam ser isso uma realidade. A melhor evidência dessa realidade está nos frutos subseqüentes.

Aqueles que recebem esse dom da graça são pessoas grandemente transformadas, quase invariavelmente para melhor.

Bill W.

PRECE

Descobrimos em A. A. que os bons resultados reais da prece estão além de qualquer dúvida. Esses resultados sãos questões de conhecimento e experiência.

Todos aqueles que persistiram, encontraram forças que normalmente não possuíam.

Encontraram sabedoria além da sua capacidade normal. Desenvolveram cada vez mais uma paz de espírito inquebrantável nas mais difíceis circunstâncias.

Bill W.

LIVRES DA OBSESSÃO

Nos estágios do nosso alcoolismo, a vontade de resistir nos deixara. E, no entanto, quando admitimos a derrota completa e nos tornamos inteiramente dispostos a tentar os princípios de A. A., nossa obsessão nos abandona e entramos em uma nova dimensão – livres segundo Deus na forma como O concebíamos.

Bill W.

UM DESPERTAR ESPIRITUAL

A Sobriedade é tudo aquilo que podemos esperar do despertar espiritual?
Não, a sobriedade é um simples ponto de partida; ela é apenas a primeira bênção do primeiro despertar. Se quisermos receber mais bênçãos, nosso despertar espiritual tem que continuar.

Na medida em que ele prosseguir, descobriremos que podemos nos livrar pouco a pouco da vida antiga – aquela que não funcionou – para encontrarmos uma nova vida que pode funcionar e funciona independentemente de quaisquer condições, não importam quais sejam.

Bill W.

A BUSCA

Você deve estar perguntando a si mesmo, como todos devemos nos perguntar:
“Quem sou eu?”… “Onde me encontro?”… “Para onde vou?”

O processo de esclarecimento é quase sempre lento. No entanto, no final, nossa busca sempre leva a uma descoberta. Esses grandes mistérios estão, afinal de contas, em completa simplicidade.

Bill. W.

COINCIDÊNCIA?

A fé em um Poder Superior a nós e as milagrosas demonstrações desse Poder sobre as vidas humanas, são fatos tão antigos quanto o próprio homem.

Bill W.

UM PODER SUPERIOR

Nossos conceitos de um Poder Superior e de Deus – na forma em que O concebíamos – permitem a todos uma opção quase ilimitada no que se refere à crença e à ação espiritual.

Bill W.

PROGRESSO ESPIRITUAL

Não somos santos. O que importa é que estejamos dispostos a crescer
espiritualmente. Os princípios que estabelecemos são diretrizes para o
progresso. Procuramos o progresso espiritual e não a perfeição espiritual.

Bill w.

EM TODAS AS NOSSAS ATIVIDADES

O serviço prestado com prazer, as obrigações cumpridas com retidão, os problemas bem aceitos ou solucionados com a ajuda de Deus, o reconhecimento de que em casa ou fora dela somos parceiros em um esforço comum, o fato de que aos olhos de Deus todos os seres humanos são importantes, a prova de que o amor livremente concedido traz um retorno completo, a certeza de não estarmos mais isolados e sozinhos em prisões construídas por nós mesmos, a certeza de que podemos nos adaptar e pertencer ao esquema das coisas criadas por Deus – essas são as satisfações permanentes e legítimas que fruímos de uma vida correta que nenhuma pompa e circunstância, e nenhum amontoado de posses materiais, poderiam possivelmente substituir.

Bill W.”

A ORAÇÃO DA SERENIDADE

Dr. Lais Marques da Silva, ex-Custódio e Presidente da JUNAAB

Os depoimentos feitos pelos alcoólicos nos grupos de A.A. freqüentemente mostram que o alcoólico na ativa procurava ter o controle absoluto sobre os seus sentimentos e sobre o seu ambiente. Na chamada “fase ativa”, bebiam para relaxar, para ficarem “altos”, para ficar espirituosos, para abrandar a dor – para controlar. Mas, no mundo real, as coisas não são bem assim e a verdade é que o nosso ânimo depende, em boa medida, das situações e até de pessoas que estão fora do nosso controle. Bebiam também para negar esta dependência.
Ao usar o álcool, procuravam negar a limitação da vontade e a dependência e, aí, esta se tornava absoluta. Procuravam o controle ilimitado e a negação da dependência. Mas, existir como ser humano, significa ser limitado e não há absolutos nem ilimitados no nosso poder.
O A.A. mostra que somos tanto parcialmente dependentes como capazes de ter um controle, que é apenas parcial. Mostra, também, que a verdade é que o ser humano está sempre ajoelhado, a meio caminho entre estar de pé e de estar deitado.
A Irmandade de AA sugere: “Levante-se com as suas pernas, pois você pode fazer algumas coisas, mas não todas as coisas”. O A.A., por outro lado, modera a tendência para a grandiosidade dizendo: “Ajoelhe-se, você pode fazer algumas coisas, mas não todas as coisas”.
Há um jogo de “pode”, “não pode” que é sintetizado, magistralmente, na Oração da Serenidade: ”Concedei-nos Senhor a Serenidade para aceitar as coisas que não podemos modificar (não pode), coragem para modificar aquelas que podemos (pode) e sabedoria para distinguir umas das outras”. Ela retrata a condição humana em relação ao “pode” e “não pode” e mostra o caminho para esse reconhecimento a partir do qual a paz e a serenidade de espírito são alcançadas.
O alcoólico “na ativa” é uma pessoa que “tem” que beber, mas que “não pode” beber. Mais tarde, na Programação, o alcoólico percebe que não abre mão da “liberdade de beber ”mas que ganha a “liberdade de não beber” e compreende que o alcoólico não é uma pessoa que “não pode beber” mas sim uma pessoa que “pode não beber”, que dispõe de um novo poder, o de não beber. É preciso aceitar o paradoxo para poder apreciar de modo mais amplo a natureza humana e esse jogo do “pode”, “não pode”, de importância fundamental para alcançar a serenidade, ajuda a perceber e a compreender toda a dimensão de grandeza contida na Oração da Serenidade.

AS TRADIÇÕES, PALESTRA REALIZADA EM CURITIBA,PARANÁ.

Dr. Lais Marques da Silva, ex-Custódio e Presidente da JUNAAB.

Estamos aqui reunidos na cidade de Curitiba, numa das muitas cidades do Estado do Paraná, um dos 26 Estados do Brasil, um grande país entre os muitos países do mundo. Sabemos que os companheiros de A.A. estão unidos mundo a fora e, melhor, temos a sólida esperança de que assim deverão permanecer para sempre. Mas essa certeza e essa expectativa que acalmam o espírito nem sempre estiveram presentes nas mentes dos primeiros membros da Irmandade. No início da vida de A.A., houve um crescimento rápido e espantoso no número de grupos e de pacientes em recuperação e esse crescimento, não obstante ser um fato auspicioso, ameaçou fazer em pedaços a instituição que ainda estava sendo consolidada. Ao mesmo tempo, esse crescimento muito acelerado, exponencial, chamava a atenção e merecia uma análise cuidadosa na busca de explicações.
Em 1941, com a publicação do trabalho de Jack Alexander no Saturday Evening Post, o número de membros de A.A. aumentou subitamente de 2.000 para 8.000 e para 96.000, em 1950. Os grupos foram de 500 em 1944 para 3.500, em 1950. Acompanhando esta onda de crescimento, muitos não alcoólicos dos campos da medicina, da religião e da mídia estavam ficando cada vez mais conscientes de que Alcoólicos Anônimos representavam uma solução para alcoólicos aparentemente sem esperança, e pediam informações sobre o AA. Da mesma forma, uma inundação de cartas chegava aos escritórios.
Para se ter uma idéia dos problemas e das dificuldades observadas nos primeiros tempos da vida de A.A., um breve quadro será composto usando apenas com as suas linhas mais gerais. Assim, havia o temor das recaídas e dos romances fora do casamento. Afloraram os desejos de poder, fama e dinheiro. Os mais antigos na obra se julgavam donos e consideravam ter direitos adquiridos, e mais, serem portadores de permissão para conduzir a Irmandade. Era necessário conter os dominadores de plantão e as personalidades autoritárias. Havia o medo do aparecimento nos grupos de pessoas esquisitas ou indesejáveis ou mesmo de criminosos. Como os grupos iriam se relacionar entre si? Qual o conceito de grupo? Qual o seu propósito primordial? Deveria o A.A. se envolver com movimentos sociais? Entrar na área educacional? Tornar-se uma instituição reformadora? Outra dificuldade estava em levar a termo os problemas de dinheiro. Com idéias grandiosas, alguns membros julgavam que precisariam de grandes somas. Como resolver o problema da tendência ao profissionalismo? Como lidar com o aparecimento de núcleos internos de governo e com o aparecimento de sanções a serem aplicadas? Infratores deveriam ser expulsos? E o que fazer com a tendência a opinar sobre questões alheias à Irmandade com o conseqüente envolvimento em controvérsias públicas. Como lidar com a divulgação em que se faziam promessas, o que se constituía em propaganda? A busca pelo poder e pelo prestígio sempre ocorria.
Esse quadro, muito resumido, mostra que a Irmandade, no início da sua existência, era como uma balsa de náufragos navegando em mar muito perigoso. Era preciso não balançar e estabilizar a embarcação para que todos não ficassem em pânico e não corressem perigos.
Diante dos desafios trazidos pelo intenso crescimento, tanto interno quanto das repercussões externas conseqüentes das atividades dos grupos, Bill se deu conta de que a nova Irmandade poderia facilmente ser esmagada pelo seu próprio sucesso, a menos que um corpo de princípios norteadores e uma política de relações com o público fosse formulada. Bill W. se apercebeu da necessidade de estabelecer linhas de procedimento que orientassem as relações internas e externas da Irmandade em face do crescimento de A.A. e da necessidade de manter a unidade; de criar um sistema de proteção para a comunidade recém-criada e de garantir o seu progresso. Identificou também as ameaças potenciais para a existência de Alcoólicos Anônimos: problemas de propriedade, prestígio e poder. Os de propriedade foram afastados evitando-se que A.A. se tornasse proprietário e fazendo com que pudesse se manter, daí a formulação das Tradições Sexta e Sétima.
Assim, foram afastadas as ideias de criação de linhas mestras que fossem chamadas de leis, regulamentos, regras ou qualquer coisa semelhante, pois transmitiriam uma ideia de autoritarismo e trariam consequências negativas para a Irmandade. Dessa forma, Bill começou por chamá-las de “Os Doze Pontos Para Garantir a Nossa Sobrevivência Futura”. No entanto, alguns desses pontos já eram tradicionalmente praticados por muitos grupos de A.A. com base nas suas experiências. Daí passarem a ser chamados de “Tradições”.
Da experiência acumulada dentro da Irmandade, surgiram as ideias básicas para as Doze Tradições de A.A.. Elas têm a finalidade de oferecer soluções para problemas da vida diária da Irmandade e, ainda, de ajudar na comunicação com a comunidade fora de Alcoólicos Anônimos. Nelas encontramos assuntos relacionados com a existência de A.A. e a maneira pela qual a Irmandade poderia continuar atuando dentro da sociedade em geral. As Tradições fornecem as ferramentas necessárias para a sobrevivência de A.A., ensinando as condições para que os alcoólicos sejam membros da Irmandade, a autonomia dos grupos, a unidade de propósitos, a não-aceitação de apoio externo, o anonimato, o profissionalismo, a questão das controvérsias públicas e a autossuficiência. Todo este conjunto de princípios deu origem às Tradições de A.A..
Desse modo, não obstante a existência das ameaças de desunião e de colapso que aconteceram no período de crescimento, a unidade de A.A., a nível mundial, foi forjada graças ao desenvolvimento de princípios calcados em procedimentos existentes em alguns grupos, já então tidos como tradicionais, e nascidos a partir da solução de problemas do cotidiano dessas estruturas e capazes de, sendo observados, mantê-las em unidade. Esses princípios foram estudados e consolidados e, no seu conjunto, se constituem naquilo que, hoje, para o nosso conforto e paz, são chamados de as Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos. Esses princípios, cristalizados a partir da experiência, da vida de A.A. nos primeiros tempos, se constituem num instrumento poderoso que permite transpor obstáculos e resolver os problemas do dia a dia da vida da Irmandade. Por meio da observância do segundo legado, permanecemos em unidade.
Insisto em chamar a atenção para esses primeiros tempos da vida da Irmandade porque foi aí que surgiram dificuldades e problemas e, a partir deles, as Tradições. Isso parece muito natural e ficamos hoje tranquilos, mas é preciso lembrar sempre que o não conhecimento desses princípios ou a omissão quanto à sua prática poderá nos levar a severas dificuldades e a enormes turbulências, inconvenientes para o processo de recuperação dos portadores da síndrome da dependência do álcool e que, ademais, poderão conduzir a rupturas de consequências imprevisíveis.
Além do mais, o estudo das Tradições encanta pela grande sabedoria existente em cada um dos seus princípios ao mesmo tempo em que espanta os estudiosos pelo fato estranho de neles existir tanta inspiração, tanto discernimento, tanta visão, tanto conhecimento, tanto de humanismo e, ainda, que toda essa riqueza tenha sido encontrada por aqueles que os conceberam. Acontecimentos como esse não são comuns na história da humanidade em que, infelizmente, predomina a insensatez, entendida como a tomada de atitudes contrárias aos seus próprios interesses.
Penso que é também oportuno que nos detenhamos sobre o significado das palavras legado e tradição. Legado é definido como dádiva deixada em testamento e dádiva é definida como donativo, presente, oferta. A palavra legado, portanto, está mais associada a coisas imateriais e, por isso, penso que a sua adoção é mais adequada do que a da palavra herança, com nítida conotação de coisa material e, por isso, ligada ao mundo das coisas e até à possibilidade da existência de conflitos. Fica, desse modo, a ideia de algo imaterial, precioso e enriquecedor do espírito, que é o que se aplica ao uso que fazemos em A.A. da palavra legado. Também é válido se deter sobre o significado da palavra tradição como sendo costume, hábito, uso ou crença, especialmente a que passa de geração em geração. Ou seja, um corpo de hábitos e crenças tidas como sendo de valor por uma cultura particular. Mas, se, por um lado, as Tradições significam para a Irmandade, como um todo, progresso, proteção e unidade, para os membros de A.A., que as praticam, representam uma linha de crescimento espiritual na medida em que colocam o outro em primeiro lugar e passam a valorizar o bem-estar comum.
Os fatos históricos aqui descritos, de grande importância e que convergiram para o aparecimento das Tradições de A.A. serão ainda muito úteis para avivar no nosso espírito a idéia de que precisamos estudar as Tradições com grande dedicação, mantendo a lembrança de que estes princípios que salvaram, naqueles tempos, a nossa Irmandade da desintegração. Espero que este relato possa concorrer para formar a consciência de que o não estudo e a não observância desse legado poderá resultar na perda da unidade, indispensável para que possamos levar adiante a mensagem de A.A. pelo mundo.
Quando falamos de alguma coisa e usamos a expressão mundial, que abrange o mundo inteiro, por todos os cantos do mundo, fica a ideia de um certo ufanismo. Os brasileiros cantaram em prosa e verso o fato de terem o maior estádio de futebol do mundo, de serem os melhores jogadores do mundo, de fazerem o melhor carnaval do mundo, etc. Resultou que essas expressões ficaram um pouco desgastadas ainda porque foram usadas para qualificar outros aspectos da nossa terra. Mas, quando me refiro nestes termos à Irmandade de Alcoólicos Anônimos, o faço a partir de experiências pessoais. Assim, em 1991, estando a passeio, visitei o ESG da França. Fui no 21, Rue Trousseau, em Paris, e lá fui carinhosamente recebido pela chefe do serviço. Conversamos longamente sobre as características do A.A. da França e do Brasil e ela, aproveitando a oportunidade, me mostrou uma coleção de Vivência colocada numa prateleira. Eram revistas que o ESG enviava regularmente para vários escritórios de serviços gerais. Disse-me que não entendia a língua, mas que tinha uma empregada portuguesa que lia para ela os artigos das revistas. Cerca de um mês mais tarde, fui à cidade de York, na Inglaterra, para fazer, entre outras, uma visita ao GSO. Novamente, fui recebido com muita alegria, carinho e atenção, além de surpresa, naturalmente. Lá havia também uma coleção de revistas Vivência. Mostraram-me algumas publicações do GSO e, entre os companheiros que me receberam, estava um que, mais tarde, eu iria reencontrar como delegado na 11ª Reunião Mundial, realizada em Nova York.
Nesta reunião mundial, convivi com companheiros de mais de quarenta países do mundo. A agenda de trabalho era muito intensa, mas não eram menos intensas as conversas de corredor. Muita experiência foi também trocada no decorrer dos grupos de trabalho e nas refeições que juntos fizemos. Experiências muito enriquecedoras foram vividas. Ainda na referida cidade, fui a duas reuniões de grupo e pude observar que em tudo eram semelhantes às que fazemos aqui no nosso país.
O que aqui relato é, exatamente, fruto da existência e da prática das 12 Tradições e reflete a importância e o poder desses princípios para a vida de A.A., como uma instituição mundial. A importante conclusão que tirei dessas experiências aqui relatadas e de outras mais, é que somos todos, membros de A.A., um só corpo, um organismo só, integrado e uno.
Na certeza da importância dos trabalhos que aqui seriam realizados é que aceitei o convite que me foi feito pelos companheiros para participar deste ciclo. Vim do Rio de Janeiro, fiz uma longa viagem e isso traduz a convicção que tenho da importância do estudo das Tradições de A.A.. Vim trazer a minha fé nos destinos desta Irmandade mundial a partir da prática das 12 Tradições.

ACERCA DO SURGIMENTO DOS DOZE PASSOS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS,
DE ACORDO COM RELATO FEITO PELO COFUNDADOR BILL W.
GRAPEVINE – JUNHO DE 1953.

Dr. Laís Marques da Silva, Ex-Custódio e Presidente da JUNAAB.
Extrato

No que se refere a pessoas, três foram as fontes de inspiração: Os Grupos Oxford, o Dr. William D. Silkworth, do Hospital Towns, e o psicólogo William James.

Os Grupos Oxford eram um movimento evangélico que floresceu nos anos 20 e 30 do século passado. Eles colocavam forte ênfase no trabalho pessoal, um membro junto a outro, e nos quatro absolutos: honestidade absoluta, pureza absoluta, generosidade absoluta e amor absoluto. Praticavam um tipo de penitência, a que chamavam compartilhamento, além da feitura de reparações pelos danos causados, ao que chamavam restituição, devolução. Davam grande valor ao que designavam de tempo de calma, uma forma de meditação praticada pelas pessoas e pelos grupos em que a orientação de Deus era buscada. Essas idéias não eram novas, mas o que valeu muito para os primeiros alcoólicos que freqüentavam os grupos foi o fato de que colocavam grande ênfase nesses princípios e no cuidado especial de não interferir nas crenças religiosas das pessoas.

Em 1934, no convívio com esses grupos, Ebbie ficou sóbrio, livrou-se da obsessão que o levava a beber. Chegando a Nova York, procurou Bill e, nas conversas que tiveram, usou com freqüência frases como: “eu perdi o controle da minha vida”, “devo fazer uma reparação pelos danos causados aos outros”, “tenho que pedir a Deus orientação e força, mesmo que não esteja certo da sua existência” e “após ter tentado com empenho praticar essas coisas, me dei conta de que a minha compulsão pelo álcool passou”. Repetia: “você não luta contra o desejo de beber, você se livra dele”. Eu nunca havia sentido isso antes. Foi o que Ebbie absorveu dos Grupos Oxford e transmitiu a Bill naquele dia, o impressionou fortemente e o fez entender o quê de especial havia em um alcoólico estar falando com um outro alcoólico de um modo que nenhuma outra pessoa podia fazer.

Em 11 de dezembro deste mesmo ano, Bill foi ao Hospital Towns procurar o Dr. Silkworth que, por anos, afirmara que o alcoolismo era uma doença, uma obsessão da mente associada a uma alergia do corpo e, naquele tempo, Bill sabia o que isso significava, pois que a obsessão o condenava a beber e a alergia o condenava à morte. Era esse o ponto em que a ciência começava a se encaixar no problema do alcoolismo. A fim de melhor entender as palavras do Dr. Silkworth quando buscava a similaridade entre as duas condições, vale acrescentar que a alergia, em si, é um conceito bem compreendido sendo fácil entender que pessoas alérgicas a penas não consigam estar por perto de galinhas. A maior parte das pessoas pode estar em volta de galinhas sem sofrer o mais leve desconforto, mas as pessoas que são alérgicas a penas podem ter ataques severos de espirros e coriza, olhos lacrimejantes, respiração difícil, e assim por diante. Esta reação é devida a uma resposta física anormal da vítima à inalação de partículas microscópicas das penas. Na visão do doutor, o alcoólico é alérgico ao álcool no sentido de que a ingestão dispara uma resposta química anormal no corpo que é manifestada como uma compulsão por mais álcool. O bebedor social automaticamente para de beber quando é razoável fazê-lo e nunca tem qualquer necessidade para, conscientemente, controlar a bebida. Ele não experimenta compulsão. Naturalmente, o alcoolismo não é uma verdadeira alergia mas o conceito é útil para entender o que é um tipo de reação anormal bem estabelecida. A reação anormal a uma substância estranha fornece uma base para o entendimento do porquê um alcoólico não pode se entender com o álcool.

Nas mãos de um alcoólico falando com outro, essa verdade de dois gumes era o argumento que poderia romper o ego rígido do alcoólico, em profundidade, e abri-lo para a Graça de Deus. No caso de Bill, o Dr. Silkworth vibrou o malho enquanto o amigo Ebbie trazia os princípios espirituais e a Graça que o levaria ao seu súbito despertar espiritual no hospital, três dias após e fazê-lo sentir-se um homem livre. Essa magnífica experiência veio com a certeza de que um grande número de alcoólicos poderia um dia gozar do precioso presente que lhe havia sido concedido. Nesse ponto, um terceiro componente surgiu da leitura do livro “Variedades da Experiência Religiosa”, de William James. O Dr. Silkworth se esforçou em convencer Bill de que ele não estava sofrendo alucinações, mas o livro fez mais ainda pois, da sua leitura, ficou claro que as experiências espirituais não só poderiam tornar as pessoas mais sadias mas também transformar homens e mulheres de tal modo que poderiam fazer, sentir e acreditar no que até então se mostrara impossível para eles. O maior retorno que o livro proporcionou foi que, na maioria dos casos, os que se transformaram eram pessoas sem esperança e que, em áreas de controle da sua vida, tinham encontrado a derrota absoluta. Em completa derrota, sem esperança ou fé, Bill fez um apelo ao Poder Superior, o que hoje é o Primeiro Passo de Programa de A.A. – admitimos que éramos impotentes diante do álcool e que as nossas vidas se tornaram inadministráveis – e ainda o Terceiro Passo, que devíamos entregar a vontade e a vida aos cuidados de deus da forma que o concebiam. Assim ele se tornou livre. Era tão simples e tão misterioso, também.

Bill se juntou então aos Grupos Oxford, mas continuou com a idéia de devotar-se exclusivamente aos bêbados enquanto aqueles grupos, diferentemente, queriam salvar o mundo todo ao mesmo tempo em que os seus resultados com alcoólicos eram pobres. Cerca de seis meses depois, Bill não tinha conseguido tornar ninguém sóbrio e todas as tentativas haviam resultado frustradas. No entanto, Bill continuava com a certeza de que um caminho para a sobriedade poderia ser encontrado. Se ele e Ebbie chegaram à sobriedade, porque os outros não poderiam chegar? Imaginava, naquele tempo, que poderia ser porque não havia acompanhado o ritmo dos Grupos Oxford com os seus quatro absolutos de honestidade, pureza, generosidade e amor. Por outro lado, a postura de pressão agressiva sobre os alcoólicos para ficarem bem rapidamente os fazia voar como gansos por semanas e depois cair tristemente. Os alcoólicos se queixavam também de uma outra forma de coerção exercida pelos Grupos Oxford a que chamavam de “guia para os outros”. Um grupo de não alcoólicos sentava-se com um alcoólico e, após um tempo de calma, apresentavam instruções precisas de como o alcoólico devia levar a sua vida; mas isso, para o alcoólico, era difícil de fazer.

Depois de meses, Bill verificou que o problema estava principalmente nele. Havia se tornado agressivo e muito convencido. Falava muito da sua súbita experiência espiritual como se fosse uma coisa muito especial. Estava desempenhando o duplo papel de professor e de pregador. Nas suas exortações, havia esquecido o lado médico do problema e a necessidade de desinflar, tão enfatizada por William James, tinha sido negligenciada. Não estava usando o malho que, de modo providencial, o Dr. Silkworth havia dado a ele. Finalmente, um dia, o doutor esteve com Bill e perguntou por que não parava de falar daquela sua experiência da luz e disse que, embora estivesse convencido de que as coisas morais faziam os alcoólicos melhores, pensava que Bill estava botando a carroça na frente do cavalo. Os alcoólicos não iriam aceitar a sua exortação até que se convencessem de que deveriam fazê-lo. Se eu fosse você, disse, iria a eles com o fundamento médico, em primeiro lugar. Seria melhor dar, primeiro, as más notícias e, por causa da sua identificação natural com eles, você poderia chegar onde eu não posso. Isso os amaciará de modo a aceitar os princípios que os farão sentir-se bem, disse.

Pouco tempo depois desta conversa, Bill encontrava-se em Akron, Ohio, numa viagem de negócio mal sucedida. Estando sozinho, sentiu medo de ficar bêbado. Não era mais professor nem pregador e sim um alcoólico que sabia que necessitava de um outro alcoólico tanto quanto um outro alcoólico necessitava dele. Chegou ao Dr. Bob levado por essa necessidade e logo ficou claro que o Dr. Bob era mais espiritualizado do que ele e que tivera contactos com os Grupos Oxford, mas não conseguira ficar sóbrio. Seguindo o conselho do Dr. Silkworth, Bill usou o argumento médico e disse que o alcoolismo era fatal e isso, aparentemente, tocou em Bob que, em 10 de junho de 1935, ficou sóbrio e nunca mais voltou a beber.

Nas palavras de Bill, o Dr. Silkworth havia suprido o elo que faltava e, sem ele, a cadeia de princípios, consolidada nos 12 Passos, nunca estaria completa.
Durante os três anos seguintes, os grupos cresceram a partir do programa boca-a-boca dos primeiros tempos e, na medida em que começaram a formar um grupamento humano separado dos Grupos Oxford, começaram a consolidar os princípios com algo como:
1. admitimos que éramos impotentes diante do álcool.
2. tornamo-nos honestos com as outras pessoas, confidencialmente.
3. fizemos reparações pelos males causados aos outros.
4. trabalhamos com outros alcoólicos sem procurar prestígio ou dinheiro.
5. pedíamos a Deus para nos ajudar a fazer essas coisas tão bem quanto possível.

Este foi o fundamento da mensagem para os alcoólicos que chegaram até 1939, quando os 12 Passos foram postos no papel.

Bill relatou que na tarde do dia em que os 12 Passos foram escritos ele estava de cama. Achou que o programa deveria ser colocado mais incisiva e claramente, pois conhecia a habilidade do alcoólico de racionalizar e alguma coisa incontestável deveria ser escrita. Começou por separar o programa em pequenas partes, as desenvolveu e, em meia hora, escreveu os princípios que, ao contar, verificou que eram em número de 12. Por alguma razão não percebida, colocou a idéia de Deus no Segundo Passo e usou a palavra Deus de forma livre ao longo dos outros passos e, num deles, chegou a sugerir que o recém-chegado ficasse de joelhos. Apresentados esses passos numa reunião em Nova York, os protestos foram muitos e veementes. Os amigos agnósticos não absorveram a idéia de ajoelhar e outros disseram que estavam falando muito em Deus. Perguntaram também porque Doze Passos, se haviam feito cinco ou seis? Era preciso manter simples, disseram. A discussão foi intensa por dias e noites. Os agnósticos convenceram os companheiros que deveríamos tornar as coisas mais fáceis para gente como eles usando termos como “Poder Superior” ou “Deus, como nós o entendemos” e essas expressões se mostraram salvadoras de vidas para muitos alcoólicos além de permitir que milhares deles pudessem entrar no programa. Os Passos continuaram a ser doze e, cedo, foram aprovados pelo clero de todas as denominações e pelos amigos psiquiatras.

Ninguém inventou Alcoólicos Anônimos, ele simplesmente cresceu pela Graça de Deus.

ATITUDES QUE DIFICULTAM A COMUNICAÇÃO EM REUNIÕES DE SERVIÇO

1. Jamais procure derrotar um dos participantes. Você não veio para vencer e sim para cooperar. Não faça a guerra, faça o amor. Além do mais, o derrotado em público jamais o perdoará.
2. Não diga “é claro”, “você não entendeu”. Não ponha culpa no grupo. Diga: “eu não consegui me expressar bem” ou “eu não fui muito claro”.
3. Não pense muito em você, se você é muito tímido. Pense no assunto que está em discussão.
4. Não carregue o grupo nas costas. Estimule todos os seus componentes a cumprir a sua tarefa. Não seja paternal. Todos são responsáveis pelo êxito do grupo.
5. O dominador se desculpa dizendo que ninguém quer trabalhar. O tímido diz que não o deixam participar. O fato é que ambos são imaturos.
6. Não obedeça; coopere. Lembre-se de que é livre.
7. Não seja parasita. Ofereça a sua colaboração e a sua experiência ao grupo. Ele precisa da sua participação.
8. Não espere ser convidado. Participe, mesmo que haja dificuldades.
9. Evite alongar-se demais. Prolixidade é sinal de confusão mental. Ser sintético é sinal de inteligência.
10. Cuidado para que, quando esteja falando demais ou de menos, você não esteja sabotando o grupo.
11. Lembre-se de que a participação implica em responsabilidade e se você não se sentir responsável, você não é parte do grupo.
12. Abandone as frases feitas. Seja criativo.
13. Não se impressione com os títulos que alguém possa ter. É preciso procurar a reciprocidade para que haja colaboração.
14. Não tenha vergonha de ser entusiasta. Transmita calor humano. Você não é robô.
15. Evite ser lógico sem amor porque aí a lógica é implacável. Evite o amor sem lógica, porque aí é sentimentalismo.
16. Não crie barreiras psicológicas. Deixe-se modificar e modifique o grupo.
17. Não seja impermeável. Aceite, mesmo que provisoriamente, o ponto de vista de um companheiro. Só dessa forma o diálogo será possível.
18. Não seja primário, deslumbrado ou mágico. O homem comum é perspicaz e o moderno é crítico e criativo.
19. Não desestruture o grupo diante de problemas. Divida as dificuldades.
20. Se necessária a votação, ela deverá ser realizada após longa discussão de modo a ser alcançada substancial unanimidade.

ATITUDES QUE FACILITAM A COMUNICAÇÃO EM REUNIÕES DE SERVIÇO

1- Disponha, de preferência, os assentos em forma de círculo. É uma forma de equilibração geométrica. Não há destaques.
2- Evite dizer a palavra vocês. Use o nós de modo a não se colocar à parte.
3- Dirija-se sempre ao grupo, mesmo quando se referir apenas a um dos seus componentes.
4- Procure não se sentar junto aos mais íntimos porque isso tenderia à formação de grupinhos separados. Sente-se junto aos que conhece menos.
5- Não fique falando baixo com os companheiros sentados ao lado. Isso pode ser entendido como uma crítica a alguém.
6- Fique atento a tudo o que é dito. Olhe para quem fala e assim o estará respeitando. Não é bom alhear-se enquanto prepara a sua intervenção.
7- Ao dar uma opinião, procure relacioná-la a uma idéia exposta anteriormente. Isso dará um encadeamento ao que está sendo discutido.
8- Ao dar uma opinião, diga sempre o porquê. Mostre que é o resultado de um pensamento, de uma elaboração mental e não somente um palpite.
9- Leve na devida conta a opinião dos tímidos. Além da sua colaboração, isso representa um modo de estimulá-los a participar.
10- Não use a expressão não concordo. Não se emocione nem eleve a voz. Essas coisas criam barreiras. Discorde sem dizer não concordo. Todos perceberão a sua discordância.
11- Às vezes, é bom lançar uma dúvida para descongelar os dogmas e forçar a reflexão. Proponha uma afirmação contrária.
12- Procure coordenar e não ser um chefe. Quem precisa de chefe é bando.
13- Se está difícil encaminhar a discussão de um tema, sugira uma parada para examinar o que está impedindo a progressão. Faça isso para evitar que sejam feitas críticas “a posteriori” e, portanto, fora da reunião. É um modo de ser leal ao grupo.
14- Quando alguém der um palpite, pergunte por que? Quando? Onde? E assim por diante, de modo a forçar uma operação mental em vez de mero palpite.
15- Ouça os que não entendem do assunto. Às vezes, eles se mostram criativos e lógicos.
16- Tenha coragem de fazer as suas exposições. Corra o risco de ser contestado e não expresse apenas dúvidas.
17- Evite a palavra acho. Isso é apenas uma hipocrisia, uma vez que, na maioria das vezes, a pessoa que assim se expressa está convicta e lutando pela sua opinião. É melhor dizer que não pode provar o que diz e aí estará abrindo o jogo. No acho, a pessoa não expõe uma convicção, mas uma dúvida. A “achologia” não constrói nada.
18- Procure elogiar as pessoas; elas crescem. Seja generoso.
19- Se estiver muito acima do grupo, faça perguntas e não afirmações. Não dê aula. Use o método da Maiêutica de Sócrates, que é igual a partejar idéias.
20- Passe a bola para recebê-la de volta.

AUTO-ESTIMA
Dr. Lais Marques da Silva, ex-presidente da Junaab.

Auto-estima. Valorização de si mesmo, amor próprio.

Entre os alcoólicos, é comum observar que, anteriormente ao desenvolvimento da dependência química, eram egocêntricos, apresentavam baixa capacidade de suportar tensões nervosas e que tinham baixa autoestima, embora esses traços não concorram para elevar o risco de se tornarem alcoólicos.

Para sair de um padrão emocional baixo, os alcoólicos dependem de novas e poderosas fontes de auto-estima e de esperança, sendo observado que uma abstinência estável esteja ligada a uma mudança profunda de personalidade que ocorre, não por coincidência, com a evolução que se verifica no decurso do crescimento espiritual.

Em A.A. não se estuda o problema do alcoolismo nem se faz diagnóstico. Diagnosticar como alcoólico corresponderia a rotular de um modo que pode causar dano tanto à autoestima quanto à aceitação social.
A autoestima recebe um reforço considerável quando o alcoólico entra em serviço, uma vez que não só percebe que pode fazer alguma coisa pelos outros, mas também porque o serviço tende a reduzir a preocupação mórbida que o alcoólico tem consigo mesmo, além de fortalecer a ligação entre o membro de A.A. e o grupo.

A elevação da autoestima é de enorme importância, pois leva os alcoólicos a mudanças de atitude e a melhores resultados do que os que se conseguem simplesmente fazendo ameaças ou apelando para a racionalidade ao se procurar fazer aconselhamento. É uma mudança de atitude. A recuperação está intimamente associada ao ganho de auto-estima.

Um outro fato importante ligado ao aumento da auto-estima é que, na medida em que ela aumenta, o alcoólico readquire a capacidade de ouvir as mensagens que são passadas nos grupos. Ele se torna permeável, aceita a comunidade formada pelo grupo.

Auto-estima é alguma coisa que não se pode pegar, mas ela influi na nossa maneira de sentir e de ser. Não se pode vê-la, mas está lá quando nos vemos no espelho. Não podemos ouvi-la, mas esta lá quando falamos com nós mesmos.

Estima é a palavra que usamos para coisa ou pessoa que avaliamos como sendo de valor. Se se acha que uma pessoa tem valor, isso significa que ela está em elevada estima. Temos estima por um troféu porque ele traduz o valor da conquista. Auto significa de si mesmo e, aí está então a auto-estima significando que nos achamos importantes. É como nos vemos e como sentimos acerca das nossas realizações. É a maneira silenciosa de se achar de valor, de ser amado e aceito pelas pessoas.

A auto-estima ajuda a manter a cabeça elevada, a ter orgulho de si mesmo e do que podemos fazer. Dá coragem para tentar novas coisas e poder para acreditar em si mesmo. Dá respeito a si mesmo quando se comete um engano. Quando nos respeitamos, as outras pessoas também o fazem. É também necessária para fazer opções certas acerca de nós mesmos.

Naturalmente, todos nós temos altos e baixos, mas ter baixa auto-estima não é bom. Sentir-se sem importância causa tristeza e isso pode inibir as nossas ações, dificultar fazer novas amizades. Ter elevada auto-estima é importante para crescer.

É preciso fazer uma lista das coisas em que somos bons, quaisquer que sejam elas. É preciso que nos cumprimentemos a cada dia por todas as coisas que fazemos bem e de bom e ainda lembrar delas antes de dormir.

É preciso gostar do nosso corpo porque ele é nosso, afinal. Se há algo que pode ser corrigido, é corrigir. Mas é necessário aceitar o que não se pode modificar. Se pensamentos negativos invadem a nossa mente, que se dê um basta neles.

É preciso manter o foco nas boas coisas e nas boas qualidades que temos e, sobretudo, aprender a nos aceitar. É preciso fazer brilhar a nossa auto-estima.

PENSAMENTOS QUE AJUDAM
“Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome … Auto-estima”.

“Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável: pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início, a minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama … Amor-próprio”.

“Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é …Plenitude”.

“Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei menos vezes. Hoje descobri a … Humildade”.

“Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre, desisti de fazer grandes planos e abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é … Simplicidade”.

“Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou que a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é … Respeito”.

“Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de … Amadurecimento”.

“Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades. Hoje seu que isso é … Autenticidade”.

“Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é … Saber Viver”.

Ciclo d’AS DOZE TRADIÇÕES
Realizado em Leopoldina-MG

O segundo Legado, na visão do Dr. Laís Marques da Silva.
Ex-Custódio e Presidente da Junaab.

Estamos aqui unidos na cidade de Leopoldina, numa das muitas cidades do Estado de Minas Gerais, um dos 26 Estados do Brasil, um grande país entre os muitos paises do mundo. Sabemos que os companheiros de A.A. estão unidos mundo a fora e, melhor, temos a esperança de que assim deverão permanecer. Mas essa certeza e essa expectativa que acalmam o espírito nem sempre estiveram presentes nas mentes dos primeiros membros da Irmandade. No início da vida de A.A., houve um crescimento rápido e espantoso no número de grupos e de pacientes em recuperação e esse crescimento, não obstante ser um fato auspicioso, ameaçou fazer em pedaços a instituição que ainda estava sendo consolidada. Ao mesmo tempo, esse crescimento muito acelerado, exponencial, era um fato que chamava a atenção e que merecia uma análise respeitosa na busca de uma explicação.
Para dar uma idéia dos problemas e das dificuldades observadas nos primeiros tempos da vida de A.A., um breve quadro será composto usando apenas as suas linhas mais gerais. Assim, havia o temor das recaídas e dos romances fora do casamento. Afloraram os desejos de poder, fama e dinheiro. Os mais antigos na Irmandade se julgavam donos e consideravam ter direitos adquiridos, e mais, serem portadores de permissão para conduzi-la. Era necessário conter os dominadores de plantão e as personalidades autoritárias. Havia o medo do aparecimento nos grupos de pessoas esquisitas ou indesejáveis ou mesmo de criminosos. Como os grupos iriam se relacionar entre si? Qual o conceito de grupo? Qual o seu propósito primordial? Deveria o A.A. se envolver com movimentos sociais? Entrar na área educacional? Tornar-se uma instituição reformadora? Outra dificuldade estava em levar a termo os problemas de dinheiro. Com idéias grandiosas, alguns membros julgavam que precisariam de grandes somas. Como resolver o problema da tendência ao profissionalismo? Como lidar com o aparecimento de núcleos internos de governo e com o aparecimento de sanções a serem aplicadas? Infratores deveriam ser expulsos? E o que fazer com a tendência a opinar sobre questões alheias à Irmandade com o conseqüente envolvimento em controvérsias públicas. Como lidar com a divulgação em que se faziam promessas, o que se constituía em propaganda? A busca pelo poder e pelo prestígio sempre ocorria.
Esse quadro, muito resumido, mostra que a Irmandade, no início da sua existência, era como uma balsa de náufragos navegando em mar muito perigoso. Era preciso não balançar e estabilizar a balsa para que todos não ficassem em pânico e não corressem perigos.
Não obstante a existência das ameaças de desunião e de colapso que aconteceram neste período de crescimento, a unidade de A.A., a nível mundial, foi forjada graças ao desenvolvimento de princípios calcados em procedimentos existentes em alguns grupos, já então tidos como tradicionais, e nascidos a partir da solução de problemas do cotidiano dessas estruturas e capazes de, sendo observados, mantê-las em unidade. Esses princípios foram estudados e consolidados e, no seu conjunto, se constituem naquilo que, hoje, para o nosso conforto e paz, são chamados de as Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos. Esses princípios, cristalizados a partir da experiência, da vida de A.A. nos primeiros tempos, se constituem num instrumento poderoso que permite transpor obstáculos e resolver os problemas do dia a dia da vida da Irmandade. Por meio da observância do segundo legado, permanecemos em unidade.
Insisto em chamar a atenção para esses primeiros tempos porque neles surgiram dificuldades e problemas e, a partir deles, as Tradições. Isso parece muito natural e ficamos tranqüilos, mas é preciso lembrar sempre que o não conhecimento desses princípios ou a omissão quanto à sua prática poderá nos levar a severas dificuldades e a enormes turbulências, inconvenientes para o processo de recuperação dos portadores da síndrome da dependência do álcool e que, ademais, poderão conduzir a rupturas de conseqüências imprevisíveis.
Além do mais, o estudo das Tradições encanta pela grande sabedoria existente em cada um dos seus princípios ao mesmo tempo em que espanta os estudiosos pelo fato estranho de neles existir tanta inspiração, tanto discernimento, tanta visão, tanto conhecimento, tanto de humanismo e, ainda, que toda essa riqueza tenha sido encontrada por aqueles que os conceberam. Acontecimentos como esses não são comuns na história da humanidade em que, infelizmente, predomina a insensatez, entendida como a tomada de atitudes contrárias aos seus interesses.
Penso que é também oportuno que nos detenhamos sobre o significado das palavras legado e tradição. Legado é definido como dádiva deixada em testamento e dádiva é definida como donativo, presente, oferta. A palavra legado, portanto, está mais associada a coisas imateriais e, por isso, penso que a sua adoção é mais adequada do que a da palavra herança, com nítida conotação de coisa material e, por isso, ligada ao mundo das coisas e até à possibilidade da existência de conflitos. Fica, desse modo, a idéia de algo imaterial, precioso e enriquecedor do espírito, que é o que se aplica ao uso que fazemos em A.A. da palavra legado. Também é válido se deter sobre o significado da palavra tradição como sendo costume, hábito, uso ou crença, especialmente a que passa de geração em geração. Ou seja, um corpo de hábitos e crenças tidas como sendo de valor por uma cultura particular.
Isto posto, vamos considerar alguns fatos históricos, de grande importância, que convergiram para o aparecimento das Tradições de A.A. e que, ainda mais, irão avivar no nosso espírito a idéia de que precisamos estudar as Tradições com grande dedicação, mantendo a lembrança de que estes princípios que salvaram, naqueles tempos, a nossa Irmandade da desintegração. O relato concorrerá para formar a consciência de que o não estudo e a não observância desse legado poderá resultar na perda da unidade, indispensável para que possamos levar adiante a mensagem de A.A. mundo afora.
Em 1941, com a publicação do trabalho de Jack Alexander no Saturday Evening Post, o número de membros de AA saltou de 2000 para 8000 e para 96000, em 1950. Os grupos foram de 500 em 1944 para 3.500 em 1950. Acompanhando esta onda, muitos não alcoólicos dos campos da medicina, da religião e da mídia estavam ficando cada vez mais conscientes de que Alcoólicos Anônimos representavam uma solução para alcoólicos aparentemente sem esperança e pediam informações sobre o AA. Da mesma forma, uma inundação de cartas chegava aos escritórios.
Diante dos desafios trazidos pelo intenso crescimento tanto interno quanto externo, Bill se deu conta de que a nova Irmandade poderia facilmente ser esmagada pelo seu próprio sucesso, a menos que um corpo de princípios norteadores e uma política de relações com o público fosse formulada.
Naqueles tempos, Bill W. se apercebeu da necessidade de estabelecer linhas de procedimento que orientassem as relações internas e externas da Irmandade em face do crescimento de AA e da necessidade de manter a unidade; de criar uma proteção e de garantir o progresso.
Bill W., co-fundador de A.A., identificou as ameaças potenciais para a existência de Alcoólicos Anônimos: problemas de propriedade, prestígio e poder. Os de propriedade foram afastados evitando-se que A.A. se tornasse proprietário e fazendo com que se pudesse manter. Daí as Tradições Sexta e Sétima.
Foram afastadas as idéias de criação de linhas mestras que fossem chamadas de leis, regulamentos, regras ou qualquer coisa semelhante, pois transmitiriam uma idéia de autoritarismo e trariam conseqüências negativas para a Irmandade. Dessa forma, Bill começou por chamá-las de “Os Doze Pontos Para Garantir a Nossa Sobrevivência Futura”. No entanto, alguns desses pontos já eram tradicionalmente praticados por muitos grupos de A.A. com base nas suas experiências, daí que passaram a ser chamados de Tradições.
Portanto, da experiência acumulada dentro da própria Irmandade, surgiram as idéias básicas para a elaboração das Doze Tradições de A.A.. Elas têm a finalidade de oferecer soluções para problemas da vida diária da Irmandade e, ainda, ajudar na comunicação com a comunidade, fora de Alcoólicos Anônimos. Nelas encontramos todos os assuntos relacionados com a existência de A.A. e a maneira pela qual a Irmandade pode continuar atuando dentro da sociedade em geral. As Tradições fornecem as ferramentas necessárias para a sobrevivência de A.A., ensinando as maneiras para que os alcoólicos sejam membros da Irmandade, a autonomia dos grupos, a unidade de propósitos, a não-aceitação de apoio externo, o anonimato, o profissionalismo, controvérsias públicas e auto-suficiência. Todo este conjunto de princípios deu origem às Tradições de A.A..
Se, por um lado, as Tradições significam para a Irmandade, como um todo, progresso, proteção e unidade, para os membros de A.A., que as praticam, representam uma linha de crescimento espiritual na medida em que colocam o outro em primeiro lugar e passam a valorizar o bem-estar comum.
Quando falamos de alguma coisa e usamos a expressão mundial, que abrange o mundo inteiro, por todos os cantos do mundo, fica a idéia de um certo ufanismo. Os brasileiros cantaram em prosa e verso o fato de terem o maior estádio de futebol do mundo, de serem os melhores jogadores do mundo, de fazerem o melhor carnaval do mundo, etc. Resultou que essas expressões ficaram um pouco desgastadas ainda porque foram usadas para qualificar outros aspectos da nossa terra. Mas, quando me refiro nestes termos à Irmandade de Alcoólicos Anônimos, o faço a partir de experiências pessoais. Assim, em 1991, estando a passeio, visitei o ESG da França. Fui no 21, Rue Trousseau, em Paris, e lá fui carinhosamente recebido pela chefe do serviço. Conversamos longamente sobre as características do A.A. da França e do Brasil e ela, aproveitando a oportunidade, me mostrou uma coleção de Vivência colocada numa prateleira. Eram revistas que o ESG enviava regularmente para vários escritórios de serviços gerais. Disse-me que não entendia a língua, mas que tinha uma empregada portuguesa que lia para ela os artigos das revistas. Cerca de um mês mais tarde, fui à cidade de York, na Inglaterra, para fazer, entre outras, uma visita ao GSO. Novamente, fui recebido com muita alegria, carinho e atenção, além de surpresa, naturalmente. Lá havia também uma coleção de revistas Vivência. Mostraram-me algumas publicações do GSO e, entre os companheiros que me receberam, estava um que, mais tarde, eu iria reencontrar como delegado na 11ª Reunião Mundial, realizada em Nova York.
Nesta reunião mundial, convivi com companheiros de mais de quarenta países do mundo. A agenda de trabalho era muito intensa, mas não eram menos intensas as conversas de corredor. Muita experiência foi também trocada no decorrer dos grupos de trabalho e nas refeições que juntos fizemos. Experiências muito enriquecedoras foram vividas. Ainda na referida cidade, fui a duas reuniões de grupo e pude observar que, em tudo, eram semelhantes às que fazemos aqui no nosso país.
O que aqui relato é, exatamente, fruto da existência e da prática das 12 Tradições e reflete a importância e o poder desses princípios para a vida de A.A., como instituição mundial. A importante conclusão que tirei dessas experiências aqui relatadas e de outras mais, é que somos todos, membros de A.A., um só corpo, um só organismo, integrado e uno.
Na certeza da importância dos trabalhos que aqui seriam realizados é que aceitei o convite que me foi feito pelos companheiros para participar deste ciclo de Tradições. Vim do Rio de Janeiro, fiz uma longa viagem e isso traduz a convicção que tenho da importância do estudo das tradições de A.A.. Vim trazer a minha fé nos destinos desta Irmandade mundial a partir da prática das 12 Tradições.

AS TRADIÇÕES, PALESTRA REALIZADA EM CURITIBA, PARANÁ

Dr. Lais Marques da Silva, ex-Custódio e Presidente da JUNAAB.

Estamos aqui reunidos na cidade de Curitiba, numa das muitas cidades do Estado do Paraná, um dos 26 Estados do Brasil, um grande país entre os muitos paises do mundo. Sabemos que os companheiros de A.A. estão unidos mundo a fora e, melhor, temos a sólida esperança de que assim deverão permanecer. Mas essa certeza e essa expectativa que acalmam o espírito nem sempre estiveram presentes nas mentes dos primeiros membros da Irmandade. No início da vida de A.A., houve um crescimento rápido e espantoso no número de grupos e de pacientes em recuperação e esse crescimento, não obstante ser um fato auspicioso, ameaçou fazer em pedaços a instituição que ainda estava sendo consolidada. Ao mesmo tempo, esse crescimento muito acelerado, exponencial, era um fato que chamava a atenção e que merecia uma análise cuidadosa na busca de uma explicação.
Em 1941, com a publicação do trabalho de Jack Alexander no Saturday Evening Post, o número de membros de AA salta de 2.000 para 8.000 e para 96.000, em 1950. Os grupos foram de 500 em 1944 para 3.500, em 1950. Acompanhando esta onda, muitos não alcoólicos dos campos da medicina, da religião e da mídia estavam ficando cada vez mais conscientes do que Alcoólicos Anônimos representavam uma solução para alcoólicos aparentemente sem esperança, e pediam informações sobre o AA. Da mesma forma, uma inundação de cartas chegava aos escritórios.
Para dar uma idéia dos problemas e das dificuldades observadas nos primeiros tempos da vida de A.A., um breve quadro será composto usando apenas as suas linhas mais gerais. Assim, havia o temor das recaídas e dos romances fora do casamento. Afloraram os desejos de poder, fama e dinheiro. Os mais antigos na obra se julgavam donos e consideravam ter direitos adquiridos, e mais, serem portadores de permissão para conduzir a Irmandade. Era necessário conter os dominadores de plantão e as personalidades autoritárias. Havia o medo do aparecimento nos grupos de pessoas esquisitas ou indesejáveis ou mesmo de criminosos. Como os grupos iriam se relacionar entre si? Qual o conceito de grupo? Qual o seu propósito primordial? Deveria o A.A. se envolver com movimentos sociais? Entrar na área educacional? Tornar-se uma instituição reformadora? Outra dificuldade estava em levar a termo os problemas de dinheiro. Com idéias grandiosas, alguns membros julgavam que precisariam de grandes somas. Como resolver o problema da tendência ao profissionalismo? Como lidar com o aparecimento de núcleos internos de governo e com o aparecimento de sanções a serem aplicadas? Infratores deveriam ser expulsos? E o que fazer com a tendência a opinar sobre questões alheias à Irmandade com o conseqüente envolvimento em controvérsias públicas. Como lidar com a divulgação em que se faziam promessas, o que se constituía em propaganda? A busca pelo poder e pelo prestígio sempre ocorria.
Esse quadro, muito resumido, mostra que a Irmandade, no início da sua existência, era como uma balsa de náufragos navegando em mar muito perigoso. Era preciso não balançar e estabilizar a balsa para que todos não ficassem em pânico e não corressem perigos.
Diante dos desafios trazidos pelo intenso crescimento, tanto interno quanto das repercussões externas conseqüentes das atividades dos grupos, Bill se deu conta de que a nova Irmandade poderia facilmente ser esmagada pelo seu próprio sucesso, a menos que um corpo de princípios norteadores e uma política de relações com o público fosse formulada.
Naqueles tempos, Bill W. se apercebeu da necessidade de estabelecer linhas de procedimento que orientassem as relações internas e externas da Irmandade em face do crescimento de A.A. e da necessidade de manter a unidade; de criar um sistema de proteção para a comunidade recém-criada e de garantir o seu progresso.
Bill W., o co-fundador de A.A., foi capaz de identificar as ameaças potenciais para a existência de Alcoólicos Anônimos: problemas de propriedade, prestígio e poder. Os de propriedade foram afastados evitando-se que A.A. se tornasse proprietário e fazendo com que pudesse se manter, daí a formulação das Tradições Sexta e Sétima.
Foram afastadas as idéias de criação de linhas mestras que fossem chamadas de leis, regulamentos, regras ou qualquer coisa semelhante, pois transmitiriam uma idéia de autoritarismo e trariam conseqüências negativas para a Irmandade. Dessa forma, Bill começou por chamá-las de “Os Doze Pontos Para Garantir a Nossa Sobrevivência Futura”. No entanto, alguns desses pontos já eram tradicionalmente praticados por muitos grupos de A.A. com base nas suas experiências. Daí passarem esses pontos a serem chamados de “Tradições”.
Da experiência acumulada dentro da Irmandade, surgiram as idéias básicas para as Doze Tradições de A.A.. Elas têm a finalidade de oferecer soluções para problemas da vida diária da Irmandade e, ainda, ajudar na comunicação com a comunidade fora de Alcoólicos Anônimos. Nelas encontramos todos os assuntos relacionados com a existência de A.A. e a maneira pela qual a Irmandade poderia continuar atuando dentro da sociedade em geral. As Tradições fornecem as ferramentas necessárias para a sobrevivência de A.A., ensinando as condições para que os alcoólicos sejam membros da Irmandade, a autonomia dos grupos, a unidade de propósitos, a não-aceitação de apoio externo, o anonimato, o profissionalismo, a questão das controvérsias públicas e a auto-suficiência. Todo este conjunto de princípios deu origem às Tradições de A.A..
Não obstante a existência das ameaças de desunião e de colapso que aconteceram neste período de crescimento, a unidade de A.A., a nível mundial, foi forjada graças ao desenvolvimento de princípios calcados em procedimentos existentes em alguns grupos, já então tidos como tradicionais, e nascidos a partir da solução de problemas do cotidiano dessas estruturas e capazes de, sendo observados, mantê-las em unidade. Esses princípios foram estudados e consolidados e, no seu conjunto, se constituem naquilo que, hoje, para o nosso conforto e paz, são chamados de as Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos. Esses princípios, cristalizados a partir da experiência, da vida de A.A. nos primeiros tempos, se constituem num instrumento poderoso que permite transpor obstáculos e resolver os problemas do dia a dia da vida da Irmandade. Por meio da observância do segundo legado, permanecemos em unidade.
Insisto em chamar a atenção para esses primeiros tempos porque neles surgiram dificuldades e problemas e, a partir deles, as Tradições. Isso parece muito natural e ficamos tranqüilos, mas é preciso lembrar sempre que o não conhecimento desses princípios ou a omissão quanto à sua prática poderá nos levar a severas dificuldades e a enormes turbulências, inconvenientes para o processo de recuperação dos portadores da síndrome da dependência do álcool e que, ademais, poderão conduzir a rupturas de conseqüências imprevisíveis.
Além do mais, o estudo das Tradições encanta pela grande sabedoria existente em cada um dos seus princípios ao mesmo tempo em que espanta os estudiosos pelo fato estranho de neles existir tanta inspiração, tanto discernimento, tanta visão, tanto conhecimento, tanto de humanismo e, ainda, que toda essa riqueza tenha sido encontrada por aqueles que os conceberam. Acontecimentos como esses não são comuns na história da humanidade em que, infelizmente, predomina a insensatez, entendida como a tomada de atitudes contrárias aos seus interesses.
Penso que é também oportuno que nos detenhamos sobre o significado das palavras legado e tradição. Legado é definido como dádiva deixada em testamento e dádiva é definida como donativo, presente, oferta. A palavra legado, portanto, está mais associada a coisas imateriais e, por isso, penso que a sua adoção é mais adequada do que a da palavra herança, com nítida conotação de coisa material e, por isso, ligada ao mundo das coisas e até à possibilidade da existência de conflitos. Fica, desse modo, a idéia de algo imaterial, precioso e enriquecedor do espírito, que é o que se aplica ao uso que fazemos em A.A. da palavra legado. Também é válido se deter sobre o significado da palavra tradição como sendo costume, hábito, uso ou crença, especialmente a que passa de geração em geração. Ou seja, um corpo de hábitos e crenças tidas como sendo de valor por uma cultura particular.
Se, por um lado, as Tradições significam para a Irmandade, como um todo, progresso, proteção e unidade, para os membros de A.A., que as praticam, representam uma linha de crescimento espiritual na medida em que colocam o outro em primeiro lugar e passam a valorizar o bem-estar comum.
Relembramos alguns fatos históricos, de grande importância, que convergiram para o aparecimento das Tradições de A.A. e que irão avivar no nosso espírito a idéia de que precisamos estudar as Tradições com grande dedicação, mantendo a lembrança de que estes princípios salvaram, naqueles tempos, a nossa Irmandade da desintegração. O relato concorrerá para formar a consciência de que o não estudo e a não observância desse legado poderá resultar na perda da unidade, indispensável para que possamos levar adiante a mensagem de A.A. mundo afora.

1ª TRADIÇÃO
“Nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar, a reabilitação individual depende da unidade de A.A.”
O bem-estar comum é muito valorizado em A.A. e, sem ele, não pode haver o bem-estar pessoal, indispensável à recuperação.
A situação do membro de A.A. é semelhante à de náufragos que estivessem em uma balsa navegando em mar muito perigoso. É preciso não balançar a balsa para não colocar todos em pânico e em perigo. Os víveres devem ser repartidos. É interessante observar que numa situação como esta não há glutões.
De início, havia o temor das recaídas, o que causava pânico, e também o temor dos romances fora do casamento. Outras ameaças vinham do desejo de poder, domínio, fama e dinheiro por parte dos membros da Irmandade. O orgulho, o medo e a raiva já eram importantes inimigos do bem-estar comum.
Por outro lado, a harmonia e o amor fraterno fortaleciam os companheiros de A.A..

2ª TRADIÇÃO
“Somente uma autoridade preside, em última análise, o nosso propósito comum – um Deus amantíssimo, que se manifesta na nossa consciência coletiva. Nossos lideres são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar”.
A consciência do grupo é a única autoridade a conduzir a discussão dos assuntos da Irmandade.
Os mais velhos, muitas vezes, pensam que foram eles, com mais experiência e com a sua orientação e liderança, que levaram uma vida nova para os alcoólicos. Pensam que têm direitos adquiridos e até permissão para conduzir a Irmandade indefinidamente. Pensam também que têm direito de escolher os seus sucessores. Mas os outros membros dos grupos não pensam dessa forma.
A consciência do grupo era quase sempre mais sábia do que a de qualquer dos seus membros separadamente.
Há dois princípios no enunciado da 2ª Tradição:
1. A não existência de uma autoridade humana com poderes para governar. Ou seja, existência de apenas uma autoridade espiritual.
2. A possibilidade de a autoridade espiritual manifestar-se por meio da consciência coletiva.
Bill relata, em janeiro de 47, na Grapevine, que tentou controlar e dirigir o A.A., mas sem resultado. Quando dirigia críticas a grupos ou pessoas, recebia de volta o dobro de críticas e, às vezes, era chamado de ditador. Assim, também a 2ª Tradição, como as demais, resultou de experiências fracassadas. Bill concluiu que somos um grupo de pessoas difíceis de serem comandadas.
Nas reuniões evitamos o ar professoral, como se quiséssemos ensinar a arte de viver. Isso não funciona. Assim, cada um conta apenas a sua história.
Essa rebeldia, embora não possa ser considerada uma virtude, mas o fato é que, dentro dos limites da Irmandade, tem servido para nos proteger dos dominadores de plantão, das personalidades autoritárias que, se tivessem autoridade, agiriam como agentes desagregadores.
A irmandade existe há 67 anos e não tem nem nunca teve uma estrutura de comando. Há apenas diretrizes acompanhadas de cobrança de resultados.
Da mesma forma que os companheiros procuram praticar os Doze Passos, os grupos agem da mesma forma em relação às Tradições. Do mesmo modo que não praticar os Passos leva à tristeza, à depressão, à bebida e à morte, a não observância das Tradições pode levar à desintegração do grupo e tornar problemática a recuperação pessoal dos seus membros.
Sobre a possibilidade de uma autoridade espiritual manifestar-se na consciência coletiva, fica a necessidade de compreender bem o que ela é porque, afinal, é ela que conduz a nossa irmandade e ainda pode manifestar a vontade de Deus.
Um membro de AA pode, ao praticar o 11º Passo, melhorar o seu contacto consciente com Deus para que Ele possa agir por seu intermédio. A prática desse Passo pode preparar cada membro de A.A. para participar da formação da consciência coletiva.
Confiança e fé são as palavras-chave da Segunda Tradição.

3ª TRADIÇÃO
“Para ser membro de AA, o único requisito é o desejo de parar de beber”.
Quando o A.A. passou pela fase de forte crescimento, surgiram dúvidas quanto ao aparecimento de outros tipos de pessoas. Até aquela época, o problema era apenas com bêbados. Não apareceriam criminosos, pessoas esquisitas ou socialmente indesejáveis? Na prática, e ao longo dos anos, todos os tipos de pessoas têm encontrado caminho em A.A.. Nos grupos estão hoje todos os tipos de pessoas sem que problemas tenham ocorrido em decorrência de se terem tornado membros de A.A..
O resultado desses temores foi que, de início, havia grupos com tantas regras a serem observadas para que as pessoas pudessem ser membros da Irmandade que, se tivessem prevalecido, ninguém poderia ingressar em A.A.. Para muitos alcoólicos, o A.A. é a última salvação e como fechar as portas dos grupos para eles? É preciso aceitar o risco de aceitar os alcoólatras. Ninguém em A.A. aceita o papel de juiz, de jurado e, muito menos, de carrasco de um companheiro alcoólico.
Assim, a 3ª Tradição diz: “você é um membro de AA se você o disser. Não importa o que tenha feito ou o que ainda venha a fazer, você é um membro de AA, contanto que você o diga”.
Com o enunciado da Terceira Tradição, foram superadas as regras e condições para o ingresso de alcoólicos nos grupos de A.A..

4ª TRADIÇÃO
“Cada grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros grupos ou ao A.A. em seu conjunto”.
A partir dos locais em que os grupos nasceram, eles se irradiaram para outras cidades. E como isso seria feito? Qual o modelo de relacionamento? Como poderiam ser passadas as experiências já vividas? Logo, ficou claro que, para os companheiros que adotavam o exemplo e o modelo, se havia muita coisa boa, a decisão de adotá-las seria deles próprios. Os grupos decidiram que eles mesmos iriam encontrar o modo de resolver os assuntos que lhes eram próprios. Resolveram não aceitaram um governo localizado em New York ou em qualquer outro lugar. Serviço sim, mas governo não.
Desta atitude, resultou a tradição de autonomia de grupo. Essa tradição logo se consolidaria diante da manifestação da vontade dos grupos de incluir o direito de estarem errados.
Na sua forma longa original, a 4ª Tradição diz: “quando duas ou três pessoas estiverem reunidas com o propósito de alcançar a sobriedade, podem chamar a si mesmos de um grupo de A.A. contanto que, como grupo não tenha outra afiliação”. Isso significa que esses três ou quatro poderiam alcançar a sobriedade da forma que quisessem. Poderiam até estar em desacordo com os princípios de A.A. e, mesmo assim, se chamariam de grupo de A.A.. É uma forma dotada de extrema liberdade, mas o fato é que acabariam por adotar alguns princípios de AA para permanecerem sóbrios.
Por outro lado, se encontrassem outros caminhos e pudessem melhorar os métodos usados, eles poderiam ser adotados por outros grupos. Isso era muito importante porque evitava que a Irmandade acabasse por ter princípios rígidos e dogmáticos e que não pudessem ser mudados quando claramente errados.
O A.A. vive de ensaio e erro, mas o importante é não ter outra afiliação, pois isso desfiguraria a Irmandade em situações criadas, como por exemplo, da existência de grupos de católicos de A.A., grupos de protestantes de A.A., grupos comunistas de A.A., etc. O nome de Alcoólicos Anônimos deve ser reservado apenas para a Irmandade de A.A..
Da existência dessa tradição resulta que o A.A. ficou muito diferente do modo em que se vive neste mundo, onde tem que haver lei, força, sanção, penalidade e isso tudo administrado por pessoas autorizadas. Mas o fato é que os membros de A.A. não precisam de nenhuma autoridade humana. O A.A. só tem duas autoridades, uma benigna – Deus – e outra maligna, – a bebida alcoólica. É melhor você fazer a vontade de Deus ou eu o matarei, diz o álcool. Para os membros de A.A. é fazer ou morrer. Há ditadura suficiente, autoridade suficiente, amor suficiente, penalidade suficiente, sem que haja nenhum ser humano manejando o poder.
Os membros de A.A. aceitam os Passos e as Tradições porque desejam aceitar e essa é a prova da presença da Graça e do amor de Deus entre nós.
A autonomia decorrente da Quarta Tradição resulta em autogoverno. O grupo age com autonomia, mas guiado pela consciência coletiva, que leva à liberdade e também à responsabilidade. As ações de um grupo não podem prejudicar outros grupos e o bem-estar comum deve ser sempre observado.

5ª TRADIÇÃO
“Cada grupo é animado de um único propósito primordial, o de transmitir a mensagem ao alcoólico que ainda sofre”.
Aqui fica claro que o foco é executar bem uma só tarefa. Tudo fica simples desta forma. É a idéia central dessa Tradição. Embora o interesse pessoal dos membros de A.A. possa se voltar para assuntos relacionados ao alcoolismo, que pode ser enfocado sob diversos pontos de vista, a Irmandade não pode se desviar do seu propósito primordial.
Há um fato de grande importância que deve ser sempre considerado, que é a facilidade que têm os alcoólicos membros de A.A. em face das suas experiências pessoais relacionadas ao alcoolismo, de se aproximar de outros alcoólicos sofredores.

6ª TRADIÇÃO
“Nenhum grupo de A.A. deverá jamais sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à Irmandade, para que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos afastem do nosso objetivo primordial”.
De início, o espaço estava aberto para uma grande expansão em campos do conhecimento humano como educação e pesquisa, mas para isso era preciso dispor de recursos. Pensava-se em construir hospitais próprios, em educar o público por meio de publicações e livros didáticos. Também em reformular leis e entrar no mundo da dependência das drogas em geral e da criminalidade. Grandes ideais, grandes sonhos. Intensa busca da perfeição.
A coisa não funcionou. Os hospitais fracassaram. As coisas terminaram confusas. O A.A. era um projeto educacional? Era espiritual ou médico? Era um movimento de reforma? A idéia de criar e mudar leis resultou em agitações e o risco da entrada no mundo da política.
Os membros de A.A. não poderiam ser tudo e fazer tudo. Dificuldades apareceram ao emprestar o nome de A.A. para empreendimentos de fora. De tudo isso resultaram dificuldades, sérias dificuldades.
Por paradoxal, descobriu-se que quanto mais se preocupava com os seus próprios assuntos, maior influência a Irmandade exercia na sociedade como um todo. O fato é que as idéias e a experiência de A.A. começaram a serem usadas em diversos campos de trabalho e de pesquisa. O desenvolvimento que queriam forçar acabou ocorrendo por iniciativas próprias de membros da sociedade e não do que os alcoólicos pensavam em realizar.

7ª TRADIÇÃO
“Todos os grupos de A.A. deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora”.
Foi preciso também chegar a termos com o problema de dinheiro, que pode fazer muitas coisas boas, mas não existe mal que não possa causar. Depois de muitos tropeços, os membros de AA despertaram para o fato de que não precisavam de muito dinheiro. Sem as idéias grandiosas, não sobraram muitas coisas para pagar.
A Sétima Tradição é muito clara quando diz que todo grupo de A.A. deve se manter, negando-se a receber contribuições de fora. Nesta Tradição, vemos dois princípios fundamentais: a auto-suficiência, sinônimo de independência econômica, e a recusa em receber qualquer doação de pessoa não filiada à Irmandade. As contribuições externas dariam, certamente, o direito aos doadores de se intrometerem nas normas que conduzem a Irmandade. O velho ditado mostra bem esta realidade: “quem paga o músico escolhe a música que vai ser tocada”.
A existência de doações levou os custódios da Junta a analisar com profundidade e prudência o problema da aceitação ou não de doações vindas de fora. Escreveram então uma página memorável na história de A.A.: declararam que, por princípio, o A.A. deveria permanecer sempre pobre e a norma de procedimento deveria ser a de ter os recursos necessários para as despesas razoáveis de funcionamento e mais uma reserva prudente.
Com a autossuficiência, desenvolveu-se o princípio da igualdade entre os membros de A.A.. Tanto os companheiros de maior poder aquisitivo, quanto os mais modestos, do ponto de vista econômico, podem exercer qualquer encargo. E isso porque todos contribuem, de forma anônima, para que os compromissos e as despesas possam ser pagas. Ainda mais, essas contribuições também cobrem os custos relativos à presença de representantes do grupo junto aos órgãos de serviço, independentemente de esses representantes terem ou não condições econômicas para arcar com os custos ligados à atividade que exercem. De outra forma, somente os que tivessem maior poder aquisitivo poderiam arcar com os ônus de movimentação, hospedagem, etc ligadas a muitas atividades desenvolvidas pelo todo da Irmandade. Deste modo, a Irmandade se tornou ainda mais democrática.
Até mesmo estando desempregado, um membro do grupo poderá assumir encargos, pois as suas despesas em serviço serão custeadas pelo dinheiro de todos os membros que generosamente fazem doações. Oferecem com gratidão o seu tempo e também os recursos para que a irmandade possa se manter em ação.
O A.A. não tem dono nem protetores. Ninguém poderia querer assumir individualmente a responsabilidade de manter a Irmandade e de arcar com os custos ligados às atividade de A.A.. Todos os seus membros são igualmente responsáveis e a eles cabe assumir os custos e mostrar que espírito e matéria podem andar juntos oferecendo o suporte financeiro para o desenvolvimento espiritual dos companheiros de A.A.. Somos materialistas quando usamos os nossos recursos materiais egoisticamente, apenas para nós mesmos, mas quanto os usamos em benefício de outros, então o material ajuda o espiritual. Dinheiro e espiritualidade são os fundamentos da Sétima Tradição.
A autossuficiência decorre do desenvolvimento, entre os membros da Irmandade, do senso de responsabilidade que, por sua vez, é o resultado do processo de recuperação que leva à maturidade emocional. Bill W. afirmou que “Felizmente, as despesas de A.A. por pessoa são pequenas. Deixarmos de atendê-las seria fugir a uma responsabilidade que nos beneficia”.

8ª TRADIÇÃO
“Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre não profissional, embora nossos centros de serviços possam contratar funcionários especializados”.
Isso significa que não haverá terapeutas profissionais na Irmandade. É dar de graça o que de graça se recebeu. Ficam separados, o dinheiro que resulta da atividade profissional, e a espiritualidade. O profissionalismo é válido, mas não dentro da Irmandade. Em todas as vezes que se tentou profissionalizar o 12º Passo, o propósito da Irmandade foi derrotado. Há tarefas a serem realizadas e é possível contratar profissionais para realizá-las, mas quando no tratamento cara a cara de um bêbado, aí a regra é jamais receber.
A experiência de um alcoólico pode ser valiosa para o desempenho de muitas funções, como por exemplo, as ligadas à educação e à terapia e, nestes casos ele pode receber pelo trabalho realizado. É claro que não é válido usar o nome de A.A. com o propósito de obter publicidade ou de arrecadar dinheiro. Também, nestas situações, o anonimato deve ser preservado. Procedendo desta forma, não fica caracterizado o profissionalismo, o “ganhar dinheiro usando o A.A.”.
É preciso ter em mente que o A.A. não é uma sociedade fechada em que experiências e conhecimentos ficam em segredo, mas, se por um lado nunca deve ser paga a atividade de levar a mensagem, por outro, as pessoas que prestam serviços aos alcoólicos merecem ser pagas.
Ocorre que, muitas vezes, os profissionais de saúde que atuam em centros de recuperação são também membros de A.A.. Neste caso, a atividade é profissional. Os especialistas estão sujeitos ao cumprimento de horários e estão colocados dentro de uma hierarquia funcional e inseridos numa equipe de trabalho, além de ter que apresentar qualificações que implicam na feitura de cursos de especialização. De um modo inteiramente diverso, no grupo, as atividades são totalmente voluntárias. Também diferentemente, os pacientes nos centros de recuperação são submetidos a um rígido esquema disciplinar, que é compulsório, sendo que esses pacientes podem até ser desligados do tratamento em certas circunstâncias.
Em 1946, Bill W escreveu na Grapevine que nada impedia que um membro de AA fosse trabalhar como terapeuta remunerado, se tivesse qualificação para tal, desde que evitasse publicamente declarar-se filiado ao A.A. e que a clínica em que trabalhassem também evitasse declarações desse tipo para o público em geral, ficando claro que o A.A. não mantêm clínicas, não faz convênios, não avaliza nem condena qualquer tipo de tratamento. O problema não está no trabalho realizado, mas no respeito ao anonimato, como definido nas Décima-Primeira e Décima-Segunda Tradições.
Num artigo publicado na Grapevine em 1993, está escrito o seguinte: “… nós somos tipicamente alcoólicos nesta controvérsia, que tem seu lado irônico. Durante anos, tentamos despertar o interesse de médicos e hospitais para o Programa de Doze Passos, sem conseguir nada. No momento em que alguns deles começam a nos escutar e passam a se utilizar os Passos em seu trabalho, ficamos irados e passamos a agir como se Deus nos tivesse dado direitos exclusivos sobre eles. Na realidade, os Doze Passos não são propriedade de A.A.. Eles podem ser livremente utilizados por qualquer pessoa que queira usá-los, inclusive médicos e conselheiros em alcoolismo”.
A questão pode ser tornada mais clara entendendo que, antes de tudo, devemos deixar a orientação profissional e tudo o mais que é externo à Irmandade no lugar em que devem ficar: fora de A.A..
Os membros de A.A. colaboram com os profissionais que se mostram receptivos à mensagem da Irmandade, desde que continuem fiéis aos seus princípios de anonimato e de autonomia.

9ª TRADIÇÃO
“A.A. jamais deverá organizar-se como tal; podemos, porém, criar juntas ou comitês de serviço diretamente responsáveis perante aqueles a quem prestam serviços”.
O A.A., como um todo, jamais deverá ser organizado e isso significa que o A.A. nunca poderá ter uma direção organizada no governo.
Todas as formas de associação humana possuem regulamentos para os seus integrantes que impõem disciplina a seus membros. Exigem obediência a normas e regulamentos. A alguns de seus integrantes são delegados poderes para impor obediência, punir ou expulsar infratores. Tem-se aí um governo administrado por seres humanos. A.A. se constitui numa exceção a essa regra, pois não se adapta a padrões de governo. A Conferência, a Junta de Serviços Gerais e nem o Comitê do Grupo podem emitir diretrizes e fazê-las cumprir e, menos ainda, punir.
Mas há um fato sempre observado ao longo de muitos anos e que não pode ser desconsiderado: é o de que se cada membro de A.A. não puder, da melhor maneira que puder, seguir os 12 Passos sugeridos para a recuperarão, ele estará quase assinando a sua própria sentença de morte.
Embriaguez e desintegração não são penalidades impostas por nenhuma autoridade; são a conseqüência da não obediência aos princípios espirituais.
O mesmo ocorre com os grupos em relação as Doze Tradições – os grupos que se afastam das Tradições podem se desestruturar e acabar. Por isso, geralmente obedecem a princípios espirituais.
Cada membro de A.A. busca a própria sobriedade e os serviços procuram colocar a sobriedade ao alcance de todos que a queiram. O A.A. é uma sociedade sem organização, mas animada pelo espírito de serviço.

10ª TRADIÇÃO
“Alcoólicos Anônimos não opina sobre questões alheias à Irmandade; portanto, o nome de A.A. jamais deverá aparecer em controvérsias publicas”.
O resultado prático desta Tradição é que a Irmandade nunca foi dividida por polêmica de maior importância. Não se ouvem discussões sobre religião, política, reformas, etc. Não se discutem esses assuntos em A.A. e esse comportamento acabou se tornando uma forma de agir dos membros de A.A. tanto enquanto convivendo nos grupos de A.A. como quando fora deles. Sem dúvida, os membros são capazes de discutir, mas em momento certo, quando necessário e da maneira adequada e não por instinto de luta, pois que a luta resulta em destruição. Assim, as pessoas em A.A. se tornam mais amenas. Além do mais, as nossas diferenças religiosas, políticas, sociais, etc se tornam imperceptíveis diante do que se tem em comum, que é o problema do alcoolismo. Há até um dito muito interessante para quem ainda não vive esta realidade: você pensa que é diferente.
Em A.A. há um clima espiritual e os seus membros se tornam mais pacíficos, fazendo parte de uma grande e feliz família. Existem os velhos resmungões e os “fariseus” mal humorados, mas isso não muda o clima, além do fato de que eles são úteis para fazer crescer a tolerância em todos os membros, o que os prepara para trabalhar e viver juntos, em harmonia.
O A.A. não entra em controvérsia pública pois, assim, haveria sempre prejuízos para a Irmandade sem se pudesse avaliar as suas conseqüências. Os membros de A.A. têm o entendimento de que a sobrevivência de A.A. e a sua expansão são mais importantes de qualquer outra causa.

11ª TRADIÇÃO
“Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez de promoção; cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, no rádio e em filmes”.
O A.A. cresceu muito e, em grande parte, este crescimento se deve a uma legião de pessoas de boa vontade e amigas da Irmandade que, ao longo da sua existência, têm divulgado o A.A.. Uma boa parte desta divulgação é feita pelos escritórios de serviços aos quais são dirigidas solicitações de esclarecimento e ajuda, sendo que essas solicitações são feitas não só por alcoólicos e seus familiares, mas também por profissionais de saúde, por religiosos, por profissionais da mídia, etc.
Assim foi desde o início da existência da Irmandade, e isso levou ao desenvolvimento de uma política de relações públicas. Com o tempo e como resultado de erros e acertos, foi adotado o princípio da atração em vez da promoção. O resultado desta atitude foi muito interessante pois, ao contrário do que podia parecer, resultou em mais publicidade favorável ao A.A..
A Irmandade tinha que ser divulgada de alguma forma e os seus membros decidiram que isso deveria ser deixado para os seus amigos, que têm feito este trabalho surpreendentemente bem. É verdade que os profissionais da mídia freqüentemente se mostraram frustrados diante da insistência dos membros de A.A. em manter o anonimato. Custaram a entender essa posição, mas hoje compreendem o valor desta atitude. Desejava-se divulgar a entidade, mas não os seus membros, individualmente, e dessa posição resultou que os citados profissionais acabaram ficando satisfeitos e ainda mais amigos da Irmandade, acerca da qual têm falado com um grande entusiasmo.
Essa nova atitude é também o resultado de numerosas correspondências enviadas pelos Escritórios de Serviços em que explicam aos profissionais a política de relações públicas de A.A.
Outro fato que é preciso destacar é o de que a 11ª Tradição é mais do que uma política de relações públicas, pois que também se constitui num lembrete permanente de que a ambição pessoal não tem lugar em A.A. e que está nela implícito que cada membro dever ser guardião ativo da Irmandade em suas relação com o público em geral.

12ª TRADIÇÃO
“O anonimato é o alicerce espiritual das nossas tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades”.
O anonimato é fundamental para a construção de um futuro promissor para a Irmandade. Sendo esquecido, abrir-se-ia a “Caixa de Pandora” e os espíritos do dinheiro, do poder e do prestígio estariam soltos e esses gênios malignos poderiam arruinar a Irmandade. Por isso, entender e aplicar o conteúdo desta tradição é fundamental. Ela é a chave da sobrevivência.
Na mitologia grega, Pandora foi a primeira mulher a habitar a Terra. Tinha todos os atributos de beleza e bondade e foi dada a Epimeteu, irmão de Prometeu, que o havia advertido para nada aceitar do deus Zeus, pois este desejava contrabalançar a bênção do fogo que havia sido roubado dos deuses por Prometeu. Os deuses deram presentes a Pandora e, entre eles, estava uma caixa que nunca poderia ser aberta. Mas a curiosidade de Pandora prevaleceu e ela acabou abrindo a misteriosa caixa e delas saíram numerosas pragas para o corpo e tristezas para a mente. Apavorada, ela fechou a caixa, mas dentro dela ficou apenas a esperança, a única coisa boa que a caixa continha. A esperança permaneceu para conforto da humanidade nas suas desgraças.
Para manter o anonimato, é preciso fazer um sacrifício, pois temos que esquecer os anseios pessoais em favor do bem comum, que é o fundamento das Doze Tradições. Elas nasceram dos temores e resultaram em confiança em relação ao futuro. Para crescer e também alcançar os alcoólicos que ainda sofrem, a Irmandade não podia ser secreta, mas também não podia ser transformada em espetáculo de circo. Por outro lado, o ambiente do grupo tinha que ser seguro e a intimidade e as experiências pessoais relatadas nos depoimentos tinham que ser protegidas.
No início, os grupos queriam alcançar imediatamente tantos alcoólicos quanto fosse possível e uma boa maneira encontrada foi a realização de reuniões abertas aos amigos interessados e ao público de modo que pudessem constatar o que era a Irmandade. Seguiram-se os pedidos para realização de palestra em que a referencia a nomes completos e a fotos eram evitadas. Isso resultou numa onda de aprovação por parte do grande público. A solução era o anonimato.
O anonimato é a verdadeira humildade em ação e é a qualidade espiritual que está presente no modo de atração da Irmandade.
É interessante observar que aquilo que é secreto, o é por força de regulamento, enquanto que a característica do que é anônimo é a espontaneidade. No secreto há a exclusividade que leva à vaidade enquanto que no anonimato está a opção que resulta da humildade. A importância desta distinção que cria um modo de agir na vida está ligada ao Décimo-Segundo Passo que fala da prática destes princípios em todas as nossas atividades. Aponta para um comportamento anônimo, para um modo de vida muito especial.
O anonimato tem sido enfocado do ponto de vista de se preservar o caráter confidencial do que é ouvido, para manter para si o conteúdo dos desabafos, para não comentar depoimentos, para não mascarar fofocas por trás de aparente ajuda.
Muito tem sido dito acerca dos prós e contras da abertura do anonimato para a família, para os profissionais de saúde, para os companheiros de trabalho etc, mas um outro aspecto muito importante é o que se refere ao comportamento, ao modo de ser e de viver do alcoólico em recuperação. Aí se chega à frase bíblica: “que a tua mão esquerda não saiba o que a direita faz” que traduz, sobretudo, num novo modo de viver.
Isso é muito importante porque é freqüente ouvirmos coisas que debaixo de uma aparência inofensiva, revelam um comportamento pouco humilde. Em aniversários se ouve falar: “eu estava aqui quando você chegou”. Isso pode significar que “lembro do dia em que você chegou”, mas também que “eu já estava aqui, antes de você”. De um modo ou de outro, muitos buscam se diferenciar por declarações ou atitudes. Sair de um anonimato completo. A vaidade, freqüentemente, escorrega por debaixo dos panos.
Tudo que se venha a acrescentar ao “meu nome é x e eu sou um alcoólatra em recuperação” traduz a intenção de ser diferente, de sair do anonimato, de dar vazão à vaidade. Qualquer detalhe a mais que se acrescente em relação à vida particular de cada um foge do que é importante, que é manter a unidade, foco principal das tradições e se afasta do único ponto de identidade que os alcoólicos têm entre si, que é o alcoolismo. É a identidade que os une. O que cada um é mais do que isso não contribui para a unidade. O que se acrescenta faz do depoente um alcoólatra não igual aos outros e representa um afastamento do comportamento de anônimo. Também relatar o quanto têm feito, quantos afilhados têm, que encargos foram desempenhados ou quantos grupos criaram traduz um desejo de reconhecimento por ter sido mais e, portanto diferente dos outros. O anonimato aponta para um programa de vida em si, enquanto que, buscá-lo é uma tarefa para toda a vida.

CONCEITO IV

Dr. Lais Marques da Silva
Ex-Custódio e Presidente da JUNAAB

Através da estrutura da nossa Conferência, deveríamos manter em todos os níveis de responsabilidade um tradicional “Direito de Participação”, tomando cuidado para que a cada setor ou grupo de nossos servidores mundiais seja concedido um voto representativo em proporção correspondente à responsabilidade que cada um deve ter.

Para iniciar a exposição de um Conceito para Serviços Mundiais, no nosso caso, o Conceito IV, será necessário nos determos sobre o significado da palavra conceito. Aí é preciso que, pelo pensamento, possamos representar as características gerais daquilo que desejamos transmitir. Vemos então que estamos no mundo da abstração, das idéias. Teremos que definir, caracterizar por meio de palavras essas idéias e opiniões.
Estamos, portanto, no mundo da abstração, bem mais difícil de lidar. Enquanto que, no caso dos Passos e das Tradições, há idéias-síntese que dão clareza ao que se quer expor, como: “Os Passos são para o alcoólico viver e as Tradições são para a Irmandade viver” ou “os Passos ensinam a viver e as Tradições ensinam a conviver”, em relação aos Conceitos fica difícil condensar ou apresentar sínteses claras, como estas.
A idéia básica, existente no IV Conceito, é a da participação, entendida como ato ou efeito de participar, ou seja, de ter ou tomar parte, de associar-se pelo pensamento, pelo sentimento ou por meio de ação. A participação está relacionada às nossas necessidades espirituais e todos nós sentimos profundamente o desejo e a necessidade de tomar parte. Para isso, a Irmandade de Alcoólicos Anônimos foi idealizada como um grupamento humano, constituído por irmãos, irmanado. Temos como ideal comum, e mais importante, que a união espiritual dos membros de A.A. não permita o aparecimento de grupos de membros de primeira e de segunda classes e, para isso, entendemos que a ampla participação de todos os membros deva sempre ser assegurada.
O IV Conceito se constitui numa salvaguarda contra a autoridade absoluta, suprema. Isso porque, toda vez que se abre espaço para o aparecimento de uma autoridade absoluta, surge a tendência para um domínio excessivo, que se expande para todas as coisas, grandes e pequenas.
A experiência tem mostrado que nunca se pode colocar num grupo de pessoas toda a autoridade e em outro grupo toda a responsabilidade porque, sempre que isso ocorre, a harmonia verdadeira perde o espaço indispensável para existir e, sem ela, não há condições para viver uma vida feliz e pacífica. É aí que a participação se coloca como elemento essencial para a prevenção de situações de desgaste q