ONDE ESTÁ O SEU TESOURO?

VIVÊNCIA – REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 91 – SETEMBRO/OUTUBRO/2004

TRABALHANDO O EMOCIONAL

“Muitas vezes não enxergamos nosso interior, daí a importância do apadrinhamento”.
O alcoolismo é definido como uma doença emocional, e realmente isso é verdade quando olho para meu passado. Eu até conseguia parar de beber por algumas vezes antes de vir para A.A., mas isso não durava por muito tempo, e sempre que voltava ao copo tinha recaídas emocionais.

O encontro com os Doze Passos tem me ensinado a encontrar a paz interior. Se eu não estou em paz, algo errado há comigo. Se a perturbação continua, eu preciso me mudar, mas não de lugar, de emprego, parceira, etc. É o meu interior que preciso mudar. Só que muitas vezes não enxergo meu interior com meus próprios olhos. Aí que vem a importância do apadrinhamento.

É um bom padrinho ou madrinha aquele que me ajuda a dissecar a minha parte de responsabilidade no problema, por mais que eu pareça ter razão.
A falta de um bom apadrinhamento faz perpetuar o sofrimento e a perturbação e a gente não melhora apesar de dias e mais dias.
A dor que eu sinto no orgulho é forte quando ouço verdades, mas é momentânea quando souber aceitar as verdades que estão contidas. A paz interior retorna após a aceitação.
Aprendendo a aceitar as verdades passo a ter menos recaídas emocionais. Aprendi que sou apenas um ser humano, portanto cometo erros, então, preciso aceitar as minhas falhas no episódio.
Mas essa técnica de aceitar a mim mesmo é para eu me lembrar do meu tamanho e não para justificar os erros que continuo cometendo.

Se eu continuo cometendo erros, o meu emocional não melhora, pois a consciência continua a me cobrar e o sofrimento não passa.

O meu grande aprendizado no Primeiro Passo foi quando resolvi fazer a pergunta:
Será que eu perdia o controle só quando dominado pelo álcool?”

Na verdade, toda vez que eu fazia minhas vontades, sem me importar com a vontade de Deus, eu perdia o controle da situação.

Ao insistir na minha vontade, eu tomava o caminho do sofrimento, da perturbação, da desarmonia, que me levavam cada vez mais ao fundo do poço.

Só parei de insistir na minha vontade quando as águas já batiam no meu queixo, portanto, eram as minhas vontades que me levavam ao fundo do poço, não era o álcool o culpado.

Por isso mesmo, só parar de beber não resolve o problema. Com esse aprendizado, hoje eu tenho uma referência para não sofrer muito: quando começo a sofrer tento abandonar as minhas vontades; quando estou perturbado tento ouvir alguém.
Através da meditação, tento perceber qual é a vontade de Deus para comigo. Não é muito fácil fazer essas coisas. O orgulho me impede de todas as formas, me ajudando a fazer justificativas e procrastinar, me causando incômodo, dizendo que o orgulho ferido é terrível, mas isso não é verdade.

O restabelecimento da paz da alma é algo muito maior que o orgulho ferido. Das minhas reações quando alguém diz coisas para mim, eu tirei uma lição: se fico alterado ou não. É bom parâmetro para ver se estou realmente num bom caminho:

a) Não me dói. Pois sei que quem me diz está equivocado, ou na verdade está dizendo para descarregar o incômodo interior dele mesmo. A minha consciência quanto ao assunto está tranqüila.

b) Fico apenas incomodado. Estou começando a aceitar o que me foi dito. Já estou usando o programa. Estou me dando chance de melhorar.

Nas duas situações acima estou de bem com a vida, meu emocional está bem. A terceira situação, em que fico alterado, é a descoberta que me ajuda muito:

c) Fico com raiva. É porque não estou aceitando de jeito nenhum. Estou num forte estado de negação; sinto raiva de quem me disse porque me atingiu. Justifico: – quem é a pessoa para falar aquilo para mim? Faço de tudo para desqualificar as palavras a mim dirigidas.

É importante notar que quando a pessoa que me acusa realmente não tem razão, não fico tão atingido assim, talvez fique bravo na hora, pois é uma inverdade, mas logo passa pois nem vale a pena, se tenho consciência limpa quanto ao assunto; mas quando a raiva persiste é porque minha consciência me cobra e meu orgulho está brigando para calar a minha consciência.

Penso ser esse o verdadeiro motivo da perturbação; não é fulano ou sicrano. Se senti raiva, estou transferindo a causa; é o meu orgulho que quer me proteger.
As perturbações emocionais só acabarão se eu tiver coragem para enfrentar a causa.

Será que não estou insistindo demais nas minhas vontades?
A pergunta é incômoda, mas muitas vezes tem me levado à resposta.

Kat/Cuiabá/MT

Vivência n° 91 – Setembro/Outubro 2004—

REVISTA VIVÊNCIA Nº 41 – MAI/JUN 1996
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

CULTIVANDO TOLERÂNCIA (Dr. Bob)

Durante nove anos em A.A., tenho observado que aqueles que seguem o programa de Alcoólicos Anônimos com maior seriedade e zelo, não apenas mantém a sobriedade, mas freqüentemente adquirem melhores características e atitudes. Uma delas é a tolerância. A tolerância se manifesta em uma variedade de formas: na gentileza e consideração para com o homem ou a mulher que estão apenas começando a marcha ao longo do caminho espiritual; na compreensão com aqueles que talvez tenham sido menos afortunados nas vantagens educacionais; e na simpatia com aqueles cujas idéias religiosas parecem ser bastante diferentes das nossas.
Com relação a isso, recordo-me da figura de um cubo de roda com seus respectivos raios. Todos nós começamos pelo lado de fora da circunferência e nos aproximamos de nossos destinos por um dos vários caminhos. Dizer que um dos raios é muito melhor que todos os outros, é verdadeiro apenas no sentido dele nos servir melhor, como indivíduos. A natureza humana é tal, que sem nenhum grau de tolerância, cada um de nós poderia estar inclinado a acreditar que encontramos o melhor, ou talvez o mais curto.
Sem alguma tolerância, poderíamos tender a nos tornar um pouco presunçosos ou superiores – o que, naturalmente, não é útil à pessoa que estamos tentando ajudar e pode ser doloroso ou detestável para outras. Nenhum de nós deseja fazer algo que possa ser empecilho à evolução de um outro – e uma atitude protetora pode imediatamente retardar esse processo.
A tolerância fornece, como um subproduto, uma maior libertação da tendência de se apegar a idéias preconcebidas e, obstinadamente, a radicalismos. Em outras palavras, ela, quase sempre, proporciona uma abertura de mente que é imensamente importante – é, de fato, o pré-requisito para um final bem sucedido em qualquer linha de busca, seja ela científica ou espiritual.
Eis, portanto, algumas das razões pelas quais um esforço para obter tolerância deve ser feito por todos nós.

(Best Of The Grapevine, páginas 49 e 50, jul.44)

(VIVÊNCIA nº 41 – maio/junho 96)

HISTÓRIA DO “VIVER SÓBRIO” E DE SEU AUTOR

“Viver Sóbrio,” o livreto, publicado em 1975, teve uma história mais tortuosa. Por volta de 1968, a Junta discutia a necessidade de um panfleto para os veteranos sóbrios, e a necessidade de apontar as “armadilhas” ou os “sinais de perigo”. Membros do Comitê de Literatura foram chamados a dar suas opiniões. Daí cresceu a proposta específica de uma obra de literatura a ser desenvolvida sobre o tópico, “Como Nos Mantemos Sóbrios”. Em outubro de 1969, foi encomendado para um escritor profissional que fazia parte do staff de uma revista de prestígio nacional. Após quase dois anos de trabalho, ele entregou para exame um rascunho completo… Que foi logo rejeitado. Sentiram a necessidade de uma revisão drástica e que deveria ser começada de novo por um novo autor, Barry L., um experimentado, hábil escritor e consultor freelancer para o G.S.O. foi encarregado da tarefa. Com Bob H. Diretor Geral do G.S.O. negociou o valor do projeto. Após quatro anos e meio organizando o material e escrevendo, Barry apresentou manual simples e prático de como desfrutar de uma vida alegre e produtiva sem a bebida. Não era espiritual nem continha nada sobre como alcançar a sobriedade, mas focalizado no tipo de conselhos e sugestões que um recém-chegado poderia receber de um padrinho. “Viver Sóbrio” foi escrito em um estilo diferente de qualquer outra literatura de A.A.: arejado, impertinente, coloquial e informal; logo se tornou muito popular.

A respeito do Autor

Quando já tinha vendido aproximadamente um milhão de cópias, Barry L. sentiu que deveria ser mais generosamente recompensado e deveria receber alguma espécie de royalty. Enviou uma carta para todos os Custódios e membros do Staff do G.S.O. com os quais tivera contato, para apoiarem seu reclamo. A Junta do AAWS e a Junta de Serviços Gerais consideraram o seu caso, mas declinou de agir. Ele então ameaçou impetrar um recurso legal, mas talvez por compreender a fragilidade do seu caso, nunca deu curso ao processo.

Eu não tenho muito sobre Barry Leach . Apesar de tê-lo conhecido pessoalmente, não consegui ter um retrato dele. Na foto inclusa, nós vemos Jack Bailey (de Rainha por um Dia) apertando as mãos de Lois Wilson no 43° Aniversário de A.A. no Dia dos Fundadores em Akron. Isso deve ter sido em 1978, e Jack era um dos principais oradores. Logo atrás de Lois está Barry Leach, usando de óculos. Barry era como um filho para Lois e servia de companhia para ela quando viajava. Eu não tenho dúvidas de que ele provavelmente estava incluído em seu testamento, mas ele a precedeu na morte.
Barry era gay, mas bastante discreto a respeito, apesar de que a maioria dos amigos sabiam dele e do seu companheiro que o precedeu na morte. Barry foi o autor do “Viver Sóbrio” e prestava outro serviço para o GSO.
Barry foi um dos primeiros membros homossexuais da Irmandade. Ele é mencionado no livro “Levar Adiante” (págs 346-347) a respeito de um incidente ocorrido no Clubhouse da Rua 41 em New York. Bill W. recebeu uma ligação de Barry, deste Clubhouse para alertá-lo da presença de “um homem negro que era ex-convicto de cabelos louros oxigenados, usando roupas de mulher e maquiagem”.Ele também admitiu “gostar de drogas”.Quando questionado sobre o que fazer a respeito, Bill formulou a seguinte pergunta, “você falou que ele é um bêbado?” Ao receber um “sim” como resposta Bill replicou “bem, eu acho que isso é tudo o que podemos perguntar.” O anedotário frequentemente cita que ele veio a tornar-se “um dos melhores em levar o 12° Passo.” Isso não é verdade. O “Levar Adiante” –pág. 346 afirma que “apesar de logo ter desaparecido, sua presença criou um precedente para a Terceira Tradição”.

Mel Barger

Barry Leach falando na convenção de AAWS em Toronto. Ele veio a falecer três semanas após esse discurso:
“Eu tenho comigo o `manuscrito do editor’(do Livro Azul de A.A.). É apenas minha guarda e não minha posse, e examinando detidamente o velho original. Um dia o original datilografado irá para os arquivos de A.A. herdados de mim. (Estas foram exatamente às palavras de Barry.)”.

Você pode ouvir as suas palavras em http://www.xa-speakers.org

http://www.xa-speakers.org/pafiledb.php?action=file7id=404

O que aconteceu com os desejos de Barry
BIG PRICE FOR BIG BOOK
(UM ALTO PREÇO PELO LIVRO AZUL)

Resumo Por Falecia R. Lee
Publicado: 19 de Junho de 2004 © The New York Times

A cópia original do rascunho de trabalho do livro ” Alcoholics Anonymous,” que pertenceu a William Wilson, co-fundador de A.A.,foi vendido em hasta pública ontem por 1 milhão e 576 mil dólares. Sotheby’s vendeu o manuscrito de 161 páginas (contendo os 11 capítulos), considerado a Bíblia de A.A. para um colecionador de La Jolla, Califórnia, segundo o porta-voz Matthew Weigman.
A casa de leilões tinha estimado o valor do original entre $300.000 e $500.000 dólares. Foi oferecido para a venda por um membro de A.A. não identificado que disse tê-lo recebido de uma tia que conheceu Wilson.
Alguns colecionadores e estudiosos manifestaram pesar pelo fato de que a venda o colocou fora do alcance de estudiosos interessados em estudar os programas de 12 passos como o A.A., que alguns consideram um dos mais importantes movimentos do século 20. Eles gostariam que o original tivesse ido para o A.A. ou para um arquivo.
O original datilografado possui elevado número de anotações que mostravam como o Livro Azul, como é conhecido, foi mais o resultado do projeto de um grupo. Os primeiros rascunhos foram enviados a várias pessoas, de alcoólicos a psicólogos. Nas margens do original eles aprimoravam a linguagem e reafirmavam a sua filosofia de como apenas um alcoólico pode ajudar um alcoólico a parar de beber. Foi publicado em 1939.
Wilson, melhor conhecido como Bill W., fundou o A.A com Robert Smith em 1935 e tornou-se publicamente a sua “cara”. Ele morreu de enfisema em Miami, em 1971.
A dedicatória de 1978 no original é da esposa de Wilson, Lois Wilson (que faleceu em 1988), para um “Barry.” Alguns historiadores acreditam tratar-se do escritor Barry Leach, que escreveu a biografia dela.
Em A.A, Atinge a maioridade pág 169 afirma ” Na caligrafia limpa de Henry (Hank P.) todas as correções foram anotadas nela ali.”
Ano passado Maio de 2003. Fui contatado por Bauman Rare Book de New York. Eles tinham original para vender. Fui conferir e verificar a caligrafia. Lois dera o Multilith para Barry Leach em 1° de janeiro de 1978. Um parente de Barry o estava vendendo. O proprietário pensando em seu grande valor então a levou para a Sotheby’s e será leiloado dia 18 de Julho. Pesquise por Bill W. em http://www.sothebys.com e encontrará o item # N08006 no Lote 330.
Em minha opinião a descrição do item não está correta. A escrita manual de Bill W. não está presente no original. Teria sido muito bom se tivesse sido comprada e doada aos arquivos do GSO ou Stepping Stones.

Bill Pittman

** Do site http://www.aabibliography.com

Tradução: Ricardo Gorobo
Revisão: Laerte A.

A Justiça e o Trabalho com Alcoólicos Anônimos

Conta a tradição que há mais de setenta anos dois doentes alcoólicos começaram a conversar e não beberam. No mundo todo alcoolistas continuam a conversar desde então e não beberam. O “só por hoje” já dura mais de que através do diálogo o homem pode encontrar soluções brilhantes para sua existência.
Em 1988, a Constituição Cidadã trouxe para o direito penal, carcomido por uma prática ineficaz desde os tempos da Colônia, um novo sopro, um novo conceito, o da pacificação social, criando o instrumento dos Juizados Especiais Criminais.
A Justiça penal deixa de ser apenas uma retribuição do mal praticado por um mal (violência legítima do estado que, quando é exercida de maneira errada, como, por exemplo, em prisões superlotadas, se torna ilegítima) e passa a poder contar com soluções visando o futuro, para uma determinada categoria de delitos – infrações penais com pena privativa da liberdade inferior a dois anos – a que apelida de “infrações penais de menor potencial ofensivo”.
Ora, o que é essa Justiça Especial, criada pela Constituição Federal em 1906 e disciplinada pelo legislador comum em 1995, através da Lei nº. 9.099?
É a Justiça do diálogo, onde as partes envolvidas, direta ou indiretamente no litígio, são chamadas a conversar. É a justiça coexistencial.
Nossa cultura está acostumada a terceirizar a solução dos litígios. As partes depositam na mão de terceiros a solução de seus problemas. O Estado encarregado desta terceirização, o Juiz, por sua vez, acostumou-se a dirimir conflitos. Todavia essa solução se mostra insuficiente para a sociedade moderna. Mesmo se dirimido o primeiro conflito, a litigiosidade social permanece latente e outros conflitos se instalam e cada vez mais a presença do Estado é requisitada, gerando acúmulo de processos e demora. Justiça que tarda é sempre Justiça que falha, diz o velho ditado.
Assim, cada vez mais a Justiça deve se empenhar em diluir o conflito, em verdadeiramente atacar o litígio social existente e na medida em que o real problema da vida é solucionado, o litígio processual passa a ser desimportante.
Quando as partes voltam a ser chamadas para buscarem a solução de seus conflitos, o Juizado Especial Criminal reforça a cidadania.
Assim, é o princípio basilar do Juizado Especial Criminal a reconstrução da cidadania e o prestígio à autonomia da vontade e responsabilidade individuais.
Mais uma vez, aqui os caminhos dos grupos de mútua ajuda e da Justiça se aproximam.
Obviamente o álcool, a droga mais consumida em nosso País, constitui um dos elementos presentes na violência interpessoal. Não se trata aqui de buscar desculpa no álcool para a violência, mas apenas a constatação de que sem resolver o problema do relacionamento do alcoolista com a droga não se chegará jamais à solução do litígio interpessoal em que este se envolveu.
O álcool está presente em nossa sociedade. É um problema que afeta todas as classes sociais, etnias, sexos e assim deve ser resolvido na sociedade.
A prática vem demonstrando a pouca eficiência, nesta área, de medidas de força como a prisão ou a internação compulsória. Cessada a constrição da liberdade, geralmente, o primeiro passo do liberto é em direção ao álcool.
O maior êxito vem sendo obtido nos grupos de mútua ajuda, com reconhecimento até mesmo da ciência médica. Porque, então, excluir esse valioso conhecimento da
Justiça?
Por certo não pode a Justiça determinar que alguém se torne membro de Alcoólicos Anônimos. Para se tornar membro basta à vontade de querer parar de beber, diz a tradição, e vontade é o ato unilateral do alcoolista.
Também não pode a Justiça exigir que Alcoólicos Anônimos seja fiador da abstinência de ninguém. Toda a filosofia dos grupos se baseia no “só por hoje”.
Muito menos ainda pode a Justiça demandar que a freqüência às sessões do grupo surta o efeito desejado independentemente da interação de outros fatores. Cada ser humano possui seu tempo personalíssimo. Se para alguns o “só por hoje” é atingido no primeiro dia, para outros ele leva toda a vida. O próprio programa de Alcoólicos Anônimos é composto por 12 Passos e 12 Tradições, que devem ser percorridas, uma a uma, e renovadas diariamente, o que demanda uma progressividade.
O que espera, então, a Justiça do trabalho com Alcoólicos Anônimos?
Primeiramente, longe de exigir que o encaminhado se torne membro de A.A., ela confia na habilidade dos grupos e Na seriedade do programa para que o encaminhado
se encante e, um dia, no seu tempo pessoal devido, lhe seja dado alcançar a condição de membro. Freqüentador é o que se exige.
Entendemos que a partir da freqüência certamente alguma semente ficará plantada na mente do encaminhado, que germinará no tempo certo.
Em segundo lugar, a Justiça respeita a autonomia dos grupos. Não se deve impor a aceitação da presença do encaminhado e a freqüência deve ser demonstrada por
qualquer meio idôneo.
Se para o encaminhado a freqüência a A.A. deve ser encarada primeiro como um benefício, de certa forma ela contém um caráter de sanção pela infração penal praticada, ao privá-lo de seus momentos de ócio ou lazer. Não se olvida que estamos tratando de direito penal, de processo penal e a comprovação do cumprimento é uma exigência do sistema penal.
Em minha experiência pessoal, certa vez determinei que um alcoolista prestasse serviços à comunidade, no período de reuniões durante a sessão. Esse era o meio idôneo que imaginei para obter a comprovação da presença à reunião. Felizmente o representante de A.A. da cidade em que trabalhava me procurou no gabinete, demonstrando o desatino da minha decisão e a partir daí começaram a surgir novos meios de comprovação da freqüência.
Hoje, instituímos no Rio de Janeiro, um cartão de freqüência, cuja responsabilidade pela guarda é do encaminhado, no qual o responsável pela reunião deve apor um carimbo ou uma rubrica. Não se descumpre assim o princípio do anonimato, tanto de quem conduz a reunião do grupo, como do encaminhado que, voluntariamente, ao aceitar o acordo para por fim ao processo, renuncia ao seu anonimato.
Mais uma vez, o reforço da autonomia da vontade está presente, ao entregar ao encaminhado a obrigação de comprovar a freqüência.
A decisão de permitir ou não a presença em reuniões fechadas incumbe ao grupo que recebe o encaminhado. Caberá a ele, dentro de sua autonomia, avaliar a adequação ou não de admitir pessoas encaminhadas pela Justiça, se há discriminação ou não, em fim, se a presença de um encaminhado pela Justiça rompe ou não as tradições de A.A.
Certamente, o risco da presença de um encaminhado pela Justiça à reunião fechada é o mesmo da presença de um outro qualquer membro que recaia no uso do álcool.
Segundo se aprende no contato com o maravilhoso trabalho dos grupos de A.A., todos aqueles que alcançaram o desenvolvimento pessoal a ponto de se tornarem membros de A.A. ali chegaram encaminhados por alguém, pela família, pelo patrão, por amigos, por médicos ou até mesmo pelo “Poder superior”.
Pergunto, por que não aceitar a Justiça como um facilitador do contato de quem sofre da doença do alcoolismo com aqueles que podem ajudá-lo?
A pergunta permanece no ar para que, trabalhando juntos possamos respondê-la.
Rio de Janeiro, 30 de outubro de 2006.
Dr. Joaquim Domingos de Almeida Neto
Juiz de Direito do IX Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e Especial Criminal
Barra da Tijuca/Rio de Janeiro/RJ
Vivência nº 107 – Maio/Junho 2007
A Turma do Livro Azul
Emmet Fox: Perdão
(do Sermão da Montanha)
Versão B 04/07/2000
Reimpresso de O Sermão da Montanha, por Emmet Fox
PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS,
ASSIM COMO PERDOAMOS AOS QUE NOS TENHAM OFENDIDO
Essa cláusula é o ponto crucial da Prece. É a chave mestra de todo o Tratamento. Notamos aqui que Jesus organizou essa Prece de forma que cubra todos os desdobramentos de nossas almas completamente, e da forma mais concisa e clara. Não omite nada que seja essencial para a nossa salvação, no entanto, é tão compacta que não possui nenhum pensamento ou palavra a mais. Cada idéia é colocada em seu lugar com perfeita harmonia e na seqüência perfeita. Qualquer coisa a mais seria redundância, qualquer a menos deixara incompleta, e nesse ponto enfoca o fator crítico do perdão.
Tendo nos dito, quem Deus é, o que o homem é, como funciona o universo, como cumprir a nossa missão – a salvação da humanidade e de nossas almas – então nos explica qual é o nosso verdadeiro alimento, e como fazer para obtê-lo; e desta forma chega ao perdão dos pecados.
O perdão dos pecados é o problema central da vida. O Pecado é um sentimento de separação de Deus, e é a maior tragédia da experiência humana. Está, é claro, enraizado no egoísmo. É essencialmente uma tentativa de ganhar um suposto bem o qual não nos pertence por direito. É um sentido de existência isolada, voltada para si própria e pessoal, quando a Verdade de Ser é que tudo é Um. Nossa verdadeira essência é uma com Deus, indiviso Dele, expressando Suas idéias, testemunhando Sua natureza – o dinâmico Pensamento desta Mente. Em razão de sermos todos unos com o Grande Todo do qual somos espiritualmente parte, segue-se que somos unos com todos os homens. Simplesmente porque, Nele vivemos nos movemos e temos a nossa essência, nós somos, num sentido absoluto, todos essencialmente um.
Mal, pecado, a queda do homem, na verdade, é essencialmente a tentativa de negar essa Verdade em nossos pensamentos. Nós tentamos viver apartados de Deus. Nós tentamos seguir sem Ele. Nós agimos como se tivéssemos vida própria; como mentes separadas; como se pudéssemos ter planos, propósitos e interesses separados dos Dele. Tudo isso, se fosse verdade, significaria que a existência não é una e harmoniosa, mas sim, um caos de competição e atritos. Isso significaria que somos perfeitamente separados dos outros seres humanos e podemos machucá-los, roubá-los, feri-los e até destruí-los, sem nenhum dano para nós mesmos, e, que na verdade, quanto mais tomamos das outras pessoas, mais teremos para nós mesmos. Significaria que quanto mais nos dedicássemos a nossos próprios interesses, e mais indiferentes nos tornássemos ao bem estar dos outros, mais bem sucedidos nós seríamos. Claro que isso naturalmente levaria os outros a agirem da mesma forma, e somos levados a acreditar que muitos realmente o fariam. Logo, se isso fosse verdade, significaria que todo o universo não passa de uma selva, que mais cedo ou mais tarde se auto-destruirá em função de sua inerente fraqueza e anarquia. Mas, é claro, que não é a verdade, e aí reside a alegria da vida.
Indubitavelmente, muitas pessoas agem como se acreditassem que isso fosse verdade, e em número maior ainda, os que se fossem confrontados friamente com essa proposição, se mostrariam chocados, admitem, no entanto, que agem meio que inconscientemente de acordo com essa noção. Essa é realmente a verdadeira base do pecado, do ressentimento, da condenação, do ciúme, do remorso, e de todas as coisas maléficas que pavimentam o caminho.
Essa crença em uma existência independente e separada, é o pecado original, e agora, antes de progredirmos, temos de extirpar agora e para sempre esse mal. Jesus sabia disso, e com esse propósito em vistas, acrescentou nesse ponto crítico, uma declaração que nortearia os nossos bem como os objetivos dele, sem a menor sombra ou possibilidade de mal entendidos. Ele inseriu nada mais que uma clausula que é uma armadilha. Fez uma declaração que nos forçaria, sem nenhuma possibilidade de escape, evasão, reserva mental, ou qualquer tipo de subterfúgios, a executar o grande sacramento do perdão em toda a sua amplitude e poder de abrangência.
Quando rezamos a Grande Prece inteligentemente , considerando o significado do que dizemos , somos de repente , por assim dizer, tirados de nossos pés e apertados como em uma prensa, de forma a encarar este problema – e não há como escapar . Nós somos obrigados, real e definitivamente, a estender o perdão a quem possivelmente nos atingiu, e principalmente a aqueles que achamos que nos tenham ofendido. Jesus não deixa a menor margem de possibilidade de escaparmos desse fato fundamental. Ele construiu a sua Prece com maior perícia do que um advogado na elaboração de uma petição. Ela está disposta de uma forma tal que desde que nossa atenção tenha sido despertada para esse fato, inevitavelmente nos tornamos obrigados a perdoar sincera e verdadeiramente nossos inimigos ou então a nunca mais repetir essa prece. Podemos dizer que qualquer um que tenha lido atentamente esse folheto nunca mais poderá usar a Oração do Senhor, a menos que tenha perdoado. Experimente tentar repeti-la sem ter perdoado; facilmente podemos prever que não conseguirá terminá-la. Essa grande clausula central ficará engasgada na sua garganta.
Note que Jesus não diz, ”perdoai as minhas ofensas e eu tentarei perdoar os outros,” ou “ verei o que pode ser feito,” ou “ perdoarei sim, mas com algumas exceções .” Ele nos leva a declarar que já perdoamos a todos e condiciona o sermos perdoados a ter previamente concedido o perdão. Quem possui a Graça suficiente de poder dizer toda a prece, sem a necessidade de ser perdoado por suas faltas e erros? Quem seria tão insano de querer alcançar o Reino de Deus sem o desejo de ser libertado de seu próprio sentimento de culpa? Ninguém, acreditamos. Portanto nos vemos presos, sem chances de escapar, da posição na qual não podemos clamar por nossa libertação, a não ser que tenhamos previamente libertado nosso irmão.
O perdão aos outros é o vestíbulo do Céu, e Jesus sabia disso, e nos conduziu até a porta. Você tem de perdoar a qualquer um que o tenha ferido caso você queira ser perdoado; essa é a pura verdade. Você deve se livrar de todo o ressentimento e censuras aos outros, e, da mesma forma, da auto-condenação e do remorso. Você tem de perdoar aos outros, e tendo descontinuado os seus próprios erros, tem de aceitar o perdão de Deus para eles também, ou não conseguirá fazer nenhum progresso. Você precisa se perdoar, mas você não pode perdoar a si mesmo a menos que primeiramente tenha perdoado aos outros. Perdoando os outros, deve se prepara para perdoar a si mesmo, pois a recusa em se perdoar é simplesmente orgulho espiritual. “E por esse pecado é que os anjos caem.” Deve estar bem claro para nós. Perdoar é fundamental. Há muito poucas pessoas no mundo que não foram uma vez ou outra feridas, por alguém, ou sido desapontadas, caluniadas, decepcionadas ou mal orientadas. Essas coisas penetram profundamente na memória onde freqüentemente causam chagas inflamadas e contaminadas, e há apenas um remédio – elas tem de ser removidas e jogadas fora. E a única forma de fgazer isso é perdoar.
Claro que não há nada no mundo mais fácil do que perdoar as pessoas que não nos feriram fundo. Nada mais fácil do que crescer esquecendo uma perda ínfima. Todo mundo quer fazer isso, mas a Lei do Ser requer que perdoemos não apenas essas trivialidades, mas e principalmente as coisas que são mais duras de perdoar, e que à primeira vista parece impossível de ser feito. O coração sofrido grita,”É pedir demais. Essa coisa significa muito para mim. É impossível. Eu não posso perdoar isso.” Mas a Oração do Senhor nos faz declarar que o perdão de Deus para nossas faltas,o que significa nos libertarmos da culpa e da limitação, depende exatamente disso. Não há escapatória, portanto o perdão deve haver, não importa o quão profundamente tenhamos sido feridos, ou quão terrível tenha sido o nosso sofrimento. O perdão tem de ser concedido.
Se suas preces não estão sendo atendidas, procure fazer um exame de consciência e veja se há alguém que você ainda deva perdoar. Pesquise se não há algum acontecimento antigo do qual você mantenha mágoa. Procure descobrir se não está mantendo nenhum ressentimento ( pode estar camuflado de várias maneiras ) contra uma determinada pessoa, um grupo de pessoas, uma nação, uma raça, uma classe social, algum movimento religioso ao qual você desaprove, um partido político ou o que quer que seja. Se você está agindo assim, então você está devendo um ato de perdão, e assim que o fizer, provavelmente receberá a sua demonstração. Se você no momento não pode perdoar terá que adiar a sua demonstração até que possa perdoar, e igualmente adiar o término de rezar a Oração do Senhor, ou se colocar na posição de quem não deseja o perdão de Deus.
Libertar os outros significa libertar-se, porque o ressentimento é na verdade uma forma de ligação. É uma Verdade Cósmica que são precisas duas pessoas para que haja um prisioneiro; o prisioneiro – - e o carcereiro. Não existe o fato de um prisioneiro por sua própria conta. Cada prisioneiro tem de ter um carcereiro, e o carcereiro é igualmente aprisionado à sua presa. Quando você nutre ressentimento de alguma pessoa, você está ligado à essa pessoa por um laço cósmico, uma verdadeira cadeia mental. Você está ligado por esse laço cósmico à figura odiada. Aquela pessoa que talvez seja aquela de quem você menos gosta no mundo é exatamente aquela a quem você está se ligando por um laço mais forte do que o aço. É isso o que você deseja? É nessas condições que pretende continuar a viver? Lembre-se, você pertence à coisa com a qual está ligado em pensamento, se este laço permanece, o objeto de seu ressentimento será trazido de volta para sua vida, talvez causando mais confusão . Você acha que merece suportar isso? Claro que ninguém merece, e por tanto a solução é clara. Você precisa cortar todos esses laços por um claro e espiritualizado ato de perdão. Você precisa soltá-lo e deixar que se vá. Perdoando você se liberta; você salva a sua própria alma. E como a lei do amor vale igualmente para todos, ajuda também na salvação da alma do outro, tornando bem mais fácil para ele tornar-se o que deveria ser.
Como,em nome de tudo o que é sábio e bom, esse ato mágico de perdão poderia ser cumprido, se nós fomos tão profundamente feridos. Apesar de desejarmos tanto, e de coração: o poder perdoar, no entanto se revelou impossível, pois após tentar e tentar perdoar, nós sentimos que essa tarefa é superior às nossas forças.
A técnica de perdoar é simples demais, e não é tão difícil de ser utilizada quando se compreende como. A única coisa essencial é a vontade de perdoar. Desde que você deseje perdoar o ofensor, a maior parte do trabalho já foi feita. As pessoas freqüentemente tem uma visão distorcida do perdão, pois tem a impressão errônea de que perdoar uma pessoa significa se compelir a gostar dela. Felizmente isso não é de forma alguma o caso – não somos forçados a gostar de ninguém caso essa empatia não aconteça espontaneamente. Na verdade é impossível gostarmos à força de pessoas; você não pode gostar a força como também não pode segurar o vento em suas mãos; e se você se coage a fazer isso, você vai acabar desgostando ou odiando mais ainda o ofensor. As pessoas costumavam pensar que quando as outras pessoas a feriam muito, era seu dever, como bons Cristãos a aceitar o fato e continuar a gostar do ofensor. Mas como isso é verdadeiramente impossível, elas sofriam muito e terminavam falhando e criando um sentimento de ter pecado. Nós não somos obrigados a gostar de ninguém, mas estamos com um dever de obediência cega a amar a todos indistintamente; o amor, ou a caridade como a Bíblia se refere, significando um sentimento impessoal de Boa Vontade. Não tem nada a ver diretamente com os sentimentos apesar de que é sempre seguido, mais cedo ou mais tarde, por uma maravilhosa sensação de paz e felicidade.
O método de perdoar é este. Recolha-se e fique em paz. Repita alguma prece ou tratamento que tenha significado para você; ou leia um capítulo da Bíblia. Então, calmamente diga, “ Eu de livre e espontânea vontade perdôo totalmente X ( mencione o nome do ofensor); eu o liberto e deixo que se vá. Eu perdôo completamente o caso em questão. No que me diz respeito, está acabado para sempre. Eu entrego o ressentimento ao Cristo em mim. Ele agora está livre; e eu também. Desejo que fique bem em todas as fases de sua vida. O incidente terminou. A Verdade de Cristo nos tornou a ambos livres. Eu agradeço a Deus” Então levante-se e vá cuidar de sua vida. De forma alguma repita este ato de perdão, porque você já o fez uma vez, e para todo e sempre; e fazê-lo uma segunda vez seria repudiar tacitamente este ato. Daí em diante, toda a vez que vier à sua mente a lembrança do ofensor ou da ofensa, abençoe brevemente ele e mude de pensamento. Faça isso não importa quantas vezes o pensamento venha à sua mente. Após alguns dias virá com menor freqüência, até que você esquecerá de vez. Então, após um intervalo, maior ou menor, o velho problema pode voltar mais uma vez à sua mente; e você descobrirá que agora, toda a amargura e ressentimento desapareceram, e vocês estão ambos livres, com a perfeita liberdade dos filhos de Deus. Seu perdão está completo. Você sentirá uma maravilhosa alegria com essa demonstração.
Todos deveriam praticar de uma maneira geral, o perdão no seu dia a dia. Quando rezar suas preces diárias, acrescente uma anistia ampla, perdoando qualquer um que possa tê-lo, de qualquer forma, ofendido; e de forma alguma particularize. Simplesmente diga: “Eu de coração perdôo a todos.” Então, no transcorrer do dia, se algum sentimento de mágoa ou ressentimento o acometer, abençoe rapidamente o ofensor e mude o pensamento.
O resultado desta política é que logo você estará livre da condenação e do ressentimento, e o efeito em sua felicidade, em sua saúde física, e em sua forma de vida será no mínimo revolucionária.
Tradução: Ricardo Gorobo

COMO POR EM PRÁTICA O TRABALHO DO CTO
(Trabalhando dentro das Tradições)
O papel de um profissional, seja ele médico, religioso, comunicador ou jornalista, assistente social, delegado ou qualquer outro, na relação com um alcoólico, é muito diferente do nosso costume de compartilhar experiências e colocar em prática o Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos. Estes profissionais trabalham sob o ponto de vista de suas especialidades e é vital, para nossa Irmandade, que eles entendam nosso programa e nossa maneira de trabalhar com alcoólicos.
Os trabalhos a serem executados pelas Comissões exigem cuidados especiais que, se não forem considerados, poderão atrapalhar o seu funcionamento, por isso, seus integrantes devem ser AA’s com uma boa capacidade de comunicação e um sólido conhecimento e prática dos princípios de Recuperação, Unidade e Serviço. A formação, procedimentos, manutenção financeira e membros das Comissões estão descritas no manual de Serviço de A.A..
Os princípios que nos guiam como Irmandade estão contidos nas Doze Tradições. A responsabilidade de preservar essas Tradições é somente nossa. Não podemos esperar que pessoas de fora da Irmandade compreendam nossas Tradições, a menos que nós, membros de A.A., estejamos bem informados sobre elas e, sobretudo, que as observemos e as pratiquemos em nossas ações. Nossas Tradições estão, em grande parte, contidas em nosso Preâmbulo, que afirma: “O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de A.A. não há taxas ou mensalidades; somos auto suficientes, graças às nossas próprias contribuições. A.A. não está ligada a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apoia nem combate quaisquer causas. Nosso propósito primordial é manter-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade.”
O CTO deverá trabalhar no sentido da mensagem fluir com a responsabilidade traduzida pelo cumprimento das Tradições de A.A., especialmente dentro do espírito da cooperação. O conhecimento e a prática em nossa vida diária dos princípios contidos nas Doze Tradições de A.A. dão as diretrizes para realizarmos um bom trabalho no CTO. Vejamos:
A Primeira – assinala que a recuperação individual depende da Unidade de A.A. É algo que devemos sempre ter em mente. Sob quaisquer circunstâncias nossa Unidade deve ser preservada. O todo é mais importante que as partes que o compõem.
A Segunda – nos lembra que um Deus amantíssimo, que Se manifesta em nossa consciência coletiva, é a nossa única autoridade. É uma fonte de inspiração para nós, objetivando principalmente não tentarmos impor uma forma “correta” de trabalhar o programa para outros membros, aparentemente relutantes.
A Terceira – “O único requisito para ser membro…” nos diz que não temos o direito, a autoridade ou a competência para julgar quem é alcoólico, se deseja ou não parar de beber e se quer ou não tornar-se membro de A.A.
A Quarta – dá autonomia ao Grupo para conduzir suas atividades como julgar melhor, desde que essa autonomia não interfira em outros Grupos ou em A.A. no seu todo.
A Quinta – assinala o primordial e único propósito de qualquer Grupo de A.A.: transmitir a mensagem de A.A. ao alcoólico que ainda sofre.
A Sexta – afirma que “nenhum Grupo de A.A. deverá jamais sancionar, financiar ou emprestar o nome de Alcoólicos Anônimos a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à Irmandade, para evitar que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos afastem do nosso objetivo primordial”. Algumas instituições, que têm seus próprios programas de tratamento de alcoolismo, cooperam muito com A.A. e seus representantes falam muito animados de nosso Programa de Recuperação. Até que ponto devemos participar nos programas dessas instituições? A experiência nos tem norteado de maneira simples: cooperamos, porém não nos afiliamos. Queremos trabalhar com outras organizações que tratam do alcoolismo; porém, sem nos confundir com elas perante o público.
A Sétima – enfatiza que “todos os Grupo de A.A. deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora”. Como alcoólicos ativos, muitos de nós sempre estivemos dependendo de ajuda. Hoje, parte de nossa recuperação pessoal está em fazer de nós mesmos seres humanos responsáveis. O mesmo princípio se aplica à nossa Irmandade e muito do respeito que atualmente se tem por A.A. é o resultado da aplicação desse princípio.
A Oitava – diz que “Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre não profissional”. Esta Tradição nos mostra a linha divisória entre o trabalho voluntário de Décimo Segundo Passo e os serviços remunerados, mesmo que executados por membros da Irmandade. Ela nos orienta, mesmo assim, que como AAs nos mantenhamos no que melhor conhecemos (recuperação pessoal e Décimo Segundo Passo), não nos transformando em profissionais no campo do alcoolismo.
A Nona – recomenda que Alcoólicos Anônimos jamais deverá ter uma organização formal; porém, necessitamos de organismos de serviço que funcionem de maneira harmoniosa e com competência, para cumprirmos nosso objetivo primordial. Se ninguém fizer as tarefas dos Grupos, se o telefone tocar em vão, se não respondermos nossa correspondência, então A.A., tal como o conhecemos, pararia. Embora esta Tradição pareça tratar somente de coisas práticas em seu funcionamento, ela revela uma sociedade animada apenas pelo espírito de servir.
A Décima – diz que “Alcoólicos Anônimos não opina sobre questões alheias à Irmandade; portanto, o nome de A.A. jamais deverá aparecer em controvérsias públicas”. Aqui, novamente somos lembrados para tratar somente de nossos próprios assuntos, sem nos desviar de nosso único propósito primordial. Colocando-nos fora de controvérsias públicas, reforçamos a Unidade de nossa Irmandade, assim como sua reputação perante o público.
A Décima Primeira – “Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção”. A relação com o público é importantíssima. Precisamos manter nosso anonimato pessoal. Procuramos divulgação para os princípios de A.A. e não para seus membros. Esta Tradição é um lembrete permanente e prático de que a ambição pessoal não tem lugar em A.A. Nela cada membro se torna um diligente guardião de nossa Irmandade.
A Décima Segunda – “O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.” A subordinação de nossos anseios pessoais ao bem comum é a essência de nossas Tradições. A substância do anonimato é o sacrifício. Temos a certeza que a humildade, expressa pelo anonimato, é a maior salvaguarda que Alcoólicos Anônimos sempre poderá ter.
Nos trabalhos do Comitê Trabalhando com os Outros é sempre útil enfatizar que as nossas Doze Tradições afirmam sermos membros de uma Irmandade de iguais, onde aprendemos a ajudar outros, sem esperar crédito ou recompensa.
EM FRENTE COM A GRATIDÃO

O Plano de Aniversário é de longa data uma forma de celebrar a sobriedade em A.A.. Para celebrar seu aniversário de A.A., um membro de A.A. contribui com o Escritório de Serviços Gerais com um dólar o mais por ano de sobriedade. Alguns AA´s tem um fundo de “um centavo por dia” para expressar sua gratidão por sua sobriedade.

O Plano de Aniversário surgiu na cidade de Oklahoma em 1954. A Ab A., um delegado de Tulsa, teve a idéia quando estava conversando com um companheiro chamado Ted R.. Segundo Ab recordou mais tarde, os dois membros pensaram: Será que muitos membros gostariam de contribuir com o ESG com um dólar por cada ano de sua vida em A.A.? (Com o passar dos tempos, disse Ab, “até um limite de U$ 10,00)

Ab explicou ainda que “a idéia é que faça isto em seu próprio Grupo. Porém o Grupo não vota sobre aceitar o Plano – é um assunto pessoal e voluntário”.

Esta idéia teve efeitos imediatos. Em menos de um ano, as contribuições de Oklahoma ao ESG quase duplicaram e para o ano de 1956, a idéia se havia difundido por todo Estado. Em 1961, o Plano de Aniversário foi recomendado na Conferência de Serviços Gerais e hoje em dia é um costume em nível mundial, que ainda segue sendo “um assunto pessoal e voluntário”. É um sólido exemplo do que Bill W. chamou em uma ocasião e lugar “onde se podem mesclar a espiritualidade e o dinheiro”.

Embora que esta forma de celebração continue desde que foi sugerida inicialmente por Ab, também tem o apoio entusiasmado dos membros. Em 1990, na Conferência de Serviços Gerais em Nova Iorque, John K., delegado da Flórida, falou sobre “o que tornou eficaz o Plano de Aniversário”. Regressou ao seu Grupo base e neste verão, sua esposa e ele criaram um comitê do Plano de Aniversário na assembléia trimestral de A.A. em Sarasota, Flórida. Com grande cerimônia, montaram um posto com chocolates, chapéus de aniversário, apitos e balões, juntamente com envelopes do Plano de Aniversário destinados ao ESG. Em um dia distribuíram chapéus a 1.500 membros.

Como disse Joyce, a esposa de John, “o Plano de Aniversário no dá a oportunidade de expressar nosso agradecimento pessoal e ao mesmo tempo contribuirmos e apoiar o sistema de manutenção de A.A.. A.A. é mantido por meio das contribuições dos membros que somos nós.

Igualmente há muito tempo que o mês de novembro é considerado como o Mês da Gratidão em A.A. (no Canadá, outubro é o mês da gratidão). Bill W. acreditava que sua sobriedade havia começado no mês de novembro, porém mais tarde se deu conta de sua data de sobriedade foi o dia 11 de dezembro. Na década de 40, a Junta de Serviços Gerais começou a celebrar com pequenos jantares de gratidão.

Em 1956, a Conferência de Serviços Gerais, os delegados aprovaram uma moção de ter uma semana de gratidão, que coincide com a semana do Dia de Ação de Graças e fizeram notar que “esta ação se indique nos pedidos de fundos que se fazem aos Grupos antes do Dia de Ação de Graças para ajudar a manter os serviços mundiais de A.A..”

Isto se converteu em Almoço de Gratidão, uma tradição celebrada durante grande parte da década de 60 no Hotel Roosevelt de Nova Iorque para os amigos de A.A., incluindo os membros dos meios de comunicação. (tendo em conta que muitos amigos de A.A. bebiam, se serviam coquetéis durante o evento para nossos amigos bebedores) O evento deixou de ser celebrado em 1968, porém o espírito se manteve intacto.

Como Bill escreveu em uma carta de 1959 “a gratidão deve ir em frente, não para trás. Em outras palavras, se levas a mensagem à outras pessoas, estarás fazendo o melhor pagamento possível pela ajuda que tenha recebido”.

Para pedir alguns chapéus do Plano de Aniversário, entre em contato com o ESG em: General Service Office of Alcoholics Anonymous, Grand Central Station, P.O. Box 459, New York, NY 10169; (212) 870-3400. Também é possível fazer contribuições online pelo site: http://www.aa.org

Matéria publicada nas páginas 4 e 5 do Box 459 – Vol. 44 – No. 4 – Edição de Inverno 2011

GRUPOS APADRINHANDO GRUPOS

Ao começar minha palestra, gostaria de exprimir-lhes os afetuosos cumprimentos da comunidade de A.A. da Polônia e expressar, aos AAs de todo o mundo, em nome de A.A. polonês, os melhores desejos de felizes e serenas 24 horas de sobriedade.

Minhas anotações sobre o tema são baseadas em minhas próprias experiências e observações. Nos últimos anos, temos visto um espantoso crescimento do A.A. na Polônia. Para entender este crescimento, seria útil notar que na Polônia, um país com uma população de quarenta milhões de habitantes, estima-se haver cinco milhões de alcoólicos. Entre as razões que podem ser citadas para justificar os altos índices de alcoolismo na Polônia, estão a opressão, a qual a nação foi exposta durante os anos da ocupação estrangeira e o sistemático esforço, por parte dos invasores e da burocracia comunista, no sentido de induzir o povo polonês a beber cada vez mais. Existia, também, uma noção errada, muito difundida, de que os poloneses eram bêbados inveterados. Quando a mensagem de A.A. chegou ao meu país, traduzimos os Doze Passos, Doze Tradições e o Livro Grande; então, muitos daqueles que sofriam de alcoolismo rapidamente compreenderam que esta era a grande esperança e a oportunidade para a salvação de nossas vidas.

Todos nós que tínhamos tomado conhecimento do que era esta Irmandade, queríamos levar a mensagem aos alcoólicos que ainda estavam sofrendo. Oito anos atrás, quando compreendi o valor da Irmandade de A.A., havia apenas um grupo em Cracóvia, cidade de quase um milhão de habitantes e, neste grupo, chamado de “Grupo Queen Hewig”, havia apenas oito membros. Tínhamos apenas duas reuniões por semana. Procurávamos amparar uns aos outros todos os dias, mantendo-nos mutuamente em contato, marcando encontros, telefonando para os companheiros, conversando sobre nossas vidas diárias, nossos sentimentos, problemas e temores.

Sempre que alguém necessitava de ajuda, nós ajudávamos. Visitamos hospitais onde havia alcoólicos em tratamento. Graças à boa vontade de médicos, padres e outros amigos, conseguimos encontrar novos lugares em Cracóvia para formação de novos grupos. Meu trabalho tomava-me muito tempo, a qualquer hora do dia, e por isso eu nem sempre conseguia chegar pontualmente às reuniões existentes. Destarte, procurei encontrar um lugar adequado para uma reunião e iniciei um novo grupo. Assim surgiu o “Grupo Krakus”, no meu bairro.

Posteriormente, quando o grupo cresceu, decidimos ir à prisão local e contar nossas histórias. O resultado foi a formação de um grupo pelos próprios prisioneiros, o qual ainda está ativo e o qual frequentemente visitamos.

À medida que o grupo continuou a crescer, passamos a sentir falta de espaço para nossas reuniões. Para resolver o problema, experimentamos dividir o grupo em duas partes e organizar duas reuniões separadas. Esta tentativa de solução falhou, porque os que vinham para a primeira reunião ficavam para a segunda. Depois, alguns membros mais experientes viajaram para outros lugares e fundaram novos grupos, os quais passaram a funcionar nas diversas áreas do país.

Fundou-se o Intergrupo “Gallician” no sul do país, o qual atende a quase oitenta grupos. Começamos a nos visitar uns aos outros e a organizar reuniões conjuntas mensalmente, cada vez numa cidade diferente. Continuamos em contato uns com os outros, participamos da Conferência Nacional de Serviços e, como resultado, a Irmandade na Polônia cresceu tremendamente. O número de grupos cresceu de 32 em 1984 para quase mil em 1994.

Enquanto isso, temos datas e lugares fixos de diversas reuniões que se tornaram quase tradicionais em nosso país: em março, em Czestochowe; em julho, em Lichen; em novembro, em Zakroczym. A localização de nossa Conferência Nacional de Serviços é rotativa. Estas Conferências, as quais são organizadas por diferentes intergrupos de A.A., são, na essência, grandes reuniões de A.A., embora também discutamos matérias de interesse comum e outros problemas, tais como publicações de literatura, finanças, etc.

Os principais objetivos no apadrinhamento de novos Grupos são fornecer literatura, ajudá-los na organização das primeiras reuniões e manter contatos pessoais frequentes. A irmandade de A.A. na Polônia deseja continuar oferecendo esta preciosa dádiva de esperança; levar esse dom cada vez mais longe, para grupos na Slovákia, Bielarus, Lituânia e Rússia. Já temos alguns contatos mútuos com outros grupos e, ocasionalmente, nos encontramos durante viagens ao exterior e em nossos eventos de A.A. na Polônia. As diferenças de linguagem são os maiores obstáculos aos nossos esforços para estabelecer aqueles contatos, mas a experiência tem demonstrado que nossa simples presença dá suporte, encorajamento e esperança a outros alcoólicos e contribui para a unidade.

Procuramos nos comunicar através da linguagem do coração.

(Tadeusz F. – Polônia)

Vivência nº 36 – Jul./Ago. 1995

MEU QUARTO PASSO

“Sentí medo. Um inventário seria uma forma de me ver, de me conhecer e de me confrontar com as minhas realidades. Iria fazer descobertas desagradáveis e isso implicaria em mudanças; e mudança requer coragem.”

Meu estado físico e mental não permitiu que eu fosse àquela primeira reunião desacompanhado. A pessoa que me abordou e que viria a ser meu padrinho foi buscar-me no hospital. Confuso e extremamente sedado, chego a Alcoólicos Anônimos derrotado. Sentía-me num terrivel “fundo de poço”, onde julgava não existir qualquer saída.

Até hoje não consigo me lembrar do que aconteceu naquela reunião, a não ser do final, quando foram lidas doze perguntas que tiveram que ser repetidas para que eu as entendesse. Os dias seguintes foram difíceis, não tinha capacidade de concentração, assimilando com dificuldades o que lia, via e ouvia. Ia diariamente ao Grupo e, nos depoimentos dos companheiros e nas conversas após a reunião, ouvia alguns lemas aos quais inicialmente me agarrei: “Evite o primeiro gole”, “Primeiro as coisas primeiras”, “Vá com calma”, entre outros, foram vitais naqueles primeiros dias.

Depois, readquirida alguma lucidez, deparei-me com os Doze Passos. Aprendi que não era só parar de beber pois já havia feito isso inúmeras vezes, mas que era preciso permanecer e viver sóbrio e, para isso, existia um Programa.

Os três primeiros Passos mostraram-me que, na verdade, eu não gerenciava coisa alguma, que tinha sido incapaz de gerir minha própria vida, que havia sido derrotado e que precisava de ajuda. Aí chega o Quarto Passo, o “minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos”.

Na minha vida profissional fiz muitos inventários. Sendo bancário, fazia parte da rotina esse tipo de levantamento a cada semestre. Essas relações minuciosas e rigorosas permitiam conhecer, periodicamente, a situação da empresa. Nem sempre esse conhecimento era gratificante, pois revelava situações que não haviam sido previstas e isso implicava em mudanças às vezes desagradáveis.

Senti medo. Um inventário seria uma forma de me ver, de me conhecer e de me confrontar com as minhas realidades. Iria fazer descobertas desagradáveis e isso implicaria em mudanças; e mudanças requer coragem. Precisava ser minucioso, por isso teria de ser escrito para poder ser revisto posteriormente. Teria de ser honesto e equilibrado para não ser benevolente, achando que pouco ou nada precisava ser mudado; ou radical, achando que precisava mudar tudo.

Assumi a tarefa com alguma relutância, relacionando o que era positivo e negativo em duas colunas, com uma linha vertical separando-as. Começaram a aparecer os defeitos e as qualidades, só que os primeiros superaram por larga margem de itens. Às vezes, uma aparente qualidade, após uma reflexão minuciosa, passava para a coluna dos defeitos, ampliando ainda mais a lista. Levei dias para concluir o “balanço” da minha própria vida. Houve momentos de desânimo, eram tantas as coisas a serem trabalhadas… Nunca havia feito um mapeamento do meu próprio eu e, agora, estava diante de um quadro desanimador.

Nessa relação me vi orgulhoso, prepotente, perfeccionista (com relação aos outros), egoísta, intolerante, ressentido, negligente, cheio de culpas e medos, ainda justificando, negando, sendo desonesto, invejoso, impaciente, mentiroso e procrastinador. Mas existiam aspectos positivos a considerar e, o mais importante deles, no momento, era a vontade de mudar. Para isso, estabeleci prioridades e metas e fiz um plano de vida. Minhas ferramentas seriam os Passos.

Foi fácil esse começo? Não! Atingi as metas propostas? Apenas algumas! Está sendo fácil hoje esse trabalho? Ainda não! O Quarto Passo, porém, deu-me a liberdade de me conhecer, de poder fazer um trabalho comigo mesmo em busca do crescimento espiritual. O conhecimento das minhas qualidades, defeitos e limitações torna mais fácil o caminho da recuperação.

A caminhada continua com avanços e recuos. O inventário depois de iniciado não tem fim, é um trabalho para toda a vida. O Décimo Passo me lembra que ele deve ser atualizado e revisado sempre, a cada novo dia e esse auto-conhecimento se amplia, levando-me a um comprometimento cada vez maior comigo mesmo, com Deus e com os meus companheiros de caminhada.

O inventário pessoal é um exercício diário de honestidade para comigo. Assim, me é possível ser honesto com os outros. É através do inventário que eu me coloco no meu devido lugar. Conhecendo-me, liberto-me da raiva de mim mesmo e entendo que as minhas imperfeições são falhas humanas que podem ser trabalhadas e que as minhas qualidades devem ser cultivadas, ampliadas e compartilhadas. Às vezes “pinta” o desânimo e uma sensação de apatia se instala. Quando isso acontece, é fácil perceber através do inventário que é preciso aceitar o momento atual como ele se apresenta, que é preciso me aceitar como sou e aos outros como eles são, porque aceitar é um ato de libertação e ser realista no meu inventário é um ato de humildade.

E esse plano de vida que o auto-conhecimento me propõe independe de quaisquer circunstâncias, se eu mantiver sempre a mente aberta, se tiver boa vontade e rigorosa honestidade comigo próprio na prática diária do Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos.

(Luiz M. – Maceió/AL)

Vivência nº 41 MAI./JUN. 96)

” O GRUPO E SUA FINALIDADE “

No decorrer do tempo nossa Irmandade ficou sendo reconhecida e respeitada mundialmente devido à prática dos princípios aprendidos com a própria experiência dos pioneiros.

Sabemos que a célula mais importante em A.A. de onde emanam seus procedimentos estruturais é o Grupo, este deve ter a aparência e a identidade de seus membros como um todo, seja na tomada de decisões, tanto quanto na obediência dos (36) trinta e seis princípios, ninguém antigo, veterano ou decano que seja, deve sentir-se especial ou pensar que é o oráculo, nada acontece sem que o mesmo concorde.

A mesma regra deve ser por extensão aplicada e orientada para que todos os membros que participam compromissadamente da vida do Grupo, com assiduidade, pontualidade e, sobretudo com responsabilidade, para que possam transmitir por ações em exemplos distintos a seus iguais, para facilitar a prática generalizada da democracia reinante em A.A.
Dessa compreensão que não é plena, nem tenciona contestar qualquer outra forma de ver as mesmas questões do antepor os princípios às personalidades, temos que assumir o compromisso de não permiti que a inspiração ou intuição determinasse o que devemos fazer para frear nossas ambições humanas, no que diz respeito às atividades de A.A. devemos ler, procurar entender, tirar dúvidas e buscar realizações para o nosso próprio crescimento como indivíduos e como Grupo, lembrando que nosso desempenho deve ter compromisso permanente com o esforço à dedicação no sentido de realizar uma coisa bem feita e não uma porção de inícios sem qualquer resultado final, senão frustração.

A prestação de serviços ao A. A. significa, antes de tudo: Responsabilidade, Gratidão, Doação e Amor. Fato que se identifica com facilidade quando se observa o caminho percorrido pelo membro atuante entre o passado nem sempre tão distante, cheio de desacertos, dores e desamores e o momento virtual das (24) vinte e quatro horas e pelo qual após reaprendermos regras de concordância começamos no mínimo, a preparar condições propicias para colher vitórias onde havíamos semeado campos e mais campos de derrotas.

Os princípios de A. A. e em A. A. sempre estarão acima das nossas personalidades, se assim quisermos sobreviver e conviver com qualidade. Por essa perspectiva a experiência de A. A. evidencia que normalmente o afastamento de um membro do grupo é causado por ele mesmo que quis impor em dado momento sua personalidade aos demais, mesmo conhecendo a extensão dos princípios da Irmandade. Algumas lideranças com o tempo desencantam com a Irmandade, quando procuramos observar a razão, percebemos que foram vítimas de si mesmas. O fato se deve a maneira como ele procurou repassar os princípios aos seus companheiros.

Alcoólicos Anônimos nos deu a oportunidade impar de sermos capazes de enxergar nossos erros atuais e nos redimir no ato. Fomos encorajados a dar uma olhada continua sobre nossas qualidades e defeitos e ter o firme propósito de aprender e crescer pelo hábito do autoexame de si mesmo. Foi nos dado a conhecer o poder e a força da prece e da meditação “como alimento e remédio da alma”, como de fundamental importância para o crescimento espiritual e, por conseguinte o afastamento definitivo da obsessão pelo álcool.

O exemplo dos nossos primeiros “Iguais” descobriu que levar a mensagem aqueles que sofrem da terrível doença do alcoolismo é a melhor maneira de nos mantermos sóbrios pela prática de todo o Legado da Recuperação em todas as atividades de nossas vidas.
Até aqui nós recebemos a proposta para a verdadeira felicidade, através da renúncia de nós mesmos deixando para trás os velhos hábitos e reconstruindo constantemente o verdadeiro homem novo.

Anônimo – Piritiba

O porre é grotesco
O médico que coordenou
a maior pesquisa sobre
alcoolismo já feita no mundo
diz que dois drinques
por dia são o limite

“O álcool é mau tranqüilizante,
torna pessoas
infelizes ainda
mais infelizes”
O estudo do alcoolismo começou para o psiquiatra americano George Vaillant apenas como a chance de obter uma bolsa na Universidade Harvard. E virou uma paixão que já dura quase trinta de seus 65 anos. Na origem dessa paixão está a maior pesquisa já feita sobre o tema no mundo. Durante cinqüenta anos, pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, acompanharam a vida de 600 homens para identificar as causas de um problema que atinge 10% da população mundial – ou seja, 600 milhões de pessoas. Essa empreitada monumental é o fundamento do livro A História Natural do Alcoolismo Revisitada, escrito por Vaillant com base na pesquisa, da qual foi coordenador por duas décadas. É considerada uma das obras mais importantes sobre o assunto. As histórias dessas pessoas o levaram a conclusões originais. Uma delas é que, ao contrário do que defendem muitos especialistas, não existe o gene do alcoolismo, e sim um conjunto de genes que tornam o indivíduo vulnerável à dependência de álcool. “É uma doença provocada por múltiplos fatores, um drama que envolve praticamente todas as áreas da medicina”, diz Vaillant, que participou na semana passada, no Rio de Janeiro, do 13º Congresso Brasileiro de Alcoolismo.
Veja – Nesses quase trinta anos estudando o alcoolismo, qual a principal conclusão a que o senhor chegou?
Vaillant – Minha principal convicção hoje é que o alcoolismo é um problema de dimensões trágicas ainda subdimensionadas. O maior dano do alcoolismo é a destruição de famílias inteiras. Para citar um só exemplo: nos Estados Unidos, 50% de todas as crianças atendidas nos serviços psiquiátricos vêm de famílias de alcoólatras. E boa parte dos abusos cometidos contra crianças tem raiz no alcoolismo.
Veja – Há muita divergência entre especialistas na definição do que seja alcoolismo. Suas pesquisas concluem que é um sintoma ou uma doença?
Vaillant – Sem sombra de dúvida é uma doença. O alcoolismo é resultado de um cérebro que perdeu a capacidade de decidir quando começar a beber e quando parar. Os japoneses têm um provérbio que diz “Primeiro o homem toma uma bebida, e depois a bebida toma o homem”. O indivíduo alcoólatra é alguém que perdeu a liberdade de escolha. A questão é que esse limite é muito tênue. Há muitas nuances, inclusive no diagnóstico. O ponto exato no qual o abuso que leva alguém a ser preso por dirigir alcoolizado merece o rótulo de alcoolismo é tão incerto quanto o limite entre o amarelo e o verde no espectro de cores.
Veja – Em relação à herança genética, o que se conclui a partir do acompanhamento dessas 600 pessoas? Existe o gene do alcoolismo?
Vaillant – Não é tão simples. O alcoolismo, como as demais doenças psiquiátricas, é determinado por um conjunto de fatores genéticos e condições sociais. Há muitos genes que permitem a alguns indivíduos beber mais que outros sem se sentir mal, sem ter dor de cabeça, sem se tornar viciados. E há muitos outros que contribuem para o alcoolismo. Se seus pais e avós forem alcoólatras, esse é um sinal de alerta. Você deve usar álcool com muito cuidado, porque sua predisposição genética é mais forte que a de um filho de pais não alcoólatras. Mas, se não houver um fato que desencadeie a doença, a pessoa pode passar a vida toda sem ter problemas com álcool. O importante é que a carga genética não equivale a uma condenação ao alcoolismo, assim como ser filho de músicos não transforma ninguém em violinista. Na pesquisa isolamos um grupo de 398 pessoas, das quais 72 desenvolveram dependência de álcool. Entre os 178 indivíduos sem nenhum parente com história de abuso de bebida, apenas dezoito se tornaram dependentes. E, no universo das 71 pessoas que tinham quatro ou mais parentes nessa situação, 25 se tornaram alcoólatras. É uma diferença expressiva, que mostra a influência genética. No entanto, mesmo nesse segundo caso, a maior parte das pessoas não desenvolveu abuso de álcool.
Veja – Existem traços de personalidade que permitem prever um futuro alcoólatra?
Vaillant – Isso é uma tremenda bobagem. A idéia de uma personalidade alcoólica é uma visão que só se sustenta retrospectivamente. Quando se acompanha um indivíduo desde a infância, como no nosso estudo, fica claro que não é possível detectar numa criança ou num pré-adolescente traço algum que permita antever que eles se tornarão alcoólatras. Alcoolismo cria distúrbios de personalidade, mas distúrbios de personalidade não levam necessariamente ao alcoolismo.
Veja – Essas opiniões não são compartilhadas por boa parte dos especialistas no tema mundo afora.
Vaillant – Mas esses especialistas não têm como voltar no tempo para estudar seus pacientes antes que eles se tornassem alcoólatras. Todo mundo que fez estudos prospectivos concorda comigo. Isso acontece porque, como o alcoolismo é uma doença crônica que afeta o sistema nervoso central, o relato de suas vítimas é freqüentemente pouco confiável. A melhor maneira de ter a história real é acompanhando o indivíduo desde antes do surgimento da doença.
Veja – Qual a diferença entre alcoolismo e outras dependências?
Vaillant – A principal diferença diz respeito ao tipo de droga. Opiáceos são tranqüilizantes. Pessoas infelizes sentem-se melhor com esse tipo de droga. Mas o álcool é um mau tranqüilizante. Ele tende a fazer as pessoas infelizes ficarem mais infelizes. Álcool piora a depressão. A pequena euforia que caracteriza o pilequinho é sintoma do início da depressão do sistema nervoso central. A autocensura some momentaneamente, dando uma sensação de bem-estar. Entretanto o resultado final é um indivíduo mais infeliz.
Veja – Culturalmente o álcool é associado a alegria e festas. Isso não acaba estimulando o consumo excessivo de bebida?
Vaillant – A associação de bebida a festas é ancestral, e ela em si não é nociva. Mas seria bom que a embriaguez fosse encarada como algo grotesco. Não associá-la a alegria e diversão faria muita diferença. Nossa cultura está começando a achar que o cigarro é ruim. No entanto continuamos achando que ficar bêbado numa festa é divertido. E as autoridades não estão tão preocupadas com essa mudança de mentalidade como estão em relação ao cigarro. Já existe a preocupação de não associar fumo a bom desempenho em esportes, por exemplo. Em relação ao álcool, nenhuma medida efetiva vem sendo tomada. Só que, do ponto de vista da sociedade, o álcool é um problema muito grave. O indivíduo alcoólatra provoca acidentes de trânsito e sofre de problemas de fígado. Porém o maior mal é que ele provoca problemas graves a sua volta, a começar por sua família.
Veja – Em que medida uma pessoa que bebe regularmente está sob o risco de tornar-se alcoólatra?
Vaillant – É um pouco como perguntar se quem dirige regularmente está mais propenso a acidente de trânsito. As únicas pessoas que estão sob o risco de alcoolismo são as que bebem regularmente. Mas, se você nunca passar de dois drinques por dia, pode usufruir socialmente da bebida em festas, casamentos, Carnaval e nunca se tornar alcoólatra.
Veja – Dois drinques são a medida?
Vaillant – Se você é uma mulher pequena, um drinque e meio. Um homem corpulento como Churchill (Winston Churchill, ex-primeiro-ministro da Grã-Bretanha) pode chegar a quatro, sem problema. Mas, se não quiser complicação, dois drinques como os que servem num bar. Não como os que você se serve em casa. Dois do tamanho daqueles pelos quais você paga. Quem habitualmente toma mais do que isso já está emitindo sinal de problema. Provavelmente em seguida vai tentar controlar a quantidade de álcool mudando de bebida. Passar do destilado para o fermentado, por exemplo. Também vai começar a prometer beber menos – e não conseguir cumprir – e a sentir-se culpado por coisas ditas ou feitas quando estava sob o efeito do álcool. Esses quatro pontos são sinais de alarme.
Veja – O que a família de um alcoólatra pode fazer para ajudá-lo?
Vaillant – Há pouco a fazer. Mas uma coisa é essencial. Não se deve tentar proteger alguém de seu alcoolismo. Se uma mulher encontra seu marido caído no chão, desmaiado sobre seu próprio vômito, não deve dar banho e levá-lo para a cama. O único caminho para sair do alcoolismo é descobrir que o álcool é seu inimigo. Proteger uma pessoa nessa situação não ajuda. Não é papel da família tentar convencer o alcoólatra de que o álcool é um grande mal para ele. Na verdade, nessa situação a família precisa de ajuda. E deve procurar o Al-Anon, a divisão dos Alcoólicos Anônimos voltada ao apoio a famílias de alcoólatras. É muito doloroso conviver com uma pessoa nessa situação. Conviver e conversar com quem tem o mesmo problema é essencial.
Veja – Abstinência é realmente o único caminho para livrar-se do alcoolismo ou uma pessoa que foi alcoólatra pode beber socialmente?
Vaillant – Uma pessoa alcoólatra até pode beber socialmente. Da mesma maneira que um carro pode andar sem estepe. Ou seja, é uma situação precária e um acidente é questão de tempo. Num horizonte de seis meses, muitos alcoólatras conseguem manter seu consumo de álcool dentro de padrões socialmente aceitos. Mas, se observarmos um intervalo maior de tempo, como dez anos, vamos verificar que a tendência é ir aumentando gradualmente o consumo até voltar ao padrão alcoólico. Em períodos mais longos, normalmente só quem pára de beber não sucumbe ao vício. Das 600 pessoas que acompanhamos, 200 tornaram-se alcoólatras. Destas, oitenta têm uma recuperação estável, sendo que 75 conseguiram isso pela abstinência e apenas cinco bebem socialmente. Das 120 restantes, oitenta morreram de doenças provocadas pelo álcool. E quarenta continuam bebendo de maneira alcoólatra. Elas têm uma relação com o álcool parecida com a de Elizabeth Taylor com a comida. Ela consegue emagrecer à custa de internações em spas e outros tratamentos. Ninguém pode dizer que ela é enorme de gorda. Mas ninguém pode dizer também que ela tem uma relação normal e saudável com a comida.
Veja – Que papel as drogas antiabuso têm no tratamento do alcoolismo?
Vaillant – Na década de 30, descobriu-se uma substância chamada disulfiram (princípio ativo do remédio vendido no Brasil como Anti-etanol), que provoca um tremendo mal-estar quando misturada com álcool. O problema é que, depois de algum tempo, o sujeito prefere deixar de tomar o remédio a parar de beber. Em 1995, uma outra substância, a naltrexona, foi saudada como a pílula antialcoolismo. Ela já era usada no tratamento de viciados em heroína e tem um bom efeito em muitos pacientes, que dizem ter perdido a vontade de beber ou ter reduzido muito a quantidade de álcool ingerido. Essa substância é vendida no Brasil com o nome de Revia, e ainda não tem seu efeito estudado a longo prazo. Mas, em linhas gerais, o que se pode dizer é que drogas podem funcionar como apoio por no máximo um ano. O problema é que é muito difícil tirar algo de alguém sem oferecer alternativas de comportamento. Usar essas drogas equivale a tirar o brinquedo de uma criança e não dar nada no lugar.
Veja – Qual sua avaliação sobre os Alcoólicos Anônimos?
Vaillant – Como terapia, é parecida com as terapias behavioristas, que pretendem obter uma determinada mudança de comportamento. A diferença é que é um tratamento muito barato, e que dura para sempre. Além disso, tem um componente espiritual importante. Terapias ajudam a não beber, mas os Alcoólicos Anônimos dão ao indivíduo um círculo de amigos sóbrios. Dizem que é preciso ficar abstêmio, mas lhe dão significados, amigos, espiritualidade. É o melhor tratamento que temos.
Veja – As estatísticas confirmam isso?
Vaillant – É muito difícil ter estatísticas precisas. O que sabemos é que cerca de 40% das abstinências estáveis são intermediadas pelos Alcoólicos Anônimos. E os 60% restantes passam por fatores sobre os quais não temos conhecimento algum. A respeito disso há um caso interessante. O doutor Griffith Edwards, um dos maiores especialistas do mundo em alcoolismo, ministrou tratamentos distintos a dois grupos de pacientes. No primeiro, aplicou o que existia de mais moderno, tanto em termos de terapia quanto de medicamento. No segundo, fez acompanhamento terapêutico mensal. Ao final de um ano, os resultados foram muito parecidos.
Veja – Qual o caso mais impressionante de recuperação que o senhor encontrou ao longo de todos esses anos?
Vaillant – Foi o de um homem que sustentava seu alcoolismo com a prostituição, relacionando-se tanto com mulheres quanto com homens. Tinha chegado a um ponto de degradação que se protegia do frio cobrindo o corpo com folhas. Por intermédio dos Alcoólicos Anônimos, ele se recuperou depois de uma longa batalha e tornou-se o sóbrio e feliz dono de uma transportadora de móveis, capaz de carregar um piano sozinho. Ele também é um bom exemplo de como é difícil detectar com precisão o que leva alguém a se tornar alcoólatra. Sua mãe morreu quando era muito pequeno, e foi criado por tias. A conseqüência direta dessa perda em sua vida foi que ele se tornou violento. Sintomaticamente, só tinha problemas com a polícia em aniversários da morte da mãe. Mas, isoladamente, essa história não explica o desenvolvimento do alcoolismo.
Veja – O senhor bebe?
Vaillant – Bebo socialmente, e sempre às refeições. Não dispenso um ótimo vinho francês.
Veja – O senhor tem cinco filhos. Como lidou com a bebida na educação deles?
Vaillant – Todos eles foram autorizados a tomar vinho nas refeições desde os 10 anos de idade. Hoje são adultos e bebem socialmente, sem nenhum problema.

O que aconteceu?

Esta pergunta está sendo feita por muitos alcoólicos ultimamente. O que aconteceu com a nossa taxa de sucesso? 30 a 40 anos atrás, estávamos segurando 75% ou mais dos alcoólicos que vinham buscar ajuda conosco. Hoje, não estamos retendo nem 5%. O que aconteceu?
O que aconteceu com aquele Grupo de A.A. maravilhoso de 20, 30 ou 40 anos atrás? Normalmente havia 50, 75, 100 ou mais pessoas em cada reunião. Agora é só história; desapareceu! Cada vez mais grupos estão fechando as portas todo dia. O que está acontecendo?
Ouvem-se muitas idéias, opiniões e justificativas quanto ao que está acontecendo, mas as coisas não estão melhorando. Pelo contrário, continuam a piorar. O que está acontecendo?

Bill W. escreveu:

“Nos anos que se seguirão, A.A. certamente cometerá erros. A experiência nos ensinou que não devemos ter medo de fazê-los, desde que continuemos dispostos a admitir nossas falhas e a corrigi-las prontamente. Nosso crescimento como indivíduos tem dependido deste salutar processo de tentativas e erros. Também acontecerá ao nosso crescimento como Irmandade.
Lembremo-nos sempre que qualquer sociedade de homens e mulheres que não puder corrigir seus próprios erros certamente entrará em declínio senão em colapso. Tal é o preço universal pelo fracasso de continuar a crescer. Assim como cada membro de A.A. deve continuar a fazer seu inventário moral e a se corrigir, também desse modo deve a sociedade, se é que queremos sobreviver e se pretendemos servir bem e com eficiência.” (A.A. Atinge a Maioridade)
Com tão pouca sobriedade e o contínuo fechamento de grupos de A.A., torna-se evidente que nós não temos estado dispostos a admitir nossas falhas e a corrigi-las prontamente.
Parece-me que o Delegado da Área do Nordeste do Ohio. Bob Bacon, identificou nossas falhas e erros quando falou a um grupo de AAs em 1976. Disse ele, em síntese, que não estamos mais mostrando ao recém-chegado que temos uma solução para o alcoolismo. Não estamos falando para eles do Livro Azul e o quão importante ele é para a nossa recuperação a longo prazo. Não estamos falando para eles sobre as nossas Tradições e o quanto elas são importantes para cada um dos grupos e para Alcoólicos Anônimos como um todo. Pelo contrário, estamos usando nossas reuniões para contar mazelas da ativa, discussão de problemas pessoais, idéias e opiniões sobre o “meu dia”, ou o “nosso modo”.
Tenho estado aqui a já alguns anos, e refletindo sobre o que Bob Bacon falou, parece que nós deixamos os recém-chegados convencerem os antigões de que eles novatos tinham uma idéia melhor. Eles vieram de 30 ou mais dias passados em centros de tratamento onde lhes tinha sido ressaltada a necessidade que tinham de falar dos problemas deles nas Sessões de Terapia em Grupo. Foi-lhes dito que não fazia diferença saber qual era o verdadeiro problema deles, pois A.A. tinha o “melhor programa”. Foi-lhes dito que eles deveriam ir a uma reunião de A.A. todo dia durante os primeiros 90 dias do tratamento. Foi-lhes dito que não deveriam tomar quaisquer decisões importantes durante o primeiro ano de sobriedade. E o que mais lhes foi dito vai mais adiante, a maior parte nada tendo a ver com o programa de Alcoólicos Anônimos.
Aparentemente, o que lhes foi dito pareceu suficiente para os membros de A.A. que já estavam aqui quando os pacientes de Centros de Tratamento começaram a aparecer nas reuniões. E muitos membros de A.A. gostaram das idéias desses centros porque eles proporcionavam um lugar onde podiam descarregar um bebedor com problemas principalmente se ele tivesse como pagar. Isso eliminava algumas das inconveniências com que já havíamos sido incomodados antes e que nos fazia despejar suco de laranja e mel ou até uma dose de bebida na garganta de um alcoólico em delírio para ajudá-lo a desintoxicar-se.
Quando o A.A. se tornou bem sucedido, as pessoas que falavam nas reuniões eram alcoólicos em recuperação. Os alcoólicos que ainda não estavam em recuperação e sofredores apenas escutavam. Após ouvir o que era preciso fazer para entrarem em recuperação, o recém-chegado tinha que tomar uma decisão: “Você vai por em prática os Passos para se recuperar ou vai voltar lá e continuar a beber?”
Se eles dissessem que estavam dispostos a “fazer o que fosse necessário”, recebiam apadrinhamento, um Livro Azul, e começavam um processo de recuperação pela prática dos Passos e experimentando as Promessas que resultam desse modo de ação.
Este processo mantinha o recém-chegado ocupado em trabalhar o programa com os outros e continuar o crescimento da Irmandade. Nossa taxa de crescimento era de aproximadamente 70% e o número de membros sóbrios de Alcoólicos Anônimos dobrava a cada 10 anos.
Com o crescimento rápido da Indústria do Tratamento, a aceitação do nosso êxito com alcoólicos pelo sistema judicial e endosso dele pelos médicos, psiquiatras, psicólogos etc., todo tipo de gente vinha para o A.A. em número que jamais imagináramos possível. Até sem compreendermos o que estava acontecendo, nossas reuniões começaram a mudar daquelas que se focavam na recuperação do alcoolismo para as de “discussão ou partilha” que convidavam a todos para dizerem o que lhes viesse à cabeça. As reuniões evoluíram de um programa de crescimento espiritual para as do tipo de terapia em grupo, em que passamos a ouvir cada vez mais a respeito dos “nossos problemas” e cada vez menos sobre o Programa de Recuperação do Livro Azul e da preservação da Irmandade por adesão às nossas Tradições.
E o que resultou disso tudo? Bom, nunca tivemos tantos virem a nós pedindo ajuda. Mas também nunca tivemos uma taxa de crescimento tão baixa e que agora vai baixando cada vez mais. Pela primeira vez em nossa história, Alcoólicos Anônimos está perdendo membros mais rápido do que chegam recém-chegados, e nossa taxa de sucesso está no incrível mínimo. (Estatísticas dos Escritórios Intergrupais de algumas das maiores cidades indicam que menos de 5% daqueles que manifestam o desejo de parar de beber conseguem fazê-lo por mais que 5 anos; muito longe mesmo dos 75% constatados por Bill W no Prefácio da Segunda Edição.) A mudança no conteúdo de nossas reuniões está se provando uma armadilha fatal para o recém-chegado e também, para os grupos que passam a depender desse tipo de reuniões de “discussão e participação”.
Porque isso? A resposta é muito simples. Quando as reuniões eram abertas para os alcoólicos que precisavam de ajuda e para os não-alcoólicos, dava-se-lhes oportunidade para expressar suas idéias, opiniões, arejar seus problemas e contar como lhes tinha sido dito para fazer nos lugares de que vinham, e o recém-chegado confuso ficava ainda mais confuso com a diversidade de informação que lhe era apresentado. Cada vez maior número era encorajado a “somente participar de reuniões e não beber”, ou pior ainda, “ir a 90 reuniões durante 90 dias”. Não se falou mais ao recém-chegado para seguir os Passos ou então voltar a beber para ver onde ia dar. Na verdade, passamos a dizer: “Não se apressem a trabalhar os Passos. Deixem que eles entrem em você.” Os alcoólicos que participaram da compilação do Livro Azul não esperaram. Eles começaram a trabalhar os Passos desde os primeiros dias após seu último gole.
Agradeçamos a Deus que há aqueles em nossa Irmandade, como o Joe, o Wally ou o Charlie etc., que reconheceram o problema e começaram logo a fazer algo a respeito. Eles estão redirecionando o foco de volta ao Livros Azul. Sempre ficaram alguns grupos que não se deixaram levar pela tendência do tipo terapia em grupo e se mantiveram firmes no seu comprometimento de levar uma única mensagem ao alcoólico que sofre. Esta é dizer ao recém-chegado que “nós tivemos um despertar espiritual como resultado da prática destes Passos e se você quiser se recuperar, lhe designaremos um padrinho que já se recuperou e que o guiará pelo caminho que os primeiros 100 primeiros membros abriram para nós.”
Alcoólicos em recuperação começaram a fundar grupos que tem um único propósito e informam ao recém-chegado que até que ele tenha adotado os Passos e entrado em recuperação, não poderá dizer nada nas reuniões. Irão ouvir os alcoólicos em recuperação, praticarão os Passos, irão se recuperar e então tentarão passar suas experiências e conhecimento a outros que estejam procurando o tipo de ajuda que Alcoólicos Anônimos proporciona.
À medida que esse movimento se expande, como está fazendo, Alcoólicos Anônimos voltará a ter êxito em fazer a única coisa que Deus determinou para nós, e que é ajudar o alcoólico que ainda sofre a se recuperar, se já se decidiu que quer o que nós temos e para conseguir isso, está disposto ao que for necessário, aderir e praticar os Doze Passos em suas vidas e proteger nossa Irmandade honrando e respeitando nossas Doze Tradições.
Existe uma tendência para colocar a culpa por nossas dificuldades no colo da industria do tratamento e nos profissionais. Eles fazem o que fazem e isso não tem nada a ver com o que nós em Alcoólicos Anônimos fazemos. Isso é assunto deles. Não é lá que se deve colocar a culpa ou a transgressão da nossa Décima Segunda Tradição.
O verdadeiro problema é de que os membros de Alcoólicos Anônimos que estavam aqui quando esses pacientes de fora começaram a vir à nossa Irmandade, não os ajudaram a entender que o nosso programa já estava firmemente comprovado desde Abril de 1939.
E que as linhas guia para a preservação e crescimento de nossa Irmandade foram adotadas em 1950. Que esses novatos precisavam começar a praticar o Programa de Doze Passos de Alcoólicos Anônimos tal e qual nos foi dado. Que até que o tivessem feito e se recuperado, eles não tinham nada para dizer que precisasse ser ouvido por qualquer outro além do seu padrinho. Mas isso não aconteceu.
Pelo contrário, os antigões falharam em sua responsabilidade para com o recém-chegado, não o informando da verdade vital: “Raramente vimos fracassar a pessoa que nos tenha seguido nesse caminho. Aqueles que não se recuperam são pessoas incapazes de fazê-lo ou que não se dispõe a se entregarem inteiramente a este programa simples.”
Temos permitido a alcoólicos e a não alcoólicos sentarem em nossas reuniões e falarem de seus proble-mas, suas idéias e opiniões. Estamos saindo do “Raramente vimos fracassar” para o “Raramente vemos uma pessoa se recuperar”.
E é onde estamos hoje. Tivemos 30 anos de inacreditável êxito por seguirmos os ditames do Livro Azul. E estamos tendo 30 anos de fracasso desalentador por nos dispormos a ouvir todos falarem de seus problemas. Pelo menos agora temos algo a comparar.
Agora sabemos qual é o problema e sabemos qual é a solução. Infelizmente, não fomos capazes de prontamente corrigir as falhas que foram geradas pelo que pode parecer a ingestão de grandes doses de apatia e complacência. O problema que estamos vivenciando é o de desnecessariamente matar alcoólicos. A solução? O Poder maior que nós mesmos, que nós encontramos através das promessas de recuperação dos Doze Passos para aqueles que se dispõe a praticá-los conforme as guias claras e objetivas do Livro Azul.
Você quer ser uma parte do problema ou parte da solução? Simples, mas não fácil. Vai ser preciso pagar um preço.

” O SEGUNDO LEGADO NA VISÃO DO DR. OSCAR COX. “

Dr. Oscar Rodolpho Bittencourt Cox – Rio de Janeiro – RJ

“Há um interesse crescente acerca das Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos.
Estudiosos de relações humanas começam a perguntar-se como e por que A. A. funciona como uma sociedade. Por que razão, indagam, nenhum membro de A. A .pode ter urna posição de autoridade sobre outro e não existe qualquer vestígio de governo central na organização.”

Para explorarmos este tema, sob minha visão, vejo a necessidade de fazer uma ligação a Biologia, o aprendizado distinto de religiosidade, a vivência da espiritualidade e, por fim, os conceitos e práticas nas famílias.

O Segundo Legado – manutenções da unidade em Alcoólicos Anônimos são as Doze
Tradições que os Grupos foram concluindo ao longo do tempo na prática, na cooperação e na troca de experiências. Percebeu-se que viver junto, viver em família é coisa a ser aprendida. Logo, em 1946 as Doze tradições são formuladas e publicadas pela primeira vez. Em 1950, já amplamente aceitas, são confirmadas por ocasião da 1a Conferência Internacional Cleveland Chio – USA.

Espiritualidade X Religiosidade – Os leitores devem se deparar com momentos, em suas vidas, que racionalmente desejam ou elaboram ações que na realidade são contrariadas diante de suas argumentações inconscientes e compulsivas.
Acabam envolvidos, portanto, com fatos desagradáveis, prejudiciais, de conseqüências maiores ou menores para com suas próprias vidas. – “Não foi possível impedir isso!” – Dirão estas pessoas no dia seguinte, buscando explicações e fugas das mais diversas.

O que acabamos de descrever, de forma extremamente genérica, acontece de um modo constante com qualquer ser humano, de maneira intensa ou mesmo imperceptível. Então, buscam-se formas mais tênues de racionalizar ou negar os fatos. Esconder e sepultar os sentimentos gerados passa a ser urna constante.

Qual o fenômeno que podemos identificar acima e que é chamado de compulsão?
Desde o nosso nascimento, as leis do prazer são as nossas diretrizes.
Imaginem uma criança discutindo a qualidade do macarrão do almoço com a mãe.
Isto não existe. Logo, todas as nossas necessidades são mascaradas pelo prazer. O prazer da satisfação faz com que o inconsciente registre e logo, o fenômeno se repete quando determinadas situações voltam a acontecer.

Nós, crianças, crescemos conhecendo as Leis do Prazer e as Leis Físicas, como por exemplo: a Lei da Gravidade – aprendemos a empurrar o chão e este reagindo, nos impulsiona para frente.

Noções de religiosidade nos são ensinadas, respeitando de um modo geral a religião do país. Seguimos o que outros nos informam como correto, comunicado por eles pela tradição, reduzida à formas fixas pela imitação e conservada por hábito, o que não deixa de ser o exercício de um poder.

Ao chegarmos á adolescência, período de liberdade, período de libertação do indivíduo em busca do próprio espaço, torna-se o jovem, naturalmente fanático quanto á religiosidade ou fanático também quanto ao seu ateísmo. O adolescente defende com vigor os seus direitos e verdades, as quais acreditam.

Nesta etapa da vida: luto de não ser mais criança, rupturas em relação aos pais, aproximação e formação de grupos da mesma faixa etária, a busca pelos prazeres imediatos e realizações se toma mais intenso de modo que, não se percebe e não se é informado quanto a necessidade do exercício de uma espiritualidade.

Espiritualidade: situação de relacionamento consigo mesmo – Quem sou eu? E
conseqüentemente com os outros.

Deve-se, na adolescência, começar a observação de si próprio e do mundo ao seu redor para que com estes fatos, balizados pelos limites mostrados pelos adultos e autoridades, possam exercitar seus próprios limites e assim aprender a atuar. É uma coisa nova. Lembremos que a criança só reage ao estímulo. È na adolescência que descobrimos que existimos e conseqüentemente observamo-nos e aprendemos a atuar em seqüência a observação de si mesmo, da vida, do Universo, do outro, portanto: “Eu existo”. Como isto ainda não foi aprendido pela Sociedade e difundido aos nossos jovens, permanecemos adultos apenas presos àqueles princípios de religiosidade aprendidos na infância,
portanto, não buscamos experiências vivenciais individuais com nossos sentimentos, com nossas reais necessidades, com nossas descobertas de qualidades e defeitos, mas, pelo prazer, em nome do prazer, pela própria Sociedade, nos lançamos aos modificadores de comportamento como cigarros, bebidas alcoólicas, oferecidos pela maciça propaganda a crianças e adolescentes. È bom citar que nestes períodos de sua evolução o Homem ainda
não possui senso crítico desenvolvido. Formou-se forte regra do prazer imediato, resultados imediatos e que as pessoas se transformam em indivíduos que não podem ser contrariados nos mínimos detalhes. Fecha-se o ciclo. Agora passo a ser vítima de compulsões, as mais diversas, como comida, bebidas, sexo, trabalho, etc…, que apesar de toda racionalização em contrário, não consigo vencer. “O que houve?”

Ferro-me em uma religião, com significado filosófico cujo juízo espiritual é a proposta de um valor, um empenho pessoal de força de vontade, onde dou ordens a um Deus do que ele tem que fazer. “O que deveria ter feito?”

Questionando a minha espiritualidade, ou seja, a minha estima pessoal – Eu me amo – pergunto sobre o meu valor, busco minhas qualidades. O juízo é existencial, é a vivência dos sentimentos, da realidade e aí troco experiências com as pessoas que vivenciam histórias semelhantes. Peço ajuda: eu existo.

Para combater as compulsões precisamos da experiência empírica das vivências dos sentimentos em vez da experiência dogmática na qual formos educados. É isto que os Grupos de Mútua Ajuda mostram com seus programas de unidade – Alcoólicos Anônimos nos apresenta, em primeiro lugar, este caminho das Tradições, da Unidade, da nova Família a ser construída. Para tomar consciência da própria espiritualidade, parte-se da melancolia, do sofrimento e das compulsões que constitui o momento essencial de partida
para a evolução completa. Atinge-se a felicidade que a crença perfeita confere graças à vivência dos sentimentos, à vivência da percepção da própria história que escrevemos a cada dia. Tomam-se os transes de visão interior da própria verdade e é desta forma que podemos nos tornar indivíduos adultos, maduros, responsáveis pelo próprio destino. É este
interior pessoal de verdade que todos os místicos religiosos descrevem.
Hoje, às portas do 3º milênio, os Grupos de Mútua Ajuda, com seus programas de Lemas, Passos, Tradições e Conceitos possibilitam a qualquer cidadão de mente aberta e boa vontade, que um dia foi vítima de compulsões – força impulsionadora inconsciente que o levou, mesmo sem ele querer, ao sofrimento, à perda, à impotência – confessar a própria derrota de seu ego, de sua religiosidade, de sua prepotência, orgulho e grandiosidade, e assim atingir, como já dissertamos, o nirvana de sua liberdade. Com este preâmbulo
no qual vimos a Espiritualidade X Religiosidade sob aspecto biológico, podemos apreender que Alcoólicos Anônimos – A. A. – nos ensina, quanto Sociedade Humana, a necessidade de Princípios que podem ser postos didaticamente na forma. OS TRÊS LEGADOS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS.

O Segundo Legado, a nossa Unidade, é que permite a troca de sentimentos, o compartilharem e o construir um grupo ou uma família.
A recuperação passa pela UNIDADE
A recuperação passa pelas TRADIÇÕES
A recuperação passa pelo GRUPO
A recuperação passa pela FAMÍLIA
“A mais feliz das conversas é aquela em que não há competição ou vaidade, mas sim uma calma e tranqüila trocam de sentimentos”. (Samuel Johnson)

Família

. No mundo atual, fala-se muito, mas diz-se muito pouco sobre o essencial.

. São necessárias grandes tragédias, muitas vezes, para as pessoas saltarem o que lhes vai na alma e no coração; de resto a conversa se resumo ao plano utilitário e material.
. A forma das pessoas manterem a paz e a aparente harmonia das famílias é de não abordar certos assuntos que poderiam provocar polêmicas, invocar o perdão do outro, exigir uma participação mais ativa, enfim, fazer funcionar a máquina familiar. Em consequência, as tensões, os ressentimentos e as mágoas se acumulam e ficam marcados no espírito.

. Para agravar esse clima de falsa paz, existe o pavor do ser humano de ser considerado diferente. “É tão mais fácil viver em rebanho e não dar explicações a ninguém…”.

. Existe uma enorme covardia (medo) perante o “que dirão” os outros. E, assim, as opiniões sinceras são guardadas cuidadosamente na gaveta do esquecimento. Para que dizer o que penso, se vai provocar tanta instabilidade? Pergunta-se. E aí se considera ser melhor deixar tudo cair num profundo silêncio, traidor da alma.

Sentimentos – difícil de definir. Envolve tudo aquilo que nos acontece ou não envolve nada… O sentimento é pessoal e único, transmite-se e até poder ser contagioso. Mas nunca pode ser explicado por outrem, mas apenas interpretado, e sendo assim, muitas vezes deturpado. O sentimento é a forma, e o seu conteúdo varia. Podemos sentir frieza, ira, amor, inveja, O sentimento é usado para o bem e para o mal. Mas o importante é que sentir é viver, é estar em movimento, é fazer crescer, é provocar atos, é simplesmente acontecer. Imaginemos o mundo sem sentimentos. O mundo seria uma espécie de coleção de estátuas a circular com gestos orientados por uma central e sem razão para existir. A desertificação dos sentimentos elimina nossa razão de ser, de viver. Se continuarmos nessa linha de pensamentos, o não sentir é a ausência de vida.

“Nós aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a arte simples de viver como irmãos”. (Martin Luther King)

Conta-se que uma levara ao Buda uma criança morta nos braços e gritava pedindo que ele a curasse. Buda mandou-a ir de porta em porta até encontrar uma casa onde nunca tivesse morrido nem um pai, nem um filho, nem um avô, nem um marido, nem um irmão, nem um amigo, e na qual nunca tivesse sofrido uma grande dor; se ela encontrasse tal situação, teria o seu filho ressuscitado. Quando ela voltou, exausta, já não pedia a cura do filho, pois
tinha acalmado o coração. E assim, através da dor dos outros, sentiu a paz que vem quando digerimos a dor.

Logo: preciso do outro.

Preciso compartilhar experiências.

Preciso trocar sentimentos.

Preciso aprender a ser social.

Por que:

Família – inicialmente agressão de pessoas consangüíneas (Sistema)
Família-¬¬reunião de pessoas com problemas entre si (Karma*)
Família – sistema a ser aprendido.
Família- corresponde as Tradições logo Unidade do Grupo (Segundo Legado).

O que tenho de aprender?

? -Haver diálogo (Primeira Tradição) para que possam fluir sentimentos (Segunda Tradição) apenas um quesito é analisado por vez (Terceira Tradição): um fala e os outros, e os outros escutam.

? Para que isto possa ocorrer, cada membro é autônomo/independente em perceber (ver – ouvir – falar), em pensar, em querer (desejos), em escolher, em imaginar (fantasias). Isto é limitado pela cultura/comportamento do próprio grupo (Quarta Tradição).

? Só com este aprendizado é que podemos realmente ajudar outro membro em dificuldades (que ainda sofre) (Quinta Tradição). Para que isto se concretize, atuar só sem julgamentos, críticas, censuras, ajudas externas para que não se envolva em questões alheias (Sexta Tradição) de modo tal, que todos os membros da família sejam absolutamente autossuficientes (Sétima Tradição), e isto só é possível através a vivência/experiência do exemplo da autoridade/pais/escola/comunidade/padrinho (Oitava Tradição). Para que isto
seja atingido, precisamos dos avanços/técnicas da Humanidade – profissionais, logo, a família/grupo não deve se estruturar como Cia (companhia), mas todos devem ter tarefas com responsabilidade (Nona Tradição), para isto, a família/grupo não deve se envolver/opinar sobre questões alheias ao seu núcleo (Décima Tradição) – evitam-se controvérsias.

? Assim, na família/grupo as relações interpessoais são por atração e não promoção (Décima Primeira Tradição) – importância do anonimato (Décima Segunda Tradição) – os princípios acima das personalidades (Leis Cósmicas).

Assim, concluímos ser o Segundo Legado – (Tradições) parte concreta na recuperação do indivíduo quanto ser humano, exercendo sua plena biologia.
Temos que aprender a viver em grupo constituindo, como adultos, uma família da minha escolha.

Notas e Bibliografia:

. Karma – termo ligado à Lei de causa e efeito, segundo a qual toda ação, sentimento e pensamento de uma pessoa produzem efeitos de natureza similar.
Que retornam ao individuo que os gerou. Em outras palavras, tudo que fazemos, sentimos ou pensamos retornam a nós, seu ponto de origem, a curto, médio ou longo prazo. Em português, costuma-se empregar a palavra destino para traduzir o termo “carma”. Contudo, ela não é suficientemente adequada para exprimi-lo. Observe-se que há um carma básico que deve ser, em princípio, totalmente aceito pelo indivíduo; só depois dessa aceitação
inicial, é possível transformá-lo. È a partir desse carma básico, que pré-existe ao próprio nascimento físico, que dada ser vai construindo a trama da sua própria vida e, conseqüentemente, modificando o seu carma (positivo ou negativo) e transformando-o segundo nossas atitudes, desejo e aspirações. O trabalho junto ao carma é, por conseguinte, permanente e sua duração equivale ao período de nossa vida sobre a Terra. Eis um fato que
favorece a prática dos Oitavo e Nono Passos. Favorece a prática das Oitava e Nona Tradições.

Bibliografia:

1 – James W. – “As Variedades da Experiência Religiosa”. CULTRIX – 1995. 337p.

Nota: O livro citado, escrito pelo Psicólogo, Filósofo William James (1842 – 1910) serviu como uma das bases a William Griffith Wilson – Bill W.
(1895-1971) e Dr.Robert Holbrook Smith – Dr. Bob (1879 – 1950) para Fundarem
Alcoólicos Anônimos – A. A. dia 10-06-35: data em que Dr. Bob bebeu pela última vez.

2 – Livro “Alcoólicos Anônimos” – Edição comemorativa – luxo – 50 anos de A.A. no Brasil – Nov. 1996

3 – Correa de Sá Cândida C. – “Crônicas de uma Caminhada” Edição do autor 2.000

* Ciclo das Doze Tradições – outubro de 2003 – Leopoldina – MG

Os livros eletrônicos (e-books): ou, como levar a mensagem em um mundo digital.
Box 4-5-9, Inverno 2011 => http:// http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_winter11.pdf
Título original: “E-Books: Llevar el mensaje de A.A. en un mundo digital”
Alcoólicos Anônimos sempre confiou numa simples mensagem de esperança espiritual para o doente alcoólico: que há uma saída. É uma mensagem destinada a alcançar todo tipo de alcoólicos, em todas as épocas, em todos os lugares e através de tantos meios de comunicação quanto seja possível. Nos primórdios de A.A., quando o custo de uma chamada telefônica era de apenas cinco centavos (de dólar), os membros de A.A. participavam na “terapia do níquel”, ligando para os recém chegados e tendo à mão os velhos amigos; depois chegou um manuscrito mimeografado onde era compartilhada a experiência dos primeiros cem membros e, em seguida, a primeira impressão do texto básico da Irmandade, “Alcoólicos Anônimos”. Nos anos posteriores, os AAs solitários e os viajantes levavam consigo o Livro Azul e as histórias da Grapevine em fitas de áudio; e, ainda mais tarde, os alcoólicos em instituições de tratamento receberam a mensagem em fitas de vídeo e discos compactos. Depois chegaram os computadores domésticos, a Internet, e as grandes mudanças para levar a mensagem na era digital.
Como é dito no prefácio à quarta edição do Livro Azul: “Enquanto nossa literatura preserva a integridade da mensagem de A.A., amplas mudanças na sociedade como um todo se refletem em novos hábitos e procedimentos dentro da Irmandade. Por exemplo, aproveitando-se dos avanços tecnológicos, os membros de A.A. que dispõem de computador podem participar de reuniões por Internet, compartilhando com companheiros alcoólicos de todo o país e do mundo inteiro. Em qualquer reunião, em qualquer lugar, os AAs compartilham entre si experiências, forças e esperanças com o propósito de manterem-se sóbrios e ajudarem outros alcoólicos. Modem a modem ou cara a cara, os AAs falam a linguagem do coração em todo poder e simplicidade”.
Com a finalidade de se manter afinada com estas “novas práticas e novos costumes”, foi sendo considerado durante vários anos, por toda a Irmandade e pelos Serviços Mundiais de A.A. (A.A.W.S.), um formato de e-book digital para levar a mensagem de A.A. Por conseguinte, em dezembro de 2010, a Junta de A.A.W.S. anunciou sua aprovação ao projeto do e-book. Phyllis H., gerente geral do ESG, disse que: “Um dos principais benefícios para a Irmandade será o de ter acesso mais amplo à mensagem de A.A. através de um formato eletrônico com o qual se estão familiarizando cada vez mais membros de A.A. Alguns perguntam se isso vai ‘substituir’ o Livro Azul impresso, mas, embora isto possa acontecer no futuro, a maioria concorda com que, neste momento, queremos ambos os formatos – o Livro Azul impresso e a versão eletrônica. Estes e-books terão funcionalidade completa com capacidade de busca, texto destacado, um marcador de posição para a inclusão de anotações e, de grande importância, a possibilidade de mudar o tamanho do texto para poder ler em letras maiores. O Livro Azul e Doze Passos e Doze Tradições são apenas o começo. Em 2012 esperamos anunciar a disponibilidade de mais literatura no formato de e-book”.
A informação a respeito do projeto de e-books foi divulgada amplamente aos membros da Conferência através de comunicados regulares, do Relatório de A.A.W.S. e do Informe trimestral da Junta de Serviços Gerais. Recentemente foi feita uma apresentação geral do projeto na 61ª Conferência de Serviços Gerais (de 01 a 07 de maio de 2011), e foi publicado no sitio da Web de A.A. do ESG, um anúncio a respeito da próxima disponibilidade dos e-books.
Nas discussões do projeto foi considerada como prioridade que a distribuição e venda dos e-books sejam controladas em toda sua amplitude por A.A. World Services, Inc., como acontece com toda a literatura de A.A. protegida por copyright, assegurando, assim, a proteção da integridade da mensagem de A.A. Com esse objetivo, foi criada uma infra-estrutura segura que inclui uma loja on-line de A.A.W.S. através da qual será fornecida a “app” para baixar e vender os livros.
Após um longo processo de estudos realizado pelo comitê de planejamento que incluiu a previsão orçamentária, a criação da loja on-line, a tecnologia adequada, o sistema de gestão de direitos digitais, o sistema de interação dos cartões de crédito e contabilidade, a criação da aplicação (app) e a conversão dos dois primeiros livros ao novo formato de e-books, foi definido que o lançamento das versões em e-book do livro Alcoólicos Anônimos e Doze Passos e Doze Tradições, em inglês, español e francês, será feito na metade do inverno de 2011(NT.: este inverno começa em 21 de dezembro de 2011 e vai até o começo da primavera em 21 de março de 2012). O preço, estabelecido por A.A.W.S. em setembro, será de $ 6,00 (seis dólares) por cada publicação.
De acordo com Charlie Shell, não alcoólico, assessor de tecnologia da informação do ESG e que trabalhou no projeto dos e-books desde seu começo, os dispositivos compatíveis para o lançamento serão o Apple iPhone, iPod Touch e iPad. Para poder baixar e ler os e-books de A.A.W.S., o comprador deverá instalar primeiro o aplicativo A.A. eReader App que pode ser obtido gratuitamente na Apple Store. A única maneira possível de baixar e ler os e-books de A.A. em dispositivos compatíveis é através de A.A. eReader App.
Com os novos e-books de A.A., os membros irão ter ao alcance da mão a literatura essencial da Irmandade, e pouparão tempo, espaço e dinheiro, acrescentado ao mesmo tempo mobilidade e facilidade de uso. A função de busca de texto torna possível aos leitores encontrar passagens ou frases específicas ou palavras chave; o formato de e-book permite ajustar o tamanho do texto e acrescentar ou eliminar pontos de leitura e anotações para destacar aspectos importantes do texto.
A loja de A.A. on-line, acessível através do sítio da Web de A.A. do ESG – http://www.aa.org, ficará aberta 24 horas por dia. Terá disponível um serviço de atendimento ao cliente relacionado com o projeto de e-book no Escritório de Serviços Gerais através de correio eletrônico e telefone para questões relacionadas com a obtenção e o uso do A.A. eReader App, assim como assuntos a respeito da compra de e-books na loja de A.A. on-line.
Aproximadamente quatro semanas após o lançamento inicial, estará disponível uma versão Android de A.A. eReader App. Esta versão de A.A. eReader App, será compatível com os Smart Phones com a plataforma Android e podem ser baixados do Android Market. Charlie Shell também disse que o ESG e A.A.W.S. irão acompanhar as tendências dos dispositivos móveis para determinar os possíveis dispositivos que possam ser compatíveis no futuro.
Em um discurso escrito por Bill W. e pronunciado por sua mulher, Lois, no jantar anual do Intergrupo de Nova York em 10 de outubro de 1970, tinha estas palavras: “Com o passar dos anos A.A. deve e continuará a mudar. Não podemos nem devemos retroceder no tempo”.
Portanto, embora a mensagem de esperança e recuperação em A.A. nunca mude, a forma como essa mensagem é transmitida continua evoluindo no mundo digital de nossos dias

Para saber mais
O que é e-Book?
Conceitos e definições, comparação com livros impressos.

http://www.tecmundo.com.br/1519-o-que-e-e-book-.htm

Se você consegue estabelecer a diferença entre uma carta e um e-Mail, certamente sabe, por analogia, que livros e e-Books se encaixam no mesmo conceito. Termo de origem inglesa, e-Book é uma abreviação para “electronic book”, ou livro eletrônico: trata-se de uma obra com o mesmo conteúdo da versão impressa, com a exceção de ser, por óbvio, uma mídia digital.
Apesar de ardorosamente criticados por extremistas – que acreditam que um livro jamais deveria ser substituído por um e-Book –, o modelo eletrônico tem suas vantagens. Portabilidade é uma de suas principais características: uma obra chinesa pode ser adquirida no Brasil, e em questão de segundos. Quando o assunto é facilidade de transporte, então, nem se fala: enquanto milhares de e-Books podem ser levados para cima e para baixo com o uso de um dispositivo móvel (como um pendrive), carregar dois livros simultaneamente é complicado.
O preço é outro atributo a ser levado em consideração, já que e-Books, devido à sua facilidade de divulgação e ao seu baixo custo de produção, normalmente saem muito mais baratos que modelos impressos. E por falar em impressão, vale a pena salientar: se você preferir ler sentado confortavelmente em sua poltrona, pode imprimir o e-Book.
Os formatos em que essas obras são encontradas variam, sendo que os mais tradicionais são .pdf, .doc, .odt, .txt, .lit e .opf; devido a essa variedade de extensões, foram desenvolvidos programas específicos para a leitura de e-Books – softwares que são capazes de reconhecer todos esses formatos e apresentá-los em forma de texto. Se estiver procurando por um aplicativo do gênero, temos vários à disposição aqui no Baixaki (relacionados logo abaixo). Também escolhemos alguns programas que oferecem funcionalidades especiais a esse tipo de leitura, como um que recita “em voz alta” o que está escrito na tela. Agora é só escolher os que mais te agradam, pegar seu e-Book favorito e “olhos à obra”!

Leia mais em: http://www.tecmundo.com.br/1519-o-que-e-e-book-.htm#ixzz1fkxsZgE6

The BIG BOOK BUNCH

PERDOAR – O PASSO QUE FALTA

Versão J 15/12/2001
THE BIG BOOK BUNCH
(A TURMA DO LIVRO AZUL)

Nós somos o grupo “ The Big Book Bunch “ de Alcoólicos Anônimos . Nossa origem é o grupo Estudantes do Livro Azul, que vem se reunindo em Woodland Hills, Califórnia desde Dezembro de 1985. Nossos objetivos são: vivenciar o processo espiritual, através do qual a sobriedade é obtida e aprimorada, e publicar (gratuitamente) nossa experiência, para outros alcoólicos em recuperação. Nós não temos absolutamente afiliação à qualquer organização ou causa a não ser a nossa filiação individualmente como membros de A.A.
Nosso material escrito não é literatura oficial de A.A. mas no entanto, contem informação do Big Book (Alcoólicos Anônimos) e outra literatura aprovada pela Conferência, registrada e publicada por Alcoólicos Anônimos. Todo material de A.A. utilizado, é acompanhado pela devida referência à sua fonte. Referências em nossos documentos ao Livro Azul, excluem suas estórias ( depoimentos ). Está incluído todo material desde sua capa frontal até a página 164, mais os Apêndices I ( Tradições) e II (Experiência Espiritual).
Você pode reproduzir matéria do Big Book Bunch, observando que: a) as fontes do material (AA ou The BBB) sejam citadas, b) que nada seja cobrado pela sua divulgação,e c) que não seja distribuído por organização ou procedimento que cobre taxas. Caso tenha correções ou melhoramentos a fazer, por favor nos comunique utilizando a Caixa Postal ao pé do artigo.

Nós tratamos de uma discussão sobre a disposição de perdoar. Primeiramente ressaltaremos, caso você ainda não saiba, que os alcoólicos tendem a se sentir vitimados por pessoas,lugares, objetos e o cosmos em geral. Como se isso não fosse o bastante, nós alcoólicos, também carregamos mágoa, de que nos tenha sido feito, ou deixado de fazer por nós.
Nos parágrafos seguintes, exploraremos as implicações de carregarmos os ressentimentos conosco. Se não conseguimos, nos livrar dos ressentimentos, por outro lado, às vezes nos deparamos com a ferramenta de ( última geração ) para a erradicação – perdoar aqueles de quem nos ressentimos. A natureza do perdão é investigada, e , finalmente, são apresentadas técnicas para alcançar o perdoar. A nossa discussão a respeito do perdão é elaborada através de links em quatro páginas adicionais. É melhor, acreditamos, que seja vista na ordem em que está listada.

ALCOÓLICOS TEM ORGULHO DO RESSENTIMENTO

A maior parte dos alcoólicos tem um profundo – quase patológico – senso de justiça. Se nós fomos enganados ( significando freqüentemente que não conseguimos o que queríamos), ou nos apegamos à idéia de que poderíamos ter sido enganados, encontramos plena justificação para expressar raiva ou abrigar ressentimentos. Nesse caso parece quase que um dever carregar um ressentimento justificado. Caso contrário, aqueles que nos enganaram se livrariam impunes. E isto não estaria certo; concordam? Portanto, desperdiçamos nossas vidas, recebidas de Deus, julgando e punindo nossos semelhantes. Abandonar um ressentimento justificável,é sabidamente, uma das experiências mais difíceis para um alcoólico.
Se você pesquisar a palavra ressentimento em nosso dicionário, você vai encontrar:
Ressentir é também utilizado em outros sentidos que nos parecem estranhos, tais como “sentir dor” ou “perceber pelo odor”(1). O fio que mantem esses sentimentos unidosé a noção de sentir ou perceber …de novo.
Para o alcoólico ressentimento é o reviver a ofensa que nos feriu antes de tudo.. Pense nisto. Nós sentimos estar punindo as pessoas por seus erros, quando, na verdade, queremos voltar a sentir a ferida de novo…de novo…de novo – entendeu? Ressentis não faz mais sentido, da mesma forma que não o faz, a nossa antiga bebida. Algo está distorcido no cérebro,pensamos.
(1) N.T.: Isto se dá na língua inglesa

MÉTODOS DE REMOÇÃO DE RESSENTIMENTOS

Como remover os ressentimentos? Aqui estão os métodos costumeiros, e eles são apresentados na ordem crescente de dificuldade ( para o alcoólico, é claro).
Negligenciamento. Sim, a negligência benigna remove a maior parte de seus pensamentos do dia. Nós simplesmente nos esquecemos das coisas que não são importantes para nós. Enquanto crescemos em nossa sobriedade nos tornamos menos interessados em manter ressentimentos, e eles seguem a ordem natural da eliminação, a não ser que sejam retidos devido a nossos hábitos pervertidos.
Reflexão. Se estamos conscientes do nosso ressentimento, e desejamos nos livrar dele, é um procedimento inteligente pensar sobre ele. Nós realmente ouvimos o que a outra pessoa falou? O que foi dito era realmente o que a outra pessoa pensava? O que ouvimos não seria apenas um boato? A ação ofensiva segue um padrão, ou foi apenas um acaso? O ofensor estava estressado? Estamos dando ao outro o benefício da dúvida? Caso contrário, porque não abandonar o ressentimento?
Análise de Custo/Benefício. Se realmente houve um dano,principalmente intencional, seria benéfico para nós guardar ressentimento? Esse é um ressentimento importante? Qual sua posição entre os outros ressentimentos justificados que carregamos? A inserção dele no nosso inventário significa que abriremos mão de outro ressentimento menos danoso? Por quanto tempo carregaremos esse ressentimento? Ele justifica vingança? Estamos dispostos a sofrer a perda de amizades, destruição de propriedade, despesas, prisão, ou pressão social como conseqüência de nos tornarmos juiz, júri e executor? Não seria mais agradável nos livrarmos do ressentimento?
A Disposição de Perdoar. Sim, é possível se livrar dos resíduos de ressentimento através da disposição de perdoar.
Os links abaixo citados descreverão como isso pode ser feito. Eis aqui alguns tópicos, como:
∙ Anonimato. As pessoas das quais você se ressente não precisam saber disto. De fato, é muito melhor e mais simples se eles não souberem. Uma mágoa curtida em segredo é mais suave, de qualquer forma.
∙ Privacidade. A menos que a pessoa de quem você se ressente peça o seu perdão, ou você esteja absolutamente convencido de que ela ficará feliz por ser perdoada, você deve manter seu perdão em sigilo. Pode ser uma forma grosseira de arrogância aproximar-se de uma pessoa para lhe dizer que está sendo perdoada. Elas freqüentemente não tem a menor idéia de ter cometido alguma ofensa, e vão se perguntar que espécie de louco você pensa que é para perdoá-la – Deus, talvez?
∙ Ultimidade. Uma vez que você tenha perdoado uma pessoa, é o ato final. Não precisa nunca mais ser repetido, nem você deve permitir a recorrência do ressentimento.
E, é claro, há o velho conhecido, a prece. Após a discussão de cada passo no Livro Azul, um sem número de métodos para aliviar os problemas são mostrados. A ferramenta fundamental e freqüentemente “sugerida” para nós, é a prece. A prece deveria estar na lista acima, mas não saberíamos como situá-la na ordem de dificuldades. Para alguns de nós, a prece é um meio natural e fácil de ajustar a nossa vida. Para outros, uma perspectiva alienada e até mesmo hostil. Qualquer que possa ser o sentimento de uma pessoa no tocante à prece, deve haver um esforço constante para que seja um ingrediente primordial na concientização.

O QUE É A DISPOSIÇÃO DE PERDOAR?
O Dicionário e FORGIVE (Perdoar)
For – give ( Para dar )
1 – Conceder perdão para, ou remissão por ( uma ofensa, pecado, etc. ) ; absolver.
2 – Cancelar ou Remir ( um débito, obrigação, etc ) ; perdoar os encargos devidos em um empréstimo.
3 – Conceder o perdão a ( uma pessoa ).
4 – Deixar de sentir ressentimento contra; perdoar seus inimigos.
5 – Perdoar uma ofensa ou o ofensor.

QUEM É O GUARDIÃO DE NOSSOS ERROS?
Pode ser que haja um pouco de nossa teologia pessoal aqui. Se a sua é diferente, por favor não se sinta ofendido. Você pode estar certo.
Quando cometemos uma ofensa ( ou falhamos em cumprir uma obrigação ) o erro é gravado. A(s) parte(s) a quem ofendemos, se houver, podem anotar – muitas pessoas o fazem . Nós próprios as acrescentamos ao saco de culpas, vergonhas, remorsos e auto-aversão que arrastamos conosco.
Mas o registro real foi feito no sistema do universo por seu Criador. É automático e inevitável que todos os erros sejam anotados. E a única e verdadeira coisa que pode removê-lo é a reparação ( correção ou reparo).
No Oriente, este sistema é chamado Karma. Em metafísica pode se chamar Akasha. Não importa como seja chamado ou aonde quer que se localize ( mais provavelmente dentro de nós mesmos ), funciona e sempre funciona sem falhas, principalmente para nós alcoólicos ( brincadeira ).

OBJETIVOS NA DISPOSIÇÃO DE PERDOAR
Quem está sendo perdoado, e por quem ?

Perdoando os outros. Se um ato de cortesia de nossa parte vai ajudar os outros a se sentirem melhor com eles mesmos, então devemos deixar que saibam que não temos nenhum sentimento negativo em relação às ações deles. Mas nunca devemos acreditar que possamos, na verdade, interferir em que sejam perdoados, de acordo com o plano traçado por Deus para eles.
Ser perdoado pelos outros. Aqui aplica-se a mesma lógica de perdoar os outros. A disposição cosmética de perdoar entre os humanos pode ser um ato de compaixão. No entanto, a genuína vontade de perdoar é um assunto muito pessoal.
Ser perdoado por Deus. Deus não mantém registros, nem carrega quaisquer mágoas. O sistema universal de Justiça que Ele criou cuida automaticamente da correção e do perdão. Ele não intervem. Ele simplesmente nos ama o tempo todo
Perdoar a nós mesmos. Como os humanos não podem realmente perdoar-se uns aos outros, o auto-perdão é igualmente impossível. Há mais a ser dito, no entanto. Nós certamente concordamos que muitos, senão a maioria dos alcoólicos conhecem de sobra a culpa, a vergonha, o remorso e a auto piedade. Nós DEVEMOS nos livrar disto antes que possamos realmente ver a perfeição do Criador em nós, como era Sua intenção. Devemos ter a capacidade de olhar para o espelho e sorrir para a criatura que está emergindo do limo da assertiva auto dirigida, à serviço do Pai através seus companheiros. Saber que fomos perdoados é um requisito para a vida sóbria.
A primeira coisa a fazer é livrarmo-nos dos falsos crimes de que nós mesmos nos imputamos. Um sólido Quinto Passo produzirá uma lista de nossos defeitos de caráter e uma lista preliminar de pessoas que tínhamos ofendido. Se nós nos sentimos mal por algo que não conste destas listas, ou a lista está incompleta ou fomos apanhados pelo defeito sem sentido da auto-condenação . Sentir-se mal consigo mesmo,, o que poderia fazer sentido enquanto estávamos nos prejudicando, é freqüentemente um cabide emocional que deve ser descartado. Você pode criar uma lista de auto-respeito ( não orgulho ) . Pode ser próximo ao espelho, e pode dizer, “ Eu tenho de me respeitar hoje porque eu…( liste boas ações, passos dados, pessoas ajudadas, preces, etc.).” Mas, assegure-se de nunca colocar seu nome na listagem de seu Oitavo Passo. A segunda coisa a fazer e dar o Nono Passo ( Após ter feito do Primeiro ao Oitavo com seu padrinho, é claro). Porque ? Porque a reparação é o único meio de alcançar o perdão.

NOSSO ”DIREITO” DE PERDOAR

Nós sabemos que quando algo errado é feito, há um imediato registro do fato. O registro não pode ser prevenido e NEM apagado através do perdão. A parte ofendida não pode apagar o registro, e Deus também não o fará, pois, antes de mais nada, foi Ele quem criou o sistema. E o sistema funciona muito bem para Ele.
Então,como você e os outros podem ser absolvidos de seus erros ? Adivinhou, pelo Nono Passo. Reparação ( reparo / correção ) da ofensa remove automaticamente o registro. O perdão não toma parte, em lugar nenhum, na absolvição.
Porque então tanta conversa a respeito do perdão? A realidade é que nós não estamos perdoando ofensas contra nós, no sentido de remover a necessidade de reparação por parte do ofensor. Isso nós não podemos fazer. Apenas a reparação tem esse poder. Nosso ato de perdão é para nos limparmos. É isso mesmo. Nós removemos de nós mesmos o desejo auto imposto de punir o ofensor. Nosso perdão absolve não o ato cometido, mas sim a nossa reação pessoal a ele. Uau ! Que conceito ! Não é o karma dele que corrigimos, mas o nosso próprio !
Eis algumas fontes adicionais que achamos muito úteis. Você poderá notar que algumas delas não concordam plenamente com o que falamos. Isso não faz com que elas ou nós estejamos errados. Isso é necessário para que você viva em profundidade as suas próprias convicções. Por favor acesse esses links na ordem em que estão listados:

Livro Azul ……….O Perdão no Livro Azul
Parachin ………..Victor M. Parachin: Como Perdoar: 10
Guias
Errico ……….. A Oração do Senhor e o Perdão
E.Fox ………..Emmet Fox: Perdão baseado no Sermão da
Montanha
Tradução: Ricardo Gorobo

PERDÃO

“Se o alcoólico cometeu erros, os outros também podem ter cometido; ninguém pode querer ser perdoado se não consegue perdoar.”

(“Descobri que preciso perdoar em todas as situações a fim de manter um verdadeiro progresso espiritual. A importância vital do perdão pode não ter sido óbvia para mim à primeira vista, mas meus estudos me diziam que todo grande professor espiritual havia insistido fortemente nisso. Devo perdoar as injúrias, não apenas por palavras, ou como formalidade, mas dentro do meu coração. Não faço isto por amor as outras pessoas, mas para o meu próprio bem. Ressentimento, raiva ou desejo de ver alguém punido são coisas que apodrecem minha alma, me prendem a mais dificuldades, me amarram a outros problemas.”)

O ressentimento é uma luta emocional com algum acontecimento do passado que não pode ser alterado, conseqüentemente, a manutenção do ressentimento é inútil, pois não muda nada. Além disso, implica deixar que outros dirijam minha vida, pois permite que algo que fizeram lá atrás continue me perturbando ainda hoje.

Também é necessário que se aprenda a perdoar nossos semelhantes, considerando que são tão falíveis quanto nós.

Se o alcoólico cometeu erros, os outros também podem ter cometido. E ninguém pode querer ser perdoado se não consegue perdoar.

Será mais fácil perdoar se a gente compreender que muitas pessoas que aparentam ser ou até foram grosseiras e desagradáveis, na maioria das vezes procederam assim como mecanismo de defesa, tentando se proteger; tais atitudes indicam fraqueza e não força.

Se eu conseguir tratar essas pessoas com cortesia e bondade haverá admiração e gratidão por parte delas, pois na realidade elas são muito carentes de afeto; há muitas feridas em suas almas e esta é a razão de tais atitudes.

Não nos esqueçamos de que a mania de falar mal dos outros é mera decorrência de um sentimento de inferioridade unido a um desejo de superioridade. Diminuindo os outros, as pessoas têm a ilusão de aumentar seu próprio tamanho. Toda maledicência é confissão pública de inferioridade, fraqueza e raquitismo espiritual, exacerbada pelo desejo de uma superioridade que não possuem nem tem condições de possuir. Quem consegue compreender isso consegue também deixar de se ressentir com a maioria das coisas.

O certo é procurar evoluir sem se comparar com nada e com ninguém.

Quem é superior quer servir, que é um comportamento ativo, e quem é inferior quer ser servido, que é um procedimento passivo.

Da mesma forma, quem perdoa demonstra ser forte e sadio, aceitando a si mesmo como é.

Deus me deu o livre-arbítrio e, conhecendo perfeitamente como funciona meu cérebro e minha natureza, me deu também os ensinamentos necessários para que me sinta bem e feliz. Não permito que nada perturbe isso. Ressentimentos, raivas, remorsos ou outras coisas negativas não podem tomar conta de mim.

Se tivermos ressentimento de alguém seria bom analisarmos detidamente o fato, com isenção de ânimo e depois perdoar, esquecer.

Se houver possibilidade de conversar com essa pessoa sobre o assunto, convém falarmos com franqueza e sinceridade, procurando com boa vontade saber suas razões.

Talvez assim possamos readquirir uma amizade, ou pelo menos resolveremos o assunto de vez, eliminando o ressentimento que nos incomoda.

Não é tão difícil quanto aparenta ser. Os que tentaram se surpreenderam.

Uma vez feita a relação das pessoas e dos danos, assim como reexaminados os fatos com a mesma técnica empregada no 4º Passo, nós, alcoólicos, saberemos exatamente a quem devemos pedir perdão e fazer reparações.

(“Assim como você, muitas vezes me considerei a vítima do que as outras pessoas dizem e fazem. Mas todas as vezes que confessei os pecados dessas pessoas, principalmente daquelas cujos pecados eram diferentes dos meus, descobri que as coisas só pioraram. Sendo assim, agora, se alguém fala mal de mim, primeiro pergunto a mim mesmo se há alguma verdade no que foi dito. Se não há nenhuma, procuro, embora com dificuldade, perdoar essas pessoas e a mim mesmo.”)

Não posso e não devo me acomodar às circunstâncias da vida. Não posso esperar para perdoar. Tem que ser já.

Preciso estar sempre totalmente livre para seguir de imediato, sem tardanças, novos caminhos que surgem, sem ter que perder tempo para me desembaraçar de coisas das quais já podia ter me libertado muito antes e que por causa da morosidade perturbam meu crescimento.

Entrar em ação o mais rápido possível: perdoar.(L.D./SP)

Vivência n° 98 – Nov/Dez. 2005

O Preâmbulo de A.A.: Informações dos Bastidores
Material de Serviço do General Service Office
O PREÂMBULO foi introduzido na edição de Junho de 1947 da revista AA Grapevine. Foi escrito pelo então editor, que tirou muito do Prefácio da edição original do Big Book, Alcoholics Anonymous.
Naqueles primeiros anos, a Grapevine havia começado a circular entre não alcoólicos, e o Preâmbulo tinha a função primordial de descrever para eles o que o A.A. é, e o que não é. Ainda é freqüentemente utilizado com a finalidade de informação ao público. Com o passar do tempo, começou a aparecer em todas as publicações aprovadas pela Conferencia, e muitos grupos de A.A., hoje, o utilizam em reuniões abertas.
A versão original era diferente em dois pontos da forma a que estamos familiarizados: 1) É afirmado que “o único requisito para tornar-se membro é o desejo honesto de parar de beber,” e 2) continha apenas uma afirmação bem curta “A.A. não possui taxas ou mensalidades.”
As pessoas perguntam porque a palavra “honesto” foi retirada. Na Conferencia de Serviços Gerais de 1958, um delegado enfocou as palavras “ desejo honesto de parar de beber,” sugerindo que já que a palavra “honesto” não consta na Terceira Tradição, ela poderia ser retirada do Preâmbulo. Em discussão, a maior parte dos membros da Conferencia sentiu que, graças à maturidade de A.A., era quase impossível determinar o que se constituía em um desejo honesto de parar de beber, e também que alguém que talvez estivesse interessado pelo programa poderia ficar confundido por esta frase. Portanto, como parte da evolução de A.A., a frase foi retirada do uso comum. No encontro do verão de 1958 a Junta de Custódios de Serviços Gerais ratificou a remoção, e desde então o Preâmbulo é lido simplesmente “desejo de parar de beber.”
No mesmo tempo, a frase “A.A. não possui taxas ou mensalidades” foi complementada na forma que atualmente é lida: ”Para ser membro de A.A.não há necessidade de pagar taxas ou mensalidades; somos auto-suficientes, graças às nossas próprias contribuições.”
Quando reimpresso, o Preâmbulo deve ser seguido do seguinte crédito: Copyright by the AA Grapevine,Inc.
PREÂMBULO DE A.A.
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS é uma irmandade de homens e de mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperar do alcoolismo.
O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de A.A. não há necessidade de pagar taxas ou mensalidades; somos auto-suficientes graças às nossas próprias contribuições.
A.A. não está ligado a nenhuma seita ou religião, nenhum partido político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apóia nem combate quaisquer causas.
Nosso propósito primordial é manter-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançar a sobriedade.
Copyright by The AA Grapevine
Revisto em 19/08/2002 Tradução DS17 A.A. Setor 05 Área RJ MCD Ricardo Gorobo
” PRIMEIRA TRADIÇÃO “

Luiz Augusto – Ubá – MG

“Nosso bem estar comum deve estar em primeiro lugar; a reabilitação individual depende da unidade de A. A.”.

No dicionário encontramos o significado de Unidade como sendo a qualidade do que é um ou único, qualidade daquilo que não pode ser dividido; homogeneidade, igualdade, identidade, uniformidade, etc.

A Primeira Tradição coloca a Unidade como condição básica para a sobrevivência de A. A., e nós acreditamos que sem estarmos unidos em torno de um único propósito haverá dispersão, discórdia, dissolução e, por fim, a morte do indivíduo e do Grupo.

Dentro de um Grupo, nos submetemos a sugestões e princípios espirituais, para podermos nos recuperar do alcoolismo e crescermos. Se nos afastamos desses princípios espirituais e sugestões, estaremos enfraquecendo e arriscando-nos a enfraquecer e morrer.

É provável que nenhuma sociedade valorize tanto o bem- estar pessoal de seus membros como faz o A. A., e há muito tempo aprendemos que esse deve vir em primeiro lugar, sem isto, o bem-estar pessoal seria muito pouco. Na verdade, não há outra irmandade que dispense mais carinhosa a atenção a seus membros. Assim, Os Doze Passos são apenas sugestões, As Doze Tradições contém apenas os verbos “devemos” e “deve”. Nenhuma delas contém “não faça”, “você tem que”.

A Tradição diz que a Unidade entre os alcoólicos é a joia mais preciosa que nossa irmandade possui. Unidade é saber conviver com a palavra nós, ao contrário do que diz o dicionário supracitado. De nós depende a vida de cada um. Somos filhos de Deus e somos iguais perante Ele. Não existe inimizade, ódio, desamor, injúria, ambição de poder entre os membros de A. A.; estes sentimentos levam os Grupos a fecharem suas portas. A luta pela riqueza, pelo poder e pelo prestígio, não devem nos destruir. A chave da Unidade é uma consciência bem informada.

Nos aceitar como somos, é trazer para a realidade as palavras de Jesus Cristo. “Amarás seu próximo como a ti mesmo”. Hoje estamos sobrevivendo e participando de uma comunidade de iguais no mundo. “Os ex-bêbados”, nossa identificação é esta crua realidade. Como tudo no universo, somos independentes do afeto de outros seres, vivemos com pele e coração, feitos pelo amor de muita gente. De alguma forma, somos o resultado total de sentimentos próprios e alheios. Unidade devem ser uma rocha e forte, não podem existir barreiras. A posteriori, ao longo dos anos, serviu-nos para forjarmos a estrutura da nossa irmandade que prioriza a nossa maneira de viver e trabalhar em conjunto, na busca de paz e de harmonia, independentemente do mundo conturbado que existe a nossa volta.

UM FEIXE DE VARAS:

Da mesma forma que, em nossas vidas, individualmente dependemos da Unidade de propósitos, em nossos Grupos dependemos da Unidade e harmonia de A. A. no seu todo.

É através do compartilhar de experiências, ouvindo com mente aberta e falando com o coração, que assimilamos o que de bom emana de A. A.. Se o Grupo se afastar das Tradições, ficará debilitado e também sujeito a morrer. Se o Grupo não estiver em harmonia e integrado com os demais, pelos princípios e finalidade de A. A., contidos em suas Tradições estará indefeso frente às situações e problemas que o nosso crescimento acarreta. Por isso, a melhor maneira de viver e trabalhar em Grupo tornou-se a questão primordial.

Na medida em que aumenta o número de células de A. A., surge o perigo do isolamento entre nós. Se não mantivermos nossos Grupos em contato permanente, compartilhando suas experiências, os laços que nos unem estarão enfraquecidos. Estas células estarão vulneráveis a acontecimentos desastrosos à nossa sobrevivência como Grupos e como membros de A. A..

A nossa Unidade estará assegurada quando deixarmos do lado de fora das salas de A. A. nossos desejos exacerbados e unirmos em torno de nosso único propósito primordial que é o de mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a se recuperarem do alcoolismo. Convém lembrar que um feixe de varas é difícil de ser quebrado, mas extremamente fácil quebrar suas varas, uma a uma, isoladamente, e como membros de A. A., sabemos bem que a união faz a força.

* Ciclo das Doze Tradições – outubro 2003 – Leopoldina – MG

” SEGUNDA TRADIÇÃO “

Figueiredo – Cataguases – MG

“Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar.”

Devemos saber como encontrar essa consciência coletiva. Decisões que possam influir no funcionamento de um Grupo, no direcionamento de suas reuniões e, principalmente, no serviço decorrente do cumprimento da Quinta Tradição de A. A., devem sempre ser tomadas através da consulta da consciência do Grupo. Essa consciência, comumente é mal entendida ou mesmo propositadamente mal alcançada.

A consciência coletiva somente é obtida quando a decisão decorre de uma ampla discussão, com a presença de um número satisfatório ou significativo dos membros que compõem o Grupo. Um Grupo de A. A. não é composto por um espaço físico, uma sala ou um prédio. Um Grupo de A. A. é composto por pessoas. Sempre poderemos saber quais companheiros frequentam com relativa regularidade as nossas reuniões, respondem pelos serviços e pelas obrigações que assumimos, e que participam da obtenção da autossuficiência. Esses são os membros ativos do Grupo, que deveriam estar presentes a todas as discussões, quando urna decisão importante tivesse que ser tomada. A eles se deveriam garantir sempre o direito de manifestação e, se silenciassem, deveriam ser solicitados a se manifestarem.

Somente após esse amplo debate é que a consulta, pelo voto, deveria ser feita. Uma simples maioria jamais representaria uma vontade do Grupo. A consciência coletiva só se manifesta quando uma expressiva maioria se pronuncia, após exaustivo debate.

Muitos membros antigos ainda não acreditam nesta proposição. São os chamados “velhos resmungões”, que acreditam que o Grupo não pode sobreviver sem eles e que as suas opiniões devem ser seguidas. Alguns se transformam em “velhos mentores”, que veem a sabedoria das decisões do Grupo e não se sentem diminuídos e sim gratificados, pois sua experiência sempre é aproveitada pelo Grupo.

Que o Poder Superior abra a nossa mente para entendermos que só a consciência coletiva, com conhecimento de causa, pode ser a única autoridade final em todos os assuntos de Alcoólicos Anônimos.

* Ciclo das Doze Tradições – outubro de 2003 – Leopoldina – MG

” TERCEIRA TRADIÇÃO “

Inácio – Juiz de Fora- MG

“Para ser membro de A. A. o único requisito é o desejo de parar de beber”

Ainda estão bem vivas em minha lembrança, as lágrimas bebidas junto com a bebida alcoólica. Lagrimas derramada num momento de desespero, de dor e muitas promessas sinceras de não mais voltar a ingerir bebida alcoólica. Trago marcas no meu interior causadas pelo meu alcoolismo, por minhas atitudes insanas – agressão à minha mãe, por exemplo – como também em meu corpo, bem visíveis para os meus olhos, principalmente para minha mente, as marcas das três tentativas de suicídio. Os meus últimos beber eram um beber desesperado e, por isso mesmo, um não querer mais beber. Mas não sabia como evitar o primeiro gole, apesar de várias tentativas. Mesmo sem conseguir, eu era a expressão sofrida da Terceira Tradição de A. A., Irmandade que não conhecia e, logicamente, nada sabia dos seus Princípios Filosóficos, principalmente dos Doze Passos – base para a recuperação do alcoólatra.

No dia 16 de fevereiro de 1996 – uma tarde de sexta-feira de carnaval, procuro socorro em Alcoólicos Anônimos, através do Grupo Reunidos – Juiz de Fora MG, sendo atendido por G, meu padrinho. Ouvindo o meu desabafo, não precisando me perguntar se eu queria parar de beber – era claro o meu propósito, aconselhou-me a assistir as reuniões e a me entregar ao programa de recuperação – Os Doze Passos. Fui recebido efusivamente pelos companheiros: “Foi bom você ter vindo, melhor se ficar conosco; você é a pessoa mais importante desta sala”. Não quiseram saber sobre o meu passado, minha personalidade e nem o que fiz ou deixei de fazer. Simplesmente me aceitaram no afã de me ajudar, fazendo chegar a mim a mensagem de A. A. – Décimo Segundo Passo e Quinta Tradição.

Mas nem sempre foi assim. O medo, o preconceito, o estigma e o basear-se no alcoolismo puro – sem outras complicações e na Quarta Tradição – mal entendida e, portanto, mal aplicada, fez com que Grupos, nos Estados Unidos da América, até a década de 40, rejeitassem alcoólatras negros, homossexuais, mendigos, prostitutas, ex-presidiários, usuários de outras drogas, agnósticos, ateus e até mesmo aqueles que ousassem periodicamente recair.

As Doze Tradições foram formuladas e publicadas em 1946 – só sendo aceita em 03 de julho 1955, na 1ª Convenção Internacional de A. A., em St. Louis. Ao se basear na Quarta Tradição para rejeitar os alcoólatras “não puros”, esses Grupos esqueceram que a autonomia de um Grupo não poderia atingir outros Grupos e, principalmente, A. A. no seu conjunto. Por outro lado esqueceram que o “propósito primordial de um Grupo é o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre” – Quinta Tradição. O mais importante, é que eles esqueceram que Alcoólico Anônimo se baseia nos princípios da Fraternidade e da igualdade entre os seres humanos – feitos à imagem e semelhança de Deus. Bill W. chegou a dizer: “engraçado, um alcoólatra julgando outro”.

Muitas histórias ilustram a rejeição e a prática da Terceira Tradição. A de Ed, um agnóstico que acabou aceitando Deus; a de Jim S, um médico negro que fundou o 1° Grupo de A. A. para negros; e o célebre caso ocorrido em 1945, quando Barry em nome de seu Grupo, ligou preocupado para Bill W. a lhe relatar a situação vivida por eles ante ao pedindo de socorro de um alcoólatra negro, pobre, maquiado com cabelos pintados de louro, ex-presidiário e, como desgraça pouca é bobagem, usuário de outras drogas. Bill W. após ouvir o relato de Barry lhe perguntou se o homem tinha problema com a bebida alcoólica. Ao ouvir a confirmação, Bill W. disse: “Bom, acho que isto é tudo que podemos exigir”. Foi esse alcoólatra, com toda essa impureza, quem sedimentou, nos corações dos alcoólatras “puros” de então, a verdadeira essência da Terceira Tradição – fazer o bem sem olhar a quem; principalmente quando necessitamos praticar esse bem para a nossa recuperação em busca da nossa sobriedade.

Nos dias de hoje, ainda há rejeição – velada, às vezes nem tanto, por parte de alguns membros a A. A. homossexuais, prostitutas, cidadãos de rua, usuários de outras drogas, ex-presidiários, sem cultura e, pasmem, até mesmos para aqueles que têm dificuldade em se manterem sóbrios – os recaídos. Isto sem falar no velado preconceito racial. Ou sejam: admitem esses alcoólatras em seus Grupos, mas não os aceitam em seus corações. Talvez por elitismo, talvez por se julgarem as melhores pessoas do mundo; talvez por não terem entendido os Princípios Filosóficos de Alcoólicos Anônimos ou, quem sabe: ainda não alcançaram o Despertar Espiritual (Décimo Segundo Passo). O mais importante: esqueceram que vieram do próprio Fundo de Poço, antes de ingressarem em Alcoólicos Anônimos. Mais: esqueceram que muito desses rejeitados foram alguns dos que os ajudaram quando pediram socorro à A. A.

A Terceira Tradição nos leva a meditar sobre o verdadeiro sentimento de Fraternidade, conforme ensinamento do Poder Superior; nos levando a pensar sobre preconceitos, estigmatização de pessoas e hipocrisia (Quarto Passo).

Eis a essência da Terceira Tradição de Alcoólicos Anônimos:

Eu sou responsável.

Quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, quero que a mão de A. A. esteja sempre ali. E por isso: Eu sou responsável.

*Ciclo das Doze Tradições – outubro de 2003 – Leopoldina – MG

EDWIN TACHER

Edwin Tacher, Ebby T., alcoólatra típico, “companheiro de escola primária e de tragos” de Bill W., viveu entre o inferno das recaídas e as delícias da sobriedade. Morreu em 1.966. Sóbrio.
Caracterizando-o, Bill W. diz que “não podia recordar nenhuma ocasião em que ele tivesse estado sóbrio na cidade de Nova Iorque. Há muito tempo eu o dera como um caso desesperado. Inclusive escutara que seria internado num asilo por causa de sua “loucura alcoólica”.
Apresentado por Rolland ao Grupo Oxford, participou da vida do mesmo. Sóbrio visitou seu amigo de infância por duas vezes. Uma em sua casa e outra no hospital. Abordou-o.
Falou-se de sua religião e dos princípios que norteavam seus passos. Não se vangloriou. Não pressionou. Simplesmente explicou. Como chegou saiu; feliz consigo mesmo.
Ele se foi. Suas palavras ficaram e feriram fundo “aquele homem já sem futuro”. Balançaram suas convicções. O “homem deus” tremeu em suas bases. Medo, raiva, esperança, rebeldia, orgulho, sentimentos os mais desencontrados, travaram a batalha final naquela alma desesperada. A “individualidade desafiante”, a “grandiosidade”, o “egocentrismo narcisista”, toda uma estrutura firmada em anos de existência ruíram destruídas. Derrotado, humilhado, situado na exata dimensão de si mesmo, mergulhado em “profunda sensação de melancolia e desesperação sem paralelo”, afundado em extraordinária “agonia espiritual” aquela alma amargurada explode num grito de medo, de revolta, de angústia, de desafio: “se existe Deus, que se mostre agora”. E aquele instante, naquele quarto de hospital, Deus se lhe apresentou. “Uma grande paz me sobreveio”, diz ele, e pensei: “todas as coisas estão bem com Deus e com Seu mundo”. Estava sóbrio. Nunca mais bebeu.
Ebby T., “o injustiçado”, foi a “chave que abriu o cofre” da sobriedade e propiciou aos alcoólatras o conhecimento de suas riquezas.

SAMUEL SHOEMAKER

Sóbrios, os co-fundadores de A.A. uniram-se aos Grupos Oxford. O Dr. Bob ficou em Akron, fundou o primeiro Grupo de A.A. com reuniões na casa dos oxfordianos T. Henry e Clarace e com o auxílio da Irmã Ignatia estabeleceu o primeiro elo entre o A.A. e instituições hospitalares. Bill W. voltou para Nova Iorque e trabalhou junto aos mesmos Grupos na Igreja do Calvário dirigida por Samuel Shoemaker, fundando nessa cidade o segundo Grupo.
Em 1.937, os AAs de Nova Iorque separaram-se dos Grupos Oxford e em 1.939, com o desligamento dos demais Grupos de A.A., tornou-se completamente independente.
Os Grupos Oxford, protestantes da Igreja Anglicana, buscavam a “salvação da humanidade” através dos ensinamentos cristãos, tendo Jesus Cristo como mestre e guia. O homem deveria, para sua salvação, integralizar seus ensinamentos, vivendo e agindo conforme os mesmos, o que implicava na absoluta “rendição do ego” à vontade absoluta de Deus. Impunha-se, pois, a humildade como base do soerguimento individual, fundamentada:
• No “reconhecimento da derrota pessoal” como anulação da vontade individual;
• No “inventário pessoal” como processo de análise para conhecimento e eliminação das próprias deficiências;
• Na “confissão dos defeitos a terceiros” como reconhecimento das próprias falhas;
• No “ressarcimento dos danos causados a outros” como aquietação da própria consciência.
Esta “deflação do ego” exigia para sua continuidade uma vida de “absoluta honestidade”, “absoluto desinteresse”, “absoluta pureza” e “absoluto amor” necessário ao “clima espiritual” propício à realização do destino humano: a salvação da alma.
A influência dos Grupos Oxford e de Samuel Shoemaker na vida de Alcoólicos Anônimos é destacada por Bill W. que a despeito, diz o seguinte:
[...] “os AAs iniciais receberam suas idéias de auto-exame, o reconhecimento dos defeitos de caráter, a restituição pelos danos causados e o trabalho com outras pessoas afligidas pela mesma enfermidade, diretamente dos Grupos Oxford e de Samuel Shoemaker, seu líder inicial na América e de ninguém mais. Sempre se encontrará em nossos anais, ao Dr. Shoemaker como a pessoa, cujo inspirado exemplo e cujos ensinamentos, nos mostraram a forma de criar o clima espiritual no qual nós AAs podemos sobreviver para começar a crescer”.
“É verdade que o Dr. Silkworth nos deu os conhecimentos básicos de nossa enfermidade, porém, Sam Shoemaker nos deu o conhecimento concreto do que podíamos fazer sobre ela. Um nos mostrou os mistérios da fechadura que nos mantinha aprisionados; o outro nos entregou as chaves espirituais por meio das quais obtivemos a libertação”.
[...] a Providência tem usado muitos caminhos para a criação de A.A. e nenhum mais vitalmente necessário eu o caminho aberto através de Sam Shoemaker e seus associados dos Grupos Oxford.

HARRY TIEBOUT

O Dr. Harry Tiebout, primeiro amigo de A.A. Na psiquiatria, na época dividida em duas correntes de pensamentos: uma defendendo o “significado e realidade da fé religiosa”; outra considerando a religião como mera “fantasia” que tenderia a desaparecer quando os conhecimentos científicos dessem ao homem a “madurez” necessária. Entre dois fogos, colocando em risco toda sua reputação, tomou a defesa dos princípios espirituais aplicados por A.A. no enfrentamento do alcoolismo. Graças ao seu prestígio conseguiu que Bill W., um leigo, falasse perante a Sociedade Médica do Estado de Nova Iorque e, posteriormente, ante a Associação Psiquiátrica Americana, “acelerando a aceitação de A.A. pelos médicos do mundo inteiro”. Em 1.944 publicou no American Journal of Psiquiatry, artigo enfocando o “Mecanismo Terapêutico de Alcoólicos Anônimos”.
Estudando a personalidade do alcoólatra, H. Tiebout concluiu que a estrutura fundamentada num “egocentrismo narcisista”, dominada por “sensações de onipotência”, cria-lhe uma “individualidade desafiante” com sentimento de “grandiosidade”.
Interiormente, diz ele, o alcoólico não aceita ser conduzido pelo homem ou por Deus. Ele, o alcoólico, é e deve ser o dono de seu próprio destino. Lutará até o último por preservar essa posição.
Presunçoso, orgulhoso, onipotente, rei num mundo de escravos, ilha num mar de gente, ostra isolada em sua concha, procurará impor ao mundo seu Eu. Não terá amigos, não terá um Deus, nem um mínimo de humildade que lhe dê consciência de seu “real tamanho” no mundo dos homens.
Perturbá-lo, confundi-lo, desorientá-lo, abalá-lo, derrotá-lo, para dissolver essa estrutura egocêntrica; oferecer-lhe objetividade, madureza e a possibilidade de integralização de princípios espirituais que lhe servirão como uma força direta para neutralizar os elementos egocêntricos do caráter do alcoólico, eis, o objetivo central de A.A.
Como fazê-lo? Num primeiro passo através da abordagem, depois do programa.

A Origem dos Doze Passos

Um Fragmento da História: A Origem dos Doze Passos

Bill W. – Julho de 1.953

Membros de A.A. vivem perguntando: “De onde surgiram os 12 Passos?”. Em última análise, talvez ninguém saiba. No entanto, alguns dos acontecimentos que levaram à sua formulação, estão tão claros para mim, como se tivessem acontecido ontem.

No que se refere à sua origem humana, os principais canais de inspiração para os nossos Passos foram em número de três – os Grupos Oxford, o Dr. William D. Silkworth do Towns Hospital e o famoso psicologista William James, chamado por alguns de pai da psicologia moderna. A história de como estes canais de influência se encontraram e de como eles levaram a se escrever os nossos 12 Passos é excitante e em alguns aspectos inequívocos, inacreditáveis.

Muitos de nós lembram-se dos Grupos Oxford como um movimento evangelizador que floresceu nos anos 20 e início dos 30, liderados por um ex-pastor luterano, Dr. Frank Buchman. Os Grupos Oxford daqueles tempos enfatizavam fortemente o trabalho pessoal de um membro com o outro. O Décimo-segundo Passo de A.A. originou-se naquela prática vital. A espinha moral dos Grupos Oxford era honestidade absoluta, pureza absoluta, altruísmo absoluto e amor absoluto. Eles também praticavam um tipo de confissão, que eles chamavam de “compartilhamento”. A reparação por danos causados, eles chamavam de “restituição”. Eles acreditavam profundamente nos “tempos quietos” deles, uma meditação praticada tanto pelos grupos, como pelos indivíduos, na qual se buscava a orientação de Deus para cada detalhe de suas vidas, grandes ou pequenos.

Estas idéias básicas não eram novas: elas poderiam ser encontradas em outros lugares. Mas para nós, primeiros alcoólicos a contatar os Grupos Oxford, a salvação foi que eles davam grande ênfase a estes princípios. Afortunadamente para nós, os membros do Grupo tomavam um cuidado muito especial em não interferir com a visão religiosa pessoal de cada um. A sociedade deles, como mais tarde também a nossa, via a necessidade de ser absolutamente independente de qualquer religião.

No final do verão de 1934, meu grande amigo alcoólico e colega de escola Ebbie, envolveu-se com estas pessoas e imediatamente ficou sóbrio. Sendo um alcoólico, podemos dizer do tipo obstinado, ele não conseguiu “comprar” todas as idéias e atitudes do Grupo Oxford. No entanto, ele se comoveu pela profunda sinceridade deles e sentiu-se muito agradecido pelo fato de que seus ensinamentos tinham, na ocasião, suspendido sua obsessão para beber.

Quando voltou para Nova Iorque, no fim do outono de 1934, Ebbie pensou logo em mim. Num dia gelado de novembro, ele apareceu. Logo ele estava me olhando do outro lado da mesa da nossa cozinha na Clinton Street 182, Brooklin, Nova Iorque. Da forma como eu me lembro de nossa conversa, ele constantemente usava frases como “eu descobri que não conseguia dirigir minha própria vida”; “eu tive que ser honesto comigo mesmo e com mais uma pessoa”; “eu tive que fazer reparações por danos que eu causei”; “eu tive que rezar, pedindo a Deus força e orientação, mesmo não tendo a certeza que existisse qualquer Deus”; “e depois que eu tentei com determinação fazer todas estas coisas, descobri que minha obsessão pelo álcool tinha desaparecido”. Depois, repetidas vezes Ebby, dizia uma coisa semelhante a: “Bill, não é nem um pouco como se eu tivesse embarcado no vagão de água. Você não combate o desejo de beber – você simplesmente se livra dele. Nunca tive antes um sentimento assim.”

Este foi o somatório do que Ebbie extraiu dos seus amigos do Grupo Oxford e me transmitiu naquele dia. Apesar destas idéias simples não serem novas, elas certamente me atingiram como toneladas de tijolos. Hoje nós compreendemos o porque disto – um alcoólico falando para outro, como mais ninguém pode.

Duas ou três semanas mais tarde, no dia 11 de dezembro, para ser mais exato, eu me internei no Charles B. Towns Hospital, aquele famoso empório de enxugamento alcoólico, no Central Park West, na cidade de Nova Iorque. Eu já havia estado lá antes, de modo que eu conhecia e gostava muito do médico de plantão – Dr. Silkworth. Foi ele que em breve iria contribuir com uma grande idéia, sem a qual A.A. nunca teria surgido. Há anos ele afirmava que alcoolismo era uma doença, uma obsessão da mente ligada a uma alergia do corpo. Agora eu sabia que isto era para mim. Eu também compreendia que combinação fatal estes dois fatores podiam representar. É claro que eu, em outras ocasiões, tive a esperança de estar incluído na pequena porcentagem de vítimas que volta e meia escapavam da sua vingança. Mas desta vez até esta esperança tinha ido embora, eu estava perto do fundo do poço. Aquele veredicto da ciência – a obsessão que me condenava a beber e a alergia que me condenava a morrer – estava próximo de fazer a mágica.

Foi aí que a ciência médica, personificada por este pequeno e bom doutor, encaixou-se no conjunto. Esta dupla verdade, nas mãos de um alcoólico falando com outro, era como um martelo rompendo na profundidade a dura couraça do ego alcoólico, deixando-o bem aberto para a graça de Deus.

É claro que no meu caso, foi o Dr.Silkworth quem usava a marreta, enquanto meu amigo Ebbie me transmitia os princípios espirituais e a graça que me trouxe o súbito despertar espiritual, no hospital, três dias mais tarde. Eu imediatamente percebi que era um homem livre. E com esta assombrosa experiência, veio um sentimento de magnífica certeza de que um dia, um grande número de alcoólicos poderiam se aproveitar deste presente sem preço, que me foi concedido.

Neste ponto, uma terceira linha de influência entrou em minha vida, através das páginas do livro de William James, Variedades de Experiências Religiosas. Alguém o havia trazido para meu quarto no hospital. No período seguinte à minha súbita experiência, o Dr. Silkworth tentava firmemente me convencer de que eu não estava alucinando. Mas William James fez mais. Não só, dizia ele, experiências espirituais podem conduzir pessoas à sanidade, mas também podem transformar homens e mulheres, de modo que possam fazer, sentir e acreditar coisas que antes eram impossíveis para elas. Não importa se estes despertares forem súbitos ou que sejam graduais; sua variedade pode ser quase infinita. Mas a principal mensagem daquele livro, era que na maioria dos casos descritos, estas pessoas transformadas eram gente sem qualquer esperança. Em alguma área de suas vidas, elas tinham encontrado a derrota total. Bem, isto era eu. Em completa derrota, sem mais esperança ou fé em nada, eu apelei para um Poder Superior.

Eu tinha feito o primeiro Passo no nosso atual programa de A.A.:
“ admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas”. Também tinha feito o terceiro Passo: “decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos”. Foi desta forma que eu fui libertado. Foi tão simples, como tão misterioso.

Estas realizações foram tão estimulantes, que imediatamente fui compartilhá-las com os Grupos Oxford. Porém, para consternação deles, eu insisti em me devotar exclusivamente aos bêbedos.

Isto incomodou os Grupos Oxford de duas maneiras: primeiro, eles queriam ajudar a salvar o mundo inteiro; segundo, seu resultado com bêbados tinha sido muito fraco. Na hora em que eu os procurei, eles tinham acabado de trabalhar com um bando de alcoólicos que os havia desapontado completamente. Havia rumores, que um deles havia arremessado seu sapato através de uma valiosa janela de cristal da igreja episcopal que ficava em frente à Central dos Grupos Oxford. De forma que eles não foram benevolentes diante de minhas constantes declarações, de que não iria demorar muito o dia em que todos os bêbedos do mundo iriam ficar a sóbrios. Na realidade, eles afirmaram que meu orgulho ainda era imenso.

Após uns seis meses de violentas exortações para um bando de bêbedos, que eu encontrei próximos às missões assistenciais e ao Towns Hospital, parecia que os membros dos Grupos Oxford estavam certos. Eu não havia trazido ninguém à sobriedade. Em nossa casa no Brooklin, nós sempre tínhamos alguns bebedores morando conosco, número que às vezes chegava a cinco.

Minha valente esposa, Lois, uma vez chegou em casa do trabalho e encontrou três deles bastante embriagados. Os dois restantes estavam pior, cambaleantes. Apesar de acontecimentos como estes, terem de alguma maneira reduzido meus ímpetos, na realidade eu nunca perdi a convicção de que existia um caminho para a sobriedade. Apesar de tudo, havia um intenso foco de luz. Meu padrinho Ebbie agarrava-se precariamente à sua recém-encontrada sobriedade. Qual a razão para todos estes fiascos? Se Ebbie e eu conseguíamos ficar sóbrios, por que todos os outros não conseguiam também? Alguns com quem tínhamos trabalhado, certamente queriam ficar bem. Nós especulávamos noite e dia porque nada havia acontecido com eles. Talvez eles não conseguissem manter a paz espiritual dos Grupos Oxford, dos quatro absolutos, de honestidade, pureza, generosidade e amor. De fato, alguns alcoólicos diziam que este era o problema. A agressiva pressão sobre eles, fazia-os voar alto como os gansos durante algumas semanas e depois desabar pesadamente. Eles se queixavam também, de outra forma de coerção – alguma coisa que o Grupos Oxford chamavam de “guiar os outros”. Um time de membros não-alcoólicos do grupo sentava-se com algum alcoólico e depois de um “tempo quieto”, vinha com precisas instruções de como o alcóolico deveria passar a dirigir sua própria vida. Em que pese toda nossa gratidão para com nossos amigos dos Grupos Oxford, isto é duro de engolir. Tudo isto, por certo, tinha a ver com as persistentes derrapagens que estavam acontecendo.
Mas esta não era a causa integral da nossa falha. Depois de meses, eu percebi que o problema estava principalmente em mim. Eu havia me tornado muito agressivo, muito dono da verdade. Eu falava muito da minha súbita experiência espiritual, como se fosse alguma coisa muito fora de série. Eu desempenhava o duplo papel de professor e pregador. Nas minhas exortações, eu me esquecia completamente do lado médico da nossa doença e negligenciava o aspecto da necessidade de profunda deflação do ego, tão enfatizado por William James. Nós não estávamos usando a marreta médica, que o Dr.Silkworth tão providencialmente nos havia dado.

Finalmente, um dia o Dr.Silkworth me trouxe de volta para meu real tamanho. Ele disse: “Bill, porque você não para de falar tanto sobre aquela sua luminosa experiência brilhante? Parece tão louco! Embora eu esteja convencido que somente uma ética melhor possa realmente ajudar os alcoólicos, eu acho que você está colocando o carro adiante dos bois. O fato é que alcoólicos não vão aceitar estas exortações morais, antes de se convencerem de que é necessário. Se eu fosse você, eu os abordaria primeiro com uma base médica. Apesar de nunca me ter trazido qualquer benefício o lhes contar como é fatal a doença que eles tem, pode ser uma história muito diferente se você, um ex-bebedor sem esperança, dê a eles estas más notícias. Devido à identificação que você naturalmente tem com alcoólicos, talvez você penetre aonde eu não consigo chegar. Conte-lhes primeiro a parte médica da coisa e faça-o com ênfase. Talvez isto os amoleça, a ponto de aceitarem os princípios que realmente vão lhes fazer bem”.

Logo após esta histórica conversa, eu estava em Akron, Ohio, envolvido em um empreendimento comercial que não deu certo. Sozinho na cidade, eu estava morrendo de medo de ficar bêbedo. Eu não era mais um professor ou pregador, eu era um alcoólico que precisava de outro alcoólico, tanto quanto ele talvez estivesse precisando de mim. Pressionado desta maneira, logo eu estava face-a-face com Dr.Bob. De imediato, ficou claro que o Dr.Bob sabia mais sobre coisas espirituais, do que eu. Ele também havia estado em contato com as pessoas do grupo Oxford, em Akron. Mas de alguma forma, ele simplesmente não conseguia ficar sóbrio.

Seguindo o conselho do Dr.Silkworth, eu fiz uso do martelo médico. Eu lhe contei o que era o alcoolismo e como podia ser fatal. Aparentemente, isto fez acontecer algo dentro do Dr.Bob. Em 10 de junho de 1935 ele ficou sóbrio, nunca mais bebeu. Quando, em 1939, a história do Dr.Bob apareceu pela primeira vez, no livro Alcoólicos Anônimos, ele colocou um dos parágrafos em itálico. Falando comigo, ele me disse: “Muito mais importante foi o fato dele ser o primeiro ser vivo com quem falei, que conhecia o que falava sobre alcoolismo a partir de uma experiência pessoal”.

Dr. Silkworth na verdade forneceu o elo que faltava, sem o qual a seqüência de princípios hoje reunida nos nossos 12 Passos nunca poderia ter sido completada. Naquele lugar e naquele momento, aconteceu a centelha daquilo que um dia viria a ser Alcoólicos Anônimos.

Rocco Errico, A Oração do Senhor e Perdão

Versão B 04/07/2000

*Extraído de “ Ancient Aramaic Prayer of Jesus, the Lord’s Prayer “, por Rocco A. Errico*

[ Esse livro foi revisado e ampliado sob um novo título, Setting a Trap for God, The Aramaic Prayer of Jesus (ISBN 0-87159-124-3) . Nossa citação refere-se ao livro original.]

LIBERTAI-NOS DE NOSSAS OFENSAS

WASHBOKLAN KHOBEN: AICANNA DOP KHNAN SHBAKN LKHAYAVEN significa “ Perdoai
nossas ofensas, assim como perdoamos os que nos tenham ofendido. ” Uma tradução literal seria: “ Perdoai-nos [ de ] nossas ofensas da mesma forma com libertamos os que nos ofenderam.” A palavra KHOBEN usada aqui significa algo mais do que “dívidas,” como aparece em outras traduções da Bíblia.
Também significa “ falhas, “ “enganos ,”ou “ ofensas. “ E a palavra SHBAKN que tem sido traduzida como “perdoar,” também significa “ libertar,” “desamarrar,” “ afrouxar,” ou “ liberar.”

O Perdão nos Liberta

O Perdão nos liberta dos erros que cometemos no passado, ou que tenham sido cometidos contra nós, e nos possibilita um novo caminho na vida. O genuíno perdão cura qualquer ferida ou erro. Fortalece a alma sem coração que perdeu o rumo. Refresca e renova nossa esperança. É através do perdão que “nascemos de novo “ e nos tornamos “ como uma criança” .Dessa forma ganhamos de novo a preciosa atitude de uma mente voluntariosa que está pronta a aprender tudo de novo.

A Natureza não Condena

Jesus era um grande advogado do Perdão. Esse é um dos importantes ensinamentos que faz com que o Evangelho tão atraente e poderoso. Ele soube,através de sua própria experiência de vida e através do estudo das Escrituras, que a Natureza não culpa nem “aponta com o dedo” quando as coisas vão mal. A Natureza sempre trata de curar ou corrigir qualquer
ofensa ou lesão. Por exemplo, quando corto meu dedo, as forças vitais em meu organismo imediatamente acorrem ao local ferido para evitar uma infecção e para coagular o sangue evitando um sangramento excessivo. O corpo não procura identificar quem causou a lesão. Seu único interesse é reparar a lesão. Jesus sabia que Deus é um Pai amoroso e misericordioso que Cuida de seus Filhos. Ele também sabia que o perdão e o começo da
retificação de todos os enganos humanos. Culpando não cura nada, mas perdoando sim. Nosso Senhor, compreendendo a humanidade como compreende, deu espaço para as fraquezas e falhas humanas e enfatizou a necessidade da pratica do perdão. Ele sabia que o perdão restauraria os relacionamentos humanos partidos.

Uma Rua de Mão Dupla

“Libertai-nos de nossas ofensas.” N.T.1 (Em língua portuguesa e atualmente no Brasil o costume é – perdoai as nossas ofensas e no meu tempo de criança ,1950, perdoai as nossas dívidas.) Como adoramos essa parte da prece, pois nós todos ansiamos por nos libertar da culpa que acompanha nossos erros do passado. Mas há um requisito para que isto aconteça: “assim como nós libertamos aqueles que nos tenham ofendido.” Com que freqüência não damos a devida atenção à essa importante parte! Nós todos queremos nos libertar do
peso das ofensas que fizemos. Também queremos que os outros compreendam nossas falhas. Mas como encaramos as falhas alheias? Em outras palavras, através desse trecho da prece estamos pedindo: Deixe que eu experimente a mesma libertação de meus erros da mesma forma como eu permiti aos outros experimentarem.” Vamos parar e pensar um pouco nesse assunto. Quantas vezes ouvimos pessoas falarem, “Eu perdôo ele,” e poucos minutos depois,então,voltarem ao mesmo assunto. Eles não liberaram a ofensa. Ainda
estão agarrados à ela!

Quando guardamos rancor e permitimos que ele cresça em nossa mente, sofremos mental e fisicamente. Nos tornamos uma pessoal com a qual é insuportável conviver. Quando não perdoamos os outros, como esperar que o perdão possa ser estendido a nós? Se nos tornamos implacáveis e inflexíveis a perdoar os outros, eles nos tratarão da mesma forma. É impossível escapar da lei de colher o que foi semeado. Descobrimos que o que realmente
pensamos de nós mesmos, bem no fundo, é sentido pelos outros e refletido de volta como a “ impressão” de nós. É essencial para o nosso bem e o das demais pessoas, que aprendamos a perdoar o próximo e a nós mesmos. É igualmente importante compreender que sempre guardamos “ a primeira cópia “do que enviamos aos outros,seja ódio e ressentimento,ou amor e perdão

Sábios como as Serpentes

Isso não quer dizer, no entanto, que não devamos ter cuidados com certas pessoas que estão determinadas a fazer o mal. Jesus disse a seus discípulos que fossem “ sábios como as serpentes.” ( Veja Mateus 10:16) Ele usou esse exemplo porque “ observou que quando a serpente sente algum problema se aproximando, ela sai do caminho; isso evita que venha a ser pisada. E nós deveríamos fazer o mesmo! Quando pressentirmos a aproximação de um problema, devemos sair do seu caminho, contorná-lo.

Desta forma, seja sábio quando conhecer uma pessoa que pratique o mal e que fira. Você pode perdoá-lo, mas afaste-se de seu caminho ou será “ pisado.”
Portanto seja “sábio como as serpentes.”

“Puro como as Pombas”

Na passagem recém mencionada, Jesus também diz a seus discípulos para serem “ puros como as pombas.” As pombas gostam de ir aonde as pessoas são delicadas, aonde as pessoas são boas. Eles adoram pousar nos ombros de um homem bom. Eles fazem seus ninhos em certas casas aonde sabem que não serão maltratadas. Elas sentem isso, e as pessoas gostam de tê-las por perto.

Há uma referencia à esse fenômeno nos cântico dos Cânticos 2:12

• *As flores aparecem na terra; o tempo de cantar chegou, e já ouvimos a voz da pomba em nossa terra.*

Em muitas traduções para o Inglês essa variedade de pomba ( Turtle Dove ) .
Isso é muito estranho, pois a “voz” da tartaruga (turtle) não pode ser ouvida. A voz dessa pomba, no entanto, é uma alegria para todos; ouvi-lo significa que as pombas fizeram um ninho próximo e que há tranqüilidade e paz. Quando as pessoas estão irritadas e há discussão nos lares,as pombas vão embora. Elas ficam assustadas com a vibração que percebem em razão dos problemas no lar, mas quando ficam, é um sinal de paz e harmonia.

Se quisermos ser “puro como as pombas, “ então teremos de possuir um coração compassivo, porem sábio. Não devemos permanecer aonde há constantes atritos e criadores de problemas. Nós devemos estar em paz com todos e evitar problemas sempre que possível.

Auto Perdão, Também

Ainda há algo mais a ser levado em consideração no tocante ao perdão. Jesus estava nos ensinando que o nosso próprio perdão nos chega através do ato de praticar o perdão. Se não perdoamos os outros, é duro perdoar a nós mesmos.
As pessoas que se recusam a perdoar os outros freqüentemente não se perdoam também. Mas quando uma pessoa liberta os outros freqüentemente não manter nenhum rancor de si próprio.

“Puros de Coração”

Estas palavras da prece nos ajudam a sintonizar com a necessidade dos outros e com as nossas próprias necessidades. Elas ajudam-nos a limpar a mente do ódio e do ressentimento de forma a podermos comungar uns com os outros e com nosso Pai. Ajudam a purificar nossa mente,pois, como Jesus disse,

• *“Abençoados os puros de coração ( aqueles que tem a mente e a consciência limpa ) , pois eles verão Deus”(Mateus 5:8)*

A Sexta Proposição

O perdão revitaliza nossas almas e libera as tensões e servidões que infestam nossas mentes. Essa proposição não estaria completa sem o poderoso ato do perdão para nós e para os outros . Esta é a sexta proposição.

Tradução: Ricardo Gorobo

*ROTEIRO PARA O DÉCIMO PASSO**/

*/”Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.”/*

Evidentemente o décimo passo tem um propósito que não se esgota em fazer o inventário, pura e simplesmente.

Seu enunciado começa por “*/continuamos fazendo o inventário pessoal” /*e isto significa que este é um passo que dá continuidade ao outro único passo do programa que nos fala de inventário, que é o quarto passo.

Porque não posso apenas fazer o décimo passo e deixar o quarto para lá?
É porque no quarto passo foi onde descobri a natureza exata de minhas falhas e fazer inventário sem conhecer as razões ou motivações mais profundas de minhas falhas é um exercício de auto-flagelação completamente inútil. O programa é para alcançar a felicidade e não para despertar sentimentos de auto-piedade ou depressão desorientada. Fico com a conhecida máxima filosófica e religiosa: _”conheça-te a ti mesmo!”_

Estabelecido este pressuposto, ou condição necessária, eu deveria, agora, me debruçar sobre o objetivo deste passo: _identificar meus erros e corrigi-los!_

Também não tive como propósito, neste passo, a auto-congratulação e, aliás, deves tomar muito cuidado com o meu velho hábito de “contar vantagens”. A matéria-prima da qual se constituia a espiritualidade de AA é a troca de experiências, forças e esperanças, a fim de resolver o nosso problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo, como diz a apresentação (ou preâmbulo) de nossa irmandade.

Deste modo, o foco do décimo passo é o contínuo aprimoramento espiritual através do exercício mais simples para o crescimento da humildade de um ser humano, que é a imediata admissão de meus próprios erros: “*/e quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.”/*

Todo o décimo passo é, assim, um contínuo trabalho para a preservação da minha escassa humildade (contenção do ego alcoólico) e aprimoramento da minha programação de vida.

Como ferramenta para a preservação da minha humildade e, portanto, contenção de meu ego, condição indispensável para a preservação da minha sobriedade, o décimo passo me apresentou os seguintes tipos de técnica para a realização do inventário pessoal, que aqui eu apresento como eu as entendi:

*1.**O que fazer: *inventário relâmpago**

*Como fazer:* investigando a natureza exata de meu mal estar

*Quando fazer*: sempre que me sinto “enredados” (confuso ou mal)

*Onde fazer:* dentro de minha cabeça, em qualquer lugar

*Porque fazer:* quando estou perturbado, algo em mim está errado

*Para que fazer: *para recuperar a serenidade e o prumo em qualquer situação

*2.**O que fazer: *inventário diário**

*Como fazer:* analisando o desenrolar de meu dia

*Quando fazer*: antes de dormir, antes de minhas orações (Passo 11)

*Onde fazer:* dentro de meu quarto, em meu leito, ou em qualquer lugar

*Porque fazer:* aumenta, paulatinamente, a minha consciência vital

*Para que fazer: *encerrar do melhor modo o dia de hoje e melhorar o de
amanhã

*3.**O que fazer:* Inventários periódicos (semestrais ou anuais)

*Como fazer:* investigando, de forma abrangente, um período de minha vida

*Quando fazer*: com uma regularidade disciplinada, marcar um período do ano

*Onde fazer:* em qualquer lugar, MAS fora de MEUS ambientes de rotina

*Porque fazer:* atualiza a perspectiva que tenho de mim mesmo e de minha vida depois que alcancei a sobriedade e me permite examinar, em perspectiva, as consequências de minhas ações num prazo mais amplo

*Para que fazer: *para corrigir e reparar, permanentemente, os meus erros e o curso de minha vida

Para mim o décimo passo não é um esforço auto-destrutivo insano, através do qual devo me chicotear com fúria por minhas falhas, nem tampouco é um exercício de auto-congratulação, no qual me jacto de meus progressos materiais, não é nada disto. Posso olhar para o décimo passo como o sereno trabalho de uma dona-de-casa que todos os dias cumpre uma rotina de limpeza e organização do seu lar, que assim fica sempre agradável.

Na ativa eu tinha como hábito arraigado a procrastinação, que é o mau costume de deixar tudo para ser resolvido na última hora. Em recuperação preciso cuidar de minha vida como uma dona-de-casa amorosa cuida do lar de sua família, devo estar sempre disposto a colocar em ordem tudo o que estiver bagunçado, e imediatamente. Assim como também devo reconhecer a necessidade de fazer faxinas periódicas mais severas para manter a casa
sempre limpa.

Todos os passos de nosso programa de recuperação são extremamente simples, nenhum é impossível para quem tem um mínimo de boa-vontade e humildade, nossos passos são para seres imperfeitos. Eu sou imperfeito, eles são, portanto, para mim.

O papel do décimo passo é o de contribuir para a minha permanente conexão com a realidade de meu alcoolismo, de suas consequências sobre minha vida, mesmo depois de mais de 23 anos de abstinência contínua, para a aceitação de minha fragilidade como sers humano e da completa dependência de um esforço contínuo e de um Deus amantíssimo para a preservação da minha sobriedade.

Permanecendo permanentemente conectado com a natureza exata de minhas falhas, entendendo a fragilidade de minha condição e aceitando a imensa graça divina que me foi retransmitida através deste programa simples posso me preparar, enfim, para colher os frutos e viver uma vida como sempre desejei e nunca consegui.

Para encerrar vou apenas transcrever as doze promessas de AA que, com certeza, estão sendo cumpridas em minha vida e serão cumpridas para todos aqueles que estiverem dispostos a se dedicar a prática deste programa, com pelo menos dez por cento do entusiasmo que empregavam procurando o álcool.

AS DOZE PROMESSAS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

1) VAMOS CONHECER UMA NOVA LIBERDADE E ALEGRIA

2) NÃO IREMOS ARREPENDER-NOS PELO PASSADO, NEM QUEIRAMOS ESQUECÊ-LO POR COMPLETO.

3) COMEÇAREMOS A COMPREENDER A PALAVRA “SERENIDADE” E CONHECEREMOS A “PAZ”.

4) NÃO IMPORTA QUANTO DESCEMOS NA ESCADA, POIS PODEREMOS VER O QUANTO NOSSA EXPERIÊNCIA BENEFICIARÁ A OUTROS.

5) AS SENSAÇÕES DE INUTILIDADE E AUTO PIEDADE DESAPARECERÃO.

6) PERDEREMOS O INTERESSE PELAS COISAS EGOÍSTAS.

7) GANHAREMOS INTERESSE PELOS NOSSOS SEMELHANTES.

8) VAI MUDAR NOSSA ATITUDE E NOSSO MODO DE ENFRENTAR A VIDA.

9) MEDO DE GENTE E A INSEGURANÇA FINANCEIRA NOS DEIXARÁ.

10) INTUITIVAMENTE, SABEREMOS CONTORNAR AS SITUAÇÕES QUE ANTES NOS DEIXAVAM PERPLEXOS.

11) DE REPENTE, RECONHECEREMOS QUE DEUS ESTÁ FAZENDO POR NÓS O QUE NÃO PODÍAMOS FAZER SOZINHOS.

12) ESTAS PROMESSAS SÃO EXTRAVAGANTES? ACHAMOS QUE NÃO. ESTÃO SENDO REALIZADAS ENTRE NÓS, ÀS VEZES RAPIDAMENTE, E OUTRAS MAIS DEVAGAR, MAS SEMPRE SE REALIZARÃO SE TRABALHARMOS POR ELAS.

Um Propósito Único

“Nossa Unicidade de Propósito – A pedra angular de A.A.”, foi o tema da Conferência de Serviço Gerais do ano de 2004 e destaca um dos principais objetivos que a Irmandade manteve durante quase 70 anos em que ofereceu um refúgio seguro para os alcoólicos que sofrem. Desde aquela tarde de maio de 1935 quando Bill W. e o Dr. Bob se conheceram e conversaram durante horas seguidas, bêbados tem-se reunido para compartilhar suas experiências forças e esperanças, com um único propósito: para ajudar a si próprios e a outros alcoólicos a se recuperar através Doze Passos da A.A. Durante a semana de 18 a 24 de abril de 2004, os membros da Conferência irão reexaminar nossa unicidade de propósito – sua base espiritual e os desafios que a Irmandade enfrenta hoje. Eles vão tratar de temas como a responsabilidade para com o recém-chegado, salvaguardas da nossa unidade e o papel do grupo local; também irão participar de um seminário sobre a importância da unicidade de propósito para o indivíduo, Grupo, Distrito, Área, Grapevine (no Brasil a Revista Vivência), e ESG.
As Tradições, Terceira e Quinta, afirmam claramente: “Para ser membro de A.A., o único requisito é um desejo de parar de beber” e, “Cada Grupo é animado de um único propósito primordial: o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre”. A.A. é para alcoólicos e pessoas que acreditam ter problemas com sua maneira de beber; como Irmandade temos um único objetivo que é o de compartilhar nosso programa de recuperação com outros alcoólicos. Entretanto, A.A. como um todo, membros e Grupos, têm encontrado obstáculos quando pretendem se ater unicamente a estes princípios básicos e essenciais de nossas Tradições.
Todas as Doze Tradições foram forjadas durante anos de tentativas e erros e, na maior parte, foram concebidas, não pela sabedoria de seus fundadores e pioneiros, mas pelo reconhecimento destes da necessidade de salvaguardas contra seus próprios defeitos de caráter. Nos primeiros anos da formação da Irmandade, seus primeiros membros pretendiam canalizar suas energias para a criação de hospitais, centros de educação sobre o álcool e outros projetos grandiosos. Entretanto, essa ânsia por grandiosidade vinha acompanhada pelo medo de perder a sobriedade recém descoberta. No livro Doze Passos e Doze Tradições (pg. 125/126, no Brasil), Bill W. escreveu “Em dada época, cada Grupo de A.A. tinha numerosas regras de ingresso. Todos temiam que alguém ou alguma coisa fizesse virar o barco, atirando todos de volta à bebida. O Escritório da nossa Fundação pedia a cada Grupo que enviasse sua lista de regras ‘protetoras’. A lista total era quilométrica. Se todas aquelas regras vigorassem realmente em toda parte, ninguém teria conseguido ingressar em Alcoólicos Anônimos, tal a extensão da nossa ansiedade e dos nossos temores. Estávamos decididos a admitir a entrada em A.A.; apenas daquelas pessoas a quem chamávamos de ‘alcoólicos puros…Isso agora talvez pareça cômico… Bem, tínhamos medo…Afinal, não será o medo a verdadeira base da intolerância?… Como poderíamos então adivinhar que todos aqueles temores resultariam infundados“.
Mais de meio século depois, essas palavras ainda parecem não ser tão cômicas assim. Com o afluxo de futuros membros que sofrem de outros problemas, nossa fé em que esses temores são infundados é testada diariamente. Como A.A. tornou-se cada vez mais conhecido e respeitados aos olhos do público, muitas outras organizações adotaram nossos Doze Passos de recuperação para uma ampla variedade de problemas e adicções. Isso resultou numa distorção na distinção entre A.A. e outras instituições – “o álcool também é uma droga”, podemos ouvir dos recém-chegados que não são alcoólicos, mas – muitas vezes informados por bem-intencionados amigos de A.A, acreditam que as reuniões de A.A. são o lugar mais adequado para aqueles com qualquer problema ou adicção.
As orientações para essa situação estão claras em um artigo que Bill W. escreveu na revista Grapevine, em fevereiro de 1958, com o título “Outros problemas além do álcool,” (disponível nos ESL´s com o código 220): “Nossa primeira responsabilidade como Irmandade, é a de garantir nossa própria sobrevivência. Portanto, temos que evitar confusões e as atividades de propósitos múltiplos…. Sobriedade – libertação do álcool – através da aprendizagem e da prática dos Doze Passos, é o único propósito de um Grupo de A.A….. Temos de limitar nossa Irmandade aos alcoólicos e também limitar os nossos Grupos de A.A. a um único propósito. Se não nos agarrarmos a esses princípios, certamente fracassaremos. E se fracassarmos, não poderemos ajudar ninguém”.
Como lidar com alcoólicos com outras adicções (dependência cruzada, no Brasil) que persistem em falar sobre outros problemas nas reuniões é uma questão diferente. No mesmo artigo, Bill escreve sobre “um dos melhores AAs que conheço é um homem que esteve sob a dependência da agulha sete anos antes de se juntar a nós. Mas, antes da dependência da droga, ele tinha sido um alcoólico ativo e sua história comprovou isso. Portanto tinha o requisito para tornar-se membro de A.A., e passou a ser um de nós”. Devem insistir os Grupos em que os recém-chegados, portadores de dupla dependência, limitem seus depoimentos unicamente ao seu alcoolismo? Os Grupos deverão exigir dos futuros membros a identificação de sua principal dependência antes de aceitá-los como ingressantes? Ou, simplesmente podemos acolher e saudar estes homens e mulheres na confiança de que virão, ouvirão e irão encontrar seu próprio caminho?
Na Conferência de 1983, cujo tema foi “Estamos ajudando o portador de dependência dupla?”. A delegada Dyanne G. descreveu a forma como seu Grupo lhe deu as boas-vindas “Agradeço a Deus por ter ingressado num Grupo amadurecido e suficientemente espiritualizado onde não encontrei nenhuma censura aos meus depoimentos e ações a fim de (meus companheiros), se protegerem de mim. Eu falei sobre drogas, e usei um monte de palavrões ao fazê-lo! O Grupo me tratou com a dignidade suficiente para eu poder escolher mudar estas coisas e a liberdade para fazê-lo quando eu pudesse, não quando eles achavam que eu deveria. O meu Grupo parece não ter nenhuma dificuldade em lidar com o nosso único propósito, que é o de levar a mensagem aos alcoólicos ainda sofrem. Entretanto, no começo foi um pouco confuso. Há uma linha tênue entre defender nossa Tradição de unicidade de propósito e limitar ou restringir a adesão de membros. O dia em que A.A. comece a rejeitar as pessoas que podem ser alcoólicas, começaremos a morrer. Onde fica a nossa boa vontade se, para defender nossos ‘direitos’, destruímos A.A.?”
Unicidade de propósito tem sido o tema de várias Conferências anteriores, e praticamente em todas e cada uma das discussões e ações de assessoramento relacionadas com esse assunto tomaram muitas horas. A Conferência de 1987, debateu por quase um dia inteiro uma recomendação para a aprovação pela Conferência de uma instrução para diferenciar reuniões abertas e fechadas sugerindo que “ao discutir nossos problemas, nos limitemos unicamente aos problemas que se referem ao alcoolismo.” Alguns alegaram que nenhum Grupo tem o direito de dizer a ninguém o que falar; outros pediram ajuda para lidar com pessoas com outras adicções e que estavam dominando reuniões. Os procedimentos de votação normais foram suspensos e por varias vezes foram recontados os votos favoráveis e contrários à proposta, até que todos se satisfizeram por ter alcançado uma verdadeira consciência de Grupo. No final, a Conferência, com substancial unanimidade votou contra a aprovação da proposta, mas criou uma peça de orientação conhecida como “Blue Card” (Cartão Azul), disponível para os Grupos que precisam de orientação.
Os adictos e pessoas com outras dependências não contempladas pela unicidade de propósito de A.A. não irão desaparecer – eles são uma das conseqüências do nosso próprio sucesso. Ironicamente, alguns dos nossos bons amigos no campo do alcoolismo agravam o problema porque eles acreditam que o nosso programa funciona melhor do que qualquer outra coisa para uma variedade de adicções. Informação pública e um bom trabalho de cooperação com profissionais é parte da resposta, mas, em última análise, não podemos controlar o que outros fazem – apenas como nós mesmos iremos reagir. Se, na defensiva, respondemos com uma enxurrada de restrições, não estaremos saindo de nosso propósito ao impedir a participação de alcoólicos que ainda não reconheceram se problema?
No encerramento da 36ª Conferência de Serviços Gerais em 26 de abril de 1986, no Hotel Roosevelt em Nova York, Bob Pearson (1917-2008), deu uma poderosa e inspiradora palestra de encerramento. Bob P. foi Gerente Geral do Escritório de Serviços Gerais (GSO), em Nova York, entre 1974 e 1984 e depois serviu como conselheiro sênior para o GSO, de 1985 até sua aposentadoria. Foi um momento especialmente significativo, pois sabia que iria se aposentar no ano seguinte, e que esta seria sua última Conferência de Serviços Gerais. “Faço eco aqueles que sentem que, se a Irmandade um dia vier hesitar ou falhar, não será por causa de qualquer causa externa. Não, não será por causa de centros de tratamento ou de profissionais da área, ou da literatura não-aprovada pela conferência, ou dos jovens, ou dos portadores de dependências cruzadas, nem até mesmo dos usuários de drogas tentando assistir às nossas reuniões…. Será porque não podemos controlar nossos próprios egos e porque somos incapazes de conviver bem uns com os outros. Será porque temos muito medo e insegurança, rigidez, falta de confiança e de bom senso.
Se você me perguntasse qual é o maior perigo enfrentado por A.A. hoje, eu teria que responder: a rigidez crescente – a demanda por respostas absolutas para minúcias; a pressão sobre o GSO para ‘reforçar’ as nossas tradições; a triagem de alcoólicos em reuniões; a proibição de literatura não-aprovada pela Conferência; o estabelecimento de mais e mais regras para controlar os grupos e seus membros. Esta tendência à rigidez está nos afastando cada vez mais dos nossos membros fundadores. Bill, em particular, deve estar dando voltas em seu túmulo, pois ele foi talvez a pessoa mais permissiva que eu já conheci. Uma de suas frases preferidas era: ‘Cada grupo tem o direito de estar errado’. Ele era irritantemente tolerante com seus críticos e tinha fé absoluta na capacidade de AA se auto-corrigir”.

Transcrito, com permissão, do texto em español do boletim oficial do GSO, Box 4-5-9, Vol. 50, no. 2 / Abril-Maio 2004

http://www.aa.org/subpage.cfm?page=27

“VIVENCIANDO AS DOZE TRADIÇÕES”! AUTOR:- A. R.
INTRODUÇÃO:
“A alarmante expansão de A.A. foi acompanhada de sérios problemas de ‘crescimento’. Questões sobre quem podia ser membro, sobre dinheiro, sobre relações internas e externas, sobre administração dos‘grupos’ e dezenas de outras complicações começaram a ensejar discussões nos grupos.
“Neste vasto tumulto surgiram em 1946 “As DOZE TRADIÇÕES”.’ Elas surgiram inicialmente em sua ‘FORMA LONGA’
Em 1947, por sugestão do companheiro. EARL T., fundador do Grupo de Chicago, elas foram resumidas de modo a terem um formato parecido com “OS DOZE PASSOS”.
Na Primeira Convenção Internacional de A.A. em CLEVELAND, em junho de 1950, na última aparição pública do Dr. BOB , BILL W. pediu e obteve aprovação unânime das “DOZE TRADIÇÕES”.
“Várias foram as discussões que motivaram o aparecimento das Tradições.”
A Terceira Tradição surgiu, por exemplo, de um artigo de Bill W. no Grapevine de 1946 intitulado: ‘QUEM È MEMBRO DE Alcoólicos Anônimos?”“
A Sexta Tradição tem seu fundamento em outro artigo num Grapevine de 1947: “Hospitais e A.A.”. Depois sobre a mesma Tradição : Os Clubs de A.A. devem continuar?
A Oitava Tradição teve seu conteúdo discutido no Artigo de um Grapevine de 1947; “Os Perigos de ligar A.A. a outros projetos”.
A questão de dinheiro (Sétima Tradição) foi exposta em 1946: “Dinheiro”.
Em 1947, no artigo “A.A. nunca terá um governo pessoal” Bill lançou os fundamentos da Tradição Nove.
No artigo“ANONIMATO” de 1946, estão os fundamentos das Tradições ONZE e DOZE.
Na verdade o nosso Segundo Legado ‘UNIDADE’ possui apenas uma única e Básica Tradição: A Primeira.
As outras Onze são apenas complemento. Surgiram para especificar, para completar a Primeira.
O Texto das Tradições, como o temos hoje, surgiu em 1953, com a Publicação do Livro “Os Doze Passos e Doze Tradições.”
È o mesmo Método Para O Estudo do Ciclo de AS Doze Tradições, mas é necessário Fazer uma Abertura Melhor, pois exige muito trabalho, mas tenho todo Material Na Apostila e podemos melhorar.
REUNIÃO DE ESTUDOs E EXCLARECIMENTOs DE “AS DOZE TRADIÇÕES” –Grupo REUNIDOS –JF.ANO-1966
PRIMEIRA TRADIÇÃO: “NOSSO Bem-Estar Comum Deve Estar Em Primeiro Lugar; A Reabilitação Individual Depende DA UNIDADE de Alcoólicos Anônimos”…
OU
“Cada membro de A.A. é apenas uma pequena parte de um grande todo. A.A. precisa a continuar a existir ou a maioria de nós certamente morrerá .
Portanto , nosso bem –estar comum vem em primeiro lugar , mas seguido de perto pelo bem-estar individual”. No Chat Voz fica mais fácil. Todos Participam e fica Interessante.
“SÍNTESE DA PRIMEIRA TRADIÇÃO”
- A Unidade entre os A.As. é a qualidade mais preciosa que a nossa Sociedade possui .
-
-Mas será que em A.A. o individuo não significa muita coisa ?
= Na verdade não há outra Irmandade que dispense mais carinhosa atenção a seus membros :Assim
-Os doze Passos são apenas sugestões .
-as Doze Tradições contém apenas os verbos “devemos”, “deve”…
-nenhuma delas contém “não faça”, “você tem que”…
-Muitos do que chegam se perguntam: “como consegue funcionar tal bando de anarquistas?”.
-È que todo o membro de A.A. È “OBRIGADO” a submeter-se aos Princípios de da RECUPERAÇÃO. “Sua VIDA DEPENDE DISTO.”
-Porém a Maioria dos indivíduos não consegue recuperar-se se não houver um grupo.
-Por isto, a melhor maneira de Viver e trabalhar em grupo tornou-se questão Primordial.
-A luta pela Riqueza, pelo Poder e pelo Prestígio não deve nos destruir.
-As Doze Tradições de A.A. manterão nossa “Unidade”enquanto ELE (Poder Superior) precisar de Nós.
“ROTEIRO Para REFLEXÃO”
-
-ESTAS perguntas são Para facilitar o entendimento e o raciocínio de todos !
1- Porque a Unidade é a Qualidade mais preciosa em A.A.?
R – Fonte: livro de as Doze Tradições: – A UNIDADE entre Alcoólicos Anônimos è a Qualidade mais Preciosa que a Nossa Irmandade possui. Nossas Vidas, as vidas dos que estão ainda por chegar, dependem diretamente dessa Unidade . Ou nos mantemos Unificados ou AA. morre.
2- Que mais aconteceria se faltasse Unidade Entre Nós membros?
R-Sem Unidade, o coração de Alcoólicos Anônimos deixaria de Bater, nossa Artérias mundiais deixariam de transportar a graça vivificante de DEUS e as dádivas divinas dadas a nós seriam gastas à toa.
3- Qual o risco que correríamos se o coração de Alcoólicos Anônimos deixasse realmente de Bater? Que diríamos?
R-DE novo em sua prisão, os alcoólicos nos condenariam , dizendo , “que coisa formidável poderia ter sido A.A.”?
4- O A.A. valoriza o Indivíduo (membro)? Terá ele que ser dominado ou engolido pelo seu grupo ?
R- A Indagação poderemos responder um com sonoro “Não!” Acreditamos não haver outra Irmandade No Mundo que dispense mais carinhosa atenção aos seus membros
Individualmente;
Não há mais ciosamente quem defenda o direito individual de pensar, falar e agir livremente.
5- Um Membro têm direito de obrigar ou dar ordens a seu Companheiro.
R- Nenhum A.A. pode obrigar um colega seu a fazer o que quer que seja ; ninguém pode ser punido ou expulso da irmandade .
6-Como explicar o fato de Os Doze Passos serem apenas sugestão e também Obrigação Ao Mesmo Tempo?
R-Os nossos Doze Passos para a Recuperação são Sugestões. As Doze Tradições, que asseguram a unidade de Alcoólicos Anônimos, não contêm um só “Não Faça”. Elas cansam de Repetir“devemos” , mas nunca “Você tem que!”
Num Trecho abaixo BILL W. diz cristalinamente:-“Aqueles que observam com atenção logo descobrem a chave do estranho paradoxo”.
Todo membro de A.A. deve conformar-se com os Princípios da Recuperação. Sua Vida depende realmente da “ Obediência” a Princípios Espirituais .
Se ele se afasta demais, o castigo é certo e rápido. ; ele adoece e morre.
7 – O porquê da necessidade de levar a Mensagem Ao nosso próximo.
R-A princípio ele se submete aos (Princípios) porque precisa, mas depois descobre um modo de Vida que realmente lhe agrada. Ademais, ele descobre não poder reter essa dádiva sem preço se por sua vez não entregá-la aos outros .
Nem ele nem ninguém mais poderão sobreviver, a menos que propague a mensagem de A.A. No instante que esse trabalho do Décimo Segundo Passo forma um Grupo, uma nova descoberta é revelada.
8-Você acha que o Grupo é necessário à nossa RECUPERAÇÃO? POR QUÊ?
“““ “R-No instante que esse trabalho do Décimo Segundo Passo forma um Grupo, uma nova descoberta é revelada; a maioria dos indivíduos não consegue recuperar-se se não houver um grupo”. “Sozinho ninguém vence o jogo da Vida.”.
9-QUAL o tipo de luta (desunião) que pode destruir o A.A.?
A luta pela riqueza, pelo poder e pelo prestígio não deve nos destruir .
10- QUAL o limite de duração de A.A.?
R-Enquanto ELE (PODER SUPERIOR) precisar de Nós.
Fraternalmente,
Lúcio A.
Temática de A.Rocha , com complemento de Lúcio A.
Fonte: As Doze Tradições – Autor: Bill W.
“TEMÀTICA: “Um DEUS Amantíssimo que se manifesta em nossa em
Nossa consciência coletiva.”
AUTOR: A.R.
A Filosofia de A.A.é constituída pelos TRÊS LEGADOS, a nós
deixados pelos nossos primeiros membros:- RECUPERAÇÂO, UNIDADE e SERVIÇO.
Os Passos foram escritos por BILLW, em dezembro de 1939, sob inspiração divina, durante uma meia hora e constituem o nosso PROGRAMA de RECUPERAÇÂO.
As Tradições foram forjadas por BILL, Dr. BOB e os outros primeiros membros, mas em 11 anos, e fundamentam o Legado UNIDADE em nossa Irmandade.
Diz-se muito em A.A. que os Passos nos mostram como Viver: uma
Nova Maneira de Viver. As Tradições nos mostram como
Conviver: uma Nova Maneira de Viver… em GRUPO.
Assim as Tradições complementam os Passos. Elas são a segurança dos
Passos. “Elas são tão importantes para nós que já na Primeira
delas encontramos: “ A REABILITAÇÃO INDIVIDUAL
DEPENDE DA UNIDADE DE Alcoólicos Anônimos”.
1. A Necessidade das Tradições:
Na 10ªTradição encontramos um exemplo de sociedade que,
não conseguindo manter sua Unidade, fracassou em sua missão
de ajudar aos alcoólatras: a sociedade Washingtoniana. Ela meteu-se
em questões alheias a ela (a abolição), em controvérsias públicas, e por isto desapareceu.
Mas deixou-nos a LIÇÃO. Devemos aprender…
2 . Como era o início?
Sabemos que os nossos primeiros membros preferiram, em vez das
“SEIS ETAPAS” dos Grupos Oxford”, os nossos “DOZE PASSOS”.
Esta troca foi proposital e providencial. A palavra ETAPAS
significa PARADAS em uma caminhada enquanto que PASSOS
designa o próprio caminhar, o seguir em frente.
Com as Tradições aconteceu algo semelhante; de início, nos
Grupos Oxford, existiam as NORMAS. ‘Normas significam regras,
Imposições, lei… Nossos primeiros membros preferiram a
Palavra “TRADIÇÕES” que são princípios fortemente arraigados
a uma sociedade, povo ou civilização (ColetâneaI, pag.99).
3. Uma visão inicial:
As Doze Tradições, que constituem o nosso legado UNIDADE,
Possuem uma Tradição fundamental, endereçada só para a
Irmandade: é a Primeira. Ela é a Tradição da Unidade em A.A., por excelência. As outras onze a complementam.
As doze Tradições possuem também uma tradição fundamental para reger o relacionamento de A.A. com a Comunidade: é a Quinta Tradição: o Propósito Primordial. Fazendo uma comparação bíblica, a quinta tradição é o SAL de A.A. No dia em que o A.A.‘esquece-la, perderá também a sua razão de ser’.
No entanto, a tradição que foi a primeira a ser forjada e
experimentada, a tradição que é a essência, a substância espiritual
de todas as outras, foi a Décima Segunda: o ANONIMATO,
o Alicerce espiritual de A.A. (a Humildade).
4. Algumas questões inúteis…
Nos termos da Segunda Tradição, somente uma autoridade… um Deus
amantíssimo…. Aceitamos também a inspiração divina das
Tradições. Alguns companheiros não compreendem isto e, de maneira inútil, questionam:
Por que não colocar a Sétima Tradição em primeiro lugar, já que ela trata de finanças…e o dinheiro é a mola do mundo?
A 3ª. Tradição é que deveria vir primeiro, já que é ela que abre as portas de A.A.
A 12ª. Tradição deveria vir primeiro, já que é o alicerce espiritual e foi a primeira a ser forjada.
1. A 5ª. Tradição é que deveria vir primeiro, já que é o Propósito
Primordial.
A 4ª. Tradição é que deveria vir primeiro já que trata da autonomia… etc…etc…etc.
A verdade é que “Nós, AAs, não podemos ferir uma Tradição
sem ferir a todas as outras” (Coletânea I, pág. 99)
5. A Segunda Tradição
Ela nos diz que “Somente uma autoridade preside, em última análise,
ao nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que se manifesta em
nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar”.
Em sua formulação inicial, a 2ª. tradição tinha o seguinte enunciado:
“Para nosso propósito de grupo, há somente uma autoridade suprema – um Deus
amoroso que
se manifesta em consciência de grupo”.
Este é um dos maiores enigmas da Irmandade. Todos os que
nos conhecem, se perguntam, boquiabertos: De onde vem a direção de A.A.? Quem a dirige?
Na verdade, nem mesmo as CENSAAs e as ISAAs,DISTRITOS, ESLs, a JUNAAB ou a CONFERÊNCIA Não têm poderes governativos sobre os grupos e sim apenas poderes consultivos.
O texto da Segunda Tradição nos fala do Companheiro John Doe que funda um Grupo, dirigi-o por certo período de tempo, mas chega a hora que os membros do Grupo pedem: “Façamos uma eleição”.
A‘Consciência Coletiva’ do Grupo assume o controle da situação. Fica instituído o COMITÊ ROTATIVO. Este comitê è formado .de servidores de Confiança e não Senadores.
Deste modo, o A.A. terá sempre uma verdadeira
LIDERANÇA. Sobre o serviço em A.A.,duas figuras ficaram famosas :o Velho Mentor e o Velho Resmungão.
O Velho Mentor é aquele que vê a Sabedoria das decisões do Grupo e não se ressente com a diminuição de seu status no Grupo.
Sua experiência è aproveitada no Grupo.
O VELHO Resmungão acredita que o Grupo não pode subsistir sem ele. Alguns, esvaziados de todos os Princípios de A.A., acabam se embebedando.
Na Segunda Tradição ainda encontramos o exemplo de BILL, ao receber o convite do dono do Hospital de NOVA IORQUE, CHARLIE.” BILL acho uma pena você estar em tamanhas dificuldades financeiras. Porquê você não transfere seu trabalho para cá? Você pode se transformar num terapeuta leigo e terá o maior sucesso do que qualquer outro”.
Ao contar isto ao Grupo, escutou: “BILL, a sua proposta nos incomoda bastante.Não percebe que você jamais poderá se transformar num profissional?” E BILL concluiu:-“Assim falou a Consciência do Grupo. O grupo tinha razão . EU ouvi e GRAÇAS a DEUS obedeci.”
CONCLUSÂO:- As Tradições também não contém nenhum “Não pode”
[ proibição]e sim DEVE, DEVEMOS, DEVERÀ [ver Tradições 1,4,6,7,8,9,10]
Diante de tamanha liberdade, não è de se estranhar a
pergunta que encontramos na Primeira Tradição: “Como consegue funcionar um bando de anarquistas?” “que coisa os mantém unidos?”
A resposta vem logo na segunda TRADIÇÂO:-“Somente uma autoridade preside…um DEUS amantíssimo…”. Nossos lideres são apenas servidores de confiança”.
OBS: A. R. é um ELO da corrente de Alcoólicos Anônimos que jamais se furtou a Levar á Mensagem aos alcoólicos. Sou Grato por conhecer tantos e tantos companheiros (as) que Tem o desprendimento e Amor para nosso Crescimento Espiritual. Creio, que precisamos estudar ou nos dedicar mais um pouco As Doze Tradições e Os Doze Conceitos Para Serviços Mundiais , e por esta razão , transcrevi para a lista de Recuperação artigos sobre as Tradições .
Dedico esta Temática aos meus companheiros em A.A. e de A.A. e em especial ao Sereninho ,rogando ao Poder Superior que jorre muita Luz sobre o companheiro ,para que em breve ele esteja de volta ao Terceiro Legado.
TERCEIRA TRADIÇÃO: ‘REUNIÃO DE ESTUDO DE “AS DOZE TRADIÇÕES”
EXPOSITOR: ARISTÒTELES
TERCEIRA TRADIÇÃO: ‘ Para ser membro de A.A., o único requisito é o desejo de abandonar a bebida.
OU
Nossa Irmandade deveria incluir todos aqueles que sofrem de alcoolismo, por isso não podemos recusar nenhuma pessoa que queira se recuperar. Nem deveria a afiliação ao A.A. jamais de depender de dinheiro ou formalidade. Dois ou Três alcoólicos reunidos com a finalidade de se manter sóbrios , podem se considerar um Grupo de A.A., desde que, como Grupo não tenham outra afiliação.
- Estabelecer este princípio de filiação foi obra de muitos anos de angústia.
-De fato, no início de A.A., nada parecia mais frágil e quebradiço como um Grupo de A.A.
- Não havia Literatura. As recaídas eram freqüentes. Para se proteger, os Grupos impunham condições as mais diversas aos que chegavam.
-Eram assim muitas e variáveis as exigências para o ingresso. Cada Grupo tinha as suas.
-Até que a publicação e a tradução de ‘As Doze Tradições’, veio encerrar a polêmica.
-Muitos foram os debates sobre se o A.A. deveria aceitar mendigos, vadios, débeis mentais, encarcerados, homossexuais, prostitutas.
-A maioria dos membros só queria aceitar os “alcoólatras puros” aqueles que só fossem alcoólatras.
- Aqueles que tivessem dupla dependência, nem pensar.
-Mas a experiência provou que este medo era infundado.
-Começou-se a acreditar que por mais perverso e violento que fosse o ingressante, ele não nos faria mal.
- E o princípio foi fixado: “VOCÊ SERÀ MEMBRO DE A.A. SE ASSIM O QUISER.”
“Você será membro de A.A. no Instante em que se declarar”.
-Não se pode mais impor condições.
POR QUÊ?
- A experiência ensinou afinal que privar o alcoólatra de uma plena oportunidade equivale muitas vezes a pronunciar a sua sentença de morte. Não temos o Direito de nos arvorar em Juiz, Júri ou Carrasco de nosso irmão Doente.
-Na História de A.A., uma vez chegou um alcoólatra que tinha também outra dependência. Houve muita discussão no Grupo. Muitos queriam recusá-lo.
Até que alguém no Grupo falou: “Que faria o Mestre”?
Logo em seguida ele foi aceito, superou logo seus problemas e se mostrou excelente companheiro.
- Caso importante é o do companheiro Ed, que ao chegar, declarou-se ateu e provocou logo grande rejeição entre os demais membros do Grupo. Mas Ed ficou e converteu.
E todos depois se perguntavam: “E se tivéssemos recusado ED”? O que teria sido dele e de todos a quem ele ajudou?
-E ASSIM SE FORMOU A TERCEIRA TRADIÇÂO.
Roteiro Para Reflexão
1- Na Tradição na forma antiga, quais os dois tipos de condições que não se deveria colocar para a afiliação em A.A.?
2- Porque no início os Grupos impunham condições para o ingresso em A.A.?
3- No inicio quais os tipos de pessoas que se queria recusar?
4- Qual o caso mais grave, que se pensou em proibir de ingressar?
5- Qual o Princípio fixado, sobre o Ingresso em A.A.?
6- Qual o Caso do Companheiro ED?
OBS: Se houver dúvidas leiam o‘PREÂMBULO’
Fraternalmente,
Lúcio A. M.

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