Author Archives: passea

COMPARTILHANDO EXPERIÊNCIA

Compartilhando experiência…

Alcoólicos Anônimos oferece muitas alternativas de recuperação para ajudar os alcoólicos. Temos vários tipos de reuniões, uma vasta e rica literatura, a Revista Vivência, cartas aos solitários, Reuniões pela Internet, além dos serviços oferecidos aos membros pelo Terceiro Legado, para que possamos nos ajudar mutuamente e levar adiante a mensagem de A.A. aos irmãos sofredores nas garras do alcoolismo.
Nossa experiência tem mostrado que muitas pessoas pararam de beber após a leitura do livro “Alcoólicos Anônimos”, conhecido nos Estados Unidos como “Livro Grande” e no Brasil como “Livro Azul”, bem como através de outros itens de nossa literatura, incluindo a revista norte-americana e canadense “Grapevine” e a nossa Revista Vivência.
A maioria das pessoas, quando pode logo procura outros alcoólicos para com eles compartilhar suas experiências de sobriedade. Por isso nosso preâmbulo diz: “Alcoólicos Anônimos é uma Irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo”. O programa do A.A. é reconhecidamente um programa de “ajuda mútua”. Trabalhando com outros alcoólicos nos Grupos de A.A. ou em qualquer outro local possível o membro adquire apoio necessário que estava faltando. Encontra-se rodeados por outros alcoólicos que passaram por problemas semelhantes e que com ele compartilham essas experiências, forças e esperanças de solução, em busca de como viver em sobriedade. Por muitas razões, membros de A.A. não podem estar presentes nos Grupos, mas somos pessoas privilegiadas pelo Poder Superior por termos à nossa disposição outras alternativas, incluindo nossa Reunião Impressa: a Revista Vivência.
Passei por esta experiência, em 1999, quando fiz uma cirurgia e fiquei vários meses sem poder estar presente às reuniões nos Grupos de A.A.
A Revista Vivência, outros livros e livretes de nossa literatura foram minha companhia e de muita importância para continuar minha recuperação.
Agradeço todos os companheiros e companheiras que, compartilharam
comigo sua sobriedade através dos artigos da Revista Vivência.
Além disso, expresso também minha gratidão aos companheiros e companheiras que, naquela oportunidade, fizeram algumas reuniões na minha residência, uma outra alternativa que muito me ajudou.
Vinte quatro horas de serenidade e sobriedade!
Fraternalmente.

L.R. – Pedro Leopoldo MG

Vivência nº 106 – Mar./Abr. – 2007

A MENSAGEM

Fernão Capelo Gaivota

Numa praia ,

havia uma porção de gaivotas em busca de seu alimento enquanto apenas uma, sozinha, tentava voar de maneira diferente das outras, de uma forma muito especial mas não conseguia, caia. Só que nunca desistia! Tentava voar cada vez melhor!.

Quando finalmente conseguiu, descobriu o quanto se amava e o real sentido de viver! Descobriu que podia aprender a voar, ser livre!

Agora o importante não era receber elogios por sua vitória, queria apenas partilhar com seus amigos o que havia descoberto. Mas eles só lembravam de comer os restos deixados pelos pescadores, migalhas de pão e peixes velhos – pela metade.

Assim não deram importância ao amigo Fernão Capelo Gaivota, que por sua insistência em fazê-los o ouvir acabou por ser excluído do grupo, tendo que viver sozinho em um lugar muito distante.

Mas nem isso fazia Fernão ser triste. O que o entristecia era ver que seus amigos não queriam aprender a voar, aprender a ser feliz, aprender a pegar peixes frescos em cada mergulho magnífico que podiam dar.

Descobriu que o medo e o tédio são as razões porque a vida de uma gaivota é tão curta, e sem isso a perturbar-lhe viveu de fato uma vida longa e feliz.

Quando foi para uma terra longínqua conheceu Henrique que lhe ensinou muitas coisas! Porém seu mestre Henrique foi embora, coube então a Fernão Capelo Gaivota a missão de ensinar as novas gaivotas como voar.

Foi no momento em que estas gaivotas pequenas ficaram um pouco maiores, que ele percebeu que já haviam aprendido o necessário e que podiam continuar sozinhas. Então, mesmo ainda sem permissão resolveu voltar para a sua terra, tentando finalmente mostrar a felicidade de voar a seus antigos amigos.

Queria poder ensinar que o paraíso não é em um lugar nem em um tempo determinado , que o paraíso é perfeito, que está ao alcance de todos. É que basta querer que todos podem ir a qualquer lugar a qualquer momento.

Realizando os vôos que aprendera, voltou próximo a sua terra. Contudo o mais velho do grupo impediu que os demais falassem ou mesmo olhassem para Fernão. Todavia ao perceberam os seus movimentos e lembrando da antiga amizade, foram se aproximando desejando aprender a voar também.

- Pode me ensinar a voar como você? – Perguntou um deles.

- Claro. – Disse Fernão.

E começou a ensinar que o corpo é o nosso pensamento numa forma que podemos visualizar. Então para voar, basta querer! Ensinou tudo o que tinha aprendido com seu mestre amigo Henrique e mais o que aprendera sozinho ensinando as gaivotas mais novas.

- Deu certo! – Gritou uma gaivota ao conseguir voar livremente.

- Dá sempre certo quando sabemos o que estamos fazendo. – Respondeu Fernão. Assim foram passando os dias e ensinando a mais e mais gaivotas. Todas aprendiam! Umas mais devagar, outras mais rápidas, mas todas quando queriam aprendiam.

Quando novamente Fernão Capelo Gaivota percebeu que estava na hora de crescerem sozinhas, partiu para outra terra longínqua a fim de divulgar ainda mais seus movimentos. E assim foi ensinando a quem quisesse ser feliz. Seus discípulos mais tarde fizeram o mesmo, ensinando outras novas gaivotas ….()

O MENINO E AS ESTRELAS DO MAR

O MENINO E AS ESTRELAS DO MAR

Apadrinhar é como devolver as estrelas-do-mar ao oceano.

Observando a história de A.A., vemos que desde o início a experiência contida no trinômio tentativo-erro-acerto foi e é compartilhada de maneira tal que a Irmandade resiste a toda sorte de problemas, muitas vezes cruciais na morte de muitas outras sociedades.

Quando falo “compartilhada”, quero dizer que nossa experiência foi passada de uns para os outros. Tão somente devido a isso, Alcoólicos Anônimos estava funcionando, quando cheguei precisando de ajuda.
Mas como se deu esta transmissão de experiências ao longo dos anos?
Certamente pelo relacionamento entre os membros mais antigos e novos, ou seja, através do APADRINHAMENTO. Portanto, num sentido amplo, posso concluir que minha vida foi salva pelos inúmeros apadrinhamentos que houve antes de minha chegada.
Devemos dar de graça o que recebemos de graça. Para prática de nossa Quinta Tradição, precisamos, sobretudo, que a mensagem continue existindo. Para que isso aconteça, é fundamental que apadrinhemos.
Fica claro que tudo que diz respeito à sobrevivência de A.A., está intimamente ligado ao apadrinhamento.
Do apadrinhamento muitas vezes dependeu ou depende a sobrevivência de muitos de nós no programa de recuperação.
Quando penso na necessidade de apadrinhamento um a um dos que chegam, lembro-me de uma estória sobre um garoto e uma estrela-do-mar:
Um homem caminhava pela praia no inicio da manhã. Bem longe avistou um garoto que parecia dançar perto das ondas. Ao aproximar-se, observou que ele pegava estrelas-do-mar da areia e atirava de volta ao mar suavemente.
Intrigado, perguntou ao garoto por que fazia aquilo, e o garoto respondeu:
“Estou devolvendo as estrelas-do-mar ao oceano, pois o sol está subindo e a maré está baixando. Se eu deixá-las na areia, certamente irão morrer”.

O homem olhou para a vastidão do mar e disse:

“Há quilômetros de praias cobertas de estrelas-do-mar… Seu gesto não vai fazer diferença”.

O garoto abaixou-se, pegou mais uma estrela e, atirando-a carinhosamente ao mar, além da arrebentação, retrucou:

“Faz diferença pra esta aí…”

Apadrinhando o recém-chegado em todos os níveis, continuamos com nosso propósito primordial, continuamos com nossa mensagem e continuamos juntos, com mais um companheiro que, certamente, apadrinhará um dia.

(Vagner SBC)

VIVÊNCIA N° 36 JUL/AGO. 1995

O PASSO DO MILAGRE

O Passo do milagre -
(Eloy T.)

Se, simplesmente, parássemos de beber sem fazer qualquer outra coisa em nosso favor, seria como nas inúmeras vezes que paramos anteriormente – por pouco tempo.

Parar de beber, em A.A., tem um significado mais amplo e implica, conseqüentemente, em maiores responsabilidades. Parar de beber em A.A. significa buscar os meios de não voltar a beber. Devemos repetir sempre o que disse Bill W.: “Não posso afirmar que jamais beberei, mas posso afirmar que não pretendo voltar a beber”. Para tanto, é preciso que se opere em mim uma mudança. Mas, mudar o quê? Como posso saber o que mudar? Mudar o que está errado, é claro. Mas, o que está errado? Como saber as respostas para essas perguntas?

A resposta está no Quarto Passo. Preciso conhecer-me, e conhecer-me a fundo. Preciso seriamente rever o meu passado, examinar a minha conduta, estudar as minhas atitudes; preciso saber porque agia desta ou daquela maneira. Meu comportamento frente aos fatos da vida foram, constantemente, ditados por minhas virtudes e por meus defeitos. Portanto, todos os fatos e os atos são importantes e merecem ser longamente estudados à luz de demorada e repetida meditação. Devo dedicar ao Quarto Passo quantas horas forem
necessárias: dias, ou semanas, talvez. Ele (o Quarto Passo) só terá atingido seu objetivo quando eu puder afirmar: “Agora eu me conheço; sei quem sou e porque o CRIADOR me colocou neste mundo e me deu esta vida”. O Quarto Passo é o Passo do auto-conhecimento. É o destruidor da falsa imagem que projetei para minha própria satisfação. Agora sei quem sou e posso enfrentar a realidade.

Da mesma forma que o Quarto Passo nos assustou, o Quinto Passo também nos encherá de medos. Já não basta saber que não a pessoa boa que me acostumei a admirar? Terei, ainda, que mostrar aos outros, desvendar o segredo? Na verdade, os segredos que carrego comigo, por si, nenhuma importância têm, mas, se desvendados, revelarão quem verdadeiramente sou.

Mas, o Quinto Passo que Bill denominou: “O passo da reconciliação consigo mesmo”, bem poderia chamar-se “O Passo do Milagre”. Sim, do Milagre! No momento em que rompo as barreiras do medo, abro com outro o meu coração. No momento em que revelo a alguém a pessoa que sou, sem máscara ou disfarces, nesse mesmo momento, qual um milagre, tudo muda. Em um único segundo esvai-se o medo, desaparece a culpa que dá lugar ao perdão. Estou perdoado, e perdoado pelo simples propósito que tenho de mudar minha vida. Agora gosto de mim apesar de minha feiúra, de meus defeitos; esses defeitos que de agora em diante serão minha permanente preocupação. De fato, redimir-se do passado é organizar o presente com vistas ao futuro. Feito o Quinto Passo, posso afirmar: “Estou salvo”. Agora parto em busca de uma vida melhor; do encontro com um irmão, parto à procura de outros irmãos; reconciliado comigo mesmo, irei me reconciliar com todos.
Destas afirmações conscientes, nasce a nova ótica da vida e do mundo, a alegria de viver. Nada mais tenho a temer, pois adquiri a capacidade de dar e receber.

(Vivência – Nov/Dez 95)

NOSSO BEM-ESTAR COMUM

NOSSO BEM-ESTAR COMUM DEVE ESTAR EM PRIMEIRO LUGAR ; A REABILITAÇÃO INDIVIDUAL DEPENDE DA UNIDADE DE A. A.

(1ª. Tradição)
” O bem-estar comum é a base de sustentação.”

Muito se fala em A. A. sobre crescimento espiritual, mas pouco se fala de como conseguir este crescimento.
Para mim, não há crescimento espiritual sozinho, o crescimento se adquire através do outro, da maneira como vejo e aceito o outro.
A prática dos Passos me ajuda a aceitar a mim mesmo do jeito que sou e a partir daí começo a aceitar que o outro também tem o direito de ser o outro, de ser diferente, de ser ele.
Uma coisa que sempre me acompanhou desde minha chegada em A. A. foi a fé inabalável em seu programa; sem conhecer os princípios eu já tinha convicção que eles poderiam resolver qualquer problema.
A história de Bill reforçou essa convicção. À medida que fui tendo algum entendimento sobre os Passos, mais maravilhado eu ficava. Passei bom tempo falando só em Passos.
Quando ouvia algo sobre as Tradições ou lia, ficava decepcionado: – que coisa mais sem graça e essa desmotivação era forçada pelo chavão: “Tradição é para funcionamento de Grupos”, nada haver comigo, portanto.

Nota-se, de um modo geral, a grande dificuldade que tem o membro de A. A. com a prática das Tradições, chega a ser até um preconceito.
Talvez por nunca recebermos a informação correta sobre o significado dos princípios de A. A. quando chegamos ao Grupo pela primeira vez.
Eu, por exemplo, quando cheguei recebi a informação de que aqueles membros dos órgãos de serviço que falavam de Tradições estavam acabando com o A. A. e como eu poderia aceitar aqueles companheiros e o que eles falavam se eles estavam querendo acabar com aquilo que estava salvando a minha vida? Coisa mais absurda!
Mas com o passar do tempo, enquanto refletia sobre minha vida, despertei para uma palavrinha que mudou todo o rumo de minha história: a palavra GRUPO.
De repente percebi que minha vida era formada por grupos: o grupo de minha casa (minha família); o grupo do meu local de trabalho; o grupo dos colegas de futebol, e tantos outros grupos.
Veio então o seguinte raciocínio: se as Tradições são para o funcionamento de Grupos de A. A. vão servir também para os outros grupos nos quais estou inserido e comecei a buscar um entendimento melhor das nossas Tradições.
Logo na primeira tradição aparecia uma coisa nova para mim: bem-estar comum.
Eu nunca havia pensado nisso, aliás, eu nunca havia pensado no outro. O egocentrismo, a vida centrada em mim mesmo, era meu modelo de vida.
Então, logo no seu início , as Tradições começam a falar que sem levar em consideração o outro o grupo não irá em frente e para que isso aconteça é necessário que o bem-estar comum venha em primeiro lugar. Mas o que vem a ser esse bem-estar comum?
Toda coletividade, seja ela sociedade ou comunidade tem uma missão peculiar para o desempenho da qual existe, missão que lhe confere sua marca, sua característica e princípio formal e que, por assim dizer, é a sua alma.
Tal missão deve consistir evidentemente num bem (ou conjunto de bens) que deve ser conseguido mediante a atividade do ente coletivo (grupo) e de maneira que não só redunde em benefício deste ente enquanto tal (o grupo), como também beneficie, em última instância, a todos os seus membros.
Este bem (ou conjunto de bens) recebe o nome de “bonum commune”, “bem comum”. Nele se verifica uma relação recíproca: toda perfeição do conjunto significa um proveito para os membros e vice-versa, aumentando e consolidando- se o aperfeiçoamento destes, aumenta a capacidade operativa do conjunto…
Interessante esse conceito e muito diferente de minha percepção até então.
Quer dizer que o grupo é o somatório de suas partes e se essas crescem o grupo no seu todo cresce. E se a missão dos grupos em A. A. e de A. A. em seu todo é assegurar a sobriedade de seus membros e transmitir a mensagem àqueles que dela necessitam, logo a garantia de manutenção desse bem comum passa necessariamente pelo bem-estar comum de seus membros.
A manutenção, a busca constante desse bem-estar comum, bem estar do grupo, passa a ser o grande desafio a ser enfrentado por todos os grupos. Comecei então a entender o verdadeiro significado de “o bem-estar comum deve estar em primeiro lugar; tenho que abrir mão dos meus anseios e minhas vontades sempre que elas ameaçam o bem-estar do todo”.
Fácil? Não. Muito difícil. Como resolver o problema da autoridade? Quem pode ser membro? Até onde o grupo pode ir? E quanto à propriedade e sustentação?
Essa e várias outras questões ameaçam constantemente o bem comum do grupo (a
espiritualidade) e quando o bem comum do grupo está sob ameaça o indivíduo
corre sérios riscos.
Aí sim, comecei a perceber que de nada adiantaria eu tentar colocar a minha
personalidade acima dos princípios do grupo, pois o primeiro grande ameaçado
seria eu. Logo, eu teria que me contentar em calar os meus anseios tão
acalentados pela minha personalidade distorcida em benefício do bem-estar do
grupo.
E quando consigo fazer assim começo a perceber que mudanças incríveis
acontecem em mim e que o grande beneficiado por colocar o bem-estar do grupo
em primeiro lugar sou eu mesmo.
A minha vida é feita de relações com outras pessoas e quando começo a
aprender a conviver com as diferenças de cada um dentro de um grupo de A. A.
passo a entender que a prática desses princípios em outros grupos de minha
vida (família, empresa, etc.) pode me levar ao crescimento espiritual tão
falado em A. A.
Se a prática dos Passos me ensina a viver comigo mesmo e meus monstros
interiores, a prática das Tradições me ensina a conviver com as pessoas e
aceitar as suas diferenças e através disso colocar o coletivo em primeiro
lugar e me deixando com meus anseios num segundo plano e sabendo que esse
estar em segundo plano não é nenhum demérito, mas acima de tudo desenvolver
um tipo de humildade que me faz entender que o todo é mais importante que
suas partes e que para eu crescer eu preciso do todo, sozinho nada sou.
Eu não sou o outro, o outro não sou eu, mas somos um grupo, enquanto somos
capazes de diferencialmente, eu ser eu vivendo com você; você ser você,
vivendo comigo… isso é espiritualidade!
Que maravilhas podem fazer os princípios de A. A.!

Revista Vivência Nº 123 – Jan/Fev-2.010 /Antônio

NOSSAS TRADIÇÕES, SEGUNDO BILL W.

“NOSSAS TRADIÇÕES, SEGUNDO BILL W.

São um Guia para se encontrar formas melhores de trabalhar e viver em Grupo”.

1 Nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar; a reabilitação individual depende da unidade de A. A..
Sem unidade A. A. morrerá. Liberdade individual e, não obstante, uma grande unidade. A chave do paradoxo: a vida de cada A. A. depende da obediência a princípios espirituais. O grupo precisa sobreviver; caso contrário, não sobreviverá o indivíduo. O bem-estar comum vem em primeiro lugar. A melhor forma de viver e trabalhar juntos como grupos.

AS TRADIÇÕES DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

“Elas são para a sobrevivência do Grupo, aquilo que os Doze Passos de A. A. são para a sobriedade e paz de espírito de cada companheiro. ..”

Hoje, nós de A. A. estamos juntos e sabemos que vamos permanecer juntos.
Estamos em paz uns com os outros e com o mundo que nos rodeia. Por isso, muitos de nossos conflitos são resolvidos e nosso destino parece assegurado.
Os problemas de ontem têm produzido as bênçãos de hoje.
Nossa história não é uma história comum; ao contrário, é a história de como, pela Graça de Deus, uma força desconhecida tem-se levantado da grande fraqueza; de como sob ameaças de desunião e colapso, a unidade mundial e a Irmandade têm sido forjadas.
No curso desta experiência, temos desenvolvido uma série de princípios tradicionais pelos quais vivemos e trabalhamos unidos, bem como nos relacionamos como uma Irmandade para o mundo que nos rodeia.
Estes princípios são chamados de Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos.
Elas representam a experiência extraída do nosso passado e nos apoiamos nelas para nos manter em unidade, através dos obstáculos e perigos que o futuro nos possa trazer.
Não foi sempre assim. Nos primeiros dias vimos que era uma coisa para algum alcoólicos se recuperarem, mas o problema de viver e trabalhar juntos era algo mais.
Por conseguinte, foi para um futuro desconhecido que olhamos pela janela da sala de estar da casa do Dr. Bob, em 1937, quando pela primeira vez percebemos que os alcoólicos poderiam ser capazes de se recuperar em grande escala.
O mundo ao redor de nós, o mundo de pessoas mais normais, estava sendo destruído. Poderíamos nós, os alcoólicos em recuperação permanecermos juntos? Poderíamos nós levar a mensagem de A. A.? Poderíamos nós funcionar como grupos e como um todo? Ninguém poderia dizer.
Nossos amigos psiquiatras, com alguma razão começavam a nos prevenir: “Esta
Irmandade de alcoólicos é dinamite emocional. Seu conteúdo neurótico pode explodi-la em pedacinhos.”
Quando estávamos bebendo, na verdade, éramos muito explosivos. Agora que estamos sóbrios, bebedeiras secas nos farão explodir?
E foi assim, que através das tentativas e dos erros que adquirimos rica experiência. Adotamos pouco a pouco, as lições dessa experiência, primeiro como política e depois como Tradição.
Este processo ainda continua e esperamos que nunca termine.

Caso algum dia nos tornemos muito rigorosos, a letra da lei poderá esmagar o espírito da lei. Poderíamos vitimar a nós mesmos, através de regras e proibições mesquinhas; poderíamos vitimar a nós mesmos, através de regras e proibições mesquinhas; poderíamos imaginar que houvéssemos dito a ultima palavra. Poderíamos até mesmo exigir dos alcoólicos que aceitassem nossas ideais rígidas ou se mantivessem afastados. Não podemos nunca engessar o progresso desta forma, mas as lições proporcionadas pela nossa experiência são muito importantes, estamos todos convictos disso.

Grande parte do trabalho de Bill no escritório de A. A. era cuidar da correspondência. As cartas vinham em um fluxo constante desde a publicação do artigo no Saturday Evening Post. Muitas destas cartas solicitavam auxilio a formação de novos Grupos ou pediam orientações sobre os diversos problemas e circunstâncias dos Grupos existentes. A idéia de se desenvolver diretrizes para os Grupos evoluiu do continuo surgimento de perguntas
semelhantes. Esta necessidade vinha sendo discutida desde 1943, quando o escritório central começara a coletar informações e solicitara aos Grupos que enviassem uma relação das regras e requisitos referentes à filiação.

A relação consolidada recordava Bill, tinha muitas páginas e uma reflexão sobre aquelas muitas regras, levou-nos a uma assombrosa conclusão: – se todas aquelas exigências fossem imediatamente impostas por toda parte teria sido praticamente impossível para qualquer alcoólico filiar-se a A. A.
As idéias básicas para as Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos vieram diretamente desta vasta correspondência. Em fins de 1945, um grande amigo de A. A. sugeriu que toda aquela massa de experiências poderia ser codificada em um conjunto de princípios capaz de oferecer soluções comprovadas para todos os nossos problemas de convivência e trabalho conjunto e de relacionamento da nossa Irmandade com o mundo externo. A denominação “Tradições” dada a estes princípios atesta a genialidade de Bill. Se tivessem sido chamados de “leis”, “regras”, “estatutos” ou “regulamentos”, estes princípios talvez nunca fossem aceitos pelos membros. Bill conhecia muito bem seus companheiros alcoólicos: ele sabia que nenhum bêbado que se auto-respeitasse, sóbrio ou não, se submeteria docilmente a um conjunto de “leis” – isso seria autoritário demais!

Não obstante, a denominação “Tradições” só foi adotada um pouco mais tarde.
Inicialmente, Bill as chamou de “Doze Pontos para Garantir Nosso Futuro”, porque as entendia como diretrizes necessárias à sobrevivência, à unidade e à eficiência da Irmandade. Foram divulgadas pela primeira vez sob esse título em 1946 na The Grapevine.
Assim como os Passos, as Tradições não foram imaginadas antecipadamente como meios de ação contra problemas futuros. A ação veio primeiro. Não dispondo de nada em que pudessem se basear, exceto o método de tentativa, erro e nova tentativa, os Grupos pioneiros de A. A. logo descobriram: – bem, daquela maneira não funcionou, porém de outra deu certo; e essa maneira funciona ainda melhor!
Nossas Tradições são um Guia para se encontrar formas melhores de trabalhar e viver em Grupo, afirmou nosso co-fundador Bill W.: – elas são para a sobrevivência do Grupo, aquilo que os Doze Passos de A. A. são para a sobriedade e paz de espírito de cada companheiro. ..
A maioria das pessoas só consegue se recuperar se existir um Grupo. O Grupo precisa sobreviver ou o indivíduo não sobreviverá.

(Esta matéria foi extraída de trechos dos livros: A. A. Atinge a Maioridade, A Linguagem do Coração, Levar Adiante e as Doze Tradições Ilustradas como introdução do tema desta e das próximas edições, esclarecendo assim os Profissionais e Amigos de A. A.)

6a. TRADIÇÃO

UM GRUPO DE AA NUNCA DEVERÁ ENDOSSAR,FINANCIAR OU EMPRESPAR O NOME AA,
A NENHUMA ENTIDADE PARECIDA OU EMPREEDIMENTO ALHEIA,PARA EVITAR QUE PROBLEMAS DE DINHEIRO,PROPRIEDADE E PRESTÍGIO NOS AFASTEM DO NOSSO PROPÓSITO PRIMORDIAL.
Assim que vimos que havia uma resposta para o alcoolismo, Tivemos a sensação de também encontrado a solução para Muitas outras coisas .Muito de nós pensámos que os grupos de AA poderiam montar empresa, financiar qualquer tipo Demos ser nosso dever aplicar toda a influencia do nome de AA A qualquer causa meritória.
Estas são algumas das coisas com que sonhámos .Como os Hospitais não acolhiam bem os alcoólicos ,pesamos construir a Nossa própria cadeia de hospitais. As pessoas precisavam de Saber o que era o alcoolismo, por isso iríamos educar o público E até redigir de novo manuais escolares e texto médicos.
Iríamos juntar os desamparados, escolher os que poderiam Reabilitar-se e fazer com que os restantes pudessem ganhar a vida numa espécie de isolamento do tipo quarentena. Talvez pudéssemos obter destas iniciativas grandes somas de dinheiro que nos permitiram financiar outros empreendimentos sonhados. Pensámos seriamente em redigir de novo as leis do país de modo a que fosse declarado que os alcoólicos são pessoas doentes. Nunca mais seriam presos; os juízes iriam dar-lhe liberdade condicional sob nossa custódia. Iríamos estender AA
Ás zonas escuras da toxicodependência e da criminalidade. Iríamos agrupar pessoas deprimidas e paranoicas. Quando mais profundo fosse a neurose mais iríamos gostar de lidar ERA LOGICO quer se pudesse ser debelado então qualquer outro
Problema também o poderia ser. Lembremo-nos que poderíamos levar o nosso contributo até Ás fabricas e fazer com que operários e capitalistas se amassem Uns aos outros .A nossa hostilize intranquilo podaria ,em breve Sanar a politica .Apoiados na religião e na medicina poderíamos ajudar a resolver os seus conflito. Tendo aprendido A viver tão feliz, iríamos mostrar a todos a gente o caminho Para essa felicidade .Parecia evidente que a nossa sociedade de ALCOOLICO ANONIMOS poderia tornar-se na ponta de lança de uma novo progresso espiritual! Poderíamos transformar o mundo. Sim nós os AA sonhamos esse sonhos. Era natural ,já que a maioria doa alcoólicos são idealistas falhados. Quando todos Nós tínhamos alimentado altos ideias, planeado grandes Feitos e dado corpo de ideias arrojadas .Somos projecionistas Que não conseguindo a refeição .Fomos para o outro extremo e contentamo-nos com a garrafa e o esquecimento total.
A providencia através de AA e colocou ao nosso alcance as mais altas expectativas. Então por que não partilhar com os outros o nosso modo de vida? Consequentemente tentamos hospitais AA- todos fracassaram Iniciai Porque não se pode por um grupo de AA a fazer negócios; Também a educação e quanto começaram a enaltecer praticamente os méritos de tas ou daquela tendência pedagogia, as pessoas ficaram confusas .Afinal ,AA reabilitavas alcoólicos ou era um projeto educativo? Seria um movimento reformistas? Consternados, vimo-nos ligados a toda; O tipo de empresas algumas boas outras em tanto. Vendo alcoólicos confinados conta vontade a prisão ou asilos começaram a levantar bem alto a nossa voz “devido haver uma lei !”OS AA começaram a dar murros na mesa das salas das comissões legislativas e a fazer campanha por uma reforma legal o que deu lugar a bons títulos nos jornalistas pouco mais. Vimos que em breve iríamos estar atolados em politica. Mesmo no seio de AA vimos que era forçoso retirar o nome de AA dos clubes e dos centros de DOZE PASSO.
Estas peripécias implantaram em nós a convicção profunda de que em caso algum poderíamos apoiar qualquer iniciativa
Relacionada com alcoolismo por muito boa que fosse .Nós os ALCOÓLICOS ANÓNIMOS, NÃO podaríamos ser tudo para todos; nem o deveríamos tentar. Há alguns anos este princípio de “não endosso” foi submetido a um teste vital alguns das maiores companhias destiladores Resolveram entra no campo da educação sobre o álcool: Pensavam que seria bom para venda de bebidas mostrar ;Um sentido responsabilidade publica ,queriam explicar que as Bebidas deveriam ser apreciadas e não de mal usadas; Os grandes bebedores deveriam beber menos e os bebedores problema -alcoólicos não deveriam beber.
Numa das suas associações comerciais surgiu a questão de Como esta componha deviria ser conduzida .Claro que iriam utilizar os recurso da rádio empresa e cinema para difundir a Sua mensagem .Mas o tipo de pessoa deveria dirigir o trabalho? Pensaram imediatamente em alcoólicos anónimos .Se conseguissem encontrar nas nossas fileiras um bom agente de relações publicas porque não ser ele a pessoa ideal? Certamente Que reconhecia bem o problema. A sua ligação a AA seria valiosa ,uma vez que a comunidade era muito bem vista pelo Publico e não tinha um único inimigo no mundo. Rapidamente descobriram o homem indicado um AA com a experiência necessária .Ele foi logo á sede do AA em NOVA IORQUE perguntar “há alguma coisa na nossa tradição que surgiria que não devo aceitar um trabalho como esse? Parece-me adequado este tipo de educação e não é demasiado controverso. Vocês da sede veem algum problema nisso?”
Á primeira vista parecia uma coisa boa .Depois começaram surgir as duvidas .A associação queria que usar o nome completo do nosso membro em todas as sua publicidade ; Ele seria apresentado simultaneamente como o diretor de publicidade e como um membro de A alcoolismos Anónimos Claro que não poderia haver a mínima objecção se uma associação Desde contratasse um membro de AA unicamente pela sua capacidade de relação publica e pelos seu conhecimento de alcoolismo. Mas isto não Era tudo ,pois ,neste caso não só um membro de AA quebrava O seu anonimato a nível público como ligava na mente de Milhões de pessoas, o nome de alcoólico anónimo a este projeto educativo específico. Era natural que parecesse que AA agora apoiava a educação com um tipo de publicidade Das associações comerciais de bebidas. Assim que vimos este facto comprometedor exatamente ;Como ele era perguntamos aos candidato a diretor de publicidade como é que se sentia a esse respeito. “livra!” Disse ele. Claro que não posso aceitar o lugar .Antes de secar a tinta do primeiro anúncio iria ouvir-se o clamor dos protestos do abstémios. Iram andar de candeia na mão á procura de um AA honesto para defender o seu tipo de educação. AA ira meter-se exatamente no meio da polémica entre os defensores da sei seca e os defensores da sua abolição .Metade da população deste país iria pensar que apoiávamos a lei seca, a outra metade que apoiávamos os defensores da sua anulação Que confusão”!
“Apesar disso”, dissemos , a face da lei, assiste-lhe o direito De aceitar este trabalho”. “Eu sei” disse ele. Mas não é altura para legalidades. Alcoólicos Anónimos salvou a minha vida e está em primeiro lugar. Certamente que não serei eu a pôr AA em risco, que é o que iria acontecer!” Relativamente a endosso, o nosso amigo tinha dito tudo. Vimos, como nunca tínhamos visto ,que não podíamos emprestar o nome de AA a nenhuma outra causa que não Fosse a nossa.