Monthly Archives: Dezembro 2012

OS DOZE PASSOS UM NOVO COMEÇO

Primeiro Passo

ORAÇÃO PARA O PRIMEIRO PASSO

Hoje peço ajuda para a minha recuperação. Sinto-me um pouco perdido e estou muito inseguro de mm mesmo. A negação impediu-me de ver como sou impotente e como perdi o domínio sobre minha vida. Preciso aprender e lembrar que não posso controlar minha vida e nem a dos outros. Também preciso lembrar que a melhor coisa à fazer no momento é renunciar. Escolho renunciar – admito que sou impotente e perdi o domínio sobre minha vida.

ADMITIMOS QUE ÉRAMOS IMPOTENTES PERANTE A NOSSA DEPENDENCIA E QUE NOSSAS VIDAS TINHAM SE TORNADO INCONTROLÁVEIS.
Não importa o que ou o quanto nós usávamos. Em Narcóticos Anônimos, estar limpo tem que vir em primeiro lugar. Percebemos que não podemos tomar drogas ou álcool e viver. Quando admitimos nossa impotência e inabilidade para dirigir nossas próprias vidas, abrimos a porta para a recuperação. Ninguém conseguia nos convencer de que éramos dependentes. Nós mesmos temos que admiti-lo. Quando algum de nós fica em dúvida, ele se pergunta: “Posso controlar o uso de substancias químicas que alterem de alguma forma minha mente ou meu ânimo ?”
A maioria dos dependentes perceberá imediatamente que é impossível controlar. Seja qual for o resultado, descobrimos que não podemos usar controlada mente por qualquer período de tempo.
Isso claramente sugeriria que um dependente não tem controle sobre as drogas. Impotência significa nos drogarmos contra a nossa vontade. Se não conseguimos parar, como podemos nos iludir dizendo que controlamos ? Quando dizemos que não temos escolha mostramos a nossa incapacidade de parar de usar, mesmo com a maior força de vontade e o desejo mais sincero. No entanto, nós temos uma escolha quando paramos de tentar justificar nosso uso de drogas ou álcool.
Não chegamos à N. A. ou a CASA DA ESPERANÇA transbordantes de amor, honestidade, boa vontade e mente aberta. Chegamos ã um ponto em que não podíamos mais continuar devido à nossa dor física mental e espiritual. Ao nos sentirmos derrotados, ficamos prontos.
Nossa incapacidade de controlar o uso do álcool ou drogas é um sintoma da doença da dependência química. Não somos apenas impotentes perante as drogas ou álcool, mas também perante a dependência química. Precisamos admiti-lo para nos recuperarmos. A Dependência química é uma doença física, mental e espiritual que afeta todas as áreas de nossas vidas.
O aspecto física da nossa doença é o uso compulsivo de substancias químicas: incapacidade de parar uma vez que tenhamos começado. O Aspecto mental é a obsessão ou o desejo incontrolável que nos leva à usar, mesmo destruindo nossas vidas. A parte espiritual da nossa doença é o total egocentrismo. Pensávamos que podíamos parar a qualquer hora, apesar de todas as evidências em contrário. Negação, substituição, racionalização, justificação, desconfiança dos outros, culpa vergonha, desleixo, degradação, isolamento e perda de controle são alguns resultados da nossa doença. Nossa doença é progressiva, incurável e fatal. Para a maioria de nós, é um alívio descobrir que temos uma doença e não uma deficiência moral.
Não somos responsáveis pela nossa doença, mas somos responsáveis pela nossa recuperação. A maioria de nós tentou parar de usar por conta própria, mas éramos incapazes de viver com ou sem o uso de drogas. Finalmente percebemos que éramos impotentes perante o nosso vício.
Muitos de nós parar de usar por simples força de vontade, o que resultou numa solução temporária. Vimos que a força de vontade sozinha não funcionava por muito tempo.
Tentamos inúmeros outros recursos, psiquiatras, hospitais clínicas diversas, novos romances, novas cidades, novos trabalhos. Tudo o que tentávamos fracassava. Começamos à perceber que havíamos racionalizado verdadeiros absurdos para justificar a confusão que fizéramos das nossas vidas com drogas ou álcool.
Até abrirmos mão de todas as nossas restrições, sejam elas quais forem, estaremos colocando em risco os alicerces da nossa recuperação. As restrições nos privam dos benefícios que este programa tem à oferecer. Livrando-nos de todas as restrições, nós nos rendemos. Só assim poderemos ser ajudados na recuperação da doença da dependência química.
Agora a pergunta é: Se somos impotentes como o grupo de auto-ajuda pode ajudar? Começamos por pedir ajuda. O Alicerce do nosso programa é a admissão de que nós, por nós mesmos, não temos poder sobre a dependência. Quando podemos aceitar este fato, completamos a primeira parte do Primeiro Passo.
Precisamos fazer uma Segunda admissão para completarmos o nosso alicerce. Se pararmos aqui, saberemos apenas meia verdade. Somos mestres em manipular a verdade. Dizemos por um lado: Sim, sou impotente perante minha dependência, e por outro lado, Quando acertar minha vida, poderei lidar com drogas ou álcool. Tais pensamentos e ações nos levara de volta à ser o que éramos antes: à consumir descontroladamente as substancias químicas. Nunca nos ocorreu perguntar: Se não podemos controlar o uso de drogas ou álcool, como podemos controlar nossas vidas ? Nós nos sentíamos péssimos sem as drogas e nossas vidas estavam incontroláveis.
Incapacidade de se empregar, desleixo e destruição são facilmente identificados como características de uma vida incontrolável.. Geralmente nossas famílias estão desapontadas, confusas e frustradas com nossas ações e, muitas vezes, desertara ou nos deserdaram. Nossas vidas não se tornam controláveis por conseguir um emprego, sermos aceitáveis socialmente ou com retorno aos familiares. Aceitação social não significa recuperação.
Descobrimos que não tínhamos escolha: ou mudávamos completamente nossas antigas maneiras de pensar, ou então voltávamos à usar. Quando damos o melhor de nós, o programa funciona para nós como funcionou para outros. Quando não suportávamos mais as nossas velhas maneiras de ser, começamos à mudar. À partir deste ponto, começamos à ver que cada dia limpo é um dia bem sucedido, não importa o que aconteça. A Rendição significa que não temos mais que lutar. Aceitamos a nossa dependência e a vida como ela é. Estamos dispostos à fazer o que for necessário para ficarmos limpos, até o que não gostamos de fazer.
Até darmos o primeiro passo, estávamos repletos de medos e dúvidas, muitos de nós sentiam-se perdidos e confusos. Nós nos sentíamos diferentes. Ao trabalharmos este passo, afirmamos a nossa rendição aos princípios de N. A. Somente após a rendição começamos a superar a alienação da dependência. A ajuda aos dependentes só começa quando somos capazes de admitir a completa derrota. Pode ser assustador, mas é o alicerce sobre o qual construímos nossas vidas.
O Primeiro Passo significa que não precisamos usar, e isto é uma grande liberdade. Demorou muito para que alguns de nós percebessem que suas vidas tinham-se tornado incontroláveis. Para outros, o descontrole de suas vidas era a única coisa clara. Sabíamos, no fundo de nossos corações, que as drogas e/ou álcool tinham o poder de nos transformar em alguém que não queríamos ser.
Estando limpos e trabalhando este passo, somos libertados de nossos grilhões. Entretanto, nenhum dos passos trabalha por mágica. Não repetimos apenas os dizeres deste passo, aprendemos à vive-los.. Percebemos que o programa tem algo de concreto à nos oferecer.
Encontramos esperança. Podemos aprender à funcionar no mundo em que vivemos. Podemos encontrar sentido e significado na vida e sermos resgatados da insanidade depravação e morte.
Quando admitimos a nossa impotência e incapacidade de controlar nossas próprias vidas, abrimos a porta para que um PODER SUPERIOR à nós mesmos pudesse nos ajudar. Não é onde estávamos que conta, mas para onde estamos indo.
Segundo Passo

ORAÇÃO PARA O SEGUNDO PASSO

Rogo para Ter uma mente aberta para que eu possa crer em um PODER SUPERIOR à mim mesmo. Peço humildade e a contínua oportunidade de aumentar a minha fé. Não quero mais ser arrogante.

VIEMOS À ACREDITAR QUE UM PODER SUPERIOR À NÓS MESMOS PODERIA DEVOLVER-NOS À SANIDADE.
O Segundo Passo é necessário se esperamos alcançar uma recuperação contínua. O Primeiro Passo deixa-nos a necessidade de acreditarmos em algo que nos ajude com a nossa impotência, inutilidade e desamparo.
O Primeiro Passo deixou um vazio em nossas vidas. Precisamos encontrar alguma coisa para preencher esse vazio. Este é o propósito do Segundo Passo.
Alguns de nós, à princípio, não levaram este passo à sério, passamos por ele com pouco interesse, para constatarmos depois que os passos seguintes não funcionavam até que trabalhássemos o Segundo Passo. Mesmo quando admitíamos precisar de ajuda para o nosso problema com drogas e/ou álcool, muitos de nós não admitiam a necessidade de fé e sanidade.
Temos uma doença progressiva, incurável e fatal. De maneira ou outra, fomos lá e compramos a nossa destruição à prestações! Todos nós, do doidão que rouba bolsa na rua à doce velhinha que consegue arrancar receitas de dois ou três médicos, temos uma doença em comum:
Buscamos nossa destruição de papel em papel, de comprimido em comprimido, de garrafa em garrafa, de seringa em seringa, até a morte. Isto é pelo menos parte da insanidade da doença da dependência química. O Preço pode parecer maior para o dependente que se prostitui por um pico do que o dependente que apenas mente para o médico. No fim, ambos pagam pela doença com suas vidas. Insanidade é repetir os mesmos erros esperando resultados diferentes.
Quando chegamos ao grupo de auto-ajuda ou Fazenda, muitos de nós percebemos que voltáramos à usar inúmeras vezes, mesmo sabendo que estávamos destruindo nossas vidas. Insanidade é usarmos substancias químicas dia após dia, sabendo que o único resultado é a nossa destruição física e mental. A Insanidade mais óbvia da doença da dependência é a obsessão de usar drogas.
Pergunte à você mesmo: Acredito que seria insano pedir à alguém Por favor, me dê um ataque de coração ou um acidente fatal ? Se você concordar que isto seria insano, não deverá Ter qualquer problema com o Segundo Passo.
No Programa, a primeira coisa que fazemos é parar de usar drogas e/ou álcool. Neste ponto, começamos à sentir a dor de viver sem as substancias químicas ou algo que as substitua. A dor nos força à buscar um PODER SUPERIOR do que nós mesmos, que possa nos aliviar da obsessão de usar. O Processo de vir à acreditar é parecido para a maioria dos dependentes. Faltava à maioria de nós um relacionamento prático com um PODER SUPERIOR. Começamos a desenvolver este relacionamento simplesmente admitindo a possibilidade de um PODER MAIOR do que nós. A Maioria de nós não tem dificuldade de admitir que a dependência havia se tornado uma força destrutiva em nossas vidas. Nossos melhores esforços resultavam em destruição e desespero cada vez maiores.
Chegamos à um ponto em que percebemos que precisávamos de ajuda de algum PODER MAIOR do que a nossa dependência. A Nossa compreensão de um PODER SUPERIOR fica à nosso critério. Ninguém vai decidir por nós. Podemos escolher o grupo, o programa, a fazenda ou podemos chamá-lo de DEUS. A única diretriz sugerida é que este PODER seja amoroso, cuidadoso e maior do que nós. Não precisamos ser religiosos para aceitar esta idéia. O Importante é abrir-nos nossas mentes para acreditar. Podemos Ter dificuldades, mas mantendo a mente aberta, mais cedo ou mais tarde encontramos a ajuda necessária.
Falamos e ouvimos os outros. Vimos outras pessoas se recuperando, e elas nos disseram que estava funcionando para elas. Começamos à ver evidências de um PODER que não podia ser explicado completamente. Confrontados com esta evidência, começamos à aceitar a existência de um PODER SUPERIOR. Podemos usar este PODER muito antes de compreendê-lo.
À Medida que vemos coincidências e milagres acontecendo em nossas vidas, a aceitação se transforma em confiança, Crescemos à ponto de nos sentirmos à vontade com o nosso PODER SUPERIOR, como fonte de força. À medida que aprendemos às confiar nesse PODER, começamos à superar o nosso medo da vida.
O Processo de vir à acreditar devolve-nos à sanidade. A força para agir vem desta crença. Precisamos aceitar este passo para começarmos à trilhar o caminho da recuperação. Quando a nossa crença estiver fortalecida, estaremos preparados para o Terceiro Passo.
Terceiro Passo

ORAÇÃO PARA O TERCEIRO PASSO

Senhor JESUS, entrego-TE a minha vontade e minha vida. Molde-me e fazes comigo o que quiseres. Confio em TÍ para guiar os meus passos e entro no mundo com a esperança de melhor fazer a tua vontade. Peço-TE perdão e acolhida.
Acolho o poder, o amor e a orientação do TEU Espírito Santo em tudo o que faço. Amém.

DECIDIMOS ENTREGAR NOSSAS VONTADES E NOSSAS VIDAS AOS CUIDADOS DE DEUS, NA FORMA EM QUE O CONCEBÍAMOS.
Como dependentes, várias vezes entregamos nossas vontades e nossas vidas à um poder destrutivo. Nossas vontades e nossas vidas eram controladas pelas drogas. Fomos capturados pela necessidade de satisfação imediata que as substancias químicas nos davam. Durante este período, todo o nosso ser, corpo, mente e espírito, estava dominado pelas drogas ou pelo álcool, ou então, em muitos casos, pelos dois, Por algum tempo, isto nos deu prazer, depois a euforia começou à desaparecer e vimos o lado horrível da dependência. Descobrimos que, quanto mais alto as substancias químicas nos levavam. Mais para baixo elas nos deixavam de volta. Encaramos duas escolhas: Ou sofrer a dor da retirada ou usar mais.
Para todos nós, chegou o dia em que já não havia mais escolha: Tínhamos que usar. Com nossas vontades e nossas vidas entregues a nossa dependência química e em total desespero, procuramos outro caminho. No Programa dos Doze Passos, decidimos entregar nossas vontades e nossas vidas aos cuidados de DEUS, na forma em que o concebíamos. Este é um passo gigantesco. Não precisamos ser religiosos; qualquer um pode das este passo. Só é preciso boa vontade. Só é essencial abrirmos a porta para um PODER SUPERIOR.
Nosso conceito de DEUS não vem de um dogma, mas daquilo em que nós acreditamos e que funciona para nós. Muitos de nós compreendem DEUS, simplesmente, como sendo aquela força que nos mantêm limpos. O direito de um DEUS, de maneira que você o compreende, é total e irrestrito. Por termos este direito, precisamos ser honestos à respeito da nossa crença, se quisermos crescer espiritualmente.
Descobrimos que tudo o que precisávamos fazer era tentar. Quando fizemos os nossos melhores esforços, o programa funcionou para nós, como havia funcionado para tantos outros.
O Terceiro Passo não diz que Entregamos nossas vontades e nossas vidas aos cuidados de DEUS. Diz que Decidimos entregas nossas vontades e nossas vidas aos cuidados de DEUS, na forma em que O concebíamos. Nós o decidimos, não foram as drogas, o álcool, nossas famílias, uma autoridade, um juiz, um terapeuta, um médico, um coordenador ou um padre. FOMOS NÓS QUE DECIDIMOS!! Pela primeira vez, desde àquela primeira onda, tomamos uma decisão por nós mesmos.
A Palavra decisão implica ação. Esta decisão é baseada na fé. Precisamos apenas acreditar que o milagre que vemos acontecer nas vidas de dependentes químicos em recuperação pode acontecer à qualquer dependente que tenha o desejo de mudar. Percebemos apenas que existe uma força para o crescimento espiritual, que pode nos ajudar à ser mais tolerantes, pacientes e úteis para ajudar os outros. Muitos de nós disseram: Tome minha vontade e minha vida. Oriente-me na minha recuperação. Mostre-me como viver. O Alívio de abrir mão e entregar à DEUS ajuda-nos à desenvolver uma vida que vale a pena viver.
A Rendição à vontade do nosso PODER SUPERIOR vai ficando mais fácil com a prática diária. Quando tentamos honestamente, funciona. Muitos de nós começam o dia com um simples pedido de orientação do seu PODER SUPERIOR.
Apesar de sabermos que a entrega funciona, podemos ainda tomar a nossa vontade e a nossa vida de volta. Podemos até ficar com raiva, porque DEUS o permite. Há momentos em nossa recuperação em que a decisão de pedir ajuda à DEUS é a nossa maior fonte de força e coragem. Nunca é demais tomar esta decisão. Nós nos rendemos calmamente, e deixamos que o DEUS, da maneira em que o concebíamos, cuide de nós.
À Princípio, nossas cabeças não paravam com perguntas: O que vai acontecer quando eu entregar a minha vida ? Ficarei perfeito ? Talvez tenhamos sido mais realistas. Alguns de nós tiveram que ir até um membro de N.A. experiente e perguntar: Como foi com você ? A Resposta varia de membro para membro. A Maioria de nós sente que as chaves deste passo são mente aberta, boa vontade e rendição.
Rendemos nossas vontades e nossas vidas aos cuidados de um PODER SUPERIOR. Se formos rigorosos e sinceros perceberemos uma mudança para melhor. Nossos medos são diminuídos e nossa fé começa à crescer, à medida que aprendemos o verdadeiro significado da rendição. Não estamos mais lutando contra o medo, a raiva a culpa, auto piedade ou depressão. Percebemos que o PODER que nos trouxe para este programa de recuperação ainda está conosco e continuará nos guiando se O deixarmos. Começamos lentamente à perder o medo paralisante da desesperança. A Prova deste passo é a maneira como vivemos.
Passamos à apreciar a vida limpa e queremos mais das boas coisas que o grupo de auto-ajuda ou Fazenda tem para nós. Sabemos agora que não podemos parar no nosso programa espiritual; queremos tudo o que pudermos conseguir.
Agora estamos prontos para a nossa primeira auto-avaliação.
Quarto Passo

ORAÇÃO PARA O QUARTO PASSO

Querido DEUS .Fui eu que fiz uma confusão da minha vida. Fiz, mas não consigo desfazer. Os erros são meus e começarei um minucioso e destemido inventário. Anotarei os meus desacertos, mas também incluirei o que é bom. Rogo-TE a força para completar a tarefa.

FIZEMOS UM PROFUNDO E DESTEMIDO INVENTÁRIO MORAL DE NÓS MESMOS.
O Propósito de um profundo e destemido inventário moral é arrumar a confusão e a contradição de nossas vidas, para que possamos descobrir quem realmente somos. Estamos começando uma nova maneira de viver e precisamos nos livrar da carga e das armadilhas que nos controlavam e impediam nosso crescimento.
À Medida que nos aproximamos deste passo, a maioria de nós teme que haja um monstro dentro de nós que, se for libertado, irá nos destruir. Este medo pode nos levar à adiar o nosso inventário ou pode nos impedir totalmente de dar este passo crucial. Descobrimos que o medo é a falta de fé, e encontramos um DEUS amoroso e pessoal à quem podemos recorrer. Não precisamos mais ter medo.
Fomos mestres em auto-engano e racionalizações. Escrevendo o nosso inventário, podemos superar estes obstáculos. Um Inventário escrito vai desvendar partes do nosso subconsciente, que permanecem escondidas, quando apenas pensamos ou falamos sobre quem somos. Quando está tudo no papel, é muito mais fácil ver a nossa verdadeira natureza, e muito mais difícil negá-la. A auto-avaliação honesta é uma das chaves da nossa nova maneira de viver.
Vamos encarar os fatos: quando usávamos, nós não éramos honestos conosco. Começamos à ser honestos conosco, quando admitimos que a dependência nos derrotou e que precisamos de ajuda. Levou muito tempo para admitirmos que estávamos derrotados. Descobrimos que não nos recuperamos física, mental e espiritualmente da noite para o dia. O Quarto Passo vai nos ajudar na nossa preparação. A Maioria de nós descobriu que não éramos nem tão terríveis nem tão maravilhosos quanto imaginávamos. Ficamos surpresos por descobrir que temos coisas boas no nosso inventário. Qualquer pessoa que esteja à algum tempo no programa e que tenha praticado este passo vai dizer que o Quarto Passo foi um momento decisivo em sua vida.
Alguns de nós cometeram o erro de chegar ao Quarto Passo como se fosse uma confissão de como somos horríveis, como somos maus. Nesta nova maneira de viver, um porre de sofrimento emocional pode ser perigoso. Não é este o propósito do Quarto Passo. Estamos tentando nos livrar de uma vida de padrões velhos e inúteis. Damos o Quarto Passo para crescer e ganhar força e discernimento. Podemos abordar o Quarto Passo de várias maneiras.
Os Três primeiros Passos são a preparação necessária para se ter fé e coragem para escrever um inventário minucioso e destemido. É aconselhável repassarmos os três primeiros passos com u m padrinho ou uma madrinha antes de começarmos. A Nossa compreensão destes passos nos deixa à vontade. Nós nos damos o privilegio de nos sentirmos bem com o que estamos fazendo. Estivemos nos debatendo por muito tempo, sem chegar à lugar nenhum. Começamos agora o Quarto Passo e abrimos mão do medo. Simplesmente escrevemos o melhor que pudemos no momento.
Precisamos pôr um ponto final no passado, e não nos agarrar à ele. Queremos encarar o nosso passado de frente, vê-lo como ele realmente foi e libertá-lo para podermos viver hoje. Para a maioria de nós, o passado era um fantasma no armário. Temíamos abrir aquele armário, com medo do que o fantasma pudesse fazer. Não temos que olhar para o passado sozinhos. Agora, nossas vontades e nossas vidas estão nas mãos do nosso PODER SUPERIOR.
Parecia impossível escrever um inventário completo e honesto. E era, enquanto estivéssemos trabalhando com o nosso próprio poder. Fizemos alguns momentos de silêncio antes de escrever e pedimos forca para sermos destemidos e profundos.
No Quarto Passo, começamos à entrar em contato conosco. Escrevemos sobre as nossas deficiências, tais como culpa, vergonha, remorso, auto piedade, deslealdade, ressentimento, raiva depressão, frustração, confusão, solidão, ansiedade, desesperança, fracasso, medo e negação.
Escrevemos aquilo que nos incomoda aqui e agora. Temos a tendência de pensar negativamente e, escrevendo, temos a possibilidade de olhar mais positivamente para o que está acontecendo.
As Qualidades tem de ser consideradas, se quisermos Ter um quadro mais completo e correto de nós mesmos. Isto é muito difícil para a maioria de nós, pois é difícil aceitar que temos boas qualidades. No entanto, todos temos qualidades, muitas delas recém encontradas no programa, tais como estar limpo, ter mente aberta, consciência de DEUS, honestidade com os outros, aceitação, ação positiva, partilhar, Ter boa vontade, coragem, fé, carinho, gratidão, gentileza e generosidade. Nossos inventários geralmente incluem os relacionamentos.
Examinamos nossa atuação passada e nosso comportamento presente, para ver o que queremos manter e o que queremos descartar. Ninguém está nos forçando a desistir da nossa própria miséria. Este passo tem fama de ser difícil, na realidade, ele é bastante simples.
Escrevemos o nosso inventário sem pensar no Quinto Passo. Trabalhamos o Quarto Passo como se não existisse o Quinto. Podemos escrever à sós ou perto de outras pessoas, como for mais confortável para nós. Podemos escrever muito ou pouco, o quanto for necessário. Alguém com experiência pode nos ajudar. O Importante é escrevermos um inventário moral, honesto e sincero. Se a palavra moral o incomodar, podemos chamá-lo de inventário do positivo/negativo. A Maneira de escrever um inventário é escrevê-lo! Pensar à respeito do inventário, falar sobre ele, teorizar sobre o inventário, não faz dele um inventário escrito. Nós nos sentamos com um bloco, pedimos orientação, pegamos a caneta e começamos à escrever. Qualquer coisa em que pensamos é material para o inventário. Quando percebemos o pouco que temos à perder e o quanto temos à ganhar, começamos este passo.
Um método prático é saber que podemos escrever de menos, mas nunca escreveremos demais. O Inventário vai se ajustar ao indivíduo. Talvez pareça difícil ou doloroso. Pode parecer impossível. Podemos temer que o contato com os nossos sentimentos vá detonar uma insuportável reação em cadeia de dor e pânico. Podemos querer evitar um inventário por medo de fracasso. Quando ignoramos nossos sentimentos, a tensão é demais para nós. O medo do confronto iminente é tão grande que ultrapassa o nosso medo do fracasso.
O Inventário torna-se um alívio, pois a dor de fazê-lo é menor do que a dor de não fazê-lo. Aprendemos que a dor pode ser um fator que motiva a recuperação. Portanto, torna-se inevitável encará-la. Todo tema de reuniões de passos parece ser o Quarto Passo ou o inventário diário. Através do processo de inventário, somos capazes de lidar com todas as coisas que se possam acumular. Quanto mais vivemos o nosso programa, mais parece que DEUS nos coloca em situações onde surgem questões. Quando as questões surgem, escrevemos sobre elas. Começamos à apreciar nossa recuperação, porque temos uma maneira de resolver a vergonha, a culpa ou o ressentimento.
O Estresse acumulado dentro de nós é liberado. Ao escrever, vamos abrir a tampa da nossa panela de pressão. Decidimos se queremos servir o que tem dentro, colocar a tampa de volta, ou jogar fora. Não precisamos mais nos cozinhar dentro dela.
Sentamos com papel e caneta e pedimos ajuda ao nosso DEUS, para que nos revele os defeitos que nos causaram dor o sofrimento. Rogamos coragem para sermos destemidos e profundos, e para que o inventário possa nos ajudar à colocar nossas vidas em ordem. Quando rezamos e agimos, sempre conseguimos melhore resultado.
Não vamos ser perfeitos. Se fossemos perfeitos, não seríamos humanos. O Importante é que façamos o nosso melhor.
Usamos as ferramentas à nossa disposição e desenvolvemos a capacidade de sobreviver às nossas emoções. Não queremos perder nada do que ganhamos; queremos continuar no programa. A Nossa experiência demonstra que nenhum inventário, por mais profundo e completo, terá qualquer efeito duradouro se não for seguido prontamente por um Quinto Passo igualmente completo.
Quinto Passo

ORAÇÃO PARA O QUINTO PASSO

PODER SUPERIOR, meu inventário mostrou-me quem sou, contudo peço a TUA ajuda para admitir as minhas falhas à outra pessoa e à TÍ. Infunde confiança em mim e fica comigo neste passo, pois sem ele não posso prosseguir em minha recuperação. Com TUA ajuda posso fazê-lo, e o farei.

ADMITIMOS PERANTE DEUS, PERANTE NÓS MESMOS E PERANTE OUTRO SER HUMANO A NATUREZA EXATA DE NOSAS FALHAS.

O Quinto Passo é a chave para a liberdade. Ele permite vivermos limpos no presente. Partilhando a natureza exata de nossas falhas, somos libertados para viver. Depois de fazermos um Quarto Passo completo, lidamos com o conteúdo do nosso inventário. Dizem-nos que, se guardarmos estes defeitos dentro de nós, eles nos levarão à usar de novo. O Apego ao nosso passado acabaria por nos adoecer e nos impedir de fazer parte da nossa nova maneira de viver. Se não formos honestos, quando damos o Quinto Passo, teremos os mesmos resultados negativos que a desonestidade nos trazia no passado.
O Quinto Passo sugere que admitimos à DEUS, à nós mesmos e à outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas. Olhamos nossas falhas. Examinamos os nossos padrões de comportamento e começamos a ver os aspectos mais profundos da nossa doença. Agora, sentamos com outra pessoa e partilhamos o nosso inventário em voz alta.
Nosso PODER SUPERIOR estará conosco durante o nosso Quinto Passo. Receberemos ajuda e estaremos livres para encarar à nós mesmos e à outro ser humano. Parecia ser desnecessário admitir a natureza exata de nossas falhas ao nosso PODER SUPERIOR. DEUS já sabe de tudo isso, racionalizamos. Embora ELE já o saiba, a admissão deve vir dos nossos próprios lábios, para que seja verdadeiramente efetiva. O Quinto Passo não é simplesmente a leitura do Quarto Passo.
Durante anos, evitamos ver como realmente éramos. Tínhamos vergonha de nós mesmos e nos sentíamos isolados do resto do mundo. Agora que capturamos a parte vergonhosa do nosso passado, podemos varrê-la de nossas vidas, se a encaramos e admitimos. Seria trágico escrever tudo e depois jogar numa gaveta. Estes defeitos crescem no escuro e morrem à luz da exposição.
Antes de virmos para o grupo de auto-ajuda ou para a Fazenda do Senhor Jesus, sentíamos que ninguém podia compreender as coisas que tínhamos feito. Temíamos que, se alguma vez revelássemos como éramos de fato, certamente seriamos rejeitados. A Maioria dos dependentes químicos sente-se desconfortável com isto. Reconhecemos que não temos sido realistas, sentindo-nos assim. Nossos companheiros nos compreendem.
Temos que escolher com cuidado a pessoa que vai ouvir o nosso Quinto Passo. Devemos Ter certeza de que ela sabe o que estamos fazendo e o porquê. Apesar de não haver regra rígida quanto à pessoa que escolhemos, é importante confiarmos nela. Só tendo total confiança na integridade e discrição da pessoa, podemos nos dispor à fazer este passo completo.
Alguns de nós dão o Quinto Passo com um estranho, embora alguns de nós se sintam mais à vontade, escolhendo um membro do grupo de auto-ajuda, da Fazenda, da Coordenação ou até mesmo da Diretoria. Sabemos que um outro dependente tem menos tendência de nos julgar com malícia e incompreensão.
Uma vez feita a escolha, e a sós com esta pessoa, nós prosseguimos com o seu encorajamento. Queremos ser precisos, honestos e profundos, compreendendo que é uma questão de vida ou de morte.
Alguns de nós tentaram esconder parte de seu passado, tentando encontrar uma maneira mais fácil de lidar com os sentimentos mais profundos. Podemos achar que já fizemos muito, escrevendo sobre o nosso passado. É um erro que não podemos permitir. Este passo vai expor nossos motivos e nossas ações. Não podemos esperar que estas coisas se revelem sozinhas. Finalmente nossa vergonha é superada, e podemos evitar culpa futura.
Nós não procrastinamos. Temos que ser exatos. Queremos contar a verdade simples, nua e crua, o mais rápido possível. Há sempre o perigo de exagerarmos nossas falhas. É igualmente perigoso minimizar ou racionalizar nosso papel em situações passadas. Apesar de tudo, ainda queremos parecer bons.
Os Dependentes tendem à levar vidas secretas. Durante muitos anos, encobrimos a nossa pouca auto-estima, esperando enganar pessoas com imagens falsas. Infelizmente enganamos à nós mesmos mais do que à qualquer outra pessoa. Embora muitas vezes parecêssemos atraentes e confiantes por fora, estávamos, na verdade, escondendo uma pessoa insegura e vacilante por dentro. Temos que abandonar as máscaras. Partilhamos o nosso inventário como ele está escrito, sem omitir nada. Continuamos abordando este passo, com honestidade e profundidade, até o fim. É um alívio enorme nos livrarmos de todos os segredos e partilharmos a carga do nosso passado.
À Medida que partilhamos este passo, geralmente o ouvinte também vai partilhando um pouco da sua história. Descobrimos que não somos os únicos. Vemos através da aceitação do nosso confidente, que podemos ser aceitos como somos.
Talvez nunca nos lembramos de todos os nosso erros passados.. Mas podemos fazer o melhor e mais completo esforço. Começamos à experimentar verdadeiros sentimentos pessoais de natureza espiritual. Onde antes tínhamos teorias espirituais, começamos agora à despertar para uma realidade espiritual. Este exame inicial de nós mesmos, geralmente, revela alguns padrões de comportamento que não apreciamos particularmente. Entretanto, encarando esses padrões e trazendo-os para fora, temos a possibilidade de lidar com eles construtivamente. Não podemos fazer essas mudanças sozinhos. Precisamos da ajuda de DEUS, da maneira como nós o concebíamos, da irmandade de N. A. e/ou da Fazenda.
Sexto Passo

ORAÇÃO PARA O SEXTO PASSO

Querido DEUS, estou pronto para receber a TUA ajuda e assim afastar-me das falhas de caráter que agora percebo serem obstáculos à minha recuperação. Ajuda-me a continuar sendo honesto comigo mesmo e guia-me para a saúde mental e espiritual.

PRONTIFICAMO-NOS INTEIRAMENTE À DEIXAR QUE DEUS REMOVESSE TODOS ESTES DEFEITOS DE CARÁTER.
Porque pedir uma coisa, antes de estarmos prontos para ela? Isto seria pedir problemas. Quantas vezes os toxicômanos e/ou alcoólatras buscaram recompensas de um trabalho árduo, sem fazerem esforço. O que nós trabalhamos no Sexto Passo é a boa vontade. A Sinceridade com que trabalhamos este passo será proporcional ao nosso desejo de mudar.
Queremos realmente nos livrar de nossos ressentimentos, da nossa raiva e do nosso medo? Muitos de nós se apegam aos seus medos, dúvidas, auto-aversão ou ódio, pois há uma certa segurança na dor que nos é familiar. Parece mais seguro abraçar o que conhecemos do que abrir mão pelo desconhecido.
Abrir mão dos defeitos de caráter deve ser fruto de uma decisão. Sofremos porque suas exigências nos enfraquecem. Descobrimos que não podemos escapar do orgulho com arrogância. Se não somos humildes, somos humilhados. Se somos gananciosos, descobrimos que nunca estaremos satisfeitos. Antes de fazermos o Quarto e o Quinto Passos, podíamos ceder ao medo, à raiva, à desonestidade ou à auto piedade. Ceder agora à estes defeitos de caráter, obscurece a nossa capacidade de pensar com lógica. O Egoísmo torna-se um grilhão intolerável e destrutivo, que nos prende aos nossos maus hábitos. Nossos defeitos sugam todo o nosso tempo e energia.
Examinamos o inventário do Quarto Passo e olhamos bem o que estes defeitos estão fazendo nas nossas vidas.
Começamos a ansiar pela nossa libertação destes defeitos. Rezamos ou ficamos dispostos, prontos e capazes de deixar que DEUS remova estes traços destrutivos. Precisamos de uma mudança de personalidade, se quisermos nos manter limpos. Queremos mudar.
Devemos entrar em contato com os velhos defeitos com a mente aberta. Estamos conscientes deles, ainda assim, cometemos os mesmos erros e somos incapazes de cortar os maus hábitos. Procuramos no Centro de Recuperação ou no Grupo de Apoio, o tipo de vida que queremos para nós. Perguntamos aos nossos amigos: Você conseguiu abrir mão? Quase sem exceção a resposta é: Consegui o melhor que pude. Quando vemos como os nossos defeitos existem nas nossas vidas e os aceitamos, podemos abrir mão deles e prosseguir na nossa nova vida. Aprendemos que estamos crescendo, quando cometemos novos erros, em vez de repetir os velhos.
Quando trabalhamos o Sexto Passo, é importante lembrar que somos humanos e não devemos colocar expectativas irreais em nos mesmos. Este é um passo de boa vontade. O princípio espiritual do Sexto Passo é a boa vontade. O Sexto Passo ajuda-nos à caminhar numa direção espiritual. Por sermos humanos, nós nos desviaremos do caminho.
A rebeldia é um defeito de caráter que nos assalta neste ponto. Não precisamos perder a fé quando ficamos rebeldes. A rebeldia pode provocar indiferença ou intolerância que poderão ser superadas, através de um esforço persistente. Continuamos pedindo boa vontade. Podemos duvidar que DEUS ache justo nos aliviar, ou podemos achar que algo vá dar errado. Perguntamos à outro membro, que nos diz: Você está exatamente onde deveria estar. Novamente, nós nos prontificamos a deixar que nossos defeitos sejam removidos. Nós nos rendemos às simples sugestões que o programa nos oferece. Mesmo não estando inteiramente prontos, estamos caminhando na direção certa.
A fé, humildade e aceitação acabarão por substituir o orgulho e a rebeldia. Viemos à conhecer à nós mesmos. Descobrimos que estamos crescendo para uma consciência amadurecida. Começamos à nos sentir melhor, à medida que a boa vontade se transforma em esperança. Talvez, pela primeira vez, tenhamos uma visão da nossa nova vida. Com isto em mente, colocamos a nossa boa vontade em ação ao passarmos para o Sétimo Passo.
Sétimo Passo

ORAÇÃO PARA O SÉTIMO PASSO

Meu CRIADOR, estou disposto à que tenhas tudo de mm, bom e mau. Rogo que agora elimines de mm todo o defeito de caráter que atrapalha meu proveito para TI e meus semelhantes. Concede-me forças, enquanto saio daqui para cumprir as TUAS ordens.

HUMILDEMENTE PEDIMOS À ELE QUE REMOVESSE NOSSOS DEFEITOS.
Os defeitos de caráter são as causas da dor e do sofrimento nas nossas vidas. Se contribuíssem para a nossa saúde e felicidade, não teríamos chegado à um tal estado de desespero. Tivemos que ficar prontos para que DEUS, na forma em que O concebíamos, removesse estes defeitos.
Decidimos que queríamos que DEUS nos aliviasse dos aspectos inúteis ou destrutivos das nossas personalidades, chegamos ao Sétimo Passo. Não conseguíamos lidar sozinhos com as provações de nossas vidas. E só percebemos, quando já havíamos feito das nossas vidas uma grande confusão. Ao admiti-lo alcançamos um lampejo de humildade. Este é o ingrediente principal do Sétimo Passo. A humildade resulta de sermos mais honestos conosco. Temos praticado a honestidade desde o Primeiro Passo. Aceitamos a nossa dependência e impotência.
Encontramos uma força além de nós e aprendemos à confiar nela. Examinamos nossas vidas e descobrimos quem somos realmente. Somos verdadeiramente humildes quando aceitamos e tentamos, honestamente, ser quem somos. Nenhum de nós é perfeitamente bom ou inteiramente mau, somos pessoas com qualidades e deficiências. E, acima de tudo, somos humanos.
A humildade é tão importante para nos mantermos limpos como comer e beber são importantes para a nossa sobrevivência. À medida em que a nossa dependência progredia, dedicávamos a nossa energia à satisfazer nossos desejos materiais. Todas as outras necessidades estavam fora do nosso alcance. Queríamos sempre a satisfação de nossos desejos básicos.
O Sétimo Passo é de ação, e chegou a hora de pedirmos à DEUS ajuda e alívio. Temos que compreender que a nossa maneira de pensar não é a única, outras pessoas podem nos aconselhar. Quando alguém nos aponta um defeito, a nossa primeira reação poderá ser defensiva. Temos que compreender que não somos perfeitos. Sempre haverá espaço para o crescimento. Se quisermos realmente ser livres, ouviremos atentamente o que o companheiros tiverem à nos dizer. Se os defeitos que descobrirmos forem reais, e tivermos a oportunidade de nos livrar deles, certamente experimentaremos uma sensação de bem estar.
Alguns vão querer dar este passo de joelhos. Alguns permanecerão em silêncio, e outros demonstrarão uma imensa boa vontade, através de um grande esforço emocional. A palavra humildade se aplica, pois nós nos aproximamos deste PODER SUPERIOR para LHE pedirmos a liberdade de uma vida sem as limitações passadas. Muitos de nós estão dispostos à trabalhar este passo sem reservas, na base da pura fé cega, pois estão cansados do que temos feito e de como nos sentimos. Iremos até o fim com qualquer coisa que funcione.
Esta é a nossa estrada para o crescimento espiritual. Mudamos todos os dias. Aos poucos e com cuidado, saímos do isolamento e da solidão do vício e entramos na corrente da vida. Este crescimento não é o resultado de um desejo, é o resultado de ação e oração. O objetivo principal do Sétimo Passo é sair de nós mesmos e lutar para alcançar a vontade do nosso PODER SUPERIOR.
Se formos descuidados e não captar o significado espiritual deste passo, poderemos Ter dificuldades e atiçar velhos problemas. Um dos perigos é sermos excessivamente duros conosco.
Partilhar com outros dependentes químicos ajuda à evitar que nos tornemos morbidamente sérios à nosso respeito.
Aceitar os defeitos dos outros pode nos ajudar à nos tornarmos humildes e pode abrir o caminho para que os nossos próprios defeitos sejam removidos. Muitas vezes DEUS se manifesta através daqueles que se importam com a nossa recuperação, ajudando-nos à tomar conhecimento dos nossos defeitos.
Reparamos que a humildade tem um papel muito importante neste programa de recuperação e na nossa nova maneira de viver. Fazemos o nosso inventário; prontificamo-nos à deixar que DEUS remova nossos defeitos de caráter; humildemente pedimos à ELE que remova os nossos defeitos. Este é o caminho para o crescimento espiritual, e vamos querer continuar. Estamos prontos para o Oitavo Passo.
Oitavo Passo

ORAÇÃO PARA O OITAVO PASSO

PODER SUPERIOR, Peço TUA ajuda para fazer uma lista de todos à quem prejudiquei. Assumirei a responsabilidade por meus erros e perdoarei os outros assim como eles me perdoam. Concede-me a disposição de começar minha reparação. É Tudo o que TE peço.

FIZEMOS UMA LISTA DE TODAS AS PESSOAS QUE TÍNHAMOS PREJUDICADO E DISPUSEMO-NOS À FAZER REPARAÇÕES À TAIS PESSOAS

O Oitavo Passo é o teste da nossa recém encontrada humildade. Nosso objetivo é a libertação da culpa que temos carregado. Queremos olhar para o mundo de frente, sem agressividade ou medo.
Estamos dispostos à fazer uma lista de todas as pessoas que prejudicamos, à fim de limpar o medo e a culpa que o passado ainda nos traz? Nossa experiência demonstra que precisamos sentir boa vontade para que este passo possa surtir qualquer efeito.
O Oitavo passo não é fácil, exige um novo tipo de honestidade nas nossas relações com os outros. O Oitavo Passo inicia o processo de perdão: perdoamos aos outros, possivelmente somos perdoados e, finalmente, nós nos perdoamos e aprendemos à viver no mundo. Quando chegamos à este passo, estamos prontos para compreender mais que sermos compreendidos. Podermos viver e deixar viver mais facilmente, quando conhecemos as áreas onde devemos reparações. Pode parecer difícil agora, mas, depois que o fizemos, perguntaremos porque não tínhamos feito isso à mais tempo.
Precisamos de um pouco de verdadeira honestidade para podermos fazer uma lista precisa. Na preparação para fazer a lista do Oitavo Passo, é importante que se defina o que é prejudicar. Uma definição de prejuízo é o dano físico ou mental. Outra definição de prejudicar é causar dor, sofrimento ou perda. O prejuízo pode ser causado por algo que seja dito, feito ou deixado de fazer. Podemos Ter prejudicado com palavras ou ações, intencionais ou não. O grau de prejuízo pode variar desde fazer com que alguém se sinta mentalmente desconfortável, até o dano físico ou mesmo a morte.
O Oitavo Passo nos confronta com um problema. Muitos de nós tem dificuldade de admitir que prejudicou outras pessoas, pois julgavam-se vítimas do consumo incontrolável de drogas e/ou álcool. É crucial evitar esta racionalização no Oitavo Passo. Temos que separar o que fizeram conosco daquilo que fizemos com os outros. Deixamos de lado as nossas justificativas e idéias de sermos vítimas. Freqüentemente sentimos que só prejudicamos à nós mesmos, porém, normalmente nós nos colocamos em último lugar da lista, quando nós colocamos. Este passo faz o trabalho externo para reparar os destroços de nossas vidas.
Não nos tornaremos pessoas melhores, julgando os erros dos outros. O que nós faz sentir melhor é limpar as nossas vidas, aliviando a culpa. Ao escrevermos a nossa lista, já não poderemos mais negar que tenhamos causado prejuízos. Admitimos que prejudicamos outras pessoas, direta ou indiretamente, através de alguma ação, mentira, promessa quebrada ou negligência.
Fazemos a nossa lista, ou a tiramos do Quarto Passo, e acrescentamos mais nomes, à medida que nos vêm à cabeça. Encaramos a lista com honestidade e examinamos abertamente os nossos erros com o objetivo de nos dispormos à fazer reparações.
Em alguns casos poderemos não conhecer as pessoas com quem fomos injustos. Quando usávamos, qualquer pessoa com quem estivéssemos em contato corria o risco de sair prejudicada. Muitos membros mencionam os seus pais, cônjuges, filhos, amigos, amantes, outros dependentes, conhecidos ocasionais, colegas de trabalho, patrões, professores, senhorios e desconhecidos. Podemos também nos incluir na lista, pois no nosso processo de dependência ativa estávamos lentamente cometendo o suicídio. Podemos achar benéfico fazer uma lista separada das pessoas à quem devemos reparações financeiras.
Como em todos os passos, temos que ser profundos. A maioria de nós fica aquém dos objetivos, mais freqüentemente do que os ultrapassa. Ao mesmo tempo, não podemos desistir deste passo, só porque não temos certeza de que a nossa lista esteja completa. Ela nunca será completa.
A Última dificuldade em fazer o Oitavo Passo é separá-lo do Nono Passo. Projetar as reparações propriamente ditas pode ser um obstáculo maior, tanto para se fazer a lista, como se dispor à fazer as reparações. Fizemos este passo como se não houvesse o Nono Passo. Nem sequer pensamos em fazer reparações, se nos concentrarmos no que diz o Oitavo Passo: fazer uma lista e se dispor. O mais importante é que este passo nos ajuda à criar uma consciência de que estamos, aos poucos, ganhando novas atitudes em relação à nós mesmos e no trato com as outras pessoas.
Ouvindo atentamente a experiência de outros membros com este passo, podemos esclarecer qualquer confusão que possamos ter quanto à escrever a lista. Nossos padrinhos também poderão partilhar conosco como o Oitavo Passo funcionou para eles. Fazendo perguntas durante a reunião, podemos Ter o benefício da consciência de grupo.
O Oitavo Passo oferece uma grande mudança numa vida dominada pela culpa e pelo remorso. Nossos futuros são modificados porque não temos que evitar as pessoas que prejudicamos. Como resultado deste Passo, recebemos uma nova liberdade que pode pôr fim ao isolamento. Quando percebemos a nossa necessidade de sermos perdoados, temos a tendência de perdoar mais. Pelo menos, sabemos que não estamos mais magoando os outros intencionalmente.
O Oitavo Passo é de ação. Como todos os Passos, oferece benefícios imediatos. Agora, estamos livres para começar nossas reparações no Passo Nove.
Nono Passo

ORAÇÃO PARA O NONO PASSO

PODER SUPERIOR, peço-TE a atitude correta para fazer minha reparações, sempre tomando cuidado para não prejudicar os outros durante esse procedimento. Peço tua orientação para fazer reparações indiretas. O que é mais importante: continuarei à fazer reparações, mantendo-me sóbrio, ajudando os outros e progredindo espiritualmente.

FIZEMOS REPARAÇÕES DIRETAS À TAIS PESSOAS, EXCETO QUANDO FAZÊ-LO PUDESSE PREJUDICÁ-LAS OU À OUTRAS.

Este Passo não deve ser evitado. Se assim o fizermos, estaremos reservando, em nosso programa, um espaço para recaída. Às vezes o orgulho, o medo e a procrastinação parecem uma barreira intransponível; obstruem o caminho do progresso e do crescimento. O importante é partirmos para ação, e estaremos prontos para aceitar as reações das pessoas que prejudicamos. Fizemos as reparações o melhor que podemos.
É essencial escolhermos o momento certo deste passo. Devemos fazer as reparações quando as oportunidades aparecerem, exceto quando fazê-lo possa causar mais prejuízo. Às vezes, não podemos realmente fazer as reparações, por não ser possível nem prático. Em alguns casos, as reparações podem estar além dos nossos recursos. Descobrimos que a boa vontade pode substituir a ação, quando não for possível entrar em contato com a pessoa que prejudicamos. Entretanto, jamais devemos deixar de entrar em contato com alguém por constrangimento, medo ou procrastinação.
Queremos nos livrar da nossa culpa, mas não queremos fazê-lo à custa de outra pessoa. Podemos correr o risco de envolver uma terceira pessoa ou alguém companheiro dos tempos de ativa, que não queira ser exposto. Não temos o direito nem a necessidade de colocar outra pessoa em apuros. É necessário, freqüentemente; receber a orientação de outras pessoas nestes assuntos.
Recomendamos entregar nossos problemas legais a advogados, e nossos problemas financeiros ou médicos à profissionais. Aprender à viver bem é, em parte, aprender quando precisamos de ajuda.
Em alguns relacionamentos antigos, ainda pode existir um conflito não resolvido. Fizemos a nossa parte para resolver velhos conflitos através das reparações. Queremos nos desviar de mais antagonismos e de contínuos ressentimentos. Em muitos casos, nós poderemos procurar a pessoa e pedir-lhe, humildemente, que compreenda os nossos erros passados. Às vezes, será uma ocasião de alegria, quando velhos amigos ou parentes se mostrarem dispostos à abrir mão da sua amargura. Pode ser perigoso procurar alguém que ainda esteja magoado com os nossos desacertos. Pode ser necessário fazer reparações indiretas, quando as reparações diretas não forem seguras, ou puderem ameaçar outras pessoas. Fazemos as nossas reparações o melhor que podemos. Tentamos lembrar que fazemos as reparações por nós mesmos. Em vez de nos sentirmos culpados ou com remorso, nós nos sentimos aliviados do nosso passado.
Aceitamos que foram as nossas ações que causaram a nossa atitude negativa. O Nono Passo ajuda-nos com a nossa culpa e ajuda os outros com a sua raiva. Às vezes a única reparação que podemos fazer é nos mantermos limpos. Devemos isso à nós mesmos e às pessoas que amamos. Não estamos mais fazendo confusão em sociedade por causa do nosso uso. Às vezes, a única maneira de fazermos reparações é contribuirmos para a sociedade. Agora estamos ajudando nós mesmo e à outros dependentes que ser recuperam. Esta é u ma enorme reparação à toda a comunidade.
No processo da nossa recuperação, somos devolvidos à sanidade, e parte da sanidade, é, de fato, o relacionamento com os outros. Com menos freqüência, encaramos as pessoas como uma ameaça à nossa segurança. A verdadeira segurança vai substituir a dor física e a confusão mental que vivemos no passado. Com humildade e paciência, procuramos as pessoas que prejudicamos. Muitas da pessoas que nos querem bem podem relutar em aceitar a realidade da nossa recuperação. Temos que lembrar da dor que conheceram. Com o tempo, muitos milagres vão acontecer. Muitos de nós, que estiveram separados de suas famílias, conseguiram reatar relações com elas. Vai se tornando mais fácil para elas aceitar a nossa mudança. O tempo fala por si. A paciência é uma parte importante da nossa recuperação. O amor incondicional que experimentamos vai rejuvenescer a nossa vontade de viver e, para cada atitude positiva da nossa parte, haverá uma oportunidade inesperada. Uma recuperação exige muita coragem e fé e o resultado é muito crescimento espiritual.
Estamos nos libertando dos destroços do nosso passado. Vamos querer manter a nossa casa em ordem, praticando um contínuo inventário pessoal no Décimo Passo.
Décimo Passo

ORAÇÃO PARA O DÉCIMO PASSO

Rezo para continuar à crescer em compreensão e eficiência, fazer inventários cotidianos de verificação aleatória de mm mesmo, corrigir erros quando eu os cometer, assumir a responsabilidade por meus atos, estar sempre consciente de minhas atitudes e comportamentos negativos e derrotistas, manter a minha obstinação sob controle, sempre me lembrar de que preciso de ajuda, manter o amor e a tolerância do próximo como meu código e continuar a rogar diariamente pela melhor maneira de servir-TE, meu PODER SUPERIOR.

CONTINUAMOS FAZENDO O INVENTÁRIO MORAL E, QUANDO ESTÁVAMOS ERRADOS NÓS O ADMITÍAMOS PRONTAMENTE.
O Décimo Passo nos liberta dos destroços do nosso presente. Se não continuarmos atentos aos nossos defeitos, eles poderão nos levar à um beco sem saída, do qual não conseguiremos escapar limpos.
Uma das primeiras coisas que aprendemos em Narcóticos Anônimos e: se usamos perdemos. Da mesma forma, também não sentiremos tanta dor, se pudermos evitar aquilo que nos provoca dor. Continuar fazendo o inventário pessoal significa que criamos o hábito de olhar regularmente para nós mesmos, nossas ações, nossas atitudes e relacionamentos.
Somos criaturas de hábitos, e somos vulneráveis às nossas velhas maneiras de pensar e agir. Às vezes, parece mais fácil continuar no velho trilho da auto destruição do que tentar uma nova rota, aparentemente perigosa. Não precisamos ser encurralados pelos nossos velhos padrões. Hoje, temos uma escolha.
O Décimo Passo pode nos ajudar a corrigir nossos problemas com a vida, e evitar que ser repitam. Examinamos nossas ações durante o dia. Alguns de nós escrevem sobre os seus sentimentos, avaliando como se sentiram mal e qual a sua participação nos problemas que tenham ocorrido. Prejudicamos alguém? Temos que admitir que estávamos errados? Se encontramos dificuldades, fazemos um esforço para resolvê-las. Quando estas coisas ficam pendentes, elas tem sua maneira de envenenar o espírito.
Este Passo pode ser uma defesa contra a velha insanidade. Podemos nos perguntar se estamos sendo arrastados para os velhos padrões de raiva, ressentimento ou medo. Sentimo-nos encurralados? Estamos arranjando problemas? Estamos muito famintos, raivosos, solitários ou cansados? Estamos nos levando muito à sério? Estamos julgando o nosso interior pela aparência exterior dos outros? Estamos sofrendo de algum problema físico? As respostas à essas perguntas podem nos ajudar a lidar com as dificuldades do momento. Não precisamos mais viver com sensação de mal-estar.
Muitas das nossas principais preocupações e dificuldades maiores vem da nossa inexperiência de viver sem tóxicos e/ou álcool. Muitas vezes, quando perguntamos à alguém com mais tempo de caminhada o que devemos fazer, ficamos surpresos com a simplicidade da resposta.
O Passo Dez pode ser uma válvula de escape. Trabalhamos este passo enquanto os altos e baixo do dia ainda estão frescos em nossa mente. Listamos o que fizemos e tentamos não racionalizar as nossas ações. Isto pode ser feito por escrito no fim do dia. A primeira coisa que fizemos é parar! Depois nós nos damos um tempo e nos permitimos o privilégio de pensar. Examinamos as nossas ações, reações e motivos. Muitas vezes descobrimos que estamos nos saindo melhor do que temos sentido isto nos permite à examinar nossas ações e reconhecer o erro antes que as coisas piorem. Precisamos evitar racionalizações. Prontamente admitimos os nossos erros, não os justificamos.
Trabalhamos este passo continuamente. Trata-se de uma ação preventiva. Quanto mais trabalhamos este passo, menos precisamos de sua parte corretiva. Este passo é uma grande ferramenta para evitar a aflição, antes de cairmos nela. Vigiamos os nossos sentimentos, emoções, fantasias e ações. Olhando constantemente para nós mesmos conseguimos evitar a repetição das ações que nos fazem sentir mal.
Precisamos deste passo mesmo quando nos sentimos bem e quando as coisas estão dando certo. Os sentimentos bons são uma coisa nova para nós, e precisamos nutri-los. Em momentos de confusão, podemos tentar as coisas que funcionaram nos momentos bons. Temos o direito de nos sentir bem. Temos uma escolha. Os bons momentos também podem ser uma armadilha: corremos o perigo de esquecer que a nossa primeira prioridade é nos mantermos limpos. Para nós, a recuperação é mais do que apenas prazer.
Precisamos lembrar que todos cometem erros. Nunca seremos perfeitos. Mas nós podemos nos aceitar, usando o Décimo Passo. Continuando o inventário pessoal, somos libertados, aqui e agora, de nós mesmos e do passado. Não justificamos mais a nossa existência. Este Passo nos permite sermos nós mesmos.
Décimo Primeiro Passo

ORAÇÃO PARA O DÉCIMO PRIMEIRO PASSO

PODER SUPERIOR, como te concebo, rogo que mantenhas minha ligação contigo franca e livre da confusão cotidiana. Por intermédio de minhas preces e meditações, rogo principalmente para me livras da obstinação, da racionalização e das veleidades. Rogo que me guies para o pensamento correto e a ação positiva. Seja feita a TUA vontade, PODER SUPERIOR, não a minha.

PROCURAMOS ATRAVÉS DA PRECE E MEDIDAÇÃO MELHORAR NOSSO CONTATO CONSCIENTE COM DEUS, NA FORMA EM QUE O CONCEBÍASMOS, RELAÇÃO À NÓS E FORÇAS PARA REALIZAR ESSA VONTADE.ROGANDO APENAS O CONHECIMENTO DE SUA VONTADE EM
Os primeiros dez passos prepararam o terreno para melhorarmos o nosso contato consciente com DEUS da nossa compreensão. Eles nos dão a base para alcançarmos nossas metas positivas que, há muito buscamos. Entrando nesta fase do nosso programa espiritual, através da prática dos dez passos anteriores, a maioria de nós acolhe de bom grado, o exercício da prece e da meditação (oração). Nosso estado espiritual é o alicerce de uma recuperação bem sucedida, que oferece crescimento ilimitado.
Muitos de nós começam realmente à apreciar a recuperação quando chegam ao Décimo Primeiro Passo. Neste Passo nossas vidas adquirem um significado mais profundo.
Deixando de controlar ganhamos um poder muitíssimo maior através da rendição.
A natureza da nossa crença irá determinar a maneira como oramos ou meditamos. Só precisamos da certeza de que temos um sistema de crença que funcione para nós. Os resultados contam na recuperação. Como já foi dito anteriormente, as nossas preces parecem funcionar, assim que entramos no programa de recuperação e nos rendemos à nossa doença. O contato consciente descrito neste passo é o resultado direto da vivência dos passos. Usamos este passo para melhorar e manter nosso estado espiritual.
Quando viemos para Fazenda, ou grupo de auto-ajuda, recebemos a ajuda de um PODER SUPERIOR. Isto se deu com a nossa rendição ao programa. O objetivo do Décimo Primeiro Passo é aumentar a nossa consciência desse PODER e melhorar a nossa capacidade de usá-LO como fonte de força em nossas vidas.
Quanto mais aprimorarmos o nosso contato com nosso DEUS, através da prece e da meditação, mais fácil fica dizer: Seja feita a SUA vontade e não a minha. Podemos pedir a ajuda de DEUS quando precisamos, e nossas vidas melhoram. Nem sempre as experiências dos outros com a meditação e crenças religiosas individuais são adequadas para nós. O Programa dos Doze Passos é um programa espiritual. Quando chegamos ao Décimo Primeiro Passo, já identificamos e lidamos com os defeitos de caráter, que nos causavam problemas no passado, através do trabalho dos dez passos anteriores. A imagem do tipo de pessoa que gostaríamos de ser é apenas um vislumbre da palavra de DEUS para nós. Freqüentemente a nossa perspectiva é tão limitada que só conseguimos ver as nossas necessidades imediatas.
É fácil recairmos nas nossas velhas maneiras. Temos que aprender à manter as nossas vidas numa sólida base espiritual, para assegurarmos a continuidade do nosso crescimento e da nossa recuperação. DEUS não vai nos impor a SUA bondade, mas podemos recebê-la, se a pedirmos. Geralmente, sentimos uma diferença na hora, ma, só mais tarde, notamos a diferença em nossas vidas. Quando, finalmente, tiramos nossos motivos egoístas do caminho, começamos à descobrir uma paz que nunca imaginávamos ser possível. A moralidade forçada não tem o poder que vem à nós, quando escolhemos uma vida espiritual. A maioria de nós reza, quando está com dor. Aprendemos que, se rezarmos com regularidade, não sentiremos dor com tanta freqüência ou com tanta intensidade.
Fora dos grupo de auto ajuda, tais como Narcóticos Anônimos e até mesmo Alcoólicos Anônimos, existem incontáveis grupos diferentes que praticam a prece e meditação. Quase todos esses grupos estão ligados à uma determinada religião ou filosofia. O endosso de qualquer desses métodos seria uma violação à filosofia e à tradições de grupos anônimos. A meditação permite que nos desenvolvamos espiritualmente da nossa maneira. Algumas das coisas que não funcionavam para nós no passado, poderão funcionar hoje. Temos um novo olhar à cada dia, com a mente aberta. Sabemos que, se rogarmos a vontade de DEUS, receberemos o que for melhor para nós, independente do que pensamos. Este conhecimento é baseado na nossa crença e na nossa experiência como dependentes químicos em recuperação.
Orar é comunicar nossas preocupações com um PODER SUPERIOR. Às vezes, quando rezamos, acontece uma coisa impressionante: encontramos os meios, as maneiras e energias para realizar tarefas que estão muito além das nossas capacidades. Alcançamos a força ilimitada, que nos proporcionam a oração diária e a rendição, enquanto mantivermos a fé e a renovarmos.
Para alguns, oração é pedir ajuda de DEUS; meditação é escutar a resposta de DEUS. Aprendemos à ser cuidadosos ao rezar por coisas específicas.
Rezamos para que DEUS nos mostre a SUA vontade, e para que nos ajude à realizá-la. Em alguns casos, a SUA vontade é tão óbvia que temos pouca dificuldade em vê-la. Em outros, estamos tão egocêntricos que só aceitaremos a vontade de DEUS, após muita luta e rendição. Se rogamos à DEUS que remova quaisquer influências que nos distraiam, a qualidade das nossas preces geralmente melhora e sentimos a diferença. A prece exige prática, e devemos nos lembrar que as pessoas habilidosas não nascem com suas habilidades. Foi preciso muito esforço da parte delas para desenvolvê-las. Através da prece, buscamos o contato consciente com nosso DEUS. Na meditação, alcançamos este contato, e o Décimo Primeiro Passo nos ajuda à mantê-lo.
Podemos Ter sido expostos à muitas religiões e disciplinas meditativas, antes de chegarmos à Narcóticos Anônimos. Alguns de nós estavam aniquilados e totalmente confusos por causa destas praticas. Estávamos certos de que era vontade de DEUS que usássemos drogas e/ou álcool para alcançarmos uma consciência mais elevada. Muitos de nós se encontravam em estados muito estranhos como resultados destas práticas. Nunca suspeitamos que os efeitos prejudiciais da nossa dependência fossem a raiz da nossa dificuldade, e seguíamos até o fim qualquer caminho que oferecesse esperança.
Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós.
O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso. Alguns de nós chegaram ao programa quebrados e se agüentaram por um tempo, só para encontrarem DEUS ou a salvação em algum tipo de culto religioso. É fácil flutuarmos porta à fora numa nuvem de fervor religioso, e esquecermos que somos dependentes químicos com uma doença incurável.
Diz-se que, para a meditação Ter algum valor, os resultados deverão ser sentidos nas nossas vidas cotidianas. Este fato está implícito no Décimo Primeiro Passo: SUA vontade em relação à nós e o poder de realizar esta vontade. Para aqueles de nós que não rezam, a meditação é a única maneira de realizar este passo.
Rezamos porque nos traz paz e devolve a nossa confiança e coragem. Ajuda-nos à viver uma vida livre do medo e da desconfiança. Quando removemos os nossos motivos egoístas, e rogamos por orientação, descobrimos sentimentos de paz e serenidade. Começamos a vivenciar uma consciência e uma empatia com as outras pessoas, o que não era possível antes de trabalhar este passo.
À medida que buscamos o nosso contato pessoal com DEUS, começamos à desabrochar como uma flor para o sol. Começamos à ver que o amor de DEUS esteve sempre presente, apenas esperando que nós o aceitássemos. Fazemos o trabalho de base e aceitamos o que nos tem sido dado livremente à cada dia. Descobrimos que ficamos mais à vontade com a idéia de confiar em DEUS.
Quando chegamos pela primeira vez ao programa, costumamos pedir muitas coisas que parecem ser vontades e necessidades importantes. À medida que crescemos espiritualmente e encontramos um PODER SUPERIOR, começamos à perceber que, enquanto as nossas necessidades espirituais forem satisfeitas, os nossos problemas existenciais estão reduzidos à um nível confortável.
Quando esquecemos onde reside a nossa verdadeira força, rapidamente ficamos sujeitos aos mesmos padrões de pensamento e ações que primeiro nos trouxeram para o programa. Acabamos redefinindo as nossas crenças e a nossa compreensão até enxergar que a nossa maior necessidade é o conhecimento da vontade de DEUS em relação à nós e a força para realizá-la. Conseguimos deixar de lado algumas das nossas preferências pessoais, pois aprendemos que a vontade de DEUS em relação à nós consiste nas coisas que mais valorizamos. A vontade de DEUS para nós torna-se a nossa própria verdadeira vontade. Isso acontece de uma maneira intuitiva, que não pode ser adequadamente explicada em palavras.
Começamos à sentir vontade de deixar que os outros sejam quem são, sem precisar-nos julgá-los. Perdemos a urgência de controlar as coisas. No princípio, não podíamos compreender a aceitação; hoje, podemos.
Sabemos que DEUS nos deu tudo aquilo que precisamos para o nosso bem-estar espiritual, independente do que o dia nos trouxe. É certo admitirmos a nossa impotência, pois DEUS é suficientemente poderoso para ajudar à nos mantermos limpos e à desfrutarmos o progresso espiritual. DEUS está nos ajudando à arrumar a casa.
Começamos a perceber mais claramente o que é real. Através do contato constante com o nosso PODER SUPERIOR, as respostas que buscamos vêm até nós. Ganhamos a capacidade de fazer o que não conseguimos. Respeitamos s crenças dos outros. Nós os encorajamos à procurar força e orientação de acordo com a sua crença.
Somos gratos à este passo, pois começamos à ter o que é melhor para nós. Às vezes, rezávamos de acordo com as nossas vontades, e éramos encurralados por elas. Podíamos rezar e conseguir alguma coisa, e depois ter que rezar pela sua remoção, porque não éramos capazes de lidar com ela.
Esperamos que, tendo aprendido o poder da oração e a responsabilidade que ela traz consigo, possamos usar o Décimo Primeiro Passo como uma diretriz do nosso programa diário.
Começamos a rogar apenas a vontade de DEUS em relação à nós. Desta maneira alcançamos apenas aquilo com o que somos capazes de lidar. Somos capazes de corresponder e de lidar com isso, pois DEUS nos ajuda à nos prepararmos. Alguns de nós simplesmente usam a palavra para agradecer a graça de DEUS.
Com uma atitude de rendição e humildade, retomamos este passo, repetidamente, para recebermos a dádiva do conhecimento e da força do DEUS da nossa compreensão. O Passo Dez limpa os erros do presente, para que possamos trabalhar o Passo Onze. Sem aquele passo, seria improvável que pudéssemos experimentar um despertar espiritual, praticar princípios espirituais nas nossas vidas, ou levar uma mensagem capaz de atrair outras pessoas para a recuperação. Existe um princípio espiritual de dar aquilo que nos foi dado dentro do grupo de auto ajuda e dentro da Fazenda do Senhor Jesus, para podermos mente-lo. Ao ajudarmos os outros à se manterem limpos, desfrutamos os benefícios da riqueza espiritual que encontramos. Temos que dar livremente e com gratidão o que nos foi dado livremente e com gratidão.
Décimo Segundo Passo

ORAÇÃO PARA O DÉCIMO SEGUNDO PASSO

Querido DEUS, meu despertar espiritual continua à se manifestar. A ajuda que recebi passarei adiante e darei aos outros, tanto dentro como fora da comunidade. Dou graças por essa oportunidade. Peço-TE humildade para que eu continue à caminhar dia à dia na estrada do progresso espiritual. Rogo-TE que concedas a força interior e a sabedoria para praticar os princípios deste modo de vida em tudo o que faço e digo. Preciso de TÍ, dos meus amigos e do programa todas as horas de cada dia. Este é um modo melhor de viver.

TENDO EXPERIMENTADO UM DESPERTAR ESPIRITUAL GRAÇAS À ESTES PASSOS, PROCURAMOS TRANSMITIR ESTA MENSAGEM AOS ALCOÓLATRAS E TOXICÔMANOS E PRATICAR ESTES PRINCÍPIO EM TODAS AS NOSSAS ATIVIDADES.
Viemos ao grupo de auto ajuda ou à Fazenda devido aos destroços do nosso passado. A última coisa que esperávamos era um despertar do espírito. Queríamos apenas que a dor parasse.
Os Passos condizem à um despertar de natureza espiritual. Este despertar é demonstrado pelas mudanças nas nossas vidas. As mudanças nos tornam mais capazes de viver segundo os princípio espirituais e de levar a nossa mensagem de recuperação e esperança ao dependente que ainda sofre. Entretanto, a mensagem não tem sentido se não a vivermos. À medida que a vivemos, nossas vidas e ações dão-lhe maior significado do as nossas palavras e leitura jamais conseguiram.
A idéia de um despertar espiritual toma muitas formas diferentes nas diferentes personalidades que encontramos dentro do nosso grupo anônimo ou da Fazenda. Mas todo o despertar espiritual tem algumas coisas em comum. Os elementos comuns incluem o fim da solidão e um sentido de direção nas nossas vidas. Muitos de nós acreditam que um despertar espiritual não tem sentido, se não for acompanhado por uma crescente paz de espírito e interesse pelos outros. Para mantermos a paz de espírito, nós nos esforçamos para viver no aqui e agora.
Aqueles de nós que trabalharam estes passos o melhor que puderam, receberam muitos benefícios. Acreditamos que os benefícios são resultado direto de viver este programa.
Quando começamos à apreciar o alívio da nossa dependência, corremos o risco de assumir novamente o controle de nossas vidas. Esquecemos a agonia e a dor que conhecemos. Nossa doença controlava as nossas vidas, quando nos dopávamos ou nos embriagávamos. Ela está pronta e aguardando para assumir o controle de novo. Rapidamente, esquecemos que todos os nossos esforços passados, para controlarmos as nossas vidas, falharam.
A esta altura, a maioria de nós percebe que a única maneira de mantermos o que nos foi dado é partilhar esta nova dádiva da vida com o dependente que ainda sofre. Este é o melhor seguro contra uma recaída na tortuosa existência do uso. Chamamos à isso levar a mensagem, e nós o fazemos de diversas maneiras.
Quando partilhamos com alguém novo, podemos pedir para sermos usados como instrumento espiritual do nosso PODER SUPERIOR. Não nos colocamos como deuses. Quando partilhamos com uma pessoa nova, muitas vezes, pedimos a ajuda de outro dependente em recuperação. É um privilégio responder à um apelo de ajuda. Nós, que já estivemos no abismo do desespero, sentimo-nos afortunados por ajudar os outros à encontrarem a recuperação.
Ajudamos os novos à aprender os princípios do grupo de Auto Ajuda e da Fazenda. Temos que fazer com que eles se sintam bem-vindos e nós os ajudamos à aprender o que programa tem a oferecer. Partilhamos nossa experiência, força e esperança. Quando possível, acompanhamos os recém chegados à uma reunião.
Este serviço abnegado é o verdadeiro princípio do Passo Doze. Recebemos nossa recuperação de um DEUS, na maneira em que o concebemos. Nós nos colocamos agora a SUA disposição, como SUA ferramenta, para partilhar a recuperação com aqueles que a procuram.
A maioria de nós aprende que só podemos levar a nossa mensagem à alguém que esteja pedindo ajuda. Às vezes, o poder do exemplo é a única mensagem necessária, para que o dependente que ainda sofre estenda a mão. Um dependente pode estar sofrendo, mas não estar disposto à pedir ajuda. Podemos nos colocar à disposição destas pessoas, e alguém estará lá, quando elas pedirem. Aprender à ajudar os outros é um benefício do programa. É impressionante como o trabalho dos Doze Passos nos afasta de humilhação e do desespero, e nos conduz para agirmos como instrumentos do nosso PODER SUPERIOR. É nos dada a habilidade de ajudar um companheiro dependente, quando ninguém mais consegue. Vemos isto acontecer entre nós todos os dias. Esta virada milagrosa é a evidencia de um despertar espiritual. Partilhamos da nossa experiência pessoal, como aconteceu conosco. A tentação de dar conselhos é grande, mas, quando o fazemos, perdemos o respeito dos recém chegados. Isto turva a nossa mensagem. A Mensagem simples e honesta de recuperação da dependência soa verdadeira.
Freqüentamos as reuniões e nos fazemos visíveis e dispostos à servir à irmandade. Damos livremente e com gratidão o nosso tempo, serviço e o que encontramos aqui. O serviço de que falamos em N. A é o propósito primordial dos nossos grupos. O Serviço é levar a mensagem à outros toxicômanos ou alcoólatras que ainda estejam sofrendo. Quanto mais prontamente nós mergulhamos e trabalhamos, mais rico será o nosso despertar espiritual.
A primeira maneira de levarmos a mensagem fala por si própria. As pessoas nos vêem e lembram-se de como éramos. Reparem que medo está deixando nossas faces. Elas nos vêem reviver gradualmente.
Uma vez encontrado o verdadeiro caminho da recuperação, o tédio e a complacência não tem lugar na nossa vida. Mantemo-nos limpos, começamos à praticar princípios espirituais como esperança, rendição, aceitação, honestidade, mente aberta, boa vontade, fé, tolerância, paciência, humildade, amor incondicional, partilha e interesse. À medida que a nossa recuperação progride, os princípios espirituais tocam todas as áreas de nossas vidas, porque simplesmente tentamos viver este programa aqui e agora.
Encontramos a alegria, quando começamos à aprender como viver pelos princípio de recuperação. É a satisfação de ver uma pessoa limpa, há dois dias, dizer à outra, com um dia limpo, que um dependente sozinho está em má companhia. É a alegria de ver alguém, que estava batalhando para conseguir ajudar outro dependente manter-se limpo, de repente, conseguir encontrar, no meio da conversa, as palavras necessárias para levar a mensagem da recuperação.
Sentimos que nossas vidas estão valendo a pena. Espiritualmente revigorados, estamos contentes por estar vivos. Quando usávamos, nossas vidas tornaram-se um exercício de sobrevivência. Agora, estamos vivendo muito mais do que sobrevivendo. Compreendendo que a base é nos mantermos limpos. Podemos apreciar a vida. Gostamos de estar limpos e de levar a mensagem de recuperação ao dependente que ainda sofre. Ir a reuniões realmente funciona.
A prática de princípios espirituais no nosso dia-a-dia nos conduz à uma nova imagem de nós mesmos. Honestidade, humildade e mente aberta ajudam-nos à tratar os outros de maneira justa. Nossas decisões passam à ser temperadas com tolerância. Aprendemos à nos respeitar.
As lições que aprendemos na nossa recuperação, às vezes, são amargas e dolorosas. Ajudando os outros, encontramos a recompensa do auto-respeito, pois temos a possibilidade de partilhar estas lições com outros membros de caminhada. Não podemos negar à outros dependentes a sua dor, mas podemos levar a mensagem de esperança que nos foi dada por companheiros dependentes em recuperação. Partilhamos os princípios da recuperação, como eles funcionaram nas nossas vidas.
DEUS nos ajuda, quando ajudamos uns aos outros. A vida assume um novo significado, uma nova alegria e a qualidade de ter valor e de valer a pena. Somos revigorados espiritualmente e estamos contentes por estar vivos. Um aspecto do nosso despertar espiritual surge através da nova compreensão do nosso PODER SUPERIOR que desenvolvemos compartilhando a recuperação de outro dependente.
Sim, somos uma nova visão de esperança. Somos exemplos de que o programa funciona. A felicidade que temos em viver limpos é uma atração para o dependente que ainda sofre.
Nós nos recuperamos para uma vida limpa e feliz. Bem vindo ao Programa. Os Passos não terminam aqui. OS PASSOS SÃO UM NOVO COMEÇO!

Anúncios

Prudência, Memória e Docilitas na Recuperação do Alcoolismo

Prudência, Memória e Docilitas
na Recuperação do Alcoolismo

Luiz Ferri de Barros (1)

1. Apresentação
Neste artigo apresentarei, de forma breve e despretensiosa, algumas reflexões a respeito da filosofia de recuperação adotada pelos grupos anônimos de auto-ajuda, particularmente a adotada pela Irmandade dos Alcoólicos Anônimos (AA), à luz da doutrina das virtudes cardeais de Santo Tomás de Aquino.
Creio que este tipo de abordagem cumpre dois importantes objetivos. O primeiro refere-se à possibilidade de um melhor entendimento sobre as origens remotas e o significado profundo da filosofia de desenvolvimento espiritual contida nos Doze Passos dos AA (2), programa de recuperação que também é adotado pela maioria dos outros grupos anônimos de auto-ajuda. O segundo aspecto de interesse nessa análise é a demonstração de que há lugares em que a atualidade da filosofia de Tomás de Aquino não se trata apenas de anseio por uma educação moral ao meio de uma sociedade “sem valores”.
De fato, nos grupos de auto-ajuda, mesmo que não se conheça a origem de diversas proposições, as pessoas praticam filosofias de crescimento espiritual que as levam a tentar cultivar virtudes. Sob certo aspecto, talvez seja possível dizer que muitos grupos de auto-ajuda constituem-se em raras instâncias sociais onde a educação moral é, muitas vezes, direta e explícita e não se dá por intermédio de uma “educação invisível”- para usar a consagrada expressão do educador espanhol Garcia Hoz.
Para efeitos desta análise, assumirei a interpretação da doutrina de Santo Tomás conforme exposta por intérpretes contemporâneos, apresentados por Lauand (3), em especial enfatizando a existência de quatro virtudes cardeais e o fato de que a prudência é considerada a primeira delas. Discutirei então o papel da memória e também da docilitas como partes quase-integrais da prudência.

2. O Vício, as Quatro Virtudes Cardeais e os 12 Passos de Alcoólicos Anônimos
Em AA, o alcoolismo em si, em geral, não é designado como vício. Pelo contrário, a entidade foi a primeira grande defensora da tese de que o alcoolismo constitui-se numa doença, já em 1935, quando de sua fundação.
Pesquisas científicas posteriores comprovaram este fato e na década de 60 a OMS (Organização Mundial de Saúde) reconheceu o caráter de doença no beber compulsivo do alcoólatra.
Assim, no sentido de combater preconceitos, educar o público e principalmente aliviar a dor moral do alcoólatra em recuperação, como mencionado, a palavra vício, em geral, não é utilizada, embora haja, na literatura de AA, algumas ocasiões em que ela aparece.
Descontadas as conotações pejorativas da palavra e sua freqüente inadequação em ambientes de recuperação, e mesmo considerando o caráter de doença do beber compulsivo, não se pode condenar a sabedoria popular simplesmente dizendo que seja errado designar-se o alcoolismo como um vício. De fato, pode-se perceber na linguagem corrente, segundo o Aurélio (4), acepções da palavra perfeitamente condizentes com o proceder do alcoólatra na ativa, tais como:
– “costume de proceder mal; desregramento habitual”.
– “conduta ou costume censurável ou condenável (…)”
e, ainda, em sentido mais profundo, que os AA muito discutem:
– “inclinação para o mal (nesta acepção opõe-se a virtude).”
Vale, portanto, recuperar-se a idéia popular de vício, até para que se entenda com clareza que é por meio de um programa de crescimento espiritual (os 12 Passos e demais elementos da filosofia de AA), incentivando a prática de virtudes, que se consegue dar continuidade à recuperação das dependências. Em AA não basta parar de beber. Até porque não se acredita, a partir de mais de 60 anos de experiência acumulada, que seja possível apenas parar de beber. Para que não se volte a beber, diz a experiência, é preciso dispor-se a passar por profundas mudanças pessoais, na verdade a reformulação completa da cosmovisão e do estilo de vida (um processo de metanóia, pode-se dizer), o que se obtém pela prática do programa de desenvolvimento espiritual.
Enquanto a medicina classifica o alcoolismo como uma doença biopsicossocial, a AA não abdicou de sua classificação original, considerando-a como uma doença física, mental e espiritual não apenas porque o etilismo afeta o espírito como porque para recuperar-se é necessário recuperar igualmente o espírito. Como disse Jung, em carta dirigida a um dos co-fundadores de AA, “álcool em latim é spiritus e usa-se a mesma palavra para a mais alta experiência religiosa assim como para o mais perverso veneno. A fórmula auxiliadora é pois: spiritus contra spiritum. (5)”
O alcoolismo é uma doença progressiva; a partir de um determinado ponto, o sofrimento moral constitui ao mesmo tempo uma das maiores dores do alcoólatra e um dos maiores obstáculos à sua recuperação.
Não é por outro motivo que a realização de um “minucioso e destemido inventário moral”, por escrito, constitui-se num dos primeiros passos do programa de recuperação (quarto passo). Ao enfrentar o quarto passo, o alcoólatra em recuperação vai deparar-se novamente com o vício, em todas as suas frentes. No quarto passo, para quem o pratique conforme sugestão dos primeiros AA, serão examinadas, principalmente, as deturpações dos instintos, o que se dá quando, desenfreados, os instintos deixam de cumprir seus papéis naturais de auto-preservação e crescimento e passam a ser forças destrutivas. A pessoa é convidada a examinar seu comportamento e suas convicções no que se refere a alguns assuntos especialmente sensíveis, tais como sexo, dinheiro, poder e, à falta de melhor roteiro de aceitação universal, para empreender o inventário é sugerida reflexão a respeito de cada um dos sete pecados capitais.
Todo esse esforço justifica-se para combater o que os AA denominam de “defeitos de caráter”, ao mesmo tempo motivos e conseqüências do alcoolismo. Podem também ser chamados de “defeitos de personalidade”. “Alguns chamariam de ‘índice de desajustes’. Outros se incomodariam bastante se se falasse em imoralidade, e mais ainda se se falasse em pecado. Contudo, todos os que sejam razoáveis concordarão em um ponto: que há bastante de errado em nós alcoólicos, havendo muito que fazer se esperamos conseguir a sobriedade, o progresso e a verdadeira capacidade de enfrentar a vida” (6).
Diversos comportamentos constelados do alcoólatra na ativa, frutos dos “defeitos de caráter” e dos “instintos desenfreados”, poderiam, com liberdade de expressão, ser igualmente designados como vícios, em qualquer dos três sentidos citados acima e em especial enquanto opostos à virtude. Daí a necessidade de entregar-se à mudança, dispondo-se a tentar uma prática mais virtuosa, para poder-se liberar das amarras da dependência.
Analisando-se detidamente a filosofia de recuperação dos AA, pode-se identificar que ela propicia condições excepcionalmente favoráveis para o cultivo das quatro virtudes cardeais definidas por Santo Tomás: Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança.
PRUDÊNCIA

Sendo a Prudência a virtude primeira e, para os clássicos, uma virtude intelectual, que consiste na “arte de decidir-se com base no conhecimento objetivo da realidade (…) pelo límpido conhecimento do ser” (7), é naturalmente inacessível a quem se mantenha continuamente alcoolizado. A conquista da abstinência é, portanto, a primeira contribuição objetiva que o grupo oferece ao novo membro. A manutenção da abstinência e a prática da filosofia de recuperação permitirão o cultivo e o fortalecimento da prudência em outras formas, algumas das quais comentarei no tópico seguinte.
JUSTIÇA
A Justiça, entendida classicamente como “dar a cada um o que lhe é de direito”, é cultivada, de forma inequívoca, no oitavo e nono passos, que sugerem fazer “uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado” e fazer “reparações diretas dos danos causados a tais pessoas”. E também no décimo passo encontra-se um preceito relacionado à justiça: “Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente”.
Vale comentar que os antigos em AA esclarecem com nitidez que as reparações do nono passo não significam necessariamente pedir perdão e nem podem se resumir ao pedido de perdão quando existe a possibilidade da reparação plena. Por exemplo, não é o caso de se desculpar por uma dívida, é o caso de pagá-la. A pronta admissão de um erro pessoal, junto a outras pessoas, é também um ato de dar ao outro o que lhe é de direito, no caso, a razão: o outro estava certo, não eu – admitir isto é um ato de justiça.

FORTALEZA
A Fortaleza, em alguns de seus aspectos principais, tais como o considerar a “vulnerabilidade do homem como seu ponto de partida” e considerar a “aceitação do sofrimento para alcançar um bem maior” (8), é uma virtude explicitamente cultivada pela filosofia de recuperação de AA.
Para o alcoólatra (etimologicamente: aquele que adora o álcool, idolatra o álcool), deixar de beber consiste de fato em ato heróico. Até porque, mesmo considerando que as pessoas só buscam recuperar-se quando já estão no “fundo do poço”, o período inicial de abstinência é caracterizado por uma intensificação significativa do sofrimento. Enfrentar a síndrome de abstinência aguda e, em seguida, a síndrome de abstinência prolongada, representa justamente um grande esforço que o alcoólatra em recuperação está realizando, aceitando o sofrimento imediato em função de um bem maior que busca para si mesmo e para os que ama: atingir a sobriedade e a serenidade.
A valorização da consciência a respeito da própria vulnerabilidade encontra-se expressa com absoluta limpidez no seguinte Princípio de Ouro: “A fraqueza é a força” . Os Princípios de Ouro, em AA, são uma coleção de cerca de 30 aforismos que de forma sintética ilustram e complementam a filosofia de recuperação apresentada ao longo da extensa literatura do grupo. Na realidade, o primeiro passo de recuperação (“Admitimos que éramos impotentes perante o álcool (…)”), entremeia-se, ele também, com esse mesmo componente da fortaleza que está implicado na admissão da vulnerabilidade.
TEMPERANÇA
Com relação ao álcool, AA não é um movimento de Temperança, e isto é explicitamente declarado em sua literatura (9). O portador da doença do alcoolismo caracteriza-se precisamente por sua incapacidade de controlar a ingestão de álcool. A doença é considerada incurável e a possibilidade de recuperação consiste em se alcançar uma disciplina que permita o controle da doença a partir da abstinência total. É possível para o alcoólatra controlar seu alcoolismo e permanecer sem beber, entretanto não é possível que ele volte a beber moderadamente, sem perder o controle.
Esta negação da possibilidade de comedimento com relação ao álcool é extremamente importante e encontra-se já no primeiro passo: “Admitimos que éramos impotentes perante o álcool (…)”. Antes da realização do primeiro passo, a maioria dos ingressantes em AA almeja alcançar a temperança, a possibilidade de beber socialmente, sem perder o controle. Ressalte-se, inclusive, que embora o alcoolismo seja uma doença que atinge grandes faixas da população mundial (cerca de 10% dos indivíduos), poucos são os médicos que a conhecem adequadamente. É comum que os médicos, movidos pela idéia da temperança, aconselhem seus pacientes alcoólatras a “maneirarem” com a bebida, atitude que está fora do alcance e que apenas retarda a recuperação.
Em outros aspectos da vida, entretanto, pode-se com segurança afirmar que a temperança é uma virtude que tentam praticar muitos dos que seguem a filosofia de AA. Para a própria manutenção da abstinência recomendam-se cuidados com a alimentação e o descanso, por exemplo. Indica-se que a compulsão do alcoólatra não se restringe à sua maneira de beber, estendendo-se para várias de suas atividades, podendo ser igualmente nociva em outras áreas, inclusive no trabalho (o que hoje se denomina workaholics).
Outra questão extremamente discutida em AA, e muito valorizada, é a necessidade de se adquirir controle emocional, sendo necessária uma permanente vigilância de si mesmo para evitar a vivência de estados excessivamente alegres (euforia) ou excessivamente tristes (depressão), visto que estes extremos são perigosos para a manutenção da abstinência. Esta tentativa de conservação de equilíbrio, de comedimento em relação às próprias emoções, relaciona-se também à prática da virtude da temperança (10).

3. Prudência, Memória e Docilitas na Recuperação
A Prudência, como já mencionado, é a primeira das quatro virtudes cardeais e, por essa razão, vale determo-nos a examinar alguns de seus aspectos com mais atenção.
Embora sua definição no sentido em que a considerava Santo Tomás (Prudentia), de acordo com Lauand, já tenha sido apresentado no início deste artigo (“arte de decidir-se com base no conhecimento objetivo da realidade (…) pelo límpido conhecimento do ser”) cabe alguns comentários a respeito do sentido atual da palavra.
Lauand (11), na linha de Garrigou-Lagrange, aponta para o sentido de indecisão, de excessiva cautela que o termo prudência adquiriu na atualidade, distanciando-se de seu significado original que indicava exatamente a disposição de agir de forma pronta e corajosa, tomando o partido do que é justo a partir da capacidade de enxergar a realidade de forma límpida. Estes autores chamam a atenção para o fato de que, atualmente, a prudência adquire uma conotação negativa. Nas palavras registradas por Garrigou-Lagrange, em 1926: “De fato, em muitos dicionários, a definição dada a prudência faz pensar num tipo de virtude totalmente negativa, que nada tem de virtude a não ser o nome. Seria a prudência uma qualidade negativa?” (12)
Não há dúvida quanto ao empobrecimento do conceito e, a rigor, pode-se dizer que a expressão latina prudentia não encontra na nossa prudência – e em nenhuma outra palavra – tradução adequada. Entretanto, cautela em si mesma, desde que não represente covardia, pode ser fruto da prudência (no sentido original), quando instruída por uma avaliação correta e justa da realidade. Neste sentido não parece necessário a condenação do significado atual da palavra tout court, bastando que se alerte para sua anterior amplitude extraordinariamente mais rica.
Este ponto é importante porque em AA, com relação ao álcool principalmente, os dois significados de prudência são decisivos. A cautela que se aprende a exercitar, caracterizada pelo cultivo de uma série de atitudes e comportamentos, é indispensável para a manutenção da abstinência. Trata-se de uma cautela (sentido atual de prudência) inspirada na consciência a respeito da própria condição de alcoólatra, porque a pessoa adquiriu a perspectiva de enxergar-se a si mesma, ao álcool e ao mundo com limpidez (sentido anterior de prudência).
Creio, assim, que cautela, precaução e cuidados não se excluem da prudência enquanto virtude primeira que atua sobre o agir, desde que não estejam a serviço da omissão, da covardia e outros comportamentos imorais.
Esclarecidas essas questões quanto ao significado de prudência enquanto virtude, é indispensável considerar que para Santo Tomás existem diversas outras virtudes que a compõem de forma indissolúvel, sendo suas partes quase integrais, como ele diz. Memória e docilitas são as duas virtudes quase integrais da prudência que analisarei aqui, dado sua relevância na recuperação do alcoolismo, especialmente se essa recuperação é enxergada como um processo de re-educação – o que consiste na minha tese central para entendimento dos grupos de auto-ajuda.
O termo memória não carece de esclarecimentos nesse momento. “Docilidade”, a tradução corrente de docilitas, encontra-se dicionarizado de forma adequada para uma boa correspondência com o significado latino original (“Qualidade ou caráter de quem se submete ao ensino, de quem aprende facilmente; de quem é fácil de conduzir, de guiar”) (13). Entretanto, prefiro manter o uso da expressão latina, como o faz Lauand, porque na linguagem corrente o termo em português permite também uma interpretação, se não pejorativa, destituída da força de significado de sua acepção original – uma verdadeira “dimensão moral: a atitude interior de humildade receptiva” (14).
A memória faz parte da prudência, segundo Santo Tomás, porque, como já dizia Aristóteles, “a virtude intelectual é gerada e desenvolvida pela experiência e pelo tempo. Ora, prossegue Tomás, a experiência resulta da memória de casos repetidos (…). Por onde e conseqüentemente a prudência exige a memória de casos multiplicados. (15)”
A linguagem, o grande fruto e a grande alavanca da cultura humana, permite o acúmulo das experiências individuais passadas e presentes, ampliando a possibilidade de conhecimento de cada pessoa para muito além do universo de suas próprias vivências. A possibilidade de aproveitar-se desse cabedal de sabedoria dos outros, sejam os contemporâneos ou os antigos, multiplicando a memória de cada um, exige docilitas e é por isso que a docilitas faz parte da prudência.
Reconhecer-se como alcoólatra e realizar o primeiro passo (“Admitimos que éramos impotentes perante o álcool (…)”) é, nitidamente, um ato de prudência, pois consiste na percepção límpida de uma realidade inquestionável que, até então, o alcoólatra na ativa vinha negando.
Manter-se abstinente é igualmente um ato de prudência pois significa a única ação justa que o alcoólatra pode desempenhar frente à bebida a partir do reconhecimento de seu alcoolismo.
Parar de beber, entretanto, como se diz em AA, não é o maior problema. O problema é não voltar a beber. Para não voltar a beber – isto é: para manter a prudência -, memória e docilitas são, então, fundamentais. A memória individual é fundamental, para que não se perca de vista o sofrimento anterior à abstinência. A experiência do grupo, representando a memória da experiência dos antigos e dos outros companheiros contemporâneos, é imprescindível para iluminar o caminho de como se vencer a obsessão pela bebida e de como realizar o processo de mudanças pessoais que representa o crescimento espiritual, única senda reconhecida como capaz de manutenção permanente da abstinência. Para o desfrute desta “memória dos outros”, a experiência dos antigos e dos contemporâneos, é necessário que se pratique a docilitas.
Em AA se diz que “força de vontade” não é suficiente para se parar de beber. O necessário é que se tenha “boa vontade” (16) para entregar-se ao programa de recuperação. Esta boa vontade solicitada do novato nada mais é do que a docilitas, por excelência a virtude do aprendiz. A força de vontade isoladamente não resolve porque é praticada por conta própria, a partir de referências exclusivamente pessoais e como tentativa de fazer valer a supremacia egóica. A boa vontade geralmente resulta em sucesso porque permite à pessoa abrir-se para compartilhar as “experiências, forças e esperanças” de todo o grupo, assim passando a efetivamente desfrutar do apoio indispensável para a recuperação.
O sexto e sétimo passos, por alguns chamados de “passos da transformação”, permitem, por sua própria leitura, identificar a docilitas como uma virtude central da programação de AA: “Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter” e “Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições”. Estes passos vêm logo após a realização do inventário moral, onde se identificam os “defeitos de caráter” e é importante que se diga que, em AA, é corrente a noção de que o Poder Superior só faz a parte d’Ele se cada um fizer a sua.
Memória é uma virtude de difícil prática, pois que o homem, por natureza, é um ser que esquece, não sendo por outro motivo que em árabe Homem é designado por “Insan”, termo cujo significado etimológico é “esquecedor” (17).
Por isto a continuidade de freqüência às reuniões é importante, mesmo para os que já se encontram em estados avançados de recuperação. É comum ouvir-se depoimentos de pessoas que dizem que estão na reunião para não esquecer que são alcoólatras. Não é outro o motivo porque todos o membros de AA, ao prestarem depoimentos nas reuniões, apresentam-se seguindo um mesmo padrão: “Meu nome é Fulano, eu sou um alcoólatra…” A infinita repetição, antes de ser uma técnica behaviorista de ensino já era uma fórmula presente no Oriente, onde na palavra dhikr mesclam-se os significados de memória e repetição (18). Mais que isto, creio que a apresentação em que se declina a condição de alcoólatra, seguida de um depoimento pessoal em que normalmente se expõem fatos e sentimentos de natureza íntima, corresponde à prática de um tipo de meditação profunda que Santo Tomás considerava como a quarta lei da memória (19). Esta repetição praticada por todos beneficia não apenas os oradores mas também os ouvintes, em especial os novatos, às vezes ainda em processo de negação da doença pois, como diz o provérbio oriental: “A repetição deixa sua marca até nas pedras. (20)”
A repetição em AA por vezes é tão marcante que há membros do grupo que chegam a se incomodar com companheiros que, anos a fio, falam praticamente a mesma coisa em seus depoimentos, sem alterar suas falas. Os antigos em AA dizem que isto não tem a menor importância se está servindo para manter a abstinência do companheiro. Na verdade, há um aforismo em AA que enuncia o seguinte: “Eu falo para mim mesmo. Porque o meu ouvido é o que está mais próximo de minha boca e eu sou o primeiro a ouvir”. Considerando esta obviedade, talvez se possa interpretar que a fala só se alterará quando a necessidade de memória daquele depoimento específico for superada.
Em AA respeitam-se igualmente os antigos e os ingressantes. Os antigos, denominados desta maneira, representam a experiência acumulada e o ideal a ser atingido. Os especialmente dedicados à Irmandade e mais solícitos no apoio aos outros são considerados “velhos mentores”: são representantes supremos da memória coletiva.
O ingressante, quando pela primeira vez chega a uma reunião, é tratado por todos como sendo “a pessoa mais importante”. O novato é importante porque ele representa o futuro e a renovação da Irmandade mas, principalmente, porque ele é um elemento de memória para todos os presentes. Quem chega pela primeira vez numa sala de recuperação, normalmente apresenta-se em estado lastimável, desorientado, cheio de problemas, muitas vezes embriagado. A pessoa que vai procurar o grupo está no auge de seu alcoolismo. O contraste entre seu estado e o estado dos que estão em abstinência, em recuperação, reforça, pelo efeito demonstração, a determinação de continuar sem beber entre os membros do grupo. O alcoólatra em recuperação rememora os tempos de seu próprio sofrimento quando se depara com outro na ativa.
É necessário que se diga, também, que a importância do ingressante não se restringe a este efeito quase que cruel. Pelo contrário, todo o grupo de AA está animado pela inspiração da quinta Tradição (21) e os AA sabem que ajudar outro alcoólico a atingir a sobriedade é uma das melhores maneiras de conservar a própria, o que se encontra enunciado no décimo segundo passo (“Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades”). Este décimo segundo passo não pode ser confundido como sendo uma sugestão meramente altruísta, ao feitio filantrópico. Ele se constitui numa necessidade porque baseiase na constatação de que “É dando que se recebe” (22), enunciada nos Princípios de Ouro de AA da seguinte forma: “Só conservamos o que temos dando-o a outros”.
Esta reciprocidade que se dá no décimo segundo passo corresponde a um tipo de ato de mão dupla, onde o sujeito é ao mesmo tempo doador e beneficiário de determinada ação, à moda do que se encontrava presente nas línguas antigas, pela conjugação de uma forma verbal não existente entre nós (23). Talvez não seja exagero dizer que, neste caso citado, para a manutenção da prudência do alcoólatra em recuperação e o despertar da prudência no ingressante, o que está em curso é um intercâmbio de memórias. Em troca da experiência de recuperação (a memória coletiva) que lhe oferecem os membros do grupo, o novato oferece a todos a sua situação pessoal como memória viva do alcoolismo ativo.
Lembrar-se do período de alcoolismo ativo é quase uma necessidade para que o alcoólatra seja capaz de manter-se em abstinência. Passado o período crítico inicial dos primeiros meses, não é raro que a pessoa, à medida que vai reconstruindo sua vida, resolvendo melhor os seus problemas, volte a pensar que é capaz de controlar a bebida, podendo beber socialmente. O alcoolismo é a Doença da Negação, como se costuma dizer, e o Homem é “Insan” (esquecedor), como dizem os árabes… Por isto a necessidade de manter a freqüência às reuniões. Entretanto, mesmo freqüentando reuniões, há de se ter cuidado com as distorções de que a memória é capaz e para tanto existem também sugestões na literatura do grupo, uma das quais, pelo menos, é perfeitamente condizente com as concepções de memória enquanto virtude, conforme entendida por Santo Tomás.
A recomendação expressa para “recordar-se do último porre” é uma orientação de ordem moral, no sentido de manter-se a memória a serviço da prudência, fiel à realidade dos fatos. Isto porque com o alívio do intenso sofrimento a que estava submetido na ativa, o alcoólatra aos poucos vai se esquecendo das agruras e recordando-se apenas das coisas boas que o álcool lhe proporcionara no passado. No limite, desenvolve o que se denomina “memória eufórica”, que se caracteriza pela exaltação plena dos prazeres vividos e esquecimento total ou negação das vivências de sofrimento. Esta deformação da memória leva infalivelmente à recaída. Para ela não se manifestar e não frutificar é que se deve exercitar a lembrança dos últimos porres, das dores, dos vexames e humilhações.
Este é um exercício de memória adequado para que, no caso do alcoólatra em recuperação, seja possível manter a memória como uma virtude fiel à prudência. Nas palavras de Pieper: “A ‘boa’ memória, entendida como requisito de perfeição da prudência, não significa senão uma memória ‘fiel ao ser’(…) O falseamento da recordação, em oposição à realidade, mediante o sim ou o não da vontade, constitui a mais típica forma de perversão da prudência”.(24)
APÊNDICE

OS 12 PASSOS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS (25)
“1. Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.
2. Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.
3. Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.
4. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.
5. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.
6. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
7. Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.
8. Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.
9. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outrem.
10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
11. Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e forças para realizar essa vontade.
12. Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a esses passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.”

________________________________________
1- O autor é mestre em Educação pela USP, escritor, consultor em Dependência Química, atualmente desenvolvendo pesquisa de Doutorado sob o título “Re-educação – A Alquimia dos Grupos Anônimos de Auto-Ajuda”. O presente estudo originou-se a partir das reflexões suscitadas pelo curso de Pós-Graduação da FEUSP: “A educação para as virtudes na tradição ocidental”.
2- Vide Apêndice, ao final do texto.
3- Lauand, Luiz Jean. Provérbios e Educação Moral – A filosofia de Tomás de Aquino e a Pedagogia do Mathal. HotTopos. São Paulo, 1997.
4- Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Editora Nova Fronteira. 1 edição, 11 re-impressão. Rio de Janeiro s/d.
5- Jung, Carl Gustav. C. G. Jung Letters. Routledge & Keagan. London, 1976. pág. 625. Carta a Bill Wilson, em 30 de janeiro de 1961.
6- Alcoólicos Anônimos. Os Doze Passos e as Doze Tradições. JUNAAB – Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil. São Paulo, 1995. pág.42.
7- Lauand, op. cit,.págs. 30 e 31.
8- São, respectivamente, o princípio e a conclusão do tratado de Pieper sobre a fortaleza. Cfr. Josef Pieper Virtudes Fundamentais, Lisboa, Aster, 1960, p. 173 e ss. e p. 194 e ss.
9- Alcoólicos Anônimos. Folheto 44 Perguntas.
10- Para o tema da temperança, veja-se o livro de Pieper, recolhido no já citado volume Virtudes Fundamentais, Lisboa, Aster, 1960.
11- Op. Cit. págs. 30 e 31.
12- Garrigou-Lagrange, Reginald. La prudence – sa place dans l’organisme des virtus. Revue Thomiste, École de Théologie Saint-Maximin (Var), Année 31, Nouv. Série IX, 1926, p. 411. Apud Lauand op. cit. Tradução minha.
13- Ferreira. op. cit.
14- Lauand. op. cit. pág. 117.
15- Tomás de Aquino. Suma Teológica II-II, 49, 1. 2ª. ed., Ed. bilíngüe em 10 vols. Tradução de Alexandre Corrêa. EST-Sulina-UCS, Rio Grande do Sul, 1980.
16- Alcoólicos Anônimos. Os Doze Passos e as Doze Tradições. op. cit. pág. 29.
17- Lauand. op. cit. pág. 97.
18- Ibidem. pág. 97.
19- Ibidem. pág. 112.
20- Ibidem. pág. 112.
21- “Cada grupo é animado de um único propósito primordial — o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre”.
22- Oração de S. Francisco, citada na literatura de AA.
23- Trata-se da voz média do grego, que encontra um correspondente no verbo depoente latino. Em ambos os casos, trata-se de indicar uma ação que é ao mesmo tempo ativa e passiva, como nascor, nascer (eu nasço ou sou nascido?), morior (morrer será um verbo ativo?). Exemplo sugestivo, no presente estudo, é o do verbo loquor, falar: ao externar, comunicando-me com outros, é que me dou conta de meus próprios pensamentos (devo esta nota ao Prof. Luiz Jean Lauand).
24- Pieper, J. Das Viegespann, München, Kösel, 1964, pág. 29. Apud Lauand. op. cit. pág. 113.
25- Publicados pela primeira vez em 1939, no livro Alcoólicos Anônimos. O título do livro foi adotado como nome oficial da Irmandade que havia sido fundada em 1935.

PRINCÍPIOS ESPIRITUAIS DOS PASSOS

PRINCÍPIOS ESPIRITUAIS DOS PASSOS.

Primeiro Passo: Honestidade, mente aberta, boa vontade, humildade e aceitação.

Segundo Passo: Mente Aberta, boa vontade, fé, confiança e humildade.

Terceiro Passo: Rendição, boa vontade. a esperança se traduz em confiança. Compromisso de “entregar”.

Quarto Passo: Honestidade, coragem, fé e confiança.

Quinto Passo: Confiança, coragem, honestidade, compromisso.

Sexto Passo: Comprometimento, perseverança, boa vontade, fé, confiança e auto-aceitação.

Sétimo Passo: Rendição, confiança, fé, paciência, humildade.

Oitavo Passo: Honestidade, coragem, boa vontade e compaixão.

Nono Passo: Honestidade, coragem, boa vontade e compaixão.

Décimo Passo: Autodisciplina, honestidade e integridade.

Décimo Primeiro Passo: comprometimento, humildade, coragem e fé prática da meditação e oração.

Décimo Segundo Passo: Amor incondicional, abnegação e perseverança.

1º passo e a bíblia
O primeiro passo é a admissão da nossa derrota perante nós mesmos. Temos uma doença progressiva, incurável e de determinação fatal e, se continuarmos orgulhosos, poderemos ficar completamente insanos ou perder nossas próprias vidas.
Se analisarmos tudo o que perdemos, as pessoas que magoamos, as justificativas e as racionalizações que demos a nós mesmos e os absurdos que racionalizamos, veremos que, se não tomarmos alguma decisão em relação a nossas vidas, elas tomarão uma decisão em relação a nós. Todos ou quase todos que queremos bem estão profundamente magoados com nossas atitudes e manipulações. Muitos de nós chegamos a um estado de desespero, em que não conseguem mais usar drogas e ao mesmo tempo não co seguem viver sem elas. O fundo do poço é diferente para cada um mas, se não perdermos o emprego, a namorada, os estudos, ou não formos para a cadeia não significa que temos qualidade de vida ou que podemos nos controlar. Aceitação social, não significa recuperação. Tudo na nossa vida se relaciona com as drogas e ainda assim insistimos em negar os fatos. Não somos impotentes perante as drogas apenas, mas também nos tornamos impotentes, perante nossos defeitos de caráter. Coisas horríveis no ser humano como soberba, avareza, luxúria, inveja, ira, gula (compulsão), preguiça, manipulação emocional, negação, justificativas, autopiedade e racionalizações tornaram-se para nós como o ar que respiramos.
A doença da adicção é composta por três partes distintas, porém unidas entre si: Física – uma vez ingerida a primeira dose, a compulsão se desencadeia e não paramos mais de consumir drogas. Mental – é a obsessão de consumir drogas. Só conseguimos pensar nisso e na forma de obtê-la não importando se tivermos que roubar ou matar. O que vale é conseguí-la. Espiritual – é o total egocentrismo, passamos por cima de amigos, responsabilidades, pai, mãe, esposa, enfim qualquer um que tente impedir nosso desejo incontrolável de usar mais drogas.
Desenvolvemos tanto nossos defeitos de caráter que nos tornamos pessoas super egocêntricas. Se não trabalharmos nossos defeitos de caráter por meio dos princípios contidos nos doze passos, voltaremos a usar drogas. A recaída é sempre pior, não importa quanto tempo demore, sempre voltamos ao fundo do poço. Alguns, depois de terem experimentado uma recaída, ainda conseguem voltar para o programa, outros, a maioria, acabam presos ou morrem.
Muitas vezes fazemos o que não queremos, o que sugere que algo em nós possui um poder que nos desvia de nossas melhores intenções. São os defeitos de caráter.
Após admitirmos nossa impotência perante as drogas, nossos defeitos de caráter e o descontrole de nossas vidas, nos é apresentado o princípio espiritual do primeiro passo, a rendição.
Render-nos não significa ser covarde, pelo contrário é preciso muita coragem, humildade e mente aberta para aceitar que nossas melhores idéias e atitudes quase nos mataram.
Ao render-nos, a liberdade de podermos honestamente reavaliar nossos conceitos nos proporciona a sensação de que pela primeira vez na vida somos livres de verdade. Quando chegamos a esse ponto, parece que começamos a enxergar quem realmente somos, quem realmente são nossos amigos e que talvez nossos familiares só queiram nos ajudar.
Felizmente, chegamos até aqui. E agora? Como viveremos daqui para frente?
Precisamos nos lembrar de viver um dia de cada vez. Não resolveremos todos os problemas que causamos em nossas vidas em um dia.
Para levantar uma nova casa é preciso demolir a antiga; para nascer uma nova maneira de viver, é preciso que a antiga morra.
Não podemos nos enganar, precisamos mudar nossos hábitos, deixar de freqüentar certos lugares e nos desligar de muitas pessoas, sob pena de não o fazendo, voltarmos a usar drogas.
Este é um programa de total abstinência não só da droga de nossa preferência, mas também de qualquer uma que nos altere o humor. Por isso, haja o que houver, não use drogas. A primeira dose desencadeia a compulsão.
Se não mudarmos nossa antiga maneira de ser, pensar e agir, não teremos sucesso em nossa recuperação. É preciso que antigas idéias desapareçam para que novas possam florescer. Em copo cheio não cabe mais água, é preciso esvaziá-lo primeiro.
Temos grande facilidade de nos esquecer dos “maus momentos” relacionados ao uso de drogas. Nossa tendência é lembrar apenas das sensações de prazer que tivemos, a isso chamamos memória eufórica.
Os dependentes químicos temem o desconhecido e agarram-se ao que já conhecem. Infelizmente o que conhecemos até aqui não nos fez muito bem.
Tememos procurar emprego, relacionar com novas pessoas, conhecer outros lugares e abrirmos a mente para novas idéias. Por outro lado, não tememos usar drogas, andar em locais de risco, roubar, mentir, manipular e andar com pessoas perigosas.
Essa insanidade é uma característica dos adictos. Muda um pouquinho de um para outro, porém, as histórias são bem parecidas no final.
A rendição total, sem reservas, ou meias idéias, é a chave para abrirmos a porta da recuperação.
A espiritualidade é a resposta
A RESPOSTA ESTÁ EM NOSSA ESPIRITUALIDADE.

Muitas vezes nos sentimos sem rumo, sem razão para viver, com um vazio, uma sensação de que algo está faltando ou que algo está incompleto, temos um sentimento de angústia, uma insatisfação total com a vida…
Nesse momento, começamos a errar. Sem possuir a cultura e o conhecimento necessários, vamos buscar respostas em lugares errados. Vem então a idéia de que talvez fazer compras pode nos ajudar, como se coisas materiais adquiridas compulsivamente ou de forma desnecessária, trouxessem alívio para nossas dores da alma. Outra opção que nos ocorre é sair com amigos para uma noitada ou ainda nos entregarmos a atividades promíscuas, sempre em busca de uma sensação boa, de preenchimento do vazio inexplicável.
Estamos no campo do “escapismo” e precisamos alimentar essas atitudes, para manter a sensação de atividade, de ação, da idéia de sermos adequados e pertencentes a algo importante, de estarmos enturmados. Alguns encontram alternativas mais perigosas, como o álcool, as drogas ou simplesmente se tornam alienados e amargurados.
Não temos coragem de enfrentar essa sensação de vazio interior, não aprendemos a fazer isso. Ficamos assustados com nossas fraquezas, com nossa superficialidade e tentamos então evitar todas as maneiras de ficarmos a sós com nossos pensamentos. Há pessoas que precisam de atividade constante, rádio ou televisão ligados o tempo todo, sempre na intenção de afastar pensamentos mais profundos e questionadores.
É chegado o dia. Pelo cansaço de uma vida sem sentido, por influência da família ou por alguma força interior, nos vemos forçados a parar e a refletir sobre o real sentido da vida. Começa, então, nossa busca, nossa jornada em direção à fonte.
Tem início nossa peregrinação por religiões, crenças, doutrinas, seitas advinhos ou qualquer outra coisa que nos possa ajudar, continuando nossas perguntas íntimas sem respostas adequadas. É hora de olharmos para dentro de nós mesmo. E ver até que ponto nossa espiritualidade está evoluída, o quanto está faltando para termos a paz de espírito tão necessária para nosso equilíbrio físico, psíquico e emocional. É hora de prestarmos mais atenção, a nós mesmos.
Logo, não fique esperando grandes momentos para agir, nem fique apegado ao medo ou ao adiamento indefinido. Tão logo se acenda a chama da vontade em seu coração, aplique-se e faça o melhor possível por você mesmo. Uma gotinha hoje, outra amanhã é o que faz a diferença no rumo a sobriedade. Lembre-se: As torrentes que moldaram as pedras gigantes do cânion, fizeram-se das minúsculas gotículas que, por milhares e milhares de anos desempenharam sua parte sem conhecerem-se uma às outras. Se entender a comparação, entenderá também a importância de sua ação para alcançar seus objetivos de equilíbrio e não esperará, indefinidamente, as grandes correntezas.
Álcool (estudando o vício)
O VÍCIO DO ÁLCOOL.

• Precocidade: a bebida se torna importante, reconhecida em outras horas e atividades programadas em função dela.

• Aumento da tolerância: mais álcool para provocar o efeito desejado.

• Sintomas da privação: aumento dos tremores, insônia, agitação, ansiedade, confusão. Torna-se um ciclo vicioso.

• Ansiedade: bebendo um, já se anseia pelo próximo gole.

• Conflito interior: sente desejo de parar, mas na retomada o descontrole se tona mais sério.

• Problemas externos: trabalho, amigos, família, polícia, bebe em segredo. O alcoolismo é interpretado como um problema de saúde crônico, sistêmico e degenerativo, análogo a doenças de incapacidade como a sífilis e a esclerose múltipla.

• 1º Estágio: ao usar o álcool, a pessoa experimenta uma dramática redução do estresse e níveis mais baixos de tensão. Beber diário para relaxar. Tem mais tolerância que pessoa comum.

• 2º Estágio: pessoa começa a ter amnésia (apagão); tensão e culpa; bebe em segredo.

• 3º Estágio: comportamento descontrolado; reage a tensão bebendo; cria incidentes ou fantasias para justificar o álcool e um relacionamento com o próximo altamente desgastado.

• 4º Estágio: fase crônica com intoxicação longa; debilidade física e mental, relacionamentos problemáticos, tolerância ao álcool diminuída.

Muitos nessa fase de “fundo-do-poço”, desesperados, de súbito vivenciam uma nova experiência espiritual. É a descida ao inferno que precisa preceder a visão do paraíso.

Carl Jung: “Um homem comum, não protegido pela ação vinda de cima e isolado na sociedade, não consegue resistir ao poder do mal, que é adequadamente chamado de o demônio…“álcool” em latim é “spiritus”, a mesma palavra tanto para a mais elevada experiência religiosa quanto para o veneno mais depravado: poderíamos observar que, para muitos a “solução espirituosa” do álcool acaba por conduzir a uma solução espiritual para o alcoolismo”.

William James: “A verdadeira cura para o excesso de bebida é a paixão pela religião. Diria que a única cura de vicio é a descoberta de uma espiritualidade intensamente sentida”.

Com essa base espiritual, o viciado em recuperação pode começar a realizar em sua vida as mudanças práticas necessárias à real transformação.
O poder da bebida de transformar um viciado em uma pessoa diferente é abordado pelos Alcoólicos Anônimos. Ao sugerir que se evite o primeiro gole, se insiste que o viciado impeça que os efeitos destrutivos do álcool tenham início. Isso é necessário porque ele será sempre um alcoólatra, com toda vulnerabilidade que isto sugere. O primeiro passo sugere a impotência perante o álcool, e tão logo uma pessoa ingira um drinque não tem mais sobriedade que aquele que se embebeda e nunca ouviu falar de Alcoólicos Anônimos.
Um ponto forte dos Alcoólicos Anônimos é reconhecerem um poder espiritual (Poder Superior) que precisa ser invocado para que o problema do vicio seja solucionado. Também a voluntariedade e a ausência de uma estrutura hierárquica, permite que o viciado assuma plena responsabilidade pela recuperação. Os aspectos mais extraordinários dos Alcoólicos Anônimos é o fato de somente o primeiro passo mencionar o álcool que resulta em efeitos benéficos para o adicto, ou sejam:
Enfatizam que o vício da bebida não diz respeito ao que simplesmente está no corpo, mas também na mente e coração.
Oferecem ao alcoólatra em recuperação a oportunidade de compreender a bebida não apenas como uma tribulação, mas como uma espécie de oportunidade, o primeiro degrau do autodesenvolvimento que pode conduzir à genuína realização espiritual. Os doze passos não são só um programa para que a pessoa se torne sóbria; eles ajudam o indivíduo a se tornar uma pessoa verdadeiramente excelente em todas as tarefas da vida.
Por outro lado a ênfase dos Alcoólicos Anônimos na impotência do viciado parece problemática. Enquanto ele caminha sobre a estreita linha divisória entre o poder maligno do álcool, de um lado, e a graça salvadora de um poder espiritual superior do outro, a verdadeira natureza do viciado permanece desconhecida ou talvez irrelevante. Colocando as coisas de maneira simples, ele é o que faz, e nunca terá certeza do que irá fazer de um dia para outro. De acordo com a máxima conhecida dos Alcoólicos Anônimos “um dia de cada vez”.
A essência da natureza humana não é tão indeterminada. Quando crianças tínhamos o uso do coração e encontrávamos a alegria à nossa volta. Esta criança feliz ainda está dentro de nós, e o impulso natural em direção à saúde e à felicidade ainda está presente. Não somos emocional ou espiritualmente neutros, e nem igualmente inclinados a fazer o bem e o mal a nós mesmos. Os perigos e tentações desaparecerão quando nossa satisfação com relação aos verdadeiros prazeres da vida se tornar mais uma vez disponível.
O sonho de uma substancia que transforma a realidade está profundamente enraizado na imaginação humana.
O vicio das drogas se apodera de homens e mulheres cuja vida cotidiana é como vagar pelo deserto, destituída de prazer e alimento espiritual. Quando algo (como as drogas ou álcool) se oferece para transportar essas pessoas para uma realidade ilusória, diferente daquela que vivem, muitas delas aceitam a oferta simplesmente porque nada mais parece oferecer qualquer tipo de promessa. Mas uma das ironias do vício, é que aquilo que se começa como uma busca do prazer, logo se transforma em uma luta constante para evitar a dor.
A sociedade através da história encontrou muitas maneiras diferentes de condenar os chamados “comportamentos que se desviam da norma”. Quase sempre essa condenação tinha uma base religiosa, embora a observação da ortodoxia religiosa fosse freqüentemente uma máscara para o poder e o controle dos políticos. Hoje nossa crença na ciência nos leva em direção de uma diferente terminologia de desaprovação, e o uso das drogas é visto como uma doença em vez de uma blasfêmia.
O fato de certas drogas serem ilegais é provavelmente uma parte fundamental da sua sedução. Com essas substâncias, o indivíduo rejeita os valores da corrente principal da sociedade e se separa dela, ingressando num subgrupo cuja vida é definida pelo vício.
Todos os vícios têm uma coisa em comum: seu poder depende de algo externo, algo que está lá fora no mundo, algo extrínseco ao eu individual. O contraste disso é a meditação que vem inteiramente do interior. Cada um tem tudo para meditar e já tinha quando veio ao mundo. Ninguém pode tirá-lo de você. A meditação é o oposto, a antítese do comportamento do vício, e é recomendável que se preste particular atenção sobre ela.
O aspecto mais admirável da meditação é seu poder de abranger estados mentais aparentemente diversos em uma única experiência que pode ser descrita como vigilância repousante.
Em todos há um “você” observador que não participa dos pensamentos e sentimentos que se nutre durante o dia. A meditação ajuda a reconhecer a existência desse mágico e silencioso observador. Aprende-se a usar esse estado de vigilância repousante como uma espécie de bússola interna ou ponto central, um lugar de poder a partir do qual, a influência do espírito pode se espalhar para todas as áreas da vida.
Álcool (visto por um neurologista)
O ÁLCOOL, SEGUNDO UM NEUROLOGISTA

Uma droga que mata, principalmente quando não tem utilidade terapêutica, é uma espécie de veneno. Quando imaginamos qualquer tipo de veneno, sempre pensamos em algo nocivo do qual devemos nos afastar, ou na melhor das hipóteses, nos proteger.
O álcool possui essas propriedades. É uma droga sem utilidade terapêutica, capaz de provocar a morte, portanto poderia ser encarada como um veneno, no entanto, isso não acontece, pelo contrário, nem como droga é considerado por muitos. A que se deve tamanha deturpação dos fatos?
O álcool tem um valor social inquestionável, é considerado o “lubrificante” das relações sociais, produto sempre encontrado na grande maioria dos encontros lúdicos, festivos ou profissionais. Tem o papel de diminuir nossa inibição natural, facilitando as relações interpessoais, favorecendo aproximações de negócios, românticas, sentimentais ou simplesmente de adequação ao meio ambiente circunstancial. Além disso cumpre um papel econômico importante pois, sendo um produto de uso das massas, gera o interesse de diversas indústrias, que usando os nossos ídolos nacionais através dos diversos meios de comunicação, popularizam indiscriminadamente a droga, atingindo até mesmo as crianças; mesmo que os impostos coletados na sua comercialização cubram apenas uma fração das despesas com hospitais gerais e psiquiátricos e jamais consigam compensar o sofrimento humano causado a cada família de um desses bebedores sociais, que sutil e progressivamente transformara-se em alcoólicos.
É nesse ponto, que a dependência é instalada, que o álcool, o “veneno sutil” apresenta o seu paradoxo. Como qualquer outro tipo de veneno, a sua suspensão traz alívio; porém, o álcool aliou-se de tal forma ao organismo que esse não consegue mais funcionar adequadamente sem a sua presença. Quando o indivíduo deixa de ingeri-lo passa em curto espaço de tempo a apresentar um mal estar orgânico e psicológico que progride, em casos graves, a um quadro dramático conhecido por “delirium tremens”, onde se observam tremores pelo corpo todo, chegando até a convulsões tipo epilépticas, suores profusos, delírios e alucinações com insetos que lhe cercam ou invadem o corpo. Um pavor indescritível se apodera do indivíduo que tenta fugir ou se mutilar de forma agressiva, intempestiva e desorientada. O indivíduo está frente a frente com a morte.
Mas atentemos bem para o termo “retarda a morte”, pois não há salvação com o uso continuado do álcool. Simplesmente alivia esses sintomas dramáticos da abstinência enquanto continua o seu trabalho de alterar a fisiologia orgânica até chegar ao ponto do colapso inevitável.
Poderíamos então pensar que nossa preocupação deveria ficar restrita à situação acima, quando os efeitos do álcool são bastante evidentes. No entanto, nossa preocupação deve se voltar para a prevenção, para evitar que a doença se instale. Devemos entender que o álcool é uma droga letal, que cumpre um papel social entre as pessoas adultas, sadias, de forma circunstancial. Nunca transformar esse uso de circunstancial em habitual, pois assim começa a haver a transformação fisiológica do organismo. Mesmo que esse uso se restrinja a fins de semana. Uma forma de percebermos se o nosso organismo está sendo alterado pelo álcool, é procurar sentir o nosso estado de espírito quando temos oportunidade de usar o álcool e voluntariamente não o fazemos. Se isso traz desconforto psíquico (irritação, mau humor, inquietação) é um sinal de alerta que apenas a pessoa que sente pode avaliar (ou disfarçar, se ele quer aparentar normalidade, mostrando que o álcool não cumpre nenhum papel em sua vida).
Neste ponto da prevenção, a mudança corretiva dos hábitos depende exclusivamente da honestidade de cada um. O que podemos e devemos informar é sobre a estratégia que a doença usa para o domínio do corpo. Como o álcool tem uma preferência para agir em nível cerebral, onde existem bilhões de neurônios responsáveis por nossa percepção, processamento das informações recebidas e execução do comportamento desejado, ele vai alternando progressivamente a função dos diversos neurônios atingidos. Se eles individualmente passam a necessitar do álcool para executarem com mais “eficácia” suas funções, começam a interferir no processo cognitivo encontrando justificativas para o uso e negando qualquer argumento que ameace sua interrupção. Essa é a grande tática utilizada estrategicamente pelo álcool para minar nossa resistência e iniciar o processo de destruição orgânica. Portanto, a honestidade do indivíduo que usa o álcool habitualmente é fundamental para frustrar o desenvolvimento da doença. Somente ele é responsável por sua própria recuperação. a nós, que adquirimos esse conhecimento, cabe apenas o papel de atingir a consciência das pessoas na faixa de risco, confrontando suas defesas (negação, racionalização) com os prejuízos reais que começam a surgir, de forma solidária, compreensiva, sem cair no campo emocional, atacando impiedosamente com nossa razão a fragilidade de quem já se encontra doente ou no mínimo, já começou o processo.
Alcoolismo causas e efeitos
“Quando a única ferramenta que temos é um martelo, todos os problemas parecem pregos”.
Há uma polêmica sobre o alcoolismo, devido ao fato de ainda não se conhecer as causas exatas.
É natural que os psicólogos vejam o problema do aspecto emocional e os médicos, do lado físico, ainda que todos reconheçam que se trata de uma doença multifacetada.
A sociedade americana da medicina de adicção (Asam) define a doença como crônica, primária, cujo desenvolvimento e manifestação são influenciados por fatores genéticos, psicossociais e ambientais. A doença é progressiva e fatal. Caracteriza-se por uma contínua ou periódica perda do controle, pela obsessão, distorções na maneira de agir e pensar, principalmente a negação.

• Primária: sugere que o alcoolismo não é sintoma de uma doença latente.
• Doença: significa uma incapacidade involuntária. Representa a soma dos fenômenos anormais manifestados por um grupo de indivíduos. Estes fenômenos estão associados a um conjunto específico de características em comum pelas quais esses indivíduos diferem do normal, e que os colocam em desvantagem.
• Progressiva e fatal: significa que a doença persiste com o passar do tempo e que as mudanças físicas, emocionais e sociais costumam ser cumulativas e podem progredir com a ingestão contínua do álcool. O alcoolismo causa a morte prematura por meio da overdose, de complicações orgânicas que envolvem o cérebro, o fígado, o coração e muitos outros órgãos, contribuindo para o suicídio, o homicídio, os acidentes automobilísticos e outros acontecimentos traumáticos.
• Perda de controle: significa a incapacidade de limitar o suo de substâncias psicoativas ou de limitar consistentemente a duração do episódio de ingestão, a quantidade consumida e/ou as conseqüências comportamentais do consumo.
• Obsessão: relacionada ao uso de substâncias psicoativas indica uma atenção excessiva e centralizada nessas substâncias, em seus efeitos e/ou em seu uso. O valor relativo atribuído às substâncias psicoativas pelo indivíduo costuma desviar suas energias dos tópicos importantes da vida.
• Conseqüências adversas: são problemas relacionados às substâncias psicoativas ou danos em áreas como: saúde física (síndrome da abstinência, doença hepática, gastrite, anemia, distúrbios neurológicos); funcionamento psicológico (danos na percepção, mudanças de humor e de comportamento); funcionamento interpessoal (problemas escolares ou profissionais); e problemas legais, financeiros e/ou espirituais.
• A negação: inclui uma série de artifícios psicológicos destinados a reduzir a consciência do fato de que o uso de substâncias psicoativas é a causa dos problemas de um indivíduo em vez de uma solução para esses problemas. A negação torna-se uma parte integral da doença e um poderoso obstáculo à recuperação.

A TRISTE SORTE DE UM ALCOÓLATRA.

A princípio, talvez, beba com certa dose de moderação; logo, queira ou não queira, passa a ser um bebedor forte e contínuo. Posteriormente em uma ou outra etapa de sua carreira de bebedor, começará a perder todo o domínio sobre a quantidade de álcool que ingere, desde que tome o primeiro gole.
Aqui está o caso que intriga a todos, especialmente no que concerne à sua falta de controle. Faz coisas absurdas, incríveis, trágicas, quando bebe. Jamais se conserva um pouco intoxicado. Está sempre mais, ou menos embriagado. Sua disposição quando bebe, se parece muito pouco com a de seu estado normal. Ele pode ser uma das criaturas melhores do mundo. Mas basta que beba durante um dia para converter-se num imprudente e até perigoso ser anti-social. Tem a particularidade de se embriagar justamente no pior momento, como, por exemplo, quando precisa tomar uma decisão ou então, comparecer a um encontro importante. É digno de nota o sentido de responsabilidade que tem a respeito de todos os problemas, menos o da bebida, para o qual é incrivelmente desonesto e egoísta, comumente é uma pessoa de dotes e aptidões notáveis e de grande futuro. Utiliza suas aptidões para elaborar planos extraordinários para o seu bem-estar e o de seus familiares, e logo põe tudo a perder com uma série de bebedeiras. É o indivíduo que se deita tão intoxicado que deveria dormir muitas horas. No entanto, logo de manhã já vai procurar a garrafa como um louco, sem se lembrar onde a escondeu na noite anterior. Por precaução, se tem com que comprá-la, procura esconder bebida por toda casa, para não acontecer de faltar-lhe. Quando piora a situação, chega o momento em que, juntamente com o álcool, começa a usar calmantes fortes para poder controlar os nervos e enfrentar o trabalho. por fim, chega o dia em que não agüenta mais, e torna a embebedar-se novamente. Talvez recorra a um médico, para lhe aplicar morfina ou lhe dar algum sedativo que o acalme. Daí em diante, começa a ser freqüentador dos hospitais, clinicas, cadeias e por fim, o cemitério.

AUTO-ESTIMA E AS PARÁBOLAS.

Antigamente para a ciência, auto-estima, era algo inato, acreditava-se que nascíamos ou não com ela. Atualmente, podemos desenvolvê-la através da vida e em qualquer faixa etária.
Jesus, o Mestre por excelência, sabia atingir o coração dos que O ouviam, ensinando por parábolas, pois sabia que cada um entende as coisas a partir da sua perspectiva pessoal. Atualmente, continuamos a rever as parábolas e ensinamentos de Jesus à medida em que crescemos e evoluímos, para descobrirmos novos significados.
Jesus mostrou que devemos amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos. A auto-estima é um processo evolutivo decrescimento interior, que se exterioriza nos atos dos indivíduos, através de confiança em si mesmos e no seu modo de lidar com os contratempos. O amor a si mesmo não significa egocentrismo. Devemos amar a nós mesmos, desejando e dirigindo as nossas ações para o melhor de nós mesmos.
Jesus desenvolveu as Suas maravilhosas parábolas mostrando, através delas, todo o processo de auto-estima que o homem deve adquirir. Na parábola do semeador, Ele mostrou a semente caindo em diferentes solos, significando os diferentes estados de maturidade espiritual, que proporciona ângulos diferentes, no entendimento da verdade. Sementes caídas em solos não férteis simbolizam as almas que possuem orgulho, medo, ódio, arrogância, destruição, vícios. Não devemos confundir arrogância com auto-estima em excesso, pois a auto-estima é um processo de confiança interior, que se exterioriza nos atos dos indivíduos através da confiança em si mesmos e no seu modo de lidar com os contratempos.
Na sociedade em geral, enfatiza-se que a auto-estima é necessária para o sucesso pessoal, para ficar rico rapidamente, ou galgar degraus de status no trabalho e na sociedade. Existem muitas dicas sobre como consegui-la, como se os ricos e poderosos conquistassem, deste modo, a auto-estima. Mas, não é bem assim.
No ensinamento do grão de mostarda, Ele enfatizou o poder da fé, que se a tivermos verdadeiramente, somos capazes de grandes realizações. Quando o Mestre falou sobre a importância da fé do tamanho de um grão de mostarda e disse aos que eram curados: “a tua fé te curou”, está claro que Ele não conseguiu curar a todos, mas àqueles que tiveram a fé verdadeira. A auto-estima é a fé em Deus e em nós próprios. Neste novo estado de ânimo, “a cura se dá pela substituição de uma molécula mal-sã por uma molécula sã.”
Outra demonstração extraordinária de Jesus foi a da humildade. No ato de lavar os pés dos discípulos, Ele disse: “agora que Eu, Vosso Senhor, vos lavei os pés, também deveis lavar os pés uns dos outros.” Jesus era suficientemente confiante para assumir o papel de servidor. Ele demonstrou que ser humilde não é ser passivo, é ter uma atitude devido ao amor. Na parábola do fariseu e do publicano, Jesus observa que aquele que se humilha será exaltado e que nas orações, encontraremos a verdadeira humildade.
“Se alguém te feriu na face direita, oferece a outra.” O Mestre quis dizer que não devemos revidar às provocações dos maus, dos maledicentes e que o amor deve ser mais forte que o ódio. Na entrada de Jesus em Jerusalém Jesus o fez montado em um jumento, colocando-se, não arrogantemente, mas humildemente em contato com o povo, que Ele não queria que se distanciasse Dele. Muitos que esperavam de Jesus uma atitude de supremacia pelo egoísmo, não O entenderam, como relata o Evangelho de João.
A figura do filho pródigo oferece-nos o ensinamento do arrependimento e do perdão. O filho que foi embora, levando a sua fortuna e gastando-a indiscriminadamente, arrependeu-se e voltou ao pai, que não o castiga, mas providencia uma festa! Jesus ensina que o filho egocêntrico rompeu um relacionamento de amor com o pai e ao voltar, ele, o pai, se rejubila. O auto-conhecimento, os bons relacionamentos com outras pessoas e com os familiares, o verdadeiro arrependimento, criam a segurança e auto-estima suficiente para uma reformulação de atitude, de atividades.
Na parábola do bom samaritano, Jesus nos mostra que devem ser bons os nossos relacionamentos, com respeito às religiões e opiniões divergentes. O bom samaritano não perguntou ao homem ferido quem ele era, de onde vinha, quem o tinha ferido, o que estava fazendo ali, etc. a caridade deve ser praticada incondicionalmente, independente de qualquer coisa.
Jesus pregou relacionamentos e não regras. As regras, nós a colocamos como metas para as condutas ideais à auto-estima, onde encontraremos a paz, para um mundo em transformação. Como Jesus, devemos começar pelas crianças , deixando a famosa frase: “deixai vir a mim as criancinhas.”
A auto-estima é um conjunto de atitudes que aparecem com a nossa reformulação interior.

AUTO-IMAGEM.
“O Longo Caminho da Mudança.”

E o Poder Superior, colocou no início da grande jornada da vida, dois caminhos, que nos levariam à meta final: o longínquo ponto a ser atingido. Uma linha reta e uma curva.
A linha reta da vida sólida, da crença, da inocência, da verdade.
A linha curva da vida de culpas, da felicidade fugaz e fingida, do “trabalho em cavar seu próprio poço de infelicidades”.
Reneguei a linha reta, desprezei-a, queira a vida farta e fácil. Queria seguir meus próprios impulsos num caminho já aparado e sem empecilhos, amores fúteis e fáceis.
Eu era feliz assim com esta auto-imagem que eu mesmo havia criado; bom emprego, uma casa, um lar, esposa e filhos. E que dizer das amizades, onde nos meus redutos de uma sociedade colaborativa e benevolente, ou ainda em bares e botequins, eu era o que gostaria de ser naquele momento, o ser feliz com todo o conhecimento do mundo, cheio de “mas” e “poréns”. E fui “tocando” minha vida.
Convidado que era para todas as festas e festinhas, eu era aquele que não podia faltar; contador de causos, de piadas, riso fácil, sempre e principalmente após as primeiras doses, que iam num crescente até quando não mais me agüentavam.
Então, algumas vezes, gentilmente era convidado a ir para casa “descansar”. Mas, eu voltava sempre a cada novo convite para uma nova festa, porém, com uma “máscara nova”, isto é, tentava mudar minha imagem do desgaste anterior.
Na mesma proporção que crescia em mim uma estranha e até então desconhecida compulsão e obsessão pelo álcool na forma de cerveja ou qualquer outra bebida, as festas, os amigos foram rareando, praticamente sumiram.
Também via meu emprego seriamente ameaçado.
O sofrimento e o sentimento de solidão começaram a fazer parte do meu ser.
Via que me tornara impotente perante o álcool, minha vida estava ingovernável pelo meu “eu”; ele havia tomado conta.
Foi aí que passei a contemplar a mim mesmo vendo que seria muito mais verídico que não existisse mais. sim, porque na realidade as fantasias e a boa fase de sonhos e glórias estão terminando; as mudanças de máscaras, personalidade e da maneira de agir já não funcionam mais.
Fui descoberto! (como se já não soubessem). E o sofrimento aparece; aumenta gradativa e constantemente.
O meu lar pouco a pouco se desmoronava, apesar de toda capacidade e compreensão adquirida pela minha esposa com sua freqüência ao Al-Anon, com discussões, brigas que já não consideravam a presença de meus filhos, que também se afastavam ante minha presença. Não mais traziam seus amigos quando eu estava em casa. Também estavam tornando-se solitários e tristes. Eu não me apercebia dos efeitos e nem que eu era a causa. Meu cérebro recusava-se em pensar ou sentir-se culpado.
Já não conseguia fazer nada nem pensar sem tomar doses e mais doses; aí, ficava com a sensação de que todos os meus problemas haviam terminado pelo menos enquanto ainda existisse álcool em meu corpo.
Foi nesse crescente sem fim de problemas sem conta, de uma luta interna em pensar, mas não acreditar, que o álcool já estava comandando minha vida, dominando quase que completamente minha maneira de pensar e agir, que senti necessidade de ajuda.
Então começaram minhas idas e vindas por médicos, centros e retiros espirituais, enfim, tudo o que me era indicado e… nada.
O álcool ainda era parte integrante do meu ser.
Até que um dia, abatido, derrotado, após mais um convite de minha esposa para assistir sem compromisso uma reunião de Alcoólicos Anônimos, eu fui.
Cheguei então numa sala com diversas pessoas, onde mesmo sem me apresentar, apertaram minha mão, deram-me boas-vindas e disseram-me (imaginem, eu o roto e esfarrapado moral, física e espiritualmente): “você é a pessoa mais importante neste dia nesta reunião.”
E foi ali, numa pequena saleta, que fui abordado por um companheiro que, na sua sinceridade, me contou toda vida de ativa, seu sofrimento, e também sua recuperação.
Ali me falou sobre esta doença física, mental e espiritual chamada alcoolismo, incurável e mortal, mas que pode ser detida.
Após estes esclarecimentos, algo mudou em mim, e de maneira positiva.
Minha mente sentiu este lampejo de que havia uma solução, afinal eu era um doente, não precisava envergonhar-me e podia me tratar.
Agora dependia exclusivamente de mim. Disse-me também que era importante reacender minha fé, já que Alcoólicos Anônimos é um programa baseado na espiritualidade, voltar a acreditar em um Poder Superior que eu mesmo podia conceber.
Concebi com meu Poder Superior um Deus amantíssimo, imparcial e bondoso.
Sendo assim, passei a freqüentar as reuniões, dedicar-me à literatura de a e tentar praticar, dentro de minhas possibilidades e compreensão, os doze passos, as doze tradições e os doze conceitos, que formam os nossos 36 princípios espirituais.
Minhas dificuldades simplesmente não terminaram aí, mas já tinha forças para contornar, superá-las ou compreendê-las melhor.
Aprendi o maior dos bens; o de saber perdoar-me, pois assim tornou-se mais fácil compreender o próximo.
Hoje, sinto-me feliz em integrar este enorme “mundão”, mesmo como uma gotinha, um grão de areia neste imenso mar humano.
Já posso sonhar sem me deixar vencer pelos próprios sonhos.
Hoje acredito, estou criando estas condições de cuidar-me com serenidade, coragem, sabedoria e principalmente fé neste meus Poder Superior.
E é assim nesta fartura de felicidade que olho para dentro de mim mesmo e vejo a tremenda e benéfica mudança que ocorreu no meu modo de ser e de minha auto-imagem.

COM DEUS TUDO É POSSÍVEL.

• Seu pensamento é criativo. Quando você começa a pensar no que deseja expressar, o poder criativo do infinito se mostra pronto para atendê-lo. Permanecendo fiel ao seu novo foco mental, você conseguirá ressuscitar uma criança, idéia, sonho ou aspirações.

• Emocional, espiritual ou mentalmente você pode tocar no amor, na alegria e na paz. Volte-se para a divina presença no seu interior. Conscientize-se de que ela é Deus, o eterno, que tudo vê, tudo sabe e tudo renova. Se você mantiver seus olhos em Deus, não haverá mal em seu caminho. Quando se apoderar mentalmente da idéia de saúde perfeita, convencendo-se de que a realeza e a perfeição de Deus estão fluindo por todo o seu ser, sentirá essa força renovando, revigorando, curando e transformando seu corpo para se conformar com o modelo divino que o pai eterno usou para criá-lo, onde só há harmonia, saúde e paz. Quando você age dessa maneira, com fé e confiança, o poder curador responde e lhe concede a saúde perfeita.

• Você pode cumprir todas as instruções, regras e regulamentos de sua Igreja, mas continuar violando as leis de Deus no seu coração. Pode ir ao culto, ou à missa todos os dias da semana, e ainda ser uma pessoa agnóstica. Devemos nos conscientizar de que a única mudança que interessa é a mudança mental, a modificação do coração que o fará se apaixonar pelos valores espirituais. A religião tem de estar no coração, nos lábios. Sua verdadeira religião é o faz, é o modo como vive sua vida. Ele se reflete nos seus atos e no seu relacionamento com os outros.

• Perdoe-se. Mude seu modo de pensar agora mesmo e sua mente mais profunda responderá. Passado é passado e deve ser esquecido. É errado dizer que uma pessoa está doente por castigo de Deus, ou que Deus lhe deu o sofrimento para testá-la. A vontade de Deus é que tenhamos vida, vida em abundância. Ele quer se expressar através de nós como harmonia, beleza, amor, paz, alegria, inteireza e perfeição. Deus, que habita em você, o está guiando agora.
Comportamentos de vício
DOMINANDO O VÍCIO.

O vício começa quando buscamos a coisa certa que é nosso prazer, no lugar errado. O vicio nada mais é do que um substituto degradante para a verdadeira experiência de alegria.
Nem só de pão vive o homem. Esta metáfora aparece tanto no Antigo, quanto no Novo Testamento. Isto é: temos na vida outras necessidades além da satisfação das nossas necessidades materiais. A satisfação espiritual é apresentada como uma necessidade fundamental da vida, comparável à necessidade de comida. Precisamos “alimentar” a alma a fim de sobreviver.
Em todas as culturas e épocas os homens sentiram a necessidade de uma experiência estática, de alegria que transcende a realidade cotidiana. Dostoievski afirma que as pessoas precisam de três experiências de uma sociedade a fim de ficarem satisfeitas: os milagres, o mistério e a orientação espiritual.
O viciado, talvez, acredite que possa ter acesso aos milagres e o mistério através do vício, e essa perspectiva é ainda mais sedutora na ausência de uma orientação para o espírito. Reconhecemos que há um vácuo espiritual e que um grande número de reações e anseios espirituais, assumem uma forma material (ex. sucesso nos negócios).
O álcool, as drogas e o comportamento sexual perigoso são essencialmente reações materiais a uma necessidade que não possui realmente uma base física.
Cada vez que uma meta material (progresso, conforto) é atingida, há menos esperança e um propósito cada vez menor.
As pessoas procuram evitar a dor e sentir prazer. Se perdermos o contato com nossas fontes internas de alegria, se a felicidade que se origina fora de nós mesmos é a única que conhecemos, então essa é a experiência que iremos buscar em nós. Dependendo das circunstâncias, esse empreendimento pode ser positivo e proveitoso. Lamentavelmente, esse também pode se manifestar como o vício em suas múltiplas formas.
Vivendo num mundo de dor e violência, uma pessoa poderá encontrar um tipo de escape que lhe proporcionará prazer. A repetição dessa escolha se transforma em necessidade e compulsão.
Na vida de certas pessoas altamente emocionais, existe sempre uma experiência que passa a dominar todas as ações futuras enquanto o indivíduo se esforça para recriar a simulação externa desse momento único. Esta é a descrição do comportamento do vício.
Depois de praticarmos uma ação específica, ela é permanentemente grava no nosso ser, junto com seus componentes igualmente duradouros da memória e do desejo. Para tudo o que dizemos, falamos ou pensamos, uma tríade (ação –memória –desejo) é codificada em nossas mentes, e esse código simplesmente não pode ser apagado.
Não devemos tentar “nos livrar” das memórias e desejos subjacentes ao comportamento do vício. Devemos nos concentrar em criar sentimentos novos e altamente positivos que ofusquem os impulsos destrutivos do vício e os tornem impotentes.
Uma verdadeira camada de problemas mentais, físicos, espirituais e emocionais, isola o viciado do mundo exterior e de suas verdadeiras necessidades e sentimentos.
A memória da perfeição interior, uma vez redesperta, gera um desejo mais forte do que o vício em si. É o alerta espiritual. É possível recorrer à experiência da alegria que ainda está disponível.
É preciso que se conheça a experiência do verdadeiro prazer para poder renunciar as sensações dos comportamentos de vício. E o primeiro passo em direção ao conhecimento da alegria é simplesmente conhecer a si mesmo. O bem estar mental, físico e espiritual é o mesmo que alegria.

DESENVOLVA UMA CONSCIENCIA CURATIVA.

• Existe um único poder curativo. Ele recebe muitos nomes, como Deus, infinita presença curadora, amor divino, providencia divina, natureza, principio vital etc.

• Somos todos curadores por direito de nascença pela simples razão de que a presença curadora de Deus habita no interior de cada ser vivo e todos podemos entrar em contato com ele por meio de nossos pensamentos. A todos ele responde.

• Há três etapas no processo e cura. A primeira é não ter medo da condição que o aflige. A segunda é tomar ciência de que a condição é apenas o produto de um modo antigo de pensar, que não terá mais poder para continuar existindo. A terceira é exaltar mentalmente o milagroso poder curador de mais que está em nosso interior.

• Não adianta orar a mais pedindo para ser curado. Mais não responde petições, suplicas nem promessas. Ele reage à sua crença, sua convicção e seu entendimento.

• A cura espiritual é algo muito real, porque vem do poder milagroso que nos criou e que sabe como nos curar. Colocando em nossa mente as verdades de mais, perdoando a nós mesmos e a todos os outros com quem mantivemos contato, obteremos uma cura maravilhosa.

• Volte sua mente para Deus e seu amor. Saiba e sinta que existe um único poder, uma única presença curadora. Perceba que a harmonia, a beleza e o amor de Deus se manifestam em você como força, resistência, paz e vitalidade. Focalize sua atenção no amor de Deus e o órgão doente será curado pela luz desse amor. Deus, que vive no seu interior, o está curando aqui e agora.

• A crença é um pensamento de sua mente que faz com que o poder do subconsciente seja distribuído em todas as fases sem de sua vida. Não importa se sua crença é falsa ou verdadeira. Ela sempre produzirá resultados.
Crescimento e sobriedade
PODEMOS CRESCER E NOS MANTER SÓBRIOS AJUDANDO AOS OUTROS.

Há alguns anos, um de nossos membros viajou para certa cidade.
Os negócios ali, não foram os esperados e seu empreendimento não foi bem sucedido.
Tremendamente desanimado, encontrava-se num lugar estranho, desacreditado e quase sem dinheiro. Ainda fraco fisicamente e sóbrio há poucos meses, constatou que sua situação era perigosa. Queria muitíssimo falar com alguém. Mas quem?
Numa tarde sombria ele andava de um lado para o outro do saguão de um hotel, pensando como pagar sua conta. Num canto da sala havia uma relação das igrejas locais. Nos fundos estava a entrada para um bar atrativo. Podia ver lá dentro o pessoal se divertindo. Ali encontraria o companheirismo e a liberdade. Sem tomar alguns goles, possivelmente não teria coragem de pedir dinheiro emprestado e passaria a fim de semana bastante triste.
É claro que não podia beber, mas que mal havia em ficar sentado numa mesa com uma garrafa de refresco na sua frente, esperando? Afinal de contas, não tinha estado sóbrio durante 6 meses, não tinha? Talvez pudesse se controlar com apenas 3 “drinks” – nada mais! o medo se apoderou dele. Estava numa situação precária. Novamente, era aquela velha loucura – esse primeiro gole. Trêmulo, virou as costas e se encaminhou para a relação das igrejas, no outro lado do saguão. A música e a conversa alegre do bar ainda chegavam aos seus ouvidos.
Num sentido, veio a sua mente, sua responsabilidade, sua família. Telefonia para um pastor. Voltou sua sanidade e deu graças a Deus. escolhendo uma Igreja qualquer da região, pediu a ligação.
Seu telefonema ao clérigo o levou logo a um certo residente da cidade que, embora anteriormente capacitado e respeitado, estava naquele momento chegando ao ponto extremo de seu desespero alcoólico. Era a situação de sempre: o lar em perigo, a esposa doente, as crianças descuidadas, dívidas para pagar e a fama destruída. Tinha um desejo desesperado de parar, mas não via saída, pois tinha procurado sinceramente todos os meios de escape. Reconhecendo dolorosamente que algo tinha de anormal, o homem não compreendia bem o que era ser um alcoólatra.
Quando nosso amigo lhe relatou sua experiência, ele confessou que jamais teria força de vontade para parar de beber por muito tempo. Concordou que uma experiência espiritual era absolutamente necessária, mas o sacrifício parecia exagerado, na base em que fôra sugerido. Contou como vivia constantemente apavorado, de q outros viessem a saber de seu alcoolismo. Tinha, é claro, a conhecida obsessão alcoólica de que poucos sabiam de suas bebedeiras. Por que, argumentou ele, era necessário perder o resto dos seus negócios para trazer ainda mais sofrimento à sua família, ao ter que admitir sua condição às pessoas com quem ganhava sua vida? Faria qualquer coisa, disse ele.
No entanto, ficou intrigado e convidou seu novo amigo a ir a sua casa. Algum tempo depois, e justamente quando pensava controlar suas bebedeiras, recaiu na maior de todas as pândegas. Para ele, esta era a farra que acabaria com todas as outras. Viu que teria de encarar seus problemas diretamente, para que Deus lhe proporcionasse forças.
Certa manhã decidiu-se e foi contar, àqueles que ele temia, qual era o seu problema. Foi surpreendentemente bem recebido e verificou que muitos já sabiam de suas bebedeiras. Pegando seu carro, fez a ronda das pessoas que tinha maltratado. Tremia ao fazer as visitas, pois sabia que poderia arruinar-se, especialmente quando se tratasse de uma pessoa de sua profissão.
À meia-noite chegou à casa exausto, porém muito contente. Nunca mais tomou um gole. Hoje ele significa muito para a sua comunidade, e os seus principais problemas, causados em 30 anos de bebedeiras, foram reparados em apenas 4.
Nosso amigo do incidente no saguão do hotel permaneceu nessa cidade. Ficou ali 3 meses. Depois voltou a sua casa, deixando atrás de si seu primeiro companheiro, o advogado e mais um rapaz que a eles se ajuntou. Estes homens tinham descoberto algo inteiramente novo na vida. Embora soubessem que para se manterem sóbrios precisavam ajudar a outros alcoólicos, este motivo passou para segundo lugar. Foi superado pela felicidade que encontraram em dar de si próprios aos outros. Compartilharam seus lares, suas poucas finanças, e com alegria dedicaram suas horas extras a seus companheiros sofredores, estavam dispostos, quer fosse dia, quer fosse noite, a internar um novo homem no hospital e visitá-lo depois. O número deles aumentou. Experimentaram vários fracassos penosos, mas nesses casos se esforçaram por levar a família do homem a um modo espiritual de viver, aliviando dessa maneira muita inquietação e sofrimento.
Uma ano e meio depois, estas 3 pessoas haviam alcançado êxito com mais 7. Viam-se com grande freqüência e, praticamente, não havia uma noite em que a casa de um deles não abrigasse uma pequena reunião de homens e mulheres, felizes pela sua libertação, e pensando constantemente em como levar sua descoberta a algum outro candidato. Além dessas reuniões casuais, tornou-se hábito reservar um dia por semana para uma reunião, assistida por qualquer pessoa interessada nesse modo espiritual de viver. Além do companheirismo e da sociabilidade, o primeiro objetivo era fornecer uma hora e um lugar onde pessoas novas pudessem trazer seus problemas.
Gente de fora se interessou. Um senhor e sua esposa colocaram sua grande casa à disposição deste grupo misto. Desde então, esse casal ficou tão fascinado, que dedicava seu lar à obra. Muitas pessoas desenganadas já visitaram essa mansão para ali encontrar o companheirismo amável e compreensivo de mulheres que conheciam o problema, e ouvir, dos lábios das esposas, o que lhes havia acontecido, recebendo ainda conselhos a respeito de como hospitalizar e tratar o marido caprichoso quando da próxima recaída.
Muitos homens, perturbados ainda por suas experiências hospitalares, atravessaram a porta dessa casa para ali encontrar a libertação. Muitos alcoólatras que ali entraram, saíram com uma resposta. Entregaram-se àquela gente alegre que lá encontraram, que ria de suas próprias desventuras e que compreendia a deles. Impressionados com as pessoas que os tinham visitado no hospital, rendiam-se inteiramente quando, mais tarde, num quarto daquela casa, ou viam a história de algum homem cujas provações empatavam com as deles. A expressão do rosto das mulheres, aquele algo indefinível nos olhos dos homens, o ambiente estimulante e eletrizador do lugar, conspiravam para dar-lhes a entender que ali, por fim, tinham encontrado seu abrigo.
O modo de encarar tão praticamente os seus problemas, a ausência de qualquer tipo de intolerância, a informalidade, a genuína democracia, a incrível compreensão mostrada por essa gente, eram irresistíveis. Elas, e suas esposas, saiam entusiasmados com o pensamento do que poderiam agora fazer por algum doente conhecido e sua família. Sabiam que tinham ganho uma multidão de novos amigos. Parecia terem conhecido essa turma há muito tempo. Tinham presenciado milagres, e certamente um milagre também lhes iria acontecer. Haviam vislumbrado a grande realidade: seu criador amantíssimo e Todo-Poderoso.
Hoje esta casa quase não consegue acomodar seus visitantes semanais, pois, regra geral, ascendem a 60 ou 80 pessoas. Os alcoólatras são atraídos de perto e de longe. Dos povoados vizinhos, as famílias viajam distâncias consideráveis para estarem presentes. Uma comunidade a 48 km tem 15 membros de Alcoólicos Anônimos. Sendo um lugar amplo, acreditamos que algum dia sua irmandade atingirá a várias centenas.
Porém, a vida entre os Alcoólicos Anônimos é muito mais do que assistir a reuniões e visitar hospitais. Reparando os velhos mal-entendidos, ajudando a resolver problemas familiares, explicando a pais furiosos o caso do filho deserdado, emprestando dinheiro e conseguindo empregos uns para os outros, tudo isso são acontecimentos cotidianos. Ninguém é tão desacreditado, e nem desceu tanto na escala, que não possa ser cordialmente recebido – se levar o problema a sério. Distinções sociais, rivalidades e ciúmes insignificantes são coisas que se consideram absurdas. Náufragos do mesmo navio, salvos e unidos por um Deus, com os corações e as mentes atentos ao bem-estar de outros, as coisas que têm tanta importância para algumas pessoas, não mais significam muito para eles. Nem poderia ser de outra forma.
Sob condições praticamente iguais, a mesma coisa está acontecendo em muitas outras cidades. Numa destas existe um conhecido hospital para tratamento de alcoólatras e toxicômanos. Seis anos atrás, um de nossos membros aí esteve internado. Muitos de nós temos sentido, dentro dessas paredes, a presença e o poder de Deus, pela primeira vez. Estamos imensamente agradecidos ao médico que atende ali, pois ele, embora arriscando prejudicar seu próprio trabalho, falou-nos da crença que tem em nós.
Com grande freqüência, este médico sugere nosso programa a seus pacientes. Compreendendo nosso trabalho, ele pode fazê-lo, tendo em vista a seleção daqueles que estão dispostos e são capazes de se recuperar numa base espiritual. Muitos de nós, ex-pacientes, vamos lá para ajudar. Também nesta cidade existem reuniões informais, tais como já temos descrito, onde hoje se encontram dezenas de membros. Nela se vê as mesmas profundas amizades, a mesma maneira de se ajudarem uns aos outros, como sucede com nossos amigos de Alcoólicos Anônimos em qualquer parte. Há bastante comunicação entre as cidades e prevemos um grande aumento neste útil intercâmbio.
Esperamos que, algum dia, todo alcoólatra que viajar encontre a irmandade de Alcoólicos Anônimos no seu ponto de chegada. Até certo ponto isto já existe. Alguns de nós somos vendedores-viajantes. Grupinhos de 2,3,4 e 5 de nós floresceram em outras comunidades, através de contatos com os 2 maiores centros. Aqueles de nós q viajam, sempre os visitam quando possível. Essa prática permite-nos ajudá-los e, ao mesmo tempo, evitar certas distrações pelo caminho, coisas que qualquer viajante poderá descrever.
Tudo em Alcoólicos Anônimos é apenas sugerido. Reconhecemos que sabemos pouco. Deus, porém, revelará cada vez mais a verdade a nós. Pergunte-lhe, na sua meditação matinal, o que você poderá fazer cada dia pelo homem ainda doente. As respostas virão, se você mesmo estiver preparado. Mas evidentemente, você não poderá transmitir algo que não tenha. Procure fazer com que sua relação com Ele seja certa, e grandes eventos, acontecerão a você e a inúmeros outros. Esta é a grande realidade para nós.
Entregue-se a Deus da forma que você O entenda. Admita sua falhas a Ele e aos seus amigos. Desfaça-se das ruínas do seu passado com você na irmandade do espírito e, fatalmente, também se encontrará com alguns de nós na sua passagem pelo caminho do destino feliz.
Doze Passos (oração)
Oração dos Doze Passos.

Oh! Senhor! Venho diante de ti suplicar humildade para admitir que sou impotente perante o álcool e confessar, Senhor, que perdi o domínio sobre a minha vida. Rogo-te Senhor para devolver-me à sanidade há muito perdida. Conduz minha vontade hoje e sempre, Senhor, e dá-me coragem para colocar minha vida em tuas mãos. Fazei-me Senhor compreendê-lo segundo meu entendimento. Ilumine os meus passos, Senhor, para que eu possa transformar o meu orgulho e amor próprio, minha luxúria em energia vital. Dê-me força, Senhor, para que eu aplaque minha ira, e que transforme minha gula em necessidade de alimento. Não deixe que eu sucumba diante da inveja. Permita-me, Senhor que enxergue além das minhas falhas e possa fazer delas instrumento para meu aprendizado. Remova, Senhor, os defeitos do meu caráter. Que eu possa reparar todo o mal que pratiquei sem prejudicar a quem quer que seja. E que a partir de hoje, Senhor, eu possa admitir meus erros sem me sentir culpado. Que eu leve esta mensagem, Senhor, a todos aqueles que assim como eu, sofreram por não conseguir se entregar a Ti.
A Opinião Médica sobre AA
A OPINIÃO MÉDICA SOBRE A SOCIEDADE DE A A.

Nós, que pertencemos a Alcoólicos Anônimos, cremos ser de interesse geral, saber qual a opinião médica sobre o plano de recuperação exposto em nossas salas e nossas literaturas. Certamente não poderia haver testemunho mais convincente do que o dos homens de ciência, que têm tido a experiência de atender aos pacientes e ver os sofrimentos de muitos de nossos membros e os têm visto recobrar a saúde. Eis o que disse o médico-diretor de um grande hospital para recuperação de viciados em álcool e em drogas, em carta escrita especialmente para os alcoólicos anônimos.
Por muitos anos tem sido minha especialidade o trabalho do alcoolismo.
Em fins de 1934 atendi a um paciente que, apesar de ter sido um homem de negócios muito bem sucedido, era um alcoólatra do tipo que eu considerava irremediável.
Durante o seu terceiro tratamento, ocorreram-lhe certas idéias sobre um possível método de recuperação como parte inicial de seu programa de reabilitação, começou a expor os seus conceitos a outros alcoólatras, convencendo-os de que, por sua vez, fizessem o mesmo com terceiros. Essa se tornou a base de uma fraternidade que se tem desenvolvido rapidamente. Parece que este homem, e mais de cem outros, se recuperaram.
Conheço pessoalmente muitos casos desse tipo, para os quais outros métodos fracassaram completamente.
Estes fatos parecem ser de grande importância para a medicina e, dadas as possibilidades extraordinárias de crescimento rápido dessa associação, talvez estejamos assistindo ao momento precursor de uma nova era os anais do alcoolismo, pois é possível que esses homens tenham o remédio adequado para milhares de casos semelhantes.
Pode-se ter absoluta confiança em qualquer testemunho dos Alcoólicos Anônimos sobre eles mesmos.
Há muito tempo, nós, médicos, nos capacitamos de que certa forma de psicologia moral é de necessidade vital para os alcoólatras, porém, sua aplicação apresentava dificuldades que iam além de nossas concepções sobre a matéria. Não obstante nossas normas ultra modernas e nosso usual contato científico com todas as coisas, cremos não estarmos bem equipados para aplicar aquelas forças dobem que estão fora de nosso conhecimento sintético.
Anos atrás, um hoje membro de Alcoólicos Anônimos e por indicação desta sociedade, esteve internado no meu hospital, e ali, durante sua permanência, lhe ocorreram certas idéias que pôs imediatamente em prática.
Pediu que lhe outorgássemos o privilégio de contar sua história a outros pacientes do hospital, no que consentimos, embora contrariados. Acompanhamos de perto alguns casos, cujos resultados foram interessantíssimos. O espírito de desprendimento desses homens que não têm o menor resquício de egoísmo e que se solidarizam espiritualmente é, em verdade, motivo de inspiração para nós, que temos trabalhado exaustivamente no problema do álcool. Têm eles grande confiança em si mesmos e maior ainda no poder que arranca os alcoólatras das garras da morte.
Desde logo, para que as medidas psicológicas possam redundar em máximo benefício, é preciso tirar do alcoólico a desesperante ansiedade pela bebida, o que às vezes, requer um período longo de hospitalização.
Os alcoólatra, uma vez formado o hábito, percebem que não podem deixá-lo, perdem a confiança própria, desajustam-se socialmente, e se vêem anuviados pelo acúmulo de problemas que o cercam e que se tornam cada vez mais difíceis de resolver.
Raras vezes bastará um bom conselho; não importa quão veemente e emocionante seja. A mensagem que consegue interessar e provocar reações nos alcoólicos terá que ser de extrema profundidade. Em quase todos os casos deve alicerçar-se em um Poder superior a eles mesmos, pois se trata de reconstruir suas próprias vidas.
Quem acreditar que nós, psiquiatras, dirigentes de um hospital para alcoólicos, estejamos sendo algo sentimentais, que venha conosco por breves instantes à zona de combate, para constatar as tragédias que rodeiam a vida desses seres, com suas esposas desesperadas e filhos atribulados. Ao imaginar que a solução desses problemas faz parte da vida diária do médico e é um motivo de preocupação permanente para ele, até o mais cético deixará de assombrar-se de que tenhamos acatado e estimulado o movimento de Alcoólicos Anônimos.
Com tantos anos de experiência, entendemos que nunca houve nada que contribuísse tanto para a reabilitação de alcoólatras como o movimento fraternal que entre eles de desenrola.
História de Bill
UM POUCO DA HISTÓRIA DO CO-FUNDADOR DE (A A).

RELATO DE BILL:

Durante vários anos consecutivos a fortuna me sorriu, prodigalizando-me dinheiro e elogios. Havia atingido minha meta. Meu discernimento e minhas idéias foram aproveitadas por muitos, que ganharam milhões. Tudo fervia durante aquela grande safra da terceira década do século XX. A bebida vinha formando uma parte importante e festiva de minha vida. Nos salões de festas eu elevava a voz com petulância. Todos gastavam aos milhares e só falavam em milhões. Podiam mofar-se os sensatos. Para o diabo com eles! Nesse torvelinho, tive oportunidade de fazer uma plêiade de amigos superficiais.
Cada vez mais, minhas bebedeiras assumiam sérias proporções, prolongando-se de um dia para outro e a quase todas as noites. Omitia as súplicas e conselhos dos meus amigos, dos quais fugia, e acabei, convertendo-me num lobo solitário. Houve muitas cenas tristes em meu suntuoso apartamento. Não existiu realmente problema de infidelidade porque, além de minha natural lealdade para com minha esposa, minhas inúmeras bebedeiras contribuíram para manter-me imune a esse tipo de tentações.
Em 1929 contraí a febre do golfe. Apressei-me em sair para o campo com minha esposa, que me aplaudia enquanto eu desafiava a Walter Hagen. A bebida alcançava-me mais rapidamente do que eu a Walter. Pelas manhãs, comecei a sentir-me nervoso. O golfe proporcionava-me ocasiões para beber todos os dias e todas as noites. Era divertido vagar pelo campo, que tanto assombro me infundia quando eu era garoto. Adquiri o impecável bronzeado que é apanágio dos ricos. O banqueiro local, com divertido ceticismo, me via chegar à sua caixa num constante trocar de cheques.
Subitamente, em outubro de 1929, o inferno assentou praça na bolsa de Nova York. Pensativo e cabisbaixo, num desses dias de purgatório, dirigi-me de um bar de hotel para o escritório de um corretor da bolsa. Eram oito horas da noite, cinco horas após o encerramento do mercado. A máquina de valores replicava ainda. Atônito, fiquei contemplando um lançamento com a inscrição XYZ (-32). Esses valores estavam a (+52) pela manhã. Havia-me arruinado, e comigo arruinaram-se também os meus amigos. Os jornais anunciavam que alguns indivíduos haviam-se atirado das janelas de Wall Street. Isso me parecia de mau gosto e eu jamais os imitaria. Regressei ao bar. Meus amigos haviam perdido vários milhões desde as 10 horas. E daí? Amanhã seria outro dia! enquanto tomava um copo de bebida, voltou a apoderar-se de mim aquela velha e forte determinação de vencer.
No dia seguinte telefonei a um amigo, em Montreal. Possuia bastante dinheiro e sugeriu, como melhor solução, a minha ida para o Canadá.
Na primavera seguinte já vivíamos com o bem-estar costumeiro. Sentia-me como Napoleão quando regressou de Elba. Não! Santa Helena não havia sido feita para mim. Porém, voltei a entregar-me à bebida e o meu generoso amigo teve que me deixar partir. Desta vez ficamos arruinados.
Fomos viver com os pais de minha esposa. Consegui uma colocação e a perdi em conseqüência de uma alteração com o chofer de taxi. Misericórdia, ninguém suspeitava que eu ficaria desempregado durante cinco anos, nos quais raramente estaria sóbrio. Minha esposa começou a trabalhar numa loja de onde chegava exausta, para encontrar-me bêbado, converti-me num freqüentador pouco agradável dos escritórios de corretores.
A bebida, para mim, deixou de ser um luxo para converter-se numa necessidade. Como coisa rotineira, bebia duas e até três garrafas de genebra barata por dia. algumas vezes, um ou outro pequeno negócio proporcionava-me alguns dólares, e então pagava as minhas dívidas nos bares e armazéns.
Esta situação perdurava e comecei a levantar-me todas as manhãs tremendo violentamente. Para poder tomar o café matinal, necessitava beber, antes, uma garrafa de genebra seguida de meia dúzia de garrafas de cerveja. Apesar deste estado de coisas, acreditava ainda poder controlar a situação, e tive períodos de abstenção durante os quais se renovavam as esperanças de minha esposa.
Gradualmente, as coisas foram de mal a pior. A casa foi arrematada por um credor hipotecário; veio a morte de minha sogra, seguindo-se as doenças de minha esposa e de meu pai.
Nessa ocasião apareceu-me a oportunidade de empreender um negócio muito promissor. As ações da bolsa estavam sofrendo a baixa de 1932; conforme averiguei, iam subir, e dessa forma consegui o interesse de um grupo de pessoas em sua compra, sendo que eu participaria fartamente dos lucros advindos. Porém, logo tomei uma pródiga bebedeira, e a oportunidade se esfumou.
Veio o despertar. Compreendi que tudo isso precisava terminar e que eu não podia tomar nem sequer um copo de bebida mais. Minha derrota era completa. Além disso, havia feito uma infinidade de promessas vãs; porém com grande alegria, minha esposa pôde observar que desta vez eu falava muito sério. E essa era a verdade.
Pouco depois disso, voltei para casa embriagado. Não havia ocorrido nenhuma discórdia. Que havia sido feito de minha grande resolução? Sinceramente, eu não sabia. Nem sequer me havia passado pela mente lutar. Tropecei com alguém que me ofereceu um “drink”, e o aceitei. Eu estava louco? Comecei a pensar que sim, pois tão espantosa ausência de senso comum não parecia indicar outra coisa.
Uma vez mais voltei àquela resolução, esforçando-me nessa ocasião para pô-la em prática. Transcorrido algum tempo, minha confiança começou a transformar-se numa segurança descomunal. Já podia rir-me dos bares e dos botequins. Agora, tinha o que necessitava. Certo dia, fui a um bar para fazer uma chamada telefônica, e em poucos minutos estava golpeando o balcão, perguntando-me como aquilo havia acontecido. A medida que o uísque me subia à cabeça, prometi a mim mesmo que isso não voltaria a acontecer, mas queria desfrutar esse momento e embriagar-me completamente. E assim o fiz.
O arrependimento, o horror e o desalento do dia seguinte são inesquecíveis, faltavam valor para a luta. Meu cérebro marchava desenfreado e tive uma terrível antevisão das calamidades que me aguardavam. Quase não me atrevia atravessar a rua, por temer um colapso e ser atropelado pelo veículo de algum madrugador, pois já despontava o dia. numa dessas tavernas que ficam abertas durante toda a noite, pude beber um dúzia de garrafas de cerveja. Meus nervos, descontrolados, finalmente se apaziguaram. Por um jornal da manhã, fiquei sabendo que o mercado financeiro tinha ido parar no inferno, novamente. E eu também. O mercado recuperar-se-ia, porém, eu, não. Agora não. Uma névoa mental me envolvia. A genebra resolveria isso: mais duas garrafas e eu mergulharia no vazio do esquecimento.
A mente e o corpo são mecanismos maravilhosos, pois durante dois anos os meus sobreviveram a essa agonia. Quando o terror e a alucinação se apoderavam de mim pelas manhãs, às vezes furtava dinheiro da raquítica bolsa de minha mulher. Outras vezes sentia vertigens ao ver uma janela aberta, ou ante o armário de remédios onde havia veneno, maldizendo a minha fraqueza. Procurando uma saída, minha mulher e eu enfatizamos a necessidade de repetidas viagens da cidade ao campo e do campo à cidade. Não tardou a chegar, no entanto, uma noite em que a minha tortura física e mental era tão demoníaca, que, no meu desespero, temi lançar-me pela janela com cortina e tudo. Para evitar tal impulso, levei o colchão para o andar inferior. Veio o médico. Veio o médico e administrou-me um forte calmante. No dia seguinte estava tomando genebra misturada com o calmante. Essa mistura quase me matou. As pessoas temiam que eu fosse enlouquecer. Esse era também o meu temor. Tornava-me tão inapetente quando bebia, que passei a não comer, e, assim, perdi 20 kg de peso.
Graças à cuidadosa intervenção de um cunhado médico e de minha mãe, fui recolhido a um hospital de fama nacional para a reabilitação mental e física dos alcoólatras. Com o chamado tratamento de beladona, meu cérebro se desanuviou. A hidroterapia e os exercícios ligeiros também foram de grande proveito para mim. Tive, sobretudo, a sorte de conhecer certo médico, o qual me explicou que, sendo eu certamente um egoísta e um tonto, não era menos certo estar doente, física e mentalmente.
Animou-me bastante saber que a vontade do alcoólico se debilita de maneira surpreendente quando se trata de combater o álcool, ainda que com freqüência se mantenha firme em outros aspectos. Isso explicava minha incrível conduta, apesar de meu desesperado desejo de deixar de beber. Conhecendo-me melhor agora, acalentei uma grande esperança. Por 3 ou 4 meses tudo correu bem. Ia à cidade com regularidade, e até cheguei a ganhar algum dinheiro. Seguramente era essa a solução: conhecer-me a mim mesmo.
Porém, não era, pois chegou o dia tão temido em que voltei a beber. A curva de minha decadência moral e física caiu repentinamente. Depois de algum tempo, voltei ao hospital. Parecia que tinha chegado ao fim. Informaram a minha cansada e desesperada esposa que tudo terminaria com um enfarte do coração, durante um ataque de “delirium tremens”, ou que dentro de um ano sofreria uma abnubilação do cérebro. Em breve ela teria que entregar-me à casa mortuária ou a um asilo de loucos.
E quanto a mim, nada tinha a dizer. Eu sabia tudo, e quase me alegrava. Foi um golpe rude que destroçou o meu orgulho. Eu, que tão bom conceito tinha de mim mesmo, das minhas habilidades e de minha capacidade para vencer obstáculos, no final via-me liquidado. Agora enterrar-me-ia na escuridão, unido à interminável caravana de bêbados que me havia precedido. Pensei em minha pobre esposa. Apesar de tudo, havíamos conseguido encontrar bastante felicidade. Quanto eu daria para recomeçar tudo! Porém, já era tarde.
Não existem palavras para descrever a minha desolação e desespero em meio a uma violenta crise de auto-compaixão que me cercava. Havia-me batido com meu inimigo mortal, e fôra vencido. O álcool era meu senhor.
Tremendo, saí do hospital convertido em uma ruína humana. O medo me manteve abstêmio por pouco tempo. Logo veio a insidiosa loucura pela primeira bebida, e no dia do armistício de 1934 incorri em um novo deslize. Todos se resignaram com a certeza de que eu teria de ser confinado em algum lugar, ou então, seguir tropeçando, até chegar a um fim miserável. Como tudo é escuro antes do amanhecer! Na realidade, esse foi o começo de minha última farra. Prontamente haveria de conhecer a felicidade, a paz e o prazer de ser útil, recolhendo-me, pouco a pouco, a um modo de vida cada vez mais maravilhoso.
Em fins de novembro, estava sentado na cozinha, bebendo. Com certa satisfação refleti que tinha escondido, por toda casa, bebida suficiente para aquela noite e para o dia seguinte. Minha esposa estava em seu trabalho. pensava, ainda em me atrever a esconder uma garrafa junto à cabeceira da cama. Eu iria necessitar dela antes do dia raiar.
O toque do telefone tirou-me dessa maquinação. Reconheci em seguida a jubilosa voz de um velho amigo de escola, que me perguntava se poderia visitar-me. Ele estava sóbrio. Como bem podia recordar, há anos que não vinha a Nova York nesse estado. Fiquei assombrado. Circulavam rumores de que havia sido internado em um hospital para dependentes alcoólicos. Desejei saber de que forma pudera escapar. Como ele vinha cear conosco, eu poderia beber em sua companhia sem disfarce. Sem considerar o bem-estar de meu amigo, só pensei em reconquistar o espírito festivo de outros dias. Recordava que certa vez, fretamos um avião para completarmos uma farra. Sua chegada era, para mim, um oásis no meio do pesaroso deserto de futilidade em que me encontrava. Era isso mesmo: um oásis! Os bêbados são assim…
Abriu-se a porta e ali estava ele, com o seu semblante fresco e radiante. Havia uma expressão rara em seus olhos. Era inexplicavelmente diferente. Que havia acontecido?
Pus sobre a mesa um copo e lhe ofereci. Ele recusou. Decepcionado, porém curioso, quis averiguar o que se havia metido na moleira do meu amigo. Ele não era o mesmo.
“vamos, vamos”, disse-lhe. “diga-me do que se trata”.
Olhou-me fixamente. E com simplicidade, embora sorrindo, disse-me: “tenho religião”.
Fiquei com a boca aberta. De forma que era isso o que havia acontecido?! No verão passado um alcoólatra fanático e agora, como eu supunha, um fanatizado pela religião. Era isso o que seu olhar cintilante revelava. Sim, não havia dúvidas: meu velho companheiro estava alucinado! Bem, deixemo-lo falar. A minha genebra duraria mais tempo que o seu sermão.
Porém, não houve sermão. Em ordenada exposição de fatos, relatou-me como duas pessoas haviam comparecido à corte de justiça para persuadir o juiz a suspender seu confinamento. Expuseram ao juiz uma simples idéia religiosa e um programa prático de ação. Aquilo havia acontecido dois meses antes e o resultado era evidente. Funcionava!
Tinha vindo para trazer-me o benefício de sua experiência – desde que eu estivesse disposto a aproveitá-la. Aquilo produziu-me um grande abalo, porém, interessou-me. Tinha que me interessar, pois achava-me desesperado.
Falou-me horas a fio. As recordações da minha infância desfilaram pela minha mente. Parecia estar ouvindo a voz do pregador, na paz daqueles domingos de minha juventude; lembrei-me daquela promessa de temperança, que nunca cumpri; recordava o menosprezo da congregação, por seu comportamento, e a tenaz insistência com que garantia haver música nas esferas celestes; recordava também, da maneira veemente como divergia do parecer do pastor, quanto ao modo de adorar a Deus e do arrojo com que falava dessas coisas, livre de todo o temor, pouco antes de morrer. Todas essas recordações surgiram diante de mim, do fundo do passado, deixando uma grande secura em minha boca.
Voltou à minha memória o dia em que estive na velha catedral de Winchester, durante a guerra.
Sempre havia acreditado em um Poder Superior a mim mesmo. Com freqüência punha-me a refletir sobre essas coisas. Eu não era ateu. Realmente, poucas pessoas o são, posto que isso implicava numa fé cega, na proposição de que o universo teve sua origem em uma cifra e vai se movendo ao sabor da brisa. Intelectuais dignos de maior apreço, como os químicos, os astrônomos e ainda os evolucionistas, sugeriam-me vastas leis e forças em ação. Apesar das indicações em contrário, tinha pouca dúvida de que por trás disso tudo deixaria de haver um desígnio e tudo tivera seu ritmo. Como era dado conceber uma lei, tão vasta e imutável, sem uma inteligência que a plasmasse? Sinceramente teria de crer em um espírito do universo que não conhecia tempo nem limite. Porém, somente até aí havia podido chegar.
A partir desse ponto despedia-me de todos os pastores e religiões do mundo. Quando falavam de um Deus que me era pessoal, todo amor e supra-humano em sua força e mando, tornava-me irascível e minha mente se fechava contra essa teoria.
Admitia a existência de Cristo como um grande homem, que não era seguido de maneira fiel pelos que o aclamavam. Sabia que eram excelentes seus ensinamentos morais, porém, havia adotado para mim aquelas partes que me pareciam convenientes e fáceis de praticar. Do resto, fiz caso omisso.
Repugnavam-me as guerras, os incêndios e as tramas que as religiões haviam engendrado. Honestamente, duvidava de que, postas na balança, as religiões houvessem trazido algum bem. A julgar pelo que havia visto na Europa e pelo que vi depois, o poder de Deus nos assuntos humanos era insignificante e a irmandade dos homens uma grotesca palhaçada. O demônio, aparentemente, era o mandarim do universo e, certamente, me havia agarrado muito bem.
Apesar de tudo, o amigo, que se tinha sentado à minha frente, fazia a declaração contundente de que Deus havia feito por ele o que ele não havia podido fazer por si mesmo. A vontade humana lhe havia faltado. Os médicos o haviam declarado incurável. A sociedade estava a ponto de confiná-lo. Como eu, havia admitido uma derrota completa. Logo, efetivamente, havia se levantado dentre os mortos, saído subitamente de um montão de escombros humanos e se elevado a um nível de vida que nunca havia conhecido.
Tinha esse poder se originado nele? Era óbvio que não. Não havia existido em sua pessoa nem mais nem menos poder do que havia em mim nesse momento, e em mim não havia poder algum
Aquilo me derrubou. Começava aperceber, depois de tudo, que as pessoas religiosas tinham razão. aqui, funcionava algo num coração humano que havia conseguido o impossível. Nesse mesmo momento fiz uma drástica revisão de minhas idéias sobre milagres. Nada importava do lúgubre passado. E proclamava boas notícias.
Vi que meu amigo estava mais reajustado internamente. Pisava sobre um novo terreno, onde se agarravam fortemente suas raízes.
Apesar do exemplo vivo de meu amigo, ainda restavam em mim os vestígios dos velhos preconceitos. A palavra Deus ainda me causava certa antipatia, que se intensificava quando diziam que podia existir um Deus pessoal para mim. Não gostava da idéia. Podia aceitar tais concepções como a de uma inteligência criadora, uma mente universal ou um espírito da natureza; porém, resistia à idéia de que havia um czar de todos os céus, independentemente de quão bondoso pudesse ser em seu império. Tenho deparado, desde então, com inúmeras pessoas que pensavam da mesma maneira.
Meu amigo, então, sugeriu o que me pareceu uma idéia original, ao perguntar-me: “Por que não optar pela tua própria concepção de Deus?”
Essa pergunta atingiu-me fortemente. Derreteu a montanha de gelo intelectual, à sombra da qual eu havia vivido durante muitos anos. Enfim, ergueria o rosto para o sol!
Era só dispor-me a crer em um Poder Superior a mim. Para começar aquilo bastava. Vi que, partindo desse ponto, poderia crescer. Sobre uma base de boa vontade, poderia construir aquilo que contemplava no meu amigo. Eu tentaria? É claro que sim!
Dessa maneira foi que me convenci de que Deus se ocupa do homem quando este, verdadeiramente, necessita Dele. Por fim, eu via, sentia e acreditava. As cataratas do orgulho e dos preconceitos caíram dos meus olhos. Um novo mundo estava diante de mim.
O verdadeiro significado da sensação que experimentei na catedral fazia-se presente repentinamente. Por breves momentos havia necessitado de Deus. havia sentido o humilde desejo de Tê-lo comigo e Ele havia vindo a mim. Mas logo se esfumou a sensação de Sua presença com o clamor das coisas mundanas, especialmente as que ferviam dentro de mim. Quão cego havia sido!
No hospital separaram-me do álcool pela última vez. Acreditei ser prudente submeter-me a tratamento pois tinha sintomas de “delirium tremens”.
Ali me recomendei humildemente a Deus, tal como então o concebia, pedindo-lhe que fizesse de mim, o que melhor lhe aprouvesse. Sem reserva alguma, submeti-me à sua custódia e direção. Pela primeira vez admiti que não era nada por mim, que sem ele estava perdido. Sem auto-compaixão, encarei meus pecados e propus-me cooperar para que o meu novo amigo me livrasse deles. Desde então, não tenho tomado uma só gota de álcool.
O amigo de aulas visitava-me e contei-lhe todos os meus problemas e debilidades. Fizemos uma lista das pessoas q2 eu havia ofendido ou das quais tinha ressentimentos. Expressei meu sincero desejo de aproximar-me dessas pessoas, para reconhecer os meus erros. Era mister que corrigisse esses pontos enquanto fosse possível.
Tinha de por à prova o meu modo de pensar, com o conhecimento intrínseco que agora tinha de Deus. o sentido comum passaria a ser pouco comum. Quando me assaltasse alguma dúvida, devia concentrar-me e pedir força e orientação para encarar meus problemas da forma que Ele quisesse. Nunca deveria orar para meu benefício, a menos que se tratasse de pedir ajuda para auxiliar outras pessoas. Somente assim poderia esperar receber, e, ainda, em grande escala.
Meu amigo assegurou-me que, uma vez feito isso, entraria em uma nova relação com meu criador. Que esse modo de vida me proporcionaria os elementos com que resolveria todos os meus problemas. A firme crença no poder de Deus, acrescida de uma grande dose de boa vontade, honestidade e humildade, eram os requisitos essenciais para a manutenção de minha nova norma de vida.
Simples e, ao mesmo tempo, nada fácil. Tinha de pagar um preço. Significava a destruição total do meu egoísmo. Deveria entregar tudo ao pai da luz, que preside a todos nós.
Estas resoluções eram revolucionárias e drásticas, porém, no mesmo instante em que as aceitei, produziram em mim um efeito eletrizante. Experimentei uma extraordinária sensação de alívio, triunfo, seguida de uma paz e serenidade que jamais havia sentido. Tinha absoluta confiança. Sentia-me elevado, como se o vento refrescante e puro do cume de uma montanha me assoprasse. Deus se acerca da maioria dos homens aos poucos, mas seu impacto em mim foi repentino e profundo.
Por um momento senti-me alarmado e chamei o médico para que me dissesse se eu estava louco, ou não. Escutou-me, maravilhado. Sacudiu, for fim, a cabeça e comentou: “alguma coisa lhe aconteceu que não sei explicar. De qualquer maneira, agarre-se bem a ela. Qualquer coisa é melhor do que o estado em que você se encontrava.” Agora, o bom médico vê muitos homens que passam por experiências idênticas. Ele sabe que sem reais.
Enquanto permanecia no leito do hospital, assaltavam-me o pensamento de que existiam milhares de alcoólicos desesperados que se alegrariam de poder ter o que me havia sido dado tão livremente. Talvez, pudessem ajudar alguns desses seres, e eles, por sua vez, pudessem trabalhar com outros.
Meu amigo havia dado grande ênfase ao colocar em evidência estes princípios em todos os meus atos. Particularmente era indispensável que me entregasse à tarefa de recuperação de outros, da maneira como Ele se havia proposto a fazer comigo. A fé sem trabalho é morta, disse Ele. Essa é uma aterradora verdade para o alcoólico! Pois, se um alcoólico deixa de aperfeiçoar e engrandecer a sua vida espiritual por meio do trabalho e do sacrifício próprio em benefício dos demais, não poderá vencer as provas e os momentos de fraqueza que, seguramente, o aguardam. Se não trabalhasse, certamente voltaria a beber, e se bebesse, seguramente morreria. Então, a fé estaria realmente morta. Para nós, não existe alternativa.
Minha esposa e eu nos entregamos, com entusiasmo, à idéia de ajudar alcoólatras a solucionar seus problemas. Foi uma sorte, porque meus antigos associados de negócios permaneceram descrentes por um ano e meio, período em que me apareceu muito pouco trabalho. não me sentia muito bem naquela época, pois os ressentimentos e as crises azedavam meu espírito. isto quase me levava, às vezes, a beber, porém logo me convenci de que quando as outras medidas falhassem, o trabalho com outro alcoólatra salvaria o meu dia. muitas vezes voltei ao hospital desesperado. Ao falar com algum alcoólatra, sentia-me incrivelmente revitalizado. é um programa de vida que funciona nos momentos difíceis.
Começamos a fazer muitos amigos íntimos e uma irmandade tem crescido entre nós, e da qual é maravilhoso fazer parte. Realmente sentimos a alegria de viver, mesmo nos momentos mais difíceis. Tenho visto centenas de famílias em marcha pelo caminho que, de fato, conduz ao êxito; tenho visto reajustadas as situações domésticas mais difíceis e desaparecerem rancores de todas as espécies. Tenho visto homens, que saíram dos asilos, voltarem a ocupar postos de vital importância no seio de suas comunidades. Diversos homens de negócio têm readquirido, igualmente, as suas posições. Não existe quase nenhuma forma de problema ou miséria que não tenha sido superada entre nós. Numa só cidade do oeste, e em seus arredores, existem milhares de pessoas como nós. Habilitamo-nos a nos reunir com bastante freqüência, de maneira que os recém-chegados possam achar, a qualquer momento, o ambiente que procuram. Nestas reuniões sem cerimônias, freqüentemente se encontram de 50 a 200 pessoas. E cada dia vamos crescendo mais em número e força.
Um bêbado apresenta um péssimo aspecto. Nossas lutas com eles são extenuantes, às vezes cômicas e as vezes trágicas. Um infeliz suicidou-se em minha casa. Não pôde ou não quis ver o nosso modo de vida.
Existe, no entanto, grande felicidade em tudo isso. Suponho que alguns se chocariam ante nossa aparente superficialidade. Porém, precisamente sob ela acha-se uma irremediável sinceridade. A fé precisa estar em ação durante 24 horas do dia dentro de nós e através de nós, ou morreremos.
A maioria de nós sente que não precisa mais procurar a utópica solução. Já a temos conosco, aqui e agora. E cada dia que passa, aquela conversa simples que tive com meu amigo, na cozinha de minha casa, se multiplica e se expande em um crescente círculo de paz na Terra e boa vontade entre os homens.
História de Bob
RELATO DO DOUTOR BOB.
CO-FUNDADOR DO A A.

Co-fundador de Alcoólicos Anônimos, nossa sociedade data do primeiro dia de sua sobriedade permanente dia dez de junho de 1935.
Até 1950, o ano de sua morte, levou a mensagem de Alcoólicos Anônimos a mais de 5.000 homens e mulheres alcoólatras, e a todos estes ele prestou seus serviços médicos sem pensar em cobrar.
Neste pródigo serviço, foi muito bem assistido pela irmã Ignácia no St. Thomas Hospital em Akron, Ohio, uma das melhores amigas que nossa sociedade conheceu.

– Nasci numa pequena aldeia de Nova Inglaterra, de umas 7.000 almas. O padrão moral, se bem me lembro, era muito mais elevado do que o normal. Nas vizinhanças vendia-se bebidas alcoólicas somente na agência de bebidas do estado, onde talvez se conseguisse meio litro se se pudesse convencer o agente que realmente precisava dele. Sem esta prova o comprador esperançoso seria obrigado a partir sem o que mais tarde cheguei a considerar a grande solução de todos os males humanos. Os homens que mandavam buscar bebida em Boston e Nova York eram muito mal vistos pela maioria da gente da cidade. A aldeia estava bem dotada de igrejas e escolas nas quais iniciei minha educação.
Meu pai era um profissional de reconhecida capacidade e tanto ele como minha mãe eram muito ativos em assuntos da Igreja. Eram consideravelmente mais infelizes que a média das pessoas.
Infelizmente eu era filho único, o que talvez tivesse gerado o egoísmo que teve um papel tão importante no desenvolvimento do meu alcoolismo.
Desde a meninice até o fim da escola secundária fui mais ou menos obrigado a ir à igreja, à escola dominical, aos serviços vespertinos, às reuniões do emprenho cristão das segundas feiras e, às reuniões de oração das quartas. Tudo isso teve o efeito de fazer-me resolver que tão logo ficasse livre do domínio dos meus pais, nunca mais atravessaria a porta de uma igreja.
Mantive essa resolução, inflexivelmente, durante os 40 anos seguintes, salvo quando as circunstâncias me indicavam que seria mais sábio não estar ausente.
Depois da escola secundária vieram 4 anos numa das melhores universidades do País, onde beber parecia ser uma das principais atividades extracurriculares. Quase todos o faziam. Eu o fazia cada vez mais e me divertia bastante sem sofrer grandes desgostos físicos ou financeiros. Parecia ter a capacidade de voltar ao normal da manhã seguinte, melhor do que a maioria dos meus colegas que haviam sido amaldiçoados (ou, talvez, abençoados) com muitas ressacas. Jamais na vida tenho tido uma dor de cabeça, o que me leva a pensar ser dedicada a fazer as coisas que eu queria fazer, sem consideração pelos direitos, desejos ou privilégios de nenhuma outra pessoa; um estado demente que predominou cada vez mais com o passar dos anos. Diplomei-me com louvor aos olhos dos meus companheiros de bebida, embora não na opinião dos professores.
Passei os 3 anos seguintes em Boston, Chicago, e Montreal, empregado por uma grande firma manufatureira. Vendia suprimentos ferroviários, motores à gás de todo tipo e muitos outros artigos de ferragem pesada. Durante esses anos bebi tudo quanto minhas finanças permitiam, ainda sem pagar tributo muito grande, embora começasse a acordar um pouco trêmulo, às vezes. Durante os 3 anos somente perdi meio dia de serviço.
Parti, então, para o estudo da medicina, entrando para uma das maiores universidades do País. Ali comecei a beber com muito mais seriedade do que antes. Por causa de minha enorme capacidade para beber cerveja, elegeram-me membro de uma das sociedades de bebedores, na qual passei a ser uma das principais figuras. Muitas manhãs partia para as aulas e, mesmo que bem preparado, voltava para o dormitório por causa de minhas tremedeiras, não me atrevendo a entrar na sala de aulas por medo de fazer um papelão se fosse argüido pelo professor.
Isto foi de mal a pior até a primavera do segundo ano quando, após uma prolongada bebedeira, decidi que não poderia completar o curso e saí, viajando para o sul, para passar um mês na fazenda de um amigo. Quando saí de minha confusão mental decidi que era absurdo abandonar a escola e que seria melhor voltar a continuar com meu trabalho voltando à escola, descobri que a faculdade tinha outras idéias sobre o assunto. Após muita discussão, permitiram-me voltar e fazer os exames. Fui promovido com boas notas. Mesmo assim, a faculdade estava descontente comigo e decidiram continuar sem minha presença. Depois de muitas conversas penosas, concordaram em dar-me os certificados e fui transferido para uma outra universidade, das melhores, onde comecei o terceiro ano nesse outono.
Ali as bebedeiras tornaram-se tão ruins que os rapazes que conviviam comigo sentiram-se na obrigação de entrar em contato com meu pai, que fez uma longa viagem numa tentativa vã de endireitar-me. Teve pouco efeito, porém, porque continuei a beber, minha passando a tomar bebida mais forte do que nos anos anteriores.
Chegando à época dos exames finais participei de uma bebedeira especialmente desagradável. Quando entrei para fazer os exames minha mão tremia de tal forma que não conseguia segurar um lápis. Entreguei pelo menos três folhas em branco. Como castigo, tive que repetir o ano e fazia-me necessário permanecer completamente sóbrio se quisesse me diplomar. Foi o que fiz, e acabei satisfazendo a faculdade, tanto em comportamento quanto em aplicação.
Aliás, conduzi-me tão bem que consegui um cobiçado estágio numa cidade do oeste, onde consegui dois anos. Durante estes dois anos mantiveram-me tão ocupado que quase não saia do hospital. Consequentemente, não me era possível meter-me em apuros.
Terminados esses dois anos, abri um consultório no centro da cidade. Tinha algum dinheiro; sobrava-me tempo, e padecia de problema do estômago. Logo descobri que um par de tragos aliviava os distúrbios gástricos, pelo menos por algumas horas de cada vez. Portanto, não foi difícil voltar a minha excessiva indulgência anterior.
A esta altura estava começando a sofrer fisicamente e, na esperança de conseguir alívio, internei-me voluntariamente pelo menos uma dúzia de vezes num dos sanatórios locais. Agora encontrava-me entre a cruz e a espada, pois, sem bebia, meu estômago me torturava e, se bebia, torturavam-me os nervos. Após três anos daquilo encontrei-me de novo no hospital local onde tentaram me ajudar, mas eu conseguia com que meus amigos me trouxessem um litro clandestinamente, ou então roubava o álcool que encontrava no prédio, como resultado piorei rapidamente.
Finalmente meu pai teve que mandar um médico de minha própria aldeia, que conseguiu, de alguma maneira, levar-me de volta para lá. Fiquei de cama dois meses antes de poder sair de casa. Permaneci na aldeia alguns meses mais e então, voltei a reassumir minha clínica. Acredito que devo ter estado apavorado pelo que havia acontecido, ou pelo médico ou provavelmente por ambos, pois não voltei a tocar numa bebida de álcool até que foi decretada a lei seca.
Com a promulgação desta lei senti-me salvo. Sabia que todo mundo compraria e estocaria algumas garrafas ou caixas de bebida, mas que logo não haveria mais. portanto, não faria diferença se bebesse um pouco agora. Na época não tinha conhecimento do abastecimento quase se limites que o governo poria à disposição dos médicos. Nem conhecia o fabricante de bebida ilícita que logo apareceu no horizonte. No início bebi com moderação, porém demorei relativamente pouco tempo para voltar aos velhos hábitos que haviam sido tão desastrosos anteriormente.
Durante os anos seguintes desenvolvi duas fobias pronunciadas. Uma era o medo de não poder dormir e a outra era o medo de ficar sem bebida. Mn sendo que homem rico, sabia que, se não permanecesse sóbrio o tempo suficiente para ganhar dinheiro, acabaria ficando sem bebida. A maior parte do tempo, portanto, não tomava essa bebida, que tanto almejava pela manhã. Em vez disso, tomava grandes doses de sedativos para acalmar as tremedeiras, que me causavam muita aflição. Em algumas ocasiões entregava-me ao trago da manhã, mas quando o fazia não se passavam muitas horas antes que eu estivesse inteiramente inutilizado para trabalhar. Isto diminuía as possibilidades de levar bebida para casa ao anoitecer, o que, por sua vez, significava uma longa noite sem poder dormir, seguida por uma manhã de tremedeiras insuportáveis. Durante os quinze anos que se seguiram tive a sensatez de nunca aparecer no hospital se havia estado bebendo, e raramente recebia pacientes nessa condição. Às vezes escondia-me num dos clubes dos quais era membro e, em outras ocasiões costumava registrar-me num hotel usando um nome fictício. Contudo, meus amigos geralmente me encontravam e ia para casa se me prometiam que não seria repreendido.
Se minha esposa planejava sair à tarde, conseguia um bom abastecimento de bebida, levando-o para casa e o escondia no depósito de carvão, no quarador de roupa, acima dos umbrais das portas e nas vigas do porão. Utilizava-me de velhos baús, cômodos e até da lata do lixo. Nunca usei a caixa de descarga do banheiro porque me parecia muito óbvio. Descobri mais tarde que minha mulher a revistava freqüentemente. Costumava por ampolas de álcool de meio litro, dentro de luvas. Meu fornecedor escondia álcool na escada atrás da casa, onde eu podia alcançar convenientemente. As vezes o levava para casa nos bolsos, porém eram inspecionados e tornou-se perigoso demais. Costumava pôr álcool em frascos de 250 ml e colocá-los nas minhas meias. Isto funcionou bem até que levei minha esposa para ver um filme com Wallace Beery, no qual ele fazia a mesma coisa!
Não tomarei o espaço para relatar todas minhas experiências nos hospitais e sanatórios.
Durante todo este tempo nossos amigos acabaram por condenar-nos ao ostracismo. Não nos convidavam a sua casas porque fatalmente me embriagava, e minha esposa não os convidava á nossa pela mesma razão. Minha fobia de não dormir obrigava-me a embebedar-me toda noite; porém, para conseguir mais bebida para a próxima noite, precisava permanecer sóbrio durante o dia, pelo menos até as 16 horas. Essa rotina continuou com poucas interrupções durante 17 anos. Foi realmente um pesadelo horrível; ganhando dinheiro, comprando bebida, levando-a para casa, embriagando-me; as tremedeiras de manhã, as grandes doses de calmantes para poder ganhar mais dinheiro, e assim por diante, sem parar. Costumava prometer á minha esposa, meus amigos e meus filhos que nunca beberia – promessa que raramente me mantinham sóbrio até o fim do mesmo dia, embora fosse sincero quando as fazia.
Em benefício dos que gostam de experiências, deveria mencionar a chamada experiência da cerveja. Quando a cerveja voltou a ser legal, achei que estava seguro. Eu conseguia beber cerveja à vontade. aquilo não fazia mal; ninguém se embebedava com cerveja. Portanto, com a permissão de minha esposa, enchi o porão com garrafas de cerveja. Em pouco tempo estava bebendo uma caixa e meia por dia. ganhei 15 kg aproximadamente em dois meses; parecia um porco e sentia-me incômodo por falta de ar. Então ocorreu-me que quando estrava todo encharcado de cerveja não era possível saber-se o que se havia bebido. Assim, comecei fortificar minhas cervejas com álcool puro. Logicamente, os resultados foram dos piores, terminando assim a experiência da cerveja.
Mais ou menos na época da experiência da cerveja comecei a sair com um grupo de gente que me atraía por me parecerem saudáveis, estáveis e felizes. Falaram inteiramente livres de qualquer embaraço, coisa que eu jamais havia podido fazer. Davam-me a impressão de estarem sempre à vontade e sempre com boa saúde. De minha parte eu vivia constrangido quase o tempo todo, minha saúde era precária e sentia-me inteiramente miserável. Sentia que tinham algo que eu não tinha, algo que me faria bem obter. Aprendi que era algo de natureza espiritual, o que não me trazia grande interesse, mas achei que mal não me faria. Dediquei muito tempo e estudo ao assunto durante os seguintes dois anos e meio. Mesmo assim embriagava-me toda noite. Li tudo que me caísse nas mãos e falava com toda pessoa que parecia conhecer algo a respeito.
Minha esposa interessou-se profundamente e foi o interesse dela que sustentou o meu, embora em momento algum me passasse pela cabeça que poderia ser a resposta para meu problema de bebida. Jamais compreenderei como minha esposa conseguiu manter sua fé e coragem durante todos esses anos, porém o fez. Sem não o tivesse feito, tenho certeza de que teria morrido há muito tempo. Por alguma razão, nós alcoólatras parecemos ter o Dom de escolher as melhores mulheres do mundo. Não posso explicar porque elas precisam ser submetidas às torturas que infligimos a elas.
Foi nessa época que uma senhora veio fazer uma visita à minha esposa, um Sábado à tarde, dizendo que queria que eu fosse essa noite a sua casa para conhecer um amigo dela que talvez me poderia ajudar. Era véspera do dia das mães e havia chegado em casa bêbado, carregando uma enorme planta. Deixei a planta na mesa, subi as escadas e desmaiei. No dia seguinte ela telefonou de novo. querendo ser gentil, embora me sentisse bastante mal, disse: “vamos fazer a visita”, e extraí de minha esposa a promessa de que não demoraríamos mais de 15 minutos.
Entramos na casa exatamente às 16 horas e eram 23 quando saímos. Tive duas conversas mais breves com este homem, mais tarde, e parei de beber repentinamente. Este período de abstenção durou mais ou menos três semanas. Então viajei para Atlantic City para assistir um congresso de vários dias de uma sociedade nacional à qual pertencia. Bebi todo o scotch que havia no trem e comprei vários litros a caminho do hotel. Isso foi num Domingo. Embriaguei-me essa noite, permaneci sóbrio na segunda-feira até depois do jantar e então empreendi embebedar-me novamente. Bebi o que me atrevi a beber no bar e fui para meu quarto para terminar a tarefa. Na terça-feira comecei de manhã, chegando a estar bastante bêbado antes do meio dia. para não desgraçar-me, saí do hotel. Comprei mais bebida rumo à estação ferroviária. Precisei esperar algum tempo pelo trem. Não me lembro de mais nada até acordar na casa de um amigo numa cidade vizinha perto da mas esta boa gente telefonou para minha esposa, que mandou meu novo amigo procurar-me. Veio e levou-me para casa e para a cama. Deu-me alguns drinkes essa noite e uma garrafa de cerveja no dia seguinte.
Isso foi no dia 10 de junho de 1935, e foi meu último trago. Ao escrever isso, já se passaram oito anos.
A pergunta que naturalmente poderia vir a sua mente seria: “que foi que fez ou disse o homem que era diferente do que havia feito ou dito os demais?” É preciso lembrar que eu havia lido muito e havia conversado com toda pessoa que sabia, ou pensava saber, algo a respeito do alcoolismo. Porém, este era um homem que havia passado por muitos anos de terríveis bebedeiras, que havia vivido quase todas as experiências de bêbado conhecidas, mas que havia vivido quase todas as experiências de bêbado conhecidas, mas que havia sido curado justamente pelos meios que eu havia tentado a respeito do alcoolismo que indubitavelmente me ajudaram, ou seja, pelos meios espirituais.
De muito menor importância foi o fato de ter sido ele o primeiro ser humano com o qual havia conversado, que sabia das coisas que dizia sobre o alcoolismo pela própria experiência vivida. Em outras palavras, falava a minha linguagem. Conhecia todas as respostas, e certamente não por havê-las aprendido num livro.
É, certamente uma bênção maravilhosa ser libertado da terrível maldição que me afligia. Minha saúde está boa e recuperei meu respeito próprio e o respeito de meus colegas. A vida no meu lar é ideal e meus negócios correm tão bem quanto se poderia esperar nestes tempos incertos.
Passo muito tempo transmitindo o que tenho aprendido aos outros que queiram e precisam bastante disso.
Faço-o por quatro razões:
1. Sentido de obrigação
2. É um prazer
3. Porque ao fazê-lo estou pagando minha dívida ao homem que gastou seu tempo a transmiti-la a mim.
4. Porque cada vez que o faço estou me assegurando um pouco mais contra a possibilidade de uma recaída.

Ao contrário da maioria de nós, não diminuiu muito minha compulsão para a bebida durante os primeiros 2 anos e meio de abstenção. Estava comigo quase que constantemente. Contudo, em nenhum momento tenho estado próximo a ceder. Antes me transtornava muito quando via meus amigos beberem e sabia que eu não podia. Mas me eduquei a crer que, embora houvesse tido o mesmo privilégio, havia abusado de tal maneira dele que me foi retirado. Portanto, não cabe queixar-me. Afinal de contas, jamais caíram em cima de mim forçando a bebida pela minha garganta.
Se você achar que é um ateu, um agnóstico, um cético ou se tiver alguma outra forma de orgulho intelectual que não o permita aceitar o que está neste relato, sinto pena de você. Se ainda achar que é suficientemente poderoso para ganhar no jogo da vida, sozinho, é assunto seu. Porém, se realmente desejar abandonar a bebida de uma vez para sempre, e sinceramente achar que precisa de alguma ajuda, sabemos que temos uma solução para você. Nunca falha, se dedicar ao nosso programa a metade do entusiasmo que você costumava dedicar à procura da próxima bebida.
Seu Pai divino jamais o decepcionará!
Felicidade e espiritualidade
A Felicidade Advém, Ou É Resultado Da Espiritualidade?

Neste mundo não temos ainda as condições necessárias para a felicidade plena. Esta só pode existir num mundo onde as condições morais sejam superiores, e os homens, na maioria, tenham no coração a lei do amor, em que a solidariedade e a fraternidade sejam fatos naturais. Não devemos, por isso, nos entregar ao desânimo. Precisamos ver além do nevoeiro atual, absolutamente passageiro e fugaz, como o é nossa existência física no planeta. Vivemos um tempo conturbado, a pedir o exercício de paciência e tolerância, o que pode nos aproximar de nossa meta de felicidade. Quanto maiores forem a calma e a coragem para reagirmos aos acontecimentos do cotidiano, melhores serão nossas obras.
A felicidade é um estado de espírito que flui do próprio
ser e nos envolve docemente, levando-nos a amar e a querer bem a tudo e a todos, integrados no tempo e espaço, onde nos inserimos. Ficamos bem conosco e desejamos que todos compartilhem desse nosso sentimento. Tudo é luz e bem-aventurança. A natureza brilha. Nossos olhos são bons. Somos o sal que tempera a vida, o equilíbrio e a harmonia da terra e, como deuses, por instantes ficamos em comunhão com o universo e como Deus. podemos senti-la de forma inexplicável, em certos momentos alternados com outros, de miséria, impotência e infelicidade – o que faz parte de nosso estágio atual de aprendizado e amadurecimento.
Estamos num processo de aprendizado, submetidos a provas necessárias para conquistarmos maior pureza espiritual. As provas vêm e vão, repetindo-se até que não precisemos mais de suas lições. Temos em nós a força do amor e a inteligência, que nos permitem aprender com as vicissitudes da vida. Viver é inelutável, progredir é lei. Fugir das provas, ou buscar a segurança em bens materiais, não são boas escolhas.
Mais importantes do que as provas, porém, são nossas reações a elas. É fundamental colocarmo-nos acima dos acontecimentos e observarmos como eles nos atingem, bem como quais sentimentos nos provocam, a fim de entendê-los e dominá-los, para nos tornarmos melhores.
Jesus prega o desapego ao efêmero da matéria, para não nos iludirmos, nem sofrermos com o que é passageiro. Sugere um mínimo de fé e o apego à consciência reta, através da humildade e da caridade tão bem exemplificados por Ele.
Devemos priorizar nosso aperfeiçoamento moral. A felicidade é proporcional ao nosso grau de espiritualização, estabelecido pelo nosso aprimoramento. Para embasar essa meta, precisamos alcançar o entendimento de que somos realmente criaturas espirituais de Deus, sujeitos a um progresso sem limites, tanto intelectual como moral, supervisionados por leis naturais. Evoluir, nas circunstâncias adversas de nosso mundo, é a nossa meta, digna de todos os nossos esforços.
O que nos falta para construir nossa felicidade, colaborando com a construção de um mundo feliz, pode nem ser muito, mas exige perseverança diária. Prestar mais atenção no próximo, sendo felizes com suas alegrias e solidários nas suas tristezas. Ficar satisfeitos com o que Deus nos permite possuir, dividindo o possível com os que têm menos. Ver no outro um igual, com os mesmos direitos. Querer para todos apenas o bem que queremos para nós. Tudo isso, e o que mais for necessário, dosado pelo sendo de humildade, misericórdia e justiça para a conquista da inocência espiritual. Um passo de cada vez, cada dia um pouco mais de sabedoria e amor. Transformar a realidade numa coisa mais rica e prazerosa através da nossa elevação moral, envolvida pela esperança do grande futuro que nos aguarda. Sejamos felizes desde já, fazendo de nossa existência um eterno cultivo da paciência, da tolerância e da coragem, dando o melhor de nós para, no tempo certo, colhermos os frutos maduros da felicidade destinada a todos os filhos de Deus.
A Felicidade
DEPOIMENTO SOBRE A FELICIDADE.

Na visão de um Alcoólico Anônimo.
(por questões éticas, não é citado seu nome).

A felicidade:

Para aplicar o procedimento de Alcoólicos Anônimos à reconstrução de uma vida estilhaçada, tentei primeiro recordar a felicidade que perseguia nos velhos tempos. Neste caso a felicidade, quase sempre, foi equacionada à alegria.
Buscava na bebida a euforia, a libertação até mesmo do mais ligeiro vestígio de responsabilidade. Queria isolamento contra a urgente mudança do mundo ao meu redor, um leito macio numa nuvem lânguida. Durante fugazes momentos e pouco antes da cortina do esquecimento cair, me deixava levar para aquele estado de ilusões. Convite: “venha para Alcoólicos Anônimos. Nós ajudaremos a manter a sobriedade e você encontrará a felicidade real”.
A sobriedade era real, subitamente, o mundo também era um lugar agressivo e impiedoso que nunca havia encarado totalmente antes. Onde estava a perseguida felicidade?
Filósofo antigo: “A felicidade não é algo que experimento; é algo que recordo”. Mesmo assim, correndo o risco de soar fora de moda, digo que: “estou muito feliz”. Deixe-me acrescentar: nada daquilo que hoje possuo veio fácil. Para mim foi e é uma parada dura. Abandonar as prerrogativas da infantilidade crônica nunca é muito fácil. Mas no inicio do jogo, preciso de definições.
“Serenidade” uma palavra que usei a parti do momento em que me arrastava para a primeira reunião de Alcoólicos Anônimos, era desde o início um conceito ilusório. Parecia significar qualquer coisa – imunização a prova de obstáculos, uma bênção completamente garantida para me habilitar a não perder a coragem quando as coisas não saem como quero. Ouvi a oração da serenidade entoada como um sortilégio para vencer o fascínio da tentação, como uma varinha mágica que afastasse tudo que fosse desagradável. A minha própria definição evoluiu para algo mais ou menos assim.
Parece-me que a maior parte das angústias e distúrbios da vida das pessoas deriva de uma persistência teimosa demais em tentar resolver problemas insolúveis. É por essa razão que a filosofia contida na oração da serenidade é uma das diretrizes mais importantes que encontrei em Alcoólicos Anônimos.
Aceitar as coisas que não se pode modificar. Tão simples! Se o problema não puder ser resolvido hoje, deixe-o para lá. Admito que isso nem sempre é fácil; exige autodisciplina, uma capacidade raramente encontrada nos alcoólicos recém sóbrios.
Por outro lado, os problemas que podem ser resolvidos proporcionam uma ida realmente excitante. O desafio diário de se atacar os conflitos encontrados desde a aurora até o escurecer, e dominá-los, é estimulante.
A ultima linha da oração da serenidade contém o golpe mais duro: A sabedoria para distinguir entre as situações solúveis e insolúveis, como alguém que suspeitava muito da própria sabedoria (desde que sóbrio) descobri que a substituição da palavra “sabedoria” por “honestidade” me dava a pista para a resposta que procurava.
O segundo principio da oração da serenidade é visto muito por alto. Fico constantemente maravilhado com o número dos chamados obstáculos que superei, depois de observá-los atentamente e unir quaisquer parcos recursos que possuísse, pegando então as ferramentas.
Conseqüentemente a serenidade é para mim a ausência de conflitos insolúveis. Complete a mim mesmo, determinar primeiramente, depois de uma análise honesta, se posso enfrentar o problema, decidindo então se deve ser enfrentado, transferido para outro dia ou esquecido para sempre.
Posso estabelecer metas com horizontes realísticos se mantiver o reconhecimento honesto das minhas limitações. Vencer as batalhas diárias, envolvidas na consecução dessas metas é excitante. Essas são as emoções reais.
A casa que estou tentando construir será o trabalho de minhas próprias mãos, com todas as manchas de sangue e todas as equimoses do entusiasmo, embutidas no “faça-você-mesmo” e em nada aliviadas por algum talento real neste departamento.
Nunca conseguirei cultivar tomates do tamanho daqueles do meu vizinho, mas o gosto dos meus pequeninos tomates é melhor na minha mesa do que seria o gosto das maravilhas que ele consegue.
Pela primeira vez na vida, estou dando a um patrão um honesto aperto de mão e percebo o companheirismo e a satisfação de se trabalhar em equipe e de contribuir com minha pequena parcela para o sucesso do todo.
A única galeria que meus quadros irão adornar algum dia fica entre a minha sala de estar e o vestíbulo de entrada, mas aventurando-me em um campo novo é divertido e as coisas estão melhorando, ainda que eu seja o único que consiga enxergar a mudança.
Nosso orçamento escolar foi por água abaixo, mas tive pelo menos a satisfação de saber que lutamos para valer. Esperem até o próximo ano.
Quase não conheci a família que perdi nas bebedeiras. Minha atual esposa e filhos, dividendos diretos da sobriedade proporcionam-me a maior alegria. Nunca em minha vida, antes de Alcoólicos Anônimos, havia feito coisa alguma para alguém. E mesmo hoje mal consigo ficar quite, porque ainda recebo mais do que algum dia poderei dar.
Existe apenas uma coisa tão bela quanto o rosto de um garotinho de quatro anos, na hora de contar estórias antes de dormir: é o rosto de sua irmãzinha.
Assim a felicidade é a plenitude, a satisfação de saber que você fez o melhor que as suas limitações honestamente avaliadas permitiram em todas as fases da vida.
Felicidade é a gratidão pelo milagre que me concedeu outra oportunidade de levar uma vida que um dia abandonei.
Felicidade é crescer. É aprender a ser grato por todas as coisas que você realmente possui. A felicidade é tanto para ser experimentada quanto para ser recordada.
Recuperação e Recaída
Muita gente pensa que a recuperação é apenas uma questão de não usar drogas. Consideram a recaída um sinal de fracasso completo, e os longos períodos de abstinência, um sucesso total. Nós, do programa de recuperação de Alcoólicos Anônimos, achamos essa idéia demasiada simplista. Depois de um membro ter tido algum envolvimento com nossa irmandade, uma recaída pode ser uma experiência impressionante e provocar uma aplicação mais rigorosa do programa. Da mesma forma, observamos alguns membros que se mantêm abstinentes durante longos períodos, mas cuja desonestidade e auto-engano os impedem de desfrutar completamente a recuperação e a aceitação na sociedade. A melhor base para o crescimento, no entanto, ainda é a completa e contínua abstinência, o trabalho conjunto e a identificação com outros adictos nas reuniões de Alcoólicos Anônimos. Embora todos os adictos sejam basicamente do mesmo tipo, o grau da doença e o ritmo da recuperação diferem de indivíduo para indivíduo. Às vezes, uma recaída pode estabelecer a base para uma completa liberdade. Outras vezes, só é possível alcançar essa liberdade através de uma vontade inflexível e obstinada de ficar limpo, aconteça o que acontecer, até passar a crise. Um adicto que, por qualquer maio, consegue superar, pelo menos por um tempo, a necessidade ou o desejo de usar, tem livre escolha sobre seus pensamentos impulsivos e ações compulsivas. Atingiu um ponto que pode ser decisivo para a sua recuperação. Às vezes, esse é o ponto crítico da sensação da verdadeira independência e liberdade. A possibilidade de sairmos do programa e de voltarmos a controlar nossas próprias vidas é algo que nos atrai, mas parece que sabemos que o que temos hoje são resultados da fé num Poder Superior e o fato de darmos e recebermos ajuda por empatia. Muitas vezes, em nossa recuperação, os velhos fantasmas ainda nos perseguem. A vida pode voltar a ser monótona, aborrecida, e sem sentido. Podemos nos cansar fisicamente de repetir nossas novas idéias, e podemos nos cansar fisicamente com nossas novas atividades, mas sabemos que, se não as repetirmos, certamente voltaremos aos nossos velhos hábitos. Se não usarmos o que temos, provavelmente, perderemos. Freqüentemente, essas ocasiões são os períodos de maior crescimento para nós. Nossas mentes e corpos parecem cansados de tudo. Mesmo assim, as forças dinâmicas da verdadeira mudança, bem dentro de nós, podem estar agindo para nos dar as respostas que alteram nossas motivações internas e mudam nossas vidas. A nossa mente é a recuperação através da vivência dos doze passos, não a mera abstinência física. Nosso crescimento exige esforço e, como não há maneira de se incutir uma idéia nova numa mente fechada, tem que haver uma abertura. Como só nós mesmos podemos fazer isso, precisamos reconhecer dois dos nossos inimigos inerentes: a apatia e a procrastinação. Nossa resistência à mudança parece arraigada, e somente uma explosão nuclear provocará alguma mudança, ou iniciará um novo curso de ação. Se sobrevivermos a ela, a recaída poderá representar o detonador do processo de demolição. Uma recaída ou, às vezes, a morte de algum conhecido íntimo pode nos despertar a necessidade de uma vigorosa ação pessoal. Temos visto adictos chegarem à nossa irmandade, experimentarem o nosso programa e manterem-se limpos durante um período de tempo. Com o tempo, alguns adictos perderam o contato com outros adictos em recuperação e acabaram voltando à adicção ativa. Esqueceram que é realmente a primeira droga que inicia o ciclo mortal novamente. Tentaram controlar, usar com moderação, ou usar apenas certas drogas. Nenhum destes métodos de controle funciona para adictos. A recaída é uma realidade. Pode acontecer e realmente acontece. A experiência demonstra que, quem não trabalha nosso programa de recuperação, diariamente, pode recair. Vimos eles voltarem em busca de recuperação. Talvez tivessem estado limpos, durante anos, antes de recaírem. Se tiveram sorte o bastante de conseguirem voltar, estarão muito abalados. Eles nos dizem que a recaída foi mais horrível do que ouso anterior. Nunca vimos uma pessoa que vive o programa de Alcoólicos Anônimos, recair. As recaídas são freqüentemente fatais. Já fomos a enterros de pessoas queridas que morreram de uma recaída. Morreram de várias maneiras. Muitas vezes, vemos pessoas recaídas, perdidas, durante anos, vivendo na miséria. Aqueles que acabam em prisões ou instituições podem sobreviver e, talvez, sejam reapresentados a Alcoólicos Anônimos. Em nossas vidas diárias, estamos sujeitos a quedas emocionais e espirituais, que nos tornam indefesos contra a recaída física com o uso de drogas. Por ser a adicção uma doença incurável, adictos estão sujeitos a recaídas. Nunca fomos forçados a recair. É nos dado uma escolha. A recaída nunca é acidental. A recaída é sinal de que temos reservas para com nosso programa. Começamos a negligenciar nosso programa e deixar brechas em nossas vidas diárias. Sem perceber as ciladas à nossa frente, tropeçamos cegamente na crença de que podemos conseguir por nós mesmos. Mais cedo ou mais tarde, caímos na ilusão de que as drogas tornam a vida mais fácil. Acreditamos que as drogas, tornaram mais fácil a vida. Acreditamos que as drogas podem nos modificar, e esquecemos que estas mudanças são mortais. Quando acreditamos que as drogas resolverão nossos problemas e esquecemos o que elas podem fazer contra nós, estamos realmente em apuros. Se as ilusões de que podemos continuar a usar ou parar de usar sozinhos não forem estilhaçadas, estaremos certamente assinando a nossa própria sentença de morte. Por alguma razão, o descuido de nossos afazeres pessoais diminui a nossa auto-estima e estabelece um padrão que se repete em todas as áreas das nossas vidas. Se começarmos a evitar as nossas novas responsabilidades, faltando a reuniões, negligenciando o trabalho do décimo-segundo passo, ou não nos envolvendo, nosso programa pára. Coisas deste tipo nos levam à recaída. Possivelmente, sentimos uma mudança acontecendo em nós. Nossa capacidade de manter a mente aberta desaparece. É possível que fiquemos com raiva ou ressentimentos com tudo e com todos. Possivelmente, começamos a respeitar as pessoas mais chegadas. Nós nos isolamos. Cansamos de nós mesmos em pouco tempo. Voltamos aos padrões de comportamento mais doentios, mesmo sem ter que usar drogas. Quando um ressentimento ou qualquer outra reviravolta emocional ocorre, a falta da prática dos doze passos pode resultar numa recaída. O comportamento obsessivo é um denominador comum para pessoas adictivas. Não gostamos de estar errados, mas precisamos lembrar-nos de onde viemos e que a nossa doença ficará progressivamente pior, se não usarmos. É aí que precisamos da irmandade. Esquecemos que hoje temos uma escolha. E ficamos mais doentes. Focalizamos qualquer coisa que não está indo de nossa maneira e ignoramos toda a beleza em nossas vidas. Sem nenhum real desejo de melhorar as nossas vidas, ou até mesmo de viver, apenas nos afundamos cada vez mais e mais. Alguns de nós nunca conseguimos voltar. Às vezes vemos o nosso comportamento passado como parte de nós mesmos, e como parte de nossa doença. Damos novamente o primeiro passo, as coisas melhoram e pensamos que não precisamos realmente deste programa. A petulância é um sinal vermelho. A solidão e a paranóia voltarão. As coisas pioram. Damos o primeiro passo de verdade, desta vez interiormente. Haverá momentos, no entanto, em que sentiremos realmente vontade de usar. Precisamos lembrar-nos de onde viemos e que, desta vez, será pior. Quando esquecemos o esforço e o trabalho que tivemos para conseguir um período de liberdade em nossas vidas, logo vem a falta de gratidão, a autodestruição começa novamente. Se não agimos logo, corremos o risco da recaída. Mantendo nossa Ilusão da realidade, em vez de usar as ferramentas do programa, retornaremos ao isolamento. A solidão nos matará por dentro e as drogas, que quase sempre vem em seguida, podem completar o processo. Os sintomas e sentimentos que vivemos no final do uso voltarão mais fortes do que antes. A recaída pode ser a força destrutiva que nos mata, ou a que nos leva a perceber quem e o que realmente somos. Para nós, usar é morrer em todos os sentidos. Relacionamentos pode ser uma área terrivelmente dolorosa. Colocarmos expectativas em nós e nos outros. Fantasiamos e projetamos o que acontecerá. Ficamos com raiva se aquilo que planejamos não der certo, embora às vezes não passem de meras fantasias. Os velhos pensamentos e sentimentos de solidão, desespero, desamparo, etc. Podemos trabalhar estes sentimentos negativos, escrevendo sobre o que queremos, o que estamos pedindo, o que conseguimos, e partilhando como nosso padrinho ou outra pessoa de confiança. Quando deixamos os outros compartilharem conosco a sua experiência, conseguimos ter esperança de que vai melhorar. Freqüentando reuniões diariamente, vivendo um dia de cada vez e lendo literatura, parece que nossa atitude mental se encaminha para o positivo de novo. A boa vontade de tentar o que funcionou para os outros é vital. Mesmo quando sentimos que não queremos freqüentar reuniões, elas são uma fonte de força e esperança para nós. É importante partilhar nossos sentimentos quando temos vontade de usar. É importante lembrar que o desejo de usar passará. Não temos que usar nunca mais, independente de como nos sentimos. Todos os sentimentos acabarão passando. A progressão da doença é um processo constante, mesmo durante a abstinência. O esforço para receber ajuda é o começo de uma luta que nos libertará. Boas idéias e boas intenções não ajudam se não as colocarmos em ação. Temos que demolir os muros que nos aprisionam. A partilha honesta nos libertará para a recuperação. Somos gratos por ser bem recebidos nas reuniões. Descobrimos que o sentimento de ajudar aos outros motiva a fazer o melhor de nossas vidas. Descobrimos que dor partilhada é dor diminuída. A recuperação em Alcoólicos Anônimos tem devir de dentro, e ninguém se mantém limpo para ninguém, a não ser para si próprio. Na nossa doença, estamos lidando com um poder violento, destrutivo e maior do que nós, que pode levar a recaída. Se tivermos recaído, é importante mantermos em mente que temos de voltar às reuniões rapidamente. É questão de tempo para que nossa traiçoeira doença, nos leve a um ponto sem retorno. Assim que usamos, estamos sob o domínio da nossa doença. Muitos de nós ficamos limpos num ambiente protegido, tal como um centro de reabilitação ou clínica de recuperação. Quando voltamos para o mundo, nós nos sentimos perdidos, confusos e vulneráveis. Indo a reuniões, com a maior frequência possível, reduziremos o choque da mudança. As reuniões proporcionam um lugar seguro para partilhar. Temos que usar o que aprendemos, ou perdemos numa recaída. Manutenção espiritual significa recuperação contínua. As recaídas também podem cair numa outra armadilha. Podemos duvidar que possamos parar de usar e nos mantermos limpos. Nunca conseguimos ficar limpos por nossa conta. Nós nos castigamos quando voltamos ao programa. Imaginamos que nossos companheiros não respeitarão a coragem que tivemos em voltar. Aplaudimos com toda sinceridade. Não é vergonhoso recair – a vergonha está em não voltar. Uma vez que passamos limpos por um momento difícil, ganhamos uma ferramenta de recuperação que podemos usar de novo e outra mais. Se recairmos, podemos sentir culpa e vergonha. A recaída é vergonhosa, mas não podemos livrar a cara e salvar nossa pele ao mesmo tempo. Descobrimos que é melhor voltarmos para o programa o mais rápido possível. É melhor engolirmos o nosso orgulho do que morrermos ou ficarmos insanos para sempre. Agora, sabemos que a velha máxima “uma vez adicto, sempre um adicto” é mentira e não será mais tolerada, nem pela sociedade nem pelo adicto. Nós nos recuperamos, sim! A recuperação começa com a rendição. A partir daí, cada um de nós é lembrado de que um dia limpo é um dia ganho. Em Alcoólicos Anônimos, sem nossas atitudes, pensamentos e reações mudam. Percebemos que não somos alienígenas e começamos a compreender e aceitar quem somos. Para nós, a adicção é a obsessão de usar as drogas que estão nos destruindo, seguida de uma compulsão que nos força a continuar. Buscamos a ajuda de adictos que estão desfrutando a vida livres da obsessão de usar drogas. Podemos nos manter limpos e apreciar a vida, se nos lembrarmos de viver “só por hoje”. Não precisamos compreender este programa para que ele funcione. Só temos que seguir as sugestões.
Pai Nosso (meditado)
PAI NOSSO
(Meditado)

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso nome!

Meditação:

Cremos em Vós, Senhor, porque tudo nos revela o Vosso poder e a Vossa bondade. A harmonia do universo e a prova de uma sabedoria, de uma prudência, e de uma previdência que ultrapassam todas as faculdades humanas.
O nome de um ser soberanamente grande e sábio está inscrito em todas as obras da Criação, desde a relva humilde e do menor inseto, até os astros que se movem no espaço. Por toda parte, vemos a prova de uma solicitude paterna! Cego, pois, é aquele que não Vos glorifica nas Vossas obras, orgulhoso aquele que não Vos louva, e ingrato aquele que não Vos rende graças.

Venha a nós o Vosso Reino!

Senhor, destes aos homens leis plenas de sabedoria, que os fariam felizes, se eles as observassem. Com essas leis, poderiam estabelecer a paz e a justiça, e poderiam ajudar-se mutuamente. Em vezes de mutuamente se prejudicarem, como o fazem. O forte ampararia o fraco, em vez de esmagá-lo. Evitados seriam os males que nascem dos abusos e dos excessos de toda espécie. Todas as misérias deste mundo decorrem da violação das vossas leis, porque não há uma única infração que não traça suas conseqüências fatais.
Destes ao animal o instinto que lhe traça os limites do necessário, e ele naturalmente se conforma com isso. Mas, ao homem, além do instinto, destes a inteligência e a razão. E lhe destes ainda a liberdade de observar ou violar aqueles das vossas leis que pessoalmente lhe concernem, ou seja, a faculdade de escolher entre o bem e o mal, para que ele tenha o mérito e a responsabilidade dos seus atos.
Ninguém pode pretextar ignorância das vossas leis, porque, na vossa paternal providência, quiseste que elas fossem gravadas na consciência de cada um, sem nenhuma distinção de cultos ou de nacionalidade. Assim, aqueles que a violam, é porque vos desprezam.
Chegará o dia em que, segundo a vossa promessa, todos a praticarão. Então a incredulidade terá desaparecido, todos vos reconhecerão como o soberano Senhor de todas as coisas, e o primado de vossas leis estabelecerá o vosso Reino na Terra.
Dignai-vos, Senhor, de apressar o seu advento, dando aos homens a luz necessária para se conduzirem no caminho da liberdade.

Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu!

Se a submissão é um dever do filho para com o pai, do interior para com o superior, quanto maior não será a da criatura para o seu Criador! Fazer a vossa vontade Senhor, é observar as vossas leis e submeter-se sem lamentações aos vossos desígnios divinos. O homem se tornará submisso aos vossos desígnios divinos. O homem se tornará submisso, quando compreender que Deus é a fonte de toda sabedoria, e que sem vós Ele nada pode. Fará então a vossa vontade na terra, como os efeitos a fazer no céu.

O pão nosso de cada dia nos daí hoje!

Dai-nos o alimento necessário à manutenção das forças físicas, e dai-nos também o alimento espiritual, para o desenvolvimento do nosso espírito.
O animal encontra a sua pastagem, mas o homem deve o seu alimento à sua própria atividade e aos recursos de sua inteligência, porque o criaste livre.
Vós lhe dissestes: “amassarão o teu pão com o suor do teu rosto” e com isso fizeste do trabalho uma obrigação, que o leva a exercitar a sua inteligência na procura dos meios de prover às suas necessidades e atender ao seu bem-estar: uns pelo trabalho material, outros pelo trabalho intelectual. Sem o trabalho, ele permaneceria estacionário e não poderia aspirar a felicidade dos espíritos superiores.
Assistis ao homem de boa vontade, que em vós confia para o necessário, minha não aquele que se compraz na ociosidade e gostaria de tudo obter sem esforço, nem ao que busca o supérfluo.
Quantos há que sucumbem por sua própria culpa, pela sua incúria, pela sua imprevidência ou pela sua ambição, por não terem querido contentar-se com que lhe destes! São esses os artífices do próprio infortúnio, e não têm o direito de queixar-se, pois são punidos naquilo mesmo em que pecaram. Mas mesmo a eles não abandonais, porque sois infinitamente misericordioso, e lhes estendeis a mão providencial, desde que, como filho pródigo, retornem sinceramente para vós.
Antes de nos lamentarmos de nossa sorte, perguntamos se ela é a nossa própria obra, a cada desgraça que nos atinja, verifiquemos se não poderíamos tê-la evitado, repitamos a nós mesmos que Deus nos deu a inteligência para sairmos do atoleiro, e que de nós depende aplicá-la bem.
Desde que a lei do trabalho condiciona a vida do homem na terra, dai-nos a coragem e a força de cumpri-la, dai-nos também a prudência e a moderação, a fim de não pormos a perder os seus frutos.
Dai-nos pois, Senhor, o pão nosso de cada dia, ou seja, os meios de adquirir pelo trabalho as coisas necessárias, pois ninguém tem o direito de reclamar o supérfluo.
Se estivermos impossibilitados de trabalhar, que confiemos na vossa providência.
Se estiver nos vossos desígnios provar-nos com as mais duras privações, não obstante os nossos esforços, aceitamo-lo como uma justa expiação das faltas que tivermos podido cometer nesta vida ou numa anterior, porque sabemos que sois justo, e que não há penas imerecidas, pois jamais castigais sem causa.
Preservai-nos, ó Senhor, de conceber a inveja contra os que possuem aquilo que não temos, ou mesmo contra os que dispõem de supérfluo, quando nos fales o necessário. Perdoai-lhes se esquecerem a lei de caridade e de amor ao próximo, que lhes ensinastes.
Afastai ainda de nosso espirito a idéia de negar a vossa justiça, ao ver a prosperidade do mal e a infelicidade que abate às vezes o homem de bem. Pois já sabemos, graças às novas luzes que ainda nos destes, que a vossa justiça sempre se cumpre e não faz exceção de ninguém, que a prosperidade material do maldoso é tão efêmera como a sua existência corporal, acarretando-lhe terríveis revezes, enquanto será eterno júbilo daquele que sofre com resignação.

Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores.

Cada uma das nossas infrações às vossas leis, Senhor, é uma ofensa que vos fazemos, e uma dívida contraída, que cedo ou tarde, teremos de pagar. Solicitamos a vossa infinita misericórdia a sua remissão, sob a promessa de empregarmos os nossos esforços em não contrair outras.
Fizestes da caridade para todos nós, uma lei expressa, mas a caridade não consiste unicamente em assistirmos os nossos semelhantes nas suas necessidades, pois consiste ainda no esquecimento e no perdão das ofensas. Com que direito reclamaríamos a vossa indulgência, se faltarmos com ela para aqueles de que nos queixamos?
Dai-nos, Senhor, a força de sufocar em nosso íntimo todo ressentimento. Todo ódio e todo rancor. Fazei que a morte não nos surpreenda com nenhum desejo de vingança no coração. Se vos aprouver retirar-nos hoje mesmo deste mundo, fazei que possamos nos apresentar a vós inteiramente limpos de animosidade, a exemplo do Cristo, cujas últimas palavras foram em favor dos seus algozes.
As perseguições que os maus nos fazem sofrer são parte das nossas provas terrenas: devemos aceitá-las sem murmurar, como todas as outras provas, sem maldizer os que, com as suas perversidades, nos abrem o caminho da felicidade eterna, pois vós nos dissestes, nas palavras de Jesus: “Bem-aventurados os que nos fere e nos humilha, porque as mortificações do corpo nos fortalecem a alma, e seremos levantados da nossa humildade.”
Bendito seja o vosso nome, Senhor, por nos haverdes ensinado que a nossa sorte não está irrevogavelmente fixada após a morte; que encontraremos, em outras existências, os meios de resgate e reparar as nossas falhas passadas, e de realizar numa nova vida aquilo que nesta não pudemos fazer, para o nosso adiantamento.
Assim se explicam, enfim, todas as aparentes anomalias da vida: a luz é lançada sobre o nosso passado e nosso futuro, com um sinal resplendente da vossa soberana justiça e da vossa infinita bondade.

Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

Dai-nos, Senhor, a força de resistir às sugestões dos maus espíritos, que tentarão desviar-nos da senda dobem, inspirando-nos maus pensamentos.
Mas nós somos, nós mesmos, espíritos imperfeitos, encarnados na terra para expiar nossas faltas e nos melhorarmos. A causa do mal está em nós próprios, e os maus espíritos apenas se aproveitam de nossas tendências viciosas, nas quais nos entretêm, para nos tentarem.
Cada imperfeição é uma porta aberta às suas influências, enquanto eles são impotentes e renunciar a qualquer tentativa contra os seres perfeitos. Tudo o que possamos fazer para afastá-los será inútil, se não lhes opusermos uma vontade inquebrantável na prática do bem, com absoluta renúncia ao mal. É, pois, contra nós mesmos que devemos dirigir os nossos esforços, e então os maus espíritos se afastarão naturalmente, porque o mal é o que os atrai, enquanto o bem os repele.
Senhor, amparai-nos em nossa fraqueza, inspirai-nos, pela voz dos nossos anjos guardiães e dos bons espíritos, a vontade de corrigirmos as nossas imperfeições, a fim de fecharmos a nossa alma ao acesso dos espíritos impuros.
O mal não é, portanto, vossa obra, Senhor, porque a fonte de todo o bem não pode engendrar nenhum mal. Somos nós mesmos que o criamos, ao infringir as vossas leis, e pelo mau uso que fazemos da liberdade que nos concedestes. Quando os homens observarem as vossas leis, o mal desaparecerá da terra, como já desapareceu dos mundos mais adiantados.
Não existe para ninguém a fatalidade do mal, que só parece irresistível para aqueles que nele se comprazem. Se temos vontade de fazê-lo, também poderemos ter a de fazer o bem. E é por isso, ó Senhor, que solicitamos a vossa assistência e a dos bons espíritos, para resistirmos a tentação.

Assim Seja!

Que vos apraza, Senhor, a realização dos nossos desejos! Inclinamo-nos, porém, diante da vossa infinita sabedoria. em todas as coisas que não nos é dado compreender, que sejam feitas segundo a vossa vontade e não segundo a nossa, porque vós só quereis o nossa bem, e sabeis melhor do que nós o que nos convém.
Nós vos dirigimos esta prece, Senhor, por nós mesmos, mas também por todas as criaturas sofredoras, encarnadas e desencarnadas, por nossos amigos e por nossos inimigos, por todos os que reclamam a nossa assistência, e em particular por fulano.
Suplicamos para todos a vossa misericórdia e a vossa bênção.
(nota: aqui podem ser feitos os agradecimentos a Deus pelas Graças concedidas, e formulados os pedidos que se queiram, para si mesmo e para os outros).
Driblando a dor do vício
DRIBLANDO A DOR.

Hoje, o jovem está encontrando tudo com muita facilidade. Tem uma vida privilegiada, com doze anos já dirige veículos e freqüenta as famosas festas de embalo. As crianças e os jovens estão envelhecendo prematuramente, desde cedo já vivem em festinhas. Com o passar dos anos tudo é rotina, não houve descoberta. Levados pelo cotidiano, buscam algo que os leve a viver situações diferentes.
A droga é um alucinógeno repleto de surpresas; se o drogado tivesse uma reação idêntica, todos os dias, ele se cansaria do tóxico. Mas não, ela, ao chegar ao organismo, faz com que o dependente sinta aquilo que busca, por isso aumentam as doses dia após dia. O homem ao se drogar, espera atingir uma satisfação que não encontra em seu estado normal.
A região frontal do cérebro, responsável pela formação do juízo e ondas de retorno, governa todas as manifestações nervosas, centro de força mental. O diencéfalo, centro de força coronário, fixa conhecimentos, virtudes morais, compreensão. Aqui se encontra a consciência de cada indivíduo, é a sede do espírito. Ele supervisiona os demais centros de força e lhes transmite os impulsos vindos do espírito. É ele que capta as energias da aura espiritual e as transmite aos chacras e ao físico. É a sede do espírito, é dele que partem as decisões. Aglutina, transmite e dissemina energias do córtex cerebral para funcionamento equilibrado do sistema nervoso. Ele é majestoso e de grande poder; é concentração de força do espírito e das forças psíquicas e físicas do ambiente da vida. Irradia energias vitalizadoras e correntes magnéticas. Portanto, é máquina poderosa que, quando violentada por pensamentos ou idéias de mentes desencarnadas, ou, algo forte como o tóxico, faz com que o cérebro trabalhe com sobrecarga, muitas vezes causando serias lesões. Daí o viciado não trabalhar ou render pouco e suas cordas vocais ficarem deficientes, falando pausadamente. O tóxico age no sistema nervoso central, composto pelo cérebro e pela medula espinhal, centro esse formado por vários bilhões de células nervosas denominadas neurônios, que se comunicam entre si por meio de mensageiros químicos, denominados neurotransmissores. A droga, ao penetrar no cérebro, interfere diretamente nas transmissões desses neurotransmissores, esmagando cada célula, que possui vida própria. Estas, ao serem atingidas, fazem com que o viciado sinta sensações novas e nunca idênticas. Mas morre… pouco a pouco também. À medida que vão aumentando as doses, o viciado apresenta uma doença cerebral orgânica, dificuldade de concentração, agitação ou prostração, perda de memória e muitas vezes uma dilatação dos ventrículos. O cérebro de um dependente apresenta-se alterado. Por isso ele nada teme, quando a droga já tomou conta, lesando-lhe o cérebro.
O drogado vive em busca do aumento de prazer, e o método de passar cocaína nas gengivas oferece reações mais rápidas, mas também conseqüências mais terríveis. A gengiva é por demais sensível e o pó brasileiro contém muitos corrosivos, um deles o pó de mármore. Essa busca se dá pelo fenômeno chamado tolerância, que se caracteriza pelo consumo ininterrupto de uma droga, uma necessidade de se aumentar a dose, obter o mesmo efeito ou outros ainda desconhecidos. Muitos, com uma overdose morrem, outros, com quantidades maiores, nada sentem. É o segredo da vida. O perigo de ocorrer a morte aumenta com os coquetéis de droga. O indivíduo considerado um grande consumidor, na busca do prazer, é levado a misturar álcool, comprimidos, maconha, que é uma grande inimiga do álcool, coca, lsd e outros tóxicos. Não existe organismo que suporte, arrebenta tudo, é uma sobrecarga negativa na carcaça física e perispiritual.
Há pessoas que tomam medicamentos em excesso, e se intoxicam tentando se curar de estresse, fadiga, falta de sono. Assim, são levados a outras doenças por esse excesso, e sofrem física, mental e espiritualmente, de forma desnecessária.
Este estado de fadiga ocorre porque a tirosina é uma proteína ingerida na alimentação, na célula nervosa ela é dragada pela enzima hidrolase e transforma-se em dopa – substancia precursora da dopamina. Para transmitir o impulso nervoso, a célula livra a dopamina para a célula vizinha, após a passagem do impulso, ela volta para a célula que a libertou ou permanece no meio exterior, onde é destruída. Na fadiga crônica, a dopamina age desiquilibradamente e o cérebro é que sofre as conseqüências; e o organismo não reage, mesmo que a pessoa fique em repouso total. Os neurotransmissores são substancias liberadas e destruídas pelas células nervosas a todo instante, ao sabor das necessidades impostas pelo organismo. No esforço físico, o cérebro libera moléculas de dopamina que, através das terminações nervosas, fazem a movimentação da musculatura. Quando cessa, a metamina é metabolizada pelo organismo. Nas pessoas atacadas pela fadiga, a dopamina age desequilibradamente. O tratamento dessa doença requer muita paciência, pois é no cérebro da pessoa que se aloja o desequilíbrio.
Quem desconhece a dor do tóxico está longe de saber o que vem ocorrendo no mundo. O tráfico de drogas cresce a cada instante e os dependentes ficam cada vez mais prisioneiros da dor. Só quem conhece alguém vivendo este problema pode imaginar o porquê da espiritualidade estar lutando tanto junto ao homem para o extermínio do tóxico.
A criança corre perigo, porque hoje o tóxico é moda, e a família que não montar guarda cerrada contra a dependência do álcool e da droga sentirá a dor e o desespero.
Jesus, se hoje pudesse enviar uma mensagem para a humanidade, com certeza ela seria mais ou menos assim: “Estou pairando no ar, levitando sobre a cabeça de todos vocês, distribuindo a paz, a luz e a esperança em todos os lares”, mas não posso isso dizer, porque estarei mentindo. Não estou levitando nas nuvens da esperança, como gostaria. Estou ombro a ombro com a mãe que espera o filho e me chama em alta noite, tendo por companhia a apreensão e o relógio, cujo tique-taque é uma punhalada em seu coração; estou ao lado da esposa e dos filhos, que muitas vezes têm de enfrentar o terror da fome, porque o companheiro ou o pai é um joguete nas mãos de um traficante, estou ao lado da autoridade que busca a droga, muitas vezes expondo a própria vida para que a sociedade não morra a cada instante, estou à frente da mãe que muitas vezes é esbofeteada pelo filho, desejando que ela lhe satisfaça o vicio. Estarei sempre do outro lado da vida, com os braços levantados em direção ao pai, pedindo a ele que nos dê forças para gritar: Crianças corram da droga! Ela é um acido que queima, deforma e mata! Corram é para os braços da família divina e encontrem nela a força para sempre dizer “não” aos tóxicos!
A família tem de buscar as causas, os motivos que levaram o jovem a consumir tóxico. O tratamento deve ser feito por profissionais e os pais de um dependente devem ir, a seu turno, ao fundo do poço para salvar seu filho. Desejar que o tempo resolva é descaso e talvez o tempo seja curto para a salvação. Cada grama de tóxico no organismo pe morte certa de milhões de neurônios. Mesmo analisando os que usam esporadicamente as drogas e os toxicômanos, conhecendo a diferença de um e de outro, não podemos deixar de considerar os primeiros como prováveis toxicômanos. A família deve viver alerta, pois seu filho pode estar sendo usuário de tóxico e nesse estagio é bom você lhe estender as mãos. Se ele está em busca de algo forte, é porque a insegurança lhe banha a alma. Como a psicanálise é o estudo da alma, devemos analisá-la com cautelas procurando saber de onde a insegurança vem, pesquisar o consciente, o subconsciente e o inconsciente, penetrar no seu interior, sem violentar a alma. Por isso, devemos tratar um toxicômano, ou simples usuários, com a ajuda da psicanálise, sem improvisar ou fantasiar.
Quando analisamos um toxicômano, sentimos que a nossa frente se encontra alguém extremamente fraco. O tóxico é o combustível para o neurótico assumir outra personalidade. Muitas vezes a família deseja que o psicólogo opere milagres, mas não contribui para a cura do viciado. Uma família sã é mais fácil de cooperar com o profissional, mas muitas vezes o psicólogo tem de curar antes a família para depois chegar ao indivíduo. Muitos pais demoram a aceitar a dependência, o vicio, e para salvar o filho iniciam com as agressões. Em protesto, o filho agride e é cada vez mais agredido. O certo é a família se auto-analisar, buscar onde se encontra o erro e todos lutarem para saírem da UTI, porque não só o filho, mas a própria família também precisa de cuidados médicos. Um psicólogo precisa investir a alma, conhecer o espírito e descobri-lo. Só assim encontrará no inconsciente as neuroses. Não raro essas lembranças estão tão infectadas de ódio e vingança, que o profissional tem de dar ao indivíduo seguras orientações. A família, quando se deparar com filhos problemáticos, deverá não só buscar apoio profissional, mas também se auto-analisar, porque na maioria das vezes o erro vem da educação do indivíduo. O psicanalista tem de buscar a causa nas raízes profundas da alma. Se um dependente de drogas desejar agredir a sociedade, e sta agressão não é gratuita.
A família tem que dar a certeza ao dependente, de que ele é amado, fazê-lo entender que tudo deve muda dali para diante e que os pais desejam salvá-lo. Precisam ser autoritários e ao mesmo tempo carinhosos. Como não podia deixar de ser, a família precisa de um bom analista para saber tratar o dependente. Hoje esses serviços são oferecidos gratuitamente em muitas instituições.
A droga está aí, matando, aleijando e roubando a paz nos lares. Se as autoridades não abrirem carga pesada sobre ela, logo seremos os campeões dos tóxicos em todo o mundo. A extensão geográfica do Brasil é propicia às refinarias e a rota já se iniciou há tempos. Precisamos combatê-la com disciplina e amor. A droga se encontra nas faculdades, nos hospitais, nos núcleos de trabalho, na política, nos quartéis, nos colégios, nas cadeias, enfim, ela, a terrível, está em toda parte. A luta tem de partir de cima e o governo precisa das famílias. Elas, as verdadeiras guardiãs, precisam unir-se para combater a assassina de seus entes queridos. As famílias que já perderam seus entes devem solidarizar-se num grito de justiça. Hoje os traficantes buscam meninos desde tenra idade para iniciá-los no vicio. Ninguém pode dizer que a desconhece, ela ronda cada lar, é impiedosa, cruel e bárbara. O homem que a ignora distante se encontra da caridade. Hoje o seu lar pode estar resguardado, mas até quando? Ninguém sabe. A droga chega, chega de mansinho e não escolhe rico, remedido ou pobre, ela só deseja aprisionar, dominando cada vez mais a sociedade. Cidades existem onde o tóxico já tomou conta de certas áreas e esses locais não são de favelas, são pontos residenciais das classes media e rica. Os pais, as autoridades, vão deixando o tempo se encarregar do conserto. Pobres coitados! O jovem drogado e uma planta e contaminada, pouco tempo para oferecer ao seu próximo. Os religiosos também devem unir-se, pondo de lado o fanatismo da crença para trabalhar pela felicidade do próximo. Quem pode dormir, quando um jovem rasteja na dor e no desespero?
No dia em que a Terra deixar de ser materialista, os homens irão dar valor à vida física e cuidados serão tomados porque tenham saúde, paz e amor. Até lá, eles cooperarão com as organizações do mal que, sempre atuantes ao lado dos que assim pensam, os levarão a uma dependência: ou tóxica, ou alcoólica. Lamentavelmente, defrontamo-nos com uma geração suicida; não só a droga, mas o álcool também, são um grande mal que se alastra. Nunca se viu tantas famílias com o habito da bebida. Muitos jovens hoje se viciam não só no tóxico como no álcool também, e fazendo esta mistura encontram a morte. O alcoólatra é um doente não só do corpo, mas também da alma. As casas religiosas têm condições de ajudar os alcoólatras, porquanto a dependência é uma fraqueza da alma. Geralmente o doente vive problemas psíquicos; devemos buscá-los, trazê-los para fora e fazer com que o doente os enfrente cara a cara. Existe também o fator hereditário: muitos pais passam os vícios para os filhos, ensinando-lhes a beber, o que é comum em muitos lares. Cabe aos pais a incumbência da boa educação aos filhos. Quem oferece bebida a crianças está longe de Deus. Devemos ajudar, não com criticas, mas com amor, os viciados em álcool, eles caminham a passos largos para os tóxicos e, em geral, de braços dados com ele. É muito triste ver um irmão caído na sarjeta, mas triste também é o que ingere álcool socialmente, e não se julga um alcoólatra. É um caminho duro e sujo. O corpo grita: quero! A consciência diz: chega! A sociedade nega-os auxilio e os colegas os chamam de covarde. Assim vão caindo até a total destruição.
Temos por obrigação estender as nossas mãos até o próximo, e buscá-lo quando se encontra perdido. Precisamos fazer algo, levar nossa mensagem positiva e enfrentar qualquer situação, principalmente junto aos menos favorecidos. A cada dia a dor, o desespero e a tristeza se alojam no coração da humanidade. Hoje, as drogas, o culto ao corpo e ao sexo não permitem ao homem cuidar de sua parte espiritual. O homem mata e morre a cada minuto, desobedecendo às leis da natureza, que são sabias. O homem e a mulher brincam de fazer sexo, quando o seco é a eclosão do amor. O sexo é um órgão com finalidade quase igual a de outros órgãos, só que ele é órgão-rei, porque é através dele que se da o intercambio divino. Na atualidade, o homem tem desvirtuado a sua função orgânica, ou melhor, a vem destruindo. Nunca se viu uma humanidade tão doente sexualmente, o que está acontecendo é que muitos julgam que o sexo é a razão única do viver e esta ignorância vem levando o homem à impotência, às doenças sexualmente transmissíveis, ao homossexualismo, enfim, o homem brinca com o sexo como se ele fosse algo eterno e lhe pertencesse. Nessa concorrência sexual – homens e mulheres – quem vem perdendo e a família. Nunca se viu crianças tão infelizes, jovens tão perdidos. Os pais esquecem que o seu compromisso maior é para com os filhos e muitos deles são filhos abandonados, mesmo vivendo junto dos pais. As meninas julgam que a virgindade é fardo pesado de carregar e se entregam ao primeiro namorado. Daí passam a viver várias experiências, às vezes bem traumatizantes. A garota perde a virgindade e mata os seus sonhos, tornando-se uma mulher infeliz, doente e traumatizada. Agora, de quem é a culpa? De toda a família, que não orienta seus filhos para a responsabilidade divina. É no lar que o homem recebe elucidações morais; e se eles, desde pequenos, forem criados sem respeitar Deus, jamais respeitarão a família. Se os órgãos de comunicação, as religiões e as instituições educativas não se unirem por um mundo melhor, em breve todos os lares serão atingidos. Nós, que convivemos com os jovens, temos constatado que tirar a roupa e mergulhar no sexo são atos hoje em dia bastante vulgares, contudo, bem tristes de presenciar. O homem e a mulher estão criando para eles a lei do sexo livre e terão de agüentar as conseqüências. É nos países ricos que mais se abusa da inocência do menor, as suas crianças são maltratadas, espancadas, violentadas, sodomizadas, mal-cuidadas, e até morrem de fome. Nos países extremamente pobres, elas morrem, de fome por carência de alimentos. Nos países ricos, elas morrem, porque seus pais não têm tempo para alimentá-las. São extremamente sozinhas e às vezes morrem de solidão. Enquanto isso, o sexo livre, as orgias de álcool e droga se alastram.
Sabemos que aumenta cada vez mais o consumo da droga em nosso país, com a agravante de estar a faixa etária decaindo. Quase todos os estudantes se afundam nos tranqüilizantes, na maconha, na cocaína ou na cola de sapateiro. A maconha é tão corriqueira que até nos esquecemos dela, mas faz-se necessário um alerta: se há em casa um jovem de dez anos para cima, olho vivo nele, porque pode estar dando os primeiros passos na estrada do desespero. Ninguém pode imaginar a angústia de um jovem a consumir várias misturas.
O que se pode dizer aos jovens? Apenas que eles se respeitem, porque o homem de hoje possui memória muito fraca, não quer enfrentar o caso, quando se depara com ele. Muitos jovens julgam que religião é coisa de fanático, mas jamais vimos um drogado feliz.
É necessário que os professores e a sociedade se unam num grito de socorro, sem esperar ordem do governo.
Deve partir de competentes profissionais o início da campanha. Também os familiares de drogados deveriam unir-se dando as mãos e gritando em praça pública a sua dor e o seu desespero, para que outros familiares de adolescentes abram mais os olhos e não permitam que suas crianças busquem as turmas que se afundam nas madrugadas da vida. O início da vida noturna está ocorrendo com as crianças de doze anos ou menos.
Se seu filho não freqüentar festinhas, não importa, mais tarde ele vai compreender que você o livrou de um mal terrível. Se ele se julgar infeliz, também não importa, são preferíveis algumas lagrimas de revolta, do que chorar eternamente de remorsos. A droga está nas esquinas, nos lares, nas lanchonetes, nos colégios, mais ainda nas festinhas que o seu filho tanto gosta. Cuidado, pois o drogado é uma semente que depois de atingida dificilmente germinará no jardim da paz. Cuide de sua semente com a água do amor e da energia.
Frases do Bill
FRASES DO BILL.

Espiritualidade:

Não permita que nenhum preconceito que você possa ter em relação às expressões espirituais o impeça de perguntar honestamente a si mesmo o que elas significam.
É um fato que todos passaram por experiências espirituais afirmam ser isso uma realidade. A melhor evidencia dessa realidade está nos frutos subseqüentes: aqueles que recebem esse dom da graça são pessoas grandemente transformadas, quase invariavelmente para melhor.
Descobrimos em Alcoólicos Anônimos que os bons resultados reais da prece estão além de qualquer dúvida. Esses resultados são questões de conhecimento e experiência. Todos aqueles que persistiram, encontraram forças que normalmente não possuíam. Encontravam sabedoria além da sua capacidade normal. Desenvolveram cada vez mais uma paz de espírito inquebrantável nas mais difíceis circunstâncias.

Impotência:

Nos últimos estágios do nosso alcoolismo, a vontade de resistir nos deixará. E, no entanto, quando admitimos a derrota completa e nos tornamos inteiramente dispostos a tentar os princípios de Alcoólicos Anônimos, nossa obsessão nos abandona e entramos em uma nova dimensão – livres, segundo Deus na forma como o concebemos.

Despertar Espiritual:

A sobriedade é tudo aquilo que podemos esperar do despertar espiritual? Não, a sobriedade é somente um simples ponto de partida; ela é apenas a primeira bênção do primeiro despertar.
À medida que ele prosseguir, descobriremos que podemos nos livrar pouco a pouco da vida antiga – aquela que não funcionou – para encontrarmos uma vida nova que pode funcionar e funciona independentemente de quaisquer condições, não importam quais sejam.

A Busca: você deve estar perguntando a si mesmo, como todos devemos perguntar: “quem sou eu?”… “onde me encontro?”…”para onde vou?”… O processo de esclarecimento é quase sempre lento. No entanto, no final, nossa busca sempre leva a uma descoberta. Esses grandes mistérios estão, afinal de contas, ocultos em completa simplicidade.

Coincidência:

A fé em um Poder Superior a nós e as milagrosas demonstrações desse poder sobre as vidas humanas são fatos tão antigos quanto o próprio homem.

Um Poder Superior:

Nossos conceitos de um Poder Superior e de Deus, na forma em que o concebemos, permitem a todos uma opção quase ilimitada no que se refere à crença e a ação espiritual.

Processo Espiritual:

Não somos santos. O que importa é que estejamos dispostos a crescer espiritualmente. Os princípios que estabelecemos são diretrizes para o progresso. Procuramos o progresso espiritual e não a perfeição espiritual.

Nas Atividades:

O serviço prestado com prazer, as obrigações cumpridas com retidão, os problemas vem aceitos ou solucionados com a ajuda de Deus, o reconhecimento de que em casa ou fora dela somos parceiros em um esforço comum, o fato de que aos olhos de Deus todos os seres humanos são importantes, a prova de que nenhuma pompa e circunstância, e nenhum amontoado de posses materiais, poderiam possivelmente substituir.
Pensamentos do Bill
PENSAMENTOS DO BILL.

• A sobriedade é tudo que devemos esperar de um despertar espiritual? Não, sobriedade é apenas um simples começo.

• Nosso primeiro problema é aceitar nossas circunstâncias atuais como elas são, a nós mesmos como somos e as pessoas em torno de nós como elas são. Isto é adotar uma humildade realista sem a qual não se pode nem mesmo começar um avanço genuíno. Novamente precisamos voltar a este desagradável ponto de partida. Isto é um exercício de aceitação que podemos praticar com vantagens todos os dias de nossas vidas.
Desde que evitemos, arduamente, tornar este levantamento realista dos fatos da vida em desculpas irreais para a apatia e o derrotismo, eles podem ser o alicerce seguro sobre o qual podem ser construídos uma saúde emocional aumentada e, portanto, o progresso espiritual.

• O problema conosco, os alcoólicos, era este: exigíamos que o mundo nos desse felicidade e paz de espírito, porém, queríamos conseguí-los numa ordem especial: pela rota do álcool. E não tivemos sucesso. Mas, quando com o tempo descobrimos algumas das leis espirituais e nos familiarizamos com elas e as colocamos em prática, então conseguimos. Felicidade e paz de espírito… Parecem existir algumas regras que temos que seguir, mas felicidade e paz de espírito estão sempre ali, abertas e de graça para qualquer um.

• Mesmo então, ao irmos aparando nossas arestas, a paz e a alegria ainda irão os escapar. É este o estágio a que muitos de nós Alcoólicos Anônimos chegamos. E é um lugar crítico, literalmente. Como poderá o nosso inconsciente do qual ainda jorram tantos dos nossos medos, compulsões e falsas aspirações, ser levado a alinhar-se com o que nós realmente acreditamos, sabemos e queremos! De que maneira convencer nosso tolo, raivoso e oculto “Mr. Hyde” torna-se a nossa principal tarefa.

• Para o homem ou mulher intelectualmente auto-suficiente, muitos Alcoólicos Anônimos podem dizer: “sim, éramos como você – inteligentes demais para o nosso próprio bem… secretamente, achávamos que poderíamos flutuar acima dos outros, somente com o poder da inteligência.”
• No princípio, passaram-se 4 anos antes que Alcoólicos Anônimos conseguisse a sobriedade permanente, ainda que de uma única mulher. Do mesmo modo daqueles “que não atingiram o fundo do poço”, as mulheres diziam que eram diferentes; aquele que caía na sarjeta dizia que era diferente… O mesmo diziam os artistas, profissionais liberais, ricos, pobres, religiosos ou agnósticos, os índios e os esquimós, os veteranos e os prisioneiros… Hoje todos esses e muitos outros conversam sobriamente a respeito do quanto todos nós, alcoólicos somos iguais, quando finalmente admitimos que as coisas vão mal.

• De repente tornei-me uma parte – embora pequenina – de um cosmos.
Isso significa a crença num Criador que é todo poder, justiça e amor; um Deus que quer para mim um propósito, um significado e um destino para crescer, ainda… que aos poucos e com hesitação, em direção à Sua imagem e semelhança.

• Tal é o paradoxo da regeneração em Alcoólicos Anônimos: a força nascendo da fraqueza e da derrota completas, a perda de uma vida antiga como condição para encontrar uma nova.

• Tento convencer-me de que um coração pleno e agradecido não pode abrigar nenhum orgulho. Quando repleto de gratidão, o coração por cento só pode dar amor, a mais bela emoção que jamais podemos sentir.

• No sistema econômico de Deus, nada é desperdiçado. Através do fracasso, aprendemos uma lição de humildade que é provavelmente necessária, por mais dolorosa que seja.

• Alcoólicos Anônimos é uma história de sucesso no sentido comum da palavra. É a história do sofrimento transformado, pela Graça de Deus, em progresso espiritual.

• A essência de todo crescimento é uma disposição de mudar para melhor e uma disposição incansável de aceitar qualquer responsabilidade que implique essa mudança.

• Supõe-se que o homem pensa e age. Ele não foi criado à imagem de Deus para ser um autômato.

• Tento convencer-me de que um coração cheio e agradecido não pode abrigar nenhum orgulho. Quando cheio de gratidão, o coração por certo só pode dar amor, a mais bela emoção que jamais poderemos sentir.

• E, falando pelo Dr. Bob e por mim mesmo, declaro com gratidão que se não fossem nossas esposas, Anne e Louis, nenhum de nós poderia ter vivido para ver o começo de Alcoólicos Anônimos.

• … Não vamos supor nem mesmo por um instante que não estamos sob coação. Na verdade, estamos sob uma forte e enorme sujeição… Nosso tirano, o “Rei álcool”, está sempre pronto para nos agarrar. Portanto, a libertação do álcool é o grande “dever” que tem que ser alcançado, caso contrário, chegaremos à loucura ou à morte.

• A essência de todo crescimento é uma disposição de mudar para melhor e uma disposição incansável de aceitar qualquer responsabilidade que essa mudança implique.

• A auto-piedade é um dos Deus infelizes e desgastantes defeitos que conhecemos. É um entrave a todo progresso espiritual e pode interromper toda comunicação eficiente com nossos semelhantes, por causa de sua excessiva exigência de atenção e simpatia.
É uma forma piegas de martírio ao qual nos damos ao luxo, de maneira doentia.

• Esse negócio de guardar ressentimento é grave mesmo, pois daí nos afastamos da luz do espírito.

• A decepção dos outros está quase sempre enraizada na decepção de nós mesmos… Quando somos honestos com uma outra pessoa, vem confirmar que temos sido honestos conosco e com Deus.

• Nós, alcoólicos recuperados, não somos tão irmãos nas virtudes como somos em nossos defeitos e em nossas lutas comuns para vencê-los.

• Não penso que podemos fazer alguma coisa muito bem neste mundo, a não ser que nós a pratiquemos. E não acredito que nós façamos bem Alcoólicos Anônimos a não ser que pratiquemos.
Devemos praticar… Adquirir o espírito de serviço. Devemos tentar adquirir alguma fé, o que não é fácil fazer, especialmente para a pessoa que tem sido sempre muito materialista, seguindo o modelo da sociedade atual. Porém, penso que a fé pode ser adquirida; pode ser adquirida lentamente; ela precisa ser cultivada. Não foi fácil para mim e, suponho que é difícil para qualquer um…

• Tenho excelente razões para saber como os momentos de percepção podem construir uma vida inteira de serenidade espiritual. As raízes da realidade, suplantando as ervas daninhas neuróticas, vão promover uma base firme, apesar do furacão das forças que nos destruiriam ou que usaríamos para nos destruir.

• Seria falso orgulho acreditar-se que Alcoólicos Anônimos é um remédio para todos os males, mesmo para o alcoolismo.

• O alcoolismo significava solidão, embora estivéssemos cercados de pessoas que nos amavam… procuramos encontrar a segurança emocional dominando ou fazendo-nos dependentes dos outros… ainda procuramos inutilmente obter segurança, através de algum tipo de domínio ou dependência.

• Nos últimos estágios de nossa alcoolismo ativo, a vontade de resistir já não existe. Portanto, quando admitimos a derrota total e quando nos tornamos inteiramente dispostos a tentar os princípios de Alcoólicos Anônimos, nossa obsessão desaparece e entramos numa nova dimensão – a liberdade sob a vontade de Deus, como nós O conheçamos.

• Não acho que a felicidade ou a infelicidade seja o ponto principal. Como enfrentamos os problemas que chegam a nós?
Como aprendemos através deles, e transmitimos o que aprendemos aos outros, se é que querem aprender?

• Todo o progresso de Alcoólicos Anônimos pode ser expressado em apenas duas palavras: humildade e responsabilidade. todo o nosso desenvolvimento espiritual pode ser medido, com precisão, conforme nosso grau de adesão a esses magníficos padrões.

• Nosso crescimento espiritual e emocional em Alcoólicos Anônimos não depende tanto do sucesso, como de nossos fracassos e contratempos. Se você tiver isso em mente, acho que sua recaída terá o efeito de impulsioná-lo escada acima, ao invés de para baixo.

• Dia a dia tentamos nos aproximar um pouco da perfeição de Deus. assim sendo não precisamos ser consumidos por um tolo sentimento de culpa…

• A auto-análise é o meio pelo qual trazemos uma nova visão, ação e graça para influir no lado escuro e negativo de nosso ser. Com ela vem o desenvolvimento daquele tipo de humildade, que nos permite receber a ajuda de Deus… Descobrimos que pouco a pouco vamos nos despojando da vida antiga – a vida que não funcionou – por uma nova vida que pode e funciona sob quaisquer condições.

• Descobrimos que Deus não impõe condições árduas aos que o buscam. Para nós, o reino do espírito é amplo e espaçoso; não é privativo nem vedado aos que o busquem sinceramente. Acreditamos que ele esteja aberto para todos.

• Se os homens tivessem garantida liberdade absoluta e fossem obrigados a não obedecer a ninguém, eles então voluntariamente se associariam a um interesse comum…

• O problema de acabar com o medo apresenta dois aspectos.
Vamos ter que tentar nos libertar de todo o medo que for possível. Depois vamos precisar encontrar tanto a coragem como a Graça de lidar construtivamente com qualquer espécie de medo que ainda reste.

• A conquista da libertação do medo é uma tarefa para toda a vida, é algo que nunca pode ficar completamente concluído.
Ao sermos duramente atacados, estarmos gravemente enfermos ou em qualquer situação de séria insegurança, todos nós vamos reagir a essa emoção de alguma maneira – bem ou mal – conforme o caso se apresente. Somente os que enganam a si mesmos alegam que estão totalmente livres do medo.

• Isso me levou à boa e saudável conclusão de que havia muitas situações no mundo sobre as quais eu não tinha nenhum poder pessoal – e que, uma vez que eu estava tão pronto a admitir isso a respeito do álcool, devia admitir também em relação a muitas outras coisas. Tinha que ficar quieto e entender que Ele era Deus, não eu.

• Mas a confiança exige que sejamos cegos em relação aos motivos dos outros e ou até aos nossos? Absolutamente, isso seria loucura. Certamente deveríamos avaliar tanto a capacidade de fazer o bem nas pessoas em quem vamos confiar. Esse inventário particular pode revelar o grau de confiança que podemos depositar em qualquer situação que se apresente.

• Estamos apenas pondo em funcionamento um jardim de infância espiritual, no qual as pessoas ficam capacitadas a parar de beber e a encontrar a Graça de continuar vivendo bem.

• Minha estabilidade se originou em tentar doar, não em exigir que eu recebesse algo em troca.

• Talvez seja possível encontrar explicações das experiências espirituais igual às nossas. Mas tentei muitas vezes explicar a minha e só obtive bons resultados, ao narrá-la.
Conheço a sensação do que isto me deu e os resultados alcançados, mas compreendi que nunca entenderei completamente suas implicações mais profundas.

• Quando se desencadeou a Segunda guerra, nossa dependência em Alcoólicos Anônimos de um Poder Superior enfrentou o seu primeiro grande teste. Alcoólicos Anônimos alistaram-se e espalharam-se pelo mundo. Será que eles seriam capazes de obedecer às ordens, fazer face aos tiroteios e perseverar…?

• Se temos que receber outras dádivas, nosso despertar tem que continuar.
A disposição para crescer é a essência de todo desenvolvimento espiritual.

• Admitimos que não poderíamos vencer o álcool com os recursos que ainda nos restavam, e assim aceitamos o fato de que a dependência de um Poder Superior (mesmo que fosse só no grupo de Alcoólicos Anônimos) poderia resolver o caso até aqui insolúvel. No momento em que formos capazes de aceitar inteiramente esses fatos, iniciou-se nossa libertação da compulsão alcoólica.

• Quando cheio de gratidão, o coração por certo só pode dar amor. Vamos querer que o bem que está dentro de todos nós, mesmo os piores, cresça e floresça.
Sem unidade, o coração dos Alcoólicos Anônimos deixaria de bater…

• Mas, antes de mais nada, vamos querer a luz do sol. Pouca coisa pode crescer na escuridão. A meditação é nosso passo em direção do ao sol.

• Quase sem exceção, os alcoólicos são torturados pela solidão. Mesmo antes de nossas bebedeiras se tornarem graves e as pessoas começarem a se afastar de nós, quase todos sofremos a sensação de estar sós.

• Acredite mais profundamente: levante a cabeça para a luz, ainda que no momento você não possa ver.

• Em nível pessoal, o anonimato possibilita a proteção de todos os membros identificados como alcoólicos, uma segurança muitas vezes de especial importância para os recém-chegados. Em nível de imprensa, rádio, tv e filmes, o anonimato acentua igualdade de todos os membros na irmandade, freiando aqueles que, eventual, poderiam explorar sua filiação em Alcoólicos Anônimos para alcançar reconhecimento, poder ou benefício pessoal.

• Alcoólicos Anônimos é mais do que um conjunto de princípios, e uma sociedade de alcoólicos em ação. Precisamos levar a mensagem, caso contrário nós mesmos poderemos recair e aqueles a quem não foi dada a verdade podem perecer.

• Em Alcoólicos Anônimos não buscamos apenas a sobriedade. tentamos voltar a ser cidadãos do mundo que rejeitamos e que também nos rejeitou. Essa é a demonstração máxima de que o trabalho do décimos segundo passo é o primeiro e não o último.

• A idéia de viver um “plano de 24 horas” aplica-se primeiramente à vida emocional do indivíduo. Emocionalmente falando, não devemos viver no ontem nem no amanhã.
Só Por Hoje
Todos os dias repita para você mesmo: Só por hoje = Meus pensamentos estarão concentrados na minha recuperação, em viver e apreciar a vida sem drogas. Só por hoje = Em meus pensamentos terei fé em alguém de Alcoólicos Anônimos, que acredita em mim e quer ajudar minha recuperação. Só por hoje = Terei um programa. Tentarei segui-lo o melhor que puder. Só por hoje = Tentarei conseguir uma melhor perspectiva da minha vida através de Alcoólicos Anônimos. Só por hoje = Não terei medo, pensarei nos meus novos companheiros, pessoas que não estão usando drogas e que encontraram uma nova maneira de viver. Enquanto eu seguir este caminho, não terei nada a temer. Admitimos que nossas vidas têm sido incontroláveis, mas, às vezes, temos dificuldades em admitir que precisamos de ajuda. A nossa própria teimosia traz muitos problemas na nossa recuperação. Queremos e exigimos que as coisas corram sempre à nossa maneira. Deveríamos saber, pela nossa experiência passada, que a nossa maneira de fazer as coisas não funcionou. O principio da rendição diária ao nosso Poder Superior proporciona a ajuda de que precisamos. Quando nos recusamos a praticar a aceitação, estamos negando nossa fé. Viver só por hoje alivia a carga do passado e o medo do futuro. Aprendemos a tomaras atitudes necessárias, e a deixar os resultados nas mãos do nosso Poder Superior. Nós nos recuperamos numa atmosfera de aceitação e de respeito pelas crenças de cada um. Tentamos evitar o auto-engano da arrogância e da autojustificação. Os agnósticos e os ateus, muitas vezes, começam simplesmente falando com “o que quer que seja”, existe um espírito, ou energia, que pode ser sentido nas reuniões. Quando aceitamos que a nossa adicção causou o nosso próprio inferno e que existe um poder disponível para nos ajudar, começamos a fazer progressos na solução dos nossos problemas. Muitos de nós descobrimos que momentos de silêncio, reservados para nós mesmos, ajudam-nos a entrar em contato consciente com nosso Poder Superior. Tranqüilizando a mente, a meditação consegue nos trazer calma e serenidade. Algumas coisas temos que aceitar, outras podemos modificar. A sabedoria para perceber a diferença, vem com o crescimento do nosso programa espiritual. Se mantivermos diariamente a nossa condição espiritual, será mais fácil lidarmos com a dor e com a confusão. Esta é a estabilidade emocional de que tanto precisamos. Os três princípios básicos são: honestidade, mente aberta e boa vontade. É como o nosso programa funciona. A falta de qualquer um deles pode levar a recaída e fará a recuperação difícil e dolorosa, quando poderia ser simples. Aprendemos a pedir ajuda antes de tomarmos decisões difíceis. Eu não posso, nós podemos! Assim, a recuperação em Alcoólicos Anônimos vem de dentro e de fora de nós. MAIS SERÁ REVELADO. À medida que a nossa recuperação foi progredindo, nós nos tornamos, cada vez mais, conscientes de nós mesmos e do mundo à nossa volta. Nossas necessidades e vontades, nossas qualidades e deficiências foram-nos reveladas. Viemos a compreender que não tínhamos poder de modificar o mundo externo, que só podíamos modificar a nós mesmos. O que mais queremos é nos sentirmos bem conosco. Hoje, a recuperação é uma realidade, temos verdadeiros sentimentos de amor, alegria, esperança, tristeza, excitação. Não são os velhos sentimentos induzidos por drogas. Aprendemos a ser flexíveis e a admitir quando os outros estão certos, e nós errados. À medida que as coisas novas vão sendo reveladas, nós nos sentimos renovados. Experimentamos o fracasso e aprendemos ater sucesso. Cometemos erros, e aceitamos e com eles. Não importa o quão doloroso as tragédias da vida possam ser para nós, uma coisa é certa: não temos que usar aconteça o que acontecer; devemos estar preparados para aceitar que as realidades da vida não se vão só porque estamos limpos. Os membros mais novos são uma fonte constante de esperança, sempre nos lembrando que o programa funciona. Quando trabalhamos com os recém-chegados, temos a oportunidade de viver os conhecimentos que adquirimos, mantendo-nos limpos. Aprendemos a valorizar o respeito dos outros. Agrada-nos que as pessoas possam contar conosco. Pela primeira vez na vida, podemos ser solicitados para cargos de responsabilidades em organizações comunitárias fora de Alcoólicos Anônimos. Nossas opiniões são procuradas e respeitadas por não adictos em outras áreas distintas da adicção ou recuperação. Conseguimos apreciar nossas famílias de uma nova maneira e ser valiosas para eles, não mais um fardo ou embaraço. Hoje, eles podem se orgulhar de nós. É uma sensação boa sabermos que, além de sermos úteis aos outros como adictos em recuperação, também temos valor com, seres humanos. ORAÇÃO DA SERENIDADE. “Conceda-me Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar. Coragem! Para modificar aquelas que posso. E Sabedoria para distinguir uma das outras. Só por Hoje. Funciona!”
Substitua o vício por AA
UMA VISÃO DO INGRATO VÍCIO.
E A AJUDA DE (A A)

Para a maioria da gente normal a bebida significa o convívio, o companheirismo e uma imaginação colorida. Significa a liberação momentânea da ansiedade, do desgosto e da angústia. É a intimidade alegre com os amigos e o sentido de que a vida é boa. Mas não é assim conosco, nessas últimas etapas da carreira de alcoólatras. Os velhos prazeres sumiram. Nada mais são que reminiscências. Jamais poderíamos captar os grandes momentos do passado. Existia um desejo insistente de gozar a vida, como já a gozáramos, e uma angustiada obsessão de que algum novo controle milagroso nos permitisse fazê-lo. Sempre houve mais uma tentativa e mais um fracasso.
Quanto menos as pessoas nos toleravam, mais nos afastávamos da sociedade, da própria vida. Enquanto nos tornávamos súditos do rei álcool, criaturas trêmulas do seu reinado louco, pairava sobre nós aquele frio vapor que é a solidão. Tornava-se mais denso casa vez mais escuro. Alguns de nós procuramos lugares sórdidos, esperando sempre encontrar um ambiente de companheirismo e compreensão. Momentaneamente o encontrávamos, mas sobrevinha o vácuo e o terrível despertar, ao ter que encarar os quatro cavaleiros hediondos. O terror, a inquietação, a frustração, e o desespero. Os bebedores infelizes, lendo esta página, logo compreenderão o que queremos dizer-lhes.
Numa ou noutra ocasião, um bebedor sério, num momento de sobriedade dirá: “não me faz falta; sinto-me bem. Estou trabalhando melhor. Estou me divertindo mais.” Como ex-bebedores-problema, sorrimos ao ouvir tal declaração. Sabemos que nosso amigo é como um rapaz assobiando na escuridão para afugentar o medo. Engana-se a si mesmo. No íntimo, daria qualquer coisa para tomar meia dúzia de aperitivos, a fim de afastar seus problemas. Eventualmente, tentará de novo o velho jogo, pois não está contente com sua sobriedade. não concebe uma existência sem álcool. Algum dia não poderá conceber uma vida nem com nem sem álcool. Então conhecerá a solidão, como poucos a conhecem. Terá chegado ao ponto final. Desejará o fim.
Explicamos como saímos da escuridão. Você dirá: “sim, estou disposto. Mas terei de estar destinado a uma vida em que serei péssimo, grosseiro, enjoado e triste como algumas pessoas virtuosas que conheço? Sei que preciso passar sem a bebida, mas como? Será que vocês têm um substituto adequado?
Sim, há um substituto, e muito mais do que isso. É uma irmandade dentro de Alcoólicos Anônimos. Ali encontrará a libertação da ansiedade, do desgosto e da angústia. Acenderá sua imaginação. A vida, finalmente, terá sentido. Os anos mais satisfatórios de sua existência estão à sua frente. É o que achamos dessa irmandade, e o que você também achará.
Pergunta você: “como acontecerá isso? Onde encontrarei essa gente?”
Encontrará esses novos amigos na sua própria comunidade. Perto de você, alcoólatras estão morrendo sem ajuda, como pessoas num navio que se afunda. Se viver num lugar grande, haverá centenas. Altos e baixos, ricos e pobres, estes são os seus futuros companheiros de Alcoólicos Anônimos. Entre eles você fará amizades para toda vida. Estará ligado a eles por novos e maravilhosos, laços, pois fugirão do desastre juntos e começarão, ombro a ombro, sua jornada comum. Então saberá o que significa dar de si próprio para que outros possam sobreviver e redescobrir a vida. Aprenderá o sentido completo de “amor ao próximo como a si mesmo.”
Poderá parecer incrível que estes homens voltem a ser felizes, respeitados e úteis de novo. como podem levantar-se de tanta miséria, má fama e desespero? A resposta prática é que, uma vez que estas coisas já aconteceram conosco, podem acontecer também com você. Se as desejar acima de tudo, e se estiver disposto a aproveitar-se da nossa experiência, estamos certos de que acontecerão. A época dos milagres ainda persiste. Não própria recuperação o prova.
Doze Passos (guia de perguntas)
O propósito deste guia é servir aos membros de Alcoólicos Anônimos em qualquer momento da recuperação. o guia pretende beneficiar tanto os que praticam os passos pela primeira vez, quanto aqueles que já seguem sua orientação há muitos anos. Foi elaborado para ser útil aos recém-chegados e ajudar os membros mais experientes a desenvolverem uma compreensão mais profunda dos doze passos. À medida que Alcoólicos Anônimos cresce em números, diversidade, força e tempo limpo, precisamos de literatura que continue servindo aos seus propósitos, e que acompanhe o crescimento da irmandade.
A recuperação é encontrada, fundamentalmente, a partir da experiência pessoal de cada membro ao praticar os passos. Você poderá acrescentar, suprimir dados, ou utilizar este guia na forma como Está. A escolha é sua.

Lembre-se: em Alcoólicos Anônimos nada é imposto, tudo é sugerido.

PRIMEIRO PASSO.

1. O Que a doença da adicção representa para mim?

2. Minha doença tem estado ativa ultimamente? De que maneira?

3. Como me comporto, quando estou obsecado por algo? Os meus pensamentos seguem um padrão? Descreva.

4. Quando um pensamento passa pela minha cabeça, ajo sem considerar as conseqüências? De que outras maneiras me comporto compulsivamente?

5. Em que medida o aspecto egocêntrico da minha doença afeta a minha vida e a das outras pessoas ao meu redor?

6. Como a doença me afetou fisicamente? Mentalmente? Espiritualmente? Emocionalmente?

7. Dei desculpas plausíveis, minha inverídicas, sobre meu comportamento quais foram?

8. Tenho agido compulsivamente, levado uma obsessão, e depois fingindo que planejei agir dessa maneira? Quando?

9. Como tenho culpado outras pessoas pelo meu comportamento?

10. Como tenho comparado minha adicção com a adicção de outras pessoas? Minha adicção já é suficientemente ruim, mesmo que não a compare com a de ninguém?

11. Tenho comparado alguma manifestação atual da minha adicção com a maneira como minha vida era, antes de ficar limpo? Estou atormentado com a idéia de que deveria ter um comportamento melhor?

12. Acho que tenho informação suficiente sobre adicção e recuperação para controlar meu comportamento antes que ele me escape?

13. Estou evitando agir porque temo me envergonhar ao encarar os resultados da minha adicção? Estou evitando por medo do que os outros pensam?

14. Que tipo de crise me trouxe para a recuperação?

15. Que situação me fez trabalhar formalmente o primeiro passo?

16. Quando foi que reconheci pela primeira vez a adicção como problema? Tentei corrigi-lo? Se tentei como foi? Caso contrário, por que não tentei?

17. Perante o quê, exatamente, sou impotente?

18. Fiz coisas na minha adicção ativa que nunca teria feito em recuperação? que coisas foram essas?

19. O que fiz, para sustentar minha adicção, que foi completamente contra todas as minhas crenças e valores?

20. Como minha personalidade muda quando estou agindo movido pela minha adicção? (por exemplo: fico arrogante? Egocêntrico? Mal-humorado? Passivo, a ponto de ser incapaz de me preservar? Manipulador? Chorão?)

21. Manipulo os outros para manter minha adicção? como?

22. Tentei parar de usar e descobri que não conseguia? Já tentei parar por minha conta e descobri que a vida estava tão dolorosa sem drogas que a abstinência não durou muito tempo? Como foram essas tentativas?

23. De que forma a adicção me levou a machucar a mim e aos outros?

24. O que a perda de controle significa para mim?

25. Já fui preso ou tive problemas legais devido à minha adicção? já fiz alguma coisa pela qual pudesse ser preso? Que foi?

26. Que problema tive no trabalho ou escola devido minha adicção?

27. Que problema tive com minha família devido minha adicção?

28. Que problema tive com meus amigos devido minha adicção?

29. Insisto em fazer as coisas do meu jeito? Como minha resistência afeta meus relacionamentos?

30. Levo em consideração as necessidades dos outros? Como minha falta de consideração afeta meus relacionamentos?

31. Sou responsável pela minha vida e minhas ações? Sou capaz de dar conta das responsabilidades sem ficar sobrecarregado? Como isso tem afetado minha vida?

32. Desestruturo-me quando as coisas não acontecem de acordo com o planejado? Como isso afeta minha vida?

33. Lido com todo desafio como se fosse um insulto pessoal? Como isso tem afetado minha vida?

34. Estou sempre imaginando crises, reagindo a toda situação com pânico? Como isso afeta minha vida?

35. Ignoro sinais de que alguma coisa pode estar seriamente errada com minha saúde ou com meus filhos, pensando que as coisas vão se ajeitar? Descreva.

36. Diante de um perigo real, já fiquei indiferente ou de algum modo incapaz de me proteger por causa da minha adicção? Descreva.

37. Já prejudiquei alguém devido a minha adicção? Descreva.

38. Usei drogas ou agi com minha adicção para mudar ou reprimir meus sentimentos? O que estava tentando reprimir?

39. Aceitei completamente minha adicção?

40. Acredito que ainda possa me relacionar com as pessoas da minha ativa? Ainda posso ir aos lugares da ativa? Penso que é razoável manter perto de mim objetos de uso, só para “me lembrar”, ou para testar minha recuperação? em caso afirmativo, por quê?

41. Existe alguma situação que, na minha opinião, não vou conseguir superar limpo, alguns acontecimento tão doloroso que me leve a usar para sobreviver à dor?

42. Penso que, com algum tempo limpo, ou em circunstâncias de vida diferentes, eu seria capaz de controlar meu uso de drogas?

43. A que reservas ainda estou me apegando?

44. Qual é meu temor quanto ao conceito da rendição, se é que tenho?

45. O que me convence de que não consigo mais usar satisfatoriamente?

46. Consigo aceitar que nunca irei retomar o controle, mesmo depois de um longo período de abstinência ?

47. Posso começar minha recuperação sem uma rendição completa?

48. Como seria minha vida se eu me rendesse completamente?

49. Posso continuar minha recuperação sem uma rendição completa?

50. Tenho pensado em usar, ou tenho agido movido pela minha adicção de alguma forma? Partilhei isso com meu padrinho ou alguém?

51. Tenho estado em contato com a realidade da minha adicção, não importando há quanto tempo esteja limpo?

52. Percebi que, sem a necessidade de esconder minha adicção, não preciso mais mentir como antes? Valorizo a liberdade que isso traz? De que formas comecei a ser honesto com a minha recuperação?

53. O que é dito em recuperação e me é difícil acreditar? Pedi explicação ao meu padrinho ou madrinha ou à pessoa que o disse?

54. De que formas estou afetado praticando o princípio da mente aberta?

55. Estou disposto a seguir as sugestões do meu padrinho?

56. Estou disposto a ir a reuniões regularmente?

57. Estou disposto a dar o melhor de mim pela minha recuperação? como?

58. Como me sinto quando vejo que o melhor de mim, poderia ser melhorado um pouquinho mais?

59. Acredito que sou um monstro que envenenou o mundo inteiro com a sua adicção? acredito que minha adicção é totalmente inofensiva para grande parte da sociedade à minha volta? Ou é alguma coisa intermediária?

60. Tenho noção do meu grau de importância para minha família e meus amigos? E na sociedade como um todo? Que noção é essa?

61. Como estou praticando o princípio da humildade em relação ao trabalho do primeiro passo?

62. Fiz as pazes com o fato de ser um adicto?

63. Fiz as pazes com as coisas que precisarei fazer para ficar limpo?

64. Como a aceitação da minha adicção é necessária para a continuidade da minha adicção?

65. Como sei que é hora de seguir em frente?

66. Qual é minha compreensão do primeiro passo?

67. Como meu conhecimento e experiência anteriores afetaram meu trabalho com este passo?

SEGUNDO PASSO.

1. Em que tenho esperança hoje?

2. Acreditei que poderia controlar meu uso? Quais foram algumas das minhas experiências com isso, e de que maneira meus esforços foram malsucedidos?

3. Que coisas fiz que mal posso acreditar quando olho para trás? Coloquei-me em situações de perigo para conseguir drogas? Comportei-me de uma maneira da qual agora me envergonho? Como foram essas situações?

4. Tomei decisões insanas como conseqüência da minha adicção? abandonei empregos, amizades e outros relacionamentos, ou desisti de atingir outras metas, apenas porque interferiam com meu uso?

5. Alguma vez me machuquei fisicamente ou machuquei a outra pessoa devido a minha adicção?

6. Como eu reagia: de forma exagerada ou apática diante das coisas?

7. Como tem sido o desequilíbrio de minha vida?

8. De que maneiras minha insanidade diz que as coisas externas podem me preencher ou resolver todos os meus problemas? Usando drogas? Jogando compulsivamente, comendo ou buscando sexo? Alguma outra coisa?

9. Faz parte da minha insanidade acreditar que o sintoma da minha adicção (usar drogas ou outra manifestação) é meu único problema?

10. Quando agimos movidos por uma obsessão, mesmo sabendo quais seriam os resultados, o que pensamos e sentimos antes? O que nos fez continuar?

11. Tenho medo de vir a acreditar? Quais são os meus medos?

12. Tenho quaisquer outras barreiras que me impeçam de vir a acreditar? Quais são elas?

13. O que significa para mim a expressão: “viemos a acreditar…?

14. Já acreditei em algo do qual não tinha qualquer tipo de evidência tangível? Como foi a experiência?

15. Que experiências já ouvi outros adictos partilharem sobre o processo de acreditar? Já experimentei alguma delas na minha vida?

16. Em que eu acredito?

17. De que forma minha fé cresceu desde que entrei em recuperação?

18. Tenho dificuldade para aceitar que existia um Poder, ou Poderes maiores do que eu?

19. Cite algumas coisas maiores que você.

20. Um Poder Maior do que eu pode me ajudar a ficar limpo? Como?

21. Um Poder Maior do que eu pode me ajudar na minha recuperação? como?

22. Que provas tenho de que um Poder Superior está operando na minha vida?

23. Quais são as características que meu Poder Superior não tem?

24. Quais são as características que meu Poder Superior tem?

25. Que coisas eu considero como sendo exemplos de sanidade?

26. Que mudanças no meu comportamento e na minha maneira de pensar são necessárias para me devolver à sanidade?

27. Em que áreas da minha vida preciso ter sanidade agora?

28. Como o caminho para a sanidade é um processo?

29. Como o trabalho com os outros passos irá ajudar no meu retorno à sanidade?

30. De que maneira a sanidade já foi restaurada na minha adicção?

31. Minhas expectativas realistas sobre o meu processo de recuperação estão sendo atingidos ou não? Compreendo que a recuperação acontece com o tempo e não da noite podia?

32. Por que ter a mente fechada é prejudicial para minha adicção?

33. Como estou demonstrando mente aberta na minha vida hoje?

34. De que forma minha vida mudou desde que entrei em recuperação? acredito que mais mudanças serão possíveis?

35. O que estou pronto a fazer para ser devolvido á sanidade?

36. Existe algo que eu esteja disposto a fazer agora, e que antes não estava? O que é?

37. Que atitudes tenho tido, que demonstram minha fé?

38. De que forma minha fé tem crescido?

39. Sou capaz de fazer planos, tendo fé que minha adicção não irá interferir?

40. Que medos tenho e que, estão interferindo na minha fé?

41. O que necessito fazer para me livrar desses medos?

42. Quais as minhas ações que demonstram minha fé no processo de recuperação e num Poder Maior que eu?

43. Procurei a ajuda do meu Poder Superior hoje? Como e porque?

44. Busquei ajuda do meu padrinho, fui ás reuniões e procurei por outros adictos em recuperação? quais foram os resultados?

45. Que atitudes posso tomar que irão me ajudar ao longo do processo de vir a acreditar?

46. O que estou fazendo para superar as expectativas irreais que possa ter quanto a ser devolvido pelo meu Poder Superior à sanidade?

47. Qual é minha compreensão do segundo passo?

48. De que forma o meu conhecimento e experiências anteriores afetaram meu trabalho?

TERCEIRO PASSO.

1. Por que tomar uma decisão é o trabalho principal desse passo?

2. Posso tomar essa decisão só por hoje? Tenho medo dela, ou reservas a seus respeito? Quais são?

3. Que atitudes tomei para dar seqüência à minha decisão?

4. Quais áreas da minha vida são difíceis de entregar ao Poder Superior? Final porque é importante que eu as entregue?

5. De que forma agi por vontade própria? Quais meus motivos?

6. Como minha vontade própria afetou minha vida?

7. Como minha vontade própria afetou os outros?

8. Perseguir minhas metas machucará alguém? Como?

9. Na busca do que quero, é provável que acabe fazendo algo que afete negativamente a mim e aos outros? Por favor explique.

10. Terei que comprometer alguns dos meus princípios para atingir essa meta? (por exemplo: terei de ser desonesto, cruel, desleal?

11. Descrever as vezes em que minha vontade não foi suficiente. (por exemplo: eu não pude ficar limpo pela minha própria vontade).

12. Qual é a diferença entre a minha vontade e a vontade do Poder Superior?

13. A palavra ou o próprio conceito de “Deus” me traz desconforto? Qual é a fonte do meu desconforto?

14. Alguma vez acreditei que Deus fez acontecer coisas horríveis, o que estava me punindo? Quais foram as situações?

15. Qual é minha compreensão de um Poder Superior do que eu mesmo, hoje?

16. De que forma meu Poder Superior está atuando na minha vida?

17. Como meu Poder Superior é capaz de se comunicar comigo?

18. Como eu atualmente sou capaz de me comunicar com meu Poder Superior?

19. Quais são meus sentimentos em relação ao meu Poder Superior?

20. Estou tendo dificuldade em relação à mudança de crença sobre a natureza do meu Poder Superior? Descreva.

21. Minha concepção atual do Poder Superior ainda funciona? Como ela precisaria ser mudada?

22. O que significa para mim “aos cuidados do Poder Superior?”

23. O que significa para mim entregar minha vontade e minha vida aos cuidados do meu Poder Superior?

24. Como eu permito que meu Poder Superior aja na minha vida?

25. Como meu Poder Superior cuida da minha vontade e da minha vida?

26. Houve momentos em que não fui capaz de abrir mão e confiar a Deus o resultado de uma situação específica? Descreva.

27. Houve situações nas quais eu fui capaz de abrir mão e confiar a Deus o resultado de uma situação específica? Descreva.

28. Houve situações nas quais eu fui capaz de abrir mão e confiar a Deus o resultado? Descreva.

29. Como eu ajo para entregar? Existem palavras que eu digo regularmente? Quais são elas?

30. O que estou fazendo para reforçar a decisão de permitir que meu Poder Superior tome conta da minha vontade e da minha vida?

31. Em que medida o terceiro passo me permite continuar o processo de rendição que eu desenvolvi nos passos um e dois?

32. Como a esperança, fé e confiança se tornaram forças positivas na minha vida?

33. Que mais posso fazer para aplicar os princípios da esperança, fé e confiança na minha recuperação?

34. Que provas tenho de que posso confiar plenamente na minha recuperação?

35. O que venho fazendo recentemente para demonstrar meu comprometimento com a recuperação e com o trabalho no programa? (por exemplo: encargo no Alcoólicos Anônimos? Apadrinhar um adicto? Ir à reuniões? Trabalho com meu padrinho quando ele me fala coisas que não queria ouvir? Sigo a orientação do padrinho?

36. Existe alguma reserva na minha decisão de entregar a minha vontade e a minha vida aos cuidados do Poder Superior?

37. Sinto que agora estou pronto para entregar essas vontades e minha vida ao Poder Superior?

38. De que forma a minha rendição, no primeiro passo, me ajudou no terceiro?

39. O que pretendo fazer para pôr em prática a minha decisão? Como o trabalho dos passos restantes se encaixa nisto?

QUARTO PASSO.

1. Tenho quaisquer reservas quanto a trabalhar esse passo? Quais?

2. Quais os benefícios que poderei obter, ao fazer o inventário moral destemido e minucioso de mim mesmo?

3. Por que eu não deveria adiar o momento de trabalhar este passo?

4. Quais são os benefícios de não adiar?

5. Estou com medo de trabalhar este passo? Qual é o meu receio?

6. O que significa, para mim, ser profundo e destemido?

7. Estou trabalhando com meu padrinho e falando com outros adictos? O que mais estou fazendo para ter certeza de que conseguirei lidar com tudo aquilo que for revelado neste inventário?

8. Sinto-me incomodado com a palavra “moral”? Se sim por quê? Se não por quê?

9. Sinto-me incomodado com as expectativas da sociedade, e com medo de não conseguir, não poder e jamais ser capaz de me ajustar a elas?

10. Que valores e princípios são importantes para mim e minha recuperação?

11. Em que medida a minha decisão de trabalhar o quarto passo é uma demonstração de coragem? De confiança? De fé? De honestidade? De boa vontade?

12. Sinto ressentimentos em relação às pessoas? Explique as situações que o conduziram ao ressentimento.
13. Sinto ressentimentos em relação a que instituições? Explique.

14. Qual foi a motivação ou crença que me levou a agir de tal forma nessas situações?

15. Como minha incapacidade ou falta de vontade para experimentar determinados sentimentos me levou a desenvolver ressentimentos?

16. Como meu comportamento contribui para meus ressentimentos?

17. Tenho medo de reconhecer minha participação nas situações que causaram meus ressentimentos? Por quê?

18. Como meus ressentimentos afetaram minhas relações comigo mesmo, com os outros e com o meu Poder Superior?

19. Que motivos repetidos observo nos meus ressentimentos?

20. Como eu identifico meus sentimentos?

21. Quais são os sentimentos que tenho mais dificuldade de experimentar?

22. Por que tentei esconder meus sentimentos?

23. De que forma tentei negar como realmente me sentia?

24. Quem ou o que provocou determinado sentimento? Que sentimento foi esse? Quais foram as situações? Qual foi meu papel em cada situação?

25. O que faço com meus sentimentos, uma vez identificados?

26. Em relação a quem o por que me sinto culpado ou envergonhado?

27. Quais dessas situações me causaram vergonha. Embora eu não fosse responsável por criá-las?

28. Nas situações causadas por mim, qual foi a motivação ou crença que me levou a agir assim?

29. Como o meu comportamento contribui para minha culpa e vergonha?

30. De que ou de quem tenho medo? Por quê?

31. O que tenho feito para esconder meu medo?

32. Como tenho reagido negativamente ou destrutivamente ao medo?

33. O que mais receio olhar ou revelar sobre mim mesmo? O que acho que irá acontecer se eu o disser?

34. Tenho enganado a mim mesmo devido ao meu medo? Como?

35. Que conflitos na minha personalidade dificultam manter amizades e/ou relações afetivas?

36. Como meu medo de ser ferido afetou minhas amizades e relações afetivas?

37. Como sacrifiquei amizades platônicas em favor das românticas?

38. Nas minhas relações com familiares, sinto-me, às vezes, como se estivéssemos presos na repetição dos mesmos padrões, sem qualquer esperança de mudar? Que padrões são esses? Qual é meu papel em perpetuá-los?
39. Como tenho evitado a intimidade com amigos, companheiros ou cônjuges e familiares?

40. Tenho tido problemas em assumir compromissos? Descreva.

41. Alguma vez já destrui relacionamentos por acreditar que ia ser ferido de alguma forma e, portanto, saí da situação antes que isso viesse a acontecer? Descreva.

42. Até que ponto levo em consideração os sentimentos dos outros nas minhas relações? No mesmo plano que os meus? Considero-os mais importantes do que os meus? Menos? Ou nem penso neles?

43. Já me senti vítima em alguma das minhas relações? Exemplifique.

44. Como tem sido minhas relações com vizinhos? Noto alguns padrões permanentes, independentemente dos lugares onde morei?

45. Como me sinto em relação às pessoas com quem e por quem trabalhei? Como meus pensamentos, crenças e comportamentos me causaram problemas no meu trabalho?

46. Como me sinto em relação às pessoas com quem estudei?

47. Alguma vez pertenci a clubes ou sociedades organizadas? (dia Alcoólicos Anônimos é uma sociedade organizada) como me sentia em relação às outras pessoas? Fiz amigos? Quais minhas expectativas? Desisti após algum tempo? Por quê? Qual meu papel nelas?

48. Antigas experiências envolvendo confiança e intimidade me magoaram eme levaram ao afastamento? Descreva.

49. Alguma vez fui internado? Que efeito teve na minha personalidade?

50. Alguma vez terminei um relacionamento, mesmo quando havia potencial para resolver os conflitos e lidar com os problemas? Por quê?

51. Eu me modificava, de acordo com quem estivesse à minha volta?

52. Já descobri coisas sobre minha personalidade das quais não gostava e, depois, agi para compensar exageradamente esse comportamento?

53. Quais defeitos de caráter estão em evidência nas minhas relações?

54. Como posso modificar meu comportamento, para começar a ter relações saudáveis?

55. Tenho desenvolvido algum tipo de relação com um Poder Superior? Como isso foi mudando ao longo de minha vida? Que espécie de relacionamento tenho agora com o meu Poder Superior?

56. Como meu comportamento sexual se baseava no egoísmo?

57. Tenho confundido sexo com mor? O que resultou dessa confusão?

58. Como tenho usado o sexo para tentar evitar a solidão ou preencher um vazio espiritual?

59. De que forma procurei ou evitei o sexo, compulsivamente?

60. Houve alguma prática sexual que me deixou envergonhado ou com sentimento de culpa? Qual? Por que me senti assim?

61. Alguma de minhas práticas sexuais machucou a mim mesmo e a outros?

62. Sinto-me à vontade com minha sexualidade? Por que sim ou não?

63. Sinto-me à vontade com a sexualidade dos outros? Por que sim ou não?

64. O sexo constitui um pré requisito em todas ou na maioria das minhas relações?

65. O que significa, para mim, agora, uma relação saudável?

66. Houve algo contra mim? (exemplo: uma situação de abuso sexual). Descreva.

67. Houve algo que fiz contra alguém nessa área? Descreva.

68. Que qualidades tenho, das quais gosto? Do que os outros gostam? Quais qualidades me são úteis?

69. De que forma tenho demonstrado consideração por mim mesmo e pelos outros?

70. Que princípios espirituais estou praticando? Como isso modifica minha vida?

71. Como minha fé e confiança no Poder Superior têm crescido?
72. Em que se baseia minha relação com meu padrinho? Como vejo essa experiência positiva se refletir em outras relações?

73. Que objetivos alcancei? Tenho agido para atingir outras metas? Quais são e como estou agindo?

74. Quais são meus valores? Quais me comprometi a seguir e como?

75. Como estou demonstrando minha gratidão pela recuperação?

76. Há segredos sobre os quais não tenha ainda descrito? Quais?

77. Há alguma coisa neste inventário que não seja real, ou quaisquer histórias que eu tenha contado inúmeras vezes, mas que não é verdade?

QUINTO PASSO.

1. Que reservas tenho para trabalhar o quinto passo?

2. Tenho alguns medos neste momento? Quais são?

3. O que estou fazendo para superar meus medos de fazer o quinto passo?

4. De que forma o trabalho dos primeiros quatro passos, me preparou para trabalhar o quinto?

5. De que maneira vou incluir Deus da minha compreensão no quinto passo?

6. De que forma minha decisão do terceiro passo é reafirmada no quinto passo?

7. Posso reconhecer e aceitar a natureza exata das minhas falhas?

8. De que forma minha decisão do terceiro passo é reafirmada no quinto passo?

9. Que qualidades meu ouvinte tem, que são atraentes para mim?

10. De que maneira o fato desta pessoa possuir estas qualidades me ajudará a fazer minhas admissões mais efetivamente?

11. Estarei pronto para confiar na pessoa que ouvirá meu quarto passo?

12. O que espero desta pessoa?

13. De que forma o quinto passo me ajudará a desenvolver novas formas de me relacionar?

14. De que forma a natureza exata das minhas falhas difere das minhas ações?

15. Por que eu preciso admitir a natureza exata das minhas falhas, e não apenas as falhas?

16. Acredito que o quinto passo, de alguma maneira, vá tornar minha vida melhor? como?

17. Quais sem as maneiras de encontrar a coragem de que preciso para trabalhar este passo?

18. De que forma a prática do principio da coragem, ao trabalhar este passo, afetará toda a minha recuperação?

19. Já marquei uma data e lugar para meu quinto passo? Quando e onde?

20. De que forma, no passado, evitei ser honesto comigo? O que estou fazendo agora para colocar o princípio da honestidade em prática?

21. De que forma uma visão mais realista de mim mesmo está relacionada com a humildade?

22. Como a prática do princípios da honestidade ajuda minha auto-aceitação?

23. De que maneira partilhar meu inventário com meu padrinho reforça meu compromisso com o programa de Alcoólicos Anônimos.

24. De que forma o quinto passo aumentou minha humildade e auto-aceitação?

SEXTO PASSO.

1. Existem partes em mim de que gosto, mas que poder ser “defeitos”? tenho medo de me transformar em alguém de quem não gosto, se essas partes do meu caráter foram removidas?

2. O que eu penso que será removido?

3. Ainda acredito no processo de recuperação? acredito que possa mudar? Em que mudei? Com quais defeitos não preciso mais lidar?

4. Tenho defeitos que acho que não podem ser removidos? Quais? Por quê?

5. De que maneira tenho tentado remover ou controlar meus próprios defeitos de caráter? Qual foi o resultado dessas tentativas?

6. Qual é a diferença entre estar totalmente pronto para deixar que Deus remova meus defeitos de caráter e eliminá-los eu mesmo?

7. De que maneira estou aumentando minha confiança no Deus da minha compreensão, ao trabalhar este passo?

8. Em que medida a minha rendição se aprofundou neste passo?

9. O que posso fazer para mostrar que estou inteiramente pronto?

10. Liste cada defeito e dê uma breve definição de cada um.

11. De que forma eu ajo motivado por este defeito?

12. Quando eu ajo motivado por este defeito, qual é a conseqüência sobre mim e os outros?

13. Que sentimentos associo a este defeito? Estou tentando suprimir sentimentos, movido por determinados defeitos?

14. Como seria minha vida sem este comportamento? Qual o princípio espiritual que posso aplicar no seu lugar?

15. Como estou demonstrando, hoje, o meu compromisso com a recuperação?

16. Trabalhando os primeiros cinco passos, tenho perseverado na minha recuperação? por que esta qualidade é tão vital para o sexto passo?

17. Estou disposto a ter todos os meus defeitos de caráter removidos neste momento? Caso contrário, por que não?

18. O que fiz hoje para mostrar boa vontade?

19. Até que ponto tenho medo do que me tornarei? Ele diminuiu desde que comecei a trabalhar este passo?

20. De que maneira estou aumentando minha confiança no Deus da minha compreensão, ao trabalhar este passo?

21. Eu me aceito hoje? O que gosto em mim? O que mudou, desde que estou trabalhando os passos?

22. O que me imagino fazendo com as qualidades que gostaria de obter? O que farei com a minha profissão? E com o meu tempo livre? Que tipo de pai, filho, parceiro ou amigo eu vou ser? Seja específico.

SÉTIMO PASSO.

1. Que atitudes minhas já mudaram desde que estou em recuperação?

2. De que maneira a humildade influi na minha recuperação?

3. De que maneira a consciência da minha própria humildade me ajuda a trabalhar este passo?

4. De que forma aumentou a minha compreensão do Poder Superior, com os passos anteriores? Como se desenvolveu o meu relacionamento com esse Poder?

5. De que forma meu trabalho nos passos anteriores me preparou para trabalhar o passo sete?

6. Como pedirei ao Poder Superior que remova meus defeitos de caráter?

7. É possível que outros adictos em recuperação me ajudem a descobrir de que forma irei fazer esse pedido? Solicitei a eles que partilhassem comigo sua experiência, força e esperança? Pedi orientação ao meu padrinho?

8. De que forma o princípio espiritual da rendição atua de modo a deixar que o Poder Superior trabalhe nas nossas vidas?

9. Quais podem ser os benefícios de permitir que o Poder Superior influa na minha vida?

10. Como me sinto, sabendo que o Poder Superior está cuidando de mim, e atuando na minha vida?

11. Aceitei minha impotência diante dos meus defeitos de caráter, tanto quanto minha adicção? fale sobre isso.

12. De que maneira minha rendição se aprofundou?

13. Acredito que meu Poder Superior irá remover meus defeitos de caráter ou me concederá a libertação da compulsão de agir em função deles?

14. De que maneira minha fé no Poder Superior se fortalecerá como resultado do trabalho deste passo?

15. Onde tive oportunidades para crescer ultimamente? Que fiz delas?

16. Acredito que somente o meu Poder Superior poderá remover meus defeitos de caráter? Ou tenho tentado fazer isso por mim mesmo?

17. Tenho ficado impaciente, porque meus defeitos de caráter não foram removidos imediatamente, assim que pedi? Ou confio que eles serão removidos por Deus, no seu devido tempo?

18. Ultimamente, meu senso de perspectiva esteve em desequilíbrio? Comecei a pensar em mim mesmo como sendo mais importante ou mais poderoso do que realmente sou?

19. Houve momentos em que soube evitar agir em função de um defeitos de caráter e, em vez disso, praticar um princípio espiritual? Reconheço isso como sendo o trabalho de Deus na minha vida?

20. Quais defeitos de caráter foram removidos da minha vida, ou cujo poder sobre mim foi atenuado?

21. Por que o sétimo passo produz um sentimento de serenidade?

OITAVO PASSO.

1. Estou hesitando, de alguma forma, em trabalhar o oitavo passo? Por quê?

2. Percebo a necessidade de ir com calma e consultar meu padrinho, antes de fazer reparações? Em alguma situação, causei um dano maior, por me apressar a fazer reparações antes de estar pronto? Que situação foi esta?

3. Fazer uma lista dos ressentimentos que atrapalham minha disposição de fazer reparações.

4. Posso abrir mão desses ressentimentos agora? Se não, posso ter boa vontade suficiente para acrescentar esses nomes à minha lista, de qualquer maneira, e deixar para me preocupar com as reparações depois?

5. Existe alguma pessoa a quem eu deva reparações e que possa ser uma ameaça à minha segurança, ou que me preocupe verdadeiramente? Quais são os meus medos?

6. Fazer uma lista das pessoas que prejudicamos e como as prejudicamos.

7. Fazer a lista dessas pessoas incluindo amaneira específica como prejudiquei a cada uma delas.

8. Por que apenas dizer “me desculpe” não é suficiente para reparar o dano que causei?

9. Por que apenas modificar meu comportamento não é suficiente para reparar o dano que causei?

10. Há reparações financeiras que não quero fazer? Como seria minha vida se eu já tivesse feito essas reparações?

11. Devo reparações a pessoas que também me prejudicaram? O que fiz para me dispor a fazer estas reparações?

12. De que maneira de terminar a natureza exata de minhas falhas é algo valioso no oitavo passo? Por que é tão essencial que eu tenha clareza sobre a minha responsabilidade?

13. Que exemplos tenho de minha experiência com a honestidade, nos passos anteriores? Como aproveitarei essa experiência neste passo?

14. Que exemplo tenho da minha experiência com a coragem, nos passos anteriores? Como aproveitarei essa experiência neste passo?

15. Existem nomes que não acrescentei à minha lista? Estou disposto a acrescentá-los agora? Já terminei minha lista?

16. O que fiz para aumentar minha boa vontade?

17. Como me sinto, tendo que rezar para conseguir boa vontade?

18. Estou começando a me sentir em contato com os outros? Descreva.

19. Estou começando a sentir compaixão e empatia pelos outros? Descreva.

NONO PASSO.

1. De que forma o trabalho com os oito passos anteriores me preparou para o nono?

2. Como a honestidade ajuda no trabalho deste passo?

3. Como a humildade ajuda no trabalho deste passo?

4. O que significa fazer reparações?

5. Por que fazer reparações significa mais do que pedir “desculpas”?

6. Como fazer as reparações?

7. Como fazer das reparações um compromisso com o processo contínuo de mudança?

8. Minha lista realmente está completa? Reflita ao responder.

9. O que temo quanto a fazer reparações? Estou preocupado que alguém venha a se vingar de mim ou me rejeitar?

10. Em que medida o nono passo requer um novo nível de rendições ao programa?

11. E as reparações financeiras? Tenho fé de que o Poder Superior garantirá que eu tenha o que preciso, ainda que esteja me sacrificando para fazer reparações?

12. Que outros medos e expectativas tenho sobre minhas reparações?

13. Por que não importa a forma como minhas reparações serão recebidas? O que isso tem a ver com o propósito espiritual do nono passo?

14. Como posso utilizar outros adictos, meu padrinho, e meu Poder Superior como fontes de força, neste processo?

15. Que nomes da minha lista do oitavo passo estão relacionados a complicações, como as citadas acima? Que circunstâncias específicas foram essas?

16. Devo reparações que poderiam trazer sérias conseqüências? Quais são elas?

17. Devo reparações a alguém que esteja morto? O que essa pessoa tinha de especial, que eu poderia usar ao planejar minhas reparações?

18. Que comportamentos preciso reparar?

19. Estou espiritualmente preparado para fazer reparações difíceis, e lidar com os resultados?

20. O que fiz para me preparar?

21. Devo reparações a pessoas que também me magoaram?

22. Perdoei todas essas pessoas? Quais delas eu ainda não perdoei? Tentei, de todas as formas mencionadas acima, desenvolver o espírito do perdão? O que meu padrinho diz sobre isso?

23. Há reparações que tenho dificuldade de continuar? O que estou fazendo para retornar meu compromisso com essas reparações?

24. Quais os meus planos imediatos para fazer reparações a mim mesmo? Tenho metas abrangentes, que possam se encaixar nas reparações a mim mesmo? Quais? O que posso fazer para continuar?

25. Responsabilizei-me pelo dano que causei e pela reparação desse dano?

26. Que experiências pessoais me ajudaram a enxergar mais claramente os prejuízos que causei? Como isso contribui para aumentar minha humildade?

27. Como estou me doando, ou sendo útil aos outros?

28. Que benefícios obtenho, praticando o princípio do perdão? Em quais situações me foi possível praticar esse princípio?

29. De que eu me perdoei?

30. Como me senti ao fazer essas reparações? O que aprendi com elas?

DÉCIMO PASSO.

1. Por que o décimo passo é necessário?

2. Qual é o propósito de continuar a fazer um inventário?

3. Como meu padrinho pode me ajudar?

4. Há momentos, na vida, em que fico confuso com a diferença entre meus sentimentos sem ações? Desenvolva isso.

5. Houve momentos, em que minha recuperação, em que estava errado e só me dei conta mais tarde? Quais?

6. Como meus erros afetam minha própria vida? E a dos outros?

7. Quando estamos errados, nós o admitimos prontamente – o que isso significa para mim?

8. Houve momentos, em minha recuperação, em que piorei a situação, falando precipitadamente ou culpando outra pessoa pelo meu comportamento? Quais foram?

9. Como a pronta admissão de meus erros ajuda a modificar meu comportamento?

10. Houve situações, em minha recuperação, nas quais me senti desconfortável por reconhecer algo que fiz certo? Descrever.

11. Por que é impossível continuar a fazer o inventário pessoal, até que se torne uma segunda natureza?

12. Reafirmei, hoje, minha fé num Deus amoroso e cuidadoso?

13. Procurei, hoje, a orientação de meu Poder Superior? Como?

14. O que fiz para servir ao Poder Superior e às pessoas a minha volta?

15. O Poder Superior me deu, hoje, alguma coisa pela qual deva ser grato?

16. Acredito que meu Poder Superior pode me mostrar como viver e como me harmonizar ca sua vontade?

17. Percebo alguns “velhos padrões” em minha vida de hoje? Quais?

18. Fui ressentido, egoísta, desonesto ou medroso?

19. Eu contribuí de alguma forma para sofrer decepções?

20. Fui amoroso e gentil com todos?

21. Tenho me preocupado com o ontem ou o amanhã?

22. Permiti-me ficar obsecado por algo?

23. Tenho me permitido ficar com fome, raiva, solidão ou cansaço?

24. Estou me levando muito a sério em alguma área da minha vida?

25. Sofro de algum problema físico, mental ou espiritual?

26. Evitei conversar sobre algo que deveria com meu padrinho?

27. Tive algum sentimento radical hoje? Qual foi e por quê?

28. Quais são as áreas problemáticas em minha vida, hoje?

29. Quais os defeitos que influíram na minha vida hoje? Como?

30. Tive medo em minha vida, hoje?

31. O que fiz, hoje, que gostaria de não ter feito?

32. O que não fiz, hoje, que gostaria de ter feito?

33. Desejo mudar?

34. Houve conflito em algum dos meus relacionamentos hoje? Qual?

35. Estou mantendo minha integridade pessoal em meus relacionamentos?

36. Prejudiquei a mim o a alguém, direta ou indiretamente, hoje? Como?

37. Devo desculpas ou reparações?

38. Onde estive errado? Se pudesse fazer de novo, o que faria diferente? Como fazer melhor, da próxima vez?

39. Fiquei limpo, hoje?

40. Fui bom para mim, hoje?

41. Quais os sentimentos que tive, hoje? Como os usei para escolher atitudes centradas nos princípios?

42. O que fiz para servir aos outros, hoje?

43. O que fiz, hoje, que traz um sentimento positivo?

44. Dei-me algum motivo de satisfação hoje?

45. O que fiz, hoje, que tenho certeza de querer repetir?

46. Fui a uma reunião ou falei com outro adicto em recuperação, hoje?

47. O que tenho para agradecer, hoje?

48. Por que o princípio da autodisciplina é necessário neste passo?

49. Como a prática do princípio da autodisciplina, neste passo, afeta toda minha recuperação?

50. Como o fato de estar consciente de meu serros (honestidade comigo)ajuda a mudar meu comportamento?

51. Que situações, em minha recuperação, me exigiram praticar o princípio da integridade? Como reagi? Quando me senti bem cm relação e quando não?

52. Como o décimo passo me ajuda a viver no presente?

53. O que estou fazendo diferente como resultado do trabalho do décimo passo?

DÉCIMO PRIMEIRO PASSO.
1. Que experiência com os passos anteriores, ou com outras áreas da vida, me deram alguma noção de como é meu Poder Superior, a partir dessas experiências?

2. Que qualidades tem meu Poder Superior? Posso utilizá-las em meu benefício – posso experimentar esse Poder transformador em minha vida?

3. Como minha compreensão do Poder Superior mudou desde que cheguei em Alcoólicos Anônimos?

4. Tenho um caminho espiritual específico?

5. Quais são as diferenças entre religião e espiritualidade?

6. O que tenho feito para explorar minha própria espiritualidade?

7. Tenho encontrado qualquer preconceito em Alcoólicos Anônimos, ao explorar minha espiritualidade? Como me senti por isso? O que tenho feito para manter minhas crenças?

8. Independentemente do caminho espiritual que estou seguindo, venho mantendo meu envolvimento com Alcoólicos Anônimos?

9. Como meu envolvimento com Alcoólicos Anônimos complementa minha jornada espiritual?

10. Como meu caminho espiritual contribui para minha recuperação?

11. Como rezo?

12. Como me sinto rezando?

13. Quando normalmente rezo? Quando estou sofrendo? Quando eu quero alguma coisa? Regularmente?

14. Como o fato de rezar espontaneamente durante o dia me ajuda?

15. Como a oração me ajuda a colocar as coisas em perspectiva?

16. Como medito?

17. Quando medito?

18. Como me sinto meditando?

19. Caso medite consistentemente há algum tempo, que mudanças vejo em mim ou na minha vida, como resultado da meditação?

20. Em que circunstâncias percebo a presença do Poder Superior? O que sinto?

21. O que estou fazendo para melhorar meu contato consciente com o Poder Superior?

22. Que situações posso identificar em minha vida, nas quais agi por capricho? Quais foram os resultados?

23. Que situações posso identificar em minha vida, nas quais tentei harmonizar minha vontade com a do Poder Superior? Quais foram os resultados?

24. Quais os exemplos que posso citar, de como eu vivo com propósito e dignidade?

25. Qual a minha visão da vontade do Poder Superior para mim?

26. Como eu demonstro meu compromisso com minha recuperação ao trabalhar o décimo primeiro passo?

27. Orei ou meditei hoje?

28. Tenho me deparado com alguma situação que me exigiu defender minhas crenças com algum custo pessoal? Como eu agi? Quais foram os resultados?

29. Até agora me foi dado aquilo de que preciso? O que fiz que recebi?

DÉCIMO SEGUNDO PASSO.

1. Qual a minha experiência, como resultado do trabalho dos passos?

2. Como tem sido meu despertar espiritual?

3. Que mudanças duradouras resultaram do meu despertar espiritual?

4. Quais princípios espirituais eu correlacionaria a que passos? Como esses princípios contribuíram para meu despertar espiritual?

5. O que significa para mim a expressão: “despertar espiritual”?

6. Quais as diferentes formas pelas quais tenho vivenciado a mensagem?

7. Que tipo de serviço estou prestando para levar a mensagem?

8. Cite algumas maneiras de levar a mensagem. Quais as que pessoalmente, pratico?

9. Qual é meu estilo pessoal de apadrinhamento?

10. Qual é a diferença entre atração e promoção?

11. O que levar a mensagem faz por mim?

12. Como a quinta tradição e o segundo passo estão entrelaçados?

13. O que me faz continuar voltando a acreditar no programa de Alcoólicos Anônimos?

14. O que é um serviço abnegado? Como eu o pratico?
15. Por que um membro de Alcoólicos Anônimos é capaz de me sensibilizar de uma maneira que ninguém mais consegue? Descreva a experiência.

16. Qual o valor terapêutico de um adicto ajudando outro adicto?

17. Por que a identificação é tão importante?

18. Como posso praticar os princípios em diferentes áreas de minha vida?

19. Quando eu acho difícil praticar esses princípios?

20. Que princípio espiritual eu tenho mais dificuldades de praticar?

21. Como tenho praticado o princípio do amor incondicional com os adictos que tento ajudar?

22. Qual é minha atitude na relação de apadrinhamento? Eu encorajo meus afilhados a tomar suas próprias decisões e, conseqüentemente, crescer? Eu dou conselhos ou partilho minha experiência?

23. Qual minha atitude no que diz respeito ao serviço? Alcoólicos Anônimos poderia sobreviver sem mim?

24. Como tenho praticado o princípio da abnegação nos meus esforços para servir?

25. Estou comprometido com minha recuperação? o que faço para mantê-la?

26. Pratico princípios espirituais, independentemente do modo como me sinto?

27. Como expressarei minha gratidão?

AQUELES DOZE PASSOS SEGUNDO OS VEJO

AQUELES DOZE PASSOS SEGUNDO OS VEJO

Pelo Reverendo Sam Shoemaker

“Houve homens da envergadura do Reverendo Sam Shoemaker cujos primeiros ensinamentos contribuíram muito na inspiração do Dr. Bob e na minha.”
Bill W. em “A.A. Atinge a Maioridade”
Um dos meus mais apreciados pertences é um par de discos de ouro que mantenho permanentemente dentro do bolsinho, presos a uma corrente de meu relógio. Num deles está gravado: “Do grupo de AA. de Manhattam” e me foi obsequiado por Bill quando saí de Nova Iorque em 1952. No outro, está gravado: “Membro Honorário Perpétuo dos A. As. de Pittsburg”, e me foi obsequiado quando saí daquela cidade em 1962. Estes discos marcam uma das mais felizes e privilegiadas amizades de que desfrutei. Acompanhei o início de A.A. sempre com interesse e, algumas vezes, com preocupação, que resultou infundada, depois de tudo o que aconteceu.
Dou graças a Deus por A.A. e oro diariamente por seus líderes e seus membros.
Uma de minhas mais cálidas recordações é a de uma jovem de São Luiz, que me disse: “Dr. Sam, pode ser que você não seja um alcoólico, mas, por Deus, fala como se o fosse”.
Sempre tenho estado interessado não apenas no que A.A. faz pelo alcoólico, mas também pelo que o programa pode significar para qualquer pessoa que lute com um problema real. E quem não? Há uma montanha de sabedoria e experiência acumulada nos Doze Passos. Podemos comparar os quarenta minutos de inspiração durante os quais estes Passes foram dados ao co-fundador de A.A. com o tempo durante o qual foram dadas as dez tábuas da Lei a Moisés no Monte Sinai.
Muitos céticos dizem, com referência à inspiração de Moisés, “Oh, é uma
acumulação de experiências anteriores; não surgiu de uma só vez. Desta maneira, não”.Eu não duvido que as experiências acumuladas sejam verdade; mas, sei que há momentos de inspiração durante as quais certas pessoas têm conseguido recolher e registrar compêndios de verdades de uma forma que só se pode denominar de “inspiração”. E a hora quando as forças do homem estão em seu mais alto nível e tensão e quando o espírito de DeUS revoluteia perto, concedendo inspiração. Eu duvido que os Doze Passas, que têm mudado o curso da existência de tantos milhares de vidas, tenham sido mero produto do discernimento e da observação humanos. Podem derramar bênçãos sobre qualquer pessoa, alcoólicas ou não, que os siga com cuidado e se conserve fiel a eles. São morais, espiritual, psicológica e praticamente saudável.

1. Admitimos que éramos impotentes perante o álcool. que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.
A razão pela qual tanta gente em A.A. agradece ser alcoólica é porque os
problemas da vida e os fracassos para enfrentar a vida com êxito, se reduzem para eles no problema do álcool. Este problema é definitivo e específico. Isto é exatamente o que o Cristianismo tem ensinado desde seu começo, não somente em relação aos problemas com o alcoolismo, mas também com toda a gama de derrotas humanas; que os velhos clichês como aquele de “exercitar maior força de vontade”, são decididamente impraticáveis, pois somos tão impotentes quanto a nós mesmos no que se refere ao temperamento, má língua, mau gênio, o hábito, a luxúria, o espírito crítico. É somente o orgulho e a falta de discernimento para conosco o que nos impede dizer, não obstante nossos problemas, que nossas vidas
tornaram-se ingovernáveis”. Este é o primeiro passo, não apenas para a sobriedade, mas também para o auto-entendimento e o conhecimento de nossa vida.

2. Viemos a acreditar que somente um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.
“Viemos”, como? Detendo-nos no meio do campo e chamando a um Poder ignoto? Lendo longos livros de filosofia ou teologia? Não! Vendo dezenas, talvez centenas e depois milhares de indivíduos, homens e mulheres, cujas vidas foram derrotadas e destroçadas (por sua vez causando destroços a outras pessoas) transformados em novos homens e mulheres. Cada uma destas vidas é uma espécie de milagre que não se pode explicar em termos puramente humanos. Os médicos, os psiquiatras e o clero, apesar do muito que tem colaborado com alguns alcoólicos, não tem tido a oportunidade de reportar tão elevado percentual de vitórias quanto A.A. Que sábio foi A.A. ao não intentar uma definição teológica demasiadamente específica! Uma definição demasiado aguda haveria ofendido a alguns e dissuadido a outros; ninguém pode duvidar de um termo tão vago como um “Poder Superior a nós mesmos”, forjado no crisol de leigos trabalhando entre si, e compartilhando suas experiências um com o outro.

3. Decidimos colocar nossa vontade e nossas vidas aos cuidados de Deus, tal como O concebíamos.
William James, em uma passagem clássica de sua obra “Variedades da Experiência Religiosa”, dizia que a crise da auto-entrega foi sempre, e deve continuar sendo, como o ponto vital de partida da vida religiosa. Olhemos a vida de um santo, de qualquer servidor da humanidade, e encontraremos o momento, a hora, o dia em que ocorreu a crise. Alguém pode reunir por meses ou anos o material para uma decisão, e podemos postergar os efeitos de uma decisão por largos períodos de tempo, mas quando a decisão ocorre é repentina. É uma crise.
Esta é a maneira veemente de dizer que toda experiência espiritual deve começar decisivamente se é que vai começar, não importa a maneira. Este é o segredo espiritual, grande e aberto, que tantos têm perdido. Todo mundo precisa aprender esta verdade. Eu fui um cristão apenas de nome durante dez anos, até que alguém me desafiou a entregar-me a Deus. Isto tem que ser feito mais de uma vez, conforme nos daremos conta; mas deve começar em algum lugar. A decisão nos põe em contato com Deus, de sorte que Ele possa agir. E assim como enroscar urna lâmpada o suficiente para que faça contato com o lugar de onde flui a corrente; porém esta decisão da vontade não é a corrente em si. A corrente é a força espiritual que flui quando clamamos a Deus e Ele nos responde.

4. Sem nenhum temor, fizemos um inventário moral de nós mesmos.
Não há no mundo coisa mais difícil do que encarar a si mesmo, tal qual alguém é.
Voamos de um pecado a outro à medida que nos dão alcance, desculpando-nos a todo o momento de que nossas virtudes em outro campo compensam amplamente estas faltas. O que as pessoas necessitam, o que todos devem possuir, se é que hão de encontrar uma resposta, é simplesmente a vontade para fazer “um inventário moral e sem temor” de si mesmos.
Algumas faltas são óbvias. Mas quando se trata de pecados espirituais como o orgulho, a falta de perdão, e o ressentimento, as suscetibilidades, e a inflexibilidade para seguir nossos caprichos não resulta tão óbvios pelo fato de que o dano que causam não é fácil de perceber. Os Dez Mandamentos servem de orientação, tal como o Sermão do Monta Precisamos sentar- nos com alguém que nos conheça e que seja honesto conosco, para pedir-lhe que nos faça um bom exame, já que a maioria de nós é horrivelmente míope e nos enganamos terrivelmente. Alguém pode também fazer urna “confissão formal” com um sacerdote na igreja sem inteirar realmente de seus problemas. O maior, o mais profundo e, às vezes, o mais sutil de todos será o ORGULHO de alguma forma, geralmente disfarçado de uma virtude. O alcoolismo poderia obrigar a alguém tal honestidade. Oxalá que com os demais e mais respeitáveis pecados ocorresse o mesmo!

5. Admitimos ante Deus, ante nós mesmos e ante outro ser humano a natureza exata de nossas falhas.
A prática da confissão é muito antiga, e é constante em algumas religiões.
Suspeito que sua eficácia depende em parte da sinceridade com a qual se a faz, e se a pessoa que se confessa tem verdadeiramente a intenção de buscar novos horizontes e de ser diferente dali em diante. A verdadeira confissão não só purifica o passado com o perdão de Deus, mas também aspira um novo futuro. Em não sendo assim, é sem objetivo. A confissão de um leigo a outro é desaconselhada pela igreja como sendo demasiadamente perigosa, porém A.A. tem demonstrado sua eficácia no caso dos alcoólicos, já que não é possível desprezar certo grau de maturidade na pessoa que escuta, e discrição para guardar as confidências. Vamos admitir, isso se deve ao estado de desesperação.
Todo sacerdote desejaria poder induzir a este grau de desesperação no comum das pessoas que fizeram frente a sua apatia espiritual e à necessidade que têm de fazer o mesmo tipo de “admissão” que para os alcoólicos é necessário. Este processo resulta sempre caro e doloroso. Suspeito que a razão pela qual é tão efetivo seja porque não é somente urna abertura para outro ser humano da “natureza exata de nessas faltas”, mas também o jogar no chão o nosso orgulho ao permitir que outra pessoa conheça o profundo e desesperado de nossas necessidades. Os fingimentos desaparecem quando isso ocorre. É impossível seguir ocultando. Isso, e não somente os detalhes de nossas más ações, é o que nos leva onde possamos começar a ser diferentes.

6. Prontificamo-nos a deixar que Deus eliminasse todos esses defeitos de caráter.
Não é difícil sentir-se assim na manhã seguinte a uma noite de farra, porém
sabemos que isso é remorso e não arrependimento produzido mais pela ressaca do que por um coração contrito. Quanto mais nos distanciamos do último excesso de álcool (ou do temperamento ou o que seja), nossas más ações são mais bem vistas, chamam mais a atenção. Estaremos nesta etapa “dispostos a deixar que Deus elimine esses defeitos de caráter?”
Uma coisa é deixar para trás de si os problemas das más ações, mas outra muito diferente é abandonar as más ações. Creio que isso requer duas coisas: (1) uma visão real do muito melhor que será a vida nova em comparação com velha, fortificada com o que escutamos das pessoas que vivem nela; (2) ajuda real do Poder Superior, já que apenas a vontade não é capaz de sustentar esta atitude. É agradável sentir-se impelido pelo perigo e inferno da velha vida, mas devemos, ainda mais, ser animados pela visão constante de uma vida integrada sob os cuidados de Deus, vivendo nEle, por Ele e para Ele e para os nossos semelhantes.
E por isso que o companheirismo é tão essencial, e porque é tão perigoso para qualquer um o pensamento de que pode receber um pouco de inspiração ou força espiritual e sair a desfrutar dela por si só. Somente Deus pode dar-nos esta nova mente e manter-nos nela. Todo mundo a necessita para discernir o bem do mal. É uma necessidade orar por este desejo fundamental para que Deus efetue a mudança em nós.

7. Humildemente rogamos a Deus que nos livrasse de nossos defeitos.
Com muita freqüência, oramos pedindo “coisas” ou circunstâncias favoráveis, ou mil e uma coisas mais, que s egoístas por natureza! — E aqui onde a oração realmente se inicia, não onde termina — ao pedir a Deus que ME MODIFIQUE.
“Senhor, não sou nada. De mim nada obténs. São simples pedaços o que Te ofereço.
Mas Te peço que os remendes. Entrego—Te o meu orgulho, a luxúria, a ansiedade, o medo e os ressentimentos. Por favor, toma-os, e a mim com eles”. A oração pode ser deste estilo.
Podemos fazê-la na tranqüilidade de nosso lar, ou de joelhos em nossa igreja, ou podemos fazê-lo quando oramos com outra pessoa. Deve haver uma finalidade definida ao realizá-la. Não podemos fazê-lo fingidamente. Até onde nos é possível, devemos ter a intenção de nos desfazer dos hábitos detestáveis. Temos aí novamente que a “força de vontade” simplesmente se amplia até assegurar nossa intenção; o ato de orar já em si mesma implica que é a Ele a quem imploramos. Os pecados se nos enredam dentro, como as raízes de certas árvores, e não se desenredam facilmente. Precisamos de ajuda, graça, que nos levante, uma grua divina. O mais assombroso é que tal oração é respondida se sinceramente desejamos que o seja. Nossas vontades formam urna parte tão necessária disto que quase parece como se nós o houvéssemos realizado. Porém a ajuda de Deus é ainda a parte mais necessária, pois estamos seguros de que sem Ele não teríamos conseguido. Aprendemos grandes verdades, já conhecidas de longo tempo, e descobertas amiudadamente, na medida em que começa nosso despertar espiritual.

8. Fizemos uma relação de todas aquelas pessoas a quem havíamos ofendido e nos dispusemos a reparar os danos que lhes causamos.
De certa maneira, é mais fácil prestar contas a Deus do que as outras pessoas.
Ele entende tudo plenamente; podemos contar com o Seu perdão; Falamos com Ele praticamente de uma forma privada. Mas não é suficiente estar em paz com Ele; devemos também estar em paz com os homens.
Recordo como se fosse hoje meu primeiro momento de convicção. Tinha que escrever uma carta a um membro de minha família, de quem eu guardava grande ressentimento. Era a primeira coisa a fazer após minha decisão.
Como vemos, desejamos zerar, começar de novo, começar a viver nossas vidas desde o princípio. Este Passo exige uma definição completa, e VONTADE: “Fizemos uma relação” e “nos dispusemos”. Quantas amizades rompidas e esfarrapadas se arrastam por anos e anos, sem se resolver, sem se curar, sem se remendar.
Ninguém quer dar o salto de liberação e pronunciar destas duas palavras de
renovação: “Sinto muito”. Estamos dispostos a manifestar a Deus nosso
arrependimento e nosso desejo de uma nova vida; mas não estamos dispostos a dizê-lo ao homem. Isto nos mantém atados em princípio e pode se converter em armadilha que jogue por terra o pouco progresso que tenhamos conseguido.
A leis que governam as relações humanas são tão férreas como as que sustentam as estrelas em seus lugares. Tratemos de individualizar aquelas pessoas a quem causamos dano, e também àquelas que nos causaram. Não esqueçamos o velho adágio que diz que “É mais difícil perdoar àqueles a quem causamos dano do que àqueles que nos causaram”. Disponhamo-nos a ir até eles com honestidade e humildade. E possível que isto seja a coisa mais difícil de nossa vida, mas será também das mais gratificantes. Devemos fazê-lo ao iniciar nossa nova vida. Teremos que fazê-lo, talvez bem amiudadamente nas etapas posteriores.

9. Reparamos diretamente a quantos nos foi possível os danos que lhes havíamos causado, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-los ou a outros.
Devemos estar dispostos a ser absolutamente honesto, mas uma “honestidade absoluta”, indiscriminada, poderia provocar o vôo de muitos telhados e destruir por completo algumas relações humanas. Não devemos esconder nada por fraude ou por orgulho; mas talvez vejamos a necessidade de reter certas coisas por discrição ou por consideração para com o próximo. Tomemos como exemplo a infidelidade no matrimônio. Talvez, algumas vezes seja conveniente revelar à esposa ou ao esposo com toda sinceridade. Mas em outras ocasiões, corno no caso de alguém que sofra do coração, ou seja extremamente sensível ou fácil de enganar, “contar-lhe tudo” poderia ser considerado quase que como auto-indulgência para conosco. As pessoas as quais causamos danos podem já ter falecido, e, neste caso, orar a Deus para lhes faça conhecer nosso arrependimento será tudo quanto nos é possível fazer. Ou podem existir circunstâncias que ajudariam a endireitar as relações mas que se relacionem com pecados de outros a quem conhecemos. Isto seria admissível somente em raríssimas circunstâncias, pois há o risco da propagação da maldade e causa mais mal do que bem. Se com o objetivo de limpar nossas almas devemos causar danos à reputação de outra pessoa, esta prática é de resultados muito duvidosos.
Aqueles que trabalham muito com as almas humanas — sacerdotes, psiquiatras e leigos como os A.As. — devem aprender os segredos dos lábios selados, ou nos exporemos a provocar danos e a ganharmos a mancha de mexeriqueiros e isso afastará a confiança das pessoas em relação a nós. Tais ações são como as dos fariseus, que revelam uma aparência boa e correta. Algumas vezes, tais ações são corno as do Pródigo reformado — e não há nada pior que a fúria de um filho Pródigo que tenha se convertido em fariseu. Aquilo que nos é revelado sob reserva, deve ser mantido sob reserva até que a pessoa implicada nos autorize que revelemos.

10. Continuamos fazendo nosso inventário pessoal e quando errávamos o admitíamos imediatamente.
Dos Doze Passos, este é um dos mais duros. Muitos de nós nos entusiasmamos ante a idéia de ser completamente honestos com Deus, conosco e com alguém, por princípio. Isto sinaliza a sabedoria de prosseguir com esta atitude pelo resto do caminho. Gostamos de pensar que já vencemos esta etapa, e que progredimos em nossa rota, e nenhum de nós pensa em contorná-la. Quando buscamos a ajuda de Deus e sua direção com relação a certos problemas, sabemos que primeiro devemos estar abertos à convicção da existência de pecado — e imediatamente de sua correção. Isto é parte do que mantém todo este Passo viçoso, contemporâneo e vivo.
Estou convencido de que o orgulho é o pecado-raiz. É não somente na teologia moral, o primeiro dos sete pecados capitais, mas, também, intenso, o mais sério de todos, como se estivesse à parte e fosse de uma qualidade diferente. O orgulho se oculta dentro de nossos triunfos espirituais. Insinua-se em todos os nossos conseguimentos, em todos os nossos êxitos, mesmo quando os atribuímos a Deus, a menos que nos mantenhamos alertas para encarar-nos de novo e redirecionarmos as coisas quando se desviem.

11. Buscamos através da oração e da meditação melhorar nosso contato consciente com Deus, tal como O concebíamos, pedindo-Lhe somente que permitisse conhecermos sua vontade e nos concedesse força para aceitá-la. –
Quando observamos a luz da aurora na conquista de problemas tão claros como o álcool — ou.o medo, ou o ressentimento, ou o orgulho — e nos damos conta de que pelo menos estamos obtendo algum progresso, precisamos de um grande propósito e motivação sobre os quais iremos centralizar nosso crescimento. A oração, amiúde compreendemos, não é pedir a Deus algo que desejamos: É, em verdade, pedir a Ele algo que Ele necessita. A melhor de todas as orações é “Senhor, que queres Tu que eu faça? (Atos 22:10)”. A oração não busca modificar a vontade de Deus, mas encontrá-la.

12. Tendo experimentado um despertar espiritual como resultado destes Passos, procuramos levar esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todos os nossos atos.
Este princípio se aplica a todos aqueles que sentiram a grande experiência que se vive antes e depois do renascimento espiritual. Duas coisas se obtêm do Décimo Segundo Passo: o espargimento do despertar para outros, e o enraizar e a continuação do despertar em nós. Este é, asseguro, o segredo dos Doze Apóstolos e dos primeiros Discípulos Cristãos. J.B. Philips disse que eles se dedicavam ao seu propósito principal de atrair fiéis para Deus através de Cristo, e “não se permitiam desfrutar de fascinantes rotas laterais”. Eu diria, sem vacilar, que o êxito de A.A. se estriba na disposição de seus membros para esgotar qualquer extremo ao irem em socorro de outros alcoólicos, e quando tal disposição se esfria, já é um sinal de perigo.
Há um velho dito que ainda hoje contém seu germe de verdade espiritual: `Sai de ti, chega ao íntimo de Deus e de teus semelhantes.” Nisto há verdade e saúde espiritual. Temos tido que nos examinar profundamente, investigar, cavar, lutar, e num certo sentido isto não pode ser interrompido. Mas é tempo de começarmos a olhar para fora, distante, a preocupar-nos com as pessoas, com as causas, a preocupar-nos com a comunidade e com um mundo mais amplo. Aqui está o segredo do crescimento e da propagação, não apenas para os alcoólicos, mas para todo o mundo.
Digo rotineiramente, e continuarei a dizer, que os Doze Passos são o grande
resumo da verdade espiritual que a história conhece Possuem relevância quase universal, e não relevância apenas para os alcoólicos. Ensinaram o caminho que devem seguir muitas pessoas que sequer sabem que existe o alcoolismo. Marcaram o caminho para aqueles que o conheceram e o perderam. Graças a Deus pelos Doze Passos, e por aquele homem suficientemente inteligente e aberto a Deus e à observação da experiência humana, para perceber estas verdades e propagá-las pelo mundo todo.

Tradução: Edson H.

O CAMINHO

Relação dos capítulos
Capítulo 1- Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos
perdido o domínio sobre nossas vidas
Capítulo 2 – Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia
devolver-nos à sanidade
Capítulo 3 – Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus,
na forma em que O concebíamos
Capítulo 4 – Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos
Capítulo 5 – Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser
humano, a natureza exata de nossas falhas
Capítulo 6 – Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos
esses defeitos de caráter
Capítulo 7 – Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições
Capítulo 8 – Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e
nos dispusemos a reparar os danos a elas causados
Capítulo 9 – Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas,
sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a
outrem
Capítulo 10 – Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos
Primeiro passo:

Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos
perdido o domínio sobre nossas vidas.

Quase ninguém se dispõe a admitir uma derrota total. É terrível admitir que o
álcool tornou-se uma obsessão que priva o alcoolista de toda sua
auto-suficiência. O primeiro passo trata da dificuldade que surge para admissão
da derrota completa em relação ao uso do álcool. O alcoolista, com o copo na
mão, perde o controle quanto à ingestão de bebida alcoólica e quanto a todas as
conseqüências desta ingestão.
Para obter sucesso em manter-se abstinente, é preciso reconhecer esta impotência
perante o álcool. Caso contrario, a sobriedade será precária. Diz a literatura
de A. A.: “O princípio de que não encontraremos qualquer força duradoura sem que
antes admitamos a derrota completa, é a raiz principal da qual germinou e
floresceu nossa sociedade toda” (Os Doze Passos, p. 14). Muitos se revoltam por
ter que admitir a derrota. Chegam no grupo de A. A. buscando apoio e escutam que
nenhuma força de vontade será suficiente para quebrar a obsessão pela bebida.
Inicialmente, apenas os casos mais desesperados conseguiam aceitar esta verdade.
Felizmente, isto mudou com o passar dos anos. Alcoolistas em um estágio menos
grave conseguiam reconhecer seu alcoolismo. Para que estas pessoas pudessem
aceitar esta perda do governo de sua vida, os alcoolistas que tinham atingido um
grau mais sério de alcoolismo puderam a elas mostrar que, em momento anterior à
chegada do fundo do poço, a vida já havia se tornado ingovernável. Percebeu-se
que, caso o recém-chegado ainda permanecesse em dúvida, levava consigo a idéia
da natureza da enfermidade, e, muitas vezes, voltava ao grupo antes de precisar
chegar a dificuldades extremas.
Observa-se que poucas pessoas conseguem praticar com sinceridade o programa de
A.A. sem chegarem afundar completamente. Isso ocorre pelo fato de que “…
praticar os restantes onze passos de A. A. requer a adoção de atitudes e ações
que quase nenhum alcoólatra que ainda bebe, sonharia adotar” (Os Doze Passos, p.
15). É o desejo de sobrevivência que leva o alcoolista a ter disposição para
escutar a mensagem de A. A., e a reconhecer a necessidade de seguir o programa
dos Doze Passos.

Segundo Passo:

Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia
devolver-nos à sanidade.

Para a maioria dos recém-chegados a leitura deste passo traz um sério dilema.
Alguns se recusam a acreditar em Deus, outros não podem fazê-lo, e alguns
acreditam, mas não conseguem ter confiança em que Deus consiga livrá-los da
obsessão.
Aquele que se recusa a acreditar já tem dificuldade para aceitar sua impotência
diante do álcool. Acredita que o ser humano é o ápice da evolução, o único deus
que aceita. Renunciar a esta sua crença parece impossível. Seu padrinho vem
então em seu auxílio, explicando que até para um amigo seu que era presidente da
Sociedade Atéia Americana foi possível contornar este obstáculo.
Seu padrinho pede que estude três afirmações: Alcoólicos Anônimos não exige que
se acredite em coisa alguma; para alcançar e manter a sobriedade não é preciso
aceitar de uma vez só o Segundo Passo; o único requisito realmente necessário é
ter a mente aberta. O padrinho continua relatando a sua própria experiência,
como alguém que tinha tido uma educação cientifica, e inicialmente encarara a
irmandade de A. A. como sendo totalmente anticientífica. No entanto, diante dos
resultados prodigiosos que A. A. mostrava, desistiu de argumentar. A partir de
então, começou a ver e sentir, e o Segundo Passo começou a infiltrar-se em sua
vida.
Explica que existem inúmeros caminhos que os membros de A. A. seguem, e muitos
começaram considerando A. A. como Poder Superior, e assim ultrapassaram a
barreira inicial. A partir de então “… sua fé se ampliou e aprofundou.
Libertados da obsessão pelo álcool, com suas vidas inexplicavelmente
transformadas, chegaram a acreditar num Poder superior, e a maioria já falava em
Deus” (Os Doze Passos, p. 19).
Outras pessoas tiveram fé e a perderam. Destas, algumas desenvolveram
preconceito contra a religião, outras se rebelaram por Deus não ter satisfeito
suas exigências. Outras ainda tornaram-se indiferentes, ou se afastaram de vez.
As pessoas que perderam a fé às vezes têm dificuldade maior para aceitar A. A.,
pois desenvolvem “… barreiras da indiferença, da presumida auto-suficiência,
do preconceito e do desprezo (…) mais sólidas e formidáveis para estas pessoas
que qualquer barreira construída pelo agnóstico duvidoso ou pelo ateu militante”
(Os Doze Passos, p. 20). Bem situadas financeiramente, não sentiam necessidade
de qualquer manifestação religiosa ou equivalente.
Pessoas intelectualmente auto-suficientes também encontram dificuldades quando
chegam ao grupo de A. A.. Sentindo-se anteriormente superiores às outras
pessoas, percebem que existem reconsiderações a serem feitas. Membros mais
experientes do grupo, que já passaram por esta experiência, mostram pelo seu
exemplo que a humildade e inteligência podem ser compatíveis, desde que a
humildade esteja em primeiro plano. Desta forma torna-se possível adquirir uma
fé que funciona.
Outro grupo de pessoas criticava a Bíblia e a moralidade dos religiosos.
Chegando em A. A., precisaram reconhecer que toda sua crítica serviu para
alimentar seu ego: criticando a falha de algumas pessoas religiosas, podiam
sentir-se superiores a elas.
Muitas vezes observado pelos psiquiatras, o desafio é uma característica
predominante em muitos alcoolistas e. Já que Deus não havia atendido suas
solicitações, de nada lhes valia a fé, e a rebeldia contra Deus se instalava. Em
A. A., percebem seu engano: em momento algum haviam pedido a Deus qual seria a
Sua vontade em relação a eles. Ao contrário, sempre a Ele diziam o que fazer.
Percebem que não é possível crer em Deus e ao mesmo tempo desafiá-Lo. Além
disso, vêem o fruto da fé na superação de dificuldades imensas pelas quais
homens e mulheres de A. A. passaram, e concluem que merece ser pago qualquer
preço que seja necessário pagar pela humildade.
Existem ainda alcoolistas cheios de fé que continuam bebendo. Fazem inúmeras
promessas para parar, lutam contra o álcool, pedem para isso ajuda de Deus, mas
mesmo assim não conseguem parar de beber. Constituem um enigma para as pessoas
que o rodeiam, mas não para os membros de A. A.: a chave está ligada à pureza da
fé, e não à quantidade de prática religiosa. Estes alcoolistas, após um exame
mais profundo, dão-se conta de que sua prática religiosa vinha sendo apenas
superficial, e também, que nunca haviam aprendido a rezar de maneira correta,
pedindo a Deus que a vontade dEle prevalecesse.
Poucos alcoolistas que ainda bebem percebem estar mentalmente doentes, e o
mundo, desconhecedor da diferença entre o beber racional e o alcoolismo,
contribui para que esta cegueira se mantenha. As reuniões de A. A. são “… uma
segurança de que Deus nos levará de volta à sanidade , se soubermos nos
relacionar corretamente com Ele” (Os Doze Passos, p. 24).

Terceiro Passo:

Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de
Deus, na forma em que O concebíamos.

Como introdução para este passo é usada uma metáfora: “A prática do Terceiro
Passo é como abrir uma porta fechada à chave” (Os Doze Passos, p. 25). Este
passo, como os demais, requer ação, e o problema que então se coloca para o
alcoolista é descobrir como permitir a entrada de Deus na sua vida. Da qualidade
e sinceridade na vivência deste passo vai depender a eficiência da programação
de A. A.
Para o recém-chegado possuidor d e espírito prático este passo parece difícil ou
impossível. A experiência de membros mais antigos mostra aos novos que isso pode
ser simples: requer apenas um pouco de boa vontade. Às vezes podem ocorrer
recuos na prática deste passo por causa do egoísmo, mas a boa vontade permite a
retomada da entrega que este passo propõe.
Para alguns alcoolistas pode surgir certa revolta: não basta entregar a vida a
Deus em relação ao álcool, mas ainda será preciso entregá-la em relação a todos
outros aspectos também? Estas pessoas gostariam de poder manter independência em
alguns setores da sua vida. Acreditam que se tornarão nulidades se tiverem que
fazer uma entrega total. A realidade, no entanto, mostra que quanto maior a
disposição a depender de um Poder Superior, maior será a independência.
Examinando fatos da vida cotidiana, percebe-se que em muitos aspectos existe uma
grande dependência, mas não há consciência disso. A eletricidade é um exemplo:
depende-se dela e ninguém deseja dela ser privado. É uma dependência que
proporciona independência, suprindo necessidades diversas.
Porém, quando se trata de dependência mental e emocional tudo muda. Acredita-se
que a inteligência, com apoio da força de vontade, consegue muito bem controlar
a vida interior, e garantir o êxito no mundo em que se vive. Procurando
verificar se esta filosofia funciona, percebe-se que mesmo pessoas normais, não
alcoolistas, obtêm bons resultados vivendo desta maneira. O ódio e o medo
invadem a sociedade que pensa desta forma. Neste sentido, os alcoolistas podem
se considerar afortunados pelo programa dos Doze Passos.
A palavra “dependência” é repugnante não apenas para os alcoolistas, mas também
para os psiquiatras e psicólogos. Ocorre que existem diferentes formas de
dependência. Por exemplo, filhos adultos dependendo emocionalmente dos pais não
é um tipo de dependência desejável. “Mas, a dependência de um grupo de A. A. ou
de um Poder superior jamais produziu qualquer efeito pernicioso” (Os Doze
Passos, p. 28-29).
Inúmeros outros problemas além do álcool se apresentam, e não são solucionados
apesar de todos os esforços e coragem. Levam o alcoolista a se sentir inseguro e
infeliz, e sua vontade, por mais determinada que seja, não traz soluções. Neste
momento é que se torna necessário depender de Alguém ou Alguma Coisa.
Inicialmente este “alguém” poderá ser um amigo próximo do grupo, que ajudará o
alcoolista a perceber que, na ausência do álcool, os problemas se tornam mais
agudos. Virá também a saber que a prática constante deste e dos demais passos é
que permitirá uma vida feliz e útil, e ainda, que esta só será possível após
conseguir viver o Terceiro Passo com persistência e determinação.
A aceitação destas idéias facilita o inicio da prática deste passo,e, quando
momentos difíceis surgirem, a Oração da Serenidade traz conforto: “Concedei-me,
Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar;
coragem para modificar aquelas que posso, e sabedoria para distinguir umas das
outras. Seja feita a Vossa vontade e não a minha” (Os Doze Passos, p. 31).

Quarto Passo:

Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.

Os instintos humanos são necessários para a sobrevivência, mas muitas vezes
excedem suas funções especificas. A maioria dos problemas existentes decorrem
deste excesso. O Quarto passo tem por finalidade levar o alcoolista a perceber
como, quando e onde tais excessos provocaram deformidades emocionais, de modo a
ajudá-lo a corrigi-los. A sobriedade e felicidade dependem disso.
Quando a vida é direcionada quase que para um aspecto apenas, como por exemplo,
sexo, busca de segurança, desejo de poder, ocorre um desequilíbrio que
compromete a qualidade de vida do individuo em questão e das pessoas que o
cercam. Os instintos desenfreados seriam a causa básica do beber desenfreado do
alcoolista. O esforço para examiná-los pode levar a reações graves. Alcoolistas
que tendem à depressão podem mergulhar em sentimentos de culpa e de
auto-repugnância. Podem perder a perspectiva, o que vai impedir que façam o
inventário moral.
Indivíduos que tendem ao orgulho ou mania de grandeza podem sentir-se diminuídos
pela sugestão deste inventário. Pensarão que os defeitos de caráter, se é que os
têm, foram provocados principalmente pelo álcool, e que um inventario desta
natureza será desnecessário. Mais um motivo para evitar um inventário seria que
os problemas presentes são causados por outras pessoas, e estas é que deveriam
fazer um inventário moral. Neste momento o padrinho vem em socorro e mostra ao
alcoolista que seus defeitos são semelhantes aos de outras pessoas. Leva-o a
perceber que possui valores também.
Com aquelas pessoas que acham que o inventário não é uma necessidade, o padrinho
encontra outra dificuldade, pois o orgulho não permite que reconheça seus
defeitos. “O problema é ajudá-las a descobrir uma trinca nas paredes construídas
pelo seu ego, através da qual poderão ver a luz da razão” (Os Doze Passos, p.
37).
Os recém-chegados aprendem que precisam ajustar-se às circunstâncias, e não,
esperar que ocorra o inverso. Os ressentimentos vingativos, auto-piedade e
orgulho descabido também necessitam ser revistos. Quando as primeiras barreiras
são ultrapassadas, o caminho parece tornar-se mais fácil. Começa-se a obter uma
auto-imagem mais objetiva, ou seja, adquire-se uma certa humildade.
Os tipos depressivo e arrogante são tipos extremos de personalidade.
Freqüentemente os alcoolistas situam-se em ambas classificações, e cada qual
terá que no inventário verificar quais são os seus defeitos de caráter. Para
evitar confusão quanto a estes defeitos, é apresentada a universalmente
reconhecida lista dos sete pecados capitais: orgulho, avareza, luxuria, ira,
gula, inveja e preguiça. Não por acaso o primeiro da lista é o orgulho, pois é
“…o principal fomentador da maioria das dificuldades humanas, o maior
empecilho ao progresso verdadeiro (…) Quando a satisfação de nosso instinto
pelo sexo, segurança e posição social se torna o único objetivo de nossa vida,
então o orgulho entra em cena para justificar nossos excessos” (Os Doze Passos,
p. 39).
Estas falhas, por sua vez, geram o medo, que gera outras falhas também. Orgulho
e medo vêm à tona quando o alcoolista tenta olhar seu interior, e dificultam o
inventário. A persistência, no entanto traz uma sensação de alívio
indescritível, e uma confiança totalmente nova que são os frutos iniciais deste
passo.
Na seqüência surge a dúvida sobre por onde começar e como fazer um inventário
bem feito. A sugestão é que se inicie pelas falhas que mais incomodam. O
alcoolista poderá examinar sua conduta quanto aos instintos primários de sexo,
segurança e vida social. Como sugestão também são apresentadas diversas
perguntas sobre problemas nestas três áreas (sexualidade, segurança financeira e
emocional). Os sintomas mais freqüentes a elas relativos são também analisados.
Acredita-se que alguns alcoolistas “… farão objeção a muitas perguntas feitas,
por acharem que seus defeitos talvez não tenham sido assim tão flagrantes. (…)
um exame consciente é capaz de revelar justamente os defeitos dos quais tratam
as perguntas desagradáveis” (Os Doze Passos, p. 43).
O inventário proposto pelo quarto passo deveria ser meticuloso. Para isso, a
redação de perguntas e respostas pode ajudar a pensar com clareza e a avaliar
com honestidade.

Quinto Passo:

Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser
humano, a natureza exata de nossas falhas.

O Quinto Passo é talvez o mais difícil no que se refere a atuar contrariamente
aos instintos naturais. No entanto, provavelmente é o passo mais importante para
a sobriedade contínua e paz da mente. A. A. dizem: “… se chegamos a aprender
como os pensamentos e as ações erradas feriram a nós e a outrem, então se torna
mais imperativo do que nunca desistir de viver sozinhos com esses fantasmas
torturantes de ontem” (Os Doze Passos, p. 45).
Para muitos membros de A. A.o medo e a relutância são muito intensos em relação
a este passo. Mais fácil é admitir de uma maneira generalizada, que quando
bebiam, tornavam-se maus elementos. O preço a ser pago por esta superficialidade
costuma ser alto, pois carregar o peso sozinho manta a culpa, irritabilidade,
depressão e ansiedade.
A admissão dos próprios defeitos perante outra pessoa é característica de
pessoas espiritualizadas. Psiquiatras e psicólogos reconhecem também a
necessidade profunda de discutir com uma pessoa compreensiva e de confiança as
falhas da própria personalidade. Sem esta admissão dificilmente se consegue
expulsar a obsessão destrutiva.
Lembranças mais aflitivas e humilhantes mantidas em segredo manterão a sensação
de isolamento tão presente e constante para o alcoolista. A literatura de A. A.
diz que havia sempre uma barreira misteriosa intransponível que deixava o
alcoolista numa terrível solidão.
A chegada ao grupo de A. A. leva a pessoa a sentir-se compreendida pelos outros,
mas muitos dos antigos tormentos de separação aflitiva mantêm-se ainda
presentes. Faz-se necessária a prática do Quinto Passo. Este passo também
possibilita ao alcoolista reconhecer que pode ser perdoado, independentemente do
que tenha feito ou pensado, e ainda, que pode igualmente perdoar aos outros.
A humildade é outra grande dádiva que se alcança ao admitir os próprios defeitos
perante outra pessoa. Esta admissão conduz a um maior realismo e honestidade do
alcoolista a respeito de si próprio.
Pode surgir a idéia de fazer a admissão das falhas diretamente com Deus, pois
enfrentar outra pessoa é mais embaraçoso. É verdade que a opinião dos outros
pode apresentar falhas, mas sendo mais específica, torna-se de grande valia para
um iniciante ainda inexperiente em relação a um contato com um Poder Superior.
A escolha da pessoa para realizar este passo deve ser cuidadosa. Para alguns,
uma pessoa totalmente estranha poderá ser a melhor escolha. O contato e a
aproximação com esta pessoa requerem decisão e força de vontade, mas após uma
explicação cuidadosa, o contato flui com facilidade, e a sensação de alívio é
grande.
Para muitos alcoolistas é neste momento que começam de modo real a sentir a
presença de Deus. A saída do isolamento pelo compartilhar o peso terrível da
culpa conduz a um espaço de descanso no qual é possível preparar-se para os
passos seguintes.

Sexto Passo:

Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos
esses defeitos de caráter.

De acordo com um clérigo considerado um dos melhores amigos de A.A., uma pessoa
disposta a “… experimentar o sexto passo com respeito a todos seus defeitos –
em absoluto sem qualquer reserva – tem realmente andado um bom pedaço no campo
espiritual…“ (Os Doze Passos, p. 53). A maioria dos membros de A.A. afirma que
Deus pode, sob certas condições remove estes defeitos de caráter. Para comprovar
isso é apresentado o testemunho de um alcoolista, que, de maneira similar, é
repetido diariamente em todo mundo nas reuniões de A.A.
A reflexão prossegue esclarecendo que nascemos com desejos naturais em
abundância. Não poucas vezes, excedemo-nos na busca de saciar tais desejos,
afastando-nos ”… do grau de perfeição que Deus deseja para nós aqui na terra.
Esta é a medida de nossos defeitos de caráter ou, se preferirmos, de nossos
pecados” (Os Doze Passos, p. 55). Deus certamente não nega o perdão para aqueles
que o pedem, mas é preciso que se coopere na continuidade da edificação do
caráter. Algumas imperfeições podem ser eliminadas, mas, “… com a maioria
teremos que nos contentar com o melhorar paulatinamente” (Os Doze Passos, p.
55).
Necessário se faz reconhecer que alguns defeitos se prestam para regozijo:
sentir-se um pouco superior ao outro; falar em amor para poder esconder a
lascívia. Outras imperfeições também são analisadas, como o rancor, gula,
inveja, preguiça. Como não são muito prejudiciais, poucas pessoas têm disposição
para delas abdicar.
Outras pessoas podem acreditar que estão preparadas para permitir a remoção de
todos os seus defeitos. No entanto, em levantamento das imperfeições menos
acentuadas, teriam que admitir que prefeririam manter algumas delas. São poucas
as pessoas, ao que parece, que têm prontidão para buscar rápida e facilmente a
perfeição espiritual e moral.
A aceitação de todas as implicações do sexto passo é uma meta a ser perseguida.
Não é possível praticar com perfeição este e os demais passos, com exceção do
primeiro. O importante é começar e persistir. O que se sugere é manter a
disposição para iniciar persistir na busca pela perfeição.
Um alerta é feito para não postergar por prazo indefinido a lida com algumas das
imperfeições: várias delas devem ser enfrentadas e requerem medidas para o
quanto antes serem removidas.

Sétimo passo:

Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas
imperfeições.

A humildade é necessária para cada um dos doze passos, e este é o passo que
trata mais especificamente dela. “… Sem um certo grau de humildade, nenhum
alcoólatra poderá permanecer sóbrio” (Os Doze Passos, p. 61). Para poder ser
feliz, o alcoolista precisa desenvolver a humildade em um grau maior do que
aquele estritamente necessário para a sobriedade.
De maneira geral, a humildade não é uma qualidade valorizada. “Uma boa parte da
conversa cotidiana que ouvimos salienta o orgulho que o homem tem de suas
próprias realizações” (Os Doze Passos, p. 61). Além disso, a imensidade de
recursos que pode ser utilizada leva a acreditar no fim da pobreza e que a
abundancia será tal que todos possam satisfazer suas necessidades primárias.
Poucos serão os motivos que poderão levar o homem à discórdia, de modo que
haverá felicidade e liberdade para que o mundo possa concentrar-se no
desenvolvimento da cultura e do caráter.
Não se condenam os avanços materiais, nem se discute se o objetivo principal da
vida é a satisfação dos desejos básicos. O que se percebe é que tentar viver de
acordo com as idéias de aumentar a segurança, prestígio e romance, como sendo
prioritárias na vida, tem atrapalhado os alcoolistas. Mesmo quando bem
intencionados, os alcoolistas tornam-se paralisados pela falta de humildade.
A ausência de valores permanentes e a falta de percepção quanto à real
finalidade da vida dificultam a fé em um Poder superior. A auto-suficiência
torna estéril uma crença religiosa sincera, já que implica falta de humildade,
e, por conseqüência, impossibilita o desejo de conhecer e realizar a vontade de
Deus.
O recém chegado a A.A. logo percebe que é preciso uma admissão humilde quanto à
impotência diante do álcool. Neste momento a humildade é essencial. Entretanto,
a disposição de batalhar pela conquista da humildade como desejável por si
mesma, costuma demorar muito tempo para a maioria dos alcoolistas. No princípio
a rebelião está presente a cada passo.
Algumas falhas precisam logo ser enfrentadas, para evitar recair no uso do
álcool, mas parece impossível abrir mão de outras imperfeições por serem ainda
muito atraentes. Como decidir e adquirir disposição para enfrentar compulsões e
desejos tão fortes?
Chega o momento em que surge grande pressão para agir corretamente, mesmo que a
ação venha a ocorrer com má vontade. Surge também o reconhecimento de que a
humildade é necessária para sobreviver.
Também chega o momento em que o modo de pensar sobre a humildade se amplia. A
partir de então é possível adotar medidas para remover os obstáculos mais
prejudiciais, e é possível começar aa sentir algo semelhante à paz de espírito.
A humildade assume novo significado: pode ser o caminho para a serenidade. Desta
maneira, começa uma mudança revolucionária no modo de ver. Novos valores são
percebidos.
O resultado mais profundo da aprendizagem sobre a questão da humildade acaba
sendo a revisão da atitude em relação a Deus, a despeito de se ter ou não uma
crença prévia. Inicia-se um momento decisivo: perceber que a humildade é
desejável, ao invés de algo que se é obrigado a desenvolver.
A tônica que estimula os defeitos é o medo, sobretudo de perder algo que já se
possui, ou, de não receber algo que se deseja. Este medo leva à exigências, as
quais, não sendo atendidas, por sua vez conduzem à perturbação e frustração
constantes. O sétimo passo é um convite para trocar as exigências por um pedido,
que em seu bojo, traz a humildade.

Oitavo Passo:

Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.

O oitavo passo pede que o alcoolista faça uma retrospectiva sobre as suas
relações pessoais, avaliando quem e quanto as pessoas foram prejudicadas pelo
seu comportamento enquanto bebia. Pode ser grande a tentação de justificar
ofensas quando o outro também agrediu, mas é preciso lembrar que o comportamento
do alcoolista muitas vezes agravava os defeitos dos outros. Outra dificuldade
que se apresenta é que “… a perspectiva de chegar a visitar ou mesmo escrever
às pessoas envolvidas, agora nos parecia difícil, sobretudo quando lembrávamos a
desaprovação que a maioria delas nos encarava” (p. 70).
Assim que se inicia este exame “… suas grandes vantagens vão se revelando tão
rapidamente que a dor irá diminuindo à medida que os obstáculos, um a um, forem
desaparecendo” (Os Doze Passos, p. 70). Um dos obstáculos mais difíceis que
surge é o perdão. As afrontas que os outros possam ter cometido freqüentemente
prestam-se para minimizar ou esquecer as que o alcoolista a eles infligiu.
Muitas pessoas tiveram seus problemas agravados pelo comportamento do
alcoolista. Se a idéia é pedir perdão, então, começar perdoando aos outros pode
ser um bom início.
Outro forte obstáculo é a perspectiva de entrar em contato com as pessoas
envolvidas. Algumas nem sabem que foram prejudicadas. Medo e orgulho também
procuram impedir que seja feita uma relação de todas as pessoas. Alguns
alcoolistas podem pensar que não chegaram a prejudicar ninguém e acreditam que
apenas um pedido banal de desculpas será suficiente. Esta posição só poderá ser
alterada pela análise profunda e honesta das motivações e ações.
É importante que se obtenha de um exame das relações pessoais toda informação
possível a respeito de si próprio e de suas dificuldades básicas. Estas
informações trarão resultados valiosos.
Quanto aos danos, inicialmente é apresentada uma definição da palavra ‘dano’:
“… é o resultado do choque entre instintos, que causam prejuízos físicos,
mentais, emocionais ou espirituais às pessoas” (Os Doze Passos, p. 72). Vários
tipos de danos são citados, como privar os outros de seus bens materiais, da sua
segurança emocional e paz de espírito; prejuízos provocados por um comportamento
retaliador, irresponsável e frio; etc.
Após a revisão da área das relações humanas, a percepção dos traços da
personalidade que mais prejuízos trouxeram aos outros, pode-se buscar na memória
quais foram as pessoas que foram ofendidas. É preciso que o alcoolista verifique
as coisas que fez, ao mesmo tempo em que desculpa as ofensas contra ele feitas
pelos outros. Julgamentos extremos devem ser evitados, tanto de um lado, como do
outro.

Nono Passo:

Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outrem.

Bom senso, coragem, prudência e cuidado na escolha do momento são requisitos
necessários para este passo. A reflexão sobre cada caso divide em várias classes
as pessoas às quais o alcoolista deve prestar reparação. Algumas pessoas terão
preferência; para outras, apenas uma reparação parcial será possível, de modo
que a reparação não venha a causar um dano ainda maior. Para outros casos, a
reparação deve ser adiada. Para certas pessoas um contato direto e pessoal
jamais será possível.
Algumas reparações começam, geralmente, a serem feitas no dia em que a pessoa
ingressa: esclarece à família que pretende seguir a programação de A. A.
Freqüentemente surge o desejo de ir além do recomendável na admissão de faltas
cometidas. É preciso lembrar que não se deve obter a paz de espírito à custa dos
outros, fazendo, por exemplo, uma revelação de caso extraconjugal ao cônjuge.
No local de trabalho o mesmo procedimento é adotado, mas pode-se esperara ate a
aquisição de segurança na vivência da programação da irmandade de A. A. A partir
de então, o alcoolista explica para as pessoas que ali prejudicou o que está
querendo fazer e o que é A. A. Propõe o acerto de dívidas que possa ter
contraído. A maioria das pessoas reagirá de modo muito positivo. Eventualmente
poderá surgir uma reação fria, mas, se o alcoolista estiver bem preparado, esta
não o demoverá do seu objetivo.
O alívio decorrente da primeira tentativa de reparações pode ser muito grande e
poderá vir uma forte tentação de evitar os encontros mais difíceis. É preciso
lembrar que não se pode falar em prudência quando, na verdade, o que surge é a
evasão.
Existe uma única exceção na qual a reparação não deve ser feita: é quando a
revelação causa um dano maior. Também pode existir uma situação tal que os danos
causados não devem ser revelados totalmente: é quando a revelação completa pode
prejudicar seriamente a pessoa, ou resultar em prejuízo dela.
Outros problemas difíceis obedecem a esta mesma idéia. Seriam, por exemplo,
situações em que uma revelação poderia resultar em uma demissão e conseqüente
desemprego do alcoolista. As conseqüências repercutiriam então sobre a segurança
financeira da família.

Décimo Passo:

Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos
errados, nós o admitíamos prontamente.

A aproximação do Décimo Passo leva o alcoolista a começar a se submeter ao modo
de viver de A. A., sempre e em qualquer situação. Faz-se necessária uma análise
contínua de qualidades e defeitos, e o propósito de aprender e crescer por meio
desta análise.
Alem da ressaca devida ao excesso de bebida, existe também a ressaca emocional,
que é “… fruto direto do acúmulo de emoções negativas ontem sofridas e, às
vezes, hoje – o rancor, o medo, o ciúme e outras semelhantes” (Os Doze Passos,
p. 79). Para viver com serenidade é preciso eliminar tias ressacas.
Embora iguais em princípio, os inventários diferem de acordo com a ocasião em
que são feitos. Há o inventário “relâmpago”, que é feito nos momentos de
confusão. Inventários diários são feitos para revisar os acontecimentos das
últimas 24 horas. Existem ainda os inventários periódicos, feitos para avaliar o
progresso de um determinado período.
A dificuldade do inventário reside na falta de hábito de uma análise detalhada.
Uma vez adquirido, o hábito passa a ser uma atividade proveitosa, compensando
Amplamente o tempo com ele dispendido. Muitos alcoolistas têm o hábito de fazer
um inventário anual ou semestral.
Existe um preceito espiritual que explica que, cada vez que o indivíduo se sente
perturbado, existe algo errado com ele. Entre os sentimentos perturbadores
encontra-se o rancor. Quando este é justificado, a literatura esclarece que para
o alcoolista este rancor pode ser perigoso: é preferível deixá-lo para as
pessoas mais equilibradas, que conseguem mantê-lo sob controle. Outros
sentimentos que têm o poder de transtornar as emoções do alcoolista são o ciúme,
os ressentimentos, a inveja, auto piedade e o orgulho. “Um inventário ‘relâmpago’
levantado no meio de tais perturbações pode ser de grande valia para acalmar as
emoções tempestuosas” (Os Doze Passos, p. 81).
O inventário diário aplica-se para situações que ocorreram durante as vinte e
quatro horas. Para todas as situações há necessidade “… de autodomínio,
análise honesta do ocorrido, disposição para admitir nossa culpa e, igualmente,
para desculpar as outras pessoas” (Os Doze Passos, p. 82).
O desenvolvimento do autodomínio tem prioridade, uma vez que a precipitação ou
imprudência pode comprometer uma relação e não permite agir ou pensar com
clareza. O autodomínio é necessário tanto para problemas inesperados, como para
o momento em que o alcoolista começa a ser bem sucedido. O sucesso leva muito
facilmente ao orgulho. Neste sentido, a lembrança de que a sobriedade é
resultado da ação de Deus pode funcionar com defesa contra o orgulho desmedido.
A percepção de que todas as pessoas têm falhas começa a gerar tolerância e
evidência de que não faz sentido ofender-se com pessoas que sofrem tal qual o
alcoolista dos desajustes que acompanham o desenvolvimento. Uma mudança tão
radical na forma de ver as coisas pode levar muito tempo. Se são raras as
pessoas que conseguem amar a todas as outras, é comum encontrar indiferença e
ódio entre as pessoas. O alcoolista, no entanto, não pode manter a idéia de que
pode odiar ou temer quem quer que seja. “A cortesia, a bondade, a justiça e o
amor são chaves que abrem a porta da harmonia entre nós e as outras pessoas” (Os
Doze Passos, p. 84).
Ao final do dia, muitos alcoolistas fazem o inventário das últimas 24 horas.
Percebem que boas intenções e atos construtivos estão presentes em sua mente.
Por outro lado, o exame dos pensamentos e atos inadequados ou desagradáveis
permitem, de modo geral, perceber e entender quais foram os motivos que os
geraram. É preciso apenas reconhecer a falha, tentar visualizar qual
comportamento teria sido adequado, aproveitar a lição e fazer a reparação se
necessária.
Para outras situações, apenas um exame mais detalhado irá mostrar quais foram os
reais motivos de algumas ações. Algumas vezes, poderá ter surgido uma
justificativa para explicar uma conduta inadequada, e será tentador imaginar que
havia bons motivos para o comportamento em questão. “Esta estranha
característica do complexo mente-emoção, este desejo pervertido de ocultar atrás
do bom motivo, o errado, se infiltra nos atos humanos de alto a baixo” (Os Doze
Passos, p. 85). A edificação do caráter consiste em perceber, admitir e corrigir
estas falhas. Uma avaliação minuciosa de como foi o dia possibilita agradecer a
Deus as graças recebidas e adormecer com a consciência tranqüila.

Décimo primeiro passo:

Procuramos através da prece e da meditação, melhorar
nosso contato consciente com Deus, na forma em que o concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e forças para realizar essa vontade.

Os alcoolistas são pessoas ativas, e tendem com freqüência a não levar a sério a
oração e meditação, que são, para eles, os principais meios de contato
consciente com Deus. Aqueles que permanecem considerando o grupo de A. A. como
sua “força superior” podem encarar com desagrado as afirmações sobre o poder da
oração. Alguns pretendem demonstrar a não existência de Deus pela presença da
pobreza, crueldade, doença e injustiça. Outros usam argumentos diferentes.
Entretanto, depois de experimentar e verificar os resultados da oração e
meditação mudam de opinião.
Usada regularmente, a oração passa a ser indispensável. É ela que permite a
presença de Deus na vida do alcoolista. Quando a auto-análise, a meditação e a
oração “são postas em ação harmônica e logicamente, resultam em uma base
inabalável para toda a vida” (Os Doze Passos, p. 89).
O exame dos pensamentos e sentimentos permite que a ação e graça de Deus exerça
influência na parte negativa e escura do ser. A ferramenta que ilumina esta
parte escura é a meditação.
Para os alcoolistas que não sabem por onde começar, sugere-se que busquem uma
oração que os satisfaça, como por exemplo, a de São Francisco de Assis: “Ó
Senhor! Faze de mim um instrumento de Tua paz…” (Os Doze Passos, p. 90).
Sugere-se o abandono de qualquer resistência, para poder sentir e aprender com
as palavras da oração. Se surgirem pensamentos de menosprezo às idéias
propostas, convém lembrar que, com o álcool, valorizava-se o uso da imaginação,
mas o problema era que a imaginação não se dirigia a objetivos funcionais.
Como sucede quando se quer construir uma casa, cujo projeto se inicia com o uso
da imaginação, a meditação ajuda a ter uma noção do objetivo espiritual. Para
facilitar o relaxamento, pode-se imaginar que se está em uma praia, nas
montanhas ou planícies. São apresentadas também algumas reflexões sobre esta
oração, bem como, algumas características do processo de meditação. Um dos
primeiros resultados da meditação é o equilíbrio emocional.
A oração, por sua vez, “… é a elevação do coração e da mente para Deus (…) O
estilo comum de oração é uma petição a Deus” (Os Doze Passos, p. 92-93). Existe
tentação de expressar pedidos na oração para resolver situações da maneira que
se pensa ser adequada e que, com freqüência, não é a vontade de Deus. Convém
lembrar a parte do enunciado deste passo que define as necessidades: conhecer a
vontade de Deus e obter forças para realizá-la.
Diante de situações delicadas, pode-se pedir da mesma forma: ‘”Seja feita a Sua
vontade e não a minha.”’ (Os Doze Passos, p. 93). Em momentos críticos, a
lembrança de que, como diz a oração, “é melhor consolar do que ser consolado,
compreender do que ser compreendido, amar do que ser amado” traz consigo a
intenção deste passo.
Esperar uma resposta certa e definida de Deus para uma situação perturbadora e
específica apresenta um sério risco. Freqüentemente os pensamentos que parecem
ser uma resposta divina são justificativas feitas inconscientemente, embora bem
intencionadas. “É um indivíduo muito desconcertante o A. A., ou qualquer outro
homem, que tenta implantar rigorosamente em sua vida este modo de rezar, com
esta necessidade egoística de respostas divinas. (…) Com a melhor das
intenções, ele tende a impor sua própria vontade em qualquer situação ou
problema…” (Os Doze Passos, p. 94).
Em relação a outras pessoas, pode surgir uma tentação semelhante, quando se pede
a Deus que resolva determinada dificuldade da maneira como se acha que deve ser.
A. A. sugere que, tanto para si como para os outros, a oração deveria pedir que
se cumprisse a vontade de Deus.
A experiência em A. A. mostra que, na medida em que se busca aumentar o contato
com Deus e se deixa de dizer a Ele o que queremos, nova força e uma benéfica
orientação se manifestam. Podem surgir períodos de rebelião, nos quais ocorre
uma recusa a rezar. Não se deve usar de muito rigor consigo próprio quando isto
ocorre, mas apenas, tão logo seja possível, deve-se voltar à prática da oração.
Possivelmente, uma das grandes recompensas obtidas com a oração e meditação é a
convicção de se fazer parte: não existe mais a sensação de abandono, medo e
insegurança. No momento em que se tem um pequeno vislumbre da vontade de Deus, e
que se percebe a verdade, a justiça e o amor como valores permanentes, sabe-se
que o amor de Deus estará sempre velando por nós. Tudo estará permanentemente
bem quando nos voltamos para Ele.

Décimo Segundo Passo:

Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a
estes passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.

A alegria de viver e a ação são os aspectos tratados neste passo. Quando chega a
este ponto, o alcoolista começa a perceber uma espécie de “despertar
espiritual”. É este o momento de se voltar para os alcoolistas que ainda sofrem.

Aqueles que passam por um despertar espiritual genuíno têm em comum a dádiva
recebida que “… consiste em um novo estado de consciência e uma nova maneira
de ser” (Os Doze Passos, p. 98). Ocorre uma ligação com uma fonte de energia que
estava antes indisponível. Os alcoolistas recebem então um bem gratuito, para o
qual, pelo menos em parte, tornaram-se preparados pela prática dos passos
anteriores.
É apresentado um breve levantamento daquilo que se tenta alcançar em cada passo.
A prática conjunta dos Passos permite a experiência do despertar espiritual.
A transmissão da mensagem de A. A. aos alcoolistas que ainda fazem uso de bebida
alcoólica, quando bem feita, traz uma satisfação profunda e uma felicidade
intensa e permanente. Verificar a transformação das pessoas, que ocorre após o
ingresso na irmandade de A. A., e a mudança que ocorre em todos os aspectos de
sua vida “… são fatos que constituem a essência do bem que nos invade, quando
levamos a mensagem de A. A. ao irmão sofredor” (Os Doze Passos, p. 101).
O trabalho deste passo inclui também o apoio que a presença do membro mais
antigo nas reuniões proporciona, e também, a transmissão da mensagem que ocorre
nos depoimentos feitos nas reuniões. Aqueles que não se sentem capazes de falar
ou não tem condições para fazer as abordagens com aqueles que ainda sofrem,
podem praticar este passo aceitando serviços que, embora pouco notados, são
importantes e consistem em providenciar, por exemplo, o café no final das
reuniões, que proporciona ambiente acolhedor aos recém-chegados.
Podem surgir também experiências negativas com o Décimo Segundo Passo, que “…
parecerão sérios reveses para nós, mas, com o tempo, serão encarados como meros
degraus na ascensão para um estágio melhor” (Os Doze Passos, p. 101). Exemplo
disso são as recaídas de alcoolistas que foram ajudados, a rejeição de conselhos
dados aos novatos, ou ainda, a perturbação que pode surgir com conselhos que
foram aceitos. A longo prazo, percebe-se que estas dificuldades são decorrentes
do crescimento.
A idéia de praticar os princípios dos Doze Passos em todas as atividades traz
consigo uma serie de indagações. A maior delas é: será possível, como diz o
Décimo Segundo Passo praticar estes “… princípios em todas as nossas
atividades? (…) Podemos fazer com que o espírito de A. A. esteja presente em
nossas atividades diárias? Estamos prontos para arcar com as novas e
reconhecidas responsabilidades que nos cercam? Chegaremos a aceitar a pobreza, a
doença, a solidão e a consternação com coragem e serenidade?” (Os Doze Passos,
p. 102-103). A resposta de A. A. a estas questões é que isso é possível.
Muitas vezes, no entanto, o processo de crescimento é estancado por surgir a
acomodação na crença de que não é preciso cumprir todos os Passos. Pode-se
acreditar que bastam o Primeiro Passo e a parte do Décimo Segundo que se refere
a levar adiante a mensagem, o que é conhecido como a “dança dos dois passos”.
Este processo acaba levando o alcoolista a tornar-se confuso e desanimado.
Também podem surgir grandes dificuldades como a perda do emprego ou problemas
domésticos sérios. Estas dificuldades mais sérias, jamais o alcoolista conseguia
suportar. Esforçando-se honestamente para praticar os Doze Passos e apresentando
disposição para receber a graça de Deus, apresentará capacidade de converter
“… suas dificuldades em autênticas demonstrações de fé” (Os Doze Passos, p.
104).
Os grandes desafios, como para todas pessoas, vêm de problemas menores e
crônicos da vida. A solução reside no maior desenvolvimento espiritual. Este,
por sua vez, traz a consciência de que o antigo comportamento diante dos
instintos requer uma drástica revisão. O desejo de “… segurança emocional e
material, prestígio pessoal e poder, vida sentimental e realizações no seio da
família, todos estes carecem de ser equilibrados e reorientados” (Os Doze
Passos, p. 105).
Se o crescimento espiritual for colocado em primeiro plano, será criada uma
grande oportunidade para uma vida de realizações. O modo de ver e agir em
relação à segurança emocional e financeira começará a mudar profundamente. Quer
dominando os outros ou por eles sendo dominado, a experiência anterior sempre
levava ao desapontamento. Com o desenvolvimento espiritual foi possível perceber
que a segurança emocional entre pessoas adultas pressupõe que as pessoas se
situem em um mesmo nível, dando e recebendo de modo equilibrado.
Agindo desta maneira, o alcoolista descobre que as pessoas sentem-se por ele
atraídas. Descobre também que Deus é a melhor fonte de equilíbrio emocional, e
que, depender dEle funciona quando tudo o mais falhar. Dependendo dEle, não há
necessidade de o alcoolista se apoiar totalmente na proteção e cuidados de
outras pessoas. Em conseqüência surgem força e paz interiores dificilmente
abaladas por fatores externos.
Para a maioria dos alcoolistas, “… o A. A. contrabalança os danos causados à
vida familiar por anos de alcoolismo. (..) [O objetivo] é o de ter uma vida
conjugal cada vez mais sólida e feliz, eliminando-se as graves distorções
emocionais que, na maioria das vezes, provieram do alcoolismo” (Os Doze Passos,
p. 107-108). Quando o alcoolismo se estabelece, no caso de ser o homem o
afetado, a mulher toma as rédeas da casa. Na medida em que a doença evolui, a
mulher, sem o perceber, faz papel de mãe do seu marido. Esta situação pode ser
de difícil reversão, mas, com a influência dos Doze Passos surge a possibilidade
de mudança.
Muitos membros solteiros de A. A. casam-se com alcoolistas. Existindo maturidade
da parte dos dois, o resultado geralmente é muito bom. O mesmo se dá com
alcoolistas que se casam com pessoas estranhas a A. A. Para aqueles que
porventura não podem constituir família, o círculo de amizades do grupo pode
contribuir para que não sintam solidão. Podem também se entregar a atividades
que lhes proporcionem imensa alegria.
A atitude em relação ao dinheiro sofre uma mudança radical. Antes, o dinheiro
“… nada mais era do que um simples, mas imperioso, requisito para o nosso
provimento futuro de bebida e o conforto do desligamento que ele nos trazia” (Os
Doze Passos, p. 110). Em A. A., o que importa é a segurança material em geral, e
não mais uma grande quantidade de dinheiro. O medo, entretanto, pode se manter
presente, sem que se leve em conta que ele se manifesta para todas as pessoas,
sejam ou não alcoolistas, e também, sem lembrar da ajuda de Deus. “Porém, com o
passar do tempo, descobrimos que, com a ajuda dos Doze Passos de A. A., podíamos
perder o medo, não importando quais fossem nossas possibilidades materiais” (Os
Doze Passos, p. 111).
Aprendendo que os problemas podem ser transformados em aspectos positivos, a
condição espiritual torna-se mais importante que a material. Percebe-se que
melhora o modo de perceber as dificuldades ligadas à importância pessoal, ao
poder, à ambição e à liderança.
Aproximadamente na época em que o A. A. foi iniciado, foi feito um estudo com um
grande número de alcoolistas. Constatou-se que eram infantis, emocionalmente
sensíveis e com mania de grandeza. Inicialmente horrorizados, nos anos seguintes
a maioria dos membros de A. A. concordou com os resultados da pesquisa. Mais
adiante, percebeu-se “… que nos A. A. maduros, os impulsos distorcidos foram
restaurados à imagem do verdadeiro objetivo e postos na direção certa” (Os Doze
Passos, p. 114). Quando escolhidos, pelos bons serviços prestados, para cargos
de maior responsabilidade, buscam ser humildes. Sabe-se que “A liderança
autêntica é aquela que tem por base o exemplo construtivo e não as efêmeras
exibições de poder e glória” (Os Doze Passos, p. 114).
Sentir que não é preciso ser especialmente reconhecido para poder ser útil e
muito feliz é maravilhoso. Existia um engano em relação à verdadeira ambição.
“Ela é o profundo e sadio desejo de viver uma vida útil e caminhar humildemente
por mercê de Deus” (Os Doze Passos, p. 114).
O objetivo da análise dos problemas apresentados é o desejo de compartilhar
aquilo que os alcoolistas têm encontrado: uma saída que os eleva. É a aceitação
e resolução dos problemas que restabelece a ordem interior, e também, a ordem
com o mundo externo e com Deus.
Espera-se que a cada dia que passa, cada um se identifique mais com o sentido da
singela oração de Alcoólicos Anônimos:

ORAÇÃO DA SERENIDADE:

CONCEDEI-NOS SENHOR,
A SERENIDADE NECESSÁRIA
PARA ACEITAR AS COISAS
QUE NÃO PODEMOS MODIFICAR,
CORAGEM PARA MODIFICAR AQUELAS QUE PODEMOS,
E SABEDORIA PARA DISTINGUIR UMAS DAS OUTRAS.

BOA VONTADE

ARTIGO 04 – BOA VONTADE

“Reflexões”
HONESTIDADE RIGOROSA
Quem se dispõe a ser rigorosamente honesto e tolerante?
Quem se dispõe a confessar suas falhas a outra pessoa e a fazer reparações pelos danos causados? Quem se interessa, ao mínimo, por um Poder Superior, e ainda pela meditação e a oração? Quem se dispõe a sacrificar seu tempo e sua energia tentando levar a mensagem de A. A. ao próximo? Não, o alcoólico típico, egoísta ao estremo, pouco se interessa por estas medidas, a não ser que tenha de tomá-las para sobreviver.
Eu sou um alcoólico. Se eu beber eu morrerei. Me Deus, que poder, energia e emoção esta simples declaração gera em mim! Mas, verdadeiramente, é tudo que preciso saber por hoje. Estou disposto a ficar vivo hoje? Estou disposto a ficar sóbrio hoje? Estou disposto a pedir ajuda e estou disposto a ajudar outro alcoólico que ainda sofre hoje? Descobri a natureza fatal de minha situação? O que devo fazer, hoje, para permanecer sóbrio?

SALVO POR RENDER-SE
É uma característica do chamado alcoólico típico ser egocêntrico e narcisista, ser dominado por sentimentos de onipotência e ter intenção de manter a todo custo sua integridade interior… Interiormente o alcoólico não aceita ser controlado pelo homem ou por Deus. Ele, o alcoólico, é e precisa ser – o dono de seu destino. Lutará até o fim para preservar essa posição.
O grande mistério é: Por que alguns de nós morrem de alcoolismo, lutando para preservar a independência de nosso ego, enquanto outros conseguem ficar sóbrios em A. A. aparentemente sem esforços? A ajuda de um Poder Superior, a dádiva da sobriedade, aconteceu para mim quando um inexplicável desejo de parar de beber coincidiu com minha disposição de aceitar as sugestões dos homens e mulheres de A. A. Precisei render-me, pois somente alcançando Deus e meus companheiros eu poderia ser salvo.

LIMPANDO O JARDIM
A essência de todo crescimento é uma disposição de mudar para melhor e uma disposição incansável de aceitar qualquer responsabilidade que implique essa mudança.
Quando alcancei o Terceiro Passo, eu já estava livre de minha dependência do álcool, mas amargas experiências me mostraram que a sobriedade contínua requer um esforço contínuo.
De vez em quando dou uma pausa para dar uma olhada no meu progresso. Mais e mais o meu jardim fica limpo cada vez que olho, porém, toda vez também encontro novas erva daninhas crescendo rapidamente, onde eu pensava já ter finalmente cortado com lâmina. Quando volto para tirar as ervas novas que cresceram (é mais fácil quando elas ainda são jovens), para um momento para admirar como é vigoroso o crescimento dos vegetais e das flores, e meu trabalho é recompensado. Minhas sobriedade cresce e produz frutos.

A CHAVE E A BOA VONTADE
Uma vez que introduzimos a chave da boa vontade na fechadura e entreabrimos a porta descobrimos que sempre se pode abrir um pouco mais.
A boa vontade para entregar o meu orgulho e minha obstinação a um Poder Superior a mim mesmo, provou ser o único ingrediente necessário para resolver meus problemas hoje. Até mesmo pequenas doses de boa vontade, se sincera, é suficiente para permitir que Deus entre e tome o controle sobre qualquer problema, dor ou obsessão. Meu nível de bem-estar está em relação direta com o grau de boa vontade que tenho num determinado momento para abandonar minha vontade própria e permitir que a vontade de Deus se manifeste em minha vida. Com a chave da boa vontade, minhas preocupações e medos são poderosamente transformados em serenidade.

A VERDADEIRA INDEPENDÊNCIA
Quanto mais nos dispomos a depender de um Poder Superior, mais independentes nos tornamos.
Começo a confiar em Deus com uma vontade pequena e Ele faz com que essa vontade cresça. Quanto mais boa vontade tenho, mais confiança ganho, e quanto mais crença ganho, mais boa vontade tenho. Minha dependência de Deus cresce na proporção em que cresce a minha crença Nele. Antes de tornar-me disposto, dependia de mim mesmo para todas as minhas necessidades e estava restrito pela minha imperfeição. Pela minha boa vontade de depender do meu Poder Superior, a quem chamo de Deus, todas as minhas necessidades são satisfeitas por Aquele que me conhece melhor que eu mesmo; até mesmo aquelas necessidades que posso não perceber, bem como as que ainda não vieram. Somente Aquele que me conhece tão bem, pode levar-me a ser eu mesmo e me ajudar a preencher a necessidade de alguém que somente eu posso preencher. Nunca haverá alguém exatamente como eu. E isto é a verdadeira independência.

LIBERDADE DO “REI ÁLCOOL”
… não vamos supor nem mesmo por um instante, que não estamos sob coação. Na verdade, estamos sob uma enorme sujeição… Nosso antigo tirano, o “Rei Álcool”, está sempre pronto para nos agarrar. Portanto, a libertação do álcool é o grande “dever” que tem que ser alcançado: caso contrário, chegaremos à loucura ou à morte.
Quando bebia eu vivia preso espiritualmente, emocionalmente e às vezes fisicamente. Tinha construído minha prisão com barras de teimosia e indulgência, das quais não podia escapar. Ocasionalmente passava por períodos secos que pareciam prometer liberdade, mas que se tornavam apenas esperanças de um indulto. A verdadeira fuga requer uma disposição para seguir as ações corretas para abrir a fechadura. Com disposição e ação tanto as barras como a fechadura abrem-se por si mesmas para mim. Boa vontade e ação contínua me mantêm livre – numa espécie de liberdade condicional diária – que nunca termina.

CRESCENDO
A essência de todo crescimento é uma disposição de mudar para melhor e uma disposição incansável de aceitar qualquer responsabilidade que essa mudança implique.
Algumas vezes quando me torno disposto a fazer o que deveria fazer o tempo todo, desejo louvor e reconhecimento. Não percebo que quanto mais estiver disposto a agir de uma maneira diferente, mais excitante é a minha vida. Quando mais estou disposto a ajudar os outros, mais recompensa recebo. Isto é o que a prática dos princípios significa para mim. Alegria e benefícios para mim estão na disposição de fazer as ações, não em obter resultados imediatos. Sendo um pouco mais amável, um pouco menos agressivo e um pouco mais amoroso, faz com que minha vida seja melhor – dia a dia.

CAMINHANDO PELO MEDO
Se ainda nos apegamos a algo que não queremos soltar, pedimos a Deus que nos ajude a ter a vontade.
Quando fiz o meu quinto Passo, tornei-me consciente de que todos os meus defeitos de caráter se originavam da minha necessidade de me sentir seguro e amado. Usar somente a minha vontade para trabalhar com meus defeitos e resolver o meu problema eu já havia tentado obsessivamente. No Sexto Passo aumentei a ação que tomei nos três primeiros Passos – meditando no Passo, dizendo-o várias vezes, indo às reuniões, seguindo às sugestões de meu padrinho, lendo e procurando dentro de mim mesmo. Durante os três primeiros anos de sobriedade tinha medo de entrar num elevador sozinho. Um dia decidi que tinha de enfrentar este medo. Pedi ajuda a Deus, entrei no elevador e ali no canto estava uma senhora chorando. Ela disse que desde que seu marido havia morrido ela tinha um medo mortal de elevadores. Esqueci meu medo e a confortei. Esta experiência espiritual ajudou-me a ver como a boa vontade era a chave para trabalhar o resto dos Doze Passos para a recuperação. Deus ajuda aqueles que se ajudam.

NUMA ASA E NUMA ORAÇÃO
… olhamos então para o sexto Passo. Frisamos que a boa vontade é indispensável.
O Quarto e Quinto Passos são difíceis, mas de grande valor. Agora estava parado no Sexto Passo e, em desespero, peguei o Livro Grande e li esta passagem. Estava fora, rezando por vontade própria, quando levantei meus olhos e vi um grande pássaro subindo para o céu. Eu o observei subitamente entregar-se às poderosas correntes de ar das montanhas. Levado pelo vento, mergulhando e elevando-se, o pássaro fez coisas aparentemente impossíveis. Foi um exemplo inspirador de uma criatura “soltando-se” para um poder maior que ela própria. Percebi que se o pássaro “retomasse seus controles” e tentasse voar com menos confiança, apenas com sua força, poderia estragar o seu aparente vôo livre. Esta preparação me deu disposição para rezar a Oração do Sétimo Passo.
Nem sempre é fácil conhecer a vontade de Deus. Devo procurar e estar pronto para aproveitar as correntes de ar, pois é ai que a oração e a meditação ajudam. Porque por mim mesmo eu não sou nada, peço a Deus que me conceda o conhecimento de Sua vontade, força e coragem para transmiti-la hoje.

LIBERTANDO-NOS DE NOSSOS VELHOS EGOS
Lendo cuidadosamente as primeiras cinco proposições, perguntamo-nos se omitimos alguma coisa, pois estamos construindo um arco pelo qual passaremos finalmente como homens livres…
Estamos agora prontos para que Deus retire de nós todas as coisas que já admitimos serem censuráveis?
O Sexta Passo é o último de “preparação”. Embora já tenha usado a oração extensivamente, ainda não fiz nenhum pedido formal ao meu Poder Superior nos primeiros Seis Passos. Identifiquei meu problema, vim a acreditar que havia uma solução, tomei a decisão de procurar esta solução, e “limpei a casa”. Agora me pergunto: estou disposto a viver uma vida de sobriedade, de mudanças, de me libertar do meu velho ego? Preciso determinar se estou realmente pronto para mudar. Revejo o que tenho feito e estou disposto a que Deus remova todos os meus defeitos de caráter: para que, no próximo Passo, eu diga ao meu Criador que estou disposto e peça ajuda. “Se ainda nos apegarmos a algo que não queremos soltar, peçamos a Deus que nos dê a vontade de fazê-lo.

INTEIRAMENTE PRONTO?
“Este é o Passo que separa os adultos dos adolescentes…” … a diferença entre “os adultos e os adolescentes” é igual à que existe entre a luta por um objetivo qualquer de nossa escolha e a meta perfeita que é Deus… Sugere-se que devemos estar inteiramente dispostos a procurar a perfeição… No momento em que dizemos: “não, nunca”, nossa mente se fecha para a graça de Deus. … Este é o ponto exato em que teremos de abandonar nossos objetivos limitados e avançar em direção à vontade de Deus para conosco.
Estou inteiramente pronto a deixar que Deus remova estes defeitos de caráter? Reconheço que não tenho condições de salvar a mim mesmo? Vim a crer que não posso. Se sou incapaz, se minhas melhores intenções dão errado, se meus desejos têm uma motivação egoísta e se meu conhecimento e minha vontade são limitados – então estou pronto a admitir a vontade de Deus em minha vida.

TUDO QUE FAZEMOS É TENTAR
Será que Ele pode levá-las embora, todas elas?
Ao fazer o Sexto Passo, lembrei que estou lutando por alcançar um “progresso espiritual”. Alguns de meus defeitos de caráter ficarão comigo pelo resto de minha vida, mas muitos foram suavizados ou eliminados. Tudo que o Sexto Passo pede de mim é que me torne disposto a nomear meus defeitos, reconhecer que são meus e estar disposto a me livrar daqueles que puder, só por hoje. Quando cresço no programa, muitos dos meus defeitos tornam-se mais censuráveis para mim que anteriormente, portanto, preciso repetir o Sexto Passo para que possa ser mais feliz comigo mesmo e manter minha sobriedade.

UMA VASSOURA LIMPA
… e, em terceiro lugar, havendo desta forma limpado o entulho do passado, consideramos de que modo, com o novo conhecimento de nós mesmos, poderemos desenvolver as melhores relações possíveis, com todas as pessoas que conhecemos.
Quando olhei para o Oitavo Passo, tudo o que foi pedido para completar com sucesso os sete passos anteriores veio junto: coragem, honestidade, sinceridade, disposição e meticulosidade. Não poderia reunir a força requerida para esta tarefa no começo, e é por isso que está escrito neste Passo: “nos dispusemos…”
Precisava desenvolver a coragem para começar, a honestidade para ver onde eu estava errado, um desejo sincero de colocar as coisas em ordem, precisava ser meticuloso ao fazer a relação e precisava ter disposição para assumir os riscos exigidos para a verdadeira humildade. Com a ajuda de meu Poder superior, para desenvolver estas virtudes, completei este Passo e continuei movendo me para adiante na minha busca de um crescimento espiritual.

EM DIREÇÃO À LIBERDADE EMOCIONAL
Em vista de que as relações deficientes com outras pessoas quase sempre foram a causa imediata de nossas mágoas, inclusive de nosso alcoolismo, nenhum campo de investigação poderia render resultados mais satisfatórios e valioso do que este.
A boa disposição é uma coisa peculiar para mim porque com o tempo, parece vir primeiro com consciência e, depois com uma sensação de desconforto, fazendo-me querer tomar alguma decisão. Quando reflito em praticar o Oitavo Passo, minha disposição de fazer reparações aos outros vem como um desejo de perdão, a outros e a mim mesmo. Senti o perdão para os outros após tornar-me cônscio de minha parte nas dificuldades dos relacionamentos. Desejava sentir a paz e a serenidade descritas nas promessas. Praticando os primeiros Sete Passos, fiquei sabendo quem tinha prejudicado e que eu tinha sido meu pior inimigo. A fim de restaurar meus relacionamentos com meus semelhantes, sabia que precisava mudar. Desejava viver em harmonia comigo mesmo e com os outros, para que pudesse também ter uma vida de liberdade emocional. O começo do fim de meu isolamento – de meus companheiros e de Deus – veio quando escrevi minha relação do Oitavo Passo.

DISPOSIÇÃO PARA CRESCER
Se temos que receber outras dádivas, nosso despertar tem que continuar:
A sobriedade preenche o doloroso “buraco na alma” que meu alcoolismo criou. Muitas vezes me sinto fisicamente tão bem, que acredito que meu trabalho já foi feito. Contudo, a alegria não é apenas a ausência de dor: ela é a dádiva de um contínuo despertar espiritual. A alegria vem de um estudo ativo e progressivo, bem como da aplicação dos princípios de recuperação em minha vida diária, e de compartilhar esta experiência com os outros. Meu Poder Superior apresenta muitas oportunidades para um mais profundo despertar espiritual. Preciso somente trazer para minha recuperação a disposição de crescer. Hoje estou pronto para crescer.

ENCONTRANDO “UMA RAZÃO PARA ACREDITAR”
A disposição para crescer é a essência de todo crescimento espiritual.
Um verso de uma canção diz: “… E procuro uma razão para acreditar…”. Isto me faz lembrar que numa certa época eu não era capaz de encontrar uma razão para acreditar que minha vida estava bem. Embora minha vida tivesse sido salva por minha vinda ao A. A., três meses mais tarde fui e bebi novamente.
Alguém me disse: “Você não precisa acreditar. Será que você não está disposto a acreditar que há uma razão para sua vida, embora você possa não saber qual é ou que algumas vezes não saber a maneira correta de se comportar?” Quando estava disposto a acreditar que havia uma razão para a minha vida, então pude começar a trabalhar nos Passos. Agora, quando começo com: “eu estou disposto…”, estou usando a chave que leva à ação, à honestidade e uma abertura para um Poder Superior que se manifesta em minha vida.

ACEITAR A SI MESMO
Sabemos que o amor de Deus vela sobre nós. Enfim, sabemos que quando nos voltarmos para Ele, tudo estará bem conosco, agora e para sempre.
Rezo para estar sempre disposto a recordar que sou filho de Deus, uma alma divina numa forma humana, e que a tarefa mais urgente e básica na minha vida é aceitar, conhecer, amar e cuidar de mim mesmo. Quando me aceito, estou aceitando a vontade de Deus. Quando me conheço e me amo, estou conhecendo e amando a Deus. Quando cuido de mim, estou agindo sob a orientação de Deus. Rezo para ter disposição de abandonar minha arrogante autocrítica, e louvar a Deus humildemente aceitando-me e cuidando de mim mesmo.
(Fonte: Reflexões Diárias – paginas: 34-41-72-75-86-108-109-138-163-164-165-166-234-241-253-254-324)

BOA VONTADE
Um artigo sobre a Oração da Serenidade.
Quando ingressei em Alcoólicos Anônimos, procurei, atentamente, seguir as orientações de meu padrinho, bem como todas as sugestões dos companheiros nos Grupos. Tumultuado pelo domínio do álcool, achava que a Oração da Serenidade era mais um ritual sagrado de uma seita ou religião na qual eu acabara de entrar. Totalmente longe da realidade, fui conhecendo a Irmandade de A. A. e vi que meu pensamento era completamente diferente da realidade: a Oração da Serenidade não é um ritual e A. A. não é seita ou religião, isso ficou bem claro para mim.
Passados três anos dessa experiência, sei que o recitar da prece é a chave que abre as portas da nova vida, longe do primeiro gole, a cada momento do dia, diante de dificuldades e no início ou no fim das reuniões. É de grande valia para meu programa de recuperação, como também é o mais nobre canal de comunicação que encontrei para contatar com meu Poder Superior, que na minha concepção é Deus, reforçando em mim a força espiritual que o programa de A. A. me traz.
É com muita fé e esperança que eu peço ao Senhor do Universo a serenidade, a saúde, a sanidade e a aceitação, as quais são pilares fundamentais para manter-me sóbrio. Isso eu venho conseguindo a cada vinte e quatro horas.
Ainda não consegui a “coragem” para efetuar todas as mudanças que gostaria de fazer no meu programa de vida, mas todo dia eu renovo o pedido ao Poder Superior para me conceder esse dom. Sei que as mudanças não podem ser do dia para a noite, mas só em poder dizer que tive a coragem de ficar longe do primeiro gole, já tenho motivo suficiente para agradecer a Deus.
A sabedoria aliada ao conhecimento faz de mim um ser capaz. Graças a Deus venho conseguindo essa capacidade de distinguir aquilo que eu posso e o que eu não posso modificar, aquilo que eu devo e o que não devo fazer. Isso é o que aumenta minha boa vontade de continuar sóbrio.
(Fonte: Revista Vivência – 50 – Nov./Dez. 2007 – José P. – Teresina/PI)

A CHAVE DA BOA VONTADE
“A fechadura deve ser mergulhada no mais puro amor e colocada no lado esquerdo do peito.”
Chaves!
Elas existem há vários séculos, de diversos formatos e de vários tamanhos.
Elas têm duas funções básicas que são: – aprisionar ou libertar.
O interruptor é uma chave que me liberta da escuridão, que me alivia o calor…
Já o cartão telefônico é uma chave que me possibilita conversar com outra pessoa a longa distância.
Esta conversa pode ser libertadora ou aprisionadora; medíocre, fofoqueira, injuriosa, que além de mesquinha e infrutífera me aprisionará, me trará sérios problemas impossibilitando-me de enxergar as coisas como elas realmente são.
Na verdade, chave é tudo aquilo que facilita, que viabiliza, que torna fácil o acesso tanto para o bem quanto para o mal.
O álcool é uma chave para a descontração; facilita a aproximação de homens e mulheres, desinibe, mas também é a chave da grande maioria dos acidentes.
É ele quem impulsiona muitas pessoas para a criminalidade e formula atrocidades nas mentes onde habita.
Em suma, o álcool é uma chave que tranca mais que liberta e muitas vezes usando de sagacidade ele liberta hoje para encarcerar amanhã.
Quantos avolumaram seu molho com essa chave, líquida e estão literalmente aprisionados nas penitenciárias e nos manicômios?
Só resolvi abandonar a bebida depois que já estava de posse da chave abstrata da vontade e percebi a necessidade de adquirir a chave do bom senso, pois seria muita tolice, muita ingenuidade de minha parte achar que me livraria do meu algoz sem passar por momentos tempestuosos.
Destrancar os bares onde eu havia aprisionado meu espírito e minha mente, não seria tarefa fácil!
Depois, as chaves da força, da determinação e a dos sonhos tornaram-se minhas aliadas.
Os sonhos, que antes não passavam de ilusões, de fraco desejo, hoje, graças a essas chaves imateriais, a Deus e ao A. A., tenho me mantido sóbrio e conseguido realizar alguns sonhos que foram trancados na masmorra do álcool.
Essas chaves poderosas trouxeram-me até aqui, mas há uma outra que pode facilitar minha caminhada daqui para frente. Essa última possui elementos poderosíssimos em sua liga: é a chave da boa vontade.
Assim como a cobra coral, a boa vontade também possui uma sósia tão parecida que não é fácil distinguir a falsa da verdadeira.
A autêntica coral possui veneno poderosíssimo, capaz de matar em poucos instantes. A genuína boa vontade também, quando penetra na corrente sanguínea, quando passa a fazer parte do DNA da alma proporciona fé, resignação, comprometimento, paciência e compreensão.
A falsa boa vontade, que nada mais é que “obrigação”, tem ajudado as pessoas a seguirem em frente, mas de forma pesada, arrastada, lamuriosa.
Obrigatoriedade é um remédio excessivamente apimentado, ajuda, mas queima muito.
Já a boa vontade é açucarada, leve e prazerosa.
Hoje tenho certeza que as soluções para os meus problemas já existem! Só tenho que saber procurá-las e quanto à chave da boa vontade… estou tentando, mas já entendi que ela é real e que para conquistá-la é necessário que eu construa a fechadura perfeita, fechadura esta que depois de pronta deve ser mergulhada no mais puro amor e colocada no lado esquerdo do peito.
Quando a fechadura estiver pronta, a chave da boa vontade aparecerá.
(Fonte: Revista Vivência – 113 – Mai./Jun. 2008 – Marco Antônio – Niterói/RJ)

BOA VONTADE
“Na Opinião do Bill”
PODEMOS ESCOLHER?
Não devemos nunca nos deixar cegar pela filosofia fútil de que somos vítimas de nossa hereditariedade, de nossa experiência de vida e de nosso meio ambiente – de que essas são as únicas forças que tomam as decisões por nós. Esse não é o caminho para a liberdade. Temos que acreditar que podemos realmente escolher.
“Como alcoólicos ativos, perdemos a capacidade de escolher se beberíamos ou não. Éramos vítimas de uma compulsão que parecia determinar que deveríamos prosseguir em nossa própria destruição.”
“No entanto, finalmente, fizemos escolhas que nos levaram à recuperação. Viemos a acreditar que sós éramos impotentes perante o álcool. Isso foi certamente uma escolha, aliás, muito difícil. Viemos a acreditar que um Poder Superior poderia nos devolver a sanidade, quando nos dispusemos a praticar os Doze Passos de A. A.”. Em resumo, preferimos ‘estar dispostos’, e essa foi a melhor escolha que poderíamos ter feito.”

FORÇA DE VONTADE E ESCOLHA
“Nós, AAs, sabemos que é inútil tentar destruir a obsessão de beber só pela força de vontade. Entretanto, sabemos que é preciso uma grande vontade para adotar os Doze Passos de A. A. como um modo de vida que pode nos devolver a sanidade.
Qualquer que seja a gravidade da obsessão pelo álcool, felizmente descobrimos que ainda podem ser feitas outras escolhas vitais. Por exemplo, podemos admitir que somos impotentes pessoalmente perante o álcool; que a dependência de um ‘Poder Superior’ é uma necessidade, mesmo que esta seja simplesmente uma dependência de um grupo de A. A. Então podemos preferir tentar uma vida de honestidade e humildade, fazendo um serviço desinteressado para nossos companheiros e para ‘Deus como nós O concebemos’.
Conforme continuamos fazendo essas escolhas e assim indo em busca dessas altas aspirações, nossa sanidade volta e desaparece a compulsão para beber.”

A HUMILDADE “PERFEITA”
Eu, por minha parte, tento encontrar a definição mais verdadeira de humildade que puder. Ela não será a definição perfeita porque eu serei sempre imperfeito.
Nesse artigo, escolheria a definição seguinte: “A humildade absoluta consistiria num estado de completa libertação de mim mesmo, na libertação de todas as exigências que meus defeitos de caráter lançam tão pesadamente sobre mim agora. A humildade perfeita seria a total boa vontade de, em todos os momentos e lugares, reconhecer e fazer a vontade de Deus”.
Quando penso nessa visão, não preciso ficar desanimado porque nunca atingirei, nem preciso me encher da presunção de que algum dia alcançarei todas essas virtudes.
Preciso apenas contemplar essa visão, deixando-a crescer e encher meu coração. Isto feito, posso compará-la ao meu último inventário pessoal. Tenho então uma saudável idéia de onde me encontro no caminho para a humildade. Vejo que minha caminhada em direção a Deus apenas começou.
Ao reduzir-me ao meu verdadeiro tamanho, minhas preocupações comigo mesmo e o sentimento de minha própria importância fazem-me rir.

LIBERDADE ATRAVÉS DA ACEITAÇÃO
Admitimos que não podíamos vencer o álcool com os recursos que ainda nos restavam, e assim aceitamos o fato de que só a dependência de um Poder Superior (mesmo que fosse apenas nosso Grupo de A. A.) poderia resolver esse problema até aqui insolúvel. No momento em que fomos capazes de aceitar inteiramente esses fatos, iniciou-se nossa libertação da compulsão alcoólica.
Para a maioria de nós foi preciso grande esforço para aceitar esses dois fatos. Tivemos que abandonar nossa querida filosofia de auto suficiência. Não o conseguíamos apenas com a força de vontade.; isso aconteceu como resultado do desenvolvimento da boa vontade para aceitar esses novos fatos da vida.
Não fugimos nem lutamos, mas aceitamos. E então começamos a ser livres.

ESSÊNCIA DO CRESCIMENTO
Que nunca tenhamos medo das mudanças necessárias. Certamente temos que distinguir entre mudanças para pior e mudanças para melhor. Mas já descobrimos há muito tempo que, logo que uma necessidade se torna clara para o indivíduo, para o grupo ou para A. A. como um todo, não podemos ficar parados.
A essência de todo crescimento é a disposição de mudar para melhor e uma incansável disposição para aceitar qualquer responsabilidade que essa mudança implique.

A BOA VONTADDE É A CHAVE
Independente do quanto se queira tentar, a pergunta é: como, exatamente, pode alguém entregar sua própria vontade e sua própria vida aos cuidados de qualquer Deus que acredite existir?
Basta começar, mesmo que seja um tímido começo. Uma vez que tenhamos colocado a chave da boa vontade na fechadura e tenhamos entreaberto a porta, descobrimos que podemos sempre abri-la um pouco mais.
Embora a obstinação possa fechá-la de novo, como frequentemente acontece, ela sempre voltará a se abrir quando utilizarmos a chave da boa vontade.

ALÉM DO AGNOSTICISMO
Nós, de temperamento agnóstico, descobrimos que tão logo fomos capazes de deixar de lado o preconceito e expressar pelo menos uma disposição para acreditar num Poder Superior a nós mesmos, começamos a ver os resultados, mesmo quando ainda era impossível para qualquer um de nós definir ou compreender totalmente esse Poder, que é Deus.
“Muitas pessoas me asseguram, com toda a seriedade, que o homem não tem lugar melhor no universo do que qualquer outro organismo competindo por sua sobrevivência apenas para morrer no fim. Ouvindo isso, sinto que ainda prefiro me apegar à chamada ilusão da religião, que em minha própria experiência, e de um modo muito significativo, revelou-me algo muito diferente!”

BENEFÍCIOS E MISTÉRIOS
“A preocupação de A. A. com a sobriedade é às vezes mal interpretada. Para alguns, essa simples virtude parece ser o único benefício da nossa Irmandade. Pensam que somos bêbados recuperados e que, em outros aspectos, pouco ou nada melhoramos. Essa suposição esta muito longe da verdade. Sabemos que uma sobriedade permanente pode ser alcançada apenas por uma revolucionária mudança na vida e perspectiva do indivíduo – por um despertar espiritual que pode eliminar o desejo de beber.”
“Você está se preocupando, como muitos de nós devem estar: ‘Quem sou eu?’ ‘Onde estou?’ ‘Para onde vou?’ O processo de esclarecimento é geralmente lento. Mas, no fim, nossa busca sempre traz uma descoberta. Esses grandes mistérios, afinal, estão envoltos em total simplicidade. A disposição de desenvolver-se é a essência de todo o crescimento espiritual.”

ALCANÇANDO A HUMILDADE
Percebemos que não precisávamos sempre apanhar e levar cacetadas para ter humildade. Ela poderia ser alcançada seja se a procurássemos voluntariamente, seja pelo constante sofrimento.
Em primeiro lugar, procuramos obter um pouco de humildade, sabendo que morreremos de alcoolismo se não o fizermos. Depois de algum tempo, embora ainda possamos nos revoltar, até certo ponto, começamos a praticar a humildade, porque essa é a coisa certa a se fazer.
“Chega então o dia em que, finalmente livres da revolta, praticamos a humildade, porque no fundo a queremos como um modo de vida.”

DISPOSTOS A ACREDITAR
“Não permita que qualquer preconceito contra termos espirituais possa impedi-lo de se perguntar, o que eles poderiam significar para você. No começo, era disso que precisávamos, para dar início a um crescimento espiritual, ‘para estabelecer nossa primeira relação consciente com Deus como nós O concebíamos’. Mais adiante passamos a aceitar muitas coisas que nos pareciam inteiramente fora de alcance. Isso era crescimento, mas para crescer tínhamos que começar de algum modo. Assim, no princípio, usamos nossas próprias concepções de Deus, ainda que limitadas.
“Precisávamos nos fazer apenas uma simples pergunta: ‘Acredito, ou estou mesmo disposto a acreditar que existe um Poder Superior a mim?’ Assim que o indivíduo possa dizer que acredita, ainda que seja em pequeno grau, ou que esteja disposto a acreditar, nós lhe asseguramos enfaticamente que ele está no caminho.”

HUMILDADE PARA A IRMANDADE, TAMBÉM
Nós, Aas às vezes exageramos as virtudes de nossa Irmandade. Não nos esqueçamos de que, na verdade, poucas dessas virtudes foram de fato conquistadas por nós. Para começar, fomos forçados a elas pelo cruel chicote do alcoolismo. Finalmente as adotamos, não porque o quiséssemos, mas sim porque fomos forçados a fazê-lo.
A seguir, à medida que o tempo ia confirmando a aparente correção de nossos princípios básicos, começamos a nos conformar porque essa era a coisa certa a fazer. Alguns de nós, e eu em especial, ajustamo-nos então, ainda que com alguma relutância.
Mas finalmente chegamos a um ponto onde passamos a desejar nos conformar com alegria com esses princípios que a experiência, sob a graça de Deus, nos ensinou.

O VALOR DA VONTADE HUMANA
Muitos recém-chegados, tendo experimentado uma pequena mas constante deflação, sentem uma crescente convicção de que a vontade humana não tem nenhum valor. Ficaram convencidos, às vezes com razão, de que, além do álcool, muitos outros problemas não vão se resolver apenas pela vontade do indivíduo.
Contudo, há certas coisas que o indivíduo pode fazer. Sozinho e à luz de suas próprias circunstâncias, ele precisa desenvolver a boa vontade. Ao adquirir boa vontade, ele passa a ser a única pessoa que pode tomar a decisão de se esforçar no caminho espiritual. Tentar fazer isso é, na verdade, um ato de sua própria vontade. É usar corretamente essa faculdade.
Na verdade, todos os Doze Passos de A. A. requerem um constante esforço pessoal para ficarmos de acordo com seus princípios e, assim acreditamos, com a vontade de Deus.

OS RESULTADOS DA ORAÇÃO
Quando o cético experimenta o processo da oração, deve começar a acumular resultados. Se persistir, é quase certo que encontrará mais serenidade, mais tolerância, menos medo e menos raiva. Vai adquirir uma coragem calma, sem nenhuma tensão. Poderá ver o “fracasso” e o “sucesso” como realmente são. Os problemas e calamidades começarão a representar aprendizado em vez de destruição. Vai sentir-se mais livre e mais sadio.
A ideais de que tenha se hipnotizado por auto-sugestão parecerá ridícula. Seu senso de utilidade e de propósito aumentará. Suas ansiedades começarão a diminuir. Sua saúde física talvez melhore. Coisas imprevistas e maravilhosas começarão a acontecer. Relações distorcidas com a família e com outras pessoas melhorarão surpreendentemente.

TRÊS ALTERNATIVAS
O objetivo imediato de nossa busca é a sobriedade – a libertação do álcool e de todas as suas desastrosas conseqüências. Sem esta libertação não temos nada.
Paradoxalmente, não conseguimos libertar-nos da obsessão do álcool enquanto não estejamos dispostos a lidar com os defeitos de caráter que nos levaram a esta irremediável situação. Nesta busca de libertação sempre nos foram dadas três escolhas:
Uma recusa rebelde de trabalhar em nossos defeitos mais evidentes, que pode ser um passaporte quase certo para a destruição. Ou então permanecer sóbrios, talvez por algum tempo, com um mínimo de auto-aperfeiçoamento, e nos instalarmos numa confortável mas perigosa mediocridade. Ou, finalmente, emprenharmo-nos constantemente em adquirir aquelas genuínas qualidades que podem contribuir para a clareza de espírito e para a ação – uma liberdade verdadeira e duradoura sob a graça de Deus.

UMA RECÉM-ENCONTRADA PROVIDÊNCIA
Ao lidar com um possível membro que tenha inclinações agnósticas ou ateístas, é preferível usar a linguagem coloquial para descrever os princípios espirituais. Não adianta despertar qualquer preconceito que ele possa ter contra certos conceitos e termos teológicos, sobre os quais já possa estar confuso. Não levante estes assuntos, sejam quais forem as convicções que você tenha.
Todos os homens e mulheres que ingressaram e pretendem permanecer em A. A., sem perceber, já começaram a praticar o Terceiro Passo. Não é verdade que em todos os assuntos relacionados com o álcool, cada um deles decidiu entregar sua vida aos cuidados, proteção e orientação de A. A.?
Já se operou um ato de boa vontade quando eles se dispuseram a substituir a vontade e as ideais próprias sobre o problema do álcool, pelas sugeridas por A. A. Ora, se isso não é entregar a vontade e a vida a uma recém-encontrada “Providência”, o que é então?
(Fonte: Na Opinião do Bill – paginas: 4-88-106-109-115-122-137-171-211-219-226-232-321-327-328)

BOA VONTADE: – A CHAVE DO SUCESSO
Mesmo estando em recuperação há algumas 24 horas sentia que a programação de A. A. ainda não estava presente em minha vida, pois eu acordava pela manhã mesmo sem ressaca há vários anos, reclamando: – Nossa já é hora de levantar, passou tão rápido esta noite! Tenho que ir trabalhar mesmo? Era assim que começava o meu dia e no decorrer deste, batia uma monotonia, uma tristeza sem explicação. Assim eu ia levando, reclamando, me tornando sem perceber, um verdadeiro ranzinza.
Esta fase aconteceu após 3 anos em A. A., até que um “A Amigo”, certo dia me disse: – Faça o 3º Passo; entregue sua vida aos cuidados do seu Poder Superior; mude seu foco; comece a agradecer ajudando sem esperar retorno; seja grato por acordar cedo e sem ressaca, pois que precisa acordar cedo é porque esta trabalhando e se tem um trabalho terá pão em sua mesa; agradeça por estar em recuperação e que a programação está funcionando para você.
Aquelas palavras mudaram meu caminho!
Recordo-me quando eu estava no sanatório e que meu maior patrimônio eram minhas sandálias havaianas.
Bastou um pouco de boa vontade para eu encontrar a chave do sucesso!
Hoje acordo pela manhã e agradeço meu Poder Superior por estar em A. A., por estar sóbrio e com minha família.
Tenho um bom trabalho, voltei a estudar e sou saudável.
Agradeço a A. A. e ao Poder Superior pela minha vida, pela minha felicidade.
Hoje sim, tenho prazer no trabalho, nos meus momentos de lazer com minha família, pois amo minha esposa e retribuo a força que ela me dá em minha programação. Amo meus filhos e isso companheiros é porque entreguei minha vontade e minha vida aos cuidados de um Poder Superior como O concebo.
Só Por Hoje! Funciona. Felizes 24 Horas de Sobriedade e Serenidade.
(Fonte: Revista Vivência – 113 – Mai./Jun. 2008 – Euler/Goiânia/GO)

XVI CICLO DOS DOZE PASSOS – SP

XVI CICLO DOS DOZE PASSOS –SP

Primeiro Passo

‘Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas’

Companheira : CÉLIA

Meu nome é Célia e eu sou uma alcoólatra .
Falo isso, pois preciso ouvir de minha própria boca que sou portadora de uma ‘doença incurável’ e que poderá me levar a loucura e a morte.
Aceitei a derrota total e moral e Espiritual, e que sou impotente perante o álcool .
Esse é o único Passo que fala do álcool.
Nele também está escrito admitir e aceitar essa Doença, e para isso temos que ser rigorosamente honestos e tolerantes, ou seja, termos um pouco de humildade para aceitar ajuda, somente assim esse passo se tornará 100% praticado. Sozinha nunca consegui parar.
Aceitar que é uma doença, Física (alergia, Mental (obsessão ) e Espiritual (ausência de fé e egocêntrica total )
Que somente um ato da providência poderia remover o nosso modo de beber destrutivo.

Eu tentei parar por muitas, mas sempre voltei a beber.

Tentei na Igreja, nos templos de Umbanda, nas Filosofias e por várias vezes na psiquiatria. Todos me tentaram me ajudar, mas estava com a ‘mente fechada’ sem consciência da minha compulsão, estava no fim e não percebia.

Eu só queria beber umazinha e bebia um monte, não me lembro de começar a beber e acordar sem culpa, remorso e vergonha.

Isso me levou ao Inferno que somente vocês podem entender.

O “nós” do Primeiro Passo diz que agora fazemos parte de uma Irmandade que nos ama. Estamos com pessoas iguais a nós. Não precisamos lutar mais sozinhos. Eu não sei quanto a vocês, mas eu perdi a moral, não tinha mais confiança de ninguém. Mentia para mim,para os outros e o que é pior,acreditava nas minhas mentiras.
A velha frase, amanhã eu paro.
Juro que vou beber só um pouquinho.
Deus não gosta de mim e por isso eu bebo.
Eu era um poço de auto-piedade ou uma Bêbada cheia de Raiva e Ressentimento.
Mas acreditem me achava humilde e boazinha, afinal eu bebia nos lugares mais simples, famosos Botecos e com pessoas bem inferiores a mim. Era lá que eu me sentia importante, tal era minha arrogância e prepotência.
Lá naquele Boteco era o único lugar que me aceitavam, e mesmo assim às vezes o lixo era mais importante do que eu.
A Doença da negação. É muito comum ouvirmos companheiros( as), dizerem em seu depoimento que não haviam chegado ao ‘fundo de poço’. Dão mais importância às perdas materiais, do que os danos morais .
E ainda quero ter o controle da vida , quando na verdade se eu tomar o primeiro gole , esse primeiro gole me leva a perder totalmente o governo da minha vida.
Por isso venho me mantendo longe do álcool, da forma que me foi sugerido :
Evitando o Primeiro Gole
Freqüentando as Reuniões
Praticando a terapia do Telefone
Utilizando a prática das 24hs

SEGUNDO PASSO

“ Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade”.

Companheiro: João Roberto

Ao chegar em Alcoólicos Anônimos , completamente derrotado , não tive dificuldade em aceitar que havia perdido o domínio de minha vida , o que já havia acontecido antes mesmo de procurar ajuda .

O grande problema foi , durante muitos anos , a minha resistência em admitir minha impotência perante ao álcool .

Apesar de todas as evidências nesse sentido , o fato era que eu procurava justificar minha forma de beber , minimizando os efeitos da bebida , atribuindo as conseqüências a algum outro problema que eu pudesse vir a ter ,

foram diversas consultas a psiquiatras e psicólogos , a busca de soluções por meio das religiões , sempre procurando formas de resolver meus problemas .

Qualquer sugestão era aceita , menos aquelas que me afastassem do álcool , meu companheiro de todas as horas , nos bons e maus momentos .

Acho que isso por sí só demonstra o grau de insanidade que me dominava . Lembro-me de , nos últimos tempos de alcoolismo ativo perambular pela cidade , tentando me lembrar como era minha vida antes , quando tinha alguns momentos de abstinência alcoólica .

O companheiro de A.A. que me levou a minha primeira reunião , ao me falar sobre o programa me perguntou : “ Como anda seu relacionamento com Deus ?” , ao que respondi :

estamos muito distantes , Ele no céu e eu aqui embaixo . Faça o seguinte , me disse o companheiro , quando você tiver um problema e não conseguir resolver , entregue-o a Deus e depois me conte o resultado .

Ao tomar conhecimento dos Doze Passos , verifiquei que A.A. não exige crença , que os Doze Passos são apenas Sugestões e o que é importante é ter a mente aberta .

O Segundo Passo nos fala da variedade de caminhos em direção à fé , possibilitando que nos utilizemos de A.A. como força superior .
‘ Como está escrito , a fé que eu havia perdido foi reencontrada em A.A. .
Começou , de minha parte , quando surgiu o problema para o qual eu não tinha solução e ao fazer o que havia sugerido , a resposta veio de imediato , possibilitando dessa forma que me aproximasse do meu Poder Superior .

Da mesma forma que diversos companheiros haviam procedido antes de mim , eu também jamais me importei em saber qual seria a vontade de Deus , ao contrário procurava fazer negócios com Ele , dizendo-lhe o que devia ser feito .

Aprendí a reconhecer o meu Poder Superior , que se manifesta de forma horizontal , por intermédio companheiros de A.A., aprendendo a “ouvir sem julgar” , percebendo que Deus sempre me deu aquilo que preciso , nem sempre o que desejo .

A partir do momento em que tenho a capacidade de ser honesto em minhas atitudes , procurando fazer o melhor que posso , estou aberto e consciente da importância de permitir que Deus me conduza de volta à sanidade , deixando de agir do mesmo modo , esperando resultado diferente .

“ Comecei a beber muito cedo, na verdade nunca fui honesta comigo mesma, eu não me conhecia.
‘A partir das mudanças e da prática dos demais passos, hoje eu não bebi, não tive vontade de beber e estou aqui com vocês’.

Terceiro Passo

“ Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus , na forma em que O concebíamos”.

Companheiro : Tatão

“Após termos passado pelo crivo contundente da aceitação a que precisamos nos submeter no ‘ primeiro passo’ , admitindo a derrota total e aceitando nossa incapacidade total no tocante ao álcool , culminando com a completa perda do domínio da vida e após encontrar na liberdade espiritual do 2º Passo a única força conhecida capaz de conter a enfermidade inerente do alcoolismo , nos deparamos com o 3º Passo , que acreditamos seja a pedra angular de todo o Programa de Recuperação de A.A. . Este Passo representa a primeira tentativa de juntar a espiritualidade do programa de A.A. com a funcionalidade de que necessitamos para direcionar nossas vidas e fazer face as nossas necessidades temporais .

É o momento de utilizar a nossa fé recém descoberta em um Poder Superior com a finalidade de guiar nossas vidas e conviver com as pessoas que nos cercam segundo a vontade de DEUS .
O principal instrumento do 3º Passo chama – se ‘ chave da boa vontade’ que permitirá a abertura da porta para que Deus possa entrar em nossas vidas , através da fé que funciona . ***

‘ Sabemos que muitas dúvidas surgirão pelo caminho e que a idéia de depender totalmente de um Poder Superior , muitas vezes é assustadora , mas sabemos que todos os que realmente tentaram conseguiram ao menos iniciar esta entrega a que se refere ao 3º Passo e que à medida que nos tornamos mais dependentes do Poder Superior , mais independentes nos tornamos das coisas .
É Importante salientar que uma vez realizada a primeira tentativa , sempre será possível abrir um pouco mais a porta mesmo que vez ou outra o ‘ Egoísmo’ volte a fechá-la , basta para isso usar a chave da Boa –Vontade que agora se encontra em nossas mãos . Acreditamos que apesar de ser a primeira tentativa , a eficácia de todo o programa , dependerá de quão bem e sinceramente tenhamos chegar à decisão de entregar nossa vida e nossa vontade aos cuidados de DEUS e que só é possível praticar com êxito os outros passos quando o 3º Passo tenha sido experimentado com determinação e persistência .
‘ Podemos entender com naturalidade que se tenha algum receio durante a experiência do 3º Passo , mas à medida que se vai avançando e se vai experimentando a liberdade que resulta da dependência de um PODER SUPERIOR , à medida que vamos libertando do Ego e que se vai permitindo que a vontade de Deus prevaleça em nossas vidas , é impressionante como as coisas acontecem e sempre que se tiver dificuldade para discernir a vontade própria da vontade do Poder Superior , lembre-se da chave da Boa Vontade e não tenha receio de usá-la sempre que tiver diante de um problema aparentemente sem solução , lembre-se que a nós cabe apenas a parte humana , portanto faça tudo que estiver ao seu alcance e entregue ao Poder
Superior , aí é só esperar o resultado e seja qual for , lembre-se que Deus faz sempre o melhor”.

QUARTO PASSO :_
‘ Fizemos Minucioso e Destemido Inventário Moral de Nós Mesmos’
Companheira : _ Marta / Carla-
“Sem um esforço voluntário e persistente haverá pouca Sobriedade e Felicidade para nós”
Ao aceitarmos nossa dependência, insanidade e derrota completa perante o álcool e nossas vidas, reformulamos nossa crença em um Poder Superior e entregamos nossas vontades , pensamentos , sentimentos, nossas ações , nas mãos Dele. E nessa entrega, sentimos que necessitamos de uma reforma íntima que nos possibilitará a limpeza de nossas estruturas e realizar nova construção numa base espiritual sólida , sem reservas , sem medo .
“ Pensar , agir e reagir sob a batuta do Grande Maestro”.
‘A mudança é fundamental , não só porque ela ajuda a nos responsabilizarmos por nossas atitudes promovendo nosso crescimento emocional e espiritual , como também porque nos encaminha para a vivência de uma verdadeira Sobriedade , que nada mais é do que aceitarmos a realidade tal como ela se apresenta, aprendendo a lidar com ela’ .
E começam nossos problemas . Só podemos aceitar essa realidade quando nos aprendemos a nos aceitar e só podemos fazer isto quando nos conhecemos. O meio que utilizamos para este auto-conhecimento é o 4º Passo .
Para fazermos o 4º Passo , é indispensável que levemos em conta dois aspectos apontados no enunciado do passo que ele deve ser feito com profundidade: – minuciosamente e com absoluta honestidade. (Boa –Vontade , Honestidade e Mente Aberta).
Devemos adentrar no nosso íntimo como se estivéssemos entrando numa casa às escuras só com uma vela para nos guiar.
Precisamos estar dispostos a iluminar cada canto de cada compartimento de nossas mentes, como se nossa vida dependesse disto , porque realmente ela depende .
O que buscamos é o mais completo e total conhecimento de nós mesmos e honestidade para examinarmos comportamentos, pensamentos, sentimentos e motivos .
Nossa honestidade é de maior importância , para percebermos até onde nossa doença nos levou e também podemos juntar nossos fragmentos e vermos realmente quem somos.
Inventário moral : – não tem o propósito de definir moralidade e nem definir regras de moral.
Reconhecemos que moral é um conjunto de valores que escolhemos para nos guiar no dia a dia de nossa Recuperação, sempre aos cuidados de um Poder Superior .
Consideramos “Bom” quando solidifica nossa recuperação e “ Ruim” como algo que tem o poder de aflorar o que temos de pior , contra a nossa recuperação .
‘ Um inventário, para funcionar, deve ser prático.
Deve ser escrito com calma, sem julgamento, sem censura , sem medo do 5º Passo; não fazer o inventário dos outros ( nunca nos ocorreu que precisávamos mudar a nós mesmos para que nos ajustássemos ás circunstâncias) ; fazendo uma lista dos defeitos e também das virtudes . Os primeiros para a eliminação e os segundos para a reconstrução.
Importante é escrever sobre meus sentimentos a respeito das situações e não só os eventos. Um inventário verdadeiro é uma auto –análise do que nós éramos e da forma como ficamos. ‘ Alguns defeitos de personalidade ou falha humana” :_
ORGULHO:_
Admiração exagerada por sí próprio , vaidade , egoísmo , arrogância , ostentação , auto-promoção .
Terrível defeito de personalidade , bem como um dos sete pecados capitais .
O Orgulho nos induz a fazer exigências de nós e dos outros que não podem ser cumpridas sem perversão( maldade ) .
O orgulho produz críticas, o falatório pelas costas, palavras farpadas e verdadeiros assassinatos morais para elevar meu Ego por comparação. O orgulho me faz condenar aqueles que me criticam.
Quando a satisfação por nossos Instintos por Sexo, Segurança e Posição Social se torna o único objetivo de nossas vidas, então o orgulho entra em cena para justificar nossos excessos.
HIPOCRISIA _ fingir ser o que realmente não sou ;
Teimosia _ insistência em impor minha vontade;
Discórdia_ ressentimento contra qualquer um que cruze o meu caminho;
DESOBEDIÊNCIA _ recuso- me a submeter minha vontade de meus superiores legais e hierárquicos e à vontade de Deus;
AVAREZA _perversão do direito de possuir coisas materiais .
Desejo riqueza sob a forma de dinheiro ou outras coisas como um fim em si .Quero adquirir riqueza em qualquer de suas formas , desrespeito os direitos alheios ; sou desonesto , sou pão duro com minha família , sou conivente com fraudes , perjúrios e práticas duvidosas .
LUXÙRIA_ desejos e comportamentos sexuais obsessivos- deformados . Devido ao isolamento do alcoólatra , o sexo é utilizado como droga para aliviar a solidão emocional e como expressão da linguagem corporal , pela minha inabilidade de expressar sentimentos e desconhecer ‘afetividade / Intimidade .
INVEJA _ mal estar perante os bens dos outros .
‘ Não gosto de ver os outros felizes e os critico porque secretamente gostaria de ter realizado seus feitos ou vivido a sua vida .
ÓDIO _ desejo violento de punir os outros. Entrego-me a crises temperamentais, fico vingativo,sou impaciente,exagerad amente sensível , facilmente me melindro.
Ignoro que a raiva impede o meu desenvolvimento espiritual.
Gula_ abuso dos prazeres legítimos que Deus concedeu ao comer e beber os alimentos para a auto_ preservação.
PREGUIÇA _ Doença da vontade que causa a negligência do dever. Sou indolente, procrastino, despreocupado e indiferente quanto às coisas materiais. Não pratico a auto – disciplina; Desanimo facilmente nas coisas que me são moral ou espiritualmente difíceis. Prefiro ler um romance a ler algo que me requeira trabalho mental como o Livro Azul.
Todas essas falhas geram dor e um vazio, uma doença da alma e um medo que deforma nossas emoções e instintos, transformando por sua vez em mais defeitos de caráter.
Algumas Virtudes:_Não é nossa intenção tornarmo-nos Santos e sim obtermos uma qualidade de Vida .
FÉ – capacidade de acreditar nas coisas que não posso ver, quantificar , manusear , controlar , com a certeza de que Ele proverá todas as nossas necessidades .
ESPERANÇA – FÉ em conseguir o que se espera ou deseja ;
CARIDADE // GRATIDÂO – é a capacidade de amar sem restrições de qualquer natureza , de viver plenamente com consciência , responsabilidade e reconhecimento por toda ajuda e dádivas recebidas pela Dor .
HUMILDADE –aceitação de seus limites e potencialidade , vivendo sempre em conformidade com essa realidade .
E ainda temos as virtudes como cortesia , contentamento , lealdade , pontualidade , sinceridade , bondade , compaixão , equilíbrio , tolerância e muitas outras que em recuperação , aprendemos .
“ O 4º Passo nos permite Morrer em Vida para VIVER em VIDA”
NO INVENTÁRIO DEVEMOS Nos LEMBRAR:-
Ao nos avaliarmos honestamente, conseguimos através desse auto- conhecimento, promover as modificações do pensamento e do comportamento , compreendendo assim , que estamos ficando sóbrios fisicamente , mentalmente e espiritualmente e prontos para não reincidirmos em nossos erros . Podemos finalmente, retirar nossas máscaras e fazermos de nós pessoas adultas e conscientes, e porque não, felizes.
Dicionário:-
QUINTO PASSO.
“ADMITIMOS PERANTE DEUS,
PERANTE NÓS MESMOS e
PERANTE OUTRO SER HUMANO,
A NATUREZA EXATA DE NOSSAS FALHAS.”
COMP. PIERO
Fé é a nossa capacidade de compromisso, portanto, dizemos que a Fé é a nossa capacidade de amar.( Laurence Freedman)
O meu 4º. Passo foi um terremoto emocional. Ao relembrar acontecimentos dolorosos o desespero era tanto que eu não pedi a Deus o porque isso aconteceu, mas pedi a ELE que me ajudasse a salvar o que ficou de pé.
Eu não queria morrer sem aprender a viver
Os primeiros passos de nossa recuperação podem ser muito dolorosos.
Acostumados a não assumir a nossas e devendo admitir a perda do domínio das nossas vidas, uma mistura complicada de emoções nos invade, sentimos raiva de tudo e de todos, raiva do mundo por achá-lo tão injusto e por ter ficado sozinhos sem ter alguém para descarregar as nossas magoas.
Estamos arrasados e cheios de conflitos
O meu primeiro foi com Deus.
Lembro que no meu desespero inicial perguntava a Ele:
“Se tudo que acontece na nossa vida é por Sua vontade, Você é o responsável pelo que aconteceu comigo,ou, como mínimo, poderia tê-lo impedido”.
O que eu não entendia é que Deus não é responsável pelo que aconteceu comigo ou pela minha Doença, o que fez foi pegar na minha mão e me levar para uma sala de A.A. e por isso eu tenho que ser eternamente grato a Ele.
Tenho que ser eternamente grato aos meus companheiros de Sala que me ajudaram a valorizar e entender que com a corajosa admissão da natureza exata das minhas falhas perante eu mesmo e perante outro ser humano, a prática do 5º Passo reforçou a enorme importância do Apadrinhamento, pois talvez, pela primeira vez depois de tantos sofrimentos, precisava de alguém para abrir totalmente, e honestamente o meu coração, alguém com quem compartilhar meus tabus,- físicos, emocionais ou sexuais- que de acordo com minhas manias de grandeza “Ninguém poderia saber e que eu levaria até a tumba.”
Por isso eu escolhi o meu Padrinho em A.A., pois ninguém, no meu conceito, entende um Alcoólatra melhor que outro alcoólatra.
Entendi que o 5º Passo reforça, ainda mais o meu convencimento que o Anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições, pois é só colocando os princípios acima das personalidade que minha vida tem um enorme princípio espiritual.
O Sofrimento serve para enobrecer o ser humano, para eliminar de suas mentes o orgulho e a superficialidade.
Para ampliar seus horizontes.
Em suma o propósito do sofrimento é reparar os defeitos de personalidade do homem.( Harold Kushner)
‘Quanto com tanta Dor e Frustração aprendemos quais os rumos que não levam a nada, estaremos preparados para encontrar o caminho certo’.

SEXTO PASSO
“PRONTIFICAMO_ NOS INTEIRAMENTE A DEIXAR QUE DEUS REMOVESSE TODOS ESSES DEFEITOS DE CARÁTER”
COMP. MIMA
Qualquer coisa a meu respeito, pode ser usada por meu bem. Se hoje me sinto amedrontada, lembrarei que meu medo é um sinal de que tenho algo para aprender.
Precisei durante muitos anos, do álcool, para mascarar sentimentos, dores, complexos, etc. Mesmo sem ter conhecimento do Sexto Passo prontifiquei- me inteiramente para que Deus removesse a minha obsessão pelo álcool, e foi removida só por hoje.
Esta disposição não surge em mim num lampejo de luz, pelo contrário, enquanto me esforço para progredir numa direção positiva, vou ficando pronta, um pouco de cada vez.
Nesse Passo não estou me propondo a agir como um robô, já que a maior graça que Deus me deu foi o livre arbítrio, o de agir livremente desde que esteja disposta a aceitar as conseqüências de minhas atitudes erradas. O que noto é que minhas atitudes emocionais no tempo da ativa sempre foram exageradas, tanto no que se trata de euforias ou depressões. Nesse Passo passo a ter reações perante os fatos da vida, reações essas que não impedem um raciocínio claro e a tomada de atitudes coerentes e justas.
Meu trabalho é manter-me simples. Quanto mais pratico a gratidão pela minha vida como ela é, vou ficando mais disposta e tudo segue em novas direções. Quando identifico tantos erros, preciso me dispor a soltar. Atrás de cada defeito, esconde-se uma qualidade. Esvaziar, soltar, eliminar abre espaço para minha força, habilidade. Uma das qualidades é ouvir, e ouvir sem julgar.
Habilidade, participar das atividades sem querer mudar; conviver com erros, compreendendo, respeitando que cada um, tem seu tempo para ficar pronto.
Defeitos como inveja, rancor, gula, lasciva, fofocas, preguiça, não consigo me livrar por completo, Ele quer apenas que tentemos da melhor maneira possível, progredir na edificação do caráter, o que precisamos reconhecer, no mínimo. Teremos de enfrentar alguns de nossos piores defeitos de caráter e tomar medidas o mais rápido possível. ‘Estas medidas separam os adultos dos adolescentes’ .
“A maior parte de nossa felicidade ou infelicidade depende de nossas disposições e não de nossas situações”.
SÈTIMO PASSO
“HUMILDEMENTE ROGAMOS a ELE QUE NOS LIVRASSE de NOSSAS IMPERFEIÇÕES.”
COMPANHEIRO: MICHAEL
Este é meu quarto ciclo. No primeiro não falei (ainda cheirava a álcool) Para o segundo fui convidado a falar sobre o Terceiro Passo. No terceiro sobre o Nono Passo, e agora sobre o Sétimo. Não sei quem está orientando o Comitê que escolhe os tematistas (será que Deus tem algo a ver com isso?), mas no meu caso estão escolhendo certo para mim, pois a cada vez que venho aqui o Passo é o que mais preciso naquele momento. E hoje preciso mais que nunca de humildade na minha vida e Recuperação.
Vamos definir bem o que é humildade, a palavra usada por nossa língua portuguesa, muitas vezes para evitar chamar alguém de pobre em termos de possuir bens e dinheiro. Humildade nada tem a ver com isso, ser um capacho, se rebaixar, ser menos. Humildade é ser real, autêntico, verdadeiro. Sem máscaras. Você ser você mesmo. Eu ser eu mesmo.
Então, o problema a meu ver ao ficar sóbrio, é descobrir quem eu sou. É uma das minhas tarefas em A.A. É como descascar uma cebola, uma camada de cada vez. Haja camadas!
E quem afinal sou eu? Antes eu sabia, achava. Aos onze anos eu era meu cabelo (sim tinha). Aos 14 anos minhas roupas. Aos 16 minha motocicleta. Aos 19, reflexo pálido dos meus amigos com as festas. A bebida. E depois, eu me identificava por parte das minhas mulheres, as minhas namoradas.
Cheguei ao Brasil com 22 anos. E eu era? O inglês. Depois eu era o pai, o bom pai. O bom marido. Sim, bebia um pouco de vez em quando. Tinha até orgulho de ser um bom bebedor. Conhecido como tal.
Há quase dez anos atrás, lancei um livro que alterou a minha vida. Aí sim, me identificava como escritor. Se eu disser que sou um escritor medíocre, seria falta de humildade, pois sou um bom escritor. Se eu dissesse que sou um bom dançarino seria uma mentira total. Faltaria humildade. ( Pergunta a minha filha quando dançamos a valsa na sua formatura).
Com tudo isso eu achava que eu sabia quem eu era. Se perguntasse para mim eu diria, “Claro que sei”, e ficava por isso. ( Mas ninguém me perguntava).
E qual teria sido a verdade? A verdade era que eu era um menino amedrontado, que tinha raiva dos pais. E de todos. E do mundo. E a questão mais importante da minha vida, que eu ignorava por completo? Eu era simplesmente um alcoólico… e nem sabia, nem suspeitava deste fato. E se alguém me confrontasse com isso? Caía na negação, claro. Eu não tinha opção. Tinha que negar. Se admitisse, eu teria que considerar parar de beber, a última coisa que eu queria.
Por que estou em A.A.? Já ouvi muitas colocações de companheiros. Alguns para não voltar a beber. Outros para uma maior qualidade de vida.
Há aqueles para mostrar a alguém que pode ficar sem beber. Uns por medo de voltar a cometer insanidades. Por vergonha. Por Solidão. Sei lá. Posso falar por mim. Estou em A.A. para tentar ser uma pessoa melhor. De preferência um homem melhor hoje que ontem. Um dia de cada vez.
Por que? Porque tenho dificuldades de aceitação. Vou falar ao contrário da humildade. É orgulho. Aquele pecado capital que Bill menciona no nosso Quarto Passo, dizendo que não é por acidente que o primeiro deles é o orgulho. Eu o chamo chefe da gangue. Mellinho chama a doença de alcoolismo ou “orgulhismo”. Quando tomei contato com os conceitos dos passos, eu tinha certeza que entendi esta questão de humildade.
“Quando tomei contato com os conceitos dos passos, eu tinha certeza que entendi esta questão de humildade, tanto que fiquei muito orgulhoso da minha humildade.
Por que da minha dificuldade de aceitar certos comportamentos na sala de reuniões? Quero aproveitar este ciclo para praticar o sétimo passo, praticar de fato, para pedir a Deus remover o meu orgulho. Mas será que eu quero? Mesmo? Pois o orgulho me faz sentir superior aos outros. Porém minha auto-piedade está muitas vezes em evidência. Menos hoje talvez, mas continua lá.
Muitas de nós, ao ingressar em A.A. reclamam do mundo, do marido, da esposa, dos outros, do chefe, do governo. Reclamamos das perdas, tudo provocado pelos outros. Sei, pois eu fazia isso. Mas na recuperação, se formos abençoados, logo começaremos a perceber que não era os outros, nem um destino cruel, maléfico,nem azar,que causou todos os estragos. Começaremos a perceber que toda a desgraça da ativa ( e antes e depois também) só teve um culpado. Podemos chiar e espernear, mas cedo ou tarde chegamos a conclusão que não dá mais para ignorar. Somos-nós os responsáveis. E isto é real. Não é ilusão. A realidade fica querendo invadir a minha vida. ÁS vezes não gosto. Resisto, mas isto é um dos problemas da realidade. Ela não vai embora só porque eu paro de acreditar nela.
Mas, espera aí ! No Décimo Passo está escrito: “É um preceito espiritual, o de que cada vez que estamos perturbados, seja qual for a causa, alguma coisa em ‘nós’ está errada. Se ao sermos ofendidos, nos irritamos, é sinal que também estamos errados.”
Deus quer todos iguais.Somos todos iguais. Mas eu as vezes insisto em me achar diferente. Se eu me conhecesse mais eu não faria disso. Mais auto-conhecimento é igual mais humildade. Saber meu verdadeiro tamanho. Por que enquanto não faço isso, eu sofro. E chega de sofrimento. Por isso estou aqui com vocês.
Para terminar, quero lembrar a oração conhecida entre nós como A Oração de Dr. Bob.
HUMILDADE
“Humildade é o silêncio perpétuo do coração. É estar sem problemas. É nunca estar descontente, contrariado, irritado ou ofendido. É não me surpreender com qualquer coisa feita contra mim mas sentir que nada é feito contra mim. Significa que, quando eu for repreendido ou desprezado , eu tenho um lar abençoado dentro de mim, onde eu posso entrar, fechar a porta, ajoelhar-me em frente ao meu Pai em segredo e estar em paz como um profundo mar de calmaria, quando tudo ao meu redor está parecendo agitação
OITAVO PASSO’

– Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos causados.

Companheira: Lucia

Remorso O “Oitavo Passo” oferece uma grande mudança numa vida dominada pela culpa e pelo remorso.
Remorso era um dos sentimentos que me mantinham bebendo.

Tropecei no caminho durante a ativa deixando um rastro de desgosto e devastação dolorosa de imaginar. Meu remorso era freqüentemente intensificado por minha percepção de que não poderia fazer nada sobre o prejuízo que causei. Não tinha jeito.

Removo parte da força do remorso quando o encaro. Começo o “Oitavo Passo” fazendo, realmente, uma lista de todas as pessoas que prejudiquei.
Admito participação em meu doloroso passado, mas, o “Oitavo Passo” não pede a correção de todos meus enganos, meramente, pede que eu me torne disposto a fazer reparações a todas essas pessoas. À
medida que me disponho a reparar o prejuízo que causei e reconheço a disposição para mudar. Afirmo o processo da recuperação.

Remorso não é mais um instrumento que uso para torturar-me. Remorso tornou-se ferramenta que posso usar para me perdoar. Eu vou usar qualquer sentimento de remorso que possa ter, como um trampolim para a recuperação através dos ‘Doze Passos’. Sempre que me separo de alguém, seja:física, mental,emocional ou espiritualmente, estou ferindo a “Lei Cósmica do UNO” dentro do A.A. quebrando a 1ª Tradição . Se a perfeição e o domínio devem ser expressos, deveis conhecer e admitir apenas a “Lei do Uno”. O Uno existe e controla tudo completamente em todas partes do universo.
Sois a autoconsciência da vida a uma presença suprema da grande chama de amor e luz. O passado deve ser lembrado e esquecido como atitude de falsas noções, sistemas de crenças que nos são impostos, os velhos pensamentos.

Fizemos uma lista de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e dispusemo-nos a fazer reparações a todas elas. Na minha mente, os passos vão evoluindo e posso fazer este 8º Passo, por ano, dentro da Irmandade, como, por exemplo: como agir com o recém-chegado dizendo que não precisa fazer o passo, devo colocar o nome deste chegado na lista. “Se qualquer crença ou ato meu é bom que o recém –chegado ou quem está no programa, saiba que existe um Deus como eu o compreendo. Que o meu Deus tem que funcionar para mim e não para ele. È sugerido que ele ache o seu Deus. É sugerido que ele não se julgue o Deus do outro companheiro. Que talvez precise de alguma ajuda e, como na ativa, quando sente o julgamento poderá não buscar o “Uno”.
Fazendo parte das soluções, e para mim, tenho que rever
(reforçar) se este é o Deus que eu quero. Se esse Deus está funcionando, pois o 8º Passo trata de honestidade, coragem, boa vontade e compaixão, primeiro para comigo, para Deus que o concebo e depois para os companheiros.

OBS: Transcrevi esta Temática com a máxima fidelidade da apostila do XVI CICLO DOS PASSOS – SP . Se Algum companheiro desejar pode fazer uma análise sobre o TEMA .

NONO PASSO
“Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.”
Companheiro: LEVI
Fazer reparações é ir de encontro daqueles a quem causamos prejuízos, físicos, financeiros, moral e emocional. Acredito que é a busca de conviver melhor com nós mesmos e com semelhantes.
Deixar de fazê-las, é ignorar o sentimento de emoção dos outros que foram prejudicados com nossas atitudes durante nosso alcoolismo e muito que fizemos aos outros, não teremos tempo para reparar, mas podemos mudar nosso comportamento através da prática dos Doze Passos, e não causarmos mais prejuízos aos outros.
Quando chegamos ao Nono Passo pressupomos que tenhamos vivenciado os passos antecedentes, porque só assim termos condições de fazer as reparações com humildade, coragem e prudência.
Em mãos com a relação das pessoas que tínhamos prejudicados, iremos analisar cada uma delas e escolher por onde começar.
Portanto bom senso, atenção e muito auto conhecimento são importantes para praticar o Nono Passo com eficácia.
Neste passo não podemos nos deixar levar pela primeira impressão ou pela aparência atual, sem um perfeito conhecimento do que fazer e como fazer.
Há alguns anos atrás assisti a temática de uma Psiquiatra no meu grupo, sobre Alcoolismo e família, naquela ocasião perguntado á ela, se as reparações eram mesmas necessárias. Ela disse que o alcoólico que não quer fazer reparações é um criminoso, pois tripudiou sobre as emoções dos familiares, frustrou sonhos, decepcionou amigos, enfim deixou todos doentes. Se quiser ter uma vida equilibrada, fazer reparações era o mínimo que se pede.
Naquela época achei um exagero, mas com o passar do tempo compreendi o caos que foi meu alcoolismo e hoje quando quero procrastinar alguma reparação, logo me vem aquelas palavras daquela profissional.
É preciso saber, honestamente se quero crescer e se hoje estou pronto para isso aqui e agora.
Saber perdoar primeiro os outros que nos prejudicaram é o requisito
Necessário para que possamos pedir perdão a quem prejudicamos, só assim teremos condições de aceitar humildemente a reação que o outro possa ter.
“Pois a disposição de aceitar todas as conseqüências de nossos atos passados e, ao mesmo tempo, assumir a responsabilidade pelo bem – estar de outros, constitui o próprio espírito do Nono Passo”. ( Doze Passos pg.77).
Reconciliai- vos o mais depressa possível com vosso adversário, enquanto todos estais a caminho….. …..( S. Mateus cap. 5 vv. 25)
Décimo Passo: “
Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.”
Companheiro: J Bernardo
“Viver é afinar o Instrumento … de dentro pra fora, de fora pra dentro…”
1. O Décimo Passo é o passo da vida. É impossível não praticar. Querendo ou não querendo estou sempre fazendo o Inventário.
É eu estar presente na minha vida o tempo todo. Estar ligado constantemente, estar em contato comigo com outras pessoas e com o meio ambiente que me rodeia.
2. Não dá para praticar o Décimo Passo no passado. Mesmo ao analisar fatos do passado, a ação de fazer a análise é feita no presente.
Da mesma maneira por mais que eu tente e repita, nunca consigo fazer o inventário do futuro.
3. O Décimo Passo diz “..quando estávamos errados…”
Quando consegui perceber o que isso significa, me dei conta de que pela primeira vez em minha vida cheguei em um lugar onde me dizem expressamente que eu POSSO ERRAR.
Até então sempre tinha ouvido exatamente o contrário, e eu movido
por um medo maior do que eu, permiti que a minha vida fosse
passando sem a minha participação.
Por outro lado o programa me diz: “você tem permissão para
Errar, mas quando estiver errado admita prontamente, e volte para o
Sexto, Sétimo, oitavo e nono passos e conserte o estrago!”
4. Libertação para a vida é o efeito da prática do Décimo Passo.
Sem medo de ser feliz ou infeliz
Sem medo “ mal ” ou do “ bem ”
Sem medo de morrer
Sem medo de Viver.
Não dá mais para escolher, é a hora para aceitar.
Não dá mais para atitudes do tipo: “escolho o que é bom dos
depoimentos e o que não serve eu descarto”. Quem disse que eu sei que o Poder Superior me reserva. Se eu soubesse o que é melhor para mim não teria chegado no fundo do poço que cheguei.
5.“O medo das pessoas e da insegurança financeira nos abandonará.”
Essa Promessa do programa de A.A. não pode ser realizada por
por efeitos mágicos sem a minha colaboração.
È exatamente a ação feita no Décimo Passo, dentro da prática
Integral do programa dos Doze Passos que possibilitará constatar
a realização dessa e de outras Promessas em minha vida.
6. Depende de mim:
Incorporar na minha vida, no meu coração, nos meus sentimentos, nos meus pensamentos, nos meus atos, nas
minhas relações com as pessoas, no meu Ser… o “Modo de Vida de A.A.” : viver no “Aqui e Agora” uma Vida “Saudável, Serena e Feliz”.
DÈCIMO PRIMEIRO PASSO :

“Procuramos através da prece e meditação melhorar nosso contato consciente com Deus,na forma que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de sua vontade em relação a nós e forças para realizar esta vontade.

Companheira: Cida

Eu gostaria de agradecer ao Poder Superior por estar participando, deste Ciclo, e pela oportunidade de passar minha experiência dentro deste passo, que considero a essência de todo o programa de Alcoólicos Anônimos, onde tudo se resume, e se encerra todo entendimento da programação dos Doze Passos, faz sentido o peregrinar de minha vida, do nascimento o alcoolismo ativo à chegada de A.A. e renascimento num contato consciente com o Poder Superior.
Para entender um pouco esse processo fui buscar lá atrás na minha jornada, o momento de separação com o plano divino e percebi que lá atrás no primeiro passo havia uma grande pista quando perdi o domínio da minha vida e é lógico que se eu havia perdido o domínio alguém havia assumido o egoísmo, havia se apoderado da minha vida e á medida que eu me afastava da minha essência divina aumentava minha carência espiritual que me levou a um viver vazio, inútil e destrutivo, onde o próprio álcool não era capaz de me esconder da devastadora ignorância espiritual às reais causas do meu fundo de poço.
Vivi um longo período aprisionada por este tipo de carência, mas qualquer semente que por condição genética, produz um fruto de sua espécie, sua consciência tem o reconhecimento do seu plano de vida “ela sabe o que é” que é um fruto que alimentara as vidas, conhece a vontade de um Poder Superior criador de sua existência.
Reconhecer meu egoísmo, meu fundo de poço através dos demais passos me fizeram ir à busca do meu eu verdadeiro: “se eu não sou a bêbada, quem sou? ”
Transcender o egoísmo no 11º passo é a grande chave para elevação espiritual. Realmente não é fácil por de lado a imagem pessoal às idéias, os sentimentos e as formas arraigadas de agir.
Precisava receber ajuda espiritual e recebê-la de forma prática.
O retorno voluntário e consciente a Deus, por meio de prece e da meditação, para agir em comunhão com a vontade de Dele, vi que teria que adequar a essa vontade e não ela a minha, portanto precisava conhecê-la, saber o que ela esperava de mim e pedi-lo a força necessária para executá-la e estar em sintonia com o Eterno.
Esta busca permanente pela harmonia tem me trazido um estado de consciência serena, e ajuda inesperada. Se enfrentarmos qualquer situação delicada, nossa conexão nos dará a direção mesmo nos momentos de fortes perturbações emocionais.
Conceda-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos e Sabedoria para distinguir umas das outras.
O encontro com minha irmandade espiritual.
O poder da ação silenciosa.
O poder de “não reação” e do autocontrole perante fatos que poderiam ser abaladores me dá o conhecimento de:
– Quem sou eu? Eu ser humano doente do alcoolismo e em evolução ou recuperação.
– Pra que existo? Para levar a mensagem ao alcoólico como eu que ainda sofre.
-Como? Através do 12º passo após este despertar espiritual, e todos os passos.
Minha missão colaborar com a obra do Eterno, Poder Superior, ou Deus da forma que cada um concebe. Trazendo seus valores para a face da terra através de Alcoólicos Anônimos.
-Como? Meditando:
Silenciando o espírito.
-Fazer silenciarem os vão pensamentos. Fazer silenciarem as considerações sutis que enfraquecem a vontade e que levam ao estiolamento do amor. Fazer silenciarem todas as buscas e anseios próprios.
Silenciando a fantasia.
-Silenciam as emoções, silenciam as tristezas. As vãs ocupações dos pensamentos silenciam.
Silenciando a memória.
– O passado, as queixas vãs, os azedumes silenciam. Lembra apenas provas da misericórdia de Deus.
Silenciando o Coração.
-Silenciam os desejos, as antipatias silenciam, o amor silencia em tudo quanto ele tem de exagerado.
Silenciando o amor – próprio
– Silencia o olhar para o próprio pecado, para própria incapacidade.
– Silencia o auto louvor, todo o eu humano silencia.
Silenciando o julgamento.
-silencio no tocante a outras pessoas; não julgar.
Silenciando a vontade
– Fazer silenciar as angústias do coração. As dores da alma, fazer silenciarem os sentimentos de abandono.

Décimo Segundo Passo

Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as atividades.

Companheiros: Jurandir/ Gomes Cardim

“Nós somos seres humanos passando pela experiência espiritual, mas seres espirituais passando pela experiência humana”- Teillard de Cardin.
Alcoólicos Anônimos é um programa de vida para toda a vida. Era dessa forma que aquele velho e bondoso companheiro de espírito jovem e sempre bem humorado se referia à nossa querida Irmandade e ao nosso Programa de Recuperação. E, dizia mais:- “Fica que você vai mudar a sua vida através da prática dos passos”. Havia outro, um pouco mais jovem, mais durão e nem por isso menos bondoso que costumava a dizer:-“ O alcoólatra em recuperação é um apóstolo de Cristo para outro alcoólatra”.
E tantos outros, em tantos outros grupos que a paciência e amor nos transmitiram suas experiências e diziam: Conheça o programa. Pratique os passos. Transmita a mensagem.
Foi maravilhoso ter chegado até aqui.Ter percorrido a estrada da recuperação através dos passos.Perceber que essas experiências seriam para a nossa vida cotidiana e para passarmos adiante. Teríamos que admitir e aceitar a nossa impotência perante o álcool e que nossas vidas retornaria á medida que fossemos praticando o restante dos passos.
No segundo passo nos disseram que não haveria necessidade de ver para crer mas que acreditássemos pois a melhora iria acontecer e a nossa sanidade voltaria. Já não estávamos sem beber?
Passamos a entregar nossas vontades e nossas vidas aos cuidados de Deus. Não foi tarefa fácil e até hoje não é, mas com boa vontade e mente aberta estamos conseguindo. Percebemos que nunca fomos muito bons para cuidar desses assuntos. Pedimos a sua orientação, fazemos nossa parte e novamente pedimos a Sua ajuda.
Inventariamos nossa vida. Tudo. Ficou pesado. Parecia que carregávamos o mundo em nossos ombros. Pedimos ajuda aos padrinhos que nos disseram:- “Livre-se da culpa, da mágoa, do ressentimento. Fale da natureza exata dessas falhas”. E eles mais uma vez se colocaram à nossa disposição.
Caminhar pelo sexto passo, procurar meios para entrar em contato com Deus. Voar livre com a certeza de que estamos prontos para este encontro. Ter humildade suficiente para admitirmos errado muito e que nosso progresso espiritual se dará com a eliminação dos defeitos de caráter e das imperfeições.
Nos oitavo e nono passos foi necessário o perdão das pessoas, de Deus e de nós mesmos. Devemos ter cuidado para não causar mais prejuízos aos outros e em alguns casos fazer as reparações somente com Deus.
O décimo é o passo do pagamento à vista: quem erra deve, quem deve paga, quem paga, paga na hora. Continuar o inventário pessoal permite fazermos a manutenção dos passos anteriores.
A esta altura, nos encontramos fazendo o uso regular da oração e da meditação e com certeza já experimentamos o despertar espiritual, porque estamos fazendo a vontade D’Ele.
“Procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.”
Temos aprendido muito com este programa de recuperação. Temos nos conhecido. Estamos mis compreensivos. Nos preocupando com a nossa modificação, deixando os outros viverem à sua maneira e os ajudando, sempre que possível. Estamos sendo felizes e permitindo que as pessoas ao nosso redor também o sejam. Estamos sendo honestos conosco e com os outros. A nossa vida mudou. E nós sabemos porque temos sentido essa melhora, esse conforto espiritual. Sabe porque? Porque nós temos nos preocupados com os nossos semelhantes, sem rotular ou descriminar ninguém.
Nós temos nos ajudado quando estendemos a nossa mão. Estamos descobrindo a alegria de viver. Estamos sendo úteis, dando a mesma esperança que nos deram. Estamos tendo compaixão por aquele que se desgarrou e agora retorna precisando, mais do que nunca de nosso apoio.
Estamos vivendo. Não sabíamos viver. Vivendo a vapor de Alcoólicos Anônimos, sentindo a nossa melhora e dos outros. Seria impossível recordar a nossa chegada e perceber que as dádivas aconteceram e nós participamos de tudo isto. Que maravilha!
Se nos contassem nossa história de alcoolismo, é bem possível que não acreditássemos.
Hoje temos amigos, novos horizontes e novas atitudes. Temos Deus. O chamamos pelo nome.