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PORTA ABERTA, ENTRE SEM BATER – COMPARTILHANDO OS PASSOS

PORTA ABERTA , ENTRE SEM BATER
COMPARTILHANDO OS PASSOS

Força é a capacidade interior de resistir às dificuldades, às perdas, às desilusões e às pressões.
Força é ter coragem de enxergar os erros e assumi-los.
É não guardar ressentimentos, raiva, não ser vingativo.
É quando descobrimos que somos em Deus e não precisamos provar nosso valor aos outros.
As dores físicas, mentais e espirituais têm sobre nós um efeito contrário quando admitimos nossa fraqueza, nossa impotência, nossa perda de domínio ante os efeitos do álcool.
Fazemo-nos fortes quando acreditamos num Poder Superior a nós mesmos. O qual rege nossa existência. “Se Ele nos deu um limão… façamos uma doce limonada…”
De formas diferentes resistimos à fragilidade, buscamos força e procuramos viver. Resistir, negar ou dissimular nossa fraqueza faz parte do jogo da existência.
Infelizmente, o senso comum insiste que pessoas fracas não devem ter espaço. É a lei da natureza que seleciona a raça e privilegia os genes mais notáveis, daí as demonstrações mais bizarras de força se apresentam com mais veemência no tom de voz, na simetria da estética, nos poderes sociais, nos processos ilusórios do ter, do ser e do poder.
É bem ai que nos descobrimos como de fato nós somos: imperfeitos, eternos aprendizes e viajantes de um mundo onde o nosso amor próprio, o orgulho, a vaidade, muitas vezes falam mais alto que o bom senso e a coragem para viver e lutar pelo que de fato buscamos: a sobriedade!
Nesta nossa caminhada temos aprendido em quantas situações somos fracos e impotentes, mas também aprendemos e buscamos força para exercer uma influência positiva sobre nós mesmos, sobre as pessoas que amamos e o mundo em que vivemos.
1º Passo:
Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.
“A força nascendo da fraqueza”

Pode-se perceber, com nitidez, que nos tempos atuais a tecnologia que desponta se apresenta como uma nova divindade. Uma tecnologia fascinante que aproxima pessoas e eventos distantes, mas que por vezes separa aqueles que estão próximos. Um paradoxo contemporâneo que já nos habituamos como um reflexo da modernidade ou como algo muito normal.
Cada vez mais as máquinas se tornam interativas e o contato pessoal mais distante. O perverso e doentio desta nova ideologia é que somos levados a aceitar como naturais e verdadeiros os valores que estão nos objetos externos.
Observamos que dentro do atual espírito consumista os remédios compensam qualquer dificuldade, as drogas e o álcool substituem contato e o conforto humano.
Pois é justamente o contato interpessoal, esta relação intersubjetiva, que se constitui, em Alcoólicos Anônimos a base de nossa recuperação.
Pode-se, em princípio, ter a impressão que a nossa Irmandade está na contramão da história, quando na realidade é a sociedade atual que se encontra na contramão do bom senso e da sanidade.
A nossa época já foi definida por um historiador como a “Era do Narcisismo”. Uma sociedade de pessoas egocêntricas e solitárias.
Na minha vida o alcoolismo se tornou um mergulho para dentro de mim mesmo, não como o sentido de reflexão e autoconhecimento, mas com a característica de isolamento e solidão.
Eu me sentia em constante contrate com a sociedade de um modo geral. Era antes de tudo um solitário limitado pelas minhas próprias contradições. Tinha uma personalidade em constante conflito comigo mesmo e com o outro e desta forma o álcool se tornou um anestésico para camuflar esta realidade e uma muleta para compensar minhas inadequações.
Havia me tornado um ser atormentado por desejos ardentes e tristes pesares. Sentia, diante da vida, uma fraqueza, sem força para me reerguer.
Meu ingresso em Alcoólicos Anônimos possibilitou-me verdadeira transformação na situação em que me encontrava. Da fraqueza nasceu a força que tanto necessitava através do acolhimento e carinho tão característicos em quaisquer grupos de A. A. , os quais me encantaram desde o primeiro momento.
Percebi que se tratava de uma Irmandade muito especial. Um grupo com um propósito comum no qual aprendi a conviver com o outro. A conviver com as diferenças que caracterizam uma sociedade verdadeiramente democrática.
Convivemos com diferentes pessoas respeitando os seus respectivos valores e suas maneiras próprias de encarar a vida.
Em A. A. temos a oportunidade de conhecer pessoas diversas, com personalidades distintas, com experiências alcoólicas bastante pessoais, mas que almejam um único objetivo comum: a libertação da servidão que o alcoolismo impõe.
Como Dr. Bob ressaltou: “O álcool é um grande nivelador de pessoas e A. A. também.” Nossa Quinta Tradição estabelece que A. A. tem um único propósito primordial o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
Bill declara em um artigo de 1946: “O primeiro registro por escrito da experiência de A. A. foi o livro Alcoólicos Anônimos, que abordou o âmago do nosso maior problema a libertação da obsessão pelo álcool.”
A questão que se põe, no entanto é: – qual é a função primordial do hábito de beber de forma obsessiva?
Antes de obter o prazer, a finalidade principal é a de evitar em pensar e a de evitar o sofrimento. O alcoolismo é então uma tentativa de não sentir a dor existencial. É uma negação da própria condição humana.
É compreensível, portanto que o alcoólico ao negar em princípio, seu próprio alcoolismo expresse, de forma subjacente, uma fragilidade e um temor ao sofrimento, um sofrimento que no meu caso antecedeu o hábito de beber. Percebendo este quadro senti a necessidade de entrar em ação para reverter aquele ciclo vicioso. Precisava adquirir uma força partindo da minha própria fraqueza.
De início uma noção da realidade: a consciência da impotência diante da obsessão pelo álcool e a aceitação de que apesar de ser uma doença incurável é perfeitamente tratável, podendo, portanto ficar inteiramente sob controle.
E assim, a partir do Primeiro Passo, adquiri a força necessária seguindo as sugestões do mesmo.
Vivo o presente dentro do plano das 24 horas. Através do inventário pessoal faço uma releitura do passado tentando tirar o melhor proveito das circunstâncias, ainda que adversas.
Esta atitude permite nortear a minha ação presente para que venha se constituir em uma base segura para o futuro.
Enfim, passado, presente e futuro podem ser vivenciados dentro do plano das 24 horas. É um plano simples e singelo, mas que funciona.
Como sempre é enfatizado em nossas reuniões: “Basta fazer certo que dá certo”.
(Fonte: Revista Vivência Nº 111 – Richard/Rio de Janeiro/RJ)

PORTA ABERTA , ENTRE SEM BATER
COMPARTILHANDO OS PASSOS

É obvio, gostaríamos que a vida não tivesse estradas tortuosas e becos sem saída. Gostaríamos que fosse um só caminho iluminado e que nada precisássemos mudar para chegar sempre mais acima, sem parar para pensar e reprogramar nossos caminhos.
Porém, a dor, o sofrimento, as doenças e a morte estão sempre presentes para sinalizar o caminho a seguir. É nessas condições que muitas vezes perdemos a governabilidade de nossas vidas e necessitamos começar a desenvolver uma abertura mental que nos devolverá a sanidade perdida.
A mente é como um pára-quedas; só funciona quando aberto! Isso mesmo, a diferença é que no pára-quedas puxa-se a cordinha e ele se abre; já a mente se abre quando ouvimos as pessoas, lemos, estudamos, observamos, cultivamos a humildade e treinamos para mantê-la cada vez mais aberta, ai, sim, poderemos entender o verdadeiro significado deste 2º Passo. “Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade”.
Mas o que seria sanidade mental? É a saúde de nossa mente, que significa ter pensamentos e sentimentos positivos sobre nós mesmos.
É tradicional o provérbio de que “o bom humor afasta as doenças”, ou “aquele que ri, vive mais”. Isto significa que a mente tem relação direta ou indireta com o corpo.
Assim, à medida que “alimentamos” bem nossa saúde mental com emoções positivas, poucos aborrecimentos e bons pensamentos, melhor será a nossa saúde física também.
Portanto, sanidade mental significa total saúde da mente e do corpo, que implica em viver uma vida de ação sem conflito, pois é o conflito que causa o desequilíbrio.
Só com a ajuda Dele, nosso Poder Superior readquiriremos o equilíbrio mental.
Este passo nos leva a crer que há uma solução e que poderemos voltar a ter saúde mental.

2º Passo:
Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.
“Mente Aberta: Caminho para a Sanidade”

Em busca da fé perdida!

Quando procurei me aproximar do 2º Passo enfrentei um dilema bastante sério: – “Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.”
Ao ler o passo e a mensagem que ele trazia dizendo que somente um “Poder Superior” poderia resolver minha obsessão pelo álcool, fiquei extremamente desapontado.
Eu já não acreditava mais na existência de Deus. Eu me enquadrava na situação daqueles que já tiveram fé e a perderam.
O alcoolismo desenvolveu dentre de mim um enorme preconceito contra a religião e seus adeptos. Por isso no início de minha caminhada em A. A. se algum companheiro tivesse tentado me impor alguma religião eu estaria fora das reuniões, pois não conseguia encontrar uma fé que funcionasse para mim.
No meu tempo de ativa fui um líder religioso. Tive uma igreja aos meus cuidados e fui pregador da palavra de Deus.
Nessa época eu acreditava que por ser muito religioso Deus resolveria meu problema de alcoolismo. Mas aí veio a derrota. Cheguei a pregar a palavra de Deus em púlpito, totalmente embriagado.
A igreja me expulsou e não permitiu mais que eu pregasse.
Alguns membros da igreja julgavam que eu tivesse uma legião de demônios junto de mim.
Veio então a derrota total e consequentemente cai nas sarjetas.
Eu me encontrava completamente desnorteado, quando alguns companheiros de A. A. tentaram-me ajudar dizendo-me que eu deveria ter a mente aberta e humildade, pois assim eu seria novamente conduzido à fé. E que eu não faltasse às reuniões de A. A., pois com certeza, Deus me ajudaria e me devolveria à sanidade.
Mas o que realmente me libertou de todos os traumas religiosos foi justamente uma carta que recebi de uma companheira da cidade de Campinas/SP., quando eu me correspondia com a “RIS” (Reunião Internacionalistas e Solitários).
Ela me enviou uma reportagem que saiu no jornal onde contava a incrível história de um garotinho que permaneceu agarrado a um toco de árvore dentro de um rio por três dias esperando socorro de seu pai.
Eles estavam pescando e foram acometidos por uma forte tempestade.
O pai do garoto não conseguindo trazê-lo devido à forte correnteza ordenou que ele se agarrasse àquele toco e não o largasse por nada.
Quando o garoto foi encontrado pelos policiais levaram-no ao hospital e tendo alta os repórteres lhe perguntaram se ele não teve medo de morrer.
O garoto com um grande sorriso no rosto respondeu que não, pois tinha certeza que seu pai voltaria para salvá-lo.
“A companheira me aconselhou que eu fizesse de A. A. o meu galho de salvação e que eu não desgrudasse dele por nada, porque o Poder Superior iria me encontrar e me salvar.”
Estou no programa de A. A. há oito anos e meio, e sóbrio.
Segurei no galho e não o larguei por nada. Consegui me encontrar com Deus na forma que eu O concebo.
Hoje tenho uma fé que funciona! Hoje sei que esteja onde eu estiver, aconteça o que acontecer haja o que houver, nunca mais estarei sozinho!
(Fonte: Revista Vivência Nº 112 – Garcia/Ribeirão Preto/SP)

PORTA ABERTA , ENTRE SEM BATER
COMPARTILHANDO OS PASSOS

O Terceiro Passo pede uma ação positiva: – deixar Deus entrar em nosso coração sem medo, sem receios, sem fronteiras ou idéias pré-concebidas, pois é somente através da ação que conseguimos abandonar a vontade própria que, até o momento impediu a entrada de Deus em nosso coração.
A esperança, a fé, o sentido e a direção de nossas vidas nascem em nosso interior, não como uma passe de mágica, do dia para noite, mas no contato diário de proximidade com o Poder Superior. Através de um coração aberto e um espírito irrequieto, escutamos, percebemos e sentimos a Presença.
Quantas vezes ouvimos: “As coisas impossíveis aos homens são possíveis a Deus”!
Numa atitude corajosa nos despojamos de tudo entregando nossa vida e nossa vontade aos cuidados Daquele que nos deu a vida, na forma em que O conhecemos.
Esta decisão exige de nós aceitação contínua e comprometimento diário com os Princípios Espirituais do Programa de Recuperação de A. A.
Os Doze Passos nos levam a uma nova maneira de viver: – o viver com Amor e esse Amor é impossível guardar só para nós. A partir do 3º Passo compartilhamos uns com os outros a entrega total!!
3º Passo:
Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.
“A Chave da Boa Vontade”
Abri a porta que até então estava trancada a chave
“A prática do Terceiro Passo é como abrir uma porta que até então parecia estar fechada a chave. Bastará a decisão de dar uma volta na chave, não mais que isso para que comece a fluir a ação divinal que ordenará e confortará nosso atribulado espírito.”
Ingressei em A. A. em 1993 depois de haver perdido minhas forças e o controle do meu modo de beber; depois de ter me afastado de Deus e outros valores.
Tenho certeza que não cheguei a esta Irmandade por acaso, mas sim, pela única e exclusiva vontade de Deus, do Qual eu estava bastante distante em razão da desordem e desarmonia do meu espírito.
Em A. A. descobri que há uma diferença entre parar de beber e me recuperar. Parar de beber para mim é relativamente fácil. O que não é fácil e nem possível é fazer isso sozinho, reconstruir, recuperar, refazer as estruturas e se colocar em pé; chegar onde venho chegando tem sido possível com ajuda de vocês e os ensinamentos de A. A.
O Primeiro Passo pedia de mim apenas aceitação e descoberta de mim mesmo, ou seja, o reconhecimento de uma situação de fragmentação, desordem, desarmonia e perda de domínio sobre a minha vida quando, impotente diante do álcool, me sentia derrotado pela doença do alcoolismo. Quando tomei conhecimento profundo que o Primeiro Passo me mostrava que realmente eu era impotente perante o álcool, as coisas foram ficando mais claras para mim.
Foi muito bom quando tomei o conhecimento do Segundo Passo, que me proporcionou o conhecimento dos meus desvios e me sugeria a descoberta da fé ou crença de que a reconstrução da ordem e harmonia que tanto desejava poderia ser alcançada pela ação do Poder Superior. Trouxe-me o conhecimento da consciência, da ordem mental e emocional através da fé. Pude então compreender o quanto tinha a mente frágil, sem a fé e por isso não vivi bem até ali. Essa consciência me assustou muito a princípio, mas me proporcionou alívio, porque eu já estava descobrindo a causa básica dos meus problemas, dos efeitos negativos e reações negativas.
A partir dessa consciência pude tomar o domínio de minha vida, meus impulsos e os meus instintos. Na minha maneira de entender, os passos de A. A. sempre me orientam e, desta maneira fui orientado pelo Segundo Passo a acreditar que um Poder Superior poderia devolver a minha sanidade mental e isto seria a minha solução.
Assim, a descoberta desta fresta de fé ou resíduo de crença dentro de mim serviu de base ao início do meu crescimento espiritual mediante a ação de um Poder Superior, o único canal possível, quem sabe, a minha última saída.
Ficou complicado para mim a partir do Terceiro Passo que me sugere a entrega da minha vida e da minha vontade nas mãos de Deus, da forma em que eu O concebo. Pensei que isso aconteceria como um passo de mágica: bastava apenas eu pensar que a minha vida e as minhas vontades estavam nas mãos D’Ele e isto bastaria para ser atendido. Sofri bastante em esperar que as coisas acontecessem assim, simplesmente.
Tempos depois, tive uma nova consciência de que essa entrega não se daria em curto prazo. Então eu me preparei para fazer, de fato essa entrega prontificando-me a entregar a minha vontade nas mãos de Deus diariamente, a cada hora repetidas vezes.
Há empecilhos ainda que me impedem a felicidade e a entrega contínua. Existem muitas coisas para serem preparadas antes de se chegar a esse estágio espiritual. Dentre essas coisas é o exercício contínuo para vivenciar os princípios sugeridos por A. A.
Sinto que minha incapacidade de ser sincero comigo mesmo vem atrasando bastante minha recuperação. A princípio, eu achava que tudo que fazia em A. A. era em benefício dos outros, até achava que estava sendo bonzinho demais. Gostava de uns elogios. Os defeitos de caráter sempre se agravavam quando estava vivendo desta forma. Mas como eu poderia agir de outra forma sendo que, não tinha a capacidade de entregar a minha vida e a minha vontade nas mãos de Deus com minha mente ainda dominada pela doença do alcoolismo?
Mas com todos os esforços, todos os exercícios, lendo e participando dos grupos, indo às reuniões, aprendendo com vocês, encontrei a chave. A chave que me deu a condição de dar uma pequena voltinha na fechadura e que foi o meu movimento para descoberta de Deus.
Começava neste momento uma futura e duradoura experiência espiritual. As coisas começara a brilhar, e comecei a sair do inferno que me sufocava.
A vida sem Deus é um inferno e o inferno sem bebida é muito pior, dói muito mais!
Venho fazendo esforços porque para mim essa doença tão grave e complexa a qual só descobri quando me havia feito doente da mente, do espírito, um bom tempo após estar aqui com vocês evitando o primeiro gole.
Tive sorte, e estou tentando aplicar os princípios espirituais de A. A. correndo atrás para abrir a cada dia da minha vida a porta do Terceiro Passo. Concordei com a maneira de viver em A. A. Estou sempre me preparando para enfrentar os obstáculos da vida.
Havia recusado isto por um bom tempo, até que eu um dia descobri que esta entrega poderia me proporcionar vier bem e em paz com Deus, com as outras pessoas e comigo mesmo.
Ao tomar consciência desse Terceiro Passo foi preciso combater meu egoísmo e ser paciente. Não quero dizer que tenho vivido bem todos esses princípios. Não sei em que nível está, pois sou a pessoa mais suspeita para falar da minha melhora. Posso falar do estado de espírito que me encontro. Estou tentando fazer a todos o que eu gostaria que me fizessem. Passei a entender que é bem melhor ter para dar do que ter que pedir. Isto me tem feito mais forte a cada dia, quando esforço-me para viver esses princípios, a filosofia pura de A. A., os quais têm me feito forte o suficiente para alcançar a força e a fé.
Sempre buscava através da religião, Deus e fé. Mas um Deus que de fato não existia, um Deus particular que resolvesse os meus problemas à minha maneira e que tornasse a vida menos dura para mim. Isto não foi possível.
Nos reais ensinamentos de A. A. venho encontrando Deus. Um Deus que me dará certamente com o meu trabalho de busca, força de vontade, tolerância, compreensão, aceitação da minha doença, paciência e capacidade para resolver problemas. Assim as coisas têm melhorado para mim. Tenho feito esforços para não voltar aos velhos costumes e não reviver as velhas ideais.
O Terceiro Passo, em especial é, pois o movimento que devemos empreender de descoberta de Deus para o aprofundamento de uma futura e duradoura experiência espiritual. É um esforço da fé, uma necessidade de buscar ajuda do Poder Superior que acabamos de descobrir.
Assim sendo, sempre que a gente se sentir ameaçado, frágil, acuado, sem saída, prestes a perder a vida Deus aparece como o único fio de salvação.
Diz a literatura de A. A. que a prática do Terceiro Passo é como abrir uma porta que até então parecia estar fechada à chave. Bastará a decisão de dar uma volta na chave da fechadura, não mais que isso, para que comece a fluir a ação divinal que ordenará e confortará nosso atribulado espírito.
Essa decisão de movimentar a chave da nossa vontade significa o pedido que obrigatoriamente haveremos de fazer ao Poder Superior para que entre e arrume a nossa casa. Para que habite a nossa morada. Para que nos traga a sabedoria e a paz, e com elas a serenidade. Pela felicidade verdadeira que é a experiência de Deus.
(Fonte: Revista Vivência Nº 113 – Antônio/MG)

PORTA ABERTA , ENTRE SEM BATER
COMPARTILHANDO OS PASSOS

Hoje é dia de faxina mental!
Vamos jogar fora tudo o que nos prende ao passado, ao mundo das coisas tristes: fotos, cartas, peças de roupas, papéis velhos, quadros… vamos jogar fora, mas principalmente esvaziar nosso coração para recomeçarmos uma vida nova!
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo! É renovar as esperanças na vida; é acreditar de novo!
Se sofremos muito neste período… foi aprendizado!
Se choramos muito… foi limpeza da alma!
Se sentimos raiva das pessoas… foi para perdoá-las um dia!
Se acreditamos que tudo estava perdido… foi quando teve início nossa melhora! Foi quando pedimos ajuda, admitimos nossa impotência, fizemos as pazes com Deus e entregamos nossa vida aos Seus cuidados!
Chegou a hora de descobrirmos nossas deformidades emocionais através do 4º Passo, “limpar a casa”, fazer uma “faxina mental”.
Quantos anos vividos, simplesmente por viver?
Quantos erros cometidos tantas vezes e muitas vezes repetidos?
Quantas lágrimas sentidas e choradas quase sempre às escondidas para ninguém ver ou saber?
Quantas dúvidas deixadas no tempo para se resolver depois ou nunca resolver?
Quantas vezes fingimos alegria, sem o coração estar feliz?
Quantas noites embriagados… varamos na solidão?
Quantas frases foram ditas com palavras desgastadas pelo tempo?
Quantas vezes vivemos apenas para sobreviver…?
É tempo de promovermos uma verdadeira faxina em nosso interior.
Procurar tirar de dentro de nós tudo o que nos causa incômodo: tristeza, mágoa, raiva, ciúme, inveja é o mínimo que podemos fazer por nós mesmos. Com esta limpeza estaremos dando lugar para ali se alojar a alegria, a paz, a coragem, a vontade e o desejo de sermos felizes, pois sendo felizes poderemos colaborar para a felicidade daqueles que amamos.
4º Passo:
Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.
“Descobrindo Deformidades Emocionais”
Existem muitas frases ou lemas em A. A. que refletem a sabedoria acumulada no decorrer dos anos. Um dos mais interessantes é: “Somos tão doentes quanto nossos segredos”.
Baseando-nos nessa verdade, à medida que vamos revelando nossos segredos ficamos menos doentes, donde deduzimos que o Quarto Passo é o início de um processo de recuperação. Todo esforço desprendido nesta tarefa será recompensado.
Ao dar início à prática do Quarto Passo é fundamental termos em mente que Deus, como cada um O concebe, conhece perfeitamente nossa natureza individual. E sabe, também, que não podemos ver a nós mesmos sem a Sua ajuda. Damos início, assim, à nossa parceria com Deus iniciada no Terceiro Passo quando decidimos entregar nossa vida e nossa vontade aos Seus cuidados.
O Quarto Passo parece à primeira vista assustador e muitos recuam diante dele, mas devemos nos lembrar que todos os que estão perto de nós, a começar por Deus, vêem nossas faltas e imperfeições há anos, ou seja, estas falhas só são desconhecidas por nós mesmos. Está na hora de conhecermos estas falhas.
Idéias fundamentais do Quarto Passo:
Inventário: relação, registro, balanço, descrição pormenorizada.
Moral: é o conjunto de regras e pr4escrições a respeito do comportamento, de condutas consideradas como válidas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupo ou pessoa determinada, estabelecidas e aceitas por determinada comunidade humana.
Inventário Moral: relação de nossas forças e fraquezas.
Medo: é com frequência nossa primeira reação a qualquer coisa nova. Enfrentamos qualquer mudança com medo porque nos sentimos ameaçados.
Orgulho: conceito muito elevado que alguém faz de si mesmo; amor-próprio exagerado, empáfia, soberba.
Segundo nossa literatura, o medo e o orgulho são os nossos maiores inimigos nesta empreitada. O medo afirma: “Para que fazer inventário?” Ao que o orgulho reforça: “Bobagem. Você já está sem beber mesmo e, além do mais, você é o máximo, sabia?”
Temos que nos esforçar para dobrar esses inimigos. Com um mínimo de coragem nós perceberemos que eles são somente dois guardas imóveis à porta de um palácio; não nos farão nenhum mal, é só passar por eles.
O Quarto Passo é simplesmente uma medida para nos ajudar a colocar toda a nossa vida em perspectiva novamente. Há um ditado em A. A. que diz: “Não é o que sabemos ou não sabemos, mas o que achamos que é verdade e não é”. Portanto, vivemos dirigidos por falsas verdades, é chegada a hora de tirarmos as máscaras e nos conhecermos por inteiro, sem medo. Todos já ouvimos falar que “a verdade nos libertará” é chegada a hora de conhecermos esta verdade sobre nós mesmos, a qual nos conduzirá a um patamar de vida superior ao que vivíamos até então.
Escrever nossa história num papel é um antigo método de auto conhecimento utilizado por pessoas notáveis, de Santo Agostinho ao físico Pascal, mas escrever esta história, como sugerido na nossa literatura pode ser muito difícil para a maioria de nós, portanto devemos nos lembrar que colocar nosso Quarto Passo no papel é apenas uma sugestão e não devemos nos auto depreciar por não conseguirmos escrevê-lo como o sugerido nem usar esta dificuldade para abandonar a prática do passo.
Devemos nos lembrar, também que o inventário é moral e não imoral; devemos procurar coisas importantes em nossas memórias, não só fracassos ou eventos que envergonham, como por exemplo, os desvios sexuais. É importante colocar as coisas positivas também.
O Quarto Passo fala que devemos relacionar nossas virtudes, nossas qualidades. E isto nem sempre é uma tarefa fácil. Não é raro ouvirmos de nossos companheiros a seguinte afirmação: “Durante o meu inventário não tive dificuldades em relacionar todos os meus defeitos de caráter. O problema começou quando fui fazer o inventário de meus traços positivos. Fiquei perplexo. Quando conseguia pensar em algo positivo, sentia-me culpado”.
A maioria de nós, e eu, entre esta maioria, gostaríamos que este inventário se resumisse a responder um questionário de múltipla escolha com “xis” no quadrinho vazio. Tipo: “Sou invejoso?” Sim ou Não. E depois de respondidas todas as questões tudo estaria resolvido.
Ah! Que bom se assim o fosse! Pelo menos seria menos penoso. Até a lista dos pecados capitais sugeridas por Bill no livro Os Doze Passos Ed as Doze Tradições são amplamente comentadas entre nós como um modelo acabado de inventário.
Mas terá a simples admissão de possuir todos os pecados capitais como defeitos um bom inventário de Quarto Passo? Penso que não. Seria algo muito superficial e sem profundidade, sem a meticulosidade exigida. Temos que perceber o defeito em alguma situação por nós vivida e como este defeito interferiu na história.
O inventário tem que ser feito em profundidade (minucioso), cada vez mais devemos descer, não devemos jamais ficarmos restritos às lambanças da época das bebedeiras, afinal, isso não é inventário, é simplesmente história. Inventário é algo mais.
Tem de ficar entendido que uma história não é uma vida, é só uma seleção de eventos de uma vida, influenciada pelas crenças da pessoa sobre si mesma e sobre outras pessoas.
Assim, torna-se possível utilizar a história para construir uma nova história com novas crenças. As crenças fazem parte da história; mudando a história, as antigas crenças são destruídas. Destruindo antigas crenças destruímos antigos fantasmas de nosso passado.
Uma pessoa tem dificuldade de contar sua história quando não pode achar a sua própria voz para descrever suas experiências. A descoberta da própria voz para contar uma história ocorre quando a pessoa é ouvida, validando assim, as próprias percepções de sua realidade, mas isto é assunto para o Quinto Passo.
Agradeço a Deus e a paciência de vocês por mais esta oportunidade de estar me conhecendo.
Obrigada!
(Fonte: Revista Vivência Nº 114 – Rogéria-/Cachoeira do Campo/MG)

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COMPARTILHANDO OS PASSOS

Sair do isolamento, da imperfeição, da insignificância e da camuflagem através do reconhecimento da realidade prepara-nos para os próximos passos.
Os erros existem para serem admitidos!
Admiti-los a outra pessoa e a Deus dói muito e não adianta procurar nova saída enquanto esta estiver bloqueando o caminho da recuperação.
Não é fácil admitir imperfeições e pedir perdão quando falhamos, mas de repente, levantar a cabeça e reiniciar tudo de novo, talvez seja menos penoso do que ficar se escondendo por trás de uma máscara.
A confissão é prática antiga e faz bem.
Através dela aflora do interior a sensação de alívio e a certeza de que estamos sozinhos.
Sem a admissão dos próprios defeitos poucos se mantêm sóbrios.
Segundo Platão “a alma imortal humana consiste de Três partes: a razão, a coragem e os instintos. Se estas três partes estiverem em equilíbrio o ser humano será feliz.”
Uma vez feito o 5º Passo, nossa meta é o equilíbrio!

5º Passo:
Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.

“A saída do isolamento”

A partir de determinado período, imperceptivelmente a vida foi se tornando opaca, sem brilho; os dias de cor cinza e pesados tornaram-se constantes; a catarata alcoólica que adquiri com os excessos de drinques já não me deixava enxergar as tardes quentes com o teto azul. Um dia como outro qualquer, quando adentrava em um de meus templos sagrados para continuar fugindo da sobriedade, da normalidade que muito me incomodava, enquanto o balconista que estava com o litro suspenso despejava lá do alto o líquido transparente que alimentava minha insanidade, outro sujeito degustava uma cerveja e pelo tom como dirigiu a palavra a mim, devia me conhecer.
Enquanto agasalhava o copo com a destra, instantes antes de concretizar o ato mecânico que há anos me acompanhava, o homem indagou levantando a mão com alguma aspereza para interromper o arremesso que já não mais queimava: – espere, antes de você beber me responda uma coisa!
Parado com o copo na mão fiquei olhando para ele que concluiu, apontando para o meu gogó: – há quantos anos por essa sua garganta o sabor de uma vitamina de abacate?
Depois de sorver aquele trago me retirei esbravejando ao bebedor de cerveja.
Aquelas palavras, que inicialmente me infectaram com ódio, também me deixaram reflexivo.
– É verdade, disse mentalmente a mim mesmo. Sem precisar fazer muito cálculos, com tal certeza, havia pelo menos 10 anos que eu não saboreava uma boa vitamina e refletindo sobre isso observei mais adiante uma roda gigante; era um parque de diversões.
Minhas reflexões ganharam amplitude e no outro quarteirão, parecendo que algo ou alguém propositalmente me mostrava as coisas, enxerguei uma pequena multidão que saía por uma porta grande, era um cinema!
Carambolas, é verdade, existem cinemas!
Bombardeado por sucessivas lembranças, afinal eu já havia vivenciado aqueles momentos de descontração e alegrias, foi quando os olhos naufragados em lágrimas, compreendi o quanto eu havia me isolado do mundo, da vida.
Andei mais um pouco até a entrada do cinema só para ver qual o filme que estava passando, lá estava no cartaz: “Recomeçar é possível”!
Neste exato momento olhei para o céu e descobri que o mesmo estava azul, que o sol brilhava quente e convidava as pessoas para a praia.
Todo este turbilhão de emoções durou mais ou menos umas cinco horas. Durante este período não bebi nada e quando dei por mim estava passando em frente ao bar onde tudo começou e lá ainda estava o homem que me fez lembrar a vitamina. Entretanto ele já não mais estava só, pois a embriaguez já o abraçava e ao me ver do outro lado da rua veio ao meu encontro cambaleante; abriu a carteira, me deu um cartão de A. A. e com a voz enrolada me disse: – meu vizinho me deu, mas eu não sou alcoólico, para você vai servir.
Hoje já algum tempo sem beber, redescobri o paladar da vitamina, fiz as pazes com o sol e com as praias e já com a mente mais aberta, enxergando as coisas do 20º andar passei a observar a vida por outro prisma, com mais abrangência, olhando cada situação mais amplamente.
Antes de fazer parte do elenco me coloco como espectador e com essa nova forma de ver e entender as coisas descobri que o alcoolismo é um labirinto enorme, labirinto este onde encontrei muitas pessoas que como eu bailavam ao som dos copos e garrafas, sob o torpor perpétuo, avolumando a pandemia que assola a atrofia a evolução dos homens, das nações e do planeta.
Este labirinto, onde as pessoas se perdem, sofrem mutilações, deformidades emocionais e comportamentais afinal, o bisturi com o qual o cirurgião plástico esconde a velhice e restabelece a firmeza da pele é o mesmo bisturi que nas mãos hábeis da doença alcoólica realiza alterações no caráter e na moral do bebedor sem leme. Uma modifica por fora e o outro deturpa por dentro.
Diferente de manicômios e presídios, o isolamento mental não apresenta paredes que delimita meu espaço, ele me mantém próximo de tudo e de todos, mas tudo e todos estão contra mim, nunca concordam comigo; eu os vejo me criticando, me diminuindo, me ofendendo e me humilhando.
Entrincheirado por sacos repletos de mentiras, meus valores se modificam; não consigo apresentar os fatos como eles realmente são; tenho que acrescentar algo, adicionar alguma emoção, valorizar minha imagem em algum momento daquele acontecimento. Esse comportamento já faz parte do meu emocional, do meu íntimo modificado pelo bisturi do álcool.
Hoje, graças ao 5º Passo, já consigo reconhecer minhas imperfeições, minhas deficiências e minhas limitações.
Estou conseguindo desfazer a trincheira de mentiras que me isolou de mim mesmo, tenho vencido meu orgulho, pois dizer para outro ser humano que eu tenho falhas não é fácil, mas já foi muito mais difícil.
Quanto ao meu salvador, vez por outra o vejo no mesmo boteco, na maioria das vezes, governado pelo álcool que o transforma em poeta, filósofo e chato, muito chato.
Noutro dia lá esteve ele, descabelado, gritando palavras difíceis de compreender, parecia perguntar para alguém que só ele enxergava:
– Qual é o sabor da vida? Qual é o sabor da vida?
Sem que ele me visse, me aproximei por trás e murmurei algo baixinho em seu ouvido.
– Esse cara é maluco, disse o poeta do álcool, surpreso com a minha presença e minhas palavras.
Uma mulher que o abraçava perguntou o que estava acontecendo e ele respondeu com a voz tosca:
– Esse cara é maluco; acabou de me dizer que a vida tem sabor de vitamina de abacate, é mole?
A mulher que o abraçava, talvez para continuar em pé, fez cara de assombrada, cuspiu no chão e ambos entraram para a masmorra que os manterão isolados da maturidade, das oportunidades e deles mesmos.

(Fonte: Revista Vivência Nº 115 – Marco Antônio/Niterói/RJ)

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COMPARTILHANDO OS PASSOS

“Não podemos ensinar o caminho, porém podemos mostrar como tem sido nosso caminhar vivendo à maneira de A. A.”
Para que eu possa abandonar objetivos limitado talvez deva responder algumas perguntas:
– Que tipo de pessoa eu sou hoje?
– Como começo meu dia? Entregando ao Poder Superior ou deixando rolar?
– Que tipos de amigo eu tenho?
– Como é que os outros me vêem? Acreditam em mim ou não me levam muito a sério?
– Que tipo de pessoa eu desejo ser?
– Que qualidades e virtudes possuo hoje, que me serão necessárias para uma vida íntegra, útil e feliz?
– Que defeitos ainda tenho e preciso prontificar-me a deixar que Deus os remova? Orgulho, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, invejas, bebedeiras, glutonarias e coisas semelhantes a estas?

6º Passo:
Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.

“Abandonando objetivos limitados”

Cada um de nós, membros de A. A. sabe o que é prontificar-se. E cada um de nós sabe o que Deus pode fazer quando a gente se prontifica.
Além da experiência pessoal, quantas vezes já não ouvimos em reuniões experiências como esta: – “É claro, estava vencido, completamente derrotado. Minha própria força de vontade simplesmente não funcionava no caso do álcool. A mudança de ambiente, os melhores esforços de parentes, amigos, médicos e clérigos nada adiantaram no caso do meu alcoolismo. Simplesmente não conseguia parar de beber e nenhum ser humano parecia ter a capacidade de me ajudar. Porém, quando me dispus a “limpar a casa” e, então, roguei a um Poder Superior, Deus como eu o compreendia, que me libertasse, então minha obsessão para beber sumiu! Simplesmente foi arrancada de mim.”
Com pequenas variações, cada um de nós tem uma história parecida. Aquele exato momento em que parei de lutar, em que me rendi, eu estava me prontificando inteiramente e, nessa hora, Deus me ajudou.
Havendo alcançado uma completa libertação do alcoolismo porque então não deveríamos poder chegar pelos meios à perfeita libertação de qualquer outro problema ou defeito?
De que forma eu vou conseguir parar de lutar com meus defeitos de caráter ou parar de ser manipulado por eles?
Quando meu orgulho vai deixar de dominar minhas atitudes para com as outras pessoas?
E a luxúria? Quando eu estarei inteiramente pronto para que Deus remova todos os meus defeitos de caráter?
Provavelmente nunca. Como diz o próprio Passo: – quem de nós tem esse grau de disposição? Em sentido absoluto, provavelmente ninguém o tem. O melhor que podemos fazer, com a maior honestidade possível é tentar tê-lo.
E esse “tentar tê-lo” se traduz, acredito, pela prática dos cinco primeiros Passos.
Para que eu pare de lutar, para que eu me renda a Deus no Sexto Passo é preciso que eu faça a minha parte.
Qual é a minha parte? É abandonar meus objetivos limitados proporcionando a mim mesmo melhores condições para que eu me prontifique o mais inteiramente que for possível.
E como faço isso? Praticando firme e sinceramente os cinco primeiros Passos.
É preciso que já tenha acontecido em minha vida a rendição ao álcool; a consciência do desgoverno da vida; a crença em Deus; a entrega a Ele da vontade e da vida; o minucioso inventário moral de todas as minhas atitudes em que fui manobrado pelos meus defeitos de caráter e a admissão perante outro ser humano dessas falhas constantes do inventário.
Em última instância o que é verdadeiramente prontificar-se?
– É fazer a minha parte. Se ainda não estou livre dos meus defeitos de caráter, fazer a minha parte é não permitir que eles venham à tona e se mostrem em minhas atitudes.
Voltando ao livro é importante este trecho do Sexto Passo: “O que precisamos reconhecer agora é que nos regozijamos com alguns de nossos defeitos. Adoramo-los, realmente. Quem, por exemplo não gosta de sentir um pouquinho superior ao outro, ou mesmo bastante superior?”
Parece impossível pensar em gostar da luxúria. Mas, quantos homens e mulheres falam de amor da boca para fora e acreditam naquilo que dizem para que possam esconder a luxúria num canto escuro de suas mentes?
E mesmo ficando dentro dos limites convencionais muitas pessoas precisam admitir que suas excursões sexuais imaginárias são capazes de adornar-se como sonhos românticos.
O hipócrita também pode ser agradável.
De um modo perverso podemos até sentir satisfação pelo fato de que muitas pessoas nos aborrecem, por isso nos traz uma sensação cômoda de superioridade.
Fazer a minha parte ou prontificar-me é providenciar um esforço de auto domínio para que minhas atitudes e palavras com outras pessoas não sejam um reflexo desse ser acima descrito.

(Fonte: Revista Vivência Nº 116 – José Roberto)

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COMPARTILHANDO OS PASSOS

De repente, num instante fugaz, os fogos de artifício anunciam que o ano novo está presente e o ano velho ficou para trás.
De repente, nossos olhos se cruzam, as mãos se entrelaçam e nós, companheiros de A. A., num só abraço caloroso, num só pensamento, exprimimos uns aos outros, um só desejo, uma só aspiração: – mais 24 horas de sobriedade!
De repente, sem mágoas, sem rancor, sem ódio entoamos o mesmo hino, a mesma canção: Só por hoje – Serenidade, Coragem e Sabedoria.
Mais um ano se passa e juntos podemos comemorar a virada de um novo tempo, encher nossos corações de esperanças e dizer: – como é bom termos conosco pessoas tão especiais! Como é bom saber que podemos contar, sempre que precisamos, com o carinho, a atenção e a compreensão de nossos companheiros de A. A.
Mesmo com todos os obstáculos que a vida nos prepara, conseguimos superar as barreiras e passar para este novo ano com a certeza que será melhor, uma vez que iniciaremos nosso: CAMINHO RUMO À LIBERDADE DO ESPÍRITO já neste primeiro mês do ano!
Com Fé conseguiremos! É só começarmos cultivando a virtude HUMILDADE; é difícil? É! Daí pedirmos a ajuda do nosso Poder Superior e, com a humildade servindo de guia, quem sabe alcançaremos a tão almejada LIBERDADE DO ESPÍRITO.

7º Passo:
Humildemente, rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.

“Caminho Rumo à Liberdade do Espírito”

Ao pedir:

“Humildade”: refiro-me sinceramente às minhas limitações reconhecendo que sou falível, sujeito a cometer erros.
“Rogamos”: peço e suplico a Ele.
“Ele”: um Ser Superior a mim, potencializador e iluminador da minha auto-imagem.
“Que nos livrasse”: que me possibilite ficar resguardado, a salvo.
“De nossas imperfeições”: incorreções ou falhas apuradas nos Passos anteriores.
Notemos que a palavra “Ele” na frase está unindo o nosso reconhecimento da superioridade de Deus ao nosso desejo de evoluir e crescer seguindo Sua orientação e preceitos.
No 7º Passo o que se faz é reconhecer que apesar do esforço que fizemos nos 4º, 5º e 6º Passos para fazer um inventário o mais completo e honesto possível de nossa vida passada relacionando por escrito tudo de que nos lembramos e reexaminando cautelosamente com lisura e isenção de ânimo, de tudo o que foi listado pode haver ocorrido omissões involuntárias.
Além disso, existe ainda a possibilidade de não termos feito uma avaliação plenamente a certada no nosso inventário, já que nossa capacidade de discernir e apreciar com imparcialidade as coisas é muito inferior à de Deus.
Justo por isso nós Lhe pedimos com humildade que potencialize nosso espírito e nossa mente suprindo suas deficiências de modo que possamos conhecer a verdade sobre nós e nosso comportamento, incorporando à nossa imagem mental fatos exatos com base nos quais possamos corrigir os erros que cometemos livrando-nos assim, dos danos que causamos a nós mesmos, criando condições de reparar nos Passos seguintes os danos causados a terceiros.
Em outras palavras, eu peço a Deus que me auxilie ampliando minha capacidade de entendimentos e compreensão além do normal.
Chegou a hora de percorrer o caminho rumo à liberdade do espírito com a ajuda de um Poder Superior a mim mesmo. Com a ajuda deste Poder Superior que eu chamo de Deus, eu, alcoólico, compreenderei que me julguei espezinhado, fiz péssimos conceitos de mim mesmo, acumulei críticas a respeito de meus pensamentos e ações e adquiri sentimentos de inferioridade, de não prestar, baseado somente em provas que qualquer pessoa imparcial rejeitaria e quase sempre motivado por um perfeccionismo injustificável.
Através do 7º Passo descobrirei que é hora de encontrar um conceito verdadeiro a respeito da minha pessoa passando a agir como amigo e não como inimigo de mim mesmo.
Saberei que não sou herói nem vilão, mas apenas um ser humano com defeitos e qualidades como qualquer outro e que está neste mundo para evoluir fazendo o bem a mim mesmo e a meus semelhantes. Por pior que alguém seja sempre tem algo de bom para oferecer.
Percebi ainda com clareza o essencial: tenho que me perdoar e gostar de mim mesmo para poder perdoar e gostar dos outros.
Descobri que mudar meus hábitos colocando coisas novas e boas em minha mente vão ajudar-me a construir uma imagem adequada e realista baseada no meu sucesso e não no meu fracasso.
Para mim foi e é tremendamente importante para a prática deste Passo o convívio e a frequência às reuniões de A. A., onde consegui vividamente me aceitar como sou e aos outros como são através dos exemplos, da compreensão, da solidariedade e do sentimento de integração em um grupo social em vez do isolamento.
A troca de idéias e experiências, o encontro de novos e verdadeiros amigos, a visão de novos horizontes e caminhos, além de uma série enorme de outras coisas que só existem em A. A. facilitaram muito minha integração no mundo e na vida como um ser digno, decente e capaz.
No Grupo tenho desfrutado de momentos em que sinto algo parecido à verdadeira paz de espírito; meus olhos começaram a se abrir aos imensos valores que resultaram diretamente do doloroso esvaziamento do ego.
Sozinho nada sou, o Pai é que faz!
Tenho procurado cultivar a virtude da humildade, este dom que Deus me deu para que, através dele eu reconheça meu exato tamanho.
Praticando este Passo procuro me tornar livre de minhas imperfeições no tanto que for possível, mas não me tornando perfeccionista, porque só Deus é perfeito.
É bom ter sempre na mente estas verdades:
“Não sou melhor porque me louvam, nem sou pior porque me censuram. Sou, na verdade, o que sou aos Teus olhos Senhor e, à luz da minha consciência”.
“O que vem de fora não me faz mal porque não me torna mal. Só que vem de dentro pode me fazer mal, porque pode me tornar mal”.
Concluo que todos nós podemos e devemos ser felizes.
A alegria e a risada espontânea contagiam assim como tudo mais que sai naturalmente de dentro.
É um fato psicológico que os sentimentos que temos para com as outras pessoas são os sentimentos que temos em relação a nós mesmos.
Nós damos o que possuímos.
Quando começamos a nos sentir mais caridosos com os outros estamos fazendo a mesma coisa conosco.
É dessa maneira que nos tornamos melhores e nos livramos de nossos defeitos e imperfeições rumo à liberdade do espírito. Passando a gostar de nós mesmos, limpamos a nossa casa (mente) e ficamos em condições de ir recolher o lixo que jogamos na casa dos outros (8º Passo).
Aprender a “viver com os outros” é uma aventura fascinante!

(Fonte: Revista Vivência Nº 117 – Antônio)

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COMPARTILHANDO OS PASSOS

“Não importa o que a vida fez conosco.
O que importa é o que faremos com aquilo que a vida fez conosco”.

Olhamos o passado e tentamos descobrir onde erramos. Surge assim o conhecimento de nós mesmos, o autoconhecimento do “eu”: – Como eu me julgo? Como eu gostaria de ser?
Relaciono as pessoas que prejudiquei através do Oitavo Passo e me disponho a reparar os danos causados. Surge a necessidade de sermos perdoados.
Mas o que é o perdão? É uma decisão? É uma atitude? Ou é uma forma de vida?
O perdão é tudo isso ao mesmo tempo, porém: “busca tua verdade em teus sentimentos mais instintivos e escuta teu coração” – perdoa primeiro a si mesmo.
Que críticas de nós mesmos teremos que deixar de lado para que posamos nos perdoar?
Perdoar a si mesmo é provavelmente o maior desafio que podemos encontrar na vida. É o processo pelo qual aprendemos a nos amar e aceitar a nós mesmos.
O objetivo do perdão é a identificação de nossos enganos, temores, julgamentos e críticas que vêm nos mantendo presos no papel do próprio carcereiro.
Descobrimos através do Oitavo Passo a nossa verdade e nutrimos o respeito por que somos: – é o começo do fim do isolamento de nossos semelhantes e de Deus.

8º Passo:
Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados..

“ O começo do fim do isolamento”

Para entender o Oitavo Passo:
– Mamãe! Sara me bateu! Roberto berrou como um louco.
– Mas ele me chutou primeiro Sara se defendeu.
– Sim, mas ela pegou meu jogo.
– Ele não devia ser tão melindroso.
E por aí vai…
Isso parece familiar, não parece? Pois é, as crianças adoram culpar os outros por seus problemas e detestam aceitar responsabilidades.
De vez em quando, nós adultos as obrigamos a aceitar responsabilidade e as constrangemos a um pedido de desculpas forçado. Mas elas nunca dizem espontaneamente: “Sinto muito. Comportei-me mal. Errei”.
No Oitavo Passo começamos a crescer; a fazer o que as pessoas amadurecidas espiritualmente fazem: aceitar a responsabilidade de nossos atos, sem levar em conta o mal que os outros nos fizeram.
Por isso que no Sexto Passo é feita a advertência de que aquele Passo é o que separa os adultos dos adolescentes.
Se quero crescer tenho que ir em frente, a diferença de comportamento e do adolescente é a maturidade, é a capacidade de assumir a responsabilidade pelos atos praticados.
Por isso é que o Sétimo Passo nos fala de humildade, pois sem essa virtude primordial não conseguiremos ir em frente.
Até aqui em nossa caminhada só estivemos lidando com material nosso: o inventário do Quarto Passo era só nosso e de mais ninguém.
Nossas admissões no Quinto Passo foram de falhas nossas e de mais ninguém.
Os defeitos de caráter do Sexto Passo e as imperfeições do Sétimo Passo também são nossos, de mais ninguém.
No Oitavo Passo, continuamos a nos examinar, porém levando em conta os que foram prejudicados por nós. Com a ajuda de um Poder Superior, recordamos os nomes e as fisionomias das pessoas que prejudicamos.
Nossa tarefa neste Passo é tão somente fazer uma relação de nomes, apreciando cuidadosamente cada um desses nomes com atenção e procurando perceber os diferentes tipos de reação que teremos com cada nome individualmente.
A alguns estremecemos, outros teimamos em achar que não deve fazer parte dessa lista e há ainda aqueles que achamos que somente nos prejudicaram.
A esta reação devemos ser cautelosas, pois podemos estar incorrendo no grave defeito da racionalização.
Esta reabertura das feridas emocionais, algumas velhas, outras talvez esquecidas e ainda outras, sangrentas e dolorosas, pode nos dar a impressão de ser uma operação desnecessária e sem propósito, porém, se formos firmes e precisamos ser, as vantagens de se continuar fazendo a lista vão se revelando e a dor irá diminuindo à medida que os obstáculos forem desaparecendo.
Segundo citação em nosso livro os Doze Passos e as Doze Tradições: “Tais obstáculos, contudo, são muito reais”.
O primeiro e um dos mais difíceis, diz respeito ao perdão.
Desde o momento em que examinamos um desentendimento com outra pessoa, nossas emoções se colocam na defensiva.
“Evitando encarar as ofensas que temos dirigido a outro costumamos salientar, com ressentimento, as afrontas que ele nos tem feito”.
Ao fazer a relação das pessoas às quais prejudicamos, a maioria de nós depara com outro resistente obstáculo.
Sofremos um choque bastante grave quando nos damos conta que estávamos preparando a admissão de nossas condutas desastrosas cara a cara perante àqueles que havíamos tratado mal.
Por que , lamentávamos simplesmente não esquecer o que passou? Será que não podemos deixar algumas pessoas de fora? Por que considerar todas?
Estas são algumas das prerrogativas que o medo conspira com o orgulho para impedir que façamos a lista completa. Isto sem contar que, não raro, nos passa pela cabeça que os únicos prejudicados fomos nós mesmos.
As armadilhas preparadas pelo nosso ego são muitas e devemos ter o cuidado de detectá-las e desarmá-las para que as mesmas não impeçam o nosso crescimento.
À medida que vamos vencendo o medo e o orgulho e nos damos conta de que a relação é necessária e nos vai fazer bem; pode nos ocorrer uma pergunta: – “Que tipos de danos podemos fazer às outras pessoas?
“Podemos definir os danos como o choque entre instintos; os desejos que cada ser humano tem individualmente, principalmente nas áreas de segurança física e material, convívio social e sexual, que podem causar prejuízos materiais, emocionais e espirituais”.
Podemos dividir os danos em três grandes categorias:
Danos Materiais: Ações que afetaram um individuo de forma tangível, como, por exemplo, tomar dinheiro emprestado e não pagar conforme combinado, gastar exorbitante mente, pão durismo, gastar na tentativa de comprar amizade ou amor, fazer contratos e recusar-se a agir de acordo com o prescrito no mesmo, etc.
Danos Morais: Comportamento impróprio em ações e conduta morais ou éticas, envolvendo os outros em nossas más ações, dando maus exemplos para crianças, amigos ou quem quer que nos tome por modelo, estando preocupados com atividades egoísticas e completamente alheios às necessidades dos outros. Infidelidade conjugal, promessas quebradas, insultos verbais, mentiras, falta de confiança, etc.
Danos Espirituais: Atos de omissão por negligenciar nossas obrigações com nós mesmos, com a família, com a comunidade.
Por exemplo, não demonstrar gratidão para com aqueles que nos ajudaram, evitar progredir em áreas como as da saúde e educação, não dar atenção aos que fazem parte de nossas vidas, deixando de incentivá-los, etc.
As idéias fundamentais do Oitavo Passo:
Reparação: No contexto dos Doze Passos, a idéia de reparação é definida como reparar os danos do passado. A reparação pode ser tão simples quanto um pedido de perdão ou tão complexa quanto a reparação por prejuízos físicos ou financeiros.
Perdão: O perdão é parte essencial do Oitavo Passo.
Quando colocamos este Passo em ação e começamos a fazer uma lista das pessoas que prejudicamos, imediatamente pensamos nos danos que os outros nos causaram.
Talvez esta reação seja um mecanismo de defesa, um meio de evitar a admissão de culpa. Talvez não. Não importa porque nos sentimos assim. O importante é cuidarmos do problema.
Precisamos perdoar os que nos magoaram.
O perdão não é emoção. É decisão. Só pode ser real com a ajuda de Deus. Só Ele nos pode dar a graça, o desejo e a capacidade para eximir os que nos magoaram.
Sozinhos, deixamos o rancor, a amargura se infiltrarem e tomar conta.
O Oitavo Passo é o começo do fim do nosso isolamento de nossos semelhantes e de Deus.

(Fonte: Revista Vivência Nº 118 – Rogéria/MG)

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COMPARTILHANDO OS PASSOS

“Errei!
Perdão!
Meu erro foi me deixar levar…
Esquecer-me de mim, dos meus princípios e de todos…
Perdoe-me por deixar-me dominar pela doença.
Maltratar e magoar as pessoas que mais amo.
Perdoe-me por falar demais quando deveria calar-me e ouvir.
Por calar-me quando deveria dizer palavras certas nas horas certas.
Perdoe-me pelo abandono; pelo pouco caso, pela indiferença!
Pela minha mão não estendida…
Arrependo-me!
Se um dia puder… perdoe meus atos… Volte a confiar em mim!”

Simples não é mesmo?
Este é o espírito do Nono Passo: reparar os danos causados.
Um ato corajoso!
“Reparando prejuízos causados”: só o ofendido sabe o quanto dói a ofensa.
“Coragem, Bom Senso e Prudência”: faça sua escolha e sua escolha fará você.
“Paz de Espírito”: ao beneficiar terceiros obterei a tão almejada paz de espírito.

9º Passo:
“Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outrem”.

“ Reparando prejuízos causados – Paz de Espírito”

Entendendo o Nono Passo
As catástrofes são sempre notícias absorventes.
Terremotos, furacões, incêndios, enchentes, ataques terroristas, guerras e tantas outras tragédias prendem nossa atenção. Porém raramente vemos trabalho árduo de reconstrução que acontece depois que o desastre passou.
Vidas, lares, negócios e comunidades inteiras são restauradas.
Todos podemos nos lembrar do fatídico 11 de setembro e o ataque às torres gêmeas em Nova Iorque.
Todos podemos detalhar ao máximo o ocorrido; as mortes, os lances mais excepcionais e tudo de importante ligado àquele ataque terrorista.
O mesmo podemos dizer do furacão Katarina nos estados Unidos que atacou ou o violento Tsunami que atacou a costa asiática.
Os mais antigos podem até se lembrar do incêndio devastador no edifício Joelma em São Paulo ocorrido lá pelos anos 70/80.
Mas poucos, ou praticamente ninguém, viu ou vê o trabalho árduo de reconstrução que acontece depois que o desastre passou.
A vida, lares, negócios e comunidades inteiras são restauradas e reanimadas. É um longo e exaustivo trabalho.
Pois bem, o Nono Passo assemelha-se às restaurações e à reconstrução que acontecem depois de uma calamidade.
Pelo processo de reparação, começamos a corrigir os danos de nosso passado.
No Oitavo Passo avaliamos os danos e fizemos um plano. Agora, no Nono, entramos em ação.
Após haver elaborado a relação das pessoas às quais prejudicamos, refletido bem sobre cada caso específico e procurado imbuir do propósito correto para agir, veremos que o reparo dos danos causados divide em várias classes aqueles aos quais nos devemos dirigir.
O Nono Passo completa o processo de perdão que começou no Quarto Passo e satisfaz nossos requisitos para nos reconciliar com os outros.
Neste Passo, tiramos as folhas mortas de nosso jardim, recolhemos e tentamos nos desfazer dos velhos hábitos.
Estamos prontos para enfrentar nossas faltas, a admitir o grau de nossos erros; a pedir e a oferecer perdão.
Aceitar a responsabilidade pelos danos causados pode ser um experiência de humildade porque nos força a admitir o efeito que tivemos na vida do outro.
Desde que começamos nossa recuperação, percorremos um longo caminho para desenvolver um novo estilo de vida. Vimos como a impotência e o descontrole de nossas vidas causaram danos. Nosso compromisso de enfrentar nossas falhas de caráter, admiti-los para os outros e, por fim, pedir a um Poder Superior para removê-los foi experiência de humildade.
No Oitavo e Nono Passos prosseguimos com a última etapa para reedificar nosso caráter.
O Nono Passo, tal como todo o programa de A. A., exige que tenhamos coragem, perseverança e fé de que o que estamos fazendo é para o nosso próprio benefício; é para o nosso próprio desenvolvimento emocional e espiritual e todo o esforço será recompensado.
Mas, especificamente no Nono Passo teremos que desenvolver algo mais; teremos que ter um cuidadoso senso de oportunidade e julgamento de cada caso de reparação.
Por muitas vezes, a reparação terá que ser adiada e em muitas outras será melhor não fazê-la.
Este Passo é o único que fala que o adiamento talvez seja o mais oportuno a se fazer.
Na minha opinião, a prática do Nono Passo teria que ter o acompanhamento direto de um padrinho, esta figura tão mal compreendida em nosso meios. Com a ajuda do padrinho podemos facilitar a distinção daquelas reparações que devemos fazer das que não devemos. Ele pode nos fazer ver quando estamos apenas protelando uma reparação sob a desculpa que estamos apenas sendo prudente. A nossa velha e conhecida racionalização.
Aliás, racionalizamos que o nosso passado ficou para trás, que não há necessidade de provocar mais aborrecimento. Imaginamos que reparações por danos passados são desnecessárias, que tudo que temos que fazer é alterar nosso comportamento atual. Apesar de alguns de nossos comportamentos passados podem ser sepultados sem confronto direto.
Dá logo para perceber que a tarefa de distinguir aquelas reparações que devo fazer das que não devo exige sabedoria e sabedoria quando se trata de nós mesmos é arriscado que a temos. É melhor pedir ajuda e apóio de outras pessoas durante este trecho de nossa viagem.
Enfim, não devemos esquecer que o objetivo final é o de ver a nossa vida melhorada, cheia de paz, serenidade, livre dos medos e ressentimento de nosso passado.
É bom salientar que o Nono Passo tem duas partes distintas a respeito de fazer reparações:
“Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas sempre que possível”.
Por reparação direta devemos entender aquelas pessoas que estão acessíveis e podem ser abordadas quando já estivermos prontos. Podem ser amigos ou inimigos. Talvez a reação da outra pessoa nos surpreenda, principalmente se a reparação for aceita. Mas devemos estar preparados para caso ela não seja aceita também. Nossa reparação não depende da reação do outro.
Há, porém aquelas pessoas que não estão acessíveis, algumas já podem ter morrido e outras nem sabemos por onde anda. Neste caso não nos resta muita coisa a fazer, talvez o simples fato de elas terem sido lembradas na nossa relação já seja uma reparação.
A outra parte do Nono Passo diz:
“Salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem”.
Há reparações que, talvez, devam ser evitadas. Principalmente os casos de infidelidade conjugal, pois nesses casos poderiam ocorrer danos para várias partes.
Outras situações seriam aquelas em que o risco da perda do emprego possa ser eminente, prejudicando a nossa família ou mesmo revelações que poderiam levar a prisão com conseqüente afastamento da família. São situações extremamente difíceis e a decisão não deve ser tomada sozinha.
Há também reparações que exigem ação protelada. Raras vezes é aconselhável abordar de forma repentina o indivíduo que ainda sofre profundamente com as injustiças que fizemos.
Nas situações em que a nossa Dora ainda é profunda, a paciência é a nossa melhor escolha. Nossas metas finais são o crescimento e a reconciliação. Imprudência e pressa podem fazer mais danos e frustram nossas metas finais.
É importante que tenhamos claro em nossas mentes a distinção entre fazer reparações e pedir desculpas. Estas são apropriadas, mas não substituem aquelas.
Podemos pedir desculpas por chegar atraso a um compromisso, mas enquanto não corrigirmos esse comportamento, a reparação não foi feita. O pedido de desculpas funciona como reparação desde que acompanhado do compromisso de mudança de comportamento.
Durante a prática deste Passo, podemos passar por recaídas emocionais ou espirituais ocasionais. Isso é normal, mas é importante que aprendamos a lidar com elas imediatamente, pois do contrário podemos ter nossa capacidade de fazer reparações prejudicadas.
Estas recaídas podem ser sinais de que não estamos colocando o programa em prática
com eficiência. Talvez tenhamos nos afastado de nosso Poder Superior e necessitemos voltar ao Terceiro Passo. Talvez tenhamos deixado de citar alguma coisa em nosso inventário e por isso devemos retornar ao Quarto Passo. Ou talvez não queiramos abandonar um comportamento derrotista e precisemos retornar ao Sexto Passo.
Ideais fundamentais do Nono Passo:
Reparações diretas:
São as que fazemos a alguém que prejudicamos. Marcamos um encontro ou planejamos nos encontrar pessoalmente com essas pessoas.
Reparações indiretas:
São as reparações não pessoais que fazemos aos que prejudicamos, a alguém que já morreu, de localização desconhecida ou inacessível por alguma razão. Nestes casos uma oração ou mesmo descrever os danos causados ao nosso padrinho são suficientes.
Reparações para nós mesmos:
Muitas vezes prejudicamos mais a nós mesmos que a qualquer outra pessoa. O procedimento de reparação não seria completo sem algum tempo dedicado a endireitar a nós mesmos. Talvez a prática de A. A.; seja a maneira mais agradável de fazer reparações a nós mesmos.
Uma citação final:
“Só o ofendido sabe o quanto dói a ofensa”.

(Fonte: Revista Vivência – Nº 119 – Maio-Jun/2009 – M.P. / Cachoeira do campo/MG)

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COMPARTILHANDO OS PASSOS

Todos os seres humanos têm problemas a equacionar na busca da sobriedade e do equilíbrio emocional, os quais, mais cedo ou mais tarde chegarão em função do maior ou menor esforço de cada um.
Como alcançar este estágio de evolução espiritual?
Deus, como cada um de nós O concebe, em Sua infinita bondade e sabedoria vem nos mostrando que para a aquisição da sobriedade e do equilíbrio emocional precisamos antes de tudo viver em harmonia conosco e com os outros.
Como? Optando pelo retorno à sanidade e dignidade pessoal procurando distinguir entre o razoável, o moderado, do irracional e imoderado, através do Programa dos Doze Passos.
Compreender que durante a recuperação problemas complicados naturalmente surgirão em nossas vidas, porém, o importante é sabermos resolvê-los da melhor maneira possível.
Se perdermos nosso controle emocional, na certa, nossa capacidade de enfrentar obstáculos será notadamente afetada, daí a necessidade de treinarmos nosso equilíbrio emocional diariamente, a fim de que tenhamos o controle dos nossos sentimentos e de nossas reações.
Aprender a entender nossas reações emocionais nos tempos atuais é de fundamental importância, pois a velocidade dos acontecimentos tira-nos, muitas vezes, o poder de concentração, bloqueando nossa mente e consequentemente, nossa recuperação.
O importante é conviver com os problemas de forma pacífica e ao mesmo tempo de forma ativa, sem deixar para amanhã o que se pode fazer hoje. Ajudar nossos semelhantes compartilhando experiências relacionadas ao nosso programa de recuperação. Continuar a fazer o inventário moral para eliminarmos nossos defeitos de caráter e por fim, não permitir o vazio espiritual; preenchê-lo, para que nossa vida seja sempre oxigenada, refrigerada e feliz.

10º Passo:
“Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente”.

“ Equilíbrio emocional”

Evitando Tempestades
Vou recorrer à história para falar um pouco da minha experiência com o Décimo Passo.
O terremoto de Lisboa em 1755 é considerado a maior tragédia natural até hoje vivida pela Europa. Milhares de mortos. E da pergunta de Dom José, Rei de Portugal à época, ao Marquês de Alorna, General D’Almeida: – E agora, o que fazer?
Veio a sábia resposta: “Agora Majestade, é enterrar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos”. É a partir desta resposta que vou traçar meu paralelo com o Décimo Passo, pois é exatamente isso que acredito devemos fazer na prática deste Passo. Enterrar os mortos, não ficar imaginando como seria se eu não fosse alcoólico, se meu passado fosse diferente, se isso, se aquilo (armadilha do “se”) não tivesse acontecido, nem ficar tentando entender as razões mais profundas de minhas crises passadas.
Enterrar os mortos para cuidar dos vivos, significa cuidar do que sobrou, do que existe de concreto, de real.
Fechar os portos significava para eles à época impedir que novas epidemias chegassem, pois eram os navios que chegavam aos portos que traziam epidemias, saques, bandidos, etc. e para mim significa praticar os Passos para evitar nova tragédia no alcoolismo.
Portanto, praticar o Décimo Passo é fechar os portos e, porque não, as portas para uma recaída, seja ela física, emocional ou espiritual.
A tempestade passou; cuidamos dela até o Nono Passo; agora é criar condições para evitar novas tempestades e criar uma base sólida de desenvolvimento emocional e espiritual para que possamos vir a ser um ser humano íntegro, útil e, acima de tudo, merecedores de uma nova vida.
No Décimo Passo começamos a praticar o modo de vida de A. A. Além de dar manutenção ao que já foi realizado nos Passos anteriores, agora precisamos de muita vigilância para não deixar acumular ações negativas.
Aprendemos a conservar o que alcançamos, ficamos mais confiantes e prosseguimos nossa viagem espiritual com alegria.
Os nove primeiros Passos puseram nossa casa em ordem e nos permitiram mudar alguns de nossos comportamentos destrutivos.
A prática dos Passos começa a valer a pena quando aumentamos nossa capacidade de desenvolver meios novos e mais saudáveis de cuidar de nós mesmos e de nos relacionar com os outros.
Por em prática os Passos ajudou-nos a ver como somos frágeis e vulneráveis, mas com a prática diária desses Passos começamos a sentir que somos capazes de alcançar e manter nosso novo equilíbrio.
Nossas habilidades de relacionamento melhorarão e veremos como nossas interações com os outros assumem nova qualidade.
O Décimo Passo mostra o caminho para o contínuo crescimento espiritual. No passado, tínhamos o fardo constante dos resultados de nossa falta de atenção no que fazíamos. Deixamos pequenos problemas tornarem-se grandes, ignorando-os até se multiplicarem. Deixamos nosso comportamento ineficiente criar confusão em nossas vidas.
No Décimo Passo, conscientemente examinamos nossa conduta diária e admitimos o que encontramos errado.
Precisamos não nos julgar com severidade excessiva. Precisamos reconhecer que nossa educação emocional e espiritual requer vigilância diária, compreensão carinhosa e paciência.
A vida nunca é estável; muda constantemente e a cada mudança exige ajustes e desenvolvimento.
O inventário pessoal é um exame cotidiano de nossas forças e fraquezas, das ameaças e oportunidades que o mundo nos propicia, é um exame de nossos motivos e de nossos comportamentos.
Fazer o inventário diário não é uma tarefa demorada, em geral não se gasta mais do que 15 minutos para a sua prática e pode ser feito em qualquer lugar. Temos que ter disciplina e regularidade, pois o comodismo pode nos afastar dele. É importante nos vigiar para verificar se estamos enviando sinais de que estamos voltando aos velhos hábitos.
A prática diária do Décimo Passo conserva a nossa sinceridade e humildade e nos permite continuar nosso desenvolvimento. O inventário pessoal nos ajuda a descobrir quem somos, o que somos e para onde vamos.
No século XVIII os problemas externos chegavam pelos portos. Fechar os portos para dar foco e cuidar do que sobrou dos vivos.
Para nós hoje, fechar os portos significa que a vida é daqui para frente. Ao fecharmos os nossos portos para novos saques, para os abutres (ressentimento, mania de grandeza, arrogância, auto piedade, prepotência, etc.) estamos cuidando de nossa vida atual. E, como sabemos, se quisermos viver bem o amanhã, temos que cuidar bem do hoje.
A tempestade passou, agora é deixar o passado onde ele deve estar, ou seja, no passado, e cuidar do hoje, que é o que realmente existe.
Este é o meu entendimento e a idéia que faço hoje do Décimo Passo.
Agradeço a todos os companheiros pela minha sobrevivência ao alcoolismo e à Revista Vivência pela oportunidade de compartilhar meu ponto de vista.
Obrigado!
(Fonte: Revista Vivência – Nº 120 – Jul-Ago/2009 – Marcos/MG)

PORTA ABERTA , ENTRE SEM BATER
COMPARTILHANDO OS PASSOS

Meditação e oração são práticas que remontam as raças primitivas e consideradas essenciais à renovação espiritual.
Ao meditar nossa mente pondera, considera, sonda, pesquisa, pesa e acrescenta sempre um pouco mais de informação que enriquece nosso pensamento de tal forma levando-nos a novos conhecimentos tornando mais claras certas verdades espirituais.
De conformidade com as leis mentais, de coração puro e mente aberta: Oramos!
A centelha divina de cada um de nós aspira reconhecer a Fonte elevada que nos criou e a oração leva nosso espírito a compartilhar das mesmas idéias de um Poder superior a nós mesmos, ou seja, o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e força para realizá-la.
Quando nos aproximamos do Poder Superior em oração estamos num estado receptivo que nos leva para mais perto do nosso ideal e podemos assim, experimentar uma efusão radiante e gloriosa do espírito.
“Quando compreendi que Deus é um Ser realmente bom, a Oração e a Meditação passaram a ser para mim uma conversa muito agradável com Ele, na linguagem do meu coração.”
“O relacionamento com Deus é o nosso relacionamento mais importante e é impossível sem a comunicação.”
“A não ser que você tenha uma experiência espiritual, não existe nada que possa ser feito. Você está muito condicionado pelo alcoolismo para ser salvo por outro caminho.”
“Deus não quer que eu ajunte tesouros materiais porque estes tesouros e a trça e a ferrugem destroem e os ladrões arrobam e furtam.”
,
11º Passo:
“Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade”.

“ Meditação e oração”

“IDÉIAS para melhorar meu contato consciente COM DEUS”
O que vou tentar colocar aqui sobre o 11º Passo é apenas uma idéia.
Antes, porém, uma vaga explicação do que é uma idéia.
Utilizamos freqüentemente a palavra idéia sem parar para pensar no seu significado. Idéia é mais do que uma simples opinião ou intuição. Ela está sempre em movimento, em fluxo, em sua complexidade e em sua incompletude.
Quando dizemos “tenho uma idéia…”, já admitimos antecipadamente a existência de algo incompleto, passível de novos exames, de novos aprofundamentos, de novas (re) considerações. Por quê? Porque quase sempre a apresentação de nossa idéia, de nosso conceito virtual incompleto e complexo, termina com a pergunta: “O que você acha disso?”
Um convite, portanto, uma disposição para a discussão daquele que pergunta e, eventualmente, para modificar ou ajustar aspectos de sua idéia.
Não raro, ao invés de desenvolver nossas próprias idéias, aquelas que nos deixam à vontade, é comum adotarmos idéias de outros, tomando emprestado e até incorporando ideologias ou crenças alheias.
Idéias não são pensamentos ou fantasias casuais. Elas são como pedras fundamentais, valores e princípios que determinam nossa personalidade. São extremamente pessoais e subjetivas, diferentes de uma pessoa para outra. As ideais são vivas. Nascem, crescem, envelhecem, ficam vagas e desaparecem com o tempo.
Da mesma forma que os princípios fundamentais, os valores determinantes de nossa personalidade crescem, envelhecem e morrem. As ideais exigem que saibamos acompanhá-las e mantê-las.
Platão dizia que uma idéia é “o olho da alma” abrindo através de sua perspectiva e visão.
Ter uma idéia é mais do que desenvolver uma opinião ou uma preferência por esta ou aquela visão sobre determinado tema.
O desenvolvimento de uma idéia pressupõe a existência de um aspecto fundamental: – “Nunca chegaremos ao fim”.
A técnica mais eficaz para desenvolver uma idéia está na habilidade de saber formular a pergunta.
Em A. A. temos todos os meios para desenvolvermos novas ideais porque não estamos competindo, mas sim, aprendendo a ouvir sem julgamento pessoal.
Uma pessoa que não desenvolve a sua própria idéia facilmente se transforma em vítima, porque não dispõe de sua própria bússola orientadora: vive das idéias dos outros, torna-se presa fácil da influência exercida por outros.
Ao não aprender a formular perguntas corremos o risco de seguir cegamente uma ideologia que pode nos levar ao fanatismo ou mesmo a lugar nenhum por não ter sabido questioná-la.
Trocamos idéias conversando, escrevendo, expondo, ouvindo, questionando, sintetizando, inferindo.
Com relação ao 11º Passo podemos entender que a comunicação sincera é essencial para um relacionamento saudável. Se os parceiros decidem não conversar um com o outro, o relacionamento sofrerá em todas as áreas e acabará fracassando. Por outro lado, quando existe comunicação, os relacionamentos se fortalecem ou, se forem rompidos, são curados, recuperados.
O relacionamento com Deus é o nosso relacionamento mais importante e é impossível sem a comunicação.
Ao nos aproximarmos de Deus na prece e na meditação, aproximamo-nos de nossa fonte de poder, serenidade, orientação.
Ignorar a comunicação com Deus é desligar nossa fonte de força.
A primeira palavra que me chama a atenção no 11º Passo é “melhorar”. Melhorar já pressupõe que já temos um contato com Deus e, em minha opinião, isto foi conseguido com a prática dos Passos anteriores.
Logo a seguir surge a expressão “contato consciente com Deus”. O que podemos entender como “contato consciente com Deus”?
Se entendo Deus como uma força propulsora da criação, uma manifestação de energia no mundo, tenho contato com essa força. Então o contato com o mundo, com a realidade, com as pessoas, é contato com Deus.
Como dizemos em A. A.: “Se quero saber qual é o meu relacionamento com Deus, pergunto-me qual é o meu relacionamento com as pessoas e coisas à minha volta”. Portanto, praticar a presença de Deus é melhorar continuamente o meu relacionamento com as pessoas.
Prece e meditação não são práticas que nos isolam o que devemos praticá-las a sós. Pelo contrário, fechando a porta do mundo a fim de rezar ou meditar, estamos excluindo a possibilidade de qualquer contato consciente com Deus. Mas quando dizemos: “rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e forças para realizar essa vontade” estamos procurando meios para lidar com as situações neste mundo, em todas as nossas atividades e não procurando uma força sobrenatural, irreal, para enfrentar a realidade.
Espiritualidade é a maneira de viver neste mundo e não pode ser separado do atual processo de viver.
Com relação à meditação, podemos afirmar que não é treinamento da mente. Meditar é concentrar-se no mundo, na nossa realidade, para melhor compreendê-la ou para se engajar. Pode ser feita em silêncio, mas não necessariamente.
A meditação é uma prática antiga, pode variar muito e envolver práticas diversas como caminhar, andar, pescar, preparar uma refeição, etc.
Uma grande forma de oração e meditação é a leitura de livros, às vezes chamada biblioterapia. E nós em A. A. temos uma boa literatura para exercitar esta atividade.
Nossa abordagem do 11º Passo varia em intenção e intensidade. Se estivermos nos comunicando com Deus com consciência, a alegria desse relacionamento nos inspirará em nossos relacionamentos com as pessoas à nossa volta e aí, voltamos àquela máxima do princípio: “Se quero saber qual é o meu relacionamento com Deus, pergunto-me qual é o meu relacionamento com as pessoas e coisas a minha volta?”
O melhor indicador do meu relacionamento com Deus é a intensidade que estou praticando este programa em todas as minhas atividades (oração) e a receptividade que as pessoas estão tendo de mim. Portanto, quando recebo uma opinião honesta de outra pessoa em relação às minhas atitudes tenho que recebê-la com paciência, tolerância e gratidão, pois pode significar para mim uma orientação de Deus (meditação).
Melhorar meu contato consciente com Deus significa que eu não posso ficar preso a idéias de outros. Não posso ter nada como definitivo. Nada está pronto. Melhorar é um verbo de ação e me diz que posso sempre ir além e quanto mais eu vou além mais eu quero melhorar, portanto não posso me acomodar com idéias pré-estabelecidas.
A nossa própria experiência e intuição são uma formidável fonte de inspiração para a oração e a meditação.
Infelizmente, boa parte de nosso sistema educacional e religioso é um complicado jogo que nos leva a crer que as melhores ideais estão sempre na mente dos outros, não na nossa. Boas idéias podem ser encontradas dentro de nós mesmos se nos dispusermos a cavar bastante fundo.
Às vezes são nossas próprias atitudes que nos impedem de acessar essas idéias. Estas atitudes são as chamadas trancas mentais, ou se preferirem, mente fechada.
São crenças do tipo: “Só há uma resposta correta”, “Só existe um Deus”, “Nasci assim vou morrer assim”, etc.
Uma grande forma de abrir trancas mentais é fazer exatamente o contrário, isto é, procurar mais de uma resposta certa ou, pelo menos, estar aberto a todas as respostas.
Que trancas mentais estão me impedindo de melhorar meu contato consciente com Deus? O que fazer para abrir essas trancas? Essas seriam duas boas perguntas para iniciarmos a prática do 11º Passo.
Cada um cria as suas próprias perguntas. “O que posso fazer pelo homem que ainda sofre? A resposta virá se eu estiver com a mente preparada”. (Bill W.)
Como citei no início, essas são apenas idéias que tenho hoje de como melhorar o meu contato consciente com Deus através da Prece e da Meditação e como toda idéia, ela está pronta para ser modificada.
Aliás, crescimento espiritual é acima de qualquer coisa ser flexível a novos conceitos; isto para mim nem sempre é muito fácil. Já foi impossível um dia e, somente com a ajuda de vocês, companheiros e companheiras de A. A., nem o impossível para mim tem sido para sempre.
Obrigado a todos por me aceitarem.

(Fonte: Revista Vivência – Nº 121 – Set-Out/2009 – Pedrosa – Cachoeira do Campo/MG)

PORTA ABERTA , ENTRE SEM BATER
COMPARTILHANDO OS PASSOS

O amor entre nós AAs. É um sentimento tão divino que muitas vezes foge à nossa compreensão.
Através deste amor somos movidos a caminhar juntos pela vida levando compreensão, perdão, tolerância, desapego; dando valor ao que realmente tem valor, não ficando presos a palavras, gestos, fatos, eventos ou situações emocionais, pois tudo isto é muito pequeno comparado à grandeza do nosso espírito, à grandeza da vida que A. A. nos proporciona.
É neste caminhar juntos que fazemos nossa parte amando nossos companheiros como a nós mesmos, entregando ao Poder Superior nossa vida, nossas situações conflitantes e dolorosas visualizando sempre nossa grande meta que é tão somente nosso amadurecimento espiritual.
Existe outra maneira de atingirmos nossa paz interior senão através do amor?
Do dar que não pede recompensa?
Do amor sem nada pedir em troca?
Este amar que vai além…
Nós Aas. Após havermos experimentado um despertar espiritual graças aos Passos sabemos que há retorno sim, porém do Amor Divino e real que é a alegria de viver! A verdadeira felicidade está em termos a capacidade de expressar este amor.
Que o Poder Superior nos conceda a graça de continuarmos na emoção de levar emoção, reconciliando sentimentos, encurtando distâncias através das palavras, palavras estas, que vocês nos enviam e que aliviam a dor e o sofrimento daqueles que ainda não conhecem A. A.
Que a luz que guia o mundo possa também iluminar os seus sonhos.

12º Passo:
“Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades”.

Sinto prazer em ver uma pessoa sair do atoleiro e evoluir. Sinto gratidão ao dar o que recebi de graça.
Com sinceridade, levo a mensagem de A. A. por interesse pessoal, uma vez que, caso não haja ingressantes muitas portas poderão se fechar e, como conseqüência, ficará mais difícil a manutenção da minha abstinência alcoólica.
Hoje, passados treze anos e seis meses que estou buscando a sobriedade plena percebi que meu objetivo maior dentro da Irmandade de Alcoólicos Anônimos é ser uma pessoa normal, pois, quando alcoolizado era totalmente insano; o que eu fazia sob o efeito álcool não era nada normal.
Certa noite estava conversando com um companheiro de grande sabedoria e este me falava: – enquanto o companheiro tiver dúvida ou não aceitar os Passos, não tem jeito, não tem futuro na Irmandade, invariavelmente vai voltar ao copo.
Realmente, ele tem razão, como posso experimentar um despertar espiritual se arrasto comigo alguma dúvida? Para que eu possa transmitir uma mensagem tenho que ter convicção plena daquilo que estou falando.
Vejamos o outro lado da moeda. Quando vim para a Irmandade, não vim porque era modismo ou era um local agradável.
Vim porque estava no fundo do poço, perdendo a vida, perdendo a família e a dignidade.
Vim porque era impotente perante o álcool e porque o álcool havia dominado totalmente a minha vida.
Vim por acreditar que um Poder Superior a mim mesmo poderia devolver-me a sanidade e, com isso, decidi entregar minha vontade e minha vida aos cuidados de um Deus Amantíssimo, na forma em que O concebo.
Fiz um minucioso e destemido inventário moral de mim mesmo e admiti perante Deus e a outro ser humano a natureza real de minhas falhas; estendi as mãos espalmadas a Deus para que removesse meus defeitos de caráter.
Voltei a Ele, humildemente, para que me livrasse de minhas imperfeições.
Relacionei as pessoas que feri e fiz reparações, sempre que possível e me propus a continuar fazendo inventários e reparações ao longo de minha vida.
Estes Passos a meu ver são como construir uma casa: – escolher o terreno, planejar, fazer alicerce, a base, construir as paredes, fazer a laje superior, fazer o telhado, dar o acabamento e mobiliar.
Com esta casa pronta procurei, através da prece e da meditação, melhorar meu contato consciente com Deus Amantíssimo, na forma que eu O concebo, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a mim, para melhor viver nesta casa que construí.
Agora sim, sinto alegria de viver e quero passar para frente, compartilhar meu novo modo de vida, dar sem nada pedir em troca porque já recebi tudo!
Após este despertar espiritual, minha vida transformou-se muito.
Deixei de ser uma pessoa egoísta e querer tudo somente para mim; deixei de ser o alvo das atrações; comecei a olhar para os lados e ver as pessoas que sofrem por causa do alcoolismo, famílias sendo destruídas e passei a compartilhar com outras pessoas o que é, e para que serve a Irmandade de Alcoólicos Anônimos.
Em nossa Irmandade ocorre algo surpreendente: ela não transforma o pobre em rico; o analfabeto em literato; o feio em bonito; o velho em jovem e nem dá remédio, dinheiro, emprego, roupa ou soluciona nossos problemas, mas nos oferece condições para modificar e melhorar nossa vida!
A. A. é um programa de vida para toda vida; é uma escola que não dá diploma, mas nos transforma em seres dignos, íntegros, úteis e felizes!.

(Fonte: Revista Vivência – Nº 122 – Nov-Dez/2009 – JÁ – Santos/SP)

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DR. BOB – PRIMEIRA REUNIÃO

DR. BOB.

A PRIMEIRA REUNIÃO

Sue Windows, filha de Dr. Bob, teve a gentileza de compartilhar este artigo escrito por ela para uma intergrupal de Alcoólicos Anônimos de Virginia.
Nele, Sue relembra quão importante foi o apoio que sua mãe deu aos primeiros
companheiros de Alcoólicos Anônimos.
“Leslie me pediu para lembrar do dia em que meu pai e minha mãe chegaram em casa após terem passado cinco ou seis horas com Bill na casa de Henrietta Seiberling. Lembro-me de ter ficado bastante chateada pois eles disseram ( ou meu pai disse ) “nada além de 15 minutos com esse pássaro’ ele se referia a Bill
Ele demoraram muito mas, após pensar que talvez pudesse ter acontecido alguma coisa com eles, como meu irmão Bob havia ido também certamente os três estavam bem.
Você deve saber como era quando você (sendo um alcoólico) prometia e sentia culpa por não manter sua promessa – na verdade, não podia mantê-la – pois você não tinha controle da situação. Acontecia comigo também sendo eu filha de um alcoólico. Eu não tinha fé que alguma coisa pudesse mudar; afinal de contas, quem conhecia esse Bill e se o conhecesse, o que ele havia feito. Quem, na verdade, podia confiar que iria dar certo? Passamos a nos condicionar a esperar que alguém chegasse em casa amassado, não sóbrio, ou se sóbrio, que não permanecesse sóbrio até a manhã seguinte.
Sempre me disseram que meu pai estava doente ou não estava se sentindo bem. É claro ele estava doente, muito embora nós não soubéssemos ainda que era uma doença, simplesmente estava bêbado ou de mau humor. De qualquer forma, não pensávamos que esta “nova” teoria poderia dar certo até muitos anos depois.
Minha mãe, que Deus a tenha, sempre acreditou que iria dar certo. Muitas vezes, com o passar do tempo, o alcoólico não “se segurava no programa”, como dizia meu pai, mas aquele que não o fizesse, se dava mal. Meu irmão e eu não dávamos muita atenção a tudo isso. Freqüentemente já havíamos recebido tantas e tantas promessas, e tantas desculpas! E naquela época, nós dois tínhamos os nossos próprios afazeres e eles, é claro, eram importantes.
Em Akron, havia apenas mais uns cinco que tinham sido abandonados em 1935 e somente um deles “aceitou” o programa de forma positiva. Durante algum tempo, o programa foi seguro por um fio. Costumo pensar que minha mãe era esse fio. Graças a Deus, mais e mais alcoólicos se agarravam e aceitavam o programa para situá-lo onde ele está hoje. Eles passaram a mensagem adiante, adiante e adiante. Eles finalmente mostraram a si próprio e a outros que este era um modo de vida mais feliz e mais produtivo. Espero que todos vocês também “passem a mensagem adiante”.
Recentemente celebramos os 80 anos de Sue com uma deliciosa festa na casa de Dr Bob e recebemos um grande número de visitas da Conferência
Internacional Feminina de A.A.

( Extraído de “ the House call” publicação da fundação da casa de
Dr. Bob Akron, vol. X111, Número 11 )

Vivência Jul/ Ago 98.

RECUPERAÇÃO

RECUPERAÇÃO

Bom dia!! Companheiros (as) e Convidados

Sou o Mendes, Alcoólico e nestas 24 horas eu não tomei nada que contém álcool. Quero agradecer aos companheiros da comissão da organização do Ciclo, pelo convite e a confiança pela oportunidade de estar falando sobre recuperação. Coincidentemente, hoje, dia 6 de março, faz-me lembrar a mesma data em 2007 onde tudo começou a mudar em minha vida. Neste dia há 4 anos atrás, recebia uma intimação para comparecer ao Fórum de Santos na vara da família às 13h30min para uma audiência, onde a minha esposa estava pedindo a separação. Mas antes, no dia 4, já havia recebido uma intimação para comparecer no Fórum no dia 5 de março.Fiquei uma fera, xinguei Deus e o mundo, disse que fazia e arrebentava, Fui para o bar bebi todas, contei aos meus amigos fieis, E eles me aconselharam a não esquentar a cabeça e não comparecer à audiência, pois assim eu ganharia tempo e seria intimado outra vez depois de alguns meses. Mas deu tudo errado eu não compareci à audiência e a minha esposa foi com sua advogada. A juíza perguntou por mim, advogada respondeu que eu estava ausente porque recebera conselhos para não ir. A juíza imediatamente mandou a escrivã fazer uma intimação em caráter de urgência. Eu estava no bar bebendo quando chegou novamente o oficial de justiça, me chamou e me entregou novamente intimação para comparecer no dia 6 de março as 13h30min, e se não fosse desta vez , eles viriam me buscar com a policia. No dia marcado, cheguei meia hora mais cedo, e depois chegou a minha esposa e advogada.no horário marcado. Fui chamado, fui cumprimentado pela juíza( quando olhei para ela era uma jovem de uns 30 anos,pensei poderia ser minha filha). Ai perguntou –me porque eu não havia ido no dia 5 de março,, eu apavorado e com muito medo falei a verdade que eu havia recebido conselhos para não comparecer,que outra intimação demoraria meses. Ela falou o que tinha que falar e depois perguntou-me o que eu queria: sair de casa, ser internado ou se eu teria outra alternativa. Eu respondi que estava nas mãos dela (estava mal e quase desmaiando). Ela perguntou se eu aceitaria uma internação, eu respondi que não era possível não haveria condições era muito caro seria 1.750 por mês e eu teria que ficar de 4 a 5 meses e seria parcelada em doze vezes o total. Isto não teria cabimento gastar quase a metade do renda mensal. Ela me perguntou que outra alternativa seria, eu respondi que não saberia , então ela perguntou quando tempo eu queria para resolver a situação. Eu como um alcoólatra, manipulador, mentiroso, tentei manipular a juíza. Eu com a mente doentia pedi que ela me desse um tempo até setembro (estava pensando até lá dou uma resfriada e tudo ficar tudo bem), ela me respondeu que as coisas eram assim, ela ia fingir que não ouviu. E disse: – O senhor tem 90 dias, a partir de hoje para resolver o que irá fazer. Caro que eu aceitei. Ela pediu à escrivã para elaborar um documento que eu aceitaria o prazo dado e no final daria a solução através da advogada da minha esposa. Assinei o documento, a minha esposa e advogada assinaram como testemunhas. Saindo de lá, fui para o bar cheio de auto piedade. Coitadinho, a minha esposa não poderia ter feito isto comigo, tomei todas que tinha direito chegando em casa de madrugada,e acordando e pensando como eu cheguei em casa.
Mas, companheiros, no dia 7 de março de 2007, as coisas começaram a mudar para mim, eu ainda na parte da manhã ainda mal com auto piedade, fui à praia fiquei no carrinho de bebidas onde era o meu ponto fixo onde encontrava os amigos. Quando lá pelas 13h o celular tocou. Olhei, era o meu irmão, juro eu não ia atender, mas algo falou mais alto eu atendi, ele me perguntou: -Você está na praia? Eu respondi que sim, Ele, então disse: – Por favor vai para casa tome um banho não beba mais descanse e quanto for 19h30min eu passo aí com a Auxiliadora( minha irmã,) vamos levar você num lugar. No horário estabelecido, eles passaram, entrei no carro, não me falaram nada para onde estavam indo,só perguntaram se eu havia bebido a tarde!!, eu respondi que não,mas estava com uma vontade de beber. Mas meus companheiros como eu havia falado antes este 7 de março foi um marco na minha vida. Sabe o que aconteceu eu estava indo para uma sala de AA.
Quando cheguei no local, a primeira coisa que eu vi foi uma placa na frente do prédio onde estava escrito Alcoólicos Anônimos. Puxa! Onde vieram me trazer! desci do carro e subi uma escada onde ao final do último degrau havia um quadro que dizia “Evite o primeiro gole”.
Companheiros, o meu irmão já havia preparado tudo, ele havia ligado para o escritório geral e contado a minha situação e um companheiro prontificou-se a esperar na sala junto com um outro companheiro para fazer a abordagem. Entrei na sala de abordagem e os companheiros que ali estavam começaram a conversar comigo, contando as suas experiências. Eu estava louco da vida com meu irmão e minha irmã. Por que ele fizeram isto comigo, contando a minha vida a pessoas a estranhos? Ao final da conversa, perguntaram-me o que queria da vida: continuar como estava ou melhorar de vida? Saí da sala como um membro iniciante do programa de AA. Ainda assisti uma boa parte de uma reunião de depoimentos em que as pessoas falavam de mim. Iniciei, então, a minha recuperação, aceitando o 1º Passo, admitindo que era impotente perante o álcool e joguei a toalha.
Só que no dia 9 de março a minha filha pediu para eu ir pagar umas contas; e eu perdí o dinheiro no valor de R$ 985,00. E agora, o que fazer, como chegar em casa e contar ,será que iriam acreditar em mim uma pessoa como eu cheio de defeitos de caráter, mentiroso. Ela vai pensar que eu pequei o dinheiro para pagar as dívidas do bar. Só que me deu um apagão fiquei sem rumo durante horas, o celular tocava eu não atendia e em casa todos estavam preocupados. Havia saído de manhã, já era noite e eu ainda não tinha voltado para casa. A minha esposa pediu ajuda a dois companheiros eu havia deixados alguns números de telefone na mesa do computador, e os mesmos se prontificaram a me procura. Ficaram das 18 horas até às 22 horas me procurando nos bares e nada .. Meia noite meu celular tocou mais uma vez, era a minha esposa ela perguntou onde eu estava, falei que estava na praça Mauá no centro de Santos e ela perguntou o que eu estava fazendo aquela hora lá, que estava me procurando o dia todo. Então eu contei que perdi o dinheiro que era para pagar as contas,e ela disse: Vem para casa. Só que não tinha mais ônibus e não tinha dinheiro para pagar a passagem. ela mandou pegar um taxi, e no caminho eu pensava a vergonha de chegar em casa e encarar a minha esposa e minha filha, eu que só aprontava. Chegando em casa ela me mandou ligar para o companheiro que hoje é meu padrinho para tranqüilizar ele estava esperando eu telefonar. A primeira pergunta que ele fez você bebeu, eu respondia que não. Ele mandou eu ficar tranqüilo que isto acontece que no outro dia eu fosse para sala que estava lá me esperando e eu com a maior vergonha de ter falhando no segundo dia de sala.chegando lá todos me receberam conversaram comigo e me jogaram para cima. Mas foi muito difícil eu aceitar o que aconteceu. E tempo foi passando continuei indo todos os dias para as reuniões , depois de algumas reuniões em comecei a freqüentar na terça e quinta as reuniões de novos, onde aprendi sobre o AA. Literaturas. Depois de algumas reuniões comecei a receber as literaturas e no fim de 10 reuniões sem faltar você já sair com livro do alcoólico anônimo, Viver Sóbrio, Doze Passos, Tradições.,conceitos e um revista Vivência..Continuava indo às reuniões e, em junho eu com 4 meses de AA, fui participar do meu primeiro ciclo de doze passos na cidade de Jundiaí no estado de São Paulo.Foram 3 dias maravilhosos, onde eu pude aprender um pouco sobre os passos. Neste ciclo quando terminou a explanação, do 4º e 5º passos, foi feito um sorteio e formada uma dupla para sair e dialogar sobre os passos. No sorteio fiquei com uma companheira de São Paulo com muitas anos de AA, e ela foi passando para mim as suas experiência na irmandade, e pude aprender com ela um pouco mais sobre os passos.,e ela me sugeriu que deveria indo preparando meu 4º e 5º passos. Foi uma experiência nova para mim.
Saí do Ciclo com aquilo na cabeça. Chegando em casa, comecei a ler os passos e cheguei à conclusão que, de fato, deveria começar a fazer o meu inventário.
Comecei a escrever como eu era um cara sem caráter, mentiroso, ladrão, manipulador e que fazia a família sofrer. maltratava esposa, filhos, sogro, sogra, cunhado e demais parentes, só fazendo mal a mim mesmo Só que eu não continuei, comecei a me sentir mal ao começar a mexer no passado Eu não podia participar de festa em família que só aprontava, arrumava brigas. O final de ano, então, para mim era festa de desarmonia familiar. Em casa era um verdadeiro inferno, bebidas à vontade, deixava os compromissos e gastava tudo em bebida. Pensava que estava me saindo muito bem. No bar era só confusão, era o dono da cocada preta, era o bonzão Sr Mendes. Ia para praia às 9h da manhã e só voltava lá pelas 22h completamente bêbado, infernizando minha esposa e meus filhos e ainda me achando o melhor pai e marido do mundo.
Hoje, eu agradeço a minha esposa por ter agido me levando às barras da Justiça. Reconheço que ela é uma heroína, pois trabalhava o dia inteiro e chegando do trabalho me via dentro do bar, bêbado e com comportamento que ela não queria para seu marido.
Eu entrei em AA de cabeça e comecei ler sobre os passos, tradições, conceitos indo a sala, participando de ciclos, encontros, palestras e conhecendo companheiros aprendendo com eles o que seria de bom para mim , e aprender o que era AA. Aprendi que a recuperação é individual, que a doença do alcoolismo é progressiva e não tem cura, e que eu tenho que viver um dia de cada vez, praticando as 24 horas. Álcool não escolhe ninguém. Tenho também que aprender a ser diferente com equilíbrio emocional, ser responsável, estender a mão amiga a quem precisa. A recuperação do dependente do álcool apesar de individual, necessita de uma construção coletiva e um caminho que só poder ser trilhado se forem conjugados dois elementos fundamentais: o desejo do dependente do alcoolismo de parar de beber, e a compreensão da família sobre a necessidade da participação no processo.
Hoje, não posso perder tempo pela idade que tenho, 65 anos. O tempo passa rápido, e não vou perder esta oportunidade de ser feliz, viver em condições melhores ,que eu me torne uma pessoa muito melhor que hoje em dia, ver o sentimento que estou repartindo com as pessoas, agindo bem com o outro que eu magoei e ver a mudança de eles me aceitarem. A recuperação também tem que ter o apoio do grupo e o auxílio das literaturas. Sem dúvida, a minha recuperação está realizada com a ajuda dos companheiros.
Que bom viver a vida sem álcool! O meu propósito é sempre evitar o 1º gole ,seguindo a pratica das 24horas, ação e mais ação. A fé sem obra não existe, gostar de dar pisada no outro não condiz com minha recuperação, É importante admitir que sou impotente só perante o álcool. Parar de beber é um acontecimento marcante na vida de qualquer alcoólico em recuperação. A recuperação do alcoolismo não é apenas um episódio limitado no tempo, mas sim um processo mais ou menos lento com constante evolução no dia a dia, que exige reformulação interior sem data marcada para terminar e que pode ser modificada ou interrompida a qualquer momento. Assim sendo, é engano imaginar que uma recaída começa no primeiro gole. Ela é na realidade um processo de perda da recuperação que pode terminar nele, a menos que seja detido a tempo. O alcoolismo é comparado a uma doença crônica em que ao se interromper o processo de recuperação, inicia-se um processo de recaída, o que leva de volta a situação anterior.
O Alcoolismo é uma enfermidade que se inicia primeiramente como dependência química. Atingida a área física, continua o gradual processo, alcançando seu comportamento e atitudes, até ultimo estágio de adoecimento. Nesta uma fase a doença é, então, física, psíquica e espiritual. Não existe uma cura propriamente dita, não é possível reverter um dependente do álcool em consumidor moderado ou social desta substância, já que o seu organismo sofre modificações que impedem o uso controlado. É possível ao doente um retorno a uma vida plenamente normal desde que se disponha agir dentro um processo de recuperação o qual deve seguir as três fases do rumo natural de adoecimento.

1ª FASE (recuperação física) – Abstenção de uso do álcool.

2ª FASE (recuperação emocional) – Modificação de comportamentos e atitudes,visando encontra um equilíbrio psíquico que o liberte da tentação de achar que o álcool possa ser a solução para seus problemas.

3ª FASE (recuperação espiritual) – Recuperar ou criar novos valores éticos, morais e espirituais com o objetivo de reconciliar-se consigo mesmo e com o mundo que o cerca, passando a ter um modo de viver sóbrio.

O sucesso que Alcoólicos Anônimos vem tendo desde 1935 na recuperação de alcoolismo deve-se a um programa de 12 passos que segue esta seqüência natural de ações , com a consciência de que elas só podem ser executadas pelo próprio doente,já que são todas processo interiores. Isto não significa, porém não precisar ele de ajuda externa,já que existem alguns obstáculos importantes a serem vencidos, a começar pela negação da doença, manipulações variadas e pela própria crise aguda de abstinência. Passada essa fase inicial, que dura em média 20 dias, surge outra menos conhecida, mas nem por isso mais fácil, a que se convencionou de chamar de Síndrome de Abstinência Pós-aguda, de duração mais longa, caracterizada por pensamento confuso, às vezes caótico, enfraquecimento de memória, dificuldade de concentração e instabilidade emocional que pode perdurar ainda por muito meses após o inicio da abstinência.
O alcoólatra sofre muitas conseqüências do efeito do álcool sobre o cérebro e sistema nervoso; torna-se bastante confuso, muito centrado em apenas certo aspecto, cheio de culpas, vergonha, auto- piedade, raivas, ressentimentos. Reagem com raiva a qualquer contrariedade ou comentários sobre ele para uma recuperação física e do sistema nervoso. Esta pessoa precisa de muita ajuda externa para evoluir.
Sugere-se dentro de AA, as reuniões para novos, nas quais é possível ajudar de forma eficiente e ao mesmo explicar o que é o AA e como funciona no caminho do alcoólico em buscar de sobriedade, tendo aceito os três primeiros passos. Não há quem não se sinta temeroso em fazer mudanças importantes. Em fase de abstinência pós-aguda ainda é particularmente sensível ao alcoolismo. Existe sempre o ressurgimento da velha negação,que por sua vez trata-se da negação do medo. Pensamentos que podem ser do tipo “está tudo ótimo, parei de beber isto é principal ou eu já me conheço”, são perigosos porque induzem o alcoólico a não fazer os 4:passos, e adiando indefinidamente, procedimento alias muito parecido com o que tinha em relação ao álcool, no tempo em que bebia. Por vez ele na programação, percebe a vontade de beber, volta a se agarrar aos primeiros passos, aumenta a freqüência às reuniões ,volta à recuperação até chegar novamente a barreira do inventario moral com duas opções: enfrentar o medo e entrar em ação ou ver tudo se repetir mais uma vez . O alcoólico fica até sem saber direito o que está acontecendo, ficando bastante tempo na gangorra emocional. Ultrapassando este grande obstáculo, a recuperação fica mais fácil e entra em fase de estabilidade.
Agora existe um rumo a seguir, o alcoólico consegue ver a vida e o mundo que o cerca de modo mais equilibrado. Aos poucos, o álcool deixa de ser visto como possível solução para enfrentar problemas e passa a não ter mais importância. É um estado a que muitos chamam de sobriedade. Ancorado ao AA o alcoólico encontra valores éticos e morais que permitem a existência emocional mais tranqüila da qual o álcool está excluído. Isto não é um fato isolado na vida, mas sim um processo que materializa de 24 em 24 horas, e só por hoje. No AA não existe diploma de aprovação e um fim de curso em 12 passos. O equilíbrio emocional depende de atividade e vigilância, pois como qualquer outra doença crônica, a recuperação é um programa para toda a vida. Eu, no começo da minha recuperação tive a boa sorte de não sofrer muito ao parar de beber, porque como já disse antes, com 4 meses já estava em um ciclo. Na verdade, eu comecei com o espírito de procura em busca de ferramentas para que eu não voltasse a beber, Então, além de freqüentar a sala, fui procurando ciclos em que eu pudesse participar para esforçar a minha recuperação. A partir daí, então, fiz o meu objetivos indo em ciclo no Rio Grande do Sul, interior de São Paulo, Rio de Janeiro e aqui, em Minas Gerais.
Companheiros (as), não é puxando o saco não, mas desde o primeiro evento em Baenpendi eu me senti apadrinhado pelos companheiros mineiros, e desde então eu venho a Minas sempre que possível nos eventos onde me sinto bem e sou bem recebido e o que eu mais gosto é de conhecer novos companheiros e aprender com eles como fazem para se recuperar. Quando eu programo estar em um evento não vejo a hora de chegar o dia da viagem, pois tenho o maior carinho pelos meus companheiros de AA. Estou falando de coração aberto se não fosse o AA e pensando na minha recuperação eu não faria as loucuras, que eu faço para chegar até aos eventos já com uma idade de 65 anos, viajando a noite algumas horas, para ficar apenas dois ou três dias. Porém, eu quero ser feliz e ser um esposo responsável, ser um pai que eu nunca fui, ser respeitado pelos meus irmãos e meus familiares, ter o prazer hoje de ser convidado para um festa em família e ir sóbrio e voltar sóbrio sem aprontar nenhum vexame, saber que todos estão vendo o meu despertar espiritual e com saúde e não ter nenhuma doença grave e nem seqüelas do álcool,
Muitos que estão em recuperação podem lembrar dos tempo em que viveram, sem esperança. A falta de esperança produzia a sensação de iminente perdição ainda quando nós ocultávamos o nosso desespero e o medo do futuro debaixo da máscara da bravura tudo indicava que estávamos presos uma situação que poderia piorar. Contemplamos o suicídio como uma maneira de sair da situação. Estando sem esperança não tínhamos a sensação real de que o futuro poderia ser diferente do presente.Nossa vida nunca pode ser ministrada em três horas e meia ou sete horas ( o dia inteiro).Nossa vida nunca será melhor que a imagem que temos de nós mesmos. Todos admiramos pessoas espontâneas, criativas e amáveis todos desejaríamos ter essas qualidade …. Mas quantas vezes pensamos que nunca poderemos tê-las? Quantas vezes nos sentimos desvalorizados ou pouco respeitados?. Assim, acabamos pensando que o mundo não nos trata do modo como merecemos ser tratados e colocamos a culpa dos nossos erros e desilusões na sociedade, no governo, em nossos amigos, parentes ou colegas de trabalho. Na verdade, modo como o mundo nos trata é apenas um reflexo de como nós mesmos nos tratamos. No momento em que uma pessoa começa a amar a si mesmo, o mundo que a rodeia reagirá positivamente trazendo para vida dela relações mais plenas mais satisfação profissional e mais alegria de viver.
Admitindo o programa de recuperação e que agora, se quisesse de fato uma vida nova e gozar do cumprimento das promessas de AA ,era necessário aceitá-lo. Este despertar lançou-me numa busca para melhor conhecê-lo e praticá-lo.
Nesse exercício descobri ser de vital importância estar bem informado a respeito da irmandade,visto que, muitas vezes ,a mensagem.AA. transmitida de forma deturpada pode ocasionar ou prolongas sofrimentos facilmente evitáveis e ainda resultar em mortes desnecessárias.
No prefacio do Livro :OS doze Passos: estão escritas as seguinte palavras: Os doze de AA> consiste em um grupo de princípios, espirituais em sua natureza praticados como um modo de ,podem expulsar a obsessão pela bebida e permitir que o sofredor se torne ,feliz útil.
Creio que o poder superior, na minha concepção,quando nos legou os Doze Passos para nossa recuperação individual, presenteou-nos co m uma caixa de ferramentas espiritual,cuja finalidade , além do nosso conserto,da nossa reparação, é serem utilizadas em nossas dificuldade na vida diária.Na verdade estes princípios poderia ser comparados a uma bomba espiritual do bem,poderosíssima: onde ela cai liberta inúmera vidas, Infelizmente muitas vezes nós mesmos,membros de AA, ao desprezamos os Doze Passos,sugerido como um programa de recuperação, até mesmo alguns de nós que já os conhecemos,mas pouco os praticamos , e não falamos sobre eles porque ainda duvidamos que eficácia ,termos nos prejudicado evitando que as promessas, descritas no capitulo 6.Entrando em ação do livro Alcoólicos Anônimos,se cumpra em nossas vidas ,as quais são:
1)Se formos cuidadosos,nesta fase do nosso crescimento,ficaremos surpresos antes de chegar a metade do caminho.
2) Estamos a ponto de conhecer uma nova liberdade e uma nova felicidade.

3)Não lamentaremos o passado,nem nos recusaremos a enxergá-lo.
4) Compreenderemos o significado da palavras serenidade e conheceremos a paz.

5) Não importa até que ponto descemos,veremos como nossa experiência pode pessoas
Ajudar outras pessoas.

6) Aquele sentimento de inutilidade e auto-piedade irá desaparecer.

7)Perderemos o interesse em coisas egoístas e passaremos a nos interessar pelos nossos semelhantes.

8) O egoísmo deixará de existir.

9 )Todos os nossos pontos de vista e atitudes perante a vida irão se modificar.

10) O medo das pessoas e da insegurança econômica nos abandonará.

11)Saberemos intuitivamente como lidar com situações costumavam nos desconcentrar.

12) Perceberemos de repente que o poder superior está fazendo pó nós o que não conseguimos fazer sozinhos.

Serão estas promessas extravagantes?.Achamos que não.estão sendo cumpridas entre nós, as vezes depressa outras devagar. Sempre se tornarão realidade se trabalhamos para isto.

Certa vez eu li uma história que exemplifica bem o que eu estou dizendo.Um senhor famoso religioso inglês,foi chamado à casa de uma senhora de idade ,que vivia confinada à cama.A desnutrição estava acabando com ela.Durante sua visita,ele notou um documento emoldurado pendurado na parede.Pergunto à mulher .É seu?. Ela disse que sim e explicou que tinha trabalhado como doméstica no lar de uma família inglesa. Antes de a condessa morre explicou a mulher ela me deu isto .Trabalhei para ela durante quase meio século.Tive orgulho desde papel porque ela me deu.Mandei colocar numa moldura. Ficou pendurado desde a morte dela,já faz 10 anos.
O senhor perguntou..A senhora me daria licença para levá-lo e mandar examiná-lo mais de perto.Oh!! Sim,disse a mulher que nunca aprendera a ler,é só cuidar para que eu receba de volta.O senhor levou o documento às autoridades. Estas já o tinham procurado. Tratava-se de uma herança.A dama da nobreza inglesa legara à sua empregada uma casa e dinheiro.
Aquela mulher morava numa casinha de um só cômodo,feita de caixa de madeira e estava morrendo de fome,mas tinha pendurado na parede um documento que autorizava a receber todos os cuidado e a mora numa casa excelente . O dinheiro estava acumulando juros. pertencia a ela.
O senhor ajudou-a obtê-lo, mais o dinheiro não fez tanto bem a ela quando poderia ter feito mais cedo.
Acho que isto é um exemplo daquilo que têm acontecido a boa partes dos companheiros(as) moramos numa casinha desmoronada,espiritualmente falando,enquanto no canto de uma parede na estante encontra os o livro Doze passos ,,cheio de poeira e teia de aranha. Muitas vezes termos orgulho deles.Mas raramente nos darmos ao trabalho de praticá-lo e descobrir aquilo que segundo eles dizem ,ser uma dádiva que pertence a nós. Além dos canto paredes,ele deveriam estar em nossas mente,espíritos e corações para que fossemos convertidos em instrumento poderosos na transmitir ao alcoólicos que ainda sofre esta mensagem de salvação. Raramente virmos alguém fracassar tendo seguindo cuidadosamente nosso caminho .Se a pessoa se entregar inteiramente a este programa que é ,e tiver de se honesta consigo mesma ,terá grandes probabilidade alcançar êxito.
Os passos estão ai para que aceitamos ,os quais são sugeridos como programa de. recuperação
O meu crescimento em AA,desde o momento em que ingressei ,aprendir que escolhendo viver pela maneira de vida d AA .eu me abrir pela Graça e amor Do poder superior ,comecei a conhecer o significado total de ser um membro de AA.

Companheiros(as) espero que eu tenha conseguido transmitir alguma reflexão sobre recuperação por ser a primeira vez que exponho uma matéria de AA. Quero agradecer aos companheiros do Mente Aberta pela confiança, apesar do medo de não conseguir corresponder com o esperado.

Desejo a todos muita sobriedade, paz, saúde e mais 24 horas .

Obrigado

Mendes

Estou muito contente que amanhã dia 7 de março de 2011, completo quatro anos de AA.

QUARTO PASSO

Quarto Passo

“Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos”.

Existem muitas frases ou lemas em A.A. que refletem a sabedoria acumulada no decorrer dos anos. Um dos mais interessantes é: “Somos tão doentes quanto nossos segredos”. Baseando nessa verdade, à medida que vamos revelando nossos segredos ficaremos menos doentes. Donde deduzimos que o Quarto Passo é o início de um processo de cura. Todo esforço desprendido nesta tarefa será recompensado.

Ao dar início à prática do Quarto Passo é fundamental termos em mente que Deus, como cada um O concebe, conhece perfeitamente nossa natureza individual. E sabe, também, que não podemos ver a nós mesmos sem a Sua ajuda. Damos início, assim, à nossa parceria com Deus iniciada no Terceiro Passo quando decidimos entregar nossa vida e nossa vontade aos Seus cuidados.

O Quarto Passo parece a primeira vista assustador e muitos recuam diante dele. Mas devemos nos lembrar que todos os que estão perto de nós, a começar por Deus, vêem nossas faltas e imperfeições há anos. Ou seja, estas falhas só são desconhecidas por nós mesmos. Está na hora de nós conhecermos estas falhas.

“Uma amiga acabara de telefonar querendo saber alguma coisa sobre meu fim de semana. No último domingo eu anunciara meu plano de ter um excelente fim de semana. Não tínhamos recursos para ir a nenhum lugar especial, por isso pretendíamos apenas ficar à vontade em casa. Mas o telefone não parava de tocar. E por causa de minha incapacidade de estabelecer limites, eu simplesmente “torcera a verdade” para esta amiga que ligara. Disse-lhe que íamos sair da cidade; esperava que isso a impedisse de ligar novamente. Mas minha filha ouviu tudo e disse:
– Sua consciência não a condena nunca por mentir?
Eu não via a situação assim. Achava que era uma proteção. Mas o comentário de minha filha me deixou deprimida. E minha depressão me levou a rezar. Em minha hora de oração Deus mostrou como a mentira era realmente fuga pecaminosa, forma de manipulação e grave falha de caráter. Também me mostrou como minha incapacidade para estabelecer limites era fonte de constante vulneralibilidade, um convite ao fracasso. Minha depressão não melhorou. Ver meu coração pecaminoso não era uma coisa atraente, mas senti uma estranha paz, mesmo na depressão. A sincera admissão de minhas falhas abriu uma porta para a serenidade. O primeiro defeito moral em meu Quarto Passo não era “torcer a verdade”, era mentir”.

Idéias fundamentais do Quarto Passo:

Inventário: Relação, registro balanço, descrição pormenorizada.
Moral: A moral é conjunto de regras e prescrições a respeito do comportamento, de condutas consideradas como válidas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupo ou pessoa determinada, estabelecidas e aceitas por determinada comunidade humana.
Inventário Moral: Relação de nossas forças e fraquezas.
Medo: O medo é, com freqüência, nossa primeira reação a qualquer coisa nova. Enfrentamos qualquer mudança com medo porque nos sentimos ameaçados.
Orgulho: Conceito muito elevado que alguém faz de si mesmo; amor-próprio exagerado, empáfia, soberba.

Segundo nossa literatura, o medo e o orgulho são os nossos maiores inimigos nesta empreitada. O medo afirma: “Para que fazer inventário?” Ao que o orgulho reforça: “Bobagem. Você já está sem beber mesmo e, além do mais, você é o máximo, sabia?” Temos que nos esforçar para dobrar esses inimigos. Com um mínimo de coragem nós perceberemos que eles são somente dois guardas imóveis à porta de um palácio; não nos farão nenhum mal, é só passar por eles.

O Quarto Passo é simplesmente uma medida para nos ajudar a colocar toda a nossa vida em perspectiva novamente. Há um ditado em A.A. que diz: “Não é o que sabemos ou não sabemos, mas o que achamos que é verdade e não é”. Portanto, vivemos dirigidos por falsas verdades, é chegada a hora de tirarmos as máscaras e nos conhecermos por inteiro, sem medo. Todos já ouvimos falar que “a liberdade nos libertará” – é chegada a hora de conhecermos esta verdade sobre nós mesmos que nos conduzirá a um patamar de vida superior ao que vivíamos até então.

Escrever nossa história num papel é um antigo método de autoconhecimento utilizado por pessoas notáveis, de Santo Agostinho ao físico Pascal. Mas escrever esta história, como sugerido na nossa literatura, pode ser muito difícil para a maioria de nós. Portanto devemos nos lembrar que colocar nosso Quarto Passo no papel é apenas uma sugestão e não devemos nos autodepreciar por não conseguir escrevê-lo como o sugerido nem usar esta dificuldade para abandonar a prática do passo. Devemos nos lembrar, também, que o inventário é moral e não imoral; devemos procurar coisas importantes em nossas memórias, não só fracassos ou eventos que envergonham, como por exemplo, os desvios sexuais. É importante colocar as coisas positivas.
O Quarto Passo fala que devemos também relacionar nossas virtudes, nossas qualidades. E isto nem sempre é uma tarefa fácil. Vejamos um uma experiência de um companheiro neste sentido:

“Durante o meu inventário não tive dificuldades em relacionar todos os meus defeitos de caráter. O problema começou quando fui fazer o inventário de meus traços positivos. Fiquei perplexo. Quando conseguia pensar em algo positivo, sentia-me culpado.
Então, um dia rabisquei uma lista daquilo que eu gostaria de ser. Fiz isso bem depressa, antes que a comissão julgadora em minha cabeça pudesse protestar. E, quando examinei a lista, pude me ver ali. Eu realmente amo as pessoas, sou bom orador, tenho senso de humor, sou honesto, marido fiel e pai dedicado. Mas, antes que eu chegasse à metade da minha lista ideal, a comissão julgadora se reuniu na minha cabeça e atacou:
– Um momento! – disse o presidente da comissão com rispidez. – Quem disse que
você ama as pessoas? Você as detesta. E tem mais, você é maçante quando fala e não tem senso de humor nenhum. Está o tempo todo deprimido. Se é um líder tão bom, por que fracassou? Você ignora sua mulher e filhos. Não passa de um perdedor.
Guardei a lista sob protesto da comissão em minha cabeça. Guardei-a porque um companheiro em uma reunião compartilhou uma experiência igual a minha. A mesma comissão vivia em sua cabeça. Porém, ele aprendeu a aceitar seus traços positivos pela fé. Deus, na sua concepção, lhe disse que ele tinha valor e também dons que precisavam ser reconhecidos e usados”.

A maioria de nós, e eu entre esta maioria, gostaria que este inventário se resumisse a responder um questionário de múltipla escolha com um “xis” no quadrinho vazio. Tipo: “Sou invejoso?” Sim ou Não. E depois de respondidas todas as questões tudo estaria resolvido. Ah! Que bom se assim o fosse. Pelo menos seria menos penoso. Até a lista dos pecados capitais sugeridas por Bill no livro Os Doze Passos e as Doze Tradições são amplamente comentadas entre nós como um modelo acabado de inventário. Mas terá a simples admissão de possuir todos os pecados capitais como defeitos um bom inventário de Quarto Passo? Penso que não. Seria algo muito superficial e sem profundidade, sem a meticulosidade exigida. Temos que perceber o defeito em alguma situação por nós vivida e como este defeito interferiu na história.

“Eu esperei que todos saíssem para ficar sozinha com o caixão. Os outros choraram e ampararam-se mutuamente ao sair, mas eu fiquei firme e calada. Ele estava tão quieto agora… Os lábios selados para sempre. As mãos entrelaçadas para sempre. E agora eu estava finalmente livre – era o que tanto esperava.
Por fim, uma lágrima escorreu-me o rosto. Mas não era por ele. Com os punhos fechados e a boca apertada, eu me inclinei para a frente e falei em seu ouvido:
– Você nunca mais voltará a me magoar!
Durante muitos anos eu quis livrar-me do ódio e da amargura que sentia pelo meu pai. Mas agora nem a morte dele parecia acabar com o meu tormento intenso, um sofrimento que me afastava da vida. A proximidade de qualquer homem causava-me dor, mas eu queria tanto uma família! Queria amor.
Como resultado da prática dos Doze Passos, pus em prática o Quarto Passo. Entre meus defeitos morais, senti-me compelida a relacionar a amargura e a cólera. Só então percebi que essas emoções eram responsabilidades minhas. Precisava admiti-las e não culpar os outros por elas a fim de nega-las. Não podia mudar a dor que o pai me causara ontem, mas podia mudar a dor de hoje”.

Tem de ficar entendido que uma história não é uma vida, é só uma seleção de eventos de uma vida, influenciada pelas crenças da pessoa sobre si mesma e sobre outras pessoas. Assim torna-se possível utilizar a história para construir uma nova história com novas crenças. As crenças fazem parte da história, mudando a história, as antigas crenças são destruídas. Destruindo antigas crenças, destruímos antigos fantasmas de nosso passado.

Uma pessoa tem dificuldade de contar sua história quando não pode achar a sua própria voz para descrever suas experiências. A descoberta da própria voz para contar uma história ocorre quando a pessoa é ouvida, validando assim as próprias percepções de sua realidade. Mas isto é assunto para o próximo passo.

Agradeço a Deus e a paciência de vocês por mais esta oportunidade de estar me conhecendo.

Quarto Passo:

“Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos”.

Os instintos humanos são necessários para a sobrevivência, mas muitas vezes excedem suas funções especificas. A maioria dos problemas existentes decorrem deste excesso. O Quarto passo tem por finalidade levar o alcoolista a perceber como, quando e onde tais excessos provocaram deformidades emocionais, de modo a ajudá-lo a corrigi-los. A sobriedade e felicidade dependem disso.

Quando a vida é direcionada quase que para um aspecto apenas, como por exemplo, sexo, busca de segurança, desejo de poder, ocorre um desequilíbrio que compromete a qualidade de vida do individuo em questão e das pessoas que o cercam. Os instintos desenfreados seriam a causa básica do beber desenfreado do alcoolista. O esforço para examiná-los pode levar a reações graves. Alcoolistas que tendem à depressão podem mergulhar em sentimentos de culpa e de auto repugnância. Podem perder a perspectiva, o que vai impedir que façam o inventário moral.

Indivíduos que tendem ao orgulho ou mania de grandeza podem sentir-se diminuídos pela sugestão deste inventário. Pensarão que os defeitos de caráter, se é que os têm, foram provocados principalmente pelo álcool, e que um inventario desta natureza será desnecessário. Mais um motivo para evitar um inventário seria que os problemas presentes são causados por outras pessoas, e estas é que deveriam fazer um inventário moral. Neste momento o padrinho vem em socorro e mostra ao alcoolista que seus defeitos são semelhantes aos de outras pessoas. Leva-o a perceber que possui valores também.

Com aquelas pessoas que acham que o inventário não é uma necessidade, o padrinho encontra outra dificuldade, pois o orgulho não permite que reconheça seus defeitos. “O problema é ajudá-las a descobrir uma trinca nas paredes construídas pelo seu ego, através da qual poderão ver a luz da razão” (Os Doze Passos, p.37).

Os recém-chegados aprendem que precisam ajustar-se às circunstâncias, e não, esperar que ocorra o inverso. Os ressentimentos vingativos, auto piedade e orgulho descabido também necessitam ser revistos. Quando as primeiras barreiras são ultrapassadas, o caminho parece tornar-se mais fácil. Começa-se a obter uma auto imagem mais objetiva, ou seja, adquire-se uma certa humildade.

Os tipos depressivo e arrogante são tipos extremos de personalidade. Freqüentemente os alcoolistas situam-se em ambas classificações, e cada qual terá que no inventário verificar quais são os seus defeitos de caráter. Para evitar confusão quanto a estes defeitos, é apresentada a universalmente reconhecida lista dos sete pecados capitais: orgulho, avareza, luxuria, ira, gula, inveja e preguiça. Não por acaso o primeiro da lista é o orgulho, pois é “…o principal fomentador da maioria das dificuldades humanas, o maior empecilho ao progresso verdadeiro (…) Quando a satisfação de nosso instinto pelo sexo, segurança e posição social se torna o único objetivo de nossa vida, então o orgulho entra em cena para justificar nossos excessos” (Os Doze Passos, p. 39).

Estas falhas, por sua vez, geram o medo, que gera outras falhas também. Orgulho e medo vêm à tona quando o alcoolista tenta olhar seu interior, e dificultam o inventário. A persistência, no entanto traz uma sensação de alívio indescritível, e uma confiança totalmente nova que são os frutos iniciais deste passo.

Na seqüência surge a dúvida sobre por onde começar e como fazer um inventário bem feito. A sugestão é que se inicie pelas falhas que mais incomodam. O alcoolista poderá examinar sua conduta quanto aos instintos primários de sexo, segurança e vida social. Como sugestão também são apresentadas diversas perguntas sobre problemas nestas três áreas (sexualidade, segurança financeira e emocional). Os sintomas mais freqüentes a elas relativos são também analisados.

Acredita-se que alguns alcoolistas “… farão objeção a muitas perguntas feitas, por acharem que seus defeitos talvez não tenham sido assim tão flagrantes. (…) um exame consciente é capaz de revelar justamente os defeitos dos quais tratam as perguntas desagradáveis” (Os Doze Passos, p. 43).

O inventário proposto pelo quarto passo deveria ser meticuloso. Para isso, a redação de perguntas e respostas pode ajudar a pensar com clareza e a avaliar com honestidade.

GUIA PARA INVENTÁRIO MORAL DO 4º PASSO

Guia Para o Inventário
Moral do Quarto Passo
De Alcoólicos Anônimos

Direitos de tradução cedidos gratuitamente pela:
HAZELDEN FOUNDATION – U.S.A

GUIA PARA O INVENTÁRIO MORAL
Fazendo o inventário moral, necessitamos examinar a nós mesmos nas seguintes áreas:
a) Defeitos de personalidades;
b) Os sete Pecados Capitais;
c) Os Dez Mandamentos;
d) Virtudes, atitudes e responsabilidades

O processo pode ser como segue:

01 – Uma completa e honesta consideração dos itens acima, aplicada ao passado e ao presente.

02 – Não omitir nada por simples vergonha, embaraço ou medo. O início mais fácil é:”Que coisas me incomodam? Em especial: o que me incomoda mais?

03 – Determinar, em particular e separadamente, as atitudes, desejos e motivações que me movem.

04 – Escrever tudo o que for encontrado ou mesmo apenas suspeitado. É necessário enfrentar-nos de cara limpa (se desejar destrua as páginas mais tarde).

05 – Faça uma lista dos defeitos e também das qualidades. Os primeiros para eliminação; os segundos para reconstrução.

EXEMPLO:

a) Sei distinguir o certo do errado?
b) Tenho bom coração e gosto das pessoas?
c) Quero fazer as coisas certas?
d) Detesto meus erros e fracassos?

PARTE ‘A’
A – DEFEITOS DE PERSONALIDADE

Quando um alcoólico deseja realizar o quarto passo de A.A., ele primeiramente examina suas qualidades e defeitos. As qualidades são resumidamente exemplificadas aqui. Pesquise-se em você próprio e anote-as numa folha de papel. Quanto aos defeito, de um modo geral,encontramos os que se seguem em diversos graus:
01 – Egoísmo
02 – Álibis
03 – Pensamento desonesto (semelhante à mentira)
04 – Orgulho
05 – Ressentimento (tal como o ódio) é um dos sete pecados capitais
06 – Intolerância
07 – Impaciência
08 – Inveja (está entre os sete pecados capitais)
09 – Malandragem
10 – Procrastinação
11 – Auto-piedade
12 – Falsa sensibilidade
13 – Medo

01 – EGOÍSMO
(Egocentrismo)
Definição: Preocupar-se com o próprio conforto, vantagens, etc., sem consideração com os interesses dos outros.
EXEMPLOS:

A família gostaria de um passeio. O papai aqui prefere beber, jogar futebol, ver TV ou simplesmente curtir a ressaca. Quem vence?
O garoto precisa de um par de sapatos. Nosso herói promete comprar no dia do pagamento, mas compra um litro de uísque na mesma noite. Altruísmo
Egocêntrico – Acha que o mundo gira a seu redor. Não dança porque tem medo de parecer desajeitado. Teme aparecer em desvantagem porque isto machucaria sua fachada perante os outros.

02 – ÁLIBIS
A arte altamente desenvolvida de justificar nossas bebedeiras mediante acrobacias mentais. Desculpa para beber (que o alcoólico chama de razões). Confira as seguintes e adicione as de suas próprias invenções:

“Vou tomar uma para alegrar. A partir de amanhã começo a me modificar. Se eu ao menos não tivesse mulher e filhos para sustentar…Se não fosse minha sogra…Se eu pudesse começar tudo de novo. Uma dose ajuda a pensar. Tanto faz me embebedar ou não, o dia está estragado mesmo…Se fulano e beltrano não me chateassem tanto…Se eu houvesse feito as coisas de outro jeito”. E assim por diante: sempre achamos uma desculpa ou razão.

03 – PENSAMENTO DESONESTO
(Semelhante à mentira)
Uma outra maneira de mentir. Podemos até usar verdades e fatos como base para temperá-los a nosso gosto, apresentando-os depois exatamente como desejamos. Somos mestres no assunto. Não é de se admirar que bebemos:
a) A minha garota vai dar a maior bronca se eu deixá-la. Não é justo aborrecer minha mulher com esta estória. Devo continuar com as duas, portanto. Afinal, a confusão não é culpa da garota (mau caráter, boa praça, “honesto”)
b) Se contar a nota de 100 que eu ganhei extra, o dinheiro irá para as contas atrasadas, roupas para a família, dentista, etc. Vai acabar numa discussão tremenda. Além disso preciso de um dinheirinho para beber. É melhor não falar nada e evitar problemas.
c) Minha mulher se veste bem, como bem, as crianças estão na escola, não falta nada em casa, que mais eles querem?

04 – ORGULHO

Um sério defeito de personalidade,bem como um dos 7 pecados capitais. Definição: vaidade, egoísmo, admiração exagerada por si próprio. Auto estima, arrogância, ostentação, autopromoção:

a) Você tem vergonha de contar para as pessoas que deixou de beber?
b) Comete um erro e é chamado a atenção. Como reage? Queixa-se?
c) Seu orgulho sofre quando admite não dominar a bebida?
d) O orgulho torna-se minha própria Lei. O Juiz de mim mesmo, meu próprio Poder Superior.
e) Produz as críticas, falatórios pelas costas, difamação.
f) Crio desculpas para meus erros, pois não admito minhas deficiências.

05 – RESSENTIMENTO

Como o ódio ou raiva é um dos 7 Pecados Capitais. Para muitos alcoólicos, a fraqueza mais perigosa de todas. É o desprazer causado por injuria ou imaginado, acompanhado de irritação, exasperação ou ódio:

a) Você é despedido, portanto, passa a odiar o chefe
b) Sua esposa alerta-o sobre o álcool. Você se enfurece.
c) Um colega está se esforçando e recebe elogios. Você tem fama de bebedor, teme que ele seja promovido em sua frente, chama-o de puxa-saco, odeia-o.
d) Você pode alimentar ressentimentos de uma pessoa, de um grupo, de uma instituição, um clube, de uma religião.

06 – INTOLERÂNCIA

Definição: Recusa a conviver com credos (políticos ou religiosos0 e praticar costumes diferentes de seus próprios.
a) Você pode odiar alguém por ser judeu, negro, gringo, ou por ter uma religião ou nacionalidade diferente da sua/
b) Tivemos alguma possibilidade de escolha quando nascemos branco, preto, amarelo, brasileiro ou americano?
c) Similarmente nossa religião não é quase sempre herdada?

07 – IMPACIÊNCIA

Definição: Má vontade para suportar atrasos, oposição, dor, aborrecimento, etc. com calma.

a) Um alcoólico é uma pessoa que monta num cavalo e galopa loucamente em todas as direções ao mesmo tempo.
b) Você reclama quando sua mulher faz esperar alguns minutos a mais do que o tempo especial que você concedeu? Você nunca fez ela esperar?

08 – INVEJA

Também um dos sete pecados capitais.
Definição: Descontentamento perante a boa estrela dos outros.

a) O vizinho troca de carro todo o ano pois economiza para isto. Sinto-me mal por não fazer o mesmo e contra-ataco ridicularizando-o;
b) O cunhado é um bom chefe de família, trabalhador aplicado, um tipo decente. Naturalmente, invejoso, eu o considero “metido a besta”, convencido e esnobe.
c) A velha frase típica: “Se eu tivesse tipo as oportunidades daquele sujeito, eu também estaria por cima”.

09 – MALANDRAGEM

Manifestação do nosso grande falso orgulho. Uma forma de mentir, desonestidade de primeira. É a velha máscara.

a) Presenteei minha mulher com uma nova máquina de lavar por puro acaso, isto ajudou a limpar meu cartaz depois da última bebedeira.
b) Compro um terno novo porque minha posição nos negócios exige. E espero que a família, enquanto isso, se apresente de roupa velha.
c) O grande orador de A.A. que embasbaca os companheiros com sua sabedoria e dedicação ao programa. Mas não tem tempo para a mulher e os filhos, nem para cuidar do trabalho. Grande chapa na reunião, um tirano irritado em casa. Nosso herói.
d) Quando paramos para pensar, encontramos tudo realmente em ordem?

10 – PROCRASTINAÇÃO

Definição: A arte de deixar para depois, adiar as coisas que precisam ser feitas. O velho”amanhã eu faço”.
a) Pequenas coisas sempre adiadas, tornaram-se inviáveis?
b) Engano a mim mesmo dizendo que eu vou fazer as coisas a meu modo, ou tenho que por ordem e disciplina em meus deveres diários?
c) Posso resolver pequenos assuntos quando me pedem ou me sinto forçado a fazer pelos outros? Ou sou apenas muito preguiçoso ou orgulhoso?
d) Coisas pequenas feitas no amor de Deus, tornaram-se grandiosas?

11 – AUTOPIEDADE

Um insidioso defeito de personalidade e um sinal vermelho de perigo. Corte imediatamente: é preparação para a queda.

a) Todo mundo na festa está se divertindo e bebendo. Porque não posso fazer o mesmo?(Esta é a versão longa do “pobre de mim”).
b) Se eu tivesse o dinheiro que esse cara tem…(P.S. quando se sentir assim, visite um sanatório, um leprosário, uma enfermaria de crianças e depois relacione as bênçãos que lhe são concedidas).

12 – FALSA SENSIBILIDADE

Tipo melindroso, cheio de não-me-toques.

a) Cumprimento alguém que não me responde. Fico sentido e bravo. Foi a mim que me esnobou, só isto que conta. Maturidade companheiro…
b) Espero ser chamado para falar na reunião, mas não o sou. Imagino toda sorte de coisas e concluo que o coordenador não vai com a minha cara. Faz sujeira comigo, mas as coisas não ficarão assim.

NOTA: Isto é comumente chamado de “a sensibilidade do alcoólico” para desculpas de muitas atitudes imaturas.

13 – MEDO

Um pressentimento, real ou imaginário, de fatalidade iminente. Suspeitamos que a bebida, atos arrojados, negligência, etc. estão nos prejudicando. Tememos o pior. Quando aprendemos a aceitar o primeiro passo, solicitar o auxílio do Poder Superior e encarar a nós mesmos com honestidade, o pesadelo do medo desaparece.

P A R T E ¨B”
OS SETE PECADOS CAPITAIS
O R G U L H O

A vaidade, egoísta: admiração exagerada por si próprio. O orgulho faz de mim minha própria lei. Juiz da moralidade e meu próprio Deus. O orgulho produz as críticas, o falatório pelas costas, palavras farpadas e verdadeiros assassinatos morais, tudo para elevar seu ego por comparação. O orgulho me faz condenar aqueles que me criticam. O orgulho me fornece desculpas. E o orgulho gera:

01- Gabolice ou auto-glorificação;
02- Amor pela publicidade – preocupação com o que os outros dizem a meu respeito;
03- Hipocrisia – fingir ser o que realmente não sou;
04- Teimosia – insistência em impor a própria vontade;
05- Discórdia – ressentimento contra qualquer um que cruza meu caminho;
06- Brigas – brigo sempre que alguém desafia meus desejos;
07- Desobediência – recuso-me a submeter minha vontade à vontade dos meus superiores legais e hierárquicos e à vontade de Deus.

A V A R E Z A

Perversão do direito dado por Deus ao homem, de possuir coisas materiais. Desejo riqueza sobre a forma de dinheiro ou outras coisas como um fim em si, em vez de simples meio para vários fins, tais como atender à alma e ao corpo em suas necessidades? Para adquirir riqueza em qualquer de suas formas, desrespeito os direitos alheios? Ser desonesto sob qualquer forma? Caso o seja, em que grau e de que modo? Em troca de uma diária honesta, dou um dia de trabalho honesto, por exemplo? Como utilizo as coisas que possuo? Sou pão-duro com a minha família? Gosto de dinheiro e das posses como coisas em si? É excessivo meu amor ao supérfluo? De que maneira preservo minha riqueza ou a aumento? Sou conivente com fraudes, perjúrios, práticas duvidosas no trato com outras pessoas? Tento justificar-me quanto a tais questões? Chamo sovinice de economia? Chamo negócios mais ou menos escusos de Grandes Jogadas ou Larga Visão? Chamo de “segurança” meu acúmulo exagerado de reservas financeiras? Se presentemente, nada ou muito pouco possuo em dinheiro e bens, que práticas imagino utilizar para obtê-los no futuro? Farei, por assim dizer, qualquer negócio para consegui-los e enganarei a mim mesmo achando novos inocentes para negócio s pouco ou nada inocentes?

L U X Ú R I A

Gostos e desejos incontrolados pelos prazeres da carne. Sou culpado de luxuria em qualquer das suas formas? Digo a mim mesmo que a imprópria ou indevida indulgência nas atividades sexuais é necessária para uma “boa saúde”ou uma “vida completa”? Ou ainda para “liberdade da personalidade”? Participo de qualquer atividade sexual fora do matrimônio? E, em casa, ajo como homem ou como animal? Acredito mesmo que luxúria é amor ou secretamente compreendo que a luxúria não é amor e que amor não é luxúria? Ou não sei que o sexo é apenas uma das muitas expressões do amor moralmente limitado pelo matrimônio. Pratiquei qualquer excesso sexual que afetou minha razão por:
01 – Perverter minha compreensão, cegar-me intelectualmente e impedir-me de enxergar a verdade?
02 – Enfraquecer minha prudência, assim abalando meu senso de valores e me tornando temerário?
03 – Enfraquecimento da minha vontade até perder a capacidade de decisão e tornando-me um homem de caráter inconstante?
Deus como eu concebo faria qualquer coisa pelo homem que é sexualmente desregrado dentro ou fora do matrimônio? Aprovaria ele meus atos sexuais?

I N V E J A

Mau estar perante os bens dos outros. Até que ponto sou invejoso? Não gosto de ver outras pessoas felizes ou bem sucedidas como se elas tivessem roubado aquela felicidade ou sucesso de mim? Fico ressentido com aqueles mais espertos do que eu porque sou ciumento? Critico as vezes as boas obras realizadas, porque secretamente gostaria de tê-las realizado eu mesmo, devido as honrarias ou prestigio que acarretaram? Fui suficientemente invejoso de alguém a ponto de inventar ou distorcer fatos a seu respeito? Passo adiante histórias sobre o próximo? Ser religioso inclui chamar pessoas religiosas de hipócritas porque elas vão à Igreja e tentam ser espiritualmente melhores, embora sujeitas às mesmas falhas humanas que eu? Marco ponto nessa também? Desaprovo o homem de boas maneiras, sábio ou culto, de ser esnobe porque invejo a superioridade dele? Amo genuinamente as pessoas ou sinto-me apartado delas porque as invejo por algum dos motivos acima ou quaisquer outros?

Ó D I O

O desejo violento de punir os outros. Entrego-me as crises temperamentais, fico vingativo, alimento impulsos de “ficar quites” ou de “não vou engulir essa?” Apelo para a violência, cerro os punhos ou “ fico uma fera”? Sou impaciente, exageradamente sensível, facilmente me melindro? Resmungo mesmo em assuntos menores? Ignoro o fato de que a raiva impede o desenvolvimento da personalidade e freia o processo espiritual? Compreendo que o ódio inevitavelmente prejudica a postura mental e freqüentemente compromete o bom julgamento? Permito que a raiva me governe mesmo sabendo que me cega para os direitos dos outros? Como posso desculpar pequenos assaltos de raiva, sabendo que a raiva destrói o ânimo contemplativo, indispensável para atender às inspirações do Poder Superior? Permito-me enraivecer-me quando os outros são fracos e se enraivecem contra mim? Como posso alimentar esperanças de receber o sereno espírito de Deus em minha alma freqüentemente agitada por explosões de raiva, mesmo de menor importância.

G U L A

Abuso dos prazeres legítimos que Deus concede ao comer e beber os alimentos para a auto-preservação? Enfraqueço minha vida moral e intelectual por excessiva ingestão de comida ou bebida? Geralmente como em excesso e assim escravizo minha alma e caráter aos prazeres do corpo além das necessidades razoáveis? Engano a mim mesmo dizendo que posso ser um comilão, sem afetar minha vida moral? Alguma vez, mesmo uma única, fiquei nauseado por excesso de bebida, aliviei-me e retornei a beber imediatamente? Bebo tanto que meu intelecto e minha personalidade se deterioraram tanto que o orgulho pessoal e o julgamento social desapareceram? Bebi tanto que desenvolvi um espírito de desespero, que enfraqueci minha vontade e materializei minha vida em vez de espiritualizá-la?

P R E G U I Ç A

Doença da vontade que causa a negligência do dever. Sou indolente, dado a vagares, procrastinação, despreocupação e indiferença quanto às coisas materiais? Sou apenas morno em minhas orações? Não pratico o autodisciplina? Prefiro ler uma novela do que ler algo que requeira trabalho mental, como o Livro Azul, por exemplo? Desanimo facilmente nas coisas que me são moral ou espiritualmente difíceis? A sugestão para qualquer forma de esforço me deixou surdo? Sou facilmente distraído das coisas espirituais, retornando facilmente às coisas temporais? Às vezes sou tão indolente que executo meu trabalho sem o necessário cuidado?

PARTE “C”

OS DEZ MANDAMENTOS

01- AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS – Deus é meu Poder Superior, ou dinheiro, fama, posição, ocupam o primeiro lugar? Procuro antes de tudo seguir a vontade dele?
02- NÃO TOMAR SEU SANTO NOME EM VÃO – Usa uma linguagem adequada, ou pretende utilizar palavrões na sua Face? Seria respeitoso?
03- GUARDAR OS DIAS SANTIFICADOS – Minha atitude para com a religião e as igrejas procura respeitar a espiritualidade?
04- HONRAR PAI E MÃE – Esta é a Lei do amor, do respeito e da obediência. Como pai, mereci esta honra?
05- NÃO MATAR – Inclui-se aqui o ódio, a raiva, o ressentimento, e os ferimentos mediante palavras.
06- NÃO COMETER ADULTÉRIO – Violei o matrimônio de outra pessoa em qualquer circunstância ?
07- NÃO ROUBAR – Inclui tapeações, golpes de qualquer espécie, “facadas” sem devolução, outros débitos não pagos
08- NÃO LEVANTAR FALSO TESTEMUNHO – Examinar também, calúnias, maledicência, fofocas e distorção de fatos presenciados ou não.
09- NÃO COBIÇAR A MULHER DO PRÓXIMO – Não apenas atos, não alimentar pensamentos, vacilações e tolerância. A miséria mental, espiritual e emocional que impus a mim mesmo e aos outros.
10- NÃO COBIÇAR OS BENS DO PRÓXIMO – Recapitule e veja: competição desonesta, as táticas, “tipo lobo come lobo”.

PARTE “D”
VIRTUDES – ATIVIDADES E RESPONSABILIDADES
Quando um alcoólico para de beber, parte de sua vida é tomada. Esta é uma perda terrível de superar, a menos que seja reparada. Não podemos apenas jogar o álcool pela janela. A bebida significa tudo ou quase tudo para nós. Nosso meio de encarar a vida, a chave para a fuga, a saída para nossos problemas. Assim, para conseguirmos uma nova maneira de viver, necessitamos de um novo jogo de ferramentas: os 12 Passos e a maneira de viver de A.A.
O mesmo princípio se aplica na eliminação dos nossos defeitos do caráter. Nós empregamos substitutos mais adequados ao bem viver. Tal como quanto à bebida, não lutamos contra os nossos defeitos. Nós os substituímos por coisas mais adequadas.
Use o material a seguir para analisar mais a fundo o seu caráter e também como guia para reconstruir a si mesmo; são as suas novas ferramentas. O objetivo não é atingir a santidade nem a perfeição absoluta. Mas obter a felicidade normal no tipo de vida que produz respeito próprio, respeito que é amor para com os outros e segurança contra o pesadelo do alcoolismo.

01 – AS VIRTUDES DIVINAS:
FÉ – ESPERANÇA E CARIDADE

a) FÉ – O ato de deixar aquela parte do nosso destino que não podemos controlar (isto é nosso futuro) nas mãos de um Poder Superior a nós mesmos, ou de Deus, com certeza de que Ele proverá nosso bem estar. Fraca, de início, torna-se uma convicção profunda.
– A fé é um presente,uma graça, mas é adquirida através da dedicação, através da aceitação, de preces cotidianas, meditação diária, com o nosso próprio esforço.

– Dependemos da Fé: Temos fé qua o jantar será servido, que o carro nos transportará, que nossos companheiros de trabalho farão suas partes. Sem fé arrebentamos pelas costuras.

– A fé espiritual é a aceitação de nossos dons, limitação, problemas e provações com igual gratidão, sabendo que Deus tem seu plano para nós. Como “o seja feita vossa vontade”, como nosso guia diário, perderemos o medo, encontraremos a nós mesmos e ao nosso destino.

b) ESPERANÇA – Fé sugere confiança. “Passamos a acreditar”… A esperança pressupõe fé, mas também determina nossos objetivos: esperamos obter a sobriedade, auto-respeito, o amor da família. A esperança resulta em força propulsora e dá propósito a nossa vida diária.
– A fé nos orienta. A esperança nos empurra.

– Esperança reflete atitude. Removendo-se a esperança nossa atitude perante a vida torna-se insípida.

c) CARIDADE – Estão juntas a fé, a esperança e a caridade, estas três:mas a maior das três é a caridade.
– A caridade é paciente,é bondosa, não inveja, não é pretensiosa, não é envaidecida, ambiciosa, rebuscada nem provocada. Não pensa o mal nem se alegra com a maldade; antes rejubila-se com a verdade, suporta todas as coisas, crê em todas as coisas, tem esperança em todas as coisas e resiste a tudo…

– No seu sentido mais profundo, a caridade é a arte de viver realística e plenamente guiada pela consciência espiritual de nossas responsabilidades e pelo nosso débito de gratidão ao Poder Superior e ao nosso próximo.

ANÁLISE; Usei as qualidades da fé, esperança e caridade em minha vida passada? Como poderei aplicá-las dentro de minha nova maneira de viver?

02 – AS PEQUENAS VIRTUDES – MATERIAL DE CONSTRUÇÃO

a) CORTESIA – Alguns de nós temos medo de ser cavalheiros. Preferimos fazer o tipo de grosseirão ou de “grosso” vaidoso.
b) CONTENTAMENTO – As circunstancias não determinam nosso estado de espírito. Nós o fazemos. Hoje me sentirei contente. Hoje procurarei a beleza da vida.
c) ORDEM – Viva apenas o dia de hoje. Organize o dia de hoje. Ordem é a primeira Lei do Paraíso
d) USO DO TEMPO – O tempo pode ser produtivo,desperdiçado ou profanado
e) PONTUALIDADE – Autodisciplina; ordem; consideração para com os outros.
f) LEALDADE – A prova de senso moral de um homem.
g) SINCERIDADE – A marca registrada do auto-respeito e da autenticidade. A sinceridade produz a convicção, gera entusiasmo, contagia.
h) CAUTELA AO FALAR – Vigiar o seu único órgão imprevisível: a língua. Podemos ser maldosos ou irrefletidos. Frequentemente os danos são irreparáveis.
i) BONDADE – Uma das melhores satisfações da vida. Não conhecemos a felicidade verdadeira enquanto não aprendemos a dar de nós.
j) PACIÊNCIA – O antídoto para o ressentimento, a auto-piedade e a impulsividade.
k) TOLERÂNCIA – Requer a cortesia normal, a coragem de saber viver e deixar viver.
l) INTEGRIDADE – A qualificação máxima de um homem: honestidade, lealdade e sinceridade
m) EQUILÍBRIO – Não se leve demasiadamente a sério. Alcançamos melhor visão perspectiva se pudermos rir de nós. Cura alfinetadas.
n) GRATIDÃO – Um homem sem gratidão é arrogante, estúpido ou ambos. Gratidão é simplesmente o reconhecimento honesto de ajuda recebida. Use-a em sua orações, nos trabalhos dos 12 Passos, nas suas relações familiares.

ANÁLISE: Considerando as Pequenas Virtudes, em que ponto falhei particularmente e de que forma isto contribui para o meu problema acumulado? À quais virtudes devo prestar maior atenção para minha reformulação

03 – APENAS PARA HOJE
UM PLANO PARA VIVER
a) Um plano de ação bem feito para hoje. Não deixe, entretanto, que sua simplicidade o engane. Este plano nos acerta direto nos pontos sensíveis.
b) Viva um dia de cada vez. Controle o problema da bebida hoje. Ontem já passou. Amanhã talvez nem chegue. Hoje é nosso.

Apenas por hoje, tentarei viver apenas o dia de hoje e não enfrentar o problema da vida logo de uma só vez. Durante apenas 12 horas consigo realizar certas coisas que me esmagariam, caso tivesse de executá-las durante minha existência toda.
Apenas por hoje serei feliz. Isto aplica em ser verdade o que disse Lincoln:”A maior parte das pessoas é feliz quando decide sê-lo”. Apenas por hoje me ajustarei às coisas como elas são, em lugar de ajustar as coisas aos meus próprios desejos. Aceitarei a minha sorte como vier e tentarei caber dentro dela.
Apenas por hoje tentarei aprimorar minha mente. Estudarei algo. Aprenderei algo. Não serei um preguiçoso mental. Lerei alguma coisa que requer esforço, raciocínio e concentração. Por que não o Livro Azul?
Apenas por hoje exercitarei minha alma de três maneiras. Auxiliarei alguém e não deixarei que o saibam. Se alguém descobrir, não valeu. Farei no mínimo duas coisas que não tenho vontade de fazer, apenas como treinamento. E, por fim, não demonstrarei a ninguém que os meus sentimentos estão feridos, mas hoje eu me dominarei.
Apenas por hoje seguirei um plano. Posso não seguir a risca, mas tentarei. Com isso me livrarei de duas pestes: pressa e indecisão. Apenas por hoje reservarei uma meia hora apenas para mim, para me descontrair. Durante algum momento desta meia hora tentarei obter uma melhor perspectiva da minha vida.
Apenas por hoje não terei medo. Especialmente, não terei medo de gozar aquilo que for belo e de acreditar em que, dando para o mundo, o mundo também dará para mim.
Apenas por hoje serei agradável. Cuidarei de minha aparência, procurarei me vestir corretamente, falar em tom moderado, agir cortesmente, não fazer nenhuma crítica, não procurar defeito em nada, não tentar melhorar ninguém nem ditar regulamento a pessoa alguma.

04 – ATITUDES

A – Com relação à Deus.
1 – Baseio meu conceito em Deus principalmente nos ensinamentos de infância, ouvir dizer, desapontamentos ou reações emotivas?
2 – Compreendo e aprecio a magnitude do estado espiritual aplicado a:
a) Minha vida diária?
b) Meus problemas, desespero, frustrações, amarguras, depressões?
c) Apresenta confusão em minha vida? Consigo aceitar o julgamento de Deus como melhor que o meu?

3- Reconhecendo a possível importância do desenvolvimento espiritual, penso dizer honestamente que já dediquei ou dedico tempo e pesquiso ou venho enganando a mim mesmo?

4 – Para aqueles de nós que dizem professar uma religião, quem vem primeiro na vida? O Grande Eu ou Deus? Aceitei realmente Deus?

5 – Estou realmente entregando minha vontade e minha vida aos cuidados de Deus tal como o concebo?

B – Com relação a mim mesmo:
1 – Já encarei a mim mesmo honestamente ou escorreguei em devaneios, sonhos impossíveis, ressentimentos, auto piedade e na garrafa?
2 – Estou satisfeito comigo, com minhas responsabilidades, disposição geral moral, com os exemplos que dou e com minhas relações com a família?
3 – Nunca tapeei, nem fui bonzinho demais comigo mesmo e meus defeitos? Em que grau?
4 – Devo substituir o velho álibi: “Não agüento mais” – por “Aguento isto e muito mais ainda por hoje”?

C – Com relação à minha família

1 – Respeito meus votos matrimoniais? Vivo de acordo com eles? (Tome cuidado aqui e não comece a fazer o inventário de sua esposa).
2 – Conquistei e conservo o amor e respeito de meus filhos? Quero que sejam honrados, felizes e bem ajustados. A educação e o exemplo que lhes dou fortalece tais objetivos ? Minhas bebedeiras auxiliaram meus filhos?
3- Sou um ditador familiar ou criei um clima de confiança, amor e amizade através de amor, altruísmo interesse e exemplos?
4 – Desejo que um dia meus filhos sejam iguais a mim?

05 – RESPONSABILIDADE

A – Com Deus:

1 – Cultivo meus amigos e o que posso extrair deles? Minha amizade leva etiqueta de preço?
2 – Francamente estou interessado nos meus vizinhos, suas crianças, e bem estar de nossas igrejas, escolas e projetos comunitários? Ou não ligo a mínima?
3 – Considero-me um cidadão de valor para a minha cidade e para meu País ou estou aproveitando as boas coisas, como todos, de graça? Sou um membro respeitador e respeitável da minha comunidade?
4 – “Ama ao próximo como a ti mesmo” aplica-se a minha relação com as pessoas, ou sou eu primeiro e sempre o primeiro.

B – Comigo próprio :
1 – Determinar o que desejo na vida e procurar ajuda necessária para as realizações indispensáveis: coragem, intelecto, esforço e tempo.
2 – Decorar minhas obrigações diárias, reconhecendo que o cumprimento delas é indispensável e essencial para a paz de espírito e a sobriedade.
3 – Colocar as coisas mais importantes em primeiro lugar, aceitar o que precisa ser aceito e nunca mais enganar ou decepcionar a mim mesmo.
4 – Olhar para as maravilhas e as belezas da vida, em lugar de buscar o panorama errado.
5 – Mudar o velho álibi: “Não agüento mais” – por “Aguento isto e muito mais ainda, por hoje”.

C – Com minha família

1 – Cuidar dela: ela sou eu e parte de mim. A família me procura buscando amor, orientação, exemplo, admoestação, liderança, bem como, cuidados materiais e espirituais. O Poder Superior e eu mudamos o destino de nossos familiares.
2 – Dar-lhes amor. Não do tipo auto-indulgente, mas do tipo que planejamos, lutamos por eles e por eles nos sacrificamos, a fim de torná-los pessoas ainda melhores.
3 – Prever-lhes as necessidades: nossas famílias vêem em primeiro lugar. Nós depois. Suas necessidades, preocupações,interesses, colocam-se antes dos nossos. É assim que deveria ser.
4 – Desfrutá-la: passeios com a família, interesses comuns, cinema, jogos e outras diversões com as crianças. Finalmente orar em conjunto. Estas seriam recordações maravilhosas no futuro.

D – Com meu trabalho:

1- Acima de tudo procurar o equilíbrio. Sem ser indolente, esforçar-me mais e estabelecer ordem. Sonhador – procurar trabalhar de acordo com minhas possibilidades reais. Se bem dotado, utilizar estas habilidades de acordo comas obrigações espirituais, pessoais e familiares.
2- Vigilância em relação ao dinheiro, por amor ao dinheiro. Estas coisas são o veneno do doente alcoólico.
3- Tratar os colegas com a mesma ética que utilizo em todas as áreas da minha vida, se quiser paz para mim mesmo.
4- Exigir menos e produzir mais. A busca – O mundo dos negócios é a busca do homem melhor. Nossos prêmios virão se o desejarmos.
5- Desempenho meu trabalho como acho que os outros devem fazer o deles.

E – Com Alcoólicos Anônimos:

1- Lembro-me sempre que “A Deus e ao A.A. devo o renascimento”. Minha obrigação é dupla. Ser o melhor AA e por o A.A. ao alcance dos outros.
2- Meu conhecimento de alcoolismo e dos princípios do A.A. não valem nada, a menos que eu os explique constantemente. E é indispensável para manutenção da sobriedade o comparecimento regular às reuniões.
3- Minha sobriedade depende não da admissão, mas da aceitação e prática dos 12 Passos.
4- Contribuir para a melhoria de meu grupo. Se atualmente a idéia, de uma reunião for rememoração de porres passados, surgirá material mais sólido, tal como discutir qualquer um dos DOZE PASSOS
5- Veja como você vive. Para mim e para cada membro. De um exemplar do Livro Azul para outras pessoas que jamais o leram.

Você não pode ajudar os outros, a não ser que entenda a pessoa a quem está tentando ajudar. Para entender os problemas e tentações dos outros, você precisa ter passado pelo mesmo que eles. Você deve fazer tudo o que puder para entendê-los. Deve estudar seus planos, seus gostos e suas antipatias, suas reações e seus preconceitos. Quando você enxerga as fraquezas dos
outros, não afronte a pessoa que as tem. Compartilhe suas próprias fraquezas, pecados e tentações e deixe que os outros encontrem as próprias convicções.

GRUPO SEMENTE DA FELICIDADE
BH/MG – 13/04/2.012

EXPOSIÇÃO DOS DOZE PASSOS

Exposição dos Passos

Primeiro Passo
“Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas”.

“Quem se dispõe a admitir a derrota completa? Quase ninguém é claro. Todos os instintos naturais gritam contra a idéia da impotência pessoal. É verdadeiramente terrível admitir que com o copo na mão, temos convertido nossas mentes numa tal obsessão pelo beber destrutivo, que somente um ato da providência pode removê-la”. (Os Doze Passos)
Quando entrei pela primeira vez em uma sala de alcoólicos anônimos, estas foram as primeiras palavras que ouvi do meu padrinho “ou você para de beber ou vai beber até morrer. Aceita que você é impotente perante o álcool e que perdeu o domínio sobre sua vida”. Estava aí o único passo do nosso programa que deve ser feito 100 por cento. De inicio não me assustei muito, pois mesmo não conhecendo o A.A. e nunca tendo ouvido falar dos 12 passos isto não era novidade para mim.
Durante minha militância alcoólica, desde o início eu percebia que tinha algo diferente comigo, meus amigos bebiam e quando chegavam a uma determinada hora paravam e eu continuava. Com o passar do tempo fui bebendo mais e mais, tornando-me dependente. No inicio era aquele namoro de fim de semana, mas com o passar do tempo passou a ser namoro sem fim. Perdi tudo; família, auto-estima, amor próprio, fui parar na rua e capaz de fazer as coisas mais absurdas para suprir meu vício, magoando as pessoas que eu mais gostava, traindo meus amigos e principalmente não me respeitando. Minha família, por exemplo, não sabia o que fazer, pois como alcoólico que sou, sempre achava uma saída para as minhas complicações. Quando o bicho pegava dava sempre um jeito de me safar honestamente ou desonestamente. Quando estava no ápice da minha dependência alcoólica atingia um estágio de insanidade tão grande que fazia qualquer coisa para beber.
No decorrer de vários anos de muito sofrimento, sempre tendo o álcool como parceiros, tentei parar algumas vezes. Até conseguia, mais sempre pensava; um trago só não vai fazer mal. Aí é que eu me enganava e voltava tudo de novo e cada vez mais pesado. Foi quando percebi que tinha perdido totalmente o controle da minha vida, mas aceitar a derrota era muito difícil. Eu pensava; “porque as outras pessoas podem e eu não?” Então foi num dia de desespero total que resolvi procurar meu cunhado que já fazia parte da irmandade de A.A. e que até já serviu de gozação lá em casa, bebum vocês sabem com é né; mas ele não me negou ajuda. E foi aí que me deparei com essa grandiosa irmandade de Alcoólicos Anônimos que viria a ser o divisor de águas em minha vida, dando condições de paralisar com minha doença e seguir uma nova vida, tanto física, quanto mental e, principalmente, espiritual.
Quando entrei na sala de A.A. e me deparei com o 1º passo não tinha mais jeito, ou eu o aceitava 100% como meus companheiros haviam me sugerido ou continuaria morrendo pouco a pouco. Somente através da aceitação da derrota total perante o álcool eu poderia estar pronto para dar alguns passos rumo a minha recuperação e graças ao meu poder superior aceitei o 1º Passo de nosso programa de recuperação e, através de uma reformulação de vida sugerida pelos meus companheiros, estou hoje aqui podendo contar um pouco da minha história.
Em nossas literaturas é descrito que somente quando o bebedor problema atinge o fundo do poço na derrota completa perante o álcool, estaria ele pronto para aceitar este passo.
Mas, com o decorrer dos anos, podemos perceber que o álcool esta destruindo as pessoas mais cedo e várias pessoas estão chegando cada vez mais rápido em A.A., mesmo que não tenham bebido até atingirem a derrota total, se identificam prontamente com o 1º Passo de A.A.

Expositor(a): __________________________

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Segundo Passo
“Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade”.

Acreditar é algo impossível para alguém que está derrotado moralmente e espiritualmente?
Quanto mais em algo que não se vê ou não se pode tocar? Porém é algo que acontece quando estamos no fundo do poço e viemos a acreditar em um Poder Superior no qual depositamos nossas esperanças de reerguermos a nós mesmos, buscando forças de onde não se pensa existir mais.
Como seria possível acreditar que os delírios, a vontade de auto-extermínio, o afastamento total da sociedade, amigos e familiares; poderia vir a ser revertido em alegria, vontade de viver, ser produtivo, ser amado e amar? No início de uma caminhada, onde homens e mulheres que experimentaram uma vida cheia de alegria, afeto e produtividade se encontram em um caos interior e admitem sua derrota por algo que não se encaixa na sua realidade e se vêem envoltos a situações que em tempos anteriores resolveriam de letra, e nenhum ser vivo poderia lhe suprir tais necessidades ou lhe ajudar a sair de eventuais problemas (muitas vezes causadas por ele mesmo).
É nessa hora que a humildade, a fé e a paciência têm que ser mais forte que nós mesmos.
HUMILDADE de olhar para si mesmo e ver que está sozinho no mundo terreno, e muita das vezes chorar e clamar por socorro a um Poder Superior, que naquele momento confiamos ser aquilo ou aquele que possa nos ouvir e nos transformar.
FÉ para acreditar que muita das vezes não poderíamos ver nem tocar neste Poder Superior, mas que Ele iria nos dar as respostas, sentidos e direções para nossas vidas; até mesmo que Ele restaurasse nossa fé quando não a tínhamos mais. Fé que ao sermos restaurados de forças físicas, morais e espirituais pudéssemos novamente levantar e caminhar em busca de uma vida digna e de respeito, vivendo e deixando outros viverem.
PACIÊNCIA para sabermos que tudo não aconteceria da noite para o dia, que nossos entes queridos ou pessoas as quais um dia fizemos sofrer, nos perdoaria rapidamente, que os bons empregos perdidos fossem aparecer em um estalar de dedos; paciência para conosco mesmo em saber que estamos vivos e batalhando contra algo que um dia nos derrotou, trazendo prejuízos sem medidas e muitas vezes irreparáveis.
Por isso nossa sanidade deve estar alicerçada em buscar sempre a humildade, a fé em algo que não se vê ou se toca, mas que espiritualmente nos conforta, e paciência para irmos nesta caminhada que é a vida com a certeza de chegar, e chegarmos firmes sempre acreditando em um Poder Superior ao qual nos devolveu a sanidade e nos fortalecerá para sermos fortes e inabaláveis nos dias difíceis.

Expositor(a): __________________________

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Terceiro Passo
“Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de DEUS na forma em que o concebíamos”.

É necessário confiar, acreditar que ajuda oferecida é suficiente e capaz de reverter o mecanismo de destruição.

Medo, dúvida, insegurança são coisas naturais e deverão ser enfrentadas com paciência e compreensão.

O que devemos ter nesse passo? A confiança.

Confiança é o combustível que moverá nosso passo, para agir nesse momento de decisão, apesar do risco constante e dificuldades que estarão sempre diante de nós.

O Terceiro Passo é um passo de ação. Chegou o momento, é preciso começar a acreditar em alguma coisa, em Deus, em pessoas, grupos, plano de vida, algo que funcione.

O importante é confiar, dar-se a chance de experimentar esta ação, e dizer a um Poder Superior: Ofereço-me a ti, para que trabalhes em mim e faças comigo o que desejares. Liberta-me da escravidão do ego, para que eu possa realizar a sua vontade.

Encontrar com meu Poder Superior sozinho é opcional. Pois sozinho me declaro sem reservas e, fazendo estas declarações, tenho a oportunidade de exercer a minha honestidade e humildade que trago comigo, e assim a resposta tem um efeito imediato e às vezes considerável. Um relato pessoal: Terceiro passo é isso. Tomar uma decisão e colocar em ação, aquilo que posso fazer hoje eu faço, não coloco essa ação em um arquivo para ser realizado quando chegar o momento.

Essa decisão juntamente com a ação traz de volta o direito de eu pensar o que é bom para mim.

Expositor(a): __________________________

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Quarto Passo
“Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos”.

Nosso real e significativo momento de vida é de reconhecimento – Gratidão – Ação e solidariedade.
Vejam só: Diante de “flashs” divinamente elaborados sobre nossas vidas, admitimos…, acreditamos… e então decidimos.
Agora, neste instante, podemos perceber o amparo incondicional que aconteceu em cada um de nós. O alívio imediato impulsionou em nosso interior uma curiosidade. Quero entender como isto aconteceu?! Na busca, dúvidas, desconfiança, incapacidade emocional, medo, insônia, ideias evasivas, contudo, a sensação de profundas certezas:
a) Não posso beber;
b) Quero entender;
c) Preciso perseverar;
d) “só por hoje”;
e) “um dia de cada vez”
f) “Agora não”

Preste atenção > ouça > Mente aberta > vá com calma
O companheirismo, a disponibilidade coletiva, a sinceridade, as experiências compartilhadas e sobretudo a honestidade individual e intransferível, nos revelou o direito de acreditar.
Identificada a causa, sendo transparente e aceitando as recomendações propostas, descobrimos que em todas as situações embaraçosas de embriaguez que experimentamos nos foi concedido um indulto para chegarmos até aqui. Podemos concluir que:
– quando tudo parecia perdido
– quando queríamos desistir
– quando virávamos as costas
– quando explodíamos para desarmar a barraca
Então jogamos a toalha e pedindo socorro, mesmo sem avaliar o merecimento, Ele veio, era o AMOR. Personificando a tolerância, a compreensão, a esperança e constantemente investindo em nossa evolução. Incentivando-nos ao progresso moral, tornou clara e cristalina, proporcionando à nossa tenra capacidade humana a divina sabedoria da escolha
DECIDIMOS
Estamos diante de um labirinto – CORAGEM!
Diga a você mesmo (a):
Este labirinto sou EU?!
Vamos entrar?!
CONFIE!
Você não está sozinho(a): A partir de agora jamais estará. Sua consciência será seu guia; e EU estarei permanentemente com você.
Lembre: Vá com calma!
Oxigene-se! Respire!
“Cheire uma flor”
“Assopre a chama de uma vela”
OUTRA VEZ
“A solidão pode parecer tenebrosa; É daí que conquistamos o isolamento e produzimos grandes feitos” (reflexão, lembranças, pensamentos, leituras, escritas meditação, etc.)
Viemos acreditar – página 130/131 – Gr Universo
18 de janeiro de 2012.
“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Cante, chore, dance, ria antes que a cortina se feche e tudo termine sem aplausos”
C. Chaplin
… quando nos aproximamos Dele, Ele se revelou!
Agora sou EU, é comigo! Opa!
PARE
“Lembre-se de que estamos lidando com o álcool – traiçoeiro, desconcertante, poderoso!
Se ajuda é demais para nós. Meias medidas de nada adiantaram. Nossa meta não é a PERFEIÇÃO ESPIRITUAL, é o desejo de crescermos espiritualmente. Então, qual será o método?
EXPERIMENTAR!
Exercite, pratique, deguste
Comecemos:
Quem sou?
De onde vim?
Para onde vou?
… sou criatura divina…
Origem simples, desprovido do saber (ignorante), porém, com uma centelha de luz (consciência) que sabiamente pesquisada é o meu norte para o crescimento como ser humano.
Tendo na bagagem da consciência a lei natural: Lei de Deus
“É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e o homem só é infeliz quando dela se afasta.” Divide-se em:
Adoração – trabalho – reprodução – conservação – destruição – sociedade – progresso – igualdade – liberdade – Justiça / Amor / Caridade
Obstáculos – desvios – afastamento – sem norte (perdido? Abandonado?)
NÃO! Estou com meus iguais!
Orgulho – egoísmo – desregramentos – ressentimentos – fraqueza – máscara – mentira – vinganças – discussões – medo…
Leia – releia – estude o capítulo V do livro Azul
1- Altruísta
2- Amoroso
3- Atencioso
4- Ativo
5- Conscientizado
6- Disposto
7- Estudioso
8- Perseverante
9- Sóbrio
10- Tolerante
ESTOU SALVO?
NÃO! Estou com meus iguais!
“Um dia de cada vez”
Destino: Rumo à felicidade!
A fé está fazendo por nós o que sozinhos não conseguimos fazer.
Então?!
Vamos juntos em busca de mais 24 horas.
Um abraço,
Com sorriso

Fontes: Alcoólicos Anônimos / LE – terceira parte /Experiências pessoais

Expositor(a): __________________________

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Quinto Passo
“Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas”.

Já fizemos outras admissões
…Que sofremos de uma doença,
…Que precisamos de ajuda e
…Que existe uma força superior a nós mesmos para nos ajudar.
Pensando nisso, percebemos que, quando fazemos isto, nossa aceitação e ou admissão torna-se mais significativa.
Depois do 4º passo podemos enxergar o 5º passo como ajuda, para nos vermos, enxergar a natureza exata de nossas falhas; isto é, para caminhar em uma viagem para dentro de nós. Quem eu sou, os caminhos que percorri e reconhecer a natureza exata de minhas falhas e fazer isso diante de outro ser humano.
A palavra chave para este passo é “Coragem”
COR vem do latim, que quer dizer CORAÇÃO,
AGEM vem de totalidade, e com a totalidade do coração confessemos a natureza exata de nossas falhas; para isso é necessário humildade e honestidade.
Este passo nos remete à necessidade do outro; sabemos que precisamos do PODER SUPERIOR na forma que cada um concebe e CONFIANÇA NO OUTRO.
Pomos em prática o 5º passo, sendo sinceros e honestos conosco mesmos, com Deus e partilhando nosso inventário moral com alguém em que confiamos, alguém que nos compreenda, que nos incentive e não nos condene.
“Se pudesse resumir em uma só palavra, esta seria REFORMULAÇÃO de vida. Quebremos o orgulho, as barreiras do medo e do isolamento, culpa , vergonha e até raiva, através do reconhecimento das facetas adoecidas do nosso caráter e do comportamento de forma honesta e clara. O mais importante é iniciarmos.”
24 HORAS !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
OBRIGADA A TODOS

Expositor(a): __________________________

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Sexto Passo
“Prontificamos inteiramente a deixar que DEUS removesse todos esses defeitos de caráter”.

Este é o passo da maturidade emocional e espiritual. O sofrimento físico, o momento de depender de Deus. É hora de admitir que há necessidade de crescer mais, para que a minha vida com as outras pessoas seja marcada com amor. O amor que recebo do meu Poder Superior.
Nos primeiros cinco passos, eu me pergunto se omiti alguma coisa que poderá me impedir de ser uma pessoa livre; pois sendo extremamente sensível, isso me levou a ter atitudes e comportamentos destrutivos. Por isso, é que preciso de muita direção de Deus, pois sei que ainda tenho defeitos dos quais eu gosto, e gosto muito.
Quando cheguei em AA, meu padrinho me disse com muita sabedoria nos meus 3 meses de sobriedade que não havia mágica para me convencer a ficar na irmandade; que a vida não é um hino de amor, nem uma eterna manhã de primavera, e se eu queria o que eles tinham, só precisava seguir essas verdades: mente aberta, boa vontade e honestidade. Pois eu acabava de sair da quadra dos brinquedos para a da realidade, e que iria conhecer melhor o mundo (agora sem o álcool), onde eu veria o vício ao lado da virtude; a hipocrisia, a maldade…mas eu não poderia desanimar; porque Deus, que é intocável, mas real, iria me guiar por caminhos bons e por estradas encontráveis e, assim, saber escolher o que melhor me conviesse! Isso me fez parar de lutar e tentar ouvi-lo, porque me fazia muito bem, já que parecia que a nossa história era quase sempre a mesma. Na maioria das vezes, lutei com meus defeitos de caráter; ou deixei que eles me manipulassem; só por não entender (ainda) o que era prontificar.
Quando percebi que precisava crescer espiritualmente, deixei a rebeldia de lado; isso poderia ser fatal. Afinal, eu já havia caminhado um bom pedaço do caminho; agora, seria crescer à imagem e semelhança do criador.
Então, entendi o que a literatura quis me dizer com perdoar nossas negligências. Comecei a me policiar e encontrei coragem para reconhecer inteiramente que precisava analisar meus defeitos e, então, me preparar para o grande encontro:
Eu e o meu Poder Superior.
Fiz o que é sugerido no passo:
Prontifiquei-me e deixei que Ele removesse aquele defeito que estava me impedindo de crescer. E esse foi o meu começo da limpeza de casa.
Ainda na procura de um despertar espiritual, na angústia de sair de um 5º passo e o medo de continuar com um vazio no coração, percebi que Deus não havia me abandonado! Ele sempre esteve comigo.
Eu era assim: primeiro, a verdade era só minha. Nunca procurei me curvar diante da humildade; não procurava em momento algum preparar meu coração para perdoar e dar perdão.
O orgulho me cegava, a avareza me enganava, a luxúria me conduzia à profundeza da vergonha, a ira me dominava, a gula me entorpecia, a inveja me deixava no isolamento e a preguiça nunca me deixou ir à procura de Deus.
Sendo assim, como posso explicar estar hoje no programa, depois de ter cometido tanta insanidade?
São perguntas para as quais ainda não tenho todas as respostas, mas com o tempo talvez eu consiga. Como pude passar por tudo isso, posso dizer que o 6º passo é como se fosse o calvário.
Mas, nossos programas nos sugere a humildade e dela a sabedoria. Os doze passos são um exercício contínuo onde podemos atingir um grau de humildade satisfatório para crescermos e continuarmos tentando. Afinal, hoje eu quero viver uma vida que não inclua retaliação, ressentimentos e raiva, sem machucar a mim, nem também os outros.
Quando decidi e permiti que Deus me invadisse, os meus defeitos deixaram de vir à tona.
Da minha parte, posso dizer que estou de acordo com o que diz o início do passo: “ Este é o passo que separa os adultos dos adolescentes”…
No meu próprio caso, desde que ingressei no AA, eu tenho tido sensíveis melhorias da doença do Ego, através das sugestões. Na medida em que experimento viver de acordo com o programa, sinto que a minha disposição e honestidade têm aumentado e eu me convenci de que posso me recuperar de qualquer problema; e o único requisito é confiar em Deus e limpar a casa. Confiar significa que Ele sabe melhor do que eu o que é melhor para mim. É prontificar para renovar a cada amanhecer, e mudar de vida é cair de joelhos e sem indagações, pois não escolhemos ser alcoólicos.
A única coisa urgente é que sigamos tentando, e da melhor maneira possível, pois Deus quer que sejamos corajosos para nos tornarmos brancos como a neve.
Porque a sabedoria dele, essa é indiscutível…
Se o alcoolismo é uma doença que afeta primeiramente o meu relacionamento comigo, com os outros e com Deus, é necessário, então, ser como sentinela em tempo de guerra; vendo que meus defeitos podem estar dormindo em meu inconsciente. E se eu não trabalhar com esses detalhes de momento em momento, nunca conseguirei secar as ramificações da árvore dos defeitos de caráter.
Desde o início da minha vida ativa, bebida e pecados sempre andaram de mãos dadas. Enfim, para mim, era mais uma dessas tantas vidas carregadas de culpa e castigo; que muitas vezes tentei adiar explicações e coisa e tal; mas acabei ficando sem medidas para medir:
Por que eu bebia tanto?
Minha ignorância sobre a resposta fundamentava-se na manutenção da minha bebedeira; porque, com tanta aberração, ficava difícil para uma pessoa como eu descobrir o que seria um comportamento aceitável, gostoso, saudável e natural, como hoje, à luz dos doze passos, por exemplo.
As mudanças em minha vida, em todas as áreas, foram significativas e até, de certa forma, rápidas.
Claro que passei por vários obstáculos, para ter coragem de modificar as coisas, pois tinha sempre a dúvida se a minha vida no álcool era um estado natural ou indicava uma profunda falha de personalidade.
O plano de 24 horas me chamou a atenção e eu fiz a feliz opção: continuar a frequentar AA e, só por hoje, desejar buscar a perfeição.
Procuro hoje, na medida do possível, modificar em minha vida, no que refere ao meu comportamento, atitudes, medos, caráter, etc… Costumo sempre pedir apoio de orientação dos companheiros mais experientes e, com a ajuda do Poder Superior, eu tenho conseguido êxito, desde que pratico a honestidade e a humildade que citei no começo deste texto.
O livro Despertar Espiritual, pág. 229, diz que, talvez nossos grupos devessem ser grupos de aplicações dos passos, em vez de grupos de estudo dos passos. Não é necessário perguntar quem pratica o programa. É possível perceber quando trabalhamos os passos, nossas vidas mudam radicalmente, vão muito alem da eliminação do álcool. As pessoas mudam.
E esse “mudar” se traduz, acredito, em fazer minha parte ou prontificar-me ou me esforçar para que minhas atitudes com outras pessoas não sejam um reflexo desse ser inferior em que o alcoolismo nos transforma…

Expositor(a): __________________________

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Sétimo Passo
“Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições”.

No sexto passo, prontificamo-nos por inteiro, não apenas uma parte, deixar que Deus removesse nossa montanha de defeitos de caráter. Eu entendo que são os mais cabeludos, tipo: egoísmo, desonestidade, ira, etc.
No sétimo passo, vamos a Ele implorar humildemente, que Ele nos livrasse de nossas imperfeições. Aí eu entendo que são os defeitos de caráter de menor poder destrutivo, mas que nos impedem de sermos melhores, tais como: procrastinação, descomprometimento, sovinice.
Todos os doze passos são exercícios de humildade, qualidade do humilde, extremo oposto do orgulho, defeito maior do alcoólico ativo e de tantos desativados, daí a grande dificuldade de uma maioria significativa, em aceitar os doze passos para a recuperação. Você já ouviu isso? “Só dou o primeiro passo e a segunda parte do décimo segundo”. Programa individual é parcial = resultado insatisfatório ou nulo.
O sétimo passo enfatiza a humildade. Humildade, palavra derivada, humo ou húmus, produto da decomposição da matéria orgânica, vegetal ou animal, estrume, esterco. “És pó”. Não dá para ter orgulho de ser isso, não é mesmo? Enganou-se meu amigo, o alcoólico ativo tem. O orgulho cega.
O PRDP nos oferece uma nova maneira de viver, para isso é necessário nos esvaziarmos de todo orgulho, egoísmo, soberba, vaidade, arrogância, prepotência e autossuficiência. Não é pedir demais para um alcoólatra? Não, se a vida dele depender disso! Precisamos nos libertar desse egoísmo. Precisamos fazê-lo, ou ele nos matará!
Portanto, humildade é a pedra fundamental sobre a qual edificaremos nossa nova vida, nova casa que vamos construindo daqui para frente: “futuro”. A casa velha, “passado”, vamos visitar quando for necessário, mas não morar nela, mudamos para outra melhor. Deus torna isto possível, e com freqüência, parece não haver meios de se libertar totalmente do interesse próprio sem a ajuda d`Dele. Portanto, a fé é a pedra angular que dá sustentação ao arco do triunfo, sob o qual passará o homem reformulado, (nova formula) para uma vida íntegra, útil e feliz.
Por que rogar? Deus não sabe de tudo, ele me conhece, sabe das minhas faltas, o que preciso? Simples! Ele não arromba portas, só entra se for convidado. Portanto, abra a sua boca!!! Segundo Aurélio, rogar é: pedir com insistência, com humildade, implorar, suplicar. É mais que pedir.
Precisamos nos livrar das nossas imperfeições, são elas que nos afastam da graça do PS. São elas que nos aprisionam na escravidão do ego, nos tornamos meros escravos de nós mesmos, perdemos a herança do pai das luzes, criador do universo, dono do ouro e da prata. Desprezamos o banquete e nos contentamos com as migalhas! Ele quer nos cobrir de bênçãos, para abençoarmos os outros, não para nos ensoberbarmos e ficarmos cheio de orgulho espiritual, tipo: Eu sou o caminho, verdade, a luz. Sou o melhor padrinho, afilhado. Agarre-se na barra da minha calça, “ou saia” e siga meus passos. Há, há, há! Eu tenho a única mensagem. Esses caras estão querendo acabar com o A.A. Eu não vou deixar. No “meu” grupo, não aceito isso ou aquilo. Não precisamos de professor. Prateleira de cima. Está escrito no livro maior: “Deus dá graça ao humilde (simples) e rejeita o soberbo”. Lembra do sexto passo: Quem não gosta de se sentir um pouquinho superior ao outro, ou bastante superior? Percebes como é difícil para um ser humano normal, não só os alcoólicos colocar Deus em primeiro lugar? Devemos colocar as coisas espirituais sempre acima das materiais. “Buscai primeiro as coisas do alto e o resto vos será dado por acréscimo”. Devemos colocar os princípios, que são preceitos espirituais, acima das personalidades, sejam lá quem forem, até Bill W. e Dr. Bob Smith. Não cultuamos pessoas vivas ou desencarnadas, ou não somos anônimos?
E o que dizer do cisco no olho dos outros, quando os nossos estão com uma baita trave do tamanho de um ônibus. Freud explica: aqueles defeitos que vemos nos outros, são os nossos que recusamos enxergar. Empurramos para bem fundo do nosso ser, lixo debaixo do tapete. Esquecemos do quinto e quarto passos. Aquela parte que me recuso olhar é a que me governa.
Tem ainda os defeitos de estimação. Já ouviram isto? Eu não consigo largar! Eu gosto! Vai comigo para o tumulo! Isso é prova que a vida espiritual esta paralisada, não evolui! Tudo que não está evoluindo, está regredindo, tudo que não renova, morre. Até o amor!
Concordo com Bill, quando ele disse: “Nossos dias de vida na terra constituem em um mero dia na escola, todos nós somos alunos de um jardim da infância espiritual”. Seremos sempre crianças aos olhos de Deus, até quando envelhecermos seremos crianças aos seus olhos, assim como os filhos são sempre crianças aos olhos dos pais. Isso só vale para os que acreditam ou vierem a acreditar nesse PS, Deus na forma que concebemos “segundo passo”, e decidiram entregar suas vidas e vontade aos cuidados dele “terceiro passo”.
Aqueles que gritam que Deus não existe, o fazem por desespero de não encontrá-lo. Aos que recusam o consolo de uma fé, seu maior castigo é continuar vivendo! O resultado dessa escolha é uma confusão profunda, pois lhe falta a bússola, o sextante ou se preferirem o GPS espiritual. Ao vermos outras pessoas resolverem seus problemas por meio de uma simples confiança no Espírito do Universo, fomos obrigados a parar de duvidar do poder de Deus. Nossas idéias não funcionavam, mas a idéia de Deus dava certo.
Para mim, Pimenta, humildade é: ser igual sem perder a individualidade, reconhecer que sou apenas uma pequena parte de um grande todo, uma gota no oceano, conhecer meus limites. Na mesa do companheiro Doc. Havia uma placa que definia a humildade: “É o silêncio perpétuo do coração. É estar sem problemas. É nunca estar descontente ou atormentado, irritado ou ofendido. Não se surpreender com qualquer coisa que me façam, sentir que nada é feito contra mim. É estar tranquilo quando ninguém me elogia, e quando sou culpado ou desprezado, é possuir um lar abençoado em meu interior onde eu possa entrar, fechar a porta e me ajoelhar diante de meu pai em segredo e estar em paz como em um profundo oceano de tranqüilidade, quando tudo ao meu redor e perto de mim parecer ser um problema”.
Para finalizar, que isto é apenas uma exposição e não um livro, a oração do sétimo passo: “Meu criador, agora desejo que me aceites como sou, por inteiro, bom e mau. Peço que removas de mim todo e qualquer defeito de caráter que me impeça de ser útil a ti e aos meus companheiros. Concede-me força para que ao sair daqui, eu cumpra as tuas ordens. Assim seja”.
Teremos, então, dado o sétimo passo.

Expositor(a): __________________________

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Oitavo Passo
“Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados”.

• Os passos estão devidamente ordenados e devem ser vivenciados paulatinamente.
• No Quarto Passo descobrimos a nossa verdadeira identidade/ personalidade/caráter e as consequências de nossas atitudes/atos (Auto Conhecimento).
• No Oitavo Passo vamos nos preocupar com as nossas relações pessoais, limpando todo o entulho do passado e buscando melhorar a nossa relação ( INCUMBÊNCIA BASTANTE DIFÍCIL).
• Primeiramente, devemos procurar nos perdoar e também perdoar àqueles que nos prejudicaram.
• No Quinto Passo admitimos perante Deus e os “Homens” as nossas falhas, mas agora iremos procurar os que prejudicamos e tememos pela reação deles. Tem aqueles ainda que nem sabem que foram prejudicados por nós.
• O que queremos dizer quando falamos que “prejudicamos” outras pessoas?Através do nosso comportamento alcoólico, causamos os mais diversos danos, físicos, mentais, emocionais e espirituais às pessoas.
Exemplos:
• Se estamos sempre de mau humor, despertamos ira nas pessoas
• Se mentimos para as pessoas
• Privamos as pessoas de seus bens materiais
• Causamos insegurança
• Despertamos ciúmes, angústia e vontade de vingança nas pessoas

Ao fazermos a revisão detalhada das nossas relações e detectarmos quais tipos de comportamentos que causaram prejuízos às pessoas, estaremos prontos a iniciar a relação das pessoas que foram afetadas em menor ou maior grau.
Esse é o Passo do fim do nosso isolamento de nossos semelhantes e de Deus.

Bibliografia: Livro Alcoólicos Anônimos / Os Doze Passos de A.A. / Revista Vivência / Artigos e Apostilas diversos.

Expositor(a): __________________________

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Nono Passo
“Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outrem”.

Entendendo o Nono Passo

As catástrofes são sempre notícias absorventes. Terremotos, furacões, incêndios, enchentes, ataques terroristas, guerras e tantas outras tragédias prendem a nossa atenção. Porém raramente vemos trabalho árduo de reconstrução que acontece depois que o desastre passou. Vidas, lares, negócios e comunidades inteiras são restauradas e reanimadas. Esse ano tivemos enchentes por todo o estado, muitos desabrigados, mortes, etc. Todos podemos nos lembrar do fatídico 11 de setembro e o ataque às torres gêmeas em Nova Iorque. Todos podemos detalhar ao máximo o ocorrido, as mortes, os lances mais excepcionais e tudo de importante ligado àquele ataque terrorista. O mesmo podemos dizer do furacão Katrina nos Estados Unidos ou o violento tsunami que atacou a costa asiática. Mas poucos, ou praticamente ninguém, viu ou vê o trabalho árduo de reconstrução que acontece depois que o desastre passou. Vidas, lares, negócios e comunidades inteiras são restauradas e reanimadas. É um longo e exaustivo trabalho.
Pois bem, o Nono Passo assemelha-se às restaurações e à reconstrução que acontecem depois de uma calamidade. Pelo processo de reparação, começamos a corrigir os danos de nosso passado. No Oitavo Passo avaliamos os danos e fizemos um plano. Agora, no Nono, entramos em ação.
Após haver elaborado a relação das pessoas as quais prejudicamos, refletido bem sobre cada caso específico e procurado imbuir do propósito correto para agir, veremos que o reparo dos danos causados divide em várias classes aqueles aos quais nos devemos dirigir.
O Nono Passo completa o processo de perdão que começou no Quarto Passo e satisfaz nossos requisitos para nos reconciliar com os outros. Neste passo, tiramos as folhas mortas de nosso jardim, recolhemos e tentamos nos desfazer dos velhos hábitos. Estamos prontos para enfrentar nossas faltas, a admitir o grau de nossos erros e a pedir e a oferecer perdão. Aceitar a responsabilidade pelos danos causados pode ser uma experiência de humildade porque nos força a admitir o efeito que tivemos na vida do outro.
Desde que começamos nossa recuperação, percorremos um longo caminho para desenvolver um novo estilo de vida. Vimos como a impotência e o descontrole de nossas vidas causaram danos. Nosso compromisso de enfrentar nossas falhas de caráter, admiti-los para os outros e, por fim, pedir a um Poder Superior para removê-los, foi experiência de humildade. No Oitavo e Nono Passos prosseguimos com a última etapa para reedificar nosso caráter.
O Nono Passo, tal como todo o programa de A.A., exige que tenhamos coragem, perseverança e fé de que o que estamos fazendo é para o nosso próprio benefício, é para o nosso próprio desenvolvimento emocional e espiritual e todo o esforço será recompensado. Mas, especificamente no Nono Passo, teremos que desenvolver algo mais, teremos que ter um cuidadoso senso de oportunidade e julgamento de cada caso de reparação. Por muitas vezes, a reparação terá que ser adiada e em muitas outras será melhor não fazê-la. Este passo é o único que fala que o adiamento talvez seja o mais oportuno a se fazer.
Na minha opinião, a prática do Nono Passo teria que ter o acompanhamento direto de um padrinho, esta figura tão mal compreendida em nossos meios. Com a ajuda do padrinho podemos facilitar a distinção daquelas reparações que devemos fazer das que não devemos. Ele pode nos fazer ver quando estamos apenas protelando uma reparação sob a desculpa de que estamos apenas sendo prudentes. A nossa velha e conhecida racionalização. Aliás, racionalizamos que nosso passado ficou para trás, que não há necessidade de provocar mais aborrecimentos. Imaginamos que reparações por danos passados são desnecessários, que tudo que temos que fazer é alterar o nosso comportamento atual. Apesar de que alguns de nossos comportamentos passados podem ser sepultados sem confronto direto. Dá logo para perceber que a tarefa de distinguir aquelas reparações que devo fazer das que não devo exige sabedoria e sabedoria, quando se trata de nós mesmos, é arriscado achar que a temos. É melhor pedir ajuda e apoio de outras pessoas durante este trecho de nossa viagem. Enfim, não devemos nos esquecer que o objetivo final é o de ver a nossa vida melhorada, cheia de paz, serenidade, livre dos medos e ressentimentos de nosso passado.
É bom salientar que o Nono Passo tem duas partes distintas a respeito de fazer reparações:
“Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível”.
Por reparação direta devemos entender aquelas pessoas que estão acessíveis e podem ser abordadas quando já estivermos prontos. Podem ser amigos ou inimigos. Talvez a reação da outra pessoa nos surpreenda, principalmente se a reparação for aceita. Mas devemos estar preparados para caso ela não seja aceita também. Nossa reparação não depende da reação do outro. Há, porém, aquelas pessoas que não estão acessíveis, algumas podem já ter morrido e outras nem sabemos por onde andam. Neste caso não nos resta muita coisa a fazer, talvez o simples fato de elas terem sido lembradas na nossa relação já seja uma reparação.
A outra parte do Nono Passo diz:
“Salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem”.
Há reparações que talvez devem ser evitadas. Principalmente os casos de infidelidade conjugal, pois nesses casos poderiam ocorrer danos para várias partes. Outras situações seriam aquelas em que o risco da perda do emprego possa ser iminente, prejudicando a nossa família ou mesmo revelações que poderiam levar à prisão com consequente afastamento da família. São situações extremamente difíceis e a decisão não deve ser tomada sozinha.
Há também reparações que exigem ação protelada. Raras vezes é aconselhável abordar de forma repentina um indivíduo que ainda sofre profundamente com as injustiças que fizemos. Nas situações em que a nossa dor ainda é profunda, a paciência é a melhor escolha. Nossas metas finais são o crescimento e a reconciliação. Imprudência e pressa podem fazer mais danos e frustra nossas metas finais.
É importante que tenhamos claro em nossas mentes a distinção entre fazer reparações e pedir desculpas. Estas são apropriadas, mas não substituem aquelas. Podemos pedir desculpas por chegar atrasado a um compromisso, mas enquanto não corrigirmos esse comportamento, a reparação não foi feita. O pedido de desculpas funciona como reparação desde que acompanhado do compromisso de mudança de comportamento.
Durante a prática desse passo podemos passar por recaídas emocionais ou espirituais ocasionais. Isso é normal, mas é importante que apreendamos a lidar com elas imediatamente, pois do contrário podemos ter nossa capacidade de fazer reparações prejudicadas. Essas recaídas podem ser sinais de que não estamos colocando o programa em prática com eficiência. Talvez tenhamos nos afastado de nosso Poder Superior e necessitemos voltar ao Terceiro Passo. Talvez tenhamos deixado de citar alguma coisa em nosso inventário e por isso devemos retornar ao Quarto Passo. Ou talvez não queiramos abandonar um comportamento derrotista e precisemos retornar ao Sexto Passo.
Ideias Fundamentais do Nono Passo:
Reparações Diretas: São as que fazemos a alguém que prejudicamos. Marcamos um encontro ou planejamos nos encontrar pessoalmente com essas pessoas.
Reparações Indiretas: São as reparações não pessoais que fazemos aos que prejudicamos, a alguém que já morreu, de localização desconhecida ou inacessível por alguma razão. Nesse casos uma oração ou mesmo descrever os danos causados ao nosso padrinho são suficientes.
Reparações para nós mesmos: Muitas vezes prejudicamos mais a nós mesmos que a qualquer outra pessoa. O procedimento de reparação não seria completo sem algum tempo dedicado a endireitar a nós mesmos. Talvez, a prática de A.A., seja a maneira mais agradável de fazer reparações a nós mesmos.
Uma citação final: “Só o ofendido sabe o quanto dói a ofensa”.

Expositor(a): __________________________

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Décimo Passo
“Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente”.

O 10° passo na minha visão é um passo que me convida a fazer uma reflexão sobre os nove passos anteriores. Estou praticando os princípios ou estou só lendo passo a passo? Passo sugere caminhada, nesse caso caminhada espiritual. Revendo o nosso jeito de ver as coisas, sentir tais coisas, pois nossas reações a tudo que nos passa vem de nossos valores espirituais, ou do que aprendemos com os passos. Será que estamos preparados para a turbulência que temos que viver no dia a dia, ou nossa espiritualidade é mera teoria?
O 10° passo sugere que eu continue fazendo inventário e sempre estando pronto para admitir o possível erro, pois o alívio vem quando fazemos algo a respeito.
Todos nós ou quase todos temos em casa um quartinho onde guardamos aquilo que não estamos usando por muito grande que ele seja; é preciso de vez em quando dá uma organizada, jogar algo fora, algo que estamos relutando em desfazer, mas percebemos que só serve para travar os espaços. Se deixarmos do jeito que está é possível que crie ninhos e mude para lá algo que não gostaríamos, ninhos não aparecem de um dia para o outro é o acumulo diário de capim, quando se percebe ele está pronto, instalado.
Por isso Bill, através do 10° passo, nos sugere que estejamos sempre vigilantes, sempre fazendo avaliação do nosso comportamento. Se ficarmos irritados com os outro é porque algo em nós não está bem.
Por isso é bom sempre fazer inventário, para não sermos surpreendido e só vermos o ninho pronto, lembrando que ele é feito capim por capim.
Bill fala também do rancor, um luxo que não podemos ter. Rancor, raiva, ira é como segurar uma brasa, ela queima só a gente mesmo. Mesmo se acharmos justificativas para elas, devemos sempre lembrar que quem tem o programa de recuperação somos NÓS, isso não quer dizer que vamos deixar as pessoas fazer de nós aquilo que elas quiserem, mas devemos sempre lembrar que a base do AA é amor e tolerância.
Existem vários tipos de inventário, o relâmpago, o do fim do dia, fim de semana, fim de mês ate mesmo fim de ano. Todos são válidos e muito bons. Há necessidade de ver em qual deles nós nos encaixamos, pois quanto mais prolongarmos, mais perigoso fica; nervosismo, irritação e falta de paciência podem ser sintomas de que as coisas não estão indo bem. Às vezes as pessoas podem até pensar que estamos perdendo tempo com tanto tempo gasto com inventários, meditação, ciclo de passo, mas quando fazemos com amor e com a mente aberta ficamos leves e em paz. Ciclo de passos a meu ver é um SPA espiritual.
Ao fazer o inventário eu me coloco novamente no eixo, volta autodomínio, controle da língua e sempre pensando em tratar o outro do mesmo modo que eu gostaria de ser tratado com amor e paciência.
Termino o meu trabalho com esta frase: que não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento.
Obrigado

Expositor(a): __________________________

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Décimo Primeiro Passo
“Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade”.

Como orar se por conta do meu ativo alcoolismo e suas consequências um poderoso sentimento de vergonha prevalecia? Como meditar diante da minha incapacidade mental e espiritual? Por minha experiência, revelo que só consegui superar esses questionamentos com a minha aceitação de Alcoólicos Anônimos. Em A.A. me convenci e aprendi que sobre a minha total derrota frente ao alcoolismo, percebi a gravidade da minha insanidade e que diante desses fatos só me restava uma única saída: entregar, sem condicionantes, minha vontade e minha vida a Deus, na forma de minha fé.
No sentido de organizar nossas ideias, recordamos que a nossa obsessão pelo beber destrutivo foi removida por um Deus de quem ainda não tínhamos uma sóbria consciência. Da mesma forma, a sanidade mental nos foi sendo devolvida por Ele, com o alerta da necessidade de positivas ações. Dizíamos da entrega, e há que ser notado que por essa decisão (aliás, a nossa primeira positiva ação), Deus em nós e por nós estará fazendo o melhor para nossa recuperação.
Na convivência dos três Passos iniciais para nossa recuperação em A.A., aprendemos que “se reconhecermos a Deus como um Pai, que nos possa receber e ajudar, teremos maior desejo de procurá-Lo, de conhecê-lo e de alcançá-Lo.” Considerando-se todos os componentes de nossa personalidade alcoólica, encontrar Deus sabemos que requer um intenso trabalho. Por isso, entendemos que o 11º Passo significa uma intensa viagem, através da qual chegaremos a um seguro porto espiritual. No itinerário, o mapa nos informa da necessidade de conhecer a si mesmo, da admissão dos nossos pessoais limites humanos, do humildar-se e da cooperação com Deus para os acertos de falhas e imperfeições.
A rota, em direção ao colo de Deus, se amplia à medida em que devemos reaprender a conviver com quem causamos danos. Assim, estaremos amparados para vivermos o modo de ser um AA – sóbrio, com equilíbrio emocional e de maneira útil, sob quaisquer condições, dia após dia, em tempo bom ou não. Poucos quilômetros nos distanciam do projeto de uma vida na qual possamos “conversar e ouvir” sobre o que Ele espera de cada de um de nós.
Para essa “audiência” com Deus, fazemos rogos para conhecer Sua vontade em relação a nós e forças para realizar essa vontade. Interpretamos que Essa vontade será atendida se cada um de nós for obediente aos princípios espirituais estabelecidos nos dez primeiros Passos. Temos consciência da dimensão dessa obediência, mas, mais uma vez, rogamos a Ele forças para cumprir Sua vontade.
Alcoólicos Anônimos, em cada um de seus momentos de recuperação, representa uma procura, uma busca ou uma singela descoberta. Como o distanciamento de Deus, no meu caso, foi atitude unilateral de minha parte, na redescoberta de Deus em minha vida não encontrarei buracos negros ou maresias, a menos que eu permita meus tubarões ou fantasmas prevalecerem. E para a aplicação do 11º Passo será suficiente tornar real o dever da minha casa interior através da oração e meditação.
No universo de A.A. esses recursos de aperfeiçoamento espiritual não são, à primeira ação, pacíficos. Sentido faz encontrarmos em nossa literatura reflexões sobre o uso da oração e meditação:
a) “Aquele que nega Deus, O nega por causa de seu desespero por não encontrá-Lo”.
b) “Os chacoteadores da oração são, quase sempre, aqueles que não a experimentaram devidamente”.
c) “Se virarmos as costas à meditação e à oração, também estamos negando às nossas mentes, emoções e intuições, um apoio imprescindível”.
Oração e meditação cuidam de nossas almas e elas só funcionam com esse tipo de alimento e por essas práticas interligadas, acrescidas do auto-exame, receberemos a “luz a presença de Deus, do alimento de Sua força e da atmosfera de Sua graça”.
Dito as certezas acima, de que forma podemos usar as citadas ferramentas? Nos momentos de agitação ou mesmo de paz, o auto-exame permite fazermos internas e individuais verificações de nós próprios. Por exemplo, ao final de nossas jornadas diárias ou em qualquer hora de complicações emocionais, podemos fazer uma revisão de nosso dia ou do momento de instabilidade, nos indagando se ficamos ressentidos, se fomos egoístas, desonestos ou se sentimos medo.
Superados esses gargalos, o ambiente mental estará apropriado para os exercícios da oração e da meditação. Orações, as mais diversas, a humanidade vem utilizando; da mesma forma, o modo de meditação, que não cede lugar ao debate, é uma opcional escolha de quem a pratica. Os princípios de A.A., no 11º Passo inclui como sugestão a clássica oração de São Francisco de Assis, que interpreto como uma espiritual síntese do nosso programa de recuperação, em especial ao funcionar como uma verdadeira anulação do ego, sobretudo quando são feitos os seguintes pedidos a Deus:
“Ó Mestre, faze que eu procure menos
Ser consolado do que consolar;
Ser compreendido, do que compreender,
Ser amado, do que amar…
Porquanto:
É dando que se recebe; é perdoando, que se é perdoado e
É morrendo que se vive para a vida eterna. Amém”.
Comentávamos que este princípio trata de viagem. Bill W. assegura que, após o exercício dessa oração, que na minha interpretação estaremos em estado de meditação e que por ela (meditação) faremos uma viagem ao reino do espírito. O cofundador nos deixou ainda definições, ao afirmar que a meditação “é algo que sempre pode ser desenvolvido. Ela não tem limites, tanto na extensão como na altura. (…) ela é essencialmente uma aventura individual que cada um de nós realiza à sua maneira”.
Quanto à oração, Bill W. afirma que “é a elevação do coração e da mente para Deus, e neste sentido abrange a meditação”. Como, neste Passo, já estamos trabalhando com consciência, não usamos a oração na forma de petição, aliás, o que não mais nos convém, lembrando-nos sempre do “Se for a sua vontade” nos momentos de conversa e audição com Deus. Através desse Passo perceberemos de fato a nossa capacidade de recebermos orientação para nossas vidas à medida que paramos de exigir de Deus o que queremos e como queremos. Se assim agirmos, novas fontes de coragem serão descobertas, independentemente de eventuais situações de sofrimento e dor.
Por meio de nossas ações nesta viagem, passaremos a sentir que:
a) Deus age de maneira misteriosa na realização de Suas maravilhas;
b) Passamos a fazer parte do mundo do espírito e
c) O amor de Deus vela sobre nós e, se nos voltarmos para Ele, tudo estará bem conosco, aqui, agora ou no que vier depois.
Por tudo que já percorremos, reina a paz; mas ainda não concluímos e nem concluiremos o que Deus quer de nós: fé com obras, principalmente pelo único e primordial propósito de A.A. Nesse sentido, insiro neste espaço a oração universal legada por Jesus Cristo,
Pai Nosso que estais no Céu, santificado seja o vosso Nome,
Venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade
Assim na terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as nossas ofensas
Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido,
e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal.
Amém.
Refletindo com o “Pai Nosso”, e isenta de qualquer coloração religiosa, me permitam tentar reforçar minhas convicções: estou, efetivamente, em aliança com Deus e alinhada com Ele para aceitar serenamente tão somente a Sua vontade em relação a minha vida?
Que a bondade e misericórdia de Deus continue nos abençoando com forças, se for a vontade Dele. Meu forte abraço!

Expositor(a): __________________________

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Décimo Segundo Passo
“Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades”.

Sob a graça de Deus, e após a alimentação espiritual recebida pelo caminhar sob à luz dos primeiros onze Passos contidos no programa de recuperação de A.A, o membro de A.A. chega ao Décimo Segundo Passo. Sabemos, por experiências da Irmandade, que o percurso não é tarefa fácil; em alguns momentos pomos em dúvida a nossa capacidade para exercitá-los, noutros, reconhecemos a inexistência da fidelidade absoluta aos princípios, bem como queremos reduzir a nossa responsabilidade vivendo o auto engano do “Não somos santos”.
Mesmo sendo considerado esse patamar, Alcoólicos Anônimos nos reanima ao assegurar que: a) os nossos “Passos” são guias para o progresso e b) nossa meta é o progresso espiritual, e não a perfeição espiritual. [“Nossa meta” me dá o alerta de que o bloco do eu sozinho não funciona. Sou responsável por mim, contudo, a minha recuperação aconteceu e prosseguirá se eu continuar atento e obediente ao coletivo espiritual de A.A.].
A nossa chegada ao pátio da Estação 12 nos permite entender que somos possuidores de suficiente combustível para vivermos com prazer e em ação. E isso acontece porque esses princípios projetam um novo modo de vida ao alcoólico. Por outro, os seus luminosos acendem para a grande “oportunidade de nos voltarmos para fora em direção de nossos companheiros ainda aflitos”. Nela, e recorrendo ao recurso espiritual da fé que funciona, sentimos o sabor do dar pelo dar, além da possibilidade de encontrar a almejada sobriedade emocional.
Alcoólicos, e as pessoas que nos cercam, sóbrias emocionalmente? Sim, é possível! Basta ouvirmos por que e para quem os sinos da “Estação” ecoam, para ocuparmos os assentos de uma verdadeira viagem do espírito, cujo bilhete avisa que começamos a praticar todos os Doze Passos em nossa vida diária.
Nessa viagem em direção de nós e dos nossos iguais, nada haverá de nos incomodar, pois com o sentimento da gratidão e pela humilde grandeza de nada querer em troca com a nossas ações de Aas, nos imunizamos contra trepidações e/ou turbulências emocionais. Isso acontece porque “Ajudar os outros é a pedra fundamental de nossa recuperação”, conforme atesta Bill W. Por sua vez, a experiência de A.A. testemunha que o exercício dos “Doze Passos de A.A.” oferecerá bem instalados trilhos ao alcoólico, cujo resultado serão vagões cheios de utilidade, integridade e felicidade.
Com a clareza de que o 12º Passo é a consequência da soma de todos os trechos de uma abençoada estrada, além de termos aceitado que é fundamental a transmissão da mensagem de A.A. para continuarmos sóbrios e sermos instrumentos para evitar a morte daqueles a quem devemos apresentar a verdade de Alcoólicos Anônimos, repensemos no seguinte entendimento de Bill W. , constante do Manual de Serviços de A.A.:
“O nosso Décimo Segundo Passo, que leva a mensagem, é o serviço básico que a irmandade de A.A. oferece. É o nosso principal objetivo e a razão primordial de nossa existência. Portanto, A.A. é mais do que um conjunto de princípios; é uma sociedade de alcoólicos em ação”.
Visto esse pensamento do cofundador, deve ser observado que a prática desse Passo segue um roteiro com a seguinte distribuição espiritual:
a) Através da aplicação dos onze “Passos” que o precedem, experimentaremos a realidade do despertar espiritual. A propósito, o que significa e o que representa esta individual revolução interna?
Os nossos textos respondem nos dizendo tratar-se para o alcoólico de um novo estado de consciência e uma nova maneira de ser, lembrando que, para essa conquista (ou dádiva?), são indispensáveis a boa vontade, a honestidade e uma mente aberta. Percebo também que o “despertar” é a graça pela graça, mas para tal haverá a necessidade de se estar pronto para recebê-lo. Portanto, à luz dos “Passos”, examinemos a trajetória de preparação.
A nosso ver, “Os Passos”, que propiciam o renascimento humano do bebedor-problema, possuem uma inteligente lógica espiritual. No Passo Um não lhe escapa aceitar a derrota total, além da ingovernabilidade de sua vida decorrente de sua obsessão pelo beber destrutivo. Com essa admissão, é inaugurado a sua reconstrução. Pela aceitação do Passo Dois, sobretudo com a utilização de uma fé que há de renovada, tem-se de volta a sanidade, na razão direta do grau de restabelecimento da aliança com um Poder superior. A.A. não exige, mas espera de cada um de nós ação. Por isso, no Passo Três decidimos nos entregar totalmente a Deus – a vida é Dele e a atitude do “tudo não eu posso só” se distancia do característico egoísmo do alcoólatra. Que alívio sentiremos quando da aplicação desses três primeiros “Passos”, porque a partir daí estaremos com a coragem para mudarmos a nossa postura diante de tudo aquilo que tínhamos como motivo para bebermos, provida do autoconhecimento, auto perdão e liberdade encontrados nos Quarto e Quinto Passo. Com isso, está aberto o caminho para uma vida adulta, bastando deixarmos a Deus a remoção de todos os defeitos de caráter. A lógica do aperfeiçoamento espiritual nos pede também humildade, pois só assim rogaremos a Ele que nos livre de nossas imperfeições, como tão bem proposto no Passo Sete.
Até aqui trabalhamos nós mesmos, o que não é suficiente. Convivíamos em sociedade e para ela o Programa de Recuperação nos dá direito de voltarmos. Os Passos Oito e Nono nos permitem essa ação, à medida que temos consciência a quem causamos danos e buscamos implementar reparações. Assim, o típico isolamento deixou de permear a vida do alcoólico. Com esse instrumental, já sabemos o que queremos – sendo A.A. o grande bem – e estamos sendo habilitados a conduzirmos a vida sob quaisquer condições, conforme preconiza o Passo Dez. A nosso ver, o universo do espírito se aproxima em nossa recuperação, pois em nossa rota faremos uso da oração e meditação para sabermos a vontade de Deus em relação a nós, rogando a Ele apenas força para cumprirmos o que Ele quer de nós. É o que preconiza o Décimo Primeiro Passo.
Nesse cenário, e com a dedicação para que a orquestra esteja completa e com os instrumentos polidos (registre-se: saiamos da “dança dos dois passos” para o “samba dos Doze Passos”), a experiência de A.A. confirma ser inevitável a colheita da paz de espírito, além do amor por si e pelo próximo. A isso, classificaria como “despertar espiritual”.
b) Com o “despertar” vem ao membro de A.A. a “sugestão” para que seja transmitida aos alcoólicos a mensagem de Alcoólicos Anônimos. Nesse sentido, a experiência confirma que o espírito de A.A. chegará ao membro se estiver em constante treinamento, sob pena de a sobriedade emocional ser apenas uma hipótese. Como posso transmitir o “tesouro de A.A.” se não me disponho a realizar a garimpagem necessária. Nada melhor, a nosso ver, ficarmos atentos ao exemplo do Dr. Bob, que no livro “Alcoólicos Anônimos” registra todo o seu sentimento de responsabilidade consigo próprio e com os seus assemelhados na sua incansável missão de transmissão da mensagem de A.A. Assim o fez para mais de 5.000 pessoas pelas seguintes motivações:
• Sentimento de dever
• É um prazer
• Porque, ao fazer isto, estou pagando minha dívida para com o homem que encontrou tempo para me transmitir tudo isto.
• Porque , a cada vez que o faço, garanto-me um pouco mais contra uma possível recaída.
Quanta convicção nos legou o cofundador. Observados os limites e aptidões, resta a cada um de nós, AÇÃO, AÇÃO, AÇÃO… Já dizia um de nossos conselheiros espirituais: “não há limites no trabalho de evolução espiritual”.
c) O exercício dos “Passos” nos transforma, ou somos pelas mãos de Deus reinventados para, em sendo uma nova criatura, cumprirmos tão somente a Sua vontade. Para tanto, praticar os princípios em todas as nossas atividades é essencial. Afinal, observado a humildade disposta no “Passo Sete”, passamos a ser exemplo. A Tradição realça o quanto é vital a Unidade de A.A., portanto, acordo que, enquanto indivíduo, sou impelido a ter atitudes ancoradas no Programa de Recuperação da Irmandade, ou seja, sem divisões. Não há como ser no Grupo o “exemplo” e no meu ambiente familiar, na minha profissional, na comunidade ou no dia a dia da convivência em sociedade ficar distante do que Alcoólicos Anônimos esperam do alcoólico em recuperação. Por oportuno, transcrevemos alguns questionários contidos neste princípio:
1)Temos condições para amar a vida com tanto entusiasmo quanto amamos aquela pequena parcela que descobrimos, quanto tentamos ajudar outros alcoólicos a alcançar a sobriedade?
2)Somos capazes de levar às nossas vidas em família, por vezes bastante complicadas, o mesmo espírito de amor e tolerância com que tratamos os nossos companheiros do Grupo de A.A.?
3) As pessoas de nossa família, que foram envolvidas e até marcadas pela nossa doença, merecem de nós o mesmo grau de confiança e fé que temos em nosso padrinhos?
4)Estamos prontos para arcar com as novas e reconhecidas responsabilidades que nos cercam?
Se formos laboriosos, o “milagre” acontece! E acontecerá diante da convicção de que Deus faz por nós o que nunca poderíamos fazer por nós mesmos, como também em nós membros de A.A. reside um bom crédito: o bebedor – problema de ontem não conhece o alcoólico em recuperação de hoje, mas este conhece muito bem aquele bebedor – problema de ontem. O “alcoólico de hoje” voltará ao submundo do “bebedor de ontem” se assim o desejar.
O Décimo Segundo Passo revela-se como uma firme, se for o caso, verificação dos onze primeiros “Passos de A.A”. Buscando sermos bons alunos no entendimento dos seus exercícios, enfrentamos os mais diversos conflitos, problemas e até mesmo a angústia das “dores do crescimento”. E, ao enfrentá-los, soluções surgem (ou “o que não tem solução, solucionado está”), possibilitando restabelecer a ordem em nosso interior, com o mundo ao nosso redor e com Deus.
E com a nossa integração ao mundo do espírito, com consciência, agiremos com utilidade, integridade e felicidade. Só nós, que já fomos beneficiados por essas ações, sabemos a extensão de “contemplar os olhos de homens e mulheres se abrirem maravilhados à medida em que passam da treva para a luz, suas vidas se tornando rapidamente cheias de propósito e sentido, famílias inteiras se reintegrando, o alcoólico marginalizado sendo recebido alegremente em sua comunidade como cidadão respeitável, e acima de tudo, ver estas pessoas despertadas para a presença de um Deus amantíssimo em suas vidas.”
Diante da tamanha importância dos fatos acima relatados, que acontecem quando somos titulares da mensagem que Deus nos reserva como condutores, a nós, membros de A.A. cabe rogar a esse mesmo Deus que suas bênçãos nos cheguem com SERENIDADE, CORAGEM e SABEDORIA, em cada dia de nossa renascida vida.

TERCEIRO PASSO

Terceiro Passo:
“Decidimos entregar nossa vontade e nossas vidas aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos”.

Primeiramente gostaria de colocar que o Terceiro Passo é o ponto de agrupamento de todas as pessoas em A.A. A expressão nele contida “Deus como nós O concebíamos” abre as portas para todas as pessoas de todas as religiões ou mesmo para as pessoas agnósticas ou atéias. Se assim não fosse, mais da metade dos membros de A.A. que dizem ter tido algum problema com Deus ou com as religiões estariam condenados à morte irremediavelmente. Praticamente esse passo antecipou a terceira Tradição que diz “Que o único requisito para ser membro é o desejo de parar de beber”; o passo diz praticamente que o único requisito para alcançar a sanidade é confiar nas ações de um poder superior a nós mesmos, seja ele qual for.
Nos dois primeiros passos, admitimos nossa impotência, viemos a acreditar que um Poder Superior pode devolver-nos a sanidade e, agora, precisamos decidir entregar nossa vontade e nossas vidas a seus cuidados. Não tomaremos essa decisão só uma vez, mas todos os dias, muitas vezes por dia. A minha maior dificuldade nesse Passo foi entender que a entrega da vontade e da vida não é feita de uma vez só, tipo um passe de mágica “toma, é sua”. Não, não é isso. Nenhum de nossos passos é feito uma só vez e pronto. Nada disso, os passos são um modo de vida e o Terceiro Passo não é diferente. Decidir escolher a vontade de Deus para nós é um modo de vida, é uma escolha. O Terceiro Passo é acima de tudo confiança, mas não uma confiança cega, mas sim uma confiança esclarecida, clara, evidente. Mas confiança não se consegue 100% instantaneamente; confiança se adquire com o tempo, com as experimentações, com as evidências. Um início às vezes tímido pode nos levar a grande desenvoltura na prática desse passo. Como exemplo, podemos tomar uma criança ao começar a andar. Inicialmente ela engatinha meio assustada, depois ganha confiança e se coloca de pé, mais à frente cambaleia, cai, machuca, ergue novamente e…pronto, já caminha sozinha, sem ajuda externa. O que a fez conseguir isso? Confiança. E como ela adquiriu essa confiança? Treinando, caindo, levantando, recomeçando, testando, acreditando que pode. O mesmo acontece com a prática do Terceiro Passo: iniciamos timidamente, depois ganhamos confiança e seguimos em frente, tal como um corredor de maratona prestes a vencer uma prova. Cabeça erguida, satisfação pela vitória pessoal, talvez até sinta algumas dores ou incômodos, mas está ciente que isso também faz parte do desfecho final. Ás vezes, acontece um tombo, mas se levanta e segue em frente. A confiança o faz tomar essa decisão: ir em frente. A prática desse passo também nos traz confiança; quando somos atormentados por alguém ou alguma coisa, respiramos profundamente e vamos em frente.
Se quisermos ser bem sucedidos na prática dos passos precisamos estar preparados para entregar aos cuidados de Deus toda a nossa vontade e todas as partes de nossa vida. Somente quando realmente estivermos capacitados a aceitar esse fato, a nossa viagem rumo à sanidade terá tido início. Note-se que eu disse a palavra início e é isso mesmo, pois é aqui no Terceiro Passo que praticamente começamos o trabalho de recuperação e por isso esse passo é considerado a pedra angular que segura todos os outros. Sem esse tipo de aceitação do Terceiro Passo não iremos muito longe.
Alguns obstáculos mentais surgem quando deparamos com o passo e um deles é pensarmos que estamos perdendo a nossa identidade, o nosso livre arbítrio em relação às escolhas que a vida nos oferece. Podemos achar que perdemos tudo, que perdemos o controle de tudo e nos assustamos com isso. Na realidade queremos controlar tudo e quando o passo nos diz para entregar a vida e a vontade nos assustamos e nos rebelamos. Esse é um fato real que nos paralisa. Mas não podemos ficar parados o tempo todo na encruzilhada do Terceiro Passo. A vida, nossa maior mestra, nos impele a praticá-lo, Talvez os traços herdados de nossa infância quando tentamos prender a atenção e cuidar das pessoas a nossa volta para que eles não nos abandonassem tenha reforçado em nós uma porção de tendências indesejáveis, tais como controlar, vigiar e um excessivo senso de responsabilidade. As condições em que crescemos muitas vezes nos impediram de confiar em Deus. Talvez nossas orações tenham ficado sem resposta e não conseguimos imaginar como um Deus podia ser tão cruel para nós. O Terceiro Passo é uma oportunidade que o programa nos dá de realinharmos com Deus, talvez e bem provável um outro Deus, agora da minha concepção e não aquele Deus que me foi imposto e sobre o qual eu não tive nenhuma oportunidade de participação na sua conceituação Aqui vale um parêntesis para dizer que o programa dos Doze Passos não é um programa religioso na acepção da palavra, ele é um programa prático para facilitar a nossa recuperação. Alcoólicos Anônimos teve início num contexto em que o pragmatismo era um modelo usado e pragmatismo nada mais é que fazer uso daquilo que dá resultado prático. Experimentação de erros e acertos, aquilo que deu certo continuamos a usar, aquilo que não deu descartamos. É assim a prática sugerida de Deus em nossa vida. Um Deus que cuida dos resultados e por isso mesmo ele é muito prático. Posso escolher o que quiser e o que julgar melhor para mim em determinado momento, mas o resultado não é necessariamente aquele que eu imagino. O resultado é sempre de Deus, cabe a nós aceitarmos.
É com a criação desse novo Deus que tenho galgado os passos em minha vida, um dia de cada vez. Mas não tem sido fácil descartar aquele outro Deus, porque mesmo ele não tendo funcionado, ele está impregnado dentro de mim, afinal foram anos vivendo sob a sua imagem. Logo, a prática do Terceiro Passo para mim é uma oportunidade que estou tendo de substituir aquele Deus que não deu certo por um outro da minha concepção. É um trabalho de construção diária, como todo o programa de A.A. É trabalho de construção a quatro mãos: eu vou construindo Deus e ele vai me moldando à sua maneira.
Durante a minha vivência no programa, alguns depoimentos a respeito desse passo me marcaram muito e aqui abro mais um parêntesis para citar dois deles: o primeiro é de uma companheira que dizia não concordar com o Deus das religiões. E, de acordo com a proposta do Passo, ela atribuiu uma Deusa como sendo a sua divindade. Pois bem, numa determinada reunião, ela usou o termo Deusa como ela a concebia e foi ridicularizada por todos que estavam no grupo. Ao que ela reagiu, em prantos, dizendo: Será que eu vou ter que continuar a aceitar um Deus de segunda mão como antes? Será que vou ter que aceitar o Deus de vocês? Será que não posso ter a minha própria concepção de Deus? Não, meus companheiros, continuou ela, não é isso que diz o Terceiro Passo. O Terceiro Passo me dá inteira liberdade para conceber o meu Deus, do meu modo e do meu jeito.
Graças a sua Deusa, essa companheira não saiu do grupo ou voltou a beber quando foi ridicularizada. É esse o cuidado que devemos ter, não é o meu Deus que vai funcionar para o outro e sim o Deus dele que vai funcionar para ele. Lembram-se quando o Dr. Silkworth advertiu para Bill: Não adianta ficar pregando para eles, Bill… Pois é, o programa é individual, o Deus de minha concepção também é individual…
No livro Viemos a Acreditar, tem um depoimento sob o título “Uma filosofia prática” em que o seu autor diz ser ateu e por isso mesmo teve muita dificuldade em entender e praticar o Terceiro Passo. Devido a um grande problema surgido em seu emprego passava pela sua cabeça pedir demissão e sair da cidade a qual morava. O padrinho dele em A.A. sugeriu para ele que trabalhasse com afinco por mais um determinado tempo e não preocupasse com os resultados. Pois bem, assim ele o fez e depois de um ano percebeu que teve duas promoções e todos os seus relacionamentos melhoraram muito. Ele, a partir daí, passou a entender o Terceiro Passo como sendo a prática da não preocupação. Fazer e não preocupar, os resultados seriam independentes da vontade dele. Ele pode até não gostar dos resultados, discordar deles, mas por mais que ele resista, os resultados são estes que estão aí. A partir desse belíssimo texto, passei a me observar. Hoje quando minha relação com Deus está bem, percebo claramente que não estou preocupado com nada, porque confio. Confiança é a palavra que define o Terceiro Passo para mim e se confio em uma força superior a mim mesmo, não tenho espaço para preocupar. Esse depoimento tem guiado a minha relação com Deus e com minha vida. Quando começo a enveredar por caminhos da autopiedade e da preocupação me lembro dele e retorno ao caminho. A intensidade com que estou preocupado com o futuro ou, pior, preocupado com o que aconteceu no passado e me perco tentando fazer o impossível que é reescrever a história, serve para mim como indicador de minha prática de Deus em minha vida e se estou me afastando dele, como não raro acontece, respiro fundo e tento voltar a aquele princípio de orar silenciosamente e pedir: “Meu Deus me ajude a voltar a confiar em Ti, pois estou me perdendo pelo caminho de minhas imaginações e atitudes negativas”. Nem sempre essa retomada é imediata, mas se insisto e persisto ela acontece e isso tem sido meu modo de praticar essa confiança em um novo Deus que, até aqui, tem me dado bons resultados.
O Terceiro Passo, portanto me proporciona o entendimento de Deus de uma outra forma. Não se trata mais daquele Deus vingativo julgador ou seja lá o que me foi passado, mas sim de um Deus que funciona quando as coisas vão mal, que eu posso realmente acreditar nele porque ele é todo justiça e amor. Não é mais aquele Deus que se parece com meus pais, autoritários, dedo em riste, isso não pode, aquilo também não; também não é aquele Deus doentio das religiões e igrejas, como eu estudei; nem um Deus a minha semelhança, um fardo de medo e incapacidade. Deus é Deus. Não como meu pai, nem minha mãe, nem minha igreja ou eu mesmo. Ele está acima disso tudo, pois se assim não fosse, eu não poderia confiar a Ele minha vida e minha vontade. É assim a minha concepção de Deus hoje: um Deus que funciona que é justiça e que eu posso e devo discordar dele o quanto eu quiser e a hora que quiser, mas tenho que aceitar que a minha vida e minha vontade está em suas mãos, pois assim eu decidi.
O divino, o sagrado, pode ganhar muitos nomes. Pode ser Poder Superior, pode ser Deus, pode ser Deuses, Deusa, pode ser uma vibração ou uma iluminação. Independentemente de como o denominamos, há algo que reconhecemos como transcendente que ultrapassa a coisificação do mundo e a materialidade da vida, que faz com que haja importância em tudo que existe. Desse ponto de vista, não basta que eu me conecte com os outros ou com a natureza. Preciso fazer uma incursão no interior de mim mesmo em busca da vida que vibra em mim e da fonte dessa vida. É essa fonte que posso até chamar de Deus como eu O concebo. A conexão com essa fonte é aquilo que os gregos chamavam de “sympatheia”, que significa simpatia. Trata-se de buscar uma relação simpática com o divino. E o Terceiro Passo é o início dessa relação que irá se desenvolver nos demais passos.

Obrigado!!!!!!!!!

DOZE PASSOS

OS DOZE PASSOS

Força é a capacidade interior de resistir às dificuldades, às perdas, às desilusões e às pressões.
Força é ter coragem de enxergar os erros e assumi-los.
É não guardar ressentimentos, raiva, não ser vingativo.
É quando descobrimos que somos em Deus e não precisamos provar nosso valor aos outros.
As dores físicas, mentais e espirituais têm sobre nós um efeito contrário quando admitimos nossa fraqueza, nossa impotência, nossa perda de domínio ante os efeitos do álcool.
Fazemo-nos fortes quando acreditamos num Poder Superior a nós mesmos. O qual rege nossa existência. “Se Ele nos deu um limão… façamos uma doce limonada…”
De formas diferentes resistimos à fragilidade, buscamos força e procuramos viver. Resistir, negar ou dissimular nossa fraqueza faz parte do jogo da existência.
Infelizmente, o senso comum insiste que pessoas fracas não devem ter espaço. É a lei da natureza que seleciona a raça e privilegia os genes mais notáveis, daí as demonstrações mais bizarras de força se apresentam com mais veemência no tom de voz, na simetria da estética, nos poderes sociais, nos processos ilusórios do ter, do ser e do poder.
É bem ai que nos descobrimos como de fato nós somos: imperfeitos, eternos aprendizes e viajantes de um mundo onde o nosso amor próprio, o orgulho, a vaidade, muitas vezes falam mais alto que o bom senso e a coragem para viver e lutar pelo que de fato buscamos: a sobriedade!
Nesta nossa caminhada temos aprendido em quantas situações somos fracos e impotentes, mas também aprendemos e buscamos força para exercer uma influência positiva sobre nós mesmos, sobre as pessoas que amamos e o mundo em que vivemos.

1º Passo:
Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.
“A força nascendo da fraqueza”

É obvio, gostaríamos que a vida não tivesse estradas tortuosas e becos sem saída. Gostaríamos que fosse um só caminho iluminado e que nada precisássemos mudar para chegar sempre mais acima, sem parar para pensar e reprogramar nossos caminhos.
Porém, a dor, o sofrimento, as doenças e a morte estão sempre presentes para sinalizar o caminho a seguir. É nessas condições que muitas vezes perdemos a governabilidade de nossas vidas e necessitamos começar a desenvolver uma abertura mental que nos devolverá a sanidade perdida.
A mente é como um pára-quedas; só funciona quando aberto! Isso mesmo, a diferença é que no pára-quedas puxa-se a cordinha e ele se abre; já a mente se abre quando ouvimos as pessoas, lemos, estudamos, observamos, cultivamos a humildade e treinamos para mantê-la cada vez mais aberta, ai, sim, poderemos entender o verdadeiro significado deste 2º Passo. “Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade”.
Mas o que seria sanidade mental? É a saúde de nossa mente, que significa ter pensamentos e sentimentos positivos sobre nós mesmos.
É tradicional o provérbio de que “o bom humor afasta as doenças”, ou “aquele que ri, vive mais”. Isto significa que a mente tem relação direta ou indireta com o corpo.
Assim, à medida que “alimentamos” bem nossa saúde mental com emoções positivas, poucos aborrecimentos e bons pensamentos, melhor será a nossa saúde física também.
Portanto, sanidade mental significa total saúde da mente e do corpo, que implica em viver uma vida de ação sem conflito, pois é o conflito que causa o desequilíbrio.
Só com a ajuda Dele, nosso Poder Superior readquiriremos o equilíbrio mental.
Este passo nos leva a crer que há uma solução e que poderemos voltar a ter saúde mental.

2º Passo:
Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.
“Mente Aberta: Caminho para a Sanidade”

O Terceiro Passo pede uma ação positiva: – deixar Deus entrar em nosso coração sem medo, sem receios, sem fronteiras ou idéias pré-concebidas, pois é somente através da ação que conseguimos abandonar a vontade própria que, até o momento impediu a entrada de Deus em nosso coração.
A esperança, a fé, o sentido e a direção de nossas vidas nascem em nosso interior, não como uma passe de mágica, do dia para noite, mas no contato diário de proximidade com o Poder Superior. Através de um coração aberto e um espírito irrequieto, escutamos, percebemos e sentimos a Presença.
Quantas vezes ouvimos: “As coisas impossíveis aos homens são possíveis a Deus”!
Numa atitude corajosa nos despojamos de tudo entregando nossa vida e nossa vontade aos cuidados Daquele que nos deu a vida, na forma em que O conhecemos.
Esta decisão exige de nós aceitação contínua e comprometimento diário com os Princípios Espirituais do Programa de Recuperação de A. A.
Os Doze Passos nos levam a uma nova maneira de viver: – o viver com Amor e esse Amor é impossível guardar só para nós. A partir do 3º Passo compartilhamos uns com os outros a entrega total!!
3º Passo:
Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.
“A Chave da Boa Vontade”

Hoje é dia de faxina mental!
Vamos jogar fora tudo o que nos prende ao passado, ao mundo das coisas tristes: fotos, cartas, peças de roupas, papéis velhos, quadros… vamos jogar fora, mas principalmente esvaziar nosso coração para recomeçarmos uma vida nova!
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo! É renovar as esperanças na vida; é acreditar de novo!
Se sofremos muito neste período… foi aprendizado!
Se choramos muito… foi limpeza da alma!
Se sentimos raiva das pessoas… foi para perdoá-las um dia!
Se acreditamos que tudo estava perdido… foi quando teve início nossa melhora! Foi quando pedimos ajuda, admitimos nossa impotência, fizemos as pazes com Deus e entregamos nossa vida aos Seus cuidados!
Chegou a hora de descobrirmos nossas deformidades emocionais através do 4º Passo, “limpar a casa”, fazer uma “faxina mental”.
Quantos anos vividos, simplesmente por viver?
Quantos erros cometidos tantas vezes e muitas vezes repetidos?
Quantas lágrimas sentidas e choradas quase sempre às escondidas para ninguém ver ou saber?
Quantas dúvidas deixadas no tempo para se resolver depois ou nunca resolver?
Quantas vezes fingimos alegria, sem o coração estar feliz?
Quantas noites embriagados… varamos na solidão?
Quantas frases foram ditas com palavras desgastadas pelo tempo?
Quantas vezes vivemos apenas para sobreviver…?
É tempo de promovermos uma verdadeira faxina em nosso interior.
Procurar tirar de dentro de nós tudo o que nos causa incômodo: tristeza, mágoa, raiva, ciúme, inveja é o mínimo que podemos fazer por nós mesmos. Com esta limpeza estaremos dando lugar para ali se alojar a alegria, a paz, a coragem, a vontade e o desejo de sermos felizes, pois sendo felizes poderemos colaborar para a felicidade daqueles que amamos.
4º Passo:
Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.
“Descobrindo Deformidades Emocionais”

Sair do isolamento, da imperfeição, da insignificância e da camuflagem através do reconhecimento da realidade prepara-nos para os próximos passos.
Os erros existem para serem admitidos!
Admiti-los a outra pessoa e a Deus dói muito e não adianta procurar nova saída enquanto esta estiver bloqueando o caminho da recuperação.
Não é fácil admitir imperfeições e pedir perdão quando falhamos, mas de repente, levantar a cabeça e reiniciar tudo de novo, talvez seja menos penoso do que ficar se escondendo por trás de uma máscara.
A confissão é prática antiga e faz bem.
Através dela aflora do interior a sensação de alívio e a certeza de que estamos sozinhos.
Sem a admissão dos próprios defeitos poucos se mantêm sóbrios.
Segundo Platão “a alma imortal humana consiste de Três partes: a razão, a coragem e os instintos. Se estas três partes estiverem em equilíbrio o ser humano será feliz.”
Uma vez feito o 5º Passo, nossa meta é o equilíbrio!

5º Passo:
Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.
“A saída do isolamento”

“Não podemos ensinar o caminho, porém podemos mostrar como tem sido nosso caminhar vivendo à maneira de A. A.”
Para que eu possa abandonar objetivos limitado talvez deva responder algumas perguntas:
– Que tipo de pessoa eu sou hoje?
– Como começo meu dia? Entregando ao Poder Superior ou deixando rolar?
– Que tipos de amigo eu tenho?
– Como é que os outros me vêem? Acreditam em mim ou não me levam muito a sério?
– Que tipo de pessoa eu desejo ser?
– Que qualidades e virtudes possuo hoje, que me serão necessárias para uma vida íntegra, útil e feliz?
– Que defeitos ainda tenho e preciso prontificar-me a deixar que Deus os remova? Orgulho, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, invejas, bebedeiras, glutonarias e coisas semelhantes a estas?

6º Passo:
Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
“Abandonando objetivos limitados”

De repente, num instante fugaz, os fogos de artifício anunciam que o ano novo está presente e o ano velho ficou para trás.
De repente, nossos olhos se cruzam, as mãos se entrelaçam e nós, companheiros de A. A., num só abraço caloroso, num só pensamento, exprimimos uns aos outros, um só desejo, uma só aspiração: – mais 24 horas de sobriedade!
De repente, sem mágoas, sem rancor, sem ódio entoamos o mesmo hino, a mesma canção: Só por hoje – Serenidade, Coragem e Sabedoria.
Mais um ano se passa e juntos podemos comemorar a virada de um novo tempo, encher nossos corações de esperanças e dizer: – como é bom termos conosco pessoas tão especiais! Como é bom saber que podemos contar, sempre que precisamos, com o carinho, a atenção e a compreensão de nossos companheiros de A. A.
Mesmo com todos os obstáculos que a vida nos prepara, conseguimos superar as barreiras e passar para este novo ano com a certeza que será melhor, uma vez que iniciaremos nosso: CAMINHO RUMO À LIBERDADE DO ESPÍRITO já neste primeiro mês do ano!
Com Fé conseguiremos! É só começarmos cultivando a virtude HUMILDADE; é difícil? É! Daí pedirmos a ajuda do nosso Poder Superior e, com a humildade servindo de guia, quem sabe alcançaremos a tão almejada LIBERDADE DO ESPÍRITO.

7º Passo:
Humildemente, rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.
“Caminho Rumo à Liberdade do Espírito”

“Não importa o que a vida fez conosco.
O que importa é o que faremos com aquilo que a vida fez conosco”.

Olhamos o passado e tentamos descobrir onde erramos. Surge assim o conhecimento de nós mesmos, o autoconhecimento do “eu”: – Como eu me julgo? Como eu gostaria de ser?
Relaciono as pessoas que prejudiquei através do Oitavo Passo e me disponho a reparar os danos causados. Surge a necessidade de sermos perdoados.
Mas o que é o perdão? É uma decisão? É uma atitude? Ou é uma forma de vida?
O perdão é tudo isso ao mesmo tempo, porém: “busca tua verdade em teus sentimentos mais instintivos e escuta teu coração” – perdoa primeiro a si mesmo.
Que críticas de nós mesmos teremos que deixar de lado para que posamos nos perdoar?
Perdoar a si mesmo é provavelmente o maior desafio que podemos encontrar na vida. É o processo pelo qual aprendemos a nos amar e aceitar a nós mesmos.
O objetivo do perdão é a identificação de nossos enganos, temores, julgamentos e críticas que vêm nos mantendo presos no papel do próprio carcereiro.
Descobrimos através do Oitavo Passo a nossa verdade e nutrimos o respeito por que somos: – é o começo do fim do isolamento de nossos semelhantes e de Deus.

8º Passo:
Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados..
“ O começo do fim do isolamento”

“Errei!
Perdão!
Meu erro foi me deixar levar…
Esquecer-me de mim, dos meus princípios e de todos…
Perdoe-me por deixar-me dominar pela doença.
Maltratar e magoar as pessoas que mais amo.
Perdoe-me por falar demais quando deveria calar-me e ouvir.
Por calar-me quando deveria dizer palavras certas nas horas certas.
Perdoe-me pelo abandono; pelo pouco caso, pela indiferença!
Pela minha mão não estendida…
Arrependo-me!
Se um dia puder… perdoe meus atos… Volte a confiar em mim!”

Simples não é mesmo?
Este é o espírito do Nono Passo: reparar os danos causados.
Um ato corajoso!
“Reparando prejuízos causados”: só o ofendido sabe o quanto dói a ofensa.
“Coragem, Bom Senso e Prudência”: faça sua escolha e sua escolha fará você.
“Paz de Espírito”: ao beneficiar terceiros obterei a tão almejada paz de espírito.

9º Passo:
“Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outrem”.
“ Reparando prejuízos causados – Paz de Espírito”

Todos os seres humanos têm problemas a equacionar na busca da sobriedade e do equilíbrio emocional, os quais, mais cedo ou mais tarde chegarão em função do maior ou menor esforço de cada um.
Como alcançar este estágio de evolução espiritual?
Deus, como cada um de nós O concebe, em Sua infinita bondade e sabedoria vem nos mostrando que para a aquisição da sobriedade e do equilíbrio emocional precisamos antes de tudo viver em harmonia conosco e com os outros.
Como? Optando pelo retorno à sanidade e dignidade pessoal procurando distinguir entre o razoável, o moderado, do irracional e imoderado, através do Programa dos Doze Passos.
Compreender que durante a recuperação problemas complicados naturalmente surgirão em nossas vidas, porém, o importante é sabermos resolvê-los da melhor maneira possível.
Se perdermos nosso controle emocional, na certa, nossa capacidade de enfrentar obstáculos será notadamente afetada, daí a necessidade de treinarmos nosso equilíbrio emocional diariamente, a fim de que tenhamos o controle dos nossos sentimentos e de nossas reações.
Aprender a entender nossas reações emocionais nos tempos atuais é de fundamental importância, pois a velocidade dos acontecimentos tira-nos, muitas vezes, o poder de concentração, bloqueando nossa mente e consequentemente, nossa recuperação.
O importante é conviver com os problemas de forma pacífica e ao mesmo tempo de forma ativa, sem deixar para amanhã o que se pode fazer hoje. Ajudar nossos semelhantes compartilhando experiências relacionadas ao nosso programa de recuperação. Continuar a fazer o inventário moral para eliminarmos nossos defeitos de caráter e por fim, não permitir o vazio espiritual; preenchê-lo, para que nossa vida seja sempre oxigenada, refrigerada e feliz.

10º Passo:
“Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente”.
“ Equilíbrio emocional”

Meditação e oração são práticas que remontam as raças primitivas e consideradas essenciais à renovação espiritual.
Ao meditar nossa mente pondera, considera, sonda, pesquisa, pesa e acrescenta sempre um pouco mais de informação que enriquece nosso pensamento de tal forma levando-nos a novos conhecimentos tornando mais claras certas verdades espirituais.
De conformidade com as leis mentais, de coração puro e mente aberta: Oramos!
A centelha divina de cada um de nós aspira reconhecer a Fonte elevada que nos criou e a oração leva nosso espírito a compartilhar das mesmas idéias de um Poder superior a nós mesmos, ou seja, o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e força para realizá-la.
Quando nos aproximamos do Poder Superior em oração estamos num estado receptivo que nos leva para mais perto do nosso ideal e podemos assim, experimentar uma efusão radiante e gloriosa do espírito.
“Quando compreendi que Deus é um Ser realmente bom, a Oração e a Meditação passaram a ser para mim uma conversa muito agradável com Ele, na linguagem do meu coração.”
“O relacionamento com Deus é o nosso relacionamento mais importante e é impossível sem a comunicação.”
“A não ser que você tenha uma experiência espiritual, não existe nada que possa ser feito. Você está muito condicionado pelo alcoolismo para ser salvo por outro caminho.”
“Deus não quer que eu ajunte tesouros materiais porque estes tesouros e a traça e a ferrugem destroem e os ladrões arrobam e furtam.”
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11º Passo:
“Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade”.
“ Meditação e oração”

O amor entre nós AAs. É um sentimento tão divino que muitas vezes foge à nossa compreensão.
Através deste amor somos movidos a caminhar juntos pela vida levando compreensão, perdão, tolerância, desapego; dando valor ao que realmente tem valor, não ficando presos a palavras, gestos, fatos, eventos ou situações emocionais, pois tudo isto é muito pequeno comparado à grandeza do nosso espírito, à grandeza da vida que A. A. nos proporciona.
É neste caminhar juntos que fazemos nossa parte amando nossos companheiros como a nós mesmos, entregando ao Poder Superior nossa vida, nossas situações conflitantes e dolorosas visualizando sempre nossa grande meta que é tão somente nosso amadurecimento espiritual.
Existe outra maneira de atingirmos nossa paz interior senão através do amor?
Do dar que não pede recompensa?
Do amor sem nada pedir em troca?
Este amar que vai além…
Nós Aas. Após havermos experimentado um despertar espiritual graças aos Passos sabemos que há retorno sim, porém do Amor Divino e real que é a alegria de viver! A verdadeira felicidade está em termos a capacidade de expressar este amor.
Que o Poder Superior nos conceda a graça de continuarmos na emoção de levar emoção, reconciliando sentimentos, encurtando distâncias através das palavras, palavras estas, que vocês nos enviam e que aliviam a dor e o sofrimento daqueles que ainda não conhecem A. A.
Que a luz que guia o mundo possa também iluminar os seus sonhos.

12º Passo:
“Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades”.
“O amor que não tem preço”

(Fonte de informação – Revista Viência)