Monthly Archives: Março 2013

VAMOS PEDIR A BILL WILSON

Vamos pedir a Bill Wilson

Os trechos abaixo são de várias conversações e artigos por e Bill Wilson, e foram compilados por Jim Burwell. Eles revelam uma riqueza de pensamento e na visão do co-fundador do AA sobre os seguintes tópicos:
1 – O conceito de doença
2 – Obsession Mental
3 – Como é que AA funciona?
4 – A Existência Contínua
5 – Passo AA início dia 12
6 – O que aconteceu com Ebby?
7 – Informações do Grupo Oxford
8 – agnósticos e Deus
9 – Medicina, Religião e AA
10 – Origens das Tradições
11 – Ainda Mais informações Tradições
12 – Conferência de Serviços Gerais
13 – AA & Outras Agências
14 – Os 12 Conceitos
15 – Recordando nossos primeiros amigos
16 – são alcoólatras “Different?”
17 – Is It Experience Todos Wilson Bill?
18 – “Um problema de crescimento rápido?”
19 – Experiência Espiritual Bill Wilson
20 – AA precoce
21 – Conheça AA # 3
22 – Informações livro Mais Big
23 – St. Inácio & The Passos
24 – Influência Pai Dowling
25 – Mais sobre as Tradições
26 – Financiamento GSO
27 – Governo AA?
28 – toxicodependentes e AA
29 – Direito de Recurso
30 – são alcoólatras “Neurotic?”
31 – O que é alcoolismo?
32 – AA é uma religião?
33 – O que é Taxa de AA é o sucesso?
34 – Contribuição de Carl Jung
35 – Mensagem Ebby para Bill
36 – Clero e AA
37 – AA e da Comunidade
38 – História Breve GSO
39 – A Conexão Rockefeller
40 – Os Três Legados
41 – Drunks em Reuniões de AA?
1T – Como você justifica o alcoolismo chamando uma doença, e não uma responsabilidade moral? (O conceito de doença)
1A – No início da história de AA, perguntas muito natural surgiu entre os teólogos. Havia uma ligação do Sr. Henry que tinha escrito “O Retorno à Religião (Macmillan Co., 1937). Um dia recebi um telefonema dele. Ele afirmou que opôs fortemente à posição de AA que o alcoolismo era uma doença. Este conceito , ele sentiu, tirou a responsabilidade moral de alcoólatras. Ele tinha sido expressando essa reclamação sobre psiquiatras no American Mercury. E agora, ele declarou, ele estava prestes a lambaste AA também. Claro que me apressei a salientar que AA fez não utilizar o conceito de doença para absolver os nossos membros da responsabilidade moral. Pelo contrário, usamos o fato da doença fatal para prender o mais pesado tipo de responsabilidade moral para o sofredor. O outro ponto que foi feito em seus primeiros dias de beber o alcoólico, muitas vezes foi, sem dúvida culpados de irresponsabilidade e gula. Mas uma vez que o tempo de beber compulsivo, verdadeira loucura tinha chegado e ele não poderia muito bem ser responsabilizados por sua conduta. Ele, então, teve uma loucura que condenou-lhe de beber, em Apesar de tudo o que podia fazer, ele tinha desenvolvido uma sensibilidade corporal ao álcool que garantiu sua loucura final e morte Quando este estado de coisas foi apontado para ele, ele foi colocado imediatamente sob os mais pesados tipo de pressão para aceitar AA moral e espiritual. programa de regeneração -. ou seja, nossos Doze Passos Felizmente, Link Mr. estava satisfeito com este ponto de vista do uso que estávamos fazendo do alcoólatra doença Estou feliz de informar que quase todos os teólogos que já pensei sobre este assunto também. concordou com a posição inicial. Embora seja mais óbvio que o livre arbítrio em matéria de álcool praticamente desapareceu na maioria dos casos, nós AA ‘s faz salientar que a abundância de livre-arbítrio é deixado em outras áreas, ele certamente tem uma grande quantidade de vontade, e um grande esforço da vontade de aceitar e praticar o programa de AA. É por este esforço muito da vontade que o corresponde alcoólicas com a graça pela qual a sua obsessão de beber pode ser expulso. (“Livro Azul” NCCA, vol.12, 1960)
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2Q – O que se entende por obsessão mental e o caráter obsessivo do alcoolismo?
2A – Bem, como eu a entendo, todos nós nascemos com a liberdade de escolha. O grau de isso varia de pessoa para pessoa e de região para região em nossas vidas. No caso de pessoas neuróticas, nossos instintos assumir certos padrões e direções, às vezes tão compulsivo que não pode ser quebrado por qualquer esforço comum da vontade. O alcoólatra de compulsão para beber é assim.
Como um fumante, por exemplo, eu tenho um hábito profundamente arraigado – Eu sou quase um adicto. Mas eu não acho que esse hábito é uma obsessão real. Sem dúvida, ele poderia ser quebrada por um ato de minha própria vontade. Se mal bastante machucado, eu poderia com toda a probabilidade desistir do tabaco. Deve fumar várias vezes a terra me no Hospital Bellevue, duvido que eu iria fazer a viagem muitas vezes antes de sair. Mas com o meu alcoolismo, bem, isso foi outra coisa. Nenhuma quantidade de desejo de parar, nenhuma quantidade de punição, poderia permitir-me para sair. O que antes era um hábito de beber se tornou uma obsessão de beber – loucura genuína.
Talvez um pouco mais deve ser dito sobre o caráter obsessivo do alcoolismo. Quando a nossa comunhão foi cerca de três anos alguns de nós chamado Dr. Lawrence Kolb, então Cirurgião Geral Adjunto dos Estados Unidos. Ele disse que o nosso relatório de progresso lhe tinha dado a sua primeira esperança para alcoólatras em geral. Não muito antes, os EUA Departamento de Saúde Pública tinha pensado em tentar fazer algo sobre a situação alcoólicas. Depois de um cuidadoso levantamento do caráter obsessivo de nossa doença, este tinha sido abandonada. Na verdade, Dr. Kolb sentiu que os viciados droga tinha uma chance muito melhor. Assim, o governo havia construído um hospital para seu tratamento em Lexington, Kentucky. Mas para alcoólatras – bem, simplesmente não havia qualquer uso em tudo, então ele pensou.
No entanto, muitas pessoas ainda continuam insistindo que o álcool não é um homem doente – que ele é simplesmente fraco ou intencional, e pecaminoso. Ainda hoje muitas vezes ouvimos a frase “Isso poderia ter bebido bem, se ele quisesse.”
Não há dúvida, também, que o caráter profundamente obsessiva do alcoólatra beber é obscurecida pelo fato de que beber é um costume socialmente aceitável. Por outro lado, roubar ou digamos de furto em loja, não é. Praticamente todo mundo já ouviu falar dessa forma de loucura conhecido como cleptomania. Muitas vezes cleptomaníacos são pessoas esplêndido em todos os outros aspectos. No entanto, eles estão sob uma compulsão absoluta para roubar – apenas para o chute. Um cleptomaníaco entra em uma loja e bolsos um pedaço de mercadoria. Ele é preso e terras na delegacia de polícia. O juiz dá a ele uma pena de prisão. Ele é estigmatizada e humilhada. Assim como o alcoólatra, ele jura que nunca, nunca ele vai fazer isso de novo.
Sobre a sua libertação da prisão, ele vagueia pelas ruas passado uma loja de departamento. Inexplicavelmente ele é atraído para dentro. Ele vê, por exemplo, um caminhão de bombeiros vermelho de lata, um brinquedo de criança. Ele imediatamente se esquece de tudo sobre a sua miséria na cadeia. Ele começa a racionalizar. Ele diz: “Bem, este motor pequeno fogo é de nenhum valor real. A loja não vai perdê-la.” Assim, ele embolsa o brinquedo, o detetive loja colares, ele está de volta no tilintar. Todo mundo reconhece este tipo de roubo como pura loucura.
Agora, vamos comparar esse comportamento com o de um alcoólatra. Ele também foi parar na cadeia. Ele já perdeu a família e amigos. Ele sofre o estigma pesado e culpa. Ele foi fisicamente torturado por sua ressaca. Como o cleptomaníaco ele jura que ele nunca vai entrar essa correção novamente. Talvez ele realmente sabe que ele é alcoólatra. Ele pode entender exatamente o que isso significa e pode ser plenamente consciente do que o risco temível de que a bebida é primeiro.
Após a sua libertação da prisão, o alcoólico se comporta exatamente como o cleptomaníaco. Ele passa um bar e na primeira tentação pode dizer: “Não, eu não preciso ir lá dentro; bebida não é para mim.” Mas quando ele chega no local bebendo seguinte, ele é dominado por uma racionalização. Talvez ele diz: “Bem, uma cerveja não vai me machucar. Afinal de contas, a cerveja não é bebida”. Completamente esquecido dos seus misérias recentes, ele pisa dentro. Ele assume que a bebida fatal em primeiro lugar. No dia seguinte, a polícia tê-lo novamente. Seus concidadãos continuam a dizer que ele é fraco ou intencional. Na verdade, ele é tão louco como o cleptomaníaco sempre foi. Nesta fase, seu livre arbítrio em relação ao alcoolismo tenha evaporado. Ele não pode muito bem ser responsabilizados pelo seu comportamento. (“Livro Azul” A NCCA, vol. 12, 1960)

3T – Apenas como funciona AA?
3A – Eu não posso responder plenamente a essa pergunta. Muitas técnicas AA foram adotadas após um período de dez anos de tentativa e erro, o que levou a alguns resultados interessantes. Mas, como leigos, duvidamos de nossa própria capacidade de explicá-las. Nós só podemos lhe dizer o que fazemos, eo que parece, do nosso ponto de vista, acontecer conosco.
No início, gostaríamos que fez sempre tão claro que AA é um gadget sintéticos, por assim dizer, aproveitando os recursos da medicina, psiquiatria, religião e nossa própria experiência de beber e de recuperação. Você vai procurar em vão por um novo single fundamentais. Temos apenas simplificado velhos princípios e comprovada de psiquiatria e religião em tais formas que o álcool vai aceitá-los. E então nós criamos uma sociedade de sua própria espécie, onde ele pode entusiasticamente colocar esses princípios muito de trabalhar sobre si mesmo e outros sofredores.
Então também, temos tentado arduamente para capitalizar a nossa uma grande vantagem natural. Vantagem é que, é claro, nossa experiência pessoal como bebedores que se recuperaram. Quantas vezes os médicos e clérigos vomitar suas mãos quando, após tratamento exaustivo ou exortação, o alcoólico ainda insiste: “Mas você não me entende. Você nunca fez beber sério a si mesmo, assim como você pode? Nem você pode me mostrar muitos que têm recuperado “.
Agora, quando um alcoólatra que tem fala bem para outro que não tem, tais objeções raramente surgem, para o novo homem vê em poucos minutos que ele está falando para uma alma gêmea, alguém que entende. Nem pode o membro do AA recuperou ser enganado, pois ele sabe todos os truques, todos os racionalização do jogo de beber. Assim, as barreiras descem com um estrondo. Confiança mútua, que indispensável de todos os terapia, segue como certo como o dia faz noite. E se esta relação absolutamente necessária, não é próxima de uma só vez é quase certo a se desenvolver quando o novo homem encontrou Alguém AAs outros, como dizemos, “click com ele.”
Assim que isso acontecer, temos uma boa chance de vender nossa perspectiva os fundamentos muito que você médicos têm tanto tempo defendeu, eo bebedor-problema encontra a nossa sociedade um lugar agradável para trabalhar com eles para si e para seus companheiros alcoólicas. Pela primeira vez em anos ele acha-se compreendida e ele se sente útil; excepcionalmente útil, de fato, como ele leva o seu próprio turno promover a recuperação de outros. Não importa o que o mundo exterior pensa nele, ele sabe que pode ficar bem, pois ele está no meio de dezenas de casos piores do que os seus que tenham atingido a meta. E há outros casos exatamente como o seu próprio – uma pressão de testemunho que geralmente supera-lo. Se ele não sucumbir de uma vez, ele vai quase certamente fazê-lo mais tarde quando Barleycorn constrói um fogo ainda mais quente debaixo dele, assim bloqueando todas as suas outras saídas cuidadosamente planejado de dilema. O orador recorda 75 falhas durante os três primeiros anos de AA – pessoas que desistiram totalmente. Durante os últimos sete anos 62 dessas pessoas voltaram para nós, a maioria deles fazendo o bem. Dizem-nos eles voltaram porque eles sabiam que iam morrer ou enlouquecer se não. Ter tentado de tudo dentro de suas possibilidades e tendo esgotado suas racionalizações animal de estimação, eles voltaram e tomaram seus remédios. É por isso que nunca precisamos evangelizar alcoólatras. Se ainda estiver em seu juízo perfeito eles voltam, uma vez que eles foram bem expostos a AA
Agora, para recapitular, Alcoólicos Anônimos fez duas grandes contribuições para os programas de psiquiatria e religião. Estes são, parece-nos, as ligações longas que falta na cadeia de recuperação:
1. Nossa capacidade, como ex-bebedores, para garantir a confiança do homem novo – para “construir uma linha de transmissão para ele.”
2. A prestação de uma sociedade a compreensão de ex-bebedores em que o recém-chegado pode aplicar com êxito os princípios da medicina e da religião para si mesmo e aos outros.
Medida em que nós AAs estão em causa, estes princípios, agora usada por nós a cada dia, parecem estar de acordo surpreendente. (NY Estado J. Med., Vol.44, 15 de agosto de 1944).
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Outra Resposta
3A – Na superfície AA é uma coisa de grande simplicidade, mas em seu núcleo um profundo mistério. Grandes forças, certamente deve ter sido empacotado para expulsar obsessões de todos estes milhares, uma obsessão que está na raiz de nosso problema quarto maior médicos e que, desde tempos imemoriais, reivindicou seus milhões infeliz. (NY Estado J. Med., Vol. 50, julho 1950).
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4T – Como pode AA melhor forma de garantir sua existência?
4A – Desde o início do tempo registrado, muitas sociedades e nações de civilizações passaram em revista. Em aqueles grandes que deixaram sua marca para o bem, em contraste com aqueles que deixaram sua marca para o mal, sempre houve um senso de história, um verdadeiro propósito e de alta constante, e sempre houve um senso de destino.
Nas sociedades que não conseguiu deixar uma marca clara nos anais do mundo, sempre houve uma falsa sensação ou prepotente da história, sempre uma finalidade errada ou inadequada e sempre a presunção de um infinito, um glorioso e um destino exclusivo.
Nas sociedades que deixaram a sua marca de bondade no tempo, o sentido da história não era uma questão de orgulho ou para a glória, era a substância do aprendizado da experiência do passado. No propósito de tal sociedade havia sempre a verdade e constância, mas nunca uma suposição de que a sociedade tinha apreendido toda a verdade – ou a verdade superior. E no sentido do destino não houve presunção, não suposição de que uma sociedade ou nação ou cultura duraria para sempre e ir para glórias maiores. Mas sempre havia um senso de dever a ser cumprido, seja qual for o destino da sociedade, pode ser atribuído pela providência para a melhoria do mundo.
Esta é a encruzilhada em que estamos em AA stand. Este é um bom momento para re-examinar o quão bem temos contemplado nossa história AA e quanto temos lucrado com isso, o que percepções falsas ou falsas glórias que pode ter sido a extração da história – em nosso prejuízo futuro. É um momento para examinar os efeitos do presente Society. Na verdade, estamos muito felizes de poder do Estado como o núcleo de esse efeito, uma única palavra: a sobriedade.
Muito cedo se viu, no entanto, que a sobriedade na abstinência do álcool nunca poderia ser alcançada a menos que houvesse mais sobriedade e quietude na motivação falsa que underlay nossa maneira de beber.
Quando os Doze Passos foram lançados para cima – sem qualquer experiência real e, portanto, sob alguma orientação, certamente – nos foram dadas as chaves para a sobriedade em suas implicações mais amplas. Fomos abençoados com uma definição concreta de propósito, mas, para todos os seus concretude, ainda poderíamos abusar dela e uso indevido de uma forma muito natural.
Algumas vezes começamos a pensar que talvez, segundo a promessa bíblica, os primeiros serão os últimos e os últimos – significa nós – deve realmente ser o primeiro. Que seria de fato uma presunção muito perigoso e nunca devemos ceder a ela. Se o fizermos, vamos competir na história com outras sociedades que tenham sido mal aconselhado o suficiente para supor que eles tinham o monopólio da verdade ou foram de alguma forma superior a outras tentativas de homens a pensar e associar no amor e na harmonia.
Podemos olhar para fora sobre o nosso destino sem violação de nosso princípio de que estamos a viver um dia de cada vez. Queremos dizer que, emocionalmente, cada um em sua vida pessoal nunca é amofinar-se sobre o passado glorioso demais, no presente, ou presumir sobre o futuro. Vamos atender os negócios do dia, mas vamos tentar apreender a verdade cada vez mais com as lições da nossa história, não as lições de nossos sucessos, mas as lições de nossa deserções, as falhas e as emoções terrível que pode nos perder de nós. Para estes, na verdade, são a matéria-prima que Deus usou para forjar o instrumento ainda muito pequeno chamado Alcoólicos Anônimos. Então podemos olhar para o destino e podemos nos perguntar sobre isso e especular sobre ela um pouco – se não a pretensão de brincar de Deus. (GSC, 1961)
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5Q – Quando você sóbrio como é que você se aproxima de alcoólatras e fez você mudar essa abordagem?
5A – Tirei para curar alcoólatras atacado. Foi propulsão twinjet; dificuldades não significava nada. O conceito vasto do meu projeto nunca me ocorreu. Eu pressionei meu assalto por seis meses; minha casa estava cheia de alcoólatras. Arengas com pontuações não produziu o menor resultado. Nenhum deles conseguiu. Lamentavelmente, meu amigo da mesa da cozinha, que estava mais doente do que eu percebi, teve pouco interesse em outros alcoólicos. Este fato pode ter causado sua apostata intermináveis mais tarde. Porque eu tinha encontrado que trabalhar com alcoólatras tinha uma enorme influência sobre a minha própria sobriedade. Mas por que não qualquer um dos meus novas perspectivas sóbrio?
Lentamente, os insetos vieram à luz. Como um excêntrico religioso, eu estava obcecado com a idéia de que todo mundo deve ter uma “experiência espiritual” como o meu. Eu tinha esquecido que havia muitas variedades. Então alcoólatras meu irmão apenas olhou incrédulo ou pariram-me sobre o meu “flash quente.” Este tinha estragado a identificação potente tão fácil de obter com eles. Eu tinha virado evangélico. Claramente o negócio tinha que ser racionalizado. O que veio a mim em seis minutos pode exigir seis meses em outros. Era para ser aprendida que as palavras são coisas, que é preciso ser prudente. Foi também a certeza de que algo afligia a técnica de deflação. Ele definitivamente não tinha wallop. Raciocínio de que o alcoólatra “hex” compulsão ou deve emitir a partir de algum nível profundo, é que a deflação seguida ego também deve ir fundo, ou então não poderia haver qualquer liberação fundamental. Prática religiosa aparentemente não tocaria o alcoólico até a sua situação subjacente foi preparado. Felizmente, todas as ferramentas estavam na mão direita. Você médicos fornecidos los.
A ênfase foi deslocada de “pecado” para “doença” – a “doença fatal”, o alcoolismo. Citamos os médicos que o alcoolismo era mais letal do que o câncer, que consistia de uma obsessão da mente ligada à sensibilidade crescente corpo. Estas foram as nossas ogres twin da loucura e da morte. Nós inclinou-se pesadamente sobre a declaração do Dr. Jung de quão desesperada a condição poderia ser e, em seguida, derramou essa dose devastador em todos os bêbados dentro do alcance. Para o homem moderno a ciência é onipotente, é um deus. Portanto, se a ciência poderia passar uma sentença de morte de um bêbado, e colocamos que veredicto sobre nossa transmissão alcoólicas, ele pode romper-lo completamente. Talvez ele vire para o Deus do teólogo, não havendo lugar para ir. Seja qual for a verdade deste dispositivo, certamente tinha mérito prático. Imediatamente nossa atmosfera inteiro mudou. As coisas começaram a olhar para cima. (Amer. J. Psychiat., Vol.106, 1949)
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6Q – O que aconteceu com o seu patrocinador, Ebby?
6A – Foi Ebby que me trouxe a mensagem de que salvou a minha vida e vários milhares de outros.
Por causa da gratidão e da amizade antiga, Lois eu e minha esposa convidou Ebby para viver em nossa casa logo depois que eu sóbrio. O filho de um bem-fazer da família em Albany, ele nunca tinha aprendido qualquer profissão que ele estava quebrado e tinha que começar tudo de novo. Estes foram circunstâncias difíceis, naturalmente. Ebby ficou conosco algo como um ano e meio. Sendo a intenção de conseguir re-estabelecido na vida, ele teve pouco interesse em ajudar outros alcoólicos. Pouco a pouco, começou a racionalização vimos tantas vezes. Ele começou a dizer que se ele tivesse o romance certo e o trabalho direito, então as coisas ficariam bem. Por fim, ele caiu no esquecimento. Ele não se importaria se eu lhe disser isso – é uma parte de sua história hoje.
Por muitos anos, meu velho amigo Ebby estava no vagão e off. Às vezes, ele poderia ficar sóbrio há um ano ou mais. Ele tentou viver com Lois e eu por mais um período considerável, mas aparentemente isso foi de nenhuma ajuda. Talvez nós realmente impediu-o. Como AA começou a crescer a sua posição se tornou difícil. Durante muito tempo as coisas foram de mal a pior.
Cerca de seis anos atrás, os grupos no Texas decidiu tentar a sua mão. Ebby foi enviado non-stop para Dallas e colocado em um AA secagem lugar. Nesses novos ambientes no Texas, longe de suas falhas de idade, ele fez uma recuperação esplêndida. Com exceção de um deslizamento que ocorreu cerca de um ano após sua chegada lá, ele foi osso seco desde então. Esta é uma das mais profundas satisfações que já chegou para mim desde que começou a AA e AA muitos outros podem dizer o mesmo. (“Livro Azul”, NCCA Vol.12, 1960)
7Q – O que AA aprender com o Grupo Oxford e por que deixá-los?
7A – primeiro passo de AA foi derivado em grande parte do meu próprio médico, Dr. Silkworth, e minha Ebby patrocinador e seu amigo, do Dr. Jung de Zurique. Refiro-me à desesperança médica do alcoolismo – a nossa “impotência” o álcool.
O resto dos Doze Passos-tronco diretamente desses ensinamentos do Grupo Oxford que se aplica especificamente a nós. É claro que esses ensinamentos foram nada de novo, poderíamos ter obtido-los de sua própria Igreja. Eles foram, com efeito, um exame de consciência, confissão, restituição, ajuda ao próximo, e da oração.
Eu deveria reconhecer a nossa grande dívida para com o povo Grupo Oxford. Foi uma sorte que colocou ênfase especial em princípios espirituais que precisávamos. Mas na justiça também deve ser dito que muitas das suas atitudes e práticas não funcionam bem em tudo para nos alcoólatras. Estes foram rejeitados, um por um e eles causaram a nossa retirada mais tarde, a partir desta sociedade para uma comunhão de nossas próprias – Alcoólicos Anônimos de hoje.
Talvez eu deva especificamente esboço por isso que sentiu a necessidade de parte da empresa com eles. Para começar, o clima de sua empresa não estava bem adaptado aos alcoólicos nós. Eles foram agressivamente evangélica. Eles procuraram revitalizar a mensagem cristã, de tal forma a “mudar o mundo.” A maioria de nós alcoólicos havia sido submetido a pressão de evangelismo e nunca gostei. O objeto de salvar o mundo – quando ele ainda estava muito em dúvida se poderíamos salvar a nós mesmos – parecia melhor deixar para outras pessoas. Em razão de alguns de seus terminologia e pelo esforço de enorme pressão, o Grupo Oxford definir um passo moral que foi muito rápido, principalmente para os nossos alcoólicos mais recentes. Eles constantemente falado de pureza absoluta, altruísmo absoluto, honestidade absoluta, e Amor Absoluto. Enquanto a teologia de som deve ter sempre os seus valores absolutos, os Grupos Oxford criou o sentimento de que se deve chegar a esses destinos em pouco tempo, talvez pela próxima quinta-feira! Talvez eles não tinha a intenção de criar essa impressão, mas que foi o efeito. Às vezes, o seu público “testemunho” foi de tal natureza a causar-nos a ser tímida. Eles também acreditavam que por “converter” as pessoas de destaque com suas crenças, eles se apressam a salvação de muitos que foram menos proeminentes. Esta atitude dificilmente poderia apelar para o bêbado média desde que ele era nada, mas distinto.
O Grupo Oxford também tiveram atitudes e práticas que somadas a uma autoridade altamente coercitivas. Esta foi exercida por “equipes” de membros mais velhos. Eles se reuniam em meditação e receber orientação específica para a condução de vida dos recém-chegados. Essa orientação poderia cobrir todas as situações possíveis a partir da mais trivial à mais grave. Se as instruções assim obtidos não foram seguidos, a máquina de execução começou a operar. Ela consistia de uma espécie de frieza e distanciamento que fez recalcitrantes sentem que não eram procurados. Ao mesmo tempo, por exemplo, uma “equipe” tem orientação para mim o efeito que eu não era mais para trabalhar com alcoólatras. Isso eu não podia aceitar.
Outro exemplo: Quando eu primeiro contato com os Grupos Oxford, os católicos foram autorizados a participar nas suas reuniões porque eram estritamente não-denominacional. Mas depois de um tempo a Igreja Católica proibiu seus membros a participar ea razão para isso parecia uma boa. Através do Grupo de Oxford “equipas”, os membros da Igreja Católica foram realmente receber orientação específica para as suas vidas, eles muitas vezes eram infundidos com a idéia de que sua Igreja havia se tornado, em vez de cavalo e charrete, e precisava ser “mudado”. Orientação foi dada freqüência que as contribuições devem ser feitas para os Grupos Oxford. De certa forma isso atingiu colocando católicos em uma jurisdição distinta eclesiástica. Neste momento não eram católicos poucos em nossos grupos alcoólicas. É óbvio que não poderia se aproximar católicos mais sob os auspícios do Grupo Oxford. Portanto, este foi outro, ea razão básica para a retirada de nosso multidão alcoólicas dos Grupos Oxford, não obstante a nossa grande dívida para com eles. (“Livro Azul” NCCA, vol. 12, 1960).
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Outra Resposta
7A – O primeiro grupo de AA passou a existir, mas nós ainda não tinha nome. Aqueles foram os anos de vôo cego, que decorrem dois ou três anos. Um deslizamento naqueles dias era uma calamidade terrível. Gostaríamos de olhar um para o outro e saber quem pode ser o próximo. Fracasso! Fracasso! Falha foi nossa companheira constante.
Voltei para casa a partir de Akron agora dotado de uma humildade e menos se tornando mais pregação e algumas pessoas começaram a vir até nós, alguns em Cleveland e Akron. Tive de voltar em negócios de forma breve e novamente Wall Street entrou em colapso e me levou com ele como de costume. Então me propus Ocidente para ver se havia algo que eu poderia fazer naquele país. Dr. Bob e eu, naturalmente, tinha sido correspondente, mas não foi até uma tarde de outono em 1937, que cheguei a sua casa e sentou-se em sua sala de estar. Lembro-me da cena como se fosse ontem e saímos um lápis e papel e começamos a colocar os nomes dessas pessoas em Akron, Nova Iorque e que a aspersão pouco em Cleveland que tinha sido enquanto uma seca e apesar da grande número de falhas que finalmente explodiu em cima de nós que quarenta pessoas tinha conseguido uma liberação real e tinha tempo de secagem significativas por trás deles. Nunca vou esquecer que grande hora e humilhante de realização. Bob e eu vi pela primeira vez que uma nova luz começou a brilhar sobre nós alcoólatras, tinha começado a brilhar sobre as crianças da noite.
Essa percepção trouxe uma imensa responsabilidade. Naturalmente, pensamos de uma só vez, como deve saber o que forty ser transportado para os milhões que não sabem? Dentro de bala desta casa deve haver outros como nós que estão totalmente incomodados por essa obsessão. Como será que eles sabem? Como é que isto vai ser transmitido?
Até esse momento, como você deve estar ciente, AA foi totalmente simples. Encheu a medida cheia de simplicidade como é desde exigida por um monte de gente. Acho que os mais velhos têm uma nostalgia sobre aqueles dias felizes de simplicidade, quando graças a Deus não houve fundadores e sem dinheiro e não havia pontos de encontro, apenas salões. Annie e bolos Lois e café para aqueles bêbados na sala de estar. Nós nem sequer temos um nome! Nós apenas nos chamamos um bando de bêbados tentando ficar sóbrio. Estávamos mais anônimo do que estamos agora. Sim, era tudo muito simples. Mas, aqui estava uma nova percepção, o que era da responsabilidade dos quarenta homens a quem não sabia?
Bem, eu tenho no mundo dos negócios, um mundo bastante agitada dos negócios, o mundo de Wall Street. Eu suspeito que eu era um bom negócio de um promotor e um pouco de um vendedor, muito melhor do que eu estou aqui hoje. Então comecei a pensar em termos de homem de negócios. Tínhamos descoberto que os hospitais não queriam que nós bebedores porque, estávamos contribuintes pobres e nunca chegou bem. Então, por que não deveríamos ter nossos próprios hospitais e eu imaginei uma grande cadeia de tanques de bêbado e hospitais que se espalham pela terra. Provavelmente, eu poderia vender ações nessas e poderíamos muito bem comer, bem como salvar bêbados.
Então, também, o Dr. Bob e lembrei-me que tinha sido um negócio muito tedioso e lento para ficar sóbrio quarenta pessoas, que havia tomado cerca de três anos e naqueles dias em que os mais velhos tiveram a vanglória de supor que ninguém mais poderia realmente fazer isso trabalho, mas nós. Então, nós naturalmente pensou em termos de ter missionários alcoólicas, sem menosprezo para os missionários para ter certeza. Em outras palavras, as pessoas seriam grubstaked por um ano ou dois, se mudou para Chicago, St. Louis, Frisco e assim por diante e começar pequenos centros e, entretanto, que seria o financiamento desta série de tanques de bêbado e começou a chupar-los para esses lugares. Sim, nós precisaríamos missionários e hospitais! Então veio uma reflexão que fazia algum sentido.
Parecia muito claro que o que já tínhamos descoberto deve ser colocado no papel. Precisávamos de um livro, então Dr. Bob convocou uma reunião para a noite seguinte e nessa reunião pouco de uma dúzia e meia, uma decisão histórica foi tomada, que afetou profundamente o nosso destino. Foi na sala de um amigo não-alcoólicas que vamos chegar lá, porque sua sala de estar era maior do que o salão de Smith, e ele nos amou. Eu também me lembro daquele dia como se fosse ontem.
Então, Smithy e expliquei essa nova obrigação, que dependesse de nós quarenta. Como é que vamos levar esta mensagem para aqueles que não sabem? Comecei a acabar o meu discurso sobre a promoção hospitais e os missionários e os livros e vi seus rostos queda e imediatamente essa reunião dividido em três partes significativas. Havia a seção promotor da qual eu era definitivamente um. Havia a seção que era indiferente e não havia que se pode chamar a seção de ortodoxa.
A seção de ortodoxa foi muito vocal e disse com razão: “Olhe! Coloque-nos no negócio e estamos perdidos. Isso funciona porque é simples, porque todo mundo trabalha para ele, porque ninguém faz nada com isso e porque ninguém tem qualquer machado para moer exceto sua sobriedade e do outro cara. Se você publicar um livro, teremos brigas infinita sobre a maldita coisa. Ele nos fará entrar no negócio e do clínquer da seção de ortodoxa era que o nosso Senhor, Ele mesmo, não tinha nenhum livro .
Bem, foi impressionante e eventos provou que o povo ortodoxo eram praticamente certa, mas, graças a Deus, não está totalmente certo. Então havia os indiferentes, que pensei, bem, se Smitty e Bill acho que devemos fazer estas coisas, bem, todos os seus direitos com a gente. Assim, os indiferentes, mais os promotores para fora eleita a ortodoxia e disse: “Se você quer fazer essas coisas Bill, você volta para Nova York, onde há um monte de massa e você recebe o dinheiro e depois vamos ver.”
Bem, por esta altura estou mais do que uma pipa você sabe. Promotores podem ficar no alto de algo além do álcool. Eu já estava falando sobre o maior desenvolvimento médico, o maior desenvolvimento espiritual, o maior desenvolvimento social de todos os tempos. Pense nisso, quarenta bêbados. (Chicago, Illinois, fevereiro 1951)
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8Q – E sobre o alcoólatra que diz que ele não pode acreditar em Deus?
8A – A muitos deles vêm para AA e dizem que eles estão presos. Isto quer dizer que temos os convenceu de que eles são fatalmente doente, mas eles não podem aceitar uma crença em Deus e Sua graça, como meio de recuperação. Felizmente isso não prova a ser um dilema impossível de todo. Nós simplesmente sugerem que os recém-chegados a tomar uma posição fácil e uma mente aberta, que ele continua a praticar as partes dos Doze Passos que o bom senso de qualquer pessoa seria facilmente recomendo. Ele certamente pode admitir que ele é um alcoólatra, que ele deveria fazer um inventário moral; que ele deveria discutir seus defeitos com outra pessoa, que ele deve fazer a restituição por danos causados, e que ele pode ser útil a outros alcoólicos.
Enfatizamos a ‘mente aberta’, que pelo menos ele deve admitir que pode haver uma ‘Força Maior’. Ele certamente pode admitir que ele não é Deus, nem a humanidade em geral. Se ele gostaria de poder colocar a sua própria dependência de seu grupo AA própria. Esse grupo é, certamente, uma “Força Maior”, medida em recuperação do alcoolismo está em causa. Se estas condições forem satisfeitas razoável, ele então encontra-se liberado da compulsão para beber; ele descobre que suas motivações foram alterados muito desproporcional em relação a qualquer coisa que poderia ter sido alcançado por uma associação simples com nós ou por qualquer prática de um pouco mais honestidade, humildade, tolerância e utilidade. Pouco a pouco ele se torna consciente de que uma “Força Maior” é realmente no trabalho. Em questão de meses, ou pelo menos em um ano ou dois, ele está falando livremente sobre Deus, como ele compreende. Ele recebeu o dom da graça de Deus – e ele sabe disso. (NCCA, Livro Azul, Vol.12, 1960)
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9Q – Como a medicina e religião diferem em sua abordagem para o alcoólico?
9A – Eles diferem em um aspecto. Quando o médico tem mostrado o alcoólico as dificuldades subjacentes e prescreveu um programa de reajuste, ele diz-lhe: “Agora que você entende o que é necessário para a recuperação, você não deve depender de mim. Você deve depender de si mesmo. Você vai fazê-lo. “
Claramente, então, o objetivo do médico é fazer com que o paciente auto-suficiente e em grande parte, se não totalmente, dependente de si mesmo.
Religião não tenta isso. Ela diz que a fé em si não é suficiente, mesmo para um não-alcoólicas. O clérigo diz que teremos de encontrar e dependem de um Poder Superior – Deus. Ele aconselha a oração e, francamente, recomenda uma atitude de inabalável confiança nEle, que preside todos. Por este meio descobrimos muita força para além do nosso próprios recursos.
Assim, a principal diferença parece somar a isto: Medicina diz, conhece a si mesmo, seja forte e você será capaz de enfrentar a vida. A religião diz, conhecer a si mesmo, pedir a Deus por poder, e você se tornará verdadeiramente livre.
Em Alcoólicos Anônimos a nova pessoa pode tentar um ou outro método. Ele às vezes elimina “o ângulo espiritual” a partir dos Doze Passos para a recuperação e totalmente depende de honestidade, tolerância e trabalhar com os outros. Mas é interessante notar que a fé sempre vem para aqueles que tentar essa abordagem simples com uma mente aberta – e, entretanto, que permanecer sóbrio.
Se, no entanto, o conteúdo espiritual dos Doze Passos está ativamente negado, eles raramente podem permanecer seco. Essa é a nossa experiência de AA. Ressaltamos o espiritual, simplesmente porque milhares de nós descobriram que não podemos fazer sem ele. (NY Estado 3. Med., Vol. 44, 15 de agosto de 1944)
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10Q – Quais eram as condições que levaram à Doze Tradições?
10A – Depois do artigo de Jack Alexander foi publicado em 1941 que derrubou um dilúvio sobre o nosso pequeno escritório de Nova York de milhares e milhares de consultas de alcoólatras frenético, suas esposas, seus empregadores e, naquele momento em que passamos da nossa infância e embarcou na nossa fase-a próxima fase da adolescência.
Bem, a adolescência, por definição, é um momento conturbado da vida jovem e que não foram excepção como grupos começou a tomar forma por toda a terra e estes grupos imediatamente teve problemas. Fizemos a descoberta muito triste que só porque você sóbrio um bêbado você ainda não fez um santo fora dele por um longo tiro. Descobrimos que poderíamos estar amargamente ressentido e descobrimos que tínhamos uma cura bebida muito melhor do que pensávamos possível. Muitos de nós descobrimos que poderíamos gripe como um trovão e ainda ficar sóbrio. Descobrimos que estávamos em todos os tipos de lutas mesquinhas para a liderança e prestígio. Muitos de nós eram muito desconfiados da empresa livro nas mãos de Wilson que companheiro que tem um caminhão de backup para o Sr. Rockefeller que tem toda a massa. E nós começamos a ter todos os tipos de problemas.
O dinheiro tinha entrado na imagem – que tinha que fazer. Tivemos que contratar salas que não veio para nada, o custo algo livro, tínhamos jantares de vez em quando. Sim, o dinheiro veio para ele.
Então descobrimos, pouco a pouco que os grupos tinham que ter feito as tarefas. Que ia ser o presidente, será que a mão pegá-lo ou elegê-lo ou o quê? Você sabe o que esses problemas foram e tornaram-se tão temível que passou por um novo período de cego voando. O primeiro período do vôo cego se lembra tinha a ver com se o indivíduo poderia ser restaurado em uma peça, mesmo as forças da destruição em si poderia ser contido e moderado. Agora, estávamos começando a pensar na primeira parte da nossa adolescência, se as forças destrutivas em nossos grupos seria rasgar-nos distante e destruir a sociedade. Ah, aqueles eram dias temíveis.
Nosso pequeno escritório de Nova York começou a ser inundada com cartas desses grupos, crescendo a uma distância e sem contato com os nossos centros de idade e que eles estavam tendo esses problemas: Havia gente saindo do manicômios. Senhor, o que esses lunáticos fazer para nós? Havia presos, estaríamos sacos de areia? Houve pessoas queer. Havia pessoas, acredite ou não, cujos costumes eram ruins e os alcoólatras respeitável de que o tempo balançou a cabeça e disse: “Certamente essas pessoas imorais vão tornar-nos separe.” Chapeuzinho Vermelho e os lobos maus começaram a abundar. Ah sim, nossa sociedade pode durar?
Ele continuou a crescer, mais grupos, mais membros. Às vezes, os grupos divididos, porque os líderes eram loucos um ao outro e às vezes divididos, porque eram grandes demais. Mas por um processo de fissão e sub-divisão este movimento cresceu e cresceu e cresceu. Dez anos mais tarde já havia se espalhado em trinta países.
Fora dessa confusão vasta experiência em nossa adolescência ele começou a ser evidente que iríamos tomar atitudes muito diferentes em relação muitas coisas que os nossos colegas americanos. Estávamos profundamente convencido por exemplo, que a sobrevivência do todo era muito mais importante do que a sobrevivência de qualquer indivíduo ou grupo de indivíduos. Isso foi uma coisa muito maior do que qualquer um de nós. Começamos a suspeitar que uma vez que uma massa de alcoólatras foram aderindo até mesmo a meio caminho dos Doze Passos, que Deus poderia falar em sua consciência de grupo e até fora do grupo que a consciência poderia vir uma sabedoria maior do que qualquer liderança inspirada.
Nos primeiros dias todos nós tínhamos regras de associação. Onde eles foram agora? Nós não estamos mais com medo. Abrimos nossos braços, dizemos que não me importo quem você é, o que suas dificuldades são. Você só precisa dizer: “Eu sou um alcoólatra e estou interessado.” Você declara-se dentro Nossa idéia da associação é colocar exatamente no sentido inverso.
Anos atrás pensávamos que esta sociedade deve ir em pesquisa e educação, para fazer tudo para bêbados o tempo todo. Sabemos melhor agora. Temos um único objetivo nesta sociedade, nós sapateiros vão manter a nossa última e nós vamos levar essa mensagem a outros alcoólicos e deixar estas e outras questões para o mais competente. Vamos fazer uma coisa extremamente bem, em vez de muitas coisas mal.
E assim nossa Tradição cresceu. Tradição não é tradição americana. Levar a nossa política de relações públicas. Por que, na América tudo é executado em grandes nomes, pessoas de publicidade. Somos um país dedicado ao heroísmo. É uma tradição amado e ainda assim esse movimento na sabedoria da alma que é Grupo, sabia que não era para nós. Portanto, a nossa política de relações públicas é o anonimato no nível público. Nenhuma publicidade de pessoas, os princípios acima das personalidades. Anonimato tem um profundo significado espiritual – a maior proteção desse movimento tem.
Como a nossa sociedade cresceu se desenvolveu o seu modo de vida. É uma maneira de relacionar-nos juntos, é uma forma de relacionar-nos com estas questões problemáticas de dinheiro, propriedade e prestígio e autoridade eo mundo em geral. Tradição AA desenvolvidos não porque eu ditava, mas porque vocês, a sua experiência formou e eu apenas defini-lo em papel e tentou início há quatro anos (1946) para refletir de volta para você. Tais foram os nossos anos de adolescência, e antes que nós deixá-los devo dizer que um poderoso impulso foi dado o Tradições pelo cavalheiro que me apresentou. (Earl T.)
Um dia ele saiu a Bedford Hills, após a forma longa das Tradições foram escritas durante algum tempo, pois no escritório estávamos sempre tendo que responder a perguntas sobre os problemas do grupo, por isso as Tradições originais eram mais longas e cobertas mais possibilidades de problemas. Earl me olhou um pouco intrigado e ele disse: “Bill, você não obtê-lo através de sua cabeça espessa que esses bêbados não gostam de ler. Eles vão ouvir por um tempo, mas eles não vão ler nada. Agora, você quer cápsula Tradições essas tão simples como são os Doze Passos para a recuperação. “
Então eu e ele iniciou o processo capsulizing, que durou um dia ou dois e que colocam as Tradições em sua forma (pequena) presente. Bem, por esta altura tínhamos muita experiência nestes princípios, que começamos a pensar pode nos unem em união por tanto tempo como Deus pode precisar de nós. E em Cleveland (1950), sete mil de nós fez declarar: “Sim, estes são os princípios tradicionais sobre os quais estamos dispostos a stand, em que podemos comprometer-nos com segurança para o futuro, e por isso surgiu a partir da adolescência. Novamente, última ano, levamos o destino pela mão. (Chicago Transcrito da fita., IL, fevereiro 1951).
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11q – Tenha as Tradições sido amplamente aceito?
11A – Quando eles foram escritas no início de 1946 como guias tentativa para nos ajudar a ficar juntos e função, ninguém prestou atenção, exceto alguns “againers”, que me escreveu e perguntou o que diabos eles estavam prestes.
Ninguém prestou a menor atenção, mas pouco a pouco, uma vez que estas Tradições ficou em torno tivemos brigas nosso clube, nossa rifts pouco, essa dificuldade e que e verificou-se que as tradições realmente fez refletir a experiência e foram os princípios orientadores. Então, eles pegou um pouco mais e um pouco mais para que hoje a média AA entrando pela porta aprende de uma vez que eles estão prestes, sobre que tipo de um equipamento que ele tem realmente pousou em que princípios e por seu grupo e como AA um todo são governados. (Transcrito da fita, Fort Worth, TX, 1954)
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12Q – Qual será a Conferência de Serviços Gerais fazer?
12A – Ele vai ouvir os relatórios anuais da Fundação alcoólicas, o Escritório Geral, Grapevine, e publicar trabalhos e também o relatório do nosso contador público certificado. A Conferência vai discutir plenamente esses relatórios, oferecendo sugestões ou resoluções necessárias respeitá-los.
Os curadores apresentará à Conferência todos os problemas graves de ordem financeira ou confrontando AA Sede, ou AA como um todo. Na sequência de discussões destes, a Conferência irá oferecer os curadores aconselhamento adequado e resoluções.
Especial atenção será dada a todas as violações de nossa Tradição susceptíveis de afectar seriamente a AA como um todo. A Conferência será, se for considerado sábio, publicar resoluções adequadas deplorando tais desvios.
Porque as atividades da Conferência se estenderá ao longo de um fim de semana de três dias, delegados serão capazes de trocar opiniões sobre todos os problemas imagináveis. Eles se tornarão bem familiarizados uns com os outros e com as pessoas a nossa sede. Eles vão visitar as instalações da Fundação, Grapevine e Office Geral. Isso deve gerar confiança mútua. Conjecturas e rumores estão a ser substituído por conhecimento em primeira mão.
Antes da conclusão da Conferência de cada ano, uma comissão será nomeada para processar todos os membros de AA um relatório escrito sobre a condição da sua Sede e do estado de AA em geral.
Na casa de um delegado da Conferência de retorno, seu Estado ou do Comité Provincial, se possível, convocar uma reunião de representantes do Grupo e quaisquer outros que desejam ouvir seu relatório pessoal. O Delegado terá esses reação reuniões para o seu relatório, e respeitando as suas sugestões problemas a serem considerados nas sessões da Conferência futuro. O Delegado deve visitar como muitos de seus grupos constituintes possível. Eles deveriam ter conhecimento direto de sua sede AA. (Terceiro Legado Pamphlet, Outubro 1950).
12A – Através da Conferência de Serviços Gerais, AA como um todo é agora trazido para a foto. A Conferência é um “comité de rotação enorme”, em cujas mãos foi colocada a responsabilidade de serviços a nível mundial de AA – a assistência aos grupos, relações públicas, preparação e distribuição de propagação literatura, estrangeiros e outras atividades. (Bill W. primeiro GSC, 1951)
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13q-Poderia explicar a tradição AA a respeito de outras agências no campo do alcoolismo.
13 – Eu me lembro muito bem quando este comité começou (janeiro de 1944) Trouxe-me em contato com nossos grandes amigos em Yale, o corajoso Dr. Haggard, o incrível Dr. Jellinek ou Bunky como nós carinhosamente conhecê-lo e Seldon e todos aqueles dedicada pessoas.
Surgiu a questão, poderia um membro de AA entrar ensino ou a investigação ou o que não? Em seguida, seguiu-se uma controvérsia fresca e grande em AA que não foi surpreendente, porque é preciso lembrar que nesse período nós éramos como pessoas em jangada de Rickenbacker. Quem ousaria jamais rocha-nos sempre tão pouco e precipitar-nos de volta no mar de álcool.
Então, francamente, ficamos com medo e como de costume, tivemos os radicais e os conservadores que tínhamos e tivemos moderados nesta questão de saber se os membros de AA poderia ir para outras empresas neste campo. Os conservadores disse: “não, vamos mantê-lo simples, vamos mente nosso próprio negócio.” Os radicais disse, “vamos apoiar qualquer coisa que parece que vai fazer nenhum bem, deixe o nome de AA ser usado para levantar dinheiro e fazer o que for possível para o campo todo”, eo crescente corpo de moderados assumiu a posição, “deixe nenhum membro de AA que se sente a chamada ir para estes campos relacionados para, se quisermos fazer menos seria uma visão muito anti-social.” Então é aí que a Tradição finalmente sentou-se e muitos foram chamados e muitos foram escolhidos desde aquele dia de ir para essas áreas afins que agora tem que ser tão grande em sua promessa de que nós de Alcoólicos Anônimos está recebendo até o nosso tamanho certo e nós só agora estão percebendo que nós somos apenas uma pequena parte de uma imagem bem grande.
Estamos percebendo mais uma vez, de novo, que sem nossos amigos, não só não poderíamos ter existido em primeiro lugar, mas não poderíamos ter crescido. Estamos recebendo um novo conceito do que as nossas relações com o mundo e todas essas empresas devem ser relacionados. Em outras palavras, estamos crescendo. De fato, no ano passado em St. Louis fomos ousados o suficiente para dizer que tínhamos vindo de idade e que, dentro de Alcoólicos Anônimos as principais linhas de base para a recuperação, da base da unidade e da base para o serviço ou função já estavam evidente.
Em St. Louis fiz palestras sobre cada um desses assuntos que preocupavam-se em grande parte sobre o que AA tinha feito sobre essas coisas, mas aqui estamos em um campo muito mais amplo e acho que o céu é o limite. Eu acho que eu posso dizer sem qualquer reserva que o que esta comissão tem feito com o auxílio de seus grandes amigos que estão agora a legião como qualquer um aqui pode ver. Eu acho que esta Comissão tem sido responsável por fazer mais amigos para o Alcoólicos Anônimos e de fazer um serviço mais amplo em educar o mundo sobre a gravidade desta doença eo que pode ser feito sobre isso do que qualquer outra agência única.
Estou terrivelmente parcial e talvez eu esteja um pouco tendencioso, porque aqui fica o decano de todos os nossos senhoras (Marty M.), o meu próximo, caro amigo. Então, falar fora de hora como fundador, quero transmitir-lhe, na presença de todos vocês o melhor que posso dizer do meu grande amor e afeição é obrigado.
No final das coisas em St. Louis, eu me lembro que eu comparou AA para um edifício de estilo catedral cujos cantos agora repousava sobre a terra. Lembro-me de dizer que podemos ver em seu piso grande dos Doze Passos de Alcoólicos Anônimos e ali reunidos 150.000 doentes e suas famílias. Vimos paredes laterais sobem, reforçado com a Tradição AA e em St. Louis, quando a Conferência elegeu assumiu a partir do Conselho de Curadores, a torre de serviço entrou em vigor e seu farol, o farol de AA brilhou lá acenando para todo o mundo.
Eu percebi que enquanto eu estava sentado aqui hoje que não era um conceito suficientemente grande, para no chão da catedral do espírito deve sempre ser escrita a fórmula de qualquer fonte para a liberação do alcoolismo, quer seja uma droga, seja ela ser a arte psiquiátricas, seja as ministrações deste Comitê. Em outras palavras, nós que lidar com este problema estão todos no mesmo barco, todos de pé no chão mesmo. Então, vamos trazer para este piso o total de recursos que pode ser exercida sobre este problema e não vamos pensar em unidade apenas em termos de tradição AA, mas vamos pensar da unidade entre todos aqueles que trabalham no campo como o tipo de unidade convém que a fraternidade e irmandade e parentesco no sofrimento comum. Vamos ficar juntos no espírito de serviço. Se fizermos essas coisas, só então poderemos declarar-nos realmente vir de idade. E só então, e eu acho que este é um tempo não muito distante. Acho que podemos dizer que o futuro, nosso futuro, o futuro da Comissão, de AA e das coisas que as pessoas de boa vontade estão tentando fazer neste campo será totalmente assegurada. (Transcrito do endereço colado O Comitê Nacional de Educação sobre Alcoolismo. 30 março, 1956).
14q – Com que finalidade fazer os Doze Conceitos para Serviços Mundiais serve?
14A – “Os conceitos a serem discutidos nas páginas seguintes são essencialmente uma interpretação de serviços mundiais de AA estrutura Eles soletrar as práticas tradicionais e os princípios da Carta da Conferência que se relacionam com os componentes de nossa estrutura de mundo em um todo trabalhando Our Legacy terceiro lugar.. manual é em grande parte um documento interno. Até agora, o manual diz-nos como operar nossa estrutura de serviço. Mas há considerável falta de informações detalhadas, o que poderia nos dizer por que a estrutura se desenvolveu como ele tem e por suas partes de trabalho são relacionados juntos na moda que a nossa Conferência e charters Conselho Geral Serviço de fornecer.
“Estes Doze Conceitos, portanto, representam uma tentativa de colocar no papel o porquê de nossa estrutura de serviço de tal forma que a experiência altamente valiosos do passado e as conclusões que temos que deles se retiram não pode ser perdida.
“Esses conceitos são nenhuma tentativa de congelar nossa operação contra a mudança necessária. Eles apenas descrever a situação atual, as forças e princípios que moldaram-lo. É preciso lembrar que na maioria dos aspectos da Carta da Conferência pode ser facilmente alterada. Esta interpretação da o passado eo presente podem, no entanto, têm um alto valor para o futuro. Cada geração que se aproxima de trabalhadores de serviços estarão ansiosos para mudar e melhorar nossa estrutura e operações. Isso é bom. Nenhuma mudança dúvida será necessário. Talvez falhas imprevistas surgirão . Estes terão que ser corrigidas.
Mas junto com essa perspectiva muito construtiva, não ficará obrigado a ser ainda um outro, um destrutivo. Devemos sempre ser tentado a deitar fora o bebé com a água do banho. Vamos sofrer a ilusão de que a mudança, qualquer alteração plausível, serão necessariamente representam o progresso. Quando assim animada, podemos descuidadamente deixado de lado as lesões de difícil ganhou experiência inicial e assim por cair para trás em muitos dos grandes erros do passado.
Assim, um objetivo principal desses Doze Conceitos é manter a experiência e as lições dos primeiros dias constantemente diante de nós. Isso deve reduzir a chance de mudança precipitada e desnecessária. E se são feitas alterações que acontecem para trabalhar mal, então espera-se que estes Doze Conceitos fará um ponto de retorno seguro. “(GSC, 1960)
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15 – (Lembrando Amigos precoce de AA) Bill nunca se cansou de contar a história do início AA ‘e dando graças por nossos muitos amigos cedo. É assim que ele disse para a Conferência de Serviços Gerais em 1952.
15A – “Você compartilha comigo, eu sei, o pensamento de que as horas de encerramento desta conferência trazem com eles uma realização profunda e alegre A constatação de que, finalmente, estamos certamente no caminho de alta que se estende para fora para o nosso futuro, na direção. , nós confio, um nascer do sol eterno. Enfrentamos o nascer do sol, na esperança de altura, com uma confiança que é quase incrível e com o coração cheio de gratidão indescritível.
Gratidão ao Pai das luzes, que tem nos livrou da nossa gratidão, a servidão aos amigos através de cujos corações ele permitiu esse milagre a ser trabalhado, e gratidão para o outro.
Isso também é uma hora que nunca vai agitar memória. Comigo, talvez mais do que a maioria, as fontes da memória são na maré enchente. Eu acho que de um psiquiatra de Zurique, na Suíça, que tinha um paciente, um empresário americano, tratou de um ano.
O paciente pensou muito de seu psiquiatra, ninguém menos que o famoso Dr. Jung. O paciente pensou que ele estava bem, mas deixando o médico, logo se viu bêbado. Então ele retornou ao Dr. Jung, que ainda desconhecido até hoje, é um dos fundadores dessa sociedade. E ele disse a este paciente “, menos que você tenha uma experiência espiritual, não há nada que pode ser feito. Está muito condicionado pelo alcoolismo para ser salvo de qualquer outra forma.”
Nosso amigo achou que era uma frase dura, mas como muitos de nós desde então, ele começou a buscar tal experiência. Ele achou nos confins do Grupo de Oxford, um movimento evangélico da época. Ele sóbrio ao mesmo tempo. Lá ele encontrou a graça para alcançá-lo. Foi então chamada a sua atenção que um amigo dele estava prestes a ser cometido para o alcoolismo para um asilo em Vermont. Juntamente com alguns outros “garoupas”, ele intercedeu. O resultado foi a nossa Ebby amado, quem primeiro trouxe o essencial de recuperação para mim. Enquanto isso, houve um jesuíta pouco, Ed Dowling, trabalhando entre o seu rebanho, coxo e relativamente obscura, ele também, foi acender uma vela para AA
Havia uma freira, a irmã Ignatia, em Akron, que viria a se tornar o companheiro do Dr. Bob, que como você sabe, era o príncipe de nossos Steppers Reis. Ela também foi acender uma vela por nós.
Mesmo Francisco de Assis segurando o princípio da pobreza corporativa, tinha acendido uma vela para AA Então, tinha William James, o pai da psicologia moderna, cujo livro, “As Variedades da Experiência Religiosa “, teve uma influência tão profunda sobre nós. Ele tinha acendido uma vela para Alcoólicos Anônimos.
Então, também, havia a ser mensageiros a todo o mundo. Harry Emerson Fosdick, Fulton Oursler da Liberdade, Jack Alexander eo proprietário do Saturday Evening Post. Eles estavam a tornar-se mensageiros. Eles, também, foram acender velas para os Alcoólicos Anônimos.
Mas lá atrás, no verão de 1934, os alcoólicos do mundo se sentiu tão desesperada como nunca. E ainda, como você vê, uma mesa estava sendo preparado na presença do nosso antigo inimigo, John Barleycorn. Velas já estavam em cima dele, e comida e bebida estava lá, mas os convidados não tinham chegado.
Então veio alguns convidados e eles comeram do faísca que viria a se tornar Alcoólicos Anônimos foi atingido. Seguiu-se então o nosso período de vôo cego, no final dos quais, cerca de 1937 ou 1938, nós percebemos que, de fato, uma mesa havia sido preparado na presença de nosso inimigo. E que as velas sobre a mesa poderia um dia brilhar em todo o mundo e tocar em cada cabeça de praia distante.
Havia mais anos de dores de que o tempo pioneiro, que terminou em 1941 com o advento do artigo Post. Enquanto isso, nosso livro de experiência tinha aparecido. Não precisa mais viajamos em pessoa. A mensagem poderia ser tomada por aquelas páginas impressas para as distantes que sofreram.
Nosso programa de recuperação foi realmente completa. Então veio a testar se os nossos grupos de crescimento poderiam viver e trabalhar em conjunto, se a enorme qualidade explosiva da nossa irmandade iria encontrar em nossos princípios de recuperação de um elemento suficiente que o contém. Logo chegamos a perceber, pouco a pouco que temos de Alcoólicos Anônimos devem ficar juntos ou mesmo devemos permanecer separados.
E em que a experiência às vezes assustadora, a Tradição de Alcoólicos Anônimos foi forjado. E em Cleveland, em 1950, foi confirmado por nossa comunhão como a plataforma tradicional sobre o qual nossa sociedade pretendia ficar.
Nenhum corpo de lei foi esta tradição. Um conjunto de princípios infundido com o espírito dos nossos 12 passos de recuperação e consagrados no coração de cada um de nós – o que seria a nossa proteção, pensamos, a partir de qualquer golpes com a qual o mundo exterior se nos assaltam, nossa proteção contra quaisquer tentações para que nós pudéssemos ser submetido dentro.
Tal era a Tradição de Alcoólicos Anônimos.
Nesse período da infância e na adolescência descobriu que esta Sociedade tinha de funcionar. Esta Conferência que culmina longo processo de descoberta através do qual nós aprendemos como podemos melhor agir de forma a levar esta mensagem para aqueles que sofrem. Sim, o advento desta conferência com toda a força marcará um grande dia nos anais dos Alcoólicos Anônimos.
Para mim, ele marca um momento em que eu devo mudar de atividade para reflexão e meditação e para a tarefa de agir como seu escriba, para registrar a experiência destes anos maravilhosos que passou. Sei que serei, mas um refletor, um escrevinhador só. Espero que a tarefa será concluída, útil e agradável para você – e agradável a Deus.
Meu coração está cheio demais para dizer mais, com exceção au revoir “.
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16q – alcoólicos Faça como uma classe diferem de outras pessoas.
16A – Alguns anos atrás, os médicos começaram a olhar para os Alcoólicos Anônimos e eles ficaram cerca de trinta de nós juntos e eles disseram a si mesmos “Bem, agora que esses companheiros estão em AA, e eles não estão tão mal, e talvez para o primeira vez que teremos uma boa olhada no que o interior de um bêbado é como. ” Então, alguns de nós foram examinadas longamente por psiquiatras, e todos os tipos de testes realizados, eo objeto desta investigação particular foi para ver se os alcoólatras como uma classe diferente de outras pessoas, e se eles fizeram, só por que e quanto .
Alguns de nós foram convidados a participar do conclave, e um número de trabalhos aprendi foram lidos e, finalmente, um desses médicos (um muito importante – o encontro teve lugar no New York Academy of Medicine) começou a resumir o que ele pensei que a conclusão a que chegaram na era esta: que o alcoólico é emocionalmente do lado infantil. Que o alcoólico é uma pessoa que é mais sensível emocionalmente do que a pessoa média. E, em seguida, eles atribuída outra qualidade para nós – que usou a palavra “grandiosidade”, eles foram grandiosos (o que significa que por isso como um tipo que era o que você poderia chamar de “Tudo ou Nada pessoas.”) Alguém certa vez descreveu-o dizendo que todos os alcoólicos hanker para a lua quando talvez as estrelas teria feito tão bem. Como uma classe, estamos assim, disse que os médicos. (Memphis, Tennessee, Sept.18-20, 1947)
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17q – AA é baseado totalmente em suas próprias experiências?
17A – Vamos olhar. Dr. Bob recuperado. Então nós dois começou a trabalhar em alcoólatras em Akron. Bem, mais uma vez esta tendência veio para pregar, uma vez mais este sentimento que tem que ser feito, de alguma forma particular, mais uma vez o desânimo, para o nosso progresso foi lento. Mas pouco a pouco fomos obrigados a analisar as nossas experiências e dizer: “Esta abordagem não funciona muito bem com aquele sujeito. Por que não? Vamos tentar nos colocar no lugar dele e parar esta pregação e ver como ele pode ser abordado se estávamos ele. ” Que começou a levar-nos à idéia de que AA não deve ser conjunto de idéias fixas, mas deve ser uma coisa crescendo, crescendo a partir da experiência. Depois de um tempo começamos a refletir: “Esta bênção maravilhosa que veio até nós, do que ele começa a sua origem?” Foi um despertar espiritual que crescem fora da adversidade. Então nós começamos a olhar com mais atenção para os nossos erros, para corrigi-los, para capitalizar sobre os nossos erros. Pouco a pouco, começou a crescer de modo que havia cinco de nós no final do primeiro ano, no final do segundo ano 15, no final dos 40 terceiros; e no final do quarto ano, 100.
Durante os primeiros quatro anos a maioria de nós teve outra má forma de intolerância. À medida que começou a ter um pouco de sucesso, eu tenho medo nosso orgulho levou a melhor sobre nós e foi a nossa tendência para esquecer os nossos amigos. Ficamos muito propensos a dizer: “Bem, os médicos não fizeram nada para nós, e quanto a estes pilotos céu, bem, eles apenas não sabem o placar.” E nos tornamos esnobes e paternalista.
Em seguida, lemos um livro de Dr. Carrell (Man, The Unknown). A partir desse livro foi um argumento que é agora uma parte do nosso sistema. Dr. Carrel escreveu, em vigor; O mundo está cheio de analistas. Temos toneladas de minério nas minas e temos todos os tipos de materiais de construção acima do solo. Aqui está um homem especializado em isso, há um homem especializado em que, e outro em outra coisa. O mundo moderno está cheio de analistas maravilhosa e escavadoras, mas há muito poucos que, deliberadamente, sintetizar, que reúnem diferentes materiais, que se reúnem coisas novas. Somos muito tímidos no pensamento sintético – o tipo de pensamento que está disposto a chegar agora aqui e agora lá para ver se algo novo não pode ser evoluído.
Ao ler esse livro alguns de nós percebeu que era exatamente o que estávamos tateando em direção. Vínhamos tentando construir fora de nossas próprias experiências. Neste ponto, nós pensamos: “Vamos chegar em experiências de outras pessoas. Vamos voltar aos nossos amigos os médicos, vamos voltar aos nossos amigos os pregadores, os assistentes sociais, todos aqueles que se preocupam conosco, e, novamente, rever o que eles tenho acima do solo e trazer isso para a síntese. E vamos, onde podemos, traga-os onde eles se encaixam. ” Assim, nosso processo de tentativa e erro começou e no final de quatro anos, o material foi moldado na forma de um livro conhecido como Alcoólicos Anônimos. (Yale Escola de Verão de Estudos do Álcool, Junho 1945)
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18Q – Não seria o crescimento demasiado rápido ser ruim, tanto para os alcoólicos novos e para os Alcoólicos Anônimos em si?
18A – Alguns de nós costumava pensar assim, mas várias experiências de rápida expansão em grande parte se dissipou esse medo. Tivemos um exemplo impressionante em Cleveland, Ohio. No outono de 1939, Cleveland teve, talvez, 30 membros. A maioria deles havia se tornado Alcoólicos Anônimos, viajando para a vizinha cidade de Akron, onde o nosso primeiro grupo tinha raízes no verão de 1935. Neste momento, os Cleveland Plain Dealer publicou uma série marcante e vigorosa de artigos sobre nós. Colocados na página editorial, estas peças disse ao povo de Cleveland que Alcoólicos Anônimos trabalhadas; que não custam nada; que ele estava pronto para ajudar qualquer alcoólicas na cidade que realmente queria para ficar bem. Cleveland tornou-se rapidamente Alcoólicos Anônimos consciente. Centenas de pedidos por telefone e correio desceu sobre o Plain Dealer e os membros expectante mas nervoso dos Alcoólicos Anônimos. A corrida foi tão grande que os novos membros sóbrios em si, mas uma ou duas semanas, teve de ser usado para instruir os recém-chegados ainda mais recentes. Vários hospitais particulares abriram suas portas para lidar com a emergência e estavam tão satisfeitos com o resultado que eles têm cooperado conosco desde então. Para a grande surpresa de todos, este rápido crescimento, agitada que fosse, se mostrou muito bem sucedida. No prazo de 90 dias, o grupo original de 30 havia crescido para 300; em seis meses nós tivemos cerca de 500, e dentro de dois anos que tinha crescido rapidamente para 1200 membros distribuídos entre uma pontuação de grupos na área de Cleveland. Embora não tenhamos números precisos, é provavelmente justo dizer que 3 dos 4 que vieram durante esse período, e que desde então permaneceu com os grupos, se recuperaram de seu alcoolismo. (Quart. 3. Stud. Alc., Vol.6 (2), Setembro de 1945)
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19Q – Você poderia descrever a sua experiência espiritual para nós e sua compreensão do que aconteceu?
19A – Em dezembro de 1934, que apareceu no Towns Hospital, em Nova York. Meu velho amigo, Dr. William Silkworth balançou a cabeça. Logo livre da minha sedação e álcool senti terrivelmente deprimido. Meu amigo Ebby apareceu e, apesar de feliz por vê-lo, eu encolheu um pouco como eu temia evangelismo, mas nada disso aconteceu. Depois de alguma conversa pequena, eu novamente pedi a ele sua fórmula pouco nítidas para a recuperação. Silenciosamente e saudavelmente e sem a menor pressão que ele me disse e depois que ele deixou.
Deitado em conflito, eu deixei cair na depressão mais negra que eu já tinha conhecido. Momentaneamente minha depressão orgulhoso foi esmagado. Eu gritei: “Agora estou pronto para fazer qualquer coisa -. Qualquer coisa para receber o que o meu amigo Ebby tem” Embora eu certamente não esperava nada, eu fiz esse apelo frenético, “Se houver um Deus, Ele vai mostrar-se!” O resultado foi instantâneo, elétrico além de qualquer descrição. O lugar parecia acender, cegueira branca. Eu só sabia ecstasy e parecia em uma montanha. Um grande vento soprou, envolvente e penetrante me. Para mim, não era do ar, mas do Espírito. Blazing, veio o pensamento tremendo: “Você é um homem livre.” Em seguida, o ecstasy diminuiu. Ainda na cama, agora eu me encontrei em um novo mundo de consciência que foi inundada por uma Presença. Um com o Universo, uma grande paz tomou conta de mim. Eu pensei: “Então este é o Deus dos pregadores, esta é a grande realidade.” Mas logo minha razão chamados retornados, minha educação moderna assumiu e eu pensei que eu devia estar louco e eu me tornei terrivelmente assustada.
Dr. Silkworth, um santo médico se alguma vez houve uma, veio em ouvir minha conta tremendo desse fenômeno. Depois de questionar-me com cuidado, ele me assegurou que eu não era louco e que talvez eu havia passado por uma experiência psíquica que poderia resolver o meu problema. Homem cético da ciência que ele era então, esta era a mais gentil e astuto. Se ele tivesse de dizer, “alucinação”, eu poderia agora estar morta. Para ele eu jamais será eternamente grato.
Boa sorte me perseguiu. Ebby me trouxe um livro intitulado “Variedades da Experiência Religiosa” e devorei-lo. Escrito por William James, o psicólogo, sugere que a experiência de conversão pode ter realidade objetiva. Conversão não altera a motivação e faz semi-automaticamente permitir que uma pessoa de ser e de fazer o impossível anteriormente. Significativa foi, que a experiência de conversão marcada vieram principalmente para os indivíduos que conheciam a derrota completa em uma área de controle da vida. O livro certamente mostrou variedade, mas se essas experiências foram forte ou fraca, cataclísmico ou gradual, teológicas ou intelectual em rolamento, tais conversões que têm um denominador comum – que fizeram as pessoas mudam completamente derrotados. Assim declarou William James, o pai da psicologia moderna. O sapato equipado e tentei usá-lo desde então.
Para bêbados, a resposta óbvia foi a deflação em profundidade, e mais do mesmo. Que parecia simples como uma haste de pique. Eu tinha sido treinado como um engenheiro, para que a notícia deste psicólogo autoritário significou tudo para mim. Este eminente cientista da mente havia confirmado tudo o que o Dr. Jung tinha dito, e tinha documentado tudo o que ele alegou. Assim, William James firmou o alicerce sobre o qual eu e muitos outros tinham estado todos estes anos. Eu não tive uma bebida de álcool desde 1934. (NY Med. Soc. Alcsm., April 28,1958).
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20Q – Você poderia nos contar sobre os primeiros dias e as reuniões em sua casa na Clinton Street?
20A – Naqueles dias em que foram associados com o Grupo de Oxford e um dos seus fundadores foi Sam Shoemaker eo Grupo se reuniu na Igreja do Calvário. Nosso departamento para o Grupo de Oxford é simplesmente imensa. Que poderíamos ter encontrado esses princípios em outros lugares, mas eles não lhes dão a nós, e eu quero gravar novamente a nossa gratidão subjacente. Nós também aprendemos com eles, tanto quanto os alcoólatras estão em causa, o que não fazer – algo igualmente importante. Padre Edward Dowling, um amigo nosso grande jesuíta, uma vez me disse, “Bill, não é o que você as pessoas colocam em AA que o torna bom – é o que você deixou de fora.” Temos ambos os conjuntos de noções de nossos amigos do Grupo Oxford, e foi através deles que Ebby tinha sóbrio e tornou-se meu patrocinador, a transportadora desta mensagem para mim.
Começamos a ir às reuniões do Grupo Oxford sobre o Calvário, em House, e foi lá, recém saído da Towns Hospital, que eu fiz o meu primeiro arremesso, contando sobre a minha experiência estranha, que não impressionou os alcoólatras que estavam escutando. Mas outra coisa que impressioná-lo. Quando comecei a falar sobre a natureza desta doença, esta doença, ele apurou os ouvidos. Ele era um professor de química, um agnóstico, e ele veio e falou depois. Logo, ele foi convidado para Clinton Street – nosso cliente primeiro. Nós trabalhamos muito duro com Freddy durante três anos, mas, infelizmente, ficou bêbado por 11 anos depois. Outras pessoas vieram até nós para fora daquelas audiências Grupo Oxford. Começamos a descer a Missão de Calvary, um adjunto da igreja naqueles dias, e lá encontramos uma fonte abundante de nozes reais duro de roer. Começamos a convidá-los a Clinton Street, e neste ponto o Garoupas senti que estávamos mais fazendo o negócio bêbado. Parecia que eles tinham a idéia de salvar o mundo e, além disso eles tiveram um mau momento com a gente. Sam e seus companheiros, ele agora me diz, rindo, estavam muito colocar para fora que reuniu um grande lote de bêbados na Casa do Calvário, esperando por um milagre. Elas são colocadas em cima dos apartamentos bonito e tinha-os completamente cercada com doçura e luz, mas os bêbados importou um rebanho de garrafas e um deles lançou um sapato para fora da janela do apartamento e foi através de um vitral da igreja. Assim, os bêbados não eram exatamente populares quando o Wilson apareceu.
De qualquer forma, começamos a estar com os alcoólatras o tempo todo, mas nada aconteceu por seis meses. Como o Garoupas, que cuidou deles. Na verdade, mais em Clinton Street, nós desenvolvemos na coisa de dois ou três próximos anos como uma fábrica de caldeira, uma espécie de clínica, um hospital e uma casa de embarque livre, a partir do qual praticamente ninguém emitido sóbrio, mas tivemos uma pilha de experiência.
Começamos a aprender o jogo, e depois da nossa retirada do Grupo de Oxford – um ano e meio a partir do momento que eu sóbrio em 1934 – que começou a realizar reuniões dos poucos que tinha sóbrio. Suponho que era realmente a reunião do AA em primeiro lugar. O livro ainda não tinha sido escrito. Nós nem sequer chamá-lo de Alcoólicos Anônimos, as pessoas perguntaram quem éramos e disse: “Bem, nós somos um bando de alcoólicos”. Suponho que o uso do tipo palavra “sem nome” de nos levou à idéia de anonimato, que mais tarde foi bateu sobre o livro no momento em que foi intitulado.
Houve atos em grande Clinton Street. Lembro-me dessas reuniões para baixo na sala tão bem. Nossa discussão ansiosos, nossas esperanças, nossos medos – e os nossos medos eram muito grandes. Quando alguém naqueles dias tinham sido sóbrios alguns meses e escorregou, foi uma calamidade terrível. Eu nunca vou esquecer o dia, um ano e meio, depois que ele veio para ficar conosco, que Ebby caiu, e todos nós disse: “Talvez isso que vai acontecer a todos nós.” Então, começamos a nos perguntar por que ele foi, e alguns de nós empurrado.
Em Clinton Street, eu fiz mais do que falar, mas Lois fez a maior parte do trabalho, ea cozinha, eo amor daqueles povos cedo.
Oh meu! Os episódios que tivemos lá! Eu estava fora quando em viagem de negócios (que eu brevemente voltou para negócios), um dos bêbados estava dormindo na sala na sala. Lois acordei no meio da noite, ouvindo uma grande comoção. Um dos bêbados tinha conseguido uma garrafa e estava bêbado, ele também tinha ficado para a cozinha e tinha bebido uma garrafa de xarope de bordo e ele tinha caído no hod carvão. Quando Lois abriu a porta, ele pediu uma toalha para cobrir sua nudez. Uma vez ela levou esse mesmo cavalheiro pelas ruas tarde da noite à procura de um médico, e não encontrar um médico, então, à procura de uma bebida, porque, como ele disse, ele não podia voar em uma asa!
Em uma ocasião, um par deles estavam bêbados. Tivemos cinco, e em outra ocasião, eles estavam todos bêbados, ao mesmo tempo! Depois, houve o momento em que dois deles começaram a bater uns aos outros com dois-por-fours no porão. Então, uma noite, pobre Ebby, depois de tentativas repetidas e falhas, foi finalmente bloqueada uma noite, mas eis que ele apareceu de qualquer maneira. Ele tinha chegado através da rampa de carvão e suba as escadas, muito begrimed.
Então você vê, Clinton Street era uma espécie de oficina de ferreiro, em que fomos martelando esses princípios. Para Lois e eu, todos os caminhos levam de volta para Clinton Street. (Manhattan Group, 1955)
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21Q – Como você conheceu AA No.3, Bill D?
21A – Eu estava morando na casa de Dr. Bob e um dia ele me disse: “Você não acha que, para auto-proteção que seria melhor trabalhar com bêbados mais”. Eu pensei que era uma boa idéia eo resultado foi que ele chamou de Hospital da Cidade onde estava em alguns descrédito por causa de seu alcoolismo e ele pegou a enfermeira chefe lá e disse-lhe “Um colega de Nova York e eu tenho um nova cura para o alcoolismo. ” Muito gentilmente a enfermeira observou: “Bem, doutor, eu acho que você deve experimentá-lo em si mesmo.” Então ela nos disse que eles tinham uma perspectiva dandy que foi amarrado para o escurecimento dos olhos de uma das enfermeiras. Então, doc disse: “Coloque-o na cama e nós estaremos para baixo quando você pegá-lo esclarecido um pouco e colocá-lo em uma sala privada.”
Assim, um pouco depois o Dr. Bob e eu vi uma visão de que dezenas de milhares de nós, desde então, viu e se Deus quiser, centenas de milhares veremos. Foi a visão do homem na cama que não sabia ainda que ele poderia ficar bem.
Bem, como se viu, o homem na cama não era otimista, como o bêbado muitos desde que ele disse: “Eu sou diferente, meu caso é muito difícil e não falar comigo sobre religião, eu já sou um homem de fé. Eu costumava ser um diácono na Igreja e eu tenho fé em Deus ainda, mas obviamente ele não tem nada em mim. De qualquer forma, volte amanhã e me ver como vocês companheiros me interessa como você foi através do moinho “. É claro que tivemos relacionada a nossa fórmula simples. É claro que tivemos disse-lhe de nossa libertação, embora ele não ficou impressionado que a minha foi apenas de meses, e Bob é apenas dos dias. Ele disse: “Eu estava sóbrio, uma vez que há muito a mim mesmo.”
Viemos mais uma vez e como entramos no quarto a esposa do homem sentou-se ao pé da cama e ela estava dizendo a seu marido: “O que tem em você, você parece tão diferente.” Ele disse: “Aqui estão eles, esses são os que entendem, eles têm sido através do moinho”. Ele fez muita pressa em explicar como durante a noite, a esperança veio com ele e ele tinha levado lá para seguir a nossa fórmula simples. Outra coisa tinha acontecido, houve uma sensação de leveza, uma sensação de sentimento em uma só peça, um sentimento de alívio, disse ele.
A próxima coisa que sabia No.3 disse a sua esposa “Fetch minha roupa querida, vamos levantar e sair daqui.” Então AA No.3 levantou-se da cama e saiu daquele lugar nunca mais voltou a beber. Bem, naquele tempo não havia a realização por parte de nós o que tinha começado a acontecer. Claro, isso foi o início de AA como a entendemos hoje. O processo essencial era o mesmo ea graça de Deus, assim como eterno. (Chicago, Il., Fevereiro de 1951)
22Q – Foi a escrita do livro Big uma tarefa difícil?
22A – Como os capítulos foram feitas, fomos a reuniões do AA em Nova York com os capítulos em bruto. Não foi como a galinha-in-the-áspero, os meninos não comem esses capítulos em tudo. De repente eu descobri que eu estava em uma banheira de hidromassagem fantástica de argumentos. Eu era apenas o árbitro. Eu finalmente tive a estipular: “Bem garotos, aqui temos os rolos de santo que dizem que nós precisamos de todas as coisas à moda antiga no livro, e aqui me dizer que temos de ter um livro psicológico, e que nunca curou ninguém, e eles não fizeram muito conosco nas missões, então eu acho que você terá que deixar-me apenas para ser o árbitro. Vou rabiscar alguns roughs aqui e mostrar-lhes a vocês e vamos começar a comentários dentro ” Então, nós lutamos, sangrou e morreu o nosso caminho através de um capítulo após o outro. Nós enviamos cópias para fora para Akron e foram peddled ao redor e havia dificuldades terrific sobre o que deve ir neste livro e que não deve.
Enquanto isso, vamos definir bêbados até para escrever suas histórias ou as pessoas que tínhamos de jornal para escrever as histórias para eles irem na parte de trás do livro. Tivemos uma idéia de que teríamos um texto e então teríamos histórias sobre todos os bêbados que estavam permanecer sóbrio. (Transcrito da fita, Fort Worth, Tx., 1954)
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23Q – Can os Doze Passos ser comparado com os Exercícios Espirituais de Santo Inácio?
23A – Em 1941, visitei St. Louis e Pai Ed Dowling me encontrou no campo. Este foi um dia bolhas e ele tinha vindo para trazer-me à sede da Congregação (Jesuíta). Fiquei impressionado com a informalidade delicioso. É claro que eu nunca tinha ido a um lugar antes. Eu tinha sido criado em uma aldeia pequena Vermont, estilo ianque. Felizmente não houve preconceito no meu avô que me criou, mas não estava lá muito contato religiosa ou compreensão. Então aqui eu estava em uma espécie de mosteiro. Mesmo assim, acredite ou não, eu ainda brincou com a idéia de que o catolicismo era de alguma forma uma superstição dos irlandeses!
Pai, em seguida, Ed e seus parceiros jesuíta começou a me fazer perguntas. Eles queriam saber sobre o livro recentemente publicado AA e especialmente sobre Doze Passos de AA. Para minha surpresa eles supunham que eu devia ter tido uma educação católica. Eles pareciam duplamente surpreso quando eu informei a eles que com a idade de onze anos eu tinha parado o Congregacional da Escola Dominical, porque meu professor me pediu para assinar um compromisso de temperança. Esta tinha sido a extensão da minha educação religiosa.
Mais perguntas foram questionados sobre Doze Passos de AA. Expliquei como alguns anos antes alguns de nós tinham sido associados com os Grupos Oxford; que tínhamos apanhado dessas pessoas boas idéias de auto-estudo, confissão, restituição utilidade, para os outros e oração, idéias que poderíamos ter conseguido em muitos outros bairros também. Depois da nossa retirada dos Grupos Oxford, estes princípios e atitudes tinham sido formados em um programa de word-of-mouth, a que tinha adicionado um passo de nossa própria para o efeito “que éramos impotentes perante o álcool.” Nossos Doze Passos foram o resultado do meu esforço para definir de forma mais acentuada e elaborar esses princípios boca a boca, para que os leitores alcoólicas teria um programa mais específico: que poderia haver nenhuma fuga daquilo que consideram-se os princípios essenciais e atitudes. Esta tinha sido a minha única ideia em sua composição. Esta versão alargada do nosso programa foram estabelecidos rapidamente – talvez em vinte ou trinta minutos – numa noite em que eu tinha sido muito mal fora das sortes. Por isso que o Passos foram escritas na ordem em que aparecem hoje e só por isso que eles foram redigidas como elas são, eu não tenho idéia.
Após esta explicação meu, meus novos amigos jesuítas apontou para um quadro pendurado na parede. Eles explicaram que esta era uma comparação entre os Exercícios Espirituais de Santo Inácio e os Doze Passos de Alcoólicos Anônimos, que, em princípio, essa correspondência foi surpreendentemente exato. Eu acredito que eles também fez a declaração um tanto surpreendente que os princípios espirituais estabelecidos no nosso Doze Passos aparecem na mesma ordem em que eles fazem nos Exercícios Inácio.
Na minha ignorância abissal, na verdade eu perguntei, “Por favor diga-me – quem é esse Inácio companheiro?”
Embora, naturalmente, os Doze Passos de Alcoólicos Anônimos contêm nada de novo, parece não haver dúvida de que essa identificação singular e exata com os Exercícios Inácio tem feito muito para tornar a relação estreita e frutuosa que agora gozam com a Igreja. (O “Livro Azul”, Vol.12, 1960)
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24Q – Como você conheceu o Padre Edward Dowling?
24A – Meu contato com o Pai inesquecível primeira Ed surgiu dessa maneira. Era início de 1940, embora no final do inverno. Salve para o velho Tom, o bombeiro que tivemos recentemente resgatado do Asilo Rockland, o clube estava vazio (24 St. clube em NY City, onde Bill e Lois estavam vivendo, já que tinham sido expulsos de suas Clinton St. casa.) Minha esposa Lois estava fora em algum lugar. Tinha sido um dia agitado, cheio de decepções. Eu estava lá em cima no nosso quarto, consumido com auto-piedade. Este tinha sido provocada por uma das minhas características imaginárias crises de úlcera. Foi uma noite amarga, terrivelmente ventoso. Saraiva e granizo bater no teto de zinco sobre a minha cabeça.
Em seguida, tocou a campainha e ouvi velhos Tom toddle off para respondê-la. Um minuto depois, ele olhou para a porta do meu quarto, obviamente, muito irritado. Então ele disse: “Bill, há alguma bum velha maldita lá de St. Louis, e ele quer ver você.” “Grande céu”, pensei, “isso não pode ser ainda um outro.” Cansado e até ressentida, eu disse para Tom: “Oh bem, trazê-lo, trazê-lo para cima.” Em seguida, uma figura estranha apareceu na minha porta do quarto. Ele usava um chapéu preto disforme que de alguma forma me fez lembrar de uma folha de repolho. Sua gola do casaco foi desenhado em torno do seu pescoço, e ele apoiou-se em uma bengala. Ele foi rebocada com granizo. Pensar que ele fosse apenas um outro bêbado, eu nem sequer sair da cama. Então ele desabotoou o casaco e vi que ele era um clérigo.
Um momento depois, eu percebi com grande alegria que ele era o clérigo que tinha colocado o plug maravilhoso para AA no trabalho da Rainha. Meu cansaço e aborrecimento instantaneamente evaporado. Falamos de muitas coisas, nem sempre sobre assuntos sérios também. Então eu comecei a ter consciência de um dos mais notáveis o par de olhos que eu já vi. E, como falamos, o quarto de cada vez mais cheio do que me pareceu ser a presença de Deus que fluiu através do meu novo amigo. Foi uma das experiências mais extraordinárias que eu já tive. Tal era a sua rara capacidade de transmitir graça. Nem foi a minha experiência em todos os originais. Centenas de AA relataram ter exatamente esta experiência quando, na sua presença. Este foi o início de uma das amizades mais profundas e inspiradoras que eu já sei. Este foi o primeiro contato significativo que eu já tive com os clérigos da fé católica. (O “Livro Azul”, vol. 12, 1960)
A – Padre Edward Dowling, um amigo nosso grande jesuíta, uma vez me disse: “Bill, não é o que vocês colocadas em Alcoólicos Anônimos que o torna tão bom – é o que você deixou de fora.” (Transcrito da fita, Grupo Manhattan, 1955)
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25Q – Quais são as idéias contidas nas Doze Tradições?
25A – Isso, tocando todos os assuntos que afetam a unidade AA, nosso bem-estar comum deve vir em primeiro lugar, que AA não tem nenhuma autoridade humana – só Deus como Ele pode falar em nossa consciência coletiva, que os nossos líderes são apenas servidores de confiança, eles não governam; que qualquer alcoólicas pode se tornar um membro de AA, se ele diz isso – nós excluir ninguém, para que cada grupo AA podem gerenciar seus próprios assuntos, uma vez que gosta, desde os grupos ao redor não são prejudicados, assim, para que nos AA têm, mas um único objetivo – a realização de nossa mensagem ao alcoólico que ainda sofre; que, em conseqüência, não pode financiar, endossar ou emprestar o nome “Alcoólicos Anônimos” para qualquer outra empresa, porém digna, que AA, como tal, deve continuar a ser pobres, para evitar que problemas de propriedade , gestão e dinheiro nos desviem do nosso único objetivo, que devemos ser auto-suficientes, de bom grado pagar nossas despesas pequenos nós mesmos; que AA deve permanecer para sempre não-profissional, o trabalho passo ordinário 12 para nunca mais ser pago; que, como comunhão, que nunca deve ser organizado, mas pode, contudo, criar quadros de serviço ou comitês responsáveis para assegurar-nos melhor propagação e patrocínio, e que estas agências podem participar trabalhadores em tempo integral para tarefas especiais, para que nossas relações públicas devem avançar sobre o princípio da atração, não de promoção, sendo melhor deixar os nossos amigos nos recomendar, para que o anonimato pessoal ao nível da imprensa, rádio e imagens a ser estritamente mantido como nossa melhor proteção contra as tentações do poder ou ambição pessoal e, finalmente, o anonimato que, antes da público em geral, é a chave espiritual para todas as nossas tradições, lembrando-nos sempre de colocar princípios acima das personalidades, que estamos realmente a praticar uma humildade genuína. Esta a fim de que nossos grandes bênçãos nunca pode estragar-nos, que devemos viver para sempre na contemplação gratos a Ele, que preside a todos nós. (Tape – Doze Tradições, Cleveland, Julho, 1950).
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Outra Resposta
25A – Nós, por vezes, congratular-nos com as tradições como se fossem uma lista de virtudes singular para nós. Na verdade, eles são uma codificação das lições da nossa experiência passada durante os primeiros dias de AA
Essas tradições não são fixos absolutamente. Pode haver espaço para melhorias. No entanto, eles não devem ser levianamente posta de lado, pois elas têm em nossa unidade de sobrevivência e de crescimento sob a graça de Deus. “
Estamos entrando numa nova era de crescimento com vastas forças rasgando o mundo. Os problemas e as dificuldades do futuro pode ser maior do que aqueles que já sobreviveu. Ainda assim, há um amor entre nós, que excede todo o entendimento e que vai nos sustentar através de todos os ensaios que estão por vir, não importa o quão formidável. “(Transcrito da fita, GSC, 1968)
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26Q – Como a Conferência de Serviços Gerais propôs ser financiado?
26A – Qual a melhor forma de financiar nossa conferência é uma questão discutível. A Conferência de Serviços Gerais funcionará para o benefício de AA como um todo. Seu custo total deve ser uma acusação contra os “contribuições Grupo” agora enviado para Nova York para o apoio do Escritório Geral. Mas este método é completamente impossível agora. Contribuições do grupo não estão cumprindo as despesas Escritório Geral. Nem pode a “reserva” ou “lucro contábil” da Fundação AA realizar a Conferência.
Propomos, portanto, que todos os Grupos de AA ser convidado para um presente de US $ 5 cada, por ano, no Natal. Os curadores da Fundação iria depositar as quantias em uma conta especial marcado com “fundos Conferência.”
Se até a metade dos Grupos de AA fez este presente anual de US $ 5 para a Fundação “para o benefício dos milhões que ainda não sabe,” estimamos que o lucro resultante seria absorver a sobrecarga Conferência anual total, além de “todos os delegados transporte para Nova York acima de US $ 100 cada. (Terceiro Legado Pamphlet, Outubro 1950)
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27Q – Por que não a Conferência de Serviços Gerais será um governo para os Alcoólicos Anónimos?
27A – Cada Grupo de AA é autônoma, a nossa “autoridade” é apenas um Poder Superior. Em termos práticos, nenhum grupo de AA vai ficar para um governo pessoal de qualquer forma, estamos construídos dessa maneira. Embora a Conferência irá guiá-Sede AA, nunca deve assumir para governar AA como um todo. Embora possa publicamente lamentar uso indevido do nome de AA ou partidas da Tradição, ela nunca deve tentar punição ou restrição legal de não-conformistas – em AA ou para fora. Esse é o caminho para a controvérsia pública e perturbação interna. A Conferência irá nos dar um exemplo e um guia, mas não do governo. Um governo é algo pessoal, se Deus quiser, que Alcoólicos Anônimos nunca terá. Nós autorizará servos de agir por nós, mas não os governantes. (Terceiro Legado Pamphlet, Outubro 1950)
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28Q – Quantos viciados em drogas estão lá na AA e na organização semelhante ao AA, que opera entre os toxicodependentes?
28A – Temos um bom número de viciados em drogas que antes eram alcoólatras. Até agora, eu não sei de nenhum caso de dependência de drogas pura que temos sido capazes de se aproximar. Em outras palavras, não podemos mais abordar um viciado simon-puro do que o estranho pode geralmente se aproximam de nós. Estamos exatamente na mesma posição com eles que o médico eo padre foram em relação ao álcool. Nós apenas não falam uma linguagem que companheiro. Ele sempre olha para nós e diz: “Bem, os alcoólatras são a escória da terra e, além disso, o que eles sabem sobre o vício?”
Agora, no entanto, uma vez que temos um bom número de viciados que antes eram alcoólatras, aqueles viciados, por sua vez estão fazendo um esforço, aqui e ali, para transferir a coisa mais para o viciado em linha reta. Dessa forma esperamos que a ponte vai ser cruzados. Pode haver um caso aqui e ali que tem sido ajudado. Mas em todos, eu suponho, pode haver cerca de 50 casos de dependência de morfina real em alcoólatras ex que foram ajudados por AA É claro que temos um grande número de usuários barbital, mas nós não consideramos essas pessoas particularmente difícil se eles realmente querem para fazer algo sobre isso, e principalmente se ele é associado com licor. Eles parecem sair dela depois de um tempo. Mas onde você tem morfina, ou alguns desses outros derivados, então fica muito difícil. Então você tem que ter uma “droga” falar com uma “droga”, e espero que possamos algum dia encontrar uma ponte para o viciado. (Yale Escola de Verão de Estudos do Álcool, Junho 1945)
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29Q – Para que serve o direito de recurso serve?
29A – Não vim para este país algumas centenas de anos atrás, um barão francês cuja família e ele próprio tinha sido destruída pela Revolução Francesa, De Tocqueville, e ele era um admirador de adoração da democracia. E naqueles dias a democracia parecia ser expresso sobretudo nas mentes das pessoas por votos de maiorias simples. E ele era um admirador da adoração, o espírito da democracia como expressa pelo poder de uma maioria para governar. Mas, disse De Toqueville, a maioria pode ser ignorante, pode ser brutal, ele pode ser tirânica – e temos visto isso. Portanto, a menos que você mais cuidadosamente proteger uma minoria, grande ou pequeno, certifique-se que as opiniões expressas são minoria, certifique-se que as minorias têm direitos incomum, sua democracia nunca está indo para o trabalho e seu espírito vai morrer. Esta foi a previsão de Tocqueville e, considerando-se tempos de hoje, é estranho que ele não é muito lido agora?
É por isso que nesta Conferência tentamos obter um consentimento unânime enquanto podemos, é por isso que dizemos que a Conferência pode mandato do Conselho de Curadores em um dois – terços dos votos. Mas já dissemos mais aqui. Dissemos que qualquer Delegado, qualquer administrador, qualquer membro do pessoal, qualquer director de serviço – qualquer placa comissão, ou o que for – que sempre que há uma minoria, deve ser sempre o direito desta minoria para apresentar uma relatório da minoria, para que seus pontos de vista são realizadas com clareza. E se, na opinião de qualquer minoria tal, mesmo uma minoria de um, se a maioria está prestes a pressa ou com raiva fazer algo que poderia ser em detrimento dos Alcoólicos Anônimos, em detrimento grave, é não só o seu direito de apresentar uma apelo minoria, é seu dever.
Então, como De Tocqueville, nem você nem eu quero tanto a tirania da maioria, nem a tirania da minoria. E medidas foram tomadas aqui para equilibrar essas relações. (GSC, 1960)
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30Q – são alcoólatras neurótica?
30A – É possível que cerca de metade dos nossos membros, se não tivessem sido bebedouros, teria aparecido na vida ordinária a ser pessoas normais. A outra metade teria aparecido como neuróticos mais ou menos pronunciada (NY Estado J. Med., Vol.44, Aug.1944)
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31Q – O que é alcoolismo?
31A – O alcoolismo é uma doença; que algo está errado conosco mortos fisicamente, para que a nossa reação ao álcool mudou, que algo tem sido muito errado conosco emocionalmente, para que nosso hábito alcoólicas se tornou uma obsessão, uma obsessão que não pode mais contar mesmo com a própria morte. Uma vez firmemente estabelecidos, não é capaz de transformá-lo de lado. Em outras palavras, uma espécie de alergia do corpo que garante que morrerá se beber, uma obsessão da mente o que garante que vamos continuar a beber. Tal tem sido o dilema alcoólicas tempo fora da mente, e isso é totalmente provável que, mesmo daqueles alcoólicos que não queria continuar a beber, não mais que cinco dos cem já foram capazes de parar antes de AA (Yale Escola de Verão de Estudos do Álcool, Junho 1945).
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32Q – Alcoólicos Anônimos é uma nova religião? Um concorrente da Igreja?
32A – Se estes receios tinha substância real, que seria sério. Mas, Alcoólicos Anônimos não pode no mínimo ser considerado como uma nova religião. Nossos Doze Passos não tem nenhum conteúdo teológico, exceto aquele que fala de “Deus como o entendemos.” Isto significa que cada membro de AA indivíduo pode definir Deus de acordo com qualquer fé ou crença que ele possa ter. Portanto, não há a menor interferência com a visão religiosa de qualquer um dos nossos membros. O resto dos Doze Passos definir atitudes morais e práticas úteis, todas elas precisamente no caráter cristão. Portanto, na medida em que os passos vão, os passos são o cristianismo bom, na verdade eles são o catolicismo bom, algo que os escritores católicos têm afirmado mais de uma vez.
AA também não exercem a menor autoridade religiosa sobre seus membros. Ninguém é obrigado a acreditar em qualquer coisa. Ninguém é obrigado a atender às condições de adesão. Ninguém é obrigado a pagar nada. Portanto, não temos um sistema de autoridade, espiritual ou temporal, que é comparável ou no menos competitivos com a Igreja. No centro de nossa sociedade, temos um Conselho de Curadores. Este órgão é responsável anualmente para uma Conferência de Delegados eleitos. Esses delegados representam a consciência eo desejo de AA no tocante às questões funcionais ou serviço. Nossa Tradição contém uma liminar enfático ao dizer que estes curadores nunca pode constituir-se como um governo – eles são apenas para prestação de determinados serviços que permitem aos AA como um todo para funcionar. Os mesmos princípios se aplicam em nosso grupo e nível da área.
Dr. Bob, meu co-parceiro, tinha seu próprio ponto de vista religioso. Por tudo o que pode valer a pena, eu tenho a minha. Mas nós dois ter ido muito sobre o registro no sentido de que esses pontos de vista e preferências pessoais não pode, sob quaisquer condições ser injetado no programa de AA como uma parte de trabalho dele. AA é uma espécie de jardim de infância espiritual, mas isso é tudo. Nunca deveria ser chamado de religião. (O “Livro Azul”, Vol.12, 1960)
A – Alcoólicos Anônimos não é uma organização religiosa, não há dogma. A proposição de uma teológica é um “Poder superior a si mesmo.” Mesmo este conceito é forçado a ninguém. O recém-chegado apenas mergulha na nossa sociedade e tenta o programa da melhor maneira possível. Deixado sozinho, ele certamente irá relatar o início de uma experiência transformadora, chamá-lo de que ele pode. Observadores que se pensava AA só poderiam apelar para o religiosamente sensíveis. Contudo, a nossa associação inclui um ex-membro da American Society ateu e cerca de 20.000 outros quase tão difícil. A morte pode tornar-se incrivelmente open-minded. É claro que falar pouco de conversão hoje porque muitas pessoas realmente dread sendo Deus-mordido. Mas a conversão, como amplamente descrito por James, parece ser o nosso processo básico; todos os outros dispositivos são apenas o alicerce. Quando se trabalha com outro alcoólatra, ele, mas consolida e sustenta que a experiência essencial. (Amer. J. Psych., Vol. 106, 1949)
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33Q – Qual é a taxa de sucesso dos Alcoólicos Anônimos?
33A – Dos sinceramente dispostos a parar de beber cerca de 50 por cento o fizeram de uma só vez, 25 por cento depois de uma recaída poucos ea maioria dos restantes melhoraram. (NY Estado J. Med., Vol. 44, agosto, 1944).
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Outra Resposta
33A – A partir de 1949 nossos resultados de quantidade são esses. A sociedade de 14 anos dos Alcoólicos Anônimos tem 80 mil membros em cerca de 3.000 grupos. Temos entrado em cerca de 30 países estrangeiros e posses dos EUA; traduções estão indo para a frente. Pela ocupação somos uma seção transversal precisa da América. Por afiliação religiosa que são cerca de 40% católicos, protestantes nominais e ativa; também muitos agnósticos anterior, e um punhado de judeus compõem o restante. Dez a 15% são mulheres. Alguns negros estão se recuperando sem muita dificuldade. Top endossos médica e religiosa são quase universal. Ser membro de AA é pirâmide, estilo corrente, à taxa de 30% ao ano. Durante 1949, esperamos 20 mil recuperações permanente, pelo menos. Metade delas será casos média ou leve, com uma idade média de 36 – um desenvolvimento relativamente recente.
De alcoólicos que ficar com a gente e realmente tentar, 50% ficar sóbrio de uma vez e ficar assim, 25% o fazem depois de algumas recaídas eo restante mostrar alguma melhora. Mas muitos bebedores-problema desistem AA após um contacto breve, muitos, três ou quatro em cada cinco. Alguns são muito psicopata ou danificado. Mas a maioria tem racionalizações poderoso contudo ser discriminados. Exatamente isso acontecer, desde que conseguir o AA chama de “uma boa exposição”, no primeiro contato. Álcool, em seguida, queima como um fogo quente sob-lhes que eles são levados de volta para nós, muitas vezes anos depois. Eles nos dizem que eles tiveram que voltar, era AA ou outra coisa. Tais casos nos deixam a impressão agradável que metade dos nossos exposições originais acabará por voltar, a maioria deles para se recuperar. (Amer. J. Psiquiatria Vol. 106, 1949).
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Outra Resposta
33A – Cerca de dois mil recuperações agora tomar o lugar de cada mês. Daqueles alcoólicos que desejam começar bem e são emocionalmente capazes de experimentar o nosso método, 50 por cento recuperar imediatamente, 25 por cento após um apostata poucos. O restante é melhorada se eles continuam ativos em AA Do total que se aproximam de nós, é provável que apenas 25 por cento tornam-se membros de AA no primeiro contato. Uma lista de 75 dos nossos fracassos mais cedo hoje revela que 70 voltou a AA depois de uma a dez anos. Nós não trazê-los de volta, eles vieram por vontade própria. (NY Estado J. Med., Vol.50, julho 1950).
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Outra Resposta
33A – Como ganhamos em tamanho, que também ganhou em eficácia. A taxa de recuperação subiu. De todos aqueles que realmente tentou AA, 50 por cento fez uma só vez, 25 por cento finalmente chegou, eo resto, se eles ficaram com a gente, foram definitivamente melhorados. Esse percentual, desde então, realizada, mesmo com aqueles que primeiro escreveu as suas histórias na edição original de “Alcoólicos Anônimos”. De fato, 75 por cento desses sobriedade finalmente alcançado. Apenas 25 por cento morreram ou enlouqueceram. A maioria dos vivos ainda ter sido sóbrio por uma média de 20 anos.
Em nossos primeiros dias e desde então, descobrimos que um grande número de alcoólatras se aproximam de nós e depois vire à distância – talvez três em cada cinco, hoje. Mas temos felizmente descobri que a maioria deles depois retorno, desde que não sejam muito psicopata ou muito cérebro danificado. Uma vez que aprenderam dos lábios de outros alcoólicos que eles estão cercados por uma doença muitas vezes fatal, a bebida ainda mais só aparece o parafuso. Eventualmente, eles são forçados a voltar à AA, eles devem ou morrer. Às vezes isso acontece ano após a primeira exposição. A taxa de recuperação final em AA é, portanto, muito maior do que no início pensei que poderia ser.
No entanto, devemos refletir que humildemente Alcoólicos Anônimos até agora fez apenas um arranhão sobre o total do problema do alcoolismo. Aqui nos Estados Unidos, temos ajudado a ficar sóbrio apenas cinco por cento da população total de 4.500.000 alcoólicas. (NY Med. Society sobre Alcoolismo, 1958).
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Outra Resposta
33A-AA membros podem sobriamente se perguntar o que aconteceu com os 600 mil alcoólicos que se aproximaram da Irmandade durante os últimos 30 anos, mas que não ficar. Quanto e quantas vezes falhamos todos estes? Quando lembramos que nos 20 anos de existência AA atingimos menos de 10 por cento de todos aqueles que poderiam estar dispostos a se aproximar de nós, começamos a ter uma idéia da imensidão da nossa tarefa e das responsabilidades com as quais nós será sempre confrontado. (GSC 1958). .
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Outra Resposta
33A – Tomei nota do facto de que na geração que viu AA ganham vida, este período de 25 anos, uma vasta procissão de bêbados do mundo já passaram na frente de nós e ter ido para o precipício. Com base em números Tive o cuidado de começar, parece que, em todo o mundo, havia algo como 25 milhões deles e fora do que o fluxo de desespero, miséria, doença e morte -, pescamos apenas um em cem nos 25 últimos anos. Acho que estamos um pouco de pesca maior e melhor.
Nossos números são consideráveis. Temos tamanho. Há grande segurança nos números. Você não pode imaginar como foi no primeiro dois ou três anos desta coisa quando ninguém tinha certeza de que ninguém poderia ficar sóbria … Então nós éramos como as pessoas na jangada Eddie Rickenbacker é. Boy rocha ninguém, jangada que, mesmo um pouco, e ele tinha certeza de ser derrotado, isso é tudo, e depois atirado ao mar. Mas hoje é uma história diferente. Juntamente com uma maior segurança nos números, lá veio uma certa quantidade de responsabilidade. Quanto mais pessoas houver para fazer um trabalho, que muitas vezes acaba, menos há. Em outras palavras, o que é tarefa de todos é de ninguém. Assim, o tamanho é obrigado a trazer complacência, a menos que nós temos cada vez mais conscientes do que está acontecendo. (Transcrito da fita. GSC, 1960)
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34Q – Qual a contribuição que o Dr. Carl Jung tornar a AA?
34A – Poucas pessoas sabem que a raiz principal da AA primeiro hit paydirt cerca de trinta anos atrás, em um escritório de médicos. Dr. Carl Jung, que grande pioneiro da psiquiatria estava conversando com um paciente alcoólatra. Este é na verdade o que aconteceu:
O paciente, um proeminente empresário americano, tinha ido a rota típica alcoólicas. Ele tinha esgotado as possibilidades da medicina e psiquiatria nos Estados Unidos e teve depois vem o Dr. Jung como a um tribunal de última instância. Carl Jung tinha tratado por um ano eo paciente, a quem chamaremos de Sr. R., sentiu-se confiante que as molas escondidos debaixo de sua compulsão para beber tinha sido descoberto e removido. No entanto, viu-se intoxicado dentro de um curto período de tempo depois de deixar os cuidados do Dr. Jung.
Agora ele estava de volta, em um estado de desespero negro. Ele perguntou o que o Dr. Jung pontuação era, e ele conseguiu. Em substância, Dr. Jung disse: “Por algum tempo depois que você veio aqui, eu continuei a acreditar que você pode ser um daqueles casos raros que poderia fazer uma recuperação. Mas agora devo admitir francamente que eu nunca vi um único caso recuperar através da arte psiquiátrica onde a neurose é tão grave como o seu. medicina tem feito tudo que pode para você, e isso é onde você está. “
Mr. R depressão se aprofundou. Ele perguntou: “Será que não há exceção, é este realmente o fim da linha para mim?”
“Bem”, respondeu o médico, “Há algumas exceções, a muito poucos. Aqui e ali, de vez em quando, alcoólatras tiveram que se chama vital experiências espirituais. Eles parecem estar na natureza das enormes deslocamentos emocionais e rearranjos . Idéias, emoções e atitudes que antes eram as forças que norteia estes homens são subitamente lançado para um lado, e um conjunto completamente novo de concepções e motivos começam a dominá-las. Na verdade, tenho estado a tentar produzir algum rearranjo emocional dentro de você . Com muitos tipos de neuróticos, os métodos que utilizo são bem sucedidos, mas eu nunca fui bem sucedido com um alcoólatra de sua descrição. “
“Mas”, protestou o paciente, “Eu sou um homem religioso, e ainda tenho fé.”
Para este Dr. Jung respondeu: “a fé religiosa comuns não é suficiente. O que eu estou falando é uma experiência de transformação, uma experiência de conversão, se quiser. Eu só posso recomendar que você coloque-se na atmosfera religiosa de seu próprio . escolha, que você reconhece a sua própria desesperança, e que confiem-se a tudo o que Deus você acha que há o relâmpago da experiência transformadora pode então golpeá-lo Este você deve tentar -. é sua única saída “. Assim falou o grande médico e humilde.
Para o AA-a-ser, essa foi uma greve de dez. A ciência tinha pronunciado Sr. R. praticamente sem esperança. Palavras do Dr. Jung, o ferira a grande profundidade, produzindo uma imensa deflação de seu ego. Deflação em profundidade é hoje um princípio fundamental do AA Lá no escritório do Dr. Jung foi empregada pela primeira vez em nosso nome.
O paciente, Sr. R., escolheu os Grupos Oxford daquele dia como sua associação religiosa e atmosfera. Terrivelmente castigados e quase impotente, ele começou a ser ativo com eles. Para sua alegria intensa e espanto, a obsessão de beber atualmente deixou.
Voltando para a América, o Sr. R. veio em cima de um velho amigo de escola do meu, um alcoólatra crônico. Este amigo – a quem chamaremos Ebby – estava prestes a ser internada em um hospital do Estado. Neste momento um outro ingrediente vital foi adicionado à síntese. O Sr. R., o alcoólatra, começou a conversar com Ebby, também um alcoólatra e um doente afins. Isso fez com que a identificação em profundidade, um princípio cardinal segundo. Sobre essa ponte de identificação, o Sr. R. passou veredicto Dr. Jung de como sem esperança, medicamente e psiquiatricamente, a maioria dos alcoólatras eram. Ele então apresentou Ebby aos Grupos Oxford, onde meu amigo prontamente sóbrio. (NY City Med. Soc. Alcsm., 28 de abril de 1958)
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35Q – Que efeito teve mensagem Ebby têm em você?
35A – Bem, por esta altura eu sabia quão desesperada minha alcoolismo foi, e ainda assim eu ainda se rebelou – a idéia de uma dependência em algum Deus intangível que pode até não estar lá. Oh, se eu pudesse engoli-lo, mas poderia eu! Eu fui em potável para um número de dias e, gradualmente, cheguei nervoso o suficiente para pensar sobre o hospital e depois ele veio a mim “De repente” um dia – “Fool! – Por que você deve questionar como você vai ficar bem , por que deveria ser mendigos choosers? Se você tivesse um câncer e você estava certo disso e seu médico disse “Isto é tão maligno que não podemos tocá-lo com a nossa arte e até mesmo se seu médico veio junto com a história improvável que haja eram muitos os que tem sobre o câncer de pé sobre sua cabeça em praça pública gritando ‘Amém’ e se ele poderia realmente fazer um caso que foi que sim Bill Wilson, se você tivesse câncer, você também estaria fora em praça pública ignominiosamente em pé sobre sua cabeça e chorando “Amen’ qualquer coisa para parar o crescimento dessas células e que seria a primeira prioridade, e seu orgulho teria que ir.”
E então eu perguntei a mim mesmo “é o meu caso diferente agora Não tenho uma alergia do corpo; não me um câncer das emoções – sim, e talvez eu tenha um câncer da alma, que resultou em uma obsessão que me condena? para beber e uma tolerância cada vez maior de licor que me condena a enlouquecer ou morrer. Sim, eu vou tentar isso. E depois houve mais um lampejo de obstinação quando eu disse a mim mesmo: “Mas eu não quero nenhum dessas experiências evangélica, quero dizer que terá de ser uma espécie de religião intelectual que eu vou chegar, por isso só para ter certeza que eu não vá no meu estado de confusão emocional, eu acho que vou subir para ver querido velho Dr. Silkworth e tê-lo secar-me. (Memphis, Tennessee, 18-20 setembro, 1947).
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Outra Resposta
35A – O que então aconteceu naquela mesa da cozinha? Talvez esta especulação foi melhor para a esquerda para a medicina ea religião. Confesso que não sei. Possivelmente a conversão nunca será totalmente compreendido.
História do meu amigo tinha gerado uma mistura de emoções, eu estava traçada e revoltado por turnos. Minha beber solitário continuou, mas eu não podia esquecer a sua visita. Vários temas corria em minha mente: Primeiro, que seu estado evidente de lançamento foi estranhamente e imensamente convincente. Segundo, que ele havia sido pronunciado desesperada por medicos competentes. Terceiro, que os preceitos de velhice, quando transmitidas por ele, tinha que me impressionou, com grande poder. Quarta, eu não podia, e não, ir junto com qualquer conceito de Deus. Nenhum disparate de conversão para mim. Foi assim que eu pondero. Tentando desviar meus pensamentos, achei inútil. Por meio de cordas de compreensão, sofrimento, e na verdade simples, outro alcoólico ligaram-me a ele. Não vou romper. (Amer J. Psychiat., Vol.106, 1949).
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Outra Resposta
35A – Ele primeiro me disse que sua experiência de beber, o sotaque em seus horrores mais recentes. É claro que sua identificação com me foi imediata e, como ficou provado, profunda e vital, de fato. Um alcoólico estava conversando com outro, como ninguém, exceto um alcoólatra pode. Então ele me ofereceu a sua fórmula de recuperação ingenuamente simples. Não uma sílaba era novo, mas de alguma forma me afetou profundamente.
Sentou-se ali, recuperado. Um exemplo do que ele pregava. Você vai notar que o seu dogma só foi Deus, que para meu benefício, estendendo para acomodar uma frase, um Poder superior a mim mesmo. Essa era a sua história. Eu poderia pegar ou largar. Eu preciso sentir nenhuma obrigação para ele. De fato, observou ele, eu estava fazendo um favor a ele, ouvindo. Além disso, era óbvio que ele tinha algo mais do que normal “água wagon” sobriedade. Ele parecia e agia “liberado”; repressão não tinha sido a sua resposta. Tal foi o impacto de um alcoólatra que realmente sabia o placar. (NY Estado J. Med., Vol.50, julho 1950)
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36Q – Por que tantas vezes clérigos falhar com os alcoólatras, quando tantas vezes sucede AA? É possível que a graça de AA é superior àquela da Igreja?
36A – Nenhum pastor, porque ele não acontecerá a ser um canal da graça para os alcoólatras, nunca deve sentir que sua Igreja é desprovido de graça. Nenhuma pergunta real de graça está envolvido em todos – é apenas uma questão de quem pode melhor transmitir a abundância de Deus. Acontece que nós, os que sofreram o alcoolismo, nós, que pode identificar profundamente com outros sofredores, são os que geralmente mais adequado para este trabalho específico. Certamente nenhum clérigo deveria sentir qualquer inferioridade apenas porque ele próprio não é um alcoólatra. (NCCA, “Blue Book”, Vol.12, (1960).
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Outra Resposta
36A – Eu pensei que a resposta a ser muito simples. A Igreja tem a espiritualidade, mas no caso de bêbados, não têm a comunicação para preparar o caminho, um alcoólatra para o outro, a graça de descer. Então você tem a espiritualidade, de que temos emprestados, e temos a comunicação. Portanto, estamos em nenhuma competição em todos, podemos fazer em conjunto aquilo que não podemos fazer na separação. (Transcrito da fita. GSC 1960)
Outra questão tópico, mesmo.
36Q – O que pode fazer para ministros co-operar com AA?
36A – A abordagem para o alcoólico é tudo. Eu acho que o pregador poderia fazer bem se ele faz como nós fazemos. Primeiro descobrir tudo que puder sobre o caso, como o homem reage, se ele quer acabar com a bebida ou não. Você vê, é muito difícil fazer uma impressão em um homem que ainda quer beber. Em algum momento de sua carreira de beber a maioria dos alcoólicos são punidos o suficiente para que eles querem parar, mas então é tarde demais para fazê-lo sozinho.
Às vezes, se o alcoólico pode ficar impressionado com o fato de que ele é um homem doente, ou um homem potencialmente doente, então, com efeito, você aumentar o fundo até ele em vez de permitir que ele a cair para baixo os anos a mais difícil de alcançá-lo . Eu não sei de nenhum substituto para a simpatia e compreensão, tanto quanto de fora pode ter. Nenhuma pregação, não moralizante, mas a ênfase na idéia de que o alcoólico é um homem doente.
Em outras palavras, o ministro pôde primeiramente dizer ao alcoólatra: “Bem, toda a minha vida que eu mal entendido que as pessoas, eu tomei-lhe as pessoas a ser imoral por escolha e perverso e fraco, mas agora eu percebo que mesmo que haja foram esses fatores, eles realmente deixam de contar, agora você é um homem doente “. Você pode conquistar o paciente, não colocando-se acima no topo de uma colina e olhando para ele, mas por descer até um certo nível de entendimento de que ele recebe, recebe ou parcialmente. Então, se você pode apresentar essa coisa como uma doença fatal e progressiva e pode apresentar o nosso grupo como um grupo de pessoas que não estão a tentar fazer qualquer coisa contra a sua vontade – nós apenas queremos ajudar, se ele quer ser ajudado – e então às vezes você já lançou as bases.
Eu acho que os clérigos muitas vezes pode fazer muito com a família. Você vê, nós alcoólatras são propensos a falar muito sobre nós mesmos, sem considerar suficientemente os efeitos colaterais. Por exemplo, toda a família, esposa e filhos, que tiveram de viver com um alcoólatra de 10 ou 15 anos, são obrigados a ser bastante neurótica e distorcida si. Eles simplesmente não podem ajudá-lo. Afinal, quando você espera que a gent velho para voltar para casa em um obturador a cada noite, ela está vestindo. As crianças ficam um ponto de vista distorcidos; o mesmo acontece com a esposa. Bem, se eles constantemente a ouvir salientou que este homem é um pecador terrível, que ele é um canalha, que ele está em desgraça, e todo esse tipo de coisa, você não está melhorando a condição da família em todos, porque, como eles se tornam persuadido de que, eles ficam muito intolerante com a alcoólicas e que apenas gera mais intolerância dentro dele. Portanto, o abismo que deve ser superada é alargado, e é por isso que empurra as pessoas moralizante, que poderia ter algo a oferecer, mais longe do álcool. Você pode dizer que não deve ser assim, mas é uma daquelas coisas que é assim. (Yale Escola de Verão de Estudos do Álcool, Junho 1945).
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37Q – Qual é o relacionamento de AA com a comunidade?
37A – Agora que os nossos métodos e os resultados são mais conhecidos que estamos recebendo a cooperação em todos os lugares esplêndidos de clérigos, médicos, empresários, editores – de fato, a partir de comunidades inteiras. Enquanto ainda há uma certa relutância bem compreendido por parte dos hospitais particulares da cidade e admitir doentes alcoólicos, temos o prazer de relatar um grande avanço nesta direção. Mas ainda estamos muito longe, na maioria dos lugares, de ter qualquer coisa como acomodações hospital adequado.
Para além desta actividade tradicional, podemos dar alguns conselhos para aqueles que trabalham sobre vários aspectos do problema total. Pode ser possível que a nossa experiência se encaixa nos para uma tarefa especial. Escrita de Alcoólicos Anônimos, o Dr. Harry Emerson Fosdick disse uma vez: “janelas catedral gótica não são a única coisa que pode ser visto de dentro Alcoolismo é outro Todas as vistas de fora são obscurecidas e inseguros…” Assim, com a nossa visão interior – um dos melhores vistos por aqueles consumidores que têm sofrido com o alcoolismo – que iria ajudar aqueles que trabalham com problemas de álcool que não tiveram a nossa experiência em primeira mão.
Enquanto nós, membros dos Alcoólicos Anônimos não são cientistas, nosso insight especial pode ajudar a ciência, enquanto nós somos de todas as religiões e às vezes nenhum, nós podemos ajudá-clérigos, embora não educadores, devemos, talvez, a ajuda na limpeza de distância visualizações não tem certeza, não especialistas em direito penal , que ajudam no trabalho prisional, não um negócio ou organização, no entanto, aconselhar empregadores, não sociólogos, estamos constantemente a servir as famílias, amigos e comunidades, não os promotores ou juízes, tentamos promover a compreensão e justiça; enfaticamente não médicos, o que fazemos ministrar aos doentes. Tomar nenhum lado em questões controversas, algumas vezes podemos mediar antagonismo infrutíferas, que tantas vezes bloqueado cooperação efetiva entre aqueles que resolver o enigma do alcoólico.
Estas são as atividades e as aspirações de milhares de membros dos Alcoólicos Anônimos. Enquanto a nossa organização como um todo tem um objetivo – para ajudar o alcoólico que deseja recuperar – há alguns de nós, de fato, que, como indivíduos não desejam conhecer alguns dos maiores responsabilidades para as quais podemos ser especialmente equipados. (Quart. Stud J.. Alc., Vol.6, setembro, 1945). .
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Outra Resposta
37A – Muitos um alcoólatra é agora enviado para AA por seu psiquiatra própria. Aliviado de sua bebedeira, ele retorna ao médico um assunto muito mais fácil. Praticamente todo o alcoólico a esposa se tornou, de certa forma, sua mãe possessiva. A maioria das mulheres alcoólicas, se eles ainda têm um marido, viver com um pai perplexo. Isso às vezes significa problemas em abundância. Nós AA certamente deveria saber! Então, senhores, aqui está um grande problema para a direita acima de sua aléia.
Nós de AA tentar estar ciente de que nós nunca pode tocar, mas um segmento do problema total de álcool. Tentamos lembrar que nosso crescente sucesso pode vir a ser um vinho inebriante; você homens e mulheres de medicina ser nossos parceiros; médicos exercendo bem o seu bisturis invisíveis; trabalhadores de tudo, em nossa causa comum? Nós gostamos de pensar Alcoólicos Anônimos um meio termo entre a medicina ea religião, o catalisador ausente, de uma nova síntese. Esta a fim de que milhões de pessoas que ainda sofrem pode presentemente questão a partir de suas trevas para a luz do dia! (Amer. J. Psychiat., Vol. 106, 1949).
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Outra Resposta
37A – Alcoólicos Anônimos uma vez ficou em cima do muro de terra entre a medicina ea religião. Religiosos pensaram que nós éramos pouco ortodoxa, medicina pensei que nós estávamos totalmente anticientífico. A última década trouxe uma grande mudança a esse respeito. Clérigos de todas as denominações declarar que, embora AA não contém nenhum pingo de dogma, que tem uma base espiritual impecável, bastante aceitável aos homens de todos os credos, até mesmo o agnóstico si mesmo. Senhores da medicina também observar que AA é psiquiatricamente som medida em que vai e que AA se refere todos os males do corpo de seus membros para a sua profissão. Portanto, é agora claro que Alcoólicos Anônimos é uma construção sintética que se baseia em três fontes, a saber, a ciência médica, a religião e sua própria experiência particular. Retirar um desses apoios e sua plataforma de estabilidade cai à terra como fezes de um fazendeiro de leite de três pernas com uma perna cortada. Que você me convidou, um membro de AA, para se sentar em seus conselhos, hoje, é um símbolo feliz desse fato, para que a nossa sociedade é profundamente grato.
O que, então, tem contribuído como Alcoólicos Anônimos terceiro parceiro da síntese de recuperação que promete tanto aos sofredores em toda parte? Alcoólicos Anônimos não contêm quaisquer novos princípios? Estritamente falando, não. AA apenas se relaciona a alcoólicas às verdades testadas em uma nova maneira. Ele agora é capaz de aceitá-los onde não podia antes. Agora ele tem um programa concreto de acção e apoio a compreensão de uma sociedade bem-sucedida de seus companheiros em que exercer isso. Com toda a probabilidade, estas são as ligações de longa falta na cadeia de recuperação. (NY Estado J. Med., Vol. 50, Julho 1950)
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38Q – Por que a Conferência de Serviços Gerais?
38A – Alcoólicos Anônimos, pensamos, vai precisar sempre de um centro mundial – algum ponto de referência do globo onde os nossos poucos, mas importantes serviços universais pode se concentrar e irradiar para todos os que desejam ser informados ou ajudou. Um lugar nunca vai ser necessário para cuidar de toda a nossa relações públicas, inquéritos resposta, fomentar novos grupos e distribuir nossos livros padrão e publicações. Teremos também querem um lugar de aconselhamento e mediação de tocar importantes questões de política geral ou Tradição AA. Vamos exigir, também, um repositório seguro para os fundos modestos vamos usar para realizar esses propósitos simples, mas universal.
É claro que devemos tomar cuidado para que nunca o nosso centro de serviço universal tentativas de disciplina ou governar. Por outro lado, devemos proteger os nossos bons servidores que ali trabalham a partir de exigências descabidas exigências políticas ou de qualquer tipo. Sem poder pessoal, nenhum funcionário ou títulos retumbante, nenhuma política, nenhuma acumulação de dinheiro ou propriedade, mas nenhum vital universal serviços aos Alcoólicos Anônimos – que é o nosso ideal. Fazer sem esse centro seria convidar confusão e desunião; para instalar ali uma autoridade centralizada seria estimular conflitos políticos e clivagem. Alguns pouca organização dos nossos serviços, devidamente compilados pela tradição, vamos certamente precisa – apenas o suficiente, e de um caráter tal como permanentemente evitar qualquer mais.
No centro da AA, agora temos o corpo de custódia e excelente serviço. Nossos curadores vindo gradualmente a simbolizar a consciência coletiva de AA, o nosso escritório em geral atua na forma de coração que recebe problemas através de suas veias e bombeia para fora de assistência através de sua miríade artérias, e The Grapevine tenta registrar a verdadeira voz de Alcoólicos Anônimos . Tal é o estado de felicidade dos nossos assuntos centrais que certamente deve tomar cuidado para preservar e proteger, confiança que, em um futuro longo e útil.
Portanto, nosso problema sede do futuro, com toda a probabilidade, consiste em guardar e preservar, em seus contornos principais, o que já temos. Como, então, será a melhor maneira de manter intacto o nosso ideal de serviço, como devemos evitar a política nacional ou internacional, como podemos conceber melhor contra qualquer possível colapso da sede atual Serviço de AA e como havemos de dar a cada AA no mundo uma garantia contínua que tudo está bem com ele; que continua a desempenhar as suas tarefas de forma eficaz, de modo que merecem o seu apoio caloroso, moral e financeira?
Para estes problemas de amanhã muitos estão dando reflexão orante. AA ‘s estão começando a dizer que, ou quem, vai garantir o funcionamento do nosso Quartel General, quando mais velhos, que inaugurou ele ter passado fora da cena, especialmente as muito cedo como o Dr. Bob e Bill. Conhecida tão bem para nós a partir do período pioneiro de AA, estes primeiros ainda ocupam uma posição única. Eles comandam uma maior confiança e ainda exercem uma influência mais pessoal do que ninguém poderia mais uma vez, ou para essa matéria, jamais deveria. Tendo ajudado a estabelecer o nosso Centro de Serviço universal pediram o resto de nós a ter confiança nele. E nós temos essa confiança, não que nós sabemos muito os curadores presentes, mas porque sabemos que Bob e Bill e os outros velhinhos, no futuro a longo, quando esses velhinhos já não pode assegurar-nos, quem vai tomar seu lugar? Não parece claro que o movimento AA e sua Central de Atendimento deve em breve ser verificado uma aproximação entre? Embora saibamos que nosso Escritório Geral e nossa Grapevine razoavelmente bem, não devemos de alguma forma se aproximar mais de nossos curadores? Não devemos tomar medidas para acalmar os nossos sentimentos de afastamento enquanto os mais velhos ainda estão por aí, e ainda há tempo para experimentar? “Tais são as questões sendo feitas, e elas são boas.
Talvez a melhor sugestão para fechar a lacuna entre a Fundação alcoólicas e os Grupos de AA é a idéia de criar o que poderíamos chamar de a Conferência de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos. (Proposta de Bill W. e Dr. Bob para a Fundação alcoólicas, Abril, 1947).
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Outra Resposta
38A – Vamos encarar esses fatos (outubro 1950). Em primeiro lugar. Dr. Bob e eu somos perecíveis, que não pode durar para sempre. Segunda. Os curadores são quase desconhecidos para o membro de AA. Terceiros. Nos próximos anos nossos curadores não poderia funcionar sem orientação direta de AA em si. Alguém deve aconselhá-los. Alguém, ou algo deve tomar o lugar do Dr. Bob e Quarta I.. Alcoólicos Anônimos está fora de sua infância. Crescido, adulto agora, ele tem direito e dever planície cheia de assumir a responsabilidade direta para sua sede própria. Quinto. Claramente, então, a menos que a Fundação está firmemente ancorada, por intermédio de representantes do Estado e Provincial, ao movimento que serve, uma avaria sede um dia será inevitável. Quando o seu veteranos desaparecerem, uma Fundação isolado não poderia sobreviver um erro grave ou séria controvérsia. Qualquer tempestade pode explodir-lo para baixo. Seu renascimento não seria simples. Possivelmente ele nunca poderia ser revivido. Ainda isoladas, não haveria meios de fazer isso. Como um carro bem sem gasolina seria impotente. Sexta. Outra falha grave, como um todo, o movimento AA nunca enfrentou uma grave crise. Mas algum dia terá que. Relações humanas são o que são, não podemos esperar para permanecer intocado pela hora de sérios problemas. Com apoio directo indisponível, sem confiáveis seção transversal da opinião AA, como poderia o nosso Trustees remoto lidar com uma emergência perigosos? Este “final aberto” escancarada em nosso presente set-up poderia positivamente garantir um fiasco. Confiança na Fundação seriam perdidos. . A A. ‘s em todos os lugares diria: “Pela autoridade de quem faz os curadores falam por nós e como eles sabem que estão certos?” Com AA Serviço de linhas da vida tangled e cortou, então o que pode acontecer com os milhões que não sabem. Milhares continuaria a sofrer ou morrer, porque nós não tomou nenhuma evidência de pensamento, porque tinha esquecido a virtude da prudência Isso não deve acontecer.
É por isso que os curadores, o Dr. Bob e eu agora propor a Conferência de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos. É por isso que precisamos urgentemente de sua ajuda direta. Nossos serviços de princípio deve continuar a viver. Nós pensamos que a Conferência de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos pode ser a agência para fazer que certos. (Terceiro Legado Pamphlet, Outubro 1950)
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39Q – Como é que a conexão entre os Rockefeller e os Alcoólicos Anônimos desenvolver?
39A – Após a reunião em Akron, no outono de 1937, voltei para Nova York, como dizemos, tudo cozinhado para cima. Eu, então, fez a descoberta triste que os muito ricos que tinham o dinheiro que precisávamos não tinha o menor interesse em bêbados, eles só não dou a mínima. Eu solicitados e eu solicitados e fiquei muito preocupado. Eu até aproximou-se da Fundação Rockefeller, você sabe, eu percebi John D. teria interesse em alcoolismo, sociologia, medicina e religião e isso deve apenas caber a conta. Mas não, nós não se encaixam em qualquer categoria com a Fundação Rockefeller e sentiram um pouco pobre na época que com a depressão. Um dia eu estou no escritório de meu irmão-de-lei, ele um médico. Eu gemia sobre a avareza dos ricos, a nossa necessidade de dinheiro e como ele se parecia com esta coisa não estava indo para ir em qualquer lugar. Ele disse: “Você já tentou a Fundação Rockefeller.” E eu lhe disse que eu tinha. “Bem”, ele disse, “pode ajudar se você viu o Sr. Rockefeller pessoalmente.” Eu disse, “Dr. Winn, eu não quero parecer jocoso, mas você poderia me recomendar ao Príncipe de Gales, ele pode ajudar muito.” E então veio uma daquelas voltas estranhas do destino, se você gosta, ou providência, se você preferir o fio tênue e foi isso, meu cunhado-médico ficou lá coçando a cabeça e disse: “Quando eu era um jovem, eu costumava ir para a escola com uma menina e eu acho que a menina tinha um tio e pareceu-me que seu nome era Willard Richardson e parece que ele era um cara muito velho e ele poderia estar morto agora, mas parece- me que ele tinha algo a ver com a caridade Rockefeller. Supondo que eu chamo de escritórios Rockefeller e ver se ele está por perto e se ele se lembra de mim. Ele chamou este cavalheiro velho e querido no telefone, um dos maiores amigos não alcoólicas, que AA sempre teve. Imediatamente ele se lembrou do meu cunhado e disse: “Leonard onde você esteve todos esses anos. Eu adoraria vê-lo. “
Ao contrário de mim, meu cunhado é um homem de poucas palavras e ele, em vez tenso explicou que tinha um parente que estava tentando ajudar alcoólatras e estava fazendo algum progresso e poderíamos vir para escritórios Mr. Rockefeller e falar sobre ele. “Por certo”, disse o velho, e logo estávamos na presença deste senhor maravilhoso cristão que foi incrivelmente um dos amigos mais próximos John D’s. Quando eu vi que eu pensei que agora estamos realmente chegando perto da banca eo velho perguntou-me algumas perguntas sagazes e eu disse o fio medida em que tinham sido fiadas. Então ele disse: “Sr. Wilson, gostaria de vir almoçar comigo no início da semana que vem.” Oh menino, seria I. Agora estávamos realmente ficando quente. Então tivemos o almoço e no almoço, ele disse: “Eu sei de três ou quatro companheiros que seria realmente interessado nisso. Vou pegar uma reunião juntamente com eles como eles são amigos ou são associadas com o Sr. Rockefeller e alguns foram Recentemente, em uma comissão, que recentemente recomendou a interrupção do experimento proibição. Então, atualmente, vários de nós alcoólicos, Smitty e um casal de Akron, alguns dos rapazes de Nova York, nos encontramos sentado na companhia desses amigos do Sr. Rockefeller na sala de reuniões privadas Sr. Rockefeller. Na verdade, foi-me dito que eu estava sentado em uma cadeira que o Sr. Rockefeller havia sentado em apenas meia hora antes. pensei, agora estamos realmente ficando quente.
Bem, nós estávamos perplexos, um pouco sem palavras, por isso cada um de nós alkies apenas começou a contar sua história. Nossos novos amigos ouviram com muita atenção e, em seguida, com relutância e modéstia eu trouxe o assunto de dinheiro e ao mesmo tempo você vê que Deus tem trabalhado através de muitas pessoas para moldar o nosso destino. De uma só vez, o Sr. Scott que havia sentado à cabeceira da mesa disse: “Estou profundamente impressionado e comovido com o que foi dito aqui, mas não são vocês, rapazes com medo de que se você tivesse o dinheiro que você pode criar uma classe profissional, aren ‘t você tem medo que a gestão de plantas, propriedades e hospitais iria distraí-lo de seus objetivos será puramente bom. ” Bem, admitimos, nós tínhamos certeza pensou dessas dificuldades. Eles tinham sido instado sobre nós por alguns dos nossos próprios membros, mas nós sentimos que o risco de não fazer essas coisas era maior do que o risco de fazer pelo menos alguns deles. “Pelo menos,” nós dissemos, “Mr. Scott, esta sociedade precisa de um livro no qual podemos registrar nossa experiência para que os alcoólatras, a uma distância pode saber o que aconteceu.”
Um dos senhores disse que iria sair para Akron e nós meio que dirigiu a ele que forma como a hipoteca sobre a casa de Smith foi maior que o meu e ele saiu para Akron e voltou com um relatório brilhante que o Sr. Richardson colocado em frente do Sr. Rockefeller. Isto marcou outro ponto de viragem. Depois de ouvir a história e ler o relatório sobre Akron Grupo No.1, Mr. Rockefeller expressou seu profundo interesse e sentimentos acerca de nós. “Mas Dick”, ele disse: “Se dermos estes companheiros dinheiro real a sua vai mimá-los e vai mudar todo o complexo. Talvez você companheiros acho que precisa de dinheiro e se você ir em frente e fazê-los um pouco.” Ele disse: “Vou lhe dizer o que vou fazer, vou colocar uma pequena quantia na Igreja Riverside tesouraria e você pode retirá-la e pelo menos tentar ajudar esses dois homens por um tempo, mas essa coisa deve ser auto-sustentáveis. Dinheiro, Dick, vai estragá-lo. ” O que uma realização profunda. Deus não trabalhar através de nós, mas através do Sr. Rockefeller, cujo todo o interesse que tinha realmente alegou a partir daquele momento. Este homem que dedicou sua vida a dar dinheiro disse que “não dessa vez.” E ele nunca nos deu dinheiro real, louvar a Deus. (Chicago, Illinois, February1951)
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40Q – O que o Três Legados de AA representa?
40A Os três legados de AA – a unidade de recuperação e de serviço – em um sentido representam três impossibilidades, impossibilidades que sabemos que se tornou possível, e as possibilidades que têm agora a cargo desta fruta inacreditável. Old Fitz Mayo, um dos primeiros AA e eu visitei o Surgeon General dos Estados Unidos no terceiro ano desta sociedade e contou-lhe sobre nossas origens. Ele era um homem gentil, Dr. Lawrence Kolb, e desde então se tornou um grande amigo de AA. Ele disse: “Eu te quero bem. Mesmo a sobriedade de alguns é quase um milagre. O governo sabe que este é um dos maiores problemas de saúde, mas nós consideramos a recuperação de alcoólicos tão impossível que tenhamos desistido e ter vez concluiu que a reabilitação de viciados em entorpecentes seria o trabalho mais fácil de resolver. “
Tal era a impossibilidade devastadores da nossa situação. Agora, o que tem sido exercida sobre essa impossibilidade que se tornou possível? Primeiro, a graça daquele que preside todos nós. Em seguida, o chicote de John Barleycorn que disse. “Isso você deve fazer, ou morrer.” Em seguida, a intervenção de Deus através de amigos, num primeiro momento uma legião poucos e agora! que abriu para nós, que nos primeiros dias foram confirmadas, todo o campo das idéias humanas, da moralidade e da religião, da qual podemos escolher.
Estas foram as fontes das forças e idéias, emoções e espírito que foram os primeiros fundidos em nossos Doze Passos para a recuperação. Alguns de nós agir bem, mas não antes que alguns tem sóbria do que as forças de idade começou a entrar em jogo, em nós, pessoas bastante frágil. Eles eram temíveis, as velhas forças, a unidade de dinheiro, elogios, prestígio.
Será que essas forças nos separar? Além disso, viemos todos os caminhos da vida. Início, tínhamos começado a ser uma secção transversal de todos os homens e mulheres, todos de forma diferente condicionado, todos tão diferentes e tão iguais feliz ainda em nosso parentesco de sofrimento. Poderíamos segurar na unidade? Para aqueles poucos que permanecem, que viveu naqueles tempos anteriores, quando as tradições foram sendo forjados na escola da experiência duro em seus milhares de bigornas, tivemos nossos momentos muito, muito escuro.
Ele tinha certeza de recuperação estava à vista, mas como poderia haver recuperação para muitos? Ou como poderia suportar a recuperação se estivéssemos a cair em controvérsias e assim em dissolução e decadência?
Bem, o espírito dos Doze Passos, que nos trouxeram liberação de uma das obsessões mais cruel conhecido – obviamente, este espírito e os princípios de retenção de graça tinha que ser os fundamentos de nossa unidade. Mas para se tornar fundamental para a nossa unidade, estes princípios tiveram que ser escritos por extenso em que se aplicam aos mais proeminente eo mais grave de nossos problemas.
Assim, a partir da experiência surgiu a necessidade de aplicar o espírito de nossos passos para a nossa vida de trabalho e de vida juntos. Estas foram as forças que gerou as Tradições de Alcoólicos Anônimos.
Mas, tínhamos que ter mais de coesão. Mesmo para a sobrevivência, tivemos que levar a mensagem e nós tivemos a funcionar. Na verdade, que havia se tornado evidente nos Doze Passos se para o último nos exorta a levar a mensagem. Mas como poderíamos transmitir esta mensagem? Como é que nós nos comunicamos, temos poucos, com aqueles de uma miríade que ainda não sabe? E como é que esta comunicação ser tratada? Como poderíamos fazer essas coisas. Como poderíamos autorizar essas coisas de tal maneira que, neste enfoque novo, quente de esforço e de ego que não voltaria a ser abalada pelas forças que outrora arruinou nossas vidas?
Esse era o problema do Legacy Terceiro. Do Passo vital Twelfth chamada direita para cima através da nossa sociedade para o seu ponto culminante hoje. E, novamente, muitos de nós disse: “Isto não pode ser feito É tudo muito bem para Bill e Bob e alguns amigos para criar um Conselho de Curadores e para fornecer-nos com alguma literatura, e cuidar de nossas relações públicas. e fazer todas aquelas tarefas para nós que não podemos fazer por nós mesmos. Isso é bom, mas não podemos ir mais longe do que isso. Este é um trabalho para os nossos idosos, para os nossos pais. Neste sentido só, pode haja simplicidade e segurança.
E então veio o dia em que viu-se que os pais eram ambos falíveis e perecíveis e horas Dr. Bob bateu e nós de repente percebeu que este gânglio, este centro de nervo vital de Serviço Mundial, perderia a sua sensação do dia a comunicação entre um cada vez mais Board of Trustees desconhecido e você estava quebrado. Links novos teriam de ser forjada. E naquele tempo muitos de nós disse: Isso é impossível, isso é muito difícil. Mesmo em transações mais simples de negócios, proporcionando o mais simples dos serviços, aumentando as quantidades mínimas de dinheiro, essas excitações para nós, nesta sociedade tão empenhados na sobrevivência foram quase demais localmente. Olhe para brigas de nosso clube. Meu Deus, se temos eleições em todo o país e Delegados vir aqui e olhar para a complexidade – milhares de representantes do grupo, centenas de committeemen, dezenas de delegados – meu Deus, quando estes descem em nosso pais, os curadores, o que vai acontecer então? Não vai ser simplicidade: ele não pode ser. Nossa experiência tem escrito isso.
Mas havia o imperativo, o mosto, e por que estava ali um imperativo? Porque é melhor ter alguma confusão, alguns politicagem, do que ter total colapso deste centro.
Essa foi a alternativa e que foi o terreno incerto e tênue em que a Conferência de Serviços Gerais foi chamada à existência.
Atrevo-me, nas mentes de muitos e às vezes na minha que a Conferência pode ser simbolizado por uma grande oração e uma tênue esperança. Este era o estado de coisas em 1945 a 1950. Então chegou o dia em que alguns de nós fomos até Boston para assistir a uma montagem eleito por dois terços de votos ou lote por um Delegado. Antes da montagem, eu consultei todos os políticos locais e os irlandeses em Boston muito sábio disse: “Nós vamos fazer a sua previsão de Bill, você sabe que nós temperamento, mas vamos dizer que essa coisa vai funcionar. ” Esse foi o maior pedaço de notícia e uma das mais poderosas garantias de que eu tinha até este momento que poderia haver alguma de sobrevivência para estes serviços.
Bem, o trabalho que tem e temos sobrevivido outra impossibilidade. Não só sobreviveu à impossibilidade, que temos até agora transcendeu isso que não pode haver nenhum retorno nos próximos anos para as incertezas de idade, venha o que perigos pode haver.
Agora, como temos visto nesta revisão rápida, o espírito dos Doze Passos foi aplicado em termos específicos para os nossos problemas de vida e de trabalho em conjunto. Este desenvolveu as Doze Tradições. Por sua vez, as Doze Tradições foram aplicadas a este problema de funcionamento em níveis mundial em harmonia e unidade. (GSC 10, abril, 1960)
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41Q – Se um alcoólico vem para uma reunião de AA sob a influência de álcool, como você tratá-lo ou lidar com ele durante a reunião?
41A – Grupos geralmente executar amuck sobre esse tipo de questão. No primeiro, estão propensos a dizer que vamos ser super-homens e salvar todos os bêbados da cidade. O fato é que muitos deles simplesmente não quer parar. Eles vêm, mas que interfere grandemente com a reunião. Então, sendo ainda bastante intolerante, o grupo vai oscilar muito acima na outra direção e dizer: “Não bêbados em torno destas reuniões.” Obtemos forçada e colocá-los fora da reunião, dizendo: “Você é bem-vindo aqui se o seu sóbrio.” Mas a regra geral na maioria dos lugares é que se uma pessoa vem para a primeira ou segunda vez e pode sentar-se calmamente na reunião, sem criar um tumulto, ninguém o incomoda. Por outro lado, se ele é um “chinelo” crônica e interfere com as reuniões, nós levá-lo para fora com cuidado, ou talvez não tão gentilmente, na teoria de que um homem não pode ser permitido manter-se a recuperação de outros. A teoria é “o maior bem para o maior número”. (Yale Escola de Verão de Estudos do Álcool, Junho 1945)

NA OPINIÃO DO BILL

NA OPINIÃO DO BILL
O Modo de Vida de A.A.
Trechos selecionados
do co-fundador de A.A.
Alcoholics Anonymous World Services, Inc., New York – U.S.A.
AS BILL SEES IT (formely The A.A. Way of Life), 1983.
Direitos autorais (c) 1967 de Alcoholics Anonymous (R) World Services, Inc. Todos os direitos são reservados. Revisado pela Comissão Iberoamericana de Traduções e Adaptações da Literatura de A.A. (C: I: A: T: A: L.)
Todos os direitos são reservados de acordo com a convenção
panamericana de direitos autorais.
Direitos autorais reservados a nível internacional
Trechos de A.A. Grapevine e de
“A.A. Today” são reimpressos com a permissão de
A.A. Grapevine, Inc., que tem os direitos autorais.
Primeira Impressão 1967
Décima Terceira Impressão 1983
Esta é literatura aprovada pela
Conferência de Serviços Gerais de A.A.
Número do cartão no Catálogo da Biblioteca do Congresso dos E.U.A.
ISBN O – 916856-03-8
Impresso no Brasil
Primeira Edição – Setembro de 1988
Segunda Edição – Agosto de 1989
Terceira Edição – Outubro de 1990
Quarta Edição – Fevereiro de 1995
CLAAB
Centro de Distribuição de Literatura de A.A. para o Brasil
Caixa Postal 3180 – CEP 01060-970 – São Paulo/SP
Tiragem 3.000 exemplares
PREFÁCIO
Prezados amigos:
Este volume inclui varias centenas de trechos de nossa literatura, que se referem a quase todos os aspectos do modo de vida de A.A. Acredita-se que este material pode se tornar um ajuda para a meditação individual e um estimulo para a discussão em grupo e pode muito bem levar a uma leitura ainda mais ampla de toda nossa literatura.
Durante os últimos vinte e cinco anos, tive o privilégio de escrever os seguintes livros sobre A.A.: o texto de “Alcoólicos Anônimos”; “Doze Passos e Doze Tradições”; “Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade” e “Doze Conceitos para Serviços Mundiais”, este último como parte do nosso “Manual do Terceiro Legado”.* (O “Manual do Terceiro Legado” foi revisado e lhe foi dado um novo titulo: “O Manual de Serviços de A.A.”. “Doze Conceitos para Serviços Mundiais” foi publicado separadamente durante doze anos, mas posteriormente ele foi anexado novamente ao manual, começando com a edição de 1981/1982). Muitos artigos foram escritos para nossa revista mensal, o A.A. Grapevine, e sempre mantive uma ampla correspondência pessoal.
Essas são as principais fontes de onde foi tirado o conteúdo deste livro. Pelo fato das citações usadas terem sido retiradas de seu contexto original, foi necessário, a fim de maior clareza, editar e às vezes repetir uma grande quantidade delas.
Naturalmente, todo este material reflete meu ponto de vista pessoal sobre o modo de vida de A.A. Como tal, está sujeito a limitações e imperfeições. Entretanto, pode-se esperar que esta nova publicação vá de encontro a uma verdadeira necessidade.
Afetuosamente,
Abril de 1967
Bill
GUIA PARA DISCUSSÃO E LEITURA
A
Aceitação, 6, 20, 30, 44, 49, 109, 114, 131, 138, 148, 169, 194, 254, 293
Admissão, 17, 24, 48, 65, 83, 88, 102, 111, 126, 135, 149, 164, 209, 213, 228, 231, 248, 261, 289, 305, 311, 314, 318
Afiliação em A.A., 34, 41, 62, 134, 158, 175, 186, 234, 237, 276
Álibis; veja Racionalização
Ambição, 19, 40, 46, 131, 135, 138, 160, 185, 193, 198, 214, 235, 282
Amizade; veja Amor
Amor, 18, 23, 27, 37, 53, 90, 144, 172, 203, 230, 273, 294, 303
Anonimato, 43, 120, 160, 198, 241, 255, 278, 299, 316
Ansiedade; veja Medo
Apadrinhamento; veja Trabalho do Décimo Segundo Passo
Arrogância, 33, 38, 60, 114, 139, 146, 176, 183, 199, 206, 225, 320
Atração ao invés de promoção; veja Informação ao Público
Autoconfiança; veja Vontade
Autojustificação; veja Racionalização
Autopiedade, 138, 176, 238, 261, 268, 320
Auto-satisfação, veja Complacência
B
Bebedeira/Seca, Bêbado/Seco; veja Raiva, Depressão, Ressentimentos
C
Comodismo, 12, 100, 142, 330
Complacência, 25, 94, 96, 99, 133, 153, 159, 193, 205, 207, 226, 227, 258, 325, 327
Compulsão para beber; veja Doença
Confiança, 144, 224, 248, 269, 303, 307, 310, 332
Controvérsia, 56, 59, 98, 143, 153, 215, 262, 326
Cooperação sem afiliação, 45, 113, 147, 180, 255, 267
Coragem, 61, 91, 129, 166, 200, 221, 253, 321
Crescimento individual, 1, 8, 10, 12, 25, 44, 65, 76, 85, 101, 104, 115, 124, 136, 156, 157, 171, 204, 244, 264, 271, 294, 306, 327, 330; Gradual e contínuo, 6, 15, 59, 159, 167, 181, 191, 219, 236;Através de adversidade, 3, 22, 31, 35, 49, 75, 184, 234, 266, 326. De A.A. ou do grupo; veja Progresso
D
Defeitos de Caráter, 17, 48, 54, 80, 83, 96, 103, 131, 136, 142, 149, 196, 204, 216, 258, 281, 301, 311, 325, 327
Dependência das pessoas, 63, 72, 176, 239, 252, 265, 288. De Deus; veja Poder Superior, ter confiança no
Depressão, 2, 30, 63, 92, 148, 231, 308
Desonestidade; veja Honestidade
Despertar Espiritual ou Experiência, 2, 8, 85, 101, 152, 168, 171, 178, 182, 217, 225, 242, 246, 256, 281, 313
Dificuldades, 3, 20, 27, 31, 35, 71, 78, 82, 110, 132, 156, 184, 200, 211, 221, 234, 250, 263, 266, 288, 291, 293, 306, 321
Disposição, 4, 88, 106, 109, 115, 122, 137, 171, 211, 219, 226, 232, 321, 327, 328
Doença, alcoolismo como, 4, 27, 32, 35, 45, 88, 118, 121, 130, 141, 180, 194, 217, 218, 257, 283
Doença do alcoolismo; veja Doença
Dor; veja Dificuldade
E
Egoísmo, 81, 227, 270, 272, 282, 287
F
Farisaísmo, 17, 28, 38, 107, 170, 181, 183, 274
Fé, 3, 13, 16, 23, 26, 36, 47, 51, 84, 112, 114, 117, 129, 152, 166, 188, 196, 208, 212, 219, 221, 225, 235, 260, 263, 284, 300, 310. Veja também Poder Superior
Felicidade, 29, 53, 57, 69, 163, 216, 218, 233, 249, 254, 298, 302, 306, 321
Frustração, 1, 22, 40, 63, 111, 131, 135, 176, 265, 320
G
Gratidão, 19, 29, 37, 67, 133, 155, 163, 165, 168, 231, 249, 253, 256, 266, 267, 303, 326
H
Honestidade, 17, 20, 44, 52, 70, 74, 83, 102, 140, 141, 156, 172, 173, 205, 213, 222, 227, 238, 248, 251, 258, 277, 279, 295, 312
Humildade, necessidade de, 10, 36, 38, 40, 46, 74, 97, 106, 139, 160, 168, 199, 212, 223, 226, 244, 271, 304, 325; Caminhos em direção a, 2, 12, 31, 44, 83, 91, 106, 126, 149, 156, 159, 191, 211, 213, 236, 246, 248, 291, 305, 311, 316
I
Identificação, 24, 195, 212, 228, 231, 252, 257, 302, 303
Imperfeições; veja Defeitos de caráter
Inadequabilidade, 46, 90, 135, 140, 185, 214, 252
Inferioridade, veja Inadequabilidade
Informação ao Público, 195, 255, 278, 316
Intolerância, veja Tolerância
Inveja, 131
Inventário, ajuda para, 10, 17, 33, 39, 80, 89, 96, 111, 132, 142, 144, 193, 205, 213, 215, 222, 248, 258, 261, 267, 270, 279, 281, 289, 296, 301, 303; Valor do, 10, 12, 17, 54, 64, 65, 68, 106, 111, 140, 149, 161, 164, 173, 216, 233, 261
L
Liberdade, 4, 26, 50, 55, 124, 134, 158, 191, 201, 218, 237, 273, 319
M
Meditação, 10, 33, 93, 108, 117, 127, 150, 189, 202, 243, 264, 331
Medo, 22, 43, 46, 51, 61, 75, 91, 92, 112, 154, 166, 196, 253, 261, 263, 278
Membros mais antigos, 138, 169, 207, 244, 269, 307
Mente aberta, 7, 26, 87, 115, 119, 137, 152, 174, 189, 219, 247, 260, 300, 313
Mudança de Personalidade; veja Crescimento
O
Obsessão pelo álcool: veja Doença
Ódio; veja Raiva, Ressentimento
Oração, 20, 33, 55, 63, 78, 89, 93, 108, 117, 127, 148, 170, 189, 202, 206, 210, 243, 250, 264, 274, 286, 293, 295, 321, 329, 331
Orgulho, 12, 37, 74, 107, 118, 133, 140, 181, 261, 285, 304
P
Paz de Espírito; veja Serenidade
Perdão, 52, 89, 151, 204, 268, 318
Perfeccionismo, 6, 15, 135, 167, 172, 181, 214, 308
Personalidade e princípios; veja Princípios e personalidade
Poder Superior, 2, 7, 13, 15, 34, 38, 51, 76, 95, 108, 116, 119, 126, 146, 150, 152, 168, 170, 175, 178, 201, 204, 219, 223, 225, 236, 263, 274, 294, 310, 313, 323, 331; agnósticos, ateus e o, 7, 26, 47, 95, 126, 137, 146, 158, 174, 201, 247, 260, 276, 300, 313, 328; a obsessão alcoólica e o, 2, 4, 9, 11, 16, 19, 42, 88, 114, 194, 246, 315; A.A. ou o grupo como, 73, 109, 191, 276, 310, 328; ter confiança no, 26, 33, 55, 66, 72, 78, 87, 93, 104, 117, 122, 129, 139, 155, 200, 206, 210, 221, 239, 249, 265, 293, 319, 329: Veja também Fé, Oração
Preconceito; veja Mente aberta, Tolerância
Preocupação; veja Medo
Princípios e Personalidade, 143, 215, 224, 312
Privacidade, 102, 161, 299
Problemas Financeiros, 75, 84, 112, 128, 177, 205, 239, 259, 287, 290, 301, 324
Progresso, de A.A. ou do grupo, 31, 50, 65, 82, 86, 115, 143, 207, 269, 326. Individual; veja Crescimento
R
Racionalização, 17, 25, 39, 44, 58, 64, 80, 107, 128, 151, 160, 170, 179, 193, 197, 251, 258, 267, 270, 279, 285, 289, 296, 308
Raiva, 5, 39, 56, 58, 98, 113, 153, 179, 184, 268, 285, 309, 320
Recaídas, 11, 52, 68, 99, 154, 184, 197, 213, 214, 251, 291
Recém-Chegados, 14, 28, 57, 62, 69, 105, 118, 123, 146, 165, 186, 190, 191, 199, 207, 209, 212, 298, 314, 331
Relacionamentos familiares, 123, 176, 190, 230, 265, 270, 277, 292
Religião; veja Poder Superior
Remorso; veja Culpa
Rendição, 2, 42, 49, 60, 87, 118, 121, 135, 168, 174, 209, 217, 218, 235, 242, 245, 246, 283, 305, 314, 322
Reparações, 64, 70, 111, 145, 151, 187, 227, 277, 311
Responsabilidade; como membro de A.A., 9, 13, 32, 50, 57, 79, 84, 125, 229, 255, 271, 290, 297, 307, 317, 319, 331, 332; como indivíduo,21, 32, 84, 94, 97, 115, 123, 128, 145, 178, 202, 253, 262, 271, 292, 317. Veja também Serviço. Trabalho do Décimo Segundo Passo
Ressentimento, 5, 39, 56, 58, 98, 176, 179, 268, 286
S
Sanidade, 121, 130, 141. Veja também Doença
Sentimento de culpa, 11, 48, 68, 83, 92, 99, 140, 311
Serenidade, 20, 36, 48, 72, 104, 117, 126, 127, 150, 173, 196, 250, 254, 261, 288, 293, 321
Serviço, 13, 18, 53, 138, 147, 155, 162, 180, 183, 188, 220, 224, 244, 254, 259, 269, 273, 284, 287, 290, 297, 307, 310, 324, 332. Veja também Responsabilidade, Trabalho do Décimo Segundo Passo
Sexo, 12, 142, 270, 277, 282
Solidão, 51, 53, 72, 90, 117, 228, 252, 302
Sucesso, 19, 40, 46, 165, 177, 207, 235, 254
T
Tentação de beber, 77, 121, 128, 188, 280
Tolerância, 28, 41, 62, 113, 120, 134, 145, 147, 151, 175, 186, 203, 215, 230, 234, 268, 286, 312, 326; com respeito às opiniões religiosas,34, 73, 95, 116, 158, 175, 201, 223, 276
Trabalho do Décimo Segundo passo, 18, 21, 67, 195, 304, 331; abordagens no, 14, 24, 69, 105, 114, 118, 146, 165, 190, 192, 199, 201, 212, 217, 237, 239, 242, 257, 314, 324, 328; para nossa própria sobriedade, 13, 29, 35, 69, 163, 192, 212, 257, 275, 298
U
Unidade, 9, 50, 82, 98, 125, 143, 149, 154, 155, 162, 198, 207, 220, 229, 249, 273, 297, 302, 307, 319, 332
V
Vida Espiritual, 5, 7, 8, 27, 40, 81, 88, 95, 103, 123, 167, 177, 190, 254, 259, 280, 287, 323, 324, 330, 331
Vingança; veja Raiva
Viver vinte e quatro horas, 11, 16, 75, 89, 92, 132, 157, 233, 243, 284, 296, 308, 317
Vontade, 4, 16, 33, 42, 47, 55, 66, 87, 88, 109, 122, 124, 139, 170, 210, 225, 232, 245, 272, 282, 283, 295, 315, 320, 328, 329
Nota do Editor:
As indicações contidas no roda-pé de cada página orientando qual o número da página dos livros: Alcoólicos Anônimos, Doze Passos e Doze Tradições foram fundamentadas nos livros da Edição Especial Encadernadas.

Na Opinião do Bill

NA OPINIÃO DO BILL 1
Mudança de personalidade
“Com freqüência se tem dito a respeito de A.A., que somente estamos interessados no alcoolismo. Isso não é verdade. Temos que vencer a bebida para continuarmos vivos. Mas quem quer que conheça a personalidade do alcoólico, através do contato mais direto, sabe que nenhum alcoólico verdadeiro pára completamente de beber sem sofrer uma profunda mudança de personalidade”.
* * *
Achávamos que as “circunstâncias” nos levaram a beber, e quando tentamos corrigir essas circunstâncias descobrimos que não poderíamos fazer isso, à nossa própria maneira; nosso beber se descontrolou e nos tornamos alcoólicos. Nunca nos ocorreu que precisávamos nos modificar para nos ajustar às circunstâncias, fossem elas quais fossem.
1 – Carta de 1940
2 – Os Doze Passos, págs. 37 e 38

NA OPINIÃO DO BILL 2
Nas mãos de Deus
Quando olhamos para o passado, reconhecemos que as coisas que nos chegaram quando nos entregamos nas mãos de Deus foram melhores do que qualquer coisa que pudéssemos ter planejado.
* * *
Minha depressão aumentou de forma insuportável, até que finalmente me pareceu estar no fundo do poço, pois aquele momento o último vestígio de minha orgulhosa obstinação foi esmagado. Imediatamente me encontrei exclamando: “Se existe um Deus, que Ele se manifeste! Estou pronto para fazer qualquer coisa, qualquer coisa!”
De repente, o quarto se encheu de uma forte luz. Pareceu-me com os olhos de minha mente, que eu estava numa montanha e que soprava um vento, não de ar, mas de espírito. E então tive a sensação de que era um homem livre. Lentamente o êxtase passou. Eu estava deitado na cama, mas agora por instantes me encontrava em outro mundo, um mundo novo de conscientização. Ao meu redor e dentro de mim, havia uma maravilhosa sensação de presença e pensei comigo mesmo: “Então, esse é o Deus dos pregadores!”
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 108
2 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 57 e 58

NA OPINIÃO DO BILL 3
Dor e progresso
“Alguns anos atrás eu costumava ter pena de todas as pessoas que sofriam. Agora somente tenho pena daquelas que sofrem por ignorância, que não entendem o propósito e a utilidade definitiva da dor”.
* * *
Certa vez alguém disse que a dor é a pedra de toque do progresso espiritual. Nós, AAs, podemos concordar com isso, pois sabemos que as dores decorrentes do alcoolismo tiveram que vir antes da sobriedade, assim como o desequilíbrio emocional vem antes da serenidade.
* * *
“Acredite mais profundamente: Levante a cabeça para a Luz, ainda que no momento você não possa ver”.
1 – Carta de 1950
2 – Os Doze Passos e as Doze Tradições, pág. 84
3 – Carta de 1950

NA OPINIÃO DO BILL 4
Podemos escolher?
Não devemos nunca nos deixar cegar pela filosofia fútil de que somos vítimas de nossa hereditariedade, de nossa experiência de vida e de nosso meio ambiente – de que essas são as únicas forças que tomam as decisões por nós. Esse não é o caminho para a liberdade. Temos que acreditar que podemos realmente escolher.
* * *
“Como alcoólicos ativos, perdemos a capacidade de escolher se beberíamos ou não. Éramos vítimas de uma compulsão que parecia determinar que deveríamos prosseguir em nossa própria destruição”.
“No entanto, finalmente, fizemos escolhas que nos levaram à recuperação. Viemos a acreditar que sozinhos éramos impotentes perante o álcool. Isso foi certamente uma escolha, aliás, muito difícil. Viemos a acreditar que um Poder Superior poderia nos devolver a sanidade, quando nos dispusemos a praticar os Doze Passos de A.A.”. “Em resumo, preferimos ‘estar dispostos’, e essa foi a melhor escolha que poderíamos ter feito”.
1 – Grapevine de novembro de 1960
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 5
A manutenção e o crescimento
É evidente que uma vida onde se inclui profundos ressentimentos só leva à futilidade e infelicidade. Enquanto permitirmos esses ressentimentos, estamos perdendo horas que por outro lado poderiam ser úteis. Mas com o alcoólico, cuja esperança é a manutenção e o crescimento de uma experiência espiritual, esse negócio de guardar ressentimento é grave mesmo, pois daí nos afastamos da luz do Espírito. A loucura do álcool volta, e bebemos novamente. E conosco, beber é morrer.
Se quiséssemos viver, seria preciso nos livrar da raiva. O mau humor e a fúria repentina não eram para nós. A raiva é o luxo incerto dos homens normais, mas para nós, alcoólicos, ela é veneno.
Alcoólicos Anônimos, pág. 80

NA OPINIÃO DO BILL 6
Tudo ou nada?
A aceitação e a fé são capazes de produzir cem por cento de sobriedade. De fato, elas geralmente conseguem; e assim deve ser, caso contrário, não poderíamos viver. Mas a partir do momento em que transferimos essas atitudes para nossos problemas emocionais, descobrimos que só é possível obter resultados relativos.
Ninguém pode por exemplo, se livrar completamente do medo, da raiva e do orgulho.
Conseqüentemente, nesta vida não atingiremos uma total humildade nem amor. Assim, vamos ter que nos conformar, com referência à maioria de nossos problemas, pois um progresso muito gradual, às vezes é interrompido por grandes retrocessos. Nossa antiga atitude de “tudo ou nada” terá que ser abandonada.
Grapevine de março de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 7
O reino do espírito
Antigamente, o progresso material marchava a passos lentos. O espírito da moderna investigação científica, a pesquisa e a invenção eram praticamente desconhecidos.
No reino material, as mentes dos homens estavam obstruídas pela superstição, tradição e por todos os tipos de idéias fixas. Alguns contemporâneos de Colombo acreditavam no absurdo de uma Terra redonda. Outros quase mataram Galileu por suas heresias astronômicas.
Não é certo que alguns de nós são tão obstinados no que se refere ao reino espiritual, como eram os antigos a respeito do reino material?
***
Descobrimos que Deus não impõe condições árduas aos que O buscam. Para nós, o Reino do Espírito é amplo e espaçoso; não é privativo nem vedado aos que o busquem sinceramente. Acreditamos que ele esteja aberto a todos.
Alcoólicos Anônimos
1 – pág. 67
2 – pág. 63

NA OPINIÃO DO BILL 8
Uma nova vida
A sobriedade é tudo o que devemos esperar de um despertar espiritual? Não, a sobriedade é apenas o começo; é somente a primeira dádiva do primeiro despertar. Se temos que receber outras dádivas, nosso despertar tem que continuar. E com o tempo, descobrimos que pouco a pouco vamos nos despojando da vida velha – a vida que não funcionou– por uma nova vida que pode e funciona sob quaisquer condições.
Não obstante o êxito ou o fracasso do mundo, não obstante a dor ou alegria, não obstante a doença ou a saúde ou ainda a morte, uma nova vida de possibilidades intermináveis pode ser vivida se estamos dispostos a continuar nosso despertar, através da prática dos Doze Passos de A.A.
Grapevine de dezembro de 1957

NA OPINIÃO DO BILL 9
O grupo e a ampla comunidade mundial
No momento em que o trabalho do Décimo Segundo Passo forma um grupo, uma descoberta é feita – que a maioria dos indivíduos não consegue se recuperar, se não houver um grupo. Surge a compreensão de que cada membro é apenas uma pequena parte de um grande todo; de que nenhum sacrifício pessoal é grande demais para a preservação da Irmandade. Ele aprende que o clamor dos desejos e ambições interiores deve ser silenciado, sempre que possa prejudicar o grupo.
Torna-se claro que o grupo precisa sobreviver para que o indivíduo não pereça.
* * *
“O membro sozinho no mar, o A.A. em guerra numa terra distante – todos esses membros sabem que pertencem à Comunidade Mundial de A.A., que sua separação é apenas física, que seus companheiros podem estar tão perto como está o próximo porto. E a mais importante, que eles estão certos de que a graça de Deus está realmente com eles, em alto mar ou na solitária terra distante, como está com aqueles que estão em sua própria terra”.
1 – As Doze Tradições, pág. 14
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 10
Livre da escuridão
A auto-análise é o meio pelo qual trazemos uma nova visão, ação e graça para influir no lado escuro e negativo de nosso ser. Com ela vem o desenvolvimento daquele tipo de humildade, que nos permite receber a ajuda de Deus. No entanto, ela é apenas um passo. Vamos querer ir mais longe. Vamos querer que o bem que está dentro de todos nós, mesmo dentro dos piores, cresça e floresça. Mas, antes de mais nada, vamos querer a luz do sol; pouco se pode crescer na escuridão. A meditação é nosso passo em direção ao sol.
* * *
“Uma luz clara parece descer sobre nós – quando abrimos os olhos. Uma vez que nossa cegueira é causada por nossos próprios defeitos, precisamos primeiro conhecê-los a fundo. A meditação construtiva é o primeiro requisito para cada novo passo em nosso crescimento espiritual”.
1 – Os Doze Passos, pág. 89
2 – Carta de 1946

NA OPINIÃO DO BILL 11
Quantidade ou qualidade
“Com respeito ao assunto das recaídas, eu não me sentiria muito desencorajado. Acho que você está sofrendo muito por causa de um sentimento de culpa desnecessário. Por qualquer razão, o Senhor traçou caminhos mais difíceis para alguns de nós, e suponho que você está palmilhando um deles. Deus não está nos pedindo que tenhamos êxito; Ele está pedindo apenas que tentemos. Isso você está certamente fazendo. Por isso, eu não me afastaria de A.A. por nenhum sentimento de desencorajamento ou vergonha. Esse é justamente o lugar onde você deveria estar. Por que você não tenta apenas como membro? Você sabe que não tem que carregar todo o A.A. nas costas!
“Não é sempre a quantidade de coisas boas que você faz, é também a qualidade que conta.
“Acima de tudo, faça –o um dia de cada vez”.
Carta de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 12
Buscando o ouro do insensato
O orgulho é o grande causador da maioria das dificuldades humanas, o principal obstáculo ao verdadeiro progresso. O orgulho nos induz a exigir de nós e dos outros; e as exigências não podem ser cumpridas sem perverter ou fazer mau uso dos instintos que Deus nos deu. Quando a satisfação de nossos instintos em relação ao sexo, segurança e posição social se torna o único objetivo de nossa vida, então o orgulho entra em cena para justificar nossos excessos.
* * *
Posso alcançar a “humildade por hoje” apenas na medida em que sou capaz de evitar, por um lado, o lamaçal de sentimento de culpa e revolta, e por outro, essa bela mas enganadora terra semeada de moedas de ouro do orgulho do insensato. É assim que posso encontrar e permanecer no verdadeiro caminho da humildade, que está situado entre esses dois extremos. Logo, é necessário um inventário constante que possa mostrar quando me afasto do caminho.
1 –Os Doze Passos, pág. 39
2 –Grapevine de junho de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 13
Dádiva compartilhada
A.A. é mais do que um conjunto de princípios; é uma sociedade de alcoólicos em ação. Precisamos levar a mensagem, caso contrário, nós mesmos poderemos recair e aqueles, a quem não foi dada a verdade, podem perecer.
* * *
A fé é mais do que nossa maior dádiva; seu compartilhar com os outros é nossa maior responsabilidade. Que nós de A.A. possamos buscar continuamente a sabedoria e a boa vontade pelas quais possamos desempenhar bem a grande tarefa que o Doador de todas as dádivas perfeitas colocou em nossas mãos.
1 –O Manual de Serviços de A.A., pág 5 (E.U.A)
2 –Grapevine de abril de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 14
Problemas dos recém-chegados
A tentação é a de nos tornarmos “donos” dos recém-chegados. Talvez tentemos lhes dar conselhos, acerca de seus assuntos, que realmente não estamos preparados para dar ou que não deveríamos dar. Daí, ficamos ofendidos e confusos quando o conselho é rejeitado, ou quando ele é aceito e traz ainda maior confusão.
* * *
“Você não pode fazer um cavalo beber água, se ele ainda prefere cerveja ou é demasiado instável para saber o que quer. Coloque um balde d’água a seu lado, diga-lhe como e por que ela é boa e deixe-o sozinho.
“Se as pessoas querem mesmo se embriagar, não há, que eu saiba, meios de impedir isso – logo, deixe-as sozinhas e que elas se embriaguem. Mas também não as afaste do balde d’água”.
1 – Os Doze Passos, pág. 102
2 – Carta de 1942
NA OPINIÃO DO BILL 15
Valores eternos
Muitas pessoas não querem saber de valores espirituais absolutos. Perfeccionistas, dizem elas, ou estão cheias de presunção porque imaginam que alcançaram algum objetivo impossível, ou ainda estão mergulhadas na autocondenação porque não alcançaram.
Contudo, acho que não deveríamos nos apegar a esse ponto de vista. Não é culpa dos elevados ideais serem às vezes usados indevidamente, tornando-se assim desculpas levianas para sentimentos de culpa, revolta e orgulho. Pelo contrário, não podemos progredir muito, se não tentarmos constantemente vislumbrar o que são os valores espirituais eternos.
* * *
“Dia a dia tentamos nos aproximar um pouco da perfeição de Deus. Assim sendo não precisamos ser consumidos por um tolo sentimento de culpa, por falhar em alcançar. Sua semelhança e imagem sem demora. Nosso alvo é o progresso, e Sua perfeição é o farol, distante anos-luz, que nos leva para adiante”.
1 – Grapevine de junho de 1961
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 16
Nunca mais!
“Muitas pessoas se sentem mais seguras com o plano das vinte e quatro horas do que com a resolução de que nunca mais beberão. Muitas delas já quebraram muitas resoluções. Essa é realmente uma questão de escolha pessoal; cada A.A. tem o privilégio de interpretar o programa como quiser.
“Eu,pessoalmente, pretendo nunca mais beber. Isso é um pouco diferente de dizer: ‘Nunca mais beberei’. Essa última atitude às vezes põe as pessoas em dificuldade, porque significa comprometer-se, a nível pessoal, a fazer o que nós, alcoólicos, nunca poderíamos fazer. Esse é um ato de vontade e deixa muito pouco lugar para a idéia de que Deus nos libertará da obsessão de beber, contanto que sigamos o programa de A.A”.
Carta de 1949
NA OPINIÃO DO BILL 17
Acerca da honestidade
O perverso desejo de ocultar um mau motivo, atrás do bom, se infiltra nos atos humanos de alto a baixo. Esse tipo sutil e evasivo, de farisaísmo, pode se esconder sob o ato ou o pensamento mais insignificante. Aprender a identificar, admitir e corrigir essas falhas, todos os dias, constitui a essência da formação do caráter e de uma vida satisfatória.
* * *
A decepção dos outros está quase sempre enraizada na decepção de nós mesmos.
* * *
De algum modo, estar sozinho com Deus não parece ser tão embaraçoso quanto enfrentar uma outra pessoa. Até que resolvamos sentar e falar em voz alta a respeito daquilo que, há tanto tempo, temos escondido, nossa disposição de “limpar a casa” é ainda muito teórica. Quando somos honestos com uma outra pessoa, isso confirma que temos sido honestos conosco e com Deus.
1 – Os Doze Passos, pág. 85
2 – Grapevine de agosto de 1961
3 – Os Doze Passos, pág. 49

NA OPINIÃO DO BILL 18
Companheiro e sócio
“O Dr. Bob foi meu constante companheiro e sócio na grande aventura de A.A. Como médico e grande criatura humana que era, ele escolheu trabalhar com os outros em sua sublime dedicação ao A.A. e alcançou um recorde que, em quantidade e qualidade, ninguém conseguirá ultrapassar. Assistido pela incomparável Irmã Ignatia, no St. Thomas Hospital, em Akron, ele – sem receber pagamento – tratou clinicamente e auxiliou espiritualmente cinco mil sofredores.
“Com todo o esforço e dificuldades do pioneirismo de A.A., nunca houve uma palavra dura entre nós dois. Por isso, posso dizer com toda gratidão que o crédito foi todo dele”.
* * *
Eu me despedi do Dr. Bob, sabendo que ele ia se submeter a uma delicada cirurgia. O maravilhoso e antigo sorriso estava em seu rosto, quando me disse quase brincando: “Lembre-se, Bill, não deixe que isso se acabe. Mantenha-o simples!” Saí sem poder dizer uma palavra. Essa foi a última vez que o vi.
1 – Carta de 1966
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 191

NA OPINIÃO DO BILL 19
O vinho do sucesso
Não são somente os problemas inesperados e desagradáveis que requerem o auto-controle. Devemos ser igualmente cuidadosos, quando começamos a ter uma certa importância e sucesso material. Jamais alguém amou tanto os triunfos pessoais como nós; bebíamos o sucesso como se fosse um vinho que nunca pudesse falhar em nos fazer sentir eufóricos. Cegos pelo orgulho da autoconfiança, éramos capazes de bancar os importantes.
Agora que estamos em A.A. e sóbrios, conquistando de novo a estima de nossos amigos e companheiros de trabalho, descobrimos que ainda precisamos exercitar especial vigilância. Como segurança contra os perigos da mania de grandeza, podemos com freqüência nos checar, não esquecendo que estamos sóbrios hoje, somente pela graça de Deus, e que qualquer sucesso que possamos ter, o sucesso é mais d’Ele do que nosso.
Os Doze Passos, pág. 79

NA OPINIÃO DO BILL 20
Luz proveniente de uma oração
Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras.
* * *
Guardamos como um tesouro nossa “Oração da Serenidade”, porque ela nos traz uma nova luz que pode dissipar nosso velho e quase fatal hábito de enganar a nós mesmos.
No esplendor dessa oração vemos que a derrota, quando bem aceita, não significa desastre. Sabemos agora que não temos que fugir, nem deveríamos outra vez tentar vencer a adversidade, por meio de um outro poderoso impulso arrasador, que só pode nos trazer problemas difíceis de serem resolvidos.
Grapevine de março de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 21
Cidadãos outra vez
“Cada um de nós, por sua vez, isto é, o membro que tira mais proveito do programa, gasta um tempo enorme no trabalho do Décimo Segundo Passo, nos primeiros anos. Esse foi meu caso, e talvez eu não tivesse permanecido sóbrio com menos trabalho.
“Contudo, mais cedo ou mais tarde a maioria de nós tem outras obrigações – para com a família, amigos e pátria. Como você pode se lembrar, o Décimo Segundo Passo também fala de ‘praticar estes princípios em todas as nossas atividades’. Portanto, acho que sua escolha em relação a um trabalho, em particular, do Décimo Segundo Passo deve ser feita por sua própria consciência. Ninguém pode lhe dizer com certeza o que você deveria fazer num determinado momento.
“Só sei que se espera de você, em certo ponto, que faça mais do que levar a mensagem de A.A. a outros alcoólicos. Em A.A. buscamos não apenas a sobriedade – tentamos voltar a ser cidadãos do mundo que rejeitamos e que também nos rejeitou. Essa é a demonstração máxima de que o trabalho do Décimo Segundo Passo é o primeiro e não o último”.
Carta de 1959
NA OPINIÃO DO BILL 22
O medo como ponto de partida
O que mais estimulava nossos defeitos era o medo egocêntrico – especialmente o medo de perder algo que já possuíamos ou de não ganhar algo que buscávamos. Vivendo numa base de exigências não atendidas, ficávamos num constante estado de perturbação e frustração. Portanto, não conseguíamos a paz, a não ser que pudéssemos encontrar um meio de reduzir essas exigências.
* * *
Apesar de sua costumeira força destrutiva, descobrimos que o medo pode ser o ponto de partida para coisas melhores. Pode ser o caminho para a prudência e para um conveniente respeito em relação aos outros. Ele pode indicar o caminho tanto da justiça como do ódio. E quanto mais respeito e justiça tivermos, mais depressa começamos a encontrar o amor que pode ser muito sofrido e no entanto ser dado livremente. Assim sendo, o medo não precisa ser sempre destrutivo, porque as lições de suas conseqüências podem nos levar a valores positivos.
1 – Os Doze Passos, pág. 66
2 – Grapevine de janeiro de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 23
Somos todos adoradores
Também descobrimos que tínhamos sido adoradores. Que calafrio nos dava pensar nisso! Não tínhamos, em várias ocasiões, adorado pessoas, sentimentos, coisas, dinheiro e a nós mesmos?
E também, com melhor motivo, não tínhamos contemplado com adoração o pôr do sol, o mar ou uma flor? Quem de nós não tinha amado alguma coisa ou alguém? Não foi com isso que foram construídas nossas vidas? Não foram esses sentimentos que, afinal de contas, determinaram o curso de nossa existência?
Era impossível dizer que não éramos capazes de ter fé, amor ou adoração. De uma forma ou de outra, estivemos vivendo pela fé e nada mais.
Alcoólicos Anônimos, págs. 73 e 74

NA OPINIÃO DO BILL 24
Somos iguais, quando as coisas vão mal
No princípio, passaram-se quatro anos antes que A.A. conseguisse levar à sobriedade permanente, ainda que uma única mulher alcoólica. Do mesmo modo daqueles “que atingiram o fundo do poço”, as mulheres diziam que eram diferentes; elas não precisavam de A.A. Mas, com o aperfeiçoamento da comunicação, principalmente pelas próprias mulheres, a situação mudou.
Esse processo de identificação e transmissão tem continuado. Aquele que caía na sarjeta dizia que era diferente. Ainda com mais ênfase, o membro da alta sociedade (ou o fracassado da Park Avenue) dizia a mesma coisa, como também os artistas e os profissionais, os ricos e os pobres, os religiosos, os agnósticos, os índios e os esquimós, os veteranos e os prisioneiros. Mas hoje todos esses e muitos outros conversam sobriamente a respeito do quanto todos nós, alcoólicos, somos iguais, quando finalmente admitimos que as coisas vão mal.
Grapevine de outubro de 1959

NA OPINIÃO DO BILL 25
Não podemos ficar parados
Nos primeiros dias de A.A., eu não me preocupava muito com os aspectos da vida nos quais eu estava inativo. Havia sempre o álibi: “Afinal de contas”, dizia a mim mesmo, “estou muito ocupado com assuntos muito mais importantes.” Essa era minha receita quase perfeita para obter bem-estar e complacência.
* * *
Quantos de nós ousariam declarar: “Bem, estou sóbrio e feliz. O que mais posso querer ou fazer? Estou muito bem assim.” Sabemos que o preço dessa auto-satisfação é um inevitável retrocesso, marcado em algum momento por um brusco despertar. Temos que crescer ou nos deteriorar mais. Para nós a situação só pode ser para hoje, nunca para amanhã. Devemos mudar; não podemos ficar parados.
1 – Grapevine de junho de 1961
2 – Grapevine de fevereiro de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 26
A verdadeira independência do espírito
Quanto mais nos dispomos a depender de um Poder Superior, mais independentes na verdade somos. Portanto, a dependência, como se pratica em A.A., é realmente um meio de se obter a verdadeira independência de espírito.
Na vida diária, fica-se surpreso ao descobrir o quanto somos realmente dependentes e quão inconscientes somos dessa dependência. Toda casa moderna tem fios elétricos que levam força e luz a seu interior. Aceitando nossa dependência dessa maravilha da ciência, descobrimos que somos pessoalmente mais independentes, que nos sentimos mais à vontade e seguros. A força corre justamente onde ela é necessária. Silenciosa e certamente a eletricidade, essa estranha energia que tão poucas pessoas entendem, vem de encontro às nossas necessidades diárias mais simples.
Embora aceitemos prontamente esse princípio de saudável dependência em muitos de nossos assuntos temporais, muitas vezes resistimos fortemente a esse mesmo princípio, quando nos pedem que o apliquemos como um meio de crescer espiritualmente. É claro que nunca conheceremos a liberdade sob a dependência de Deus, até que tentemos buscar Sua vontade em relação a nós. A escolha é nossa.
Os Doze Passos, pág. 27

NA OPINIÃO DO BILL 27
Detenção diária
Não estamos curados do alcoolismo. O que fazemos, na realidade, é deter a doença do alcoolismo, diariamente, o que depende da manutenção de nossa condição espiritual.
* * *
Nós, de A.A., obedecemos a princípios espirituais, primeiro porque precisamos e depois porque gostamos do tipo de vida que essa obediência acarreta. O grande sofrimento e o grande amor são os disciplinadores de A.A.; não precisamos de nenhum outro.
1 –Alcoólicos Anônimos, pág. 100
2 –As Doze Tradições, pág. 55

NA OPINIÃO DO BILL 28
Os criadores de problemas podem ser professores
Atualmente, poucos de nós têm receio daquilo que qualquer recém-chegado possa fazer contra a reputação ou eficiência de A.A. Aqueles que recaem, que pedem esmolas, que escandalizam, que têm distúrbios mentais, que se rebelam contra o programa, que fazem comércio com a reputação de A.A. – todos estes raramente prejudicam um grupo de A.A. por muito tempo. Alguns deles se tornaram nossos mais respeitados e queridos companheiros. Alguns ficaram para experimentar nossa paciência, apesar de sóbrios. Outros foram embora. Começamos a considerar os criadores de problema, não como ameaças, mas como nossos professores. Eles nos obrigam a cultivar a paciência, a tolerância e a humildade. Finalmente compreendemos que são apenas pessoas mais doentes do que as demais, que nós que os condenamos somos os Fariseus, cuja falsa virtude causa a nosso grupo o mais profundo prejuízo espiritual.
Grapevine de agosto de 1946

NA OPINIÃO DO BILL 29
A gratidão deveria ir à frente
“A gratidão deveria ir para frente, nunca para trás.
“Em outras palavras, se você levar a mensagem a outros, estará pagando da melhor maneira possível a ajuda que lhe foi prestada”.
* * *
Nenhuma satisfação tem sido mais profunda e nenhuma alegria maior do que um trabalho do Décimo Segundo Passo bem feito. Contemplar os olhos de homens e mulheres se abrirem maravilhados, à medida que passam da escuridão para a luz, ver suas vidas se encherem rapidamente de um novo propósito e significado, e acima de tudo vê-los despertados para a presença de um Deus amoroso em suas vidas – essas coisas constituem a essência do que recebemos, quando levamos a mensagem de A.A.
1 –Carta de 1959
2 –Os Doze Passos, págs. 96 e 97

NA OPINIÃO DO BILL 30
Livrando-se de uma “bebedeira seca”
“Às vezes nós ficamos deprimidos. Disso sei muito bem; eu mesmo fui um campeão das bebedeiras secas. Enquanto as causas superficiais constituíam uma parte do quadro –acontecimentos que precipitavam a depressão – estou consciente de que as causas fundamentais eram muito mais profundas.
“Intelectualmente, eu poderia aceitar minha situação, mas emocionalmente não.
“Para esses problemas, certamente não há respostas adequadas, mas parte da resposta certamente se encontra no esforço constante para praticar todos os Doze Passos de A.A”.
1 – Carta de 1954
NA OPINIÃO DO BILL 31
O sistema econômico de Deus
“No sistema econômico de Deus nada é desperdiçado. Através do fracasso, aprendemos uma lição de humildade que é provavelmente necessária, por mais dolorosa que seja”.
* * *
Nem sempre chegamos mais perto da sabedoria por causa de nossas virtudes; nossa melhor compreensão freqüentemente tem fundamento nos sofrimentos de nossos antigos desatinos. Pelo fato disso ter sido a essência de nossa experiência individual, é também a essência de nossa experiência como irmandade.
1 – Carta de 1942
2 – Grapevine de novembro de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 32
Responsabilidade Moral
“Algumas pessoas se opõem firmemente à posição de A.A. de que o alcoolismo é uma doença. Sentem que esse conceito tira dos alcoólicos a responsabilidade moral. Como qualquer A.A. sabe, isso está longe de ser verdade. Não utilizamos o conceito de doença para eximir nossos membros da responsabilidade. Pelo contrário, usamos o fato de que se trata de uma doença fatal para impor a mais severa obrigação moral ao sofredor, a obrigação de usar os Doze Passos de A.A. para se recuperar.
“Nos primórdios de suas bebedeiras, o alcoólico freqüentemente é culpado de irresponsabilidade. Mas no momento em que tem a compulsão para beber, ele não pode ser responsável por sua conduta. Ele então tem uma obsessão que o condena a beber e uma sensibilidade física ao álcool que garante sua loucura final e morte.
“Mas quando ele toma consciência dessa condição, fica sob pressão para aceitar o programa de recuperação moral de A.A.”
Palestra de 1960

NA OPINIÃO DO BILL 33
Alicerce Para A Vida
Descobrimos que recebemos orientação para nossas vidas, à medida que paramos de fazer exigências a Deus, a fim de que Ele nos dê aquilo que queremos.
* * *
Ao orar, simplesmente pedimos que durante o dia todo Deus nos dê o conhecimento de Sua vontade e nos conceda a graça, com a qual possamos realizá-la.
* * *
Há uma relação direta entre o auto-exame e a meditação e a oração. Usadas separadamente, essas práticas podem trazer muito alívio e benefício. Mas quando são relacionadas e entrelaçadas com lógica, resultam numa base sólida para a vida toda.
1 – Os Doze Passos, pág. 95
2 – Os Doze Passos, pág. 93
3 – Os Doze Passos, pág. 85

NA OPINIÃO DO BILL 34
“Não estamos ligados a nenhuma seita…”
“Enquanto A.A. tem reintegrado milhares de pobres cristãos, a suas igrejas, e convertido em crentes, ateus e agnósticos, ele também tem feito bons A.As, daqueles que professam o budismo, islamismo e judaísmo. Por exemplo, duvidamos muito que nossos membros budistas do Japão tivessem se juntado à nossa sociedade, no caso de A.A. apresentar-se oficialmente como um movimento estritamente cristão.
“Você pode facilmente se convencer disso, imaginando que A.A. tivesse começado entre os budistas e que então lhe dissessem que você não poderia se ligar a eles, a não ser que também se tornasse budista. Se você fosse um alcoólico cristão nessas circunstâncias, poderia bem se afastar e morrer”.
Carta de 1954

NA OPINIÃO DO BILL 35
Sofrimento transformado
“A.A. não é nenhum sucesso no sentido comum da palavra. É a história do sofrimento transformado, pela graça de Deus, em progresso espiritual.”
* * *
Para o Dr. Bob, a necessidade insaciável do álcool era evidentemente um fenômeno físico que o atormentou durante alguns de seus primeiros anos de A.A., uma época em que levar a mensagem a outros alcoólicos, dia e noite, era a única coisa que fazia com que se esquecesse da bebida. Apesar de sua necessidade ser difícil de resistir, sem dúvida ela gerou grande motivação para o grupo Número Um de Akron ser formado.
O despertar espiritual do Bob não veio tão facilmente; foi penosamente lento. Sempre se agarrou ao tipo de trabalho mais duro e a uma apurada vigilância.
1 – Carta de 1959
2 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 62 e 63

NA OPINIÃO DO BILL 36
A humildade em primeiro lugar
Encontramos muitos em A.A. que antes pensavam, como nós, que humildade era sinônimo de fraqueza. Eles nos ajudaram a nos reduzir ao nosso verdadeiro tamanho. Com seu exemplo nos mostraram que a humildade e o intelecto poderiam ser compatíveis, contanto que colocássemos a humildade em primeiro lugar. Quando começamos a fazer isso, recebemos a dádiva da fé que funciona. Essa fé também é para você.
Apesar da humildade ter anteriormente representado uma humilhação agora ela começa a significar o ingrediente que pode nos trazer serenidade.
1 – Os Doze Passos, pág. 21
2 – Os Doze Passos, pág. 64

NA OPINIÃO DO BILL 37
Um coração cheio e agradecido
Um exercício que pratico é o de tentar fazer um inventário completo de minhas bênçãos e então aceitar as muitas dádivas que tenho, tanto temporais como espirituais. Aí então tento alcançar um estado de alegre gratidão. Quando essa espécie de gratidão é repetidamente afirmada e ponderada, ela consegue finalmente afastar a tendência natural de me felicitar por qualquer progresso que eu possa ter sido capaz de alcançar em alguns setores da vida.
Tento me convencer de que um coração cheio e agradecido não pode abrigar nenhum orgulho. Quando cheio de gratidão, o coração por certo só pode dar amor, a mais bela emoção que jamais podemos sentir.
Grapevine de março de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 38
Caminho direto para Deus
“Acredito firmemente tanto na orientação como na oração. Mas estou bem consciente e espero que humilde o suficiente para ver que não há nada de infalível em minha orientação.
“No momento em que acreditar que encontrei um perfeito caminho para Deus, eu me tornarei egoísta o suficiente para entrar em verdadeira dificuldade. Ninguém pode causar mais sofrimento desnecessário do que aquele que possui força e acha que a obteve diretamente de Deus”.
Carta de 1950

NA OPINIÃO DO BILL 39
Lidando com os ressentimentos
O ressentimento é o principal culpado. Destrói mais alcoólicos do que qualquer outra coisa. Dele nascem todas as formas de doença espiritual, pois tínhamos estado doentes não só física e mental, como também espiritualmente. Quando nossa doença espiritual é superada, nós nos fortalecemos mental e fisicamente.
Ao lidar com nossos ressentimentos, íamos anotando-os num papel. Fazíamos uma relação das pessoas, instituições ou princípios que nos davam raiva. Depois nos perguntávamos por que nos davam raiva. Na maioria dos casos, achávamos que nossa auto-estima, nossos bolsos, nossas ambições e nossos relacionamentos
pessoais (incluindo o sexo) estavam prejudicados ou ameaçados.
* * *
“O mais exaltado trecho de uma carta pode ser uma maravilhosa válvula de segurança – contanto que a cesta de lixo esteja por perto”.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 82
2 – Carta de 1949

NA OPINIÃO DO BILL 40
Conquista material
Nenhum membro de A.A. quer condenar os avanços materiais. Nem entramos em discussão com muita gente que se agarra à crença de que satisfazer nossos desejos básicos é o objetivo principal da vida. Mas estamos convencidos de que nenhum tipo de pessoa no mundo jamais se atrapalhou tanto, tentando viver segundo esse pensamento, como os alcoólicos.
Estávamos à procura de mais segurança, prestígio e romance. Quando parecíamos estar sendo bem-sucedidos, bebíamos para viver sonhos ainda maiores. Quando estávamos frustrados, mesmo um pouco, bebíamos para esquecer.
Em todas essas lutas, muitas delas bem-intencionadas, nosso maior obstáculo era nossa falta de humildade. Faltava-nos ver que a formação do caráter e os valores espirituais tinham que vir em primeiro lugar e que as satisfações materiais eram simplesmente subprodutos e não o principal objetivo da vida.
Os Doze Passos, pág. 61

NA OPINIÃO DO BILL 41
Regras para ser membro?
Por volta de 1943 ou 1944, o Escritório Central pediu aos grupos para que fizessem uma lista das regras para ser membro e a enviassem ao escritório. Quando as listas chegaram, anotamos as regras. Um pouco de reflexão sobre essas muitas regras nos levou a uma conclusão surpreendente.
Se todas essas regras entrassem em vigor, em todos os lugares, imediatamente, teria sido praticamente impossível qualquer alcoólico ter se juntado ao A.A. Cerca de noventa por cento de nossos mais antigos e melhores membros nunca poderiam ter ingressado!
* * *
Finalmente a experiência nos ensinou que privar o alcoólico de tão grande chance, às vezes era o mesmo que declarar sua sentença de morte e, muitas vezes, condená-lo a uma miséria sem fim. Quem ousaria ser juiz, júri e carrasco de seu próprio irmão doente?
1 –Grapevine de agosto de 1946
2 –As Doze Tradições, pág. 22
NA OPINIÃO DO BILL 42
Autoconfiança e força de vontade
Quando, pela primeira vez desafiados a admitir a derrota, a maioria de nós se revoltou. Havíamos nos aproximado de A.A., esperando ser ensinados a ter autoconfiança. Então nos disseram que, no tocante ao álcool, de nada nos serviria a autoconfiança: aliás, ela era um empecilho total. Não era possível o alcoólico vencer a compulsão com a ajuda da vontade desamparada.
* * *
É quando tentamos fazer com que nossa vontade se harmonize com a vontade de Deus, que começamos a usá-la corretamente. Para todos nós, essa foi uma das revelações mais maravilhosas. Todo o nosso problema tinha sido o mau uso da força de vontade. Tínhamos tentado atacar nossos problemas com ela, ao invés de tentar levá-la a ficar de acordo com o plano de Deus para conosco. O propósito dos Doze Passos de A.A. é o de tornar isso cada vez mais possível.
1 –Os Doze Passos, pág. 14
2 –Os Doze Passos, pág. 30

NA OPINIÃO DO BILL 43
Até que ponto o anonimato?
Via de regra, o recém-chegado queria que sua família ficasse logo inteirada daquilo que ele estava tentando fazer. Ele também queria contar aos outros que tinham tentado ajudá-lo: seu médico, seu ministro religioso e amigos íntimos. Assim que obtinha confiança, ele se sentia no direito de explicar seu novo modo de vida para seu patrão e colegas de trabalho. Quando surgia oportunidade de ser útil, ele achava que poderia falar com muita facilidade acerca de A.A., a quem quer que fosse.
Essas discretas revelações ajudavam-no a perder o receio que tinha do estigma alcoólico e a propagar a notícia da existência de A.A., em sua comunidade. Muitos homens e mulheres vieram para A.A. por causa disso. Como é esperado que esse anonimato seja apenas, a nível público, essas comunicações estavam bem dentro de seu espírito.
As Doze Tradições, págs. 60 e 61
NA OPINIÃO DO BILL 44
Aceitação diária
“Grande parte de minha vida foi passada, repisando as faltas dos outros. Essa é uma das muitas formas sutis e maldosas da auto-satisfação, que nos permite ficar confortavelmente despreocupados a respeito de nossos próprios defeitos. Inúmeras vezes dissemos: ‘Se não fosse por causa dele (ou dela), como eu seria feliz!'”
* * *
Nosso primeiro problema é aceitar nossas circunstâncias atuais como são, a nós mesmos como somos, e as pessoas que nos cercam como também são. Isso é adotar uma humildade realista sem a qual nenhum verdadeiro progresso pode sequer começar. Repetidamente precisaremos voltar a esse pouco lisonjeiro ponto de partida. Esse é um exercício de aceitação que podemos praticar com proveito todos os dias de nossas vidas.
Desde que evitemos arduamente transformar esses reconhecimentos realistas dos fatos da vida em álibis irreais para a prática da apatia ou do derrotismo, eles podem ser a base segura sobre a qual pode ser construída a crescente saúde emocional e, portanto, o progresso espiritual.
1 – Carta de 1966
2 – Grapevine de março de 1962
NA OPINIÃO DO BILL 45
Nossos companheiros

Hoje em dia a grande maioria dos alcoólicos acolhe bem qualquer nova luz que possa ser lançada sobre a misteriosa e complexa doença do alcoolismo. Acolhemos bem novos e valiosos conhecimentos, quer provenham de um tubo de ensaio, do divã do psiquiatra ou de estudos sociais. Apreciamos com satisfação toda espécie de educação que informe o público acuradamente e modifique sua opinião a respeito do bêbado.
Cada vez mais consideramos todos aqueles que trabalham no campo do alcoolismo, como nossos companheiros na marcha da escuridão para a luz. Vemos que juntos podemos obter o que nunca poderíamos alcançar em separado ou com rivalidade.
Grapevine de março de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 46
A verdadeira ambição e a falsa
Concentrávamos muito em nós mesmos e naqueles que nos cercavam. Sabíamos que éramos cutucados, por medos ou ansiedades descabidos, a uma vida que levava à fama, dinheiro e ao que supúnhamos que fosse liderança. Assim, o falso orgulho tornou-se o outro lado da terrível moeda com a marca do “medo”. Simplesmente tínhamos que ser a pessoa mais importante, a fim de encobrir nossas inferioridades mais profundas.
* * *
A verdadeira ambição não é aquilo que achávamos que era. Ela é o profundo desejo de viver de maneira útil e caminhar humildemente, sob a graça de Deus.
1 – Os Doze Passos, pág. 109
2 – Os Doze Passos, pág. 110

NA OPINIÃO DO BILL 47
Ver é crer
A fé quase infantil dos irmãos Wright, de que poderiam construir uma máquina que voasse, foi a mola mestra de seu sucesso. Sem ela nada poderia ter acontecido.
Nós, os agnósticos e ateus, estávamos agarrados à idéia de que a auto-suficiência resolveria nossos problemas. Quando os outros nos mostravam que a “suficiência de Deus” funcionava para eles, começamos a nos sentir como aqueles que tinham insistido em que os irmãos Wright nunca voariam. Estávamos vendo um outro tipo de vôo, uma libertação espiritual deste mundo, pessoas que se elevavam acima de seus problemas.
Alcoólicos Anônimos, págs. 72 e 74

NA OPINIÃO DO BILL 48
Viva serenamente
Quando um bêbado está com uma terrível ressaca, porque bebeu em excesso ontem, ele não pode viver bem hoje. Mas existe um outro tipo de ressaca que todos experimentamos, bebendo ou não. Essa é emocional, resultado direto do acúmulo de emoções negativas de ontem e, às vezes, de hoje– raiva, medo, ciúme e outras semelhantes.
Se queremos viver serenamente hoje e amanhã, sem dúvida precisamos eliminar essas ressacas. Isso não quer dizer que precisamos perambular morbidamente pelo passado. Requer, isso sim, uma admissão e correção dos erros cometidos – agora.
Os Doze Passos, pág. 79 e 80

NA OPINIÃO DO BILL 49
A força nascendo da fraqueza
Se estamos dispostos a parar de beber, não podemos abrigar, de forma alguma, a esperança de que um dia seremos imunes ao álcool.
* * *
Tal é o paradoxo da regeneração em A.A.: a força nascendo da fraqueza e da derrota completa, a perda de uma vida antiga como condição para encontrar uma nova.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 55
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 41

NA OPINIÃO DO BILL 50
A.A.: Anarquia benigna e democracia
Quando chegamos em A.A., encontramos uma liberdade pessoal maior do que qualquer outra sociedade conhece. Não somos obrigados a fazer nada. Nesse sentido, essa sociedade é uma anarquia benigna. A palavra “anarquia” tem um mau significado para a maioria de nós. Mas acho que o idealista, que primeiro advogou a idéia, sentia que se os homens tivessem garantido liberdade absoluta e não fossem obrigados a obedecer ninguém, eles então voluntariamente se associariam a um interesse comum. A.A. é uma associação do tipo benigno que ele imaginou.
Mas quando tivemos que entrar em ação – para funcionar como grupos – descobrimos que tínhamos que vir a ser uma democracia. À medida que os primeiros membros iam-se retirando, começamos a eleger nossos servidores pela maioria de votos. Cada grupo nesse sentido veio a ser uma reunião democrática com os membros da comunidade. Todos os planos para a ação do grupo tinham de ser aprovados pela maioria. Isso significa que nenhum indivíduo poderia designar a si mesmo para atuar por seu grupo ou por A.A. como um todo. Para nós não servia nem ditadura nem paternalismo.
A.A. Atinge a Maioridade, págs. 200 e 201

NA OPINIÃO DO BILL 51
A chegada da fé
Em meu caso, a pedra fundamental da libertação do medo é a fé: uma fé que, a despeito de todas as aparências mundanas em contrário, faz-me crer que vivo num universo que faz sentido.
Para mim, isso significa a crença num Criador que é todo poder, justiça e amor; um Deus que quer para mim um propósito, um significado e um destino para crescer, ainda que aos poucos e com hesitação, em direção à Sua imagem e semelhança. Antes de chegar à fé eu tinha vivido como um estranho num cosmo, que muitas vezes parecia ser hostil e cruel. Nele não poderia haver, para mim, nenhuma segurança interior.
* * *
“Quando caí de joelhos por causa do álcool, me achei pronto para pedir a dádiva da fé. E tudo mudou. Nunca mais, apesar de meus sofrimentos e problemas, experimentaria minha antiga desolação. Vi o universo iluminado pelo amor de Deus; eu não estava mais sozinho.”
1 – Grapevine de janeiro de 1942
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 52
Para prevenir uma recaída
Suponhamos que em algum momento deixamos de atingir nossos ideais. Isso significa que vamos beber? Algumas pessoas nos dizem que sim, mas é apenas a metade da verdade.
Depende de nós e de nossos motivos. Se estamos arrependidos do que fizemos e temos o sincero desejo de deixar que Deus nos leve a coisas melhores, acreditamos que seremos perdoados e teremos aprendido uma lição. Se não estamos arrependidos, e nossa conduta continua a prejudicar os outros, estamos bem certos de que voltaremos a beber. Esses são fatos baseados em nossa experiência.
Alcoólicos Anônimos, pág. 87

NA OPINIÃO DO BILL 53
“Solitários” – Mas não sozinhos
O que se pode dizer de muitos membros de A.A. que, por várias razões, não podem constituir família? No início muitos deles se sentem sozinhos, magoados e abandonados, quando testemunham tanta felicidade conjugal ao seu redor. Se não podem ter esse tipo de felicidade, A.A. pode lhes oferecer satisfações igualmente válidas e duradouras?
Sim, todas as vezes que eles tentam arduamente procurá-las. Cercados de tantos amigos AAs, os assim chamados “solitários” nos dizem que já não se sentem sós. Em companhia de outros homens e mulheres, podem se dedicar a inúmeros ideais, pessoas e projetos construtivos. Podem participar de empreendimentos que por sua natureza seriam negados aos casados. Todos os dias vemos esses membros prestarem relevantes serviços e receberem, de volta, grandes alegrias.
Os Doze Passos, pág. 106

NA OPINIÃO DO BILL 54
Para aprofundar nosso conhecimento interior
É necessário que esclareçamos, por meio de um exame de nossas relações pessoais, toda informação possível sobre nós e sobre nossas principais dificuldades. Uma vez que nossos relacionamentos difíceis com outros seres humanos quase sempre foram a causa imediata de nosso sofrimento, incluindo nosso alcoolismo, nenhum campo de investigação poderia trazer recompensas mais satisfatórias e valiosas do que esse.
Reflexão calma e ponderada sobre relações pessoais pode aprofundar nosso conhecimento interior. Podemos ir muito além daquelas coisas que estavam superficialmente erradas em nós, para ver aquelas falhas que eram básicas, falhas que às vezes eram responsáveis pelo padrão de nossa vida toda. Descobrimos que a minuciosidade vale a pena – vale a pena mesmo.
Os Doze Passos, pág. 72

NA OPINIÃO DO BILL 55
Em busca de orientação
“Supõe-se que o homem pensa e age. Ele não foi criado à imagem de Deus para ser um autômato.
“Minha própria fórmula a esse respeito é a seguinte: primeiro, penso nos prós e nos contras de cada situação, orando nesse meio-tempo para não ser influenciado pelas considerações do ego. Afirmo que gostaria de fazer a vontade de Deus.
“Então, tendo resolvido o problema dessa maneira e não tendo obtido resposta conclusiva ou compulsiva, espero uma orientação maior que possa ir direto à minha mente ou vir de outras pessoas ou circunstâncias.
“Se sinto que não posso esperar e ainda não tenho nenhuma indicação definida, repito a primeira medida várias vezes e tento escolher da melhor forma, antes de agir. Sei que se estou errado, o céu não cairá. Uma lição terá que ser aprendida, de qualquer maneira”.
Carta de 1950

NA OPINIÃO DO BILL 56
Enfrentando a crítica
Às vezes ficamos surpresos, chocados e com raiva quando alguém vê alguma falha em A.A. Somos capazes de ficar perturbados de tal forma, que não podemos obter benefícios com a crítica construtiva.
Esse tipo de ressentimento não cria amizades e não alcança nenhum propósito construtivo. Na verdade essa é uma área, na qual podemos nos melhorar.
* * *
É evidente que a harmonia, segurança e eficiência futuras de A.A. dependerão muitíssimo da manutenção de uma atitude passiva e não agressiva em todas as nossas relações públicas. Essa é uma tarefa difícil, porque em nossos dias de bebedeira, éramos inclinados à zanga, hostilidade, revolta e agressão. Mesmo apesar de estarmos agora sóbrios, os velhos padrões de comportamento ainda estão dentro de nós até certo ponto, prontos para explodir com qualquer boa desculpa.
Mas nós sabemos disso e, portanto, sentimos confiança que na conduta de nossos afazeres públicos, sempre encontraremos a graça de manifestar um real controle.
1 – Grapevine de julho de 1965
2 – Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág.73

NA OPINIÃO DO BILL 57
Melhor que o ouro
Como recém-chegados, muitos de nós têm se entregado à intoxicação espiritual. Como um explorador faminto ao esgotar a última migalha de alimento, encontramos o ouro. A alegria que sentimos, ao ser libertados de uma vida toda de frustração, foi enorme.
O recém-chegado sente que encontrou algo melhor que o ouro. Ele pode não ver, de imediato, que apenas tocou a superfície de uma mina infinita, que só pagará dividendos se a explorar para o resto da vida e insistir em doar toda a produção.
Alcoólicos Anônimos, pág. 135

NA OPINIÃO DO BILL 58
Indignação justificada
“O valor positivo da indignação justificada é teórico– especialmente para os alcoólicos. Isso deixa cada um de nós exposto à racionalização de que podemos ficar com raiva quando quisermos, desde que possamos achar justa nossa raiva”.
* * *
Quando guardávamos rancor e planejávamos vingar essas derrotas, estávamos na verdade nos batendo com o porrete da fúria que pretendíamos usar nos outros. Aprendemos que se estávamos seriamente perturbados, nossa primeira necessidade era diminuir essa perturbação, não importando quem ou qual achávamos ser a causa.
1 – Carta de 1954
2 – Os Doze Passos, pág. 38

NA OPINIÃO DO BILL 59
Convicção e compromisso
Um qualificativo para uma vida útil é o dar e receber, a habilidade de transigir sem rancor. Fazer concessões é muito penoso para nós, beberrões de “tudo ou nada”. Entretanto, não podemos nos esquecer de que o progresso é quase sempre caracterizado por uma série de concessões vantajosas.
Claro que não podemos fazer concessões sempre. Uma vez ou outra é realmente necessário fincar os pés numa convicção sobre o assunto, até que ele se esclareça. Fazer ou não concessões requer sempre cuidadoso discernimento.
Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 43

NA OPINIÃO DO BILL 60
Somente com o poder da inteligência?
Para o homem ou mulher intelectualmente auto-suficiente, muitos AAs podem dizer: “Sim, éramos como você – inteligentes demais para nosso próprio bem. Adorávamos ouvir as pessoas nos chamarem de precoces. Usávamos nossa instrução para nos vangloriar, embora tivéssemos o cuidado de esconder isso dos outros. Secretamente, achávamos que poderíamos flutuar acima dos outros, somente com o poder da inteligência.
“O progresso científico nos dizia que não havia nada que o homem não pudesse fazer. O conhecimento era todo poderoso. O intelecto era capaz de conquistar a natureza. Uma vez que éramos mais brilhantes do que a maioria (assim pensávamos), os benefícios da vitória seriam nossos, automaticamente. O deus do intelecto substituía o Deus de nossos pais.
“Mas novamente o álcool tinha outras idéias. Nós, que tão brilhantemente tínhamos vencido, de repente nos convertemos nos maiores derrotados de todos os tempos. Percebemos que tínhamos que mudar ou morrer”.
Os Doze Passos, págs. 20 e 21

NA OPINIÃO DO BILL 61
Resolvendo o problema do medo
O medo de certa forma afetou todos os aspectos de nossas vidas. Era uma funesta e corrosiva ameaça; a estrutura de nossa existência era entrelaçada com o medo. Punha-se em movimento uma série de circunstâncias, que nos trazia desgraças que achávamos que não merecíamos. Mas não fomos nós mesmos que provocamos essa situação?
O problema de acabar com o medo apresenta dois aspectos. Vamos ter que tentar nos libertar de todo o medo que for possível. Depois vamos precisar encontrar, tanto a coragem como a graça de lidar construtivamente com qualquer espécie de medo que ainda reste.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 85
2 – Grapevine de janeiro de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 62
Uma porta giratória diferente
Quando um bêbado se aproxima de nós e diz que não gosta dos princípios de A.A., das pessoas ou da direção do serviço, quando ele declara que estará melhor em qualquer outro lugar – não nos incomodamos. Dizemos simplesmente: “Talvez seu caso seja diferente. Por que você não tenta alguma outra coisa?”
Quando um membro de A.A. diz que não gosta de seu próprio grupo, não ficamos perturbados. Dizemos simplesmente: “Por que você não tenta mudar para outro grupo? Ou comece um novo grupo por sua conta.”
Para todos os que desejam se separar de A.A., fazemos um convite animador para que assim o façam. Se eles conseguirem fazer melhor por outros meios, estaremos contentes. Se depois de fazer a tentativa, não conseguirem melhores resultados, sabemos que eles têm uma escolha a fazer: ficar loucos, morrer ou voltar para Alcoólicos Anônimos. A decisão é toda deles (na verdade, quase todos eles têm voltado).
Doze Conceitos para Serviços Mundiais, págs. 76 e 77

NA OPINIÃO DO BILL 63
Livre da dependência
Perguntei a mim mesmo: “Por que não podem os Doze Passos libertar-me dessa insuportável depressão?” Hora após hora olhei fixamente na Oração de São Francisco: “É melhor consolar, que ser consolado.” De repente percebi qual poderia ser a resposta. Meu principal defeito sempre foi a dependência das pessoas ou circunstâncias para dar-me prestígio, segurança e confiança. Não conseguindo obter essas coisas, de acordo com meus sonhos perfeccionistas, lutei por eles. E quando chegou a derrota, chegou também a depressão.
Reforçado pela graça que pude encontrar na oração, tive que empregar toda minha vontade e ação para cortar essas dependências emocionais das pessoas e circunstâncias. Só assim pude ficar livre para amar como São Francisco amou.
Grapevine de janeiro de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 64
Busca de motivos
Alguns de nós alegávamos que quando bebíamos, nunca ferimos ninguém, a não ser a nós mesmos. Nossos familiares não sofreram, porque sempre pagamos as contas e raramente bebíamos em casa. Nossos sócios não foram prejudicados, porque geralmente comparecíamos ao trabalho. Nossa reputação não foi afetada, porque estávamos certos de que poucos sabiam de nossas bebedeiras. Aqueles que sabiam às vezes nos asseguravam que uma boa farra, afinal de contas, não passava de uma falha de um bom sujeito. Portanto, que grande dano tínhamos causado? Certamente nada que não pudéssemos consertar com algumas eventuais desculpas.
É claro que essa atitude é o resultado final do esquecimento proposital. É uma atitude que só pode ser mudada por uma busca profunda e honesta de nossos motivos e ações.
Os Doze Passos, pág. 69

NA OPINIÃO DO BILL 65
Crescimento pelo Décimo Passo
Naturalmente, no decorrer dos próximos anos, cometeremos erros. A experiência nos tem ensinado que não precisamos ter medo de cometê-los, sempre e quando mantenhamos a disposição para confessar nossas faltas e corrigi-las prontamente. Nosso crescimento, como indivíduos, tem dependido desse saudável processo de ensaio e erro. Assim crescerá nossa irmandade.
Devemos sempre nos lembrar de que qualquer sociedade de homens e mulheres, que não podem corrigir livremente suas próprias faltas, deve inevitavelmente chegar à decadência ou até mesmo ao colapso. Esse é o castigo universal por não continuar crescendo. Assim, cada A.A. deve continuar fazendo seu inventário moral e atuar de acordo com ele, do mesmo modo nossa sociedade como um todo deve fazer, se quisermos sobreviver e prestar serviço de maneira proveitosa e satisfatória.
A.A. Atinge a Maioridade, pág. 206

NA OPINIÃO DO BILL 66
Somente em caso de emergência
Quer tivéssemos sido crentes ou não, começamos a superar a idéia de que o Poder Superior era para ser invocado somente numa emergência.
A noção de que viveríamos nossa própria vida, com uma ajudazinha de Deus de vez em quando, começou a desaparecer. Muitos de nós, que se consideravam religiosos, despertaram para as limitações dessa atitude. Recusando colocar Deus em primeiro lugar, tínhamos nos privado de Sua ajuda. Mas agora as palavras “Sozinho nada sou, o Pai é que faz” começaram a trazer uma promessa e significação.
Os Doze Passos, pág. 65

NA OPINIÃO DO BILL 67
Milhares de “fundadores”
“Ao mesmo tempo em que agradeço a Deus o privilégio de ser um antigo membro de A.A., desejaria sinceramente que a palavra “fundador” pudesse ser eliminada do vocabulário de A.A.
“Se você pensar bem nisso, todo aquele que tem feito algum trabalho do Décimo Segundo Passo com sucesso, está fadado a ser o fundador de uma nova vida para outros alcoólicos.”
* * *
“A.A. não foi inventado! Seus fundamentos chegaram até nós através da experiência e sabedoria de muitos grandes amigos. Simplesmente tomamos emprestado suas idéias e as adaptamos.”
* * *
“Agradecidos, aceitamos os dedicados serviços de muitos não-alcoólicos. Devemos nossas próprias vidas aos homens e mulheres da medicina e da religião. E, falando pelo Dr. Bob e por mim mesmo, declaro com gratidão que se não fossem nossas esposas, Anne e Lois, nenhum de nós poderia ter vivido para ver o começo de Alcoólicos Anônimos”.
1 – Carta de 1945
2 – Carta de 1966
3 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 68
Renove seu esforço
“Embora eu saiba como você deve estar magoado e triste depois dessa recaída, por favor não se preocupe com a perda temporária de sua paz interior. O mais calmamente que puder, renove seu esforço no programa de Alcoólicos Anônimos, especialmente nas partes referentes à meditação e à auto-análise.
“Eu poderia também sugerir que você desse uma olhada no excessivo sentimento de culpa que isso causou? Um certo pesar pelo que aconteceu é razoável. Mas sentimento de culpa – não.
“Na verdade, a recaída bem pode ter sido ocasionada por sentimentos de culpa irracionais, por causa de outras falhas chamadas morais. Certamente você deveria pensar nessa possibilidade. Mesmo assim não deveria ser censurado por seu fracasso; você só pode ficar penalizado por se recusar a tentar obter coisas melhores.”
Carta de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 69
Dando sem exigir
Observe qualquer A.A. de seis meses, trabalhando com um provável membro no Décimo Segundo Passo. Se o recém-chegado disser: “Vá para o diabo que o carregue”, o A.A. que está fazendo o Décimo Segundo Passo apenas sorri e busca outro alcoólico para ajudar. Não se sente frustrado nem rejeitado. Se seu próximo bêbado aceita e, por sua vez, começa a dar amor e atenção a outros sofredores e não dá nada de volta para ele, o padrinho se sente feliz de qualquer forma. Ele ainda assim não se sente rejeitado; pelo contrário, alegra-se porque seu apadrinhado está sóbrio e feliz.
E ele sabe bem que sua própria vida ficou enriquecida, com um dividendo extra por dar a um outro sem exigir qualquer retribuição.
Grapevine de janeiro de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 70
A verdade, a libertadora
Como a verdade nos torna livres é algo que nós AAs podemos compreender bem. Ela cortou os grilhões que nos prendiam ao álcool. Continua a nos livrar dos incalculáveis conflitos e misérias; ela acaba com o medo e com o sofrimento. A unidade de nossa Irmandade, o amor que temos uns pelos outros, a estima que o mundo tem por nós – tudo isso é produto da verdade que, sob a graça de Deus, tivemos o privilégio de perceber.
* * *
Como e quando dizemos a verdade – ou ficamos em silêncio – pode quase sempre mostrar a diferença entre a presença da verdadeira integridade e a falta dela.
O Passo Nove enfaticamente nos previne contra o mau uso da verdade, quando declara: “Fizemos reparações diretas a essas pessoas, sempre que possível, exceto quando fazê-lo viesse prejudicá-las ou a outras pessoas”. Pelo fato da verdade poder ser usada, tanto para prejudicar como para ajudar, esse valioso princípio certamente tem a ampla aplicação ao problema do desenvolvimento da integridade.
Grapevine de agosto de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 71
“Como você pode suportar um golpe?”
No dia em que a calamidade de Pearl Harbor caiu sobre os Estados Unidos, um grande amigo de A.A., o padre Edward Dowling, que não era alcoólico mas tinha sido um dos fundadores do esforçado grupo de A.A., em St. Louis, estava passando por uma rua dessa cidade. Como muitos de seus amigos geralmente sóbrios já tivessem bebido para esquecer as implicações do desastre de Pearl Harbor, o padre Ed estava angustiado com o pensamento de que seu querido grupo de A.A. provavelmente fizesse o mesmo.
Então um membro, sóbrio há menos de um ano, se pôs a caminhar junto e entabulou com o padre Ed uma animada conversa – principalmente a respeito de A.A. O padre Ed viu, com alívio, que seu companheiro estava perfeitamente sóbrio.
“Como é que você não tem nada a dizer sobre Pearl Harbor? Como você pode suportar semelhante golpe?”
“Bem”, respondeu o novato, “cada um de nós em A.A. já teve seu Pearl Harbor particular. Logo, por que deveríamos nós, bêbados, nos sentir derrotados com esse golpe?”
Grapevine de janeiro de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 72
Dependência – Doentia ou saudável
“Nada pode ser mais desmoralizador do que uma dependência servil e exagerada de um outro ser humano. Isso muitas vezes significa a exigência de um grau de proteção e amor que ninguém poderia possivelmente satisfazer. Assim sendo, aqueles que esperamos que sejam nossos protetores finalmente fogem e uma vez mais somos deixados sozinhos para nos desenvolver ou nos desintegrar”.
* * *
Descobrimos que o próprio Deus sem dúvida é a melhor fonte de estabilidade emocional. Descobrimos que a dependência de Sua perfeita justiça, perdão e amor era saudável e que funcionaria quando nada mais funcionasse.
Se realmente dependíamos de Deus, não poderíamos bancar o Deus para nossos semelhantes e nem sentiríamos a necessidade de depender totalmente da proteção e dos cuidados humanos.
1 –Carta de 1966
2 –Os Doze Passos, pág. 103

NA OPINIÃO DO BILL 73
Tolerância dos dois lados
“Seu ponto de vista outrora foi meu. Felizmente, A.A. está edificado de tal modo que não precisamos discutir a existência de Deus; mas para conseguir melhores resultados, a maioria de nós deve depender de um Poder Superior. Você diz que o grupo é seu Poder Superior, e nenhum A.A. bem-intencionado desafiaria seu privilégio de crer precisamente desse modo. Nós todos deveríamos estar contentes com as boas recuperações que podem ser feitas, mesmo nessa base limitada.
“Mas carrossel gira sempre no mesmo sentido. Se você esperasse tolerância para seu ponto de vista, tenho certeza de que estaria disposto a ser recíproco. Tento me lembrar que, com o passar dos séculos, grande número de pessoas muito mais brilhantes do que eu encontraram os dois lados desse debate a respeito da crença. Para mim, nos últimos anos, estou achando muito mais fácil acreditar que Deus fez o homem e não que o homem fez Deus”.
Carta de 1950

NA OPINIÃO DO BILL 74
Rompa as paredes do ego
As pessoas que são impulsionadas pelo orgulho, inconscientemente não enxergam seus defeitos. Os recém-chegados desse tipo certamente não precisam de consolo. O problema é ajudá-los a descobrir uma trinca nas paredes construídas pelo seu ego, através da qual a luz da razão possa brilhar.
* * *
Adquirir uma humildade maior é o princípio fundamental de cada um dos Doze Passos de A.A., pois sem um certo grau de humildade, nenhum alcoólico pode permanecer sóbrio.
Quase todos os AAs descobriram, também, que a não ser que desenvolvam essa preciosa qualidade, muito mais do que a necessária para se obter a sobriedade, ainda não têm muita probabilidade de virem a ser verdadeiramente felizes. Sem ela não podem viver com um propósito útil ou, nas horas difíceis, apelar para a fé que pode enfrentar qualquer emergência.
1 – Os Doze Passos, pág. 37
2 – Os Doze Passos, pág. 60

NA OPINIÃO DO BILL 75
Perda de medos financeiros
Quando um trabalho era apenas um meio de obter dinheiro, ao invés de uma oportunidade para servir, quando a aquisição de dinheiro para a garantia de nossa independência financeira era mais importante do que uma total dependência de Deus, éramos vítimas de medos descabidos. E esses eram medos que tornariam impossível uma existência serena e útil, em qualquer nível financeiro.
Mas com o passar do tempo, descobrimos que com a ajuda dos Doze Passos de A.A. poderíamos perder esses medos, não importando quais fossem nossas possibilidades materiais. Poderíamos com alegria executar tarefas humildes, sem nos preocupar com o amanhã. Se as coisas iam bem, já não receávamos uma mudança para pior, pois havíamos aprendido que nossos problemas poderiam ser transformados em valores positivos, tanto para nós como para os outros.
Os Doze Passos, págs. 107 e 108

NA OPINIÃO DO BILL 76
Só Deus é imutável
“A mudança é a característica de todo crescimento. Da bebida à sobriedade, da desonestidade à honestidade, do conflito à serenidade, do ódio ao amor, da dependência infantil à responsabilidade adulta – tudo isso e muito mais representam mudança para melhor.
“Essas mudanças são realizadas por meio da crença e da prática de princípios saudáveis. Para isso, precisamos nos desfazer de princípios maus ou ineficientes em favor dos bons princípios, que produzem resultados. Até bons princípios podem às vezes ser substituídos pela descoberta de outros ainda melhores.
“Só Deus é imutável; somente Ele tem todas as verdades que existem”.
Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 77
Por favor responda – Sim ou Não?
Geralmente não evitamos um lugar onde haja bebida – se temos uma verdadeira razão para estar lá. Isso inclui bares, clubes noturnos, bailes, recepções, casamentos, até simples festinhas.
Você vai notar que incluímos uma importante restrição. Assim, pergunte a você mesmo: “Tenho alguma boa razão social, comercial ou pessoal para ir a esse lugar? Ou espero roubar um pouco de prazer vicário do ambiente?” Então, vá ou se afaste, de acordo com o que lhe parecer melhor. Mas, antes de decidir, esteja certo de que sua base espiritual é sólida e de que seu motivo para ir é bom. Não pense no que você vai obter na ocasião. Pense no que você possa levar.
Se não estiver firme, talvez seja melhor você trabalhar com um outro alcoólico!
Alcoólicos Anônimos, págs. 112 e 113

NA OPINIÃO DO BILL 78
Restabelecendo uma ligação
No decorrer do dia podemos fazer uma pausa, quando situações devam ser enfrentadas, decisões tomadas e renovado o simples pedido: “Seja feita Tua vontade, não a minha.”
Nos momentos de grande perturbação emocional, com certeza vamos manter nosso equilíbrio, desde que lembremos e repitamos para nós mesmos uma oração ou frase que, particularmente, nos tenha agradado em nossa leitura ou meditação. Apenas dizê-la repetidamente, muitas vezes nos torna capazes de restabelecer uma ligação, interrompida pela raiva, medo, frustração ou desentendimento, e nos permite voltar à mais segura de todas as ajudas –nossa procura da vontade de Deus, não da nossa, no momento de tensão.
Os Doze Passos, págs. 89 e 90

NA OPINIÃO DO BILL 79
De quem é a responsabilidade?
“Um grupo de A.A., como tal, não pode cuidar de todos os problemas pessoais de seus membros, muito menos das pessoas não-alcoólicas que nos cercam. O grupo de A.A. não é, por exemplo, um mediador das relações domésticas, nem fornece ajuda financeira a ninguém.
“Embora o membro possa às vezes ser auxiliado nesses assuntos por seus amigos em A.A., a principal responsabilidade para solucionar todos os seus problemas de viver e crescer recai sobre ele mesmo. Se um grupo de A.A. desse essa espécie de ajuda, sua eficiência e energia seriam irremediavelmente dissipadas.
“É por isso que a sobriedade – libertação do álcool – através dos ensinamentos e da prática dos Doze Passos de A.A., é o único propósito do grupo. Se não nos apegarmos a esse princípio cardinal, é quase certo que entraremos em colapso. E se entrarmos em colapso, não podemos ajudar ninguém.”
Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 80
Débitos e créditos
De acordo com uma tagarelice de beberrão, podemos fazer a nós mesmos estas perguntas: Por que dissemos essas coisas? Estávamos apenas tentando ser úteis e procurando informar? Ou estávamos tentando nos sentir superiores, confessando os erros do outro companheiro? Ou estávamos realmente procurando prejudicá-lo, por temor ou antipatia?”
Isso seria uma tentativa honesta de examinar a nós mesmos, em vez de examinar o outro companheiro.
* * *
Nem sempre o resultado do inventário está escrito com tinta vermelha. Na verdade, é um dia ruim aquele em que não fazemos alguma coisa boa. Aliás, as horas de lazer são geralmente preenchidas com coisas construtivas. Temos boas intenções, bons pensamentos e boas ações.
Mesmo que tenhamos tentado firmemente e falhado, podemos considerar o fato como dos mais positivos.
1 – Grapevine de agosto de 1961
2 – Os Doze Passos, pág.

NA OPINIÃO DO BILL 81
Egoísta
“Compreendo o motivo pelo qual você se espanta ao ouvir alguns oradores de A.A. dizerem: ‘Nosso programa é um programa egoísta.’ A palavra egoísta geralmente significa que se é ambicioso, exigente e indiferente ao bem-estar dos outros. Claro que o modo de vida de A.A. não apresenta esses traços indesejáveis.
“O que querem dizer esses oradores? Bem, qualquer teólogo lhe dirá que a salvação de sua própria alma é a mais alta aspiração que um homem pode ter. Logo, sem salvação – podemos definir assim –ele terá pouco ou nada. Para nós de A.A. a urgência é ainda maior.
“Se não podemos ou não queremos alcançar a sobriedade, então estamos desde já verdadeiramente perdidos. Não temos valor para ninguém, nem para nós mesmos, até nos libertar do álcool. Logo, nossa própria recuperação e crescimento espiritual têm que vir em primeiro lugar –uma justa e necessária espécie de preocupação com nós mesmos.”
Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 82
As dificuldades tornam-se uma vantagem
“Penso que essa Conferência de Serviços Gerais, em particular, promete e tem alcançado progresso, porque ela atravessou dificuldades. E ela transformou essas dificuldades numa vantagem, crescimento e numa grande promessa.
“A.A. nasceu da dificuldade, uma das mais sérias dificuldades que pode acontecer a um indivíduo, o problema criado por essa sombria e fatal doença do alcoolismo. Cada um de nós se aproximou de A.A. cheio de dificuldades, com um problema impossível e desesperador. E foi por isso que viemos.
“Se essa Conferência era agitada, se os indivíduos estavam profundamente perturbados – eu digo: ‘Isso é ótimo’. Que parlamento, que república, que democracia que não foi perturbado? O atrito de pontos de vista opostos é o próprio ‘modus operandi’ sobre o qual eles atuam. Então do que deveríamos ter medo?”
Palestra de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 83
Não podemos viver sozinhos
Todos os Doze Passos de A.A. nos pedem para irmos contra nossos desejos naturais; todos eles reduzem nosso ego. Quando se trata da redução do ego, poucos Passos são mais duros de aceitar do que o Quinto. Dificilmente qualquer um deles é mais necessário à sobriedade prolongada e à paz de espírito.
A experiência de A.A. nos ensinou que não podemos viver sozinhos com os problemas que nos pressionam e com os defeitos de caráter que os causam ou agravam. Se passarmos o holofote do Passo Quatro sobre nossas vidas, e se ele mostrar, para nosso alívio, aquelas experiências que preferimos não lembrar, então se torna mais urgente do que nunca desistirmos de viver sozinhos com aqueles atormentadores fantasmas do passado. Temos que falar deles para alguém.
* * *
Não podemos depender totalmente dos amigos para resolver todas as nossas dificuldades. Um bom conselheiro nunca pensará em tudo, por nós. Ele sabe que a escolha final deve ser nossa. Entretanto, ele pode ajudar a eliminar o medo, oportunismo e a ilusão, tornando-nos capazes de fazer escolhas afetuosas, prudentes e honestas.
1 – Os Doze Passos, pág. 45
2 – Grapevine de agosto de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 84
Benefícios da responsabilidade
“Felizmente as despesas de A.A. por pessoa são muito pequenas. Deixarmos de atendê-las seria fugir a uma responsabilidade que nos beneficia.
“Muitos alcoólicos têm dito que nunca tiveram dificuldades que o dinheiro não resolvesse. Nós somos um grupo que, quando bebíamos, sempre estendíamos a mão em busca de auxílio. Então, quando começamos a pagar nossas próprias contas, isso constitui uma mudança saudável.”
* * *
“Por causa da bebida, meu amigo Henry perdeu um emprego de salário elevado. Restava uma bela casa – com uma despesa três vezes maior do que seus reduzidos ganhos.
“Ele poderia ter alugado a casa, por uma quantia suficiente, a fim de se sustentar. Mas não! Henry disse que sabia que Deus o queria morando ali e Ele daria um jeito de serem pagas as contas. Assim, ele continuou amontoando dívidas e cheio de fé. Não foi surpresa quando finalmente os credores se apossaram da casa.
“Henry hoje ri disso, pois aprendeu que Deus ajuda muito mais àqueles que estão dispostos a se ajudar.”
1 – Carta de 1960
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 85
A vida não é um beco sem saída
Quando um homem ou uma mulher tem um despertar espiritual, o mais importante significado disso é que ele se tornou agora capaz de fazer, sentir e acreditar naquilo que ele não poderia antes fazer sozinho, sem ajuda, com seus próprios recursos e força. A ele foi concedida uma dádiva, que leva a um novo estado de consciência e a uma nova vida.
A ele foi indicado um caminho, que lhe mostra que está indo em direção a uma meta, que a vida não é um beco sem saída, nem algo a ser suportado ou dominado. Na verdade ele se transformou, porque se agarrou a uma fonte de energia, da qual até agora havia se privado.
Os Doze Passos, págs. 94 e 95

NA OPINIÃO DO BILL 86
Oportunidade de se melhorar
Chegamos a acreditar que os Passos e as Tradições de A.A., para recuperação, representam praticamente as verdades que precisamos para nosso propósito particular. Quanto mais os praticamos mais gostamos deles. Assim sendo, é quase certo que os princípios de A.A. continuarão a ser defendidos em sua forma atual.
Se nossos fundamentos estão assim fixados, o que resta então para mudar ou melhorar?
A resposta nos ocorrerá imediatamente. Embora não precisemos alterar nossas verdades, podemos seguramente melhorar sua aplicação para nós mesmos, para A.A. como um todo e para nossas relações com o mundo a nosso redor. Sempre podemos melhorar a prática “desses princípios em todas as nossas atividades.”
Grapevine de fevereiro de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 87
A pedra fundamental do arco do triunfo
Tendo enfrentado a destruição alcoólica, chegamos a ter a mente aberta, em relação às coisas espirituais. A esse respeito, o álcool era muito persuasivo. Ele finalmente nos derrota obrigando-nos a raciocinar.
* * *
Tivemos que deixar de fazer o papel de Deus. Isso não funcionou. Decidimos que dali por diante, nesse drama da vida, Deus ia ser nosso Diretor. Ele seria o Principal: nós, Seus agentes.
As idéias, em sua maioria, são simples, e esse conceito constituiu a pedra fundamental do novo arco do triunfo, através do qual passamos à liberdade.
Alcoólicos Anônimos
1 – pág. 68
2 – pág. 81

NA OPINIÃO DO BILL 88
Força de vontade e escolha
“Nós, AAs, sabemos que é inútil tentar destruir a obsessão de beber só pela força de vontade. Entretanto, sabemos que é preciso uma grande vontade para adotar os Doze Passos de A.A. como um modo de vida que pode nos devolver a sanidade.”
“Qualquer que seja a gravidade da obsessão pelo álcool, felizmente descobrimos que ainda podem ser feitas outras escolhas vitais. Por exemplo, podemos admitir que somos impotentes pessoalmente perante o álcool; que a dependência de um “Poder Superior” é uma necessidade, mesmo que esta seja simplesmente uma dependência de um grupo de A.A. Então podemos preferir tentar uma vida de honestidade e humildade, fazendo um serviço desinteressado para nossos companheiros e para ‘Deus como nós O concebemos’.
“Conforme continuamos fazendo essas escolhas e assim indo em busca dessas altas aspirações, nossa sanidade volta e desaparece a compulsão para beber.”
Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 89
Rever o dia
Quando nos deitamos, à noite, revemos construtivamente nosso dia. Ficamos magoados, fomos egoístas, desonestos ou medrosos? Devemos uma satisfação a alguém? Estamos guardando algo em segredo, que deveria ser discutido logo com uma outra pessoa? Fomos amáveis e afetuosos com todos? O que poderíamos ter feito melhor? Estivemos pensando em nós mesmos a maior parte do tempo? Ou estivemos pensando no que poderíamos fazer pelos outros, no que poderíamos fazer para melhorar a vida?
Devemos ter o cuidado de não nos deixar abater pela preocupação, remorso ou reflexão mórbida, pois isso diminuiria nossa utilidade em relação a nós mesmos e aos outros. Após fazer nossa revisão, pedimos perdão a Deus e perguntamos quais as medidas corretivas que deveriam ser tomadas.
Alcoólicos Anônimos, pág. 100

NA OPINIÃO DO BILL 90
Ver desaparecer a solidão
Quase sem exceção, os alcoólicos são torturados pela solidão. Mesmo antes de nossas bebedeiras se tornarem graves e as pessoas começarem a se afastar de nós quase todos sofremos a sensação de estarmos sós. Ou éramos tímidos e não nos atrevíamos a nos aproximar dos outros, ou éramos capazes de ser bons sujeitos, sempre desejando ardentemente a atenção e o companheirismo, mas raramente conseguindo. Sempre existia aquela barreira misteriosa que não conseguíamos vencer nem entender.
Essa é uma das razões pela qual amávamos tanto o álcool. Mas até Baco nos traiu; ficamos finalmente arrasados e caímos numa terrível solidão.
* * *
A vida adquire um novo sentido em A.A. Ver pessoas se recuperarem, vê-los ajudarem os outros, ver desaparecer a solidão, ver crescer uma fraternidade ao redor de você, ter um grande número de amigos – essa é uma experiência que não deve ser perdida.
1 – Os Doze Passos, pág. 47
2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 103

NA OPINIÃO DO BILL 91
Coragem e prudência
Quando o medo persistiu, nós já o conhecíamos e fomos capazes de lidar com ele. Começamos a ver cada adversidade como uma oportunidade enviada por Deus para desenvolver a espécie de coragem que nasce da humildade, não do desafio.
* * *
A prudência é um terreno trabalhável, um canal de navegação seguro entre os obstáculos do medo de um lado e descuido do outro. A prudência na prática cria um clima definido, o único clima em que harmonia, eficiência e progresso espiritual firmes podem ser conseguidos.
* * *
“A prudência é o interesse racional sem preocupação.”
1 – Grapevine de janeiro de 1962
2 – Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 66
3 – Palestra de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 92
A caminho da serenidade
“Quando eu estava cansado e não podia me concentrar, costumava tomar uma atitude na vida, que simplesmente consistia em andar e respirar profundamente. Às vezes eu dizia a mim mesmo que eu não poderia nem sequer fazer isso, de tão fraco que estava. Mas aprendi que esse era o ponto em que não poderia me entregar, ficando ainda mais deprimido.
“Assim sendo estabeleceria um limite para mim mesmo. Determinaria andar um quarto de milha. E me concentraria, contando minha respiração – isto é, seis passos para cada inspiração vagarosa e quatro para cada expiração. Tendo andado o quarto de milha, descobri que poderia continuar, talvez meia milha ou mais. Depois outra meia milha e talvez uma outra.
“Isso foi animador. A falsa sensação de fraqueza física desapareceu (essa sensação é característica da depressão). O andar e especialmente a respiração foram poderosas afirmações de vida, afastando o fracasso e a morte. A contagem representou uma disciplina mínima em concentração, para obter um certo descanso do desgaste produzido pelo medo e pelo sentimento de culpa.”
Carta de 1960

NA OPINIÃO DO BILL 93
Atmosfera de graça
Aqueles de nós, que se acostumaram a fazer uso regular da oração, não seriam mais capazes de passar sem ela, como não passariam sem ar, o alimento ou a luz do sol. E pela mesma razão, quando ficamos sem ar, luz ou alimento, o corpo sofre. E quando nos afastamos da meditação e da oração, estamos privando nossas mentes, nossas intuições do apoio vitalmente necessário.
Da mesma forma que o corpo, a alma pode deixar de funcionar por falta de alimentação. Todos precisamos da luz da realidade de Deus, do alimento de Sua força e da atmosfera de Sua graça. Os fatos da vida de A.A. confirmam de maneira surpreendente essa verdade eterna.
Os Doze Passos, págs. 84 e 95

NA OPINIÃO DO BILL 94
“… em todas as nossas atividades”
“O propósito primordial de A.A. é o da sobriedade. Todos nós compreendemos que sem a sobriedade não temos nada.
“Entretanto, é possível expandir essa simples meta a uma grande quantidade de contra-senso, na medida em que o membro, individualmente, esteja interessado. De fato, às vezes ouvimos alguém dizer: ‘A sobriedade é minha única responsabilidade. Afinal de contas, sou um sujeito muito bom, a não ser minhas bebedeiras, Dê-me a sobriedade, e o resto é desnecessário!’
“Já que nosso amigo se agarra a essa cômoda desculpa, ele vai progredir tão pouco em relação a seus verdadeiros problemas e responsabilidades da vida que estará a caminho de se embriagar novamente. Isso é por que o Décimo Segundo Passo de A.A. sugere que ‘pratiquemos estes princípios em todas as nossas atividades’. Não estamos vivendo somente para estar sóbrios; estamos vivemos para aprender para servir e para amar.”
Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 95
Jardim de infância espiritual
“Estamos apenas pondo em funcionamento um jardim de infância espiritual, no qual as pessoas estão capacitadas a parar de beber e a encontrar a graça de continuar vivendo bem. A teologia de cada um tem que ser sua própria busca, seu próprio assunto.”
* * *
Quando o Livro Grande estava sendo planejado, alguns membros acharam que ele deveria ser cristão no sentido doutrinal. Outros não tinham nenhuma objeção quanto ao uso da palavra “Deus”, mas queriam evitar assuntos doutrinários. Espiritualmente, sim. Religião não. Outros ainda queriam um livro psicológico que atraísse o alcoólico. Uma vez que estivesse conosco, ele poderia aceitar Deus ou não, como quisesse.
Para nós essa era uma proposta chocante, mas felizmente ouvimos. A consciência de nosso grupo começou a funcionar para se fazer o livro, o mais aceitável e eficiente possível.
Cada parecer representava uma contribuição. Nossos ateístas e agnósticos abriram nossa porta de entrada para que todos aqueles que sofrem pudessem entrar por ela, independente de sua crença.
1 – Carta de 1954
2 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 145, 146 e 149

NA OPINIÃO DO BILL 96
Quando os defeitos não chegam a ser mortais
Praticamente todos querem se livrar de suas dificuldades mais visíveis e destrutivas. Ninguém quer ser tão orgulhoso, a fim de que seja desprezado como um fanfarrão, nem tão ambicioso, a fim de que seja chamado de ladrão. Ninguém quer ter raiva suficiente para chegar ao homicídio, nem ser sensual o suficiente para violentar e nem ser guloso o suficiente para prejudicar a saúde. Ninguém quer sofrer a crônica dor da inveja ou se acomodar na preguiça.
É claro que os homens, em sua maioria, não têm esses defeitos a níveis tão altos, e nós que escapamos desses extremos, somos capazes de nos felicitar. Mas podemos? Afinal de contas, não foi o interesse próprio, que fez com que a maioria de nós escapasse? Não é preciso muito esforço espiritual para evitar os excessos que, de alguma forma, nos punem. Mas quando encaramos os aspectos menos violentos desses mesmos defeitos, daí em que pé ficamos?
Os Doze Passos, pág. 56

NA OPINIÃO DO BILL 97
Respeito próprio através do sacrifício
No princípio sacrificamos o álcool. Tivemos que fazê-lo, ou ele nos teria matado. Mas não poderíamos nos libertar do álcool, a menos que fizéssemos outros sacrifícios. Os extremismos e os falsos pensamentos tiveram que desaparecer. Tivemos que atirar pela janela a auto-justificação, a auto-piedade e a raiva. Tivemos que nos livrar da competição louca, em busca do prestígio pessoal e grandes saldos bancários. Tivemos que assumir a responsabilidade pelo nosso estado lamentável e deixar de culpar os outros por isso.
Foram realmente sacrifícios? Sim, foram. Para obter suficiente humildade e respeito próprio, a fim de permanecer vivos, tivemos que abandonar o que tinha realmente sido nossa possessão mais querida – nossa ambição e nosso orgulho ilegítimos.
A.A. Atinge a Maioridade, pág. 256

NA OPINIÃO DO BILL 98
A raiva – inimiga da pessoa e do grupo
“Como inserido no livro ‘Alcoólicos Anônimos’, ‘o ressentimento é o principal ofensor’. Ele é uma das causas principais das recaídas. Sabemos bem, nós de A.A., que para nós ‘beber significa caminhar em direção à loucura’.
“O mesmo perigo ameaça todos os grupos de A.A. Se existe bastante raiva, a unidade e o propósito estão perdidos. Se também existe muita indignação ‘justificada’, o ‘grupo’ pode se desintegrar; ele pode até morrer. É por isso que evitamos controvérsia. É por isto que não prescrevemos castigos para os erros, não importa sua gravidade. Na verdade nenhum alcoólico, por nenhuma razão, pode ser privado de sua filiação.
“Castigo não cura nunca. Só o amor pode curar.”
Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 99
“Aquele que recai” precisa de compreensão
“As recaídas podem muitas vezes ser decorrentes da revolta: alguns de nós são mais rebeldes do que outros. As recaídas podem ser causadas pela ilusão de que o indivíduo pode ‘curar-se’ do alcoolismo. As recaídas também podem ser decorrentes do descuido e da complacência. Muitos de nós não conseguem se manter sóbrios nessa fase. As coisas vão bem durante dois ou três anos – depois o membro desaparece. Alguns de nós sofrem de um grande sentimento de culpa, por causa de vícios ou atos que não podem ou não querem evitar. Ainda concorrem para as recaídas o fato de não perdoar a si mesmo e orar pouco – bem, essa é uma combinação que provoca recaídas.
“Então alguns de nós são muito mais prejudicados pelo álcool do que outros. Outros ainda se deparam com uma série de calamidades e não parecem ter recursos espirituais para enfrentá-las. Existem alguns que são fisicamente doentes. Outros são mais ou menos sujeitos a freqüentes cansaços, ansiedades e depressão. Essas condições muitas vezes desempenham papel importante nas recaídas – às vezes controlam totalmente a pessoa.”
Palestra de 1960

NA OPINIÃO DO BILL 100
A montanha esquecida
Quando eu era criança, adquiri alguns traços de caráter que se relacionavam com meu insaciável desejo de beber. Cresci numa cidadezinha, em Vermont, à sombra de uma montanha chamada Monte Aeolus. Uma das minhas recordações foi quando estava observando aquela enorme e misteriosa montanha e me perguntando o que ela era e se algum dia eu subiria tão alto. Mas fui logo distraído pela minha tia que, como presente de meu quarto aniversário, trouxe-me chocolate. Durante os trinta e cinco anos seguintes, persegui os chocolates da vida e me esqueci totalmente da montanha.
* * *
Quando o comodismo não chega a ser prejudicial, lhes damos um nome mais brando. Chamamos isto de “desfrutar de um certo conforto.”
1 – A atinge a maioridade, pág.48
2 – Os Doze Passos, pág. 57

NA OPINIÃO DO BILL 101
“O lado espiritual”
Com muita freqüência, quando estamos em reuniões de A.A., ouvimos o orador declarar: “Eu ainda não tenho o lado espiritual.” Antes de fazer essa declaração, ele descreveu um milagre de transformação que lhe ocorreu – não só sua libertação do álcool, mas uma mudança completa em todas as suas atitudes em referencia a vida e a forma de vivê-la.
É evidente para todos os que estão presentes que ele recebeu uma dádiva especial, e que essa dádiva está além daquilo que possa ser esperado da simples participação de A.A. Assim, nós da audiência sorrimos e dizemos a nós mesmos: “Bem, esse companheiro está transbordando espiritualmente– só que ele ainda não sabe disso.”
Grapevine de julho de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 102
Conversas que curam
Quando pedimos orientação a um amigo em A.A., não deveríamos deixar de lhe lembrar nossa necessidade de completo sigilo. A comunicação íntima é normalmente tão livre e fácil entre nós que um A.A. ao orientar, pode algumas vezes esquecer, quando esperamos que ele guarde segredo. A santidade protetora dessas relações humanas que tantas curas faz, nunca deveria ser violada. Essas comunicações privilegiadas tem vantagens incalculáveis. Encontramos nelas a perfeita oportunidade para ser totalmente honestos. Não temos que pensar na possibilidade de prejudicar outras pessoas, nem precisamos temer o ridículo ou a condenação. Aqui também temos a melhor oportunidade possível de identificar a auto-ilusão.
Grapevine de agosto de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 103
O princípio acima da conveniência
A maioria de nós achava que um bom caráter era desejável. Obviamente bom caráter era algo que se ia precisar para estar satisfeito consigo mesmo. Com uma certa disposição de honestidade e moralidade, teríamos uma melhor oportunidade de obter o que realmente queríamos. Mas sempre que tínhamos que escolher entre o caráter e o conforto, a formação do caráter se perdia na poeira de nossa corrida atrás daquilo que achávamos ser felicidade.
Raramente encarávamos a formação do caráter como sendo uma coisa desejável em si mesmo. Nunca nos ocorreu fazer da honestidade, da tolerância e do verdadeiro amor ao próximo e a Deus, a base do viver cotidiano.
* * *
Como transformar a convicção mental correta num resultado emocional correto, e assim numa vida feliz e satisfatória, é o problema da própria vida.
1 – Os Doze Passos, págs. 62 e 63
2 – Grapevine de janeiro de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 104
Nosso novo empregador
Tínhamos um novo Empregador. Sendo todo-poderoso, Ele proporcionou o que precisávamos, se ficássemos perto d’Ele e executássemos bem Seu trabalho.
Desse modo nos tornamos cada vez menos interessados em nós mesmos, em nossos pequenos planos e projetos. Cada vez mais nos interessamos em ver de que forma poderíamos contribuir para a vida.
Ao sentir uma nova força apoderar-se de nós, ao desfrutar da paz de espírito, ao descobrir que poderíamos enfrentar a vida com êxito, ao ficar conscientes de Sua presença, começamos a perder nosso medo do hoje, do amanhã e do futuro. Nascemos de novo.
Alcoólicos Anônimos, pág.81
NA OPINIÃO DO BILL 105
Siga adiante
Gastar tempo demais com um único alcoólico é negar a um outro a oportunidade de viver e ser feliz. Um membro de nossa irmandade fracassou completamente com seus primeiros seis candidatos. Freqüentemente diz que, se tivesse continuado a trabalhar com eles, poderia ter privado de sua chance muitos outros que desde então se recuperaram.
* * *
Nossa principal responsabilidade com o recém-chegado é a de lhe fazer uma apresentação adequada do programa. Se ele não quer saber de nada ou argumenta, não fazemos nada, mas mantemos nossa própria sobriedade. Se ele começa a ir para a frente, mesmo que seja um pouco, com a mente aberta, então fazemos todo o possível para ajudá-lo.
Alcoólicos Anônimos, pág. 109
Carta de 1942

NA OPINIÃO DO BILL 106
A humildade “perfeita”
Por mim mesmo, tentei encontrar a definição mais verdadeira de humildade que posso. Essa não será a definição perfeita porque serei sempre imperfeito.
Nesse artigo, escolheria uma como esta: “A humildade absoluta consistiria num estado de completa libertação de mim mesmo, libertação de todas as exigências que meus defeitos de caráter atualmente lançam em peso sobre mim. A humildade perfeita seria uma total boa vontade, em todas as épocas e lugares, de reconhecer e fazer a vontade de Deus.
Quando penso nesse ideal, não preciso ficar desanimado porque nunca o atingirei, nem preciso me encher de presunção de que algum dia alcançarei todas essas virtudes. Preciso apenas me concentrar na visão da própria humildade, esperando que ela cresça e encha meu coração. Isso feito, posso compará-la a meu último inventário pessoal. Então, obtenho uma saudável idéia de onde me encontro no caminho da humildade. Vejo que minha caminhada em direção a Deus apenas começou.
À medida que me reduzo ao meu verdadeiro tamanho, me fazem rir a importância e o interesse por mim mesmo.
Grapevine de julho de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 107
Duas espécies de orgulho
O farisaísmo das “pessoas boas” pode com freqüência ser tão destrutivo como os
pecados visíveis daqueles que supostamente não são tão bons.
* * *
Gostávamos de falar bem alto sobre o terrível fato de milhões dos “bons homens
da religião” estarem ainda matando uns aos outros em nome de Deus. Tudo isto significava, é claro, que tínhamos substituído pensamentos positivos por pensamentos negativos.
Depois de chegar em A.A., tivemos que reconhecer que essa característica alimentava nosso ego. Repisando os pecados de algumas pessoas religiosas, podíamos nos sentir superiores a todas elas. Além do mais, podíamos deixar de olhar para algumas de nossas próprias imperfeições.
O farisaísmo, justamente o que havíamos condenado com desdém nos outros, era nosso grande mal. Essa falsa forma de respeitabilidade foi nossa desgraça, no tocante à fé. Mas finalmente, impelidos ao A.A., aprendemos o melhor.
1 – Grapevine de agosto de 1961
2 – Os Doze Passos, págs. 21 e 22

NA OPINIÃO DO BILL 108
Aprender em silêncio
Em 1941, um membro de New York chamou nossa atenção para um recorte de jornal. Tratava-se de uma notícia da seção de necrologia de um jornal local, onde apareciam as seguintes palavras: “Concedei-me Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras. Nunca tínhamos visto tanto de A.A. em tão poucas palavras. Com uma velocidade surpreendente a Oração da Serenidade chegou ao uso geral.
* * *
Na meditação não há lugar para o debate. Descansamos sossegadamente com os pensamentos ou orações das pessoas espiritualmente concentradas e com conhecimento, para que possamos sentir e aprender. Esse é o estado de espírito que com tanta freqüência descobre e aprofunda um contato consciente com Deus.
1 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 174 e 175
2 – Os Doze Passos, pág. 91

NA OPINIÃO DO BILL 109
Liberdade através da aceitação
Admitimos que não poderíamos vencer o álcool, com os recursos que ainda nos restavam, e assim aceitamos o fato de que a dependência de um Poder Superior (mesmo que fosse só nosso grupo de A.A.) poderia resolver o caso até aqui insolúvel. No momento em que fomos capazes de aceitar inteiramente estes fatos, foi iniciada nossa libertação da compulsão alcoólica.
Para a maioria de nós foi preciso grande esforço para aceitar esses dois fatos. Tivemos que abandonar nossa querida filosofia de auto-suficiência. Não conseguimos isso apenas com a força de vontade; isto aconteceu como resultado do desenvolvimento da boa vontade para aceitar esses novos fatos da vida.
Não fugimos nem lutamos, mas aceitamos. E então começamos a ser livres.
1 – Grapevine de março de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 110
Dificuldade: construtiva ou destrutiva
Houve uma época em que ignorávamos a dificuldade, esperando que ela desaparecesse, ou então, medrosos e deprimidos, fugíamos dela mas descobríamos que ela continuava conosco. Muitas vezes sem razão, cheios de amargura e culpa, nos revoltávamos. Essas atitudes erradas, impulsionadas pelo álcool, nos levavam à destruição, a menos que fossem alteradas.
Então veio A.A., onde aprendemos que a dificuldade era realmente um fato na vida de todos – fato este que tinha que ser entendido e encarado. Surpreendentemente descobrimos que nossas dificuldades poderiam, com a graça de Deus, converter-se em bênçãos incalculáveis.
Na verdade, essa era a essência do próprio A.A.: a dificuldade aceita, encarada de frente com uma coragem calma, dificuldade diminuída e muitas vezes superada. Essa foi a história de A.A., e nós fizemos parte dela. Essas demonstrações tornaram-se nosso patrimônio para a salvação do próximo sofredor.
Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 111
Examinando o passado
Deveríamos fazer um preciso e exaustivo exame de como nossa vida passada afetou outras pessoas. Em muitos casos descobrimos que, embora o dano causado aos outros não tenha sido grande, o dano emocional que causamos a nós mesmos o foi. Às vezes, totalmente esquecidos, os conflitos emocionais que nos prejudicaram continuam muito profundos, abaixo do nível da consciência. Portanto, deveríamos tentar relembrar e rever bem os acontecimentos do passado, que deram origem a esses conflitos e continuam causando violentos desequilíbrios emocionais, descolorindo dessa forma nossa personalidade e mudando nossa vida para pior.
* * *
Reagimos mais fortemente às frustrações do que as pessoas normais. Tornando a viver esses episódios e discutindo-os em estreita confiança com outra pessoa, podemos reduzir seu tamanho e portanto seu poder inconsciente.
1 – Os Doze Passos, pág. 69 e 70
2 – Carta de 1957

NA OPINIÃO DO BILL 112
Completa segurança
Ao ingressar em A.A., a lembrança dos anos perdidos nos levava ao pânico. Importância financeira não era mais o nosso principal objetivo; clamávamos agora por segurança material.
Mesmo quando já estávamos reabilitados em nossos negócios, aquele medo terrível continuava nos perseguindo. Isto nos tornava avarentos e sem um tostão no bolso outra vez. Devemos ter, de qualquer maneira, completa segurança material.
Esquecíamos que a maioria dos membros de A.A. tem capacidade bem acima do normal para ganhar dinheiro; esquecíamos da grande boa vontade de nossos companheiros A.As. que estavam tão ansiosos para nos ajudar a conseguir melhor trabalho, desde que o merecêssemos; esquecíamos da insegurança financeira, atual ou em potencial, que acompanhava todos os habitantes da terra.
E, pior de tudo, esquecíamos de Deus. Em matéria de dinheiro, só confiávamos em nós e, assim mesmo, não muito.
Os Doze Passos, pág. 107

NA OPINIÃO DO BILL 113
Ser justo
Acho que freqüentemente desaprovamos e até ridicularizamos os projetos de nossos amigos no campo do alcoolismo, só porque nem sempre estamos inteiramente de acordo com eles.
Deveríamos seriamente nos perguntar quantos alcoólicos estão continuando a beber, porque não temos cooperado com boa disposição de espírito com essas inúmeras organizações – sejam elas boas, más ou indiferentes. Nenhum alcoólico deveria ficar louco ou morrer, somente porque não foi diretamente para A.A. no começo.
* * *
Nosso primeiro objetivo será o desenvolvimento do autocontrole. Esse ponto é da mais alta importância. Quando falamos ou agimos precipitada ou imprudentemente, a capacidade de ser justo e tolerante se evapora imediatamente.
1 – Grapevine de julho de 1965
2 – Os Doze Passos, pág. 79

NA OPINIÃO DO BILL 114
Nenhum poder pessoal
“A princípio, o remédio para minhas dificuldades pessoais parecia tão evidente que eu não podia imaginar um alcoólico, recusando a proposta que lhe fosse adequadamente apresentada. Acreditando firmemente que Cristo pode fazer tudo, eu tinha a idéia inconsciente de supor que Ele faria tudo por meu intermédio – quando e da maneira que eu quisesse. Depois de seis longos meses, tive que admitir que ninguém tinha se apoderado do Mestre – nem mesmo eu.
“Isso me levou à boa e saudável conclusão de que havia muitas situações no mundo, sobre as quais eu não tinha nenhum poder pessoal – que, se eu estava tão pronto a admitir isso a respeito do álcool, devia admitir também em relação a muitas outras coisas. Tinha que ficar quieto e entender que Ele e não eu, era Deus.”
Carta de 1940

NA OPINIÃO DO BILL 115
Essência do crescimento
Que nunca tenhamos medo de mudanças necessárias. Certamente temos que fazer a diferença entre mudanças para pior e mudanças para melhor. Mas desde que uma necessidade se torne bem aparente num individuo, num grupo ou em A.A. como um todo, há muito já se verificou que não podemos ficar estacionários.
A essência de todo crescimento é uma disposição de mudar para melhor e uma disposição incansável de aceitar qualquer responsabilidade que essa mudança implique.
Grapevine de julho 1965

NA OPINIÃO DO BILL 116
Modo de ver de cada um
“Além de um Poder Superior, como cada um de nós pode conceber, A.A. não deve nunca, como sociedade, entrar no campo do dogma ou da teologia. Assim, não poderemos nunca nos tornar uma religião, para não destruir nossa utilidade, prendendo-nos a disputas no campo teológico.”
* * *
“O fato realmente espantoso sobre A.A. é que todas as religiões vêem em nosso programa uma semelhança com elas mesmas. Por exemplo, os teólogos católicos dizem que nossos Doze Passos estão exatamente de acordo com os Exercícios Espirituais para Retiro, de Santo Inácio de Loiola, e embora nosso livro fale de pecado, doença e morte, o Programa da Ciência Cristã com freqüência o tem elogiado editorialmente.
“Agora, olhando pelos olhos dos Quakers, você também nos vê favoravelmente. Que felizes circunstâncias são essas!”
1 – Carta de 1954
2 – Carta de 1950

NA OPINIÃO DO BILL 117
A sensação de fazer parte
Talvez uma das maiores recompensas da meditação e da oração seja a sensação de que passamos a fazer parte. Não mais vivemos num mundo completamente hostil. Não mais nos sentimos perdidos, amedrontados e inúteis.
A partir do momento em que percebemos, ainda que um vislumbre da vontade de Deus, e começamos a ver a verdade, a justiça e o amor como valores eternos e verdadeiros, não mais ficaremos tão perturbados com tudo o que parece evidenciar o contrário daquilo que nos cerca em assuntos puramente humanos. Sabemos que Deus nos protege com amor. Sabemos que quando nos voltarmos para Ele, tudo estará bem conosco, nesta vida e na outra.
Os Doze Passos, pág. 92

NA OPINIÃO DO BILL 118
Prelúdio ao programa
Poucas pessoas tentarão praticar sinceramente o programa de A.A., a não ser que tenham “chegado ao fundo do poço”, pois praticar os Passos de A.A. requer a adoção de atitudes e ações que quase nenhum alcoólico, que ainda bebe, pode sonhar em adotar. O alcoólico típico, egoísta ao extremo, não se interessa por essa perspectiva, a não ser que tenha que fazer essas coisas para não morrer.
* * *
Sabemos que o recém-chegado tem que “chegar ao fundo do poço”, do contrário pouca coisa pode acontecer. Porque somos alcoólicos que o compreendem, podemos usar profundamente a arma da obsessão mais a alergia, como uma força que pode destruir seu ego. Só assim ele pode se convencer de que unicamente com seus recursos tem pouca ou nenhuma chance.
1 – Os Doze Passos, págs. 15, 16
2 –A.A. Today, pág. 8

NA OPINIÃO DO BILL 119
Na estrada principal
“Agora compreendo que meu antigo preconceito contra os clérigos era cego e errado. Eles têm mantido viva, através dos séculos, uma fé que poderia ter desaparecido inteiramente. Eles me mostraram o caminho, mas nem sequer olhei, tão cheio estava de preconceito e preocupação comigo mesmo.
“Quando abri os olhos, foi porque tive que fazê-lo. E o homem que me mostrou a verdade era um companheiro sofredor e leigo. Por meio dele, vi finalmente e caminhei do abismo para um terreno sólido, sabendo que, agora, meus pés estavam na estrada principal, se eu quisesse caminhar.”
Carta de 1940

NA OPINIÃO DO BILL 120
De viva voz
“Em minha opinião, não pode haver a menor objeção aos grupos que querem permanecer estritamente anônimos ou a pessoas que não gostariam que todos soubessem de sua filiação ao A.A. Esse é um problema deles, e essa é uma reação muito natural.
“Entretanto, muitas pessoas acham que o anonimato a esse ponto não é necessário, nem mesmo desejável. Desde que a pessoa esteja sóbria, e certa disso, não parece haver razão para não falar a respeito da afiliação ao A.A., nos lugares certos. Isso tende a trazer novas pessoas. Falar de viva voz é uma de nossas comunicações mais importantes.
“Assim sendo, não deveríamos criticar nem as pessoas que querem permanecer em silêncio, nem aquelas que querem falar muito acerca de pertencer ao A.A., desde que não façam isso a nível público, comprometendo assim toda nossa Irmandade.”
Carta de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 121
Nós não estamos lutando
Paramos de lutar com tudo e com todos – mesmo com o álcool, pois a essa altura a sanidade voltou. Podemos reagir agora, sadia e normalmente, e constatamos que isso aconteceu quase automaticamente. Vemos que essa nova atitude face ao álcool é realmente uma dádiva de Deus.
Aí está o milagre. Não estamos lutando com ele, nem evitando a tentação. Nem temos que prestar juramento. Em vez disso, o problema foi removido. Ele não existe para nós. Não somos nem atrevidos nem medrosos.
Assim é como reagimos – enquanto nos mantemos em boas condições espirituais.
Alcoólicos Anônimos, pág. 99

NA OPINIÃO DO BILL 122
A boa vontade é a chave
Não importa o quanto alguém queira tentar, exatamente de que modo ele pode entregar sua própria vontade e sua própria vida aos cuidados de qualquer Deus que ele acha que existe?
Um começo, por pequeno que seja, é tudo do que se precisa. Uma vez que tenhamos colocado a chave da boa vontade na fechadura e tenhamos a porta entreaberta, descobrimos que podemos sempre abri-la um pouco mais.
Embora a obstinação possa fechá-la de novo, como freqüentemente acontece, sempre voltará a abrir no momento em que utilizamos a chave da boa vontade.
Os Doze Passos, pág. 26

NA OPINIÃO DO BILL 123
O novo membro de A.A. e sua família
Quando o alcoolismo ataca, podem surgir situações anormais que prejudicam o companheirismo e a compatibilidade entre os cônjuges. Se for o homem o afetado, a esposa deve ser o chefe da casa, muitas vezes o arrimo da família. À medida que as coisas vão piorando, o marido se transforma numa criança doente e irresponsável, que precisa ser cuidada e tirada de inúmeras embrulhadas e becos sem saída. De forma gradual e geralmente sem perceber, a esposa é forçada a se tornar a mãe de um menino transviado, e o alcoólico, ora ama, ora odeia seus cuidados maternais.
Essas situações são muitas vezes resolvidas, com os Doze Passos de A.A.
* * *
Quer a família adote ou não um modo de vida espiritual, o membro alcoólico tem que adotar, se quiser se recuperar. Os outros devem ser convencidos de sua nova situação, sem sombra de dúvida. Ver é acreditar, para a maioria das famílias que conviveu com um bebedor.
1 – Os Doze Passos, pág. 104
2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 140
NA OPINIÃO DO BILL 124
Liberdade de escolha
Olhando para trás, vemos que nossa liberdade de escolha não era, afinal de contas, uma liberdade muito verdadeira.
Quando escolhíamos porque “éramos obrigados a escolher”, essa também não era escolha livre. Mas isso nos iniciava na direção certa.
Quando escolhíamos porque “devíamos escolher”, estávamos realmente fazendo o melhor. Dessa vez estávamos obtendo uma certa liberdade, preparando-nos para obter ainda mais.
Mas quando, uma vez ou outra, pudemos com satisfação fazer escolhas certas sem revolta, espalhafato ou conflito, então tivemos a visão do que poderia ser a perfeita liberdade sob a vontade de Deus.
Grapevine de maio de 1960

NA OPINIÃO DO BILL 125
Olhe além do horizonte
Meu local de trabalho fica numa colina, atrás de nossa casa. Olhando para o vale, vejo a casa comunitária da vila, onde se reúne nosso grupo. Além do círculo de meu horizonte está o mundo inteiro de A.A.
* * *
A unidade de Alcoólicos Anônimos é a qualidade mais preciosa que nossa sociedade tem. Nossas vidas e as vidas dos que estão por chegar dependem diretamente dela. Sem unidade, o coração de Alcoólicos Anônimos deixaria de bater; nossas artérias mundiais não mais levariam a inspiradora graça de Deus.
1 –A.A. Today, pág. 7
2 – As Doze Tradições, pág. 13

NA OPINIÃO DO BILL 126
“Admitimos para Deus…”
Desde que você não esconda nada, ao fazer o Quinto Passo, sua sensação de alívio aumentará de minuto a minuto. As emoções reprimidas durante anos saem de seu confinamento e, milagrosamente, desaparecem à medida que são reveladas. Com a diminuição da dor, uma tranqüilidade restauradora toma seu lugar. E quando a humildade e a serenidade estiverem assim combinadas, algo mais de grande significação é capaz de ocorrer.
Muitos AAs, anteriormente agnósticos ou ateus, nos dizem que foi nessa fase do Quinto Passo que de fato sentiram, pela primeira vez, a presença de Deus. E mesmo aqueles que já tinham fé, muitas vezes tomaram consciência de Deus como nunca antes.
Os Doze Passos, pág. 51

NA OPINIÃO DO BILL 127
Persistência na oração
Muitas vezes temos a tendência de fazer pouco caso da meditação e da oração sincera, como sendo alguma coisa não realmente necessária. Sinceramente, sentimos que elas poderiam nos ajudar a enfrentar uma emergência, mas a princípio muitos de nós são capazes de considerá-las uma prática misteriosa dos clérigos, da qual podemos esperar obter um benefício de segunda mão.
* * *
Em A.A. descobrimos que os verdadeiros bons resultados da oração são indiscutíveis. Esses resultados são conhecidos e fazem parte da experiência. Todos aqueles que persistiram, encontraram uma força que geralmente não tinham. Encontraram sabedoria superior à sua capacidade normal. E encontraram cada vez mais a paz de espírito que pode se manter firme, frente às difíceis circunstâncias.
1 – Os Doze Passos, pág. 83
2 – Os Doze Passos, pág. 91

NA OPINIÃO DO BILL 128
De volta ao trabalho
É possível que utilizemos a suposta desonestidade dos outros, como uma desculpa plausível para não cumprir nossas próprias obrigações.
Certa vez, alguns amigos cheios de preconceito insistiram comigo para que eu não voltasse a Wall Street. Estavam certos de que o materialismo desenfreado e a falsidade, ali existentes, impediriam meu crescimento espiritual. Como isso parecia ter sentido, continuei afastado do único trabalho que eu sabia fazer.
Quando finalmente me vi falido, compreendi que não tinha sido capaz de enfrentar a perspectiva de voltar ao trabalho. Assim sendo, voltei a Wall Street e até hoje estou contente por ter feito isso. Eu precisava redescobrir que existem muitas excelentes pessoas no âmbito financeiro de New York. Precisava também da experiência de permanecer sóbrio nos mesmos lugares, onde o álcool tinha me derrotado. Uma viagem de negócios da Wall Street a Akron, Ohio, foi onde pela primeira vez entrei em contato com o Dr. Bob. Assim, o nascimento de A.A. dependeu de meu esforço para enfrentar as responsabilidades de meu sustento.
Grapevine de agosto de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 129
O caminho da força
Não precisamos nos desculpar com ninguém por depender do Criador. Temos boas razões para descrer daqueles que acham que a espiritualidade é o caminho da fraqueza. Para nós ela é o caminho da força. O veredito, através da história, é que os homens de fé são corajosos. Confiam em seu Deus. Nunca nos desculpamos por nossa fé n’Ele. Ao contrário, tentamos deixá-Lo demonstrar, através de nós, o que Ele pode fazer.
Alcoólicos Anônimos, pág. 86

NA OPINIÃO DO BILL 130
Nosso problema se centraliza na mente
Sabemos que enquanto o alcoólico se mantém afastado da bebida, ele geralmente reage do mesmo modo que as outras pessoas. Estamos igualmente convictos de que, quando ele ingere álcool, alguma coisa acontece, tanto no sentido físico como no mental, impedindo-o virtualmente de parar. A experiência de qualquer alcoólico confirmará isso plenamente.
Seriam desnecessárias e acadêmicas essas observações, se o individuo nunca tomasse o primeiro gole, pois este é o que põe em movimento o terrível círculo vicioso. De maneira que o problema principal do alcoólico se centraliza em sua mente, mais do que em seu corpo.
Alcoólicos Anônimos, pág. 46

NA OPINIÃO DO BILL 131
Obstáculos em nosso caminho
Vivemos num mundo cheio de inveja. Em grau maior ou menor, todos são contaminados por ela. Desse defeito, certamente devemos obter uma satisfação deturpada, porém definida. Se assim não fosse, por que perderíamos tanto tempo desejando o que não temos, em vez de trabalhar para obtê-lo, ou furiosamente procurando qualidades que nunca teremos, em vez de nos ajustar ao fato aceitando-o?
* * *
Cada um de nós gostaria de viver em paz consigo mesmo e com seus semelhantes. Gostaríamos de nos assegurar de que a graça de Deus pode fazer por nós aquilo que não podemos.
Temos visto que os defeitos de caráter, baseados em desejos imprevidentes e indignos, são obstáculos que bloqueiam nosso caminho em direção a esses objetivos. Agora vemos, com clareza, que estivemos fazendo exigências irracionais a nós mesmos, aos outros e a Deus.
1 – Os Doze Passos, pág. 57
2 – Os Doze Passos, pág. 65

NA OPINIÃO DO BILL 132
Inventário relâmpago
Um inventário relâmpago, feito no momento de perturbação, pode ser de grande ajuda para acalmar as emoções tempestuosas. O inventário relâmpago diário se aplica principalmente a situações que surgem nas vinte e quatro horas do dia. Quando possível, é melhor deixar o estudo das dificuldades existentes há muito tempo, para os momentos destinados a esse fim.
O inventário rápido é destinado às nossas oscilações diárias, principalmente, àquelas provocadas por pessoas ou acontecimentos novos que nos desequilibram e nos levam a cometer erros.
Os Doze Passos, pág. 77

NA OPINIÃO DO BILL 133
“Pessoas privilegiadas”
Percebi que tinha vivido muito sozinho, muito afastado de meus semelhantes e muito surdo àquela voz interior. Em vez de observar a mim mesmo, como um simples portador da mensagem da experiência, tinha pensado em mim na qualidade de fundador de A.A.
Como teria sido melhor se eu tivesse sentido gratidão, em vez de auto-satisfação – gratidão por ter sentido um dia os sofrimentos do alcoolismo, gratidão por ter recebido do alto o milagre da recuperação, gratidão pelo privilégio de prestar serviço a meus companheiros alcoólicos e gratidão pelos laços fraternais que me ligam mais fortemente a eles numa camaradagem que poucas sociedades de seres humanos já conheceram.
Um clérigo me disse esta verdade: “Seu infortúnio tornou-se sua felicidade. Vocês de A.A. são pessoas privilegiadas.”
Grapevine de julho de 1946

NA OPINIÃO DO BILL 134
Os direitos do indivíduo
Acreditamos que não haja outra irmandade no mundo que dispense mais atenção a seus membros, individualmente; sem dúvida, não existe nenhuma que defenda tanto o direito do indivíduo de pensar, falar e agir livremente. Nenhum A.A. pode obrigar um outro a fazer o que quer que seja; ninguém pode ser punido ou expulso.
Nossos Doze Passos para a recuperação são sugestões; as Doze Tradições, que asseguram a unidade de A.A., não contém um só “Não Faça”. Elas repetidamente dizem: “Deveríamos”, mas nunca: “Você deve!”
* * *
“Embora seja tradicional, nossa Sociedade não pode coagir ninguém, não vamos supor, nem mesmo por um instante, que não estamos sob coação. Na verdade, estamos sob uma enorme sujeição – aquela que vem nas garrafas. Nosso antigo tirano, o Rei álcool, está sempre pronto para nos agarrar.
“Portanto, a libertação do álcool é o grande devemosque tem que ser alcançado, caso contrário, chegaremos à loucura ou à morte.”
1 –As Doze Tradições, pág. 12
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 135
Vitória na derrota
Convencido de que nunca poderia fazer parte e jurando nunca me conformar com o segundo lugar, eu sentia que simplesmente tinha que vencer em tudo que quisesse fazer: trabalho ou divertimento. Como essa atraente fórmula de boa-vida começou a dar resultado, de acordo com minha idéia de sucesso, tornei-me delirantemente feliz. Mas quando acontecia de um empreendimento falhar, me enchia de ressentimento e depressão que só podia ser curado com o próximo triunfo. Portanto, muito cedo comecei a avaliar tudo em termos de vitória ou derrota – “tudo ou nada”. A única satisfação que eu conhecia era vencer.
* * *
Somente através da derrota total é que somos capazes de dar os primeiros passos em direção à libertação e à força. Nossa admissão da impotência pessoal finalmente vem a ser o leito de rocha firme, sobre o qual podem ser construídas vidas felizes e significativas.
1 – Grapevine de janeiro de 1962
2 – Os Doze Passos, pág. 13

NA OPINIÃO DO BILL 136
Renunciando aos defeitos
Examinando novamente aqueles defeitos que ainda não estamos dispostos a renunciar, deveríamos ser menos teimosos. Talvez ainda sejamos obrigados, em alguns casos, a dizer: “Ainda não posso renunciar a esses defeitos…”, mas não deveríamos dizer: “A esse nunca renunciarei!”
No momento em que dizemos: “Não, nunca!” Nossa mente se fecha para a graça de Deus. Essa revolta pode ser fatal. Ao invés disso, deveríamos abandonar os objetivos limitados e começar a caminhar em direção à vontade de Deus, para conosco.
Os Doze Passos, págs. 58 e 59

NA OPINIÃO DO BILL 137
Além do agnosticismo
Nós, de temperamento agnóstico, descobrimos que logo que fomos capazes de deixar de lado o preconceito e expressar até uma disposição para acreditar num Poder Superior a nós mesmos, começamos a ver os resultados, ainda quando era impossível para qualquer um de nós definir ou compreender totalmente esse Poder, que é Deus.
* * *
“Muitas pessoas me asseguram, com toda a seriedade, que o indivíduo não tem um lugar melhor no universo, do que um outro qualquer, por lutar em seu caminho, através da vida, só para morrer no fim. Ouvindo isso, sinto que ainda prefiro me apegar à tão chamada ilusão da religião, que em minha própria experiência tem me revelado algo com sentido muito diferente.”
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 67
2 – Carta de 1946

NA OPINIÃO DO BILL 138
Dois caminhos para os membros mais antigos
Os fundadores de muitos grupos finalmente se dividirem em duas classes, conhecidas na linguagem de A.A. como “velhos mentores” e “velhos resmungões”.
O velho mentor vê sabedoria na decisão do grupo para dirigir a si mesmo e não guarda ressentimento ao ver reduzido seu “status”. Seu julgamento fortificado por considerável experiência, é justo, ele está disposto a ficar de lado, aguardando com paciência os acontecimento.
O velho resmungão está certamente convencido de que o grupo não pode caminhar sem ele. Ele constantemente “mexe os pauzinhos” para reeleição ao cargo e continua sendo consumido pela autopiedade. Quase todos os membros mais antigos de nossa sociedade passaram por isso, em maior ou menor grau. Felizmente, a maior parte deles sobreviveu para se transformar no velho mentor. Estes vêm a ser a verdadeira e duradoura liderança de A.A.
As Doze Tradições, pág. 18

NA OPINIÃO DO BILL 139
A base de toda a humildade
Uma vez que estávamos convencidos de que poderíamos viver exclusivamente pela nossa força e inteligência, tornava-se impossível a fé num Poder Superior.
Isto era assim, mesmo quando acreditávamos que Deus existia. Podíamos na verdade ter as mais fervorosas crenças religiosas, que continuavam estéreis, porque nós mesmos ainda tentávamos fazer o papel de Deus. Já que púnhamos a autoconfiança em primeiro lugar não era possível uma verdadeira confiança num Poder Superior. Faltava aquele ingrediente básico da humildade, o desejo de buscar e fazer a vontade de Deus.
Os Doze Passos, pág. 62

NA OPINIÃO DO BILL 140
Defeitos e reparações
Mais do que a maioria, o alcoólico vive uma dupla vida. É um verdadeiro ator. Para as pessoas de fora ele se apresenta como se estivesse no palco. Isso é o que ele quer que os outros vejam. Quer gozar de uma certa reputação, mas sabe, do fundo do coração, que não a merece.
* * *
O sentimento de culpa é realmente o reverso da moeda do orgulho. O sentimento de culpa visa à autodestruição, e o orgulho visa à destruição dos outros.
* * *
“O inventário moral é um exame ousado dos danos que nos ocorreram, durante a vida, e um sincero esforço para vê-los em sua verdadeira perspectiva. Ele tem o efeito de tirar o veneno de dentro de nós, a substância emocional que abate ou inibe ainda mais.”
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 90
2 – Grapevine de junho de 1961
3 – Carta de 1957

NA OPINIÃO DO BILL 141
“Poderia nos devolver à sanidade”
Poucos, na verdade, são os alcoólicos na ativa que têm qualquer idéia do quanto são irracionais, ou que percebendo sua irracionalidade, conseguem encará-la. Por exemplo, alguns estarão dispostos a se denominar “bebedores-problemas”, mas não podem aceitar a sugestão de que estão de fato mentalmente doentes.
São apoiados nessa cegueira por um mundo que não entende a diferença entre o beber racional e o alcoolismo. A “sanidade” é definida como “saúde mental”. Contudo, nenhum alcoólico, analisando sobriamente seu comportamento destrutivo, seja pela destruição de um objeto ou de sua própria estrutura moral, pode alegar que tem “saúde mental”.
Os Doze Passos, pág. 24

NA OPINIÃO DO BILL 142
Instintos dados por Deus
A criação nos deu os instintos com uma finalidade. Sem eles não seríamos seres humanos completos. Se os homens e as mulheres não se empenhassem em se firmar como pessoas, não fizessem esforços para conseguir alimento ou construir abrigo, não sobreviveriam. Se não se reproduzissem, a terra não seria povoada. Se não existisse um instinto gregário, não haveria sociedade.
Contudo, esses instintos, tão necessários para nossa existência, freqüentemente excedem suas próprias funções. Forte, cega e muitas vezes sutilmente, eles nos impulsionam, nos dominam e insistem em dirigir nossas vidas.
* * *
Procuramos construir um ideal sadio para nossa futura vida sexual. Submetemos cada relação sexual à seguinte prova: isso foi egoísmo ou não? Pedimos a Deus que moldasse nossos ideais e nos ajudasse a viver de acordo com eles. Lembramos sempre que nossos poderes sexuais foram dados por Deus e por isso eram bons, que não deveriam ser usados frívola ou egoisticamente e nem desprezados ou detestados.
1 – Os Doze Passos, pág. 33
2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 87

NA OPINIÃO DO BILL 143
Na escola de vida de A.A.
Suponho que dentro de A.A. sempre estaremos disputando. Principalmente, acredito eu, acerca de como fazer para levar o melhor a um maior número de bêbados. Teremos nossas discussões infantis sobre pequenas dificuldades de dinheiro e como coordenar nossos grupos durante os próximos seis meses. Qualquer punhado de crianças em crescimento (e isso é o que somos) faria uma coisa dessa, e isso estaria de acordo com seu caráter.
Essas são as dores do crescimento da infância e nós, na verdade, estamos passando por elas. Superar tais problemas, na escola de vida de A.A., é um saudável exercício.
A.A. Atinge a Maioridade, pág. 208

NA OPINIÃO DO BILL 144
Confiança cega?
“Certamente não pode haver confiança onde não há amor, nem pode haver amor verdadeiro onde reina a desconfiança.
“Mas a confiança exige que sejamos cegos, em relação aos motivos dos outros ou até dos nossos? Absolutamente; isso seria loucura. Certamente deveríamos avaliar, tanto a capacidade de fazer o mal como a capacidade de fazer o bem das pessoas em quem vamos confiar. Esse inventário particular pode revelar o grau de confiança que podemos depositar em qualquer situação que se apresente.
“Mas esse inventário precisa ser feito com espírito de compreensão e amor. Nada pode prejudicar tanto nosso julgamento, como as emoções negativas de suspeita, ciúme ou raiva.
“Tendo depositado nossa confiança numa outra pessoa, deveríamos fazer com que ela saiba disso. Desse modo, quase sempre, ela vai corresponder de maneira magnífica e muito além de nossa expectativa.”
Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 145
Assumir a responsabilidade
Aprender a viver na maior paz, companheirismo e fraternidade, com todo o mundo, é uma aventura comovente e fascinante.
Todo A.A. acabou descobrindo que pouco pode progredir nessa nova aventura da vida, sem antes voltar atrás e fazer, realmente, um exame preciso e profundo dos destroços humanos que, porventura, ele tenha deixado em seu passado.
* * *
A disposição de arcar com todas as conseqüências de nossos atos passados e, ao mesmo tempo, assumir a responsabilidade pelo bem-estar dos outros constitui o próprio espírito do Nono Passo.
1 – Os Doze Passos, pág.
2 – Os Doze Passos, pág.

NA OPINIÃO DO BILL 146
“Faça como eu faço…”
Talvez com mais freqüência do que pensamos, não temos um contato profundo com alcoólicos que estão sofrendo o dilema da falta de fé.
Certamente ninguém é mais sensível, a respeito de segurança individual, orgulho e agressão do que eles. Estou certo de que muitas vezes isso é esquecido.
Nos primeiros anos de A.A., eu quase arruinei toda a organização com essa espécie de arrogância inconsciente. Deus, como eu O concebia, tinha que servir para todos. Algumas vezes minha agressão era sutil e outras vezes grosseira. Mas de qualquer forma era prejudicial – talvez até fatal – para muitos descrentes.
É claro que esse tipo de coisa não está limitado ao trabalho do Décimo Segundo Passo. Pode surgir em nossas relações com todas as pessoas. Mesmo agora, encontro-me entoando o mesmo antigo refrão: “Faça como eu faço, acredite no que acredito – ou então…”
Grapevine de abril de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 147
A.A. – A estrela-guia
Podemos ser gratos a toda organização ou método que tente solucionar o problema do alcoolismo – seja a medicina, religião, educação ou pesquisa. Podemos ter a mente aberta a respeito desses esforços e podemos ser compreensivos quando os imprudentes falham. Não podemos esquecer que mesmo A.A. funcionou durante anos na base do “ensaio e erro”.
Como indivíduos, podemos e deveríamos trabalhar com aqueles que prometem sucesso – ainda que seja um pouco de sucesso.
* * *
Todos os pioneiros no campo do alcoolismo vão dizer, generosamente, que se não fosse pela prova viva da recuperação em A.A., eles não poderiam ter prosseguido. A.A. foi a estrela-guia da esperança e da ajuda que os manteve na Irmandade.
Grapevine de março de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 148
Mais do que conforto
Quando me sinto deprimido, repito para mim mesmo declarações como estas: “O sofrimento é a pedra de toque do progresso…” “Medo de nada…” “Isso também vai passar…” “Essa experiência pode se transformar em benefício”.
Esses fragmentos de oração trazem muito mais do que um mero conforto. Eles me mantêm no caminho da aceitação perfeita, acabam com minha compulsão de sentimento de culpa, depressão, revolta e orgulho e às vezes me dão a coragem para mudar as coisas que posso e sabedoria para perceber a diferença.
Grapevine de março de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 149
Orientação para um caminho melhor
Quase nenhum de nós gostava de fazer o auto-exame, a demolição de nosso orgulho e a confissão das imperfeições que os Passos requerem. Mas víamos que o programa realmente funcionava para os outros e tínhamos chegado a acreditar na desesperança da vida, da forma como a estávamos vivendo.
Portanto, quando fomos abordados por aquelas pessoas que haviam resolvido o problema, só nos restava pegar o simples conjunto de instrumentos espirituais que foi colocado a nosso alcance.
* * *
Nas Tradições de A.A. está implícita a confissão de que nossa Irmandade tem suas falhas. Confessamos que temos determinados defeitos, como sociedade, e que esses defeitos nos ameaçam continuamente. As Tradições nos orientam para melhorar nossa maneira de trabalhar e viver, e elas são para a sobrevivência e harmonia do grupo o que os Doze Passos de A.A. são para a sobriedade e paz de espírito de cada membro.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 48
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 87

NA OPINIÃO DO BILL 150
Sem limites
A meditação é alguma coisa que pode ser desenvolvida cada vez mais. Ela não tem limites, tanto em extensão como em profundidade. Ajudados por essa instrução e exemplo, como podemos ver, ela é essencialmente uma aventura individual que cada um de nós realiza à sua maneira. Mas seu objetivo é sempre o mesmo: melhorar nosso contato consciente com Deus, com Sua graça, sabedoria e amor.
E vamos lembrar sempre que a meditação é na realidade muito prática. Um de seus primeiros frutos é o equilíbrio emocional. Com ela podemos alargar e aprofundar o canal de ligação entre nós e Deus, como nós O concebemos.
Os Doze Passos, pág. 88

NA OPINIÃO DO BILL 151
Começar a perdoar
No momento em que examinamos um desentendimento com uma outra pessoa, nossas emoções de colocam na defensiva. Para evitar de encarar as ofensas que fizemos a uma outra pessoa, salientamos, com ressentimento, as ofensas que ela nos fez. Prevalecendo disso nos agarramos à sua má conduta, como a desculpa perfeita para minimizar ou esquecer a nossa.
A essa altura precisamos logo nos segurar. Não vamos esquecer que os alcoólicos não são os únicos atormentados por emoções doentias. Em muitos casos estamos, na realidade, lidando com companheiros sofredores, pessoas que tiveram suas desgraças aumentadas por nós.
Se estamos a ponto de pedir perdão para nós mesmos, por que não deveríamos começar perdoando a todos eles?
Os Doze Passos, pág. 68

NA OPINIÃO DO BILL 152
O poder milagroso
No mais profundo de cada homem, mulher e criança está a idéia fundamental de um Deus. Ela pode estar obscurecida pela calamidade, pela pompa, pela adoração de outras coisas, mas de uma forma ou outra ela está ali, pois a fé num Poder Superior a nós mesmos e as demonstrações milagrosas desse Poder, nas vidas humanas, são fatos tão antigos como a própria humanidade.
* * *
“A fé pode muitas vezes ser dada através de ensinamentos inspirados ou de um convincente exemplo pessoal de seus frutos. Pode às vezes ser obtida através da razão. Por exemplo, muitos clérigos acreditam que São Tomás de Aquino provou realmente a existência de Deus por pura lógica. Mas o que pode uma pessoa fazer quando todos esses falham? Esse era meu doloroso dilema.
“Foi somente quando cheguei a acreditar firmemente que era impotente perante o álcool, somente quando apelei para um Deus que poderia existir, que experimentei um despertar espiritual. Essa experiência libertadora veio primeiro, em seguida veio a fé – na verdade, uma dádiva!”
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 74
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 153
Sem raiva
Vamos supor que A.A. esteja sob ataque do público ou que caia em grande ridículo, tendo de fato pouca ou nenhuma justificativa. Nossa melhor defesa nessas situações seria não se defender absolutamente – isto é, completo silêncio a nível público. Se, com bom humor deixarmos os críticos completamente sozinhos, mais depressa se calarão. Caso seus ataques continuem e fique claro que eles estão desinformados, pode ser conveniente comunicar-se com eles, de modo temperado e informativo.
No entanto, se uma certa crítica ao A.A. for parcial ou totalmente justificável, será por bem dar conhecimento privativamente aos críticos, acompanhado de nossos agradecimentos.
Mas em circunstância alguma deveríamos mostrar raiva ou qualquer tentativa de punição ou agressão.
* * *
O que devemos reconhecer é que nos regozijamos com alguns de nossos defeitos. A raiva farisaica também pode ser muito agradável. De um modo perverso, podemos até sentir prazer pelo fato de muitas pessoas nos aborrecerem, pois isso nos traz uma cômoda sensação de superioridade.
Doze Conceitos para Serviços Mundiais, págs. 73 e 74
Os Doze Passos, págs. 56 e 57

NA OPINIÃO DO BILL 154
As recaídas – e o grupo
Um antigo temor era o de deslizes e recaídas. No princípio, quase todo alcoólico de quem nos aproximávamos começava a ter deslizes, isso quando ele conseguia realmente ficar sóbrio. Outros permaneciam abstêmios por seis meses ou talvez um ano e daí escorregavam. Isso foi sempre uma verdadeira catástrofe. Olhávamos uns para os outros e nos perguntávamos: “Qual o próximo?”
Hoje, embora as recaídas sejam dificuldades muito sérias, como grupo as conduzimos a passos largos. O medo desapareceu. O álcool sempre ameaça o indivíduo, mas sabemos que não pode destruir o bem-estar comum.
* * *
“Parece que não adianta discutir com os “que recaem”, a respeito do método apropriado para se manter sóbrio. Afinal de contas, por que deveriam as pessoas que estão bebendo contar às que estão sóbrias como isso deveria ser feito?
“Só por brincadeira, pergunte a eles se estão se divertindo. Se estiverem muito barulhentos ou importunos, gentilmente se afaste do caminho deles”.
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 88
2 – Carta de 1942

NA OPINIÃO DO BILL 155
Construído por um e por muitos
Damos graças a nosso Pai Celestial que, através de tantos amigos e através de tantos meios e canais tem nos permitido construir esse maravilhoso edifício do espírito, no qual estamos agora residindo – essa catedral, cujos fundamentos já repousam nos quatro cantos do mundo.
Em sua enorme edificação inscrevemos nossos Doze Passos de recuperação. Nas paredes laterais, os esteios das Tradições de A.A. foram colocados para nos manter em unidade até quando Deus quiser. Ansiosos corações e mãos levantaram o espiral de nossa catedral em seu devido lugar. Esse espiral leva o nome de Serviço. Que ele possa sempre estar apontado em direção a Deus.
* * *
“Não é somente a alguns que devemos o notável desenvolvimento de nossa unidade e de nossa capacidade de levar a mensagem de A.A. a todos os lugares. Devemos a muitos; na verdade, é ao trabalho de todos nós que devemos essas maravilhosas bênçãos”.
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 209
2 – Palestra de 1959

NA OPINIÃO DO BILL 156
Percepção de humildade
Uma melhor percepção de humildade inicia uma mudança revolucionária em nossa maneira de ver. Nossos olhos começam a se abrir aos excelentes valores que vieram diretamente do doloroso esvaziamento do ego. Até agora, nossas vidas foram em grande parte dedicadas à fuga do sofrimento e dos problemas. A fuga através da garrafa foi sempre nossa solução.
Então, em A.A., observamos e escutamos. Por todo lado vimos o fracasso e a miséria transformados, pela humildade, em valores inestimáveis.
* * *
Para aqueles que têm progredido em A.A., a humildade leva a um claro reconhecimento do que e de quem realmente somos, seguido de uma tentativa sincera de nos tornar aquilo que poderíamos ser.
1 – Os Doze Passos, pág. 64
2 – Os Doze Passos, pág. 48

NA OPINIÃO DO BILL 157
A imaginação pode ser construtiva
Lembramos, com uma certa tristeza, o valor que dávamos à imaginação, à medida que ela tentava buscar a realidade através da garrafa. Sim, não é verdade que nós nos divertíamos com esse tipo de pensamento? E hoje, embora sóbrios, não tentamos muitas vezes fazer a mesma coisa?
Talvez nosso problema não estivesse no fato de usarmos a imaginação. Talvez o verdadeiro problema fosse nossa quase total incapacidade de dirigir a imaginação em direção aos objetivos certos. Não há nada de errado com a imaginação construtiva; todo empreendimento sólido depende dela. Afinal de contas, ninguém pode construir uma casa sem antes imaginar um plano.
Os Doze Passos, pág. 87

NA OPINIÃO DO BILL 158
A tolerância na prática
“Descobrimos que os princípios de tolerância e amor tinham que ser enfatizados na prática. Não podemos nunca dizer (ou insinuar) a alguém que ele deva concordar com nossa fórmula ou ser excomungado. O ateu pode se levantar numa reunião de A.A., ainda negando a Divindade, mas relatando o quanto mudou em atitude e ponto de vista. Sabemos por experiência que ele em pouco tempo mudará de idéia a respeito de Deus, mas ninguém lhe diz que ele deve fazer isso.
“A fim de levar ainda mais longe o princípio de aceitação e tolerância, não exigimos nenhuma religião de ninguém. Todas as pessoas com problema alcoólico que queiram se livrar dele e se ajustar bem às circunstâncias da vida tornam-se membros de A.A., simplesmente se ligando a nós. Nada é preciso, a não ser sinceridade. Mas não exigimos nem isso.
“Numa atmosfera como essa, o ortodoxo, o heterodoxo e o descrente se misturam e juntos são felizes e úteis. Uma oportunidade de obter crescimento espiritual é aberta a todos”.
Carta de 1940

NA OPINIÃO DO BILL 159
Entre os extremos
“A pergunta de fato é se podemos aprender tudo de nossas experiências, pelas quais podemos crescer e ajudar outros a crescerem à semelhança e imagem de Deus.
“Sabemos que se nos negarmos a fazer aquilo que é razoavelmente possível para nós, seremos castigados. E seremos igualmente castigados se presumirmos ter uma perfeição, que simplesmente não existe.
“Aparentemente, o caminho da relativa humildade e do progresso teria que estar entre esses extremos. Em nosso lento progresso, fugindo da revolta, a verdadeira perfeição está sem dúvida muito distante”.
Carta de 1959

NA OPINIÃO DO BILL 160
Os racionalizadores e os modestos
Nós, os alcoólicos, somos os maiores racionalizadores do mundo. Fortalecidos com a desculpa de que estamos fazendo grandes coisas para o bem de A.A., podemos, através da quebra do anonimato, continuar com nossa antiga e desastrosa busca do poder e prestígio pessoal, honras públicas e dinheiro – as mesmas ambições implacáveis que quando frustradas uma vez nos conduziram à bebida.
* * *
O Dr. Bob foi na realidade uma pessoa muito mais humilde do que eu, e o anonimato ele compreendeu muito facilmente. Quando se soube com toda a segurança que ele estava para morrer, alguns de seus amigos sugeriram que se erguesse um monumento ou mausoléu em sua homenagem e de sua esposa Anne – digno de um fundador e sua esposa. Contando-me a esse respeito, o Dr. Bob sorriu e disse: “Deus os abençoe. Eles têm boa intenção, mas que sejamos enterrados, tanto você como eu, da mesma maneira como são todas as pessoas”.
No cemitério de Akron, onde jazem o Dr. Bob e Anne, a lápide simples não diz sequer uma palavra a respeito de A.A. Esse exemplo comovedor e definitivo de modéstia provará ser de maior valor para A.A., a longo prazo, do que qualquer promoção pública ou qualquer monumento grandioso.
1 – A.A. Atinge e Maioridade, pág. 262
2 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 122 e 123

NA OPINIÃO DO BILL 161
Inventário de quem?
Não contamos as experiências íntimas de um outro membro, sem estar certos de que ele aprovaria. Achamos melhor, quando possível, nos limitar às nossas próprias histórias. Um homem pode criticar ou gozar dele mesmo, e isso vai afetar os outros de maneira favorável, mas a crítica ou o ridículo dirigido a alguma outra pessoa, muitas vezes produz efeito contrário.
* * *
Uma constante análise de nossas qualidades e deficiências e o verdadeiro desejo de aprender e de crescer, por esse meio, para nós constituem uma necessidade. Nós, alcoólicos, aprendemos isso com dificuldade. Em todos os tempos e lugares, é claro, pessoas mais experientes do que nós adotaram a prática da auto-
análise e da crítica rigorosa.
1 – Alcoólicos Anônimos, págs. 129 e 130
2 – Os Doze Passos, pág. 76

NA OPINIÃO DO BILL 162
“Mantenha-o simples”
“Precisamos distinguir bem entre a simplicidade espiritual e a simplicidade funcional. Quando dizemos que A.A. não prega proposição teológica, a não ser Deus, como nós O concebemos, simplificamos muito a vida de A.A., evitando conflito e rejeição.
“Mas quando entramos nas questões de ação, pelos grupos, áreas e por A.A. como um todo, achamos que devemos nos organizar um pouco para levar a mensagem – ou então enfrentar o caos. E o caos não é simplicidade”.
* * *
Aprendi que o temporário ou aparentemente bom pode muitas vezes não ser aquilo que é sempre o melhor. Quando se trata da sobrevivência de A.A., nem o nosso melhor será bom o suficiente.
1 – Carta de 1966
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 263

NA OPINIÃO DO BILL 163
O alívio e a alegria
Quem pode dar uma explicação de todas as misérias que já sofremos e quem pode avaliar o alívio e a alegria que os últimos anos nos trouxeram? Quem pode possivelmente contar os grandes resultados do que o trabalho de Deus, através de A.A., já pôs em movimento?
E quem pode desvendar o grande mistério de nossa total libertação da escravidão, uma escravidão que leva à mais fatal e desesperada obsessão, que por séculos tinha dominado a mente e o corpo dos homens e mulheres como nós?
* * *
Achamos que o bom humor e o riso são úteis. As pessoas de fora às vezes ficam chocadas, quando manifestamos alegria contando uma experiência aparentemente trágica, do passado. Mas por que não deveríamos rir? Estamos recuperados e ajudamos os outros a se recuperarem. Que maior motivo de regozijo poderia haver do que esse?
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 40
2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 135

NA OPINIÃO DO BILL 164
Um princípio salvador
Essa prática de admitir os próprios defeitos a uma outra pessoa é, sem dúvida, muito antiga. Isso tem sido válido, em todos os séculos, e caracteriza a vida de todas as pessoas espiritualizadas e verdadeiramente religiosas.
Mas hoje a religião não é nem de longe a única defensora desse princípio salvador. Os psiquiatras e psicólogos apontam a grande necessidade que todo ser humano tem de discernimento e conhecimentos práticos das falhas de sua própria personalidade e de discutí-las com uma pessoa compreensiva e digna de confiança.
No que se refere aos alcoólicos, A.A. vai ainda mais longe. A maioria de nós declararia que sem a corajosa admissão de nossos defeitos para um outro ser humano, não poderíamos nos manter sóbrios. Até que estejamos dispostos a tentar isso, parece evidente que a graça de Deus não nos tocará para expulsar nossas obsessões destrutivas.
Os Doze Passos, pág. 46

NA OPINIÃO DO BILL 165
“Sucesso” no trabalho do décimo segundo passo
“Percebemos agora que no trabalho do Décimo Segundo Passo os resultados imediatos não são tão importantes. Algumas pessoas começam a trabalhar com outras e têm sucesso imediato. É possível que fiquem convencidas. Aqueles de nós que não são tão bem-sucedidos, no início, ficam deprimidos.
“De fato, o servidor que é bem-sucedido difere daquele que não é, apenas porque teve sorte com seus prováveis membros. Ele simplesmente aborda recém-chegados que estão prontos e capazes de parar de beber imediatamente. Com os mesmos prováveis membros, a pessoa aparentemente mal sucedida teria obtido quase os mesmos resultados. Você tem que trabalhar com muitos recém-chegados, para poder obter uma média”.
* * *
Toda verdadeira comunicação deve ser baseada na necessidade mútua. Vimos que cada padrinho teria que admitir humildemente suas próprias necessidades, do mesmo modo que seu afilhado.
1 – Carta de 1942
2 – A.A. Today, pág. 10

NA OPINIÃO DO BILL 166
Medo de nada
Embora nós de A.A. estejamos vivendo num mundo caracterizado por medo destrutivos como nunca houve na história, vemos grandes setores de fé e inúmeras aspirações em direção à justiça e confraternização. Contudo, nenhum profeta ousa dizer se o futuro do mundo será uma terrível destruição ou o começo, sob a vontade de Deus, da mais brilhante era já conhecida pela humanidade.
Estou certo de que nós, AAs, compreendemos essa perspectiva. Em pequena escala, temos experimentado esse mesmo estado de terrível incerteza, cada um em sua própria vida. Sem orgulho, podemos dizer que não tememos o futuro do mundo, qualquer que ele seja. Isso porque nos tornamos capazes de sentir profundamente e dizer: “Não teremos medo de nada – seja feita Tua vontade, não a nossa”.
Grapevine de janeiro de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 167
Progresso em vez de perfeição
Ao estudar os Doze Passos, muitos de nós reclamam: “Que tarefa! Não posso fazê-la toda”. Não desanime. Nenhum de nós conseguiu aderir completamente a estes princípios. Não somos santos.
O que importa é que estejamos dispostos a crescer espiritualmente. Os princípios apresentados são orientações para o progresso. Pretendemos o progresso espiritual, em vez da perfeição espiritual.
* * *
“Nós, alcoólicos recuperados, não somos tão irmãos nas virtudes como somos em nossos defeitos e em nossas lutas comuns para vencê-los”.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág.75

NA OPINIÃO DO BILL 168
Aceitando as dádivas de Deus
“Embora muitos teólogos afirmem que as súbitas experiências espirituais levem a uma distinção especial ou a algum tipo de ordenação divina, eu questiono esse ponto de vista. Todo ser humano, qualquer que sejam seus atributos para o bem ou para o mal, é uma parte da economia espiritual divina. Portanto, cada um de nós tem seu lugar, e não posso aceitar que Deus pretenda exaltar um mais que o outro.
“Desta forma, é preciso que todos nós aceitemos qualquer dádiva positiva que recebamos, com profunda humildade, tendo sempre em mente que nossas atitudes negativas foram em primeiro lugar necessárias, como um meio de nos reduzir a um estado tal que nos deixasse prontos para receber uma dádiva positiva, através da experiência da conversão. Nosso próprio alcoolismo e a imensa deflação que finalmente daí resultou, constituem na verdade a base sobre a qual repousa nossa experiência espiritual”.
Carta de 1964

NA OPINIÃO DO BILL 169
O aprendizado não termina nunca
“Minha experiência, como membro antigo, é em alguns pontos paralela à sua e as de muitos outros. Todos nós descobrimos que chega o momento em que não mais podemos conduzir os negócios funcionais dos grupos, áreas ou, em meu caso, de A.A. como um todo. Em última análise, só podemos valer tanto quanto tenha se justificado nosso exemplo espiritual. Dessa forma, nós nos tornamos símbolos úteis – e isso é praticamente tudo”.
* * *
“Tornei-me discípulo do movimento de A.A., ao invés do professor que eu outrora achava que era”.
1 – Carta de 1964
2 – Carta de 1949

NA OPINIÃO DO BILL 170
A vontade de quem?
Temos visto AAs pedirem, com muita sinceridade e fé, orientação explícita de Deus sobre assuntos que variam, desde desastrosas crises domésticas ou financeiras, até a correção de pequenas falhas pessoais, como a impontualidade. Um homem que tenta dirigir rigorosamente sua vida por esse tipo de oração, com essa necessidade egoísta de respostas divinas, é uma pessoa especialmente confusa. A qualquer pergunta ou crítica a suas ações, ele logo fala de sua confiança na oração como um guia para todos os assuntos, sejam eles importantes ou não.
Ele pode ter esquecido a possibilidade de que seus desejos e a tendência humana de racionalizar tenham distorcido sua assim chamada orientação. Com a melhor das intenções, ele tende a impor sua própria vontade em qualquer situação ou problema, com a confortável segurança de que está agindo sob a direção específica de Deus.
Os Doze Passos, pág. 94

NA OPINIÃO DO BILL 171
Benefícios e mistérios
“A preocupação de A.A. com a sobriedade é às vezes mal interpretada. Para alguns, essa simples virtude parece ser o único benefício de nossa Irmandade. Pensam que somos bêbados recuperados e que em outros aspectos mudamos para melhor, pouco ou nada. Essa suposição está muito longe da verdade. Sabemos que uma sobriedade permanente pode ser alcançada apenas por uma revolucionária mudança na vida e perspectiva do indivíduo – por um despertar espiritual que pode eliminar o desejo de beber”.
* * *
“Você está se perguntando, como muitos de nós devem estar: ‘Quem sou eu?’ ‘Onde estou?’ ‘Para onde vou?’ O processo de esclarecimento é geralmente lento.
Mas, no fim, nossa busca sempre traz uma descoberta. Esses grandes mistérios são, afinal de contas, mantidos em completa simplicidade. A disposição de desenvolver-se é a essência de todo crescimento espiritual.”
1 – Carta de 1966
2 – Carta de 1955

NA OPINIÃO DO BILL 172
Este assunto de honestidade
“Somente Deus pode saber o que é honestidade absoluta. Logo, cada um de nós tem que imaginar com o máximo de nossa capacidade – o que é esse grande ideal.
“Falíveis como somos e sempre seremos nesta vida, seria presunção supor que poderemos alcançar uma honestidade absoluta. O melhor que podemos fazer é atingir uma melhor qualidade de honestidade.
“Às vezes precisamos colocar o amor acima da indiscriminada “verdadeira honestidade”. Não podemos, sob o disfarce de uma ‘perfeita honestidade’, ferir outras pessoas, cruel e desnecessariamente. Sempre se deve perguntar: ‘Qual é a coisa melhor e mais cheia de amor que posso fazer?'”
Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 173
As raízes da realidade
Iniciemos um inventário pessoal, o Quarto Passo. Sem fazer um inventário periódico, um negócio geralmente vai à falência. Fazer um inventário comercial é um processo que consiste em conhecer e enfrentar os fatos. É um esforço para se descobrir a verdade sobre a mercadoria em estoque. Um dos objetivos é revelar os bens danificados ou que não têm condições de serem vendidos, de desfazer-se deles logo, sem pesar. Para que o dono do negócio seja bem-sucedido, ele não pode se enganar a respeito dos valores. Tínhamos que fazer exatamente a mesma coisa com nossas vidas. Tínhamos que fazer um inventário com honestidade.
***
“Tenho excelentes razões para saber como os momentos de percepção podem construir uma vida inteira de serenidade espiritual. As raízes da realidade, suplantando as ervas daninhas neuróticas, vão promover uma base firme, apesar do furacão das forças que nos destruiriam ou que usaríamos para nos destruir”.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 78
2 – Carta de 1949

NA OPINIÃO DO BILL 174
Forças construtivas
Minha opinião era tão arraigada, como a que freqüentemente vemos hoje em dia nas pessoas que se dizem ateístas ou agnósticas. Sua vontade de descrer é tão forte, que parecem preferir a morte do que uma busca sincera de Deus, feita com a mente aberta. Felizmente para mim e para muitos como eu que buscaram A.A., as forças construtivas, produzidas em nossa Irmandade, quase sempre venceram essa colossal teimosia. Abatidos e completamente derrotados pelo álcool, frente a frente com a prova viva da libertação e rodeados por aqueles que podem nos falar do fundo do coração, finalmente nos rendemos.
A seguir, paradoxalmente, nos encontramos numa nova dimensão, o verdadeiro mundo do espírito e da fé. Boa vontade suficiente, mente aberta suficiente – e aí está!
A.A. Today, pág. 9

NA OPINIÃO DO BILL 175
Aspectos da tolerância
Todos os tipos de pessoas têm encontrado caminho em A.A. Não faz muito tempo, estive conversando em meu escritório com um membro que leva o título de Condessa. Nessa mesma noite fui a uma reunião de A.A. Era inverno e na porta da entrada estava um cavalheiro de baixa estatura que gentilmente guardava nossos casacos. Perguntei: “Quem é aquele?” E alguém respondeu: “Oh!, ele está aqui há muito tempo. Todo mundo gosta dele. Ele pertencia ao grupo de Al Capone.” Isso mostra como A.A. é hoje em dia universal.
***
Não temos o desejo de convencer ninguém de que só existe um meio pelo qual a fé pode ser adquirida. Todos nós, sem distinção de raça, credo ou cor, somos filhos de um Criador vivo, com quem podemos estabelecer um relacionamento em termos simples e compreensíveis, tão logo estejamos dispostos e sejamos honestos o suficiente para tentar.
1 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 92 e 93
2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 46

NA OPINIÃO DO BILL 176
Domínio e exigência
O fato principal é que deixamos de reconhecer nossa total incapacidade de manter um verdadeiro entrosamento com um outro ser humano. Nossa egomania prepara duas armadilhas desastrosas. Ou insistimos em dominar as pessoas que conhecemos, ou dependemos muito delas.
Se nos apoiamos demais nas pessoas, mais cedo ou mais tarde vamos nos decepcionar, pois também são seres humanos e possivelmente não podem satisfazer às nossas constantes exigências. Assim, nossa insegurança cresce e se inflama.
Quando temos o hábito de tentar manipular os outros, para atender a nossos obstinados desejos, eles se revoltam e resistem fortemente. Desenvolvemos, então, sentimentos feridos, mania de perseguição e um desejo de desforra.
***
Minha dependência significa exigência– uma exigência da posse e controle das pessoas e condições que me cercam.
1 – Os Doze Passos, pág. 43
2 – Grapevine de janeiro de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 177
Dinheiro – antes e depois
Na época em que bebíamos, gastávamos como se o dinheiro nunca fosse acabar, embora entre uma bebedeira e outra, às vezes fôssemos ao outro extremo e nos tornássemos quase avarentos. Sem perceber, estávamos apenas acumulando fundos para a próxima farra. O dinheiro era para nós o símbolo do prazer e da auto-importância. Quando nossa maneira de beber piorou muito, o dinheiro era apenas um imperioso requisito que poderia nos proporcionar o gole seguinte e o conforto do desligamento que ele trazia por alguns momentos.
***
Embora a recuperação financeira esteja sendo alcançada por muitos de nós, descobrimos que não podemos pôr o dinheiro em primeiro lugar. Para nós, o bem-estar material sempre vem depois do progresso espiritual; nunca o precede.
1 – Os Doze Passos, pág. 106
2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 131

NA OPINIÃO DO BILL 178
Com os pés no chão
Aqueles de nós que passaram muito tempo no mundo da falsa espiritualidade, eventualmente viram a infantilidade disso. O mundo do sonho foi substituído por um grande sentido de realidade, acompanhado de uma crescente consciência do poder de Deus em nossas vidas.
Chegamos a acreditar que Ele gostaria que mantivéssemos nossas cabeças nas nuvens com Ele, mas que nossos pés ficassem firmes no chão. É aí onde estão nossos semelhantes, e é aí onde nosso trabalho deve ser feito. Essas são as realidades para nós. Não achamos nenhuma incompatibilidade entre uma experiência espiritual poderosa e uma vida útil, sadia e feliz.
Alcoólicos Anônimos, pág. 133

NA OPINIÃO DO BILL 179
Enfrentando a raiva
Poucas pessoas foram mais atingidas pelos ressentimentos do que nós alcoólicos. Uma explosão de mau gênio poderia estragar nosso dia, e um sentimento de revolta bem alimentado poderia nos tornar miseravelmente inúteis. Além do mais, nunca fomos capazes de distinguir a raiva justificada da não justificada. A nosso ver, nossa indignação era sempre justificada. A raiva, esse luxo que às vezes as pessoas mais equilibradas têm, poderia nos manter sob uma bebedeira emocional indefinidamente. Essas “bebedeiras secas” com freqüência nos levavam diretamente à garrafa.
***
Nada melhor do que o controle da língua e da pena. Devemos evitar a crítica feita com raiva, a discussão violenta, o mau humor e o desdém em silêncio. Estas são armadilhas emocionais que têm como isca o orgulho e o espírito de vingança. Quando somos tentados pela isca, deveríamos estar preparados para dar um passo atrás e pensar. Não podemos pensar nem agir para alcançar um bom objetivo, até que o hábito do autocontrole tenha se tornado automático.
1 – Os Doze Passos, pág. 78
2 – Os Doze Passos, pág. 79

NA OPINIÃO DO BILL 180
Problema da comunidade
A resposta ao problema do alcoolismo parece estar na educação – nas salas de aula, nas faculdades de medicina, entre os clérigos e empregadores, nas famílias e no público em geral. Do berço à sepultura, o bêbado e o alcoólico em potencial terão de ser completamente cercados de uma verdadeira e profunda compreensão e de uma constante sucessão de informações.
Isso significa uma verdadeira educação, apresentada adequadamente. Até aqui, grande parte dessa educação tinha atacado mais a imoralidade das bebedeiras do que a doença do alcoolismo.
Agora, quem se encarrega dessa educação? Obviamente, ela é um trabalho da comunidade e de especialistas. Individualmente, nós AAs podemos ajudar, mas A.A. como tal não pode, e não deveria entrar diretamente nesse campo. Portanto, devemos confiar em outras organizações, em amigos de fora e em sua boa vontade para fornecer grande quantidade de dinheiro e esforço.
Grapevine de março de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 181
Perfeição imaginária
Quando nós, os primeiros AAs, tivemos o primeiro vislumbre de como poderíamos ser espiritualmente orgulhosos, inventamos esta expressão: “Não tente ser Santo tão depressa!”
A velha advertência pode parecer mais um daqueles fáceis álibis que podem nos desculpar de não tentar o melhor que podemos. No entanto, uma visão mais profunda revela exatamente o contrário. Essa é a maneira de A.A. prevenir a cegueira do orgulho e as perfeições imaginarias que não possuímos.
***
Somente o Primeiro Passo, onde fizemos a admissão total de que éramos impotentes perante o álcool, pode ser praticado com absoluta perfeição. Os outros onze Passos enunciam ideais perfeitos. São metas para as quais nos dirigimos e a medida pela qual avaliamos nosso progresso.
1 – Grapevine de junho de 1961
2 – Os Doze Passos, pág. 58
NA OPINIÃO DO BILL 182
A realidade das experiências espirituais
“Talvez você levante a questão da alucinação contra a divina imagem de uma autêntica experiência espiritual. Duvido que alguém já tenha definido com autoridade o que é realmente uma alucinação. Contudo, é certo que todos os que tiveram experiência espiritual afirmam a realidade delas. A melhor evidência dessa realidade são os frutos posteriores. Aqueles que receberam essas dádivas da Graça mudaram muito, quase sempre para melhor. Quase não se pode dizer isso daqueles que tiveram alucinações.
“Alguns poderiam me achar presunçoso, quando digo que minha própria experiência é real. Contudo, posso afirmar seguramente que, em minha vida e nas vidas de inúmeras outras pessoas, os frutos dessa experiência foram reais, e os benefícios além da estimativa”.
Palestra de 1960

NA OPINIÃO DO BILL 183
Um observador alarmado
“Durante vários infrutíferos anos, estive num estado que poderia ser chamado de observando com alarme pelo bem do movimento. Achava que era meu dever sempre ‘corrigir situações’. Raramente alguém era capaz de me dizer o que eu deveria fazer, e ninguém jamais foi bem-sucedido em me dizer o que fazer. Tinha que aprender, através de grande esforço, com minha própria experiência.
“Quando me punha a vigiar os outros, descobri que com freqüência eu estava motivado pelo medo do que eles estavam fazendo, farisaísmo e mesmo absoluta intolerância. Em conseqüência, poucas vezes consegui corrigir alguma coisa. Eu só levantava barreiras de ressentimentos que cortavam qualquer sugestão, exemplo, compreensão ou amor”.
***
“Os AAs freqüentemente dizem: Nossos líderes não dirigem por mandato; lideram pelo exemplo. Se tivéssemos que afetar os outros, favoravelmente, precisaríamos praticar o que pregamos – e esquecer também o pregar. O bom exemplo fala por si mesmo.”
1 – Carta de 1945
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 184
Enfrentando a adversidade
“Nosso crescimento espiritual e emocional em A.A. não depende tanto do sucesso como de nossos fracassos e contratempos. Se você tiver isso em mente, acho que sua recaída terá o efeito de chutá-lo escada acima, em vez de para baixo.
“Nós AAs, não tivemos nenhum professor melhor do que a velha Senhora Adversidade, a não ser naqueles casos em que recusamos o ensinamento”.
***
“De vez em quando somos vítimas da crítica. Quando estamos irritados e feridos, é difícil não pagar na mesma moeda. Entretanto, podemos nos afastar e então nos examinar, perguntando se essas críticas têm fundamento. Se assim for, podemos admitir nossos defeitos para eles. Geralmente isso leva a um entendimento mútuo”.
“Suponhamos que nossos críticos sejam injustos. Então podemos tentar uma persuasão calma. Se continuarem os falatórios, nos é possível – de coração – perdoá-los. Talvez um senso de humor possa ser nossa salvação, por isso podemos tanto perdoar como esquecer”.
1 – Carta de 1958
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 185
Bumerangue
Quando estava com dez anos, eu era um rapaz alto e desajeitado e me sentia muito mal com isso, porque os moleques menores que eu sempre levavam vantagens nas brigas. Eu me lembro de que estive muito deprimido durante um ano ou mais, daí comecei a desenvolver uma grande vontade de vencer.
Um dia, meu avô chegou com um livro sobre a Austrália e me disse: “Este livro diz que ninguém, a não ser um camponês australiano, sabe fabricar e atirar um bumerangue”.
Pensei: “Aqui está minha oportunidade.” “Serei o primeiro homem na América a fabricar e atirar um bumerangue.” Bem, qualquer moleque poderia ter uma idéia como essa. Isso poderia ter durado dois ou três dias como duas ou três semanas. Mas tive uma força motivadora que se manteve durante seis meses, fiz um bumerangue que pôde dar a volta no pátio da igreja, em frente da casa, quase atingindo meu avô na cabeça quando o bumerangue estava voltando.
Com emoção, lancei a moda de um outro tipo de bumerangue, um que quase me matou posteriormente.
A.A. Atinge a Maioridade, págs. 48 e 49

NA OPINIÃO DO BILL 186
“O único requisito…”
Na Terceira Tradição, A.A. está na verdade dizendo a todo bebedor problema: “Você será um membro de A.A. se assim disser. Você mesmo pode declarar que faz parte da Irmandade; ninguém pode deixá-lo de fora. Seja você quem for, seja qual for o ponto a que você tenha chegado, sejam quais forem suas complicações emocionais – mesmo seus crimes – não queremos deixá-lo de fora. Queremos apenas ter a certeza de que você terá a mesma oportunidade de obter a sobriedade que nós tivemos.”
***
Não queremos negar a ninguém a oportunidade de se recuperar do alcoolismo. Queremos abranger o maior número possível de pessoas, nunca ser exclusivistas.
1 – As Doze Tradições, pág. 21
2 – Grapevine de agosto de 1946

NA OPINIÃO DO BILL 187
Palavra ou ação?
Ao fazer reparações, raramente é aconselhável se abordar um indivíduo, que ainda sofra a injustiça que lhe fizemos, e anunciar que nos tornamos religiosos. Isso deveria ser chamado de agressão com o queixo. Por que sermos chamados de chatos ou fanáticos religiosos? Se fizermos isso, poderemos destruir uma futura oportunidade de levar uma mensagem benéfica. Mas a pessoa que ouvir nossas reparações ficará bem impressionada com nosso sincero desejo de reparar um dano. Ela vai se interessar mais por uma demonstração de boa vontade do que pela conversa das descobertas espirituais.
Alcoólicos Anônimos, pág. 89

NA OPINIÃO DO BILL 188
Vencer as provas
Em nosso modo de pensar, qualquer esquema para combater o alcoolismo, que se proponha a proteger totalmente o doente da tentação, está destinado ao fracasso. Se o alcoólico tenta se proteger, ele pode ser bem-sucedido por algum tempo, mas geralmente acaba tendo a maior das explosões. Já tentamos esses métodos. Essas tentativas de fazer o impossível sempre fracassaram. Nossa resposta é libertar-se do álcool, e não fugir dele.
***
“A fé sem obras é morta”. Essa é uma aterradora verdade para o alcoólico! Porque se um alcoólico deixa de aperfeiçoar e engrandecer sua vida espiritual, por meio do trabalho e do sacrifício próprio em benefício dos demais, ele não pode vencer as provas e os momentos de fraqueza que esperam por ele. Se não trabalhar, com certeza voltará a beber, e se beber, certamente morrerá. Então, a fé será realmente morta.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 109
2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 34

NA OPINIÃO DO BILL 189
Experimentadores
Nós, agnósticos, gostávamos de A.A., tudo bem, e estávamos prontos para dizer que ele fazia milagres. Mas recusávamos ante a meditação e a oração, tão obstinadamente quanto o cientista, que se recusava a realizar certa experiência, por medo que ela viesse provar que sua teoria favorita estava errada.
Quando finalmente experimentamos, e surgiram resultados inesperados, nós nos sentimos diferentes; de fato percebemos que ficamos diferentes e assim aceitamos a meditação e a oração. E descobrimos que isso pode acontecer com qualquer pessoa que tente. Já foi dito e muito bem que “aqueles que zombam da oração são, quase sempre, os que não a experimentaram suficientemente”.
Os Doze Passos, pág. 84

NA OPINIÃO DO BILL 190
O modo de vida de A.A. no lar
Mesmo que o alcoólico não corresponda, não há razão para você ignorar seus familiares. Você deveria continuar a manter relações amigáveis com eles, expondo o conceito de A.A. sobre o alcoolismo e seu tratamento. Se aceitarem isso e também aplicarem nossos princípios a seus problemas, há uma chance maior do chefe da família se recuperar. E mesmo que ele continue a beber, a família vai achar a vida mais suportável.
***
A não ser que a família de um novo membro esteja disposta a viver de acordo com os princípios espirituais, achamos que o alcoólico não deveria insistir nisso.
Os familiares mudarão com o tempo. O melhor comportamento do alcoólico geralmente convencerá a família muito melhor do que suas palavras.
Alcoólicos Anônimos, pág. 106
Alcoólicos Anônimos, pág. 94
*Hoje, a iniciação do modo de vida de A.A. no lar é o principal propósito dos Grupos Familiares Al-Anon, que contam aproximadamente (conforme estatística de 1983) com 20.000 grupos no mundo todo. Esses grupos são constituídos de esposas, esposos e parentes de alcoólicos. O sucesso do Al-Anon tem sido enorme, levando os familiares a uma vida satisfatória.

NA OPINIÃO DO BILL 191
O começo da humildade
“Há poucos absolutos inerentes nos Doze Passos. Quase todos os Passos estão abertos à interpretação, baseada na experiência e visão do indivíduo.
“Conseqüentemente, o indivíduo é livre para começar os Passos no ponto em que ele puder ou quiser. Deus, como nós O concebemos, pode ser definido como um ‘Poder maior…’ ou o Poder Superior. Para milhares de membros, o próprio grupo de A.A. tem sido, no início, um ‘Poder Superior’. Esse conhecimento é fácil de aceitar, se o recém-chegado sabe que os membros, em sua maioria, estão sóbrios e ele não.
“Sua admissão é o começo da humildade – pelo menos o recém-chegado está disposto a renunciar à idéia de que ele mesmo é Deus. Esse é o começo de que ele precisa. Se seguir esse procedimento, ele vai relaxar e praticar todos os Passos que puder, e certamente crescerá espiritualmente”.
Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 192
Levando a mensagem
A maravilhosa energia que o Décimo Segundo Passo libera, pela qual ele leva nossa mensagem ao alcoólico que ainda sofre e que, finalmente, põe os Doze Passos em ação, aplicando-os a todas as nossas atividades, é o desfecho, a magnífica realidade de A.A.
***
Nunca fale com um alcoólico, com ares de superioridade moral ou espiritual, simplesmente lhe apresente o conjunto de instrumentos espirituais, para que ele o examine. Mostre-lhe como esses instrumentos funcionaram para você. Ofereça-lhe amizade e camaradagem.
1 – Os Doze Passos, pág. 96
2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 104

NA OPINIÃO DO BILL 193
O álibi espiritual
Nossas primeiras tentativas de fazer inventários provaram ser pouco realistas. Eu costumava ser um campeão em auto-exame irrealista. Em certas ocasiões, eu só queria ver o lado de minha vida que parecesse bom. Então exagerava muito as virtudes que eu supunha ter conquistado. Depois me felicitava pelo grande trabalho que estava fazendo em A.A.
Isso naturalmente gerava uma terrível ânsia por ainda mais “talento” e ainda mais aprovação. Eu estava voltando ao velho padrão de meus dias de bebedeira. Aqui estavam as mesmas metas – poder, fama e aplauso. Além disso, eu tinha o melhor álibi possível – o álibi espiritual. O fato de que eu tinha, realmente, um objetivo espiritual, fazia esse grande absurdo parecer perfeitamente correto.
Grapevine de junho de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 194
A obsessão e a resposta
A idéia de que de algum modo, algum dia, vai controlar e desfrutar da bebida constitui a grande obsessão de todo bebedor anormal. A persistência dessa ilusão é incrível. Muitos a perseguem até às portas da loucura e da morte.
***
O alcoolismo, não o câncer, era minha doença, mas qual a diferença? O alcoolismo também não era um consumidor do corpo e da mente? O alcoolismo levaria mais tempo para matar, mas o resultado era o mesmo. Então decidi, que se houvesse um grande Médico que pudesse curar a doença do alcoolismo, o melhor que eu poderia fazer era procurá-Lo imediatamente.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 49
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 56

NA OPINIÃO DO BILL 195
A linguagem do coração
Por que, nesse ponto da história, Deus escolheu para comunicar Sua graça curadora a tantos de nós? Cada aspecto dessa expansão global pode estar relacionado com uma simples e crucial palavra. A palavra é “comunicação”. Tem havido uma comunicação salvadora de vidas entre nós, com o mundo que nos rodeia e com Deus.
Desde o princípio, a comunicação em A.A. não tem sido apenas a transmissão de idéias e atitudes saudáveis. Porque somos irmãos no sofrimento e porque nossos meios comuns de libertação são para nós eficientes, apenas quando levados constantemente aos outros, nossos canais de contatos têm estado sempre carregados com a linguagem do coração.
A.A. Today, págs. 7 e 8

NA OPINIÃO DO BILL 196
Antídoto para o medo
Quando nossas falhas geram o medo, nós então temos uma doença da alma. Essa doença, por sua vez, gera mais defeitos de caráter.
O medo irracional de que nossos instintos não sejam satisfeitos nos leva a cobiçar os bens dos outros, a desejar ardentemente sexo e poder, a ficar com raiva quando nossas exigências instintivas são ameaçadas, a sentir inveja quando as ambições dos outros parecem ser realizadas enquanto as nossas não. Comemos, bebemos e nos apossamos de mais do que precisamos, sempre por medo de não ter o suficiente. E verdadeiramente alarmados frente à perspectiva de trabalho, permanecemos preguiçosos. Desperdiçamos tempo e protelamos ou, na melhor das hipóteses, trabalhamos de má vontade e sem energia.
Esses medos são os cupins que, incessantemente, devoram os alicerces de qualquer tipo de vida que tentamos construir.
***
Conforme cresce a fé, cresce a segurança interior. O grande medo latente do nada começa a desaparecer. Nós de A.A. descobrimos que nosso antídoto básico para o medo é o despertar espiritual.
1 – Os Doze Passos, págs. 39 e 40
2 – Grapevine de janeiro de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 197
Onde leva a racionalização
“Você sabe o talento que temos para a racionalização. Se, para nós mesmos, justificamos plenamente uma recaída, então nossa propensão para racionalizar quase certamente justificará uma outra, talvez com desculpas diferentes. Mas uma justificação leva a uma outra, e em breve estamos de volta à garrafa em tempo integral”.
***
Inúmeras vezes, a experiência mostra que mesmo aquele que toma pílula “controladamente” pode perder o controle. As mesmas racionalizações loucas que antigamente caracterizavam sua maneira de beber começam a arruinar sua existência. Ele acha que, se as pílulas podem curar a insônia, podem também curar suas preocupações.
Os médicos, nossos amigos, raras vezes são diretamente culpados pelos lamentáveis resultados que tantas vezes experimentamos. É muito fácil, para os alcoólicos, comprar essas drogas perigosas, e uma vez de posse delas, o bebedor muitas vezes é capaz de usá-las sem nenhum critério.
Carta de 1959
Grapevine de novembro de 1945

NA OPINIÃO DO BILL 198
Contar ao público?
“Alguns AAs de notoriedade mundial às vezes dizem: Se eu contar ao público que estou em Alcoólicos Anônimos, isso vai então trazer muitos outros. Expressa assim a crença de que nossa Tradição do anonimato não está certa – Pelo menos para eles”.
“Esquecem que, durante seus dias de bebedeiras, suas principais metas eram prestígio e a ambição de se elevar socialmente. Não percebem que quebrando o anonimato, estão inconscientemente perseguindo outra vez aquelas antigas ilusões perigosas. Esquecem que preservar o anonimato significa muitas vezes o sacrifício do desejo pessoal de poder, prestígio e dinheiro. Não vêem que, se essas lutas ser tornarem gerais em A.A., o curso de nossa história seria mudado; que estariam lançando a semente de nossa própria destruição como sociedade.”
“No entanto, posso felizmente dizer que, embora muitos de nós sejam tentados – e eu fui um deles –, poucos de nós aqui na América realmente quebram nosso anonimato, a nível público.”
Carta de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 199
A arrogância e seu oposto
Um provável membro muito teimoso foi levado pela primeira vez a uma reunião de A.A., onde dois oradores (ou talvez palestrantes) falavam sobre o tema “Deus, como eu O concebo”. Sua atitude lembrava arrogância. De fato, o último orador se excedeu em suas convicções teológicas.
Os dois estavam repetindo o que eu fazia anos atrás. Em tudo o que diziam estava implícita a mesma idéia: “Gente, ouça o que estamos dizendo. Nós temos a única verdadeira marca de A.A. – e seria melhor que vocês a aceitassem!”
O novo provável membro disse que ele sabia disso – e saiu. Seu padrinho protestou que isso não era realmente A.A. Mas era tarde demais; ninguém pôde abordá-lo depois disso.
***
Vejo a “humildade por hoje” como uma posição sadia e segura entre os violentos extremos emocionais. É um lugar tranqüilo, onde posso ter bastante perspectiva e bastante equilíbrio para dar mais um pequeno passo pela estrada claramente marcada que indica a direção dos valores eternos.
1 – Grapevine de abril de 1961
2 – Grapevine de junho de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 200
Fonte de força
Quando estourou a Segunda Guerra Mundial, esse princípio espiritual teve seu primeiro grande teste. Membros de A.A. entraram nas forças armadas e foram espalhados pelo mundo todo.
Seriam eles capazes de aceitar a disciplina, ficando debaixo de fogo e suportando a monotonia e a miséria da guerra? O tipo de dependência que aprenderam em A.A. os levaria em frente?
Sim, levou. Tiveram até menos recaídas alcoólicas ou bebedeiras emocionais do que os AAs que estavam em casa, fora de perigo. Mostraram tanta resistência e valentia quanto qualquer outro soldado. Tanto no Alaska como nas praias de Salermo, sua dependência de um Poder Superior funcionou.
Longe de ser uma fraqueza, essa dependência foi sua maior fonte de força.
Os Doze Passos, pág. 29

NA OPINIÃO DO BILL 201
Escolha ilimitada
Inúmeros alcoólicos são atormentados com a terrível convicção de que, se alguma vez se aproximarem de A.A., serão forçados a aceitar algum tipo de fé ou teologia.
Eles não compreendem que a fé nunca é um imperativo para ser membro de A.A.; que a sobriedade pode ser alcançada com um mínimo aceitável de fé e que nossos conceitos de um Poder Superior e Deus – como nós O concebemos – oferece a cada um uma escolha quase ilimitada de crença espiritual e de ação.
***
Ao falar com o provável membro, enfatize bem o fator espiritual. Se o indivíduo for agnóstico ou ateu, deixe bem claro que ele não tem que concordar com sua concepção de Deus. Ele pode optar por qualquer concepção que queira, desde que tenha sentido para ele.
O principal é que ele esteja disposto a acreditar num Poder Superior a ele mesmo e que viva segundo os princípios espirituais.
1 – Grapevine de abril de 1961
2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 102

NA OPINIÃO DO BILL 202
A hora da decisão
“Nem todas as grandes decisões podem ser tomadas, simplesmente anotando os prós e os contras de uma determinada situação, por mais útil e necessário que seja esse processo. Não podemos sempre depender daquilo que nos parece lógico. Quando há dúvidas acerca de nossa lógica, contamos com Deus e procuramos ouvir a voz da intuição. Se, na meditação, essa voz é persistente o suficiente, podemos ter bastante confiança em agir de acordo com ela, e não de acordo com a lógica.
“Se, depois de tentar nos guiar por essas duas coisas, ainda estivermos em dúvida, então deveríamos esperar uma maior orientação e, quando possível, adiar por algum tempo as decisões importantes. Então com maior conhecimento de nossa situação, a lógica e a intuição podem estar bem de acordo no caminho certo.
“Mas se a decisão deve ser tomada na hora, não vamos fugir dela por medo. Certa ou errada, sempre podemos tirar proveito da experiência.”
Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 203
A verdadeira tolerância
Aos poucos começamos a ser capazes de aceitar os erros dos outros, assim como suas virtudes. Inventamos a poderosa e significativa frase: “Vamos amar sempre o que há de melhor nos outros – e nunca ter medo do que eles têm de pior.”
***
Finalmente começamos a perceber que todas as pessoas, inclusive nós, estão de alguma forma emocionalmente doentes e muitas vezes erradas. Quando isso acontece, nos aproximamos da verdadeira tolerância e percebemos o que significa de fato o verdadeiro amor ao próximo.
1 – Grapevine de janeiro de 1962
2 – Os Doze Passos, pág. 80

NA OPINIÃO DO BILL 204
A formação do caráter
Uma vez que a maioria de nós nasce com uma infinidade de desejos naturais, não é de admirar que freqüentemente deixamos que eles excedam seu propósito.
Quando nos guiam cegamente, ou quando obstinadamente exigimos que nos proporcionem mais satisfações ou prazeres do que nos são possíveis ou devidos, é nesse ponto que nos afastamos do grau de perfeição que Deus deseja para nós aqui na terra. Essa é a medida de nossos defeitos de caráter ou, se você preferir, de nossos pecados.
Se pedirmos, Deus certamente perdoará nossas negligências. Mas em nenhum caso, Ele nos torna brancos como a neve e nos mantém assim sem nossa cooperação. Isso é alguma coisa que supomos estar dispostos a fazer. Ele quer apenas que tentemos, da melhor maneira possível, progredir na formação do caráter.
Os Doze Passos, pág. 55

NA OPINIÃO DO BILL 205
Virtude a auto-ilusão
Eu costumava me confortar com a crença exagerada de minha própria honestidade. Meus parentes da New England tinham me ensinado a santidade de todos os compromissos e contratos de negócio, dizendo: “A palavra do homem é sua fiança”. De acordo com isto, a honestidade nos negócios era sempre fácil; nunca enganei ninguém.
Contudo, esse pequeno fragmento de virtude logo ocasionou alguns riscos interessantes. Nunca deixei de desprezar meus companheiros da Wall Street, que costumavam enganar seus clientes. Isso era bastante arrogante, mas a seguinte auto-ilusão ainda foi pior.
Minha apreciada honestidade nos negócios tinha agora se convertido numa confortável capa, sob a qual eu ocultava os muitos sérios defeitos que bloqueavam outros setores de minha vida. Estando certo desta virtude, foi fácil concluir que eu tinha todas as outras. Durante muitos anos isso me impediu de dar uma olhada dentro de mim mesmo.
Grapevine de agosto de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 206
Orando pelos outros
Mesmo orando sinceramente, ainda podemos cair em tentação. Formamos idéias sobre o que achamos ser a vontade de Deus para com as outras pessoas. Dizemos para nós mesmos: “Este deveria ser curado de sua doença fatal” ou “Aquele deveria ser libertado de sua crise emocional” e oramos para obter estas determinadas coisas.
Claro que essas orações representam, no fundo, atos de bondade, mas muitas vezes se baseiam na suposição de que conhecemos a vontade de Deus a respeito da pessoa para quem oramos. Isso significa que, ao lado de uma oração sincera, pode existir em nós uma certa dose de presunção e vaidade.
A experiência de A.A. é que, especialmente nesses casos, deveríamos orar para que se faça a vontade de Deus, seja qual for, tanto para os outros como para nós mesmos.
Os Doze Passos, págs. 90 e 91
NA OPINIÃO DO BILL 207
O futuro da irmandade
“Parece certo que A.A. pode se manter firme em qualquer lugar e em qualquer situação. A.A. cresceu acima de qualquer dependência, que alguma vez poderia ter tido, de personalidades ou esforços de alguns dos membros mais antigos como eu. Vêm surgindo pessoas novas, capazes e vigorosas, aparecendo onde são necessárias. Além disso, A.A. atingiu maturidade espiritual o suficiente para saber que sua verdadeira dependência é de Deus.”
***
Na verdade, nosso primeiro dever, quanto ao futuro de A.A., é o de manter em plena força o que agora temos. Só o mais vigilante cuidado pode assegurar isso. Nunca deveríamos ser embalados em complacente auto-satisfação, devido a grande aclamação e sucesso que temos em toda parte. Essa é a sutil tentação que poderia nos deixar atônitos hoje, talvez para nos desintegrar amanhã. Temos estado sempre unidos para enfrentar e vencer as falhas e crises. Os problemas têm sido nossos estimulantes. No entanto, como seremos capazes de enfrentar os problemas do sucesso?
1 – Carta de 1940
2 – A.A. Today, pág. 106

NA OPINIÃO DO BILL 208
A razão – uma ponte para a fé
Enfrentamos honestamente a questão da fé. Não podíamos evitar a polêmica. Alguns de nós já tinham atravessado a ponte da razão em direção ao litoral da fé, onde mãos amigas se estendiam nos dando as boas-vindas. Ficamos agradecidos pela razão nos ter levado tão longe. No entanto, por algum motivo, não nos atrevíamos a botar o pé no litoral. Talvez estivéssemos dependendo demais da razão e não quiséssemos perder seu apoio.
Mas sem saber, não tínhamos sido levados até onde estávamos, por um certo tipo de fé? Não é verdade que acreditávamos em nosso próprio raciocínio? Não é verdade que tínhamos confiança em nossa capacidade de pensar? E não era isso uma espécie de fé? Sim, tínhamos fé, de maneira objetiva, tínhamos sido fiéis ao deus da razão. Assim, descobrimos que, de uma maneira ou de outra, a fé estava sempre presente.
Alcoólicos Anônimos, pág. 69

NA OPINIÃO DO BILL 209
Nunca o mesmo outra vez
Descobriu-se que quando um alcoólico plantava na mente de outro a idéia da verdadeira natureza de sua doença, essa pessoa jamais voltaria a ser a mesma. Após cada bebedeira, ela diria a si mesma: “Talvez esses AAs tenham razão.” Depois de algumas dessas experiências, muitas vezes antes do começo de grandes dificuldades, ele voltaria a nós, convencido.
***
Nos primeiros anos, aqueles dentre nós que ficaram sóbrios em A.A. eram, na verdade, casos horríveis e completamente sem esperança. Mas depois começamos a ter sucesso com alcoólicos moderados, e mesmos com alguns alcoólicos em potencial. Começavam a aparecer pessoas mais jovens. Chegavam muitas pessoas que ainda tinham trabalho, lar, saúde e posição social.
Naturalmente foi necessário que esses recém-chegados chegassem emocionalmente ao fundo do poço. Mas eles não tiveram que chegar a todos os tipos de fundo de poço possíveis para admitir que estavam derrotados.
1 – Os Doze Passos, pág. 15
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 177

NA OPINIÃO DO BILL 210
Livre da escravidão
No Terceiro Passo, muitos de nós nos dirigimos a nosso Criador, como nós O concebíamos: “Deus, a Ti ofereço minha vida para que a construas e faças dela que for de Tua vontade. Liberta-me da escravidão do ego, a fim de fazer melhor Tua vontade. Remove minhas dificuldades, para que minha vitória sobre elas sirva de testemunho àqueles a quem eu ajudaria, com Teu poder, Teu amor e Teu modo de vida. Que eu possa sempre fazer Tua vontade!”
Pensamos bem antes de tomar essas medidas, para termos a certeza de que estávamos prontos. Então, começamos a nos entregar inteiramente a Ele.
Alcoólicos Anônimos, pág. 77

NA OPINIÃO DO BILL 211
Alcançando a humildade
Percebemos que não precisávamos sempre apanhar e levar cacetadas para ter humildade. Ela poderia ser alcançada, ou procurando-a voluntariamente, ou pelo constante sofrimento.
***
“Em primeiro lugar, procuramos obter um pouco de humildade, sabendo que morreremos de alcoolismo se não o fizermos. Depois de algum tempo, embora ainda possamos nos revoltar, até certo ponto, começamos a praticar a humildade, porque essa é a coisa certa a se fazer. Chega então o dia em que, finalmente livres da revolta, praticamos a humildade, porque no fundo a queremos como um modo de vida.”
1 – Os Doze Passos, pág. 65
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 212
Fé e ação
A educação e o treinamento religiosos de seu provável membro podem ser bem superiores aos que você tenha. Nesse caso, ele vai duvidar que você possa acrescentar alguma coisa ao que ele já conhece.
Mas desejará saber por que as próprias convicções não funcionaram, enquanto as suas parecem funcionar bem. Talvez ele seja um exemplo de que a fé sozinha não basta. Para ser vital, a fé deve ser acompanhada de auto-sacrifício, altruísmo e ação construtiva.
Admita a possibilidade dele saber mais a respeito de religião do que você, mas chame a atenção dele para o fato de que, por mais profundas que sejam sua fé e educação religiosa, essas qualidades não poderiam lhe ter servido muito, caso contrário ele não estaria solicitando ajuda.
***
O Dr. Bob não precisava de mim para sua orientação espiritual. Ele tinha mais do que eu. Na verdade o que ele mais precisava, quando nos encontramos pela primeira vez, era de uma profunda deflação e da compreensão que somente um bêbado pode dar a outro. O que eu precisava era de humildade, de esquecimento de mim mesmo e de estabelecer um verdadeiro parentesco com um outro ser humano de meu próprio tipo.
1 – Alcoólicos Anônimos, págs. 102 e 103
2 – A.A. Today, pág. 10

NA OPINIÃO DO BILL 213
Complete a limpeza da casa
Muitas vezes, os recém-chegados procuram guardar para si mesmos os fatos desagradáveis referentes às suas vidas. Tentando evitar a experiência humilhante do Quinto Passo, eles se voltaram para métodos mais fáceis. Quase sem exceção se embriagaram. Tendo perseverado no resto do programa, perguntaram-me por que recaíram.
Achamos que a razão é que eles nunca completaram sua limpeza de casa. Fizeram seu inventário, mas continuaram agarrados a alguns de seus piores defeitos. Reconheceram que apenas tinham perdido seu egoísmo e medo; reconheceram que apenas tinham se humilhado. Mas não tinham aprendido a suficiente humildade, coragem e honestidade, como deveriam ter aprendido, até que contaram a uma outra pessoa, toda sua vida.
Alcoólicos Anônimos, págs. 85 e 86

NA OPINIÃO DO BILL 214
Apenas tentar
Em minha adolescência eu tinha que ser um atleta, porque eu não era atleta. Tinha que ser músico, porque não podia entoar a melodia mais simples. Tinha que ser líder de minha classe no internato. Tinha que ser o primeiro em tudo, porque em meu coração perverso eu me sentia em mim mesmo a última das criaturas de Deus. Não podia aceitar minha profunda sensação de inferioridade, e assim me tornei capitão do time de beisebol, e assim aprendi a tocar violino. Tinha que ser sempre o líder. Foi essa espécie de exigência “tudo ou nada” que mais tarde me destruiu.
***
“Estou contente porque você vai tentar esse novo trabalho. Mas esteja certo de que vai apenas ‘tentar’. Se você tiver a atitude de que ‘devo ser bem-sucedido, não devo falhar, não posso falhar’, então você praticamente vai garantir o fracasso, que por sua vez vai garantir sua recaída na bebida. Mas se você considerar o empreendimento como apenas uma experiência construtiva, então tudo sairá bem.”
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 49
2 – Carta de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 215
Treinamentos construtivos
Existem aqueles em A.A., a quem gostamos de chamar de nossos críticos “destrutivos”. Conduzem pela força, são “politiqueiros”, fazem acusações para atingir seus alvos –tudo pelo bem de A.A., naturalmente! Mas aprendemos que esses sujeitos não são tão destrutivos assim.
Deveríamos ouvir cuidadosamente o que eles dizem. Algumas vezes eles estão dizendo toda a verdade; outras vezes somente parte da verdade. Se estivermos a seu alcance, toda a verdade, parte da verdade ou a falta da verdade pode ser igualmente desagradáveis para nós. Se eles estiverem completamente certos, ou mesmo com um pouco da verdade, será melhor então agradecer-lhes e fazer nosso próprio inventário, admitindo que estávamos errados. Caso seja tolice, poderemos ignorar isso ou colocar todas as cartas na mesa e tentar convencê-los. Caso isso falhe, poderemos sentir pena deles por estarem doentes demais para entender e poderemos tentar esquecer todo o assunto.
Há poucos meios melhores de auto-análise e desenvolvimento da paciência do que a prova a que nos submetem esses membros bem-intencionados, mas equivocados.
Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 43

NA OPINIÃO DO BILL 216
Depois da “lua-de-mel”
“Para a maioria de nós, os primeiros anos de A.A. se parecem com uma lua-de-mel. Há uma nova e poderosa razão para nos manter vivos, há uma grande alegria em tudo. Durante algum tempo estamos afastados dos principais problemas da vida. Isso tudo é muito bom.
“Mas quando a lua-de-mel termina, somos obrigados a carregar nossos fardos, como todas as outras pessoas. É aí que começam os testes. Talvez o grupo nos tenha levado para caminhos diferentes. Talvez tenham aumentado as dificuldades em casa, ou no trabalho, ou no mundo lá fora. Então os antigos padrões de comportamento reaparecem. O que revela a extensão de nosso progresso é o modo como reconhecemos e lidamos com esse comportamento.”
***
Os sábios sempre souberam que ninguém pode melhorar sua vida até que o auto-exame venha a se tornar um hábito regular, até que ele admita e aceite as coisas como são, e até que tente corrigir o que está errado, com paciência e perseverança.
1 – Carta de 1954
2 – Os Doze Passos, pág. 76

NA OPINIÃO DO BILL 217
A esperança nascida do desespero
Carta ao Dr. Carl Jung:
“Muitas experiências de conversão, qualquer que seja a variedade, têm como denominador comum o profundo colapso do ego. O indivíduo enfrenta um dilema impossível.
“Em meu caso, o dilema tinha sido criado por minha compulsão pela bebida, e o profundo sentimento de desespero tinha sido grandemente intensificado por meu médico. Esse sentimento ainda mais se aprofundou, quando meu amigo alcoólico me falou de seu veredito de desespero, a respeito de Rowland H.
“No despertar de minha experiência espiritual, veio-me uma visão de uma sociedade de alcoólicos. Se cada sofredor levasse a mensagem, a um outro, de que para o alcoolismo não há esperança no campo cientifico, ele seria capaz de levar todo recém-chegado de espírito aberto a uma experiencia espiritual transformadora. Esse conceito foi a base do sucesso que desde então A.A. tem obtido.”
Grapevine de janeiro de 1963

NA OPINIÃO DO BILL 218
Felizes – quando somos livres
Para a maioria das pessoas normais a bebida significa a libertação da preocupação, do aborrecimento e da ansiedade. É a intimidade alegre com os amigos e um sentimento de que a vida é boa.
Mas não foi o que aconteceu conosco, nos últimos tempos de nossas pesadas bebedeiras. Os velhos prazeres desapareceram. Havia um desejo ardente de gozar a vida, como nunca, e uma dolorosa ilusão de que algum novo controle milagroso nos permitisse fazê-lo. Havia sempre mais uma tentativa e mais um fracasso.
***
Estamos certos de que Deus nos quer ver felizes, alegres e livres. Portanto, não podemos compartilhar a crença de que esta vida seja necessariamente um vale de lágrimas, embora em certa época tenha sido exatamente isso para muitos de nós. Mas ficou claro que vivíamos criando nossa própria miséria.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 157
2 – Alcoólicos Anônimos, págs. 135 e 136

NA OPINIÃO DO BILL 219
Dispostos a acreditar
Não permita que qualquer preconceito contra termos espirituais possa impedi-lo de se perguntar, o que eles poderiam significar para você. No começo, era disso que precisávamos para dar início a um crescimento espiritual, para estabelecer nossa primeira relação consciente com Deus, como nós O concebíamos. Mais adiante passamos a aceitar muitas coisas que nos pareciam inteiramente fora de alcance. Isso era crescimento, mas para crescer tínhamos que começar de algum modo. Assim, no princípio, usamos nossas próprias concepções de Deus, ainda que limitadas.
“Precisávamos nos fazer apenas uma simples pergunta: ‘Acredito, ou estou mesmo disposto a acreditar que exista um Poder Superior a mim?’ Assim que o indivíduo possa dizer que acredita, ainda que seja em pequeno grau, ou esteja disposto a acreditar, nós lhe asseguramos enfaticamente, que ele está no caminho.”
Alcoólicos Anônimos, págs. 63 e 64

NA OPINIÃO DO BILL 220
Em sociedade
À medida que progredíamos espiritualmente, ficava claro que, se esperávamos algum dia nos sentir emocionalmente seguros, teríamos que colocar nossa vida na base do dar e receber; teríamos que desenvolver o hábito de viver em sociedade ou fraternidade com todos que nos cercam. Vimos que precisaríamos sempre dar de nós mesmos, sem esperar nada em troca. Quando persistimos nisso, descobrimos que aos poucos as pessoas eram atraídas para nós, como nunca foram antes. E mesmo que elas nos desapontassem, poderíamos ser compreensivos e não seriamos tão seriamente afetados.
***
A unidade, a eficiência e mesmo a sobrevivência de A.A. sempre dependerão de nossa contínua boa vontade de renunciar a nossos desejos e ambições pessoais, para a segurança e bem-estar comum. Do mesmo modo que o sacrifício significa sobrevivência para o indivíduo, também significa unidade e sobrevivência para o grupo e para a Irmandade de A.A. como um todo.
1 – Os Doze Passos, pág. 102
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 257

NA OPINIÃO DO BILL 221
Deus não nos abandonará
“Acabo de saber que você está suportando magnificamente a adversidade – sendo essa adversidade seu estado de saúde. Isso me dá a oportunidade de expressar minha gratidão por sua recuperação em A.A. e especialmente pela demonstração de seus princípios, que você nos está agora, de maneira tão inspiradora, dando a todos nós.”
“Você gostará de saber que os AAs têm superado quase todas as dificuldades a este respeito. Acho que isso é porque estamos tão certos de que Deus não vai nos abandonar nos momentos difíceis; na verdade Ele não nos abandonou quando bebíamos. E assim será para o resto de nossa vida.”
“Certamente Ele não tenciona nos salvar de todos os problemas e da adversidade. Nem, no fim, Ele nos salva da chamada morte, uma vez que ela é apenas a passagem para uma nova vida, onde habitaremos em SUAS muitas mansões. Com respeito a essas coisas, sei que você tem uma fé muito grande.”
Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 222
De quem é a culpa?
No Quarto Passo procuramos resolutamente nossos próprios erros. Onde tínhamos sido egoístas, desonestos, interesseiros e medrosos? Embora uma dada situação não tivesse sido criada inteiramente por nossa falta, muitas vezes tentamos jogar a culpa unicamente na outra pessoa envolvida.
Finalmente vimos que o inventário deveria ser nosso, não da outra pessoa. Assim, admitimos nossos defeitos honestamente e nos dispusemos a colocar esses assuntos em ordem.
Alcoólicos Anônimos, pág. 81

NA OPINIÃO DO BILL 223
Uma Irmandade – muitas crenças
Como sociedade, nunca devemos nos tornar tão vaidosos a ponto de supor que temos sido os autores e inventores de uma nova religião. Humildemente refletiremos que cada um dos princípios de A.A. foi tirado de fontes antigas.
***
Um ministro na Tailândia escreveu: “Levamos os Doze Passos de A.A. ao maior mosteiro budista dessa província, e o sacerdote responsável pela organização disse: ‘Pois bem, esses Passos são excelentes! Para nós, budistas, isso poderia ser ligeiramente mais aceitável, se vocês tivessem inserido a palavra ‘bem’ em seus Passos, em vez de ‘Deus’. Entretanto, vocês dizem nesses Passos que é um Deus como cada qual O concebe, e isso certamente incluir o bem. Sim, os Doze Passos de A.A. certamente serão aceitos pelos budistas daqui.’ “
***
Os membros mais antigos de St. Louis recordaram como o Padre Edward Dowling ajudou a começar o grupo deles, que era composto por uma grande maioria de protestantes, mas isso não o perturbava em absoluto.
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 207
2 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 73 e 74
3 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 34

NA OPINIÃO DO BILL 224
Liderança em A.A.
Nenhuma sociedade pode funcionar bem sem uma liderança capaz em todos os seus níveis, e A.A. não pode ser exceção. Precisa ser dito, entretanto, que nós de A.A. acalentamos, algumas vezes, a idéia de que podemos passar com quase nenhuma liderança pessoal. Somos capazes de distorcer a idéia tradicional dos “princípios acima das personalidades”, a tal ponto que não haveria “personalidade” alguma na liderança. Isso redundaria, de qualquer maneira, em autômatos impessoais, tentando agradar todos.
Um líder no serviço de A.A. é portanto um homem (ou uma mulher) que pode pessoalmente colocar princípios, planos e normas em ação de maneira tão delicada e efetiva que leva o resto de nós a querer apoiá-lo e ajudá-lo em sua tarefa. Quando um líder nos guia pela força excessiva, nós nos revoltamos; mas quando ele se torna um submisso cumpridor de ordens e não usa nenhum critério próprio – então, ele realmente não é um líder.
Doze Conceitos para Serviços Mundiais, págs. 41 e 42

NA OPINIÃO DO BILL 225
A resposta no espelho
Enquanto bebíamos tínhamos certeza de que nossa inteligência, apoiada pela força de vontade, poderia muito bem controlar nossa vida interior e nos garantir sucesso no mundo em que vivemos. Essa corajosa filosofia, na qual cada individuo fazia o papel de Deus, soava bem, mas ainda tinha que passar pela prova de fogo: será que ela realmente funcionava? Uma boa olhada no espelho foi uma suficiente resposta.
***
Meu despertar espiritual foi muito rápido e absolutamente convincente. De repente me tornei uma parte – embora pequenina –de um cosmo que era dirigido pela justiça e pelo amor, na pessoa de Deus. Apesar das conseqüências de minha própria obstinação e ignorância, ou de meus companheiros de viagem na terra, a verdade ainda era essa. Essa era minha nova e positiva certeza – e ela nunca me abandonou.
1 – Os Doze Passos, págs. 27 e 28
2 – Grapevine de janeiro de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 226
Humildade é para a Irmandade, também
Nós, AAs, às vezes exageramos as virtudes de nossa Irmandade. Vamos nos lembrar de que na verdade só algumas dessas virtudes caíram do céu. Para começar, fomos forçados a elas pelo cruel chicote do alcoolismo. Finalmente adotamos essas atitudes, não porque quisemos, mas porque tivemos que fazê-lo.
Então, à medida que o tempo confirmava que nossos princípios básicos eram certos, começamos a ficar de acordo, porque achamos que isso era o correto. Alguns de nós, principalmente eu, então ajustamo-nos com alguma relutância.
Mas finalmente chegamos a um ponto onde estamos dispostos a concordar, com alegria, com os princípios que a experiência, sob a graça de Deus, nos tem ensinado.
A.A. Atinge a Maioridade, pág. 200

NA OPINIÃO DO BILL 227
A sobriedade é suficiente?
O alcoólico é como um furacão, arrastando em seu caminho as vidas dos outros. Corações são dilacerados. Relações são rompidas. Afetos são destruídos. Hábitos egoístas e sem consideração mantêm o lar em tumulto.
Achamos que um indivíduo não pensa, quando diz que a sobriedade é suficiente. É como o fazendeiro que saiu de seu esconderijo, depois do ciclone, e ao encontrar sua casa destruída, disse para sua esposa: “Não vejo nenhum problema aqui, minha velha. Não foi bom a ventania ter passado?”
***
Perguntamos, a nós mesmos, o que queremos dizer quando falamos que “prejudicamos” outras pessoas. Afinal, que tipo de “danos” as pessoas causam aos outros? Para definir a palavra “dano”, de maneira prática, poderíamos dizer que é o resultado do choque dos instintos, que ocasiona prejuízos físicos, mentais, emocionais ou espirituais, àqueles que nos cercam.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 93
2 – Os Doze Passos, pág. 79

NA OPINIÃO DO BILL 228
O começo da verdadeira afinidade
Quando chegamos em A.A. e pela primeira vez na vida nos encontramos entre pessoas que pareciam nos compreender, a sensação de pertencer foi muito emocionante. Achamos que o problema de isolamento tinha sido resolvido.
Mas logo descobrimos que embora não estivéssemos mais sozinhos, no sentido social, ainda sofríamos das antigas angústias do ansioso isolamento. Enquanto não falássemos, com toda a franqueza, de nossos conflitos e ouvíssemos mais alguém fazer o mesmo, ainda não fazíamos parte.
O Quinto Passo foi a resposta. Ele foi o começo de uma verdadeira afinidade com o homem e com Deus.
Os Doze Passos, pág. 47

NA OPINIÃO DO BILL 229
O dia do regresso ao lar
“Assim como a sobriedade significa vida longa e felicidade para o indivíduo, a unidade significa exatamente a mesma coisa para nossa Sociedade como um todo. Unidos, vivemos; desunidos, perecemos.”
***
“Devemos pensar profundamente em todos aqueles doentes que ainda virão ao A.A. Quando eles procuram retornar à fé e à vida, queremos que encontrem em A.A. tudo o que encontramos e ainda mais, se for possível. Nenhum cuidado, nenhuma vigilância, nenhum esforço para preservar a constante eficiência e a força espiritual de A.A. será grande demais para nos pôr inteiramente de prontidão para o dia do regresso deles ao lar”.
1 – Carta de 1949
2 – Palestra de 1959

NA OPINIÃO DO BILL 230
Amam todo o mundo?
Poucas pessoas podem afirmar com sinceridade que amam todo o mundo. Quase todos nós precisamos admitir que temos amado apenas algumas pessoas, que temos sido indiferentes a muitas. Quanto às outras – bem, temos tido realmente antipatia ou ódio delas.
Nós, AAs, descobrimos que precisamos de alguma coisa muito melhor, a fim de manter nosso equilíbrio. A idéia de que podemos amar possessivamente algumas pessoas, ignorar muitas e continuar a temer ou odiar quem quer que seja, tem que ser abandonada, mesmo que seja aos poucos.
Podemos procurar não fazer exigências descabidas àqueles que amamos. Podemos demonstrar bondade, onde antes não tínhamos demonstrado. Com aqueles que não simpatizamos, podemos pelo menos começar a prática da justiça e cortesia, talvez nos esforçando para compreendê-los e ajudá-los.
Os Doze Passos, pág. 80

NA OPINIÃO DO BILL 231
Privilegiados por comunicar
Todos devem concordar que nós, AAs, somos pessoas incrivelmente felizardas; felizardas porque sofremos tanto; felizardas porque podemos conhecer, compreender e amar uns aos outros, de forma bem aceitável.
Esses atributos e virtudes raramente caem do céu. Na verdade, a maioria de nós sabe muito bem que essas dádivas são raras, que tem sua verdadeira origem em nossa fraternidade nascida de um sofrimento comum e de uma libertação comum, pela graça de Deus.
Assim sendo, somos privilegiados por nos comunicar uns com os outros, num grau e de uma maneira quase nunca ultrapassada por nossos amigos não-alcoólicos do mundo que nos rodeia.
***
Eu costumava me envergonhar de minha situação e não falava sobre isso. Mas hoje confesso francamente que tenho tendência à depressão, e isso tem atraído para mim outros com a mesma tendência. Trabalhar com eles tem me ajudado bastante.”*
1 – Grapevine de outubro de 1959
2 – Carta de 1954
*Bill acrescentou que não tem depressão desde 1955

NA OPINIÃO DO BILL 232
O valor da vontade humana
Muitos recém-chegados, tendo experimentado pouca, mas constante deflação, sentiam uma crescente convicção de que a vontade humana não tem nenhum valor. Ficamos convencidos, e com razão, de que além do álcool muitos outros problemas não vão ser resolvidos apenas pela vontade do indivíduo.
Contudo, há certas coisas que o indivíduo sozinho pode fazer. Sozinho e à luz de suas próprias condições, ele precisa desenvolver a boa vontade. Quando adquire boa vontade, ele é então a única pessoa que pode tomar a decisão de se esforçar no caminho espiritual. Tentar fazer isso é na verdade um ato de sua própria vontade. É usar corretamente essa faculdade.
Na verdade, todos os Doze Passos de A.A. requerem um constante esforço pessoal para se ficar de acordo com seus princípios e, assim esperamos, com a vontade de Deus.
Os Doze Passos, pág. 30

NA OPINIÃO DO BILL 233
Vida diária
A.A. enfatiza que o inventário pessoal é difícil, porque muitos de nós realmente nunca tivemos o hábito de fazer uma meticulosa auto-análise.
Uma vez que essa saudável prática tenha se tornado um hábito, passará a ser tão interessante e proveitosa que o tempo gasto não será perdido, pois esses minutos e algumas vezes horas gastas com auto-exame conseguem tornar melhores e mais felizes todas as outras horas do dia. Finalmente, nossos inventários passam a ser uma necessidade de nossa vida diária, e não uma coisa rara ou à parte.
Os Doze Passos, pág. 77

NA OPINIÃO DO BILL 234
Prisioneiros libertados
Carta a um grupo numa prisão:
“Todo A.A. foi, num certo sentido, um prisioneiro. Cada um de nós se trancou fora da sociedade; cada um conheceu o estigma social. Tudo para vocês tem sido mesmo muito difícil; no caso de vocês, a sociedade também construiu uma muralha a seu redor. Mas não existe realmente uma diferença essencial; esse é um fato que praticamente todos os AAs agora reconhecem.”
“Portanto, quando vocês, membros, ingressarem no mundo de A.A., fora da prisão, podem ter a certeza de que ninguém vai se preocupar em comentar que vocês cumpriram pena. O que estão tentando ser – não o que foram – é tudo o que importa para nós.”
***
“As dificuldades mentais e emocionais são às vezes muito difíceis de se tolerar, enquanto estamos tentando manter a sobriedade. Mas vemos, no decorrer do tempo, que vamos superando esses problemas, o que constitui na verdade uma prova de vida de A.A. A adversidade nos dá uma maior oportunidade de crescer, do que a comodidade ou o sucesso”.
1 – Carta de 1949
2 – Carta de 1964

NA OPINIÃO DO BILL 235
Em busca da fé perdida
Muitos AAs podem dizer a uma pessoa sem fé: “Fomos desviados da fé que tínhamos quando crianças. Com a chegada do sucesso material, achamos que estávamos ganhando no jogo da vida. Isso era animador e nos fazia felizes.”
“Por que deveríamos nos preocupar com abstrações teológicas e deveres religiosos ou com o estado de nossas almas, aqui ou no além? A vontade de ganhar nos levaria para frente.”
“Então o álcool começou a nos dominar. Finalmente, quando todos os nossos cartões de contagem de pontos marcavam ‘zero’ e vimos que mais um golpe nos poria fora do jogo para sempre, tivemos que buscar nossa fé perdida. Foi em A.A. que reencontramos.”
Os Doze Passos, pág. 20

NA OPINIÃO DO BILL 236
Perfeição – apenas o objetivo
Nós, seres humanos, não podemos ter humildade absoluta. No máximo, podemos apenas vislumbrar o significado e o esplendor desse perfeito ideal. Só Deus pode Se manifestar no absoluto; nós, seres humanos, precisamos viver e crescer no domínio do relativo.
Assim sendo, buscamos o progresso, na humildade, para o dia de hoje.
***
Poucos de nós podem estar prontos, rápida ou facilmente, mesmo para olhar em direção à perfeição moral e espiritual; queremos obter somente o tanto de perfeição que possamos alcançar na vida, de acordo, é claro, com as mais variadas idéias que tenhamos sobre o que nos é necessário. Lutamos erradamente por um objetivo auto-determinado, em vez de lutar pelo objetivo perfeito que é aquele que pertence a Deus.
1 – Grapevine de junho de 1961
2 – Os Doze Passos, págs. 57 e 58

NA OPINIÃO DO BILL 237
Nenhuma ordem é dada
Nem a Conferência de Serviços de A.A., nem sua Junta de Custódios, nem o mais humilde comitê de grupo pode dar uma única ordem a um membro de A.A. e fazê-lo cumprir, e muito menos puni-lo. Tentamos fazer isso muitas vezes, mas o resultado foi sempre um absoluto fracasso.
Grupos já tentaram expulsar membros, mas os que foram expulsos voltaram às reuniões, dizendo: “Isso para nós é a vida, vocês não podem nos manter de fora.” Comitês instruíram muitos AAs a deixarem de trabalhar com aquele que não pára de recair e obtiveram deles apenas esta resposta: “Como faço o trabalho do Décimo Segundo Passo, é assunto meu. Quem são vocês para julgar?”
Isso não significa que um A.A. não receba conselhos ou sugestões de membros mais experientes. Ele simplesmente se recusa a receber ordens.
As Doze Tradições, pág. 54

NA OPINIÃO DO BILL 238
O martírio da embriaguez
“A autopiedade é um dos mais infelizes e desgastantes defeitos que conhecemos. É um entrave a todo progresso espiritual e pode interromper toda comunicação eficiente com nossos semelhantes, por causa de sua excessiva exigência de atenção e simpatia. É uma forma piegas de martírio ao qual nos damos ao luxo, doentemente.
“Qual é o remédio? Bem, vamos ter que dar uma boa olhada em nós mesmos, e uma ainda melhor nos Doze Passos de recuperação de A.A. Quando virmos como muitos de nossos companheiros de A.A. usaram os Passos para vencer grandes sofrimentos e adversidades, estaremos inspirados para tentar em nós mesmos esses princípios tão úteis à vida.
Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 239
Quando e como dar
As pessoas que clamam por dinheiro e abrigo, como uma condição para sua sobriedade, estão no caminho errado. Mas às vezes proporcionamos a um novo provável membro essas mesmas coisas – quando se torna claro que ele está disposto a colocar a recuperação em primeiro lugar.
A questão não é se vamos dar ou não, mas quando e como dar. Quando colocamos nosso trabalho num plano material, o alcoólico começa a confiar mais em esmolas do que num Poder Superior e no grupo de A.A. Ele continua a insistir que não pode vencer o álcool, até que suas necessidades materiais sejam satisfeitas.
Bobagem! Alguns de nós sofreram duros golpes para aprender a seguinte verdade: com ou sem trabalho, com ou sem esposa, simplesmente não paramos de beber, enquanto dependermos, materialmente, de outras pessoas antes de depender de Deus.
Alcoólicos Anônimos, pág. 106

NA OPINIÃO DO BILL 240
Duros com nós mesmos, mas ter consideração pelos outros
Não podemos revelar às nossas esposas ou pais alguma coisa que os faça sofrer ou os torne infelizes. Não temos o direito de salvar nossa pele à custa deles.
Aquelas partes de nossa vida causaram danos, contamos para uma outra pessoa que vai compreender, mas que não fique afetada. A regra é que devemos ser duros com nós mesmos, mas sempre ter consideração pelos outros.
***
O bom-senso vai sugerir que deveríamos ganhar tempo, ao fazer reparações a nossos familiares. No princípio pode ser imprudente revelar certos episódios desagradáveis. Embora possamos estar inteiramente dispostos a revelar o pior, devemos lembrar que não podemos adquirir nossa paz de espírito à custa dos outros.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 87
2 – Os Doze Passos, pág. 73

NA OPINIÃO DO BILL 241
No meio termo
“Em alguns setores de A.A., o anonimato é levado ao ponto de verdadeiro absurdo. Os membros se comunicam tão pouco, que não sabem nem mesmo o sobrenome dos outros e nem onde moram. É como se fosse uma cela subterrânea.”
“Em outros setores, vemos exatamente o contrário. É difícil evitar que os AAs gritem demais diante do público em geral, fazendo espetaculares ‘roteiros de palestra’ para bancar o importante.”
“Entretanto, sabemos que desses extremos, aos poucos nos colocamos no meio-termo. A maioria dos palestrantes não agüenta muito tempo, e os exageradamente anônimos são capazes de sair do esconderijo, respeitando seus amigos AAs, seus colegas de trabalho, etc. Acho que a tendência é em direção ao meio-termo, que é provavelmente onde deveríamos estar.”
Carta de 1959

NA OPINIÃO DO BILL 242
Solte-se completamente
Depois do fracasso, de minha parte, de querer que alguns bêbados parassem de beber, o Dr. Silkworth novamente me fez lembrar a observação do professor William James de que a verdadeira transformação ocasionada pelo despertar espiritual quase sempre se baseia numa calamidade e colapso. “Pare de lhes pregar sermões”, o Dr. Silkworth dizia, “e lhes dê primeiro os duros fatos médicos. Isso pode acalmá-los tão profundamente que possam vir a querer fazer qualquer coisa para ficar bem. Então poderão aceitar aquelas suas idéias espirituais e ainda um Poder Superior.”
***
Pedimos que você seja destinado desde o início. Alguns de nós procuramos nos agarrar às nossas antigas idéias, e o resultado foi nulo– até que nos deixamos conduzir completamente.
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 12
2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 73

NA OPINIÃO DO BILL 243
PENSAMENTOS MATINAIS
Ao acordar, pensemos nas próximas vinte e quatro horas. Pedimos para Deus dirigir nossos pensamentos, especialmente que eles sejam desligados da autopiedade e dos motivos desonestos ou de interesse próprio. Livres deles, podemos utilizar nossas faculdades mentais com segurança, pois Deus nos deu a cabeça para ser usada. Nossos pensamentos estarão num nível mais alto, quando começarmos a clareá-los, eliminando os motivos errados.
Se temos que decidir qual dos dois caminhos tomar, pedimos a Deus inspiração, um pensamento intuitivo ou uma decisão. Daí relaxamos, fazemos isso com calma e muitas vezes ficamos surpresos ao ver como chegam as respostas certas, pouco depois de termos tentado isso.
Geralmente concluímos nossa meditação com uma oração, pedindo que durante todo o dia nos seja mostrado qual o próximo passo a ser dado, especialmente que sejamos libertados da vontade própria, quando esta nos causar danos.
Alcoólicos Anônimos, págs. 96 e 97

NA OPINIÃO DO BILL 244
Em direção à maturidade
Muitos membros mais antigos, que têm submetido a “cura das bebedeiras” de A.A. a severos, mas bem-sucedidos testes, descobrem que ainda lhes falta sobriedade emocional. Para obter isso, devemos desenvolver uma maturidade e equilíbrio verdadeiros (quer dizer, humildade) em nossas relações com nós mesmos, com nossos semelhantes e com Deus.
***
Não permitamos nunca que A.A. seja uma entidade fechada; nunca devemos negar nossa experiência, quando ela for útil e valiosa para o mundo que nos rodeia. Devemos permitir que nossos membros, individualmente, atendam o chamado de cada um dos campos da atividade humana. Devemos permitir a eles que levem a experiência e o espírito de A.A. em todos esses assuntos, sempre que exista algo de bom que possa ser realizado, porque não somente Deus nos salvou do alcoolismo; o mundo nos recebeu de volta em sua cidadania.
1 – Grapevine de janeiro de 1958
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 208

NA OPINIÃO DO BILL 245
Combate sem ajuda
Na verdade, poucos são aqueles que, assaltados pelo tirano álcool, venceram o combate sem ajuda. É um fato estatístico que os alcoólicos quase nunca se recuperam, só por meio de seus próprios recursos.
***
A caminho de Point Barrow, no Alaska, dois prováveis membros saíram juntos e levaram com eles uma barraca e uma caixa de uísque. O tempo ficou ruim, e a temperatura baixou para 20 graus negativos; eles estavam tão bêbados que deixaram o fogo apagar. Escapando da morte, por congelamento, um deles acordou a tempo de reacender o fogo. Saiu para procurar combustível e logo avistou um tambor vazio de óleo, cheio de água congelada. Embaixo do gelo, ele avistou um objeto amarelo-avermelhado. Eles descongelaram o tal objeto, e era um livro de A.A. Um deles leu o livro e parou de beber. A lenda diz que ele se tornou o fundador de um de nossos grupos mais longínquos do norte.
1 – Os Doze Passos, pág. 14
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 75

NA OPINIÃO DO BILL 246
O instinto de viver
Quando homens e mulheres ingerem tanto álcool, a ponto de destruir suas vidas, cometem um ato totalmente contra a natureza. Contrariando seu desejo instintivo de auto-preservação, parecem estar inclinados à autodestruição. Lutam contra seu mais profundo instinto.
À medida que vão progressivamente se humilhando pela terrível surra administrada pelo álcool, a graça de Deus pode penetrar neles e expulsar sua obsessão. Aqui, seu poderoso instinto de viver pode cooperar plenamente com o desejo de seu Criador de lhes dar uma nova vida.
***
“A característica central da experiência espiritual consiste em dar a quem a recebe uma nova e melhor motivação, fora de toda proporção a qualquer processo de disciplina, crença e fé.
“Essas experiências não podem nos tornar íntegros de uma vez; constituem um renascimento a uma nova e verdadeira oportunidade.”
1 – Os Doze Passos, pág. 54
2 – Carta de 1965

NA OPINIÃO DO BILL 247
Você já experimentou?
“Uma vez que se supõe que a mente aberta e o experimento sejam os atributos indispensáveis de nossa civilização ‘científica’, parece estranho que tantos cientistas se recusem a provar pessoalmente a hipótese de que Deus veio primeiro e o homem depois. Preferem acreditar que o homem é um produto acidental da evolução; que Deus, o Criador, não existe.
“Só posso informar que experimentei os dois conceitos e que, em meu caso, o conceito de Deus provou ser uma base melhor para a vida do que o conceito que está centralizado no ser humano.
“Entretanto, eu seria o primeiro a defender seu direito de pensar, como melhor lhe pareça. Simplesmente faço esta pergunta: ‘Em sua própria vida, já tentou realmente pensar e atuar como se pudesse existir um Deus? Você já experimentou?'”
Carta de 1950

NA OPINIÃO DO BILL 248
Precisamos de ajuda de fora
Era evidente que uma auto-avaliação, feita a sós, e admissão de nossos defeitos, baseada só nessa avaliação, nem de longe seriam suficientes. Tínhamos que ter ajuda de fora, se quiséssemos saber e admitir a verdade a nosso respeito – a ajuda de Deus e de um outro ser humano.
Somente através de uma discussão sobre nós mesmos, sem esconder nada, somente com a disposição de seguir conselho e aceitar orientação, poderíamos caminhar em direção ao pensamento correto, à honestidade sólida e à verdadeira humildade.
***
Se estivermos enganando a nós mesmos, um conselheiro competente pode ver isso rapidamente. E, à medida que ele habilmente nos afasta de nossas fantasias, ficamos surpresos ao descobrir que temos poucos dos costumeiros ímpetos de nos defender das verdades desagradáveis. De nenhuma outra forma podem desaparecer prontamente o medo, o orgulho e a ignorância. Depois de um certo tempo, percebemos que estamos colocados, numa nova e firme base para a integridade, e agradecidos damos crédito a nossos padrinhos, cujos conselhos nos indicaram o caminho.
1 – Os Doze Passos, pág. 49
2 – Grapevine de agosto de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 249
Dádivas de Deus
Percebemos que o sol nunca se põe para a Irmandade de A.A.; que mais de trezentos e cinqüenta mil pessoas agora se recuperam de sua doença; que começamos em toda parte a transpor as enormes barreiras de raça, credo e nacionalidade. Essa certeza de que tantos de nós têm sido capazes de encontrar nossas responsabilidades, sobriedade, crescimento e eficiência no confuso mundo em que vivemos, certamente nos dará a mais profunda alegria e satisfação. Mas, como pessoas que sempre aprenderam pelo modo mais difícil, com certeza não vamos nos felicitar. Temos que saber que esses bens são dádivas de Deus, que em parte se combinaram com uma crescente boa vontade de nossa parte de descobrir e fazer Sua vontade para conosco.
Grapevine de julho de 1965

NA OPINIÃO DO BILL 250
Oração nos momentos de tensão
Quando me sinto sob grandes tensões, prolongo minhas caminhadas diárias e repito lentamente nossa Oração da Serenidade, ao ritmo de meus passos e respiração.
Se sinto que meu sofrimento foi em parte causado pelos outros, tento repetir: “Deus, concedei-me a serenidade para amá-los mais e nunca ter medo daquilo que eles têm de pior”. Esse benéfico processo curativo de repetição, que às vezes precisa durar alguns dias, raramente deixou de me restituir pelo menos uma perspectiva viável e equilíbrio emocional.
Grapevine de março de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 251
Aceite o inevitável
“Não se sinta tão desencorajado a respeito dessa recaída. Praticamente sempre, nós, os bêbados, aprendemos a duras penas.
“Sua idéia de mudar-se para outro lugar pode ser boa ou pode não ser. Talvez você tenha entrado em dificuldades econômicas ou emocionais que não podem ser resolvidas onde você está. Mas talvez você esteja fazendo justamente o que todos nós já fizemos, em certas ocasiões: talvez você esteja fugindo. Por que você não procura pensar nisso, com cuidado, novamente?
“Você está realmente pondo a recuperação em primeiro lugar ou está fazendo com que ela dependa de outras pessoas, lugares ou circunstâncias? Você pode achar muito mais fácil aceitar o inevitável, onde está agora e, com a ajuda do programa de A.A., sair vitorioso. Pense bem nisso antes de tomar uma decisão.”
Carta de 1949

NA OPINIÃO DO BILL 252
Já não estamos sozinhos
O alcoolismo significava solidão, embora estivéssemos cercados de pessoas que nos amavam. Mas quando nossa prepotência afastou todo o mundo e nosso isolamento foi completo, começamos a bancar o importante em botequins de última categoria. Quando também isso acabou, tivemos que perambular, sozinhos, pela rua para depender da caridade dos transeuntes.
Ainda procuramos encontrar a segurança emocional, dominando ou nos fazendo dependentes dos outros. Mesmo quando nossa sorte não era das piores, não obstante nos encontramos sozinhos no mundo. Ainda inutilmente procuramos obter segurança, através de algum tipo de domínio ou dependência.
Para aqueles de nós que eram assim, A.A. teve um significado muito especial. Nessa irmandade começamos a aprender a nos relacionar bem com as pessoas que nos compreendem; não temos mais que estar sozinhos.
Os Doze Passos, pág. 103

NA OPINIÃO DO BILL 253
“Olhar antes de saltar?”
“Os homens e mulheres sábios dão, com razão, um grande valor à virtude da prudência. Eles sabem que, sem esse importantíssimo atributo, pouca sabedoria terão. “Não basta apenas ‘olhar antes de saltar’. Se nosso olhar for cheio de medo, suspeita ou raiva, teria sido melhor não ter olhado nem agido.”
***
“Perdemos o medo de tomar decisões, grandes ou pequenas, quando compreendemos que, no caso de nossa escolha ser errada, podemos aprender, se é que podemos, com a experiência. No caso de nossa decisão ser a certa, podemos agradecer a Deus por nos dar a coragem e a graça que nos permitiram agir desse modo.”
Cartas de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 254
Satisfações de uma vida correta
Como é maravilhoso sentir que não temos que ser especialmente diferenciados de nossos companheiros, a fim de ser úteis e profundamente felizes. Poucos de nós podem ser líderes proeminentes, nem queremos ser.
O serviço prestado com prazer, as obrigações honestamente cumpridas, os problemas bem aceitos ou resolvidos, com a ajuda de Deus, o conhecimento de que, tanto no lar como no mundo lá fora, somos companheiros num esforço comum, o fato de que, perante Deus, todos os seres humanos são importantes, a prova de que o amor, livremente oferecido, na certa traz um total retorno, a certeza de que não mais estamos isolados e sozinhos em prisões autoconstruídas, a segurança de que podemos nos adaptar e fazer parte do esquema de coisas criadas por Deus – essas são as satisfações de uma vida correta, que não poderiam ser substituídas por nenhuma pompa ou grande quantidade de riquezas materiais.
Os Doze Passos, pág. 110

NA OPINIÃO DO BILL 255
Uma compreensão mais ampla
Para alcançar mais alcoólicos, será necessário que a compreensão de A.A. e a boa vontade pública, em relação ao A.A., comecem a crescer em toda parte. Precisamos ainda nos relacionar melhor com a medicina, religião, empregadores, governos, tribunais, prisões, hospitais psiquiátricos e todas as entidades ligadas ao campo do alcoolismo. Precisamos da boa vontade, cada vez maior, por parte dos editores, escritores, televisão e rádio. Esses meios de publicidade – local, nacional e internacional – deveriam tornar-se cada vez mais acessíveis.
***
Nada é mais importante para o futuro bem-estar de A.A. do que a maneira pela qual utilizamos o colosso dos modernos meios de comunicação. Usados bem e com altruísmo, podem produzir resultados que ultrapassem nossa imaginação.
Se usarmos mal esse grande instrumento, seremos destruídos pelas manifestações egoístas de nossa própria gente. Contra esse perigo, o anonimato dos membros de A.A., perante o público em geral, é nosso escudo e nossa proteção.
1 – Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 54
2 – Grapevine de novembro de 1960

NA OPINIÃO DO BILL 256
Uma experiência “especial”
Fui o receptor de uma grandiosa experiência mística ou “iluminação”, e no princípio foi natural eu sentir que essa experiência me fazia sobressair como alguém muito especial.
Mas ao relembrar agora esse grandioso acontecimento, só posso me sentir muito agradecido. Agora ficou claro que as únicas características especiais de minha experiência foram a rapidez dela e a convicção imediata e irresistível que ela trouxe.
Entretanto, em todos os outros aspectos, estou certo de que minha própria experiência foi, em essência, igual àquela recebida por qualquer membro de A.A. que tenha praticado arduamente nosso programa de recuperação. Certamente a graça que ele recebe é também de Deus; a única diferença é que ele se torna ciente de sua dádiva, mais gradualmente.
Grapevine de julho de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 257
A chave da sobriedade
A incomparável capacidade de cada A.A. de se identificar com o recém-chegado e levá-lo a se recuperar não depende, de forma alguma, de seu grau de instrução, eloqüência ou qualquer outra capacidade especial. A única coisa que importa é que ele é um alcoólico que encontrou a chave da sobriedade.
***
Em minha primeira conversa com o Dr. Bob, insisti muito na impossibilidade da medicina fazer algo em seu caso, usando sem receio as palavras com que o Dr. Silkworth descreveu o dilema do alcoólico: “a obsessão mais a alergia”. Apesar do Dr. Bob ser médico, isso era novo para ele; eram más notícias. E o fato de eu ser um alcoólico e saber por experiência própria o que estava falando, abrandou o golpe.
Como vocês vêem, em nossa conversa houve total reciprocidade. Eu tinha abandonado a pregação. Sabia que eu precisava desse alcoólico como ele precisava de mim.
1 – As Doze Tradições, págs. 33 e 34
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 63

NA OPINIÃO DO BILL 258
Sob a superfície
Alguns farão objeção a muitas das perguntas que deveriam ser respondidas num inventário moral, porque acham que seus próprios defeitos de caráter não tinham sido tão flagrantes. A estes pode ser sugerido que um exame consciente provavelmente vai revelar justamente os defeitos relacionados com as perguntas rejeitadas. Pelo fato de nossa história não parecer tão ruim, na superfície, ficamos muitas vezes embaraçados, ao descobrir que isso se deve simplesmente ao fato de termos enterrado esses mesmos defeitos no mais profundo de nosso ser, sob grossa camada de auto-justificação. Esses foram os defeitos que nos levaram finalmente ao alcoolismo e à miséria.
Os Doze Passos, págs. 43 e 44

NA OPINIÃO DO BILL 259
Servidor, não amo
Em A.A., descobrimos que não importava tanto qual era nossa condição econômica, mas importava muito qual era nossa condição espiritual. Conforme melhoramos nossa perspectiva espiritual, aos poucos o dinheiro se transformou em nosso servidor e não em nosso amo. Ele veio a ser um meio de troca de amor e serviço, com aqueles que nos cercam.
***
Um dos Membros Solitários de A.A. é um pastor de ovelhas australiano, que vive a 3.200 quilômetros da cidade mais próxima, onde anualmente ele vende sua lã. A fim de conseguir melhores preços, ele tinha que ir à cidade num determinado mês do ano Mas quando soube que ia ser realizado um grande encontro regional de A.A., em data posterior, quando os preços de lã teriam baixado, ele assumiu feliz um prejuízo financeiro para então fazer sua viagem.
Eis o quanto significava uma reunião de A.A. para esse homem.
1 – Os Doze Passos, pág. 108
2 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 27 e 28

NA OPINIÃO DO BILL 260
Realidade interior
À medida que a humanidade estuda o mundo material, nos é constantemente revelado que sua aparência exterior não é, de modo algum, a realidade interior. A prosaica trave de aço é uma massa de elétrons, girando uns ao redor dos outros, em velocidade incrível, e esses pequenos corpos são governados por leis precisas. Assim nos diz a Ciência. Não temos nenhuma razão para duvidar disso.
Entretanto, quando é sugerida a hipótese perfeitamente lógica, de que além do mundo material, como o contemplamos, existe uma inteligência criadora, orientadora e todo-poderosa, no mesmo instante vem à tona nosso traço perverso de temperamento e procuramos nos convencer de que isso não é verdade. Se fosse certa nossa argumentação, significaria que a vida se originou do nada, que nada significa e que não leva a nada.
Alcoólicos Anônimos, pág. 65

NA OPINIÃO DO BILL 261
“Pesquisa corajosa”
Minha auto-análise tem sido freqüentemente falha. Às vezes tenho deixado de compartilhar meus defeitos com as pessoas certas; outras vezes tenho confessado os defeitos delas, em lugar dos meus, e ainda outras vezes, minha confissão dos defeitos tem sido mais de queixas, em alta voz, acerca de minhas circunstâncias e meus problemas.
***
Quando A.A. sugere um destemido inventário moral, isso deve parecer a todo recém-chegado que lhe estamos pedindo mais do que ele é capaz de fazer. Cada vez que ele tenta olhar para dentro de si, o orgulho diz: “Você não precisa percorrer esse caminho…” e o medo diz: “Não se atreva a olhar!”
Mas o orgulho e o medo desse tipo não passam de bichos-papões. Uma vez que façamos inventário com toda a boa vontade e nos esforcemos para fazê-lo minuciosamente, uma luz maravilhosa invade essa cena nebulosa. À medida que persistimos, nasce um tipo de confiança totalmente novo, e a sensação de alívio com a qual finalmente nos deparamos é incrível.
1 – Grapevine de junho de 1958
2 – Os Doze Passos, pág. 40

NA OPINIÃO DO BILL 262
Responsabilidades individuais
Vamos enfatizar que nossa aversão à disputa de uns com os outros, ou com quem quer que seja, não é considerada uma excepcional virtude, que dá direito aos AAs de se sentirem superiores às outras pessoas. Nem essa aversão significa que os membros de A.A. estão deixando de cumprir suas responsabilidades individuais como cidadãos. Nesse caso eles deveriam se sentir livres para agir como acham que é certo, em relação aos assuntos públicos de nossos tempos.
Mas em se tratando de A.A. como um todo, a coisa é bem diferente. Como grupo, não entramos em controvérsia pública, porque estamos certos de que nossa sociedade perecerá se assim fizermos.
As Doze Tradições, pág. 54

NA OPINIÃO DO BILL 263
Medo e fé
A conquista da libertação do medo é uma tarefa para toda a vida; é algo que nunca pode ficar completamente concluído.
Ao sermos duramente atacados, estarmos gravemente enfermos ou em qualquer situação de séria insegurança, todos nós vamos reagir a essa emoção – bem ou mal, conforme o caso se apresente. Somente os que enganam a si mesmos alegam que estão totalmente livres do medo.
***
Finalmente vimos que a fé em alguma forma de Deus era parte de nosso ser. Algumas vezes tivemos que procurá-Lo persistentemente, mas Ele estava ali. Ele era tão real como éramos nós. Encontramos a Grande Realidade no mais profundo de nosso ser.
1 – Grapevine de janeiro de 1962
2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 71

NA OPINIÃO DO BILL 264
O passo que nos mantém crescendo
Algumas vezes, quando os amigos nos dizem o bem que estamos fazendo, sabemos melhor o que se passa dentro de nós. Sabemos que não estamos fazendo o bem, o suficiente. Não podemos ainda lidar com a vida como ela é. Em alguma parte deve haver uma falha séria, em nossa prática e desenvolvimento espirituais.
Qual é ela, então?
O mais provável mesmo é que localizemos nossa dificuldade em nossa falta de compreensão ou negligência, em relação ao Décimo Primeiro Passo de A.A. – prece, meditação e a orientação de Deus.
Os outros Passos podem manter muitos de nós sóbrios e de certa forma atuando. Mas o Décimo Primeiro Passo pode nos manter crescendo, se tentarmos arduamente e trabalharmos sempre nele.
Grapevine de junho de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 265
Nem dependência, nem auto-suficiência
Quando insistíamos, como crianças, em que as pessoas nos protegessem e cuidassem de nós ou em que o mundo deveria nos dar uma vida melhor, então o resultado era desastroso. As pessoas que mais amávamos muitas vezes nos repeliam ou nos abandonavam por completo. Não era fácil suportar nossa desilusão.
Já não percebíamos que, embora adultos na idade, estávamos ainda nos comportando de maneira infantil, tentando transformar todos– amigos, esposas, maridos, até o próprio mundo – em pais protetores. Recusávamos aprender que a dependência exagerada das pessoas não dá certo, porque todas as pessoas são falíveis, e até a melhor delas muitas vezes vai nos desapontar, especialmente quando nossas exigências, quanto à atenção, se tornarem irracionais.
***
Estamos agora numa base diferente: a base da confiança e da dependência de Deus. Confiamos no Deus infinito, e não em nossos seres finitos. Enquanto fizermos exatamente como achamos que Ele quer que façamos e humildemente confiarmos Nele, Ele é capaz de nos ajudar a enfrentar a calamidade com a serenidade.
1 – Os Doze Passos, pág. 102
2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 82

NA OPINIÃO DO BILL 266
Dar graças
Embora eu ainda encontre dificuldade para aceitar a dor e a ansiedade de hoje com um certo grau de serenidade – como aqueles que estão mais avançados na vida espiritual parecem poder aceitá-las – entretanto, posso agradecer a dor atual.
Encontro disposição para fazer isso, ao recordar as lições aprendidas através do sofrimento passado – lições que têm me levado às bênçãos que agora desfruto. Posso recordar como as agonias do alcoolismo, a dor da revolta e o orgulho frustrado com freqüência me levaram à graça de Deus, e em conseqüência a uma nova liberdade.
Grapevine de março de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 267
Na retaguarda de nossas desculpas
Nós, bêbados, somos campeões em fabricar desculpas e racionalizações. É tarefa do psiquiatra encontrar as causas mais profundas de nossa conduta. Apesar de não ter instrução em psiquiatria, podemos, depois de algum tempo em A.A., ver que nossos motivos não têm sido o que pensávamos que fossem e que têm sido causados por forças desconhecidas para nós. Portanto, deveríamos buscar, com o mais profundo respeito, interesse e benefício, as descobertas da psiquiatria.
***
“O crescimento espiritual, através da prática dos Doze Passos de A.A., mais a ajuda de um bom padrinho, geralmente podem revelar a maioria das razões mais profundas de nossos defeitos de caráter, pelo menos a um grau que satisfaça nossas necessidades práticas. Entretanto, deveríamos ser gratos a nossos amigos, no campo da psiquiatria, que tanto têm enfatizado a necessidade de se pesquisar as motivações falsas e muitas vezes inconscientes.”
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 212
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 268
Aquelas outras pessoas
“Assim como você, muitas vezes me considerei a vítima do que as outras pessoas dizem e fazem. Mas todas as vezes que eu confessei os pecados dessas pessoas, principalmente daquelas cujos pecados eram diferentes dos meus, descobri que as coisas só pioraram. Meu próprio ressentimento e minha autopiedade muitas vezes me tornaram quase inútil para todos.
“Assim sendo, agora, se alguém fala mal de mim, primeiro pergunto a mim mesmo se há alguma verdade no que foi dito. Se não há nenhuma, procuro me lembrar de que também tive períodos em que falava amargamente dos outros; que o falatório maligno é apenas um sintoma da permanência de nossa doença emocional, e conseqüentemente, que nunca devo ficar com raiva devido às injustiças de uma pessoa doente.
“Com muita dificuldade, tenho procurado sempre perdoar as outras pessoas e a mim mesmo. Você recentemente tem tentado fazer isso?”
Carta de 1946

NA OPINIÃO DO BILL 269
Quando a infância termina
“Você deve recordar que todo grupo de A.A. começa, como deveria, através dos esforços de uma só pessoa e de seus amigos – um fundador e sua hierarquia. Não existe outro modo.
“Mas quando a infância termina, os primeiros líderes têm que abrir caminho para essa democracia que surge das raízes e eventualmente se coloca de lado a liderança auto-eleita do passado.”
***
Carta ao Dr. Bob:
“Em todos os lugares, os grupos de A.A. colocaram as atividades de serviço em suas próprias mãos. Os fundadores locais e seus amigos estão agora de lado. Por que tanta gente esquece isso, quando pensa no futuro de nossos serviços mundiais, nunca vou entender.
“Eventualmente os grupos pegam a direção e talvez esbanjem sua herança quando a recebem. Não obstante, é possível que não o façam. De qualquer modo, já são adultos; A.A. lhes pertence; vamos entregá-lo para eles.”
1 – Carta de 1950
2 – Carta de 1949

NA OPINIÃO DO BILL 270
Honestidade e recuperação
Ao fazer inventário, um membro poderia considerar questões, como por exemplo: Como minha busca egoísta de relação sexual prejudicou outras pessoas e a mim mesmo? Quais as pessoas prejudicadas, e até que ponto? Como reagi a essas situações, na ocasião? Eu me consumi com sentimentos de culpa? Ou insisti em que era o perseguido e não o perseguidor, para assim me absolver?
Como reagi à frustração em assuntos sexuais? Quando rejeitado, eu me tornava vingativo ou deprimido? Eu desforrava nas outras pessoas? Se houvesse rejeição ou frieza em casa, usava isso como desculpa para a promiscuidade?
***
Que nenhum alcoólico diga que não pode se recuperar, a não ser que ele tenha sua família de volta. Sua recuperação não depende das pessoas. Ela depende de sua relação com Deus, como ele pode concebê-Lo.
1 – Os Doze Passos, pág. 41
2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 107

NA OPINIÃO DO BILL 271
A.A. em duas palavras
“Todo o progresso de A.A. pode ser expressado em apenas duas palavras: humildade e responsabilidade. Todo nosso desenvolvimento espiritual pode ser medido, com precisão, conforme nosso grau de adesão a esses magníficos padrões.
“Uma humildade aprofundando-se sempre, acompanhada de uma crescente boa vontade para aceitar e cumprir as responsabilidades bem definidas – estas são realmente nossas pedras de toque para todo o crescimento na vida do espírito. Elas nos proporcionam a essência do bem, tanto no ser como no atuar. É por meio delas que conseguimos encontrar e fazer a vontade de Deus.”
Palestra de 1965 (publicada na Grapevine de janeiro de 1966)

NA OPINIÃO DO BILL 272
Dificuldades provocadas por nós mesmos
Egoísmo – egocentrismo! Achamos que essa é a causa de nossas dificuldades. Impulsionados por uma centena de formas de medo, auto-ilusão, interesse próprio e auto-piedade, pisamos em nossos semelhantes, e eles revidam. Algumas vezes nos ferem, aparentemente sem provocação, mas sempre acabamos descobrindo que em algum momento, no passado, tomamos decisões baseadas no egocentrismo, que mais adiante nos colocaram em situação de ser feridos.
Assim, achamos que nossas dificuldades são basicamente provocadas por nós mesmos. Surgem de nós mesmos, e o alcoólico é um exemplo da prepotência desenfreada, embora ele geralmente não ache isso. Sobretudo, nós, alcoólicos, devemos nos desfazer desse egoísmo. Devemos, senão ele nos mata!
Alcoólicos Anônimos, pág. 76

NA OPINIÃO DO BILL 273
Amor constrangedor
A vida de cada A.A. e de cada grupo é construída ao redor de nossos Doze Passos e Doze Tradições. Sabemos muito bem que a punição para a desobediência sistemática desses princípios é a morte do indivíduo e a dissolução do grupo. Uma força ainda maior para a unidade de A.A. é o amor-dedicação que temos por nossos companheiros e por nossos princípios.
***
Você poderia pensar que as pessoas na sede de A.A., em Nova York, certamente teriam que ter alguma autoridade pessoal. Mas há muito tempo, tanto os custódios como os secretários descobriram que não poderiam fazer nada mais do que dar leves sugestões aos grupos de A.A.
Tiveram até que inventar duas frases que ainda aparecem em algumas cartas que escrevem: “Claro que vocês têm toda a liberdade de resolver esse assunto como achar melhor. Mas a experiência da maioria, em A.A., parece sugerir…”
A sede mundial de A.A. não dá ordens. Ao contrário, é nossa maior transmissora das lições aprendidas com a experiência.
1 – Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 11
2 – As Doze Tradições, pág. 51

NA OPINIÃO DO BILL 274
Conduzir-se sozinho
Tratando-se de assuntos espirituais, conduzir-se sozinho é perigoso. Quantas vezes ouvimos pessoas bem-intencionadas proclamarem a orientação de Deus, quando era mais do que evidente que estavam muito enganadas. Faltando-lhes, tanto a prática quanto a humildade, tinham-se iludido e foram capazes de justificar o mais completo absurdo, sob a alegação de que era isso que Deus lhes havia dito.
Pessoas com grande desenvolvimento espiritual quase sempre insistem em verificar, com amigos ou conselheiros espirituais, a orientação que sentem ter recebido de Deus. É certo, então, que um novato não deveria, dessa maneira, correr o risco de cometer erros tolos, talvez trágicos. Embora os comentários ou orientação dos outros possam não ser infalíveis, é provável que sejam mais específicos do que qualquer orientação direta que possamos receber, enquanto ainda somos inexperientes no estabelecimento do contato com um Poder Superior a nós mesmos.
Os Doze Passos, pág. 50

NA OPINIÃO DO BILL 275
Recuperação através da doação
Para um novo provável membro, descreva em linhas gerais o programa de ação, explicando como você fez uma auto-análise, como colocou em ordem seu passado e por que está agora tentando ajudá-lo. É importante que ele perceba que o esforço que você faz para lhe transmitir isso é de vital importância para sua própria recuperação. Na verdade, ele pode estar ajudando-o mais do que você a ele. Explique-lhe claramente que ele não tem nenhuma obrigação para com você.
***
Nos primeiros seis meses de minha própria sobriedade, trabalhei arduamente com muitos alcoólicos. Nenhum deles correspondeu. Mas esse trabalho me manteve sóbrio. Não foi porque esses alcoólicos me dessem qualquer coisa. Meu equilíbrio emocional veio de minha tentativa de dar, não da exigência de receber.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 103
2 – Grapevine de janeiro de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 276
Um Poder Superior para ateus
“Tenho feito muitas experiências com ateus, sendo boas, em sua maioria. Em A.A. todos têm o direito de ter sua própria opinião. É muito melhor manter uma sociedade aberta e tolerante do que conter qualquer pequeno distúrbio que essas opiniões possam ocasionar. Realmente não conheço ninguém que tenha morrido de alcoolismo, por causa das opiniões de algum ateu sobre o cosmo.
“Mas sempre peço a essas pessoas que tenham um ‘Poder Superior’ – por exemplo, seu próprio grupo. Quando elas chegam, a maioria das pessoas, no grupo, está sóbria, e elas estão bêbadas. Portanto, o grupo é um ‘Poder Superior’. Esse é um início suficientemente bom, e quase todos progridem partindo daí. Sei como se sentem, porque antes eu mesmo era assim”.
Carta de 1962

NA OPINIÃO DO BILL 277
Para aliviar nossa carga
Só existe uma razão que poderia vir a modificar nosso desejo de revelar, por inteiro, os danos causados. Ela surgirá na rara situação em que fazer uma revelação completa poderia prejudicar seriamente a pessoa a quem estamos fazendo reparações. Ou, igualmente importante, a outras pessoas. Não podemos, por exemplo, dar uma explicação pormenorizada de uma aventura extraconjugal nos ombros de nosso desprevenido cônjuge.
Não alivia nossa carga, quando imprudentemente tornamos mais pesadas as cruzes dos outros.
***
Ao fazer reparações, deveríamos ser sensíveis, ter tato, ser respeitosos e humildes, sem chegar ao servilismo. Como filhos de Deus, andamos de cabeça erguida, não nos arrastamos na frente de ninguém.
1 – Os Doze Passos, págs. 74 e 75
2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 94

NA OPINIÃO DO BILL 278
Fale alto, sem medo
Poucos de nós são anônimos com respeito a nossos contatos diários. Esquecemos o anonimato nesse nível, porque achamos que nossos amigos e colegas deveriam saber a respeito de A.A. e o que ele tem feito por nós. Também queremos perder o medo de admitir que somos alcoólicos. Embora peçamos insistentemente aos repórteres para não divulgar nossa identidade, muitas vezes falamos ante reuniões semipúblicas. Queremos convencer a audiência de que nosso alcoolismo é uma doença e não temos mais medo de discutí-la diante de quem quer que seja. No entanto, se formos além desse limite, certamente perderemos para sempre o princípio do anonimato. Se cada A.A. se sentir livre para publicar seu nome, retrato e história, seremos lançados em breve numa grande orgia de publicidade pessoal.
***
“Enquanto a chamada reunião pública é discutível por muitos membros de A.A., sou a favor, contanto que o anonimato seja respeitado nas notícias da imprensa e que não peçamos nada para nós, a não ser compreensão.”
1 – Grapevine de janeiro de 1946
2 – Carta de 1949

NA OPINIÃO DO BILL 279
A requintada arte de álibis
A maioria dos membros de A.A. sofreu severamente por causa da autojustificação, na época das bebedeiras. Para a maioria de nós, a autojustificação era a causa das desculpas para beber e para todos os tipos de comportamento louco e prejudicial. Tínhamos feito da invenção de álibis uma requintada arte.
Tínhamos que beber, ou porque as coisas iam mal, ou porque iam bem. Tínhamos que beber porque, em casa, ou éramos sufocados com amor, ou não recebíamos amor algum. Tínhamos que beber porque, no trabalho, ou tínhamos grandes sucessos, ou tristes fracassos. Tínhamos que beber porque nossa pátria, ou havia ganho uma guerra, ou havia perdido a paz. E assim por diante, “ad infinitum”.
***
Muitas vezes levávamos muito tempo para perceber como nossas emoções descontroladas nos vitimavam. Quando se tratava de outras pessoas, tínhamos que eliminar a palavra “culpa” de nosso vocabulário e de nossos pensamentos.
1 – Os Doze Passos, pág. 37
2 – Os Doze Passos, pág. 38

NA OPINIÃO DO BILL 280
Espiritualmente preparados
Presumindo estar espiritualmente preparados, podemos fazer todo tipo de coisa que se supõe que os alcoólicos não possam. Ouvimos dizer que não devemos ir onde servem bebida; não devemos tê-la em casa; devemos evitar os amigos que bebem; devemos evitar os filmes com cenas de bebida; não devemos entrar em bares; nossos amigos devem esconder suas garrafas, quando vamos às suas casas; não devemos pensar ou finalmente ser lembrados do álcool. Nossa experiência mostra que isso não é necessariamente assim.
Enfrentamos essas situações todos os dias. O alcoólico que não pode enfrentá-las ainda tem a mente alcoólica; existe algo de errado com seu estado espiritual. Sua única chance de manter a sobriedade seria a de viver em algum lugar da Groelândia, e ainda ali poderia aparecer um esquimó com uma garrafa de uísque e estragar tudo!
Alcoólicos Anônimos, págs. 108 e 109

NA OPINIÃO DO BILL 281
Nós como indivíduos
Existe somente um teste seguro para todas as experiências espirituais: “Por seus frutos os conhecereis.”
É por isso que acho que não deveríamos pôr em dúvida a transformação de alguém – quer seja súbita ou gradual. Nem deveríamos exigir que o tipo de transformação de alguém seja igual ao nosso, porque a experiência mostra que estamos aptos a receber aquilo que for mais útil para nossas próprias necessidades.
***
Não existem dois seres humanos exatamente iguais, portanto cada um de nós, quando fizer o inventário, precisará determinar quais são seus próprios defeitos de caráter. Tendo encontrado os sapatos que lhe servem, deveria calçá-los e caminhar com a nova confiança de que, finalmente, está no caminho certo.
1 – Grapevine de julho de 1962
2 – Os Doze Passos, pág. 38

NA OPINIÃO DO BILL 282
Instintos descontrolados
Toda vez que uma pessoa impõe seus instintos irracionalmente aos outros, vem a infelicidade. Se a busca da riqueza pisa naqueles que venham a estar no caminho, então a raiva, a inveja e a vingança serão igualmente despertadas. Se o sexo se desenfreia, há um tumulto semelhante.
Exigir de outras pessoas excessiva atenção, proteção e amor só pode despertar o domínio ou a revolta nos próprios protetores – duas emoções tão doentias quanto às exigências que as provocam. Quando o desejo de prestígio de um indivíduo se descontrola, seja num grupo de mulheres costurando ou numa conferência internacional, outras pessoas sofrem e muitas vezes se revoltam. Esse choque de instintos pode produzir, tanto uma leve descortesia quanto uma grande revolta.
Os Doze Passos, pág. 35

NA OPINIÃO DO BILL 283
“Impotentes perante o álcool”
Eu tinha caminhado continuamente ladeira abaixo, e naquele dia, em 1934, eu estava acamado no andar superior do hospital, sabendo pela primeira vez que estava completamente sem esperança.
Lois estava no andar térreo, e o Dr. Silkworth estava tentando, com suas maneiras gentis, transmitir a ela o que estava acontecendo comigo e que meu caso era sem esperança. “Mas Bill tem uma grande força de vontade”, ela disse. “Ele tem tentado desesperadamente ficar bom. Doutor, por que ele não pode parar?”
Ele explicou que minha maneira de beber, uma vez que se tornou um hábito, ficou sendo uma obsessão, uma verdadeira loucura que me condenava a beber contra meu desejo.
***
“Nos últimos estágios de nosso alcoolismo ativo, a vontade de resistir já não existe. Portanto, quando admitimos a derrota total e quando nos tornamos inteiramente dispostos a tentar os princípios de A.A., nossa obsessão desaparece e entramos numa nova dimensão – a liberdade sob a vontade de Deus, como nós O concebemos.”
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 48
2 – Carta de 1966

NA OPINIÃO DO BILL 284
Fé – um plano – e trabalho
“A idéia de viver um “plano de vinte e quatro horas” aplica-se primeiramente à vida emocional do indivíduo. Emocionalmente falando, não devemos viver no ontem, nem no amanhã.
“Mas nunca fui capaz de ver que isso significa que o indivíduo, o grupo ou A.A. como um todo não deveria pensar como vai funcionar amanhã ou mesmo num futuro mais distante. A fé sozinha nunca construiu a casa em que você mora. Tinha que haver um plano e um bocado de trabalho para que essa casa se tornasse realidade.
“Nada é mais verdadeiro para nós, de A.A., do que o dizer público: ‘A fé sem obras é morta’. Os serviços de A.A., todos destinados a fazer mais, e o melhor possível, o trabalho do Décimo Segundo Passo, são as ‘obras’ que garantem nossa vida e crescimento, impedindo a anarquia ou a estagnação.”
Carta de 1954

NA OPINIÃO DO BILL 285
Falso orgulho
A coisa alarmante, a respeito da cegueira do orgulho é a facilidade com que é justificada. Mas não precisamos enxergar longe para ver que a autojustificação é uma destruidora universal da harmonia e do amor. Ela coloca o homem contra o homem, a nação contra a nação. Através dela, toda a forma de tolice e violência pode ser arranjada de forma a parecer boa e até respeitável.
***
Seria falso orgulho se acreditar que Alcoólicos Anônimos é um remédio para todos os males, mesmo para o alcoolismo.
1 – Grapevine de junho de 1961
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 207

NA OPINIÃO DO BILL 286
Superando ressentimentos
Começamos a ver que o mundo e sua gente realmente tinham nos dominado. Sob essa infeliz condição, as más ações dos outros, imaginários ou reais, tinham força até para nos destruir, porque pelo ressentimento poderíamos ser levados de volta à bebida. Vimos que esses ressentimentos devem ser superados, mas como? Poderíamos não querê-los longe.
Este foi nosso procedimento: percebemos que as pessoas que nos maltrataram talvez estivessem espiritualmente doentes. Então, pedimos a Deus que nos ajudasse a lhes mostrar a mesma tolerância, piedade e paciência que, com satisfação, teríamos para com um amigo doente.
Hoje, evitamos a vingança e a discussão. Não podemos tratar as pessoas doentes dessa maneira. Se o fizermos, destruiremos nossa chance de ser úteis. Não podemos ser úteis a todas as pessoas, mas pelo menos Deus nos mostrará como ser bons e tolerantes para com todos.
Alcoólicos Anônimos, págs. 80 e 81

NA OPINIÃO DO BILL 287
Aspectos da espiritualidade
“Entre os membros de A.A. existe ainda uma grande confusão a respeito do que é material e do que é espiritual. Prefiro acreditar que tudo é uma questão de motivo. Se usarmos nossos bens materiais de forma egoísta, então somos materialistas. Mas se os usarmos para ajudar os outros, então o material ajuda o espiritual.”
***
“Persiste a idéia de que os instintos são primariamente maus e são os obstáculos, frente aos quais toda a espiritualidade vacila. Acredito que a diferença entre o bem e o mal não é a diferença entre o espiritual e os instintos do indivíduo; penso que é a diferença entre o uso adequado e o uso inadequado dos instintos. O reconhecimento e a correta canalização dos instintos constituem a essência da verdadeira integridade.”
1 – Carta de 1958
2 – Carta de 1954

NA OPINIÃO DO BILL 288
Sobriedade emocional
Se examinarmos cada perturbação que temos, seja grande ou pequena, encontraremos em sua raiz alguma dependência doentia e sua conseqüente exigência doentia. Com a ajuda de Deus, vamos continuamente renunciar a essas embaraçosas deficiências.
Daí podemos ficar livres para viver e para amar; podemos então ser capazes de praticar o Décimo Segundo Passo, com nós mesmos e com os outros para obter a sobriedade emocional.
Grapevine de janeiro de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 289
Quando os conflitos aumentam
Algumas vezes eu seria forçado a examinar situações, onde estava agindo mal. No mesmo instante, eu começaria freneticamente a procurar desculpas.
“Essas”, eu exclamaria, “são realmente faltas de um homem de bem”. Quando essa frase favorita fosse destruída, eu pensaria: “Bem, se aquelas pessoas me tratassem sempre bem, eu não teria que me comportar da maneira que me comporto.” A desculpa seguinte seria esta: “Deus sabe muito bem que tenho terríveis compulsões. Simplesmente não posso vencê-las, só mesmo Ele vai ter que me tirar dessa.” Finalmente chegava o momento em que eu exclamaria: “Isso eu positivamente não farei! Nem mesmo tentarei.”
Claro que meus conflitos foram aumentando, porque eu estava completamente carregado de desculpas, recusas e revolta.
***
Numa auto-avaliação, o que nos vem à mente, quando estamos sozinhos, pode ser distorcido por nossa própria racionalização. A vantagem de falar com uma outra pessoa é que podemos obter, diretamente, seus comentários e conselhos a respeito de nossa situação.
1 – Grapevine de junho de 1961
2 – Os Doze Passos, pág. 50

NA OPINIÃO DO BILL 290
Tempo versus dinheiro
Nossa atitude, no sentido de conceder tempo, comparada com nossa atitude em dar dinheiro, apresenta um contraste interessante. Claro que damos muito de nosso tempo para as atividades de A.A., visando a nossa proteção e crescimento, mas também em consideração aos nossos grupos, nossas áreas, A.A. como um todo e, acima de tudo, nos dedicando ao recém-chegado. Considerados em termos de dinheiro, esses sacrifícios coletivos equivalem a uma grande soma.
Mas quando se trata de realmente gastar dinheiro, particularmente para despesas gerais de serviço de A.A. muitos de nós tentam relutar. Pensamos na perda de todo aquele poder aquisitivo em nossos anos de bebedeiras, nas economias que poderíamos ter feito para emergências ou para a educação das crianças.
Nos últimos anos, essas atitudes estão diminuindo em toda parte; elas desaparecem rapidamente quando uma necessidade verdadeira para um certo serviço de A.A. se torna clara. Os doadores raramente podem ver quais foram os verdadeiros resultados. Eles sabem bem, entretanto, que incontáveis milhares de outros alcoólicos e seus familiares serão certamente beneficiados.
Doze Conceitos para Serviços Mundiais, págs. 67 e 68

NA OPINIÃO DO BILL 291
Aquilo que acaba ou que alivia o sofrimento
“Acredito que, quando éramos alcoólicos ativos, bebíamos principalmente para acabar com o sofrimento de um tipo ou de outro –físico, emocional ou psíquico. É claro que cada pessoa tem um ponto fraco, e suponho que você tenha encontrado o seu – por essa razão é que recorremos à garrafa outra vez.
“Se eu fosse você, não me culparia tanto por isso; por outro lado, a experiência deveria redobrar sua convicção de que o álcool não tem um poder permanente para acabar com o sofrimento.”
***
Em cada história de A.A., o sofrimento tinha sido o preço da admissão para uma nova vida. Mas esse preço tinha comprado mais do que esperávamos. Ele trouxe humildade, que logo descobrimos que era um remédio para o sofrimento. Começamos a ter menos medo do sofrimento e a desejar a humildade mais do que nunca.
1 – Carta de 1959
2 – Os Doze Passos, págs. 64 e 65

NA OPINIÃO DO BILL 292
A respeito de companheirismo
Caso a distorção da vida familiar, por causa do álcool, tenha sido grande, pode ser necessário um longo período de paciente esforço. Depois que o marido ingressa em A.A., a esposa pode ficar decepcionada, e até muito ressentida, pelo fato de A.A. ter feito o que não fizeram todos os seus anos de dedicação. Seu marido pode vir a se envolver tanto com A.A. e com seus novos amigos que ele, sem consideração, passa mais tempo fora de casa do que quando bebia. Então, cada um culpa o outro.
Mas o alcoólico, reconhecendo o que sua esposa aturou, e agora entendendo bem o quanto a prejudicou, bem como a seus filhos, quase sempre retoma suas responsabilidades conjugais com a disposição de reparar o que pode e aceitar o que não pode. Ele insiste em praticar em seu lar todos os Doze Passos de A.A., obtendo muitas vezes excelentes resultados. A essa altura, ele começa com firmeza e com carinho a se comportar como um companheiro e não como um menino mau.
Os Doze Passos, pág. 105

NA OPINIÃO DO BILL 293
Revolta ou aceitação
Todos nós passamos por períodos em que somente podemos orar com o maior esforço. Às vezes, vamos ainda mais longe. Somos acometidos por uma revolta tão doentia que simplesmente não conseguimos orar. Quando essas coisas acontecem, não deveríamos achar que somos tão doentes. Deveríamos simplesmente voltar à prática da oração, tão logo possamos, fazendo o que sabemos ser bom para nós.
***
Uma pessoa que persiste na oração encontra-se na posse de grandes dádivas. Quando tem que lidar com situações difíceis, descobre que pode enfrentá-las. Pode aceitar a si mesma e o mundo que a cerca.
Pode fazer isso porque agora aceita um Deus que é Tudo – e que ama a todos. Quando ela diz: “Pai nosso que estais no céu, santificado seja Teu nome”, ela quer dizer isso profunda e humildemente. Quando em verdadeira meditação e portanto livre dos clamores do mundo, sabe que está nas mãos de Deus, que seu destino final está realmente seguro, aqui e no além, aconteça o que acontecer.
1 – Os Doze Passos, págs. 91 e 92
2 – Grapevine de junho de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 294
Amor + racionalidade = crescimento
“Parece para mim que o objetivo primordial de qualquer ser humano é o de crescer, como Deus pretendeu, sendo essa a natureza de todas as coisas em crescimento.
“Nossa busca deve ser em direção à realidade que podemos encontrar, incluindo a melhor definição e sentimento de amor que podemos adquirir. Se a capacidade de amar existe no ser humano, então ela certamente existe em seu Criador.
“A teologia me ajuda, porque a maioria de seus conceitos me faz acreditar que vivo num universo racional, sob o poder de um Deus amoroso e que minha própria irracionalidade pode aos poucos desaparecer. Esse é, suponho, o processo de crescimento para o qual somos destinados.”
Carta de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 295
Orando de maneira certa
Achávamos que levávamos a sério as práticas religiosas quando, após uma apreciação honesta, descobrimos que tínhamos sido apenas superficiais. Ou, indo ao extremo, tínhamos mergulhado no emocionalismo e tínhamos também confundido isso com o verdadeiro sentimento religioso. Em ambos os casos, pedíamos algo sem dar nada.
Nem sequer tínhamos orado de maneira certa. Sempre dizíamos: “Concedei-me as coisas que quero”, em vez de “Seja feita Tua vontade”. Não entendíamos absolutamente o amor a Deus e ao próximo. Assim, continuávamos nos enganando e portanto incapazes de receber a graça suficiente para nos devolver sanidade.
Os Doze Passos, págs. 23 e 24

NA OPINIÃO DO BILL 296
Inventário diário
Com freqüência, conforme analisamos todos os dias, só a mais minuciosa investigação vai revelar quais foram nossos verdadeiros motivos. Há casos em que nossa antiga inimiga, a racionalização, entrava em cena e justificava um comportamento que realmente era errado. A tentação aqui é imaginar que tínhamos bons motivos e razões, quando realmente não tínhamos.
“Criticávamos construtivamente” alguém que achávamos que estava precisando, quando nosso verdadeiro motivo era vencer uma discussão inútil. Ou, estando ausente a pessoa interessada, achávamos que estávamos ajudando os outros a compreendê-la, quando na realidade nosso verdadeiro motivo era diminuí-la para que nos sentíssemos superiores.
Feríamos aqueles que amávamos, porque eles precisavam “aprender uma lição”, mas na verdade queríamos puni-los. Ficávamos deprimidos e queixávamos de que nos sentíamos mal, quando de fato estávamos pedindo principalmente simpatia e atenção.
Os Doze Passos, pág. 82

NA OPINIÃO DO BILL 297
Uma visão do todo
“Embora muitos de nós tenham tido que se esforçar violentamente para obter a sobriedade, contudo, essa irmandade nunca teve que lutar pela unidade perdida. Conseqüentemente, nós algumas vezes achamos que essa grande dádiva é merecida. Esquecemos que, se perdêssemos nossa unidade, os milhões de alcoólicos que ainda ‘não conhecem’ nunca poderiam ter sua chance”.
***
“Costumávamos ser céticos a respeito das reuniões grandes de A.A., como convenções, achando que elas poderiam parecer exibicionismo, mas em compensação seu benefício é enorme. Enquanto o interesse de cada A.A. deva se centralizar principalmente naqueles em torno dele e em seu próprio grupo, é necessário e desejável que todos nós tenhamos uma visão mais ampla do todo.
“A Conferência de Serviços Gerais, em New York, também produz esse efeito naqueles que participam. É um processo que amplia a visão.”
1 – Carta de 1949
2 – Carta de 1956

NA OPINIÃO DO BILL 298
Um grande começo
Mesmo o mais novo dos recém-chegados descobre as recompensas nunca imaginadas, quando procura ajudar seu companheiro alcoólico, aquele que ainda está mais cego do que ele. Esse é na verdade o tipo de doação que não exige nada em troca. Ele não espera que seu companheiro sofredor lhe pague, ou mesmo lhe dê amor. E então ele descobre que, através do divino paradoxo desse tipo de doação, encontrou sua própria recompensa, tivesse ou não seu companheiro recebido alguma coisa. Seu próprio caráter pode ainda não estar bem formado, mas de alguma forma sabe que Deus permitiu que ele tivesse um grande começo, e sente que está à beira de novos mistérios, alegrias e experiências com as quais nunca havia sonhado.
Os Doze Passos, pág. 96

NA OPINIÃO DO BILL 299
Anonimato e sobriedade
À medida que os grupos de A.A. se multiplicavam, aumentavam os problemas de anonimato. Entusiasmados com a recuperação espetacular de um companheiro alcoólico, muitas vezes discutíamos aspectos íntimos e dolorosos do seu caso, que apenas o padrinho deveria ouvir. A pessoa ofendida então declarava com razão que havia perdido a confiança.
Quando essas histórias começaram a circular fora de A.A., a perda de confiança em nossas promessas de anonimato foi grande. Isso freqüentemente afastava as pessoas de nós. Claro que o nome de todo membro de A.A., e também sua história, tinham que ser mantidos em segredo, se ele quisesse.
***
Nós agora compreendemos perfeitamente que 100 por cento do anonimato pessoal, perante o público, é tão vital para a vida de A.A. como 100 por cento de sobriedade é vital para a vida de cada membro. Esse não é o conselho do medo; é a voz prudente de uma longa experiência.
1 – As Doze Tradições, pág. 60
2 – A.A. atinge a Maioridade, pág. 263

NA OPINIÃO DO BILL 300
Pessoas com fé
Nós que atravessamos o caminho do agnosticismo e ateísmo, lhe pedimos para se despojar do preconceito, até do preconceito contra a religião organizada. Aprendemos que sejam quais forem as fraquezas humanas que os vários credos possam ter, estes têm dado propósito e orientação a milhares de indivíduos. As pessoas com fé têm uma idéia lógica do que seja a vida.
Na realidade, não costumávamos ter nenhuma concepção racional. Costumávamos nos divertir, ridicularizando cinicamente as crenças e as práticas espirituais, quando poderíamos ter visto que muitas pessoas espiritualizadas, de todas as raças, cores e credos, estavam demonstrando ter um grau de equilíbrio emocional, felicidade e utilidade que deveríamos ter procurado para nós mesmos.
Alcoólicos Anônimos, pág. 66

NA OPINIÃO DO BILL 301
Para reconstruir a segurança
Em nosso comportamento, com respeito à segurança financeira e emocional, nessas áreas, quantas vezes o medo, a cobiça, a possessividade e o orgulho fizeram o pior. Examinando seu passado empresarial ou empregatício, quase todo alcoólico pode fazer perguntas como estas: Além de meu problema de bebida, que defeitos de caráter contribuíram para minha instabilidade financeira?
O medo e o complexo de inferioridade, acerca de minha competência no trabalho, destruíram minha confiança e me levaram a conflitos? Ou eu exagerava meu valor e bancava o importante?
As mulheres de negócio, que estão em A.A., descobrirão naturalmente que muitas dessas perguntas também muitas vezes se referem a elas, e a dona-de-casa alcoólica pode inclusive trazer insegurança financeira à família. Na verdade, todos os alcoólicos precisam se examinar impiedosamente para constatar como seus próprios defeitos de personalidade destruíram sua segurança.
Os Doze Passos, págs. 41 e 42

NA OPINIÃO DO BILL 302
Camaradagem em perigo
Nós, AAs, somos como os passageiros de um grande navio, momentos depois de serem salvos de um naufrágio, quando a camaradagem, a alegria e a democracia reinam na embarcação, desde a mesa de terceira classe até a mesa do capitão.
Portanto, os diferentes sentimentos dos passageiros, nossa alegria por haver escapado do desastre, não diminuíram, quando seguimos nossos próprios caminhos. O sentimento de compartilhar um perigo comum –recaída no alcoolismo – continua sendo um elemento importante do poderoso vínculo que nos une em A.A.
***
Nossa primeira mulher alcoólica tinha sido paciente do Dr. Harry Tiebout, e ele lhe havia entregue uma cópia manuscrita do Livro Grande (Livro Azul). A primeira leitura a deixou revoltada, mas a segunda a convenceu. Em breve ela foi a uma reunião realizada em nossa sala de estar, e dali ela voltou para o sanatório, levando essa clássica mensagem a um companheiro paciente: “Não estamos mais sozinhos.”
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 37
2 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 16 e 17

NA OPINIÃO DO BILL 303
Conselheiros afetuosos
Se não tivesse sido abençoado por conselheiros afetuosos e sábios, eu poderia ter me arrebentado há muito tempo. Outrora, um médico me salvou da morte por alcoolismo, porque me obrigou a encarar a mortalidade dessa doença. Um outro médico, um psiquiatra, mais adiante me ajudou a manter a sanidade, porque me levou a descobrir alguns de meus defeitos mais profundos. De um clérigo adquiri os verdadeiros princípios, pelos quais nós, AAs, tentamos agora viver.
Mas esses preciosos amigos fizeram muito mais do que me suprir com suas capacidades profissionais. Aprendi que eu poderia recorrer a eles com respeito a qualquer problema que tivesse. Eu podia contar sempre com sua sabedoria e integridade.
Muitos de meus amigos queridos, de A.A., têm estado comigo exatamente nessa mesma relação. Em muitas ocasiões, puderam ajudar onde outros não puderam, simplesmente porque eram AAs.
Grapevine de agosto de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 304
O único propósito
Existem aqueles que profetizam que A.A. pode muito bem tornar-se uma nova ponta de lança para um despertar espiritual no mundo todo. Quando nossos amigos dizem essas coisas, estão sendo não só generosos como sinceros. Mas nós, de A.A., devemos refletir que tal tributo e tal profecia poderiam bem provar ser uma bebida intoxicante para a maioria de nós – isto é, se realmente viermos a acreditar que esse é o verdadeiro propósito de A.A., e se começarmos a nos comportar dessa maneira.
Portanto, nossa sociedade deverá ajustar-se prudentemente a seu único propósito: o de levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre. Devemos resistir à orgulhosa idéia de que uma vez que Deus nos tem feito bem numa área, estamos destinados a ser um meio de graça salvadora para todos.
A.A. Atinge a Maioridade, págs. 207 e 208

NA OPINIÃO DO BILL 305
Desde a raiz principal
O princípio de que não encontraremos qualquer força duradoura, sem que antes admitamos a derrota total, é a raiz principal da qual germinou e floresceu nossa sociedade toda.
***
É dito a todo recém-chegado, e logo ele reconhece por si mesmo, que sua admissão humilde de impotência perante o álcool constitui seu primeiro passo em direção à libertação de seu poder embriagador.
É dessa forma que, pela primeira vez, vemos a humildade como uma necessidade. Mas isso é apenas o começo. Afastar completamente nossa aversão à idéia de ser humildes, obter uma visão da humildade como o caminho que leva à verdadeira liberdade do espírito humano, dispostos a trabalhar para a conquista da humildade, como algo a ser desejado por si mesmo, demora muito, muito tempo para a maioria de nós. Uma vida inteira engrenada ao egocentrismo não pode ser mudada de repente.
1 – Os Doze Passos, pág. 14
2 – Os Doze Passos, págs. 62 e 63

NA OPINIÃO DO BILL 306
A felicidade é a meta?
“Não acho que a felicidade ou a infelicidade seja o ponto principal. Como enfrentamos os problemas que chegam a nós? Como aprendemos através deles e transmitimos o que aprendemos aos outros, se é que querem aprender?
“Do meu ponto de vista, nós deste mundo somos alunos numa grande escola da vida. Isso é proposto para que tentemos crescer e ajudar nossos companheiros viajantes a crescerem no tipo de amor que não faz exigências. Em suma, procuramos progredir à imagem e semelhança de Deus, como nós O concebemos.
“Quando chega a dor, se espera que aprendamos a lição, com boa vontade, e que aprendamos a ajudar os outros a aprenderem. Quando a felicidade chega, a aceitamos como uma dádiva, e agradecemos a Deus por obtê-la”.
Carta de 1950

NA OPINIÃO DO BILL 307
O círculo e o triângulo
Acima de nós, a Convenção Internacional, em St. Louis, em 1955, flutuava uma bandeira com a inscrição do novo símbolo de A.A., um círculo contendo um triângulo. O círculo simboliza A.A. no mundo inteiro, e o triângulo simboliza os Três Legados de A.A.: Recuperação, Unidade e Serviço.
Talvez não seja por acaso que os sacerdotes e os profetas da antiguidade consideravam esse símbolo como uma forma de afastar os espíritos maus.
***
Quando em 1955, nós, os membros mais antigos, entregamos nossos Três Legados a todo o movimento, senti saudades dos velhos dias e ao mesmo tempo me senti grato pelo grande dia que estava vivendo agora. Eu não mais atuaria, nem decidiria, nem protegeria A.A.
Por um momento, tive medo, da mudança que se realizava. Mas essa sensação logo passou. Podíamos depender da consciência de A.A., movida pela orientação de Deus, para assegurar o futuro de A.A. Meu trabalho daqui para frente ia ser “soltar-me e entregar-me a Deus”.
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 125
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 43

NA OPINIÃO DO BILL 308
Uma maneira de sair da depressão
“Durante uma fase aguda de depressão, evite tentar organizar sua vida inteira de uma só vez. Se você assumir compromissos tão pesados que com certeza vai deixar de cumpri-los, então está permitindo que seu inconsciente o engane. Assim, você vai continuar assegurando seu fracasso e, quando isso acontecer, você terá outra desculpa para cair ainda mais em depressão.
“Em resumo, a atitude de “tudo ou nada” é a mais destrutiva que existe. É melhor começar com a menor quantidade possível de atividade. Depois, trabalhar para aumentá-la dia a dia. Não fique frustrado com os retrocessos – comece novamente.”
Carta de 1960

NA OPINIÃO DO BILL 309
Máxima espiritual
É uma máxima espiritual que toda vez que estamos perturbados, seja qual for a causa, alguma coisa em nós está errada. Se alguém nos ofende e ficamos irritados, nós também estamos errados.
Mas não há exceções nessa regra? O que dizer da raiva ‘justificada”? Se alguém nos engana, não temos o direito de ficar com raiva? E não deveríamos, com razão, ficar com raiva das pessoas hipócritas?
Para nós, de A.A., esses acessos de raiva são muitas vezes perigosos. Descobrimos que mesmo a raiva justificada deveria ser deixada para aqueles que têm melhores condições de lidar com ela.
Os Doze Passos, pág. 78

NA OPINIÃO DO BILL 310
Aprendendo a confiar
Todo o programa de A.A. se baseia no princípio da confiança mútua. Confiamos em Deus, confiamos em A.A. e confiamos uns nos outros.
Portanto, não podemos deixar de confiar em nossos líderes em serviço. O “Direito de Decisão” que lhes oferecemos não é somente um meio prático de permitir que eles atuem e dirijam efetivamente, mas também um símbolo de nossa confiança implícita.
***
Se você chega ao A.A. sem convicção religiosa, pode, se quiser, fazer do próprio A.A. ou de seu grupo seu “Poder Superior”. Aí se encontra um grande número de pessoas que resolveu seu problema com o álcool. Nesse sentido, essas pessoas certamente representam um poder superior a você. Mesmo esse mínimo de fé será suficiente.
Muitos membros que só dessa maneira atravessaram o limiar, lhe dirão que, uma vez do outro lado, sua fé se ampliou e se aprofundou. Libertados da obsessão pelo álcool, com suas vidas inexplicavelmente transformadas, vieram a acreditar num Poder Superior, e a maioria deles começou a falar em Deus.
1 – Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 18
2 – Os Doze Passos, pág. 19

NA OPINIÃO DO BILL 311
Contando o pior
Embora fossem muitas as variações, meu principal tema era sempre: “Como sou terrível!” Do mesmo modo como muitas vezes exagerava minhas mais modestas qualidades, por orgulho, assim também exagerava meus defeitos, através do sentimento de culpa. Em todos os lugares, eu vivia confessando tudo (e muito mais) a quem quisesse ouvir. Acreditem ou não, eu achava que essa ampla exposição de meus erros era uma grande humildade de minha parte e considerava isso um consolo e um grande bem espiritual.
Mas, mais tarde, percebi profundamente que na verdade não tinha me arrependido dos danos que causei aos outros. Esses episódios eram apenas a base para contar histórias e fazer exibicionismo. Com essa compreensão, chegou o começo de um certo grau de humildade.
Carta de junho de 1961

NA OPINIÃO DO BILL 312
A tolerância nos mantém sóbrios
“A honestidade para com nós mesmos e para com os outros nos leva à sobriedade, mas é a tolerância que nos mantém sóbrios”.
“A experiência mostra que poucos alcoólicos vão se afastar por muito tempo de um grupo, só porque não gostam do modo como ele funciona. A maioria volta e se ajusta às condições existentes. Alguns vão a um grupo diferente ou formam um novo grupo”.
“Em outras palavras, uma vez que o alcoólico chega à conclusão de que não pode ficar bem sozinho, ele de alguma forma vai descobrir uma maneira de ficar bem e continuar bem na companhia dos outros. Tem sido sempre assim desde o início de A.A. e provavelmente sempre o será”.
Carta de 1943

NA OPINIÃO DO BILL 313
Finalmente, sob a luz do sol
“Quando se expressou a idéia de que poderia haver um Deus pessoal para mim, não gostei da idéia. Assim, meu amigo Ebby deu então uma sugestão que parecia ser original. Ele disse: “Por que você não escolhe sua própria concepção de Deus?
Essa pergunta atingiu-me fortemente. Derreteu a montanha de gelo intelectual, à sombra da qual eu tinha vivido e tremido durante muitos anos. Finalmente, eu estava sob a luz do sol.”
***
Talvez seja possível encontrar explicações de experiência espirituais iguais às nossas, mas tentei muitas vezes explicar a minha e só obtive bons resultados, ao narrá-la. Conheço a sensação que isso me deu e os resultados alcançados, mas compreendi que nunca entenderei completamente suas implicações mais profundas.
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 36
2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 40

NA OPINIÃO DO BILL 314
Alto e baixo
Quando nossa Irmandade era pequena, tratávamos somente de “casos desesperados”. Muitos alcoólicos menos desesperados tentavam A.A., mas não eram bem-sucedidos, porque não podiam admitir sua desesperança.
Nos anos seguintes, isso mudou. Os alcoólicos, que ainda tinham saúde, família, trabalho e até dois carros na garagem, começaram a reconhecer seu alcoolismo. À medida que essa tendência crescia, jovens que mal passavam de alcoólicos em potencial uniam-se a eles. Como poderiam pessoas como essas aceitar o Primeiro Passo?
Voltando às nossas próprias histórias de bebida, mostrávamos a eles que anos antes de reconhecê-lo, já havíamos perdido o controle, que mesmo naquela época nossa maneira de beber já não era um mero hábito, que era na verdade o começo de uma progressão fatal.
Os Doze Passos, págs. 14 e 15

NA OPINIÃO DO BILL 315
Superior a nós mesmos
Se fosse suficiente um código moral ou uma melhor filosofia de vida para vencer o alcoolismo, muitos de nós teriam se recuperado há mais tempo. Mas descobrimos que esses códigos e filosofias não nos salvaram, por mais que tentássemos. Poderíamos querer ter moral, ter o conforto da filosofia, de fato poderíamos querer essas coisas com toda nossa força, mas o poder necessário para mudar não existia. Nossos recursos humanos, guiados pela vontade, não eram suficientes; fracassaram por completo.
A falta de poder, esse era nosso dilema. Tínhamos que encontrar um poder, pelo qual pudéssemos viver – e ele tinha que ser um Poder Superior a nós mesmos.
Alcoólicos Anônimos, págs. 65 e 66
NA OPINIÃO DO BILL 316
Nosso manto protetor
Quase todo repórter que faz a cobertura de A.A. se queixa, a princípio, da dificuldade de escrever sua história sem nomes. Mas esquece rapidamente sua dificuldade, quando compreende que há um grupo de pessoas que não se preocupa de forma alguma com a aclamação.
Provavelmente é a primeira vez em sua vida que faz uma reportagem sobre uma organização que não quer publicidade pessoal. Embora ele seja cético a respeito, essa sinceridade evidente transforma-o num amigo de A.A.
***
Movidos pelo espírito do anonimato, tentamos deixar de lado nossos desejos naturais de distinção pessoal como membro de A.A., tanto entre nossos companheiros alcoólicos como ante o público em geral. À medida que pomos de lado aquelas aspirações mais humanas, acreditamos que cada um de nós toma parte na confecção de um manto protetor que cobre toda nossa sociedade e sob o qual podemos crescer e trabalhar em unidade.
1 – Grapevine de março de 1946
2 – As Doze Tradições, pág. 62

NA OPINIÃO DO BILL 317
Visão além do dia de hoje
Acho que a visão é a capacidade de fazer boas estimativas, tanto para o futuro imediato como para um futuro mais distante. Alguns poderiam sentir que esse tipo de esforço seria uma heresia contra “Um dia de cada vez”. Mas esse princípio valioso realmente se refere à nossa vida mental e emocional e quer dizer principalmente que não somos tolos, para lamentar o passado nem sonhar com o futuro de olhos abertos.
Como indivíduos e como irmandade, vamos certamente sofrer se deixarmos toda a tarefa do planejamento para o amanhã, nas mãos da Providência. A verdadeira Providência Divina foi dar a nós, seres humanos, uma considerável capacidade de antevisão e Ela evidentemente espera que a usemos. Naturalmente, podemos muitas vezes cometer erros de cálculo quanto ao futuro, no todo ou em parte, mas o pior é recusar-se a pensar nele.
Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 44

NA OPINIÃO DO BILL 318
Perdão
Através do Quinto Passo, que é de vital importância, começamos a ter a sensação de que poderíamos ser perdoados, fosse o que fosse que tivéssemos pensado ou feito.
Muitas vezes, ao trabalhar nesse Passo com nossos padrinhos ou conselheiros espirituais, pela primeira vez nos sentimos verdadeiramente capazes de perdoar os outros, não importando quão profundamente sentíssemos que eles tivessem nos ofendido.
Nosso inventário moral nos tinha convencido de que todo perdão era desejável, mas foi somente quando fizemos resolutamente o Quinto Passo que soubemos no íntimo que éramos capazes, tanto de aceitar o perdão como também de perdoar.
Os Doze Passos, págs. 47 e 48

NA OPINIÃO DO BILL 319
Duas autoridades
Muitas pessoas se admiram como A.A. pode funcionar sob uma anarquia tão aparente. Outras sociedades têm que ter lei, força, sanção e penalidade, administradas por pessoas autorizadas. Felizmente para nós, achamos que não precisamos de nenhuma autoridade humana. Temos duas autoridades que são muito mais eficientes. Uma é benigna, a outra é maligna.
Existe Deus, nosso pai, que muito simplesmente diz: “Estou esperando que você faça a minha vontade.” A outra autoridade chama-se bebida alcoólica e diz: “É melhor você fazer a vontade de Deus ou então eu o matarei.”
***
As Tradições de A.A. não são regras, nem regulamentos nem leis. Nós as obedecemos de boa vontade, porque devemos e porque queremos obedecer. Talvez o segredo de sua força se encontre no fato de que essas comunicações de vital importância venham da experiência dr vida e estão arraigadas no amor.
1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 95
2 –A.A. Today, pág. 11

NA OPINIÃO DO BILL 320
Dirigindo todo o espetáculo
A maioria das pessoas tenta viver de acordo com seus impulsos. Cada pessoa é como um ator querendo dirigir todo o espetáculo e que está sempre procurando arranjar as luzes, o cenário e os outros atores, a seu modo. Se só seus arranjos prevalecerem, se as pessoas só fizerem o que ele quer, o espetáculo será ótimo.
Geralmente o que acontece? O espetáculo não sai muito bem. Admitindo que ele possa ter falhado de alguma forma, está certo de que os outros são mais culpados. Ele fica com raiva, indignado e cheio de autopiedade.
Ele não é na realidade um egoísta, mesmo quando está tentando ser útil? Não é vítima da ilusão de que só ele poderá obter satisfação e felicidade deste mundo, unicamente se ele manejá-lo bem?
Alcoólicos Anônimos, págs. 75 e 76

NA OPINIÃO DO BILL 321
Os resultados da oração
Quando o cético tenta o processo da oração, ele deveria começar a somar os resultados. Se persistir, é quase certo que encontrará mais serenidade, mais tolerância, menos medo e menos raiva. Ele vai adquirir uma coragem calma, sem nenhuma tensão. Pode ver o “fracasso” e o “sucesso” como realmente são. Os problemas e a calamidade começam a significar educação em vez de destruição. Ele vai se sentir mais livre e mais sadio.
A idéia de que ele pode ter se hipnotizado por auto-sugestão vem a ser ridícula. Seu senso de utilidade e de direção aumentará. Suas ansiedades começarão a diminuir. Sua saúde física talvez melhore. Coisas imprevistas e maravilhosas começarão a acontecer. Melhorarão surpreendentemente as relações com a família e com os de fora.
Grapevine de junho de 1958

NA OPINIÃO DO BILL 322
Faça-o com calma – mas faça
Protelar é na realidade ter preguiça.
***
“Tenho observado que algumas pessoas podem suportar algum adiamento, porém, poucas pessoas podem viver em completa rebeldia.”
***
“Temos sido bem sucedidos, confrontando muitos bebedores-problema com essa terrível alternativa: ‘Ou nós, AAs, fazemos isso, ou morremos.’ Uma vez que isso esteja firme em sua mente, quanto mais ele beber, mais a corda aperta.”
“Como muitos alcoólicos têm dito: ‘Cheguei ao ponto em que ou permanecia em A.A. ou do lado de fora. De modos que aqui estou!'”
1 – Os Doze Passos, pág. 57
2 – Carta de 1952
3 – Carta de 1950

NA OPINIÃO DO BILL 323
Tateando em direção a Deus
“Mais do que a maioria das pessoas, acho que os alcoólicos querem saber quem são, o que é sua vida, se têm uma origem divina e um destino determinado, bem como se existe um sistema de justiça e amor no cosmo.
“Essa é a experiência de muitos de nós nos primeiros estágios de bebedeiras, sentir que temos tido vislumbres do Absoluto e um sentimento intensificado de identificação com o cosmo. Ao mesmo tempo que esses vislumbres e sentimentos são, sem dúvida, válidos, eles são deformados e finalmente arrastados para o dano químico, espiritual e emocional forjado pelo próprio álcool.
“Em A.A. e em muitos enfoques religiosos, os alcoólicos encontram muito mais daquilo que meramente observaram e sentiram, quando, tateando, procuravam encontrar seu caminho em direção a Deus, no álcool.”
Carta de 1960

NA OPINIÃO DO BILL 324
Espiritualidade e dinheiro
Alguns de nós ainda perguntam: “O que é exatamente o Terceiro Legado? E até onde vai a ação de Serviço?”
Vamos começar com meu próprio padrinho, Ebby. Quando Ebby soube o quanto era sério meu problema com a bebida, resolveu me visitar. Ele estava em New York, e eu no Brooklin. Não bastava tomar a decisão; ele teve que entrar em ação e gastar dinheiro.
Ele me chamou ao telefone e em seguida tomou o metrô; o custo total foi de dez centavos. No momento em que telefonou e tomou o metrô, a espiritualidade e o dinheiro começaram a se misturar. Um sem o outro não teria chegado a nada.
Naquele exato momento e lugar, Ebby estabeleceu o princípio de A.A. em ação, que exige sacrifício de muito tempo e dinheiro.
A.A. Atinge a Maioridade , págs. 125 e 126

NA OPINIÃO DO BILL 325
A humildade traz a esperança
Agora que não somos mais fregueses de bares e bordéis, agora que trazemos para casa o dinheiro recebido pelo trabalho, agora que estamos tão ativos em A.A. e agora que as pessoas nos felicitam por esses sinais de progresso – bem, naturalmente continuamos a nos felicitar. Claro que ainda não estamos ainda muito perto da humildade.
***
Deveríamos estar dispostos a tentar a humildade, procurando remover nossas imperfeições, da mesma forma que fizemos quando admitimos que éramos impotentes perante o álcool e viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia nos devolver à sanidade.
Se a humildade pôde nos permitir encontrar a graça, através da qual pôde ser banida a obsessão mortal do álcool, então deve haver esperança de se obter o mesmo resultado, em relação a qualquer outro problema que possamos ter.
1 – Grapevine de junho de 1961
2 – Os Doze Passos, pág. 66

NA OPINIÃO DO BILL 326
Crítica bem recebida
“Muito obrigado por sua carta de crítica. Estou certo de que, se não fosse por suas críticas violentas, A.A. teria progredido mais lentamente.
“Quanto a mim, cheguei ao ponto de dar grande valor às pessoas que me criticaram, fossem críticas justas ou injustas. Tanto uma como outra, muitas vezes me impediram de fazer coisas piores do que realmente tenho feito. Espero que as críticas injustas tenham me ensinado a ter um pouco de paciência. Mas as justas têm sempre prestado um grande serviço a todos os membros de A.A. – e têm me ensinado muitas lições valiosas.”
Carta de 1955

NA OPINIÃO DO BILL 327
Três escolhas
O objeto imediato de nossa busca é a sobriedade – a libertação do álcool e de todas as suas desastrosas conseqüências. Sem essa libertação não temos nada.
Embora pareça um absurdo, não podemos nos libertar da obsessão alcoólica, até que fiquemos dispostos a lutar com aqueles defeitos de caráter que nos levaram a essa irremediável situação. Nessa busca de libertação, sempre nos foram dadas três escolhas.
Uma recusa rebelde de lutar contra nossos evidentes defeitos pode ser um bilhete quase certo para a destruição. Ou, talvez por algum tempo, possamos permanecer sóbrios com um mínimo de auto-aperfeiçoamento, e nos fixar numa confortável, mas muitas vezes perigosa mediocridade. Ou, finalmente, podemos continuar lutando com afinco, para obter aquelas qualidades puras que podem significar clareza de espírito e ação – verdadeira e duradoura libertação sob a graça de Deus.
Grapevine de novembro de 1960

NA OPINIÃO DO BILL 328
Uma recém – encontrada providência
Ao lidar com um provável membro, com inclinações agnósticas ou ateístas, é preferível você usar a linguagem popular para descrever os princípios espirituais. Não adianta despertar qualquer preconceito que ele possa ter contra certos conceitos e termos teológicos, acerca dos quais já possa estar confuso. Não levante essas questões, sejam quais forem as convicções que você tenha.
***
Todos os homens e mulheres que ingressaram e pretendem permanecer em A.A., sem perceber, começaram a praticar o Terceiro Passo. Não é verdade que em todos os assuntos relacionados com o álcool, cada um decidiu entregar sua vida aos cuidados, proteção e orientação de A.A.?
Já foi alcançada a disposição de substituir a vontade e as idéias próprias, acerca do problema do álcool, por aquelas sugeridas por A.A. Ora, se isso não é entregar a vontade e a vida a uma recém-encontrada “Providência”, o que é então?
1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 106
2 – Os Doze Passos, pág. 26

NA OPINIÃO DO BILL 329
Faça-o à nossa maneira?
Ao orar, nossa tentação imediata será a de pedir soluções específicas para problemas específicos e a capacidade de ajudar outras pessoas, da forma como achamos que deveriam ser ajudadas. Nesse caso, estamos pedindo a Deus que o faça à nossa maneira. Portanto, deveríamos considerar cuidadosamente cada pedido, para levar em conta seu verdadeiro mérito.
Além disso, ao fazer pedidos específicos será bom acrescentarmos a cada um deles uma ressalva: “… se for da Tua vontade.”
Os Doze Passos, pág. 89

NA OPINIÃO DO BILL 330
Para crescer
Aqueles anseios da adolescência que tantos de nós tivemos, para obter completa aprovação, absoluta segurança e perfeito romance – anseios perfeitamente próprios da idade de dezessete anos – são impossíveis de ser aceitos como um modo de vida aos quarenta e sete ou cinqüenta e sete anos.
Desde o começo de A.A., levei tremendas surras em todas essas áreas, pelo fato de ter deixado de crescer emocional e espiritualmente.
***
À medida que crescemos espiritualmente, descobrimos que nossas antigas atitudes, com relação a nossos impulsos instintivos, precisam passar por rigorosa revisão. Nossas necessidades de segurança emocional e material, prestígio pessoal e poder, todas estas têm que ser moderadas e reorientadas. Aprendemos que a plena satisfação dessas necessidades não pode ser a única finalidade de nossa vida. Não podemos colocar a carroça diante dos bois; seremos arrastados para a desilusão. Mas quando estamos dispostos a colocar o crescimento espiritual em primeiro lugar – então e somente então teremos uma verdadeira chance de crescer no conhecimento saudável e no amor pleno.
1 – Grapevine de janeiro de 1958
2 – Os Doze Passos, pág. 102

NA OPINIÃO DO BILL 331
A grande realidade
Reconhecemos que sabemos pouco. Deus revela cada vez mais, tanto a você como a nós. Pergunte-Lhe, em sua meditação matinal, o que você pode fazer cada dia pela pessoa ainda doente. As respostas virão, se seu interior estiver em ordem.
Mas, evidentemente, você não pode transmitir algo que não tenha. Procure fazer com que sua relação com Ele seja boa, e grandes acontecimentos ocorrerão para você e para muitos outros. Essa é nossa grande realidade.
Para o recém-chegado:
Entregue-se a Deus, como você O concebe. Admita suas faltas a Ele e a seus semelhantes. Desfaça-se das ruínas de seu passado. Dê livremente aquilo que você receber e junte-se a nós. Estaremos com você na irmandade do espírito e, você certamente se encontrará com alguns de nós, quando trilhar o caminho do destino feliz.
Que Deus o abençoe e o proteja! – até lá.
Alcoólicos Anônimos, pág. 165

NA OPINIÃO DO BILL 332
Eu sou responsável…
Quando qualquer um, seja onde for,
estender a mão pedindo ajuda,
quero que a mão de A.A.
esteja sempre ali.
E por isto: Eu sou responsável.
– Declaração do 30° aniversário
Convenção Internacional de 1965
***
Prezados amigos:
Desde 1938, a maior parte de minha vida, em A.A., foi dedicada à ajuda da criação, planejamento, direção e segurança da solvência e eficiência dos serviços mundiais de A.A. – o escritório que tem capacitado nossa Irmandade a funcionar, no mundo inteiro, como um todo unificado.
Não é exagero dizer que, sob a orientação de seus custódios, todos esses importantes serviços foram, em parte, responsáveis por nossa atual extensão e total eficiência.
O Escritório de Serviços Gerais de A.A. é muito mais do que o principal portador da mensagem de A.A. Ele tem apresentado A.A. ao mundo conturbado em que vivemos. Tem encorajado a propagação de nossa Irmandade em todos os lugares. A.A. World Services, Inc. está pronto para atender às necessidades especiais de qualquer grupo ou indivíduo isolado, seja qual for a distância ou o idioma. Seus muitos anos de acumulada experiência estão disponíveis para todos nós.
Os membros de nossa curadoria – a Junta de Serviços Gerais de A.A. – serão, no futuro, nossos principais líderes em todas as nossas atividades mundiais. Essa alta responsabilidade já lhes foi delegada há muito tempo; eles são meus sucessores, bem como do Dr. Bob, nos serviços mundiais e são diretamente responsáveis por A.A. como um todo.
Esse é o legado de responsabilidade dos serviços mundiais que nós, os membros mais antigos que vão desaparecendo, estamos deixando a vocês, os AAs de hoje e de amanhã. Sabemos que vocês vão guardar, sustentar e estimar esse legado mundial, como a maior responsabilidade coletiva que A.A. já teve. Com confiança e afeição

Bill
Bill W. faleceu em 24 de janeiro de 1971
OS DOZE PASSOS
1 – Admitimos que éramos impotentes perante o álcool– que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.
2 – Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.
3 – Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.
4 – Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.
5 – Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.
6 – Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
7 – Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.
8 – Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.
9 – Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.
10 – Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
11 – Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade.
12 – Tendo experimentado um despertar espiritual, por meio destes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.
AS DOZE TRADIÇÕES
1 – Nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar; a reabilitação individual depende da unidade de A.A..
2 – Somente uma autoridade preside, em última análise, o nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança: não têm poderes para governar.
3 – Para ser membro de A.A., o único requisito é o desejo de parar de beber.
4 – Cada grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros grupos ou a A.A. em seu conjunto.
5 – Cada Grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
6 – Nenhum Grupo de A.A. deverá jamais sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à Irmandade, para que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos afastem de nosso objetivo primordial.
7 – Todos os Grupos de A.A. deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora.
8 – Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre não-profissional, embora nossos centros de serviços possam contratar funcionários especializados.
9 – A.A. jamais deverá organizar-se como tal: podemos, porém, criar juntas ou comitês de serviço diretamente responsáveis perante aqueles a quem prestam serviços.
10 – Alcoólicos Anônimos não opina sobre questões alheias à Irmandade; portanto, o nome de A.A. jamais deverá aparecer em controvérsias públicas.
11 – Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção; na imprensa, no rádio e em filmes, cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal.
12 – O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.

QUE TAL ESSE PLANO DAS VINTE E QUATRO HORAS?

Que tal esse plano das vinte e quatro horas?

Antes de mais nada, o que diz o plano das vinte e quatro horas? Ele diz:
“Viva a vida um dia de cada vez. Tanto para ficar longe da bebida, como para conduzir todas as outras atividades de sua vida; não deixe o ontem ou o amanhã desviá-lo do que você pode fazer hoje”.

“Esse plano das vinte e quatro horas é o mais engenhoso artifício de
falsidade intelectual e autodecepção que eu já vi! Vocês me dizem que tudo o que tenho de fazer é permanecer sóbrio apenas por hoje – quando eu sei muito bem que vocês esperam que eu abandone a bebida
para sempre. Quem está brincando com quem? E, assim que eu aplicar o plano das vinte e quatro horas em ‘todas as minhas atividades’, como poderei realizar algum trabalho, se não planejar antes?”

Estas eram as palavras que eu gostaria de ter gritado a cada um, e a todos, quando cheguei em A.A. Não o fiz somente porque não tive coragem para tanto. Mas, intimamente, bem lá no fundo, freqüentemente o fazia para mim mesmo.

Nos anos subseqüentes, vim a acreditar que o plano das vinte e quatro horas é a mais extraordinária receita para a produtividade, serenidade, e, sobretudo, felicidade que o homem jamais imaginou. Então, por alguns minutos, vamos examinar os quês e os porquês, os quandos e os para quês.

Nos meus dias da ativa, eu tinha que viver no passado, ou no futuro. Eu
oscilava, alternadamente, entre o esplendor das glórias do ontem (na
maioria, frutos da minha imaginação), o remorso e o ressentimento das
derrotas do passado. Ou entregava-me a sonhos sobre o que poderia fazer amanhã, ou torturava a mim mesmo com os medos de onde eu poderia falhar. Decididamente eu não conseguia viver o hoje. Isso demandaria mais ação e mais responsabilidade do que eu seria capaz.

O plano das vinte e quatro horas tem sido a minha chave para a libertação dessa prisão. Ele é a arte de se viver onde temos
condição de agir, de concentrar nossos esforços apenas no momento certo para aquilo que nos seja possível realizar – neste exato momento. Este é o único instante em que eu posso fazer algo a respeito de beber ou deixar de fazê-lo, o único instante em que eu posso fazer algo a respeito de levar a mensagem, e, nesse sentido, fazer algo a respeito de todas as atividades em minha vida.

Isso quer dizer que eu não posso fazer planos para o futuro? Positivamente, não. Significa que posso planejar as minhas ações, mas não projetar o resultado. Significa que, se a coisa mais importante que eu devo fazer neste instante (primeiro as coisas primeiras), é planejar algo para amanhã, para o mês que vem, ou para o próximo ano, preciso dedicar-me neste momento para isso.

Porque o plano das vinte e quatro horas funciona? Ele tem funcionado para mim porque divide a vida em segmentos que tornam possível manejá-la – uma coisa de cada vez. Faz lembrar aqueles velhos filmes de cavalaria, onde o mocinho, perseguido pelos índios, sempre se
esconde em um estreito desfiladeiro, de onde ele pode eliminá-los, um de cada vez. Lembro-me que nos meus tempos de escola, o instrutor de remo costumava nos dizer, quando chegávamos aos últimos quatrocentos metros da regata, que devíamos esquecer os quatrocentos metros restantes, e simplesmente ir em frente, concentrados apenas em movimentar aquele remo para a frente e para trás, uma vez mais.

Outra razão pela qual o plano das vinte e quatro horas funcionou para mim, é que ele oferece recompensas emocionais pelos êxitos obtidos. Se eu disser que nunca mais tomarei um gole enquanto viver, estarei em meu leito de morte antes de saber se o fiz. E, se for atropelado por um caminhão, nunca ficarei sabendo. Assim, a vida torna-se uma eterna busca por um objetivo que, provavelmente, eu nunca tenha
a satisfação de alcançar. Mas se eu decido que não tomarei um gole hoje, no fim do dia eu saberei que consegui. Isso é uma conquista e, como todas as conquistas, traz satisfação. Faço o mesmo, dia após dia, e estou empilhando conquistas, adquirindo, assim, um equilíbrio que me é muito precioso – e, por essa razão, uma conquista que não estou
propenso a abandonar – a cada dia que passa.

Além do mais, a conquista pode se tornar uma rotina, tanto quanto ao
álcool. Um pequeno triunfo nos faz bem; assim, ansiamos por mais um
pouquinho. Quanto mais a gente consegue, mais a gente quer e, de
repente, estamos fisgados – fisgados por um hábito que é construtivo, e não destrutivo.

Eu tinha que fazer, do plano das vinte e quatro horas, um hábito. Quando aderi a ele, displicentemente, ele não funcionou e nem
fazia sentido. Eu desconhecia o velho chavão de que, para o alcoólico em recuperação, a ação tem que vir antes do entendimento e da fé. Eu não havia compreendido que temos que dirigir o nosso modo de pensar para a forma correta, em vez de fazer o contrário.

Nos últimos dias das minhas bebedeiras, eu não tinha fé – nenhuma fé: nem mesmo na existência de um Poder Superior bondoso. Afinal, se houvesse algum Poder Superior, ele teria que ser maldoso, do contrário, porque teria ele escolhido a mim para ficar sem a coisa mais relaxante da vida – beber?
Assim, quando meu padrinho disse-me para agradecer a Deus, todas as manhãs, pelo dia que passou e pedir-lhe ajuda para o dia que tenho pela frente, eu disse a ele que não acreditava em Deus. Ele respondeu: “Faça-o assim mesmo”.

Então, finalmente, decidi colocar o plano das vinte e quatro horas de uma forma habitual. Eu o associaria a alguma coisa que faço todos os dias – tomar banho, por exemplo. Todas as manhãs, no chuveiro, eu estabeleceria as bases para as vinte e quatro horas daquele dia. Gradualmente, isso foi evoluindo, para se tornar, na acepção da palavra, um programa. Provavelmente, isso vai gastar um bocado de água, mas, pelo menos, água é bem mais barata do que vodca.

O Programa funciona mais ou menos assim:

1.
Primeiramente, agradeço a Deus pela minha sobriedade durante o dia
anterior.

2. Depois, procuro em minha mente por algo que eu tenha feito melhor do que eu teria feito antes. Algum pequeno triunfo sobre um defeito de caráter – alguma aplicação de coisas que eu tenha aprendido em A.A. E agradeço a Deus por isso. Isto é a parte do negócio de se adquirir o
equilíbrio e de se ter sucesso por acréscimo, Porém, mais do que isso, é um remédio específico para o meu mais mutilante defeito – a falta de
amor-próprio. O fato de estar ciente do que fiz corretamente, a cada dia, tem imperceptivelmente feito por fertilizar todas as raízes do meu
debilitado amor-próprio.

3. Digo a mim mesmo que sou um alcoólico. Eu sei que a mente humana, reflexivamente , apaga as lembranças desagradáveis, e estou decidido a contra-atacar esse reflexo, a fim de que eu jamais venha
a achar que estou seguro e posso beber normalmente. Por isso, imagino uma bebida em minha mente (usualmente, um martini gelado) e então,
conscientemente, relembro algum horrendo incidente alcoólico. Assim, eu tenho bem atadas, em minha mente, a bebida e a inevitável conseqüência. Tenho feito isso por inúmeras milhares de manhãs e creio que não me seria possível procurar um trago sem, ao mesmo tempo, vislumbrar um quadro detalhado do resultado. Construí o meu
próprio anti-reflexo.

4.
Decido não tomar um gole no dia que está começando, e peço a Deus que me ajude a levar avante esta decisão. Nos primeiros meses e anos eu podia prever, com certeza, situações, no dia que nascia, onde eu sabia que estaria exposto à bebida – um almoço de negócios com um grupo de bebedores da pesada, ou fazendo hora no aeroporto de Cleveland. Podia visualizar a situação iminente em detalhes e dizer a mim mesmo, “estou decidindo agora (no chuveiro), que eu não vou tomar um gole quando a situação ocorrer”.

5. Por último, eu decido por um “Dia Especial”. Vim para o A.A. com tantas falhas e defeitos de caráter, que nem ao menos podia contá-los. Ainda tenho uma boa parte deles. Se, por um lado, intelectualmente, eu anseio por livrar-me deles, por outro, emocionalmente, ainda os acho meio engraçados. Com esse conflito em minha cabeça, o problema
de trabalhar em cima deles se assemelha com tentar trocar um aperto de mãos com um polvo. Desse modo, eu pego um defeito de caráter e concentro-me nele durante aquele dia, e peço a Deus que me ajude a ser bem sucedido.

A Prática

Naturalmente esse programa diário não chega pré-fabricado em
frente à minha porta. Ele se desenvolve com a prática.

Em poucos meses, ele me provou a existência de um Deus benevolente.

No dia em questão, eu sabia que teria que trabalhar até tarde da noite e teria um tempo ocioso na Grand Station, esperando pelo último trem.
Antevendo a situação, tomei a decisão de não me atirar para a minha
costumeira série de “duplos” no bar, e pedi ajuda para manter-me firme na decisão. Na manhã seguinte, surpreendi-me ao compreender que eu passara uma hora na estação, lendo um jornal, sem que tivesse passado pela minha cabeça a idéia de beber.

Eu poderia ter sido capaz de evitar que uma mudança de idéia se
tornasse uma compulsão, ou que uma compulsão me levasse à ação. mas houve um Poder, muito maior que eu mesmo, para barrar até mesmo o pensamento vindo de minha própria consciência.

Desse dia em diante, eu vim a acreditar.

Os cinco passos da “ducha matinal” podem parecer meio complexos. Todos eles se resumem em se estar agradecido a Deus pela sobriedade e pelo crescimento, em admitir-se como alcoólico, e pedir ajuda para manutenção da sobriedade e do crescimento – só por hoje.

É fácil: ao examinar o processo, você notará que eles se incorporam a cada um dos Doze Passos, exceto o de “levar a mensagem”, que é parte do Décimo Segundo – só por hoje.

Talvez, esta seja uma maneira um pouco lenta de se adquirir sobriedade e crescimento. Mas, antes de mais nada, a sobriedade é uma muda, plantada recentemente. Se eu agir afoitamente e puxá-la com força pelo caule, com a intenção de fazê-la crescer mais rapidamente, corro o risco de arrancá-la inteira da terra. Mas, se eu adubar as raízes, dia após dia, estarei, certamente, garantindo uma colheita segura e saudável.

Em outras palavras, resistir à compulsão do primeiro gole é como colocar uma nave espacial em órbita. É imprescindível que haja uma
forte impulsão para que seja vencida a primeira etapa da atração da
gravidade para tirar a nave do chão. Mas, uma vez em órbita, basta uma pequena correção, de vez em quando. É assim que funciona o plano das vinte e quatro horas – um simples check-up diário e uma pequena correção, para nos manter longe da tentação daquele primeiro gole.

Um Plano Espiritual

Em meus próprios esforços na aplicação do plano das vinte e
quatro horas, tomei a liberdade de interferir em nossa Oração da Serenidade. Acrescentei sete palavras – e todas elas são a mesma palavra – “hoje”.

Concedei-nos Senhor, a Serenidade necessária “hoje” para aceitar “hoje” as coisas que não podemos modificar “hoje”, Coragem “hoje” para modificar “hoje” aquelas que podemos “hoje” e Sabedoria “hoje” para distinguir umas das outras.
Então, esta é a receita para a produtividade, a serenidade e, acima de
tudo, a felicidade que A.A. tem me proporcionado. E é por essa razão que eu posso dizer do fundo do meu coração: “Obrigado Senhor por eu ser um alcoólico”.

As religiões, as seitas e outros movimentos e irmandades, têm seus códigos de conduta. Seus membros podem respeitá-los, ou deixá-los de lado. A aplicação não é uma questão de vida ou morte. Mas, nós em A.A., temos o nosso plano das vinte e quatro horas, e a nossa razão para aplicá-lo é a própria vida.

( B.P. )

(Best of the Grapevine)

(Vivência – Nov/Dez. 96)

O VALE DOS MEUS SONHOS

PRECE E MEDITAÇÃO

“Se você realmente quiser e procurar Deus, Ele o ensinará; não adianta explicar… só experimentando. “

Nesta minha jornada rumo à recuperação tenho me dado conta que para se harmonizar com o mundo o alcoólico necessita como nunca do auxílio do Poder Superior, porque só Ele pode inspirar e suprir as deficiências do deus interno, orientando-o no que fazer e na compreensão das coisas. Com pleno direito para usar meu livre arbítrio, tenho necessidade da prece e da meditação para continuar recebendo orientação divina.
A prece é súplica, pedido, oração. A meditação é o trabalho que nos compete fazer para que o Poder Superior, através dele, venha nos ajudar.
Meditar é examinar, investigar mentalmente, analisar, raciocinar sobre determinado assunto, religioso ou não. É também fazer considerações sobre o mesmo; procurar deduzir seu verdadeiro significado, chegando a uma conclusão.
É uma espécie de discurso mental em que vamos expondo um assunto e fazendo considerações sobre ele até chegarmos a uma convicção.
O alcoólico, toda vez que pensou seriamente sobre seu problema de alcoolismo, nada mais fez do que “meditar” sobre ele.
Acontece o mesmo nos vários passos sugeridos no Programa de recuperação de A.A.
Já na prece fazemos um pedido ao Poder Superior ou uma oração que nós mesmos inventamos; o importante é que contenha aquelas condições de entrega e submissão a Deus, reconhecendo Sua sabedoria e poder.
É o “eu não posso, Você pode, me ajude”.
Na meditação a gente escolhe um assunto de nossa vida normal, um problema que se tem no momento ou um dos ensinamentos de Deus. A escolha é livre. E começamos a pensar sobre o tema.
Essa meditação antecedida da prece normalmente nos conduz a uma conclusão satisfatória do que fazer porque Deus sempre nos orienta dando a intuição do caminho a seguir.
Muitas vezes não vemos esta rota com clareza, mas sentimos a mesma tranqüilidade que teríamos se o assunto já estivesse resolvido.
Isso significa que Deus nos ouviu e vai tratar da questão. Basta irmos fazendo o que nos for ocorrendo que o problema se resolverá com o tempo. Deus conduz nossos atos para isso.
Se ligarmos nosso rádio ou nossa televisão e sintonizarmos uma determinada emissora, nós ouviremos ou veremos o programa que ela estiver transmitindo.
A prece corresponde a ligarmos nossa antena, nosso espírito, e a meditação a sintonizarmos na onda intuitiva em que Deus transmite, com a diferença de que podemos escolher o programa, ou seja, o assunto sobre o qual queremos tratar.
Só quem experimentou é que pode saber o que significa fazer uma prece a Deus e depois meditar sobre o assunto, principalmente quando se trata de coisas espirituais.
É impressionante a clareza que vem ao nosso raciocínio, a compreensão que alcançamos de coisas sobre as quais já cansamos de pensar antes sem achar solução.
De repente vemos, intuímos, adquirimos o conhecimento do que fazer e uma convicção de que vai dar certo.
Então sentimos que a capacidade de nossa mente foi consideravelmente ampliada, tornando tudo fácil.
E ainda somos invadidos por uma onda de tranqüilidade que não conseguimos explicar.
É a ação de Deus.
Pode ocorrer que nos envaideçamos com essa capacidade e nos julguemos com muitos méritos perante Deus e deixemos de sentir a submissão e a humildade perante Deus, julgando então como orientação divina alguma coisa que tenha sido apenas dedução nossa.
É bom sempre testar se não foi isso que aconteceu, verificando se a resposta “divina” contém bondade, justiça e misericórdia e se não interfere no livre;arbítrio de terceiros.
Lembremos que Deus é perfeito. Não faz coisas imperfeitas nem que não contenham os atributos citados.
A prece e a meditação não são para as emergências. São para a nossa vida diária; para iniciarmos e terminarmos cada dia.
A grande dificuldade que tive para chegar a essa prática foi a falta de humildade e a idéia errada que eu tinha do que era realmente o Poder Superior.
Quando eu compreendi que os males da Terra não eram causados por Deus e sim pelos homens; que Ele não interferia no mundo, estava ausente dele, só o fazendo na vida dos que Lhe solicitavam ajuda e nas condições que estabelecera para tal; que o fazia somente para ajudar, nunca para punir ou castigar; que Sua vontade para comigo era a minha evolução espiritual, a felicidade e a imortalização do espírito; enfim, só quando compreendi que Deus é um ser realmente bom, justo, misericordioso e perfeito que dera o livre arbítrio aos homens, foi que a prece e a meditação passaram a ser para mim uma conversa muito agradável na linguagem do “SENTIR”, da qual sempre me beneficiei muito.
Só experimentando. Não adianta tentar explicar. Nem precisa.
Se você realmente quiser e procurar Deus, Ele o ensinará.

… percebi que estava sentindo serenidade. Era um bom sentimento, mas de onde vinha? Então percebi que ele tinha vindo como resultado destes Passos.

SERENIDADE
Dr. Laís Marques da Silva, Ex-Custódio e Presidente da JUNAAB

SIGNIFICADO DA PALAVRA SERENIDADE
Vamos procurar entender o que significa esta palavra tão importante para a recuperação do alcoólico. Consultando o “Aurélio”, vemos que serenidade é a qualidade ou estado de sereno; também suavidade, paz, tranquilidade. Sereno é igual a calmo, tranquilo, manso, sossegado.

COMO SE APRESENTAM OS COMPANHEIROS SERENOS ?
Iniciemos o trabalho fazendo uma pesquisa para aprofundar o nosso entendimento acerca do significado da palavra serenidade. Vamos observar como são os companheiros em A.A. com muitos anos de sobriedade; notamos que são pessoas seguras, confiantes, serenas e relaxadas emocionalmente, apesar de já terem sido, no passado, alcoólicos considerados sem salvação. Este é o modo pelo qual se apresentam os companheiros serenos.

COMO SE SENTEM ?
Mas como eles se sentem? Nas “Reflexões Diárias”, na página 173, temos o seguinte depoimento: ” percebi que estava sentindo serenidade. Era um bom sentimento, mas de onde vinha? Então percebi que ele tinha vindo… como resultado destes Passos”.
Estar sereno é sentir-se bem, sem preocupações e sem pressa. É não estar esmagado pelos compromissos e prazos. É não sentir que o mundo vai se acabar se não fizer as coisas. É viver cada momento da vida. É não levar o peso do passado nem sofrer com as incertezas do futuro. As pessoas serenas aceitam as coisas que não podem modificar, ou seja, aceitam o mundo como ele se apresenta.
Se tivéssemos que pintar o retrato de uma pessoa serena, destacaríamos os seguintes traços e cores: esperança, amor, humildade, honestidade, paciência, fé, sensação de ter valor, alegria, oração constante. Se quisermos ser serenos, teremos que colocar esses traços também na nossa pessoa e, como veremos adiante, há um caminho para conquistar essas qualidades.

ATIVIDADES QUE DESEMPENHAM
Para avançarmos um pouco mais na nossa compreensão de como são as pessoas serenas, vamos ver quais as atividades que elas desempenham: lêem muito, fazem cursos, visitam amigos, fazem caminhadas, apreciam as belezas que o mundo oferece, tocam instrumentos musicais, realizam atividades humanitárias, teen passatempos prediletos, vão à praia, visitam museus, etc. Mas, sobretudo, sempre encontram tempo para as coisas que realmente desejam fazer.
Contemplam o nascer de um novo dia, apreciam o espetáculo do anoitecer, ouvem o barulho das gotas de chuva, sentem o cheiro da relva molhada, ouvem o sussurro das água do rio, do vento nas folhas das árvores e o canto dos pássaros. Sabem que tudo isso lhes é dado graciosamente, mas sabem também que muitas das grandes respostas de que necessitam só chegam nos momentos de silêncio, de contemplação e de meditação
Estudamos detalhadamente o modo de ser e de agir de uma pessoa serena porque a serenidade é a qualidade mais importante que um alcoólico precisa ter para se manter sóbrio. Sem ela, aumenta o autocentrismo, o ressentimento, o desespero e o afastamento da vida social e o mais importante é o fato de que qualquer uma dessas situações pode levar o alcoólico à garrafa.A serenidade vem com o despertar espiritual e com a mudança da personalidade tão importante para a recuperação do alcoólico e que usualmente ocorre de maneira gradual e imperceptível. Faltando a serenidade, o alcoólico fica incapaz de avaliar e de manter esses problemas dentro dos seus devidos limites. A pessoa serena tem uma visão melhor da realidade, é como se ela visse as coisas numa atmosfera clara, em que a poeira já tivesse assentado, enquanto que os que não possuem a mente tranquila não conseguem distinguir as coisas, não avaliam corretamente os problemas do quotidiano; a visão das coisas está prejudicada pela poeira em suspensão e pela fumaça.

SENTIMENTOS E COMPORTAMENTOS QUE DEVEM SER EVITADOS
Vimos como é uma pessoa serena e que traços devemos procurar aprimorar para sermos mais serenos.No entanto, aqui e ali, aparecem os comportamentos que precisam ser evitados e, neste ponto, é preciso nos determos num sentimento que o alcoólico não pode se dar ao luxo de ter- o ressentimento. Na página 82 de Alcoólicos Anônimos encontramos que ” o ressentimento destrói mais alcoólicos do que qualquer outra coisa”.
O ressentimento que temos em relação a outras pessoas causa maior mal a nós mesmos. O mal que desejamos aos outros desaba sobre nós. Alimentar os nossos ressentimentos equivale a entregar aos outros o comando da nossa vida. Lá se vai o nosso tempo e a nossa emocionalidade para a pessoa por quem nutrimos o ressentimento. A nossa atenção fica ligada nelas e esquecemos os nosso objetivos pessoais. Se alguém tentar nos tirar do caminho, cabe a nós usar a energia para viver com alegria e voltar ao curso da nossa vida, até porque é muito bom nos voltarmos para quem merece a nossa maior consideração: nós mesmos. O sentir-se ressentido equivale a nos estarmos vitimando com a conduta dos outros, ou seja, a deixar que os nossos cordões emocionais sejam puxados pelas pessoas em relação às quais nutrimos o ressentimento e, o mais estranho ainda, é que, usualmente, essas pessoas nem sabem disso.

COMO ALCANÇAR A SERENIDADE ?
Costumamos dizer que as coisas não caem do céu mas, no caso da serenidade, ela realmente cai do céu e os dois modos pelos quais ela chega até nós são a oração e a meditação. É preciso trabalhar o nosso interior e praticar os Passos do Programa de Recuperação de A.A. e, em especial, o Passo 11. Na página 173 do livro “Na Opinião de Bill” vemos que “As raízes da realidade, suplantando as ervas daninhas neuróticas, vão promover uma base firme, apesar do furacão das forças que nos destruiriam ou que usaríamos para nos destruir.”
A oração, mesmo quando feita de modo pessoal e espontâneo, é importante para estabelecer um contacto entre nós e o Poder Superior. Meditar é submeter a um exame interior. É, antes de tudo, criar uma ausência de consciência, sentir-se como sendo levado por uma corrente para o próprio interior mais profundo. Certas músicas ajudam a conseguir entrar nesse estado de ausência de consciência. A meditação é uma forma de descansar a mente e de aliviar as tensões e as preocupações de um mundo de atividades intensas porque, da mesma forma que o corpo, também a mente precisa alternar períodos de atividade e de repouso e daí a necessidade de tranquilizar a mente, de criar momentos de relaxamento, isentos de tensão. Nos grandes momentos de felicidade nós desfrutamos a realidade, ficamos imersos nela e não ficamos tomados por pensamentos ou por preocupações.
Há várias práticas que estabelecem métodos definidos mas a meditação pode ser feita de modo pessoal, em qualquer lugar e a qualquer instante. Um lugar calmo e fracamente iluminado ajuda muito. Estar confortavelmente instalado e ter uma música suave ao fundo também auxilia. É preciso não ser interrompido pelas outras pessoas. Respirar profundamente e fechar os olhos concorrem para o relaxamento. A atenção deve estar voltada para dentro. Se pensamentos passam, não os agarre. Quando um pensamento chegar, empurre-o para fora e diga para esperar porque este é o momento reservado para a meditação. Isso pode parecer difícil no início mas, com o tempo, o exercício o tornará capaz de fazer com facilidade. Não tente resolver os problemas neste momento. Permaneça assim por cerca de quinze minutos mas não olhe para o relógio nem se preocupe com o tempo. Ao voltar às atividades normais, a pessoa se sentirá como vindo de um longo e reparador sono e estará revigorada e serena.
Da mesma forma que o corpo, também a mente precisa alternar os períodos de exercício e de repouso e daí a necessidade de tranquilizar a mente, de criar momentos de relaxamento e de tranquilidade, isentos de tensão. Nos grandes momentos de felicidade nós desfrutamos a realidade, ficamos imersos nela e não tomados por pensamentos ou por preocupações.
A meditação é uma forma de descansar a mente e de aliviar as tensões e as preocupações de um mundo de atividades intensas. Basta fazer o relaxamento e manter a mente em silêncio.

PENSAMENTOS E PRÁTICAS QUE AJUDAM
Além da própria Oração da Serenidade, os companheiros encontram nos grupos certos pensamentos que ajudam a manter a serenidade e que, pela sua repetição constante, tornam-se parte do subconsciente. Entre eles temos: “um dia de cada vez”, “com calma se resolve”, “viva e deixe viver”, “se funciona, não conserte”, “desligue”, “isso também passará”, etc
Ademais, algumas providências poderão ser tomadas no dia a dia de cada companheiro de modo a também criar condições favoráveis a fim de alcançar a serenidade. É conveniente planejar o dia para não ficar rodando em círculos ou permanecer como um barco sem rumo. A falta de propósito é frustrante e isso não é bom para a serenidade. Realize trabalhos manuais porque são construtivos e recompensadores. Mantenha o humor. Rir é o melhor remédio. Procure o lado alegre e divertido das coisas. Ficar pensando em nós mesmos pode abrir as portas para pensamentos destrutivos que invadem a mente. Será que vou perder o emprego e não poderei pagar os compromissos? será que ficarei enfermo? Isso tudo é muito doentio, enquanto que é saudável pensar nos outros, nas suas necessidades e, em especial, nos alcoólicos que ainda sofrem.
É preciso viver o momento presente, o único que realmente podemos viver, estar relaxado e então poder fazer a “Oração da Serenidade” na sua plenitude.
A cada momento surge a liberdade de escolher, que é a maior liberdade. Beber ou não, comer ou não, ser bom ou ser mal, ser feliz ou sentir-se miserável, olhar o lado ruim ou o lado claro e brilhante das coisas. É tão fácil ser otimista quanto pessimista, só que o otimismo conduzirá à estrada que leva à serenidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Uma vez alcançado este tipo de equilíbrio, ao qual se pode ajuntar a paciência e a tolerância, a vida será muito mais feliz e completa do que jamais foi pensada e sonhada antes. Alcançada a serenidade, não mais se viverá no passado nem se projetará no futuro. Mas é preciso estar alerta porque é necessário crescer sempre. Achar que já está bem e descansar, poderá levar à garrafa. Por outro lado, é bom notar que não conseguimos estar serenos o tempo todo pelo simples fato de sermos humanos e, portanto, imperfeitos. Mas temos que progredir sempre no caminho que leva à serenidade. O alcançar a serenidade está ligado a uma atividade que deve durar a vida toda. Ter a serenidade como objetivo faz com que as nossas atenções e o nossos esforços fiquem dirigidos para ela o tempo todo, evitando, desse modo, os desvios que sempre poderão ocorrer.

CRESCIMENTO ESPIRITUAL
Dr. Laís Marques da Silva, ex-Custódio e Presidente da JUNAAB.
Palestra proferida por ocasião da XVI Convenção Nacional de Alcoólicos Anônimos – São Paulo, abril de 2003.
VIDA ESPIRITUAL
“Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual,… somos seres espirituais passando por uma experiência humana”.
Teilhard de Chardin

É freqüente que as pessoas tenham a idéia errada de que a vida espiritual é alguma coisa diferente e que deva ser vivida em separado, num cantinho lá do céu, num ambiente etéreo e místico. Pensam também que o nosso dia a dia está ligado a uma outra realidade que não é lá estas coisas, se comparada com o que concebem como sendo a vida espiritual, além de muito mundana. É também comum pensar que, para ser uma pessoa espiritual, é preciso não dar importância à nossa vida do dia a dia e ir para uma outra dimensão inteiramente diferente, um reino especial. Separamos e dividimos o que é uno e isso acontece com freqüência. Ademais, a dimensão do que se entende por vida espiritual vai muito além da repetição inconsciente de um ritual ou de uma oração. Por vezes, nos damos conta do potencial que temos de crescimento, mas é preciso ter em mente que ele não acontece por si mesmo. Há caminhos a serem percorridos, programas e passos a nos orientar a fim de termos esse potencial realizado. É preciso estar conscientes do modo como agimos, de como nos relacionamos conosco, com o nosso corpo, com as pessoas que nos rodeiam porque tudo isso cria uma espécie de mundo, interior e exterior, dentro do qual vivemos. Ao evoluir nesses aspectos das nossas vidas, iremos criar condições para viver melhor e para crescer espiritualmente e, nesse ponto, estaremos optando pela liberdade ou pelo sofrimento. Desenvolver a dimensão espiritual é próprio da vida dos seres humanos.
Pode ser difícil andar nas nuvens ou caminhar sobre as águas, mas fazer exatamente isso sobre a terra tem-se mostrado um enorme desafio, uma tarefa que apresenta novas dificuldades a cada momento. Tornar-se um ser com um individualismo ameno e afável é, provavelmente, o milagre maior que podemos realizar, o objetivo maior que temos na vida. O grande milagre é tornar-se um ser espiritualizado, pois a vida a todos nós tem ensinado que uma pessoa que tenha uma mente poderosa, se não tiver um bom coração, este poder não será de qualquer valia e pode ainda ser desvantajoso. Para caminhar sobre a terra, cada indivíduo tem que partir do fato de que possui uma consciência e de que é um ser único no mundo. Nada e ninguém é igual e isso implica em que o ser humano é só, sente a sua solidão. Possui uma identidade única, é singular. Além de diferenciado no momento da concepção, vive em ambientes diferentes e se desenvolve de um modo que lhe é próprio. Tem que ser ele mesmo dentro do seu espaço de liberdade. O senso de autonomia e autodeterminação lhe traz a idéia de ser responsável por si mesmo, uma vez que é o capitão do seu barco e mestre do seu destino. Percebe que só pode afirmar as suas potencialidades concretizando a própria individualidade. Mas aí entra a idéia de limite, pois que se vai longe demais nesta linha de desenvolvimento, acaba se tornando um ser orgulhoso, degenerado e autodestrutivo. Há também o fato não menos real de que, como ser social, necessita das outras pessoas não só para sustento e companhia, mas também para encontrar significado e sentido para a sua própria vida. Assim, há duas realidades distintas e em oposição e ambas são reais. Chamamos a isso de paradoxo e é a partir dele que temos que crescer espiritualmente.
O indivíduo é impulsionado para o desenvolvimento total das suas possibilidades, mas tem que reconhecer que é incompleto e, como tal, tem a sua fraqueza. Trabalha com a individuação de um lado e com a sua dependência, de outro. O desenvolvimento que se faz mais calcado em uma das vertentes do paradoxo desequilibra a equação. As oposições geram ou são a origem de conflitos, mas se os opostos forem unificados, não haverá tensão, conflito ou medo. O eu torna-se mestre de si mesmo e a vida pode vir a ser o que o indivíduo deseja. Surge a liberdade, o domínio e a unificação. O desenvolvimento espiritual permite encontrar um ponto de equilíbrio entre essas duas tendências. É esse desenvolvimento harmonioso que evita possíveis desvios. Se caminha pelo lado do individualismo, acentua a independência e a auto-suficiência e aí, como não consegue ser auto-suficiente nem independente completamente, é levado a falsificar, ocultando fraquezas e falhas. Tenta ser super-homem e controlar totalmente a sua vida. O individualismo, no entanto, leva ao isolamento social, à solidão que condena a viver um inferno existencial e, numa dimensão maior, à fragmentação da sociedade. Mais adiante, o indivíduo aprende que é natural e humano sentir ansiedade, depressão e abandono e percebe que é no convívio com os outros que pode compartilhar estes sentimentos sem medo ou culpa e ainda sem julgamento, se encontra o nível necessário de entendimento.
A partir deste quadro simplificado e, sendo membro de A.A., o companheiro cresce espiritualmente e passa a desenvolver a ética de um individualismo suave. Por outro lado, a vida mostra que, para cultivar um bom coração, não é suficiente dizer a nós mesmo que devemos ser bons, pois dizer o que devemos ser, sentir ou fazer não nos faz viver deste modo, mas nos abarrota de “deverias”, que muitas vezes nos fazem sentir culpados porque nunca somos como pensamos que deveríamos ser.
O que realmente é necessário, é transformar as nossas mentes e comportamentos aceitando um fato bem caracterizado pelo mito do dragão. Os mitos são uma maravilhosa fonte que nos ajudam a compreender os complexos e multidimensionais aspectos da natureza humana porque representam uma determinada realidade. O dragão é uma criatura mitológica que vem sendo usada por diferentes culturas há muitos séculos. Ele simboliza os seres humanos, já que são cobras com asas, vermes que podem voar e é isso que nós somos. Rastejamos como répteis, atolados na lama de pecaminosas tendências e preconceitos culturais resultantes da mente fechada. Mas, como pássaros ou anjos, podemos voar e transcender a realidade de réptil porque somos espírito e capazes de alcançar os céus. Esta é uma visão clara da nossa realidade.
No mundo ocidental costumamos separar o físico do espiritual. A tecnologia tem desenvolvido conhecimentos que melhoram a nossa qualidade de vida e a nossa condição física pessoal e, particularmente, a nossa saúde. Mas vale dizer que a ênfase maior caberia ao lado espiritual, já que o espírito é entendido por nós como sendo eterno, imortal. Aqui fica uma importante pergunta: seria possível, com a tecnologia de guerra existente nos nossos dias, sobreviver dentro desta posição de manter separado o físico do espiritual? Tudo indica que, para salvarmos a nossa pele, teremos que salvar primeiro as nossas almas. Logo, desenvolvimento espiritual não é retórica abstrata e sem sentido prático. Não parece ser possível melhorar a confusão em que colocamos o mundo de hoje sem pensarmos em alguma espécie de cura espiritual.

UM PROCESSO
Feitas as colocações iniciais, passamos a observar e a apreciar o que acontece num grupo de A.A. e também a identificar o modo pelo qual ocorre o despertar e o crescimento espirituais, em alguns de seus aspectos. Dentre as muitas realidades com que se defronta um recém-chegado a um grupo de A.A., destaca-se a de que, embora fique claro que o objetivo principal seja evitar o primeiro gole e assumir que é só por hoje, ele se dá conta de que há uma mensagem não escrita, que está no ar, e que aponta para o fato de que não basta que apenas viva como um alcoólico sóbrio, em abstinência. Percebe que não é suficiente apenas estar sóbrio, mas que precisa ganhar condições de permanecer sóbrio. Ou seja, ele observa que os companheiros ali presentes não estão apenas sóbrios. Muitos permaneceram sóbrios por longo tempo e estão bem, compostos e felizes. Além do mais, são educados, afáveis, atenciosos e ainda exibem uma atitude de boa vontade e de abertura em relação aos demais companheiros. Tudo isso a indicar que houve um progresso na recuperação. Assim, descobre que há um caminho a ser percorrido, que há uma proposta para esse caminho e, mais adiante, vai ver que progredir ao longo deste caminho é bem mais complexo do que se manter sóbrio. É preciso construir novas referências, estabelecer prioridades, deixar brotar novas esperanças, livrar-se de antigos comportamentos. A porta aberta do grupo dá acesso a uma nova realidade, a um caminho iluminado por luz libertadora.

COMUNICAÇÃO EM PROFUNDIDADE
A seguir, observa que as reuniões do grupo são marcadas pela fala, são reuniões em que se fala, e que o silêncio por parte dos que ouvem, usualmente, é completo. Assim, aquele que fala encontra no silêncio dos outros uma atitude de respeito em relação ao companheiro que faz o seu depoimento, e que isso estabelece uma abertura, traduz uma disponibilidade da parte dos companheiros do grupo.
O homem se realiza como pessoa através da comunicação; na comunicação o indivíduo sai de si em direção ao outro, passa a existir espiritualmente, ao mesmo tempo em que oferece a sua interioridade. Ganha a noção de si mesmo, da sua singularidade espiritual, e não só passa a ser gente, mas se realiza como gente quando se projeta sobre o outro. O isolamento faz crescer o sentimento de insegurança, o medo, mas o grupo responde à necessidade de superar a separação, de realizar a união, de transcender a vida individual, de entrar em sintonia com os outros. No grupo de A.A. todos se relacionam entre si, numa complexa interação. Estar fora dos relacionamentos é como estar fora da vida, e o homem sofre intensamente quando se sente isolado, fora do sistema de relações. Por outro lado, necessita recompor a sua auto-estima, ser aceito e que alguém diga: “Seja bem-vindo ao nosso grupo, você é a pessoa mais importante para nós”. A rejeição que sente, da parte dos que compõem o seu ambiente social, o faz sentir uma experiência de morte e, muitas vezes, o alcoólico nem é chamado pelo nome, apenas tem apelido.
Mas o silêncio de quem escuta um depoimento transmite a quem o faz a seguinte mensagem: eu sei que você tem valor, que é apenas um doente, que é um ser humano como eu, que sofre de uma enfermidade devastadora e, por isso, você merece o meu silêncio, a minha atenção e o meu respeito. Você tem valor e merece a minha compreensão e eu sou capaz de compreender porque tenho a “qualidade” de ser um alcoólico e de ter sido batido pelo mesmo demônio, o alcoolismo. O silêncio permite uma interação, um relacionamento direto e profundo, de olho no olho. Possibilita que se estabeleça uma empatia, significando que se sente precisamente o sentimento e o significado do que está sendo relatado.
Aquele que faz o depoimento encontra um lugar para os outros dentro do seu mundo pessoal, o que é indispensável para a sua própria realização existencial. Por outro lado, o silêncio permite que ele seja ouvido e compreendido e não apenas escutado. Neste ambiente, o companheiro pode abri-se inteiramente, baixar a guarda, pode estar presente de corpo e alma. O outro ganha existência real e a comunicação inter-humana, com todo o seu potencial, é restabelecida e, não menos importante, fica aberta a porta para o ganho da auto-estima. Compartilha porque tem a mesma necessidade e porque sabe que os companheiros da A.A. podem cicatrizar uns aos outros.
A comunicação profunda, assim estabelecida, quebra o isolamento do alcoólico e integra os membros do grupo dentro de um todo. É estabelecida uma relação intensa e profunda entre os membros do grupo, ao contrário dos contactos sociais superficiais e usualmente ligados a interesses. O relacionamento estabelecido é gratuito porque aquele que faz o seu depoimento oferece a sua experiência pessoal e os demais companheiros, no seu silêncio respeitoso, a sua compreensão e o seu amor de irmão.
O silêncio permite a manifestação da palavra, com todo o seu poder, e induz uma relação de reciprocidade, entendida como um mecanismo totalizador que envolve a todos os que estão no grupo. Estão imersos numa só atmosfera. Essa relação interpessoal profunda é o fundamento da existência de A.A.. É nela que se ganha dimensão humana e espiritualidade, e isso, numa época em que as pessoas se permitem esquecer do que é mais característico do homem, que é a sua humanidade.
Estabelece-se um ambiente sagrado, vivem-se momentos mágicos e todos sentem essa realidade, sendo usual que os companheiros que fazem os seus depoimentos os encerrem dizendo: “Obrigado pelo silêncio de vocês”.

VALORES ESPIRITUAIS
Identificada a existência de um caminho a ser percorrido, de um programa, e restabelecida a comunicação social numa dimensão muito especial, em algum momento deverá acontecer que um companheiro se aperceba de que uma lágrima rola em seu rosto no decurso de um depoimento. É que terá emergido nele um dos sentimentos mais poderosos que um ser humano pode sentir, que é a compaixão, e isso representa um importante marco no crescimento espiritual.
A compaixão, entendida como a consciência profunda do sofrimento de uma outra pessoa associada ao desejo de aliviá-la, é a resposta espontânea de um coração que está aberto para os outros companheiros. Não há sentimento mais enriquecedor e mais denso do que a compaixão. Nem a nossa própria dor pesa tanto quanto a dor que sentimos com alguém e por alguém. Esta dor é amplificada pela nossa imaginação quando, mais tarde, dialogamos conosco e começamos a imaginar como deve ter sido grande o sofrimento do companheiro diante dos fatos que nos foram relatados no seu depoimento. Ocorre também que esta dor é prolongada por muitos ecos, que são as lembranças que conservamos e que voltam posteriormente à nossa consciência repetidas vezes. Ter compaixão não é ter pena. A pena coloca as pessoas em situação de superioridade. Compaixão é sofrer junto com quem sofre, caminhar com quem caminha, é atender as necessidades do outro, é não abandoná-lo na sua necessidade.
Esse sentimento compõe a espiritualidade e aumenta a nossa dimensão humana. Abre um espaço para o outro dentro de nós e cria as condições para o surgimento do amor ao próximo. Embora não haja a recomendação para que amassem uns aos outros, este sentimento começa a fluir a partir desta experiência de grande intensidade emocional. O egocentrismo é amenizado, o egoísmo arrefece, o individualismo áspero se abranda sem que as pessoas tenham repetido oralmente qualquer intenção ou que tenham fixado um plano especial para isso.
Essa expansão do sentir, do ser, ocorre dentro da atmosfera do grupo, que é marcada por uma comunicação feita em profundidade e no silêncio respeitoso dos que empaticamente escutam. Isso ocorre num ambiente de compreensão, de respeito e de não julgamento, marcado pela preservação do anonimato que garante, numa palavra, a existência de um ambiente seguro. As pessoas que não conhecem a Irmandade, mas sabem dos sofrimentos intensos da destruição, em todas as dimensões do ser, que ocorrem como decorrência do alcoolismo a um paciente, imaginam que o ambiente dos grupos seja marcado pela dor e pela tristeza. Mas lá estão pessoas vencedoras que, em vez de serem tristes, mostram grande riqueza espiritual e até alegria. É que a atmosfera está sempre impregnada pelo sentimento de compaixão e talvez, por isso, seja tão agradável estar no grupo e desfrutar de toda essa riqueza. Os depoimentos fazem surgir a compaixão e não a tristeza que viria com o sentimento de pena, que torna o outro menor.

HONESTIDADE
Estando na ativa, um dos passatempos preferidos pelos alcoólicos é abusar da boa-fé dos que estão à sua volta e, com o tempo, desenvolvem uma grande habilidade para manipular e acabam se tornam manipuladores deles mesmos. Este comportamento desonesto acabaria, com o tempo, por desintegrar as suas próprias vidas. A desonestidade torna-se um hábito, uma adição tão falaciosa e poderosa quanto o alcoolismo em si. No tempo do alcoolismo ativo, a desonestidade se tornara uma maneira de vida, do que decorre que permanece nas mentes e nas emoções por longo tempo. Acontece, no entanto, que ela dói; é como estar ferido por saber que não se é a pessoa que pensava ser e, ainda mais, por precisar beber.
O alcoólico vive num mundo de ilusões difícil, para ele, de ser identificado como sendo diferente do mundo real, porque não se apercebe como um ser separado da realidade. Continua mentindo quando dizer a verdade seria mais fácil e conveniente. A verdade é que a vida na bebida exigia que fosse desonesto e para mudar isso leva tempo, além de exigir esforço e também o convívio com pessoas honestas.
Estando sóbrio, o alcoólico começa a desfrutar a vida com os sentidos limpos, claros, e se torna capaz de apreciar as realidades do mundo tal como elas são, sem a cortina da substância química, da droga. Ao freqüentar um grupo, mais cedo ou mais tarde, vai acontecer que o alcoólico irá fazer o seu primeiro depoimento, no qual irá oferece a sua experiência pessoal, sempre única. Nessa oportunidade, irá se defrontar com uma situação inteiramente nova na sua vida. Valorizado pelo silêncio respeitoso, pela atenção dos companheiros, ciente do anonimato, da compreensão confortadora oferecida pelos companheiros e de não ser julgado, ele começa a abrir o seu coração, só que dentro de uma circunstância muito particular: é que todos ali são alcoólicos e passaram por tudo o que ele passou e, os que não tiveram essas experiências, as conheceram a partir dos relatos de outros companheiros, por terem ouvido os seus depoimentos ao longo de anos. Nesta ocasião, surge um obstáculo intransponível que, num primeiro momento, pode não ser perfeitamente identificado, mas é percebido e que estará sempre lá. É que surge uma situação inteiramente nova: como manipular os companheiros que ouvem com atenção e respeito? Como abusar da sua boa-fé? Todos têm a “qualidade” de serem alcoólicos, todos já progrediram no caminho da verdade, no caminho das atitudes conscientes. Eles sabem tudo. Todos já tiveram, em algum grau, a alegria de viver uma realidade muito especial, a de que a verdade liberta. Tornaram-se, com o tempo, capazes de penetrar nas suas racionalizações e reações de defesa.
Mas há muita culpa, muita vergonha, muito remorso e muita dor moral e todos estão atentos e em silêncio. Aí, cada um que faz o seu depoimento encontra o seu caminho diante desta condição irremovível, não contornável, de que a honestidade dos que ouvem ajuda o depoente a encontrar a sua própria honestidade. A honestidade de cada um induz a honestidade de todos. Também, neste aspecto particular, há uma reciprocidade porque aquele que faz o depoimento sente que, no convívio, na interação com os companheiros do grupo, ele não pode ser desonesto, nem com eles nem consigo mesmo. Os que estão presentes necessitam da sua honestidade e o depoente, da mesma forma, precisa da honestidade dos que ouvem o seu depoimento. A honestidade, estabelecida desta maneira, cresce e se expande para áreas cada vez maiores das suas vidas, resultando que, na sobriedade, a honestidade ultrapassa, de muito, a da primeira admissão e isso porque é tão impossível, como diz Platão na República, implantar a verdade na alma de um homem quanto dar a visão a um cego de nascença. A verdade dos que ouvem ajuda aquele que faz o depoimento a encontrar a sua verdade, progressivamente, por si mesmo, ao longo do tempo.
Não há outro caminho possível e, se optar por continuar manipulando, encontrará, depois, algum companheiro que lhe dirá de maneira gentil e com palavras de amor doídas: “você esteve por inteiro dentro de um “show”, poderia o você real se levantar? Para ser honesto, qual é o seu eu verdadeiro?” A aquiescência e o aceno de cabeça dos companheiros que estão à volta o fará encontrar o caminho para a resposta. É que os alcoólicos em recuperação conhecem bem as falácias da negação e do ocultamento. Esse momento é muito difícil, mas há muita energia e muito apoio na atmosfera do grupo, e isso faz a diferença. Como esses momentos usualmente são de grande sofrimento, recomenda-se ao alcoólico recém-chegado que freqüente, se possível, diariamente um grupo de A.A. pelo período de um mês. É preciso receber suporte, compreensão e solidariedade por parte dos companheiros de forma continuada.
A honestidade marca o início da recuperação, quebra a negação e abre para a admissão da impotência diante do álcool e para o fato de que a vida do alcoólico se tornou inadministrável. Quem não for capaz de ser honesto consigo mesmo terá dificuldade de entrar no Programa de Recuperação de A.A.. A honestidade é indispensável para o crescimento espiritual e também para usufruir tudo que a sobriedade e a vida têm para dar.
Para uma pessoa honesta, fica fácil continuar sendo honesta, enquanto que uma mentira sempre leva a uma outra mentira e o hábito da mentira faz do mentiroso um trapaceiro que sempre tem que proteger e preservar a mentira. Pelo contrário, a dedicação à verdade leva a uma vida de honestidade e as pessoas honestas vivem como que ao ar livre e, pela coragem de assim viver, se tornam livres também do medo.
A verdade, como fundamento da libertação, tem que ser total, inteira. O mito de Orestes desvenda aspectos complexos da natureza humana em relação ao poder libertador da honestidade. O mito diz que Agamenon, guerreiro grego e pai de Orestes, que participara da Guerra de Tróia, ao retornar à pátria, vitorioso, foi assassinado pela sua mulher Clitemnestra e pelo seu amante, Egisto. Este fato colocou Orestes num beco sem saída. A maior obrigação de um grego era vingar seu pai em caso de assassinato mas, por outro lado, a coisa mais abominável que um jovem poderia fazer era assassinar a sua mãe. Orestes decidiu matar a mãe, foi condenado e os deuses decidiram que as Fúrias, que eram deidades vingadoras na mitologia grega, e em número de três, iriam rodear Orestes tagarelando culpas nos seus ouvidos e causando alucinações que o levariam à loucura. Por anos, as Fúrias o perseguiram até que Orestes resolveu pedir aos deuses que o aliviassem da pena. Houve um novo julgamento em que o deus Apolo foi seu defensor, e nele mostrou que Orestes não tivera nenhuma possibilidade de uma outra escolha que não as que lhe haviam sido impostas e, por isso, não podia ser considerado culpado. Os deuses do Olimpo resolveram então absolver Orestes que, neste exato momento, e para espanto de todos, se opôs a Apolo dizendo que se achava culpado, pois que não tinham sido os deuses e sim ele mesmo que matara a sua mãe, com as suas próprias mãos. Nunca antes outro ser humano havia colocado a verdade dos fatos de tal forma que lhe fosse tão adversa, especialmente depois de haver sido absolvido. Diante disso, os deuses decidiram manter a suspensão da pena e as Fúrias foram substituídas pelas Eumênides, também outras três deidades da mitologia grega, que eram as “portadoras da graça”. Eram, pelo contrário, vozes de sabedoria, dos espíritos ligados à Terra e associados à fertilidade, tendo também funções sociais e morais. O mito mostra que a verdade, levada ao extremo, foi capaz de transformar a doença mental em saúde e o preço foi a verdade a qualquer custo.
O programa de recuperação de A.A. nos mostra que o caminho da verdade tem que ser percorrido continuamente. É uma busca, um trabalho para toda a vida porque meia verdade ainda é uma mentira. Por outro lado, embora a verdade tenha que ser total e completa, conforta a lembrança de uns pensamentos de A.A. que dizem que se deve preferir o “progresso e não a perfeição” e que se deve “ir de vagar, mas ir”. É preciso ver clara e diretamente a verdade da nossa experiência a cada momento vivido, estar atento, estar consciente. De outra forma, a maior parte da nossa vida é conduzida por um piloto automático que funciona na base da ganância, do medo, da agressão, da busca de segurança, de afeição, de poder, de sexo, de riqueza, de prazer e de fama. Se vivermos agindo de modo a causar sofrimentos para nós e para os que nos cercam, é impossível que a mente se torne serena e centrada como é também impossível abrir o coração. A concentração e a sabedoria se desenvolvem rapidamente na mente baseada na generosidade e na verdade.
Por outro lado, não podemos cair numa historinha que ouvi contar, chamada de “A Caverna da Verdade”. Sabendo da existência dessa caverna, algumas pessoas decidiram conhecê-la. Fizeram uma longa viagem e, finalmente, ao chegarem à entrada, encontraram um guarda e perguntaram se aquela era a Caverna da Verdade, ao que o ele respondeu que sim. Perguntaram se podiam entrar e ele respondeu questionando o quão profundamente eles queriam ir caverna adentro. Conversaram entre si e retornaram dizendo que gostariam de entrar na caverna, mas só o suficiente para dizer que tinham estado lá. Essa história vem à lembrança quando resolvemos desenvolver uma maneira de vida que requer uma honestidade total. É preciso que não se queira ser honesto apenas na medida necessária para dizer que apenas visitamos a verdade e a honestidade. Temos que ir até o fundo, na caverna, para crescermos na honestidade.
Uma outra dificuldade encontrada nessa busca é o medo das conseqüências e da dor que a honestidade pode trazer. Mas, ao compartilhar as suas experiências pessoais no grupo, o alcoólico vai chegar à conclusão de que a desonestidade é ainda mais dolorosa e perigosa. As conseqüências, a curto prazo, de ser honesto são melhores do que as de continuar na desonestidade e é importante destacar que os benefícios que resultam da honestidade serão colhidos logo em seguida.
Até aqui o foco foi colocado sobre o presente e o passado. Mais adiante, na recuperação, a honestidade vai deixar claro que a vida do companheiro tem propósito e sentido, que pode ser útil aos outros, que passa a fazer a diferença e que, se não significa nada para muita gente, torna-se muito importante para os companheiros do seu grupo e para ele próprio.
E como ser honesto? É não ter a intenção de enganar, nem a si nem os outros e nem o Poder Superior. É como parar de beber, é parar. Não há alternativas para essas situações. Cabe aqui uma lembrança: é preciso ir com cuidado e ter paciência neste caminho porque ser brutalmente honesto pode ser mais brutal do que honesto. Finalizando, vimos que o outro, agora, não só existe e ocupa um espaço no interior de cada um companheiro, mas que também é percebido como de fundamental importância para progredir na recuperação, para encontrar a verdade da vida vivida em comunidade e, por isso, enriquecida. Para alcançar um novo equilíbrio, um grau de harmonia indispensável à paz interior e os outros também são indispensáveis para encontrar a honestidade.

A TRANSFORMAÇÃO COPERNICANA DO EU
O ideal superior, livremente escolhido e assumido, de manter as portas do grupo abertas para poder estender a mão àquele que ainda sofre nas garras do alcoolismo e de levar a mensagem de A.A. faz com que os membros do grupo cooperem entre si e, com essa atitude, favoreçam o aparecimento de um clima de entendimento e de harmonia, do qual resulta que o comportamento dos membros do grupo, como um todo, se torna mais social. Vale, neste ponto, enfatizar que a harmonia e a sociabilidade eram tudo o que não ocorria com o alcoólico no tempo da ativa. No grupo, desenvolvem a capacidade de acolher, de serem solidários e cooperativos, de conviver com o diferente, com o outro.
Ao cooperar, o companheiro aprende a amar e ama porque coopera com os membros do grupo para alcançar este importante objetivo. Caminha para a solidariedade deixando para trás de si, muitas vezes, a indiferença de um orgulhoso individualismo. O amor é a conseqüência natural da cooperação com os demais membros do grupo e uma decorrência dessa cooperação. Amar o próximo é algo próprio do ser humano, é manifestação do seu poder de se relacionar com o mundo. Dentro desse clima, o grupo passa a desempenhar o papel de um equipamento coletivo no qual o alcoólico se desloca do egocentrismo e do individualismo para o sociocentrismo. Vivendo nesse ambiente e participando dessa dinâmica, o membro do grupo caminha para uma ampla e completa cooperação e é na socialização que ele se torna mais homem e mais humano. O homem só pode se realizar e ser feliz em ligação e solidariedade com os seus semelhantes.
Em Alcoólicos Anônimos, o alcoólico deixa de ser o centro dos seus próprios interesses e um outro companheiro passa a se constituir num novo pólo mobilizador dos seus esforços, fora de si mesmo, e que vai mudar a sua maneira de se sentir e de ver o mundo que o cerca. O Décimo-Segundo Passo é mais do que uma invocação a se amarem uns aos outros. A sua prática se torna a própria instrumentalização do amor ao próximo. Representa um forte estímulo para que se desenvolva o sentimento de amor ao próximo de modo objetivo, real e eficaz. É como um exercício que desenvolve e fortalece o amor ao próximo, do mesmo modo que o exercício físico desenvolve e fortalece o corpo. O companheiro, participando da vida do seu grupo, evolui na arte de viver e nela ele é, ao mesmo tempo, o artista e o objeto da sua arte, o escultor e o mármore, o médico e o paciente.
Em tempos passados, existiu um astrônomo chamado Ptolomeu que dizia que a Terra estava no centro do universo e que os astros giravam à sua volta. Isso era muito claro e bastava observar o céu. Muito tempo depois, um outro cientista e astrônomo, Copérnico, descobriu que a verdade era bem diferente, pois que os astros realmente não giravam em torno da Terra e sim do Sol. A Terra deixou de ser o centro e o verdadeiro centro dos movimentos passou a ser o Sol. Por estranho que possa parecer, algo semelhante acontece com o alcoólico no convívio com os membros do seu grupo. Ao praticar o 12º Passo, o alcoólico deixa de ser o centro e o irmão que ainda sofre passa a ser o novo pólo em torno do qual giram a sua motivação e os seus esforços, o que leva a uma profunda modificação nos seus interesses e na sua conduta. Essa mudança traz consigo o deslocamento do egoísmo para uma nova condição, ditada pelo amor ao próximo, que ocorre graças à riqueza do 12º Passo. O Terceiro Legado é uma dádiva no caminho de recuperação do alcoólico.

RESPONSABILIDADE AUTO-ATRIBUÍDA
O fato de assumir o ideal maior de manter as portas abertas e de levar a mensagem de A.A. aos que ainda sofrem coloca a Irmandade em ação, leva aos serviços. Cria a necessidade imperiosa de responder a um ideal assumido, ou seja, conduz à responsabilidade porque torna o membro do grupo capaz de dar uma resposta racional a uma atitude racional, feita tanto a si mesmo quanto aos outros companheiros, e é isso que o torna responsável, um indivíduo moral.
Sabiamente, este entendimento faz com que os companheiros sintam-se responsáveis e assumam individualmente, de per si, a execução dos serviços. Aí está a qualidade de ser ela auto-atribuída. Se fosse imposta por alguém ou por alguma norma, poderia ser rejeitada ou não cumprida, mas como é auto-atribuída e como existe até uma importante e fundamental declaração de responsabilidade que costumeiramente é feita pelos presentes a uma reunião de grupo, esta responsabilidade se torna real e tanto é assim que os milhares de grupos existentes em todo mundo são sustentados pelas suas próprias contribuições.
Como decorrência, cada membro de A.A. irá, com o tempo e na medida do seu progresso ao longo do programa de recuperação, se sentindo crescentemente responsável. Declarar-se e sentir-se responsável representa um notável ganho espiritual. No entanto, há algo mais neste caminho, que é a contribuição que se faz na sacola. Aí não é só dizer ou assumir, mas fazer. O ato da doação torna-se um exercício, um ato real que é feito com as próprias mãos e, mais importante, um ato de vontade. Atua da mesma maneira que a ginástica age sobre o corpo; é uma ginástica da responsabilidade, que fortalece a vontade e muda o comportamento ao longo do tempo.
Um outro aspecto de grande importância que é oportuno destacar no que respeita a contribuição na sacola é que não há o estabelecimento de normas ou critérios quanto ao valor da contribuição. Qualquer forma de imposição de valores, ou até mesmo uma simples sugestão, tiraria o grande benefício que recebe aquele que faz a contribuição. É que, se a ordem ou sugestão viesse de fora, o ato deixaria de ser a decorrência de uma decisão pessoal, que parte da vontade livre de quem faz a contribuição. Como tal, deixaria de ter conteúdo próprio, de ser ato de responsabilidade tomado livremente a partir da própria consciência, de entender que precisa sentir gratidão pelo que recebeu, que é ato de amor pelo irmão que ainda sofre e, também, de ter a característica de ser um ato de poder pessoal, que contribui para desenvolver a auto-estima. Fica a sensação de que não pode tudo nem que não pode nada, mas que tem poder em relação a algumas coisas. Só dessa forma, o ato de contribuição se torna o exercício vivo e prático de responsabilidade, da capacidade de responder e se transforma em ginástica da responsabilidade, de exercício que a fortalece.
Vale lembrar que um dos problemas de vida no tempo do alcoolismo ativo era a irresponsabilidade e não se pode avaliar o número de vezes que um alcoólico, na ativa, foi chamado de irresponsável. O contraste de comportamento acentua o enorme ganho espiritual e a forma de auto-atribuição da responsabilidade não poderia ser melhor porque, desta maneira, funciona.
Há ainda um outro desdobramento não menos importante. Tudo isso poderia ser comprometido se o grupo aceitasse contribuições de fora, de outras pessoas que não fossem membros do grupo. Todo esse ganho espiritual estaria comprometido, todo este mecanismo maravilhoso de construção de uma personalidade sadia seria anulado. Mas não se aceitam contribuições financeiras ou aquelas que possam resultar em ganho financeiro e fica assim assegurada a evolução espiritual.
Pode-se identificar, dentro deste ganho espiritual, um importante deslocamento em direção à revolução copernicana do eu, à atenuação de egos inflados e do individualismo áspero.

OPÇÃO POR SER E NÃO POR TER
O recolhimento de recursos financeiros poderia levar a sérios problemas, a conflitos insuperáveis. Alguém, muito importante no mundo dos negócios e que conhecia muito de dinheiro, advertiu, no início da vida da Irmandade, para o fato de que o dinheiro poderia estragar aquele movimento. Mas o perigo foi superado na opção feita pela pobreza, por querer ser e não por ter.
Despreocupados com os problemas do ter, os membros de A.A. têm o espaço aberto para desenvolver o ser. Estão conscientes de que a nossa importância, como seres humanos, não se origina a partir das coisas que apenas possuímos de modo tão passageiro. Querer ter mais, possuir mais não significa ser mais.
Como não há limite para a vontade de possuir mais, o desejo de ter mais leva ao egoísmo e ao individualismo que, por sua vez, não conduz à harmonia nem à paz. Sabemos que a cobiça e a paz se excluem mutuamente. O desejo de querer ter sempre mais leva ao antagonismo entre as pessoas. Uma sociedade, baseada predominantemente no ter, é uma sociedade doente, constituída por pessoas doentes. Não obstante, no mundo que nos cerca, o objetivo maior das pessoas é ter, de tal forma que se pensa que se uma pessoa nada tem, nada é. Mas o sentido da vida é ser muito e não ter muito. É necessário, isto sim, ter o suficiente para poder ser.
Quando uma associação humana como o A.A. se volta para o modo ser de existência, ela faz com que as pessoas dos alcoólicos sejam o centro das atenções, dos esforços e das atitudes, em oposição ao modo ter em que tudo se volta para as coisas. No A.A., o importante é a pessoa do doente alcoólico e esse objetivo não se desloca para o desejo tão generalizado de ter porque a Irmandade optou por ser pobre e se programou para ter apenas o que é essencial ao seu funcionamento e, com isso, evita que o foco das suas atenções se desloque das pessoas para as coisas.
O desejo de ter é tão generalizado que as pessoas chegam a se orgulhar de ter um horrível reumatismo, de ter um grande problema e vemos até que alguns dos nossos desejam ter a maior história de desgraças para relatar. O desejo de ter é de tal forma generalizado, tão enraizado na mente das pessoas, que elas querem ter até coisas que são abstratas e, assim, dizem que têm uma idéia e não que pensam ou que concebem, que têm amor e não que amam, que têm ódio e não que odeiam, que têm desejo e não que desejam, que têm saudade e não que sentem falta, que têm vontade e não que querem; isto é, preferem usar mais o substantivo, que define a coisa, do que o verbo. É difícil que as pessoas entendam que há um outro modo de vida, um modo voltado para ser, que é o modo de Alcoólicos Anônimos. Em A.A., os seus membros procuram ser: dignos, honestos, fraternos, bons companheiros, compreensivos e amáveis, bons pais, bons amigos, bons filhos, bons cônjuges, etc., representando tudo isso um ganho espiritual e um novo potencial de desenvolvimento.
Os modos de ter e de ser caracterizam dois tipos diferentes de comportamento, de pessoas que têm maneiras diversas de sentir, de pensar e de agir. No modo ter, as pessoas querem possuir tudo e todos enquanto que o modo ser traduz vitalidade e força espiritual que leva a um relacionamento amoroso e pacífico.
Com vitalidade e força, o modo ser traduz-se em atividade, processo, movimento. Ser é vida, nascimento, renovação, fluidez, criatividade. Ser quer dizer mudança e transformação para melhor porque mudança e crescimento são qualidades do processo, daquilo que tem vida, e o Programa de Recuperação é todo de crescimento espiritual, é todo um processo de mudança interior, de reformulação de vida, que encontra no modo ser do grupo o ambiente ideal para o pleno desenvolvimento dos membros de A.A..

CONHECE-TE A TI MESMO
O Programa de Recuperação de A.A. é constituído por Doze Passos, quase todos voltados para o autoconhecimento. Ao praticar esses passos, o membro de A.A. inicia uma jornada para dentro de si mesmo que lhe dará valor e grandeza espiritual, além de melhorar a única parte do mundo que depende só de nós, que somos nós mesmos. Praticar os passos representa um esforço que os membros de A.A. realizam para ter um melhor conhecimento de si mesmos. É comum observarmos que as pessoas dediquem seus esforços para conhecer as coisas do mundo e pouco ou nenhum para conhecer a si mesmos. Mas sempre e, em primeiro lugar, o homem precisa saber sobre si mesmo e responder à pergunta: quem sou eu?
Em Alcoólicos Anônimos, a jornada rumo ao interior começa logo no Primeiro Passo, quando o companheiro reconhece e admite a sua impotência perante o álcool e identifica a perda do domínio em relação à sua vida. No Segundo Passo, ele encontra o Poder Superior dentro de si mesmo, encontra o sopro divino, a força criadora que deu origem à sua própria existência. Identifica no Terceiro Passo o enorme poder desta Força que o criou e que, ao mesmo tempo, está no seu interior. Tudo acontece como está escrito: “Ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro. Tirou-me de um poço de perdição, de um tremendal de lama, colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos”.
No Quarto Passo esmiúçam as suas entranhas cuidadosamente e identificam as origens das suas culpas e vergonhas. O Quinto Passo leva ao conhecimento, a ter consciência de toda a sua trajetória de vida e com ele conhece a natureza exata das suas falhas. Nos Sexto e Sétimo Passos, o membro de Alcoólicos Anônimos entra em comunhão com aquela força que lhe foi dada como herança, a herança de si mesmo, dada pelo Criador. Ao praticar o Oitavo Passo, o companheiro dá início à solução de um grande número de problemas, começa a se harmonizar com o mundo exterior e consigo mesmo e a desfrutar de uma grande paz. Num plano mais elevado e dispondo de maior lucidez e de discernimento, aprofunda o conhecimento de si mesmo e, por último, estreita o seu contacto com o Poder Superior nos Décimo e Décimo Primeiro Passos.
Enquanto os membros de Alcoólicos Anônimos estiverem praticando o programa de recuperação, eles serão sempre seres humanos voltados para o conhecimento e para a conquista de si mesmos. Caminham em direção aos seus interiores e, no fim das suas jornadas, encontrarão a subjetividade, encontrar-se-ão como sendo seres únicos na Criação, com valor e conteúdo interior que darão sentido às suas vidas. Por último, perceberão que são um fim em si mesmo e que têm espírito próprio.
O programa de recuperação está voltado para a descoberta do mundo interior, para o encontro da espiritualidade, para a solução dos problemas mais íntimos, para a percepção do próprio valor e para o encontro da subjetividade.
Uma das maneiras de se evitar a dor é apagar a consciência e aí uma boa solução é tomar uma anestesia ou usar drogas psicoativas. Mas embora a consciência seja a causa da dor, ela também é a nossa salvação porque a saída do problema da dor se faz pelo processo de nos tornarmos crescentemente conscientes, e isso é o que ocorre ao longo do caminho sugerido pelo Programa de Recuperação.

HUMILDADE
Por último, vamos enfocar um atributo que é absolutamente indispensável à recuperação, a humildade. Ela está presente em cada Passo do Programa de Recuperação, está no fundamento de todo o progresso alcançado ao longo do caminho percorrido em direção à recuperação. Para entender melhor o significado da palavra, consultamos o dicionário e vimos que humildade é a qualidade de ser modesto ou respeitoso e modesto é não ter ou expressar uma opinião muito elevada acerca das suas próprias realizações ou habilidades; não ser exibido, arrogante ou pretensioso.
Neste aspecto da evolução espiritual, vamos nos deparar com uma realidade que nos levará, para o seu estudo, a um modo diferente de abordagem. Só é possível enxergar a partir de um determinado ângulo. É preciso abordar o assunto a partir de uma ótica própria, a da humildade. Pela sua importância, este é um tema freqüentemente abordado em reuniões de estudo porque sabemos que representa uma pré-condição para o crescimento indispensável, não só para manter sóbrio o alcoólico mas também para que possa progredir na sua recuperação. Por outro lado, é um tema que se tem mostrado difícil de abordar.
É que há uma realidade que precisamos considerar. Neste momento, optei por escrever algo do que venho aprendendo durante anos e posso escrever agora porque tenho todas as condições para isso. Mas não posso querer que alguém vá ler o que escrevo. De um lado, eu posso optar por usar os meios necessários para escrever, mas de outro, posso apenas e tão somente procurar uma orientação, uma direção, um contexto que, espero, possa levar as pessoas a lerem o que escrevo, mas não mais do que isso. Posso escrever, mas não posso querer que alguém leia o que escrevo, posso continuar escrevendo agora, mas não posso querer que alguém continue lendo.
Humildade é outra coisa que o alcoólico não pode querer, como quero escrever porque tenho os meios. Ele pode não ingerir o primeiro gole, ir a uma reunião de grupo ou trabalhar os Passos do Programa. De outro modo, como sem esforço pego a caneta, ele pode fazer a coisa fácil de pegar o telefone para falar com o padrinho ou pegar o carro para ir ao grupo, mas o que ocorre quase sempre é que acaba indo comprar bebida. Os dois modos de agir são profundamente diferentes.
Da mesma forma, posso desejar conhecimento, mas não sabedoria, submissão, mas não humildade; auto-afirmação, mas não coragem; proximidade física, mas não intimidade emocional. O fato é que podemos querer e ter algumas coisas, mas outras ficam fora da nossa vontade e podem acontecer ou não. Sobriedade, sabedoria, humildade, coragem e amor não são objetos e o que podemos fazer é optar por nos movermos em direção a elas. Como vemos, a humildade está nesta categoria. Ela não pode ser comprada e também não se pode decidir ter. É conseguida indiretamente ao trabalhar os Passos.
Somos limitados porque somos humanos e por não haver absolutos e nem ilimitados no nosso poder humano é que o A.A. aconselha que devemos procurar “progresso e não perfeição”. Assim, os companheiros irão progredindo e se tornando crescentemente humildes.
O alcoólico é como a criança a quem chamamos de reizinho. Quer porque quer e quando quer; o mundo tem que suprir as suas necessidades. Daí o comportamento grandioso. Costumam pagar a conta de quem não conhecem e dão presentes estapafúrdios. A recuperação depende basicamente de assumir atitude humilde e de aceitar a sua impotência diante do álcool e também de admitir que perdeu a capacidade de governar a sua vida.
Embora geralmente seja menos visível, costuma também existir uma baixa auto-estima, que se identifica no comportamento que oscila entre posso tudo e não posso nada, mas sempre achando que é diferente. No trabalho com os 12 Passos, o alcoólico desenvolve um senso mais profundo e seguro de auto-estima.
Embora os alcoólicos relutem em admitir que necessita de ajuda, em aceitar que o Poder Superior possa devolver a sanidade às suas vidas, essa é uma atitude de humildade indispensável para o progresso espiritual e os fazem reconhecer que tanto são únicos como comuns porque compartilham de todas as coisas que são importantes com o resto da humanidade. Também a 12ª Tradição os relembra para colocar os princípios acima das personalidades, e essa é mais uma lição de humildade. Adiante, estando dispostos a aprender, os alcoólicos vão admitir que necessitam da ajuda dos outros para iniciar a sua recuperação e aprender com esses outros a crescerem na sobriedade. Não podem crescer sozinhos e, por outro lado, ninguém pode fazer isso por eles.
A aceitação das conseqüências das suas ações ajuda a perceber a relação de causa e efeito que rege a vida. Aqui, já estão uns primeiros passos e a humildade trabalha entre os dois extremos de comportamento do alcoólico. Os outros, em algum momento, passarão a existir no seu interior e, depois, o companheiro verá que eles continuarão sendo necessários ao longo da recuperação.
Freqüentar reuniões, ler a literatura e compartilhar os seus problemas com o padrinho são de grande valia para se manter sóbrio e também para crescer na humildade. Por outro lado, humildade e humor estão relacionados. O A.A. lembra: “não se leve tanto a sério”. Os companheiros do grupo, às vezes, furam os balões da grandiosidade de um companheiro e, em outras ocasiões, os tiram das profundezas da autopiedade. Isso os faz progredir no caminho da humildade. Rir do passado não significa ter uma atitude irresponsável, mas apenas ver em perspectiva e perceber que as suas ações, pensamentos e sentimentos não estão no centro do universo. Além do mais, tudo isso ajuda a tirar o foco de cima do álcool. Afinal, ninguém, estando bem, resolve ir para o A.A.. É preciso reconhecer que essa atitude é tomada a partir de uma vida de dor, medo, frustração e raiva.
Com o tempo, os alcoólicos em recuperação se dão conta de que estão menos autocentrados, de que as suas vidas estão enriquecidas e a sobriedade é percebida como sendo compensadora. A vida passa a ser organizada também em torno do que podem fazer pelos outros e passam a compartilhar com eles o que têm recebido. Isso já significa o despertar da humildade.
A humildade é também buscada quando resolvem ter a gratidão como um modo de vida e isso porque os ajuda a ver a vida a partir de uma perspectiva diferente. Uma boa maneira de desenvolver este sentimento é anotar todas as coisas em relação às quais devem ser gratos no decurso de um dia. Passam a reconhecer o que lhes foi dado e se importam menos com o que realizam. Um outro modo é desenvolver o hábito da admiração. Admirar o por do sol, o mar, a chuva, etc, porque os tira de dentro de si mesmos de uma maneira sadia. Os serviços realizados no grupo também ajudam a desenvolver a humildade. Ouvir e compartilhar leva a uma saudável e feliz sobriedade. Com a humildade surge o agradecimento, que é a resposta natural à generosidade com que os alcoólicos são recebidos no grupo. É um sentimento profundo e, estando agradecidos, se doam aos outros, de tudo resultando a amizade, o amor e, numa palavra, a solidariedade.
Os que conquistaram um estágio mais avançado de crescimento espiritual, uma maior consciência, são possuídos por uma feliz humildade. Conscientes da sua ligação com um Poder Superior, têm o grande desejo de que “seja feita a Vossa vontade – fazei de mim o Vosso instrumento”.

SER SANTO
Muitas vezes ouvi companheiros dizerem que se fossem seguir os princípios de A.A. se tornariam santos e, por causa disto, não se empenham tanto no Programa de Recuperação. Mas, ao admitirem que “um Deus amantíssimo Se manifesta na nossa consciência coletiva” e, portanto, que está entre eles, no convívio enriquecedor de verdadeiros irmãos, é inevitável assumir que estão crescendo em direção à divindade. Esta é uma idéia muito simples, mas também muito exigente. Se podem alcançar a divindade, então terão que cuidar do crescimento espiritual, buscar níveis progressivamente mais altos de consciência e de atividade amorosa. Assim, o trabalho nunca estará feito, acabado. O crescimento espiritual é um anseio para toda a vida, além do que, é também um caminho trabalhoso, que exige esforço. Talvez esta seja uma desculpa para explicar as dificuldades que encontram ao praticar os Passos porque elas ocorrem naturalmente, uma vez que é preciso coragem, determinação, empenho, constância e coração forte e não é sempre que encontramos pessoas com estes atributos. Entendo também que nascemos para ser santos e o problema é que não conseguimos realizar todo o potencial que temos dentro de nós nem, usualmente, ir tão longe no caminho que nos é sugerido pelo A.A.. No entanto, no meu julgamento, encontrei, ao longo dos mais 30 anos de convívio com membros de A.A., alguns companheiros que penso que são santos. São pessoas maravilhosas, que irradiam uma paz muito grande e possuem uma riqueza interior deslumbrante. Muitos se constituem em figuras exemplares. São excelentes em virtudes e em santidade. São luzes que guiam mais pelo exemplo que pelas palavras. Com os seus depoimentos, estimulam a sermos mais fraternos, termos mais compaixão, sermos mais humanos e espirituais. Tenho desfrutado de grande felicidade na companhia deles. Para mim, são santos e as suas atitudes têm a pureza, a retidão e a reverência como fundamento.

AS INCERTEZAS E OS QUESTIONAMENTOS
Até aqui, as minhas certezas. O que vi e ouvi. O meu entendimento. Não a partir de uma visão idealizada, mas sim a partir da constatação da existência de um ideal perfeitamente realizável e, muitas vezes, realizado. Um caminho que, realmente, está aberto e posto como opção: de percorrer ou não ou até o ponto que se consiga ou deseje alcançar. Fica a idéia de busca a ser empreendida ao longo de um caminho delineado.
A lenda do Graal possui uma vitalidade mágica e por isso é uma lenda viva, que existe há mais de 900 anos e desperta a imaginação e o espírito. Ela também traz a idéia de busca, a busca do Santo Graal. Falar do Santo Graal desperta a imaginação e mobiliza para alguma coisa que está no inconsciente coletivo. A lenda tem origem numa história que resultou de uma mistura e de uma fusão de crenças e lendas populares, chegando a uma imagem sonhada e arquetípica de uma busca final e definitiva para todos e para todas as coisas.
Na época em que a lenda apareceu, a Europa vivia tempos particularmente difíceis, com o poder político fragmentado, onde grupos armados errantes saqueavam as colheitas. Havia fome, epidemias, guerras, tudo isso levando a um profundo empobrecimento da população e gerando insegurança e ansiedade. Nesse ambiente, e como ocorreu em outras épocas, surgiu um grande fervor religioso não só entre cristãos, mas entre os outros povos da região.
Inicialmente, a lenda do Santo Graal era celta e, portanto, pagã, e estava muito ligada aos feitos da cavalaria. Mais tarde, foi cristianizada pelos monges da Ordem de Císter que não tanto a mudaram, mas sim, lhe deram conteúdo cristão. Resultou que o Santo Graal ficou sendo entendido como sendo o cálice usado por Cristo na Santa Ceia e que, mais tarde, foi usado por José de Arimatéia para recolher o sangue que escorreu das feridas do Cristo, quando da crucificação. Ao retornar à Bretanha, o cálice passou de geração em geração, dentro da família de José. O Graal tinha propriedades milagrosas e podia fornecer alimento aos sem pecado, mas cegar os impuros e fazer ficar mudos os irreverentes.
Na lenda, estava implícita a busca de um objetivo geralmente tido como sendo um cálice que só poderia ser alcançado por um ser humano puro. Essa lenda teve evolução diferente em diversas regiões. Na que hoje é a França, a lenda deu origem aos ideais de cavalaria, aos cavaleiros e aos trovadores que cantaram e difundiram os fatos e lendas daquele tempo. Eram cavaleiros galantes que cantavam os grandes ideais e a beleza de nobres senhoras. Na região em que hoje está a Alemanha, a lenda evoluiu para o aparecimento de seres perfeitos e puros que tinham condições de alcançar o Graal. Sobressai aí a figura de um grande personagem, Parsifal. Na Irlanda e na Gran Bretanha houve forte influência de poderes mágicos e de fatos extraordinários ocorridos na corte do rei Artur e do mago Merlin; havia o sentido do fantástico, dos poderes misteriosos, do sobrenatural. Nesta corte, nasceu Galahad, herói e cavaleiro perfeito, sem qualquer defeito de caráter, que se lançou na busca do Santo Graal, sendo essa a parte central da literatura arturiana e do romance medieval de Parsifal.
A grande aventura era chegar ao Santo Graal, sem defeitos, e o contacto com ele, tendo no seu interior o sangue de Cristo, seria o contacto direto com o Cristo e, por meio dele, com o Criador, o Poder Superior. Mas isso só os puros podiam fazer. Comecei a me perguntar se não seria o crescimento espiritual em A.A. um caminho de purificação de modo a tornar alguns companheiros santos. Não teriam eles tido, uma vez que sem defeitos de caráter, algum contacto simbólico com o Santo Graal que os teria tornado santos? Não seria o caminho do crescimento espiritual uma busca, uma trajetória, da mesma forma que o caminho percorrido pelos cavaleiros puros na busca do Santo Graal? Aqueles que alcançassem um nível espiritual elevado, como Galahad e Parsifal, teriam a ventura, rara, de alcançar o Santo Graal. Alguns dos santos que conheci em A.A. foram chamados e moram em algum reino situado além das galáxias, mas outros ainda andam por aqui e vim à Convenção para ter a ventura de conviver um pouco mais com eles e para conhecer mais alguns.

ESPERANÇA

Há uma velha história mexicana que ilustra a importância da esperança para uma vida plena e saudável. A história diz que, um dia, o diabo decidiu deixar o negócio. Fez um leilão para oferecer todos os instrumentos de tentação que havia usado. Muitas pessoas compareceram esperando encontrar um meio de realizar os seus desejos por meio desses instrumentos. O leilão começou cedo mas não havia muito interesse por ele, como se poderia esperar. De fato, as pessoas estavam surpresas de ver a maior parte dos instrumentos novos e brilhando, como se nunca tivessem sido usados.
Os lances estavam baixos e a maior parte dos instrumentos tinha sido vendida por um preço baixo. Lá pela tarde havia apenas um que diferia dos outros pelo fato de que estava bem usado e, assim, o leilão começou com valores altos e que continuaram a subir ainda mais. Algumas pessoas perguntaram aos assistentes do diabo o que havia com esse instrumento que o levava a um preço tão alto. Os assistentes responderam que era a ferramenta que o diabo usava mais freqüentemente e achavam que lhe era a mais útil. Era a tentação para cair em desespero. Eles explicaram que o demônio achava que, uma vez que conseguia que as pessoas abandonassem a esperança, o resto era fácil.
Muitos que estão em recuperação podem lembrar dos tempos em que viveram sem esperança. A sua falta produzia a sensação de iminente perdição. Ainda quando nós ocultávamos o nosso desespero e o medo do futuro debaixo da máscara da bravura, tudo indicava que estávamos presos a uma situação que só poderia piorar. Contemplamos o suicídio como uma maneira de sair da situação. Estando sem esperança, não tínhamos a sensação real de que o futuro poderia ser diferente do presente.

EXPERIÊNCIA+FORÇA=ESPERANÇA
O preâmbulo de Alcoólicos Anônimos nos diz que o A.A. é uma Irmandade em que as pessoas compartilham suas experiências, forças e esperanças. De fato, a experiência, a força e a esperança estão interligados. A origem da nossa força está em compartilhar abertamente a nossa experiência de recuperação. O desejo de compartilhar aquilo que funcionou para nós, os erros que cometemos, e mesmo assim sobrevivemos, as dificuldades que superamos, a nossa disposição para aceitar o cuidado dos outros na recuperação, tudo contribuiu para uma força que nenhum de nós tinha dentro de nós mesmos. Poderíamos entender também que esta disposição para compartilhar não é uma questão de escolha para nós. Compartilhar uma experiência não é só uma troca de “histórias de guerras” dos nossos dias bebida. Necessitamos de compartilhar a experiência de hoje se queremos encontrar a força necessária para vivê-lo.
É a experiência compartilhada, mais a força que flui do próprio ato de compartilhar, que se tornam os fundamentos da esperança. A esperança é pessoal mas nunca individual, isto é, pode e precisa ser passada para os companheiros. A esperança é a realidade compartilhada ou não é, de modo nenhum, real. Esta é uma afirmação extrema mas, ao exame, parece ser verdadeira. É mais óbvia ainda no caso da sobriedade. Muitos têm tentado ir sozinhos, fazer do próprio modo e então descobriram que não podiam. A tentativa de viver para si mesmos e por si mesmos inevitavelmente termina em frustração e desespero. Só quando começamos a compartilhar a nossa experiência é que ganhamos força e podemos começar a ter esperança.
Essa lição simples que primeiro aprendemos em termos de sobriedade é, às vezes, difícil de aplicar em outras áreas da nossa vida. Mesmo depois de anos de sobriedade, podemos sentir uma falta de plenitude em nossas vidas e que vemos em outros que estão à nossa volta. Podemos descobrir que temos uma falta de esperança no futuro. A rotina, a falta de gosto de viver, até mesmo um sentimento de cinismo, podem se insinuar nas nossas vidas cotidianas. O futuro pode ter uma outra promessa, que não da confusa sensação de ir levando, de passar pela vida. Essa falta de esperança em relação ao futuro pode estar relacionada à nossa necessidade de compartilhar experiência e força. Não podemos apenas estar desejosos de dar, mas também de estar abertos para receber dos outros. Uma das coisas que pode acontecer é que nos tenhamos tornado doadores e não recebedores. A esperança pode ser revitalizada pela disposição de aceitar a ajuda dos outros, ao permitir que as nossas vidas sejam tocadas e influenciadas pelas experiências dos outros e pela sua força. Não podemos apenas estar desejosos de dar, mas também estar abertos para receber dos outros. Pode acontecer que nos tenhamos tornado doadores e não recebedores. A esperança pode ser revitalizada pela disposição de aceitar a ajuda dos outros, permitir que as nossas vidas sejam tocadas e influenciadas pelas experiências dos outros e também pela sua força.

ESPERANÇA VERSUS FANTASIA
Gastamos muito tempo com o pensamento mágico e cheio de desejos, quando estávamos bebendo ou usando. Poderíamos ter fantasiado acerca de ganhar na loteria, de ter uma importante promoção ou de achar exatamente a pessoa certa que faça a vida valer a pena. A nossa adição nos encoraja a viver na fantasia mais do que na realidade.
A diferença entre fantasiar e ter esperança está na sua relação com o presente. A fantasia não tem nenhuma relação com o presente de uma forma real. É simplesmente um mundo criado pelas nossas vontades e desejos, e isso sem que se tenha dado um só passo para ir daqui para ali. É verdade que alguns ganharam na loteria, que podemos ter recebido uma promoção inesperada ou que tenhamos encontrado alguém especial que faça a diferença real em nossas vidas. Mas nós temos, pelo menos, que fazer um esforço para comprar um bilhete, ou fazer o esforço de sair e encontrar a pessoa.

ESPERANÇA E SIMPLICIDADE
Um dos maiores bloqueios para o surgimento da esperança é a nossa tendência para complicar uma situação. Dê a nós cinco minutos para ficar sozinhos com um problema simples e poderemos criar um labirinto que desafia a imaginação. Essa tendência era constante antes de recuperação ter sido iniciada, mas a nossa capacidade para complicar continua na recuperação.
Albert Einstein desenvolveu grandes teorias matemáticas muito antes dos dias dos computadores. No entanto, ele teve como espaço apenas os quadros negros nos quais fazia as suas complicadas fórmulas matemáticas. Sempre que se retirava, deixava uma recomendação em cada quadro negro que dizia “apagar” ou “não apagar”. Um dia, o homem da limpeza chegou à sala e viu que Einstein escrevera “apagar”, exceto um pequeno canto. Nele marcou com um quadrado em que escreveu uma famosa fórmula e debaixo dela escreveu “não apague”. A fórmula era 2+2=4. Einstein, com o seu grande gênio matemático, podia ir para o que é mais complicado e muito além da capacidade da maioria das pessoas. Ele não só tinha o senso de humor, mas também a idéia da importância do básico.
Simplicidade na vida não é ser bisonho. Uns podem ter uma predisposição natural para uma vida mais ordenada e para um estilo de vida mais simples do que outros. Todos nós tendemos, no entanto, a deixar a nossa vida desnecessariamente desordenada. A confusão se torna um bloqueio real para o surgimento da esperança e isso porque, por vezes, nos encontramos, embora de forma não consciente, no meio de contradições. Um exemplo de contradição é a que ocorre quando queremos beber ou usar e, ao mesmo tempo, permanecer sóbrios e não causar problemas. As contradições nos levam a conflitos internos porque estamos agredindo a realidade e tentando moldá-la ao nosso modo. Quando mantemos a esperança simples e direta, podemos nos harmonizar com a realidade e a nossa esperança terá uma chance maior de sobreviver.
Às vezes, necessitamos compartilhar as nossas esperanças para ver se são contraditórias. Se não, temos que abandonar um desejo em favor de outro, ou botá-lo em espera por um tempo. Por exemplo, alguém pode desejar completar treinamento para uma nova carreira, desenvolver alguns hobbies ou buscar uma relação. Essas coisas não têm que estar em conflito, mas podem estar. Pode ser necessário dar prioridade a uma em relação a outra. Em cada caso, entretanto, precisamos nos manter em alinhamento com a esperança básica de viver sóbrios. Ao tomar providências para realizar algumas das nossas esperanças, pode acontecer um conflito com o nosso programa básico, e então podemos causar problemas. Manter as coisas simples, neste caso, significa compartilhar esperanças com os outros de modo que nos mantenhamos do conflito e conservamos a nossa sobriedade na perspectiva própria.

ESPERANÇA E PACIÊNCIA
Em relação à maioria, a paciência não tem sido uma das características mais fortes. Por exemplo, tendemos a ser pessoas que desejamos tudo e agora. Ter esperança não é exigir. Alguns se conhecem suficientemente bem de modo a ter o entendimento necessário para estar consciente de que, freqüentemente, reagimos em excesso em resposta aos nossos pensamentos e desejos. Aprender a ter esperança é aprender a ter paciência. Novamente, a experiência compartilhada e a força de muitos companheiros em recuperação têm nos ensinado que ainda as nossas mais elevadas esperanças podem ser realizadas, mas não necessariamente no nosso tempo programado, ao nosso modo. A impaciência pode ser inimiga da esperança. Podemos saber, a partir da experiência, que a impaciência tem arruinado, por vezes, uma relação ou um trabalho. Podemos agir muito rapidamente, sem consulta ou oração e arruinar uma amizade. Podemos aprender a partir dos erros decorrentes da impaciência e a importância de dar um tempo. De fato, a paciência não significa simplesmente esperar e olhar a grama crescer. Paciência é esperar com esperança.
Novamente, é útil compartilhar com uma outra pessoa a dificuldade de esperar e de conter a nossa tendência para a impaciência. Pelo compartilhamento, desenvolvemos a esperança e evitamos alguns dos perigos que ocorrem quando nos tornamos excessivamente exigentes. Não há uma fórmula para tudo isso. A arte de viver com esperança é adquirida através da prática e isso significa que todos cometemos enganos. Mas há esperança até mesmo nisso, porque podemos aprender a desenvolver um senso de tempo pessoal, a respeito de quando agir e de quando esperar.

ESPERANÇA, DOR DA PERDA E FRACASSO
De início, pode parecer que a recuperação promete que todos os julgamentos ficarão para traz. A dádiva da sobriedade parece trazer consigo todas as coisas que desejávamos. Nem todas as pessoas têm essa experiência cor de rosa no início da recuperação. Nos primeiros anos, não há muitos que não tenham, em algum momento, o sentimento de que viramos a página. Começamos a suspeitar que a vida irá se desenvolver maciamente para nós. No entanto, depois de algum tempo na recuperação, todos acabam se dando conta de que, embora a sobriedade seja a nossa maior dádiva e as promessas do programa sejam verdadeiras, continuamos a enfrentar a realidade da dor da perda e do fracasso nas nossas vidas.
Esses tempos são muito importantes para nós. Aprendemos que a esperança não é simplesmente um otimismo que nega a dor de viver. Aprendemos, também, que a nossa sobriedade não é frágil. Sobriedade não depende de que as coisas corram da nossa maneira. Não está baseada em sucesso continuado. Descobrimos que a esperança não está fundamentada em nós mesmos mas, antes, num Poder Superior a nós e que nós permitimos que trabalhe nas nossas vidas. É em tempo de dificuldade que chegamos a um entendimento mais profundo da necessidade que temos dos outros para dar suporte para a nossa esperança de viver. A esperança não se afasta alegremente da dor. Ao contrário, ela nos dá condições para enfrentar a dor da perda ou do fracasso.
Entre as mais severas dores que podemos enfrentar está a perda de um ente querido pela morte ou a perda de uma relação como conseqüência do divórcio ou da separação. É importante estar atento para o fato de que a dor de tais perdas não é incompatível com a esperança. A dor é real e nós precisamos sentir pesar pela perda. Muito se tem escrito acerca do fenômeno do sofrimento. Sofrer por uma perda real em nossas vidas é um processo complexo, acompanhado de sentimentos muito intensos. Às vezes, podemos experimentar uma sensação real de culpa. Podemos ter súbitos ataques de raiva na relação com uma outra pessoa, com Deus ou com nós mesmos. Podemos perguntar porque tal perda deveria acontecer. Podemos às vezes perguntar se, tendo trabalhado duramente para estar sóbrio, valeu a pena.
A esperança desempenha duas importantes funções em tempos de perda. Se entendemos a esperança como sendo a confiante expectativa de Deus, isso nos capacita para passar pelo processo de sofrimento, estando sóbrios, e chegar a uma completa aceitação da nossa perda. A esperança nos lembra que, embora a perda de um ente querido por morte ou separação irá ,na verdade, afetar as nossas vidas, a intensidade da emoção passará. A esperança nos encoraja para chegar aos outros e aceitar ajuda. A esperança nos dá força para aceitar os nossos sentimentos e entender que, não importando quão poderosos possam ser, eles não têm o poder de nos destruir.
A esperança também nos capacita para ver a importância de estar pesaroso e de chegar a uma completa aceitação da perda a fim de que a esperança possa florescer novamente. Se tentamos passar ao largo desse processo de pesar tentando acreditar que nada aconteceu ou se nos permitimos ficar presos pela raiva que pode acompanhar o pesar, nós estaremos diminuindo a nossa capacidade de ter uma genuína esperança em relação ao futuro.
Ter pesar pela perda de um amigo ou de uma pessoa querida não é o contrário da esperança. Se uma pessoa tem sido realmente uma benção em nossas vidas e experimentamos a perda dessa pessoa, uma certa tristeza deve se seguir. Mas lamentar a perda não precisa ser para sempre. À medida que lamentamos a perda ou chegamos à completa aceitação dela, um outro futuro começa a emergir. É a esperança que nos permite olhar para frente na vida com calma e confiante expectativa acerca do que é bom.
As dores da perda ou do fracasso freqüentemente são inter-relacionadas e difícil de distinguir. Entretanto, podemos separá-las. Freqüentemente, a perda não é da nossa responsabilidade. O fracasso parece implicar numa sensação de que “poderia ter sido diferente se eu tivesse …”. Ao longo da recuperação, continuamos a aprender a lidar com o fracasso de uma maneira saudável e plena de esperança. Talvez o que a esperança nos ensine, a despeito do fracasso, é que nenhum fracasso é final e dura até o momento em que nós o solucionemos. A perda em não realizar um objetivo acalentado pode ser real. A esperança, entretanto, nos permite conhecer que houve falha e nos ajuda a entender que não significa necessariamente que nós falhamos. Neste caso, a esperança nos capacita para olhar para o que é bom na experiência e em nós mesmos. A esperança nos encoraja a reconhecer, mas a não ficar no passado.
Muitos de nós passamos por significativas perdas e fracassos no nosso beber ou usar. Na sobriedade, aprendemos a olhar para traz e ver que eles não precisam impor danos permanentes nas nossas vidas. Na sobriedade, na medida em que olhamos para a realidade da dor da perda e do fracasso, entendemos que temos recursos para caminhar ao longo do programa e das pessoas que estão nele, o que nunca tivemos antes. A esperança não se vai com a dor, mas nos permite aceitá-la e viver com um certo agrado.

A ESPERANÇA COMO UMA MANEIRA DE SER
A esperança é uma maneira de ver o futuro. Implica não somente em desejar que as coisas sejam diferentes mas num desejo de mudar e na coragem para agir. A esperança nos fala muito acerca de nós mesmos. Ela revela que está presente no fundo dos nossos corações e mentes. Na recuperação, descobrimos que temos esperança não somente em relação a nós mesmos mas também na recuperação dos outros, das nossas famílias e até nas nossas carreiras. A esperança nos leva para fora de nós mesmos, nos ajuda a nos tornarmos menos autocentrados, e ser mais atentos ao bem estar dos outros.
A esperança pode nos ver através da dificuldade e de situações dolorosas e nos dar significação e propósito. Quando as coisas vão bem e a esperança se realizou, temos uma oportunidade para sermos gratos e podemos olhar para um futuro ainda melhor.

DESENVOLVENDO A ESPERANÇA
Há diversas pequenas coisas que podemos fazer para ajudar a desenvolver a nossa capacidade para termos esperança. Podemos, por exemplo, escrever as nossas esperanças e objetivos específicos de uma forma regular e compartilhá-los com os outros. Podemos chamar a isso de um inventário do futuro, mais do que do passado. Ele revelará a diferença entre o que nós realmente esperamos e o que nós fantasiamos.
Um outro meio de desenvolver a nossa capacidade para ter esperança envolve o Passo Onze, que nos chama para melhorar o nosso contacto consciente com Deus na forma que o entendemos, pedindo para saber a sua vontade em relação a nós e o poder necessário para realizá-la. À medida que aprendemos a dar tempo para a oração, descobrimos novas possibilidades que nunca consideramos antes. Se estamos dispostos a oferecer a nossa esperança ao nosso Poder Superior em oração e meditação, nossa esperança será alargada e nós chegaremos a um entendimento mais profundo de que a concretização da esperança não depende somente de nós.
Se estamos desejosos de compartilhar experiência e força, a esperança pode se tornar um modo de vida. Não mais temos que lamentar o passado porque estamos aprendendo como olhar com confiança para o futuro. A disposição de aceitar o nosso passado pode ser a única barreira à esperança. Na medida em que crescemos na honestidade, ganhamos abertura e aceitação, entendemos que a nossa esperança não será em vão. Disposição para examinar e compartilhar nossas esperanças, para ser paciente e manter as coisas simples, para ter tempo para a oração e a meditação, torna-se o fundamento para uma vida atual em que se olha para frente, para o futuro, com a expectativa confiante no que é bom.

SERENIDADE
Dr. Laís Marques da Silva, Ex-Custódio e Presidente da JUNAAB
SIGNIFICADO DA PALAVRA SERENIDADE
Vamos procurar entender o que significa esta palavra tão importante para a recuperação do alcoólico. Consultando o “Aurélio”, vemos que serenidade é a qualidade ou estado de sereno; também suavidade, paz, tranquilidade. Sereno é igual a calmo, tranquilo, manso, sossegado.

COMO SE APRESENTAM OS COMPANHEIROS SERENOS ?
Iniciemos o trabalho fazendo uma pesquisa para aprofundar o nosso entendimento acerca do significado da palavra serenidade. Vamos observar como são os companheiros em A.A. com muitos anos de sobriedade; notamos que são pessoas seguras, confiantes, serenas e relaxadas emocionalmente, apesar de já terem sido, no passado, alcoólicos considerados sem salvação. Este é o modo pelo qual se apresentam os companheiros serenos.

COMO SE SENTEM ?
Mas como eles se sentem? Nas “Reflexões Diárias”, na página 173, temos o seguinte depoimento: ” percebi que estava sentindo serenidade. Era um bom sentimento, mas de onde vinha? Então percebi que ele tinha vindo… como resultado destes Passos”.
Estar sereno é sentir-se bem, sem preocupações e sem pressa. É não estar esmagado pelos compromissos e prazos. É não sentir que o mundo vai se acabar se não fizer as coisas. É viver cada momento da vida. É não levar o peso do passado nem sofrer com as incertezas do futuro. As pessoas serenas aceitam as coisas que não podem modificar, ou seja, aceitam o mundo como ele se apresenta.
Se tivéssemos que pintar o retrato de uma pessoa serena, destacaríamos os seguintes traços e cores: esperança, amor, humildade, honestidade, paciência, fé, sensação de ter valor, alegria, oração constante. Se quizermos ser serenos, teremos que colocar esses traços também na nossa pessoa e, como veremos adiante, há um caminho para conquistar essas qualidades.

ATIVIDADES QUE DESEMPENHAM
Para avançarmos um pouco mais na nossa compreensão de como são as pessoas serenas, vamos ver quais as atividades que elas desempenham: lêem muito, fazem cursos, visitam amigos, fazem caminhadas, apreciam as belezas que o mundo oferece, tocam instrumentos musicais, realizam atividades humanitárias, têem passatempos prediletos, vão à praia, visitam museus, etc. Mas, sobretudo, sempre encontram tempo para as coisas que realmente desejam fazer.
Contemplam o nascer de um novo dia, apreciam o espetáculo do anoitecer, ouvem o barulho das gotas de chuva, sentem o cheiro da relva molhada, ouvem o sussurro das água do rio, do vento nas folhas das árvores e o canto dos pássaros. Sabem que tudo isso lhes é dado graciosamente, mas sabem também que muitas das grandes respostas de que necessitam só chegam nos momentos de silêncio, de contemplação e de meditação
Estudamos detalhadamente o modo de ser e de agir de uma pessoa serena porque a serenidade é a qualidade mais importante que um alcoólico precisa ter para se manter sóbrio. Sem ela, aumenta o autocentrismo, o ressentimento, o desespero e o afastamento da vida social e o mais importante é o fato de que qualquer uma dessas situações pode levar o alcoólico à garrafa.A serenidade vem com o despertar espiritual e com a mudança da personalidade tão importante para a recuperação do alcoólico e que usualmente ocorre de maneira gradual e imperceptível. Faltando a serenidade, o alcoólico fica incapaz de avaliar e de manter esses problemas dentro dos seus devidos limites. A pessoa serena tem uma visão melhor da realidade, é como se ela visse as coisas numa atmosfera clara, em que a poeira já tivesse assentado, enquanto que os que não possuem a mente tranquila não conseguem distinguir as coisas, não avaliam corretamente os problemas do quotidiano; a visão das coisas está prejudicada pela poeira em suspensão e pela fumaça.

SENTIMENTOS E COMPORTAMENTOS QUE DEVEM SER EVITADOS
Vimos como é uma pessoa serena e que traços devemos procurar aprimorar para sermos mais serenos.No entanto, aqui e ali, aparecem os comportamentos que precisam ser evitados e, neste ponto, é preciso nos determos num sentimento que o alcoólico não pode se dar ao luxo de ter- o ressentimento. Na página 82 de Alcoólicos Anônimos encontramos que ” o ressentimento destrói mais alcoólicos do que qualquer outra coisa”.
O ressentimento que temos em relação a outras pessoas causa maior mal a nós mesmos. O mal que desejamos aos outros desaba sobre nós. Alimentar os nossos ressentimentos equivale a entregar aos outros o comando da nossa vida. Lá se vai o nosso tempo e a nossa emocionalidade para a pessoa por quem nutrimos o ressentimento. A nossa atenção fica ligada nelas e esquecemos os nosso objetivos pessoais. Se alguém tentar nos tirar do caminho, cabe a nós usar a energia para viver com alegria e voltar ao curso da nossa vida, até porque é muito bom nos voltarmos para quem merece a nossa maior consideração: nós mesmos. O sentir-se ressentido equivale a nos estarmos vitimando com a conduta dos outros, ou seja, a deixar que os nossos cordões emocionais sejam puxados pelas pessoas em relação às quais nutrimos o resssentimento e, o mais estranho ainda, é que, usualmente, essas pessoas nem sabem disso.

COMO ALCANÇAR A SERENIDADE ?
Costumamos dizer que as coisas não caem do céu mas, no caso da serenidade, ela realmente cai do céu e os dois modos pelos quais ela chega até nós são a oração e a meditação. É preciso trabalhar o nosso interior e praticar os Passos do Programa de Recuperação de A.A. e, em especial, o Passo 11. Na página 173 do livro “Na Opinião de Bill” vemos que “As raizes da realidade, suplantando as ervas daninhas neuróticas, vão promover uma base firme, apesar do furacão das forças que nos destruiriam ou que usaríamos para nos destruir.”
A oração, mesmo quando feita de modo pessoal e expontâneo, é importante para estabelecer um contacto entre nós e o Poder Superior. Meditar é submeter a um exame interior. É, antes de tudo, criar uma ausência de consciência, sentir-se como sendo levado por uma corrente para o próprio interior mais profundo. Certas músicas ajudam a conseguir entrar nesse estado de ausência de consciência. A meditação é uma forma de descançar a mente e de aliviar as tensões e as preocupações de um mundo de atividades intensas porque, da mesma forma que o corpo, também a mente precisa alternar períodos de atividade e de repouso e daí a necessidade de tranquilizar a mente, de criar momentos de relaxamento, isentos de tensão. Nos grandes momentos de felicidade nós desfrutamos a realidade, ficamos imersos nela e não ficamos tomados por pensamentos ou por preocupações.
Há várias práticas que estabelecem métodos definidos mas a meditação pode ser feita de modo pessoal, em qualquer lugar e a qualquer instante. Um lugar calmo e fracamente iluminado ajuda muito. Estar confortavelmente instalado e ter uma música suave ao fundo também auxilia. É preciso não ser interrompido pelas outras pessoas. Respirar profundamente e fechar os olhos concorrem para o ralaxamento. A atenção deve estar voltada para dentro. Se pensamentos passam, não os agarre. Quando um pensamento chegar, empurre-o para fora e diga para esperar porque este é o momento reservado para a meditação. Isso pode parecer difícil no início mas, com o tempo, o exercício o tornará capaz de fazer com facilidade. Não tente resolver os problemas neste momento. Permaneça assim por cerca de quinze minutos mas não olhe para o relógio nem se preocupe com o tempo. Ao voltar às atividades normais, a pessoa se sentirá como vindo de um longo e reparador sono e estará revigorada e serena.
Da mesma forma que o corpo, também a mente precisa alternar os períodos de exercício e de repouso e daí a necessidade de tranquilizar a mente, de criar momentos de relaxamento e de tranquilidade, isentos de tensão. Nos grandes momentos de felicidade nós desfrutamos a realidade, ficamos imersos nela e não tomados por pensamentos ou por preocupações.
A meditação é uma forma de descançar a mente e de aliviar as tensões e as procupações de um mundo de atividades intensas. Basta fazer o relaxamento e manter a mente em silêncio.

PENSAMENTOS E PRÁTICAS QUE AJUDAM
Além da própria Oração da Serenidade, os companheiros encontram nos grupos certos pensamentos que ajudam a manter a serenidade e que, pela sua repetição constante, tornam-se parte do subconsciente. Entre eles temos: “um dia de cada vez”, “com calma se resolve”, “viva e deixe viver”, “se funciona, não conserte”, “desligue”, “isso também passará”, etc
Ademais, algumas providências poderão ser tomadas no dia a dia de cada companheiro de modo a também criar condições favoráveis a fim de alcançar a serenidade. É conveniente planejar o dia para não ficar rodando em círculos ou permanecer como um barco sem rumo. A falta de propósito é frustrante e isso não é bom para a serenidade. Realize trabalhos manuais porque são construtivos e recompensadores. Mantenha o humor. Rir é o melhor remédio. Procure o lado alegre e divertido das coisas. Ficar pensando em nós mesmos pode abrir as portas para pensamentos destrutivos que invadem a mente. Será que vou perder o emprego e não poderei pagar os compromissos? será que ficarei enfermo? Isso tudo é muito doentio, enquanto que é saudável pensar nos outros, nas suas necessidades e, em especial, nos alcoólicos que ainda sofrem.
É preciso viver o momento presente, o único que realmente podemos viver, estar relaxado e então poder fazer a “Oração da Serenidade” na sua plenitude.
A cada momento surge a liberdade de escolher, que é a maior liberdade. Beber ou não, comer ou não, ser bom ou ser mal, ser feliz ou sentir-se miserável, olhar o lado ruim ou o lado claro e brilhante das coisas. É tão fácil ser otimista quanto pessimista, só que o otimismo conduzirá à estrada que leva à serenidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Uma vez alcançado este tipo de equilíbrio, ao qual se pode ajuntar a paciência e a tolerância, a vida será muito mais feliz e completa do que jamais foi pensada e sonhada antes. Alcançada a serenidade, não mais se viverá no passado nem se projetará no futuro. Mas é preciso estar alerta porque é necessário crescer sempre. Achar que já está bem e descansar, poderá levar à garrafa. Por outro lado, é bom notar que não conseguimos estar serenos o tempo todo pelo simples fato de sermos humanos e, portanto, imperfeitos. Mas temos que progredir sempre no caminho que leva à serenidade. O alcançar a serenidade está ligado a uma atividade que deve durar a vida toda. Ter a serenidade como objetivo faz com que as nossas atenções e o nossos esforços fiquem dirigidos para ela o tempo todo, evitando, desse modo, os desvios que sempre poderão ocorrer.

ARTIGO 04 – BOA VONTADE

“Reflexões”
HONESTIDADE RIGOROSA
Quem se dispõe a ser rigorosamente honesto e tolerante?
Quem se dispõe a confessar suas falhas a outra pessoa e a fazer reparações pelos danos causados? Quem se interessa, ao mínimo, por um Poder Superior, e ainda pela meditação e a oração? Quem se dispõe a sacrificar seu tempo e sua energia tentando levar a mensagem de A. A. ao próximo? Não, o alcoólico típico, egoísta ao estremo, pouco se interessa por estas medidas, a não ser que tenha de tomá-las para sobreviver.
Eu sou um alcoólico. Se eu beber eu morrerei. Me Deus, que poder, energia e emoção esta simples declaração gera em mim! Mas, verdadeiramente, é tudo que preciso saber por hoje. Estou disposto a ficar vivo hoje? Estou disposto a ficar sóbrio hoje? Estou disposto a pedir ajuda e estou disposto a ajudar outro alcoólico que ainda sofre hoje? Descobri a natureza fatal de minha situação? O que devo fazer, hoje, para permanecer sóbrio?

SALVO POR RENDER-SE
É uma característica do chamado alcoólico típico ser egocêntrico e narcisista, ser dominado por sentimentos de onipotência e ter intenção de manter a todo custo sua integridade interior… Interiormente o alcoólico não aceita ser controlado pelo homem ou por Deus. Ele, o alcoólico, é e precisa ser – o dono de seu destino. Lutará até o fim para preservar essa posição.
O grande mistério é: Por que alguns de nós morrem de alcoolismo, lutando para preservar a independência de nosso ego, enquanto outros conseguem ficar sóbrios em A. A. aparentemente sem esforços? A ajuda de um Poder Superior, a dádiva da sobriedade, aconteceu para mim quando um inexplicável desejo de parar de beber coincidiu com minha disposição de aceitar as sugestões dos homens e mulheres de A. A. Precisei render-me, pois somente alcançando Deus e meus companheiros eu poderia ser salvo.

LIMPANDO O JARDIM
A essência de todo crescimento é uma disposição de mudar para melhor e uma disposição incansável de aceitar qualquer responsabilidade que implique essa mudança.
Quando alcancei o Terceiro Passo, eu já estava livre de minha dependência do álcool, mas amargas experiências me mostraram que a sobriedade contínua requer um esforço contínuo.
De vez em quando dou uma pausa para dar uma olhada no meu progresso. Mais e mais o meu jardim fica limpo cada vez que olho, porém, toda vez também encontro novas erva daninhas crescendo rapidamente, onde eu pensava já ter finalmente cortado com lâmina. Quando volto para tirar as ervas novas que cresceram (é mais fácil quando elas ainda são jovens), para um momento para admirar como é vigoroso o crescimento dos vegetais e das flores, e meu trabalho é recompensado. Minhas sobriedade cresce e produz frutos.

A CHAVE E A BOA VONTADE
Uma vez que introduzimos a chave da boa vontade na fechadura e entreabrimos a porta descobrimos que sempre se pode abrir um pouco mais.
A boa vontade para entregar o meu orgulho e minha obstinação a um Poder Superior a mim mesmo, provou ser o único ingrediente necessário para resolver meus problemas hoje. Até mesmo pequenas doses de boa vontade, se sincera, é suficiente para permitir que Deus entre e tome o controle sobre qualquer problema, dor ou obsessão. Meu nível de bem-estar está em relação direta com o grau de boa vontade que tenho num determinado momento para abandonar minha vontade própria e permitir que a vontade de Deus se manifeste em minha vida. Com a chave da boa vontade, minhas preocupações e medos são poderosamente transformados em serenidade.

A VERDADEIRA INDEPENDÊNCIA
Quanto mais nos dispomos a depender de um Poder Superior, mais independentes nos tornamos.
Começo a confiar em Deus com uma vontade pequena e Ele faz com que essa vontade cresça. Quanto mais boa vontade tenho, mais confiança ganho, e quanto mais crença ganho, mais boa vontade tenho. Minha dependência de Deus cresce na proporção em que cresce a minha crença Nele. Antes de tornar-me disposto, dependia de mim mesmo para todas as minhas necessidades e estava restrito pela minha imperfeição. Pela minha boa vontade de depender do meu Poder Superior, a quem chamo de Deus, todas as minhas necessidades são satisfeitas por Aquele que me conhece melhor que eu mesmo; até mesmo aquelas necessidades que posso não perceber, bem como as que ainda não vieram. Somente Aquele que me conhece tão bem, pode levar-me a ser eu mesmo e me ajudar a preencher a necessidade de alguém que somente eu posso preencher. Nunca haverá alguém exatamente como eu. E isto é a verdadeira independência.

LIBERDADE DO “REI ÁLCOOL”
… não vamos supor nem mesmo por um instante, que não estamos sob coação. Na verdade, estamos sob uma enorme sujeição… Nosso antigo tirano, o “Rei Álcool”, está sempre pronto para nos agarrar. Portanto, a libertação do álcool é o grande “dever” que tem que ser alcançado: caso contrário, chegaremos à loucura ou à morte.
Quando bebia eu vivia preso espiritualmente, emocionalmente e às vezes fisicamente. Tinha construído minha prisão com barras de teimosia e indulgência, das quais não podia escapar. Ocasionalmente passava por períodos secos que pareciam prometer liberdade, mas que se tornavam apenas esperanças de um indulto. A verdadeira fuga requer uma disposição para seguir as ações corretas para abrir a fechadura. Com disposição e ação tanto as barras como a fechadura abrem-se por si mesmas para mim. Boa vontade e ação contínua me mantêm livre – numa espécie de liberdade condicional diária – que nunca termina.

CRESCENDO
A essência de todo crescimento é uma disposição de mudar para melhor e uma disposição incansável de aceitar qualquer responsabilidade que essa mudança implique.
Algumas vezes quando me torno disposto a fazer o que deveria fazer o tempo todo, desejo louvor e reconhecimento. Não percebo que quanto mais estiver disposto a agir de uma maneira diferente, mais excitante é a minha vida. Quando mais estou disposto a ajudar os outros, mais recompensa recebo. Isto é o que a prática dos princípios significa para mim. Alegria e benefícios para mim estão na disposição de fazer as ações, não em obter resultados imediatos. Sendo um pouco mais amável, um pouco menos agressivo e um pouco mais amoroso, faz com que minha vida seja melhor – dia a dia.

CAMINHANDO PELO MEDO
Se ainda nos apegamos a algo que não queremos soltar, pedimos a Deus que nos ajude a ter a vontade.
Quando fiz o meu quinto Passo, tornei-me consciente de que todos os meus defeitos de caráter se originavam da minha necessidade de me sentir seguro e amado. Usar somente a minha vontade para trabalhar com meus defeitos e resolver o meu problema eu já havia tentado obsessivamente. No Sexto Passo aumentei a ação que tomei nos três primeiros Passos – meditando no Passo, dizendo-o várias vezes, indo às reuniões, seguindo às sugestões de meu padrinho, lendo e procurando dentro de mim mesmo. Durante os três primeiros anos de sobriedade tinha medo de entrar num elevador sozinho. Um dia decidi que tinha de enfrentar este medo. Pedi ajuda a Deus, entrei no elevador e ali no canto estava uma senhora chorando. Ela disse que desde que seu marido havia morrido ela tinha um medo mortal de elevadores. Esqueci meu medo e a confortei. Esta experiência espiritual ajudou-me a ver como a boa vontade era a chave para trabalhar o resto dos Doze Passos para a recuperação. Deus ajuda aqueles que se ajudam.

NUMA ASA E NUMA ORAÇÃO
… olhamos então para o sexto Passo. Frisamos que a boa vontade é indispensável.
O Quarto e Quinto Passos são difíceis, mas de grande valor. Agora estava parado no Sexto Passo e, em desespero, peguei o Livro Grande e li esta passagem. Estava fora, rezando por vontade própria, quando levantei meus olhos e vi um grande pássaro subindo para o céu. Eu o observei subitamente entregar-se às poderosas correntes de ar das montanhas. Levado pelo vento, mergulhando e elevando-se, o pássaro fez coisas aparentemente impossíveis. Foi um exemplo inspirador de uma criatura “soltando-se” para um poder maior que ela própria. Percebi que se o pássaro “retomasse seus controles” e tentasse voar com menos confiança, apenas com sua força, poderia estragar o seu aparente vôo livre. Esta preparação me deu disposição para rezar a Oração do Sétimo Passo.
Nem sempre é fácil conhecer a vontade de Deus. Devo procurar e estar pronto para aproveitar as correntes de ar, pois é ai que a oração e a meditação ajudam. Porque por mim mesmo eu não sou nada, peço a Deus que me conceda o conhecimento de Sua vontade, força e coragem para transmiti-la hoje.

LIBERTANDO-NOS DE NOSSOS VELHOS EGOS
Lendo cuidadosamente as primeiras cinco proposições, perguntamo-nos se omitimos alguma coisa, pois estamos construindo um arco pelo qual passaremos finalmente como homens livres…
Estamos agora prontos para que Deus retire de nós todas as coisas que já admitimos serem censuráveis?
O Sexta Passo é o último de “preparação”. Embora já tenha usado a oração extensivamente, ainda não fiz nenhum pedido formal ao meu Poder Superior nos primeiros Seis Passos. Identifiquei meu problema, vim a acreditar que havia uma solução, tomei a decisão de procurar esta solução, e “limpei a casa”. Agora me pergunto: estou disposto a viver uma vida de sobriedade, de mudanças, de me libertar do meu velho ego? Preciso determinar se estou realmente pronto para mudar. Revejo o que tenho feito e estou disposto a que Deus remova todos os meus defeitos de caráter: para que, no próximo Passo, eu diga ao meu Criador que estou disposto e peça ajuda. “Se ainda nos apegarmos a algo que não queremos soltar, peçamos a Deus que nos dê a vontade de fazê-lo.

INTEIRAMENTE PRONTO?
“Este é o Passo que separa os adultos dos adolescentes…” … a diferença entre “os adultos e os adolescentes” é igual à que existe entre a luta por um objetivo qualquer de nossa escolha e a meta perfeita que é Deus… Sugere-se que devemos estar inteiramente dispostos a procurar a perfeição… No momento em que dizemos: “não, nunca”, nossa mente se fecha para a graça de Deus. … Este é o ponto exato em que teremos de abandonar nossos objetivos limitados e avançar em direção à vontade de Deus para conosco.
Estou inteiramente pronto a deixar que Deus remova estes defeitos de caráter? Reconheço que não tenho condições de salvar a mim mesmo? Vim a crer que não posso. Se sou incapaz, se minhas melhores intenções dão errado, se meus desejos têm uma motivação egoísta e se meu conhecimento e minha vontade são limitados – então estou pronto a admitir a vontade de Deus em minha vida.

TUDO QUE FAZEMOS É TENTAR
Será que Ele pode levá-las embora, todas elas?
Ao fazer o Sexto Passo, lembrei que estou lutando por alcançar um “progresso espiritual”. Alguns de meus defeitos de caráter ficarão comigo pelo resto de minha vida, mas muitos foram suavizados ou eliminados. Tudo que o Sexto Passo pede de mim é que me torne disposto a nomear meus defeitos, reconhecer que são meus e estar disposto a me livrar daqueles que puder, só por hoje. Quando cresço no programa, muitos dos meus defeitos tornam-se mais censuráveis para mim que anteriormente, portanto, preciso repetir o Sexto Passo para que possa ser mais feliz comigo mesmo e manter minha sobriedade.

UMA VASSOURA LIMPA
… e, em terceiro lugar, havendo desta forma limpado o entulho do passado, consideramos de que modo, com o novo conhecimento de nós mesmos, poderemos desenvolver as melhores relações possíveis, com todas as pessoas que conhecemos.
Quando olhei para o Oitavo Passo, tudo o que foi pedido para completar com sucesso os sete passos anteriores veio junto: coragem, honestidade, sinceridade, disposição e meticulosidade. Não poderia reunir a força requerida para esta tarefa no começo, e é por isso que está escrito neste Passo: “nos dispusemos…”
Precisava desenvolver a coragem para começar, a honestidade para ver onde eu estava errado, um desejo sincero de colocar as coisas em ordem, precisava ser meticuloso ao fazer a relação e precisava ter disposição para assumir os riscos exigidos para a verdadeira humildade. Com a ajuda de meu Poder superior, para desenvolver estas virtudes, completei este Passo e continuei movendo me para adiante na minha busca de um crescimento espiritual.

EM DIREÇÃO À LIBERDADE EMOCIONAL
Em vista de que as relações deficientes com outras pessoas quase sempre foram a causa imediata de nossas mágoas, inclusive de nosso alcoolismo, nenhum campo de investigação poderia render resultados mais satisfatórios e valioso do que este.
A boa disposição é uma coisa peculiar para mim porque com o tempo, parece vir primeiro com consciência e, depois com uma sensação de desconforto, fazendo-me querer tomar alguma decisão. Quando reflito em praticar o Oitavo Passo, minha disposição de fazer reparações aos outros vem como um desejo de perdão, a outros e a mim mesmo. Senti o perdão para os outros após tornar-me cônscio de minha parte nas dificuldades dos relacionamentos. Desejava sentir a paz e a serenidade descritas nas promessas. Praticando os primeiros Sete Passos, fiquei sabendo quem tinha prejudicado e que eu tinha sido meu pior inimigo. A fim de restaurar meus relacionamentos com meus semelhantes, sabia que precisava mudar. Desejava viver em harmonia comigo mesmo e com os outros, para que pudesse também ter uma vida de liberdade emocional. O começo do fim de meu isolamento – de meus companheiros e de Deus – veio quando escrevi minha relação do Oitavo Passo.

DISPOSIÇÃO PARA CRESCER
Se temos que receber outras dádivas, nosso despertar tem que continuar:
A sobriedade preenche o doloroso “buraco na alma” que meu alcoolismo criou. Muitas vezes me sinto fisicamente tão bem, que acredito que meu trabalho já foi feito. Contudo, a alegria não é apenas a ausência de dor: ela é a dádiva de um contínuo despertar espiritual. A alegria vem de um estudo ativo e progressivo, bem como da aplicação dos princípios de recuperação em minha vida diária, e de compartilhar esta experiência com os outros. Meu Poder Superior apresenta muitas oportunidades para um mais profundo despertar espiritual. Preciso somente trazer para minha recuperação a disposição de crescer. Hoje estou pronto para crescer.

ENCONTRANDO “UMA RAZÃO PARA ACREDITAR”
A disposição para crescer é a essência de todo crescimento espiritual.
Um verso de uma canção diz: “… E procuro uma razão para acreditar…”. Isto me faz lembrar que numa certa época eu não era capaz de encontrar uma razão para acreditar que minha vida estava bem. Embora minha vida tivesse sido salva por minha vinda ao A. A., três meses mais tarde fui e bebi novamente.
Alguém me disse: “Você não precisa acreditar. Será que você não está disposto a acreditar que há uma razão para sua vida, embora você possa não saber qual é ou que algumas vezes não saber a maneira correta de se comportar?” Quando estava disposto a acreditar que havia uma razão para a minha vida, então pude começar a trabalhar nos Passos. Agora, quando começo com: “eu estou disposto…”, estou usando a chave que leva à ação, à honestidade e uma abertura para um Poder Superior que se manifesta em minha vida.

ACEITAR A SI MESMO
Sabemos que o amor de Deus vela sobre nós. Enfim, sabemos que quando nos voltarmos para Ele, tudo estará bem conosco, agora e para sempre.
Rezo para estar sempre disposto a recordar que sou filho de Deus, uma alma divina numa forma humana, e que a tarefa mais urgente e básica na minha vida é aceitar, conhecer, amar e cuidar de mim mesmo. Quando me aceito, estou aceitando a vontade de Deus. Quando me conheço e me amo, estou conhecendo e amando a Deus. Quando cuido de mim, estou agindo sob a orientação de Deus. Rezo para ter disposição de abandonar minha arrogante autocrítica, e louvar a Deus humildemente aceitando-me e cuidando de mim mesmo.
(Fonte: Reflexões Diárias – paginas: 34-41-72-75-86-108-109-138-163-164-165-166-234-241-253-254-324)

BOA VONTADE
Um artigo sobre a Oração da Serenidade.
Quando ingressei em Alcoólicos Anônimos, procurei, atentamente, seguir as orientações de meu padrinho, bem como todas as sugestões dos companheiros nos Grupos. Tumultuado pelo domínio do álcool, achava que a Oração da Serenidade era mais um ritual sagrado de uma seita ou religião na qual eu acabara de entrar. Totalmente longe da realidade, fui conhecendo a Irmandade de A. A. e vi que meu pensamento era completamente diferente da realidade: a Oração da Serenidade não é um ritual e A. A. não é seita ou religião, isso ficou bem claro para mim.
Passados três anos dessa experiência, sei que o recitar da prece é a chave que abre as portas da nova vida, longe do primeiro gole, a cada momento do dia, diante de dificuldades e no início ou no fim das reuniões. É de grande valia para meu programa de recuperação, como também é o mais nobre canal de comunicação que encontrei para contatar com meu Poder Superior, que na minha concepção é Deus, reforçando em mim a força espiritual que o programa de A. A. me traz.
É com muita fé e esperança que eu peço ao Senhor do Universo a serenidade, a saúde, a sanidade e a aceitação, as quais são pilares fundamentais para manter-me sóbrio. Isso eu venho conseguindo a cada vinte e quatro horas.
Ainda não consegui a “coragem” para efetuar todas as mudanças que gostaria de fazer no meu programa de vida, mas todo dia eu renovo o pedido ao Poder Superior para me conceder esse dom. Sei que as mudanças não podem ser do dia para a noite, mas só em poder dizer que tive a coragem de ficar longe do primeiro gole, já tenho motivo suficiente para agradecer a Deus.
A sabedoria aliada ao conhecimento faz de mim um ser capaz. Graças a Deus venho conseguindo essa capacidade de distinguir aquilo que eu posso e o que eu não posso modificar, aquilo que eu devo e o que não devo fazer. Isso é o que aumenta minha boa vontade de continuar sóbrio.
(Fonte: Revista Vivência – 50 – Nov./Dez. 2007 – José P. – Teresina/PI)

A CHAVE DA BOA VONTADE
“A fechadura deve ser mergulhada no mais puro amor e colocada no lado esquerdo do peito.”
Chaves!
Elas existem há vários séculos, de diversos formatos e de vários tamanhos.
Elas têm duas funções básicas que são: – aprisionar ou libertar.
O interruptor é uma chave que me liberta da escuridão, que me alivia o calor…
Já o cartão telefônico é uma chave que me possibilita conversar com outra pessoa a longa distância.
Esta conversa pode ser libertadora ou aprisionadora; medíocre, fofoqueira, injuriosa, que além de mesquinha e infrutífera me aprisionará, me trará sérios problemas impossibilitando-me de enxergar as coisas como elas realmente são.
Na verdade, chave é tudo aquilo que facilita, que viabiliza, que torna fácil o acesso tanto para o bem quanto para o mal.
O álcool é uma chave para a descontração; facilita a aproximação de homens e mulheres, desinibe, mas também é a chave da grande maioria dos acidentes.
É ele quem impulsiona muitas pessoas para a criminalidade e formula atrocidades nas mentes onde habita.
Em suma, o álcool é uma chave que tranca mais que liberta e muitas vezes usando de sagacidade ele liberta hoje para encarcerar amanhã.
Quantos avolumaram seu molho com essa chave, líquida e estão literalmente aprisionados nas penitenciárias e nos manicômios?
Só resolvi abandonar a bebida depois que já estava de posse da chave abstrata da vontade e percebi a necessidade de adquirir a chave do bom senso, pois seria muita tolice, muita ingenuidade de minha parte achar que me livraria do meu algoz sem passar por momentos tempestuosos.
Destrancar os bares onde eu havia aprisionado meu espírito e minha mente, não seria tarefa fácil!
Depois, as chaves da força, da determinação e a dos sonhos tornaram-se minhas aliadas.
Os sonhos, que antes não passavam de ilusões, de fraco desejo, hoje, graças a essas chaves imateriais, a Deus e ao A. A., tenho me mantido sóbrio e conseguido realizar alguns sonhos que foram trancados na masmorra do álcool.
Essas chaves poderosas trouxeram-me até aqui, mas há uma outra que pode facilitar minha caminhada daqui para frente. Essa última possui elementos poderosíssimos em sua liga: é a chave da boa vontade.
Assim como a cobra coral, a boa vontade também possui uma sósia tão parecida que não é fácil distinguir a falsa da verdadeira.
A autêntica coral possui veneno poderosíssimo, capaz de matar em poucos instantes. A genuína boa vontade também, quando penetra na corrente sanguínea, quando passa a fazer parte do DNA da alma proporciona fé, resignação, comprometimento, paciência e compreensão.
A falsa boa vontade, que nada mais é que “obrigação”, tem ajudado as pessoas a seguirem em frente, mas de forma pesada, arrastada, lamuriosa.
Obrigatoriedade é um remédio excessivamente apimentado, ajuda, mas queima muito.
Já a boa vontade é açucarada, leve e prazerosa.
Hoje tenho certeza que as soluções para os meus problemas já existem! Só tenho que saber procurá-las e quanto à chave da boa vontade… estou tentando, mas já entendi que ela é real e que para conquistá-la é necessário que eu construa a fechadura perfeita, fechadura esta que depois de pronta deve ser mergulhada no mais puro amor e colocada no lado esquerdo do peito.
Quando a fechadura estiver pronta, a chave da boa vontade aparecerá.
(Fonte: Revista Vivência – 113 – Mai./Jun. 2008 – Marco Antônio – Niterói/RJ)

BOA VONTADE
“Na Opinião do Bill”
PODEMOS ESCOLHER?
Não devemos nunca nos deixar cegar pela filosofia fútil de que somos vítimas de nossa hereditariedade, de nossa experiência de vida e de nosso meio ambiente – de que essas são as únicas forças que tomam as decisões por nós. Esse não é o caminho para a liberdade. Temos que acreditar que podemos realmente escolher.
“Como alcoólicos ativos, perdemos a capacidade de escolher se beberíamos ou não. Éramos vítimas de uma compulsão que parecia determinar que deveríamos prosseguir em nossa própria destruição.”
“No entanto, finalmente, fizemos escolhas que nos levaram à recuperação. Viemos a acreditar que sós éramos impotentes perante o álcool. Isso foi certamente uma escolha, aliás, muito difícil. Viemos a acreditar que um Poder Superior poderia nos devolver a sanidade, quando nos dispusemos a praticar os Doze Passos de A. A.”. Em resumo, preferimos ‘estar dispostos’, e essa foi a melhor escolha que poderíamos ter feito.”

FORÇA DE VONTADE E ESCOLHA
“Nós, AAs, sabemos que é inútil tentar destruir a obsessão de beber só pela força de vontade. Entretanto, sabemos que é preciso uma grande vontade para adotar os Doze Passos de A. A. como um modo de vida que pode nos devolver a sanidade.
Qualquer que seja a gravidade da obsessão pelo álcool, felizmente descobrimos que ainda podem ser feitas outras escolhas vitais. Por exemplo, podemos admitir que somos impotentes pessoalmente perante o álcool; que a dependência de um ‘Poder Superior’ é uma necessidade, mesmo que esta seja simplesmente uma dependência de um grupo de A. A. Então podemos preferir tentar uma vida de honestidade e humildade, fazendo um serviço desinteressado para nossos companheiros e para ‘Deus como nós O concebemos’.
Conforme continuamos fazendo essas escolhas e assim indo em busca dessas altas aspirações, nossa sanidade volta e desaparece a compulsão para beber.”

A HUMILDADE “PERFEITA”
Eu, por minha parte, tento encontrar a definição mais verdadeira de humildade que puder. Ela não será a definição perfeita porque eu serei sempre imperfeito.
Nesse artigo, escolheria a definição seguinte: “A humildade absoluta consistiria num estado de completa libertação de mim mesmo, na libertação de todas as exigências que meus defeitos de caráter lançam tão pesadamente sobre mim agora. A humildade perfeita seria a total boa vontade de, em todos os momentos e lugares, reconhecer e fazer a vontade de Deus”.
Quando penso nessa visão, não preciso ficar desanimado porque nunca atingirei, nem preciso me encher da presunção de que algum dia alcançarei todas essas virtudes.
Preciso apenas contemplar essa visão, deixando-a crescer e encher meu coração. Isto feito, posso compará-la ao meu último inventário pessoal. Tenho então uma saudável idéia de onde me encontro no caminho para a humildade. Vejo que minha caminhada em direção a Deus apenas começou.
Ao reduzir-me ao meu verdadeiro tamanho, minhas preocupações comigo mesmo e o sentimento de minha própria importância fazem-me rir.

LIBERDADE ATRAVÉS DA ACEITAÇÃO
Admitimos que não podíamos vencer o álcool com os recursos que ainda nos restavam, e assim aceitamos o fato de que só a dependência de um Poder Superior (mesmo que fosse apenas nosso Grupo de A. A.) poderia resolver esse problema até aqui insolúvel. No momento em que fomos capazes de aceitar inteiramente esses fatos, iniciou-se nossa libertação da compulsão alcoólica.
Para a maioria de nós foi preciso grande esforço para aceitar esses dois fatos. Tivemos que abandonar nossa querida filosofia de auto suficiência. Não o conseguíamos apenas com a força de vontade.; isso aconteceu como resultado do desenvolvimento da boa vontade para aceitar esses novos fatos da vida.
Não fugimos nem lutamos, mas aceitamos. E então começamos a ser livres.

ESSÊNCIA DO CRESCIMENTO
Que nunca tenhamos medo das mudanças necessárias. Certamente temos que distinguir entre mudanças para pior e mudanças para melhor. Mas já descobrimos há muito tempo que, logo que uma necessidade se torna clara para o indivíduo, para o grupo ou para A. A. como um todo, não podemos ficar parados.
A essência de todo crescimento é a disposição de mudar para melhor e uma incansável disposição para aceitar qualquer responsabilidade que essa mudança implique.

A BOA VONTADDE É A CHAVE
Independente do quanto se queira tentar, a pergunta é: como, exatamente, pode alguém entregar sua própria vontade e sua própria vida aos cuidados de qualquer Deus que acredite existir?
Basta começar, mesmo que seja um tímido começo. Uma vez que tenhamos colocado a chave da boa vontade na fechadura e tenhamos entreaberto a porta, descobrimos que podemos sempre abri-la um pouco mais.
Embora a obstinação possa fechá-la de novo, como frequentemente acontece, ela sempre voltará a se abrir quando utilizarmos a chave da boa vontade.

ALÉM DO AGNOSTICISMO
Nós, de temperamento agnóstico, descobrimos que tão logo fomos capazes de deixar de lado o preconceito e expressar pelo menos uma disposição para acreditar num Poder Superior a nós mesmos, começamos a ver os resultados, mesmo quando ainda era impossível para qualquer um de nós definir ou compreender totalmente esse Poder, que é Deus.
“Muitas pessoas me asseguram, com toda a seriedade, que o homem não tem lugar melhor no universo do que qualquer outro organismo competindo por sua sobrevivência apenas para morrer no fim. Ouvindo isso, sinto que ainda prefiro me apegar à chamada ilusão da religião, que em minha própria experiência, e de um modo muito significativo, revelou-me algo muito diferente!”

BENEFÍCIOS E MISTÉRIOS
“A preocupação de A. A. com a sobriedade é às vezes mal interpretada. Para alguns, essa simples virtude parece ser o único benefício da nossa Irmandade. Pensam que somos bêbados recuperados e que, em outros aspectos, pouco ou nada melhoramos. Essa suposição esta muito longe da verdade. Sabemos que uma sobriedade permanente pode ser alcançada apenas por uma revolucionária mudança na vida e perspectiva do indivíduo – por um despertar espiritual que pode eliminar o desejo de beber.”
“Você está se preocupando, como muitos de nós devem estar: ‘Quem sou eu?’ ‘Onde estou?’ ‘Para onde vou?’ O processo de esclarecimento é geralmente lento. Mas, no fim, nossa busca sempre traz uma descoberta. Esses grandes mistérios, afinal, estão envoltos em total simplicidade. A disposição de desenvolver-se é a essência de todo o crescimento espiritual.”

ALCANÇANDO A HUMILDADE
Percebemos que não precisávamos sempre apanhar e levar cacetadas para ter humildade. Ela poderia ser alcançada seja se a procurássemos voluntariamente, seja pelo constante sofrimento.
Em primeiro lugar, procuramos obter um pouco de humildade, sabendo que morreremos de alcoolismo se não o fizermos. Depois de algum tempo, embora ainda possamos nos revoltar, até certo ponto, começamos a praticar a humildade, porque essa é a coisa certa a se fazer.
“Chega então o dia em que, finalmente livres da revolta, praticamos a humildade, porque no fundo a queremos como um modo de vida.”

DISPOSTOS A ACREDITAR
“Não permita que qualquer preconceito contra termos espirituais possa impedi-lo de se perguntar, o que eles poderiam significar para você. No começo, era disso que precisávamos, para dar início a um crescimento espiritual, ‘para estabelecer nossa primeira relação consciente com Deus como nós O concebíamos’. Mais adiante passamos a aceitar muitas coisas que nos pareciam inteiramente fora de alcance. Isso era crescimento, mas para crescer tínhamos que começar de algum modo. Assim, no princípio, usamos nossas próprias concepções de Deus, ainda que limitadas.
“Precisávamos nos fazer apenas uma simples pergunta: ‘Acredito, ou estou mesmo disposto a acreditar que existe um Poder Superior a mim?’ Assim que o indivíduo possa dizer que acredita, ainda que seja em pequeno grau, ou que esteja disposto a acreditar, nós lhe asseguramos enfaticamente que ele está no caminho.”

HUMILDADE PARA A IRMANDADE, TAMBÉM
Nós, Aas às vezes exageramos as virtudes de nossa Irmandade. Não nos esqueçamos de que, na verdade, poucas dessas virtudes foram de fato conquistadas por nós. Para começar, fomos forçados a elas pelo cruel chicote do alcoolismo. Finalmente as adotamos, não porque o quiséssemos, mas sim porque fomos forçados a fazê-lo.
A seguir, à medida que o tempo ia confirmando a aparente correção de nossos princípios básicos, começamos a nos conformar porque essa era a coisa certa a fazer. Alguns de nós, e eu em especial, ajustamo-nos então, ainda que com alguma relutância.
Mas finalmente chegamos a um ponto onde passamos a desejar nos conformar com alegria com esses princípios que a experiência, sob a graça de Deus, nos ensinou.

O VALOR DA VONTADE HUMANA
Muitos recém-chegados, tendo experimentado uma pequena mas constante deflação, sentem uma crescente convicção de que a vontade humana não tem nenhum valor. Ficaram convencidos, às vezes com razão, de que, além do álcool, muitos outros problemas não vão se resolver apenas pela vontade do indivíduo.
Contudo, há certas coisas que o indivíduo pode fazer. Sozinho e à luz de suas próprias circunstâncias, ele precisa desenvolver a boa vontade. Ao adquirir boa vontade, ele passa a ser a única pessoa que pode tomar a decisão de se esforçar no caminho espiritual. Tentar fazer isso é, na verdade, um ato de sua própria vontade. É usar corretamente essa faculdade.
Na verdade, todos os Doze Passos de A. A. requerem um constante esforço pessoal para ficarmos de acordo com seus princípios e, assim acreditamos, com a vontade de Deus.

OS RESULTADOS DA ORAÇÃO
Quando o cético experimenta o processo da oração, deve começar a acumular resultados. Se persistir, é quase certo que encontrará mais serenidade, mais tolerância, menos medo e menos raiva. Vai adquirir uma coragem calma, sem nenhuma tensão. Poderá ver o “fracasso” e o “sucesso” como realmente são. Os problemas e calamidades começarão a representar aprendizado em vez de destruição. Vai sentir-se mais livre e mais sadio.
A ideais de que tenha se hipnotizado por auto-sugestão parecerá ridícula. Seu senso de utilidade e de propósito aumentará. Suas ansiedades começarão a diminuir. Sua saúde física talvez melhore. Coisas imprevistas e maravilhosas começarão a acontecer. Relações distorcidas com a família e com outras pessoas melhorarão surpreendentemente.

TRÊS ALTERNATIVAS
O objetivo imediato de nossa busca é a sobriedade – a libertação do álcool e de todas as suas desastrosas conseqüências. Sem esta libertação não temos nada.
Paradoxalmente, não conseguimos libertar-nos da obsessão do álcool enquanto não estejamos dispostos a lidar com os defeitos de caráter que nos levaram a esta irremediável situação. Nesta busca de libertação sempre nos foram dadas três escolhas:
Uma recusa rebelde de trabalhar em nossos defeitos mais evidentes, que pode ser um passaporte quase certo para a destruição. Ou então permanecer sóbrios, talvez por algum tempo, com um mínimo de auto-aperfeiçoamento, e nos instalarmos numa confortável mas perigosa mediocridade. Ou, finalmente, emprenharmo-nos constantemente em adquirir aquelas genuínas qualidades que podem contribuir para a clareza de espírito e para a ação – uma liberdade verdadeira e duradoura sob a graça de Deus.

UMA RECÉM-ENCONTRADA PROVIDÊNCIA
Ao lidar com um possível membro que tenha inclinações agnósticas ou ateístas, é preferível usar a linguagem coloquial para descrever os princípios espirituais. Não adianta despertar qualquer preconceito que ele possa ter contra certos conceitos e termos teológicos, sobre os quais já possa estar confuso. Não levante estes assuntos, sejam quais forem as convicções que você tenha.
Todos os homens e mulheres que ingressaram e pretendem permanecer em A. A., sem perceber, já começaram a praticar o Terceiro Passo. Não é verdade que em todos os assuntos relacionados com o álcool, cada um deles decidiu entregar sua vida aos cuidados, proteção e orientação de A. A.?
Já se operou um ato de boa vontade quando eles se dispuseram a substituir a vontade e as ideais próprias sobre o problema do álcool, pelas sugeridas por A. A. Ora, se isso não é entregar a vontade e a vida a uma recém-encontrada “Providência”, o que é então?
(Fonte: Na Opinião do Bill – paginas: 4-88-106-109-115-122-137-171-211-219-226-232-321-327-328)

BOA VONTADE: – A CHAVE DO SUCESSO
Mesmo estando em recuperação há algumas 24 horas sentia que a programação de A. A. ainda não estava presente em minha vida, pois eu acordava pela manhã mesmo sem ressaca há vários anos, reclamando: – Nossa já é hora de levantar, passou tão rápido esta noite! Tenho que ir trabalhar mesmo? Era assim que começava o meu dia e no decorrer deste, batia uma monotonia, uma tristeza sem explicação. Assim eu ia levando, reclamando, me tornando sem perceber, um verdadeiro ranzinza.
Esta fase aconteceu após 3 anos em A. A., até que um “A Amigo”, certo dia me disse: – Faça o 3º Passo; entregue sua vida aos cuidados do seu Poder Superior; mude seu foco; comece a agradecer ajudando sem esperar retorno; seja grato por acordar cedo e sem ressaca, pois que precisa acordar cedo é porque esta trabalhando e se tem um trabalho terá pão em sua mesa; agradeça por estar em recuperação e que a programação está funcionando para você.
Aquelas palavras mudaram meu caminho!
Recordo-me quando eu estava no sanatório e que meu maior patrimônio eram minhas sandálias havaianas.
Bastou um pouco de boa vontade para eu encontrar a chave do sucesso!
Hoje acordo pela manhã e agradeço meu Poder Superior por estar em A. A., por estar sóbrio e com minha família.
Tenho um bom trabalho, voltei a estudar e sou saudável.
Agradeço a A. A. e ao Poder Superior pela minha vida, pela minha felicidade.
Hoje sim, tenho prazer no trabalho, nos meus momentos de lazer com minha família, pois amo minha esposa e retribuo a força que ela me dá em minha programação. Amo meus filhos e isso companheiros é porque entreguei minha vontade e minha vida aos cuidados de um Poder Superior como O concebo.
Só Por Hoje! Funciona. Felizes 24 Horas de Sobriedade e Serenidade.
(Fonte: Revista Vivência – 113 – Mai./Jun. 2008 – Euler/Goiânia/GO

COM O PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO, UMA NOVA ALEGRIA DE VIVER.

Sou um alcoólico em recuperação que só pela graça e misericórdia divina não bebi hoje, não tive vontade e, melhor ainda, não precisei beber. Agradeço aos meus familiares, amigos, companheiros(as) de Alcoólicos Anônimos e, especialmente, ao Poder Superior, Deus na forma em que eu O concebo, por ter me libertado da escravidão do álcool, concedendo-me uma nova chance de vida.

Há alguns anos atrás, depois de sete anos de Irmandade, estava passando por experiências dolorosas que acabaram por me conduzir ao entendimento de que, até aquele momento, havia apenas ADMITIDO o Programa de Recuperação e que agora, se quisesse de fato experimentar uma nova vida e gozar do cumprimento das promessas de A.A., era necessário ACEITÁ-LO. Este despertar lançou-me numa busca para melhor conhecê-lo e praticá-lo.

Nesse exercício descobri ser de vital importância estar bem informado a respeito de nossa Irmandade, visto que, muitas vezes, a mensagem de A.A. transmitida de forma deturpada pode ocasionar ou prolongar sofrimentos facilmente evitáveis e ainda resultar em mortes desnecessárias.

Iniciei uma pesquisa que resultou neste singelo trabalho que agora, modestamente, peço licença para compartilhá-lo.

Antes, porém, gostaria de contar-lhes uma

experiência que me ajudou a ampliar o entendimento sobre a importância dessa Irmandade para a minha vida e de como ela me salvou dessa “estranha e fatal doença chamada alcoolismo”, mesmo antes do meu nascimento.
Sonhei que estava no ano de 1935, na cidade de Akron, Ohio, Estados Unidos e me vi no Hotel Mayflower observando nosso co-fundador Bill W. Ele estava frustrado, pois havia sido derrotado por um grupo rival numa disputa que envolvia o controle acionário de uma pequena companhia de ferramentas daquela cidade. Não bastasse isso, seus sócios no negócio o deixaram sozinho no hotel com apenas dez dólares no bolso. Encontrava-se andando de um lado para o outro no saguão do hotel, quando de repente ocorreu-lhe um pensamento: “vou me embriagar!” O pânico tomou conta dele, e de mim também, comecei a gritar desesperadamente para que ele não fosse para o bar do hotel tomar um trago, mas ele não me escutava. Foi quando me dei conta de que eu ainda nem havia nascido. Para minha felicidade e alívio, Bill se lembrou que, quando tentava ajudar outra pessoa, ele permanecia sóbrio. Pela primeira vez ele compreendeu isso profundamente e pensou: “Você precisa de um outro alcoólico para conversar. Você precisa de um outro alcoólico, tanto quanto ele precisa de você”. Então resolveu entrar na cabine telefônica para procurar por uma pessoa que poderia colocá-lo em contato com outro alcoólico. Nesse instante as lágrimas rolaram pelo meu rosto e acordei chorando de emoção. Num sobre salto sentei-me na cama e minha esposa, assustada, perguntou: “O que está acontecendo?” Respondi: Minha vida acabou de ser salva! Ela continuou sem entender nada. Imaginem vocês que, se Bill estivesse escolhido o caminho do bar, não ocorreria o famoso encontro com nosso outro co-fundador o Dr. Bob. Encontro esse que estava previsto para durar apenas 15 minutos, mas, graças à identificação entre os dois alcoólicos, durou mais de cinco horas.

Caso isso não ocorresse, provavelmente, nossa Irmandade não existiria e, com certeza, esse que vos escreve não estaria aqui contando esta história.

O fato é que, buscando conhecer a história de Alcoólicos Anônimos e analisando algumas experiências pessoais, inclusive as minhas, restou-me claro que nossa Irmandade não é apenas obra do acaso. Ele não conseguiria ser tão perfeito.

Acredito fielmente que o Poder Superior, Deus na minha concepção, em sua infinita bondade e misericórdia, traçou um plano, um programa, muito bem arquitetado de salvação, de libertação, para que os doentes alcoólicos fossem também alcançados.

E é justamente sobre esse Programa de Recuperação que, a partir de agora, passo a compartilhar.

Busquei no dicionário o significado das palavras PROGRAMA: plano, projeto ou resolução acerca do que se há de fazer; e RECUPERAÇÃO: adquirir novamente; reconquistar; restaurar-se. Observem que o significado nos sugere decisão seguida de ação restauradora, que é exatamente a proposta sugerida em nossos DOZE PASSOS como o Programa de Recuperação.

Permita-me fazer um breve histórico de como foram escritos “Os Doze Passos”.

Em dezembro de 1938 eles foram minutados de forma surpreendente, aproximadamente, meia hora. Essa história descrita nas páginas 138 a 140 do Livro “A.A. Atinge a Maioridade” é de emocionar. Sua narrativa descreve momentos de grande apreensão vividos por Bill. Ele estava às voltas com os manuscritos (rascunhos) de alguns capítulos do livro Alcoólicos Anônimos, e era chegada a hora de contar (escrever) como o programa de recuperação do alcoolismo realmente funcionava. Essa seria a espinha dorsal do livro. Realizar essa tarefa tão importante, em condições normais já seria difícil, imagine pressionado pelas dificuldades financeiras, pelas críticas arrasadoras que os primeiros capítulos recebiam nos grupos de New York, pela pressão dos acionistas achando que o livro estava indo muito devagar e tinham diminuído suas contribuições. Não bastasse tudo isso, o fato de nunca ter escrito nada antes o preocupava profundamente. Nesse turbilhão, exausto, magoado e quase a ponto de jogar o rascunho pela janela, num estado que era tudo, menos espiritual, mas ciente que a tarefa tinha que ser feita, naquela noite de dezembro de 1938, vindo em sua mente pouco a pouco algum tipo de luz, sentou-se na cama com um lápis na mão e um bloco de papel rabiscado sobre o joelho, com apenas alguma idéia de que nossa literatura teria que ser a mais clara e compreensível possível, que os nossos passos teriam que ser mais explícitos para evitar abrir brechas através da qual a racionalização alcoólica pudesse entrar. Quando começou a escrever, dispôs-se a rascunhar mais de seis passos, quantos mais ele não sabia. Relaxou e pediu ajuda divina. Vejam o que aconteceu, relatado pelo próprio Bill: “Com uma velocidade surpreendente, tendo em conta minhas emoções, completei o primeiro rascunho. Isso levou talvez meia hora. As palavras continuavam a surgir. Quando atingi um certo ponto, numerei os novos passos. Eram doze ao todo. De alguma forma, esse número me pareceu significativo. Sem qualquer motivo ou razão especial, eu os relacionei com os doze apóstolos. Sentindo-me agora muito aliviado”.

Lembramos que já haviam seis passos formulados cujas idéias básicas vieram dos Grupos Oxford, de William James e do Dr. Silkworth, além das considerações de várias outras pessoas.
Pelo conteúdo e forma como foram escritos (inspirados), resta comprovado que estes PASSOS não são obra do homem e sim fruto da vontade divina.

No prefácio do Livro “Os Doze Passos” estão escritas as seguintes palavras: “Os Doze Passos de Alcoólicos Anônimos consistem em um grupo de princípios, espirituais em sua natureza que, se praticados como um modo de vida, podem expulsar a obsessão pela bebida e permitir que o sofredor se torne íntegro, feliz e útil”.

Creio que o Poder Superior, Deus na minha concepção, quando nos legou os Doze Passos, para nossa recuperação individual, presenteou-nos com uma caixa de ferramentas espirituais, cuja finalidade, além do nosso conserto, da nossa reparação, é serem utilizadas em nossas dificuldades na vida diária. Na verdade estes princípios poderiam ser comparados a uma bomba espiritual do bem, poderosíssima: onde ela cai liberta inúmeras vidas. Prova disso é a utilização destes princípios, com sucesso, por diversas irmandades paralelas à nossa, com outros tipos de problemas que não sejam o álcool. Alguns exemplos são: Narcóticos Anônimos, Neuróticos Anônimos, Jogadores Anônimos, Comedores Compulsivos Anônimos, Introvertidos Anônimos, MADA – Mulheres que Amam Demais Anônimas, etc. (tem-se notícia de que existem mais de cem).

Infelizmente muitas vezes nós mesmos, membros de A.A., ao desprezarmos os Doze Passos, sugeridos como um programa de recuperação, até mesmo alguns de nós que já os conhecemos, mas pouco os praticamos, e não falamos sobre eles porque ainda duvidamos que tenham muita eficácia, temos nos prejudicado evitando que as promessas, descritas no Capítulo 6, “Entrando Em Ação”, do Livro Alcoólicos Anônimos, se cumpram em nossas vidas, as quais são:

1ª) Se formos cuidadosos, nesta fase do nosso crescimento, ficaremos surpresos antes de chegar à metade do caminho.

2ª) Estamos a ponto de conhecer uma nova liberdade e uma nova felicidade.

3ª) Não lamentaremos o passado, nem nos recusaremos a enxergá-lo.

4ª) Compreenderemos o significado da palavra serenidade e conheceremos a paz.

5ª) Não importa até que ponto descemos, veremos como nossa experiência pode ajudar outras pessoas.

6ª) Aquele sentimento de inutilidade e auto-piedade irá desaparecer.

7ª) Perderemos o interesse em coisas egoístas e passaremos a nos interessar pelos nossos semelhantes.

8ª) O egoísmo deixará de existir.

9ª) Todos os nossos pontos de vistas e atitudes perante a vida irão se modificar.

10ª) O medo das pessoas e da insegurança econômica nos abandonará.

11ª) Saberemos intuitivamente como lidar com situações que costumavam nos desconsertar.

12ª) Perceberemos de repente que Deus está fazendo por nós o que não conseguimos fazer sozinhos.

Serão estas promessas extravagantes? Achamos que não. Estão sendo cumpridas entre nós – às vezes depressa, outras devagar. Sempre se tornarão realidade, se trabalharmos para isto.
Certa vez ouvi uma história que exemplifica bem o que estou dizendo: “Um senhor, famoso religioso inglês, foi chamado à casa de uma senhora de idade que estava confinada à cama. A desnutrição estava acabando com ela. Durante sua visita, ele notou um documento emoldurado pendurando na parede. Perguntou à mulher: É seu? Ela disse que sim, e explicou que tinha trabalhado como doméstica no lar de uma família inglesa. “Antes de a Condessa Fulana morrer, explicou a mulher, ela me deu isto. Trabalhei para ela durante quase meio século. Tive tanto orgulho deste papel porque ela me deu. Mandei colocar numa moldura. Ficou pendurado na parede desde a morte dela, já faz 10 anos.”
O senhor perguntou: “A senhora me daria licença para levá-lo e mandar examiná-lo mais de perto?”
“Oh! Sim”, disse a mulher, que nunca aprendera a ler, “é só cuidar para que eu receba de volta”.
O senhor levou o documento às autoridades. Estas já o tinham procurado. Tratava-se de uma herança. A dama da nobreza inglesa legara à sua empregada uma casa e dinheiro.
Aquela mulher morava numa casinha de um só cômodo, feita de caixas de madeira, e estava morrendo de fome – mas tinha pendurado na parede um documento que a autorizava a receber todos cuidados e a morar numa casa excelente. O dinheiro estava acumulando juros. Pertencia a ela. O senhor ajudou-a a obtê-lo, mas o dinheiro não fez tanto bem a ela quanto poderia ter feito mais cedo.

Acho que isto é um exemplo daquilo que tem acontecido a boa parte dos Grupos de Alcoólicos Anônimos. Moramos numa casinha desmoronada – espiritualmente falando – enquanto deixamos no canto de alguma parede do grupo nossos Doze Passos, cheios de poeira e teias de aranha. Muitas vezes temos orgulho deles. Mas raramente nos damos ao trabalho de praticá-los e descobrir aquilo que, segundo eles dizem, ser uma dádiva que pertence a nós. Além das paredes, eles deveriam estar em nossas mentes, espíritos e corações, para que fossemos convertidos em instrumentos poderosos na transmissão da vontade divina. Cumprindo assim a única sugestão, ou melhor, missão delegada que é a de transmitir ao alcoólico que ainda sofre essa mensagem de salvação.

Ainda no Livro “Alcoólicos Anônimos”, também conhecido como “Livro Azul”, em seu Capítulo 5, “Como Funciona”, inicia-se com as seguintes palavras: “Raramente vimos alguém fracassar tendo seguido cuidadosamente nosso caminho”. Se a pessoa se entregar inteiramente a este programa, que é simples, e tiver a capacidade de ser honesta consigo mesma, terá grandes probabilidades de alcançar êxito.

“Aqui estão os passos que aceitamos, os quais são sugeridos como Programa de Recuperação”.

OS DOZE PASSOS DE A.A.

PRIMEIRO PASSO – “Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – Que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas”.
“O Primeiro Passo nos revelou um fato surpreendentemente paradoxal: descobrimos que éramos totalmente incapazes de nos livrar da obsessão pelo álcool até que admitíssemos nossa impotência diante dele”.

SEGUNDO PASSO – “Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos a sanidade”.
“No Segundo Passo vimos que já não éramos capazes de, por nossos próprios meios, retornar à sanidade, e que algum Poder Superior teria que fazê-lo por nós, para que pudéssemos sobreviver”.

TERCEIRO PASSO – “Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de DEUS na forma em que o concebíamos”.
“Em conseqüência no Terceiro Passo, entregamos nossa vontade e nosso destino aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos. A título provisório, aqueles de nós que eram ateus ou agnósticos descobriram que o nosso grupo ou A.A. no todo, poderia atuar como poder superior”.

QUARTO PASSO – “Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos”.
“A partir do Quarto Passo, começamos a procurar dentro de nós as coisas que nos haviam levado à bancarrota física, moral e espiritual e fizemos um corajoso e profundo inventário moral”.

QUINTO PASSO – “Admitimos perante DEUS, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas”.
“Em face do Quinto Passo, decidimos que apenas fazer um inventário não seria suficiente; sabíamos que era necessário abandonar nosso funesto isolamento com nossos conflitos e, honestamente, confiá-los a Deus e a outro ser humano”.

SEXTO PASSO – “Prontificamos inteiramente a deixar que DEUS removesse todos esses defeitos de caráter”.
“No Sexto Passo, muitos dentre nós recuaram pela simples razão de que não desejavam a pronta remoção de alguns defeitos de caráter dos quais ainda gostavam muito. Sabíamos, porém, todos, da necessidade de nos ajustar ao princípio fundamental deste passo. Portanto, decidimos que, embora tivéssemos alguns defeitos de caráter que ainda não podíamos expulsar, devíamos de todos os modos abandonar nossa obstinada e revoltante dependência deles. Dissemos: “Talvez não possa fazer isso hoje mas, pelo menos, posso parar de protestar: não, nunca!”

SÉTIMO PASSO – “Humildemente rogamos a ELE que nos livrasse de nossas imperfeições”.
“Então no Sétimo Passo, rogamos humildemente a Deus que, de acordo com as condições reinantes no dia do pedido e se esta fosse a Sua vontade, nos libertasse de nossas imperfeições”.

OITAVO PASSO – “Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados”.
“No Oitavo Passo continuamos a limpeza de nosso interior, pois sabíamos que não só estávamos em conflito conosco, como também com pessoas e fatos do mundo em que vivíamos. Precisávamos começar a restabelecer relações amistosas e, para esse fim, relacionamos as pessoas que havíamos ofendidos, nos propusemos, com disposição, a remediar os males que praticamos”.

NONO PASSO – “Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo, significasse prejudicá-las ou a outrem”.
“Prosseguindo nesse desígnio no Nono Passo, reparamos diretamente junto às pessoas atingidas, os danos causados, salvo, quando disso resultassem prejuízos para elas ou outros”.

DÉCIMO PASSO – “Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados nós o admitíamos prontamente”.
“No Décimo Passo, havíamos iniciado o estabelecimento de uma base para a vida cotidiana, conhecendo claramente que seria necessário fazer de maneira contínua o inventário pessoal, admitindo prontamente os erros que fôssemos encontrando”.
DÉCIMO PRIMEIRO PASSO – “Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade”.
“No Décimo Primeiro Passo vimos que se um Poder Superior nos havia devolvido à sanidade e permitido que vivêssemos com relativa paz de espírito num mundo conturbado, valia a pena conhecê-lo melhor, através do contato mais direto possível. Ficamos sabendo que o uso persistente da oração e da meditação abriria, de fato, o canal para que, no lugar onde havia existido um fio de água, corresse um caudaloso rio que nos levava em direção ao indiscutível poder e à orientação segura de Deus, tal como estávamos podendo conhecê-lo, cada vez melhor”.

DÉCIMO SEGUNDO PASSO – “Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades”.

“Assim, praticando esses passos, experimentamos um despertar espiritual sobre o qual, afinal, não nos restava a menor dúvida”.

“… em breve amaria a Deus, e O chamaria pelo nome”.

“Até o último dos recém-chegados descobre recompensas nunca sonhadas quando procura ajudar seu irmão alcoólico”.

“… está à beira da descoberta de alegrias, experiências e mistérios jamais sonhados”.

“Livremente receberam e livremente dão…, eis o coração deste último passo”.
“Muitos de nós exclamamos: Que tarefa tão difícil! Não consigo fazer isto tudo. Não desanime. Nenhum de nós conseguiu seguir estes princípios de um modo perfeito. Não somos santos. O importante é estarmos dispostos a crescer espiritualmente. Os princípios que enunciamos são guias para progredir. Pretendemos o progresso espiritual e não a perfeição espiritual”.

Ressaltamos que “Os Doze Passos” são apenas sugestões. Por fim, a prática dos Doze Passos aliada a prática das Doze Tradições e dos Doze Conceitos torna-se a maneira de vida de A.A.

ACEITANDO A MANEIRA DE A.A.

“Seguimos os Passos e as Tradições de A.A. porque realmente os desejamos para nós. Não é mais uma questão de ser uma coisa boa ou ruim; aceitamos porque sinceramente desejamos aceitar. Esse é o processo de crescimento em unidade e serviço. Essa é a prova da graça e do amor de Deus entre nós”. (Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade).

“É divertido observar o meu crescimento em A.A. Eu lutei contra aceitar os princípios de A.A. desde o momento em que ingressei, mas aprendi pela dor de minha beligerância que, escolhendo viver pela maneira de vida de A.A., eu me abria para a graça e o amor de Deus. Então comecei a conhecer o significado total de ser um membro de Alcoólicos Anônimos”. (Reflexões Diárias – Dia 27 de junho).

Nosso abraço fraterno e votos de Serenidade, Coragem e Sabedoria.

Mário S.

A Espiritualidade em A.A. e a Qualidade dos Relacionamentos

“Este estudo e questionamento são para fazermos conosco mesmos, ou com nossos amigos e ou companheiros, fora das atividades de A.A., pois este é dos assuntos altamente controversos”.

A espiritualidade é um estado da mente e da conduta, que tem origem na Divindade, e que responde a eterna pergunta: Quem sou? De onde vim? Para onde vou? E qual é o propósito da vida? O indivíduo que é movido pelas leis Divinas obtém inspiração no seu interior, e a manifesta no seu modo de ver a finalidade do ter, e do modo reto e positivo de pensar e agir, transcendendo toda intelectualidade e propósito objetivo humano; ele subordina sua vida objetiva, suas ações, seus pensamentos e seus sentimentos a uma reta conduta, que advém do contato com a Consciência Subjetiva ou Superior. Esta inclinação de reta conduta tem origem na alma, psiquismo ou mente de todo o ser humano, e se manifesta diferentemente em cada um, correspondendo às diversas fazes do seu desenvolvimento espiritual.

Vindo a espiritualidade de um Poder Superior que habita em nós, sua origem é perfeita, e a obediência a esse sussurro Divino só pode resultar em boa conduta, felicidade e paz.

A manifestação da Divindade que está em nós, é expressa pela Consciência Subjetiva que através de voz silente nos diz: Não é por ai, ame, tenha compaixão, não faça isso, perdoe, ajude, esqueça, seja justo, firme, paciente, prudente, tolerante, humilde, complacente, etc., porém não seja bonzinho e permissivo só para agradar, ser prestigiado e bem quisto. Ser amoroso é também ser firme verdadeiro e respeitoso, mesmo que isso desagrade a alguém. Esta manifestação da alma, psiquismo ou mente, entretanto pode ser abafada pelos nossos defeitos de caráter, quando não permitimos que ela se expresse, e ai podemos ser rudes e cruéis com os outros e até conosco.

A espiritualidade deve expressar-se objetivamente em boa conduta, palavras e pensamentos elevados. O individuo que não expressa essas atitudes de amor, compaixão, bondade e tolerância, não permitiu ainda que as motivações Divinas nele se manifestassem, mesmo que estas inspirações para estes sentimentos estejam latentes nele, pois toda alma é perfeita, e nele também há uma alma. Muitas vezes é preciso a ação amorosa Divina da chegada da dor, para que o indivíduo aceite o chamado para a trilha, senda ou caminho Sagrado da Espiritualidade. Outro aspecto espiritual é expresso em código moral, tendo por base crenças específicas com princípios a serem praticados e tem origem em tradições sagradas, o que ocorre com diversas religiões, e que podem trazer contradições entre as regras impostas por estas, e a Consciência Subjetiva dos indivíduos adquirida em seu contato Consciente com Deus, sugerido no nosso Décimo Primeiro Passo. A.A.
nos lembra no Segundo Passo, que concebamos um Deus a nosso modo e nos relacionemos com Ele, conforme nossa compreensão.

O indivíduo pode praticar todas as virtudes de motivação interior que vem da Divindade junto com outros membros de uma instituição ou comunidade qualquer, sem praticar nenhuma religião como tal definida, o que não deixa de se confundir com religiosidade genuína, quando segue as verdadeiras motivações interiores espirituais.

Religião com o sentido de crença, ritual e prática é a exteriorização e expressão com que os indivíduos satisfazem seus impulsos básicos de seguir uma vida relacionada com a Divindade; mas em si só, essas práticas exteriores não expressam vida reta, nem espiritualidade genuína.

O Verdadeiro espírito religioso, sem base em ritualismo formal e a espiritualidade são sinônimos, este estado existencial, inclui nas ações do individuo o amor e conseqüentemente o bem alheio ou a compaixão, bem como todas as virtudes já citadas aqui anteriormente, e a reverência a um Poder Superior ou ao Deus de cada um.

Tratamos aqui de religiosidade, não porque A.A. trate disso, mas para lembrar que todos nós sofremos influências religiosas, filosóficas e culturais de nossa origem e vivências ambientais, e que raramente questionamos ou verificamos a sua veracidade, e que em muitos casos essas influências conflitam com a espiritualidade ou a verdadeira religiosidade de muitos de nós, e isto consta nas Tradições, em seu desenvolvimento.

Falsa espiritualidade religiosa baseada em ritualismo formal é aquela praticada só objetivamente ou só com ações exteriores, cerimônias, ritos, etc., sem resposta emocional e compreensão, não levando às motivações que geram a prática do amor e da reta conduta.

Aquilo que creio e procedo objetivamente, deve sintonizar com o meu sentimento interior, com a voz silente de minha Consciência Subjetiva ou do Deus do meu entendimento, pois sem que isto ocorra, nada representa.

Existem milhões de indivíduos que não encontraram em entidade nenhuma, satisfação interior que condiga com seus sentimentos, e por isso A.A. nos deixa livre para formularmos a imagem de uma Divindade, e através dos exercícios dos Doze Passos termos contato consciente com o Deus da compreensão de cada um de nós, e nos permite com isso chegar ao entendimento das leis da Vida, conseguindo assim o bem viver e a paz, ajudando e permitindo que outros atinjam também esse objetivo a seu modo.

Mesmo não sendo religiosos formalmente, muitos indivíduos podem ser tão sensatos espiritualmente e levar uma vida tão reta que se iguale ou supere até, a qualquer fiel e espiritualizado seguidor de uma igreja.

Os Relacionamentos:

Só obtém bons relacionamentos em qualquer área de sua vida, aquele indivíduo que após praticar em um bom nível, tudo aquilo que A.A. nos sugere e que tem origem na manifestação da espiritualidade conseguida com a prática dos Doze Passos e que culmina com o exercício da meditação e da oração prevista no Décimo Primeiro Passo.

É neste passo, praticado de modo permanente, junto com os demais, que entramos em sintonia com a Consciência Superior, ou com o Deus do nosso entendimento, e é ai que sentimos Sua inspiração e sabedoria, quando na sua prática entendemos que fazemos parte do todo como nos diz Bill W, e é nele que entendemos que estamos ligados ao todo e, portanto a todos, e compreendemos então que quando atingimos mesmo só indelicadamente a qualquer ser irmão desse Universo Divino, ferimos a nós mesmos, e nesse estado nos fica fácil frearmos nossos egos e interesses próprios pessoais, e vermos os outros irmãos como parte de nós mesmos, passando aí a tratá-los com amor e compaixão. Isto é o resultado de um despertar espiritual, e é fundamental para termos bons e sadios relacionamentos e para termos uma vida cheia de amor e paz. O outro e eu somos um, ou parte do todo, não sou dono nem superior, não sou propriedade nem inferior a ninguém, integro o
Universo com todos os demais seres, procurando assim respeitar, tolerar, compreender, perdoar, amar, dentro de meus limites, mas sempre ampliando esses limites.

Quando amamos ao outro, com a compreensão de que ele é parte de nós mesmos nesse Universo Divino, o bom relacionamento se faz de modo autômato em nossas vidas como algo desejado e agradável, e não como algo a ser feito por dever e com sacrifício, pois é isto que nos leva à paz como disse o Dr. Bob, mesmo que tudo a nossa volta pareça uma tempestade; ai meus irmãos e irmãs de doença, nossas relações com os outros serão sempre harmoniosas, em qualquer campo de nossas vidas, pois todos, mesmo as almas mais rudes, não terão coragem de enfrentar esse amor, essa serenidade, essa tolerância, essa boa vontade e essa paz, com agressividade. Isto como diz nosso Décimo Segundo Passo, também é aplicável a todos os momentos e tipos de relacionamentos de nossas vidas.

Que o Deus do coração de cada um de nós nos dê a luz para atingirmos este estado de espírito de amor, serenidade, paz e fraternidade incondicional que só Ele pode nos dar, e ai irmãos e irmãs de doença e do Universo, nossos relacionamentos serão perfeitos

Fonte:[AABR] Espiritualidade e Relacionamentos

A maior dádiva de todas

SAULO F.

Quando este tema me foi sugerido para ser apresentado no “VI Encontro com Veteranos” do Grupo Cachoeira da Paz, em Cachoeira do Campo, Ouro Preto/ MG, temi pelo êxito deste assunto, pois ele abria oportunidade para um juízo de valor, o que o tornava bastante subjetivo. Apelei para o companheiro que dirigia o encontro, mas, naquele momento, ele não podia resolver minha dúvida. Só tempos mais tarde, ele me informaria que a idéia havia sido desenvolvida no livro “A linguagem do coração”. Mas nesse entremeio de tempo, numa reunião informal de AA, já havia sugerido, numa espécie de balão de ensaio, a pergunta: qual é a maior dádiva de todas? As respostas, como era de se esperar, foram as mais variadas possíveis. Todas apropriadas, diga-se a bem da verdade, mas com uma peculiaridade que não me agradava. Ou seja, para o objetivo que tinha em mente, para cumprir a missão que me fora destinada, senti-as incompletas. Continuei pensando sobre o assunto, e uma luz brilhou. Quem sabe, especulei comigo mesmo, a maior dádiva não seria também um grande sacrifício? Então me veio à mente a abstinência alcoólica, porém, afastei-a logo de imediato, por ser óbvia e exclusivamente do nosso meio. Por este fato, em nada estaria acrescentando, apenas ruminando uma idéia que todos sabemos, especialmente em um encontro de e com veteranos. O tempo passava e temas e mais temas continuaram desfilando em minha tela mental, cada um há seu tempo, tentando se impor como o preferido. Mas, repentinamente, por uma dissociação de ideias, ou melhor, por uma associação de idéias ao avesso, uma frase pulou na minha frente sem a menor cerimônia.
Vou explicar: creio ter sido eu quem, na Grande Belo Horizonte, pela primeira vez, apresentou, digamos assim, esta mal-bendita frase aos companheiros. O certo é que não me recordo de tê-la ouvido antes em salas de AA. Nada de especial nisto. O problema é que algo nela me chamou a atenção. Com ela, me debati muitas vezes. Impossível ignorá-la. Ainda que se discordasse dela, teríamos que dizer, como os italianos, que poderia não ser verdadeira, mas era bem bolada! A partir daquele momento em que lhe dei à luz, em nosso meio, tal como uma criatura estranha, ela ganhou vida própria e passei a presenciá-la ser dita e redita inúmeras vezes. Era de fato poderosa na sua expressividade! Mas que frase seria essa que veio como intrometida em meu universo mental, num momento em que apenas esperava por atinar com uma resposta para o tema deste trabalho? E o que era ainda mais surpreendente, é que ela mais serviria, no caso, como anticlímax, do que como protagonista de um elenco de bênçãos, dentre as quais eu deveria escolher uma. Sendo assim para que eu a adotasse como parte de meu trabalho, teria de contraditá-la depressa, pois apenas serviria como contraponto, nunca como uma solução afirmativa. Ao lado desta dificuldade, outra também havia, qual seja a de que eu deveria me revestir de uma razoável ousadia para discordar do filósofo, pai da idéia. E olha que, além de ter sido um dos fundadores da escola filosófica, a que passou a pertencer, foi indicado com mérito na sua carreira de escritor para o cobiçado prêmio Nobel de literatura!
Contudo, antes de revelar o conteúdo da frase que tanto incômodo me causou, vamos dar um passeio, ainda que ligeiro, pelos Passos de AA, com especial ênfase no texto do Passo Seis: “Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter”. (Entre parênteses, para lembrar que o título do nosso trabalho é: “A maior dádiva de todas” e, apenas aparentemente, estamos fugindo deste encargo).
De todos os passos, o Sexto é o que mais ambigüidade revela. Ambiguidade no sentido de estar em cima do muro, e, esta visão longe está de ser pejorativa.
Uma outra pausa, e voltemos no tempo, para nos lembrarmos dos chamados Grupos de Oxford e de seus famosos Absolutos. Honestidade absoluta, Verdade Absoluta, e assim por diante. Nesta visão pretérita do que foi o berço do AA, recordemo-nos de que houve, naqueles tempos idos, um afastamento recíproco, de parte a parte, entre os líderes do movimento Oxfordiano e os bêbados que lá chegavam, naquele reduto evangélico. Os bêbados, porque não se sujeitavam as regras rígidas dos chamados Absolutos, e os lideres do movimento Oxfordiano, porque conosco se desencantaram, uma vez que sempre voltávamos a beber. Isto não significa que um lado ou outro estava errado, ou ainda que ambos os lados estivessem equivocados. Na verdade, os dois tinham sua parcela de razão. Ambos estavam corretos, mas em momentos diferentes. Os bêbados, porque precisavam primeiramente da linguagem do coração, esta poderosa estratégia de confrontação, irrespondível para os bebedores-problema, que ainda teimam em defender a bebida em suas vidas. Para que pudessem deter a marcha do alcoolismo, a rendição era e continuaria a ser imprescindível. Careciam ainda da informação médica que estava por vir, na sua forma atual, já que, àquela época, o alcoolismo era classificado entre as doenças mentais, e, pelo grande público, éramos considerados um bando de marginais e de desavergonhados. Os dois grupos, como se vê, não se encontraram no tempo. Quanto aos preceitos, ditos Absolutos, só mais tarde, talvez, tivéssemos condições de nos deliciarmos com eles, sem risco de indigestão.
Pois bem, a meu ver, o sexto passo é uma tentativa de, na prática, acomodar esses interesses aparentemente conflitantes: o saudosismo dos Oxfordianos, que, a meu ver, cada membro de AA deveria sentir, e a espiritualidade popular, por nós adotada, que promete muito e realiza pouco. Eu próprio brinco de melhorar já faz muito tempo.
Reparem nisto: quando o Passo sugere “prontificamo-nos inteiramente” (grife-se o inteiramente) “a deixar que Deus removesse todos esses defeitos” (grife-se também o todos), ele é Oxfordiano na sua natureza. Também quando ele afirma que “este é o passo que separa os adultos dos adolescentes” (e devemos entender esta maturidade subjacente à figura dos adultos, não só como de caráter emocional, mas igualmente espiritual), a sua índole Oxfordiana manifesta-se incontestável. E, um terceiro exemplo, no meio de outros tantos: nunca devo dizer, ensina o Passo, que a tal ou qual defeito “jamais renunciarei”. Aqui, mais uma vez, se revela, indisfarçável, o seu vezo Oxfordiano.
Mas, indo e voltando, para ver o outro lado da questão, quando o sexto passo concede que na prática do viver diário, a remoção dos defeitos oferece dificuldades, neste momento está prestando uma homenagem aos desertores de ontem e de hoje, fujões eternos da prática dos Absolutos. Ora, aprendendo com os caçadores (certamente foram eles que inventaram o ditado), “devemos fugir é da onça, não do rastro da onça”. Esse pessimismo, ou seria um tipo de acovardamento, não é senão ele quem tem moldado pensamentos, como aquele que prometemos revelar, daqui a pouco, apesar de ter sido expressado por um gênio.
Introduzamos ainda, para maior clareza, o que se sugere: na tarefa, da assim chamada reformulação, temos, como diz o Sexto Passo, a tendência para fugir dos engarrafamentos psicológicos, das tarefas que oferecem maior dificuldade. Contentamo-nos em fugir pelas tangentes, em comer pelas beiradas do prato, escapulindo das questões dolorosas. No entanto, atenção agora, por favor, pois, como diziam os antigos, é “aqui que a porca torce o rabo”. É nesta encruzilhada, fabricada por nós, desenhada pelo medo, que se situa a real compreensão do problema. A tal da felicidade, a bendita paz de espírito, a tão convocada serenidade da nossa prece, em reuniões e fora delas, só aparece quando diante desses pontos de estrangulamento, passamos a enfrentá-los corajosamente. Como receita, se me permitem receitar não sendo médico, nem honorável filósofo, é largar de mão a desconfiança e acreditarmos que o resultado da superação do defeito de caráter, da imperfeição, do pecado – seja lá que nome se queira dar a essas mazelas – é melhor que a satisfação mórbida do defeito tido como insuperável. É mais ou menos como o prazer que dá a coceira do bicho-de-pé. Contudo, não ignoramos o fato que um pé sadio, afinal, é melhor do que um pé doente. No campo espiritual, essa distinção vem embaçada pela neblina do EGO. Não é tão simples de enxergar, como no exemplo do bicho-de-pé. Mas quem quer ser tolo? Ninguém, não é mesmo? Chegaremos lá! Temos que ultrapassar nossos limites, sempre e sempre. Aí então, Deus que é luz toma conta do cenário. Invade nossa alma e nos enche de beatitudes. Detalhe, que tem passado despercebido frequentemente (tradutor, traidor – ainda os italianos) é o fato de que a frase original, adotada pela Irmandade, não é, de forma alguma, o, à la brasileira,“não sou santo, nem candidato a santo”, mas sim “não queira ser santo tão depressa”.
Após essa peregrinação, que se fez necessária pelos Passos de AA, tratemos de nos aproximar com mais velocidade da solução pessoal dada por este companheiro ao que poderíamos objetivar como se fosse uma pergunta que está implícita ao tema.
Em sua opinião, Saulo, afinal, qual é a maior dádiva de todas? Os companheiros, naturalmente, se lembram de que, para respondê-la, iríamos contrariar frontalmente o pensamento de abalizado filósofo. Rapidamente, por questão de honestidade e justiça, devemos informar que o contexto em que o ilustre francês cunhou tal frase, ele tinha seu cabimento. Fazia sentido lá, quando e onde foi escrita, e o raciocínio do autor era coerente com o drama que sua imaginação desenvolveu. Licença poética. Coisa de artista. A frase está contida numa peça de teatro intitulada “Entre quatro paredes”. No original “Huis Clos”. Mas, apesar dessas considerações, não vou me acovardar agora no final. Espiritualmente ela não serve. Está completamente errada e, por um raciocínio invertido, é a solução da pergunta – tarefa. Não se surpreendam, mas lembram-se qual é ela? Claro! Não? Depois de tanto a repetirmos?
Portanto, agora, depois que justificamos o ilustre filósofo, a quem, em assim fazendo, acabamos por prestar-lhe a nossa devida e respeitosa homenagem, denunciemo-lo, ainda que amistosamente. Cuidamos de uma afirmação que nos veio do filósofo existencialista Jean Paul Sartre e já falecido, que defende o ponto de vista que “L’enfer sont les autres.“ “O inferno são os outros”. Êta desculpa boa, “sô”! O inferno são os outros. Será que é necessária explicação? Vá lá! Entre outras coisas, esta frase quer dizer que tudo que me acontece, por culpa dos outros aconteceu. Ou ainda, que não devo interagir com os semelhantes, pois todos não passam de empecilhos a minha volta, de paredões a impedir a minha livre caminhada. Pensando bem, diante de tamanho absurdo, só posso ser mais generoso ainda com o inteligente Sartre, admitindo que tenha se expressado de forma irônica, debochada!
Declaro neste momento, amigo Sartre, que vou reescrever sua frase, que fica assim: Os outros não são nosso inferno, mas sim a grande oportunidade que Deus nos dá, visando o aperfeiçoamento espiritual do “homo sapiens”. Ou seja, numa frase mais enxuta:
– Chegamos ao céu através dos outros -
Viram no que deu? Voltamos aos idos da década de 30. Aos Oxfordianos. Não me resta alternativa senão, diante das atuais circunstâncias, agradecer a eles, a quem, um dia, no passado, eu despreze. Relevem nossa falha, meus irmãozinhos do grupo Oxford! É claro, é verdadeiro que somente o amor absoluto, que naquela época tentaram me ensinar, é que fornece o passaporte para a felicidade. A literatura de AA usa a expressão “pedra de toque”, para explicar situação parecida com esta. Quando me torno capaz de pagar o mal que porventura me fazem com a moeda tilintante do bem, o sorriso de Deus me contagia e abençoa minha alma aflita. Vejo, igualmente, que, se na época do meu alcoolismo, a única e terrível saída era abandonar a bebida, agora no campo espiritual tenho que, a todo custo, viver o amor em todos os níveis. No pensamento, no coração e na ação. Não dá para interromper o programa. “Não dá para quebrar a ficha”! Em termos radicais, posso dizer que aqui está o ponto de estrangulamento de todo e qualquer ser humano, o maior engarrafamento emocional de cada um de nós. Tal como no exemplo do bicho-de -pé, há que se valorizar é o pé sadio. Apesar de ser esquisitamente agradável odiar quem nos odeia, ter má vontade com aqueles a quem invejamos, guardar rancor de quem nos prejudica, temos que superar essa tolice. É como no salto de obstáculo. Quando estivermos do lado de lá, saberemos que a satisfação pela vitória é definitivamente maior e gratificante do que as dificuldades ultrapassadas, transcendidas. Há que se acreditar que o amor ao próximo, especialmente para com aqueles a quem é difícil amar, traz-nos uma recompensa quase inimaginável. Esta regra de ouro é condição sem a qual nada feito. Se saltarmos esta lição, ainda que pratiquemos coisas extraordinárias para nosso aprimoramento, estaremos nos enganando. Conclusão, para este companheiro, que a vós se dirige nesta cachoeira de paz, a maior dádiva de todas não é ser inteligente, ser amado, ou ser o número um. A maior dádiva de todas é a possibilidade que Deus nos dá de amarmos o próximo incondicionalmente, sem nenhuma exigência, ou interesse. Apenas amar.
Pode ajudar muito se entendermos a natureza da má-vontade para com os outros, se compreendemos que de alguma forma, estamos condicionados a ela. Nossa reação de desagrado, de antipatia, de desforço psicológico foi aprendida e vem sendo reforçada constantemente. Passemos a quebrar os hábitos antigos de antipatizarmo-nos com pessoas e circunstâncias. Para evitar situações que tais, siga seus movimentos emocionais, sem perdê-los de vista. Descarte aqueles que não são generosos e substitua-os gradativamente, mas com rigor, até que um tempo chegará em que valores mais criativos, revestidos de bondade, tornarão nosso ambiente mental harmonioso e altruísta. É mais ou menos por aí, que começamos, de certa forma, a ser senhores de nosso destino.

TOLERÂNCIA
“NA OPINIÃO DO BILL”

Os perturbadores podem ser nossos professores

Hoje em dia poucos de nós tememos que algum recém-chegado possa prejudicar nossa reputação ou eficácia. O s que recaem, que achacam, que escandalizam, que sofrem de distúrbios mentais, que se rebelam contra o programa, que fazem comércio com a reputação de A. A., raramente conseguem prejudicar um grupo de A. A. por muito tempo. Algumas dessas pessoas acabam por tornar-se nossos mais respeitados e queridos companheiros. Outros permanecem para testar nossa paciência, apesar de sóbrios. Outros ainda vão embora. Começamos a considerar os perturbadores não como ameaças, mas como nossos professores. Eles nos obrigam a cultivar a paciência, a tolerância e a humildade. Finalmente compreendemos que eles são apenas pessoas mais doentes do que as demais, e que nós que os condenamos somos os fariseus cuja falsa virtude causa ao grupo um prejuízo espiritual mais profundo.
(Na Opinião do Bill – página: 28)

Regras para ser membro?

Por volta de 1943 ou 1944, o Escritório Central pediu aos grupos para que fizéssemos uma lista das regras para ser membro e a enviássemos ao escritório. Quando as listas chegaram, anotamos as regras. Um pouco da reflexão sobre essas muitas regras nos levou a uma conclusão surpreendente.
Se todas essas regras entrassem em vigor, em todos os lugares, imediatamente, teria sido praticamente impossível qualquer alcoólico ter se juntado a A. A. Cerca de noventa por cento de nossos mais antigos e melhores membros nunca poderiam ter ingressado!
Finalmente a experiência nos ensinou que privar o alcoólico de tão grande chance, às vezes era o mesmo que declarar sua sentença de morte e, muitas vezes, condená-lo a uma miséria sem fim. Quem ousaria ser juiz, júri e carrasco de seu próprio irmão doente?
(Na Opinião do Bill – página 41)

Uma porta giratória diferente

Quando um bêbado se aproxima de nós e diz que não gosta dos princípios de A. A., das pessoas ou da direção do serviço, quando ele declara que estará melhor em qualquer outro lugar – não nos incomodamos. Dizemos simplesmente: “Talvez seu caso seja diferente. Por que você não tenta outra coisa?”
Quando um membro de A. A. diz que não gosta de seu próprio grupo, não ficamos perturbados. Dizemos simplesmente: “Por que você não tenta mudar para outro grupo? Ou comece um novo grupo por sua conta.”
Para todos os que desejam se separar de A. A., fazemos um convite animador paara que assim o façam. Se eles conseguirem fazer melhor por outros meios, estaremos contentes. Se, depois de fazer a tentativa, não conseguirem melhores resultados, sabemos que eles têm uma escolha a fazer: ficar loucos, morrer ou voltar para Alcoólicos Anônimos. A decisão é toda deles (na verdade, quase todos eles têm voltado).
(Na Opinião do Bill – página: 62)
Ser justo

Acho que, com freqüência demasiada, desaprovamos e até ridicularizamos os projetos de nossos amigos no campo do alcoolismo, só porque nem sempre estamos inteiramente de acordo com eles.
Deveríamos seriamente nos perguntar quantos alcoólicos estão continuando a beber só porque não temos cooperado de bom grado com essas inúmeras organizações – sejam elas boas, más ou indiferentes. Nenhum alcoólico deveria ficar louco ou morrer só porque não foi diretamente para A. A. no começo.
Nosso primeiro objetivo será o desenvolvimento da autodisciplina. Este ponto é da mais alta importância. Quando falamos ou agimos precipitada ou imprudentemente, a capacidade de ser justos e tolerantes se evapora imediatamente.
(Na Opinião do Bill – página: 113)

De viva voz

“Em minha opinião não pode haver a menor objeção aos grupos que querem permanecer estritamente anônimos ou a pessoas que não gostariam que todos soubessem de sua filiação no A. A. Esse é um problema deles, e essa é uma reação muito natural.
“Entretanto, muitas pessoas acham que o anonimato a esse ponto não é necessário, nem mesmo desejável. Desde que a pessoa esteja sóbria, e segura disto, não parece haver razão para não falar a respeito da afiliação a A. A. nos lugares certos. Isso tende a trazer novas pessoas. Falar de viva voz é um de nossos mais importantes meios de comunicação.
“Assim sendo, não deveríamos criticar as pessoas que querem permanecer no silêncio, e nem aquelas que querem falar demais sobre pertencer a A. A., desde que não o façam em nível público, comprometendo assim toda nossa Sociedade.”
(Na Opinião do Bill – página: 120)

Os direitos individuais

Acreditamos que não haja outra irmandade no mundo que dispense mais atenção a seu membro, individualmente; e certamente não existe nenhuma que ofenda tanto o direito individual de pensar, falar e agir livremente. Nenhum AA pode obrigar outro a fazer o que quer que seja; ninguém pode ser punido ou expulso.
Nossos Doze Passos para a recuperação são sugestões; as Doze Tradições, que asseguram a unidade de A. A., não contêm um só “Não Faça”. Elas repetidamente dizem: “Deveríamos”, mas nunca “Você tem que!”
“Embora seja uma tradição o fato de que nossa Irmandade não pode forçar ninguém, não suponhamos nem por um instante que não estamos sob coerção. Na verdade, estamos sob uma enorme coerção – do tipo que vem engarrafado. Nosso antigo tirano, o Rei álcool está sempre pronto a nos agarrar.
“Portanto, a libertação do álcool é o grande “temos que” que precisa ser alcançado, caso contrário, chegaremos à loucura ou à morte”.
(Na Opinião do Bill – página: 134)

Assumir a responsabilidade

Aprender a viver na maior paz, companheirismo e fraternidade com todos os homens e mulheres, sem distinções, é uma aventura comovente e fascinante.
Porém, todo AA acabou descobrindo que pouco pode progredir nessa nova aventura de viver, sem antes voltar atrás e realmente fazer um exame preciso e profundo dos destroços humanos que porventura tenha deixado em seu passado.
A disposição de arcar com todas as conseqüências de nossos atos passados e, ao mesmo tempo, assumir a responsabilidade pelo bem-estar dos outros constitui o próprio espírito do Nono Passo.
(Na Opinião do Bill – página: 145)

A.A. – a estrela-guia

Podemos ser gratos a toda organização ou método que tende solucionar o problema do alcoolismo – seja a medicina, religião, educação ou pesquisa. Podemos ter a mente aberta a respeito desses esforços e podemos ser compreensivos quando os imprudentes falham. Não podemos esquecer que mesmo A. A. funcionou durante anos na base do “ensaio e erro”.
Enquanto indivíduos podemos e deveríamos trabalhar com quem promete sucesso – ainda que seja um pequeno sucesso.
Todos os pioneiros no campo do alcoolismo dirão, generosamente, que se não fosse pela prova viva da recuperação em A. A., eles não poderiam ter prosseguido. A. A. foi a estrela-guia da esperança e da ajuda que os fez persistir.
(Na Opinião do Bill – pagina: 147)

Começar perdoando

No momento em que examinamos algum relacionamento deteriorado ou destruído, nossas emoções se colocam na defensiva. Para não ter de encarar as ofensas que fizemos a outra pessoa, fixamos ressentidamente nossa atenção nas ofensas que ele nos fez. Triunfalmente nos valemos de seus menores erros como desculpa perfeita para minimizar ou esquecer os nossos.
A essa altura precisamos imediatamente parar. Não esqueçamos que os alcoólicos não são os únicos a ser atormentados por emoções doentias. Em muitos casos estamos na realidade lidando com companheiros sofredores, pessoas que tiveram suas desgraças aumentadas por nós.
Se agora estamos a ponto de pedir perdão para nós, por que não poderíamos começar perdoando-os todos?
(Na Opinião do Bill – página: 151)

Aspectos da tolerância

Todo tipo de pessoas tem encontrado seu caminho em A. A. Não faz muito tempo, estive conversando em meu escritório com uma companheira que é Condessa. Nessa mesma noite fui a uma reunião de A. A. Era inverno e na porta de entrada estava um cavalheiro de baixa estatura que gentilmente guardava nossos casacos. Perguntei: “Quem é aquele?” E alguém respondeu: “Ah! Ele esta aqui há muito tempo. Todo mundo gosta dele. Ele pertence ao bando ao Al Capone”. Isso mostra o quanto a. A., hoje, é universal.
Não temos o desejo de convencer ninguém de que só existe um meio pelo qual a fé pode ser adquirida. Todos nós, sem distinção de raça, credo ou cor, somos filhos de um Criador vivo, com que podemos estabelecer um relacionamento em termos simples e compreensíveis, tão logo estejamos dispostos e sejamos honestos o suficiente para tentar.
(Na Opinião do Bill – página: 175)

Ó único requisito”

Na Terceira Tradição, A. A. está na verdade dizendo a todo bebedor-problema: “Você será um membro de A. A. se assim o disser. Você mesmo pode declarar que faz parte da Irmandade, ninguém pode deixá-lo de fora. Seja você quem for, seja qual for o ponto a que você tenha chegado, sejam quais forem suas complicações emocionais – mesmo seus crimes – não queremos deixá-lo de fora. Queremos apenas ter a certeza de que você terá a mesma oportunidade de alcançar a sobriedade que nós tivemos.”
Não queremos negar a ninguém a oportunidade de se recuperar do alcoolismo. Queremos incluir o maior número possível de pessoas, jamais excluir.
(Na Opinião do Bill – página: 186)

A verdadeira tolerância

Aos poucos começamos a ser capazes de aceitar os erros dos outros, assim como suas virtudes. Inventamos a poderosa e significativa frase: “Vamos amar sempre o que há de melhor nos outros – e nunca temer o que tenham de pior.”
Finalmente começamos a perceber que todas as pessoas, inclusive nós, estão de alguma forma emocionalmente doentes e muitas vezes erradas. Quando isso acontece, nos aproximamos da verdadeira Tolerância e percebemos o que significa de fato o verdadeiro amor ao próximo.
(Na Opinião do Bill – página: 203)

Testes construtivos

Existem aqueles em A. A., a quem gostamos de chamar de nossos críticos “destrutivos”. Conduzem pela força, são “politiqueiros”, fazem acusações para atingir seus alvos. Tudo pelo bem de A. A., naturalmente! Mas aprendemos que esses sujeitos não são tão destrutivos assim.
Deveríamos ouvir cuidadosamente o que eles dizem. Às vezes eles estão dizendo toda a verdade; outras vezes apenas parte da verdade. Se estivermos ao seu alcance, toda a verdade, parte da verdade ou a falta da verdade podem ser igualmente desagradáveis para nós. Se eles estiverem dizendo toda a verdade ou ainda apenas parte da verdade, então será melhor agradecer-lhes e fazer nosso próprio inventário, admitindo que estávamos errados. Se estiverem dizendo coisas absurdas, podemos ignorá-las ou então tentar persuadi-los. Caso isto falhe, poderemos lamentar que estejam doentes demais para ouvir e poderemos tentar esquecer o assunto.
Há poucos meios melhores de auto-análise e desenvolvimento da paciência do que o teste a que nos submetem esses membros bem intencionados, porém equivocados.
(Na Opinião do Bill – página: 215)

Amar todo mundo?

Poucas pessoas podem afirmar que amam com sinceridade todo mundo. A maioria de nós tem que admitir ter amado apenas alguns semelhantes; ter sido indiferente a muitos, e ter nutrido antipatia e até mesmo ódios a muitos outros.
Nós, Aas, descobrimos que precisamos de algo muito melhor a fim de manter nosso equilíbrio. A idéia de que podemos amar possivelmente algumas pessoas, ignorar muitas, e continuar a temer ou odiar quem quer que seja tem que ser abandonada, mesmo que seja aos poucos.
Podemos procurar não fazer exigências descabidas àqueles que amamos. Podemos demonstrar bondade onde não havíamos demonstrado. E, com aqueles com quem não simpatizamos, podemos pelo menos começar a prática da justiça e cortesia, talvez nos esforçando para compreendê-los e ajudá-los.
(Na Opinião do Bill – página: 230)

Prisioneiros libertados

Carta a um grupo numa prisão:
“Todo AA foi, num certo sentido, um prisioneiro. Cada um de nós se fechou à margem da sociedade; cada um de nós conheceu o estigma social. Para vocês, tudo tem sido ainda mais difícil: no seu caso, também a sociedade construiu uma muralha a seu redor. Mas não existe realmente uma diferença essencial; esse é um fato que praticamente todos os Aas, agora sabem.
“Portanto, quando vocês, membros, ingressarem no mundo de A. A. fora da prisão, podem ter a certeza de que ninguém vai se preocupar com o fato de que vocês cumpriram pena. O que vocês estão tentando ser, e não o que foram, é tudo o que nos importa.”
“Às vezes, as dificuldades mentais e emocionais são muito difíceis de suportar quando estamos tentando manter a sobriedade. Contudo, com o passar do tempo, percebemos que superar esses problemas constitui o verdadeiro teste do modo de vida de A. A. A adversidade nos dá mais oportunidade de crescer do que a comodidade ou o sucesso.”
(Na Opinião do Bill – página: 234)

Os outros

“Assim como você, muitas vezes eu me considerei vítima do que outras pessoas disseram ou fizeram. Mas todas as vezes que eu acusei os pecados dessas pessoas, principalmente daquelas cujos pecados eram diferentes dos meus, descobri que só ajudei a piorar as coisas. Meu próprio ressentimento e minha auto piedade muitas vezes me tornaram praticamente inútil para qualquer um.
“Assim sendo, agora, se alguém fala mal de mim, primeiro pergunto a mim mesmo se há alguma verdade no que foi dito. Se não há nenhuma, procuro me lembrar de que também tive períodos em que falava amargamente dos outros; que o falatório maligno é apenas um sintoma da permanência de nossa doença emocional, e conseqüentemente, que nunca devo ficar com raiva devido às injustiças de uma pessoa doente.
“Sob condições muito difíceis, muitas e muitas vezes tive que perdoar outras pessoas e a mim mesmo. Você recentemente tentou fazer isso?”
(Na Opinião do Bill – página: 268)

Superando ressentimentos

Começamos a ver que o mundo e as pessoas realmente tinham nos dominado. Sob essa infeliz condição, as más ações dos outros, imaginários ou reais, tinham força até para destruir, porque pelo ressentimento poderíamos ser levados de volta à bebida. Vimos que esses ressentimentos devem ser superados, mas como? Não bastava só desejá-lo.
Esse foi nosso procedimento: percebemos que as pessoas que nos maltrataram talvez estivessem espiritualmente doentes. Então, pedimos a Deus que nos ajudasse a lhes mostrar a mesma tolerância, piedade e paciência que, com satisfação, teríamos para com um amigo doente.
Hoje, evitamos a vingança e a discussão. Não podemos tratar as pessoas doentes dessa maneira. Se o fizermos, destruiremos nossa chance de ser úteis. Não podemos ser úteis a todas as pessoas, mas pelo menos Deus nos mostrará como ser bons e tolerantes para com todos.
(Na Opinião do Bill – página: 286)

A tolerância nos mantém sóbrios

“A honestidade para com nós mesmos e para com os outros nos leva à sobriedade, mas é a tolerância que nos mantém sóbrios.
“A experiência nos mostra que poucos alcoólicos vão se afastar por muito tempo de um grupo só porque não gostam do modo como ele funciona. A maioria volta a se adaptar às condições existentes. Alguns vão para outro grupo ou formam um grupo novo.
“Em outras palavras, uma vez que o alcoólico chega à conclusão de que não pode ficar bem sozinho, ele de alguma forma vai descobrir uma maneira de ficar bem e continuar bem na companhia dos outros. Tem sido assim desde o início de A. A. e provavelmente sempre o será.”
(Na Opinião do Bill – página 312)

Crítica bem-vida

“Muito obrigado por sua carta de crítica. Estou certo de que, se não fosse por suas críticas violentas, A. A. teria progredido mais lentamente.
“Quanto a mim, cheguei ao ponto de dar grande valor às pessoas que me criticam, fossem críticas justas ou injustas. Tanto uma como outra, muitas vezes me impediram de fazer coisas piores do que realmente tenho feito. Espero que as críticas injustas tenham me ensinado a ter um pouco de paciência. Mas as justas têm sempre prestado um grande serviço a todos os membros de A. A. – e têm me ensinado muitas lições valiosas.”.

CAMINHO – ESTRADA – ATALHO – TRILHO – PASSAGEM

CAMINHO – ESTRADA – ATALHO TRILHO – PASSAGEM

Uma aula de espiritualidade
Foi como se eu tivesse realmente “pronto” – no quarto ano de A.A. – para ler o texto do filósofo norte-americano William James, considerado o “pai da moderna psicologia”. Li Variedades da Experiência Religiosa como quem estuda: com cuidadosa atenção e anotando passagens importantes num bloco de papel. Como não encontrei uma edição em português, recorri a um volume em espanhol, numa biblioteca pública, e isso por si só tornou minha leitura ainda mais atenta.
Foram muitas e gratíssimas as surpresas. A experiência foi notável, não só por confirmar para mim aspectos da espiritualidade que eu já havia percebido, por meio da prática do programa de A.A. – a exemplo da consideração do autor de que “Deus é real desde o momento em que produz efeitos reais”, mas também porque me abriu novas e valiosas perspectivas de crescimento espiritual, ao esclarecer sensações que já tinham me assaltado
mas que não conseguia identificar com clareza. Caso desta passagem:
“A prece ou a comunhão íntima com o espírito transcendental – seja ‘Deus’ ou ‘lei’ – constitui um processo onde o fim se cumpre realmente, e a energia espiritual emerge e produz resultados precisos, psicológicos ou materiais, no mundo fenomenológico.”.
Ao final da leitura sobrou para mim uma certeza: a de que o crescimento espiritual constante poderá me conduzir a um estado em que minhas preces deixem de ser meramente súplicas (como foram até agora e acredito que assim continuarão por tempo indeterminado) e assem a representar um estado mais elevado, em que eu possa louvar e amar a Deus como Ele merece ser louvado e amado – para que a semente de Sua presença dentro de meu próprio espírito possa se tornar plenamente efetivada.
Confesso que, de início, não achava que fosse ler o livro inteiro, mas apenas dois dos 20 capítulos, os que tratam da conversão (que eu entendo como despertar espiritual). Findos os dois capítulos (cada capítulo corresponde a cada uma das 20 conferências realizadas por James na Universidade de Edimburgo, na Inglaterra, entre 1901 e 1902), compreendi que
tinha aberto uma arca de tesouro, passando a devorar tudo.
Há no livro um aspecto que, logo de saída, me fisgou: a generosidade do mestre, que não dá um passo sem relatar detalhadamente casos verídicos (alguns envolvendo alcoólicos), além de citar bastante outros autores e pesquisadores – como é o caso destas palavras , creditadas ao professor Leuba, contemporâneo seu e também precurssor da psicologia da religião:
“Deus não é conhecido, não é compreendido, é simplesmente utilizado, às vezes como provedor material, às vezes como suporte moral, às vezes como amigo, às vezes como objeto de amor. Se demonstrar sua utilidade, a consciência espiritual não exige mais nada.
Existe Deus realmente?
O que é?, são perguntas irrelevantes.
Não é a Deus que encontramos na análise última dos fins da espiritualidade, mas sim a vida, maior quantidade de vida, uma vida mais ampla, mais rica, mais satisfatória. O amor à vida, em qualquer e em cada um de seus níveis de desenvolvimento, é o impulso religioso”.
Outra citação, creditada pelo autor a Frederic Myers: “Se perguntarmos a quem dirigir a prece, a resposta (curiosamente, é certo…) há de ser isso não tem demasiada importância; a prece não é uma coisa puramente subjetiva, significa um incremento real da intensidade de absorção de poder espiritual – ou graça -, mas não sabemos suficientemente o que ocorre no mundo espiritual, para saber como atua a prece, quem toma conhecimento dela,
ou por que tipo de canal é outorgada a graça”.
James também afirma que “o ponto religioso fundamental é que na prece e energia espiritual – em outros momentos adormecida – torna-se ativa e realmente se efetua uma obra espiritual de algum gênero”. Ele constatou, em suas extensas pesquisas sobre homens e mulheres que conseguiram despertar seu íntimo espiritual , que “o novo ardor que acende o peito dessas pessoas consome, com seu fulgor,as inibições inferiores que antes as perseguiam e
imuniza-as da porção vil de suas naturezas. A magnanimidade, antes impossível, agora parece fácil; os convencionalismos insignificantes e os vis incentivos, antes tirânicos, agora não mais as subjugam”.
Muito antes da fundação de A.A., James já utilizava palavras muito familiares a todos nós, membros da Irmandade: “O despertar espiritual pode advir por um crescimento gradual ou abruptamente (por crisis), mas em qualquer desses casos parece ter chegado ‘para ficar’…”. Citando Starbuck, outro contemporâneo seu, James comenta que o efeito do despertar espiritual consiste em proporcionar “uma mudança de atitudes com relação à vida, que é
constante e permanente, ainda que os sentimentos flutuem…”.
Essa singela colocação, “ainda que os sentimentos flutuem”, produziu em mim um efeito balsâmico. É que durante um bom período de minha recuperação pessoal, vivia com medo de que minhas oscilações emocionais constituíssem um grande risco. É certo que preciso continuar muito atento a meus altos e baixos emocionais, mas o fato é que tal reflexão veio confirmar o que eu já vinha percebendo há algum tempo. Ou seja, que, como ser humano, estou sujeito a uma certa gangorra de sentimentos, que nem sempre, contudo, leva a
uma recaída alcoólica.
Um pouco mais de esclarecimento, sobre os meus temores de recaída, chegou-me com essa reflexão: “Enquanto a nova influência emocional não alcançar um tom de eficácia determinante, as mudanças que produz são inconstantes e volúveis e o homem volta a recair em sua atividade original.
Mas quando uma emoção nova consegue uma certa intensidade, atravessa-se um ponto crítico, conseguindo-se uma revolução irreversível equivalente à produção de um novo estado natural”.
E é muito significativo que, 35 anos antes da fundação de A.A., William James, confrontando o “santo” (para o autor, santa é toda pessoa com faculdades espirituais fortes e desenvolvidas) e o “homem forte” (refere-se ao conceito de super-homem, de Nietzche), tenha escrito: “(…) No entanto, é possível conceber uma sociedade imaginária na qual não caiba a agressividade mas sim apenas a simpatia e a justiça – qualquer pequena
comunidade de verdadeiros amigos conduz a essa sociedade. Quando consideramos abstratamente esta sociedade, ela seria, em grande escala, o paraíso, já que cada coisa boa se produziria sem nenhum desgaste. O santo se adaptaria perfeitamente a essa sociedade.
Suas maneiras pacíficas seriam positivas para seus companheiros e não haveria ninguém que se aproveitasse de sua passividade. Portanto, o santo é, abstratamente, um tipo de homem
superior ao ‘homem forte’, porque se adapta a essa sociedade mais elevada concebível, sem depender para nada o fato desta sociedade vir a se concretizar ou não jamais”. Impossível não fazer uma analogia com A.A.
Nessa altura de minha programação pessoal, estou amplamente convencido de que a vasta literatura de A.A. é mais do que suficiente para minha recuperação constante – só por hoje. Lendo o livro de William James , pude sentir uma enorme satisfação também pelo fato de estar bebendo das águas de um dos regatos dos quais Bill W. se serviu. E uma grande necessidade de compartilhar minha experiência com os leitores da revista. Vinte e quatro
horas a todos.
Juan, São Paulo/SP
Vivência – maio/junho 2000
O alcoolismo nas empresas
Sou psicóloga e profissional da área de recursos humanos em uma empresa. Como o alcoolismo é uma situação que vivencio no meu dia-a-dia e por não saber quase nada a seu respeito nem como abordar um provável alcoólatra, recorri ao livro Alcoólicos Anônimos.
Para minha surpresa, encontrei uma abordagem simples do problema visto por quem havia passado pelo problema e nada é mais real e objetivo do que a experiência pessoal.
Todo trabalho científico é baseado em pesquisa e experimentações e, mesmo o A.A. não se dedicando a este campo, constatou, através da experiência de milhares de membros, a gravidade e a possibilidade de uma nova abordagem do assunto, ainda tão desconhecido de nossa sociedade.
É o alcoolismo visto sob a ótica de quem trilhou o seu caminho, uma abordagem de dentro para fora, riquíssima em seu conteúdo.
O capítulo 10 do livro Alcoólicos Anônimos tem como título “Aos empregadores” e traz um roteiro completo de como devem ser abordados casos de alcoolismo em empresas e eu tenho adotado as sugestões lá recomendadas.
Para simplificar e até distribuir para outros colegas de profissão que têm o mesmo problema em sua rotina profissional, condensei o conteúdo deste riquíssimo capítulo da forma que segue abaixo.
Se encontrarem algum proveito nele, valeu a pena. Caso contrário valeu a pena da mesma forma, pois pude ter acesso ao conteúdo deste programa maravilhoso de recuperação que é Alcoólicos Anônimos.
Roteiro simplificado de como o profissional de recursos humanos de uma empresa deve se relacionar com o problema alcoolismo dentro da empresa.
• Primeiro passo: se informar sobre o alcoolismo. Indicação dos livros: – “O texto básico de Alcoólicos Anônimos” (Livro Azul) e “Os Doze Passos e as Doze Tradições” (são adquiridos em A.A.).
• Compreender que o alcoolismo é uma doença grave.
• Tendo certeza de que seu funcionário não quer parar de beber, deverá ser demitido. E que fique claro quanto ao motivo: Alcoolismo.
• Ter uma atitude compreensiva em relação a cada caso.
• Diga-lhe que sabe o quanto ele bebe e que aquilo precisa acabar. Você pode dizer que aprecia sua capacidade, que gostaria de conservá-lo na empresa, mas que não poderá fazê-lo se ele continuar a beber. Uma posição firme, neste sentido, irá ajudá-lo.
• A seguir, garanta-lhe que não pretende fazer um sermão, dar lições de moral ou condená¬lo. Que, se isto foi feito antes, foi por uma questão de falta de conhecimento de causa. Se possível, demonstre que não nutre contra ele sentimentos negativos. Neste ponto, talvez seja uma boa idéia explicar-lhe o alcoolismo como doença. Diga que você acredita que ele esteja gravemente doente, com esta ressalva: sendo talvez portador de uma doença fatal gostaria ele de se recuperar? Você pergunta por que muitos alcoólicos, estando mentalmente perturbados e embotados, não querem parar de beber. Mas e ele, quer? Dará os passos necessários, submetendo-se seja ao que for para parar de beber? Se ele disser que sim, está sendo realmente sincero, ou no fundo acha que pode enganá-lo e que, depois de um descanso e tratamento conseguirá continuar a tomar uma ou outra dose de vez em quando? Achamos que um homem deve ser cuidadosamente investigado em relação a estes pontos. Certifique-se de que ele não o esteja enganando, ou a ele mesmo.
• Se ele contemporizar e ainda achar que pode beber outra vez, mesmo que seja só cerveja, poderá perfeitamente ser demitido depois do próximo porre que, sendo um alcoólico, certamente tomará. É preciso que ele entenda bem isto. Ou você está lidando com um homem que pode e quer se recuperar ou não está. Se não estiver, por que perder tempo com ele? Isto pode parecer duro, mas em geral é o melhor caminho.
• Depois de se certificar de que seu empregado quer se recuperar e que fará o que for preciso para conseguir, você pode sugerir-lhe um programa de ação definitivo. Para a maioria dos alcoólicos que está bebendo, ou acabando de sair de uma bebedeira, uma certa dose de tratamento físico é necessária, e até imperativa. A questão do tratamento físico deve, é claro, ser submetida a seu próprio médico. Seja qual for o método adotado, seu objetivo é eliminar do corpo e da mente os efeitos do alcoolismo. Em mãos competentes, isto raramente demora muito e não custa muito caro. Seu funcionário se sentirá melhor se for posto em condições físicas tais que lhe permitam pensar com clareza e não sentir mais a compulsão pelo álcool.
• Se você lhe propuser tal procedimento, talvez seja preciso adiantar-lhe o custo do tratamento, mas acreditamos que deva ficar claro que quaisquer despesas serão futuramente deduzidas de seu salário. É melhor para ele sentir-se responsável.
• Se o funcionário aceitar sua oferta deve ser enfatizado que o tratamento físico é apenas uma pequena amostra do que o espera. Embora você lhe esteja proporcionando os melhores cuidados médicos, ele deve compreender que precisa passar por uma reformulação interna. Superar o hábito da bebida irá requerer uma modificação de pensamento e atitudes. Todos nós precisamos colocar a recuperação acima de tudo o mais, pois sem a recuperação teríamos perdido tanto o lar quanto o emprego.
• Você pode confiar totalmente em sua capacidade de se recuperar? Por falar em confiança, será que você poderá adotar a atitude de que, no que depender de você, tudo isto permanecerá um problema estritamente pessoal, que seus erros devidos ao alcoolismo e o tratamento ao qual ele vai se submeter nunca serão discutidos sem o consentimento do próprio? Talvez seja bom ter uma boa conversa com ele, quando voltar ao trabalho.
• Caso você se sinta inseguro para ter tal conversa ou seu relacionamento com o funcionário esteja ligado por um grande laço de amizade poderá estar tendo este tipo de conversa com o alcoólico: “Ei, fulano, você quer parar de beber ou não? Cada vez que você bebe, eu é que fico no fogo. Não é justo, nem comigo nem com a firma. Eu estive estudando umas coisas sobre alcoolismo. Se você for um alcoólico, é um homem seriamente doente. Você age como se fosse. A empresa quer ajudá-lo a melhorar e, se estiver interessado, há um jeito de sair dessa. Se for em frente, seu passado será esquecido e o fato de que você foi afastado para tratamento médico não será divulgado. Mas, se você não quiser ou não puder parar de beber, acho que deve pedir demissão”.
• Lembramos que o sigilo e a ética devem ser estritamente respeitados. Comentários sobre o assunto com pessoas que não estão diretamente ligadas ao funcionário só serviram para gerar fofocas e comentários maliciosos. Naturalmente, este tipo de coisa reduz as chances de recuperação do funcionário. O empregador deve proteger o funcionário deste tipo de mexerico, defendendo-o contra provocações desnecessárias ou críticas injustas.
• Caso ele (a) recaia, por uma vez que seja, cabe ao seu superior decidir se será ou não mandado embora. Se estiver convencido de que ele não está levando o caso a sério, não há dúvidas de que deve demiti-lo. Se, pelo contrário, tiver a certeza de que ele está fazendo o que pode, talvez queira lhe dar outra chance. Mas você não deve se sentir obrigado (a) a conservá-lo na empresa, pois sua obrigação já foi totalmente cumprida.
• Em resumo, ninguém deveria ser demitido apenas por ser alcoólico. Se quiser parar de beber, deve merecer uma chance. Se não puder ou não quiser parar, deve ser demitido. Poucas são as exceções.
Este tipo de enfoque resolverá muitos problemas e permitirá a reabilitação de bons funcionários e ao mesmo tempo você não hesitará em se livrar daqueles que não querem ou não conseguem parar com a bebida.
O alcoolismo pode estar causando muito prejuízo à sua empresa, em termos de perda de tempo, pessoal e reputação, ou poderá causar um grave acidente de trabalho.
Estas sugestões têm como objetivo ajudar a eliminar estas perdas, às vezes consideráveis.
Andréia Boggione
Psicóloga Organizacional
Profissional da Área de Recursos Humanos Betim/MG
Vivência nº 99 – Janeiro/Fevereiro 2006
Evite o 1º Atrito
A freqüência com que o assunto alcoolismo vem surgindo na imprensa, rádio e televisão fazem um esboço desse problema que afeta toda a sociedade, pois queiram ou não, todos os cidadãos findam fazendo parte desse quadro, sempre como vítimas.
O alcoolismo foi declarado doença pela Organização Mundial de Saúde em 1967 e afeta tanto as pessoas que bebem como suas famílias, que adoecem junto; os empregadores e o poder público, que desembolsam boa parte dos seus gastos para enfrentar problemas decorrentes do consumo de bebida.
As conseqüências do alcoolismo terminam sempre nos hospitais, delegacias de polícia, corpos de bombeiros, juizados das mais diversas causas, penitenciárias, cemitérios e uma lista imensa de outros lugares.
Há 72 anos uma entidade vem cuidando de alcoólicos no mundo inteiro e está até na Internet, onde encontramos o site http://www.alcoolicosanonimos.org.br. Que divulga inclusive um lema interessante: “Evite o primeiro gole”.
Conhecida popularmente como A.A., a entidade funciona desde que dois alcoólicos descobriram que podiam manter-se sóbrios compartilhando seus problemas entre si. Mas juntamente com aquela entidade desenvolveu-se também no mundo inteiro uma organização chamada Al-Anon, que cuida de familiares e amigos de alcoólicos, adota os mesmos princípios de Alcoólicos Anônimos (adaptados) e adaptou também esse lema, para recomendar: “Evite o primeiro atrito”.
É sobre esse “primeiro atrito” que desejo falar, considerando algumas informações importantes que tive a oportunidade de colher em evento promovido por aquela entidade, onde tive a sorte de comparecer na qualidade de profissional interessado no assunto.
Ao evitar o primeiro atrito, os familiares fazem com que muitos problemas sejam evitados também, pois sempre que existe um confronto com um alcoólico – embriagado ou não – as conseqüências podem ser drásticas.
Segundo uma palestrante – que não se pode identificar para manter seu anonimato seguindo os princípios da entidade “Al-Anon surgiu da mesma necessidade de A.A. A necessidade de ‘dialogar’, de uma pessoa entender a outra, falarem a mesma linguagem, trocarem as experiências vividas com seus entes queridos doentes, que tanto lutavam para largar a bebida e não conseguiram.
Não custou muito para que as esposas dos alcoólicos descobrissem que o estado em que se encontravam era resultado do convívio sob o domínio do álcool, quando seus familiares e amigos se tornavam pessoas também doentes, de uma doença emocional. A troca de experiências mostrava o caminho a seguir.”
Como o alcoolismo é considerado uma doença reflexiva – pois todos do convívio do alcoólico adoecem juntos – torna-se dificílimo compreender uma vida tão atribulada, onde o senhor de tudo é o álcool, que impera, manda e comanda a vida do alcoólico e conturba toda a família, pondo de água a baixo todos os planos feitos anteriormente.
Até que o familiar tome conhecimento de que o alcoólico é portador de uma doença, aceite, compreenda e se trate junto, leva muito tempo e requer sacrifício de ambas as partes, explica a representante dos familiares.
Al-Anon no Rio Grande do Norte completou trinta anos de formação em 2007. Desde que surgiu, os seus membros procuram mostrar que quando um familiar ou amigo de alcoólico evita o primeiro atrito, está contribuindo para a recuperação, na medida em que evita um descontrole emocional de ambos.
Al-Anon mostra que qualquer assunto ou problema surgido pode e deve ser tratado somente depois que os ânimos estiverem acalmados, noutro dia, noutra hora.
Falam em “recuperação” e não em “cura”, porque o alcoolismo não tem cura; pelo menos até agora não foi descoberta.
A importância das esposas de alcoólicos freqüentarem o Al-Anon está na recuperação delas próprias.
A palestrante esclareceu que à medida que elas freqüentam, tomam conhecimento de que seus familiares são doentes, descobrem que adoeceram emocionalmente durante esse mesmo tempo e trazem consigo as seqüelas do sofrimento daquele convívio. Passam a trabalhar os sentimentos negativos, tão fortes, tão vivos, tão bem guardados e conservados de raiva, ressentimento, angústia, negação, rancor, auto-piedade. Isso só acontece numa sala de Al-Anon, onde o foco do tratamento é o familiar e não o alcoólico garante ela.
Uma mudança de atitude do familiar esteja o alcoólico bebendo ou não, muda o clima e a convivência se torna mais amena.

Walter Medeiros – Jornalista – Natal, RN
Vivência nº 112 – Março/Abril 2008
Esperando Elogios
Uma doce lição, aprendida amargamente.
Estava eu com os meus noventa dias de ingresso, quando um companheiro me abordou sobre serviço no grupo. Falou da carência de servidores, que por isso o comitê de serviços nunca se completava, e falou também de um certo crescimento espiritual, cujo significado prático eu não consegui absorver na hora. O que enxerguei naquele momento foi uma grande oportunidade de mostrar “meus valores”.
Candidatei-me à vaga de secretário, sendo prontamente aceito, visto que, com exceção do encargo de coordenador, todos os outros estavam vagos. Na primeira reunião em que participei como secretário caprichei na letra para ser a mais bonita do livro. No outro dia, meu padrinho me falou que, em função da carência de servidores, a limpeza do grupo deveria ser feita por quem estivesse à frente dos serviços, ou seja, por mim também. Principalmente o banheiro deveria ser limpo em toda reunião. Dessa parte eu não gostei muito e pensei: “Logo eu, que sempre trabalhei em escritórios impecáveis e exercia uma função que me permitia contratar quantos faxineiros precisasse, agora estava ali, frente a frente com um esfregão, uma caixa de sabão e um vaso sanitário sujo.” Era demais para mim e me veio a idéia mais estapafúrdia que poderia me ocorrer naquele momento. “Está bem, eu faço,mas vou fazer tão bem feito que será notório. Ninguém jamais terá limpado este grupo tão bem quanto eu.”
No outro dia estava suando em bicas. Primeiro limpei o auditório, deixando-o um brinco. Em seguida encarei o banheiro. Foram umas três horas de faxina e deixei tudo impecavelmente limpo. Como tinha tempo de sobra até a reunião, tomei um ônibus e fui até em casa me vestir a caráter para retomar ao grupo e aguardar os elogios, que certamente viriam em quantidade. Eu antevia meus companheiros me abraçando e dizendo que realmente eu era o melhor servidor que o grupo já tivera.
Voltei. Ansioso, me esmerei nos retoques finais à espera dos meus admiradores. A hora parecia não passar… até que começaram a chegar. Um a um, dois a dois, enfim, foram entrando, me cumprimentando como sempre, mas nada de alguém se referir à limpeza ou fazer qualquer comentário a meu respeito. Eu estava a ponto de pedir que dessem uma olhadinha no banheiro, mas me contive. O grupo foi enchendo como acontecia normalmente aos sábados e deu-se o início da reunião, veio o intervalo, o final, e nada de elogios. Ninguém se dignou a tecer um pequeno comentário que fosse com relação a tudo que eu tinha feito. Uma tarde inteira suando a troco de nada, uns ingratos. É impossível que ninguém tenha percebido a metamorfose que aconteceu aqui.
A decepção foi total. Me torturei o tempo inteiro ansiando por elogios que não vieram. Na despedida, apertei mecanicamente a mão de alguns companheiros e, cabisbaixo, segui rumo à minha casa, completamente arrasado. Pensava se não seria melhor esquecer tudo, parar com esse negócio de A.A. e tentar me recuperar por conta própria, muito embora de antemão soubesse que seria impossível.
Em casa, minha esposa perguntou como tinha sido a reunião, aliás, como sempre fazia, torcendo para que dessa vez não fosse mais uma de minhas “deixadas”, pois já tínhamos perdido a conta das vezes que deixei de beber, voltando cada vez pior em no máximo 15 dias. Estava ela alimentando já uma pontinha de esperança e eu, para não decepcioná-la, disse que foi ótima.
Deitei, mas o sono não veio. Lá no meu íntimo alguma coisa começou a martelar. Afinal, o que eu queria, ser elogiado por um breve instante ou buscar uma recuperação para toda a vida? O que seriam algumas tapinhas nas costas diante de uma sobriedade duradoura que me devolveria a vontade de viver e a dignidade, conforme diziam meus companheiros em seus depoimentos? Ademais, na vida que levava ultimamente estava longe de receber algo parecido com um elogio. O que meus ouvidos captavam eram ironias, sarcasmos, piadas endereçadas, humilhação, coisas vindas dos mais diferentes olhares reprovadores.
Tudo isso sem contar duas hepatites alcoólicas, manchas roxas pelo corpo, audição de vozes com as mais variadas conotações pornográficas e ao meu redor não via ninguém. Agora estava eu acata de elogios que iriam satisfazer o meu ego, em detrimento da coisa mais sublime deste mundo, que é o direito à vida. Adormeci.
No outro dia eu já me livrara daquela briga interna. Nas reuniões seguintes, fui trocando a vontade de ser elogiado pela vontade do aprendizado. Adquiri o livro Os Doze Passos e as Doze Tradições e passei a ler com freqüência boa, e com isso minha mente foi se abrindo gradativamente para eu perceber como estava longe da realidade. Hoje continuo com uma vontade enorme de aprender, sem no entanto querer me tornar professor. A lição que recebi daqueles companheiros, sem que nenhum deles soubesse, foi um dos maiores ensinamentos que já tive em toda a minha vida.
Aquele dia foi o meu pior dia sóbrio, mas talvez até hoje, o dia de melhor aprendizado para toda a vida. Devo acrescentar que, de vez em quando, seguro aquele esfregão e o encho de elogios.
Fico por aqui desejando muitas e serenas vinte e quatro horas de sobriedade para todos os AAs do Brasil e do mundo.
Moacir, Natal /RN
Vivência nº 57 – Janeiro/Fevereiro 1999
Eu não era Alcoólatra
Quando entrei no AA eu não era alcoólatra.
Procurei a sala por pressão da minha família que queria me internar e então me falaram de AA e achei que indo numa sala ia aprender a beber moderadamente, só por isso, mas não era alcoólatra.
Na época, em novembro de 2004, eu já estava há cerca de dois anos bebendo de terça a domingo, mas como não bebia às segundas-feiras, não era alcoólatra.
Não era alcoólatra porque tinha uma boa casa, emprego e estudava. Por isso, achava normal eu ficar bêbada em todas as festas de família e em outros momentos felizes porque tinha que comemorar, mas não era alcoólatra.
Quando eu viajava para a praia começava a tomar cerveja às 10 da manhã e terminava o dia com um saldo de mais de 12 latinhas e várias caipirinhas, mas tinha a justificativa: era praia, calor, sol e todo mundo bebe né? Eu também. Mas não era alcoólatra.
Quando estava na faculdade, trabalhava o dia todo, estudava à noite e como ficava muito cansada, chegava, fumava um cigarro de maconha e saia para beber alguma coisa no bar com os meus amigos, repeti um ano, mas tinha as amizades, tinha que beber, mas não era alcoólatra.
No começo da minha carreira profissional, ia a muitas festas, quase todos os dias e para agüentar bebia algumas doses de vodka e uísque antes de sair, mas era o cansaço que fazia isso, porque eu, eu não era alcoólatra.
Depois passei a ter que entrevistar pessoas e como algumas eram até bem conhecidas, eu tomava uma para ter coragem e não falar besteiras, eu tinha que me soltar, só isso, mas não era alcoólatra.
Também nas reuniões de trabalho, tanta tensão, não dava para agüentar aquilo de cara limpa, precisava saber como apresentar minhas idéias e bebia, mas não era alcoólatra.
Demorei muito para começar a dirigir, tinha medo, mas precisava, tirei a carteira e quando comecei a sair, tomava pelo menos uma cervejinha para ficar mais segura, mas não era alcoólatra. Uma vez, numa curva, passei reto e quase entrei no poste, não morri porque não era o meu dia e também porque eu não era alcoólatra.
Nunca tive um relacionamento sério com ninguém, conhecia um cara aqui outro ali, mas nada durava porque eu bebia. Bebia para me tornar quem eu não era e sim quem o outro queria que eu fosse, bebia para ser aceita, apaixonante, engraçada e interessante. Mas não porque era alcoólatra.
Eu alcoólatra? Imagina, que brincadeira sem graça. Alcoólatra. A-L-C-O-Ó-L-A-T-R-A, alcoólatra! Que palavra mais feia essa, para falar assim desse jeito. Ainda mais para mim, que não era alcoólatra.
Alcoólatras eram aquelas pessoas que eu via caindo pela rua, ou dividindo uma garrafa pet com pinga numa praça qualquer. Eu não, não era como aqueles bêbados que ficam o dia inteiro dentro de um bar e arrumam brigas. Ou como aquele povo que até é internado por causa da pinga; eles sim eram alcoólatras. Eu? Não, definitivamente, eu não era alcoólatra. Exagerava um pouquinho e só. Achava que pararia quando quisesse e pronto.
Mas não é que eu virei alcoólatra? Pois é, virei alcoólatra quando conheci o AA e isso foi a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida. Virei alcoólatra e descobri que tenho uma doença que é física, mental, emocional e espiritual, incurável, progressiva e fatal. Virei alcoólatra e deixei de ser bêbada, cachaceira, mau caráter, sem vergonha, fraca, vagabunda, doidona, louca, irresponsável, exêntrica, exagerada, maluca… enfim, deixei de ser todos os personagens que havia criado para mim e que todos acreditavam – ou fingiam acreditar.
Hoje eu sou apenas a Silvia, uma alcoólatra em recuperação que ontem não bebeu e que só por hoje não tomou o primeiro gole. Hoje eu sou a Silvia, uma pessoa que está muito longe da perfeição, que ainda tem um longo caminho de reconstrução, mas o mais importante é que sou uma mulher em paz comigo e com os outros e, mesmo com os problemas e dificuldades que todo mundo tem, consigo ser muito feliz.

Obrigada a todos e 24 horas de serena sobriedade.
Sílvia / Tucuruvi / SP
Vivência nº 102 – Julho / Agosto 2006
texto revisado pela autora e publicado com sua autorização.
A.A e a Imprensa
Depois que o “The Saturday Evening Post” publicou um artigo sobre Alcoólicos Anônimos, em 1º de março de 1941 a esforçada Irmandade chegou finalmente à consciência nacional, graças à força narrativa da maior revista familiar dos Estados Unidos.
Como observou Marty M., “foi a coisa mais emocionante que poderia ocorrer, porque precisávamos muito de publicidade e queríamos que soubessem da nossa existência”.
O juiz Curtis Bok, proprietário do The Saturday Evening Post ouvira falar dos Alcoólicos Anônimos através de seus amigos de Filadélfia, os doutores A. Wiese Hammer e C. Dudley Saul, que tinham grande admiração pela entidade.
Alcoólicos Anônimos havia chegado à Filadélfia de modo muito semelhante à sua chegada em Akron e ampliava-se agora para outras partes do país.
Tendo deixado de beber, os homens conseguiam reempregar-se, voltavam a viajar e a ver-se sós em quartos de hotéis estranhos, em cidades não menos estranhas.
Como o próprio Bill havia feito, eles procuravam outros alcoólicos para ajudá-los a parar de beber e, desse modo, manterem-se sóbrios.
No início de 1940, Jimmy B., o vendedor que insistia em diminuir o número de referências a deus no Livro Azul, foi a Filadélfia a trabalho. Bill lhe deu o nome de alguns companheiros dessa cidade, entre eles o de George S., que havia parado de beber depois de ler “Os Alcoólicos e Deus”, na revista Liberty. “Rapidamente me dei conta de que precisava de alguns companheiros alcoólicos ao meu redor, para permanecer sóbrio”, disse Jimmy “e assim me vi no meio de um grupo completamente novo”.
Durante o inverno de 1940-41, o juiz Bok, interessado em saber o que havia de verdade por trás dos rumores desencontrados que tinha ouvido, convocou o repórter Jack Alexander, cuja reputação era de ser inflexível. Alexander havia acabado de desmascarar importantes negociatas escusas em Nova Jersey e orgulhava-se de seu cinismo. Bok quis saber se Alexander faria uma matéria para o Post. A princípio o repórter hesitou; mas quando soube que Alcoólicos Anônimos “tinha relação tanto com a religião quanto com Rockefeller”, sua curiosidade falou mais alto.
Dos quatro membros de A.A. que o visitaram em seu apartamento, Alexander opinou: “Eram bem apessoados e estavam bem vestidos, mas, ao nos sentarmos, bebendo Coca-Cola (que era tudo o que eles tomavam), contaram histórias de horríveis desgraças ocorridas quando bebiam. As histórias soaram falsas e, quando eles foram embora, tive a nítida sensação de que estava sendo engabelado. Os visitantes haviam se comportado como atores enviados por uma agência teatral da Broadway”. Do próprio Bill, que conheceu no dia seguinte na Rua Vesey, Alexander considerou: – “É um tipo que desarma qualquer um e um especialista em doutrinar, usando a psicologia, a psiquiatria, a filosofia, a farmacologia e o folclore do alcoolismo”. O fato é que a franqueza de Bill pode ter tido o efeito inicial, como às vezes ocorre, de acentuar ainda mais o já agudo ceticismo de Alexander, Bill falou com franqueza do seu passado de bebedeiras e, com a mesma candura, de sua grandiosidade e dos erros que havia cometido recentemente. O impacto dessa candura levou o repórter a considerá-lo “incrivelmente ingênuo ou um tanto estúpido”. Bill teve uma percepção inteiramente diversa desse mesmo episódio: “Desde que Jack Alexander se apresentou no Escritório Central, nós o trouxemos a reboque durante quase um mês inteiro. Para escrever
seu poderoso artigo ele precisou da nossa total atenção e de uma ajuda cuidadosamente organizada. Abríamos a ele nossos registros, os livros, apresentamo-lo aos Custódios não-alcoólicos, marcamos entrevistas com AAs de todos os tipos e, finalmente pusemos Alcoólicos Anônimos à sua frente, desde Nova York e Filadélfia até Chicago, passando por Akron e Cleveland”.
A percepção inicial de Alexander era correta: Bill era cândido, mas sua candura nada tinha de ingenuidade, ou de estupidez; era proposital e atingia seus objetivos.
Da mesma forma que funcionaria com milhares de alcoólicos, nos anos futuros, assim foi com Jack Alexander, como Bill descreveu: – “O tipo de ajuda que demos a Jack Alexander – nosso serviço organizado de informações ao público – é o ingrediente vital de nossas relação públicas, que a maior parte dos AAS nunca chegou a ver”.
Não demorou muito tempo para que Jack Alexander fosse “convertido”, evaporou-se seu cinismo e seu apoio à Irmandade foi tão entusiasmado que ele continuou sendo um amigo íntimo durante os anos seguintes. Em 1951, chegou a ser Custódio e permaneceu no Conselho até 1956.
O ARTIGO DE JACK ALEXANDER
A publicidade do artigo “Alcoólicos Anônimos” pelo jornalista Jack Alexander, no número de março de 1941 do “The Saturday Evening Post”, representa um marco na história da Irmandade e serviço
Embora outro artigo de âmbito nacional tenha sido publicado anteriormente, o relato do “The Saturday Evening Post”, sobre um grupo de homens e mulheres que alcançaram a sobriedade através de A.A., foi, em grande parte, responsável pela onda de interesse que sedimentou a Irmandade em termos nacionais e internacionais.
A história do Post é uma lembrança do desenvolvimento de A.A. em um período relativamente curto. Em 1941, aproximadamente dois mil homens e mulheres estavam vivendo o programa de A.A. com sucesso. Hoje este número excede os dois milhões, e cerca de 98 mil Grupos se reúnem regularmente nos Estados Unidos, Canadá e em outros países. Em 1941, Jack Alexander escreveu a respeito do senso de humildade e serviço que caracterizavam o programa de A.A. e aqueles que então o praticavam.
A.A. vem tendo um enorme crescimento desde então. Mas a mesma consciência da necessidade de continuar a servir companheiros alcoólicos dentro do espírito de ajuda e humildade continua a ser o alicerce de nossa Irmandade.
É como esse espírito que este artigo histórico é reproduzido para todos os membros veteranos ou recém-chegados, que compartilham o mesmo interesse pelos tempos pioneiros de Alcoólicos Anônimos.

Fonte: Levar Adiante e o Artigo de Jack Alexander
Vivência nº 112 – Março/Abril 2008
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A Justiça e o Trabalho com Alcoólicos Anônimos
Conta a tradição que há mais de setenta anos dois doentes alcoólicos começaram a conversar e não beberam. No mundo todo alcoolistas continuam a conversar desde então e não beberam. O “só por hoje” já dura mais de que através do diálogo o homem pode encontrar soluções brilhantes para sua existência.
Em 1988, a Constituição Cidadã trouxe para o direito penal, carcomido por uma prática ineficaz desde os tempos da Colônia, um novo sopro, um novo conceito, o da pacificação social, criando o instrumento dos Juizados Especiais Criminais.
A Justiça penal deixa de ser apenas uma retribuição do mal praticado por um mal (violência legítima do estado que, quando é exercida de maneira errada, como, por exemplo, em prisões superlotadas, se torna ilegítima) e passa a poder contar com soluções visando o futuro, para uma determinada categoria de delitos – infrações penais com pena privativa da liberdade inferior a dois anos – a que apelida de “infrações penais de menor potencial ofensivo”.
Ora, o que é essa Justiça Especial, criada pela Constituição Federal em 1906 e disciplinada pelo legislador comum em 1995, através da Lei nº. 9.099?
É a Justiça do diálogo, onde as partes envolvidas, direta ou indiretamente no litígio, são chamadas a conversar. É a justiça coexistencial.
Nossa cultura está acostumada a terceirizar a solução dos litígios. As partes depositam na mão de terceiros a solução de seus problemas. O Estado encarregado desta terceirização, o Juiz, por sua vez, acostumou-se a dirimir conflitos. Todavia essa solução se mostra insuficiente para a sociedade moderna. Mesmo se dirimido o primeiro conflito, a litigiosidade social permanece latente e outros conflitos se instalam e cada vez mais a presença do Estado é requisitada, gerando acúmulo de processos e demora. Justiça que tarda é sempre Justiça que falha, diz o velho ditado.
Assim, cada vez mais a Justiça deve se empenhar em diluir o conflito, em verdadeiramente atacar o litígio social existente e na medida em que o real problema da vida é solucionado, o litígio processual passa a ser desimportante.
Quando as partes voltam a ser chamadas para buscarem a solução de seus conflitos, o Juizado Especial Criminal reforça a cidadania.
Assim, é o princípio basilar do Juizado Especial Criminal a reconstrução da cidadania e o prestígio à autonomia da vontade e responsabilidade individuais.
Mais uma vez, aqui os caminhos dos grupos de mútua ajuda e da Justiça se aproximam.
Obviamente o álcool, a droga mais consumida em nosso País, constitui um dos elementos presentes na violência interpessoal. Não se trata aqui de buscar desculpa no álcool para a violência, mas apenas a constatação de que sem resolver o problema do relacionamento do alcoolista com a droga não se chegará jamais à solução do litígio interpessoal em que este se envolveu.
O álcool está presente em nossa sociedade. É um problema que afeta todas as classes sociais, etnias, sexos e assim deve ser resolvido na sociedade.
A prática vem demonstrando a pouca eficiência, nesta área, de medidas de força como a prisão ou a internação compulsória. Cessada a constrição da liberdade, geralmente, o primeiro passo do liberto é em direção ao álcool.
O maior êxito vem sendo obtido nos grupos de mútua ajuda, com reconhecimento até mesmo da ciência médica. Porque, então, excluir esse valioso conhecimento da
Justiça?
Por certo não pode a Justiça determinar que alguém se torne membro de Alcoólicos Anônimos. Para se tornar membro basta à vontade de querer parar de beber, diz a tradição, e vontade é o ato unilateral do alcoolista.
Também não pode a Justiça exigir que Alcoólicos Anônimos seja fiador da abstinência de ninguém. Toda a filosofia dos grupos se baseia no “só por hoje”.
Muito menos ainda pode a Justiça demandar que a freqüência às sessões do grupo surta o efeito desejado independentemente da interação de outros fatores. Cada ser humano possui seu tempo personalíssimo. Se para alguns o “só por hoje” é atingido no primeiro dia, para outros ele leva toda a vida. O próprio programa de Alcoólicos Anônimos é composto por 12 Passos e 12 Tradições, que devem ser percorridas, uma a uma, e renovadas diariamente, o que demanda uma progressividade.
O que espera, então, a Justiça do trabalho com Alcoólicos Anônimos?
Primeiramente, longe de exigir que o encaminhado se torne membro de A.A., ela confia na habilidade dos grupos e Na seriedade do programa para que o encaminhado
se encante e, um dia, no seu tempo pessoal devido, lhe seja dado alcançar a condição de membro. Freqüentador é o que se exige.
Entendemos que a partir da freqüência certamente alguma semente ficará plantada na mente do encaminhado, que germinará no tempo certo.
Em segundo lugar, a Justiça respeita a autonomia dos grupos. Não se deve impor a aceitação da presença do encaminhado e a freqüência deve ser demonstrada por
qualquer meio idôneo.
Se para o encaminhado a freqüência a A.A. deve ser encarada primeiro como um benefício, de certa forma ela contém um caráter de sanção pela infração penal praticada, ao privá-lo de seus momentos de ócio ou lazer. Não se olvida que estamos tratando de direito penal, de processo penal e a comprovação do cumprimento é uma exigência do sistema penal.
Em minha experiência pessoal, certa vez determinei que um alcoolista prestasse serviços à comunidade, no período de reuniões durante a sessão. Esse era o meio idôneo que imaginei para obter a comprovação da presença à reunião. Felizmente o representante de A.A. da cidade em que trabalhava me procurou no gabinete, demonstrando o desatino da minha decisão e a partir daí começaram a surgir novos meios de comprovação da freqüência.
Hoje, instituímos no Rio de Janeiro, um cartão de freqüência, cuja responsabilidade pela guarda é do encaminhado, no qual o responsável pela reunião deve apor um carimbo ou uma rubrica. Não se descumpre assim o princípio do anonimato, tanto de quem conduz a reunião do grupo, como do encaminhado que, voluntariamente, ao aceitar o acordo para por fim ao processo, renuncia ao seu anonimato.
Mais uma vez, o reforço da autonomia da vontade está presente, ao entregar ao encaminhado a obrigação de comprovar a freqüência.
A decisão de permitir ou não a presença em reuniões fechadas incumbe ao grupo que recebe o encaminhado. Caberá a ele, dentro de sua autonomia, avaliar a adequação ou não de admitir pessoas encaminhadas pela Justiça, se há discriminação ou não, em fim, se a presença de um encaminhado pela Justiça rompe ou não as tradições de A.A.
Certamente, o risco da presença de um encaminhado pela Justiça à reunião fechada é o mesmo da presença de um outro qualquer membro que recaia no uso do álcool.
Segundo se aprende no contato com o maravilhoso trabalho dos grupos de A.A., todos aqueles que alcançaram o desenvolvimento pessoal a ponto de se tornarem membros de A.A. ali chegaram encaminhados por alguém, pela família, pelo patrão, por amigos, por médicos ou até mesmo pelo “Poder superior”.
Pergunto, por que não aceitar a Justiça como um facilitador do contato de quem sofre da doença do alcoolismo com aqueles que podem ajudá-lo?
A pergunta permanece no ar para que, trabalhando juntos possamos respondê-la.
Rio de Janeiro, 30 de outubro de 2006.
Dr. Joaquim Domingos de Almeida Neto
Juiz de Direito do IX Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e Especial Criminal
Barra da Tijuca/Rio de Janeiro/RJ
Vivência nº 107 – Maio/Junho 2007
Uma Pessoa Respeitável
Sou mãe de duas filhas. Na época do meu alcoolismo ativo elas eram muito novas, adolescentes. Amo muito essa criaturas, que eram e são a razão de meu viver. Só que, em minha doença, esse amor quase foi destruído, afinal, eu não tinha amor nem por mim mesma.
Logo no início já começaram as internações em hospitais psiquiátricos. Muitas vezes, meu marido precisava me internar para que minhas filhas pudessem estudar e trabalhar sem a preocupação de saber como estaria sua mãe. Ele trabalhava à noite para não dar espaço ao meu beber, mas eu dava um jeito. Minha vizinha passava bebida para mim pelo vitrô da sala, isso porque as portas ficavam fechadas. Eu escondia bebidas em todos os lugares.
Num dia especialmente triste, bebi antes de minha mãe chegar em casa e, quando ela chegou, peguei meu cachorrão, pus nele a coleira e, ignorando os pedidos de minha mãe para que eu não saisse com ele, fui, passei na casa de uma amiga e peguei um litro vazio para poder comprar mais pinga, Meu cão, que era bravo, foi me puxando até me derrubar e, com a garrafa, eu me cortei toda. Cheguei ensanguentada em casa, minha mãe passou mal, chorou muito e pediu para que eu deixasse de beber. Em outra ocasião, joguei-me em frente de um carro, tentando o suicídio, mas não morri.
Assim, uma de minhas filhas, já cursando o último ano de faculdade, certa vez me trouxe um endereço de Alcoólicos Anônimos. No dia 20 de agosto de 1984, fui conhecer a Irmandade, pensando que encontraria um garrafão de pinga na sala, e que cada pessoa se serviria quando sentisse compulsão…
Qual não foi a minha surpresa! Encontrei uma sala linda e pessoas se recuperando. Senti-me um farrapo humano, pois cheguei toda arrebentada, com os cabelos compridos, rosto inchado, olho roxo (alcoolizada, eu era muito agressiva com meu marido, mas só apanhava, porque já estava muito fraca.)
Todos me deram uma palavra de carinho. Puxa, que maravilha! Disseram-me para voltar mais vezes: “Estaremos aqui todo dia, pra te ajudar”. Deram-me um cartão com os horários de reuniões e, o mais importante, a Oração da Serenidade. Eu fazia a Oração de duas em duas horas, até fazer as 24 horas.
Desde aquele primeiro dia não coloquei mais uma gota de álcool na boca, só por hoje. Não havia companheiras quando cheguei, só homens, cerca de 60 companheiros. Não me importei e ia todos os dias. Na hora do café, conversava com todos e todos me respeitavam, como me respeitam até hoje, tratando-me como se fossem meus irmão de sangue.
Entrei para os nossos três legados e continuo com eles até hoje, não abro mão. Sou agora avó de dois netos e uma neta, amo-os muito e sei que me amam também. Minhas filhas, meu genro e marido são muito felizes com a minha sobriedade. Tornei-me uma mulher respeitada em todos os lugares aonde vou. Voltei a estudar e hoje tenho a profissão de enfermeira. Já levei a mensagem várias vezes ao hospital onde ficava internada, e os profissionais de lá me olham e dizem: “Que maravilha!”
Consegui dar uma alegria à minha mãe: quando ela faleceu, estava feliz porque eu não bebia há 4 anos, sempre em A.A. E eu estou feliz por ter descoberto a tempo que sou portadora dessa enfermidade, que poderia ser detida se eu quisesse. Puxa, eu não perdi a oportunidade, e só por hoje a minha doença está detida.
Celene, Campinas/SP
Vivência nº 72 – Julho/Agosto 2001
O que é Serenidade!
O termo é definido de varias maneiras: a calma, o sossego, a paz, e tranqüilidade, a paz da mente, o equilíbrio emocional, o estado não perturbado, o sangue frio e o domínio de si mesmo.
Contudo, do ponto de vista prático, talvez a melhor definição seria “a capacidade de viver em paz com os problemas não resolvidos”.
A Oração da Serenidade fala em “aceitar as coisas que não podemos modificar”.
A ACEITAÇÃO não deve ser confundida com a concordância.
Nem sempre concordamos, ou gostamos, com o modo como as coisas acontecem ou são conduzidas a nossa volta, temos este direito. Temos o direito de escolher nossos gostos e opiniões, como todas as pessoas o teem; mas temos obrigação de respeitar quem é, sente e pensa diferente de nós outros e vice-versa.
Em muitos momentos é possível que seja verdade que estejamos coerentes e certos em nossas posições, mas muitas vezes isto contribui pouco ou quase em nada para mudar a realidade a nossa volta.
O quê fazer então?
Entregar-se a sentimentos oriundos da contrariededade, como a raiva, a revolta e sentimentos de revanchismo?
Em A.A. nós entendemos que é nesse momento que devemos lançar mão da ORAÇÃO da SERENIDADE.
Talvez possamos dizer que o resultado da prática da ORAÇÃO da SERENIDADE seja o DESLIGAMENTO EMOCIONAL dos fatos, coisas e pessoas que não podemos modificar.
Mas é preciso compreender que ACEITAÇÃO não é indiferença.
A indiferença deixa de distinguir entre as coisas que podem e as que não podem ser mudadas.
A indiferença paralisa a INICIATIVA para que modifiquemos as coisas que podemos.
A aceitação libera a iniciativa, aliviando-a das “cargas impossíveis”, transferindo o foco da ação para o “possível”.
A ACEITAÇÃO é um ato do LIVRE ARBÍTRIO, mas, para ser eficaz, requer a CORAGEM moral de se persistir apesar do problema imutável.
A aceitação liberta o aceitante, rompendo-lhe as cadeias da autopiedade.
Uma vez que aceitamos o que não pode ser modificado, ficamos livres emocionalmente e psicologicamente para nos empenhar em novas atividades..
Foi dito que uma mente imatura procura um mundo idealístico.
Queiramos ou não, precisamos encarar o mundo da realidade e aceitar a vida tal qual ela é, com todas as suas crueldades e inconsistências.
Talvez, em última análise, o inicio da SABEDORIA esteja na simples admissão de que as coisas nem sempre são como queríamos que fossem.
E que nós mesmos somos imperfeitos e não tão bondosos e trabalhadores quanto gostaríamos de ser.
Oração da Serenidade
Concedei-nos Senhor a Serenidade necessária,
para Aceitar as coisas que não podemos modificar;
Coragem para modificar aquelas que podemos;
e Sabedoria para distinguir umas das outras.
Vivência Nº 22 – Outubro/Novembro/Dezembro 1992
Apadrinhamento
Em Alcoólicos Anônimos, apadrinhamento é o processo em que um alcoólico que já fez algum progresso no programa de recuperação, partilha essa experiência de uma forma contínua e individual, com outro que está tentando conseguir ou manter sua sobriedade através de A.A.
A responsabilidade do apadrinhamento, embora não escrita e informal, é uma parte básica da maneira de A.A. efetuar a recuperação do alcoolismo através dos Doze Passos.
Não há regras específicas, mas um bom padrinho, que provavelmente deveria contar com um ano ou mais de sobriedade desde seu último gole, deve parecer feliz na sobriedade e convém que, dentro das possibilidades do grupo, homem apadrinhe homem e mulher amadrinhe mulher (evitar envolvimentos emocionais, nem sempre saudáveis).
O apadrinhamento reforça a sobriedade do membro mais antigo. O ato de partilhar sua sobriedade torna mais fácil para o veterano a vida sem álcool. Ajudando os outros, constatamos que ajudamos a nós mesmos.
Não há qualquer classe ou casta superior de padrinhos em A.A. Qualquer membro pode ajudar o novato a enfrentar a vida, sem recorrer ao álcool sob qualquer forma.
Tempo de sobriedade é um fator, mas não o único. Os padrinhos eficientes são aqueles homens e mulheres que têm permanecido sóbrios por tempo suficientemente longo para compreender o programa sugerido de recuperação delineado nos Doze Passos.
De igual importância são a capacidade de compreensão e paciência, disposição para devotar tempo e atenção aos membros novos, e o exemplo pessoal como representante do A.A. em ação.
UM BOM PADRINHO DEVERIA:
Fornecer seu endereço pessoal ao afilhado e, se possível, obter o dele, mas sem obrigá-lo a fornecer.
Estimular o afilhado a freqüentar uma variedade de reuniões de A.A., para que ele adquira diversos pontos de vista e interpretações do programa.
Nunca se recusar a tomar o inventário moral do afilhado, se este lhe pedir, mas nunca forçá-lo a isso.
Apresentar o afilhado a outros membros, provavelmente que possuam interesses ocupacionais ou sociais iguais aos dele.
Ficar a disposição do afilhado, quando este está com problemas especiais.
Enfatizar a importância dos Doze Passos e das Doze Tradições, estimulando o afilhado a conhecê-los bem.
Insistir em que o afilhado participe das atividades do grupo, tão cedo quanto possível.
Quando em contato com familiares do afilhado, explicar-lhes o programa de A.A. e falar-lhes sobre os Grupos Familiares de Al-anon e Alateen.
Levar o afilhado em seu trabalho do Décimo Segundo Passo.
Um padrinho que realmente coloca em primeiro lugar o programa, não tomará como insulto o fato de seu afilhado decidir mudar de padrinho ou procurar outros AAs, em busca de mais orientações.
Um padrinho por mais experiente que seja, nunca fala em nome do A.A., e deixa isso claro ao afilhado, informando-o que cada membro tem a liberdade de chegar a uma compreensão individual do programa.
Em sua ansiedade de ajudar a conseguir a sobriedade, alguns padrinhos podem tender a ser superprotetores, tornando os afilhados dependentes de sua pessoa, o que é de todo inconveniente.
Outro perigo é que a superproteção pode aborrecer o afilhado, a ponto de este se ressentir das tentativas de ajuda e expressar esse ressentimento abandonando o A.A.
Deve lembrar-se de que apadrinhar não é forçar o afilhado a nada.
Nos casos de recaída, o padrinho deveria não ser muito intransigente ou bondosamente piegas, mas, procurar o afilhado e simplesmente reconduzi-lo ao Primeiro Passo e ao Grupo.
Do Primeiro ao Quinto Passo de A.A., freqüentemente encontramos citações de como o padrinho procura auxiliar o novato na trilha da recuperação proposta pelos Doze Passos (10 vezes).
A partir do Sexto Passo, deixando de ser infantil e tornando-se mentalmente e emocionalmente adulto, o antigo novato passa a ter todas as condições para ser um bom padrinho.
Um cuidadoso planejamento da atividade do apadrinhamento dentro do grupo, provavelmente dará melhores resultados do que o apadrinhamento deixado ao acaso.
Uma forma sugerida: O Coordenador, no fim da reunião: “Se alguém aqui ainda não tem padrinho e precisa de um, por favor, procure o secretário após a reunião afim de arranjar um padrinho provisório.” Onde esta prática é adotada em cada reunião, os membros dizem que ela lembra ao grupo o valor de apadrinhar e ser apadrinhado.
Francisco R.
Vivência nº 36 – Julho/Agosto 1995
Somente há uma semana sem beber…
Não era ainda muito tarde quando a festa acabou. Acabou a comida, a bebida e a graça de estar alí e, então, despedindo-me das pessoas, saí à procura de outro lugar onde pudesse continuar desfrutando daquele tão desejado prazer de ver o fundo de copo após copo.
Depois de outras tantas doses generosamente servidas e me reconhecendo sem a menor condição de voltar para minha casa, procurei um motel para dormir. Eu não podia chegar em casa naquele estado e, ao clarear do dia, mal dormido e ainda meio bêbado, fui para casa e me
apresentei com a responsável desculpa de que, como não estava em condiçoes de voltar, achei melhor dormir fora. Minha esposa e minha filha nada disseram, mas seus olhos me mostraram todo o mal que eu tinha causado e me fizeram lembrar, instantaneamente, das centenas de vezes em que a cena se repetiu, das centenas de promessas que eu já havia feito e das centenas de vezes em que eu me olhei no espelho e ví um cara fraco, derrotado e incorrigível.
Eu já havia me separado da minha família por um ano, justamente pela situação insustentável que havia criado com dezenas de motivos e centenas de garrafas. De novo envergonhado, fui me deitar em outro quarto, cansado demais para continuar a pensar quando, pouco depois, minha esposa entrou silenciosamente e disse, com voz moderada, que não queria fazer outro escândalo e me pediu que saísse de casa e que não voltasse durante o fim de semana porque minha presença escurecia o ambiente da casa…da minha casa.
De chinelos, voltei para a empresa (era sábado e ninguém viria), entrei e dormí num sofá, mal acomodado e com frio. À tarde, com muita tristeza na alma, querendo falar com alguém e sentindo vergonha de me dirigir a qualquer pessoa, vergonha demais para falar até com Deus, liguei para o CVV e perguntei sobre instituições de apoio a alcoólicos, onde me deram o endereço de A.A.
Passei a tarde tentando trabalhar, esperando a hora de ir para lá, ou melhor de vir para cá.
Cheguei ao grupo com o mesmo estado de espírito entristecido, mas com a esperança de que pudesse acertar dessa vez. Estava frio… Eu, mal agasalhado, de chinelo, sendo lembrado, pelo desconforto, que tudo aquilo de ruim daquele dia (assim como dos últimos anos) era culpa minha, era o caminho que eu tinha traçado.
Fui recebido de forma discreta e compreensiva por alguém que, por ter o mesmo problema, sabia que eu não era um “sem vergonha”, como muitas vezes fui chamado, que sabia serem sinceras todas as promessas que eu tinha feito, dizendo que iria parar, mesmo sem cumprir. Fui conversando e, aos poucos, baixando a guarda, desmontando a defesa, porque sentí que não ia ser atacado de novo. Fui ouvindo e percebendo que eu não tinha a culpa, tinha a causa (o que é bem diferente) e, assim, fui me comprometendo aos poucos a não beber, só por hoje, assumindo o compromisso de ir com calma (mas ir), tentando aceitar que eu não posso beber como os outros bebem porque alguma coisa no meu corpo não me permite fazer isso, e porque se eu desrespeitar isso será somente uma questão de tempo até o fim da minha família, do meu lar e da minha vida.
Está fazendo uma semana que eu me apoiei e me apoio em A.A. e em seus princípios. Hoje, ao terminar o meu trabalho, me deu uma vontade irresistível de beber. Pensei em tudo o que venho aprendendo a duras penas e decidi que não queria beber…mas a vontade continuava me envenenando ; eu só tinha um socorro possível: vir para cá. E foi o que fiz.
Saí aliviado. Ainda com vontade de beber, mas sabendo que poderia renovar o meu autocompromisso de ficar vinte e quatro horas sóbrio, e foi assim que eu cheguei em casa com uma vitória: não bebí hoje. Estou sóbrio há uma semana e vou ficar por mais um dia.
Por essa razão é que escreví esta carta, só para não esquecer de nenhum detalhe, para lembrar a mim mesmo e aos companheiros de que é possível, um dia de cada vez. Foi um dia difícil de manter o compromisso, mas a reunião tornou isso possível. (Anônimo)
Vivência – Janeiro/Fevereiro 2002
Como Funciona o EGO
“Façamos a experiência dizendo em voz alta: – eu não posso beber e – eu não quero beber! Qual das duas frases tem mais força?”
Ouço com freqüência vários companheiros dizerem “eu não posso beber”. Não seria mais interessante dizer “eu não quero beber”?
Façam uma experiência: pronunciem essas duas frases em voz alta; deixem-nas ecoar na mente e percebam quanto a segunda é mais forte; como ela transmite certeza, convicção, positivismo, enquanto a primeira deixa transparecer uma certa dúvida, um quê de incerteza.
Além disso, “eu não quero beber” sugere decisão consciente e firme por parte de quem emite a frase, ao passo que “eu não posso beber” pode fazer pensar em uma atitude de fora para dentro, uma decisão que uma pessoa toma por outra.
Buscando apoio para essa distinção que faço entre querer e poder, procurei auxílio no dicionário e lá descobri que querer, dentre outras coisas, é “ter ou manifestar vontade firme e decidida” e que poder é, dentre outras coisas, “ter força, ou energia, ou calma ou paciência para”.
Se analizarmos atentamente as duas definições, veremos que a primeira, a priori, não permite falhas nem vacilos, pois parte de um desejo firme e honesto, o qual, aplicado a nós, se traduz num desejo firme e honesto de não ingerirmos bebidas alcoólicas. Já a segundo amostra um estadoe/ou virtudes que podem, em determinados momentos de nossa vida, falhar, constrangendo-nos, fazendo-nos duvidar ou vacilar diante de nossa escolha inicial. Essa pequena discussão pode parecer inoportuna ou sem propósito, mas quero lembrar-lhes que, segundo alguns autores (opinião, diga-se de passagem, compartilhadas por mim), a palavra possui um grande poder, sendo capaz de derrubar ou erguer qualquer indivíduo.
Partindo dessa premissa e da definição de querer, quando digo “eu não quero”, estou fortalecendo em mim uma idéia que, para a grande maioria de nós, foi construída sobre uma base de muito sofrimento, tanto pessoal quanto daqueles que se encontram ou se encontravam conosco.
Para nós, alcoólatras em recuperação, esta vida de abstinência e de busca de sobriedade é uma construção que se realiza a cada período de 24 horas em que nos mantemos sóbrios. Sendo uma construção, tem como pedra fundamental a admissão e a aceitação da nossa impotência perante o álcool.
Quando iniciamos nossa caminhada, é compreensível que utilizemos o verbo poder, pois ainda temos a nos sondar a mente algumas incertezas e medo que nos conduzem a duvidar do nosso sucesso na empreitada iniciada.
No decorrer das 24 horas, porém, fortalecemos o nosso ideal, retiramos das nossas reuniões os materiais de que necessitamos para erguer uma sólida construção e, então, passamos a utilizar o verbo querer, que traz em si, como já foi dito, uma fonte de convicção de que conseguimos e de que conseguiremos vencer este obstáculo, o Alcoolismo.
Responder a alguém que nos pergunta se queremos ou não beber com “não posso” ou “não quero” dependerá da circunstância, do momento, porém, em minha opinião, ao dizermos “não quero”, estamos afirmando, sem sombra de dúvida, ao nosso interpelador e a nós mesmos que estamos convictos, da nossa posição.
(Revista Vivência nº 97, página 17 e 18)
De que cor é a sua sobriedade
Quando tinha três meses de sobriedade e após lutar por muito tempo contra o alcoolismo, o estresse e a tensão em minha casa eram insuportáveis. Temia fracassar no meu casamento, perder meu lar e minha segurança, mas estava disposta a fazer tudo o que fosse possivel e necessário para manter-me sóbria. Tinha meu marido, com o qual estava casada há quinze anos, e dois filhos (de seis e de nove anos). Porém, o silêncio do meu esposo e o distanciamento que sentia dos meus entes mais queridos eram horríveis. Eu não sabia se a recuperação, que era tão boa para mim, seria boa também para eles.
Estava terminando de assistir a minha nonagésima reunião em noventa dias, e ia em direção a uma reunião de mulheres, querendo que a minha família me apoiasse e ajudasse a encontrar o que chamamos de recuperação. Senti-me culpada por sair de casa nessa noite, depois de lavar os pratos sujos do jantar. Meus filhos me puxavam pela manga para que jogasse com eles, ou lesse uma história, ou fizesse qualquer coisa, contanto que não os deixasse sozinhos. Então, eu os imaginava com o meu marido, assistindo televisão num estado comatoso ou de torpor. Eu queria tanto que eles conhecessem o amor que eu sentia nas reuniões, que eles houvissem como honestamente compartilhávamos nossas experiências, que sentissem o que sentem as famílias unidas. Meu marido não acreditava que eu fosse uma alcoólica, acreditava apenas que eu bebia em demasia e que se não bebesse tanto me sentiria melhor. Ele não entendia o alcoolismo. Não queria saber de nada a respeito do Al-Anon ou de ler os panfletos sobre os cônjuges. Sua recusa era profunda.
Naquela noite em particular, cheguei em casa me sentindo tranqüila, como se houvessem tirado uma carga dos meus ombros – como geralmente me sinto após uma reunião de A.A. Minha filha de seis anos então chegou correndo, saltou nos meus braços e pôs as pernas em torno de minha cintura. Disse: “Mamãezinha, de que cor são essas salas aonde você vai?”
Pensei por um minuto e acreditei me lembrar que eram verdes, mas respondi com outra pergunta: “De que cor você imagina que elas são?”
– “Amarelas!”, exclamou.
– Perguntei então para ela: “Por que você acha que são amarelas?”
Sua resposta mudou o curso da minha recuperação. Sem pestanejar ela respondeu: “Porque você sempre volta para casa radiante e fulgurante!”
– Sim, isso é o que ela via, então valia a pena. A luz do espírito brilhava através de mim e minha filha podia vê-la. Essa foi uma das primeiras demonstrações que recebí da minha família.
Posteriormente, confirmei que a sala onde estivera naquela noite era verde. Por um tempo não pude voltar a esse grupo, mas, seis meses depois, pediram-me que compartilhasse minhas experiências lá. Entrei na mais acolhedora sala pintada de amarelo que se possa imaginar e, imediatamente, sentí um calafrio, que agora chamo de “despertar espiritual”. Compartilhei minha experiência, força e esperança, com amor transbordando do meu coração, com aquelas formosas mulheres em recuperação.
Essa história se transformou numa parte da minha recuperação. Tudo isso ocorreu faz muito tempo, contudo, assisto de três a quatro reuniões por semana, porque ainda desejo a recuperação e estou muito agradecida. Estou me recuperando de uma enfermidade aparentemente incurável, e não tenho sentido a necessidade de beber desde o dia 13 de setembro de 1979. A minha querida filha já é uma mulher, porém, é uma filha que me dá o seu amor. (La Viña, setembro/outubro de 1999)
(Vivência nº 65 – maio/junho 2000)
A Tática do Avestruz
Nas arquibancadas do estádio do Maracanã existem balcões onde se vende cerveja durante os jogos de futebol. Reparem como lá ficam pessoas bebendo o tempo todo, de costas para o campo. Para assistir ao jogo, bastaria virar o corpo – mas não o fazem. Talvez não gostem de futebol? No entanto, afirmam categoricamente ser torcedores ardorosos de um dos times e não perderiam uma partida por nada deste mundo.
Vejamos outra cena, um dia de verão, na praia: muita gente passa o dia todo bebendo, debaixo de barracas quentíssimas, sem pegar sol ou cair na água. Apesar disso, dizem adorar uma praia, a ponto de freqüentá-la todo fim de semana.
Estas situações refletem o mais constante sintoma da doença alcoolismo – a negação – e podem até ter algo de engraçado, mas constituem verdadeira tragédia para o alcoólico, que freqüentemente morre negando sua enfermidade.
A experiência mostra só se recuperar aquele que for capaz de ultrapassar esta formidável barreira, ao conseguir admitir-se impotente frente ao álcool.
Ao negar sua perda de controle, o alcoólico não é mentiroso, pelo menos conscientemente, mesmo porque esta perda acontece de forma lenta e progressiva. No inicio, ainda há algum controle, com ele bebendo só nos fins de semana ou após certas horas do dia. Aos poucos, o doente vai, porém, criando um manto de fantasia, que o faz ser o primeiro a acreditar não ter problemas com álcool.
Trata-se de um mecanismo psíquico de proteção, para enfrentar a dura realidade de estar tendo comportamentos irresponsáveis.
Paradoxalmente, não consegue viver sem a bebida, mesmo reconhecendo ser, em certas ocasiões, o consumo exagerado. A explicação, para ele, está nos sérios problemas que vem enfrentando no momento; se os problemas desaparecessem, voltaria a beber controladamente.
Assim, enquanto aguarda o milagre, vai bebendo cada vez mais.
Este mecanismo de negação, que se desenvolve dentro da personalidade do individuo, não se limita apenas à afirmativa, para si e para os outros, de que não é alcoólico. È necessário também inventar uma série de desculpas, para manter uma aparente lógica nas coisas que se anda fazendo.
Este manto de fantasia, fabricado por ele mesmo, fica cada vez mais duro, mais resistente, até isolar o doente do mundo real, como se fosse uma larva do bicho-de-seda envolvida no casulo.
É claro que as coisas continuam existindo como são, o emprego, a família, os amigos, mas tudo isso torna-se a cada dia menos importante. Os mais íntimos questionam: “Por que ele faz isso conosco? Será que não gosta mais da gente?” Ou afirmam: “Se você me amasse, parava de beber!” São questões que incomodam, despertam sentimentos de remorso, culpa e autopiedade, mas não sabe resolver, por julgar impossível separar-se do companheiro álcool. Então ele nega os fatos, inventa justificativas, faz promessas as quais não consegue cumprir, tudo o que for possível para se fechar cada vez mais dentro de um outro mundo, só existente no seu delírio – mas que é só seu, seu mundo de negação.
Para conviver melhor com sua fantasia, o alcoólico passa a só freqüentar lugares onde haja bastante bebida e selecionar amizades entre gente que também bebe. Se for convidado para um aniversário de criança, sabendo que só vai encontrar bolo de chocolate e coca-cola, recusa, dizendo não ter paciência para agüentar este tipo de festa. Mas é capaz de pegar 3 ônibus para ir a um churrasco na casa de um desconhecido. Pensa em álcool todas as horas do dia: quando será que vou poder tomar a primeira? A que horas o bar do hotel fecha? Não esquecer, os supermercados fecham aos domingos! Lá no sítio vai ter bebida? È melhor garantir, levando uma garrafa na mala!
Para melhor entender o processo, substituamos a palavra “álcool” por “azeitonas”. Quando será que vou comer a primeira azeitona hoje? Será que lá no sitio há azeitonas? É melhor garantir: levo umas latas na mala! Fica bastante estranho: qualquer pessoa que só pensasse em azeitonas seria identificada como portadora de um problema psíquico. Mas o dependente químico do álcool continua afirmando ser normal seu comportamento.
Na tarefa de continuar negando seu alcoolismo, o alcoólico tem também de aprender a ser esperto, desenvolvendo a habilidade de esconder o quanto anda bebendo. Muitas vezes pára de beber dentro de casa, mas a toda hora tem de sair para comprar cigarros. Na rua, freqüenta muitos botequins, evitando tomar mais que duas ou três doses no mesmo lugar, para não ser identificado como beberrão. Às vezes começa a beber em um bairro, termina em outro. Bebe no bar, antes da festa, para dar a impressão de estar bebendo pouco. Escolhe vodca, porque ouviu dizer que não dá cheiro. Anda sempre com balas e pastilhas de hortelã, para disfarçar o hálito. Enfim, esconder seu alcoolismo dos outros passa a ser procedimento de rotina, a ocupar boa parte da sua atenção.
Já para provar a si mesmo não ser alcoólico, os mecanismos de negação são outros:
• 1. Tenta beber menos quantidade, embora com a mesma freqüência.
• 2. Tenta beber com menos freqüência, embora a mesma quantidade.
• 3. Tenta não beber durante a semana de trabalho, mas fica contando os dias e horas que faltam para a sexta-feira chegar.
• 4. Tenta usar outras drogas para diminuir a quantidade de bebida, tomando tranqüilizantes de manhã, para parar de tremer, ou anfetaminas de noite, para poder dirigir o carro.
• 5. Muda a marca ou tipo de bebida, assumindo que a anterior é que lhe fazia mal. Ilude-se trocando um litro diário de cachaça, por 5 litros de cerveja, achando que assim bebe menos álcool. Sendo rico, substitui uísque nacional, por outro importado.
• 6. Fica temporariamente em abstinência, por exemplo, quando internado, para desintoxicar, quando obrigado a tomar antibióticos ou apenas “para dar um tempo”, depois de uma consulta médica preocupante. Estes períodos de abstinência têm data marcada para acabar e seu fim é ansiosamente esperado. Quando terminam, o alcoólico acha que depois de tanto sacrifício agora ele merece tomar “uma só” e tudo começa de novo, detonado pelas poderosas forças da dependência química.
Os períodos de abstinência servem para afirmar e reforça cada vez mais a negação, embora só sejam conseguidos à custa de intenso sofrimento emocional. O objetivo é provar a si mesmo e aos outros não ser alcoólico, que domina perfeitamente a situação e pára de beber quando quer. As frases clássicas são: “Na verdade, eu não preciso beber, acontece que eu realmente gosto de álcool”. Ou então: “Se você tivesse em sua vida os problemas que tenho, iria beber ainda mais do que eu”.
À medida que a doença progride, mais este manto de fantasia impede o doente de ver sua realidade. Ele muda de comportamento e atitudes, perde seus valores, cada vez mais enredado na teia da dependência. Basta ler o Livro Azul de Alcoólicos Anônimos, para ver como duas emoções básicas, orgulho e medo, tão saudáveis quando baseadas em fatos reais, podem tornar-se exasperadas e delirantes, originando as mais variadas turbulências de raiva, inveja, ciúme e ódio.
O alcoólico age ao sabor da primeira emoção descontrolada que lhe vem a cabeça e, quando as coisas não dão certo, bota a culpa nos outros ou nas situações de vida. Expectativas fantasiosas tornam-se regra e, como não se realizam, trazem frustrações, autopiedade e necessidade ainda maior de bebida.
Neste ponto, o manto da fantasia confunde-se com a carapuça da negação, dura, resistente, impenetrável pelo lado de fora, como o casulo. Porem, lá dentro, o bicho-da-seda pode encontrar forças para rompê-lo e, ao livrar-se, sair da escuridão para a luz.
Como o alcoólatra, que, vencendo a negação ao reconhecer sua impotência frente ao álcool, encontra o caminho da recuperação e da vida.
E de repente descobre que não gosta tanto assim de praia, nem de freqüentar o estádio do Maracanã…
Dr. Alberto Duringer
Médico no Rio de Janeiro, Conselheiro no Conselho Estadual de Entorpecentes.
Vivência n° 19 – Janeiro/Março 1992
A Máscara caiu no 1º Encontro
“Eu me preocupava com ele e, no entanto eu também sou alcoólica.”
Foi numa terça-feira, 19h30 cheguei meio sem saber o que esperar, aliás, eu tinha minhas próprias idéias do que encontraria, mas nem de longe poderia imaginar as coisas que eu veria e sentiria naquela noite.
Fui para levar meu marido, porque “ele” era um alcoólico, “ele” não sabiabeber, “ele” tinha que parar, “ele” só me fazia sofrer, enfim, todas asdores, amarguras e frustrações que eu tinha na vida, eram culpa dele.
Eu sempre fui tão boa para ele, sacrifiquei meus sonhos, minhaindividualidade, juventude e liberdade, em nome de um casamento falido e de um homem que não me merecia, nem me dava valor. Esses eram meus reais sentimentos.
Pensava que Alcoólicos Anônimos era algo extremamente machista, cheio de homens humilhados, derrotados e infelizes porque não podiam beber; que já haviam causado tanto sofrimento, que somente juntos poderiam suportar a dor da culpa que carregariam para resto de suas miseráveis vidas.
Mas não foi isso que eu vi.
Para começar, dei de cara com uma mulher coordenando a reunião, o que me pareceu bastante estranho, mas longo pensei: “Claro, só mesmo uma mulher para suportar um monte de bêbados arrependidos”. Percebi que todos estavam arrumados, decentemente vestidos; a sala era aconchegante, e o clima… bem, o clima era para mim, no mínimo, suspeito.
Porém o que mais me intrigou foi o fato de estarem todos alegres; pareciam realmente felizes e orgulhosos por estarem ali, e mais ainda com a nossa presença; sorriam e nos cumprimentavam com visível satisfação, nos deixando muito à vontade.
Eu tinha vontade de gritar-lhes: “Ei, o bebão aqui é ele, não eu”.
Entretanto, estava certa de que isso era tão legível como se uma enorme placa estivesse pendurada em meu pescoço.
Então começou a reunião. Desde o primeiro depoimento, senti que algo estava acontecendo dentro de mim. Senti calor, medo, vergonha, vontade de ir embora sair dali o mais rápido possível; era o que a minha cabeça dizia, mas meu corpo não obedecia, meu coração batia descompassado e por um momento achei que todos olhavam para mim e sabiam de todos os meus “pecados”.
De repente, esqueci-me do motivo que me levou até ali, ouvia atentamente o que um companheiro dizia, e era como se estivesse em frente a um espelho vendo minha própria imagem, ouvindo minha própria voz.
Pela primeira vez, tive coragem de olhar para dentro de mim verdadeiramente e a máscara caiu. Eu era uma alcoólica, não era capaz de controlar meu modo de beber, e o que mais me doeu: tinha causado sofrimento a mim e a outros, inclusive àquele a quem eu de tudo culpava.
Pânico. Essa palavra resume o sentimento que me veio a seguir.
Deram-me café, cercaram-me de carinho e atenção e eu senti que os amava; não os via mais como bêbados derrotados e infelizes; eram alcoólicos em recuperação, corajosos, determinados, vencedores de uma luta diária, contra uma doença chamada alcoolismo.
Eu queria ser como eles, precisava disso, não podia mais mentir para mim mesma, não sabia o que dizer nem o que fazer. Então estenderam-me a mão e disseram-me que tudo seria diferente se eu quisesse, e graças ao meu Poder Superior, eu quis.
Jamais irei esquecer aquela noite. Já se passou um ano e mais algumas 24 horas. Não me preocupo com quantos anos mais virão; o que realmente importa é poder estar aqui hoje, alcoólica em recuperação diária; compartilhar com meus companheiros a alegria de cada momento, e também as tristezas.
“Vivo e deixo Viver”, pois a vida é feita de muitos momentos, e o que faz a diferença é como nos preparamos para eles; não tenho que me preocupar com a vida dos outros e sim, com a minha.
Tudo isso eu devo a Alcoólicos Anônimos e aos meus companheiros.
Tudo é maravilhoso, porém frágil, como frágil é a própria vida, é preciso estar vigilante, perseverante nos meus propósitos para que não me desvie deles.
Espero que este meu sincero depoimento, possa-lhes ser útil e parabéns por esta Revista tão bem feita e tão agradável de ser lida. Esta é a minha humilde contribuição.
Cristina – Vivência n° 93 – Janeiro/Fevereiro 2005
Quero ser meu amigo!
Temos certa dificuldade em colocar no papel os nossos pensamentos e idéias, ou porque não nos sentímos em condições, ou porque nos preocupamos com as críticas que poderemos receber. Mas, quando resolvemos escrever algo a respeito do programa de recuperação a nós sugerido, verificamos que também foi bastante difícil para os nossos co-fundadores sustentarem suas idéias quando ainda estávamos em formação.
Bill W., quando começou a escrever como funcionava o programa de recuperação, através do livro “Os Doze Passos”, procurou base e orientação nos preceitos dos Grupos Oxford, na medicina, na religião e, principalmente, em suas próprias experiências e nas de outros companheiros. Foi muito difícil, para ele, aceitar a idéia de retirar do esboço do livro a palavra “Deus”. Para nossa felicidade, após muito relutar, cedeu às criticas e a situação foi contornada utilizando-se a expressão ” Poder Superior na forma que O concebemos”. Bill nos deixou, com isso, uma grande lição nos dizendo, indiretamente, que temos que ser pacientes e prudentes com as críticas recebidas pois, afinal de contas, não somos perfeitos. Foi pensando nisso que resolvi ser meu amigo.

Para ser meu amigo necessito antes de mais nada, me aceitar como doente alcoólico, entender que minha doença não tem cura, saber que o álcool, realmente, é muito mais forte do que eu. Não adianta continuar lutando contra ele, pois sempre irá me derrotar. Só posso ser meu amigo se compreender que perdi o domínio total sobre a minha própria vida, que atingi meu fundo de poço e, para sair dele, basta dar o “primeiro passo” em direção á recuperação e libertação, passando a gostar de mim, a viver feliz sem o álcool e a ser meu amigo.

Tenho de acreditar na existência de uma força superior a mim, alguma coisa que possa substituir ou preencher o vazio deixado pelo meu alcoolismo. Tenho que acreditar nessa força milagrosa para poder, quem sabe, recuperar minha sanidade mental e espiritual, tenha ou não uma religião definida. Se conseguir um mínimo de fé, certamente conseguirei ser meu amigo, pedirei a essa força superior que “seja feita a Sua vontade” e não as coisas que eu desejo.

Para ser meu amigo, tenho de entrar em ação, usar a chave da boa vontade para abrir a porta da minha recuperação, deixando que entre essa força milagrosa e me dê a oportunidade de entregar a minha vida aos Seus cuidados. Tenho de aceitar a minha dependência a uma força superior que me levará cada vez mais para minha independência dentro do programa de recuperação, e não ao fanatismo.

Para ser meu amigo, antes tenho de tentar ser amigo da pessoa que vejo no espelho do meu quarto quando vou pentear os cabelos. Preciso aceitá-lo como ele realmente é e não como os outros querem que ele seja. Só posso ser meu verdadeiro amigo tentando fazer o meu próprio inventário, moral e pessoal, e não o inventário de outros companheiros de doença. Se eu conseguir entender a real necessidade desse inventário pessoal diário, vou modificar, lentamente, a minha maneira doentia de pensar e agir no meu dia-a-dia, vou viver o meu programa de recuperação, mantendo minha doença estacionada.

Poderei continuar sendo meu amigo, me dando conta da necessidade que tenho de admitir perante outro ser humano e a essa força superior, como eu entendo, a natureza exata das minhas falhas. Procuro escolher a pessoa certa para fazer o meu desabafo pessoal, pois a experiência me mostrou que eu não posso viver sozinho com os meus problemas. Preciso falar com alguém a esse respeito, alguém de minha confiança que saberá me ouvir, me entender e me aceitar como eu realmente sou.

Para ser meu amigo preciso estar consciente de que a força superior na qual acredito e tenho fé saberá muito bem a maneira como estou me prontificando a deixar que Ela remova todos os meus defeitos de caráter, embora eu saiba que alguns defeitos dificilmente consiga remover de imediato, talvez leve algum tempo e talvez nem consiga. Devo ter consciência de que não vou chegar à perfeição; somente o Primeiro Passo, onde nós admítimos inteiramente a nossa impotência perante o álcool, pode ser praticado com absoluta perfeição.

Para ser meu amigo tenho que tentar ser humilde e não orgulhoso, e como tem sido difícil para mim, me policio em todos os momentos da minha vida. O orgulho é, na realidade, viver a mentira: bebo quando quero, paro quando quero, bebo com meu dinheiro, não falta nada no meu lar, sou dono do meu nariz, posso me virar sozinho sem a ajuda dos outros. A humildade é viver a verdade: sou impotente perante o álcool, não consigo parar sozinho, preciso de ajuda, estou derrotado, meu lar desmoronou, aceito um Poder Superior a mim, sou meu amigo e gosto de mim, sou feliz fazendo o programa de A.A.

Sou meu amigo fazendo uma relação, não ordenada nem apressadamente, das pessoas que prejudiquei com meu alcoolismo. Me dispondo a reparar os danos causados a elas, tendo cuidado, e muito cuidado, para não causar danos maiores com tais reparações. Elas poderão não entender o meu objetivo , tenho de agir com cautela, coragem e muita prudência.

Para ser meu verdadeiro amigo tenho de, através da prece e da meditação, procurar o meu contato com essa força superior, pedindo apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a mim, pedindo forças para que possa realizar essa vontade. Agindo dessa maneira, aceitarei a Oração da Serenidade e, quem sabe, a Oração do Pai-Nosso, que foi atribuída, há algumas centenas de anos, a um homem considerado santo.

Serei muito mais meu amigo se procurar, à minha maneira, experimentar um despertar espiritual através do programa que me foi sugerido e aceito, tentando transmitir a mensagem para outras pessoas com o mesmo problema, dando a elas a mesma oportunidade de conhecer essa maravilhosa filosofia de vida. Ter a alegria e a felicidade de continuar vivendo e deixando que os outros vivam em paz.

Tenho plena certeza que, não existe coisa melhor no mundo do que estar sóbrio, estar feliz, poder amar e ser amado, respeitar e ser respeitado, ser aceito como somos e aceitar os outros como eles são, ser amigo de nós mesmos e dos outros.

Por todas essa justificativa é que eu quero cada vez mais ser meu amigo .
(Cunha, Porto Alegre/RS)
(VIVÊNCIA – Janeiro/Fevereiro 98)
O Jovem em AA
Em A.A. somos todos jovens, pois nos renovamos a cada 24 horas.
O conceito de juventude dentro de A.A. trouxe um sentido diferente para o meu modo de entender o “ser jovem”.
Cheguei em A.A. aos 33 anos e na bagagem, além de muitos sofrimento, guardava grandes frustrações pelo fato de não haver construído nada de concreto em minha vida.
Comparava-me com amigas que trilharam caminhos saudáveis e que, com a mesma idade que eu, já tinham definidas suas profissões, além de terem constituído família e gerado filhos.
No meu passado alcoólico ativo, enquanto essas mesmas amigas construíam seus sucessos oriundos de esforços e restrições comuns, eu simplesmente escolhi os atalhos de uma vida sem compromissos, sem regras ou planejamentos. O pioe é que me via em melhor lugar do que elas. Achava que elas estavam perdendo tempo e eu, ganhando a vida!
O álcool me facilitava obter “status” de mulher independente, corajosa e à frente do meu tempo, pois vivia em núcleos de pessoas ligadas à arte, música, teatro e nesse universo tudo parecia ser fácil, leve e solto!
Pregávamos a paz e o amor livres e mal sabíamos quão prejudicadas éramos por “coisificarmos” nossas relações com as pessoas.
Sim! Estabelecíamos relações descartáveis e a prática do hedonismo era a filosofia de vida daquele meu tempo.
Assim segui durante a minha juventude, devastando pessoas (especialmente a mim mesma) e afetos, em nome de minha liberdade.
Justificava meu comportamento alcoólico que se manifestava na dificuldade de adequação, de concentração e na desobediência aos códigos sociais,dizendo que eu estava além daquilo tudo e que meu espírito era livre demais para pertencer a algum sistema retrógrado como o da sociedade patriarcal. Não me submetia a relacionamentos duradouros nem às normas de conduta. Além de vociferar contra o sistema educacional e de me rebelar contra professores e diretores na época da faculdade; eu a interrompi por duas vezes: frutos amargos que colho por ainda estar suspensa esta etapa da minha vida.
Fundamentei meus conceitos acerca de ser jovem e mulher em parâmetros e códigos totalmente distorcidos. A ousadia, comum à minha personalidade me levou a aventuras bastante perigosas e toda a minha juventude foi pautada em ações fora da lei, fora de princípios, fora de uma vida serena e pacata. Minha doença pedia muita adrenalina e muito risco de vida. Eu acreditava que possuia vantagens em não ter paradeiro e em não andar na linha.
Ao ingressar em a.A. levou algum tempo para que eu entendesse o ponto de vista dos AAs em relação ao ser JOVEM.
Eu me cobrava muito por ter chegado totalmente destruída e sozinha. Descobri que não construi família nem gerei filhos ou me estabeleci profissionalmente por não ter tido condições emocionais e espirituais para tal e não porque eu NÃO QUIS ou me sentia à frente do meu tempo. Ao contrário do que pensava, eu não era livre e feliz. Seguia a cartilha do alcoolismo, aprisionada e vagueante. Consequentemente me sentia velha demais para começar uma nova vida.
Porém, em A.A. ouvi companheiros que chegaram com muito mais tempo de vida que eu: aos 50, 60, 70 anos de idade e que ainda tinham o brilho e esperanças comuns à juventude. Diziam que sua vida havia começado ali em A.A. e comemoravam seu tempo de sobriedade como se fosse o tempo em que começaram a viver. De fato é isso!
Em A.A. somos todos jovens, pois nos renovamos a cada 24 horas.
Tento me valer do meu tempo em A.A. e aqui estopu no meu primeiro ano de vida: um ano em que venho recebendo dádivas e condições emocionais de me perdoar por tanto tempo outrora perdido. Os “menos jovens” que eu na Irmandade abastecem meu ser com doses singelas de otimismo e amor.
Ainda há tempo?
Sempre há tempo para construir ou reconstruir a vida.
Os mais jovens que eu mostram que as mazelas da vida alcoólica continuam iguais ao meu tempo e que o álcool mantém seu império devastador.
É bonito ver jovens e antigos se aliando na jornada da recuperação.
A nova vida de a.A. permite que nos igualemos na escala do tempo.
É como se zerássemos o cronômetro e dali – do ponto inicial – jovens, antigos, mulheres e homens iniciássemos nossa nova caminhada.
O Poder Superior nos concede, independentemente da idade, a chance de usufruir a plenitude da vida – sem os ditames do álcool.
Juliana/Rio de Janeiro/RJ
Vivência nº109 – Setembro/Outubro/2007.
O Corrimão
Aqui, a Terceira e a Sétima Tradições de A.A. permitiram tomar um cuidado especial a fim de assegurar a recuperação de todos – sem exceção!
Estou no meu grupo base há alguns anos e, na época em que cheguei, funcionávamos numa paróquia, sem auto-suficiência. O fato é que, a cada dia, precissávamos “levar” a reunião para uma sala diferente. Até que um dia fomos obrigados a passar num meio de um velório pra chegar a sala onde faríamos a próxima reunião. Essa foi a gota d’agua que faltava para que começássemos a pensar e agir pelo nosso bem-estar comum.
Iniciamos fazendo arrecadações para a nossa reserva prudente. Depois de alguns meses já tinhamos o suficiente para alugar uma sala. Os companheiros foram ver o local e era exatamente o que precisávamos. Então um deles disse: “Antes de qualquer coisa precisamos colocar aqui um corrimão, pois no grupo temos um companheiro com deficiencia física que não teria condições de chegar até a sala sem esse equilíbrio.
E assim foi. Alugamos a sala, de 35 metros quadrados, e a primeira providência foi a colocação do corrimão. E no dia 13 de maio de 1995, nosso grupo passou a funcionar ali.
Porém, com o tempo, a sala foi ficando pequena e então o proprietário nos ofereceu duas salas conjugadas que perfaziam 100 metros quadrados, no mesmo prédio. Eram muito baixas e sem ventilação, além de estarem sem uso há cinco anos, mas o proprietário se comprometeu a fornecer todo o material necessário para uma reforma. Nós topamos! Afinal, temos no grupo pedreiros, encanador, eletrecista, servente e outros.
Assim no dia 25 de julho de 2000, mudamo-nos outra vez. Hoje, nosso grupo funciona nesse espaço confortável, numa sala de reuniões com capacidade para até 70 pessoas sentadas e outra para recepção, com cozinha, banheiros feminino e masculino e espaço para o cafezinho.
Hoje sou RV do grupo e o corrimão continua lá, me ajudando a subir o lance de escadas para assistir as minhas reuniões. Obrigado aos companheiros (as) que pensaram em mim!
(Depoimento de Ovives)
Recaida não consumada
O Décimo Segundo Passo funciona…
Em primeiro lugar, quero agradecer ao meu Poder Superior e a A.A. por mais vinte e quatro horas de sobriedade.
Depois de uma recaída brava, voltei para Alcoólicos anônimos em setembro de 1993, disposto a acatar as sugestões dos companheiros.
No mesmo mês ainda encontrei um trabalho que achava não estar à minha altura, mas que deveria aceitar, pois tinha que começar tudo de novo. Foi bom. No grupo me integrei aos serviços mais humildes – divulgação no SOS (para itinerantes), café, limpeza e também foi bom; tive a oportunidade de retomar aos meus estudos e, em março de 1994, estava voltando dois dias por semana para a escola, o que me ajudou bastante. Até consegui um emprego melhor.
Naquele ano (1994) tive contato, através de um ciclo, com os doze Passos e voltei com toda vontade de vencer e melhorar. Mas dentro de casa, ainda queria ser aquele que mandava. E, é lógico, as brigas continuavam. Ainda não tinha feito uma retrospectiva: quando eu bebia? Por quê?
Em janeiro de 1995, sábado de muito calor, após uma briga acalorada com a minha esposa, sai de casa sem rumo, derrubando a porta. Cheguei ao centro da cidade e uma compulsão para beber tomou conta de mim, ficando difícil controlar. Em minha mente se misturava A.A., família, bebida, etc.
Em determinado momento fiz a Oração da Serenidade, roda desconexa. Até sem conseguir ordenas meus pensamentos, caminhei como um sonâmbulo, e naqueles momentos lembrei-me que deveria estar acontecendo uma reunião do Distrito. Fui até o grupo e, para minha salvação, estavam ali diversos companheiros. Fiquei.
Depois da reunião, assisti outra à noite, de recuperação. Às 23 horas um companheiro me disse: “Trate de pensar no que fez durante esses últimos dias, veja o que levou você a ter essa compulsão e evite isso daqui para a frente.”
Hoje em dia, assim como evito o primeiro gole, evito discussão dentro de casa, evito excesso de calor, e no momento estou aprendendo a lidar com dinheiro no bolso. E o melhor de tudo, estou aprendendo com a minha experiência. Minha e de meus companheiros, que continuam me ajudando para permanecer sóbrio por mais vinte e quatro horas.
(Anônimo do Sul)
Revista Vivência nº 70, pág. 16
Reivência nº 70, pág. 09
Mulher e Alcoólica
A boa acolhida da Irmandade ajudou a amenizar o impacto de saber-se doente.
Casei-me muito jovem, aos quinze anos de idade. Fiquei sete anos casada e tive um casal de filhos. Nessa época eu trabalhava num hospital e me sentia realizada profissionalmente. Fiquei sozinha por um tempo, depois conheci alguém e vivemos juntos por cinco anos, gerando minha filha caçula. Já tinha começado a beber, misturando com remédios. O tempo passou e desci ao fundo do poço. Já separada novamente, juntei-me a uma turma “da pesada”.
Tentei acabar com minha própria vida, mas não consegui. Cheguei a ser processada por conta de meus episódios de agressividade.
Um dia, resolvi ir a uma Igreja Batista, e lá conheci meu atual companheiro, que desde o início me incentivou a deixar de beber. Até me propôs uma internação, mas eu recusei, pois não queria ficar longe de meus filhos. Foram dois anos de muita luta. Este meu companheiro falou-me de alcoólicos anônimos. Acabou me trazendo um livrete da Irmandade, que li e que despertou o meu interesse, mas eu ainda relutava.
Até que, já cansada, resolvi escrever para a junaab, contando todo o meu desespero e, pedindo ajuda. Logo recebi resposta. Fui tratada com muito carinho e atenção. Recebi uma revista VIVÊNCIA com o tema “Mulher”, que falava sobre o alcoolismo feminino. Eu não sabia que existiam mulheres com o mesmo problema que eu tinha. Assinei a Revista. Tenho mantido correspondência com a junaab, o que me dá muita força.
Recentemente recebi uma carta na qual, com muito orgulho, sou chamada de “companheira”, pois faço parte do cadastro de participantes da RIS (Reunião de Iternacionalistas e Solitários de A.A.), que é eficiente na minha recuperação.
Espero continuar em sobriedade no programa de A.A., pois para mim ele funciona de verdade. Agradeço a um Poder Superior e à Irmandade. E a todos deixo o meu forte abraço, com votos de felicidades de uma consciência sã.
(Lenice. Santana da Vargem/ MG)
Revista Vivência nº 70, pág. 17
Jovens, sejam bem-vindos
Existe “vida” sem álcool e drogas!
Há um bom tempo venho observando a mudança na freqüência às reuniões de A.A.
Antigamente, os companheiros tinham que beber muito tempo para procurar ajuda. Eram alcoólicos e em geral demoravam a entrar em A.A., pois só o uso do álcool demorava mais a detonar o organismo. Quando vinham para a sala, em geral estavam com certa idade, já haviam “queimado suas velas” e as deixado no “toco”.
De uns tempo para cá a freqüência nas salas é outra; há mais jovens devido ao uso concomitante com drogas ilícitas.
Sabemos que o uso de drogas ilícitas derruba mais rápido do que o uso do álcool; o estrago atinge proporções assustadoras.
O número de pessoas aumentou devido ao aumento da população, da divulgação da programação, da liberação do álcool tanto incentivado em comerciais. Com isso, vemos salas de A.A. e N.A. quase todas lotadas, mas vemos também número proporcional ao crescimento de recaídas.
Como coordeno as “Reuniões de Novos” na sala de A.A. do Grupo que freqüênto já algum tempo percebi a dificuldade dos jovens em permanecerem sóbrios.
É muito mais fácil para uma pessoa de quarenta anos se fechar, em casa, evitar velhos caminhos, bares, companhias, etc. Mas, para os jovens, a coisa fica mais complicada… Eles estão no ápice da idade, baladas, escola, faculdade, lugares regados a álcool e drogas. Então as tentações, os estímulos são bem maiores do que para uma pessoa de quarenta anos, que passou por tudo isso.
Percebo a dificuldade em se “trancarem” em casa, evitando tudo e todos. E em geral, quando abrem a “gaiola” e se arriscam aos velhos caminhos, uma balada, por exemplo, voltam depois de um tempo… recaídos.
Quando um jovem avisa em partilha que vai a uma balada, que já se sente preparado, uma luz se acende em minha mente, e percebo que muita gente, inclusive eu, tenta mostrar a esse jovem, que todo cuidado é pouco e em geral, percebemos que a pessoa está indo para beber e usar, mas não tem consciência disso e como somos impotentes, ficamos no aguardo, orando sabendo que as chances de voltarem sóbrios é pequena.
Procuro dar as sugestões que recebi quando ingressei; se for voltar aos estudos, espere um ano, pelo menos. Explico que quando ingressamos em A.A. e experimentamos a sobriedade, depois de um tempo curto nos sentimos aptos a fazer tudo; sentimos o prazer de ver a vida sem o álcool e as drogas; queremos recuperar logo o tempo perdido e é ai que nos perdemos.
Insisto e persisto e não desisto de falar aquelas “velhas” sugestões de evitar os velhos caminhos e explico que os velhos caminhos é amplo: são caminhos-lugares, são caminhos-amizades, são caminhos-hábitos; a palavra é no sentido ampliado. Quando for que vá irmanado.
Muitas vezes só duas pessoas irmanadas, nesta situação, dois “novos” de programação também não funciona. O ambiente pesado, muito álcool, drogas, e dois iniciantes que se sentem fortes, mas na verdade estão frágeis naquela situação de entusiasmo e euforia; é grande a chance de recaída dupla.
Então, sugiro irem em bandos… Explico melhor – comecei a unir os jovens e os levei a uma pista de patinação no gelo que estava instalada no Shopping: fomos em bando e nos divertimos muito… Fomos no boliche, também em bando: churrascos, aniversários, sempre todas as mesas regadas com muito suco, refrigerantes e água em abundância e foi uma alegria. Fomos comer pizza, viajar, mas antes íamos à reunião de A.A.; ligados na programação, um auxiliando o outro, bem na expressão que uso “Me Empurra que Eu Te puxo”.
Conseguiram perceber que não estão sós apesar de terem sido privados , por evitarem lugares que estimulam o uso. Hoje não estão mais sós! Têm amigos, os de A.A.. Então, aos poucos esse hábito entre eles foi criado e os novos que vão chegando, são levados pelos “menos novos” de sala, mas novos na idade, a se juntarem… E eu brinco: – “junte-se aos bons”…
Muitos programas sadios são feitos entre eles. O temido final de semana, antes em bares junto a alcoólicos e drogados; a solidão doída, fechados em casa, impossibilitados de sairem, hoje já não é tão temida entre eles, pois estão juntos num só propósito de se divertirem sem a necessidade de qualquer substância que altere seus humores.
Descobriram que existe “vida” após o álcool e drogas: existe alegria e felicidade sem terem que usar nada!
Martinha/São Paulo/SP.
Revista Vivência nº 109, pág. 07/08

Mente
O conhecimento e avaliação de Alcoólicos Anônimos é necessário para aqueles que tenham um grande desejo de ajudar o alcoólico, porque o amam ou vivem com ele. Observando como e o que A.A. faz por ele, entendemos do que ele precisa, e principalmente aquilo que não podemos dar a ele. Tenho uma profunda e abrangente convicção a respeito de Alcoólicos Anônimos – eles são teoricamente confiáveis, racionais e, na prática, impressionantemente bem-sucedidos.
Meu relacionamento com A.A. é o do psiquiatra que teve acesso em primeira mão a seus milagres. Nós, psiquiatras, estamos habituados a milagres. Não existe para um médico satisfação maior do que o crescimento sólido do paciente – antes de ser um miseravelmente confuso, infeliz e medroso – em direção à saúde e autoconfiança. Como terapeuta, costumo ver com frequência a profunda reeducação emocional (que chamamos de psicoterapia ou psicanálise) tomar conta, aprofundar-se, crescer e solidificar-se na direção da maturidade.

Por que não é possivel fazer isso pelo alcoólico agudo? E por que A.A. pode? Por que quase sempre é certo que o alcoólico agudo ou bebedor-pesado – cheio de ira, confuso, quase sempre sem dinheiro, irrascível, desesperado, escondendo uma profunda sensação de baixa auto-estima por trás de uma atitude de arrogância defensiva – não é um candidato à psicoterapia? Ele precisa de ajuda. Por que resiste então a ela? É surpreendente para mim, agora, que nós psiquiatras não tenhamos visto o porquê antes. O alcoólico não consegue confiar em nós e nem em ninguém. O primeiro passo em qualquer psicoterapia é estabelecer o que chamamos de “transferência”. O paciente transfere para nós o propósito de uma educação emocional, extremamente similar ao da criança na primeira infância, além de uma abrangente confiança no terapeuta, para que possa retomar novamente sua caminhada ousando desta vez, viver, ser ele próprio, cometer erros, fazer questionamentos, aprender e acreditar que não será abandonado e que nós o ajudaremos na sua busca de um novo crescimento.

No início de sua recuperação, o alcoólico não consegue confiar em ninguém; é difícil para ele amar e confiar até mesmo em um Deus, uma vez que ele O teme. Isso me faz lembrar da profunda verdade que existe na frase: “Se um homem não ama seu irmão, a quem ele pode ver, como amará a Deus, a quem ele não vê?” O alcoólico não consegue fazer a transferência, não consegue amar nem confiar em seu irmão, não se relaciona como uma criança confiante com o novo médico que se intitula “psiquiatra”.

Entretanto, o alcoólico consegue entreabrir levemente a porta de suas emoções para outro alcoólico. Ele não teme do seu igual nenhuma condenação moral, ou irritante e humilhante indulgência, pois o outro esteve no mesmo inferno que ele. Começa a sentir afinidade por outrem após um longo tempo de solidão. Temos então agora aquilo que os psiquiatra chamam de relacionamento interpessoal. É essa para mim a essência e o alicerce de A.A. : estabelecer e manter relacionamentos humanos.

O próximo grande passo na direção da recuperação é uma perda gradual daquela sensação de ser único e diferente, que muitos pacientes têm. À medida que começa a frequentar as reuniões de A.A. e encontra mais e mais pessoas, vê que o mundo é cheio de bebedores-problema e alcoólicos. Para os amigos e a família ele sempre foi o pária, a catástrofe inaceitável. Mas nas reuniões de A.A. ele ouve sua própria história muitas e muitas vezes. Começa a se sentir livre para tentar entender essa estranha expressão – “bebedor compulsivo”. Até ser chamado de “personalidade adicta” por outro que está no mesmo barco, não o incomoda mais. No meio de tantos companheiros ele ousa fazer o inventário , conhecer mais sua própria personalidade e preparar-se para enfrentar seus pontos fracos, reconhecer sinais de perigo e aceitar as limitações de vida como todos os outros alcoólicos o fazem – evitando o primeiro gole – porque chegou à conclusão de que é um doente (…) (Grapevine, nov/98)
Adele E. Streeseman, M.D.
(Vivência – Set/Out 99)
Cooperação sem Afiliação
Por isso, dentro dos princípios e propósitos que regem a nossa Irmandade, sentimo-nos deveras satisfeitos e agradecidos a Deus, na forma como O concebemos, pela oportunidade de, mais uma vez, poder sentir o calor e a força espiritual desta Augusta Assembléia, atendendo ao chamamento que nos foi feito para dialogarmos sobre o festejado tema “Cooperação sem afiliação”, assunto demasiadamente polêmico, que se nos apresenta por demais fascinante e rico de interpretações.
Ao estudar amplamente a história do A.A., criamos uma maior condição para melhor compreender sua finalidade. Este conhecimento histórico nos permite delinear, ainda que com grande faixa de erro, um perfil de “quem somos, de onde viemos e para onde vamos”.
A compreensão deste fato nos leva a uma verdade maior. Sua existência depende da minha cooperação, enquanto a minha vida depende da sua ajuda, de modo que, ambos, dependemos da cooperação de todos os outros indivíduos, mesmo sem afiliação.
Basta lembrarmo-nos da figura lendária de Robinson Crusoé, para subitamente percebermos que, sem a cooperação de outros, é difícil viver. Pensem em quantas mentes, quantas habilidades, quantas profissões e quantos ofícios são necessários para nos suprir de todas as coisas materiais e de todos os confortos da vida. Olhe ao seu redor; a cadeira em que está sentado, a literatura que está à sua mão, o som que está sendo usado, as lâmpadas e os outros materiais que compõem este recinto; de todas estas coisas necessitamos, e todas resultaram da cooperação de outrem. Assim, a menos que estejamos cooperando para levar a mensagem de que os outros necessitam, nossa sobriedade é desperdiçada e não estamos cumprindo o dever de ajuda mútua, procurando “dar de graça o que de graça recebemos”.
Dessa forma passamos a nos encarar, não como personalidades individuais, mas; como partes componentes de toda uma civilização humana. Somente deste modo compreendemos que somos uma grande família de alcoólatras em recuperação, buscando outros alcoólicos que, agora, neste momento, estão no lugar por onde todos nós passamos, esperando a cooperação de uma mão salvadora para trazê-los ao nosso convívio.
Entretanto, para que isso aconteça, se faz necessário o surgimento do nosso mais alto valor como Irmandade, representado pelo dever da fraternidade. Este sentimento fraternal deve alcançar a todos os seres humanos, portadores da doença do alcoolismo, estejam sóbrios ou bebendo, independentemente de raça, cor, sexo, etc.
Então, como condição primeira para o conseguimento desse estado de equilíbrio, impõe-se a cooperação em forma de obediência, não a obediência servil da afiliação, mas aquela que faz respeitar princípios e, também, a razão de todos e de cada um. Só assim, seremos livres e, portanto, bem orientados pelos ditames da consciência, a fim de que não sejamos indiferentes com aqueles portadores da nossa mesma doença, e que, como nós, precisam ser salvos desse flagelo da humanidade chamado alcoolismo. Feitas as considerações pertinentes, resta-nos à luz da nossa literatura passar ao ponto axial deste tema o qual se prende não só ao que se deve fazer, mas, principalmente, a forma como deve ser feita e por quem, de modo que possamos manter o princípio da cooperação com todos os segmentos da sociedade, sem o perigo desastroso da Afiliação.
Quem acompanha a nossa história, sabe que a Irmandade de Alcoólicos Anônimos teve seu início ligado a grandes amigos e beneméritas instituições de tratamento. Sem a cooperação desses notáveis colaboradores, a história de A.A. teria tomado um rumo diferente e, talvez, esse grande empreendimento de recuperação de alcoólicos, tivesse perecido em seu nascedouro.
Inicialmente, temos a figura impar do Dr. William Ducan Silkworth – “o doutorzinho que adorava os bêbados” – tido como a pessoa que conhecia mais de perto o problema alcoólico do nosso co-fundador Bill. Daí a sua serenidade diante do estado de desespero de Bill, quando do seu despertar espiritual no Towns Hospital, em dezembro de 1934. Foi o Dr. Silkworth o incentivador permanente de Bill em sua notável caminhada que aproou na fundação dessa Irmandade salvadora de nossas vidas.
– “Não Bill, disse ele, você não está com alucinação; seja o que for que você tenha tido, é melhor se apoiar nisso; isso é muito melhor do que aquilo que você tinha há somente uma hora atrás”. Como resultado destas palavras animadoras do Dr. Silkworth, Bill parou de beber, a partir daquela data, levando sua sobriedade ao túmulo, no dia 24 de janeiro de 1971.
Graças ao Poder Superior, ao parar de beber, Bill iniciara um movimento que salvaria a vida de milhões de criaturas, inclusive as nossas. Seis meses depois, é ainda o Dr. Silkworth quem ensina a Bill a fórmula mágica de abordagem, onde ele enfatiza: “pare de lhes pregar sermões e lhes dê primeiro os duros fatos médicos. Isto pode acalmá-los tão profundamente que possam vir a querer fazer qualquer coisa para ficar bem. Então poderão aceitar aquelas suas idéias espirituais e ainda um Poder Superior”.
Foi o Hospital St. Thomas, o primeiro hospital religioso a receber prováveis membros de AA. para um tratamento regular. Nesse hospital se desenvolveu a grande amizade entre o Dr. Bob e a Irmã Ignatia, fazendo-nos lembrar a clássica histórica do primeiro bêbado que ela e o Dr. Bob trataram. Esse bêbado foi introduzido naquele nosocômio pela floricultura do hospital, haja visto que a supervisara da Instituição não estava interessada em alcoólicos, especialmente naqueles que tinham “delirium tremens”. A autora da façanha foi aquela que mais tarde viria a se tornar a notável colaboradora de A.A., a Irmã Ignatia.
Posteriormente, surgiram outros colaboradores, como: “SAM SHOEMAKER, o clérigo episcopal cujos ensinamentos inspiraram os co-fundadores e os primeiros membros de A.A.”. “Padre Ed, o padre católico cuja influência pessoal e trabalho para AA muito tem contribuído para fazer nossa sociedade ser o que é hoje.” “Willard Richardson foi um personagem-chave no crescimento de A.A. Ele representa uma classe de homens a quem Alcoólicos Anônimos muito deve”.
Assim, a história de AA já em seus primórdios, se confunde com a história da cooperação de pessoas e instituições estranhas à Irmandade, mas que nos deram uma ajuda inestimável. Clérigos e leigos, abastados homens de negócios, médicos, instituições públicas e particulares, todos entraram na mesma luta, venderam a mesma idéia, empolgaram o mesmo ideal de levar a mensagem salvadora de A.A. ao alcoólatra sofredor; tudo isto, naturalmente, sem nenhuma afiliação.
Sem sombra de dúvida, foi a Associação Médica Americana, quem propiciou o reconhecimento de AA. como terapia alternativa, para tratamento do alcoolismo pela classe médica. A importância desse reconhecimento tem tido um valor incomensurável para nós. Não menos importante foi o endosso do Psiquiatra Dr. Harry Tiebout, o primeiro a introduzir o A.A. em sua profissão, fazendo-o conhecido. Esse namoro da psiquiatria com o A.A. resultou num casamento indissolúvel, que continua até hoje, para a felicidade nossa e de milhões de alcoólicos que estão necessitando da mensagem.
Entretanto, é oportuno ressaltar que, ao levar a mensagem, se faz necessária a familiaridade com alguns conhecimentos básicos essenciais, próprios da COOPERAÇÃO SEM AFILIAÇÃO.
De princípio somos conscientes de que, “da Unidade de A.A. dependem as nossas vidas e as vidas daqueles que virão. Não importa o que tenha feito ou o que venha a fazer; você é membro de A.A. contanto que você o diga.” Acrescente-se a isso o fato de que “quando duas ou três pessoas estiverem reunidas com o propósito de alcançar a sobriedade, podem chamar a si mesmas de um Grupo de A.A., contando que, como grupo, não tenham outra afiliação. Podemos cooperar com qualquer um, mas o nome de Alcoólicos Anônimos deve ser reservado só para nós”.
Ademais, “nunca devemos usar o nome de A.A., na busca de poder pessoal, fama, dinheiro ou prestígio; no momento em que emprestamos o nome de A.A. para qualquer empreendimento de fora, entramos em sérias dificuldades. “Por isso, quanto mais o A.A. se preocupa com seus próprios assuntos, maior será a nossa influência diante do grande público.” Assim, ´é melhor deixar que os nossos amigos nos recomendem´, pois o A.A. não pode ser conduzido como empresa de espetáculos, mesmo que hajam benefícios a curto prazo”.
Se os nossos pioneiros, na primeira metade do século andaram às apalpedelas, hoje, depois de mais de cinqüenta anos de funcionamento da Irmandade, dispomos de instrumentos modernos e eficazes, de técnicas versáteis para fazer chegar a mensagem a todos que dela precisem e a queiram; hoje temos a eficiência dos Comitês de Informação ao Público CP, de Cooperação com a Comunidade Profissional – CCP e de Instituições CI, este subdividido em Correcionais e de Tratamento.
Comitê de Informação ao Público – CIP: “O CIP” tenta alcançar o alcoólico, tanto direta como indiretamente, de três maneiras:
• a) Informando ao público em geral acerca do programa de A.A.
• b) Informando “a terceira pessoa”, sobre o que é o trabalho e o que pode ser feito com o alcoólico ativo.
• c) Mantendo a Irmandade bem informada, de forma que os membros e grupos possam levar a mensagem mais efetivamente.
Atenção especial será dada aos hospitais, clínicas, sanatórios e casas de repouso, especializados ou não no campo do alcoolismo, cujos diretores e corpo médico receberão informações a respeito da Irmandade, como preparação do ambiente para uma nova visita do CCP que, por sua vez, oferecerá os préstimos do CI”.
Comitê de Cooperação com a Comunidade Profissional – CCP: “Por força da função que desempenha, o CCP deve ter em suas fieiras elementos dotados de capacidade intelectual, apresentação e comunicabilidade, a fim de que possa exercer a contento sua tarefa”. Seus membros terão a função de contatar e transformar em amigos da Irmandade, autoridades civis e militares do Estado e dos Municípios, bispos, grandes empresários, diretores dos hospitais mais importantes, responsáveis por Associações de Classe, instituições assistenciais, etc.
Comitê de Instituições – CI: O primeiro passo junto ao hospital será dado pelo CCP, que contatará com o Diretor ou responsável pela instituição e lhe explicará a respeito do funcionamento da Irmandade e os objetivos do CI, a fim de que possamos obter resultados satisfatórios. Uma vez conseguida a anuência da chefia para iniciar os trabalhos do CI, o CCP providenciará junto ao CIP, tantas palestras quantas forem necessárias ao esclarecimento do pessoal interno da instituição hospitalar em questão, momento em que os companheiros do CI serão apresentados aos funcionários integrantes da equipe médica. Só então, numa terceira etapa, é que os trabalhos do CI serão realizados num sistema de cooperação sem afiliação. Ressalte-se que, enquanto o CIP leva informação ao público em geral e o CI coordena a manutenção dos grupos em instituições de tratamento e correcionais, o CCP leva a informação inicial aos líderes profissionais, em conjunto ou isoladamente.
Outro aspecto de vital importância é o estruturamento de relações e a mútua cooperação sem afiliação do CI com as clínicas especializadas que usam o programa de A.A. no tratamento de alcoólatras, eliminando definitivamente a possível hostilidade que ainda possa existir.
Grupos de Apoio: Como nas atividades normais do CI, a implantação dos grupos de apoio necessita do envolvimento do CCP, no contato inicial com a empresa, bem como a colaboração do CIP, na formulação de palestras informativas sobre o programa de A.A. e a Irmandade, deixando bem explicitado o que pretende e o que pode o A.A. oferecer para um trabalho mútuo de cooperação sem afiliação.
Impossível seria concluir este tema sem fazer referência aos Grupos Familiares de AL-ANON, dada a afinidade “sui-generis” que existe entre as duas Irmandades, ligadas por laços familiares desde suas origens. Entretanto, as Doze Tradições enfatizam que cada uma trabalha mais eficientemente se permanecer separada.
A Tradição Seis, especificamente, diz que o Al-Anon é uma Irmandade separada. Por isso, de acordo com esta Tradição, não pode haver nenhuma afiliação, associação ou união que resulte na perda da identidade de cada irmandade. As regras de separação excluem a afiliação ou fusão, mas não excluem a cooperação com A.A. ou atuação em conjunto para o benefício mútuo. O Al-Anon reconhece com gratidão a contribuição espiritual de A.A. e admite que pode continuar a haver cooperação entre Al-Anon e A.A. mesmo que hajam muitos membros do Al-Anon que não tenham contato com A.A. ou com membros de A.A.
Desta forma, fica suficientemente provado e comprovado que não devemos ter medo de nos aproximar daqueles que conosco podem cooperar; basta que não nos afastemos dos nossos princípios básicos, como visto anteriormente, principalmente das Doze Tradições, na sua totalidade. Podemos, portanto, cooperar e receber cooperação de hospitais, escolas, empresas, órgãos públicos, sem comprometer nossa autonomia e auto-suficiência. O que, na realidade, não podemos é profissionalizar o A.A., deixando de levar a mensagem ao alcoólatra que sofre.
Ao fim, resta-nos somente agradecer a todos aqueles que, direta ou indiretamente, têm cooperado para o caminhar da mensagem de A.A., fazendo nossas as palavras do mui digno Presidente da Junta de Custódios, Dr. José Nicoliello Viotti, in verbis:
“Aos nossos amigos não-alcoólicos, que conosco têm caminhado na colaboração, no entendimento e sobretudo no incentivo à nossa Irmandade, a expressão do nosso respeito pelo trabalho profissional no campo do alcoolismo. Juntos, haveremos de caminhar na realização do nosso objetivo comum: Trazer ao pleno convívio da família e da sociedade o nosso semelhante alcoólico”.
“Mais 24 horas de sobriedade”.
João Costa
(Vivência – Abr/Mai 89)
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O Anonimato – Vivendo as Nossas Tradições
“Em nossas Doze Tradições, temos nos colocado contra quase todas as tendências do mundo “lá fora”. Temos negado a nós mesmos o governo pessoal, o profissionalismo e o direito de dizer quais deverão ser nossos membros. Abandonamos a beatice, a reforma e o paternalismo. Recusamos o generoso dinheiro de fora e decidimos viver à nossa custa. Queremos cooperar com praticamente todos, mas não permitimos que nossa sociedade seja unida a nenhuma. Não entramos em controvérsia pública e não discutimos, entre nós, coisas que dividem a sociedade: religião, política e reforma. Temos um único propósito, que é o de levar a mensagem de A.A. para o doente alcoólico que a deseja. Tomamos essas atitudes, não porque pretendemos virtudes especiais ou sabedoria; fazemos essas coisas porque a dura experiência nos tem ensinado que A.A. tem que sobreviver num mundo conturbado como é o de hoje. Nós também abandonamos nossos direitos e nos sacrificamos, porque precisamos e, melhor ainda, por que quisemos. A.A. é uma força maior do que qualquer um de nós; ele precisa continuar existindo ou milhares de alcoólicos como nós certamente morrerão”.
Bill W.
Eis porque, plenamente solidário com os elevados propósitos e princípios que regem a nossa Irmandade, sentimo-nos verdadeiramente feliz em poder, mais uma vez, earrow2 com vocês, desta feita, para dialogarmos sobre o controverso tema O Anonimato – Vivendo as Nossas Tradições, por sinal, assunto central da 39ª Conferência de Serviços Gerais de A.A., realizada na cidade de New York, no período de 23 a 29 de abril de 1989, reunindo servidores dos E.E.U.U./Canadá.
É oportuno ressaltar que todo cuidado foi tomado para que o nosso trabalho não se confunda com outras interpretações, de modo que, ao inserirmos breves e concisas noções sobre o tema enfocado, o fizemos na certeza de que, aqueles que as aceitarem, terão uma verdadeira compreensão do que fazem e porque o fazem.
Assim, faz-se necessário dizer que, pela simplicidade do trabalho, é bom de se ver que a sua finalidade outra não é senão a de subsidiar e orientar e, por isso mesmo, não dispensa a complementação eficiente de companheiros mais experientes, que vivenciam, com dedicação e zelo, o programa de recuperação oferecido por nossa instituição.
Por isso, imbuído, somente, da intenção de poder ser útil, alimentamos a esperança de que os conceitos aqui expostos sejam resposta para as dúvidas que se nos apresentam no dia-a-dia de nossa recuperação.
Desse modo, para que o tema enunciado seja desenvolvido, faz-se mister a conceituação do que venha a ser Anonimato, razão que nos leva a tentar esclarecer, sem a pretensão descabida da elucidação do termo. Será, assim, este trabalho, um lembrete aos companheiros, para que o tema levantado seja, posteriormente, aprofundado e enriquecido com experiências outras e saberes os mais diversos, sempre visando a ajudar ao alcoólico que sofre.
De uma forma geral, Anonimato é o artifício usado por aquelas pessoas que não querem ser identificadas. Para nós AAs, esse termo tem uma conotação mais abrangente, haja visto que representa o maior símbolo de sacrifício pessoal, a maior proteção que a Irmandade pode ter, a chave espiritual para todas as nossas Tradições e para todo o nosso modo de vida.
Escrevendo sobre o Anonimato, Bill W. diz em certo trecho:
“Começamos a perceber que a palavra anônimo tem para nós uma grande significação espiritual. De maneira sutil, mas vigorosamente, lembramo-nos de que devemos colocar os princípios antes das personalidades; que renunciamos à glorificação pessoal em público; que. nosso movimento não apenas prega, porém pratica uma verdadeira humildade”.
Foi dentro desse princípio, de ajudar anonimamente, que Bill W. recusou o título de Doutor Honoris Causa que lhe fora oferecido por uma Universidade Norte americana; nesse mesmo passo, Bill W. renunciou a grande soma de dinheiro a ele oferecida por companhias cinematográficas norte-americanas, para filmar a sua vida; foi esse mesmo Bill que, recusando o prestígio pessoal, não permitiu que o seu retrato fosse estampado na capa da revista “Times”, quando de uma reportagem que ele solicitara sobre Alcoólicos Anônimos.
De outro lado, temos a clássica história envolvendo Bill, Dr. Bob e alguns de seus amigos. Conta-nos Bill que, “quando se soube com toda a segurança que o Dr. Bob estava para morrer, alguns de seus amigos sugeriram que se erguesse um monumento ou mausoléu em sua homenagem e à sua esposa Ane – algo digno de um fundador e de sua esposa. Naturalmente, esse era um tributo muito espontâneo e natural. O comitê chegou inclusive a mostrar-lhe um esboço do monumento proposto. Contando-me a esse respeito, o Dr. Bob sorriu e disse:
“Deus os abençoe”. “Eles têm boa intenção, mas pelo amor de Deus, Bill, que sejamos enterrados, tanto você como eu, da mesma maneira como são todas as pessoas.”
O que nos deixa perplexo, é o fato do nosso co-fundador haver escrito há 35 anos atrás a realidade do mundo moderno. Em seu artigo: “Por que o A.A. é Anônimo” ele diz entre outras coisas:
“Como nunca, a luta pelo poder, prestígio e riqueza, está arrasando a civilização – homem contra homem, família contra família, grupo contra grupo, nação contra nação. Quase todos aqueles envolvidos nessa violenta competição declaram que seus objetivos são: a paz e a justiça para eles mesmos, para seus semelhantes e para suas nações. “Dê a nós o poder”, eles dizem, e faremos justiça: dê a nós a fama, e daremos nosso grande exemplo; dê a nós o dinheiro, e ficaremos satisfeitos e felizes. As pessoas do mundo inteiro acreditam profundamente nisso e atuam de acordo com isso. Nessa espantosa bebedeira seca, a sociedade parece earrow2 entrando num beco sem saída. O sinal “pare” está claramente marcado. Ele anuncia “desastre”.
Por isso, no mesmo artigo, ele acrescenta:
“Quando o primeiro grupo de A.A. tomou forma, logo começamos a aprender muita coisa sobre o sacrifício e suas resultantes. Descobrimos que cada um de nós tinha que fazer sacrifícios pelo bem earrow2 comum. O Grupo, por sua vez, descobriu que deveria renunciar a muitos de seus próprios direitos para garantir a proteção e bem-earrow2 de cada membro, bem como de A.A. como um todo. Esses sacrifícios tinham que ser feitos ou A.A. não poderia continuar a existir.”
Toda a Irmandade tem conhecimento de que o Anonimato foi o tema que mais preocupou os nossos co-fundadores, haja vista a maneira errônea como tem sido interpretado pela maioria. A prova disso está no fato ocorrido quando de sua última mensagem enviada aos companheiros que lhe prestavam solidariedade, por ocasião dos seus 36 anos de sobriedade. Já sem forças, Bill pediu a Lois – sua esposa – que o representasse, lendo aos companheiros solidários a seguinte mensagem:
“… meus pensamentos hoje são cheios de gratidão para com a nossa Associação, pelo sem número de bendições que nos tem dado a graça de Deus. Se me perguntassem qual dessas bendições era responsável por nosso crescimento como associação e mais vital para nossa continuidade, eu diria: “O Conceito do Anonimato””.
Feitas estas considerações, resta-nos à luz da literatura e experiências pessoais, vivenciadas no dia-a-dia de nossa recuperação, entrar no ponto axial do tema proposto, cuja essência está inserida nas 11ª e 12ª Tradições, in verbis:
“11ª Tradição – Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção. Cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, no rádio e em filmes.”
12ª Tradição – O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades”.
Embora, as 11ª e 12ª Tradições sejam completamente distintas, jamais poderão ser analisadas separadamente, haja vista que, ambas se completam para mostrar ao grande público, que Anônimos somos nós – membros de A.A. – e não a irmandade de Alcoólicos Anônimos. Portanto, a irmandade pode e deve ser divulgada, nós não. Enquanto a 11ª Tradição diz respeito ao Anonimato Pessoal, a 12ª encerra, pura e simplesmente, a Tradição do Anonimato.
Dissecando, então, o conteúdo dessas Tradições (11ª e 12ª), verifica-se com facilidade que a 11ª Tradição faz referência a preservação do Anonimato Pessoal, única e exclusivamente em termos de mídia, o que significa dizer, que não existe Anonimato em nossas relações interpessoais.
De outro lado, ao nos lembrar da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades, a 12ª Tradição visa demonstrar, de forma explícita, que a “substância do Anonimato é o sacrifício”, e que, é através desse sacrifício que devemos procurar vencer as paixões e submeter a nossa vontade individual em prol de toda uma coletividade.
Ante as razões apresentadas, é fácil concluir que:
• Quando um membro se identifica, como A.A., nas suas relações interpessoais, está, apenas, dando abertura ao seu Anonimato, o que, aliás, deve ser feito, sempre que possível, visando a ajudar ao alcoólatra que sofre. Se essa identificação ocorre em termos de mídia, aí está havendo a quebra da Tradição do Anonimato, o que, por sua vez, deve ser evitada sob pena de colocar as personalidades acima dos princípios.
• De outro lado, quando o membro identifica outra pessoa como seu companheiro de A.A. está, não só ferindo os princípios da irmandade, como também, quebrando a Tradição do Anonimato.
Portanto, ao assumirmos a responsabilidade de levar a mensagem salvadora ao alcoólatra que sofre, devemos sempre ter em mente o seguinte:
• A informação pública é orientada pela Tradição; entretanto, a informação pessoal, muito mais eficiente, depende da vontade de cada membro.
• Nosso trabalho será bem mais eficiente se deixarmos que os outros nos recomendem.
• Não há Anonimato nas nossas relações interpessoais.
• Por princípio, não há quebra de Anonimato, mas, simplesmente, abertura do Anonimato. Quando existe a quebra, não é do Anonimato, mas da Tradição do Anonimato, o que são duas coisas bem distintas.
Assim, procurando deixar o leitor bem familiarizado com o tema, nas suas mais diversas formas e aspectos, condensamos, dentro do possível, o que segue abaixo:
Anonimato Pessoal: Deve ser mantido na Imprensa, no Rádio, na Televisão e no cinema, da seguinte forma:
• Na Imprensa – evitar fotografias e dá apenas o primeiro nome e a inicial do sobrenome.
• No Rádio – dá o nosso primeiro nome e a inicial do sobrenome.
• Na Televisão e no Cinema – aparecemos de costas ou de perfil, usando um jogo de luz e sombras que nos permita apenas transmitir nossas silhuetas. Aqui também só usaremos o primeiro nome e a inicial do sobrenome.
• Nas Correspondências – nos casos pessoais, devemos evitar a sigla “A.A.” nos envelopes; em outras ocasiões tomamos as seguintes precauções:
– De companheiro para companheiro é uma correspondência normal, desde que tomemos os cuidados acima.
– De grupo para grupo – é também uma correspondência normal, podendo inclusive ser usadas as iniciais “A.A.”.
– De companheiro para grupo – evitamos o nosso nome e endereço no envelope, tendo em vista que o grupo está identificado como sendo de A.A.
– De grupo para companheiro – usamos apenas o primeiro nome com a inicial do sobrenome do companheiro.
• Nas Reuniões – dependendo de sua natureza – aberta ou fechada -, tomamos os cuidados seguintes:
– De caráter fechado – não há anonimato, tendo em vista que a ela têm acesso somente membros de A.A.
– De caráter aberto – usamos apenas o primeiro nome, se o orador é membro de A.A.; se for não -A.A., usamos o nome completo, inclusive com sua profissão e posição social.
– De pessoas falecidas – seguimos orientação dos familiares que, por certo, saberão do desejo do falecido quando vivo.
– De pessoas celebres – a identificação de pessoas como membros de A.A., cabe a elas próprias, sejam célebres ou não.

• Anonimato das Listas Confidenciais – as listas é que não deveriam existir, pois nenhum benefício traz ao alcoólatra ou ao grupo.
• Anonimato da Doença – alcoolismo, como doença, é assunto da medicina.
• Anonimato de Grupos – não deverá existir, pois seu único objetivo é ajudar ao alcoólatra que sofre.
• Anonimato da Irmandade – não existe, haja visto que anônimos são seus membros.
Ao fim, se nenhum de nós desperdiçarmos publicamente nosso valor, ninguém possivelmente irá explorar A.A. para benefício pessoal. O Anonimato não é apenas algo para nos salvar da vergonha e do estigma alcoólico; seu propósito mais profundo é, na verdade, manter nossos egos tolos, sob controle, evitando que corramos atrás do dinheiro e da fama pública à custa de Alcoólicos Anônimos.
Com efeito, ainda em seu artigo “Por que Alcoólicos Anônimos é Anônimo”, Bill afirma:
“… o temporário ou aparentemente bom pode muitas vezes não ser aquilo que é sempre o melhor. Quando se trata da sobrevivência de A.A., nem o nosso melhor será bom o suficiente.”
E conclui:
“Agora nos damos conta de que cem por cento do anonimato diante do grande público é tão vital para a vida de A.A., como cem por cento de sobriedade o é para a vida de cada membro em particular”.
J. Costa
(Vivência – Out/Dez 89)
O Veterano
Até hoje não achei que tivesse chegado a hora de expressar as minhas opiniões, seja com respeito a A.A. ou com respeito ao alcoolismo. Sempre achei que o assunto ampla e maravilhosamente bem coberto pela revista. Ultimamente, porém, dois problemas têm ocorrido vez por outra – o dos veteranos, e artigos referentes ao que Bill e outros chamam de “sobriedade emocional”.
Alguns anos atrás, o veterano era uma raridade – digamos até mesmo uns dez anos atrás, tão pouco. O lugar em que viviam , naturalmente, eram os estados do leste norte-americano; só um ou outro se encontrava no Canadá ou nos Estados do Oeste. Hoje em dia os veteranos são mais numerosos, mas por vários motivos estão novamente escasseando nas reuniões. Eis uma situação que não é boa para os veteranos, e certamente é muito ruim para A.A.

Vivo me surpreendendo com esta afirmação, que às vezes se ouve em reuniões: “Em A.A. não existe senioridade.” Ora, essa afirmação pode facilmente qualificar-se como uma piadinha de salão. A pessoa que cunhou essa belezoca deveria ter explicado que a falta de senioridade – ou seja de uma hierarquia por antigüidade – somente se aplica em relação ao primeiro gole. De outra forma, como aceitar e explicar o pouquinho de progresso diário que nos é prometido no Livro Azul, desde que aceitemos praticar em todas as atividades de nossas vidas os Doze Passos, integralmente?

Há montes de senioridade em A.A. A senioridade da sabedoria adquirida com o correr dos anos. A senioridade da compreensão, da tolerância com relação aos problemas de companheiros mais doentes do que nós. A senioridade da fé, que nos torna capazes de amarmos o nosso Poder Superior e confiarmos Nele, que nos permite perdoar e amar nossos vizinhos, e nos ensina a nos amarmos e perdoarmos a nós mesmos também.

Na sua última grande palestra, o nosso co-fundador Dr. Bob enfatizou bastante o que lhe aconteceu quando ele se afastou demais dos “rapazes da enfermaria”, e creio que é a mesma coisa que acontece com todos nós quando esquecemos que a nossa sobriedade é condicional, que só permanece enquanto passarmos adiante o que alguém uma vez se dispôs a passar para nós. Não acredito que Deus nos tenha dado a sobriedade para racionalizarmos o serviço à comunidade, em substituição ao serviço dentro de A.A. Os veteranos precisam da associação constante com A.A. para manterem aquela calorosa satisfação interna que tão bem conheciam quando freqüentavam A.A. havia uns dez meses, e que perderam lá pelos seus dez anos.

O Grupo precisa de sua presença nas reuniões, pois assim proclamam eles a sua própria necessidade de estarem presentes. Membros mais novos, por sua vez, lembrarão esse exemplo e mais tarde, quando se tornarem veteranos, também lá estarão. E assim A.A. se fortalecerá e crescerá.

Se o novato é o sangue que dá vida a A.A., então o veterano é nada menos que o banco de sangue de A.A. Vejamos alguns fatos: os primeiros veteranos escreveram o Livro Azul, e sua inspiração e sabedoria se transfundiram para nós. Em Manitoba, A.A. foi iniciado por um membro que veio de Minneapolis. Ele e seus companheiros nos disseram o que poderíamos fazer, e quais as coisas que seria melhor não fazermos. Poupou-nos muitos anos de tentativas e erros, o que é mais importante, com mais de dezoito anos de sobriedade continua a frequentar o Grupo, e sua presença proclama, em brados mais altos do que quaisquer palavras, o que essencialmente está repetido em cada página do Livro Azul: que a nossa sobriedade nos é concedida a cada vinte e quatro horas, e é condicionada ao nosso estado espiritual.

É claro que os veteranos são importantes, portanto, que o saibam! Talvez não sejam necessários para prover os afazeres do Grupo ou controlar as finanças, mas se os veteranos em cada área forem freqüentadores fiéis e assíduos das reuniões, então não teremos que nos preocupar com os novatos – eles estarão em boas mãos. É bom lembramos o que o “A.A. Número Três” disse à sua esposa quando Bill e o Dr. Bob o visitavam pela segunda vez: “Esses são os rapazes de quem te falei; esses são os que entendem”.

(Vivência nº 6, jan./mar., 1988, pág. 33)
O “Tal fundo de poço” e meu primeiro passo
“Ela se sentiu como se estivesse entrando no túnel do tempo, indo para o futuro, um futuro brilhante, claro, iluminado pelo Poder Superior.”

Quando fui procurar a Irmandade, sem saber da existência do “tal de fundo de poço”, eu já havia atingido o meu limite, senão eu não teria ido procurar ajuda.

Cada um que chega, mesmo que não admita que está bebendo exageradamente, é porque já atingiu o máximo; sua resistência física e emocional já estão abaladas.
Não importa o tempo que eu passei bebendo. O que importa é a maneira como eu bebia, a quantidade exagerada de álcool que eu ingeria.

Por alguns anos fui forte para beber. Orgulhava-me disso. Pouca bebida não me derrubava, precisava beber “todas” para fazer a cabeça.

Eu gostava da tonturinha, não do sabor da bebida. Não gostava do sabor, tanto é que desenvolvi uma maneira muito prática: virava o copo sem respirar, de uma vez só.

Com o passar do tempo, um só copo já me derrubava, sentia náuseas, não conseguia dar passos firmes ou rápidos, meu fígado parecia estar solto.

Lembro-me que uns dias antes de conhecer a Irmandade, meu marido chegou de viagem e me levou para uma outra praia.

Queria que eu saísse um pouco de casa. Fui contrariada e ali fiquei eu, sentada próximo a um quiosque, vendo uma criança brincar na areia.

Meu desespero foi tão grande de ver aquela criança brincando tão feliz que eu queria pular no pescoço dela. Insanidade total, meus amigos.

E ainda assim achava que não bebia exageradamente. Quer dizer: acho que eu sabia, mas não queria admitir.

Mentia para mim mesma, tentava me enganar, enganar meus filhos. Claro que eles, que não eram bobos, percebiam essa tal de negação, a minha negação, as mesmas histórias que inventava para convencer a mim mesma que não bebia exageradamente.

Mais tarde, já na Irmandade, vim a saber que as pessoas com grande resistência ao beber é que são as fortes candidatas a desenvolver a doença do alcoolismo. E eu sou uma delas.

Conheço uma pessoa a quem só uma taça de vinho serve para embriagá-la. Essa não vai desenvolver a doença nunca porque ela não consegue beber mais que isso.

Eu era o contrário, uma garrafa de vinho não bastava, eu precisava de muita bebida para me embriagar e tinha o maior orgulho disso.

Meu filho mais velho também é um forte candidato a desenvolver a doença. Já o caçula e a menina, não agüentam beber. Eles têm verdadeiro pavor de bebida alcoólica. Se experimentaram? Claro que sim, mas nós, os pais, já estávamos em recuperação e pudemos auxiliá-los.

Sofri muito com a minha doença, mas não fui eu só quem sofreu.

Meus filhos sofreram também. Hoje posso afirmar, por ter vivido em minha pele, que o alcoolismo não destrói somente a pessoa que bebe, ele atinge os familiares, todos os que estão ao redor.

Por que demorei tanto a procurar ajuda? Porque, como na maioria dos casos, os familiares não somente escondem, como também super-protegem o alcoólico, pela vergonha que sentem da situação, principalmente em se tratando de uma mulher. Não vaza nada: tudo fica escondidinho.

É tão simples, tão normal ver um homem bêbado caído na sarjeta, dormindo em bancos de praça, dormindo na areia. Nesses casos quase ninguém aponta o dedo. Com a mulher é diferente. Olham com asco e falam: “- olha só, aquela não tem vergonha na cara”. Eu era uma bebedora caseira, como brincam comigo no grupo. Nunca bebi em bares, nem na sociedade. Só bebia em casa.

Eu bebia “todas” antes de sair para as baladas e quando e quando voltava para casa “completava o tanque”.

Minha vida mudou completamente, não tenho nem um pouquinho de saudade daquele tempo.

Hoje que mais é viver com alegria, poder brincar com meus amigos, com meus filhos, dar gargalhadas, que hoje são verdadeiras, espontâneas; não preciso mais fingir alegria, porque ela está dentro de mim. Faz parte da minha personalidade.

Quando criança e adolescente eu era uma garota alegre, feliz. Com o desenvolvimento da doença, esqueci aquela criança. Ela ficou lá adormecida porque minha insanidade não me deixava acordá-la.

Mas chegou o dia que Deus, em sua infinita sabedoria, colocou seu dedo sobre meu nariz e falou: agora chega, menina; você já fez tudo o que queria fazer; agora é minha vez. Você já bebeu a sua parte, já magoou, já prejudicou, já se agrediu em demasia, já fez um monte de besteira. Vamos dar uma virada de 360 graus.

Não foi meia virada não. Foi uma virada total. Senti como se eu estivesse entrando no túnel do tempo, indo para o futuro, um futuro brilhante, claro, iluminado pelo Poder Superior.

Foi através Dele e de uma força maior que meus passos me conduziram a uma sala de A.A.

Dificuldades? Quem não as tem? Nem saberia viver sem elas; estaria mentindo se dissesse que minha vida é um mar de rosas, que todas as noites mergulho em uma banheira cheia de pétalas de flores.

Não é nada disso. Mas aprendi a tirar o melhor proveito do meu dia, aproveitar cada minuto como se fosse o último,

Isso aprendi com meus companheiros de A.A., que meu Poder Superior colocou em meu caminho.

Obrigada, companheiros, por vocês terem criado raízes em minha vida.

M. de Fátima
Vivência – Maio/Junho 2004
Essa questão do Medo por Bill W.
Corno diz o livro Alcoólicos Anônimos, “O medo é um fio perverso e corrosivo; o tecido das nossas vidas está entremeado dele”. O medo é certamente uma barreira para a razão e o amor e, como é claro, ele potencializa invariavelmente a raiva, a presunção e a agressão. O medo forma a base da culpa e da depressão paralisante da embriaguez. O Presidente Roosevelt observou uma vez significativamente que “Não temos nada a temer a não ser o próprio medo”.

Essa é uma acusação severa e talvez demasiadamente radical. Apesar de toda sua destrutividade habitual, descobrimos que o medo pode ser o ponto de partida para coisas melhores. O medo pode ser um limiar para a prudência e para um respeito honesto pelos outros. Ele pode apontar o caminho tanto para a imparcialidade quanto para o ódio. E quanto mais consideração e imparcialidade que tivermos em relação aos outros, mais rapidamente poderemos encontrar o amor, que pode ser muito sofrido e não obstante ser livremente concedido. Assim, o medo não tem que ser sempre destrutivo, porque as lições trazidas pelas suas conseqüências podem nos conduzir a valores positivos.
A conquista da liberdade a partir do medo é uma tarefa para a vida toda, uma tarefa que nunca poderá ser totalmente concluída. Sob ameaças pesadas, nas doenças agudas ou em outras situações de séria insegurança, temos todos que reagir bem ou mal, conforme seja o caso. Apenas os presunçosos afirmam estarem totalmente livres do medo, embora essa própria grandiosidade esteja na realidade enraizada nos temores que eles temporariamente esqueceram.
A solução do problema do medo tem conseqüentemente dois aspectos. Precisamos tentar obter por todos os meios à libertação do medo que está ao alcance de todos nós. Em seguida, precisamos encontrar tanto a coragem quanto a graça para lidar construtivamente com quaisquer temores remanescentes. Tentar entender nossos temores e os temores dos outros é apenas o primeiro passo. A questão maior é saber como e para onde iremos a partir desse ponto.
Desde o início de A.A., observei a medida em que milhares de companheiros se tornaram cada vez mais capazes de transcender seus temores. Esses exemplos foram um auxílio e uma inspiração infalíveis. Pode ser, então, que algumas das minhas próprias experiências com o medo e com a libertação do mesmo, até um grau encorajador, sejam adequadas.
Quando criança tive alguns traumas emocionais muito duros. Existiam profundos distúrbios familiares; eu era fisicamente desajeitado e assim por diante. E claro que outras crianças tiveram desvantagens emocionais como essas e emergiram delas ilesas. Mas eu não. Eu era evidentemente hipersensível e, conseqüentemente, muito impressionável. De qualquer forma, desenvolvi uma fobia positiva que não era e nunca poderia ser semelhante àquela dos outros jovens. Isso me precipitou inicialmente na depressão e daí em diante no isolamento da solidão.
Mas esses infortúnios infantis, todos eles gerados pelo medo, vieram a serem tão intoleráveis que eu me tornei altamente agressivo. Pensando que nunca poderia pertencer a grupos e jurando que nunca me contentaria com nenhuma situação inferior, eu simplesmente tinha que ser o melhor em tudo que fazia, trabalho ou diversão. A medida em que essa atraente fórmula para uma vida boa começou a obter sucesso, de acordo com as minhas próprias especificações de sucesso, tornei-me delirantemente feliz. Mas quando um empreendimento ocasionalmente falhava, eu me enchia de um ressentimento e de uma depressão que só poderiam ser curados pelo triunfo seguinte. Desde o início, portanto, acostumei-me a valorizar tudo em termos de vitória ou derrota – tudo ou nada. A única satisfação que eu conhecia era vencer.
Esse era o meu falso antídoto para o medo e foi esse o padrão, gravado cada vez mais profundamente, que me impulsionou através dos meus anos escolares, da Primeira Guerra Mundial, da febril carreira de alcoólico em Wall Street e ladeira abaixo até a hora final do meu colapso total. Já então, a adversidade não era mais um estimulante e eu já não sabia se meu maior medo era viver ou morrer.
Embora meu padrão básico de medo seja muito comum, existem obviamente muitos outros. Na realidade, as manifestações do medo e os problemas que se arrastam atrás delas são tão numerosas e complexas que não é possível detalhar, neste breve artigo, nem mesmo algumas delas. Só podemos revisar os recursos e os princípios espirituais através dos quais poderemos ser capazes de enfrentar e lidar com o medo em qualquer um dos seus aspectos.
No meu próprio caso, a pedra fundamental da libertação do medo é a Fé: uma Fé que, apesar de todas as aparências mundanas em contrário, faz-me acreditar que vivo em um universo que faz sentido. Para mim, isso significa a crença em um Criador que é todo poder, justiça e amor; um Deus que pretende para mim uma finalidade, um significado e um destino ao crescimento, ainda que pequeno e intermitente, em direção à Sua semelhança e imagem. Antes da chegada da Fé, eu vivia como um estranho em um cosmo que me parecia, freqüentemente, tanto hostil quanto cruel. Nesse mundo, não poderia haver nenhuma segurança interior para mim.
O Dr. Carl Jung, um dos três fundadores da moderna psicologia em profundidade, tinha uma enorme convicção sobre esse grande dilema do mundo moderno. Em paráfrase, eis o que ele tinha a dizer a esse respeito: “Qualquer pessoa que tenha chegado aos quarenta anos de idade e ainda não tenha meios para compreender quem ela é, onde ela se encontra ou para onde vai em seguida, não pode evitar tornar-se um neurótico – até certo ponto. Isso se aplica quer seus impulsos da juventude em relação ao sexo, à segurança material e a um lugar na sociedade tenham ou não sido satisfeitos”. Quando disse “tornar-se neurótico”, o bondoso médico poderia ter dito igualmente “tornar-se dominado pelo medo”.
E exatamente por essa razão que nós de A.A. colocamos tanta ênfase na necessidade da Fé em um Poder Superior, definido na forma em que O concebemos. Temos que encontrar uma vida no mundo da graça e do espírito e esta é certamente uma dimensão nova para a maioria de nós. Surpreendentemente, nossa busca por esse âmago da essência não é muito difícil. Nosso ingresso consciente nesse domínio começa assim que pudermos confessar sinceramente nossa impotência pessoal para continuarmos sozinhos e tivermos feito nosso apelo a qualquer Deus que possamos conceber – ou possa existir. A resultante é a dádiva da Fé e a consciência de um Poder Superior. A medida em que cresce a Fé, cresce também a segurança interior, O vasto medo subjacente à inexistência de um significado começa a desaparecer. Conseqüentemente, nós de A.A. descobrimos que nosso antídoto básico para o medo é um despertar espiritual.
Tal como aconteceu, minha própria percepção espiritual surgiu de maneira repentina e absolutamente convincente. Tornei-me instantaneamente uma parte – ainda que pequena – de um cosmo que era regido pela justiça e pelo amor na pessoa de Deus. Não importa quais tivessem sido as conseqüências da minha própria disposição e ignorância, ou daquelas dos meus companheiros de jornada na terra, essa ainda era a verdade. Foi essa a garantia nova e positiva e ela nunca me abandonou. Foi-me dado o conhecimento, pelo menos momentâneo, do que poderia ser a ausência do medo. E claro que a minha própria dádiva da Fé não foi essencialmente diferente desse despertar espiritual recebido desde então por incontáveis AAs – ela foi apenas mais súbita. Mas até mesmo esse novo ponto de referência – embora criticamente importante – apenas assinalou meu ingresso nesse longo caminho que nos afasta do medo em direção ao amor. As antigas e profundamente registradas gravações da ansiedade não foram instantânea e permanentemente apagadas. E claro que elas reapareceram e, ocasionalmente, de forma alarmante.
Sendo receptor dessa espetacular experiência espiritual, não foi de surpreender que a primeira fase da minha vida em A.A. fosse caracterizada por muito orgulho e um impulso de poder. O anseio pela influência e a aprovação, o desejo de ser o líder, ainda estava muito em mim. Melhor dizendo, esse comportamento poderia agora ser justificado – tudo em nome das boas intenções!
Aconteceu, felizmente, que essa fase era um tanto espalhafatoso da minha grandiosidade, que durou alguns anos, fosse seguida por uma seqüência de adversidades. Minha exigência de aprovação, baseada obviamente no medo de que eu pudesse não receber o suficiente, começou a colidir com essas características idênticas dos meus companheiros de A.A. Daí deriva o fato deles salvarem a Irmandade de mim, e eu salvá-la deles, ter se tornado uma ocupação totalmente absorvente. Isso logicamente resultou em raiva, suspeita e todo tipo de episódios assustadores. Nessa era notável e já hoje bastante divertida dos nossos esforços, uma parte de nós começou novamente a desempenhar o papel de Deus. Durante alguns anos, os defensores de A.A. dispararam imprudentemente. Mas foi a partir dessa temível situação que fora formulados os Doze Passos e as Doze Tradições. Esses princípios foram desenvolvidos principalmente para a redução do ego e, conseqüente mente, para a redução dos nossos temores. Esses foram os princípios que, segundo esperávamos, nos manteriam unidos e em crescente amor uns para com os outros e para com Deus.
Começamos gradualmente a sermos capazes de aceitar tanto os pecados quanto as virtudes dos outros companheiros. Foi nesse período que cunhamos a poderosa e significativa expressão: “Possamos nós amar sempre o melhor e nunca temer o pior dos outros”. Depois de dez anos tentando inserir esse tipo de amor e as propriedades redutoras do ego dos Passos e Tradições de A.A. na vida da nossa Irmandade, os apavorantes temores quanto à sobrevivência de A.A. simplesmente desapareceram.
A prática dos Doze Passos e das Doze Tradições de A.A. em nossas vidas pessoais suscitou também em incríveis libertações dos temores de toda espécie, apesar da ampla prevalência de formidáveis problemas pessoais. Quando o medo persistia, nós o aceitávamos por aquilo que ele era e, sob a graça de Deus, tornamo-nos capazes de controlá-lo. Começamos a encarar cada adversidade como uma oportunidade oferecida por Deus, para desenvolvermos o tipo de coragem que nasce da humildade e não da arrogância. Assim, fomos capacitados a aceitar nós mesmos, nossas circunstâncias e nossos companheiros. Sob a graça de Deus, descobrimos até mesmo que podíamos morrer com decência, dignidade e Fé, sabendo que “o Pai se encarregará de tudo”.
Nós de A.A. encontramo-nos agora vivendo em um mundo caracterizado pelos temores destrutivos como nunca antes na história. Mas, não obstante, nele percebemos grandes áreas de Fé e enormes aspirações voltadas para a justiça e a fraternidade. E no entanto nenhum profeta pode pretender afirmar se as conseqüências mundiais serão a destruição fulgurante ou o início da era mais brilhante até hoje conhecida pela humanidade, segundo a intenção de Deus. Estou certo de que nós AAs compreendemos esse cenário. Experimentamos no microcosmo es idêntico estado de terrificante incerteza, cada um e sua própria vida. Nós os AAs podemos afirmar, sem orgulho nenhum, que não tememos os desenvolvi mentos mundiais, não importa o rumo que possam tomar. Isso se deve ao fato de termos sido capacita dos a sentir profundamente e a afirmar: “Não devemos temer nenhum mal – seja feita a Vossa vontade e não a nossa”.
A história que se segue, freqüentemente narrada, pode não obstante suportar a repetição. No dia em que a surpreendente calamidade de Pearl Harbor se abateu sobre nossa Nação, um amigo de A.A., uma das maiores figuras espirituais que talvez jamais conheceremos um igual, caminhava por uma rua de St. Louis. Tratava-se como é claro do nosso benquisto Padre Edward Dowling, da Ordem dos Jesuítas. Embora não fosse um alcoólico, ele havia sido um dos fundadores e uma fonte de inspiração primordial para o esforçado Grupo de A.A. daquela cidade. Uma vez que grande parte dos seus amigos habitualmente sóbrios já havia recorrido às garrafas buscando apagar as implicações do desastre de Pearl Harbor, o Padre Edward estava compreensivelmente angustia do com a probabilidade do seu acalentado Grupo de A.A. dificilmente sobreviver. Para a mente do Padre Edward, essa seria em si mesma uma calamidade de primeira ordem.
Foi então que um membro de A.A., sóbrio há me nos de um ano, emparelhou o passo com ele e envolveu o Padre Edward em uma animada conversa – principalmente acerca de A.A.
Como o Padre percebeu aliviado, seu companheiro estava perfeitamente sóbrio. E não disse uma única palavra acerca do problema de Pearl Harbor.
Intrigado e maravilhado a esse respeito, o Padre perguntou: “Como é que você não tem nada a dizer acerca de Pearl Harbor? Como é que você manifesta tanta disposição?”
“Bem”, replicou o AA, “estou realmente surpreso que você não saiba. Cada um de nós em A.A. já teve sua própria Pearl Harbor particular. Assim, pergunto a você por que deveríamos nós, alcoólicos, nos exaltar em relação a isso?”
A decisão mais difícil da minha vida
Que medo que senti ao sair de uma reunião de A.A., a minha segunda reunião, pois a primeira acontecera dezenove anos antes! Reafirmava para mim mesma o que tentara dizer lá dentro, sem o conseguir, pois as lágrimas me impediam: “Eu sou alcoólica”! Era como se o universo estivesse desabando sobre a minha cabeça. Eu já estava há três dias sem beber, sentindo todos os horríveis sintomas da crise de abstinência: tremores, depressão, suor frio, dor de cabeça…
Para mim, ter entrado naquela sala foi a suprema humilhação. Eu sabia que, no dia em que voltasse a A.A., estaria decretando a minha falência definitiva como ser humano. Meu orgulho, minha auto-suficiência intelectual, minha crença no poder da mente, tudo fora absolutamente inútil na minha luta insana contra o primeiro gole. Admitir a minha impotência perante o álcool, reconhecer que tinha perdido o domínio da minha vida, aceitar minha insanidade e, principalmente, acreditar que um Poder Superior poderia libertar-me dela, tudo isso era demais para mim. Eu sabia tudo sobre o alcoolismo porque lia tudo a respeito e já conhecera a Irmandade, mas sempre me recusei a aceitar que eu era portadora dessa doença.
Aquela noite foi a mais longa da minha vida. Morava sozinha e, da janela do apartamento, via os botecos onde costumava beber todas as noites. Consegui “ouvir” o tilintar dos copos e as risadas, apesar da distância (moro no oitavo andar). Via, num desespero total, aquela ilusão de felicidade se desenrolar diante dos meus olhos cheios de lágrimas. E o “canto da sereia” da fuga e do esquecimento que o álcool me proporcionava, soou aos meus ouvidos: “Talvez eu possa me controlar hoje. Tomar uma ou duas cervejas vai me ajudar a dormir…”
Uma sensação de extrema solidão me invadiu. Eu sabia que, naquele momento, te¬ria de tomar a decisão mais difícil da minha vida. Mais difícil ainda do que a ida àquela reunião pedir ajuda, naquela mesma noite. E então percebi o quanto o álcool era um poder superior para mim. Sozinha eu não poderia ganhar a briga contra ele. Só um outro Poder Superior poderia me ajudar. E como foi difícil dizer esta minha oração: “Deus, eu não sei quem você é, eu não sei onde você está, mas, se puder fazer alguma coisa por mim, ajude-me a não sair de casa agora” .
Não sei como peguei no sono naquela noite. Lembro-me de ter chorado muito. Ao acordar na manhã seguinte, senti uma alegria imensa por ter vencido aquela primeira batalha contra mim mesma. E agradeci a um novo Poder Superior, que começava a se delinear em minha mente, por ter estado comigo no meu pior dia sóbria. Descobri que eu poderia, um dia, afinal, encontrar dentro de mim o que sempre procurei: uma Fé que funciona.
Nicia/Campinas/SP
Vivência n° 57 – Jan/Fev 1999
Obrigada, Eu não bebo
A frase dita no depoimento de uma companheira e amiga me encheu de esperanças. Iluminada por Deus, ela falava com entusiasmo de sua vida e suas longas vinte e quatro horas. Como mães e donas-de-casa, as nossas histórias como alcoólicas se assemelhavam num passado cheio de dor e ressacas. De uma lado, em meio a gestos e expressões, as palavras fluíam seguramente, transmitindo a paz enfim resgatada. Do outro, sob forte emoção, apenas esperanças.
Era noite de junho/94. O retorno à sala e o propósito de viver um dia de cada vez. Como ela, bebi durante longos anos. Muito embora meu marido não bebesse, trazia sempre a minha bebida preferida nos finais de semana. Não havia problemas em relação ao álcool, até eu descobrir a importância dele em minha vida. Com o tempo as doses foram aumentando e, consequentemente, a frequência aos porres.
A tranquilidade e a paz foram logo substituídas por desentendimentos e tristezas. As garrafas, agora escondidas, eram distribuídas em pequenos frascos espalhados em lugares estratégicos, onde eu pudesse beber sem correr o risco de ser flagrada. Enfim, minha casa virara um depósito de bebidas. Lembro que na época eu trabalhava como funcionária pública e, por força da droga, fui obrigada a afastar-me, com o intuito de submeter-me a um tratamento terapêutico. Procurei um bom psiquiatra, especialista no assunto, mas ele não pôde fazer muito por mim. Mente e corpo desocupados, a ociosidade definitivamente me levou ao fundo do poço. Interrompi a terapia e passei a beber literalmente todos os dias, isolando-me da família e dos amigos com um único objetivo: beber.
Sete meses nesse inferno, me transformei numa mulher feia, gorda, mal cuidada e com enorme sentimento de culpa e auto piedade.
Início de 1989. Minha irmã esteve comigo e pela primeira vez ouvi falar de A.A. em minha cidade. Parecia-me distante e de difícil acesso. Ingressei na terceira reunião e na companhia dela frequentei regularmente os primeiros três meses. Nunca esqueci as primeiras reuniões com seus depoimentos marcantes. A sensação de bem-estar era imensa, mas eu nada entendia. “Nunca mais” era muito forte para minha cabeça, enquanto 24 horas não era tempo suficiente e eu não estaria “curada”. Essa confusão gerou uma primeira recaída, seguida de outras e outras, sucessivamente. Os meus filhos que antes me apoiavam, passaram a olhar-me com indiferença e desprezo. Para eles, não havia justificativas, uma vez que eu já conhecia a Irmandade. Meu marido não sabia qual situação seria pior: admitir a mulher alcoólica e aceitar-me na condição de membro de A.A., ou ter que conviver com uma bêbada. Entre dúvidas, questionamentos, retornos e recaídas passaram-se seis anos.
Aquela noite de junho, em companhia de adoráveis irmãos, superou todas as minhas expectativas. O compromisso de reingresso veio juntamente com uma soma de valores e renúncias, aceitação, conscientização e ainda, como presente, ganhei a amizade da companheira que, através do Poder Superior, levou-me de volta à sala. Na época, não nos conhecíamos mas ela sabendo da minha dificuldade de permanência em A.A., procurou-me várias vezes, pacientemente. Hoje, amigas e companheiras, temos quase que uma necessidade de apoio mútuo. Dessa forma, os nossos problemas pessoais, compartilhados, facilitam a nossa programação, nos reforçando por mais vinte e quatro horas.
Graças ao Poder Superior, aprendi a ser mais paciente e tolerante comigo mesma, permitindo que o próprio tempo se encarregasse de devolver a serenidade suficiente para conviver normalmente com os perigos e ameaças que nós, alcoólicos, estamos sujeitos a enfrentar no dia-a-dia.
Certamente, as reuniões sociais regadas a bons vinhos e uísques importados vão continuar acontecendo. Acredito no tempo e na minha recuperação. Acredito ainda que muito em breve também farei parte de tais reuniões e certamente, como minha amiga, no convite ao drinque, direi com calma e confiança: “Obrigada eu não bebo”.
Ana Paula – RN
Vivência 41 – Maio/Jun 96
Apenas Alcoólico
Nossa visão sobre supostos “problemas” sempre pode ser relativizada.
Conheci A.A. muitos anos atrás, mas, naquele tempo, fui apenas por curiosidade. Eu achava que usavam o termo “anônimo” porque eram pessoas excluídas da sociedade, que viviam no anonimato por vergonha do seu passado e para fugirem do estigma do alcoolismo, que andavam pela penumbra e pelos becos, vivendo na clandestinidade.
E não fiquei, pois não fui para ficar. Eu achava que não era alcoólico, pois tinha ainda emprego, casa e família. Aquela Irmandade “era para aqueles que já não tinham mais nada para perder e precisavam viver no mimetismo”.
Eu me lembro que achei estranho, pois fui até A.A. para ver alcoólicos e não vi nenhum – vi pessoas bem postas, bem vestidas, bem falantes – saí decepcionado. Onde estariam os bêbados? Fui enganado, pensei.
Fui embora e não mais voltei, não mais me lembrei daquela Irmandade e continuei minha caminhada no alcoolismo. Isso demorou muitos anos, pois minha doença progrediu devagar.
Começaram então as primeiras perdas: de início foram os empregos, um atrás do outro, logo depois os amigos, a seguir a família e, daí por diante, o equilíbrio, a temperança, a vergonha, a moral, a dignidade e, por fim, a fé. Fiquei sozinho no mundo.
Um dia fui visitar um antigo amigo que não sabia da minha atual situação, e ele me colocou na direção de uma pequena empresa que acabara de montar. Pouco tempo depois, dormi com a cabeça apoiada nos braços, em cima da mesa. Quando descobriu o meu estado, para salvar a sua firma ele me mandou embora. E alguns dias antes de eu deixar o emprego, entrou no escritório um cliente que gostava de conversar comigo. Sentou e começou a contar a sua vida: havia perdido um irmão há poucos dias, que era carcereiro da Penitenciária do Carandiru e fora assassinado. Contou-me ainda que ele próprio também tinha sido carcereiro de lá e que na época, ambos bebiam demais. Contou também o que faziam sob o efeito do álcool.
Ele falou isso tudo sem saber que era para a pessoa certa. No final do seu desabafo, perguntei-lhe como e onde tinham conseguido parar de beber. Ele me olhou meio cismado, já desconfiando de alguma coisa. Eu disse: “Tenho um problema seríssimo com o álcool, tanto que estou sendo demitido dessa empresa por esse motivo e, quando sair, não tenho para onde ir e nem mesmo onde ficar, pois já perdi tudo, só me restou a vida”.
E ele respondeu: “Sobrou demais então, pois enquanto há vida, há esperança”. Chamou-me lá para fora e apontou para uma capelinha simples dizendo: “Ali, todas as quartas feiras, às 20 horas, acontecem reuniões de um grupo de pessoas que tiveram os mesmos problemas que nós.
São os Alcoólicos Anônimos, já ouviu falar?” Eu respondi que sim, que no passado tinha ido a uma reunião, mas que não tinha entendido nada, pois estava alcoolizado. Então ele completou: “Pois foi ali que eu e meu falecido irmão paramos de beber e onde tudo começou a mudar. Vá lá, na quarta-feira, tomar um café com os companheiros, e assim que sair daqui e não tiver onde ficar, arrumo um lugarzinho para você dormir no fundo da minha firma”.
Fiquei ansioso para que chegasse logo a quarta-feira e realmente conhecer – como disse ele – aqueles companheiros, aquela Irmandade que um dia eu não tinha aceitado e nem mesmo entendido.
Chegando lá, uma porção de gente veio me encontrar na porta. Recebi muitos apertos de mão e todos me diziam que eu era a pessoa mais importante daquela noite. Eu estava confuso, há muito tempo não recebia tamanha consideração e respeito. Entrei, sentei-me e passei a observar aquele pessoal alegre e simpático, perguntando a mim mesmo: “Onde estariam os bêbados?” Uma vez mais, fiquei curioso.
Quando começou a reunião, logo no primeiro depoimento percebi que estava o tempo todo misturado com os alcoólicos, que ali mesmo, naquela platéia distinta, estavam as pessoas problemáticas do passado.
Fiquei maravilhado. Percebi que não estava sozinho naquele sofrimento, que meu caso ainda tinha solução e esperança e que bastava querer, pois eles haviam conseguido.
Então veio uma mulher, sentou-se e afirmou “Graças a Deus, sou uma alcoólica”. Pensei: “Não só alcoólica, mas louca também”. Como podia dar graças a Deus por isso? Ela então disse que tinha em sua família uma pessoa com uma doença incurável em fase terminal, e que quando chegasse em casa talvez não a encontrasse mais com vida. Ela, por outro lado, tinha uma doença também incurável, mas que podia estacionar, bastava querer – e começou a chorar.
Quando terminou a reunião, voltei para casa, ou seja, para o fundo da firma do amigo.
Chegando lá, levantei com dificuldade a porta de aço, acendi um palito de fósforo, entrei devagar, desviando-me das máquinas, pilhas de ferro, montes de sucatas e outros incômodos pelo caminho. Ao chegar ao fundo do galpão, acendi a luz, estendi uns papelões no chão, forrei-os com um lençol e me deitei, cobrindo-me com um cobertorzinho daqueles que a turma chama de “tomara que amanheça” e disse a mim mesmo: “Graças a Deus, sou apenas um alcoólico”. Deus, como O entendo, se manifesta em nós, a cada momento de tolerância.
N.L., Mogi Mirim/SP
Vivência 71 – Maio/Jun 2001
Um Sentimento Duro e Frio
Lutamos para nos libertar dos ressentimentos, mas eles são como ervas daninhas cujas raízes são muito fortes. Quando permitimos, os ressentimentos apagam todos os outros sentimentos que possamos ter. Destroem nossa serenidade, arruínam nossas relações, nos tornamos pessoas amargas e isoladas.
Os ressentimentos começam com uma mágoa, até um ressentimento firme, e chegam ao ódio e à sede de vingança.
O que usamos para alimentar nossos ressentimentos:
• – Coisas que fizemos contra nós que consideramos egoístas e com falta de consideração.
• – coisas amáveis que as pessoas poderiam ter feito por nós e que não fizeram.
• – Coisas que as pessoas não fizeram o suficiente por nós.
Como os ressentimentos nos afetam:
• – Não conseguimos tirá-los de nossa mente.
• – Ficamos tão concentrados na pessoa que ressentimos que não conseguimos fazer coisas mais agradáveis.
• – Sentimo-nos magoados e frustrados a maior parte do tempo.
• – Sentimos pena de nós mesmos, pelo muito que sofremos.
• – Nos irritamos com as outras pessoas e nossas relações com elas são afetadas.
• – Apresentamos sintomas das emoções desagradáveis que não expressamos, como: dor de cabeça, dor de estomago, músculos doloridos, etc.
• – Achamos que todas as pessoas são más, sem consideração por nós.
O problema maior com os ressentimentos é que eles gastam uma quantidade enorme de energia. Podemos ficar amarrados neles e quando isso acontece nosso crescimento emocional e espiritual é detido.
Quando perdoamos, nos livramos dos ressentimentos. Perdoar exige tempo, paciência e muita responsabilidade. Precisamos talvez primeiro perdoar a nós mesmos antes de perdoar aos outros. Nossa meta ao perdoar consiste em curar as velhas feridas para pôr fim aos ressentimentos e ir em frente em nossas vidas.
Sugestões para ajudar a perdoar
• 1. faça uma lista de todas as pessoas que precisa perdoar, inclua-se nesta lista. Por que você precisa perdoar essas pessoas?
• 2. Que danos os ressentimentos estão causando? Quais as conseqüências?
• 3. Escreva os pensamentos negativos que você têm a respeito dessas pessoas.
• 4. Escreva as formas como você age com essas pessoas: como as evita, contando piadas ou fazendo comentários sarcásticos sobre elas, como as ataca, etc.
• 5. Assuma o compromisso de parar com esses pensamentos e ações, o que for possível. Começar com uma ou duas pessoas da lista.
• 6. Faça uma outra lista. Escreva três qualidades de cada uma dessas pessoas. Relaxe, respire profundamente. Comece a pensar em cada uma dessas pessoas como um ser humano único. Mantenha um enfoque positivo.
• 7. Muitas pessoas podem começar a perdoar as outras orando por elas. Outra forma consiste em ter pensamentos positivos sobre elas.
• 8. Escreva três coisas positivas que pode fazer com ou por elas. Procurar colocar isso em prática (perdoar é um processo gradual).
• 9. Lembrar das frases: “Terei paciência comigo”. “Sem condições”, não esperarei nem exigirei nada das pessoas a quem perdoar, inclusive que me perdoem. “Perdoar é bom para mim, não para os outros”.
• 10. Para poder se perdoar, procurar toda ajuda possível, dos amigos, terapeutas ou guias espirituais.
Como evitar a formação de novos ressentimentos:
• 1. Lidar com o problema real, sem aumentá-lo. Manter-se realista.
• 2. Manter-se ativo. Os ressentimentos se formam quando se está inativo. A pessoa começa a de sentir impotente e sem esperança. Não permita se sentir ou agir como uma vítima, cheia de autopiedade.
• 3. Manter-se no dia de hoje. Não voltar às velhas feridas.
• 4. Manter o foco no assunto. Não se esquecer que são certos comportamentos da pessoa que o desagradam e não a pessoa em si.
• 5. Procurar ajuda, quando necessária. Não deixar que a mágoa se transforme em ressentimento e ódio.
• 6. Não permitir que sua serenidade dependa de outra pessoa. Você é responsável por ela.
* * *
…esse negócio de ressentimento é infinitamente grave, porque quando estamos abrigando esses sentimentos, nos afastamos da luz do espírito. (Na Opinião do Bill, pág 5)
Vivência n° 77 – Maio/Junho 2002
Dependentes Químicos
Dependentes Químicos: Pacientes Difíceis?
Eles me ensinaram a viver um dia de cada vez. Muitos colegas psicólogos e psiquiatras me perguntam como fui me apaixonar pela área de dependências química, pois dentro da psiquiatria são considerados pacientes difíceis porque “não querem se ajudar”, “têm pouca aderência ao tratamento” e “são os últimos a reconhecerem a sua doença e a necessidade de ajuda”. Em tudo isso há pouco ou muito de verdade, mas vamos analisar mais cuidadosamente as características destes meus amados pacientes…
Como é a vivência?
O uso da substância química: álcool ou outras drogas altera o comportamento ocasionando uma “inflação”. O sujeito se supõe todo poderoso e capaz de realizar tarefas além de sua capacidade, visto que o álcool ou a droga mudam também a percepção da realidade.
Por outro lado, na ausência da bebida ou da droga,a situação se inverte e o individuo se vê mais frágil e impotente do que nunca, não conseguindo às vezes nem se olhar no espelho, de tão humilhado que se sente ao se lembrar do que “aprontou” na noite ou nos dias anteriores.
Sim, o adicto, aquele que “adiciona” algo a seu corpo, acaba sendo “duas” pessoas: o super-homem, movido a “combustíveis especiais” para passar pela vida sem senti-la, e o bêbado de sarjeta, o pobre coitado que não agüenta consigo mesmo. A modificação de sua percepção vai acontecendo à sua própria revelia, tanto que ele mesmo é o ultimo a percebê-la.
Primeiro é a esposa ou parceiro quem reclama que ele ou ela já não lhe dá atenção como antes, preferindo sempre o álcool ou a droga; depois, são os pais ou filhos (se os tiver) que se queixam de sua ausência e por último, o patrão ou colegas de emprego ou escola, muitas vezes os mais tolerantes com o uso que acabam se cansando de encobrir as faltas no trabalho e as “mancadas” nas tarefas de equipe que o adicto acaba cometendo, por conta das inúmeras “ressacas” e inadequações por aparecer “usado”.
Quase sempre o dependente químico é levado a tratamento com um certo “empurrãozinho” daqueles que o amam e que justamente por se importarem com ele (ela) não se conformam com o seu modo de vida autodestrutivo e terminam por estimulá-lo a fazer alguma coisa para mudar o estilo de vida.
O dependente que se recupera…
Ao longo de minha jornada ao lado de dependentes químicos, posso dizer que tive o privilégio de conhecer muitas histórias de recuperação maravilhosas. São pessoas que depois de terem visto o “inferno” de perto de terem tornado também um “inferno” a vida de seus entes queridos, puderam dar uma guinada e voltar a ser gente, e, diga-se de passagem, gente muito especial!
Historias de verdade de quem reconstruiu a dignidade de viver,não tendo quase nada por onde começar.
Tal qual o mito de Dioniso, o deus Grego do vinho, que depois de esquartejado pelos Titãs foi reconstituído a partir do coração, tendo visto meus clientes e amigos dependentes de álcool e drogas se voltarem corajosamente para suas emoções em “cacos”, e irem colando os pedacinhos até se tornarem inteiros novamente.
Recuperação que se faz com humildade e sempre; como eles me ensinaram: “Um dia de cada vez”.
(Dra. Ana Lúcia Mesquita Mazzei Massoni
Psicóloga Clinica – Especialista em Dependência Química)
Vivência n° 82 – MARÇO/ABRIL 2003
Unicidade de Propósito
Apresentamos esse artigo dentro do espírito de nossa Sexta Tradição – não para endossar o “empreendimento alheio”, e sim abordar tópicos que dizem respeito a todos os membros de A.A.
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Narcóticos Anônimos, Conselho de Curadores para Serviços Mundiais
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE
NOSSO RELACIONAMENTO
COM ALCOÓLICOS ANÔNIMOS.
A forma como NA se relaciona com todas as outras irmandades e organizações podem gerar controvérsia dentro de nossa irmandade. Embora haja uma política estabelecida de “cooperação sem afiliação”, a confusão permanece no que se refere às outras irmandades. Uma questão bastante delicada envolve nosso relacionamento com a irmandade de Alcoólicos Anônimos. O Conselho de Curadores para Serviços Mundiais de NA costuma receber cartas que versam sobre a mais variada gama de perguntas acerca desse relacionamento.
Narcóticos Anônimos foi criado com base em Alcoólicos Anônimos. Quase todas as comunidades de NA que existem, apoiaram-se, de alguma forma, em A.A., durante seu período de formação. Nosso relacionamento com A.A. tem sido muito verdadeiro e dinâmico ao longo dos anos. Nossa irmandade como um todo resultou da dúvida existente em A.A., sobre o que fazer com os adictos que batiam à sua porta. Voltaremos um pouco às origens , em busca de uma perspectiva de nosso atual relacionamento com A.A.
Bill W., um dos co-fundadores de A.A. , sempre dizia que um dos maiores sustentáculos de sua irmandade era a unicidade de propósito, ou seja, mirar somente um aspecto. Limitando seu propósito primordial a levar a mensagem aos alcoólicos e evitando assim qualquer outra atividade, A.A. é capaz de se desincumbir dessa tarefa de uma forma extremamente eficaz. O clima de identificação é preservado pela unicidade de propósito, e o alcoólico encontra então a ajuda de que necessita.
Desde seu mais remoto início, A.A. foi confrontado com uma situação bastante complicada: “O que fazer com os dependentes químicos que nos procuravam? Desejamos manter nosso foco no álcool para que a mensagem seja levada ao alcoólico, mas os adictos que aqui chegam, falam sobre drogas, e, inadvertidamente enfraquecem nosso clima de identificação.” Os Doze Passos e o Livro Azul já haviam sido escritos – o que mais se esperava que eles fizessem? Que novamente os reescrevessem? Permitir que o clima de identificação se diluísse e que o sentido de pertencer a A.A. se perdesse? Expulsar aquelas pessoas agonizantes para que morressem na rua? Deve ter sido uma situação extremamente complexa para A.A.
Quando A.A. finalmente estudou o problema de forma cuidadosa e tomou uma posição através de sua literatura, a solução por eles encontrada foi mais uma prova de seu bom senso e sabedoria. Prometeram seu apoio num espírito de “cooperação, mas não
afiliação”. Essa solução de grande visão para uma questão tão complexa preparou o terreno para o surgimento da irmandade de Narcóticos Anônimos.
Entretanto, o problema que A.A gostaria de evitar teria de ser comunicado individualmente a cada grupo que tentasse adaptar seu programa de recuperação para dependentes químicos (adictos). Como conseguir então o clima de identificação indispensável para a rendição e a conseqüente recuperação, caso fosse permitido acolher os mais diversos tipos de dependência? Seria possível para um dependente de heroína se relacionar com facilidade com outros dependentes cujo problema fosse o álcool, maconha ou tranqüilizantes? Como seria conseguida a Unidade, que, segundo a Primeira Tradição, é fundamental para a recuperação? Nossa Irmandade (NA) herdou então um árduo dilema.
Para que se tenha idéia de como A.A. lidou com o problema, voltemos um pouco para a sua história. Uma segunda coisa sobre a qual Bill W. sempre falava e escrevia, era o que ele chamava de “gol de placa” de sua irmandade – as palavras do Terceiro e Décimo Primeiro Passos. A grande área da espiritualidade versus religião era tão complexa para eles assim como a unicidade de enfoque o era para nós. Bill costumava contar como o simples fato de acrescentar “na forma em que O concebíamos” depois da palavra “Deus”, liquidou por completo com toda a controvérsia a esse respeito. Um simples quesito, que tinha potencial para dividir e destruir A.A., transformou-se num dos maiores alicerces de seu programa.
À medida que os fundadores de Narcóticos Anônimos adaptaram os Passos de A.A., chegaram também a um “gol de placa” de importância equivalente. Ao invés de adaptar o Primeiro Passo de forma lógica e natural (“Admitimos que somos impotentes perante as drogas”), eles fizeram aí uma mudança radical: Escreveram assim: “Admitimos que somos impotentes perante a nossa adicção.” Existe um grande número de drogas e o uso de qualquer delas é apenas o sintoma de nossa doença. Quando os adictos se reúnem e enfocam as drogas, normalmente estão enfocando suas diferenças, pois cada um deles usa um tipo de combinação de drogas. A única coisa que todos eles tem em comum é a doença da adicção. Com aquela simples mudança na frase, foi criada a irmandade de Narcóticos Anônimos.
Nosso Primeiro Passo (NA) dá-nos um foco: nossa adicção. As palavras do Passo Um enfocam também nossa impotência perante os sintomas da doença. A frase “impotentes perante nossa adicção” engloba tanto os veteranos quanto os recém-chegados. Nossa adicção vem novamente à tona e causa descontrole de pensamentos e sentimentos sempre que descuidamos de nosso programa de recuperação. Esse processo nada tem a ver com a “droga de preferência”. Estamos alerta contra a recorrência do nosso uso de droga aplicando nossos princípios espirituais antes de uma recaída. Nosso Primeiro Passo se aplica independentemente da “droga de preferência” e do tempo em que estamos limpos. Tendo esse “gol de placa” como embasamento, NA floresceu como importante organização mundial, enfocando claramente a adicção.
À medida que a comunidade de NA amadureceu através de um melhor conhecimento de seus próprios princípios (o Passo Um em particular), um fato interessante se apresentou. A perspectiva de A.A., enfocando o álcool, e a abordagem de NA, não enfocando nenhuma droga específica, não podem ser confundidas (misturadas). Quando tentamos misturá-las enfrentamos os mesmos problemas que A.A. teve conosco. Quando nossos membros se identificam como “adictos e alcoólicos”, ou falam sobre “sobriedade” e viver “limpo e sóbrio”, a clareza da mensagem de NA é truncada. Esse linguajar sugere a existência de duas doenças e que cada droga é diferente da outra, como se houvesse necessidade de terminologias diferenciadas toda vez que a adicção fosse discutida. À primeira vista, o fato parece de somenos importância, contudo nossa experiência mostra que o impacto da mensagem de NA é claramente atenuado por essa confusão semântica aparentemente tão sutil.
Ficou bem claro que tanto nossa compreensão quanto nossa unidade, assim como a nossa rendição “ampla, total e irrestrita” como adictos que somos, depende de um entendimento límpido e cristalino de nossos princípios mais fundamentais: somos impotentes perante uma doença que piora progressivamente mediante o uso de qualquer droga. Não importa qual fosse a nossa “droga de preferência” ao ingressarmos; qualquer droga que usarmos acionará novamente a doença. Recuperamo-nos da doença da adicção aplicando nossos Doze Passos. Nossos Passos foram escritos especialmente para transmitir claramente a mensagem, portanto, todo o resto de nossa linguagem de recuperação precisa ser tão consistente quanto eles. Não podemos misturar esses princípios fundamentais com aqueles da organização co-irmã, sem que nossa própria mensagem seja truncada.
Ambas as irmandades têm sua Sexta Tradição, para que possam conservar suas respectivas características e impedir que se afastem do seu propósito primordial. Uma irmandade de Doze Passos possui uma necessidade inerente de enfocar um único propósito, de forma a fazê-lo de um modo eficaz; cada irmandade de Doze Passos deve ser independente e não filiada a nenhuma outra atividade. A separação faz parte de nossa natureza, assim como o uso de terminologia própria, pois cada uma delas tem seu único e diferenciado propósito. O alcoolismo é o enfoque de A.A., e nós devemos respeitar o nosso próprio propósito e identificarmo-nos em nossas reuniões como adictos simplesmente, e fazer nossas partilhas de forma que a nossa mensagem seja clara.
Como irmandade, devemos nos empenhar cada vez mais em evoluir, sem nos atermos teimosamente a nenhuma radicalidade. Aqueles companheiros que estavam truncando (ainda que sem intenção) a mensagem de NA, usando termos como “sobriedade”, “alcoólico,” “limpo e sóbrio,” “viciado em drogas” etc, poderiam contribuir bastante identificando-se claramente como adictos e passando a usar as palavras “limpo,” “tempo limpo,” e “recuperação”, as quais não especificam nenhuma substância em particular. Todos nós podemos ajudar, citando nas reuniões apenas a nossa literatura, e evitando com isso implicações de qualquer endosso ou afiliação. Nossos princípios são auto-sustentáveis. Pelo bem de nosso desenvolvimento como irmandade e a recuperação individual de nossos membros, nossa abordagem dos problemas da adicção deve transparecer claramente em tudo o que fazemos ou falamos nas reuniões.
Membros de NA que costumavam usar esses argumentos no sentido de racionalizar e também cristalizar uma posição anti-A.A., conseguiram com isso desestabilizar companheiros veteranos e bastante ativos dentro da Irmandade. Melhor fariam eles se reavaliassem e reconsiderassem os efeitos danosos desse tipo de comportamento. Narcóticos Anônimos é uma irmandade espiritualizada. Amor, tolerância, paciência, e compreensão são essenciais na consolidação de nossos princípios.
Vamos canalizar energias em direção ao nosso desenvolvimento espiritual pessoal, através dos nossos Doze Passos. Levemos nossa mensagem de forma clara. Há muito trabalho e fazer e precisaremos muito uns dos outros para que haja eficácia. Vamos buscar o espírito de unidade de NA. (Narcóticos Anônimos, Conselho de Curadores para Serviços Mundiais, Boletim 13 – novembro de 1985)
(VIVÊNCIA Nº 63 – Jan /Fev 2000)
Sobriedade ao Alcance de Todos
Este é o tema da XXIX Conferência de Serviços Gerais
Nós em A.A. entendemos a amplitude deste sonho: Sobriedade ao alcance de todos. Não se trata de um sonho utópico.
É possível. Todo o membro da Irmandade se sente extremamente feliz quando pratica a nobre missão que lhe foi confiada pelo Poder Superior, como cada um O concebe: a de oportunizar ao doente alcoólico que ainda sofre, uma nova chance para retomar a se sentir íntegro, útil e feliz.
Já ultrapassamos enormes espaços, através do conhecimento dos Doze Passos de A.A. Quantas e quantos outros segmentos já não se beneficiaram com as experiências ali contidas?
É crescente e visível o emprego dos Doze Passos de A.A. adaptados aos princípios de tratamento e recuperação de instituições persas de mútua ajuda. … As vias de comunicação, notadamente a Televisão, periodicamente procuram trazer à tona a problemática do alcoolismo, sem contudo deixar de enaltecer a credibilidade e a importância de Alcoólicos Anônimos e de sua mensagem de esperança e amor ao alcoólico que ainda sofre.
A Sobriedade é para nós um estado de graça! A Sobriedade é um exercício constante.
A Internet será a mais rápida e ao mesmo tempo a responsável pela mensagem ao alcance de todos.
A Sobriedade, o estado de graça, o exercício constante da humildade serão apenas uma conseqüência para todos que a queiram.
Compartilhar experiências, forças e esperanças: Propósito fundamental da Irmandade de Alcoólicos Anônimos. Existindo em mais de 150 países e tendo em tomo de 105.000 Grupos no mundo e possuindo acima de 2.066.851 membros, acreditamos no nível de responsabilidade que a maioria dos membros da Irmandade possui, depois de sóbrios e gratos, para que sejam transformados em verdadeiros multiplicadores desta mensagem angular e reformuladora legada ao A.A. … O anonimato, cuidadosamente preservado, fornece dois ingredientes essenciais à manutenção da sobriedade. Esses dois ingredientes, na verdade, são duas faces de uma mesma moeda: primeiro, a preservação de um ego reduzido; segundo, a presença contínua da humildade ou simplicidade. “Em junho de 1960, o co-fundador de A.A., Bill W. já prenunciava alguns desafios para o futuro. Num documento com o título “Alcoólicos Anônimos Amanhã”, ele questionava: “Para onde vamos a partir de agora? Quais são nossas responsabilidades para hoje e para amanhã? Sabemos que estamos abrindo, cada vez com mais amplitude, qualquer meio ou canal concebível por intermédio do qual podemos chegar até esses nossos irmãos”.
Eis o porquê em depositarmos na Internet toda esta nova esperança. “Alcoólicos Anônimos está sendo abençoado em suas atividades pela Internet”
(Vivência Nov/Dez 2003).
Atrair um novo membro a um Grupo de A.A., é um momento mágico, que significa ser da vontade do Poder Superior salvar uma vida que se encontra em desatino, salvar um lar tumultuado, um emprego perdido, amores desfeitos em mentes doentias e que precisam, acima de tudo, de amor e respeito e não do descaso de uns ou do preconceito de outros. … Do simples gesto de servir o cafezinho ou passar um pano em mesas e cadeiras nas persas modalidades de reuniões praticadas pelos Grupos de AA, indo até a Conferência de Serviços Gerais ou eventos internacionais, tem nos Serviços o afunilamento em buscar encontrar a melhor maneira de oferecer a Sobriedade ao Alcance de todos, sejam alcoólicos ou não.
Alcoólicos Anônimos é uma sociedade de alcoólicos em ação.
…Trabalhando com os Outros, foi a primeira visão dos nossos pioneiros, como consta no Livro Azul. … Portanto, para nós é necessário estarmos também atentos: “o preço da Sobriedade é a eterna vigilância”, em nossos princípios e em nossas ações.
… Sendo assim, a Sobriedade estará ao alcance de todos.
O Brasil possui hoje mais de 16 milhões de pessoas com idade superior a 60 anos, consideradas idosas pela legislação brasileira.
Quase 1/10 da população brasileira encontra-se nessa faixa etária e assim, pessoas da “Melhor Idade” reúnem-se para proporcionar a si e aos demais idosos, momentos de convivência harmoniosa, de crescimento pessoal e de trocas de experiências, entre outras razões.
…No início, alcançar um ano de sobriedade era motivo de grande júbilo. O tempo foi passando e alcançar 10 anos contínuos de sobriedade era quase que vencer uma guerra.
Nos dias atuais, com o conhecimento da Literatura e com o crescente entendimento da programação, a convivência entre os que chegaram antes e os que estão chegando dentro da Irmandade tem pairado em sutis diferentes conotações.
… A presença de um bom veterano, repassando suas experiências serve de estímulo bastante significativo ao desenvolvimento de um Grupo.
Normalmente ele é o responsável pelo despertar dos membros à prática do Terceiro Legado, repassando sua vasta experiência, não a restringindo a si próprio.
… Para onde caminha o objetivo único de nossos Serviços?
“Cada Grupo é animado de um único propósito primordial o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre” (Tradição Cinco).
• Não pode¬mos prescindir de nenhum companheiro de boa vontade!
• Temos estimulado o afilhado a trabalhar com outros alcoólicos, levando-o nas visitas de abordagens do Décimo Segundo Passo?
• Mostramos, principalmente através do nosso exemplo, a importância de todas as nossas Tradições? Alcoólicos recuperados estão totalmente em Sobriedade? Ou podem ainda estar sofrendo pelas conseqüências do seu alcoolismo?
• Sobriedade pode rimar com Solidariedade?
• Quantidade para nós em AA tem a mesma importância que a Qualidade de seus membros?
…”Não temamos jamais as mudanças necessárias. Naturalmente, teremos que saber distinguir entre as mudanças que conduzem à melhoria e as mudanças que nos levam de mal a pior”.
… “Ao dar uma olhada no futuro, vemos claramente que uma boa vontade cada vez mais profunda será a chave do progresso que Deus espera que façamos na medida em que caminhemos até o destino que Ele nos tem reservado”. (Trechos de artigo escrito por Bill W. para a Grapevine de julho de 1965).
Ray/Distrito Federal/DF
Redação: você, leitor poderá ler esta matéria na íntegra no Relatório Anual da XXIX Conferência, assim como outras sobre o mesmo tema.
Vivência n° 93 – Janeiro/Fevereiro 2005
“Alcoólicos Anônimos está sendo abençoado em suas atividades pela Internet”
… Não temamos jamais as mudanças necessárias. Naturalmente, teremos que saber distinguir entre as mudanças que conduzem à melhoria e as mudanças que nos levam de mal a pior.”
Transmitir a Mensagem de A.A.
Transmitir a Mensagem de A.A. ao Alcoólico que Ainda Sofre
“Nenhum de nós estaria aqui, se alguém não tivesse tido tempo para explicar-nos alguma coisa, para nos dar uns tapinhas nas costa, para levar-nos a uma ou duas reuniões, para fazer numerosos atos de bondade e consciência em nosso favor”.
O 12º Passo nos diz: “Tenho experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossa atividades”.
A 5º Tradição reza: “Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólatra que ainda sofre”.
Nos perguntamos: – por que será que em A.A., por duas vezes nos é pedido para que informemos ao alcoólico que ainda sofre? Por que será que os fundadores de A.A. deram tanta importância para o fato de que a mensagem deve chegar ao alcoólico que ainda bebe?
Aprendemos em A.A. que os Doze Passos são para nossa recuperação individual e as 12 Tradições, para vivermos em unidade nos Grupos.
O que é transmitir a mensagem? – Deixar passar além, conduzir. Fazer passa de um ponto ou de um possuidor ou detentor para outro, transferir.
Os Doze Passos são para nossa recuperação individual, portanto, se aplicam à minha pessoa, individualmente. Eu não trabalho os Passos de outro. Trabalho os meus Doze Passos.
É pelo resultado da prática desses Doze Passos que eu sou visto pela sociedade que convivo.
Quem me conheceu alcoolizado vê essa diferença hoje. Queiramos ou não, transmitimos à sociedade o que os Doze Passos nos fizeram e esta nos põe na balança, nos avalia, nos julga. Nós sentimos isso todos os dias.
Este é o conteúdo da 11ª Tradição: Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção.
Se formos a um baile, nos divertimos, dançamos, bebemos refrigerantes e ainda somos discretos, a sociedade nos vê e poderá dizer: “Esse aí, antigamente bebia muito”. “Esse casal aí estava se separando por causa da bebida”. “Como mudou essa pessoa depois que parou de beber! Era um caso perdido. Como será que isso aconteceu?”
Ou então: “Aquele ali que tem um emblema de A.A. no carro dele, estava passando para trás seus amigos”. “Esse sujeito parou de beber, mas continua negador de contas. É um safado”. “Parou de beber, mas em casa continuam as brigas”.
Onde nós passamos, para aqueles que nos conhecem, transmitimos a mensagem de A.A. pela atração. É isso que nos recomenda a 11ª Tradição. Mesmo não querendo, passo a ser um espelho da Irmandade. Abrindo ou não o meu anonimato, estou sempre transmitindo a mensagem de A.A.
O mar transmite grandeza. O lago calmo nos transmite paz. A rosa transmite um doce aroma. A escuridão nos transmite medo.
A criança nos transmite inocência. Não há necessidade de se colocar placas para isso, assim como não precisamos abrir nosso anonimato para que pessoas notem nossa mudança.
Isso, no meu entender, é transmitir a mensagem que aprendemos nos Doze Passos.
O que é levar a mensagem?
Fazer chegar, estender, levar para fora.
Levar a mensagem nos diz a 5ª Tradição: Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólatra que ainda sofre.
Faço questão de ressaltar: – a Mensagem deve ser levada pelo Grupo. Grupo é unidade, é mais do que um, portanto, com o conhecimento do Grupo, a mensagem, incluindo folhetos e endereços, será leveda aos outros por dois ou mais companheiros. Nunca, mas nunca mesmo, sozinho.
A.A. nos ensina que devemos trabalhar com os outros. Os outros, aqui são os companheiros de A.A., a sociedade e os doentes do alcoolismo.
“Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome. Eu estarei no meio deles”. Precisa-se dizer mais? Porque ser ingrato e se omitir de levar a mensagem com outro?
Muitos companheiros nos dizem ter abordado pessoas que precisariam estar em A.A. e essas não entenderam a mensagem. Fizeram isso sozinhos, não atendendo o que nos diz a 5º Tradição. Não o fizeram em Grupos.
Um fato importante. Devemos nos despojar dessa confiança imoderada que temos em nós mesmo. Muitas vezes, ela está arraigada em nós tão profundamente, que já nem percebemos o domínio que exerce sobre nosso coração. O nosso egoísmo, a preocupação com a nossa pessoa e amor próprio são precisamente as causas de todas nossas dificuldades, de nossa falta de liberdade interior, na provação de nossas contrariedades, de nossos tormentos da alma e do corpo. Por isso, julgamos os outros e somos os donos da “verdade”.
Exemplo está na história do filho pródigo: Dá-me o que é meu que eu vou vencer sozinho. Só o Poder Superior pode lhe dar a vitória. Aí você volta para a casa de Seu Pai, ou ao seu Grupo e reconhece sua impotência, “em aceitar as coisas que não podemos modificar”.
É satisfazer o ego quando se diz no Grupo: Fiz sozinho minha parte; errou, não cumpriu o que sugere a 5ª Tradição.
O mesmo acontece com aqueles membros que, ao invés de levar a mensagem de A.A., levam a sua própria mensagem e ainda, ferindo a 8ª Tradição que diz: “Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre não-profissional”, procuram levá-la misturando com a medicina ou dados estatísticos para se vangloriarem de sua mesquinha inteligência. Pensam que para levar a mensagem de A.A. têm de ser eloqüentes, ter conhecimentos gerais além da literatura de A.A..
Se assim acontece, esse membro deve voltar ao 12º Passo e praticar esses princípios em todas as suas atividades.
Cito um exemplo prático e verdadeiro de um Grupo que foi formado por seis membros. Em março de 2006, esse Grupo completou cinco anos de formação. E sabem quem estava lá? Uns 20 membros e entre eles, hoje, apenas três dos presentes na formação do Grupo há cinco anos. Três membros que nunca coordenaram uma reunião por dificuldades na leitura. Mas lá estavam os três juntos, continuando a levar a mensagem de A.A..
Há companheiros que se afirmam como bons AAs, porque participaram de diversos eventos, se fazem presentes em reuniões de Distrito, de Serviços, etc. Essas pessoas são como aquelas que já leram receitas de bolo, mas nunca experimentaram fazer o bolo. Não sentiram o prazer de fazer o bolo nem mesmo de apreciá-lo.
Tanto Bill como Bob afirmam nos livros de A.A., que o mais importante para a nossa sobrevivência, além da prática dos Doze Passos, é a prática da 5ª Tradição. É levar a mensagem.
O membro de A.A. já entrosado no programa das 24 horas, e que está concentrando suas energias no dia de hoje em busca da sobriedade e da serenidade pode perguntar ou perguntar-se de onde vem a força de Alcoólicos Anônimos? A força vem do despertar para um Poder Superior, da disposição de, em Grupo, levarmos aos outros que sofrem de alcoolismo a informação, através da 5ª Tradição, de como chegamos à sobriedade e de como a nossa vida mudou radicalmente para melhor.
Quando recebemos a força através da amizade dos companheiros do Grupo, do despertar espiritual e da execução do 12º Passo, nós, em A.a., passamos a conviver em unidade, recuperação e serviço. Nesse espírito de grupo, se a amizade não for o suficiente, então nos resta a fé, e se a fé às vezes for pouca, a prestação do serviço ao companheiro é um rio que irriga o deserto. Mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.
Lembremo-nos finalmente, da última mensagem do Dr. Bob: – “Meus queridos amigos em A.A.. Fico bastante emocionado ao ver diante de mim um vasto mar de faces, com o sentimento de que, possivelmente alguma pequena coisa eu fiz há alguns anos para tornar este encontro possível… Nenhum de nós estaria aqui, se alguém não tivesse tido tempo para explicar-nos alguma coisa, para nos dar uns tapinhas nas costas, para levar-nos a uma ou duas reuniões, para fazer numerosos atos de bondade e consciência em nosso favor. Assim não deixemos nunca chegar a um grau de tal complacência presunçosa, que não nos permita dar ajuda ou tentar dá-la, a nossos irmãos menos felizes, já que ela tem sido tão benéfica para todos nós”.
João Toledo / PR
Vivência Nº 102 Julho / Agosto 2006.
Fundamentos do Programa de Recuperação de A.A.
TRATAMENTO INFORMAL
“OS DOZE PASSOS”
Iniciarei esta apresentação com uma importante afirmativa feita por George Vaillant no seu livro: A História Natural do Alcoolismo. Ele diz que é preciso aceitar o paradoxo e admitir que podemos colocar o alcoolismo no modelo médico, mas que a sua etiologia e tratamento são largamente sociais. E acrescenta que talvez não haja na Medicina moderna nenhum outro caso em que a sociologia contribua tanto para o entendimento daquilo que é chamado de alcoolismo.
Por outro lado, Klaus Makela afirma que “mudanças comportamentais radicais e duradouras geralmente também envolvem uma mudança existencial e a reestruturação do “self”. E deste ponto de vista, Alcoólicos Anônimos é uma interessante saída do alcoolismo.
TRABALHO DE VAILLANT
George Vaillant estudou 660 casos de alcoolismo e acompanhou esses pacientes por 40 anos, de 1940 a 1980. Ou seja, realizou um importante e significativo estudo longitudinal, talvez o mais completo e mais longo dos que até hoje foram feitos. A importância desse enfoque é posta em destaque pelo fato de que o corte transversal exibe o quadro de um momento, mas não mostra como se chegou a ele nem o que aconteceu a partir dele. Num estudo longitudinal é que se delineia o contorno da história natural de uma doença.
CORRELAÇÃO
O foco principal do referido trabalho está voltando para um minucioso estudo de correlação entre os modelos médico e social do alcoolismo. Num estudo de correlação procura-se avaliar em que medida, em determinados grupos de fenômenos ou em diferentes enfoques, de um mesmo fenômeno, ocorrem pontos comuns ou ligações entre suas características, estatisticamente significativas. A partir desse estudo, concluiu Vaillant que os médicos e os sociólogos estudavam o mesmo fenômeno, o alcoolismo. Falavam do mesmo fenômeno a partir de enfoques inteiramente distintos e isso é tão importante que, observando os critérios usados para o diagnóstico do alcoolismo, vemos que são adotados parâmetros tanto de caráter médico quanto social.
Olhando a partir de uma perspectiva mais adequada, volto a apresentar as palavras de George Vaillant que definem o foco, que a meu ver é o mais adequado diante da experiência que acumulei ao longo de muitos anos de prática médica e dos 34 anos de convivência estreita e continua com os membros da comunidade de Alcoólicos Anônimos.
Repetindo, temos que aceitar o paradoxo e admitir que podemos colocar o alcoolismo no modelo médico, mas a etiologia e o tratamento são largamente sociais. Nós, do mundo científico, racionalistas e cartesianos, não gostamos do paradoxo. A palavra paradoxo traz a conotação de imprecisão, de coisa de compreensão difícil, de complexidade, de coisa contraditória, mas uma coisa só é verdadeira quando contém o paradoxo.
DESCONHECIMENTO
Apesar de o alcoolismo ser uma desordem de grande poder destrutivo que, segundo o mesmo autor, afeta de 3 a 10% dos americanos do norte, ser responsável por 25% das internações em hospitais gerais e de ter papel importante nas quatro maiores causas de morte entre homens de 20 a 40 anos de idade: suicídio, homicídio, acidentes e cirrose hepática, além de comprometer seriamente os familiares e amigos dos alcoólicos, a falta de conhecimento acerca do que é o alcoolismo é assombrosa.
FATOS
O que consideramos até o momento nos mostra que o melhor caminho a seguir no conhecimento do fenômeno Alcoólico Anônimos é o da observação pura e simples de fatos reais e de fácil constatação.
BREVE HISTÓRICO
Assim, temos que a Irmandade de Alcoólicos Anônimos surgiu em 10 de junho de 1935 nos Estados Unidos da América, ou seja, há 71 anos. Ao longo de todo esse intervalo de tempo, cresceu de forma contínua e consciente. Ou seja, o crescimento não teve um contorno senoidal, ora para cima ora para baixo, e isso é muito importante para apreciar a consistência e o vigor desta forma de associação humana. É importante ainda acrescentar que poucos são os fenômenos sociais ou mesmo instituições que mostraram tal consistência e longevidade. Por outro lado, difundiu-se para cerca de 150 países do mundo e aqui vale ressaltar que ultrapassou fronteiras não só físicas, mas, sobretudo sociais: lingüísticos, culturais, religiosos, étnicos, etc. Isto é, alcançou seres humanos de todas as raças, de todas as religiões e de muitas e diferentes culturas.
Num primeiro momento, irradiou-se por todos os Estados Unidos. Num segundo, alcançou o norte da Europa e se difundiu por países anglo-saxônicos e de cultura predominantemente protestante. Depois, chegou ao centro e ao sul do continente europeu, ou seja, a países de cultura predominantemente católica. A seguir, alcançou a América Latina, a África e os países do leste europeu. Numa terceira onda, chegou aos países do leste asiático, podendo-se afirmar que Alcoólicos Anônimos está se consolidando como o que, em sociologia, se conhece como um fenômeno mundial, e este é um fato notável.
No Brasil, o primeiro grupo surgiu em 5 de setembro de 1947 e, a partir dos anos 60, tem crescido num ritmo impressionante, de tal forma que hoje existem cerca de 6.000 grupos com aproximadamente 180.000 membros em recuperação.
Fazendo uma imagem simples, podemos dizer que em 1935 eram apenas dois os membros de Alcoólicos Anônimos e que hoje são dois milhões de membros espalhados por quase todos os países do mundo.
COMO É ALCOÓLICOS ANÔNIMOS?
Ao contrário dos movimentos sociais de longa duração, que vão lentamente passando de um início freqüentemente carismático e vão se tornando burocráticos e profissionais ao longo do tempo, isso não aconteceu com a Irmandade de Alcoólicos Anônimos.
O A.A. não está sujeito à lei de ferro de uma oligarquia, não existindo em A.A. uma estrutura de poder e nem um código disciplinar. A Irmandade não possui bens, não ser o que é estritamente necessário para o seu funcionamento, ou seja, apenas alguns bens móveis e nenhum imóvel.
O A.A. funciona sobre uma estrutura celular segmentada, que é uma forma de organização muito eficiente adotada nas sociedades modernas, de modo que todos os grupos são autônomos e economicamente independentes. Eles crescem, morrem, proliferam, diminuem se dividem e se fundem espontaneamente, por si mesmos.
Os grupos são sustentados através de contribuições voluntárias e pela venda de literatura própria. Por outro lado, a estrutura celular não é amorfa, sendo que as células se juntam para formar uma complexa rede com a clara característica de ser uma rede social.
A estrutura celular, em grupos, facilita a tarefa de alcançar diferentes segmentos populacionais de uma sociedade e oferece uma grande variedade de grupos para o recém-chegado escolher, de modo a encontrar um que se adapte à sua personalidade, ideologia e condição social. Por outro lado, esta estrutura permite que formas mal adaptada desaparecem sem colocar a Irmandade, como um todo, em risco.
As decisões são tomadas mais por consenso do que por votação, o que tende a prevenir a divisão em frações. De outra forma, a unidade é reforçada pelo sistema de rotação daqueles que estão em serviço, no desempenho de algum encargo. Não há cargos e tão somente encargos, ou seja, apenas responsabilidades na execução de alguma determinada tarefa, mas sem poder.
Dentro da sua estrutura não-hierárquica e não-burocrática, as lideranças não se apóiam na posição que um membro tenha na estrutura formal da sociedade. O prestígio pessoal depende da sabedoria e ad experiência de vida de cada um, além do trabalho realizado com outros alcoólicos.
ORGANIZAÇÃO POLICÉFALA
O fato de não aceitar ajuda econômica externa, torna os grupos autônomos e, a partir dessa condição, eles se constituem no local primário de tomada de decisões. Por não ter que assumir posição em assuntos externos ao movimento e em questões ligadas ao cuidado com os alcoólicos, fica diminuída a necessidade de tomada de decisões. Outra característica muito importante é que o A.A. tem uma organização policéfala, não existindo uma estrutura central de tomada de decisões. Vale destacar que a estrutura policéfala evita as disfunções causadas pelo envelhecimento das lideranças, pela ossificação das estruturas e as causadas por alguma conduta inadequada.
AUTO-GESTÃO
Uma conferência é realizada anualmente nos países em que A.A. está presente e nela todos os grupos de um determinado país são representados constituindo-se essas conferências naquilo que podemos entender como sendo um aperfeiçoado e eficiente sistema de auto-gestão. No decurso das conferências, são identificadas soluções para os problemas encontrados ao longo de um ano e traçados os rumos para mais um período de igual duração, além de outras providências sendo que, desse grande encontro, resultam apenas sugestões para todos os grupos.
DESTAQUE PARA O PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO
Em princípio, Alcoólicos Anônimos não oferecem tratamento e é um movimento de ajuda mútua, não existindo uma relação profissional/paciente, não obstante existir fora de A.A. um modelo de tratamento realizado por profissionais e inspirado ou orientado para o programa de recuperação de A.A.
Um lugar de destaque fica para o Programa de Recuperação, constituído pelos Doze Passos de A.A.
Os Doze Passos são, literalmente, um programa. Não se trata de um código de conduta, mas sim de tarefas e problemas a serem resolvidos. Os três primeiros são passos de decisão e neles os alcoólicos admitem o alcoolismo e colocam a recuperação nas mãos de um Poder Superior. Os de número 4 e 9 são voltados para uma mudança da relação com a própria vida e com os outros são chamados de passos de ação e os de 10 a 12 são de continuação e manutenção.
LIVRO AZUL
A primeira literatura impressa de A.A. foi o chamado Livro Azul que apresentou os Doze Passos e é um resumo do que os primeiros membros de A.A. fizeram. Os Doze Passos são colocados como um programa sugerido de recuperação. A maioria das suas páginas é dedicada a histórias individuais de recuperação, de tal forma que o aprendizado em A.A. se torna baseado no exemplo.
O A.A. se apóia numa mistura de tradições escritas e orais de modo que possui textos básicos altamente reverenciados que se constituem num modelo para os grupos e para os seus membros, sendo que a tradição oral está associada à ênfase que se faz na experiência individual dos membros. As tradições, escritas e orais são o fruto da experiência individual e, coletivamente, dos grupos.
GRUPOS MAIS E MENOS RÍGIDOS
O A.A. não formula regras de conduta, mas, pela transmissão oral, são passados modos de comportamento e maneiras de falar que vão sendo aprendidas ao longo do tempo pelo exemplo e pela experiência diária. Resumindo, aprendem-se virtudes e sabedoria a partir da experiência, embora não existam regras de boa conduta, do que resulta uma profunda mudança comportamental ao longo do tempo. Dessa forma, há muito de cultural, e assim sendo, são criadas condições para a existência do espaço necessário para o surgimento de alguma variação no sistema de crenças que permite o aparecimento de variantes extremamente doutrinárias e de outras formas mais frouxas, abertas e liberais. Por outro lado, os recém-chegados são usualmente orientados para que visitem diferentes grupos a fim de encontrarem um que se adapte melhor ao seu modo de ser. Dentro desta mesma linha e tendo a recuperação individual como objetivo principal, o membro de A.A. continua com a possibilidade de, a qualquer momento e sempre que necessário, procurar um outro grupo que contribua melhor para a sua recuperação.
Como decorrência, fica estabelecido um processo de auto-seleção contínua e flexível que amplia a condição do A.A. como movimento de ajuda mútua e serve como uma maneira informal e autodirigida de “comparação de tratamento” que está além do alcance de qualquer programa de tratamento profissional.
Em traços muito gerais, desenhamos uma visão macro da Irmandade de Alcoólicos Anônimos e agora vamos à dimensão micro do fenômeno.
Para dar ênfase às dimensões da Irmandade, adotamos uma abordagem bi-polar.
Movemo-nos da dimensão histórica, geográfica e social para o que ocorre no interior dos grupos de Alcoólicos Anônimos. Do cosmo para o átomo.
Vamos entrar na matriz, no útero, vamos para o que gera, para o local onde as coisas acontecem tendo em vista que o grupo de A.A. é a mais importante unidade de atuação, de transformação e de recuperação da Irmandade.
O PRÊMIO LASKER
Em 1951, o Prêmio Lasker foi atribuído aos Alcoólicos Anônimos. No respectivo diploma, lê-se o seguinte:
“A Associação Americana de Saúde Pública outorga o Prêmio Lasker para Grupos referentes a 1951 para Alcoólicos Anônimos, em sinal de reconhecimento pela maneira singular e grandemente vitoriosa com que vem atacando esse problema sanitário e social, velho como o tempo – o alcoolismo. Ao salientar-se o caráter de enfermidade do alcoolismo, o estigma social que acompanha tal condição está sendo eliminado. Os historiadores talvez reconheçam um dia que Alcoólicos Anônimos foi uma grande obra de desbravamento que produziu um novo instrumento de ação social: uma nova terapêutica baseada na irmandade resultante do sofrimento comum; terapêutica que encerra em si um vasto potencial para as miríades de outros males da humanidade.”
(Fonte: Alcoólicos Anônimos)
Dr. Laís Marques da Silva
Ex-Custódio e Ex-Presidente da JUNAAB
Vivência nº105
Janeiro/Fevereiro/2007
Uma tarde sombria
A tarde era sombria.
O frio e o vento caracterizavam Rio Grande no inverno.
De avental branco, óculos no rosto, livro de anotações embaixo do braço, documentos policiais e caneta na mão, por mais uma das inúmeras vezes, entrei no necrotério do Posto Médico-legal onde exerço a função de perito médico-legista.
O trabalho seria igual a tantos os outros: buscar através de necropsia a causa da morte.
Diferentes estavam os estados de meu espírito, minha alma e meus sentimentos. Nem sempre são os mesmo. Variam por fatores que desconheço.
É verdade que a rotina do trabalho tornou-me mais duro embora nunca tenha conseguido fazer-me insensível. Não raro percebo alguma lágrima rolando pelo rosto. Rapidamente seco e sempre atribuo a algum cheiro mais forte.
Por vezes olho o Cristo que coloquei na parede e pergunto: – por quê? Estranho, mas sempre ouço alguma resposta.
Em cima da mesa fria o corpo de um homem, meia idade, quase igualmente gelado e rígido. As vestes maltrapilhas trajadas como uniforme do abandono; o rosto inchado por edema; barriga crescida por ascite; feridas em antebraços e pernas por pelagra, pelos púbicos com implantação feminina por alteração hormonal; musculatura frágil por falta de proteínas, cheiro fétido por esquecimento dos hábitos de higiene.
Olhei para o meu auxiliar e fiz o diagnóstico: – mais um bebum! Cirrose!
A necropsia transcorreu com a frieza e a técnica científica necessária. O diagnóstico foi mesmo de cirrose. Fígado destruído, baço aumentado, varizes no esôfago, edema no cérebro, inflamação no estomago repleto de liquido transparente com cheiro forte de álcool. Mas a tarde era sombria, havia frio e vento e meu espírito, minha alma e meus sentimentos, igualmente, pareciam combinar com o clima.
Olhei para o corpo do homem, suas roupas, sua condição e mais uma vez sequei uma lágrima que rolava pelo rosto. Talvez fosse do cheiro forte do formol que havia na sala.
Quando percebi que não havia formol na sala deparei-me com meu pensamento imaginando a história daquele homem, suas razões, seus sofrimentos.
Teria conhecido os pais? Tido irmãos? Teria estudado, trabalhado? Teria amado? Também teria sido amado? Teria constituído uma família com casa, mulher, filhos, cachorro, sogra? Afinal, qual seria seu desencanto?
As injustiças do mundo? Teria a vida sido a ele mais justa que a tantos outros?
Minha reflexão não trouxe qualquer resposta. Por mais que formulasse perguntas a mim mesmo, mais dúvidas encontrava.
Saí da sala de necropsias convencido que seria inútil buscar respostas. Era mais um bebum morto, mais uma cirrose diagnosticada. Nisso não havia novidade; diferentes estavam meu espírito, minha alma e meus sentimentos… Sombrios como a tarde.
Entrei no setor administrativo do Posto para preencher a Declaração de Óbito.
Num banco pobre de madeira estavam sentados a esposa, um filho e uma filha. Olhei para todos e a cada um deles. Penetrei profundamente em suas almas por seus olhos parados. Por instantes conversamos sem trocar uma palavra. Eu não estava ali para anunciar a morte que eles já sabiam, nem para dar um diagnostico que, igualmente, conheciam. Eu apenas estava ali, em nome da lei, para entregar-lhes um documento que possibilitaria o enterro do cadáver de um esposo e pai.
Olhei a mulher e conversamos. Soube que estavam separados fazia algum tempo. Depois de muitos anos de sofrimento, havia buscado viver sem marido. Ela não chorava de derramar lágrimas. Em seu semblante havia marcas de vivencias muito mais profundas que as deixadas por sua idade. Não havia ódio. Havia mágoa. Uma profunda mágoa, uma tristeza do tamanho do mundo. Seu depoimento, insistindo em testemunhar que quando ele não bebia era um homem bom, saía por voz serena, sem culpas ou lamentos. Dava a perceber que o amor que havia existido deixou algum tipo de sentimento bom. Não sei qual. Restava, talvez, alguma lembrança. Quem sabe do primeiro beijo, pensei eu.
Depois olhei o filho. Tinha os olhos de quem não havia chorado uma disposição de manter-se firma. Não consegui encontrar desprezo em sua expressão. Havia dor. Seu herói havia tombado. Não havia mais tempo de retomar qualquer conversa.
A filha não se importava de esconder o choro. Adolescente mais nova que o filho estampava em seu rostinho um misto de pena e saudade. Talvez, pensei eu, lembrasse de um dia do seu aniversario e a presença do pai sóbrio.
Com o olhar da mulher e dos filhos fixados em minha mente voltei para casa.
O dia parecia-me mais sombrio, a chuva e o vento mais fortes.
A mulher não recordou das agressões sofridas. O filho não contou vergonhas passadas. A filha desconsiderou as ausências havidas.
E eu, não havia realizado a necropsia em mais um bebum: havia encontrado o cadáver de um homem que amou, foi muito amado e, lamentavelmente, padeceu de uma doença chamada alcoolismo.
Dr. Flávio Ennes Cardone
Médico Legista/RS
Vivencia Nº111 – Janeiro/Fevereiro – 2008

CARTA DE BILL W. A CARL JUNG

Carta de Bill W. a Carl Jung
Aqui está um capitulo de vital importância na história dos inícios do A. A., primeiramente publicado na GRAPEVINE, em janeiro de 1963, sendo reeditado em janeiro de 1968 e em novembro de 1974.
CARTA DE BILL, W. Janeiro 23, 1961.
Meu Caro Dr. Jung,

Esta carta há muito lhe deveria ter sido enviada.

Devo primeiramente apresentar-me ao Senhor como Bill W. um dos co-fundadores das sociedades dos Alcoólicos Anônimos. Embora seja provável que o Sr. Já tenha ouvido falar de nós, com certeza ignora que uma conversa que manteve com um de seus pacientes, Mr. Rowland, nos idos de 1930, tornou-se uma das regras fundamentais da nossa Sociedade.

Embora Mr. Rowland tenha nos deixados há muito tempo, o registro de sua inesquecível experiência, enquanto sob os seus cuidados, passou definitivamente para a nossa história e é a que passo a lhe relatar: Tendo Mr. Rowland esgotado todos os recursos para livrar-se do alcoolismo, tornou-se em 1931 seu paciente, permanecendo em tratamento, se não me engano durante mais ou menos um ano; após este tempo deixou-o cheio de confiança e com a mais irrestrita admiração pelo Senhor. Contudo para a sua enorme consternação, retornou ao velho hábito.

Convencido de que o senhor era a sua “tábua de salvação”, voltou ao tratamento. O relato do diálogo entre ambos veio a torna-se o primeiro elo de uma corrente de acontecimentos, que terminaram por induzir a fundação de nossa Sociedade.

A minha lembrança deste relato do encontro entre ambos é que se segue: primeiramente disse-lhe o Senhor francamente que não via esperanças para ele em novos tratamentos, fossem eles médicos ou psiquiátricos. Esta sua posição sincera e humilde foi, sem dúvida, a primeira pedra em que fundamentamos a nossa Sociedade.

Tal afirmação, vinda de quem ele tanto confiava e admirava produziu sobre ele o mais violento impacto.

Quanto ele lhe perguntou se então não haveria para ele alguma esperança, o Senhor lhe respondeu que poderia haver sim e que esta seria a de tornar-se o sujeito de uma genuína experiência espiritual ou religiosa – em resumo, de uma autêntica conversão. Tal experiência poderia motivá-lo mais que outra qualquer, disse-lhe o Senhor. Mas preveniu-o de que conquanto tais experiências tivessem acontecido a alguns alcoólicos, elas eram comparativamente raras. E recomendou-lhe que se colocasse em uma atmosfera religiosa e que esperasse. Esta foi a substância do seu conselho.

Prontamente Mr. Rowland juntou-se ao Oxford Group, um movimento evangélico de grande sucesso na Europa, movimento este que lhe deve ter sido familiar.

Certamente o Senhor se lembrara da grande ênfase que davam aos princípios de autovigilância, da confissão, da reparação e da doação pessoal ao serviço dos outros. Eles também praticavam a meditação e a prece intensivamente. E foi nesta prática que Mr. Rowland encontrou a experiência de conversão, que o libertou, finalmente, da compulsão de beber.

Voltando à Nova York tornou-se membro ativo do Oxford Group, entidade então conduzida pelo Dr. Samuel Shoemaker. Dr. Shoemaker havia sido um dos fundadores daquele movimento e a sua poderosa personalidade era carregada de imensa sinceridade e convicção.

Neste tempo (1932-34) o O. G. já havia recuperado um número de alcoólicos e Rowland, sentindo que poderia identificar-se com aqueles sofredores lançou-se, ele mesmo, no auxílio de outros. Um desses eram um velho companheiro de colégio meu, chamado Edwin T. (Ebby). Ele havia sido tratado por outra instituição, mas Mr. H. e um outro ex-alcoólico do O. G. contataram-se com ele e convenceram a retornar à sobriedade.

Enquanto isto, eu percorria os caminhos do alcoolismo, tentando cura-me por mim mesmo.

Felizmente, acabei sendo cliente do Dr. William D. Silkworth, que era maravilhosamente capaz de entender os problemas alcoólicos. E assim como o Sr. resgatou Rowland, assim também ele me resgatou do álcool.

Sua teoria era a de que o alcoolismo tinha dois componentes: por um lado uma obsessão que compelia o sofredor a beber, contra seu desejo e, por outro lado, uma espécie de dificuldade metabólica que ele chamava de alergia. A compulsão ao álcool garantia que o hábito de beber prosseguiria e a alergia fazia com que o sofredor entrasse em decadência, enlouquecesse ou morresse. Embora eu fosse um dos que havia julgado ser possível ajudar, acabou sendo obrigado a me confessar que já não via mais esperança para o meu caso. Eu deveria considerar o meu tratamento encerrado. Para mim isto foi uma bofetada. Assim como Rowland foi preparado pelo Senhor para a sua experiência de conversão, meu maravilhoso amigo também me preparou para semelhante experiência ao dar-me tal terrível veredicto.

Ouvindo falar sobre a minha recaída, meu amigo Edwin T. veio ver-me em minha casa, onde eu estava bebendo. Era novembro de 1934 e já fazia muito tempo que eu registrara meu amigo Edwin como um caso incurável. No entanto, ali estava ele, no mais evidente estado de sobriedade. Este estado de sobriedade certamente estava relacionado ao curto período em que ele esteve ligado ao Oxford Group e era naquele momento tão evidente, tão distinto de sua usual depressão que me foi tremendamente convincente. Por ser ele um irmão-sofredor comunicou-se comigo em tal profundidade que eu imediatamente senti que deveria buscar uma experiência igual a sua ou então morrer.

Voltei então aos cuidados do Dr. Silkworth; onde pude tornar-me novamente sóbrio, ganhando assim nova visão sobre a experiência da libertação do meu amigo e novo enfoque no caso de Howland H.

Livre mais uma vez do uso do álcool passei a me sentir terrivelmente deprimido, o que me pareceu ser devido a minha inabilidade de adquirir qualquer tipo de fé. Edwin T. visitou-me novamente nesse período, repetindo as mesmas fórmulas do tratamento do O. G. Quando ele me deixou, recaí na mais profunda depressão.

Desesperado, então gritei: – “Se existir um deus, que ele se mostre para mim”. Imediatamente, uma iluminação de enorme impacto e dimensão envolveu-me, uma coisa extraordinária que tentei descrever no meu livro Alcoholics Anonymous, bem como em “A.A. Come of Age”, textos básicos que lhe estou enviando agora.

Meu desligamento da obsessão pelo álcool foi imediato. Senti que me havia tornado um homem livre.

Logo em seguida a esta minha experiência recebi no hospital, das mãos de Edwin o livro de William James, “Varieties of Religious Experience”, livro este que veio me conscientizar que a maior parte das experiências religiosas, as mais variadas têm um denominador comum que é o colapso do ego, a sua queda no maior desespero. O inpíduo tem que se encontrar em uma situação extrema, frente a um dilema insolúvel. No meu caso esta situação, este dilema insolúvel nasceu da minha compulsão à bebida e um profundo sentimento de desespero mais ainda tomou conta de mim quando o meu amigo alcoólico comunicou–me o seu veredicto de incurável, dado a Rowland H.

Durante a minha experiência religiosa tive a inspiração de uma sociedade de alcoólicos em que cada um se identificasse com o outro e lhe transmitisse a sua experiência, em uma espécie de cadeia. Se cada sofredor tinha que dar a notícia do veredicto de incurável que a ciência médica conferia ao ingresso no tratamento, deveria também lhe colocar a possibilidade de uma abertura a uma experiência de transformação espiritual. Este conceito provou ter sido a base de posteriores conquistas dos alcoólicos anônimos. Isto fez com que as experiências da conversão, quase tão múltiplas quanto as citadas por W. James se tornassem disponíveis em larga escala.

Nossos associados somavam no último quarto de século o número de 300.000. Na América e através de todo o mundo eles chegam a formar 8.000 grupos de A. A.

Assim sendo, nós do A. A. fomos extremamente beneficiados pelo Senhor, pelo Dr. Shoemaker do Oxford Group, por William James e pelo nosso amigo, o médico Dr. Silkworth.

Como vê o Senhor claramente agora, esta espantosa cadeia de acontecimentos realmente começou há muitos anos, na sala do seu consultório e foi desencadeada pela sua humildade e profunda percepção.

Muitos elementos do A. A. são estudiosos de sua obra. O Senhor endereçou-se especialmente em sua direção devido a sua convicção de que o homem é mais que o intelecto, as emoções e dois dólares de medicamentos.

Os panfletos e outros materiais que lhe envio mostrar-lhe-ão o quanto a nossa sociedade vem crescendo, desenvolvendo o seu espírito de unidade e como ela vem estruturando as suas bases.

O Senhor gostará provavelmente de saber que além da experiência espiritual, muitos A. A. vêm ingressando em outras experiências psíquicas, com considerável força cumulativa.

Outros membros, depois de recuperados nos A. A. têm sido muito ajudados pelos seus assistentes e alguns são estudiosos do I Ching e do admirável prefácio que o senhor fez para este livro.

Esteja certo de que como ninguém mais o senhor ocupa destacada posição no afeto e na história de nossa sociedade.

Muito grato ao Senhor,

William G. W.
________________________________________
RESPOSTA DE JUNG. Janeiro 30, 1961.
Caro Sr. W.,

A sua carta foi-me realmente bem-vinda.

Não tive mais notícias de Rowland H. e muitas vezes desejei conhecer o seu destino.

O diálogo que mantivemos, ele e eu, e que ele muito fielmente lhe transmitiu teve um aspecto que ele mesmo desconheceu. A razão pela qual não pude dizer-lhe tudo foi que naquela época eu tinha que ser excessivamente cuidadoso com tudo o que dizia. Eu havia descoberto que estava sendo de todas as maneiras mal interpretado.

Portanto, tive que ser muito cuidadoso ao conversar com Rowland H. Mas o que eu realmente concluí sobre o seu caso foi o resultado das minhas inúmeras experiências com casos semelhantes ao dele.

A sua fixação pelo álcool era o equivalente, em nível mais baixo, da sede espiritual do nosso ser pela totalidade, expressa em linguagem medieval, pela união com Deus.

Como poderia alguém expor tal pensamento sem ser mal interpretado em nossos dias?

O único caminho correto e legítimo para tal experiência é que ela aconteça para você na realidade e ela só pode acontecer se você procurar um caminho que o leve a uma compreensão mais alta. E você poderá ser conduzido a esta meta pela ação da graça, pela convivência pessoal honesta com os amigos ou através de uma educação mais alta da mente, para além dos limites do mero racionalismo. Vi pela sua carta que Rowland H. escolheu a segunda opção que, nas suas circunstâncias era, sem dúvida, a melhor.

Estou firmemente convencido de que o princípio do mal prevalecente no mundo conduz as necessidades espirituais, quando negadas à perdição, se ele não for contrabalançado por uma experiência religiosa ou pelas barreiras protetoras da comunidade humana. Um homem comum desligado dos planos superiores, isolado de sua comunidade, não pode resistir aos poderes do mal, muito propriamente chamados de demônio. Mas o uso de tais palavras nos leva a tais enganos que temos que nos manter afastados delas, tanto quanto possível.

Eis as razões porque não pude dar a Rowland H. plena e suficiente explicação. Estou arriscando-me a dá-las a você por ter concluído pela sua carta decente e honesta, que você já adquiriu uma visão superior do problema do alcoolismo, bem acima dos lugares comuns que, via de regra, se ouvem sobre ele.

Veja você, “álcohol” em latim significa “espírito”, e você, no entanto, usa a mesma palavra tanto para designar a mais alta experiência religiosa como para designar o mais depravador dos venenos.

A receita então é “spiritus” contra “spiritum”.

Agradecemos você novamente por sua amável carta, eu me reafirmo.

Seu sinceramente,

C. G. Jung.
Carl Jung e sua perspectiva para o desenvolvimento dos Alcoólicos Anônimos

Escrito por Maria Stella Ferreira Cordovil Casotti *
10-Out-2009
O AA desde seu surgimento, em 1935, tem sido um baluarte na busca da recuperação da dependência química. Pode-se dizer que AA surgiu a partir da necessidade de se dialogar. Foi através do diálogo que Bill Wilson – corretor da bolsa de valores de Nova Iorque – e Bob Smith – médico cirurgião de Ohio – ambos pertencentes ao estrato social da classe média alta, mas com uma vida fracassada pelo álcool, perceberam que ao conversar sobre as dificuldades em se abster do álcool, bem como as conseqüências nefastas resultantes do uso do álcool, lhes deixava mais aptos a manterem-se abstêmios. Esse hábito de conversar foi o trampolim para eles fundarem o AA, grupo de auto-ajuda que tem como objetivo auxiliar as pessoas que sofrem de alcoolismo e/ou outras drogas a se recuperarem.
Talvez a premissa básica do AA seja a renovação do compromisso diário de evitar o “primeiro gole”. Cada um busca se tornar líder, especialmente de si mesmo, mas, também dos outros, para, assim, se tornarem exemplos a serem seguidos. No AA existe coesão social, pois afeto, acolhimento, solidariedade, compartilhamento do que cada um possui do ponto de vista humano, há o senso do pertencimento e com isso são criados laços emocionais fortes especialmente entre os pares. É através do diálogo que os membros de AA compartilham sentimentos, desejos, frustrações e experiências e são essas trocas que direcionam a caminhada para a manutenção da abstinência desses membros. Os diálogos, as leituras e as trocas permitem ao dependente químico ter consciência de sua dependência e, ao mesmo tempo, se por perante o grupo como alguém que necessita de ajuda. O AA busca um despertar no sentido de que os seus membros reflitam da seguinte forma: “Só eu posso me ajudar, mas preciso de ajuda”. Essa descoberta é bárbara, pois há uma perfeita inter-relação entre o individual e o coletivo.
E nessa busca de ajuda vale especialmente a ajuda de um Poder Superior. E é nesse contexto que se oportuniza, ou se possibilita mais o exercício da fé, pois os princípios do AA não se correlacionam por acaso. Eles têm uma seqüência lógica em cada “Passo”. E os primeiros “Passos” explicitam a ação de um Poder Superior, o qual deve ser buscado na sua intensidade para a superação desse modus vivendi desequilibrado. Pesquisas recentes também têm revelado a importância da fé, da espiritualidade, como componentes básicos, necessários a qualquer ser humano, para se viver uma vida mais plena de significados.
E um dos grandes estudiosos da mente humana a apreender o significado da importância da religiosidade para a saúde psicológica foi Carl Jung. Para Jung, Deus e ser humano estão inter-relacionados, uma vez que todo ser humano tem algo de divino.
Segundo Jung toda pessoa tem dentro de si forças curativas, bastando para isso perceber os insights que lhe são oportunizados. Para Jung, a perspectiva religiosa re-liga o homem a Deus, possibilitando assim, a cura e o equilíbrio da vida. Daí, a importância do ser humano, inclusive, limpar seu “arquivo mental” das mágoas, medos, ressentimentos, culpas. De acordo com os preceitos do AA, o Poder Superior liberta da escravidão dos aspectos materiais, mentais e emocionais, tornando o ser humano, assim, senhor de si mesmo, capaz de realizar-se como pessoa humana.
A ênfase espiritual de Jung é contundente em sua carta a Bill W., co-fundador dos AA, como sendo a prática da espiritualidade, no seu sentido mais intenso e profundo possível, a última e única solução para que Holand H, que fôra seu paciente, solucionasse seu problema: se abster do alcoolismo. Jung não só influenciou na conversão e cura de Holand H., como também do próprio Bill W. e outros, mas também na co-fundação do AA, em 1935. Bill W., na busca da libertação do álcool, estava na mais profunda depressão, sem o mínimo de fé, quando, no seu limite, clamou rogando que ‘Se existe um Deus, que se manifeste!’. No mesmo instante, Bill W. foi libertado da obsessão alcoólica. Esse fato mostra que também na “situação-limite” há possibilidades de superação, a partir de uma profunda experiência espiritual, o que fora preconizado por Carl Jung.
Carl Jung teve um papel decisivo na criação da irmandade Alcoólicos Anônimos, especialmente sob a perspectiva espiritual. Foi muito importante, na verdade foi uma inovação a intervenção de Jung unindo ciência e espiritualidade para a resolução dos dramas existenciais humanos, pois para Jung, o ser humano é um ser físico, mas, também, metafísico, transcendental, espiritual.
O dependente químico é um ser humano, que, apesar da perda da autonomia e da liberdade pessoal, em maior ou menor grau, para conduzir sua vida agindo de forma construtiva, tem o livre-arbítrio como uma possibilidade de transformar o seu drama humano em um projeto concreto de vida pleno de significados e valores. Quando esse insith é percebido e vivenciado há um despertar para a vida no sentido global de sua saúde mental e da existência humana.
AA E CARL GUSTAV JUNG
“O VALOR DA VIDA”
To William Griffith Wilson
Alcoholics Anonymous
EUA
30.01.1961
Der Mr. Wilson,
Sua carta foi muito bem vinda. Nunca mais tive noticias de Roland H. e às vezes me pergunto como ele estaria passando. Minha conversa com ele, que corretamente lhe contou, teve um aspecto que ele não conhecia. A razão foi que eu não podia dizer-lhe tudo. Naquele tempo eu tinha que ser extremamente cauteloso em tudo que dizia. Descobri que eu era mal interpretado em todos os sentidos. Por isso fui muito cauteloso ao falar com Roland H. Mas o que realmente levei em consideração foi o resultado de muitas experiências com homens de seu tipo.
Sua ansiedade por álcool corresponde, num nível mais baixo, à sede espiritual do ser humano pela totalidade, expressa em linguagem medieval: a união com Deus.
Como formular semelhante entendimento numa linguagem que não fosse mal interpretada hoje?
O único caminho correto e legítimo para tal experiência é que ela nos acontece realmente, e só pode acontecer-nos quando caminhamos numa trilha que nos leva a uma compreensão mais elevada. Podemos ser levados a este objetivo por um ato da graça e por meio de um contato pessoal e honesto com amigos ou através de uma educação superior da mente, além dos limites do mero racionalismo. Vejo por sua carta que Roland H. escolheu o segundo caminho que foi, sob as devidas circunstâncias, obviamente o melhor.
Estou fortemente convencido de que o princípio do mal que prevalece neste mundo leva a necessidade espiritual não reconhecida à perdição, se não contar com a contra-reação de uma atitude verdadeiramente religiosa ou com a parede protetora da comunidade humana. Uma pessoa comum, não protegida por uma ação do alto e isolada da sociedade, não pode resistir ao poder do mal, que é chamado apropriadamente de demônio. Mas o uso de tais palavras faz surgir tantos erros que é melhor manter-se longe delas ao máximo.
Eis as razões por que não pude dar a Roland H. a explicação cabal e suficiente. Mas ao senhor eu confio porque concluo de sua carta, muito decente e honesta, que o senhor formou uma opinião sobre os chavões errôneos que se ouvem sobre o alcoolismo.
Veja o senhor: álcool em latim é spiritus, a mesma palavra para a experiência religiosa mais elevada e também para o veneno mais prejudicial. A fórmula benéfica é pois: spiritus contra spiritum.
Agradeço novamente sua gentil carta.
I remain
Yours sincerel,
C. C. Jung
William Griffith Wilson, 1896-1971, foi um dos fundadores da associação, originalmente americana, e depois mundial, dos “alcoólicos anônimos” (AA). A fundação ocorreu em 1934. Sua carta a Jung (23.01.1961) e a resposta acima foram publicadas na revista mensal AA Grapevine. The International Monthly Journal of Alcoholics Anonymous, em janeiro de 1963 e novamente em janeiro de 1968. Em sua carta, Mr. Wilson mencionou o caso do alcoólico Roland H., que foi analisado por Jung e cuja cura contribuiu para a fundaçãoda associação: após tentativas frustradas de cura, a análise de um ano e levou uma cura momentânea. Após um ano, Roland H. recaiu e procurou Jung de novo (1931). Este lhe explicou a inutilidade de um tratamento psiquiátrico no seu caso; somente uma experiência religiosa ou espiritual poderia livra-lo de sua situação desesperadora. A observação de Jung, feita com cautela, revelou-se correta. Após uma “conversion experience” no seio da “Oxford Group” Roland H. ficou definitivamente curado. Através de um amigo comum curado da mesma maneira, o destinatário soube disso e teve ele mesmo uma experiência religiosa curadora bem como a visão de um grupo de alcoólicos que contavam suas experiências espirituais uns aos outros. Isto levou à fundação da “Society of Alcoholics Anonymous”. Depois da morte do destinatário descobriu-se o seu verdadeiro nome; Em vida era conhecido apenas como “Bill W.”.
Cartas. Volume III. Carl Gustav Jung. Ed. Vozes.

ASPECTOS HISTÓRICOS DE A.A. NO BRASIL

ASPECTOS HISTÓRICOS DE A.A. NO BRASIL

DIFÍCIL COMEÇO

Corria o ano de 1945, um membro viajante norte-americano, de nome Bob Valentine, amigo de Bill W., de passagem pelo Rio de Janeiro, então capital nacional, conhece uma pessoa também norte-americana (não está totalmente definido se era homem ou mulher), com o nome de Lynn Goodale. Após uma conversa com Bob Valentine, Lynn Goodale encontra a sobriedade.
Ao que parece, a Fundação do Alcoólico era a responsável direta pela correspondência de Alcoólicos Anônimos com a sociedade e o elo entre a correspondência dos seus membros. Portanto, Bob Valentine, de volta aos Estados Unidos, em visita à Fundação do Alcoólico, passa-lhe o endereço de Lynn Goodale, como possível contato no Brasil. .
Prontamente, a secretaria da Fundação do Alcoólico escreve-lhe uma carta na qual solicita a confirmação do contato brasileiro, dizendo-se feliz por poder assinalar um ponto na cidade do Rio de Janeiro em seu mapa de contatos no exterior. Ao receber essa correspondência, Lynn Goodale responde afirmativamente sobre incluir-se como contato de A.A. no Rio de Janeiro e informa que sua estada no Brasil seria por pouco tempo. Solicita também, algum material (memorandos, boletins, etc.), e diz: “Há quatro meses evito o primeiro gole. Fazendo algo, creio que manterei a minha sobriedade (…) gostaria de ter alguma participação no crescimento de Alcoólicos Anônimos, aqui no Brasil.
A carta de agosto de 1945, assinada por Margareth Burgers, então, secretária da Fundação do Alcoólico, não altera em demasia os acontecimentos, mas marca o final da correspondência e Lynn Goodale entra em cena.
No ano seguinte, a Fundação do Alcoólico recebe a seguinte correspondência, vinda do Brasil:

Rio de Janeiro, 19 de junho de 1946 – Brasil

Ao Secretário do
A.A. Cosmopolitan Club
Nova Iorque.

Prezado Secretário:

Há coisa de um mês atrás, o remetente esteve em seu Escritório e antecipadamente prevendo sua mudança aqui para o Rio de Janeiro. Solicitou algum contato com um membro de A.A.. Fui gentilmente informado do nome de Lynn Goodale – Av. Almirante Barroso n 91, como o tal. Lamento informar que devido ao meu precário português, ou endereço incompleto, fui incapaz de localizar esta pessoa e o auxílio das listas telefônicas locais também foi insuficiente.
Você teria a paciência suficiente (considerando que o correio aéreo regular consome cerca de 29 valiosos dias na ligação Nova Iorque/Rio de Janeiro) de me fornecer instruções suficientes para contatar esta pessoa ou qualquer outro membro de A.A. no Rio?

Obrigado pelo seu interesse.

Herbert L. Dougherty
Rua Gustavo Sampaio, n 86 – Apto 402
PS. Você poderá incluir-me como contato para o futuro?

Tratava-se de Herbert L., um publicitário norte-americano, sóbrio deste 1945, quando conheceu ‘Alcoólicos Anônimos’ em Chicago e que veio ao Rio de Janeiro juntamente com sua esposa Elizabeth, para cumprir um contrato de três anos como Diretor de Arte numa grande companhia internacional de publicidade.
A resposta da Fundação do Alcoólico trouxe-lhe o nome de outras pessoas, Don Newton e Douglas Calders, as quais poderiam ajudá-lo; informou-lhe sobre a postagem de um “suprimento grátis de literatura” e trouxe-lhe um pedido de abordagem a um jovem de Recife.
Preocupado em manter a sua sobriedade e decidido a começar um Grupo de A.A. no Rio de Janeiro, Herb (como era conhecido) decide escrever à Fundação do Alcoólico, meses depois do último contato, dizendo não ter encontrado as pessoas indicadas. Nesta carta, datada de 02 de junho de 1947, Herb também informa que ele e sua esposa Elizabeth já haviam se adaptado bem ao Brasil e solicita mais nomes e endereços de possíveis AAs no Rio de Janeiro.
“Lynn Goodale e Don Newton deixaram o Rio de Janeiro”, diz a correspondência vinda da Fundação do Alcoólico, a qual também trás um pedido preocupado: “Não deixes passar outro ano sem correspondência” – e informa ao casal o novo endereço de Douglas Calders.
As cartas trocadas entre a Fundação do Alcoólico e Herb, continuaram. Na próxima, Herb envia um cartão constando seu nome e endereço cadastrando-se oficialmente como contato de A.A. no Brasil.
1947 foi o ano dos acontecimentos que culminaram com o início efetivo de Alcoólicos Anônimos no Brasil. No mês de julho, Herb recebeu o endereço de outro membro de A.A. residente no Rio de Janeiro e alguns panfletos em espanhol, e em outubro, a Fundação do Alcoólico expressa sua felicidade pelo início de um Grupo de A.A. no Brasil.
Contudo há uma lacuna entre a carta de julho e a carta de outubro. Foi justamente nesta época que se inicia o “Primeiro Grupo de A.A.”.

PRIMEIRO GRUPO DE A.A. NO BRASIL
O NÚCLEO DE A.A . DO RIO DE JANEIRO – “A.A. RIO’S NUCLEO”
5 de setembro, por que?

Pouco se tem documentado sobre a formação do Primeiro Grupo de A.A. no Brasil. O que se pode afirmar é que este Grupo de A.A. inicialmente era formado por norte-americanos, a serviço no Rio de Janeiro e que o idioma das reuniões, inicialmente sediadas nas casas ou apartamentos dos companheiros, era o inglês. A maior dificuldade, que Herb teve aparentemente, foi a de não falar fluentemente o português. Ele queria transmitir a mensagem de recuperação a brasileiros ou a quem falasse fluentemente o nosso idioma, pois sabia que quando de sua volta aos Estados Unidos, provavelmente todo o seu trabalho seria perdido.
Alguns pontos, inclusive a data do início do “A.A. Rio’s Núcleo” ou “Grupo de A.A. do Rio de Janeiro”, durante tempos foram envoltos em mistérios e em controvérsias. Vamos agora fazer uma parada na dissertação e dar uma olhada num fato sobre a formação deste Grupo de A.A..
Pudemos observar que o “livro de registros” do Grupo de A.A. Rio de Janeiro, na data de 29 de agosto de 1950, traz a seguinte anotação:
“Data: – aniversário
Na reunião de hoje, deliberamos comemorar o 3(terceiro) aniversário de participação da fundação do Grupo de A.A. do Rio de Janeiro, no dia 5(cinco) de setembro próximo.
A referente data ficará, por tradição, como a data oficial da Fundação do Grupo de A.A..
Rio de Janeiro, 29 de agosto de 1950.
Fernando – Secretário”

Este registro documentado é a mais clara evidência de que a data de início do Primeiro Grupo de A.A. no Brasil, foi dia 5 de setembro de 1947. (Embora exista uma palestra escrita por Harold, proferida em reunião do CLAAB, em 1978, afirmando que foi abril de 1948, é bom lembrar que a JUNAAB, ainda em Baependi/MG, aprovou, CONVENCIONANDO a data de 05 de setembro do ano de 1947. Infelizmente o secretário não menciona detalhes como e onde foi realizada a reunião inaugural, e nem quem foram os participantes dessa reunião.
O mais provável é que nessa data, deu-se o encontro de Herb com o primeiro brasileiro que conseguiu manter-se sóbrio em Alcoólicos Anônimos; foi o companheiro Antônio P., falecido em meados de 1951, quando tentava recuperar-se de um acidente de trabalho.

TRABALHO ÁRDUO COM OS OUTROS
CRESCIMENTO DO GRUPO DE A.A. GRAÇAS À INTENSA DIVULGAÇÃO

Na carta de outubro, vindo da Fundação do Alcoólico e que comentamos anteriormente, há uma sugestão para que o recém formado Grupo de A.A. trabalhasse firme na divulgação: …”Por todos os meios, prossigam com os planos de levar Alcoólicos Anônimos ao conhecimento público. Muitos Grupos de A.A. têm achado que são de grande ajuda os artigos nos jornais e não há contra indicações quanto a isso, contando com as Tradições de A.A.- anonimato, propósito, dinheiro, etc. (…) Depois de estrondosa abertura a publicidade, um grande número de Grupos de A.A. tem usado anúncios pequenos, informando que estão funcionando e o endereço onde maiores informações poderão ser obtidas.”
Baseando-se, talvez, nessa sugestão, foi que Herb encaminhou uma carta ao jornal “O Globo”. O editor ficou muito entusiasmado e o artigo apareceu na primeira página da edição de 16 de outubro de 1949.
“Alcoólicos Anônimos – Uma Sociedade de Fins Meritórios” era o título do artigo que detalhava o funcionamento de A.A. “Alcoólicos Anônimos é uma sociedade composta por pessoas que tendo sido bebedores inveterados, conseguiram livrar-se do alcoolismo e trabalham com o intuito de se ajudarem mutuamente e se manterem sóbrios. Sendo ex-bêbados, não entramos em discussão com aqueles que bebem normalmente ou com os fabricantes de bebidas alcoólicas, nem somos contra essas pessoas. Não temos também, como Grupo, qualquer ligação ou afiliação com determinada igreja ou organização missionária ou organização de temperança. Como ex-bêbados, estendemos a nossa simpatia e auxílio a qualquer pessoa de qualquer classe social e de qualquer religião, que tenha perdido o controle sobre a bebida e que, sinceramente queira abandonar o vício”. Apesar de falar em “vício”, o artigo mostrava também o aspecto “doença”. Mencionava algo sobre o anonimato e Primeiro Passo e, por fim, solicitava aos interessados que escrevessem cartas à redação do jornal, endereçadas ao Núcleo brasileiro de A A..
O artigo repercutiu e Herb respondeu cerca de dez (10) cartas de pessoas pedindo ajuda, e o jornal solicitou outro artigo.
Depois, Herb e sua esposa Elizabeth – que parece ter sido a redatora da maioria das cartas – noticiaram o fato à Secretaria da Fundação do Alcoólico que, posteriormente, transmitiu as boas novas a Bill W.. Nesta mesma correspondência Herb demonstra preocupação em registrar a Irmandade junto ao Governo Brasileiro e informa ter encontrado Douglas Calders, com quem já havia feito algumas reuniões.
A manifestação da Fundação do Alcoólico, através da sua secretária Margareth Burger, foi típica de A.A.. Lendo a carta de novembro de 1947, pode-se sentir a emoção com que receberam a notícia do progresso brasileiro. Foi aí também, a primeira referência sobre a tradução do Livro Grande e de outros folhetos para o português e a informação de que só havia tradução para o espanhol.
Quanto ao “registro” junto ao Governo Brasileiro, a funcionária da Fundação do Alcoólico disse: “Discuti com Bill W. o assunto do material apropriado para submeter à apreciação do Governo Brasileiro. Bill W. acha que vocês podiam explicar às pessoas daí, que A.A. não é uma incorporação, mas é simplesmente uma organização sem fins lucrativos, cujo propósito primordial é o de ajudar na recuperação do portador da doença do alcoolismo, se ele o desejar. Caso vocês nos dêem o nome para contato com o Governo Brasileiro, a Junta de Custódios de A.A. poderá enviar a Constituição da Fundação do Alcoólico, que foi fundada para agir como uma espécie de Comitê de Serviços Gerais para Alcoólicos Anônimos e é uma incorporação”.
Aqui cabe uma pausa. Nesse trecho podemos notar o que Bill W. pensava quando dizia que ele e o Dr. Bob, eram o elo de ligação entre os Grupos de A.A. e os Custódios da Fundação do Alcoólico. No caso desse “registro brasileiro”, vemos como Alcoólicos Anônimos ainda carecia de uma estrutura e como Bill W. era o consultor direto da Fundação do Alcoólico.
Voltemos aos fatos. Só em abril próximo (1948), a Fundação do Alcoólico recebeu a resposta do casal Herb e Lib, como era chamada Elizabeth. Isso, segundo Herb, devia-se ao “tempo e trabalho árduo”. Nessa época havia várias boas novas: …”contamos com quatro brasileiros. Somos seis se incluirmos Doug C. e eu mesmo. Esses quatro brasileiros estão abstêmios por seis meses ou mais. Nosso mais novo recruta veio através de uma carta que havíamos escrito a um pastor daqui.. Trata-se de um anglo-brasileiro que tem lido tudo que se relaciona com o A.A.. Traduziu “Os Doze Passos” para o português, ajudou-nos a escrever um artigo para os jornais aqui do Rio de Janeiro, e, no momento está nos ajudando a traduzir um folheto de A.A.”.
Nessa época, vários artigos já haviam sido publicados em jornais brasileiros e uma matéria foi veiculada num jornal direcionado à comunidade de língua inglesa, no Brasil, o “Brazil Herald”. Eles também estavam com um material pronto para publicação, aguardando somente o número de uma Caixa Postal a ser usada como endereço para a correspondência. Além de tudo isso, o recém formado Grupo de A.A. já havia postado cerca de trinta (30) cartas (sendo a metade em inglês) a médicos, igrejas e outras entidades do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte. Enfim, essa correspondência foi tão carregada de progressos, que posteriormente a Fundação do Alcoólico solicitou a sua publicação no “A.A. Grapevine”.
Na correspondência seguinte vinda da Sede, notou-se a preocupação com a tradução do folheto para o português. Assim, foi solicitado a Herb que encaminhasse um exemplar para análise, bem como cópia de alguns dos artigos publicados nos jornais brasileiros, para apreciação e arquivo.
Neste mesmo mês, o livrete ou folheto de A.A. estava quase totalmente traduzido e a Associação Cristã de Moços (ACM), emprestou uma das suas caixas postais a Alcoólicos Anônimos, fato noticiado de pronto à Nova Iorque.

“LINGUAGEM DO CORAÇÃO”
DEPOIMENTOS EM “PRETO E BRANCO”

Sem sombra de dúvida, a maior dificuldade encontrada por aqueles pioneiros no Brasil, foi o idioma. Os brasileiros que chegavam não entendiam o inglês, e os americanos, residentes ou de passagem pelo Brasil, pouco ou quase nada falavam em nossa língua. Até mesmo Herb, já há dois anos no Rio de Janeiro, pouco dava “colorido” aos seus depoimentos em português – como ele mesmo mencionou. Hoje entendemos que só através da linguagem do coração, aquela que acontece quando um alcoólico fala com outro, é como estes membros se comunicavam. A recuperação, mesmo no Grupo de A.A. tornava-se quase que um desafio. Sentia-se muito, a falta de tradução do texto básico “Alcoólicos Anônimos” e, em virtude disso, alguém traduzia uma pequena parte e lia em cada reunião. Com este quadro de dificuldades, era premente a necessidade de receberem membros que falassem fluentemente os dois idiomas,(inglês e português). Talvez, por isso, deu-se tanta importância à chegada de Harold, mesmo sendo Antônio P., o primeiro brasileiro a chegar a Alcoólicos Anônimos. Vamos relembrar um pouco do encontro entre Herb e o valoroso Harold, numa carta escrita por ele mesmo (Harold) e publicada na revista “A.A. Grapevine”, em novembro de 1990.
“A história de A.A.no Brasil, começa em junho de 1946, quando Herb D., que havia ficado sóbrio há um ano em Chicago – EUA, vem para o Rio de Janeiro com um contrato para trabalhar como diretor artístico de uma empresa americana de publicidade. Como era novato no “Programa de Recuperação”, sua preocupação imediata foi procurar a Irmandade na cidade onde ele viveria por três anos. Alcoólicos Anônimos, entretanto, era desconhecido no Rio de Janeiro, embora Herb tivesse alguns nomes para fazer contato. Visto que nenhum desses companheiros permanecia por muito tempo no Brasil, a Irmandade ainda não havia criado raízes.
Após alguns meses de tentativas, Herb esperou pelo interesse dos bebedores-problemas brasileiros (e havia muitos no Rio de Janeiro, naquela época), para ajudarem-no a manter-se sóbrio e, levando a mensagem, formarem Grupos de A.A. no Brasil. Como em todo o mundo naqueles dias, alcoólicos no Brasil eram considerados um estorvo social, dos quais o verdadeiro lugar era numa clínica psiquiátrica ou na Delegacia de Polícia.
Em 1947, Herb conseguiu bebedores brasileiros como ingressantes. Um desses, era Antônio P., que parou de beber e manteve-se sóbrio com alguma dificuldade, em virtude da falta de literatura traduzida para o português, até sua morte num acidente em 1951. O outro brasileiro afastou-se das reuniões. As reuniões aconteciam nas casas de companheiros que estavam sóbrios.
O grande apoio de Herb vinha de sua esposa Libby, uma não-alcoólica que o incentivava muito no seu trabalho de levar a mensagem. Herb tinha uma correspondência volumosa com a Fundação do Alcoólico e conseguiu publicar alguns artigos sobre A.A. nos jornais do Rio de Janeiro.
No início de 1948, graças à boa vontade de um Bispo Episcopal que estava no Rio de Janeiro, Herb encontrou-se com Harold. Ele era um anglo-brasileiro com um caso de alcoolismo tido como perdido. Tinha servido o exército britânico durante a Segunda Guerra Mundial, retornando ao Rio de Janeiro em 1946. Nesse ínterim, havia perdido vários empregos; fora expulso da casa de seus sogros; perdido sua esposa, e por fim, ido morar no porão da casa de um irmão na cidade de Niterói, do outro lado da Baía da Guanabara. O Bispo e o irmão de Harold arranjaram um encontro entre os dois, para um sábado.
Nesse primeiro encontro, Herb contou a Harold (que havia bebido a manhã toda), a história de como tinha parado de beber, substituindo gole a gole, a bebida do seu copo, por água pura, até que passasse a beber somente água. Como, após muitas tentativas frustradas, ele tinha sido capaz de evitar encher o copo com bebida alcoólica e, assim, evitar o primeiro gole. Ele falou também sobre o Plano das Vinte e Quatro Horas, sobre a melhora na sua vida pessoal e empresarial. Por fim, Herb pediu a Harold que pusesse o sistema em prática e que, quando ele parasse de beber, tentasse traduzir o máximo possível, um folheto de A.A. que lhe entregara. Herb havia trazido esse folheto dos Estados Unidos, Os dois combinaram encontrar-se na quarta-feira seguinte, no prédio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio de Janeiro, para que Harold mostrasse os progressos tidos na tradução.
Na data marcada, Harold teve um apagamento nas primeiras horas do dia, após ter tomado aquele que seria o seu último gole, usando o método sugerido por Herb. Apesar disso, naquela manhã, Harold barbeou-se, tomou banho, vestiu roupas limpas, comeu algo com a família incrédula do irmão e colocou-se a caminho – sóbrio, mas com uma terrível aparência – para encontrar-se com Herb, lavando algumas páginas que havia traduzido. Os dois encontraram-se no salão de café do prédio e, nesse encontro, um novo período de um mês foi fixado para que Harold, sóbrio, terminasse a tradução. Herb iria mandar imprimir a versão em português. Demorou mais do que o previsto, porém, no início de 1949, o panfleto estava impresso e começava a ser distribuído a todos que os solicitavam.
Em junho de 1949, quando Herb retornou aos Estados Unidos, havia um Grupo de A.A. com doze membros sóbrios, que se reuniam regularmente todas as segundas–feiras, à noitinha,numa pequena sala da ACM, do Rio de Janeiro. Herb, no início, apelidou o Grupo de A.A., de “Os Doze Desidratados”. Depois foi formalmente chamado de “O Núcleo de A.A. do Rio de Janeiro” e, finalmente ficou com o nome de “Grupo Rio de Janeiro de A.A.” .
Harold W.

(Datado de agosto de 1948, o cadastro de Herb e Harold, como membros do “Núcleo A.A. do Rio de Janeiro”, vem com o número da Caixa Postal cedida pela ACM, e o endereço da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), como local de reuniões).

A UNIDADE NO GRUPO DE A.A.
Como funcionava o “Grupo Rio de Janeiro de A.A.”

As correspondências da época demonstram claramente o espírito de Irmandade que havia entre os membros do primeiro Grupo de A.A. no Brasil. Os mais antigos demonstravam grande preocupação com os novos membros, especialmente com os brasileiros, nas reuniões que aconteciam ora em casa de um dos membros, ora na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Apesar de vários americanos participantes, era sabido que a maior parte estava somente de passagem por algum tempo, a trabalho. Nas entrelinhas de uma carta de 1949, escrita por Antônio P. a Harold, que se encontrava temporariamente no sul do país, observamos a unidade entre aqueles poucos companheiros, quinze ou mais. A carta também falava sobre o problema que tiveram com o tesoureiro do Grupo de A.A. que havia se afastado com a reserva financeira. A solução encontrada foi uma “coleta secreta” entre os companheiros para saldar a pequena dívida e incentivar o retorno do companheiro, o que aconteceu mais tarde. De fato, os problemas do Grupo de A.A. já existiam, no entanto, as sábias decisões também.
Nesse ano, já se contava com um bom número de brasileiros assíduos ao Grupo de A.A., e várias reuniões eram feitas em português, com tradução simultânea aos que só falavam a língua inglesa. Este fato trouxe tranqüilidade a Herb, pois voltaria para a América do Norte dentro de pouco tempo, mais precisamente em junho de 1949. Mas, antes que isso ocorresse, foi bem-vinda uma norte-americana, Eleanor, uma das primeiras mulheres AAs no Brasil, talvez, a primeira. Ela incumbiu-se logo da correspondência com a Sede de Nova Iorque, bem como, da tradução do material recebido.
Em 1950, o Grupo de A.A. passava por problemas financeiros e recorreu à Fundação do Alcoólico para a aquisição de alguns livros. Vale notar que a Fundação do Alcoólico mantinha uma reserva financeira do “Grupo de A.A. brasileiro”, a qual nesse ano foi diminuída pela metade a título de contribuição à Sede de onde periodicamente vinham boletins e cartas. Nessa ocasião foi solicitado também um exemplar do Manual do Secretário. Aparentemente os encargos existentes eram o de Tesoureiro e Secretário, que era uma espécie de Coordenador Geral.
O Grupo de A.A. fixou seu endereço à Rua Santa Luzia, de onde se mudou após um ano, quando começou a eleger mensalmente um Coordenador de Reuniões, A impressão do livrete “Como Cooperar para uma Obra Meritória”, segundo número da literatura em português, deu-se nesse período. Era uma cópia fiel do “Capítulo Sete” (Trabalhando com Outros) do Livro Grande, estrategicamente traduzido quando o Grupo de A.A. precisava crescer para se firmar e originar novos Grupos de Alcoólicos Anônimos.
.Em 1951, o companheiro Antônio P. sofreu um acidente de trabalho, teve o seu pescoço quase degolado e faleceu quando ainda passava por cirurgias plásticas. Antes de sua morte, recebeu uma carta de Harold, da qual podemos reproduzir o seguinte trecho:
“Você é um herói, Antônio, não há dúvida de que entre nós, você é o AA número um (primeiro). Pode ser um dos menores por fora, mas dentro dessa alma enorme e forte, cabemos todos nós folgadamente. Sem dúvida alguma, você conseguiu o que eu, pelo menos, ainda não alcancei: traduzir e interpretar bem à vontade as intenções do Poder Superior, e ser forte na certeza de que Ele está sempre ao seu lado, podendo enfrentar cada dia com paz de espírito e serenidade. Que Deus lhe abençoe, meu bom amigo”.
Provavelmente Antônio P. teve dificuldade em se fixar no Programa de Recuperação devido à linguagem, mas manteve-se firme em suas vinte e quatro horas até o final de sua vida.

A DIFICIL TAREFA DE DIVULGAR A MENSAGEM
Um mal-intencionado artigo distorce os Princípios da Irmandade

Tudo o que os iniciadores fizeram até os idos de 1952, fora transmitir a mensagem. Herb em 1947 foi o autor de uma matéria no jornal “O Globo”. A partir daí, uma sucessão de “boa publicidade” aconteceu; foram várias as matérias publicadas a bem da nossa recém forjada Quinta Tradição. Por falar em Tradições, elas haviam sido aprovadas no ano anterior, em Cleveland, e os Grupos de A.A. em geral tentavam seguir estes “Doze Pontos” para assegurar o futuro de Alcoólicos Anônimos. Mas, como no início da história da Irmandade de A.A. nos Estados Unidos, aqui no Brasil também tivemos problemas relacionados aos princípios tradicionais.
Uma das primeiras “desavenças” envolveu Harold num artigo que refletiu várias inverdades sobre a Irmandade de Alcoólicos Anônimos. “Os Regenerados do Álcool”, da Revista da Semana.
Provavelmente com a finalidade meramente noticiosa ou sensacionalista, a Revista da Semana coloca para os seus leitores um “furo de reportagem” sobre uma “sociedade secreta dos antigos viciados”. Tudo começou com uma farsa.
O repórter iniciou o trabalho de “desvendar o mistério” – usando uma expressão do texto – com telefonemas a Harold W., dizendo-se bebedor inveterado e ansioso por ajuda. Prontamente, como deveria ser, o companheiro marcou um encontro no qual sua primeira pergunta foi: “Quais são os sintomas que você sente quando bebe?” A resposta, o repórter comenta na matéria: “Por um instante ficamos paralisados sem saber o que responder. Da resposta que déssemos a essa insignificante pergunta, dependeria o sucesso da reportagem. Aquelas palavras, ditas à queima roupa, soavam com violência e ressonância aos nossos ouvidos. Naquele momento estava em jogo todo o trabalho de preparação, os esforços que fizemos para descobrir os responsáveis pela secreta agremiação, o assunto de suma importância para nós, enfim, tudo seria sacrificado se não respondêssemos satisfatoriamente. Havia a necessidade de responder que éramos portadores do malsinado vício, que éramos beberrões inveterados em busca da salvação e amparo. E foi o que fizemos, com êxito”.
A partir daí todos podem imaginar o teor comercial da reportagem. O artigo foi ilustrado pela capa e contracapa do Folheto Branco, e pela foto de Harold almoçando, fruto de um mirabolante plano. A recuperação através da Irmandade não é muita citada nos documentos que dispomos. No entanto, exatamente uma semana após a publicação, Harold escreveu ao diretor da Revista da Semana consternado por ter sido ludibriado e pela quebra da Tradição do Anonimato. Nesta carta Harold esclarece também os pontos distorcidos da Revista da Semana. Discorre com detalhes sobre o Princípio do Anonimato, sobre o nosso propósito único, a respeito da recuperação em A.A. , e encerra dizendo: “Se o seu repórter tivesse comparecido e declarado sua verdadeira intenção, eu o teria ajudado com o máximo prazer a apresentar uma reportagem que não afetasse desfavoravelmente os princípios da agremiação humilde de A.A. ou dos seus membros, nos moldes das publicadas anteriormente no Brasil por conceituadíssimos periódicos”.
O assunto da reportagem parece não ter ido muito à frente, mas provavelmente ajudou na resolução de se constituir um Órgão de Serviço de A.A. juridicamente com registro em cartório.
Em dezembro daquele ano um estranho Estatuto, mais “As Doze Tradições” foram registrados no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Estranho porque entre as incumbências do Secretário Geral do Conselho estavam: “Orientar e fiscalizar todos os Grupos de A.A. e seus membros, evitando qualquer ligação com outras entidades e exploração de qualquer natureza” e “Fazer cumprir as Tradições e estes Estatutos”.
Ainda falando em divulgação na imprensa, em 1953 o jornal “A Noite”, num artigo equivocado, dizia que Alcoólicos Anônimos havia sido fundado no Brasil, naqueles dias, quando o Grupo Rio de Janeiro de A.A findava as suas atividades e já contávamos com outros Grupos de A.A., dentre eles o Grupo Central do Brasil de A.A., fundado em 1952. Não obstante, a divulgação continuou inclusive no Rádio. Em 1956 contávamos com cerca de treze (13) Grupos de A.A. no Brasil, registrados no Catálogo Mundial.

OS SERVIÇOS GERAIS

1952 – Observa-se pelo descrito, que, embora insipiente, os serviços iam lentamente desenvolvendo-se. Para melhor memorização, vejamos os principais fatos ocorridos;
• Em 08/12/52 foram registrados, como anteriormente foi citado, os primeiros Estatutos da Irmandade no Brasil.
• Foi fundado o Grupo Central do Brasil de A.A., que durante a década centralizou as atividades de A.A. no Brasil.
• Noticiou-se a formação dos Grupos de A.A. em Juiz de Fora/MG e Belo Horizonte/MG, Nova Friburgo/RJ e de Salvador/BA.
No período, houve diversas realizações no que concerne à literatura. Divulgação externa, com programas radiofônicos semanais, com a colaboração em particular do saudoso Dr. Paulo Roberto (médico do Rio de Janeiro); instituiu-se a sacola da Sétima Tradição.
• Proliferaram as abordagens, tradução e publicação de literatura, sendo a oficialização e conseqüente direito de impressão negados pelos Serviços Mundiais de então.
Ainda entre os anos 1952 e 1961, constávamos com dez (13) Grupos de A.A. funcionando em todo o País, considerando a formação de mais dois (2) Grupos de A.A. no Rio de Janeiro, o de São Luiz/MA e em Juiz de Fora/MG e Itajubá/MG.

1962 a 1968 – Trata-se de um período de relevantes reformas no Serviço, com a preocupação de se formar novas lideranças, expandir-se com novos Grupos de A.A. e divulgar a mensagem, inclusive continuando no Rádio, assim tivemos uma Rádio Novela sobre A.A..
O Programa Homens, Fatos e Idéias, da Rádio Ministério da Educação e Cultura, em junho de 1962, dedicou-se ao problema do alcoolismo e a Alcoólicos Anônimos. Foi uma espécie de novela falada que se referia à fase crítica de um alcoólico, suas atitudes, seus familiares e sobre Alcoólicos Anônimos, dando ênfase às Quinze Perguntas (na época), editadas no final do Folheto, chamado “Livro Branco”. Num momento da história, o narrador interrompe.
“Você que nos ouve poderá ser um completo abstêmio. Poderá ser um leve bebedor social, para que o álcool não constitui um problema. Mas, certamente você conhece alguém que não consegue eliminar a própria sede e para quem o álcool é um grande e crescente problema. Apenas, no interesse desse seu amigo ou conhecido, a quem estamos tentando levar uma esperança, ouça com atenção algumas das perguntas que A.A. tem a fazer”.
Seguia-se o Programa com ilustração dos papéis pelos locutores e uma explicação minuciosa, com breve depoimento, proferido por um membro AA. Em seguida, após as perguntas, como no atual folheto “Você deve Procurar o A.A.?”, foi lido o resultado que fala das quatro respostas afirmativas. Durante todo o Programa, foi amplamente divulgado o número da Caixa Postal de A.A., que já não era o número daquela Caixa Postal cedida pela ACM e sim, uma nova Caixa Postal alugada desde 1950. De certo, esse Programa contribuiu muito para que Alcoólicos Anônimos recebesse vários alcoólicos pedindo ajuda.

OUTROS FATOS MERECEM REALCE NO PERÍODO

Criação das primeiras Intergrupais do Rio de Janeiro, na Paraíba e em Minas Gerais, que pelas suas forças de catalisação, ensejaram a formação de novos Grupos de A.A. em todo o Brasil, isto é, em Recife/PE, Campina Grande/PB, Goiânia/GO, etc.
Surgimento das primeiras Reuniões Administrativas sistematizadas, Grupos de A.A. temáticos e institucionais, manutenção da divulgação no Rádio, salas alugadas, Intergrupais com telefone, primeiros programas na televisão, participação em seminários sociais, a reuniões abertas à comunidade, criação e funcionamento de treinamento para Coordenadores de Grupos de A A..
Reforma dos Estatutos existentes, adequando-os às Tradições de A.A..
Realização da Convenção Nacional no Rio de Janeiro, em 1965, com a participação de seis (6) Estados e, por motivos de segurança, foi patenteada a sigla – “A.A.”.
Criação de um Conselho Administrativo de A.A. composto por membros veteranos que na mesma data realizou sua primeira reunião, elegendo seus membros e providenciando o registro em Cartório, com emissão da 1a. Circular para os Grupos de A.A., mandando igualmente publicá-la no Diário Oficial.
Em fins de 1968, existia no Brasil, cerca de oitenta e oito (88) Grupos de A.A..

A LITERATURA OFICIAL NO BRASIL
O LIVRO – “ALCOÓLICOS ANÔNIMOS”

Ao falarmos de literatura de A.A. e do início das publicações oficiais no Brasil, não poderíamos deixar de dar atenção especial ao fato sobre como aconteceu a publicação do livro Alcoólicos Anônimos, em português. Um companheiro de São Paulo, chamado Donald L., o qual se dispôs a traduzir o livro ‘Alcoólicos Anônimos’, comunicou-se com o GSO, que respondeu sua carta em outubro de 1966, sugerindo-lhe a tradução dos onze primeiros capítulos após a formação de um Comitê de Tradução, e também lhe informando que a impressão deveria ser feita, após análise, em Nova Iorque. O GSO não permitiu a impressão no Brasil.
Em fins de 1968, Gilberto, um membro do AA brasileiro, residente nos Estados Unidos, conheceu Donald L., conseguindo intermediar as relações entre ele e AAWS – A.A. World Service, Inc. – Serviços Mundiais de Alcoólicos Anônimos.
Órgão responsável pela Literatura Oficial de A.A..
Em havendo a concessão para a impressão do livro ‘Alcoólicos Anônimos’ e também do financiamento, o Diretor da Instituição do AAWS, o então Presidente Robert E. Hitchins enviou correspondência cientificando da decisão, estabelecendo porém, condições indispensáveis à impressão, quais sejam:
• Que fosse instalado no Brasil um Centro de Distribuição de Literatura para o Brasil. (operacional);
• Que o livro fosse vendido, no varejo no preço correspondente a US$ 2,00 (dois dólares) cada unidade, para indivíduo, com possibilidade de ser vendido até a US$ 1,75 (um dólar e setenta e cinco centavos) por unidade, para os Grupos de A.A.;
• Que posteriormente, quando criado o Escritório de Serviços Gerais de A.A. no Brasil, o Centro de Distribuição de Literatura passasse a se constituir parte integrante daquela organização de serviços;
• Que uma vez aprovada a proposta em questão, fosse a operação considerada “em confiança”, assumindo todos os participantes a responsabilidade, como reais representantes de todos os membros de Alcoólicos Anônimos no Brasil.
Aceita todas as condições do AAWS, em abril de 1969 o companheiro Robert E. Hitchins, Presidente dos Serviços Mundiais de A.A., liberou o Direito de Edição e Publicação, em português, de 2.000 (dois mil) exemplares do livro ‘Alcoólicos Anônimos’, ao custo total não superior a US$ 2.000 (dois mil) dólares.
O AAWS estabeleceu ainda, pela concessão, as condições que seguem:
• Remessa ao AAWS de US$ 0,82 (oitenta e dois centavos) trimestralmente por cada exemplar do livro, vendido ou distribuído;
• Advertência expressa no livro de que os Direitos Autorais pertencem ao AAWS, e, proteção integral quanto ao citado Direito;
• Publicação do livro acima do limite de 2.000 (dois mil) livros, dependeriam da necessária autorização;
• No caso de não serem vendidos nem distribuídos os 2.000 (dois mil) exemplares, notificar ao AAWS para providências julgadas de acertos.
À vista das condições enunciadas, em 20 (vinte) de setembro d0 ano de 1969, sob a coordenação do companheiro Donald M. Lazo, foi discutida e aprovada a criação do Centro Brasileiro, para edição em português, da literatura de A.A. de originais americanos.
Em 05 (cinco) de novembro do mesmo ano, encontravam-se regularmente formalizado o “CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO DE LITERATURA DE A.A. PARA O BRASIL – CLAAB”, Sociedade Civil de natureza literária, sem fins lucrativos.
A publicação do livro Alcoólicos Anônimos, conhecido no Brasil como Livro Azul, proporcionou o intercâmbio oficial entre os Grupos de A.A. existentes na época e os seus cadastramentos, uma vez que o CLAAB ia anotando os endereços, dias e horários de reuniões, conforme as solicitações do livro, pelos Grupos de A.A., fornecendo-os às pessoas que buscavam ajuda.
A Revista Eclesiástica Brasileira – REB, Órgão Oficial de Comunicação entre a prelazia brasileira e as paróquias, publicou uma elogiosa crítica ao livro, recomendando-o como instrumento útil na recuperação de alcoólicos. Na mesma época, graças a amigos de A.A., tivemos acesso ao saguão da PUC – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde se realizava o 4 Congresso Latino Americano de Psiquiatria, local em que foi montado um “stand”, com a pouca literatura de que dispúnhamos e os companheiros falaram diretamente com 2.000 (dois mil) médicos, explicando-lhes o conteúdo do livro, e oferecendo gratuitamente, exemplares dos folhetos disponíveis. Registrou-se um recorde: duzentos e vinte exemplares vendidos em quatro dias. (Até aquela data, nossa venda não havia passado de vinte exemplares por mês).

UM BREVE RETROSPECTO

1968 A 1975 – Início da Estrutura de Serviço no Brasil, alicerçada em quatro itens:
1. Fundação em 20/09/69, em São Paulo, do Centro de Distribuição de Literatura de A.A. para o Brasil – CLAAB.
2. Unificação do, A.A. no Rio de Janeiro, em 20/06/71, resultando na criação do primeiro Escritório Nacional de Serviços – ENSAA.
3. Realização do Primeiro Conclave em São Paulo, no carnaval de 1974, quando o CLAAB foi considerado um Organismo Nacional de Serviços de A.A..
4. Em 1974 o ENSAA do Rio de Janeiro encerra as suas atividades.
Esses acontecimentos serviram de ponto de partida para o extraordinário crescimento da Irmandade, considerando-se que houve um aumento de 468% (quatrocentos e sessenta e oito por cento) no número de Grupos de A.A., percentual este inferior apenas ao período de 1962 a 1968, cujo crescimento foi da ordem de 780% (setecentos e oitenta por cento).
Na época foram formados Grupos de A.A. em Brasília/DF, Porto Alegre/RS e Campo Grande/MS.

1975
• Realizado o II Conclave em São Paulo.
• Criação da primeira Central de Serviços. (Central de Serviços de Alcoólicos Anônimos da Zona da Mata de Minas Gerais)

Em conseqüência desse movimento evolutivo, registra-se acontecimento básico para a Irmandade no Brasil – assentamento para firmar os Serviços Gerais e a Estrutura em potencial.
O fundamental foi à fundação da JUNAAB, em 29 de fevereiro de 1976, instituída consoante carta no seguinte teor:

São Paulo, 1 de novembro de 1975

Estimados Companheiros

A débil chama ateada por Bill e Bob, há quarenta anos, sem dúvida por inspiração divina, é hoje esplendente luzeiro a espraiar seu brilho pelo mundo todo, iluminando o caminho de uma infinidade de alcoólatras em serena sobriedade: homens e mulheres que, unidos pela Fé, pela Esperança e pelo Amor, se empenham com sincera humildade em busca de seu crescimento espiritual.
No decorrer do quadragésimo ano de existência do A.A mundial, o CLAAB através de sua Diretoria Executiva, vem jubilosamente, congratular-se com os estimados Companheiros, pela inestimável contribuição desse valoroso Grupo à expansão e fortalecimento do A.A. no Brasil, augurando-lhes um sempre crescente êxito na tarefa de transmitirem a Sublime Mensagem aos alcoólatras que ainda sofrem.
O crescimento e a Unidade de A.A. em nosso País é uma esplêndida realidade que muito nos sensibiliza e conforta.
O Brasil, contando atualmente com mais de 500 Grupos de A.A., deverá proximamente, vencer a última etapa do desenvolvimento da Estrutura de Serviços Gerais, consolidando a união dos AAs de nossa querida Pátria, iniciada no memorável Conclave de Carnaval de 1974, com a reestruturação do CLAAB e posse de sua Primeira Diretoria Nacional.
Durante o 2 Conclave, o Conselho Diretor do CLAAB, reunido em Assembléia Geral Extraordinária, no dia 10 de fevereiro deste ano, com a presença de 18(dezoito) diretores (delegados representando 11 (onze) Estados, inclusive o Distrito Federal), deliberou sobre a criação da Junta de Serviços Gerais de A.A., para o Brasil, a ser efetivada durante o próximo Conclave a realizar-se em São Paulo, no carnaval de 1976.
A Junta, a qual o CLAAB ficará subordinado, deverá inicialmente ser constituída pelos atuais Delegados Estaduais eleitos para o biênio 1975/76, mais os que vierem a ser eleitos para o biênio 1976/1977.
A criação da Junta propiciará melhor distribuição dos encargos executivos, com o imprescindível desmembramento das funções ora atribuídas apenas aos dois membros da Diretoria Executiva do CLAAB, o que trará a desejada e necessária eficiência na execução dos serviços, mormente quanto à presteza no atendimento da correspondência.
A propósito, pedimos muitas desculpas aos estimados Companheiros por nossa aparente desatenção com relação à correspondência, tal como cartas não respondidas ou respondidas com atraso, falhas que lamentavelmente não temos conseguido superar, não obstante nossa dedicação e sincera vontade de servir. Outrossim, cumpre-nos informar o seguinte:
A imprevista mudança do Escritório – por terem os locadores, não obstante haverem prometido uma prorrogação do contrato, solicitado a entrega da sala – acarretou despesas extraordinárias de não pequena monta, com a aquisição de estantes e móveis, pois os que guarneciam o Escritório pertenciam aos locadores.
Foram feitas novas impressões dos quatro folhetos e contratada uma nova edição do Livro Grande, que deverá ser-nos entregue em dezembro, conforme prometido pela editora.
Por esses motivos e pelo fato de diversos “grupos” e alguns AAs individualmente, inclusive pretensos líderes, terem deixado de pagar literatura que solicitaram para pagamento em curto prazo, desequilibrando assim, nossas previsões financeiras, fomos obrigados a adiar a publicação do livrete “O Grupo”, cujo lançamento será feito, o mais tardar, até o carnaval de 1976.
Por outro lado, temos a satisfação de, com nossos agradecimentos, registrar as contribuições dos Grupos de A.A. relacionados em anexo, as quais, este ano, atingiram a soma de CR$ 3.275,40.
Apraz-nos também comunicar que a dívida do CLAAB para com o GSO está reduzida a apenas US$ 391,45.
A criação da Junta Nacional é o passo decisivo para a afirmação da maioridade e que o Poder Superior guie e ilumine todos nós!
Alcoólicos Anônimos no Brasil. Por isso, apelamos para que todos os Grupos de A.A. cooperem com o seu prestígio em prol da Unidade de A.A. no Brasil, nenhum deles se omitindo nas próximas eleições para a escolha dos Delegados Estaduais.

Fraternalmente

P/CLAAB
Arlindo Mello Bianchi Waldomiro de Oliveira
Diretor Executivo-Secretário

1976 – O chamamento foi atendido mediante a presença de 16 (dezesseis) Estados e participação de 27 (vinte e sete) membros – Delegados Estaduais – que somados aos membros do Conselho Diretor do CLAAB, reuniu-se no salão geral do Hilton Hotel, em São Paulo, capital, aos 20 (vinte) dias do mês de fevereiro de 1976, assinando o livro próprio de presença, sob a Presidência do companheiro Sigoulf Rau, e tendo como secretário o companheiro Luiz Alves de Araújo Filho, indicados pela Assembléia que se instalava para a instituição da Junta de Alcoólicos Anônimos para o Brasil – JUNAAB, que após a leitura, ampla discussão e as devidas emendas, foi aprovado os tão esperados Estatutos.
No bojo dos Estatutos foram transcritos “Os Doze Passos” e “As Doze Tradições”, enquanto nos seus artigos, parágrafos e itens, regulamentavam o funcionamento da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos no Brasil – JUNAAB, consubstanciando que é uma Sociedade Civil, sem fins lucrativos e de duração indeterminada, com Fórum na Capital da cidade de São Paulo, regendo o seu Estatuto nas disposições Legais que lhe foram aplicadas. Tem como objetivo promover a Unidade e continuidade da Irmandade de Alcoólicos Anônimos no Brasil.
Constitui apenas um Órgão de Proteção de Serviços e jamais um Órgão Governamental para o A.A. no Brasil, tendo como formalidades à execução do serviço de A.A. no plano nacional e, será a guardiã d’Os Doze Passos e d’As Doze Tradições de A.A., cabendo-lhe emitir sugestões da Assembléia, que propiciem a Unidade Nacional de Serviços que lhe estão afetos.
O Estatuto dispõe que são Órgãos da Junta de Alcoólicos Anônimos – JUNAAB, uma Assembléia Geral, uma Diretoria e o CLAAB.
1 – Uma Assembléia Geral composta por representantes de Grupos de A.A. localizados nos Estados, em número de dois por Estado, eleitos pelos Representantes de Serviços Gerais – R.S.Gs, nas então, Convenções Estaduais, desses Grupos de A.A., denominados Delegados Estaduais, e por pessoas não-alcoólicas escolhidas e também eleitas nessas Assembléias e estatutariamente denominados “membros da Junta”, quando por esta forem homologados. Os membros não-alcoólicos devem ser pessoas residentes no País, não recebendo remuneração de qualquer espécie. As reuniões da Junta de Serviços Gerais poderão ser Assembléias Ordinárias ou Extraordinárias e ocorrendo uma vez por ano, por ocasião do carnaval, para avaliar, planejar e emitir sugestões e as recomendações necessárias à harmonia e ao desempenho das atividades da Obra em ação a nível nacional, onde possa alcançar os membros de A.A..
2 – Uma Diretoria constituída por companheiros de A.A. eleitos anualmente pelos Delegados Estaduais, sendo pilar básico de sua atribuição à continuidade da Junta, nos períodos compreendidos entre uma Assembléia e outra, responsabilizando-se por manter reuniões regulares da Junta – convocação e realização das citadas reuniões.
3 – O CLAAB identicamente é uma Sociedade Civil, sem fins lucrativos. Criado inicialmente por exigência do AAWS Inc. (Serviços Mundial de A.A.), com o propósito de tradução, impressão, venda e distribuição da literatura de A.A. no Brasil, originária dos EUA. Teve seus objetivos ampliados ao receber a responsabilidade de executor dos Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos no Brasil – JUNAAB, função cessada em cumprimento das Recomendações números 1 e 2 da Comissão de Finanças, quando da V Conferência de Serviços Gerais, realizada nos dias 16, 17 e 18 de abril de 1981, (A Conferência que determinou o desmembramento físico foi realizada em Porto Alegre/RS, no ano de 1980), que dispôs sobre o desmembramento físico, financeiro e administrativo do CLAAB/ESG. O CLAAB deveria ficar somente como editor e distribuidor da literatura de A.A. no Brasil.
Embora o CLAAB seja subordinado à Junta de Alcoólicos Anônimos, é um órgão distinto e autônomo, legalmente constituído, com Estatuto próprio sujeito às disposições aplicáveis pelas leis do País, formado por:
• Uma Diretoria composta por membros de A. A. e por não-alcoólicos, com mandato de três anos e eleitos pelos Delegados Estaduais.
• Um Conselho Fiscal composto por três membros efetivos e três membros suplentes, membros ou não de Alcoólicos Anônimos, nomeados pelo Presidente acordado com os Secretários e Tesoureiros. O mandato do Conselho Fiscal é de três anos e tem competência de praticar todos os atos e exercer todos os poderes que lhe são conferidos pelas leis do País.
A Ata relativa à instituição da Junta de Alcoólicos Anônimos do Brasil e, respectivo Estatuto, foram registradas sob o número 2.519, do dia 20 (vinte) de junho do mesmo ano (1976), no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas de São Paulo, Capital, enquanto os Estatutos e Ata da Constituição do CLAAB aprovados em 1 de março de 1978, acham-se registrados no 1 Cartório de Registro de Títulos e Documentos de São Paulo, em data de 20 de junho de 1976, sob o número 2.548 e anotado sob o número 19.671, Livro “A”, n 19 do Registro de Pessoas Jurídicas, documentos esses, arquivados com devido desvelo por integrar peças do acervo do A.A. no Brasil. A Assembléia que criou a JUNAAB, credenciou o A.A. no Brasil, a enviar dois representantes para a IV. Reunião Mundial de Serviço (hoje RSM), em Nova Iorque, em outubro de 1976.

1977 – NASCIMENTO DA CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS NO BRASIL

A Primeira Conferência de Serviços Gerais no Brasil, teve lugar em Recife/PE, nos dias 05, 06 e 07 de abril de 1977, e foi organizada nos moldes da IV Reunião Mundial de Serviços. (Nova Iorque, dias 06, 07, 08 e 09 de outubro de 1976), (ouvir a gravação feita pelo companheiro Joaquim Inácio, na ocasião, no encargo de Delegado a RSM, em 1976), quando o Brasil se fez representar pela primeira vez.
Esta representação resultou da criação da JUNTA NACIONAL DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS NO BRASIL – JUNAAB, em 29 de fevereiro de 1976, em São Paulo (durante o III Conclave Nacional), que já contava com 29 (vinte e nove) Delegados Estaduais, representando 15 (quinze) Estados e o Distrito Federal, oriundos do antigo Conselho Diretor do CLAAB.
Um recém-chegado aprende rapidamente a importância do trabalho do Décimo Segundo Passo, que serve para assegurar a sobriedade de quem leva a mensagem e como opção para quem recebe. De imediato, se percebe que o referido trabalho é ampliado para dar origem a Intergrupais, Centrais de Serviços e aos Comitês de Áreas e Distritos, bem como Órgãos de Serviços Nacionais.
Os SERVIÇOS em A.A. são vitais para o crescimento da Irmandade, uma vez que vêm suprir as necessidades que transcendem ao indivíduo, ao Grupo de A.A. e aos Organismos de Serviços.
A CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS é. portanto, a manutenção da consciência coletiva dos GRUPOS DE A.A., através de uma cadeia de representatividade iniciada pela ação dos Grupos de A.A. elegendo seus R.S.Gs, passando pelos M.C.Ds, Comitês de Áreas, terminando na Junta de Serviços Gerais. Para tanto, necessitam-se de contribuições voluntárias em dinheiro, vindas dos membros da Irmandade, para que haja um bom funcionamento.
A Conferência de Serviços Gerais é a depositária da Consciência Coletiva dos Grupos de A.A. e o Órgão máximo e soberano, de deliberação da Irmandade de A.A.no Brasil.
PARA QUE A CONSCIÊNCIA COLETIVA SE MANIFESTE CORRETAMENTE, É NECESSÁRIA A PARTICIPAÇÃO DE TODOS OS NÍVEIS DE SERVIÇOS, DE FORMA QUE A INFORMAÇÃO CHEGUE DE MODO CLARO, LÍMPIDO, RÁPIDO E PRECISO.

1977– PRIMEIRA CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS DO BRASIL

Nos dias 05 e 06 de abril de 1977, reuniram em Recife/PE, a Junta Nacional de A.A. no Brasil, em Assembléia Geral Ordinária. Cumprindo as formalidades de abertura, seguiu-se o item 3 (três), da Ordem do Dia, aprovando-se que os trabalhos se desenvolvessem tal e qual uma Conferência de Serviços Gerais, formada por Delegados Estaduais, pelos membros da JUNAAB e Diretores do CLAAB que integram Comissões, em número de 4: Agenda, Literatura e Publicações, Finanças e Política e Admissões. Iniciativa, fruto da experiência trazida da Reunião Mundial, pelos 02 (dois) representantes brasileiros.
Assim é que, desde a aprovação do primeiro Estatuto da JUNAAB e o início dos Serviços Gerais, havia convicção de que estas iniciativas eram temporárias e objetivavam a obtenção de ações de maior alcance e definição. Isto já demonstrava uma Recomendação da Conferência para que os Delegados Estaduais indicassem nomes de membros de A.A. com mais de 10 (dez) anos de sobriedade contínua para servirem como Custódios e de pessoas não-alcoólicas, bem relacionadas com a Irmandade, para funcionarem como membros da JUNAAB – note-se que tais pessoas não foram mencionadas como futuros Custódios não-alcoólicos.
Nessa mesma ocasião, Órgãos Locais de Serviços, já existentes, se formalizavam estruturalmente e compartilhavam suas experiências através do recém ativado “Boletim BOB”, informativo da JUNAAB. Ainda sinalizando progresso estrutural, este “Boletim” publicava informações e esclarecimentos sobre os Serviços Gerais, particularmente as atribuições do Delegado Estadual e do RSG.
Recomendou-se que o Conclave Nacional de A.A. fosse realizado a cada 2(dois) anos, preferencialmente nas capitais e a Conferência de Serviços Gerais anualmente, alternando com o local do Conclave e a Sede de Serviços Gerais – São Paulo/Capital.

1978 – Acontece a 2a. Conferência de Serviços Gerais em Belo Horizonte/MG e o V Conclave em datas de 20, 21 e 22 de março de 1978, que adiou os procedimentos para a Reforma Estatutária para posterior deliberação.
Finalmente, destacou-se neste evento a presença do Dr, John L. Norris, o conhecido “Dr. Jack”, Presidente da Junta de Custódios de Alcoólicos Anônimos para os Estados Unidos/Canadá, convidado especial da Coordenação, que acompanhou com interesse todos os trabalhos.
O Dr. Jack, ao sair do hotel, depois da Conferência, foi abordado pela gerência do hotel, e pagou do próprio bolso a despesa que deveria ser paga por Alcoólicos Anônimos no Brasil.

1979 – A Conferência de Serviços Gerais ocorreu nos dias 12, 13 e 14 de abril de 1979, em São Paulo, salientando a constituição de uma Comissão Especial e Permanente para a Reforma Estatutária, cujo trabalho findava em dezembro de 1981, e ser apresentado na VI Conferência de Serviços Gerais.
De modo que em 08/07/79, reuniu-se pela primeira vez em São Paulo a pré-citada Comissão, com inclusão dos Custódios, de acordo com as Recomendações 01 e 14, da Comissão de Política e de Admissões.

1980 – Em Porto Alegre, nos dias 31 de março, 1, 2 e 3 de abril de 1980, acontecia a IV Conferência de Serviços Gerais, que confirmou e reforçou a Comissão Especial e Permanente para a Reforma Estatutária nos termos da Conferência anterior (1979). Simultaneamente realizava-se o VI Conclave Nacional.
Alertavam ainda, aos Grupos de A.A. quanto as Traduções e Publicações que corriam à revelia do CLAAB e demais Organismos de Serviços, sendo repassado aos Grupos de A.A. e a companheiros individualmente, em desrespeito aos Direitos Autorais. Literatura essa considerada clandestina, (pirata).
Os Delegados Nacionais apresentaram os seus Relatórios referentes a V Reunião Mundial de Serviços, realizada em Helsinki/Finlândia e do Encontro Ibero/Americano, realizado em Bogotá/Colômbia.

1981 – Nos dias 16, 17 e 18 de abril de 1981, reuniu-se a V Conferência de Serviços Gerais, em São Paulo e como mencionado, ratificou o desdobramento Administrativo, Financeiro e Físico do CLAAB/ESG, ficando o CLAAB apenas como distribuidor de literatura de A.A. para o Brasil, enquanto o ESG assumia de fato os Serviços Gerais (Executivo) de A.A. a nível Nacional. (O Tio Nica, então diretor do ESG, deixou Porto Alegre/RS e foi para São Paulo, morando no mesmo cubículo onde era localizado o ESG).
Em setembro do mesmo ano, foi realizado em Brasília/DF, o I Seminário Nacional de Prevenção do Alcoolismo, promovido e coordenado pelo Ministério da Saúde – DINSAN, contando com representante da JUNAAB, companheiro do Rio de Janeiro. Este Seminário viria ensejar a Cooperação de A.A. e aquele Organismo (PROAA, posteriormente PREA – Projeto de Intercooperação com Sistema Informal de Saúde no Tratamento de Alcoólicos), que não prosperou.
Em fins de 1981, dia 07 de novembro, foi inaugurada a nova Sede do ESG, que se desmembrou do CLAAB, constituindo Estatuto próprio, com Registro no Terceiro Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas de São Paulo, sob número 27.091, em 02 de outubro do corrente ano (1981), sob denominação de “O Estatuto de Alcoólicos Anônimos no Brasil – Escritório de Serviços Gerais S/C. AABESG”, que funcionou à Rua Itaipu, 31 – Praça da Árvore – Vila Mirandópolis.
Na época, cogitou-se até em adquirir Sede própria, o que não aconteceu. (Felizmente para o nosso bem e para o A.A. como um todo).
Ainda neste ano, os Conclaves passaram a dominar-se Convenção, por melhor adequar-se à Irmandade de A.A..(Custamos a perceber que não éramos e não somos cardeais).
Registrou-se a uniformização do emblema (símbolo) de A.A., tendo na base do triângulo o I Legado – RECUPERAÇÃO; no lado esquerdo o II Legado – UNIDADE; no lado direito o III Legado – SERVIÇO; e suprimindo do emblema a palavra RESPONSABILIDADE, que não é Legado. Também recomendou a oficialização das cores branca e azul para o pavilhão (Bandeira), inserindo-se nosso Símbolo conforme apresenta nossa Bandeira Atual, (o Símbolo em Azul).
Volta-se a enfatizar quanto ao trabalho da Comissão Especial para a Reforma Estatutária a ser entregue à Comissão de Política e Admissões até 30 de novembro de 1981, já revisado pelos Delegados à Reunião Mundial de Serviço.
Nesse espaço de tempo, consoante pesquisa, foram efetuados em todo o País, Encontros, Seminários, Simpósios, etc,, reunindo milhares de AAs com trabalhos em cooperação com os Al-Anons e Alateens (estes formados no Rio de Janeiro, no mês de janeiro de 1966).
Notadamente neste período – 1976-1981 – o A.A. no Brasil ia ao encontro da consolidação estrutural, destarte, esta demora e receio para a aludida “Reforma Estatutária” evidenciasse a insegurança de se introduzir pessoas não-alcoólicas no Serviço da Irmandade, assunto intensamente debatido, contando com a oposição de membros da Conferência.

1982 – Face às ações havidas nos anos anteriores na VI Conferência e VII Convenção, nos dias 5, 6, 7, 8 e 9 de abril de 1982, em Fortaleza/CE, foi discutido e aprovado o tão almejado Estatuto da JUNAAB que possibilitaria A.A. no Brasil exercitar a Estrutura Tradicional da Irmandade, e instituir a Junta de Custódios, composta de 6 (seis) membros de A.A. e 3 (três) não-alcoólicos.
Recomendou-se também, a tradução e versão do Manual de Serviços Americano/Canadense, para o nosso uso experimental e conseqüente adaptação à realidade brasileira.
Essa Convenção, inovou ante o lançamento de um livro com os temas expostos pelos companheiros, que recebeu o título “Serviço – Responsabilidade de todos”, resultando para os companheiros que não puderam estar presentes, uma visão panorâmica do ocorrido naquele evento.
Atendendo ao elevado teor dos temas, o livro foi acolhido com simpatia e debatido com minúcias na maioria dos Grupos de A.A. do País, proporcionando crescimento significativo, motivando o apadrinhamento para os serviços.

1983 – Na VII Conferência de Serviços Gerais, em São Paulo, realizada nos dias 30 e 31 de março e 1 de abril de 1983, foram eleitos os primeiros Custódios do Brasil, em número de 9 (nove), conforme o previsto; sendo 3 (três) não-alcoólicos e 6 (seis) alcoólicos, membros da Irmandade, oriundo dos Grupos de A.A., todos para serem empossados na VIII Conferência de Serviços Gerais, em 1984.
Nesta Conferência, a Junta deixa de ser Junta Nacional de Alcoólicos Anônimos do Brasil (JUNAAB), para ser Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil. Por ser difícil a pronúncia de JSGAAB, optou-se por mudar o nome e manter a sigla JUNAAB, mais fácil de pronunciar e já conhecida de todos os membros.
O encargo de Custódio era questionado, porquanto muitos membros AAs receavam o comportamento dos não-alcoólicos, principalmente, no que concerne na condução dos negócios da JUNAAB e nas relações com os Grupos de A.A. em geral.
Historicamente, os Custódios em A.A. surgiram com a Fundação do Alcoólico, na América do Norte e precederam a estrutura da Conferência de Serviços Gerais daquele País, que podia receber doações de fora e os doadores abaterem do Imposto de Renda, as quantias doadas. Com o advento dos Princípios em particular, das Tradições, a aceitação dessas contribuições foram abolidas.
A.A. no Brasil aperfeiçoava-se no serviço e na mensagem, surgindo nos diversos Encontros, as Reuniões Médicas, intituladas “Mesa-redonda”, com a participação dos assistentes, em sessões de perguntas e respostas, enriquecendo as Convenções.
Com a publicação e divulgação do Manual de Serviços, em 1983, algumas Áreas iniciaram a implantação experimental da Estrutura de Serviços Gerais, resultando na participação e aceitação dos R.S.Gs. De sorte que, nessa Conferência (1984), houve abertura para explanação sobre a experiência levada a efeito por essas Áreas, documentada por trabalhos escritos e entregues à Junta de Serviços Gerais.
Logo após a VI Conferência, em Fortaleza/CE e divulgado o Manual de Serviços e Os Doze Conceitos para o Serviço Mundial, (Na VII Conferência, em São Paulo, foram entregues O Manual de Serviços e Os Doze Conceitos para Serviço Mundial. Foi neste ano que os Delegados das Áreas, depois de eleger o Dr. Viotti, foram conhecê-lo no III Encontro Paulista), a Diretoria da então CEMISAA – Central Mineira de Serviços de A.A., ao receber os Relatórios do Custódio Alcoólico (Classe B), do Delegado Estadual 83/84 e do Secretário do CLAAB, detonaram a fase evolutiva do A.A. no Brasil, sensibilizando a liderança do Estado (Área/MG) para implantação da Estrutura tradicional.
Em 29 de maio de 1983, convocou uma Assembléia de R.S.Gs, onde explanação sobre Estrutura foram feitas, decidindo na seqüência, pela constituição de um Comitê de Área interno, para a implantação da referida Estrutura de Serviços, escolhendo por aclamação um Coordenador de Área, um Secretário e um Tesoureiro, o que viria a assinalar um marco na Estrutura de Serviços de A.A. no Brasil.
No período entre a eleição e a posse, o Dr, Jurandyr Barcellos da Silva/RS, que fora eleito Custódio não-alcoólico, veio a falecer, sendo substituído pelo General Olímpio, do Rio de Janeiro; o Custódio alcoólico Eduardo Guimarães, também eleito em 1983, não tomou posse na ocasião, sendo oficializada a posse de ambos na primeira reunião da Junta de Custódios, em Caxambu/MG, nos dias 14, 15 e 16 de dezembro de 1984.

1984 – O acontecimento relevante dessa 8a Conferência de Serviços Gerais, acontecido nos dias 16, 17, 18 e 19 de 1984, concomitantemente com a 8a Convenção, em Blumenau/SC, foi à instalação da Junta de Custódios,
Quando da posse levantou-se a questão sobre o prazo de 3 (três) anos para os quais os Custódios foram eleitos, quando na realidade, na forma estatutária, deveriam ser eleitos 3 (três) Custódios pelo período de 1 (um) ano, sendo 1 (um) classe “A” e 2 (dois) classe “B“; mais 3 (três) Custódios por 2 (dois) anos, sendo igualmente 1 (um) classe “A“ e 2 (dois) classe “B“, e, da mesma forma, 3 (três) Custódios, classe “A”, pelo período de 3 (três) anos. Prevendo-se a grande dificuldade que se encontrava para conseguir futuros Custódios, em particular classe “A“, o assunto foi amplamente debatido, (Faltou humildade nos companheiros que quiseram “sacrificar-se”, saindo com um (1) ou dois (2) anos), sugerindo-se que o cumprimento estatutário fosse modificado posteriormente, e que fosse mantido o mandato de 3(três) anos.
O assunto em votação, foi aprovado pela maioria e efetivada a posse da Junta de Custódios na seguinte ordem:
Presidente da Junta de Custódios …Dr. José Nicollielo Viotti, Custódio Classe “A”;
2 Vice-Presidente ……………………..Gefferson Baptista de Carvalho, Custódio Classe “B“;
1 Tesoureiro …………………………….Professor Joaquim Luglio, Custódio Classe “A“;
2 Tesoureiro ……………………………Adauto de Almeida Machado, Custódio Classe “B“;
Secretário Geral ………………………..Waldir Ferreira Gonçalves, Custódio Classe “B”;
2Secretário …………………………… José Washington Chaves, Custódio Classe “B“;
Custódio-Adjunto ……………………. Lúcio Antônio Pinto, Custódio Classe “B“
Como observador, participou desta Conferência, Jorge Mário Ifrán, Secretário da OSG do Uruguai, que em sua palavra disse que levava muitos subsídios para o Serviço de seu País.
Nessa Conferência, houve a abertura para a explanação em Plenário, sobre a constituição da Estrutura de Serviços Gerais de A.A., na Área de Minas Gerais, feita pelo Coordenador da Área, documentada mediante trabalho escrito e entregue à Junta de Serviços Gerais, naquela oportunidade. (Recomendação n 32, da Comissão de Normas e Procedimentos).
A experiência mineira motivaria os demais Estados – Áreas – a trabalharem para igualmente implantar a Estrutura preconizada.
Nessa Conferência houve também, a eleição para a Diretoria do CLAAB/ESG.
Durante o ano, a Junta trabalhou intensamente para a sua organização, ouvindo os Organismos de Serviços, enfim, a Irmandade, para as ações a desenvolver. Reitera a autorização para a criação da Revista Brasileira.

1985 – O Serviço de A.A. ganha força e vigor com a formação da Junta de Custódios, que passa a reunir-se em Baependí/MG, sob a Coordenação do seu Presidente não-alcoólico, tendo como convidados representantes nacionais sem caracterização de encargos.
Nessas reuniões formavam-se Grupos de Trabalho e eram discutidos temas diversos relativos ao crescimento da Irmandade. Planejando-se para se dar corpo estrutural a composição da Junta de Serviços Gerais – JUNAAB.
Em assim sendo, na IX Conferência de Serviços Gerais, realizada em São Paulo, nos dias 01, 02, 03 e 04 de abril de 1985, a Presidência da Junta de Serviços Gerais, entre os vários informes, ressalvadas as dificuldades, em que se aproveitando experiências de companheiros que anseiam em colaborar, cita a criação dos seguintes Comitês de Serviços da Junta de Serviços Gerais: Finanças, Informações ao Público, Cooperação com a Comunidade Profissional, Instituições, Arquivos e Conferência (hoje Comitê de Assuntos da Conferência). Referiu-se às Finanças da Junta, dinheiro em A.A., que a Tesouraria daria detalhes minuciosos à respeito, além de comentar a forma de substituição – rodízio – dos Custódios e no que concerne os nossos Estatutos. Alerta e fala sobre prudência, comportamento e privacidade, que depende de nós, os membros, na prática do Programa de Recuperação, visando única e exclusivamente o crescimento da Irmandade e, por conseguinte, o de cada AA individualmente.
Alicerçado nesse progresso, a Comissão de Agenda sugere um tema para a Conferência: “ESTRUTURA – VAMOS FAZER?“, e propõe para a abertura, um gesto arrojado de exposição sobre “O Grupo”, “Estrutura de Serviços Gerais”; “O Programa de Recuperação – Os Doze Passos ”, “Unidade de A.A. – As Doze Tradições” e “Os Doze Conceitos para os Serviços Mundiais”, com espaços para debates – Seção de Participação.
Embora a proposta fosse enviada a todos os conferencistas, que não responderam, assinalando com o presente silêncio – aceitação – quando da prática da votação na Conferência de Serviços Gerais, não aprovaram a Agenda, mesmo em sendo modificada sob a alegação de vir de encontro ao Regimento Interno daquele Organismo.

ABRIMOS UM PARÊNTESE PARA A QUESTÃO “DINHEIRO”

Conquanto, a introdução da Sacola da 7a.Tradição tenha ocorrido no Brasil em 1952, a auto-suficiência sempre foi precária, mais para nenhuma.
O desconhecimento dos Princípios Básicos e a Irmandade no País em constante crescimento, nos seus aspectos dinâmicos e filosóficos, sempre estiveram a mercê do arbítrio e interpretação dos líderes da época, que se incumbiam de propagar, o que persiste ainda hoje, que em A.A. não se paga nada – ninguém é obrigado a nada – direcionando enganosamente à liberdade democrática oferecida pela Irmandade, que prevê que o membro AA para recuperar-se, deve submeter-se aos Princípios de Recuperação. Logo, o próprio membro AA deve obrigar-se, participando das reuniões, vivenciando Os Doze Passos, exercitando As Doze Tradições, entre elas, a Sétima Tradição, no sentido espiritual e material – doando-se espontaneamente, inclusive com o dinheiro.
Devido à falta de informação, membros dos nossos Órgãos de Serviços viajaram por todo o Brasil, conscientizando, divulgando a Literatura, ao tempo que angariavam fundos para a sustentação de nossos Escritório – CLAAB/ESG.
Foram criados carnês para contribuições, os Delegados Estaduais foram também concitados a contribuir e motivar os R.S,Gs a fazerem o mesmo, assim como os Grupos de A.A., mas as dificuldades não diminuíram.
Nesse estado crítico, a Junta de Custódios, recém empossada, ficou desorientada e ainda sem o assessoramento dos Comitês, idealizou e formalizou uma “rifa” para o sorteio de um automóvel, o qual era o primeiro prêmio dentre os cinco(5) prêmios prometidos. O que foi para todos nós, motivos de sérias polêmicas – uma amarga experiência, tão negativa, que não há como descrevê-la.
Alcoólicos Anônimos é do Poder Superior e houve a intercessão de DEUS; os prêmios ficaram para a Irmandade, decorrente dos números não vendidos, uma vez que o apurado não cobria os custos para os prêmios colocados a sorteio. Não devemos ser contrários aos Princípios – respeitemos as Tradições! Eis o alerta!
Caminhamos, estamos aprendendo a duras penas e nos sustentando. Tivemos a consciência de contribuições voluntárias, as Conferências de Serviços Gerais passaram a ser realizadas com as despesas niveladas e atualmente com a verba das vendas de Apostilas da Conferência, enquanto que as Convenções são realizadas sem lançar mão da venda de “souvenires”. São custeadas por intermédio de inscrições antecipadas dos membros AAs e também de lançamentos de edição de livros e livretes de nossa Literatura autorizada pela Conferência de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos. Sobretudo, estamos mais abertos para falar de auto-suficiência e assumimos responsabilidades como Grupos de A.A. e membros da Irmandade.
Nessa Conferência de Serviços Gerais de 1985, foi proposta e aprovada a criação de uma Comissão Especial para Reforma do Manual de Sérvios de A.A. para o Brasil, composta de 02 (dois) membros da Área de Minas Gerais, 02 (dois) membros da Área de São Paulo e 02 (dois) Custódios Regionais, 1 (um) da Região Sudeste e outro da Região Centro-Oeste.

A REVISTA “VIVÊNCIA”

Uma revista brasileira de A.A. que servisse de divulgação em nível público sempre foi desejada desde os primeiros Conclaves (hoje, Convenções). Nos dias 17, 18 e 19 de agosto de 1985, a JUNAAB, na 2a. Reunião de Serviços Nacional, realizada em Baependí/MG, por sugestão dos Comitês, inclusive os membros do CIP. CCCP, CI. (CTO), recém oficializados, dos Comitês de Finanças e do Comitê de Literatura, elegeram uma Diretoria e autorizou uma edição experimental: seria o N 0 (Zero), marco inicial da revista, lançada em novembro do mesmo ano, em Campo Grande/MS, quando do Seminário da Região Centro-Oeste, com o nome de “Revista Brasileira de A.A.”
A revista foi um sucesso total, não obstante as cochiladas editoriais, e os 5.000 (cinco mil) exemplares editados foram quase todos vendidos em tempo recorde. A revista era viável. Devido a problemas técnicos e editoriais, consoante apreciação e Parecer do Comitê de Literatura da Junta, a Revista Brasileira de A.A. foi transferida para ser editada e publicada em Brasília/DF, sob nova direção, com o nome de “Vivência”. Adquiriu um formato bem menor, quase de bolso e institui-se a assinatura anual. Procurava-se resolver os problemas emergentes. A revista crescia.
Aos seis anos de idade a Vivência era trimestral e inclusive contribuía mesmo modestamente, para ajudar nas despesas do ESG. Ultrapassou os 3.000 (três mil) assinantes e as vendas avulsas transpuseram o patamar dos 1.500 (um mil e quinhentos) exemplares. Por problemas administrativos, a edição e publicação da revista “Vivência” foram transferidas de Brasília/DF para Fortaleza/CE.
Instalada em Fortaleza/CE, desde 1990, edição n 14 até a de n 24, relativa ao trimestre abril/maio/junho de 1993, período em que alcançou um grande avanço, passou de 1.500 (um mil e quinhentos) assinantes, para 4.000 (Quatro mil).
A edição n 25, julho/agosto/setembro de 1993, foi editada em São Paulo, no formato atual, um pouco maior que as anteriores – e com tiragem de 8.000 (oito) mil exemplares. Abandonou o tema de capa adotado em Fortaleza/CE, dando maior destaque à divulgação de eventos e voltando-se um pouco mais para temas ligados aos Três Legados de A.A., e continuou com a edição trimestral, por pouco tempo.
A partir da 1a. edição do ano de 1994, passou a ser editada a cada dois meses. A assinatura – cortesia foi apresentada pela primeira vez no Editorial da Revista de n 33, que também trazia um cupom “cortesia” impresso em suas páginas.
Até a última revisão do Manual de Serviços, ocorrida em 1995, onde foram reformulados os Estatutos da JUNAAB, a Vivência manteve-se como empresa separada, com Diretoria própria, assim ocorria com o extinto CLAAB. No entanto, após essa revisão estatutária, os três Órgãos de Serviços da JUNAAB fundiram-se numa única empresa e a Revista Vivência passou a ser de responsabilidade de um novo Comitê da Junta – o Comitê de Publicações Periódicas (CPP) – responsável também pela publicação do BOB Mural.
A 1a.edição publicada por este Comitê inovou com algumas mudanças. O tema da capa voltou (a 1a. edição de n 36 fala sobre apadrinhamento) e a linha editorial tende a retratar mais a prática do dia a dia do Programa de Recuperação dos membros de A.A., com a tão falada “Linguagem do Coração”, aquela em que só se ensina falando em experiência pessoal.
O projeto visual foi remodelado e a Revista Vivência ganhou mais ilustrações e dispositivos editoriais utilizados para facilitar e tornar mais agradável a leitura.
Ultimamente, após ter enfrentado sérios problemas com distribuição a Revista Vivência conta com cerca de 7,000 (Sete mil) assinantes assíduos e o Comitê responsável, com dois servidores atuantes, trabalhando firme no sentido de ampliar estes números, fortalecendo e fornecendo subsídios para que sua estrutura de divulgação tenha mais respaldo e eficiência em suas atividades. O conteúdo da Revista Vivência tem sido objeto de planejamento e estudo, e sua edição caminha a passos largos em direção ao aprimoramento técnico. Conta com colaboradores em diversas localidades do País e representantes em quase todas as Áreas, porém, pouco mais de 10% (dez por cento) dos Grupos de A.A. têm representantes (R.Vs). Os problemas com a distribuição das Revistas tendem a diminuir quando os Escritórios de Serviços Locais assumirem essa responsabilidade prevista neste Manual de Serviços.

1986 – A 10a. Conferência de Serviços Gerais e a 9a. Convenção, ocorreram nos dias 24, 25, e 26 de março de 1986, em João Pessoa/PB, com o tema “SERVIÇO É AMOR”. Nesta ocasião, foi editado e também lançado um livro, com este título.
A Conferência de Serviços Gerais foi aberta na forma de costume, sendo lido o Relatório sobre custos, aumento de preços de Literatura e previsão de gastos com a Convenção em andamento.
Um dos Delegados à R.S.M. apresentou seu Relatório e alertou quanto às falhas de apadrinhamento. Em enfático pronunciamento disse ser preciso haver uma troca de experiências nas Conferências de Serviços Gerais, com respeito às atividades realizadas nos Grupos de A.A.. Aprofundou-se com especificação do Programa de A.A. – d’Os Doze Passos e, encerrou com a frase: “As palavras convencem, mas os exemplos arrastam”.
Recomenda-se a sistemática de contribuições proporcional para os Órgãos de Serviços, assim distribuídos: 60% (Sessenta por cento) para Centrais/Intergrupais (hoje Escritório de Serviços Local – ESL), 25% (Vinte e cinco por cento) para o Comitê de Área e 15% (Quinze por cento) para a JUNAAB.

1987