Monthly Archives: Outubro 2012

Segundo passo

2º PASSO

 

Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.

Para a maioria dos recém-chegados a leitura deste passo traz um sério dilema.

Alguns se recusam a acreditar em Deus, outros não podem fazê-lo, e alguns acreditam, mas não conseguem ter confiança em que Deus consiga livrá-los da obsessão. Aquele que se recusa a acreditar já tem dificuldade para aceitar sua impotência diante do álcool. Acredita que o ser humano é o ápice da evolução, o único deus que aceita. Renunciar a esta sua crença parece impossível. Seu padrinho vem então em seu auxílio, explicando que até para um amigo seu que era presidente da Sociedade Atéia Americana foi possível contornar este obstáculo.

Seu padrinho pede que estude três afirmações: Alcoólicos Anônimos não exige que se acredite em coisa alguma; para alcançar e manter a sobriedade não é preciso aceitar de uma vez só o Segundo Passo; o único requisito realmente necessário é ter a mente aberta. O padrinho continua relatando a sua própria experiência, como alguém que tinha tido uma educação cientifica, e inicialmente encarara a irmandade de A. A. como sendo totalmente anticientífica. No entanto, diante dos resultados prodigiosos que A. A. mostrava, desistiu de argumentar. A partir de então, começou a ver e sentir, e o Segundo Passo começaram a infiltrar-se em sua vida.

Explica que existem inúmeros caminhos que os membros de A. A. seguem, e muitos começaram considerando A. A. como Poder Superior, e assim ultrapassaram a barreira inicial. A partir de então “… sua fé se ampliou e aprofundou.

Libertados da obsessão pelo álcool, com suas vidas inexplicavelmente transformadas, chegaram a acreditar num Poder superior, e a maioria já falava em Deus” (Os Doze Passos, p. 19).

Outras pessoas tiveram fé e a perderam. Destas, algumas desenvolveram preconceito contra a religião, outras se rebelaram por Deus não ter satisfeito suas exigências. Outras ainda tornaram-se indiferentes, ou se afastaram de vez.

As pessoas que perderam a fé às vezes têm dificuldade maior para aceitar A. A.,pois desenvolvem “… barreiras da indiferença, da presumida auto-suficiência, do preconceito e do desprezo (…) mais sólidas e formidáveis para estas pessoas que qualquer barreira construída pelo agnóstico duvidoso ou pelo ateu militante” (Os Doze Passos, p. 20). Bem situadas financeiramente, não sentiam necessidade de qualquer manifestação religiosa ou equivalente.

Pessoas intelectualmente auto-suficientes também encontram dificuldades quando chegam ao grupo de A. A.. Sentindo-se anteriormente superiores às outras pessoas, percebem que existem reconsiderações a serem feitas. Membros mais experientes do grupo, que já passaram por esta experiência, mostram pelo seu exemplo que a humildade e inteligência podem ser compatíveis, desde que a humildade esteja em primeiro plano. Desta forma torna-se possível adquirir uma fé que funciona.

Outro grupo de pessoas criticava a Bíblia e a moralidade dos religiosos.

Chegando em A. A., precisaram reconhecer que toda sua crítica serviu para alimentar seu ego: criticando a falha de algumas pessoas religiosas, podiam sentir-se superiores a elas.

Muitas vezes observado pelos psiquiatras, o desafio é uma característica predominante em muitos alcoolistas e. Já que Deus não havia atendido suas solicitações, de nada lhes valia a fé, e a rebeldia contra Deus se instalava. Em A. A., percebem seu engano: em momento algum haviam pedido a Deus qual seria a Sua vontade em relação a eles. Ao contrário, sempre a Ele diziam o que fazer.

Percebem que não é possível crer em Deus e ao mesmo tempo desafiá-Lo. Além

disso, vêem o fruto da fé na superação de dificuldades imensas pelas quais

homens e mulheres de A. A. passaram, e concluem que merece ser pago qualquer preço que seja necessário pagar pela humildade.

Existem ainda alcoolistas cheios de fé que continuam bebendo. Fazem inúmeras promessas para parar, lutam contra o álcool, pedem para isso ajuda de Deus, mas mesmo assim não conseguem parar de beber. Constituem um enigma para as pessoas que o rodeiam, mas não para os membros de A. A.: a chave está ligada à pureza da fé, e não à quantidade de prática religiosa. Estes alcoolistas, após um exame mais profundo, dão-se conta de que sua prática religiosa vinha sendo apenas superficial, e também, que nunca haviam aprendido a rezar de maneira correta,pedindo a Deus que a vontade dEle prevalecesse.

Poucos alcoolistas que ainda bebem percebem estar mentalmente doentes, e o mundo, desconhecedor da diferença entre o beber racional e o alcoolismo, contribui para que esta cegueira se mantenha. As reuniões de A. A. são “… uma segurança de que Deus nos levará de volta à sanidade , se soubermos nos relacionar corretamente com Ele” (Os Doze Passos, p. 24).

 

ALVO: SANIDADE

“… o Segundo Passo, sutil e gradualmente, começou a se infiltrar em minha vida. Não posso dizer a ocasião e a data em que vim acreditar num Poder Superior a mim mesmo, mas certamente tenho essa crença agora”.

“Viemos acreditar”. Eu acreditava da boca para fora quando sentia vontade ou quando pensava que ficaria bem. Eu realmente não confiava em Deus. Não acreditava que Ele se preocupava comigo. Continuei tentando mudar as coisas que eu não podia mudar. Aos poucos, de má vontade, comecei a colocar tudo nas mãos Dele dizendo: “Você é onipotente, então tome conta disto”. Ele tomou. Comecei a ter respostas para os meus problemas mais profundos, algumas vezes nas horas mais inesperadas: dirigindo para o trabalho, comendo um lanche, ou quando estava quase adormecido. Percebi que eu não tinha pensado naquelas soluções – um Poder Superior a mim mesmo as estava dando.

Eu vim a acreditar.

 

PREENCHENDO UMA LACUNA

Bastava para o caso fazermo-nos uma lacônica pergunta: “Creio agora ou estou disposto a crer, que exista um Poder Superior a mim mesmo?” Uma vez que o homem possa responder que crê ou quer acreditar; asseguramos-lhe enfaticamente que está no caminho certo do êxito.

Sempre fui fascinado com o estudo dos princípios científicos. Estava emocional e fisicamente distante das pessoas enquanto procurava o Conhecimento Absoluto. Deus e espiritualidade eram exercícios acadêmicos, sem significado. Era um moderno homem de ciência, o conhecimento era o meu Poder Superior. Colocando as equações na posição correta, a vida era apenas outro problema para resolver.

Mas meu ego interior estava morrendo pela solução proposta pelo meu homem exterior para os problemas da vida e a solução sempre foi o álcool. Apesar de minha inteligência, o álcool tornou-se meu poder superior. Foi através do amor incondicional que emana das pessoas de A .A. e das reuniões, que fui capaz de descartar o álcool como meu poder superior.

A grande lacuna estava preenchida. Não estava mais sozinho e separado da vida. Tinha encontrado um verdadeiro Poder Superior a mim mesmo, tinha encontrado o amor de Deus. Existe somente uma equação que realmente me importa agora: Deus está em A. A.

QUANDO A FÉ ESTÁ PERDIDA

“Às vezes A. A. é aceito com maior dificuldade pelos que perderam ou rejeitaram a fé do que pelos que nunca tiveram, pois acham que já experimentaram a fé e esta não lhes serviu. Experimentaram viver com fé e sem fé.”

Tão convencido estava de que Deus tinha me abandonado que ao final tornei-me provocador, embora soubesse que não devia agir assim, e mergulhei numa bebedeira. Minha fé tornou-se amarga e não foi coincidência. Aqueles que já tiveram uma grande fé atingem o fundo com mais dificuldade.

Levou tempo para que minha fé reascendesse, mesmo tendo vindo para A. A. Estava intelectualmente agradecido por sobreviver a queda tão vertiginosa, mas meu coração sentia-se endurecido. Ainda assim, persisti com o programa de A. A.: as alternativas eram muito tristes! Continuei assistindo as reuniões e, aos poucos, minha fé foi ressurgindo.

UMA LIBERTAÇÃO GLORIOSA

“A partir do momento em que desisti de argumentar, comecei a ver e a sentir. Nesse instante, o Segundo Passo, sutil e gradualmente, começou a se infiltrar em minha vida. Não posso dizer a ocasião e a data em que vim acreditar num Poder Superior a mim, mas, certamente, tenho esta crença agora. Para adquiri-la bastou-me parar de lutar e praticar o restante do programa de A. A. Com o maior entusiasmo de que dispunha.”

Depois de anos satisfazendo a uma “desenfreada obstinação”, o Segundo Passo tornou-se para mim uma libertação gloriosa de ficar sozinho. Nada agora é mais doloroso ou intransponível na minha jornada. Alguém está sempre aqui para compartilhar comigo as cargas da vida. O Segundo Passo tornou-se uma forma de reforçar minha relação com Deus, e agora percebo que minha insanidade e meu ego estavam curiosamente ligados. Para livrar-me do anterior, devo entregar este a alguém com os ombros muito mais largos que os meus.

UM PONTO DE REAGRUPAMENTO

“Portanto, o Segundo Passo é o ponto de reagrupamento para todos nós. Sejamos agnósticos, ateus, ou ex-crentes, podemos agrupar neste Passo”.

Sinto que o programa de A. A. é inspirado por Deus e que Deus está presente em todas as reuniões. Eu vejo, acredito, e vim a saber que A. A. funciona, porque permaneci sóbrio hoje. Voltei minha vida para A. A. e para Deus, indo a uma reunião de A. A. Se Deus está em meu coração e em tudo mais, então sou uma pequena parte de um todo e não sou único. Se Deus está no meu coração e me fala através de outras pessoas, então eu devo ser um canal de Deus para outras pessoas. Devo procurar fazer sua vontade vivendo os princípios espirituais e minha recompensa será a sanidade e sobriedade emocional.

UM CAMINHO PARA A FÉ

A verdadeira humildade e  a mente aberta poderão nos conduzir à fé. Toda reunião de A. A. é uma segurança de que Deus os levará de volta à sanidade, se soubermos nos relacionar corretamente com Ele.

Minha última bebedeira deixou-me num hospital totalmente quebrado. Foi então que fui capaz de ver meu passado flutuar na minha frente. Percebi que por cauda da bebida, tinha vivido todos os pesadelos que pudera haver imaginado. Mina própria teimosia e obsessão para beber levaram-me para um abismo escuro de alucinações, apagamentos e desespero. Finalmente vencido, pedi ajuda a Deus. Sua presença convenceu-me para que acreditasse. Minha obsessão pelo álcool foi tirada e minha paranóia foi suspensa. Não estou mais com medo. Sei que minha vida é saudável e sã.

 

O AMOR EM SEUS OLHOS

Alguns de nós se recusam a acreditar em Deus, outros não podem e ainda outros, embora acreditem na existência de Deus, de forma alguma confiam que Ele levará a cabo este milagre.

Foram as mudanças que vi nas novas pessoas que vieram para a Irmandade que me ajudaram a perder o medo e mudaram minha atitude negativa em positiva. Podia ver o amor em seus olhos e estava impressionado pelo muito que a sobriedade “Um dia de cada vez” significava para eles. Eles olharam honestamente para o Segundo Passo e vieram a acreditar que um Poder superior a eles, iria restituí-los à sanidade. Isto fez com que eu tivesse fé na Irmandade e esperança que funcionaria também para mim. Descobri que Deus era um Deus amoroso, não aquele Deus puni dor que eu temia antes de chegar em A. A.. Descobri que Ele tinha estado comigo durante todas aquelas horas em que eu estava com problemas antes de vir para A. A.

Hoje sei que foi Ele quem me levou para A. A. e que eu sou um milagre.

 

A DADIVA DO RISO

A esta altura, seu padrinho de A. A. geralmente se põe a rir.

Antes de começar minha recuperação do alcoolismo, o riso era um dos mais dolorosos sons que conhecia. Eu nunca ria e sentia que se alguém mais risse, era de mim! Minha auto piedade negava-me o mais simples dos prazeres, ou a leveza do coração. No final do meu alcoolismo, nem mesmo o álcool provocava em mim uma risada de bêbado.

Quando meu padrinho em A. A. começou a rir e a mostrar a minha auto piedade e enganos alimentados pelo ego, fiquei aborrecido e magoado, mas ele ensinou-me a aliviar-me e a focalizar a minha recuperação. Logo aprendi a rir de mim mesmo e, eventualmente, ensinar os meus afilhados a rir também. Todo dia pelo a Deus para ajudar-me a parar de me levar muito a sério.

 

UMA TAREFA DE TODA A VIDA

“Mas como, nestas circunstâncias, poderei manter-me calmo? É isso o que eu quero saber”.

Nunca foi conhecido pela minha paciência. Quantas vezes me perguntei: “Por que esperar, se posso ter tudo agora?” Em verdade, quando me apresentaram os Doze Passos, pela primeira vez, me sentia como um “garoto numa loja de doces”. Não podia esperar para ir até o Décimo Segundo Passo: pois com certeza era apenas trabalho para alguns meses, ou assim em pensava! Percebo agora que viver os Doze Passos de A. A. é um empreendimento para toda a vida.

 

FAZENDO DE A. A. O TEU PODER SUPERIOR

“… você poderá, se quiser… considerar A. A. em si como sua “força superior”. Nele se encontra um grande número de pessoas que resolveram seus problemas com o álcool … muito membros … atravessaram a barreira inicial … sua fé se ampliou e se aprofundou … transformados, chegaram a acreditar num Poder Superior…”.

Ninguém era maior que eu, ao menos aos meus olhos, quando eu bebia. Todavia, não podia sorrir para mim no espelho, assim é que cheguei em A. A. onde, com outros, ouvi falar de um Poder Superior. Não podia aceitar o conceito de um Poder Superior, porque acreditava que Deus era cruel e sem amor. Em desespero escolhi uma mesa, uma árvore, depois meu Grupo de A. A. como meu Poder Superior. O tempo passos, minha vida melhorou e comecei a pensar sobre este Poder Superior. Pouco a pouco, com paciência, humildade e muitas perguntas, comecei a acreditar em Deus.

Agora meu relacionamento com meu Poder Superior me dá a força para viver uma vida sóbria e feliz.

(Fonte: Reflexões Diárias – paginas: 40-42-43-44-45-46-56-59-73-175)

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Primeiro passo

1º PASSO

Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.

Quase ninguém se dispõe a admitir uma derrota total. É terrível admitir que o álcool tornou-se uma obsessão que priva o alcoolista de toda sua auto-suficiência. O primeiro passo trata da dificuldade que surge para admissão da derrota completa em relação ao uso do álcool. O alcoolista, com o copo na mão, perde o controle quanto à ingestão de bebida alcoólica e quanto a todas as conseqüências desta ingestão.

Para obter sucesso em manter-se abstinente, é preciso reconhecer esta impotência perante o álcool. Caso contrario, a sobriedade será precária. Diz a literatura de A. A.: “O princípio de que não encontraremos qualquer força duradoura sem que antes admitamos a derrota completa, é a raiz principal da qual germinou e floresceu nossa sociedade toda” (Os Doze Passos, p. 14). Muitos se revoltam por ter que admitir a derrota. Chegam no grupo de A. A. buscando apoio e escutam que nenhuma força de vontade será suficiente para quebrar a obsessão pela bebida.

Inicialmente, apenas os casos mais desesperados conseguiam aceitar esta verdade.

Felizmente, isto mudou com o passar dos anos. Alcoolistas em um estágio menos grave conseguiam reconhecer seu alcoolismo. Para que estas pessoas pudessem aceitar esta perda do governo de sua vida, os alcoolistas que tinham atingido um grau mais sério de alcoolismo puderam a elas mostrar que, em momento anterior à chegada do fundo do poço, a vida já havia se tornado ingovernável. Percebeu-se que, caso o recém-chegado ainda permanecesse em dúvida, levava consigo a idéia da natureza da enfermidade, e, muitas vezes, voltava ao grupo antes de precisar chegar a dificuldades extremas.

Observa-se que poucas pessoas conseguem praticar com sinceridade o programa de A.A. sem chegarem afundar completamente. Isso ocorre pelo fato de que “… praticar os restantes onze passos de A. A. requer a adoção de atitudes e ações que quase nenhum alcoólatra que ainda bebe, sonharia adotar” (Os Doze Passos, p. 15). É o desejo de sobrevivência que leva o alcoolista a ter disposição para escutar a mensagem de A. A., e a reconhecer a necessidade de seguir o programa dos Doze Passos.

 

IMPOTÊNCIA

Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.

Não é coincidência que o próprio Primeiro Passo mencione impotência. Uma admissão de impotência pessoal perante o álcool é a pedra fundamental do alicerce da sobriedade.

Aprendi que não tenho o Poder e controle que uma vez pensei ter. Sou impotente sobre os que as pessoas pensam sobre mim. Sou impotente até por ter perdido o ônibus. Sou impotente sobre como as outras pessoas praticam (ou não praticam) os Passos. Mas, também aprendi que não sou impotente perante algumas coisas. Não sou impotente perante minhas atitudes. Não sou impotente perante a negatividade. Não sou impotente sobre assumir responsabilidade por minha própria sobriedade. Tenho o poder de exercer uma influência positiva sobre mim mesmo, as pessoas que amo e o mundo em que vivo.

A VITÓRIA DA RENDIÇÃO

Percebemos que somente através da derrota total somos capazes de dar os primeiros passos na direção da liberação e da força. Nossa admissão de impotência pessoal finalmente produz e alicerce firme sobre o qual, vidas felizes e significativas podem ser construídas.

Quando o álcool influenciava cada faceta de minha vida, quando as garrafas tornaram-se o símbolo de toda minha auto-indulgência e permissividade, quando vim a perceber que, por mim mesmo, não podia fazer nada para vencer o poder do álcool, percebi que não tinha outro recurso a não ser a rendição. Na rendição encontrei a vitória – vitória sobre minha egoística auto-indulgência, vitória sobre minha resistência teimosa à vida como ela era dada para mim. Quando parei de lutar contra tudo e contra todos, comecei a caminhada para a sobriedade, serenidade e paz.

 

UM ATO DA PROVIDÊNCIA

Realmente é terrível admitir que, com um copo na mão temos convertido nossas mentes numa obsessão tão grande por beber destrutivamente que somente um ato da providência pode removê-la de nós.

Meu ato da Providência (manifestação de cuidado e direção divina) veio quando experimentei a falência total do alcoolismo ativo – tudo que tinha algum significado em minha vida havia ido embora. Telefonei para Alcoólicos Anônimos e, a partir daquele instante minha vida nunca mais foi a mesma. Quando penso naquele momento tão especial, sei que Deus estava agindo em minha vida bem antes que eu fosse capaz de conhecer e aceitar conceitos espirituais. O copo foi arriado através desse único ato da Providência e minha jornada pela sobriedade começou. Minha vida continua se expandindo com o cuidado e a direção divina. O Primeiro Passo, no qual admiti que era impotente perante o álcool, que tinha perdido o domínio de minha vida, tornou-se mais um significado para mim um dia de cada vez – na salvadora de vidas, vivificante Irmandade de Alcoólicos Anônimos.

 

O PASSO 100%

Somente o Primeiro Passo, onde admitimos inteiramente que somos impotentes perante o álcool, pode ser praticado com absoluta perfeição.

Muito antes de conseguir alcançar a sobriedade em A. A. eu sabia, sem nenhuma dúvida, que o álcool estava me matando mas, mesmo com esse conhecimento, fui incapaz de parar de beber. Assim, quando encarei o Primeiro Passo, foi fácil admitir que me faltava forças para não beber. Mas, que tinha perdido o domínio de minha vida? Nunca. Cinco meses após ter chegado em A. A. estava bebendo novamente e imaginando por quê.

Mais tarde, de volta a A. A. e sentindo a dor de minhas feridas, aprendi que o Primeiro Passo é o único que pode ser praticado 100%. E que a única maneira para praticá-lo é aceitar esse Passo 100%. Desde então, já se passaram muitas 24 horas e não precisei praticar novamente o Primeiro Passo.

 

ATINGINDO O FUNDO

Por que toda esta insistência que todo A. A. deve primeiro atingir o fundo do poço? A resposta é que poucas pessoas tentarão praticar programa de A. A. sinceramente, a menos que tenham chegado ao fundo. Pois praticar os restantes onze Passos do programa, significa a adoção de atitudes e ações que quase nenhum alcoólico que esta ainda bebendo pode sonhar em fazer.

Atingindo o fundo do poço minha mente abriu e fiquei disposto a tentar algo diferente. O que tentei foi A. A. Minha nova vida em A. A. pode-se comparar como aprender a andar de bicicleta pela primeira vez: A. A. tornou-se minha bicicleta de treinamento e minha mão de apoio. Não é que eu desejasse tanto a ajuda; simplesmente não queria voltar a sofrer essas coisas novamente. Meu desejo de evitar voltar ao fundo novamente foi mais forte que meu desejo de beber. No começo isso foi que me manteve sóbrio. Porém, após algum tempo, descobri a mim mesmo trabalhando os Passos o melhor que podia. Em breve percebi que minhas atitudes e ações estavam mudando aos poucos. Um Dia de Cada Vez, senti-me bem comigo mesmo, com os outros, e minhas feridas começaram a cicatrizar. Agradeço a Deus pela bicicleta de treinamento e a mão de apoio que escolhi chamar de Alcoólicos Anônimos.

UMA BEBIDA AJUDARIA?

Voltando atrás em nossas próprias história de bebida, não poderíamos mostrar que, anos antes de perceber, que estávamos fora de controle, que nossa maneira de beber, mesmo naquela época, não era apenas um hábito, mas era de fato o início da progressão fatal.

Quando eu ainda estava bebendo, não podia responder a qualquer situação da vida como podiam outras pessoas mais saudáveis. O menor incidente desencadeava um estado de espírito que, acredite, eu tinha que beber para entorpecer meus sentimentos. Mas o entorpecimento não melhorava a situação, então procurava uma saída na garrafa. Hoje preciso estar consciente do meu alcoolismo. Não posso me permitir acreditar que ganhei o controle sobre minha maneira de beber – ou novamente pensarei que ganhei o controle sobre minha vida. Tal sentimento de controle é fatal à minha recuperação.

HONESTIDADE RIGOROSA

Quem se dispõe a ser rigorosamente honesto e tolerante?

Quem se dispõe a confessar suas falhas a outra pessoa e a fazer reparações pelo danos causados? Quem se interessa, ao mínimo, por um Poder Superior, e ainda pela meditação e a oração? Quem se dispõe a sacrificar seu tempo e sua energia tentando levar a mensagem de A. A. ao próximo? Não, o alcoólico típico, egoísta ao extremo, pouco se interessa por estas medidas, a não ser que tenha de tomá-las para sobreviver.

Eu sou um alcoólico. Se eu beber eu morrerei. Meu Deus, que poder, energia e emoção esta simples declaração gera em mim! Mas, verdadeiramente, é tudo que preciso saber por hoje. Estou disposto a ficar vivo hoje? Estou disposto a ficar sóbrio hoje? Estou disposto a pedir ajuda e estou disposto a ajudar outro alcoólico que ainda sofre hoje? Descobri a natureza fatal de minha situação? O que devo fazer, hoje, para permanecer sóbrio?

PRIMEIRO PASSO

Admitimos… (“Nós” a primeira palavra do Primeiro Passo)

Quando eu bebia, tudo o que eu pensava era sempre “!Eu, Eu, Eu”, ou “Meu, Meu, Meu”. Tal obsessão do ser, tal doença da alma, tal egoísmo espiritual me escravizou à garrafa mais da metade de minha vida.

O caminho para encontrar Deus e fazer Sua vontade um dia de cada vez, começou com a primeira expressão do Primeiro Passo… “Nós”.

Havia poder, força e segurança no plural e para um alcoólico como eu, também havia vida. Se tivesse tentado me recuperar sozinho, provavelmente teria morrido. Com Deus e outro alcoólico tenho um propósito divino na minha vida… tornei-me um canal para o amor benéfico de Deus.

“A RAIZ PRINCIPAL” DE A. A.

O princípio de que não encontraremos qualquer força duradora sem que antes admitamos a derrota completa, é a raiz principal da qual germinou e floresceu nossa Irmandade.

Derrotado e sabendo disto, cheguei às portas de A. A. sozinho e com medo do desconhecido. Um Poder fora de mim mesmo havia me tirado de minha casa, guiou-me para uma lista telefônica, depois até a parada de ônibus e pelas portas de Alcoólicos Anônimos. Uma vez dentro de A. A. Experimentei uma sensação de ser amado e aceito, algo que não sentia desde a minha tenra infância.

Que nunca perca a sensação de milagre que experimentei nessa primeira noite com A. A., o maior evento de toda a minha vida.

(Fonte: Reflexões Diárias – paginas: 11-14-17-19-24-26-34-151-301)

Apadrinhamento de geração a geração

Para levarmos a mensagem com eficácia é preciso que a tenhamos em nossos corações, e só a teremos em nosso interior se tivermos trilhado passo a passo o Primeiro Legado de A.A.
Sem uma boa recuperação não estaremos prontos para transmitir a mensagem aos que ainda sofrem e aos que virão a sofrer da doença do alcoolismo.

Sabemos que essa recuperação é lenta e proporcional ao nosso esforço, como disse o Dr. Bob, porém, sem uma boa reformulação pessoal conforme nos indicam os Doze Passos, pouco ou nenhum resultado positivo poderemos esperar de nosso trabalho de divulgação.
Será importante também que trilhemos intensamente o nosso Segundo Legado, as nossas Tradições, que nos ensinam a bem conviver em todas as circunstâncias e em todas as nossas relações, portanto nos dão uma essencial ferramenta para levar a mensagem de Alcoólicos Anônimos a todos os que dela precisem.

Nosso Terceiro Legado expressa em nossos Conceitos o nosso procedimento nos Serviços e é com essa sabedoria que nos organizamos e formulamos nossa ação, para levarmos a mensagem salvadora ao doente alcoólico.

Sabemos que a transformação pessoal daquele indivíduo alcoólico que não cumprimentava ninguém, que andava de cabeça baixa e cambaleando, ou gritando e tentando impor sua vontade onde estivesse, na rua, em casa, no edifício, no local de trabalho ou no bairro onde mora, e que passa lentamente a caminhar firme, de cabeça erguida, e que começa a cumprimentar as pessoas, a sorrir e a ser gentil, é a melhor mensagem direta e imediata, pois todos quererão saber o que aconteceu com aquele ser humano, e a resposta direta ou indiretamente virá: “Ele agora faz parte de Alcoólicos Anônimos”.

O amor que transforma, e que tem origem nos Doze Passos espirituais de Alcoólicos Anônimos, faz com que tenhamos necessidade e prazer em levar a mensagem de esperança ao doente alcoólico que deseje recuperar-se, isto é um princípio da Vida que Alcoólicos Anônimos sabiamente adotou.

Não poderíamos esquecer, esse extraordinário meio de divulgação que é a Internet, que não só pode, mas deve ser utilizado por nós para levarmos a mensagem a quem ainda sofre, mas também lembrar que, para divulgações ali, precisamos urgentemente da prática de estudos e orientações, para que nada seja feito fora de nossas Tradições, e que venha pôr em perigo nossa Irmandade no futuro, pois é um veículo muito rápido e que atinge milhões de internautas no mundo inteiro, além da facilidade com que qualquer indivíduo pode encontrar um espaço para colocar seu Site, para divulgar o que, e como lhe possa interessar, sendo aí possível facilmente o uso indevido do nome de Alcoólicos Anônimos.

Nossa auto-suficiência, mesmo tendo muitas vezes deixado a desejar, deve mobilizar-nos para que tenhamos os recursos necessários para levarmos de graça uma mensagem que tem custo, e este custo deve ser pago por nós, sem coerção é verdade, mas por consciência de levar adiante o que recebemos, para que possamos conservar e aumentar essa dádiva, que é a sobriedade e a paz.

Ouvimos tantas vezes que em A.A. tudo é de graça, assim nessa afirmação isolada há um grande equívoco. Qualquer alcoolista que chega a A.A recebe a informação sobre a existência de nossa Irmandade, de um amigo nosso, quer seja ele um religioso, um médico, um psicólogo, um assistente social, um professor ou um profissional de qualquer atividade, ou mesmo de um site na Internet; alguém no passado ou mesmo no presente, e de diversas formas fez alguma coisa, e pagou para que essa informação chegasse a essas pessoas.

Os nossos grupos pelo mundo afora, com suas salas bem arrumadinhas, mesmo sendo com simplicidade, existem porque muitos agiram e pagaram de diversas formas para que ali A.A. chegasse, se mantivesse vivo e à disposição do doente alcoólico. Como é fácil depreender, muitos pagaram para que aquele que chegue receba de graça a mensagem, mas nós temos o dever, mesmo sem sermos obrigados a isso, de contribuir para que os que virão tenham a mesma oportunidade que tivemos e quem sabe ainda mais.

Cada geração de AAs “deve” apadrinhar os que chegam, sem egoísmo e sem medo de que alguém os supere, pois é isto que precisamos aspirar, para que sempre tenhamos aqueles membros mais preparados e que com boa vontade queiram com amor levar esta mensagem salvadora aos doentes que o desejarem, gerando assim a continuidade genuína de Alcoólicos Anônimos.

Finalmente, quando estivermos com estes Trinta e Seis Princípios impregnados em nossas vidas, tendo assim membros preparados e projetos feitos em conjunto, além da experiência escrita de como faze-­lo, só precisaremos de boa vontade, tranqüilidade, harmonia, de ações permanentes e necessárias para que Alcoólicos Anônimos seja conhecido e se mantenha vivo até quando o Deus de cada um de nós assim o quiser.

Que a disposição do doente alcoólico do amanhã e que a sobriedade esteja sempre ao alcance do todos, como objetivo único de nossos serviços, em todos os seus aspectos, por todos os seres humanos, sem alarde espetacular, mas com amor, clareza, beleza e a simplicidade cativante de nossa Irmandade.

Anônimo

Revista Vivência n° 97 ­ Set./Out. 2005