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SEM MEDO DE ERRAR

Sem Medo de Errar

Transcrevemos. com prazer. carta do Dr. Mariano Cassavia Neto. Juiz de Direito da Comarca de Barueri. respondendo a convite do Grupo União de Carapicuíba-SP para participar de festividades do grupo.

“Este julgador é afortunado.

Pela graça dos céus. não sofre as torturantes agruras do alcoolismo.

Mas, por ironia do destino, ou por missão de sua sina, em razão de seu cargo, lida com a miséria humana.

Que não se iludam os incautos. Num fórum se tratam das doenças da sociedade. Crimes dos mais simplórios aos mais infames. Omissão do Estado em face dos mais carentes. Jactanciosa luta pelo poder. Famílias se autodilacerando.
Enfim, toda uma gama de problemas e circunstâncias suficientes para tirar o sono de qualquer homem ou mulher que se paute em fazer o bem.

Daí por que, no afã de distribuir Justiça, este julgador entrega sua juventude e sua saúde ao trabalho. E, por ter apenas o tempo de sua vida para tentar fazer alguma coisa, não pode se dar ao luxo de participar de solenidades em prejuízo do tempo de que necessita para sentenciar processos, ouvir viúvas, atender crianças órfãs, procurar entender homens presos e
buscar uma forma de cientificá-los de que, se quiserem, e somente se quiserem, poderão se tornar seres dignos de serem chamados homens.

Por vezes, tamanho o volume, tamanha a força, tamanha a dor da luta, tamanho o sofrimento, que este julgador se sente extremamente só. Descrente de uma solução. Impotente ante a injustiça. Cansado de tanta agressão. Sem forças
para continuar lutando. Triste por não conseguir enxergar o sucesso de sua batalha.

Vivo, apenas, em face da esperança que traz em sua força e sabedoria… e opera milagre!

O combalido soldado, na trincheira e em plena batalha, recebe um convite como o vosso.

E aquele pedaço de papel lembra-o imediatamente a causa pela qual deve lutar. Revigora nele a imagem da família, de seus vizinhos, da cidade em que vive, da comunidade com a qual se relaciona, de que todo homem precisa de um lugar ao sol, de uma chance de dar uma vida digna aos seus filhos, de uma companheira para amar, e para amá-lo, de uma cadeira na varanda para ver os netos brincando com seus amiguinhos na rua, de um canto para ouvir cantos, do silêncio da prece, da luz do amor entre as pessoas… enfim, do calor da vida!

Gente como vocês, que não ficam chorando na sarjeta quando o infortúnio os atinge, que fazem alguma coisa, qualquer coisa, sem medo do risco de errar, procurando acertar, e, em errando, tentando novamente até acertar, e, finalmente, acertam, são a nossa causa.

Enquanto houver uma pessoa como vocês no mundo, a destruição de Sodoma e Gomorra não se repetirá.

Cada homem e cada mulher que tiram da sarjeta é uma guerra vencida. Cada família que conseguirem reconstituir é uma vitória contra o mal.

Cada ex-presidiário que conseguirem vingar como gente como vocês, mais próximos da justiça estaremos.

Por vocês é que o Poder Judiciário existe.

Por vocês, o soldado se levanta novamente, e com a espada da verdade, e o escudo da esperança há de vencer a injustiça.

Pelo convite, mas por se fazerem presentes quando mais precisamos, nossa profunda gratidão.

Muito obrigado.

(a.) Mariano Cassavia Neto

Juiz de Direito”

SOBRIEDADE TOTAL

SOBRIEDADE TOTAL

Dr. Roberto Lucato
Advogado e Jornalista Limeira/São Paulo

Em termos de mídia, existem determinados assuntos de pouca repercussão e podemos dividi-los em dois segmentos: aqueles cujo potencial de abrangência é de fato reduzido e isto faz com que sejam menos comentados e outros curiosamente importantíssimos, porém, socialmente apresentam-se como reprováveis e assim, são jogados debaixo do tapete.
Necessariamente, os assuntos pertencentes a este segundo grupo relacionam-se com as mazelas socioeconômicas, muito discutidas em campanhas eleitorais, porém, de difícil solução, como observamos, porque não se transportam do papel à prática.
Uma destas questões é o alcoolismo e, na semana passada, passou sem maiores comentários o registro de 70 anos do A.A. mundial.
É verdade que Alcoólicos Anônimos não possui grandes credenciais em matéria de marketing, ao contrário, a Irmandade tem um sistema próprio de interagir socialmente e, obviamente constitui-se por anônimos, o que já coloca seus membros em uma interessante situação de igualdade.
De reconhecimento do problema comum, da incurabilidade da doença e finalmente, de uma disciplina que, alcançada, reconduz o alcoólico à convivência familiar e, por extensão, ao meio profissional em que, teoricamente, ele estava inserido. Mas não é devido a este conjunto de tradições que os alcoólicos desmereçam elogios e maior visibilidade entre a
opinião pública.
O fato é que, há 70 anos, o sistema de recuperação do alcoólico é eficiente; o que falta, isto sim, é um tratamento mais direto da doença e, extensiva te, do problema.
Não perderia nosso precioso tempo inserindo neste comentário estatísticas recentes e antigas sobre os avanços do alcoolismo na sociedade, especialmente entre os jovens. Basta ligarmos o televisor e lá aparecerá, a todo instante, uma dessas mulheres descomunais associando prazer à bebida, como é vinculada a sensação prazerosa – mas sem propaganda oficial – às drogas ilícitas, e isto exerce uma enorme influência entre os que defino
“seres em formação”. O que não aparece na propaganda diz respeito à progressão do consumo, e isto me parece ser uma bomba de efeito retardado porque ninguém consome uma garrafa de aguardente ou uma caixa de cerveja na primeira vez que experimenta estas bebidas.
Para chegar lá o indivíduo vai se entregando, pouco a pouco, às peregrinações do inconsciente, de um cérebro a cada dia mais voltado à necessidade de reencontrar aquela sensação. Um cérebro, também destruído, incapaz de discernir entre sensatez e irracionalidade; falido no processo de monitorar atividades diárias, avaliando o certo e o errado, o nocivo e o saudável.
Por estas e outras entendo e valorizo o A.A. como são absolutamente importantes outras organizações anônimas como CVV e NA, pois o drama da bebida parece institucionalizado.
Até se inventa um nome adequado para aceitar o alcoólico: bebedor social!
Mas tudo isso não passa de uma profunda hipocrisia. O álcool, mais do que nunca, está se incorporando em festas, travestido de estimulante. Portanto, se temos de conviver com ele, o melhor que temos a fazer é ficar atentos.
Especialmente alertas na incorporação da bebida a determinados hábitos entre as gerações que se formam, tentando afastá-lo e, naquela em que os prejuízos já se encontram visíveis e mensuráveis, encaminhá-la ao A.A..
Não é fácil este segundo expediente, pois o convencimento desta condição é o ponto de partida. O início de um encaminhamento franco e amigo, destituindo uma situação inconscientemente suportável, mas, na prática, causadora de estragos de proporções imprevisíveis, da sala de estar ao trânsito.
Que as tradições ao A.A. sejam mantidas por mais 700 anos, auxiliando na recuperação dos alcoólicos, seus empregos e fundamentalmente, do seio familiar. E tudo isso feito de uma maneira aparentemente tão simples: evitando, só por hoje, o primeiro gole.

Vivência n° 97 – Set/Out. 2005

UM DEUS AMANTÍSSIMO

“TEMÀTICA: “Um DEUS Amantíssimo que se manifesta em nossa em
nossa Consciência COLETIVA .
AUTOR: A.R.

A Filosofia de A.A.é constituída pelos TRÊS LEGADOS, a nós deixados pelos nossos primeiros membros:- RECUPERAÇÂO, UNIDADE e SERVIÇO.
Os Passos foram escritos por BILLW, em dezembro de 1939, sob inspiração divina, durante uma meia hora e constituem o nosso PROGRAMA de RECUPERAÇÂO.
As Tradições foram forjadas por BILL, Dr. BOB e os outros primeiros membros, mas em 11 anos, e fundamentam o Legado UNIDADE em nossa Irmandade.
Diz-se muito em A.A. que os Passos nos mostram como Viver: uma
Nova Maneira de Viver.As Tradições nos mostram como
Conviver: uma Nova Maneira de Viver… em GRUPO. Assim as
Tradições complementam os Passos. Elas são a segurança dos
Passos.Elas são tão importantes para nós que já na Primeira
delas encontramos: “ A REABILITAÇÃO INDIVIDUAL
DEPENDE DA UNIDADE DE A.A.”
1. A Necessidade das Tradições:
Na 10ª Tradição encontramos um exemplo de sociedade que,
não conseguindo manter sua Unidade, fracassou em sua missão
de ajudar aos alcoólatras: a sociedade Washingtoniana. Ela meteu-se
em questões alheias a ela (a abolição), em controvérsias públicas, e por isto desapareceu.
Mas deixou-nos LIÇÃO. Devemos aprender…
2 . Como era o início?
Sabemos que os nossos primeiros membros preferiram, em vez das
“SEIS ETAPAS” dos Grupos Oxford”, os nossos “DOZE PASSOS”.
Esta troca foi proposital e providencial. A palavra ETAPAS
significa PARADAS em uma caminhada enquanto que PASSOS
designa o próprio caminhar, o seguir em frente.
Com as Tradições aconteceu algo semelhante; de início, nos
Grupos Oxford, existiam as NORMAS. Normas significam regras,
imposições, lei… Nossos primeiros membros preferiram a
palavra TRADIÇÕES que são princípios fortemente arraigados
a uma sociedade, povo ou civilização (ColetâneaI, pag.99).

3. Uma visão inicial:
As Doze Tradições, que constituem o nosso legado UNIDADE,
possuem uma Tradição fundamental, endereçada só para a
Irmandade: é a Primeira. Ela é a Tradição da Unidade em A.A., por excelência. As outras onze a complementam.
As doze Tradições possuem também uma tradição fundamental para reger o relacionamento de A.A. com a Comunidade: é a Quinta Tradição: o Propósito Primordial. Fazendo uma comparação bíblica, a quinta tradição é o SAL de A.A. No dia em que o A.A. esquecê-la, perderá também a sua razão de ser.
No entanto, a tradição que foi a primeira a ser forjada e
experimentada, a tradição que é a essência, a substância espiritual
de todas as outras, foi a Décima Segunda: o ANONIMATO,
o Alicerce espiritual de A.A. (a humildade).

4. Algumas questões inúteis…
Nos termos da segunda Tradição, somente uma autoridade… um Deus
amantíssimo…. Aceitamos também a inspiração divina das
Tradições. Alguns companheiros não compreendem isto e, de maneira inútil, questionam:
Por que não colocar a Sétima Tradição em primeiro lugar, já que ela trata de finanças…e o dinheiro é a mola do mundo?
A 3ª. Tradição é que deveria vir primeiro, já que é ela que abre as portas de A.A.
A 12ª. Tradição deveria vir primeiro já que é o alicerce espiritual e foi a primeira a ser forjada.
1. A 5ª. Tradição é que deveria vir primeiro já que é o Propósito
Primordial.
A 4ª. Tradição é que deveria vir primeiro já que trata da autonomia… etc…etc…etc.
A verdade é que “Nós, AAs, não podemos ferir uma Tradição
sem ferir a todas as outras” (Coletânea I, pág. 99)
5. A Segunda Tradição
Ela nos diz que “Somente uma autoridade preside, em última análise,
ao nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que se manifesta em
nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar”.
Em sua formulação inicial, a 2ª. tradição tinha o seguinte enunciado:
“Para nosso propósito de grupo, há somente uma autoridade suprema – um Deus
amoroso que
se manifesta em consciência de grupo”.
Este é um dos maiores enigmas da Irmandade. Todos os que
nos conhecem, se perguntam, boquiabertos: De onde vem a direção de A.A.? Quem a dirige?
Na verdade, nem mesmo as CENSAAs e as ISAAs,DISTRITOS, ESLs, a JUNAAB ou a CONFERÊNCIA Não têm poderes governativos sobre os grupos e sim apenas poderes consultivos.
O texto da Segunda Tradição nos fala do Comp. John Doe que funda um Grupo, dirigi-o por certo período de tempo, mas chega a hora que os membros do Grupo pedem : “Façamos uma eleição”. A consciência coletiva do Grupo assume o controle da situação. Fica instituído o COMITÊ ROTATIVO.Este comitê è formado .de servidores de Confiança e não Senadores.
Deste modo, o A.A. terá sempre uma verdadeira
LIDERANÇA. Sobre o serviço em A.A.,duas figuras ficaram famosas :o Velho Mentor e o Velho Resmungão.
O Velho Mentor é aquele que vê a Sabedoria das decisões do Grupo e não se ressente com a diminuição de seu status no Grupo.
Sua experiência è aproveitada no Grupo.
O VELHO Resmungão acredita que o Grupo não pode subsistir sem ele. Alguns, esvaziados de todos os Princípios de A.A., acabam se embebedando.
Na Segunda Tradição ainda encontramos o exemplo de BILL, ao receber o convite do dono do Hospital de NOVA IORQUE, CHARLIE.” BILL acho uma pena você estar em tamanhas dificuldades financeiras. Porquê você não transfere seu trabalho para cá? Você pode se transformar num terapeuta leigo e terá o maior sucesso do que qualquer outro”. Ao contar isto ao Grupo, escutou: “BILL,a sua proposta nos incomoda bastante.Não percebe que você jamais poderá se transformar num profissional?” E BILL concluiu:-“Assim falou a consciência do Grupo. O grupo tinha razão . EU ouvi e GRAÇAS a DEUS obedeci.”
CONCLUSÂO:- As Tradições também não contèm nenhum “ Não pode”[ proibição]e sim DEVE, DEVEMOS, DEVERÀ [ver Tradições 1,4,6,7,8,9,10]
Diante de tamanha liberdade, não è de se estranhar a
pergunta que encontramos na Primeira Tradição: “Como consegue funcionar um bando de anarquistas?” “que coisa os mantèm unidos?”A resposta vem logo na segunda TRADIÇÂO:-“ Somente uma autoridade preside…um DEUS amantíssimo…”. Nossos lideres são apenas servidores de confiança.”

SEGUNDO ARTIGO.
Segunda Tradição: “Somente uma autoridade preside ,em última análise, ao nosso propósito comum- um Deus amantíssimo , que se manifesta em nossa ‘Consciência Coletiva’. Nossos líderes são apenas servidores de confiança ; não tem poderes para governar.
“SEGUNDA TRADIÇÃO, EQUILÍBRIO ENTRE A PRIMEIRA E A TERCEIRA TRADIÇÕES.”
Autor :- MAGNO
“Conheça a Literatura de Alcoólicos Anônimos Para Transmitir corretamente a Mensagem.”

AA tem resposta para tudo em relação a si mesmo, qualquer coisa pode e deve ser resolvida com tranqüilidade e em paz. Sempre temos que ver todos os princípios envolvidos em cada situação e não só o que salva ou defende o que está de acordo com o que eu quero, prefiro, ou é o melhor para mim.

- Vejamos, a Terceira Tradição fala da minha liberdade individual, não é verdade?
Mas até onde vai essa minha liberdade? Ela não tem limites? Ela vai até o momento que:

- Vejamos a 1 Tradição: Nosso bem estar comum deve estar em primeiro
lugar, a reabilitação individual depende da Unidade de AA.
Ao impor minha vontade (Terceira tradição, sem limites responsáveis) estou ferindo a UNIDADE o bem estar coletivo (Primeira Tradição).
Qual o espírito de AA? Qual o bom senso? Sempre devo usar eu a liberdade responsável.

Meu bem estar, minha vontade, meus desejos, minha interpretação, não devem estar acima da interpretação ou do bem estar coletivo.
Quando chegar a esse ponto crítico, onde direitos coletivos e individuais se chocam, eu indivíduo, devo ceder para que o bem estar geral permaneça vivo, para que AA. permaneça vivo.

Na dúvida, como chegar à conclusão, do limite desses dois direitos:
– Vejamos a Segunda Tradição: Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos lideres são apenas servidores de confiança, não tem poderes para governar. Alguns dirão entre outros entendimentos que essa consciência pode falhar, e isso é verdade, mas pergunto, qual o outro processo melhor? Desde que exercitada essa consciência coletiva, dentro de discussão à luz dos princípios de AA, até a exaustão e se possível chegar próximo à unanimidade.
A experiência tem demonstrado, que mesmo quando ocorra equívocos na expressão da Consciência Coletiva, o Poder Superior cuida para que no tempo devido, tudo volte ao ponto ideal e à normalidade, e como já dito não há outro meio melhor de decisão. Sendo certo que em AA não existe exclusão, nem punição ou assemelhado, não é menos certo que eu pago minha desobediência a esses princípios, se não com o voltar a beber e a morte, mas no mínimo com meu mal estar, minha depressão, minha insatisfação, minha inquietude, meu vazio, minha irritação, minha falta de paz .
Bill nos deixa bem claro: Obedecemos a esses princípios porque queremos, precisamos e gostamos do resultado que essa obediência nos traz. Ao obedecer espontaneamente eu a esses princípios, certamente estarei beneficiando a todos, mas fundamentalmente e antes de tudo a mim mesmo. Posso eu desrespeitar, uma decisão do grupo, advinda da decisão manifestada pela Consciência Coletiva desse mesmo Grupo, mas eu não devo e não faço, pois segundo meu entendimento, meu ponto de vista não deve prevalecer sobre a decisão coletiva, eu não tenho esse direito mas tenho o dever de respeitar àqueles que ainda não entenderam isso, que essa submissão de minha vontade individual às decisões coletivas são fundamentais para a sobrevivência de AA no futuro.

Esses irmãos e irmãs precisam mais de tolerância do que de críticas, mas não esqueçamos, tolerância não implica em permissividade, que elimina o mínimo de paz necessária para a recuperação e tranqüilo funcionamento de um grupo; o bem comum está na Primeira Tradição, e AA nos chama atenção para a importância da Unidade para a sobrevivência de AA. Quem analisa profundamente os Três Legados, verifica que qualquer pensamento filosofia ou sentimento amoroso, que alguém possa encontrar em qualquer literatura não oficial, AA já integrou nesses legados: os da recuperação, os da convivência e os da administração.
Estou ferindo a Primeira Tradição (a Unidade): Quando sobreponho minha vontade ao da Consciência Coletiva. Quando uso palavras ofensivas, desrespeitosas e intolerantes. Quando respondo quem procedeu como acima dito, com termos do mesmo nível. Quando levo o questionamento para o nível pessoal e não para o dos princípios e das ideais.

Para todos os questionamentos AA tem um caminho: Direitos de Participação, Decisão, Apelação e as Garantias (Doze Conceito).
Não há porque eu partir para o xingamento ou ofensas, AA me dá direitos e meios para buscar o que entendo justo, e a Consciência Coletiva é a instância final da Irmandade, mesmo que eu não goste disso, mesmo que eu não concorde com isso, porque AA assim o diz.

Se entendo, que um servidor errou ou fez algo que não aceito, que me sinto prejudicado, posso e devo pedir sua substituição, e a consciência coletiva deverá ser respeitada, mesmo que eu não concorde ou não goste de sua decisão. Os servidores de confiança, devem mais de que ninguém obedecer às decisões da Consciência Coletiva, pois se não o fizerem deixarão de ser de confiança.

Tudo isto visa que pensemos mais no coletivo do que em cada um de nós individualmente, pois sem o bem coletivo e sem a Unidade, daremos pouca oportunidade de recuperação aos membros do grupo, e esses membros são mais importantes do que eu.

As decisões importantes e que afetem a todos, sempre deverão ser feitas no fórum respectivo: Reuniões de Serviço no Grupo, Reuniões de RSGs no Distrito, Reuniões de Assembléias no CR ou na Área e na Conferência.
Essas decisões não são determinações, e muito menos autoritárias, mas são a expressão da consciência coletiva respectiva de cada setor, e a experiência nos diz, que a obediência às mesmas é o melhor caminho.

O ANONIMATO NAS CERIMÔNIAS FÚNEBRES

“O ANONIMATO NAS CERIMÔNIAS FÚNEBRES”
POR ALUÌZIO F.

O anonimato durante as cerimônias fúnebres de membros de A.A. falecidos, tem-se constituído em um problema muito sério! Talvez mais sério que qualquer outra forma de aplicação desta importantíssima Tradição de A, A! O não respeitar o anonimato de um companheiro falecido, pode envolver e/ou até comprometer uma infinidade de pessoas que, aparentemente, nada tinham a ver com a situação “anônima” do membro de nossa Irmandade e que, durante toda a sua permanência em A.A., jamais declinou a quem quer que fosse, a sua participação no programa de Alcoólicos Anônimos, até mesmo para familiares e/ou a amigos que com ele (ou ela) conviviam.
E, para melhor compreendermos esse importante assunto, mentalizemos uma pequena “história”, mas que poderá perfeitamente acontecer, se é que ainda não aconteceu, em algum lugar onde exista um grupo de A.A. em qualquer parte deste nosso planeta:
“Jayme” (nome suposto), alcoólatra em recuperação, participava há cerca de dois anos do programa de Alcoólicos Anônimos, Assíduo freqüentador das reuniões de A.A., mal orientado e/ou mal instruído, ele jamais declinara alguém, de suas relações pessoais, que era membro de nossa Irmandade. Somente a sua esposa o sabia e, a pedido dele, naturalmente não dizia a ninguém que seu marido era membro de Alcoólicos Anônimos. Jayme era um empresário muito bem postado na vida, com uma situação financeira bastante estável, próspero, já que o seu alcoolismo, embora sempre progressivo e crônico, jamais tinha afetado essa situação de sua vida, Nem mesmo os seus sócios sabiam que ele era membro de A.A., embora de um certo tempo para cá, tenham “notado” que algo de “estranho” tinha sucedido a Jayme, tanto em seu aspecto físico como também social, familiar e empresarial. Jayme se tornara – e isto há cerca de dois anos apenas – um indivíduo totalmente “diferente” daquele que mantinha sempre em sua mesa de trabalho, um “whisky para “brindar’ com os seus amigos e com as pessoas com quem tratava de negócios importantes ligados à sua sempre próspera empresa. Jayme deixara de beber de uma hora para outra!
Mas, certo dia, soa em sua grande empresa, uma triste notícia: Jayme falecera repentinamente, vítima que fora de um “enfarte agudo do miocárdio” (pelo menos fora isso o que constara em seu “atestado de Óbito”). O sentimento e a emoção tomaram conta de todos os seus amigos, funcionários e familiares, da mesma forma que entre os seus companheiros de A.A., onde ele era bastante querido – graças à sua humildade e grande dedicação ao grupo que ele sempre freqüentava.
Marcada a hora do sepultamento de Jayme, começaram a chegar não só companheiros de A.A. como também um grande número de amigos e familiares seus. Muitas coroas de flores foram-lhe enviadas como uma última homenagem de seus amigos e parentes. E dentre elas uma se destacava por seus amáveis dizeres:
“Jayme, que Deus te dê a paz que sempre almejaste! Teus companheiros de A.A.” Na hora do funeral e em meio àquela multidão de pessoas, sem nenhuma consultam à sua esposa e/ou aos seus familiares, os companheiros de A.A. ali presentes, deram-se as mãos e após um comovido e bonito necrológio improvisado por um dos companheiros e amigo de Jayme, foi mais uma vez declinada a sua condição de membro de Alcoólicos Anônimos. Em seguida e como despedida daquele querido companheiro, os membros de A.A. ali presentes, fizeram a nossa mui querida e conhecida “Oração da Serenidade”.
E o funeral de Jayme transcorreu normalmente, embora naquele clima de tristeza e muita consternação. Houve até quem, entre os companheiros, sugerisse que se colocasse em sua sepultura uma placa, um epitáfio, contendo os seguintes dizeres: “Aqui jaz um membro de A.A. Ele morreu sóbrio!” Em seguida, cobriram o caixão de Jayme com uma bandeira de A.A. Poucos dias depois expediram convites à comunidade, convidando os para a missa mandada celebrar pelo A.A. em homenagem póstuma ao “querido companheiro Jayme”. Não se precisa dizer mais nada!
E agora vem o “outro lado da história': Acontece que, dentre as pessoas presentes a todo aquele cerimonial, havia uma muito reservada e que, embora bastante comovida, manteve-se sempre arredia ao contato com os amigos e familiares daquele querido companheiro falecido. Essa pessoa, esse estranho indivíduo, era, nada menos que um filho “ilegítimo”de Jayme e que havia sido excluído de seu testamento, feito há cerca de três anos quando, no auge de seu desespero, Jayme sentia a morte bem próxima. Todas as suas tentativas para parar de beber, antes de conhecer o A.A., haviam sido frustradas. Aquele indivíduo sabia alguma coisa sobre o AA. Ele sabia, por exemplo, que Alcoólicos Anônimos é uma Irmandade que se propõe a recuperar unicamente alcoólatras. Sabia também que, para ser membro de A.A. o único requisito é a vontade de parar de beber. Porém, só naquele momento, após aquelas “cerimônias” praticadas pelos membros de A.A., ele tomou conhecimento de que o seu “pai” era membro daquela Irmandade e, portanto, alcoólatra! E tirou suas conclusões: Se ele freqüentava há apenas dois anos o A.A. e o seu “testamento” fora feito há cerca de três anos, naturalmente ele poderia ou deveria perfeitamente estar “fora de si”, bêbado, inconsciente e, portanto, sob o efeito do álcool, ao fazê-lo! Poderia até ter sido “induzido”, “orientado” ao forjá-lo. Contratou advogados, ouviram-se testemunhas, investigaram e chegaram àquelas exatas conclusões: Jayme estava alcoolizado quando, naquele memorável dia, há cerca de três anos, anunciara o seu testamento, até mesmo como um grande presente “post-mortem” aos seus familiares, aos seus filhos, principalmente. E o pior de tudo é que fizeram a exumação do cadáver e a autópsia constatou que Jayme havia morrido de “complicações do aparelho digestivo conseqüentes a seu alcoolismo crônico e progressivo”, coisas que o seu próprio médico desconhecia, já que Jayme jamais dissera a seu médico que pertencia à Irmandade de Alcoólicos Anônimos e que era alcoólatra, portanto. Logicamente que até o médico, que para evitar constrangimentos submetendo-o à uma autópsia chocante atestara “problemas cardíacos” como “causa mortis” de Jayme, fora seriamente envolvido e teve que responder a processos e submeter-se a outras implicações judiciais. E isso tudo por razões muito simples: Jayme jamais “abrira” o seu anonimato pessoal a quem quer que fosse e, além do mais, os companheiros de A.A. tomaram a si a erradíssima decisão de fazê-lo indevidamente por Jayme, desrespeitando a princípios de nossa Irmandade. E o resultado de tudo isso é que, depois de longa querela jurídica, após o envolvimento de dezenas de pessoas e até mesmo dos próprios membros de A.A., aquele “estranho” indivíduo ganhou a questão e naturalmente, graças ao A.A., que nada tinha a ver com isso, foi também incluído como herdeiro natural de Jayme, mas que havia sido “propositalmente excluído” de entre os beneficiários daquele “ingrato” e falecido pai. Aquela cerimônia simples, bem intencionada, oficiada por companheiros de A.A., mas totalmente desprovida dos conhecimentos dos princípios de nossa Irmandade, foi a responsável por toda aquela parafernália em torno do cadáver de Jayme. O anonimato de um companheiro nosso falecido, havia sido “aberto”, sem o seu prévio consentimento e muito menos do de sua esposa e/ou de seus familiares,
Daí, depois dessa “hipotética história” (?) chegamos às seguintes conclusões sobre o Anonimato nas cerimônias fúnebres de membros de Alcoólicos Anônimos falecidos:
a) Devemos tomar certas precauções e evitar “abrir’ o anonimato pessoal de companheiros nossos, falecidos, diante das pessoas presentes ao seu funeral, já que não sabemos se todos estão a par de sua condição de membro da Irmandade, alcoólatra, portanto. Por via das dúvidas, devemos consultar sempre os seus familiares sobre essa condição e pedir-lhes permissão para citá-lo, caso queiramos fazer algum NECROLOGIO que possa identificá-lo como membro de A.A. Em resumo, o anonimato de companheiros nossos, falecidos, deve ser tanto ou até mais respeitado que o dos companheiros vivos.
b) Quando da remessa de coroas de flores, devemos evitar quaisquer referências nas mesmas à participação do falecido ao programa de A.A., a não ser com o prévio consentimento da família ou cumprindo vontade expressa em vida, pelo companheiro falecido. Por via das dúvidas, por que não remetê-las simples, sentidas e saudosas, sem nenhuma referência ao nome de A.A. ou de Alcoólicos Anônimos, como o fazem as outras pessoas de seu relacionamento?

“OUVIR OS OUTROS”: RELACIONAMENTO, PLENITUDE, “CURA”

“OUVIR OS OUTROS”: RELACIONAMENTO, PLENITUDE, “CURA”!
Laurence Freeman
Monge Beneditino
Diretor da Comunidade Mundial de Meditação Cristâ

“A confiança amorosa entre os membros de A.A. é expressa na escuta paciente, de coração aberto e sem julgamento”.

Nós não somos curados para que possamos apenas continuar a viver e procurar outros deuses falsos que nos levarão ao mesmo problema anterior.
Esta atitude de fim de linha levou em tempos modernos ao abandono geral do ritual importante da cura chamado, na tradição católica, de sacramento da reconciliação ou confissão.
Para muitos hoje e recordo quando fui a ele introduzido, pode às vezes parecer uma forma sutil de compulsão religiosa. Havia um caratê mecânico mais do que orgânico no ritual e, assim nunca podia conduzir à única experiência que realmente nos muda para melhor: o autoconhecimento. Assim como acontece com o vício, uma espécie de jogo mental tinha que se instalar para manter a ilusão. Quando o jogo é finalmente exposto, dependência tem que sucumbir porque todo vício é uma tentativa enganosa de cura.
A verdade então surge e, quando ela é encontrada e sentida, e não apenas pré-arranjada ou alimentada à força, ela nos liberta.
Em anos recentes, o uso agora proibido de serviços de penitência com necessidade terapêutica profunda das pessoas ao expressar uma compreensão mais saudável do significado de pecado e perdão. O contexto de grupo comum para este poderoso sacramento entrou em conflito com o que muitos sentiam como culpa privativa e isolada, dependente de escuro confessionário. O serviço de penitência comum não negou a necessidade da dimensão individual, mas permitiu que a experiência de cura fosse sentida primeiro em comunidade.
O mero indivíduo precisa ser transformado primeiro pela comunidade numa autêntica pessoa antes que aconteça a cura.
A verdade vem pela via do paradoxo. É um paradoxo que vale a pena explorar que o famoso “anônimo” dos A.A. crie uma tão poderosa solidariedade redentora, enquanto o formalismo institucional de tanto serviço de Igreja e vida sacramental afugenta pessoas que buscam uma comunidade, para longe de seu ritual sagrado e mítico.
Mitos são as estórias que dizem a verdade de forma mais completa do que palavras comuns podem fazer. Mas os mitos fazem sentido apenas no contexto do ritual. Sem ritual, eles são como peixe numa tábua de peixaria. Transformam-se em “meros mitos” no sentido derrogatório que têm hoje para a maioria. Porém, rituais podem proporcionar o contexto certo para o mito apenas se atenderem às necessidades mais profundas das pessoas que tomam parte, tal como nossa necessidade simultânea hoje de comunidade e de contemplação.
Um ritual que se esvaziou em obrigação legal ou repetição monótona e desmotivada morre e leva o poder do mito com ele para o cemitério da história. Em comunidade, somos curados da doença do isolamento que é em si mesma, um sintoma de ilusão. O provado ‘efeito placebo’ em pesquisa médica é com freqüência deixado de lado pelos que praticam o modelo biomédico de cura. Ainda assim, tal modelo reconhece que a mente é um parceiro maior na cura da doença física. Atingida ao dispensar a ilusão, quanto mais não será nossa experiência total da verdade fator importante da saúde plena que é o verdadeiro significado da palavra ‘santidade’. Se aceitarmos uma apreciação holística da cura e perceber a cura não apenas como um meio para um fim determinado, mas como esse próprio fim, estaremos melhor posicionados para a revelação da verdade. Estaremos mais aptos a verdadeiramente conhecer Deus do que nos arvorar em falar por Ele.
Essa foi a conversão radical de São Paulo, depois de se comportar como um repulsivo fundamentalista fanático perseguindo a nova seita de cristãos, ele não se transformou apenas em mais um deles, não substituiu uma compulsão fundamentalista por outra. Pelo contrário, ele deu início a uma partida inteiramente nova, a viagem para o ‘oikumene’ de Deus. Assim, o pecado para ele, não significou mais a quebra de códigos de pureza culposa ou a correção de rituais. Era o estado do ser dividido. Ele agora viu que essa divisão explica toda falta de amor porque cria uma disfunção radical dentro da capacidade humana essencial de amar. Paulo dedicou-se a construir e sustentar a única comunidade humana de igrejas locais em que a cura do espírito pudesse funcionar melhor. Mas, assim como acontece com qualquer cristão que realmente ouve as palavras de Jesus, ele também abriu uma perspectiva maior, uma compreensão mais universal de
relacionamento.
ATENÇÃO E INTENÇÃO
Todo relacionamento, assim como cada ação ou pensamento é significativo. Ou é para curar ou será destrutivo.
Nenhum relacionamento pode ser desprezado apenas porque a pessoa não parece fazer parte de meu mundo imediato ou não é bastante importante para meus objetivos. Ignorar outra pessoa é feri-la além de incapacitar a nós mesmos no caminho da plenitude ao sucumbir na ilusão da separação.
Ouvir os outros – esta escuta é a dinâmica de cura do grupo dos Alcoólicos Anônimos – é prestar atenção a eles; e o ato de prestar atenção é um ato amoroso. A confiança amorosa entre os membros é expressa na escuta paciente, de coração aberto e sem julgamento.
Quando sentimos que somos ouvidos dessa maneira, podemos falar sem medo.
Faz diferença para todos os envolvidos no ato e essa diferença é a cura.

Vivência nº105 – Janeiro/Fevereiro/2007.

DIVIDENDOS ESPIRITUAIS DO ANONIMATO

” DIVIDENDOS ESPIRITUAIS DO ANONIMATO “

(Este artigo foi publicado na Revista “EL MENSAJE” de abril de 1977 e seu autor não está identificado).
Consta da publicação que o escritor é uma pessoa não-alcoólica, especializada no estudo do alcoolismo, e que crê que o anonimato também é bom para a sua alma.

No artigo que Bill escreveu para a Revista Grapevine “Por que Alcoólicos Anônimos é Anônimo?”, é destacado o valor do anonimato corno proteção e segurança para o grupo, em letras suficientemente grandes que permitem até a um cego enxergá-las. No artigo é dada ênfase à importância do anonimato para a sobrevivência e contínua efetividade de A.A. Igualmente interessantes para mim foram as sugestões que se encontram disseminadas nesse artigo mostrando que o anonimato não é apólice ordinária de seguros, mas uma garantia de que paga dividendos adicionais — tanto na área pessoal quanto na espiritual.
Quais são esses dividendos adicionais?
São muitos. Mas, na minha opinião, um deles está acima dos demais. Ele é a remoção da tentação de conceder nutrição ao ego moribundo, devolvendo-lhe vida. Vejamos isso mais detalhadamente.
Há entre meus colegas profissionais um importante consenso, tanto quanto como ocorre entre os membros de AA., sobre os problemas emocionais quando se chega ao fundo de poço no alcoolismo. As raízes mais profundas são apontadas como insegurança ou ansiedade, quer dizer a sensação de se sentir inadequado, inferior, ou indigno, o que conduz à sensação de ameaça a autoestima. Acredita-se que tais raízes se aprofundaram na infância.
Tomaria muitas páginas para fazer-se justiça a este ponto de vista, mas permita-me condensar esta idéia numas poucas frases.
Crê-se, para começar, que a fé em si mesmo e a fé na vida são resultado de uma profunda sensação interior de segurança e estima. Porém, nenhuma criança escapa às experiências que lhe proporcionam algum grau de insegurança emocional (atitudes que as pessoas tomam fazendo-a sentir-se ferida, enraivecida, inadequada, temerosa ou solitária). Algumas crianças podem tornar-se muito inseguras; outras, não tanto.
Muito bem, a criança se verá motivada para sobrepor-se a estas sensações penosas no mesmo grau em que esta insegurança foi produzida. Neste ponto aprenderá a construir urna sensação substituta para a segurança e estima relacionando-se com outras pessoas de diferentes formas. Experimentando e errando, na primeira situação familiar descobre as maneiras pelas quais pode sentir-se menos ansiosa, menos ameaçada, menos só e menos indigna. Pode aprender que se comportando de algumas formas que atraem atenção e apreciação (convertendo-se em uma “estrela”) pode sentir que de todas as maneiras é alguém, e ganhar, assim, um alívio temporal para sua profunda sensação de que realmente não tem muito valor. Ou, talvez, descubra que se sente menos ameaçada quando manipula e controla as pessoas que a rodeiam, ou seja que a melhor defesa é uma boa ofensiva. Se é menos senhora de si mesma, pode ganhar segurança própria apoiando-se em outros ou uma falsa segurança criando uma envoltura de reserva a seu derredor.
Qualquer estilo de conduta que pareça funcionar no sentido de fazê-la sentir-se menos insegura ou menos indigna tem a tendência de continuar. Sim, é assim, pouco a pouco irá se infiltrando na personalidade. Quando chega à idade adulta, a pessoa ainda será manejada inconscientemente para repetir os padrões de conduta que pareciam dar-lhe autoestima e segurança que necessitava nos dias de criança.
Tal parece ser o processo dinâmico que, em pessoas mais agressivas, produz as compulsões do “Grande Eu”: busca de atenção, de valorização e de prestígio pessoal, ou do poder para controlar e manejar as pessoas que as conduzam a uma posição de destaque, ao dinheiro, ou qualquer outra coisa que sirva para demonstrar de que elas realmente são personagens importantes.
Não é que os alcoólicos se comportem dessa forma muito mais do que qualquer outra pessoa normal. Estes padrões propulsores do ego são encontrados em toda a humanidade. Nossa sociedade praticamente no-las ensinam. Mas não importa que tão corriqueiros e comuns sejam, permanece o problema de que não eliminam a insegurança e por isso tais formas de comportamento não reduzem realmente a ansiedade. E o que é pior, criam-se novas tensões.
O que sucede então se uma pessoa não puder encontrar uma maneira de reduzir suas ansiedades que o levam à tensão (por exemplo, através de uma modificação nas atitudes), e se não aprendeu suficientes maneiras saudáveis de aliviar temporalmente suas tensões através de atividades tais com um hobby, jogos, atividade social, música, oração, etc.? Ver-se-á impulsado a buscar alívio dessas tensões de forma negativa. É assim que algumas pessoas encontram esse alívio no álcool.
Entretanto, os não-alcoólicos também encontram maneiras negativas. Alguns comem demasiadamente, ou trabalham demasiado, ou impulsionam demasiado sua vida. Alguns praticam a promiscuidade sexual, ou buscam o jogo, ou as drogas. Outros conseguem manter-se vivendo agitados, elétricos. etc. Outros deterioram seus corpos através das enfermidades psicossomáticas. Outros deterioram suas relações sendo extremamente possessivos. Existem muitas formas. O uso do álcool para aliviar as tensões produzidas por estes padrões substitutos é uma dessas maneiras. Mas, a mais comum, e talvez a razão pela qual isto ocorre com tantas pessoas hoje em dia, é simplesmente porque parece ser efetiva, durante algum tempo. Contudo, pode ser fatal, como muito bem sabem os alcoólicos.
O programa de A.A. funciona de forma tão efetiva, creio eu, porque coloca seu dedo na personalidade subjacente e exige a boa vontade para modificá-la. E esta a atitude de entregar a vontade e a vida a Deus, “tal corno nós O concebemos”. Quer dizer, descartam-se os antigos padrões para obter uma sensação substituta de segurança e ubiquação. Em seu lugar, o membro de A.A. aprende uma nova forma de vida que lhe proporciona o real.
Em resumo, A.A. ensina que abandonando o antigo ego, a pessoa se capacita para encontrar sua verdadeira personalidade (perdendo-se a si mesmo se encontra a si mesmo). O programa de A.A. ajuda a pessoa a deixar de lado as antigas maneiras insatisfatórias e a ajuda a desenvolver uma nova forma de vida que proporciona genuína segurança e uma sensação válida de estima própria. É esta é uma maneira que requer que o álcool não intervenha, porque sintoniza a pessoa em sua vida exatamente como a pessoa deve ser sintonizada; porque he proporciona os sentimentos e ralações que verdadeiramente a satisfazem, com valores espirituais.
Mas todos os membros de A.A. sabem, tal como minha experiência pessoal com a modificação tem me ensinado, que o antigo ego não se rende facilmente. Permita-me personificar e dizer que o antigo ego é como um mendigo ignorante e persistente. Quando o lançamos fora da porta dianteira, se introduz pela porta traseira. Despedimo-lo novamente, e ele voltará disfarçado com racionalizações, seguramente ainda mais engenhosas. As mais engenhosas de todas são os disfarces que o fazem parecer um novo ego. Por exemplo, se o poder e o controle das pessoas têm sido fatores importantes, se mascarará buscando “manejar as coisas para o bem do grupo”, mas aí está uma outra vez manejando as coisas.
As Tradições de A.A. acerca dos comitês rotativos, de que não existem autoridades, e o espírito de serviço, foi introduzido para golpear-lhe este antigo desejo de poder e controle.
De forma similar, o anonimato dá um basta ao antigo padrão da “estrela”. Se o alimento do antigo ego consistia no reconhecimento e no aplauso, não permitirá facilmente que lhe neguem esta nutrição. Novamente, seu truque engenhoso será o “bem do grupo”. Ilude ao membro para fazê-lo acreditar que não há nada de errado sempre e quando seja para o bem do grupo. Em realidade, aqueles que prestam serviços são exatamente o que o grupo necessita. Que venham a nós todos os interessados! Antes de nos darmos conta, a publicidade pessoal e o trabalho do Décimo Segundo Passo são praticamente sinônimos. E não importa que tão atrativamente se disfarcem, ainda formam parte do antigo ego. a velha busca de segurança através do reconhecimento e do prestígio. E, assim, deveria ser muito claro que qualquer iniciativa na direção dessa antiga compulsão pode reviver facilmente o antigo padrão com seu antigo vigor, e com resultados desastrosos.
Visto deste ângulo, o anonimato é, então, uma política espiritual que objetiva “não deixar ressurgir” os antigos aspectos de “estrela” do velho ego.
Tudo isto, por conseguinte, se enlaça com o Terceiro Passo. De fato, a aceitação do anonimato é a parte importante deste Terceiro Passo. Conquanto subsista uma certa inquietação quanto ao abandono do desejo de ganhar honras através de A.A., o processo do abandono é obviamente incompleto. A boa vontade para renunciar a toda idéia de utilizar a afiliação com A.A. para ganhar reconhecimento e atenção, constitui, por conseqüência, uma boa prova da medida em foi aceito o Terceiro Passo.
E a profundidade da aceitação do Terceiro Passo é uma necessidade crucial! Tal como vejo, todo o programa de A.A. se baseia na premissa de que o antigo padrão do ego deve se ir se desejamos que cresça e prospere uma nova forma de personalidade livre do álcool.
Ê claro que antes de A.A. o prestígio parecia algo bom para nós. Assim ocorreu com outros valores como o poder, a importância social e demais símbolos de “êxito”. Mas sem importar o bom sabor daquelas comidas, permanece o fato de que eram substitutos pobres e pouco nutritivos. Nenhum deles satisfazia a fome real, a fome do espírito por uma relação satisfatória e cordial com todas as pessoas e com a vida. A solução de A.A. é estabelecer a real necessidade. Quando satisfeita, não há porque existir qualquer desejo de prestígio ou de nenhum outro nutriente do antigo ego.
Em minha opinião, é isto o que faz o programa de A.A.: Conduz o alcoólico a uma forma de vida que satisfaça suas necessidades reais, O programa não só exige a eliminação do álcool (por meio do qual o alcoólico procurou sobrepor-se às deficiências de sua antiga dieta espiritual), como também pede o abandono dos nutrientes substitutos com os quais tratou em vão de alimentar seu espírito. O programa de AA. me parece, se baseia na suposição psicológica ou espiritual de que para afastar-se da garrafa é necessário também abandonar os nutrientes substitutos espirituais, como o prestígio, e substituí-los com uma dieta adequada. E a dieta que preenche realmente nossas necessidades, e que satisfaça plenamente nosso espírito, consiste na relação positiva e cordial, de todo coração, com outras pessoas, com nosso trabalho, com a vida, e com Deus.

Extraído, também, da Revista “EL MENSAJE”:
«Aqueles que adotam a eletricidade como seu poder superior termina freqüentemente necessitando tratamentos de choques elétricos.”

Tradução: Edson H.

COMPARTILHAR, AMAR, VIVER

Compartilhar, Amar, Viver!

“Levar a mensagem é dar um pouco do muito que temos recebido, sem esperar nada em troca. É compartilhar! É amar! É viver!”

O ser humano, ao longo de sua existência, sempre se direcionou a ajudar o seu semelhante, aos menos favorecidos, isto é, aos desafortunados e aos que realmente vivem à margem da sociedade por um motivo ou por outro. Coincidentemente, todas as filosofias e religiões pregam como ponto primordial, o amor ao próximo enfatizando os gestos enobrecedores da alma, dos fiéis cultivadores dos preceitos de sua filosofia ou religião – e esta atitude nos coloca mais próximos de Deus. Porém, normalmente, os necessitados beneficiados com gestos nobres e humanitários dispostos a ajudar os outros, rapidamente olvidam a ajuda recebida e se lembram de seus benfeitores somente quando, em situação difícil, precisam de ajuda novamente.

O alcoolismo sempre mereceu atenção e várias organizações humanitárias, decaídas com o tempo, chegando à extinção, mas que deixaram grandes experiências para a Irmandade de Alcoólicos Anônimos.

Usando as experiências negativas e positivas das organizações muito temos recebido ajudando-nos a levar a mensagem de A.A. que é: compartilhar, amar, viver!

A Unidade dá-nos o entendimento das Doze Tradições. Proporciona o respeito de um membro para com outro. O Serviço nos dá condições de provar aquilo que falamos, sobre nossa vida atual, na cabeceira de mesa, quando dizemos: devemos tudo a Alcoólicos Anônimos, somos felizes, reconstruímos nossas famílias, recuperamos nossos empregos e reintegramo-nos à sociedade. No capítulo sete do livro “Alcoólicos Anônimos” está evidente o melhor método para assegurar a imunidade contra a dependência alcoólica: “Trabalhando com os Outros”. Mas, para sucesso dessa prática, alguns procedimentos, são necessários, como: ter conhecimento e vivência dos princípios básicos de nossa Irmandade: Doze Passos, Doze Tradições e Doze Conceitos. Assumir uma vida exemplar em todos os ângulos: familiar, social e profissional. Só assim seremos modelos de recuperação. Manter a “linguagem do coração” sem conotação religiosa ou reformista. Não nos
envolvermos em questões médicas ou científicas sobre o alcoolismo, demonstrando profissionalismo. No entanto, devemos acompanhar a evolução dos povos em todos os sentidos.

Então devemos entender que: “Trabalhando com os Outros” é compartilhar, amar e viver! Não medindo esforços para ajudar seu semelhante. É, enfim, saber responder a esta pergunta: – E eu? Já estou fazendo a minha parte?

(Anônimo/Curitiba/PR)

Vivência – Março/Abril 2006

A REPARAÇÃO ERA PARA MIM?

A Reparação era para mim ?

Para este alcoólico, fazer reparações pelos danos causados era uma limpeza necessária.
No começo de minha sobriedade, durante aqueles primeiros doloridos e quase insanos meses – até mesmo anos – freqüentando a Irmandade e conseguindo chegar a um acordo com a minha irrascível e crônica personalidade alcoólica, existia pendurado, atrás da porta da sala de minha casa, um grande sobretudo preto onde estava escrita a palavra “culpa”. Sempre que eu chegava em casa, tirava aquele casaco do cabide e o vestia. Da forma como ele se amoldava perfeitamente em mim, não podia haver dúvida alguma sobre a quem ele pertencia. Eu me sentia perdido sem ele.
Mesmo hoje, depois de tantos anos, eu não estou absolutamente certo sobre quem teria sido o primeiro a pendurá-lo ali. Se foi a minha própria culpa, mais o remorso pela minha arrogante existência alcoólica ou, talvez, a total falta de respeito de minha família por um marido e pai que sempre quebrava toda e qualquer promessa que fizesse. Provavelmente, foi uma combinação das duas coisas.
Ficar sóbrio era como despertar de um frenético pesadelo sem fim e ao acordar ver no pesadelo a realidade. Aqueles vinte e cinco anos de bebedeiras, de mentiras, de fraudes, de infidelidade e promessas quebradas, causaram um incalculável desgosto àqueles que na época eu dizia amar. “Perdoe-me”, era, de pronto, a palavra que eu mais usava (e abusava) do meu novo vocabulário de A.A.
Os “Doze Passos”, no que se refere ao Nono Passo, sugere: “Bom senso, um cuidadoso sentido de escolha do momento, coragem e prudência.” Nenhuma dessas qualidades era particularmente alta no que concerne à minha lista de habilidades. Como poderia existir coragem e prudência, estando eu como quem tivesse sido atingido por um furacão duplo? A reação imediata foi o pânico; foi sair imediatamente fazendo toda e qualquer reparação que me fosse possível, sem mesmo compreender o significado da palavra reparação. Estava, eternamente, em busca de reafirmação. “Diga-me que eu estou bem, que você não vai me botar pra fora; que você ainda me ama.”
Lembram-se daquela velha canção que diz “os tolos enveredam por trilhas onde até os anjos temem pisar”? Na época, essas palavras poderiam ter sido escritas exatamente para mim. Absolutamente não havia nem bom senso, tampouco momento propício, naqueles primeiros meses.
Convencido de que me seria mostrado o caminho da porta, transformaram-me no velho alcoólico em recuperação, pálido e maltrapilho, ansioso por apanhar aquele sobretudo da culpa… mesmo, às vezes, quando não era a minha vez de vestir aquela coisa desprezível.
O tempo era o ingrediente necessário se eu quisesse fazer minhas reparações de uma maneira honesta. Tempo, para eu poder levantar minha cabeça, para compreender o que honestidade realmente significa para deixar de lado o orgulho e pedir socorro ao meu padrinho, para começar a trabalhar o programa com o melhor das minhas habilidades.
Com certeza, eu não tinha mais dúvidas sobre o porquê dos Doze Passos terem sido escritos na ordem em que se encontram. Toda uma vida alcoólica, enganando a mim mesmo, achando que tal conduta desonesta era o padrão, tinha que ser adequadamente compreendida à luz do Quarto e do Quinto Passos, antes que eu tivesse pronto para fazer qualquer reparação. Quem eu havia machucado? A família, sem dúvida. Ela, talvez, mais do que ninguém. Também pessoas relacionadas aos negócios (naqueles anos eu ainda era capaz de trabalhar). Vizinhos, é claro. Quantas vezes eu, cambaleante, ficava gritando ofensas diante de suas janelas? A amável japonezinha que dirigia a loja da esquina a quem xinguei por ter recusado me vender fiado uma garrafa. A mulher que deu à luz meu filho ilegítimo – esta, talvez a mais grave de todas. E que dizer daqueles credores todos, a quem eu fazia questão de evitar?
Vieram-me à lembrança os fatos daquele tempo, quando ouvi em uma reunião de A.A. o orador falar sobre ressarcir todas as dívidas em dinheiro, não algumas. Aquele orador, naquele momento, me deixou em pânico; porém, mais tarde, tornou-se um bom e fiel amigo.

Havia, naturalmente, alguns dos quais me era impossível fazer qualquer tipo de reparação. Alguns que morreram nos anos subseqüentes; outros, inquestionavelmente se enquadravam no “salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem”. Mas mesmo aqui, ou talvez, principalmente aqui, conhecendo aquela minha velha propensão à autodecepção e procrastinação, eu precisava averiguar duplamente o que deveria fazer. É muito simples decidir que “fazer reparações vai machucá-los”, quando na verdade o que estou querendo é achar uma maneira mais fácil.
E com relação a todas as minhas dívidas de dinheiro? Na época em que comecei na Irmandade, eu estava falido e desempregado (e não empregável). Como me seria possível, de alguma forma, pagar tanto, se tudo o que minha família tinha era um auxílio-doença semanal?
Foi então que me mostraram que o Oitavo Passo diz nesse caso: “Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.” Vontade, foi-me dito, era a chave desse Passo, bem como dos demais. A coisa mais extraordinária foi que com o passar dos anos, em determinadas circunstâncias, quando aparecia a ocasião propícia, eu estava sendo capaz de converter a vontade em ação.
Livrar a mim mesmo dos fantasmas, aqueles fantasmas que por tantos anos estiveram estimulando minhas bebedeiras foi, talvez, mais do que qualquer outra coisa, fundamental.
Ainda hoje percebo um certo burburinho quando entro em meu banco e ouço o caixa dizer: “Bom dia, Sr. J!” Muito diferente do que acontecia antes.
Logo que entrei na Irmandade, ensinaram-me que a melhor reparação de danos que eu poderia fazer era ser visto sóbrio. Era ser, hoje, conhecido como homem honesto e de confiança. Retribuir com um pouco de sobriedade que naqueles meus primeiros meses e anos foi-me dada com tanta boa vontade pelos membros dessa Irmandade. Que fazer reparações não era tão somente uma questão de dizer “sinto muito” (a maioria de nós é muito hábil em fazer isso), mas, sim, agir agir através do meu próprio modo novo de proceder. Que prestar serviços em A.A. era também uma forma fundamental para se fazer reparações.
E aquele casaco de culpa pendurado atrás da porta de entrada da minha casa? Eu o usei por muitos anos, algo parecido como usar aquela velha jaqueta surrada, de estimação, que a gente veste por muitos anos, mesmo com os cotovelos esgarçados e o colarinho esfiapado. Vesti-lo tornara-se um hábito, até que um sábio companheiro veio e gentilmente tirou-o de mim. “Se Deus te perdoou, não acha que está na hora de você perdoar a si próprio?”, perguntou ele, “pois você já fez as reparações para consigo mesmo?”
(anônimo)

A SUA EXCELÊNCIA ALCOOLATRA, BOM DIA

“A sua excelência Alcoolatra, bom dia”

Nesta manhã clara e tranquila eu quero te dirigir algumas palavras, a ti que deve estar curtindo aquela ressaca.
A ti que com os olhos empapuçados pelo vapor do alcool, acordou desesperançado e triste dono de toda melâncolia do mundo, afogado nas perspectivas mais desalentadoras, que vê nascer mais um dia que vai se perder na sua totalidade.

Porque essa manhã que vive hoje, eu já as vivi durante muitos anos. Não vai em minhas palavras nenhuma censura ou maldade. Não quero que te sintas deprimido ao saber que de algum canto da cidade tu és observado e notado, pois por mais que faça para esconder tua doença, ela emana em tudo que tu és, deixando para longe, tudo que tu fostes.

Vejamos por exemplo se no decorrer do dia de hoje, terás a disposição nescessária para a luta cotidiana, ou se no teu trabalho não irá sobrecarregar teus colegas, se na tua casa não irá trazer tristezas. Observa-se nas cavas profundas de teus olhos, e no seu rosto inchado, a marcas que denunciam ao descontrôle total da noite passada. Suas mãos tremem e mostram a imcapacitação que a doença do alcoolismo lhe trouxe.

És inteligênte eu sei, e é por isso que te dirijo essas palavras, pois para aqueles que não entendem, eu prefiro calar. A ti eu te falo, porque eu sei que as minhas palavras encontraram éco em tua formação moral, pois se quizeres deixaras de ser um bêbado. Se falo assim contigo é porque tenho a experiência adquirida em em todos os
rôtulos de bebidas existentes, pois palmitei inconcientimente todos os antros onde a bebida pode levar.

Não me envergonho em dizer que em matéria de alcoolismo fui professor. Senti tambem a transformação do caráter e a agressividade da alma, com o cinismo comum em todo alcoolatra. Afundado nos vapores enganosos da falsa alegria e na descida do poço, recebi a cota da amargura que ficou para toda a minha vida.

Mas acordei em tempo e te confesso penalizado no fundo da minha alma, que não queria te escrever essas linhas. Queria que nessa manhã, como eu, tu pudesse ver a verdadeira maravilha que nos traz um novo dia de vida. Como é bom despertar e sentir a felicidade de estar ralmente vivendo. Como é prazeiroso se sentir gente e poder colaborar para a formação de um mundo novo e bom. Sentir a paz invadir nosso ser, sentir-se útil aos nossos familiares e amigos.

Não criando problemas e apreenção para aqueles que nos cercam, pois creia meu amigo; tu os cria, eu tambem assim procedia. Nesta manhã, enquanto queima os restos da noite passada, eu humildemente te convido a partilhar minha vida. venha comigo por um caminho onde a vida é mais bela e mais simples. Experimente e compare, depois tu que é inteligênte me dirá. Terás a tua opção. Terás a liberdade da vida sem o freio inconciente da doença, pois o alcoolatra e conduzido pelo cabresto sordido da desgraça.

És um homem doente, venha comigo e te mostrarei um caminho de luz, pois quando eu me encontrava sem esperanças e em desespero como tu, alguem me me ajudou e me conduziu para o caminho dos “Doze Passos” da verdadeira vida.

Anônimo.

ALGUMAS FERRAMENTAS SUGERIDAS POR A.A PARA TRABALHARMOS O SENTIMENTO DE INFERIORIDADE

” ALGUMAS FERRAMENTAS SUGERIDAS POR A.A. PARA TRABALHARMOS O SENTIMENTO DE INFERIORIDADE “
Por: Edson H.

No livro “NA OPINIÃO DO BILL”, em seu índice, quando procuramos por “inferioridade” encontramos a observação `veja inadequabilidade “. Portanto”, inferioridade “e” inadequabilidade “foram colocadas na mesma panela”.

1. “A verdadeira ambição e a falsa”.
Concentrávamos muito em nós mesmos e naqueles que nos cercavam. Sabíamos que éramos cutucados, por medos ou ansiedade descabidos, a uma vida que levava à fama, dinheiro e ao que supúnhamos que fosse liderança. Assim, o falso orgulho tornou-se o outro lado da terrível moeda com a marca do “medo”. Simplesmente tínhamos que ser a pessoa mais importante, a fim de encobrir nossas inferioridades mais profundas.”(pág. 46)”.

FERRAMENTA: “A verdadeira ambição não é aquilo que achávamos que era. Ela é o profundo desejo de viver de maneira útil e caminhar humildemente, sob a graça de Deus”.(pág. 46);

2. “Ver desaparecer a solidão”.
Quase sem exceção, os alcoólicos são torturados pela solidão. Mesmo antes de nossas bebedeiras se tornarem graves e as pessoas começarem a se afastar de nós quase todos sofremos a sensação de estarmos sós. Ou éramos tímidos e não nos atrevíamos a nos aproximar dos outros, ou éramos capazes de ser bons sujeitos, sempre desejando ardentemente a atenção e o companheirismo, mas raramente conseguindo. Sempre existia aquela barreira misteriosa que não conseguíamos vencer nem entender.
Essa é uma das razões pela qual amávamos tanto o álcool. Mas até Baco nos traiu; ficamos finalmente arrasados e calmos numa terrível solidão.”(pág. 90)”.

FERRAMENTA: “A vida adquire um novo sentido em A.A. Ver pessoas se recuperarem, vê-los ajudarem os outros, ver desaparecer a solidão, ver crescer uma fraternidade ao redor de você, ter um grande número de amigos – essa é uma experiência que não deve ser perdida”.(pág. 90);

3. “Vitória na derrota”.
Convencido de que nunca poderia fazer parte e jurando nunca me conformar com o segundo lugar, eu sentia que simplesmente tinha que vencer em tudo que quisesse fazer: trabalho ou divertimento. Como essa atraente fórmula de boa-vida começou a dar resultado, de acordo com minha idéia de sucesso, tornei-me delirantemente feliz. Mas quando acontecia de um empreendimento falhar, me enchia de ressentimento e depressão que só podia ser curado com o próximo triunfo. Portanto, muito cedo comecei a avaliar tudo em termos de vitória ou derrota – “tudo ou nada”. A única satisfação que eu conhecia era vencer.”(pág. 135)”.

FERRAMENTA: “Somente através da derrota total é que somos capazes de dar os primeiros passos em direção à libertação e à força. Nossa admissão de impotência pessoal finalmente vem a ser o leito de rocha firme, sobre o qual podem ser construídas vidas felizes e significativas”.(pág.135)

4. “Defeitos e reparações”.
Mais que a maioria, o alcoólico vive uma dupla vida. É um verdadeiro ator. Para as pessoas de fora ele se apresenta como se estivesse no palco. Isso é o que ele quer que os outros vejam. Quer gozar de uma certa reputação, mas sabe, do fundo do coração, que não a merece.”(pág. 140)”;

“O sentimento de culpa é realmente o reverso da moeda do orgulho. O sentimento de culpa visa à autodestruição, e o orgulho visa a destruição dos outros.” (pág. 140);
FERRAMENTA: “O inventário moral é um exame ousado dos danos que nos ocorreram, durante a vida, e um sincero esforço para vê-los em sua verdadeira perspectiva. Ele tem o efeito de tirar o veneno de dentro de nós, a substância emocional que abate ou inibe ainda mais”.(pág. 140);

5. “Apenas tentar”.
Em minha adolescência eu tinha que ser um atleta, porque não era atleta. Tinha que ser um músico, porque não podia entoar a melodia mais simples. Tinha que ser o líder de minha classe no internato.
Tinha que ser o primeiro em tudo, porque em meu coração perverso eu sentia em mim mesmo a última das criaturas de Deus. Não podia aceitar minha profunda sensação de inferioridade, e assim me tornei capitão do time de beisebol, e assim aprendi a tocar violino. Tinha que ser sempre o líder. Foi essa espécie de exigência “tudo ou nada” que mais tarde me destruiu. (pág. 214)

FERRAMENTA: “Estou contente porque você vai tentar esse novo trabalho. Mas esteja certo de que vai apenas “tentar”. Se você tiver a atitude de que “devo ser bem-sucedido, não devo falhar, não posso falhar”, então você praticamente vai garantir o fracasso, que por sua vez vai garantir sua recaída na bebida. Mas se você considerar o empreendimento, como apenas uma experiência construtiva, então tudo sairá bem.” (pág. 214);

6. “Já não estamos sozinhos”.
O alcoolismo significa solidão, embora estivéssemos cercados de pessoas que nos amavam. Mas quando “nossa prepotência afastou todo mundo e nosso isolamento foi completo, começamos a bancar o importante em botequins de última categoria. Quando também isso acabou, tivemos que perambular, sozinhos, pela rua para depender da caridade dos transeuntes”.
Ainda procuramos encontrar a segurança emocional, dominando ou nos fazendo dependentes dos outros. Mesmo quando nossa sorte não era das piores, não obstante nos encontramos sozinhos no mundo. Ainda inutilmente procuramos obter segurança, através de algum tipo de domínio ou dependência.”(pág. 252)”.

FERRAMENTA UM: Para aqueles de nós que eram assim, A.A. teve um significado muito especial. Nessa Irmandade começamos a aprender a nos relacionar bem com as pessoas que nos compreendem; não temos mais que estar sozinhos.”(pág. 252)”.

FERRAMENTA DOIS: (extraída do livrete “O MELHOR DE BILL”): “… Ajudado por qualquer Graça que pudesse obter através da oração, cheguei à conclusão de que eu tinha de apelar para toda minha força de vontade e ação para eliminar estas defeituosas dependências emocionais das pessoas, de A.A., na verdade, de qualquer conjunto de circunstâncias”.(pág. 58).

“… Se examinarmos todo distúrbio emocional que temos, leve ou sério, encontraremos na origem do mesmo alguma dependência doentia e a exigência igualmente doentia que dela deriva. Renunciemos de maneira continua, com a ajuda de Deus, a essas exigências claudicantes. Então podemos sentir nos livres para viver e amar”.(pág. 61).