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DR. RENATO POSTERLI

ALCOOLISMO
Dr. Renato Posterli
Médico Psiquiatra e Professor-Regente de Medicina Legal
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás

O alcoolismo não é somente a mais antiga e mais disseminada das toxicomanias, mas também um dos mais graves problemas medido-sociais, ou seja, não é um problema tão só médico, e sim, médico-social, pois tem uma amplitude pluridimensional: interessa ao médico, ao pastor, ao padre, ao preceptor espiritual enfim, ao educador, ao orientador educacional, ao jurista, ao delegado, aos A.As.
O uso e o abuso desse verdadeiro “inimigo íntimo” do homem, é responsável por tantas desgraças pessoais, por tantos lares dissociados e infelizes e por tantos crimes praticados sob sua influência.
Por isso, então, o etilismo tem múltiplos e variados aspectos, podendo mesmo predispor a perturbações psíquicas.
A experiência alcoólica leva consigo um negativismo fundamental, ameaçador e claramente percebido por todos, menos por que se alcooliza.
O alcoolismo, grave problema médico-social, é uma toxicomania.
E para confirmar essa toxicomania veja-se: 1 – necessidade de aumento progressivo das doses; 2 – aparecimento da síndrome de abstinência quando da interrupção brusca da substância utilizada.
Caracterizado o alcoolismo como uma toxicomania, consideramos importante reconhecê-lo, também, como uma doença.
O uso de álcool diariamente, mesmo em pequenas doses, é o que conduz maior número de vítimas ao ingresso nas imensas legiões de alcoólatras crônicos.
Alcoolismo é qualquer uso de bebidas alcoólicas que ocasiona prejuízo ao indivíduo, à sociedade ou a ambos.
A maioria dos autores admite os sintomas da intoxicação crônica pelo álcool como sendo a roupagem que esconde ou disfarça uma personalidade mórbida.
E não haveria propriamente alcoolismo primário, sendo os casos, quase que totalmente secundários a “algo” subjacente à personalidade do paciente.
Em outras palavras, o indivíduo normal nunca se tornaria um alcoólatra crônico.
Haveria sempre necessidade da existência de um fator ligado a uma personalidade anormal, mórbida. As principais estruturas mórbidas de personalidade predispostas ao alcoolismo são as personalidades psicopáticas abúlicas, destituídas de suficiente energia de vontade, as hipobúlicas. Também alguns doentes mentais.
O álcool compromete severamente o organismo humano. Os setores mais intensamente atingidos são: o fígado (cirrose hepática); pâncreas (pancreatite); coração; aparelho respiratório (facilita a tuberculose, pneumonia); sangue; aparelho reprodutor e sexual (prejudicando à impotência sexual); hipotrofia muscular; sistema nervoso (dineuropatia periférica); pele (pelagra); cérebro (epilepsia alcoólica, demência por atrofia cerebral) etc.
Os principais estados psicóticos como efeitos psíquicos do alcoolismo são:
1 – “Delirium tremens” (tremores, pavor, alucinações visuais);
2 – “Psicose de Korsakoff” (grave esquecimento); Delírio de ciúme (impotência, interpretação delirante de infidelidade por parte da esposa).
É interessante mencionar que dipsomania é o impulso mórbido e que leva algumas pessoas a ingerir grandes quantidades de bebidas alcoólicas, e até mesmo álcool puro, perfume, verniz.
“Fácies potatorum” é o rosto característico dos bebedores crônicos, já doentes (rosto dos bebedores).
“Black-outs” são sintomas constituídos por crises completas de amnésia em relação aos fatos ocorridos na última embriaquez. Esse sintoma foi magistralmente explorado em filme dirigido por Boris Karloff, denominado “Black-out”. Uma quadrilha de traficantes de tóxicos procurou incriminar um ex-alcoólatra, membro dos Alcoólicos Anônimos, como responsável por um homicídio. A insistência dos “gângsters” de que o crime teria sido por ele cometido, em estado de embriaquez, consegue pô-lo em dúvida, quase o levando novamente ao alcoolismo. Entretanto, o ex-alcoólatra consegue elucidar o caso com a ajuda da esposa, amigos e parentes, vindo a recuperar-se de uma vez.
Ao que parece, a instituição “Alcoólicos Anônimos” preocupa-se em ajudar as pessoas cujo problemas ou dificuldade é deixar de beber:
Se o seu problema é beber, o problema é seu. Se é deixar de beber, o problema é nosso.”
Não nos esqueçamos das implicações do alcoolismo na Medicina legal: art. 28, II do Código Penal vigente.
Por que os Alcoólicos Anônimos funcionam?
Muitos alcoolistas são tímidos e contraídos.
A bebida ajuda a resolver estes problemas. A atividade social dos Alcoólicos Anônimos (A.A.) melhora a timidez e favorece a descontração.
Muitos alcoolistas são orgulhosos e teimosos. Com 12 Passos, os A.As estimulam a humildade perante o Poder Superior e perante os outros.
Muitos alcoolistas já se acostumaram com a turma do bar e não conseguem fazer amigos fora de lá. Os Alcoólicos Anônimos propiciam um novo círculo de amigos.
Muitos alcoolistas são muito voltados para dentro de si mesmos. Os Alcoólicos Anônimos os estimulam a sair de si mesmos e a se recuperar com o sofrimento e problema dos outros.
A coesão dos amigos, a força do grupo, o fato de saber que outros olham para ele, impede as recaídas.
As reuniões periódicas não deixam que o alcoolista esqueça que é um doente e volte a beber.
O fato do alcoolista ir à frente e contar seus problemas faz que ele sinta-se orgulhoso de si mesmo, sentido que tem controle da situação, sendo ao mesmo tempo humilde e valoroso, sendo honrado em sua pequenez.
O fato de grupo não ter não-alcoolista favorece o sentimento de que ele não está sendo controlado ou obrigado a parar de beber.

Desde os primeiros dias Alcoólicos Anônimos desfruta da amizade e do apoio de pessoas não-alcoólicas que conhecem nosso Programa de Recuperação. Muitos profissionais estão em condições de saber o quanto se mostraram falhos, no passado, muito métodos de tratar o problema do alcoolismo. Alcoólicos Anônimos jamais foi oferecido como a “única solução” para o problema. Todavia, nosso Programa de Recuperação funcionou tantas vezes, depois de terem fracassado outros métodos, que hoje, cada vez mais, os profissionais que conhecem A.A. são os maiores entusiastas do programa em suas comunidades, atuando como efetivos divulgadores da obra.
(Manual do CTO).

DRA. LUIZA NAGIB ELUF

DESCONTROLE SOCIAL
Dra. Luiza Nagib Eluf
Procuradora de Justiça do Ministério Público de São Paulo

O álcool é a droga mais perigosa e causa dependência.

Nossa sociedade teme as drogas ilícitas: maconha, cocaína, ópio, crack, êxtase – os fantasmas que assombram os pais cada vez que seus filhos vão para uma festa. Sem dúvida, são substâncias nocivas que causam dependência física ou psíquica e, embora proibidas por lei, podem ser encontradas com facilidade nas mãos dos traficantes, que estão em toda a parte.
O maior perigo, porém, não mora ai. O vilão dos vilões é o álcool e nem todo mundo percebe isso. Vendido em larga escala, disponível em todos os restaurantes, padarias, supermercados, residências, bares e casas noturnas em geral, essa droga licita tem feito vítimas em números astronômicos. Está provado que o álcool causa dependência fortíssima.
É mais fácil deixar a cocaína do que a bebida, até porque esta última pode ser encontrada em qualquer lugar e a qualquer momento, inclusive em casa de amigos e parentes.
A força de vontade do alcoolista em processo de recuperação tem que ser redobrada para se livrar da tentação.
Além da dependência, o álcool é fator inequívoco de criminalidade. Ignorando as leis e as recomendações feitas pelos meios de comunicação, são muitas as pessoas que assumem a direção de veículos automotores embriagados, provocando acidentes, não raro, muito graves.
Há os que ficam agressivos sob efeito de bebidas alcoólicas e as conseqüências são percebidas nas Delegacias de Polícia: mulheres espancadas por seus companheiros, brigas em bares, lesões corporais graves, homicídios. Tudo provocado por essas bebidas perigosas, vendidas sem nenhum controle.
Os jovens têm sido as maiores vítimas. A proibição de venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos quase não vigora na prática.
Fala-se muito que a maconha, embora não seja uma droga pesada, deve continuar sendo proibida no Brasil porque seria “aporta de entrada para outras drogas”. Pois porta de entrada é o álcool, ou será que ninguém vê?
A bebida destrói famílias mais do que qualquer outra droga. É claro que todas as substâncias entorpecentes, após algum tempo de uso, geram a mesma desgraça. A diferença é que o álcool consome o indivíduo rapidamente, tornando-o incapaz para o trabalho e insuportável na convivência. Por turvar imediatamente a consciência, o alcoolismo é impossível de passar despercebido. A primeira coisa que o dependente perde é o emprego, depois o apoio da família, por fim, a própria vida.
Evidentemente, é possível fazer uso moderado de bebidas alcoólicas, evitando-se o risco de chegar à dependência, quando há muita informação sobre o assunto e, pelo menos, algum controle sobre a comercialização dos produtos para menores e maiores. Não é o que se vê no Brasil. Por essa razão, o problema do alcoolismo no país segue aumentando. Não se propõe a proibição da venda de bebidas alcoólicas; nenhuma “Lei Seca” até hoje deu certo, no entanto, o consumo completamente liberado como vem ocorrendo não pode continuar.
A exemplo do que se faz com o cigarro, cujas embalagens trazem alertas sobre o perigo do uso regular do tabaco, é preciso informar os consumidores dos perigos do excesso com relação ao álcool, não apenas para dirigir veículos. As embalagens das bebidas deveriam conter avisos de que o álcool pode gerar dependência, sendo que o abuso também provoca doenças.
Não é por outra razão que algumas universidades como a UNICAMP e a USP estão desenvolvendo projetos de “prevenção e redução de danos” decorrentes da ingestão de bebidas alcoólicas. O projeto piloto, testado há seis meses com alunos da UNESP, diminuiu pela metade o número de acidentes de carro e o baixo rendimento escolar causado pelo excesso de bebida.
Esse tipo de prevenção deveria ser generalizado.
O álcool precisa deixar de ser uma imposição ligada ao lazer. Tanto adolescentes quanto adultos costumam ir a festas já pensando em consumir bebidas alcoólicas. Embebedar-se é o objetivo principal de muitos. Já os que não toleram o álcool ou simplesmente preferem evitar os seus efeitos são pressionados a beber de qualquer jeito, sob pena de sofrer rejeição do grupo, o que, para os inseguros, é desastroso. Mesmo entre os adultos, o ato de sair para encontrar os amigos implica, automaticamente, a ingestão de álcool. Quem não bebe sofre tanta pressão que chega a ser constrangedor.
É esse padrão social que precisa mudar. E quem optar pelo álcool, cuidado: – não faça dele uma razão de viver.

DR. OLNEY

EQUILIBRIO E LEI SECA
Dr. Olney
Médico Homeopata
Custódio Não-Alcoólico, Tesoureiro II da JUNAAB
Taubaté/São Paulo

Equilíbrio é a palavra chave para uma vida sadia e feliz.
Mas como mantermo-nos equilibrados num mundo conturbado e desequilibrado no qual vivemos?
Não há como se isolar numa torre de marfim nem permanecer indiferente aos acontecimentos, pois não somos uma ilha isolada e sim parte do todo.
Lidar com a adversidade, sem no entanto, se deixar atingir é o segredo.
Para isso é fundamental uma mudança de atitude perante a vida e obedecer a certos códigos e princípios.
Mudança tão difícil de ser implementada nos tempos atuais onde os valores espirituais são cada vez mais sufocados pelos materiais; quando o ser é sufocado pelo ter, o consumismo se torna um estilo de vida e a busca incessante de bens materiais um fim em si mesmo.
Vivemos efetivamente tempos difíceis!
Hoje mais que nunca é de suma importância o despertar da espiritualidade que fará o homem perceber que desvendar seu mundo interior é tão ou mais importante que explorar outras galáxias.
O aumento acentuado do consumo de drogas, sejam as proibidas como a maconha e cocaína, sejam as socialmente aceitas como o álcool é reflexo direto deste desequilíbrio.
O álcool num primeiro momento dá prazer que logo é seguido pelo desconforto e todos os piores efeitos que todos conhecemos.
A Irmandade de A.A. nos dá felicidade na alegria que só a elevação espiritual pode nos proporcionar.
O primeiro agride todo o nosso corpo físico, desequilibra nosso psiquismo e desajusta nossas relações sociais com todos os efeitos nefastos que conhecemos.
A segunda nos faz retornar ao nosso eixo trazendo de volta a paz, harmonia e bem estar perdidos.
Vivemos num mundo conturbado, onde os valores e o respeito pelo semelhante estão a cada dia que passa mais desvalorizados.
Recentemente assistimos a promulgação pelo Governo Federal da chamada Lei Seca, que proíbe o consumo de qualquer quantidade de álcool em que está dirigindo.
Não faltou críticas de quem viu nisso uma interferência no livre arbítrio de cada um, taxando tal medida de inconstitucional.
Quem assim raciocina se esquece de que não se proibiu ninguém de consumir qualquer tipo de bebida, mas sim de ocupar a direção de um veículo após tê-lo feito, já que ninguém ignora que a diminuição dos reflexos provocada pela ingestão de álcool é muita intensa para quem pretende conduzir qualquer veículo.
A significativa redução dos acidentes de trânsito após a vigência da referida lei é uma prova concreta do acerto da mesma.
Milhares de vidas foram salvas em poucos dias… Além do que meu direito termina onde começa o do outro.
Pena que sejam necessárias medidas punitivas para corrigir um absurdo que e o mais elementar bom senso deveria fazer com que fosse seguido rotineiramente por todos.
O importante, entretanto, é o restabelecimento da correta atitude de manter a sobriedade na condução de veículos, corrigindo um hábito arraigado de irresponsabilidade por parte de uma parcela da população.
Sempre que em nossas reuniões proferimos a oração da serenidade sinto na profundidade daquelas palavras tão simples uma forte emoção que, tenho a certeza, é compartilhada por grande parte dos membros da Irmandade.
Hoje essa emoção é mais intensa para mim, ao perceber que as autoridades governamentais incorporaram o espírito dessa sublime e bela oração, ao promulgarem a Lei da tolerância zero com motoristas que ingeriram álcool, mostrando que com serenidade tiveram coragem para alterar uma lei que poderiam modificar e o fizeram com grande sabedoria demonstrando assim grande senso de equilíbrio. E agindo com equilíbrio estaremos, com certeza, mais próximos do Poder Superior.

DR. LUIZ MACHADO

O ALCOOLISMO E O ADOLESCENTE
Dr. Luiz Machado
Médico da Família
Cachoeirinha/Dourados/Mato Grosso do Sul

A pessoa que ingere álcool “socialmente”, esporadicamente ou quase nunca se embriaga, sem abusar do consumo, dificilmente será um alcoólico. Mas o consumo exagerado de álcool pode levar a situações de risco pessoal, ao alcoolismo.
No Brasil o abuso do álcool, o alcoolismo e suas conseqüências são a terceira causa de morte relacionada principalmente com uma produção de consumo anual de 7 bilhões de litros de bebida fermentada e 5 bilhões de litros de bebida destilada.
Pessoas que fazem uso contínuo consomem praticamente a metade desse volume de bebida e também são responsáveis por quase todas as complicações sócio-econômicas e de saúde pública relacionadas ao álcool: cirrose hepática, acidentes de trânsito, violência na família, no trabalho e também no convívio da comunidade.
Estima-se que cerca de 20 milhões de brasileiros sejam dependentes de álcool.
As condições do alcoolismo encurtam a expectativa de vida cerca de 17 anos. O abuso do álcool é o alcoolismo começam com frequência na adolescência.
São 21 horas de uma sexta feira e os bares e conveniências começam a lotar na mesma proporção em que se esvaziam as salas de aula.
Ali ficam sentados em mesas de bar, onde cadernos e apostilas dividem o pouco espaço com garrafas de bebida (garrafa porque é mais barato), jovens universitários e secundaristas começam a se “aquecer” antes das baladas do final de semana.
Estudos feitos pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas e Psicotrópicos e Secretaria Nacional Antidrogas onde foram ouvidos 8.589 pessoas de 107 cidades brasileiras com mais de 200 mil habitantes revelaram dados considerados alarmantes: na faixa etária de 12 a 17 anos 48,3% dos adolescentes tomam bebidas alcoólicas regularmente (52,2% meninos e 44,7% meninas).
O estudo também mostra a média de idade do primeiro contato com o álcool 12,5 anos.
O levantamento deixa claro que o uso de bebidas é o passo inicial do jovem no caminho para a dependência.
“A prevenção deveria começar antes do 10 anos e caminhar junto aos esforços de adiar o primeiro uso do álcool quando a pessoa ainda é criança”, diz o psiquiatra José Carlos Galduróz, Pesquisador e Coordenador do levantamento.
Ao mesmo tempo em que a lei brasileira proíbe a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos é prática comum o consumo de bebida alcoólica pelos jovens seja no ambiente familiar, em festividades, ou mesmo em bares, quando o colega mais velho compra a bebida para todo mundo.
Os especialistas alertam que o uso precoce da bebida alcoólica pode estar associado ao ambiente familiar. Os pais que fazem o consumo abusivo de bebidas são péssimas referências para os filhos adolescentes.
O que mais assusta é que cerca de 50% desses jovens que bebem mais de duas vezes por semana podem se tornar adultos alcoólicos.
O que começou em uma simples brincadeira, pode virar, um caso sério.
Na opinião do professor Raul Pragão Martins, o álcool nem sempre é tratado como uma droga pelos familiares. Tomar uma cervejinha é tido como um hábito cultural.
Um homem de 70 kg que toma um copo de bebida destilada, ou três garrafas de bebida fermentada é o suficiente para aumentar seu risco de acidente acima de 200 vezes.
As mulheres precisam se cuidar mais; elas têm a metade da quantidade de enzimas que degradam o álcool. Conclui-se que o álcool faz o pior para elas.
Este “cenário” de “jovens que bebem” é cada vez mais comum no Brasil. A queda de rendimento escolar e de auto-estima representam outro fator de risco para os jovens.
É certo que esta geração está bebendo mais do que o organismo suporta e vai pagar um preço enorme no futuro.
Os pais, assim como os jovens não sabem o suficiente sobre o álcool. A escola deveria significar um fator de proteção, entretanto, os pais têm papel decisivo.
Sair e beber faz parte da juventude, mas é preciso orientação para desenvolver consciência e respeitabilidade. No rastro do consumo de álcool vêm as outras drogas daí a importância do diálogo entre pais e filhos.
O combate ao abuso do álcool e alcoolismo crônico deve ser encarado como uma questão de saúde pública; deve ser planejado e executado em todos os níveis de administração de saúde, principalmente a voltada para adolescentes e com a participação da sociedade civil através de um trabalho de conscientização.

DR. RAUL CASTRO MIRANDA

AUTO-ESTIMA, CULPA E ALCOOLISMO
Dr. Raul Castro Miranda
Médico Psicoterapeuta
Graduado em Psicanálise e Psiquiatria
Petrópolis/RJ

A auto-estima é a “quantidade de afeto” que cada um tem por si mesmo em um determinado momento da vida. Ela é o resultado de uma intrincada “mistura” de fatores (genética, educação, ambiente, a c o n t e c i m e n t o s marcantes, etc.) que agem sobre nós, desde a mais tenra infância, e que determinam, entre outras coisas, a maneira como nós lidamos com os nossos acertos e, principalmente com os nossos erros.
Já o sentimento de culpa é a consequência do julgamento que nós fazemos por termos feito algo que consideramos errado, ou por não termos feito algo que consideramos certo.
Ao contrário do que muitos pensam a culpa não é sempre ruim, não. Na verdade, ela é fundamental para a sobrevivência da nossa espécie. Sem ela, estaríamos livres, por exemplo, para agir guiados apenas pelos nossos desejos, sem levar em conta as conseqüências dos nossos atos, que seria muito perigoso para nós mesmos e para o mundo à nossa volta.
Quantos alcoólicos se sentiriam estimulados a parar de beber se não houvesse o sentimento de culpa? O problema da culpa, portanto, não está no sentimento em si, mas na MANEIRA como ela age sobre nossas vidas.
Quando ela obriga o sujeito a refletir e a se modificar para melhor, tudo bem, mas quando resolve massacrar e paralisar a vida do pobre diabo?
Ao contrário do que muitos pensam o sentimento de culpa nos alcoólicos, costuma ser imenso. Já a auto-estima, por sua vez, geralmente está “abaixo do dedão do pé”.
Por isso, frases do tipo “eu paro de beber quando quiser” ou “eu bebo com o meu dinheiro e ninguém tem nada com isso” não devem ser interpretadas como manifestações verdadeiras de prepotência ou arrogância, mas sim, como maneiras às vezes inconscientes de disfarçar a realidade.
Culpa de que? Do que fizeram e do que deixariam de fazer em função da bebida, claro. E o que pode ser feito para melhorar esse quadro?
Em primeiro lugar, é preciso compreender que enquanto o alcoólico está na ativa, ou seja, enquanto ele continua bebendo, é absolutamente saudável embora não seja nada agradável que ele se sinta culpado e com a auto-estima baixa.
Como afirmei acima, é exatamente o sentimento de culpa que poderá fazer com que o sujeito reflita e mude.
Sabe, não é verdade que o ser humano só se modifica quando está sofrendo, mas que muitas mudanças só ocorrem quando ele sofre lá isso é verdade, sim!
Em segundo lugar, é necessário aceitar que não somos nem jamais seremos exatamente como desejaríamos ser. Sempre faltará, em nós, alguma coisa.
Não conseguindo entender e/ou aceitar esse fato, muitos alcoólicos que desejam “largar o copo” formulam para si as mesmos, propostas que estão acima das suas capacidades de realizá-las naquele momento (“a partir de hoje, não fumo, não bebo nem tomo mais café”). Com isso, claro, ou fracassam na tentativa, ou simplesmente desistem antes mesmo de começar.
É preciso, portanto, que o alcoólico admita os seus limites e seja realista com as suas metas: – o que eu sou, de fato, capaz de fazer nesse momento? Uma coisa é o desejável, outra, o possível!
Em terceiro lugar, é importante entender que enquanto a NECESSIDADE é aquilo que eu preciso (preciso para de beber porque meu fígado está doente) e a DEMANDA é aquilo que eu afirmo que quero (eu quero parar de beber porque meu fígado está doente), o DESEJO é aquilo que eu faço, de fato, com a minha vida (apesar do fígado estar doente entro no bar da esquina e bebo até cair).
Acontece que nem sempre o que eu faço, na prática, corresponde àquilo que eu disse que faria, na teoria. Por quê? Porque alguns dos nossos desejos são inconsciente, trabalhando tenazmente para que eu continue bebendo.
É por isso que parar de beber não é uma questão de FORÇA de vontade (o inconsciente tem leis e vontade próprias), mas, sim, de BOA vontade (para admitir a minha impotência perante o álcool e o meu inconsciente).
Finalmente, é preciso não esquecer que quando o alcoólico admite a sua impotência perante o álcool, ele está adotando uma atitude de humildade que, quando verdadeira, reduz a sua culpa, e eleva a sua auto-estima.
Por quê? Simples: – porque é preciso ser muito forte, para conseguir ser humilde!

PARA OS GRUPOS QUE PLANEJAM A ATIVIDADE DE APADRINHAMENTO

Para Grupos que planejam a atividade de apadrinhamento:

Como o apadrinhamento ajuda um Grupo?

O propósito primordial de um Grupo de A.A. é transmitir a mensagem do programa de recuperação aos alcoólicos que querem e solicitam ajuda. As reuniões dos Grupos são uma maneira de fazer isso. O apadrinhamento é outra.
Em alguns Grupos, a idéia de apadrinhamento é ampliada para incluir o trabalho com alcoólicos nas instituições próximas e, através da correspondência, com os membros solitários e os AAs internacionalistas (marítimos).
Os programas de apadrinhamento ativo dentro de um Grupo recordam o propósito primordial a todos os membros. Servem para unir o Grupo e mantê-lo consciente da recomendação “Primeiro as Primeiras Coisas”.

Que procedimentos um Grupo pode estabelecer para apadrinhar novos membros?

A atividade de apadrinhamento cuidadosamente planejada dentro de um Grupo freqüentemente produz melhores resultados que o apadrinhamento ao acaso.
Um modelo típico de apadrinhamento planejado, dentro de um Grupo local, poderia incluir o seguinte:
* Um Comitê de Apadrinhamento regular ou um Comitê do Décimo Segundo Passo, com uma rotação freqüente de membros. Se houver uma CENSAA ou ISAA que mantenha uma relação dos Grupos locais e dos membros disponíveis para as abordagens do Décimo Segundo Passo, esse Comitê pode verificar se o Grupo tem um número suficiente de seus membros na relação da CENSAA ou ISAA, para que possa corresponder à sua responsabilidade.
* Reuniões de novos, particularmente em comunidades maiores, onde há muitos recém-chegados. Pode-se obter o folheto “Sugestões para Coordenar Reuniões de Novos” nas CENSAAs e ISAAs.
* Designação regular de membros, para receber os novatos nas reuniões e apresentá-los aos outros membros. Em Grupos grandes, as pessoas do Comitê de Hospitalidade podem usar um distintivo para benefício dos recém-chegados. Em Grupos menores, o coordenados pode simplesmente pedir, durante os avisos,
que os novatos venham apresentar-se depois da reunião, de maneira que possam
ser apresentados aos outros membros.
* Outros avisos sugeridos: “Se alguma pessoa aqui não tem um padrinho e precisa de um, favor procurar o coordenados, que lhe arranjará um padrinho temporário.” Os companheiros contam que, quando essa prática é seguida em todas as reuniões, o Grupo é lembrado do valor do apadrinhamento e de ser apadrinhado.
* Discussões sobre os problemas e oportunidades de apadrinhamento, em reuniões fechadas. Alguns Grupos marcam reuniões especialmente para essa finalidade.
* Um arquivo dos nomes, endereços e números de telefone dos recém-chegados (que quiserem fornecer voluntariamente essas informações), com anotações sobre o padrinho ou padrinhos de cada um.
* Exposição, na mesa, da literatura de A.A., aprovada pela Conferência, sobre a recuperação (inclusive este livreto).
* Revisão da lista de novatos pelo Comitê de Coordenação (ou pelo Comitê de Apadrinhamento ou de Décimo Segundo Passo) – seguida por outras atividades quando se fizer necessário.
* Estudo do Capítulo 7 do Livro Azul (“Trabalhando com Outros”).
* Procedimentos regulares (executados pelo coordenador ou pelo Comitê de Apadrinhamento) de boas-vindas aos novatos que acabaram de sair de Instituições, Centros de tratamento ou Casas de Repouso. Por exemplo, o coordenador pode receber o aviso do coordenador de um Grupo de uma prisão informando que uma pessoa recentemente libertada deverá ir à reunião; o
Grupo “externo” então é alertado a respeito da chegada desse novato. Se for viável, um membro do Grupo pode até se oferecer para encontrar a pessoa imediatamente após a sua libertação.

Como os Grupos “externos” de A.A. podem ajudar Grupos e membros de Instituições?

Esse assunto é tratado em sua totalidade nos folhetos “A.A. em Instituições Correcionais” e “A.A. em Centros de Tratamento”, disponíveis no ESG.

Apadrinhamento de Serviços:

O apadrinhamento em A.A. é basicamente o mesmo, seja ao ajudar a recuperação de uma pessoa ou prestar serviço ao Grupo. Pode-se defini-lo como um alcoólico que fez um determinado avanço na recuperação e/ou desempenho a um serviço e partilha essas experiências com outro alcoólico iniciando a jornada. Ambos os tipos de serviço surgem dos aspectos espirituais do
programa.
Os indivíduos talvez sintam ter mais a oferecer em uma área que em outra. É da responsabilidade do padrinho apresentar os vários aspectos dos serviços:
providenciar uma reunião, trabalho em comunidades, participação em Conferências, etc. Nesse assunto, é importante que o padrinho de serviços ajude os indivíduos a compreender a diferença entre servir às necessidades da Irmandade e atender às necessidades pessoais de outro membro do Grupo.
O padrinho de serviços começa estimulando o membro a se tornar ativo em seu Grupo: café, literatura, limpeza, presença nas reuniões de serviços ou intergrupais, etc. O padrinho de serviços deve ter em mente que nem todos os membros têm o desejo ou as qualificações para ir além de certos níveis e, assim, ele pode ajudar a encontrar tarefas adequadas às habilidades e interesses de cada um. Todos os serviços têm a mesma finalidade – compartilhar as responsabilidades gerais de Alcoólicos Anônimos.
Eventualmente, o padrinho de serviços estimula os companheiros interessados nessas atividades a freqüentar reuniões de Distrito e ler a respeito da história e estrutura de Alcoólicos Anônimos. A essa altura, o indivíduo que se inicia nesse trabalho começa a compreender as responsabilidades dos serviços, bem como a sentir a satisfação proporcionada por outra forma de
trabalho do Décimo Segundo Passo. Essas pessoas são estimuladas a participar ativamente das atividades distritais e a considerar a sua eleição para cargos alternativos no Distrito, de maneira que possam aprender sobre as responsabilidades das diversas atividades na estrutura de serviços.
Durante esse processo, é importante para a pessoa continuar a aprender sobre os Três Legados – Recuperação, Unidade e Serviço – e compreender que o princípio de rotatividade não só permite mudar a atividade de serviço, como também concede aos membros mais novos o privilégio de servir. A rotatividade também permite entender que ninguém deve se apegar durante muito tempo a um cargo de confiança, a ponto de sentir um interesse possessivo e, portanto,
desencorajar os novatos quanto a prestar serviços.
Agora, através do conhecimento e da experiência, o membro mais novo estará ciente de que os serviços são o nosso produto mais importante, depois da sobriedade. Munido desse conhecimento, o indivíduo é capaz de compartilhar a sua visão com os outros e garantir o futuro de Alcoólicos Anônimos.

Resumo:

A maioria dos membros atuais de Alcoólicos Anônimos deve sua sobriedade ao fato de outra pessoa ter tido um interesse especial por eles se disposto a compartilhar uma grande dádiva.
O apadrinhamento é simplesmente um outro modo de descrever o interesse especial e contínuo de um membro experiente, que pode significar muito para um recém-chegado que vem para A.A. em busca de ajuda.
Os membros e os Grupos de A.A. não podem se dar ao luxo de perder de vista a importância do apadrinhamento, a importância de se ter um interesse especial por um alcoólico confuso que deseja para de beber. A experiência demonstra claramente que os membros que mais se beneficiam do programa de A.A., e os Grupos que fazem o melhor trabalho de transmitir a mensagem aos alcoólicos que ainda sofrem, são aqueles para quem o apadrinhamento é importante demais para ser deixado ao acaso.
Para esses membros e esses Grupos, as responsabilidades do apadrinhamento são aceitas e acolhidas como oportunidades de enriquecimento da experiência pessoal em A.A. e de aprofundamento das alegrias que vêm do trabalho com os outros.

* Livrete Perguntas e Respostas sôbre Apadrinhamento .. págs. 28 à 32.

NOSSAS VIDAS E A DOS QUE VIRÃO DEPENDEM DA UNIDADE

NOSSAS VIDAS E A DOS QUE VIRÃO DEPENDEM DA UNIDADE.

As vidas dos doentes alcoólicos presentes e futuros dependem de nossa Unidade, nossa Unidade depende de nossa Recuperação mais profunda, e esta depende de nosso amor pelo outro, ou mantemos a unidade ou o A.A. morre e nossas artérias mundiais deixariam de transportar a graça vivificante de Deus.
Observando, com atenção, chegamos à chave do estranho paradoxo. Somos obrigados inicialmente a submetermo-nos aos princípios de recuperação. Dependemos da obediência aos princípios espirituais. Se nos afastamos demais dos princípios do A.A. o castigo é certo, e rápido; adoecemos e morremos. A princípio nos obrigamos, depois vemos que essa obediência nos agrada e faz muito bem.
Verificamos que o trabalho com os outros é fundamental, propagamos a mensagem de A.A.
Sem um grupo a maioria vê que não consegue se recuperar de maneira permanente. Surge a compreensão de que somos parte de um grande todo; que nenhum sacrifício pessoal é suficientemente grande para preservar a Unidade de nossa Irmandade.
Sem uma boa recuperação, que só advêm com o tempo bem aproveitado com o exercício dos Doze Passos e com a continuidade permanente desse exercício, não haverá serenidade, felicidade duradoura nem paz em nossos corações.
O conflito ou a discordância respeitosa não exclui nem tira a paz de ninguém. Isto não é fácil, exige o exercício permanente dos Doze Passos.
A recuperação é básica para a Unidade, sabemos por experiência, que não se vivenciara bem as tradições nem os conceitos sem uma boa recuperação e permanência nesse programa para toda a vida. A recuperação não consiste numa intelectualização de conhecimento dos princípios de nossa Irmandade, mas na prática tranquila, persistente e organizada desses princípios, sem sofrimento
pelo possível pequeno e vagaroso progresso alcançado, em todos os momentos de nossas vidas. A compreensão, e aceitação dos princípios de A.A. que até podem nos fazer parar de beber é uma coisa, mas o exercício de fato desses princípios é que trazem como consequência a felicidade, a paz e a capacidade de exercer a tolerância no exercício dos processos que consolidam a Unidade. Como é difícil a mudança de um comportamento, por largo período de tempo condicionado a pensar, entender, sentir e agir doentia e inconscientemente. Éramos autômatos inconscientes do erro. Com a vivência da filosofia de nossa Irmandade, passamos tanto quanto possível, desse estado inconsequente e lamentável de vida, para o estado do exercício consciente do acerto, e aos poucos, sempre um pouco mais, para o estado de autômatos inconscientes desse acerto; isto é maravilhoso, mas o progresso é lento e exige muita disciplina e permanente vigilância no exercício da mudança, por longo tempo; daí decorre a paz e a possibilidade da Unidade permanente. Erro e acerto aqui tem a conotação, de estarmos mais distantes ou mais próximos dos princípios de A.A., respectivamente.
O segredo da força das tradições, são que elas tem origem na experiência de vida e estão arraigadas no amor. Elas confessam nossas falhas como sociedade, defeitos esses que nos ameaçam; elas nos dão as normas para a harmonia e para mantermos a Unidade enquanto Deus quiser.
Vidas atuais e as que virão dependem da Unidade.

O indivíduo não se recupera sozinho e aí surge a compreensão do sentimento holístico, ou de que ele faz parte do grande todo. Nenhum sacrifício é grande demais para preservar a Irmandade.
O indivíduo entende que o clamor dos desejos e ambições deve ser silenciado, sempre que prejudiquem o grupo. Este precisa sobreviver para que o indivíduo não pereça.
O homem livre se associa voluntariamente ao interesse comum. A.A. é assim. A sede mundial de nossa Irmandade não dá ordens, ao contrário, é nossa maior transmissora das lições aprendidas com as experiências, mas nós obedecemos suas sábias sugestões, bem como de nossa Conferência, por tratar-se da expressão da consciência coletiva de cada instância.
Os que quebram o anonimato ou pretendem ser os dons da verdade, não percebem que estão inconscientemente perseguindo o estrelato ou as antigas e perigosas ambições, e que estão lançando a semente de nossa própria destruição como sociedade; assim ocorre também com aqueles que ferem outros princípios de nossas tradições e do terceiro legado, não tendo a visão do todo e de proteger nossa Irmandade, para que ela chegue também aos nossos futuros irmãos de doença, como chegou até nós.
Nosso primeiro dever, quanto ao futuro de A.A., é o de manter em plena força o que agora temos. Só o mais vigilante cuidado pode assegurar isto. Estejamos unidos para enfrentar e vencer nossas falhas e crises. As experiências são melhor compreendidas, pela troca permanente das mesmas e assim estaremos garantindo o futuro dos novos que sempre chegam e da nossa própria Irmandade.
Pensemos profundamente naqueles que ainda virão a A.A., queiramos que encontrem o que encontramos, e ainda mais se for possível. Nenhum esforço, cuidado e vigilância, será grande demais para preservar a constante eficiência e força espiritual de A.A.
As tradições nos levam à Unidade, elas são um código de ética para a convivência harmônica. A Unidade é uma das qualidades mais preciosas que A.A. tem, dela dependem nossas vidas. Assim como a sobriedade, que é para o indivíduo vida longa e feliz; a Unidade, que é diferente e muito mais profunda que a união, é a mesma coisa para a nossa Irmandade como um todo. Só viveremos se permanecermos em Unidade.
Vidas atuais e as que virão dependem da Unidade.
Uma grande força para ela é o amor, a dedicação que temos por nossos companheiros e por nossos princípios. Embora muitos se esforcem violentamente para obter a sobriedade, nossa Irmandade nunca teve de lutar pela Unidade perdida. Deus a protege e nos envia as soluções.
As diferenças, quando respeitadas, identificam cada indivíduo e fortalecem a Unidade. Não devemos ter medo do atrito dos pontos de vista opostos, isto é democrático. Devemos, isto sim, evitar a destruidora raiva e o perigoso ressentimento, pois com eles a Unidade sofre e pode até morrer, levando junto
nossa Irmandade. Por isso não há castigo para os erros, nem mesmo para os mais graves.
Temos sempre um sério desafio. Conviver com pessoas doentes e diferentes! Os pensamentos e sentimentos desagregadores inconscientes e inconsequentes, persistem de maneira excludente e criam sérios problemas à Unidade, em nossa Irmandade. Conviver com as diferenças, significa praticar a tolerância. Isto não significa aceitar a intolerância dos prepotentes, pois tolerância não significa
ausência de princípios, significa acreditar na prática dos três legados:
Recuperação, Unidade e Serviço, nas soluções negociadas, justas e dignas, que os legados nos sugerem, de maneira respeitosa, mas firme.
A troca de experiências em torno dos campos de atividade de nossa Irmandade, deve ser exercida com plenitude e sabedoria, trazendo a diferença de cada um ao enriquecimento global da boa vontade, tolerância e compreensão na nossa convivência e em nossas diretivas. No entanto é necessário que cada um faça a sua parte, num grande esforço coletivo. Se quisermos Unidade, e consequentemente a continuidade de nossa Irmandade, temos que investir e muito nos princípios básicos de A.A., sem radicalismo e competência exclusiva. O futuro de nossa Irmandade, será feito pelos que acreditam nos seus princípios, e isto será com o beneplácito do Poder Superior, garantindo a Unidade presente e futura.