Monthly Archives: Novembro 2012

Refletindo os doze passos

“A força nascendo da fraqueza, ao  amor que não tem preço: a chave do bem viver”

ACERCA DO SURGIMENTO DOS DOZE PASSOS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

DE ACORDO COM RELATO FEITO PELO COFUNDADOR BILL W.

GRAPEVINE – JUNHO DE 1953.

Dr. Laís Marques da Silva, Ex-Custódio e Presidente da JUNAAB.

Extrato

No que se refere a pessoas, três foram as fontes de inspiração: Os Grupos Oxford, o Dr. William D. Silkworth, do Hospital Towns, e o psicólogo William James.

Os Grupos Oxford eram um movimento evangélico que floresceu nos anos 20 e 30 do século passado. Eles colocavam forte ênfase no trabalho pessoal, um membro junto a outro, e nos quatro absolutos: honestidade absoluta, pureza absoluta, generosidade absoluta e amor absoluto. Praticavam um tipo de penitência, a que chamavam compartilhamento, além da feitura de reparações pelos danos causados, ao que chamavam restituição, devolução. Davam grande valor ao que chamavam de tempo de calma, uma forma de meditação praticada pelas pessoas e pelos grupos em que a orientação de Deus era buscada. Essas idéias não eram novas, mas o que valeu muito para os primeiros alcoólicos que frequentavam os grupos foi o fato de que colocavam grande ênfase nesses princípios e de terem o cuidado especial de não interferir nas crenças religiosas das pessoas.

Em 1934, no convívio com esses grupos, Ebbie ficou sóbrio, livrou-se da obsessão que o levava a beber. Chegando a Nova York, procurou Bill e, nas conversas que tiveram, usou com freqüência frases como: “eu perdi o controle da minha vida”, “devo fazer uma reparação pelos danos causados aos outros”, “tenho que pedir a Deus orientação e força, mesmo que não esteja certo da sua existência” e “após ter tentado com empenho praticar essas coisas, me dei conta de que a minha compulsão pelo álcool passou”. Repetia: “você não luta contra o desejo de beber, você se livra dele”. Eu nunca havia sentido isso antes. Foi o que Ebbie absorveu dos Grupos Oxford e transmitiu a Bill, naquele dia, o impressionou fortemente e o fez entender o quê de especial havia em um alcoólico estar falando com um outro alcoólico de um modo que nenhuma outra pessoa podia fazer.

Em 11 de dezembro deste mesmo ano, Bill foi ao Hospital Towns procurar o Dr. Silkworth que, por anos, afirmara que o alcoolismo era uma doença, uma obsessão da mente associada a uma alergia do corpo e, naquele tempo, Bill sabia o que isso significava, pois que a obsessão o condenava a beber e a alergia o condenava à morte. Era esse o ponto em que a ciência começava a se encaixar no problema do alcoolismo.     Aqui, a fim de melhor entender as palavras do Dr. Silkworth quando buscava a similaridade entre as duas condições, vale acrescentar que a alergia, em si, é um conceito bem compreendido sendo fácil entender que pessoas alérgicas a penas não consigam estar por perto de galinhas. A maior parte das pessoas pode estar em volta de galinhas sem sofrer o mais leve desconforto, mas as pessoas que são alérgicas a penas podem ter ataques severos de espirros e coriza, olhos lacrimejantes, respiração difícil, e assim por diante. Esta reação é devida a uma resposta física anormal da vítima à inalação de partículas microscópicas das penas. Na visão do doutor,  o alcoólico é alérgico ao álcool no sentido de que a ingestão dispara uma resposta química anormal no corpo que é manifestada como uma compulsão por mais álcool. O bebedor social automaticamente para de beber quando é razoável fazê-lo e nunca tem qualquer necessidade para, conscientemente, controlar a bebida. Ele não experimenta compulsão. Naturalmente, o alcoolismo não é uma verdadeira alergia mas o conceito é útil para entender o que é um tipo de reação anormal bem estabelecida. A reação anormal a uma substância estranha fornece uma base para o entendimento do porquê um alcoólico não pode se entender com o álcool.

Nas mãos de um alcoólico falando com outro, essa verdade de dois gumes era o malho que poderia romper o ego rígido do alcoólico, em profundidade, e abri-lo para a Graça de Deus. No caso de Bill, o Dr. Silkworth vibrou o malho enquanto o amigo Ebbie trazia os princípios espirituais e a Graça que o levaria ao seu súbito despertar espiritual no hospital, três dias após e fazê-lo sentir-se um homem livre. Essa magnífica experiência veio com a certeza de que um grande número de alcoólicos poderia um dia gozar do precioso presente que lhe havia sido concedido. Nesse ponto, um terceiro componente surgiu da leitura do livro “Variedades da Experiência Religiosa”, de William James. O Dr. Silkworth se esforçou em convencer Bill de que ele não estava sofrendo alucinações, mas o livro fez mais ainda pois, da sua leitura, ficou claro que as experiências espirituais não só poderiam tornar as pessoas mais sadias mas também transformar homens e mulheres de tal modo que poderiam fazer, sentir e acreditar no que até aqui se mostrara impossível para eles. O maior retorno que o livro proporcionou foi que, na maioria dos casos, os que se transformaram eram pessoas sem esperança e que, em áreas de controle da sua vida, tinham encontrado a derrota absoluta. Em completa derrota, sem esperança ou fé, Bill fez um apelo ao Poder Superior, o que hoje é o Primeiro Passo de Programa de A.A. – admitimos que éramos impotentes diante do álcool e que as nossas vidas se tornaram inadministráveis – e ainda o Terceiro Passo, que devíamos entregar a vontade a vida aos cuidados de deus da forma que o concebiam. Assim ele se tornou livre. Era tão simples e tão misterioso, também.

Bill se juntou então aos Grupos Oxford, mas continuou com a ideia de devotar-se exclusivamente aos bêbados enquanto aqueles grupos, diferentemente, queriam salvar o mundo todo ao mesmo tempo em que os seus resultados com alcoólicos eram pobres. Cerca de seis meses depois, Bill não tinha conseguido tornar ninguém sóbrio e todas as tentativas haviam resultado frustradas. No entanto, Bill continuava com a certeza de que um caminho para a sobriedade poderia ser encontrado. Se ele e Ebbie chegaram à sobriedade, porque os outros não poderiam chegar? Imaginava, naquele tempo, que poderia ser porque não havia acompanhado o ritmo dos Grupos Oxford com os seus quatro absolutos de honestidade, pureza, generosidade e amor. Por outro lado, a postura de pressão agressiva sobre os alcoólicos para ficarem bem rapidamente os fazia voar como gansos por semanas e depois cair tristemente. Os alcoólicos se queixavam também de uma outra forma de coerção exercida pelos Grupos Oxford a que chamavam de “guia para os outros”. Um grupo de não alcoólicos sentava-se com um alcoólico e, após um tempo de calma, apresentavam instruções precisas de como o alcoólico devia levar a sua vida; mas isso, para o alcoólico, era difícil de fazer.

Depois de meses, Bill verificou que o problema estava principalmente nele. Havia se tornado agressivo e muito convencido. Falava muito  da sua súbita experiência espiritual como se fosse uma coisa muito especial. Estava desempenhando o duplo papel de professor e de pregador. Nas suas exortações, havia esquecido o lado médico do problema e a necessidade de desinflar, tão enfatizada por William James, tinha sido negligenciada. Não estava usando o malho que, de modo providencial, o Dr. Silkworth havia dado a eles. Finalmente, um dia, o doutor esteve com Bill e perguntou por que não parava de falar daquela sua experiência da luz e disse que, embora estivesse convencido de que as coisas morais faziam os alcoólicos melhores, pensava que Bill estava botando a carroça na frente do cavalo. Os alcoólicos não iriam aceitar a sua exortação até que se convencessem de que deveriam fazê-lo. Se eu fosse você,disse, iria a eles com o fundamento médico, em primeiro lugar. Seria melhor dar, primeiro, as más notícias e, por causa da sua identificação natural com eles, você poderia chegar onde eu não posso. Isso os amaciará de modo a aceitar os princípios que os farão sentir-se bem, disse.

Pouco tempo depois desta conversa, Bill estava em Akron, Ohio, numa viagem de negócio mal sucedida. Estando sozinho, sentiu medo de ficar bêbado. Não era mais professor nem pregador e sim um alcoólico que sabia que necessitava de um outro alcoólico tanto quanto um outro alcoólico necessitava dele. Chegou ao Dr. Bob levado por essa necessidade e logo ficou claro que o Dr. Bob era mais espiritualizado do que ele e que tivera contatos com os Grupos Oxford, mas não conseguira ficar sóbrio. Seguindo o conselho do Dr. Silkworth, Bill usou o malho médico e disse que o alcoolismo era fatal e isso, aparentemente, tocou em Bob que, em 10 de junho de 1935, ficou sóbrio e nunca mais voltou a beber.

Nas palavras de Bill, o Dr. Silkworth havia suprido o elo que faltava e, sem ele, a cadeia de princípios, consolidada nos 12 Passos, nunca estaria completa.

Durante os três anos seguintes, os grupos cresceram a partir do programa boca-a-boca dos primeiros tempos e, na medida em que começaram a formar um grupamento humano separado dos Grupos Oxford, começaram a consolidar os princípios com algo como:

  1. admitimos que éramos impotentes diante do álcool.
  2. tornamo-nos honestos com as outras pessoas, confidencialmente.
  3. fizemos reparações pelos males causados aos outros.
  4. trabalhamos com outros alcoólicos sem procurar prestígio ou dinheiro.
  5. pedíamos a Deus para nos ajudar a fazer essas coisas tão bem quanto possível.

Este foi o fundamento da nossa mensagem para os alcoólicos que chegavam até 1939, quando os 12 Passos foram postos no papel.

Bill relatou que na tarde do dia em que os 12 Passos foram escritos ele estava de cama. Achou que o programa deveria ser colocado mais incisiva e claramente, pois conhecia a habilidade do alcoólico de racionalizar e alguma coisa incontestável deveria ser escrita. Começou por separar o programa em pequenas partes, as desenvolveu e, em meia hora, escreveu os princípios que, ao contar, verificou que eram em número de 12. Por alguma razão não percebida, colocou a idéia de Deus no Segundo Passo e usou a palavra Deus de forma livre ao longo dos outros passos e, num deles, chegou a sugerir que o recém-chegado ficasse de joelhos. Apresentados esses passos numa reunião em Nova York, os protestos foram muitos e veementes. Os amigos agnósticos não absorveram a ideia de ajoelhar e outros disseram que estavam falando muito em Deus. Perguntaram também porque Doze Passos, se haviam feito cinco ou seis? Era preciso manter simples, disseram. A discussão foi intensa por dias e noites. Os agnósticos convenceram os companheiros que deveríamos tornar as coisas mais fáceis para gente como eles usando termos como “Poder Superior” ou “Deus, como nós o entendemos” e essas expressões se mostraram salvadoras de vidas para muitos alcoólicos e permitiu que milhares deles pudessem entrar no programa. Os Passos continuaram a ser doze e, cedo, foram aprovados pelo clero de todas as denominações e pelos amigos psiquiatras.

Ninguém inventou Alcoólicos Anônimos, ele simplesmente cresceu pela Graça de Deus.

Jesus foi procurado por um seguidor no Mar da Galileia que lhe perguntou o que deveria fazer para seguir o caminho do mestre já que, os milagres ele, seguidor, via como muito longe de suas possibilidade.

Jesus respondeu com a oração do Pai Nosso.

1º Passo: O sinal inicial para a chamada: “Admitimos que éramos impotentes perante o álcool e que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas”. Pai Nosso que estais nos corações, nos céus, santificado seja o vosso nome.

2º e 3º Passos: Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolvermos a sanidade. Venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na  terra como no céu: Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos. O pão nosso de cada dia nos daí hoje Lema: Só por hoje.

4º Passo: Perdoai as nossas ofensas: Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.

5º Passo: Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza de nossas falhas.

6º Passo: Prontificamos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.

7º Passo: Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.

8º Passo: Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido: Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.

9º Passo: Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível salvo quando fazê-los significasse prejudicá-las ou a outrem.

10º Passo: E não nos deixeis cair em tentação: Continuamos fazendo o inventário pessoal e quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.

11º Passo: Mas, Livrai-nos do mal: Procuramos através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos rogando apenas o conhecimento de sua vontade em relação a nós e forças para realizar essa vontade.

12º Passo: A finalidade: o resultado de todo este processo: Tendo experimentado um Despertar Espiritual graças a esses Passos, procuramos transmitir essa mensagem e praticar estes princípios em todas as atividades.

Os 12 Passos na Espiritualidade que dão força a cada pessoa para viver bem e estar bem, um dia de cada vez:

1º Passo: Honestidade

2º Passo: Esperança

3º Passo: Fé

4º Passo: Coragem

5º Passo: Integridade

6º Passo: Boa Vontade

7º Passo: Humildade

8º Passo: Auto-Disciplina

9º Passo: Amor

10º Passo: Perseverança

11º Passo: Espiritualidade

12º Passo: Serviços

Fonte: Revista Vivência –Nº 110 – Pg. 63 – 64 – Novembro/Dezembro-2007.

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OS DOZE PASSOS

A PEDRA ANGULAR

Ele é o Pai e nós somos os seus filhos. Na maioria das vezes, as boas idéias são simples, e este conceito passou a ser a pedra angular do novo arco do triunfo, através do qual passamos à liberdade.

A pedra angular é a peça cunhada na parte mais alta de um arco que prende as outras peças no lugar. As “outras peças” são os Passos Um, Dois e Quatro até o Décimo Segundo.

Neste sentido isto soa como se o Terceiro Passo, fosse o Passo mais importante, que os outros onze dependem do Terceiro para suporte. Na realidade porém, o Terceiro Passo é apenas um dos doze. Ele é a pedra angular, mas em as outras onze pedras para construir a base e os lados, com ou sem a pedra angular, simplesmente não haverá arco. Através do trabalho diário de todos os Doze Passos, encontro este arco do triunfo esperando que eu passe através dele para outro dia de liberdade.

… E PERDOAMOS

Com muita dificuldade tenho procurado sempre perdoar as outras pessoas e a mim mesmo.

Perdoar a sim mesmo e perdoar aos outros são duas correntes do mesmo rio, ambas retardadas ou interceptadas completamente pela represa do ressentimento. Uma vez que a represa é aberta, ambas as correntes podem fluir. Os Passos de A. A. Permitem-me ver como o ressentimento cresceu e em consequência bloqueou esse fluxo em minha vida. Os Passos fornecem uma maneira pela qual meus ressentimentos podem ser dispersados – pela graça de Deus como eu O entendo. É como resultado desta solução que posso achar a graça necessária que me dá condições de perdoar a mim mesmo e aos outros.

LIBERDADE PARA SER EU MESMO

Se trabalharmos com afinco nesta fase de nosso desenvolvimento, ficaremos surpreendidos antes de chegar à metade do caminho. Vamos conhecer uma nova liberdade e uma nova felicidade.

Minha primeira verdadeira liberdade é a liberdade de não precisar beber hoje. Se realmente desejá-la, praticarei os Doze Passos, e através deles me chegará a felicidade desta liberdade – às vezes rapidamente, outras vezes lentamente. Seguir-se-ão outras liberdades, e fazer seu inventário será nova alegria. Tive uma nova liberdade hoje, a liberdade de ser eu mesmo. Tenho a liberdade de ser melhor do que jamais fui.

O CAMINHO ASCENDENTE

Eis os Passos que demos…

Estas são as palavras introdutórias aos Doze Passos. Na simplicidade direta elas deixam de lado todas as considerações psicológicas e filosóficas sobre a virtude dos Passos. Eles descrevem o que fiz: pratiquei os Passos e o resultado foi a sobriedade. Estas palavras não implicam em que eu deva caminhar pela estrada trilhada pelo que vieram antes. Ao invés disso mostram que existe uma maneira de ficar sóbrio, e que é um caminho que eu preciso encontrar. É um caminho novo que leva para a luz infinita no topo da montanha. Os Passos me aconselham sobre os apoios que são seguros e os abismos a evitar. Eles me fornecem as ferramentas de que preciso durante grande parte da jornada solitária de minha alma. Quando falo desta jornada, compartilho minha experiência, força e esperança com os outros.

UMA IRMANDADE DE LIBERDADE

… Se os homens tivessem garantido liberdade absoluta e não fossem obrigados a obedecer a ninguém, eles então voluntariamente se associariam a um interesse comum…

Quando eu não vivo mais sob o comando do outro ou do álcool, vivo uma nova liberdade. Quando me liberto do passado e de todo excesso de bagagem que tenho carregado por tanto tempo, eu venho a conhecer a liberdade. Fui introduzido numa vida e numa Irmandade de liberdade. Os Passos são uma maneira “sugerida” de encontrar uma nova vida, não existem ordem nem comandos em A. A., sou livre para servir pelo desejo e não por decreto. Há o entendimento de que serei beneficiado com o crescimento dos outros membros, e o que aprendo compartilho com o Grupo. O “bem-estar comum” encontra espaço para crescer na sociedade da liberdade pessoal.

O MELHOR PARA HOJE

Os princípios expostos são guias para o progresso.

Tal como o escultor usa ferramentas diferentes para alcançar os efeitos desejados ao criar uma obra de arte, em Alcoólicos Anônimos os Doze Passos são usados para produzir resultados em minha própria vida. Não sou esmagado com os problemas da vida e nem a quantidade de trabalho que está por vir.

Me sinto confortado em saber que minha vida agora está nas mãos de meu Poder superior, um mestre artífice que está moldando cada parte de minha vida numa única obra de arte.

Trabalhando meu programa posso me dar por satisfeito, sabendo que “fazendo o melhor que podemos, por hoje, estamos fazendo tudo o que Deus nos pede”.

UNIDOS VENCEREMOS OU PERECEREMOS

… nenhuma associação de homens e mulheres teve em tempo algum, uma necessidade mais premente de contínua eficiência e permanente união. Nós, alcoólicos, percebemos que precisamos trabalhar conjuntamente e permanecer unidos, do contrário a maioria de nós acabará por morrer, Cada um sozinho em seu canto.

Tal como os Doze Passos de A. A. foram escritos numa seqüência específica por uma razão, assim também é com as Doze Tradições. O Primeiro Passo e a Primeira Tradição tentam inculcar em mim suficiente humildade para me dar uma chance de sobrevivência. Juntos são a base sobre a qual os Passos e Tradições que se seguem são construídos. É um processo de deflação do ego que me permite crescer, como indivíduo através dos Passos, e como membro participante de um Grupo através das Tradições. Aceitação total da Primeira Tradição me dá condições de deixar de lado as ambições pessoais, medos e raiva quando eles estão em conflito com o bem-estar comum, permitindo-me assim trabalhar com os outros por nossa sobrevivência mútua. Sem a Primeira Tradição, fico com pouca chance de manter a unidade exigida para trabalhar com os outros, eficazmente, e também posso perder as demais Tradições, a Irmandade e a minha vida.

PASSOS “SUGERIDOS”

Nosso Décimo Segundo Passo também diz que, como resultado da prática de todos os Passos, cada um de nós foi descobrindo algo que se pode chamar de “despertar espiritual”… O meio de que A. A. dispõe em nosso preparo para a recepção desta dádiva está na prática dos Doze Passos de nosso programa.

Eu lembro da resposta do meu padrinho quando lhe falei que os Passos eram “sugeridos”. Ele replicou que eles são “sugeridos” da mesma maneira que se você saltar um avião com um pára-quedas, é “sugerido” que você puxe a corda para abri-lo e salvar a sua vida. Ele mostrou-me que era “sugerido” que eu praticasse os Doze Passos se quisesse salvar a minha vida. Assim eu tento me lembrar diariamente que tenho todo um programa de recuperação, baseado em todos os Doze Passos “sugeridos”.

ACEITANDO O SUCESSO OU O FRACASSO

Além do mais, como podemos nos ajustar à derrota ou ao êxito aparentes? Podemos aceitar e nos adaptar a ambos sem desespero ou orgulho? Chegaremos a aceitar a pobreza, a doença, a solidão e consternação com coragem e serenidade? Podemos nos contentar de verdade com as menores, embora duradouras, satisfações, quando nos são negadas as mais brilhantes e gloriosas realizações?

Após encontrar A. A. e parar de beber, levou um tempo antes que entendesse porque o Primeiro Passo contém duas partes: minha impotência perante o álcool e a perda do controle da minha vida. Da mesma maneira, acreditei por muito tempo que para estar em sintonia com os Doze Passos bastava que “transmitisse esta mensagem para os alcoólicos”. Isso era apressar as coisas. Eu tinha esquecido que existiam Doze Passos e que o Décimo Segundo Passo também tem mais do que uma parte. Aos poucos aprendi que era necessário para mim “praticar estes princípios” em todas as área de minha vida. Trabalhando todos os Passos completamente, não somente permaneço sóbrio e ajudo alguém mais a alcançar a sobriedade, mas também transformo minhas dificuldades com a vida em alegria de viver.

(Fonte: Reflexões Diárias – paginas: 82-146-147-162-178-191-268-344-369)

DÉCIMO SEGUNDO PASSO – TRABALHO

GRATIDÃO PROGRESSIVA

A gratidão deve ir para frente, nunca para trás.

Eu sou grato ao meu Poder Superior por ter-me dado uma segunda chance para viver uma vida digna.

Através de Alcoólicos Anônimos recuperei minha sanidade. As promessas estão sendo cumpridas em minha vida. Sou grato por estar livre da escravidão do álcool. Sou grato pela paz de espírito e a oportunidade de crescer, mas minha gratidão deve ir para frente, nunca para trás. Não posso ficar sóbrio nas reuniões de ontem ou abordagens passadas. Preciso colocar minha gratidão em ação hoje.

Nosso co-fundador dizia que a melhor maneira de demonstrar nossa gratidão é levar a mensagem para outros. Sem ação a minha gratidão é apenas uma emoção agradável. Preciso colocá-la em ação praticando o décimo Segundo Passo, transmitindo a mensagem e praticando os princípios em todos os meus assuntos. Sou grato por transmitir a mensagem hoje.

DISPOSIÇÃO PARA SERVIR AOS OUTROS

… nossa Sociedade tem concluído que existe apenas uma única e elevada missão: levar a mensagem de A. A. para aqueles que não sabem haver uma saída.

A “Luz para a liberdade” brilha alegre sobre meus companheiros alcoólicos quando cada um de nós desafia o outro para crescer. Os “Passos” para o aperfeiçoamento de si mesmo têm início pequeno, mas cada Passo é um degrau a mais na escada que vai desde o abismo do desespero para uma nova esperança. Honestidade torna-se minha “ferramenta” para me soltar das “cadeias” que me escravizam. Um padrinho, que é um ouvinte atencioso, pode me ajudar a ouvir verdadeiramente a mensagem que me guiará para a liberdade.

Peço a Deus coragem para viver de maneira que a Irmandade possa testemunhar Seus favores. Esta missão me liberta para compartilhar minhas dádivas de bem-estar através de uma disposição de espírito para servir aos outros.

UM “FILÃO INESGOTÁVEL”

Como garimpeiros famintos, depois de apertar o cinturão com a barriga vazia, encontramos ouro. A alegria que sentimos aos sermos libertos de uma vida de frustrações era ilimitada. Papai pensa que encontrou algo melhor do que ouro. Por algum tempo poderá querer guardar o tesouro para si mesmo. Poderá não perceber, de início, que apenas tocou a superfície de uma mina infinita, que só pagara dividendos se a explorar para o resto da vida e insistir em doar aos outros toda a produção.

Quando converso com um ingressante em A. A., meu passado me olha diretamente no rosto. Vejo a dor naqueles olhos cheios de esperança, estendo minha mão e então o milagre acontece: fico aliviado. Meus problemas desaparecem quando estendo a mão para essa alma trêmula.

COMPARTILHAR TOTAL

A única coisa que importa é o fato de ser ele um alcoólico que encontrou a chave da sobriedade. Esses legados de sofrimento e reabilitação são facilmente transmissíveis entre os alcoólicos, passando de indivíduo para indivíduo.

Trata-se de nossa dádiva divina, e cuidar que ela seja também conferida a outros como nós é o único objetivo que hoje em dia move os Aas em todo o mundo.

A força de Alcoólicos Anônimos repousa no desejo de cada membro e de cada Grupo em todo os mundo, de compartilhar com outros alcoólicos seus sofrimentos e os Passos tomados para ganhar e manter a recuperação. Mantendo um contato consciente com meu Poder Superior, fico certo de que sempre nutro meu desejo de ajudar outros alcoólicos, garantindo assim a comunidade da maravilhosa fraternidade de Alcoólicos Anônimos.

EM TODAS AS NOSSAS ATIVIDADES

… procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.

Eu acho que é fácil transmitir a mensagem de recuperação para outros alcoólicos, porque me ajuda a manter-me sóbrio e me dá uma sensação de bem-estar a respeito de minha própria recuperação.

A parte difícil é praticar estes princípios em todas as minhas atividades. É importante que eu compartilhe os benefícios que recebo de A. A., especialmente em casa. A minha família não merece a mesma paciência, tolerância e compreensão que dou tão generosamente para o alcoólico?

Quando revejo o meu dia, tento perguntar: “Tive a chance de ser um amigo hoje e a perdi? “, “Tive chance de estar por cima de uma situação desagradável e a evitei?”, “Tive uma chance de dizer: sinto muito-e me recusei?”.

Da mesma forma que peço a Deus que me ajude com meu alcoolismo a cada dia, peço que me ajude a ampliar minha recuperação para incluir todas as situações e todas as pessoas!

UM NOVO ESTADO DE CONSCIÊNCIA

A dádiva recebida consiste em um novo estado de consciência e uma nova maneira de ser.

Muitos de nós em A. A. quebramos a cabeça a respeito do que é um despertar espiritual. Eu tendia a procurar por um milagre, algo dramático e que sacudisse a terra. Mas o que normalmente acontece é uma sensação de bem-estar, um sentimento de paz que nos transforma para um novo nível de percepção. Foi isso que aconteceu comigo. Minha insanidade e confusão interiores desapareceram e entrei numa nova dimensão de esperança, amor e paz. Penso que o grau em que continuo a experimentar esta nova dimensão está em proporção direta à sinceridade, intensidade e devoção com que pratico os Doze Passos de A. A.

TRANSMITINDO A MENSAGEM

E agora o que diremos do Décimo Segundo Passo? A maravilhosa energia que dele se desprendi e a entusiástica transmissão de nossa mensagem ao alcoólico ainda sofredor e que, finalmente, transforma os Doze Passos em sublime orientação para todas as nossas atividades, é o pagamento, a magnífica realidade de Alcoólicos Anônimos.

Renunciar ao mundo do alcoolismo não é abandoná-lo, mas agir sobre princípios que venho a amar e tratar com carinho, e devolver aos outros, que ainda sofrem, a serenidade que conheci. Quando estou realmente empenhado neste propósito, pouco importa que roupas uso ou como vivo. Minha tarefa é transmitir a mensagem e liderar pelo exemplo, não por projetos.

UMA SOLUÇÃO COMUM

O fator primordial para cada um de nós é que encontramos uma solução. Temos uma saída a respeito da qual todos concordamos plenamente e em virtude da qual nos solidarizamos em harmoniosa e amigável fraternidade. Essa é a grande mensagem que este livro oferece a todos que sofrem de alcoolismo.

O trabalho de maior alcance do Décimo Segundo Passo, foi a publicação de nosso Livro Azul: Alcoólicos Anônimos.

Poucos podem igualar este livro na transmissão da mensagem.

Minha ideia é sair de mim mesmo e simplesmente fazer o que posso. Mesmo se não me chamarem para padrinho e meu telefone tocar poucas vezes, sou capaz de fazer o trabalho do Décimo Segundo Passo. Eu me envolvo numa “ação fraterna e harmoniosa”. Nas reuniões chego cedo para cumprimentar as pessoas, ajuda a arrumar, compartilho e minha experiência, força e esperança. Também faço o que posso com o legado de serviço. Meu Poder Superior me dá exatamente o que Ele deseja que eu faça a cada etapa de minha recuperação e, se lhe permitir, minha disposição irá trazer o Décimo Segundo Passo automaticamente.

PENSANDO NOS OUTROS

Nossas próprias vidas, como ex-bebedores problema, dependem de nossa constante preocupação com o próximo e da maneira em que possamos ser-lhe úteis.

Pensar nos outros nunca foi uma coisa fácil para mim.

Mesmo quando tento praticar o programa de A. A. sou propenso a pensar: “Como me sinto hoje? Estou feliz, alegre e livre?”

O programa me diz que meus pensamentos devem alcançar aqueles que estão à minha volta: “Este novato deseja alguém com quem falar?”, “Esta pessoa parece um pouco infeliz hoje, talvez eu possa animá-la”.  É somente quando esqueço meus problemas e me esforço para contribuir com alguma coisa para os outros, que posso começar a alcançar a serenidade e consciência de Deus que procuro.

ESTENDENDO A MÃO

Nunca assuma, junto a um alcoólico, superioridade moral ou espiritual; simplesmente, abra a caixa de ferramentas espirituais para que ele as examine. Mostre-lhe como funcionaram a seu favor.

Quando entro em contato com um ingressante, tenho uma tendência de olhá-lo do meu ponto de vista de sucesso em A. A.?

Eu o comparo com o grande número de conhecidos que fiz na Irmandade? Mostro-lhe de uma maneira professoral a voz de A. A.? Qual é a minha verdadeira atitude para com ele?

Devo me examinar quando encontrar um novato, para ter certeza de que estou transmitindo a mensagem com simplicidade, humildade e generosidade. Aquele que ainda sofre da doença do alcoolismo deve achar em mim um amigo que o ajudará a conseguir conhecer a maneira de viver de A. A., porque eu tive um amigo assim quando cheguei. Hoje é minha vez de estender minha mão com amor para minha irmã ou irmão alcoólico e mostrar-lhes o caminho da felicidade.

FAZENDO TUDO PARA AJUDAR

Ofereça-lhe (ao alcoólico) amizade e camaradagem. Diga-lhe que se quiser parar de beber, fará tudo para ajudá-lo.

Eu lembro como fui atraído pelos dois homens de A. A. que me abordaram. Eles disseram que eu poderia ter o que eles tinham, sem nenhuma condição vinculada, que tudo que eu tinha de fazer era me unir a eles na estrada da recuperação. Quando começo a convencer um novato a fazer as coisas da minha maneira, esqueço como foram prestativos aqueles dois homens para comigo, com a sua generosidade e mente aberta.

PARCEIROS NA RECUPERAÇÃO

… não há nada melhor, para assegurar nossa imunidade contra a bebida, do que o trabalho intensivo com outros, alcoólicos… Ambos, você e o novo homem, devem andar passo a passo no caminho do progresso espiritual… Siga os ditames de um Poder Superior e brevemente estará vivendo num novo e maravilhoso mundo, não importa qual seja sua situação atual.

Fazer as coisas certas pelas razões certas – esta é a minha maneira de controlar meu egoísmo e meu auto centrismo. Percebo que minha dependência de um Poder Superior limpa o caminho para a paz de espírito, a felicidade e a sobriedade.

Rezo todo dia para evitar minhas antigas ações, a fim de que eu seja de utilidade para os outros.

UMA RECOMPENSA SEM PREÇO

… trabalho intensivo com outros alcoólicos… Quando outras atividades fracassam, esta funciona.

“A sua vida terá um novo sentido”, como diz o livro azul (pg.89). Esta promessa tem-me ajudado a evitar o egoísmo e a auto piedade. Presenciar outros crescerem neste programa maravilhoso, vê-los melhorando a qualidade de suas vidas, é uma recompensa sem preço do meu esforço em prol dos outros.

O auto-exame é ainda outra recompensa de uma recuperação progressiva, assim como o são a serenidade, a paz e o contentamento. A energia proveniente de ver outros irem sendo bem sucedidos, e da partilha com eles das alegrias da jornada, dá um novo sentido à minha vida.

HONESTIDADE COM OS PRINCIPIANTES

Conte-lhe exatamente o que aconteceu a você. Frise sem reservas o fator espiritual.

A maravilha de A. A. é que somente falo o que aconteceu comigo. Não desperdiço tempo oferecendo conselhos ao novato em potencial, pois se conselho funcionasse, ninguém iria para A. A. Tudo que preciso fazer é mostrar o que trouxe a mim a sobriedade e o que mudou na minha vida. Se falho em acentuar as características espirituais do programa de A. A., Estou sendo desonesto.

Não se deve dar uma falsa impressão de sobriedade ao ingressante. Estou sóbrio somente pela graça de meu Poder Superior, e isto torna possível que eu compartilhe com os outros.

COMPREENDENDO A DOENÇA

Ao tratar com um alcoólico você poderá ter um sentimento normal de aborrecimento por um homem ser tão fraco, grosseiro e irresponsável. Mesmo que compreenda melhor a doença, poderá surgir este sentimento.

Tendo sofrido de alcoolismo, eu deveria entender a doença, mas às vezes sinto aborrecimento e até mesmo desprezo por uma pessoa que não consegue ir bem em A. A. Quando me sinto desta maneira, satisfaço meu falso sendo de superioridade e devo lembrar que, se não fosse pela graça de Deus, lá estaria eu.

AS RECOMPENSAS DE DAR

Isto de fato é dar; nada pedindo. Ele não espera qualquer paga ou amor por parte de seu companheiro. E então descobre que, pelo paradoxo divino contido nesta maneira de dar. Já recebeu a sua própria recompensa, não importando se seu irmão foi ajudado ou não.

Pela experiência com o trabalho do décimo Segundo Passo, vim a compreender as recompensas de dar, nada pedindo de volta. No início eu esperava a recuperação dos outros, mas logo aprendi que isto não acontece. Uma vez tendo alcançado a humildade para aceitar que cada abordagem não vai resultar em sucesso, então estou aberto para receber as recompensas de dar, sem o egoísmo do retorno.

ESCUTE, COMPARTILHE E REZE

Quando tentar ajudar um homem e sua família, deve ter o cuidado de não participar de suas alterações. Se o fizer poderá estragar a oportunidade de ser-lhes útil.

Quando tento ajudar um companheiro alcoólico, sinto um impulso de dar conselhos, e talvez isto seja inevitável. Mas, dando aos outros o direito de estarem errados, permitimos que eles colham seus próprios benefícios. O melhor que posso fazer e parece mais fácil do que é na prática – é ouvir, compartilhar experiência pessoal e rezar pelos outros.

ACEITANDO O SUCESSO OU O FRACASSO

Além do mais, como podemos nos ajudar à derrota ou ao êxito aparentes? Podemos aceitar e nos adaptar a ambos sem desespero ou orgulho? Chegaremos a aceitar a pobreza, a doença, a solidão e consternação com coragem e serenidade? Podemos nos contentar de verdade com as menores, embora duradouras, satisfações, quando nos são negadas as mais brilhantes e gloriosas realizações?

Após encontrar A. A. e parar de beber, levou um tempo antes que entendesse porque o Primeiro Passo contém duas partes: minha impotência perante o álcool e a perda do controle da minha vida. Da mesma maneira, acreditei por muito tempo que para estar em sintonia com os Doze Passos bastava que “transmitisse esta mensagem para os alcoólicos”. Isso era apressar as coisas. Eu tinha esquecido que existiam Doze Passos e que o décimo Segundo Passo também tem mais do que uma parte. Aos poucos aprendi que era necessário para mim “praticar estes princípios” em todas as área de minha vida. Trabalhando todos os Passos completamente,não somente permaneço sóbrio e ajudo alguém mais a alcançar a sobriedade, mas também transformo minhas dificuldades com a vida em alegria de viver.

(Fonte: Reflexões Diárias – paginas: 154-160-274-309-346-348-353-355-356-357-358-359-360-361-362-363-364-369)

Décimo segundo passo

12º PASSO

Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.

A alegria de viver e a ação são os aspectos tratados neste passo. Quando chega a este ponto, o alcoolista começa a perceber uma espécie de “despertar espiritual”. É este o momento de se voltar para os alcoolistas que ainda sofrem.

Aqueles que passam por um despertar espiritual genuíno têm em comum a dádiva recebida que “… consiste em um novo estado de consciência e uma nova maneira de ser” (Os Doze Passos, p. 98). Ocorre uma ligação com uma fonte de energia que estava antes indisponível. Os alcoolistas recebem então um bem gratuito, para o qual, pelo menos em parte, tornaram-se preparados pela prática dos passos anteriores.

É apresentado um breve levantamento daquilo que se tenta alcançar em cada passo. A prática conjunta dos Passos permite a experiência do despertar espiritual.

A transmissão da mensagem de A. A. aos alcoolistas que ainda fazem uso de bebida alcoólica, quando bem feita, traz uma satisfação profunda e uma felicidade intensa e permanente. Verificar a transformação das pessoas, que ocorre após o ingresso na irmandade de A. A., e a mudança que ocorre em todos os aspectos de sua vida “… são fatos que constituem a essência do bem que nos invade, quando levamos a mensagem de A. A. ao irmão sofredor” (Os Doze Passos, p. 101).

O trabalho deste passo inclui também o apoio que a presença do membro mais antigo nas reuniões proporciona, e também, a transmissão da mensagem que ocorre nos depoimentos feitos nas reuniões. Aqueles que não se sentem capazes de falar ou não tem condições para fazer as abordagens com aqueles que ainda sofrem, podem praticar este passo aceitando serviços que, embora pouco notados, são importantes e consistem em providenciar, por exemplo, o café no final das reuniões, que proporciona ambiente acolhedor aos recém-chegados.

Podem surgir também experiências negativas com o Décimo Segundo Passo, que “… parecerão sérios reveses para nós, mas, com o tempo, serão encarados como meros degraus na ascensão para um estágio melhor” (Os Doze Passos, p. 101). Exemplo disso são as recaídas de alcoolistas que foram ajudados, a rejeição de conselhos dados aos novatos, ou ainda, a perturbação que pode surgir com conselhos que foram aceitos. A longo prazo, percebe-se que estas dificuldades são decorrentes do crescimento.

A idéia de praticar os princípios dos Doze Passos em todas as atividades traz consigo uma serie de indagações. A maior delas é: será possível, como diz o Décimo Segundo Passo praticar estes “… princípios em todas as nossas atividades? (…) Podemos fazer com que o espírito de A. A. esteja presente em nossas atividades diárias? Estamos prontos para arcar com as novas e reconhecidas responsabilidades que nos cercam? Chegaremos a aceitar a pobreza, a doença, a solidão e a consternação com coragem e serenidade?” (Os Doze Passos, p. 102-103). A resposta de A. A. a estas questões é que isso é possível.

Muitas vezes, no entanto, o processo de crescimento é estancado por surgir a acomodação na crença de que não é preciso cumprir todos os Passos. Pode-se acreditar que bastam o Primeiro Passo e a parte do Décimo Segundo que se refere a levar adiante a mensagem, o que é conhecido como a “dança dos dois passos”.

Este processo acaba levando o alcoolista a tornar-se confuso e desanimado.

Também podem surgir grandes dificuldades como a perda do emprego ou problemas domésticos sérios. Estas dificuldades mais sérias, jamais o alcoolista conseguia suportar. Esforçando-se honestamente para praticar os Doze Passos e apresentando disposição para receber a graça de Deus, apresentará capacidade de converter “… suas dificuldades em autênticas demonstrações de fé” (Os Doze Passos, p. 104).

Os grandes desafios, como para todas pessoas, vêm de problemas menores e crônicos da vida. A solução reside no maior desenvolvimento espiritual. Este, por sua vez, traz a consciência de que o antigo comportamento diante dos instintos requer uma drástica revisão. O desejo de “… segurança emocional e material, prestígio pessoal e poder, vida sentimental e realizações no seio da família, todos estes carecem de ser equilibrados e reorientados” (Os Doze Passos, p. 105).

Se o crescimento espiritual for colocado em primeiro plano, será criada uma grande oportunidade para uma vida de realizações. O modo de ver e agir em relação à segurança emocional e financeira começará a mudar profundamente. Quer dominando os outros ou por eles sendo dominado, a experiência anterior sempre levava ao desapontamento. Com o desenvolvimento espiritual foi possível perceber que a segurança emocional entre pessoas adultas pressupõe que as pessoas se situem em um mesmo nível, dando e recebendo de modo equilibrado.

Agindo desta maneira, o alcoolista descobre que as pessoas sentem-se por ele atraídas. Descobre também que Deus é a melhor fonte de equilíbrio emocional, e que, depender Dele funciona quando tudo o mais falhar. Dependendo Dele  não há necessidade de o alcoolista se apoiar totalmente na proteção e cuidados de outras pessoas. Em conseqüência surgem força e paz interiores dificilmente abaladas por fatores externos.

Para a maioria dos alcoolistas, “… o A. A. contrabalança os danos causados à vida familiar por anos de alcoolismo. (..) [O objetivo] é o de ter uma vida conjugal cada vez mais sólida e feliz, eliminando-se as graves distorções emocionais que, na maioria das vezes, provieram do alcoolismo” (Os Doze Passos, p. 107-108). Quando o alcoolismo se estabelece, no caso de ser o homem o afetado, a mulher toma as rédeas da casa. Na medida em que a doença evolui, a mulher, sem o perceber, faz papel de mãe do seu marido. Esta situação pode ser de difícil reversão, mas, com a influência dos Doze Passos surge a possibilidade de mudança.

Muitos membros solteiros de A. A. casam-se com alcoolistas. Existindo maturidade da parte dos dois, o resultado geralmente é muito bom. O mesmo se dá com alcoolistas que se casam com pessoas estranhas a A. A. Para aqueles que porventura não podem constituir família, o círculo de amizades do grupo pode contribuir para que não sintam solidão. Podem também se entregar a atividades que lhes proporcionem imensa alegria.

A atitude em relação ao dinheiro sofre uma mudança radical. Antes, o dinheiro “… nada mais era do que um simples, mas imperioso, requisito para o nosso provimento futuro de bebida e o conforto do desligamento que ele nos trazia” (Os Doze Passos, p. 110). Em A. A., o que importa é a segurança material em geral, e não mais uma grande quantidade de dinheiro. O medo, entretanto, pode se manter presente, sem que se leve em conta que ele se manifesta para todas as pessoas, sejam ou não alcoolistas, e também, sem lembrar da ajuda de Deus. “Porém, com o passar do tempo, descobrimos que, com a ajuda dos Doze Passos de A. A., podíamos perder o medo, não importando quais fossem nossas possibilidades materiais” (Os Doze Passos, p. 111).

Aprendendo que os problemas podem ser transformados em aspectos positivos, a condição espiritual torna-se mais importante que a material. Percebe-se que melhora o modo de perceber as dificuldades ligadas à importância pessoal, ao poder, à ambição e à liderança.

Aproximadamente na época em que o A. A. foi iniciado, foi feito um estudo com um grande número de alcoolistas. Constatou-se que eram infantis, emocionalmente sensíveis e com mania de grandeza. Inicialmente horrorizados, nos anos seguintes a maioria dos membros de A. A. concordou com os resultados da pesquisa. Mais adiante, percebeu-se “… que nos A. A. maduros, os impulsos distorcidos foram restaurados à imagem do verdadeiro objetivo e postos na direção certa” (Os Doze Passos, p. 114). Quando escolhidos, pelos bons serviços prestados, para cargos de maior responsabilidade, buscam ser humildes. Sabe-se que “A liderança autêntica é aquela que tem por base o exemplo construtivo e não as efêmeras exibições de poder e glória” (Os Doze Passos, p. 114).

Sentir que não é preciso ser especialmente reconhecido para poder ser útil e muito feliz é maravilhoso. Existia um engano em relação à verdadeira ambição.

“Ela é o profundo e sadio desejo de viver uma vida útil e caminhar humildemente por mercê de Deus” (Os Doze Passos, p. 114).

O objetivo da análise dos problemas apresentados é o desejo de compartilhar aquilo que os alcoolistas têm encontrado: uma saída que os eleva. É a aceitação e resolução dos problemas que restabelece a ordem interior, e também, a ordem com o mundo externo e com Deus.

Espera-se que a cada dia que passa, cada um se identifique mais com o sentido da singela oração de Alcoólicos Anônimos:

ORAÇÃO DA SERENIDADE:

CONCEDEI-NOS SENHOR,

A SERENIDADE NECESSÁRIA

PARA ACEITAR AS COISAS

QUE NÃO PODEMOS MODIFICAR,

CORAGEM PARA MODIFICAR AQUELAS QUE PODEMOS,

E SABEDORIA PARA DISTINGUIR UMAS DAS OUTRAS.

COMPROMISSO

A compreensão é a chave que abre a porta dos princípios e atitudes certas, e a ação correta é a chave do bem viver.

Chegou um momento no meu programa de recuperação em que a terceira parte da Oração da Serenidade: “A Sabedoria para distingui a diferença” – tornou-se impressa indelevelmente na minha mente. Desde aquele momento, tive que enfrentar-me com a consciência de que todas minhas ações, todas minhas palavras e todos meus pensamentos estavam dentro ou fora dos princípios do programa. Não podia mais me ocultar atrás da auto-racionalização, nem atrás da insanidade de minha doença. A única linha de ação aberta, se eu quisesse conseguir uma vida alegre para mim (e também para aqueles a quem amo), seria aquela na qual impusesse a mim mesmo um esforço de compromisso, disciplina e responsabilidade.

PROCURANDO A ESTABILIDADE EMOCIONAL

Ao desenvolvermos mais ainda, descobrimos que o próprio Deus, sem dúvida, é a melhor fonte de estabilidade emocional. Descobrimos que a dependência de Sua absoluta justiça, de Seu perdão e amor era saudável, e que funcionaria quando tudo o mais fracassasse. Se realmente dependêssemos de Deus, seria difícil para nós bancarmos o deus perante nossos semelhantes, e nem sentiríamos a necessidade de nos apoiarmos totalmente na proteção e no cuidado dos outros.

Durante toda a minha vida, dependi das pessoas para minhas necessidades emocionais e de segurança, mas hoje não posso mais viver desta maneira. Pela graça de Deus admiti minha impotência perante pessoas, lugares e coisas. Tinha sido realmente “um dependente de pessoas”: onde quer que fosse precisava haver alguém que prestasse alguma atenção a mim.

Era o tipo de atitude que somente piorava as coisas, porque quanto mais dependia dos outros e exigia atenção, menos recebia.

Parei de acreditar que qualquer poder humano poderia me libertar desse sentimento vazio. Embora permaneça um frágil ser humano que precisa praticar os Passo de A. A. para colocar este princípio acima da personalidade, é somente um Deus amoroso quem pode me dar a paz interior e a estabilidade emocional.

TRAZENDO A MENSAGEM PARA O LAR

Somos capazes de tratar os nosso familiares, já bastante perturbados, com o mesmo espírito de amor e tolerância com que tratamos nossos companheiros do Grupo de A. A.?

Os membros de minha família sofrem os efeitos de minha doença. Amá-los e aceitá-los como eles são – como amo e aceito os membros de A. A. – provoca um retorno de amor, tolerância e harmonia para a minha vida. Usar de cortesia normal e respeitar os limites pessoais dos outros, são práticas necessárias em todos os aspectos de minha vida.

LIBERDADE DO MEDO

Quando, pela graça divina, chegamos a aceitar o nosso destino, compreendemos que podíamos, intimamente, viver em paz e mostrar aos que ainda sofriam do mesmo medo, que eles também poderiam superá-lo. Descobrimos que a libertação do medo era mais importante do que a da penúria.

Valores materiais guiaram minha vida por muitos anos, durante meu alcoolismo ativo. Acreditava que o total de minhas posses me faria feliz, apesar de continuar sentindo-me falido após tê-las conseguido. Assim que vim para A. A. pela primeira vez, descobri uma nova maneira de viver. Como resultado de aprender a confiar nos outros, comecei a acreditar num Poder Superior a mim. Ter fé me libertou da escravidão do ego. Quando os ganhos materiais foram substituídos pelas dádivas de espírito, minha vida tornou-se controlável. Então escolhi compartilhar minhas experiências com outros alcoólicos.

PASSOS “SUGERIDOS”

Nosso Décimo Segundo Passo também diz que, como resultado da prática de todos os Passos, cada um de nós foi descobrindo algo que se pode chamar de “despertar espiritual”… O meio de que A. A. dispõe em nosso preparo para a recepção desta dádiva está na prática dos Doze Passos de nosso programa.

 

Eu lembro da resposta do meu padrinho quando falei que os Passos eram “sugeridos”. Ele replicou que eles são “sugeridos” da mesma maneira que, se você saltar de um avião com um pára-quedas, é “sugerido” que você puxe a corda para abri-lo e salvar a sua vida. Ele mostrou-me que era “sugerido” que eu praticasse os Doze Passos se quisesse salvar a minha vida. Assim eu tento me lembrar diariamente que tenho todo um programa de recuperação, baseado em todos os Doze Passos “sugeridos”.

SERENIDADE

Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos…

 

À medida que continuei indo às reuniões e praticando os Passos, algo começou a me acontecer. Me sentia confuso porque não estava seguro do que estava sentindo, e então percebi que estava sentindo serenidade. Era uma sensação agradável mas, de onde vinha? Então percebi que ela tinha vindo “… como resultado destes Passos”.

O programa pode não ser sempre fácil de praticar, mas precisei reconhecer que minha serenidade veio após praticar os Passos. Quando pratico os Passos em tudo que faço e os aplico em todos os meus negócios, descubro que estou acordado para Deus, para os outros e para mim mesmo. O despertar espiritual que desfruto como resultado de trabalhar os Passos, é a consciência de que eu não estou mais sozinho.

EM TODAS AS NOSSAS ATIVIDADES

… procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.

Eu acho que é fácil transmitir a mensagem de recuperação para os outros alcoólicos, porque me ajuda a manter-me sóbrio e me dá uma sensação de bem estar a respeito de minha própria recuperação.

A parte difícil é praticar estes princípios em todas as minhas atividades. É importante que eu compartilhe os benefícios que recebo de a. A., especialmente em casa. A minha família não merece a mesma paciência, tolerância e compreensão que dou tão generosamente para o alcoólico?

Quando revejo o meu dia, tento perguntar: “Tive a chance de ser um amigo hoje e a perdi?”, “Tive chance de estar por cima de uma situação desagradável e a evitei?”Tive uma chance de dizer: sinto muito e me recusei?”

Da mesma forma que peço a Deus que me ajude com meu alcoolismo a cada dia, peço que me ajude a ampliar minha recuperação para incluir todas as situações e todas as pessoas!

UM NOVO ESTADO DE CONSCIÊNCIA

A dádiva recebida consiste em um novo estado de consciência e uma nova maneira de ser.

Muito de nós em A. A. quebramos a cabeça a respeito do que é um despertar espiritual. Eu tendia a procurar por um milagre, algo dramático e que sacudisse a terra. Mas o que normalmente acontece é uma sensação de bem estar, um sentimento de paz que nos transforma para um novo nível de percepção. Foi isso que aconteceu comigo. Minha insanidade e confusão interiores desapareceram e entrei numa nova dimensão de esperança, amor e paz. Penso que o grau em que continuo a experimentar esta nova dimensão está em proporção direta à sinceridade, intensidade e devoção com que pratico os Doze Passos de A. A.

QUANDO AS COISAS VÃO MAL

Ao desenvolvermo-nos mais ainda, descobrimos que o próprio Deus, , sem dúvida é a melhor fonte de estabilidade emocional. Descobrimos que a dependência de Sua absoluta justiça, perdão e amor era algo saudável e que funcionaria quando tudo o mais fracassasse. Se realmente dependêssemos de Deus, nos seria difícil bancar Deus perante nossos semelhantes e nem sentiríamos a necessidade de nos apoiar totalmente na proteção e no cuidado humano.

A minha experiência tem sido que, quando todos os recursos humanos parecem ter fracassado, há sempre Um que nunca me desampara. Além disso, Ele está sempre ali para compartilhar minha alegria, guiar-me para o caminho certo e para confiar-me a Ele quando nada mais resta. Enquanto que meu bem estar e felicidade podem ser aumentados ou diminuídos pelos esforços humanos, somente Deus pode fornecer a alimentação amorosa da qual depende minha saúde espiritual diária.

VERDADEIRA AMBIÇÃO

Estávamos enganados com a verdadeira ambição; ela é o profundo e sadio desejo de viver uma vida útil e caminhar humildemente, por mercê de Deus.

Durante meus anos de bebedeiras, minha única preocupação era a de que meus amigos me tivessem em alto conceito. Minha ambição em tudo que fazia era para ter o poder de ficar no topo. Meu interior continuava me dizendo alguma coisa, mas eu não podia aceitá-la. Nem sequer permitia perceber que continuamente usava uma máscara. Finalmente quando a máscara caiu e eu gritei para o único Deus que podia conceber; a Irmandade de A. A., Meu Grupo e os Doze Passos estavam lá. Aprendi como mudar ressentimentos em aceitação, medo em esperança e raiva em amor. Aprendi também amar sem abrir expectativas, compartilhando minhas preocupações e cuidados por meus companheiros para que cada dia possa ser alegre e proveitoso.

Eu começo e termino meu dia agradecendo a Deus, que tão generosamente derrama Suas graças sobre mim.

O AMOR QUE NÃO TEM PREÇO

Quando conseguimos ver o Décimo Segundo Passo no conjunto de todas as sua implicações, estamos na verdade falando de um tipo de amor que não tem preço.

Para começar a praticar o Décimo Segundo Passo, precisei trabalhar em minha sinceridade e honestidade, e aprender a agir com humildade. Transmitir a mensagem é uma dádiva de mim mesmo, não importa quantos anos de sobriedade tenha acumulado. Meus sonhos podem tornar-se realidade.

Reforço minha sobriedade compartilhando o que recebi de graça. Quando olho para trás, naquele tempo em que comecei minha recuperação, já havia uma semente de esperança de que poderia ajudar outro alcoólico a sair do seu lamaçal. Meu desejo de ajudar outro alcoólico é a chave para minha saúde espiritual. Mas nunca esqueço que Deus age através de mim. Sou somente Seu instrumento.

Mesmo quando a outra pessoa não está pronta, existe sucesso, porque meu esforço em seu beneficio ajuda-me a ficar sóbrio e a me tornar mias forte. Agir, nunca ficar cansado no trabalho do Décimo Segundo Passo, é a chave. Se sou capaz de rir hoje, não posso esquecer aqueles dias em que chorava. Deus me lembra que posso sentir compaixão!

TRANSMITINDO A MENSAGEM

E agora o que diremos do Décimo Segundo Passo? A maravilhosa energia que dele se desprende e a entusiástica transmissão de nossa mensagem ao alcoólico ainda sofredor e que, finalmente, transforma os Doze Passos em sublime orientação para todas as nossas atividades, é o pagamento, a magnífica realidade de Alcoólicos Anônimos.

Renunciar ao mundo do alcoolismo não é abandoná-lo, mas agir sobre princípios que venho a amar e tratar com carinho, e devolver aos outros, que ainda sofrem, a serenidade que conheci. Quando estou realmente empenhado neste propósito, pouco importa que roupas uso ou como vivo. Minhas tarefa é transmitir a mensagem e liderar pelo exemplo, não por projetos.

AS RECOMPENSAS DE DAR

Isto de fato é dar, nada pedindo. Ele não espera qualquer paga ou amor por parte de seu companheiro. E então descobre que, pelo paradoxo divino contido nesta maneira de dar. Já recebeu a sua própria recompensa, não importando se seu irmão foi ajudado ou não.

Pela experiência com o trabalho do Décimo Segundo Passo, vim a compreender as recompensas de dar, nada pedindo de volta. No início eu esperava a recuperação dos outros, mas logo aprendi que isto não acontece. Uma vez tendo alcançado a humildade para aceitar que cada abordagem não vai resultar em um sucesso, então estou aberto para receber as recompensas de dar, sem o egoísmo do retorno.

RECUPERAÇÃO, UNIDADE, SERVIÇO

Nosso Décimo Segundo Passo – transmitir a mensagem – é o serviço básico que a Irmandade de A. A. faz: este é o nosso principal objetivo e a principal razão de nossa existência.

Agradeço a Deus por aqueles que vieram antes de mim, aqueles que me falaram para não esquecer dos Três Legados: Recuperação, Unidade, Serviço. No meu Grupo base, os Três Legados estão descritos num letreiro que diz: “Tome um banco de três pernas, tente equilibrá-lo somente em uma perna ou em duas. Nossos Três Legados devem manter-se intactos. Na Recuperação nós conseguimos ficar sóbrios juntos; na Unidade trabalhamos juntos para o bem de nossos Passos e Tradições; e através do Serviço nós damos aos outros, de graça, o que nos foi dado”.

Uma das principais dádivas em minha vida tem sido saber que eu não terei mensagem para dar a menos que me recupere em Unidade com os princípios de A .A.

ACEITANDO O SUCESSO OU O FRACASSO

Além do mais, como podemos nos ajudar à derrota ou ao êxito aparentes? Podemos aceitar e nos adaptar a ambos sem desespero ou orgulho? Chegaremos a aceitar a pobreza, a doença, a solidão e consternação com coragem e serenidade? Podemos nos contentar de verdade com as menores, embora duradouras, satisfações, quando nos são negadas as mais brilhantes e gloriosas realizações?

Após encontrar A. A. e parar de beber, levou um tempo antes que entendesse porque o Primeiro Passo contém duas partes: minha impotência perante o álcool e a perda do controle da minha vida. Da mesma maneira, acreditei por muito tempo que para estar em sintonia com os Doze Passos bastava que “transmitisse esta mensagem para os alcoólicos”. Isso era apressar as coisas. Eu tinha esquecido que existiam Doze Passos e que o Décimo Segundo Passo também tem mais do que uma parte. Aos poucos aprendi que era necessário para mim “praticar estes princípios” em todas as áreas de minha vida. Trabalhando todos os Passos completamente, não somente permaneço sóbrio e ajudo alguém mais a alcançar a sobriedade, mas também transformo minhas dificuldades com a vida em alegria de viver.

A ALEGRIA DE VIVER

Portanto, a alegria de viver bem é o tema do décimo Segundo Passo.

A. A. é um programa alegre. Mesmo assim, às vezes resisto a tomar os Passos necessários para seguir adiante, e me encontro resistindo às próprias ações que me levariam à alegria que tanto desejo. Eu não resistiria se estas ações não tocassem algum aspecto vulnerável de minha vida, uma área que precisa de esperança e satisfação.

Repetidas experiências de alegria tendem a suavizar as duras arestas exteriores do meu ego. Ai repousa o poder da alegria para ajudar todos os membros de A. A.

(Fonte: Reflexões Diárias – paginas: 55-243-244-269-344-345-346-348-349-350-352-353-363-366-369-372)

 

 

Décimo primeiro passo

11º PASSO

Procuramos através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que o concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e forças para realizar essa vontade.

Os alcoolistas são pessoas ativas, e tendem com frequência a não levar a sério a oração e meditação, que são, para eles, os principais meios de contato consciente com Deus. Aqueles que permanecem considerando o grupo de A. A. como sua “força superior” podem encarar com desagrado as afirmações sobre o poder da oração. Alguns pretendem demonstrar a não existência de Deus pela presença da pobreza, crueldade, doença e injustiça. Outros usam argumentos diferentes.

Entretanto, depois de experimentar e verificar os resultados da oração e meditação mudam de opinião.

Usada regularmente, a oração passa a ser indispensável. É ela que permite a presença de Deus na vida do alcoolista. Quando a auto-análise, a meditação e a oração “são postas em ação harmônica e logicamente, resultam em uma base inabalável para toda a vida” (Os Doze Passos, p. 89).

O exame dos pensamentos e sentimentos permite que a ação e graça de Deus exerça influência na parte negativa e escura do ser. A ferramenta que ilumina esta parte escura é a meditação.

Para os alcoolistas que não sabem por onde começar, sugere-se que busquem uma oração que os satisfaça, como por exemplo, a de São Francisco de Assis: “Ó Senhor! Faze de mim um instrumento de Tua paz…” (Os Doze Passos, p. 90).

Sugere-se o abandono de qualquer resistência, para poder sentir e aprender com as palavras da oração. Se surgirem pensamentos de menosprezo às idéias propostas, convém lembrar que, com o álcool, valorizava-se o uso da imaginação, mas o problema era que a imaginação não se dirigia a objetivos funcionais.

Como sucede quando se quer construir uma casa, cujo projeto se inicia com o uso da imaginação, a meditação ajuda a ter uma noção do objetivo espiritual. Para facilitar o relaxamento, pode-se imaginar que se está em uma praia, nas montanhas ou planícies. São apresentadas também algumas reflexões sobre esta oração, bem como, algumas características do processo de meditação. Um dos primeiros resultados da meditação é o equilíbrio emocional.

A oração, por sua vez, “… é a elevação do coração e da mente para Deus (…) O estilo comum de oração é uma petição a Deus” (Os Doze Passos, p. 92-93). Existe tentação de expressar pedidos na oração para resolver situações da maneira que se pensa ser adequada e que, com freqüência, não é a vontade de Deus. Convém lembrar a parte do enunciado deste passo que define as necessidades: conhecer a vontade de Deus e obter forças para realizá-la.

Diante de situações delicadas, pode-se pedir da mesma forma: ‘”Seja feita a Sua vontade e não a minha.”’ (Os Doze Passos, p. 93). Em momentos críticos, a lembrança de que, como diz a oração, “é melhor consolar do que ser consolado, compreender do que ser compreendido, amar do que ser amado” traz consigo a intenção deste passo.

Esperar uma resposta certa e definida de Deus para uma situação perturbadora e específica apresenta um sério risco. Freqüentemente os pensamentos que parecem ser uma resposta divina são justificativas feitas inconscientemente, embora bem intencionadas. “É um indivíduo muito desconcertante o A. A., ou qualquer outro homem, que tenta implantar rigorosamente em sua vida este modo de rezar, com esta necessidade egoística de respostas divinas. (…) Com a melhor das intenções, ele tende a impor sua própria vontade em qualquer situação ou problema…” (Os Doze Passos, p. 94).

Em relação a outras pessoas, pode surgir uma tentação semelhante, quando se pede a Deus que resolva determinada dificuldade da maneira como se acha que deve ser.

A. A. sugere que, tanto para si como para os outros, a oração deveria pedir que se cumprisse a vontade de Deus.

A experiência em A. A. mostra que, na medida em que se busca aumentar o contato com Deus e se deixa de dizer a Ele o que queremos, nova força e uma benéfica orientação se manifestam. Podem surgir períodos de rebelião, nos quais ocorre uma recusa a rezar. Não se deve usar de muito rigor consigo próprio quando isto ocorre, mas apenas, tão logo seja possível, deve-se voltar à prática da oração.

Possivelmente, uma das grandes recompensas obtidas com a oração e meditação é a convicção de se fazer parte: não existe mais a sensação de abandono, medo e insegurança. No momento em que se tem um pequeno vislumbre da vontade de Deus, e que se percebe a verdade, a justiça e o amor como valores permanentes, sabe-se que o amor de Deus estará sempre velando por nós. Tudo estará permanentemente bem quando nos voltamos para Ele.

MANEIRAS MISTERIOSAS

… nas épocas de sofrimento e dor, quando a mão de Deus parecia ser pesada e até injusta, novas lições sobre a vida foram aprendida, novas fontes de coragem foram descobertas e finalmente, de forma iniludível, chegou a convicção de que Deus, efetivamente “age de maneira misteriosa na realização de Suas maravilhas”.

Após perder a minha carreira, família e saúde, não tinha ainda me convencido de que minha maneira de vier precisava ser vista de uma nova forma. A bebida e o uso de outras drogas estavam me matando, mas eu nunca tinha encontrado uma pessoa em recuperação ou um membro de A. A.

Pensava que meu destino era morrer sozinho e que eu merecia isso. No auge do meu desespero, meu filho menor adoeceu gravemente com uma rara enfermidade. Os esforços dos médicos para ajudá-lo provaram ser inúteis. Redobrei meus esforços para bloquear meus sentimentos, porém, agora o álcool havia deixado de surtir efeito. Estava só olhando fixamente os olhos de Deus, suplicando Sua ajuda. Em alguns dias, devido a uma estranha série de coincidências tive meu primeiro contato com A. A. e desde então tenho permanecido sóbrio. Meu filho sobreviveu e sua doença está em regressão. Todo o episódio me convenceu da minha impotência e da perda de controle da vida. Hoje meu filho e eu agradecemos a Deus por Sua intervenção.

MANTENDO O OTIMISMO À TONA

Os outros Passos podem manter a maioria de nós sóbrios e funcionando de alguma maneira. Mas o Décimo Primeiro Passo pode nos manter em crescimento.

Um alcoólico sóbrio acha muito mais fácil ser otimista sobre a vida. Otimismo é o resultado natural de me encontrar gradualmente possibilitado de tirar o melhor proveito de cada situação. À medida que minha sobriedade física continua, eu saio do nevoeiro, ganho uma perspectiva mais clara, e posso determinar melhor que curso de ação tomar. A sobriedade física é tão vital que posso adquirir um maior potencial desenvolvendo uma disposição sempre crescente para valer-me da orientação e direção de um Poder Superior. Minha capacidade para fazer isto vem do meu aprendizado – e prática – dos princípios do programa de A. A.

A fusão de minha sobriedade física com a espiritual produz a substância de uma vida mais positiva.

FOCALIZANDO E ESCUTANDO

A prática do auto-exame, da meditação e da oração estão diretamente interligadas. Usadas separadamente, elas podem trazer muito alivio e benefício.

Se faço primeiro meu auto-exame, tenho certeza de que terei bastante humildade para orar e meditar – porque verei e sentirei a necessidade de fazê-lo. Alguns desejam começar e terminar com a oração, deixando um intervalo para o auto-exame e a meditação, enquanto outros começam com a meditação, escutando os conselhos de Deus sobre seus defeitos ainda escondidos ou não reconhecidos. Outros ainda se empenham num trabalho escrito e verbal de seus defeitos, terminando com uma oração de louvor e de ação de graças. Estes três – auto-exame, meditação e oração – formam um círculo sem começo nem fim. Não importa onde ou como eu começo, aos poucos chego ao meu destino: uma vida melhor.

UMA DISCIPLINA DIÁRIA

… quando essas práticas (auto-exame, meditação e oração) estão logicamente relacionadas e interligadas, resultam em uma base inabalável para toda a vida.

Os últimos três Passos do programa invocam a disciplina amorosa de Deus sobre a minha natureza obstinada. Se dedico apenas alguns momentos toda a noite para uma revisão dos pontos mais importantes do meu dia, junto com o reconhecimento daqueles aspectos que não me agradam muito, eu ganho uma história pessoal de mim mesmo, uma história que é essencial à minha caminhada para o auto conhecimento.

Fui capaz de perceber meu crescimento, ou a falta dele, e pedir numa prece para ser aliviado desses defeitos de caráter contínuos que me causam sofrimento. Meditação e oração também me ensinam a arte de concentrar-me e escutar.

Verifico que a confusão do dia se acalma quando rezo por Sua orientação e vontade. A prática de pedir a Ele que me ajude em meus esforços para a perfeição coloca uma nova perspectiva ao tédio de cada dia, porque sei que existe honra em qualquer trabalho bem feito. A disciplina diária de oração e meditação me manterá em boa condição espiritual, capaz de encarar qualquer coisa que o diga me traga, sem pensar em uma bebida.

INDO COM O FLUXO

Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos…

As primeira palavras que falo, quando levanto de manhã são: “Oh! Deus, me levanto para fazer a Tua vontade!”

Esta é a oração mais curta que conheço e ela está profundamente enraizada em mim. A oração não muda a atitude de Deus para comigo: ela muda minha atitude para com Deus.

Distinta da oração, a meditação é um tempo calmo, sem palavras. Estar centrado é estar fisicamente relaxado, emocionalmente calmo, mentalmente focalizado e espiritualmente consciente. Uma maneira de manter o canal aberto e melhorar meu contato consciente com Deus, é manter uma atitude de gratidão. Nos dias em que sou grato, coisas boas parecem acontecer em minha vida. No momento que começo a xingar as coisas na minha vida, o fluxo de bem pára. Deus não interrompeu o fluxo: minha própria negatividade é que o interrompeu.

SOLTE-SE E ENTREGUE-SE A DEUS

… rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade.

Quando eu “me solto e me entrego a Deus”, penso mais clara e sabiamente. Sem ter que pensar a respeito, rapidamente me livro das coisas que me causam dor e desconforto. Como acho difícil me livrar da espécie de pensamentos e atitudes preocupantes que me causam uma imensa angústia, tudo que preciso fazer nestas horas é permitir que Deus, como eu O concebo, me liberte delas e no mesmo instante me solto de pensamentos, recordações e atitudes que estão me incomodando.

Quando recebo ajuda de Deus como eu O concebo, posso viver minha vida um dia de cada vez e lidar com os desafios que apreçam no meu caminho. Somente então posso viver uma vida de vitória sobre o álcool, numa sobriedade confortável.

UMA AVENTURA INDIVIDUAL

A meditação é algo que sempre pode ser desenvolvido. Ela não tem limites tanto na extensão como a altura. Embora possamos ser auxiliados por qualquer instrução ou exemplo que encontrarmos, ela é essencialmente uma aventura individual que cada um de nós realiza à sua maneira.

Meu crescimento espiritual é com Deus como eu O concebo.

Com Ele eu encontro meu verdadeiro eu interior. Meditação e oração diárias renovam e reforçam minha fonte de bem-estar. Recebo então a abertura para aceitar tudo que Ele me oferece. Com Deus tenho a afirmação reiterada de que minha jornada era como Ele deseja para mim e, por isto sou grato de ter Deus na minha vida.

UMA SENSAÇÃO DE PERTENCER

Talvez uma das maiores recompensas que conseguimos obter com a meditação e a oração, seja a íntima convicção de que passamos a fazer parte.

É isso: “fazer parte”.

Após uma sessão de meditação, sabia que o sentimento que experimentava era uma sensação de fazer parte, porque me sentia tão à vontade. Eu sentia muita quietude interna, com mais disposição para deixar de lado pequenas irritações.

Apreciava meu senso de humor. O que também experimento na minha prática diária é o puro prazer de pertencer ao fluxo criativo do mundo de Deus. Como é favorável para nós, que a oração e a meditação estejam escritas diretamente em nossa maneira de vida de A. A.

ACEITAR A SI MESMO

Sabemos que o amor de Deus vela sobre nós. Enfim, sabemos que quando nos voltarmos para Ele, tudo estará bem conosco, agora e para sempre.

Rezo para estar sempre disposto a recordar que sou filho de Deus, uma alma divina numa forma humana, e que a tarefa mais urgente e básica na minha vida é aceitar, conhecer, amar e cuidar de mim mesmo. Quando me aceito, estou aceitando a vontade de Deus. Quando me conheço e me amo, estou conhecendo e amando a Deus. Quando cuido de mim, estou agindo sob a orientação de Deus. Rezo para ter disposição de abandonar minha arrogante autocrítica, e louvar a Deus humildemente aceitando-me e cuidando de mim mesmo.

INTUIÇÃO E INSPIRAÇÃO

… pedimos a Deus inspiração, um pensamento intuitivo ou uma decisão. Relaxamos e seguimos com calma. Não lutamos.

Eu invisto o meu tempo no que realmente amo. O Décimo Primeiro Passo é uma disciplina que me dá condições de ficar junto com meu Poder Superior, lembrando-me que, com a ajuda de Deus, intuição e inspiração são possíveis.

A prática deste Passo conduz ao amor-próprio. Na tentativa consciente para melhorar meu contato consciente com um Poder Superior, sou sutilmente lembrado do meu passado doentio, com suas estruturas de pensamentos grandiosos e sentimentos falsos de onipotência. Quando peço por força para me realizar a vontade de Deus para mim, torno-me consciente da minha impotência. Humildade e um saudável amor-próprio são compatíveis, um resultado direto de trabalhar o Décimo Primeiro Passo.

MANUTENÇÃO VITAL

Aqueles de nós que estão se utilizando regularmente da oração seriam tão incapazes de dispensá-la como ao ar, ao alimento ou à luz do sol, tudo pela mesma razão. Quando recusamos ar, luz ou alimento, o corpo sofre. Se virarmos as costas à meditação e à oração, também estamos negando às nossas mentes, emoções e intuições, um apoio imprescindível.

O Décimo Primeiro Passo não precisa me esmagar. O contato consciente com Deus pode ser tão simples e tão profundo como o contato com outro ser humano. Posso sorrir. Posso escutar. Posso perdoar. Todo encontro com o outro é uma oportunidade para a oração, para reconhecer a presença de Deus dentro de mim.

Hoje posso me aproximar um pouco mais do meu Poder Superior. Quanto mais procuro a beleza do trabalho de Deus nas outras pessoas, mais seguro estarei de Sua presença.

UM ALIVIO DIÁRIO

O que temos na realidade é um alivio diário, que depende da manutenção de nossa condição espiritual.

Manter minha condição espiritual é como fazer exercício todo dia, planejando a maratona, nadando, correndo. É permanecer em boa forma espiritualmente, e isto requer prece e meditação. A mais simples e mais importante maneira de melhorar meu contato consciente com o Poder Superior é rezar e meditar. Sou impotente perante o álcool como sou para fazer voltar as ondas do mar; nenhuma força humana teve o poder para vencer o meu alcoolismo. Agora sou capaz de respirar o ar de alegria, da felicidade e da sabedoria. Tenho o poder para amar e reagir aos eventos à minha volta com os olhos de uma fé em coisas que não são aparentes. Meu alívio diário significa que não importa o quanto as coisas pareçam ser difíceis e dolorosas. Hoje eu sempre posso recorrer à força do programa para permanecer liberto de minha sutil, frustradora e poderosa doença.

UMA REDE DE SEGURANÇA

Às vezes… somos acometidos por uma rebelião tão mórbida que simplesmente são rezamos. Quando estas coisas acontecem, não devemos ser demasiadamente rigorosos conosco. Devemos apenas voltar à prática da oração tão logo pudermos. Fazendo o que sabemos ser bom para nós.

Algumas vezes grito, bato o pé e dou as costas para o meu Poder Superior. Então minha doença me diz que sou um fracasso e que, se continuar zangado, com certeza irei beber. Nesses momentos de obstinação é como se eu tivesse escorregando de uma penhasco e uma mão me apanhasse. A mensagem acima é a minha rede de segurança, no sem tido de que me instiga a tentar algum novo comportamento, como o de ser amável e paciente comigo mesmo. Ela me garante que meu Poder Superior esperará até eu estar disposto mais uma vez a arriscar a me entregar, cair na rede e rezar.

EU ESTAVA CAINDO RÁPIDO

Nós AAs somos pessoas ativas, desfrutando da satisfação de lidar com as realidades da vida… Portanto, não é de se estranhar que, com frequência, façamos pouco caso da meditação e da oração séria, como não sendo coisas de real necessidade.

Eu estava escorregando para fora do programa já algum tempo, mas foi preciso a ameaça de uma doença terminal para me trazer de volta e, particularmente, para a prática do Décimo Primeiro Passo de nossa abençoada Irmandade. Embora tivesse quinze anos de sobriedade e fosse ainda muito ativo no programa, sabia que a qualidade de minha sobriedade caíra bastante. Dezoito meses mais tarde, um exame revelou um tumor maligno e o prognóstico de morte certa dentro de seis meses. O desespero se instalou quando me registrei em um programa de reabilitação, após o qual sofri dois pequenos ataques que revelaram dois grandes tumores no cérebro. Enquanto ia atingindo novos fundos de poço, eu me perguntava por que isto estava acontecendo comigo. Deus permitiu que eu reconhecesse minha desonestidade e que me tornasse capaz de aprender novamente.

Mas basicamente reaprendi o significado total de Décimo Primeiro Passo. Minha condição física melhorou dramaticamente, e minha doença é insignificante, comparada com o que quase perdi.

“TUA VONTADE, NÃO A MINHA”

… sempre que tivéssemos de fazer determinados pedidos, faríamos bem em acrescentar esta ressalva: “… se for de Tua vontade.”

Eu peço simplesmente que durante o dia Deus coloque em mim o melhor entendimento de Sua vontade que eu possa ter, e que me conceda a graça de poder executá-la.

No transcorrer do dia posso fazer uma pausa quando diante de situações que precisam ser enfrentadas e de decisões que precisam ser tomadas, e renovar o pedido simples: “Seja feita a Tua vontade, não a minha.”

Devo ter sempre em mente que em toda situação eu sou responsável pelo resultado. Posso “Soltar-me e entregar-me à Deus.” Repetindo humildemente: “Seja feita a Tua vontade e não a minha.” Paciência e persistência na procura de Sua vontade me libertarão da dor de expectativas egoísticas.

UMA ORAÇÃO CLÁSSICA

“Ó Senhor! Faze de mim um instrumento de Tua Paz; Onde há ódio, faze que eu leve o amor; onde há ofensa que eu leve o perdão; onde há discórdia que eu leve a união; onde há dúvidas que eu leve a fé; onde há erros que eu leve a verdade; onde há desespero que eu leve a esperança; onde há tristeza que eu leve a alegria; onde há trevas que eu leve a luz”

Oh! Mestre! Faze que eu procure menos ser consolado do que consolar; ser compreendido do que compreender; ser amado do que amar: Porque é dando que se recebe; é perdoando que se é perdoado; é morrendo que se vive para a Vida Eterna!”

Não importa em que parte do meu crescimento espiritual me encontre, a oração de São Francisco me ajuda a melhorar meu contato consciente com o Deus do meu entendimento. Penso que uma das grandes vantagens de minha fé em Deus é que eu não O entendo. Pode ser que meu relacionamento com meu Poder Superior seja tão proveitoso, que eu não precise entender. Tudo que sei é que se prático o Décimo Primeiro Passo regularmente, da melhor maneira que posso, continuarei a melhorar meu contato consciente, conhecerei a Sua vontade para comigo e terei forças para executá-la.

UMA BUSCA UNIVERSAL

Seja ágil em perceber onde as pessoas religiosas estão certas. Faça uso do que elas lhe oferecem.

Eu não pretendo ter todas as respostas em assuntos espirituais, nem pretendo ter todas as respostas sobre alcoolismo. Existem outros que também estão engajados numa busca espiritual. Se mantenho a mente aberta sobre o que os outros têm a dizer, tenho muito a ganhar. Minha sobriedade grandemente enriquecida e minha prática do Décimo Primeiro Passo é mais proveitosa, quando faço uso tanto da literatura e as práticas de minha tradição judaico-cristã, bem como dos recursos de outras religiões.

Assim, recebo apoio de muitas fontes para ficar longe do primeiro gole.

(Fonte: Reflexões Diárias – paginas: 85-315-316-317-319-320-321-323-324-327-328-331-332-333-334-337)

Décimo passo

10º PASSO

Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.

A aproximação do Décimo Passo leva o alcoolista a começar a se submeter ao modo de viver de A. A., sempre e em qualquer situação. Faz-se necessária uma análise contínua de qualidades e defeitos, e o propósito de aprender e crescer por meio desta análise.

Alem da ressaca devida ao excesso de bebida, existe também a ressaca emocional, que é “… fruto direto do acúmulo de emoções negativas ontem sofridas e, às vezes, hoje – o rancor, o medo, o ciúme e outras semelhantes” (Os Doze Passos, p. 79). Para viver com serenidade é preciso eliminar tias ressacas.

Embora iguais em princípio, os inventários diferem de acordo com a ocasião em que são feitos. Há o inventário “relâmpago”, que é feito nos momentos de confusão. Inventários diários são feitos para revisar os acontecimentos das últimas 24 horas. Existem ainda os inventários periódicos, feitos para avaliar o progresso de um determinado período.

A dificuldade do inventário reside na falta de hábito de uma análise detalhada. Uma vez adquirido, o hábito passa a ser uma atividade proveitosa, compensando Amplamente o tempo com ele despendido. Muitos alcoolistas têm o hábito de fazer um inventário anual ou semestral.

Existe um preceito espiritual que explica que, cada vez que o indivíduo se sente perturbado, existe algo errado com ele. Entre os sentimentos perturbadores encontra-se o rancor. Quando este é justificado, a literatura esclarece que para o alcoolista este rancor pode ser perigoso: é preferível deixá-lo para as pessoas mais equilibradas, que conseguem mantê-lo sob controle. Outros sentimentos que têm o poder de transtornar as emoções do alcoolista são o ciúme, os ressentimentos, a inveja, auto piedade e o orgulho. “Um inventário ‘relâmpago’ levantado no meio de tais perturbações pode ser de grande valia para acalmar as emoções tempestuosas” (Os Doze Passos, p. 81).

O inventário diário aplica-se para situações que ocorreram durante as vinte e quatro horas. Para todas as situações há necessidade “… de autodomínio, análise honesta do ocorrido, disposição para admitir nossa culpa e, igualmente, para desculpar as outras pessoas” (Os Doze Passos, p. 82).

O desenvolvimento do autodomínio tem prioridade, uma vez que a precipitação ou imprudência pode comprometer uma relação e não permite agir ou pensar com clareza. O autodomínio é necessário tanto para problemas inesperados, como para o momento em que o alcoolista começa a ser bem sucedido. O sucesso leva muito facilmente ao orgulho. Neste sentido, a lembrança de que a sobriedade é resultado da ação de Deus pode funcionar com defesa contra o orgulho desmedido.

A percepção de que todas as pessoas têm falhas começa a gerar tolerância e evidência de que não faz sentido ofender-se com pessoas que sofrem tal qual o alcoolista dos desajustes que acompanham o desenvolvimento. Uma mudança tão radical na forma de ver as coisas pode levar muito tempo. Se são raras as pessoas que conseguem amar a todas as outras, é comum encontrar indiferença e ódio entre as pessoas. O alcoolista, no entanto, não pode manter a ideia de que pode odiar ou temer quem quer que seja. “A cortesia, a bondade, a justiça e o amor são chaves que abrem a porta da harmonia entre nós e as outras pessoas” (Os Doze Passos, p. 84).

Ao final do dia, muitos alcoolistas fazem o inventário das últimas 24 horas. Percebem que boas intenções e atos construtivos estão presentes em sua mente.

Por outro lado, o exame dos pensamentos e atos inadequados ou desagradáveis permitem, de modo geral, perceber e entender quais foram os motivos que os geraram. É preciso apenas reconhecer a falha, tentar visualizar qual comportamento teria sido adequado, aproveitar a lição e fazer a reparação se necessária.

Para outras situações, apenas um exame mais detalhado irá mostrar quais foram os reais motivos de algumas ações. Algumas vezes, poderá ter surgido uma justificativa para explicar uma conduta inadequada, e será tentador imaginar que havia bons motivos para o comportamento em questão. “Esta estranha característica do complexo mente-emoção, este desejo pervertido de ocultar atrás do bom motivo, o errado, se infiltra nos atos humanos de alto a baixo” (Os Doze Passos, p. 85). A edificação do caráter consiste em perceber, admitir e corrigir estas falhas. Uma avaliação minuciosa de como foi o dia possibilita agradecer a Deus as graças recebidas e adormecer com a consciência tranquila.

A PROVA DECISIVA

Quando praticamos os nove primeiros Passos, estamos nos preparando para a aventura de uma nova vida. Mas, ao nos aproximarmos do Décimo Passo, começamos a nos submeter à maneira de viver de A. A. dia após dia, em qualquer circunstância. Logo, vem a prova decisiva: permanecer sóbrios, manter nosso equilíbrio emocional e viver utilmente sob quaisquer condições?

Eu sei que as promessas estão sendo cumpridas na minha vida, mas desejo mantê-las e desenvolvê-las pela aplicação diária do Décimo Passo. Tenho aprendido através deste Passo que, se estou perturbado, há algo errado comigo. A outra pessoa pode estar errada também, mas eu posso tratar somente com os meus sentimentos. Quando estou magoado ou transtornado, tenho que procurar a causa continuamente em mim e preciso então admitir e corrigir meus erros. Não é fácil, mas enquanto sei que estou progredindo espiritualmente, sei que posso considerar meu esforço como um trabalho bem feito.

Descobri que a dor é uma amiga: ela me deixa saber que há alguma coisa errada com as minhas emoções, da mesma forma que uma dor física mostra que há alguma coisa errada com meu corpo. Quando atuo de forma apropriada através dos Doze Passos, a dor gradualmente vai embora.

APÓS A TEMPESTADE, SERENIDADE

Um conhecedor do assunto, disse uma vez, que a dor era a pedra de toque de todo o progresso espiritual. Nós Aas estamos convencidos disso…

Quando me encontro na montanha russa da confusão emocional, recordo que o crescimento é freqüentemente doloroso. Minha evolução no programa de A. A. me ensinou que devo experimentar a mudança interior que, mesmo dolorosa, acabará guiando-me do egoísmo para o altruísmo. Se quero ter serenidade, tenho que passar pelo tumulto emocional e suas subsequentes ressacas, e estar agradecido pelo contínuo progresso espiritual.

UMA PODA NECESSÁRIA

… sabemos que antes da sobriedade vem, obrigatoriamente, o sofrimento resultante da bebida, da mesma forma que antes da serenidade vem o desequilíbrio emocional.

Adoro despender tempo em meu jardim, alimentando e podando minhas flores maravilhosas. Um dia, em que estava diligentemente podando-as, uma vizinha parou e comentou: “Oh! As tuas plantas são maravilhosas, é uma pena ter que cortá-las.” Eu repliquei: “Sei como você se sente, mas o excesso precisa ser removido, para que elas possam crescer mais fortes e mais saudáveis.”

Mais tarde pensei que talvez minhas plantas sentissem dor, mas Deus e eu sabemos que faz parte do plano e tenho visto os resultados. Então lembrei me logo do meu precioso programa de A. A. e de como nós todos crescemos através da dor. Peço a Deus para me podar quando for a hora, para que assim possa crescer.

A BAGAGEM DE ONTEM

Os sábios sempre souberam que alguém só consegue fazer alguma coisa de sua vida somente depois que o exame de si mesmo venha a se tornar um hábito regular, admita e aceite o que encontre e, então tente corrigir o que lhe pareça errado, com paciência e perseverança.

Tenho hoje mais do que o suficiente para lidar, sem ter que arrastar também a bagagem de ontem. Devo equilibrar as contas de hoje, se quiser ter uma chance amanhã. Portanto, pergunto a mim mesmo se errei e como posso evitar repetir esse comportamento em particular. Magoei alguém, ajudei alguém, e por quê?

Alguma coisa que faço hoje acaba transbordando para o amanhã, porém, isso não precisa acontecer com quase tudo, se eu fizer um inventário diário de forma honesta.

CONTROLANDO DIARIAMENTE

Continuamos fazendo o inventário pessoal.

O axioma espiritual referido no Décimo Passo: “toda vez em que estivermos perturbados, não importa qual a causa, há alguma coisa errada conosco” também me diz que não existem exceções a isto. Não importa o quanto os outros pareçam ser ir razoáveis, eu sou responsável para não reagir negativamente. Independente do que está acontecendo à minha volta, sempre terei a prerrogativa e a responsabilidade de decidir o que acontece dentro de mim. Eu sou o criador de minha própria realidade.

Quando faço meu inventário diário, sei que devo parar de julgar os outros. Se julgo os outros, provavelmente estou a mim mesmo.

Quem mais me perturba, é meu melhor professor. Tenho muito que aprender com ele ou com ela e, em meu coração, deveria agradecer a essa pessoa.

INVENTÁRIO DIÁRIO

… e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.

Eu estava começando a me aproximar de minha nova vida de sobriedade com um entusiasmo incomum. Novos amigos estavam aparecendo e algumas de minhas amizades danificadas começavam a ser reparadas. A vida era excitante e comecei a gostar até mesmo do meu trabalho, tornando-me tão confiante a ponto de emitir um relatório sobre a falta de acompanhamento cuidadoso com alguns de nossos clientes. Um dia, um colega me informou que meu chefe estava realmente preocupado porque uma queixa, apresentada sem o seu conhecimento, tinha lhe causado muito desconforto com seus superiores. Eu sabia que meu relatório tinha criado o problema, e comecei a me sentir responsável pela dificuldade de meu chefe. Discutindo o assunto, meu colega tentou me tranquilizar  dizendo que não havia necessidade de pedir desculpas, mas logo me convenci de que precisava fazer alguma coisa, independente das conseqüências. Quando me aproximei de meu chefe confessei minha parte em suas dificuldades, ele ficou surpreso. Porém, coisas inesperadas resultaram de nosso encontro, e nós fomos capazes de concordar em interagir mais diretamente e de forma efetiva no futuro.

UM PRECEITO ESPIRITUAL

É um preceito espiritual, que cada vez que estamos perturbados, seja qual for a causa, alguma coisa em nós está errada.

Eu nunca entendi realmente o preceito espiritual do Décimo Passo, até a ter a seguinte experiência. Estava sentado lendo em meu quarto, de madrugada quando, subitamente, ouvi meus cachorros latindo no pátio de trás. Meus vizinhos desaprovam este barulho, assim, com uma mistura de sentimentos de raiva e vergonha, bem como do medo da desaprovação de meus vizinhos, chamei os cachorros imediatamente.

Várias semanas mais tarde, a mesma situação se repetiu, exatamente da mesma maneira, mas eu estava me sentindo em paz comigo mesmo e fui capaz de aceitar a situação – cachorros sempre latem – e, calmamente, chamei os cachorros.

Os dois incidentes me ensinaram que, quando uma pessoa experimenta eventos quase idênticos e reage de duas maneiras diferentes, significa que não é a situação que é de extrema importância, mas a condição espiritual da pessoa.

Sentimentos vêm de dentro, não das circunstâncias exteriores. Quando minha condição espiritual é positiva, eu reajo positivamente.

CONSERTANDO A MIM, NÃO A VOCÊ

Se ao sermos ofendidos, nos irritamos, é sinal de que também estamos errados.

Que alivio eu senti quando me mostraram esta passagem.

De repente vi que podia fazer alguma coisa a respeito de minha raiva, podia consertar-me ao invés de tentar consertar os outros. Acredito que não há exceções a este preceito.

Quando estou com raiva, ela está sempre auto centrada. Preciso continuar me lembrando que sou humano e que estou fazendo o melhor que posso, mesmo quando este melhor é pouco.

Assim, peço a Deus para remover minha raiva e deixar-me realmente livre.

AUTO-DOMÍNIO

Nosso primeiro alvo deve ser o desenvolvimento do auto-domínio.

Minha viagem para o trabalho me dá oportunidade para fazer um auto-exame.

Um dia, quando fazia essa viagem, comecei a rever o meu progresso na sobriedade e não fiquei feliz com o que vi. Esperei com o passar do dia, trabalhando, esquecer esses pensamentos incômodos. Porém, como ia aparecendo um desapontamento após outro, meu descontentamento somente aumentou e as pressões dentro de mim continuaram subindo.

Me recolhi para uma mesa isolada na sala de firma e me perguntei como poderia aproveitar melhor o restante do dia. Antigamente, quando as coisas iam mal, instintivamente deseja lutar contra. Mas, durante o curto tempo que eu tinha tentando viver o programa de A. A., havia aprendido a voltar atrás e dar uma olhada em mim mesmo. Reconheci que, embora não sendo a pessoa que desejava ser, eu tinha aprendido a não reagir da minha velha maneira. Aquelas velhas estruturas de comportamento só trouxeram tristeza e dor para mim e para os outros. Voltei para minha seção de trabalho, determinado a ter um dia produtivo, agradecendo a Deus pela chance de fazer progresso aquele dia.

REFREANDO A PRECIPITAÇÃO

Quando falamos ou agimos precipitada ou imprudentemente, nossa capacidade de fazer justiça e ser tolerante se evapora imediatamente.

Ser justo e tolerante é um objetivo para o qual preciso trabalhar diariamente. Peço a Deus como eu O concebo, para me ajudar a ser amoroso e tolerante com as pessoas que amo e com aqueles que estão em maior contato comigo.

Peço orientação para reprimir minha língua quando estou agitado, e paro um momento para refletir sobre o cataclismo emocional que minhas palavras podem causar, não somente a outros mas também em mim. Oração, meditação e inventários são a chave para um pensamento firme e ação positiva para mim.

INVENTÁRIOS INCESSANTES

Continuamos vigiando o egoísmo, a desonestidade, o ressentimento e o medo. Quando estes surgirem, pediremos imediatamente a Deus que os remova. Iremos discuti-los em seguida com alguma pessoa e, se causamos algum dano, prontamente vamos repará-lo. Então, firmemente, voltamos nossos pensamentos para alguém a quem possamos ajudar.

A aceitação imediata de pensamentos ou ações erradas é uma tarefa difícil para a maioria dos seres humanos, mas para alcoólicos em recuperação como eu, é difícil devido à minha propensão para o egoísmo, o medo e o orgulho. A liberdade que o programa de A. A. me oferece torna-se mais abundante quando, através de inventários incessantes de mim mesmo, admito, reconheço e aceito responsabilidade por meus erros. É possível então para mim conseguir uma compreensão mais profunda e mais ampla do que é a humildade. Minha disposição em admitir quando a falta é minha, facilita o progresso de meu crescimento e me ajuda a ser mais compreensivo e prestativo para os outros.

UM PROGRAMA PARA VIVER

Quando nos deitamos à noite, revisamos construtivamente o nosso dia… Ao acordar, pensamos nas vinte e quatro horas vindouras… Antes de começar, pedimos que Deus dirija nossos pensamentos e, especialmente, que eles sejam divorciados da auto-piedade, da desonestidade e do egoísmo.

A mim faltava a serenidade. Com mais coisas para fazer do que era possível, embora me esforçasse muito, cada vez estava mais atrasado. Preocupações sobre coisas não feitas ontem e medo pelos prazos de entrega amanhã, negavam-me a calma de que eu precisava para ser eficaz a cada dia.

Antes de praticar o Décimo e o Décimo Primeiro Passos comecei a ler passagens como a citada acima.

Tentei focalizar a vontade de Deus, não os meus problemas, e confiar que Ele poderia administrar o meu dia.

Funcionou! Foi devagar, mas funcionou!

DURANTE CADA DIA

Não é algo que se consiga de um dia para o outro. Deve continuar durante toda a vida.

Durante meus primeiros anos em A. A., considerava o Décimo Passo como uma sugestão de que olhasse periodicamente ao meu comportamento e reações. Se houvesse alguma coisa errada, deveria admiti-la; se uma desculpa fosse necessária, deveria pedi-la.

Após alguns anos de sobriedade, senti que podia fazer um auto-exame mais freqüentemente. Somente após a passagem de mais alguns anos eu percebi o significado total do Décimo Passo e da palavra “continuamos”. “Continuamos” não significa de vez em quando, ou freqüentemente. Significa “durante cada dia”.

UM AJUSTAMENTO DIÁRIO

Cada dia é um dia em que devemos aplicar a visão da vontade de Deus em todas as nossas atividades.

Como mantenho minha condição espiritual?

Para mim é muito simples: todo dia peço ao Poder superior que me conceda a graça da sobriedade por mais aquele dia!

Tenho conversado com muitos alcoólicos que voltaram a beber e sempre pergunto a eles: “Você rezou por sobriedade no dia em que tomou o primeiro goles? Nenhum deles disse que sim. Quando prático o Décimo Passo e tento manter minha casa em ordem diariamente, sei que se eu pedir por um indulto diário, ele será concedido.

NADA CRESCE NA ESCURIDÃO

Desejaremos que cresça e floresça o bem que está dentro de todos nós, por pior que sejamos.

Com a autodisciplina e a percepção que ganhei praticando o Décimo Passo, começo a conhecer as gratificações da sobriedade – não como uma mera abstinência do álcool, mas como uma recuperação em todos os aspectos de minha vida.

Renovo a esperança, regenero a fé e ganho novamente a dignidade do auto-respeito. Descobri a palavra “e” na frase: “e quando estávamos errados, admitimos prontamente”.

Tranqüilo de que não estou mais sempre errado, aprendo a aceitar a mim mesmo, como sou, com um novo entendimento dos milagres da sobriedade e serenidade.

VERDADEIRA TOLERÂNCIA

Finalmente começamos a perceber que todas as pessoas, nós inclusive, estamos mais ou menos emocionalmente doentes e frequentemente errados, e então, aproximando-nos da verdadeira tolerância, conhecemos o real significado do amor ao próximo.

Ocorreu-me o pensamento de que, até certo ponto, todas as pessoas são emocionalmente doentes. Como nós poderíamos não ser? Quem entre nós é perfeito? Como poderia algum de nós ser perfeito emocionalmente? Portanto, o que mais podemos nós fazer?, senão suportar um ao outro e tratar cada um como gostaríamos de ser tratados em circunstâncias similares.

Isso é realmente o amor.

(Fonte: Reflexões Diárias – paginas: 284-285-286-287-289-290-291-292-293-294-295-296-298-299-303-304)