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DR. LUIZ MACHADO

O ALCOOLISMO E O ADOLESCENTE
Dr. Luiz Machado
Médico da Família
Cachoeirinha/Dourados/Mato Grosso do Sul

A pessoa que ingere álcool “socialmente”, esporadicamente ou quase nunca se embriaga, sem abusar do consumo, dificilmente será um alcoólico. Mas o consumo exagerado de álcool pode levar a situações de risco pessoal, ao alcoolismo.
No Brasil o abuso do álcool, o alcoolismo e suas conseqüências são a terceira causa de morte relacionada principalmente com uma produção de consumo anual de 7 bilhões de litros de bebida fermentada e 5 bilhões de litros de bebida destilada.
Pessoas que fazem uso contínuo consomem praticamente a metade desse volume de bebida e também são responsáveis por quase todas as complicações sócio-econômicas e de saúde pública relacionadas ao álcool: cirrose hepática, acidentes de trânsito, violência na família, no trabalho e também no convívio da comunidade.
Estima-se que cerca de 20 milhões de brasileiros sejam dependentes de álcool.
As condições do alcoolismo encurtam a expectativa de vida cerca de 17 anos. O abuso do álcool é o alcoolismo começam com frequência na adolescência.
São 21 horas de uma sexta feira e os bares e conveniências começam a lotar na mesma proporção em que se esvaziam as salas de aula.
Ali ficam sentados em mesas de bar, onde cadernos e apostilas dividem o pouco espaço com garrafas de bebida (garrafa porque é mais barato), jovens universitários e secundaristas começam a se “aquecer” antes das baladas do final de semana.
Estudos feitos pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas e Psicotrópicos e Secretaria Nacional Antidrogas onde foram ouvidos 8.589 pessoas de 107 cidades brasileiras com mais de 200 mil habitantes revelaram dados considerados alarmantes: na faixa etária de 12 a 17 anos 48,3% dos adolescentes tomam bebidas alcoólicas regularmente (52,2% meninos e 44,7% meninas).
O estudo também mostra a média de idade do primeiro contato com o álcool 12,5 anos.
O levantamento deixa claro que o uso de bebidas é o passo inicial do jovem no caminho para a dependência.
“A prevenção deveria começar antes do 10 anos e caminhar junto aos esforços de adiar o primeiro uso do álcool quando a pessoa ainda é criança”, diz o psiquiatra José Carlos Galduróz, Pesquisador e Coordenador do levantamento.
Ao mesmo tempo em que a lei brasileira proíbe a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos é prática comum o consumo de bebida alcoólica pelos jovens seja no ambiente familiar, em festividades, ou mesmo em bares, quando o colega mais velho compra a bebida para todo mundo.
Os especialistas alertam que o uso precoce da bebida alcoólica pode estar associado ao ambiente familiar. Os pais que fazem o consumo abusivo de bebidas são péssimas referências para os filhos adolescentes.
O que mais assusta é que cerca de 50% desses jovens que bebem mais de duas vezes por semana podem se tornar adultos alcoólicos.
O que começou em uma simples brincadeira, pode virar, um caso sério.
Na opinião do professor Raul Pragão Martins, o álcool nem sempre é tratado como uma droga pelos familiares. Tomar uma cervejinha é tido como um hábito cultural.
Um homem de 70 kg que toma um copo de bebida destilada, ou três garrafas de bebida fermentada é o suficiente para aumentar seu risco de acidente acima de 200 vezes.
As mulheres precisam se cuidar mais; elas têm a metade da quantidade de enzimas que degradam o álcool. Conclui-se que o álcool faz o pior para elas.
Este “cenário” de “jovens que bebem” é cada vez mais comum no Brasil. A queda de rendimento escolar e de auto-estima representam outro fator de risco para os jovens.
É certo que esta geração está bebendo mais do que o organismo suporta e vai pagar um preço enorme no futuro.
Os pais, assim como os jovens não sabem o suficiente sobre o álcool. A escola deveria significar um fator de proteção, entretanto, os pais têm papel decisivo.
Sair e beber faz parte da juventude, mas é preciso orientação para desenvolver consciência e respeitabilidade. No rastro do consumo de álcool vêm as outras drogas daí a importância do diálogo entre pais e filhos.
O combate ao abuso do álcool e alcoolismo crônico deve ser encarado como uma questão de saúde pública; deve ser planejado e executado em todos os níveis de administração de saúde, principalmente a voltada para adolescentes e com a participação da sociedade civil através de um trabalho de conscientização.

DR. RAUL CASTRO MIRANDA

AUTO-ESTIMA, CULPA E ALCOOLISMO
Dr. Raul Castro Miranda
Médico Psicoterapeuta
Graduado em Psicanálise e Psiquiatria
Petrópolis/RJ

A auto-estima é a “quantidade de afeto” que cada um tem por si mesmo em um determinado momento da vida. Ela é o resultado de uma intrincada “mistura” de fatores (genética, educação, ambiente, a c o n t e c i m e n t o s marcantes, etc.) que agem sobre nós, desde a mais tenra infância, e que determinam, entre outras coisas, a maneira como nós lidamos com os nossos acertos e, principalmente com os nossos erros.
Já o sentimento de culpa é a consequência do julgamento que nós fazemos por termos feito algo que consideramos errado, ou por não termos feito algo que consideramos certo.
Ao contrário do que muitos pensam a culpa não é sempre ruim, não. Na verdade, ela é fundamental para a sobrevivência da nossa espécie. Sem ela, estaríamos livres, por exemplo, para agir guiados apenas pelos nossos desejos, sem levar em conta as conseqüências dos nossos atos, que seria muito perigoso para nós mesmos e para o mundo à nossa volta.
Quantos alcoólicos se sentiriam estimulados a parar de beber se não houvesse o sentimento de culpa? O problema da culpa, portanto, não está no sentimento em si, mas na MANEIRA como ela age sobre nossas vidas.
Quando ela obriga o sujeito a refletir e a se modificar para melhor, tudo bem, mas quando resolve massacrar e paralisar a vida do pobre diabo?
Ao contrário do que muitos pensam o sentimento de culpa nos alcoólicos, costuma ser imenso. Já a auto-estima, por sua vez, geralmente está “abaixo do dedão do pé”.
Por isso, frases do tipo “eu paro de beber quando quiser” ou “eu bebo com o meu dinheiro e ninguém tem nada com isso” não devem ser interpretadas como manifestações verdadeiras de prepotência ou arrogância, mas sim, como maneiras às vezes inconscientes de disfarçar a realidade.
Culpa de que? Do que fizeram e do que deixariam de fazer em função da bebida, claro. E o que pode ser feito para melhorar esse quadro?
Em primeiro lugar, é preciso compreender que enquanto o alcoólico está na ativa, ou seja, enquanto ele continua bebendo, é absolutamente saudável embora não seja nada agradável que ele se sinta culpado e com a auto-estima baixa.
Como afirmei acima, é exatamente o sentimento de culpa que poderá fazer com que o sujeito reflita e mude.
Sabe, não é verdade que o ser humano só se modifica quando está sofrendo, mas que muitas mudanças só ocorrem quando ele sofre lá isso é verdade, sim!
Em segundo lugar, é necessário aceitar que não somos nem jamais seremos exatamente como desejaríamos ser. Sempre faltará, em nós, alguma coisa.
Não conseguindo entender e/ou aceitar esse fato, muitos alcoólicos que desejam “largar o copo” formulam para si as mesmos, propostas que estão acima das suas capacidades de realizá-las naquele momento (“a partir de hoje, não fumo, não bebo nem tomo mais café”). Com isso, claro, ou fracassam na tentativa, ou simplesmente desistem antes mesmo de começar.
É preciso, portanto, que o alcoólico admita os seus limites e seja realista com as suas metas: – o que eu sou, de fato, capaz de fazer nesse momento? Uma coisa é o desejável, outra, o possível!
Em terceiro lugar, é importante entender que enquanto a NECESSIDADE é aquilo que eu preciso (preciso para de beber porque meu fígado está doente) e a DEMANDA é aquilo que eu afirmo que quero (eu quero parar de beber porque meu fígado está doente), o DESEJO é aquilo que eu faço, de fato, com a minha vida (apesar do fígado estar doente entro no bar da esquina e bebo até cair).
Acontece que nem sempre o que eu faço, na prática, corresponde àquilo que eu disse que faria, na teoria. Por quê? Porque alguns dos nossos desejos são inconsciente, trabalhando tenazmente para que eu continue bebendo.
É por isso que parar de beber não é uma questão de FORÇA de vontade (o inconsciente tem leis e vontade próprias), mas, sim, de BOA vontade (para admitir a minha impotência perante o álcool e o meu inconsciente).
Finalmente, é preciso não esquecer que quando o alcoólico admite a sua impotência perante o álcool, ele está adotando uma atitude de humildade que, quando verdadeira, reduz a sua culpa, e eleva a sua auto-estima.
Por quê? Simples: – porque é preciso ser muito forte, para conseguir ser humilde!

PARA OS GRUPOS QUE PLANEJAM A ATIVIDADE DE APADRINHAMENTO

Para Grupos que planejam a atividade de apadrinhamento:

Como o apadrinhamento ajuda um Grupo?

O propósito primordial de um Grupo de A.A. é transmitir a mensagem do programa de recuperação aos alcoólicos que querem e solicitam ajuda. As reuniões dos Grupos são uma maneira de fazer isso. O apadrinhamento é outra.
Em alguns Grupos, a idéia de apadrinhamento é ampliada para incluir o trabalho com alcoólicos nas instituições próximas e, através da correspondência, com os membros solitários e os AAs internacionalistas (marítimos).
Os programas de apadrinhamento ativo dentro de um Grupo recordam o propósito primordial a todos os membros. Servem para unir o Grupo e mantê-lo consciente da recomendação “Primeiro as Primeiras Coisas”.

Que procedimentos um Grupo pode estabelecer para apadrinhar novos membros?

A atividade de apadrinhamento cuidadosamente planejada dentro de um Grupo freqüentemente produz melhores resultados que o apadrinhamento ao acaso.
Um modelo típico de apadrinhamento planejado, dentro de um Grupo local, poderia incluir o seguinte:
* Um Comitê de Apadrinhamento regular ou um Comitê do Décimo Segundo Passo, com uma rotação freqüente de membros. Se houver uma CENSAA ou ISAA que mantenha uma relação dos Grupos locais e dos membros disponíveis para as abordagens do Décimo Segundo Passo, esse Comitê pode verificar se o Grupo tem um número suficiente de seus membros na relação da CENSAA ou ISAA, para que possa corresponder à sua responsabilidade.
* Reuniões de novos, particularmente em comunidades maiores, onde há muitos recém-chegados. Pode-se obter o folheto “Sugestões para Coordenar Reuniões de Novos” nas CENSAAs e ISAAs.
* Designação regular de membros, para receber os novatos nas reuniões e apresentá-los aos outros membros. Em Grupos grandes, as pessoas do Comitê de Hospitalidade podem usar um distintivo para benefício dos recém-chegados. Em Grupos menores, o coordenados pode simplesmente pedir, durante os avisos,
que os novatos venham apresentar-se depois da reunião, de maneira que possam
ser apresentados aos outros membros.
* Outros avisos sugeridos: “Se alguma pessoa aqui não tem um padrinho e precisa de um, favor procurar o coordenados, que lhe arranjará um padrinho temporário.” Os companheiros contam que, quando essa prática é seguida em todas as reuniões, o Grupo é lembrado do valor do apadrinhamento e de ser apadrinhado.
* Discussões sobre os problemas e oportunidades de apadrinhamento, em reuniões fechadas. Alguns Grupos marcam reuniões especialmente para essa finalidade.
* Um arquivo dos nomes, endereços e números de telefone dos recém-chegados (que quiserem fornecer voluntariamente essas informações), com anotações sobre o padrinho ou padrinhos de cada um.
* Exposição, na mesa, da literatura de A.A., aprovada pela Conferência, sobre a recuperação (inclusive este livreto).
* Revisão da lista de novatos pelo Comitê de Coordenação (ou pelo Comitê de Apadrinhamento ou de Décimo Segundo Passo) – seguida por outras atividades quando se fizer necessário.
* Estudo do Capítulo 7 do Livro Azul (“Trabalhando com Outros”).
* Procedimentos regulares (executados pelo coordenador ou pelo Comitê de Apadrinhamento) de boas-vindas aos novatos que acabaram de sair de Instituições, Centros de tratamento ou Casas de Repouso. Por exemplo, o coordenador pode receber o aviso do coordenador de um Grupo de uma prisão informando que uma pessoa recentemente libertada deverá ir à reunião; o
Grupo “externo” então é alertado a respeito da chegada desse novato. Se for viável, um membro do Grupo pode até se oferecer para encontrar a pessoa imediatamente após a sua libertação.

Como os Grupos “externos” de A.A. podem ajudar Grupos e membros de Instituições?

Esse assunto é tratado em sua totalidade nos folhetos “A.A. em Instituições Correcionais” e “A.A. em Centros de Tratamento”, disponíveis no ESG.

Apadrinhamento de Serviços:

O apadrinhamento em A.A. é basicamente o mesmo, seja ao ajudar a recuperação de uma pessoa ou prestar serviço ao Grupo. Pode-se defini-lo como um alcoólico que fez um determinado avanço na recuperação e/ou desempenho a um serviço e partilha essas experiências com outro alcoólico iniciando a jornada. Ambos os tipos de serviço surgem dos aspectos espirituais do
programa.
Os indivíduos talvez sintam ter mais a oferecer em uma área que em outra. É da responsabilidade do padrinho apresentar os vários aspectos dos serviços:
providenciar uma reunião, trabalho em comunidades, participação em Conferências, etc. Nesse assunto, é importante que o padrinho de serviços ajude os indivíduos a compreender a diferença entre servir às necessidades da Irmandade e atender às necessidades pessoais de outro membro do Grupo.
O padrinho de serviços começa estimulando o membro a se tornar ativo em seu Grupo: café, literatura, limpeza, presença nas reuniões de serviços ou intergrupais, etc. O padrinho de serviços deve ter em mente que nem todos os membros têm o desejo ou as qualificações para ir além de certos níveis e, assim, ele pode ajudar a encontrar tarefas adequadas às habilidades e interesses de cada um. Todos os serviços têm a mesma finalidade – compartilhar as responsabilidades gerais de Alcoólicos Anônimos.
Eventualmente, o padrinho de serviços estimula os companheiros interessados nessas atividades a freqüentar reuniões de Distrito e ler a respeito da história e estrutura de Alcoólicos Anônimos. A essa altura, o indivíduo que se inicia nesse trabalho começa a compreender as responsabilidades dos serviços, bem como a sentir a satisfação proporcionada por outra forma de
trabalho do Décimo Segundo Passo. Essas pessoas são estimuladas a participar ativamente das atividades distritais e a considerar a sua eleição para cargos alternativos no Distrito, de maneira que possam aprender sobre as responsabilidades das diversas atividades na estrutura de serviços.
Durante esse processo, é importante para a pessoa continuar a aprender sobre os Três Legados – Recuperação, Unidade e Serviço – e compreender que o princípio de rotatividade não só permite mudar a atividade de serviço, como também concede aos membros mais novos o privilégio de servir. A rotatividade também permite entender que ninguém deve se apegar durante muito tempo a um cargo de confiança, a ponto de sentir um interesse possessivo e, portanto,
desencorajar os novatos quanto a prestar serviços.
Agora, através do conhecimento e da experiência, o membro mais novo estará ciente de que os serviços são o nosso produto mais importante, depois da sobriedade. Munido desse conhecimento, o indivíduo é capaz de compartilhar a sua visão com os outros e garantir o futuro de Alcoólicos Anônimos.

Resumo:

A maioria dos membros atuais de Alcoólicos Anônimos deve sua sobriedade ao fato de outra pessoa ter tido um interesse especial por eles se disposto a compartilhar uma grande dádiva.
O apadrinhamento é simplesmente um outro modo de descrever o interesse especial e contínuo de um membro experiente, que pode significar muito para um recém-chegado que vem para A.A. em busca de ajuda.
Os membros e os Grupos de A.A. não podem se dar ao luxo de perder de vista a importância do apadrinhamento, a importância de se ter um interesse especial por um alcoólico confuso que deseja para de beber. A experiência demonstra claramente que os membros que mais se beneficiam do programa de A.A., e os Grupos que fazem o melhor trabalho de transmitir a mensagem aos alcoólicos que ainda sofrem, são aqueles para quem o apadrinhamento é importante demais para ser deixado ao acaso.
Para esses membros e esses Grupos, as responsabilidades do apadrinhamento são aceitas e acolhidas como oportunidades de enriquecimento da experiência pessoal em A.A. e de aprofundamento das alegrias que vêm do trabalho com os outros.

* Livrete Perguntas e Respostas sôbre Apadrinhamento .. págs. 28 à 32.

NOSSAS VIDAS E A DOS QUE VIRÃO DEPENDEM DA UNIDADE

NOSSAS VIDAS E A DOS QUE VIRÃO DEPENDEM DA UNIDADE.

As vidas dos doentes alcoólicos presentes e futuros dependem de nossa Unidade, nossa Unidade depende de nossa Recuperação mais profunda, e esta depende de nosso amor pelo outro, ou mantemos a unidade ou o A.A. morre e nossas artérias mundiais deixariam de transportar a graça vivificante de Deus.
Observando, com atenção, chegamos à chave do estranho paradoxo. Somos obrigados inicialmente a submetermo-nos aos princípios de recuperação. Dependemos da obediência aos princípios espirituais. Se nos afastamos demais dos princípios do A.A. o castigo é certo, e rápido; adoecemos e morremos. A princípio nos obrigamos, depois vemos que essa obediência nos agrada e faz muito bem.
Verificamos que o trabalho com os outros é fundamental, propagamos a mensagem de A.A.
Sem um grupo a maioria vê que não consegue se recuperar de maneira permanente. Surge a compreensão de que somos parte de um grande todo; que nenhum sacrifício pessoal é suficientemente grande para preservar a Unidade de nossa Irmandade.
Sem uma boa recuperação, que só advêm com o tempo bem aproveitado com o exercício dos Doze Passos e com a continuidade permanente desse exercício, não haverá serenidade, felicidade duradoura nem paz em nossos corações.
O conflito ou a discordância respeitosa não exclui nem tira a paz de ninguém. Isto não é fácil, exige o exercício permanente dos Doze Passos.
A recuperação é básica para a Unidade, sabemos por experiência, que não se vivenciara bem as tradições nem os conceitos sem uma boa recuperação e permanência nesse programa para toda a vida. A recuperação não consiste numa intelectualização de conhecimento dos princípios de nossa Irmandade, mas na prática tranquila, persistente e organizada desses princípios, sem sofrimento
pelo possível pequeno e vagaroso progresso alcançado, em todos os momentos de nossas vidas. A compreensão, e aceitação dos princípios de A.A. que até podem nos fazer parar de beber é uma coisa, mas o exercício de fato desses princípios é que trazem como consequência a felicidade, a paz e a capacidade de exercer a tolerância no exercício dos processos que consolidam a Unidade. Como é difícil a mudança de um comportamento, por largo período de tempo condicionado a pensar, entender, sentir e agir doentia e inconscientemente. Éramos autômatos inconscientes do erro. Com a vivência da filosofia de nossa Irmandade, passamos tanto quanto possível, desse estado inconsequente e lamentável de vida, para o estado do exercício consciente do acerto, e aos poucos, sempre um pouco mais, para o estado de autômatos inconscientes desse acerto; isto é maravilhoso, mas o progresso é lento e exige muita disciplina e permanente vigilância no exercício da mudança, por longo tempo; daí decorre a paz e a possibilidade da Unidade permanente. Erro e acerto aqui tem a conotação, de estarmos mais distantes ou mais próximos dos princípios de A.A., respectivamente.
O segredo da força das tradições, são que elas tem origem na experiência de vida e estão arraigadas no amor. Elas confessam nossas falhas como sociedade, defeitos esses que nos ameaçam; elas nos dão as normas para a harmonia e para mantermos a Unidade enquanto Deus quiser.
Vidas atuais e as que virão dependem da Unidade.

O indivíduo não se recupera sozinho e aí surge a compreensão do sentimento holístico, ou de que ele faz parte do grande todo. Nenhum sacrifício é grande demais para preservar a Irmandade.
O indivíduo entende que o clamor dos desejos e ambições deve ser silenciado, sempre que prejudiquem o grupo. Este precisa sobreviver para que o indivíduo não pereça.
O homem livre se associa voluntariamente ao interesse comum. A.A. é assim. A sede mundial de nossa Irmandade não dá ordens, ao contrário, é nossa maior transmissora das lições aprendidas com as experiências, mas nós obedecemos suas sábias sugestões, bem como de nossa Conferência, por tratar-se da expressão da consciência coletiva de cada instância.
Os que quebram o anonimato ou pretendem ser os dons da verdade, não percebem que estão inconscientemente perseguindo o estrelato ou as antigas e perigosas ambições, e que estão lançando a semente de nossa própria destruição como sociedade; assim ocorre também com aqueles que ferem outros princípios de nossas tradições e do terceiro legado, não tendo a visão do todo e de proteger nossa Irmandade, para que ela chegue também aos nossos futuros irmãos de doença, como chegou até nós.
Nosso primeiro dever, quanto ao futuro de A.A., é o de manter em plena força o que agora temos. Só o mais vigilante cuidado pode assegurar isto. Estejamos unidos para enfrentar e vencer nossas falhas e crises. As experiências são melhor compreendidas, pela troca permanente das mesmas e assim estaremos garantindo o futuro dos novos que sempre chegam e da nossa própria Irmandade.
Pensemos profundamente naqueles que ainda virão a A.A., queiramos que encontrem o que encontramos, e ainda mais se for possível. Nenhum esforço, cuidado e vigilância, será grande demais para preservar a constante eficiência e força espiritual de A.A.
As tradições nos levam à Unidade, elas são um código de ética para a convivência harmônica. A Unidade é uma das qualidades mais preciosas que A.A. tem, dela dependem nossas vidas. Assim como a sobriedade, que é para o indivíduo vida longa e feliz; a Unidade, que é diferente e muito mais profunda que a união, é a mesma coisa para a nossa Irmandade como um todo. Só viveremos se permanecermos em Unidade.
Vidas atuais e as que virão dependem da Unidade.
Uma grande força para ela é o amor, a dedicação que temos por nossos companheiros e por nossos princípios. Embora muitos se esforcem violentamente para obter a sobriedade, nossa Irmandade nunca teve de lutar pela Unidade perdida. Deus a protege e nos envia as soluções.
As diferenças, quando respeitadas, identificam cada indivíduo e fortalecem a Unidade. Não devemos ter medo do atrito dos pontos de vista opostos, isto é democrático. Devemos, isto sim, evitar a destruidora raiva e o perigoso ressentimento, pois com eles a Unidade sofre e pode até morrer, levando junto
nossa Irmandade. Por isso não há castigo para os erros, nem mesmo para os mais graves.
Temos sempre um sério desafio. Conviver com pessoas doentes e diferentes! Os pensamentos e sentimentos desagregadores inconscientes e inconsequentes, persistem de maneira excludente e criam sérios problemas à Unidade, em nossa Irmandade. Conviver com as diferenças, significa praticar a tolerância. Isto não significa aceitar a intolerância dos prepotentes, pois tolerância não significa
ausência de princípios, significa acreditar na prática dos três legados:
Recuperação, Unidade e Serviço, nas soluções negociadas, justas e dignas, que os legados nos sugerem, de maneira respeitosa, mas firme.
A troca de experiências em torno dos campos de atividade de nossa Irmandade, deve ser exercida com plenitude e sabedoria, trazendo a diferença de cada um ao enriquecimento global da boa vontade, tolerância e compreensão na nossa convivência e em nossas diretivas. No entanto é necessário que cada um faça a sua parte, num grande esforço coletivo. Se quisermos Unidade, e consequentemente a continuidade de nossa Irmandade, temos que investir e muito nos princípios básicos de A.A., sem radicalismo e competência exclusiva. O futuro de nossa Irmandade, será feito pelos que acreditam nos seus princípios, e isto será com o beneplácito do Poder Superior, garantindo a Unidade presente e futura.

O GRUPO DE A.A. – CUMPRINDO O SEU PROPÓSITO

O Grupo de A.A. – Cumprindo o seu Propósito:
Conforme está explícito em nossa Quinta Tradição, o único objetivo primordial de um Grupo de A.A. é o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
Nesta máxima duas perguntas se nos apresenta: A primeira é – Qual a mensagem que deverá ser transmitida? A segunda é – Quem é o alcoólatra que ainda sofre?
Claro está que a resposta á primeira pergunta é: A Mensagem a ser transmitida é a Mensagem de A.A.; é a mensagem de esperança de futuro promissor; é a mensagem que irá mostrar ao doente alcoólico, a luz no fim do túnel em que ele entrou quando da sua militância alcoólica. É a mensagem legada a nós membros de A.A., através dos Doze Passos, aliás, nesta máxima ainda podemos notar que muito sabiamente está registrado “Transmitir a Mensagem” e não “Levar a Mensagem”. Será que já sabemos fazer a diferença entre a transmitir a mensagem e levar a mensagem?. Pesquisando no Dicionário, verificamos que: TRANSMITIR é “fazer passar de um possuidor ou detentor para outro” e LEVAR é fazer passar de um lugar para outro. Transportar” . Donde verificamos que – para se transmitir uma mensagem, principalmente de otimismo e esperança, é necessário antes de mais nada, ter tido uma experiência anterior ou vivido algo semelhante e com relativo ou mesmo grande sucesso.
Para a pergunta número dois, poderemos deduzir que o alcoólatra que ainda sofre, pode estar dentro do Grupo, assistindo mas não participando da reunião. Em conseqüência desta observação, formulamos uma terceira pergunta. Será que os Grupos de A.A. estão preparados para cumprirem seu propósito primordial de transmitir a mensagem de A.A. ao alcoólatra que ainda sofre? Particularmente não sei responder e acredito que não saberemos respondê-la, mas o que nós sabemos e procuramos despertar em nossos irmãos em A.A. é que, para atingir este propósito primordial, tão decantado e enfatizado na Quinta Tradição, torna-se absolutamente necessário, que algumas condições e circunstâncias sejam satisfeitas. E Alcoólicos Anônimos, na sua sabedoria, já nos oferece de mão beijada estas condições, basta apenas que nós, integrantes de um Grupo de A.A., as satisfaçamos. E a condição básica e essencial é que reine no Grupo de A.A., um ambiente de paz, de harmonia, de fraternidade, de confiança mútua e a somatória das qualidades que poderemos denominar de BEM-ESTAR COMUM.
Se um Grupo de A.A. dedicar todo o seu entusiasmo em criar tal ambiente, – o do BEM-ESTAR COMUM – meio caminho foi andado e vencido, para favorecer ao doente que ainda sofre. E o grande instrumento para se encontrar ou criar este ambiente, é a chave da Boa Vontade. Boa Vontade para aceitar que todas as decisões a serem tomados pelo Grupo de A.A., sejam tomadas através da Consciência Coletiva e não “na opinião do Grupo de A.A…. ” Também é necessário que o Grupo de A.A., esteja sempre com as portas abertas para receber o possível doente alcoólico que foi procurá-lo. E, em sendo procurado, evitar a todo e qualquer custo ou sacrifício, criar-lhe quaisquer tipo de obstáculo ou entrave, e até pelo contrário, deverá proporcionar- lhe as melhores condições de facilidade, oferecendo-lhe companheirismo, confiança e camaradagem, . É necessário também que, no Grupo de A.A. que deseje cumprir o seu propósito primordial, seus membros saibam respeitar não só os seus próprios limites e o de outros Grupos, mas também e principalmente os limites dos outros segmentos da sociedade. É necessário também para um Grupo de A.A. que deseje cumprir o seu propósito primordial, que se abstenha de coligar-se com qualquer outro Grupo de Ajuda Mútua ou movimento similar, evitando assim sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. Com estes procedimentos, muitos problemas poderão ser evitados e, dentre estes podemos citar, o problema da busca da fama, prestígio e poder, o que certamente os afastariam do seu propósito primordial – o de Transmitir a Mensagem ao Alcoólatra que ainda sofre.

DÉCIMA SEGUNDA TRADIÇÃO DE A. A.

DÉCIMA SEGUNDA TRADIÇÃO

“O anonimato é o alicerce espiritual das nossas tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.”

A substância espiritual do anonimato é o sacrifício. Porque as Doze Tradições de A.A. reiteradamente nos pedem que esqueçamos os nossos anseios pessoais em favor do bem comum, compreendemos que o espírito do sacrifício – simbolizado pelo anonimato – é o fundamento de todas elas. É a comprovada disposição de A.A. no sentido de fazer tais sacrifícios que dá às pessoas uma grande confiança em nosso futuro.

Mas no princípio, o anonimato não nasceu da confiança; foi o fruto dos nossos primeiros temores. Nossos primeiros grupos anônimos de alcoólicos eram sociedades secretas. Os potenciais novos membros só podiam vir ter conosco através de uns poucos amigos de confiança. O menor indício de publicidade, até mesmo para nossa obra, nos chocava. Embora ex-beberrões, continuávamos a achar que devíamos fugir ao desprezo e à desconfiança do público.

Quando o livro grande apareceu em 1939, demos-lhe o nome de Alcoólicos Anônimos. Seu prólogo fazia esta reveladora declaração: “É importante permanecermos anônimos porque, presentemente, somos muito poucos para atender ao grande número de cartas e pedidos que possam surgir em conseqüência desta publicação. Além do mais, a quebra do anonimato poderia prejudicar as novas atividades profissionais, visto sermos homens de negócio ou profissão liberal.” Nas entrelinhas é fácil ver o nosso medo que um grande número de recém-chegados pudesse liquidar inteiramente o nosso anonimato.

À medida que os grupos de A.A. se multiplicavam, o mesmo acontecia aos problemas de anonimato. Entusiasmados com a recuperação espetacular de algum irmão alcoólico, revelávamos por vezes aqueles aspectos íntimos e dolorosos do caso que apenas o padrinho deveria ouvir. A vitima então declarava com razão que sua confiança havia sido traída. Quando tais histórias começavam a circular fora de A.A., sobrevinha grave perda de confiança nas nossas promessas de anonimato. Isso amiúde afastava de nós as pessoas. Claro que o nome de todo membro de A.A. – bem como a sua história – tinha de ser mantido em segredo, se ele assim o desejasse. Foi essa primeira lição que aprendemos na aplicação prática do anonimato.

Alguns dos recém-admitidos, no entanto, pouco ligavam à discrição. Eles queriam proclamar aos quatro ventos o nome de A.A., e era o que faziam. Alcoólicos ainda mal enxutos, os olhos brilhando, saíam por toda parte a agarrar pela lapela todos quantos davam ouvidos às suas histórias. Outros corriam a colocar-se diante de câmeras e microfones. Por vezes tomavam vergonhosas bebedeiras e desapontavam por completo o seu grupo. De membros de A.A. eles se haviam transformado em “faroleiros” de A.A.

O contraste fez-nos realmente pensar. Defrontávamos diretamente com a pergunta: “Até que ponto deve ser anônimo um membro de A.A.?” O nosso crescimento deixara patente que não podíamos ser uma Irmandade secreta; mas era também evidente que não poderíamos ser um circo de cavalinhos. Traçar uma rota segura entre esses extremos foi tarefa que requereu muito tempo.

Via de regra, o recém-chegado desejava que a sua família ficasse imediatamente a par daquilo que ele estava tentando conseguir. Desejava também contar a outros que houvessem tentado ajudá-lo: o médico, o padre, os amigos mais íntimos. Ao ganhar confiança, sentia-se no direito de explicar sua nova vida ao patrão e aos colegas de trabalho. Quando surgiram ocasiões de ser útil, ele constatava que podia falar com muita facilidade acerca de A.A. a quem quer que fosse. Essas discretas revelações ajudavam-no a perder o receio do seu estigma de alcoólico e a propalar notícias da existência de A.A. na sua comunidade. Numerosos homens e mulheres procuraram A.A. por causa dessas conversas. Embora o anonimato não fosse preservado literalmente, tais comunicações estavam bem dentro do seu espírito.

Tornou-se porém evidente que o processo da palavra falada era demasiado limitado. Nossa obra, como tal, tinha de ser dada a público. Os grupos de A.A. teriam de chegar rapidamente a tantos alcoólicos em desespero quanto possível. Consequentemente, numerosos grupos começaram a promover reuniões abertas aos interessados e ao público, de modo a que o cidadão médio pudesse constatar por si mesmo aquilo que A.A. fazia. A reação a essas reuniões foi de calorosa aceitação. Logo os grupos começaram a receber pedidos para que oradores de A.A. se apresentassem em organizações cívicas, grupos eclesiásticos e sociedades médicas. Desde que o anonimato fosse preservado nessas tribunas e os repórteres presentes fossem advertidos a não tirar fotografias nem usar nomes, o resultado era ótimo.

Depois vieram nossas primeiras raras incursões no terreno de uma publicidade maior, as quais foram emocionantes. Os artigos escritos a nosso respeito no Plain Dealer, de Cleveland, fizeram com que os membros naquela cidade passassem, do dia para a noite, de uns poucos a algumas centenas. As novas histórias acerca do jantar dado pelo Sr. Rockefeller a Alcoólicos Anônimos ajudaram a dobrar no prazo de um ano o total dos nossos quadros. O famoso artigo de Jack Alexander no Saturday Evening Post fez de A.A. uma instituição nacional. Tributos dessa ordem deram ensejo a um reconhecimento ainda maior. Novos jornais e revistas queriam histórias de A.A. Companhias filmadoras queriam filmar-nos. O rádio e, por fim, a televisão, nos assediaram com pedidos de aparições. Que devíamos fazer?

Com o surgimento dessa onda de aprovação pública, compreendemos que dela resultaria um bem incalculável ou um grande prejuízo para nós. Tudo dependeria da forma pela qual ela fosse canalizada. Simplesmente não podíamos permitir que membros autodelegados se apresentassem como messias de A.A. diante do público. O instinto promotor em cada um de nós poderia ser a nossa ruína. Bastaria que um apenas desses elementos se embebedasse em público ou fosse ludibriado a ponto de usar o nome de A.A. em proveito próprio, para que os prejuízos fossem irreparáveis. Nesse nível (imprensa, rádio, cinema e televisão) o anonimato – anonimato cem por cento – era a única solução possível. Aqui os princípios teriam de preceder às personalidades, sem exceção.

Essas experiências nos ensinaram que o anonimato é a verdadeira humildade em ação. Trata-se de uma qualidade espiritual na vida de A.A. envolvendo tudo, em todo lugar, hoje em dia. Movidos pelo espírito do anonimato, tentamos deixar de lado os nossos desejos naturais de ganhar distinções pessoais como membros de A.A., tanto entre os nossos companheiros como entre o público em geral. Ao colocarmos de lado essas aspirações muito humanas, acreditamos que cada um de nós toma parte na confecção de um manto protetor que cobre toda a nossa Irmandade e sob o qual nos é dado crescer e trabalhar em conjunto.

Temos a certeza de que a humildade, expressa pelo anonimato, é a maior salvaguarda que a Alcoólicos Anônimos sempre poderá ter.

DÉCIMA PRIMEIRA TRADIÇÃO DE A. A.

DÉCIMA PRIMEIRA TRADIÇÃO

“Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção; cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, no rádio e em filmes.”

Sem as suas legiões de elementos de boa vontade, A.A. jamais poderia ter crescido como cresceu. Em todo o mundo, o meio de trazer para o nosso convívio os alcoólicos foi a publicação volumosa e favorável que se fez da Irmandade. Nos escritórios, nos clubes e lares de A.A. os telefones não param de tocar. Uma voz dirá: “Li um artigo no jornal…”, outra, “Ouvimos um programa de rádio…”, outra ainda, “Vimos um filme comovente…”, ou, “Vimos algo sobre A.A. na televisão…” Não é exagero dizer que a metade dos membros de A.A. veio ter conosco por essas formas.

As vozes que nos interpelam nem sempre são dos alcoólicos ou suas famílias. Médicos lêem relatórios acerca de Alcoólicos Anônimos e telefonam à procura de mais informações. Clérigos vêem artigos nos jornais das igrejas e também fazem averiguações. Empregadores ficam sabendo que grandes empresas nos deram a sua aprovação e desejam descobrir o que se pode fazer com o alcoolismo dentro de suas próprias firmas.

Por isso ficamos com a grande responsabilidade de desenvolver a melhor política possível de relações públicas em prol de Alcoólicos Anônimos. Através de numerosas e difíceis experiências cremos ter chegado a um consenso sobre como deva ser essa política. Sob muitos aspectos, é o oposto da prática promocional usual. Verificamos que tínhamos que depender mais do princípio de atração do que de promoção.

Vejamos como estas duas idéias contrastantes – atração e promoção – se desenvolveram. Um partido político deseja ganhar uma eleição e por isso alardeia as virtudes da sua liderança, a fim de angariar votos. Uma entidade beneficente de respeito deseja levantar dinheiro; imediatamente os seus cabeçalhos entram a exibir o nome de todas as pessoas de destaque que podem apoiar a entidade. Boa parte da vida política, econômica e religiosa do mundo depende da divulgação jornalística da liderança. Pessoas que simbolizem causas e idéias preenchem uma profunda necessidade humana. Nós de A.A. não colocamos dúvida quanto a isto. Mas somos obrigados a reconhecer o fato de que permanecer exposto à curiosidade pública é arriscado, particularmente em nosso caso. Por temperamento quase todos dentre nós tínhamos sido irrefreáveis promotores e as perspectivas de uma sociedade composta quase que exclusivamente de promotores eram das mais assustadoras. Levando em conta esse fator explosivo, sabíamos que precisávamos usar de moderação.

Os benefícios trazidos por essa moderação, são de espantar. Alcoólicos Anônimos colheu, em conseqüência, uma publicidade mais favorável do que aquela que poderia resultar das manobras dos melhores agentes de publicidade. Claro que A.A. tinha de ser promovido de alguma forma, de modo que firmamos o ponto de vista de que seria muito melhor deixar que nossos amigos agissem por nós. Foi precisamente o que aconteceu e até num ponto inacreditável. Jornalistas veteranos, gente céptica por definição, divulgaram com entusiasmo a mensagem de A.A. Para eles éramos mais do que simples fontes de boas reportagens. Em quase todos os órgãos de imprensa, os homens e mulheres do jornalismo ligaram-se a nós como amigos.

A princípio, os jornalistas não conseguiram entender a nossa negativa em permitir qualquer publicidade de caráter pessoal. Nossa insistência no anonimato deixava-os realmente confusos. Mais tarde eles compreenderam o nosso ponto de vista. Ali estava alguma coisa rara no mundo – uma sociedade que dizia querer dar publicidade aos seus princípios e à sua obra, mas não aos seus membros individualmente. A imprensa ficou encantada diante dessa atitude. Desde então os amigos jornalistas começaram a referir-se a Alcoólicos Anônimos com um entusiasmo de fazer inveja aos mais ardorosos dos membros da associação.

Chegou a haver um tempo em que a imprensa dos Estados Unidos, mais do que muitos dos nossos membros, julgou ser o anonimato a melhor coisa para nós. A certa altura, cerca de uma centena dos nossos estava quebrando o seu anonimato junto ao público. Inteiramente bem intencionados, tais elementos declaravam ser o princípio do anonimato coisa do passado e mais apropriada à época pioneira de A.A. Eles acreditavam que A.A. poderia progredir mais e mais rapidamente se adotasse os métodos modernos de publicidade. A.A., diziam, incluía numerosas pessoas de fama local, nacional e internacional. Contanto que essas pessoas estivessem de acordo – e muitas estavam – por que não se haveria de publicar a sua participação em A.A., incentivando assim outras pessoas a juntarem-se a nós? Tratava-se de argumentos bastante plausíveis, mas, infelizmente, nossos amigos da imprensa não concordaram com eles.

A Fundação* mandou cartas para praticamente todos os veículos de informação nos Estados Unidos, enunciando a nossa política de preferir a atração à promoção, e salientando o anonimato pessoal como a maior proteção possível para A.A. Desde então, editores e revisores têm reiteradamente omitido os nomes e fotografias dos membros nas reportagens sobre A.A.; com muita freqüência, lembraram a elementos ambiciosos a política de anonimato adotada por A.A. Chegaram mesmo a sacrificar boas reportagens com essa finalidade. A força da sua cooperação foi sem dúvida valiosa. Restam apenas uns poucos AAs que ainda rompem deliberadamente o seu anonimato no nível público.

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Em 1954, mudou-se o nome da Fundação Alcoólica para Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos, e o escritório da Fundação é hoje o Escritório de Serviços Gerais.

Este é em suma o processo pelo qual se construiu a Décima Primeira Tradição de A.A. Para nós, contudo, trata-se de muito mais do que uma política salutar de relações públicas. É mais do que uma negação da autopromoção. Esta tradição é um lembrete permanente e prático de que a ambição pessoal não tem lugar em A.A. Nela cada membro se transforma num diligente guardião da nossa Irmandade.