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AUTOESTIMA – DR. LAÍS

AUTOESTIMA

Dr. Lais Marques da Silva, ex-presidente da JUNAAB.

Autoestima. Valorização de si mesmo, amor próprio.

Entre os alcoólicos, é comum observar que, anteriormente ao desenvolvimento da dependência química, eram egocêntricos, apresentavam baixa capacidade de suportar tensões nervosas e que tinham baixa autoestima, embora esses traços não concorram para elevar o risco de se tornarem alcoólicos.

Para sair de um padrão emocional baixo, os alcoólicos dependem de novas e poderosas fontes de autoestima e de esperança, sendo observado que uma abstinência estável esteja ligada a uma mudança profunda de personalidade que ocorre, não por coincidência, com a evolução que se verifica no decurso do crescimento espiritual.

Em A.A. não se estuda o problema do alcoolismo nem se faz diagnóstico. Diagnosticar como alcoólico corresponderia a rotular de um modo que pode causar dano tanto à autoestima quanto à aceitação social.
A autoestima recebe um reforço considerável quando o alcoólico entra em serviço, uma vez que não só percebe que pode fazer alguma coisa pelos outros, mas também porque o serviço tende a reduzir a preocupação mórbida que o alcoólico tem consigo mesmo, além de fortalecer a ligação entre o membro de A.A. e o grupo.

A elevação da autoestima é de enorme importância, pois leva os alcoólicos a mudanças de atitude e a melhores resultados do que os que se conseguem simplesmente fazendo ameaças ou apelando para a racionalidade ao se procurar fazer aconselhamento. É uma mudança de atitude. A recuperação está intimamente associada ao ganho de autoestima.

Outro fato importante ligado ao aumento da autoestima é que, na medida em que ela aumenta, o alcoólico readquire a capacidade de ouvir as mensagens que são passadas nos grupos. Ele se torna permeável, aceita a comunidade formada pelo grupo.

Autoestima é alguma coisa que não se pode pegar, mas ela influi na nossa maneira de sentir e de ser. Não se pode vê-la, mas está lá quando nos vemos no espelho. Não podemos ouvi-la, mas esta lá quando falamos com nós mesmos.

Estima é a palavra que usamos para coisa ou pessoa que avaliamos como sendo de valor. Se se acha que uma pessoa tem valor, isso significa que ela está em elevada estima. Temos estima por um troféu porque ele traduz o valor da conquista. Auto significa de si mesmo e, aí está então a auto-estima significando que nos achamos importantes. É como nos vemos e como sentimos acerca das nossas realizações. É a maneira silenciosa de se achar de valor, de ser amado e aceito pelas pessoas.

A autoestima ajuda a manter a cabeça elevada, a ter orgulho de si mesmo e do que podemos fazer. Dá coragem para tentar novas coisas e poder para acreditar em si mesmo. Dá respeito a si mesmo quando se comete um engano. Quando nos respeitamos, as outras pessoas também o fazem. É também necessária para fazer opções certas acerca de nós mesmos.

Naturalmente, todos nós temos altos e baixos, mas ter baixa autoestima não é bom. Sentir-se sem importância causa tristeza e isso pode inibir as nossas ações, dificultar fazer novas amizades. Ter elevada autoestima é importante para crescer.

É conveniente fazer uma lista das coisas em que somos bons, quaisquer que sejam elas. É preciso que nos cumprimentemos a cada dia por todas as coisas que fazemos bem e de bom e ainda lembrar delas antes de dormir.

É preciso gostar do nosso corpo porque ele é nosso, afinal. Se há algo que pode ser corrigido, é corrigir. Mas é necessário aceitar o que não se pode modificar. Se pensamentos negativos invadem a nossa mente, que se dê um basta neles.

É necessário manter o foco nas boas coisas e nas boas qualidades que temos e, sobretudo, aprender a nos aceitar. É preciso fazer brilhar a nossa auto-estima.

PENSAMENTOS QUE AJUDAM
“Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome … Auto-estima”.

“Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável: pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início, a minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama … Amor-próprio”.

“Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é …Plenitude”.

“Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei menos vezes. Hoje descobri a … Humildade”.

“Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre, desisti de fazer grandes planos e abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é … Simplicidade”.

“Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou que a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é … Respeito”.

“Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de … Amadurecimento”.

“Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades. Hoje seu que isso é … Autenticidade”.

“Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é … Saber Viver”.

CHEGOU DE BICICLETA

CHEGOU DE BICICLETA
Amaro J. é de Bananeiras, Paraíba, hoje tem 61 anos de idade e reside em Natal, Rio Grande do Norte, há 30 anos.
Está acostumado a se deslocar para eventos de A.A., dentro do estado, usando a sua bicicleta. Desse modo, dizia a seus companheiros que iria ao XVII Seminário de A.A. da Região Nordeste, em João Pessoa, utilizando o seu meio de transporte. Os seus companheiros não acreditaram muito mas se surpreenderam quando o viram em João Pessoa, no dia 25 de novembro. É que Amaro é vendedor ambulante e, ganhando pouco, só poderia mesmo ter chegado de bicicleta, e não deu outra. Amaro havia saído às cinco da manhã de Natal e chegado a João Pessoa às duas da tarde. Havia pedalado por onze horas e feito pequenas paradas para comer alguns cajus, retirados diretamente dos pés, à beira da estrada. Fizera um pequeno lanche em Mamanguape, já na Paraíba, quando eram duas da tarde. Para beber água tinha parado duas vezes,sendo uma na cidade de Goianinha, e chegou ao destino apenas com a virilha queimada, conforme o seu dizer, e mais nada, após percorrer mais de 200 Km.
Disse que gosta de andar de bicicleta e a prefere ao cavalo ou burro porque não sacode e que, para fazer a viagem, foi suficiente usar óculos escuros para se proteger do sol intenso. O resto, foi contar com a sua forma física e com a fé que tem em Deus.
Durante a viagem, teve duas situações de perigo. Uma delas ocorreu quando passou por ele uma carreta. Na passagem em si, tudo bem, mas depois que passou a carreta o “sugou” e ele se sentiu sendo arrastado. Foi surpreendido e teve medo de tombar. É que Amaro sentira o efeito que os corredores de automóvel tanto apreciam, que é o vácuo, que os levam para velocidades maiores, independentemente do motor. Amaro gostou da coisa mas, inesperada que foi, o assustou e deu medo. A outra situação de risco ocorreu quando derrapou nas pedrinhas de um acostamento em declive e a bicicleta tombou mas ele conseguiu sair do tombo e ficou de pé. Aí os cortadores de cana que estavam próximo gritaram e o chamaram de “velho rápido”. Relatou também que se a bicicleta sofresse alguma avaria, a idéia era ir empurrando a máquina até a próxima cidade, o que pareceu simples para ele mas isso seria um grande desafio para qualquer um de nós, com esta idade. Acresce ainda que eram poucas as cidades existentes no caminho, apenas seis pequenas cidades: Parnamirim, São José do Mipibu, Goianinha e Canguaretana, todas no Rio Grande do Norte; Mamanguape, onde na descida de uma pequena serra levou o susto do vácuo da carreta e Bayeux, essas últimas na Paraíba. Para situações de avaria na bicicleta, contava apenas com umas poucas ferramentas.
O grande sonho de estar presente ao maior evento regional de A.A., que é o Seminário, e de desfrutar da companhia dos companheiros e amigos, aliado à fé, à perseverança e à coragem, o levou a dar um grande exemplo do desejo de participar, de conviver com irmãos.
Seu padrinho Marcos diz que ele hoje é um ser humano renovado pelo despertar espiritual e que, apesar de Amaro o chamar de “padrinhão”, ele se sente estimulado pelos exemplos de recuperação que o Amaro lhe dá, de tal forma que Marcos considera que Amaro é que é o seu padrinho, realmente.
Mas Amaro não ficou só nisso. Tendo dado um exemplo de fé e de coragem na ida para o Seminário, deu outro exemplo, o de humildade, ao aceitar que os companheiros de Natal ou levassem de volta de ônibus, incluindo a bicicleta. Não lhe ocorreu a idéia de se exibir fazendo a volta de bicicleta e de exibir um ego que poderia ter sido exaltado pela proeza que havia realizado. Humildemente, aceitou voltar com os companheiros e, desse modo, ofereceu mais um exemplo, mostrou mais um aspecto da boa qualidade da sua recuperação.

CICLO DAS DOZE TRADIÇÕES – O SEGUNDO LEGADO, NA VISÃO DO DR. LAÍS

Ciclo d’AS DOZE TRADIÇÕES
Realizado em Leopoldina-MG

O segundo Legado, na visão do Dr. Laís Marques da Silva.
Ex-Custódio e Presidente da Junaab.

Estamos aqui unidos na cidade de Leopoldina, numa das muitas cidades do Estado de Minas Gerais, um dos 26 Estados do Brasil, um grande país entre os muitos paises do mundo. Sabemos que os companheiros de A.A. estão unidos mundo a fora e, melhor, temos a esperança de que assim deverão permanecer. Mas essa certeza e essa expectativa que acalmam o espírito nem sempre estiveram presentes nas mentes dos primeiros membros da Irmandade. No início da vida de A.A., houve um crescimento rápido e espantoso no número de grupos e de pacientes em recuperação e esse crescimento, não obstante ser um fato auspicioso, ameaçou fazer em pedaços a instituição que ainda estava sendo consolidada. Ao mesmo tempo, esse crescimento muito acelerado, exponencial, era um fato que chamava a atenção e que merecia uma análise respeitosa na busca de uma explicação.
Para dar uma idéia dos problemas e das dificuldades observadas nos primeiros tempos da vida de A.A., um breve quadro será composto usando apenas as suas linhas mais gerais. Assim, havia o temor das recaídas e dos romances fora do casamento. Afloraram os desejos de poder, fama e dinheiro. Os mais antigos na Irmandade se julgavam donos e consideravam ter direitos adquiridos, e mais, serem portadores de permissão para conduzi-la. Era necessário conter os dominadores de plantão e as personalidades autoritárias. Havia o medo do aparecimento nos grupos de pessoas esquisitas ou indesejáveis ou mesmo de criminosos. Como os grupos iriam se relacionar entre si? Qual o conceito de grupo? Qual o seu propósito primordial? Deveria o A.A. se envolver com movimentos sociais? Entrar na área educacional? Tornar-se uma instituição reformadora? Outra dificuldade estava em levar a termo os problemas de dinheiro. Com idéias grandiosas, alguns membros julgavam que precisariam de grandes somas. Como resolver o problema da tendência ao profissionalismo? Como lidar com o aparecimento de núcleos internos de governo e com o aparecimento de sanções a serem aplicadas? Infratores deveriam ser expulsos? E o que fazer com a tendência a opinar sobre questões alheias à Irmandade com o conseqüente envolvimento em controvérsias públicas. Como lidar com a divulgação em que se faziam promessas, o que se constituía em propaganda? A busca pelo poder e pelo prestígio sempre ocorria.
Esse quadro, muito resumido, mostra que a Irmandade, no início da sua existência, era como uma balsa de náufragos navegando em mar muito perigoso. Era preciso não balançar e estabilizar a balsa para que todos não ficassem em pânico e não corressem perigos.
Não obstante a existência das ameaças de desunião e de colapso que aconteceram neste período de crescimento, a unidade de A.A., a nível mundial, foi forjada graças ao desenvolvimento de princípios calcados em procedimentos existentes em alguns grupos, já então tidos como tradicionais, e nascidos a partir da solução de problemas do cotidiano dessas estruturas e capazes de, sendo observados, mantê-las em unidade. Esses princípios foram estudados e consolidados e, no seu conjunto, se constituem naquilo que, hoje, para o nosso conforto e paz, são chamados de as Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos. Esses princípios, cristalizados a partir da experiência, da vida de A.A. nos primeiros tempos, se constituem num instrumento poderoso que permite transpor obstáculos e resolver os problemas do dia a dia da vida da Irmandade. Por meio da observância do segundo legado, permanecemos em unidade.
Insisto em chamar a atenção para esses primeiros tempos porque neles surgiram dificuldades e problemas e, a partir deles, as Tradições. Isso parece muito natural e ficamos tranqüilos, mas é preciso lembrar sempre que o não conhecimento desses princípios ou a omissão quanto à sua prática poderá nos levar a severas dificuldades e a enormes turbulências, inconvenientes para o processo de recuperação dos portadores da síndrome da dependência do álcool e que, ademais, poderão conduzir a rupturas de conseqüências imprevisíveis.
Além do mais, o estudo das Tradições encanta pela grande sabedoria existente em cada um dos seus princípios ao mesmo tempo em que espanta os estudiosos pelo fato estranho de neles existir tanta inspiração, tanto discernimento, tanta visão, tanto conhecimento, tanto de humanismo e, ainda, que toda essa riqueza tenha sido encontrada por aqueles que os conceberam. Acontecimentos como esses não são comuns na história da humanidade em que, infelizmente, predomina a insensatez, entendida como a tomada de atitudes contrárias aos seus interesses.
Penso que é também oportuno que nos detenhamos sobre o significado das palavras legado e tradição. Legado é definido como dádiva deixada em testamento e dádiva é definida como donativo, presente, oferta. A palavra legado, portanto, está mais associada a coisas imateriais e, por isso, penso que a sua adoção é mais adequada do que a da palavra herança, com nítida conotação de coisa material e, por isso, ligada ao mundo das coisas e até à possibilidade da existência de conflitos. Fica, desse modo, a idéia de algo imaterial, precioso e enriquecedor do espírito, que é o que se aplica ao uso que fazemos em A.A. da palavra legado. Também é válido se deter sobre o significado da palavra tradição como sendo costume, hábito, uso ou crença, especialmente a que passa de geração em geração. Ou seja, um corpo de hábitos e crenças tidas como sendo de valor por uma cultura particular.
Isto posto, vamos considerar alguns fatos históricos, de grande importância, que convergiram para o aparecimento das Tradições de A.A. e que, ainda mais, irão avivar no nosso espírito a idéia de que precisamos estudar as Tradições com grande dedicação, mantendo a lembrança de que estes princípios que salvaram, naqueles tempos, a nossa Irmandade da desintegração. O relato concorrerá para formar a consciência de que o não estudo e a não observância desse legado poderá resultar na perda da unidade, indispensável para que possamos levar adiante a mensagem de A.A. mundo afora.
Em 1941, com a publicação do trabalho de Jack Alexander no Saturday Evening Post, o número de membros de AA saltou de 2000 para 8000 e para 96000, em 1950. Os grupos foram de 500 em 1944 para 3.500 em 1950. Acompanhando esta onda, muitos não alcoólicos dos campos da medicina, da religião e da mídia estavam ficando cada vez mais conscientes de que Alcoólicos Anônimos representavam uma solução para alcoólicos aparentemente sem esperança e pediam informações sobre o AA. Da mesma forma, uma inundação de cartas chegava aos escritórios.
Diante dos desafios trazidos pelo intenso crescimento tanto interno quanto externo, Bill se deu conta de que a nova Irmandade poderia facilmente ser esmagada pelo seu próprio sucesso, a menos que um corpo de princípios norteadores e uma política de relações com o público fosse formulada.
Naqueles tempos, Bill W. se apercebeu da necessidade de estabelecer linhas de procedimento que orientassem as relações internas e externas da Irmandade em face do crescimento de AA e da necessidade de manter a unidade; de criar uma proteção e de garantir o progresso.
Bill W., co-fundador de A.A., identificou as ameaças potenciais para a existência de Alcoólicos Anônimos: problemas de propriedade, prestígio e poder. Os de propriedade foram afastados evitando-se que A.A. se tornasse proprietário e fazendo com que se pudesse manter. Daí as Tradições Sexta e Sétima.
Foram afastadas as idéias de criação de linhas mestras que fossem chamadas de leis, regulamentos, regras ou qualquer coisa semelhante, pois transmitiriam uma idéia de autoritarismo e trariam conseqüências negativas para a Irmandade. Dessa forma, Bill começou por chamá-las de “Os Doze Pontos Para Garantir a Nossa Sobrevivência Futura”. No entanto, alguns desses pontos já eram tradicionalmente praticados por muitos grupos de A.A. com base nas suas experiências, daí que passaram a ser chamados de Tradições.
Portanto, da experiência acumulada dentro da própria Irmandade, surgiram as idéias básicas para a elaboração das Doze Tradições de A.A.. Elas têm a finalidade de oferecer soluções para problemas da vida diária da Irmandade e, ainda, ajudar na comunicação com a comunidade, fora de Alcoólicos Anônimos. Nelas encontramos todos os assuntos relacionados com a existência de A.A. e a maneira pela qual a Irmandade pode continuar atuando dentro da sociedade em geral. As Tradições fornecem as ferramentas necessárias para a sobrevivência de A.A., ensinando as maneiras para que os alcoólicos sejam membros da Irmandade, a autonomia dos grupos, a unidade de propósitos, a não-aceitação de apoio externo, o anonimato, o profissionalismo, controvérsias públicas e auto-suficiência. Todo este conjunto de princípios deu origem às Tradições de A.A..
Se, por um lado, as Tradições significam para a Irmandade, como um todo, progresso, proteção e unidade, para os membros de A.A., que as praticam, representam uma linha de crescimento espiritual na medida em que colocam o outro em primeiro lugar e passam a valorizar o bem-estar comum.
Quando falamos de alguma coisa e usamos a expressão mundial, que abrange o mundo inteiro, por todos os cantos do mundo, fica a idéia de um certo ufanismo. Os brasileiros cantaram em prosa e verso o fato de terem o maior estádio de futebol do mundo, de serem os melhores jogadores do mundo, de fazerem o melhor carnaval do mundo, etc. Resultou que essas expressões ficaram um pouco desgastadas ainda porque foram usadas para qualificar outros aspectos da nossa terra. Mas, quando me refiro nestes termos à Irmandade de Alcoólicos Anônimos, o faço a partir de experiências pessoais. Assim, em 1991, estando a passeio, visitei o ESG da França. Fui no 21, Rue Trousseau, em Paris, e lá fui carinhosamente recebido pela chefe do serviço. Conversamos longamente sobre as características do A.A. da França e do Brasil e ela, aproveitando a oportunidade, me mostrou uma coleção de Vivência colocada numa prateleira. Eram revistas que o ESG enviava regularmente para vários escritórios de serviços gerais. Disse-me que não entendia a língua, mas que tinha uma empregada portuguesa que lia para ela os artigos das revistas. Cerca de um mês mais tarde, fui à cidade de York, na Inglaterra, para fazer, entre outras, uma visita ao GSO. Novamente, fui recebido com muita alegria, carinho e atenção, além de surpresa, naturalmente. Lá havia também uma coleção de revistas Vivência. Mostraram-me algumas publicações do GSO e, entre os companheiros que me receberam, estava um que, mais tarde, eu iria reencontrar como delegado na 11ª Reunião Mundial, realizada em Nova York.
Nesta reunião mundial, convivi com companheiros de mais de quarenta países do mundo. A agenda de trabalho era muito intensa, mas não eram menos intensas as conversas de corredor. Muita experiência foi também trocada no decorrer dos grupos de trabalho e nas refeições que juntos fizemos. Experiências muito enriquecedoras foram vividas. Ainda na referida cidade, fui a duas reuniões de grupo e pude observar que, em tudo, eram semelhantes às que fazemos aqui no nosso país.
O que aqui relato é, exatamente, fruto da existência e da prática das 12 Tradições e reflete a importância e o poder desses princípios para a vida de A.A., como instituição mundial. A importante conclusão que tirei dessas experiências aqui relatadas e de outras mais, é que somos todos, membros de A.A., um só corpo, um só organismo, integrado e uno.
Na certeza da importância dos trabalhos que aqui seriam realizados é que aceitei o convite que me foi feito pelos companheiros para participar deste ciclo de Tradições. Vim do Rio de Janeiro, fiz uma longa viagem e isso traduz a convicção que tenho da importância do estudo das tradições de A.A.. Vim trazer a minha fé nos destinos desta Irmandade mundial a partir da prática das 12 Tradições.

CICLO DO LIVRO AZUL – DR. LAÍS

CICLO DO LIVRO AZUL

Dr. Lais Marques da Silva, ex-Custódio e EX-PRESIDENTE da JUNAAB.

Os depoimentos são uma constante entre os membros da Irmandade de Alcoólicos Anônimos. Poder-se-ia até dizer que são um traço dessa verdadeira comunidade que é integrada por todos os membros de AA do mundo, hoje em torno de dois milhões de pessoas.
Os depoimentos têm o seu lado fascinante porque eles são verdadeiros presentes que oferecemos aos nossos irmãos, ou seja, às pessoas ligadas entre si por experiências comuns e por um nível elevado de compreensão. Eles são o que de melhor podemos oferecer; experiências das nossas vidas, a nossa vivência, algo que é o resultado das nossas visões, dos nossos entendimentos diante dos fatos e das lutas que se sucedem ao longo da nossa existência. E, do outro lado, estão as pessoas que recebem a nossa doação e que se encontram envolvidas por uma atmosfera densa e enriquecida pelo senso de compreensão, de amor ao próximo e com um perfeito entendimento de serem irmãos, atmosfera essa que facilita a comunicação tornando possível uma posição aberta de quem faz o depoimento e criando as condições necessárias para que os ouvem possam assimilar integralmente o conteúdo do que esta sendo transmitido. Ou seja, desenvolve-se um clima de empatia indispensável às trocas das riquezas interiores.
Aqui venho hoje também para oferecer as minhas experiências, o meu depoimento, como médico e como amigo de AA e, sobretudo, o meu entendimento de tudo o que vi, ouvi e vivi ao longo dos contatos que tive com os companheiros de AA e com o modo de viver nos grupos e dos grupos entre si.
Em meados de 1973, fui procurado por um amigo e companheiro de trabalho que me perguntou se eu conhecia o AA. Naquele tempo, o AA não só tinha membros anônimos, mas era, como instituição, quase secreta. Eu respondi que já tinha ouvido falar acerca de alcoólicos anônimos, mas não sabia exatamente o que era. Ele, mais tarde fiquei sabendo que era membro de AA, me perguntou se eu encaminharia ao AA os meus pacientes com problemas de alcoolismo. Àquela altura, eu já tinha um longo período de prática médica e toda a minha experiência mostrava apenas os sucessivos insucessos das minhas tentativas em tratar destes pacientes. Como clínico, eu vinha usando os meios terapêuticos procurando, na medida imposta por cada caso, recuperar o organismo e dar apoio emocional e encorajamento àqueles pacientes e a seus familiares. Diante das sucessivas recaídas que se seguiam a breves períodos de sobriedade, passei a recorrer a outros profissionais da área de saúde de modo a tornar mais abrangente os cuidados oferecidos a esses pacientes. Encaminhei-os, após tratamento clínico, a assistentes sociais e a psicólogos. Não obstante, as frustrações se sucederam e eu só me sentia menos mal porque as experiências dos outros colegas eram igualmente mal sucedidas e frustrantes.
Voltando à pergunta do companheiro de trabalho e membro de AA, disse a ele que não conhecia a Irmandade de Alcoólicos Anônimos, mas que ia conhece-la pelos frutos que ela iria dar e lembrei a ele que “a boa arvore não dá maus frutos e a má arvore não dá bons frutos” e que pelos frutos eu ia avaliar a irmandade da qual ele estava falando. Possuindo mente aberta, o sentimento de compaixão diante do intenso sofrimento daqueles pacientes e dos seus familiares apagava qualquer traço de presunção, arrogância ou prepotência que eu poderia ter.
Assim, procurei criar condições que facilitassem a ida destes pacientes para a cidade mais próxima onde pudessem assistir a reuniões de AA e que ficava a mais de 100 quilômetros de distância. Iam à tardinha e no dia seguinte estavam de volta, guiados pelo companheiro. Para meu alivio, eles regressavam sem problemas e isso era realmente um grande alívio porque o comportamento daquela gente, até então, era completamente imprevisível. Como tudo ia bem e tendo eu uma vida de trabalho muito intensa, me desliguei até que, cerca de seis meses depois, resolvi verificar como as coisas estavam e aí, para minha grande surpresa e alegria, constatei que todos estavam bem e que nunca mais tinham ingerido qualquer bebida alcóolica. Este era um fato inteiramente novo para mim e com características de milagre, e que estava acontecendo bem debaixo do meu nariz. Algo quase que inacreditável.
Mais tarde, o amigo e companheiro me procurou para solicitar a minha ajuda para que criássemos um grupo na cidade em que vivíamos, São Pedro da Aldeia, e que viria a ser o primeiro grupo da Região dos Lagos. Como de hábito, embora eu naquele tempo não soubesse, recorremos ao padre da cidade para solicitar o uso do salão da paróquia. Como é usual em circunstâncias como esta, contamos com a sua boa vontade e o grupo passou a funcionar naquelas instalações e lá eu ia fazer palestras aos domingos, em reuniões abertas.
A partir dessa ocasião, eu não só conhecia a doença e os doentes, mas conhecia um grupo de AA e esta foi uma nova e enriquecedora experiência que teve e terá sempre uma forte influência na minha vida, influência essa que se estenderá até os meus últimos dias.
Diante da surpreendente recuperação física, familiar e social dos meus pacientes, passei a ter um sentimento de respeito e de admiração pela Irmandade de Alcoólicos Anônimos e, depois, de curiosidade. Como eles conseguiam aquilo que parecia ser quase que impossível. Por outro lado, surpreendentemente, os grupos eram despojados de tudo que não fosse essencial ao seu funcionamento. Não havia rituais, a liberdade de cada membro era respeitada ao máximo não existindo gurus ou mentores espirituais, dogmas, códigos disciplinares e nenhuma hierarquia. Não havia um esquema de poder e nem riqueza material.
Apesar de em AA ser tudo tão diferente do resto do mundo, soube depois que, naquele tempo, que havia mais de mil grupos no Brasil e que o AA estava em quase cem países do mundo.
Ainda não refeito do choque inicial causado pela surpreendente recuperação dos pacientes, tive outras surpresas, não menos chocantes ao verificar a simplicidade e a pobreza como opção feita pelos grupos e a ausência de uma estrutura de poder. Em realidade, essa era uma instituição inteiramente diferente de tudo o que eu conhecia e com característica absolutamente sui generis.
Tocado por todas essas realidades, por esse mundo novo e diferente passei a ter pela instituição não só uma grande admiração e respeito, mas também passei a desenvolver um sentimento de compromisso com a instituição e de amizade em relação aos seus membros.
Relatei as inesperadas e inacreditáveis surpresas, os fatos inteiramente novos e desconcertantes e pode parecer que, diante da intensidade das emoções dos primeiros tempos, as coisas tenham ficado dentro de uma rotina. Mas não foi assim. Ao longo desses 26 anos de convivência, não paro de observar nova riquezas, novos mecanismos de recuperação, o como os seus membros vão chegando a um nível mais profundo de consciência, o modo pelo qual o sentimento de amor ao próximo vai se desenvolvendo. Até hoje continuo sendo surpreendido pela observação de novas e brilhantes características como se observasse uma sucessão infinita de luzes projetadas por um sem número de facetas de um gigantesco diamante, por uma poderosa fonte de luz. A Irmandade de Alcoólicos Anônimos é um mundo diferente em que identificamos constantemente uma sucessão de boas coisas, de agradáveis surpresas. É um mundo de alegria e de otimismo. É um mundo de amigos e de irmãos vitoriosos. É uma comunidade verdadeira inspirada pelo Poder Superior.

SOBRE A CODEPENDÊNCIA – DR. LAÍS

SOBRE A CODEPENDÊNCIA

Dr. Laís Marques da Silva.
Ex-Custódio e Presidente da JUNAAB.

Por um lado, é tanto um conceito psicológico como, por outro, uma importante condição humana, desconcertantemente muito comum. É também uma valiosa moldura para avaliar e tratar a família disfuncional que rodeia os dependentes químicos.
O co-dependente é alguém que deixou que o comportamento de uma outra pessoa o afetasse e que, obsessivamente, procura controlar o comportamento daquela pessoa. Compreende um modo de pensar, sentir e comportar-se em relação a si e aos que causam dor.
O comportamento do co-dependente ou os seus hábitos são autodestrutivos. Reagem em relação a pessoas que se destroem ao mesmo tempo destruindo a si mesmos. São levados a manter relações destrutivas e que não funcionam adequadamente. Esse comportamento impede o encontro da paz e da felicidade em relação à pessoa mais importante nas nossas vidas – nós mesmos. Compromete o comportamento da única pessoa que podemos controlar – nós mesmos e também da única pessoa que podemos mudar – nós mesmos. E essa pessoa precisa de ajuda.

Olhemos para um conjunto de fatos simples relacionados à co-dependência:
1. Um dependente químico raramente vive isolado;
2. Usualmente, o dependente tem um facilitador;
3. O dependente usualmente afeta de modo adverso a esposa, os filhos e os outros membros da família, além dos companheiros de trabalho e dos relacionamentos sociais e
4. A maioria das famílias de dependentes químicos exibe um padrão possível de ser reconhecido e previsível de comportamento.

Do exposto, concluímos que a co-dependência é algo muito real e que as pessoas afetadas necessitam de socorro, de cuidados, de uma terapia. Além do mais, para se ter sucesso no tratamento do dependente químico é preciso não ignorar o co-dependente que, invariavelmente, o acompanha.

Alguns traços podem ser identificados nos co-dependentes como:
1. Investem continuamente na habilidade de controlar a si e aos outros em face das sérias conseqüências adversas do convívio com o dependente químico;
2. Assumem a responsabilidade pelas necessidades dos outros e excluem a si próprios;
3. Apresentam ansiedade e distorção, nos limites da intimidade e da separação;
4. Envolvem-se nas relações com portadores de desordem da personalidade, com dependentes químicos, com outros dependentes ou outras pessoas com distúrbios dos seus impulsos;
5. Podem ser ou não vitimas de abuso físico ou sexual repetitivo;
6. Podem apresentar doenças médicas relacionadas ao estresse e
7. Permanecem numa relação primária com uma pessoa que abusa de alguma substância durante, pelo menos, dois anos sem procurar por ajuda.

Não há duvida de que o co-dependente sofre na sombra da adição.

São sintomas de dependência:
1. NEGAÇÃO. O co-dependente nega que o problema exista criando freqüentes desculpas para o dependente;
2. COMPORTAMENTO COMPULSIVO. O co-dependente tenta de tudo, como: alimentação, fumo, sexo, trabalho, etc que possa aliviar o estresse e os sentimentos de culpa e de rejeição;
3. SENTIMENTOS REPRIMIDOS. O co-dependente é portador de dor emocional e de culpa;
4. BAIXA AUTOESTIMA. O co-dependente, que vive num ambiente doloroso, sofre com a falta de autoestima e
5. COMPLICAÇÃO MÉDICA. Podem ocorrer doenças respiratórias, cardíacas e hipertensão arterial.

O tratamento do co-dependente está voltado para a sua estratégia mal adaptada para lidar com o mundo. O tratamento pode significar a diferença em viver uma vida cheia de reação ou uma vida de ação.
A família é um sistema com cada membro desempenhando um papel em relação aos demais. Quando a droga causa alterações no comportamento de um membro da família, isso afeta todos os demais membros da família. O equilíbrio é desfeito e os seus membros se adaptam para enfrentar as mudanças. O foco das atenções vai para o usuário da droga, o que torna pior o problema. Todos os membros da família começam a compartilhar de comportamentos doentios porque todos são parte do mesmo sistema, do grupo familiar.
O medo e a vergonha da família do usuário da droga podem levar ao problema da negação. Culpar a si ou a outro membro da família é errado porque ninguém causa o abuso da droga. Os membros da família ficam aborrecidos porque perderam, em parte, a sua antiga vida e sentem raiva em relação aos outros.
CUIDAR
O co-dependente pode:
1. Pensar e sentir-se responsável pelos outros, pelos seus sentimentos, pensamentos, ações, escolhas e, finalmente, pelo seu destino;
2. Sentir ansiedade, pena e culpa quando outra pessoa tem um problema;
3. Sentir-se compelido e quase forçado a ajudar a resolver o problema, oferecendo conselhos não desejados, dando sugestões, etc;
4. Sentir-se raivosa quando a sua ajuda não resulta em nada;
5. Antecipar as necessidades dos outro;
6. Questionar porque os outros não querem fazer o mesmo por ela;
7. Surpreender-se dizendo sim quando querem dizer não, fazendo coisas que realmente não querem fazer, fazendo mais do que a sua parte, fazendo coisas que as outras pessoas são capazes de fazer por elas mesmas e
8. Pensar que é mais fácil sentir e expressar raiva acerca de injustiças feitas aos outros, mais do que as injustiças feitas a elas mesmas.

BAIXA AUTOESTIMA
O co-dependente tende a:
1. Ficar com problemas, reprimido ou disfuncional;
2. Negar que a sua família esteja mal, reprimida ou disfuncional;
3. Culpar-se por tudo;
4. Assumir o controle de tudo, incluindo a maneira de pensar, sentir, olhar, agir e comportar-se;
5. Tornar-se raivoso, defensivo e indignar-se quando alguém critica o co-dependente, sendo que, usualmente, faz isso em relação a si mesmo;
6. Rejeitar elogios ou louvor;
7. Sentir-se deprimido por falta de elogios ou louvor;
8. Pensar que não são suficientemente bons;
9. Sentir rejeição;
10. Pensar de modo muito pessoal;
11. Ser vitimas de abuso sexual, físico ou emocional, de negligencia, abandono;
12. Sentir-se como vitimas;
13. Dizer que não podem fazer tudo;
14. Ter uma porção de “devias”;
15. Sentir muita culpa;
16. Ter sentimento de valor por ajudar outros e
17. Sofrer forte sentimento de perda de auto estima, de desconforto, de ter falhado diante das falhas dos outros ou ainda diante dos seus problemas.

REPRESSÃO
Muitos co-dependentes podem:
1. Permitir ser quem é;
2. Parecer rígidos e controladores e
3. Afastar sentimentos e pensamentos por se sentirem culpado.

OBCESSÃO
O co-dependente tende a:
1. Sentir-se terrivelmente ansioso acerca de problemas ou pessoas;
2. Pensar e fazer muito acerca de outra pessoa;
3. Perder o sono com problemas relacionados ao comportamento dos outros;
4. Checar as pessoas e
5. Focar toda a sua energia nos problemas dos outros.

CONTROLANDO
Muitos co-dependentes:
1. Vivenciam situações com pessoas que estão fora de controle, causando no dependente tristeza e desapontamento;
2. Não lidam com o seu medo de perda de controle;
3. Pensam que sabem melhor como as coisas deviam ser e como as pessoas deviam se comportar;
4. Tentam controlar os acontecimentos e pessoas pela impotência, culpa, coerção, ameaças, dando conselhos, manipulando, ou dominando e
5. Falham, eventualmente, nos seus esforços para provocar a raiva nas pessoas.

NEGAÇÃO
O co-dependente tende a:
1. Ignorar os problemas ou pretender que não estejam acontecendo;
2. Querer que as circunstâncias não fossem tão ruins como são;
3. Dizer a si mesmas que amanhã será melhor;
4. Manter-se ocupados de modo que não possam pensar nas coisas;
5. Tornar-se compulsivos em relação ao trabalho;
6. Comer demais;
7. Gastam compulsivamente e
8. Pretender que as coisas não estejam acontecendo.

DEPENDÊNCIA
Muitos co-dependentes:
1. Não se sentem felizes, contentes, ou em paz consigo mesmos;
2. Procuram a felicidade fora deles mesmos;
3. Agarram-se em quem ou no que pensam que pode prover felicidade;
4. Não se amam;
5. Procuram desesperadamente por amor e aprovação;
6. Freqüentemente procuram o amor de pessoas que são incapazes de amar;
7. Centram a sua vida em torno de outra pessoa;
8. Procuram relacionamentos para dar curso aos seus bons sentimentos;
9. Não acreditam que podem tomar conta delas mesmas e
10. Sentem-se embaraçados nos seus relacionamentos.

COMUNICAÇÃO POBRE
Os co-dependentes freqüentemente:
1. Culpam;
2. Ameaçam;
3. Fazem coerção;
4. Não dizem o que querem;
5. Não querem o que dizem;
6. Não sabem o que querem;
7. Tentam dizer o que eles pensam que agradará a outra pessoa e
8. Eliminam a palavra não do seu vocabulário.

LIMITES MAL DEFINIDOS
Os co-dependentes freqüentemente:
1. Dizem que não vão tolerar certos comportamentos dos outros;
2. Gradualmente aumentam a sua tolerância até que não possam tolerar fazer coisas que eles diziam que nunca fariam;
3. Permitem que os outros os machuquem;
4. Questionam por que eles ferem tanto;
5. Finalmente ficam raivosos e
6. Tornam-se totalmente intolerantes.

FALTA DE CONFIANÇA
Os co-dependentes:
1. Não confiam em si mesmos;
2. Não acreditam nos seus sentimentos;
3. Não confiam nas suas decisões;
4. Não confiam nas outras pessoas;
5. Tentam confiar em pessoas não confiáveis;
6. Pensam que Deus os abandonou e
7. Perdem a fé e a confiança em Deus.
8.
RAIVA
Muitos co-dependentes:
1. Sentem muito medo, dor e raiva;
2. Vivem com pessoas que tem muito medo, dor e raiva;
3. Tem medo da sua própria raiva;
4. Tem medo da raiva dos outros;
5. Pensam que as pessoas irão embora se a raiva entra em cena;
6. Tem medo de causar raiva nas outras pessoas e
7. Reprimem os seus sentimentos de raiva.
PROGRESSÃO
Nos últimos estágios da co-dependência, o co-dependente pode:
1. Sentir-se letárgico, deprimido, retirado e isolado;
2. Ter uma perda completa da rotina diária e da sua estrutura;
3. Abusar ou negligenciar os seus filhos e outras responsabilidades e
4. Sentir-se sem esperança.

Sem a ajuda externa, a família não tem o conhecimento nem a perspectiva necessária para se recuperar da doença. O dependente pode conseguir o tratamento de que necessita, mas a família necessita do seu próprio tratamento a fim de superar a sua patologia.
Não importando que o dependente aceite ou não o tratamento, é importante para os membros da família aprender como lidar como o problema e o estresse causado pelo abuso da droga. A unidade familiar pode ser ajudada e se recuperar, a despeito da relutância do dependente. Em realidade, o co-dependente recebendo tratamento freqüentemente faz com que o dependente também o procure. O tratamento da família de um co-dependente é uma intervenção muito importante para o propósito de fazer com que o adito aceite tratamento para o seu problema.
É importante o desligamento para a família. É desligar-se do comportamento do dependente e separá-lo da sua pessoa. Se os membros da família ajudam a pessoa a evitar as conseqüências da adição, isso ajudará o dependente a negar o problema com as drogas.
Muito da recuperação consiste em encontrar e manter um equilíbrio em todas as áreas das suas vidas. Temos que não ir muito longe em direção a qualquer lado ao medir responsabilidades nossas e dos outros. Temos que equilibrar as nossas necessidades emocionais com as nossas necessidades físicas e espirituais. Temos que balancear, dar e receber; encontrar a linha divisória entre deixar acontecer e assumir a nossa parte. Temos que aprender a resolver problemas e a aprender a viver com problemas não resolvidos. Muito da raiva vem de viver com problemas não resolvidos e tendo que conviver com a raiva causada pelos problemas não resolvidos e tendo coisas que não aconteceram como esperávamos. Necessita encontrar um equilíbrio entre deixar rolar as nossas expectativas e lembrar que somos importantes, pessoas de valor e que merecem ter vidas decentes.

CONCEITO IV – DR. LAÍS

CONCEITO IV

Dr. Lais Marques da Silva
Ex-Custódio e Presidente da JUNAAB

Através da estrutura da nossa Conferência, deveríamos manter em todos os níveis de responsabilidade um tradicional “Direito de Participação”, tomando cuidado para que a cada setor ou grupo de nossos servidores mundiais seja concedido um voto representativo em proporção correspondente à responsabilidade que cada um deve ter.

Para iniciar a exposição de um Conceito para Serviços Mundiais, no nosso caso, o Conceito IV, será necessário nos determos sobre o significado da palavra conceito. Aí é preciso que, pelo pensamento, possamos representar as características gerais daquilo que desejamos transmitir. Vemos então que estamos no mundo da abstração, das idéias. Teremos que definir, caracterizar por meio de palavras essas idéias e opiniões.
Estamos, portanto, no mundo da abstração, bem mais difícil de lidar. Enquanto que, no caso dos Passos e das Tradições, há idéias-síntese que dão clareza ao que se quer expor, como: “Os Passos são para o alcoólico viver e as Tradições são para a Irmandade viver” ou “os Passos ensinam a viver e as Tradições ensinam a conviver”, em relação aos Conceitos fica difícil condensar ou apresentar sínteses claras, como estas.
A idéia básica, existente no IV Conceito, é a da participação, entendida como ato ou efeito de participar, ou seja, de ter ou tomar parte, de associar-se pelo pensamento, pelo sentimento ou por meio de ação. A participação está relacionada às nossas necessidades espirituais e todos nós sentimos profundamente o desejo e a necessidade de tomar parte. Para isso, a Irmandade de Alcoólicos Anônimos foi idealizada como um grupamento humano, constituído por irmãos, irmanado. Temos como ideal comum, e mais importante, que a união espiritual dos membros de A.A. não permita o aparecimento de grupos de membros de primeira e de segunda classes e, para isso, entendemos que a ampla participação de todos os membros deva sempre ser assegurada.
O IV Conceito se constitui numa salvaguarda contra a autoridade absoluta, suprema. Isso porque, toda vez que se abre espaço para o aparecimento de uma autoridade absoluta, surge a tendência para um domínio excessivo, que se expande para todas as coisas, grandes e pequenas.
A experiência tem mostrado que nunca se pode colocar num grupo de pessoas toda a autoridade e em outro grupo toda a responsabilidade porque, sempre que isso ocorre, a harmonia verdadeira perde o espaço indispensável para existir e, sem ela, não há condições para viver uma vida feliz e pacífica. É aí que a participação se coloca como elemento essencial para a prevenção de situações de desgaste que contém no seu bojo o germe da desintegração, o agente que corrói a unidade. É preciso buscar sempre o equilíbrio entre autoridade e responsabilidade. Quem tem a responsabilidade por alguma coisa precisa de um grau de manobra que possibilite dar conta da responsabilidade que tem e esse poder de manobra precisa estar associado um grau de autoridade. Tudo na medida adequada, dentro da harmonia, fundamental ao bem-estar comum, à paz.
O princípio da participação faz com que nenhum grupo de membros seja colocado com autoridade absoluta sobre um outro, sendo que isso leva a uma forma incorporada de existir, entendida a palavra “incorporada” como um modo de fazer parte de um corpo. Acresce que, sendo esta característica acrescida do fato de não existir autoridade absoluta, o que resulta é uma forma horizontal de relacionamento e a inexistência de uma hierarquia, que é uma forma vertical de relacionamento comum nas instituições governamentais e, em especial, nas organizações militares.
Uma forma pela qual se manifesta o direito de participação é o direito de voto que todo membro de A.A. possui sendo que, no ato da votação, não há superiores nem inferiores.
O direito de participação é uma salvaguarda e é indispensável para evitar o mau uso e as asperezas causadas por uma autoridade suprema. Participar, por outro lado, implica em ajustar-se ao todo, ao corpo social e implica em aceitar uma saudável e necessária disciplina, pois que só assim teremos condições para nos tornarmos os “servidores de confiança” de que fala a Segunda Tradição de A.A., sem ter poderes para governar.
O ajustamento a um corpo social e a participação nas suas atividades tem uma importância fundamental para a recuperação do alcoólico e para uma significativa mudança no seu comportamento. Em primeiro lugar, o seu novo modo de ser o leva a uma forma de convivência inteiramente diferente da que tinha e que vai se tornando cada vez mais pacífica, em decorrência do crescimento espiritual que o convívio em A.A. proporciona. A participação no grupo social cria condições para uma troca de conhecimento e de experiências entre os membros de um grupo de A.A. que, por seu lado, leva a um acentuado enriquecimento de cada ser humano que, caracteristicamente, cresce espiritualmente no convívio com outros seres humanos.
É importante notar que, com o tempo, a participação evolui para uma condição mais rica e enriquecedora de relacionamento, que é a de cooperação. Aí já está presente a aceitação do outro, o reconhecimento da sua individualidade, do seu valor. Fica estabelecida uma forma de existir mais dinâmica e evoluída nos relacionamentos interpessoais que resulta em um ganho de dimensão humana significativo. Isso ocorre quando se passa para a cooperação porque o convívio entre seres humanos mostra que só coopera quem ama e só se ama quem coopera. Aí, amar o próximo, aceitar o outro como é e como irmão é de inestimável importância para o crescimento na dimensão humana, para o crescimento que todo membro de A.A. experimenta ao longo da sua convivência nos grupos.
De um ponto de partida aparentemente tão simples, de um singelo “Direito de Participação”, resulta um fato da maior importância para qualquer ser humano, que é crescer espiritualmente, ganhar dimensão humana, realizar-se dentro do seu projeto de vida, viver uma vida verdadeiramente humana e de continuo enriquecimento pessoal. Então, teremos todos a felicidade de desfrutar de uma serena sobriedade, de uma qualidade de vida que nos torna imensamente felizes em A.A. e é isso que vivenciamos intensamente em cada encontro de A.A. e por esta razão estamos hoje, aqui, vivendo as alegrias de um convívio de irmãos que se amam, que desfrutam de serena sobriedade.

CONSCIÊNCIA COLETIVA – DR. LAÍS

CONSCIÊNCIA COLETIVA

Dr. Lais Marques da Silva
Ex-Custódio e Presidente da JUNAAB

“ …um Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva”.
“…que todas as decisões importantes sejam tomadas através de discussão, votação e, sempre que possível, por substancial unanimidade”.

Introdução
Tive a excepcional oportunidade de estar presente a nove Conferências de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil. Nelas, buscaram-se caminhos para a Irmandade como um todo e procuraram-se os melhores encaminhamentos para a solução de situações que ocorreram na vida da Irmandade, encaminhamentos esses que se constituíram em fundamento para a tomada de importantes decisões. No decurso dessas grandes reuniões, os eventos se mostraram ainda mais valiosos do que o já tão significativo processo de autogestão, em si.
Todo o trabalho realizado no decurso de uma conferência é de grande valor para a vida da Irmandade não só para o momento que passa, mas é também determinante em relação aos dias futuros. É assentado num processo de caráter fundamental, que é o da busca da Consciência Coletiva. Além de sábio em si mesmo, é, sobretudo, inspirado pelo Poder Superior, poderosa fonte de iluminação, valiosa e norteadora dos destinos de centenas de milhares de seres humanos vitimados pelo mesmo demônio, o alcoolismo, e que hoje estão presentes nos grupos de Alcoólicos Anônimos, no Brasil. Mas é também igualmente importante para a existência da Irmandade de Alcoólicos Anônimos em todo o mundo no que ela representa de caminho de salvação para milhões de seres humanos, hoje sofrendo nas garras do alcoolismo.
Coloquei neste trabalho o que vi e aprendi no convívio com os companheiros de Alcoólicos Anônimos, além do resultado da minha experiência pessoal no período em que fui presidente da Junta de Custódios e da JUNAAB, ocasião em que procurei aplicar os conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, inspirado que fui pela poder da Segunda Tradição. Consciente da sua importância fundamental para os dias de hoje e para o futuro da Irmandade, coloco nas páginas desse trabalho a minha esperança de um horizonte radioso não só para os que sofrem nas garras do alcoolismo, mas para toda a humanidade.

Uma pequena história dentro de uma grande história
Há uma pequena história, muito antiga, que nos ajuda a entender a fragilidade dos seres humanos, a sua necessidade de cooperar e, sobretudo, a entender o quanto dependemos uns dos outros.
Na mitologia grega, os deuses resolveram habitar o mundo e criar a humanidade. Criaram os mortais, os seres vivos, e também as condições para a existência de todas as espécies que iriam coabitar na Terra. Encarregaram Epimeteu, cujo nome significa reflexão posterior, ou seja, aquele que só se da conta da coisa errada depois que a fez, de prover os futuros seres vivos com as qualidades necessárias à sua sobrevivência. Assim, foram dados a cada espécie os equipamentos necessários para que se alimentassem e resistissem às intempéries, como: peles, lã, carapaça, etc. e ainda para se defender uns dos outros: as garras, chifres e velocidade na corrida.
Todas as espécies foram equipadas mas, no momento de criar o homem, nada havia sobrado. Epimeteu tinha esquecido dele e, assim, o homem continuava nu e desarmado. Para que essa espécie não desaparecesse, Prometeu, cujo nome significa previdente, foi chamado pelo imprevidente irmão, Epimeteu, e encarregou-se de roubar dos deuses o fogo e as artes para dá-las aos homens. Distribuiu as artes de que dispunha mas elas não foram suficientes, em número, para dar um conjunto completo a todos os homens. Assim, deu talentos diferentes a cada um de modo que, para sobreviverem, deveriam intercambiar as suas dádivas e, portanto, cooperar entre si e o que resultou é que todos se tornaram dependentes uns dos outros. Prometeu também moldou os homens de forma mais nobre e os capacitou a caminhar de forma ereta. Desse modo, puderam se alimentar e resistir ao frio, mas continuaram não podendo se defender contra outras espécies por não possuíram armas. Mas o presente do fogo que Prometeu deu à humanidade foi mais valioso do que quaisquer um dos que haviam sido dados aos animais.
Os homens procuraram então estar reunidos para se defender dos animais e se agruparam em cidades, mas não conseguiram viver juntos porque disputavam entre si e frequentemente guerreavam uns contra os outros. Como conseqüência, dispersaram-se pela floresta e foram novamente ameaçados de extinção pelas outras espécies de animais. Dessa vez, foi o próprio Zeus, o Deus mitológico maior, que salvou os homens dotando-os de qualidades morais, de senso de justiça e de respeito a si mesmos, o que permitiu que cada um pudesse viver em coletividade com os outros. O gênero humano foi salvo e por isso, hoje, os homens vivem em comunidades e não isolados, como a maioria dos outros animais. Mas os homens continuaram frágeis e desamparados e é isso que nós somos e a nossa sobrevivência continua dependendo de que troquemos as nossas dádivas, as nossas riquezas interiores.

A vida é difícil. Encontrar o caminho que se vai trilhar na vida é difícil. O caminho tem que ser feito em solo árido e pedregoso, e machuca. Não há indicações nem avisos. Nenhuma orientação. Em realidade, cada um de nós faz o seu próprio caminho ao longo da vida e o caminho é feito tão somente ao caminhar. Mas a boa notícia é que não temos que fazer o caminho sozinhos e podemos recorrer a um poder maior que nos dá força e do qual a maioria das pessoas tem consciência. Ainda mais, na medida em que vamos fazendo o nosso caminho, podemos nos ajudar uns aos outros, intercambiando os talentos que recebemos.
Podemos trocar nossas riquezas interiores. Podemos trocar experiências, forças e esperanças. Podemos cooperar uns com os outros. Podemos nos solidarizar. Podemos ser tolerantes. Podermos ser solidários e desenvolver o amor ao próximo. Podemos nos compadecer. Podemos entender que somos irmãos. Assim, Ele não estará apenas no meio de nós, como que espalhado num grupo de seres humanos, mas entre nós. Presente a partir do nosso relacionamento fraterno. Então, teremos condições de vislumbrar o caminho e encontrar a coragem para trilhá-lo.
Como não é possível simplificar as coisas e obter respostas fáceis, é preciso pensar de modo abrangente, aceitar os mistérios e os paradoxos da vida e não desanimar ante a multidão de causas e conseqüências que são inerentes a cada experiência humana. Enfim, aceitar e valorizar o fato de que a vida é complexa.
Agora, vamos ao homem e às suas instituições. No caso do A.A., à Irmandade, como um todo. Aos serviços que definem a ação. O A.A. é uma irmandade em ação.
No mundo em que vivemos, existem as autoridades, os líderes, os governantes, os chefes, o Papa, etc. e, desde pequenos, nos acostumamos a recorrer à autoridade dos nossos pais e a essas outras autoridades. Resumindo, nos acostumamos a procurar uma orientação que vem de fora. Essas autoridades se apóiam em dogmas, em normas estabelecidas ao longo do tempo, na força da imposição, ou seja, numa estrutura de poder, que pode ser definida como a capacidade de mudar o comportamento do outro. Mas tudo isso é muito estranho ao A.A.. Ele é fruto de uma concepção muito melhor, muito mais perfeita do que isso que acabamos de ver.
Historicamente, os co-fundadores eram solicitados para dar orientações, idéias, sugestões ou até para buscar soluções para as novas realidades que iam surgindo em decorrência do fato de o A.A. ser uma Irmandade viva, em ação. Mas eles se deram conta de que as suas vidas eram finitas e de que a irmandade, tal como era, tinha que encontrar, em si mesma, os melhores caminhos para continuar viva e em ação.
Seria algo como desenvolver um processo de autogestão, gestão que vem de dentro, e esse modelo se assenta no processo de busca da consciência coletiva que se constitui no alicerce desse modelo. É a chave para o seu funcionamento, baseado no fato de que o Poder Superior se manifesta em um determinado momento da troca de riquezas interiores e de cooperação que ocorrem ao longo dessa busca da consciência coletiva.
Procurei estudar, conhecer esse processo e o que me foi possível entender, apreender, está colocado no trabalho sobre consciência coletiva. É a minha visão atual e, por certo, ainda incompleta.
Outro aspecto que gostaria de enfocar é o que revela um paradoxo. Mais presentes do que pensamos nas nossas vidas, apesar do desconforto que causam à nossa formação racionalista. Diz-se até que alguma coisa só é verdadeira quando contém o paradoxo.
É que o A.A. não muda, pois tem princípios sólidos, cuja vitalidade tem-se mostrado extraordinária ao longo de mais de 70 anos de existência. Não muda mas muda. Aí está um paradoxo.
Os animais pré-históricos que não mudaram também não mais existem e o A.A. não tem vocação para se tornar um dinossauro. O fato é que não muda na sua essência, mas se renova, se adapta e se atualiza a cada ano, porque a cada ano se repensa, se mantém com vitalidade renovada, mais especificamente, após cada Conferência.
Essa é a idéia-força que está subjacente a todo o processo da Conferência e que precisa ser identificada. Alias, é essencial que seja identificada para que os membros que dela participam tenham plena consciência da importância do trabalho que realizam.
A Conferência tem uma exterioridade, ela é bonita, mas tem, sobretudo, uma essência, um conteúdo interior maior e mais importante. Tem uma roupagem e um corpo igualmente muito bonito e, por certo, mais importante.
Um outro aspecto que é preciso destacar é que a realidade com que, a todo o momento, nos defrontamos não tem nada de simples. O mundo não é feito apenas em preto e branco, mas também de muitos tons de cinza e de todas as cores e suas nuances. A realidade se apresenta sempre sob múltiplos aspectos. Frequentemente, não somos capazes de identificar, sozinhos, toda a complexidade de uma determinada situação. Mas, se ela for analisada também por outros companheiros, aí teremos a possibilidade de, participando da busca conjunta da consciência coletiva, alargar o nosso campo de visão e conhecer melhor para melhor decidir e melhor agir.
Finalmente, vale ressaltar que, se a Conferência é colocada frente às realidades do A.A. do Brasil, isso não levará à conclusão de que resultariam irmandades muito diferentes nos diversos países do mundo. E isso porque são realizadas reuniões mundiais, a cada dois anos, de que numerosos países participam e nas quais também se busca a consciência coletiva, a integração em um só corpo, sendo que as diferenças locais apenas enriquecem o todo e o A.A. será eterno, enquanto assim funcionar.

O que é consciência coletiva?
É uma condição a que se chega por meio da participação de todos os membros que compõem um grupo, usualmente em reuniões de serviço, por meio de um processo no qual se busca o conhecimento mais completo de algum assunto ou a solução para um determinado problema que tenha sido colocado em estudo, podendo resultar em se optar por ações que, eventualmente, irão ser empreendidas.

Como se desenvolve o processo?
Dando a oportunidade e até mesmo solicitando que todos os membros presentes e participantes de uma reunião para que ofereçam as suas contribuições, tanto para o estudo de um problema quanto para a sua solução. Isto significa que ninguém deve ser excluído, que ninguém deve ficar de fora. É indispensável que o coordenador seja suficientemente hábil para conter os que procuram impor as suas vontades e pontos de vista e, para isso, deve limitar o tempo de que cada membro irá dispor para apresentar a sua contribuição e, ao mesmo tempo, será necessário oferecer aos mais retraídos a mesma oportunidade e o mesmo espaço de tempo para participar no processo de busca da consciência coletiva. Não só oferecer, mas, muitas vezes, será necessário até solicitar que os mais tímidos apresentem os seus pontos de vista. O poder coletivo, desse modo, contém o poder individual, a grandiosidade do alcoólico.
Numa primeira rodada, em que cada um dos participantes da reunião, de forma seqüencial e ordenada, expõe a sua opinião acerca do assunto em estudo, pode ocorrer que as colocações fiquem muito distantes umas das outras, mas, quando se faz uma nova rodada de opiniões na qual se busca um melhor entendimento acerca do assunto, observa-se que, após pensar e meditar por algum tempo acerca do que havia sido colocado por cada um dos companheiros, anteriormente, as opiniões então emitidas vão tendendo para uma área mais central, vão ficando menos distantes entre si, vão convergindo em torno de uma idéia ou decisão que, num certo momento, surgirá como sendo apoiada por uma substancial unanimidade. As opiniões vão gradativamente tendendo para um ponto central. Não há limitação quanto ao número necessário de rodadas nem quanto ao tempo que cada uma irá consumir. O processo deverá demorar o que for necessário. O que se verifica é que, numa primeira rodada, os companheiros usam a palavra para expressar apenas opiniões e, na maioria dos casos, as opiniões formam, no seu conjunto, uma plataforma instável. De início, as opiniões são colocadas com forte conteúdo emocional, sem uma boa base racional, sendo comum que os companheiros se expressem com paixão, que é a medida da falta de convicção, de racionalidade e a paixão pode ter origem na desconfiança, na inveja, no medo, na ira, etc. Já, numa segunda ou terceira rodadas, o que se observa, frequentemente, é que as colocações são mais elaboradas, mais estudadas, já se apresentam como convicções e ainda que, pela multiplicação das vias de abordagem, faz-se um esforço para pensar de modo mais claro e profundo sobre o assunto em tela.
Todos devem ser ouvidos, é necessário que haja ampla participação, os assuntos precisam ser estudados por completo e detalhadamente diante do fato de que as decisões a serem tomadas são sempre importantes. Esse processo pode exigir um longo tempo de participação e de maturação, um esforço prolongado por parte dos participantes, e, às vezes, é conveniente que se decida por uma parada, por um momento de relaxamento para tomar um cafezinho. O importante é que não haja pressa.
O que procuramos conhecer, tão completamente quanto possível, quando participamos de uma reunião de serviço e buscamos a consciência coletiva, são as circunstâncias que cercam a matéria em estudo, como uma forma segura de adquirir conhecimento a seu respeito. Usualmente, os participantes dos grupos têm posições sedimentadas e que se consolidaram ao longo de anos de vida acerca de tudo que nos cerca, mas frequentemente elas são equivocadas porque fruto de tradições, comportamentos, hábitos herdados, preconceitos, superstições, raivas, crenças infundadas, etc., etc. Estar com a mente aberta, ao participar da busca de conhecimento, significa aceitar que as nossas convicções pessoais, no momento em que o processo se desenvolve, ficam sem base segura e como que soltas no ar em vez de assentadas em alicerces sólidos. Assim, ficamos aptos para apreciar as novas informações e capacitados para descortinar horizontes mais largos.
Como decorrência do fato de que todos têm igual direito de participar e de opinar, resulta que o poder coletivo atua de modo a limitar o poder individual. A linguagem, o diálogo e a discussão de um determinado tema atenuam as posições conflitantes. Como todos podem interrogar, questionar e contra-argumentar, resulta que a razão supera a força e controla o exercício do poder. A linguagem tende a ser racional e as discussões pressupõem a apresentação de justificativas, de argumentos e todos devem estar abertos ao questionamento. Como nenhum companheiro detém a verdade em um sentido completo e absoluto, o processo decisório passa pela superação de diferenças e implica na convergência em torno do interesse comum e dos objetivos orientados pelos princípios de A.A., para se chegar ao consenso. As diferenças e divergências existentes podem ser superadas por meio do entendimento mútuo e diante do interesse comum.
O consenso, como forma de tomar decisões, implica em que deve haver um espaço para justificar, explicar, persuadir e convencer e que deve ser concedido a cada um dos participantes da reunião a mesma oportunidade, não cabendo dispor de força, privilégio ou autoridade especial. Portanto, não deverão existir condições para a imposição, para a violência ou para o privilégio, que são formas de exercício do poder. Entre eles não existem desigualdades em relações de poder que impeçam o livre fluxo de argumentos. A razão se sobrepõe à força e é uma das formas de controle do exercício do poder. O uso de linguagem adequada torna o ambiente racional, e nele, as discussões têm o seu fundamento na apresentação de justificativas e de argumentos num ambiente que deve ser aberto à interpelação e ao questionamento. O fato é que o “bem é a finalidade de todas as nossas ações”, como diz Sócrates no Górgias.
Ocorre, na busca da consciência coletiva, que os companheiros entrem num processo de reflexão, de flexão sobre si mesmos, que olhem para dentro, quando então, frequentemente, descobrem que não sabem tanto quanto pensavam sobre o assunto que está sendo tratado resultando que se tornem mais humildes e tolerantes e assumam atitude mais sóbria. Cada um dos companheiros presentes numa reunião de serviço exercita a sua capacidade de apreciar uma determinada questão, de desenvolver a imaginação e de cultivar a mente aberta. Assim é que funcionam as coisas no âmbito do que é humano, com a pluralidade e a relatividade essenciais que lhe são próprias. Fatos e opiniões, embora distintas, não estão necessariamente em oposição uma vez que fazem parte de uma mesma realidade. A crítica que é feita ao longo do processo é o que de melhor dispomos, como seres humanos, diante dos nossos equívocos, meditações e sonhos. Percebemos que não podemos mastigar o que já havíamos engolido e que já se tornara parte das nossas convicções, e que esse é o único modo de evoluir, de se livrar do que nos possa paralisar ou limitar o ângulo da nossa visão. Assim, ficamos abertos para novos argumentos e o que fazemos é proceder a um debate crítico, possível porque aceitamos a contribuição feita por outro companheiro. Essa atitude tem o mérito de romper qualquer resquício de preconceito, dogmatismo ou fundamentalismo.

Talvez a reunião se prolongue bastante e é possível que poucos itens de uma agenda sejam abordados ou ainda que poucas decisões sejam tomadas, mas o que é preciso ter em mente é que o processo em si é o fato mais importante e isso porque tem valor terapêutico. Ele vale, em primeiro lugar, pela evolução e pelo crescimento espiritual que propicia. É preciso abandonar o vício da rapidez, interromper a marcha acelerada e transformar a nossa frenética cultura em alguma coisa mais humana, pois a velocidade dificulta o pensamento e a reflexão. A Irmandade de Alcoólicos Anônimos não é uma empresa em que a eficiência e o uso do tempo ficam em função dos resultados esperados e dos objetivos fixados por um processo administrativo. Em Alcoólicos Anônimos, tempo não é dinheiro; é saúde, é recuperação, é crescimento espiritual, sobretudo. A Irmandade de Alcoólicos Anônimos é uma Irmandade em que todos procuram deter a sua doença e entrar num processo de cura, não física, mas psicológica e espiritual e a participação no serviço, especialmente no processo que leva à consciência coletiva, tem grande importância para a recuperação e para que se possa alcançar a serenidade. O próprio processo da busca da consciência coletiva é, pela sua natureza, uma maneira de diminuir a velocidade que impomos às nossas vidas, de evitar o estresse. Nele tudo se desenvolve sem obcessividade e cada membro participante vive um agora mais longo, mais demorado.

Por que é importante chegar à consciência coletiva?
Porque é um processo sábio, do qual não sairão vencedores nem vencidos. Porque, pela ampla participação, todos aceitam, ao final e ao cabo, e sem resistências psicológicas, as decisões que foram acordadas e ainda porque, em face da ampla participação, todos se sentem igualmente responsáveis pelas ações que serão tomadas e também pelas suas conseqüências. Numa visão maior, até mesmo pelos destinos da Irmandade de Alcoólicos Anônimos.
Ao longo do processo de busca da consciência coletiva, tudo se passa como se cada companheiro presente tivesse um fragmento de um espelho quebrado. No evoluir do processo de busca, esses fragmentos vão progressivamente sendo encaixado até que se chega a um momento em que a totalidade do espelho é reconstituída, com toda a sua beleza e brilho. É o momento em que o Poder Superior se manifesta.
O usual é que procuremos ser mais espertos e controlar uns aos outros em função de objetivos individuais ou dos interesses de pequenos grupos e isso costuma ocorrer ao nos comportarmos seguindo o modelo que recebemos no decurso das nossas vidas.
A atitude mental que se assume ao participar do processo em que se busca a consciência coletiva é a da procura da verdade em relação a uma determinada situação ou problema que está em apreciação. Ao se colocar nesta posição e abandonar a busca de provas de que está certo, o companheiro entra em contacto com uma verdade maior, transcendente, unificada e unificadora, que se manifesta no decurso do processo e, por outro lado, o desejo de buscar a verdade para uma determinada situação desperta a inspiração, cria um certo tipo de receptividade. A partir desta posição madura o companheiro se questiona se realmente o que vê é tudo que diz respeito ao problema em estudo e, usualmente, chega à conclusão de que a sua visão não é tão abrangente quanto imaginava. Passa a admitir que existem aspectos enriquecedores na visão de cada um dos outros companheiros que participam da reunião e o que há de inadequado na sua, o que traz alívio das tensões e facilita o desenvolvimento do processo. O companheiro se dá conta de que não estava tão certo quanto pensava. Ganha conhecimento acerca de aspectos do problema que não havia identificado anteriormente. Passa a ver não somente o seu lado, a sua pequena verdade, mas uma verdade maior, mais abrangente. Colocar-se neste ato de busca da consciência coletiva, de querer a verdade ou o que é mais conveniente para a solução de determinado problema, leva a renunciar ao que antes se apegava, àquilo que via como sendo a sua verdade. É estar disposto a ver além da sua perspectiva, do seu ângulo de visão. Nas relações humanas, aquele que só conhece o seu lado, em relação a um determinado assunto em estudo, sabe realmente pouco em relação a ele. Acresce ainda que, no caso de um grupo de companheiros, quando em cooperação, o todo humano que se forma é maior do que a soma das suas partes, de modo que cada membro poderá realizar, em conjunto com os outros, mais do que conseguiria se estivesse sozinho ou em grupos sem esse entendimento.
Procede-se a uma crítica racionalista e se o que chegamos como sendo o resultado da busca da consciência coletiva resistiu bem a todas as objeções, não há razões para acreditar que o resultado do trabalho não esteja correto. Se não estiver, pelo menos terá sido o que havia de melhor naquele momento. A crítica e o debate são os meios de que dispomos para chegar o mais perto possível do que é melhor para a Irmandade da Alcoólicos Anônimos.

Participar do processo que leva à consciência coletiva traz ganhos espirituais importantes para o membro de A.A., ameniza o ego e muda o seu comportamento quando, em decorrência, deixa de cultivar a separação. Acontece um importante ganho, um crescimento espiritual de grande valor para a recuperação do alcoólico.
O companheiro desiste da necessidade de vencer as pessoas com quem convive e da qual resulta, freqüentemente, em estar separado, isolado. Desiste de ser especial, diferenciado dos outros e de estar sempre com a razão, de querer que as coisas sejam do seu modo. A integração aperfeiçoa a sua individualidade, enriquece-o como indivíduo, o inclui na comunidade dos humanos e jamais diminui a sua dimensão pessoal.
Por meio da consciência coletiva, os conflitos podem ser resolvidos sem derramamento de sangue físico ou emocional e, mais ainda, com sabedoria. Sempre que se busca adequadamente chegar à consciência coletiva, os gladiadores baixam as armas e os escudos e se tornam hábeis em ouvir e entender e, sobretudo, em respeitar e aceitar os dons dos outros, bem como as suas limitações. Ao longo da busca da consciência coletiva, aceitamos que somos diferentes, mas que, por outro lado, estamos ligados aos demais membros pelas nossas feridas e pelo fato de estarmos aprendendo a lutar juntos, mais do que uns contra os outros. Os conflitos são resolvidos. Os membros aprendem a desistir de facções e de compor pequenos subgrupos. Aprendem a ouvir mutuamente e a não rejeitar.
O silêncio de quem escuta representa uma abertura, uma disponibilidade em relação ao outro. É como criar uma zona de silêncio que significa confiança no outro. Dar um lugar aos outros é indispensável para que possamos desenvolver a nossa relação existencial. A amabilidade do acolhimento, da abertura, não exclui a personalidade de quem escuta, daquele que procura o verdadeiro em meio a múltiplas verdades. Só assim se chega à plenitude do diálogo. É como viver as tarefas do mundo tais como elas se apresentam. A vida é então realizada e confirmada na concretude de cada instante, de cada dia.
A busca da consciência coletiva é uma experiência importante para por fim aos conflitos, pois, durante o processo de busca, não procuramos tirar a energia dos outros companheiros. Sempre que alguém sai vencedor, o perdedor fica deprimido, em baixa. Mas se procuramos a consciência coletiva, estaremos recebendo energia de uma outra fonte, do Poder Superior.
Não buscar a substancial unanimidade pode levar os participantes de uma reunião de serviço a encontrar um guru, um companheiro que se supõe saber de tudo ou até a um dono de grupo. Pode acontecer também que este sabe-tudo pense que os demais companheiros devam ser tratados com um rebanho de ovelhas.
Na consciência coletiva está contida a filosofia do diálogo, da relação entre os membros de AA. O que importa é uma relação desenvolvida no diálogo, na atitude existencial do face-a-face, na vibração recíproca. O diálogo assim desenvolvido abre novas perspectivas em relação ao sentido da existência humana de cada um dos membros participantes porque está voltado para um novo projeto de existência e não para um passado nostálgico. O processo da busca da consciência coletiva estabelece uma nova relação entre os membros de A.A. e, numa visão maior, entre os seres humanos.
Só seria possível pensar na libertação do alcoolismo a partir da libertação do próprio alcoólico das múltiplas prisões do seu egoísmo congênito, uma vez que a liberdade se encontra no compartilhar de experiências, forças e esperanças e no despertar do outro que ainda se encontra nas garras do alcoolismo. Os membros de A.A. não cessam de se enriquecer pela convivência com outros companheiros, cujas possibilidades são multiplicadas ao infinito pela magia dos seus poderes, sempre renovados, enquanto praticando o programa de recuperação. O amor ao próximo lhe dará a chave de todas as prisões, da própria libertação, da saída para uma nova vida.
Usualmente, ocorre uma importante mudança de comportamento em relação aos companheiros que é fundamental para o crescimento espiritual daqueles que estão em recuperação mas que, não obstante, tenham defeitos de caráter e entre eles a maldade. Aí o mal não fica apenas como um problema filosófico e religioso mas encontra um encaminhamento para a sua solução exatamente na mudança de atitude em relação aos irmãos.

O conjunto das relações sociais tende, naturalmente, ao conflito e às contradições.
Finalmente é preciso estar sempre alerta para o fato de que a fronteira entre o bem-estar, a felicidade e a alegria de vivermos numa autêntica comunidade e o conflito, o desgaste emocional e o perigo de uma recaída está em nós mesmos. Nós somos o teatro de uma luta contínua entre as forças da vida e da morte. Tudo depende do que fazemos a cada dia, a cada instante entre o bem e o mal, pois que estão estreitamente relacionados – “o inferno não é separado do paraíso senão pela espessura de um fio de cabelo”. Neste ponto, nesta escolha, está a possibilidade do surgimento de uma nova realidade, de um novo impulso que pode levar à realização plena das mais radiosas perspectivas que podemos ter a partir da infinita riqueza contida nos Legados de A.A. e, ainda, a possibilidade de que esse novo impulso abra as portas do sonho, tão necessário à própria sobrevivência, ao mesmo tempo em que abra as portas do caminho de salvação para outros alcoólicos.
A prática da Segunda Tradição é indispensável para que o conjunto de companheiros que compõem as reuniões de serviço possam chegar à solução de problemas e encontrar caminhos para a Irmandade como um todo. Essa prática determina a qualidade do trabalho realizado e os resultados das grandes reuniões, como as que ocorrem nas conferências de serviços gerais, nas inter-áreas, nas áreas, nas reuniões de distrito, etc. e até mesmo nas reuniões que contam com um menor número de companheiros, como usualmente ocorre nas reuniões de serviço dos grupos. É a aplicação prática de um conhecimento que harmoniza o conjunto das relações sociais, que naturalmente tendem ao conflito e às contradições, e evita o domínio do homem sobre o homem, além criar condições para que ocorra a emancipação humana.

Se consultada a consciência coletiva, as decisões são realistas.
A ampla participação assegura que a realidade seja conhecida nos seus mais diferentes aspectos, que nenhuma particularidade seja omitida, que nenhuma conseqüência das decisões a serem tomadas deixe de ser considerada e avaliada. O estudo resulta sempre completo porque é o resultado da soma de todas as experiências, de todas as visões. Significa que se estuda e se decide com segurança.
Freqüentemente, o nosso narcisismo nos faz sentir que somos os guardiões de uma estrutura frágil e ameaçada e que, se não fosse por nós, tudo já estaria perdido. Isso é a manifestação de que algo está errado com a nossa saúde mental e espiritual e que é preciso colocar, lado a lado, a nossa realidade com a que é percebida pelos irmãos em quem confiamos. O fato é que a verdade compartilhada é poderosa, eleva o espírito e é por isso que interagimos quando participamos das atividades do grupo ou das que são mais ligadas ao serviço. Freqüentemente a verdade é um processo, o resultado de uma relação entre nós mesmos e os outros, que dá à verdade maior clareza e brilho. Precisamos de coragem para ver a verdade, mas ela nos fortalece, e estar dentro da realidade significa não estar alienado. Ocorre uma confiança no diálogo, na busca comum da verdade.
No conjunto, o grupo sempre aprecia melhor porque inclui membros com muitos e diferentes pontos de vista e com a liberdade assegurada de expressá-los por meio do processo que busca a consciência coletiva. Incorpora-se o claro e o escuro, o sagrado e o profano, a tristeza e a alegria, a glória e a lama e é por essa razão que as decisões são bem elaboradas. Não é provável que se deixe de apreciar algum aspecto importante. Como cada membro representa um padrão de referência e, se eles são muitos, o grupo de trabalho se aproxima mais e mais da realidade. As decisões são realistas e usualmente seguras.

Não ao totalitarismo
É comum pensar que as diferenças possam sempre ser resolvidas por uma autoridade maior. No passado de cada um de nós, era costumeiro apelar para a intervenção do pai ou da mãe para o entendimento de situações e para a solução de problemas. Procura-se freqüentemente até apelar para um ditador benevolente. Mas Alcoólicos Anônimos, em favor da maturidade dos seus membros, nunca pode ser totalitário.
Nós nos acostumamos, ao longo da nossa vida, a aceitar certas formas de autoridade que sempre serviram como orientação para definir a realidade em que vivemos e, sem ela, nos sentíamos confusos e perdidos. Mas a busca da consciência coletiva passa a ser o exercício através do qual sempre, e em grupo, encontramos a orientação, conhecemos de uma maneira mais completa a realidade e, é bom acentuar, sem a necessidade de qualquer autoridade que não a do Poder Superior. No decurso do processo de busca da consciência coletiva, acontece o retorno da sensação de segurança, agora sob uma forma mais espiritualizada, a segurança espiritual.
A maneira menos primitiva de se resolverem as diferenças individuais é a de apelar para o que chamamos de democracia. Pelo voto, determina-se o lado que prevalece. A maioria governa. Mas este processo exclui as aspirações da minoria. Diferentemente, o processo de tomada da consciência coletiva inclui as aspirações da minoria. É como transcender as diferenças pessoais de modo a incluir, na mesma medida, a minoria. Entrar no processo que leva à consciência coletiva é ir além da democracia. Recorrer ao voto não é a solução. Apenas o consenso integra as minorias e, em realidade, até evita a sua formação. O processo pelo qual se chega ao consenso é uma aventura porque não se pode antecipar o que vai resultar, é algo quase místico e mágico, mas que funciona.
Durante o processo de busca da consciência coletiva, a autoridade fica descentralizada. Não há líderes e, ao mesmo tempo, todos são igualmente líderes. Há um verdadeiro “fluxo de liderança”. Os membros se sentem livres para se expressar e para oferecer as suas contribuições e o fazem no exato momento e na devida dimensão. Há lideranças. É o espírito de comunidade que lidera e não o individualismo.

O desenvolvimento da humildade
O processo de busca da consciência coletiva atenua o individualismo áspero que leva à arrogância e isso se faz por meio da limitação da participação e ao evitar preponderância e excessos – a velha prepotência e a conhecida manipulação. O poder individual só é contido, só é limitado, pelo poder coletivo. Este é um princípio fundamental. É exatamente o que acontece no processo de busca da consciência coletiva.
Desenvolve-se, nos membros do grupo de trabalho, um individualismo ameno que leva à humildade. Durante o processo, as dádivas de todos são apreciadas e também reconhecidas as próprias limitações e isso está na base da aceitação das nossas imperfeições. “Conhece-te a ti mesmo” é uma regra segura para chegar à humildade.
Nesse momento, fica muito claro que o problema não é a dependência e sim a real interdependência. Não só os membros se tornam mais humildes, mas também o grupo como um todo.

O grupo como um lugar seguro
As pessoas se tornam mais amenas quando participam do processo de busca da consciência coletiva porque se olham através das lentes do respeito. O grupo se torna um lugar seguro porque há aceitação e compreensão, e as pessoas sentem com uma intensidade nova o amor e a confiança. Desarmam-se. Passa a haver a paz e, sobretudo, os membros aprendem a fazer a paz.
É também um lugar seguro porque no grupo ninguém está tentando curar, converter ou mudar o outro e, paradoxalmente, é exatamente por isso que a evolução espiritual e comportamental e, ainda, a conversão acontecem. No grupo, as pessoas são livres para serem elas mesmas, livres para procurar a própria saúde psicológica e espiritual. Tudo isso faz do grupo um lugar seguro em que as pessoas podem abrir mão das suas defesas, das suas máscaras, dos seus disfarces. Aceitamos ser vulneráveis, expor as nossas feridas e fraquezas, e assim fazendo, aprendemos também a ser afetados pelas feridas dos outros. O amor surge nesse compartilhar e isso é possível porque abrimos mão da norma social de pretender sermos invulneráveis.
Num lugar seguro, as pessoas se desarmam e aprendem a fazer a paz, que nasce do processo de busca da consciência coletiva.

Um estado de espírito muito especial
Quando nos preparamos psicologicamente para participar de uma reunião de serviço em que se vai à busca da consciência coletiva e nos sujeitamos ao processo que leva a ela, resulta o surgimento de uma atmosfera tal que, paradoxalmente, nela as pessoas falam mais baixo e, no entanto, são mais ouvidas. Nada é agitado e não se forma o caos.
Pode haver discussão e luta, mas ela é construtiva e move-se em direção ao consenso. Em realidade, entra-se no processo de formação de uma verdadeira comunidade.
Esse estado de espírito é indispensável para que se possa estar aberto para a manifestação do Poder Superior. Para a inspiração e para a voz do Espírito Santo.
Quando nos dirigimos para uma reunião de serviço, não podemos imaginar qual será o resultado dos trabalhos nem devemos interferir nele. O processo de formação da consciência coletiva é verdadeiramente um mistério.

O estado de espírito de quem vai para uma reunião de serviço
Quando se vai para uma reunião de serviço, é preciso ter em mente que a intenção, a idéia, é levar tão somente uma contribuição, uma experiência pessoal. É preciso lembrar sempre que o todo é formado pelas partes e que cada um de nós não é senão uma parte, mas uma parte realmente importante. Cabe ainda lembrar que as nossas experiências são tanto o fruto das nossas vivências, e por isso são muito ricas, quanto limitadas à esfera pessoal. Ao mesmo tempo, precisamos ter a consciência do valor da contribuição que podemos dar, mas também a de que ela será parte de um todo, de um conjunto maior, que se formará a partir das contribuições de cada um dos que estarão presentes à reunião.
O que fica dessas considerações é que a atitude de humildade é indispensável se se deseja chegar à consciência coletiva. É aceitar que, pelo menos diante do fato de se estar frente a uma manifestação do Poder Superior, a prepotência, a arrogância, o narcisismo e a agressividade possam dar lugar à humildade e à aceitação daquilo que irá resultar da soma de todos os conhecimentos e contribuições, mas, sobretudo aceitar que ao final se chegará ao melhor caminho, à melhor solução, à melhor decisão.

O que acontece quando não se busca a consciência coletiva
Muitas coisas podem acontecer. A realidade pode ser distorcida e as conclusões ou decisões podem não ser as mais sábias ou convenientes. Parte dos que compõem o grupo pode ficar excluída dos trabalhos, por ser constituída de membros mais tímidos ou por estarem dominados pelos mais prepotentes, pelos que melhor fazem uso da palavra.
Pode ocorrer que, antes de uma reunião, os componentes do grupo procurem contactar outros membros para lhes convencer acerca das suas pretensões ou postulações ou, simplesmente, conseguir adesões ou fazer acordos. Obviamente, a consciência coletiva estará sendo manipulada e aí poderiam os mais doentes chegar ao seu “dia de glória”, pois teriam manipulado até mesmo o Poder Superior. No entanto, nessas condições, a consciência coletiva não se estabelece e Ele não fala. Talvez falem outras vozes menos divinas.
Quando não se busca a consciência coletiva, o que usualmente acontece é correr o sangue emocional e até mesmo o físico. Usualmente a luta se estabelece, mas ela não leva a nada porque é caótica, é barulhenta e não construtiva.
As agressões tornam as reuniões cansativas e os resultados são nulos ou diminutos. As reuniões se tornam tanto desagradáveis quanto improdutivas. É um conflito sem frutos e que vai para lugar nenhum. As pessoas tornam-se prisioneiras das suas raivas, dos seus ressentimentos e das suas ambições pessoais desmesuradas. Outros procuram concertar as cabeças, convencer ou curar os seus companheiros e isso, muitas vezes, pode até parece ser coisa de amor, mas o fato é que fazem isso para o seu próprio conforto, em seu favor.
É fundamental que busquemos a complementação sempre que opiniões diferentes ou contrárias às nossas forem apresentadas. Devemos buscar, nessas situações, o sentido de existir, de ser. Devemos identificar, na existência dos opostos, o sentido da complementaridade. Sempre que nos incompatibilizamos uns com os outros é porque estamos medindo forças e assumindo posições antagônicas. Se buscarmos o sentido do complementar, poderemos reverter o antagonismo e somar as nossas potencialidades em torno de um propósito comum. Desse modo, não perdendo o nosso ponto de vista, identificamos um sentido maior que é a grande manifestação da Consciência Coletiva.

A insensatez
Quando não se busca a consciência coletiva, a insensatez se estabelece no grupo. Isto é, passa-se a agir de forma contrária aos próprios interesses, de forma contrária à apontada pela razão. Exatamente ao contrário da sabedoria que está no exercício do julgamento atuando com base na experiência e no uso das informações disponíveis.
No caos e na manipulação, buscam-se as atitudes contrárias aos interesses da Irmandade de Alcoólicos Anônimos, não obstante as advertências desesperadas de alguns e da existência de alternativas melhores e viáveis. A busca da insensatez torna-se trágica e, dolorosamente, um comportamento dominante. Dominados pelas paixões, os membros do grupo abandonam o comportamento racional, tornam-se passionais. A mitologia grega tinha uma figura para representar a cegueira da razão, o desvario involuntário, de cujas conseqüências os companheiros depois se arrependem, chamada Ate, filha de Eris, deusa da discórdia e da disputa. Tomados de cega insensatez, as vítimas da deusa se tornam incapazes de realizar uma escolha racional, de distinguir entre atos morais e imorais.

Onde e como o Céu e a Terra se encontram
O homem, desde tempos imemoriais, vem procurando fazer contato com as forças criadoras, com o sagrado. Procurou lugares e objetos em que o céu e a terra se encontrassem. Concebeu a montanha e a cidade sagradas, a residência real, a árvore da vida e da imortalidade, a fonte da juventude, etc.

A idéia de que o santuário reproduz o Universo, na sua essência, passou para a arquitetura religiosa da Europa cristã e para as basílicas dos primeiros séculos, do mesmo modo que as catedrais medievais reproduziam simbolicamente a “Jerusalém celestial”.
O lugar sagrado, o “Centro”, seria a zona da realidade absoluta e lá estariam os seus símbolos: a árvore da vida e da imortalidade, a fonte da juventude, etc. daí a idéia de que a estrada que leva ao “Centro” é um “caminho difícil”. Difícil também a peregrinação aos lugares sagrados, feita em viagens cheias de perigos e realizadas por expedições heróicas. A mesma dificuldade encontra aquele que procura caminhar em direção ao seu ego, ao “Centro” do seu ser. A estrada é árdua e cheia de perigos porque representa um ritual de passagem do âmbito profano para o sagrado, do efêmero e ilusório para a realidade e para a eternidade, da morte para a vida, do homem para a divindade. Chegar ao “Centro” equivale a uma consagração; a existência profana e ilusória dá lugar a uma nova existência, a uma vida real, duradoura. Na busca da consciência coletiva o grupo de trabalho procura chegar ao “Centro”, ao ponto mais elevado.
Eu, pessoalmente, considero que é através do processo de formação da consciência coletiva, após percorrer um caminho muitas vezes trabalhoso e difícil, que estabelecemos um contato entre o céu e a terra. É por meio do processo de busca da consciência coletiva que o céu e a terra se tocam. A consciência coletiva é a voz do Poder Superior.
O conceito de substancial unanimidade e a idéia da formação de uma verdadeira comunidade centrada na busca da manifestação do Poder Superior estão na base de uma nova dimensão de divindade e permitirão que a Irmandade de Alcoólicos Anônimos se aperfeiçoe de maneira progressiva e que, por meio da busca da consciência coletiva, os seus membros conquistem a mais absoluta liberdade espiritual, ficando então livres de preconceitos e de sentimentos negativos em relação aos demais companheiros.

Finalmente
Finalmente, é necessário dar passos concretos e assumir atitudes que concorram para que sejam bem sucedidas as reuniões de serviço. Assim, ficam as seguintes sugestões:
É conveniente que os assentos sejam distribuídos em círculo ou que a mesa que se vai usar seja redonda. É uma forma de equilibração e nela não há destaques.
Evite usar as palavras “eu” e “você”. Use o “nós”, de modo a se incluir no grupo.
Dirija-se ao grupo como um todo, mesmo quando falando para apenas um dos seus componentes.
Evite ficar próximo dos mais íntimos. Isso impede a formação de grupinhos separados.
Evite a discussão paralela. Não fique falando baixo com o companheiro ao lado. Alguém pode entender como crítica.
Olhe para quem estiver usando a palavra. É uma atitude de respeito. Não fique alheio à discussão de determinado assunto enquanto se prepara para uma intervenção.
Ao se manifestar, não se afaste do que vem sendo discutido pelo grupo. De outra forma, haverá o risco de se perder o encadeamento, o raciocínio que vinha sendo desenvolvido.
Ao opinar, procure fundamentar a sua contribuição, apresentar algo de valor e não dar apenas um palpite. Diante de um palpite, os demais companheiros devem fazer perguntas como: Por quê? Quando? Onde? Etc., para forçar uma operação mental que resulte em manifestação mais elaborada.
Tenha boa vontade com os tímidos pois que, com essa atitude, irá encorajá-los a participar do grupo.
Não eleve a voz. Não se emocione. Não crie barreiras à comunicação. Não diga não concordo. Discorde sem dizer não concordo.
Às vezes, é bom lançar dúvidas para forçar a reflexão e evitar o dogmatismo.
O coordenador deve evitar o papel de chefe. Quem tem chefe é bando.
Se o grupo não evoluir, em determinado momento será bom fazer uma pausa para examinar o que está dificultando o progresso da reunião. É melhor tomar essa atitude enquanto o grupo está reunido do que deixar que as críticas ocorram depois, o que seria uma atitude desleal para com o grupo.
Os que não entendem do assunto em discussão, por vezes, se mostram lógicos e criativos e apresentam boas contribuições.
Tenha coragem de expor as suas opiniões, de oferecer sua experiência. Corra o risco de ser contestado, é natural. Não fique só na colocação das dúvidas.
Evite a palavra acho, até porque às vezes o companheiro que assim se manifesta, está mais do que convicto. Se tiver dúvidas, abra o jogo.
Seja generoso. Elogie. Estimule os companheiros do grupo.
Se estiver muito acima do grupo em determinado assunto, não dê aula. Procure fazer perguntas inteligentes que despertem idéias.
Passe a bola para poder recebê-la de volta. O processo se tornará mais dinâmico e produtivo.
Nunca procure derrotar um companheiro presente a uma reunião. Você não veio para isso. O que se espera é que contribua com a sua experiência pessoal. Lembre-se de que o companheiro derrotado em público jamais o perdoará. Isso fere muito.
Se for tímido, procure acompanhar a evolução do assunto em estudo e isso já é uma forma de participar e de evoluir.
Evite as expressões: “é claro” e “você não entendeu”. Não culpe o grupo quando não for entendido. A reunião evolui melhor dizendo: “talvez eu não tenha sido muito claro”.
Estimule todos os companheiros presentes a prestar o seu esclarecimento, a dar a sua contribuição. Por outro lado, não seja paternal. Lembre-se de que todos têm igual responsabilidade pelo êxito da reunião.
O dominador costuma usar a expressão: “ninguém quer trabalhar” e o tímido se queixa de que “não o deixam participar”. Mas a verdade é que ambos demonstram a sua imaturidade.
O objetivo de cada um é cooperar. Não cabe obedecer, uma vez que todos têm o mesmo direito de participação.
É preciso que todos ofereçam as suas contribuições, a sua experiência. Participe e não fique na posição confortável de omisso. Participe, mesmo que tenha que enfrentar dificuldade em ser ouvido.
Não se alongue em excesso. Prolixidade é manifestação de falta de clareza. Ser objetivo e sintético demonstra inteligência. Falar em demasia é, às vezes, um recurso usado por quem tem o desejo de emperrar os trabalhos do grupo.
Participar implica em assumir responsabilidade de modo que se ocorrer que um companheiro não se sentir responsável, é porque não participou, não fez parte do grupo.
Evite usar frases feitas. Não empobreça o grupo. Seja criativo.
Não se impressione com a pretensa superioridade que algum participante do grupo possa ter em relação aos outros. É indispensável que haja reciprocidade para que ocorra a participação de todos.
Não se sinta desconfortável quando demonstrar o seu entusiasmo. Participe de corpo e mente. Somos seres humanos. Estamos vivos.
Evite ser duro com os companheiros ao assumir atitudes racionais e lógicas. Ser lógico, sim, mas com amor. Igualmente, amor sem lógica é sentimentalismo, e não ajuda.
Aceite as pessoas, derrube as barreiras psicológicas. Deixe-se evoluir e contribua para a evolução dos outros. É preciso não ser impermeável e avaliar com boa vontade os pontos de vista dos companheiros. Só assim se estabelecerá um diálogo enriquecedor.
Não seja deslumbrado. As pessoas são perspicazes e críticas.
As dificuldades não devem desencorajar o grupo. É possível ir comendo o mingau quente pela beirada.
Se for inevitável a votação, que pelo menos ocorra uma longa discussão acerca do assunto de modo a alcançar uma substancial unanimidade.