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TUDO SOBRE O ALCOOLISMO

” TUDO SÔBRE ALCOOLISMO “

O que é Alcoolismo?

Alcoolismo é a dependência do indivíduo ao álcool, considerada doença pela
Organização Mundial da Saúde. O uso constante, descontrolado e progressivo de
bebidas alcoólicas pode comprometer seriamente o bom funcionamento do organismo, levando a conseqüências irreversíveis.

A pessoa dependente do álcool, além de prejudicar a sua própria vida, acaba
afetando a sua família, amigos e colegas de trabalho.

O que é o abuso de álcool?

O abuso de álcool é diferente do alcoolismo porque não inclui uma vontade
incontrolável de beber, perda do controle ou dependência física. E ainda o abuso
de álcool tem menos chances de incluir tolerância do que o alcoolismo (a
necessidade de aumentar as quantias de álcool para ficar “alto”).

Complicações possíveis:

Gastrite, quando ocorre no estômago Hepatite alcoólica, no fígado
Pancreatite, no pâncreas Neurite, nos nervos.
A longo prazo, o álcool prejudica todos os órgãos, em especial o fígado, que é
responsável pela destruição das substâncias tóxicas ingeridas ou produzidas pelo
corpo durante a digestão. Dessa forma, havendo uma grande dosagem de álcool no sangue, o fígado sofre uma sobrecarga para metabolizá-lo. O álcool no organismo causa inflamações, que podem ser:

Os perigos do álcool:

Apesar de ser aceito pela sociedade, o álcool oferece uma série de perigos tanto
para quem o consome quanto para as pessoas que estão próximas.
Grande parte dos acidentes de trânsito, arruaças, comportamentos anti-sociais,
violência doméstica, ruptura de relacionamentos, problemas no trabalho, como
alterações na percepção, reação e reflexos, aumentando a chance de acidentes de trabalho, são provenientes do abuso de álcool.

Sintomas:

A palavra alcoolismo é conhecida de todos. Porém, são poucos os que sabem
exatamente o seu significado. Portanto, vamos lá.

Duas latinhas de cerveja por dia já podem levar ao alcoolismo.
O alcoolismo, também conhecido como “síndrome da dependência do álcool”, é uma doença caracterizada pelos seguintes elementos:

Compulsão: uma necessidade forte ou desejo incontrolável de beber
Perda de controle: a inabilidade freqüente de parar de beber uma vez que a
pessoa já começou.

Dependência física: a ocorrência de sintomas de abstinência, como náusea, suor,
tremores e ansiedade, quando se pára de beber após um período bebendo muito.
Tais sintomas são aliviados bebendo álcool ou tomando outra droga sedativa.
Tolerância: a necessidade de aumentar as quantias de álcool para sentir-se
“alto”.
(Nem todos estes problemas precisam ocorrer juntos)

O alcoolismo tem pouco a ver com o tipo de álcool bebido por uma pessoa, há
quanto tempo a pessoa bebe, ou até mesmo exatamente quanto álcool bebe. Porém, tem muito a ver com a necessidade incontrolável por álcool. Esta descrição do alcoolismo nos ajuda a entender o porquê de a maioria dos dependentes de álcool não conseguir se valer só de “força de vontade” para parar de beber. Estas pessoas estão sob a forte compulsão do álcool, uma necessidade que se mostra tão forte quanto a sede ou a fome.

Diagnóstico:

Você já sentiu que deveria diminuir a bebida?
Álcool vicia e causa muitos prejuízos à saúde. Assista ao vídeo e saiba como se
livrar do vício.As pessoas já o irritaram quando criticaram sua bebida?
Você já se sentiu mal ou culpado a respeito de sua bebida?
Você já tomou bebida alcoólica pela manhã para “aquecer” os nervos ou para se
livrar de uma ressaca?
Apenas um “sim” sugere um possível problema. Em qualquer dos casos, é importante ir ao médico ou outro profissional da área de saúde, imediatamente, para discutir suas respostas. Eles podem ajudar a determinar se você tem ou não um problema com a bebida, e, se você tiver, poderão recomendar a melhor atitude a ser tomada.

A decisão de pedir ajuda:

Reconhecer que precisa de ajuda para um problema com álcool talvez não seja
fácil. Porém, tenha em mente que, o quanto antes vier a ajuda, melhores serão as
chances de uma recuperação bem sucedida.

Qualquer relutância que você sinta em discutir sobre a sua bebida com seu
profissional de saúde pode reforçar muitos preconceitos sobre o alcoolismo e os
dependentes de álcool. Em nossa sociedade prevalece o mito de que um problema com álcool é sinal de fraqueza moral. Como resultado disto, você pode até achar que procurar ajuda é admitir algum tipo de defeito, que você deveria se
envergonhar. Contudo, o alcoolismo não é uma doença que indique maior fraqueza que o diabetes ou a asma. E ainda, identificar um possível problema com álcool tem uma compensação enorme, uma chance de viver com mais saúde.

Quando você for a seu médico, ele vai lhe fará uma série de perguntas sobre o
seu uso de álcool para determinar se você está ou não tendo problemas por causa do álcool. Tente ser o mais completo e honesto possível. Você também pode passar por exames físicos. Se o médico concluir que você é dependente de álcool, ele deve recomendar que você se dirija a um especialista para diagnosticar e tratar o alcoolismo. Você deverá tomar decisões e entender tudo sobre a necessidade do tratamento e as formas de tratar a dependência.

Tratamento:

A natureza do tratamento depende da gravidade do alcoolismo do indivíduo e dos
recursos disponíveis na comunidade. O tratamento pode incluir a desintoxicação
(o processo de retirar o álcool do sistema de uma pessoa com segurança); tomar
medicamentos receitados pelo médico para ajudar a evitar o retorno à bebida uma
vez que já parou; e aconselhamento individual e/ou em grupo. Há tipos de
aconselhamento promissores que ensinam a recuperar dependentes de álcool e a
identificar situações e sentimentos que levam à necessidade de beber e de
descobrir novas maneiras de lidar com a ausência do álcool. Quaisquer destes
tratamentos podem ocorrer tanto em um hospital, como em tratamento residencial
ou ambulatorial (o paciente fica em sua casa e vai às consultas, até todos os
dias).

Como o envolvimento com a família é importante para a recuperação, muitos
programas oferecem aconselhamento conjugal e terapia familiar como parte do
processo de tratamento. Alguns programas podem oferecer para o dependente
recursos vitais da comunidade como a assistência legal, treinamento de trabalho,
creche e aulas para pais.

Alcoólicos Anônimos:

Quase todos os programas de tratamento do alcoolismo também incluem encontros de Alcoólicos Anônimos (A. A.), cuja descrição é “uma comunidade mundial de homens e mulheres que se ajudam a ficarem sóbrios”. Enquanto o A. A. é geralmente reconhecido como um programa eficiente de auto-ajuda para recuperar dependentes de álcool, nem todas as pessoas respondem positivamente ao estilo e mensagens do AA, e outras abordagens podem estar disponíveis. Até mesmo, os que vêm conseguindo ajuda pelo A. A. geralmente descobrem que a recuperação funciona melhor com outros tratamentos juntos, inclusive aconselhamento e tratamento médico.

Alcoolismo tem cura?

Embora o alcoolismo seja uma doença tratável, ainda não há cura. Isto significa
que mesmo que um dependente de álcool esteja sóbrio por muito tempo e tenha sua saúde de volta, ele ainda está suscetível a recaídas e deve continuar a evitar
todas as bebidas alcoólicas. “Reduzir” não adianta; parar é necessário para uma
recuperação bem sucedida.

Contudo, até indivíduos determinados a ficarem sóbrios podem ter recaídas, antes de chegar à sobriedade de longo prazo. Recaídas são muito comuns e não
significam que uma pessoa fracassou ou não pode eventualmente se recuperar do alcoolismo. Tenha em mente também que todo dia que um dependente do álcool fica sóbrio antes de uma recaída é extremamente valioso, tanto para o indivíduo quanto para sua família. Se ocorre uma recaída, é muito importante tentar parar de beber de novo e obter o apoio necessário para não beber mais. A recaída não destrói as conquistas que ocorreram durante a abstinência, na maioria das vezes.

Ajuda ao abuso do álcool:

Se o seu médico determinar que você não é dependente de álcool, mas está
envolvido em um padrão de abuso de álcool, ele pode ajudá-lo:

Examine os benefícios de parar de beber e o risco de continuar bebendo.

Estabeleça uma meta de bebida para você mesmo. Algumas pessoas se abstêm do álcool, enquanto outras preferem limitar as quantidades bebidas.

Examine as situações que desencadeiam seus padrões não saudáveis de bebida, e desenvolva novas formas de lidar com situações de modo a manter suas metas em relação à bebida.

Algumas pessoas que pararam de beber depois de terem tido problemas relacionados ao álcool frequentam os A. A. para obter informação e apoio, mesmo não sendo dependentes.

Fontes e referências:

Ministério da Saúde

BEBIDAS ALCOÓLICAS SÃO AS DROGAS MAIS CONSUMIDAS POR ADOLESCENTES

” BEBIDAS ALCOÓLICAS SÃO AS DROGAS MAIS CONSUMIDAS POR ADOLESCENTES “

Segundo o artigo “Fatores de risco para dependência de álcool em adolescentes”,
há evidências de que o álcool é a droga mais consumida entre os adolescentes. O
objetivo do estudo foi identificar esses fatores que contribuem para a
dependência do álcool na adolescência.
O artigo foi publicado este ano na Acta Paulista de Enfermagem e tem como
autores Leandro Rozin, do programa de pós-graduação em Biotecnologia aplicada à Saúde da Criança e do Adolescente, e Ivete Palmira Zadonel, professora do mesmo programa de pós-graduação, Ambos fazem parte da Faculdade Pequeno Príncipe – FPP – Curitiba (PR).

Durante a adolescência, o indivíduo deixa de viver apenas com a família e passa
a se inserir em grupos sociais como forma de identificação pessoal, informam os
autores no artigo. Os pesquisadores descrevem que para muitos adolescentes a
inserção no meio social apresenta situações diversas que não tinham sido
presenciadas antes, como o contato com o álcool. “Esta é uma droga socialmente
aceita por todos os níveis sociais, de fácil acesso e possibilita, conforme suas
reações iniciais bem-estar instantâneo como forma de resolução de incertezas e
conflitos, mas também para comemorar momentos felizes e agradáveis”, afirmam.

Os autores dizem no artigo que quanto mais precoce for o consumo da droga, maior será a probabilidade de o adolescente torna-se dependente. Além disso, o uso constante da substância cria no organismo uma tolerância à droga e,
consequentemente, é preciso aumentar as doses para proporcionar satisfação,
explicam. Desta maneira, o aumento do consumo da bebida alcoólica desenvolve a dependência da mesma, alertam.

“Os fatores de risco para dependência estão relacionados ao início precoce do
uso, influência da mídia, relacionamento conturbado com os pais, uso por membro da família, abuso sexual, violência doméstica, baixa autoestima, curiosidade, pressão de colegas, entre outros”, informam. Ainda há fatores como exposição genética, neurobiológica, comportamentais – personalidade –, os quais predispõem o início e a continuidade do uso da substância, acrescentam. “Com o passar dos anos, a dependência de álcool instala-se no indivíduo e é identificada quando há perda do controle de decisão sobre o beber e sofrimento com os sintomas de abstinência da droga”, lembram os autores.

De acordo com os pesquisadores, no Brasil, as ações públicas de saúde possuem
foco descentralizado “como forma de estar mais perto da população, e intervirem
nas problemáticas identificadas”. “Dessa forma, cabe aos serviços e
profissionais de saúde, com maior proximidade da população, intervir com
educação em saúde e acompanhamento dos adolescentes expostos aos riscos, bem como de suas famílias e atuar no controle do uso de álcool”, explicam no artigo.

Neste caso, é necessário realizar um levantamento individualizado através do
diagnóstico comunitário na área de abrangência da atuação da equipe de saúde
para identificar os sinais precoces.

Para os autores, os serviços de saúde devem incorporar estratégicas preventivas
de identificação de riscos para a dependência, controle e acompanhamento
específicos para os adolescentes dependentes. “As ações preventivas tornam-se
possíveis, quando há efetivamente profissionais capacitados que assistam
individualmente e/ou em grupos essa faixa etária, no sentido de intervir nos
fatores de risco relacionados aos aspectos familiares, psicológicos e sociais”,
finalizam no artigo.

Fonte: Jornal O Serrano >>> http://www.alcoolismo.com.br

VIVERE – DRA. MARÍLIA TEIXEIRA MARTINS

“VIVERE”
Por Marília Teixeira Martins
A primeira vez que entrei em contato com a Revista Vivência, senti uma leve e agradável sensação. Como se eu tivesse conhecido alguém e no primeiro encontro ter me identificado com ela, a ponto de nascer daí à possibilidade de uma bonita e forte amizade. Sua capa e nome muito me chamaram a atenção, afinal “Vivência” é o conhecimento adquirido através da experiência vivida, significado este que, além de atraente e cativante, motivou-me a percorrer e conhecer de perto o conteúdo interno que a revista poderia oferecer, não só a mim mas, principalmente a cada adicto que, incessantemente busca e anseia por sua liberdade dos químicos. E só para complementar, a palavra “Vivência” vem do Latim “Vivere”, que em nossa língua quer dizer: “estar vivo” ou “viver”. E foi exatamente o que pude perceber ao longo de sua leitura. Ela não oferece apenas conhecimentos teóricos sobre o alcoolismo mas, acima de tudo, a idéia de movimento, convidando a todos, independentemente de serem alcoólicos ou não, a fazerem uma viagem para dentro de si mesmos e, conseqüentemente, uma viagem em direção à vida!
Admiro o fato de ter sido construída cuidadosamente de “dentro para fora”. Ela vem da alma, o que para mim, pessoal e profissionalmente faz uma enorme e significativa diferença. Vindo da alma, entendo que não podemos e nem temos o direito de questionar nada, afinal em se tratando de emoções e sentimentos, não existe certos ou errados, eles simplesmente “são o que são, e é assim que devemos recebê-los com todo o nosso respeito.
Recuperação no meu entender é, acima de tudo, movimento e um contar contínuo de histórias, de uma alma para outras almas. Histórias que precisam de liberdade e espaço para serem divididas e partilhadas em todas as suas nuances, tons e dimensões. E a Revista Vivência faz exatamente isso: oferece a grande oportunidade aos adictos de realizarem este processo tão importante em suas recuperações. Como também, proporcionando a nós profissionais, a compreensão cada vez maior do que se passa no coração e na alma dos dependentes químicos.
E foi assim, acompanhando dia a dia, mês a mês, ano a ano os seus artigos e depoimentos, que nasceu e concretizou-se uma forte amizade entre eu, psicóloga que se dedica a este tema por vários anos e a Revista Vivência. Amizade esta que me acompanha desde que dei os meus primeiros passos profissionais em direção ao estudo e tratamento da dependência química, doença tão complexa e séria que, infelizmente, cada vez mais faz parte do nosso dia a dia.
E, para finalizar este texto, tomo a liberdade de deixar uma pequena sugestão em prol da recuperação de todos: que sejam suficientemente fortes para buscarem e caminharem em direção à luz, mesmo estando ainda em algumas “sombras”. Que sejam suficientemente corajosos para darem o primeiro passo a favor de suas próprias vidas e, suficientemente humildes para pedirem ajuda em qualquer trecho de suas caminhadas. Não deixem de sorrir por mais difícil que possa parecer, não deixem de cantar, ainda que seja um pequeno trecho de uma música preferida e, principalmente, não deixem de acreditar na vida, na recuperação e em um Poder Superior, o único capaz de transformar dor em amor.
Deixo também o meu carinho e respeito a todos os adictos que enfrentam com garra suas recuperações e que optaram ou estão a caminho de uma terra linda chamada sobriedade. Desejo a todos muita luz em suas caminhadas e muita paz em seus corações. E que, a cada passo dos 12 percorridos, possam receber o suave toque da serenidade.
Marília Teixeira Martins

MENSAGEM DE UM COMPANHEIRO

MENSAGEM DE UM COMPANHEIRO

“Boa noite irmão.

Na minha visão, quando começamos a participar só de meia reunião, podemos está correndo sérios riscos espirituais. Posso cair naquela situação de, receber pelo que faço, como se fosse um empreiteiro.
Receber meu pagamento pela medição de serviço que fiz. Já pensou se o PODER SUPERIOR me abençoar pelas metades?
Eu nunca troquei bençãos com o mestre. Mas ele tem me abençoado muito além do que mereço. Mas, tenho me dedicado com todas as minhas forças para servir com alegria nos trabalhos desta maravilhosa irmandade do espírito. Desde 1995, dificilmente falto a uma reunião ao meu grupo base. Eu preciso do meu grupo base, é ali que eu compartilho as minhas experiências como servidor e como um alcoólico que deseja á cada dia encontrar um caminho que me leva a uma sobriedade feliz, e momentos de intensa serenidade.
Só que muitos que estão em nossa irmandade, ainda não tiveram o despertar espiritual, para entender a importância de estar na sala de reunião para compartilhar este momento único com aqueles que estão chegando. Dr. Bob dizia que os que procedem desta maneira ainda estão muito doentes.
Então prosseguiremos em nossa caminhada, fazendo a nossa parte, falando o que sentimos, e só o tempo dirá para eles o porque certamente ainda tem saudades dos dias de bebedeiras. Colhemos justamente aquilo que plantamos. Tem muitos membros degustando um belo cacho de uvas, enquanto tem alguns comendo e sofrendo com o amargo do jiló. fazer o que irmão? Nós conhecemos muito bem a parábola das virgens prudentes e das virgens loucas.
Irmão e companheiro, muita paz na sua jornada, não estaremos sozinhos, disto tenho certeza.”
Um forte abraço.
Atte;
Farias.

A HISTÓRIA DOS SERVIÇOS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS NO BRASIL

HISTÓRIA DOS SERVIÇOS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS NO BRASIL – DA FUNDAÇÃO .

HISTÓRIA DOS SERVIÇOS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS NO BRASIL
( 33 anos de 3º LEGADO).
S. SANTIAGO –DELEGADO DE BRASÍLIA – (1981-1983).

Considerações iniciais.

Este é um trabalho parcial. Os arquivos do autor por mais completos que sejam, não contêm todos os dados referentes aos 33 anos (1948-1981) de serviços de A.A. do Brasil. É parcial, também, por tratar-se de um enfoque isolado de um só historiador. Neste caso, muita coisa subjetiva entra em jogo. Trata-se, por outro lado, de um trabalho mais polêmico do que crítico. Muitos companheiros não concordarão com a análise feita de uma determinada época historiada. Outros tantos aplaudirão. Apesar de parcial, tive o cuidado de ser o mais imparcial e justo possível, na análise dos fatos e das personagens envolvidas. Tenho a pretensão de haver historiado com a maior profundidade possível. As datas, os nomes dos servidores do 3º Legado foram coletados, examinados, filtrados, para que houvesse a menor margem possível de erro ou omissão. O maior mérito deste trabalho poderá ser o de provocar uma reação em cadeia, levando outros companheiros competentes a historiarem sobre o A.A. do Brasil. Acredito
mesmo que seja o 1º ato de uma peça. Logo que o leitor acabe de ler, o pano do palco baixará; logo que outro escreva algo sobre o mesmo assunto, a cortina histórica levantar-se-á para o 2º ato. E assim por diante… até o infinito. O trabalho está dividido em seis capítulos, cada um deles contando o que ocorreu em uma determinada época:
I – Nascimento do A.A. no Brasil;
II – Período 1949/1951;
III – Período 1952/1961;
IV – Período 1962/ 1968;
V – |Período 1969/1975;
VI – Período 1976/1981 (até novembro).

NASCIMENTO DO A.A. NO BRASIL.

Corria o ano de 1948. A segunda Grande Guerra Mundial já acabara há três anos, mas o mundo ainda se cicatrizava dos traumas e feridas que sofrera durante a mais terrível hecatombe da História. No Brasil, o povo já comemorara a chegada de suas heroicas tropas vindas da Itália, chorara seus mortos queridos e acalentava esperanças de um futuro melhor. O chamado Estado Novo ruíra e o Pais entrara no longo túnel do porvir. A guerra, dentre outras mazelas, deixara um rastro de alcoolismo. Milhares de criaturas, na tentativa inútil de tentar esquecer os campos de concentração, os racionamentos, a fome o freio, enveredara pelas veredas tortuosas do álcool. No Brasil, a fuga através da bebida também era comum, com centenas de milhares de indivíduos trôpegos, desmantelados seus lares e empregos. Duas criaturas de Deus, um inglês empregado numa firma internacional de petróleo e um humilde pescador de Niterói, buscavam ansiosos, uma palavra de esperança e de salvação. Ambos desesperados, tentaram inutilmente se libertar das garras medonhas da doença alcoólica que lhes minava o físico e a mente. O problema alcoólico de HAROLD W., o inglês, não era recente. Herói da guerra, tendo servido n as tropas britânicas, era, em 1947, uma sombra do que fora. Durante dezoito anos vivera como um “farrapo humano”, tendo descido, também, em sua própria expressão, a “última lona”. Para sua sorte, chegara ao Brasil, em meados de 12947, um publicitário norte-americano, empregado na Mac-Ericson, cujo nome era HERBERT L. D. A. membro de Alcoólicos Anônimos nos EUA, e com cinco anos de sobriedade. Herb estava ansioso para abordar outro alcoólatra ainda na “ativa”. Segundo depoimento dos membros mais antigos, Herb teria feito duas abordagens iniciais, do pescador de |Niterói, cujo nome se perdeu nas brumas do tempo e a de Harold W., em 19 de abril de 1948. Deixemos que o próprio Harold nos conte sua história: ” E foi assim que, em abril de 1948, recebi pelo meu irmão, um panfleto de A.A. em inglês, enviado pelo Herb com um recado: caso eu gostaria de conversar com ele sobre o assunto do panfleto, ele me procuraria na casa de meu irmão no sábado. Após ler por alto o conteúdo do panfleto e intimamente ter a certeza de meu caso não se enquadrava, eu disse a meu irmão que aguardaria a visita de Herb. Como faltavam dois dias para o sábado, com alguns “caraminguás” conseguidos sob a promessa de que seriam os últimos “drinks”, passei dois dias e duas noites entre tragos de cachaças e “Black-outs” no meu catre de porão. No sábado pela manhã, meu irmão me procurou para lembrar a vinda de Herb. Tomei um banho, tomei uns tragos ….e esperei a vinda de Herb. Chegou o Herb … mas que espanto para mim! Não era nenhum energúmeno que iria me separar à força do copo…Era um tipo quarentão, simpático, brincalhão, que conhecia tudo sobre álcool. Nada o espantava… Contou sua história sem nenhuma resalva … disse que precisava de mim para ajuda-lo a formar um grupo de A.A. no Rio. A primeira tarefa seria traduzir o panfleto inglês que ele me dera, pois era lógico que o grupo seria de brasileiros, caso contrário, o desenvolvimento seria duvidoso… Antes de sair, o Herb disse : Olhe Harold, nunca consegui, no princípio, fazer um plano de 24 horas! Lia o primeiro Passo, fazia uma prece para Deus, para me dar forças para não tomar um “drink”, durante os próximos 30 minutos; daí descansava, lia o Segundo Passo; fazia uma prece, pedindo forças para resistir mais 30 minutos; e assim ia até o Sétimo Passo … então recomeçava tudo de novo… Olha Harold, não foi nada fácil, mas deu certo; você não quer experimentar este sistema durante hoje e amanhã e domingo? E na segunda, atacar a tradução? Herb acrescentou: caso precisar de mim, a qualquer hora, peça a seu irmão para me telefonar, que virei na hora”. Harold lutou muito naqueles dois dias e triunfou sobre os sofrimentos físicos e psíquicos. A tradução do folheto que Herb lhe dera avançava lentamente. Na quarta feira seguinte, como fora combinado com Herb, atravessou a Baia de Guanabara, para encontrá-lo na porta da ABI ( Associação Brasileira de Imprensa), nado ?Rio de Janeiro. Passemos, novamente, a palavra ao companheiro Harold: ” E lá estava o Herb. Calmo com um sorriso amigo, esperando o seu afilhado. Herb, então, me lev ou para o salão de estar da ABI e sentamo-nos junto a uma pequena mesa. Herb pediu café, eu procurei dissimular o fato de que não podia levar a xícara até a boca, sem entornar o café, por causa de minha tremedeira, e baixei a cabeça para sorver o café dizendo que estava muito quente. Herb Fingiu não notar nada e disse: de fato, servem café muito quente aqui…Ai mostrei meu trabalho. Não era muito, mas era um começo … Herb disse: Até os meados do mês que vem, teremos o primeiro panfleto A.A. em português” Este encontro marcou o nascimento do A.A. no Brasil. Naquela tarde carioca do dia 23 DE ABRIL DE 1948, quarta feira, 14horas da tarde, nossos co-fundadores acabavam de criar o GRUPO PIONEIRO DE A.A. do Rio. Estava implantado o primeiro elo desta grande corrente de 1.500 grupos agora existentes, nesta primavera de 1981 Herb retornou aos Estados Unidos em meados de 1949 e faleceu poucos anos mais tarde. Em carta ainda escrita do Brasil, dirigida à Fundação A.A. nos EUA, e datada de 23.o3.1949, ele comentava: O A.A. no Brasil, avançava vagarosamente, com um substancial número de membros brasileiros com sobriedade “solida”; que o grupo permanecia crescendo, apesar da “população flutuante” dos AAs estrangeiros; que muitas reuniões eram realizadas com depoimentos TRADUZIDOS; que pretendia, mais tarde, desmembrar o grupo em núcleos de diferentes idiomas, esperando, apenas um crescimento maior do núcleo precursor. O outro co-fundador, Harold W. continua vivo, residindo em S. Paulo.(1981).

NOTA: Agradeço a todos os companheiros que me incentivaram nos momentos de dúvidas e desânimo, diante da grandeza do assunto pesquisado. Em particular, meu profundo agradecimento a Luiz O.M., do Rio, que colocou seu excelente arquivo histórico de A.A. à minha disposição Á Julinha, esposa, Miêtta, mãe – meu muito obrigado. Gratidão eterna aos semeadores de A.,A. no Brasil, HERB E HAROLD , ao PODER SUPERIOR pela sobriedade. O Autor – Brasília, 15. 11. 1981.
COORDENAÇÃO DE HISTÓRIA DO A.A. DO GRUPO AABR. – AMAURI

SÓBRIO E SOBRIEDADE

Área do Distrito Federal
Coordenação do 5º Comitê de Distrito
3º Ciclo de Estudos
Doze Passos de Alcoólicos Anônimos
Sobriedade Emocional: Fronteira de Bem-estar
De 4 a 6 de 2011
Sóbrio e
Sobriedade
Sobriedade é a qualidade ou estado de estar sóbrio. É uma condição de grande importância para o alcoólico pois é para ela que o programa de recuperação está voltado e a sobriedade só é alcançada por meio da abstinência. É evitar o primeiro gole, é ter um programa que considera um dia de cada vez, o programa de 24 horas. Assumir o compromisso de parar de beber por toda vida, num primeiro momento, seria muito pesado, compromisso esse que, usualmente, já fora assumido muitas vezes antes mas que não vinha sendo posto em prática até então por ser difícil de cumprir. A abstinência por cada vinte e quatro horas, de cada vez, só por hoje, incorpora a sabedoria que nos foi transmitida há milênios quando o Mestre dizia que a cada dia bastavam as suas tribulações. A sobriedade é como um alicerce, indispensável e que dá o necessário apoio para tudo o que deve suceder a essa primeira conquista. Primeira porque outras devem ocorrer em seqüência. Afinal, ninguém faz um alicerce e fica nisso, para nesse ponto. A existência de um alicerce pressupõe que se vá fazer algo mais, que é a construção e, no nosso caso, a construção da serenidade que vem por meio da adoção do programa de recuperação. Por tudo isso a sobriedade nos é muito cara, por ser o passo inicial, por ser indispensável, por ser a primeira grande vitória e porque, uma vez assumido o compromisso com o programa, o alcoólico começa a vencer o seu primeiro e grande obstáculo que é a negação. Assim, aí está o início da recuperação, de uma nova vida.
Numa primeira acepção, ou entendimento, da palavra sobriedade, vimos que ela se refere ao organismo do alcoólico, em que se consideram os efeitos da ingestão de uma droga, no caso, o álcool.
Voltamo-nos agora para outra acepção da palavra sobriedade mas dentro de outra dimensão, que é a emocional. Sobriedade emocional existe quando se está com as emoções em ordem, em equilíbrio. O primeiro entendimento da palavra, que acabamos de desenvolver, volta-se mais para o aspecto do organismo intoxicado, sob o efeito da droga. Agora, no campo emocional, sobriedade significa estar calmo, com um comportamento moderado marcado pela temperança, pela moderação, contido no tom e na cor e sem exibir excesso de emoção ou fantasia.

Serenidade
Sóbrio e emocionalmente sereno, o alcoólico se apresenta calmo, que é a qualidade de estar sóbrio, de ser marcado pela temperança, moderação e seriedade. É não estar intoxicado, é não ter o hábito de beber ou de usar drogas e é sereno por estar tranquilo, manso e sossegado, sem preocupações ou pressa. Seus compromissos não o incomodam além da justa medida e não sente que o mundo vai acabar, caso não os cumpra. Vive o momento presente sem sofrer o peso do presente ou estar preocupado com relação ao futuro. Aceita o mundo como ele é, uma vez que aceita as coisas que não pode modificar. Está consciente de que o seu problema com o álcool o faz sentir dor mas que esse estado de consciência é o início da libertação e é preciso que esse entendimento cresça sempre, porque significa progredir ao longo da vida.
Desenvolvemos a compreensão do que é a serenidade porque ela é uma qualidade indispensável para que o alcoólico se mantenha sóbrio e, assim, retornamos para o tema da sobriedade porque, sem ela, o alcoólico pode ser envolvido pelo ressentimento, pelo desespero, pelo egocentrismo e afastar-se do convívio social e isso pode leva-lo à garrafa. Não desfrutando da indispensável serenidade, o alcoólico pode não conseguir manter esses problemas dentro de limites seguros. A serenidade permite ver com maior clareza e distinguir bem as coisas.
Por outro lado, é preciso estar atentos para o fato de que todos nós temos o nosso lado de sombra, aquela nossa parte que gostamos de negar, de não pensar e de não estar consciente dela e corremos até o risco de tentar botar para baixo do tapete, o que não só não é solução mas complica muito as coisas. Mas o mal não é a coisa em sim, mas o problema está em não aprender a lidar com esse nosso lado. Ignorá-lo e procurar não estar consciente dele pode ser o caminho do desastre ou, pelo menos, não teremos serenidade enquanto não tivermos uma boa compreensão desta realidade. É preciso se aceitar e amar a si próprios e aí estaremos no caminho da serenidade.
Estando sóbrios e emocionalmente serenos, estaremos, em alguma medida, dentro do quadro que iremos desenhar da pessoa sóbria, serena: tem esperança, é amorosa, humilde, paciente e honesta. É alegre e sabe que tem valor. Le livros e revistas, frequenta os grupos de A.A., visita amigos, aprecia as belezas do mundo, pratica passa-tempos, toca instrumentos musicais, vai à praia, viaja e muito mais.
Para ajudar a alcançar e manter a serenidade, há grupos em que são expostos pensamentos que ajudam e que, pela repetição constante, passam a fazer parte do subconsciente, como: “um dia de cada vez”, “viva e deixe viver”, “isso também passará”, “com calma se resolve”, “vá de vagar mas vá”, “se funciona, não conserte” e outros mais.
Em A.A. não se diz quando eu crescer na minha programação eu vou… e isso porque estaremos sempre crescendo. É perigoso pensar que está bem e deixar de crescer porque não é possível para ninguém estar sereno o tempo todo, mesmo não sendo um alcoólico e pela razão simples de que somo humanos e, portanto, imperfeitos. Logo, o crescimento dever ser constante.
Bem-estar
Nesse ponto chegamos ao segundo termo do binômio do lema do encontro, a fronteira de bem-estar.
O bem-estar é a parte subjetiva da saúde mental. É a satisfação com a vida, é um componente da felicidade. É sentir-se calmo e feliz.
O bem-estar pode ser visto como um estado de prazer ou felicidade (hedonismo) ou apoiar-se no bem estar que traduz o pleno funcionamento das potencialidades de uma pessoa (eudemonismo), ou seja, na sua capacidade de pensar, raciocinar e usar o bom senso. São os aspectos subjetivo e psicológico do bem-estar respectivamente.
O que podemos observar nos grupos de A.A. é que os que seguem o caminho da sobriedade e se tornam serenos atravessam a fronteira e penetram na condição de bem-estar nas duas dimensões, rapidamente aqui analisadas.